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Numero do processo: 10166.900172/2006-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 16/09/2000
IOF. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO.
É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original.
O Princípio da Verdade Material não pode ser aplicado à míngua das provas competentes para constituir juridicamente o fato jurídico afirmado pela Recorrente.
Numero da decisão: 3201-001.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)r
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. O Princípio da Verdade Material não pode ser aplicado à míngua das provas competentes para constituir juridicamente o fato jurídico afirmado pela Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente)r Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 01 72 /2 00 6- 40 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 05/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Referese o presente processo a pedido de compensação relativo a pagamento a maior ou indevido, a título de IOF Operações de crédito/Pessoa Física (código receita 7893 1). Para bem relator os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Nos exatos termos do Despacho Decisório (Nº de Rastreamento): 740375411, emitido em 29/01/2008, a autoridade fiscal não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP nº 31148.11552.101003.1.3.045149, sob o argumento de que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP. [...] Esclarece ainda, tal despacho, que o limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP é de R$ 3.540,81 (três mil quinhentos e quarenta reais e oitenta e um centavos). Inconformada com a decisão administrativa, cuja ciência ocorreu em 11/02/2008, a Requerente protocolou, em 11/03/2008 sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese: No anocalendário de 2000 incorreu em pagamento a maior a título de IOF, cujo crédito é oriundo da aplicação equivocada da metodologia de cálculo do imposto com base no Anexo I da Instrução Normativa n° 46/01 na qual os juros e encargos compõem a base de cálculo do IOF devido. Entretanto, nos termos do Regulamento do IOF – RIOF vigente à época (Decreto n° 2.219/97) artigo 3°, §2° c/c o artigo 7°, § 10, os valores relativos aos encargos somente integram a base de cálculo do IOF nos casos em que não ficar definido o valor do principal a ser pago em favor do mutuário. A Requerente identificou que, após a revisão da base de cálculo do imposto, não procedeu, por equivoco, à retificação do valor efetivamente devido a título de IOF na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Para o Contribuinte as informações constantes na DCTF acabaram por conflitar com as informações apresentadas na Fl. 286DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 05/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10166.900172/200640 Acórdão n.º 3201001.488 S3C2T1 Fl. 94 3 DCOMP em epígrafe, que aponta um crédito de IOF que não encontra respaldo nas demais declarações da Requerente. Imediatamente após perceber o equívoco cometido procedeu à retificação da DCTF a fim de que pudesse demonstrar à RFB a origem do crédito compensado na DCOMP. Assim, com a retificação da DCTF, a Requerente aponta a existência de crédito de IOF oriundo de um pagamento realizado a maior e demonstra à SRFB que não se aproveitou do referido crédito indevidamente, tendo então, direito à compensação ora não homologada. Assim, diante todo o exposto resta demonstrado que incorreu apenas em erros de natureza formal, relativos ao preenchimento de declarações, razão pela qual já procedeu à retificação da DCTF. Ao final, requer possa efetuar a retificação da DCOMP, bem como seja reformada a r. decisão recorrida, para que seja HOMOLOGADA a compensação realizada, cancelandose, ainda, eventuais lançamentos a título IOF, multa, juros e demais encargos. Em despacho prolatado aos 25 de novembro de 2008, a 2ª Turma da DRJ/BSA entendeu não se tratar de manifestação de inconformidade, vejamos: Quanto ao processo em análise, cabe salientar que a petição de fls. 01/06 não pode ser recebida como manifestação de inconformidade, prevista no §9° do art. 74 da Lei n° 9.430/96 e no art. 48 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, tendo em conta a ausência de litígio quanto ao direito creditório utilizado na Dcomp e apreciado pela DRF de origem. E conclui pela devolução do processo à DRF de origem, assim relatado: Isto posto, proponho o encaminhamento do presente processo à DRF/Brasília,para fins dar prosseguimento às providências de sua alçada, incluindo a análise do pedido de retificação da referida DCOMP. A DRF de origem, por sua vez, se manifestou pelo indeferimento do pleito, tendo em vista a extemporaneidade da DCTF Retificadora. Não conformando com a decisão, a Requerente impetrou Recurso Voluntário junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. O processo foi julgado em 10 de dezembro de 2010 (recurso nº 521.510) com a seguinte ementa (Acórdão nº 340200.960): NORMAS PROCESSUAIS. DCOMP. EXAME DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a análise de manifestação Fl. 287DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 05/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 de inconformidade que, nos termos do art. 74 da Lei 9.430, com a redação que lhe deu o art. 17 da Lei 10.833/2003, contesta os fundamentos de despacho decisório denegatório de compensação regularmente declarada. Retornando os autos para a Delegacia de Julgamento, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do Fato Gerador: 17/06/2000 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ERRO DCTF. Não deve ser reconhecido o direito creditório pleiteado pela contribuinte quando não comprovado, por documentos hábeis e idôneos, que houve equívoco no preenchimento da DCTF, se esse erro foi a causa do não reconhecimento do direito creditório no despacho decisório proferido pela autoridade a quo. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na decisão ora recorrida entendeuse que apresentação de DCTF retificadora somente seria aceita como único elemento de prova do direito creditório, se transmitida antes da ciência do Despacho Decisório, situação que não ocorreu no caso em tela. Acresceu que a DCTF retificadora, comprobatória de que o crédito relativo a IOF devido na 3ª semana de junho de 2000, foi apresentada em 07/03/2008, quando já havia transcorrido mais de cinco anos da ocorrência do fato gerador é extemporânea, invalidandoa como elemento de análise. Nesse contexto, deveria a ora Recorrente ter instruído sua peça de defesa com a documentação que comprovasse o real valor devido a título de IOF e que demonstrasse a certeza e a liquidez do suposto pagamento a maior, pois é do contribuinte o ônus da prova em casos que tais. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade, acrescendo que: Fl. 288DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 05/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10166.900172/200640 Acórdão n.º 3201001.488 S3C2T1 Fl. 95 5 i.juntou aos autos, a cópia da DCTF retificadora, comprovando que em relação ao IOF apurado inicialmente não seria o devido, conforme DARF constante dos autos, bem como apresentou DCTF retificadora; ii. a documentação referida seria suficiente para atestar a liquidez e certeza de seu crédito, demonstrando os elementos que corroboram seu direito creditório; iii. a presunção relativa de veracidade da declaração permanece incólume, mantido em favor da Administração o direito de fiscalizar tais informações, não sendo possível a inversão de quaisquer ônus probatórios contra o contribuinte, além daquele atinente à necessária comprovação acerca da retificação efetuada; iv. o art. 150, § 4o, do CTN trata do direito fiscal de constituir o crédito tributário contra o contribuinte devedor, não se relacionando com a retificação da DCTF e, tampouco, com o direito de compensação e, por isso, inaplicável para a contagem de prazos para apresentação de declarações fiscais e suas retificadoras; v. o prazo para pleitearse a restituição do crédito tributário, nos termos do § 4o do art. 150, do CTN c/c o art. 168, I, do CTN, é de 10 (dez) anos, como decidido pelo E. STF, no RE n° 566.621, julgado sob o rito da repercussão geral; vi. o CARF já se manifestou inúmeras vezes para reconhecer o direito do contribuinte, afastando o erro formal em nome da verdade material; vi. inexiste prejuízo ao Erário, pois conforme se comprova da documentação constante dos autos (DCTF original e retificadora), não restaram saldos a pagar de IOF; vi. a verdade material que norteia o processo administrativo deve se sobrepor a quaisquer equívocos presentes nas obrigações acessórias os quais, inclusive, se constatados pela Administração Pública, deverão ser corrigidos de ofício, conforme dispõe o parágrafo 2o, do artigo 147, do CTN; vii. inviabilizarse a compensação é vulnerar o direito do contribuinte à compensação tributária, tal como lhe defere o art. 74, da Lei n° 9.430/96, bem assim, representa verdadeira afronta ao Princípio da Legalidade dos atos da Administração Pública, assim como previsto no art. 37, da CF/88. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Recorrente alega que realizou pagamento a maior a título de IOF, uma vez que teria adicionado juros e correção à base de cálculo da exação, mas estes apenas deveriam ser computados no cálculo do imposto quando não ficasse definido o Fl. 289DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 05/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 valor principal a ser pago em favor do mutuário, conforme determina o art. 3o, § 2o c/c o art. 7o, §10 do Regulamento do IOF (Decreto n° 2.219/97), o que não era o seu caso. Contudo, na trouxe aos autos quaisquer documentos que amparassem o direito creditório afirmado, sendo certo que, conforme entendimento remansoso neste Conselho Administrativo Fiscal, o fato do pagamento indevido deve estar lastreado na contabilidade daquele que o alega, com a respectiva documentação pertinente. Nesse sentido, citese, exemplificativamente, os seguintes julgados: Acórdão3301001.931(Data de Publicação: 25/09/2013) Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF Período de apuração: 01/10/2006 a 10/10/2006 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Recurso Improvido. Acórdão 3102001.717(Data de Publicação: 25/03/2013) Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF Data do fato gerador: 15/01/2003 OPERAÇÕES DE CRÉDITO. ALÍQUOTA. LIMITE DE INCIDÊNCIA. EXTRAPOLAÇÃO. CRÉDITO. O valor do imposto recolhido sobre operações de crédito que exceder àquele correspondente ao resultante da aplicação da alíquota máxima legalmente estabelecida é considerado como pagamento a maior e passível de restituição/compensação. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. EXTRATOS COMPROVANDO O DEPÓSITO DO VALROS OBJETO DO MÚTUO. Recurso Voluntário Provido. Acórdão 3803002.796 (Data de Publicação: 13/09/2012) IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 15/10/2008 Ementa: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO.NÃO HOMOLOGAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Assim, apenas a documentação contábil completa, que reflita de maneira inconteste o direito creditório da Recorrente, demonstrando que o imposto foi pago a maior, seriam hábeis a fazer com que o Princípio da Verdade Material laborasse a seu favor. Destarte, nos processos administrativos originados de decisões que não homologam declarações de compensação, o conflito originarseá do não reconhecimento da Fl. 290DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 05/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10166.900172/200640 Acórdão n.º 3201001.488 S3C2T1 Fl. 96 7 relação de débito do Fisco e, por conseguinte, da não extinção da relação de seu crédito, pois na compensação concorrem duas relações jurídicas de cargas opostas – relação jurídica da obrigação tributária a relação de indébito do Fisco – que, combinadas, se anulam. A Medida Provisória nº 135, de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 20031 alterou a redação do art. 74 da Lei n° 9.430/96, para aplicar às situações de nãohomologação da compensação o rito do processo administrativo fiscal federal, prescrevendo que a manifestação de inconformidade é o veículo introdutor de conflito, no âmbito da jurisdição administrativa. Todavia, o contencioso administrativo originado da impugnação ao lançamento de ofício não se confunde com aquele decorrente de manifestação de inconformidade da decisão que não homologa o direito creditório nas compensações efetuadas pelo contribuinte. Com efeito, na impugnação o contribuinte visa a desconstituir o lançamento tributário, ato jurídico produzido pelo Fisco, nos termos do art.142 do CTN, ao passo que no caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. Por essa razão, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. Portanto, a despeito do Princípio da Verdade Material ser importante vetor do processo administrativo fiscal, não pode ser aplicado sem base empírica, ou seja, à míngua das provas competentes para constituir juridicamente o fato afirmado pela Recorrente, pois a “verdade” deve ser encontrada nos autos. Nesse contexto, esse Conselho vem admitido a relativização da preclusão na apresentação de provas, sob o lastro do Princípio Verdade Material, porém, frisese, sempre 1§ 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 05/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 8 quando o contribuinte logre trazer aos autos, ainda que intempestivamente, elementos probatórios que espelhem o direito afirmado Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 292DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 05/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001275/2006-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO.
Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar eventuais vícios verificados no acórdão.
ERRO NA FORMALIZAÇÃO DO ACÓRDÃO. CORREÇÃO.
Constatada a ocorrência de contradição entre a ementa, o voto e o resultado, deve-se retificar o dispositivo da decisão para ajustá-lo ao conteúdo material do julgamento.
Numero da decisão: 2201-002.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração de fls. 1.350 a 1.353 para, sanando os vícios apontados no Acórdão de Embargos nº 2202-002.350, de 20/06/2013, restringir a ementa do julgado ao objeto dos Embargos de Declaração de fls. 1.336/1337, bem como alterar a decisão para acolher os Embargos de Declaração para, suprindo a omissão apontada no Acórdão de Recurso Voluntário nº 2201-001.631, de 19/06/2012, complementar a ementa e o voto vencedor, adaptando-os ao dispositivo do julgado.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ACOLHIMENTO. Acolhemse os embargos declaratórios para sanar eventuais vícios verificados no acórdão. ERRO NA FORMALIZAÇÃO DO ACÓRDÃO. CORREÇÃO. Constatada a ocorrência de contradição entre a ementa, o voto e o resultado, devese retificar o dispositivo da decisão para ajustálo ao conteúdo material do julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração de fls. 1.350 a 1.353 para, sanando os vícios apontados no Acórdão de Embargos nº 2202002.350, de 20/06/2013, restringir a ementa do julgado ao objeto dos Embargos de Declaração de fls. 1.336/1337, bem como alterar a decisão para “acolher os Embargos de Declaração para, suprindo a omissão apontada no Acórdão de Recurso Voluntário nº 2201001.631, de 19/06/2012, complementar a ementa e o voto vencedor, adaptandoos ao dispositivo do julgado”. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 12 75 /2 00 6- 92 Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, Embargos de Declaração, fls. 1350/1353, contra o Acórdão n° 2202002.350, de 20 de junho de 2013. Alega a Embargante que os Embargos opostos pela União no processo nº 19515.001275/200692, concluiu pela declaração de nulidade do Acórdão 220101.676, de 10 de julho de 2012, tornando sem efeito os atos posteriores a ele vinculados. Contudo, verificase que o Acórdão da contribuinte, Adriana Taub Rusu, julgado em 19 de junho de 2012, é o de nº 2201001.631, consoante se observa do Acórdão de Recurso Voluntário às fls. 1321/1334. Isso posto, compulsando o site do CARF, verificase que o Acórdão n° 220110.676 não se refere à Adriana Taub Rusu, mas a outro contribuinte: Agropecuaria Lagoa do Xupe Ltda. Ademais, conforme se observa do conteúdo do voto proferido pelo Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa o resultado do julgamento não foi pela anulação do Acórdão anteriormente proferido, mas sim pela exclusão da multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Portanto, a presidência da Câmara acolheu os Embargos para sanar a contradição apontada pela Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator. Os embargos atendem os requisitos de admissibilidade. Como se pode verificar da leitura do relatório, a Embargante demonstrou que o Acórdão n° 2202002.350, de 20 de junho de 2013, fls. 1341/1348, apresentou duas contradições: a primeira, relativa ao número do Acórdão consignado na conclusão do julgado e a segunda, referente à contradição entre a ementa e o resultado do julgamento. Quanto ao número do Acórdão assinalado na conclusão do julgado, verifica se que houve um equívoco do relator, ou seja, o Acórdão n° 2202002.350, de 20 de junho de 2013, fls. 1341/1348, acabou por anular Acórdão de outro contribuinte, qual seja, Agropecuaria Lagoa do Xupe Ltda. Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001275/200692 Acórdão n.º 2201002.307 S2C2T1 Fl. 3 3 Além do mais, constatase da ementa e do fundamento do voto, que o resultado do julgamento não foi pela anulação do Acórdão 220101.676, mas sim pela exclusão da multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Transcrevese trecho do Acórdão n° 2202002.350, de 20 de junho de 2013: Quanto à matéria omitida, a multa isolada do carnêleão, registrese, de plano, que a matéria foi devidamente contestada no recurso. Tratase de multa isolada incidente sobre valores apurados como omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, tendo sido exigida a multa de ofício sobre a diferença de imposto apurada no ajuste anual e a multa isolada pela falta de antecipação do pagamento na forma de carnêleão. (...) MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso especial negado. (Acórdão CSRF/0104.987, de 15/06/2004) É como penso... (...) Registro, para maior clareza, que fica confirmado tudo o mais que consta do voto condutor do acórdão nº 2201001.631, de 19 de junho de 2012. Conclusão Ante o exposto, acolho os embargos interpostos pela fazenda nacional para, rerratificando o acórdão embargado, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada do carnê leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Do exposto, verificase que houve um equívoco do relator quando da formalização da decisão proferida no julgamento, ou seja, o voto do Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa foi no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Entretanto, a ementa constante no Acórdão de Embargos n° 2202002.350, de 20 de junho de 2013, não está em consonância com conteúdo material do julgamento. Assim, onde constou: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 EMBARGOS. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. Constatada omissão/contradição no acórdão embargado, acolhemse os embargos que apontaram o vício para a devida correção. MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº. 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02). IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF. RETROATIVIDADE DA LEI Nº 10.174, de 2001. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (Súmula CARF nº 35). DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizamse omissão de rendimentos os valores creditados em contas bancárias, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados em tais operações. JUROS SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 04). Deve constar: EMBARGOS. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. Constatada omissão/contradição no acórdão embargado, acolhemse os embargos que apontaram o vício para a devida correção. MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº. 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001275/200692 Acórdão n.º 2201002.307 S2C2T1 Fl. 4 5 Ante a todo o exposto, voto no sentido de conhecer os Embargos apresentados para, sanando os vícios apontados no Acórdão de Embargos nº 2202002.350, de 20/06/2013, restringir a ementa do julgado ao objeto dos Embargos de Declaração de fls. 1.336/1337, bem como alterar a decisão para “acolher os Embargos de Declaração para, suprindo a omissão apontada no Acórdão de Recurso Voluntário nº 2201001.631, de 19/06/2012, complementar a ementa e o voto vencedor, adaptandoos ao dispositivo do julgado”. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 19515.001275/200692 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.307. Brasília/DF, 22 de janeiro de 2014 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador (a) da Fazenda Nacional Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.001275/200692 Acórdão n.º 2201002.307 S2C2T1 Fl. 5 7 Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 16327.914239/2009-62
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/12/2006
DESPACHO DECISÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA DA TEMPESTIVIDADE.
O prazo para interposição da Manifestação de Inconformidade é de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 74, §§ 7° e 9° da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A comprovação eletrônica de entrega do objeto pode ser ilidida desde que o contribuinte através de prova inequívoca que denote o erro no registro do Correios, demonstre o efetivo recebimento em data diferente, como, por exemplo, o carimbo constante no Despacho Decisório.
Numero da decisão: 1802-001.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do Relator, determinando à devolução dos Autos para novo proferimento da 8a Turma da DRJ/SP1, considerando tempestiva a Manifestação de Inconformidade.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marco Antônio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/12/2006 DESPACHO DECISÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA DA TEMPESTIVIDADE. O prazo para interposição da Manifestação de Inconformidade é de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 74, §§ 7° e 9° da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A comprovação eletrônica de entrega do objeto pode ser ilidida desde que o contribuinte através de prova inequívoca que denote o erro no registro do Correios, demonstre o efetivo recebimento em data diferente, como, por exemplo, o carimbo constante no Despacho Decisório.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do Relator, determinando à devolução dos Autos para novo proferimento da 8a Turma da DRJ/SP1, considerando tempestiva a Manifestação de Inconformidade. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marco Antônio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2006 DESPACHO DECISÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA DA TEMPESTIVIDADE. O prazo para interposição da Manifestação de Inconformidade é de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 74, §§ 7° e 9° da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A comprovação eletrônica de entrega do objeto pode ser ilidida desde que o contribuinte através de prova inequívoca que denote o erro no registro do Correios, demonstre o efetivo recebimento em data diferente, como, por exemplo, o carimbo constante no Despacho Decisório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do Relator, determinando à devolução dos Autos para novo proferimento da 8a Turma da DRJ/SP1, considerando tempestiva a Manifestação de Inconformidade. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 42 39 /2 00 9- 62 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marco Antônio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.914239/200962 Acórdão n.º 1802001.972 S1TE02 Fl. 222 3 Relatório Tratam os presentes autos de não homologação de compensação, cujo crédito está em suposto pagamento a maior da CSLL Estimativa Mensal do período de apuração 31/12/2006, recolhido através de DARF no código 6758 em 30/03/2007. O débito que se tentou compensar é de CSLL – Estimativa Mensal do período de apuração 31/07/2008. O saldo de crédito pleiteado corresponde ao montante de R$ 49.501,83. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente recurso voluntário, adoto o Relatório proferido pela 8a Turma da DRJ/SP1, consoante Acórdão n° 16 33.452, às efls. 145/146: Tratase de manifestação de inconformidade (fls. 01 a 03) a Despacho Decisório nº (de Rastreamento) 848708563 (fl. 04), de 07/10/2009, no qual a autoridade não homologou, por inexistência de direito creditório, a compensação declarada na DCOMP nº 31182.05081.290808.1.3.047507, protocolizada em 29/08/2008 (fls. 12 a 17). 2. Na Fundamentação da decisão, a autoridade informa que, consoante os sistemas de controle da RFB, o valor recolhido em DARF, em 30/03/2007, de R$ 18.956.370,38, código de receita 6758 (CSLL ENTIDADES FINANCEIRAS DECLARAÇÃO DE AJUSTE), relativo ao período de apuração de 31/12/2006, do qual seria parte o montante de R$ 49.501,83 declarado na DCOMP como indevido ou a maior (fl. 14), fora integralmente utilizado na quitação do referido tributo relativo ao período mencionado, não restando, assim, crédito disponível para a liquidação do débito declarado para compensação. 3. Em conseqüência, apurou valor devedor consolidado para pagamento até 30/10/2009, referente ao débito indevidamente compensado mediante a referida DCOMP, de R$ 57.238,97, de principal, R$ 7.349,48, de juros, e de R$ 11.447,79, de multa. 4. Cientificado da decisão em 19/10/2009 (fl. 26), alegando, porém, ter sido em 20/10/2009 (fls. 02 e 35), o interessado apresentou manifestação de inconformidade, em 19/11/2009 (fl. 01), oferecendo, em síntese, as seguintes informações e razões: i) o direito creditório invocado, de R$ 49.501,93, seria líquido e certo porque resultante do recolhimento de R$ 18.956.370,38, em DARF (fl. 07), relativo à CSLL ENTIDADES FINANCEIRAS DECLARAÇÃO DE AJUSTE do anocalendário 2006, em montante maior do que o valor correto, atualizado, de R$ 18.906.868,55 (R$ 49.501,93 = R$ 18.956.370,38 R$ 18.906.868,55), este correspondente ao valor original, de R$ 18.559.800,28, constante da DIPJ do referido ano (fl. 06); ii) o mencionado valor original do débito teria, ainda, sido declarado equivocadamente na DCTF de 03/2007, como R$ Fl. 223DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 18.608.393,42 (fl. 09), a qual, porém, teria sido retificada, em 27/10/2009 (fl. 10), para conter o valor correto (fl. 11); iii) assim, existiria crédito disponível para a compensação do débito declarado na DCOMP nº 31182.05081.290808.1.3.047507 (fls. 12 a 17). 5. É o Relatório. Na análise do caso, entendeu a nobre turma julgadora pelo não conhecimento da Manifestação de Inconformidade interposta pela ora recorrente às efls. 1/3, conforme sintetizado pela seguinte ementa (efls. 143): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. TEMPESTIVIDADE NÃO PROVADA. MÉRITO NÃO CONHECIDO. A contestação da data constante de comprovante emitido pelos Correios, de ciência da Decisão, mostrase inócua quando o contribuinte não logra trazer aos autos prova documental de outra data, alegada, que tornaria tempestiva a interposição da peça irresignatória. Eventual petição apresentada fora do prazo, mas suscitando questão de tempestividade, caracteriza impugnação e instaura a fase litigiosa do procedimento, comportando julgamento apenas dessa matéria preliminar, não do mérito. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Sem Crédito em Litígio Intimada da manutenção do lançamento através do Acórdão supracitado em 08/09/2011, a recorrente denotando sua irresignação apresentou Recurso Voluntário em 06/10/2011, às efls. 152/164, aduzindo em apertada síntese: i) pelo reconhecimento da tempestividade na proposição recursal realizada, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972; ii) pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário constante no referido Processo Administrativo Fiscal, nos termos do art. 151, III do Código Tributário Nacional e §11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; iii) pelo reconhecimento da tempestividade de sua manifestação de inconformidade, que não foi conhecida pela origem por suposta não comprovação da data de recebimento e; Fl. 224DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.914239/200962 Acórdão n.º 1802001.972 S1TE02 Fl. 223 5 iv) que houve cerceamento do direito de defesa no momento da produção das provas, pois a autoridade julgadora analisou o direito creditório apenas à luz da DCTF, e não nos demais documentos apresentados que comprovam seu direito creditório, especialmente no que consta na DIPJ. Ao final, pede pela procedência de seu recurso e pela devolução da matéria à DRJ para julgamento. É o relato do essencial. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade determinados pelo Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Dele, tomo conhecimento. A interposição de recurso na esfera administrativa feita de forma tempestiva, suspende a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN), e especificamente in casu, que trata de não homologação de compensação, ao §11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a seguir transcrito: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. [...] Feitas essas considerações, passase à questão central que envolve a manutenção do lançamento – a tempestividade na Manifestação de Inconformidade. Constam nos autos às efls 26, que o Despacho Decisório de não homologação da compensação foi entregue no endereço da ora Recorrente em 19/10/2009, conforme o objeto RF848708563BR. Às efls. 1 consta que a Manifestação de Inconformidade foi protocolizada em 19/11/2009. Dia 19/10/2009 foi uma terçafeira. Assim, a contagem do prazo como primeiro dia iniciou no dia 20/10/2009, o que acarreta o prazo fatal para interposição da Manifestação de Inconformidade em 18/11/2009. A regra é que devese respeitar o prazo, a fim de que haja validade no recurso ou reclamação administrativas, em obediência ao que determina a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Fl. 226DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.914239/200962 Acórdão n.º 1802001.972 S1TE02 Fl. 224 7 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. [...] § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. [...] A recorrente argumenta que não consta o comprovante de recebimento nos autos, mas apenas extrato do objeto no Correios, o que entende insuficiente para determinar o efetivo recebimento do referido Despacho Decisório na data de 19/10/2009 e aduz que na verdade o recebeu em 20/10/2009. Ainda que haja dúvida nesta questão, conclui pela aplicação do princípio in dubio pro contribuinte, sob pena de caracterizar cerceamento do direito de defesa. A recorrente demonstra às efls. 202/203 carimbo do Correios e de sua Portaria dando conta de que recebeu no dia 20/10/2009, o que viabilizaria o conhecimento de sua Manifestação de Inconformidade na data de 19/11/2009. Esta informação já consta às efls 4, escrita de próprio punho no mesmo documento. Assim, há inequívoca indicação de que a Manifestação de Inconformidade do contribuinte é tempestiva, pois o recebimento deuse efetivamente em 20/10/2009, motivo pelo qual deve ser conhecida em relação ao mérito e julgada. Portanto, possível processo de cobrança deve ser cancelado, devendo o valor constante dos presentes autos permanecer suspenso até o término da discussão administrativa, em obediência ao art. 151, III, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (CTN) e ao art. 74, §11, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também devem os presentes autos ser devolvidos para DRJ/SP1 em sua 8a Turma, para análise das questões de mérito levantadas pelo contribuinte em sua Manifestação de Inconformidade, e analisando todas as provas constantes nos autos a fim de que profira novo Acórdão. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, determinando a devolução dos autos à instância a quo, para proferimento de novo Acórdão, considerando a tempestividade da Manifestação de Inconformidade. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 228DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10930.001287/2006-41
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2003
RESTITUIÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. SELIC.
A taxa SELIC se decompõe em taxa de juros reais e taxa de inflação no período considerado, razão pela qual não pode ser aplicada, cumulativamente, com qualquer outro índice de reajustamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Ausentes os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2003 RESTITUIÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. SELIC. A taxa SELIC se decompõe em taxa de juros reais e taxa de inflação no período considerado, razão pela qual não pode ser aplicada, cumulativamente, com qualquer outro índice de reajustamento. Recurso Voluntário Negado
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ACRÉSCIMOS LEGAIS. SELIC. A taxa SELIC se decompõe em taxa de juros reais e taxa de inflação no período considerado, razão pela qual não pode ser aplicada, cumulativamente, com qualquer outro índice de reajustamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Ausentes os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 12 87 /2 00 6- 41 Fl. 640DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10930.001287/200641 Acórdão n.º 2801003.232 S2TE01 Fl. 641 2 Tratase de Pedido de Restituição de imposto de renda retido na fonte no período de 2001 a 2006, fundamentado no art. 39, XXXIII do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/1999 (isenção dos proventos de aposentadoria por doença grave). O pedido foi deferido com lastro no Parecer SAORT/DRF/LON nº 002, de 03/01/2008 (fls. 570/583), no qual consta a seguinte observação referente ao ano calendário de 2002: 21. O “Imposto Retido na Fonte” informado na DIRPF no importe de R$ 70.280,75 está em consonância com o DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) e Guia de Retirada de fls. 184 (verso e anverso), ratificado pela tela do Sistema Sinal 08 de fls. 271. No entanto, enquanto o “Rendimento” de Complementação de Aposentadoria deuse em 26/04/2002 (Guia de Retirada de fls. 180 e 181), o “Imposto Retido na Fonte” ocorreu somente em 17/01/2003 (fls. 184/verso e anverso e 271). O valor do “Imposto Retido na Fonte” de R$ 70.280,75, efetuado em 17/01/2003, atualizado para a data do recebimento do “Rendimento” obtido em 26/04/2002 alcança o importe de R$ 63.208,38, conforme “Atualização de Valores” previsto no sítio do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (fls. 273). O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade especificamente em relação ao item descrito, alegando, em síntese, que: O valor do imposto de renda retido na fonte considerado foi de R$ 63.208,38, ao invés de R$ 70.280,75. Tal diferença decorreu do fato de a Administração ter realizado a atualização do valor do imposto para a data do rendimento. Não concorda com o cálculo efetivado pela Autoridade Administrativa, por não representar o valor efetivamente retido do contribuinte na data do recebimento do rendimento. O rendimento e o imposto de renda devido foram depositados judicialmente em 11/10/2001, respectivamente R$ 555.159,13 e R$ 62.874,62. O rendimento só foi efetivamente auferido em 22/04/2002, quando liberado em favor do contribuinte, conforme guia de retirada de fls. 181. A base para a correção do imposto de renda retido na fonte deve ser a data do saque, de modo que o valor de R$ 62.874,62, relativo ao imposto de renda retido na fonte, que se encontrava depositado em conta judicial, conforme guia de retirada de fls. 184, deve ser atualizado para a data efetiva do recebimento do rendimento: 22/04/2002. O valor do imposto de renda de R$ 62.874,62, depositado em 11/10/2001, deve ser atualizado para a data da efetiva retenção, que ocorreu quando o contribuinte recebeu o rendimento, ou seja, 22/04/2002. Ao contribuinte não pode ser imposto qualquer prejuízo em razão da inércia do Judiciário ou da Administração em não recolher o imposto de renda que estava depositado na data em que foi auferido o rendimento. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10930.001287/200641 Acórdão n.º 2801003.232 S2TE01 Fl. 642 3 A manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente pelo acórdão de fls. 630/632. Cientificado da decisão de primeira instância em 30/07/2010 (fl. 634), o Interessado interpôs, em 26/08/2010, o recurso de fls. 635/638. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Em despacho decisório que acolheu o inteiro teor do Parecer SAORT/DRF/LON n° 002/2008 restou reconhecido o direito à isenção do imposto, o direito à restituição do imposto recolhido indevidamente, e, ainda, a restituição manual do valor de R$ 22.445,88, referente aos juros SELIC incidente sobre os créditos do imposto que haviam sido retidos indevidamente na fonte. Ocorre que, para a apuração do direito creditório acima apontado, no exercício de 2003, anocalendário 2002, o valor do imposto de renda retido na fonte considerado para o cálculo dos juros SELIC foi R$ 63.208,38, relativo à data de 26/04/2002, quando se deu a verificação do rendimento de Complementação de Aposentadoria, ao invés de R$ 70.280,75, relativo à data de 17/01/2003, quando a retenção na fonte e o recolhimento do imposto foram realizados. Para a apuração do crédito restituível o Auditor Fiscal tomou como base o valor de R$ 63.208,38, referente ao momento em que o rendimento foi apurado, e não o montante de R$ 70.280,75, o qual foi efetivamente recolhido aos cofres públicos. O depósito judicial do rendimento objeto de discussão judicial, bem como do imposto de renda devido sobre tal rendimento ocorreram em 11/10/2001, respectivamente nos valores de R$ 555.159,13 e de R$ 62.874,62 (guias anexadas aos autos às fls. 181 e 184 do processo físico). Contudo, o rendimento somente foi auferido, de fato, em 22/04/2002, data na qual o dinheiro, que estava depositado em juízo, restou liberado em favor do recorrente. Diante disso, a base para a apuração da taxa SELIC a ser restituída deve ser aquela referente à data do saque, qual seja, R$ 70.280,75, visto tratarse do montante que, de fato, representa a efetiva retenção na fonte e o real recolhimento aos cofres públicos. Ao final, requer seja recebido e provido o presente recurso voluntário, reformandose o Acórdão da DRJ/CTA, no sentido de se determinar a incidência da taxa SELIC sobre o valor efetivamente retido e recolhido, qual seja, R$ 70.280,75, reconhecendo se, assim, o direito creditório correspondente e procedendose às devidas retificações na respectiva DIRPF. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presente os requisitos de admissibilidade. O Recorrente informou, em sua declaração de ajuste anual retificadora, exercício 2003, anocalendário 2002, o valor de R$ 70.280,75, a título de imposto de renda retido na fonte incidente sobre o “rendimento de complementação de aposentadoria” recebido em 26/04/2002, rendimento este contemplado com a isenção dos portadores de moléstia grave. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10930.001287/200641 Acórdão n.º 2801003.232 S2TE01 Fl. 643 4 O imposto retido lançado na declaração, embora depositado judicialmente desde 11/10/2001, somente foi recolhido ao Fisco em 17/01/2003 (DARF à fl. 186 deste processo digital). Por se referir a rendimento recebido em abril de 2002, a Autoridade fiscal, a fim de apurar os juros a serem aplicados ao imposto indevidamente retido, atualizou, retroativamente, para a data do recebimento do rendimento (26/04/2002), o valor do imposto recolhido em 17/01/2003 (de R$ 70.280,75 para R$ 63.208,38), considerando que a retenção indevida teria ocorrido na data do recebimento do rendimento. Em outras palavras: em face do descompasso existente entre a data do efetivo recebimento do rendimento e a data do efetivo recolhimento do tributo aos cofres públicos, o valor do imposto foi recalculado para a data da percepção da renda, para, a partir daí, fazer incidir os juros legais (SELIC). O Parecer SAORT/DRF/LON nº 002/2008, acostado aos autos em fls. 570/583 deste processo digital, revela que a incidência dos juros SELIC, para o exercício de 2003, anocalendário de 2002, ocorreu a partir do mês seguinte ao da retenção indevida (art. 896, II, “b” do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/1999), assim considerada, pela Autoridade fiscal, a data do recebimento do rendimento, até o mês da entrega tempestiva da declaração. Assim, o valor atualizado para abril de 2002 (R$ 63.208,38) sofreu a incidência da SELIC a partir de 1º de maio do mesmo ano (primeiro dia do mês subseqüente à retenção indevida) até o mês de abril de 2003. A taxa SELIC é o valor apurado no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, mediante cálculo da taxa média ponderada e ajustada das operações de financiamento por um dia e reflete, basicamente, as condições instantâneas de liquidez no mercado monetário e se decompõe em taxa de juros reais e taxa de inflação no período considerado, razão pela qual não pode ser aplicada, cumulativamente, com qualquer outro índice de reajustamento. Nesse sentido, ementa de acórdão do STJ, que elucida a matéria: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. FINSOCIAL. JUROS. CORREÇÃO MONETÁRIA. ÍNDICES. NATUREZA DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELA EMPRESA. SÚMULA 7/STJ. OMISSÃO (CPC, ART. 535). NÃOCARACTERIZAÇÃO. (...) 4. A orientação prevalente no âmbito da 1ª Seção, com relação à incidência de juros na restituição de indébito tributário pode ser sintetizada da seguinte forma: (a) antes do advento da Lei 9.250/95, incidia a correção monetária desde o pagamento indevido até a restituição ou compensação (Súmula 162/STJ), acrescida de juros de mora a partir do trânsito em julgado (Súmula 188/STJ), nos termos do art. 167, § único, do CTN; (b) após a edição da Lei 9.250/95, aplicase a taxa SELIC desde o recolhimento indevido, ou, se for o caso, a partir de 1º.01.1996, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de atualização monetária, seja de juros, porque a SELIC inclui, a um só tempo, o índice de inflação do período e a taxa de juros real. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10930.001287/200641 Acórdão n.º 2801003.232 S2TE01 Fl. 644 5 5. Recurso especial da Fazenda Nacional não conhecido. 6. Recurso especial das autoras parcialmente provido. (Publicado no DJ de 23.08.2004) Se admitida a tese do Recorrente, a incidência da SELIC, a partir de maio de 2002, deveria levar em conta o valor de R$ 70.280,75, recolhido aos cofres públicos somente em 17/01/2003, no lugar dos R$ 63.208,38 considerados pela Autoridade fiscal. Embora engenhosa, a tese do Interessado não merece acolhida, porquanto, nessa hipótese, ocorreria a incidência da SELIC cumulada com a correção do depósito efetuada pela instituição financeira depositária, no que se refere ao período de 26/04/2002 até 17/01/2003, data do efetivo recolhimento do tributo aos cofres públicos. Noutros termos: não seria razoável fazer incidir a SELIC, a partir de maio de 2002, sobre o valor de R$ 70.280,75, eis que este valor, recolhido indevidamente, já havia sido corrigido, no período mencionado (de 26/04/2002 até 17/01/2003), pela instituição financeira em que efetivado o depósito. A atualização retroativa perpetrada pela Autoridade fiscal buscou, em verdade, evitar a dupla correção do valor retido indevidamente, sem ocasionar qualquer prejuízo ao contribuinte. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos Almeida Fl. 644DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 13830.720044/2005-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2001
PIS. RECEITAS ORIUNDAS DE ATO COOPERATIVO. ISENÇÃO.
A cooperativa prestando serviços a seus associados, sem interesse negocial, ou fim lucrativo, goza de completa isenção, porquanto o fim da mesma não é obter lucro, mas, sim, servir aos associados.
PIS. RECONHECIMENTO PELO STF - INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO.
Plenário do Supremo Tribunal Federal, em sessão de 09.11.2005, apreciando recursos extraordinários (RE 346084/PR, RE 357950/RS, RE 358273/RS e RE 390840/MG), bem como, o RE 527602/SP em sessão de 05/08/2009 com repercussão geral, considerou inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98.
REPERCUSSÃO GERAL. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-B DO CPC. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF.
Em se tratando de recurso extraordinário com repercussão geral submetido à apreciação do Supremo sob o crivo do art. 543-B do Código de Processo Civil, há que ser observada disposição prevista no Regimento Interno deste Conselho, art. 62-A. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido.
Numero da decisão: 3201-001.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano DAmorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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RECEITAS ORIUNDAS DE ATO COOPERATIVO. ISENÇÃO. A cooperativa prestando serviços a seus associados, sem interesse negocial, ou fim lucrativo, goza de completa isenção, porquanto o fim da mesma não é obter lucro, mas, sim, servir aos associados. PIS. RECONHECIMENTO PELO STF INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Plenário do Supremo Tribunal Federal, em sessão de 09.11.2005, apreciando recursos extraordinários (RE 346084∕PR, RE 357950∕RS, RE 358273∕RS e RE 390840∕MG), bem como, o RE 527602/SP em sessão de 05/08/2009 com repercussão geral, considerou inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei 9.718∕98. REPERCUSSÃO GERAL. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543B DO CPC. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. Em se tratando de recurso extraordinário com repercussão geral submetido à apreciação do Supremo sob o crivo do art. 543B do Código de Processo Civil, há que ser observada disposição prevista no Regimento Interno deste Conselho, art. 62A. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 00 44 /2 00 5- 41 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento de 1ª instância administrativa, transcrevese abaixo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de Declaração(ões) de Compensação de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep de agosto de 2001 com débito(s) informado(s) no(s) respectivo(s) documento(s). A DRF de Marília(SP), por meio do despacho decisório de fls. 38/40, não reconheceu o direito creditório e não homologou a(s) compensação(ões). A negativa de reconhecimento baseouse no relatório e demonstrativo, anexados por cópia às fls. 24/31, produzido pela fiscalização no processo nº 13826.000388/200508, no qual a interessada pleiteou restituição de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins do período de agosto de 2000 a abril de 2004. De acordo com tal relatório e demonstrativo, não foi apurado o indébito pleiteado. Ainda conforme os referidos relatório e demonstrativo, a fiscalização calculou o indébito considerando a base de cálculo da Cofins tal qual previsto na Lei nº 9.718, de 1998 e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, desconsiderando o pleito da interessada de afastamento da ampliação da base de cálculo e não incidência da contribuição sobre a diferença entre suas receitas e os repasses a seus associados. Cientificada do despacho e inconformada com a não homologação, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 50/65, alegando que “a fiscalização não poderia glosar o crédito do PIS do período de agosto de 2001”, utilizado na(s) presente(s) compensação(ões), por ele se encontrar “em discussão na esfera administrativa onde aguarda seu julgamento”, em referência ao processo de restituição já mencionado. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 13830.720044/200541 Acórdão n.º 3201001.366 S3C2T1 Fl. 114 3 A seguir, reproduziu trecho que seria de sua impugnação no processo acima, na qual sustenta a “ilegalidade da exigência do PIS e Cofins sobre os atos cooperativos e demais receitas operacionais”. Segundo o texto reproduzido, a contribuinte defendeu a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pela Lei nº 9.718, de 1998, e a nãoincidência das contribuições sobre as receitas decorrentes do ato cooperativo, entendido como a venda de mercadorias e serviços colocados à disposição pelos cooperados. Em relação à incidência das contribuições sobre suas vendas, deduzidas do repasse aos cooperados, demonstrou o entendimento de que se trata de tributação de ato cooperativo, pois as contribuições acabam incidindo sobre a margem de venda do produto do cooperado, exigência esta afastada pelo art. 79 da Lei nº 5.764/71 e confirmada em reiteradas decisões do Superior Tribunal de JustiçaSTJ. Ao final, requereu a apensação do presente processo ao de nº 13826.000388/200508, “dado que o crédito pleiteado consta do referido processo e aguarda julgamento” da Delegacia. Pediu também a “suspensão da exigibilidade do crédito tributário a teor do disposto no inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional” e o reconhecimento da procedência de sua manifestação, “cujo fim é expedir o ato homologatório”. A instância a quo houve por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 1431.257, de 15/10/2010, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2001 DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA. Demonstrada a inexistência de direito creditório a ser reconhecido, é de se manter a decisão da autoridade a quo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Conhecido Irresignada, a empresa interpôs o recurso voluntário cabível, de forma tempestiva, reiterando, em síntese, os argumentos de defesa presentes em sua manifestação de inconformidade. O processo foi digitalizado, distribuído e encaminhado a este Conselheiro na forma regimental. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 4 Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. De início, ressaltese que o indeferimento do pedido de reconhecimento de crédito formulado pela Recorrente foi embasado no relatório e demonstrativo, anexados por cópia às fls. 24/31, produzido pela fiscalização no processo nº 13826.000388/200508. Compulsando o andamento do referido processo administrativo, vêse que foi dado provimento, por unanimidade, ao recurso voluntário, tendo o colegiado deste CARF reconhecido o direito creditório de mesma natureza daquele que se discute no presente caso. Confirase, a propósito, a ementa do Acórdão nº 3803002.865, de 25/04/2012: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2000 a 30/04/2004 Ementa: COFINS. RECEITAS ORIUNDAS DE ATO COOPERATIVO. ISENÇÃO. A cooperativa prestando serviços a seus associados, sem interesse negocial, ou fim lucrativo, goza de completa isenção, porquanto o fim da mesma não é obter lucro, mas, sim, servir aos associados. Ementa: COFINS. RECONHECIMENTO PELO STF – INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Plenário do Supremo Tribunal Federal, em sessão de 09.11.2005, apreciando recursos extraordinários (RE 346084∕PR, RE 357950∕RS, RE 358273∕RS e RE 390840∕MG), bem como, o RE 527602/SP em sessão de 05/08/2009 com repercussão geral, considerou inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei 9.718∕98. REPERCUSSÃO GERAL. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543B DO CPC. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. Em se tratando de recurso extraordinário com repercussão geral submetido à apreciação do Supremo sob o crivo do art. 543B do Código de Processo Civil, há que ser observada disposição prevista no Regimento Interno deste Conselho, art. 62A. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Diante desse fato, até por uma questão de cumprimento regimental, temse que a decisão transcrita está correta e aplicase ao caso em tela. Adotase, por isso, o voto da referida decisão: Tratase de Pedido de Restituição de créditos de PIS e de COFINS, decorrentes de pagamentos efetuados a maior e/ou indevidamente, dos meses de agosto de 2000 a abril de 2004, no montante consolidado de R$ 427.441,33. A RFB diligenciou junto à Interessada objetivando a verificação, por amostragem, do cumprimento das obrigações tributárias relativas a COFINS e ao PIS, a fim de se apurar créditos porventura existentes em favor desta. De posse de todas as informações julgadas necessárias, constatou a autoridade autuante a falta e/ou insuficiência de recolhimentos do PIS e da Fl. 116DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 13830.720044/200541 Acórdão n.º 3201001.366 S3C2T1 Fl. 115 5 COFINS dos meses de dezembro/00, julho/01, agosto/01, outubro/01, dezembro/01, janeiro/02, setembro/02, novembro/02, dezembro/03 e fevereiro/04 e, conseqüentemente, a inexistência de créditos destes meses, o que deu ensejo a auto de infração lavrado, em processo administrativo autônomo, para a cobrança do crédito tributário. Transcrevo, por fim, para melhor compreensão do caso, excerto do relatório fiscal de fls. 444/447: 14 Da analise do requerimento de fls. 02 a 22 e dos cálculos de fls. 40 a 49, elaborados pelo interessado, os créditos objeto do presente processo correspondem ao resultado da aplicação das aliquotas do PIS (0,65%) e da COFINS (3%) sobre: a) as receitas decorrentes de aplicações financeiras e demais receitas administrativas, intituladas pelo interessado de "Demais Receitas" (R$ 55.559,88 de créditos de PIS e R$ 256.430,19 de créditos de COFINS); b) a diferença existente entre o valor de venda dos produtos agropecuários recebidos dos cooperados e o valor a eles repassados em decorrência da venda que a cooperativa fez, intitulada pelo interessado de "Atos Cooperados" (R$ 20.559,81 de créditos de PIS e 94.891,45 de créditos de COFINS). 15 Nos Demonstrativos de Apuração dos Valores de PIS e COFINS Recolhidos a Maior (fls.226 a 401), por nós elaborados, as receitas decorrentes de aplicações financeiras, as demais receitas administrativas e a diferença entre o valor de venda dos produtos agropecuários recebidos dos cooperados e o valor a eles repassados em decorrência da venda que a cooperativa fez, foram oferecidos à tributação do PIS e da COFINS, pois não há na legislação destas contribuições qualquer previsão de desoneração daquelas receitas e/ou valores. Tecidas estas breves considerações iniciais, passemos à análise m preliminar da questão suscitada pela ora Recorrente quanto ao pronunciamento deste Conselho Administrativo de matérias devidamente reconhecidas pelas Cortes Superiores como ilegal ou inconstitucional. Em atenção ao apelo da manifestante à ocasião, a DRJ/RPO se manifestou quanto a competência dos órgãos julgadores da Administração Tributária para afastar leis ou atos normativos declarados inconstitucionais pelo STF no sentido de que, de fato, o STF, em sessão plenária, no julgamento de quatro recursos individuais, julgou inconstitucional o § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998 que alargou a base de cálculo do PIS e da COFINS, contudo, por não se tratar de julgamento em sede de controle abstrato, mas exaradas quando do controle incidental de inconstitucionalidade, seus efeitos se projetariam apenas no âmbito das partes litigantes, não beneficiando terceiros alheios a lide. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 6 Quanto à jurisprudência do STJ trazida a colação, manifestouse no sentido de que sua aplicação obrigatória pela Administração Tributária, nos casos em que a contribuinte não seja parte na demanda, está sujeita a expedição de súmula pela Advocacia Geral da Unido, como prevê o art. 2° do Decreto n° 2.346. No caso da interessada, não existiria qualquer súmula que corrobore o entendimento expresso nas decisões judiciais citadas, portanto, sem vinculação dos julgadores de piso. De fato, decisões administrativas e judiciais proferidas em controle incidental de constitucionalidade não vinculam os julgadores da esfera administrativa. Tampouco estão os conselheiros autorizados a se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 01 do CARF). Todavia, a matéria de que versam os autos já é velha conhecida deste Colegiado e encontrase pacificada tanto no âmbito judicial quanto administrativo, portanto dela se deve tomar conhecimento pelo que passamos a analisála. Do Alargamento da Base de Cálculo das Contribuições Sociais Conforme extraímos do relatório, cingese a controvérsia quanto à declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal do parágrafo primeiro, do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e seus efeitos concretos no processo que ora apreciamos. Neste ponto, trazemos à colação a ementa com Repercussão Geral reconhecida pelo Plenário da Corte Constitucional, que reflete o entendimento firmado pelo Pretório Excelso: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.(RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, DJe227 DIVULG 27112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871) Em que pese a instância administrativa não estar autorizada a apreciar a inconstitucionalidade de lei tributária, encontrase assente tanto na jurisprudência judicial quanto administrativa que o parágrafo primeiro, do art. 3º da Lei nº 9.718/98 ampliou demasiadamente o conceito de receita bruta. Incluiu no conceito todo e qualquer ingresso de receita contabilizado pela empresa, pouco importando a origem e classificação contábil. De fato, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, em sessão de 09/11/2005, apreciando recursos extraordinários (RE 346084∕PR, RE 357950∕RS, RE 358273∕RS e RE 390840∕MG), bem como, o RE 527602/SP em sessão de 05/08/2009 com repercussão geral, considerou inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei 9.718∕98. A síntese do julgado foi noticiada pelo Fl. 118DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 13830.720044/200541 Acórdão n.º 3201001.366 S3C2T1 Fl. 116 7 Informativo de Jurisprudência nº 408 daquela Corte, nos seguintes termos: "Concluído julgamento de uma série de recursos extraordinários em que se questionava a constitucionalidade das alterações promovidas pela Lei 9.718∕98, que ampliou a base de cálculo da COFINS e do PIS, cujo art. 3º, § 1º, define o conceito de faturamento (“Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º. Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.”) – v. Informativos 294, 342 e 388. O Tribunal, por unanimidade, conheceu dos recursos e, por maioria, deulhes provimento para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718∕98. Entendeuse que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, b, da CF, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, conforme reiterada jurisprudência do STF. Ressaltouse que, a despeito de a norma constante do texto atual do art. 195, I, b, da CF, na redação dada pela EC 20∕98, ser conciliável com o disposto no art. 3º, do § 1º da Lei 9.718∕97, não haveria se falar em convalidação nem recepção deste, já que eivado de nulidade original insanável, decorrente de sua frontal incompatibilidade com o texto constitucional vigente no momento de sua edição. Afastouse o argumento de que a publicação da EC 20∕98, em data anterior ao início de produção dos efeitos da Lei 9.718∕97 – o qual se deu em 1º.2.99 em atendimento à anterioridade nonagesimal (CF, art. 195, § 6º) –, poderia conferirlhe fundamento de validade, haja vista que a lei entrou em vigor na data de sua publicação (28.11.98), portanto, 20 dias antes da EC 20∕98. Reputouse, ademais, afrontado o § 4º do art. 195 da CF, se considerado para efeito de instituição de nova fonte de custeio de seguridade, eis que não obedecida, para tanto, a forma prescrita no art. 154, I, da CF (“Art. 154. A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam não cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição;”). RE 346084∕PR, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, 9.11.2005. (RE346084)" (grifamos) Em se tratando de recurso extraordinário com repercussão geral submetido à apreciação do Supremo sob o crivo do art. 543B do Código de Processo Civil, há que ser observada disposição prevista no Regimento Interno deste Conselho, art. 62A, o qual determina a reprodução das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C do CPC, pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 8 Salientase, ainda, que o inciso XII, do art. 79, da Lei nº 11.941/2009 retirou do mundo jurídico o § 1º, do art. 3º, da Lei no 9.718, revogandoo, e consolidando o entendimento retratado reiteradamente pelo Supremo Tribunal Federal e reproduzido neste voto. Da (não) incidência da COFINS sobre atos cooperativos strictu sensu Da leitura dos autos depreendese que a contribuinte não logrou em obter a restituição do suposto crédito tendo em vista que a diferença entre o valor de venda dos produtos agropecuários recebidos dos cooperados e o valor a eles repassados em decorrência da venda que a cooperativa fez, não foram considerados atos cooperativos pela autoridade competente ou pelos julgadores de piso. O normativo legal que rege a discussão é, em especial, o art. 79 da Lei nº 5764/71, senão vejamos: SEÇÃO I Do Ato Cooperativo Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Deveras, o artigo 15, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, ao determinar o, recolhimento para a COFINS e PIS em relação às cooperativas, autorizou a exclusão da base de cálculo, dos atos Cooperativos próprios, assim considerados:a) os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por ele entregues à cooperativa; b) receitas de venda de bens e ,mercadorias ,a associados; c) as receitas decorrentes da prestação, aos associados,de serviços especializados aplicáveis na atividade rural; relativos a assistência técnica, extensão rural formação profissional e assemelhadas; d)as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; e e) as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. A jurisprudência maciça do Superior Tribunal de Justiça já se posicionou no sentido de que apenas os atos cooperativos típicos, gozam de isenção, notadamente quanto à persecução dos atosfim da entidade, retirandose do alcance isencional os atos cooperativos atípicos ou impróprios, praticados por terceiras pessoas, posto que estes últimos revestemse de nítido caráter mercantil. No caso em que ora se analisa, pretende a ora Recorrente o ressarcimento do valor pago, no seu entender, indevidamente, sobre a diferença entre o valor de venda dos valores recebidos pelos cooperados e o a eles repassados pela venda dos produtos agropecuários. Notadamente, a cooperativa prestando serviços a Fl. 120DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 13830.720044/200541 Acórdão n.º 3201001.366 S3C2T1 Fl. 117 9 seus associados, sem interesse negocial, ou fim lucrativo, goza de completa isenção, porquanto o fim da mesma não é obter lucro, mas, sim, servir aos associados. Não implicando o ato cooperativo em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, ou tãosomente repasse de valores como no presente caso, não resta descaracterizado o fim precípuo do coorperativismo que é a ajuda mútua para a consecução do bem comum. Neste caso, não havendo a realização de venda, e inexistindo faturamento/ receita bruta não há que se falar em incidência das contribuições para o PIS e a COFINS, por se tratar de inequívoco ato cooperativo. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para reformar a decisão recorrida e reconhecer integralmente o crédito pleiteado pela Recorrente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño – Relator Fl. 121DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO
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Numero do processo: 10920.000973/2010-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.308
Decisão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias.
Período de apuração: 01/02/2007 a 30/10/2009.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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decisao_txt : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias. Período de apuração: 01/02/2007 a 30/10/2009. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias. Período de apuração: 01/02/2007 a 30/10/2009. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto por WIEST S/A., em face de decisão prolatada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o crédito tributário. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 00 97 3/ 20 10 -0 9 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.000973/201009 Resolução nº 2301000.308 S2C3T1 Fl. 142 2 2. De acordo com a fiscalização, o débito levantado abrange apenas as Contribuições da Empresa, destinadas a Previdência Social, apurado com base em folha de pagamento, inclusive incluindo na análise, Recibo de Pagamento de Salário, de 02/2007 a 10/2009. 3. Consta do Relatório Fiscal (ff. 42 a 89) que a apuração dos fatos geradores se deu da seguinte forma: Levantamento: F1 – FP NÃO DECLARADA EM GFIP SE: Referente à contribuição de segurado empregado – SE, descontada em FP/RPS/RCT, não informada em GFIP, aplicandose a multa de 24%; Levantamento: F12 – FP NÃO DECLARADA EM GFIP SE: Referente à contribuição de segurado empregado – SE, descontada em FP/RPS/RCT, não informada em GFIP, aplicandose a multa de 75%; Levantamento: F2 – FP NÃO DECLARADA EM GFIP CI: Referente à contribuição de contribuinte individual – CI (Diretores), descontada em FP/RPS, não informada em GFIP, aplicandose a multa de 24%; Levantamento: F22 – FP NÃO DECLARADA EM GFIP CI: Referente à contribuição de contribuinte individual – CI (Diretores), descontada em FP/RPS, não informada em GFIP, aplicandose a multa de 75%; Levantamento: G1 – FP NÃO DECLARADA EM GFIP SE: Referente à contribuição de segurado empregado – SE declarada em GFIP; Levantamento: G2 – FP NÃO DECLARADA EM GFIP CI: Referente à contribuição de segurado contribuinte individual – CI (Diretores) declarada em GFIP; 4. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, “nesta autuação o débito apurado se refere a contribuições descontadas de segurados, destinados a Previdência Social; muito embora sejam mencionadas neste REFISC, as demais contribuições, tais como: contribuições empresa, destinadas a Previdência Social, e contribuições empresa, destinados a TERCEIROS, estão sendo apuradas em outros processos de autuações, próprios, distintos deste, também relacionados Obrigação Principal”. 5. A fiscalização caracterizou a existência de “Grupo Econômico de Fato e Regular”, emitindo os Termos de Sujeição Passiva Solidária para responsabilização das empresas, a saber: • WIEST AUTO PEÇAS LTDA. CNPJ 73.790.230/000175; • RJN INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PROD. METALURGICOS LTDA. CNPJ 07.703.406/000180; • PPW IND. COM. PROD. METALURGS LTDA (ATUAL BRAESP). CNPJ01.507.760/000152; • W 5 SERVIÇOS EMPRESARIAIS SC LTDA. CNPJ 83.792.713/000162; • WIEST PARTICIPAÇÕES LTDA. CNPJ 00.063.697/000140; • ADM ADMINISTRADORA DE BENS LTD. CNPJ 05.284.477/000160; • TECFOR AUTO CENTER LTDA. CNPJ 03.547.556/000190; • WIEST NORDESTE LTDA. CNPJ 02.080.169/000124; • WIEST TUBOS E COMPONENTES LTDA. CNPJ 00.960.705/000150; • TOPTEC AUTO CENTER LTDA. CNPJ 01.282.686/000113; Fl. 141DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.000973/201009 Resolução nº 2301000.308 S2C3T1 Fl. 143 3 6. O acórdão de primeira instância referendou o lançamento fiscal e restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 30/09/2009 RELATÓRIO DE VÍNCULOS. INDICAÇÃO DE PESSOAS LIGADAS À SOCIEDADE. A mera indicação de pessoas no Relatório de Vínculos não implica em sua sujeição passiva. MULTA. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. INCOMPETÊNCIA DAS DELEGACIAS DE JULGAMENTO PARA APRECIAR ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à autoridade lançadora perquirir acerca da validade das normas jurídicas, restandolhe tão somente aplicar a lei então vigente, em obediência ao princípio da legalidade. MULT. PRINCÍPIO DA BOAFÉ. INAPLICABILIDADE EM FUNÇÃO DA PRIMAZIA DA TEORIA DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA. O legislador adotou a teoria da responsabilidade objetiva para as multas por infração à legislação tributária, portanto a penalidade aplicável prescinde da pesquisa de elementos subjetivos. JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS IMPUGNNAÇÃO Transcorrido o prazo de impugnação, somente é permitida a produção de provas se o impugnante demonstrar o atendimento das condições estabelecidas no Decreto nº 70.235/1972 para sua aceitação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Fl. 142DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.000973/201009 Resolução nº 2301000.308 S2C3T1 Fl. 144 4 7. Inconformada com decisão que manteve o débito tributário, a recorrente apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese o seguinte: a) alega que não tem razão a Turma julgadora ao asseverar que não poderia afastar a incidência da legislação em questão, ante a incompetência da autoridade julgadora administrativa para declarar a ilegalidade ou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo legal, eis que é assente o entendimento no sentido de que cabe ao órgão julgador administrativo, como guardião da vontade do Estado, garantir que, na apreciação da legalidade do lançamento tributário, as condutas do contribuinte e do Fisco sejam avaliadas em consonância com os valores constitucionais inerentes ao ato; b) que não pode prosperar a incidência da taxa de juros SELIC, conforme estabelecido pela Lei nº 9.528/97, pois constituise a mesma em espécie de juro remuneratório, não sendo este o tipo de juro previsto pelo CTN para obrigações tributárias; c) sustenta que as multas aplicadas, nos percentuais de 24% (fatos geradores até 11/2008), e 75% (fatos geradores a partir de 12/2008), não há como prosperarem eis que, além de não serem razoáveis, são totalmente desproporcionais aos fatos alegados, gerando efeito confiscatório, portanto inconstitucionais, assim, devem ser excluídas; d) que a recorrente, ao perceber a necessidade de complementar às GFIP`s anteriormente transmitidas, apresentou GFIP`s retificadoras, contudo, o Fisco substituiu todos os dados anteriormente enviados nas declarações originais pelas informações complementares apresentadas pela recorrente, gerando ausência relativa aos fatos geradores constados pela fiscalização, ressalta que não há que se falar em máfé por parte da empresa; 8. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a esta Câmara para apreciação do recurso voluntário. É o relatório. Voto DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso, pois atende aos pressupostos de admissibilidade, e passo ao exame das questões de mérito suscitadas pelo recorrente. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA 2. Antes de adentrar no julgamento da questão, cumpre enfatizar que a fiscalização entendeu que há formação de Grupo Econômico de Fato e Regular, entre a Fl. 143DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.000973/201009 Resolução nº 2301000.308 S2C3T1 Fl. 145 5 recorrente WIEST S.A juntamente com as demais empresas citadas no relatório Fiscal, sendo imputando como responsáveis na qualidade de solidários. 3. Conta do Relatório Fiscal (f. 044) “Observação: 1ª – A respeito da questão relacionada à caracterização de existência de “Grupo Econômico”, na sequência, ver “8” da “PRIMEIRA PARTE”: Considerações Iniciais” deste REFISC. Onde, a conclusão a que se chega é a de que, as empresas acima mencionadas, formam ou constituem um “Grupo Econômico de Fato e Regular”. 2ª – Da Responsabilidade Tributária Solidária: Já, no item “9”, é apresentado o fundamento legal ao qual está enquadrado este tipo de grupo econômico.” 4. Foram juntados aos autos (ff. 1.038 a 1.057) os Termos de Sujeição Passiva Solidária, para as empresas a saber: • WIEST AUTO PEÇAS LTDA. CNPJ 73.790.230/000175; • RJN INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PROD. METALURGICOS LTDA. CNPJ 07.703.406/000180; • PPW IND. COM. PROD. METALURGS LTDA (ATUAL BRAESP). CNPJ01.507.760/000152; • W 5 SERVIÇOS EMPRESARIAIS SC LTDA. CNPJ 83.792.713/000162; • WIEST PARTICIPAÇÕES LTDA. CNPJ 00.063.697/000140; • ADM ADMINISTRADORA DE BENS LTD. CNPJ 05.284.477/000160; • TECFOR AUTO CENTER LTDA. CNPJ 03.547.556/000190; • WIEST NORDESTE LTDA. CNPJ 02.080.169/000124; • WIEST TUBOS E COMPONENTES LTDA. CNPJ 00.960.705/000150; • TOPTEC AUTO CENTER LTDA. CNPJ 01.282.686/000113; 5. Entretanto, compulsando os autos, verificase que a Decisão de primeira instância (ff. 2.078 a 2.082) não foi encaminhada para os contribuintes enquadrados pelo fisco como responsáveis pelo débito e, portanto, partes interessadas no processo fiscal. Consta apenas o comprovante do AR destinado à WIEST S.A, conforme aviso de recebimento (f. 2.088). 6. Com isso, me posiciono no sentido de que, como o Fisco entendeu que há caracterização de formação de grupo econômico, é necessária a ciência de todos os contribuintes que constam no Termo de Sujeição Passiva Solidária (ff. 1.038 a 1.057) para que não seja preterido o direito de defesa. 7. O art. 5°, LV, da Constituição Federal estabelece que “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. Tratamse, portanto, de princípios que não se aplicam exclusivamente ao processo judicial, mas também ao administrativo e, em particular, ao Processo Administrativo Fiscal Tributário. 8. Nesse caminho, nunca é demais lembrar que no Processo Administrativo Fiscal as partes devem ser cientificadas de todos os atos praticados. Vejase que, nos termos do inciso II, do artigo 59, do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, são nulos os despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa. 9. O inciso I, do artigo 23, do citado Decreto, dispõe taxativamente acerca da necessidade de intimação do contribuinte (responsáveis) no que tange a toda e qualquer decisão que tenha relevância em sua esfera de interesses. E mais ainda, pelo citado dispositivo somente reputase válida a intimação se “provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, de declaração escrita de quem o intimar”. É dizer: a validade do ato pressupõe a ciência do intimado. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.000973/201009 Resolução nº 2301000.308 S2C3T1 Fl. 146 6 10. Destaco, ainda, porque importante, que, uma vez instalado o contraditório administrativo, os atos da administração devem ser pautados pelo conceito do devido processo legal, respeitando normas procedimentais e oportunizando sempre o cidadão o direito ao contraditório e a ampla defesa (art. 5º, LV, da CF/88), sem que seja surpreendido por esta ou aquela decisão da autoridade julgadora. 11. E os atos praticados pela administração geraram prejuízos ao contribuinte, uma vez que não teve efetivamente a oportunidade de se defender das razões e fundamentos produzidos pelo fisco em relação aos valores considerados pelo fiscal. Razões essas que levam à anulação da decisão monocrática, ora combatida. 12. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma solar: “A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifestase mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações.” 13. Sendo assim, voto por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade fiscal notifique todos os sujeitos nominados por ela, em respeito ao disposto nos artigos 23 e 59 do Decreto 70.235/72, para, querendo, possam falar nos autos do processo. CONCLUSÃO 14. Em razão do exposto, voto por CONVERTER o julgamento em DILIGÊNCIA, nos termos acima delineados. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 145DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 11065.000040/2010-01
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 31/01/2005 a 30/11/2005
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KIT PROMOCIONAL COMPOSTO DE UMA SANDÁLIA E DE UM RÁDIO. ESSENCIALIDADE NÃO CONFIGURADA.
As mercadorias vendidas em conjunto promocional que não satisfaçam uma necessidade específica devem manter sua classificação específica e apropriada.
MULTA DE OFÍCIO. MATRIZ LEGAL. DO ART. 80 DA LEI DA LEI Nº 4.502/64.
Aplica-se a matriz legal do enquadramento na ocorrência dos fatos geradores.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento ao recurso. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. William Guimarães Cyrelli, OAB/RS 76.361.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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KIT PROMOCIONAL COMPOSTO DE UMA SANDÁLIA E DE UM RÁDIO. ESSENCIALIDADE NÃO CONFIGURADA. As mercadorias vendidas em conjunto promocional que não satisfaçam uma necessidade específica devem manter sua classificação específica e apropriada. MULTA DE OFÍCIO. MATRIZ LEGAL. DO ART. 80 DA LEI DA LEI Nº 4.502/64. Aplicase a matriz legal do enquadramento na ocorrência dos fatos geradores. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento ao recurso. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. William Guimarães Cyrelli, OAB/RS 76.361. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 00 40 /2 01 0- 01 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.000040/201001 Acórdão n.º 3801002.183 S3TE01 Fl. 110 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.000040/201001 Acórdão n.º 3801002.183 S3TE01 Fl. 111 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que narra bem os fatos: O estabelecimento industrial acima qualificado foi autuado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) lotado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo (DRF/NHB), por falta de lançamento do IPI. A exigência foi formalizada no Auto de Infração das fls. 35 a 38, e anexos, no valor principal de R$ 76.430,41, acrescido de juros de mora e da multa de ofício de 75%, por falta de lançamento do IPI, inclusive nos casos em que esse imposto não foi exigido, em face da cobertura de créditos, somando, na data da autuação R$ 231.881,91. Os motivos do lançamento de ofício encontramse explicitados no documento das fls. 29 a 33, intitulado “Auto de Infração de IPI”, a seguir resumido. Notese que qualquer menção às folhas do presente processo diz respeito à numeração de folhas do processo digitalizado. A ação fiscal foi iniciada para exame da legitimidade dos saldos credores do IPI, informados nos Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMPs) relacionados na fl. 29. No curso dos trabalhos, foi constatado que o estabelecimento importou aparelhos receptores de radiodifusão (rádios), classificados no código 8527.19.90 da Tabela de Incidência do IPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002, em vigor na época, ao qual corresponde a alíquota de 20%, tendo promovido a saída desses produtos, sem lançamento do referido imposto. O lançamento deveria ter ocorrido, dada a equiparação do estabelecimento, nessas operações, a estabelecimento industrial, conforme art. 9o, I, do Decreto no 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002, também em vigor na época. Intimado a esclarecer o fato, o interessado alegou que os rádios importados foram utilizados como acessórios que acompanhavam sandálias femininas infantis ““funny music” ”, calçado classificado no código 6402.99.00 da TIPI, ao qual corresponde alíquota zero, dizendo que esses itens (calçado e rádio) formariam um “kit”, motivo pelo qual não seriam tributados, embora, em alguns casos, tenha havido saídas de rádios com o devido lançamento do IPI, calculado pela alíquota de 20%. A fiscalização, por seu turno, considerou que as sandálias e os rádios, em conjunto, não caracterizam um único produto, por serem dois artigos completamente diferentes, suscetíveis de serem classificados em códigos distintos da TIPI, apresentandose simplesmente acondicionados para venda ao consumidor final. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.000040/201001 Acórdão n.º 3801002.183 S3TE01 Fl. 112 4 À vista disso, a fiscalização formalizou a exigência de início referida, em relação aos rádios cuja saída se deu sem lançamento do IPI, com absorção dos créditos desse imposto na dedução prioritária de débitos do próprio IPI, na escrita fiscal reconstituída, conforme demonstrativo da fl. 47. As infrações foram enquadradas nos arts. 9o, I, 24, II e III, 34, II, 122, 123, I, “b”, e II, “c”, 127, 131, I, “b”, 199, 200, IV, 202, III, 488, I, do RIPI de 2002. Esse enquadramento sujeitou o interessado à multa de ofício de 75%, por falta de lançamento do IPI nas notas fiscais, com base no art. 80, I, da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação que lhe foi dada pelo art. 45 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O mesmo enquadramento sujeitou o interessado a juros de mora, previstos no art. 61, § 3o, da Lei no 9.430, de 1996. O sujeito passivo tomou ciência do lançamento de ofício em 28 de janeiro de 2010, conforme consta na fl. 36, e, na sequência, em 25 de fevereiro de 2010, apresentou a impugnação tempestiva das fls. 52 a 66, firmada por advogado, credenciado pelos documentos das fls. 77 a 81, e instruída com os documentos das fls. 67 a 76, apresentando as alegações que seguem resumidas. O impugnante principia afirmando que não comercializa nem industrializa rádios, sendo os aparelhos receptores objeto da autuação meros acessórios de um produto único, denominado “Sandália “funny music” ”, que é um “kit” formado por partes inseparáveis e insuscetíveis de venda apartada, devendo a tributação darse de acordo com a classificação fiscal decorrente da característica essencial do conjunto, que, segundo a tese da defesa, é conferida pelas sandálias. Acrescenta que tributou os rádios a 20% exclusivamente nas saídas individualizadas desse item, motivadas por trocas, doações ou brindes. Também alega que é indevida a exigência de multa por falta de lançamento de IPI, em face da revogação do art. 45 da Lei no 9.430, de 1996, pelo art. 40, I, da Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007, revogação que afirma ter efeito retroativo. Por fim, pede a suspensão da exigibilidade do crédito tributário até a solução final do litígio, que espera lhe seja integralmente favorável ou, pelo menos, lhe beneficie no tocante à multa. A DRJ em Porto Alegre (RS) julgou improcedente a impugnação, nos termos da ementa abaixo transcrita: CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS. Conjunto formado por calçado e aparelho receptor de radiodifusão (rádio) não se enquadra na condição de sortido acondicionado para venda a retalho passível de classificação segundo um suposto caráter essencial do conjunto, devendo cada Fl. 123DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.000040/201001 Acórdão n.º 3801002.183 S3TE01 Fl. 113 5 artigo ser classificado separadamente, no código que lhe é apropriado. MULTA POR FALTA DE LANÇAMENTO DO IPI. NORMA SUPERVENIENTE. RETROAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Aplicase a multa de 75% sobre o IPI que deixou de ser lançado na nota fiscal, sendo descabida a alegada retroação de norma que, embora tenha revogado um dos dispositivos que embasou o lançamento de ofício, manteve a imposição da referida multa de 75% para a falta de lançamento. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, após relatar os fatos, apresentou as mesmas alegações suscitadas na impugnação, acrescentando basicamente que: Do kit sandálias “funny music” que todos os critérios exigidos pela legislação para classificar o kit “funny music” como uma unidade (calçado) no código NCM/SH 64029900, sujeito à alíquota zero de IPI, foram preenchidos pela recorrente; é evidente que o requisito X, b, da Regra 3b, prevista na Nota Explicativa do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias também foi preenchido pelo kit “funny music” , devendo tal produto ser classificado pelo artigo que confere ao todo a característica essencial; Excesso nas penalidades aplicadas o auto de infração é um ato administrativo, logo, deve preencher os elementos de validade do ato, quais sejam, competência, finalidade, forma, motivo e objeto, sob pena de nulidade; assim, se o dispositivo que prevê a penalidade que foi imputada ao autuado estiver revogado quanto à imputação de tal infração, o ato administrativo que lhe deu origem está eivado de vício, tornandose inexigível a multa nele capitulada; e não se diga, para justificar a aplicação da multa no presente caso, que o simples erro na capitulação legal, quando não impede o autuado a se defender, não implica a anulação do auto de infração; não cabe ao contribuinte saber se no mesmo momento que houve a revogação do dispositivo estampado no Auto de Infração a mesma lei conferiu a mesma sanção, o que lhe cabe é exatamente o que fez a recorrente em sede impugnação, argüir a inexigibilidade da sanção em face da revogação da norma que tipifica as infrações; Por fim, requer que seja recebido e provido o seu recurso voluntário para o fim de desconstituir o crédito tributário integralmente ou, sucessivamente desconstituir o crédito tributário em relação às penalidades aplicadas. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.000040/201001 Acórdão n.º 3801002.183 S3TE01 Fl. 114 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. As matérias serão enfrentadas em tópicos específicos, em consonância com as alegações da requerente no recurso voluntário. 1 – Classificação fiscal – kit ““funny music” ” A controvérsia consiste em determinar a classificação fiscal de um conjunto composto de uma sandália e um rádio denominado “funny music”. É incontroverso que a recorrente é equiparada a estabelecimento industrial na operação de saída de rádios, NCM 85271990, alíquota de 20%, uma vez que importou rádios. Em relação a venda de sandálias e rádios em conjunto, confirase o entendimento da autoridade fiscal: Os produtos em análise (sandálias e rádios), sendo compostos de dois artigos completamente diferentes, suscetíveis de serem classificados em posições distintas da NCM, estão simplesmente acondicionados para venda ao consumidor final. Posto de outra forma, a fiscalizada, ao optar por vender um par de sandália juntamente com um rádio, não esta formando um “kit”, no sentido de estar vendendo um único produto. As partes vendidas formam unidades completamente distintas, com classificação fiscal diferentes na TIPI. Assim, não poderia deixar de tributar as saídas dos rádios alegando que os mesmos formariam uma única unidade com as sandálias, que possui classificação fiscal 64029900 e que é tributada à alíquota zero (0%). (grifouse) Por seu turno, a recorrente insiste na tese de que todos os critérios exigidos pela legislação para classificar o kit “funny music” como uma unidade (calçado) no código NCM/SH 64029900, sujeito à alíquota zero de IPI, foram preenchidos pela recorrente Vale lembrar que o Brasil aderiu à Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH) por meio do Decreto nº 97.409, de 23 de dezembro de 1988. Com a Adesão do Brasil ao Mercosul, implantouse no Brasil a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), de acordo com o Decreto 1.343/1994. Por sua vez, o Decreto n° 2.092/1996 adotou a NCM como base para a TIPI. Como é sabido, o Sistema Harmonizado possui seis regras gerais que estabelecem a classificação de todas as mercadorias. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.000040/201001 Acórdão n.º 3801002.183 S3TE01 Fl. 115 7 No caso vertente, temse um “kit” no qual são identificados dois produtos distintos e com funções próprias: os rádios a as sandálias. Para a solução desta lide, aplicase a Regra Geral nº 3, que assim determina: REGRA 3 Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração.(grifou se) A Instrução Normativa RFB nº 807, de 11 de janeiro de 2008, DOU de 7.2.2008, aprovou o texto consolidado das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, que explica as regras e o alcance dos textos das posições. A respeito da Regra Geral de Interpretação nº 3, as notas explicativas da NESH esclarecem: I) Esta Regra prevê três métodos de classificação das mercadorias que, a priori, seriam suscetíveis de se incluírem em várias posições diferentes, quer por aplicação da Regra 2 b), quer em qualquer outro caso. Esses métodos utilizamse na ordem em que são incluídos na Regra. Assim, a Regra 3 b) só se aplica quando a Regra 3 a) não solucionar o problema da classificação; quando as Regras 3 a) e 3 b) forem inoperantes, aplicase a Regra 3 c). A ordem na qual se torna necessário considerar sucessivamente os elementos da classificação é, então, a seguinte: a) posição mais específica, b) característica essencial, c) posição colocada em último lugar na ordem numérica. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.000040/201001 Acórdão n.º 3801002.183 S3TE01 Fl. 116 8 (...) REGRA 3 b) VI) Este segundo método de classificação visa unicamente: 1) os produtos misturados; 2) as obras compostas por matérias diferentes; 3) as obras constituídas pela reunião de artigos diferentes; 4) as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho. Esta Regra só se aplica se a Regra 3 a) for inoperante. VII) Nas diversas hipóteses, a classificação das mercadorias deve ser feita pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação (..). X) De acordo com a presente Regra, as mercadorias que preencham, simultaneamente, as condições a seguir indicadas devem ser consideradas como “apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho”: a) serem compostas, pelo menos, de dois artigos diferentes que, à primeira vista, seriam suscetíveis de se incluírem em posições diferentes. Não seriam, portanto, considerados sortido, no sentido desta Regra, seis garfos para fondue, por exemplo. b) serem compostas de produtos ou artigos apresentados em conjunto para a satisfação de uma necessidade específica ou exercício de uma atividade determinada, c) serem acondicionadas de maneira a poderem ser vendidas diretamente aos consumidores sem novo acondicionamento (em latas, caixas, panóplias, por exemplo). (...) Contudo, não se devem considerar como sortidos certos produtos alimentícios apresentados em conjunto que compreendam, por exemplo: – Camarões (posição 16.05), patê de fígado (posição 16.02), queijo (posição 04.06), bacon em fatias (posição 16.02) e salsichas chamadas “de coquetel” (posição 16.01), cada um desses produtos apresentados em sua respectiva lata; – uma garrafa de bebida espirituosa (alcoólica) da posição 22.08 e uma garrafa de vinho da posição 22.04. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.000040/201001 Acórdão n.º 3801002.183 S3TE01 Fl. 117 9 No caso destes dois exemplos e de produtos semelhantes, cada artigo deve ser classificado separadamente, na posição que lhe for mais apropriada. Como visto, o caso em referência, em tese, tratase de uma embalagem contendo duas mercadorias: rádio e sandália. Resta concluir se este conjunto deve ser considerado um sortido nos termos das disposições acima. É incontestável que a venda deste conjunto é resultado da estratégia de marketing da recorrente. Ocorre, todavia, que esta estratégia de marketing não pode refletir na classificação fiscal das mercadorias. Extraise destas explicações que a aplicação da Regra 3b está condicionada a determinação de uma característica essencial e a satisfação de uma necessidade específica. No caso em exame, as mercadorias não têm finalidades em comum. Entre rádio e sandália não é possível vislumbrar uma característica essencial. Essas mercadorias são usualmente utilizadas separadamente. Em síntese, a essencialidade da sandália não ficou configurada no caso vertente e a venda conjunta com o rádio visa somente alcançar objetivos de marketing da recorrente. Destarte, de acordo com as Notas Explicativas da Regra 3b as mercadorias vendidas em conjunto que não satisfaçam uma necessidade específica devem manter sua classificação específica e apropriada. Neste sentido, citase acima alguns exemplos de conjuntos de mercadorias que devem ser classificados separadamente. Em remate, a solução adotada pela autoridade fiscal é correta, sendo improcedentes as alegações da recorrente. 2 – Multa por falta de lançamento e/ou recolhimento do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) A recorrente insurgiuse contra a aplicação de multa pela falta de lançamento e/ou recolhimento do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI). Insiste na tese de que há vício no enquadramento legal, uma vez que o dispositivo legal imputado no auto de infração já estava revogado, assim é inexigível a multa nele capitulada. Como visto, o enquadramento legal da multa e respectivo percentual foi: 75% Art. 80, inciso I, da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei nº 9.430/96. A tese da recorrente é que quando do lançamento de ofício o art. 45 da Lei 9.430/96 já estava revogado. Esta tese não merece prosperar. De fato, o art. 45 foi revogado pelo art. 40 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Ocorre, todavia, que o art. 13 deste diploma deu nova redação ao art. 80 da Lei nº 4.502/64, matriz legal do enquadramento legal constante do auto de infração, in verbis: “Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por Fl. 128DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.000040/201001 Acórdão n.º 3801002.183 S3TE01 Fl. 118 10 cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. (...) § 8º A multa de que trata este artigo será exigida: I juntamente com o imposto quando este não houver sido lançado nem recolhido; II isoladamente nos demais casos. § 9º Aplicase à multa de que trata este artigo o disposto nos §§ 3o e 4o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” (NR) Destarte, quando da ocorrência dos fatos geradores, períodos de apuração de 31/01/2005 a 30/11/2005, estava em pleno vigor o art. 80, inciso I, da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei nº 9.430/96, portanto não há que se falar em nulidade. Como visto, a matriz legal do enquadramento legal é o art. 80 da Lei nº 4.502/64 e este dispositivo foi rigorosamente observado na constituição do crédito tributário. O percentual foi de 75% pela falta de recolhimento e/ou lançamento do IPI na nota fiscal. Ademais, o fato de constar no lançamento art. 80, inciso I, da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei nº 9.430/96 não trouxe qualquer prejuízo ao amplo direito de defesa da recorrente. Como destacado, relevante é a matriz legal do enquadramento na ocorrência dos fatos geradores. Para se declarar a nulidade de um ato administrativo é essencial que o prejuízo seja comprovado, o que não ocorreu no caso vertente. Assim sendo e diferentemente do alegado, o art. 80 da Lei nº 4.502/64, repitase matriz do enquadramento legal, jamais foi revogado e o lançamento fiscal também atendeu o disposto em sua nova redação, art. 13 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Em conclusão, nesta matéria também não assiste razão à recorrente. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Fl. 129DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.000040/201001 Acórdão n.º 3801002.183 S3TE01 Fl. 119 11 Declaração de Voto Sidney Eduardo Stahl, Em que pesem os excelentes argumentos apontados pelo Ilustre Relator, dele ouso discordar. Tenho que em caso de venda de um “kit” devemos atentar para a sua essencialidade, isto porque e acordo com as notas explicativas da RGI 3b, a classificação dos kit’s deve ser feita pela matéria que lhe confira a característica essencial. Seguindo o mesmo elemento analisado pelo relator, entretanto, chego a conclusão diversa. Vejamos o meu entendimento a respeito da Regra Geral de Interpretação nº 3 às notas explicativas da NESH, que volto a citar abaixo, entretanto destaco diferentemente: I) Esta Regra prevê três métodos de classificação das mercadorias que, a priori, seriam suscetíveis de se incluírem em várias posições diferentes, quer por aplicação da Regra 2 b), quer em qualquer outro caso. Esses métodos utilizamse na ordem em que são incluídos na Regra. Assim, a Regra 3 b) só se aplica quando a Regra 3 a) não solucionar o problema da classificação; quando as Regras 3 a) e 3 b) forem inoperantes, aplicase a Regra 3 c). A ordem na qual se torna necessário considerar sucessivamente os elementos da classificação é, então, a seguinte: a) posição mais específica, b) característica essencial, c) posição colocada em último lugar na ordem numérica. (...) REGRA 3 b) VI) Este segundo método de classificação visa unicamente: 1) os produtos misturados; 2) as obras compostas por matérias diferentes; 3) as obras constituídas pela reunião de artigos diferentes; 4) as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho. Esta Regra só se aplica se a Regra 3 a) for inoperante. VII) Nas diversas hipóteses, a classificação das mercadorias deve ser feita pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.000040/201001 Acórdão n.º 3801002.183 S3TE01 Fl. 120 12 (..). X) De acordo com a presente Regra, as mercadorias que preencham, simultaneamente, as condições a seguir indicadas devem ser consideradas como “apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho”: a) serem compostas, pelo menos, de dois artigos diferentes que, à primeira vista, seriam suscetíveis de se incluírem em posições diferentes. Não seriam, portanto, considerados sortido, no sentido desta Regra, seis garfos para fondue, por exemplo. b) serem compostas de produtos ou artigos apresentados em conjunto para a satisfação de uma necessidade específica ou exercício de uma atividade determinada, c) serem acondicionadas de maneira a poderem ser vendidas diretamente aos consumidores sem novo acondicionamento (em latas, caixas, panóplias, por exemplo). (...) Contudo, não se devem considerar como sortidos certos produtos alimentícios apresentados em conjunto que compreendam, por exemplo: – Camarões (posição 16.05), patê de fígado (posição 16.02), queijo (posição 04.06), bacon em fatias (posição 16.02) e salsichas chamadas “de coquetel” (posição 16.01), cada um desses produtos apresentados em sua respectiva lata; – uma garrafa de bebida espirituosa (alcoólica) da posição 22.08 e uma garrafa de vinho da posição 22.04. No caso destes dois exemplos e de produtos semelhantes, cada artigo deve ser classificado separadamente, na posição que lhe for mais apropriada. O raciocínio, é com base no mesmo elemento porém, é distinto porque a norma especifica que primeiramente (nas diversas hipóteses), a classificação das mercadorias deve ser feita pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. Entendo que no caso a essencialidade deve respeitar o fato signo da riqueza, com supedâneo no princípio da capacidade contributiva. Como, por ex., não se pode classificar uma mercadoria por conta da sua embalagem, mesmo que essa fosse rica de detalhes e fosse um grande atrativo para a opção de compra do consumidor, mesmo considerando que a embalagem agrega valor não só ao produto vendido como à percepção do público e, conseqüentemente, no preço final. Tenho que não se pode separar em um plano de marketing o objeto essencial e o “brinde” que o acompanha, in casu, a sandália e o rádio. É a sandália que está sendo vendida, o rádio é o atrativo mercadológico. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.000040/201001 Acórdão n.º 3801002.183 S3TE01 Fl. 121 13 A aplicação da regra interpretativa tenho que a sandália é a essência do “kit” em apreço, não somente porque se resume ao objeto da venda, mas também porque, considerando a celebridade da marca, não é a outra que não à sandália que se vincula. Nesse sentido, voto por julgar procedente o presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Fl. 132DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10715.002406/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006
ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE PROVAS.
Meras alegações desacompanhadas de provas não são suficientes para refutar o lançamento efetuado com base em informações extraídas do Siscomex.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ nº. 134.407.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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REGISTRO. TRANSPORTADOR. DATA DO EMBARQUE DA MERCADORIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA DE PRAZOS. Aplicase a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66, quando o transportador descumpre a obrigação de registrar o embarque da mercadoria no Siscomex, no prazo e condições estabelecidos pela RFB. Na contagem desse prazo, excluise o dia de início e incluise o de vencimento, conforme o caput do art. 210 do CTN, não sendo de aplicar, porém, a regra encartada em seu parágrafo único. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006 ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE PROVAS. Meras alegações desacompanhadas de provas não são suficientes para refutar o lançamento efetuado com base em informações extraídas do Siscomex. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ nº. 134.407. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 24 06 /2 01 0- 12 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 23/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Contra a contribuinte acima qualificada, lavrouse auto de infração formalizando a exigência de multa de ofício isolada, no valor total de R$ 60.000,00, com origem em transportes de carga realizados em novembro de 2006. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Tratam os autos da exigência, no valor de R$ 60.000,00, consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 10, referente A. multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veiculo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada não registrou no prazo os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados em novembro de 2006 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes As cargas amparadas nas declarações de exportação DDE's listadas no demonstrativo "AUTO DE INFRAÇÃO n° 0717700/00/00178/10", descumprindo, por conseguinte, a obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 10 da IN/SRF 510/2005, uma vez que o inciso II do artigo 39 da citada IN/SRF 28/1994 considera intempestivo o registro dos dados de embarque efetuado pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência à qual foi intimada, a autuada apresentou impugnação As fls. 13 a 29, acompanhada dos documentos de fls. 30 a 42, para aduzir que (i) a multa aplicada não corresponde A infração supostamente praticada, o que torna nulo o auto de infração por cerceamento do direito de defesa da impugnante; (ii) conforme a Solução de Consulta 215, de 16.08.2004, os dados de embarque referentes As mercadorias embarcadas em 03.11.2006, 10.11.2006, 16.11.2006 e 17.11.2006 foram tempestivamente informados no Siscomex; (iii) que por razão de natureza econômica é inviável a manutenção de pessoal especializado para, tão somente, efetuar a inserção de dados no Siscomex relativamente aos embarques de mercadorias ocorridos nas sextasfeiras, sábados e domingos ou na véspera de feriado; (iv) a penalidade aplicação contraria aos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da Fl. 163DF CARF MF Impresso em 23/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.002406/201012 Acórdão n.º 3202000.991 S3C2T2 Fl. 163 3 isonomia, uma vez que seu valor não leva em consideração a quantidade de registros informados fora de tempo, além de ser muito superior ao valor da multa por embaraço fiscalização, que além de considerar o valor aduaneiro da mercadoria, somente é aplicável quando constatado o dolo especifico; (v) o diminuto lapso temporal verificado não trouxe qualquer prejuízo ao fisco; (vi) o artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37/1966 não se aplica ao caso sob exame porque foram inseridas informações referentes as mercadorias no Siscomex, conforme determina a Receita Federal; (vii) o SiscomexExportação considera como novas as averbações retificadas por conta de divergência de informação, sendo que para fins de contagem do prazo o sistema informatizado levou em consideração somente o registro dos dados de embarque retificados, em prejuízo da transportadora aérea. Do exposto, requer a nulidade do auto de infração e, por conseguinte, a desconstituição do crédito lançado. Novamente, em 18.02.2011, a autuada comparece aos autos, as fls. 45 a 51, para, em apertada síntese, dar noticia de que "a Secretaria da Receita Federal do Brasil expediu, em 13.12.2010, a Instrução Normativa n° 1096 que, em seu art. 1°, alterou a redação do art. 37 da Instrução Normativa n° 28/94, para determinar que o transportador deverá registrar no Siscomex os dados de embarque de mercadorias no prazo de 07 dias, contados da data de respectivo embarque", e que "0 Código Tributário Nacional dispõe, em seu art. 106, II, que a lei nova que deixe de definir determinada conduta como infração aplica se imediatamente aos atos não definitivamente julgados". Dessa forma, "não há dúvida quanto aplicação retroativa da Instrução Normativa n° 1.096/2010, eis que a Secretaria da Receita Federal do Brasil deixou de definir como infração a inserção de dados no Siscomex realizada anteriormente ao prazo de 07 dias data de embarque". Do exposto, "requer seja declarada a nulidade absoluta do presente auto de infração, ou, alternativamente, caso assim não entenda, (..) requer sejam excluídos da presente cobrança as multas referentes aos embarques tempestivamente informados". Observese, por fim, que ao presente processo foi juntado, por anexação, o processo 10715.001261/201113. É o relatório. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 07 25.376, de 29/07/2011 (fls. 67/74), em decisão assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 23/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTARIA. A lei tributária, em sentido amplo, que comina penalidade aplicase a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. A partir da vigência da Medida Provisória 135/03, a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei 37/66, com redação do artigo 61 da citada MP, posteriormente convertida na Lei 10.833/03. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 80/109, por meio do qual sustenta, em síntese, depois de defender a sua tempestividade e de relatar os fatos: A multa aplicada não corresponde à infração supostamente praticada, o que torna nulo o auto de infração por cerceamento do direito de defesa. Não há provas do cometimento da infração. Não se tendo juntado cópias de telas do Siscomex, restam apenas alegações sem comprovação. Não existe prova de que o registro efetuado pela Recorrente se deu a destempo. Segundo art. 46 da IN nº 28, de 1994, a averbação é o ato final do despacho de exportação e consiste na confirmação pela fiscalização aduaneira do embarque. Ou seja, depreendese do referido dispositivo que a planilha de embarques que acompanha o auto de infração está informando, na realidade, a data de averbação, pela Receita, do embarque da carga, mas não a do registro, porque esta efetivamente não consta do SISCOMEX. Quando ocorre retificação da data do embarque, é esta data que é considerada pela Receita, não a do efetivo registro. O auto de infração apresenta uma lista de datas de informação de embarque que não é correta porque o sistema contém falhas para armazenar as tentativas de registro. Frisese ainda que até o ano de 2008 o sistema SISCOMEX EXPORTAÇÃO registrava alterações aos registros tempestivamente realizados como novos registros. Assim, caso fosse verificado, por exemplo, divergência de peso que impossibilitasse a averbação automática, as companhias aéreas tinham que excluir a informação equivocada, apagála do sistema e, em seguida, incluir a informação correta. Todavia, tal alteração somente era possível com a intervenção da fiscalização, nos termos do que dispõe o art. 49 da IN n° 28, de 1994. Para efeitos de contagem de prazo, portanto, e por defeito no sistema, levavase em conta a data da inserção da informação correta. Ou seja, a empresa aérea poderia até ter inserido a informação no prazo e com base no AWB, mas, em face de informação divergente da DDE, apenas a data da retificação ficava registrada. Daí porque não há como se considerar as informações constantes do auto de infração impugnado como corretas para fins de afirmação de que o registro se deu a destempo, porque o sistema era falho em guardar a data do primeiro registro efetuado pela Recorrente. Este fato foi objeto inclusive de análises da própria Receita Fl. 165DF CARF MF Impresso em 23/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.002406/201012 Acórdão n.º 3202000.991 S3C2T2 Fl. 164 5 Federal em várias Soluções de Consulta (Solução de Consulta SRRF/9ª RF/DISIT/N° 215, de 16 de agosto de 2004). Apenas o SERPRO pode confirmar as datas em que efetuados os registros. Reitera o pedido para essa providência seja realizada. É fato frequente nos dias de hoje, e ainda mais frequente em anos anteriores, que as companhias tentem acessar o SISCOMEX e não obtenham êxito, tendo que aguardar o sistema retornar ao seu status regular após diversas horas ou mesmo dias. A constatação da infração não leva em consideração as indisponibi1idades do sistema e sequer as aponta. Considera o mundo ideal em que o SISCOMEX está à disposição ininterruptamente. Por esta razão todas as empresas de aviação, bem como os agentes de carga, sem exceção, consideram injusta a aplicação da multa pelo atraso na inserção de dados no sistema, eis que não podem ser responsabilizadas por fato alheio às suas vontades. Visando comprovar o alegado, a Recorrente traz aos autos notícias obtidas no site da ANVISA que atestavam algumas das inúmeras indisponibilidades do sistema, razão pela qual é absurda a imposição de multa à Recorrente considerandose as diversas falhas do Siscomex (referente a datas dos anos de 2002 a 2005). É imprescindível notar que a indisponibilidade do SISCOMEX é reconhecida pela secretaria da Receita Federal, que, nos casos listados na referida norma, afasta a imposição de qualquer penalidade pela inserção intempestiva de dados no sistema (reproduz trecho da IN RFB n.º 835, de 2008). É imprescindível notar que a indisponibilidade do SISCOMEX é reconhecida pela secretaria da Receita Federal, que, nos casos listados na referida norma, afasta a imposição de qualquer penalidade pela inserção intempestiva de dados no sistema (reproduz trecho da IN RFB n.º 835, de 2008). As obrigações acessórias previstas no artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94 têm por finalidade auxiliar o controle de conferência e estatístico da exportação. A inobservância daqueles prazos somente acarreta embaraço à fiscalização quando impacta de modo negativo a capacidade de arrecadação do Fisco. Tal ocorre, por exemplo, quando a averbação é corrigida para enquadrar a remessa em regime especial tributário (drawback). De fato, é o exportador, e não o Fisco, o maior interessado na averbação, pois o fechamento do câmbio e o consequente recebimento das receitas de exportação só se dão com a conclusão desta formalidade. O despacho aduaneiro de mercadorias destinadas à exportação encerrase com a autorização para o embarque da mercadoria, na forma do artigo 29 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994. A Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública, dispõe que é vedado ao Estado impor aos administrados obrigações e sanções em medida desnecessária ao atendimento do interesse público. Vale ressaltar, por fim, que a Receita Federal possui diversas soluções de consulta afirmando que a multa por embaraço à fiscalização somente pode ser aplicada quando restar comprovado o impedimento ou o embaraço à atividade fiscal, conforme soluções transcritas no Recurso, o que não ocorre no caso em exame. Há uma absoluta falta de proporcionalidade e razoabilidade na aplicação da multa pela alegada infração da Recorrente. A Receita Federal vem aplicando multas à Recorrente por praticamente todos os voos realizados nos anos de 2004 a 2009. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 23/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 A Recorrente presta informação completa em relação a todos os AWBs voados. Isto sugere que o atraso era decorrente de questões operacionais (falhas do SISCOMEX) e documentais e não de desídia da empresa. É importante lembrar que a obrigação de prestar informações referese a um conjunto de embarques e não apenas a uma única mercadoria. A obrigação acessória de prestar a informação na forma do artigo 37 da Instrução Normativa 28/94 é complexa. A intenção de embaraçar a fiscalização, que é a falta passível de penalidade, somente se configuraria se a Recorrente tivesse descumprido a obrigação em toda a sua complexidade, isto é, se tivesse tido a intenção de embaraçar a fiscalização de um conjunto de embarques. A multa prevista no DecretoLei n° 37/66 não foi concebida considerandose a prática do negócio de exportação aérea. Ela é uma multa única para situações totalmente diversas. Quanto mais AWBs embarcados, mais chances de atrasos existem por força da lei universal e inafastável da estatística. O processo foi distribuído a este Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente principia as suas razões de defesa com a alegação de que nulo é o lançamento, ao fundamento de que a multa aplicada não corresponde à infração praticada, o que cerceou o seu direito de defesa. Acresce também que não haveria provas do cometimento da infração. O equívoco, em ambos os casos, é evidente. Primeiro, porque basta verificar o Demonstrativo de Apuração da Multa Regulamentar, acostado à fl. 3 dos autos, para constatar que a fiscalização enquadrou a infração na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei 37, de 1966, na redação conferida pela Lei n.º 10.833, de 2003, que tipifica a conduta de deixar de prestar as informações requeridas, não alínea “c” do mesmo dispositivo. Vejase: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV – de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga Portanto, enquadramento incorreto não há. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 23/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.002406/201012 Acórdão n.º 3202000.991 S3C2T2 Fl. 165 7 Segundo, porque que os dados que embasaram o lançamento foram extraídos do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) – sistema informatizado que reflete, num único ambiente, todas as informações relativas ao comércio exterior e no qual é exercido o controle governamental brasileiro, a partir inclusive, impende ressaltar, de informações registradas pelos próprios importadores, exportadores, depositários e transportadores, por seus empregos ou representantes legais. Se alguma delas está incorreta, é ônus da Recorrente demonstrar, trazendo aos autos as provas documentais que comprovem o erro supostamente cometido. Afinal, conforme conhecido brocardo jurídico, alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Contudo, nada trouxe que infirmasse qualquer das informações encartadas na planilha de fls. 11. Pelo mesmo motivo, não basta sustentar que falhas ocorreram no aludido sistema e exemplificálas com algumas que se teriam verificado inclusive em anos anteriores ao que ocorreram os embarques das mercadorias objeto dos autos. No mérito, a questão litigiosa já foi inúmeras vezes apreciada por esta Turma – a multa pelo não registro no Siscomex, no prazo assinalado na legislação aduaneira, dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria. Em julgamento recente, expus o entendimento de que o prazo que deveria regrar a obrigação do transportador era o estabelecido na legislação vigente na data do embarque, independentemente de sua ampliação por legislação superveniente. Depois de meditar sobre o assunto com maior detença, cheguei à conclusão de que, de fato, é de se aplicar a tese da retroatividade benigna, prevista no art. 106, inciso II, alíneas “a” e “b”, do CTN, tal como, aliás, já foi feito pela instância de piso, que excluiu da autuação fiscal os embarques cujos registros de dados foram efetuados no Siscomex no prazo de até 7 (sete) dias. De conseguinte, deve ser mantida a autuação quanto aos demais embarques mencionados na decisão recorrida, visto que ultrapassado o prazo estabelecido para o registro. Na contagem dos prazos, a decisão recorrida acertadamente considerou a forma prescrita no caput do artigo 210 da Lei 5.172, de 1966 CTN, que determina que os prazos sejam contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Não é de se aplicar, porém, a regra prescrita em seu parágrafo único, segundo o qual os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato, uma vez que o cumprimento do prazo em questão não está a depender da intervenção da repartição pública, nem nesta deva ser realizada. Tratase de regra excepcional, destinada apenas a estabelecer uma exceção à disposição encartada na cabeça do artigo. O nosso entendimento, como se vê, é divergente do adotado na Solução de Consulta 9ª RF/DISIT n.º 215, de 2004. Contudo, além de desprovida de caráter vinculante, não resultou de consulta formulada pela Recorrente. Correto o critério utilizado para aplicação da penalidade, ao considerar que o valor de R$ 5.000,00 deve ser exigido em relação a cada veículo transportador (por data de embarque), ou seja, por embarque/voo, o que perfaz, no caso em apreço, o valor de R$ 15.000,00. O argumento de que a multa viola princípios constitucionais não pode ser apreciado pelo julgador administrativo, pois falece competência aos agentes administrativos para afastar a aplicação de dispositivos legais plenamente vigentes (Súmula CARF n.º 2). Para que incida a penalidade em questão, basta que se configure a situação fática eleita pelo Fl. 168DF CARF MF Impresso em 23/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 legislador para a sua aplicação, sendo absolutamente desnecessária qualquer consideração adicional. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 169DF CARF MF Impresso em 23/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10880.962336/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3201-000.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência, nos termos do voto da relatora.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência, nos termos do voto da relatora. JOEL MIYAZAKI - Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência, nos termos do voto da relatora. JOEL MIYAZAKI Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 62 33 6/ 20 08 -1 9 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10880.962336/200819 Resolução nº 3201000.450 S3C2T1 Fl. 204 2 “A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação nº 19617.95807.091104.1.3.040838 em 09/11/04 (fls. 06/10), pleiteando a compensação de débitos de COFINS, com créditos de COFINS, decorrentes de suposto pagamento a maior ou indevido efetuado em 14/04/00. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico de fl. 01, emitido em 11/12/08, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão em 05/01/09 (fls. 04/05), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 11/14) alegando, em síntese, que: Como se pode observar no demonstrativo da composição das bases de cálculo, o crédito de COFINS utilizado para sua compensação referese à parcela da contribuição indevidamente paga sobre valores relativos às saídas gratuitas (“brindes”) de seus produtos. Se a base de cálculo tanto do PIS quanto da COFINS é constituída pela receita ou pelo faturamento, não há que se falar em ocorrência do fato gerador sobre o valor de notas fiscais de saída de mercadorias, sem que haja de fato ou de direito a correspondente receita ou faturamento. Ao compor a base de cálculo das contribuições, cometeu equívoco de incluir valores que não constituíam sua receita ou faturamento, e deveria ter apresentado retificações de suas declarações para excluir destas bases de cálculos do PIS e da COFINS estes valores. Em determinados casos, suas declarações não foram retificadas, e assim, cometeu erro de fato no procedimento tendente à apresentação desta PER/DCOMP. Tal equívoco não macula seu direito à obtenção dos créditos, de fácil apuração, caso a autoridade administrativa competente tivesse cumprido sua obrigação legal e diligenciado ao estabelecimento da ora requerente, como determina o artigo 24 da IN SRF nº 600/2005. Não procedendo assim, o despacho decisório representa ofensa aos princípios da moralidade administrativa, da razoabilidade, da finalidade e da oficialidade, além de ensejar o enriquecimento sem causa da União, ferindo o caput do artigo 37 da Carta Magna, e os artigos 2º, 3º, inciso I, e 50, inciso I da Lei 9.784/99. Requer a reforma do Despacho Decisório, reconhecendo seu direito creditório na sua totalidade e homologando a compensação do PER/DCOMP. É o relatório.” Fl. 204DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10880.962336/200819 Resolução nº 3201000.450 S3C2T1 Fl. 205 3 O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SP 1 n° 1630.900, de 14/04/2011, proferida pelos membros da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo /SP, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Anocalendário: 2000 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. O julgamento foi no sentido de indeferimento da manifestação de inconformidade para manter o Despacho Decisório. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Em sede de recurso voluntário, observei que a empresa argumentou, dentre outros: repisa que deve ser decretada a nulidade de Despacho Decisório (811463448); anexa vários documentos (01 a 06), tendo em vista que a decisão de primeira instância reputou que a documentação anterior apresentada carecia de elementos mínimos, tais como assinatura do contabilista responsável e registro no CRC, segundo as regras estabelecidas pelas Normas Brasileiras de Contabilidade; traz doc. Com a devida procuração (docs 01 e 02); anexa Notas Fiscais que não deveriam ser incluídas na base de cálculo da COFINS (docs. 05); anexa Livro Registro de Saídas dos respectivas Notas Fiscais (docs. 06), e enfim, que seja dado provimento ao recurso voluntário. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Fl. 205DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10880.962336/200819 Resolução nº 3201000.450 S3C2T1 Fl. 206 4 O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de solicitação de compensação através da Declaração de Compensação nº 19617.95807.091104.1.3.040838 em 09/11/04. Ou seja, compensação de débitos de COFINS, com créditos de COFINS, decorrentes de suposto pagamento a maior ou indevido efetuado em 14/04/00 (saídas gratuitasbrindes). Juntou, inicialmente, aos autos, “Demonstrativo COFINS março de 2000” e “balancete” da competência 03/2000. Consta documentação transmitida pela empresa, como DCTF referente ao mês de 03/2000 e a DIPJ do anocalendário de 2000. Tendo em vista que a recorrente apresenta a seguinte documentação (recurso voluntário): docs. 03 e 04documentos anteriormente apresentados, com os elementos exigidos; doc 05 demonstrativo de Notas Fiscais que não deveriam ter sido incluídas na base de cálculo da Cofins/valores/CFOP; doc. 06cópia do Termo de abertura, do Termo de encerramento e das páginas do livro Registro de Saídas em que referidas notas fiscais foram lançadas. Assim sendo, em atendimento ao princípio da verdade material e da estrita legalidade, entendo pela conversão do feito em diligência para que a Delegacia da Receita Federal se digne: pela análise dos documentos apresentados e trazidos em sede de recurso voluntário. –documentos intitulados 01/02 referentes à procuração; 03/04 , as Notas Fiscais referidas nos docs. 05, bem como Livro Registro de Saídas dos respectivas Notas Fiscais (docs. 06). Após a realização das análises solicitadas, profira parecer conclusivo sobre o crédito pretendido e abram vistas para que a recorrente se pronuncie, se entender necessário; bem como a Procuradoria da Fazenda NacionalPGFN. Concluída a diligência solicitada, retornem os autos para seguimento no julgamento por esta turma do CARF. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 206DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001663/2010-50
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. INFRAÇÃO.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. INFRAÇÃO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Jhonatas Ribeiro da Silva.
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MULTA. INFRAÇÃO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Jhonatas Ribeiro da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 63 /2 01 0- 50 Fl. 668DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Relatório Tratase de Auto de Infração DEBCAD 37.285.1231, lavrado em face de INFINITI MARKETING DE INCENTIVO E FIDELIZAÇÃO LTDA E OUTROS, no valor de R$ 42.953,34 (quarenta e dois mil novecentos e cinqüenta e três reais e trinta e quatro centavos), por ter o contribuinte deixado de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme art. 32, II, da Lei 8.212/91 c/c art. 225, II, parágrafos 13 a 17 do RPS. Nos autos consta Termo de Constatação Fiscal nas fls. 257/312, com vasta narrativa acerca do procedimento inquisitório, narrando os termos lavrados, as manifestações, as solicitações ao Ministério Público Federal e ao Judiciário, as remunerações omitidas, os lançamentos contábeis efetuados, dentre outros. O Relatório Fiscal do Auto de Infração, fl.s 324/328, informa que o contribuinte está sendo autuado porque deixou de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, em contas individualizadas, os fatos geradores de contribuição previdenciária, conforme se relatou nos itens 211 a 215 do Termo de Constatação Fiscal. Nestes campos, consta a informação de que em 2006, o 13º salário de seus empregados foi contabilizado na conta intitulada "Pessoa Física", ademais, na mesma conta, foram registrados pagamentos (que não transitaram em folha de pagamentos) a empregados da contribuinte, por suposta "prestação de serviços", juntamente com remunerações pagas a contribuintes individuais, sem qualquer vínculo empregatício, dentre outros fatos. Há também a informação que, de acordo com o sistema SICOB, a contribuinte foi autuada em ação fiscal anterior (AI 37.013.6900, de 17/08/2006), e seu recurso ao CARF não foi provido. Todavia, ainda não se tinha notícia de sua ciência formal, o que levou à auditoria à considerála primária. Também considerou haver agravante de dolo, conforme se descreveu no itens 216 do Termo de Constatação Fiscal lavrado, o que triplicou o valor básico da multa, elevando a penalidade de R$ 14.317,78 para R$ 42.953,34. Foram arrolados como devedores solidários: Leandro Capozzielli, FINANCOB COBRACA EMPRESARIAL S/C LTDA.; FINANZIARIA COBRANCAS LTDA, FINANCORP PARTICIPACOES S/A, ORANGE SOLUCOES INTEGRADAS S/A, LF INVESTIMENTOS E CONSULTORIA LTDA, FINANCRED PROMOTORA DE VENDAS LTDA e DO IT COMUNICACAO E MARKETING LTDA. As empresas, segundo o auditor fiscal, constituem grupo econômico e o sóciogerente da principal autuada, teria incorrido no disposto no art. 135 e inciso III do CTN. Fl. 669DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19515.001663/201050 Acórdão n.º 2403002.370 S2C4T3 Fl. 3 3 DA IMPUGNAÇÃO Inconformados com o lançamento, os sujeitos passivos contestaram o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 371/388. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP – DRJ/SP1, prolatou o Acórdão 16 45.068, de fls. 456/472, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2008 AUTO DE INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AIOA – CFL 34. Constitui infração deixar de informar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores das contribuições, quantias descontadas, contribuições da empresa e totais recolhidos. Art. 32, II da Lei 8.212/91. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE Não é confiscatória a multa exigida nos estritos limites do previsto em lei para o caso concreto, não sendo competência funcional do órgão julgador administrativo apreciar alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO DESNECESSIDADE A realização de diligência será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido da impugnante, somente quando necessária para a apreciação da matéria litigada.. Caso desnecessário o pedido de diligência deve ser indeferido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 487/511, requerendo a reforma do Acórdão, com os seguintes argumentos, em suma, a ausência de habitualidade no pagamento e, portanto, não se caracterizando como verba salarial, a ausência de provas e a confiscatoriedade da multa. É o relatório. Fl. 670DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE De acordo com o documento de fl., temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO Segundo o relatório fiscal da infração, a empresa deixou de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme art. 32, II, da Lei 8.212/91 c/c art. 225, II, parágrafos 13 a 17 do RPS. O Relatório Fiscal do Auto de Infração, fl.s 324/328, informa que o contribuinte está sendo autuado porque deixou de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, em contas individualizadas, os fatos geradores de contribuição previdenciária, conforme se relatou nos itens 211 a 215 do Termo de Constatação Fiscal. Nestes campos, consta a informação de que em 2006, o 13º salário de seus empregados foi contabilizado na conta intitulada "Pessoa Física", ademais, na mesma conta, foram registrados pagamentos (que não transitaram em folha de pagamentos) a empregados da contribuinte, por suposta "prestação de serviços", juntamente com remunerações pagas a contribuintes individuais, sem qualquer vínculo empregatício, dentre outros fatos. Tal fato ensejou a adequação ao disposto na Lei 8.212/91, art. 32, II, art. 92, art. 102, c/c Decreto 3.048/99 – RPS, art. 225, II, parágrafos 13 a 17 e art. 283, II, ‘a’ , in verbis: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Fl. 671DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19515.001663/201050 Acórdão n.º 2403002.370 S2C4T3 Fl. 4 5 § 1o O disposto neste artigo não se aplica às penalidades previstas no art. 32A desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o O reajuste dos valores dos saláriosdecontribuição em decorrência da alteração do saláriomínimo será descontado por ocasião da aplicação dos índices a que se refere o caput deste artigo.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). ************************************************** Art. 225. A empresa é também obrigada a: II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Ademais, na aplicação da multa, foram constatadas circunstâncias agravantes da penalidade prevista no inciso V do artigo 290 do RPS, qual seja, aquela do art. 292, IV, do RPS, in verbis: Art. 292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: (...) IV a agravante do inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes a cada reincidência no mesmo tipo de infração, e em duas vezes em caso de reincidência em infrações diferentes, observados os valores máximos estabelecidos no caput dos arts. 283 e 286, conforme o caso; e A autoridade aplicou o valor da multa acima em conformidade com a atualização dada pela Portaria Interministerial MPS/MF n. 333 de 29/06/2010, cujo valor Base Fl. 672DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 é de R$ 14.317,78, agravada em três vezes, vez que foi constatada circunstância agravante de dolo e por haver obstado a fiscalização, previstas no art. 290, II e IV, respectivamente, não havendo qualquer reparo a ser feito. Os fatos contidos no Termo de Constatação Fiscal são aptos a caracterizar a imputações realizadas pelo AFRFB. Quanto às alegações de inconstitucionalidade e de confiscatoriedade da multa, temse que estas não podem ser analisadas em razão da atração da Súmula CARF 02. Quanto à perícia, esta é desnecessária dada a objetividade do fato gerador da multa em apreço, que está com sua materialidade demonstrada a partir dos descumprimentos constantes nos documentos dos autos. DOS SOLIDÁRIOS – DO GRUPO ECONÔMICO Apesar de não ter sido matéria impugnada pelas recorrentes, passase à sua análise para que não se deixe lacunas. A partir das informações constantes nos itens 308 a 310 do Termo de Constatação Fiscal, além de toda a sua narrativa, temse que as empresas constituem grupo econômico e respondem solidariamente pelas contribuições ante a patente confusão patrimonial entre elas e a prática de atos constantes no art. 135 do CTN. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do recurso para, no mérito, negar provimento. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 673DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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