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Numero do processo: 15540.000290/2010-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RECURSO DE OFÍCIO. NÃO ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS.
Não devem ser acolhidos os Embargos de Declaração, uma vez que a insuficiência probante destes autos torna impossível a responsabilização tributária pessoal do síndico da massa falida, não identificados o excesso de poder ou infração à lei em seus atos ou omissões. Da decisão que positiva a ausência de responsabilidade, mantida a obrigação do sujeito passivo, não há que se falar em julgamento de Recurso de Ofício pelo CARF, por força do art. 70 do Decreto nº 7.574/11.
Numero da decisão: 1201-001.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não acolher os embargos opostos.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RECURSO DE OFÍCIO. NÃO ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS. Não devem ser acolhidos os Embargos de Declaração, uma vez que a insuficiência probante destes autos torna impossível a responsabilização tributária pessoal do síndico da massa falida, não identificados o excesso de poder ou infração à lei em seus atos ou omissões. Da decisão que positiva a ausência de responsabilidade, mantida a obrigação do sujeito passivo, não há que se falar em julgamento de Recurso de Ofício pelo CARF, por força do art. 70 do Decreto nº 7.574/11.
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RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RECURSO DE OFÍCIO. NÃO ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS. Não devem ser acolhidos os Embargos de Declaração, uma vez que a insuficiência probante destes autos torna impossível a responsabilização tributária pessoal do síndico da massa falida, não identificados o excesso de poder ou infração à lei em seus atos ou omissões. Da decisão que positiva a ausência de responsabilidade, mantida a obrigação do sujeito passivo, não há que se falar em julgamento de Recurso de Ofício pelo CARF, por força do art. 70 do Decreto nº 7.574/11. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não acolher os embargos opostos. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 02 90 /2 01 0- 31 Fl. 350DF CARF MF 2 Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 1201000.774 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 CERCEAMENTO NO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Descabe a alegação de cerceamento no direito de defesa, haja vista que o sindico da massa falida foi cientificado do auto de infração e do relatório fiscal, bem como de todas as intimações necessárias para elaboração do lançamento. Para eventuais extratos bancários necessários à preparação da impugnação, o sindico poderia ter solicitado cópias na repartição em que se encontrava os autos do processo, durante o prazo para apresentação de seus argumentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Por meio do art. 42 da Lei 9.430/1996 passouse a se caracterizar omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem destes recursos. Tratase de presunção legal que, intimado a prestar os esclarecimentos, o ônus da prova passa a ser do sujeito passivo. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS COMERCIAIS. Intimado o contribuinte não apresenta os livros e documentos comerciais, o procedimento correto é o arbitramento do lucro. Como base de cálculo podese tomar os depósitos bancários sem comprovação das origens, em decorrência de sua caracterização como omissão de receita, por expressa disposição legal. MULTA DE OFÍCIO NÃO APLICAÇÃO. O artigo 23, inciso III do Decreto Lei nº 7.661/45, enunciou a Súmula n° 192 do STF, segundo a qual não se inclui na falência a multa fiscal com efeito de pena administrativa. Avançando na interpretação da matéria, em sessão de 14/08/1975 o STF enunciou a Súmula n° 565, dispondo que: “a multa fiscal moratória constitui pena administrativa, não se incluindo no crédito habilitado em falência.” Fl. 351DF CARF MF Processo nº 15540.000290/201031 Acórdão n.º 1201001.837 S1C2T1 Fl. 3 3 Ademais, aplicase a Súmula nº 14 do CARF nas operações em que a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Nos autos, a fiscalização deixou de aprofundar com a investigação, pautandose apenas em presunção para se concluir pela existência do dolo, e isso não é autorizado por esse E. Tribunal. LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS, COFINS E CSLL. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, o decidido no lançamento matriz aplicase aos lançamentos reflexos. Recurso parcialmente provido. Em síntese, a Fazenda Nacional pugna pelo reconhecimento de omissão e contradição nos seguintes pontos: 1) competência do CARF em sede de recurso de ofício; 2) procedimento da imputação de sujeição passiva; 3) responsabilidade tributária do Síndico da Massa Falida. Quanto ao primeiro ponto (1), arguise que o r. acórdão da d. DRJ afastou a responsabilidade tributária do síndico da massa falida, alcançando o crédito tributário mantido pela d. DRJ valor superior ao estabelecido pela Portaria MF nº 03, de 03/01/2008, razão pela qual caberia à Autoridade Julgadora se manifestar a respeito da cognição do recurso de ofício. Com relação à segunda questão destacada (2), alegase que a ausência de autuação do termo de sujeição passiva solidária em desfavor do síndico da massa Falida constitui mera irregularidade, de modo que seria descabido o pronunciamento de qualquer nulidade. Por fim, sustentase, quanto ao terceiro ponto acima elencado (3), que o conjunto probatório carreado aos autos pelo Fisco tornaria irrefutável a responsabilidade tributária do Síndico e também assim demonstraria provimentos judiciais transcritos, restando patente os atos praticados com excesso de poderes ou infração à Lei, conforme exige o CTN, art. 135, c/c o RIR/99, art. 210, inciso II. Os Embargos foram admitidos por este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado – Relator Fl. 352DF CARF MF 4 Admissibilidade Os embargos de declaração interpostos são tempestivos e encontramse revestidos das formalidades legais cabíveis merecendo serem apreciados. Mérito A Fazenda Nacional levanta uma questão sutil, que deve ser observada de modo imparcial, limitandose a análise do quanto presente nestes autos, levando em conta as provas, documentos e alegações trazidas durante o processo fiscalizatório. A ora embargante traz à tona, por meio de seus embargos declaratórios, provimentos judiciais dentre os quais são apontados inéditos elementos probantes. Indicase, através de decisão nos autos do processo nº 001398767.2002.8.08.0024, que o síndico da massa falida fora destituído, sob patente violação aos arts. 162 e 169 do Decreto Lei nº 7661/75 (Antiga Lei de Falências). Naquela ocasião, demonstrouse a total desídia quanto aos deveres que lhe incumbiam e quanto aos interesses da massa. Da decisão recorreu o dito cujo, mas o respectivo Agravo de Instrumento nº 024119019289 fora desprovido. Ocorre que: i) o presente julgador não tem acesso aqueles autos, não constando neste processo administrativo cópias daqueles provimentos judiciais; ii) não se tem conhecimento se fora interposto recurso da decisão/acórdão do agravo de instrumento para os Tribunais Superiores, ou seja, não se sabe ao certo se transitou em julgado definitivamente a sentença firmando a destituição do síndico da massa falida; iii) não há, portanto, nos autos desta demanda, um conjunto probatório hábil a exprimir a negligência (ou não) do síndico, partindose do pressuposto lógico de que a ausência de manifestação quanto às intimações feitas não perfaz propriamente infração à lei ou excesso de poder capaz de responsabilizálo pessoalmente na seara tributária. Estas assertivas apenas evidenciam a impossibilidade de aplicação, neste caso concreto, dos arts. 134 e 135 do CTN. Ora, a manifestação concreta destes dispositivos legais quer supor a responsabilização tributária como conseqüência à identificação de uma ação ou omissão do sujeito com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, e ainda tendo como premissa a impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte. No presente caso não se vislumbra a impossibilidade de cumprimento da obrigação tributária pelo contribuinte principal, bem como não há maneira de atestarse, diante da documentação levantada pela fiscalização e juntada pelas partes, que o síndico, em seus atos ou omissões, incorreu em excesso de poderes ou infração à lei. A jurisprudência do CARF acena exatamente no sentido de que é essencial a comprovação dos elementos “infração à lei” ou “excesso de poderes” como pressupostos à responsabilização tributária: Fl. 353DF CARF MF Processo nº 15540.000290/201031 Acórdão n.º 1201001.837 S1C2T1 Fl. 4 5 ILEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO SÍNDICO. Não comprovados os atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, deve ser rejeitada a preliminar de ilegitimidade passiva. (Acórdão n° 180400021 4ª Turma Especial 19 Março de 2009) Ainda que se repute que a decisão judicial transcrita pela Fazenda Nacional nestes aclaratórios é firme no sentido de identificar patente infração à Lei de Falências (Lei nº 11.101/05), o que ensejaria a responsabilização pessoal do síndico, não há como atribuir este dever concorrente de pagamento, dada a fragilidade documental e informacional dos presentes autos neste sentido. O procedimento fiscalizatório não faz sequer menção à responsabilidade elencada nos termos do art. 135 do CTN (inciso I), tampouco profere qualquer juízo ou conclusão acerca do comportamento do síndico neste momento, de modo que os autos como um todo passam a refletir tal omissão. Assim, quando da constituição definitiva do crédito tributário, não há também a lavratura de termo de sujeição passiva, como natural decorrência do não direcionamento do trabalho fiscal para este norte. Não há como determinar com objetividade se a omissão de receitas presumida pelo Fisco representa negligência do síndico, ou se sucede à mágestão da empresa já em períodos passados, refletindo em datas futuras de maneira incontrolável (ou controlável, mas de forma árdua). Do mesmo modo, não há como definir com certeza se o síndico concorreu de fato para a ocorrência dos fatos geradores à época do período autuado. Corrobora com tais dúvidas o fato de não haver qualquer manifestação do contribuinte em relação às informações solicitadas pela Fiscalização. O ora recorrente não apresentou qualquer livro ou documento que possibilitasse a apuração de suas bases de cálculo. Diante de todo o exposto, muito prudente e oportuna a aplicação do §5º, art. 154, da Lei n° 11.101/2005, invocado pela DRJ como razão para decidir. Eis a dicção legal do referido dispositivo: “Art. 154. Concluída a realização de todo o ativo, e distribuído o produto entre os credores, o administrador judicial apresentará suas contas ao juiz no prazo de 30 (trinta) dias. (...) § 5o A sentença que rejeitar as contas do administrador judicial fixará suas responsabilidades, poderá determinar a indisponibilidade ou o seqüestro de bens e servirá como título executivo para indenização da massa. (...)” Nos autos judiciais aqui já destacados, reproduzidos pela embargante de modo inaugural nesta oportunidade, a condução da busca pela verdade e, assim, a construção Fl. 354DF CARF MF 6 do conjunto probatório, estão diretamente voltados para o comportamento e a eventual responsabilização do síndico. As possíveis indenizações pela desídia do síndico não passarão em branco sob nenhuma hipótese, uma vez que em sede judicial tal questão é particularmente discutida. Reiterase, nos autos deste processo administrativo, com as documentações apresentadas e as conclusões atingidas, não há como atribuirse qualquer responsabilidade tributária ao síndico. O princípio da verdade material aqui se encontra mitigado, mas a abrangência de sua aplicação encontra morada nos autos do processo judicial evidenciado pela embargante. Deste modo não deve prosperar a alegação da Fazenda Nacional, ora embargante, de que deveria ser atestada a responsabilidade tributária do síndico da massa falida. Por conseqüência lógica, não há como supor que deveria ter sido lavrado o Termo de Sujeição Passiva nestes moldes e neste contexto probante. Quanto à suposta competência do CARF em sede de Recurso de Ofício, conseqüente à decisão da d. DRJ que afastou a responsabilidade do síndico, há certa confusão por parte do embargante, o que é normal consideradas as premissas ali adotadas para atestar a omissão e contradição suscitadas. Veja, a redação do art. 70 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, é clara no sentido de cabimento do recurso de ofício somente nos casos em que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento dos tributos: “Art. 70. O recurso de ofício deve ser interposto, pela autoridade competente de primeira instância, sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda, bem como quando deixar de aplicar a pena de perdimento de mercadoria com base na legislação do IPI (Decreto no 70.235, de 1972, art. 34, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67).” O recorrente distorce o alcance do referido dispositivo à sua conveniência. Mas a verdade é que, seja mediante interpretação literal ou mesmo através de interpretação extensiva (sistemática), não há como atribuir à exoneração do síndico da obrigatoriedade de concorrer com o ônus fiscal, hipótese autorizadora da interposição de recurso de ofício. Tal racional desenvolvido pela Fazenda Nacional é, nitidamente, consequente à sua imputação errônea de responsabilidade tributária. Conforme demonstrouse, não há comprovação nos autos culminando para esta conclusão. Ainda assim, o contribuinte principal não fora exonerado da cobrança, ou seja, não há danos e ameaças ao erário em montante significativo (superior à R$ 1.000.000,00, nos termos da Portaria MF nº 3/08), capaz de compulsionar a interposição de recurso de ofício. Em análise fria, a atenção ao princípio da capacidade contributiva mantevese irretocável e a arrecadação do Estado não resta prejudicada, tampouco relativizada, a ponto de exigir uma medida preventiva automática por parte da Administração Pública. (verdade material e exlcuir mesmo "se") EXCLUIR Fl. 355DF CARF MF Processo nº 15540.000290/201031 Acórdão n.º 1201001.837 S1C2T1 Fl. 5 7 Apenas à título elucidativo, cabe ressaltar que a autuação lavrada contra a pessoa jurídica não depende do Termo de Sujeição Passiva para surtir efeitos, seja no aspecto formal ou material, de tal conta que sua eventual e suposta existência não prejudicaria os efeitos da autuação. Deste modo, não há como se falar em omissão quanto ao julgamento de recurso de ofício. Conclusão Diante do exposto, NÃO ACOLHO os Embargos de Declaração apresentados. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 356DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.015962/91-14
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Exercício: 1986, 1987 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial se rege pela regra do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional se verificada a inexistência do pagamento antecipado. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTO DECORRENTE. O lançamento de Cofins sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência principal de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-001.536
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
1.0 = *:*
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Exercício: 1986, 1987 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial se rege pela regra do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional se verificada a inexistência do pagamento antecipado. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTO DECORRENTE. O lançamento de Cofins sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência principal de IRPJ.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1926; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 1.078 1 1.077 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.015962/9114 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.536 – 1ª Turma Especial Sessão de 10 de julho de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Recorrente CEZAR BERTAZZONI & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 1986, 1987 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial se rege pela regra do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional se verificada a inexistência do pagamento antecipado. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTO DECORRENTE. O lançamento de Cofins sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência principal de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 59 62 /9 1- 14 Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10880.015962/9114 Acórdão n.º 1801001.536 S1TE01 Fl. 1.079 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração, fls. 10051009, com a exigência do crédito tributário no valor de Cr$195.262,64 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional referente a 31.12.1985 e a 31.12.1986. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º do Decreto Lei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, art. 2º, art. 16, art. 80 e art. 83, do Decreto nº 92.698, de 21 de maio de 1986, art. 22 do DecretoLei nº 21 de dezembro de 1987, art. 1º da Lei nº 7.91, de 15 de dezembro de 1988, art. 7º da Lei nº 7.787, de 30 de junho de 1989 e art. 1º da Lei nº 7.894, de 24 de novembro de 1989. Em conformidade com o Termo de Verificação, fl. 1004, a presente exigência decorre do Auto de Infração de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional lavrado com fundamento na omissão de receita pela verificação das seguintes infrações: (a) de passivo fictício e por suprimento de numerário no anocalendário de 1985 e (b) por suprimento de numerário no anocalendário de 1986. Cabe esclarecer que esse lançamento está formalizado no processo nº 10880.015968/9109 foi considerado procedente pela Decisão DRJ/SPO nº 3.569, de 27.10.1999, fls. 10291049. Na segunda instância houve julgamento do feito no seguinte sentido:“por unanimidade de votos, não conhecer do recurso na parte que contém matéria estranha à lide. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso”, de acordo com o Acórdão da 1ª TO/3ª Câmara/1ª SJ/CARF nº 130100.247, de Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10880.015962/9114 Acórdão n.º 1801001.536 S1TE01 Fl. 1.080 3 11.12.20091 e encontrase no arquivo da Procuradoria Regional da Fazenda Nacional em São Paulo desde 06.06.20122. Cientificada em 27.05.1991, fl. 1007, a Recorrente apresentou a impugnação em 26.06.1991, fls. 10091010, solicitando prorrogação do prazo para impugnar a exigência. Apresenta aditamento às fls. 10141020 com as razões a seguir sintetizadas. Suscita a nulidade do auto de infração por não conter os elementos legais em sua integralidade (art. 11 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Alega que o crédito tributário foi alcançado pela decadência do direito de a Fazenda Pública constituílo (art. 173 do Código Tributário Nacional). Diz que não foram analisados toda a documentação contábil e fiscal exibida e comprova todas as suas teses de defesa. Acrescenta que as divergências valorativas encontradas nas contas “fornecedores” e “bancos conta movimento” advêm da “diferença do padrão monetário”. Procura demonstrar que o sócio César Bertazzoni tem capacidade financeira para efetuar o “suprimento de caixa”, em conformidade com as informações por ele declaradas à RFB. Conclui Diante de todo o exposto, espera a Impugnante haja por bem essa digna Autoridade, considerar nulo e consequentemente sem efeito, o auto de infração que impôs pesado ônus à Impugnante, não apenas em face das razões de Direito e de fato apontadas, mas: inclusive como medida de justiça. Termos em que, Juntando aos respectivos autos, P. Deferimento. Está registrado como resultado da Decisão DRJ/SPO nº 3572, de 27.10.1999, fls. 10401042: “Lançamento Procedente. Restou ementado Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Data do fato gerador: 31/12/1985, 31/1211986 Ementa: FINSOCIAL. AUTO REFLEXO. A decisão do processo matriz aplicase, por decorrência, ao processo reflexo. 1 Disponível em: <http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/consultarJurisprudenciaCarf.jsf> . Acesso em 26 jun. 2013. 2 Disponível em:<http://comprot.fazenda.gov.br/e gov/PvC_Mov_Consulta_Movimentos.asp?processoQ=108800159689109&DDMovimentoQ=06062012&SQOrd emQ=0>. Acesso em: 26 jun. 2013. Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10880.015962/9114 Acórdão n.º 1801001.536 S1TE01 Fl. 1.081 4 Notificada em 04.12.2007, fl. 1047, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 26.12.2007, fls. 10581064, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante do exposto, requer seja o presente recurso conhecido e provido com o acatamento das questões argüidas, sobretudo no que diz respeito ao decurso do prazo decadencial do processo principal. De outro modo, no mérito, pelas razões exaustivamente expostas, requer seja dado provimento em sua totalidade para o fim de JULGAR IMPROCEDENTE o lançamento realizado, cancelando totalmente a autuação em tela, bem como seus consectários. Caso assim não seja entendido por Vossa Senhoria, o que admitimos por amor ao argumento, requer seja determinado diligencia fiscal para aferir o corte dos zeros, adequandose o padrão monetário do lançamento modificando assim o absurdo lançamento fiscal. Por fim requer a intimação do patrono da recorrente para realização de sustentação oral por ocasião de julgamento. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Inicialmente cabe ressaltar que nos presente autos não serão reexaminados os argumentos pertinentes ao lançamento principal de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), formalizado processo nº 10880.015968/9109, por se encontrar findo na esfera administrativa e se manteve incólume. A Requerente requer que seja deferida a sustentação oral. Tendo como fundamento os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes há previsão de julgamento em segunda instância no CARF dos recursos que versem sobre aplicação da Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10880.015962/9114 Acórdão n.º 1801001.536 S1TE01 Fl. 1.082 5 legislação referentes a tributos administrados pela RFB3. Em conformidade com as normas processuais, Na sessão, o julgamento de cada recuso é facultado à Recorrente ou ao seu representante legal fazer sustentação oral por quinze minutos, prorrogáveis por igual período. A pretensão aduzida pela defendente tem possibilidade jurídica, desde que observadas as formalidades legais. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. O Auto de Infração foi lavrado por servidor competente que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhe confere existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, inclusive em relação à análise dos recursos administrativos de modo explícito, claro e congruente4. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. Todas as teses da Recorrente foram examinadas pela autoridade de primeira instância, que avaliou todas as provas produzidas nos autos com base no princípio da persuasão racional. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente argui que o lançamento foi alcançado pela decadência. Compete antes de examinar as razões da defesa, analisar a objeção de decadência por ser matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento.Este instituto pode ser definido como a perda do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento, tendo em vista decurso do lapso temporal de cinco anos previsto em lei, nos termos inclusive da Súmula Vinculante do STF nº 08. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso em que o sujeito passivo efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador. Por seu turno, comprovada a conduta qualificada pelo dolo, pela fraude ou pela simulação, bem como se verificada a inexistência do pagamento antecipado, o prazo de cinco anos se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 3 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de maço de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 55 e art. 58 do Regimento Interno do CARF. 4 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10880.015962/9114 Acórdão n.º 1801001.536 S1TE01 Fl. 1.083 6 973.733/SC5, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.10.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF6. No presente caso, tratandose de Cofins, ou seja, tributo sujeito ao lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, em 01.01.1987, uma vez que não se verifica a existência do pagamento antecipado (inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional). A intimação da exigência de Cofins dos anoscalendário de 1985 e 1986 foi efetivada em 27.05.1991, fl. 1007, de modo que não se verificou o transcurso do prazo legal de caducidade de cinco anos. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso7. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade8. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo9. O lançamento de Cofins sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência principal de IRPJ. Cabe esclarecer que a 5 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 973733/SC. Ministro Relator: Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 12 de agosto de 2009. Dsponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=901905&sReg=200701769940&sData=2009 0918&formato=PDF> .Acesso em: 26 ago. 2011. 6 Fundamentação legal: § 4° do art. 150 e inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 269 do Código de Processo Civil. 7 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 8 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 9 Fundamentação Legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10880.015962/9114 Acórdão n.º 1801001.536 S1TE01 Fl. 1.084 7 exigência relativa ao IRPJ está finda na esfera administrativa e se manteve incólume, de modo que não cabem reparos ao lançamento de Cofins. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 13295.720203/2012-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
Ementa
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA ESCRITURAÇÃO FCONT.
Mantêm-se a aplicação da multa por atraso na entrega do FCONT quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela interessada, justifiquem o seu afastamento..
Numero da decisão: 1001-000.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 Ementa MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA ESCRITURAÇÃO FCONT. Mantêm-se a aplicação da multa por atraso na entrega do FCONT quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela interessada, justifiquem o seu afastamento..
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Mantêmse a aplicação da multa por atraso na entrega do FCONT quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela interessada, justifiquem o seu afastamento.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento, no valor original de R$ R$ 10.000,00 (dez mil reais), e que após a decisão de primeira instância foi reduzida para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 29 5. 72 02 03 /2 01 2- 41 Fl. 179DF CARF MF 2 R$ 1.500,00 (hum mil e quinhentos reais), referente a Multa por Atraso na Entrega da Escrituração FCONT – Controle Fiscal Contábil de Transição correspondente ao período de apuração de 01/01/2011 a 31/12/2011 e recebida em 23/08/12 A contribuinte apresentou impugnação. Na decisão de primeira instância (e fls. 118/124) mantevese em parte o crédito tributário, exonerandose em parte o crédito por se constatar a superveniência de lei nova (Lei nº 12.766/2012) que prevê, para a mesma infração, a aplicação de penalidade menos severa do que a lei vigente na data da prática da infração, o que autorizaria a aplicação da retroatividade benigna, prevista no art. 106, II, “c”, do CTN. Cientificada em 12/02/2014 (efl. 130) da decisão de primeira instância, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 14/03/2014 (efls. 133/176) em que aduz, em resumo, julgados do CARF e do STJ em que se teria decidido a favor da tese do recorrente, de que seria indevida a multiplicação do valor da multa (prevista para cada infração à obrigação formal falta de declaração) pelo número de meses que durou o atraso: "(...) no que se refere à previsão de que a penalidade deve ser aplicada por mêscalendário ou fração, entende que a retromencionada prescrição deve ser compreendida no sentido de que a sanção deve ser impelida, uma única vez, por cada falta imputada ao contribuinte e não cumulativamente a cada mês de atraso no cumprimento da obrigação acessória, como defendido pelo v. acórdão recorrido, sob pena da abordada reprimenda se desvirtuar do seu caráter educativo de desestimular o comportamento nela reprovado, para transformarse em uma penalidade pecuniária de incidência reiterada, indefinidamente. (...) podese afirmar que é incompatível com o ordenamento jurídico pátria a capitulação de penalidade pecuniária de caráter perpétuo, que no caso em tela, correspondente à reprimenda ilimitada com relação ao valor passível de ser exigido do contribuinte. (...) não há que se falar na aplicação da sanção do artigo 57 da Medida Provisória n°. 2.15835, de 2001, de maneira reiterada, a cada mês, em virtude da dubiedade de sua prescrição, o que enseja, em benefício da Recorrente, à incidência da norma do artigo 112 do Código Tributário Nacional, de tal maneira que a multa incida uma única vez, por infração incorrida (...)" Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso voluntário é tempestivo. A multa em análise encontra fundamentação legal no art. 57, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835de 2001, que prescreve: Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: Fl. 180DF CARF MF Processo nº 13295.720203/201241 Acórdão n.º 1001000.106 S1C0T1 Fl. 180 3 I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados;” Entendo que é clara a previsão de que o descumprimento das obrigações acessórias exigidas (nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999) acarretará a aplicação, entre outras, da penalidades de R$ 5.000,00 (cinco mil reais, valor que seria reduzido devido à aplicação do benefício da retroatividade benigna) por mêscalendário. Ou seja, para cada mês de atraso deve o contribuinte a quantia de R$ 5.000,00 (antes da aplicação da retroatividade já aplicada pela decisão de primeira instância). Quer fazer crer a Impugnante que não haveria como imputar uma penalidade (R$ 5.000,00) para cada mês calendário, e sim pelo simples atraso, independentemente do tamanho do atraso. Mas tal conclusão tornase insustentável não só pela redação já descrita (por mês calendário) como pelo complemento do inciso I, que traz a razão da imputação: o atraso, medido em meses, no fornecimento nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados. Reafirmo que não cabe ao agente do Fisco nem a este CARF deixar de aplicar a legislação tributária com base em decisões judiciais ou de seus próprios colegiados em que o sujeito passivo não foi parte do processo ou decisões sem efeito erga omnes. Esta última assertiva está reforçada no próprio Regimento Interno deste tribunal, em especial em seus artigos 62, 72 e 74. Por fim discordo de que a infração por descumprimento de obrigação acessória, que tem por base o prescrito no § 2º do art. 113 do CTN, poderia alcançar caráter perpétuo. Isto porque o próprio CTN impõe limite às suas cobranças reiteradas através do instituto da decadência (art. 156, V). Desta forma, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Fl. 181DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.902184/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO
O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92
A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 21 84 /2 00 9- 11 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13851.902184/200911 Acórdão n.º 1302002.498 S1C3T2 Fl. 3 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito(s) (COFINS e PIS/PASEP) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que se equivocou no preenchimento da DCTF e que a existência do crédito tem fundamento na Solução de Divergência n° 14, de 07/08/2003, que reduziu o percentual de 32% para 16% sobre a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido, bastandose comparar os valores apresentados na DIPJ retificadora (Declaração de Informações EconômicoFiscais) com a guia de recolhimento do tributo. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. [...] Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o decisum, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que é dever do Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13851.902184/200911 Acórdão n.º 1302002.498 S1C3T2 Fl. 4 3 Fisco analisar os pedidos de compensação, quer pela garantia que a RFB deve ter em relação a valores, quer em relação a defesa do interesse público envolvido, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP e DIPJ, as quais apresentam presunção de legitimidade, valendose apenas e tão somente da informação prestada em DCTF para promover a cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. A controvérsia instaurada devese a pedido de compensação de débito(s) de responsabilidade da interessada com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.403, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 13851.902171/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.403): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No caso em tela, a contribuinte restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, essencialmente, por intermédio de sua DIPJretificadora e cópia do documento de arrecadação federal. Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. Nesse sentido, cumpre observar que a DIPJ, desde o ano calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13851.902184/200911 Acórdão n.º 1302002.498 S1C3T2 Fl. 5 4 1998, que extinguiu, em seu art. 6°, inciso I, a DIRPJ Declaração .de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 10, a DIPJ — Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar, cabendo apenas a DCTF está função. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 92: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” Feitas essas considerações, passaremos a análise do presente caso. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. O Decreto nº 70.235/72 (art. 32) que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal fala o seguinte sobre as inexatidões materiais: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Logo, por inexatidões materiais, no preenchimento dos PER/DCOMP primitivos ou originais, entendese serem os lapsos manifestos que se percebem primo ictu oculi; que, de plano, se verifica não traduzirem o pensamento ou vontade do contribuinte; consistem, em suma, em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13851.902184/200911 Acórdão n.º 1302002.498 S1C3T2 Fl. 6 5 Assim, são exemplos de inexatidões materiais: inversão ou troca da ordem dos dígitos, equívoco de datas, erros ortográficos de digitação, troca de campos no preenchimento etc. A pretensão da recorrente, como já dito, não se trata de mera correção de inexatidão material, mas, sim, de inovação (retificação de DCTF para disponibilização do seu direito creditório almejado), exigindose, quanto à compensação dos débitos em aberto, a apresentação de DCTF retificador, situação que não ocorreu no presente caso. Como bem defendido no acórdão recorrido, é vedada a retificação de DCTF após o decurso do prazo de 5 anos, sendo este o prazo que tem direito o contribuinte para proceder à retificação da DCTF, no que se refere às alterações e retificações pertinentes aos impostos e contribuições federais. Dessa forma, evidenciase que a DCTForiginal, reportada na manifestação de inconformidade da contribuinte, fora transmitida em 13/11/2001. Portanto já transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao IRPJ, código de receita: 2089, inerente ao 3° trimestre de 2001, encontrase formalmente homologada e definitivamente extinta perante a Fazenda Nacional, em conformidade com os termos do art. 150, § 4° do CTN. Noutra senda, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte já foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior. Por fim, verificase que a recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a prolação do despacho decisório, bem como em relação a decisão proferida em primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13851.902184/200911 Acórdão n.º 1302002.498 S1C3T2 Fl. 7 6 Para esse Relator, fica claro que a recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão n.°2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.003804/2009-30
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
Numero da decisão: 2001-000.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1471; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 56 1 55 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.003804/200930 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.104 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 28 de novembro de 2017 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente PAULO FERNANDO CRAVEIRO LEITE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES Presidente. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 38 04 /2 00 9- 30 Fl. 56DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 4.968,43, a título de imposto de renda pessoa física, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2005. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento de maior relevo e fulcro da decisão da lavratura do lançamento, o fato de que o Recorrente deveria ter apresentado comprovação dos pagamentos, de forma supletiva aos recibos apresentados, através de outros documentos, como se aqueles acostados não estivessem a representar a efetiva realização dos pagamentos efetuados aos profissionais prestadores dos serviços. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere ao entendimento de que aos recibos não é conferido valor probante absoluto, necessitando para tal a complementação de provas, com a apresentação de documentação adicional a ser providenciada pelo Recorrente, como segue: (...) A tal respeito cumpre transcrever o art. 80, § 1º, incisos II e III, do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): (...) II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes;(grifei) III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas FísicasCPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa JurídicaCNPJ e quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) Não obstante, ainda que cumpridos todos os requisitos formais enumerados, destacase que a legislação tributária não confere aos Fl. 57DF CARF MF Processo nº 19647.003804/200930 Acórdão n.º 2001000.104 S2C0T1 Fl. 57 3 recibos valor probante absoluto. A tônica do art. 80, § 1º, inciso III, do RIR/99, é a especificação e comprovação dos pagamentos. Tanto que admite o cheque nominativo como documento comprobatório, por ser prova cabal de transferência de numerários. Entretanto, mesmo o cheque pode ser submetido à justificação, quando dúvidas razoáveis acudirem ao Fisco sobre a efetiva prestação do serviço, que se constitui no substrato material da dedução. Ao contrário do alegado pela defesa, no caso de deduções, o ônus da prova é do sujeito passivo, cabendo a este apontar documentação suficiente para dirimir os questionamentos acerca do fato informado em sua declaração de ajuste, a teor do art. 73 do RIR/99: “Art 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, ajuízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, §3'). " § 1° Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4 '). ” (...) Por conseguinte, à fiscalização é permitido exigir elementos adicionais de prova. No presente caso, o motivo da glosa foi a não apresentação de documentação capaz de evidenciar o pagamento das despesas com saúde, a exemplo de cópias de cheques, comprovantes de depósitos e extratos bancários com indicação dos saques utilizados para cobrir os gastos. Como solução alternativa por oportunidade da impugnação, o interessado poderia demonstrar a realização do serviço através de cópias de exames, laudos, requisições, prontuários, fichas de atendimento ou outros documentos de natureza similar, vinculados diretamente aos tratamentos informados, que servissem de sustentação ao conteúdo dos recibos. Nada foi juntado ao processo nesse sentido. A defesa apenas anexa declaração do Cirurgião dentista Humberto Gomes Vidal (fl. 9) com o objetivo de reafirmar os pagamentos informados. Contudo, referido documento, na essência, tem o mesmo grau probante dos recibos, sem acrescer robustez ao conjunto probatório. Esclareçase que a autuação não possui como fundamento a falsidade documental, mas a falta de comprovação da efetividade do pagamento e da prestação do serviço, em decorrência da imprestabilidade dos recibos, apresentados isoladamente, para fruição do benefício fiscal. Quando se tem a finalidade de utilizar despesas médicas como dedução, o contribuinte deve ter em mente que o pagamento correspondente não envolve apenas ele e o profissional de saúde, mas também a Administração Tributária. Por essa razão, deve conservar, além dos recibos, outros meios probantes do pagamento e da realização do serviço. Nesse contexto, o Código Civil, instituído pela Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, ao dispor sobre provas em seu art. 219, afirma que o teor de documentos assinados (recibos) guarda presunção de veracidade somente entre os próprios Fl. 58DF CARF MF 4 signatários, sem alcançar terceiros (Administração Tributária) estranhos ao ato: “Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas.” (grifos acrescidos) Ao final, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter o crédito tributário exigido, na integra, pela glosa do valor das despesas médicas. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Fl. 59DF CARF MF Processo nº 19647.003804/200930 Acórdão n.º 2001000.104 S2C0T1 Fl. 58 5 É o relatório. Voto Conselheiro José Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Embora tenha constado no recurso um item com o título preliminar, na verdade tudo ali tratado referese à matéria de mérito. Também não há pedido de exame de preliminar na conclusão do recurso. Assim que, não tendo objetividade de preliminar nada temos a considerar como discussão primeira, considerando toda a matéria como de mérito. A questão aqui tratada é de natureza interpretativa da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, especialmente aquele procedimento que busca amparo na extemporânea existência do art. 11, § 3º e 4º, do Decretolei nº 5.844, de 1943 (transportado para o art. 73 e § 1º do Decreto nº 3.000/99 Fl. 60DF CARF MF 6 RIR/99 atual), e de outro a busca do direito, pelo contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à idoneidade ou inidoneidade do documento comprobatório. O texto base da divergência interpretativa está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (sublinhei e grifei) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 19647.003804/200930 Acórdão n.º 2001000.104 S2C0T1 Fl. 59 7 O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma. Descabe, assim, o rigor na exigência para a apresentação de comprovação suplementar sobre o contribuinte possuidor da documentação originária do pagamento nas condições em que a lei estabelece, especialmente porque a autoridade fiscalizadora pode obter informação de confirmação da outra parte. Razão não há para a dissociação de ambos os polos na relação e estabelecer exigência rigorosa de um e nada de outro, porque a operação é conjunta e correspondente, com reflexos constatáveis nas informações dos dois contribuintes. Ademais, o dispositivo legal permite a comprovação por um ou outro meio, admitindo que na falta de um se faça através de outro. Não há no texto legal qualquer indicativo para a exigência das duas comprovações. Observese a clareza do texto quando diz (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99): “..., podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;”. Acrescente se, por oportuno, que o meio de pagamento ‘dinheiro vivo’ dispõe de força legal denominada ‘curso forçado’, ao contrário do ‘cheque’, por isso a importância probante de relevância no documento que quita o pagamento, seja recibo ou nota fiscal de prestação de serviço. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada em lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. O Código Civil, Lei nº 10.406/2002, em seu art. 219 diz que: “As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiros em relação aos signatários.” Neste sentido, os recibos em questão presumemse verdadeiros porque aceitos pelas partes contratantes identificadas no documento, de forma que não é razoável a decisão do Fisco de rejeitar os comprovantes como prova válida, sem a indicação de elementos que os desqualifiquem. Se os documentos são válidos para o prestador dos serviços oferecer os valores à tributação, os mesmos documentos deverão ser válidos também para a dedução legal de quem os recebe como comprovação de pagamentos. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Fl. 62DF CARF MF 8 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) No ordenamento jurídico brasileiro o decreto regulamentador é uma norma expedida pelo poder executivo que tem como função pormenorizar os preceitos fixados na lei, dentro dos limites nela insertos, sendo considerados, por isso, atos secundários. Seu alcance cingese aos limites da lei não podendo criar situações que obrigue ou limite direitos além daqueles constantes na lei que regulamenta. Neste quesito específico das deduções de despesas médicas temos o que dispõe a Lei nº 9.250/95, em seu art. 8º, § 2º, incisos II e III, o que foi objetivamente regulamentado no Decreto 3.000/99, no art. 80, § 1º, incisos II e III. Assim, a regulamentação deste item de despesa dedutível aqui se esgota porque o objeto tratado foi abordado de forma direta e específica, não permitindo outras exigências porque a lei não concede extensões de procedimento fiscalizatório nem limitação quantitativa de direitos. Neste sentido descabe a utilização do art. 73 e seu § 1º, conforme citado no Lançamento, por se tratar de dispositivo genérico que aparece no Decreto Regulamentador no capítulo das Disposições Gerais de Deduções, vinculado ao longínquo DecretoLei nº 5.844 de 1943, muito distante no tempo e do contexto jurídico atual. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima citado (Estado Novo da era Vargas, de inspiração intervencionista do Estado na economia), mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, inciso II, diz que “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Da mesma forma, o art. 150, inciso I, vai na mesma direção ao determinar que: “Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;”. A verdade é que ao reduzir ou limitar deduções a Autoridade Lançadora estaria aumentando tributo sem lei que estabeleça. Estamos sob a égide da Constituição Federal de 1988 e, quando a Carta Magna menciona o termo “lei” ela se refere aquele instrumento jurídico emanado do Poder Legislativo, como órgão de representação do povo, nascido do devido processo constitucional. O decretolei, por sua vez, constituíase numa espécie de ato normativo com origem no Poder Executivo em caso de urgência ou de interesse público relevante. Ou seja, um decreto que fazia às vezes de lei que vigorou até a Constituição Federal de 1988. A doutrina aceita que o decretolei tenha valor vigorante enquanto não contrariar lei posterior. Contudo, o DecretoLei nº 5.844/1943, ao não constituirse em lei, contraria a Constituição vigente, nos dispositivos antes citados (inciso II, art. 5º e inciso I, art. 150 – CF/1988). Assim que, o art. 73 do Decreto nº 3.000/99 não encontra sustentação quando busca apoio no DecretoLei nº 5.844/1943, porque lei não é. Portanto, o juízo da Fl. 63DF CARF MF Processo nº 19647.003804/200930 Acórdão n.º 2001000.104 S2C0T1 Fl. 60 9 autoridade lançadora não pode ser estabelecido de forma subjetiva, tampouco por critérios de proporcionalidades não definidos quanto às deduções exageradas. Tudo para o resguardo do recomendável equilíbrio da relação fiscocontribuinte e do equilíbrio do direito entre as partes na lide, a luz do ordenamento jurídico atual. A Lei não dispõe dessa parametrização e nem define de quanto deve ser essa dedução exagerada, tampouco fixa uma percentagem entre gasto com saúde e renda do contribuinte. Qual seria a quantificação razoável dessa comparação? Além disso, incabível a desconfiança fiscal de colocar em dúvida a existência de moléstia ou da necessidade de cuidados médicos ou odontológicos do contribuinte porque o que a lei realmente exige é a comprovação do pagamento da prestação de serviço. Eventual desconfiança de que o profissional teria fornecido comprovação de serviço que não prestou caracterizaria conluio entre as partes contratantes, o que não foi apontado no histórico do Lançamento. Admitirse que os recibos não representam uma verdadeira prestação de serviço conduz à conclusão lógica de que teria ocorrido conluio entre médico e paciente, ambos contribuintes do imposto, com o objetivo de lesar o fisco, e assim estariam enquadrados em multa qualificada, o que não foi o caso apontado no Lançamento. É possível que uma família tenha gastos médicos de elevada monta em comparação com a renda de apenas um dos membros, principalmente quando há ocorrência de doença grave ou incurável em algum de seus membros. Exemplificase aqui na comparação com a renda de um só membro. Mas é comum na família dividir rendas e despesas. Seria razoável que uma família convencionasse que um dos membros ficasse responsável financeiramente pelas despesas de dependente ou própria, com alto custo continuado de despesas médicas, e outro membro ficasse responsável pela manutenção dos gastos gerais e/ou de alimentação, por exemplo. Isto seria perfeitamente legal, mesmo que um deles tivesse uma sobrecarga de deduções na sua DIRPF individual. O que não é razoável é alguém de fora, que não vivencia a situação fática, estipular quantitativos aleatórios limitativo do direito atribuído em lei. Esta ocorrência não é pouco comum. Certa vez perguntaram ao Dalai Lama: O que mais te surpreende na humanidade? Ele respondeu: “Os homens que perdem a saúde para juntar dinheiro e depois gastam o dinheiro para recuperar a saúde...”. Expressão também atribuída posteriormente a Jim Brown. É a constatação, alémfronteiras, de que os gastos com saúde podem ser bem elevados se comprados com os rendimentos pessoais. Em socorro ao posicionamento que busca resguardar o direito do contribuinte tomamse emprestados os termos da doutrina que trata da necessária clareza da motivação nos atos da administração pública, trazida pelo sempre bem citado Hely Lopes Meireles, quando descreve a necessidade da motivação do ato administrativo, que assim se posiciona: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com Fl. 64DF CARF MF 10 toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional.” No mesmo sentido a Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 50, diz que: “os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; decidam processos administrativos de concurso ou seleção público; decidam recursos administrativos...”. O Novo Código de Processo Civil, embora posterior aos fatos da ocorrência do lançamento, pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque mais benéfico à Recorrente, contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. CONCLUSÃO Cabe ressaltar que a decisão de primeiro grau não veda a possibilidade da ocorrência de pagamento dos serviços em espécie porque a moeda brasileira é de curso forçado, obrigando a todos a aceitação em dinheiro para quitação de qualquer obrigação financeira, ao contrário de outros meios de pagamento. A decisão prolatada no Acórdão da DRJ não se fundamenta na falsidade documental, mas a falta de comprovação da necessidade da prestação do serviço médico, por documentação suplementar que indique a ocorrência de moléstia, como se a Autoridade Lançadora fosse ao mesmo tempo fiscal de rendas e dos serviços de saúde. Essa exigência da Autoridade Lançadora fazse inapropriada porque a legislação não requer comprovação da enfermidade, mas sim a comprovação dos pagamentos. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 19647.003804/200930 Acórdão n.º 2001000.104 S2C0T1 Fl. 61 11 No que se refere a limites, o legislador os fixa quando assim o quer. Faz isso, por exemplo, no caso do imposto sobre a renda, na dedução de despesas com instrução, em que limita os gastos com despesas escolares do contribuinte e de seus dependentes, independentemente do valor total que tenha dispendido com instrução no período. No caso de despesas médicas a lei não fixa limites, portanto, desarrazoado critério definidor de quantitativo, proporcionalidade sobre a renda ou qualquer outro parâmetro que “a juízo da autoridade lançadora” possa entender como “deduções exageradas” (art. 73 e §1º do Decreto nº 3.000/99, herdados do DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º e 4º), porque a lei em vigor assim não determina e, “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei” (inciso II, art. 5º, CF). Logo, legítima a dedução a título de despesas médicas do valor pago pelo contribuinte, comprovado mediante apresentação de nota fiscal de prestação de serviço ou recibo, este assinado por profissional habilitado, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirma o seu pagamento. Desnecessária qualquer declaração posterior firmada pelo profissional prestador do serviço porque aqueles comprovantes já cumprem a função legalmente exigida. Destarte, é de considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante, até prova em contrário, de sua inidoneidade. A contestação da Autoridade Fiscal sobre a validade da documentação comprobatória deve ser apresentada com indícios consistentes e não somente por simples dúvida ou desconfiança. É de se acolher como verdadeira a prova apresentada pelo contribuinte que satisfaça os requisitos previstos na legislação pertinente e, para eventual convicção contrária da Autoridade Lançadora, esta deverá ser posta com fundamentos consistentes que a sustentem legalmente e não subjetivamente. Por fim, incabível a exigência que perpassa a relação fiscocontribuinte no intento de comprovar a necessidade do atendimento médico sobre informações que dizem respeito tão somente a relação médicopaciente, em resguardo a intimidade pessoal na questão de saúde da pessoa fiscalizada, de vez que situações absolutamente diferentes e sem pertinência simultânea. No exame da documentação acostada ao processo verificase que o Recorrente apresentou a documentação comprobatória estipulada em lei para a comprovação da despesa e por isso a utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose a dedução das despesas médicas. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Fl. 66DF CARF MF 12 Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.000943/2009-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IRPF. PERDCOM . DISCUSSÃO JUDICIAL CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA A INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 9202-005.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes, que lhe deu provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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PERDCOM . DISCUSSÃO JUDICIAL CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA A INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes, que lhe deu provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 09 43 /2 00 9- 31 Fl. 950DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Pedido de Restituição (PER) e de Declarações de Compensação (DCOMP) protocolizados pelo contribuinte onde se pleiteia/utiliza pretenso direito creditório advindo de pagamento indevido/a maior de IRRF. Transcrevo trechos do voto da relatora do processo, que em julgamento em instância na DRJ Belo Horizonte/MG, muito bem sintetizou a questão, a saber: “O Pedido de Restituição foi formalizado nos termos da legislação tributária vigente. A Declaração de Compensação à fl. 01, apesar de apresentada em desacordo com esta legislação, foi recepcionada pelo fisco em decorrência de liminar em Mandado de Segurança, concedido pelo Poder Judiciário em demanda ainda não definitivamente julgada. A DRF aferiu o direito de crédito pleiteado pelo contribuinte, concluindo que o indébito invocado pelo contribuinte é inexistente. Como conseqüência, NÃO HOMOLOGOU as compensações declaradas. O contribuinte se insurge quanto ao decidido pela DRF, propugnando pela legitimidade do crédito pleiteado e a homologação das compensações em comento. Nesse contexto, verificase que o processo trata de dois procedimentos distintos: Pedido de Restituição e Declaração de Compensação. Considerando a insurgência do contribuinte quanto à denegação de ambos os procedimentos pelo fisco, temse: (...) Em síntese, o litígio instaurado neste processo diz respeito à legitimidade do crédito pleiteado pelo contribuinte no pedido de restituição e posteriormente utilizado na DCOMP. Nesse contexto, apreciase as razões apresentadas pelo impugnante: O pretenso indébito pleiteado pelo contribuinte advém do DARF recolhido aos 20/01/2009, no importe de R$ 420.344,41, destinado ao IRRF0561 apurado em 31/12/2008 (fl.25). A DRF não reconheceu o indébito considerando que o pagamento efetuado foi utilizado para extinção de débito do contribuinte, conforme informação por ele prestada em DCTF. Por sua vez, o contribuinte argumenta o preenchimento equivocado desta declaração, identificando em sua impugnação os créditos vinculados ao IRRF0561 apurado em 12/2008, no intuito de comprovar a procedência do indébito pleiteado. Então vejamos: (...) Diante do acima descrito, constatase a legitimidade do indébito pleiteado pelo contribuinte do PER (pedido de restituição) em análise neste processo. Assim sendo, cabe então reconhecer ao contribuinte o direito à restituição do crédito pleiteado. A planilha de cálculos anexadas às fls. 251 a 253 indica que o crédito pleiteado é suficiente para extinguir os débitos constantes da DCOMP cadastrada neste Fl. 951DF CARF MF Processo nº 13603.000943/200931 Acórdão n.º 9202005.734 CSRFT2 Fl. 3 3 processo. Contudo, a homologação da compensação do débito declarado neste documento não será apreciada por este Órgão julgador, considerando a demanda intentada pelo contribuinte no Poder Judiciário. Concluindo, à vista de tudo acima descrito, voto julgar PROCEDENTE EM PARTE a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte para: Reconhecer o direito à restituição do indébito no importe de R$ 420.344,41, pleiteado no PER à fl. 24. Reconhecer a suficiência do crédito a restituir para extinção do débito declarado na DCOMP à fl. 01. Não conhecer da solicitação de homologação da compensação declarada, considerando que o assunto está em apreciação no Poder Judiciário (ADN COSIT nº 03, de 14/02/1996).” Cientificado do Acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, quando os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. O Acórdão do Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, não conheceu do recurso, por concomitância com ação judicial. Portanto, em sessão plenária de 19/11/2013, não conheceuse do recurso, prolatandose o Acórdão nº 2201002.284, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renuncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Devidamente cientificado da decisão proferida em 09/09/2014 (fl. 836), o contribuinte opôs Embargos de Declaração (fls. 838/846) em 06/10/2014 (fl.847), portanto, tempestivamente, alegando contradição e obscuridade no acórdão embargado que deixou de apreciar o pedido de homologação da DCOMP apresentada pelo contribuinte em formulário por julgar que esta matéria estava sendo discutida concomitantemente na via judicial, o que para o contribuinte, está incorreto, uma vez que não existe essa concomitância entre eles – processo administrativo e processo judicial. Tais embargos foram rejeitados pelo Despacho s/nº da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, de 19/01/2015 (fls. 850/852). Intimado da rejeição de seus Embargos de Declaração em 24/02/2016 (fl. 856), o contribuinte interpôs, em 10/03/2016 (carimbo aposto às fls. 858), tempestivamente, o Recurso Especial de fls. 858 a 934, visando rediscutir a concomitância entre processo administrativo e judicial. Ao Recurso Especial do contribuinte foi dado seguimento, conforme o Despacho s/n da 2ª Câmara, de 05/04/2017. Fl. 952DF CARF MF 4 A recorrente traz como alegações, que: · o acórdão inferiu a existência de concomitância pelo simples fato de a compensação ter sido declarada com autorização em processo judicial, todavia, a conclusão alcançada não se ajusta à questão posta no processo administrativo, que não versa sobre a autorização para a declaração de compensação, mas sobre a existência (ou não) do crédito pleiteado; assim, enquanto o processo judicial discute a vedação contida no inciso IX, §3º, do art. 74 da Lei nº 9.430/96, introduzida pelo art. 29 da Medida Provisória nº 449/08 (ou seja, a possibilidade de proceder à compensação para extinguir débitos de estimativa de IRPJ e CSLL), o processo administrativo – que se iniciou com a transmissão de DCOMP com base na autorização concedida judicialmente – tem como controvérsia a existência ou não do crédito utilizado para a compensação (IRRF da competência de dez/2008, código de receita: 0561). · porém, se o processo administrativo contém objeto mais abrangente do que o processo judicial ou se o judicial discute questões preliminares e procedimentais (e não o mérito da controvérsia propriamente dita), o órgão administrativo deve julgar a matéria não submetida ao Poder Judiciário; caso assim não o faça, o administrado não obterá resposta para esta matéria nem no Poder Judiciário nem no órgão Administrativo. · é nesse mesmo sentido a inteligência contida no Parecer Normativo COSIT nº 7/2014, que trata da concomitância entre processos administrativos e processos judiciais: · o acórdão recorrido errou ao consignar a existência de concomitância ao verificar os objetos do processo judicial (possibilidade de compensação de débitos de IRPJ e CSLL estimativa) e deste processo administrativo (existência dos créditos de IRRF pleiteados para a compensação de débitos de IRPJ e CSLL estimativa); ou seja, a partir de pedidos completamente diferentes, fundamentados em razões também distintas, concluiuse pela aplicabilidade da Súmula nº 1 do CARF, e mais: mesmo sem a semelhança dos efeitos práticos pretendidos por um e por outro, entendeuse que a questão debatida no feito administrativo deveria se submeter à conclusão alcançada no processo judicial. · inexiste a relação de concomitância entre os processos judicial e administrativo, pois os dois não se baseiam nos mesmos argumentos jurídicos e, muito menos, possuem os mesmos propósitos; o feito judicial teve por objetivo apenas a autorização para a compensação tributária para pagamento de estimativas de IRPJ e CSLL (questão procedimental), já a demanda administrativa consiste no exame da compensação em si, a fim de aferir se o crédito existia ou não (questão substancial); ou seja, núcleos e efeitos completamente diferentes. · o que há, na verdade, é uma relação de dependência temporal do processo administrativo ao processo judicial: a compensação administrativa apenas foi feita porque havia autorização judicial anterior; a decisão judicial apenas permitiu a compensação, agora, Fl. 953DF CARF MF Processo nº 13603.000943/200931 Acórdão n.º 9202005.734 CSRFT2 Fl. 4 5 feita a compensação, cabe à autoridade administrativa decidir se o crédito existe ou não, tarefa esta que não está no bojo no feito judicial. · se confirmada a concomitância, o desacerto do aresto se torna mais evidente, uma vez que o trânsito em julgado da decisão judicial favorável ao contribuinte não homologará a compensação declarada (que é o objeto deste processo administrativo), e assim, a homologação da declaração de compensação não será apreciada nem pela instância administrativa (que se afasta do dever de analisála sob o fundamento de concomitância), nem pelo Poder Judicial (uma vez que a matéria não lhe foi submetida). · se houve alguma renúncia à instância administrativa (pela concomitância), foi em relação à discussão sobre a possibilidade de compensação de débitos de IRPJ e CSLL estimativas (decidida de forma favorável à Recorrente no processo judicial), sendo que a parte da controvérsia que vai além dessa questão – a verificação da existência de créditos suficientes à homologação da compensação declarada – deve ter seu normal prosseguimento, exatamente nos termos das alíneas “a” (parte final) e “b” do Parecer Normativo COSIT nº 7/2014 e da já mencionada Súmula CARF nº 1; e nesse sentido, tendo sido reconhecido o direito ao crédito pela DRJ/BHE, decisão esta irreformável, a homologação da declaração de compensação apresentada em formulário de papel é medida imperativa. Cientificada do Recurso Especial, a Fazenda Nacional apresentou suas Contrarrazões, onde alega que, no presente caso, o contribuinte possui sentença em sede de mandado de segurança concedendo a segurança para determinar à autoridade impetrada que se abstenha de considerar como “não declaradas” ou “não homologadas” as compensações realizadas pela impetrante para o pagamento mensal por estimativa do IRPJ e da CSLL, sob a alegação de vedação nos termos do § 3º do inciso IX, do art. 14 da Lei nº 9.430/96; e o que se observa é que o fundamento da causa de pedir na DCOMP em apreço é a mesma daquela pretendida na ação judicial, qual seja, a cmpensação de débitos de estimativa de IRPJ; ou seja, o presente litígio trata sim de concomitância, simultaneidade de ações com o mesmo objeto nos âmbitos administrativo e judiciário, delas participando o mesmo interessado. Conclui que a análise da compensação pretendida pelo contribuinte resta prejudicada, razão pela qual correta a conclusão do colegiado em aplicar ao caso o entendimento firmado pela Súmula CARF nº 1. É o relatório. Fl. 954DF CARF MF 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 937. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do Mérito Notese que a base do recurso especial descrito pelo contribuinte em sua peça encontrase assim delimitado: "(...) o presente recurso Especial voltase, tão somente, à demonstração do equivoco cometido pela instância inferior ao decidir que haveria concomitância entre o presente PTA e o MS impetrado pela Recorrente. Com efeito, considerando que o processo administrativo contém objeto mais abrangente do que o judicial, demonstrase a inexistência da renúncia à discussão administrativa devendo ser, por conseguinte, homologada a DCOMP (via formulário de papel) vinculada ao PER nº 09290.91804.200209.1.2.041452." Em que pese os argumentos trazidos pelo recorrente em seu recurso entendo que não existe reparo a ser feito no acórdão recorrido, vez que ao ingressar em juízo para afastar a vedação de compensação de débitos relativos ao pagamento mensal de IRPJ e da CSLL e obter liminar nos termos abaixo transcritos acabou por levar ao judiciário a homologação de sua compensação, senão vejamos trecho da decisão liminar: Ou seja, resta claro que o recorrente buscou perante o judiciário decisão para que a autoridade coatora se abstenha de considerar como não declaradas ou não homologadas as compensações realizadas pelas impetrantes para pagamento mensal por estimativa do IRPJ e da CSLL, alegando a inconstitucionalidade. Dessa forma, a "homologação" ao contrário do que entendeu o recorrente foi sim levada ao judiciário, não podendo o autoridade julgadora azer juízo de valor acerca desse tema. Notese que o direito a compensação foi efetivamente julgado pela DRJ, contudo, a homologação em si, será objeto de decisão no âmbito judiciário. Aliás, esse foi o encaminhamento dado pelo acórdão recorrido ao qual me filio e transcrevo em parte, adotando como razões de decidir. Fl. 955DF CARF MF Processo nº 13603.000943/200931 Acórdão n.º 9202005.734 CSRFT2 Fl. 5 7 O acórdão da DRJ entendeu que a matéria é objeto de ação judicial (mandado de segurança) e, portanto, restou caracterizada a desistência da esfera administrativa pelo Contribuinte, restando a discussão da matéria apenas no âmbito do Judiciário. Destacase que a decisão da DRJ enfrentou a questão da validade do crédito de IRRF (código 0561) para fins de homologação da compensação (fls. 764 – item 19),conforme a seguir: “19. A planilha de cálculo anexada às fls. 251 a 253 indica que o crédito pleiteado é suficiente para extinguir os débitos constantes da DCOMP cadastrada neste processo. Contudo, a homologação da compensação do débito declarado na DCOMP apresentada em formulário não será apreciada por este Órgão julgador, considerando a demanda intentada pelo contribuinte no Poder Judiciário.” Em resumo, a DRJ reconhece que o crédito de IRRF (código 0561) existe e é válido, porém não homologa a DCOMP (fls. 482), pois entende que essa matéria foi objeto de mandado de segurança impetrado pelo Contribuinte no Judiciário, havendo, portanto, concomitância de instâncias. O Contribuinte possui sentença em sede de mandado de segurança concedendo a segurança para determinar à autoridade impetrada que se abstenha de considerar como “não declaradas” ou “não homologadas” as compensações realizadas pela impetrante para o pagamento mensal por estimativa do IRPJ e da CSLL, sob a alegação de vedação nos termos do § 3º do inciso IX, do art. 14 da Lei nº 9.430/96. O Contribuinte ingressou com o referido mandado de segurança para restar garantida a possibilidade de compensação de débitos de IRPJ e CSLL estimativa, por meio de declaração, que fora vedada por dispositivo legal trazido pela MP nº 449/08, alterando a Lei nº 9.430/96, confirase: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (...) Fl. 956DF CARF MF 8 IX os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL apurados na forma do art. 2º. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008)”(grifos nossos) [...] Ou seja, o acórdão proferido pela 3ª Turma da DRJ/BHE, não deixou de homologar a compensação porque os créditos referentes ao Imposto de Renda Retido na Fonte (código receita 0561) não eram passíveis de compensação, mas sim porque entendeu que o Contribuinte renunciou à esfera administrativa ao levar a matéria a ser decida ao Judiciário. A alínea “b” do ADN COSIT nº 03/96 bem como o parágrafo único do art. 87 do Decreto nº 7.574/11 determinam que o processo administrativo terá prosseguimento quando versar sobre matéria distinta da constante do processo judicial. Quando o Contribuinte ingressa no Judiciário com vistas a garantir o seu direito de compensação acaba por retirar da instância administrativa a apreciação do tema. Isso porque, caso fosse possível que a instância administrativa apreciasse questão que já está sob apreciação do Judiciário, poderia haver a existência de duas decisões válidas e divergentes sobre o mesmo caso. Logo, a via administrativa apenas atua quando ainda não acionado o Judiciário. Sendo assim, entendo que resta prejudicada a análise do caso em questão por esse Colegiado, tendo em vista que o pleito do recurso voluntário (possibilidade de compensação de crédito de IRRF em face de débitos de IRPJ) é objeto de ação judicial. A Corte Administrativa já pacificou o referido entendimento através do enunciado nº 01 da Súmula do CARF: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Observe que o próprio contribuinte narra em seu recurso especial que respaldado por decisão liminar, apresentou a Declaração de Compensação discutida no presente recurso (via formulário papel), a fim de quitar o débito de estimativa mensal de IRPJ da competência jan/2009 (código de receita 2362), com crédito de IRRF da competência de dez/2008 (código de receita 0561) informado no pedido de Restitiuição (PER). Ao contrário do que tenta demonstrar o recorrente, o mérito do direito a restituição, bem como a suficiência de crédito a restituir para a extinção da totalidade dos débitos declarados nas DCOMP's cadastrados no presente processo restaram apreciados, justamente, porque, pelo entender da autoridade administrativa encontravamse fora da lide judicial, todavia, não procedeu a Homologação da DCOMP anexada à ls. 01, considerando a concomitância na esfera judicial. Nesse sentido transcrevo a conclusão do acórdão da DRJ: Fl. 957DF CARF MF Processo nº 13603.000943/200931 Acórdão n.º 9202005.734 CSRFT2 Fl. 6 9 Assim, caso transite em julgado a ação judicial, a compensação será apreciada pela DRF considerando: (a) a existência do direito creditório, à luz do que foi apreciado pela decisão de primeira instância e (b) a decisão judicial, sobre a questão da compensação de estimativas. Notese, por fim, que ao ingressar em juízo, não mais compete a autoridade administrativa manifestarse sobre qualquer questão, mesmo que posteriormente a lei venha a ser declarada inconstitucional, posto que a decisão final deve ser dada nos autos da ação judicial, subsumindose a autoridade administrativa à decisão judicial. Conclusão Face o exposto, voto por CONHECER do Recurso Especial do Sujeito Passivo para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 958DF CARF MF 10 Declaração de Voto Conselheira Ana Paula Fernandes. Em que pese o brilhante voto da relatora ouso discordar do entendimento dado por ela, no tocante a aplicação da Súmula Carf. 01 ao presente caso. O Contribuinte a meu ver logrou êxito em comprovar seu interesse recursal, quando esclarece pormenorizadamente que a questão discutido judicialmente não é exatamente a mesma discutida no processo administrativo perante este Tribunal. Os argumentos do Contribuinte que são relevantes são os seguintes: o acórdão inferiu a existência de concomitância pelo simples fato de a compensação ter sido declarada com autorização em processo judicial, todavia, a conclusão alcançada não se ajusta à questão posta no processo administrativo, que não versa sobre a autorização para a declaração de compensação, mas sobre a existência (ou não) do crédito pleiteado; assim, enquanto o processo judicial discute a vedação contida no inciso IX, §3º, do art. 74 da Lei nº 9.430/96, introduzida pelo art. 29 da Medida Provisória nº 449/08 (ou seja, a possibilidade de proceder à compensação para extinguir débitos de estimativa de IRPJ e CSLL), o processo administrativo – que se iniciou com a transmissão de DCOMP com base na autorização concedida judicialmente – tem como controvérsia a existência ou não do crédito utilizado para a compensação (IRRF da competência de dez/2008, código de receita: 0561). porém, se o processo administrativo contém objeto mais abrangente do que o processo judicial ou se o judicial discute questões preliminares e procedimentais (e não o mérito da controvérsia propriamente dita), o órgão administrativo deve julgar a matéria não submetida ao Poder Judiciário; caso assim não o faça, o administrado não obterá resposta para esta matéria nem no Poder Judiciário nem no órgão Administrativo. é nesse mesmo sentido a inteligência contida no Parecer Normativo COSIT nº 7/2014, que trata da concomitância entre processos administrativos e processos judiciais: o acórdão recorrido errou ao consignar a existência de concomitância ao verificar os objetos do processo judicial (possibilidade de compensação de débitos de IRPJ e CSLL estimativa) e deste processo administrativo (existência dos créditos de IRRF pleiteados para a compensação de débitos de IRPJ e CSLL estimativa); ou seja, a partir de pedidos completamente diferentes, fundamentados em razões também distintas, concluiuse pela aplicabilidade da Súmula nº 1 do CARF, e mais: mesmo sem a semelhança dos efeitos práticos pretendidos por um e por outro, entendeuse que a questão debatida no feito administrativo deveria se submeter à conclusão alcançada no processo judicial. Fl. 959DF CARF MF Processo nº 13603.000943/200931 Acórdão n.º 9202005.734 CSRFT2 Fl. 7 11 o que há, na verdade, é uma relação de dependência temporal do processo administrativo ao processo judicial: a compensação administrativa apenas foi feita porque havia autorização judicial anterior; a decisão judicial apenas permitiu a compensação, agora, feita a compensação, cabe à autoridade administrativa decidir se o crédito existe ou não, tarefa esta que não está no bojo no feito judicial. se confirmada a concomitância, o desacerto do aresto se torna mais evidente, uma vez que o trânsito em julgado da decisão judicial favorável ao contribuinte não homologará a compensação declarada (que é o objeto deste processo administrativo), e assim, a homologação da declaração de compensação não será apreciada nem pela instância administrativa (que se afasta do dever de analisála sob o fundamento de concomitância), nem pelo Poder Judicial (uma vez que a matéria não lhe foi submetida). se houve alguma renúncia à instância administrativa (pela concomitância), foi em relação à discussão sobre a possibilidade de compensação de débitos de IRPJ e CSLL estimativas (decidida de forma favorável à Recorrente no processo judicial), sendo que a parte da controvérsia que vai além dessa questão – a verificação da existência de créditos suficientes à homologação da compensação declarada – deve ter seu normal prosseguimento, exatamente nos termos das alíneas “a” (parte final) e “b” do Parecer Normativo COSIT nº 7/2014 e da já mencionada Súmula CARF nº 1; e nesse sentido, tendo sido reconhecido o direito ao crédito pela DRJ/BHE, decisão esta irreformável, a homologação da declaração de compensação apresentada em formulário de papel é medida imperativa. Reconheço a vinculação deste colegiado a aplicação das súmulas CARF, contudo, observo que o caso em tela não se enquadra num caso análogo a àqueles precedentes que deram origem a súmula. O que temos aqui é uma ação judicial que resolveu uma questão incidental, a qual viabilizou que o Contribuinte compensasse créditos de IRPJ e CSLL. A questão central no entanto, no que se refere a existência ou não do crédito restou para a esfera administrativa. Me parece que negar o direito da discussão administrativa a respeito do tema estaria suprimindo direito do Contribuinte de resolver uma parte da questão ainda perante a Administração Pública. Dizer que em razão disso não há interesse recursal consistiria em dizer que somente se pode recorrer quando o resultado útil esperado pode ser verificado. Mas reside aí uma grande discussão. O que resultado útil? Para o Contribuinte toda questão que lhe for favorável na via administrativa lhe aproveita, pois independentemente do resultado final, tratase de uma questão a menos para ser revolvida no judiciário. Fl. 960DF CARF MF 12 Desse modo, vejo que a questão que restou sendo discutida nestes autos não foi levada pra a esfera judicial e ainda num segundo momento, mesmo que a decisão dada aqui não resolva completamente a demanda do Contribuinte, ela é útil, pois diminui a questão a ser devolvida para discussão no âmbito judicial. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para no mérito darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes. Fl. 961DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.904261/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 26/05/2008
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 1302-002.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 26/05/2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 42 61 /2 01 2- 01 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10825.904261/201201 Acórdão n.º 1302002.410 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o processo de manifestação de inconformidade oposta a despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada via PERDCOMP ao fundamento fático "de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados'" (conforme descrito no acórdão ora recorrido). O crédito, cuja compensação se postulou na PERDCOMP de nº 02110.06596.040511.1.3.049135, teria origem em pretenso pagamento indevido de IRPJ (código de arrecadação: 2089) ocorrido em 26/05/2008. O contribuinte alega, genericamente, que o indébito decorreria do "alargamento" indevido da base de cálculo da exação tendo em conta, "exemplificativamente" a decisão do Supremo Tribunal Federal proferida nos autos do RE 585.235 ("alargamento" da base de cálculo do PIS e da COFINS). Ao manejar a sua insurgência contra o despacho decisório, sustentou, resumidamente: a) em preliminares: a.1) a nulidade do despacho ante a inexistência de fundamentação fática e jurídica a sustentar o indeferimento do pedido de compensação, insistindo ser, inclusive, impossível saber o que se poderia entender pela expressão "indisponibilidade do crédito"; a.2) nulidade por cerceamento de defesa, mormente por não lhe ter sido oportunizada a apresentação de provas e documentos que pudessem, antes da prolação do despacho, demonstrar a existência, liquidez e certeza do crédito, invocando, inclusive, os preceitos do art. 65 da IN 900 (então vigente); b) no mérito, deduz genericamente a existência do crédito apontando que o pagamento realizado em valor superior ao efetivamente devido teria, como já dito, decorrido da inclusão de grandezas estranhas, "por exemplo", ao conceito de faturamento (tal qual definido pelo STF). Ao fim, pede a anulação do despacho decisório, determinandose, por conseguinte, o retorno dos autos à unidade de origem a fim de que as provas necessárias à demonstração do seu direito creditório sejam produzidas; sucessivamente, pede a procedência de sua manifestação a fim de que, reconhecido o crédito, seja homologada a compensação realizada. A DRJ de Ribeirão Preto analisou a predita manifestação e, após afastar as preliminares suscitadas, julgoua improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão supra em 28/05/2013 (AR de fls. 68/69), tendo interposto o seu recurso voluntário em 24/06/2013 (doc. de fl. 71). Em suas razões, o contribuinte discorre longamente sobre as premissas constitucionais e legais em que repousam as normas que tratam do direito à restituição do indébito, assentando a inexistência Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10825.904261/201201 Acórdão n.º 1302002.410 S1C3T2 Fl. 4 3 de condição ao exercício deste direito, arguindo, inclusive, ao fim, uma pretensa ilegalidade/inconstitucionalidade da IN 900. Em seguida, abordou, o procedimento de compensação em si para atacar os argumentos deduzidos pela DRJ para afastar a preliminar concernente à falta de motivação do ato. Alegou, especificamente, que o procedimento fixado na IN 900 induz a erro os contribuintes sustentando, neste particular, que o formulário eletrônico em momento algum vincula o surgimento do direito creditório à retificação de sua DCTF. Afirmou, ainda, que esta "condição" seria ilegítima seja porque a retificação imporia ao contribuinte o "risco de ser autuado para exigência da diferença apontada, já que a Fazenda naquela oportunidade não concordava com a tese tributária apontada". Lado outro, e ainda reforçando a tese da inexigência de retificação da DCTF para que se observe a "disponibilidade do crédito", sustentou que semelhante imposição importaria na reabertura do prazo decadencial preconizado pelo art. 150, § 4º, do CTN , por que imporia nova confissão de dívida. Mais abaixo, afirmou inexistir "na IN RFB 900/2008, ou nas INs que regulamentam a DCTF a determinação de que a DCTF deverá ser retificada, quando houver decisões emanadas do Poder Judiciário no sentido de afastar a incidência de uma Lei ou julgar a pretensão de majoração de alíquota ou alteração de base de cálculo". Por fim, invocando novamente os preceitos do art. 65 da IN 900/2008, reforça a alegação de nulidade do despacho por falta de fundamentação e cerceamento de defesa. Os autos, então, foram distribuídos à este Colegiado para análise e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de IRPJ (código de arrecadação: 2089) ocorrido em 26/05/2008. O julgamento deste recurso seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.401, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 10825.904255/201245, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.401): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. I. Prefacialmente. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10825.904261/201201 Acórdão n.º 1302002.410 S1C3T2 Fl. 5 4 Apenas para elucidar a estrutura desta decisão, e a divisão de tópicos que faço a seguir, esclareço de antemão que o recorrente não suscitou preliminares de mérito; em verdade, como ele mesmo afirma, o cerne deste apelo é, justamente, as duas preliminares invocadas na manifestação de inconformidade, quais sejam, a ausência de motivação do despacho decisório e o cerceamento de defesa. Vale destacar que o recorrente não discute (e também não discutiu, verdade seja dita, em sua manifestação de inconformidade) a existência do crédito em si; não juntou documentos que pudessem demonstrálo, nem se ocupou de apontar a sua origem... limitouse a alegar, genericamente, que o crédito poderia (?!?) decorrer de teses jurídicas (?!??!) sancionadas pelo Supremo Tribunal Federal, mas não cuidou, nem mesmo, de individualizálas a fim de que se pudesse, ao menos, verificar a observância pela administração pública ao entendimento firmado pela Suprema Corte (em casos em que tal observância fosse mandatória processos com repercussão geral reconhecida ou relativos à controle concentrado de constitucionalidade). Fiandose, sempre, nas preliminares de nulidade, e, principalmente, no seu entendimento de que eventuais provas teriam que ser produzidas antes do despacho decisório, não se preocupou, de fato, em minimamente demonstrar o crédito sobre o que, como bem aventado pela DRJ, operouse a preclusão. A questão em análise, insistase, está limitada à questões meramente formais do ato, nada mais. Assim, entendam, os tópicos que agora passo analisar são, efetivamente, o mérito desta querela. II. Da alegada falta de motivação do despacho decisório. O ato administrativo, como concretização da ação estatal jungida ao princípio da legalidade, pressupõe, por isso mesmo, a declinação exata, precisa e minudente dos motivos que justificam a sua prática, justamente para permitir ao sujeito passivo, e, frisese, à Administração Pública (em exercício do seu poder/dever de revisão de seus próprios atos), verificar a sua legalidade. Em especial, em atos que cominam penalidades ou que imponham obrigações ou, mais, tenham reflexos patrimoniais, a identificação dos motivos que fundamentam a sua concretização, mormente pela tipificação dos motivos de fato nele declinados à norma legal autorizativa, é da essência deste mesmo ato. A mingua da exposição dos motivos de fato e de direito, o sujeito passivo se vê incapacitado de saber, justamente, porque, e em razão de que norma, a imposição, a pena ou o vilipêndio de seu patrimônio, por vontade do Estado, se sucedeu, ato contínuo, em tais casos, vê limitado o seu direito à ampla defesa. A motivação, pois, além de decorrer de determinações constitucionais explicitas (v.g., o art. 37 da CF), é decorrência da garantia da ampla defesa. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10825.904261/201201 Acórdão n.º 1302002.410 S1C3T2 Fl. 6 5 Notem, todavia, que, declinados os pressupostos fáticos e jurídicos que embasaram o ato, não mais se estará diante de vício por falta de descrição de seus motivos determinantes (salvo se houver, entre eles, manifesta incompatibilidade)... a partir dai, quaisquer questionamos sobre os efeitos deste ato, perpassam pela interpretação do motivo jurídico e a sua adequação ou não fato concreto, deixandose, evidente, nesta hipótese, que ao destinatário do ato foi garantido saber porque, quando e decorrência de qual norma terseia operado a prática de determinado ato; nesta hipótese, não se observa, mais, qualquer mácula à ampla defesa. O contribuinte, no caso em testilha, sustenta que o despacho administrativo, praticado por meio de sistema eletrônico, não fundamenta os motivos que lhe dariam base; afirma não ser possível identificar, ali, as razões pelas quais não se reconheceu o crédito cuja compensação se postulava, sendolhe, inclusive, impossível entender o que seria a dita "disponibilidade do crédito". Vejamos, então, o ato propriamente a fim de decidir se, realmente, lhe falta este elemento essencial. O despacho decisório foi juntado à fls. 7/10. Lá, observase que, do campo 3, "FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL", consta a seguinte descrição: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a15.200,00 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Não vou me debruçar sobre a descrição acima... não há nada, aí, que impeça, sob qualquer prisma, o conhecimento dos motivos de fato que justificaram a não homologação do pedido de compensação. A DECOMP (fls. 2 a 6), no caso, vinculou o crédito postulado pelo contribuinte a um DARF descrito na página 3 da aludia declaração, recolhido em 26/05/2008, sob o código 2089, no valor de R$ 17.935,09. Este DARF está vinculado ao pagamento de outra obrigação descrita, por certo, em DCTF (que, é verdade, não foi juntada ao feito sobre isso, me reportarei mais adiante)... a recusa externada no despacho é mais que clara: não há saldo, deste recolhimento, passível de compensação (não há "disponibilidade de crédito"). Este é o motivo fático da decisão (até porque, como o contribuinte mesmo confessa, não houve retificação de DCTF de sorte a permitir à administração fazendária sequer identificar o pretenso indébito). Tal qual afirmei anteriormente, a inexistência de motivação fática eiva de nulidade o ato; a discordância quanto as Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10825.904261/201201 Acórdão n.º 1302002.410 S1C3T2 Fl. 7 6 consequências ou, mesmo, quanto a existência do fato invocado para praticálo culmina, quando muito, no seu cancelamento ou reforma (e não anulação). Em resumo, o motivo fático está suficientemente claro e aposto no despacho decisório, sendo desnecessárias (não minha opinião) ilações adicionais Vejamos, agora, o fundamento jurídico: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Os artigos 165 e 170 do CTN tratam, respectivamente, da restituição do indébito e da compensação, traçando regras gerais sobre os dois institutos... aqui, peço especial atenção aos preceitos do citado art. 170, cujo teor transcrevo a seguir: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Eis aí parte do motivo de direito: somente créditos líquido e certos são passíveis de compensação; ao pleitear a compensação de crédito estampado em DARF que extinguiu outra obrigação tributária do contribuinte, a despeito dos protestos do recorrente, temse a obliteração, justamente, de sua certeza. Já o art. 74 da Lei 9.430, estabelece o regramento específico concernente à compensação no âmbito federal, e, ao que interessa aqui, preestabelece que a DECOMP extingue o crédito tributário sob condição resolutória, prevendo, outrossim, que não homologada a compensação, será franqueado ao contribuinte opor a sua manifestação de inconformidade. Estes preceitos, digase, somados, revelam, sem maiores esforços exegéticos que, constatado que o crédito cuja compensação se postula é ilíquido ou incerto, a compensação não será homologada... Ou seja, aqui estão presentes os motivos fáticos e jurídicos que justificaram a não homologação. Não há qualquer nulidade reconhecível no despacho decisório. III. Cerceamento de defesa. O contribuinte sustenta, e se fia nesta alegação, de que eventuais provas quanto ao liquidez e certeza do crédito teriam que ser produzidas antes do despacho decisório, mediante iniciativa da autoridade administrativa fiscal. Sustenta, outrossim, que seria dever da Administração Federal perquerir a existência de seu crédito e que, ao não fazêlo, violou o seu direito à ampla defesa. Venia concessa mas razão, não lhe assiste. O problema do caso em análise não revolve a dúvida sobre a origem do crédito; não decorre de dúvidas sobre a apuração do Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10825.904261/201201 Acórdão n.º 1302002.410 S1C3T2 Fl. 8 7 crédito a partir da escrita fiscal ou, mesmo, contábil do contribuinte; em verdade, como não houve retificação da DCTF, o crédito nunca chegou a existir... Como já afirmado anteriormente, e confessado pelo contribuinte, o crédito utilizado na compensação foi declarado em DCTF a fim de quitar a obrigação concernente ao IRPJ devido quanto ao terceiro trimestre de 2007 (esta informação consta da DCOMP); o recorrente, não obstante já ter quitado a obrigação informada em DCTF, transmite o pedido de compensação vinculando o respectivo crédito ao DARF já utilizado para quitação da obrigação concernente ao terceiro trimestre de 2007. Porque, perguntase, seria necessário a intimação do contribuinte para esclarecer qualquer fato que seja, quando a comparação entre a DCOMP e a DCTF já dá o lastro fático probatório necessário para indeferir o crédito? Neste ponto, a DRJ chega a discutir sobre ônus de prova em matéria de compensação, discussão, digase, inóqua! O crédito nunca chegou a existir, reprisese. Insistase que a discussão aqui não gira em torno da origem ou liquidez do crédito, razão, pela qual, improcede, também, a invocação do art. 65 da IN 900/08, que, peço, transcrevo abaixo: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. As medidas descritas acima, digase, seriam necessárias apenas e tão somente se houver dúvidas sobre a liquidez e certeza do crédito; no caso dos autos, esta dúvida nunca existiu porque o contribuinte nunca cuidou de informar ao fisco a existência deste crédito (mediante retificação da sua DCTF). E aqui, cabe um adendo: como disse anteriormente, a DCTF em questão não foi juntada ao processo. Como, todavia, o contribuinte confessa que não a retificou (inclusive suscitando uma discussão despropositada concernente à desnecessidade de retificação da DCTF como pressuposto normativo para legitimar o pedido de compensação) e, mais, não questiona o próprio "mérito", por assim dizer, do despacho decisório, tal fato restou incontroverso. Ainda que fosse prudente a juntada deste documento, entendo que ele não é essencial ao deslinde da contenta. III Conclusão. A luz do, sucintamente, exposto, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10825.904261/201201 Acórdão n.º 1302002.410 S1C3T2 Fl. 9 8 Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 110DF CARF MF
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Numero do processo: 13706.006498/2008-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. EXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. RECONHECIMENTO DA IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. NECESSIDADE.
A existência de decisão judicial que reconhece direito à isenção tributária, devidamente comunicada ao Órgão Administrativo, é motivo para a declaração de improcedência do lançamento tributário decorrente da discussão sobre o direito à isenção.
Numero da decisão: 2201-003.985
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra que negavam provimento.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 16/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. EXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. RECONHECIMENTO DA IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. NECESSIDADE. A existência de decisão judicial que reconhece direito à isenção tributária, devidamente comunicada ao Órgão Administrativo, é motivo para a declaração de improcedência do lançamento tributário decorrente da discussão sobre o direito à isenção.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra que negavam provimento. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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EXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. RECONHECIMENTO DA IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. NECESSIDADE. A existência de decisão judicial que reconhece direito à isenção tributária, devidamente comunicada ao Órgão Administrativo, é motivo para a declaração de improcedência do lançamento tributário decorrente da discussão sobre o direito à isenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra que negavam provimento. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 64 98 /2 00 8- 84 Fl. 225DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 2ª Turma da DRJ Rio de Janeiro II que manteve na integralidade o lançamento tributário relativo ao IRPF supostamente devido no anocalendário de 2006, em razão de declaração como isentos/não tributáveis de rendimentos decorrentes do pagamento de aposentadoria. Tal crédito foi constituído por meio de notificação de lançamento (fls. 6 do processo digitalizado), devidamente explicitado às folhas 7, pelo qual foi apurado o crédito tributário correspondente a imposto suplementar (R$ 2.871,19), juros de mora (R$ 363,49), multa proporcional (R$ 2153,39), valores consolidados em junho de 2008. Em 22 de agosto de 2008 (fls 2), foi apresentada, tempestivamente conforme despacho de folhas 46 impugnação ao lançamento. A decisão da 2ª Turma da DRJ Rio de Janeiro, II contém o seguinte relatório, que adoto por sua precisão e clareza (fls 98): "Contra o contribuinte foi lavrada notificação de lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (fls.4 a 6), relativa ao anocalendário 2006 para apurar imposto de renda pessoa fisica suplementar de R$2871,19, acrescido de multa de oficio de 75% no valor de R$2153,39 e juros moratórios perfazendo crédito tributário no valor de R$5388,07. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal A fl.5 os rendimentos recebidos da Fundação Eletrobrds de Seguridade Social ELETROS foram indevidamente considerados como isentos por moléstia grave.Conforme informado pela fiscalização o laudo apresentado não emana de Perícia Médica, como determina dispositivo isencional. Inconformado, o interessado alega que é portador de moléstia grave desde outubro de 1997,e que o laudo apresentado A fiscalização foi emitido por serviço médico oficial— HSE,do Ministério da Saúde e assinado por médicos que fazem parte do quadro funcional daquele hospital. Entende que a moléstia grave foi provada e que faz jus A devolução de R$27.500,64, já descontada a parcela recebida de R$2.035,58.Caso não seja acatado o seu pleito pede que a declaração original entregue seja aceita para os efeito legais,não restando imposto a ser pago. Afirma que seu pedido relativo A moléstia grave está amparado no § 2°,item III da Instrução Normativa n°15/2001. Ao final, alega que, ao preencher a declaração retificadora sem valores discriminados no campo de rendimentos tributáveis o programa do imposto de renda não permite a dedução de contribuição A previdência privada do ano em questdo.A notificação de lançamento não levou em consideração este fato e na apuração do crédito tributário considerou uma base de cálculo maior do que a devida. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 13706.006498/200884 Acórdão n.º 2201003.985 S2C2T1 Fl. 226 3 Menciona, ainda, que levando em consideração a declaração original e a retificadora, ele estaria quite com a Receita Federal, e desta forma carece de sentido lógico a cobrança,razão pela qual solicita que seja anulado o presente lançamento." A decisão de primeira instância restou assim ementada (Acórdão 1328.336, fls 97): "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA A ESFERA ADMINISTRATIVA. Tendo o contribuinte optado pela discussão da matéria perante o Poder Judiciário, ha renúncia As instâncias administrativas, não mais cabendo, nestas esferas, a discussão da matéria de mérito, debatida no âmbito da ação judicial. CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA. Deve ser acatado o dispêndio lastreado em documento idôneo." A decisão de piso entendeu que a propositura de ação judicial pela qual o Contribuinte pleiteava o direito a isenção do IRPF em razão de ser portador de moléstia grave, implicava em renúncia a discussão administrativa do crédito lançado. O impugnante teve ciência da decisão desfavorável em 20 de dezembro de 2010 (AR. fls. 103) Ressaltese, que se observa às folhas 59, petição inicial de ação declaratória, com pedido de antecipação de tutela, proposta perante a Justiça Federal do Rio de Janeiro, que tem por objeto a declaração do direito do autor a isenção do imposto sobre a renda decorrente dos proventos de aposentadoria em razão da moléstia grave existente. Inconformado com a decisão de primeiro grau que manteve parcialmente o lançamento tributário, o Recorrente interpôs, em 29 de dezembro de 2010, o presente recurso voluntário (fls. 105), no qual aduz em apertada síntese que: Fl. 227DF CARF MF 4 · não se verifica renúncia a esfera administrativa posto que não há concomitância de instancias, vez que a discussão judicial proposta em 2009 versa sobre as parcelas vincendas do IRPF por força da isenção tributária que se pretende ver reconhecida; · a Lei nº 5.172/66 permite a retificação da declaração tributária, por meio de recurso de ofício, no caso de erro ou omissão, o que se aplica ao caso em apreço; · Assim, é cabível o cancelamento da autuação por força do reconhecimento da isenção por existência de moléstia grave, devidamente comprovada, não havendo renúncia a discussão administrativa. O processo foi distribuído para este Conselheiro, por sorteio eletrônico, em sessão pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator. O recurso voluntário proposto atende aos requisitos de admissibilidade e portanto, dele conheço. Porém, antes de iniciar a apreciação dos argumentos recursais, verifico a existência de uma matéria prejudicial ao julgamento do mérito. Conforme relatado, foi proposto pelo Recorrente, em 2009, perante a Justiça Federal, Seção Judiciária do Rio de Janeiro, uma ação declaratória que foi protocolizada sob o nº 001552538.2009.4.02.5101 (2009.51.01.0155250), que tramitou perante a 23ª Vara Federal. Tal ação restou favorável ao Contribuinte. Observo às folhas 197, o Ofício SEC nº OFI.0023.0000412/2017, endereçado a este Conselho, com o seguinte teor: Fl. 228DF CARF MF Processo nº 13706.006498/200884 Acórdão n.º 2201003.985 S2C2T1 Fl. 227 5 Tal determinação judicial decorre da decisão tomada pelo Egrégio Tribunal Federal da 2ª Região, na apreciação da Apelação Cível 2009.51.01.0155250, acostada as folhas 203, que apresenta a seguinte conclusão (fls. 206): A simples leitura excerto acima, permite concluir que o reconhecimento pelo Poder Judiciário do direito do Recorrente a isenção do imposto sobre a renda proveniente da aposentadoria percebida. Em sede de Embargos de Declaração, foi esclarecido pelo Tribunal Federal, conforme se observa pela cópia do acórdão acostado às folhas 208 , que o direito a isenção deve ser reconhecido desde outubro de 1997, posto que: Fl. 229DF CARF MF 6 "(...) documentos apresentados pelo Demandante (docs ...), declaramno portador de neoplastia de próstata CID 61 (neoplastia maligna), desde outubro de 1997. Portanto esta é a data de início do benefício de isenção fiscal." Por todo o exposto, forçoso reconhecer a existência de ordem judicial determinando que este Conselho Administrativo reconheça a improcedência do lançamento tributário contido na notificação de lançamento que se aprecia por meio do presente processo administrativo fiscal. CONCLUSÃO Diante dos fatos e fundamentos apresentados, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 230DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.721635/2011-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1001-000.012
Decisão: (assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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ANOCALENDÁRIO: 2008 Restando caracterizada a entrega em atraso da DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Argüições de ilegalidade e inconstitucionalidade. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO A vedação ao confisco previsto na Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a lei nos moldes que o poder competente a instituiu. Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo, ACORDAM os membros da 1ª TE da 1ª Seção, por unanimidade de votos, afastadas as alegações de nulidade, julgar improcedente o recurso voluntário, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Encaminhese para a Unidade de Origem para ciência do(a) Contribuinte do teor do presente Acórdão e demais providências cabíveis (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 16 35 /2 01 1- 10 Fl. 86DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva Relatório Versa o presente processo sobre autuação relativa ao anocalendário de 2008 – 2º semestre, pela exigência do pagamento de multa por não entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Inconformado com a exigência, o Contribuinte impugnou o lançamento, alegando, em resumo, que a penalidade imposta não encontra amparo legal; e esta fere o princípio da proporcionalidade e do não confisco. Pede a declaração de nulidade, o cancelamento da autuação ou a redução da multa para 10% do valor devido a título de tributo. A 1a Turma da DRJ/CPS analisou as alegações do contribuinte tendo negado provimento a impugnação e mantido integralmente o crédito tributário, pelas seguintes razões: " Ofensa à Legalidade/Proporcionalidade/Não Confisco" A extemporaneidade na entrega de declaração de tributos, no prazo fixado pela norma, é considerada como sendo descumprimento de obrigação tributária exigida do contribuinte. Embora seja ela obrigação acessória, sua pena pecuniária está prevista no §3º, do artigo 5º, do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, abaixo transcrito: “Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 3º. Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2º, 3º e 4º do artigo 11 do Decretolei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983.” Transcrevendo o artigo 11, do Decretolei nº 1.968, de 23 de novembro de1982, a multa é aplicada da seguinte forma: “Art. 11. a pessoa física ou jurídica é obrigada a informar à Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros,pagar ou creditar no ano anterior, bem como o imposto de renda que tenha retido. Neste mesmo sentido, o artigo 7º, da Lei nº 10.426/2002, prescreveu que: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13896.721635/201110 Acórdão n.º 1001000.012 S1C0T1 Fl. 3 3 Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; (...) Os normativos baixados pela RFB, como a IN RFB 903, de 30 de dezembro de 2008, prevêem que: Art. 2º As pessoas jurídicas de direito privado em geral, inclusive as equiparadas, as imunes e as isentas, as autarquias e fundações da administração pública dos Estados, Distrito Federal e Municípios e os órgãos públicos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário dos Estados e do Distrito Federal e dos Poderes Executivo e Legislativo dos Municípios, desde que se constituam em unidades gestoras de orçamento, deverão apresentar, de forma centralizada, pela matriz: I mensalmente, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Mensal (DCTF Mensal), observado o disposto no art. 3º; ou II semestralmente, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Semestral (DCTF Semestral). Parágrafo único. Para fins do disposto no caput, considerase unidade gestora de orçamento aquela autorizada a executar parcela do orçamento dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (...) Art. 6º A DCTF deverá ser elaborada mediante a utilização de programas geradores de declaração, disponíveis no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, no endereço < http:// www.receita.fazenda.gov.br>. § 1º A DCTF deve ser apresentada mediante sua transmissão pela Internet com autilização do programa Receitanet, disponível no endereço eletrônico referido no caput. § 2º Para a apresentação da DCTF Mensal, é obrigatória a assinatura digital da declaração mediante utilização de certificado digital válido. § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase, inclusive, aos casos de extinção, incorporação, fusão e cisão total ou parcial. Art. 7º As pessoas jurídicas devem apresentar a: Fl. 88DF CARF MF 4 I DCTF Mensal até o 15º (décimo quinto) dia útil do 2º(segundo) mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; ou II DCTF Semestral: a) até o 5º (quinto) dia útil do mês de outubro, no caso de DCTF relativa ao 1º (primeiro) semestre do anocalendário; e b) até o 5º (quinto) dia útil do mês de abril, no caso de DCTF relativa ao 2º (segundo) semestre do anocalendário anterior. (...) Art. 9º A pessoa jurídica que deixar de apresentar a DCTF no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimada a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela RFB, e sujeitarseá às seguintes multas: I de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos impostos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega dessa declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º;(g.n.) Portanto, a multa pecuniária eventualmente imposta pelo não cumprimento de obrigação tributária acessória, como a não apresentação de DCTF, tem como fundamento os dispositivos legais acima citados e normativos. O Impugnante alega ilegalidade na imposição da penalidade imposta pela a conduta do descumprimento de obrigação acessória. Entretanto, conforme se depreende dos normativos acima reproduzidos, inexiste ilegalidade ou desproporcionalidade quando observados os critérios normativos, como no presente caso. Insta ressaltar, ademais, que as alegações relativas a ilegalidade e inconstitucionalidade não podem ser examinadas por exorbitarem à competência das autoridades administrativas, às quais cabe apenas cumprir as determinações da legislação em vigor. Nesse contexto, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Essa vinculação somente deixa de prevalecer quando a norma em discussão já tiver sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, o que não ocorreu no caso dos presentes autos. Portanto, convém destacar que existindo dispositivos que estabelecem uma obrigação acessória por parte do sujeito passivo, e tipificam conduta infratora ante seu descumprimento sendo tais dispositivos integrantes da legislação tributária, conforme estabelecido nos arts. 96 e 100, I, do CTN , a sua aplicação é obrigatória por parte das autoridades administrativas; assim, em relação à legislação que fundamenta a autuação, arrolada no auto de infração em comento, os agentes do fisco estão Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13896.721635/201110 Acórdão n.º 1001000.012 S1C0T1 Fl. 4 5 plenamente vinculados, e sua desobediência pode causar a responsabilização funcional, conforme previsão do parágrafo único do art. 142 do CTN. Não há, portanto, fato que fundamente alegação de ilegalidade na imposição da penalidade constante dos presentes autos. E, se não por isso, não nos compete examinar alegação de ilegalidade ou inconstitucionalidade na seara do julgamento administrativo." Mais adiante, continua a DRJ, cita diversas decisões do antigo Conselho de Contribuinte e a Súmula n° 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: " Sobre esta questão é mansa e pacífica a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, atual CARF, como se vê nas ementas das decisões abaixo: ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Às instâncias administrativas não competem apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. (Acórdão nº 20312.529, de 19/10/2007 – 3ª Câmara – 2º Conselho de Contribuintes) LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXAME DA ILEGALIDADE / INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete ao Poder Executivo o exame da ilegalidade/inconstitucionalidade da legislação tributária, competência exclusiva do Poder Judiciário. (Acórdão nº 30238.354, de 23 de janeiro de 2007, 3ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes) JULGAMENTO ADMINISTRATIVO – INCONSTITUCIONALIDADE – ILEGALIDADE. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, não se podendo decidir, em âmbito administrativo, pela inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis ou atos normativos. (Acórdão nº 10249034, de 24 de abril de 2008, 2ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes). O CARF sumulou a matéria recentemente: Enunciado O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, não cumpre examinar as alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade na esfera de julgamento administrativo, motivo pelo qual restam afastadas tais alegações. A alegação de ofensa ao não confisco inserese neste contexto. A vedação ao confisco, prevista na Constituição Federal, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico, por inconstitucional. Fl. 90DF CARF MF 6 Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou. O lançamento é uma atividade vinculada. É de se presumir, portanto, que a lei aprovada nos moldes constitucionais tenha estabelecido multas dentro de limites aceitáveis. Assim, não compete à autoridade administrativa declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei, pois essa competência foi atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário pela CF, conforme art. 102. Como já apontamos, a mais abalizada doutrina escreve que toda atividade da Administração Pública se passa na esfera infralegal e que as normas jurídicas, quando emanadas do órgão legiferante competente, gozam de uma presunção de constitucionalidade, bastando sua mera existência para inferir a sua validade. Vale dizer que, inovado o sistema jurídico com uma norma emanada do órgão competente, ela passa a pertencer ao sistema, cabendo à autoridade administrativa tãosomente velar pelo seu fiel cumprimento até que seja expungida do mundo jurídico por uma outra superveniente ou por resolução do Senado da República publicada posteriormente à declaração de sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal. Assim, estando devidamente fundamentada na autuação a infração cometida, e tendo sido aplicada a penalidade prevista na legislação tributária, não há como prosperar a argüição de violação a qualquer preceito constitucional. Ponderase, ainda, que, consoante o parágrafo único, do artigo 142, do CTN, a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Por ser o lançamento ato privativo da autoridade administrativa é que a lei atribui à Administração o poder de impor, por meio da legislação tributária, ônus e deveres aos particulares, denominados, genericamente, "obrigações acessórias", que têm por objeto as prestações, positivas ou negativas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2º do CTN). Quando a obrigação acessória não é cumprida, fica subordinada à multa específica (art. 113, § 3º, do CTN). Assim é que a Administração exige do particular diversos procedimentos. No caso, a obrigação acessória implicou não só o cumprimento do ato de entregar a declaração, como também, o dever de fazêlo no prazo previamente determinado, independentemente de qualquer procedimento fiscal. Desse modo, a entrega não tem o condão de eximir o contribuinte da penalidade, posto que esta está claramente definida, tanto para a hipótese da não entrega, quanto para o caso de seu implemento fora do tempo determinado. Doutro lado, a autuação trouxe todos os elementos do tipo infracional tributário, como indicação da espécie de declaração não apresentada, prazo final de entrega, data da efetiva apresentação, metodologia de cálculo da penalidade, descrição dos fatos e fundamentação legal, demonstrando a regularidade formal do lançamento, na forma do Decreto 70.235/72. Portanto, afastada alegação de nulidade por irregularidade formal do lançamento. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13896.721635/201110 Acórdão n.º 1001000.012 S1C0T1 Fl. 5 7 Ademais, insta ressaltar que o Impugnante não contestou, em momento algum, a prática infratora propriamente dita, e nem ao mesmo buscou ou trouxe elemento algum suficiente para afastar a conduta e a imposição de penalidade pecuniária. Por fim, salientase que, tratandose de legislação tributária, abstraise a intenção do agente e a efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato praticado, na definição de responsabilidade trazida pelo art. 136 do mesmo CTN. Desta forma, não há como dispensar a aplicação da multa por atraso na entrega da DCTF relativa ao 2ª semestre de 2007, na forma indicada na autuação. Perdão Quanto à solicitação aventada no sentido da redução da multa, cumpre esclarecer que, nos termos da legislação de regência (CTN, art. 172), somente a lei pode autorizar a autoridade administrativa a conceder remissão total ou parcial do crédito tributário. Assim, como no presente caso não existe mencionada lei autorizadora da remissão, não há como deferir o pedido de redução da penalidade. Considerando que o prazo final de entrega da DCTF como sendo 07/04/2009, e a data da efetiva entrega de 29/06/2011, o que implica atraso de 27 meses no cumprimento da obrigação acessória, e a ausência de elementos para desconstituir a prática infratora e, portanto, a legal imposição da penalidade pecuniária; E considerando afastadas as alegações de nulidade, VOTO por julgar improcedente a impugnação, mantendo integralmente a multa imposta". Voto Conselheiro: José Roberto Adelino da Silva Relator Tratase de recurso voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. Inconformada com a decisão de primeira instância, como acima, o contribuinte apresentou recurso voluntário ao Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, onde alega: Preliminarmente, alega que não há previsão legal para instituição da DCTF e da multa por traso na entrega. Alega, adicionalmente: Ofensa à Legalidade/Proporcionalidade/Não Confisco. No recurso voluntário, basicamente, apresentou as mesmas razões utilizadas na impugnação para a declaração de nulidade, o cancelamento da autuação ou a redução da multa para 10% do valor devido a título de tributo. Fl. 92DF CARF MF 8 A decisão prolatada pela DRJ não merece reparos. As regras para apresentação da DCTF e as penalidades por atraso na entrega, ou a sua não apresentação, estão tipificadas na legislação em vigor e, portanto, aplicáveis ao caso. As alegações de ofensa à legalidade/proporcionalidade e não confisco não podem ser objeto de análise por este colegiado, já havendo, inclusive, súmula do CARF quanto a este assunto, como citado pela DRJ e que aqui reproduzo: " Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.". Portanto, voto pela manutenção integral do lançamento, afastando tanto a Ofensa à Legalidade/Proporcionalidade/Não Confisco quanto a alegação de nulidade por ausência de previsão legal, pelas razões tão bem expostas e irretocáveis na decisão de primeira instancia administrativa. É o meu voto, (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 93DF CARF MF
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Numero do processo: 10820.000983/2007-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/08/2006
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 09 83 /2 00 7- 69 Fl. 1606DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 1607DF CARF MF Processo nº 10820.000983/200769 Acórdão n.º 2202004.215 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 1608DF CARF MF
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