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Numero do processo: 12571.720129/2012-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 30 00:00:00 UTC 2021
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
IPI. OMISSÃO DE RECEITAS. LANÇAMENTO DE IRPJ. CONEXÃO. COMPETÊNCIA.
Conforme disposto no regimento interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cabe à Primeira Seção de Julgamento processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação relativa ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3301-003.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DECLINAR competência para a 1ª Seção de Julgamento, nos termos do voto do relator.
ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL - Presidente.
VALCIR GASSEN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, José Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Liziane Angelotti Meira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: Valcir Gassen
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OMISSÃO DE RECEITAS. LANÇAMENTO DE IRPJ. CONEXÃO. COMPETÊNCIA. Conforme disposto no regimento interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cabe à Primeira Seção de Julgamento processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação relativa ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DECLINAR competência para a 1ª Seção de Julgamento, nos termos do voto do relator. ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL Presidente. VALCIR GASSEN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, José Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Liziane Angelotti Meira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 72 01 29 /2 01 2- 94 Fl. 11555DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12571.720129/201294 Acórdão n.º 3301003.047 S3C3T1 Fl. 11.556 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1441.366 (fls. 11470 a 11494), de 18 de abril de 2013, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) – DRJ/RPO – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte e manteve o crédito tributário exigido, bem como a imputação de responsabilidade solidária à empresa Sheep Indústria e Comércio de Produtos Agropecuários Ltda., e também à pessoa de Luis Gustavo Malucelli Bacila. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do Acórdão ora recorrido: Versa o presente Processo Administrativo Fiscal (PAF) sobre impugnação à exigência de crédito tributário no valor total de R$ 2.451.947,93 – inclusos os consectários legais (juros de mora calculados até 31/05/2012; multa de ofício, e multa isolada – constituído por Auto de Infração de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI. Referida exigência (de IPI) deuse no âmbito de ação fiscal iniciada com o objetivo de verificar a correta apuração do IRPJ (e reflexos em CSLL, PIS e Cofins), referente aos períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 2007 e dezembro de 2008 – a qual resultou, também, nos lançamentos de ofício que são objeto do processo (principal) nº 12571.720128/201240. O quadro abaixo (excerto do Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo; fl. 02) ilustra a síntese da composição do crédito tributário de que versa o presente processo: A discriminação analítica da exigência (de IPI) consta do respectivo Auto de Infração (fls. 1095510974 do PAF), bem como em seus elementos integrantes (no Termo de Verificação Fiscal TVF; fls. 1097511049; e respectivas Planilhas, em especial na Planilha 18) – inclusive bases de cálculo, períodos de apuração, alíquotas, percentuais das multas aplicadas, descrição dos fatos e enquadramento legal. De acordo com a autoridade autuante, o citado Termo de Verificação Fiscal compreende 31 Planilhas (demonstrativos de apuração fiscal; fls. 1105011348) e o Sumário do Processo (fl. 03); de outra parte, o TVF integra o citado Auto de Infração (conforme nele consignado) – sendo que, em seu bojo, há o “devido detalhamento” (do procedimento fiscal), com a descrição das “intimações e dos demais atos da fiscalização, dos documentos e esclarecimentos apresentados” (pela pessoa jurídica fiscalizada e por terceiros) “das constatações e das conclusões, ou seja, títulos 02 a 10”. Fl. 11556DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12571.720129/201294 Acórdão n.º 3301003.047 S3C3T1 Fl. 11.557 3 No título 02 do TVF (Início do Procedimento Fiscal e Intimações), anotouse que o procedimento fiscal foi iniciado em “21/12/2010” (por ciência postal do Termo de Início), oportunidade em que a contribuinte foi intimada a apresentar os primeiros elementos e a prestar informações com o objetivo de verificar a apuração e os recolhimentos dos tributos IRPJ e CSLL (cuja forma de apuração informada nas DIPJ 2008 e 2009 foi o Lucro Real Anual), bem como das contribuições Cofins e PIS/Pasep (no regime nãocumulativo) – referentes ao “período de 01/2007 a 12/2008”. Ainda no mesmo título (02) do TVF, constou síntese (em ordem cronológica) das intimações da fiscalização, bem como das respostas da fiscalizada, contendo remissão expressa às folhas do PAF em que podem ser verificados os referidos termos fiscais, as respostas e os elementos mencionados. Outrossim, constou que com “a alteração do MPF e Intimação nº 166/2011”, o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) passou a fazer parte da verificação fiscal, relativamente aos períodos de apuração compreendidos no mesmo interregno. No título 03 (Circularizações) do mencionado termo fiscal, registrouse que a fiscalização, “considerando a dificuldade de a pessoa jurídica apresentar os elementos solicitados e as sucessivas solicitações de dilações de prazo”, procedeu à circularização dos principais fornecedores, “com o objetivo de subsidiar e/ou complementar os esclarecimentos e/ou comprovações devidas pela fiscalizada”. A “análise minuciosa” e as “constatações” de cada um dos “sete” fornecedores não localizados pelo Correio (dentre os 20 fornecedores circularizados), de acordo com o anotado, “encontrase no título 04.2. CIRCULARIZAÇÕES”. A fiscalização encerrou o citado título (03) com as assertivas adiante transcritas: “É relevante salientar que foi realmente adequada a circularização promovida pela fiscalização, pois, dentre as compras nos montantes de R$18.601.750,13, restou comprovada a efetividade das operações de R$10.635.787,93 (ressalvadas as simples remessas, expostas mais adiante), evitandose, assim intimações adicionais à fiscalizada, eventuais prorrogações de prazos e possíveis glosas, face à dificuldade da fiscalizada em apresentar tais elementos comprobatórios. Do montante de R$7.965.962,20, segundo a escrituração contábil, R$4.151.760,00 saíram da conta Caixa (Plani lha 08). Como não houve estornos, alguém embolsou tal numerário. E não foram os sócios constantes do Contrato Social .” Consoante a autoridade autuante, o título 04 do Termo de Verificação Fiscal versa sobre constatações preliminares acerca de livros, documentos e demais elementos coletados pela fiscalização. Afirmou que a “descrição mais detalhada da apuração dos fatos e das constatações se dará mais adiante no título 07. INFRAÇÕES APURADAS E ACRÉSCIMOS LEGAIS” (g.n.). No item “04.1” (Baston do Brasil), constam (segundo a autoridade autuante) os elementos apresentados pela fiscalizada (sob intimação, “e após prorrogações de prazo”, subdivididos em: a) Documentos da Pessoa Jurídica e dos Sócios; b) Livros Comerciais e Fiscais; c) Planilhas de Apuração; d) Ações Judiciais ou Processos Administrativos; e) Demais Documentos; f) Manifestações, Justificativas ou Esclarecimentos; g) Arrolamento de Bens e Direitos; h) Declarações e Demonstrativos. O título 04 (“de constatações preliminares” sobre livros, documentos e demais elementos coletados, como acima mencionado) ainda foi desmembrado nos itens: Fl. 11557DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12571.720129/201294 Acórdão n.º 3301003.047 S3C3T1 Fl. 11.558 4 04.3. Cartórios e Junta Comercial; 04.4. Receita Estadual do Paraná; 04.5. DetranPR; 04.6. Processos Siscomex, e 04.7. RMF No último item (“04.7. RMF”), constou que – ante as “dificuldades de a fiscalizada apresentar os extratos bancários” – a DRF em Ponta Grossa (PR) “solicitou os dados diretamente às instituições financeiras mediante Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF). O Banco Itaú S/A e a Caixa Econômica Federal apresentaram os elementos solicitados (...)”. O título 05 do TVF (Dados Cadastrais e Declarações da Pessoa Jurídica Fiscalizada), além de dispor sobre a denominação social; a atividade econômica no período fiscalizado (“fabricação, comércio, importação e exportação de produtos químicos, cosméticos, veterinários e tintas. Comércio, importação e exportação de lubrificantes, saneantes, domissanitários, peças e acessórios para veículos”); contém o registro de que a fiscalização constatou “o que segue”: “São sóciosadministradores da pessoa jurídica (na realidade interpostas pessoas), nos termos do Contrato Social e Alterações, do início das atividades até a presente data: ”(destaques na transcrição) No item Apuração do IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins (do título 05), foi descrito o seguinte: “As opções das DIPJ de 2008 e 2009, anoscalendário 2007 e 2008, fls. (...), apontam para a apuração do IRPJ e da CSLL pelo lucro real anual e estimativas mensais com base na receita bruta. (.. .) A apuração do IPI é de periodicidade mensal, conforme a legislação aplicável, e será tratado em Auto de Infração e processos administrativos próprios, conforme regulamentado na Portaria RFB n° 666/2008, embora tenha os mesmos elementos materiais para ser formalizado no mesmo processo.” (destaques na transcrição) Esclareçase que a exigência do IRPJ e reflexos (na CSLL, PIS e Cofins) (da qual a presente, de IPI, é decorrente) é objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 12571.720128/201240, e a impugnação respectiva (apresentada pela fiscalizada) será apreciada na mesma sessão de julgamento relativa ao presente processo. O título 07 contém as infrações apuradas pela fiscalização. É intitulado de “INFRAÇÕES APURADAS E ACRÉSCIMOS LEGAIS”. De acordo com o Auditor Fiscal autuante, as infrações apuradas “estão cabalmente descritas em função da base de cálculo de cada tributo” (g.n.). Esclareceu que tanto constatou infrações com efeitos na apuração do IRPJ, da Fl. 11558DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12571.720129/201294 Acórdão n.º 3301003.047 S3C3T1 Fl. 11.559 5 CSLL, do PIS, da Cofins e do IPI, como também infrações com efeitos apenas sobre a base de cálculo do IRPJ e da CSLL (sem reflexo na apuração do PIS, da Cofins e do IPI). Transcrevese, a seguir, excerto desse título (07) do TVF que representa uma síntese das infrações apuradas no procedimento fiscal: “A fiscalização identificou as seguintes infrações à legislação tributária do IRPJ, da CSLL, do PIS, da Cofins e do IPI: 01. OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDA E SERVIÇOS (...) 02.OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL – saldo credor da conta Caixa (Planilha 12): presunção legal de omissão de receitas da atividade apurada com base no saldo credor da conta Caixa, nos termos do art. 281, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99), com efeitos na apuração de ofício do IRPJ, da CSLL, do PIS, da Cofins e do IPI (Infração 03). 03. OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL – passivo fictício (Planilha 13): presunção legal de omissão de receitas da atividade apurada em função da manutenção no passivo de obrigações já pagas, nos termos do art. 281, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99), com efeitos na apuração de ofício do IRPJ, da CSLL, do PIS, da Cofins e do IPI (Infração 04). 04. OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL depósitos bancários de origem não comprovada (Planilhas 14 a 16): (Infração 05). (...) 08. IPI DESTACADO E NÃO RECOLHIDO E IPI SOBRE OMISSÃO DE RECEITAS (Planilha 18): IPI destacado e não recolhido, conforme Livro de Apuração de IPI e IPI apurado sobre presunção legal de omissão de receitas por saldo credor da conta Caixa (Planilha 12), passivo fictício (Planilha 13) e movimentação bancária à margem da contabilidade (Planilha 16).” (... )” (negrito na transcrição). A descrição analítica (no TVF) de cada infração apurada foi efetuada, logo após a síntese acima reproduzida, no âmbito de item específico, numerado e denominado conforme abaixo relacionado: “INFRAÇÃO 01. (...) VENDAS BRUTAS – DIFERENÇA ESCRITA FISCAL; INFRAÇÃO 03. OMISSÃO DE RECEITAS – SALDO CREDOR DA CONTA CAIXA; INFRAÇÃO 04. OMISSÃO DE RECEITAS – PASSIVO FICTÍCIO; INFRAÇÃO 05. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA; (...) Fl. 11559DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12571.720129/201294 Acórdão n.º 3301003.047 S3C3T1 Fl. 11.560 6 INFRAÇÃO 16. IPI DESTACADO E NÃO RECOLHIDO E IPI SOBRE OMISSÃO DE RECEITAS” (Destaques na transcrição) Podese verificar que, em cada item (representativo de infração), a autoridade autuante fez constar dados e informações de forma sistematizada, contendo, por exemplo, a exposição dos fatos reputados contrários à legislação tributária (base legal); os efeitos na apuração de quais tributos; a narração da(s) intimação(ões) efetuada(s) à fiscalizada (e/ou a empresas circularizadas); a manifestação (ou ausência) acerca da(s) intimação(ões); a metodologia ou critério adotado na apuração dos valores demonstrados nas (31) Planilhas (integrantes do TVF); a indicação da(s) fonte(s) dos dados (detalhada(s) nas Planilhas); e o transporte (consolidação) de valores entre as Planilhas. Outrossim (nos itens do TVF relativos à descrição analítica das infrações), no que se refere aos acréscimos legais exigidos, é possível verificar, além da descrição dos fatos e da fundamentação legal, quais as infrações tiveram como efeito a aplicação de multa isolada; e (também em relação a cada infração) qual o percentual aplicado (75% ou 150%; e sua base de cálculo) na exigência da multa de ofício (proporcional), de que trata o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Notase, ainda, especialmente nos casos de lançamento de ofício em que foi aplicada a multa qualificada (150%), que houve expressa discriminação da(s) conduta(s) e do motivo do entendimento da subsunção a cada hipótese ensejadora da qualificação (duplicação da multa de 75%), prevista no §1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, ou seja, aos casos previstos nos arts. 71 (sonegação), 72 (fraude) e 73 (conluio). As 31 Planilhas (demonstrativos de apuração) referidas no Termo de Verificação Fiscal foram assim intituladas: Planilha 01. SAÍDAS POR FATURAMENTO, ICMS E IPI DA ESCRITA FISCAL. Planilha 02. FATURAMENTOS, DEVOLUÇÕES DE COMPRAS, ICMS E IPI DA ESCRITA FISCAL DE SAÍDAS MENSAIS E ANUAIS. Planilha 03. ENTRADAS, ICMS E IPI DA ESCRITA FISCAL. Planilha 04. COMPRAS, DEVOLUÇÕES DE VENDAS, ICMS E IPI DA ESCRITA FISCAL DE ENTRADAS MENSAIS E ANUAIS. Planilha 05. NOTAS FISCAIS COM CFOP RETIFICADAS. Planilha 06. NOTAS FISCAIS DE ENTRADAS, SIMPLES REMESSAS – INDUSTRIALIZAÇÃO. Planilha 07. GLOSAS DE NOTAS FISCAIS DE ENTRADAS POR FALTA DE COMPROVAÇÃO 01/2007 A 12/2008. Planilha 08. RELAÇÃO DE 170 NF DE COMPRAS SEM COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. Planilha 09. NOTAS FISCAIS DE ENTRADAS NÃO CONTABILIZADAS E NÃO ESCRITURADAS. Planilha 10. RECEITAS FINANCEIRAS E IRRF DIRF. Planilha 11. AMOSTRAGEM FRETES E CARRETOS (sem comprovação) . Planilha 12. APURAÇÃO DO SALDO CREDOR DA CONTA CAIXA. Planilha 13. APURAÇÃO DO PASSIVO FICTÍCIO. Planilha 14. CONTA BANCÁRIA NÃO CONTABILIZADA ITAÚ. Fl. 11560DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12571.720129/201294 Acórdão n.º 3301003.047 S3C3T1 Fl. 11.561 7 Planilha 15. CONTA BANCÁRIA NÃO CONTABILIZADA CEF. Planilha 16. CONTAS BANCÁRIAS NÃO CONTABILIZADAS PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Planilha 17. AMOSTRAGEM ICMS SUBST. TRIB. CONTA 3.1.2.03.0005 – SEM COMPROVAÇÃO. Planilha 18. APURAÇÃO DO IPI. Planilha 19. RECEITA BRUTA, DEDUÇÕES E DEMAIS RECEITAS CONTABILIZADAS, ANTES DE QUAISQUER AJUSTES. Planilha 20. DIFERENÇAS ENTRE A ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E A ESCRITURAÇÃO FISCAL E DIRF. Planilha 21. RECEITA BRUTA, DEDUÇÕES E DEMAIS RECEITAS AJUSTES PELA FISCALIZAÇÃO. Planilha 22. ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E MULTAS ISOLADAS. Planilha 23. ESTIMATIVAS MENSAIS DE CSLL E MULTAS ISOLADAS. Planilha 24. AJUSTES EM CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E RESULTADO ANTES DA CSLL. Planilha 25. DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO AJUSTADO. Planilha 26. APURAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL. Planilha 27. DETALHAMENTO DOS AJUSTES PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. Planilha 28. PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. Planilha 29. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA CÁLCULO DO MONTANTE DEVIDO DE CADA SOLIDÁRIO. Planilha 30. VERIFICAÇÃO DA DISPONIBILIDADE DE RECURSOS. Planilha 31. CÁLCULO PARA TOMADA DE DECISÃO PAGAMENTO, PARCELAMENTO OU IMPUGNAÇÃO. Ao final de cada Planilha há esclarecimentos diversos, tais como: sobre a fonte dos dados (Livros de Apuração do ICMS, de Registro de Saídas, de Registro de Entradas, Diário, Razão; Notas Fiscais (de entradas e/ou de saídas; dados de arquivos digitais e/ou em papel); extratos de contascorrentes; declarações DIPJ, DCTF, DIRF; demonstrativo DACON); origem dos dados (fornecidos pela contribuinte fiscalizada; por terceiros, mediante circularização/diligência/ofícios; de bases de dados da RFB; de Planilha(s) anterior(es)); observações variadas, como referentes a intimações fiscais e respectivas manifestações/justificativas/documentos apresentados (ou não), e acerca de constatações, critérios de apuração etc., bem como remissão às folhas do PAF onde os citados elementos (entre outros) podem ser consultados. Referidas Planilhas (o “processo digitalizado com os elementos probatórios, intimações, documentos apresentados pela fiscalizada etc., além do próprio relatório (TVF), os Autos de Infração e Termos de Sujeição Passiva Solidária), segundo consta do TVF, foram entregues à contribuinte e aos sujeitos passivos solidários (Sheep Ind. e Com. De Produtos Agropecuários Ltda. (CNPJ nº 82.676.420/0001 57) e Luis Gustavo Malucelli Bacila (CPF nº 905.871.46915)) – em meio digital (em CD/DVD não regravável, em arquivos do tipo PDF, “compactados com senha, especificada no SVA”) – na oportunidade em que foram cientificados do Termo de Fl. 11561DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12571.720129/201294 Acórdão n.º 3301003.047 S3C3T1 Fl. 11.562 8 Verificação Fiscal. No título 08 do TVF (Diferenças Apuradas), foi exposto que as exigências foram formalizadas no Auto de Infração de IRPJ “e Autos de Infração decorrentes de CSLL, PIS, COFINS e Multas Exigidas Isoladamente (...) conforme formalizado no” presente processo (enumerado), disponibilizado no endereço eletrônico “www.recei ta.fazenda.gov.br, opção eCac”, e que a formalização da exigência das diferenças de IPI somente se deu em observância à Portaria RFB nº 666/2008 e demais atos infralegais, uma vez que “também reúne todas as condições materiais para integrar o mesmo PAF” (grifo no original). Ainda no título 08, o AuditorFiscal inseriu item próprio acerca da não ocorrência de Decadência, concluindo que “não há que se falar em decadência dos tributos objeto deste lançamento de ofício”, inclusive quanto aos fatos geradores “de 01 a 05/2007”, em relação aos quais poderia, em decorrência de uma “análise sumária”, haver questionamento nesse sentido. Explicitou sua análise e conclusão mediante os demonstrativos às fls. 57 e 58 do TVF. Por sua vez, a Sujeição Passiva Solidária, atribuída pela fiscalização à empresa Sheep Indústria e Comércio de Produtos Agropecuários Ltda. e a Luis Gustavo Malucelli Bacila (sócio majoritário da empresa Sheep; proprietário do imóvel e das instalações industriais alugadas para a fiscalizada (Baston)), foi objeto do título 09 do Termo de Verificação Fiscal, e fundamentada no artigo 124, inciso I, e no artigo 135 do CTN, em razão da constatação fiscal de ter identificado interesse comum e confusão patrimonial, entre a fiscalizada e os citados contribuintes. Os fatos ensejadores da responsabilidade tributária foram detalhadamente descritos (no referido título 09 do TVF), e serão apreciados no Voto (item Responsabilidade Tributária) em conjunto com as razões de inconformidade apresentadas pelos sujeitos passivos solidários. Ao final do TVF, dispôs sobre a necessidade e a formalização de Processo de Arrolamento de Bens e Direitos (nº 12571.720130/201212); acerca do fornecimento integral do processo administrativo fiscal (“arquivo em DVD”), a disponibilização do processo no endereço eletrônico da RFB, e da possibilidade de impugnação (no prazo de 30 dias) dos sujeitos passivos solidários, e que, portanto, “não há que se falar em cerceamento do direito de defesa”, ainda que não tenha intimado “os solidários para esclarecimentos, manifestação e/ou justificativas”. Encerrou, informando as (31) Planilhas (relacionadas) “estão sendo entregues” em meio digital (“em CD/DVD não regravável”), assim como o “processo digitalizado” (“com os elementos probatórios, intimações, documentos apresentados pela fiscalizada etc.” ), “em arquivos do tipo PDF (10954 páginas e mais o presente relatório, os Autos de Infrações, Planilhas e Termos de Sujeição Solidária)”, e que, para “a segurança do sigilo fiscal, os arquivos estão sendo compactados com senha, especificada no SVA”. Foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais conexa à fiscalização do IPI sob o nº 12571.720148/201211. Por sua vez, autuouse sob o nº 12571.720147/201276 a Representação Fiscal decorrente da fiscalização do IRPJ (e reflexos na CSLL, no PIS e na Cofins). Os A.R. (Avisos de Recebimento) relativos às correspondências por meio das quais deuse ciência à contribuinte e aos sujeitos passivos solidários, da exigência e da responsabilidade solidária, e foram encaminhados os elementos acima mencionados (inclusive a mídia magnética), encontramse inclusos no PAF. Impugnação da contribuinte/fiscalizada Baston Ltda.: Cientificada da exigência, em 04/06/2012 (A.R. à fl. 11.354), a contribuinte (Baston do Brasil Produtos Químicos Ltda.), apresentou (em 04/07/2012) impugnação e Fl. 11562DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12571.720129/201294 Acórdão n.º 3301003.047 S3C3T1 Fl. 11.563 9 anexos (fls. 11.386 a 11.426; subscrita por um dos procuradores constituídos mediante o incluso instrumento de mandato), alegando, em síntese, que: · (“OS FATOS DA AUTUAÇÃO IMPUGNADA”) É empresa regularmente constituída (tendo por objeto social, entre outras atividades descritas: “a fabricação, comércio, importação e exportação de produtos químicos, cosméticos, veterinários e tinta.”), que “atua há 09 (nove) anos no mercado, tendo conquistado ao longo desses anos respeitável carteira de clientes, perfeitamente identificada por conta de sua seriedade, honestidade, transparência, solidez e tradição”; · Foi surpreendida, com a ciência da autuação (de IPI), cujos “trabalhos fiscais” demoraram “quase 2(dois) anos”, e durante os quais “foi a única intimada”; · O “sentimento” do AuditorFiscal responsável, “na forma relatada no auto de infração ora impugnado”, é que “‘até determinado momento, a fiscalizada apresentava as documentações solicitadas, pelo menos em termos bastante substanciais ainda que com alguns atrasos ou prorrogações.’”. (Porém), “‘Após verificações realizadas, a fiscalização solicitou esclarecimentos e documentos adicionais. A partir deste momento, a fiscalizada passou a não apresentar as documentações, pelo menos no aspecto substancial ou material dos questionamentos da fiscalização, solicitando prorrogações de prazo e/ou informando que a documentação estaria sendo localizada’ · Apresentou todos os documentos, de “forma diligente, após ser intimada”, e conforme solicitado pela fiscalização. Entre os documentos apresentados: “(...) os livros comerciais e fiscais, demonstrativos, planilhas, Balanço Patrimonial, Livros Diários, Razão Contábil, Registro de Apuração do ICMS, Registro de Saídas, Registro de Entradas (...) informações sobre o ativo imobilizado da empresa, inventário, Livro de Apuração do IPI de 2007 e 2008, fotocópia dos contratos de locação das instalações industriais, entre outros”; · Ainda que “devidamente” apresentados todos os documentos e informações solicitados pela fiscalização, esta “procedeu às circularizações em fornecedores da fiscalizada, expondo a mesma comercialmente”, e a “buscar esclarecimentos sobre a industrialização por encomenda e sobre a conta de estoque de matériaprima”; · O AuditorFiscal responsável, “procurando desviar a atenção da não observância dos princípios legais, bem como dos limites legais que lhe são impostos”, criou um “novo rito dentro do PAF/MPF, qual seja, uma suposta ‘defesa prévia’, conforme transcrito; · Ao verificar a documentação apresentada, para cumprimento de solicitação de elementos “que viessem a substanciar o cabimento do arrolamento de bens e direitos”, “alega a fiscalização” que detectou “contas bancárias” (no Banco Itaú S/A e na Caixa Econômica Federal) “não lançadas na contabilidade”, cujos documentos “poderiam eventualmente justificar os saldos credores na conta Caixa ou mesmo, na ausência de justificativa e/ou dos elementos comprobatórios, resultara na apuração de mais uma infração”. Assim, “decidiu por encerrar seus trabalhos, lavrando o presente auto de infração”; · “Pretende, portanto, o Auditor Fiscal designado criar uma situação irreal e fantasiosa em relação à Impugnante, dando a entender que todas as Fl. 11563DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12571.720129/201294 Acórdão n.º 3301003.047 S3C3T1 Fl. 11.564 10 movimentações financeiras teriam sido objeto de fraude aos cofres públicos federais”; · Conforme “restará substancialmente demonstrado, fato este que não acreditamos por conta de todos os elementos que serão apresentados, o Auditor Fiscal designado deixou de aplicar o disposto no artigo (sic) do RIR, o que enseja a nulidade dos respectivos lançamentos. Esses são os fatos relevantes!” · (“AS RAZÕES DE IMPROCEDÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO. DA PRESUNÇÃO SIMPLES”) Restará demonstrado que o AuditorFiscal “se utilizou da simples presunção, com o fim de estabelecer as supostas irregularidades relatadas!” Não é cabível o emprego de presunções simples “no lugar das provas”, pois, “estando o sistema tributário brasileiro submetido à rigidez do princípio da legalidade, a subsunção dos fatos à hipótese de incidência tributária é mandatória (...), e admitir o “mero raciocínio de probabilidade de que se possa exigir um tributo sem que necessariamente tenha ocorrido o fato gerador afronta diretamente o ‘caput’ do artigo 37 da nossa carta magna”, motivo pelo qual a prática da utilização de presunção simples torna “insubsistente a autuação ora atacada”; · (“DAS INFRAÇÕES SUPOSTAMENTE APURADAS”) Devido à “ausência de prova material”, conforme restará demonstrado, “não restará opção senão que seja o presente auto de infração declarado nulo”; · (“DAS VENDAS BRUTAS E DA INDUSTRIALIZAÇÃO PARA TERCEIROS – DIFERENÇA ESCRITA FISCAL”) No que diz respeito à suspeita de existir “diferença” entre a “receita bruta de vendas”, apurada com base na contabilidade e a constante na escrituração fiscal, assim como diferença entre as “receitas de serviços de industrialização”, apurada da mesma forma, “resta evidente a ausência de prova material”. O Auditor Fiscal deveria ter analisado com cautela, e “além de não trabalhar com presunção, ter aguardado o julgamento da referida questão na esfera estadual, para posteriormente ter concluído os seus trabalhos, uma vez que “totalmente reflexo o que restar julgado sobre o ICMS”; · “Por fim, por mais que houvesse as omissões na forma indicada no presente auto de infração, não caberia a aplicação do artigo 281, inciso I, do RIR, tendo em conta todas as operações foram devidamente escrituradas nos demais livros fiscais, inclusive os utilizados pela fiscalização no momento da elaboração das planilhas, devendo a suposta infração ser tratada como uma simples Declaração Inexata.”; · (“DA SUSPEITA DE OMISSÃO DE RECEITAS – SALDO CREDOR DA CONTA CAIXA”) No que “toca a alegação de omissão de receitas, por conta de saldo credor da conta caixa, na forma do artigo 281, inciso I, do RIR, cumpre esclarecer que somente é aceitável quando a fiscalização refaz as referidas contas, mediante a adoção de critérios técnicos consistentes, observados os princípios contábeis aceitos. · Ocorre que o AuditorFiscal “simplesmente desconsiderou o raciocínio contábil utilizado pela Impugnante, adotado a partir das definições doutrinárias e dos princípios contábeis aceitos. Sendo assim, não há como se aceitar as alegações ora impugnadas, tendo em conta que perfeitamente fundamentada a forma com que a Impugnante contabilizou as operações em questão”; · (“DA SUSPEITA DE OMISSÃO DE RECEITAS – PASSIVO FICTÍCIO”) Comprovou, “diligentemente”, a “efetivação dos pagamentos”, na forma Fl. 11564DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12571.720129/201294 Acórdão n.º 3301003.047 S3C3T1 Fl. 11.565 11 solicitada, conforme “reconhecido pelo Auditor Fiscal designado, a partir da vasta documentação apresentada”. · “Sendo assim, a partir da comprovação, mesmo que não baixada na escrituração, não há que se falar em presunção de omissão de receita”; · (“DA SUSPEITA DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA”) Irregular a intimação das instituições financeiras “a quebrar o sigilo do contribuinte”, pois é indispensável a prévia manifestação do Poder Judiciário para que seja legítimo o acesso “da Receita Federal às informações que se encontram protegidas pelo sigilo bancário”, na forma “consagrada no artigo 5º, inciso XII, da Constituição Federal”, e consoante posicionamento do Supremo Tribunal Federal, em julgamento do “Recurso Extraordinário nº 389.808, do Paraná”; · Outrossim, não há que se falar em omissão de receitas, “uma vez que ausente a efetiva comprovação de tal afirmação”, não tendo havido no trabalho fiscal “uma efetiva investigação que ateste que as movimentações financeiras”, realizadas nas respectivas contas bancárias, “não foram registradas”. Ademais, toda a origem “dos valores transacionados pela Impugnante encontrase devidamente identificados, a partir de todos os documentos apresentados e disponibilizados durante o procedimento de investigação fiscal”. · Mesmo que “fossem identificadas as supostas omissões”, caberia “a Autoridade Impugnada confrontar com as constantes nos documentos apresentados, ao invés de aplicar de forma imediata e total a sanção em questão, tendo em conta que a sua análise foi de forma sumária, conforme reconhecida pela própria Autoridade.”; · “Sendo assim, não há como se aceitar as alegações ora impugnadas, tendo em conta que perfeitamente fundamentada a forma com que a Impugnante contabilizou as operações em questão”; · “Assim, antes de aplicar os artigos 71, 72 e 73, todos da Lei n.° 4.502/1964, deveria o Fiscal designado ter efetivamente confirmado tais alegações através de um trabalho complexo, e não aplicado a presente sanção a partir de uma análise sumária”. “Até porque, não há qualquer prova material que comprove que houve, por parte da Impugnante e de seus Administradores, dolo, fraude ou conluio na conduta indicada pela fiscalização, por conta do que restou acima exposto, não havendo justificativa para se aplicar, se for o caso, multa qualificada.”; · (“DA GLOSA DO ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA POR FALTA COMPROVAÇÃO”) Todos os documentos pertinentes à comprovação da “correta forma de contabilização do ICMS, na modalidade de substituição tributária, como dedução da receita bruta, foram devidamente apresentados. Ou seja, por conta da natureza tributária do ICMS na modalidade por Substituição Tributária, a partir de uma análise concreta dos documentos apresentados, bem como da adoção de conceitos contábeis, poderá ser verificada que totalmente correta a dedução ora questionada; · (“DAS GLOSAS DE COMPRAS POR DIFERENÇA NA ESCRITURAÇÃO FISCAL”) Todos (os documentos) “que comprovam a idoneidade dos registros contábeis foram devidamente apresentados”. Outrossim, “não existem notas fiscais não idôneas, os quais, segundo a Impugnada forma utilizadas para justificar os registros das entradas por compras de matériasprimas, produtos intermediários ou material de Fl. 11565DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12571.720129/201294 Acórdão n.º 3301003.047 S3C3T1 Fl. 11.566 12 embalagem, bem como as entradas por simples remessas para industrialização por encomenda”. Conforme restará demonstrado, “não existe na contabilidade da Empresa Impugnante qualquer documento não idôneo, uma vez que todas as aquisições foram realizadas com notas fiscais e diretamente através das respectivas empresas fornecedoras”; · O AuditorFiscal supôs que “as chamadas entradas por simples remessas para industrialização por encomenda foram contabilizadas de forma equivocada”, desconsiderando a “forma comercial que a impugnante adotou nessas operações, sem qualquer amparo legal para tanto”. “Repitase, todos os documentos e explicações, que afastam as alegações fiscais foram devidamente apresentados durante o procedimento fiscal.”; · Não há que se falar, ainda, “em divergência entre as somas dos valores aproveitados no Dacon para cálculo dos créditos não cumulativos e os constantes da escrituração fiscal (registro de entradas e apuração do ICMS), uma vez que totalmente correta a forma com que a Impugnante contabilizou as suas operações, tendo em conta que não há qualquer nota fiscal não idônea, bem como pela modalidade de suas operações, ‘full service’ ou não, sendo que para cada modalidade foi respeitado a legislação tributária no momento da escrituração das entradas dos respectivos insumos.”; · (“DAS GLOSAS DE COMPRAS POR SIMPLES REMESSA DE INSUMO IND. ENCOM.”) Todas as entradas de insumos (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem), “quando registradas na contabilidade como compras, tem a sua natureza conectada diretamente a modalidade de serviço denominado ‘full service’”. Assim, o AuditorFiscal “simplesmente desconsidera a forma com que a Impugnante escriturou as referidas entradas, sem apresentar qualquer elemento concreto de que houve equívoco por parte da Empresa fiscalizada”, ou seja, fez uso da “presunção simples” para “desconsiderar a contabilidade da Empresa”; · Tais “entradas” não podem ser consideradas como “simples remessas, simplesmente pelo fato de quem realizou os pagamentos foi a ora Impugnante, quando dos serviços contratados na modalidade ‘full service’.” · Quanto à alegação de que “a Impugnante providenciou os pagamentos mediante a utilização da conta contábil de Clientes, vale dizer que o Fiscal não possui nenhum elemento que comprove qualquer correspondência com o fato alegado, muito menos qualquer dispositivo legal que ampare as suas alegações que, como em todo o auto de infração, não passaram de meras suposições”; · Portanto, “não há que se falar em irregularidade na contabilidade da Impugnante e, muito menos, que houve escrituração equivocada, inclusive nas operações realizadas com todas as Empresas Circularizadas (...), uma vez que cada operação realizada com estas Empresas restou devidamente escriturada, observada a modalidade de contratação. (...) Diante do exposto, observada a ausência de prova material, bem como as definições contábeis aceitas e adotadas pela Impugnante, além da definição das modalidades contratadas”, não há que se falar em glosas nas apurações dos “impostos e nem das contribuições em questão.”; · Não há qualquer “prova material” que comprove que houve, “por parte da Impugnante e de seus Administradores”, dolo, fraude ou conluio “na conduta indicada pela fiscalização”, não havendo justificativa para a aplicação da “multa qualificada”; Fl. 11566DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12571.720129/201294 Acórdão n.º 3301003.047 S3C3T1 Fl. 11.567 13 · (“DAS CIRCULARIZAÇÕES”) A justificativa para realizar as circularizações junto aos principais fornecedores foi “no sentido de que a Impugnante não estava contribuindo com os trabalhos da fiscalização, além do fato de que, segundo o Fiscal, dentre as compras nos montantes de R$ 18.601.750,13, restou comprovada a efetividade das operações de R$ 10.635.787,93”. Ora, caso a impugnante não quisesse colaborar “sequer teria sido transparente em informar e registrar os seus fornecedores”; · Concluiu a fiscalização que: “’Do montante de R$ 7.965.962,20, segundo a escrituração contábil, R$ 4.151.760,00 saíram da conta Caixa (Planilha 08). Como não houve estornos, alguém embolsou tal numerário. E não foram os sócios constantes do Contrato Social.’”. Deveria ter apresentado provas concretas, bem como observado, nos documentos que lhe foram disponibilizados, que “todas as movimentações financeiras/contábeis estão de acordo com a legislação tributária”. · Essa foi uma das justificativas para incluir “como responsável solidário o Sr. Luis Gustavo Bacilla Maluceli”, devendo ser ressaltado que ele sequer foi intimado a apresentar seus documentos fiscais, restando, portanto, evidente que o “Auditor designado sequer analisou a Declaração de Imposto de Renda do Sr. Luis Gustavo Bacilla Maluceli”. Portanto, “o fiscal deixou de realizar o seu trabalho investigativo, inclusive sobre os rendimentos dos Sócios e muito menos da pessoa indicada pela fiscalização, fazendo uso da presunção simples”; · “Assim, antes de aplicar os artigos 71, 72 e 73, todos da Lei n.° 4.502/1964, deveria o Fiscal designado ter efetivamente confirmado tais alegações através de um trabalho complexo, e não aplicado a presente sanção a partir de uma análise sumária”. “Até porque, não há qualquer prova material que comprove que houve, por parte da Impugnante e de seus Administradores, dolo, fraude ou conluio na conduta indicada pela fiscalização, por conta do que restou acima exposto, não havendo justificativa para se aplicar, se for o caso, multa qualificada.”; · (“DAS GLOSAS DE COMPRAS INIDÔNEAS”) Não existe qualquer prova da alegação de que a “Impugnante fez a dedução indevida como custos ou despesas operacionais de notas fiscais carentes de idoneidade, a partir de elementos colacionados junto a outras Empresas identificadas, sendo que algumas não foram localizadas segundo a fiscalização”. A impugnante “operou comercialmente com todas as Empresas indicadas pela fiscalização”, e a “relação privada está concluída”, a partir do momento que “uma Empresa cumpre com o acordo comercial”. Além disso, caso “haja qualquer irregularidade com tais Empresas, não cabe a ora Impugnante fiscalizar”, e sim à “Administração Pública”; · “Assim, antes de aplicar os artigos 71, 72 e 73, todos da Lei n.° 4.502/1964, deveria o Fiscal designado ter efetivamente confirmado tais alegações através de um trabalho complexo, e não aplicado a presente sanção a partir de uma análise sumária”. “Até porque, não há qualquer prova material que comprove que houve, por parte da Impugnante e de seus Administradores, dolo, fraude ou conluio na conduta indicada pela fiscalização, por conta do que restou acima exposto, não havendo justificativa para se aplicar, se for o caso, multa qualificada.”; · (“DAS GLOSAS DE COMPRAS POR RATIFICAÇÃO (sic) DE CFOP OU SEM COMPROVAÇÃO”) Mais uma vez, o AuditorFiscal fez uso de “meras suposições”. Deveria ter identificado “quais registros contábeis Fl. 11567DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12571.720129/201294 Acórdão n.º 3301003.047 S3C3T1 Fl. 11.568 14 restaram desconsiderados”, principalmente nas operações envolvendo as “Empresas citadas, quais sejam, Química Industrial Supply Ltda. E Tupocap Embalagens de Alumínio Ltda. Não o fez, uma vez que não tem prova de que tais entradas foram registradas de forma equivocada.”; · (“DAS COMPRAS DEVOLVIDAS E NÃO CONTABILIZADAS”) A alegação da “Impugnada” é a de que “restou identificado divergências entre as devoluções de compras lançadas na contabilidade e as saídas por devoluções de compras”. O fato é que a metodologia adotada “no raciocínio fiscal encontrase, como em todo o resto do PAF, ausente de comprovação. Não há elementos concludentes de que tal fato ocorreu.”; · Muito simples “elaborar uma planilha” para “fundamentar as suas conclusões”, sem estar “acompanhada dos documentos que a embasaram”. Portanto, “não há que se falar em glosa, por ausência de provas”; · (“DA ENERGIA ELÉTRICA APROVEITADA A MAIOR”) Cumpre dizer, “como pode a fiscalização concluir os seus trabalhos a partir de elementos em outras fontes, que resultaram na desconsideração da contabilidade da ora Impugnante (?). Deveria, caso não estivesse satisfeita com “os documentos e explicações apresentadas pela Impugnante, ter observado o que a legislação tributária determina o que será tópico de conclusão de nossos trabalhos”. Não “o fez, uma vez que se respaldou em meras suposições para realizar os seus trabalhos fiscais”, não havendo amparo legal para justificar referidas glosas. · (“DA GLOSA DE DESPESAS DE FRETE POR FALTA DE COMPROVAÇÃO”) Todos os documentos e informações, “que seriam mais do (sic) suficientes para comprovar as despesas em questão,” foram devidamente apresentados. Se existe “outro documento que comprove as informações contábeis além dos documentos disponibilizados, deveria o Fiscal responsável ter solicitado e não simplesmente desconsiderar o que a Impugnante apresentou.”. Assim, inequívoca a “ausência de prova material que comprove as alegações fiscais.”; · (“DAS RECEITAS FINANCEIRAS (DIRF)”) No que “toca as receitas financeiras, restou alegado que as mesmas não foram contabilizadas pela Impugnante.” Mais uma vez a fiscalização “ignorou as definições e os princípios contábeis adotados, com o fim de desconsiderar a contabilidade da ora Impugnante, tudo isso baseado em planilhas, sem apontar a fundamentação legal pertinente, o que acabaria por afastar o raciocínio fiscal”. “Dessa forma, tal alegação deve ser afastada.”; · (“IPI DESTACADO E NÃO RECOLHIDO E IPI SOBRE OMISSÃO DE RECEITAS”) “60. Com relação ao IPI destacado e não recolhido, vale esclarecer que todas as movimentações bancárias tem origem devidamente comprovada e contabilizada, conforme os documentos apresentados. Sendo assim, restando documentalmente comprovado, referida suspeita deve ser desconsiderada.” (g.n.); · (“DAS DEMAIS EMPRESAS CITADAS”) No que diz respeito à “ampliação das instalações industriais, vale registrar que a Impugnante” dispunha de “meios para realizar tais obras, conforme demonstrado em seus documentos fiscais”, não havendo se falar em “evasão fiscal”, e muito menos de que “foram realizadas com recursos de terceiros”; · Outrossim, não há se falar em irregularidades (“a partir do histórico das Empresas Sheep (...), Chemiker (...) e Fluibrás (...)”), uma vez que “não há Fl. 11568DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12571.720129/201294 Acórdão n.º 3301003.047 S3C3T1 Fl. 11.569 15 amparo legal nas alegações e suspeitas apontadas pela fiscalização, tendo em conta que” não restou caracterizada “confusão patrimonial (sócios distintos, contas correntes e estoques individualizados)”, conforme documentação apresentada à fiscalização; · (“SÓCIOS DA EMPRESA FISCALIZADA”) Os “sócios” não podem vir a ser pessoalmente responsáveis pelas supostas infrações presumidas pela fiscalização, por conta da “ausência de elementos comprobatórios que se enquadrem no artigo 135” do CTN, “tendo em vista a ausência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos”. Deve ser afastada, também, a aplicação do artigo 50 do Código Civil, pois a impugnante é uma empresa “saudável, não ostentando elementos que poderiam levar a descaracterização da” sua personalidade jurídica; · (“DA APLICAÇÃO DA MULTA FISCAL ENCONTRA LIMITES DE CUNHO QUALITATIVO E QUANTITATIVO”) Quanto ao aspecto “qualitativo”, há que se considerar que sempre cumpriu com suas obrigações acessórias; bem como, o “princípio da graduação”, conforme a intensidade da lesão. Quanto ao aspecto “quantitativo”, o valor cominado não condiz com a realidade, “é impagável e abusiva”, uma verdadeira “desproporção econômica”, que encontra óbice na figura do “CONFISCO”, estabelecido no artigo 150, inciso IV, da CF, conforme preleciona a doutrina. Por fim, a “Impugnada deixou de aplicar de forma correta o artigo 106, do Código Tributário Nacional – CTN, uma vez que não observou as alterações impostas pela MP nº 449/2008, que passou a ter efeito com a sua conversão na Lei n.º 11.941/2009, bem como o momento de sua aplicação se verificado à época da ocorrência dos fatos geradores.” (obs.: o tópico em epígrafe (itens 67 a 71) foi repetido na impugnação (a partir do item 77 tópico no qual se verifica que também contém alegações próprias (e que constaram, também repetidas) no (tópico) referente à insurgência quanto ao não arbitramento do lucro (item 86 e s.)); · (“DA DECADÊNCIA”) Os lançamentos referentes a “fatos geradores ocorridos há 5 anos”, encontramse atingidos pelo “instituto da decadência”, consoante estabelecido no “§4º do artigo 150” do CTN, e uma vez que “ausentes as provas que comprovem, efetivamente, o dolo e a sonegação, alegada pela Impugnada”, conforme inúmeros precedentes, no mesmo sentido, no CARF, servindo de exemplo as ementas reproduzidas; · (“ALIENAÇÃO DE BEM NO CURSO DA AÇÃO FISCAL”) Não houve, por parte da impugnante, qualquer tentativa de dificultar ou impedir a satisfação do suposto crédito tributário, sendo que a sua “boa fé” corresponde ao fato de que tal transferência “ocorreu de forma isolada e bem antes da lavratura do presente auto de infração”. O Sr. Giuseppe Stadler Malucelli adquiriu o veículo em questão “a partir de um contrato a ser executado, cujo pagamento se daria a partir dos serviços prestados, uma vez que há época dos fatos geradores havia uma expectativa de volume operacional”. Dessarte, “simplesmente um absurdo que as conclusões fiscais tenham sido tomadas a partir do grau de parentesco entre as pessoas citadas”; · (“ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS”) Deverá ser afastado o arrolamento de bens e direitos em questão, diante do que “foi demonstrado, restando caracterizado que o Auditor Fiscal deixou de aplicar o artigo 530, do RIR”, bem como “pela ausência de prova material” nas alegações que justificaram a lavratura do “presente auto de infração, com a decretação da Fl. 11569DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12571.720129/201294 Acórdão n.º 3301003.047 S3C3T1 Fl. 11.570 16 nulidade ou o recálculo dos valores autuados, por consequência, além de inconstitucional e ilegal (artigo 5.º, inciso LIV, CF’88)”; · (“DA DEVIDA OBSERVÂNCIA DO ARTIGO 530, DO RIR”) A legislação fiscal prevê, “nos exatos termos do artigo 530, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda (...)”, o “arbitramento do lucro” quando, no decorrer do anocalendário, o contribuinte “de imposto devido trimestralmente, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal” (negrito no original); · Ocorre que a fiscalização “desconsiderou as falhas apresentadas na contabilidade da Impugnante, as quais se enquadram no artigo em comento”, em descumprimento à determinação expressa da legislação tributária. Imprescindível mencionar que “toda a contabilidade que a Impugnada fez, apresentou inúmeras falhas”, as quais “poderão e com certeza irão, por conta dos fatos aqui externados, ter resultado direto na desclassificação da sua escrituração contábil”, com o consequente “arbitramento do lucro da Impugnante”; · Caso a fiscalização tivesse adotado esse critério de tributação, o IRPJ seria “reduzido em mais de 80% do valor da presente autuação, assim como a CSLL em mais de 70%, além de reduções do PIS e da COFINS.”; · Importante ressaltar que não cabe ao Fisco escolher o critério mais oneroso ao contribuinte, “até porque o próprio art. 530 do RIR/99 não apresenta opções ao Fisco (...)”. Podese perceber, com clareza, que a “Impugnada não arbitrou os valores, mas apenas aquilo que lhe foi interessante”, sendo que todos os tributos calculados foram majorados, e a “Empresa BASTON (...) teria mais de 50% só de lucro, então poderia ser considerada a melhor Empresa do mundo!”. Concluise, pois, que a fiscalização “não respeitou o art. 530 do RIR/99”, caracterizando, assim, a “nulidade do presente auto de infração”, até “porque a Impugnada critica a contabilidade da Impugnante, mas a utiliza para fazer a sua investigação e para realizar os seus cálculos, entretanto esquecendose de arbitrar esses valores.”. Requereu, ao final (“DO PEDIDO”), ante o exposto, a declaração de “nulidade do presente auto de infração, como é de Direito”. Impugnação do responsável solidário Luis Gustavo Malucelli Bacila: Cientificado em 02/06/2012, a pessoa física em epígrafe, apresentou (em 02/07/2012) impugnação e anexos (fls. 11.362 a 11.383; subscrita por um dos procuradores constituídos mediante o incluso instrumento de mandato), insurgindo se (exclusivamente) contra a atribuição de responsabilidade solidária (constou, expressamente, no item 8 da impugnação, que “as questões envolvendo a incidência tributária serão devidamente impugnadas pela Empresa BASTON (...)”. Em síntese, as alegações de sua irresignação são as seguintes: · (“OS FATOS DA AUTUAÇÃO IMPUGNADA”) A fiscalização o incluiu “como Sujeito Passivo Solidário, com base no inciso I, do artigo 124 do CTN”, sob as alegações sumariadas (no item 7 do tópico em epígrafe”), pretendendo, portanto, “criar uma situação irreal e fantasiosa em relação ao Impugnante, no sentido de atestar que o mesmo tem interesse comum e confusão patrimonial, na forma do inciso I, do artigo 124 do (...) CTN, com a Empresa Fiscalizada, tudo isso com base nas meras presunções e Fl. 11570DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12571.720129/201294 Acórdão n.º 3301003.047 S3C3T1 Fl. 11.571 17 suposições acima elencadas. Esses são os fatos relevantes!”; · (“AS RAZÕES DA IMPROCEDÊNCIA DO PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO. A) DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA”) O primeiro “ponto” que a fiscalização “se apegou, com o objetivo de incluir o ora Impugnante como Sujeito Passivo Solidário, com o objetivo de incluir o ora Impugnante como Sujeito Passivo Solidário, foi a alegação de que o mesmo é sócio majoritário da Empresa SHEEP INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS LTDA., sendo esta a principal cliente da Empresa BASTON DO BRASIL PRODUTOS QUÍMICOS LTDA ME, no que toca os serviços de industrialização por encomenda.”; · O “simples fato do Impugnante ser sócio de uma Empresa que tem relação comercial com a Empresa BASTON (...), não justifica a sua inclusão como Sujeito Passivo Solidário Tributário; não há há prova material, no sentido de que haja qualquer vantagem comercial e tributária nas relações mantidas “entre estes”; a empresa da qual é sócio, como relatado pela fiscalização, “não é a única Empresa que mantém relação comercial na modalidade por encomenda com a Empresa Fiscalizada BASTON”, e, assim, não há como fundamentar a sujeição passiva solidária com base no art. 135 do CTN (“procurando responsabilizar pessoalmente o ora Impugnante”), e “muito menos aplicar o artigo ’50’, do Código Civil Brasileiro, uma vez que o Impugnante não tem qualquer relação ou responsabilidade tributária pelos atos supostamente praticados pela Empresa BASTON (...), além do fato de que não houve lançamento definitivo do hipotético crédito tributário ora impugnado”. Assim, “totalmente frágil a alegação fiscal”; · Não se justifica “a inclusão do ora Impugnante, pela simples alegação” de que é proprietário do imóvel e das instalações alugadas à empresa fiscalizada, e que “hoje o contrato de locação está negociado” por valor (R$ 500,00 por mês) inferior ao anteriormente alugado (R$ 1.500,00), uma vez que o valor do aluguel é questão “totalmente de ordem privada”, ficando a critério do proprietário do imóvel “independentemente do valor de mercado”. Ademais, a diferença “é totalmente insignificante”, e o valor (atual) foi contratado “a partir de um conjunto de razões, entre elas pelo fato do Impugnante ter sido contratado para prestar assessoria na área de Gestão de Negócios, conforme a seguir será demonstrado”; · A questão da ausência de “comprovação dos pagamentos” do referido aluguel, bem como se “tais aluguéis não foram contabilizados pela Empresa Fiscalizada” não é de sua responsabilidade, “tendo em conta que o mesmo informou em suas declarações de IR todos valores recebidos”; · Quanto às “ampliações realizadas no respectivo imóvel”, que ocorreram “por conta da necessidade da Empresa Baston”, “nunca teve interesse nas reformas e nas obras de ampliação”, e não há “qualquer documento que comprove” que autorizou ou “tenha administrado ou até interferido” na referida obra. Não há justificativa para aceitar a alegação de que tenha “interesse comum” nas referidas ampliações, pelo fato de que a fiscalização apurou recursos “supostamente não declarados pela Empresa Fiscalizada”, em valor próximo aos custos estimados das obras, caracterizando “confusão patrimonial, considerando totalmente consumido o referido recurso na ampliação das instalações industriais”, tendo “em conta que”, além de não ter participado das ampliações realizadas, “restaram devidamente declardas em seu IRPF”. Caso “tenha havido qualquer irregularidade na forma com que restou declarado tal fato no IR do Impugnante, não seria esta a aplicação cabível”; Fl. 11571DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12571.720129/201294 Acórdão n.º 3301003.047 S3C3T1 Fl. 11.572 18 · O outro indício apontado pela fiscalização para justificar a sujeição passiva solidária “seria o fato do ora Impugnante ter amplos poderes para movimentar contas bancárias de titularidade da Empresa fiscalizada, conforme informações e documentos fornecidos pelo Banco Itaú S/A”. Todavia, irregular a intimação das instituições financeiras “a quebrar o sigilo do contribuinte”, pois é indispensável a prévia manifestação do Poder Judiciário para que seja legítimo o acesso “da Receita Federal às informações que se encontram protegidas pelo sigilo bancário”, na forma “consagrada no artigo 5º, inciso XII, da Constituição Federal”, e consoante posicionamento do Supremo Tribunal Federal, em julgamento do “Recurso Extraordinário nº 389.808, do Paraná”; · Quanto aos poderes outorgados (“amplos poderes para movimentar contas bancárias” no Banco Itaú S/A), devemse aos “conhecimentos específicos do ora Impugnante, bem como por conta do momento de crescimento e expansão que a Empresa BASTON (...) está passando”; · Assim, “resta caracterizado” que a fiscalização baseouse em “meras suposições”, sem qualquer embasamento fático e legal, devendo ser afastada a aplicação do inciso I do artigo 124 do CTN, por não haver justificativa para a sua inclusão como sujeito passivo solidário; · (“B) DO NÃO CABIMENTO DO INCISO I, DO ARTIGO 124, DO CTN”) A solidariedade prevista no inciso I do artigo 124 do CTN é objetiva e se enquadra para todos “os que já integravam o pólo passivo” da relação jurídicotributária, sendo que o impugnante apenas tomou conhecimento do procedimento fiscal com a ciência do “presente Auto de Infração”. Assim, tendo em vista a “ausência de vinculação e comprovação da conduta do Impugnante, uma vez que a Impugnada não relacionou a suposta conduta do Impugnante para com a materialidade que ensejou a lavratura do Auto de Infração”, não há que se falar na aplicação do referido preceito legal; · (“C) DA AUSÊNCIA DE PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE DA APLICAÇÃO DE PRESUNÇÃO SIMPLES NO PRESENTE CASO”) Conforme “restou demonstrado e de forma concludente,” podese verificar que a fiscalização “lavrou o presente Auto de Infração com base em infundadas suposições, sem uma análise técnica e legal/jurídica da questão, que possibilitasse o alcance da verdade material dos fatos imputados, tendo o ato administrativo impugnado contrariado o princípio da legalidade, da proporcionalidade e da razoabilidade, extrapolando os limites de aplicação da presunção simples, porquanto devendo ser declarado nulo.”; · (“D) DO DEVIDO PROCESSO LEGAL”) Não deve prosperar a tese do Fisco “da ausência de cerceamento do direito de defesa, diante da possibilidade de manifestação no prazo de 30 (trinta) dias após a ciência do presente Auto de Infração”, pois “sofre as consequencias de um ato administrativo que não lhe diz respeito”, sendo que nunca foi intimado a apresentar qualquer esclarecimento ou documento, vindo a tomar conhecimento da ação fiscal relativa à empresa Baston somente “com a ciência quanto a lavratura do presente Auto de Infração”. Assim, “não foi possibilitada a oportunidade de defesa e de prestar esclarecimentos no decorrer do referido Procedimento Administrativo Fiscal, sendo flagrante” o desrespeito ao seu direito de defesa constitucionalmente garantido. Requereu, ao final (“DO PEDIDO”), ante o exposto, “seja decretada a sua exclusão do polo passivo da relação jurídicotributária, e, por consequência,” seja declarada a “nulidade do presente auto de infração, diante da ausência de elementos substanciais Fl. 11572DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12571.720129/201294 Acórdão n.º 3301003.047 S3C3T1 Fl. 11.573 19 que comprovem efetivamente a existência da Sujeição Passiva Solidária, assim como do interesse comum e da confusão patrimonial entre o Impugnante e a Empresa Fiscalizada, como é de Direito”. Impugnação da responsável solidária Sheep Ltda.: Cientificada em 04/06/2012, a empresa responsabilizada solidariamente (Sheep Indústria e Comércio de Produtos Agropecuários Ltda.), apresentou (em 03/07/2012) impugnação e anexos (fls. 11.429 a 11.463; subscrita por um dos procuradores constituídos mediante o incluso instrumento de mandato), insurgindose contra a exigência, assim como contra a atribuição de responsabilidade solidária, pelos argumentos a seguir compendiados: · (“OS FATOS DA AUTUAÇÃO IMPUGNADA”) Apenas “tomou conhecimento deste PAF” quando teve “a ciência da lavratura do presente Auto de Infração”, sendo que o procedimento fiscal foi iniciado, unicamente em relação à empresa Baston do Brasil Ltda., há “quase 2(dois) anos”, e, “EM MOMENTO ALGUM FOI INTIMADA A APRESENTAR QUAISQUER DOCUMENTOS, E MUITO MENOS A SE DEFENDER DAS ABSURDAS ALEGAÇÕES ESPOSADAS NO PRESENTE PAF”, o que, por si só, já é uma “total afronta aos Princípios da Legalidade (...), da Igualdade (...), do Contraditório e da Ampla Defesa (...) e do Devido Processo Legal (...), todos da Constituição Federal de 1988”; · A fiscalização investigou somente a empresa Baston, mas no caso da “Impugnante”, simplesmente “fez um juízo de valor sem sequer ter uma investigação adequada”, uma vez que “apenas presumiu situações e alegou indícios”. Portanto, o fato “da Impugnada ter concedido o prazo de 30 dias para a Impugnante se defender”, não afasta o cerceamento de defesa “ocasionado”, por inobservância do art. 37, caput, da CF, da “Portaria n.º 3.014, de 29 de junho de 2011”, bem como do “Decreto n.º 70.235, de 06 de março de 1972”; · Baseandose nas alegações (sumariadas no item 10 da impugnação), “quanto aos fatos de maior relevância”, a fiscalização pretende, portanto, “criar uma situação irreal e fantasiosa em relação à Impugnante, no sentido de atestar que o mesmo tem interesse comum e confusão patrimonial, na forma do inciso I, do artigo 124 do (...) CTN, com a Empresa BASTON (...), tudo isso com base nas meras presunções/suposições acima elencadas. Esses são os fatos relevantes!”; · (“AS RAZÕES DA IMPROCEDÊNCIA DO PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO. A) DA AUSÊNCIA DE PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE DA APLICAÇÃO DE PRESUNÇÃO SIMPLES NO PRESENTE CASO”) A fiscalização fez uso da “simples presunção”, com o fim de estabelecer as “supostas irregularidades, especificamente nas proporções apresentadas”. Como “restará demonstrado e de forma concludente,” podese verificar que a fiscalização “lavrou o presente Auto de Infração com base em infundadas suposições, sem uma análise técnica, contábil e legal/jurídica da questão, que possibilitasse o alcance da verdade material dos fatos imputados, tendo o ato administrativo impugnado contrariado o Princípio da Legalidade, da Proporcionalidade e da Razoabilidade, extrapolando os limites de aplicação da presunção simples, porquanto devendo ser declarado nulo.”; · (“B) DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA”) A solidariedade prevista no Fl. 11573DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12571.720129/201294 Acórdão n.º 3301003.047 S3C3T1 Fl. 11.574 20 inciso I do artigo 124 do CTN é objetiva e se enquadra para todos “os que já integravam o pólo passivo” da relação jurídicotributária, ou seja, trata de situações nas quais “duas ou mais pessoas são, naturalmente, codevedoras solidárias do tributo, o que não é o caso do presente auto de infração”; · Além disso, importante ressaltar que “a Impugnante, em nenhum momento teve qualquer vantagem comercial nas suas negociações com a Empresa BASTON (...), mesmo porque, a Impugnante compra e paga pelos serviços, como qualquer outro Cliente da BASTON (...)”. Mais uma prova de que as alegações da fiscalização não merecem prosperar é que, antigamente (“mais especificamente em 2007 e 2008”), a “Impugnante contratava os serviços da Empresa BASTON (...) para que esta envasasse os produtos líquidos, uma vez que utilizava maquinário específico para tanto.”. Recentemente, esse tipo de maquinário foi adquirido pela “ora Impugnante” e está sendo utilizado em sua própria fábrica. Assim, se existisse qualquer interesse “comercial ou vantagem tributária na relação entre as duas Empresas, na forma com que a fiscalização imagina, não teriam motivos par a Empresa Impugnante investir em seu maquinário”. Da mesma forma, a impugnante era pioneira em vendas do produto “para matar bicheiras” (em atuação conjunta com a Baston), mas, recentemente, a empresa Baston presta o mesmo “serviço para outras Empresas”, concorrentes da impugnante; · “Logo, tendo em vista a ausência de vinculação e comprovação da conduta da Impugnante, uma vez que a Impugnada não relacionou a suposta conduta da Impugnante para com a materialidade que ensejou a lavratura do auto de infração, não há que se falar na aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN”. Ademais, a fiscalização deveria ter demonstrado que “o sujeito passivo não tem capacidade financeira para suportar com os supostos créditos tributários”, os quais “deveriam estar definitivamente lançados!”; · (“DA ALEGAÇÃO DE SUPOSTA CONFUSÃO PATRIMONIAL ENTRE A IMPUGNANTE E A EMPRESA BASTON”) Não é suficiente para justificar “a inclusão da ora Impugnante como Sujeito Passivo Solidário” a alegação de que ela é a principal cliente da empresa Baston, no que tange aos “serviços de industrialização por encomenda”, bem como o fato do sócio majoritário ser também proprietário do imóvel para alugado para a referida empresa. Não há, no ordenamento jurídico, dispositivo legal que “impeça referida situação de ordem privada”, e não “há prova material”, no sentido de que “haja qualquer vantagem comercial e tributária nas relações mantidas entre estes.”; · Também não procede a argumentação de que a impugnante é quem deveria ter pago, e não a empresa Baston, pelos insumos adquiridos nos “serviços de industrialização por encomenda”. Ocorre que, “por uma opção/acordo comercial, a ora Impugnante escolhe os fornecedores de matéria prima que será utilizado no processo industrial encomendado, com o fim de manter um rígido controle sobre a qualidade do produto encomendado através do serviço ‘full service’, que traduzindo significa "serviço completo", ou seja, em um único local, com um fornecimento completo, para que todas as necessidades do Cliente sejam atendidas.”. Desse modo, não há que se falar “em simples remessas”, e “muito menos, que não há a propriedade sobre as mesmas, uma vez que, pela modalidade do serviço contrato, qual seja ‘full service’, a responsabilidade pelo pagamento dos insumos é da Empresa BASTON (...). Não se pode imputar tamanha responsabilidade a Impugnante, pelo simples fato desta estar preocupada em manter o alto padrão de qualidade de seus produtos.”; Fl. 11574DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12571.720129/201294 Acórdão n.º 3301003.047 S3C3T1 Fl. 11.575 21 · Outrossim, “alega o Fiscal designado que a Impugnante fez a dedução indevida como custos ou despesas operacionais de notas fiscais de simples remessas ou remessas para industrialização por encomenda, no montante de R$ 1.994.429,42. Ora, como pode a fiscalização designada ter tamanha certeza do que está afirmando, se esta não se deu ao trabalho de investigar a ora Impugnante? Essa é mais uma prova de que o Fiscal responsável incluiu a Impugnante no presente auto de infração a partir de meras suposições, uma vez que não analisou a contabilidade da Impugnante!”; · Ainda, o “Fiscal responsável insistiu em afirmar que a BASTON (...) havia se comprometido a pagar pela simples remessa de insumos”, mas “não apresentou qualquer documento que ateste a alegação de que aquela empresa havia se comprometido a realizar os pagamentos”, bem como “não há qualquer documento ou informação no presente PAF que comprove que a Empresa BASTON (...) realizou pagamentos em favor da ora Impugnante para os fornecedores de insumos.” · · O fato é que a fiscalização fez as suas alegações baseadas em “meros indícios”, uma vez que “não há qualquer comprovação de confusão de patrimônio” ou “de abuso de direito e má fé com prejuízo ao Fisco”, e não é cabível o emprego de “presunções simples no lugar da verdade material”; · Por fim, “mesmo que se restasse comprovado uma formação de grupo econômico, baseado em confusão patrimonial entre a Empresa Impugnante e a Empresa BASTON (...), ou sob a alegação de que existem parentes em comum”, ainda assim seria impossível a aplicação da solidariedade “prevista no inciso I, do artigo 124” do CTN, pois “imprescindível, para tal, que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador”, conforme atestam as ementas reproduzidas de “recentes decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça”; Requereu, ao final, diante do exposto, o acolhimento do “conjunto de razões fáticas e fundamentos de Direito acima debatidos, julgando totalmente IMPROCEDENTE o lançamento ora impugnado, mediante total PROCEDÊNCIA da presente Impugnação Administrativa”. Haja vista a decisão pela improcedência da impugnação do Contribuinte, este ingressou com Recursos Voluntários visando a reforma do referido Acórdão. Foram apresentados três Recursos Voluntários no processo em análise. Em 11 de junho de 2013 foi interposto o Recurso Voluntário (fls. 11517 a 11527) em nome da Pessoa Jurídica do Contribuinte (BASTON DO BRASIL PRODUTOS QUÍMICOS LTDA.); em 10 de junho de 2013 foi interposto o Recurso Voluntário (fls. 11505 a 11514) pela empresa considerada, neste processo, solidária ao Contribuinte (SHEEP INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS LTDA.); e, por fim, na data de 10 de junho de 2013, foi apresentado Recurso Voluntário (fls. 11532 a 11541) por Luiz Gustavo Malucelli Bacila, um dos sócios da empresa SHEEP, considerado, neste processo, solidário ao Contribuinte. De forma equivocada os autos deste processo foram encaminhados a 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – que proferiu a seguinte decisão por unanimidade, consubstanciada no Acórdão 3401002.438 (fls. 11545 a 11547), de 26 de novembro de 2013: Preambularmente, antes mesmo de examinar o atendimento aos requisitos intrínsecos e extrínsecos da peça recursal manobrada, conveniente aferir a competência deste colegiado para se pronunciar a respeito do caso. Fl. 11575DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12571.720129/201294 Acórdão n.º 3301003.047 S3C3T1 Fl. 11.576 22 Segundo o relatório de autuação, o lançamento de IPI advém da omissão de receitas por presunção legal, configurada através da apuração de saldo credor da conta Caixa, manutenção de passivo fictício e depósitos bancários de origem não comprovada. Todas estas infrações deram margem à formalização de exigência de IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins, além, é claro, do IPI. Portanto, estáse claramente diante de lançamento reflexo ou decorrente, circunstância esta que não passou despercebida pela decisão de primeiro grau administrativo. Neste diapasão, consoante previsão do art. 2º, IV, Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, tal competência pertence à Primeira Seção de Julgamento, verbis: “Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; (...)” No caso vertente, portanto, pareceme incontroversa a incompetência desta 1ª TO/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF, de maneira que proponho não conhecer do recurso e declinar a competência para quaisquer das turmas julgadoras da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo. Por intermédio do Despacho em Embargos nº 1101338 (fls. 11549 a 11551), em 18 de novembro de 2014, a 1ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF assim se pronunciou: Vistos, etc. Os recursos voluntários em referências foram interpostos pelo sujeito passivo ‘BASTON DO BRASIL PRODUTOS QUIMICOS LTDA ME’ (fls. 11.517/11.527) e pelos responsáveis tributários ‘SHEEP INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS LTDA.’ (fls. 11.505/11.514) e ‘Luis Gustavo Malucelli Bacila’ (fls. 11.532/11.541) contra o v. acórdão n. 1441.366 prolatado pela 3ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto (fls. 11.470/11.541), que restou assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, é devida, por decorrência, a exigência do IPI correspondente e dos respectivos consectários legais, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. IPI. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato Fl. 11576DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12571.720129/201294 Acórdão n.º 3301003.047 S3C3T1 Fl. 11.577 23 gerador, exceto quando o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, ou quando ausente o pagamento antecipado, hipóteses em que o prazo é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Da análise do Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 10.975/11.049), constatase que a ação fiscal foi instaurada com o objetivo de verificar a apuração e o recolhimento de IRPJ, de CSLL, de Contribuição para o PIS e de COFINS ao longo do período de janeiro de 2007 a dezembro de 2008. Posteriormente, diante das inconsistências apontadas preliminarmente pela Fiscalização entre as Notas Fiscais apresentadas e os registros no Livro de Apuração do IPI, DARFs e DCTFs, foi ampliado o objeto do MPF para incluir a verificação da apuração e o correto recolhimento de IPI referente ao mesmo período analisado para os demais tributos (fls. 3.696/3.699). Nesse contexto, como resultado da ação fiscal empreendida, foram formalizados dois processos administrativos: o PA n. 12571.720128/201240, no qual foram lavrados os autos de infração de IRPJ, de CSLL, de Contribuição para o PIS e de COFINS decorrentes de omissão de receitas, saldo credor da conta Caixa, glosas de despesas não comprovadas, dentre outras tantas incorreções indicadas às fls. 11.004/11.005 do TVF; e o presente PA n. 12571.720129/201294, em que foi lavrado auto de infração de IPI, verbis: “08. IPI DESTACADO E NÃO RECOLHIDO E IPI SOBRE OMISSÃO DE RECEITAS (Planilha 18): IPI destacado e não recolhido, conforme Livro de Apuração de IPI e IPI apurado sobre presunção legal de omissão de receitas por saldo credor da conta Caixa (Planilha 12), passivo fictício (Planilha 13) e movimentação bancária à margem da contabilidade (Planilha 16).” (fl. 11.005) E, conforme esclarecido pela DRJ/RPO, “a exigência do IRPJ e reflexos (na CSLL, PIS e Cofins) (da qual a presente, de IPI, é decorrente) é objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 12571.720128/201240, e a impugnação respectiva (apresentada pela fiscalizada) será apreciada na mesma sessão de julgamento relativa ao presente processo” (fl. 11.474, grifos no original). O processo principal (n. 12571.720128/201240), julgado naquela mesma sentada, também foi objeto de recursos voluntários do sujeito passivo e dos responsáveis, os quais foram julgados em 11/03/2014 pela Eg. 3ª Turma desta C. 1ª Seção para reconhecer a nulidade da r. decisão de primeira instância em razão de sua incompetência material e determinar o rejulgamento das impugnações pela DRJ/Curitiba (órgão competente), tendo sido ementado nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 DECISÃO PROFERIDA POR DRJ SEM COMPETÊNCIA. NULIDADE. RETORNO DOS AUTOS PARA NOVA DECISÃO POR DRJ COMPETENTE. Fl. 11577DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12571.720129/201294 Acórdão n.º 3301003.047 S3C3T1 Fl. 11.578 24 Decisão de primeira instância proferida por DRJ sem competência é nula, conforme art. 12 do Decreto 7.574, de 2011. Por outro lado, os demais atos do processo permanecem válidos, razão pela qual os autos devem ser encaminhados para a delegacia de julgamento competente apta a realizar novo julgamento.” Contra referido entendimento foram opostos embargos de declaração que foram pautados pelo Il. Relator, Conselheiro André Mendes de Moura, para a sessão de novembro de 2014 daquela E. 3ª Turma. Nesse cenário, atento aos princípios da segurança jurídica e da isonomia, e buscando evitar a prolação de julgados conflitantes – considerando que eventual manutenção ou cancelamento da autuação principal quanto à imputada omissão de receitas da Contribuinte terá inegável repercussão no julgamento do presente feito –, entendo que o vertente processo administrativo deva ser redistribuído ao Conselheiro Andre Mendes de Moura, na medida em que é o relator cujo voto reconheceu a nulidade do julgamento em primeira instância em relação ao processo principal, conforme transcrito acima. Ante o exposto, determino a devolução dos autos deste processo à Secretaria da Primeira Câmara para que seja, então, redistribuído e encaminhado ao Conselheiro Andre Mendes de Moura, que deverá ser o relator do presente processo administrativo, por ter inequívoca vinculação com o julgamento pendente no PA n. 12571.720128/201240. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Consoante o acima exposto no relatório no que tange ao Acórdão 3401 002.438 da 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Terceira Seção (fls. 11545 a 11547), de 26 de novembro de 2013, e ao Despacho em Embargos nº 1101338 (fls. 11549 a 11551), em 18 de novembro de 2014, a 1ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF ficou consignado que: (...) O processo principal (n. 12571.720128/201240), julgado naquela mesma sentada, também foi objeto de recursos voluntários do sujeito passivo e dos responsáveis, os quais foram julgados em 11/03/2014 pela Eg. 3ª Turma desta C. 1ª Seção para reconhecer a nulidade da r. decisão de primeira instância em razão de sua incompetência material e determinar o rejulgamento das impugnações pela DRJ/Curitiba (órgão competente), (...) (...) Ante o exposto, determino a devolução dos autos deste processo à Secretaria da Primeira Câmara para que seja, então, redistribuído e encaminhado ao Conselheiro Andre Mendes de Moura, que deverá ser o relator do presente processo administrativo, por ter inequívoca vinculação com o julgamento pendente no PA n. 12571.720128/201240. De acordo com o Anexo II do Regimento Interno do Conselho Fl. 11578DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 12571.720129/201294 Acórdão n.º 3301003.047 S3C3T1 Fl. 11.579 25 Administrativo de Recursos Fiscais, que trata da competência, estrutura e funcionamento dos colegiados do CARF, mais propriamente dos órgãos julgadores e da competência para o julgamento dos recursos assim está previsto quanto às Seções de Julgamento: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016). (grifouse). Diante da legislação aplicável ao caso voto no sentido de declinar a competência para a 1ª Seção por tratar o presente feito de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reflexo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e formalizado com base nos mesmos elementos de prova. Valcir Gassen Relator Fl. 11579DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10280.903960/2009-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3301-000.117
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente o conselheiro Antonio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: FÁBIO LUIZ NOGUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente o conselheiro Antonio Lisboa Cardoso. (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FÁBIO LUIZ NOGUEIRA Relator. EDITADO EM: 03/11/2011 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Maurício Taveira e Silva e Maria Teresa Martínez López. O Contribuinte CADAM S.A.devidamente qualificado nos autos, recorre a este Conselho, através do recurso de fls. 108 e seguintes, contra o acórdão nº 0117.834, de 02/06/2010, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém – PA, fls. 102/104, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, resultante de pagamento indevido ou a maior através de DARF relativo a pagamento de COFINS, conforme relatório nos seguintes termos, ao qual me reporto: Fl. 145DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.903960/200924 Resolução n.º 3301000.117 S3C3T1 Fl. 133 2 Tratase de declaração de compensação transmitida em 10/11/2006 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 5.698,36, resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo A. receita de código 5856, do período de apuração de 31/12/2004, no valor originário de R$ 293.906,61. A Delegacia de origem, em análise datada de 25.05.2009 (fl. 05), constatou que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 04/06/2009, a interessada apresentou, em 03.07.2009, manifestação de inconformidade na qual alega (fls. 09/16): "0 crédito analisado (...) deriva do pagamento de DARF (...) referente à COFINS apurada em 31/12/04 pela empresa. Conforme já exposto, o pagamento do referido DARF foi indevido, pois, ao apurar o valor da COFINS devida em 31/12/04, a empresa não considerou os créditos tributários acumulados até o período. Constatado o equivoco, a empresa providenciou imediatamente a retificação do (...) DACON (...), relativo ao quarto trimestre de 2004, a fim de incluir os créditos decorrentes de exportação (...) e de incidência não cumulativa, demonstrando, inequivocamente, que não havia COFINS a pagar naquele período. Todavia, a empresa deixou de retificar a (...) DCTF referente ao mesmo período. Logo, verificase na referida DCTF (...) que foi apurado — e pago Um débito de COFINS no valor de R$ 293.906,61 (...). (...) Em que pese o fato de a empresa ter deixado de retificar a DCTF, é inequívoca a existência do crédito declarado na PER/DCOMP, conforme se verifica no DACON RETIFICADOR apresentado pela empresa antes da prolação do despacho decisório ora recorrido. É certo que o DACON RETIFICADOR, transmitido pela empresa à SRF antes da apresentação da PER/DCOMP, é bastante para comprovar a existência do crédito tributário declarado na compensação (...). (...) Logo, considerando que a empresa apontou a existência do crédito no DACON RETIFICADOR antes da realização do PER/DCOMP, é forçoso que a autoridade fiscal reveja a decisão recorrida a fim de homologar a compensação declarada pela Requerente em face da indubitável existência do crédito declarado. Nesse sentido é o entendimento do CONSELHO DE CONTRIBUINTES (...). Fl. 146DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.903960/200924 Resolução n.º 3301000.117 S3C3T1 Fl. 134 3 Ressaltese que, em atenção ao principio da verdade material, que deve nortear o processo administrativo fiscal, não se pode ignorar o conjunto de provas acostado aos autos, o qual revela a existência do crédito tributário declarado (.)." A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, indeferindo o pedido de ressarcimento de IPI, nos termos da seguinte Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. 0 crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária; como é o caso da DCTF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada a Contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. pedindo a reforma do Julgado insistindo na existência do crédito negado É o relatório. Conselheiro Fábio Luiz Nogueira O Recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual é conhecido. Transcrevese a seguir trecho do Recurso Voluntário que esclarece e delimita a questão a ser apreciada: Conforme já exposto, o pagamento do referido DARF foi indevido, pois, ao apurar o valor da COFINS devida em 31/12/04, a empresa não considerou os créditos tributários acumulados até o período. Constatado o equivoco, a empresa providenciou imediatamente a retificação do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais DACON (documento já anexado), relativo.ao quarto trimestre de 2004, a fim de incluir os créditos decorrentes de exportação (art. 6° , § 1° da Lei n. 10.833/03) e de incidência não cumulativa, demonstrando, inequivocamente, que não havia COFINS a pagar naquele período. Todavia, a empresa deixou de retificar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF referente ao mesmo período. Logo, verificase na referida DCTF, na página 59 (documento já Fl. 147DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.903960/200924 Resolução n.º 3301000.117 S3C3T1 Fl. 135 4 anexado), que foi apurado e pago um débito de COFINS no valor. de R$ 293.906,61 (duzentos e noventa e três mil novecentos e seis reais e sessenta e um centavos). Ao analisar o pedido de compensação apresentado pela empresa, a autoridade fiscal considerou o crédito tributário declarado como inexistente, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP foi vinculado ao pagamento da COFINS, conforme indicado na DCTF, o que resultou na não homologação da compensação realizada pela empresa. Em que pese o fato de a empresa ter deixado de retificar a DCTF, é inequívoca a existência do crédito declarado na PER/DCOMP, conforme se verifica no DACON RETIFICADOR apresentado pela empresa antes da prolação do despacho decisório. É certo que o DACON RETIFICADOR, transmitido pela empresa à SRF antes da apresentação da PER/DCOMP, é bastante para comprovar a existência do crédito tributário declarado na compensação. 0 art. 11, .§ 10 da Instrução Normativa n° 590/05 da Secretaria da Receita Federal estabelece que: Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas . no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, com observância das mesmas normas estabelecidas, para a demonstrativo retificado. § 1o O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. Ou seja, o DACON RETIFICADOR tem o condão de substituir integralmente o demonstrativo apresentado originariamente, inclusive para efetivar a inclusão de créditos não informados anteriormente. É imperioso que o Fisco.constate que os créditos apontados pela empresa no DACON RETIFICADOR apontam um valor de R$ 293.906,61 (duzentos e noventa e três mil, novecentos e seis reais e sessenta e um centavos),ou seja, o mesmo valor indicado pela empresa na PER/DCOMP 01667.42148.081106.1.3.042827 Depreendese do Acórdão Recorrido que a v. Decisão atevese exclusivamente à declaração constante da DCTF e citando os artigos 15 e 16 do Decreto 70.235 asseverou que é ”ônus do sujeito passivo trazer aos autos administrativos, já com sua peça impugnatória, as provas cuja produção encontrese em sua esfera de responsabilidade”. Entretanto, o presente processo decorre de Despacho Decisório eletrônico, o qual tem origem nas informações prestadas pelo próprio Contribuinte. Nessas situações, não há uma fase de instrução, antes do mencionado Despacho Eletrônico. È feita apenas uma verificação nos registros do sistema da Receita Federal e aí é gerado, eletronicamente, o Despacho. Tenho para mim que até o nome “Despacho Decisório” pode ser questionado.. Por outro lado, não se pode menosprezar a possibilidade de erro nas Declarações e até por esse motivo é prevista a retificação, no praz legal. Mas, iniciado o Fl. 148DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.903960/200924 Resolução n.º 3301000.117 S3C3T1 Fl. 136 5 procedimento fiscal, não mais é permitida a alteração da Declaração ou, se efetuada, a retificação não produz nenhum efeito, nos termos da Súmula CARF 33. No procedimento que anteriormente regia a compensação, o contribuinte era intimado a apresentar os elementos e provas do seu crédito antes do seu deferimento ou indeferimento. Acredito que a mudança no instituto da compensação não pode prejudicar o direito de defesa do contribuinte. E, nesses casos de despacho decisório eletrônico, o artigo 16 deve ser aplicado com reservas, até porque não foi precedido de uma fiscalização ou verificação pela fiscalização, prevista nos artigos anteriores do Decreto 70.235/72.. No caso, o Contribuinte apresentou o DACON, que foi retificado, antes da apresentação do pedido de compensação – PER/DCOMP, sendo que os valores são equivalentes e a digna Fiscalização não analisou esses demonstrativos, que foram juntados na Manifestação de Inconformidade. Devem ser consideradas as provas apresentadas pela Recorrente, tanto mais no presente caso, em que as provas estão representadas pelo DACON, retificado antes da apresentação do pedido de compensação e apresentado já na manifestação de inconformidade. Este Egrégio Conselho já teve oportunidade de prestigiar a busca da verdade real / material, conforme Julgados a seguir: Junto com o Recurso Voluntário foram juntados ao presente processo copia do DARF, do PERD/COMP, da DCTF retificadora e dos livros fiscais que segundo a Recorrente comprovariam a ocorrência do pagamento a maior informado. Assim, tendo por norte o princípio da verdade material e verificando a necessidade de análise dos documentos por parte da autoridade preparadora, com a devida vênia do nobre relator, entendo por bem converter o presente processo em diligência para que: a) sejam analisados os documentos juntados ao presente processo junto com o Recurso Voluntário, em complemento aos já apresentados anteriormente, informando se de fato existe pagamentos a maior ou indevidos; b) seja intimada a Recorrente para que informe o motivo da modificação dos valores devidos da contribuição, bem como lhe seja dada ciência do resultado da presente diligencia; (Processo nº 10283.901881/200878 Recurso nº 514.670 – 3a. Seção de Julgamento 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Redator designado Conselheiro Alexandre Gomes) . Noto que a Administração Tributária não contestou diretamente a existência do crédito. A meu sentir os princípios da oficialidade, do informalismo moderado e, principalmente, a verdade material exigem muito mais do processo administrativo fiscal que o simples exame fundado em verificações automáticas de sistema, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinaram o despacho decisório, validado por meio de chancela eletrônica. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, no caso vertente não houve um único Fl. 149DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.903960/200924 Resolução n.º 3301000.117 S3C3T1 Fl. 137 6 procedimento fiscal tendente a investigar a ocorrência, lastreandose o indeferimento combatido eminentemente em questões de natureza formal, sem qualquer averiguação de ordem material.(Processo nº 10983.901253/200803 Recurso nº 523.133 Voluntário Resolução nº 340300.108 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Relator Conselheiro Robson José Bayerl). De ordinário, portanto, a declaração de compensação será transmitida eletronicamente. Somente nas hipóteses em que o programa PER/DCOMP não é aplicável, seja por limitação normativa, seja por limitação técnica, é que o contribuinte tem permissão para formalizar o ato via formulário físico. O importante é que, dadas as especificidades destas alternativas, apenas no último caso, isto é, na declaração de compensação em formulário físico o contribuinte tinha o ônus de, desde logo, produzir a prova documental do direito creditório. Nas hipóteses em que estivesse compelido a usar o formulário eletrônico – a exemplo do caso dos autos – competia ao sujeito passivo simplesmente formalizar a declaração e aguardar que a unidade processadora lhe oportunizasse o momento para a produção da prova. Daí porque, o indeferimento da restituição eletrônica sem prévia intimação do contribuinte lhe subtrai valiosa oportunidade para documentação do direito alegado, o que, a meu ver, é especialmente relevante se a recusa vem fundada na suposta inexistência ou insuficiência do crédito. E se esta imperfeição procedimental não é drástica o bastante para nulificar a decisão, é um elemento a considerar na aplicação, contra o contribuinte, das regras relativas à preclusão da prova. A rejeição do pleito amparada apenas na omissão do sujeito passivo em retificar, para baixo, o débito confessado em DCTF, além de inconsistente, é excessivamente formal. Distanciase do princípio da verdade material e ignora que “o processo fiscal tem por finalidade primeira garantir a legalidade da apuração do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado” (NEDER, Marcos Vinicius. LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo administrativo fiscal federal comentado. 3a ed., 2010, p. 305). E digo que é inconsistente porque a retificação prévia da DCTF não é condição necessária ou suficiente para se reconhecer ao sujeito passivo o crédito vindicado. Não é – e não era – condição necessária porque a IN/SRF nº 255/02 vigente à época dos fatos não a exigia como pressuposto da válida formalização da compensação. Não é condição suficiente porque, para convencer da existência e do montante do crédito, é preciso que o interessado o comprove por elementos aos quais a legislação atribua força probatória. E, decididamente, a retificação da DCTF não detém o atributo. Com amparo no artigo 16, do Decreto no. 70.235/72 poderseia argumentar que, mesmo privada de oportunidade instrutória prévia ao despacho decisório, a recorrente poderia ter se desincumbido do ônus Fl. 150DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.903960/200924 Resolução n.º 3301000.117 S3C3T1 Fl. 138 7 quando da manifestação de inconformidade e que, in casu, teria desperdiçado a chance deixando de produzir documentos contábeis que apenas vieram aos autos com o recurso voluntário. Diante do fundamento em que escorado o despacho decisório – não retificação da DCTF – a manifestação de inconformidade o atacou precipuamente (não exclusivamente) sob a perspectiva da infração à verdade material e, pois, com argumentos de natureza procedimental. E sendo este o contexto, mais do que demonstrar a existência do crédito, competia à recorrente convencer da própria prescindibilidade da prévia retificação. Esse, afinal, o principal objeto controvertido até então. De acordo com o processualista Moacyr Amaral Santos, um dos propósitos mais importantes em se estabelecer fases ou prazos apropriados à produção de documentos “é vedar a ocultação deles na fase de integração da lide, quer dizer, na fase da formação da questão sujeita a debate das partes e sobre a qual deverá decidir o órgão judicial. O que a lei visa é afastar ou, ao menos reduzir a possibilidade de ficarem o Juiz e as partes à mercê de surpresas consistentes no aparecimento de documentos de que a parte, premeditadamente, guarde segredo para, ocasião propícia, quando não haja mais oportunidade para discussões e mais provas, oferecêlos em juízo” (Prova judiciária no Cível e Comercial, vol.4, São Paulo: Max Limonad, 1972, p. 416). Não vislumbro, na conduta processual da recorrente, indícios de semelhante intenção. De mais a mais, as provas carreadas aos autos com o recurso voluntário – provenientes da escrituração contábil da pessoa jurídica – se conhecidas, podem conferir ao julgamento níveis de certeza quanto aos fatos em debate que tanto a DRF/Porto Velho como a DRJBelém estiveram longe de obter. É em consideração à verdade material e por não estar convencido dos motivos da não homologação nestas instâncias decisórias que proponho a conversão do julgamento em diligência (...). (Processo nº 10240.900450/200971 Recurso nº 518.305 Resolução nº 340300.137 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária – Redator Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz) Tendo em vista a plausibilidade das alegações do Recorrente e, em homenagem à busca da verdade real, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência, a fim de que a DRF de origem examine as alegações do Contribuinte e analise os documentos e registros do Contribuinte, especialmente as informações constantes do DACON retificado, para que se verifique se realmente existe pagamento a maior do tributo e suas conseqüências no PER/DCOMP apresentado. Em seguida, o contribuinte deverá ser intimado do resultado da diligência para que, no prazo de trinta dias, caso entenda necessário, apresente manifestação, sobre o resultado da diligência. Por fim, devolvamse os autos para este Conselho, para a conclusão do julgamento. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábio Luiz Nogueira – Relator Fl. 151DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.903960/200924 Resolução n.º 3301000.117 S3C3T1 Fl. 139 8 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 23/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 16327.901632/2006-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3301-000.147
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MAURICIO TAVEIRA E SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado Digitalmente) Mauricio Taveira e Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Mauricio Taveira e Silva, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Rafael Yuji Kavabata, OAB 249.810SP. BANCO ITAÚ S.A., devidamente qualificado nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 39/44 contra o acórdão nº 0528.793, de 17/05/2010, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas SP, fls. 31/34, que não reconheceu o direito creditório alegado, não homologando a compensação declarada, por meio de PER/Dcomp transmitida em 22/05/2003 (fl. 15), conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: Fl. 1DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.901632/200643 Resolução n.º 3301000.147 S3C3T1 Fl. 49 2 Tratase de Despacho Decisório, fl. 15, que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada em 27/02/2008, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade em 26/03/2008, fls. 04/08, alegando, em síntese: a) a não homologação eletrônica impede o contribuinte de exercer o direito constitucional de ampla defesa, pois falta ao despacho decisório a demonstração das razões que levaram à não homologação da compensação. No caso em tela, seguramente, o fisco não trouxe aos autos do processo nenhum elemento que, por si, realmente desse suporte ao que alegou como fato motivador da não homologação da declaração de compensação, exceto a descrição dos valores apurados. Por isso é que, além da circunstância de em qualquer ramo do direito incumbir o ônus da prova àquele que alega determinado fato como constitutivo de seu direito (vale dizer, à Receita Federal quanto ao fato constitutivo de seu direito, isto é, do imposto a que se julga credor), em matéria de direito administrativo, seja ela de direito tributário ou não, o ato administrativo há de ser sempre e necessariamente motivado. Ora, a falta de apuração da matéria (demonstração de que os valores foram utilizados em outros pagamentos, por exemplo), por parte da autoridade fiscal, acarreta a total impossibilidade de o contribuinte exercer sua prerrogativa constitucional de ampla defesa. Portanto, o ato administrativo deve sempre atender às formalidades impostas, devendo permitir ao contribuinte apreender o motivo e o fato (sic) está sendo autuado, a fim de que possa se defender ou, caso concorde com a autoridade fiscal, recolher o tributo apurado. Entretanto, o auto de infração em tela, ao arrepio das normas mencionadas, não demonstrando o que alega, impede que o contribuinte apresente sua defesa corretamente, o que, por si só, já o torna nulo de pleno direito; b) foram cometidos erros na declaração de compensação, cujo valor do débito corresponde à totalidade do tributo do período, tributo esse que teve parte já paga e, portanto, não fora compensada. c) o valor de débito apresentado em DCTF (doc. 08) pelo peticionante, também contém erro que deve ser observado, especificamente, o campo pagamento com DARF, pois apresentou valor maior de débito; d) o peticionante requer que seja alterado de ofício as informações da DCTF, de acordo com os dados informados no demonstrativo (doc. 07) visando contemplar o crédito ora não homologado. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.901632/200643 Resolução n.º 3301000.147 S3C3T1 Fl. 50 3 A DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório. O acórdão restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF Anocalendário: 2003 Compensação. Pagamento indevido ou a maior. Argüição de nulidade. Despacho decisório. Motivação. Válida a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado. Despacho Decisório Eletrônico. Fundamentação. Cerceamento de Defesa. Na medida em que o despacho decisório que não homologou a compensação declarada teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declaração pelo próprio sujeito passivo, não há falar em cerceamento de defesa, máxime quando a manifestação de inconformidade demonstra o entendimento das razões do despacho decisório. Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade. Retificação. Impossibilidade. A retificação dos débitos declarados em declaração de compensação está submetida a procedimentos e parâmetros específicos, sendo incabível o atendimento de tal pleito em sede de manifestação de inconformidade. Compensação. Créditos. Comprovação. É prérequisito indispensável à efetivação da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Tempestivamente, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 39/44, acrescido dos documentos de fls. 45/47, apresentando os seguintes argumentos: a) após uma sucessão de diversos erros que relaciona, a contribuinte localizou trinta e cinco pequenos valores recolhidos a maior com os quais compôs o total a ser compensado com débitos de IOF no montante de R$13.931,23; b) a verdade material deve ser privilegiada acolhendose as provas trazidas aos autos, afastandose, por conseguinte, a verdade formal, de modo a não exigir valor que não possua respaldo na legislação, em observância ao princípio da estrita legalidade do direito tributário. Por fim, requer a homologação da compensação pretendida e, se necessário, a alteração de ofício das Per/Dcomp e DCTF transmitidas, nos termos do art. 147, § 2º do CTN; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.901632/200643 Resolução n.º 3301000.147 S3C3T1 Fl. 51 4 o cancelamento da cobrança efetivada através do processo n° 16327.720029/200824 e, ainda, protesta pela juntada dos documentos em anexo. É o Relatório. Conselheiro Mauricio Taveira e Silva, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Conforme relatado, a interessada transmitiu PER/Dcomp em 22/05/2003 (fl. 15), cuja compensação não foi homologada em virtude de que, na data da transmissão da declaração de compensação, o crédito indicado encontravase totalmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, inexistindo disponibilidade do valor declarado na Dcomp. Por sua vez a contribuinte alega ter havido erro no preenchimento do Per/Dcomp e da DCTF relacionadas ao crédito controvertido. A interessada menciona que apurou e declarou o IOF devido em 12/02/2003 como sendo R$257.710,65 (257.109,48 + 601,17), quitado por meio de dois DARF. Posteriormente, constatou que o valor devido seria de R$271.040,71, gerando uma insuficiência de R$13.330,06. Entretanto, esquecendose do DARF de R$601,17, entendeu ser devedora de R$13.931,23, cujo valor tencionou quitar por meio de trinta e cinco Dcomp, dentre as quais vinte seis não foram homologadas. Devido a ausência de apresentação de declarações retificadoras e, ainda, preenchimentos equivocados das DCTF e PER/Dcomp transmitidas, tais equívocos acarretaram a cobrança não do valor relacionado à compensação, e sim, do valor total relativo ao período de apuração, em cada um desses vinte seis processos, ou seja, está lhe sendo exigido o pagamento de vinte seis DARF de valor principal de R$271.040,71, além de multa e juros. De se ressaltar que os procedimentos de restituição, ressarcimento e compensação são intensamente regrados de modo a evitar a saída indevida de valores dos cofres públicos, bem assim, a extinção do crédito tributário pela compensação irregular. Nessa toada cabe ao administrado a observância das regras impostas, e não à administração fazendária se sujeitar a análises casuísticas em contradição com o regramento. Por outro lado, no presente caso, sendo constatada a veracidade dos argumentos apresentados, estarseia exigindo pagamento de valores extremamente elevados em relação ao que de fato pudesse ser devido. Assim, em homenagem aos princípios da proporcionalidade, formalidade moderada e da verdade real, que devem nortear o processo administrativo fiscal e, ainda, de modo a evitar eventual enriquecimento sem causa por parte do fisco, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência a fim de que a DRF de origem analise os documentos acostados aos presentes autos e, caso entenda necessário, intime a contribuinte a comprovar a pertinência e veracidade das alegações supramencionadas, em duas vertentes, sendo a primeira em relação às declarações ditas equivocadas e a segunda, quanto à existência e disponibilidade do indébito, conforme abaixo: a) visando à constatação de que de fato as declarações apresentadas encontram se equivocadas e, caso os equívocos fossem saneados, a exigência correta limitarseia ao valor a compensar pretendido, ou seja, cerca de treze mil reais, acrescidos de multa e juros: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.901632/200643 Resolução n.º 3301000.147 S3C3T1 Fl. 52 5 b) demonstrar e existência do indébito alegado, bem como sua condição de haver suportado o ônus financeiro do IOF retido na qualidade de responsável. Posteriormente, o fiscal diligente deverá elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo nas PER/Dcomp apresentadas. Na sequência a contribuinte deverá ser intimada para que, no prazo de trinta dias, caso entenda conveniente, apresente manifestação, somente quanto à matéria decorrente da diligência. Por fim, devolver os autos para este Conselho, para julgamento. (Assinado Digitalmente) Mauricio Taveira e Silva Fl. 5DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 37317.008958/2006-99
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 206-00.083
Decisão: RESOLVEM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos em converter o julgamento do recurso em diligência.
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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D ')- I () L I 0;1 SUma AJvcJe!.Oliveira Mel: Siape 877362 " MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRlB SEXTA CÂMARA Processo n!l-:37317.008958/2006-99 Recurso n' : 142950 Recorrente: FAL 2 INCORPORADORA L Recorrida: SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA. RESOLUÇÃO N' 206-00.083 2' CC.MF FI. ')5-" .•.7' " Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por FAL 2 INCORPORADORA LTDA. RESOLVEM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos em converter o julgamento do recurso em diligência. Sala das Sessões, em 11 de Março de 2007. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente Relator Participaram, ainda, da presente resolução, os Conselheiros Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Daniel Ayres Kalume Reis, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. I MINISTÉRIO DA FAZENDA _-S-E=OUNO=O:-::C:;:O:::;N;;;SE~Li:lHÕÕODEECCõiONN-lrFRliEIBlt:Um:I~iTT8ESS1 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRI ~INTESCONfERE COM O ORIGINAL ~ SEXTA CÂMARA Brasilia. ~021't-:...J"_.-.!0'4?c;,--_JI. ~O~'--_\ Processo n"-: 37317.008958/2006-99 --../J1I?OI' '", swma Aj~ ( Ivet Recurso nQ : 142950 Mat: Siepe 877862 Recorrente: FAL 21NCORPORADORA L.lJ'f" Recorrida: SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA. RELATÓRIO 2' CC.Mf FI. '.f :- ..., :":'1:'-? ••.:> Trata-se de crédito lançado pela fiscalização em face da empresa acima identificada que, de acordo com Relatório Fiscal de folhas 20/25, refere-se a contribuições destinadas à Seguridade Social, que incidem sobre as remunerações dos segurados empregados pela empresa contratada para execução de obras de construção civil, correspondentes à parte da empresa, dos empregados e ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, no periodo de 01/1995 a 12/1995. Segundo o referido relatório fiscal, os fatos geradores das contribuições objeto do presente lançamento ocorreram .com os pagamentos das remunerações aos segurados empregados pela executora dos serviços, contratada pela notificada, para execução de obra de construção civil. A notificada, na condição de contratante de obras de construção civil, torna-se responsável solidária com a contratada pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal, com fundamento de validade no art. 124 do CTN e art. 30 inciso VI da Lei n° 8212/91. Informou o referido relatório fiscal que a empresa notificada não comprovou o recolhimento das contribuições sociais por parte da empresa contratada, em virtude da não apresentação dos documentos para a elisão da responsabilidade solidária, incidente sobre a remuneração incluida em notas fiscais de serviço correspondentes aos serviços executados, conforme previsão legal e orientações vigentes à época - Ordem de Serviço INSS/DAF n° 83/93, OS/INSS/DAF n° 165/97; OS/INSS DAF n° 176/97; IN n° 18/2000e IN/INSS/DC n° 69/2002. O lançamento teve seus valores aferidos com base no valor das notas fiscais de serviço emitidas pela contratada, de acordo com os 3° do art. 33 da Lei n° 8212/91. Os salários de contribuição contidos em notas fiscais de serviços, foram apurados de acordo com a IN/SRP N° 03/2005, mediante a aplicação do percentual de 40% sobre o montante do serviço contido nas referidas notas fiscais. Sobre essa base de cálculo, incidiram as alíquotas correspondentes asa contribuições patronais, bem como a alíquota minima relativa à contribuição dos empregados, sem a dedução da CPMF. Tempestivamente, a empresa contratante apresentou sua impugnação (fls. 103/137), argüindo preliminarmente a decadência do direito de efetuar o lançamento, nos termos do artigo 150 S 4° do CTN. Alegou que a previsão contida no art. 45 da Lei n° 8212/91 não pode prevalecer, pois contraria o disposto na legislação complementar, mais precisamente no art. 150, S 4° do CTN No mérito, alegou que o lançamento não poderia prevalecer, pois a administração pública pretende cobrar da impugnante débito de terceiro, que com ela não possui qualquer vinculo, em relação juridica da qual ela não é parte; 2 2'CC-MF FI. ~~tfp t#!( $i1maAI s Oliveira MeL Siape 877862 MINISTÉRlO DA FAZENDA MF _SEOUNOO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIB INTES CONFERE COM O ORLGINAL SEXTA CÂMARA O'J- I () I éG Processo n"-: 37317.008958/2006-99 Recurso n" : 142950 Recorrente: FAL 21NCORPORADORA L Recorrida: SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA. Que a Lei nO8212/91 estabeleceu em seu art. 30 e seguintes, regras acerca da responsabilidade solidária das empresas contratantes de serviços, em cujo rol estão incluídas as empresas de incorporadoras, como é o caso da impugnante. O preceito citado não é inovação trazida pela referida lei. Trata-se de regra jurídica que há muito integra nosso ordenamento jurídico. No entanto, a interpretação que se deve obter do mencionado não deverá ser meramente literal. Que as discussões acerca do referido preceito apresentaram-se acirradas. Em inúmeras oportunidades o extinto Tribunal Federal de Recursos teve que se manifestar acerca do assunto. Como corolário indispensável surgiu a súmula nO126, a qual preceitua: na cobrança de crédito previdenciário, proveniente da execução de contrato de obra, o proprietário, dono da obra ou o condômino de unidade imobiliária, somente será acionado, quando não for possível lograr do construtor, através de execução contra ele intentada, a respectiva liquidação; ( os grifos são do original). Que ainda que todos os argumentos expostos não fossem suficientes para demonstrar o descabimento da presente cobrança, a NFLD em epígrafe não merece prosperar pois ofende o Parecer CJ/MPAS n° 2376/2000, de acordo com o qual tanto o contribuinte como o responsável devem constar da NFLD, evitando-se que a mesma obrigação seja objeto de cobrança duas vezes, pois como se pode inferir da NFLD a empresa contratada não consta como contribuinte responsável pelo pagamento das contribuições sociais, figurando apenas a impugnante no pólo passivo da relação jurídica em questão. Argumentou que a empresa contratada foi sequer fiscalizada não podendo afirmar se as contribuições ora exigidas foram recolhidas aos cofres públicos. Com isso, pode-se estar exigindo um valor a título de contribuição que já foi pago pela empresa contratada. O parecer supracitado foi editado justamente para evitar a cobrança de uma obrigação já quitada. Insurgiu, também, contra o lançamento por arbitramento, com fulcro na IN nO03/2005, cujo dispositivo encontra-se eivado de inconstitucionalidade e ilegalidade. Insurgiu contra a multa e os juros com utilização da taxa SELIC. Requereu seja declarada a improcedência da presente NFLD e, em conseqüência, seja desconstituído o crédito tributário nesta lançado. A Secretaria da Receita Previdenciária em Osasco/SP, por meio da Decisão Notificação n° 21.028.0/0125/2006, julgou procedente o lançamento,. ementando, aSSIm, sua decisão: "TRIBUTARIa. PREVIDENCIARIO. CUSTEIO. RESPONSABILIDADE SOL/DARIA. A solidariedade passiva, legalmente imposta, pode unir diversos devedores que responderão, cada qual, pela divida toda. O INSS tem o direito de escolher e de exigir, de acordo com seu interesse e conveniência, o valor total do crédito constituido, sem que o devedor tenha qualquer beneficio de ordem. LANÇAMEN'FO PROCEDENTE. " 3 _-=-::ND~O:;:C;;:;O:MNSõiE"L;:;HOÕÕDEÊÕCoõi~:filT:RR;e'Biüuiii'N,TiTEEis~ MF. SEGUCONFERE COM O ORIGIN"l. INTES O 9-r' o'ílBra~lna, __ I SilmtlAI s d!I Oliveira Me\.: S\l'Ipe 877862 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIB SEXTA CÂMARA Processo nº-: 37317.008958/2006-99 Recurso nº : 142950 Recorrente: FAL 2 INCORPORADORA LTDA Recorrida: SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA. 2' CC-MF FI. 35!:J~ >l. Contra a decisão, a empresa contratante interpôs recurso a este Conselho, reproduzindo as razôes aduzidas em sua impugnação em que, dentre outras, argüiu a decadência do direito do fisco de lançar, em que repetiu os argumentos trazidos na impugnação. Insistiu na impossibilidade de imputação de co-responsabilidade à recorrente pelo fato jurídico tributário praticado pelo contribuinte da contribuição.; que é equivocado o entendimento de que não houve ofensa ao Parecer MPAS/CJ nO2376/2000.Vale dizer, à empresa contratada nada foi imputado, sequer a responsabilidade tributária, o que viola inequivocadamente, o disposto no citado parecer. Requereu a refonna da decisão e, conseqüentemente, a declaração de improcedência da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em questão, desconstituindo-se o crédito tributário nela lançado. Houve depósito recursal obrigatório, nos termos da legislação em vIgor (fls. 344/345). A empresa contratada, embora instada, não apresentou recurso. A Secretaria da Receita Previdenciária em Osasco/SP deixou de apresentar contra- razões, por entender que as razões apresentadas pelo contribuinte em seu recurso já foram devidamente analisadas e tiveram os motivos para sua não a aceitação pela Administração Previdenciária expostos na Decisão Notificação - DN nO21.028.010125/2006. É o Relatório. 2'CC-MF FI. ." c--/ _0.J (Ci ••• SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES mTES CONFERE COM O ORIGINAL Brasília. 02- I O '7 I oí! SilmaAl•• ~Ii,e,a _: Siap. Bn662 MINISTÉRlO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRlB SEXTA CÂMARA Processo n"-; 37317.008958/2006-99 Recurso nº : 142950 Recorrente: FAL 2 INCORPORADORA LT~' Recorrida: SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA. VOTO Conselheira CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Relatora Presentes os pressupostos de admissibilidade, pois o recurso é tempestivo e encontra- se preparado com o depósito recursal obrigatório, nos termos da legislação em vigor (fls. 344/345). Não obstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em seu recurso voluntário, bem como às contra-razões da Secretaria da Receita Previdenciária em defesa da manutenção da exigência, há nos autos questão preliminar, indispensável ao deslinde da controvérsia, que deve ser elucidada, prejudicando, assim, a análise do mérito nesta oportunidade, como passaremos a demonstrar. A lavratura da Notificação Fiscal deveu-se ao INSTITUTO DA SOLIDARIEDADE, sendo as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados utilizados na prestação dos serviços mediante cessão de mão-de-obra, apuradas por aferição indireta a partir dos valores das notas fiscais, aplicando-se os percentuais contidos na legislação previdenciária, uma vez que a recorrente não apresentou a documentação exigida pela fiscalização que serviria para elidir sua responsabilidade ou compor a base de cálculo das contribuições ora lançadas por arbitramento conforme restou circunstanciadamente demonstrado no Relatório Fiscal. Em suas razões recursais, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência em sua plenitude, aduzindo para tanto que a empresa contratada não consta do pólo passivo da obrigação, que sequer foi fiscalizada, não podendo afirmar se as contribuições ora exigidas foram recolhidas aos cofres públicos. Com isso pode estar exigindo um valor a titulo de contribuição que já foi pago pela empresa contratada. Em detrimento à argumentação da contribuinte, a autoridade julgadora de primeira instância, achou por bem não acolher o pedido de diligência, mantendo integralmente a exigência fiscal em comento, sob o argumento de que caberia à recorrente, na condição de contratante dos serviços prestados mediante cessão de mão-de-obra, comprovar o recolhimento das contribuições previdenciárias com documentação hábil e idônea. Em que pesem as considerações suscitadas pelo julgador recorrido, no sentido de atribuir à recorrente o dever de comprovar o recolhimento dos tributos em comento, cumpre esclarecer que tal conduta não é capaz de lastrear com certeza e liquidez o crédito previdenciário ora exigido, restando, ainda, algumas obscuridades que devem ser esclarecidas, senão vejamos. Como se sabe, a solidariedade previdenciária é legal e obriga os sujeitos passivos do fato gerador da contribuição da seguridade social, desde que suas regras sejam corretamente aplicadas e o procedimento fiscal regularmente conduzido. 5 2' CC-MF OONOO CONSELHO DE CONTRIBUiNTES FI. CONfERE COM O ORIGINAL ::;57 O?- 12,.--i_-9L-BrasíÜ8, IJI!:I Silma AJve Oliveira riA Mal.: Siape 877862 MINISTÉRlO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRlBU SEXTA CÂMARA Processo n"-: 37317.00895812006-99 Recurso nº : 142950 Recorrente: FAL 2 INCORPORADORA LT Recorrida: SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA. Dessa maneira, cabe a autoridade lançadora ao promover o lançamento buscar a realidade dos fatos para que a notificação fiscal não esteja apoiada em simples presunções, devendo para tanto dispensar esforços com o fito de evitar a cobrança em duplicidade das contribuições previdenciárias, sobretudo quando sua exigência decorre do instituto da responsabilidade solidária. Assim, nada mais justo e/ou correto que o fiscal autuante, antes de lançar as contribuições previdenciárias por responsabilidade solidária, procure saber se a empresa prestadora de serviços já fora fiscalizada ou se existe algum parcelamento, CND de baixa ou recolhimento em relação período objeto do lançamento, mormente quando o fisco dispõe de muito mais condições para assim proceder do que os contribuintes. No presente caso, inobstante o trabalho fiscal ter sido desenvolvido com muita propriedade, não há nos autos do processo nenhuma manifestação da autoridade lançadora a propósito de tais diligências/informações relativamente à empresa prestadora, capaz de oferecer segurança à exigência fiscal guerreada. Nesse contexto, com a finalidade de atribuir maior certeza e liquidez ao crédito tributário exigido, mister se faz verificar se a empresa prestadora de serviços já sofreu fiscalização total (com contabilidade), mormente em relação ao período ora lançado, bem como se tem CND de baixa já emitida, ou mesmo recolhimentos de contribuições previdenciárias, para efeito de abatimento. A corroborar esse entendimento, cumpre transcrever os preceitos inscritos no artigo 55, da Orientação Interna - OI INSS-DIREP n° 07, de 17/06/2004, nos seguintes termos: "Art. 55. O AFPS deverá analisar as informacões disponíveis relativas a todos os devedores solidários. visando à verificacão da regularidade da obrigacão tributária a ser exigida. de forma a evitar o lancamento de crédito iá extinto ou que já esteja sendo discutido ou cobrado judicial ou administrativamente. "(grifamos). Nessa esteira de entendimento, cabe invocar os ensinamentos dos renomados doutrinadores Leandro Paulsen e Simone Barbisan Fortes, insertos na obra DIREITO DA SEGURIDADE SOCIAL, in verbis: "{...}. Contudo, quanto aos efeitos da solidariedade estabelecida, cabe esclarecer que não autoriza o INSS a efetuar o lançamento contra o responsável pelo simples fato de não apresentar à fiscalização, quando solicitado, as guias comprobatórias do pagamento, pelo construtor, das contribuições relativas à obra. Impõe-se que o INSS verifique se o construtor efetuou ou não os recolhimentos. De fato, não há que se confundir a causa que atrai a responsabilidade solidária do dono da obra (ausência da documentação exigida comprobatória do pagamento 6 ~ SEOONDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1NTto:OCONFERE COM O ORIGINAl B '~ M 'r'01ra~lIl.'1, _ SilIf18 dEi Oliveira Mat.: Siape 87786.2: MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONT SEXTA CÂMARA Processo n~: 37317.008958/2006-99 Recurso nº : 142950 Recorrente: FAL 2 INCORPORADORA Il Recorrida: SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA. 2' CC-MF FI. 35'8 pelo contribuinte) com a pendência da obrigação tributária em si, d responsabilidade solidária recai sobre obrigacões que precisam ser apuradas adequadamente, junto aos empreiteiros/construtores contribuintes, de modo a se verificar a efétiva base de cálculo e a existência de pagamentos já realizados, até porque, na solidariedade, o pagamento efétuado por um dos obrigados aproveita aos demais, nos termos do ar!. 125, I, do CTN A análise da documentacão do construtor é, assim, indispensável ao lancamento, Em existindo dívida, ter-se-á a possibilidade de exigi-la de um ou de outro, (orte na solidariedade. sem beneficio de ordem, conforme se infére do art, 124, parágrafo único. do CTN" (Direito da Seguridade Social: prestações e custeio da previdência, assistência e saúde - Simone Barbisan Fortes, Leandro Paulsen - Porto Alegre: Livraria do Advogado Ed" 2005, pág. 439) (grifamos), A fazer prevalecer a necessidade de comprovação do descumprimento da obrigação tributária principal sub examine por parte da prestadora de serviços, não é demais lembrar que o fato de a recorrente não ter apresentado os documentos solicitados pela fiscalização, que serviriam para elidir sua responsabilidade ou compor a base de cálculo dos tributos lançados, não é capaz de fazer florescer a presunção da existência dos débitos em discussão, Com efeito, o artigo 33, S 3°, da Lei n° 8.212/91, c/c artigo 148, do CTN, somente contemplam o arbitramento da base de cálculo do tributo, mas nunca do fato gerador, não se cogitando, assim, na presunção de inadimplemento da contratada, em virtude da omissão incorrida pela tomadora de serviços. Assim, estes autos deverão retornar à origem para que para que a autoridade lançadora informe, em relacão ao período objeto desta notificação, se a empresa prestadora de serviços já sofreu fiscalização total (com contabilidade) ou parcial; se tem CND de baixa emitida; se encontra-se incluída em Parcelamentos Especiais; ou mesmo se existe algum recolhimento de contribuições previdenciárias relacionadas com os fatos geradores da presente notificação, para efeito de abatimento, oportunizando às contribuintes se manifestarem a respeito do resultado da diligência no prazo de 30 (trinta) dias, Isto posto; e CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos conta; CONCLUSÃO: pelo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, Sala das Sessões, em II de Março de 2008 ~,~L~ CLEUSA VIEIRA DE SOUZA 7 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007
score : 1.0
Numero do processo: 10880.900099/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 13 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Sep 30 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Ano-calendário: 2000
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DIVERGÊNCIA. DCOMP E DIPJ. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. VÍCIO NA MOTIVAÇÃO. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO.
O não reconhecimento do direito creditório com fundamento apenas na constatação de divergência entre os valores declarados na DCOMP e na DIPJ, caracteriza vício na motivação do Despacho Decisório, além de cercear o direito de defesa do contribuinte.
Numero da decisão: 1302-005.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a nulidade do Despacho Decisório, suscitada de ofício pela relatora e, por consequência, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinando o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto da relatora. Vencidos os conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, que não acolhia a referida nulidade, e Marcelo Cuba Netto, que a acolhia apenas parcialmente.
Assinado Digitalmente
Paulo Henrique Silva Figueiredo Presidente
Assinado Digitalmente
Andréia Lúcia Machado Mourão - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lúcia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
Nome do relator: Andréia Lúcia Machado Mourão
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DIVERGÊNCIA. DCOMP E DIPJ. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. VÍCIO NA MOTIVAÇÃO. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. O não reconhecimento do direito creditório com fundamento apenas na constatação de divergência entre os valores declarados na DCOMP e na DIPJ, caracteriza vício na motivação do Despacho Decisório, além de cercear o direito de defesa do contribuinte.
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SALDO NEGATIVO. DIVERGÊNCIA. DCOMP E DIPJ. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. VÍCIO NA MOTIVAÇÃO. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. O não reconhecimento do direito creditório com fundamento apenas na constatação de divergência entre os valores declarados na DCOMP e na DIPJ, caracteriza vício na motivação do Despacho Decisório, além de cercear o direito de defesa do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a nulidade do Despacho Decisório, suscitada de ofício pela relatora e, por consequência, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinando o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto da relatora. Vencidos os conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, que não acolhia a referida nulidade, e Marcelo Cuba Netto, que a acolhia apenas parcialmente. Assinado Digitalmente Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente Assinado Digitalmente Andréia Lúcia Machado Mourão - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lúcia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 00 99 /2 00 8- 01 Fl. 216DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-005.715 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900099/2008-01 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 16-34.986 – 5ª Turma da DRJ/SP1, de 29 de novembro de 2011, que reconheceu parcialmente o direito creditório declarado. A contribuinte transmitiu os PER/DCOMP nºs 22060.47041.151203. 1.3.037301, 37518.44212.150104.1.32431 e 37518.44212.150104.1.32431), com base em crédito decorrente de saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, referente ao ano-calendário 2000. O Despacho Decisório não homologou as compensações declaradas em razão da divergência entre os valores do saldo negativo informados na DIPJ (R$ 572.336,55) e declarados no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito (R$ 525.031,34). A DRJ analisou as informações contidas na DIPJ 2001 (ano-calendário 2000) e identificou que na apuração do saldo negativo de CSLL foram utilizadas deduções decorrentes de pagamentos de estimativa mensal e de retenções na fonte efetuadas por órgãos públicos, conforme quadro a seguir: Pesquisas efetuadas nos sistemas da Receita Federal, comprovaram as retenções na fonte declaradas, mas não foram confirmadas a integralidade das estimavas mensais. Dessa forma, a decisão proferida homologou parcialmente as compensações declaradas. Segue reprodução da ementa deste Acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 2000 DCOMP SALDO NEGATIVO. O saldo negativo, passível de compensação, é aquele apurado ao final do período a partir do confronto entre o imposto/contribuição devido e as parcelas já antecipadas, cuja disponibilidade seja passível de verificação. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cientificado do acórdão recorrido em 14/02/2012, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 13/03/2012, com as suas razões de defesa, sintetizadas a seguir: a) alega que teria ocorrido a homologação tácita das estimativas mensais declaradas e cita ementas de Acórdãos do CARF para ilustrar suas alegações. Transcrevo trecho do recurso: 9. Com efeito. Mesmo expressamente reconhecendo constar na DIPJ o montante de R$ 556.545,86, apurado a titulo de estimativas de CSLL recolhidas no ano calendário de 2000 (frise-se, montante este tacitamente homologado por esta Fl. 217DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-005.715 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900099/2008-01 Receita Federal visto que decorrido lapso temporal muito maior de que cinco anos da entrega da citada declaração), ainda assim insiste esta Receita Federal em pautar sua decisão tão somente no equivocado preenchimento da DCTF para sustentar a negativa de reconhecimento integral do crédito efetivamente de direito da Recorrente. 10. Ora, certo é que, fosse o caso de discordância por parte deste Fisco Federal do montante efetivamente declarado na DIPJ/2001 teria este o prazo de 5 anos, a contar da entrega da citada declaração, para proceder a retificação e eventual tributação decorrente da recomposição do prejuízo fiscal incorrido naquele ano. 11. Contudo, isto nunca ocorreu, sendo certo que, ainda no transcurso do ano de 2006, a DIPJ/2001 restou definitiva e tacitamente homologada, tendo decaído esta Receita do seu direito de constatar o quanto ali restou declarado. b) aponta que os documentos apresentados com a manifestação de inconformidade comprovariam a apuração do saldo negativo declarado. 16. Neste passo, pois, adentrando-se ao mérito do direito creditório a que faz jus a ora Recorrente, cumpre novamente registrar o quanto se pode observar da Ficha 06A da DIPJ 2001, já trazida a estes autos (documento 05 anexo à manifestação de inconformidade), por meio da qual observa-se, antes da incidência do CSLL, prejuízo da ordem de R$ 77.431.781,99. 17. Embora as provisões não dedutíveis, a realização de reserva de reavaliação e os ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados para o patrimônio liquido da Recorrente tenham atingido, no ano-calendário 2000, os montantes de R$ 15.784.344,02, R$ 3.514.909,65 e R$ 34.380.369,27, respectivamente, a reversão dos saldos das provisões não dedutíveis foi de R$ 1.993.912,67 e as demais exclusões somaram R$ 497.285,84, conforme Ficha 17 da anexa DIPJ 2001. Assim, apurou a Recorrente uma base de cálculo negativa de CSLL. 18. Ocorre que, em tal ano-calendário, a CSLL mensal paga por estimativa pela Recorrente atingiu o montante de R$ 556.545,86, enquanto a CSLL retida na fonte por órgãos públicos correspondeu ao total de R$ 15.790,69 (Fichas 16 e 17 da DIPJ/2001, já apresentada nestes autos). 19. Dessa forma, tendo em vista tais valores, a Manifestante, ao calcular a CSLL por ela devida, apurou que, na verdade, possuía um saldo de R$ 572.336,55 a recuperar junto a Receita Federal, conforme se verifica da Ficha 17 da DIPJ/2001. 20. Em razão de tal fato, a Recorrente, então valendo-se do direito que lhe é conferido pelo artigo 74 da Lei n° 9.430/96, cuja redação foi alterada pela Lei n° 10.637/02 utilizou seu crédito decorrente de saldo negativo da CSLL ora em comento para extinguir seus débitos tributários oriundos da contribuição devida ao PIS e da COFINS referentes ao período de apuração de novembro de 2003, o que foi realizado por meio do PER/DCOMP de n° 22060.47041.151203.1.3.07- 7301 transmitido em 15/12/2003, data do vencimento dessas contribuições sociais (documento 06 anexo à manifestação de inconformidade). 21. Salienta-se que, para efetuar tais compensações, a Recorrente usou apenas R$ 249.936,63 do crédito originário de CSLL, restando-lhe, ainda, saldo credor original. 22. Isto porque, os R$ 249.936,63, atualizados até dezembro de 2003, perfaziam a quantia de R$ 386.227,08, quantia esta que foi devidamente compensada com os débitos da Recorrente devidos a titulo de PIS e de COFINS apurados em novembro de 2003, os quais correspondiam, respectivamente, a R$ 315.022,01 e a R$ 71.205,07, conforme se observa do PER/DCOMP. Fl. 218DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-005.715 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900099/2008-01 23. No tocante ao saldo credor remanescente oriundo da CSLL apurada em 2000, a Recorrente o utilizou para extinguir seus débitos tributários decorrentes da COFINS referente ao período de dezembro de 2003, por meio do PER/DCOMP n° 37518.44212.150104.13.03-2431 transmitido em 15/01/2004, data do vencimento dessa contribuição social (documento 07 anexo à manifestação de inconformidade). 24. Assim, visto que tal débito de COFINS equivalia à quantia de R$ 428872,65, observa-se que o saldo credor remanescente da Recorrente foi suficiente para extingui-lo completamente por meio da compensação realizada em janeiro de 2004. 25. Ressalta-se, ainda, que as compensações realizadas pela Recorrente foram contabilmente registradas, conforme se verifica das Folhas 101 e 121 de seu Livro Razão (documento 08 anexo à manifestação de inconformidade) e das Folhas 1029 e 1174 de seu Demonstrativo Contábil Detalhado (documento 09 anexo à manifestação de inconformidade). 26. Todavia, em consonância ao quanto mais uma vez será demonstrado, a Recorrente faz jus A totalidade dos créditos pleiteados, bem como a homologação integral de ambas as compensações efetuadas, razão pela qual a respeitável decisão ora combatida deve ser reformada. c) defende que as diferenças observadas entre os valores do crédito declarados na DIPJ e no PER/DCOMP “não causam prejuízo à União”. Contudo, a diferença acima apontada não causa nenhum prejuízo à União. Isto porque a Manifestante, ao declarar em seu PER/DCOMP valor ordinário de crédito inferior ao realmente apurado no ano-calendário 2000 e declarado em sua D1PJ 2001, acabou por compensar valor menor do que lhe era devido, privando-se, assim, do exercício de um direito seu. Não houve qualquer prejuízo para a União que, além da quitação de seus créditos tributários a titulo de PIS e COFINS referentes ao período de novembro de 2003 e de PIS concernente ao mês de dezembro de 2003, recebeu, ainda, pagamento a maior com relação A CSLL devida no exercício financeiro de 2000. d) enfatiza que teria havida enriquecimento sem causa da Administração Pública, bem como ofensa ao princípio da moralidade. Ao final, requer: 38. Deste modo, diante de todo o exposto, requer a Recorrente o cancelamento integral do Despacho Decisório n° 749330372 objeto destes autos em decorrência da comprovada existência do montante declarado a titulo de saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário de 2000, credito este regularmente utilizado pela Recorrente quando da apresentação das Declarações de Compensação n° 22060.47041.151203.1.3.03-7301 e 37518.44212.150104.1.3.03-2431 as quais deverão, por consequência, restarem integralmente homologadas. 59. Requer ainda a Recorrente seja intimada para defesa oral na data do julgamento deste feito, a ela facultada, de acordo com o artigo 58, inciso II, da Portaria n° 256 de 22 de junho de 2009. 60. Por fim, requer sejam todas as intimações e notificações relativas às decisões proferidas neste processo encaminhadas aos Drs. Ronaldo Rayes, OAB/SP 114.521, e João Paulo Fogaça de Almeida Fagundes, OAB/SP 154.384, ambos com escritório na cidade de São Paulo, na Avenida Chedid Jafet, n° 222, 3° andar, Bloco C, bem como sejam enviadas cópias reprográficas para a Recorrente, no endereço supra transcrito. É o Relatório. Fl. 219DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-005.715 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900099/2008-01 Voto Conselheira Andréia Lúcia Machado Mourão, Relatora. Conhecimento. Em 14/02/2012, o sujeito passivo foi cientificado do Acórdão nº 16-34.986 – 5ª Turma da DRJ/SP1, de 29 de novembro de 2011, tendo apresentado seu Recurso Voluntário, em 13/03/2012, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, de modo que o Recurso é tempestivo. O Recurso é assinado por procurador da pessoa jurídica, devidamente constituídos, conforme documentos anexados aos autos (fls. 51 e 52). A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme art. 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, conheço do Recurso por ser tempestivo e por preencher os requisitos de admissibilidade. Preliminar. Nulidade do Despacho Decisório. Vício de Motivação. Tratam os autos de declarações de compensação transmitidas com base em crédito decorrente de saldo negativo de CSLL, apurado no exercício 2001 (01/01/2000 a 31/12/2000). A compensação foi não homologada em razão da divergência entre os valores do saldo negativo declarados na DIPJ e na DCOMP. Esta matéria foi objeto de Acórdãos recentes desta turma de julgamento, cujas decisões concluíram que as divergências entre os valores declarados em DIPJ e DCOMP não impediriam a análise do crédito, nem poderiam motivar a não homologação das compensações declaradas, incluindo os Acórdãos nºs 1302-005.422, 1302-005.515, 1302-005.516 e 1302- 005.687. Importante destacar que o direito creditório declarado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito, saldo negativo de IRPJ, foi analisado via processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. No caso dos autos, o confronto entre os valores do saldo negativo declarados na DIPJ (R$ 572.336,55) e na DCOMP (R$ 525.031,34) dão indícios de erro cometido pela contribuinte ao apontar o crédito que pretendia compensar. Percebe-se, pelo teor da decisão recorrida, que não houve uma apreciação mais aprofundada ou detalhada do crédito em discussão. Assim, o procedimento foi interrompido no primeiro obstáculo, ou seja, a divergência identificada motivou a negativa total do pleito da contribuinte, apesar de o crédito reivindicado na DCOMP ser menor do que o valor apurado na DIPJ. Neste tipo de situação, constatada a possibilidade de erro cometido pelo sujeito passivo na indicação do direito creditório a ser utilizado na compensação, deveriam ter sido feitas outras verificações nos sistemas da RFB, em especial em relação às parcelas de composição de crédito declaradas na DIPJ. Fl. 220DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-005.715 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900099/2008-01 Dessa forma, como houve a interrupção da análise do direito creditório, antes mesmo de terem sido verificadas as parcelas de composição do crédito, não foi aferida a própria liquidez e certeza do crédito pleiteado. Tal fato leva ao reconhecimento de vício na motivação da decisão proferida no Despacho Decisório e, consequentemente, à configuração do cerceamento do direito de defesa da contribuinte, o que levaria à declaração da nulidade da decisão recorrida. Dessa forma, como houve a interrupção da análise do direito creditório, antes mesmo de terem sido verificadas as parcelas de composição do crédito, não foi aferida a própria liquidez e certeza do crédito pleiteado. Tal fato leva ao reconhecimento de vício na motivação da decisão proferida no Despacho Decisório e, consequentemente, à configuração do cerceamento do direito de defesa da contribuinte. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal deve ser declarada a nulidade de atos ou decisões quando tiver sido constatada preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, inciso II, do PAF (Decreto 70.235, de 1972). Portanto, no caso dos autos, deve ser declarada de ofício a nulidade do Despacho Decisório, por preterição do direito de defesa, em decorrência de vício na motivação da decisão. CONCLUSÃO Diante do exposto, VOTO em declarar a nulidade do Despacho Decisório, determinando o retorno dos autos à DRF de jurisdição para que seja proferida nova decisão. Assinado Digitalmente ANDRÉIA LÚCIA MACHADO MOURÃO Fl. 221DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13855.002457/2006-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012/
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria não questionada em sede de impugnação ou de manifestação de inconformidade.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. ALEGAÇÕES GENÉRICAS.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido especificamente contraditada, sobre a qual a defesa faz alegações genéricas, sem atacar diretamente a questão de fato ou de direito afeta ao objeto discutido.
SELIC. JUROS MORATÓRIOS. ADEQUAÇÃO.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial SELIC para títulos federais, nos termos da Súmula CARF nº 4.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
É defeso a colegiado administrativo apreciar a inconstitucionalidade de leis regularmente inseridas no ordenamento segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, atribuição essa reservada aos órgãos do Poder Judiciário, nos termos da Súmula CARF nº 2.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO. CABIMENTO.
Nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, nos termos do que dispõe o art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996.
MULTA DE OFÍCIO. CONVERSÃO EM MULTA DE MORA.
Ante a ausência de previsão legal, é vedada a conversão da multa de ofício em multa de mora ou a sua redução para dentro do limite de vinte por cento.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
BONIFICAÇÕES. BASE DE CÁLCULO. NÃO COMPOSIÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. NÃO OCORRÊNCIA.
As bonificações em mercadorias entregues pelo vendedor ao comprador, sem vinculação com uma operação de venda, ainda que não registradas na respectiva nota fiscal, não constituem receitas auferidas por quem as recebe desde que comprovado, por outros meios, o cumprimento dos requisitos legais.
ICMS. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. EXCLUSÃO.
Conforme decidiu o Supremo Tribunal Federal em 15/03/2017 nos autos do RE nº 574.706/PR, o ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS.
Numero da decisão: 3401-009.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, e, no mérito, na parte conhecida, por força do artigo 19-E da Lei nº 10.522/02, em dar-lhe parcial provimento, para excluir do lançamento os créditos constituídos sobre bonificações, vencidos os conselheiros Gustavo Garcia Dias dos Santos (relator), Luís Felipe de Barros Reche e Ronaldo Souza Dias. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias - Presidente Substituto
(documento assinado digitalmente)
Gustavo Garcia Dias dos Santos Relator
(documento assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: Gustavo Garcia Dias dos Santos
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012/ MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se preclusa a matéria não questionada em sede de impugnação ou de manifestação de inconformidade. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido especificamente contraditada, sobre a qual a defesa faz alegações genéricas, sem atacar diretamente a questão de fato ou de direito afeta ao objeto discutido. SELIC. JUROS MORATÓRIOS. ADEQUAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial SELIC para títulos federais, nos termos da Súmula CARF nº 4. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. É defeso a colegiado administrativo apreciar a inconstitucionalidade de leis regularmente inseridas no ordenamento segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, atribuição essa reservada aos órgãos do Poder Judiciário, nos termos da Súmula CARF nº 2. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO. CABIMENTO. Nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, nos termos do que dispõe o art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996. MULTA DE OFÍCIO. CONVERSÃO EM MULTA DE MORA. Ante a ausência de previsão legal, é vedada a conversão da multa de ofício em multa de mora ou a sua redução para dentro do limite de vinte por cento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 BONIFICAÇÕES. BASE DE CÁLCULO. NÃO COMPOSIÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. NÃO OCORRÊNCIA. As bonificações em mercadorias entregues pelo vendedor ao comprador, sem vinculação com uma operação de venda, ainda que não registradas na respectiva nota fiscal, não constituem receitas auferidas por quem as recebe desde que comprovado, por outros meios, o cumprimento dos requisitos legais. ICMS. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. EXCLUSÃO. Conforme decidiu o Supremo Tribunal Federal em 15/03/2017 nos autos do RE nº 574.706/PR, o ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-09-21T13:29:00Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-09-21T13:29:00Z; Last-Modified: 2021-09-21T13:29:00Z; dcterms:modified: 2021-09-21T13:29:00Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-09-21T13:29:00Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-09-21T13:29:00Z; meta:save-date: 2021-09-21T13:29:00Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-09-21T13:29:00Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-09-21T13:29:00Z; created: 2021-09-21T13:29:00Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2021-09-21T13:29:00Z; pdf:charsPerPage: 2195; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-09-21T13:29:00Z | Conteúdo => S3-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13855.002457/2006-43 Recurso Voluntário Acórdão nº 3401-009.425 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de julho de 2021 Recorrente SEPOL DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS E BEBIDAS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012/ MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se preclusa a matéria não questionada em sede de impugnação ou de manifestação de inconformidade. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido especificamente contraditada, sobre a qual a defesa faz alegações genéricas, sem atacar diretamente a questão de fato ou de direito afeta ao objeto discutido. SELIC. JUROS MORATÓRIOS. ADEQUAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial SELIC para títulos federais, nos termos da Súmula CARF nº 4. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. É defeso a colegiado administrativo apreciar a inconstitucionalidade de leis regularmente inseridas no ordenamento segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, atribuição essa reservada aos órgãos do Poder Judiciário, nos termos da Súmula CARF nº 2. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO. CABIMENTO. Nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, nos termos do que dispõe o art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996. MULTA DE OFÍCIO. CONVERSÃO EM MULTA DE MORA. Ante a ausência de previsão legal, é vedada a conversão da multa de ofício em multa de mora ou a sua redução para dentro do limite de vinte por cento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 24 57 /2 00 6- 43 Fl. 244DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-009.425 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.002457/2006-43 Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 BONIFICAÇÕES. BASE DE CÁLCULO. NÃO COMPOSIÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. NÃO OCORRÊNCIA. As bonificações em mercadorias entregues pelo vendedor ao comprador, sem vinculação com uma operação de venda, ainda que não registradas na respectiva nota fiscal, não constituem receitas auferidas por quem as recebe desde que comprovado, por outros meios, o cumprimento dos requisitos legais. ICMS. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. EXCLUSÃO. Conforme decidiu o Supremo Tribunal Federal em 15/03/2017 nos autos do RE nº 574.706/PR, o ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, e, no mérito, na parte conhecida, por força do artigo 19-E da Lei nº 10.522/02, em dar-lhe parcial provimento, para excluir do lançamento os créditos constituídos sobre bonificações, vencidos os conselheiros Gustavo Garcia Dias dos Santos (relator), Luís Felipe de Barros Reche e Ronaldo Souza Dias. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias - Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Gustavo Garcia Dias dos Santos – Relator (documento assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório da DRJ: A empresa qualificada em epígrafe foi autuada em virtude da apuração de falta de recolhimento da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) no período de janeiro a dezembro de 2002, exigindo-se lhe contribuição de R$ 172.397,76, multa de oficio de R$ 129.298,27 e juros de mora de R$ 122.291,48, perfazendo o total de R$ 423.987,51. O enquadramento legal encontra-se a fls. 4 e 5. Fl. 245DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-009.425 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.002457/2006-43 O lançamento foi devido à apuração de diferenças entre os valores da contribuição informados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e aqueles calculados pela fiscalização. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento alegando, em síntese, que a contribuição ao PIS deveria ser calculada de forma não-cumulativa, porquanto, do contrário, caracterizaria o efeito cascata, o que iria de encontro à Constituição Federal, além de ferir o princípio da capacidade contributiva. Assinala que o art. 2°, § 2°, III, da Lei nº 9.718, de 1998, reconheceu esse direito ao permitir que se exclua da base de cálculo valores transferidos a outra pessoa jurídica, bem assim a Lei nº 9.716, de 1998, ao autorizar ao a exclusão do custo de aquisição para as empresas que comercializam veículos usados. Também alega que o alargamento da base de cálculo do PIS, previsto no art. 3°, § 1°, da Lei nº 9.718, de 1998, seria inconstitucional, conforme já entendeu o Supremo Tribunal Federal (STF), bem assim o aumento da alíquota, previsto em seu art. 8°, por ferir a isonomia, beneficiando o contribuinte que auferir lucro, que pode compensar um terço do valor da Cofins com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), em detrimento daquele que não aufere lucro e não goza desse beneficio. Argumenta que o valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações (ICMS) não compõe a base de cálculo da contribuição porquanto também não faz parte do faturamento. Alega que por se constituir em empresa de distribuição de bebidas, recebe diversas bonificações que são repassadas aos clientes e não causam qualquer impacto econômico ou contábil na impugnante, portanto não se constituem em receita operacional, conforme entendimento do Conselho de Contribuintes, que ora transcreve. Em relação aos juros moratórios, alega que a taxa do Selic é imprestável para tal utilização, pois tem caráter remuneratório e não moratório, além de ir de encontro ao art. 161 do Código Tributário Nacional. - Quanto à multa, alegou que fere os princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e da proibição ao confisco e que deveria ser reduzida a 20%, a teor do art. 61, § 2°, da Lei nº 9.430, de 1996. A DRJ Ribeirão Preto, em sessão realizada em 04/12/2009, decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação em acórdão ementado da seguinte maneira (fls. 201/211): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. PIS. BASE DE CÁLCULO. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo da contribuição ao PIS passou a ser a totalidade das receitas auferidas pela empresa subtraída de algumas exclusões previstas em lei. CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Fl. 246DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-009.425 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.002457/2006-43 JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso, a partir de abril de 1995. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa nos moldes da legislação que a instituiu. O contribuinte, tendo tomado ciência do acórdão da DRJ em 22/02/2010 (fl. 214), apresentou em 05/03/2010 o recurso voluntário de fls. 217/241, deduzindo os mesmos elementos de defesa da Impugnação, acrescentando tão somente que inexiste previsão legal para a incidência dos juros sobre a multa de ofício, o que contraria o disposto no art. 97, V, do CTN, bem como o disposto no art. 5°, inciso II, da Constituição Federal de 1988. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gustavo Garcia Dias dos Santos, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche em parte as demais condições de admissibilidade, pelo que é parcialmente conhecido. Isso porque deixo de conhecer as alegações pertinentes à incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício, por não terem integrado as alegações da impugnação ao lançamento, restando preclusas, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. Da incidência não-cumulativa Em relação ao argumento de que o Pis deveria, na oportunidade, ser calculado de forma não-cumulativa, evitando-se o efeito cascata e em atenção ao princípio da capacidade contributiva, lembro que tal sistemática somente teve início com o advento da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, devendo a sua apuração ser realizada, até a referida data, pelo regime cumulativo, nos moldes estabelecidos pela Lei nº 9.718, de 1998. A esse respeito, de acordo com o art. 2º da referida norma, a base de cálculo das contribuições será calculada com base no seu faturamento, somente sendo permitidas as exclusões dispostas em seu art. 3º, § 2º, com a redação pela MP nº 2158-35, de 2001, dentre as quais não se encontram as pretensões da empresa. Veja-se Lei nº 9.718, de 1998 (...) Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluem-se da receita bruta: Fl. 247DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-009.425 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.002457/2006-43 I - as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II - as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) III - (Revogado pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) IV - a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Com efeito, de acordo com o que consta no auto de infração, o lançamento fora efetuado com base nas diferenças entre os valores da contribuição informados em DCTF e aqueles calculados pela Fiscalização durante o procedimento levado a efeito contra a empresa. A autoridade lançadora fez constar no TVF (fl. 13), que a empresa teria excluído da base de cálculo as compras de mercadorias para revenda, bem como respectivo ICMS retido nessas aquisições, além de despesas tributadas pelas contribuições em operações anteriores, antecipando para si a apuração não cumulativa, em flagrante desacordo com a legislação então vigente. Também é oportuno destacar que os argumentos da Recorrente a respeito da necessidade de apuração não cumulativa no período se traduzem, em verdade, em deduções que se amparam diretamente em princípios constitucionais, passando ao largo das expressas disposições legais então vigentes, pelo que, ao fim, questionam, no mínimo indiretamente, a própria constitucionalidade de leis, para o que incidente a Súmula nº 2 deste Conselho, verbis: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por essas razões, não acolho tal pretensão. Da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo e do aumento de alíquota Nesse ponto, alega a empresa que o alargamento da base de cálculo do PIS, previsto no art. 3°, § 1°, da Lei nº 9.718, de 1998, seria inconstitucional, conforme já entendeu o Supremo Tribunal Federal (STF). Também conclui pela inconstitucionalidade do aumento da alíquota previsto em seu art. 8° da referida norma, por ferir a isonomia, beneficiando o contribuinte que auferir lucro, que pode compensar um terço do valor da Cofins com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), em detrimento daquele que não aufere lucro e não goza desse beneficio. Preliminarmente, recorro uma vez mais à Súmula nº 2 desta Casa para não apreciar as alegações concernentes à inconstitucionalidade do aumento de alíquota promovido pelo art. 8º da Lei nº 9.718, de 1998, já que é defeso a esse colegiado apreciar a inconstitucionalidade de leis regularmente inseridas no ordenamento segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, atribuição essa reservada aos órgãos do Poder Judiciário, nos termos do mencionado enunciado, já reproduzido. Fl. 248DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-009.425 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.002457/2006-43 Até mesmo porque referido dispositivo teve a sua constitucionalidade apreciada em 05/08/2009 pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do RE nº 527.602/SP, em que ficou assente a validade da referida majoração, nos termos da divergência instaurada a partir do voto condutor do Ministro Marco Aurélio de Mello. Na ocasião, o Tribunal manteve o entendimento que já vinha manifestando, no sentido de reconhecer tão-somente a inconstitucionalidade da expansão da base de cálculo das contribuições, em concordância com o decidido nos RE nº 346.084, nº 358.273, nº 357.950 e nº 390.640, apreciados em 09/11/2005. Sobre esse último ponto, de fato, como se vê, tem razão a Recorrente quando afirma que o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional o alargamento da base de cálculo das contribuições, promovido pelo parágrafo 1º do art. 3º da lei 9.718/1998, que reconhecia como receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Considerando, portanto, este cenário, passo ao exame da única rubrica questionada pela Recorrente em sua defesa, qual seja a bonificação recebida em mercadoria. Das bonificações em mercadorias Segundo a Recorrente, por se constituir em empresa de distribuição de bebidas, recebe diversas bonificações em mercadorias, que são repassadas aos clientes e não causam qualquer impacto econômico na sua contabilidade, não devendo ser admitidas como receitas operacionais. Cita julgados do Conselho de Contribuintes, bem como a Solução de Consulta Cosit nº 162, de 2004, em seu favor. Ao fim, conclui que todos os valores do auto de infração que se referem a “outras receitas” - inclusive aqueles decorrentes de bonificação - devem ser excluídos, por indevidos. De antemão, alerto para o fato de que as razões de defesa ora apreciadas referem- se exclusivamente às bonificações recebidas, de maneira que, em admitidas, redundarão na exclusão tão somente dessas rubricas, não sendo possível excluir todos os valores constantes em “outras receitas” - acaso ali existam rubricas de outras naturezas, como se infere do pedido da Recorrente. Isso porque não impugnada é a matéria que não tenha sido contraditada pontual e especificamente, sobre a qual a empresa se restrinja a fazer afirmações genéricas, sem atacar diretamente a questão de fato ou de direito que a afeta, como ocorre na hipótese. Nesse contexto, a empresa pretende estender para os demais valores registrados em “outras receitas” o entendimento a que chegará o colegiado a respeito das bonificações, sem que para isso apresente suas alegações sobre o ponto, o que é vedado pelo art. 16, III, do Decreto nº 70.235, de 1972. Assim, considero não impugnados, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, os valores do lançamento incidentes sobre rubricas outras que não as bonificações, as quais aprecio, enfim, na sequência. De volta à rubrica contestada, creio que as teses conflitantes se amparem, por um lado, na premissa de que o recebimento de mercadorias em bonificação implica mera redução de custo, não se qualificando como receita e, por outro, na ideia de que referidos valores devem ser incluídos na base de cálculo da contribuição, por se traduzirem em doações, em razão do Fl. 249DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-009.425 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.002457/2006-43 correspondente acréscimo patrimonial sem respectiva contrapartida, e estarem diretamente relacionados com a sua atividade-fim, integrando, assim, a receita bruta operacional da empresa. A proposição que admite as bonificações como redutor do custo de aquisição se vale, em síntese, das determinações contidas no art. 109 e 110 do CTN, diante das definições expostas no item 10, do CPC nº 30/2012, aprovado pela Deliberação CVM nº 692/2012, e no item 11 do CPC nº 16/2009, aprovado pela Deliberação CVM nº 575/2009. Inicialmente, observo que a disposição contida no item 10 do CPC nº 30/2012, aprovado pela Deliberação CVM nº 692/2012, fundamento desta tese, se direcione e, assim, apenas tenha relevância para o vendedor/fornecedor e não para o adquirente, como aqui ocorre, já que preconiza, em consonância inclusive com o que prevê a legislação tributária (art. 3º, § 2º, I, in fine, da Lei nº 9.718/1998 e outros), que os descontos comerciais (trade discounts) e as bonificações (volume rebates) concedidos pela entidade ao comprador podem ser deduzidos da receita bruta. Veja-se: CPC nº 30/2012, aprovado pela Deliberação CVM nº 692/2012 Mensuração da receita (...) 10. O montante da receita proveniente de uma transação é geralmente estabelecido entre a entidade e o comprador ou usuário do ativo. É mensurado pelo valor justo da contraprestação recebida, ou a receber, deduzida de quaisquer descontos comerciais (trade discounts) e/ou bonificações (volume rebates) concedidos pela entidade ao comprador. Outro ponto interessante é que referido item categoriza os descontos comerciais (trade discounts) - ou incondicionais - e as bonificações (volume rebates) como espécies distintas de abatimentos (entendido aqui em sentido amplo), pelo que não deve proceder a pretensão de se equiparar indistintamente os institutos, principalmente porque, como veremos adiante, a legislação tributária caracteriza os descontos incondicionais como parcelas a serem excluídas da base de cálculo das contribuições somente se atendidos alguns requisitos, não verificados nas bonificações. Veja-se que o próprio item 11 do CPC nº 16, aprovado pela Deliberação CVM nº 575/2009, abaixo reproduzido, também parâmetro deste entendimento, ao abordar os itens que devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição, faz menção unicamente aos descontos comerciais, sem mencionar expressamente a bonificação, pelo que, diante da constatação de que para aquele Comitê trata-se de classes distintas, como acima exposto, não se pode concluir prontamente que as bonificações estejam ali inseridas. CPC nº 16, de 2009, aprovado pela Deliberação CVM nº 575/2009 Custos de aquisição 11. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. (Alterado pela Revisão CPC 01) Fl. 250DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-009.425 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.002457/2006-43 De toda forma, é preciso lembrar que, nesse ponto, para a legislação tributária, os descontos incondicionais ou comerciais são parcelas redutoras do preço de venda tão-somente quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos, nos termos do item 4.2 da IN SRF nº 51, de 1978. Esses descontos não se incluem na receita bruta da pessoa jurídica vendedora e, do ponto de vista da pessoa jurídica adquirente, constituem redutor do custo de aquisição, não configurando receita. Por seu turno, os descontos condicionais ou financeiros são aqueles que dependem de evento posterior à emissão da nota fiscal, usualmente, do pagamento da compra dentro de certo prazo, e configuram despesa financeira para o vendedor e receita financeira para o comprador. Nesse contexto, a bonificação é termo conceituado no campo comercial, estabelecida como a concessão feita pelo vendedor ao comprador, (1) diminuindo o preço da mercadoria - hipótese em que, acaso tenha sido registrada em nota fiscal e não se condicione a evento futuro, será excluída da base de cálculo da contribuição do fornecedor e computada como redutor do custo de aquisição para o adquirente - ou (2) entregando quantidade maior do que a contratada em momento posterior à emissão da nota fiscal. Assim, o termo “bonificação” tem natureza mais ampla e abrange não só os descontos comerciais (ou incondicionais), desde que atendidos os supracitados requisitos, mas também a hipótese em que, por mera liberalidade do fornecedor, após a emissão da nota fiscal e sem nela serem registrados, os bens são entregues gratuitamente, sem qualquer vinculação com a operação de venda, como forma de estímulo e fidelização entre as partes e alargamento das relações comerciais, em função de um histórico com o cliente e sem qualquer vínculo com evento futuro. É o que se extrai do Parecer CST/SIPR nº 1.386/1982 editado pela Secretaria da Receita Federal, com meus destaques: Bonificação significa, em síntese, a concessão que o vendedor faz ao comprador, diminuindo o preço da coisa vendida ou entregando quantidade maior que a estipulada. Diminuição do preço da coisa vendida pode ser entendido também como parcelas redutoras do preço de venda, as quais, quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento, são definidas, pela Instrução Normativa SRF nº 51/78, como descontos incondicionais, os quais, por sua vez, estão inseridos no art. 178 do RIR/80. Isto pode ser feito computando-se, na Nota Fiscal de venda, tanto a quantidade que o cliente deseja comprar, como a quantidade que o vendedor deseja oferecer a título de bonificação, transformando-se em cruzeiros o total das unidades, como se vendidas fossem. Concomitantemente, será subtraída, a título de desconto incondicional, a parcela, em cruzeiros, que corresponde à quantidade que o vendedor pretende ofertar, a título de bonificações, chegando-se, assim, ao valor líquido das mercadorias. Entretanto, ressalte-se que, se as mercadorias forem entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem qualquer vinculação com a operação de venda, o custo dessas mercadorias não será dedutível na determinação do lucro real. Colocado dessa forma, resta evidente que não se trata de descontos incondicionais, já que os referidos valores não foram incluídos na nota fiscal de venda e, como visto, este ponto é requisito indispensável para que sejam assim considerados, nos termos do que dispõe a legislação em vigor. De forma semelhante, não se condicionam a evento futuro, já que Fl. 251DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-009.425 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.002457/2006-43 os bens são concedidos em bonificação sem que para isso o comprador se comprometa a praticar qualquer ato comissivo ou omissivo, pelo que igualmente não são descontos condicionais. Ora, se os descontos só podem ser incondicionais ou condicionais e as bonificações recebidas em mercadorias posteriormente à emissão da nota fiscal, não condicionadas a eventos futuros, categoricamente não se enquadram em nenhum dos dois grupos, como acima se atesta, temos que os valores recebidos gratuitamente por mera liberalidade não devem, evidentemente, ser admitidos como descontos (incondicionais ou condicionais) e sim como doações, nos termos do art. 538 do Código Civil: Art. 538. Considera-se doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra. Nesse contexto, a repercussão tributária de uma doação recebida foi de há muito esclarecida pelo Parecer Normativo CST nº 113, de 29 de dezembro de 1978, tendo concluído aquela coordenação em seu item 3.1 que no instituto o seu beneficiário aufere receita decorrente do simples enriquecimento de seu patrimônio, não implicando para ele qualquer compromisso ou obrigação. Esse entendimento é basicamente calcado no método das partidas dobradas. Importa dizer que o tema foi abordado de forma semelhante pela ilustre Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, designada para o voto vencedor do Acórdão nº 9303- 010.247, de 11/03/2020 da 3ª Turma da CSRF, cuja ementa reproduzo parcialmente (grifei): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 (...) OMISSÃO DE RECEITAS. BONIFICAÇÕES. BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. Os descontos obtidos pelo sujeito passivo junto aos fornecedores que não constem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços integram a base de cálculo do PIS não-cumulativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 (...) OMISSÃO DE RECEITAS. BONIFICAÇÕES. BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. Os descontos obtidos pelo sujeito passivo junto aos fornecedores que não constem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços integram a base de cálculo da COFINS não-cumulativa. (...) No mesmo sentido foi o voto condutor do eminente Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, redator da tese vencedora no Acórdão nº 9303-010.557, de 11/08/2020, do mesmo colegiado, veja-se (grifei): Fl. 252DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-009.425 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.002457/2006-43 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004 OMISSÃO DE RECEITAS. BONIFICAÇÕES. BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. As bonificações em mercadorias entregues pelo vendedor ao comprador, sem vinculação com uma operação de venda, constituem receitas auferidas por quem as recebe. Em conclusão, tampouco deve prosperar a alegação de que, entendida dessa forma, a bonificação em mercadorias se converterá em receita tanto do fornecedor (doador) quanto do adquirente (donatário), porquanto se indiscutivelmente é receita deste último, pelo acréscimo em seu patrimônio, certamente não o é do doador, seja porque a operação, isoladamente, não integra a sua receita bruta e, portanto, não tem repercussão tributária, seja porque, sob a sua ótica, se reconhecidamente vinculada às operações comerciais, deve na verdade ser considerada como despesa operacional. E, finalmente, assevero que, no caso sob exame, as bonificações em mercadorias decorreram do exercício de sua atividade típica (requisito este necessário em relação aos fatos geradores regidos pela Lei n° 9.718, de 1998), razão pela qual ficam caracterizados tais recursos como receita operacional da Recorrente. Diante do acima exposto, não dou provimento ao recurso nessa parte. Da não inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições Em relação a esse ponto, argumenta a Recorrente que o valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações (ICMS) não compõe a base de cálculo da contribuição porquanto apenas transite pelo seu caixa, já que posteriormente será arrecadado. Passando ao largo da extensa controvérsia instaurada à volta do tema, importa dizer que o Plenário do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, finalizado em 15/03/2017, e submetido ao rito de repercussão geral, conforme definido no art. 543-B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (antigo Código de Processo Civil), sob a relatoria da Ministra Carmen Lúcia, definiu que o ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. A decisão fora ementada nos seguintes termos: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomando-se cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adota-se o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerando-se o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. Fl. 253DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-009.425 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.002457/2006-43 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindo-se o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Após a publicação do acórdão do RE nº 574.706/PR em 02/10/2017, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios da decisão em foco, nos quais requereu a modulação temporal de seus efeitos e a delimitação de outras questões pendentes, dentre as quais a definição acerca de qual parcela do tributo estadual deve ser excluída da base de cálculo das contribuições: o ICMS destacado na nota ou o ICMS a recolher. Em sessão de 13/05/2021, o Tribunal, por maioria, acolheu, em parte, os embargos de declaração, para modular os efeitos do julgado cuja produção haverá de se dar após 15/03/2017, data em que apreciado o RE nº 574.706, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até a referida data. Também por maioria, rejeitou os embargos quanto à alegação de omissão, obscuridade ou contradição e, no ponto relativo ao ICMS excluído da base de cálculo das contribuições prevaleceu o entendimento de que se trata do ICMS destacado. Assim, enquanto não publicado o acórdão que julgou os sobreditos embargos, a PGFN aprovou o Despacho nº 246, de 2021, (DOU de 26/05/2021) a fim de que a Administração Tributária passe a observar, em relação a todos os seus procedimentos, e sem prejuízo de posterior observância do fluxo previsto na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01, de 2014, que: a) conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Tema 69 da Repercussão Geral, "O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS"; b) os efeitos dessa decisão devem se dar após 15/03/2017, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até esta data; c) o ICMS que não compõe a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS é o destacado nas notas fiscais. O que se extrai dessa decisão é que, durante a apuração do Pis e Cofins a recolher, tributos cuja base de cálculo é o faturamento mensal, concebido, principalmente, a partir do somatório das operações de venda de bens e serviços, base de cálculo do tributo estadual, o valor do ICMS destacado no documento fiscal de saída não deve ser incluído na base de calculo das contribuições. Ocorre que o presente auto de infração não advém da falta de recolhimento relativa a operações de saída de bens ou da prestação de serviços pela Recorrente - para o que deveria o respectivo ICMS destacado ser excluído - e sim da indevida inclusão de créditos apurados em inobservância das disposições legais sobre as despesas incorridas pela empresa durante as suas atividades, além das bonificações em mercadorias recebidas, para os quais referido julgado não tem qualquer repercussão econômica. Fl. 254DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-009.425 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.002457/2006-43 Nas duas situações, do ponto de vista da Recorrente, não há que se falar em ICMS destacado na nota e, por consequência, de exclusão do valor respectivo da base de cálculo das contribuições, haja vista as aludidas operações não guardarem relação com as operações de saída de bens ou de prestação de serviços e, dessa maneira, não constituírem fato gerador do tributo estadual praticado pela empresa. Assim, em que pese assista razão à Recorrente quando afirma que o ICMS não deve ser incluído na base de cálculo das contribuições, não há que se falar em exclusão do tributo estadual na hipótese tendo em vista que ele nunca fora incluído, razão pela qual nego provimento ao recurso nesse particular. Da inadequação da Selic como índice para os juros moratórios Já no que se se refere à alegação de inadequação da taxa Selic como juros moratórios, este Conselho tem jurisprudência sumulada no enunciado de nº 4 que vai em sentido oposto à tese apresentada, pelo que inviável seu cabimento, veja-se: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Da inconstitucionalidade da multa de ofício Quanto à arguição de que a multa de ofício aplicada no patamar de 75% atenta contra os princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e da proibição ao confisco, reitero a incompetência desse colegiado para exercer tal atribuição, incumbência essa reservada aos órgãos do Poder Judiciário, nos termos da Súmula nº 2 deste Conselho. Assim, diante da expressa previsão contida no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996, que prevê a aplicação da multa de ofício de 75% nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, impossível acomodar a proposição da Recorrente. Melhor sorte não assiste ao pedido para que seja reduzida a multa de ofício ao patamar de 20%, conforme é previsto no art. 61, § 2°, da Lei nº 9.430, de 1996, primeiro porque a pretensão é contra legem, a teor do que expressamente dispõe o sobredito art. 44, I, da lei. Além disso, a limitação de 20% estabelecida no dispositivo apontado pela empresa se direciona à multa moratória prevista no caput do mesmo artigo. Conclusão Diante de todo o exposto, conheço em parte do recurso voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. É o voto. (documento assinado digitalmente) Fl. 255DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3401-009.425 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.002457/2006-43 Gustavo Garcia Dias dos Santos Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Redator designado. Em que pese o como de costume bem fundado voto do Conselheiro Relator Gustavo Garcia Dias dos Santos, ouso dele discordar, com a devida vênia, pelos motivos a seguir expostos. A contribuinte se trata de empresa de distribuição de bebidas e recebe bonificações em mercadorias repassadas aos clientes, ponto exclusivo sobre o qual se debruça o corrente voto vencedor, assim entendidas como redutores de custo e, portanto, não passíveis de tratamento como receita. De fato, a Administração Tributária, por meio de sua Coordenação do Sistema de Tributação, possui entendimento acerca do regime jurídico das “bonificações” em relação ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, exarado no Parecer CST/SIPR nº 1.386/1982, estendido ao âmbito das contribuições sociais em comento, conforme se verifica no campo de "Perguntas e Respostas" do sítio virtual da Receita Federal do Brasil, cuja aplicação implicaria a cumulação dos requisitos de que os descontos incondicionados devam atender aos requisitos da IN SRF nº51/1978: constar na nota fiscal de venda dos bens e de que não dependam de evento posterior à emissão desse documento. A ausência do registro das bonificações na nota fiscal não é, por outro lado, impeditivo do reconhecimento da sua natureza de redução de custo, desde que se vislumbre outro documento que comprove o nexo etiológico ou a vinculação entre a bonificação e a aquisição realizada. Tal ocorre justamente porque a exigência do registro da bonificação na nota fiscal se volta a garantir justamente o fato de estar incondicionada a nenhum evento/condição posterior à operação e que está diretamente vinculada à operação realizada, tratando-se de sua evidenciação em nota condição suficiente para o reconhecimento, mas jamais sine qua non. Neste sentido, diga-se, o entendimento firmado no Acórdão CARF nº 3401- 002.11, de relatoria do Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, em sessão de 31/01/2013, em conformidade com o trecho abaixo transcrito: “(...) não obstante as bonificações não tenham constado do corpo das notas fiscais de venda, uma parte delas teve a sua emissão na mesma data, ao mesmo cliente, com numeração sequencial imediata, envolveu o mesmo produto [com ressalvas feitas pela fiscalização quanto às referências dos mesmos, o que, para mim se mostra irrelevante], o mesmo transportador e as mesmas placas dos veículos transportadores. Sob essas condições, portanto, não vejo como elas possam ter ficado na dependência de evento posterior à emissão da nota fiscal Fl. 256DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3401-009.425 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13855.002457/2006-43 de venda, o que permite que possam ser caracterizadas como “descontos incondicionais concedidos”, mostrando-se irrelevante, porquanto não fundada em lei, o preenchimento da condição de que constem da própria nota fiscal de venda e não de um documento em separado desta”. Desta feita, não obstante as bonificações não tenham constado do corpo das notas fiscais de venda, constata-se a emissão em mesma data, ao mesmo cliente, com numeração sequencial imediata, envolvendo o mesmo produto e transportador, não se cogitando de dependência de evento posterior à emissão da nota fiscal de venda, o que permite que possam ser caracterizadas como “descontos incondicionais concedidos”. Não se encontra, pois, fundamento legal para o preenchimento do requisito administrativo de que constem da própria nota fiscal de venda, sobretudo quando viável a comprovação, em documento em separado, do atendimento aos requisitos previstos em lei, não havendo notícia nos autos de informação que se preste apta a infirmar as conclusões acima. Assim, com base nos motivos acima expostos, especificamente quanto a este particular, voto por conhecer e, quanto ao mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto para excluir do lançamento os créditos constituídos sobre bonificações. É como voto. (documento assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco – Redator designado Fl. 257DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10865.903162/2014-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Sep 20 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Ano-calendário: 2011
DCOMP. CRÉDITO. SALDO NEGATIVO COMPOSTO POR ESTIMATIVAS OBJETO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Estimativas compensadas e confessadas mediante Declaração de Compensação (DCOMP) integram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL ainda que não homologadas ou pendentes de homologação.
Numero da decisão: 1301-005.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Giovana Pereira de Paiva Leite - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, José Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Esteves Borges, Rafael Taranto Malheiros, Bianca Felicia Rothschild, Marcelo José Luz de Macedo e Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: Giovana Pereira de Paiva Leite
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CRÉDITO. SALDO NEGATIVO COMPOSTO POR ESTIMATIVAS OBJETO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Estimativas compensadas e confessadas mediante Declaração de Compensação (DCOMP) integram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL ainda que não homologadas ou pendentes de homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior - Presidente (documento assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, José Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Esteves Borges, Rafael Taranto Malheiros, Bianca Felicia Rothschild, Marcelo José Luz de Macedo e Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 31 62 /2 01 4- 99 Fl. 110DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-005.564 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.903162/2014-99 Trata o presente de pedido de compensação, formulado em DCOMP retificadora n. 07980.16948.150812.1.7.03-0956, ao qual foi juntada outra DCOMP vinculada ao mesmo crédito, e através do qual a Interessada pretende compensar crédito de saldo negativo de CSLL, ano-calendário 2011, no valor original de R$ 3.802.590,02, para compensar com débitos próprios. O saldo negativo é formado por estimativas pagas e compensadas. O Despacho Decisório (fl. 12) reconheceu parcialmente o saldo negativo e homologou parcialmente as compensações, conforme tela abaixo: A estimativa paga foi reconhecida integralmente, enquanto que as estimativas compensadas não foram confirmadas, conforme quadro abaixo constante do Detalhamento da Análise de Crédito: Fl. 111DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-005.564 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.903162/2014-99 O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, arguindo em síntese que não poderiam ter sido glosadas as estimativas compensadas, uma vez que estar-se-ia diante de dupla cobrança. Solicitou alternativamente o sobrestamento do processo até o julgamento dos processos correlatos onde se discute a compensação das estimativas. A Turma da DRJ julgou a manifestação improcedente por entender que não há duplicidade de cobrança e, pela ausência de certeza e liquidez do crédito invocado, uma vez que as compensações das estimativas não foram homologadas. Também rejeitou o pedido de sobrestamento, por ausência de previsão legal para tanto. Em 17/08/2018, o contribuinte foi cientificado da decisão da DRJ (Termo fl. 78) e em 06/09/2018, interpôs Recurso Voluntário (Termo fl. 79), através do qual, em síntese: - Argui impossibilidade de glosar as estimativas regularmente confessadas exigidas em outro processo; - Argumenta que não há óbice para que o montante das estimativas compensadas seja considerado para fins de composição do saldo negativo. Pelo contrário, justamente por anteriormente ter sido objeto de confissão de dívida, há legitimidade para que o valor constituído a título de estimativa componha a apuração da CSLL do ano-calendário de 2011; - Argumenta que a verificação da apuração do saldo negativo da IRPJ deve se limitar à análise da existência ou não do procedimento da extinção da respectiva obrigação quando se tratar de compensação. Não cabe à autoridade administrativa, como foi feito no caso aqui analisado, “não homologar” ou “não confirmar” compensações declaradas para liquidação das estimativas que compuseram os saldos negativos de CSLL; - Reitera o argumento de impossibilidade de glosa da estimativa compensada e não homologada em outro processo, sob pena de proceder à dupla cobrança; Aduz que há dependência entre os processos administrativos vinculados pendentes de decisão final na esfera administrativa, por conseguinte, requer o sobrestamento do feito; Ao final, a Interessada requer seja conhecido e provido o presente Recurso Voluntário, a fim de que seja reconhecido integralmente o direito creditório da Recorrente e homologadas as compensações vinculadas ao saldo negativo do CSLL apurado no ano- calendário 2011, alternativamente requer o sobrestamento do processo até o julgamento dos processos dependentes. Fl. 112DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-005.564 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.903162/2014-99 É o relatório. Voto Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, Relatora. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme relatado, trata o presente processo de pedido de compensação, cujo crédito de saldo negativo de CSLL do ano-calendário 2011 foi parcialmente indeferido, uma vez que a Autoridade Fiscal não confirmou as estimativas objeto de compensação não confirmada. O cerne do litígio reside portanto na possibilidade de as estimativas mensais que foram objeto de compensação não homologada comporem o saldo negativo do período. Até então, nas situações fáticas do caso em tela, havia-me manifestado no sentido de sobrestar o processo para aguardar a decisão final no processo que trata a compensação da estimativa, deixando de aplicar o Parecer COSIT n. 02/2018, que determinava que a estimativa deveria compor o saldo negativo do período, conforme trecho da ementa: Se o valor objeto de Dcomp não homologada integrar saldo negativo de IRPJ ou a base negativa da CSLL, o direito creditório destes decorrentes deve ser deferido, pois em 31 de dezembro o débito tributário referente à estimativa restou constituído pela confissão e será objeto de cobrança. Entretanto, o próprio CARF, recentemente aprovou Súmula, no sentido de corroborar o Parecer COSIT supracitado. O início da vigência da Súmula CARF n. 177 se deu em 16/08/2021, sendo vinculante para os Conselheiros. Nesse sentido, em conformidade com o entendimento do Parecer Cosit. n. 02/2018 e da Súmula CARF, reconheço que as estimativas objeto de compensação não homologada podem compor o saldo negativo do período para fins de reconhecimento de direito creditório. Transcrevo abaixo o enunciado da Súmula aprovada em reunião do Pleno: Súmula CARF n. 177: Estimativas compensadas e confessadas mediante Declaração de Compensação (DCOMP) integram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL ainda que não homologadas ou pendentes de homologação. Portanto, há de ser reconhecido o crédito de saldo negativo pleiteado em sua integralidade, bem como, devem ser homologadas as compensações, até o limite do crédito reconhecido. Conclusão Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 113DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1301-005.564 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.903162/2014-99 (documento assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite Fl. 114DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10783.721470/2012-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 10 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. FORMALIDADES LEGAIS. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA.
Encontram-se os Autos de Infração revestidos das formalidades legais, estando de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, tendo possibilitado à contribuinte que apresente a sua defesa.
ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. INOBSERVÂNCIA DO PARÁGRAFO PRIMEIRO DO ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91. NORMA DE FISCALIZAÇÃO E CONTROLE. REGRAMENTO VIA LEI ORDINÁRIA. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COM REPERCUSSÃO GERAL. ED NO RE 566.622/RS.
Nos termos do decidido pelo STF no julgamento dos ED no RE nº 566.622/RS, aspectos procedimentais referentes à fiscalização e controle administrativo das entidades são passíveis de definição em lei ordinária.
A inexistência de pedido de isenção requerido ao INSS obsta o reconhecimento como entidade imune, já que não cumpridos os termos do § 1º do art. 55 da Lei 8.212/91.
Numero da decisão: 2202-008.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto (relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Leonam Rocha de Medeiros, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ronnie Soares Anderson.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Redator Designado.
(documento assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mario Hermes Soares Campos, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Sonia de Queiroz Accioly, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: Marcelo de Sousa Sáteles
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FORMALIDADES LEGAIS. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Encontram-se os Autos de Infração revestidos das formalidades legais, estando de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, tendo possibilitado à contribuinte que apresente a sua defesa. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. INOBSERVÂNCIA DO PARÁGRAFO PRIMEIRO DO ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91. NORMA DE FISCALIZAÇÃO E CONTROLE. REGRAMENTO VIA LEI ORDINÁRIA. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COM REPERCUSSÃO GERAL. ED NO RE 566.622/RS. Nos termos do decidido pelo STF no julgamento dos ED no RE nº 566.622/RS, aspectos procedimentais referentes à fiscalização e controle administrativo das entidades são passíveis de definição em lei ordinária. A inexistência de pedido de isenção requerido ao INSS obsta o reconhecimento como entidade imune, já que não cumpridos os termos do § 1º do art. 55 da Lei 8.212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto (relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Leonam Rocha de Medeiros, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ronnie Soares Anderson. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Redator Designado. (documento assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mario Hermes Soares Campos, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Leonam AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 14 70 /2 01 2- 46 Fl. 190DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-008.491 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.721470/2012-46 Rocha de Medeiros, Sonia de Queiroz Accioly, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto nos autos do processo nº 10783.721470/2012-46, em face do acórdão nº 12-58.884, julgado pela 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJI), em sessão realizada em 26 de agosto de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Trata-se de Autos de Infração lançados pela fiscalização contra a empresa acima identificada, no qual são exigidas as seguintes contribuições, todas com valores consolidados em 04/06/2012: - AI 51.012.922-6, relativo a contribuição da empresa, inclusive SAT, sobre a folha de salários dos segurados empregados e contribuintes individuais, no valor de R$ 623.033,45; e - AI 51.012.923-4, relativo a contribuição destinada a outras entidades e fundos (Terceiros), no valor de R$ 79.031,35. 2. No Relatório Fiscal de fls. 19/24, informa o Auditor-Fiscal responsável pelo lançamento que a Autuada, no período de 01 a 10/2009, declarou indevidamente em GFIP o código FPAS 639, uma vez que a entidade não possui o Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias. Assim, embora a Interessada possua o CEBAS, não tendo requerido o benefício fiscal junto à Secretaria da Receita Federal, e, portanto, não obtendo o reconhecimento formal do seu direito à isenção, não está autorizada, à época dos fatos, a deixar de recolher as contribuições previdenciárias. 3. A autoridade fiscal acrescenta que consultando o Sistema Informatizado da Previdência Social verificou que não foi emitido nenhum Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias em nome da Autuada. A entidade afirma que, por desconhecimento, deixou de providenciar a solicitação do Ato Declaratório de Isenção de Contribuição Previdenciárias, porém afirma discutir a referida questão através de medida judicial. Entretanto, não apresentou documentos que comprovem tal fato. 4. Ainda segundo o Relatório Fiscal, o fato gerador do presente lançamento é a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais, conforme declaradas nas GFIP, e valores de pagamentos efetivados a prestadores de serviços pessoas físicas, lançados na contabilidade, mas não declarados em GFIP. 5. Afirma ainda que foi feita Representação Fiscal para Fins Penais, tendo em vista a ocorrência, em tese, de crime contra a ordem tributária previsto no inciso II do artigo 1o e inciso I do artigo 2o da Lei 8.137/1990. 6. Notificada por via postal dos lançamentos em 27/06/2012 (fls.66), a interessada apresentou, em 24/07/2012, peça impugnatória de fls. 69/86, aduzindo as seguintes alegações abaixo sintetizadas: 6.1. Argui a preliminar de nulidade, com base no artigo 59, II do Decreto 70.235/72, afirmando que o Auditor Fiscal deixou de mencionar os dispositivos legais que supostamente a Impugnante teria infringido, caracterizando-se, assim, preterição do direito de defesa. Fl. 191DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-008.491 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.721470/2012-46 6.2. Como consta em seus estatutos, a Impugnante é entidade beneficente sem fins lucrativos, que mantém assistência médica gratuita aos necessitados, e cumpre, item a item, os requisitos exigidos pela Lei 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores do lançamento. 6.3. Alega que, para obter o CEBAS, deveria demonstrar também o cumprimento dos requisitos dispostos no artigo 3o. do Decreto 2.536/98, e que é inscrito no Conselho Municipal de Assistência Social de Mimoso do Sul, comprovando que as atividades desenvolvidas possuem caráter assistencial. 6.4. Argumenta que a isenção disposta no artigo 195, §7o da Constituição Federal é contrapartida dada pelo Estado às entidades beneficentes, que atendem ao interesse público. Acosta doutrina, e afirma que a análise do cumprimento dos requisitos para reconhecimento da isenção pretendida pela Impugnante não pode ser excessivamente formalista, a ponto de lhe ser negado o reconhecimento de seu direito pela simples falta de requerimento de isenção ao extinto INSS, hoje RFB. 6.5. Os precedentes do STJ repudiam o cancelamento da isenção das entidades beneficentes por mera irregularidade burocrática. Segundo a consolidada orientação jurisprudencial, o efeito ex tunc é inerente aos títulos declaratórios, como é o caso da declaração de isenção da entidade beneficente. Junta excertos de julgados. 5.6. Conclui que, tendo sido exonerada da formalidade do requerimento da isenção pela edição da Lei 12.101/2009, é plenamente exercitável o gozo da isenção, com efeitos ex tunc, desde que observados os demais requisitos do artigo 55 da Lei 8.212/91. 6.7. A isenção das contribuições à Defendente foi negada apenas nos termos do extinto artigo 208, caput, do Decreto 3.048/99, entretanto, o benefício decorre do § 7o. do artigo 195 da Constituição Federal, que dispõe apenas à lei estabelecer os requisitos a serem observados pelas entidades beneficentes. 6.8. Não é facultado a Administração presumir que o contribuinte tenha descumprido suas obrigações, mesmo que ele não tenha apresentado as provas no momento no qual foi chamado a faze-lo. A Impugnante faz jus à imunidade, apenas não informou ao INSS formalmente sua condição. 6.9. Todas as suas declarações em GFIP foram pautadas por documentação hábil e idônea, além do fato de que deve ser imputado o princípio da boa-fé. O contribuinte agiu de boa fé e sem dolo, e, portanto, resta descaracterizado o descumprimento de obrigação acessória. 6.10. Requer a anulação do Auto de Infração, ou, alternativamente, cancelado o mesmo e relevadas as multas aplicadas. Postula por todos os meios de prova admitidos. 7. É o Relatório.” Transcreve-se abaixo a ementa do referido acórdão, o qual consta às fls. 149/161 dos autos: “CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2009 ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. REQUISITOS. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. ATO DECLARATÓRIO. BENEFÍCIO FISCAL. MP 446/2008. REVOGAÇÃO DO ARTIGO 55 DA LEI 8.212/91. Somente são isentas das contribuições de que tratam os art. 22 e 23 da Lei nº 8.212/91, as entidades beneficentes de assistência social que cumpram, cumulativamente, os requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91. A entidade interessada em gozar da imunidade tributária, prevista no art. 195, §7º da CRF/88, deve, preliminarmente à fruição do benefício, requerê-la formalmente, demonstrando todos os requisitos previstos em lei para sua concessão. É ilegal, portanto, o auto-enquadramento, sem a emissão prévia do ato declaratório de isenção. Fl. 192DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-008.491 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.721470/2012-46 O cumprimento de todos os requisitos estabelecidos na norma legal é condição obrigatória à fruição do benefício fiscal. No período de vigência da MP 446/2008, que expressamente revogou o artigo 55 da Lei 8.212/91, não é válido o lançamento com fundamento neste dispositivo, devendo ser observado o cumprimento dos requisitos estabelecidos pelo ato normativo vigente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” A parte dispositiva do voto do relator do acórdão recorrido possui o seguinte teor: “Conclusão 14. Concluo, portanto, que o procedimento fiscal não merece reparo e que o lançamento encontra amparo no ordenamento jurídico. 15. Em face de todo o exposto, dou provimento parcial à impugnação para considerar procedente em parte os créditos tributários lançados. É como VOTO.” Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às fls. 164/179, reiterando as alegações expostas em impugnação quanto ao que foi vencida. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto, Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminar. Alega a recorrente preliminar de nulidade do lançamento sob o argumento de que não constam os dispositivos legais do lançamento. Contudo, tais dispositivos legais estão referidos às fls. 9 e 10 dos autos, de modo que carece de razão a recorrente quanto a tal alegação. Registre-se que os Autos de Infração possuem clareza, tanto que a contribuinte apresentou impugnação a estes. Logo, entendo que inexiste qualquer nulidade ou ainda cerceamento de defesa. No caso, os Autos de Infração se encontram revestidos das formalidades legais, estando de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, tendo possibilitado à contribuinte que apresente a sua defesa. Por tal razão, rejeita-se a preliminar invocada. Mérito. Tratam-se de Autos de Infração lançados pela fiscalização contra a empresa acima identificada, no qual são exigidas as seguintes contribuições, todas com valores consolidados em 04/06/2012: AI 51.012.922-6, relativo a contribuição da empresa, inclusive SAT, sobre a folha de salários dos segurados empregados e contribuintes individuais, no valor de R$ 623.033,45; e AI 51.012.923-4, relativo a contribuição destinada a outras entidades e fundos (Terceiros), no valor de R$ 79.031,35. Fl. 193DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-008.491 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.721470/2012-46 Sobre o regime tributário-fiscal das entidades beneficentes de assistência social é mister esclarecer que para acontecer a dispensa da contribuição social a Constituição Federal impôs o atendimento de exigências estabelecidas em lei, pois o § 7° do artigo 195 da CF, estabelece vedação à tributação destas entidades, para o custeio da seguridade social, mas é claro ao afirmar que "são isentas as entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências estabelecidas em lei". Trata-se, portanto, de uma isenção condicionada, pois depende de integração normativa para a fixação dos pressupostos a serem observados para o exercício do direito, que no caso, à época, estavam previstos no art. 55 e §§ da Lei nº. 8.212/1991, in verbis: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente I - seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II - seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III - promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (eficácia suspensa). IV - não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V - aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. No caso, restou descumprido o requisito previsto no parágrafo primeiro do art. 55 da Lei nº 8.212/91, conforme exposto pela DRJ de origem: “(...)10.8. Entretanto, ao contrário do que afirma a Defendente, a obrigação legal de requerer o reconhecimento do benefício ao INSS está sim, prevista em lei, e não apenas em textos infra-legais. Exsurge do parágrafo 1º do art. 55 da Lei 8.212/91, acima transcrito, que o preenchimento desses requisitos apenas qualificava o contribuinte a solicitar a isenção junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Para ser efetivamente usufruída, seria necessário que a entidade a tivesse requerido à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sendo vedado o auto-enquadramento. Nesse sentido já decidiu o TRF da 4ª Região: (...) 10.9. Ademais, o simples fato da entidade possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social não lhe dá o direito de usufruir do referido benefício fiscal, eis que esta deve preencher os demais requisitos previstos no artigo 55 da Lei n.º 8.212/91, os quais seriam analisados após o protocolo do pedido de isenção. 10.10. O reconhecimento da condição de entidade beneficente de assistência social, para fins de fruição da imunidade tributária, deve ser requerido junto ao órgão competente que, se entender pelo deferimento do pedido após análise dos pressupostos legais, emitirá o “Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias”, com a fruição do benefício retroagindo à data do protocolo do requerimento. Somente assim a entidade beneficente de assistência social estaria desobrigada ao recolhimento da contribuição prevista no art. 22 da Lei nº 8.212/91, sendo certo que a sua condição de entidade imune só se consolidaria após o deferimento do pedido de reconhecimento previsto no § 1º do art. 55 da Lei 8.212/91, e a expedição do Ato Declaratório previsto Fl. 194DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-008.491 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.721470/2012-46 no § 2º do art. 208 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99.” Portanto, embora presentes todos os requisitos legais previstos nos incisos do art. 55 da Lei nº 8.212/91 para obter o benefício de isenção da contribuição previdenciária, não teria a contribuinte comprovado que realizou pedido de isenção ao Instituto Nacional do Seguro Social, conforme determinava o art. 55, parágrafo 1º, da Lei n. 8.212/91 Neste tocante, destaco que foi firmada tese firmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no recurso extraordinário 566.622/RS segundo a qual “a lei complementar é forma exigível para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas pelo art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas”. Tal tese resulta do julgamento do recurso extraordinário e dos embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, conforme ementas a seguir: IMUNIDADE – DISCIPLINA – LEI COMPLEMENTAR. Ante a Constituição Federal, que a todos indistintamente submete, a regência de imunidade faz-se mediante lei complementar. (RE 566622, Relator(a): MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/02/2017, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-186 DIVULG 22-08-2017 PUBLIC 23-08-2017) ............................................................................................................................................. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO SOB O RITO DA REPERCUSSÃO GERAL. TEMA Nº 32. EXAME CONJUNTO COM AS ADI’S 2.028, 2.036, 2.228 E 2.621. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. ARTS. 146, II, E 195, § 7º, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. CARACTERIZAÇÃO DA IMUNIDADE RESERVADA À LEI COMPLEMENTAR. ASPECTOS PROCEDIMENTAIS DISPONÍVEIS À LEI ORDINÁRIA. OMISSÃO. CONSTITUCIONALIDADE DO ART. 55, II, DA LEI Nº 8.212/1991. ACOLHIMENTO PARCIAL. 1. Aspectos procedimentais referentes à certificação, fiscalização e controle administrativo são passíveis de definição em lei ordinária, somente exigível a lei complementar para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas no art. 195, § 7º, da Lei Maior, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas. 2. É constitucional o art. 55, II, da Lei nº 8.212/1991, na redação original e nas redações que lhe foram dadas pelo art. 5º da Lei 9.429/1996 e pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.187-13/2001. 3. Reformulada a tese relativa ao tema nº 32 da repercussão geral, nos seguintes termos: “A lei complementar é forma exigível para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas pelo art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas.” 4. Embargos de declaração acolhidos em parte, com efeito modificativo. (RE 566622 ED, Relator(a): MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 18/12/2019, PROCESSO ELETRÔNICO DJe- 114 DIVULG 08-05-2020 PUBLIC 11-05-2020) O campo restrito de atuação da lei ordinária diz respeito basicamente ao funcionamento de tais entidades, o que se denominou de aspectos procedimentais. A imunidade, por sua vez, compreendida como uma limitação constitucional ao poder de tributar, deve ser regida exclusivamente por lei formalmente complementar, conforme do art. 146 da Constituição Federal e do julgamento do RE 566.622/RS. A eventual descaracterização da imunidade, portanto, deve ser feita à luz do art. 14 do Código Tributário Nacional, que tem status de lei formal complementar. A inobservância Fl. 195DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-008.491 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.721470/2012-46 do disposto no §1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91, por si só, não afasta o direito da contribuinte de usufruir da isenção/imunidade, por se tratar de exigência não prevista em lei complementar. Por tais razões, entendo que o mero descumprimento pela recorrente do §1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91 não pode ser um obstáculo para que a contribuinte goze da isenção em questão, por não estar disciplinado em lei complementar, tal qual restou decidido pelo Supremo Tribunal Federal no RE 566.622/RS, razão pela qual entendo que merece provimento o recurso da contribuinte. Conclusão. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Redator Designado. Em quer pese as ponderações do D. Relator, supra expostas, preponderou no Colegiado entendimento diverso. Consoante relatado, a contribuinte foi autuada por não ter cumprido o disposto no § 1º do art. 55 da Lei 8.212/91: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (...) § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. (grifei) Esse era o preceito legal em questão vigente à época dos fatos narrados, regra cuja aplicação pode ser afastada, no âmbito deste Colegiado administrativo, apenas nas hipóteses constantes do art. 62 do Anexo II da Portaria MF 343/15 (RICARF). Nos termos do voto do conselheiro relator, a norma pode deixar de ser observada em razão do decidido pelo STF em sede de repercussão geral, no RE 566.622/RS, em julgamento conjunto com as ADIs 2.028, 2.036, 2.621 e 2.228, convertidas em ADPFs. Merece ser observado, porém, que, ainda que o relator originário do RE, o Ministro Marco Aurélio, tivesse óbices mais amplos à constitucionalidade do art. 55 da Lei 8.212/91, não foi o entendimento que predominou naquele tribunal, após o dissenso do Ministro Teori Zavascki, na linha do qual foi exarado o voto vencedor da lavra da Ministra Rosa Weber no julgamento dos Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, em acórdão cuja ementa teve o seguinte teor (j. 18/12/2019): EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO SOB O RITO DA REPERCUSSÃO GERAL. TEMA Nº 32. EXAME CONJUNTO COM AS ADI’S 2.028, 2.036, 2.228 E 2.621. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. ARTS. 146, II, E 195, § 7º, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. CARACTERIZAÇÃO DA IMUNIDADE RESERVADA À LEI COMPLEMENTAR. ASPECTOS PROCEDIMENTAIS Fl. 196DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-008.491 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.721470/2012-46 DISPONÍVEIS À LEI ORDINÁRIA. OMISSÃO. CONSTITUCIONALIDADE DO ART. 55, II, DA LEI Nº 8.212/1991. ACOLHIMENTO PARCIAL. 1. Aspectos procedimentais referentes à certificação, fiscalização e controle administrativo são passíveis de definição em lei ordinária, somente exigível a lei complementar para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas no art. 195, § 7º, da Lei Maior, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas. 2. É constitucional o art. 55, II, da Lei nº 8.212/1991, na redação original e nas redações que lhe foram dadas pelo art. 5º da Lei 9.429/1996 e pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.187-13/2001. 3. Reformulada a tese relativa ao tema nº 32 da repercussão geral, nos seguintes termos: “A lei complementar é forma exigível para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas pelo art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas.” 4. Embargos de declaração acolhidos em parte, com efeito modificativo. (grifei) Diante desse quadro, o D. conselheiro relator afirmou que “O campo restrito de atuação da lei ordinária diz respeito basicamente ao funcionamento de tais entidades, o que se denominou de aspectos procedimentais. A imunidade, por sua vez, compreendida como uma limitação constitucional ao poder de tributar, deve ser regida exclusivamente por lei formalmente complementar”, concluindo que “O descumprimento pela recorrente de proceder pedido de isenção, conforme parágrafo primeiro do art. 55 da Lei nº 8.212/91, não pode ser um obstáculo para que a contribuinte goze da isenção em questão, por não estar disciplinado em lei complementar”. Ora, o disposto no § 1º do art. 55 da Lei 8.212/91 não diz respeito propriamente ao modo de funcionamento das entidades. Transcreva-se, por oportuno e de maneira ilustrativa, o inciso III desse artigo, que trata desse funcionamento: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (...) III - promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; A respeito desse inciso, por exemplo, poderia se compreender tratar-se de norma voltada à própria atuação/funcionamento da entidade, para que seja caracterizada como sendo beneficente de assistência social, de modo a fazer jus ao benefício em relevo. Já o § 1º do art. 55, mais acima reproduzido, é nitidamente norma de cariz diverso, estabelecendo procedimento para que aquela entidade que não tenha direito adquirido ao regime isentivo, formule pedido ao INSS com vista a ser reconhecida como beneficente. Dessa maneira, poderia o Estado brasileiro, mediante o exame de tal requerimento pela autarquia previdenciária, fiscalizar e controlar a entidade, e verificar se ela efetivamente fazia jus ao gozo da imunidade pleiteada. Tem-se, nesse caso, norma voltada precipuamente à fiscalização e controle das entidades, aspectos relativamente aos quais, conforme trecho mais acima grifado da ementa dos Embargos de Declaração, o STF consolidou expressamente sua compreensão como sendo perfeitamente passíveis de serem veiculados por lei ordinária. Fl. 197DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-008.491 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.721470/2012-46 Colha-se excerto do voto do Ministro Teori Zavascki, constante do multicitado RE, no qual bem enfrenta o tema: (...). Reconhece-se que há, de fato, um terreno normativo a ser suprido pelo legislador ordinário, sobretudo no desiderato de prevenir que o benefício seja sorvido por entidades beneficentes de fachada. Não se nega, porém, que intervenções mais severas na liberdade de ação de pessoas jurídicas voltadas ao assistencialismo constituem matéria típica de limitação ao poder de tributar e, por isso, só poderiam ser positivadas pelo legislador complementar. (...) Não há dúvidas de que esse critério resolve com prontidão questões mais simples, elucidando, por exemplo, a que se coloca em relação a normas de procedimento, que imputam obrigações meramente acessórias às entidades beneficentes, em ordem a viabilizar a fiscalização de suas atividades. Aí sempre caberá lei ordinária. Porém, o critério não opera com a mesma eficiência sobre normas que digam respeito à constituição e ao funcionamento dessas entidades. Afinal, qualquer comando que implique a adequação dos objetivos sociais de uma entidade a certas finalidades filantrópicas (a serem cumpridas em maior ou menor grau) pode ser categorizada como norma de constituição e funcionamento, e, como tal, candidata-se a repercutir na possibilidade de fruição da imunidade. Perde sentido, nessa perspectiva, a construção teórica até aqui cultivada pelo Tribunal, (...). (...) Daí a relevância de se buscar um parâmetro mais assertivo a respeito da espécie legislativa adequada ao tratamento infraconstitucional da imunidade de contribuições previdenciárias. É o que se passará a propor. Em outros termos, o Ministro alertou que toda norma de constituição e funcionamento pode repercutir na fruição da imunidade. Já no tocante às normas de procedimento, que viabilizam a fiscalização das entidades, cabem elas serem regradas via lei ordinária. Esse foi o entendimento encaminhado pelo D. Ministro, o qual foi adotado claramente no julgamento dos ED no RE 566.622/RS, segundo o qual as normas de fiscalização e controle atuam, a priori, em esfera diversa das normas de funcionamento, podendo ser, efetivamente, implementadas por lei ordinária. Nessa toada, a despeito da recorrente considerar tratar-se de mera formalidade, tem-se que o legislador ordinário, no que concerne ao período que abrange os fatos geradores ora examinados, estabeleceu como necessário o requerimento de reconhecimento de isenção junto ao INSS, salvo direitos adquiridos, do que não se trata o caso em comento. Por sua vez, todo o arrazoado calcado na pretensa exoneração da formalidade do requerimento da isenção, pelo advento do art. 29, caput, da Lei 12.101/09, inclusive no que tange aos aludidos efeitos declaratórios (ex-tunc) não tem como prosperar, já que não preenche tal disposição qualquer dos requisitos estabelecidos pelo art. 106 do CTN 1 , para que possa se cogitar de retroatividade de seus preceitos, à luz do ordenamento jus tributário. 1 CTN: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso. quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 198DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-008.491 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.721470/2012-46 Anote-se, como remate, que o protesto por produção e juntada de novas provas não pode ser acatado, já que vai de encontro as regras preclusivas constantes do art. 16 do Decreto 70.235/72. Destarte, descumprida a lei vigente à época dos fatos, não há reparos a fazer na decisão de primeiro grau, a qual manteve o lançamento. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Redator Designado Fl. 199DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10983.901977/2008-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3401-000.406
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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Júlio César Alves Ramos Presidente Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão que manteve Despacho Decisório eletrônico não homologando compensação constante de PER/DCOMP, cuja crédito é referente ao PIS Faturamento e tem origem, segundo a contribuinte, em retenções feitas pela Universidade Federal de Santa Catarina. Segundo o Despacho denegatório o DARF não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. O processo retorna a este Colegiado após a Resolução que determinou ao órgão de origem se pronunciar sobre a DCTF retificadora, informando, de modo conclusivo, sobre o seu acatamento e substituição da original ou não, e sobre a existência de pagamento a maior ou não. O pronunciamento do Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em FlorianópolisSC foi no no sentido de que não cabe qualquer revisão no Despacho Decisório que não reconheceu o crédito e não homologou a compensação. Além disso, afirmou que o Recurso Voluntário sequer poderia ter sido conhecido, porquanto firmado por pessoa sem poderes de representação para tanto. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.901977/200849 Resolução n.º 3401000.406 S3C4T1 Fl. 86 2 É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator Diante do resultado da primeira diligência há necessidade de uma nova, desta feita para conceder à Recorrente o prazo de trinta dias para sanar a irregularidade na representação processual e, segundo, no mesmo prazo manifestarse, se quiser, sobre o pronunciamento do Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em FlorianópolisSC, por ocasião dessa primeira diligência realizada. A Recorrente possui inúmeros processos semelhantes ao presente processo, alguns já reanalisados por este Colegiado. Refirome, dentre outros, ao de nº 10983901622/200850, no qual já foi determinada uma segunda diligência, nos termos da Resolução nº 3401000.342, de 10/11/2011, da relatoria da Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, cujos fundamentos, transcritos abaixo, cabe adotar também aqui. Observese: Prejudicial de conhecimento do Recurso Voluntário A Autoridade Fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em FlorianópolisSC tem razão ao apontar, ainda que a destempo, falha na representação processual relacionada ao encaminhamento do Recurso Voluntário ao Carf, o que, em princípio, daria azo ao não conhecimento do mesmo, na linha, inclusive, acrescento eu, de decisões do então denominado Conselho de Contribuintes1. Ocorreu que, de fato, não obstante na procuração outorgada pela empresa aos advogados Vicente Greco Filho e Fabrício Fávero, estivesse expressamente vedado o substabelecimento total ou parcial a qualquer outro advogado/procurador, a pessoa que assinou o Recurso Voluntário foi o advogado Maurício Alvarez Mateos, fato este que passou despercebido, tanto pela Autoridade preparadora que remeteu pela primeira vez o presente processo ao Carf para julgamento, quanto por este relator, que, equivocadamente, atestou o cumprimento de todos os seus requisitos de admissibilidade. Todavia, na Sessão de 31/08/2011, quando da apreciação de idêntica argumentação posta pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis relacionada ao processo nº 10983.901454/200631, em nome da ora interessada Centrais Elétricas de Santa Catarina S/A, deliberáramos, à unanimidade, por meio da Resolução nº 340100.303, que seria dada oportunidade à empresa para que a representação processual fosse regularizada. Não obstante naquela ocasião não o tivesse feito, invoco agora, para o presente caso, a regra constante do Código de Processo Civil, artigo 13, inciso II, segundo a qual 1 Acórdão nº 10194.528, de 18/03/2004 e Acórdão nº 20215.779, de 18/12/2004, por exemplo. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.901977/200849 Resolução n.º 3401000.406 S3C4T1 Fl. 87 3 “Art. 13. Verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes, o juiz, suspendendo o processo, marcará prazo razoável para sanar o defeito. Não cumprindo o despacho dentro do prazo, se a providência couber: (...) II – ao réu, reputarseá revel.” Ora, em nenhum momento deste processo cuidou a Autoridade preparadora de cobrar da interessada regularização da representação processual relacionada ao Recurso Voluntário, de sorte que não me parece razoável a caracterização da revelia, pura e simplesmente. Em face do exposto, deverá a interessada ser cientificada da falha, para que, no prazo de trinta dias, sane o defeito. Contribuição retida na fonte – não aproveitamento – direito a crédito Numa apertadíssima síntese da matéria de mérito que versa o presente processo, esclareço aos meus pares que a interessada, uma concessionária de serviço público de energia elétrica, verificou, em maio de 2004, que no ano de 2002, não obstante tivesse sofrido a retenção na fonte do PIS/Pasep e da Cofins, em face do recebimento pela venda de energia elétrica à Universidade Federal de Santa Catarina [art. 64 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 19962] deixara de se valer da regra que autorizava a utilização do valor retido como “compensação com a contribuição da mesma espécie” [na forma do art. 5º da IN 306, de 12/03/2003], ou a utilização do valor retido como “dedução do valor da contribuição da mesma espécie” [na forma do art. 7º da IN 480, de 15/12/2004, que revogou a referida IN 306/2003], em ambos os casos, compensação/dedução essas relacionadas a fatos geradores ocorridos a partir do mês de retenção. E, em não tendo se valido de tal permissão legal, nem à época própria, nem posteriormente, ao menos até a data da entrega da Dcomp, concluiu que o valor então retido configuraria, na verdade, um “pagamento a maior” da contribuição, o que, por sua vez, ensejaria o direito ao reconhecimento de um crédito junto à Fazenda Nacional, passível de ser utilizado em procedimento de compensação, tal qual estabelece o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não teve, porém, reconhecido o alegado crédito, primeiro, pela DRF, que, por meio de despacho eletrônico, apontou como causa para tanto a não localização junto aos sistemas da Receita Federal do Darf indicado na Dcomp como originário de qualquer pagamento indevido ou a maior, e, segundo, pela DRJ, que alegou a inobservância de forma para tanto, visto que, a seu ver, a Dcomp deveria ter sido precedida de uma recomposição formal nos registros e declarações do período de apuração. Na formulação dos termos da Resolução acima mencionada que aprováramos quando tivemos contato com a matéria, eu já admitira,de 2 Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoa jurídica, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a renda, da contribuição para a seguridade social Cofins e da contribuição para o Pis/Pasep. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.901977/200849 Resolução n.º 3401000.406 S3C4T1 Fl. 88 4 um lado, a tal inobservância da forma propalada pela instância de julgamento, e, de outro, a invasão de competência perpetrada pela DRJ ao ir além de sua competência para negar o direito da interessada. Além disso, eu já ressalvara as limitações impostas aos contribuintes para esmiuçar as razões de suas postulações nas Dcomp, mormente em casos especialíssimos como o do presente processo. Assim, forma por forma, ambas as partes – contribuinte e Fisco não as teriam obedecido completamente. Pois bem. Este Colegiado, com outra composição, entendeu que “em princípio”, incorrera mesmo a interessada num pagamento indevido ou a maior, o qual, contudo, por não haver sido corretamente demonstrado na Dcomp e nem nas demais manifestações que se seguiram – Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário , mereceria uma nova análise por parte da DRF, desta feita, levando em conta as nossas observações. Daí os termos em que elaborada a Resolução acima referida. Todavia, a DRF, diante dos termos da Resolução, entendeu que, da forma com que estão postas as informações prestadas pela interessada, quer na Dcomp, quer na sua DIPJ e DCTF, os sistemas da Receita Federal do Brasil não são capazes de identificar a existência de qualquer pagamento efetuado a maior ou indevidamente. Ressalta que o Darf de retenção sob o código “6147”, na verdade, não existe, sendo que o documento juntado aos autos a esse título reporta apenas uma tela do sistema, de modo que o recolhimento efetuado pela fonte retentora da contribuição se deu juntamente com prováveis tantos outros valores retidos de outrem, o que impossibilita a checagem por parte da Receita Federal da existência ou não de determinado valor específico. (...) Não obstante estejam claramente apontadas as razões pelas quais a DRF ou os sistemas da Receita Federal do Brasil não conseguem identificar a existência de pagamento a maior ou indevido na situação especialíssima com a qual nos deparamos, data máxima venia, divirjo da parte da argumentação da DRF quando afirma que, verbis, “Se não há na Dcomp campo para informação desse tipo de crédito é justamente porque não é possível realizar compensação com esse tipo de crédito.” Ora, o fato do Sistema de Compensação de Créditos elaborado pela Receita Federal do Brasil não prever tratamento para tal situação, não significa que há vedação expressa nas normas que regulam os procedimentos de reconhecimento de crédito e homologação de compensações de débitos; ao contrário. Estamos, sim, diante de uma situação especialíssima, para a qual, aparentemente, não foi criada uma solução pelos sistemas de controle engendrados pela Administração Tributária. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.901977/200849 Resolução n.º 3401000.406 S3C4T1 Fl. 89 5 Não consigo deixar de vislumbrar no presente caso a existência do direito reclamado pela interessada; ressalvando, é claro, as premissas de que tenha havido mesmo a alegada retenção na fonte e que a base de cálculo da contribuição e o respectivo recolhimento tenham sido corretamente apurados e efetuados. Suponhamos, então, que no período de apuração de fevereiro de 2002 a interessada tenha sofrido a retenção na fonte da contribuição, digamos, de R$ 100; que a contribuição devida, antes de se considerar essa retenção, fosse de R$ 1.000; e que tivesse efetuado o recolhimento a título dessa contribuição desses R$ 1.000. Ora, por óbvio que, não usufruindo a faculdade prevista na legislação de deduzir, do valor a pagar, o valor que lhe fora retido na forma de antecipação, terá efetuado um pagamento a maior ou indevido de R$ 100, correspondente, justamente, ao valor da retenção [antecipação] não aproveitada. Então, se a DRF afirma que o Sistema de Compensação de Créditos não consegue visualizar isso eletronicamente, é o caso de que tal situação seja visualizada por meio de análise criteriosa de servidor [pessoa humana, e não a máquina] de todos os elementos necessários para tal, ainda que, para isso, seja necessário o envolvimento indispensável da interessada, voltado para a recomposição das bases de cálculos já se considerando as retenções na fonte, seguidas de retificações nas declarações correspondentes [DCTF, DIPJ etc], seguida de disponibilização da documentação fiscal e contábil. O Fisco, por sua vez, de posse dessas informações [e de outras que julgar necessárias] fornecidas pela interessada, já terá elementos para efetuar a confrontação com a DIRF entregue pelo responsável pela retenção e identificar, ou não, a existência do alegado pagamento a maior. A constatação, feita pela Autoridade fiscal, inclusive, de que o sistema PER/Dcomp não permite o reconhecimento de crédito “dessa natureza”, implica em dizer que referido sistema não consegue desincumbirse da tarefa que lhe é posta e que não está vedada pelas normas legais que regulam os procedimentos de compensação, situação essa, contudo, que não pode infligir prejuízos financeiros aos contribuintes em detrimento de um aparente enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Nacional. Não se nega que a forma com que o contribuinte postulou seu crédito está errada, mas, será que esse erro não comporta retificação? Estaria, então, o contribuinte fadado a se conformar com o seu erro e irremediavelmente arcar com tal prejuízo? Ou, dito de outra forma, será que se o contribuinte demonstrar que fez a antecipação do pagamento da contribuição [retenção na fonte] e que não a deduziu do valor a pagar, não exsurgirá um pagamento a maior? Não se trata aqui de adoção da solução “mais fácil” em detrimento da “mais correta”, mas, sim, de, diante de uma situação especialíssima, buscar a observância aos princípios da eficiência administrativa e o da economia processual, o que pode ser conseguido, não se referendando Fl. 103DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.901977/200849 Resolução n.º 3401000.406 S3C4T1 Fl. 90 6 o voto da DRJ [que implicará na exigência dos débitos cuja compensação não foi homologada] e exigindo do contribuinte uma nova formulação de seu pedido; mas, sim, aproveitando a fase em que se encontra o presente processo e a partir de todas as informações nele contidas e de outras a serem obtidas do contribuinte, fazerse uma análise sobre a existência ou não do alegado “pagamento a maior ou indevido”. Em face de todo o exposto, voto pela conversão do presente julgamento em nova diligência, desta vez, determinando à Unidade de origem que, mediante intimação à interessada e consulta aos sistemas de informação da Receita Federal do Brasil, reúna todos os elementos necessários para a elaboração de nova manifestação dando conta a este Colegiado acerca das pretensões formuladas pela interessada no PER/Dcomp objeto deste processo, ou seja, se, primeiro, existe o crédito indicado, e, segundo, se o mesmo é capaz de suportar a compensação a ele atrelada. Pelo exposto, voto por converter o presente julgamento em nova diligência para que a Unidade de origem intime o contribuinte a, no prazo de trinta dias, sanar a falha na representação de seu Recurso Voluntário e, no mesmo prazo, se quiser, manifestese sobre o pronunciamento do Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em FlorianópolisSC, por ocasião da diligência já realizada. Efetuada a intimação e transcorrido o prazo de trinta dias nela estipulado a unidade de origem deve devolver os autos a este Colegiado para julgamento, juntando, se houver, o pronunciamento da Recorrente. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 104DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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Numero do processo: 11128.005901/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 23 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Sep 17 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 06/07/2009
DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
No âmbito do processo administrativo fiscal, configura cerceamento do direito de defesa decisão de Delegacia de Julgamento que não enfrenta matéria suscitada em impugnação.
A nulidade da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento implica o retorno do processo administrativo para o órgão julgador a fim de que novo provimento seja exarado, de modo a não ensejar supressão de instância.
Recurso provido parcialmente para anular a decisão da DRJ, para novo provimento pela autoridade competente da instância a quo sobre matéria de nulidade versada na impugnação.
Numero da decisão: 3201-008.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, de modo a anular a decisão recorrida, com o retorno dos autos à Delegacia Regional de Julgamento, para que analise todas as matérias suscitadas em impugnação, com a prolação de novo decisum.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Lara Moura Franco Eduardo (Suplente convocada), Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Ausente o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles.
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Nome do relator: Paulo Roberto Duarte Moreira
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NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. No âmbito do processo administrativo fiscal, configura cerceamento do direito de defesa decisão de Delegacia de Julgamento que não enfrenta matéria suscitada em impugnação. A nulidade da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento implica o retorno do processo administrativo para o órgão julgador a fim de que novo provimento seja exarado, de modo a não ensejar supressão de instância. Recurso provido parcialmente para anular a decisão da DRJ, para novo provimento pela autoridade competente da instância a quo sobre matéria de nulidade versada na impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, de modo a anular a decisão recorrida, com o retorno dos autos à Delegacia Regional de Julgamento, para que analise todas as matérias suscitadas em impugnação, com a prolação de novo decisum. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Lara Moura Franco Eduardo (Suplente convocada), Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Ausente o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles. . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 59 01 /2 00 9- 14 Fl. 176DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-008.874 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.005901/2009-14 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida por Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Reproduzo o Relatório da decisão recorrida que bem descreve os fatos até o presente julgamento: Trata o presente sobre exigência de crédito tributário no valor de R$ 5.000,00, formalizado em 06/08/2009, a título de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada ou sobre operações que executar; relata a fiscalização que a agência MAESRK BRASIL BRASMAR LTDA. inscrita no CNPJ sob nº 30.259.220/00032-67, descumpriu o prazo definido no IN RFB 800/2007, para prestação de informação sobre a carga; relata a fiscalização que, em 06/07/2008, foram protocolados os EQVIBs de n°s. 009/800.823, 009/800.824, 009/800.825, 009/800.826, 009/800.827 e 009/800.828 nos quais a empresa qualificada neste AI solicitou o desbloqueio, no sistema CARGA, dos manifestos eletrônicos n°s 1609501050962, 1609501050865, 1609501050873, 1609501050911, 1609501050970 e 1609501051004 (todos vinculados à escala n°. 09000167634), pois estes foram registrados fora do prazo estabelecido em norma, o que ocasionou bloqueio automático gerado pelo sistema (doc.) caracterizando a infração prevista no no art. 107, IV, “e”, do Decreto-lei nº 37/66. (fls. 16/20) Regularmente intimada, em 09/09/2009 (fl. 66) autuada apresentou impugnação de fls. 89/109, em 30/09/2009, alegando, inicialmente, quanto ao fato, que a autoridade fiscal descreveu de forma incorreta e incompleta os fatos, o que implica em nulidade; inicia a argumentando ilegitimidade passiva porquanto a requerente não é transportador, sendo agente de carga do transportador SAFMARINE – SOUTH AFRICAN MARINE, citando definições da IN 800/2007, em seu art 2º, inciso V (transportador), e art. 4º, § 1º (agencia de navegação); aduz que o agente, na condição de mandatário, não se confunde com o transportador, mandante, nos termos do art. 653 do CC e que os atos praticados pelo mandatário são praticados em nome do mandante, não podendo ser aquele penalizado; inexiste previsão legal da aplicação de multa ao agente; a obrigação é do transportador; mesmo o Decreto lei 37/66 não traz disposição quanto ao agente (cita o art. 37), o mesmo ocorrendo com o novo RA – Dec. 6.759/2009 em seu art. 31; o próprio parágrafo 2º do art. 76 da Lei nº 10.833/2003 não aponta a agencia de navegação; dessa forma extrapolar os limites das responsabilidades equivale a negar vigência do art. 5º da CF, incisos II e XLV, requer nulidade; aponta vício formal no auto de infração, art 10 do Decreto 70235/72, porquanto a descrição do fato não foi clara e completa (pela narrativa não se extrai qual foi o prazo descumprido, muito menos em que momento isto ocorreu), prejudicando a ampla defesa; no mérito, ainda que eventual informação tenha sido incluida posteriormente, mas antes da lavratura do auto de infração, equivale a denúncia espontânea (art. 138 do CTN). É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo a exigência. Da ementa da decisão constou: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/07/2009 Obrigação acessória. Fl. 177DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-008.874 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.005901/2009-14 Informação sobre carga transportada. Prestação efetuada a destempo. Infração prevista no art. 107, IV, “e” do Decreto-lei nº 37/66. Tipificação. Denúncia espontânea. Inaplicabilidade para norma de conduta. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A decisão da DRJ assentou suas razões de decidir com os fundamentos: 1. Quanto à nulidade da autuação por deficiência na descrição dos fatos, verificou- se na própria defesa que a autuada teve pela razão ciência da razão da autuação ao juntar petições com solicitação do desbloqueio da carga em razão da prestação intempestiva das informações exigidas; 2. O exercício de atividade de representante do transportador perante aos órgãos público a faz responsável pelo cumprimento da legislação por expressa disposição legal (art. 107, IV do DL 37/66); 3. Inaplicável os efeitos pretendidos da denúncia espontânea aos casos de infrações em que a tipificação refere-se à própria conduta que é objeto de penalidade. Assim, sendo a exigência de prestação de informações de cargas transportadas antes da atracação da embarcação uma norma de conduta, o descumprimento no prazo atrai a penalização. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário no qual insiste nas irregularidades na lavratura do auto de infração no tocante à sua ilegitimidade, a desconexão dos fatos com a infração apontada e a denúncia espontânea da infração antes do início do procedimento fiscal. Suscita ainda em preliminar o vício formal no Auto de Infração que implica sua nulidade por ausência de transparência e clareza na exposição dos fatos que resultou em falta de conexão entre os fatos, o agente e os fundamentos, que se restringiu a narrativa dos fatos a um único parágrafo. Traz precedente da própria Turma da DRJ que ao julgar matéria idêntica anulou o auto de infração. No mérito, repisou as matérias versadas na impugnação: (i) a não caracterização da infração imposta; e (ii) a denúncia espontânea. Ressaltou ainda na peça recursal que a matéria “denúncia espontânea” encontra-se em discussão no judiciário através de diversas ações, especificamente no processo ajuizado pelo Centro Nacional de Navegação Transatlântica – CNNT (entidade representativa dos transportadores marítimos internacionais) e pela Associação Nacional de Empresas Transitárias, Agentes de carga aérea, Comissárias de despachos e Operadores intermodais (ACTC) nos quais se discute, dentre outras matérias, o reconhecimento da possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea ao caso dos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Fl. 178DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-008.874 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.005901/2009-14 O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Precede qualquer outra matéria em litígio preliminar de nulidade do auto de infração arguida pela recorrente em sua impugnação e não enfrentada na decisão a quo. Pois bem, como apontado pela recorrente, os julgadores de 1ª instância deixaram de se pronunciar acerca de argumentos de nulidade arguidos em sede de impugnação quanto a falta de clareza e completude da descrição do fato que ensejou a aplicação da multa decorrente de prestação extemporânea de informação acerca de carga marítima. Alega que o autuante não dispendeu o mesmo empenho na caracterização dos fatos em comparação àqueles que levaram à narrativa e à explanação sobre o direito incidente na matéria. Em síntese, afirma-se que a ausência de clareza e transparência na descrição dos fatos impediu a parte do amplo exercício ao contraditório; isto porque, “não se extrai qual foi o prazo descumprido e muito menos em que momento isto ocorreu”. O excerto a seguir demonstra os argumentos de defesa na impugnação (fl. 59): O auto de infração fala em omissão por parte do transportador, mas não indica: em que momento isso ocorreu. Imputa-lhe inobservância aos prazos Previstos no art. 22 da IN RFB 800/07 e a pena especificada na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decreto-lei n° 37/1966, com a redação dada pela Lei n° 10.833/2003, contudo, não estabelece a conexão dos fatos à norma. Seria necessário ao menos que, informações como datas, navios, embarques, escalas, e outros detalhes acessórios fossem mencionados para que o autuado pudesse ter clareza em relação ao que lhe está sendo imposto. Entendo que assiste razão ao recorrente. Os votos (vencido e vencedor) proferidos no Acórdão da DRJ não apreciaram as razões suscitadas para decidir quanto à nulidade do auto de infração no tocante a vícios na descrição dos fatos que dificultaram o exercício da ampla defesa e ao contraditório. Vê-se que não se está diante de refutação genérica do auto de infração. E mais, em sede recursal, a recorrente aponta 3 (três) decisões que obteve para si da mesma 21ª Turma Julgadora da DRJ/São Paulo que em julgamento em data muito próxima à do Acórdão recorrido enfrentou a mesma matéria aqui litigiosa para, ao final, decidir pela nulidade do auto de infração, tal como se verifica nos processos apontados pela defesa: 1128.005566/2010-98 (Acórdão 16- 74.223, de 27/07/2016), 11128.720146/2012-05 (Acórdão 16-74.236, de 27/07/2016) e 11128.720396/2013-18 (Acórdão 16-74.229, de 27/07/2016), que transcrevo a ementa da primeira delas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2010 PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA. DESCRIÇÃO INSUFICIENTE DA DESCRIÇÃO FÁTICA. NULIDADE. A completa descrição dos fatos é ônus da autoridade autuante. Uma descrição excessivamente sucinta, de modo que a reconstrução das circunstâncias fáticas exige a Fl. 179DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-008.874 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.005901/2009-14 consulta direta aos documentos acostados configura descumprimento do requisito de validade previsto no art. 10, III, do Dec. 70.235/72. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Dessa forma, evidencia que a matéria era recorrente em julgamento de processos da MAERSK BRASIL BRASMAR LTDA na referida Turma, contudo, em relação ao presente autos, omitiram-se os julgadores no seu enfrentamento. Assim, para que não se configure o cerceamento do direito de defesa de matéria expressamente contestada deve os autos retornarem à DRJ para apreciação da defesa. Dispositivo Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto, de modo a anular a decisão recorrida, com o retorno dos autos à Delegacia Regional de Julgamento para que analise todas as matérias suscitadas em impugnação, com a prolação de novo decisum. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 180DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
