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Numero do processo: 13227.900799/2012-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 30/04/2007
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.288
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente AUTO POSTO IRMÃOS BATISTA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 30/04/2007 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 07 99 /2 01 2- 75 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13227.900799/201275 Acórdão n.º 3301003.288 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 06048.594, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) – DRJ/CTA – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Por meio do Despacho Decisório, emitido pela DRF JiParaná, o pedido de restituição foi indeferido, uma vez que o crédito informado, correspondente ao pagamento de Data do Fato Gerador: 30/04/2007, já estava integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte. Cientificada da decisão administrativa, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: é empresa dedicada ao comércio varejista de combustíveis e lubrificantes e a prestação de serviços afins. Assim, por adquirir combustíveis para revenda com incidência monofásica de PIS e Cofins e promover a saída desses combustíveis à alíquota zero, equivocadamente, deixou de constituir os demais créditos das contribuições (demais insumos e produtos/serviços, excluídas as aquisições de combustíveis) que lhe são autorizados conforme determinação do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Diz que refez a apuração do PIS e da Cofins do período, em face da não apropriação de créditos autorizados em lei, e apurou novos valores de débitos, todos demonstrados em Dacon retificador, de forma que os valores recolhidos e declarados na DCTF à época revelaramse indevidos e/ou maiores que os devido. Por fim, solicita a reforma da decisão, para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado e para que seja determinada a suspensão da exigência do crédito tributário, até que seja proferido despacho decisório definitivo. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 3ª Turma da DRJ/CTA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.268, de 30 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 13227.900788/201295, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.268): Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13227.900799/201275 Acórdão n.º 3301003.288 S3C3T1 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário, de 13 de novembro de 2014, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0648.583, de 27 de agosto de 2014, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/07/2006 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se manter o indeferimento do pedido. PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE UTILIZAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de créditos passíveis de aproveitamento no sistema da não cumulatividade. O presente processo diz respeito ao Despacho Decisório nº de rastreamento 031047802 (fl. 5), de 4 de setembro de 2012, que indeferiu o pedido do Contribuinte de restituição de pagamento de PIS/COFINS (PER nº 41619.73872.130508.1.2.04 3004) no valor de R$ 390,64 por alegada inexistência do referido crédito. Nas razões do Recurso Voluntário o Contribuinte aduz que o Acórdão ora recorrido e o Despacho Decisório não verificaram a origem dos créditos. Cito trecho do recurso em análise para elucidar o caso (fls. 35 e 36): Vale reprisar: a Recorrente refez sua apuração de Pis e Cofins no período em debate em face da não apropriação de créditos autorizados em lei e apurou novos valores de débitos destas contribuições, todo demonstrados em DACON Retificador, de forma que os valores recolhidos e declarados na DCTF à época revelaramse indevidos e/ou maiores que os efetivamente devidos conforme demonstramos acima. Desta forma, o valor indevido (diferença entre o valor recolhido e o declarado na DCTF e o novo valor demonstrado em DACON) corresponde ao valor objeto de pedido de restituição ora debatido. O crédito utilizado por compensação na Dcomp não homologada pelo Acórdão em debate pode ser confirmado na Dacon retificadora do período em epígrafe, cujo recibo de entrega já integra os autos deste processo, na qual está demonstrada toda a apuração de créditos que resultou em saldo credor a favor da Recorrente. No entanto, de imediato verificase que a análise do pedido da Recorrente foi realizada parcialmente pela Receita Federal, já Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13227.900799/201275 Acórdão n.º 3301003.288 S3C3T1 Fl. 5 4 que aparentemente a Dacon retificadora apresentada não foi analisada. Apenas o Pedido de restituição foi analisado. Sendo assim, ao efetuar o cruzamento de informações entre DACON Retificadora x DCTF x Pedido de Restituição se verificará claramente que o valor ora requerido é exatamente o valor que foi recolhido indevidamente (conforme demonstrado na DACON) e que deve, portanto, ser restituído à Recorrente. De fato a Recorrente não retificou as DCTFs em relação a tais valores mas não o fez por julgar o Dacon o documento demonstrativo suficiente para este fim. Também não o fez por considerar que a DCTF é o documento no qual deve permanecer o pagamento do Darf efetivamente realizado, para que, quando comparado ao valor da contribuição apurada e demonstrada em DACON, a diferença corresponda ao crédito pleiteado. E, de fato, se houvesse ocorrido o cruzamento do Dacon com a DCTF facilmente se verificaria e se confirmaria o crédito da Recorrente. Assim, o crédito existe, foi efetivamente demonstrado e como tal deve ser reconhecido à Recorrente. O fato de ter incorrido em erro por não retificar a DCTF não pode ser motivo de glosa e não reconhecimento de um crédito que está devidamente demonstrado em Dacon, já que neste demonstrativo podese verificar o valor devido no período a título da contribuição em debate, e cujo valor a favor da Recorrente pode ser facilmente confirmado pela análise conjunta dos dados – Dacon x DCTF, do qual se confirmará que o valor pleiteado é apenas a diferença recolhida a maior e, que a Recorrente manteve na DCTF, justamente para que se confirme o pagamento a maior consta da base de dados da Receita Federal. O acórdão ora analisado indeferiu o pedido do Contribuinte por entender que o crédito pleiteado não existia, conforme se verifica no seguinte trecho do voto (fl. 26): Como já dito, o indeferimento do pedido deveuse porque o crédito indicado não existia, ou seja, na data da ciência do despacho decisório, o DARF informado como origem do crédito, estava totalmente utilizado para a quitação de débito da contribuinte que foi validamente declarado em DCTF. Na sequência dos fatos, a interessada diz que procedeu à retificação do Dacon (zerando o valor da contribuição devida ao PIS e à Cofins) e requer, por isso, o deferimento do seu pleito. Nesse contexto, devese observar que, ainda que tivessem sido retificados os valores declarados em DCTF, que, como é sabido, é o instrumento de confissão de dívida e de constituição definitiva do crédito tributário (art. 5.º do Decretolei nº 2.124/84 e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF), somente seria possível a admissão da retificação mediante a comprovação do erro em que se funde, justamente, porque visa a reduzir ou excluir tributo, como estabelecido pelo Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13227.900799/201275 Acórdão n.º 3301003.288 S3C3T1 Fl. 6 5 art. 147, § 1º da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. O Dacon, por sua vez, tem o objetivo de refletir os controles feitos pelo sujeito passivo de todas as suas operações capazes de influenciar a apuração das contribuições devidas a título de PIS e Cofins, bem como dos respectivos créditos a serem descontados, deduzidos, compensados ou ressarcidos; mas, apresentado isoladamente, não tem o peso necessário para retificar informações declaradas tempestivamente em DCTF. (grifouse) Cabe salientar que para o ressarcimento e ou compensação tributária exigese do contribuinte a demonstração da liquidez e certeza do crédito pleiteado como dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. (grifou se). Neste sentido foi a conclusão do voto do ora recorrido acórdão que assim expôs (fl. 27): Nesse contexto, cabe enfatizar que a comprovação da existência de crédito junto à Fazenda Nacional é atribuição dos interessados, cabendo à autoridade administrativa, por sua vez, examinar a liquidez e certeza de que teriam sido repassadas aos cofres públicos importâncias superiores àquelas devidas, de acordo com a legislação pertinente, e autorizando, após confirmação de sua regularidade, a restituição ou compensação do crédito conforme vontade expressa da contribuinte. (grifou se). Percebese no presente processo que o Contribuinte não apresenta provas cabais, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e/ou documentos fiscais, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o alegado valor recolhido a maior. Neste sentido, constase que o Contribuinte trouxe, por meio do Recurso Voluntário, os mesmos argumentos trazidos já na fase da Manifestação de inconformidade, com a inclusão de alguns novos argumentos, mas sem apresentar provas que demonstrem o seu direito creditício junto à Fazenda Nacional. Sendo assim, tendo em vista os autos do processo e a legislação aplicável, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, mantendo o entendimento do Acórdão ora analisado. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, no presente processo o Contribuinte, da mesma forma que no caso do paradigma, não apresenta provas cabais, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e/ou documentos fiscais, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o alegado valor recolhido a maior, que demonstrem o seu direito creditício junto à Fazenda Nacional. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13227.900799/201275 Acórdão n.º 3301003.288 S3C3T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001671/2010-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
DECADÊNCIA
Na hipótese de lançamento de ofício do IOF complementar relativo às operações de crédito não liquidadas no vencimento, a contagem do prazo decadencial previsto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional terá como termo inicial as datas das respectivas amortizações ou liquidação.
MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE EMPRESAS COLIGADAS. INCIDÊNCIA DO IOF.
Nos termos da legislação em vigor, incide o IOF nas operações de crédito realizadas entre pessoas jurídicas coligadas, na modalidade de mútuo de recursos financeiros.
Numero da decisão: 3402-004.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA Na hipótese de lançamento de ofício do IOF complementar relativo às operações de crédito não liquidadas no vencimento, a contagem do prazo decadencial previsto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional terá como termo inicial as datas das respectivas amortizações ou liquidação. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE EMPRESAS COLIGADAS. INCIDÊNCIA DO IOF. Nos termos da legislação em vigor, incide o IOF nas operações de crédito realizadas entre pessoas jurídicas coligadas, na modalidade de mútuo de recursos financeiros.
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MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE EMPRESAS COLIGADAS. INCIDÊNCIA DO IOF. Nos termos da legislação em vigor, incide o IOF nas operações de crédito realizadas entre pessoas jurídicas coligadas, na modalidade de mútuo de recursos financeiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 16 71 /2 01 0- 30 Fl. 639DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de Auto de Infração de fls. 335/336 e anexos, lavrado em 07/07/2010 pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo, referente ao Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF), acrescido de juros de mora e multa de ofício de 75%. As irregularidades apontadas foram, em síntese: 1) recolhimentos do IOF feitos pela tomadora do crédito, conforme cláusula pactuada nos contratos de mútuo, o que não foi aceito, tendo em vista que a legislação de regência estabelece que a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da empresa que concedeu o empréstimo; e, 2) falta de recolhimento do IOF complementar incidente em operações de mútuo liquidadas após o vencimento. Irresignado, o Contribuinte apresentou Impugnação que foi julgada parcialmente procedente, sendo dado provimento para afastar a 1ª irregularidade apontada, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. DECADÊNCIA Na hipótese de lançamento de ofício do IOF complementar relativo às operações de crédito não liquidadas no vencimento, a contagem do prazo decadencial previsto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional terá como termo inicial as datas das respectivas amortizações ou liquidação. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE EMPRESAS. INCIDÊNCIA DO IOF. Nos termos da legislação em vigor, incide o IOF nas operações de crédito realizadas entre pessoas jurídicas, na modalidade de mútuo de recursos financeiros. Fl. 640DF CARF MF Processo nº 11065.001671/201030 Acórdão n.º 3402004.129 S3C4T2 Fl. 3 3 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário aduzindo: com relação ao IOF complementar incidente sobre as operações não liquidadas no vencimento, alega inicialmente a nulidade do lançamento, tendo em vista a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, com relação a todos os fatos geradores anteriores a 08/07/2006, com fundamento no art. 150, § 4º, do CTN. Nesse caso, para fins de definição da data de ocorrência do fato gerador, à vista do art. 63, inc. I. do CTN, devese considerar a particularidade de que os contratos de mútuo havidos entre as partes, prevêem a concessão de um empréstimo com vencimento definido, e com cláusula de prorrogação por "novo e igual período", o que de fato ocorreu. E, mesmo se não aceita a tese antes exposta, deve ser reconhecida a nulidade, por decadência, pela aplicação do art. 173 do CTN, em relação a fatos geradores ocorridos antes de 31/12/2005. As operações de mútuo entre empresas de um mesmo grupo econômico não constituem operações de crédito objeto da hipótese de incidência do IOF. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. I) Da ocorrência de operação de crédito nos mútuos entre empresas coligadas. Um dos argumentos do Recorrente consiste na afirmação de que o mútuo entre empresas de um mesmo grupo econômico não deveria ser tributado. A contribuinte não contesta a existência das operações de mútuo, mas alega que a natureza jurídica das operações realizadas difere daquela inerente ao mútuo comercial justamente por serem as partes integrantes de um mesmo grupo econômico, e, portanto, não estariam sujeitas ao IOF. Em que pese suas alegações, a legislação do IOF não prevê qualquer exceção ou regra especial para as operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros realizadas entre pessoas jurídicas integrantes de grupo econômico. A despeito da distinção existente entre o mútuo e o mútuo com finalidade econômica, tal discrímen tem relevância apenas para fins de presunção de serem devidos os juros na operação, sem contanto descaracterizar qualquer uma das modalidades com operação de crédito. É o que se depreende dos artigos 586 e 592 do Código Civil: Fl. 641DF CARF MF 4 Código Civil Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Art. 591. Destinandose o mútuo a fins econômicos, presumemse devidos juros, os quais, sob pena de redução, não poderão exceder a taxa a que se refere o art. 406, permitida a capitalização anual. Digase também que não procede o argumento de uma unicidade subjetiva entre os participantes de um grupo econômico. As pessoas jurídicas integrantes de grupo econômico são pessoas distintas – como se depreende da literalidade do art. 266 da Lei nº 6.404/76 – e, como tal, permanecem como sujeitos passivos das obrigações tributárias relativas aos fatos geradores por eles praticados. Senão vejamos: Lei nº 6.404, de 1976: Art. 265. A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. Natureza Art. 266. As relações entre as sociedades, a estrutura administrativa do grupo e a coordenação ou subordinação dos administradores das sociedades filiadas serão estabelecidas na convenção do grupo, mas cada sociedade conservará personalidade e patrimônios distintos. Assim, o simples fato de a operação ter sido realizada com integrante do grupo econômico da contribuinte não afasta a incidência do IOF, não devendo prosperar o argumento do contribuinte. Afastar a tributação nesse caso implicaria na declaração de inconstitucionalidade da regra prevista no art. 13 da Lei 9.779/99, o que é vedado pela Súmula CARF nº 02. II) Do Imposto complementar sobre operacões de crédito não liquidadas no vencimento. Quanto à análise da decadência do direito de cobrar o IOF complementar das operações não liquidadas no vencimento, com razão a decisão a quo, pelo qual replico seus fundamentos para motivar meu voto, nos termos do art. 50, §1º da Lei 9.784/99: "A fiscalização constatou que as operações de crédito com valor definido e prazo determinado para liquidação objeto da Tabela 02 foram liquidadas ou amortizadas após os vencimentos dos respectivos contratos, tendo o contribuinte informado, no curso da ação fiscal, que não houve prorrogação, renovação, novação, consolidação de divida ou operação assemelhada. Ao impugnar a exigência, insurgese contra essa exação alegando decadência e não incidência do IOF nas operações em questão. Fl. 642DF CARF MF Processo nº 11065.001671/201030 Acórdão n.º 3402004.129 S3C4T2 Fl. 4 5 Quanto a essa última alegação, reiterase os argumentos à incidência desse tributo já levantados nos itens precedentes, devendose apenas acrescentar que a exigência do imposto complementar, feita à impugnante na condição de responsável encontra amparo no art. 7º, inc. I, b, “1”, c/c § 2º do mesmo artigo, do Regulamento do IOF aprovado pelo Decreto nº 6.306, de 2007 (art. 7º, inc. I, b do Regulamento anterior – Decreto nº 4.494, de 2002). Com respeito à decadência, devese referir inicialmente que, em relação às operações de que se trata neste processo, de acordo com o § 1º do art. 13 da Lei nº 9.779, de 1999, considerase ocorrido o fato gerador do IOF, na data da concessão do crédito. Todavia, no caso de operação de crédito não liquidada no vencimento, passa a incidir o imposto complementar, como antes mencionado, mas a exigência fica suspensa entre a data do vencimento original da obrigação e a da sua liquidação, de acordo com o art. 7º, § 2º do RIOF/2007, abaixo transcrito: “Art. 7º A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são (Lei nº 8.894, de 1994, art. 1º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 64, inciso I): ................................................. § 1º O IOF, cuja base de cálculo não seja apurada por somatório de saldos devedores diários, não excederá o valor resultante da aplicação da alíquota diária a cada valor de principal, prevista para a operação, multiplicada por trezentos e sessenta e cinco dias, acrescida da alíquota adicional de que trata o § 15, ainda que a operação seja de pagamento parcelado.(Redação dada pelo Decreto n° 6.391, de 12 de março de 2008) § 2º No caso de operação de crédito não liquidada no vencimento, cuja tributação não tenha atingido a limitação prevista no § 1º, a exigência do IOF fica suspensa entre a data do vencimento original da obrigação e a da sua liquidação ou a data em que ocorrer qualquer das hipóteses previstas no § 7º. § 3º Na hipótese do § 2º, será cobrado o IOF complementar, relativamente ao período em que ficou suspensa a exigência, mediante a aplicação da mesma alíquota sobre o valor não liquidado da obrigação vencida, até atingir a limitação prevista no § 1º. Disso decorre que o Fisco está impedido de exigir o imposto complementar, formalizando lançamento de ofício antes da liquidação/amortização do empréstimo. E assim, no que tange à decadência, há que se observar a regra do art. 173, inc. I, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. De acordo com a Tabela nº 02 do Relatório de Trabalho Fiscal, o valor lançado a título de IOF complementar referese a empréstimos amortizados/liquidados a partir de 04 de janeiro de 2006, o que resulta no início da contagem do referido prazo decadencial a partir de 1º de janeiro de 2007. Portanto, considerando que o auto de infração foi lavrado em 7 de julho de 2010, com ciência ao contribuinte em 08 de julho de 2010, verificase que ainda Fl. 643DF CARF MF 6 não havia decaído o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente, sendo descabida a alegação de nulidade." Frisese que no caso a aplicação do art. 173, I do CTN para fins de cálculo do prazo decadencial decorre da ausência da pagamento do IOF complementar, o que implica na impossibilidade de aplicação da regra do art. 150, §4º do CTN, por força de decisão em Recurso Repetitivo do STJ (Recurso Especial nº 973.733/SC). 3) Conclusão Ante o exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 644DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721284/2014-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto, que consideraram a diligência desnecessária.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto, que consideraram a diligência desnecessária. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto, que consideraram a diligência desnecessária. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão nº 1280.171, proferido pela 5ª Turma da DRJ/RJO, na sessão de 29 de março de 2016, que, ao apreciar a impugnação apresentada, entendeu, por unanimidade de votos, julgála procedente em parte o lançamento da multa isolada, reduzindo o crédito tributário para o valor de R$ 21.040.006,76, com juros de mora, nos termos do relatório e voto daquele julgado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 21 28 4/ 20 14 -3 2 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 16327.721284/201432 Resolução nº 1301000.416 S1C3T1 Fl. 158 2 Através de lançamento, exigese a cobrança de multa isolada correspondente a 50% (cinqüenta por cento) do valor das compensações não homologadas nos autos do Processo Administrativo nº 16327.721236/201444 ("PA Originário"), tendose por base legal o artigo 74, §17º da Lei nº 9.430/96, introduzido pela artigo 62 da Lei nº 12.249/2010, e modificado pela MP nº 656, de 07/10/2014. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Porém, do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. Preliminarmente, impõese analisar petição protocolizada pela recorrente (fls. 155156), em data de 16 de fevereiro de 2017, assim, posterior à data de protocolo do recurso voluntário e anterior à data deste julgamento, noticiando que foi peticionada a redistribuição do processo nº 16327.721236/201444 para a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 1ª Seção, e razão da vinculação daquele feito ao PA nº 16327.721227/201453 (IRPJ). Conforme decisão proferida nos autos do processo nº 16327.721236/201444, também e minha relatoria, justificase reunião de processos para possibilitar o julgamento conjunto de processos que se amparam em fatos e provas idênticos. Todavia não há como reunir os dois processos para julgamento conjunto, pois encontramse em fases processuais distintas, sendo aquele julgado na sessão de 09 de agosto de 2016, data esta, inclusive, anterior à petição protocolizada pela interessada e que requereu a predita redistribuição. Assim, como não ocorreu redistribuição do processo nº 16327.721236/201444, pelo fundamento acima, devese, igualmente, negar o pedido de redistribuição destes autos para aquela Turma. Da Análise do Recurso Voluntário Conforme acima relatado, em face da não homologação das declarações de compensação, está se aplicando multa de 50% de todos os valores compensados, com base no art. 74, § 17º, da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 12.249/2010, e modificado pela MP nº 656, de 07/10/2014. É evidente a conexão entre o presente processo e aquele outro que discute o reconhecimento do direito creditório e a conseqüente compensação dos valores pleiteados. O presente processo está intimamente ligado ao processo nº 16327.721236/201444, que é objeto de recurso voluntário. Por certo, a decisão que se há de proferir aqui depende fundamentalmente do que vier a ser decidido lá, vez que a discussão lá tratada é responsável pelo lançamento discutido nestes autos. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 16327.721284/201432 Resolução nº 1301000.416 S1C3T1 Fl. 159 3 Diante do exposto, voto por CONVERTER o julgamento em diligência, para que: 1. Os autos deste processo sejam encaminhados à Unidade Preparadora, para que lá aguardem a decisão definitiva na instância administrativa do processo nº 16327.721236/201444. 2. A Unidade Preparadora faça acostar aos presentes autos cópia da decisão definitiva na instância administrativa do processo nº 16327.721236/201444. 3. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento do feito. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.908376/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.599
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 83 76 /2 01 1- 17 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10865.908376/201117 Acórdão n.º 3301003.599 S3C3T1 Fl. 3 2 descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02049.500. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10865.908376/201117 Acórdão n.º 3301003.599 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10865.908376/201117 Acórdão n.º 3301003.599 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10865.908376/201117 Acórdão n.º 3301003.599 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10865.908376/201117 Acórdão n.º 3301003.599 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10865.908376/201117 Acórdão n.º 3301003.599 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.723264/2014-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
RENDIMENTOS DECLARADOS APÓS O INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO
Após o início da ação fiscal não há que se falar em espontaneidade para efetuar retificação da declaração, nos termos do art. 138 do CTN.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO.
Apurada a omissão de rendimentos advindos de pessoa jurídica e não tendo a recorrente apresentado comprovação que a descaracterize, deve ser mantido o lançamento correspondente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, para, no mérito, por maioria, negar-lhe provimento. Vencida a relatora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Márcio de Lacerda Martins
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
(assinado digitalmente)
Márcio de Lacerda Martins - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 RENDIMENTOS DECLARADOS APÓS O INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO Após o início da ação fiscal não há que se falar em espontaneidade para efetuar retificação da declaração, nos termos do art. 138 do CTN. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Apurada a omissão de rendimentos advindos de pessoa jurídica e não tendo a recorrente apresentado comprovação que a descaracterize, deve ser mantido o lançamento correspondente. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, para, no mérito, por maioria, negar-lhe provimento. Vencida a relatora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Márcio de Lacerda Martins (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins - Redator designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Apurada a omissão de rendimentos advindos de pessoa jurídica e não tendo a recorrente apresentado comprovação que a descaracterize, deve ser mantido o lançamento correspondente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 32 64 /2 01 4- 53 Fl. 1114DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, para, no mérito, por maioria, negarlhe provimento. Vencida a relatora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Márcio de Lacerda Martins (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Redator designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 13896.723264/201453 Acórdão n.º 2401004.626 S2C4T1 Fl. 1.115 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro (RJ) DRJ/RJO, que por unanimidade de votos, acordaram em negar provimento à impugnação, conforme ementa do Acórdão nº 1278.306 (fls. 977/997): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2013 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI. MULTA AGRAVADA. MULTA QUALIFICADA. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Se o contribuinte concorda com parcelas da autuação ou deixa de contestálas, as matérias correspondentes são consideradas não impugnadas, situandose fora dos limites da lide. ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa da interessada. Descabe a alegação de nulidade quando inexistirem atos insanáveis e quando a autoridade autuante observa os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2013 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizase omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. NATUREZA. ÔNUS DA PROVA. Não restando comprovado pelo contribuinte a que título foram recebidos rendimentos de pessoa jurídica, devida é a sua tributação. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA DECLARADOS EM DIRPF NÃO ESPONTÂNEA. LANÇAMENTO. Fl. 1116DF CARF MF 4 Correto o lançamento de rendimentos recebidos de pessoa física declarados em DIRPF não espontânea. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊ LEÃO. Cabível a exigência de multa isolada por falta de recolhimento de carnêleão sobre os rendimentos omitidos recebidos de pessoa física. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo teve sua origem no Auto de Infração de fls. 857/866 lavrado em 26/12/2014, decorrente do MPF 0812800.2013.00329, por meio do qual foram exigidos a multa isolada no valor de R$ 662,73 e o Imposto de Renda Pessoa Física no valor total de R$ 7.119.408,43, acrescido da multa de ofício no montante total de R$ 15.298.502,12 e dos juros de mora calculados até 12/2014 no total de R$ 1.146.936,70. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 858/861), foram apuradas as seguintes infrações no anocalendário de 2012: · Omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas; · Omissão de rendimentos de aluguéis e royalties recebidos de pessoa jurídica; · Omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI; · Omissão de rendimentos recebidos de pessoa física; · Omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada; · Falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. Em 07/10/2013, foi lavrado o TERMO DE INÍCIO DE AÇÃO FISCAL (fls. 03/04), e encaminhado para o endereço cadastral do Sujeito Passivo, por via postal. O AR retornou constando a informação “mudouse” (fl. 05). Em 22/10/2013 foi publicado o Edital Sefis DRF/Barueri nº 127 (fl. 06), dando ciência ao sujeito passivo da ação fiscal. Em 03/12/2013 compareceu na DRFB o procurador da fiscalizada onde assinou o TERMO DE CONSTATAÇÃO E CIÊNCIA (01) DA AÇÃO FISCAL (fls. 07/10). Em face da não manifestação da contribuinte, foi lavrado, em 20/12/2013, o TERMO DE REINTIMAÇÃO (01) DA AÇÃO FISCAL (fls. 11/12), encaminhado ao endereço cadastral, por via postal, e o AR retornou com a informação “mudouse” (fl. 13). Em 19/12/2013 foi enviada, via postal (AR fl. 17), REQUISIÇÃO INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (fls. 15/16) para CEF, instituição bancária na qual a fiscalizada mantinha contas correntes no ano de 2012, tendo esta, em atendimento à solicitação encaminhado, em 28/01/2014, os documentos de fls. 18/114. Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 13896.723264/201453 Acórdão n.º 2401004.626 S2C4T1 Fl. 1.116 5 Recebidos e analisados os extratos bancários, encaminhados pela instituição financeira, foi lavrado e enviado via postal, em 13/02/2014, o TERMO DE INTIMAÇÃO (01) DA AÇÃO FISCAL (fls. 116/119), solicitando à contribuinte que informasse a origem dos recursos utilizados nos depósitos relacionados no respectivo termo, comprovando com documentação hábil, idônea e com compatibilidade entre data e valor. Em 21/02/2014, em consequência do retorno do AR com a informação de “mudouse”, foi publicado o Edital Eletrônico nº 638.157 (fl. 121), cientificando o sujeito passivo do referido termo. Em 31/12/2013 foi publicado um novo Edital (Edital Sefis/DRF/Barueri nº 194 fl. 14), intimando o sujeito passivo a tomar ciência do TERMO DE REINTIMAÇÃO (01) DA AÇÃO FISCAL. Em 25/02/2014, foi expedida uma nova REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (fl. 122) para CEF, via postal (AR fl. 123), tendo a mesma, em resposta à solicitação feita, apresentado os documentos de fls. 124 a 222. Em sequência, foram lavrados, e enviados via postal, os TERMOS DE REINTIMAÇÃO DA AÇÃO FISCAL 02 (fls. 225/228) e 03 (fls. 231/234), que tiveram suas AR's (fls. 229 e 235) devolvidas sem recebimento. Após o retorno destas AR's foram publicados os Editais nº 000640308 (fl. 230), em 22/04/2014, e nº 000644454 (fl. 236), em 18/06/2014, para que a fiscalizada tomasse ciência dos respectivos TERMOS DE INTIMAÇÃO. Dando prosseguimento às tentativas de intimar a fiscalizada, foram lavrados, e enviados via postal, os TERMOS DE REINTIMAÇÃO DA AÇÃO FISCAL 04 (fls. 237/240) e 05 (fls. 242/245), recebidos, respectivamente, em 11/08/2014 (AR fl. 241) e 02/10/214 (AR fl. 246) Em 30/10/2014 nova REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (fls. 247/261), foi emitida e enviada à CEF, via postal (AR fl. 262). Em resposta ao solicitado, em 26/11/2014, foram apresentados os documentos de fls. 263 a 377. Em 28/11/2014 foi lavrado e recebido pessoalmente, pelo procurador da fiscalizada, o TERMO DE INTIMAÇÃO (02) DA AÇÃO FISCAL (fls. 378/379). Respondendo à solicitação da fiscalização, em 22/12/2014, a fiscalizada apresentou os esclarecimentos solicitados pelo fisco (fls. 380/838). Em 26/12/2014 foi lavrado o TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL (fl. 839/856), onde foram feitas as seguintes constatações: 1. Com relação ao IRPF: a. Foram apresentadas, pela fiscalizada, as DIRPF 2012 Original e Retificada, estando excluída a espontaneidade do sujeito passivo em retificar a DIRPF 2012 já que a mesma fora feita após iniciado o procedimento fiscal (art. 7º, § 1º, do Decreto 70.235 de 06 de março de 1972); Fl. 1118DF CARF MF 6 b. Dos depósitos bancários de origem não comprovada foram desconsiderados da análise da fiscalização os depósitos de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, cuja soma é inferior a R$ 80.000,00, nos termos do inciso II, §2º, do art. 849 do Decreto nº 3.000/1999 (ver quadro fl. 846); c. Foram também desconsiderados os créditos cujas origens foram identificadas como transferências da própria fiscalizada ou resgate de aplicação financeira (ver quadro fl. 847); d. Foram identificados os valores relativos à venda de um terreno à empresa JS Marques Ribeiro pertencente ao espólio de Elisa Nothman, então representado pela fiscalizada na qualidade de inventariante (ver quadro fl. 847); e. Foram considerados na base tributável todos os créditos da empresa Lótus Intermediações Ltda., CNPJ 08.188.917/0001 73, da qual ela faz parte do quadro societário desde 25/11/2013, e à época dos fatos não exercia a administração da sociedade (ver quadro fl. 847/848); f. Foram considerados na base tributável os demais créditos, sem origem comprovada, os quais deverão ser considerados rendimento tributável do sujeito passivo (ver quadro fls. 848/849); g. Foram considerados na base tributável os rendimentos declarados em DIRPF após o início da ação fiscal, já que não gozam da espontaneidade Caixa Vida e Previdência e Pessoas Físicas; h. Foram considerados na base tributável os rendimentos recebidos de alugueis de Pessoa Jurídica, pois a fiscalizada não logrou êxito em comprovar que os valores eram de fato repassados à Sra. Kelli Cristina Simões, indicada como a locatária dos imóveis (Ver quadro fl. 850). 2. Com relação à Multa de Ofício: a. Sobre os montantes de IRPF apurados na fiscalização, será aplicada multa de 112,50% conforme artigo 44, inciso I, e § 2º da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07, tendo como base de cálculo os valores dos depósitos bancários de origem não comprovada, os rendimentos recebidos de aluguel de Pessoa Jurídica e os rendimentos declarados após o início da Ação Fiscal; b. Sobre os rendimentos recebidos da empresa Lótus Intermediações Ltda. será aplicada a multa de 225%, nos termos do §1° do Art. 44 da Lei nº 9.430/96, e dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 13896.723264/201453 Acórdão n.º 2401004.626 S2C4T1 Fl. 1.117 7 3. Com relação aos Juros de Mora: a. Os montantes apurados serão ainda corrigidos por percentual equivalente à Taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, acumulada mensalmente, nos termos do artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96. A fiscalizada tomou ciência do Auto de Infração e do Termo de Verificação da Ação Fiscal em 30/12/2014 (AR à fl. 872), apresentando sua impugnação (fls. 877/880) em 29/01/2015, juntamente com os documentos de fl. 881 a 971, por meio da qual alegou que a origem dos recursos apontados pela fiscalização para apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física constantes do Auto de Infração se referia à movimentação comercial efetuada pela empresa Lótus, conforme notas fiscais emitidas, e que a empresa não possuía conta bancária, com abertura apenas em setembro/2012, apontando ainda como pontos de discordância na impugnação: o O total do valor apurado como base de cálculo para o imposto constante do auto de infração: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica – Omissão de Rendimentos do trabalho sem Vínculo Empregatício recebidos de Pessoas Jurídicas (item 001 do Auto de Infração – valor R$ 23.593.958,19) o O total do lançamento derivado de valores informados na DIRPF após o Mandado de Procedimento Fiscal a título de Rendimentos Recebidos de Pessoa Física, no valor de R$ 32.700,00; o O total do lançamento apurado tendo como base de cálculo para o imposto constante do auto de infração Depósitos Bancários de Origem não comprovada – Omissão de Rendimentos Caracterizados por Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada (item 005 do Auto de Infração – valor R$ 2.279.400,00); o O total do imposto apurado a título de Multas Aplicáveis à Pessoa Física – Falta de Recolhimento do IRPF devido a Título de CarnêLeão. Encaminhado o processo para apreciação e julgamento, a 1ª Turma da DRJ/RJO decidiu, por unanimidade de votos, negar provimento à impugnação, remanescendo devidos a multa isolada no valor de R$ 662,73 e o Imposto de Renda Pessoa Física no valor total de R$ 7.119.408,43, acrescido da multa de ofício no montante total de R$ 15.298.502,12 e dos juros de mora. O Contribuinte foi notificado do Acórdão de nº 1278.306 em 08/10/2015 através do AR à fl. 999. Em 09/11/2015, não se conformado com o teor da decisão proferida pela DRJ/RJO, apresentou Recurso Voluntário (fls. 1001/1022), onde, em síntese alega que: Fl. 1120DF CARF MF 8 1. Apresentou em 10/06/2014, após o início da fiscalização e antes do lançamento, a sua DIRPF exercício 2013 / anocalendário 2012 (original e retificadora), na qual encontrase comprovada a origem dos recursos em suas contas bancárias, antes da lavratura do Auto de Infração, que se deu em 26/12/2014; 2. Recebeu a intimação em 30/12/2014 (fl. 872) do Auto de Infração expedido em 26/12/2014 (fls. 857/866), e as declarações de IR (original e retificada) foram recebidas no dia 10/06/2014 (fls. 411/419), ficando claro que não pode prosperar o entendimento de que não houve espontaneidade dos rendimentos declarado; 3. Não houve omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebido de pessoas jurídicas; omissão de rendimentos de aluguéis e royalties recebidos de pessoa jurídica; omissão de rendimentos recebidos à título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI; omissão de rendimentos de pessoa física; omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada; e falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão; 4. A fiscalização usa a DIRPF (fls. 411/418 e 419/426) para cobrar valores decorrentes dos montantes declarados, mas não aceita a mesma DIRPF para fins e comprovação de que os valores movimentados em sua conta bancária foram oriundos de empréstimo do sócio da Lotus, Sr. Carlos André Silva; 5. Restou comprovado que os valores decorrentes dos alugueis eram de sua filha Kelli Cristina Simões e que os mesmos foram repassados em dinheiro pela Contribuinte, razão pela qual improcede os lançamentos e respectivas multas decorrentes desses valores; 6. Não houve comprovação de dolo do sujeito passivo e a simples apuração de omissão de receita ou rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício; 7. Atendeu à solicitação do Fisco e comprovou que os valores que transitaram por suas contas são movimentações da empresa Lotus Intermediações Ltda., sendo a empresa quem efetivamente auferiu receitas já tributadas na pessoa jurídica; 8. Não se pode admitir a presunção de um suposto rendimento havido pela contribuinte baseado em movimentação financeira. Por fim, conclui seu Recurso Voluntário requerendo o cancelamento do débito fiscal reclamado, uma vez que restou demonstrado a insubsistência e improcedência da ação fiscal. É o relatório. Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 13896.723264/201453 Acórdão n.º 2401004.626 S2C4T1 Fl. 1.118 9 Voto Vencido Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito Conforme se verifica do Relatório, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento do Auto de Infração à epígrafe com vista à constituição de crédito de IRPF relativo aos fatos geradores de 2012, constatados a partir das informações contidas nos extratos bancários da fiscalizada, em que foram apuradas as seguintes infrações: (i) omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas; (ii) omissão de rendimentos de aluguéis e royalties recebidos de pessoa jurídica; (iii) omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI; (iv) omissão de rendimentos recebidos de pessoa física; (v) omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada; (vi) falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. Em suas razões recursais, alega a Recorrente que apresentou em 10/06/2014, após o início da fiscalização e antes do lançamento, a sua Declaração de IRPF (original e retificadora), na qual se encontra comprovada a origem dos recursos de suas contas bancárias, razão porque requer que seja afastada a cobrança de multa e juros tendo em vista que não ocorreram as infrações como noticiadas no lançamento. Assevera ainda que atendeu a solicitação do Fisco e comprovou que os valores que transitaram por suas contas são movimentações da empresa Lotus Intermediações Ltda, sendo a empresa quem efetivamente auferiu receitas já tributadas na pessoa jurídica e que não se pode admitir a presunção de um suposto rendimento havido pela contribuinte baseado em movimentação financeira. Afirma que restou demonstrado que os valores decorrentes de alugueis eram da sua filha na qualidade de locadora, conforme contrato adunado aos autos. Contesta ainda a cobrança da multa de ofício, juros de mora a qualificação da multa e o seu agravamento, por não configuração do intuito de fraude. Fl. 1122DF CARF MF 10 Dos Rendimentos declarados após o início da fiscalização O início da ação fiscal deuse em 7/10/2013, com a ciência do contribuinte por Edital em 6/11/2013. O Auto de Infração foi lavrado em 26/12/2014 e o lançamento se perfectibilizou com a ciência da contribuinte em 30.12.2014. Ocorre que, após o início da ação fiscal, não há que se falar em espontaneidade para efetuar retificação da declaração. Destarte, a retificação da declaração feita pelo contribuinte que vise à redução ou a exclusão de tributo, somente poderá ser admitida se comprovado erro nela contida, e antes da notificação do lançamento (art. 147, § 1º do CTN). Quanto aos rendimentos recebidos de pessoa física, declarados após o início da fiscalização, verificase que em nenhum momento a contribuinte logrou comprovar erro capaz de elidilo, razão porque referida declaração não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento. Essa linha de entendimento já se encontra pacificada neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consoante enunciado da Súmula 33, verbis: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Assim, no presente ponto, rejeito o argumento apresentado pela Recorrente. Da Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada Inicialmente, mister se faz esclarecer que, após a emissão do Termo de Início da Ação Fiscal e as inúmeras tentativas de intimação do sujeito passivo, foi lavrado o Termo de Intimação da Ação Fiscal (fls. 116/119) solicitando informações da origem dos recursos indicados na respectiva intimação, para que o sujeito passivo comprovasse a origem dos depósitos bancários com documentação hábil e idônea, tendo sido informado na intimação que a não comprovação das informações ensejaria o lançamento de ofício por omissão de rendimentos com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Em face da sua cientificação, a Recorrente prestou os esclarecimentos às fls. 380/389, em que afirma que a movimentação financeira realizada em sua conta se refere, na realidade, à movimentação da empresa Lotus Intermediações Ltda., da qual foi administradora de direito e de fato e é a sua atual sócia. Faz ainda a juntada do Livro Diário (fls. 702/733), Livro Razão Analítico (fls. 773/796) e Livro de Registro de Notas Fiscais (fls. 797/838). A partir das informações apresentadas pela Recorrente, objetivando a comprovação da origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias, foi possibilitado ao Auditor Fiscal levantar o Auto de Infração e apontar os valores apurados com base na omissão de rendimentos. Nesse aspecto, a fiscalização fez uma clara distinção entre os créditos em conta corrente de titularidade da fiscalizada, sem origem comprovada, que deverão ser considerados rendimentos tributável do sujeito passivo, conforme estabelecido no art. 42 da Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 13896.723264/201453 Acórdão n.º 2401004.626 S2C4T1 Fl. 1.119 11 Lei nº 9.430/96, e os demais valores recebidos da empresa Lotus Intermediações Ltda, relacionandoos às Notas Fiscais de serviços prestados e aos créditos concernentes à pessoa jurídica sem a indicação das respectivas Notas Fiscais. A despeito dos depósitos bancários de origem não comprovada, o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de receita caracterizada em virtude da existência de depósitos bancários em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a sua origem, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, senão vejamos o que determina a Lei nº 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Com efeito, referida regra presume a existência de rendimento tributável, invertendose, por conseguinte, o ônus da prova para que o contribuinte comprove a origem dos valores depositados a fim de que seja refutada a presunção legalmente estabelecida. Tratase, assim, de presunção relativa que admite prova em contrário, cabendo ao contribuinte trazer os elementos probatórios inequívocos que permita a identificação da origem dos recursos. No âmbito do Superior Tribunal de Justiça verificase que foi reconhecida a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo a corte assentado entendimento de que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). Fl. 1124DF CARF MF 12 Dessa forma, é perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei, tanto que referida matéria encontrase pacificada no âmbito do CARF através da Súmula nº 26: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Como se vê in casu, para a caracterização da omissão, necessário se faz a intimação do contribuinte objetivando a comprovação da origem dos recursos considerados não justificados, para que seja refutada a presunção legalmente estabelecida. Compulsando os autos, verifico que ocorreu a efetiva intimação da titular das contas com a indicação da relação dos depósitos de forma individualizada, para que a contribuinte informasse a origem dos recursos, restando assim o procedimento fiscal em consonância com a legislação de regência. Com efeito, denotase que, após a análise da documentação adunada aos autos, a fiscalização constatou como rendimento tributável do sujeito passivo os créditos em conta corrente da Recorrente, sem origem comprovada, constantes no item 0005 do auto de infração (fl. 859), e para tanto, aplicou a presunção legal na forma estabelecida pelo art. 42, § 1º da Lei nº 9.430/96. Na apuração da presunção legal, foram obedecidas as regras expressas na própria norma (§ 3º, do art. 42 da Lei nº 9.430/96), tendo sido desconsiderados na análise os créditos em conta corrente de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, cujo somatório no ano calendário não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, nos termos do inciso II, § 2º do art. 849 do Decreto nº 3.000/99, além dos créditos cujas origens foram identificadas como transferências da própria fiscalizada ou resgate de aplicação financeira, bem como foi identificada a venda de um imóvel. Compulsando os autos, verifico que em nenhum momento foi juntado aos autos qualquer documento hábil e idôneo com o intuito de comprovar a origem dos créditos constantes no lançamento, no item 0005, intitulado OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Assim, entendo que assiste razão à autoridade lançadora e correto o fundamento utilizado no lançamento nesse aspecto, devendo ser mantida nesse item a decisão de piso. Da Omissão de Rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas Quanto ao montante dos rendimentos recebidos da empresa Lotus, o Fiscal os considerou como tributáveis com base na legislação a que se refere à incidência do Imposto de Renda das pessoas físicas (artigos 37, 38, 45, 55, incisos I a IV, VI, IX a XII, XIV a XIX, art. 56 e 83 do RIR/99 e art. 1º, VI e parágrafo único, da Lei nº 11.842/07). O fundamento para o lançamento constante no item 0001 do auto de infração intitulado OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS, não foi o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 13896.723264/201453 Acórdão n.º 2401004.626 S2C4T1 Fl. 1.120 13 A fiscalização tratou os valores levantados no item 2.1.3 do TVF como sendo relacionados à empresa Lotus Intermediações Ltda, e por diversas vezes trata de rendimentos da empresa Lotus, destacando inclusive os que encontramse relacionados às correspondentes Notas Fiscais, além dos que não foram identificadas as Notas Fiscais. Como se vê, a estrutura do lançamento, no aspecto tratado no item 2.1.3 do TVF (Rendimentos recebidos da empresa Lotus Intermediações Ltda – fl. 850) se fundamentou de forma genérica nas normas concernentes à incidência do Imposto de Renda das pessoas físicas, mas sem apresentar com clareza e precisão o critério utilizado para chegar à conclusão de que os valores que transitaram na conta da Recorrente correspondiam a rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Como já se viu, não trata aqui da presunção da renda com base nos depósitos bancários de origem não comprovada, conforme norma positivada no art. 42, da Lei nº 9.430/96. Nesse ponto o Fiscal distinguiu os valores no item 0005 do Auto de Infração. Por outro lado, conquanto o Fiscal tenha reconhecido que esses valores tiveram sua origem comprovada e são da pessoa jurídica Lotus, tanto que não os considerou como omissão de origem não comprovada (art. 42 da Lei nº 9.430/96), o fato de terem sido depositados na conta da pessoa física, sócia da empresa, não os transformam em rendimentos do trabalho recebidos de pessoas jurídicas sem vínculo empregatício. Analisandose o Termo de Verificação Fiscal, constatase que o Fiscal busca enquadrar os valores creditados na conta da contribuinte como rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica, e para tanto, procura sustentação no fato da Sra. Ana Maria ter sido administradora da sociedade entre 07 de Julho de 2006 e 28 de Outubro de 2010, quando foi destituída. Posteriormente, em 25 de Novembro de 2013 passou a ser única sócia da empresa e administradora. Afirmando que não há ainda a escrituração na contabilidade empresarial de repasses à Sra. Ana Maria no período sob fiscalização. No entanto, após os esclarecimentos prestados pela Sra. Ana Maria (fls. 380/389), em que afirma ser da empresa Lotus a movimentação financeira realizada em sua conta, juntando para tanto o Livro Diário (fls. 702/733), Razão Analítico (fls. 773/796) e o Livro de Registro de Notas Fiscais (fls. 797/838), o AFRFB perfectibilizou o lançamento decorrente dos valores creditados em conta corrente da contribuinte com a clara distinção entre 0001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS e 0005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, sendo que a situação especificada neste último item autoriza a presunção de omissão de rendimentos, com a inversão do ônus da prova. Outra é a situação do lançamento tratado no presente tópico em que o agente fiscal deve demonstrar de forma coerente e clara os motivos ensejadores da sua acusação, para que não incorra em falha na acusação. Muito bem observado no item 4.2 na decisão da Delegacia de Julgamento quando assevera: Preliminarmente, cumpre registrar que é regra, não só do Processo Administrativo Fiscal, como também do Direito Processual Civil, que cabe àquele que alega o ônus da prova. Fl. 1126DF CARF MF 14 Alegar e não provar é como não alegar, portanto devem ser consideradas improcedentes as argumentações feitas pelo interessado cujas provas não são apresentadas. O ônus de quem alega é a prova dos fatos. Se o contribuinte apresenta fatos na sua impugnação para produzir sua defesa, cabe a ele o encargo de provar a veracidade de suas alegações. Fatos ou são verdadeiros ou falsos, existiram ou não. Já alegações são verídicas ou inverídicas, cabendo ao autor carrear aos autos as provas que demonstrem a veracidade de suas alegações e, então, a existência dos fatos narrados. Estas são lições extraídas dos ensinamentos do professor Cândido Rangel Dinamarco (Instituições de Processo Civil, vol.III, Ed. Malheiros, SP), cujo excerto sobre necessidade da prova a seguir transcrevese: “Subjacente ao conceito do ônus da prova e às normas sobre sua distribuição está uma importantíssima regra de julgamento, não escrita mas inerente e vital ao sistema, segundo a qual toda alegação não comprovada deve ser tomada por contrária à realidade dos fatos –ou por outras palavras, fato não provado é fato inexistente”.(Cândido Rangel Dinamarco (Instituições de Processo Civil, vol.III, página 82 Ed. Malheiros, SP) Cabe à fiscalização demonstrar a ocorrência dos fatos que serviram de suporte à exigência fiscal relacionados à norma de incidência indicada. A não demonstração por parte da autoridade administrativa, de forma clara e precisa dos fatos jurídicos e a motivação que a conduziram à lavratura do Auto de Infração tem como consequência a contaminação do lançamento por vício material por falha nos pressupostos intrínsecos. Importante se faz destacar o que dispõe o artigo 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Em se tratando de ato administrativo, o lançamento pressupõe como requisito fundamental, a motivação, conforme se destaca na Lei nº 9.784/99: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 13896.723264/201453 Acórdão n.º 2401004.626 S2C4T1 Fl. 1.121 15 II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; Nesse contexto, importante verificar se o fiscal motivou adequadamente o ato administrativo por meio da descrição dos fatos, da verificação da ocorrência do fato gerador, da identificação do sujeito passivo, do enquadramento legal e da demonstração da subsunção do fato à regra matriz de incidência tributária. Entendo que nesse aspecto, a acusação fiscal é genérica, falha, além de não ter feito a correta indicação do sujeito passivo. Os valores que transitaram na conta bancária da Recorrente se originaram de negócio jurídico perfectibilizado pela empresa em que a pessoa física é sócia. As Notas Fiscais emitidas pela empesa Lotus Intermediações (fls. 402/410) e registradas no Livro de Registro de Notas Fiscais (797/838), constam inclusive a retenção de Imposto de Renda. No entanto, ao invés de ter lançado o tributo em nome da empresa que é o sujeito passivo da obrigação tributária, efetuou o lançamento dos valores indicados no item 2.1.3 do TVF em nome da pessoa física Recorrente como se fossem rendimentos a ela pertencentes. O fato da Recorrente ter movimentado em sua conta valores decorrentes de negócios da empresa, não transfere para si a sujeição passiva, razão do evidente equívoco que macula o lançamento no item ora tratado. Nesse sentido registro o entendimento exarado no Acórdão nº 2202003.296, verbis: Para fatos ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Mas não foi esse o fundamento apontado para a autuação, como se pode observar do enquadramento legal expresso no Auto de Infração, e conhecese a origem dos recursos e a razão dos depósitos efetuados nas contas do sócio Siegfried. Assim, os depósitos efetuados na conta corrente do sócio referemse a pagamentos feitos à empresa Maquidrex. Se o sócio apropriouse do dinheiro, não o repassando à empresa, poderia ser “responsável” nos termos dos artigos 135 e 137 do CTN, mas “contribuinte”, no caso, é a empresa Maquidrex, que deveria ter sido identificada e eventualmente tributada, em regular procedimento fiscal. A relação jurídica entre Fisco e Contribuinte é uma relação diversa da relação jurídica entre Fisco e Responsável e não se pode Confundilas. (CARF – Recurso Voluntário Processo nº 16327.004438/200294, 2ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento. Data do julgamento: 10.03.2016). Fl. 1128DF CARF MF 16 Assim, os depósitos efetuados na conta corrente do sócio referemse a pagamentos feitos à empresa Lotus Intermediações. Se a sócia não repassou à empresa os valores indicados no item 2.1.3 do Termo de Verificação Fiscal, poderia ser responsável nos termos dos artigos 135 do CTN, mas contribuinte, no caso, é a empresa Lotus, que deveria ter sido identificada procedimento fiscal específico. Com efeito, nesse ponto do lançamento houve equívoco na identificação do sujeito passivo, razão porque o lançamento foi construído de forma incorreta ao tributar na pessoa física o que deveria ter sido tributado na pessoa jurídica, com alíquotas e forma de apuração diversa. Assim, quanto ao item 0001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS do Auto de Infração, deve ser anulado o lançamento. No que tange à omissão de rendimentos de aluguéis e royalties recebidos de pessoa jurídica, omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI, multa de ofício, multa qualificada, referidas matérias não foram contestadas inicialmente, o que enseja à aplicação do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, por estarem fora dos limites da lide. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso interposto e voto por DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para anular o lançamento relativo à omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício constante no item 0001 do Auto de Infração. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 13896.723264/201453 Acórdão n.º 2401004.626 S2C4T1 Fl. 1.122 17 Voto Vencedor Conselheiro Márcio de Lacerda Martins Redator Designado Com a maxima venia divirjo da i. relatora quanto à sua decisão de anular o lançamento relativo à omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício constante no item 001 do Auto de Infração. Explico. Entende a i. relatora que a autoridade fiscal não motivou adequadamente o lançamento ao descrever, de forma genérica e falha, os fatos jurídicos que a conduziram à lavratura do Auto de infração, além de não ter feito a correta indicação do sujeito passivo. Com a devida vênia, não compartilho deste entendimento. A autoridade fiscal apurou que os valores foram depositados na conta bancária da contribuinte pela empresa Lótus Intermediações Ltda ou em seu nome. Logo, é de se concluir que pertencem a contribuinte, salvo se apresentadas provas de que os valores apenas transitaram por sua conta e não lhe pertenciam. Ou seja, a autuação reuniu provas do recebimento dos valores de pessoa jurídica pela contribuinte. O ônus de comprovar que os valores depositados em sua conta não lhe pertencem é exclusivamente da contribuinte. Nesse sentido, a recorrente apresentou provas de que alguns depósitos estavam associados a notas fiscais emitidas pela empresa Lótus Intermediações Ltda. Entretanto, não logrou comprovar a saída de valores da sua conta para, por exemplo, pagar despesas da mencionada empresa. Ou seja, a contribuinte não juntou provas de que os valores recebidos por ela teriam sido repassados a alegada real beneficiária em algum momento. Cabe registrar ainda que o lançamento recai sobre o anocalendário 2012 e nesse ano a contribuinte não integrava o quadro societário da empresa, como bem analisado no Termo de Verificação Fiscal. Não integrando a sociedade, tornase mais relevante que produza provas de que os valores não lhe pertenciam. Isto porque, sem a existência de vínculo, não há justificativa para recebimento de qualquer participação nos valores movimentados pela empresa. Pelo exposto, entendo que a autoridade fiscal demonstrou suficientemente o recebimento pela contribuinte de valores da mencionada empresa ou por conta dela, caracterizando hipótese de incidência do imposto de renda. Repisese que pesa contra a contribuinte o fato de que os valores depositados em sua contacorrente são de sua titularidade até que se prove em contrário. Não tendo se desincumbido desse ônus, correto o trabalho fiscal. Dessa forma, entendo que não há reparos a se fazer na autuação. Fl. 1130DF CARF MF 18 Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Fl. 1131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11686.000098/2008-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.
Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 - eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda - quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda - quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.134
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO. FRETE. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Recorrente SLC ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 00 98 /2 00 8- 15 Fl. 853DF CARF MF Processo nº 11686.000098/200815 Acórdão n.º 9303005.134 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3302002.804, que, no tocante à matéria de interesse, não reconheceu o direito de crédito das contribuições não cumulativas sobre os fretes de produtos acabados transportados entre estabelecimentos da mesma empresa. Cientificada, a Fazenda Nacional não apresentou recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Irresignado, o contribuinte interpôs apelo suscitando divergência quanto ao direito à tomada dos créditos em foco, argumentando, em resumo, que: · O objeto do presente recurso especial diz respeito ao direito de apuração de créditos de PIS e de Cofins, atinentes aos fretes de transferência de produtos acabados entre os estabelecimentos; · É pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz, estando sujeita ao recolhimento de tributos, dentre as quais se destacam o PIS e a Cofins na sistemática não cumulativa; · As despesas ora em discussão são desdobramentos do frete de venda; · Para o regular desempenho de sua atividade, transfere os seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade, com o intuito de se obter melhores resultados, visto que devido às exigências do mercado, em não havendo estes centros, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradores das Regiões Sudeste, CentroOeste e Nordeste do país; · Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; · O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, visto que seus grandes clientes, adquirentes de seus produtos, situamse, em sua grande maioria, na Região Sudeste e necessitam do produto à pronta entrega quase que diariamente; Fl. 854DF CARF MF Processo nº 11686.000098/200815 Acórdão n.º 9303005.134 CSRFT3 Fl. 4 3 · Tendo em vista que a maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos, os fretes são realizados por transporte ferroviário, como desdobramentos do frete de venda – o que demora 15 dias; · Para conseguir atender a sua demanda de pedidos, remete grandes quantidades por trem que, devido à demora no trânsito das mercadorias, quando chegam ao destino já estão vendidos; · A mercadoria, em muitos casos, já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. Em Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, contemplando, entre outros argumentos, que não é todo frete que pode ser considerado para fins de crédito da contribuição para fins de diminuição do débito ou ressarcimento. E que o entendimento administrativo somente permite o frete quando é feito diretamente para a venda do bem ou produto. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.116, de 17/05/2017, proferido no julgamento do processo 11686.000082/200811, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.116): "Eis que, pela leitura do acórdão recorrido e do indicado como paradigma, é de se constatar a divergência jurisprudencial, pois, no acórdão recorrido, entendeuse que não há previsão legal para crédito de PIS e Cofins não cumulativos sobre valores de fretes de produtos acabados realizados entre os estabelecimentos da mesma empresa, somente tendo direito de crédito o frete contratado para entrega de mercadorias aos clientes, na venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 855DF CARF MF Processo nº 11686.000098/200815 Acórdão n.º 9303005.134 CSRFT3 Fl. 5 4 Enquanto, no acórdão indicado como paradigma, concluiuse que as despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos, pagas e/ou creditadas às pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos de PIS e Cofins, passiveis de dedução da contribuição devida e/ou de ressarcimento/compensação. Quanto às Contrarrazões apresentadas, não se devem ignorálas, pois foram apresentadas tempestivamente pela Fazenda Nacional. Ventiladas tais considerações, importante, a priori, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e de Cofins trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, bem como para a aplicação do art. 3º, inciso IX, das referidas Leis (“IX – armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Eis que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Fl. 856DF CARF MF Processo nº 11686.000098/200815 Acórdão n.º 9303005.134 CSRFT3 Fl. 6 5 Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, notase que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, em respeito a segurança jurídica das jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, é de se atestar a observância do princípio da essencialidade para a adoção do conceito de insumo, afastando o entendimento restritivo dado pela autoridade fazendária na IN SRF 247/02. Não obstante a esses pontos, ressurgindome à questão posta, passo a discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou Fl. 857DF CARF MF Processo nº 11686.000098/200815 Acórdão n.º 9303005.134 CSRFT3 Fl. 7 6 entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo, diferentemente do PIS e da Cofins que são contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente. E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo, a não cumulatividade relacionase ao conceito de insumo como sendo o de bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos. Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e a Cofins está diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos. Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, constatase que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admitese também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis Fl. 858DF CARF MF Processo nº 11686.000098/200815 Acórdão n.º 9303005.134 CSRFT3 Fl. 8 7 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio do ilustre Prof. Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 859DF CARF MF Processo nº 11686.000098/200815 Acórdão n.º 9303005.134 CSRFT3 Fl. 9 8 I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. A Receita Federal do Brasil extrapolou sua competência administrativa ao “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; Fl. 860DF CARF MF Processo nº 11686.000098/200815 Acórdão n.º 9303005.134 CSRFT3 Fl. 10 9 b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299 do RIR/99 não seria a mais condizente, pois direciona a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir que os custos ou despesas destinadas à aferição e lucro possam ser considerados como insumos necessários para o aferimento da receita. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; Fl. 861DF CARF MF Processo nº 11686.000098/200815 Acórdão n.º 9303005.134 CSRFT3 Fl. 11 10 · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a Fl. 862DF CARF MF Processo nº 11686.000098/200815 Acórdão n.º 9303005.134 CSRFT3 Fl. 12 11 atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. ” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. ” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Fl. 863DF CARF MF Processo nº 11686.000098/200815 Acórdão n.º 9303005.134 CSRFT3 Fl. 13 12 Dessa forma, para fins de se elucidar a atividade do sujeito passivo, importante recordar que é pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz. Os fretes de produtos acabados em discussão, para sua atividade de comercialização, são essenciais para a sua atividade de “comercialização”, eis que: · Sua atividade impõe a transferência de seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade; caso contrário, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradores das Regiões Sudeste, CentroOeste e Nordeste do país; · Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; O que, impõese para fins de comercialização e sobrevivência da empresa, os Centros de Distribuição; · O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, considerando a localidade dos maiores demandantes de seus produtos. Considerando, então, a atividade do sujeito passivo, devese considerar os fretes como essenciais e, aplicandose o critério da essencialidade, é de se dar provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Não obstante à essa fundamentação e ignorandoa, cabe trazer que, tendo em vista que: · A maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos e são realizados com a demora usual de 15 dias até a chegada do produto, para conseguir atender a sua demanda de pedidos, o sujeito passivo, devido à demora no trânsito das mercadorias, já transacionou as mercadorias, sendo que ao chegarem as mercadorias ao destino muitas já se encontram vendidas; · A mercadoria já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse Fl. 864DF CARF MF Processo nº 11686.000098/200815 Acórdão n.º 9303005.134 CSRFT3 Fl. 14 13 dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 865DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.722647/2010-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 11/10/2010
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOBRE COOPERATIVAS. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF. EXCLUSÃO DO CÁLCULO DO AUTO DE INFRAÇÃO. O VALOR A PREVALECER PARA A QUITAÇÃO DO CRÉDITO SERÁ AQUELE CALCULADO SEM A INCLUSÃO DA CONTRIBUIÇÃO DAS COOPERATIVAS. PAGAMENTO. ESPONTÂNEO APROVEITAMENTO.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-003.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente).
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Eduardo de Oliveira
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 11/10/2010 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOBRE COOPERATIVAS. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF. EXCLUSÃO DO CÁLCULO DO AUTO DE INFRAÇÃO. O VALOR A PREVALECER PARA A QUITAÇÃO DO CRÉDITO SERÁ AQUELE CALCULADO SEM A INCLUSÃO DA CONTRIBUIÇÃO DAS COOPERATIVAS. PAGAMENTO. ESPONTÂNEO APROVEITAMENTO. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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FATOS GERADORES. Recorrente ASSOCIAÇÃO DOS SERVIDORES MUNICIPASI DE BETIM ASMUBE. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 11/10/2010 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOBRE COOPERATIVAS. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF. EXCLUSÃO DO CÁLCULO DO AUTO DE INFRAÇÃO. O VALOR A PREVALECER PARA A QUITAÇÃO DO CRÉDITO SERÁ AQUELE CALCULADO SEM A INCLUSÃO DA CONTRIBUIÇÃO DAS COOPERATIVAS. PAGAMENTO. ESPONTÂNEO APROVEITAMENTO. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 26 47 /2 01 0- 29 Fl. 297DF CARF MF Processo nº 13603.722647/201029 Acórdão n.º 2202003.212 S2C2T2 Fl. 298 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal contempla o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 37.283.4960, CFL.68, que consiste em apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, com período de apuração 01/2006 a 12/2006, conforme Termo e Início de Ação Fiscal – TIAF, de fls. 18 e 19. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 27/10/2010, conforme intimação pessoal na Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, fls. 02. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, em 25/11/2010, conforme carimbo de recepção, as fls. 45, a defesa está acostada, as fls. 45 a 58, acompanhada dos documentos, de fls. 59 a 235. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 325 e 326. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0233.825 7ª Turma da DRJ/BHE, datado, de 09/08/2011, fls. 237 a 246. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 17/06/2013, AR, fls. 249. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 251 a 266, recebido, em 12/07/2013, conforme carimbo de recepção, as fls. 251, acompanhado dos documentos, de fls. 267 a 293. As razões recursais sumariadas estão abaixo declinadas. Preliminar. · que nos termos da SV STF Nº 08/2008 o prazo decadência é de cinco anos, cabendo a decretação da decadência do presente feito fiscal; · que o contribuinte não impugnou o auto de infração decorrente da infringência do inciso IV, parágrafo 5º, do artigo 32, da Lei 8.212/91, ao contrário efetuou o pagamento no prazo estipulado, fazendo jus a redução de 50% da multa de ofício; · que apesar de ter quitado parcialmente o valor do débito à vista, o fisco não lhe concedeu a redução prevista na legislação, sendo que o valor da multa apurada nos autos é de R$ 23.784,63, fls. 231, Fl. 298DF CARF MF Processo nº 13603.722647/201029 Acórdão n.º 2202003.212 S2C2T2 Fl. 299 3 recolhendo a recorrente R$ 11.892,31, porém o fisco entende que só há direito a redução da multa se o pagamento fosse integral, devendo ser reformada a decisão nesse ponto, pois esse não é o espírito da lei, havendo voto divergente a favor da tese da empresa, o qual deve prevalecer; Prejudicial de Mérito. · que o artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 é inconstitucional; Mérito. · que os débitos apontados pelo fisco não existem, pois os serviços são prestados pelas cooperativas diretamente aos associados beneficiários, situação que não configura o fato gerador da exação, devendo ser afastada a exigência fiscal pretendida; · Pede e espera a recorrente: a) que o recurso seja conhecido e provido; b) que seja o auto de infração julgado insubsistente; c) que a recorrente seja eximida do pagamento dos valores apurados e das multas incidentes. O órgão preparador não se manifestou quanto à tempestividade do recurso. Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 294. O sorteio e distribuição a esse conselheiro ocorreu, em 09/10/2014, Lote 03, fls. 295. É o Relatório. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 13603.722647/201029 Acórdão n.º 2202003.212 S2C2T2 Fl. 300 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetaram o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Delimitação da Lide. No julgamento de primeiro grau assim se manifestou a DRJ em seu voto, observese a transcrição. De início, cabe ressaltar que o sujeito passivo não impugna a multa incidente sobre os valores referentes a Contribuição Obra da Clínica e Remuneração Pessoas Físicas, identificados nas Planilhas 1, 2, 3, fls. 29/33. Assim, tal parte é considerada parte não litigiosa, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. De acordo com o Demonstrativo de Cálculo da multa elaborado pela autoridade fiscal, fls. 229, o valor da multa aplicada no Auto de Infração foi de R$ 34.362,96. A impugnante refez o demonstrativo, conforme planilha de fls. 231, para retirar o valor da multa que considera devida. Entende que o valor da multa incontroverso é R$ 23.784,63, assim, aplicandose a redução de 50% para pagamento à vista, efetuou o pagamento de R$ 11.892,32, em 23/11/2010, conforme GPS e comprovante de quitação em anexo, fls. 73/74. Sua contestação concentrase na multa incidente sobre os valores pagos a cooperativas de trabalho médico, identificadas na Planilha 4 – Remuneração para UNIDONTO MG, 5 – Remuneração para PAX SAÚDE e 6 – Remuneração para UNIMED Betim, fls.34/37, do período de 01/2006 a 12/2006, cujas contribuições não foram declaradas em GFIP, por entender a impugnante que a verba não é fato gerador de contribuição previdenciária. Conforme demonstrativo de fls. 231, a Impugnante considera que a parte da multa referente à verba contestada é de R$ 10.578,33. Assim sendo, fica evidente que a irresignação é parcial, ou seja, não se refere a todas as infrações constatadas e apenadas, mas apenas a parte delas. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 13603.722647/201029 Acórdão n.º 2202003.212 S2C2T2 Fl. 301 5 Ausente de dúvidas que a parte contestada do lançamento em primeiro grau referese, exclusivamente, a questão da exigência de contribuição previdenciária sobre a prestação de serviços de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, relativamente as cooperativas UNIODONTO; PAX SAÚDE e UNIMED BETIM. Todavia, a impugnante ora recorrente, também, alegou ter direito de reduzir a multa em cinquenta por cento, ante o pagamento espontâneo da parte que ela impugnante/recorrente por ato próprio considerou devido, calculou e promoveu o recolhimento. Preliminar. A decadência como matéria de ordem pública pode e deve ser analisada, ainda, que não apresentada em primeiro grau. A recorrente está equivocada quanto a tese, pois nos presentes autos, não ocorreu a decadência, ainda, que se aplique o que diz a SV STF Nº 08/2008. A autuação foi notificada ao contribuinte, em 27/10/2010, fls. 02, e, conforme Relatório Fiscal, de fls. 14 a 17, o período da autuação devido as omissões/incorreções em GFIP referise as competências 01/2006 a 12/2006. Na contagem do prazo decadencial adoto a tese esposada pelo E. Superior Tribunal de Justiça – STJ, a seguir transcrita. RECURSO ESPECIAL Nº 970.947 SC (2007/01732916) Esta Corte tem firmado o entendimento de que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos, contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos, contado do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN No presente caso temse a exigência de obrigação acessória, assim, inexiste pagamento antecipado, o que atrai a aplicação do artigo 173, I, da Lei 5.172/66. Dessa forma, a decadência não se operou, pois a primeira competência lançada foi 01/2006 e primeiro dia do exercício seguinte seria 01/01/2007 somandose a essa data cinco anos a decadência se operaria em 01/01/2012, logo como o lançamento se deu em 27/10/2010 inexiste decadência. A solução seria idêntica se fosse considerada a regra do artigo, 150, §4º, da Lei 5.172, apenas variando a data, pois nesse caso contado da data da ocorrência do fato gerador e sendo a primeira a competência lançada, 01/2006, a decadência só ocorreria em 31/01/2011. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 13603.722647/201029 Acórdão n.º 2202003.212 S2C2T2 Fl. 302 6 Assim sendo, por qualquer regra que se aplique artigo 173, I ou artigo 150, § 4º, ambos, da Lei 5.172/66 não há que se falar em ocorrência de decadência. O contribuinte autuado não se defende do valor ou das parcelas que compõe o valor da autuação. O contribuinte se defenda dos fatos a ele imputados e não da fundamentação jurídica da autuação, no caso em testilha, foi imputado ao contribuinte a conduta de não declarar a totalidade dos fatos geradores em GFIP essa é a conduta que reclama defesa. Todavia, necessário se faz observar que em regra no caso de declaração em GFIP, embora o fato gerador seja único, a contribuição se compõe de um conjunto muito maior de rubricas, as quais são declaradas separadamente e assim podem ser individualizadas, como no presente caso, onde a contribuinte não declarou parte dos fatos geradores de seus segurados e as contribuições de quinze por cento decorrentes da prestação de serviços por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Tal fato pode ser verificado na planilha, de fls. 29 a 42, onde se pode distinguir as diversas origens das contribuições não declaradas. A questão relativa a não impugnação do auto de infração em razão do artigo 32, IV, § 5º, da Lei 8.212/91 e da redução da multa em cinquenta por cento em razão do pagamento, não serão analisadas nesse tópico, pois confundese com a solução das demais teses. Prejudicial de Mérito. A contribuição social previdenciária exigida com base no artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 introduzido pela Lei 9.867/99 foi reconhecida inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal – STF no julgamento do RE, abaixo, transcrito, realizado na sistemática da repercussão geral e com trânsito em julgando atestado na movimentação processual do STF, em 11/03/2015. EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do Fl. 302DF CARF MF Processo nº 13603.722647/201029 Acórdão n.º 2202003.212 S2C2T2 Fl. 303 7 contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (RE 595838, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 23/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe196 DIVULG 07102014 PUBLIC 08102014) (grifei). Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, rejeitou os embargos de declaração. Ausentes, justificadamente, os Ministros Gilmar Mendes e Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 18.12.2014 Cabe, assim, a aplicação do parágrafo 2º, do art. 62, da Portaria MF 343/2015 Regimento Interno do CARF, que transcrevo. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Outra não pode ser a solução senão a exclusão das contribuições exigidas em razão das cooperativas da presente autuação. Mérito. Até mesmo ante da decisão do STF a Terceira Turma Especial da Segunda Seção, ainda, que por maioria adotava a posição abaixo exposta. A exação em tela vinha sendo objeto de muitas discussões no âmbito do contencioso administrativo e até pouco tempo atrás me posicionava ao lado de sua validade. Todavia, após novas reflexões e análise de vários elementos passei a adotar novo entendimento, o qual discorro e explicito a seguir. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 13603.722647/201029 Acórdão n.º 2202003.212 S2C2T2 Fl. 304 8 Realmente, de um olhar mais aguçado verifico que a questão em tela não se subsume ao que consta do artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, observese os esclarecimentos. O citado texto legal diz que “...relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados...”, e, como bem disse a recorrente os serviços não são prestados a ela recorrente, mas sim aos seus trabalhadores. A diferença pode ser sutil, mas implica em uma significativa mudança de direção. Um exemplo, talvez, possa por luz sobre a matéria. Imaginese uma cooperativa de trabalho típica – como a de carregadores e descarregadores de carga, em uma empresa transportadora. Ora a transportadora vai contratar e a cooperativa colocará nas dependências desta ou de terceiros indicados por aquela, os cooperados que realizarão os serviços. Ou seja, uma pessoa jurídica contrata uma cooperativa e recebe serviços dos cooperados por intermédio da cooperativa, serviços esses que trarão à contratante desempenho e desenvolvimento de suas atividade operacionais, com a consequente geração de riqueza, hipótese da Lei 8.212/91, artigo 22. IV. No caso dos autos a empresa contrata a cooperativa que disponibilizará os cooperados que prestarão os serviços, nos seus consultórios próprios ou nas dependências de hospitais e clínicas conveniadas e os serviços serão prestados aos trabalhadores pessoas físicas e não a empresa contratante, que não terá nenhum benefício direito decorrente da prestação dos serviços pelos cooperados e muito menos produção de riqueza. Além disso, ainda, se pode indagar, por que a contratação de uma cooperativa ensejaria a contribuição do artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 e a contratação de uma empresa comercial de assistência a saúde não ensejaria esta contribuição, mas apenas as contribuições convencionais. E por que a empresa que fornece assistência à saúde a seus empregados por intermédio de cooperativa não pode beneficiarse da isenção do artigo 28, § 9º, alínea “q”, sendo que a que contrata empresa comercial de assistência à saúde faria jus a esta isenção. Destarte, penso que se tem duas possibilidades que excluem a exação ou a situação não se amolda ao artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, pois o serviço não é prestado a favor da empresa contratante, mas sim dos empregados ou a empresa que presta assistência à saúde a seus trabalhadores dentro das determinações legais independentemente do tipo de prestador contratado faz jus a isenção do artigo 28, § 9º, alínea “q”, como citado. Qualquer que seja a tese que se abrace a exação tornase indevida, isto é, deixa de ter suporte e substrato a sua exigência. Feitos os esclarecimentos acima, podese concluir que o auto de infração em sua origem resultaria apenas na multa em decorrência da não declaração dos fatos geradores em razão de parte de seus segurados, conforme item 3, do REFISC. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 13603.722647/201029 Acórdão n.º 2202003.212 S2C2T2 Fl. 305 9 Deve forma, deve a DRF excluir os valores relativos as rubricas cooperativas da atuação e promover o aproveitamento do pagamento efetuado pelo contribuinte, GPS, de fls. 73, desde que seja confirmado o pagamento; bem como que a gps só seja aproveitada se for possível fazer inequívoca vinculação desta, com a intenção de liquidação do crédito, e, ainda, que a gps só seja aproveitada se após a exclusão da rubrica COOPERATIVA o valor pago com redução liquidar o crédito, pois do contrário não há como conceder o benefício do artigo 293, §1º, do Decreto 3.048/99, subsistindo o crédito pelo total, pois na realidade o valor correto da atuação sempre foi o estipulado sem a inclusão das cooperativas, devendo este prevalecer para fins de quitação do lançamento. CONCLUSÃO: Ante o exposto voto por conhecer do recurso para no mérito darlhe provimento parcial, tendo em vista que a contribuição social previdenciária, do artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 introduzido pela Lei 9.876,/99 foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal – STF, devendo a DRF promover ao aproveitamento da GPS, de fls. 73, desde que seja confirmado o pagamento; bem como que a gps só seja aproveitada se for possível fazer inequívoca vinculação desta, com a intenção de liquidação do crédito, e, ainda, que a gps só seja aproveitada se após a exclusão da rubrica COOPERATIVA o valor pago com redução liquidar o crédito, pois do contrário não há como conceder o benefício do artigo 293, §1º, do Decreto 3.048/99, subsistindo o crédito pelo total, pois na realidade o valor correto da atuação sempre foi o estipulado sem a inclusão das cooperativas, devendo este prevalecer para fins de quitação do lançamento. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 305DF CARF MF
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Numero do processo: 18336.001524/2005-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 20/10/2000
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM.
A preferência tarifária deve ser aplicada ainda quando houver a interveniência de terceiro de país não signatária do Acordo Internacional, desde que haja comprovação que a mercadoria objeto seja proveniente de país signatário do Acordo Internacional.
No caso vertente, constatou-se que os documentos emitidos demonstraram a correspondência, mantendo a rastreabilidade das operações, permitindo, de per si, identificar a origem da mercadoria. O que resta considerar como atendidas todas as condições estabelecidas pela legislação vigente e, por efeito, aplicar a preferência tarifária.
Numero da decisão: 9303-005.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 20/10/2000 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. A preferência tarifária deve ser aplicada ainda quando houver a interveniência de terceiro de país não signatária do Acordo Internacional, desde que haja comprovação que a mercadoria objeto seja proveniente de país signatário do Acordo Internacional. No caso vertente, constatou-se que os documentos emitidos demonstraram a correspondência, mantendo a rastreabilidade das operações, permitindo, de per si, identificar a origem da mercadoria. O que resta considerar como atendidas todas as condições estabelecidas pela legislação vigente e, por efeito, aplicar a preferência tarifária.
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PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. A preferência tarifária deve ser aplicada ainda quando houver a interveniência de terceiro de país não signatária do Acordo Internacional, desde que haja comprovação que a mercadoria objeto seja proveniente de país signatário do Acordo Internacional. No caso vertente, constatouse que os documentos emitidos demonstraram a correspondência, mantendo a rastreabilidade das operações, permitindo, de per si, identificar a origem da mercadoria. O que resta considerar como atendidas todas as condições estabelecidas pela legislação vigente e, por efeito, aplicar a preferência tarifária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 33 6. 00 15 24 /2 00 5- 12 Fl. 293DF CARF MF 2 Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3201002.053, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando acórdão com a seguinte ementa (Grifos meus): “Assunto: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 20/10/2000 ALADI. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURAS COMERCIAIS. INTERMEDIAÇÃO. PAÍS NÃO SIGNATÁRIO. Apresentadas as razões de fato e de direito que justifiquem eventual erro formal na divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, e demonstrado que o erro não prejudicou a verificação da certificação de origem, deve ser mantida o regime de preferência e redução tarifária Fl. 294DF CARF MF Processo nº 18336.001524/200512 Acórdão n.º 9303005.050 CSRFT3 Fl. 565 3 previsto no âmbito do Acordo da ALADI. Constam dos autos todas as faturas (originária e do interveniente) o BL e o Certificado de Origem, todos ligados entre si. Recurso a que se dá provimento. ” Insatisfeita com a decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, trazendo, entre outros, que: · As normas que disciplinam a Certificação de Origem estabelecem a forma solene para o documento que atesta a origem da mercadoria pactuada. Importante destacar que a indicação do número da fatura comercial no certificado de origem não constitui mera formalidade. O vínculo necessário entre a fatura comercial que ampara a partida de mercadoria pactuada e o certificado de origem centrase na segurança jurídica visada pelo acordo junto às partes signatárias, ao estabelecer uma redução tarifária em função da origem da mercadoria; · No caso concreto, verificase que, embora o certificado de origem traga explicitamente indicado como país exportador a Colômbia, a fatura apresentada pelo importador, como documento de instrução da DI, foi, de fato, emitida pela empresa PETROBRAS INTERNATIONAL FINANCE COMPANY PIFCO, localizada nas Ilhas Cayman, país não signatário do ACE nº 39, estando a referida empresa qualificada na respectiva DI como exportadora; · A fruição do benefício de redução tarifária importa a observância estrita das condições e requisitos estabelecidos nos acordos internacionais de regência; · O reconhecimento pelo Fisco do benefício tributário pactuado entre países implica a constatação de que a importação ocorreu nos exatos termos acordados, cuja prova documental de cumprimento de tais requisitos deve necessariamente ser inquestionável. Nesse sentido, além da apresentação de certificado de origem e fatura comercial, deve a operação de importação estar em conformidade com as demais regras estabelecidas nos Acordos de regência. Fl. 295DF CARF MF 4 · É inequívoca a impropriedade da operação realizada pelo autuado, não repercutindo na solução do litígio a argumentação de que tal operação teve o cunho eminentemente financeiro. Em Despacho às fls. 216 a 218, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foram apresentadas pelo sujeito passivo que, trouxe, entre outros: · Que não há divergência necessária à admissibilidade do recurso especial, eis que a concessão ou não dos benefícios nos autos dos pretensos acórdãos indicados como paradigmas foi essencialmente influenciada pela insuficiência de provas; · A triangulação comercial é prática internacional comum adotada por razões comerciais de alongamento de prazo para pagamento e ampliação de fontes de captação de recursos; · No ordenamento jurídico brasileiro, o Certificado de Origem =e documento suficiente para a comprovação da origem da mercadoria importada de país integrante da ALADI – para fins de tratamento tributário favorecido; · Restou incontroverso que a mercadoria importada foi expedida diretamente da Venezuela para o Brasil. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que o recurso não deva ser conhecido, vez que não foi demonstrada a divergência jurisprudencial nos termos do art. 67 do RICARF/2015. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 18336.001524/200512 Acórdão n.º 9303005.050 CSRFT3 Fl. 566 5 Ora, no acórdão recorrido foi consignada a seguinte ementa (Grifos meus): “Assunto: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 20/10/2000 ALADI. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURAS COMERCIAIS. INTERMEDIAÇÃO. PAÍS NÃO SIGNATÁRIO. Apresentadas as razões de fato e de direito que justifiquem eventual erro formal na divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, e demonstrado que o erro não prejudicou a verificação da certificação de origem, deve ser mantida o regime de preferência e redução tarifária previsto no âmbito do Acordo da ALADI. Constam dos autos todas as faturas (originária e do interveniente) o BL e o Certificado de Origem, todos ligados entre si. Recurso a que se dá provimento. ” Ademais, consta do voto desse acórdão: “[...] Registrese que o Certificado de Origem (efl. 23) indica como País exportador a Venezuela, fazendo referência expressa à mercadoria acobertada (gasolina) pela fatura comercial de nº 1198920, que teria sido emitida naquele país. A fatura apresentada pelo importador, como documento de instrução da DI, foi a Pifco – fatura nº PIFSB1039/2000, anexada à efl. 24 emitida pela empresa PETROBRAS INTERNATIONAL FINANCE COMPANY PIFCO, localizada nas Ilhas Cayman, país não signatário do ACE 39, estando referida empresa qualificada na respectiva DI como exportadora. Constam dos autos todas as faturas (originária e do interveniente) o BL e o Certificado de Origem, todos ligados entre si. Fl. 297DF CARF MF 6 No caso concreto, verificase que a Recorrente justificou, em sua defesa, a operação de triangulação comercial, na qual interpõe entre si e a PDVSA Petroleo y Gás, S.A. (PDVSA), a Petrobrás International Finance Company (Pifco), sendo essa a razão pela qual as invoices mencionadas no certificado de origem eram emitidas pela PDVSA contra a Pifco, e não contra a Recorrente. A Pifco figurava como agente pagador da Recorrente, mas o destino das mercadorias sempre foi o Brasil, uma vez que a Recorrente era a destinatária da gasolina adquirida na Venezuela. Argumenta a Recorrente que essa triangulação comercial é uma operação realizada rotineiramente por vários atores do comércio internacional, não havendo qualquer ilegalidade na referida prática. A questão que se põe, é se deve se sobrepor a verdade material quanto à origem da mercadoria importada, uma vez que esta não foi questionada, tendo sido negado o benefício da preferência tarifária, tendo em vista que o número da fatura comercial (1198920) indicado no campo reservado à declaração de origem diverge da fatura comercial que instruiu a DI, logo, às alegações fáticas da recorrente, e sendo o único fundamento para o lançamento a constatação de erros formais em certificado de origem decorrente da triangulação comercial por ela realizada, ou seja, divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, e demonstrado que o erro não prejudicou a verificação da certificação de origem, deve ser mantida o regime de preferência e redução tarifária previsto no Acordo no âmbito da ALADI; dessa maneira, não há como prosperar o lançamento ora combatido.” Em síntese, vêse que resta claro que, no presente caso, prevaleceu a busca pela verdade material em relação ao apontamento da divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, eis que foi considerado pelo Colegiado que a indicação dessa divergência não prejudicou a verificação da certificação de origem e a procedência da mercadoria. O que conclui aquele Colegiado pela Fl. 298DF CARF MF Processo nº 18336.001524/200512 Acórdão n.º 9303005.050 CSRFT3 Fl. 567 7 manutenção do regime de preferência e redução tarifária previsto no Acordo no âmbito da ALADI. Nos acórdãos indicados como paradigma, temse que, relativamente: a. Ao Acórdão 9303003.107: · O Colegiado afastou a preferência tarifária, conforme voto do relator: “[...] A questão trazida a debate gira em torno dos efeitos da divergência entre certificado de origem e fatura comercial, e, também, do fato de o produto importado haver sido comercializado por terceiro país, não signatário de Acordo Internacional. As importações efetuadas ao abrigo benefício de redução tarifária entre os países membros da Aladi, para que gozem do favor fiscal devem preencher todos os requisitos estabelecidos no respectivo acordo firmado pelos membros dessa Associação. Dentre esses requisitos apresentase como essencial a comprovação da origem da mercadoria, que, nas importações realizadas no âmbito da Aladi, a comprovação dessa origem dáse, exclusivamente, por meio do certificado de origem. Por conseguinte, O Fisco só pode reconhecer o direito ao favor fiscal quando a importação for realizada ao amparo de toda a documentação exigida. Sendo que o ônus probatório da regularização documental compete ao importador. Assim, a apresentação da documentação exigida, dentre esta, o certificado de origem que ampare a mercadoria submetida a despacho, é pressuposto de validade do regime de tributação utilizado pelo importador. [...] Fl. 299DF CARF MF 8 Todavia as disposições acima não se aplicam à espécie dos autos, posto que, da documentação carreada aos autos, não se verifica a participação de um operador, nos moldes previstos na Resolução acima transcrita. A uma porque a falta de vinculação entre Certificado de origem e a fatura comercial, ilide a prova da intermediação de um operador de terceiro país. A única evidência extraída da documentação juntada pela autuada é de que houve participação de sociedade empresária situada nas Ilhas Cayman, que fatura e exporta para o Brasil mercadoria, para a qual se pretende aplicar preferências tarifárias pactuadas entre este e a Venezuela, com base nos Acordos firmados no âmbito da ALADI. A duas porque a alegada operação triangular não foi respaldada pelo Certificado de Origem, para efeito de gozo da redução tarifária, como exige a legislação. ” · Sendo assim, nesse caso, vêse claro que não há divergência entre os arestos, eis que se entendeu o Colegiado do acórdão paradigma que: ü A apresentação da documentação exigida, dentre esta, o certificado de origem que ampare a mercadoria submetida a despacho, é pressuposto de validade do regime de tributação utilizado pelo importador; ü A operação triangular não foi respaldada pelo Certificado de Origem, para efeito de gozo da redução tarifária, como exige a legislação · Ou seja, da mesma forma que o acórdão recorrido que entendeu que os documentos comprobatórios atestando a origem da mercadoria é essencial, tanto que após análise dos documentos comprobatórios, considerou a aplicação da redução tarifária. b. Ao Acórdão 30236741: · O Colegiado afastou a preferência tarifária, conforme voto do relator: Fl. 300DF CARF MF Processo nº 18336.001524/200512 Acórdão n.º 9303005.050 CSRFT3 Fl. 568 9 “[...] No processo ora em análise, aquele Imposto foi recolhido sem a redução tarifária e a empresa, posteriormente, vem requerer a devolução do valor supostamente recolhido a maior. Mas, em tese, a matéria acaba sendo a mesma. Neste caso específico, a devolução pleiteada foi indeferida (indeferimento mantido em primeira instância de julgamento) porque uma terceira empresa, a Pifco – Petrobrás Internacional Finance Company, sediada nas Ilhas Cayman, país não membro e nem signatário da ALADI, figurou como “exportadora” na Declaração de Importação, sendo que a empresa venezuelana PDVSA PETROLEO Y GAS SA aparece, apenas como “Fabricante/Produtor”. Ademais, a Fatura Comercial que consta dos autos foi emitida pela Pifco (Invoice nº PIFSB – 380/98 – fl. 11), enquanto que o Certificado de Origem indica a Fatura Comercial nº 419710 e, como país exportador, a Venezuela. Não foi apresentada qualquer outra fatura. O Conhecimento de Embarque também faz menção à empresa venezuelana PDVSA Petróleo Y Gás S.A., uma vez que a mercadoria veio diretamente da Venezuelana para o Brasil. ” · Sendo assim, nesse caso, vêse claro que não há divergência entre os arestos, vez que entendeu da mesma forma que o acórdão recorrido – que deverseia considerar os documentos comprobatórios para a aplicação da redução tarifária. Em vista de todo o exposto, por considerar que se tratam de entendimentos consonantes, entendo que não há que se conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 301DF CARF MF 10 Caso essa conselheira seja vencida quanto ao não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda, passo a analisar o cerne da discussão – qual seja, se, no caso vertente, devese ou não aplicar a preferência tarifária percentual. Contrarrazões devem ser consideradas, vez que tempestivas. Vêse que tal discussão se resume se a preferência tarifária deve ou não ser aplicada quando houver a interveniência de terceiro de país não signatária do Acordo Internacional ou se, independentemente da r. interveniência, deve ser adotada se a mercadoria for remetida diretamente do país produtor – Venezuela, no presente caso para o Brasil. Em relação à essa discussão e depreendendose da análise dos documentos comprobatórios acostados nos autos desse processo, entendo que assiste razão ao sujeito passivo. O que, por conseguinte, devese manter a decisão do acórdão recorrido. Ora, a preferência tarifária é dada pelo Acordo Internacional firmado entre os países signatários – permitindo a fruição da preferência a atos comerciais quando as mercadorias objeto da comercialização forem originárias dos países signatários. Tal Acordo, inclusive, permite a intermediação, desde que seja preservada a integridade da mercadoria. Tanto é assim que foi efetivamente prevista hipóteses de exceções no art. 4º, da Resolução ALADI/CR 78 – Regime Geral de Origem (RGO), aprovada pelo Decreto 98.836/90, in verbis: “CUARTO.Para que las mercancias originarias se beneficien de los tratamientos preferenciales, las mismas deben haber sido expedidas directamente del país exportador al país importador. Para tales efectos, se considera como expedición directa: a) Las mercancias transportadas sin pasar por el território de algún país no participante del acuerdo. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 18336.001524/200512 Acórdão n.º 9303005.050 CSRFT3 Fl. 569 11 b) Las mercancias transportadas en tránsito por uno o más países no participantes, com o sin transbordo o almacenamiento temporal, bajo la vigilancia de la autoridade aduanera competente em tales países, siempre que: i) el tránsito esté justificado por razones geográficas o por consideraciones relativas a requerimientos del transporte; ii) no estén destinadas al comercio, uso o empleo en el país de tránsito; y iii) no sufran, durante su transporte y depósito, ninguna operación distinta a la carga y descarga o manipuleo para mantenerlas en buenas condiciones o assegurar su conservación.” (Art. 40, “b”, (ii) da Resolução ALADI nº 78 – Regime Geral de Origem da Aladi) “Quarto – Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para esses efeitos, considerase como expedição direta: a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. b) As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes com ou sem transbordo ou armanezamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: (i) o Trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos de transporte; (ii) não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e (iii) não sofram durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para Fl. 303DF CARF MF 12 mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação.” Tal dispositivo traz que se deve manter a preferência tarifária, quando preservada a origem da mercadoria importada, ou, quando menos, seja possível comprovar tal preservação de origem. Ademais, cabe trazer que pelos documentos analisados, embora tivesse ocorrido a triangulação comercial, as mercadorias foram transportadas diretamente da Venezuela para o Brasil. E a mercadoria foi originada da Venezuela, conforme atesta o Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria juntamente com a fatura emitida no país interveniente, conhecimento de embarque, acostados aos autos. O que, por conseguinte, não resta dúvida de que as mercadorias eram, procedentes da Colômbia e que, por óbvio, foram atendidos os requisitos para que a importadora se beneficiasse do tratamento preferencial. Vêse que, no que tange à aceitação dos documentos comprobatórios apresentados pelo sujeito passivo, a própria Receita Federal do Brasil traz orientação em seu site http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/despachode importacao/topicos1/despachodeimportacao/documentosinstrutivosdo despacho/outrosdocumentos (Grifos meus): “Na importação de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, sua comprovação será feita por qualquer meio julgado idôneo, em conformidade com o estabelecido no correspondente acordo internacional (art. 563 do Regulamento Aduaneiro). Assim, quando solicitada aplicação de preferência tarifária, os despachos de mercadorias originárias de países signatários destes acordos devem ser instruídos com Certificados de Origem, emitidos por entidade competente.” Fl. 304DF CARF MF Processo nº 18336.001524/200512 Acórdão n.º 9303005.050 CSRFT3 Fl. 570 13 Ou seja, de que a comprovação da origem da mercadoria deve ser feita por qualquer documento idôneo. O que é o caso, haja vista que a própria autoridade fazendária não contesta sua não veracidade/oficialidade. Essa orientação está em consonância com o art. 434 do Regulamento Aduaneiro aplicável à época (Decreto 91.030/85), in verbis: “Art. 434. No caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idôneo. Parágrafo único – Tratandose de mercadoria importada de País Membro da Associação LatinoAmericana de Integração – ALADI, quando solicitada a aplicação de reduções tarifárias negociadas pelo Brasil, a comprovação constará de certificado de origem emitido por entidade competente, de acordo com modelo aprovado pela citada Associação.” O que, por conseguinte, é de se entender que não se deve descaracterizar as operações realizadas sob o pálio do tratamento tributário favorecido. E forçoso entender, assim, que as operações não atenderam ao disposto no art. 4º, letra “a”, da Resolução nº 78. Cabe, assim, concluir que os documentos emitidos e devidamente apresentados demonstram a correspondência da mercadoria e mantêm a rastreabilidade, permitindo identificar sem qualquer dúvida a origem da mercadoria. Pressuposto essencial para a aplicação da preferência tarifária. O fato de os produtos terem sido faturados em país que não é membro da ALADI, não desnatura o conceito de origem para fins de fruição do tratamento preferencial, pois o que importa é que o Certificado de Origem tenha sido emitido pelo país membro efetivo da ALADI Venezuela. E a carga veio diretamente para o país. Não tendo sido registrada a primeira compra e a revenda somente porque o sistema SISCOMEX impede tais registros. Fl. 305DF CARF MF 14 No que tange à operação triangular, vêse ainda que a Resolução 232, promulgada pelo Decreto 2.865/98, passou expressamente a admitila. E a Resolução 252 manteve o mesmo regramento explícito em seu art. 9º, in verbis: “Nono – Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, o campo correspondente do certificado não deverá ser preenchido. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação.” Em vista de todo o exposto, considerando que todas as condições estabelecidas na legislação vigente foram observadas pelo sujeito passivo, visto a comprovação da origem das mercadorias É fato incontroverso que o Certificado de Origem indica como País exportador a Venezuela, fazendo referência expressa à mercadoria acobertada (gasolina) pela fatura comercial de nº 1198920, que teria sido emitida naquele país. A fatura apresentada pelo importador, como documento de instrução da DI, foi a Pifco – fatura nº PIFSB1039/2000, emitida pela empresa PETROBRAS INTERNATIONAL FINANCE COMPANY PIFCO, localizada nas Ilhas Cayman, país não signatário do ACE 39, estando referida empresa qualificada na respectiva DI como exportadora. É de se trazer que constam dos autos todas as faturas (originária e do interveniente) o BL e o Certificado de Origem, todos ligados entre si. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 18336.001524/200512 Acórdão n.º 9303005.050 CSRFT3 Fl. 571 15 E, no que tange à descrição, cabe insurgir com o art. 1º do Acordo 91 do Comitê de Representantes da ALADI (Grifos meus): “Primeiro – A descrição dos produtos incluídos na Declaração que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições em vigor deverá coincidir com a que corresponde ao produto negociado, classificado de conformidade com a NALADI, e com a constante na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para seu despacho aduaneiro.” Tal dispositivo é claro ao trazer que a descrição dos produtos deverá coincidir com o produto negociado e com a fatura comercial que acompanha os documentos apresentados – o que é o caso. Proveitoso ainda mencionar que tal entendimento está consoante às decisões judiciais emanadas sobre o assunto. Frisese a jurisprudência exarada pelo TRF 1 (Grifos meus): PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – AGRAVO REGIMENTAL – LIMINAR/TUTELA ANTECIPADA – IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO – REDUÇÃO DA TARIFA EM RAZÃO DE ACORDO ENTRE PAÍSES MEMBROS DA ALADI – BENS COM ORIGEM E DESTINADOS A PAÍSES INTEGRANTES DA ALADI – TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO – BENEFÍCIO FISCAL GARANTIDO – PRECEDENTES. 1. In casu, é perfeitamente aplicável o disposto no art. 557, § 1ºA, do CPC, em face da manifesta sintonia da decisão agravada com a jurisprudência dominante neste eg. Tribunal e no colendo Superior Tribunal de Justiça. 2. Nessa perspectiva, "O art. 557, § 1ºA, do CPC, conferindo ao relator competência para dar provimento monocraticamente ao agravo, sem que isso signifique afronta ao princípio do contraditório, da ampla defesa, e/ou violação de normas legais, Fl. 307DF CARF MF 16 porque atende à agilidade da prestação jurisdicional, não se limita aos casos de prévia jurisprudência dominante ou súmulas das Cortes Superiores". (AGTAG 006897242.2009.4.01.0000/DF; Desembargador Federal Luciano Tolentino Amaral, Sétima Turma, Decisao de 23/02/2010, Publicado no eDJF1 de 12/03/2010, p. 465). 3. No caso vertente, o Juiz oficiante, ao justificar sua decisão, esclareceu que: "(...) encontramse nos autos cópias dos Conhecimentos de Transporte (Bills of Lading), que comprovam que os produtos foram embarcados da Venezuela e transportados diretamente para o Brasil." Com efeito, "Havendo"Certificado de Origen","Bill of Landing"e"Invoice"provando que o combustível importado é de origem venezuelana (país integrante da ALADI), despachado desse país diretamente para o Brasil (também integrante da ALADI), autorizase, em princípio, a redução da tarifa do Imposto sobre Importação , nos termos do Acordo de Complementação Econômica n.º 39 (ratificado pelo Decreto 3.138, de 16 AGO 1999)". (AG 006762940.2011.4.01.0000 / PA, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL LUCIANO TOLENTINO AMARAL, SÉTIMA TURMA, eDJF1 p.1087 de 21/09/2012).” E, nesse sentido, a jurisprudência exarada pelo TRF5 (Grifos meus): “EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTACAO. APRESENTAÇÃO DO CERTIFICADO DE ORIGEM. DOCUMENTO TIDO COMO INDISPENSÁVEL PELA NORMA FISCAL PARA CONCESSÃO DE BENEFÍCIO DE REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. RECONHECIMENTO DO TRATAMENTO DIFERENCIADO PELO DESPACHO ADUANEIRO. REVISÃO DO LANÇAMENTO POSTERIOR CALCADA EM FORMALIDADE EXARCEBADA SEM PREVISÃO EM LEI. IMPOSSIBILIDADE. 1. Embargos à execução visando afastar a cobrança de débito fiscal constituído por auto de infração lavrado com base no Fl. 308DF CARF MF Processo nº 18336.001524/200512 Acórdão n.º 9303005.050 CSRFT3 Fl. 572 17 indeferimento da redução da alíquota do Imposto de Importação em 28% (vinte e oito por cento), incidente sobre produto originário da Colômbia em razão de benefício previsto nas regras inerentes à Associação LatinoAmericana de Integração ALADI. A Alfândega, num primeiro momento, examinou a documentação apresentada na Declaração de Importação, considerandoa hábil ao desembaraço aduaneiro com a redução da alíquota pretendida, o que resultou na liberação da mercadoria sem nenhuma questinamento. Depois, a Autoridade Fiscal procedeu à revisão do lançamento, com fundamento no art. 149, IV, do Código Tributário Nacional, considerando que o despacho de importação não se encontrava instruído com documento necessário, na espécie o original do Certificado de Origem. 2. O Certificado de Origem é documento essencial à obtenção de tratamento fiscal diferenciado na importação, nos termos pretendido pelo ora apelante. 3. O art. 434 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, o qual vigia a época da importação, estabelece que a comprovação da origem da mercadoria "será feita por qualquer meio julgado idôneo". O Auditor que revisou o lançamento não afirma que o documento apresentado é inverossível e nem indica qualquer vício que possa afastar a indoneidade do Certificado de Origem apresentado, mas apenas se apegou em mera formalidade exacerbada de que não constava o original do documento, exigência essa que, aliás, não tem previsão expressa na legislação que rege a matéria. 4. Não é razoável a exigência feita pela Autoridade Fiscal para conceder o tratamento tributário diferenciado, uma vez que não há nenhuma cogitação de que o bem importado não adveio de país membro da ALADI, nem que o documento é inidôneo ou ainda que não se adequa ao modelo aprovado pela própria Associação. 5. A Alfândega já havia examinado a documentação apresentada na Declaração de Importação, concluindo, na Fl. 309DF CARF MF 18 ocasião, que havia preenchido os requisitos para concessão da redução da alíquota do imposto de importacao por ter a mercadoria origem de país membro da ALADI. 6. Se é verdade que o ato a revisão do lançamento goza de presunção relativa de legitimidade e veracidade, também é verdade que o primeiro ato da administração, que, ao proceder ao desembaraço aduaneiro, considerou correta a documentação apresentada, também o goza da mesma presunção. Desse modo, como não é questionado nos autos o fato de a mercadoria ter sido mesmo proveniente de país intergrante da ALADI (Colômbia), o contribuinte não pode ser prejudicado no caso em questão. 7. A Fazenda Nacional poderira ter trazido aos autos elementos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor (art. 333, II, do CPC), mas não o fez. 8. Inversão do ônus da sucumbência. Honorários de sucumbência arbitrados em R$ 2.000,00, nos termos do art. 20, § 4º, do CPC. 9. Apelação provida. Tal decisão caminha junto com o meu entendimento – qual seja, de que o Regulamento Aduaneiro estabelece que a comprovação da origem da mercadoria "será feita por qualquer meio julgado idôneo". E ainda traz que o Auditor que revisou o lançamento não afirma que o documento apresentado é inverossível e nem indica qualquer vício que possa afastar a idoneidade do Certificado de Origem apresentado, mas apenas se apegou em mera formalidade exacerbada de que não constava o original do documento, exigência essa que, aliás, não tem previsão expressa na legislação que rege a matéria. É de se conferir ainda precedente do STJ (Grifos meus): “RECURSO ESPECIAL Nº 1.331.366 CE (2012/01334579) RELATOR : MINISTRO HERMAN BENJAMIN RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS Fl. 310DF CARF MF Processo nº 18336.001524/200512 Acórdão n.º 9303005.050 CSRFT3 Fl. 573 19 ADVOGADO : CANDIDO FERREIRA DA CUNHA LOBO E OUTRO(S) DECISÃO Tratase de Recurso Especial (art. 105, III, "a", da CF) interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região assim ementado: TRIBUTÁRIO E INTERNACIONAL. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA ORIGINÁRIA DE PAÍS MEMBRO DA ALADI. TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO. BENEFÍCIO FISCAL GARANTIDO. 1 A PETROBRAS PETRÓLEO BRASILEIRO S/A ajuizou a presente ação de rito ordinário contra a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), objetivando a repetição de valores supostamente recolhidos a maior a título de Imposto de Importação, relativamente a operações de importação de produtos derivados do petróleo de origem venezuelana. Segundo afirma, a antiga SRC Secretaria da Receita Federal desconsiderou a existência do Acordo de Alcance Parcial de Complementação Econômica n 027 (Decreto n. 1381, de 30/01/1995), celebrado entre o Brasil e a Venezuela, ao amparo do disposto no Tratado de Montevidéu 1980 e da Resolução 2 do Conselho de Ministros da Associação Latino Americana de Integração (ALADI), e o Acordo de Preferências Tarifárias Regional n' 04 (PTR04), assinado pelos países membros da ALADI, que reduziram a alíquota do Imposto de Importação para 12% (doze por cento). II O Acordo n 91 do Comitê de Representantes, em sua redação originária, assim como a Resolução n. 78, esta em relação à Venezuela, não vedava a compra de produto de país signatário com interveniência de terceiros, com a finalidade de se fazer a alavancarem financeira da operação de importação, e sem o trânsito efetivo da mercadoria por esse terceiro país. No caso dos autos, os produtos foram comprados pela PETROBRAS na Venezuela, revendidos a empresas subsidiárias (Petrobrás Intemational Finance Company PIFCO e Braspetro Oil Services Fl. 311DF CARF MF 20 Co. BRASOIL), localizadas em terceiro pais não integrante da ALADI, no caso Ilhas Cayman, sem que, entretanto, tenha sido efetivamente transitado por este país. III O fato de os produtos terem sido faturados pelas subsidiárias da PETROBRAS nas Ilhas Cayman, país que não é membro da ALADI, não desnatura o conceito de origem para fins de fruição do tratamento preferencial, pois o que importa é que o Certificado de Origem tenha sido emitido pelo país produtor, no caso, a Venezuela, membro efetivo da ALADI. IV Apelação provida. Repetição do indébito garantida, com atualização pela SELIC. Honorários advocatíciosfixados em R$ 2.000, 00 (dois mil reais). Os Embargos de Declaração foram parcialmente acolhidos, rejeitandose a alegação de prescrição. A recorrente sustenta, em Recurso Especial, violação do art. 535 do CPC, com base na não apreciação da matéria ventilada nos Embargos de Declaração. Aduz ofensa aos arts. 23, II e §§ 2º, II, e 4º, I, do Decreto 70.235/72 e 195 do DecretoLei 5.884/43. Memorial apresentado pelo recorrido. É o relatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 11.10.2014. A irresignação não merece prosperar. O Tribunal de origem, ao decidir a questão, consignou (fls. 636/STJ): No que tange à alegação de prescrição do direito de pleitear a nulidade do lançamento, assim como de requerer a repetição do indébito tributário, verificase que, de fato, o acórdão foi omisso, por se tratar de matéria sobre a qual deveria ter havido manifestação de oficio. A FAZENDA NACIONAL defende que, a PETROBRAS teria sido notificada do lançamento em 12/07/1999, razão pela qual somente poderia ter, ajuizado a ação pleiteando a nulidade do lançamento até 12/07/2004. Fl. 312DF CARF MF Processo nº 18336.001524/200512 Acórdão n.º 9303005.050 CSRFT3 Fl. 574 21 Sem embargo, a cópia do AR Aviso de Recebimento (fi. 243), ao meu sentir, não é suficiente para comprovar a data da comunicação do lançamento do tributo, porquanto se encontra firmado por recebedor não identificado. Rejeito, pois, a alegação de prescrição da pretensão de anular o ato de lançamento. (Grifei). Extraise do excerto acima transcrito e dos termos do Recurso Especial que o acolhimento da pretensão recursal é obstado pelo disposto na Súmula 7/STJ, porquanto implica reexame dos elementos probatórios de regularidade da notificação. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial. Publiquese. Intimemse. Brasília (DF), 1º de abril de 2014. MINISTRO HERMAN BENJAMIN Relator” Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. Tatiana Midori Migiyama Relatora Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza Redator Discordamos da il. Relatora. Entendemos que o recurso especial deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão recorrido decidiu que, no caso examinado, a divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial não prejudicou a verificação da certificação de origem – daí entendeu aplicável o favor fiscal –, o acórdão recorrido, analisando idêntica operação de triangulação praticada pela mesma contribuinte, chegou a uma conclusão oposta, ou seja, que não era de se aplicar o benefício fiscal. A divergência, portanto, é patente. Fl. 313DF CARF MF 22 Ante o exposto, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 314DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000648/2007-77
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 01/01/1996, 01/06/1996
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA.
Tendo em vista a Súmula Vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal, que declarou inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, não ha como conhecer a divergência jurisprudencial suscitada
Numero da decisão: 9303-004.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Erika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Erika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello.
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REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA. Tendo em vista a Súmula Vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal, que declarou inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, não ha como conhecer a divergência jurisprudencial suscitada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Erika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 06 48 /2 00 7- 77 Fl. 1646DF CARF MF 2 Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, contra o Acórdão n.º 10321.576, que por maioria de votos, reconheceu a decadência do lançamento do PIS assim ementado: MPF. PRORROGAÇÃO DE PRAZO. Na hipótese de prorrogação tempestiva do prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal, a legislação prevê a manutenção da mesma autoridade fiscal responsável pela execução do mandato prorrogado. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento tributário nos casos de tributos enquadrados na modalidade "homologação". PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao Fisco, como regra geral, comprovar a ocorrência do fato gerador tributário. OMISSÃO DE RECEITAS. DIVERSAS PRESUNÇÕES. Duas ou mais omissões de receitas identificadas com base em presunções podem ter origem no mesmo fato e significar múltipla e indevida imposição tributária. Cabe à Fiscalização demonstrar inocorrência de tal hipótese ou, não logrando fazê lo, apontar a que melhor reflete o montante da receita subtraída da tributação, excluindo as demais. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. A demonstração da ocorrência de saldo credor de caixa autoriza a presunção de omissão de receitas, resguardada ao contribuinte a apresentação de prova contrária. Fl. 1647DF CARF MF Processo nº 11516.000648/200777 Acórdão n.º 9303004.923 CSRFT3 Fl. 1.647 3 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO DAS INFRAÇÕES. A lavratura do auto de infração deve contemplar clara descrição das infrações nele indicadas. DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. A despesa é dedutível desde que necessária à atividade da pessoa jurídica, relativa à contraprestação de algo recebido e comprovada com documentação hábil e idônea. MULTA QUALIFICADA. A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude. Contra essa decisão a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, fls. 598 a 609, na parte em que foi dado provimento, por decadência, o lançamento das contribuições ao PIS e COFINS, quanto aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e junho de 1996. Alega que o Acordão merece reforma, visto que a legislação tributária de regência da matéria foi flagrantemente violada, precisamente o art. 45 da Lei n.º 8.212/91, que dispõe o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições sociais para a seguridade social e requer a nulidade do r. acórdão recorrido, que extrapolou a competência reservada ao colegiado administrativo ao julgar inconstitucional o art. 45 da Lei 8.212/91. O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foi admitido, conforme Despacho às fls. 1058. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que não deva ser admitido, ainda que o Recurso seja tempestivo, pelos motivos a seguir. Fl. 1648DF CARF MF 4 O Recurso Especial insurgese quanto aplicação do prazo decadencial, se do art. 45 da Lei n.º 8.212/91 (dez anos) ou do §4º, do art. 150 ou pelo art. 173, I, ambos do CTN Código Tributário Nacional (5 anos). Entendo que o Recurso da Fazenda não deva ser conhecido, em razão da declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal, ao julgar os recursos extraordinários nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante STF n.º 08, indubitável estarse diante de hipótese de aplicação do prazo decadencial de 5 (cinco) do Código Tributário Nacional: Súmula Vinculante STF nº 08 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. Assim, diante da declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/91 e a súmula do Judiciário, não há em que se falar em divergência jurisprudencial, como suscitado pela Fazenda Nacional. Portanto, voto pelo não conhecimento do Recurso da Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 1649DF CARF MF
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Numero do processo: 16539.720016/2014-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1401-000.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, indeferir o pedido de sustentação oral por já ter havido sustentação oral com esta mesma composição em outras sessões, vencidos os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Livia De Carli Germano e José Roberto Adelino da Silva. Por unanimidade de votos, resolvem converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora
(assinado digitalmente).
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, indeferir o pedido de sustentação oral por já ter havido sustentação oral com esta mesma composição em outras sessões, vencidos os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Livia De Carli Germano e José Roberto Adelino da Silva. Por unanimidade de votos, resolvem converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora (assinado digitalmente). Antonio Bezerra Neto - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e José Roberto Adelino da Silva.
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, indeferir o pedido de sustentação oral por já ter havido sustentação oral com esta mesma composição em outras sessões, vencidos os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Livia De Carli Germano e José Roberto Adelino da Silva. Por unanimidade de votos, resolvem converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora (assinado digitalmente). Antonio Bezerra Neto Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e José Roberto Adelino da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 39 .7 20 01 6/ 20 14 -1 6 Fl. 20428DF CARF MF Processo nº 16539.720016/201416 Resolução nº 1401000.449 S1C4T1 Fl. 20.429 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão 0958.069 1ª Turma da DRJ/JFA que julgou integralmente procedente o lançamento de ofício do IRPJ e da CSLL. O relatório do acórdão da DRJ bem descreve todo o ocorrido até aquele momento: Em nome da interessada foram lavrados autos de infração de IRPJ e CSLL, no valor total de R$ 16.133.884,97, com juros de mora calculados até dezembro de 2014. Os tributos exigidos correspondem aos valores discriminados, sobre os quais ainda incidem multa de ofício no percentual de 112,50% e juros de mora: Na “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)” constante do Auto de Infração de IRPJ, a fiscal autuante relatou o seguinte: 001 – ADIÇÕES – PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA CUSTOS/ DESPESAS/ ENCARGOS – BENS/ SERVIÇOS/ DIREITOS ADQUIRIDOS NO EXTERIOR DE PF/PJ – PAÍS COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA Valor de ajuste decorrente da aplicação de métodos de preços de transferências, relativamente a seus custos, despesas e encargos de importação de bens, serviços e direitos adquiridos de PF/PJ residente ou domiciliada em país com tributação favorecida, não adicionado ao Lucro Líquido do período, para a determinação do Lucro Real, conforme relatório fiscal em anexo. [...] ENQUADRAMENTO LEGAL Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009 art. 3º da Lei nº 9.249/95 Arts. 241, 242, 247 e 249, inciso I, do RIR/99 O lançamento de CSLL é reflexo do realizado para o IRPJ. No Termo de Verificação Fiscal TVF, parte integrante dos autos de infração, às fls. 5.017/5.086, o auditor fiscal, em resumo, assim se pronunciou: 4 DAS SOLICITAÇÕES DE ESCLARECIMENTOS, DOCUMENTOS E ARQUIVOS DIGITAIS 4.1 Termo de Início de Ação Fiscal A ação fiscal iniciouse em 19/08/2013 (Anexo Termo de Início de Ação Fiscal), data em que o Contribuinte tomou ciência, do Termo de Início de Ação Fiscal (TIAF), pelo qual foi intimado a apresentar os seguintes esclarecimentos, documentos e arquivos digitais acerca da correta aplicação da Fl. 20429DF CARF MF Processo nº 16539.720016/201416 Resolução nº 1401000.449 S1C4T1 Fl. 20.430 3 metodologia de Preço de Transferência, adotada no Brasil, para controle de preços nas operações de importação de bens efetuadas pelo Contribuinte com empresas relacionadas ou com empresas sediadas em países com tributação favorecida, ocorridas no anocalendário de 2009. [...] 4.2 Intimações 01 a 09 – Sucessivas prorrogações de prazo Da leitura do parágrafo 3º do parecer dos auditores independente (Demonstrações Auditadas, entregue como anexo à Resposta à Intimação de 04/04/2014) constatouse que o Contribuinte “não preparou cálculos e estudos internos adequados para evidenciar a conformidade com a legislação fiscal com relação às regras de preços de transferência” (original não grifado). A ausência deste controle de preços de transferência foi confirmada por esta Fiscalização em função dos sucessivos pedidos de prorrogação atendidos no período de 19/08/2013 a 04/04/2014, totalizando 225 dias até a entregue dos primeiros documentos e esclarecimentos para análise. [...] 4.3 Intimação 10 Após análise dos documentos e arquivos digitais entregues, esta Fiscalização, por meio do Termo de Intimação Fiscal (TIF) 10 (Anexo Termo de Intimação nº 10 em 04042014), constatou que, transcorridos mais de 200 (duzentos) dias da lavratura do Termo de Início do Procedimento Fiscal em 19/08/2013, o Contribuinte ainda não prestou os esclarecimentos nem apresentou os documentos e arquivos digitais solicitados relativos ao controle de Preços de Transferência aplicados pela empresa nas importações realizadas no ano base de 2009 e que foram objeto de sua DIPJ 2010 anocalendário 2009. Neste mesmo TIF 10, a Fiscalização prorrogou o prazo para atendimento às pendências de atendimento ao TIF 09 e acrescentou as seguintes solicitações: [...] 4.5 Intimação 13 – As constatações relatadas acima foram passadas a termo e o Contribuinte foi novamente intimado (Anexo Termo de Intimação Fiscal nº 13 em 030602014) a prestar os esclarecimentos e a fornecer os documentos e arquivos digitais a seguir. [...] 4.5.2 Análise da Fiscalização Analisados os esclarecimentos prestados e os documentos e arquivos digitais entregues, esta Fiscalização constatou o que segue. a) Confronto entre versões das memórias de cálculo – sem alteração de método de PT Efetuouse um confronto entre as memórias de cálculo dos produtos apresentados em 24/04/2014 (versão 1) com as memórias de cálculo dos produtos apresentados em 29/07/2014 (versão 2) e verificouse que para 34 produtos não houve alteração no método de controle de PT adotado. [...] b) Confronto entre versões das memórias de cálculo – com alteração de método de PT Do confronto entre as memórias de cálculo dos produtos apresentados (versão 1 x versão 2) verificouse que para 3 produtos houve alteração no método de controle de PT adotado. [...] Fl. 20430DF CARF MF Processo nº 16539.720016/201416 Resolução nº 1401000.449 S1C4T1 Fl. 20.431 4 c) Confronto entre versões das memórias de cálculo – inclusão de produtos identificados pela Fiscalização Do confronto entre as memórias de cálculo dos produtos apresentados (versão 1 x versão 2) verificouse que 11 produtos foram incluídos nas memórias de cálculo de controle de PT, após a Fiscalização identificálos em análise de documentação entregue. [...] d) Confronto entre versões das memórias de cálculo – inclusão de produtos importados em 2008 identificados pelo Contribuinte Do confronto entre as memórias de cálculo dos produtos apresentados (versão 1 x versão 2) verificouse que 19 produtos foram incluídos nas memórias de cálculo de controle de PT pelo Contribuinte uma vez que estes produtos foram importados no ano calendário de 2008, não sofreram importações no anocalendário de 2009 mas foram levados a custo neste mesmo ano calendário de 2009. [...] e) Confronto entre versões das memórias de cálculo – exclusão de produtos pelo Contribuinte Do confronto entre as memórias de cálculo dos produtos apresentados (versão 1 x versão 2) verificouse que 06 produtos foram excluídos pelo Contribuinte sob a alegação de que os mesmos, apesar de importados no anocalendário de 2009, não foram consumidos em 2009. Contudo, esta Fiscalização, após analisar as memórias de cálculo destes produtos, fornecidas pelo Contribuinte em 24/04/2014 (versão 1), sobretudo as informações de Consumo, Composição do Consumo e Vendas, constatou que houve sim consumo destes produtos importados em 2009. [...] 4.6 Intimações 18 e 19 – Em atenção ao pedido de prorrogação para entrega dos Documentos Fiscais conforme ADE COFIS nº 25/2010 (IN 86/2001) foram emitidos os Termos de Intimação Fiscal nos 18 e 19 (Anexos Termo de Intimação Fiscal nº 18 em 21072014 e Termo de Intimação Fiscal nº 19 em 11082014). 4.7 Intimações 20 e 21 – Considerando a inclusão nas memórias de cálculo de 19 produtos importados em 2008, sem importações em 2009 e levados a custo em 2009 e a necessidade de calcular os preços praticados destes produtos a partir das Declarações de Importações ocorridas em 2008, bem como a conduzir a verificação da agregação de valores nos produtos importados submetidos o método PRL20% mediante às operações de acondicionamento em embalagens e rotulagens, o Contribuinte foi intimado (Anexos Termo de Intimação Fiscal nº 20 em 22082014 e Termo de Intimação Fiscal nº 21 em 15092014) a prestar os esclarecimentos e a fornecer os documentos e arquivos digitais a seguir. [...] 4.8 Intimação 22 Após análise dos esclarecimentos, documentos e arquivos digitais entregues, esta Fiscalização, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 22, (Anexo Termo de Intimação nº 22 em 29092014), solicitou novamente os mesmos elementos anteriormente solicitados no TIF 21. [...] 4.8.2 Análise da Fiscalização Analisados os esclarecimentos prestados e os documentos e arquivos digitais entregues, esta Fiscalização constatou o que segue. Fl. 20431DF CARF MF Processo nº 16539.720016/201416 Resolução nº 1401000.449 S1C4T1 Fl. 20.432 5 a) O Contribuinte efetuou importações de produtos de empresas consideradas vinculadas no anocalendário de 2008 que foram trazidos a custos no anocalendário de 2009, influenciando assim o resultado deste ano base. Estes produtos não sofreram importações no ano base de 2009. Para que esta Fiscalização efetue o cálculo correto do preço praticado destes produtos fazse necessário identificar todas as Declarações de Importações (DI´s) que suportaram as importações destes produtos realizadas em 2008 de empresas vinculadas, uma vez que no ano base de 2009 não houve importações destes produtos. b) No cálculo dos preços praticados dos produtos, efetuados pelo Contribuinte, somente são considerados os produtos importados de vinculadas que foram consumidos (levados a custo) no anocalendário de 2009, o que se constituiu num entendimento equivocado, por parte do Contribuinte, da legislação que rege o tema. A legislação de preços de transferência preceitua que sejam considerados, no cálculo dos preços praticados, a totalidade das importações ocorridas no anocalendário de 2009, além dos valores e quantidades existentes nos estoques iniciais destes produtos no referido ano calendário de 2009. c) Da leitura do parágrafo 3º do parecer dos auditores independente (Demonstrações Auditadas, entregue como anexo à Resposta à Intimação de 04/04/2014) constatase que o Contribuinte não “não preparou cálculos e estudos internos adequados para evidenciar a conformidade com a legislação fiscal com relação às regras de preços de transferência” (original não grifado). A ausência deste controle de preços de transferência foi confirmada em função dos sucessivos pedidos de prorrogação atendidos por esta Fiscalização no período de 19/08/2013 a 04/04/2014, totalizando 225 dias até a entregue dos primeiros documentos e esclarecimentos sobre o assunto. Foi confirmada pela Contribuinte a contratação de uma consultoria para execução dos cálculos de controle de preço de transferência no anocalendário de 2009. d) Intimada a identificar nas Declarações de Importações de 2008 (arquivo SYSCOMEX fornecido pela Fiscalização) todos os produtos importados de empresas vinculadas, o Contribuinte se recusou a fazêlo, alegando que não dispõe das informações detalhadas relativas às operações de 2008 especificamente no formato solicitado (Resposta à Intimação em 07/10/2014). O Contribuinte também se recusou a fornecer as informações das quantidades e valores contidos nos estoques inicial e final dos produtos importados de empresas vinculadas em 2008. Limitouse a apresentar os seus cálculos dos preços praticadas considerando apenas as quantidades dos produtos importados de vinculadas em 2008 que efetivamente foram consumidos em 2009, desprezando a metodologia preconizada na legislação de preço de transferência vigente no período em questão. Tal metodologia exige, no cálculo do preço praticado, que se considere a totalidade dos produtos importados de vinculada no ano de 2008 e as quantidades e valores dos respectivos estoques iniciais de 2008, mesmo que os mesmos tenham sido levados a custos em 2009. Desta forma, é obrigação legal do Contribuinte a guarda das informações e documentos de 2008 (Declarações de Importações e estoques) uma vez que estes repercutiram em lançamentos contábeis que influenciaram o lucro do exercício de 2009. [...] f) O Contribuinte não apresentou os demonstrativos da composição dos custos dos produtos submetidos ao método PRL 20% do controle de preços de transferência no formato exigido pela Fiscalização, alegando que submeteu ao PRL20% estritamente os produtos que foram revendidos em suas apresentações originais de importação. 4.9 Intimações 24 e 25 – Efetuadas as constatações listadas acima, esta Fiscalização, por meio dos Termos de Intimação Fiscal (TIF´s) 24 e 25 (Anexos Termo Fl. 20432DF CARF MF Processo nº 16539.720016/201416 Resolução nº 1401000.449 S1C4T1 Fl. 20.433 6 de Intimação Fiscal nr 24 em 23102014 e Termo de Intimação Fiscal nr 25 em 03112014), intimou novamente o Contribuinte a apresentar os mesmos elementos dos TIF´s 20, 21, 22 e 23. [...] 4.9.2 Considerações da Fiscalização Analisados os esclarecimentos prestados e os documentos e arquivos digitais entregues, esta Fiscalização constatou o que segue. a) Planilha SISCOMEX 2008 – identificação dos produtos O Contribuinte informa que a planilha do Anexo COMPRAS 2008 CASTROL entregue contém as informações detalhadas de todas as importações realizadas no anocalendário de 2008. Contudo, esta planilha representa um pequeno extrato de informações que não se prestam ao cálculo dos preços praticados segundo a metodologia preconizada na legislação de controle de preços de transferência. b) Estoques inicial e final de 2008 – quantidades e valores O Contribuinte informa que a planilha do Anexo Estoque Castrol entregue contém as informações de estoque relativas ao anocalendário de 2008. Contudo, esta planilha não contém as informações das quantidades e valores dos estoques inicial e final dos produtos do ano base de 2008 conforme se pode verificar no extrato desta planilha reproduzido abaixo pela Fiscalização. [...] c) Controles de custos nas operações de acondicionamento em embalagens e rotulagens O Contribuinte novamente deixa de apresentar as planilhas de custos relativas aos produtos importados de vinculadas submetidos ao controle de preços de transferência pelo método PRL 20%. Informa que o prazo estipulado na intimação não foi suficiente para elaborar um levantamento de custo com o nível de detalhamento solicitado. Contudo, o Contribuinte não solicitou prorrogação do referido prazo nem apresentou as informações existentes em seus sistemas de custeio, para comprovar a inexistência de controle de custos nas operações de acondicionamento em embalagens e rotulagens dos produtos. d) Retirada de 06 produtos das memórias de cálculo do controle de preços de transferência – O Contribuinte informa apenas que após uma nova análise do cálculo foram identificadas algumas inconsistências reparadas através do envio de novas memórias de cálculo, onde os 6 produtos ("3333929", "3337483", "3358934", "3362932", "3366893" e "3834960") foram retirados sob a alegação de ausência de consumo. Contudo, o Contribuinte não identifica as inconsistências encontradas nem explica as informações de consumo contidas nas pastas de Consumo, Composição do Consumo e Vendas destes 06 produtos entregues pelo próprio Contribuinte nas memórias de cálculo originárias. Tais informações de consumo destes 06 produtos foram confirmadas pela Fiscalização através das Notas Fiscais Eletrônicas (NFe) – Anexo NFe de consumo dos 6 produtos retirados do cálculo extraídas do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), uma vez que o Contribuinte até o encerramento da presente Ação Fiscal não apresentou suas notas fiscais de saída/entrada, emitidas no ano de 2009, solicitadas na forma de documentos fiscais desde 04/04/2014 (item 13 do TIF 10). 5 INFORMAÇÕES NA DIPJ E LALUR – PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA – OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÕES AJUSTES 5.1 Preço de Transferência – Ausência de adição na Parte A do LALUR [...] Fl. 20433DF CARF MF Processo nº 16539.720016/201416 Resolução nº 1401000.449 S1C4T1 Fl. 20.434 7 6 IDENTIFICAÇÃO DOS PRODUTOS NAS DECLARAÇÕES DE IMPORTAÇÕES CONTIDAS NO SISCOMEX 6.1 Identificação do produto importado e revisão da vinculação na planilha SISCOMEX – [...] 7 DAS OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÕES EFETUADAS COM PESSOAS JURÍDICAS CONSIDERADAS VINCULADAS – MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO COM MARGEM DE 20% PRL 20% [...] 8 DAS OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÕES EFETUADAS COM PESSOAS JURÍDICAS CONSIDERADAS VINCULADAS – MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO COM MARGEM DE 60% PRL 60% [...] 8.2 PRL 60% Preço Médio Ponderado Praticado Cálculo da Fiscalização [...] 8.3 PRL60% Preço Médio Ponderado Parâmetro de cada Insumo em relação ao respectivo produto acabado Cálculo da Fiscalização 8.3.1 Para o cálculo dos preços parâmetros dos insumos importados é utilizada a margem de lucro de 60% porque os bens importados de pessoas vinculadas foram utilizados na produção de outros produtos da linha de produção do Contribuinte. Há na metodologia determinada pela Instrução Normativa SRF nº 243/2002, no parágrafo 11, do art. 12, uma relação intrínseca entre o custo de importação do insumo importado e o custo de produção do bem produzido. 8.3.2 PRL60% Vendas dos produtos acabados – O Contribuinte em sua resposta à intimação de 29/07/2014 apresentou suas planilhas de vendas dos produtos acabados em cuja linha de produção foram utilizados produtos importados de vinculadas (insumos) no anocalendário de 2009 (pasta Vendas no Anexo Item 12 Memórias de Cálculo PRL60). 8.3.3 PRL60% Preço parâmetro conforme IN SRF no 243/02 – As planilhas que relacionam as vendas de produtos acabados que utilizaram insumos importados de vinculadas, apresentadas em atendimento aos Termos de Intimação, foram analisadas e trabalhadas objetivando a separação por produto e a totalização das quantidades vendidas; do valor das vendas; do valor dos descontos concedidos; dos valores do ICMS, do PIS e da Cofins; e do valor das comissões e corretagens. O preço médio ponderado parâmetro, por insumo, para o PRL 60% é calculado também seguindo as determinações da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, a saber: • O preço líquido de venda unitário é obtido subtraindose do valor total das vendas do produto acabado o valor total dos: descontos concedidos; do ICMS; do PIS; da Cofins; e, das comissões e corretagens. O preço de venda líquido total assim obtido é dividido pela quantidade total vendida; • O percentual de participação do insumo importado no custo total do produto final é a relação percentual entre o custo do insumo importado da pessoa vinculada e o custo total do bem produzido; Fl. 20434DF CARF MF Processo nº 16539.720016/201416 Resolução nº 1401000.449 S1C4T1 Fl. 20.435 8 • A participação do insumo importado no preço líquido de venda do produto final é obtida aplicandose o percentual de participação apurado conforme o item anterior, sobre o preço líquido de venda unitário; • A margem de lucro é obtida aplicandose a margem de lucro de 60%, determinada pela IN SRF nº 243/2002, sobre a participação do insumo importado no preço líquido de venda do produto final, conforme apurado no item anterior; • O preço parâmetro é obtido subtraindose da participação do insumo importado no preço líquido de venda do produto final o valor da margem de lucro calculado. 8.3.4 PRL60% Preço parâmetro – A apuração dos preços parâmetros de cada insumo importado (matéria prima) em relação ao respectivo produto acabado comercializado está demonstrada nas memórias de cálculo contidas nos seguintes anexos: • Anexo PRL60 Produto usado exclusivamente como insumo –Relação de insumos importados de vinculadas e respectivos produtos acabados em que são utilizados como matéria prima; • Anexo PRL60 Preço Parâmetro Vendas Detalhes – Relação das vendas segregadas por produto acabado onde os insumos foram utilizados; • Anexo PRL60 Preço Parâmetro Vendas Totais – Consolidação das vendas demonstrando, para cada produto acabado, a quantidade total vendida, o preço líquido de venda, o preço líquido de venda unitário e o custo total de produção do produto vendido; • Anexo PRL60 Perc Part MP Importada no Custo do PA –Cálculo do percentual de participação do custo do insumo importado no custo total do produto acabado vendido; Anexo PRL60 Partic MP Imp no Prç Líq Vda Unitário – Cálculo da participação do insumo importado no preço líquido de venda unitário do produto acabado, da margem de lucro de 60% e do preço parâmetro do insumo importado em relação ao produto acabado vendido. 8.3.5 PRL60% Preço parâmetro – ponderação – Como pode ser verificado nas memórias de cálculo contidas nos anexos listados acima, um mesmo insumo importado foi utilizado na produção de produtos acabados diferentes. Deste modo, foram apurados tantos preços parâmetros quantos foram os produtos acabados produzidos. Conforme podemos depreender das normas de controle de preços de transferência, para cada insumo importado corresponde um único preço parâmetro. Deste modo, fizemos a ponderação de cada um dos preços parâmetros obtidos pela quantidade consumida do insumo importado na produção do respectivo produto acabado (Anexos PRL60 Ponderação Prçs Parâmetros MP Detalhes e PRL60 Ponderação Prçs Parâmetros MP Totais). [...] 8.3.6 PRL60% Dos insumos que demonstram preços praticados superiores aos preços parâmetros – [...] 8.3.7 PRL60% Da apuração das quantidades consumidas para efeitos de ajustes – [...] 8.3.8 PRL60% Da apuração dos ajustes a serem efetuados – [...] Fl. 20435DF CARF MF Processo nº 16539.720016/201416 Resolução nº 1401000.449 S1C4T1 Fl. 20.436 9 9 DAS OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÕES EFETUADAS COM PESSOAS JURÍDICAS CONSIDERADAS VINCULADAS – CONJUGAÇÃO DOS MÉTODOS DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO COM MARGENS DE 20% E 60% PRL 20% E PRL 60% [...] 10 Do lançamento do Crédito Tributário 10.1 Os valores dos ajustes a serem adicionados ao lucro real (LR) e à base de cálculo da CSLL correspondem às diferenças entre os ajustes totais individuais apurados pela Fiscalização para os produtos submetidos ao controle de preços de transferência avaliados pelos métodos Preço de Revenda Menos Lucro com margem de 20% (PRL 20%), Preço de Revenda Menos Lucro com margem de 60% (PRL 60%) e à conjugação destes 02 (dois) métodos, conforme descrito acima. Tais diferenças individualizadas por produto estão relacionadas nos demonstrativos de apuração de ajustes para os métodos PRL 20%, PRL 60% e a conjugação dos 02 (dois) métodos (PPRL 60% e PRL 20%), cujos valores finais estão reproduzidos na tabela abaixo. Valor total do ajuste PRL 20% 148.612,96 Valor total do ajuste PRL 60% 19.333.911,03 Valor total do ajuste conjugação dos métodos PRL 60% e PRL 20% 6.713.253,37 _________________________________________________________________ Valor total do ajuste apurado pela Fiscalização 26.195.777,36 Valor total do ajuste apurado pelo Contribuinte (DIPJ 2010 AC 2009) 0,00 ================================================ VALOR TOTAL DO AJUSTES A SER EFETUADO 26.195.777,36 [...] 11 Da não entrega de arquivos digitais – inobservância de obrigação acessória – agravamento da penalidade legal – multa de ofício de 75% aumentada pela metade 11.1 Arquivos digitais dos Documentos Fiscais O Contribuinte declarou em sua DIPJ 2010 AC 2009 (ND nº 1063416) que faz sua escrituração através de processamento eletrônico de dados. Desta forma, o mesmo foi intimado sucessivas e diversas vezes a apresentar os arquivos digitais dos Documentos Fiscais (capítulo 4.3 do ADE nº 25/2010) e alguns Arquivos Auxiliares (capítulo 4.9 do ADE nº 25/2010) relativos às competências de janeiro/2009 a dezembro/2009, conforme descrito no Ato Declaratório Executivo nº 25, de 07/06/2010 (DOU de 09/06/2010), relacionados abaixo. [...] 11.2 Arquivos digitais dos Documentos Fiscais – A formalização desta solicitação ocorreu tanto em Termos de Intimação Fiscal específicos para os arquivos digitais quanto em outros TIF´s que solicitavam outros esclarecimentos e documentos do Contribuinte. A tabela abaixo relaciona as intimações efetuadas em que os arquivos digitais foram solicitados. Fl. 20436DF CARF MF Processo nº 16539.720016/201416 Resolução nº 1401000.449 S1C4T1 Fl. 20.437 10 [...] 11.3 Não entrega de arquivos digitais dos Documentos Fiscais – Contudo, o Contribuinte até a data do encerramento desta Ação Fiscal não entregou os arquivos digitais solicitados nem prestou esclarecimentos acerca desta omissão. Da cronologia intimações efetuadas, constatase que deste 04/abril/2014 esta Fiscalização aguarda a entrega dos arquivos digitais dos Documentos Fiscais, adotando o Contribuinte uma postura de solicitar prorrogação de prazo para atendimento à solicitação, informando de forma vaga e geral que “a empresa vem enfrentado algumas dificuldades técnicas para extrair e compilar as informações solicitadas”. 11.4 Sem as informações contidas nos arquivos digitais dos documentos fiscais não foi possível a esta Fiscalização verificar tanto a totalidade quanto a correção das notas fiscais emitidas pelo Contribuinte (entrada/saída) em conformidade com as informações das notas fiscais relacionadas nas planilhas de memórias de cálculo apresentadas dos produtos submetidos aos métodos de controle de preços de transferência: notas fiscais de entrada que acobertaram as importações dos produtos, e as notas fiscais de saída que acobertaram as revendas de produtos importados e as vendas de produtos fabricados que utilizaram produtos importados como insumos de suas linhas de produção. [...] 11.6 Lançamento de tributo não entrega de arquivos digitais dos documentos fiscais – penalidade legal Contudo, havendo lançamento de tributo no procedimento de auditoria, a Fiscalização aumentará a multa de ofício de que trata o artigo 44 da Lei nº 9.430 de 27/12/1996 pela metade, em conformidade com o disposto no inciso I do caput e § 1º,cuja redação é a seguinte: [...] Cientificada do lançamento em 12/12/2014 (sextafeira), a contribuinte apresentou impugnação em 13/01/2015, às fls. 19.986/20.075, na qual, em resumo, assim se manifestou: [...] (i) Sejam julgados inteiramente improcedentes, de modo a cancelar os créditos tributários de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), multa de lançamento de ofício, juros de mora, bem como quaisquer outras exigências que destes decorram, por ser medida da mais lídima e exemplar justiça fiscal, ante o reconhecimento da ilegalidade dos ajustes de preço de transferência feitos pela SRFB, posto que tomaram como base as disposições da Instrução Normativa n° 243/2002, que contrariam frontalmente o comando da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n° 9,959/2000 (Item IV.l e seus subitens); além de se encontrar integralmente revogada pela IN RFB 1.312/2012, ao tempo da autuação (Item IV.3); (ii) Em não se acolhendo as alegações de cancelamento integral das autuações em questão, seja julgado procedente em parte o lançamento ora impugnado, de modo a recalcular o valor do ajuste considerando o método PIC para os produtos cujos códigos correspondem a R00016D; R06006A e 1107125A, mediante o reconhecimento do direito de a Impugnante utilizar o método mais vantajoso para o cálculo do preço de transferência (item IV,2); Fl. 20437DF CARF MF Processo nº 16539.720016/201416 Resolução nº 1401000.449 S1C4T1 Fl. 20.438 11 (iii) Ainda que seja mantido o lançamento principal a título de IRPJ, seja reconhecida a improcedência do lançamento dos créditos tributários da CSLL, uma vez que a base de cálculo da contribuição é o lucro líquido, para cujo cômputo as despesas efetivamente incorridas c comprovadamente pagas devem ser consideradas (item IV.4); (iv) Seja determinado o cancelamento do agravante da multa de ofício,previsto no § 2° c/c o inciso I, do artigo 44, da Lei n° 9.430/1996 (item IV.5); e (v)Seja o valor do crédito tributário reduzido, para que os juros incidam apenas sobre o valor do principal (tributos), excluindose a multa de ofício do campo da sua incidência, com base no princípio da estrita legalidade (item IV.6). Sobre a Impugnação sobreveio o Acórdão 0132.128 assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 LANÇAMENTO. NULIDADE. Está afastada a hipótese de nulidade do lançamento quando o auto de infração atende a todos requisitos legais e possibilita ao sujeito passivo o pleno exercício do direito de defesa. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Constatada a infração à legislação tributária, cabe à autoridade fiscal efetuar o lançamento de ofício em conformidade com as determinações expressas em normas legais e administrativas, não sendo passível na esfera administrativa a discussão de eventuais imperfeições porventura contidas nessas normas. LANÇAMENTO. APURAÇÃO DE TRIBUTO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. No que tange a aspectos materiais, como a base de cálculo, a alíquota, ou outros critérios de determinação do tributo, deve ser aplicada a legislação tributária vigente à época dos fatos geradores, ainda que posteriormente modificada ou revogada. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO MAIS FAVORÁVEL. A escolha do método mais favorável ao contribuinte é uma prerrogativa que lhe cabe, mas não uma imposição à fiscalização ou aos órgãos julgadores. FALTA DE ENTREGA DE ARQUIVOS DIGITAIS. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. O não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para entregar arquivos digitais implica o agravamento da multa de ofício, consoante disposição legal expressa nesse sentido. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE O PRINCIPAL E MULTA DE OFICIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, nos casos de lançamento de ofício, os juros de mora incidem tanto sobre o tributo quanto sobre o valor dessa penalidade, em ambos casos a partir do vencimento. CSLL. DECORRÊNCIA. INFRAÇÕES APURADAS NA PESSOA JURÍDICA. PREÇOS DE Fl. 20438DF CARF MF Processo nº 16539.720016/201416 Resolução nº 1401000.449 S1C4T1 Fl. 20.439 12 TRANSFERÊNCIA. O decidido quanto ao lançamento principal, no caso de imposto sobre a renda, aplicase aos lançamentos decorrentes dos mesmos fatos e elementos de prova. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido a legislação tributária sobre preços de transferência. INTIMAÇÃO NO ESCRITÓRIO DO PROCURADOR. IMPOSSIBILIDADE. No processo administrativo fiscal, a intimação deve obedecer a disposições estabelecidas em normas processuais específicas, devendo, quando por via postal, ser endereçada ao domicílio fiscal do sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No Recurso Voluntário, a Recorrente sustenta em preliminar: i) existência de erro de premissa quanto à proporcionalização que implicaria na nulidade da autuação; ii)erro material cometido pela fiscalização sobre o percentual de participação; iii)decretação da nulidade do auto de infração pelo erro material ausência de limitação das hipóteses do art. 59 do Dec. 70.235/75; no mérito: i)ilegalidade da exigência dos créditos tributários de IRPJ; ii) direito da Recorrente utilizar o método PIC, quando mais vantajoso; iii) impossibilidade da autuação com base nas disposições da IN SRF 243/2002; iv) improcedência dos créditos tributários de CSLL; v) improcedencia da cobrança da multa de 112,5%.; vi) improcedência da exigência de juros cobrados sobre multa de ofício. VOTO Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O recurso voluntário é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Em preliminar a Recorrente aponta erro consistente na ausência de proporcionalização da participação da Matéria Prima Importada (MP) no Preço Líquido de Venda Unitário, de modo que o erro consistiu na aplicação errada do percentual de participação. Isto porque, a Fiscalização utiliza o preço líquido de venda unitário para apurar a base de cálculo, porém deixa de considerar o custo da matériaprima importada utilizada na composição do produto final, de modo que teria havido indubitavelmente, equivoco na aplicação legal, uma vez que foi equivocadamente aplicado um dos passos necessários para a composição do preço parâmetro. O produto acabado e comercializado não será composto exclusivamente da matéria prima importada, tratandose portanto, de uma mistura, motivo pelo qual, exigiuse a proporcionalização da matériaprima envolvida. No caso em exame, a proporcionalização do custo da matéria prima importada em relação ao preço líquido de venda final não foi feita pela d. fiscalização de forma correta em absolutamente nenhum caso em que foi utilizado o ajuste com base no PLR 60% (anexos 06 e 07 do TVF). A fim de evidenciar o erro arguido a Recorrente apresenta duas planilhas: Cálculo elaborado pela Fiscalização: Fl. 20439DF CARF MF Processo nº 16539.720016/201416 Resolução nº 1401000.449 S1C4T1 Fl. 20.440 13 Calculo Elaborado pela Recorrente: Fl. 20440DF CARF MF Processo nº 16539.720016/201416 Resolução nº 1401000.449 S1C4T1 Fl. 20.441 14 Levanta a Recorrente que a Fiscalização se utilizou dos mesmos valores de vendas e fórmula de cálculo que a Recorrente, partindo dessa forma, das mesmas bases numéricas, que deixaria clara o equivoco em razão da metodologia de cálculo aplicada. Assim, considerando que tal equivoco em razão da metodologia de cálculo impacta severamente o resultado da autuação, bem como que, conforme aduzido pela Recorrente em sede de memoriais: "O direito à aplicação do cálculo correto na apuração dos tributos compõe o rol dos direitos fundamentais dos contribuintes, que passa pelo exame da legalidade estrita, do direito ao não confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade", entendo como mais seguro neste momento, antes de adentrar ao mérito, baixar o processo em diligência para que possa ser aferida a correção da metodologia aplicada pela fiscalização através do confronto das planilhas acima, a fim de elidir qualquer vício material que possa contaminar o lançamento. Considerando que foi identificado que houve um erro de premissa na fórmula do insumo bolt 930 granel, insumo utilizado na produção do magnatec (produto acabado) queira o fiscal informa que se o mesmo erro de premissa qual seja a consideração do valor liquido de vendas unitária em vez do valor liquido de vendas, se esse mesmo erro de premissa ocorreu nos demais casos sujeitos ao PRL 60. E se esse erro ocasiona a ausência de proporcionalização da matéria prima no produto acabado. Fl. 20441DF CARF MF Processo nº 16539.720016/201416 Resolução nº 1401000.449 S1C4T1 Fl. 20.442 15 Isto porque, tudo aponta que o valor total indica o preço da fração da matéria prima no preço do produto final, a dúvida está em relação à premissa adotada em relação ao preço parâmetro considerado pela fiscalização e o cálculo promovido pelo contribuinte. Nesse contexto pedese que uma vez identificado o erro de premissa em relação ao produto exemplificado o mesmo erro se replica em relação aos demais produtos. Neste sentido voto pela realização de diligência para que seja feita a adequada ponderação de quando de matéria prima foi vendida no produto acabado, o que levou a um preço parâmetro de valor muito baixo por parte da fiscalização. Após, intimar o contribuinte para no prazo de 30 dias oferecer suas considerações sobre o resultado da diligência, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Fl. 20442DF CARF MF
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