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Numero do processo: 10280.902966/2011-07
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 14/01/2008
PIS. ISENÇÃO. SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICILIADO NO EXTERIOR. INGRESSO DE DIVISAS. CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO.
Para efeito da isenção de receitas decorrentes da prestação de serviços a empresa domiciliada ou residente no exterior com ingresso de divisas no país, cabe ao contribuinte o ônus da prova da satisfação de tais condições, em termos específicos, quando esteja supostamente envolvida nas operações representante brasileira da suposta tomadora de serviços.
A contratação de agente ou representante no País não descaracteriza a operação, desde que a empresa seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-003.985
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Solon Sehn.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ISENÇÃO. SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICILIADO NO EXTERIOR. INGRESSO DE DIVISAS. CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para efeito da isenção de receitas decorrentes da prestação de serviços a empresa domiciliada ou residente no exterior com ingresso de divisas no país, cabe ao contribuinte o ônus da prova da satisfação de tais condições, em termos específicos, quando esteja supostamente envolvida nas operações representante brasileira da suposta tomadora de serviços. A contratação de agente ou representante no País não descaracteriza a operação, desde que a empresa seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 29 66 /2 01 1- 07 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ de Belém PA (fls. 88/94 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de aduzido pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep, no valor de R$ 2.220,38, relativo ao PA mês de março de 2003. No Despacho Decisório (fls. 7/8), a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém (PA), aponta que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP apresentado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados par a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP (fls. 2/6). Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: (...) A DRF em Belém emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada, com suporte no argumento a seguir: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte apresenta manifestação de inconformidade onde alega, em resumo, que: (...) dentre as atividades desenvolvidas pela Empresa está à prestação de serviços para armadores estrangeiros. Na consecução de suas atividades, até pouco tempo, desconhecia a lei que traz o benefício da não incidência da contribuição ao Pis/Pasep e Cofins sobre receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.902966/201107 Acórdão n.º 3802003.985 S3TE02 Fl. 136 3 Esses armadores estrangeiros, contudo, atuam no território nacional auxiliados por empresas brasileiras expressamente nomeadas como suas representantes. Dessa forma, o pagamento desses representantes brasileiros é suportado pelo armador estrangeiro que, de acordo com o que a legislação brasileira lhes exige, remete previamente ao país divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios por águas e portos nacionais As Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, que tratam das Contribuições para o PIS e COFINS, dispõem que a não incidência dessas contribuições dependem de duas condições: 1. o tomador, pessoa física ou jurídica, estar domiciliado no exterior e, 2. o pagamento do respectivo preço deve se dar em moeda conversível. Podemos concluir assim, que muito embora um dado serviço tenha sido executado totalmente no território nacional e aqui se verificar seu resultado, poderá estar abrangido pela não incidência, contanto que o tomador seja domiciliado no exterior e sua contraprestação acarrete a entrada de divisas. No caso, os serviços contratados pelos armadores estrangeiros são intermediados pelos representantes no Brasil. Todavia, essa intermediação do agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços (armador) por si só, não é suficiente para descaracterizar a situação, uma vez que toda atividade por ela exercida é desenvolvida exclusivamente em favor de empresa não domiciliada no País. Estando, portanto, atendida a condição legal imposta. Vale ressaltar que, embora os pagamentos sejam feitos pelos representantes dos armadores, são esses últimos que arcam com os encargos, enviando, previamente ao Brasil divisas suficientes a sua quitação. Os representantes em questão atuam como meros repassadores de recursos do exterior e assim atuam por imposição das leis brasileiras, que prescrevem a utilização desse elo para a remessa dos fretes contratados. (...) Frisando, os pagamentos realizados pelos armadores relativos àqueles serviços prestados aos seus navios de passagem por águas brasileiras são realizados em nome dos agentes, mas por conta dos armadores, dos quais são representantes. Embora realizados pelos representantes, tais pagamentos são, suportados pelos armadores, que, como exige a legislação brasileira, remetem previamente ao País divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios pelos portos nacionais. (...) Todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas Fl. 137DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 com o navio e o percurso a que se vinculam. As notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Consulente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. Assim, a Recorrente disponibiliza as notas fiscais para conferência, no momento em que Vossa Excelência entender ser devido. É o relatório. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/01/2008 Ementa: DCOMP. HOMOLOGAÇÃO Para que ocorra a homologação da compensação declarada pela contribuinte, faz se necessário a comprovação da existência de direito creditório líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da referida decisão em 04/02/2014 (fl. 97), a Recorrente, em 05/03/2014, apresentou o recurso voluntário (fls. 98/117), descrevendo, em síntese, as seguintes razões: Inicialmente, a Recorrente esclarece sobre o objeto social da empresa e faz um relato da origem do crédito, alegando sua materialidade. Segue apresentando os demais argumentos, conforme abaixo: Dos fatos: faz uma abordagem sobre o direito a nãoincidência e da restituição do PIS/Pasep e da COFINS, alega que dentre as atividades desenvolvidas pela empresa está a prestação de serviços para armadores estrangeiros; que até pouco tempo, desconhecia a lei que traz o benefício da não incidência da contribuição ao Pis/Pasep e COFINS, sobre receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente e domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; que esses armadores estrangeiros, contudo, atuam no território nacional auxiliados por empresas brasileiras expressamente nomeadas como suas representantes; que dessa forma, o pagamento desses representantes brasileiros é suportado pelo armador estrangeiro que, de acordo com o que a legislação brasileira lhes exige, remete previamente ao país divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios por águas e portos nacionais; reproduz a legislação que trata dessa matéria; que todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. Notese que esta vinculação pode ser evidenciada nas respectivas “ordens de pagamento” emitidas por cada comandante do navio com sua respectiva origem estrangeira. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.902966/201107 Acórdão n.º 3802003.985 S3TE02 Fl. 137 5 que as notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Recorrente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. Do Direito: reproduz um arcabouço de toda a legislação que rege a matéria discutida, informando diversas considerações sobre as interpretações possíveis das hipóteses de incidência das contribuições (PIS e da COFINS) e cita vários posicionamentos da RFB, alegando corroborar com a não incidência do fato gerado nas relações jurídicas desenvolvidas pela recorrente. Ao final, afirma estar demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, clama pela reforma da decisão recorrida, para dar provimento ao presente recurso, cancelando o procedimento administrativo, reconhecendo o valor do crédito, homologandose a compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Tempestivamente interposto e atendido os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso Voluntário e passo à análise das razões recursais. Análise dos Fatos Conforme se verifica nos autos, o valor do indébito com o qual a Recorrente declarou a compensação, objeto deste processo, seria originário de pagamento indevido ou a maior de PIS, referente a serviços prestados para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, relativo ao mês de março de 2003. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém (PA), no seu Despacho Decisório, não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do indébito já havia sido integralmente utilizado pára quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP ora examinada. Já na decisão recorrida, a DRJ descreve em seus fundamentos que o reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido e que, apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme disposto no artigo 170 do CTN. Vejase trecho do acórdão abaixo transcrito: (...) Ocorre que, nos termos da disposição normativa acima transcrita, a não incidência da contribuição vinculase a que a prestação dos correspondentes serviços seja efetuada a pessoa Fl. 139DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 jurídica residente ou domiciliada no exterior e que o correspondente pagamento represente ingresso de divisas, também se fazendo necessário que a prestadora dos serviços seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica (armador)residente ou domiciliada no exterior. Caso contrário, se a contratação for com o agente/representante da empresa estrangeira no Brasil, a prestação de serviços não alcança o benefício da não incidência do PIS/Pasep e da COFINS”. Portanto, conforme esclarecido no relatório, a questão aqui discutida é essencialmente de prova nos autos, uma vez que em relação à matéria legal a DRJ não discordou das alegações do Recorrente. No entanto, a Recorrente em seu recurso não juntou novos elementos de provas no processo, mas tão somente acrescentou argumentos aos já aduzidos na manifestação de inconformidade. No caso sob análise, em que pesem serem coerentes os seus argumentos do direito, a questão da prova (que a prestadora dos serviços seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica – armador, residente ou domiciliada no exterior), é fundamental sempre que se trate de condições de isenção. Nesse contexto, são especialmente relevantes para a elucidação da lide, os seguintes argumentos apresentados no acórdão de primeira instância: (...) Nesse sentido, ao invés de a interessada comprovar a alegação de que é signatária de contrato de direito privado com pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, bem como trazer aos autos os contratos de câmbio relativos aos pagamentos correspondentes, as notas fiscais dos serviços prestados para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior e, ainda, o livro fiscal em que haveriam sido escrituradas tais receitas, limitouse à informação de “disponibiliza as notas fiscais para conferência, no momento em que Vossa Excelência entender ser devido”. Esclareçase ao sujeito passivo, ainda, que na hipótese de mera intermediação, haveria de existir o contrato original firmado com o armador estrangeiro, bem como o mandato autorizando o seu representante em território nacional a atuar em seu nome, no limite dos poderes então conferidos. Na ausência de tais instrumentos jurídicos (ao que consta dos autos), as afirmações de que se trata, no caso concreto, de serviços prestados a pessoas jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior limitam se a mero exercício imaginativo. Registrese, também, que o possível fato de haver o pagamento por pessoa jurídica estrangeira, em etapa comercial anterior, a uma terceira pessoa jurídica domiciliada em território nacional não autoriza a dedução de que todos os ulteriores contratos de serviço tomados por aquela terceira pessoa também representarão “prestação de serviços a residente ou domiciliada no exterior, com o ingresso de divisas”. Assim, na hipótese em tela, apresentaria relevo para a finalidade pretendida pelo sujeito passivo que demonstrasse, por intermédio de prova hábil, que de fato ocorreu pagamento Fl. 140DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.902966/201107 Acórdão n.º 3802003.985 S3TE02 Fl. 138 7 indevido, sob pena de, não o fazendo, atrair a incidência da máxima de que alegar sem provar é o mesmo que não alegar. E nesse sentido, não é demais referir o fácil alcance, por parte do contribuinte, dos supostos elementos probatórios, haja vista tratarse de documentos que, acaso existissem, haveriam de integrar o seu próprio acervo. Como é cediço, conforme assevera a legislação, para fazer prova da não incidência das contribuições, tornase relevante e essencial a Recorrente provar dois requisitos fundamentais: da prestação de serviços e do ingresso de divisas. 1) quanto a prestação de serviços: verificase, pois, que não há nos autos prova inequívoca de que a beneficiária dos serviços prestados foi pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, vez que a contribuinte não juntou nos autos os contratos de prestação de serviços firmados. Afirma que o contrato de representação é feito entre o agente/representante e o armador estrangeiro e apresentou (em sede de manifestação de inconformidade) apenas uma relação de notas fiscais, que não atende as formalidades exigidas para o caso. 2) quanto ao ingresso de divisas: a Recorrente não apresentou nenhum contrato de câmbio. Afirma em seu recurso que “embora os pagamentos sejam feitos pela recorrente, são esses últimos que arcam com seus respectivos encargos tributários, enviando previamente ao Brasil divisas, específicas e suficientes a sua quitação. As empresas em questão, como a recorrente, atuam como meros repassadores de recursos do exterior e assim atuam por imposição das leis nacionais, que prescrevem a utilização desse elo para remessa, única e exclusivamente dos fretes contratados. Assim, todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. Notese que esta vinculação pode ser evidenciada nas respectivas “ordens de pagamento” emitidas por cada comandante do navio com sua respectiva origem estrangeira. Em outras palavras, as notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Recorrente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. Ao final, ressalta que “Continua a Recorrente a disponibilizar todas as notas fiscais para a conferência do referido período em questão, no momento em que V. Exa. Entender ser devido”. Como já abordado pela DRJ, a Recorrente encaminhou consulta sobre a matéria à SRRF da 2ª RF, sendo emitida para o deslinde da questão a Solução de Consulta nº 5, de 08 de fevereiro de 2007, daquela superintendência, a este anexada, referente ao processo 10280.005047/200618, onde constam as condições necessárias para não incidência da contribuição na situação ali aventada, de onde se extrai que: (...) 13. A consulente afirma que presta serviços às embarcações de bandeira estrangeira pertencente a empresas com domicílio no exterior. No caso em análise, para atender a primeira condição prevista no dispositivo legal convém alertar que é necessário que a consulente seja signatária de contrato de Fl. 141DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 direito privado com a pessoa jurídica (armador) residente ou domiciliada no exterior. Caso contrário, se a contratação for com o agente/representante da empresa estrangeira no Brasil, a prestação de serviços não alcança o benefício da não incidência do PIS/Pasep e da Cofins. 17. Desse modo, o fato do pagamento ser efetuado por pessoa diferente do transportador estrangeiro não inibe a norma tributária em comento de produzir seus efeitos, visto que não é requisito dela que o pagamento seja realizado pela mesma pessoa a quem o serviço foi prestado. O que se exige, para a não incidência do PIS/Pasep e da Cofins, é um nexo causal entre o pagamento que representa o ingresso de divisas e a prestação de serviços a pessoa situada no exterior. Esse nexo é evidenciado pela própria legislação do Bacen, que autoriza esse tipo de transação. 19. Assim sendo, ficam evidenciadas as premissas básicas para a não incidência, desde que a consulente seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais, para conferência com o(s) contrato(s) de câmbio fechado(s) pelo agente/representante do contratante no exterior.(grifos não originais) Por oportuno e tratar dessa mesma matéria, transcrevese a conclusão exposta na Solução de Consulta n° 30, da SRRF/2ª RF/Disit, de 16 de outubro de 2007: “Concluise que, sendo o contratante a empresa estrangeira, a atuação do agente ou representante não descaracteriza o real contratante, nem o ingresso de divisas, o que é confirmado pela leitura da legislação cambial do Banco Central do Brasil (Bacen) p.ex., Carta Circular Bacen 2.297, de 8 de julho de 1992, revogada pela Circular Bacen n° 3.249, de 30 de julho de 2004, revogada pela Circular Bacen n° 3.280, de 9 de março de 2005, que divulga o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI). “19. Assim sendo, ficam evidenciadas as premissas básicas para a não incidência, desde que a consulente seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais, para conferência com o(s) contrato(s) de câmbio fechado(s) pelo agente/representante do contratante no exterior.” (g.n) No caso vertente, verificase que o Recorrente não trouxe, juntamente com sua manifestação de inconformidade e tampouco agora em sede de recurso voluntário, documentos que comprove de que é signatária de contrato de direito privado firmado com a(s) pessoa(s) jurídica(s) domiciliada(s) no exterior para a(s) qual(ais) alega ter prestado serviços, e nem os contratos de câmbio relativos aos respectivos pagamentos. Também não apresentou as cópias de notas fiscais relativas à prestação de serviços para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, totalizado, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais obrigatórios. Assim, não quedouse comprovado que a Recorrente possui contratos de direito privado firmado com a pessoa jurídica (armador) residente ou domiciliada no exterior e, Fl. 142DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.902966/201107 Acórdão n.º 3802003.985 S3TE02 Fl. 139 9 também, que a mesma não conseguiu comprovar o ingresso de divisas e, tampouco, o nexo causal de ingresso de divisa por meio, de pagamento direto, mediante fechamento de câmbio em banco devidamente autorizado; ou, por pagamento indireto, a débito da conta de custeio mantida pelo agente ou representante do armador adquirente do produto. Por conseguinte, acerca da comprovação de suas alegações, apenas aduziu, em sua manifestação de inconformidade, que: (...) Todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. As notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Consulente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. Assim, a recorrente disponibiliza as notas fiscais para conferência, no momento em que Vossa Excelência entender ser devido (g.n). Em sede de recurso voluntário, repisa os mesmos argumentos acima reforçando que a Recorrente disponibiliza as notas fiscais para conferência, no momento em que a Fazenda entender ser devido. .Frisese, portanto, que os elementos probatórios (documentos, contratos, fechamento de câmbio, livros e as notas fiscais) e essenciais como provas, não foram anexadas aos autos e portanto não se pode acatar as alegações efetuadas de forma genérica pela recorrente, desprovidas de sua comprovação. Sabese que no contencioso administrativo de iniciativa do sujeito passivo, originado de pedidos de ressarcimento ou restituição ou de declarações de compensação, o crédito reivindicado consubstancia o “fato constitutivo” do direito do requerente e, portanto, fato este cuja prova lhe cabe, em princípio (CPC, artigo 333, I). Nesse diapasão, assinalese que o Decreto nº 70.235/1972, assim dispõe acerca do tema: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) (grifouse) Como visto nos autos, quando da transmissão da DCOMP, a Recorrente era conhecedora das condições necessárias para não incidência da contribuição na situação que lhe geraria o suposto direito creditório e teria que apresentar as provas do cumprimento daquelas premissas com o seu recurso voluntário (Solução de Consulta nº 5, de 08 de fevereiro de 2007, PAF nº 10280.005047/200618). Fl. 143DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Em síntese, a Recorrente não logrou comprovar que auferiu receitas que se subsumam ao art. 5º, II, da Lei nº 10.637/2002. Desta forma, é da Recorrente a responsabilidade pelo o não reconhecimento do direito creditório pleiteado em face da inexistência de prova de que a isenção da receita dos serviços prestados estejam, de fato, respaldados nas condições legais permissivas e portanto, resta caracterizado que as alegações da Recorrente não são suficientes a caracterizarem as condições previstas em lei. Conclusão Logo, tendo o Recorrente disposto de todas as oportunidades para comprovar seu direito creditório e não o fazendo no momento apropriado, e considerando o acima exposto e adotando os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, §1º, da Lei n. 9.784, de 1999, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 144DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000165/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
RECURSO DE OFÍCIO - CONHECIMENTO.
Conforme o disposto na PortariaMFnº3/2008 (artigo 1º, caput e parágrafo único), deve ser conhecido o Recurso de Ofício apenas quando a exoneração superar o valor de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), o que deve ser verificado por processo.
Numero da decisão: 1401-001.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, NÃO CONHECER o Recurso de Ofício por não alcançar o limite de alçada. Vencido o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos que entendia a necessidade de anexação deste processo a outro para fins de cálculo.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alckmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 RECURSO DE OFÍCIO - CONHECIMENTO. Conforme o disposto na PortariaMFnº3/2008 (artigo 1º, caput e parágrafo único), deve ser conhecido o Recurso de Ofício apenas quando a exoneração superar o valor de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), o que deve ser verificado por processo.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 RECURSO DE OFÍCIO CONHECIMENTO. Conforme o disposto na PortariaMFnº3/2008 (artigo 1º, caput e parágrafo único), deve ser conhecido o Recurso de Ofício apenas quando a exoneração superar o valor de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), o que deve ser verificado por processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, NÃO CONHECER o Recurso de Ofício por não alcançar o limite de alçada. Vencido o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos que entendia a necessidade de anexação deste processo a outro para fins de cálculo. (ASSINADO DIGITALMENTE) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alckmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 01 65 /2 00 8- 21 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício contra acórdão n. 1620.590 proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo em sessão de 2 de março de 2009. Originalmente, tratase de auto de infração cientificado em 25 de novembro de 2008, com natureza de auto de infração complementar ao auto de infração objeto do processo administrativo n. 16561.000047/200813. Neste segundo processo, em Termo de Verificação Fiscal, foi constatado no anocalendário de 2003 a utilização indevida do método PRL20% para cálculo de preço parâmetro de produtos destinados a revenda, posto que se agregado valor no Brasil ao custo dos bens e serviços importados, o método correto de mensuração é o PRL60%. Diante da aplicação da metodologia, bem como outros fatores divergentes do adotado pela Contribuinte (como a utilização do cálculo CIF), a fiscalização, majorando o cálculo em 2003, alegou, por decorrência, majoração indevida de prejuízos fiscais e base negativa transportadas para anoscalendário de 2004 e 2005. Nesse contexto, foi lavrado novo auto de infração (processo administrativo n. 16561.00056/200812) para cobrar os valores de IRPJ e CSLL dos anoscalendário de 2004 e 2005. O processo foi convertido em diligência e em razão dos recálculos feitos a Fiscalização novamente realizou lançamento complementar (fls. 106), exigindo quantias devidas a título de IRPJ e CSLL, revendo o lançamento original. Em sede de impugnação (fls.106/136) a Contribuinte alegou: (i) Nulidade do auto de infração devido à sua natureza de revisão de lançamento por meio de auto de infração complementar; (ii) Ilegitimidade do auto de infração complementar por inexistência de crédito tributário exigível, em virtude da regularidade em adotar o PRL 20% e consetâneos; (iii) Ilegitimidade de adoção do CIF; (iv) Existência de vícios sanáveis, como a utilização do método PEPs Sobreveio, então, decisão DRJ de São Paulo I que julgou improcedente o lançamento, conforme se depreende da ementa do acórdão abaixo colacionado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA Ano calendário: 2003, 2004 AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR. POSSIBILIDADE. Quando forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação Fl. 233DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16561.000165/200821 Acórdão n.º 1401001.189 S1C4T1 Fl. 3 3 legal da exigência, será lavrado auto de infração, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. AGRAVAMENTO DE EXIGÊNCIA. DECORRÊNCIA. Não subsistindo o motivo para o agravamento (consubstanciada neste processo) da exigência original (consubstanciada em outro processo), exonerase a exigência. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente. Lançamento Improcedente Em virtude de o crédito exonerado superar o limite de alçada, recorreuse de ofício, submetendo o acórdão a quo a análise deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias Fl. 234DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 4 O presidente da 5ª Turma da DRJ/RJ interpôs Recurso de Ofício, nos seguintes termos: “Verificandose que o crédito tributário exonerado neste processo e no processo n. 16561.000047/200813 (interdependentes) ultrapassa o limite de alçada desta Delegacia, fazse necessária a apresentação de recurso de ofício”.(fls. 208) Sobre o recurso de ofício, o seu conhecimento é regido pelo artigo 34 do Decreto nº 70.235/72 c/c a disposição acerca do limite de alçada fixado no art. 2º da Portaria MF nº 3, de 2008. In verbis Decreto nº 70.235/72 Art. 2º A autoridade administrativa de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I – exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. Portaria MF nº 3/2008 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso, o contribuinte neste específico processo foi exonerado da seguinte quantia: IRPJ e Multa (80.375,36 e 60.281,51) e CSLL e Multa (23.016,58 e 17.262,43). Tal valor, como se percebe, não ultrapassava o limite de alçada previsto na Portaria vigente, não ensejando per si, recurso de ofício. Ainda, a despeito de se tratar de suposta autuação complementar, fato é que a mesma se verificou em outro processo, pelo que não entendo seja o caso de cômputo conjunto para efeito do cálculo do limite de alçada. Senão vejamos: 1) O motivo da decisão neste processo pela nulidade do lançamento foi especificamente em razão da impossibilidade in casu de lançamento complementar, asseverando acertadamente a DRJ que: “Nos termos do artigo 149 do CTN, a modificação de ofício do lançamento é permitida em caráter excepcional, quando verificadas determinadas situações em que o equívoco na constituição do crédito se deu em decorrência de fato imputável ao sujeito passivo ou a terceiro ou mesmo da ocorrência de fato novo. Dentre as hipóteses previstas no referido artigo não está a situação em que o equívoco decorre de ato imputável à própria autoridade administrativa que constituiu inicialmente o crédito tributário.” 2) A Portaria assevera que o limite de alçada deve ser verificado por processo, nada constando acerca de processos interdependentes: Art. 1º, Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16561.000165/200821 Acórdão n.º 1401001.189 S1C4T1 Fl. 4 5 De mais a mais, apesar de o próprio contribuinte, em sua impugnação, requerer a junção do presente processo com o processo nº 16561.000047/200813, não encontrei determinação nesse sentido, assim como não verifiquei constar a apensação dos processos. De se esclarecer que, apesar de haver cópia do TVF e do acórdão da DRJ do processo 16561.000047/200813, verificase que este é acompanhado de um “Termo de desapensamento” (conforme fls. 166 ou fls. 171 – numeração eletrônica). Pelo exposto, tendo em vista que a exoneração no presente processo não alcançou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3/2008, voto por não conhecer do Recurso de Ofício. Sala das Sessões, 6 de maio de 2014 (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora Fl. 236DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000441/2010-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2008
NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE.
Se não demonstrado que houve prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo, é considerado em boa e devida forma o Auto de Infração lavrado por autoridade competente, com observância dos requisitos legais.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. MATÉRIA FÁTICA SUFICIENTE PARA FORMAÇÃO DA CONVICÇÃO DO JULGADOR. COMPROVADA PRESCINDIBILIDADE E DESNECESSIDADE. IMPOSSIBILIDADE
Se existe nos autos matéria fática suficiente para formação da convicção do julgador, indefere-se o pedido de realização de diligência por ser prescindível ou desnecessária para o deslinde da controvérsia.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2008 FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DO NEGÓCIO SIMULADO. MANUTENÇÃO DO NEGÓCIO DISSIMULADO. POSSIBILIDADE. Uma vez comprovada a existência da fraude nas operações de aquisição de café in natura realizadas de pessoas jurídicas inexistentes de fato (“pseudoatacadistas”), com o fim exclusivo de se apropriar do valor integral do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, desconsiderase operação de compra simulada, mas matémse a operação de compra dissimulada, por ser válida na substância e na forma. COMPRA E VENDA DE CAFÉ SIMULADA. PESSOA JURÍDICA INTERPOSTA INEXISTENTE DE FATO. FRAUDE COMPROVADA. GLOSA DE CRÉDITOS APROPRIADOS ILICITAMENTE. POSSIBILIDADE. Uma vez comprovada nos autos a prática da fraude fiscal contra Fazenda Nacional, realizada mediante a utilização de interposta pessoa inexistente de fato e simulação de operação inexistente de compra e venda de café, com o fim exclusivo de se apropriar do valor do crédito integral da Contribuição para o PIS/Pasep, a glosa os créditos apropriados ilícitamente deve ser integralmente mantida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2008 FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DO NEGÓCIO SIMULADO. MANUTENÇÃO DO NEGÓCIO DISSIMULADO. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 04 41 /2 01 0- 25 Fl. 2392DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 Uma vez comprovada a existência da fraude nas operações de aquisição de café in natura realizadas de pessoas jurídicas inexistentes de fato (“pseudoatacadistas”), com o fim exclusivo de se apropriar do valor integral do crédito da Cofins, desconsiderase operação de compra simulada, mas matémse a operação de compra dissimulada, por ser válida na substância e na forma. COMPRA E VENDA DE CAFÉ SIMULADA. PESSOA JURÍDICA INTERPOSTA INEXISTENTE DE FATO. FRAUDE COMPROVADA. GLOSA DE CRÉDITOS APROPRIADOS ILICITAMENTE. POSSIBILIDADE. Uma vez comprovada nos autos a prática da fraude fiscal contra Fazenda Nacional, realizada mediante a utilização de interposta pessoa inexistente de fato e simulação de operação inexistente de compra e venda de café, com o fim exclusivo de se apropriar do valor do crédito integral da Cofins, a glosa os créditos apropriados ilícitamente deve ser integralmente mantida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2008 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI COMPLEMENTAR VIGENTE. MATÉRIA FORA DA COMPETÊNCIA DO CARF. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2008 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. Se não demonstrado que houve prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo, é considerado em boa e devida forma o Auto de Infração lavrado por autoridade competente, com observância dos requisitos legais. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. MATÉRIA FÁTICA SUFICIENTE PARA FORMAÇÃO DA CONVICÇÃO DO JULGADOR. COMPROVADA PRESCINDIBILIDADE E DESNECESSIDADE. IMPOSSIBILIDADE Se existe nos autos matéria fática suficiente para formação da convicção do julgador, indeferese o pedido de realização de diligência por ser prescindível ou desnecessária para o deslinde da controvérsia. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 2393DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 15586.000441/201025 Acórdão n.º 3102002.314 S3C1T2 Fl. 101 3 José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório encartado na decisão de primeira grau que segue transcrito: Preliminarmente esclareçase que no presente Processo Administrativo Fiscal (nº 15586.000441/201025) constam dois autos de infração (fls. 3299/3342), que se fundamentam, essencialmente, nos mesmos fatos e regras legais. O contribuinte contestou todos com a Impugnação de fls. 1798 e seguintes. A empresa qualificada em epígrafe foi autuada sob alegação de: falta/insuficiência de recolhimento de PIS/Cofins, decorrente da glosa de créditos considerados indevidos e fictícios, derivados da aplicação do regime da incidência nãocumulativa das referidas contribuições (fl. 1.774). Desse modo, a autoridade fiscal constituiu o crédito tributário de PIS/Cofins no valor total de R$15.167.829,89, incluindo juros de mora e multa qualificada de150%.(fl. 1.769). No Termo de Encerramento da Ação Fiscal (fl. 1598 e ss), parte integrante e comum dos autos, constituído de 172 folhas, a Fiscalização buscou fundamentar o alegado, acima resumido, mediante um conjunto de depoimentos reduzidos a termo, prova documental, especialmente, de cópias de notas fiscais, da escrituração contábil da empresa autuada, e, ainda de documentos encaminhados pela Polícia Federal. Cabe sintetizar, neste relatório, parte do “Termo de Encerramento da Ação Fiscal”, cujo conteúdo foi decisivo para lavratura do Auto de Infração ora sob análise. Na peça, os AFRFB autuantes aduzem que: 1. mediante provas testemunhais e documentais a fiscalização comprovou que, no período de out/2007 a dez/2008, o contribuinte, ora autuado, escriturou notas fiscais de pseudoempresas atacadistas para acobertar as verdadeiras operações realizadas de aquisições de café em grãos diretamente de produtores rurais pessoas físicas; 2. a auditoria comprovou que mais de 90% de créditos PIS/Cofins no regime da nãocumulatividade, relativos à aquisição de café em grãos pra revenda é fictícia; 3. o próprio sócio proprietário da CAFEMAM denunciou o esquema em dois depoimentos que prestara a fiscalização; Fl. 2394DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 4. efetuaramse as glosas dos créditos integrais indevidos em relação às notas fiscais de compra das pseudoempresas atacadistas e em relação a bens adquiridos de pessoas físicas; 5. a atividade desenvolvida pela empresa não atende o conceito de produção, assim, não faz jus aos respectivos créditos presumidos nas aquisições de pessoas físicas; 6. todos os valores que o autuado contabilizou para compor as bases de cálculo dos créditos de PIS/Cofins foram incluídos nos Demonstrativos da fiscalização; 7. a glosa efetuada nos créditos corresponde à aplicação das alíquotas 1,65% (PIS) e 7,6% (Cofins) sobre os totais das notas fiscais contabilizadas pelo autuado e emitidas por pessoas jurídicas desqualificadas da condição de atacadista; 8. o autuado, no período auditado, não realizou operações de vendas para o mercado externo, os créditos restando, então, vinculados integralmente ao mercado interno, não havendo necessidade do rateio com base na proporção da receita bruta; 9. as receitas escrituradas pelo autuado não foram objeto de glosas ou ajustes por parte da auditoria fiscal, e todos os débitos declarados em DCTF foram considerados pela auditoria fiscal como dedução das contribuições sociais; 10. considerando ter ficado evidente a intenção fraudulenta do contribuinte em se eximir das contribuições sociais devidas, aplicouse a multa de ofício de 150% sobre os tributos lançados; 11. as centenas de registros contábeis referentes às notas fiscais das pseudoempresas atacadistas para apropriação dos correspondentes créditos não são meros erros contábeis, mas fraudes de efeitos relevantes para o contribuinte e para a Fazenda Nacional; 12. o autuado contabilizou e utilizou créditos indevidos ao longo de 2007 a 2008; tudo fora consignado nos livros fiscais, demonstrativos (DACON) e declarações (DCTF) entregues pela empresa à Receita Federal; 13. a fiscalizada utilizou pseudoempresas para intermediar suas aquisições de café dos produtores rurais, com o propósito de fabricar créditos de PIS/Cofins; 14. o autuado prestou declarações falsas às autoridades fazendárias e fraudou a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos em documento ou livro exigido pela lei fiscal; 15. utilizou documento que sabia ou devia saber ser falso, pois as notas fiscais emitidas pelas pseudoempresas atacadistas são ideologicamente falsas e foram interpostas conscientemente pelo autuado nas operações de compra de café; Fl. 2395DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 15586.000441/201025 Acórdão n.º 3102002.314 S3C1T2 Fl. 102 5 16. se lograsse êxito o autuado se absteria do pagamento de contribuições sociais no valor de cerca de R$ 5,5 milhões, em valor originário, sem acréscimos legais. O “Termo de Encerramento da Ação Fiscal” contém demonstrativos detalhados do procedimento de cálculo (fls. 1.756/1.765) até apuração final da contribuição devida. A base legal dos lançamentos de PIS/Cofins encontrase descrita no corpo do auto de infração (fls. 1772/1793). No que se refere ao crédito principal da Cofins, a base do lançamento é a Lei nº 10.833/03, artigos 1º, 3º e 5º. Quanto aos acessórios legais: a multa teve por base o art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar nº 70/91; e art. 44, inciso I (II) e § 1º, da Lei nº 9.430/96; enquanto o cálculo dos juros teve por base o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96. No que se refere ao crédito principal do PIS, a base do lançamento é a Lei nº 10.637/02, artigos 1º, 3º e 4º. Quanto aos acessórios legais: a multa teve por base o art. 86, § 1º, da Lei nº 7.450/85; art. 2º, da Lei nº 7.683/88; e art. 44, inciso I (II) e § 1º, da Lei nº 9.430/96; enquanto o cálculo dos juros teve por base o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96. Devidamente cientificada em 05/06/2010, conforme AR à fl. 1794, a interessada apresentou, em 06/07/2010, as correspondentes impugnações, nas quais alegou basicamente que: 1. a tomada dos depoimentos de profissionais do mercado de café foi realizada sem que a empresa fiscalizada tivesse a chance de interferir nessa trajetória, assim, o conjunto de informações amealhado não guarda a legitimação necessária a embasar a glosa de créditos de PIS/Cofins; 2. era dever da autoridade administrativa convocar (rectius: dar chance) à fiscalizada de intervir efetivamente e participar da colheita dos elementos utilizados para declarar tais créditos ineptos; 3. a conduta da autoridade fiscal macula gravemente as garantias do contraditório e da ampla defesa; 4. não foi assegurado à impugnante a “audiência prévia”, prevista na Lei nº 9784/99, a fim de oportunizar uma mínima contradita dos fatos contidos no processo; 5. o Sr. Arilson Storck, na condição de representante legal da empresa, fora convocado para prestar esclarecimentos sem a presença de advogado e sem saber da “armadilha” que havia sido preparada; 6. a auditoria fiscal foi desleal perante o contribuinte ferindo os padrões éticos de probidade, decoro e boafé; 7. a empresa ora defendente, verificava em toda aquisição de café, a regularidade do CNPJ da empresa e sua Fl. 2396DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 regularidade perante o SINTEGRA, além disso, o pagamento das mercadorias adquiridas para fins de revenda era feito por intermédio de transferência de valores nas contas correntes que as empresas atacadistas mantinham nas mais tradicionais e históricas instituições bancárias brasileiras; 8. não resta outra alternativa senão requerer a anulação de todo o procedimento fiscal; 9. as aquisições de café pela empresa fora realizadas por intermédio de pessoas jurídicas atacadistas de café ativas no CNPJ, que não se afiguravam na época “suspensas”, “inaptas”, “baixadas” ou “nulas”; 10. soa desarrazoado transferir ao particular o ônus de verificar e avaliar no mercado as situações fáticas referentes aos atacadistas de café para determinar se são inaptas por serem inexistentes de fato. O impugnante cita legislação, doutrina e jurisprudência e, com base na argumentação expendida, requer: (1) diligência (a) para conferir todas as compras, sobretudo as notas fiscais dos fornecedores; (b) os comprovantes dos pagamentos das operações; (c) os cadastros da Pessoas jurídicas atacadistas de café na Receita Federal e Estadual. (2) Seja declarada a nulidade do PAF; (3) seja reconhecida a idoneidade dos créditos de PIS/Cofins tornando insubsistente o auto de infração. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 2313/2335), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada improcedente e mantido o crédito tributário exigido, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2008 Nulidade Não padece de nulidade o auto de infração, lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Matéria não Impugnada Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ou em relação à prova documental que não tenha sido apresentada, salvo exceções legalmente previstas. Diligência/Perícia Fl. 2397DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 15586.000441/201025 Acórdão n.º 3102002.314 S3C1T2 Fl. 103 7 Indeferese o pedido de Diligência/Perícia quando sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2008 Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos, a fim de fazer recair a responsabilidade tributária, acompanhada da devida multa de ofício, sobre o sujeito passivo autuado. Multa de Ofício. Fraude. Qualificação. A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta, planejada e executada mediante ajuste doloso. Uso de Interposta Pessoa. Inexistência de Finalidade Comercial. Dano ao Erário. Não Caracterizado. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária no contexto da nãocumulatividade do PIS/Cofins, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. A autuada foi cientificada da decisão de primeira instância em 9/6/2011 (fl. 2139). Em 6/7/2011, protocolou o recurso voluntário de fls. 2343/2385, em que reafirmou parte das razões de defesa apresentadas na peça impugnatória. Em aditamento, a recorrente alegou nulidade do acórdão recorrido, sob o argumento de que houve preterição do direito de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Conforme delineado no relatório precedente, a lide envolve questões preliminares e de mérito, que serão a seguir analisadas. Fl. 2398DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 8 I Da Análise das Questões Prelimares Em preliminar, a recorrente alegou nulidade da decisão de primeiro grau e reiterou a alegação de nulidade das autuações e do depoimento prestado pelo Sr. Arilson Storck, sócio da autuada, e o pedido de realização de diligência, apresentados na peça impugnatória. Da nulidade da decisão de primeiro grau. Em preliminar, a recorrente pleiteou a nulidade da decisão de primeiro grau, sob alegação de que houve preterição do direito de defesa da recorrente, pois a Turma de Julgamento de primeiro grau afastara a obrigatoriedade do contraditório e da ampla defesa na relação processual administrativa, por intermédio de uma interpretação jurídica que privilegiava o Decreto 70.235/1972, em detrimento das garantias previstas no texto da Constituição Federal e da Lei 9.784/1999. Sem razão a recorrente. Sabidamente, a norma que rege o processo administrativo fiscal é o Decreto 70.235/1972, com as alterações posteriores, doravante denominado de PAF, e que a Lei 9.784/1999, conhecida como Lei Geral do Processo Administrativo Federal, nos termos do seu art. 691, somente, de forma subsidiária, aplicase ao citado processo, isto é, somente quando a matéria não for especificamente abordada no PAF é que o aplicador da norma poderá recorrer ao ditames da referida lei. Sabidamente, o direito ao contraditório e o exercício do direito de defesa, no âmbito do processo administrativo fiscal, são matérias que se encontram disciplinados no PAF (arts. 14, 15, 33 e 37), logo, em face do princípio da primazia da norma específica sob a genérica e tendo em conta determinação expressa do art. 69 da Lei 9.784/1999, a Turma de Julgamento de primeiro grau aplicou com correção a legislação vigente. Se tais normas não atendem os princípios constitucionais do devido processo legal, bem como o do contraditório e da ampla defesa, previstos no art. 5º, LIV e LV, da Constituição Federal de 1988, tratase de questão que foge da competência julgadora deste Colegiado, conforme expressamente determina o art. 26A do PAF, afirmado na jurisprudência deste Conselho, por meio da Súmula CARF nº 2, que tem o seguinte teor, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Além disso, compulsando o voto condutor que serviu de fundamento para julgado recorrido, verificase que todos pontos impugnados foram exaustivamente analisados e a controvérsia dirimida, com respaldado em sólidos fundamentos jurídicos. Ademais, o pedido de realização de diligência foi indeferido de forma fundamentada, em conformidade com o disposto no art. 28 do Decreto 70.235/1972. Assim, se o referido julgado foi proferido em consonância com os preceitos do PAF e se todas questões objeto da lide foram fundamentadamente decididas, a alegada nulidade por preterição do direito de defesa inexiste, em decorrência, rejeitase a presente preliminar. Da nulidade das autuações por supressão do contraditório e da ampla defesa. 1 O citado preceito legal tem o seguinte teor: "Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei." Fl. 2399DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 15586.000441/201025 Acórdão n.º 3102002.314 S3C1T2 Fl. 104 9 Em sede de preliminar, a autudada reiterou o pedido de nulidade das autuações, sob a alegação de que ocorrera supressão das garantias do contraditório e da ampla defesa, pois não acompanhara os depoimentos que serviram de fundamento para a exigência fiscal, o que afrontava o disposto nos arts. 2º, X, 3º e 38 da Lei 9.784/1999. A alegação da recorrente não procede, pois, conforme já demonstrado, os referidos preceitos legais não se aplicam ao caso em tela. O processo administrativo fiscal, em sentido lato, é regido por normas específicas e apresenta duas fases distintas: a) a primeira, denominada de procedimento fiscal ou fase inquisitorial, em que, nos termos dos arts. 7º a 11 do PAF, tem início com o primeiro ato de ofício praticado por servidor competente, dele sendo cientificado o contribuinte, e, se no curso do procedimento for constatada irregularidade, termina com a lavratura do auto de infração, como aconteceu no caso em apreço; b) a segunda, denominada de processo administrativo fiscal (em sentido estrito) ou fase conteciosa, em que, nos termos dos arts. 14, 15, 33 e 37 do PAF, iniciase com a impugnação do contribuinte e se encerra com a prolação da decisão definitiva na esfera administrativa, nos termos do art. 42 do PAF. Em consonância com os referidos preceitos legais, a fase inquisitorial destinase à verificação da correta aplicação da legislação tributária e, se constatada irregularidade, também se destina à obtenção de dados, informações e elementos de prova que comprovem a ocorrência do fato gerador do tributo a ser lançado e/ou da infração sancionada com a penalidade a ser aplicada. O encerramento desta fase darseá com a lavratura do auto de infração e a ciência deste ao contribuinte. O procedimento fiscal que se desenvolve durante a fase inquisitorial se caracteriza pela ausência do contraditório e do exercício do direito de defesa, que serão oportunizados na fase contenciosa, que se inicia com a impugnação apresentada pelo contribuinte. No caso em tela, não se trata de aplicação de norma legal por analogia in malam partem, como alegou a recorrente, mas de aplicação direta de preceitos legais que regem o procedimento fiscal, e que devem ser seguidos e cumpridos pela autoridade fiscal lançadora, especialmente tendo em conta que o lançamento tributário é um ato administrativo plenamente vinculado, nos termos do art. 142 do CTN. Além disso, de acordo com Termo de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 1789/1987), em face dos elementos probatórios licitamente colhidos durante a “Operação Tempo de Colheita”, a fiscalização concluiu que autuada também participara do esquema fraudulento de compra de notas fiscais falsas de empresas “pseudoatacadistas” de café (fl. 1800), com a única finalidade de gerar créditos indevidos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Diante da constatação dessa irregularidade, a fiscalização deu início a ação fiscal contra a recorrente, com a ciência do Termo de Início de Ação Fiscal de fls. 963/968, por meio do qual fora intimada a apresentar os livros e documentos contábeis e fiscais e planilhas sobre as compras de café e de utilização de créditos das referidas contribuições. E no curso do procedimento fiscal, por meio dos Termos de Intimação Fiscal de fls. 1268, 1278/11279 e 1284, a recorrente fora intimada a apresentar esclarecimentos e informações adicionais. Fl. 2400DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 10 Dessa forma, fica evidenciado que, embora ainda sem se revestir das formalidades inerentes à fase conteciosa do processo fiscal, as referidas intimações, certamente, proporcionaram à contribuinte a oportunidade de apresentar a fiscalização os esclarecimentos, informações, livros e documentos fiscais e contábeis que demonstrassem o cumprimento regular de suas obrigações tributárias. De qualquer modo, com a lavratura e ciência das questionadas autuações, à recorrente foi franqueado o contraditório e ampla oportunidade de defesa, que, induvidosamente, foram plenamente exercidos, mediante a apresentação das robustas peças de defesas colacionadas aos autos. Assim, fica demonstrado que, diferentemente do alegado pela recorrente, no caso em tela, o contraditório foi regularmente instaurado e a recorrente exerceu o seu direito de defesa em toda sua plenitude, em decorrência, rejeitase a presente alegação. Da nulidade do depoimento prestado pelo sócio da autuada. A recorrente alegou ainda nulidade do depoimento prestado pelo Sr. Arilson Storck, sócio da recorrente, sob o argumento de que houve ferimento as garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa, uma vez que ele não havia tido acesso prévio a um conjunto de outros documentos e que a fiscalização fora desleal com depoente. Os elementos coligidos aos autos não corroboram as alegações da recorrente. Com efeito, de acordo com os Termos de Declarações de fls. 958/962, verificase que o Sr. Arylson Storck de Oliveira, na qualidade de sócio da autuada, compareceu ao Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Vitória e, de forma espontânea, prestou o questionado depoimento. Compulsando os esclarecimentos prestados pelo depoente, chegase a conclusão que eles referemse a assuntos relacionados a (i) atividade de comercialização de café (ii) a atividade econômica da autuada, (iii) negociações do café entre produtor, intermediários e exportadores e indústria de café, (iv) emissão de documentos fiscais de compra e venda de café etc. Em outras palavras, os exclarecimentos prestados pelo depoente dizem respeito a assuntos do conhecimento profissional dele. Ademais, não consta do referido Termo qualquer pergunta ou esclarecimento sobre documentos em poder da fiscalização que não fosse do conhecimento do depoente, conforme alegou a recorrente. Além disso, a recorrente não apresentou elementos que corroborassem que a fiscalização tivesse utilizado de qualquer ardil ou armadilha contra o depoente ou que as ditas autoridades fiscais tenha faltado com o decoro ou agido com deselegância, deslealdade ou má fe com o depoente, principalmente, tendo em conta que, ao final, o depoente assinou os referidos Termos, após firmar declaração de que havia lido e que confirmava as informações prestadas espontaneamente, que representavam a expressão de verdade. Com base nessas considerações, rejeitase as alegações de nulidade dos citados depoimentos. Do pedido de realização de diligência. A recorrente formulou o pedido diligência para que fosse conferida (i) todas as compras da manifestante, (ii) os comprovantes de pagamento das operações via depósito bancário nas contas correntes bancárias das empresas fornecedoras e (iii) os cadastros das pessoas jurídicas atacadistas de café na Receita Federal e Estadual, no período em que ocorreram as compras. Fl. 2401DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 15586.000441/201025 Acórdão n.º 3102002.314 S3C1T2 Fl. 105 11 A diligência pleiteada revelase totalmente desnecessária. A uma, porque não há controvérsia sobre os fatos que a recorrente pretende esclarecer. A duas, porque se encontram presentes nos autos os documentos e informações necessários ao julgado da lide. Com base nessas informações e tendo em vista que os esclarecimentos formulados na peça recursal em nada aportaria de relevante para o deslinde da contenda, a meu ver, revelase de todo desnecessária e prescindível a realização da diligência solicitada pela recorrente. Com base nessas considerações, com respaldo no art. 18 do PAF, indeferese a diligência solicitada pela recorrente. II Da Análise das Questões de Mérito. No mérito, o cerne da controvérsia cingese a participação da recorrente no esquema fraudulento para apropriação artificial de créditos indevidos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, calculados sobre a aquisição de café em grão, durante o período da autuação. Na peça recursal em apreço, a recorrente contesta as conclusões da fiscalização, com base nas seguintes alegações: a) todas as aquisições de café estavam acobertadas por notas fiscais idôneas, emitidas por empresas atacadistas de café ativas no CNPJ e no SINTEGRA; e b) os pagamentos do café adquirido para revenda era feito por intermédio de transferência de valores para as contas correntes que empresas atacadistas fornecedoras mantinham nas mais tradicionais e históricas instituições bancárias brasileiras. Do contexto do procedimento fiscal que deu origem as autuações. Previamente, é oportuno esclarecer que, em conformidade com o relatado no Termo de Encerramento Fiscal de fls. 1789/1987, as presentes autuações decorreram do trabalho de auditoriafiscal realizado pela fiscalizaçao da Receita Federal, no âmbito da denominada “Operação Tempo de Colheita”, cuja motivação (fl. 1797) foi a apuração de discrepância vultosa entre os valores financeiramente movimentados e os valores declarados, por empresas atacadistas de café em grão, que alcançou a cifra da ordem de 3 (três) bilhões de reais, somente no período 2003 a 2006. Dentre as empresas que apresentaram divergência entre valores movimentados e valores declarados, e na maioria das vezes sequer declarados, encontravamse os fornecedores da autuada, ora recorrente. Ainda foi constado no âmbito da referida Operação que todos os principais fornecedores da recorrente foram constituídos a partir do ano de 2002, ano em que entrou em vigor o regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, sendo que a movimentação financeira expressiva deuse a partir de 2003, quando entrou em vigor o regime não cumulativo da Cofins. Do contexto legal da autuação. Sob o aspecto legal, com a introdução do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por intermédio das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, os contribuintes, sujeito ao citado regime, adquirentes de mercadorias de pessoas Fl. 2402DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 12 jurídicas passaram a gozar do direito de crédito sobre o valor das compras, no valor equivalente ao da alíquota normal fixada para o cálculo das contribuições devidas sobre as receitas de venda mensal, que, somada as alíquotas normais das citadas contribuições, equivale a alíquota total de 9,25%. No que tange ao mercado de café em grão, uma particularidade deve ser ressaltada: se a empresa comprar o produto diretamente do produtor rural, pessoa física, desde que atendido os requisitos legais, a ela é assegurado o direito de apropriarse de um valor de crédito presumido equivalente a 35% (trinta e cinco por cento) daquele referente a uma compra de um produtor ou atacadista, pessoa jurídica. Essa permissão de creditamento entrou em vigor a partir 1/2/2004, na forma e nos termos do art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Renumerado pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007) [...] (grifos não originais). Fl. 2403DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 15586.000441/201025 Acórdão n.º 3102002.314 S3C1T2 Fl. 106 13 Antes da vigência do citado preceito legal, prevalecia a regra geral, que vedava o creditamento resultante de compras não sujeitas ao pagamento das contribuições, a exemplo de compras de realizadas de pessoa física. Somente as compras de pessoas jurídica sujeita ao pagamento das citadas contribuições assegurava a apropriação do valor integral do crédito calculado sobre o preço da operação, nos termos do § 3º do art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, a seguir reproduzido: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; [...] (grifos não originais) Dado esse contexto legal, fica evidenciado que, para os contribuintes submetidos ao regime não cumulativo das citadas contribuições, sob o ponto de vista tributário, passou a ser vantajoso adquirir bens e serviços de pessoa jurídica, ao invés de pessoa física (produtor rural), pois essa forma de compra asseguravalhes o valor do crédito integral das referidas contribuições. Das conclusões da fiscalização. De acordo com o Termo de Encerramento Fiscal (fl. 1852), com base nos depoimentos dos produtores rurais, a fiscalização concluiu que, na cadeia de comercialização do café em grãos, fora constada a existência de uma fraude, em que compradores e corretores do produto, deliberadamente, interpuseram pseudo empresas atacadistas entre os produtores rurais e as empresas comerciais, exportadoras e industriais, com o objetivo de gerar créditos da Contribuição para PIS/Pasep e Cofins não cumulativa, equivalente a 9,25%, calculado sobre o valor da nota fiscal de aquisição. Ainda segundo o citado Termo (fls. 1872/1873), com base nos depoimentos dos corretores e maquinistas, a fiscalização concluiu que tais depoimentos confirmavam os depoimentos dos produtores rurais no sentido da utilização das pseudo empresas atacadista para guiar o café do produtor para o real adquirente. Para a fiscalização, inicialmente, a interposição de pseudo empresa atacadista entre o maquinista/produtor e a exportadora/industria fora com o objetivo de geração de créditos integrais da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins para as empresas comerciais, exportadoras e indústrias. Em momento posterior, a interposição de pseudo empresa atacadista entre o produtor rural e comercial atacadista (exmaquinistas ou corretores) criada para atender à exigência dos compradores de fora do Estado do Espírito Santo, com o objetivo de gerar créditos integrais das citadas contribuições para a comercial atacadista. Com esse novo arranjo, segundo a fiscalização, as empresas compradoras (empresas industriais e exportadoras) continuavam se creditando integralmente das citadas Fl. 2404DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 14 contribuições, mas sem a “incômoda” interposição de empresas sabidamente inidôneas, ou seja, tinham a certeza do crédito das referidas contribuições na aquisição do café. O ônus de utilizar as pseudo empresas passou a ser dos fornecedores das indústrias, das exportadoras e das comerciais atacadistas. A autuada foi constituída em agosto de 2007, quando já em prática este novo esquema fraude, com o propósito de ser fornecedora de café para empresas fora do Estado do Espírito Santo. Do modus operandi da atuação da recorrente. No caso da recorrente, que exerce a atividade de fornecedora de café para empresas de fora do Estado do Espírito Santo, adquirir o produto de uma pessoa jurídica, no caso atacadista de café, e não de um produtor rural, pessoa física, passou a ter vantagem de apropriarse do valor do crédito integral, calculado com base nas alíquotas normais (1,65% e 7,6%) das referidas contribuições. Porém, para o atacadista intermediários, cumpridores dos deveres tributários, além das despesas operacionais normais da atividade, existe o ônus adicional equivalente aos valores das contribuições devidas, incidentes sobre as receitas auferidas nas suas atividades, podendo se creditar somente do percentual de 35% (trinta e cinco por cento) do crédito, calculado com base nas alíquotas normais, desde que atendidos os requisitos legais. Em face dessa nova conjuntura tributária, o atacadista intermediário, que operar de forma regular, isto é, sem fraudar o fisco, terá um ônus tributário que, certamente, repassará ao custo dos produtos vendidos ao comprador seguinte da cadeia de comercialização do produto. Logo, embora a aquisição direta de um suposto atacadista pessoa jurídica resulte para o adquirente um valor de crédito integral das citadas contribuições, por outro lado, a inserção de mais uma pessoa jurídica no elo na cadeia de comercialização (o pseudo atacadista), certamente, resultará em acréscimos de custo de aquisição do produto para o comprador final. De qualquer forma, a escolha por uma forma, ou outra, poderá ser sopesada tendo em conta as vantagens econômicofinanceiras do negócio, mediante um planejamento tributário realizado em consonância com a legislação vigente e, portanto, sem óbice legal. Porém, esta não foi a situação vislumbrada nos autos. No caso em tela, as pessoas jurídicas atacadistas intermediárias, sob uma aparência de regularidade formal, foram introduzidas na cadeia de comercialização apenas para gerar crédito para a recorrente, pois, ao não cumprir com o ônus tributário que lhe era imposto, certamente, o custo operacional e tributário adicional dessa suposta operação intermediárioa não foi incorporado ao preço da transação de intermediação nem repassado à autuada. Dada essa circunstância, no caso em tela, ao invés de planejamento tributário, o que vislumbra, na realidade, é uma gigantesca fraude tributária, realizada com a única finalidade de lesar a Fazenda Nacional com a parcela do valor crédito das citadas contribuições indevidadamente apropriado. O acervo probatório colacionado aos autos, que compreende fartas provas testemunhais e documentais, de forma congruente, comprovam de forma cabal que, sob aparência de tosco planejamento tributário, de fato, o que existia era um monumental esquema fraude contra a Fazenda Nacional, com a participação e o envolvimento de todos segmentos da cadeia de produção/comercialização do café em grãos no Estado do Espírito Santo. Em relação às autuações em apreço, corrobora o asseverado, o fato de as pessoas jurídicas atacadistas, aparentes fornecedoras da recorrente, terem sido constituídas somente após a introdução do citado regime da não cumulatividade das citadas contribuições. Aliás, durante o período em que foram fiscalizadas, tais pessoas jurídicas estiveram em Fl. 2405DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 15586.000441/201025 Acórdão n.º 3102002.314 S3C1T2 Fl. 107 15 situação irregular perante os tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), tanto no que tange as obrigações acessórias, quanto em relação às obrigações pricipais (pagamento de tributos). O quadro abaixo, extraído do voto condutor do julgado de primeiro grau, bem ilustra o comportamento tributário padrão dos principais “pseudoatacadistas”: Atacadista/Fornecedor Situação Fiscal Situação atual Tributos Recolhidos de 2003 a 2009 1 Colúmbia Com. de Café Ltda Inativa desde 04/05 Suspensa ZERO 2 Acádia Com. e Exp. Ltda Inativa em 2005 Suspensa R$2.904,16 3 Do Grão Com. e Exp. e Imp. Ltda Inativa desde 02/05 Suspensa ZERO 4 L&L Com. Exp. de Café Ltda Inativa desde 04/05 Suspensa ZERO 5 J C BINS – Cafeeira Colatina Inativa em 2005 Inapta ZERO 6 V Munaldi ME Inativa desde 04/06 Baixada ZERO Ainda segundo o Termo de Encerramento Fiscal (fl. 1801), as pessoas jurídicas deste quadro movimentaram R$ 1.750.000.000,00 (hum bilhão e setecentos e cinquenta milhões de reais) durante os anos 2003 a 2007, enquanto que, praticamente, nada recolheram a título de tributos federais no mesmo período. Ademais, informou a fiscalização que, com exceção da pessoa jurídica V Munaldi – ME, que fora baixada por extinção voluntária em 8/12/2006, as demais encontramse na situação cadastral suspensa, em face de processos administrativos fiscais de inaptidão por inexistência de fato, em curso na DRF Vitória/ES, todos decorrentes de ação fiscal instaurada contra elas. A este quadro de irregularidades, somase ainda o fato, constatado pela fiscalização em diligências reaizadas perante as referidas empresas, conforme relatado no citado Termo (fl. 1797), de que nenhuma das empresas diligenciadas possuíam armazéns ou depósitos, nenhum funcionário contratado e, nenhuma estrutura logística, o que, em condições normais de operação, contrariava as tradicionais empresas atacadistas de café estabelecidas na região, detentoras de grande estrutura operacional, administrativa e logística necessário para armazenar, beneficiar e movimentar o grande volume de café transacionado. Assim, sem a existência de depósitos, funcionários, maquinário e logística, fica evidenciada a impossibilidade de tais empresas poderiam transacionar tão grande quantidade de café em grãos. Da operação de aquisição do café realizada pela recorrente. No recurso em apreço, a recorrente alegou que todas as aquisições de café estavam acobertadas por notas fiscais idôneas, emitidas por empresas atacadistas de café ativas no CNPJ e no SINTEGRA. Para justificar sua alegação e que não era conivente nem tinha conhecimento o referido esquema fraudulento, que acarretou enorme prejuízo ao erário, a recorrente informou que, por ocasião de toda a compra e venda, verificava a regularidade da fornecedora no CNPJ e no SINTEGRA. Fl. 2406DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 16 Diferentemente do alegado pela recorrente, as provas colacionadas aos autos, em especial, as informações colhidas em depoimentos, espontaneamente prestadas por pessoas envolvidas no esquema (produtores rurais, corretores, maquinistas, sócios das empresas atacadistas de fachada etc.), incluindo o próprio sócio da recorrente, evidenciam exatamente o contrário do alegado, isto é, que ela tinha pleno conhecimento e participava como beneficiária direta do esquema, apropriandose indevidamente dos valores dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofis, no valor equivalente a 9,25% (1,65% + 7,6%) sobre o valor das notas fiscais da suposta aquisição do café pelas citadas pessoas jurídicas fornecedoras do produto. No voto condutor do julgado recorrido, o nobre Relator, de forma criteriosa e ditática, selecionou dentre o grande número de declarações prestadas pelos envolvidos no esquema e cartasrespostas de pessoas intimadas, aqueles mais relevantes, que evidenciam, detalhadamente, o modus operandi, os mentores e os reais beneficiários da gigantesca fraude perpetrada contra Fazenda Nacional. Em face da relevância para compreensão da fraude em comento e o deslinde da controvérsia, pedese licença para transcrever a seguir os excertos extraídos do citado voto: O impugnante alega que verificava em toda a compra e venda, a regularidade do CNPJ da empresa e sua regularidade perante o SINTEGRA, dando a entender que nada tem a ver com qualquer fraude, ou prejuízo que as atacadistas, seus fornecedores, tenham perpetrado contra o Erário. Não é bem assim, como se verá na seqüência. Antônio Gava, inicialmente sócio e depois administrador da Colúmbia, no depoimento que se encontra às fls. 3/5 dos autos, corrobora a tese da auditoria de modo expresso, e, sem peias ou meias palavras, esclarece o modus operandi das empresas envolvidas: Que a Colúmbia funciona como recebedora da nota fiscal do produtor e emissora da nota fiscal de saída, que vai para o real proprietário do café, ou melhor, o verdadeiro comprador de café; O real comprador de café adquire o produto do produtor rural por intermédio de corretores de café; Que os compradores de café efetuam depósitos nas contas correntes da Colúmbia, e esta efetiva o pagamento aos produtores rurais. (gn) Em outro depoimento, agora de Alexandre Pancieri, sócio da Do Grão, encontrase outro apoio para a hipótese de uma ação coordenada no sentido de fraudar a Fazenda Nacional. Todavia, agora o apoio vem no sentido de esclarecer outro aspecto da situação sob suspeita: a de que as empresas (ou pelo menos algumas delas) eram previamente montadas, não nasciam de um acordo livres de vontades dos sócios, para atuar na mercado, mas eram engendradas por terceiros interessados: Que a Do Grão foi constituída tendo como sócios o declarante e o Sr. Ricardo Vieira dos Anjos; que o declarante não sabe informar quem é o Sr. Ricardo Vieira dos Anjos; que a constituição da Do Grão foi feita a pedido de Sr. Luiz Fernando Mattede, sendo que não houve por parte do declarante qualquer aporte de capital na Do grão; (...) (gn) (fls. 8/9) Fl. 2407DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 15586.000441/201025 Acórdão n.º 3102002.314 S3C1T2 Fl. 108 17 Destacamos aqui duas afirmações do sócio da Empresa Do Grão, cujo quadro societário compunhase de apenas dois sócios (1) O Sr Alexandre não conhecia o outro sócio; e (2) A empresa fora criada “a pedido” do Sr. Luiz Fernando Mattede. A Empresa, dessa forma constituída, movimentou milhões, entre 2003/2006, mas não recolheu absolutamente nada aos cofres públicos a título de tributo, no período de 2003/2009. Vale notar que o Sr. Luiz Fernando Mattede Tomazi, aí citado, era um dos administradores da Do Grão, exercendo a função mediante procuração. Foi também um dos sócios fundadores (v. fl 1611) da Acádia Comércio e Exportação Ltda, o outro era Flávio Tardin Faria, que, aliás, era o outro administrador da Do Grão. A Acádia Comércio e Exportação Ltda movimentou milhões entre 2003 e 2006, e apresentou recolhimento irrisório entre 2003/2009 (vide tabela acima). Luiz Fernando Mattede Tomazi ainda é um dos sócios fundadores da L&L Comércio e Exportação de Café Ltda (v. fl. 1612), empresa que movimentou milhões entre 2003 e 2006, e apresentou recolhimento ZERO entre 2003/2009 (v. tabela acima). Fato notável é que as empresas Do Grão, Acádia e L&L funcionam no mesmo prédio, e ainda têm a companhia de mais quatro empresas fiscalizadas na mesma operação: Colúmbia, JC Bins, Stange’s Corretagem e a V Munaldi – ME. Fato apenas curioso não se tratassem de “atacadistas de café”, atividade que por sua própria natureza exige espaço, funcionários e logística sofisticada. Quanto a esta última empresa citada V Munaldi – ME, o depoimento de seu titular de direito Vilson Munaldi (fls. 34/35) é definitivo quanto à constituição viciada de empresas, valendo neste momento ser parcialmente reproduzido: Que no período de 17/09/02 a 31/03/05 o declarante ficou desempregado e passou a fazer pequenos trabalhos temporários (biscates); Que no período em que ficou desempregado o declarante foi procurado pelo Sr. Adelson Munaldi, contador, para a abertura de uma pessoa jurídica em nome do declarante; Que foi constituída a firma individual V Munaldi – ME em nome do declarante, que passou a figurar como titular da referida empresa, sendo que o verdadeiro proprietário é o Sr. Altair Braz Alves (...) Que para figurar como titular da firma individual ALTAIR se comprometeu com o declarante a lhe proporcionar uma renda mensal no valor de um salário mínimo (gn) O Sr. Altair Braz Alves confirmou o depoimento de Vilson Munaldi, pois admitiu ser o verdadeiro proprietário da V Munaldi – ME, embora figurasse o nome daquele como proprietário. Mais esclarecedor ainda é o depoimento de Altair quanto ao modus operandi da engrenagem que vai se revelando como esquema fraudulento para vender notas fiscais e simular elo na cadeia produtiva inexistente, tendo por fim ultimo gerar fictícios créditos de PIS/Cofins no regime da não Fl. 2408DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 18 cumulatividade. O depoimento completo de Altair está às fls. 43/46. Na seqüência apenas destacase alguns pontos. O citado depoimento estabelece os seguintes pontos cruciais. Afirma que a empresa V Munaldi – ME nunca foi atacadista, nem mesmo sequer atuou no seguimento de compra e venda de café, pois, a empresa foi criada unicamente para fornecer notas fiscais para os verdadeiros compradores de café, que adquiriam a mercadoria diretamente dos produtores rurais. Neste sentido, ao receber a nota fiscal do produtor rural por intermédio de officeboy do verdadeiro comprador, emitia Nota Fiscal de Entrada, e, na mesma data, emitia nota fiscal de saída para o verdadeiro comprador. Afirma ainda Altair que a operação real de compra e venda se dava diretamente entre o comprador final e o produtor rural, funcionando a sua empresa como repassadora de recursos financeiros dos compradores para os produtores rurais. Nesta linha, afirma que nunca teve qualquer contato com os produtores rurais, no que tange às operações descritas nas notas. Decorre logicamente, do que fora dito até agora, que a Empresa V Munaldi – ME não era remunerada mediante lucro resultante da atividade de compra e venda, porque não realizava tais atividades, mas recebia comissão, conforme admitira Sr. Altair, que precisou o valor na faixa de 0,35 a 0,50 por saca de café, pagos pelo verdadeiro comprador. Ressaltese que Altair Braz Alves (fl. 49, item 8) afirmou que, em regra, assinava os cheques em branco e os entregava aos administradores da conta. As cartasrespostas à intimação da autoridade fiscal das empresas Colúmbia, Acádia, Do Grão e L&L confirmam esta dedução(v. fl. 60 e ss, por exemplo): Vale ressaltar que em alguns casos, a Fiscalizada nem mesmo procurava o vendedor/produtor, pois o comprador (seja indústria, exportador ou corretora), depois de fazer a negociação direta com o produtor ou com a corretora de mercado futuro, apenas informava a Fiscalizada que iria precisar de seus serviços, quais sejam receber a Nota do Produtor, receber o dinheiro, pagar o produtor e emitir Nota Fiscal de Venda/Viagem. Os recursos transitados pela conta da Fiscalizada são dos compradores do café, sejam estes corretores futuros, especuladores de mercado, indústrias torrefadores, cerealistas, atacadistas ou exportadores. Os sócios e/ou gestores da fiscalizada, na realidade e em verdade, são e sempre foram agentes de comércio (corretores de café), sendo por imposição do mercado (empresas que atuam do mesmo modo que a fiscalizada) transformada em pessoas jurídicas, para continuar ganhando pelo serviço prestado e sujeitandose a situações como a presente fiscalização por exigência e imposição dos compradores, posto que esta seja as única forma de sobreviver em sua atividade comercial. (fl. 59) (gn) O depoimento denuncia a fraude, confirma seu modus operandi, e, ainda, demonstra a participação efetiva dos compradores, entre os quais está o contribuinte, ora impugnante. Não se trata de depoimento qualquer, mas dos próprios fornecedores do contribuinte. Fl. 2409DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 15586.000441/201025 Acórdão n.º 3102002.314 S3C1T2 Fl. 109 19 No depoimento reduzido a termo, às fls. 57/61 [fls. 958/962], Arylson Storck de Oliveira, sócio da Cafemam, declarou: 1)Que no pensar do declarante a utilização de interpostas pessoas jurídicas na compra de café do produtor rural partiu por iniciativa dos exportadores com o objetivo especifico de se beneficiar do crédito do PIS e COFINS; 2)que para fazer com que o mercado de café passasse a atuar dessa forma o declarante afirmou que as exportadoras passaram a agir da seguinte maneira: que o declarante ligava para as exportadoras com o objetivo de vender café de produtor rural e era informado de que não havia a menor possibilidade de que as exportadoras adquirissem café de pessoa física; que as exportadoras respondiam ao declarante que somente estavam aceitando compras de pessoas jurídicas; 3)Que o declarante afirmou que a maioria dos sócios ou titulares das empresas constituídas para guiar café para as exportadoras e indústrias são exfuncionários das próprias exportadoras do Estado do Espírito Santo; 4)Que pela emissão da nota fiscal para guiar o café para as exportadoras as interpostas empresas recebem um determinado valor por saca de café; que o "mercado de nota fiscal" chegou a tal ponto que há uma disputa para ver quem vende a sua nota fiscal por um menor preço por saca de café; 5)Que o declarante afirmou que informa aos exportadores e indústrias de quem é o café, ou seja, o nome do produtor rural/maquinista, mesmo porque as próprias exportadoras e indústria querem saber a origem do café para ver a qualidade e a pontualidade na entrega do café; que, em razão de conhecer a procedência, faz com que o exportador ou indústria se prontifique a pagar um preço diferenciado; 6)Que, em certas negociações, o produtor/maquinista não tem uma empresa especifica para guiar o café do produtor rural; que, neste caso, o valor de venda já está embutido o valor a ser pago pelo fornecimento da nota fiscal de uma determinada empresa usada para guiar o café; que neste caso ele pede que seja arrumada uma empresa que cobre o menor preço para fornecimento da nota fiscal; 7)Que, em outras negociações, o próprio maquinista já utiliza nota fiscal de uma determinada empresa; que nesses casos geralmente possui uma conta corrente em nome da empresa que fornece a nota fiscal, por onde recebe os créditos e efetua os pagamentos aos produtores rurais; 8)Que as indústria de fora do Estado do Espírito Santo passaram a ser mais seletivas na aquisição do café, exigindo que o café seja guiado com nota fiscal de empresas constituídas ou já existentes em nome de maquinistas; que para atender as empresas de fora do Estado, a maioria indústria, esses maquinistas lançam mão de nota fiscal de uma interposta pessoa jurídica para acobertar seu estoque; que se antes a produtor rural/maquinista sabia que lhe era descontado um determinado valor pelo fornecimento da nota fiscal para guiar o seu café ou de terceiros que estava intermediando, agora ele próprio é quem paga pelo fornecimento da nota fiscal para acobertar seu estoque; Fl. 2410DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 20 9)Que o declarante afirmou que existe a troca de notas fiscais do produtor rural pela nota fiscal da interposta pessoa jurídica em pontos estratégicos, dependendo da localização do comprador do café, onde o café é descarregado; O depoimento de Arylson, sócio proprietário da empresa ora autuada, coerente em si mesmo e com todos os outros elementos de prova constantes dos autos, veio trazer robustez à tese da Fiscalização da existência de um concerto a fim de promover geração artificial de crédito de PIS/Cofins no regime não cumulativo. O depoimento ganha especial relevo porque se trata de um dos donos (são apenas dois), com 50% da cotas, da empresa fiscalizada. Toda a mecânica da fraude está aí descrita. O depoimento de Wilson Capácia Filho (fls. 459/461) cita textualmente Arylson (item 3) como corretor que indica o nome da empresa “pela qual será guiado o café” (item 5), e entre as indicadas inclui a Colúmbia e J C Bins (item 6). Outros depoimentos igualmente citam Arylson, tais como Odilon Jacy Milagres (fls. 490/507) e João Carlos Casagrande (fls. 508/510) participando de forma ativa de toda montagem desvendada pelas autoridades fiscais. As empresas exportadoras comprovadamente, pelo que foi registrado até agora, efetivamente participaram da montagem e do uso do esquema fraudulento. Os depoimentos convergem perfeitamente para este ponto. No depoimento citado de Arylson Storck de Oliveira é declarado que: “a maioria dos sócios ou titulares das empresas constituídas para guiar café para as exportadoras e Indústrias são exfuncionários das próprias exportadoras do Estado do Espírito Santo”. O corretor ratificou a existência de um ‘mercado de notas fiscais’: “pela emissão da nota fiscal para guiar o café para as exportadoras as interpostas empresas recebem um determinado valor por saca de café, que o ‘mercado de nota fiscal’ chegou a tal ponto que há uma disputa para ver quem vende a sua nota fiscal por um menor preço por saca de café”. Noutro depoimento (fls. 527/529), de outro corretor (Luiz Arpini Gobbi), o declarante afirma que houve uma fase em que o produtor rural guiava diretamente o café para as exportadoras e indústrias e recebia diretamente o pagamento, mas depois estas empresas passaram exigir que o café fosse descarregado nelas com nota fiscal de pessoa jurídica. No depoimento do corretor João Carlos de Abreu Zampier (fls. 533/536) identificase os intermediários como empresas laranjas, cuja finalidade é vender nota fiscal: Que o declarante afirmou que o ‘mercado de café’ se prostituiu porque alguns corretores começaram a negociar café dispensando a cobrança da comissão de corretagem, e devido ao aparecimento de empresas laranjas que entraram no mercado de café vendendo nota fiscal para ganhar um percentual sobre as vendas de café; (gn) Em mais um depoimento, de um outro corretor – Valério Antônio Dallapícula , novamente de modo muito explicito é descrita a fraude (fls. 565/567): Fl. 2411DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 15586.000441/201025 Acórdão n.º 3102002.314 S3C1T2 Fl. 110 21 Que a interposição de uma pessoa jurídica para mascarar a operação de compra de café das empresas acima relacionadas diretamente do produtor rural iniciouse com as próprias compradoras de café, que no inicio as notas fiscais do produtor eram trocadas pela nota fiscal da interposta pessoa dentro do próprio armazém da empresa compradora, que nessas operações o corretor recebia das compradoras o nome da interposta pessoa jurídica pelo qual o café do produtor rural era guiado para dentro do seu armazém; (...) Há, nos autos, outros depoimentos de corretores todos convergindo para os pontos acima destacados (fls. 527/582). Da leitura dos textos transcritos, fica evidenciado que, ao lado do mercado real (dissimulado) de venda direta do café entre produtor e comprador final (real atacadista, indústria, exportador etc.), foi engendrado e simulado um mercado paralelo e fictício de compra e venda de notas fiscais, com o propósito único e exclusivo de fraudar a Fazenda Nacional, mediante a apropriação ilícita de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. No citado mercado parelo, tendo em conta o acervo probatório colacionado aos autos, a única coisa real e verdadeira que é possível vislumbrar são as milhares de notas fiscais ideologicas falsas, emitidas com o único propósito de acobertar uma operação de compra e venda simulada. Diante de tão consistente acervo probatório, o simples fato de as citadas empresas “pseudoatacadistas” manterem, no momento da consulta supostamente realizada pela recorrente, registros formais ativos no CNPJ e no Sintegra, a meu ver, deixa de ter qualquer relevância probatória. Dada essa circunstância, os créditos glosados pela fiscalização, objeto das questionadas autuações, ao contrário do que alegou a recorrente, foram calculados com base em notas fiscais inidôneas, contaminadas com pecha da ilicitudde, pois decorrentes de operações toscamente simuladas com a nítida intenção de indevidamente reduzir o valor das referidas contribuições devidas. Do pagamento do café adquirido pela recorrente. A recorrente alegou que os pagamentos do café em grãos por ela adquirido para revenda era feito mediante transferência eletrônica de valores direto para as contas correntes que as empresas atacadistas fornecedoras mantinham nas mais tradicionais e históricas instituições bancárias brasileiras. As informações colhidas em vários depoimentos prestados por produtores rurais, maquinistas e corretores de café são congruentes e uníssonas no sentido de demonstrar que as transferências eletrônicas e depósitos bancários realizados pelos reais compradores nas contas das “pseudoatacadistas” não passavam de mais um procedimento simulatório, com a finalidade dissimular a real operação de compra entre o produtor rural e as empresas exportadoras e industriais. Os esclarecimentos prestados em depoimentos pelos produtores rurais corroboram o asseveradoao, ao confirmarem que: a) eram eles que negociavam diretamente a venda do café, por meio do corretor, com os exportadores e as indústrias; b) os compradores tinham plena conhecimento de que compravam o café de um produtor rural; e c) as “pseudo Fl. 2412DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 22 empresas atacadistas”, que constam nas notas não participavam da negociação, eram desconhecidas dos produtores rurais e só apareciam na nota fiscal, por exigência do corretor ou de funcionário dos reais compradores (exportador e indústria). No depoimento de Weverton Rosa da Silva, sócio da W.R. da Silva, firma individual com nome de fantasia W D Café (fls. 936/937), uma das “pseudoatacadistas”, acompanhado do seu advogado Márcio Valentin de Sá, OAB 13932ES, constam os esclarecimentos do modus operandi do esquema fraude, desde abertura da pessoa jurídica, passando pela sua função no esquema de fraude, como era determinada a emissão e os valores das notas fiscais até a forma como era feita o pagamento da operação simulada. Para melhor compreensão, seguem transcritos os trechos relevantes extraídos do seu depoimento (fls. 938/939): Que a empresa WR DA SILVA foi aberta pelo depoente e por CARLIANO DÁRIO. Que foi CARLIANO DÁRIO que propôs sociedade ao depoente. Que Thiago Gava trabalhava, sem carteira assinada, na empresa WR DA SILVA. Que Thiago Gava fazia os pagamentos, passava TED e DOC para pagar as contas que as empresas corretoras enviavam para a WR DA SILVA. Que a WR DA SILVA não é empresa comercial de café, muito menos atacadista, conforme consta no contrato social; Que na verdade a WR DA SILVA fornece NOTA FISCAL para guiar o café do PRODUTOR RURAL para as empresas exportadoras e indústrias, que são as reais compradoras do café dos produtores rurais; Que pela operação de fornecimento da nota fiscal a WR DA SILVA recebe R$ 0,30 (trinta centavos) a R$ 0,50 (cinqüenta centavos) por saca de café; Que o declarante afirmou que as empresas exportadoras e indústrias (para as quais a WR DA SILVA guia o café) compram o café diretamente do produtor rural ou, mais freqüentemente, por intermédio de corretores ou corretoras; [...] Que o declarante afirmou que os valores para o preenchimento da nota fiscal do produtor rural e da nota fiscal de saída da WR DA SILVA são definidos pelos reais compradores, ou seja, exportadores e indústrias, que repassam tais informaçõs aos corretores, e em casos isolados ao próprio declarante; Que os valores indicados na nota fiscal do produtor são inferiores àqueles destacados na nota fiscal de saída da WR DA SILVA para os exportadores e indústrias na tentativa de dar aparência de uma operação comercial entre elas, evidenciando uma ficta margem de lucro; Que o declarante reafirma que não é a WR DA SILVA quem determina os valores da nota fiscal do produtor, bem como da nota fiscal de saída da mesma, pois ela não efetua operação de compra e venda, mas sim, é utilizada apenas para fornecer nota fiscal para uma operação que se deu entre o produtor rural e as Fl. 2413DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 15586.000441/201025 Acórdão n.º 3102002.314 S3C1T2 Fl. 111 23 exportadoras e indústrias por intermédio de corretoras e corretores (grifo nosso); Que as contas correntes da WR DA SILVA servem apenas para receber os recursos das empresas exportadoras e indústrias e repassar aos produtores rurais; Com base no referido depoimento, fica claro que as denominadas “pseudo atacadistas” (Do Grão, Acádia, L&L, Colúmbia e outras arroladas nos autos), não operavam no mercado de compra e venda do café em grãos, mas sim no mercado paralelo de compra e venda de nota fiscal. Esta conclusão encontrase sobejamente demonstrada por fartas provas documentais presentes nos autos e ratificada nos depoimentos dos próprios envolvidos na fraude. Nesse sentido, o depoimento de Thiago de Resende Gava (fls. 942/943), sócio de fato da Colúmbia, admitindo que a W R da Silva (para quem informalmente trabalhou) “nunca comprou nem vendeu um grão de café...”: “que o objetivo das operações realizadas desta forma é proporcionar um ganho maior para as empresas exportadoras e/ou torrefadoras de café, pois se fosse emitida nota fiscal do produtor rural diretamente para as empresas exportadoras, estas não teriam direito ao crédito de tributos de 9,25% sobre o valor da compra de café. Que alem disso as empresas exportadoras/torrefadoras teriam que recolher o valor referente ao FUNRURAL sobre a nota fiscal do produtor rural (..)” (fl. 941) Em suma, as operações de compra e venda realizadas pelas “pseudo atadistas” tinham duas finalidades: a) gerar créditos integrais da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, no valor equivalente a 9,25% do valor da operação simulada; e b) evitar o recolhimento do valor destinado ao Funrural, calculado sobe a nota fiscl do produtor. No mesmo sentido, os elementos probatórios coligidos aos autos demonstram que as “pseudoatacadistas” (W R da Silva, Nova Brasília, Colúmbia, Do Grão, Acádia, L&L, V. Munaldi, Reicafé, WG Azevedo etc.) funcionavam como “laranjas”, e que essa situação era do pleno conhecimento dos compradores, conforme registrado no depoimento dos corretores, por exemplo, no de Devanir Fernandes dos Santos (fls. 546/548), que “afirmou que as empresas exportadoras e Indústrias, compradoras de café, para os as quais o declarante atua como corretor de café, tem pleno conhecimento de que as empresas que constam nas notas fiscais como vendedoras de café são laranjas”. Além disso, cabe enfatizar que a glosa promovida pela fiscalização não se deve a considerações quanto à efetividade pagamento, mas sim quanto à interposição fraudulenta de “empresas de fachada”, como se o produto estivesse sendo adquirido destas, o que, comprovadamente não ocorreu nas compras fraudulentas realizadas pela recorrente e objeto da glosa dos créditos indevidamente apropriados. Com base nessas considerações, fica demonstrado que as citadas transferência eletrônicas ou depósitos báncários realizados pela recorrente não passsam de mais um procedimento simulatório, com a nítida intenção dissimular a real operação de compra entre o produtor rural e as empresas exportadoras e industriais, e desse modo comprovar que agira como comprador de boafé, o que as provas demonstram de forma cabal, que não ocorreu. Fl. 2414DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 24 Por força dessa circunstância, rejeitase a presente alegação. Da inconstitucionalidade da Lei 10.865/2005. A recorrente ainda alegou que, com o advento da Emenda Constitucional 42/2003, que introduziu o princípio da não cumulativadade para a Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, nos termos do § 12 ao art. 195 da CF/1988, a Lei 10.865/2004, que alterou as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, não poderia condicionar a apuração dos créditos das referidas contribuições à incidência e recolhimento nas operações anteriores. A apreciação da alegação suscitada pela recorrente, certamente, implicaria apreciação da constitucionalidade do referido diploma legal, matéria que foge da competência deste Colegiado, conforme expressamente dispõe o art. 26A do PAF. Aliás, em consonância com o referido preceito legal, tal vedação foi objeto da Súmula CARF nº 02, que tem o seguinte teor, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Com base nessas considerações, não se toma conhecimento da presente alegação. III Da Conclusão. Por todo o exposto, votase por tomar conhecimento parcial do recurso e, na parte conhecida, negarlhe integral provimento. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 2415DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 13971.000847/2009-03
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2403-000.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência .
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência . Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1282; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.000847/200903 Recurso nº 000.001Voluntário Resolução nº 2403000.180 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 18 de julho de 2013 Assunto CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente HB.SIS SERVIÇOS EM TI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência . Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .0 00 84 7/ 20 09 -0 3 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13971.000847/200903 Resolução nº 2403000.180 S2C4T3 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão nº. 0727.437, que julgou improcedente a impugnação apresentada para manter incólume o crédito tributário sob análise. A autuação objetiva a exigência de contribuições devidas ao SESC, SENAC, SEBRAE, FNDE (salário educação) e INCRA, no importe de R$ 107.356,86 (cento e sete mil trezentos e cinqüenta e seis reais e oitenta e seis centavos). Consubstanciada no DEBCAD nº. 37.193.4702, referese ao período de 02/2006, 05 a 12/2006, o Auto de Infração teve seu cerne a partir dos fatos narrados no Relatório Fiscal, fls. 30/32, in verbis: A autuada declarou em campo próprio de Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP ser optante do SIMPLES – Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. Ocorre que a referida opção foi objeto de cancelamento, conforme dispõe o Ato Declaratório Executivo nº. 12 de 12/03/2009, em anexo. Desta forma, as contribuições destinadas às outras entidades, mencionadas no item 1 deste relatório não estão contempladas nas GFIP do período em questão. Em auditorias fiscais desenvolvidas na empresa HBSIS Informática Ltda. e na própria autuada, verificouse que as mesmas integram grupo econômico de fato. Foi emitida Representação Administrativa à autoridade competente a qual expediu o mencionado Ato Declaratório Executivo, com base no disposto no art. 14, inciso IV da Lei 9.317/96 e art. 23, inciso IV da IN SRF 608/06 e também, consequentemente, por incidir na vedação imposta pelo art. 9º, inciso IX da Lei 9.317/96. A exclusão de que trata este Ato Declaratório produz efeitos retroativos a 23/01/2006, nos termos inciso VII do art. 24 da IN SRF 608/2006, podendo ser apresentada manifestação de inconformidade no prazo de 30 dias a partir da data de ciência do contribuinte, conforme determina o art. 15 do Decreto 70.235/72. Os fatos e circunstâncias que motivaram a exclusão do SIMPLES estão relatados na Representação Administrativa, integrante deste processo. Foram imputadas como solidariamente responsáveis pela infração, pela configuração de grupo econômico de fato, as empresas HBSIS Informática LTDA, CNPJ Fl. 130DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13971.000847/200903 Resolução nº 2403000.180 S2C4T3 Fl. 4 3 81.875.973/000176 e HBSIS Administração de Bens e Participações LTDA, CNPJ 10.348.941/000174. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento efetuado, a empresa contestou a autuação fiscal por meio do instrumento de fls. 43/65. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 6ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC, DRJ/FNS, prolatou o Acórdão n° 07 27.437, fls. 78/98, julgando a impugnação improcedente para manter incólume o crédito tributário lançado, conforme ementa abaixo transcrita. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/02/2006 a 30/06/2007 Auto de Infração nº 37.193.4702 de 20/03/2009 EXCLUSÃO. SIMPLES NACIONAL. USO DE INTERPOSTAS PESSOAS. A constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionistas, ou o titular, no caso de firma individual, impõe a exclusão de ofício da pessoa jurídica do Simples Nacional, com efeitos a partir, inclusive, do mês de ocorrência do fato, por disposição legal expressa. EXCLUSÃO COM EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições e passível de fiscalização posterior, sendo legal a exclusão com efeitos retroativos, quando verificado que o contribuinte estava indevidamente incluído no sistema. EXCLUSÃO DO SIMPLES. SUJEIÇÃO PASSIVA COMO EMPRESA NORMAL. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas que, no caso das contribuições sociais, segue as mesmas regras das demais empresas, devendo recolhêlas como tal. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. IMPUGNAÇÃO. O recurso em processo de exclusão do sujeito passivo do sistema SIMPLES não impede o regular andamento do processo de lançamento das contribuições sociais previstas na legislação previdenciária. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE/ ILEGALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário, motivo pelo qual descabe o julgamento destes argumentos na esfera administrativa. Impugnação Improcedente Fl. 131DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13971.000847/200903 Resolução nº 2403000.180 S2C4T3 Fl. 5 4 Crédito Tributário Mantido DO RECURSO Irresignada, a empresa apresentou tempestivamente recurso voluntário, em fls. 101/126, aduzindo, em apertada síntese, os seguintes argumentos de defesa: A decisão proferida pela DRJ em Florianópolis deve ser anulada pois ao negar o pedido de perícia realizado na impugnação, violou seu direito constitucional à ampla defesa; Não houve declaração definitiva de exclusão por parte da RFB. A inscrição no SIMPLES não poderia ter sido ignorada pelo fiscal. Como não houve exclusão definitiva o auto de infração de insubsistente. Alega, ainda, que em outro procedimento, a fiscalização emitiu Representação Fiscal e determinou a suspensão da ação fiscal até o trânsito em julgado do processo de exclusão; O auto de infração em questão é nulo pois não especifica quais dispositivos teriam sido violados dificultando o exercício de defesa da contribuinte; Inexistência de provas em relação à constituição da empresa por interpostas pessoas bem como quanto à configuração do grupo econômico de fato; A constituição da pessoa jurídica foi legal. Os sócios são pessoas reais, atendem os requisitos pegais para exercer a direção da sociedade e administração do negócio. A existência de parentesco entre os sócios não é impedimento legal para a constituição da empresa, uma vez preenchido os pressupostos normativos, tal situação é irrelevante. A fiscalização não se atentou para este fato, desconsiderando pessoas jurídicas independentes e autônomas, com registro realizado perante o órgão competente e em plena atividade; Não existe grupo econômico algum entre a autuada e as responsáveis solidárias, que são todas autônomas e independentes tanto administrativamente quanto financeiramente. A formação de grupo econômico não pode ser forjada por mera presunção, eis que decorre de lei. Não há nos autos elemento probatório capaz de comprovar o elemento “controle comum”. A contribuinte cita alguns fatos que, ao seu entender descaracterizam a ação da fiscalização como a ação trabalhista movida por exfuncionário que não faz menção ao grupo econômico, que as interpostas pessoas só poderiam ser enquadradas nesta condição caso não tivessem exercido funções administrativas e gerenciais; Por alegar existência de grupo econômico, foram envolvidas as empresas HBSIS Informática e HBSIS Administração de Bens e Participações. A DMK (atual HB.SIS Serviços) é solvente e continua existindo regularmente com todos os seus compromissos em dia. Considerando que a solidariedade é relevante somente na cobrança do crédito tributário, na hipótese dos autos ela deve ser afastada, face à solvabilidade da autuada. É o relatório. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13971.000847/200903 Resolução nº 2403000.180 S2C4T3 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo, e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portando dele tomo conhecimento. DA CONEXÃO COM O PROCESSO Nº 13971.000848/200940 Do Mandado de Procedimento Fiscal nº. 09.2.04.002005004570, decorreram também as autuações fiscais DEBCAD’s nº.37.193.4710, e nº.37.193.4729. Este processo, decorrente do DEBCAD 37.193.4702, guarda conexão com o DEBCAD nº. 37.193.4710, o qual foi tombado sob o nº. 13971.000848/200940, cujo julgamento se deu na sessão de 23 de janeiro do corrente ano, sob minha relatoria. Em razão do exposto, por se tratarem de processos conexos, em homenagem ao princípio da eficiência e da economia processual, aplicarseá as mesmas considerações e razões de decidir do processo anterior, como não poderia deixar de ser. DA PRELIMINAR DE NULIDADE Em preliminar a ora Recorrente suscita a nulidade do acórdão proferido pela 6a Turma da DRJ em Florianópolis por terlhe negado o pedido de diligência realizado na impugnação, com fundamento na violação do direito à ampla defesa e contraditório. Ocorre que tais argumentos não prosperam. Com fundamento no art. 18 e 28 do Decreto 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância autorizará a realização de diligências ou perícias apenas quando entendê las necessárias, indeferindoas quando considerar prescindíveis ou impraticáveis. Tal entendimento já é pacífico na via administrativa e não viola o direito à ampla defesa ou contraditório do contribuinte, muito pelo contrário, uma vez que todos os elementos de prova deverão ser apresentados juntamente com a impugnação. O art. 28 do Decreto 70.235/72 encontrase em consonância com o que preceitua o princípio da economia processual, estampado no inciso LXXVIII do art. 5o da CF, evitando assim, o trâmite ad eternum e desnecessário de processos tanto no âmbito judicial quanto administrativo: “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação” Outrossim, a ora recorrente alega a existência de vício formal no auto de infração, qual seja, a falta de clareza a respeito dos dispositivos legais violados por ela. Argumenta que não basta a indicação de uma variedade de dispositivos, que contém disposições genéricas, sem características com a infração ou que tornem difícil a sua interpretação. Melhor sorte não lhe assiste. Observe que a defesa do contribuinte foi amplamente exercida em todas 27 páginas de seu recurso voluntário. Não que a extensão ou a Fl. 133DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13971.000847/200903 Resolução nº 2403000.180 S2C4T3 Fl. 7 6 quantidade de páginas utilizadas signifique melhor ou pior defesa, mas compulsando a peça processual, percebese que este entendeu perfeitamente a acusação que lhe havia sido imputada pela fiscalização e impugnou todos os pontos de discordância, indicando os fundamentos de fato e de direito para a reforma do acórdão vergastado. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do decisum hostilizado, bem como, a do auto de infração. MÉRITO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES, DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO E DO SOBRESTAMENTO DO FEITO A matéria de fundo do processo administrativo 13971.000846/200951 é a exclusão da empresa do sistema integrado de pagamento de impostos e contribuições das microempresas e empresas de pequeno porte – SIMPLES, pelas razões já explicitadas no relatório. As razões que levaram a fiscalização a emitir o ADE que culminou com a exclusão da autuada do SIMPLES, bem como sua procedência ou improcedência estão pendentes de análise em processo próprio, perante a 1ª seção deste Conselho. Para maiores esclarecimentos, o ilustre relator do acórdão proferido pela 6a Turma da DRJ em Florianópolis, Sr. Roger Teixeira, trouxe à colação o acórdão 27.436 de 16/02/2012, nos autos do processo 13971.000846/200951, proferido pela mesma Turma, que reconheceu a unanimidade de votos, a existência de grupo econômico entre a empresa autuada e as responsáveis solidárias na presente demanda, bem como a constituição da HB.SIS Serviços Ltda. (DMK), CNPJ : 07.806.322/000171, mediante interpostas pessoas. Eis a ementa do julgado: SIMPLES. EXCLUSÃO.INTERPOSTAS PESSOAS. A pessoa jurídica que é constituída por interpostas pessoas, encobrindo quem são os verdadeiros sócios, não tem o direito de permanecer inscrita no regime do Simples. SIMPLES. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. Considera se a existência de grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas encontramse sob a direção, o controle ou a administração de uma delas. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou de ilegalidade de atos normativos federais é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário, motivo pelo qual descabe o julgamento destes argumentos na esfera administrativa. Referido processo, de fato, ainda não foi julgado definitivamente. Atualmente encontrase neste Conselho, em sua Primeira Seção, pendente de distribuição/sorteio. Da leitura dos autos, mormente da decisão acima mencionada e do Relatório Fiscal (fls. 30/32), percebese que os processos são conexos eis que derivam do mesmo fato e, Fl. 134DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13971.000847/200903 Resolução nº 2403000.180 S2C4T3 Fl. 8 7 o julgamento naquele processo influenciará sobremaneira o julgamento do presente, uma vez que o cerne da questão é a devida exclusão ou não do regime simplificado. O art. 265, IV, alínea “a” do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo tributário, prevê que o julgador poderá suspender o processo “quando a sentença de mérito depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente”, tal qual o presente caso. CONCLUSÃO Neste sentido, sugiro o sobrestamento deste feito até que decisão final seja proferida nos autos do processo administrativo 13971.000846/200951, tudo a fim de se evitar o surgimento de decisões contraditórias. Marcelo Magalhães Peixoto Relator Fl. 135DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001776/2009-11
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2004
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Constitui infração à legislação da Receita Federal do Brasil deixar a empresa de exibir todos os documentos e livros relação a fatos geradores contribuições previdenciárias, por infração ao art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999..
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento.
Em atenção ao Auto de Infração em questão, tratar-se de lançamento de ofício conforme estipula o art. 142, II do CTN, fundado em descumprimento de obrigação acessória de informação na forma da legislação tributária, aplica-se a contagem do prazo de 5(cinco) anos na forma do artigo 173, inciso I, do CTN..
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ARTS. 62 E 62-A, DO ANEXO II, DO REGIMENTO INTERNO.
O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-003.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2004 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração à legislação da Receita Federal do Brasil deixar a empresa de exibir todos os documentos e livros relação a fatos geradores contribuições previdenciárias, por infração ao art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999.. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. Em atenção ao Auto de Infração em questão, tratar-se de lançamento de ofício conforme estipula o art. 142, II do CTN, fundado em descumprimento de obrigação acessória de informação na forma da legislação tributária, aplica-se a contagem do prazo de 5(cinco) anos na forma do artigo 173, inciso I, do CTN.. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ARTS. 62 E 62-A, DO ANEXO II, DO REGIMENTO INTERNO. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2283; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 394 1 393 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001776/200911 Recurso nº 19.515.001776200911 Voluntário Acórdão nº 2803003.428 – 3ª Turma Especial Sessão de 17 de julho de 2014 Matéria Obrigações Acessória Recorrente SERVCOMPANY RELACOES DE EMPREGOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2004 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração à legislação da Receita Federal do Brasil deixar a empresa de exibir todos os documentos e livros relação a fatos geradores contribuições previdenciárias, por infração ao art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999.. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. Em atenção ao Auto de Infração em questão, tratarse de lançamento de ofício conforme estipula o art. 142, II do CTN, fundado em descumprimento de obrigação acessória de informação na forma da legislação tributária, aplicase a contagem do prazo de 5(cinco) anos na forma do artigo 173, inciso I, do CTN.. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ARTS. 62 E 62A, DO ANEXO II, DO REGIMENTO INTERNO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 17 76 /2 00 9- 11 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 19515.001776/200911 Acórdão n.º 2803003.428 S2TE03 Fl. 395 2 O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 19515.001776/200911 Acórdão n.º 2803003.428 S2TE03 Fl. 396 3 Relatório O presente recurso voluntário busca a reforma da decisão que manteve o lançamento do Auto de Infração (AI DEBCAD nº 37.222.2510), lavrado contra a empresa em virtude do descumprimento da obrigação acessória por infração ao artigo 32, inciso III e parágrafo 11, da Lei n° 8.212/91, com a redação da MP n° 449, de 03/12/2008, combinado com o artigo 225, III, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, por ter a empresa deixado de apresentar à fiscalização os seguintes documentos suporte aos lançamentos contábeis efetuados nas contas n° 3.1.5.01.0011 (Represe a o Social) e n°3.1.5.01.0026 (Despesas Diversas), informações extraídas do Livro Diário n° 11, autenticado na JUCESP sob o n° 86116, apresentado em decorrência da solicitação feita por meio do TIF — Termo de Intimação Fiscal n° 01. A ciência do lançamento foi em 28.05.2014. O recurso voluntário apresentado tempestivamente, recurso voluntário apresentado tempestivamente, alega: decadência em razão do art. 150, §4º, do CTN, duplicidade de lançamento com o LCD n. 37.109.8572, pedido de diligência, não incidência de multa. . É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 19515.001776/200911 Acórdão n.º 2803003.428 S2TE03 Fl. 397 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato I O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme supra relatado, atendido os pressupostos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II – Invertese a apresentação dos fundamentos deste voto, por questão de lógica de argumentação. No que refere à tipificação e lançamento da penalidade, está correto o Auto de Infração, conforme obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso III e parágrafo 11, da Lei n° 8.212/91, com a redação da MP n° 449, de 03/12/2008, combinado com o artigo 225, III, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, por ter a empresa deixado de apresentar à fiscalização documentos solicitados. A penalidade está prevista disposto nos artigos 92 e 102 da Lei n° 8.212/91, combinados o artigo 283, inciso I, alínea "j", e artigo 373 do Regulamento da Previdência Social – RPS aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99. A sanção é fixa, indiferentemente da quantidade das faltas. Obrigação essa que tem natureza instrumental (art. 113, do CTN), como forma de auxiliar o controle e arrecadação tributária, mas é autônoma do cumprimento das demais obrigações. O lançamento do crédito em razão da falta, cumpriu os requisitos do art. 142, do CTN, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante os artigos 33 e 37 da Lei nº 8212/91, que dispõem sobre a competência/dever de fiscalizar, não cabendo qualquer discricionariedade à Autoridade Administrativa. A recorrente não trouxe qualquer elemento probatório de que teria realizado conforme descrito na norma de incidência, ou que sofreu causa impeditiva para tanto, como faculta o art. 16, do Dec. 70.235, não havendo questionamento efetivo das presunções de veracidade dos fatos relatados no auto de infração. A suposta alegação de nulidade do lançamento por aferição indireta, em nada questiona o presente crédito, pois a sanção é aplicada em valor fixo, independente de qualquer quantificação de obrigações principais, como supra mencionado, a obrigação descumprida é autônoma do cumprimento das demais obrigações. III Quanto à alegação de aplicação da decadência na forma do art. 150, §4o, do CTN, o auto de infração foi entregue ao contribuinte em 28.05.2009. Por se tratar de constituição de crédito tributário oriundo de aplicação de sanção por descumprimento de obrigação instrumental (acessória) o lançamento de crédito tributário é realizado de ofício, em especial nos casos de declarações não prestadas, por quem Fl. 137DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 19515.001776/200911 Acórdão n.º 2803003.428 S2TE03 Fl. 398 5 de direito, no prazo e na forma da legislação tributária (art. 149, II, do CTN). Assim, no presente caso, as regras de decadência do crédito tributário a serem aplicadas não são as definidas para os casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação de pagamento (art. 150, § 4º e art. 156, VII, do CTN), mas das regras destinadas a reger a decadência dos créditos tributários sujeitos ao lançamento de ofício, devendo assim ser observado o disposto nos arts. 156, V, e 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o direito de constituição do crédito tributário será extinto ao termo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Essa é inclusive a orientação jurisprudencial de vários julgados do 2º Conselho de Contribuintes e da 2ª Sessão de Julgamento do CARF/MF, a exemplo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 40, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n os 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, tratandose de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, aplicase o artigo 173, inciso I, do CTN, uma vez que a contribuinte omitiu informações ao INSS, caracterizando lançamento de oficio. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Ac. 240100.567, ,Rel.Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira da 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF/MF, sessão de 03.12.2009 – no mesmo sentido Ac Ac. 20601.698 do 2º CC) Por fim, tal matéria foi submetida ao crivo da 1ª. Seção do Superior Tribunal de Justiça, através de Recurso Especial representativo de controvérsia – RESP 973.733, conforme art. 543C do normativo processual e, segundo a nova redação do art. 62A do Regimento interno do CARF, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros. Reproduzimos excerto da ementa: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante Fl. 138DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 19515.001776/200911 Acórdão n.º 2803003.428 S2TE03 Fl. 399 6 a configuração de. desarrazoado prazo decadencial decenal(...) grifamos O aspecto temporal da hipótese de incidência da norma sancionatoria é o momento de desobediência da norma tributária de obrigação acessória, que se dá no momento em que ela deveria ser cumprida, mas não é. Assim, consoante a regra retro citada, o último período alcançado pela decadência seria a competência11/2003. Considerando que a recorrente deveria manter atualizado a folha de pagamento mês a mês, nas competência dos documentos solicitados são de 1 a 12/2004, e que a multa é fixa aplicada indiferentemente da quantidade de competências, as mesmas não se encontram atingidas pela decadência. Logo, neste ponto, não deve ser acolhido o Recurso Voluntário. IV O pedido de diligência pericial para ser devidamente deferido, além da necessidade do juízo de convencia e necessidade do julgador, deve ser acompanhado dos motivos e dos quesitos, conforme o art. 16, IV, c/c §1º, do Dec. 70.235. No caso presente não houve o preenchimento desses requisitos. V Por final, quanto à suposta inconstitucionalidade de tal aplicação da sanção em face do principio da legalidade, vedação ao confisco e razoabilidade, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF MF, com interpretação consolidada pela Súmula 1, do CARF/MF. VI – Isso posto, voto por conhecer o recurso voluntário, mas, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 139DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.694476/2009-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto. RELATÓRIO
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Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto. RELATÓRIO Trata o presente de declaração de compensação, relativa a crédito de junho/2004, indeferida pela autoridade administrativa sob o fundamento de que o DARF informado como origem do crédito fora utilizado para quitação de outros débitos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 94 47 6/ 20 09 -3 0 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694476/200930 Resolução nº 3302000.503 S3C3T2 Fl. 294 2 A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que: 1. A maior parte das receitas decorrem da prestação do serviço de transmissão de energia elétrica de acordo com contrato firmado em 13/09/1999 (CONTRATO CPST Nº 006/1999), firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico ONS; 2. Estas receitas estariam sujeitas à incidência cumulativa da Lei nº 9.718/98, por decorrerem de contratos de longo prazo, a preço predeterminado e firmado anteriormente a 31/10/2003, por disposição prevista no inciso XI, alíneas "b" e "c", do art. 10 da Lei nº 10.833/2003; 3. A Nota Técnica nº 224/2006, expedida pela SFF/ANEEL, apresentou entendimento sobre o tema, concluindo que as receitas decorrentes dos Contratos de Prestação de Serviço de Trasmissão CPST, firmados anteriormente a 31/10/2003, e reajustados anualmente pelo IGPM, se sujeitam à incidência cumulativa das contribuições prevista na Lei nº 9718/98; 4. Recolheu, equivocadamente, as contribuições para o PIS e Cofins no regime nãocumulativo, não separando as sujeitas ao regime cumulativo, e, posteriormente, transmitiu várias DCOMPs para aproveitar o crédito originado do pagamento indevido; 5. Estava providenciando a retificação das DCTF e Dacons, quando foi surpreendida com a ciência dos despachos decisórios, não homologando as compensações; 6. Foi necessária a retificação dos Dacons e das DCTF, após a ciência dos despachos decisórios, para corrigir o erro de fato cometido e que as DCOMPs não foram retificadas em razão da intimação para ciência dos despachos decisórios, de acordo com a vedação constante nos artigos 77 e 95 da IN RFB nº 900/2008; 7. Os erros cometidos no preenchimento dos DARFs, DCTFs, Dacons e DCOMP não causaram prejuízo ao erário e devem ser reconhecidos pela Administração Tributária, nos termos do art. 147 do CTN e em atendimento ao princípio da verdade material; 8. Poderá disponibilizar os documentos como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, Contratos, normas da ANEEL para realização de diligência, caso seja necessária; A Terceira Turma da DRJ/BEL em Belém proferiu decisão nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2004 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. DCTF E DACON RETIFICADORES. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694476/200930 Resolução nº 3302000.503 S3C3T2 Fl. 295 3 A DCTF e o DACON Retificadores, na condição de documentos confeccionados pelo próprio interessado, não exprimem nem materializam, por si só, o indébito fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, alegando resumidamente que: 1. O IGPM deve ser considerado índice que reflete a variação ponderada dos custos e, portanto, enquadrado no art. 109 da Lei nº 11.196/2005; 2. Ainda que se negue a inclusão do IGPM no art. 109 da Lei n 11.196/2005, tal índice é mero reajuste do preço contratado, e não modificação deste preço, e que se o art. 109 da Lei nº 11.196/2005 estipulou que a variação dos custos não descaracteriza o preço predeterminado, com maior razão, um índice geral de correção não deveria descaracterizálo; 3. As IN SRF 468/2004 e 658/2006 consistem em flagrante ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 150, inciso I da Constituição Federal; 4. O indébito decorre de erro na aplicação da alíquota; 5. Não disponibilizou toda a documentação, como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, normas da ANEEL em razão do grande volume, vez que foram apresentadas 51 defesas administrativas; 6. Em momento algum, afirmou que a retificação do DACON e da DCTF constituem o direito creditório líquido e oponível à RFB, mas que pretendeu apenas cumprir os deveres instrumentais quanto ao erro alegado e que tais informações estão consubstanciadas em sua escrituração contábil; Cita, ainda, jurisprudência deste Conselho e do STJ e apresenta cópia do balancete, demonstrativos das receitas, indicação da conta contábil, de modo a corroborar suas alegações. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A autoridade administrativa indeferiu a homologação pelo fato de o DARF apontado como origem do crédito pleiteado estava alocado a débitos em DCTF. Após a ciência do despacho, a recorrente providenciou a retificação do Dacon e da DCTF, demonstrando os valores alegados como corretos. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694476/200930 Resolução nº 3302000.503 S3C3T2 Fl. 296 4 A DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente, sob os argumentos de que o contrato CPST 006/1999, apresentado pela recorrente, não era apto a demonstrar que não houve após 31/10/2003 a implementação de quaisquer das ocorrências que descaracterizassem o preço predeterminado; que a Cláusula 53 assegurava às partes a prerrogativa de solicitar a revisão das cláusulas e condições avençadas; que a competência da ANEEL não alcança a interpretação da legislação tributária; que o IGPM não constitui índice que reflete a variação dos custos de produção nem reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que a desconstituição dos créditos confessados não se efetiva com a apresentação da DCTF e Dacon retificadores, mas com a apresentação da escrita fiscal e contábil e respectiva documentação de suporte. Por sua vez, a recorrente, em recurso voluntário, alega que o reajuste pelo IGP M não descaracteriza o preço determinado, e apresenta cópias dos balancetes e demonstrativos de forma a comprovar seu direito. Vêse que a lide se refere ao alcance da expressão "preço predeterminado", e, consequentemente, da sujeição das receitas auferidas à incidência nãocumulativa ou cumulativa das contribuições. Passase, assim, à análise dos requisitos para exclusão das receitas em questão da incidência nãocumulativa das contribuições e da definição de preço predeterminado. As receitas decorrentes de determinados contratos firmados antes de 31/10/2003 foram excluídas da incidência nãocumulativa das contribuições, a partir da vigência do inciso XI do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicado ao PIS/Pasep pelo art. 15 da referida lei: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) [...]XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; [...]Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]V no art. 10, incisos VI, IX e XI a XXI desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 296DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694476/200930 Resolução nº 3302000.503 S3C3T2 Fl. 297 5 V nos incisos VI, IX a XXV do caput e no § 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Regulamentando o dispositivo, a RFB editou a IN SRF 468/2004, que, em seu art.2º, estipulou que a implementação do primeiro reajuste ou a revisão para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos, após 31/10/2003, descaracterizariam o preço predeterminado, nos seguintes termos: Art. 2o Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1 o Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2 o Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1 o . § 3 º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art. 1 º . Posteriormente, a Lei nº 11.196/2005, em seu art. 109, dispôs que o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos não será considerado para fins de descaracterização do preço determinado: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Novamente, regulamentando a matéria, a RFB editou a IN SRF nº 658/2006, revogando a IN SRF nº 468/2004 e incorporando as disposições do art. 109 acima mencionado, nos seguintes termos: Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694476/200930 Resolução nº 3302000.503 S3C3T2 Fl. 298 6 § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º1, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.(grifo não original) Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições. Verificase que a Receita Federal considerou que as hipóteses de reajuste e de revisão dos contratos administrativos, destinados à manutenção do equilíbrio econômico financeiro, expressos no art. 55, inciso III, 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93, descaracterizariam o preço predeterminado, excetuando o reajuste não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. A revisão contratual decorre de fatos imprevisíveis, ou previsíveis, porém de conseqüências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e extracontratual2. Já o reajuste é cláusula necessária nos contratos administrativos3 e "objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômicos". A legislação distingue as duas figuras, como se observa na Lei nº 8.987/95, que, dispondo sobre o regime de concessão de serviços públicos, especifica em seu art. 9º, §3º4, a 1 A data é 31/10/2003. 2 Art. 65, inciso II, alínea "d" da Lei nº 8.666/93 3 Art. 55, inciso III da Lei nº 8.666/93 4 Lei 8.987/95: Art. 9o A tarifa do serviço público concedido será fixada pelo preço da proposta vencedora da licitação e preservada pelas regras de revisão previstas nesta Lei, no edital e no contrato. [..~] § 2o Os contratos poderão prever mecanismos de revisão das tarifas, a fim de manterse o equilíbrio econômicofinanceiro. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694476/200930 Resolução nº 3302000.503 S3C3T2 Fl. 299 7 possibilidade de revisão da tarifa decorrente da criação ou alteração de tributos. Já o artigo 18 da referida lei dispõe que o edital de licitação deverá prever os critérios de reajuste e revisão da tarifa, também ocorrendo a referida distinção nos artigos 23 e 29. A situação aqui tratada referese a reajuste e não a revisão contratual e se o procedimento altera o preço predeterminado. A definição desta expressão adotada pela RFB era a disposta na IN SRF nº 21/79: 3 Produção em Longo Prazo O contrato de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços a serem produzidos, com prazo de execução física superior a 12 (doze) meses, terá seu resultado apurado, em cada períodobase, segundo o progresso dessa execução: 3.1 Preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento, para execução global; no caso de construções, bens ou serviços divisíveis, o preço predeterminado é o fixado contratualmente para cada unidade. A instrução normativa acima foi utilizada como fundamento em diversas soluções de consulta da RFB, após a edição do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. O entendimento era pacífico neste sentido até a edição da IN SRF 468/2004. Porém a RFB editou a referida instrução, modificando o entendimento sobre a definição de preço predeterminado, sem que qualquer lei tenha sido publicada alterando tal definição. Foi meramente nova interpretação normativa que suscitou rebates por parte dos contribuintes, tendo o STJ se pronunciado sobre a ilegalidade da IN SRF 468/2004: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.310.284 PR (2012/00355487) EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. § 3o Ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, após a apresentação da proposta, quando comprovado seu impacto, implicará a revisão da tarifa, para mais ou para menos, conforme o caso. [...] Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: [...] IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; Art. 29. Incumbe ao poder concedente: [...] V homologar reajustes e proceder à revisão das tarifas na forma desta Lei, das normas pertinentes e do contrato; Fl. 299DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694476/200930 Resolução nº 3302000.503 S3C3T2 Fl. 300 8 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034 PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, Dje 13/5/2009. RECURSO ESPECIAL Nº 1.169.088 MT (2009/02357184) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. [...]4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. RECURSO ESPECIAL Nº 1.089.998 RJ (2008/02056082) EMENTA TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a Fl. 300DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694476/200930 Resolução nº 3302000.503 S3C3T2 Fl. 301 9 implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômico financeiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. De fato, a IN SRF nº 468/2004 extrapolou a legislação vigente ao estipular que o reajuste implicaria em descaracterização do preço predeterminado. Entretanto, o advento do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 alterou a configuração legislativa sobre a matéria. O art. 109 mencionou expressamente que "o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069/95, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado". Se a intenção da modificação era permitir que o reajuste não descaracterizasse o preço predeterminado, não foi o que restou publicado. O art. 109 faz referência à Lei 9.069/95, conversão das MPs que criaram o Plano Real, na qual estipulava que a correção monetária, em virtude de estipulação legal ou em negócio jurídico, deveria darse pelo Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr, de acordo com o art. 27 da Lei nº 9.069/95, mas ressalvadas as hipóteses de seu parágrafo primeiro: § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; III às hipóteses tratadas em lei especial. Foi justamente sobre o inciso II do §1º que o art. 109 fez a ressalva quanto ao reajuste não descaracterizar o preço predeterminado e não sobre o IPCr. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694476/200930 Resolução nº 3302000.503 S3C3T2 Fl. 302 10 Salientase que a Lei nº 10.192/2001, conversão de MPs que se originaram da MP nº 1.503/95, extinguiu o IPCr em seu art. 8º: Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1o Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo. A mesma lei, em seu artigo 2º, dispôs que: Art. 1o As estipulações de pagamento de obrigações pecuniárias exeqüíveis no território nacional deverão ser feitas em Real, pelo seu valor nominal. Parágrafo único. São vedadas, sob pena de nulidade, quaisquer estipulações de: I pagamento expressas em, ou vinculadas a ouro ou moeda estrangeira, ressalvado o disposto nos arts. 2o e 3o do DecretoLei no 857, de 11 de setembro de 1969, e na parte final do art. 6o da Lei no 8.880, de 27 de maio de 1994; II reajuste ou correção monetária expressas em, ou vinculadas a unidade monetária de conta de qualquer natureza; III correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados, ressalvado o disposto no artigo seguinte. Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. § 1o É nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária de periodicidade inferior a um ano. § 2o Em caso de revisão contratual, o termo inicial do período de correção monetária ou reajuste, ou de nova revisão, será a data em que a anterior revisão tiver ocorrido. § 3o Ressalvado o disposto no § 7o do art. 28 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, e no parágrafo seguinte, são nulos de pleno direito quaisquer expedientes que, na apuração do índice de reajuste, produzam efeitos financeiros equivalentes aos de reajuste de periodicidade inferior à anual. O Decreto nº 1.544/95 estipulou que, na hipótese de não existir previsão de índice para substituir o IPCr e na falta de acordo entre as partes, deveria ser utilizada a média Fl. 302DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694476/200930 Resolução nº 3302000.503 S3C3T2 Fl. 303 11 aritmética entre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC do IBGE e o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna IGPDI da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Art. 1º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, a média de índices de preços de abrangência nacional a ser utilizada nas obrigações e contratos anteriormente estipulados com reajustamentos pelo IPCr, a partir de 1º de julho de 1995, será a média aritmética simples dos seguintes índices: I Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); II Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Observase que a própria legislação, já em 1995, cuidou de diferenciar o reajuste em função de índices gerais ou setoriais do reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, inicialmente no art. 27 da Lei 9.069/95 e posteriormente nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.192/2001 (na realidade, a diferença temporal entre as disposições é de apenas 10 dias). O art. 109, ao se referir apenas ao reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, acabou inovando a definição de preço predeterminado, estabelecendo uma distinção até então inexistente. Quisesse apenas referirse a reajuste em geral, bastaria têlo feito nos termos do art. 2º da Lei nº 10.192/2001. Reforçam este entendimento, as emendas feitas à MP 252/2005, citadas na Nota Técnica 224/2006 SFFANEEL: Emendas n° 224 (Dep. Eduardo Gomes), 225 (Dep. Eduardo Sciarra), e 353 (Dep. Max Rosenmann): EMENDA ART. 44A. O art. 10, inciso XI,da Lei nº 10.833, de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 10........................................................................... ........................................................................................ XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais." JUSTIFICATIVA: a redação proposta , com adição da locução "independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais" fazse necessária, visto que o Poder Executivo através da Instrução Normativa nº 468/2004, da SRF, mudou a interpretação do conceito de "preço predeterminado" passando a impedir que os contratos abrigados pela Lei nº 10.833/2003, deixem de usufruir o direito de permanecer sob o regime da cumulatividade. A IN em questão entende que o simples reajuste de preço por índices oficiais já caracteriza uma mudança da base do preço e desta forma afasta a eficácia do dispositivo legal. No fundo o que a IN faz é, na prática, Fl. 303DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694476/200930 Resolução nº 3302000.503 S3C3T2 Fl. 304 12 equiparar o conceito de preço predeterminado " ao conceito de preço fixo, uma vez que praticamente não existe contrato com prazo superior a um ano sem previsão de reajustamento. Tivesse sido assim publicado o artigo 109, a interpretação forçosamente retornaria ao texto da IN SRF nº 21/79, mas não foi o ocorrido. Todavia, a redação da IN SRF 658/2006 modificou, sutilmente, a redação do art. 109, ao dispor no §3º do art. 3º: § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. A redação da lei que era "reajuste de preços em função do" foi regulamentada como "reajuste de preços em percentual não superior". Esta redação não exclui, a priori, a utilização de qualquer índice, desde que ele não ultrapasse o acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Assim, se a fórmula de reajuste utilizada não ultrapassar aqueles limites, deve tal fórmula de reajuste não descaracterizar o preço predeterminado. Ressaltase que o art. 109 está em consonância com o fundamento econômico para o reajuste que é a variação dos custos, como dispõe o inciso XI do art. 40 da Lei nº 8.666/93 e o inciso XVIII do art. 3º da Lei nº 9.427/96, que instituiu a Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL: Lei nº 8.666/93: Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, dia e hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: [...]XI critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) Lei nº 9.427/96: Art. 3o Além das atribuições previstas nos incisos II, III, V, VI, VII, X, XI e XII do art. 29 e no art. 30 da Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, de outras incumbências expressamente previstas em lei e observado o disposto no § 1o, compete à ANEEL: (Redação dada pela Lei nº 10.848, de 2004) (Vide Decreto nº 6.802, de 2009). [...]XVIII definir as tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição, sendo que as de transmissão devem ser baseadas nas seguintes diretrizes: (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Fl. 304DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694476/200930 Resolução nº 3302000.503 S3C3T2 Fl. 305 13 a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para cobertura dos custos dos sistemas de transmissão; e (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para a cobertura dos custos dos sistemas de transmissão, inclusive das interligações internacionais conectadas à rede básica; (Redação dada pela Lei nº 12.111, de 2009) b) utilizar sinal locacional visando a assegurar maiores encargos para os agentes que mais onerem o sistema de transmissão; (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Estabelecidas as condições para a definição de preço predeterminado, passase à análise do contrato apresentado. A recorrente auferiu receitas decorrentes da prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL instituída pela Lei nº 9.427/1996, e pelo contrato firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS em 13/09/1999, intitulado Contrato de Prestação de Serviço de Transmissão de Energia Elétrica (CONTRATO CPST Nº 006/1999). O ONS é entidade de direito privado sem fins lucrativos, cabendolhe, dentre outras atribuições, a de contratar e administrar os serviços de transmissão de energia elétrica e respectivas condições de acesso, bem como dos serviços ancilares, nos termos do art. 13, parágrafo único, alínea “d” da Lei nº 9.648/98, sob fiscalização e regulação da ANEEL (Resolução nº 351/98 e Decreto nº 2.655/98). O contrato celebrado denominase CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSMISSÃO e tem por objeto regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão pela Transmissora (recorrente). Seu prazo de vigência é a partir de 13/09/1999 e permanece até a extinção da concessão da transmissora. A claúsula 36º dispõe que a recorrente teria direito a receber dos usuários, mediante os Contratos de Uso do Sistema de Transmissão, um duodécimo da receita anual permitida, e seu parágrafo 1º dispôs que os serviços de operação de rede básica, serviços de telecomunicações e serviços ancilares seriam remunerados pela RAP até a assinatura de contratos específicos, a serem assinados até 30/06/2000 e 31/12/2002. A cláusula 37º menciona ainda a existência de Contrato de Concessão de Serviço Público de Transmissão de Energia Elétrica. A cláusula 40º estipula que o pagamento mensal à transmissora será realizado de acordo com as datas e condições definidas nos Contratos de Uso do Sistema de Transmissão. Cláusula 40º O pagamento mensal, definido na Cláusula 36*, devido pelos USUÁRIOS à TRANSMISSORA pela Prestação dos Serviços de Transmissão, será realizado em 3 (três) vencimentos, cada um equivalente a 1/3 (um terço) do valor global devido, nas datas e condições definidas nos CONTRATOS DE USO DO SISTEMA DE TRANSMISSÃO. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694476/200930 Resolução nº 3302000.503 S3C3T2 Fl. 306 14 Verificase que o contrato apresentado é entre o ONS e a recorrente e destinase a regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão, mas não corresponde aos contratos dos quais decorrem as receitas auferidas. Assim, nestes contratos é que estão previstos as condições que permitem aferir sua caracterização como de longo prazo e do preço predeterminado, como: data de assinatura, prazo de vigência, data em que ocorreu o primeiro reajuste, fórmula estabelecida para cálculo do reajuste, e outros. Por outro lado, a Nota Técnica nº 224/2006, elaborada pela Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira – SFF/ANEEL, apresenta os modelos de contratos utilizados na concessão do serviço público de transmissão, contratos de prestação de serviços de transmissão CPST e contratos de uso do sistema de transmissão CUST. Da análise das cláusulas dos modelos apresentados, são necessários alguns esclarecimentos por parte da recorrente para melhor compreendêlos, bem como detalhar a receita auferida, vinculando cada parcela ao contrato que lhe deu origem. Diante do exposto, voto para converter o presente julgamento em resolução para que a autoridade administrativa intime a recorrente a: 1. Relacionar as receitas auferidas ao contrato do qual decorrem; 2. Apresentar o Contrato de Concessão do Serviço Público de Transmissão, especificando a data de assinatura, o prazo de vigência, as condições contratadas para o reajustamento fórmula e datas de reajuste; 3. Identificar o primeiro reajustamento ocorrido após 31/10/2003, relativamente às receitas auferidas; 4. Esclarecer se houve alguma revisão do contrato visando a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro; 5. Apresentar as resoluções da ANEEL relativas a novos acréscimos ao preço originalmente contrato Receita Anual Permitida identificando a origem destes acréscimos; 6. Esclarecer se na receita auferida constam revisões de que trata a cláusula abaixo reproduzida: Oitava Subcláusula A ANEEL procederá, anualmente, à revisão da RECEITA ANUAL PERMITIDA do SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSMISSÃO, pela execução de modificações, reforços e ampliações nas INSTALAÇÕES DE TRANSMISSÃO, inclusive as decorrentes de novos padrões de desempenho técnico determinados peia ANEEL, conforme procedimentos definidos na Oitava Subcláusula da Cláusula Quarta deste CONTRA TO DE CONCESSÃO 7. Esclarecer se na receita auferida há parcela recebida devida à ultrapassagem do sistema de transmissão e da sobrecarga; 8. Informar a existência de Contratos de Conexão à Transmissão firmados após 31/10/2003, de acordo com a Resolução nº 489/2002; Fl. 306DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694476/200930 Resolução nº 3302000.503 S3C3T2 Fl. 307 15 9. Se houve parcela de ajuste na Receita Anual Permitida, relacionada com a majoração das alíquotas de PIS e Cofins, nos termos do disposto no item 69 da Nota Técnica 224/2006: PA (PIS/COFINS) = parcela a ser adicionada a PA de cada concessionária de serviço público de transmissão de energia elétrica, resultante do impacto financeiro decorrente da majoração das alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS 10. Esclarecer se consta receita auferida de novas instalações de transmissão, de acordo com o item 70 da Nota Técnica 224/2006 e a data em que foram autorizadas pela ANEEL: Dessa forma, é possível, e freqüentemente ocorre, a necessidade da realização de obras visando a implantação de novas instalações de transmissão de energia elétrica integrantes da Rede Básica do Sistema Interligado Nacional SIN. Tais obras são então autorizadas por esta ANEEL, mediante a publicação de Resoluções Autorizativas, nas quais é fixada respectiva receita.. 11. Esclarecer se existe algum índice setorial que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; 12. Elaborar comparativo entre a evolução dos custos da prestação do serviço e da variação do índice mencionado no item anterior e o reajuste adotado, relativo ao período correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a competência do crédito objeto da DCOMP. Após concluída a resposta à intimação, elaborar relatório fiscal, separando as receitas que entender sujeitas à incidência nãocumulativa das sujeitas à incidência cumulativa, a partir das premissas contidas nesta resolução, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre as conclusões obtidas, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 307DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 10320.901511/2012-23
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Niterói RJ (unidade do domicílio tributário da Recorrente), para que, primeiramente, verificar e emitir informações sobre a veracidade da alegação da Recorrente, de que o PAF específico de Revisão de PIS nº 13334.000177/2009-22 (juntado às fls. 201/435), se refere a um pedido de Revisão efetuado pela recorrente e, com base nos documentos apensados aos autos de fls. 201 a 708, considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03, elaborar parecer e demonstrativo dos valores, após analisar se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS como alegado pela Recorrente, de acordo com o contido no voto.
Após a conclusão da diligência, devem ser intimados sucessivamente a Recorrente e a Procuradoria da Fazenda Nacional - PFN, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestarem-se sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Em seguida, retornem-se os autos a esta 2ª Turma Especial/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Proferiu sustentação oral pela recorrente, a Dra. Daiane Ambrosino, OAB/SP nº 294.123.
Relatório
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Niterói – RJ (unidade do domicílio tributário da Recorrente), para que, primeiramente, verificar e emitir informações sobre a veracidade da alegação da Recorrente, de que o PAF específico de Revisão de PIS nº 13334.000177/200922 (juntado às fls. 201/435), se refere a um pedido de Revisão efetuado pela recorrente e, com base nos documentos apensados aos autos de fls. 201 a 708, considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03, elaborar parecer e demonstrativo dos valores, após analisar se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS como alegado pela Recorrente, de acordo com o contido no voto. Após a conclusão da diligência, devem ser intimados sucessivamente a Recorrente e a Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestaremse sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Em seguida, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 20 .9 01 51 1/ 20 12 -2 3 Fl. 745DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10320.901511/201223 Resolução nº 3802000.358 S3TE02 Fl. 745 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Proferiu sustentação oral pela recorrente, a Dra. Daiane Ambrosino, OAB/SP nº 294.123. Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a decisão do Acórdão nº 0829.195, da 5ª Turma da DRJ de Fortaleza (CE) fls. 130/133, que não homologou a compensação constante do PER/DCOMP nº 14293.12162.250110.1.3.041199 (fls. 110/114), transmitido com o objetivo de compensar débitos de PIS (códigos 1921, 6912 e 0679), referentes ao período de apuração de dezembro de 2009, com crédito de pagamento indevido ou a maior referente ao DARF de COFINS, código de receita 5856, PA 30/09/2005, com data de arrecadação em 14/10/2005 no valor total de R$ 884.380,39. Por unanimidade de votos, a DRJ/FOR julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA NÃO ACEITA. Não produz efeitos a DCTF Retificadora apresentada posteriormente à decisão definitiva que confirmou o débito original em processo administrativo específico de revisão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos contidos nos autos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Destaquese inicialmente que, neste julgamento, nas menções feitas às folhas deste processo, será adotada a numeração atribuída automaticamente pelo sistema eprocesso. O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório, nº de rastreamento 038081176, emitido eletronicamente em 01/10/2012, fls. 106, que não homologou a compensação constante do PER/DCOMP nº 14293.12162.250110.1.3.041199 (fls. 110/114), transmitido com o objetivo de compensar débitos de PIS (códigos 1921, 6912 e 0679), referentes ao período de apuração de dezembro de 2009 com crédito de Pagamento Indevido ou a Maior referente ao DARF de COFINS, Código de Receita 5856, Período de Apuração 30/09/2005, com Data de Arrecadação em 14/10/2005 e Valor Total de R$ 884.380,39. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10320.901511/201223 Resolução nº 3802000.358 S3TE02 Fl. 746 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão em 16/10/2012, conforme documento de fls. 109, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 02/06, em 16/11/2012, alegando, em síntese, que: 1) Em 08/11/2005, a requerente declarou que havia apurado a título de COFINS a quantia de R$ 884.380,39, sob o código de receita 5856. 2) Em 25/01/2010, a requerente retifica a declaração supramencionada, bem como, em 22/12/2011, retificou sua DACON para constar que a quantia devida a título de COFINS (código de receita 5856) para aquele período era de R$ 763.590,04. 3) A não homologação da declaração de compensação em discussão se deu em razão da autoridade fiscal não se ater, quando da análise de tal pedido, às retificações efetuadas pela requerente, conforme acima exposto, as quais são hábeis a demonstrar a origem do crédito por ela pretendido. Ao final, requer a homologação integral da declaração de compensação em discussão. É o relatório. Em 31/07/2014, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (fl. 142). Inconformada com a decisão da DRJ/FOR, em 01/09/2014 (fl. 146), apresentou recurso voluntário a este CARF (fls. 149/169), argumentando em suas razões que: a) Quanto ao PAF específico de Revisão de PIS nº 13334.000177/200922 Da análise do acórdão recorrido, constatase que o crédito pretendido não foi reconhecido, diante da existência de uma decisão definitiva que confirmou o débito de COFINS, no valor de R$ 909.948,53, referente ao período de apuração de 09/2005, no PAF específico de Revisão de PIS protocolado sob nº 13334.000177/200922. Ocorre que, ao se analisar as cópias integrais daquele processo (fls. 201/435 – doc. nº 3), verificase que ele se refere a pedido de Revisão de débitos efetuado pela Recorrente diante da cobrança efetuada pelo fisco de juros e multa de débitos pagos, referentes ao período de 08/2005 a 06/2007, a título de COFINS sobre operações de bonificações, cuja incidência foi questionada à RFB no ano de 2005, formulado no PAF de Consulta nº 13334.000134/200513. Tal pedido de revisão se fez necessário ante o fato da recorrente ter efetuado o pagamento daqueles débitos dentro do prazo de 30 dias, após ciência da decisão desfavorável (Solução de Consulta nº 10), o que impediria a cobrança de multa e juros, nos termos do art. 14 da IN RFB nº 740/2007. Naquela oportunidade, conforme atesta à fl. 221 do referido PAF, restou decidido pela RFB que a pretensão da recorrente era procedente. O mencionado processo foi devidamente arquivado (fls. 229). Fl. 747DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10320.901511/201223 Resolução nº 3802000.358 S3TE02 Fl. 747 4 b) Da origem do crédito A origem do crédito pretendido pela Recorrente, não guarda qualquer relação, com a revisão solicitada no PAF específico de Revisão de PIS nº 13334.000177/200922. Ocorre que, em 08/11/2005, a recorrente declarou, conforme cópia da DCTF anexa (doc. 4 fls. 436/453), que havia apurado a título de COFINS (código de receita 5856) a quantia de R$ 884.380,39 para o período de apuração de setembro de 2005, valor este que corresponde àquele apurado no DACON, apresentado em 3/11/2005, conforme atesta a ficha 17B do citado demonstrativo, cuja cópia encontrase anexa (doc. 5 – fls. 454/483 ). Em 08/09/2008, a recorrente retificou a DCTF (doc. 6 – fls. 484/501), relativa àquele período para alterar o valor devido de COFINS (código de receita 5856) para R$ 909.948,53 e que sua quitação se deu por meio de pagamentos com DARFs. Posteriormente, com base no art. 3º da lei nº 10.833/2003, a recorrente apropriouse de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos, o que acarretou a revisão da apuração de COFINS relativa ao período de setembro de 2005. Por esta razão, a recorrente apresentou DACON retificador, conforme cópia anexa (doc. 7 – fls. 502/536), a fim de retificar a totalidade de créditos de COFINS informada anteriormente, o que, por consequência, ensejou a redução do valor devido de COFINS (código de receita 5856) para apontado período. Também, retificou a DCTF relativa ao período em discussão (doc. 8 – fls. 537/564), para constar que o valor devido de COFINS (código de receita 5856) era de R$ 763.590,04. Assim, verificase que o pagamento efetuado, em 14/10/2005, no valor total de R$ 884.380,39, a título de COFINS referente ao período em tela (doc. 9 – fl. 565), foi a maior/indevido no total de R$ 146.358,49. Frisese que as retificações do DACON e da DCTF, referentes ao período de setembro de 2005, foram feitas de forma espontânea pela recorrente, ou seja, antes da prolação do despacho decisório. c) Da apuração da COFINS e do PIS (revisão) realizada pela recorrente A revisão se fez necessária ante o objetivo almejado pela recorrente de adequar o processo de apuração do PIS e da COFINS, centralizandoo em seu estabelecimento matriz, haja vista que referidas apurações eram realizadas em cada um de seus estabelecimentos filiais, com a utilização de critérios que divergiam com o praticado pela matriz. Para aquele período a Recorrente apurou o total de créditos de COFINS no valor de R$ 1.425.069,07. A base de cálculo do crédito apurado no valor total de R$ 9.256.733,01, foi composta por valores referentes a bens para revenda, bens utilizados como insumos, despesas de energia elétrica etc. A fim de comprovar referida afirmação, a recorrente junta aos autos as planilhas anexas elaboradas de acordo com os valores contidos nos resumos dos livros de registro de apuração do IPI e do ICMS – entradas de cada estabelecimento (doc. 10 – fls. 567/568), os CFOPs de cada operação (doc. 11 – fls.569/570), os rótulos de linha (doc. 12 – fls. 571/572) e as notas fiscais de entrada daqueles estabelecimentos (doc.13 – fls. 573/611). Fl. 748DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10320.901511/201223 Resolução nº 3802000.358 S3TE02 Fl. 748 5 A fim de elucidar que tais créditos foram corretamente apurados dentro das normas, os mesmos encontram respaldo nos documentos fiscais (livro apuração do IPI e ICMS) e contábeis (livro Razão, Balancetes) e das Planilhas de cálculos elaboradas pela Recorrente, conforme os demonstrativos anexos (doc. 14 ao 26 – fls. 612 a 708). d) Do direito ao crédito da COFINS e do PIS sobre materiais e serviços adquiridos Na época, a recorrente contratou a PricewaterhouseCoopers Contadores Públicos para a realização de um estudo, cuja cópia será oportunamente juntada aos autos. Amparada pelo estudo desenvolvido pela PwC, a recorrente apropriouse de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos anteriormente, com relação a materiais e serviços adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo e despesas de frete relacionadas à aquisição dos materiais adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos. e) Do Pedido Ante todo o exposto, requer o provimento do recurso voluntário de forma a homologar integralmente a declaração de compensação em discussão. Caso entendam que os documentos ora apresentados não são suficientes à confirmação da integralidade do crédito, pedese a conversão deste julgamento em diligência, a fim de que a verdade material seja enfim demonstrada. Por fim, solicita a sustentação oral de suas razões, requer ainda que seja intimada por via postal e, por fim, também intimado de todos os atos processuais, por via postal, o seu advogado, conforme nome e endereço acostado no recurso. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Da admissibilidade do recurso Como visto, em 31/07/2014, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (fl. 142). Em 01/09/2014 (fl. 146), apresentou recurso voluntário a este CARF (fls. 149/169). Observase que a contagem do prazo iniciouse em uma sexta feira e encerrouse em um sábado, sendo prorrogado para o primeiro dia útil, segunda feira, dia 01/09/2014. Portanto, o recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Da Análise do processo No caso sob análise, temos que a controvérsia trata de questão de fato, quando ao analisar a manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, a DRJ/FOR, decidiu julgála improcedente, diante da existência de uma decisão definitiva que confirmou o débito de COFINS, no valor de R$ 909.948,53, referente ao período de apuração de 09/2005, no PAF específico de Revisão de PIS nº 13334.000177/200922. Fl. 749DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10320.901511/201223 Resolução nº 3802000.358 S3TE02 Fl. 749 6 Notase também que, de acordo com o Despacho Decisório (fl. 106), verificou se que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ressaltese que o despacho decisório em questão foi emitido no dia 01/10/2012 e, portanto, antes de sua emissão, nos dias 22/12/2011 e 25/01/2010, respectivamente, o DACON e a DCTF foram retificados pela Recorrente afim de alterar o valor da COFINS devida no período de apuração de setembro de 2005 para R$ 763.590,04. Já o arquivamento do processo administrativo de Revisão do PIS nº 13334.000177/200922, ocorreu em 17/11/2009. Quanto a esses ocorridos, a decisão a quo, analisando os autos a luz dos fatos constantes na manifestação de inconformidade, concluiuse da seguinte maneira: (...) Da análise das informações constantes dos sistemas da RFB (fls. 125/129),verificase que: 1) Em 08/09/2008, o contribuinte apresentou DCTF Retificadora alterando o valor do débito de COFINS (código 5856), referente ao período de apuração de setembro de 2005, para o valor de R$ 909.948,53, com vinculação integral do DARF de COFINS no valor de R$ 884.380,39. 2) O referido débito foi objeto de análise no processo administrativo de REVISÃO DE PIS nº 13334.000177/200922, com decisão administrativa definitiva. 3) A DCTF Retificadora na qual o contribuinte busca diminuir o valor do débito de COFINS (código 5856), referente ao período de apuração de setembro de 2005, foi apresentada em 25/01/2010, após o arquivamento do processo administrativo nº 13334.000177/200922, ocorrido em 17/11/2009. Conforme tela abaixo, o débito de COFINS, referente ao período de apuração de setembro de 2005, no valor de R$ 909.948,53 encontrase SUSPENSO POR QUESTIONAMENTO DIVERSOS, conforme decisão administrativa definitiva constante do processo administrativo nº 13334.000177/200922. Conforme se pode inferir das telas anexas (fls. 125/129), a DCTF Retificadora ativa é a de nº 1000.000.2010.1820346550, que informa o débito de COFINS, referente ao período de apuração de setembro/2005, no valor de R$ 763.590,04 com as respectivas vinculações. No entanto, o débito de COFINS, referente ao período de apuração de setembro/2005, não foi retificado e permanece com o valor informado na DCTF nº 1000.000.2008.1810398234 (R$ 909.948,53). Ocorre que este débito foi objeto de análise no processo administrativo de Revisão de PIS nº 13334.000177/200922, que confirmou em definitivo este valor de débito com suas respectivas vinculações, com arquivamento em 17/11/2009. Fl. 750DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10320.901511/201223 Resolução nº 3802000.358 S3TE02 Fl. 750 7 Por essa razão, a DCTF Retificadora Ativa, nº 1000.000.2010.1820346550, tendo sido apresentada posteriormente ao arquivamento do processo administrativo n º 13334.000177/200922, não produziu qualquer efeito em relação ao débito de COFINS, referente ao período de apuração de setembro/2005 (grifouse). Por outro giro, a Recorrente aduz em seu recurso, que ao analisar as cópias integrais PAF específico de Revisão de PIS nº 13334.000177/200922 (fls. 201/435), verifica se que ele refere a um pedido de Revisão efetuado pela recorrente diante da cobrança efetuada pelo fisco (juros e multa de débitos pagos), referentes ao período de 08/2005 a 06/2007, a título de COFINS sobre operações de bonificações, cuja incidência foi questionada à Receita Federal do Brasil no ano de 2005, mediante o PAF de consulta nº 13334.000134/200513. Alega que o pedido de revisão se fez necessário ante o fato da recorrente ter efetuado o pagamento daqueles débitos dentro do prazo de 30 dias, após sua ciência da decisão desfavorável (Solução de Consulta nº 10) naquele processo de consulta, o que impediria a cobrança de multa e juros, nos termos do art. 14 da IN RFB nº 740/2007. Conforme atesta a fl. 221 do mencionado processo, restou decidido pela RFB que a pretensão da recorrente era procedente. Na sequência, o mencionado processo foi devidamente arquivado (fls. 229). Informa que a origem do crédito pretendido não guarda qualquer relação com a revisão solicitada pela recorrente naquele PAF e sim, foi motivada com base no art. 3º da lei nº 10.833/2003 e amparada pelo estudo desenvolvido pela empresa PwC, concluindo que a recorrente apropriouse de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos anteriormente, com relação a materiais e serviços adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo e despesas de frete relacionadas à aquisição dos materiais adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos. Ressalta que tal revisão se fez necessária ante o objetivo almejado de adequar o processo de apuração do PIS e da COFINS, centralizandoo em seu estabelecimento matriz, haja vista que referidas apurações eram realizadas em cada um de seus estabelecimentos filiais, com a utilização de critérios que divergiam com o praticado pela matriz. Ainda enfatiza que a recomposição demonstrada no recurso encontrase respaldada pelo demonstrativo e documentos fiscais e contábeis que estão anexados aos presentes autos. Neste passo, considerando os dados e informações registrados nos documentos anexo aos autos (fls. 201 a 708), visto que os mesmos foram trazidos extemporaneamente pelo contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo agente fazendário da origem do processo, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal consiste em uma providência que resulta na melhor aplicação do Direito e da Justiça e por isso deve sempre ser perseguida. Com base nessas considerações, devido às particularidades do caso concreto e antes do julgamento do mérito, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (PAF), voto pela conversão do julgamento em diligência, devendo os autos retornarem à DRF de Niterói – RJ (domicílio tributário da Recorrente), para: Fl. 751DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10320.901511/201223 Resolução nº 3802000.358 S3TE02 Fl. 751 8 a) primeiramente, verificar e emitir informações sobre a veracidade da alegação da Recorrente, de que o PAF específico de Revisão de PIS nº 13334.000177/200922 (fls. 201/435), se refere a um pedido de Revisão efetuado pela recorrente, diante da cobrança efetuada pelo fisco de juros e multa de débitos pagos, referentes ao período de 08/2005 a 06/2007, a título de COFINS sobre operações de bonificações, cuja incidência foi questionada à RFB no ano de 2005, mediante o PAF de consulta nº 13334.000134/200513, juntando cópias dos mesmos; e b) com base nos documentos apensados aos autos de fls. 201 a 708, e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03, elaborar parecer e demonstrativo de valores apurados, após analisar se os dispêndios com os itens abaixo indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS como alegado pela Recorrente, levandose em conta o conteúdo da Planilha, informações e documentos apresentados (extrato de livros contábeis e fiscais) e dos fatos resumidos em seu recurso voluntário, onde alega que tais dispêndios são oriundos de: i) materiais e serviços adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo; e ii) despesas de frete relacionadas à aquisição dos materiais adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos. Após a conclusão da diligência, devem ser intimados sucessivamente a Recorrente e a Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestaremse sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 752DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10980.910827/2008-56
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. ERRO DEMONSTRADO.
O Per/DComp somente pode ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Entretanto essa determinação deve ser temperada no caso em que restar comprovado que o sujeito passivo incorreu em erro efetivamente demonstrado tão somente do ano-calendário referente ao direito creditório pleiteado, tendo em vista o princípio da verdade material.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de erro na indicação do período do direito creditório pleiteado. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo.
Numero da decisão: 1803-002.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. ERRO DEMONSTRADO. O Per/DComp somente pode ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Entretanto essa determinação deve ser temperada no caso em que restar comprovado que o sujeito passivo incorreu em erro efetivamente demonstrado tão somente do ano-calendário referente ao direito creditório pleiteado, tendo em vista o princípio da verdade material. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de erro na indicação do período do direito creditório pleiteado. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2110; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 142 1 141 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.910827/200856 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.529 – 3ª Turma Especial Sessão de 04 de fevereiro de 2015 Matéria PER/DCOMP Recorrente MELISSA TRANSPORTES E TURISMO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. ERRO DEMONSTRADO. O Per/DComp somente pode ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Entretanto essa determinação deve ser temperada no caso em que restar comprovado que o sujeito passivo incorreu em erro efetivamente demonstrado tão somente do anocalendário referente ao direito creditório pleiteado, tendo em vista o princípio da verdade material. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de erro na indicação do período do direito creditório pleiteado. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 08 27 /2 00 8- 56 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.910827/200856 Acórdão n.º 1803002.529 S1TE03 Fl. 143 2 Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) nºs 29211.74715.270704.1.3.029706 em 27.07.2004, 32464.13562.270704.1.3.023030 em 27.07.2004, 12576.60941.160605.1.3.020408 em 16.06.2005, e 10518.95919.280704.1.7.029016 em 28.07.2004 utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 2003 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real, para compensação dos débitos ali confessados: Per/DComp (A) Valor do Direito Creditório Indicado R$ (B) Período Indicado nos Per/DComp (C) Fls. (D) 29211.74715.270704.1.3.029705 2.284,19 0107/2003 0712 32464.13562.270704.1.3.023030 6.239,22 0111/2003 1318 10518.95919.280704.1.7.029016 0,01 0107/2003 1924 12576.60941.160605.1.3.020408 6.548,83 0106/2004 2629 De acordo com o Despacho Decisório Eletrônico, fls. 0206, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$2.284,19 Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$6.554,48 Diante do exposto, NÃO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 29211.74715.270704.1.3.029705, 32464.13562.270704.1.3.023030, 12576.60941.160605.1.3.020408, 10518.95919.280704.1.7.029016 Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 3040, com os argumentos a seguir discriminados. II DOS ERROS DE PREENCHIMENTO DOS PER/DCOMP II.1 PER/DCOMP n°29211.74715.270704.13.029705 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.910827/200856 Acórdão n.º 1803002.529 S1TE03 Fl. 144 3 Quando do preenchimento do pedido de compensação em comento, transmitido em 27/07/04, a ora Recorrente cometeu os seguintes equívocos formais: INFORMAÇÕES DO CRÉDITO Como deveria constar Como constou Exercício 2003 Exercício 2004 Data Inicial do Período: 01/01/2002 Não preenchido Data Final do Período: 31/12/2002 Não preenchido Valor do Saldo Negativo: 8.523,40 Valor do Saldo Negativo: 2.284,19 [...] INFORMAÇÕES DO DÉBITO Como deveria constar Como constou Principal: 2.284,19 Principal: 2.284,19 Multa: 456,83 Não preenchido Juros: 328,92 Não preenchido Total: 3.069,94 Total: 2.284,19 Verificase que a ora Recorrente não levou em consideração, em relação ao seu crédito, o percentual integral acumulado de Selic, que era de 29,53%, até a data da transmissão do pedido de compensação realizada em julho de 2004. Desta forma, temse que seu crédito original de saldo negativo de IRPJ referente ao exercício de 2003, no valor de R$8.523,40 (vide ficha 11 da DIPJ/2003 Doc. 07), atualizado pela Selic acumulada (29,53%) era de exatos (A) R$11.040,36, e não os R$2.284,19 informados no Per/DComp. Em contrapartida, levouse em consideração, também de forma equivocada, apenas o valor principal do débito, sendo desconsiderados os valores referentes à multa e os juros, que não foram preenchidos no Per/DComp. Assim, temse que o efetivo valor devido a titulo de IRPJ, à época da transmissão do Per/DComp final 9705 (Doc. 02), era de (B) R$3.069,94, e não de R$ 2.284,19, como havia sido informado no pedido de compensação. Desta forma, compensandose o crédito (A) com o débito (B), verificase que a Recorrente teria crédito remanescente de saldo negativo de IRPJ na ordem de (C) R$7.970,42, sendo este o valor que efetivamente deveria ter sido transferido para o Per/DComp 32464.13562.270704.1.3.023030 e que, por equívoco formal da ora Recorrente, não foi feito. 11.2 — DO PER/DCOMP 32464.13562.270704.1.3.023030 Como demonstrado anteriormente, o crédito remanescente de saldo negativo de IRPJ que deveria ter sido transportado para o PER/DCOMP final 3030 (Doc. 03) era de (C) R$7.970,42. No entanto, os erros de preenchimento cometidos no PER/DCOMP final 9705, anteriormente mencionado, causaram reflexos diretos no preenchimento do PER/DCOMP final 3030, transmitido no mesmo dia 27/07/04. Vejase: Fl. 145DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.910827/200856 Acórdão n.º 1803002.529 S1TE03 Fl. 145 4 INFORMAÇÕES DO CRÉDITO Como deveria constar Como constou Exercício 2003 Exercício 2004 Data Inicial do Período: 01/01/2002 Não preenchido Data Final do Período: 31/12/2002 Não preenchido Valor do Saldo Negativo: 8.523,40 Valor do Saldo Negativo: 6.239,22 [...] INFORMAÇÕES DO DÉBITO Como deveria constar Como constou Principal: 6.239,22 Principal: 6.239,22 Multa: 1.247,84 Não preenchido Juros: 522,22 Não preenchido Total: 8.009,28 Total: 6.239,22 [...] Conforme pode ser verificado, se a Recorrente tivesse utilizado no PER/DCOMP em questão, final 3030 (Doc. 03), o valor correto do seu crédito remanescente de IRPJ, no valor de R$7.970,42, para fazer frente ao débito no valor de R$8.009,28 (informado equivocadamente pela Recorrente como sendo de apenas R$ 6.239,22, eis que foi desconsiderado o valor da multa e dos juros devidos, à época da transmissão do PER/DCOMP), o resultado seria um débito remanescente de IRPJ de R$38,86, tãosomente. Portanto, concluise que, levando em consideração os valores corretos dos créditos e débitos que deveriam constar dos PER/DCOMP finais 9705 (Doc. 02) e 3030 (Doc. 03), o saldo devedor, antes da emissão dos dois últimos PER/DCOMP a seguir mencionados, seria de R$ 38,86. 11.3 PER/DCOMP 10518.95919.280704.1.7.029016 Conforme o pedido de compensação em anexo (Doc. 04), o valore envolvido no presente PER/DCOMP é irrisório, tendo sido, também por equívoco da ora Recorrente, feito compensação no valor de um centavo. II. 4 PER/DCOMP 12576.60941.160605.1.3.020408 Por fim, vale destacar que no PER/DCOMP final 0408 (Doc. 05), transmitido em 16/06/2005, também preenchido de forma equivocada pela Recorrente, o débito de R$7.401,48 (principal de R$6.548,83 + juros de R$852,65) foi informado sem o cômputo do valor da multa e com valor incorreto a titulo de juros. De acordo com o cálculo anexo (Doc. 05) realizado pela Recorrente pelo sistema SICALC, o cálculo correto . para pagamento do débito na data da transmissão do PER/DCOMP, em 16/06/2005, deveria ter levado em consideração os seguintes valores: Principal: R$6.548,83 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.910827/200856 Acórdão n.º 1803002.529 S1TE03 Fl. 146 5 Juros: R$950, 89 Multa: R$1.309,76 Total: R$8.809,48 Assim, para esse último Per/DComp, verificase que ora Recorrente já não teria mais crédito de saldo negativo de IRPJ para fazer frente ao débito de R$8.809,48 (valor em 16/06/05). Ao contrário disso, somarseia a este valor o débito remanescente do Per/DComp final 3030, de R$38,86, acarretando, portanto, um débito total remanescente de R$8.848,34, a ser recolhido pela ora Recorrente. Portanto, atualizando o valor do débito remanescente de R$8.848,34, acima descrito, da data da transmissão do Per/DComp, em 16/06/2005, até 23/10/2008, data da emissão do despacho decisório ora recorrido (Selic acumulada de 42,30%), o valor remanescente ao processo de compensação, a ser pago pela ora Recorrente é de R$14.360,84 (quatorze mil, trezentos e sessenta reais e oitenta e quatro centavos), sendo parcialmente improcedente o valor exigido no despacho decisório (R$27.843,09). III DOS ERROS FORMAIS PREVALÊNCIA DA ESSÊNCIA SOBRE A FORMA E 0 PRINCÍPIO DA VERDADE REAL Tendo sido demonstrados os equívocos formais cometidos pela ora Recorrente quando do preenchimento dos Per/DComp objeto do despacho decisório ora inconformidade, ao efeito de se reduzir o valor da exigência fiscal para R$14.360,84 (quatorze mil, trezentos e sessenta reais e oitenta e quatro centavos), que é o montante efetivamente devido, conforme demonstrado anteriormente. Em relação ao erro formal de preenchimento cometido pela Recorrente, deve ser levado em conta que, em se tratando de processo administrativo, deve ser observada a aplicação dos princípios da verdade real e da essência sobre a forma (ou da realidade sobre a forma). Frisese: meros erros formais no preenchimento de obrigação acessória não podem afastar o direito da Recorrente A compensação. Ademais, todos os equívocos foram detalhadamente demonstrados pela Recorrente, que, inclusive, reconhece sua obrigação de recolher aos cofres públicos o saldo remanescente de IRPJ no montante de R$14.360,84. Portanto, levandose em conta a peculiaridade do presente caso, eventual improcedência do presente manifesto, seguida da manutenção integral do débito, implica em violação aos princípios da Razoabilidade e da Moralidade Administrativa, previstos na Constituição Federal e no art. 2° da Lei n° 9.784/99, [...]. Deve sim, o Administrador Público, em observância e respeito aos princípios do Direito Administrativo e do Direito Tributário, da Verdade Material e do Formalismo Moderado (ou Informalidade), reconhecer o efetivo e incontroverso direito da Recorrente de utilizar o crédito em tela, homologando as compensações por ela apresentadas, sob pena de, agindo de forma diversa, levar ao enriquecimento indevido do próprio Estado. [...] Desta forma, há que se dar provimento ao presente manifesto de inconformidade, ao efeito de restar reduzida exigência fiscal constante do despacho decisório ora atacado, eis que o valor efetivamente devido pela ora Recorrente é de Fl. 147DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.910827/200856 Acórdão n.º 1803002.529 S1TE03 Fl. 147 6 R$14.360,84 (quatorze mil, trezentos e sessenta reais e oitenta e quatro centavos), conforme demonstrado anteriormente. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Ante o exposto, requer dignemse V. Sas. a dar provimento ao presente manifesto de inconformidade, reconhecendose o erro formal no preenchimento dos Per/DComp referidos no despacho decisório, ao efeito de reduzir a exigência fiscal ao valor de R$14.360,84 [...], montante efetivamente devido pela ora Recorrente a titulo de IRPJ. Está registrado como ementa do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/CTA/PR nº 06 29.162, de 11.11.2010, fls. 119121: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 DESPACHO DECISÓRIO. IMPERFEITA DESCRIÇÃO DO CRÉDITO. Tendo o contribuinte descrito no Per/DComp de forma incorreta o seu crédito, inviabilizando a análise pela Administração, e tendo esta solicitado, debalde, as retificações cabíveis, é correta a edição de despacho decisório que não homologa a compensação. COMPETÊNCIA DAS DRJ. Tratandose de despacho decisório relativo a nãohomologação de compensação, a competência da DRJ limitase a apreciar o inconformismo contra o não reconhecimento do direito creditório ou contra a nãohomologação da compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada em 23.11.2010, fl. 127, Recorrente apresentou o recurso voluntário em 16.12.2010, fls. 128141, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que: II — DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO A AMPARAR PARCIALMENTE AS COMPENSAÇÕES Conforme evidenciado no curso do presente processo, a Recorrente sempre pretendeu utilizar seu saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2002 para compensar débitos das estimativas mensais de IRPJ referente às competências de 07/2003, 11/2003 e 06/2004. Entretanto, por equívoco da Recorrente: (i) registrouse nas Declarações de Compensação que o saldo negativo de IRPJ se referia ao exercício de 2004, ao invés Fl. 148DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.910827/200856 Acórdão n.º 1803002.529 S1TE03 Fl. 148 7 do exercício de 2003; e (ii) não se informou a data inicial (01/01/2002) e data final (31/12/2002) do período a que se referia o crédito. Desta forma, levando em conta as informações constantes nas Declarações de Compensação, o despacho decisório lavrado pela r. autoridade fiscal indicou como "período de apuração do crédito: exercício de 2004 — 01/01/2003 31/12/2003", bem como identificou a incongruência entre o valor informado a titulo de saldo negativo de IRPJ nas DCOMP's (R$2.284,19) e na DIPJ do exercício de 2004 (R$6.554,48). Portanto, os dois primeiros equívocos da Recorrente fizeram com que o valor do saldo negativo de IRPJ informado nas Declarações de Compensação fosse comparado com o saldo negativo de IRPJ da DIPJ 2004 (anocalendário 2003), ao invés do saldo negativo de IRPJ da DIPJ 2003 (anocalendário 2002). Consoante registrado na linha 18 da ficha 12A da DIPJ 2003 (Doc. 07 da Manifestação de Inconformidade), o saldo negativo de IRPJ totalizou R$8.523,40 no anocalendário de 2002. È este o valor do crédito que pretende ser utilizado pela Recorrente! Contudo, por equívoco da Recorrente, este valor não constou nas Declarações de Compensação em questão como o valor do saldo negativo, tendo sido apresentadas as seguintes informações. PER/DCOMP Valor do saldo negativo 29211.74715.270704.1.3.029705 2.284,19 32464.13562.270704.1.3.023030 6.239,22 10518.95919.280704.1.7.029016 0,01 12576.60941.160605.1.3.020408 6.548,83 O somatório do valor do saldo negativo indicado nos dois primeiros PER/DCOMP's listados acima totaliza R$8.523,41, que é descontado R$0,01 (valor imaterial), o valor do saldo negativo do anocalendário de 2002. É evidente, portanto, que o que se objetivava compensar com os PER/DCOMP's em questão era justamente o saldo negativo do anocalendário de 2002. Em decorrência do equívoco na indicação do período a que se referia o crédito, este foi também atualizado equivocadamente com a SELIC acumulada desde 2004 (12,8%), quando deveria ter constado a SELIC acumulada desde 2003, ou seja, 29,53%. Registrese, ainda, que os débitos a serem compensados foram informados nas Declarações de Compensação sem a inclusão de multa de mora e juros (PER/DCOMP's n° 29211.74715.270704.1.3.029705 e n° 32464.13562.270704.1.3.023030), ou sem o valor da multa de mora e com o cálculo equivocados dos juros (Per/DComp n° 12576.60941.160605.1.3.02 0408). Em relação ao PER/DCOMP n° 10518.95919.280704.1.7.029016, observase que o valor envolvido a título de crédito (R$0,01) e débito (R$0,01) é imaterial, tendo sido objeto de equívoco por parte da Recorrente. Todavia, face a sua imaterialidade, tal valor (Per/DComp) não será objeto de maiores análises/esclarecimentos. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.910827/200856 Acórdão n.º 1803002.529 S1TE03 Fl. 149 8 Não obstante, cumpre demonstrar que o crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002 é suficiente para compensar, ainda que parcialmente, os débitos de estimativas mensais de IRPJ objeto das Declarações de Compensação em tela. Para tanto, fazse necessária a recomposição dos valores envolvidos e, pois, o recálculo dos créditos e débitos objetos de cada Declaração de Compensação, conforme segue: PER/DCOMP n° 29211.74715.270704.1.3.029705 Valor do saldo negativo Crédito original Crédito atualizado Débito atualizado Saldo do crédito 8.523,40 8.523,40 11.040,36 3.069,94 7.970,42 PER/DCOMP n° 32464.13562.270704.1.3.023030 Valor do saldo negativo Crédito original Crédito atualizado Débito atualizado Saldo do crédito 8.523,40 7.970,42 7.970,42 8.009,28 38,86 PER/DCOMP n° 12576.60941.160605.1.3.02 0408 Valor do saldo negativo Crédito original Crédito atualizado Débito atualizado Saldo do crédito 8.523,40 38,86 38,86 8.009,48 8.848,34 Constatase, portanto, que o crédito da Recorrente (saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002) é suficiente para compensar integralmente o débito de que trata a primeira Declaração de Compensação e compensar parcialmente o débito de que trata a segunda Declaração de Compensação, remanescendo débito a ser recolhido no valor de R$8.848,34 (acrescido de atualização). Existindo créditos, e sendo evidente a intenção da Recorrente em utilizálos, devem ser reconhecidas, ainda que parcialmente, as referidas compensações. Ao contrário do alegado pela r. autoridade julgadora, a presença dos erros formais acima mencionados não pode inviabilizar a homologação (ainda que parcial) das Declarações de Compensação em comento. É o que se passa a demonstrar. III — DA HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO Conforme exposto anteriormente, em vista da informação do valor do saldo negativo de IRPJ na DIPJ ter sido diversa do valor do saldo negativo de IRPJ informados na DComp's em questão, a r. autoridade julgadora entendeu que a Recorrente não teria cumprido a legislação de regência, de forma que a compensação declarada não poderia ser homologada. [...] A DRJ apresentou os fundamentos para a sua a não homologação da Declaração de Compensação, alegando, em suma, (i) a ausência de retificação das DCOMP's quando da intimação da Recorrente para a sua correção; e (ii) a sua incompetência para analisar manifestos de inconformidade versando sobre inconformismo contra a cobrança, veiculada em intimações, de débitos já confessados. Ocorre que a Recorrente possui créditos passíveis de compensação e como demonstrado pretendeu efetivamente utilizálos para a compensação de seus débitos. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.910827/200856 Acórdão n.º 1803002.529 S1TE03 Fl. 150 9 Os créditos da Recorrente são líquidos e certos, conforme exige o artigo 170 do CTN, inexistindo qualquer questionamento da r. autoridade fiscal quanto existência e liquidez do crédito defendido. Ora, existindo crédito líquido e certo, não se pode admitir que o crédito da Recorrente se torne nulo ou inutilizável pelo simples fato de determinadas informações constante nas suas Declarações de Compensação estarem equivocadas. Não pode persistir a alegação constante na r. decisão recorrida de que a ausência da retificação das Declarações de Compensação, quando da intimação para fazêlo, enseja a não homologação das DComp's. Tal afirmação não tem qualquer pertinência! Com a devida venia, não há fundamento legal ou infralegal que embase entendimento da r. autoridade julgadora, no sentido de que incongruências entre DIPJ e DComp's ensejariam, como única conseqüência possível, a não, homologação das DComp's. Embora os sistemas eletrônicos possam ser limitados pelas informações constantes em seus bancos de dados, isso não quer dizer que, em razão de alguma incongruência nas informações que abastecem o banco de dados do sistema eletrônico que processa os Per/DComp's, o Fisco não teria as informações necessárias para a análise das DComp's da Recorrente. Não é legitimo, portanto, alegar que o Fisco não tem condições homologar as compensações da Recorrente tãosomente por conta das incongruências decorrente do erro de preenchimento das Declarações de Compensação. Com o devido respeito, isto não faz qualquer sentido! Destaquese que, ainda que os sistemas eletrônicos não pudessem processar eletronicamente as DComp's em questão por falta de informações, todas as informações necessárias à homologação das compensações declaradas foram demonstradas ao longo do presente processo administrativo, inexistindo nos autos qualquer questionamento em relação aos créditos da Recorrente. O fato do sistema eletrônico não conseguir processar as DComp's por conta de alguma informação não constar ou estar equivocada em seu banco de dados, não significa que a r. autoridade julgadora não possa homologar as compensações da Recorrente a partir de outros elementos de prova. Isso não implica na possibilidade de sumariamente, sem a menor análise, se indeferir a utilização de crédito fiscal existente. Ora, o que efetivamente se verifica no caso em tela é que a r. autoridade julgadora se apega à formalidade da existência de erro de preenchimento das Declarações de Compensação e afasta qualquer consideração sobre as circunstâncias fáticas do caso, retirando qualquer utilidade do Manifesto de Inconformidade e violando o direito da Recorrente de se utilizar do referido crédito. A possibilidade da Recorrente apresentar prova inequívoca, hábil e idônea é uma das razões de existência do Processo Administrativo Fiscal, isto é, atentar para as circunstâncias fáticas do caso a fim de verificar qual a verdade material. Se questões de fato não pudessem ou não devessem ser analisadas quando da apreciação do Manifesto de Inconformidade (ou do Recurso Voluntário), não Fl. 151DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.910827/200856 Acórdão n.º 1803002.529 S1TE03 Fl. 151 10 haveria razão para a previsão de tais meios de defesa, posto que a situação se consideraria completamente constituída sem a devida instauração do contraditório. Portanto, não se pode negar a apreciação das questões de fato quando da apresentação do Manifesto de Inconformidade, sob pena de restringir o direito de defesa somente a questões de direito, amesquinhando a função do Processo Administrativo Fiscal e mitigando os princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa e da verdade real [...]. Nem se alegue que a mera previsão legal de apresentação de recursos (Manifesto de Inconformidade, Recursos Voluntários, etc.) seria suficiente para a garantia do contraditório e da ampla defesa. Ao desconsiderar questões de fato, como fez a r. autoridade julgadora, repitase, tais recursos perdem sua razão de ser, afinal limitamse à discussão das questões de direito afastadas da realidade que as originou. O equívoco no preenchimento das Declarações de Compensação, isto é, mero formalismo, não é fundamento apto à não homologação de DComp's apoiadas em créditos líquidos e certos de saldo negativo de IRPJ, conforme ocorre no caso em tela. A verdade material — a efetiva existência do crédito — deve prevalecer sobre erros formais. A verdade material é o principio que rege o processo administrativo! [...] Cumpre registrar que a negativa do direito creditório da Recorrente em razão da não homologação da Declaração de Compensação implicaria em enriquecimento ilícito da União, pois, presente o crédito da Recorrente, o Fisco estaria criando óbice de natureza meramente formal para que a Recorrente deixe de aproveitar seus créditos, sem qualquer previsão legal para tanto. [...] Deste modo, conforme demonstrado no tópico anterior e quando da apresentação do Manifesto de Inconformidade e seus anexos, não há qualquer dúvida de que o efetivo saldo negativo de IRPJ no ano calendário de 2002, devidamente atualizado, corresponde ao valor de R$11.040,36, o qual é suficiente para a compensação de parte dos débitos. Contatase, portanto, que a análise do caso à luz da verdade material resulta na invariável constatação de que o crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ efetivamente existe e é suficiente para a compensação integral do débito da estimativa mensal de IRPJ da competência de 07/2003, sendo parcialmente suficiente para a compensação da competência de 11/2003, devendo ser reformada a r. decisão recorrida, sob pena de enriquecimento ilícito do Estado e não atendimento do principio da verdade material. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Ante o exposto, requer dignemse V. Sas. a reformar a r. decisão recorrida, diante da efetiva demonstração da existência de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2002 e do mero equívoco praticado pela Recorrente, para o fim de homologar (i) integralmente a compensação declarada no Per/DComp n° Fl. 152DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.910827/200856 Acórdão n.º 1803002.529 S1TE03 Fl. 152 11 29211.74715.270704.1.3.029705; e (ii) parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP n° 32464.13562.270704.1.3.023030. Não sendo este o entendimento de V. Sas., requerse seja reconhecida a nulidade da r. decisão recorrida, pois ausente qualquer análise das questões fáticas do processo, determinadose a remessa do autos à DRJ de Curitiba para que se realize novo julgamento, analisandose o direito creditório da Recorrente luz da aplicação do princípio da verdade material e, inclusive, determinandose a realização de diligências, caso se entenda necessário. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente suscita que os Per/DComp devem ser deferidos. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Assim até 30.09.2002 a compensação entre tributos da mesma espécie poderia ser tão somente registrada nos assentos contábeis do sujeito passivo, que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento (art. 14 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997). Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 1. A Per/DComp é modo de constituição do crédito tributário e de confissão de dívida, bem como instrumento hábil e suficiente para inscrição em Dívida Ativa da União dispensando, para isso, o lançamento de 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.910827/200856 Acórdão n.º 1803002.529 S1TE03 Fl. 153 12 ofício234. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP 5, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.04.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF6. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais7. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta excluídos, via de regra, as vendas canceladas, os descontos concedidos incondicionalmente e os impostos incidentes sobre vendas. Excepcionalmente a legislação prevê taxativamente as hipóteses em que a pessoa jurídica pode deduzir outras parcelas da receita bruta. O lucro bruto é o resultado 2 Fundamentação Legal: DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984 e Portaria do MF nº 118, de 28 de junho de 1984. 3 BRASIL. Câmara Superior de Recursos Fiscais. Acórdão nº 40201967. Conselheiro Relator: Henrique Pinheiro Torres, Segunda Turma, Brasília, DF, 4 de julho de 2005. Disponível em: <http://www.lexml.gov.br/urn/urn:lex:br:camara.superior.recursos.fiscais;turma.1:acordao:200507 04;40201967> Acesso em: 09 mar. 2012. 4 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255 de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 482, de 21 de dezembro de 2004, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, A Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 5 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP. Ministro Relator:Teori Albino Lawascki, Primeira Seção, Brasília, DF, 11 de março de 2009. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/processo/jsp/revista/abreDocumento.jsp?componente=ITA&sequencial=864597&num_reg istro=200802440246&data=20090323&formato=PDF>. Acesso em: 06 mar.2012. 6 Fundamentação legal: art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 7 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.910827/200856 Acórdão n.º 1803002.529 S1TE03 Fl. 154 13 da atividade de venda de bens ou serviços que constitua seu objeto e corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços e o custo dos bens e serviços vendidos. O lucro operacional é o lucro bruto excluídos os custos e as despesas operacionais necessárias, usuais e normais à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora incorridas para a realização operações exigidas pela sua atividade econômica apropriadas simultaneamente às receitas que gerarem, em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios. O lucro líquido é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais e das participações e deve ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial8. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do IRPJ pelo regime de tributação com base no lucro real anual deverá apurar o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões legais em 31 de dezembro de cada ano. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza9. Ainda sobre o Per/DComp, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, determina: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. No exercício da competência regulamentar, foi editada Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, que fixava: Art. 56. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de documento retificador gerado a partir do referido Programa. 8 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 9 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.910827/200856 Acórdão n.º 1803002.529 S1TE03 Fl. 155 14 Parágrafo único. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação apresentados em formulário (papel), nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da SRF. Art. 57. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59. Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 59. Art. 59. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação. Adotando basicamente os mesmos critérios a respeito da retificação do Per/DComp, atualmente a matéria está prevista a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, que prevê: Art. 87 . A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da Declaração de Compensação gerados a partir do programa PER/DCOMP, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB de documento retificador gerado a partir do referido programa. Parágrafo único. A retificação do pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e da Declaração de Compensação apresentados em formulário, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento, de reembolso ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da RFB. Art. 88 . O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados Fl. 156DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.910827/200856 Acórdão n.º 1803002.529 S1TE03 Fl. 156 15 pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 89 e 90 no que se refere à Declaração de Compensação. Parágrafo único. A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da Declaração de Compensação será indeferida quando formalizada depois da intimação para apresentação de documentos comprobatórios. Art. 89 . A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário será admitida somente na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 90. Art. 90 . A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário não será admitida quando tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à RFB. §1º Na hipótese prevista no caput , o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à RFB nova Declaração de Compensação. §2º Para verificação de inclusão de novo débito ou aumento do valor do débito compensado, as informações da Declaração de Compensação retificadora serão comparadas com as informações prestadas na Declaração de Compensação original. §3º As restrições previstas no caput não se aplicam nas hipóteses em que a Declaração de Compensação retificadora for apresentada à RFB: I no mesmo dia da apresentação da Declaração de Compensação original; ou II até a data de vencimento do débito informado na declaração retificadora, desde que o período de apuração do débito esteja encerrado na data de apresentação da declaração original. Art. 91 . Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 44 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. Art. 92 . A retificação da Declaração de Compensação não altera a data de valoração prevista no art. 43, que permanecerá sendo a data da apresentação da Declaração de Compensação original. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.910827/200856 Acórdão n.º 1803002.529 S1TE03 Fl. 157 16 O Per/DComp somente pode ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Entretanto essa determinação deve ser temperada no caso em que restar comprovado que o sujeito passivo incorreu em erro efetivamente demonstrado tão somente do anocalendário referente ao direito creditório pleiteado, tendo em vista o princípio da verdade material. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta no Termo de Intimação, fl. 117: O valor do saldo negativo Informado é diferente do apurado na DIPJ, e o(s) débito(s) por estimativa informado(s) na DIPJ e(são) diferente(s) do(s) valor(es) declarado(s) na(s) DCTF correspondente(s). A soma das parcelas de crédito demonstradas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição ou Imposto devido, se houver, e a apuração do saldo negativo. Apuração: EXERCÍCIO 2004 DIPJ: Valor do Saldo Negativo R$6.554,48 PER/DCOMP: Valor do Saldo Negativo R$2.284,19 Demonstrativo parcelas crédito DIPJ: R$19.868,95 (Somatório dos valores da FICHA 12A, LINHAS 12 A 18). Demonstrativo parcelas crédito PER/DCOMP: R$2.284,19 (Somatório das Informações das fichas Imposto de Renda pago no exterior, Imposto de Renda Retido na Fonte, Pagamentos, Estimativas compensadas com saldo de períodos anteriores, Estimativas parceladas e Estimativas compensadas. Estimativas do anocalendário: 2003 ESTIMATIVAS DIVERGENTES [...] PERÍODO DE APURAÇÃO NOVEMBRO VALOR DIPJ (R$) 17.579,11 VALOR DCTF (R$) 6.239,22 [...] Em relação ao valor do saldo negativo e crédito demonstrado, solicitase retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o valor do saldo negativo apurado no período e, se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição. Quanto aos débitos por estimativa, retifique a DIPJ e/ou DCTF tornando coerentes as informações prestadas nestas declarações. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras. Base legal: Art. 6º, Parágrafo 1º, Inciso II e art. 74 da Lei no 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Arts. 4º e 56 a 61 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005. (grifos acrescentados) Fl. 158DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.910827/200856 Acórdão n.º 1803002.529 S1TE03 Fl. 158 17 A Recorrente procura demonstrar que o saldo negativo utilizado nos Per/DComp era em verdade do anocalendário de 2002. Ela foi intimada dos valores divergentes, fl. 118, antes de ser notificada do Despacho Decisório Eletrônico. No caso presente, a Recorrente apresentou em 27.07.2004 o Per/DComp indicador do crédito que pretendia aproveitar, fls. 0712, e recebeu, em 08.11.2006, fl. 116, o Termo de Intimação de fl. 117, dando conhecimento da divergência entre o valor do saldo negativo apurado na DIPJ e informado no Per/DComp, e notificandoa a sanar a irregularidade, sob pena de não homologação da compensação declarada. A Recorrente conservouse inerte até 04.11.2008, fl. 06, quando foi intimada do Despacho Decisório Eletrônico, fl. 02, informando da não homologação da compensação declarada. A formalidade normativa de que deveria ter procedido a retificação voluntária do Per/DComp antes de notificada do Despacho Decisório não foi observada. Todavia, no presente caso, essa formalidade deve ser temperada por restar comprovado que a Recorrente incorreu em erro efetivamente demonstrado tão somente do anocalendário referente ao direito creditório pleiteado, tendo em vista o princípio da verdade material. A Recorrente reitera em várias oportunidades na peça recursal que o direito creditório pleiteado nos Per/DComp referese ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002 e não do anocalendário de 2003 como ali constou e procura minuciosamente demonstrar a sua liquidez e certeza. Com a finalidade de demonstrar inequivocamente o erro cometido, a Recorrente instrui os autos com a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do anocalendário de 2002, fls. 64111, onde na Ficha 12 A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real e na linha 18 Imposto de Renda a Pagar consta o saldo negativo no valor de R$8.523,40, que representa o somatório dos valores de crédito indicados nos Per/DComp nºs 29211.74715.270704.1.3.029705 e 32464.13562.270704.1.3.023030. A indicação equivocada período a que se refere o saldo negativo de IRPJ, ou seja, do ano calendário de 2003 e quando o correto seria do anocalendário de 2002, foi a única circunstância incorreta que a Recorrente suscita, sendo que as demais informações indicadas nos Per/DComp permanecem incólumes. Em conformidade com princípio da verdade material, o pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado de saldo negativo de IRPJ deve ser analisado como se do anocalendário de 2002 fosse, porque ficou comprovado o erro pela coincidência dos valores pleiteados nos Per/DComp nºs 29211.74715.270704.1.3.02 9705 e 32464.13562.270704.1.3.023030 e o saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ do ano calendário de 2002. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada a oposição de novas peças de defesa, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, nos termos do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 197210. 10 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.910827/200856 Acórdão n.º 1803002.529 S1TE03 Fl. 159 18 Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento dos Per/DComp afastamento a preliminar do erro material do período do direito creditório, impõe, pois, o retorno dos autos à DRF que jurisdiciona a Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido. Devem ser examinadas a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser avaliados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso11. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à autoridade julgadora para apreciar o acatamento da retificação do pleito inicial e o mérito do litígio e ainda para reconhecer a possibilidade de formação do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002 no valor total de R$8.523,40 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real, para compensação dos débitos ali confessados, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela DRF que jurisdiciona a Recorrente, com o conseqüente retorno dos autos a essa unidade da RFB, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido nos Per/DComp, inclusive no que diz respeito à juntada por anexação dos processos administrativos, cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso12. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 11 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. 12 Fundamentação legal: Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 13506.000902/2008-62
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (30/06/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (30/06/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (30/06/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: O impugnante contesta auto de infração do anocalendário 2006 onde foram incluídos rendimentos omitidos de R$ 72.203,16, informados em DIRF pela Caixa Econômica Federal, computado o imposto na fonte correspondente, no valor de R$ 2.166,09. Argumenta, em síntese, que se trata de diferenças de pensão previdenciária pagas pelo INSS; que diferenças desta espécie já foram RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 06 .0 00 90 2/ 20 08 -6 2 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 30/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13506.000902/200862 Resolução nº 2801000.173 S2TE01 Fl. 93 2 reconhecidas pela Justiça como isentas do imposto de renda, pois, se pagas mensalmente, ficariam abaixo do limite mensal de isenção; que não ocorreu o fato gerador do imposto, pois se trata de verbas indenizatórias; que caberia descontar as despesas com advogados: R$ 9.417,80 de honorários de sucumbência e R$ 12.557,07 de honorários contratuais. Ao analisar o pedido do contribuinte, a DRJ decidiu conforme a ementa abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2006 RENDIMENTOS. ISENÇÃO. PROVAS Cabe ao interessado comprovar a alegada natureza isenta dos rendimentos recebidos em ação judicial, especialmente quando tenham sido informados como tributáveis pela fonte pagadora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Doravante, foi apresentado recurso voluntário pelo contribuinte suscitando os mesmos argumentos da impugnação. É o Relatório Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator. No presente caso, temse que o auto de infração objeto deste processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte. Ocorre que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Fl. 93DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 30/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13506.000902/200862 Resolução nº 2801000.173 S2TE01 Fl. 94 3 Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal. É que foi alterado (Portaria MF n.º 586, de 2010) o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256, de 2009, determinando o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema e determinado o sobrestamento dos julgamentos sobre a matéria pelo Supremo Tribunal Federal, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, que, a seguir transcrevese, ipsis litteris: “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 94DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 30/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13506.000902/200862 Resolução nº 2801000.173 S2TE01 Fl. 95 4 Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Sandro Machado dos Reis. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 30/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 16004.720578/2011-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
NULIDADE DO LANÇAMENTO - VÍCIO FORMAL FALTA DE ORDEM ESCRITA PARA SEGUNDO EXAME Em relação ao mesmo período só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, Delegado ou Inspetor da Receita Federal. (Lei n° 2.354/54 art. 7° § 2°, Lei n° 3.470/58, art. 34). A falta de autorização para segundo exame é vício formal, caracterizado, pela inobservância de uma formalidade exterior ou extrínseca necessária para a correta configuração do ato jurídico de lançamento.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NÃO SE EQUIPARA À AUTORIZAÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 906 DO RIR199.
O MPF como ato de controle da fiscalização é um procedimento "ordinário" utilizado em todas fiscalizações externas e a autorização prescrita no artigo 906 do RIR199 é "extraordinária" só para o caso de segundo exame. O MPF-F, ainda que emitido pelas autoridades contidas no artigo 906 do RI/99, não substitui a ordem escrita prevista na legislação para um segundo exame quando dele não constar expressamente tal ocorrência.
Numero da decisão: 1202-001.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima Presidente
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires, Geraldo Valentim Neto, Cristiane Silva Costa, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Orlando Jose Gonçalves Bueno.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 NULIDADE DO LANÇAMENTO - VÍCIO FORMAL FALTA DE ORDEM ESCRITA PARA SEGUNDO EXAME Em relação ao mesmo período só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, Delegado ou Inspetor da Receita Federal. (Lei n° 2.354/54 art. 7° § 2°, Lei n° 3.470/58, art. 34). A falta de autorização para segundo exame é vício formal, caracterizado, pela inobservância de uma formalidade exterior ou extrínseca necessária para a correta configuração do ato jurídico de lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NÃO SE EQUIPARA À AUTORIZAÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 906 DO RIR199. O MPF como ato de controle da fiscalização é um procedimento "ordinário" utilizado em todas fiscalizações externas e a autorização prescrita no artigo 906 do RIR199 é "extraordinária" só para o caso de segundo exame. O MPF-F, ainda que emitido pelas autoridades contidas no artigo 906 do RI/99, não substitui a ordem escrita prevista na legislação para um segundo exame quando dele não constar expressamente tal ocorrência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires, Geraldo Valentim Neto, Cristiane Silva Costa, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Orlando Jose Gonçalves Bueno.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 NULIDADE DO LANÇAMENTO VÍCIO FORMAL — FALTA DE ORDEM ESCRITA PARA SEGUNDO EXAME — Em relação ao mesmo período só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, Delegado ou Inspetor da Receita Federal. (Lei n° 2.354/54 art. 7° § 2°, Lei n° 3.470/58, art. 34). A falta de autorização para segundo exame é vício formal, caracterizado, pela inobservância de uma formalidade exterior ou extrínseca necessária para a correta configuração do ato jurídico de lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NÃO SE EQUIPARA À AUTORIZAÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 906 DO RIR199. O MPF como ato de controle da fiscalização é um procedimento "ordinário" utilizado em todas fiscalizações externas e a autorização prescrita no artigo 906 do RIR199 é "extraordinária" só para o caso de segundo exame. O MPF F, ainda que emitido pelas autoridades contidas no artigo 906 do RI/99, não substitui a ordem escrita prevista na legislação para um segundo exame quando dele não constar expressamente tal ocorrência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 05 78 /2 01 1- 47 Fl. 792DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 04/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16004.720578/201147 Acórdão n.º 1202001.212 S1C2T2 Fl. 793 2 Geraldo Valentim Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires, Geraldo Valentim Neto, Cristiane Silva Costa, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Orlando Jose Gonçalves Bueno. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente contra Acórdão nº 0430.743 (fls.691/710) que rejeitou a preliminar e no mérito, julgou procedente em parte a Impugnação. Utilizome do relatório da DRJ/CGE para ilustrar os fatos apurados até o presente momento: A pessoa jurídica acima qualificada teve contra si lavrado o auto de infração (Termo de Constatação, demonstrativos e AI às fls. 471 a 480) relativo ao Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (IRPJ) do anocalendário 2007 em face de falta de recolhimento por apuração incorreta do imposto e às multas isoladas quanto aos meses de junho a setembro desse mesmo anocalendário, conforme abaixo: a) Infração nº 001: falta de recolhimento/declaração do imposto de renda – apuração incorreta do imposto; b) Infração nº 002: multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada. Esse lançamento resultou em R$ 12.372,02 de imposto, R$ 9.279,01 de multa proporcional de ofício (75%), R$ 4.828,79 de juros de mora calculados até 31 de outubro de 2011, bem como R$ 370.872,53 de multa isolada, totalizando R$ 397.352,35. Em resumo, a falta de recolhimento (infração nº 001 – R$ 12.372,02) na apuração anual, decorreu de: a) compensação a maior de IRPJ estimativa, devido a diferenças de estimativas relativas aos meses de julho e agosto de 2007, pagas após o prazo de vencimento sem a inclusão de multa de mora, no total de R$ 12.220,07 (Termo de Constatação Fiscal nº 2 – fls. 451 e 452); b) registro a menor de lucro líquido (apuração anual) no “Lalur”, no montante de R$ 607,78, que gerou o imposto e respectivo adicional de R$ 151,95 (Termo de Constatação Fiscal nº 2 – fl. 452). No que tange à infração nº 002, foram encontradas diferenças nas bases de cálculo do IRPJ estimativa dos períodos junho a dezembro de 2007, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal nº 2 (fls. 443 a 446). Em face disso, os valores do IRPJ devido por estimativa nos períodos junho a setembro desse mesmo ano também foram recolhidos a menor, por dois motivos: Fl. 793DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 04/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16004.720578/201147 Acórdão n.º 1202001.212 S1C2T2 Fl. 794 3 a) no caso dos meses de junho e setembro, efetiva diferença da base de cálculo apurada pela fiscalização, em comparação com o escriturado no “Lalur”; b) não inclusão da multa de mora nos recolhimentos efetuados após o prazo de vencimento (somente para julho e agosto; para o mês de junho, a multa isolada sob esse fundamento foi lançada em outro auto de infração conforme processo nº 16004.720570/201181). Relativamente à CSLL (fls. 481 a 488), o lançamento resultou em R$ 4.559,71 de contribuição, R$ 3.419,87 de multa proporcional de ofício (75%), R$ 1.779,65 de juros moratórios calculados até 31 de outubro de 2011 e, ainda, R$ 134.116,68 de multa isolada. Em suma, a insuficiência de recolhimento (infração nº 001 – R$ 4.559,71) na apuração anual, decorreu de: a) compensação a maior de CSLL estimativa, devido a diferenças de estimativas relativas aos meses de julho e agosto de 2007, pagas após o prazo de vencimento sem a inclusão de multa de mora, no total de R$ 4.505,01 (Termo de Constatação Fiscal nº 2 – fls. 452 e 453); b) registro a menor de lucro líquido (apuração anual) no “Lalur”, no montante de R$ 607,78, que gerou a contribuição de R$ 54,70 (Termo de Constatação Fiscal nº 2 – fl. 453). Em relação à infração nº 002 (multas isoladas), o lançamento deuse: a) quanto aos meses de janeiro a maio, em face de valores de CSLL estimativa apurados no livro “Lalur” e não pagos (Termo de Constatação Fiscal nº 2, item 4.2 – fls. 450 e 451); b) diferenças nas bases de cálculo da CSLL estimativa dos períodos junho a dezembro de 2007, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal nº 2 (fls. 443 a 446). Em decorrência disso, os valores da CSLL devida por estimativa nos períodos junho a setembro desse mesmo ano também foram recolhidos a menor, por dois motivos: b.1) no caso dos meses de junho e setembro, efetiva diferença da base de cálculo apurada pela fiscalização, em comparação com o escriturado no “Lalur”; b.2) não inclusão da multa de mora nos recolhimentos efetuados depois do prazo de vencimento (somente para julho e agosto). O total do crédito tributário lançado foi de R$ 541.228,17. Descrição mais pormenorizada do procedimento efetuado e, bem assim, da infração e o seu enquadramento legal encontramse nos autos de infração e no Termo de Constatação Fiscal nº 2 e planilhas a ele anexas, que foram acostados às fls. 436 a 470. A ciência quanto ao lançamento ocorreu, por via postal, em 23 de novembro de 2011, conforme Aviso de Recebimento (fl. 489). Em 22 de dezembro de 2011 foi protocolada a impugnação (fls. 491 a534), firmada por procurador, na qual foi aduzido, em apertada síntese, que: a) o lançamento é nulo por ausência de ordem escrita e específica determinando o segundo exame do anocalendário 2007; b) aos pagamentos da estimativa de IRPJ e CSLL dos períodos de apuração 07/2007 e 08/2007 aplicase o instituto da denúncia espontânea, vez que foi efetuada a apuração e o pagamento e só então informado o Fl. 794DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 04/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16004.720578/201147 Acórdão n.º 1202001.212 S1C2T2 Fl. 795 4 débito em DCTF, na linha da Súmula nº 360 do STJ e do entendimento do CARF, devendo ser cancelada qualquer penalidade, como é o caso da multa de mora e da multa de ofício e, também, da multa isolada; c) é inaplicável o procedimento de imputação proporcional do pagamento, em face do disposto no art. 43 da Lei nº 9.430/96; d) se não pode ser admitido o procedimento de imputação proporcional, não há débitos de IRPJ e de CSLL, estimativas, relativos aos meses de 07/2007 e 08/2007, não havendo insuficiência de recolhimento da “quota de ajuste”, sendo indevidas também e, por consequência, as multas isoladas; e) não é devido imposto ou contribuição a título de estimativa mensal após o encerramento do anocalendário e, portanto e com mais razão, não deve ser admitida a exigência da multa isolada aplicada após o encerramento do anocalendário; f) “a exigência concomitante da multa de ofício e da multa isolada configura manifesto bis in idem, ou seja, aplicação de duas penalidades sobre a mesma infração, ou, no mínimo, a chamada continência lógica (ou consunção), revelada pelo fato de que a multa de oficio aplicada em razão da falta de pagamento do IRPJ e da CSLL apurados após o encerramento do anocalendário absorve a multa que seria aplicável na falta de pagamento das estimativas (meras antecipações dos tributos devidos no ajuste anual)”; g) entendido que há “possibilidade de aplicação da multa isolada após o encerramento do anocalendário e que não haveria exigência concomitante de multas sobre o mesmo fato, pelo menos, a base de cálculo da multa isolada deverá ser limitada aos valores do IRPJ (R$ 12.372,02) e da CSLL (R$ 4.559,71) apurados pela fiscalização”; h) não tem fundamento legal a exigência de juros de mora incidentes sobre a multa proporcional de ofício. Ao final, são requeridos o acolhimento da impugnação e a declaração de improcedência da autuação, cancelandose a exigência fiscal. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ/CGE julgou parcialmente procedente a Impugnação, mantendo em parte o crédito tributário. O Acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 MULTA PROPORCIONAL DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS. A incidência de juros sobre a multa proporcional de ofício não pode ser objeto de análise, pois o fato impugnado não chegou a se concretizar. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Observadas as normas pertinentes à apuração do imposto e, tendo o auto de infração sido lavrado por agente competente e não tendo havido cerceamento do direito de defesa, não há nulidade do lançamento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Fl. 795DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 04/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16004.720578/201147 Acórdão n.º 1202001.212 S1C2T2 Fl. 796 5 Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. ESTIMATIVA. RECOLHIMENTO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Ocorrendo o pagamento do tributo, mesmo que em atraso, mas antes da declaração relativa ao débito, incide o instituto da denúncia espontânea, inclusive para fins de aplicação da multa de mora. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANOCALENDÁRIO. CONCOMITÂNCIA. A multa isolada é devida em não havendo pagamento por estimativa, antes ou depois de encerrado o anocalendário e independentemente da aplicação da multa proporcional de ofício, não havendo na legislação nenhum dispositivo que afaste a sua aplicação. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Ao que não foi objeto de abordagem específica relativamente à CSLL aplicase o entendimento esposado quanto ao IRPJ em face da similitude dos motivos de autuação e das razões de impugnação. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. A intimação da referida decisão se deu via postal, em 26.02.2013, conforme fls. 714. Devidamente intimada, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário, objeto analisado neste voto, alegando em síntese as mesmas alegações aduzidas na Impugnação. Oportunamente os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche o pressuposto de admissibilidade. Dessa forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões suscitadas. I Nulidade dos Lançamentos A Recorrente inicia sua defesa alegando, em síntese, que o lançamento é nulo por ausência de ordem escrita e específica determinando o segundo exame do ano calendário 2007. Fl. 796DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 04/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16004.720578/201147 Acórdão n.º 1202001.212 S1C2T2 Fl. 797 6 Afirma que o segundo exame de um determinado anocalendário já fiscalizado é de observância obrigatória no procedimento fiscal, configurandose, portanto, verdadeira condição de validade do novo lançamento. Tal alegação merece prosperar. Inicialmente, cumpre transcrever o artigo 906 do RIR/99 (Decreto nº 3000/99): “Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal” (grifouse). O artigo acima transcrito disciplina especificamente o procedimento do reexame de anocalendário já fiscalizado, deixando claro que tal “ordem escrita” é condição necessária e indispensável para o segundo exame de anocalendário já fiscalizado. Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fl. 443), o ano calendário de 2007 já havia sido previamente fiscalizado em 2009, tendo a fiscalização apurado indevida compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL: A contribuinte foi selecionada pela Malha Fiscal PJ/2008, referente ao anocalendário de 2007, e contra a mesma foram lavrados Autos de Infração de IRPJ (R$ 645.347,07) e CSLL (R$ 232.323,79), acrescidos de Multa de Ofício (75%) e Juros de Mora (Selic), cópias fls. 362/409, com ciência da contribuinte em 11/08/2009, por terem sido constatadas infrações correspondentes à compensação indevida de prejuízos fiscais (R$ 2.581.375,51), conforme resume a planilha anexa ao presente Termo, elaborada por esta fiscalização, intitulada: "IRPJ e CSLL Anual Calculados pela MALHA FISCAL". Ademais, a própria DRJ/CGE reconheceu expressamente (fl. 697) que ocorreu tal irregularidade: “De fato, a norma do art. 906 do RIR/99 indica que para a abertura de novo processo de fiscalização, relativamente a anocalendário já examinado, há a necessidade de ordem escrita de autoridade superior da circunscrição fiscal da contribuinte. Contudo, se ocorrer a segunda fiscalização, com a lavratura do auto de infração, esse lançamento não é nulo. A irregularidade existe, mas não tem o alcance indicado pela impugnante.” (grifouse). Verificase, portanto, que no caso em questão não houve a “ordem escrita” que determinasse o segundo exame do anocalendário de 2007, conforme disposto no artigo 906 do RIR/99, sendo o lançamento nulo, por tratarse de um requisito necessário e indispensável. Nesse sentido, recentemente foi publicado acórdão nº 1302001.456, pela 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária deste Conselho: Fl. 797DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 04/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16004.720578/201147 Acórdão n.º 1202001.212 S1C2T2 Fl. 798 7 SEGUNDO EXAME. AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO. NULIDADE DO PROCEDIMENTO. ANOCALENDÁRIO 2007. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal. Nulo o lançamento decorrente de segundo exame do exercício, sem a observância do disposto no art. 906 do RIR/99. (Processo nº 10480.722351/201134, Acórdão nº 1302001.456, sessão de 30/07/2014) NULIDADE DO LANÇAMENTO VÍCIO FORMAL — FALTA DE ORDEM ESCRITA PARA SEGUNDO EXAME — Em relação ao mesmo período só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, Delegado ou Inspetor da Receita Federal. (Lei n° 2.354/54 art. 7° § 2°, Lei n° 3.470/58, art. 34). A falta de autorização para segundo exame é vício formal, caracterizado, pela inobservância de uma formalidade exterior ou extrínseca necessária para a correta configuração do ato jurídico de lançamento. (Processo nº 10120.002462/200733, Acórdão nº 130100.036, Sessão de 12/03/2009) Cumpre mencionar que o Mandado de Procedimento Fiscal não substitui nem dispensa a “ordem escrita” exigida pelo artigo 906 do RIR/99. Tal requisito é expressamente exigido, não podendo ser dispensado. Também nesse sentido já se posicionou este Conselho: PROCESSO ADIMINISTRATIVO FISCAL. ATO ADMINISTRATIVO DE LANÇAMENTO. NULIDADE. REEXAME DE ESCRITA. AUTORIZAÇÃO EXPRESSA. NECESSIDADE. Novo exame da escrituração, com vistas à revisão do Ato Administrativo de Lançamento, é possível desde que precedido de ordem escrita, emitida por autoridade competente, nos precisos termos do artigo 70 , § 2°, da Lei n° 2.354, de 1954, e artigo 34 da Lei n° 3.470, de 1958. O Mandado de Procedimento Fiscal, por traduzir ordem escrita cujo objeto é disciplinar a atuação ordinária da fiscalização, não dispensa nem afasta a necessidade de emissão da "ordem escrita" de que cuida a regra jurídica em comento. Preliminar de nulidade que se acolhe. (Processo nº 10680.004472/200334, Acórdão nº 10194.262, sessão de 02/07/2003) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NÃO SE EQUIPARA À AUTORIZAÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 906 DO RIR199. O MPF como ato de controle da fiscalização é um procedimento "ordinário" utilizado em todas fiscalizações externas e a autorização prescrita no artigo 906 do RIR199 é "extraordinária" só para o caso de segundo exame. O MPFF, ainda que emitido pelas autoridades contidas no artigo 906 do RI/99, não substitui a ordem escrita prevista na legislação para um segundo exame quando dele não constar expressamente tal ocorrência. (Processo nº 10120.002462/200733, Acórdão nº 130100.036, Sessão de 12/03/2009) Fl. 798DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 04/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16004.720578/201147 Acórdão n.º 1202001.212 S1C2T2 Fl. 799 8 Em razão do exposto, entendo que deva ser declarado nulo o lançamento tributário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 799DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 04/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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