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Numero do processo: 13851.000752/97-15
Data da sessão: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS
OU COOPERATIVAS. TAXA SELIC.
Integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente ao crédito relativo aos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas físicas.
BASE DE CÁLCULO. SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR
ENCOMENDA.
O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluídos, em sua base de cálculo, os valores dos serviços de industrialização por encomenda.
JUROS COMPENSATÓRIOS. SELIC. NÃO INCIDÊNCIA.
Os juros compensatórios, calculados com base na variação da taxa Selic, somente se aplicam à restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: CSRF/02-03.529
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Áfk
Recursos Fiscais: 1) pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso especial quanto à matéria "incidência de juros a taxa SELIC sobre o valor a ser ressarcido". Vencidos os
Conselheiros Dalton César Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho
Arruda Júnior (Substituto convocado) e Antonio Carlos Guidoni Filho que deram provimento ao recurso; 2) pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso especial quanto à
matéria "industrialização por encomenda". Vencidos os Conselheiros Dalton César Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan,
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior (Substituto convocado) e Antonio Carlos Guidoni Filho que deram provimento ao recurso; 3) por maioria de votos, DAR provimento ao recurso especial quanto à matéria "Aquisições de pessoas físicas". Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire (Relator), Josefa Maria Coelho Marques, Henrique Pinheiro Torres, Antonio Carlos Atulim e Gilson Macedo Rosenburg Filho
que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Áfk Recursos Fiscais: 1) pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso especial quanto à matéria "incidência de juros a taxa SELIC sobre o valor a ser ressarcido". Vencidos os Conselheiros Dalton César Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior (Substituto convocado) e Antonio Carlos Guidoni Filho que deram provimento ao recurso; 2) pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso especial quanto à matéria "industrialização por encomenda". Vencidos os Conselheiros Dalton César Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior (Substituto convocado) e Antonio Carlos Guidoni Filho que deram provimento ao recurso; 3) por maioria de votos, DAR provimento ao recurso especial quanto à matéria "Aquisições de pessoas físicas". Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire (Relator), Josefa Maria Coelho Marques, Henrique Pinheiro Torres, Antonio Carlos Atulim e Gilson Macedo Rosenburg Filho que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes.
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AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS OU COOPERATIVAS. TAXA SELIC. Integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente ao crédito relativo aos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas fisicas. BASE DE CÁLCULO. SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matérias- primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluídos, em sua base de cálculo, os valores dos serviços de industrialização por encomenda. JUROS COMPENSATÓRIOS. SELIC. NÃO INCIDÊNCIA. Os juros compensatórios, calculados com base na variação da taxa Selic, somente se aplicam à restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Áfk Recursos Fiscais: 1) pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso especial quanto à matéria "incidência de juros a taxa SELIC sobre o valor a ser ressarcido". Vencidos os t Conselheiros Dalton César Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior (Substituto convocado) e Antonio Carlos Guidoni Filho que deram provimento ao recurso; 2) pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso especial quanto à matéria "industrialização por encomenda". Vencidos os Conselheiros Dalton César Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior (Substituto convocado) e Antonio Carlos Guidoni Filho que deram provimento ao recurso; 3) por maioria de votos, DAR provimento ao recurso especial quanto à matéria "Aquisições de pessoas ÇÁ Processo n° 13851.000752/97-15 CSRF/T02 Acórdão n.° 02-03.529 Fls. 2 físicas". Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire (Relator), Josefa Maria Coelho Marques, Henrique Pinheiro Torres, Antonio Carlos Atulim e Gilson Macedo Rosenburg Filho que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. AN '• ei P • • A P eside k1,10 )hk JULIO 'c S IEIRA GOMES Relator- b esignado FORMALIZADO EM: 08 SET 2009 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Praga (Presidente da CSRF), Antonio Carlos Guidoni Filho (substituto do vice-presidente da CSRF), Josefa Maria Coelho Marques, Dalton César Cordeiro de Miranda, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martínez López, Antonio Carlos Atulim, Gileno Gurjão Barreto, Julio Cesar Vieira Gomes, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho e a oel Coelho Arruda Júnior (substituto convocado). 2 Processo n° 13851.000752/97-15 CSRFT02 Acórdão n.° 02-03.529 Fls. 3 Relatório Trata-se de recurso especial, com fulcro no art. 32, II, do então vigente Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 55/88, no qual a recorrente alega divergência jurispmdencial, quanto às seguintes matérias: 1) inclusão, no cálculo do crédito presumido do IPI, dos valores correspondentes às aquisições de matérias-primas de não contribuintes do PIS e da COFINS; 2) inclusão, na apuração do incentivo fiscal, do custo da industrialização realizada por terceiros; 3) reconhecimento do direito ao ressarcimento do crédito presumido do IPI acrescido de juros calculados com base na variação da Taxa "Selic". A decisão recorrida considerou que deveriam ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido do IPI os valores relativos a insumos adquiridos de não contribuintes do PIS e da COFINS, bem como os valores referentes ao custo da industrialização efetuada por terceiros. Ademais, considerou inaplicável a Taxa Selic para corrigir o crédito incentivado. A respeito, no que tange à matéria, o acórdão recorrido espelha a seguinte ementa: "IPI . Crédito Presumido. 1. Insumos adquiridos de não-contribuintes. Incabível o ressarcimento do PIS/PASEP e da COFINS a título de incentivo fiscal em relação a produtos adquiridos de pessoas fisicas e ou cooperativas que não suportaram o pagamento dessas contribuições. Ao determinar a forma de apuração do incentivo, a Lei e 9.363/96 excluiu da base de cálculo do beneficio fiscal as aquisições que não sofreram incidência das contribuições ao PIS e à COFINS no fornecimento ao produtor-exportador. II. CUSTO DE MÃO-DE-OBRA DA INDUSTRIALIZAÇÃO POR TERCEIROS. As mercadorias industrializadas por encomenda do exportador que as destinas para o exterior tais quais as recebeu do fabricante não podem ter seus custos de produção incluídos no cálculo do valor das compras (de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem) incentivadas. HL RECEITA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS POR TERCEIROS. Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, inclui-se no cálculo de ambas o valor correspondente às exportações de produtos adquiridos de terceiros, mas tais produtos são excluídos do valor correspondente às compras de insumos. 3 Processo n° 13851.000752/97-15 CSRF/T02 Acórdão n.° 02-03.529 Fls. 4 IV. TAXA SELIC. É imprestável COMO instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar na concessão de um Plus', sem expressa previsão legal. Recurso Parcialmente Provido. O fundamento principal da decisão recorrida para excluir da base de cálculo do crédito presumido do IPI os valores relativos a insumos adquiridos de não contribuintes do PIS e da COFINS é que o art. da Lei n° 9.363/1999, instituidora de incentivo fiscal referente ao IPI, tem como escopo ressarcir as contribuições (PIS e COFINS) incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem para a utilização no processo produtivo. Entende, também que a norma de incentivo fiscal deve ser sempre literal e restritivamente, de forma a não estender por vontade do intérprete, beneficio não autorizado pelo legislador. Quanto à exclusão da base de cálculo do crédito presumido do IPI dos valores referentes ao custo da industrialização efetuada por terceiros, a decisão recorrida entende que a Lei n° 9.363/1996, ao conceder o beneficio fiscal, especificou que o crédito presumido seria devido à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais como forma de ressarcimento das contribuições (PIS e COFINS) incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Ainda, de acordo com a decisão recorrida: "No caso de o exportador adquirir as mercadorias já prontas para a exportação, sem nela realizar quaisquer das operações de industrialização previstas no regulamento do IPI, deixa o adquirente de preencher um dos requisitos básicos para fruição do crédito presumido, qual seja, a de ser o produtor de mercadorias exportadas, com isso não tem direito ao ressarcimento das contribuições eventualmente nelas incidentes. Demais disso, nessas operações, tais mercadorias não se caracterizam como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, ao contrário, são produtos finais, cujas aquisições pelo exportador, não são contempladas com o benéfico fiscal." (Destaquei). Outrossim, quanto à correção do valor de créditos incentivados de IPI, o acórdão recorrido expressa o entendimento de não ser possível a correção do crédito presumido de IPI pela Taxa Selic pela inexistência de previsão legal que a autorize. Tanto a lei concessiva do beneficio quanto a lei instituidora da Selic não tratam dessa questão. Inconformada com a decisão da Câmara Julgadora, a contribuinte interpôs recurso especial, no qual alegou em síntese: - há divergência de entendimento, quanto às matérias, entre a decisão recorrida e os acórdãos n° CSRF/02-01.248, n° CSRF/02-01.319, n°201-76.952, n° CSRF/02- 01.248 e n° CSRF/02-01.319; - o acórdão recorrido entendeu que o custo das aquisições de insumos de produtores rurais pessoas fisicas não pode ser computado na apuração do crédito presumido do IPI, pois tais aquisições não sofreram a incidência da contribuição para o PIS e da COFINS, ao passo que os acórdãos paradigmas decidiram que aquelas aquisições devem ser consideradas na 4 Processo n° 13851.000752/97-15 CSRF/1-02 Acórdão n.° 02-03.529 Fls. 5 base desse incentivo fiscal, na medida em que não consta da Lei n° 9.363/96 qualquer restrição naquele sentido; - a decisão recorrida confirmou a glosa do custo da industrialização efetuada por terceiros, com base no argumento de que tal custo não pode ser considerado na apuração do crédito presumido, nos casos em que os produtos obtidos nesse processo industrial são diretamente exportados pela empresa beneficiária desse incentivo; - os acórdãos n° 201-76952 e n° 201-74.349, a seu turno, reconheceram o direito de a empresa produtora exportadora de mercadorias nacionais, incluir, na apuração do crédito presumido, o custo da industrialização por encomenda; - com relação à taxa de juros "Selic" sobre o valor a ser ressarcido à recorrente, a título de crédito presumido, o v. acórdão recorrido afastou a sua aplicação, por entender que não existe base legal que justifique esse procedimento. Os v. acórdãos divergentes, por sua vez, determinaram a aplicação dos juros "Selic" sobre o valor do incentivo fiscal em tela. O recurso especial da contribuinte foi admitido pelo Presidente da Câmara Julgadora, segundo Despacho n° 202-00.235, de fls. 414/416. Não satisfeita com o acolhimento do recurso especial da contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou contra-razões, fls. 419/445, com os seguintes fundamentos: - quanto aos insumos adquiridos de não contribuintes do PIS e da COFINS, para que seja possível a promoção do ressarcimento é necessário que as matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, aplicados na industrialização de produtos destinados ao mercado externo, tenham sofrido a incidência das ditas contribuições, tão- somente na etapa anterior da cadeia produtiva, nos termos do que determina o art. 1°, caput da Lei n° 9.363/96; - o texto legal destaca que a incidência abrange exclusivamente as aquisições e não a cadeia produtiva; - o intérprete deve perquirir se, na aquisição, houve a específica oneração destes tributos, o que não ocorre quando estabelecimento produtor exportador adquire insumos de pessoas físicas, cooperativas (em atos próprios) e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; - se o intuito da norma é, sob certo aspecto, desonerar as aquisições daquelas contribuições sociais, minimizando, assim, o seu impacto no custo das exportações, forçoso concluir que deve haver a pressuposição da sua incidência na etapa anterior. Se tal não ocorre, como no caso em debate, não há que se falar na inclusão destes valores no cálculo do beneficio fiscal; - no que concerne à alegação de que a lei ao estabelecer o percentual de 5,37% para cálculo do crédito presumido, leva em consideração a existência de duas etapas na cadeia produtiva, também estamos de um argumento falacioso. Com efeito não é porque o dispositivo legal fixou aquele percentual que devemos concluir que, mesmo não havendo incidência das contribuições, na etapa imediatamente anterior, deverá ser investigada a etapa anterior a esta, ou seja o ciclo mediato; N 5 Processo n° 13851.000752/97-15 CSRF/T02 Acórdão n.° 02-03.529 Fls. 6 - a razão de decidir coligida pelos Conselheiros também padece do vício da contradição, porquanto, sob sua ótica, o objeto da lei seria a presunção, sem necessidade de análise por tipos de créditos. Se estamos diante de uma presunção, o que parece fato, esta seria da incidência das contribuições sobre as aquisições e não da inclusão da totalidade das aquisições no cálculo do beneficio; - cita o entendimento do Parecer PGFN/CAT n° 3092/2002, fls. 423/431, em seu favor; - quanto à correção dos créditos incentivados pela Taxa propugna que a previsão legal de incidência dos juros sobre créditos de IPI refere-se exclusivamente aos créditos tributários definitivamente constituídos, isto é, aqueles pagos em valor maior que o devido ou indevidamente, mas não antes disso, ou seja, os saldos devedores apurados em cada período, que porventura tenham sido recolhidos indevidamente; - a Lei n° 9.250/05, em seu art. 39, §4°, prevê apenas a atualização, sob forma de juros, dos valores a compensar ou restituir oriundos de pagamento a maior ou indevido, o que efetivamente não se enquadra no conceito de créditos estruturais, que, genericamente, são os créditos legalmente permitidos para aproveitamento na conta gráfica de apuração do IPI, em observância ao princípio da não-cumulatividade; - há grande diferença entre o indébito tributário e o instituto do ressarcimento. No primeiro caso inexiste suporte fático que embase a hipótese legalmente prevista, ou seja, grosso modo, não ocorreu o fato gerador para parcela ou integralidade do que foi recolhido a título de tributo; já no segundo caso, a situação é distinta: o fato gerador do crédito ocorreu em todos os seus aspectos, sendo mera liberalidade do Estado, por motivos econômicos, permitir que tais valores, uma vez impossibilitada a sua utilização pelos meios normais, possam ser utilizados de forma diversa, no caso, compensação com outros tributos administrados pela SRF; - desta forma, a idéia de estender os efeitos da repetição do indébito tributário ao ressarcimento, mormente a atualização monetária, sob o pálio da isonomia, é manifestamente improcedente; - a correção monetária, como instituto de natureza econômica, somente produz efeitos jurídicos por determinação legal, a exemplo de sua extinção, nos moldes anteriormente previstos pela Lei n° 9.069/95, que instituiu o Real; - sendo a obrigação tributária ex lege, tão-somente a lei pode estatuir a correção monetária e, mesmo assim, nos estritos casos em que especifica, não cabendo ao Colegiado Administrativo, estendê-la a casos não previstos em lei; - cita jurisprudência dos Tribunais Superiores, às fls. 434/437, em seu favor; - quanto à industrialização por terceiros, entende que é inaceitável, por absoluta falta de previsão legal, a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido, dos valores referentes ao beneficiamento dos insumos efetuado por terceiros; - o diploma legal que concedeu sobredito crédito presumido foi categórico em ressarcir a incidência de exações especificamente sobre as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não abrangendo outros insumos; °JfÇà 6 Processo n° 13851.000752/97-15 CSRF/T02 Acórdão n.° 02-03.529 Fls. 7 - o próprio regulamento do IPI ressalta que o valor cobrado pela operação de industrialização é destacado do valor das matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem enviados pelo encomendante, razão pela qual devem ser acrescidos ao momento da remessa do produto encomendado. - assim, o industrializador cobra tão-somente pelos serviços prestados, de forma tal que não sendo este serviço uma espécie de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, sua admissão no cálculo do crédito presumido não pode ser aceita, sob pena de desvirtuamento do beneficio fiscal; - cita declaração de voto constante do feito administrativo n° 11065.000648/97-35, que considera favorável à defesa de sua tese jurídica; - se o encomendante não remete as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem ao industrializador, não estaremos diante de uma típica operação de industrialização por encomenda, nos moldes da legislação do IPI, mas sim de mera aquisição de insumos, que, em se enquadrando nas espécies previstas legalmente, poderão ser incluídas no cálculo do crédito presumido, o que é indiscutível. É o Relatório. 0-S-b 7 Processo n° 13851.000752/97-15 CSRF/T02 Acórdão n.° 02-03.529 Fls. 8 Voto Vencido Conselheiro ELIAS SAMPAIO FREIRE, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Adoto os fundamentos, a seguir transcritos, constantes no voto proferido pela Conselheira Josefa Maria Coelho Marques no Acórdão CSRF /02-02.959, nos autos do recurso 202-118591, de interesse do mesmo contribuinte: AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES DE PIS E COFINS Quanto às aquisições de pessoas fisicas e cooperativas, adoto, em meu voto, os fundamentos do Acórdão 201-77.932, do qual foi relatora a Conselheira Adriana Gomes Rego Gaivão: Inicialmente, argumenta a recorrente que a exclusão, para efeito do cálculo do crédito presumido, das aquisições de insumos efetuadas a pessoas fisicas foi indevida. Entretanto, discordo complemente deste seu entendimento. É que a Lei n2 9.363/96, em seu art. 1 2, é muita clara ao dispor: "com o ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares n's 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições." (negritei) Ora, se não houve incidência das contribuições nas aquisições, não há que se falar em ressarcimento. E neste sentido, deve-se observar que a lei fala em "incidentes sobre as respectivas aquisições", de forma que pouco importa se incidiu em etapas anteriores, se, nas aquisições efetuadas pela empresa produtora e exportadora, estas não incidiram. A respeito deste assunto, e já contrapondo-se ao argumento da recorrente de que não pode haver interpretação restritiva neste caso, destaco o Parecer PGFN n2 3.092, de 27 de dezembro de 2002, aprovado pelo Ministro da Fazenda: "21. Quando o PIS/PASEP e a COFINS oneram de forma indireta o produto final, isto significa que os tributos não 'incidiram' sobre o insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (o fornecedor não é contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS), mas nos produtos anteriores, que compõem este insumo. Ocorre que o legislador prevê, textualmente, que serão ressarcidas as contribuições `incidentes sobre o insumo adquirido pelo produtor/exportador, e não sobre as aquisições de terceiros, que ocorreram em fases anteriores da cadeia produtiva. 'CÃ 8 Processo n° 13851.000752/97-15 CSRF/1-02 Acórdão n.° 02-03.529 Fls. 9 22. Ao contrário, para admitir que o legislador teria previsto o crédito presumido como um ressarcimento dos tributos que oneraram toda a cadeia produtiva, seria necessária unia interpretação extensiva da norma legal, inadmitida, nessa especifica hipótese, pela Constituição Federal de 1988 e pelo Código Tributário Nacional." E não é só a partir do art. 1 2 da Lei n2 9.363/96 que se pode vislumbrar este entendimento, nem tampouco em razão do que havia sido disposto pela MP n 2 674/94, que foi revogado, porque, nos demais artigos da lei, também se verifica tal posicionamento, como muito bem elucida o mencionado parecer, que transcrevo: "24. Prova inequívoca de que o legislador condicionou a fruição do crédito presumido ao pagamento do PIS/PASEP e da COFINS pelo fornecedor do insumo é depreendida da leitura do artigo 5' da Lei n°9.363, de 1996, in verbis: 'Art. 5° A eventual restituição, ao fornecedor, das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. 1°, bem assim a compensação mediante crédito, implica imediato estorno, pelo produtor exportador, do valor correspondente." 25. Ou seja, o tributo pago pelo fornecedor do insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido, que for restituído ou compensado mediante crédito, será abatido do crédito presumido respectivo. 26. Como o crédito presumido é um ressarcimento do PIS/PASEP e da COFINS, pagos pelo fornecedor do insumo, o legislador determina, ao produtor/exportador, que estorne, do crédito presumido, o valor já restituído. 27. O art. 1° da Lei e 9.363, de 1996, determina que apenas os tributos 'incidentes' sobre o insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (e não pelo seu fornecedor) podem ser ressarcidos. Conforme o art. 5°, caso estes tributos já tenham sido restituídos ao fornecedor dos insumos (o que significa, na prática, que ele não os pagou), tais valores serão abatidos do crédito presumido. 28. Esta interpretação lógica é confirmada por todos os demais dispositivos da Lei n° 9.363, de 1996. De fato, em outras passagens da Lei, percebe-se que o legislador previu formas de controle administrativo do crédito presumido, estipulando ao seu beneficiário uma série de obrigações acessórias, que ele não conseguiria cumprir caso o fornecedor do insumo não fosse pessoa jurídica contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS. Como exemplo, reproduz-se o art. 3° da multicitada Lei n° 9.363, de 1996: 'Art. 3° Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias-primas, produtos intermediários e material de Ç9 Processo n° 13851.000752/97-15 CSRF/T02 Acórdão n.° 02-03.529 Fls. 10 embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1°, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador.' (Grifos não constantes do original). 29. Ora, como dar efetividade ao disposto acima, quando o produtor/exportador adquir insumo de pessoa fisica, que não é obrigada a emitir nota fiscal e nem paga o PIS/PASEP e a COFINS? Por outro lado, como aferir o valor dos insumos adquiridos de pessoas fisicas, que não estão obrigados a manter escrituração contábil? 30. Toda a Lei n° 9.363, de 1996, está direcionada, única e exclusivamente, à hipótese de concessão do crédito presumido quando o fornecedor do insumo é pessoa jurídica contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS. A lógica das suas prescrições milita sempre nesse sentido. Não há qualquer disposição que regule ou preveja, sequer tacitamente, o ressarcimento nas hipóteses em que o fornecedor do insumo não pagou o PIS/PASEP ou a COFINS. 31. Em suma, a Lei n° 9.363, de 1996, criou um sistema de concessão e controle do crédito presumido de IPI, cuja premissa é que o fornecedor do insumo adquirido pelo beneficiário do incentivo seja contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS." A propósito, no tocante à exigência de apresentação de comprovantes do recolhimento das contribuições a que se referia a MP n2 674/94, também convém trazer à tona palavras do parecer: "40. Outro argumento apresentado é no sentido de que, no sistema anterior, o incentivo seria condicionado à prova de que o fornecedor pagou o tributo, o que não ocorreria com a Lei n° 9.363, de 1996. Assim, como essa disposição não consta da referida Lei, estaria demonstrado que o novo sistema não condicionou a concessão do crédito presumido ao pagamento do PIS/PASEP e da COFINS pelo fornecedor de insumo. 41. Ocorre que a alteração legislativa nada prova em favor dessa tese. Não é cabível dizer que, em vista da revogação de uma obrigação acessória (prova do pagamento de tributos pelo fornecedor), o incentivo não estaria condicionado ao pagamento do PIS/PASEP e da COFINS pelo fornecedor de insumos. 42. Da revogação do antigo sistema é possível inferir apenas que o beneficiário do crédito presumido não precisará mais provar que o fornecedor do insumo pagou as referidas contribuições. Mas isso não quer dizer que o crédito presumido surge mesmo quando o fornecedor não pagou tais tributos. Uma coisa em nada tem a ver com a outra. 43. Inclusive, tal argumento cai diante do sistema de concessão e controle do crédito presumido fixado pela Lei n°9.363, de 1996, 10 Processo n° 13851.000752/97-15 CSRF/T02 Acórdão n.° 02-03.529 Fls. 11 fundamentado inteiramente na proposição de que o fornecedor do insumo seja contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS. 44. E a forma encontrada pelo legislador para conceder um crédito 'presumido' que reflita a média das 'incidências' do PIS/PASEP e da COFINS sobre os insumos que compõem o produto exportado, sem que o incentivo acarrete o enriquecimento sem causa do beneficiário foi, claramente, condicionar o aproveitamento do crédito ao pagamento das contribuições pelo fornecedor." Ressalto que toda essa argumentação vale para os artigos 165 e 166 do RIPI/98 (artigos 179 a 184 do RIPI/2002), já que a matriz legal desses dispositivos é justamente a Lei n29.363/96. Além disso, a apuração com base em custos coordenados a que se refere o ,§' 52 do art. 32 da Portaria MF n2 38/97 não se contradiz com a exclusão, no cômputo destes custos, das aquisições efetuadas a não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, como aduziu a recorrente, porque tal apuração apenas implica dizer que deve ser possível determinar, a par da escrita contábil e fiscal da pessoa jurídica, a quantidade e os valores de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo, ao final de cada mês, porém levando-se em conta, para efeito do cálculo, a premissa maior que é considerar as aquisições sobre as quais as contribuições incidiram. Por oportuno, destaco ainda jurisprudência administrativa e judicial a respeito do assunto, a partir das seguintes ementas: "IPI — CRÉDITO PRESUMIDO —1) INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS E PESSOAS FÍSICAS — Ao determinar a forma de apuração do incentivo, a lei excluiu da base de cálculo aquelas aquisições que não sofreram incidência das Contribuições ao PIS e à COFINS, no fornecimento de insumos ao produtor exportador." (Acórdão n2 202-12.303) "TRIBUTA' RIO. LEI 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI A TÍTULO DE RESSARCIMENTO DO PIS/PASEP/PASEP E DA COFINS EM PRODUTOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E/OU RURAIS QUE NÃO SUPORTARAM O PAGAMENTO DAQUELAS CONTRIBUIÇÕES. AUSÊNCIA DE FUMUS BONI JURES AO CREDITAMENTO. 1. Tratando-se de ressarcimento de exações suportadas por empresa exportadora, tal como se dá com o beneficio instituído pelo art. 1° da lei 9.363/96, somente poderá haver o crédito respectivo se o encargo houver sido efetivamente suportado pelo contribuinte. 2. Sendo as exações PIS/PASEP/PASEP e COFINS incidentes apenas sobre as operações com pessoas jurídicas, a aquisição de produtos primários de pessoas fisicas não resulta onerada pela sua cobrança, daí porque impraticável o crédito dos seus 11 Processo n° 13851.000752/97-15 CSRF/T02 Acórdão n.° 02-03.529 Fls. 12 valores, sob a forma de ressarcimento, por não ter havido a prévia incidência. 3. Tutela liminar deferida." (TRF da 52 Região, Al n2 32.877, DJ de 2/2/2001, p. 337) É verdade que o objetivo da lei, como um todo, foi o de estimular a exportação. Contudo, sem dúvidas, há limitações para o gozo deste beneficio. Assim, descabe falar na inclusão, para efeito de custo acumulado dos insunzos, no cômputo do crédito presumido, dos valores relativos às aquisições de matérias-primas, quer adquiridas de pessoas fisicas, quer adquiridas de sociedades cooperativas, posto que não contribuintes do PIS e da Cofins. SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA Outra questão é a que diz respeito à inclusão, na base de cálculo do incentivo, do valor pago pela recorrente relativo aos serviços de industrialização prestados em regime de encomenda. De fato, é inadmissível a inclusão dos ser-viços de industrialização por encomendas na base de cálculo do incentivo. A matéria-prima, na remessa para industrialização, não sofre alteração de valor. No processo de industrialização, o valor da prestação de serviços se incorpora ao valor do produto acabado e não ao da matéria-prima. Embora se possa alegar que sobre o serviço incidem as contribuições que deram origem ao incentivo, não se trata de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, cujos valores são os únicos a integrarenz a base de cálculo do crédito presumido, por expressa disposição legal. Não se trata de matéria a ser resolvida por interpretação extensiva, uma vez que a lei é claríssima ao definir as aquisições que dão direito ao incentivo. Nem, tampouco, é admissível a integração por aplicação de analogia, uma vez que a questão está claramente regulada por lei, que definiu de forma clara e inequívoca o direito ao crédito. Portanto, considerar que se outra hipótese de fato houvesse ocorrido, em vez da que realmente ocorreu, para concluir que se trata de situações equivalentes equivale a tomar o lugar do legislador, para estender o beneficio a situação claramente não contemplada na lei, o que é completamente inadmissível. TAXA SELIC Em relação aos juros, esclareça-se que, a partir de 1995, não existe mais correção monetária, nem mesmo para os indébitos, que estão sujeitos à atualização por juros compensatórios, calculados pela taxa Selic. Ademais, a data prevista para o início da incidência dos juros é a do pagamento indevido ou a maior do que o devido, data que somente pode ser identificada se se tratar de pedido de restituição. 12 Processo n° 13851.000752/97-15 CSRF/T02 Acórdão n.° 02-03.529 Fls. 13 A incidência de juros compensatórios, por sua vez, não poderia ser aplicada aos créditos de IPI, uma vez que incidem somente na hipótese de retenção consentida de capital alheio. No caso de indébito, embora possa ocorrer recolhimento indevido por culpa exclusiva do sujeito passivo, a exceção da incidência de juros compensatórios se dá por expressa disposição legal, que não se aplica ao caso do crédito presumido de IN. Com essas considerações, voto por negar provimento a ambos os recursos." Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Sala das Se -s em 02 de setembro de 2008. ELIAS SAMPATI FREIRE 13 Processo n° 13851.000752/97-15 CSRF7T02 Acórdão n.° 02-03.529 Fls. 14 Voto Vencedor Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Designado INTRODUÇÃO: A controvérsia restringe-se à limitação da incidência do art. 1° da Lei n° 9.363, de 16/12/96, imposta pela Instrução Normativa SRF n° 23, de 13/03/1997, que reconhece o direito apenas para aquisições de pessoas jurídicas, e pela Instrução Normativa SRF n° 103, de 30/12/1997, que excluem as cooperativas de produção. Em ambos os casos, o fundamento é o mesmo: o beneficio do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente será cabível quando nas aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem pelo produtor-exportador houver incidência dessas contribuições sociais. Seguem transcrições: IN SRF n°23/97: Art. 2°(..) ,55' 2° O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 20 da Lei n° 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matéria-prima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS. IN SRF n° 103/97: Art. 2° as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas de produtores não geram direito ao crédito presumido. REGRA-MATRIZ: O primeiro dos dispositivos da lei trata de instituir o beneficio fiscal, motivá- lo e delimitar seus contornos. No entanto, sua leitura não é suficiente para que se extraia a norma aplicável ao caso sob exame, isto é, somente com o emprego da interpretação gramatical o intérprete não encontra respostas quanto à inclusão ou não na base de cálculo do crédito presumido de IPI dos valores correspondentes às aquisições de pessoas físicas e cooperativas de produção. A expressão "incidentes sobre as respectivas aquisições" comporta ao menos duas interpretações: a) Somente as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem diretamente pelo produtor-exportador e sobre as quais incidam PIS/PASEP e COFINS integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI; ou 14 Processo n° 13851.000752/97-15 CS RF/1-02 Acórdão n.° 02-03.529 Fls. 15 b) Havendo incidência de PIS/PASEP e COFINS sobre as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, em quaisquer das etapas da cadeia produtiva, os valores correspondentes integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI. De fato, não há um único conteúdo semântico a ser extraído da interpretação gramatical. Especialmente porque a expressão "incidentes" se refere às aquisições de matérias- primas, produtos intermediários e material de embalagem sem, contudo, identificar o responsável por essas aquisições. Sendo este o ponto controvertido para o deslinde da questão sob exame, faz-se necessário o emprego dos demais métodos de interpretação, conforme já sinalizamos na parte introdutória. Seguem transcrições: Lei n° 9.363/96: Art. 1°A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre• Produtos Industrializados, como ressarcimento das . contribuições de que tratam as Leis Complementares n os 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. ANTECEDENTES — INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA: A Medida Provisória n° 674, de 25/10/1994 manteve em suas sucessivas reedições regra diferente para o beneficio fiscal. O artigo 1° delimitava o crédito, sempre ressarcido em pecúnia, às aquisições realizadas pelo exportador. De fato, as operações anteriores eram irrelevantes para a sistemática da época. Após a obtenção da parcela de insumos utilizados nos produtos destinados à exportação, conforme regra estabelecida no artigo 2°, incidia o percentual de 2,65%, resultando do cálculo as contribuições sociais que oneraram o produtor-exportador (2,00% de COFINS e 0,65% de PIS). Também reforça essa conclusão a regra do artigo 5° da MP. Para receber o ressarcimento deveria o produtor-exportador comprovar o recolhimento pelo seu fornecedor imediato das contribuições sociais, verbis: MP n° 674/94: Art. 1° Fica instituído a favor do produtor exportador de 01mercadorias nacionais, crédito fiscal, mediante ressarcimento em moeda corrente, destinado a compensar o custo representado pelas contribuições sociais de que tratam as Leis Complementares es 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, que incidirem sobre o valor das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos no mercado interno pelo exportador para utilização no processo produtivo. Art. 3 0 O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 2,65% sobre a base de cálculo definida no art. 2°. Art. 500 beneficio ora instituído é condicionado à apresentação, pelo exportador, das guias correspondentes ao recolhimento, 15 _ - Processo n° 13851.000752/97-15 CSRF/T02 Acórdão n.° 02-03.529 Fls. 16 pelo seu fornecedor imediato, das contribuições devidas nos termos das Leis Complementares es 7 e 8, de 1970, e 70, de 1991. Portanto, da comparação com a regra anterior (interpretação histórica) resulta, ainda que se atendo ao primeiro dos dispositivos da lei vigente, a seguinte conclusão: houve uma evolução do beneficio fiscal; entre outras alterações, não mais se limitou a lei às aquisições pelo próprio produtor-exportador. BASE DE CÁLCULO: Prosseguindo a análise do texto, constata-se no artigo 2° o método de aferição da parcela de insumos (matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem) empregada nos produtos exportados: Lei n° 9.363/96: Art. 1°(.) incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Art.2QA base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. A1P n° 674/94: Art. 2° A base de cálculo do crédito fiscal será determinada mediante a aplicação sobre o valor total das aquisições de matérias-primas produtos intermediários e material de embalagem referidos no art. 1°, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do exportador. Nisso, não houve alteração da rega anterior revogada. Ambas se referem às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem especificados em seus respectivos artigos primeiros. Sobre a expressão "referidos", que vem sendo objeto de divergências, somente identifico uma possibilidade de análise semântica. É regra gramatical de concordância nominal que após uma seqüência de substantivos, uns no masculino e outros no feminino, o verbo seja flexionado no masculino plural. Daí, certamente, não poderia a expressão se referir às aquisições, mas aos insumos. Caso se referisse às aquisições, a expressão correta seria "referidas". Segue transcrição de trecho da gramática DICMAXI Michaelis Intranet - Dicionário Eletrônico Português: 2. Adjetivo posposto Com o adjetivo posposto há dois tipos de concordância: 16 Processo n° 13851.000752/97-15 CS RF/T02 Acórdão n.° 02-03.529 Fls. 17 a) o adjetivo concorda com o substantivo mais próximo: Ele comprou uma camisa e um blazer branco. Ele comprou um blazer e uma camisa branca. Fernanda é uma mutile,- de porte e beleza extraordinária. Fernanda é uma mulher de beleza e porte extraordinário. b) o adjetivo vai para o plural, prevalecendo o masculino se os gêneros forem difèrentes: Ele comprou uma camisa e um blazer brancos. Ele comprou um blazer e uma camisa brancos. Fernanda é uma mulher de porte e beleza extraordinários. Fernanda é uma mulher- cie beleza e porte extraordinários. Apesar de firmar posição, não vejo relevância nesse ponto da discussão. Cada um dos dispositivos legais, artigos 1° e 2°, possuem objetos e finalidades distintas. O artigo 1° apresenta o beneficio e descreve sua regra-matriz para gozo; enquanto o artigo 2° se limita a determinar como ele deve ser calculado. Nada impede que as aquisições em etapas anteriores da cadeia produtiva tenham relevância para o reconhecimento do direito; porém, no cálculo do beneficio sejam consideradas apenas as aquisições pelo produtor-exportador, portanto restringindo-se à última etapa. Como se constata, seguiu-se a mesma técnica de instituição de tributos. Primeiro a descrição da hipótese de incidência (regra-matriz) e após a expressão quantitativa ou material (base de cálculo). No caso, não cabe interpretação sistemática para se extrair da conjugação dos dispositivos a regra aplicável sobre a questão analisada. E há uma explicação para que não sejam trazidos para a base de cálculo do beneficio os valores correspondentes às aquisições anteriores, o que se mantém inalterado desde a MP n° 674, em 25/10/1994. O produtor-exportador, que é o beneficiário, somente possui em seu poder as notas fiscais de aquisição dos insumos quando é o adquirente. Na produção dos insumos adquiridos, seu fornecedor pode os ter processado desde a matéria- prima em estado natural de sua propriedade, como apenas ter agregado algum beneficiamento antes da venda ao produtor-exportador. Para o produtor-exportador, posicionado na última etapa, não se poderia atribuir qualquer obrigação quanto às etapas anteriores, mesmo porque delas não participou. Caso o legislador atribuísse ao produtor-exportador o ônus da prova sobre as operações anteriores, provavelmente, a lei perecia de efetividade. Ele não obteria dos demais fornecedores da cadeia produtiva os documentos necessários e o beneficio não lhe seria conferido, não se alcançado a finalidade da lei — estímulo às empresas industriais que destinem seus produtos à exportação, melhorando nossa balança comercial. Assim, não consigo vislumbrar outra base que não a última operação, mesmo que a lei tenha reconhecido que o crédito tem por finalidade desonerar o produto exportado das contribuições sociais que incidiram em toda a cadeia produtiva. Concluo, que a opção legislativa se deu por impossibilidade fática. Daí a parte final do artigo 3°: 1 Art..rPara os efeitos desta Lei, a apuração do n2ontante da receita operacional bruta, da receita de exportaçao e do valor das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de verzda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. 17 Processo n° 13851.000752/97-15 CS RF/T02 Acórdão n.° 02-03.529 Fls. 18 Por tudo, portanto, entendo que o fato de se empregar como base de cálculo os insumos adquiridos na última etapa é insuficiente para se concluir que essa escolha do legislador implica afirmar que somente quando incidirem PIS/PASEP e COFINS na última etapa se reconhecerá o direito do produtor-exportador, como impuseram os atos normativos guerreados. Reafirmo nessa oportunidade que o direito não se confunde com a sua expressão material. PERCENTUAL DE INCIDÊNCIA - RECONHECIMENTO DAS ETAPAS ANTERIORES: Antes da análise dos demais artigos da lei, ainda há o parágrafo 1°, pertinente à nossa análise. Também houve alteração quanto ao percentual incidente para apuração do crédito. Na exposição de motivos está claro que na nova sistemática instituída através da MP n° 948, de 23/03/95 não só a última operação é relevante. Acontece que diante da inviabilidade prática de se identificarem todos os valores de PIS/PASEP e COFINS que oneraram o produto exportado, chegou-se, com apelo à razoabilidade, às duas últimas etapas; daí o percentual de 5,37% (2,65 + 2,65 + 2,65*2,65). Nada obstaria que fossem consideradas três etapas ou mais., porém, o problema para o legislador era que, sendo qual fosse a escolha, não se chegaria ao valor preciso do crédito, pois que ele é presumido e, portanto, seu cálculo aferido. Procurou então, como bem indicou na exposição de motivos, uma opção que conferisse objetividade, independentemente da realidade fática, e fosse razoável. Assim, recaiu sobre as duas últimas etapas o cálculo do beneficio. O texto é claro quanto ao reconhecimento de todas as etapas anteriores e que a escolha das duas últimas para aferição do percentual se deu apenas por apelo ao Princípio da Razoabilidade, verbis: "Sendo as contribuições da COFINS e PIS/PASEP incidentes em cascata, sobre todas as etapas do processo produtivo, parece mais razoável que a desoneração corresponda não apenas à última etapa do processo produtivo, mas sim às duas etapas antecedentes, o que revela que a aliquota a ser aplicada deve ser elevada para 5,37%..". Lei n° 9.363/96: Art. 2° (.) 1•1 111, §1Q0 crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. MP n° 674/94: Art. 3 0 O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 2,65% sobre a base de cálculo definida no art. 2°. Importante destacar a segurança jurídica que confere a louvável escolha feita pelo legislador. Não exercesse ele mesmo a discricionariedade para cálculo do crédito presumido, preferindo confiá-la ao administrador no caso concreto, o valor do beneficio seria aferido com subjetividades e desproporcionalidades, algumas vezes excessivas outras mitigadas, mas sempre oscilantes ao sabor dos ventos. Ao limitar o cálculo do crédito (enfatiza-se mais uma vez que nessa parte da abordagem se está analisando apenas a quantificação do crédito e não o reconhecimento do direito) às duas últimas etapas, de fato se criou uma presunção absoluta, juris et de jure. Isto 18 Processo n° 13851.000752/97-15 CSFtF/T02 Acórdão n.° 02-03.529 As. 19 porque, da mesma forma que se procurou facilitar o cálculo do crédito presumido, também ficou vedado ao beneficiário buscar demonstrar que suportou maior ônus. O percentual foi fixado em 5,37%, correspondente a duas etapas, independentemente da dimensão real da cadeia produtiva. RESTITUIÇÕES E COMPENSAÇÕES DE PIS/PASEP ou COFINS: PREVALÊNCIA SOBRE O CRÉDITO PRESUMIDO No último dos dispositivos da lei obriga-se o produtor-exportador a estornar seus créditos correspondentes aos valores já restituídos ao fornecedor ou por ele compensados. Segue transcrição: Art.5QA eventual restituição, ao fornecedor, das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. IQ, bem assim a compensação mediante crédito, implica imediato estorno, pelo produtor exportador, do valor correspondente. É importante aqui se identificar qual seria a origem desse eventual crédito do fornecedor apontado no dispositivo. Entendo que possa decorrer de qualquer outro direito relativo a PIS/PASEP ou COFINS já existente ou que venha a ser criado, exceto do crédito presumido instituído pela lei sob comento. Isto porque o artigo 1° o atribuiu exclusivamente ao produtor-exportador: "A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados". Como se sabe, qualquer espécie de renúncia fiscal somente pode ser concedida ao beneficiário através de lei, nos termos do artigo 150, §6° da Constituição Federal: "Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei especifica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2°, XII, g.". E, decisivamente, não foi a Lei n° 9.363/96 que reconheceu algum direito ao fornecedor. Também não se diga que o direito do fornecedor decorra de liberalidade do produtor-exportador, como vem sendo justificado por alguns. Não há autorização legislativa nesse sentido e qualquer convenção entre as partes desvirtuaria a finalidade do beneficio, além de dificultar ao fisco a verificação do cumprimento das condições necessárias para seu gozo. Como, por exemplo, as previstas no artigo 11 da Instrução Normativa SRF n° 23, de 13/03/1997: a apresentação pelo produtor-exportador de demonstrativo com várias informações necessárias para que o fisco examine a correção dos cálculos realizados na apuração do crédito presumido, principalmente sobre as exportações. Acontece que o fornecedor somente dispõe de informação sobre as vendas efetuadas, nada conhecendo sobre as exportações por parte do adquirente. Portanto, esse eventual direito do fornecedor apenas poderia ser comprovado através de outro processo, com as informações de que dispõe. Acrescenta-se, ainda, que o artigo 4° deixa claro que somente na impossibilidade de utilização do crédito através de compensação é que cabe a restituição: Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, far-se-á o ressarcimento em moeda corrente. Ora, se para o produtor-exportador a restituição somente é cabível excepcionalmente, não seria ao fornecedor que essa modalidade de utilização do crédito poderia, ordinariamente, ser conferida. 19 Processo n° 13851.000752/97-15 CSRF/T02 Acórdão n.° 02-03.529 As. 20 O que se pode concluir do artigo 5° é que o crédito presumido a que tem direito o produtor-exportador é preterido por qualquer outro que também se refira a PIS/PASEP ou COFINS. Um crédito relativo a essas contribuições sociais a que tenha direito o fornecedor prevalece sobre o crédito presumido do produtor-exportador. Dessa preterição do crédito presumido, conforme o artigo 5°, implica o estorno pelo produtor-exportador do valor corresponde ao direito do fornecedor. Não vejo também como dispositivo incompatível com a atual regra-matriz do crédito presumido. O fornecedor é o contribuinte de PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre sua receita bruta decorrente das aquisições pelo produtor-exportador. É possível que, em razão de algum beneficio fiscal, as contribuições sociais recolhidas sejam restituídas ao fornecedor. Neste caso, já tendo sido repassados os tributos ao produtor-exportador, compôs a base de cálculo do crédito presumido. O reconhecimento do direito à restituição ao fornecedor simultaneamente com o ressarcimento ao produtor-exportador implicaria dupla renúncia fiscal sobre às mesmas contribuições sociais, daí a preterição do último em favor do primeiro. A solução encontrada pelo legislador foi através do estorno dos valores restituídos ou compensados, reduzindo o crédito presumido calculado, conforme a parte final: "A eventual restituição, ao fornecedor, das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. 1°, bem assim a compensação mediante crédito, implica imediato estorno, pelo produtor exportador, do valor correspondente". Na sistemática instituída pela MP n° 674/94, há expressões em seu artigo 5°, §2° que corroboram com essa conclusão: "A eventual restituição das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições que serviram à comprovação prevista neste artigo implica a imediata devolução, por parte do exportador beneficiário do crédito, do valor correspondente à restituição ou compensação". Como se sabe, o produtor-exportador era obrigado a comprovar o recolhimento das contribuições pelo fornecedor. As duas expressões destacadas no texto, sutilmente, trazem uma idéia de distância entre a origem do direito do fornecedor e o crédito presumido do produtor-exportador. DA INCIDÊNCIA EM ETAPAS ANTERIORES Uma vez reconhecido que resulta de ioda a cadeia produtiva, o crédito presumido persiste mesmo quando não incidam PIS/PASEP e COFINS na última etapa; mas, desde que tenham incidido em etapas anteriores. Este é o último dos requisitos para se ‘ reconhecer o direito do interessado. Áfi1 n- 1, Refletindo sobre essa possibilidade, inclino-me a afirmar que somente o mais primitivo dos homens acreditaria que o alimento por ele consumido é produto tão somente: da terra, da chuva, da semente e do lavor. Não é essa a realidade. De fato, mesmo ao produtor rural pessoa física, que mais próximo está do estado natural das coisas, é repassado o ônus fiscal relativo às contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta na venda de equipamentos, ferramentas, fertilizantes, vestuário etc. Com rara percepção, no mesmo sentido se manifestou a Eminente Ministra Eliana Calmon: "mesmo quando o produtor-exportador adquire matéria-prima ou insumo agrícola diretamente do produtor rural pessoa física, paga, embutido no preço dessas mercadorias o tributo (PIS/COFINS) indiretamente em outros insumos ou produtos, tais como ferramentas, maquinários, adubos, etc., adquiridos no mercado e empregados no respectivo 20 Processo n° 13851.000752/97-15 CSRF1T02 Acórdão n.° 02-03.529 Fls. 21 processo produtivo..." (RE n° 529.758 - SC). Sem as ferramentas do arado e a fertilização da terra não seria possível a produção no campo. Ressalta-se que mesmo o inexpressivo pagamento de PIS/PASEP e COFINS em etapas anteriores não obstaria o direito ao crédito. Isto porque a lei, ao estabelecer a base de cálculo e o percentual, criou uma presunção absoluta, juris et de jure. A dimensão real da cadeia produtiva é irrelevante para o cálculo do beneficio. Melhor explicando, mesmo que somente tenha havido incidência sobre o chapéu de palha que protege o homem do campo do Sol ou dos calçados que o protegem do solo árido, ainda assim, ao produtor-exportador será reconhecido o direito ao crédito presumido de IPI. JURISPRUDÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Por fim, noticia-se que a jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, consolidada em suas duas turmas de direito público, reconhece o direito do interessado. RECURSO ESPECIAL N° 529.758 - SC (2003/0072619-9) RELATORA : MINISTRA EMANA CALMON RECORRENTE: CHAPECÓ COMPANHIA INDUSTRIAL DE ALIMENTOS ADVOGADO : RUBI() EDUARDO GEISSMANN E OUTROS RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR ARTUR ALVES DA MOTA E OUTROS Depois de todas essas avaliações, concluí da seguinte maneira: 1°) o produtor-exportador adquire como insumo, por exemplo, tecidos, linhas, agulhas, botões, etc, e em todas essas aquisições é ele contribuinte de fato da PIS/COFINS, paga pelo vendedor que, no preço, já embutiu a PIS/COFINS paga pelos seus insumos. Na hipótese, a lei permite o ressarcimento sobre o preço final da aquisição, o que leva a também deduzir as antecedentes incidências da PIS/COFINS; 29 mesmo quando o produtor-exportador adquire matéria-prima ou insumo agrícola diretamente do produtor rural pessoa física. paca. embutido no preço dessas mercadorias o tributo (PIS/COFINS) indiretamente em outros insumos ou produtos. tais como ferramentas. maquiná rios. adubos, etc., adquiridos no mercado e empregados no respectivo processo produtivo. Parece-me, portanto, que razão assiste aos que entendem ter a instrução normativa aqui questionada extrapolado o conteúdo da lei. ••• Assim, verifica-se que a Instrução Normativa 23/97 pretendeu resgatar da MP 674/94 aquilo que não mais veio a ser desejado politicamente pelo legislador. Por todas essas razões, dou parcial provimento ao recurso especial. É o voto. 21 Processo n° 13851.000752/97-15 CS RF/T02 Acórdão n.° 02-03.529 Fls. 22 Seguem ementas de votos dos demais Eminentes Ministros: RECURSO ESPECIAL N° 719.433 - CE (2005/0012921-9) RELATOR : MINISTRO HUMBERTO MARTINS RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : RAQUEL TERESA MARTINS PER UCH BORGES EOUTRO(S) RECORRIDO : J RECA1VIONDE E COMPANHIA LTDA ADVOGADO: MANUELA SANTANA E OUTRO(S) EMENTA TRIBUTÁRIO — CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI — RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS — INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO NO JULGADO A QUO — ART. 1 0 DA LEI N. 9.363/96 — RESTRIÇÃO PELA IN 23/97 DA SECRETARA DA RECEITA FEDERAL — ILEGALIDADE. I. A controvérsia restringe-se à limitação da incidência do art. 1° da Lei n. 9.363/96, imposta pelo art. 2°, § 2" da IN 23/97, da Secretaria da Receita Federal, que determina que o beneficio do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente será cabível em relação às aquisições de pessoa jurídicas. 2. Inexistente a alegada violação do art. 535 do CPC, pois a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, conforme se depreende da análise do julgado a quo. 3. Ora, urna norma subalterna, qual seja, instrução normativa, não tem a faculdade de limitar o alcance de um texto de lei. A jurisprudência do STJ posiciona-se no sentido da ilegalidade do art. 2°, §2° da IN 23/97. Recurso especial improvido. RECURSO ESPECIAL N°921.397 - CE (2007/0020577-0) RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR MARCOS ALEXANDRE TAVARES MARQUES MENDES E OUTRO(S) RECORRIDO : CVC CERA VEGETAL DO CEARÁ ADVOGADO : MANUELA SANTANA E OUTRO(S) EMENTA TRIBUTA' RIO. RECURSO ESPECIAL. IN. LEI N° 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIAL- EXPORTADOR. RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS EMBUTIDOS NO PREÇO DOS INSUMOS. POSSIBILIDADE. DESCABIMENTO DE DISTINÇÃO ENTRE FORNECEDOR DE INSUMOS PESSOA JURÍDICA OU PESSOA FÍSICA. ILEGALIDADE DE IN —SRF 23/97. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃO-PROVIDO. 1. O apelo especial da Fazenda Nacional prende-se à alegativa de que a utilização do incentivo fiscal do art. 1" da Lei 9.363/96 deve observar as limitações impostas pela IN - SRF 23/97, tese 22 _ Processo n° 13851.000752/97-15 CSRF/T02 Acórdão n.° 02-03.529 Fls. 23 rechaçada pelo acórdão recorrido, que negou provimento à apelação movida pelo órgã o fazendário. 2. Contudo, o inconformismo não merece acolhida, na medida em que o entendimento aplicado pelo julgado atacado está em sintonia com a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça, segundo a qual, não havendo a Lei 9.363/96 feito distinção entre fornecedores de insumos pessoas físicas (não contribuintes do PIS/PASEP) e fornecedores pessoas jurídicas, não poderia tê-lo feito a IN - SRF 23/97, que é de todo ilegal e descaracteriza o favor fiscal em tela. Nesse sentido o julgado: De acordo com o disposto no art. 1° da Lei 9.363/96, o beneficio fiscal de ressarcimento de crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e da COFINS, é relativo ao crédito decorrente da aquisição de mercadorias que são integradas no processo de produção de produto final destinado à exportação. Portanto, inexiste óbice legal à concessão de tal crédito pelo fato de o produtor/exportador ter encomendado a outra empresa o beneficiamento de insumos, mormente em tal operação ter havido a incidência do PIS/COFINS, o que possibilitará a sua desoneração posterior, independente de essa operação ter sido ou não tributada pelo IPI " (REsp n° 576857/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 19/12/2005). 3. O crédito presumido previsto na Lei n° 9.363/96 não representa receita nova. E uma importância para corrigir o custo. O motivo da existência do crédito são os insumos utilizados no processo de produção, em cujo preço foram acrescidos os valores do PIS e COFINS, cumulativamente, os quais devem ser devolvidos ao industrial-exportador. 4. Precedentes: Resp 627.941/CE, DJ 07/03/2007, Rel. Min. João Otávio de Noronha; Resp 644.789/CE, DJ 04/12/2006, Rel. Min. Denise Arruda; Resp 617.733/CE, DJ 24/08/2006, Rel. Min. Teori Albino Zavascki; REsp n° 576857/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 19/12/2005; Resp 813.280,/SC, DJ 02/05/2006, de minha relatoria; Resp 529.758/SC, DJ 20/02/2006, Rel. Min. Eliana Calmon; Resp 586.392/RN, DJ 06/12/2004, Rel. Min. Eliana Calmon. 5. Recurso especial não-provido. Atendidos a todos os requisitos previstos em lei, não vejo como se negar o direito do produtor-exportador ao crédito presumido de IPI, ainda que na última etapa não tenha incidido PIS/PASEP e COFINS. Sala d. S:..õ em 02 de setembro de 2008. n I •NN. ist1t JULIO C:‘ARV, EIRA GOMES 23
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Numero do processo: 10510.000910/2005-17
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
REPETIÇÃO DO INDÉBITO. COMPENSAÇÃO.
A prescrição do direito de pleitear crédito fundado em título judicial é interrompida com a propositura da ação de execução dentro do prazo de cinco anos contados do trânsito em julgado da ação de conhecimento correspondente.
Numero da decisão: 1201-000.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente Substituto e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, José Sérgio Gomes (Conselheiro substituto), Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior (Vice-Presidente) e Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente convocado).
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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COMPENSAÇÃO. A prescrição do direito de pleitear crédito fundado em título judicial é interrompida com a propositura da ação de execução dentro do prazo de cinco anos contados do trânsito em julgado da ação de conhecimento correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, José Sérgio Gomes (Conselheiro substituto), Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior (VicePresidente) e Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra acórdão nº 1515.589, exarado pela 2ª Turma da DRJ em Salvador – BA. O litígio objeto do presente processo reside na não homologação das declarações de compensação transmitidas pela contribuinte, conforme despacho exarado pela autoridade competente, a seguir transcrito em seus trechos principais (fl. 156 e ss.): AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 09 10 /2 00 5- 17 Fl. 821DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.000910/200517 Acórdão n.º 1201000.836 S1C2T1 Fl. 3 2 A pessoa jurídica acima identificada apresenta às fl. 96 a 141 declarações de compensação, por meio das quais extingue débitos do IRRF, IRPJ, IOF, Cofins, CPMF, CSLL e PIS com créditos da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, no valor de R$ 5.784.277,82, reconhecidos judicialmente no processo nº 93.00157345. (...) Conforme se observa, o contribuinte ao apresentar declaração de compensação, utilizando créditos que tenham sido objeto de discussão judicial, deve considerar os seguintes prérequisitos: o trânsito em julgado da ação e a renúncia ou desistência da execução do título judicial, homologada pelo Poder Judiciário. Importa registrar que o programa Perdcomp exige que estas informações sejam prestadas. Do contrário, a declaração não pode ser transmitida. No caso em tela, o interessado informa que a ação transitou em julgado em 01/09/1995 e que o Judiciário homologou a desistência ou a renúncia à execução em 03/11/2004. Analisando os autos relativos ao processo judicial (fls. 06 a 76) constatamos, consoante certidão à fl. 33, a ocorrência do trânsito em julgado na data assinalada nas Dcomp. Já no que concerne à desistência da execução, solicitamos ao contribuinte a comprovação da homologação desta pelo Poder Judiciário (fl. 81). Em resposta, foranos apresentado o documento de fls. 83 a 86. Fazendo uma breve leitura do referido documento, de pronto observamos que não atende a exigência prevista no § 2º do art. 50 da Instrução Normativa 460/2004. Primeiro, porque em nenhum momento o contribuinte abre mão de continuar com a ação de execução, ele apenas renuncia a expedição de Ofício Requisitório para pagamento de precatório, sem prejuízo do curso regular do processo de execução. Neste sentido o § 3º do art. 50, acima transcrito, é taxativo ao vedar a compensação de créditos referentes a títulos judiciais já executados, não importando se já houve ou não a emissão de precatório. Segundo, porque mesmo que o documento se tratasse de pedido de desistência, o que a Instrução Normativa exige é que o Poder Judiciário tenha acatado a solicitação, manifestandose formalmente acerca da desistência da ação executória. Desta forma, não havendo pedido de desistência da ação de execução e muito menos a homologação desta pelo Poder Judiciário, resta configurada a impossibilidade de apreciação do mérito quanto às compensações declaradas, posto que estas estão calcadas em uma informação inverídica e que, portanto, não existiriam caso o contribuinte as preenchesse nos termos da legislação vigente. De acordo com o presente despacho, não tomo conhecimento das compensações declaradas as fls. 96 a 141, ao tempo em que determino a cobrança dos débitos compensados indevidamente, Fl. 822DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.000910/200517 Acórdão n.º 1201000.836 S1C2T1 Fl. 4 3 consoante extrato as fls. 142 a 155. Outrossim, dêse ciência ao interessado, encaminhandolhe cópia do despacho, acompanhado de cópia do demonstrativo de fl. 05, bem como esclarecendoo de que este despacho não tem caráter decisório, não cabendo, portanto, a apresentação de manifestação de inconformidade. Em 18 de julho de 2005 a interessada protocolou manifestação de inconformidade contestando os fundamentos do despacho (fl. 161 e ss.). Por meio do Despacho SAORT nº 193/2005, de 05/08/2005, foi negado seguimento à manifestação de inconformidade, sob a seguinte fundamentação (fl. 171): O interessado acima identificado, tendo tomado ciência do Despacho SAORT n° 114/2005, fls. 156/158, apresenta a manifestação de inconformidade de fls. 161/166, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. 2. Convém esclarecer, no entanto, que o referido despacho, de forma clara, definiu pela impossibilidade de tal manifestação, já que em função do descumprimento da exigência prevista no § 2° do art. 50 da Instrução Normativa n° 460, de 18 de outubro de 2004, não poderia o contribuinte ter apresentado as declarações de compensação de fls. 96 a 141. Vale mencionar mais uma vez que se o contribuinte tivesse preenchido corretamente as declarações de compensações, estas nem chegariam a ser transmitidas, pois sem a informação da homologação pelo Poder Judiciário da desistência ou renúncia à execução do titulo judicial o programa bloquearia o procedimento. 3. Sendo assim, opino por desconsiderar a manifestação de inconformidade apresentada. Em 09/09/2005 a interessada apresentou pedido de reconsideração, tendo sido este negado pelo Despacho SAORT nº 311/2005, de 12/12/05 (fl. 203). A manifestação de inconformidade, todavia, teve seguimento por força de medida liminar em mandado de segurança. Em 17 de março de 2008 foi prolatado o Acórdão nº 1515.589, da 2ª Turma da DRJ em Salvador, julgando improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa a seguir transcrita (fl. 425 e ss;): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 01/09/1995 PRESCRIÇÃO. SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO. Contase a partir da data do trânsito em julgado o prazo prescricional para que o sujeito passivo exerça o direito de compensação de débitos na via administrativa com o crédito reconhecido em título executivo judicial. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.000910/200517 Acórdão n.º 1201000.836 S1C2T1 Fl. 5 4 Irresignada, a interessada interpôs recurso voluntário pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, sob as seguintes alegações, em síntese (fl. 450 e ss.): a) o acórdão de primeira instância parte de situação fática completamente equivocada, qual seja, a de que a recorrente somente teria exercido o seu direito a recuperação dos valores indevidamente recolhidos a partir da entrega das Dcomps, quando em realidade ela teria iniciado o exercício deste direito na propositura da execução judicial em 18 de outubro de 1995, o que afeta diretamente a conclusão quanto à prescrição do direito creditório, uma vez que a prescrição se interrompe com a propositura da execução judicial acompanhada de citação válida da União Federal, nos termos do artigo 617 c/c 219 do Código de Processo Civil; b) ajuizou ação de repetição de indébito visando a restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de CSLL no anobase de 1988, nos termos do artigo 8º da Lei nº 7.689/88; c) em 27 de julho de 1994 foi proferida a sentença extinguindo o feito com julgamento do mérito acolhendo o pedido da parte para condenar a União a restituir o que foi recolhido a título de contribuição social, com juros e correção monetária; d) em 07 de março de 1995 os autos foram remetidos à Primeira Turma do E. Tribunal de Justiça, que em 30 de maio de 1995, houve por unanimidade negar provimento à remessa oficial, mantendo a sentença monocrática em todos os seus termos; e) o acórdão transitou em julgado em 01 de setembro de 1995, data em que começou a fluir o prazo prescricional de 05 (cinco) anos para que a empresa pudesse repetir o indébito em questão, de acordo com a Súmula 150 do Supremo Tribunal Federal e artigos 165, III c/c 168, inciso II do CTN; f) em 18 de outubro de 1995, menos de dois meses após o trânsito em julgado, a recorrente protocolou petição acompanhada de memória de cálculo requerendo a execução do julgado, a qual teve em 15/02/1996 seus cálculos impugnados pela Fazenda Nacional em sede de embargos à execução; g) verificase que o prazo prescricional de cinco anos a contar do trânsito em julgado foi de fato observado pela empresa, sendo que nos termos dos artigos 617 c/c 219 do Código de Processo Civil, a ação de execução de sentença promovida pela recorrente, acompanhada da citação válida, interrompe o prazo prescricional; h) ante a morosidade no recebimento de seu crédito, protocolou em 03 de novembro de 2004 petição informando a sua desistência da execução do título judicial, uma vez que pretendia recompor seu patrimônio pela via da compensação. Ato contínuo à desistência da execução do julgado (10/11/2004, 12/11/2004, 18/11/2004, 24/11/2004, 30/11/2004, 01/12/2004, 06/12/2004, 09/12/2004, 10/12/2004, 15/12/2004 e 22/12/2004) apresentou as respectivas Dcomps à Receita Federal do Brasil; i) em 03/11/2004 a recorrente manifestou sua desistência da medida executiva iniciada nos autos do processo nº 93.00157345, com vistas à compensação administrativa, nos termos do § 2º do art. 66 da Lei nº 8.383/1991, art. 74 da Lei nº 9.430/1996 e a IN SRF nº 460 de 18/10/2004, que à época disciplinava a restituição e a compensação de tributos ou contribuições; Fl. 824DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.000910/200517 Acórdão n.º 1201000.836 S1C2T1 Fl. 6 5 j) a compensação é um direito subjetivo do contribuinte, podendo valerse dele a qualquer instante quando já em curso a fase executória, sem necessidade, inclusive, de prévia autorização judicial, bastando apenas manifestarse no sentido de renunciar ou desistir da execução, para evitar o bis in idem, ou seja, evitando o recebimento da restituição do seu crédito tanto pela via judicial como administrativa. Ao examinar os autos o relator do processo no CARF verificou que neles não havia elementos suficientes à formação da sua convicção, razão pela qual elaborou despacho solicitando que a autoridade local emitisse parecer conclusivo quanto à renúncia do contribuinte à execução da ação judicial tratada nestes autos, além da assunção de todas as custas e os honorários advocatícios relativos ao processo de execução (fl. 765 e ss.). A autoridade local elaborou relatório de diligência onde conclui o seguinte (fl. 797 e ss.): Pois bem, com o fito de dar cumprimento à solicitação do CARF, optamos por requerer as informações junto à Procuradoria da Fazenda Nacional em Sergipe, por ser esta a responsável pelo controle e acompanhamento da ação judicial em referência, consoante estabelece o inciso V do art. 12 da Lei Complementar n° 73, de 10 de fevereiro de 1993. Como a homologação da renúncia pelo poder judiciário já se mostra comprovada na sentença às fls. 653/654, proferida em 13/09/2007, transitada em julgado em 19/12/2007, conforme certidão à fl. 659, restounos requerer à PFN/SE as informações atinentes à comprovação de que houve por parte do sujeito passivo a assunção das custas e dos honorários advocatícios. Para tanto, encaminhamos a douta Procuradoria o Memorando n° 123/2011/SAORT/DRF/AJU, fl. 770. Em resposta ao memorando, a Procuradoria da Fazenda Nacional em Sergipe nos encaminhou o MEMOPFN/SE/N° 219/2012, fl. 786, informandonos de que nos autos do processo judicial não há relato de custas insolvidas nem pedido de pagamento/execução de honorários advocatícios. Ou seja, não tendo sido a Fazenda Pública compelida ao pagamento de custas e honorários advocaticios, fica evidenciado o cumprimento do que estabelecia o § 2° do art. 50 da Instrução Normativa SRF n° 460/2004, vigente à época da apresentação das declarações de compensação (atualmente este dispositivo se encontra reproduzido no § 2° do art. 70 da Instrução Normativa RFB n° 900/2008). Intimada para tanto, a interessada apresentou contrarrazões ao relatório de diligência reproduzindo, em síntese, as razões já expostas no voluntário (fl. 804 e ss.). Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso Fl. 825DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.000910/200517 Acórdão n.º 1201000.836 S1C2T1 Fl. 7 6 O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Preliminar de Prescrição A alegação de prescrição foi levantada pela DRJ de origem, nos seguintes termos: Da análise dos autos, verificase que nas datas em que as Declarações de Compensação foram transmitidas (10/11/2004, 12/11/2004; 18/11/2004; 24/11/2004; 30/11/2004; 01/12/2004; 06/12/2004; 09/12/2004; 10/12/2004; 15/12/2004; 22/12/2004), a contribuinte não mais poderia utilizar o crédito reconhecido judicialmente por sentença transitada em julgado em 01/09/1995 (Certidão de fl.33), para compensar débitos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), mediante DCOMP, porque já transcorrido o prazo prescricional de exercer o direito diretamente perante a Administração Pública, consoante se depreende do art. 1° do Decreto n°20.910, de 6 de janeiro de 1932, de seguinte teor: Art. 1° As dividas passivas da Unido, dos Estados e dos Municípios bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Também decorre das disposições dos art. 165 e 168 do Código Tributário Nacional (CTN), que prescrevem em cinco anos, da data do trânsito em julgado, o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional decorrente de sentença judicial. Transcrevem se os artigos em comento: Art. 165. 0 sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, a restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da aliquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. (...) Art. 168. 0 direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: Fl. 826DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.000910/200517 Acórdão n.º 1201000.836 S1C2T1 Fl. 8 7 I nas hipótese dos incisos I e lido artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3 da LCp n° 118, de 2005) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Devese identificar na hipótese normativa de indébito tributário, prevista no art. 165, III do CTN, os crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional decorrentes não apenas de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão administrativa ou judicial condenatória, mas também os créditos decorrentes de sentença judicial favorável ao sujeito passivo. E tal interpretação é perfeitamente compatível com as disposições do Decreto n° 20.910, de 6 de janeiro de 1932. Todavia, como bem alertado pela recorrente, é de se ter em conta o disposto nos a seguir transcritos arts. 219 e 617, ambos do Código de Processo Civil: Art. 219. A citação válida torna prevento o juízo, induz litispendência e faz litigiosa a coisa; e, ainda quando ordenada por juiz incompetente, constitui em mora o devedor e interrompe a prescrição. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) (...) Art. 617. A propositura da execução, deferida pelo juiz, interrompe a prescrição, mas a citação do devedor deve ser feita com observância do disposto no art. 219. Ora, conforme demonstram os elementos presentes no autos, a ação de conhecimento, processo nº 93.00157345, transitou em julgado em 01/09/1995. Já a respectiva ação de execução foi proposta em 18/10/1995, havendo a PGFN, inclusive, oposto embargos à execução, processo nº 96.00012385, em 15/02/1996. Isso posto, não há dúvida de que desde a data da propositura da ação de execução a prescrição encontravase interrompida. Por outro lado, em 03/11/2004, com a desistência da execução, o prazo prescricional de cinco anos, de que cuida o art. 165 do CTN, começou a correr. Mas com a transmissão das declarações de compensação, no próprio ano de 2004, nas quais a interessada informa como direito creditório aquele assegurado na decisão judicial transitada em julgado, processo nº 93.00157345, não há mais que falarse em prescrição contra a contribuinte. 3) Do Direito Creditório A violação ao abaixo transcrito art. 50, § 2°, da Instrução Normativa SRF n° 460/2004 foi a razão pela qual a DRF de jurisdição da contribuinte não homologou as DCOMPs objeto do presente processo. Fl. 827DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.000910/200517 Acórdão n.º 1201000.836 S1C2T1 Fl. 9 8 Art. 50. São vedados o ressarcimento, a restituição e a compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório. § 1º A autoridade da SRF competente para dar cumprimento à decisão judicial de que trata o caput poderá exigir do sujeito passivo, como condição para a efetivação da restituição ou do ressarcimento ou para homologação da compensação, que lhe seja apresentada cópia do inteiro teor da decisão judicial em que seu direito creditório foi reconhecido. § 2º Na hipótese de título judicial, a restituição, o ressarcimento e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente comprovar a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou da renúncia a sua execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios. § 3º Não poderão ser objeto de restituição, de ressarcimento e de compensação os créditos relativos a títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. § 4º A restituição, o ressarcimento e a compensação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado darse ão na forma prevista nesta Instrução Normativa, caso a decisão não disponha de forma diversa. Mas conforme informado pela autoridade que realizou a diligência, a ora recorrente cumpriu o disposto no § 2º acima referido, daí porque este óbice não mais tem o condão de impedir a homologação das DCOMPs. Por fim, restaria, ainda, verificar se o quantum objeto do processo de execução já estava judicialmente definido quando da desistência manifestada pela ora recorrente. E a resposta é positiva, pois, apesar de a Fazenda Nacional haver interposto embargos à execução justamente para questionar os cálculos oferecidos pela contribuinte, o fato é que tais embargos transitaram em julgado inteiramente a favor desta (fl. 704 e ss.). Em assim sendo, devese reconhecer o crédito da contribuinte perante a Fazenda, no montante estabelecido no âmbito do processo de execução, haja vista que, no momento da desistência à execução, já havia decisão judicial transitada em julgado acerca do quantum devido pela Fazenda. 4) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por indeferir a preliminar de prescrição do direito à compensação, suscitada pela DRJ de origem, e, no mérito, por dar provimento ao recurso voluntário, devendo as DCOMPs objeto do presente processo serem homologadas até o limite do direito creditório estabelecido em juízo, no autos do processo nº 2001.05.00.044261 1, que correu junto TRF da 5ª Região (fl. 704 e ss.). (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 828DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10510.000910/200517 Acórdão n.º 1201000.836 S1C2T1 Fl. 10 9 Fl. 829DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 19515.001678/2009-84
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de fundamentação dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais.
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE 08 do STF.
De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente.
No caso de lançamento das contribuições sociais, em que os fatos geradores efetuou-se antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN.
VALE-TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO-INCIDÊNCIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF.
Em decorrência de entendimento da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ), não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de vale-transporte.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência até o mês 05/2004, inclusive, para exclusão do auxílio-transporte e para que seja aplicada a multa nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou por manter a multa aplicada.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de fundamentação dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE 08 do STF. De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que os fatos geradores efetuou-se antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. VALE-TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO-INCIDÊNCIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. Em decorrência de entendimento da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ), não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de vale-transporte. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2436; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001678/200984 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.649 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de março de 2015 Matéria DECADÊNCIA. REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EM FOLHA DE PAGAMENTO Recorrente LÍDER RÁDIO E TELEVISÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de fundamentação dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE 08 do STF. De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que os fatos geradores efetuouse antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃOINCIDÊNCIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. Em decorrência de entendimento da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ), não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de valetransporte. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 78 /2 00 9- 84 Fl. 545DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência até o mês 05/2004, inclusive, para exclusão do auxíliotransporte e para que seja aplicada a multa nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou por manter a multa aplicada. Julio César Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.001678/200984 Acórdão n.º 2402004.649 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, concernente à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), para as competências 01/2004 a 12/2004. O Relatório Fiscal (fls. 120/134) informa que a empresa, em muitos casos, descumpriu o princípio de competência, lançando a despesa no mês do pagamento. Para apuração do crédito foi observado o princípio da competência, conforme identificado nos documentos fiscais apresentados. Os valores lançados referemse aos seguintes fatos: 1. ValeTransporte pago em dinheiro. A empresa substituiu o Vale Transporte por antecipação ou reembolso de despesas em dinheiro, em caráter de habitualidade, contrariando a Lei 7.418/85 e o Decreto Regulamentador 95.247/87. Levantamentos: (i) VT1 Vale Transporte em Dinheiro pago a Empregado nas competências janeiro a dezembro de 2004; e (ii) VT2 Vale Transporte em Dinheiro pago a Contribuinte Individual nas competências Janeiro e Setembro de 2004; 2. Caracterização de Segurados Empregados. A empresa remunerou mensalmente durante o ano de 2004 segurados pessoas físicas por serviços prestados de natureza urbana em caráter não eventual, sob sua subordinação, a título de salários, abonos, comissões, férias e décimo terceiro salário; 3. Remuneração a Contribuintes Individuais. A empresa remunerou segurados pessoas físicas sem vínculo empregatício, pela prestação de serviços diversos (advocatícios, manutenção, propaganda em pedágio, comissão), sem ter incluído em Folha de Pagamento, sem ter contribuído à previdência social e sem ter informado em GFIP; 4. Ganho Eventual/Abono. Conforme Convenção Coletiva de Trabalho firmada entre o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão no Estado de São Paulo e o Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo, CLÁUSULA TERCEIRA "GANHO EVENTUAL; 5. Folha de Pagamento. O contribuinte deixou de recolher ou recolheu a menor a contribuição a cargo da empresa sobre a Folha de Fl. 547DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Pagamento do estabelecimento CNPJ 54.839.998/000222 nas competências de janeiro a dezembro de 2004; 6. PróLabore. É segurado obrigatório da previdência social como contribuinte individual, o sócio gerente e o sócio cotista que receba remuneração decorrente de seu trabalho na sociedade por cotas de responsabilidade limitada; 7. Diferença de Remuneração de Segurado Empregado. A empresa efetuou pagamentos por serviços diversos lançados na contabilidade para os segurados empregados, sem ter incluído em Folhas de pagamento, em GFIP e sem recolhimento de contribuição previdenciária. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 01/06/2009 (fls. 01/02). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 401/437), alegando, em síntese, que: 1. no presente caso houve cerceamento de defesa, vez que ao contribuinte estão sendo imputados fatos os quais a princípio desconhece o teor, não lhe sendo apresentados quaisquer documentos que comprovem a ocorrência dos fatos geradores apontados no Auto de Infração e Imposição de Multa; 2. o auto não merece prosperar, vez que a presente autuação foi lavrada em 01/06/09, ultrapassando, portanto, o prazo decadencial, no que tange o período de janeiro a maio de 2004; 3. Da Multa. A Medida Provisória (MP.) 449/08 trouxe uma redução das multas incidentes sobre o descumprimento das obrigações acessórias relacionadas com as contribuições previdenciárias previstas na Lei 8.212/91. No presente caso devido a ausência de indicação de qual multa deve ser aplicada, ou seja devido a ausência de relatório comparativo, não se pode precisar qual multa está sendo aplicada, se a da MP 449/08 ou a anterior. Da Diligência Fiscal. A planilha comparativa de multa mais benéfica a ser aplicada a este Auto de Infração, encontrase nos Anexos 1 (resumo) e 2 (analítica), fls. 463 e 464, respectivamente. A conclusão da diligência é pela aplicação da multa de mora como a menos severa, conforme apurado anteriormente no auto em referência. Às fls. 468, o Contribuinte foi cientificado do resultado da diligência fiscal em 01/06/2010, fls. 467. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo/SP – por meio do Acórdão 1628.232 da 12a Turma da DRJ/SP1 (fls. 472/499) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que determinou a aplicação da multa de acordo com a retroatividade benéfica (inciso II do art. 106 do CTN), nos seguintes termos: “(...) a multa de ofício de 75% é aplicável, ainda, às competências anteriores a 12/2008, se resultar cm aplicação de penalidade mais benéfica em comparação com as multas”. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.001678/200984 Acórdão n.º 2402004.649 S2C4T2 Fl. 4 5 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador das contribuições sociais lançadas, que foram as relativas à contribuição previdenciária patronal, incluindo a contribuição destinada ao SAT/GILRAT. Os valores das contribuições sociais previdenciárias decorrem das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, e foram devidamente delineados no Relatório Fiscal de fls. 120/134 e seus anexos de fls. 01/119. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/190) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ......................................................................................................... Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; Fl. 550DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.001678/200984 Acórdão n.º 2402004.649 S2C4T2 Fl. 5 7 III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal (fls. 120/134) e seus anexos (fls. 01/119) são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontrase no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD, que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo Analítico de Débito (DAD), que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa (fls. 02/35). Ademais, constam outros relatórios que complementam essas informações, tais como: Relatório de Lançamentos (RL); Relatório de Documentos Apresentados (RDA); Anexos de fls. 135/190; dentre outros. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário. Além disso – nos Termos de Intimação Fiscal (TIF) e no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF) –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador das contribuições lançadas e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para caracterizar os valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 120/134. Registrase que não será acatada a alegação de que o Relatório Fiscal não foi apresentado pelo Auditor Fiscal autuante na entrega do auto. Esse entendimento decorre do fato de que, no dia 01/06/2009, o Procurador da Recorrente declarouse ciente do Auto de Infração e seus Anexos (fls. 02) e, às fls. 134, o mesmo declara que recebeu a 1a via do RELATÓRIO FISCAL. No mesmo sentido, o Fisco, quando do cumprimento da diligência fiscal, afirma que: “O Relatório Fiscal REFISC, parte integrante do auto, conforme consta na capa do mesmo, foi emitido em 2 vias em meio papel, sendo 1 delas entregue no ato da assinatura do auto. O procurador nomeado pelo contribuinte, Antônio Paulo dos Santos recebeu uma via em meio papel, além do Auto, os relatórios FLD, IPC e REFISC, tendo protocolado o recebimento deste último, conforme comprovado na folha 15/15 do mesmo, na via da Secretaria da Receita Federal, o que inviabiliza o motivo para anular o lançamento por "flagrante cerceamento de defesa", visto ser inverídica tal afirmação”. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, correspondente à parcela desses segurados, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/190) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 A Recorrente alega que seja declarada a extinção dos valores lançados até a competência 05/2004, nos termos do art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional (CTN). Pelos motivos a seguir delineados, tal alegação decadencial será acatada em parte. Inicialmente, registramos que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, ambos da Lei 8.212/1991. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional 45/2004, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (g.n.) II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.001678/200984 Acórdão n.º 2402004.649 S2C4T2 Fl. 6 9 Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça que, nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por consequência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Verificase que o lançamento fiscal em tela referese às competências 01/2004 a 12/2004 e foi efetuado em 01/06/2009, data da intimação e ciência do sujeito passivo (fls. 01/02). No caso em tela, tratase do lançamento de contribuições, cujos fatos geradores o Fisco já reconheceu que a Recorrente efetuou antecipação de pagamento, conforme Relatório Fiscal (fls. 120/134) e Discriminativo Analítico do Débito DAD (fls. 05/32), ambos afirmam que o lançamento fiscal referese às diferenças de contribuições previdenciárias. Nesse sentido, aplicase o art. 150, § 4º, do CTN, para considerar que os valores apurados até a competência 05/2004, inclusive, foram abrangidos pela decadência tributária. Com isso – como o crédito foi constituído com fundamento no direito potestativo do Fisco em lançar os valores das contribuições não recolhidas em época determinada pela legislação vigente –, a preliminar de decadência será acatada em parte, excluídose os valores apurados nas competências 01/2004 a 05/2004, eis que o lançamento fiscal referese ao período de 01/2004 a 12/2004 e as competências posteriores a 05/2004 não foram abarcadas pela decadência tributária. Diante disso, acato parcialmente a preliminar de decadência tributária, excluindo as contribuições apuradas até a competência 05/2004, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Após isso, passo ao exame de mérito. Quanto ao ValeTransporte pago em dinheiro, considerando os princípios da autotutela e da legalidade, devese observar o entendimento da jurisprudência dos tribunais Fl. 553DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 de superposição (STF e STJ) no sentido de que os valores pagos a título de valetransporte em dinheiro não integram o salário de contribuição, eis que os atos normativos que o disciplinam afrontam a Constituição Federal. Por meio da Lei 7.418/1985, foi instituído o valetransporte como direito do trabalhador a cargo do empregador, pessoa física ou jurídica, a fim de cobrir despesas efetivas de deslocamento da residência para o trabalho e viceversa. A saber: Art. 1º. Fica instituído o ValeTransporte, que o empregador, pessoa física ou jurídica, poderá antecipar ao trabalhador para utilização efetiva em despesas de deslocamento residência trabalho e viceversa, mediante celebração de convenção coletiva ou de acordo coletivo de trabalho e, na forma que vier a ser regulamentada pelo Poder Executivo, nos contratos individuais de trabalho. Posteriormente, o Decreto 95.247/1987 veio proibir a concessão de tal benefício mediante pagamento em dinheiro, nos termos do seu art. 5o, in verbis: Art. 5°. É vedado ao empregador substituir o ValeTransporte por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo. Parágrafo único. No caso de falta ou insuficiência de estoque de ValeTransporte, necessário ao atendimento da demanda e ao funcionamento do sistema, o beneficiário será ressarcido pelo empregador, na folha de pagamento imediata, da parcela correspondente, quando tiver efetuado, por conta própria, a despesa para seu deslocamento. A Constituição Federal expressamente consignou que: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça. (g.n.) Já o Código Tributário Nacional, complementando a matéria, estabelece que: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II – a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V – a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.001678/200984 Acórdão n.º 2402004.649 S2C4T2 Fl. 7 11 (...) Art. 99. O conteúdo e o alcance dos decretos restringemse aos das leis em função das quais sejam expedidos, determinados com observância das regras de interpretação estabelecidas nesta Lei. (g.n.) Diante do arcabouço jurídicotributário acima delineado, percebese que o debate acerca deste tema esbarra em questões e postulados jurídicos, o que impede a perpetuação da divergência. Como destacou o Ministro Eros Grau, relator do Recurso Extraordinário (RE) 478410, em seu voto: “a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago em dinheiro a título de valetransporte – que efetivamente não integra o salário – seguramente afronta a Constituição em sua totalidade normativa”. Transcrevo abaixo trechos das decisões dos tribunais de superposição: “Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua Fl. 555DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” (RE 478410/SP, Rel.: Min. EROS GRAU, j.10/03/2010, Dje 13.05.2010, Despacho de publicação no 94 de 12/05/2011) “Ementa: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. AUXÍLIOCRECHE. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AUXÍLIOTRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. ENTENDIMENTO DO STF. REALINHAMENTO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 2. O acórdão de origem consignou que a parte não comprovou os gastos com o auxíliocreche nem a idade dos beneficiários. Rever tal entendimento demanda reexame da matéria fáticoprobatória, vedado em Recurso Especial (Súmula 7/STJ). 3. Em razão do pronunciamento do Plenário do STF, declarando a inconstitucionalidade da incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas referentes a auxíliotransporte, mesmo que pagas em pecúnia, fazse necessária a revisão da jurisprudência do STJ para alinharse à posição do Pretório Excelso. 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, em parte, provido.” (REsp 1194788/RJ, de 19.08.2010) (g.n.) “EMENTA: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. REVISÃO. NECESSIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2003, em caso análogo (RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau), concluiu que é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza indenizatória. Informativo 578 do Supremo Tribunal Federal. 2. Assim, deve ser revista a orientação desta Corte que reconhecia a incidência da contribuição previdenciária na hipótese quando o benefício é pago em pecúnia, já que o art. 5º do Decreto 95.247/87 expressamente proibira o empregador de efetuar o pagamento em dinheiro. 3. Embargos de divergência providos.” (Embargos de Divergência em REsp nº 816.829 – RJ, 2008/02249664) No mesmo caminho da jurisprudência dos tribunais de superposição, a AdvocaciaGeral da União (AGU) publicou no dia 08/12/2011 a Súmula no 60, em que seu enunciado estabelece que: “não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando seu caráter indenizatório da verba”. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.001678/200984 Acórdão n.º 2402004.649 S2C4T2 Fl. 8 13 A questão já está sumulada nesta Corte, a teor do enunciado da Súmula CARF nº 89: “A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia”. Com isso, como a questão é eminentemente jurídica, inclinome diante da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para considerar que o valetransporte pago em pecúnia (dinheiro) não integra a base de cálculo das contribuições sociais. Logo, os valores das contribuições sociais apuradas, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados a título de valetransporte pago em dinheiro (levantamentos VT1 e VT2 Vale Transporte em Dinheiro), deverão ser excluídos do presente lançamento fiscal. Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à multa aplicada de 75% sobre as contribuições devidas até a competência 11/2008, entendo que deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores (art. 35 da Lei 8.212/19911). De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, 1 Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 557DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o art. 44 da Lei 9.430/19962, aplicável a todos os demais tributos federais. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral, sendo isso um dos critérios para a solução dessa controvérsia. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP no 449 aplicavase exclusivamente o art. 35 da Lei 8.212/1991. Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei 9.430/1996, para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si, não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. Logo, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar, sem observância da regra especial que era prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. Embora os fatos geradores tenham ocorridos antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. Por sua vez, o Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência do fato gerador, seriam duas multas distintas a serem aplicadas pela AuditoriaFiscal: 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5o, da Lei 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às 2 Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.001678/200984 Acórdão n.º 2402004.649 S2C4T2 Fl. 9 15 contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.876/1999. Tal artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. Essa sistemática de aplicação da multa decorrente de obrigação principal sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 35 e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g,n,) ......................................................................................................... Lei 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Em decorrência da disposição acima, percebese que a multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que não é o caso do presente processo. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/19963. 3 Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto, não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991 em sua integralidade, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN (tempus regit actum: o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada). Dessa forma, entendo que, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991), limitando a multa ao patamar de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Embora a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/1996 limitase ao percentual de 75% do valor principal e adotando a regra interpretativa constante do art. 106 do CTN, deve ser aplicado o percentual de 75% caso a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) supere o seu patamar. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para reconhecer que: (i) sejam excluídos, em decorrência da decadência tributária quinquenal, os valores apurados até a competência 05/2004, inclusive; (ii) sejam excluídos os valores apurados nos levantamentos VT1 e VT2 Vale Transporte pago em dinheiro; e (iii) com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 14479.000141/2007-03
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 30/12/2005
DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO - AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois trata-se de lançamento de ofício.
REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP
A empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-002.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por maioria de votos: a) em não reconhecer a existência de nulidade na decisão de primeira instância, devido a cerceamento de defesa, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Leonardo Henrique Pires Lopes, que votaram pela nulidade da decisão de primeira instância; III) Por unanimidade votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a) Declarações de voto: Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bernadete de Oliveira Barros- Relatora.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes Declaração de Voto
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Declaração de Voto
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 30/12/2005 DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. LANÇAMENTO DE OFÍCIO - AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois trata-se de lançamento de ofício. REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP A empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por maioria de votos: a) em não reconhecer a existência de nulidade na decisão de primeira instância, devido a cerceamento de defesa, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Leonardo Henrique Pires Lopes, que votaram pela nulidade da decisão de primeira instância; III) Por unanimidade votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a) Declarações de voto: Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros- Relatora. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Declaração de Voto (assinado digitalmente) Mauro José Silva Declaração de Voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes.
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. LANÇAMENTO DE OFÍCIO AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois tratase de lançamento de ofício. REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP A empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 9. 00 01 41 /2 00 7- 03 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAUR O JOSE SILVA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por maioria de votos: a) em não reconhecer a existência de nulidade na decisão de primeira instância, devido a cerceamento de defesa, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Leonardo Henrique Pires Lopes, que votaram pela nulidade da decisão de primeira instância; III) Por unanimidade votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a) Declarações de voto: Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros Relatora. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Declaração de Voto (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Declaração de Voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados empregados e à do contribuinte individual, no período compreendido entre 01/1996 a 12/2005. Consta do Relatório Fiscal (fls. 92), que a empresa efetuou os descontos das contribuições devidas à Seguridade Social por seus empregados e por seus administradores, e deixou de efetuar o recolhimento de tais valores no prazo legal Fl. 276DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAUR O JOSE SILVA Processo nº 14479.000141/200703 Acórdão n.º 2301002.621 S2C3T1 Fl. 265 3 A autoridade notificante informa, ainda, que as contribuições sociais dos segurados empregados, arrecadadas pelo empregador, mediante desconto, nas competências de 01/1996 a 12/1996, 12/1997 a 07/2003, 09/2003 a 04/2004, 03/2005, 05/2005, 07/2005 a 09/2005 e 12/2005, inclusive décimos terceiros de 1996 a 2003, foram apuradas por meio das folhas de pagamento de empregados, e que as contribuições dos contribuintes individuais, relativas às competências de 04/2003 a 07/2003, 09/2003 a 04/2004, 09/2004, 11/2004, 03/2005, 05/2005, 07/2005 a 09/2005 e 12/2005, foram extraídas da escrituração contábil (anexo 1), e se referem à remuneração dos administradores. A recorrente apresentou defesa e, de sua análise, o processo foi convertido em diligência, resultando na emissão da Informação Fiscal de fls. 114, e na retificação do débito, em relação ao 13o salário de 1996. Cientificada do resultado da diligência fiscal, a recorrente aditou sua impugnação e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1722.251, da 11a Turma da DRJ/SP011 (fls. 130), julgou o lançamento procedente em parte, acatando o parecer retificador da fiscalização, e indeferindo o pedido de perícia formulado pela notificada. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 142 ), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, entende que houve certa dose de negligência por parte do agente fiscal e que o lançamento do débito foi excessivo, tendo sido constatada ausência de cuidado e zelo no levantamento, o que compromete o seu todo. Entende que, se houve erro em parte do valor lançado, o trabalho restou comprometido e inconfiável, tornando imprestável todo o resto. Alega nulidade do julgamento de primeira instância, ao argumento de que não se admite mais os julgamentos secretos, e que não se pode negar a presença de pessoas habilitadas no processo que possam exercer a efetiva fiscalização quanto à forma, ou se essa atendeu os requisitos reclamados pela lei e pelas portarias que normatizam a condução no julgamento e a conduta dos julgadores, bem como a presença do mínimo legal que compõe a turma. Requer que seja decretada a nulidade do Acórdão recorrido, tornando sem efeito qualquer intimação da recorrente, uma vez que, se não há previsão legal para acompanhar o julgamento, também inexiste lei proibindo o acompanhamento. Sustenta ainda que o Acórdão combatido é nulo porque indeferiu prova técnica, dandoa por inútil e desnecessária, o que macula o princípio constitucional da ampla defesa, aplicável inclusive em procedimento dessa natureza. No mérito, alega que, diferentemente do que constou do Anexo I, do Relatório Fiscal, os valores lá relacionados nunca se constituíram nas efetivas retiradas a título de prolabore, uma vez que tratase de sociedade entre marido e mulher, sendo que a sócia detém apenas uma parcela ínfima do capital, não tendo nunca prestado qualquer serviços à sociedade, motivo pelo qual jamais retirou qualquer valor mensal a tal título, e que o outro sócio, no exercício da gerência, jamais teve ganho mensal no valor indicado no relatório. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAUR O JOSE SILVA 4 Assevera que não pode se ter a segurança que se espera do procedimento fiscalizatório, na medida que o próprio órgão julgador constatou o excesso cometido pelo Auditor Fiscal, inserindo duplamente valores no resultado da autuação, tornando inseguro a constituição do crédito previdenciário, mesmo depois de sua retificação. Reitera o pedido para realização de perícia e apresentação de prova documental, acentuando que os documentos que seguem com o recurso falam por si na justificação do que se pede. É o relatório. Voto Conselheira Bernadete De Oliveira Barros, Relatora. O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Inicialmente, impõe suscitar questão relativa ao prazo decadencial, não trazida pela recorrente no recurso tempestivo, mas que, por ser matéria de ordem pública, deve ser reconhecida de ofício. Verificase que a fiscalização lavrou o presente AI com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 49 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAUR O JOSE SILVA Processo nº 14479.000141/200703 Acórdão n.º 2301002.621 S2C3T1 Fl. 266 5 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob Fl. 279DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAUR O JOSE SILVA 6 pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Contudo, no caso em tela, constatase que não houve recolhimento de contribuições no período compreendido entre 12/97 a 03/02, conforme RDA e RADA, caso em que se aplica a regra contida no art. 173, do CTN, transcrito a seguir: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; A NFLD foi consolidada em 07/06/2006, e sua cientificação ao sujeito passivo se deu em 08/06/2006, conforme fls. 01, do processo, e o lançamento se refere ao período de 01/1996 a 12/2005. Dessa forma, considerando o exposto acima, constatase que se operara a decadência do direito de constituição do crédito lançado nas competências entre 01/96 a 11/00, inclusive décimos terceiros salários de 1996 a 2000. Cumpre esclarecer que, para a competência 12/2000, o tributo poderia ter sido recolhido em 01/2001, iniciandose a contagem do prazo em 01/01/2002, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos temos do dispositivo legal citado acima (art. 173, I, CTN. Portanto, reconheço a decadência de parte do débito, nos termos expostos acima. Preliminarmente, a notificada alega que o equívoco cometido pelo Auditor Fiscal na competência 13/1996 vicia todo o procedimento, tornando imprestável a NFLD Porém, a retificação do valor lançado se fez necessária, pois, em diligência, ao analisar os argumentos que recorrente apresentou em sede de impugnação, a autoridade lançadora verificou a existência de erro no lançamento relativo à competência 13/96. Mas, ao contrário do que entende a recorrente, a retificação da NFLD pela fiscalização após a apresentação da defesa, ou pelo órgão julgador de primeira instância não acarreta a nulidade do ato do lançamento. O art. 59, do Decreto 70.235/72, dispõe que Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAUR O JOSE SILVA Processo nº 14479.000141/200703 Acórdão n.º 2301002.621 S2C3T1 Fl. 267 7 Portanto, a constatação de que a NFLD lançou uma contribuição maior do que a de fato era devida, enseja a retificação do débito lançado e não a sua nulidade, motivo pelo qual rejeito a preliminar suscitada. Ainda em preliminar, a notificada alega nulidade do julgamento de primeira instância pelo fato de não ter sido intimada da data de realização da sessão de julgamento. Porém, a Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, dispõe sobre os direitos dos administrados em seu art. 3o, transcrito a seguir: Art. 3o O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: I ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores, que deverão facilitar o exercício de seus direitos e o cumprimento de suas obrigações; II ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas; III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; IV fazerse assistir, facultativamente, por advogado, salvo quando obrigatória a representação, por força de lei.(grifei) E o artigo 26 estabelece que: Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências. Dessa forma, verificase, no presente processo, que houve a observância dos mandamentos legais que regem o contencioso administrativo, já que o contribuinte teve ciência do ato e tomou conhecimento da decisão proferida, conforme AR de fl. 140, tendolhe sido concedido prazo para apresentação de recurso, em respeito ao devido processo legal e ao contraditório. A citada Lei 9.784/99 não estabelece que o contribuinte deva ser intimado da data de realização da sessão de julgamento de primeira instância administrativa, mas apenas intimado para ciência de decisão, o que ocorreu no presente caso. Em relação ao argumento de que, se não há previsão legal para acompanhar o julgamento, também inexiste lei proibindo o acompanhamento, cumpre observar que a inexistência de proibição não pode ser interpretada como permissão. Na administração pública, o ato administrativo está inexoravelmente jungido ao previsto em lei, sendo inaplicável a máxima reinante no direito privado, segundo a qual “o que não é proibido é permitido”. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAUR O JOSE SILVA 8 Assim, não há que se falar em nulidade do julgamento de primeira instância. A recorrente sustenta, ainda, que o Acórdão combatido é nulo porque indeferiu prova técnica, dandoa por inútil e desnecessária, o que macula o princípio constitucional da ampla defesa, aplicável inclusive em procedimento dessa natureza. Contudo, entendo que o pedido para que fosse realizada a prova pericial foi indeferida com muita propriedade pelos julgadores de primeira instância, que constataram a desnecessidade de realização de perícia, tendo em vista que a recorrente não demonstrou que a elucidação do caso dependeria de conhecimentos técnicos especializados, bem como não apresentou quesitos nem indicou perito, considerando, assim, não formulado o pedido nos termos do § 1o. do art. 11, c/c inciso IV do art. 7o, da Portaria 10.8750/2007 vigente à época da emissão do Acórdão recorrido. Dessa forma, não há que se falar, no caso presente, em cerceamento de defesa pelo indeferimento do pedido de perícia, motivo pelo qual rejeito a preliminar de nulidade do Acórdão de primeira instância. No mérito, a notificada alega que, diferentemente do que constou do Anexo I, do Relatório Fiscal, os valores lá relacionados nunca se constituíram nas efetivas retiradas a título de prolabore, uma vez que tratase de sociedade entre marido e mulher, sendo que a sócia detém apenas uma parcela ínfima do capital, não tendo nunca prestado qualquer serviços à sociedade, motivo pelo qual jamais retirou qualquer valor mensal a tal título, e que o outro sócio, no exercício da gerência, jamais teve ganho mensal no valor indicado no relatório. Porém, não comprova o alegado. Apenas alega mas não junta, aos autos, cópias dos Livros Diários apontados no referido Anexo I para fazer prova de suas alegações. Já a fiscalização indicou, no citado Anexo (fls. 94), por competência, as contas contábeis e os respectivos Livros Diários, bem como os valores registrados a título de prólabore. E, sendo o lançamento um ato vinculado, ao constatar a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e o não recolhimento das contribuições devidas, a fiscalização lavrou a competente NFLD, em observância ao disposto no art. 37 da Lei 8212/91: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. A notificada insiste em afirmar que não pode se ter a segurança que se espera do procedimento fiscalizatório, na medida em que o próprio órgão julgador constatou o excesso cometido pelo Auditor Fiscal, inserindo duplamente valores no resultado da autuação, tornando insegura a constituição do crédito previdenciário, mesmo depois de sua retificação. Todavia, consoante art. 28, da Portaria RFB n° 10.875/2007, que trata sobre o processo Administrativo fiscal relativo às contribuições previdenciárias, “as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 27 não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Fl. 282DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAUR O JOSE SILVA Processo nº 14479.000141/200703 Acórdão n.º 2301002.621 S2C3T1 Fl. 268 9 Dessa forma, reiterase, como o equivoco apontado não se enquadra nas hipóteses elencadas no art. 27, da Portaria mencionada, e nem no Decreto 70.235/72, já mencionado acima, e considerando que, em diligência fiscal, a incorreção foi sanada, não há insegurança na constituição do crédito. Relativamente ao pedido que seja realizada perícia, vale lembrar que o inciso IV e § 1o, do art. 16, do Decreto 70.235/72, assim determina: Art. 16: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; *(Redação dada pela Lei 8.748/93). § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. *(Acrescido pela Lei 8.748/93) Portanto, entendo como não formulado o pedido de perícia por não atender aos requisitos legais. Ademais, todas as alegações feitas pela recorrente poderiam ser comprovadas por meio da juntada de prova documental pela notificada, conforme disposto no relatório IPC (fls. 02/03) e ressaltando que o contribuinte ainda dispunha do prazo de recurso para a apresentação de outros elementos. Porém, a empresa não trouxe outros elementos para serem analisados por este Conselho. Apenas alega, mas não prova, que não houve pagamento de prolabore. Porém, não basta alegar. A parte que não produz prova, convincentemente, dos fatos alegados, sujeitase às conseqüências do sucumbimento, porque não basta alegar. E a convicção da autoridade julgadora advém, no processo administrativo fiscal, dos elementos probatórios carreados pela fiscalização e pela recorrente. Daí a necessidade de se juntar aos autos elementos comprobatórios dos fatos alegados. E, como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, a fiscalização, ao constatar, da análise dos registros contábeis, o pagamento de valores a título de prolabore, agiu corretamente lavrando a presente NFLD, em estrita observância aos ditames legais. Assim, indeferese o pedido de diligência/perícia, por considerála prescindível e meramente protelatória, além de o requerimento não atender os requisitos das normas legais que tratam da matéira. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAUR O JOSE SILVA 10 Voto no sentido de CONHECER do recurso, e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se exclua do valor do débito, por decadência, os valores lançados nas competências compreendidas entre 01/1996 a 11/2000, inclusive, bem como as contribuições incidentes sobre os décimos terceiros salários de 1996 a 2000. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 284DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAUR O JOSE SILVA Processo nº 14479.000141/200703 Acórdão n.º 2301002.621 S2C3T1 Fl. 269 11 Declaração de Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes 1. Conforme relatado, o Recorrente requereu à autoridade fiscal de piso a sua participação no julgamento de primeira instância (ff. 116117). 2. Compulsando os autos, verificase que, após a apresentação de impugnação pelo contribuinte (ff. 96101), o processo baixou para a realização de diligência requerida pelo Fisco (f. 105). Após o retorno (f. 114), antes da apreciação pelo colegiado da Delegacia Regional de Julgamento, o contribuinte constituiu advogado nos autos e, expressamente deixou consignado que: “O Advogado pretende sustentar oralmente, senão, ao menos assistir o [sic] julgamento” (f. 117). Contudo, no julgamento de primeira instância, o patrono do sujeito passivo não foi intimado para acompanhar o julgamento perante a Turma da DRJ (ff. 130136). 3. A Conselheira Relatora entendeu quea negativa observou os mandamentos legais que regem o contencioso administrativo, já que teria sido suficiente a ciência do contribuinte da decisão recorrida (AR de fl. 140), após proferida. Aplicou, então, a Lei n. 9.784/99 – que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal (arts. 3º e 26) para asseverar que “a citada Lei 9.784/99 não estabelece que o contribuinte deva ser intimado da data de realização da sessão de julgamento de primeira instância administrativa, mas apenas intimado para ciência de decisão, o que ocorreu no presente caso”. 4. Por fim, concluiu no seguinte sentido: “Em relação ao argumento de que, se não há previsão legal para acompanhar o julgamento, também inexiste lei proibindo o acompanhamento, cumpre observar que a inexistência de proibição não pode ser interpretada como permissão. Na administração pública, o ato administrativo está inexoravelmente jungido ao previsto em lei, sendo inaplicável a máxima reinante no direito privado, segundo a qual ‘o que não é proibido é permitido’. Assim, não há que se falar em nulidade do julgamento de primeira instância”. 5. Não obstante o bom arrazoado trazido pela douta Conselheira Relatora Bernadete de Oliveira Barros, peço venia para discordar do seu posicionamento em relação à nulidade do julgamento de primeira instância, decorrente do fato de o contribuinte não ter sido intimado da data de realização da sessão de julgamento e, por consequência, não ter exercido o seu direito de defesa. 6. Primeiramente, destacase que em ambos os diplomas normativos que tratam do processo administrativo no âmbito federal – Lei n. 9.784/99 e Dec. n. 70.235/72 –, assim como no Regimento Interno do CARF ou qualquer outra regra de menor hierarquia, não se verificam a discriminação procedimental pormenorizada das fases do julgamento de primeira instância no processo administrativofiscal. Porém, essas leis detalham direitos garantidos aos administrados quando litigam com o Poder Público fora do Judiciário. 7. Exigese, portanto, o desforço interpretativo para, diante da normatização existente, sistematizar as fases do julgamento de base, sob a guarda dos direitos legais e constitucionais dos litigantes administrativos. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAUR O JOSE SILVA 12 8. Sob este prisma, é certo que, no âmbito da legislação que cuida do processo administrativo fiscal (Decreto n. 70.235/72), não há a previsão expressa para o acompanhamento e sustentação oral das razões de defesa em sessão de julgamento administrativo de primeira instância. 9. Esse tem sido o entendimento firmado pela jurisprudência deste Conselho em diversos acórdãos por mim pesquisados, inclusive vedando a sustentação oral ou apresentação de memoriais perante as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Nesse sentido, destacamse os seguintes julgados: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Exercício: 2000, 2001PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA. SUSTENTAÇÃO ORAL, APRESENTAÇÃO DE MEMORIAL, DELEGACIAS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO (DRJ). Inexiste previsão legal ou regimental para intimação do sujeito passivo, ou seu representante ou procurador, para realizar sustentação oral ou apresentar memorial perante as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado” (CARF. 1ª Seção de Julgamento. 3ª Turma Especial. Acórdão nº 180300455. Processo 10580004988200315, Data 08/07/2010) “SUSTENTAÇÃO ORAL. INTIMAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO OU DO SEU REPRESENTANTE. Inexiste previsão legal ou regimental para intimação do contribuinte ou do seu representante para realizar sustentação oral nos julgamentos dos Conselhos de Contribuintes. [...]” (1CC. 3ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 10323015. Processo 108800214169582. Data 23/05/2007) 10. Contudo, entendo que a falta da previsão expressa nos diplomas legais (Lei n. 9.784/99 e Dec. n. 70.235/72) não impede o exercício deste direito pleiteado pelo sujeito passivo.Se a norma garantiu ao contribuinte a participação em todas as etapas do processo administrativo no âmbito federal, com muito mais razão lhe deve ser assegurada a presença no julgamento, por se tratar do ato de maior importância no contencioso. 11. Neste sentido, o art. 2º da Lei n. 9.784/99 – que prevê o contraditório e a ampla defesa no processo administrativo federal –, bem como art. 3º da mesma lei – que garante a facilitação ao exercício de seus direitos (inc. I) e a possibilidade de formulação de alegações e apresentação de documentos até mesmo antes da decisão, objeto de consideração pelo órgão competente (inc. III) – dão alicerce ao entendimento de se assegurar ao recorrente a participação no julgamento de primeira instância, com a possibilidade de entrega de memoriais aos julgadores administrativos e sustentação oral das razões de impugnação. 12. Quando previstos direitos daparte no diploma legal, a sua defesa no contencioso administrativofiscal não pode ser restringida pela falta de normatização específica do procedimento de julgamento.A regra que se extrai do texto constitucional é o da garantia da defesa ampla no contencioso administrativo, além da publicidade dos atos administrativos (CF, 37), garantida pela comunicação da decisão proferida. Ou seja: a intimação da decisão de primeiro grau se relaciona com o princípio da publicidade dos atos administrativos; ao passo Fl. 286DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAUR O JOSE SILVA Processo nº 14479.000141/200703 Acórdão n.º 2301002.621 S2C3T1 Fl. 270 13 que a participação no julgamento em si,com a possibilidade de influência no mesmo, tem vínculo com o direito de defesaampla. 13. A defesa, por mandamento constitucional, é ampla, e não restrita. A redação do inc. LV do art. 5º da Constituição Federal, inclusive, é propositalmente abrangente: “LV. aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. 14. No âmbito jurisdicional, já é pacífico no Supremo Tribunal Federal o entendimento de que, em havendo requerimento expresso, a ausência de notificação da sessão de julgamento – visando à participação para proferir sustentação oral – acarreta nulidadeda decisão (cf. HC 85.138, Min. Marco Aurélio, DJ 9.8.05; RHC 89.135, Rel. Min. Cezar Peluso, DJ 29.9.06). 15. O Min. Cezar Peluso do STF, na ADIn 1.127 – que apreciou a constitucionalidade do Estatuto da Advocacia –, foi categórico ao sustentar que: “As funções básicas do contraditório são duas. A primeira delas: o juiz por definição, é o profissional da ausência; quer dizer, é aquele que tem por profissão o não ter estado presente ao fato, àquilo que já ocorreu. O contraditório serve, sob este ponto de vista, para permitir que as partes tentem convencer o juiz, com os materiais historiográficos que o sistema jurídico autoriza, sobre a existência ou a inexistência do fato. Tal função, está claro, é de preparar o julgamento” (trecho do voto do Min. Cezar Peluso na ADIn 1.127, Rel. Min. Marco Aurélio, Redator do Acórdão Min. Ricardo Lewandowski, Tribunal Pleno, DJe 11.6.10, RTJ 215/528). 16. Decorre, portanto, além da norma de regência, diretamente do texto constitucional, a garantia da ampla defesa no processo administrativo (fiscal). É direito constitucional do contribuinte a amplitude de defesa e o devido processo legal no seu sentido formal e material (CF, 5, LV e art. 2º da Lei n. 9.784/99). 17. É certo que o pedido do contribuinte para participação no julgamento administrativo tem como escopo exercer o seu direito de defesa,com fito de influir na decisão a ser tomada pelo julgador do lançamento (cf. art. 3º, inc. III da Lei n. 9.784/99), mormente pela sustentação oral das suas razões (ff. 116117). 18. A injusta frustração do exercício do direito de defesa oral ofende o princípio de amplitude de defesa no processo contencioso: “A sustentação oral que traduz prerrogativa jurídica de essencial importância compõe o estatuto constitucional do direito de defesa. A injusta frustração desse direito por falta de prévia comunicação, [...], requerida, em tempo oportuno, pelo impetrante, para efeito de sustentação oral de suas razões afeta o princípio constitucional da amplitude de defesa. O cerceamento do exercício dessa prerrogativa, que constitui uma das projeções concretizadoras do direito de defesa, enseja, quando configurado, a própria invalidação do julgamento realizado pelo Tribunal, em função da carga irrecusável de prejuízo que lhe é ínsita” (STF, HC 103867 MC, Rel. Min. Celso de Mello, DJe 29.6.10). Em uníssono: “o patrono da recorrente não foi intimado para a sessão de julgamento, ficando impedido de sustentar oralmente” (STF, RE 255.739, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ 26.11.1999). 19. No mesmo sentido, se extrai o seguinte trecho do voto do Min. Carlos Britto na supracitada ADIn 1.127: “Senhora Presidente, estamos cuidando de sustentação oral, e, de fato, ela é a expressão do contraditório na sua oralidade. Não há como negar isso. É até o clímax do contraditório oral no âmbito do devido processo legal. Mesmo atingindo esse ponto mais alto, Fl. 287DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAUR O JOSE SILVA 14 não deixa de ser contraditório, e é claro que o contraditório antecede o julgamento” (trecho do voto do Min Carlos Britto na ADIn 1.127, Rel. Min. Marco Aurélio, Redator do Acórdão Min. Ricardo Lewandowski, Tribunal Pleno, DJe 11.6.10, RTJ 215/528). 20. Destacase que, em se tratando de julgamento colegiado, a regra contida no ordenamento como um todo, é da possibilidade de acompanhamento e sustentação oral das suas razões. O julgamento monocrático, ordinariamente, não se submete a esta regra, pois a possibilidade de influência na decisão do julgador se faz por escrito, nas razões de convencimento. No julgamento perante um órgão colegiado, contudo – por se tratar de uma decisão tomada pelo somatório de vários votos, em que o convencimento do julgador se forma pela oitiva do Relator–,a defesa oral das razões do litigante deve ser garantida. 21. E não se diga que o julgado trazido da primeira instância não é originário de um colegiado, uma vez que o Decreto 70.235/72 considera expressamente que as Delegacias da Receita Federal de Julgamento são órgãos de deliberação interna e natureza colegiada, verbis: Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: I em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; 22. Frisase que, em se tratando de indeferimento do pedido de acompanhamento de julgamento feito por advogado constituído no processo fiscal (procuração – f. 118), a ilegalidade é flagrante, em decorrência da infringência a uma série de dispositivos do estatuto da OAB (Lei n. 8.906/94), verbis: “Art. 7º São direitos do advogado: I exercer, com liberdade, a profissão em todo o território nacional; ... VI ingressar livremente: a) nas salas de sessões dos tribunais, mesmo além dos cancelos que separam a parte reservada aos magistrados; b) nas salas e dependências de audiências, secretarias, cartórios, ofícios de justiça, serviços notariais e de registro, e, no caso de delegacias e prisões, mesmo fora da hora de expediente e independentemente da presença de seus titulares; c) em qualquer edifício ou recinto em que funcione repartição judicial ou outro serviço público onde o advogado deva praticar ato ou colher prova ou informação útil ao exercício da atividade profissional, dentro do expediente ou fora dele, e ser atendido, desde que se ache presente qualquer servidor ou empregado; VII permanecer sentado ou em pé e retirarse de quaisquer locais indicados no inciso anterior, independentemente de licença; Fl. 288DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAUR O JOSE SILVA Processo nº 14479.000141/200703 Acórdão n.º 2301002.621 S2C3T1 Fl. 271 15 VIII dirigirse diretamente aos magistrados nas salas e gabinetes de trabalho, independentemente de horário previamente marcado ou outra condição, observandose a ordem de chegada; ... XI reclamar, verbalmente ou por escrito, perante qualquer juízo, tribunal ou autoridade, contra a inobservância de preceito de lei, regulamento ou regimento; XII falar, sentado ou em pé, em juízo, tribunal ou órgão de deliberação coletiva da Administração Pública ou do Poder Legislativo; XIII examinar, em qualquer órgão dos Poderes Judiciário e Legislativo, ou da Administração Pública em geral, autos de processos findos ou em andamento, mesmo sem procuração, quando não estejam sujeitos a sigilo, assegurada a obtenção de cópias, podendo tomar apontamentos;” 23. Assim, o exercício do poder judicante na esfera administrativa não pode ser feita às espreitas, de forma sorrateira, prejudicando o contribuinte, de maneira que o julgador deve se submeter à influência do litigante na formação do seu convencimento (cf. art. 3º, inc. III da Lei n. 9.784/99). 24. Considerando o fato de o recorrente ter requerido à autoridade fiscal de primeira instância a participação na sessão de julgamento da sua impugnação (ff. 116117), não se pode admitir o indeferimento deste pedido, com a tomada de decisão à revelia do maior interessado na mesma. Não pode ser denegado o pleito do litigante para o exercício do seu direito de defesa. 25. Em resumo, a divergência com o voto da d. Relatora reside no fato de Sua Exa. entender que, diante do silêncio na norma procedimental de julgamento em primeira instância, a “inexistência de proibição não pode ser interpretada como permissão”. 26. Em sentido diametralmente oposto, partindose do pressuposto que o contribuinte tem ordinariamente direito a acompanhar todo o andamento e influir na decisão do processo administrativo (CF, 5, LV e art. 3º, inc. III da Lei n. 9.784/99), o silêncio da norma procedimental de julgamento em primeira instância não pode ser interpretado como uma vedação ao exercício da amplitude de defesa, sendolhe permitido a participação em todos os julgamentos administrativos (inclusive com a sustentação oral das razões de impugnação), mormente nos casos em que haja o pedido expresso neste sentido. CONCLUSÃO 27. Ante ao exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para ANULAR a decisão recorrida, de forma a garantir ao contribuinte, ou ao seu patrono, que seja intimado da data do julgamento do seu processo e acompanhar o seu julgamento, inclusive com a apresentação de memoriais e sustentação oral, se assim quiser. (assinado digitalmente) Fl. 289DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAUR O JOSE SILVA 16 Damião Cordeiro de Moraes – Conselheiro Conselheiro Mauro José Silva Apresentamos nossas considerações a respeito da proposta do Conselheiro Damião sobre a nulidade do Acórdão de primeira instância por não ter ocorrido a intimação da Recorrente da data de julgamento e por não ter sido permitida a apresentação de memoriais e sustentação oral. O cerne da questão envolve os direitos ao contraditório e à ampla defesa previstos constitucionalmente e reafirmados nos arts. 2º e 3º da Lei 9.784/99, conforme destacado pelo ilustre Conselheiro Damião. Num Estado Democrático de Direito como o nosso, os aplicadores da lei recebem o nobre encargo de contribuir para concretizar os direitos fundamentais em sua maior plenitude. Muito nos honra trabalhar para cumprir esse papel diuturnamente, porém, ao tempo que estamos cientes da importância dos direitos fundamentais estampados na Carta Magna, não podemos, do mesmo modo, aplicálos como se fossem direitos absolutos, não sujeitos a limitação validamente inserida no ordenamento jurídico. Nesse diapasão, a lição da doutrina é no sentido de não aceitar direito absoluto, pois: “[...] o entendimento contemporâneo dos direitos fundamentais, ainda mais quando tomamos como valores, representa uma leitura relativista dos mesmos fatos. Isto é, os direitos fundamentais não podem ser tomados como elementos absolutos na ordem jurídica, mas sempre compreendidos e analisados caso a caso e de modo relativo (ou limitado) [...]. Nesses termos a pergunta seria a seguinte : direitos fundamentais podem ser restringidos (limitados) por atos normativos infraconstitucionais? A resposta para a corrente mais atual é que sim! [...] não há dúvida de que as normas infraconstitucionais poderiam desenvolver esse papel para a doutrina majoritária de derivação européia[...]””1 Não sendo direito absoluto, o devido processo legal – expressão genérica que inclui o contraditório e a ampla defesa – submetese a limitações que objetivam a efetivação da solução adequada dos conflitos. Nessa toada, temos manifestação do Ministro Gilmar Mendes do STF: “o princípio do devido processo legal, que lastreia todo o leque de garantias constitucionais voltadas para a efetividade dos processos jurisdicionais e administrativos, assegura que todo julgamento seja realizado com a observância das regras procedimentais previamente estabelecidas, e, além disso, representa uma exigência do fair Trial, no sentido de garantir a participação equânime, justa, leal, enfim, sempre imbuída pela boa fé e pela ética dos sujeitos processuais (STF, AI 529733, 1 FERNANDO, Bernardo Gonçalves. Curso de Direito Constitucional. 3ª Ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2011, p. 250. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAUR O JOSE SILVA Processo nº 14479.000141/200703 Acórdão n.º 2301002.621 S2C3T1 Fl. 272 17 Relator Min. Gilmar Mendes, Segunda Turma, julgado em 17/10/2006, DJ 01/12/2006). No Direito Processual Civil temos algumas regras processuais que poderiam representar ofensa ao devido processo legal se este fosse absoluto. No Mandado de Segurança 000756443.2011.403.6100 o magistrado de primeiro grau apontou tal possibilidade: “(...) em que pese a natureza pétrea da cláusula que assegura o devido processo legal, devese ter em mente que a incidência irrestrita da garantia pode até mesmo entrar em choque com institutos processuais previstos no Código de Processo Civil, em seu artigo 330, inciso I, que prevê a possibilidade de julgamento antecipado da lide, e no artigo 285A, que permite a prolação da sentença antes mesmo da formação da relação processual propriamente dita.” Tais limitações não se restringem ao julgamento singular. Em seu detalhado voto, o Conselheiro Damião argumenta que o julgamento colegiado pressupõe o acompanhamento e a sustentação oral, porém a jurisprudência tem admitido que as limitações ao devido processo legal ocorrem tanto para o julgamento singular como para o julgamento colegiado. È o que ocorreu na ADI 1127/DF, citada pelo Conselheiro Damião, na qual o STF já reconheceu a inexistência de direito à sustentação oral de forma ampla e sem previsão legal, mesmo em julgamentos colegiados: ADI 1127 Ementa (...) VII A sustentação oral pelo advogado, após o voto do Relator, afronta o devido processo legal, além de poder causar tumulto processual, uma vez que o contraditório se estabelece entre as partes. (...) De maneira similar ao processo civil, o processo administrativo fiscal possui limitações ao contraditório e à ampla defesa. E não são só omissões ou inexistências de proibições, mas limitações explicitamente presentes na lei. Nesse sentido, se, por um lado, não há dúvidas de que, atualmente, o julgamento de primeira instância do processo administrativo fiscal federal ocorre em um órgão colegiado, por outro lado, dúvidas inexistem também quanto à natureza de tal colegiado: órgão de deliberação interna. É o prescreve o art. 25, inciso I do Decreto 70. 235/72, in verbis: Fl. 291DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAUR O JOSE SILVA 18 Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: I em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; Ao determinar que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento é órgão de deliberação interna, a lei veda a participação da parte e/ou de seu advogado durante a sessão de julgamento, pois do contrário teríamos uma sessão aberta e não uma sessão de deliberação interna. Concordamos com o Conselheiro Damião quando este defende que se houvesse previsão legal para participação do contribuinte ou de seu representante durante o julgamento de primeira instância, tal norma estaria em harmonia com o princípio da ampla defesa. Porém, o ordenamento jurídico atual traz limitação à ampla defesa no julgamento de primeira instância, de maneira similar a outras existentes em relação ao processo civil. Situação similar ocorre também em outros ritos administrativos., como foi apontado pelo STJ no julgado a seguir: RMS 2530 / PI RECURSO ORDINARIO EM MANDADO DE SEGURANÇA 1993/00023330 Relator(a) Ministro VICENTE LEAL (1103) Órgão Julgador T6 SEXTA TURMA Data do Julgamento 05/06/2001 Data da Publicação/Fonte DJ 25/06/2001 p. 231 Ementa ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. JUIZ DE DIREITO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. INSTAURAÇÃO. SINDICÂNCIA. PROCEDIMENTOS SUMÁRIOS.CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. OFERECIMENTO DE REPRESENTAÇÃO.SESSÃO DE DELIBERAÇÃO. NULIDADES. AUSÊNCIA. APOSENTADORIA. A sindicância administrativa é meio sumário de investigação de irregularidades funcionais cometidas, sendo desprovida de procedimento formal e do contraditório, dispensando a defesa do indiciado e a publicação do procedimento. Não há cerceamento de defesa, nem violação ao devido processo legal em razão da inexistência de sustentação oral na sessão de julgamento do processo administrativo, dispondo, neste particular, a Lei Complementar nº 35/79 – LOMAN – que o julgamento de processo administrativo pode ser realizado em sessão fechada, na qual não tenham acesso os indiciados (art. 27). Tendo sido apurada em sindicância e posterior procedimento administrativo disciplinar, em que se assegurou o exercício pleno do direito de defesa, cometimento de falta grave o que incompatibiliza o magistrado para o desempenho do cargo, revestese de legalidade o ato administrativo que determinou a sua aposentadoria compulsória. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAUR O JOSE SILVA Processo nº 14479.000141/200703 Acórdão n.º 2301002.621 S2C3T1 Fl. 273 19 A vinculação da instância administrativa somente se verifica nas hipóteses em que a absolvição criminal reconhecer a inexistência do fato ou negar a autoria do crime. Recurso ordinário desprovido. Além das decisões do CARF citadas pela Conselheiro Damião que afastam a possibilidade de participação do interessado na sessão de julgamento de primeira instância, acrescentamos uma outra mais recente a seguir. Notamos que as razões de decidir de tais julgados administrativos diferem das nossas, tendo em vista que não fundamentamos nosso voto na ausência de previsão legal para a sustentação oral e sim na presença de vedação a este meio de defesa no inciso I do art. 25 do Decreto 70.235/72. Autoridade Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 3ª Câmara. 2ª Turma Ordinária Título Acórdão nº 130200544 do Processo 11444001080200883 Data 31/03/2011 Ementa ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES.ANO CALENDÁRIO: 2005OMISSÃO DE QUESTÕES.A MERA OMISSÃO DE QUESTÃO PONTUAL NA EMENTA DE ACÓRDÃO NÃO AUTORIZA A CONCLUSÃO DE QUE A MATÉRIA NÃO FOI APRECIADA NEM DECIDIDA, SE AS QUESTÕES RESTAM APRECIADAS NO VOTO CONDUTOR. SUSTENTAÇÃO ORAL. JULGAMENTO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE.NÃO HAVENDO PREVISÃO LEGAL PARA SUSTENTAÇÃO ORAL NO JULGAMENTO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA, E SENDO A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ADSTRITA AO QUE LHE PERMITE A LEI, DEVE SER O PEDIDO INDEFERIDO.AUTO DE INFRAÇÃO. CRITÉRIO DA DUPLA VISITA. RESTRIÇÃO.O CRITÉRIO DA DUPLA VISITA, PRESCRITO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 12 DA LEI Nº 9.841/99 SE RESTRINGE À FISCALIZAÇÃO TRABALHISTA, NÃO ALCANÇANDO A FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA.INSCRIÇÃO NO SIMPLES. PROVA.TENDO EM VISTA QUE A INSCRIÇÃO NO SIMPLES SE DÁ A REQUERIMENTO DO INTERESSADO, NÃO É DEVER DA FISCALIZAÇÃO, NO CURSO DO PROCEDIMENTO, FAZER A PROVA PRÉVIA DA INSCRIÇÃO, PARA SOMENTE APÓS ISSO EFETUAR O LANÇAMENTO.SIMPLES FEDERAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA A SEGURIDADE SOCIAL. BASE DE CÁLCULO.A BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA A SEGURIDADE SOCIAL DE OPTANTE DO SIMPLES FEDERAL É A RECEITA BRUTA MENSAL.OMISSÃO DE RECEITAS. REPASSE. NÃO COMPROVAÇÃO.NÃO COMPROVADO QUE O SUJEITO PASSIVO REPASSOU A TERCEIROS AS RECEITAS OMITIDAS, E QUE SUA ATUAVA POR CONTA DE TERCEIROS, DEVEM SER ELAS TRIBUTADAS PELO SEU Fl. 293DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAUR O JOSE SILVA 20 VALOR TOTAL.MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.A CONDUTA DE PRESTAR DECLARAÇÃO DE INATIVIDADE RELATIVA A EXERCÍCIO NO QUAL FORAM EXERCIDAS ATIVIDADES, ADICIONADA À DE NÃO EFETUAR NENHUM RECOLHIMENTO DEMONSTRA A INTENÇÃO DE OCULTAR A OCORRÊNCIA DE FATOS GERADORES, AUTORIZANDO A EXASPERAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, EM NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. No Poder Judiciário, há jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que acata a limitação de participação do interessado no julgamento de primeira instância de processo administrativo fiscal: AMS 2008.61.00.0230730/SP DIREITO CONSTITUCIONAL. DIREITO ADMINISTRATIVO. AUTO DE INFRAÇÃO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO Nº 70.235/72. INTIMAÇÃO. IMPUGNAÇÃO. PRAZOS. PEDIDO DE INTIMAÇÃO PARA SUSTENTAÇÃO ORAL EM SESSÃO DE JULGAMENTO NA PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INDEFERIMENTO. INTIMAÇÃO DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. RECURSO. OBSERVÂNCIA DO PRECEITO LEGAL. ATO ADMINISTRATIVO LEGÍTIMO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E ADMINISTRATIVOS RESPEITADOS. AMPLA DEFESA. CONTRADITÓRIO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. PUBLICIDADE. PROCEDIMENTO E PROCESSO ADMINISTRATIVO. DISTINÇÃO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO A DIREITO LÍQUIDO E CERTO. DENEGAÇÃO DA SEGURANÇA. SENTENÇA MANTIDA. 1. No caso dos autos, o procedimento revelase escorreito e o ato administrativo que indeferiu o pedido do contribuinte, de sustentação oral em primeira instância, não está eivado de ilegalidade, conquanto observou estritamente o rito e o prazo previstos na legislação aplicável ao caso, não tendo ocorrido, por parte do fisco, a perpetração de conduta capaz de implicar violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório, bem como do devido processo legal, vez que foi assegurado ao contribuinte o direito de impugnar os autos de infração e respectivos lançamentos, bem como oferecer recurso, junto ao órgão administrativo competente, nos termos do Decreto nº 70.235/72, não havendo que se falar no presente caso, por outro lado, em ausência da observância ao princípio da publicidade. 2. Com efeito, não é demais considerar que o contribuinte exerceu o direito de defesa por meio de impugnação e, posteriormente, interpondo recurso ordinário, sendo certo que a sustentação oral somente é admitida nas sessões de julgamento dos órgãos da segunda instância administrativa, nos termos do artigo 116, do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAUR O JOSE SILVA Processo nº 14479.000141/200703 Acórdão n.º 2301002.621 S2C3T1 Fl. 274 21 3. Nesse passo, a conduta da autoridade coatora foi respaldada em processo administrativo que assegurou ao impetrante o exercício do direito de defesa, mediante apresentação de um recurso. Portanto, não há falar em violação da garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa, nem aos princípios do devido processo legal e da publicidade. 4. Cabe anotar que, em sede de processo administrativo, não se exige a disciplina rígida do processo judicial, bastando que a sua condução garanta a ampla defesa e o contraditório aos envolvidos nos fatos e isso ocorreu no caso dos autos, não se configurando hipótese de violação da mencionada garantia constitucional. 5. Em suma, no caso dos autos, foram respeitados, durante o trâmite do processo administrativo fiscal, os princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, bem como a publicidade dos atos administrativos, não havendo falar em nulidade do processo administrativo e seu respectivo procedimento, em razão de a autoridade impetrada indeferir a presença e defesa do autuado durante a sessão de julgamento, na primeira instância, pois, se trata de fase processual própria da segunda instância administrativa. Assim sendo, de rigor concluir que a conduta da autoridade impetrada não violou o direito líquido e certo do impetrante, impondose, pois, a manutenção da sentença fustigada. 6. Apelação a que se nega provimento. Assim, em resumo, havendo expressa determinação legal de que o as decisões de primeira instância no processo administrativo fiscal federal sejam oriundas de deliberação interna, não vemos qualquer ilegalidade no caso presente nesse aspecto. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Conselheiro Fl. 295DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAUR O JOSE SILVA
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Numero do processo: 19515.001387/2003-09
Data da sessão: Thu Mar 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998
COFINS. DECADÊNCIA.
Existindo pagamentos antecipados, o prazo de decadência da Cofins é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1999, 01/07/1999 a 30/09/2002
MULTA DE OFÍCIO CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL.
O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. MATÉRIA SUMULADA
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, E taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1999, 01/07/1999 a 30/09/2002
BASE DE CÁLCULO LEI N° 9.718, DE 1998 RECEITAS FINANCEIRAS
A ampliação do conceito de faturamento às demais receitas pela Lei nº 9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitivo do Plenário do Supremo Tribunal Federal.
BASE DE CÁLCULO RECEITAS DE ALUGUEL FATURAMENTO
O faturamento abrange as receitas da atividade empresarial e, assim, sujeita as receitas de aluguel de empresa que tenha por objeto social a locação de bens. Precedente do STF no AgRg no RE nº 400.479/RI
BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO ERRO DILIGÊNCIA
Demonstrado em diligência erro na apuração da base de cálculo da contribuição, devem os valores lançados ser corrigidos.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3302-000.345
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência dos períodos de apuração até março de 1998 e para excluir da base de cálculo da contribuição os valores relativos receitas financeiras e outras receitas não operacionais nos termos do voto do relator, além dos valores incorretamente tributados, nos termos da diligencia realizada pela Fiscalização.
Nome do relator: José Antonio Francisco
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998 COFINS. DECADÊNCIA. Existindo pagamentos antecipados, o prazo de decadência da Cofins é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1999, 01/07/1999 a 30/09/2002 MULTA DE OFÍCIO CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. MATÉRIA SUMULADA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, E taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1999, 01/07/1999 a 30/09/2002 BASE DE CÁLCULO LEI N° 9.718, DE 1998 RECEITAS FINANCEIRAS A ampliação do conceito de faturamento às demais receitas pela Lei nº 9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitivo do Plenário do Supremo Tribunal Federal. BASE DE CÁLCULO RECEITAS DE ALUGUEL FATURAMENTO O faturamento abrange as receitas da atividade empresarial e, assim, sujeita as receitas de aluguel de empresa que tenha por objeto social a locação de bens. Precedente do STF no AgRg no RE nº 400.479/RI BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO ERRO DILIGÊNCIA Demonstrado em diligência erro na apuração da base de cálculo da contribuição, devem os valores lançados ser corrigidos. Recurso voluntário provido em parte.
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Recorrida DR.1 cm Campinas / SP ASSUN i 0: NORMAS GERAIS DE DIRIMO TR1BU 1 ÁRIO Per iodo de aptuaçao: 01/01/1 998 a 31/03/1998 COF1NS. DECADNCIA. Fxistindo pagamentos antecipados, o prazo de decadência da Co tins é de cinco anos, contados da ocorrência do :Lilo geradoi ASSUN 10: PROCESSO ADMINISTRAILIVO FISCAL Period() de apulae.ao: 01/04/1998 a 30/06/1999, 01/07/1999 a 30/09/2002 MU LIA DE OF R:10 CONFISCO. MA I ERIA CONSII111(40NAL. (_) Carl ndo é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributaria JUROS DE MORA I AXA SEL1C. MATÉRIA SUMULADA A partir de 1`) de abril de 1995, Os jutos motatórios incidentes sobre débitos ltibulínios adininistrados pela Secretaria da Receita -Federal do Brasil sao devidos, no período de inadimplência, E taxa referencial do Sistema Especial de Eiquida0o e Custódia SELIC.', para títulos federais ASSUN 1 0: CON I RIBIJK: AO PARA 0 FINANCIAis/tEN lo DA SEGURIDADE SOCIAL - COF INS Pd iodo de apuraçao: 01/04/1998 a 30/0611999, 01/07/1999 a 30/09/2002 BASE DE CÁLCULO LEI NI° 9 718, DE :1998 [UGH 1 AS IN A NC E IRAS A ampliaÇ50 do conceito de ham -anent° as demais receitas pela Lei n" 9 718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisao definitivo do Plenario do Supremo "I ibunal Federal BASE DE CÁLCULO RECEll AS DE ALUGUEL.I.AIURAMEN10 0 Cann amento abrange as receitas da atividade empresarial e, assim, sujoita as receitas de aluguel de empresa clue tenha por objeto social a locajio de bens. Precedente do 51 1.' no AgR.g DO RF n" 400A79/1Z1 BASF DL CA.:L(11_111i AP1JRAC,k0 FR RO DILIGNCÍA. Demonstrado em diligencia err o na apuraçao da base de cAlculo da contribuiçiio, devern os valores lançados ser corrigidos. 'Recurso voluntário provido cm pule Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do ('olegiado, por unanimihde de votos, em dar provi.mento parcial ao rccurso, para reconhecer a decadencia dos periodos de apuraçao ale mar ço de 1998 e para excluir da base de cálculo da contribuicao os valores rebati VOS receitas financeivas e outras receitas não operacionais nos termos do voto do relator, alem dos valores incorretamente .t.ributados, nos termos da diligencia realizada pela l'iscalizac5o Walbey, osé da Silva - residente n .oni6Traneisco - Relator 11)11 - A DO LM: 22/12/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilber José da Silva (Plesidente), José Antonio Francisco (Relator), habiola Cassiano 1<.er amidas, 1 nis Huard() (3 13arbieri, Alexandre Comes e Crileno Cludflo Baucto Relatório Trata-se de retorno de diligencia requerida pela Resolução n. 201-00.695 (lis 808 a 812), de 20 de junho de 2007, cujo relatório teve o seguinte teor Trata-e pecm-sa volunnif i0 (.1h 360 a 73$) dpi . CSCIlt(1110 Om 10 de nano de 2006 catura 0 Acairdrio 7.761, de 11 de novembro de.! 2004, da DR.! em Campinas / ,P (11.s 334 a .46), aue canOderou pracedente alno de in/; ii de Calius periodos de janeiro de 1996 a sch.ln.hra de 2002, 710 SC.5_irfinte iuc mo. "ifs;‘,Inno Cavniibukiio papa a Financiamemo Seguridade Saeird - C0jins "Period() de apura0o 01/01/1998 a 30/06/1999, 01/07/1999 a 30/0.9/2002 "knwnla DecadC.ncia Contribuiç6e, tw.ra idade Social ['tax() de dez WW1 o pi azo dC.Cackm. ia da :a111.1 ibukiie ,, para a segm idade 2 Procusso n" I 95 I 5.0013V/2003-09 S3-C31.2. A.60Rio " 3302-00.345 1I 2 'Lançamento de Wan). .fialta da Daclaracao e/oti Recolhimento - Corieto o lançamento de oficio do er&lifo tributario mio ((eclat ado ou rec.:Which) pelo sujeito pas NIVO • 4/lalér ia 7i ibutdvel Falorcs Au/Cridos Nao-inaidC3licia falta de (".'omprovaçao. "Incumba iniptignanta o Onus de provar que os vatoT es att. fi!i-idos e re,fastrados am ,sua contabilidade neio se consiituem em materia tributava/. •u.sentes clementos compro/ii/ór/os nesta sentido, considera-se pas.sivel de tributaçiio todos Os ingressos registradol pehl )1yeli0 pl/11 ,( 1. "tocaçao Base da Cd "A cuccila accoliente da locaçdo de imOvais que ()Nato ativulade econOmica da empresa in/agi a w.ta iacaita bruta, base de calculo da Co/ins, nos termos da lei Complementar n" 70, de 1991 "C.'onti °le Constiincionahdade "0 con/iole de conslitucionalidade da legfslaceio qua Iiindamanta o lançamento 7 da compatMaitt exchts-iva do Podar Judiciario a, no sistema difuso , eantiado am L'iltima instdircia revisional no STF "„fulos de Alma Taxa ca//vu!, por expresso dispaskdo a.xi,g7nc.la da juros de moi 0 cm perucinual siti.m .i0T a I %. partir de 01/01/1995 os juros de moo surdo aquivalanres a taxa do „S'/sterna Especial de Liquidado e C.asiOdia—,STLIC. "Hutto de Oficio Confisco -0 percentual de 'India da lançamento de oficio, determinado 1)01 lei, nao cabendo a disctmao de 1C11 !Or no cicfniiiim tia/no. SeildO ph' a proibiça0 da con/isco prevista 1/0 Lonstituiçao Fedai aplica-.se unicamente ci ti /boto, e nao undid 1,011011W111.0 Pioccdcrac A (:!41.da tomou C161Cia do acórdao am 16 de fevereiro de 2006 O auto de infr acao lavrado am 29 de abril de 2003 a, segundo o lei mo da varificaça0 fiscal (fls 22.1 a 229), o intate.s.sado "declarou a me.'not os valores da Colin s, ndo atendando ao disposto na n" 9.718/98". cipuracao lot efetuada nos termas dos tabelas da Its 223 a seguintes, pela sOlna dos receitas de sei viços, de a h,iguel, fhianecir as, dascontos °laws race/its operacionais a 0011 as 1100 operacionais a base da calculo a pela eye/use-lc) etas valorcs de!elarados pelo contribunne, conlOrme 727e 22S No Teettrs.o, contribuinte, apqs reproduzir o lei mo de verificaçao fiscal. (pie 11110 let ia proposto a analise ela constinicionalidade da Lei 11 9 71S, de 199S, mas que /os se "aplicada li decisqo jq pacific .:ada do Supremo fribrmal l'ederal que declarou a incorrstitueionalidade de) par I" do art > da Lei ;I 9.7 18/98, (pre ampliou 0 conceito dc base de caleulo das rit .ibtl ie(-JeS 7101Y1 0 PÍS e (.7(9(1118 " . Omani() suas atividades, consistentes. In) "locaçiio de eseriten ios corn fornecimento de infra-estr inure' (nniveis, equipamenios. telefimes, COMpiiittdOVCS C/O e 1 C . f)CC1.i5'() (1p0 10 (1111)0 (teldi 117j. q. as, recepdonistas, lax- inen as. copeiras etc)", esclett ever! que, "ao . 1i; mar contrato COM W1,18 ClieflieS, Recorrente cobra (i) 'law Alensal Basica', que ((P1 es/km(1c ao valor (10 a set . pogo (induindo os servi ç os), e, (ii) a "l'ava de 1?etenl-io Relornavel', que equivale a lima `caticiier', cup) valor devolvido (retornave) dias apas o encerramento do (ou/lato Segundo 0 interesSadO, 08.80 Nfirful lava S'etia coin -aria pata '1l11 (.1111)4' o ressarcimento de eventuais danos causados pelos usuar ros do espaço 100010, on sel, a, ease) haja algunra oven ia 1108 equipardentos, ntaveis e uterrsilios, (lo fina! do eon/ia/1) vet ifica- s -e. o ocorrido e se . for o caso, subtrai-se elo valor 'caucionado o prejuizo causado a Recorrente'' Ii 1/1/ou capias documentos que (011 es.poildci lain, pot amostiagem, a - var ios pr ocessos devolncno dos valor es (alk ionados, chamados de 'flevolirçao Retainer', onde consla 0 coil:1,010 (lc 1.0 (,(10.0, ceipia do comprovante. de devoluçao valor (..aucionado ao clierne, ben) (ome) o respective) lança WO f10 'Livro Di(r1V i 0 (I1S' 4,99 0610) relerçao aos períodos de »dint a dezembro de .1999, .;-/.0 tocante ews valores de receilas de set viços e alutzuteis„ ale,gou que ter iam sido equivocadamente lowados, sold() "imi)ossivel a eceita decorrente (la prestaçao dos _serviços complementares - locaçao do.s espaços set- 1110101 (10 quo a locacilo proptiamente Jill' Além . disso, nas 117e8CS' outubret a dczembro, os valores dos recclias de alti!,utel leriam sido Judas, o que sei ill impossivel, vista das "dezenas de contratas fit mados c ern plena vi,fïtencier'' 1111 oco ciao, bastando omparar os valot es corn as dos períodos anteriores C pasteriores (10.5 de !Who ui (1(:1:Zeil1771 0 de /999 para conslaten. que "-O valor (10 7 ecchimcnto relative) dos ser viças sempre e infiji.or (e multo!) (:18 1 ecoilaç relativas aos aluguejs recebidos" .4. firrnou (plc (1 ('m) teria sido informado a .birsealiza<00, que tel ill ignorado 17 infOrmaçdo Segundo Recor Ferric, na eemla 4 I 1 01 001 do Razao Analitico, ter iain sido lançadas ledas a cceitos de p0 esta< (11) de serviços, "inclizsive os depOsints elettrado a tinder de "laya Rotornavel' (caticao)'', 7, , "poi urn equivo(o, a lieu 01 wine nao separem os voloies 1(1(1/0>1)5 /71 esta(.00 set vicos, (10 recebimento de alugnais C ao depasito ctoi navel- Proees.o n" 19515 0013 57/200 -00 S3-t3 . 12 11(261(13011. 3302-00345 ld 3 Para eomprovar a alegaçõo, juntou cópias do "veirlas notas relacionadas no '1 ivi.0 1/az/lo Analiiieo' (doe 03), bem como as r espectivas copias do tekrrdo livro para. ( )'' (11s 61.1 a 733) soz.,!-.1.rir rc.ssaltorr a aplicaçâo do ptincipt.0 da Verdade Material, citando ementas de decisejes administrativas Voltou a questeio da inconstitucionalidade dos dispositivos da Lei ri 7.1. 998, que al/et aram a base de calculo da (.."ofins, citando a derise-io do Supremo Tribunal Federal, 0 requereu, novamente, a aplicaoio da (1ec1520 uo cu8o 011( ref() 71.1eur disso, contestou a possibilidade de Os vedettes relativos "tara tetenç[to tetot navel" serem considerados recenas, If VOZ WIC 1100 iiitjlieai 01111 (Filei Cl patrimonial 0, a.ssim, representation) mews ingressos de numeratio Ao alegou (pre nao toi ia havido mora, sendo impos.sivel exig7ru..,ta de linos: e,onk.'..stou a ador,,,..ao da Selic coin() lava de juro.s de MOTO, por ofensa ao disposto no wt. 192, 3"., da Conslitaierro 1-7M-.eral; 0 alegou ser Cl multa aplicoda corifi.scerioria Apresentou, ainda, cópias de notas lise(is de sei vieo (IN 631 a 733). A ditiOncia idi i .equerida nos seguinte termos: lreda-se de lançamento ejetuado com base na Lei 11.. 9 718, ele 199N, sem gift' O contribuinte tenha contestado a cylige?ncia em açr'io juif iota! Como os ale,...ões do connibuinte relerem-se inconstitucionalidade de lei e niio itCi decise-io do Supremo Trilmnal .17:Mu al em rkii.o direta, nem resolueeio do Senado 1;:edeial sus/rem/end° a 0.vecuçõe) da lei, a, vista do que di spõe 0 art. 224 do ReOmento Inter no dos Conselhos de Cont., /11 (fintes, 1/001 (((1/) H1/0 podcr ra deryai aplicar a lei no caso colic:veto knirelanto, deraro dos 1111111CN do pi ocos so administrative) fiscal, o contribuinte alega q1/e5/605 que /jar direta na aperraçõo do credit() tribute'r.rio, ap'ese'rriondo documentos que respaldam, (to menos o primeiro .swer alegações. No 10c-rune Temt do ReterNiio Retoi navel", os doeumentos juntados aos antos sugerem que eta par le das cornrows e que 1_70 devolvida aos conn (dames encerramento contrato render paler cobrn prejuizos do contribuinte. Ark.unats, O recorrente alegou que a coma 4 1 1.01.001 do Raze'io Analitu 0 ornerier lançamentos de todas as reeedas pi estaçcio serviços, -inchisrve os depósitos dequados litulo de ',Faxa Reior ¡River (c(Iti(i .io)" A &spar idade entre os valores aputados pela Fiscaliza0o, no tocante 2 ompaiaçõer das receilas de altu,,u)(1., (widen( irri ra clegaerio Ado/lens, junto)! cOpidS 0 10 " varias notas 1e101ionadas no 'Lipp .° Roza() Analiric o' (doe 0.3), Iem on to ü i espectivas c(ipias iefiTido ii viu para analise Vos S(' conto.140, (,>.ntendo ser neeessciria a reali.zacao de para epic a Eisealiza(ao evainine a doe7.lmenta0o contratual o con1(.2bil do Tecof fente, verifique passive! .segregar Os volutes relativos aas lanconwinos da "taxa reform:11)er' e c'ompara-los aos volores constantes dos contratos, o verifique se (.>. passive! apurar os casos ern roe houve reteivio det ta.,va paw cobei two dos pi efirizas aputai os volores 1nensahm -7110 Para isso, o 100(11 ('/1. /O poderei set intimado a apresentar os doc unientos da Fiscatizaoio 0 ( 1 opresentar demonsimiivos especificos PTI cloclio (to quo acima foi rogue! ido A vista do expa.sto, vol.() por ern -troller o julgainerno (rit dilig<Mcia nos term(); acima evposios Fiscalização intimou 0 Interessada, que apresentou a resposta de li s.. 819 a 824 Posterior mente, foram juntados os documentos de Es. 825 a 9.30. A. Fiscalização elaborou as tabelas de lb.. 931 a 93..3 e o relatório de ills 934 e 935, do seguinte teor: Trata-w c/c .solicitada polo So,f ._!-undo Conselho (le (:.ontribuintes In analisar a of ,52.amenicu,,ito da empreso ()nand° do recut so interposto sobre Ci de(isao de 1'1 histancia empresa fin au/ioda ern 29/04/03 poi- (Leda; ar a mcnor a base cálculo do CO/INS, nos file s janeiro a dczembro (10 .1998, .janeiro a abril o junho a de:a:111ND de 1999, joneiro a dezembro de 2000, Janeiro a dczembro do 2001 e laneiro a .setembr 0 de 2002 Analisando a escrila da em.presa, 1,0f que, no Ines (10 dezembro de 2000, ("eve e.vonerada a 1nwortarn.40 de RS 1! 255.8.31,27, a saber: - em (1.(zeittbro de 2000, a reeeita filiaTICeil a cs . criturada .R.S .10 380_ 51 o olio RS 768 162,9 ,1, devendo, pois, sor exonei ado a import- Om:4a de RS 757.782,43, - tan 1) V111 e (11 dCZ cm bro/2 000, a c onto °taros J/'1 (:11(1', (..)pet-acionais c on slunk nct çj ¡la f7 (10 RS 820 nao .RS // 5388, 93, lain, .!ado na DIRT, por 1.71-0 preenc::.hancitio (/001(1/ 05:00, devendo ser CoOtlei ado o vtdor RS 10 434.807,56, ainda dezombta/2000, a conta Olin as Rocei/as Aldo Operacionais na contabilidade 1100 (11 -WCS (2111011 1 esultado, enthora conste RS 63 24.1,28 na 1.)1P,T (..i'10i0 flue 5 .0 irttto de, ci la no pi conch intent° da I - (1 C0111(1hilid e If» am esc..1itur.(..idos segttintes receitas Jo exterior c 0i/5tartles 11(7S' planilhos ern one vo, abaixo consolidadas Process() 9515 001387/2003-09 S3-C312 Acúa15() " 3302-00.345 Fl 4 MIS'/ANO 2001 2002 JAN 268.014,30 180.754,06 :ETV $09.657,46 187.758,09 M4 1! 236.175,14 169.777,19 ABR 258.085,53 189.754,02 AI/1/ 247.633,50 318.224,34 I( liV 216.017,72 147.699,70 AIL 217.854,19 177.358,20 AGO 229.753,13 162.880,88 SET 217.465,74 149.070,60 001' 210.610,34 0,00 NOV 229.527,83 0,00 DEZ 18.1.961.59 0,00 O - na contabilidade lOt am escriltuddas como Tax:a de Retenelio Retornavel (Retainer) os valores constantes do quoihir abaiyo Pala eleitos de ainostiageat, dado o ,f.vande volume de papêis, foi am juntados a este cviediente os valores devolvidos referentes °perms aos estabelecimentos Mot umbi Office de 2000, Curitiba de 2001 e Mai hat II de 2002 kis, portanto, o (macho acima clei ido A; 1 E S/14 Al 0 1999 2000 A 2001 2002 ,1,4N 0,00 98.861,48 53.880,85 39.817,05 17EI/ 0,00 92.853,35 44.068,28 49.142,25 MAR 0,00 37.091,59 89.230,39 41.747,30 26.212,99 /1111/ 0,00 57.913,73 39. 122, 08 MAI 0,00 66.561,08 38.189,89 36.555,00 JUN 0,00 103,433,45 78.582,92 48.726,00 JUL 382.112,06 121,745,60 86.236,30 27.846,00 AGO 0,00 92.009,74 18.215,90 46. 763,50 439.954,13 54.807,78 61.525,54 126.336,80 01.11' 510.344,04 48.548,82 129.921,75 0,00 NO V 529.111,88 57.537,42 32.760,00 0,00 DEZ 559.660,04 80.978,37 27.988,00 0,00 No qutulto demonstrativo em anexo, foram consolidadas as bases de <Oka/0 mantidos e as novas bases, op6s exames liseuis dos art-,urinentos der emprcsa. Ante ao exposto, lico o contrilminte, desde cientificado do abet Una do prozo I/O $0 dias para se mantle.stat, em o querendo, sobi e o resultado pre.sente diligência 1.)o que, para eoiis liii e 111111r OS' (JeltOS' lavrei o Ines-cone Termo em três vias de irial teor e Ibima, transcritos openas no anverso, que, lido e achado conforme, Víu assinado 1701 mim, .Auditor cal da Receita Federal do Brasil, e pelo Rpresentaine contribuinte, a ludo pi esento, coin quem flea tuna das vias 7 Intimada, a interessada apiesentou a resposta de Ps 9 $ 6 a 952, alegando que a apuracdo da receita financeira do period() de . julho de 1999 devei ia ser coirigido de R$ I • 308 5.3.3,64 para R$ 66 5.30,98, eonforrne documentos de Us 039 a 952. Tal atirmaedo foi conlirmada pela fisealizacdo no despacho de II 954. Posteriormente, verificou-se, na 11 957, erro na apuracao efetuada nos demolish ativos, tendo sido devolvidos os autos d Fisealizaedo. 0 teor do despacho inicial foi seguinte: Na dilige'ncia, a Fiscaliza(d.o. pintou a doeumentaçao Jo,fls 814 a 933 e 959 e re.digin O i'datÓri0 de fls 934 e 935, dando conta de que deveria set evehildo valor de R$ 1! 255 8.31,27 da base de cu/cub o relativa ao period() de de.Tembro de 2000, em 10.ce de ino.ort eta aj2iri..4.00 receitas. financeiras, °taros. receitas. ()pet ad.017(fiS e oulras receitas- neio operacionais houve eorrei;go de valores ¡dahlias. a receitas de e.spottavdo e taxa de reteri(do reto; navel, conforme 01:21n acq.i) de fls. 93.1 a 033 Intimada, inlet osada apresentou a tesposla de /Zs 936 a 952, alegando que a aptoraeiio da receita financeira do pet lodo de julho de 1999 devei se1 cotiiido de RS I 308 533,64 para R8 66.5.30,98. con forme documentos de JR 930 el 952 0firina(00 confirmada 12010 fi,sealizekiio no despacho de /1 054 Entretanto, oymlin me observado p01.0 Conselheito Taveira e nas novas planithors, em. relacao aos /201 iodos de apura(lio de julho/1999 (fl. 9.50) e tad° ano de 2002 (11 952), aparentemente se equivocou o auditor-, mna vez que 115 quantias registradas a titulo de "Valor Trilnuado" &wet iam tec sido aquelcs con names do Termo de 1/01:fiCa<71:0 lq_scal de Hs. 225 e 226 Rio da (a° ei ¡Who de 1999, tal como relatado no item -a" do Ter m° de Enoorramento de deve, ainda, set' eyonci - odei a importfincia relativa a diferença bdse de coilculo R.3.1 21.2 002,66, ulna vez - que a receita a ser considetadd 1. 01//JO 0 d1l12à7eia fin de .R$66 .5.30,98 e nau RS 1 .308 . 533,64 /1 vista do expos/o, tendo ocorrido CFM de -fat° na elabOraCaO das tabelas, pt oponho que este ptoce.sso (..vicomiiihado 1..)Rh tie origeni a Inn de 5110 .50a17I ('1(11)01 idas novas planilhas, devidanteme identifieadas e assinadas 12010 (110./i OF Nei seqiio7ncia, deve set iniimada a interessada potra quo, no 1)1(100 de trinta &as., caso enIcnaa conveniente, apr-oente manifesta(ao, chkao as- novas planilhas Por devolvam ors autos a este Conselho de Contrilmintes pata jule,ounento A Fisealizaedo elabotou o novo demonstrativo de I 961, dando ei&neia a Interessada, que lidose manifestou (fl. 962), .fi. o relatório. 8 fi ouesso i" 19515 01111 1,1:17/200 11-09 53-C3 . 1.2 Acim1;.io 3302-00.345 Fl 5 Voto Conselheiro Jose Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satistaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendo-se tomar conhecimento. 0 auto de infração fc)i lavrado em 29 de abril de ?flnlI e b rain apuradas divergências entre os valores declarados e os calculados segundo a escrituração contabil e fiscal da empresa (..:orn.o se .trata de diferenças apuradas entre os valores apurados e os recolhick.fs, ir regra de decadência i ser aplicada e.‘ a do art. 150, § 4 0, do C IN, a. vista da inconstitucionalidade do art. 45 da :Lei n 8.212, de 1991, declarada pelo Supremo Tribunal Federal e objeto da Súmula -Vineulante n. A respeito da matéria, o Superior Tribunal de Justiça pacificou seu entendimento, como demonstra a ementa abaixo reproduzida (REsp 512840 / SP; Relatora: Ministra Hiana Calmon; DI 2305.2005 p 194): IRJI3 U'JÁ/UO - DL,C11.)f311C1 A - LA N <AMEN' 0 POR 110MOLOGA(.,"i10 (ART 1 50 s. 4 0 P 17$ DO cny). 1 Nas cyclones cujo lanc,,amento se taz por homologaçao, havendo pagamento antecipado, conta-.se o prazo dcoadencial a pat do oco, i eticia do Lino ..eraeloi (cut, 150, 4", do CNT) 2 Somonto quanelo ncio pagamento antecipado, on há ')/ova elo elude, dolo ou simulaOio é quo )o (whoa o disposto no art 173, 1, do GIN 3 .tril nor mais Lii ounstáncias-, náo se coningam os dispo.sitivos- 4 &co:dodos das hernias do Direito. PUblico e da Pc imcura Seo-io Reclti ('SpeClat 191 ovido Port noto, tondo sido o auto de infração lavrado una abril de 2003, restaram decaídos os períodos dc aputação ate março de 1998 Liri relação ri inconstitucionalidade da Lei n' 9.7 -18, de 1998, sobreveio, entre a aprovação da diligencia e seu retorno, a declaimed° de inconstitucionalidade da majoração d a . base de cdlcu.1.6 do PIS e da (1..otins.. - Sumula Vincular te incoustitucioriais o parilgtatO tiaico do artigo 5" do Decreto-Lei u" 1 569/1977 e, os antigos 45 e 46 da 1,e,i o' 5.212/1901, que tratam de presc.riyio e clecadéncia dc crédito tributario. fnicialmente, é precis() esclarecer clue o ad. 62 do novo Regimento intein0 do Carl. Anexo 11 da Podaria ME ri° 256, de 2009, dispõe o seguinte: Art 62 Fica vedado aos' membros (ids. itirmas de julgainento do afitstar a aplicaçii0 ou deivar ele obseivar tratado, acordo internacional, lei ou deerew, v)1) fi tolcunenro de ineonstitucionalidade 1 >01/C) Ouzel 0 disposto 00 etyma aos. caço de 1-,1 atado, acordo inteinacional, lei !Mato 001111ot:iv° 1 - que ja tenha .ado declarado incomlitncional doeiscio plenqria dcl initiva do S'upremo 'Tribunal Federal, ou 11 - qua fimda mente credito objeto ele a) dispensa 17e51i ele constitukiio ou de ato deelaiatciiio do .1?rocuradoi-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos Of tS - 18 e /9 da Lei it 0 10 522, de 19 de julho de 2002, h) ,umula da Advocacia-Geral da Unido, na forma do art 43 do Lei Complementar n'' 73, de 1993; ou e) parecei do Advogado- Gemi da Unido apt ovado peto Pre,idente da Republica, na formei do art 40 (la Lei Complementar n" 73, de 1993 Dessa Rirma, se o SIT _já houver se pronunciado. definitivamente 1)010 seu plenário a respeito da inconstitucional idade de lei, o parágrato (mico, E, do artigo acima ci lado perm i te que a apticaçdo da lei seja afastada Em 15 de agosto de 2006, publicou-se dccisao do Pleno do 811 no ñmhito dos recursos extraordinái ios 357.950 e .358,273, transitada em . julgado em 5 de setembro, que considerou inconsfitucionais as alterações das bases de cálculo do PIS e da Cotins promovidas pela Lei n" 9.718, de 1998, art. 3", 0 Acórcho e a ementa tiveram as segunites redações: ,4pris o, votas elos Senhores 114inisti o, Mateo Am (Vio (Relator), (.'arlo, Fellow a Sepulveda Pertence, conhet end() do I ecuiso e provendo-o, em pal te, e dos vows da, St:whole, Ministi os 02.7ra de provendo-o, integralmente, pedal vista do, autos o Ser ho; Mini3O o Li oç Grail pcla FCC(11' o 1)1 Gandra da Silva Hai luis e, pela lecwrida, 0 Di rabricio Procurado, da Fazenda Nacional Aus - ente, ju,tilicadaniente, rtcsje julgamento, o Senhor Minisiro Nelson Johim (Prcidenli.) Preu.yk:3.0.eict da Senhora Allen Giacic (Vice-Pi es/dente) Plena; lo, 18 05 2005 Decistio .1?.enovado o pedido de ri eia do Soffit» Ministro Lros Gran, justi ficadomente, nos teimo, do 1" do al tico I da Resoluçdo n'' 278, de .15 de dezembro de 2003 Pi esidJncia do Senhor o Ni.dson.lobirit Plentirio, 15 06.2005 Deeistio. 0 'li amnia, poi unanimjilade, conheeen do recurs() evtivordintirio e, por maioria, deu-lhe provimemo, C'To pat le, pai a declarar a inconstitucionahdade do 1" do at tigo 3" da ri" 9.7.1S, de 27 de novembro de 1998, veneidos', o., ,Senhores Ministros. «czar Pehiso e Cc/a c ele 11(:11o, quo 10 Procusso n0 195 I 5 00 1: -; .7/2003 -09 S3 -('3 12 Acord50 IL 3302-00.345 F. I Li dc:claravarn tambern ineonstilueionalidade do artigo 8" e, ainda, os Senhores IVIinistio Eros Grail, Joaquim Barbosa, Gi illendes- e o Presidente (Ministro Nelson Job' que ne,gavain provimento ao recurs°. Aus'ente, PatilicVd(.1111CHie, Senhoi a Mi ni sti a Ellen Gracie Plendrio. 09. 11.2005 CONS7l7U(10NALID4DE SUPERVENIENTE - A.RTÍGO 3", I "„ DA LEI N" 9 718,, DE 27 DE NOVEMBRO 1) 1 , 1998 - /A4LNP4 CONSI/TUC/ONAL N" 20, DE 15 DE DEZEMBRO I)L 1998 0 sistema juiidico brasileiro nero contempla tl Jivrra da constitucionalidmic super Vern. eniC fl? I 1_11.>1M(..) - INSTITUTOS - EXPRESSÕES E VOCABULOS - SENTIDO A norma pedrigógjea do artigo 110. do O'rdigo Ii ibutario Nacional res,salta a impossibilidade de a lei tribuliiria criteria Li ddiniçJ0, o corder:0o e o alcanee de con,sagrados institutos, conceitos- e firrinas de direito privado utilizados 7710 'Oil ou implic4tamente SobrepOe-,se ao aspect() Ibr mal 0 imipio realidade, corrsiderados o.s elententos CONTRIBUI00 SOCIAL - PIS - RECETIA BRUTA - NO(7k) - INCONSITTUCIONALIDADE DO 1" DO ARTIGO 3" DA LEI N" 9 718/98 A . jurisprude'neia do Supremo, ante a reda(iio do ai kg() 195 da Carta I.-7 edeial anterior (.'1 Lmenda Constitueional 20/98, consolidou-se 110 sentido de tomar as cxpro 5(7)es ieceita Nina 0 faimamento 00 1//o 5i 11(511iTill Pingindo-as venda clef Inc/ .,adorias , dc N civiço.s 0 11 de ias 0 s-er vicos- inconstitucional o 1" do ar ligo 3" da lei n" 9 718/98, no que amphou o conceit° (10 reeetta brula para envolvei tolalidade das receilas (1(1/0/ idas poi pessoas juridicas, independentemente da atividarle pop etas desenvolvida C da classilica(ao contain] adotada. Dessa forma, como o piesente limçamento ocorreu em runs-iio da não observaçilo das disposições da I ei n. 9.7.18, de 1998, em principio deveria ser atastada exigência.. Coriforme esclaiecido pela Fiscalização, a apuração da base de calculo se deu pela sorna das receitas de servieos, de aluguel, financeiras, descontos obtidos, oultas receitas operacionais e outras receitas não operacionais A interessada esclareceu que sua atividade consistiria na "locacao de escritórios coin fornecimento de inlia-estrutura (moveis, equipamentos, teletones, fax, computadores etc.) e respectivo apoio administrativo (telefonistas, ieeepeionistas, faxinenas, copeiras etc.)" Nesse aspecto, éiinportaine considerar que, no AgRg no RE n" 400.479, a 2' •Turnia do Supremo 'Tribunal Federal considerou que o conceito de faturamento alcança não so o produto de vendas de mercadorias e produtos, como também as receitas deeonentes das atividades empresariais. Em seu voto o relator consignou o seguinte: Sefir anal fin - a classifica(ão que .se c'ts leced a s n/ac dos contiato8 c/c _.çegur 0, (I e no mi 11 a das p rc'flhlO, o (crio IJ (pre al nã o implicv na .sua vclusao ela base de incidencia das cont, ibuições [mull o PIS e COFINS, mormente al..)6..s a declaraciio cIt ineonstitucionalidade el° art .3", k ", do' Lei n" 9 718/98 dada pelo •lenario do 87-F. L que, onfOr me cvpr es.somcnte fundamen lad° no: deeisão agravada, o concerto dc 1eced a brut(' sujeitt.7 CY(.1Kii0 ii iblIVIT ia cia c oniento envoi ve, no millet° (Leon era e da .venda de mercadorias da pre.ctao'io de set vi(ds., mas a soma das r eitets ariund as do eyereicio das alividadc8 amp; (sor kris. (Dec isdo publicada no co.DUir de. Justiça de 6 de novembro dc 2006). Dessa forma, as I eceitas de aluguel, ainda que nao decortam da venda de sei viços e mercadorias, representa faturamento e se sujeita li incidência de PIS e Corms ainda que anteliormente a Lei n() 9.718, de 1998 Portanto, estavam sujeitas contribuieao as receitas financeiras, em face da ineonstitucionalidadc da majoraciio da base de (...alculo pela Lei n' 9.718, de 1998. A quest/it) da incorreta apuracao das receitas li ri flea, portanto, super -aria, tuna vez que as receitas financeiras devem ser excluídas da base de calculo em sua totalidade. Alem disso, devem ser excluídos os valores eventuafinente coirigidos pela fiscalizaeao na. diligência, desde que digam respeito it base de calculo mantida, especialmente no que tange It correção de valores relativos a receitas de exporta0o e taxa de retencao retornavel. Ent telacao a multa de oficio, além do art 62 do Ricart acima citado, incide a Sin -rub Carl n 2, consolidada pela Portaria n 106, de 2009: ,Vinutla Carl I'!" 2 (.) 700 ("., compoolte pata cc pi online r cala e a incons tituciona lido de de lei tribu tar ia Da mesma forma, CM relaea.o incide a. Súmula Cart' n 4: Slimula Cal" n" A par fir de 1 ' de abril de 1995, os ¡tiros moratji ios incidentcs .sobre as- tributarias administrados pile ,8.ecretar da fleceila Pederal do Brasil são di vido s, rio period() de inadimple%ncia, à iava (..ri do Sistema Espc.y.'ial de iquida(ão e Custridia - SLLIC para lederais vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, paid reconhecei decadência dos períodos de apuraeao até março dc 1998 e para. cxcluir da base de calculo da contribui.4.) os valores relativos as receitas finaneeiras e outras receitas ni7io operacionais nos ',curios do voto aeima, além dos valores incorretamente tributados, nos termos da diligência realizada pela Fiscaliza0o.. , Jos' ro 110 llancisco 2
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Numero do processo: 11065.003077/2002-73
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO - CONCOMITÂNCIA - A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1°, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996) não é legítima quando incidem sobre a mesma base de cálculo.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Henrique Pinheiro Torres.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
EDITADO EM: 19/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Henrique Pinheiro Torres. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 30 77 /2 00 2- 73 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 EDITADO EM: 19/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Itomar Espínola Dória foi lavrado o auto de infração objetivando a exigência de imposto de renda pessoa física do exercício de 1999, tendo sido apuradas infrações relativas à omissão de rendimentos recebidos de pessoa física (carnêleão) e à omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários não comprovados. A Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 10249.162, que se encontra às fls. 962/980 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA PROVA PERICIAL Não caracteriza cerceamento do direito de defesa o indeferimento fundamentado do pedido para realização de perícia. REALIZAÇÃO DE PERICIA DESNECESSIDADE – A realização de perícia pressupõe a necessidade de exames e verificações de matéria cujo conhecimento lido seja do domínio do julgador. DEPOSITO BANCÁRIO PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei 9.430196, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A Súmula n° 14 do 1° CC dispõe que a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFICIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CALULO – A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legitima quando incide Fl. 2DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 11065.003077/200273 Acórdão n.º 9202002.743 CSRFT2 Fl. 7 3 sobre uma mesma base de cálculo (Acórdão CSRF n° 0104.987 de 15/06/2004). JUROS DE MORA TAXA SELIC A Súmula n° 4 do 1° CC dispõe que a partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Preliminares afastadas. Recurso parcialmente provido.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por unanimidade de votos, afastou as preliminares arguidas pelo contribuinte e, no mérito, também por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário para desqualificar a multa e, por maioria de votos, excluiu da exigência a multa isolada em concomitância com a multa de ofício. Intimada do acórdão em 24/10/2008 (fls. 982) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 984/995, em que sustenta, em apertada síntese, que (i) a desqualificação da multa violou o artigo 44, §1º, I da Lei nº 9.430/1996, bem como divergiu da decisão proferida nos acórdãos 10515847; 10517.036; 20218698; e (ii) a exclusão da multa isolada violou o artigo 44, §1º, III da Lei nº 9.430/1996. Ao Recurso Especial foi dado parcial seguimento, tendo sido admitida somente a discussão relativa ao afastamento da multa isolada, conforme Despacho nº 068, de 28/01/2009 (fls. 1004/1008). Devidamente intimado do recurso especial interposto pela Procuradoria em 14/04/2009 (fls. 1.011), o contribuinte apresentou suas contrarrazões de fls. 1.014/1.021, bem como seu recurso especial de fls. 1.026/1.037. O recurso especial interposto pelo contribuinte teve seu seguimento negado, conforme Despacho nº 920200.233, de 07/10/2009 (fls. 1.042/1.043), decisão que foi mantida pelo reexame de admissibilidade de fls. 1.044. Posteriormente foi identificado pela autoridade preparadora que a Procuradoria da Fazenda Nacional não foi intimada do despacho que admitiu, em parte, o recurso especial de fls. 984/995, oportunidade em que seria cabível o recurso de agravo previsto no antigo regimento interno dos Conselhos de Contribuintes. Dessa forma, a Procuradoria da Fazenda Nacional foi intimada do despacho de admissibilidade parcial de seu recurso especial (fls. 1.046), não tendo apresentado qualquer manifestação. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional somente foi admitido em relação ao cancelamento da multa isolada. Como relatado anteriormente, em relação à multa isolada, a decisão proferida pelo v. acórdão recorrido se deu por maioria de votos. Destarte, nos termos do artigo 7º, inciso I, do antigo Regimento Interno deste Conselho, vigente à época da prolação do acórdão, o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, que buscou demonstrar linha de argumentação para justificar a contrariedade à lei e às provas preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A Procuradoria da Fazenda Nacional se insurge contra o cancelamento, pelo v. acórdão, da multa isolada, sustentando contrariedade ao artigo 44, §1º, III da Lei nº 9.430/1996. Como se verifica dos autos o Contribuinte foi autuado por ter deixado de recolher o carnêleão relativamente a rendimentos recebidos de pessoas físicas, bem como deixado de recolher imposto sobre a renda relativamente a depósitos bancários não comprovados. Em face de tal irregularidade, foram imputados os rendimentos omitidos e apurada a efetiva base de cálculo a ser considerada para fins de apuração do imposto de renda devido nos períodos sob comento. Sobre a diferença de imposto entre os valores declarados e os valores apurados pela fiscalização foram acrescidos multa de ofício qualificada (150%) e juros de mora (SELIC). Adicionalmente, pelo não recolhimento do imposto por meio da sistemática do carnê leão foi imputado ao Contribuinte multa isolada de 75%. A multa de ofício foi desqualificada pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, tendo sido reduzida para 75%. Para fins de clareza, transcrevo abaixo os dispositivos legais que tratam da aplicação das multas, veiculados pela Lei nº 9.430, de 1996 (conforme redação em vigor à época do lançamento): “Art. 43 – Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único – Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Artigo 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 11065.003077/200273 Acórdão n.º 9202002.743 CSRFT2 Fl. 8 5 I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502. de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. § 2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: a) prestar esclarecimentos; b) apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com as alterações introduzidas pelo art. 62. da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; c) apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38." Com base nos dispositivos legais acima transcritos a fiscalização imputou ao Contribuinte duas multas a punitiva pelo não recolhimento de tributo (multa normal – art. 44, I) e a isolada pelo não recolhimento de imposto na sistemática do carnêleão (multa isolada – art. 44, II, “a”). A legalidade da aplicação concomitante da multa de ofício de 150% (atualmente 75%) decorrente da apuração de diferença de imposto e da multa isolada de 75% pelo não recolhimento do imposto na sistemática conhecida como carnêleão não é matéria nova nesta Câmara Superior. Reiteradas decisões deste E. Colegiado têm concluído pela impossibilidade de cobrança concomitante da multa normal e da multa isolada. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 O entendimento que tem prevalecido é o de que havendo lançamento de diferença de imposto deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo que se falar na aplicação de multa isolada. Por outro lado, quando o imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual houver sido pago, mas havendo omissão quanto ao recolhimento do carnêleão, dever ser lançada a multa isolada, e somente ela. Nestes termos, seguindo o entendimento já pacificado transcrito acima entendo que no caso em exame deve ser mantida a decisão recorrida que afastou a aplicação da multa isolada pelo nãorecolhimento do carnêleão sobre os rendimentos recebidos da pessoa física e dos rendimentos provenientes de depósitos bancários não comprovados. Destarte, conheço de parte do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 6DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 13709.001806/2005-11
Data da sessão: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2002
DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
O instituto da denúncia espontânea não aproveita àquele que incide em mora com a obrigação acessória de entregar as suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, portanto é devida a multa. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3102-000.106
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13709.001806/2005-11 Recurso n° 142.158 Voluntário Acórdão n° 3102-00.106 — P Câmara / 2 a Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2009 Matéria DCTF . Recorrente CASA NUNES MARTINS S/A IMPORTADORA E EXPORTADORA Recorrida DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ ASSUNTO: OBRIGAÇÓES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2002 DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. 1 O instituto da denúncia espontânea não aproveita àquele que incide em mora com a obrigação acessória de entregar as suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, portanto é devida a multa. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da ia CÂMARA / 2 a TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. )Iígr - CIA. HIANA 1 6 JANO D'AMORIM-44-- P sidente r i'' i lf i lu, i I II,' I i I CORINTHO OINTilj, 11 '' MACHADO I I Relator I 1I , ,, n I 1 \ . . 1 Processo n° 13709.001806/2005-11 • S3-C1T2 Acórdão n.°3102-00.106 Fl. 49 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Luciano Lopes de Almeida Moraes, Judith do Amaral Marcondes Armando, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Ricardo Paulo Rosa e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. 2 Processo n° 13709.001806/2005-11 S3-C11'2 Acórdão n.° 3102-00.106 Fl. 50 Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de auto de infração referente à multa por atraso na entrega de DCTF relativa a fato gerador ocorrido no ano-calendário de 2002 (1° trimestre) no valor total de R$ 6.966,18. A fundamentação legal encontra-se indicada no auto de Infração, 11.18. Inconformada, a interessada apresentou sua impugnação alegando, em apertada síntese, que entregara a DCTF espontaneamente, e que por esta razão estaria sob o manto do disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional - Lei n° 5172/66, devendo, conseqüentemente, ser afastada a penalidade. Cita opiniões doutrinárias e jurisprudência favorável ao seu pleito. A DRJ no RIO DE JANEIRO I/RJ julgou procedente o lançamento, fls. 24 e seguintes, ficando a decisão assim ementada: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O instituto da denúncia espontânea não alberga o descumprimento de uma conduta formal, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, como é a obrigação de apresentar a DCTF nos prazos estipulados pela administração tributária. Lançamento Procedente. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 30 e seguintes, onde reproduz os argumentos alinhavados em primeiro grau. A Repartição de origem, considerando a dispensa de arrolamento de bens para fins recursais, encaminhou os presentes autos para apreciação do Primeiro Conselho del/ Contribuintes que os redirecionaram a este Colegiado, fl. 46. É o Relatório. 3 Processo n° 13709.001806/2005-11 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.106 Fl. 51 Voto Conselheiro CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A entrega da DCTF a destempo é fato incontroverso, uma vez que a autuada não contesta o atraso na entrega da declaração, apenas argúi ter apresentado espontaneamente as declarações exigidas. DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA Embora ciente de que o e. Segundo Conselho de Contribuintes, noutros tempos, albergava a tese defendida pela recorrente, a tendência atual deste Conselho, e sufragada pela colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais, é no sentido de que o instituto da denúncia espontânea não aproveita àquele que incide em mora com a obrigação acessória de entregar as suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF. Assim é que compartilho do entendimento atual desta egrégia Casa, que se pode ilustrar com os arestos que seguem inter plures: DCTF - DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MULTA DE MORA. Havendo o contribuinte apresentado DCTF fora do prazo, mesmo antes de iniciado qualquer procedimento fiscal, há de incidir multa pelo atraso. Recurso de divergência a que se nega provimento (Ac. CSRF/02-01.092 Rel. Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva) DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA - DENÚNCIA ESPON7ÂNEA.A multa por atraso na entrega de DCTF tem fundamento em ato com força de lei, não violando, portanto, os princípios da tipicidade e da legalidade; por tratar a DCTF de ato puramente formal e de obrigação acessória sem relação direta com a ocorrência do fato gerador, o atraso na sua entrega não encontra guarida no instituto da exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea .NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE (Acórdão 302-36536 Rel. LUIS AN7'0N10 FLORA) No vinco do quanto exposto, entendo correto o lançamento lavrado pela autoridade fiscal, bem como o quanto decidido pelo órgão julgador de primeira instância. Voto por DESPROVER o recurso. Sala das Sessõ,e e 27 de março de 2009. i CORINTHO MACHADO _ _ 4 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10930.003216/2002-50
Data da sessão: Mon Oct 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/1997 a 31/08/1997, 01/11/1997 a 31/12/1997
MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando deixe de defini-lo como infração. Cancela-se a multa de ofício sobre débito informado em DCTF objeto de auto de infração.
LANÇAMENTO. AUDITORIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DCTF. INEXISTÊNCIA DO MOTIVO QUE O ENSEJOU.
É improcedente o lançamento de ofício de valores apurados em auditoria de informações prestadas em DCTF quando restar falso o motivo que o sustenta.
Numero da decisão: 3803-000.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª turma especial da TERCEIRA SEÇÃO de JULGAMENTO, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar o lançamento referente aos períodos novembro/1997 e dezembro/1997, e cancelar a aplicação da multa de ofício referente ao período agosto/1997. Vencido o Conselheiro Dr. Ivan Alegretti, que fará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva Presidente Ad Hoc
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Ivan Allegretti.
Nome do relator: CONSELHEIRO BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida DRJCURITIBA/PR ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/1997 a 31/08/1997, 01/11/1997 a 31/12/1997 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. LANÇAMENTO. AUDITORIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DCTF. INEXISTÊNCIA DO MOTIVO QUE O ENSEJOU. É improcedente o lançamento de ofício de valores apurados em auditoria de informações prestadas em DCTF quando restar falso o motivo que o sustenta. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/1997 a 31/08/1997, 01/11/1997 a 31/12/1997 MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando deixe de definilo como infração. Cancelase a multa de ofício sobre débito informado em DCTF objeto de auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª turma especial da TERCEIRA SEÇÃO de JULGAMENTO, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar o lançamento referente aos períodos novembro/1997 e dezembro/1997, e cancelar a aplicação da multa de ofício referente ao período agosto/1997. Vencido o Conselheiro Dr. Ivan Alegretti, que fará declaração de voto. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 32 16 /2 00 2- 50 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.003216/200250 Acórdão n.º 3803000.150 S3TE03 Fl. 163 2 Walber José da Silva – Presidente Ad Hoc (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Ivan Allegretti. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0615.432, de 12 de setembro de 2007, da DRJCuritiba/PR, fls. 105 a 116, que julgou o lançamento procedente, em face da manifestação de inconformidade, fls. 01 a 34. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1997 a 31/08/1997, 01/11/1997 a 31/12/1997 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. A existência de processo judicial, ainda não transitado em julgado, não e óbice h. formalização do crédito tributário, cujo lançamento de oficio é decorrente do caráter vinculado e obrigatório do ato administrativo, não podendo a fiscalização, sob pena de responsabilidade funcional, eximirse de efetuálo. COMPENSAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DE DECISÃO JUDICIAL. NÃOEXTINÇÃO DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. A compensação baseada em decisão judicial não transitada em julgado não extingue os créditos tributários. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobramse multa oficio e juros de mora pelos percentuais legalmente determinados. Lançamento Procedente Cientificada da decisão em 17 de outubro de 2007, irresignada, apresenta recurso voluntário, fls. 120 a 154, em 13 de novembro de 2007, por meio do qual reitera todos os seus argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, para ao final pedir a reforma da decisão que combate, pelas razões a seguir: Fl. 163DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.003216/200250 Acórdão n.º 3803000.150 S3TE03 Fl. 164 3 a) o erro material de informar número de processo judicial diverso do que deveria amparar a vinculação efetuada na DCTF não pode afastar o direito à compensação; b que este direito que persegue emerge das disposições do art. 165 do Código Tributário Nacional, do art. 66 da Lei nº 8.383/91 e do mais moderno entendimento jurisprudencial e doutrinário; c) que essa norma não cuida da compensação a que se refere o art. 170 do CTN, na medida em que não extingue o crédito, sendo, reversível a compensação, mas sim da compensação por autolançamento, por isso, dispensável requerêla; d) o crédito utilizado na compensação decorre da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449/88, devendose apurálo com base nos ditames da LC nº 07/70, observado o critério do faturamento do sexto mês anterior; e) não merece guarida o entendimento do acórdão combatido, que entendeu pela aplicação ao caso em tela das disposições do art. 170A do CTN, posto já ter a decisão no processo nº 97.20.13855/91 transitado em julgado em 09 de outubro de 2003. Também, porque tanto os créditos utilizados na compensação efetuada pela recorrente são originados do período de julho/88 e 09/95, bem anterior à vigência da LC 104/2001, que introduziu o artigo acima. f) insurgese mais uma vez contra a incidência da SELIC como taxa de juros, por ser taxa remuneratória e inconstitucional a sua cobrança sob a forma de atualização monetária, e pleiteia a incidência de juros à base de 1% a.m., com base no art. 161 do CTN; g) inconformase também com a aplicação da multa de ofício de 75%, por ser lesiva aos princípios da proporcionalidade e a outros princípios que regem a orem econômica; h) demais razões pelas quais pede a reforma da decisão dizem com: · a falta de habilitação técnica do Fiscal, por não ser bacharel em Contabilidade, nem tamopuco estar inscrito junto ao Conselho Regional de Contabilidade, requisito imprescindível ao exercício das atividades de um auditor; · a falta de demonstração do enquadramento legal, suscitando cerceamento do direito de defesa; · a lavratura do auto de infração fora do local do domicílio do sujeito passivo. Tudo, nos exatos termos como discorreu na sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.003216/200250 Acórdão n.º 3803000.150 S3TE03 Fl. 165 4 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Preliminares Merece encômios o labor com que se desincumbiu a Defesa em seu instrumento de contestação, reproduzido nesta fase de apelo. Pródigo em seu enfrentamento, ataca cada em flanco onde vislumbra poder desconstruir o ato fazendário. Sem embargo do diligente esforço da recorrente, houvese com habilidade e conhecimento de base o juízo expendido pela instância julgadora de piso. Percutiu com proficiência e minúcia cada ponto abordado na impugnação, e logrou expelir as mínimas nódoas com que fora inquinado o procedimento de auditoria interna da DCTF da contribuinte, sem deixar evidências de viés fazendário, como é devido. No tocante aos argumentos de nulidade do auto de infração, hostilizado nos pontos a seguir, transcrevo os contrapontos erguidos pela decisão de piso, com negritos nas chamadas e nas conclusões de cada um dos assuntos: a) falta de habilitação do auditor fiscal; b) falta de clareza no enquadramento legal, cerceandolhe o amplo direito de defesa; c) inobservância do devido processo legal; e d) inobservância legal de se efetuar o lançamento no lugar de verificação da infração; nada há a reformar na decisão recorrida, nem mesmo a acrescer aos fundamentos fáticos e de direito manejados no julgamento, dos quais me aproprio, segundo os termos abaixo com que os rebate: Em preliminar, devem ser analisadas as argüições de nulidade concernentes à falta de habilitação da autoridade fiscal junto ao Conselho Regional de Contabilidade – CRC; ao cerceamento de direito de defesa pela falta de indicação dos motivos de fato e os dispositivos específicos infringidos; e à lavratura do ato fiscal fora do local do domicílio do sujeito passivo. A interessada discute a possibilidade de o AuditorFiscal da Receita Federal, sem habilitação junto ao Conselho Regional de Contabilidade – CRC, proceder à auditoria da escrita contábil. Os art. 194 e 195 do CTN, que tratam da Administração Tributária e especificamente da atividade de fiscalização, dispõem: Fl. 165DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.003216/200250 Acórdão n.º 3803000.150 S3TE03 Fl. 166 5 “Art. 194. A legislação tributária, observado o disposto nesta Lei, regulará, em caráter geral, ou especificamente em função da natureza do tributo de que se tratar, a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação. (…) Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais dos comerciantes, industriais, ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos.” (Grifouse) Pela simples leitura desses dispositivos, concluise pela improcedência da alegação de que a auditoria fiscal e os exames de documentos pertinentes à matéria tributária somente terão eficácia e validade plena quando realizados por profissional credenciado pelo CRC, posto que o art. 195 transcrito determina não terem efeitos quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de a autoridade administrativa examinar a contabilidade dos contribuintes. Não obstante, há que se esclarecer que, em função da acentuada ligação entre a matéria fiscal e a contabilidade e, também, pelo registro contábil obrigatório de todas as operações da empresa, é que se torna comum ouvirse falar em “auditoria contábil fiscal”, expressão essa que, na realidade, não existe. As auditorias fiscais e as contábeis, não obstante se valerem de técnicas semelhantes, têm objetivos, normas e procedimentos distintos. Logo, não há sentido falarse em “auditor contábil fiscal”. Existem o auditor contábil e o auditor fiscal, profissionais que atuam na área privada e na área pública, respectivamente. Para o exercício da profissão de auditor contábil é mister a formação superior em Ciências Contábeis; já para o Auditor Fiscal é exigida a formação superior em qualquer ciência, isto porque, como se trata de um cargo público, cujo objetivo é verificar o cumprimento das obrigações fiscais de todos os contribuintes, e não só dos que têm escrituração contábil, não poderia ser exclusivo de uma determinada área de conhecimento. O objeto da auditoria contábil é o conjunto dos elementos de controle do patrimônio administrado, os quais compreendem os registros contábeis, papéis, documentos, fichas e anotações que comprovem a veracidade dos registros e a legitimidade dos fatos contábeis, bem assim sua vinculação aos interesses sociais. A auditoria fiscal, por sua vez, como já dito, tem como principal objetivo a verificação do cumprimento das obrigações tributárias do contribuinte, as quais incluem a análise da base Fl. 166DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.003216/200250 Acórdão n.º 3803000.150 S3TE03 Fl. 167 6 de cálculo dos tributos, do montante recolhido e do respectivo prazo, utilizandose, quando for o caso, da escrituração contábil, bem assim dos papéis, livros e demais assentamentos fiscais. A auditoria fiscal pode, inclusive, basearse em informações obtidas fora da empresa, tais como: saldo de fornecedores, de clientes, de bancos, informações cadastrais junto a outras repartições federais, estaduais ou municipais, bem assim colher outros apontamentos junto a entidades privadas que detenham bancos de dados, como jornais e revistas técnicas, associações e confederações patronais, etc. Assim, para verificar o cumprimento das obrigações fiscais dos contribuintes, o AuditorFiscal se serve dos documentos e da contabilidade da empresa. Isso não significa, em hipótese alguma, que esteja desempenhando funções legalmente reservadas aos contadores habilitados, tais como a confecção e a assinatura de demonstrativos contábeis, mas, apenas, servindose do trabalho produzido por estes para sua fiscalização. Para completar tal entendimento, valem ainda os conceitos da legislação dos tributos federais sobre a questão. Ressaltese, de antemão, que o cargo de AuditorFiscal do Tesouro Nacional – AFTN foi transformado no de AuditorFiscal da Receita Federal – AFRF pela Medida Provisória nº 1.915, de 29 de junho de 1999, e reedições, e Medida Provisória nº 46, de 25 de junho de 2002, convertida na Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002. Recentemente, por meio do art. 9º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, foi alterada a denominação de Auditor Fiscal da Receita Federal para Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. Os art. 428, 436 e 443, do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre Produtos Industrializados, assim dispõem (notese que as mesmas disposições, acerca dos AFTN, eram encontradas nos art. 404, 412 e 418 do Decreto nº 2.637, de 25 de junho de 1998, que antes regulamentava a cobrança daquele imposto): “Art. 428. A fiscalização externa compete aos AFRF (Lei nº 4.502, de 1964, art. 93, e Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art.6º ). (…) Art. 436. Dos exames de escrita e das diligências, em geral, a que procederem, os AFRF lavrarão, além do auto de infração ou notificação fiscal, se couber, termo circunstanciado, em que consignarão, ainda, o período fiscalizado, os livros e documentos exigidos e quaisquer outras informações de interesse da fiscalização (Lei nº 4.502, de 1964, art. 95). (…) Fl. 167DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.003216/200250 Acórdão n.º 3803000.150 S3TE03 Fl. 168 7 Art. 443. No interesse da Fazenda Nacional, os AFRF procederão ao exame das escritas fiscal e geral das pessoas sujeitas à fiscalização (Lei nº 4.502, de 1964, art. 107).” Em relação às atribuições dos então AuditoresFiscais do Tesouro Nacional, também há de se levar em consideração o art. 911 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, que regula a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza: “Art. 911. Os AuditoresFiscais do Tesouro Nacional procederão ao exame dos livros e documentos de contabilidade dos contribuintes e realizarão as diligências e investigações necessárias para apurar a exatidão das declarações, balanços e documentos apresentados, das informações prestadas e verificar o cumprimento das obrigações fiscais (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º).” O artigo 142 do CTN, por sua vez, determina: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” (Grifouse) Os textos legais transcritos em momento algum se referem à obrigatoriedade de habilitação junto ao CRC, para que o autuante promova o exame da escrita fiscal das pessoas sujeitas à fiscalização. A simples habilitação como contador por si só também não dá essa prerrogativa e o exame da escrita fiscal é atividade privativa da autoridade administrativa que, no fisco federal, é o AuditorFiscal da Receita Federal. Não restam dúvidas sobre o poder/dever dos auditores fiscais para examinar a contabilidade dos contribuintes, independentemente de habilitação junto ao Conselho Regional de Contabilidade. Observese que os critérios de ingresso definidos pela Lei nº 5.987, de 1973, nas carreiras que especifica, não cabem ser discutidos no presente contencioso, haja vista tratarse de matéria estranha ao processo administrativofiscal. Quanto à reclamada falta de clareza e de enquadramento legal no auto de infração, observase que, ao contrário do alega a peticionária, a Descrição dos Fatos (fl. 38) faz saber que o auto de infração originouse da realização de auditoria interna das DCTF apresentadas pela interessada, em que foram constatadas irregularidades nos créditos vinculados por aquela informados, Fl. 168DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.003216/200250 Acórdão n.º 3803000.150 S3TE03 Fl. 169 8 bastando, portanto, para compreensão do feito, que a contribuinte confrontasse os dados expostos nos demonstrativos de fls. 39/40 com aqueles consignados nas correspondentes cópias das DCTF conservadas pela empresa, para, assim, trazer as provas que confirmassem aquelas declarações e, conseqüentemente, a improcedência da autuação. No detalhamento da irregularidade apurada, consta (fls. 39/40) que a contribuinte declarou débitos de contribuição para o PIS para os quais haveria compensação, em face de processo judicial (períodos de apuração 11/97 e 12/97), ou estaria com a exigibilidade suspensa em face da existência de outro processo judicial (período de apuração 08/97), o que restou não confirmado pela autoridade fiscal, dando ensejo ao lançamento de ofício, por “falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata”. Verificase, assim, a clareza e simplicidade que cercam o procedimento fiscal, proporcionando a perfeita possibilidade de compreensão dos valores lançados, por falta/insuficiência de recolhimento de contribuição devida, apurada a partir da declaração da própria contribuinte. Quanto à alegada “falta de demonstração do enquadramento legal”, é de se destacar que a situação fática – motivo de fato – constatada e descrita pela fiscalização como motivadora do auto de infração é a mera falta de recolhimento de contribuição devida. A disposição legal infringida – motivo de direito –, indicada à fl. 38, nada mais faz do que determinar a obrigatoriedade de recolhimento da referida contribuição. Assim sendo, o fato gerador e seu correspondente enquadramento legal encontramse, à luz do Decreto nº 70.235, de 1972, devidamente citados no auto de infração e retratam, de forma inequívoca, as disposições infringidas, dando fundamento ao lançamento impugnado. A tipicidade do ato ilícito no Direito Fiscal não precisa, necessariamente, de descrição exaustiva na lei. Os deveres ou obrigações fiscais são ex lege e subdividemse em duas espécies: a) pagar contribuição (obrigação principal); e b) cumprir deveres instrumentais (obrigação acessória). A tipicidade do ilícito é encontrada por contraste: a) não pagar contribuição devida; e b) não cumprir deveres instrumentais expressos na legislação. Dessa forma, não assiste razão à impugnante, sendo de se observar que a alegação de cerceamento, além da motivação apresentada, é objeto de divagação por parte da interessada relativamente a supostas ofensas a direitos e garantias prescritos na Constituição Federal de 1988, as quais, por conseqüência do que foi exposto, inexistem. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.003216/200250 Acórdão n.º 3803000.150 S3TE03 Fl. 170 9 No que se refere à acusação de que não foi observado o devido processo legal, limitase a impugnante à alegação, sem demonstrar a ocorrência de irregularidade alguma, chegando ao ponto de suscitar que as provas produzidas (declarações por ela mesma prestadas), em relação à mera falta de recolhimento, foram obtidas por meios ilegais. Acrescentese que não há dispositivos legais citados que não tenham aplicabilidade aos autos, sendo que a fundamentação legal indicada coadunase perfeitamente com a infração constada. Ainda, a impugnante questiona o fato de o auto de infração haver sido lavrado fora de seu estabelecimento, argüindo suposta ofensa ao art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I (…)” (grifouse) No caput do artigo, exigese que a lavratura do auto de infração se faça no local da verificação da falta, o que não significa o local onde a falta foi praticada, mas sim onde foi constatada, nada impedindo, portanto, que isso ocorra no interior da própria repartição ou em qualquer outro local, conforme o caso. Nesse sentido a jurisprudência administrativa do 1º Conselho de Contribuintes, exarada no Acórdão nº 10510.335 de 16/04/1996, assim entende: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Não é nulo o auto de infração lavrado na Sede da Delegacia da Receita Federal, se a repartição dispunha dos elementos necessários e suficientes para a caracterização da infração e formalização do lançamento tributário.” A respeito, Antônio da Silva Cabral ainda esclarece: “A respeito da expressão ‘local da verificação da falta’, alguns contribuintes entendem deva ser aplicada literalmente e a invocam para argüir a nulidade do auto de infração pelo fato de o autuante ter datilografado o documento da autuação no local onde se encontra a repartição, e não na própria empresa ou no domicílio do sujeito passivo. A expressão ‘local da verificação da falta’ não supõe se preencha o instrumento no lugar físico onde a infração foi cometida. A se levar às últimas conseqüências essa tese, caso o fiscal apurasse, por exemplo, omissão de receitas por existência de estoque de madeira não contabilizado, haveria de ir até o local onde está a madeira estocada para aí lavrar o auto, o que é um absurdo.” (Processo Administrativo Fiscal, Editora Saraiva, 1993). Acerca da argumentação de necessidade de se comparecer no estabelecimento para solicitar informações ou proceder a diligências antes de lavrar o auto de infração, obviamente, é Fl. 170DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.003216/200250 Acórdão n.º 3803000.150 S3TE03 Fl. 171 10 improcedente. Não há sentido em se fazer tais alegações se já dispunha a fiscalização de todos os elementos necessários à constatação da irregularidade de falta de recolhimento. É de se observar, nesse ponto, que o direito de contraditório e de ampla defesa foi garantido à interessada pela faculdade de impugnar o lançamento, não tendo havido, assim, prejuízo algum em razão do local de lavratura do auto de infração. Por tudo que foi exposto, não se sustenta pressuposto algum de nulidade, nem qualquer irregularidade a ser sanada, por conseguinte, não devem ser acolhidas as preliminares suscitadas. Mérito A contribuinte aponta como origem do seu crédito de PIS valores pagos a maior com base nos Decretosleis nº 2.445 e 2.449/88, cujo reconhecimento pleiteava na via judicial. Reclama o direito de têlos utilizado em compensação que teria operado à luz do art. 66, da Lei nº 8.383/91. Quanto ao débito de agosto/97, corroboro com o desprovimento da impugnação, pela decisão de piso, em face da tutela administrativa que pretende, para o fim de reconhecer a compensação espontânea que afirma ter procedido, quando o objeto do auto de infração fora a declaração inexata de vincular na DCTF para o dito débito “exigibilidade suspensa”, com indicação do Processo Judicial nº 9400130841, cuja existência não restou comprovada em suas contestações . Neste ponto, não há como reformar a decisão, erigindose a declaração inexata como suporte fático real a sustentar a lavratura do auto de infração. Noutro prisma, não comprova a recorrente ter operado a compensação. Quanto aos demais débitos, indicados como compensados com créditos decorrentes do processo judicial nº 9720138556, façamos algumas considerações: a) a ação foi nomeada de declaratória e a sentença declarou a existência de crédito, “face à inexistência de relação jurídica que obrigue a impetrante a recolher a contribuição para o PIS na forma estabelecida pelos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449/88”, bem como o direito da recorrente em compensar este crédito com valores vincendos da contribuição. E deixou ressalvado o direito da União de verificar a regularidade do procedimento. Ainda que se possa argüir, com parte da doutrina, que “as sentenças declaratórias em matéria tributária promanam efeitos palpáveis, especialmente em casos em que dispensam qualquer providência executória ou mandamental...”, segundo leciona James Marins, o que se extrai desse entendimento é que o exercício desse direito já (e somente) estaria disponível com a publicação da sentença, ressalvada a hipótese de obtenção de antecipação dos efeitos da tutela. A sentença no caso presente foi proferida em 24 de março de 2000, posterior à compensação efetuada pela contribuinte. Na Ação, podese ver que foi negado o pedido de antecipação de tutela. Também, que a apelação da União Federal foi recebida no duplo efeito. Portanto nenhuma compensação poderia ser manejada pelo contribuinte ao tempo em que a procedeu. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.003216/200250 Acórdão n.º 3803000.150 S3TE03 Fl. 172 11 O art. 66, § 4º, da Lei nº 8.383/911, com redação do art. 58 da Lei nº 9.069/95, base legal sobre a qual fundamentouse o pedido da impetrante e a decisão proferida, conferiu à SRF o poder de expedir as necessárias instruções para o cumprimento do que dispôs o caput. Tais instruções foram veiculadas pela Instrução Normativa nº 21/97, que no art. 122 acrescenta ao rol dos créditos restituíveis e ressarcíveis, referidos nos artigos 2º e 3º, os decorrentes de decisão judicial. Anotese, porém, que, de pronto, ali determina que esta tenha trânsito em julgado. Entendo que é sob a regência deste artigo 12 da IN e não do art. 143, que a compensação de crédito objeto de discussão judicial deveria ser operada, a requerimento, pois, da interessada, posto tratarse de crédito carente de mensuração, segundo o critério definido em cada decisão judicial, cujo conteúdo, é cediço, não é uniforme. Pelas razões acima até poderia ser considerada acertada a constituição do crédito tributário em apreço. Contudo, o presente auto de infração peca pela ausência do motivo, porquanto seu fundamento fático é DECLARAÇÃO INEXATA consubstanciada expressão PROC JUD NÃO DE OUTRO CNPJ. E nestes autos, com as cópias das decisões judiciais anexadas, a recorrente comprova ser falso o suporte fático que se apara o auto de infração, sendo ela parte na ação judicial indicada na DCTF. Os atos administrativos devem ser motivados, conforme estabelece o art. 50, III, da Lei nº 9.784/98, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, de uso subsidiário do Processo Administrativo Fiscal. Desse modo, é insubsistente o auto de infração, ainda que a contribuinte não pudesse ter efetuado a compensação, por falta de antecipação de tutela na citada Ação Ordinária, bem como do trânsito em julgado da sentença. Em relação à multa de ofício aplicada, deve a decisão recorrida ser reformada. O tratamento dos dados informados na DCTF, hoje regido pelo art. 10 e parágrafos, da IN SRF nº 903/20084, dando continuidade ao regramento da nova redação dada ao art. 18 da Lei nº 10.833, pela Lei nº 11.488/2007, determina que os valores relativos a vinculações de 1 "Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. [...] § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo." 2 Art. 12. Os créditos de que tratam os arts. 2º e 3º, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado. 3 Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. 4 Art. 10. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1º Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, bem como os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), com os acréscimos moratórios devidos. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.003216/200250 Acórdão n.º 3803000.150 S3TE03 Fl. 173 12 créditos não confirmadas, sejam encaminhados à PGFN para inscrição na Dívida Ativa da União. Sob esse regramento, o comando do art. 90 da MP nº 2.158/2001 deixa de ter em sua hipótese de fato a situação presente, pelo que, sob os auspícios do 106, II, do CTN, “c” deve a nova regra ser aplicada ao caso, em homenagem à retroatividade benigna. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para cancelar o lançamento relativo aos meses de novembro e dezembro/1997, e a multa de ofício sobre o débito referente ao mês de agosto/1997, que fica mantido. Sala das Sessões, em 19 de outubro de 2009 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 173DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10640.000671/2002-69
Data da sessão: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03//1992
FINSOCIAL - PRAZO PARA RESTITUIÇÃO - DEZ ANOS DO PAGAMENTO
No caso de lançamento tributário por homologação, como é o caso da contribuição ao Finsocial e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. No caso em tela, deve ser reconhecido o direito somente quanto ao pagamento realizado em abril de 1992.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3102-000.152
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso. Vencido o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes que negava provimento.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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ementa_s : OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03//1992 FINSOCIAL - PRAZO PARA RESTITUIÇÃO - DEZ ANOS DO PAGAMENTO No caso de lançamento tributário por homologação, como é o caso da contribuição ao Finsocial e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. No caso em tela, deve ser reconhecido o direito somente quanto ao pagamento realizado em abril de 1992. Recurso voluntário provido em parte.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA .k5 7); CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAISsit TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10640.000671/2002-69 Recurso n° 139.345 Voluntário Acórdão n° 3102-00.152 — 1* Câmara / 2' Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2009 Matéria FINSOCIAL - RESSARCIMENTO Recorrente BARBOSA E SANTOS FERRAGENS LTDA. Recorrida DRJ-JUIZ DE FORA/MG ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03//1992 FINSOCIAL - PRAZO PARA RESTITUIÇÃO - DEZ ANOS DO PAGAMENTO No caso de lançamento tributário por homologação, como é o caso da contribuição ao Finsocial e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. No caso em tela, deve ser reconhecido o direito somente quanto ao pagamento realizado em abril de 1992. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da ia CÂMARA /2* TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso. Vencido o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes que negava provimento. 0‘../nexte M RC EL ‘1' TRAJANO D'AMORIM Pr sidente cx..23 MARCELO RIBEIRO 4C-5ÕLJE.I1 Relator Processo n° 10640.000671/2002-69 S3-C1T2 Acórdão n.°3102-00.152 Fl. 83 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Judith do Amaral Marcondes Armando, Beatriz Veríssimo de Sena, Ricardo Paulo Rosa e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. 2 Processo n° 10640.000671/2002-69 83-C11'2 Acórdão n.° 3102-00.152 Fl. 84 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: A contribuinte acima identificada requereu às fls. 01, com juntada de documentos de fls. 02/33, pedido de restituição de Finsocial (09/89 a 03/92), por recolhimentos a maior, em face da inconstitucionalidade das majorações de alíquotas. Às fls. 34/50, foram juntadas peças do processo judicial n° 94.0102441-3 e toda sua movimentação obtida via internet. Por meio do despacho decisório de fls. 52/53, foi indeferida a solicitação pelo decurso do prazo legal para pleitear restituição, qual seja: cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário no caso de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido. Ressalta aquela autoridade que a contribuinte não demonstrou possuir título judicial que lhe confira o direito à restituição. A interessada manifestou sua inconformidade às fls. 62/66. Em resumo, as alegações apresentadas pela reclamante: resta claro que recolheu Finsocial a maior; protocolou pedido de restituição em 25/03/02, junto à SRF; a Câmara Superior de recursos Fiscais, órgão do Ministério da fazenda e segunda instância administrativa, proferiu decisão no sentido que "o termo inicial da contagem do prazo decadencial para o pedido de restituição dos valores indevidamente pagos é a data da publicação do ato administrativo que reconhece o caráter indevido de exação tributária", no caso específico do Finsocial. Traz ainda ementa de decisão proferida no 1° Conselho de Contribuintes; o reconhecimento administrativo de inconstitucionalidade do Finsocial foi publicado em 10/04/1997, portanto, não houve o decurso do prazo na data da protocolização do pedido (25/03/02). A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 DECADÊNCIA. FINSOCIAL. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido 3 Processo n° 10640.000671/2002-69 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.152 Fl. 85 efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Solicitação indeferida. O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relator no julgamento deste processo, na forma da Portaria n° 41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusão em pauta para julgamento deste recurso. É o Relatório. 4 Processo n° I 0640.000671/2002-69 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.152 Fl. 86 Voto Conselheiro MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Relator Conheço do presente recurso por tempestivo e atender aos requisitos legais. O pedido de restituição foi protocolado em 25 de março de 2002, o período de apuração é de setembro de 1989 e abril de 1992, conforme fls. 1/33. Ora o prazo para o contribuinte requerer a restituição de valor pago indevidamente, quando se trata de tributo apurado por homologação é de dez anos contados da data do pagamento indevido. Neste sentido é a mansa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. COMPENSAÇÃO. PIS. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO. LC 118/2005. ART. 3 0. NORMA DE CUNHO MODIFICADOR E NÃO MERAMENTE INTERPRETATIVA. INAPLICAÇÃO RETROATIVA. ENTENDIMENTO DA 1° SEÇÃO. 1. Está uniforme na 1" Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicam-se a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. Não há que se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. Aplica-se, assim, o prazo prescricional nos moldes em que paccado pelo STJ, id est, a corrente dos cinco mais cinco. 2. A ação foi ajuizada em 05/11/1998. Valores recolhidos, a título de PIS, no período de 08/89 a 12/97. Não transcorreu, entre o prazo do recolhimento (contado a partir de 11/1988) e o do ingresso da ação em juízo, o prazo de 10 (dez) anos. Inexiste prescrição sem que tenha havido homologação expressa da Fazenda, atinente ao prazo de 10 (dez) anos (5 + 5), a partir de cada fato gerador da exação tributária, contados para trás, a partir do ajuizanzento da ação. Precedentes desta Corte Superior. 3. Quanto à LC 118/2005, a l a Seção deste Sodalício, no julgamento dos EREsp n° 327043/DF, finalizado em 27/04/2005, posicionou-se, à unanimidade, contra a nova regra prevista no art. 3° da referida Lei Complementar. Decidiu-se que a LC inovou no plano normativo, não se acatando a tese de que a mencionada norma teria natureza meramente interpretativa, restando limitada a sua incidência às hipóteses verificadas após 5 Processo n° 10640.000671/2002-69 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.152 Fl. 87 a sua vigência, em obediência ao princípio da anterioridade tributária. 4. "O art. 3 0 da LC 118/2005, a pretexto de interpretar esses mesmos enunciados, conferiu-lhes, na verdade, um sentido e um alcance difèrente daquele dado pelo Judiciário. Ainda que defensável a "interpretação" dada, não há como negar que a Lei inovou no plano normativo, pois retirou das disposições interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federal. Tratando-se de preceito normativo modificativo, e não simplesmente interpretativo, o art. 3 0 da LC 118/2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência" (EREsp n° 327043/DF, Min. Teori Albino Zavascki, voto-vista). 5. Embargos de divergência conhecidos e não-providos. (EREsp n° 652494/CE, relator Ministro José Delgado, Primeira Seção, DJU de 24.10.2005, pág. 162) Desta forma, estando quase a totalidade do crédito do contribuinte fora do prazo legal para o pedido de restituição é forçoso negar seu pedido ao mencionado crédito, provendo o recurso somente para autorizar o ressarcimento e compensação do valor representado pelo DARF cuja cópia está às fls. 30 destes autos, que foi pago em 1° de abril de 1992, logo, VOTO para conhecer do recurso e prover parcialmente o pedido neste formulado, reconhecendo o direito ao crédito e homologando a compensação declarada somente quanto a referido valor. Sala das Sessões, DF, 27 de março de 2009. (XX., (1"-Z5v--tAA-. °3 • MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA 6 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10580.011402/2006-11
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2002
Ementa: PRELIMINAR — DECADÊNCIA — EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE — nos tributos lançados por homologação, estando presente o evidente intuito fraudulento, a regra decadencial se desloca daquela prevista no parágrafo 4° do artigo 150 para a do artigo 173, I, ambos do CTN.
SIMULAÇÃO. EFEITOS JURÍDICOS.
Caracterizada a simulação, os atos praticados com o objetivo de reduzir artificialmente os tributos não são oponiveis ao fisco, que pode desconsiderá-los.
DESCARACTERIZAÇÃO DE OPERAÇÃO DE VENDA DE AÇÕES EM TESOURARIA COM POSTERIOR PERMUTA COM OUTRA PARTICIPAÇÃO SOCIETARIA — VERDADEIRA ALIENÇÃO DA SEGUNDA PARTICIPAÇÃO.
Comprovado que os atos formalmente praticados, analisados pelo seu todo, demonstram não terem as partes outro objetivo que não se livrar de uma tributação especifica, e seus substratos estão alheios às finalidades dos institutos utilizados ou não correspondem a uma verdadeira vivência dos riscos envolvidos no negócio escolhido, tais atos não são oponiveis ao fisco, devendo merecer o tratamento tributário que o verdadeiro ato simulado produz. Venda de ações em tesouraria (operação isenta de tributação), com posterior permuta dessas ações com outra de posse da própria alienante (cuja alienação seria tributada), traduz verdadeira alienação da segunda participação societária e, não, alienação das ações em tesouraria com posterior permuta destas com aquela.
Dar Provimento ao Recurso de Oficio.
Numero da decisão: 101-96.856
Decisão: ACORDAM os membros da primeira câmara do primeiro conselho de contribuintes, 1) Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso de ofício, restabelecendo a multa qualificada de 150%, vencido os Conselheiros Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Relator), Valmir Sandri e Marcos Vinicius Barros Otoni. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Caio Marcos Cândido nessa parte. 2) Por unanimidade votos, REJEITAR a preliminar de decadência, e NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 Ementa: PRELIMINAR — DECADÊNCIA — EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE — nos tributos lançados por homologação, estando presente o evidente intuito fraudulento, a regra decadencial se desloca daquela prevista no parágrafo 4° do artigo 150 para a do artigo 173, I, ambos do CTN. SIMULAÇÃO. EFEITOS JURÍDICOS. Caracterizada a simulação, os atos praticados com o objetivo de reduzir artificialmente os tributos não são oponiveis ao fisco, que pode desconsiderá-los. DESCARACTERIZAÇÃO DE OPERAÇÃO DE VENDA DE AÇÕES EM TESOURARIA COM POSTERIOR PERMUTA COM OUTRA PARTICIPAÇÃO SOCIETARIA — VERDADEIRA ALIENÇÃO DA SEGUNDA PARTICIPAÇÃO. Comprovado que os atos formalmente praticados, analisados pelo seu todo, demonstram não terem as partes outro objetivo que não se livrar de uma tributação especifica, e seus substratos estão alheios às finalidades dos institutos utilizados ou não correspondem a uma verdadeira vivência dos riscos envolvidos no negócio escolhido, tais atos não são oponiveis ao fisco, devendo merecer o tratamento tributário que o verdadeiro ato simulado produz. Venda de ações em tesouraria (operação isenta de tributação), com posterior permuta dessas ações com outra de posse da própria alienante (cuja alienação seria tributada), traduz verdadeira alienação da segunda participação societária e, não, alienação das ações em tesouraria com posterior permuta destas com aquela. Dar Provimento ao Recurso de Oficio.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2014-01-21T17:44:19Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 6; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2014-01-21T17:44:19Z; Last-Modified: 2014-01-21T17:44:19Z; dcterms:modified: 2014-01-21T17:44:19Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:154114f6-df23-48f9-916e-5fa75d66094e; Last-Save-Date: 2014-01-21T17:44:19Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2014-01-21T17:44:19Z; meta:save-date: 2014-01-21T17:44:19Z; pdf:encrypted: false; modified: 2014-01-21T17:44:19Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2014-01-21T17:44:19Z; created: 2014-01-21T17:44:19Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2014-01-21T17:44:19Z; pdf:charsPerPage: 1829; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2014-01-21T17:44:19Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 10580.011402/2006-11 Recurso n° 163.850 Voluntário Matéria IRPJ e OUTROS - EX: DE 2002 Acórdão n° 101-96.856 Sessão de 13 de agosto de 2008 Recorrente PRONOR PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida 1 0 TURMA DA DRJ DE SALVADORJBA CCOI /CO I Fls. I ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 Ementa: PRELIMINAR — DECADÊNCIA — EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE — nos tributos lançados por homologação, estando presente o evidente intuito fraudulento, a regra decadencial se desloca daquela prevista no parágrafo 4° do artigo 150 para a do artigo 173, I, ambos do CTN. SIMULAÇÃO. EFEITOS JURÍDICOS. Caracterizada a simulação, os atos praticados com o objetivo de reduzir artificialmente os tributos não são oponiveis ao fisco, que pode desconsiderá-los. DESCARACTERIZAÇÃO DE OPERAÇÃO DE VENDA DE AÇÕES EM TESOURARIA COM POSTERIOR PERMUTA COM OUTRA PARTICIPAÇÃO SOCIETARIA — VERDADEIRA ALIENÇÃO DA SEGUNDA PARTICIPAÇÃO. Comprovado que os atos formalmente praticados, analisados pelo seu todo, demonstram não terem as partes outro objetivo que não se livrar de uma tributação especifica, e seus substratos estão alheios às finalidades dos institutos utilizados ou não correspondem a uma verdadeira vivência dos riscos envolvidos no negócio escolhido, tais atos não são oponiveis ao fisco, devendo merecer o tratamento tributário que o verdadeiro ato simulado produz. Venda de ações em tesouraria (operação isenta de tributação), com posterior permuta dessas ações com outra de posse da própria alienante (cuja alienação seria tributada), traduz verdadeira alienação da segunda participação societária e, não, alienação das ações em tesouraria com posterior permuta destas com aquela. Dar Provimento ao Recurso de Oficio. A1TONI P ESIDE -\\ r Processo no 10580.011402/2006-11 Acórdão n.° 101.96.856 CCOI/C0 I Fls. 2 Negar Provimento ao Recurso Voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da primeira câmara do primeiro conselho de contribuintes, 1) Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso de oficio, restabelecendo a multa qualificada de 150%, vencido os Conselheiros Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Relator), Valmir Sandri e Marcos Vinicius Barros Otoni. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Caio Marcos Cândido nessa parte. 2) Por unanimidade votos, REJEITAR a preliminar de decadência, e NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. 10 MARCOS CANDID&" REDATOR DESIGNADO FORMALIZADO EM: Participaram da presente sessão de julgamentos os Conselheiros, SANDRA MARIA FARONI e ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA. Ausentes justificadamente os Conselheiros JOSÉ RICARDO DA SILVA, JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR e SIDNEY FERRO BARROS (Suplente Convocado). 2 Processo n° 10580.011402/2006-11 Acórdão n.° 101-96.856 CCO 1 /CO 1 Fls. 3 Relatório Cuida-se de Recurso de Oficio e de Recurso Voluntário, este de fls. 558/584, interposto pela contribuinte PRONOR PARTICIPAÇÕES S.A. contra decisão da P turma da DRJ em Salvador/BA, de fls. 530/553, que julgou procedente em parte os lançamentos de IRPJ e CSLL de fls. 04/17, relativo ao ano-calendário de 2001, dos quais a contribuinte tomou ciência em 03.01.2007. 0 crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 46.598.221,89, já inclusos juros e multa de oficio de 150%, e tem origem no ganho de capital apurado na alienação de investimento avaliado pelo valor do patrimônio liquido. Conforme Descrição dos Fatos, a contribuinte era detentora de parte do capital social da Isopol Produtos Químicos S.A., na condição de controladora. A Fiscalização afirmou que a contribuinte mantinha ações ordinárias nominativas em tesouraria. Em 21.05.1998, a contribuinte celebrou "Instrumento Particular de Opção de Compra de Ações", onde, em resumo, outorgava e assegurava, em caráter irrevogável e irretratável à Dow Química S.A, a opção de compra daquelas ações. Em 18.04.2001, a Dow Química S.A. exerceu o direito de opção de compra de 2.777 ações ordinárias nominativas que se encontravam em tesouraria, gerando o seguinte lançamento contábil na Contribuinte: Valor RS 66.703.290,58 Débito 2164.0001.00000 - Pronor Petroquimica S.° (Passivo Circ. - Outras Contas a pagar Crédito 2611.0001.00000 - Ganho s/ Alienação de Ações (Pat. Liquido - Reservas de Capital) Segundo informações da contribuinte, o valor recebido pela venda foi de R$ 66.956.763,08, enquanto que a Dow Química S.A. informou ter pago R$ 67.798.993,47. 0 Auditor Fiscal acrescentou que a conta bancária de titularidade da contribuinte junto ao Banco .1 P Morgan, que recebeu os valores relativos à negociação das ações, não consta dos assentamentos contábeis da contribuinte. Ainda de acordo com a Descrição dos Fatos, o "Instrumento Particular de Opção de Compra de Ações" previa que, no ato da compra, as ações da contribuinte que eram mantidas em tesouraria seriam permutadas por ações preferenciais nominativas da Isopol Produtos Químicos S.A, configurando, assim, a alienação de bem integrante do ativo permanente, sujeito à apuração de ganho de capital. Afirmou que, embora tenha havido a alienação de participação societária à Dow Química S.A., relativa ao investimento que a contribuinte detinha na Isopol Produtos Químicos S.A, mediante a permuta de ações, a contribuinte não apurou o correspondente ganho de capital, tendo efetuado os seguintes lançamentos: 3 Processo n° 10580.011402/2006-11 Acórdão n.° 101-96.856 CCO1 /COI Fls. 4 a) Pela permuta de 2.777 Ações Ordinárias de sua emissão pertencentes A Dow Química S.A. pelas ações da Isopol Produtos Químicos S.A.: Valor RS 20.205.509,00 Debito 2611.0001.00000 - Ganho s/ Alienação de Ações (Pat. Liquido - Reservas de Capital) Crédito 2622.0001.00000 - Ordinárias (Patrimônio Liquido - Ações em Tesouraria) b) Pela baixa de sua participação na Isopol Produtos Químicos S.A.: Valor R$ 24.564.783,99 Debito 2622.0001.00000 - Ordinárias (Patrimônio Liquido - Ações em Tesouraria) Crédito 1312.0001.00000 - Isopol Prod. Qufmicos S.A.(Ativo Permanente - Controladas) Afirmou que a contribuinte não apresentou documentação que esclarecesse a natureza do valor lançado no item "a" supracitado. Tal lançamento está incompatível, pois a contribuinte está recebendo as suas próprias ações que foram alienadas A Dow Química S.A. e em contrapartida está entregando as ações da Isopol Produtos Químicos S.A., devendo a conta que registra as ações em tesouraria ter aumentado pelo valor efetivamente pago, não importando qual fosse o seu valor nominal ou patrimonial. Afirmou que o valor pago que deveria ter sido registrado nessa operação seria o valor pago pela Dow Química S.A. (R$ 67.798.993,47), visto que o "Instrumento Particular de Opção de Compra de Ações" previa que se, por qualquer razão, viesse a ser invalidada a opção de compra, relativamente As ações por ela detidas em tesouraria, a opção de compra passaria a abranger as ações da Isopol Produtos Químicos S.A. a serem permutadas pelas ações da holding (Pronor Participações S.A.) opcionadas, sem qualquer acréscimo no preço. Quanto A baixa da participação societária na Isopol Produtos Químicos S.A., constante no item "b", a contrapartida do mesmo deveria ser numa conta de resultado que registrasse o custo de alienação do investimento (ações da Isopol), e não a conta integrante do patrimônio liquido, que registra as ações em tesouraria. Afirmou que os registros contábeis efetuados pela contribuinte tiveram o objetivo de afastar a tributação do ganho de capital obtido com a alienação das ações da Isopol Produtos Químicos S.A. Por fim, afirmou que, para a determinação do valor tributável, os prejuízos fiscais e as bases negativas apurados no ano de 2001 e em anos anteriores foram utilizados na redução da infração apurada, em suas respectivas bases de cálculo, respeitado o limite de 30% estabelecido na Lei n° 8.981/95, determinando que a contribuinte proceda A baixa dos mesmos no Lalur e nos controles da base negativa da CSLL. A contribuinte apresentou a impugnação de fls. 481/506. Em suas razões, a contribuinte alegou que os registros contábeis realizados refletiram as operações efetuadas. Inclusive, a correção dos lançamentos contábeis dessa operação foi atestada por empresa de auditoria independente, conforme parecer contábil que anexa. 4 Processo n° 10580.011402/2006-11 Acórdão n.° 101-96.856 CCOI /CO 1 Fls. 5 Suscitou a nulidade do lançamento quanto à imposição da multa qualificada, sob o fundamento de que não foram apresentados fundamentos que a suportem. Acrescentou que não foi comprovado qualquer ato fraudulento ou evidente intuito de praticá-lo. Alegou a decadência do crédito tributário, pelo decurso do prazo decadencial, nos termos do art. 150, § 4° do CTN. No mérito, alegou a não incidência do IRPJ e da CSLL na operação de venda de ações em tesouraria e na permuta realizada pela contribuinte. 0 art. 442, IV do RIR determina que não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte, com a forma de companhia, receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a titulo de lucro na venda de ações em tesouraria. A permuta, por sua vez, a simples troca de bens, inclusive de ações, não gera ganho a qualquer das partes. Ratificou o entendimento de que os lançamentos contábeis foram realizados de forma legal, demonstrando todas as operações realizadas. O preço atribuído A venda de ações em tesouraria, de fato, foi de R$ 67.798.993,47, conforme informado pela Dow Química S.A., e não R$ 99.956.763,08, como constou em sua contabilidade. De fato, o lançamento foi efetuado pelo seu valor liquido. Todavia, o erro da contribuinte não importou qualquer efeito tributário. Os valores recebidos foram de R$ 66.956.793,08 (R$ 66.703.290,58 + R$ 253.472,50), depositados em conta bancária, acrescidos de R$ 842.230,39, por meio de pagamento de DARF, por conta e ordem da contribuinte, conforme cópia As fls. 212. Afirmou que os valores de R$ 253.472,50 e R$ 842.230,39 referem-se a CPMF e ao IRRF, respectivamente, relativos A quitação do empréstimo contraído pela contribuinte junto ao Banco JP Morgan. Assim, a falta de contabilização dos valores não trouxe beneficio A contribuinte, uma vez que, se tais receitas fossem tributáveis, os valores dos tributos poderiam ter sido aproveitados como despesas dedutiveis. Com relação à falta de contabilização da conta bancária mantida junto ao Banco JP Morgan, esclareceu que as operações foram contabilizadas corretamente. A contribuinte efetuou lançamento unificado, registrando o valor recebido pela venda das ações em tesouraria diretamente em contrapartida da quitação de seu empréstimo contraído junto ao Banco JP Morgan. Ademais, a Fiscalização não encontrou nenhuma dificuldade em identificar a entrada e saída de recursos, tendo a contribuinte apresentado todas as informações solicitadas e os extratos bancários da conta bancária em questão. A DRJ julgou procedentes em parte os lançamentos As fls. 530/553. Em suas razões, afastou a preliminar de decadência, por entender que, diante da ausência do pagamento das obrigações tributárias, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, I do CTN, de modo que o lançamento poderia ser efetuado até 31.12.2007 em relação ao IRPJ. Já com relação à CSLL, afirmou que o prazo decadencial das contribuições sociais é de dez anos, nos termos da Lei n° 8.212/91, podendo, assim, a Fazenda ter efetuado o lançamento até 31.12.2001. A decisão recorrida afastou as preliminares de nulidade, sob o argumento de que somente ensejam a nulidade do procedimento administrativo os atos e termos lavrados por servidor incompetente ou com preterição do direito de defesa, o que no caso, não ocorreu. 5 Processo n° 10580.011402/2006-11 Acórdão n.° 101 -96.856 CCO 1/col Fls. 6 No mérito, manteve os lançamentos de IRPJ e da CSLL. Afirmou que o lançamento refere-se ao ganho de capital auferido na operação de permuta de ações, e não na alienação de ações em tesouraria. A regra isentiva, que exclui a tributação do lucro auferido na venda em ações em tesouraria, nib se aplica à permuta, devendo ser aplicada restritivamente, em conformidade com o art. 111 do CTN. Acrescentou que na permuta de ações envolvendo ações representativas do capital de empresas outras, o valor a ser adotado para fins de apuração do resultado não deve ser o valor nominal das ações negociadas, mas o valor de aquisição das ações cedidas, em confronto com o valor atribuído As ações recebidas na permuta. Em decorrência, concluiu que se o preço de aquisição das ações em tesouraria e o preço de permuta das ações previsto contratualmente é o mesmo para qualquer das operações, o valor a ser adotado na permuta deve ser o mesmo da operação de venda de ações, qual seja, R$ 67.798.993,47. Conseqüentemente, sendo R$ 24.564.783,99 o custo do investimento alienado (ações da Isopol), o lucro na alienação (permuta) deveria ser reconhecido contabilmente e oferecido à tributação. Por fim, afastou a aplicação da multa qualificada, por entender que o procedimento adotado pela contribuinte consistiu em mero equivoco, afirmando que a documentação apresentada pela contribuinte demonstram as operações realizadas, as quais não foram contestadas pela autoridade lançadora, inexistindo a figura do dolo. Ademais, a Fiscalização não indicou o artigo da Lei n° 8.137/90 que a conduta da contribuinte se enquadraria, citando a referida Lei de forma genérica. A contribuinte, devidamente intimada da decisão recorrida em 14.11.2007, conforme faz prova o AR de fls. 557, interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 558/584, em 13.12.2007. Em suas razões, a contribuinte ratificou a preliminar de decadência, afirmando que a aplicação do prazo constante no § 4 0 do art. 150 do CTN independe da existência de pagamento prévio. Ratificou as alegações de sua impugnação no sentido de que, no presente caso, inexistiu ganho de capital na permuta de ações, por entender que a referida operação constituiu mera troca de ativos, sem qualquer realização de resultado que caracterizasse ganho de capital. Por fim, afirmou que a multa qualificada é indevida, pela inexistência de conduta dolosa pelo sujeito passivo. Ademais, a própria decisão recorrida reconheceu que a Fiscalização não indicou a conduta dolosa da contribuinte, o que acarretou em vicio formal do lançamento. o relatório. 6 . Processo n° 10580.011402/2006-11 Acórdão n.° 101-96.856 CCO I/C0 I Fls. 7 Voto Vencido Conselheiro ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO, Relator 0 Recurso de Oficio e o Recurso Voluntário preenchem os requisitos de admissibilidade, razão de seu conhecimento. 0 direito da Fazenda Pública de realizar o lançamento, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, está previsto no art. 150 do C'TN, cujo teor é o seguinte: "Art. 150 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa". 1...1 Parágrafo quarto — Se a lei não fixar prazo 6 homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirando esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação". Desse modo, o prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários de IRPJ e de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4 0, do CTN, salvo se ocorrido dolo, fraude ou simulação. Na análise do presente caso, portanto, deve-se examinar, primeiramente, se houve ocorrência de dolo, fraude ou simulação, hipóteses em que o prazo decadencial é contado na forma prevista no artigo 173 do CTN. Caso venha a ser afastada a aplicação da multa qualificada na presente causa, em razão da inocorréncia de dolo, fraude ou simulação, entendo que, à época da lavratura do presente Auto de Infração, o crédito tributário por ele constituído, relacionado ao fato gerador ocorrido no ano-calendário de 2001, estaria atingido pelo instituto da decadência. A qualificação da multa, ademais, é o objeto do Recurso de Oficio. A comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação e, por conseguinte, a aplicação da multa qualificada, no caso concreto, portanto, devem ser as primeiras questões a serem analisadas. Para que seja aplicada a multa qualificada de 150% é necessário que se caracterize o evidente intuito de fraude, como determina o art. 44, II, da Lei 9430/97. A Lei n° 4.502, de 1964, estabelece o seguinte: "Art. 71 — Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: 7 Processo n° 10580.011402/2006-11 Acórdão n.° 101-96.856 CCO 1/C0 1 Fls. 8 1— da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, na sua natureza ou circunstâncias materiais; II — das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal, na sua natureza ou circunstância materiais. Art. 72 - Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 — Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. No presente caso, entendo que não restou caracterizada a ocorrência de dolo pelo sujeito passivo. A idoneidade das operações realizadas pela contribuinte não foi questionada pela Fiscalização, servindo, inclusive, de base para o lançamento efetuado. Acrescente-se que a venda de ações em tesouraria e a permuta de ações indicada no "Instrumento Particular de Compra de Ações" foram devidamente contabilizadas pela contribuinte, sendo contestados, apenas, os lançamentos contábeis realizados pela contribuinte e os valores atribuidos ao custo dos investimentos, por ocasião da permuta. As figuras da fraude do dolo e da simulação devem sempre estar comprovadas, fato que não se configura no presente caso. Paulo de Barros Carvalho, em seu livro Curso de Direito Tributário, 14a edição, As pig. 510/511, conclui o seguinte quanto ao ônus da prova no caso de constatação de dolo fraude ou simulação pelo Fisco: "0 discrime entre infrações objetivas e subjetivas abre espaço a larga aplicação prática. Tratando-se da primeira, o único recurso de que dispõe o suposto autor do ilícito, para defender-se, é concentrar razões que demonstrem a inexistência material do fato acoimado de antijuridico, descaracterizando-o em qualquer de seus elementos constituintes. Cabe-lhe a prova, com todas as dificuldades que lhe são inerentes. Agora, no setor das infrações subjetivas, em que penetra o dolo ou a culpa na compostura do enunciado descritivo do fato ilícito, a coisa se inverte, competindo ao Fisco, com toda a gama instrumental dos seus expedientes administrativos, exibir os fundamentos concretos que revelem a presença do dolo ou da culpa, como nexo entre a participação do agente e o resultado material que dessa forma produziu. Os embaraços dessa comprovação, que nem sempre é fácil, transmudam-se para a atividade fiscalizadora da Administração, que lerá a incumbência intransferível de evidenciar não só a materialidade do evento como, também, o elemento volitivo que propiciou ao infrator atingir seus fins contrários eis disposições da ordem jurídica vigente. As dificuldades a que nos reportamos, sejam as experimentadas pelo sujeito passivo, no caso de impugnar pretensões punitivas por ilícitos de natureza objetiva, sejam aquelas outras que os funcionários da 8 Processo n° 10580.011402/2006-1 I Acórdão n.° 101 -96.856 CCO 1/CO I Fls. 9 fiscalização tributária enfrentam para certificar a infração subjetiva, nem sempre são adequadamente suplantadas. Nos autos de infração, o agente limita-se a circunscrever os caracteres jácticos, fazendo breve alusão ao cunho doloso ou culposo da conduta do administrado. Isto não basta. Ifez de provar, de maneira inequívoca, o elemento subjetivo que integra o fato típico, com a mesma evidência com que demonstra a integração material da ocorrência fáctica. É justamente por tais argumentos que as presunções não devem ter admissibilidade no que tange cis infrações subjetivas. 0 dolo e a culpa não se presumem, provam-se." Entendo que a fiscalização não trouxe para os autos, de maneira inequívoca, o elemento subjetivo que integra o fato típico que autoriza a qualificação da multa. Inexistindo prova inequívoca nos autos, portanto, confirmando que o Recorrente cometeu alguma ação ou omissão dolosa visando impedir a ocorrência do fato gerador do imposto, mediante modificação de suas características essenciais, para reduzir o montante do imposto devido, hipótese que justificaria a aplicação da multa qualificada, tipificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, deve ser a multa reduzida para o percentual normal de lançamento de oficio, afastando-se de pleno a exigência da multa qualificada imposta sob o argumento de fraude A Fazenda Pública. 0 suposto equivoco da contribuinte na contabilização das operações efetuadas, ainda que resulte em redução de imposto a pagar, não autoriza a aplicação de multa qualificada quando não restar cabalmente comprovada a intenção do contribuinte em mascarar a obrigação tributária. Dessa maneira, diante da ausência de comprovação do dolo por parte da contribuinte, entendo que deve ser afastada a aplicação da multa qualificada. Assim, diante da inocorrencia de fraude, dolo ou simulação, o prazo decadencial deve ser contado nos termos § 40 do art. 150 do CTN. Esclareça-se que no caso dos tributos sujeito ao regime do lançamento por homologação, a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de efetuar o pagamento antes que a autoridade o lance, cabendo A Fazenda homologar tal dever, expressamente ou tacitamente, pelo decurso do prazo de 5 anos, contados do fato gerador. Ocorrido o fato gerador, já nasce para o sujeito passivo a obrigação de apurar e liquidar o tributo, sem qualquer participação do sujeito ativo, que, de outra parte, já tem o direito de investigar a regularidade dos procedimentos adotados pelo sujeito passivo a cada fato gerador, independente de qualquer informação ser-lhe prestada, e independentemente do pagamento realizado pelo contribuinte. Frise-se que, conforme indicado no caput do art. 150 do CTN, o que se homologa e a própria atividade do contribuinte. Na apuração do ganho de capital, o fato gerador da obrigação tributária reporta- se A data da alienação de bens e direitos, devendo ser esse o marco inicial para a contagem do prazo constante no art. 150, § 40 do CTN. Assim, considerando que a permuta de ações ocorreu em 18.04.2001, entendo que, A época do lançamento, do qual a contribuinte tomou ciência apenas em 03.01.2007, conforme AR de fls. 462, já havia decaído o direito da Fazenda de constituir o crédito tributário de IRPJ, pelo decurso de prazo superior a cinco anos. 9 Processo n° 10580.011402/2006-11 Acórdão n.° 101-96.856 CCOI/C01 Fls. 10 Do mesmo modo, aplica-se à CSLL o prazo decadencial de cinco anos previsto no Código Tributário Nacional. 0 art. 146, III, "h" da Constituição Federal determina que a matéria relativa a decadência em matéria tributária é reservada a Lei Complementar, de modo que, a falta de lei complementar especifica dispondo sobre a matéria, ou de lei anterior recebida pela Constituição, a Fazenda Pública deve seguir as regras de caducidade previstas no Código Tributário Nacional para o lançamento das contribuições sociais. Ademais, em 12.06.2008, o Supremo Tribunal Federal sumulou o entendimento de que os dispositivos da Lei no 8.212/91 que tratam dos prazos de prescrição e decadência em matéria tributária são inconstitucionais, nos seguintes termos: Súmula Vinculante n°8 "Silo inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Isto posto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Oficio e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para reconhecer a decadência do crédito tributário, cancelando-se integralmente a exigência. Sala das Sessões, em J3-kle sto de 2008. ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO Voto Vencedor Conselheiro CAIO MARCOS CANDIDO, Redator. No julgamento do recurso voluntário n° 163850, restou vencido o Conselheiro Relator, que confirmava a decisão de primeira instância, negando provimento ao recurso de oficio, por entender que não estaria presente o evidente intuito fraudulento, requisito fundamental para a qualificação da multa de oficio aplicada no percentual de 150%. Em conseqüência da desqualificação da multa entendeu o Conselheiro Relator que a Fazenda Nacional teria perdido o direito de constituir o crédito tributário pelo decurso do prazo decadencial de cinco anos a contar da data da ocorrência do fato gerador, na forma do parágrafo 4° do artigo 150 do CTN. Por maioria de votos a Primeira Câmara de Contribuintes entendeu de forma diferente, pelo quê restou a mim a elaboração do voto vencedor, em relação aos pontos de discussão citados. Reproduzo a descrição dos fatos trazida pelo voto vencido: Conforme Descrição dos Fatos, a contribuinte era detentora de parte do capital social da Isopol Produtos Químicos S.A., na condição de controladora. 10 Processo n° 10580.011402/2006-11 Ac6rdio n.° 101-96.856 CCOI/C01 Fls. 11 A Fiscalização afirmou que a contribuinte mantinha ações ordinárias nominativas em tesouraria. Em 21.05.1998, a contribuinte celebrou "Instrumento Particular de Opção de Compra de Ações", onde, em resumo, outorgava e assegurava, em caráter irrevogável e irretratável à Dow Química S.A, a opção de compra daquelas ações. Em 18.04.2001, a Dow Química S.A. exerceu o direito de opção de compra de 2.777 ações ordinárias nominativas que se encontravam em tesouraria(...) Segundo informações da contribuinte, o valor recebido pela venda foi de R$ 66.956.763,08, enquanto que a Dow Química S.A. informou ter pago R$ 67.798.993,47. 0 Auditor Fiscal acrescentou que a conta bancária de titularidade da contribuinte junto ao Banco J P Morgan, que recebeu os valores relativos à negociação das ações, não consta dos assentamentos contábeis da contribuinte. Kilda de acordo com a Descrição dos Fatos, o "Instrumento Particular de Opção de Compra de Ações" previa que, no ato da compra, as ações da contribuinte que eram mantidas em tesouraria seriam permutadas por ações preferenciais nominativas da Isopol Produtos Químicos S.A, configurando, assim, a alienação de bem integrante do ativo permanente, sujeito i apuração de ganho de capital. Afirmou que, embora tenha havido a alienação de participação societária á Dow Química S.A., relativa ao investimento que a contribuinte detinha na Isopol Produtos Químicos S.A, mediante a permuta de ações, a contribuinte não apurou o correspondente ganho de capital (...). Afirmou que a contribuinte não apresentou documentação que esclarecesse a natureza do valor lançado no item "a" supracitado. Tal lançamento está incompatível, pois a contribuinte está recebendo as suas próprias ações que foram alienadas i Dow Química S.A. e em contrapartida está entregando as ações da Isopol Produtos Químicos S.A., devendo a conta que registra as ações em tesouraria ter aumentado pelo valor efetivamente pago, não importando qual fosse o seu valor nominal ou patrimonial. Afirmou que o valor pago que deveria ter sido registrado nessa operação seria o valor pago pela Dow Química S.A. (R$ 67.798.993,47), visto que o "Instrumento Particular de Opção de Compra de Ações" previa que se, por qualquer razão, viesse a ser invalidada a opção de compra, relativamente is ações por ela detidas em tesouraria, a opção de compra passaria a abranger as ações da Isopol Produtos Químicos S.A. a serem permutadas pelas ações da holding (Pronor Participações S.A.) opcionadas, sem qualquer acréscimo no preço. Quanto à baixa da participação societária na Isopol Produtos Químicos S.A., constante no item "b", a contrapartida do mesmo deveria ser numa conta de resultado que registrasse o custo de alienação do investimento (ações da Isopol), e não a conta integrante do patrimônio liquido, que registra as ações em tesouraria. Afirmou que os registros contábeis efetuados pela contribuinte tiveram o objetivo de afastar a tributação do ganho de capital obtido com a alienação das ações da Isopol Produtos Químicos S.A. Ou seja, ao final a recorrente alienou sua participação societária em Isopol, mantendo em seu poder as ações de sua emissão. Desde o inicio o verdadeiro intuito negocial era a alienação das ações que detinha em Isopol e não aquelas que mantinha em tesouraria. Esta E. Câmara tem se manifestado firmemente no sentido de que não basta o aspecto formal da operação, mas sim a detecção da real vontade buscado pela seqüência de atos I I Processo no 10580.011402/2006-11 Acórdão n.° 101 -96.856 CCO 1 /CO 1 Fls. 12 que formaram a operação, ou seja, restando comprovado que os atos formalmente praticados, analisados pelo seu todo, demonstram não terem as partes outro objetivo que não se livrar de uma tributação especifica, estando seus substratos alheios As finalidades dos institutos utilizados ou não correspondem a uma verdadeira vivência dos riscos envolvidos no negócio escolhido, tais atos não são oponiveis ao fisco, devendo merecer o tratamento tributário que o verdadeiro ato simulado produz. No caso sob análise a venda de ações em tesouraria (operação isenta de tributação), com posterior permuta dessas ações com outra de posse da própria alienante (cuja alienação seria tributada), traduz verdadeira alienação da segunda participação societária e, não, a alienação das ações em tesouraria com posterior permuta destas com aquela. A vontade formalmente manifestada foi a alienação de ações em tesouraria para a Dow, com posterior permuta daquelas ações com a participação societária da recorrente em Isopol. No entanto, pelo que se pode verificar nos autos a verdadeira motivação negocial, que se pretendeu esconder do Fisco, foi a alienação direta da participação societária que a recorrente detinha em Isopol para a Dow. Caracterizada a simulação, os atos praticados com o objetivo de reduzir artificialmente os tributos não são oponiveis ao fisco, que pode desconsiderá-los. Em se concluindo pela existência, in casu, da simulação, resta comprovado o evidente intuito fraudulento da recorrente o que impõe a qualificação da multa de oficio, sendo vejamos. A imposição de multa de oficio pela falta de pagamento ou recolhimento de tributo, pela falta de declaração ou nos casos de declaração inexata encontra-se prevista no inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, com redação dada pela Lei n° 11.487/2007, passando a regular a matéria da seguinte maneira, verbis: Art. 14. 0 art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformando-se as alíneas a, b e c do § 2° nos incisos I, lIe "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 1Q 0 percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo sere': duplicado nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nQ 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A qualificação da multa ao percentual de 150% depende de estar presente uma das figuras previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n°4.502/1964: sonegação, fraude ou conluio. ' Processo n°10580.011402/2006-11 Acórdão n.° 101-96.856 CCOI/C0 1 Fls. 13 •• I Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendiria: 1 - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; 11 - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas, naturais ou jurídicas, visando a qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. A simulação descrita nos autos se subsume is previsões do artigo 71, I - sonegação, e 72, fraude, supra referidos, portanto é de se DAR provimento ao recurso de oficio para restabelecer a qualificação da multa de oficio aplicada para o percentual de 150%. Passemos à análise da suscitada decadência do direito da Fazenda Nacional em constituir o crédito tributário. A jurisprudência administrativa deste E. Conselho é pacifica em afirmar que o IRPJ, a partir da edição da Lei n° 8.383/1991, é tributo lançado na modalidade de homologação. Em assim sendo, a regra decadencial a ser aplicada é aquela prevista no parágrafo 4° do artigo 150 do CTN, ou seja, 05 anos a contar da data do fato gerador da obrigação tributária, salvo na ocorrência do evidente intuito fraudulento, com o quê a regra se deslocaria para a regra geral de decadência contida no artigo 173, Ido mesmo Código. Estando provado o evidente intuito fraudulento, como restou consignado acima, a regra decadencial se transfere daquela prevista no parágrafo 4° do artigo 150 para a do inciso I do artigo 173, I, ambos do CTT, por força da expressa previsão contida naquele. Vejamos o conteúdo de tais dispositivos: Art. 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato ern que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (..) § 4" Se a lei não fixar prazo a homologação, sera ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ** Processo n° 10580.011402/2006-11 Acórdão n.° 101-96.856 CCOI/C01 Fls. 14 Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado Conforme visto a recorrente optou no período autuado pela apuração pelo lucro real anual, tendo o fato gerador ocorrido em 31 de dezembro de 2001. 0 prazo decadencial começa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado: 01 de janeiro de 2002, portanto, o primeiro dia do exercício seguinte começaria a contar o prazo decadencial de cinco anos: 01 de janeiro de 2003. 0 Fisco tinha o direito de constituir o crédito tributário ate 31 de dezembro de 2007 e o fez tempestivamente em 03 de janeiro de 2007. A discussão de mérito coincidiu com a discussão da ocorrência de simulação e da tributação do ganho auferido na operação que se pretendia realizar desde o inicio. Pelo exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar de decadência, para no mérito, DAR provimento ao recurso de oficio e NEGAR provimento ao recurso voluntário. das Sessões, 13 de agosto de 2O j1 COS CANpILO REDATOR DESIGN ( 14
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