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Numero do processo: 10730.005928/2005-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000
DECADÊNCIA - TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - TERMO INICIAL.
Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração prévia do débito.
PESSOA JURÍDICA OPTANTE DO SIMPLES - OMISSÃO DE RECEITA - DECADÊNCIA.
Constatada omissão de receitas em determinado período, se houve recolhimento pela sistemática do Simples para aquele período, o termo inicial para a contagem da decadência se rege pelo § 4º do art. 150 do CTN, não importando o percentual de partilha que coube a cada tributo compreendido no pagamento unificado, de acordo com a lei.
Numero da decisão: 9101-002.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, recurso negado.
(documento assinado digitalmente)
OTACÍLO DANTAS CARTAXO
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Valadão, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Rafael Vidal de Araújo, Valmir Sandri, Antonio Carlos Guidoni Filho (Suplente Convocado), Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado), Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000 DECADÊNCIA - TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - TERMO INICIAL. Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração prévia do débito. PESSOA JURÍDICA OPTANTE DO SIMPLES - OMISSÃO DE RECEITA - DECADÊNCIA. Constatada omissão de receitas em determinado período, se houve recolhimento pela sistemática do Simples para aquele período, o termo inicial para a contagem da decadência se rege pelo § 4º do art. 150 do CTN, não importando o percentual de partilha que coube a cada tributo compreendido no pagamento unificado, de acordo com a lei.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO TERMO INICIAL. Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração prévia do débito. PESSOA JURÍDICA OPTANTE DO SIMPLES OMISSÃO DE RECEITA DECADÊNCIA. Constatada omissão de receitas em determinado período, se houve recolhimento pela sistemática do Simples para aquele período, o termo inicial para a contagem da decadência se rege pelo § 4º do art. 150 do CTN, não importando o percentual de partilha que coube a cada tributo compreendido no pagamento unificado, de acordo com a lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, recurso negado. (documento assinado digitalmente) OTACÍLO DANTAS CARTAXO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 59 28 /2 00 5- 11 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10730.005928/200511 Acórdão n.º 9101002.048 CSRFT1 Fl. 3 2 Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Valadão, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Rafael Vidal de Araújo, Valmir Sandri, Antonio Carlos Guidoni Filho (Suplente Convocado), Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado), Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior. Relatório Na sessão plenária de 10 de dezembro de 2009, a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, ao julgar o Recurso n° 168.077 (voluntário), por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para afastar a tributação relativa aos meses de janeiro a outubro de 2000, por estarem alcançados pela decadência, conforme Acórdão nº 110200.121. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial alegando divergência jurisprudencial no que concerne à relevância da existência de pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. Para comprovação do dissídio, invoca os acórdãos CSRF/0203331 e 202 18.684. Argumenta a Fazenda Nacional que na ausência de recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, a decadência seria regida pelas disposições do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso atende os pressupostos que o legitimam, devendo ser conhecido. O tema submetido ao Colegiado é o termo inicial para a contagem da decadência, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação. Segundo a decisão vergastada, tratandose de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência é a data de ocorrência do gato gerador. Assim, para todos os fatos geradores ocorridos no curso do ano calendário de 2000, o prazo fatal para o exercício do lançamento de ofício seria 31 de Fl. 264DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10730.005928/200511 Acórdão n.º 9101002.048 CSRFT1 Fl. 4 3 dezembro de 2004, o que fulminaria integralmente as exigências litigadas, posto que a ciência dos autos de infração deuse em 23 de novembro de 2005. Essa decisão está coerente com a jurisprudência que, durante muitos anos, predominou neste CARF, segundo a qual em se tratando de lançamento por homologação, o que definia se o termo inicial para a contagem da decadência era a data da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN), ou o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I do CTN) na ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na presença desses vícios, o termo inicial, sem voz dissonante, era fixado pelo art. 173, I. A divergência que havia era apenas para os casos em que, não presente dolo, fraude ou simulação, não tivesse havido o pagamento antecipado. Nesses casos, havia uma corrente que afastava a aplicação do art. 150 e seu § 4º, deslocando o termo inicial para o art. 173. Com a alteração promovida pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, determinando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, essa questão não mais comporta discussões, eis que foi objeto de decisão do STJ na sistemática de recursos repetitivos, na apreciação do REsp nº 973.333SC, de relatoria do Ministro Luiz Fux, com a seguinte ementa: RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS REPR. POR : PROCURADORIAGERAL FEDERAL PROCURADOR : MARINA CÂMARA ALBUQUERQUE E OUTRO(S) RECORRIDO: ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADOR: CARLOS ALBERTO PRESTES E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10730.005928/200511 Acórdão n.º 9101002.048 CSRFT1 Fl. 5 4 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi,"Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Notese que na decisão supra, tomada no regime do art. 543C do CPC, restou assentado que, para os tributos cuja legislação preveja o pagamento antecipado do tributo, não constatado caso de dolo, fraude ou simulação, a ausência de pagamento antecipado desloca o termo inicial da contagem do prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se inexistir declaração prévia do débito. Ao condicionar a aplicação da regra do art. 173, nos casos de ausência de pagamento, à também inexistência de declaração, a decisão do STJ, naturalmente, não se refere a qualquer declaração, mas sim àquelas que constituam confissão de dívida. Porque, nesse caso, o valor do débito declarado prescinde da formalização de lançamento para ser cobrado, podendo ser inscrito na dívida ativa se não adimplido. Deve, pois, ser examinado se, no caso concreto, restou configurada a situação de “ausência de pagamento ou declaração do débito”, a deslocar o termo inicial para o art. 173. Chamo atenção para o fato de que, excetuadas as contribuições sociais, para as quais entendeu aplicarse o prazo de 10 anos, a decisão de primeira instância já acolhera a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de fevereiro de 2000 (inclusive), por aplicação do art. 150 do CTN, uma vez que para esses meses reconhecera a existência de pagamento. Constou do voto condutor: “Seguindo o Demonstrativo de Apuração dos Valores Devidos do auto de infração de IRPJ, fls. 11, só não houve pagamento Fl. 266DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10730.005928/200511 Acórdão n.º 9101002.048 CSRFT1 Fl. 6 5 desse imposto relativamente ao fato gerador de janeiro de 2000. Em verdade, com a verificação da enorme receita omitida (matéria não impugnada), a impugnante já no mês de fevereiro de 2000 deixa de ser tida como microempresa sob o percentual de 5% (sem IRPJ) e passa a ser classificada como empresa de pequeno porte sob o percentual de 7,4%, já incidindo todos os tributos. Dos recolhimentos feitos como microempresa, o próprio sistema (fls. 49/59), a partir dos valores de receita omitida apurados, refaz, já sob esse novo percentual, a partilha dos valores recolhidos. Vêse ali, repito, que só não há recolhimento de IRPJ em janeiro de 2000. Assim, o direito de a Fazenda Pública lançar o IRPJ desse período extinguese em cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte (1°/01/2001), ou seja, em 31/12/2005; logo, em relação ao IRPJ lançado relativamente ao mês de janeiro de 2000 não há que se falar em decadência.” Com a devida vênia, entendo equivocada a decisão recorrida. A lei institui um sistema simplificado, unificando os pagamentos de vários impostos e contribuições num único valor devido mensalmente, calculado mediante incidência de um determinado percentual sobre a receita bruta, e estabelecendo como é partilhado, entre os tributos abrangidos, o valor pago pelo contribuinte. Assim, para efeito da definição do termo inicial da contagem do prazo decadencial, o que é relevante é se houve pagamento em relação àquele período, não importando o percentual de partilha que coube a cada tributo, de acordo com a lei. Assim, o fato de a receita bruta declarada pelo contribuinte estar compreendida em uma faixa para a qual a lei prevê, na partilha, destinação para o IRPJ de 0,00% do valor pago não tem o condão de atribuir outro termo inicial para a contagem do prazo de decadência desse tributo. Logo, tendo havido pagamento relativo mês de janeiro de 2000 na sistemática do SIMPLES, o lançamento de ofício para exigir tributo decorrente de omissão de receita naquele período só poderia ser feito até 31/12/2004. Pelas razões expostas, NEGO provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 11 de novembro de 2014. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri, Relator. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10730.005928/200511 Acórdão n.º 9101002.048 CSRFT1 Fl. 7 6 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 10675.720842/2010-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9303-000.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto Nanci Gama - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1899; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 266 1 265 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10675.720842/201082 Recurso nº Especial do Contribuinte Resolução nº 9303000.024 – 3ª Turma Data 13 de novembro de 2013 Assunto Repercurssão Geral sobrestamento Recorrente BANCO TRIÂNGULO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, na qual foi reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Contra a decisão da DRJ de origem, que negou provimento ao recurso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, que por sua vez foi julgado improcedente pela Câmara a quo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .7 20 84 2/ 20 10 -8 2 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.720842/201082 Resolução nº 9303000.024 CSRFT3 Fl. 267 2 Nessa oportunidade, a Recorrente interpôs recurso especial e sustentou que a decisão recorrida interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo eg. Supremo Tribunal Federal no RE 401.348/MG, devendo ser reformada para que a base de cálculo do PIS limitese à receita bruta das vendas de mercadoria e da prestação de serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. O i. Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por considerar que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Pede a Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, para que seja mantida a decisão guerreada. É o Relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Conforme se verifica nos autos, a questão central neste processo é definir a base de cálculo da contribuição para as financeiras. Ainda que o pedido de restituição de PIS esteja ancorado em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, esta, reconheceu, tão somente a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Então tudo continua na mesma, pois sendo uma empresa financeira, fica a critério dos aplicadores do direito interpretar se as receitas financeiras (remuneração decorrente do pagamento de empréstimos bancários, spreads, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização etc) integram ou não o faturamento. A questão das receitas que devem integrar a base de cálculo da contribuição devida por instituições financeiras é objeto do RE nº 609.096 (Tema 372), em relação ao qual o Supremo Tribunal Federal decidiu que existe repercussão geral e sobrestou os demais feitos judiciais em andamento, conforme se depreende do despacho do Ministro Ricardo Lewandowski, que transcrevo a seguir: “RE 609096/RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI Julgamento: 10/06/2011 Publicação DJe115 DIVULG 15/06/2011 PUBLIC 16/06/2011 Partes Fl. 268DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.720842/201082 Resolução nº 9303000.024 CSRFT3 Fl. 268 3 RECTE.(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA REPÚBLICA RECTE.(S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES): PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) : BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A ADV.(A/S):MARCOS JOAQUIM GONCALVES ALVES E OUTRO(A/S) Decisão LibreOffice Petição 73745/2010STF. Federação Brasileira dos Bancos – FEBRABAN requer seu ingresso neste recurso extraordinário na condição de amicus curiae, bem como “a suspensão de todos os processos que tramitam em primeiro e segundo graus de jurisdição, que versem sobre a questão constitucional debatida nestes autos” (fl. 666). No caso, tratase de recursos extraordinários interpostos pela União e pelo Ministério Público Federal contra acórdão que entendeu que as receitas financeiras das instituições financeiras não se enquadram no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS. Esta Corte reconheceu a existência de repercussão geral do tema versado neste recurso. Transcrevo a ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 1.054). É o breve relatório. Decido. De acordo com o § 6º do art. 543A do Código de Processo Civil: “O Relator poderá admitir, na análise da repercussão geral, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal”. Por sua vez, o § 2º do art. 323 do RISTF assim disciplinou a matéria: “Mediante decisão irrecorrível, poderá o(a) Relator(a) admitir de ofício ou a requerimento, em prazo que fixar, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, sobre a questão da repercussão geral”. A esse respeito, assim se manifestou o eminente Min. Celso de Mello, Relator, no julgamento da ADI 3.045/DF: “a intervenção do amicus curiae, para legitimarse, deve apoiarse em razões que tornem desejável e útil a sua atuação processual na causa, em ordem a proporcionar meios que viabilizem uma adequada resolução do litígio constitucional”. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.720842/201082 Resolução nº 9303000.024 CSRFT3 Fl. 269 4 Verifico que a requerente atende aos requisitos necessários para participar desta ação na qualidade de amicus curiae. Quanto ao pedido de suspensão dos processos que tratam da mesma matéria versada nesses autos que tramitam em primeiro e segundo graus, entendo que não merece acolhida. É que os arts. 543B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento de recursos extraordinários interpostos em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria neles discutida, e não de ações que ainda não se encontram nessa fase processual. Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria aqui debatida, os recursos extraordinários que versam sobre o mesmo assunto ficarão sobrestados, na origem, por força do próprio art. 543B do CPC. Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido. Publiquese. Brasília, 10 de junho de 2011. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI” (Grifei) Considerando que houve determinação de sobrestamento por parte do STF dos demais feitos relativos à mesma questão que tramitam no Judiciário, voto no sentido de que este E. Colegiado aplique o art. 62A do Regimento Interno do CARF para sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 609.096 (Tema 372). Nanci Gama Fl. 270DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.676036/2009-09
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
IRPJ. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO.
Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado.
Numero da decisão: 1802-002.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 IRPJ. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 IRPJ. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 60 36 /2 00 9- 09 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10880.676036/200909 Acórdão n.º 1802002.413 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Por economia processual e bem descrever os fatos adoto o Relatório da decisão recorrida (fls.353/354) que a seguir transcrevo: INGRAM MICRO BRASIL LTDA, manifesta inconformidade com Despacho Decisório eletrônico, emitido pela Delegacia de Administração Tributária em São Paulo DERAT (fls.06) que não homologou as compensações declaradas com pagamento a maior ou indevido de IRPJ Estimativa, cod.2362, recolhido em 31/01/2006. 2 O citado despacho informa que a compensação não foi homologada por se tratar de pagamento de estimativa, efetuado após a edição da IN SRF n° 460 de 18/10/2004, publicada em 29/10/2004, que em seu art.10 da IN SRF n° 600 de 28/12/2005, publicada dia 30/12/2005, que revogou a IN SRF n° 460, manteve a proibição em seu art 10. 3 Cientificada, a contribuinte apresentou, manifestação de inconformidade de fls.09 a 24, apresentando suas razoes, em síntese a seguir: 3.1 Alega que o crédito não decorre de um mero "recolhimento corriqueiro" de estimativa, mas sim de um erro na elaboração da guia DARF que teria gerado recolhimento em montante superior ao débito devido, configurando um crédito oponível ao Fisco. 3.2 Alega que o crédito discutido teria natureza diversa do recolhimento mensal por estimativa, discorrendo sobre o que chama de 'natureza do pagamento indevido do credito para argumentar o recolhimento em excesso decorrente de erro na elaboração de DARF, seria um crédito de pagamento indevido embasado pelo art. 165 II do Código Tributário Nacional que não poderia ser limitado pela discriminação da modalidade de seu pagamento. 3.3 Discorre sobre os recolhimentos de estimativas mensais para concluir que o pagamento de estimativas somente poderia ter natureza de pagamento a maior após a apuração do IRPJ devido e se fosse verificado que tal valor era menor que a soma das estimativas. 3.4 Relata como foi feita a apuração do valor do débito da estimativa e dos resultados obtidos na DIPJ e na DCTF , elaborando quadrinhos demonstrativos do que entende ser seu credito, já devidamente atualizado pela reclamante. 3.5 Discorre sobre seu direito ao credito, citando ainda processos de consulta proferidos pela SRRF 8a e 9a , sobre compensação de estimativa de CSLL. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10880.676036/200909 Acórdão n.º 1802002.413 S1TE02 Fl. 4 3 3.6 Discorre longamente sobre a não aplicabilidade, no seu entender, do art. 10 da Instrução Normativa n° 600/2005, apresentando sua interpretação do artigo e argumentando ainda que se esse artigo foi suprimido pela PN SRF 900/2008, o fato refletiria claramente a sua ausência de legalidade, concluindo não haver então qualquer impedimentos legal para o procedimento adotado. 3.7 Discorre sobre o que denomina de "impossibilidade de não reconhecimento do Crédito", citando o art 6ºo da Lei nº 9.430/1996 e acórdão do antigo Conselho de Contribuintes, para argumentar que meros equívocos formais , em confronto com o que chama de verdade material dos fatos, não poderiam desconstituir o seu direito ao crédito. 3.8 Por fim, requer o reconhecimento do direito ao crédito tributário e homologação da respectiva compensação. 3.9 Informa ainda que caso o órgão Julgador entenda necessário, poderá determinar realização de diligencias e verificações , colocandose a requerente à disposição para fornecimento das informações , caso a documentação apresentada não seja suficiente. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/São PauloI/SP) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1630.729, de 12 de abril de 2011. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2006 Ementa: PAGAMENTOS INDEVIDOS OU A MAIOR DE ESTIMATIVAS A edição da IN SRF n° 460/2004, publicada em 29/10/2004, determinou em seu art. 10 que os recolhimentos a maior ou indevidos de estimativas de IRPJ e CSLL , deveriam ser utilizados na apuração anual dos tributos e apuração do saldo negativo correspondente, sendo vedada sua utilização em compensações como pagamentos a maior ou indevidos. A IN SRF n° 600/2005, publicada em 30/12/2005, reproduziu essa proibição no seu exato teor e no mesmo artigo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da mencionada decisão em 25/05/2011, conforme o Aviso de Recebimento, efl.159 (vol.2), a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Fl. 473DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10880.676036/200909 Acórdão n.º 1802002.413 S1TE02 Fl. 5 4 Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 24/06/2011, efls.213/248 (vol.2), no qual repete as alegações aduzidas na Manifestação de Inconformidade e esclarece que: apurou no mês de dezembro de 2005 a base de cálculo do IRPJ negativa correspondente a R$ 12.283.044,07 e R$ 310.316,42 de IRPJ a pagar, conforme sua DIPJ (doc. 03 Ficha 11, pg. 10 da Manifestação de Inconformidade), da DCTF Retificadora (enviada em 27.10.2006) (doc. 04 da Manifestação de Inconformidade) e composição da base de cálculo constante da parte A do LALUR (doe. 05 da Manifestação de Inconformidade); a despeito de possuir o débito de R$ 310.316,42 a pagar, a Recorrente, por erro, recolheu a guia DARF no valor total de R$ 673.507,44 (doc. 06 da Manifestação de Inconformidade); pelo confronto do referido débito de IRPJ Estimativa com a guia DARF de recolhimento, houve evidente crédito de R$ 363.191,02 (valor original sem atualização SELIC) derivado de erro incorrido pela Recorrente, o qual tem fulcro no artigo 165 do CTN, podendo ser restituído independentemente de sua modalidade de pagamento. Finalmente a Recorrente requer seja acolhido o presente recurso para fim de ser homologada a compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP n.° 42216.36191.200707.1.3.043107, fls.50/55, transmitido eletronicamente em 20/07/2007, com crédito no valor de R$ 363.191,02 indicado como decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, decorrente do DARF: código 2362, R$ 673.507,44; Período de apuração: 31/12/2005; Data de Arrecadação: 31/01/2006, para compensação com débito de IRPJ – código 2362, Principal: R$ 88.540,32 vencido em 28/04/2006. Sobre a análise do PER/DCOMP pela autoridade administrativa originária da Delegacia da Receita Federal DERAT/SP, consta o seguinte no Despacho Decisório (fl.06): Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão Informado no PER/DCOMP: 363.191,02. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa Jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRP)) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao Fl. 474DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10880.676036/200909 Acórdão n.º 1802002.413 S1TE02 Fl. 6 5 final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. CARACTERÍSTICAS DO DARF PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA (2362), VALOR TOTAL DO DARF R$ 673.507,44; PERÍODO DE APURAÇÃO 31/12/2005; DATA DE ARRECADAÇÃO 31/01/2006. O referido decisório está arrimado no artigo 10 da Instrução Normativa SRFn° 600, de 2005, abaixo transcrito: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não se conformando com o Despacho Decisório da DERAT/SP, a pessoa jurídica apresentou Manifestação de Inconformidade na qual se insurge contra a aplicação do artigo 10 da Instrução Normativa n° 600/2005, e que, pelo confronto do débito de IRPJ Estimativa relativo ao mês de dezembro/2005 com a guia DARF de recolhimento, houve evidente crédito de R$ 363.191,02 (valor original sem atualização SELIC) derivado de erro incorrido pela Recorrente, o qual tem fulcro no artigo 165 do CTN, podendo ser restituído independentemente de sua modalidade de pagamento (estimativa ou saldo negativo). Os argumentos da Recorrente não são acolhidos na decisão de primeira instância, essencialmente, pelos mesmos fundamentos expendidos no Despacho Decisório. A decisão recorrida destaca que, no caso presente, o recolhimento indevido ou a maior foi feito como IRPJ Estimativa, código 2362, quando já vigia a IN SRF nº 600/2005, por conseqüência, a compensação não pode ser homologada. O fundamento para rejeitar a manifestação de inconformidade, no sentido de que, somente o saldo negativo do IRPJ apurado no encerramento do ano calendário constitui valor passível de restituição/compensação, não sendo cabível, portanto, a solicitação decorrente de eventuais valores relativos a recolhimentos efetuados por estimativa no decorrer do ano calendário, não pode prosperar. De fato, no passado com o mesmo entendimento esboçado no Acórdão recorrido, a Receita Federal expediu as Instruções Normativas (IN SRF n° 460, de 2004 e IN SRF n° 600, de 2005) que em seu artigo 10 restringia a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior de IRPJ ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, ao saldo negativo apurado em 31 de dezembro. Como bem argumentado pela Recorrente, a Instrução Normativa RFB n° 900/08 não mais veda a compensação de créditos relativos a pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, conforme previsto em seu artigo 11. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10880.676036/200909 Acórdão n.º 1802002.413 S1TE02 Fl. 7 6 De sorte que, a restrição contida no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005 não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores. Com efeito, ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: ... Artigo 74 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. ... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 476DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10880.676036/200909 Acórdão n.º 1802002.413 S1TE02 Fl. 8 7 V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) ... Como visto os fundamentos para o indeferimento do PERDCOMP, tanto pela DRF quanto pela DRJ, por si só, não encontram amparo na norma legal que rege a matéria. O assunto encontrase pacificado na Súmula CARF nº 84, verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação A Recorrente afirma que apurou no mês de dezembro de 2005 a base de cálculo do IRPJ correspondente a R$ 12.283.044,07 e R$ 310.316,42 de IRPJ a pagar, conforme sua DIPJ (doc. 03 Ficha 11, pg. 10 da Manifestação de Inconformidade), da DCTF Retificadora (enviada em 27.10.2006) (doc. 04 da Manifestação de Inconformidade) e composição da base de cálculo constante da parte A do LALUR (doc. 05 da Manifestação de Inconformidade). Todavia, a despeito de possuir o débito de R$ 310.316,42 a pagar, a Recorrente, por erro, recolheu a guia DARF no valor total de R$ 673.507,44 (doc. 06 da Manifestação de Inconformidade). Desse modo, diz ser inconteste o crédito no valor de R$ 363.191,02, do qual compensa parte no PERDCOMP, na ordem de R$ 100.646,30. A questão é saber se de fato resta caracterizado o indébito do pagamento de estimativa, comprovado mediante escrituração contábil e fiscal, para que se possa aferir a certeza e liquidez do crédito tributário como dispõe o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário NacionalCTN). Fl. 477DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10880.676036/200909 Acórdão n.º 1802002.413 S1TE02 Fl. 9 8 Confrontandose o valor apurado demonstrado na DIPJ/2006 (fl.67) com o valor recolhido por meio do DARF, temse aparentemente o direito da Recorrente ao suposto crédito do recolhimento a maior de IRPJestimativa no valor de R$ R$ 363.191,02 (R$673.507,44 310.316,42) relativo ao mês dezembro/2005. Do despacho da autoridade administrativa da DRF/DERAT/SP não consta qualquer análise acerca das informações prestadas na DIPJ/2006 relativa ao ano calendário de 2005 para que se verifique o real saldo a pagar do IRPJ por estimativa relativo ao mês de dezembro de 2005. Assim, não havendo análise quanto ao aspecto quantitativo do direito creditório alegado objeto do PERDCOMP e, afastado o óbice escorado apenas no artigo 10 da IN SRF n° 600, de 2005, que serviu de fundamento para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar ou não o direito creditório alegado. Nesse passo, cabe a autoridade administrativa diante do PERDCOMP e dos demais elementos que dispõe (DCTF e DIPJ x DARF) e outros que entender necessários, bem como os Balancetes de Suspensão/Redução do ano calendário de 2005, comprovados mediante escrituração contábil e fiscal, verificar se o pagamento efetuado de IRPJ à titulo de estimativa mensal, relativo ao período de apuração de 31/12/2005 é maior que o devido e confirmar se não fora utilizado para compor o saldo negativo de 31/12/2005. Como cediço, o Processo Administrativo Fiscal é regido por princípios dentre os quais o da oficialidade e o da verdade material, que obriga a administração impulsionar o processo até sua decisão terminativa. O reexame da matéria não implica na homologação tácita do PER/DCOMP em comento e tem como fundamento dar maior eficácia ao ordenamento jurídico (art.165 e 170 do CTN), na medida em que o novo Despacho Decisório coloca para o contribuinte a possibilidade de comprovar o crédito tributário, se existente, de modo a garantir a eficácia das decisões proferidas pela Fazenda Pública. Entendese que essa posição cautelosa evita riscos à preservação do interesse público e não apenas o interesse da Administração Tributária. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para que o PERDCOMP nº 42216.36191.200707.1.3.043107, seja reapreciado pela Delegacia da Receita Federal – DERAT/SP, em respeito à competência originária, conforme disposto no § 7o do art.74 da Lei nº 9430/96, e proferido outro despacho decisório que deverá ser cientificado ao interessado para sua manifestação se for o caso. Instaurado o contraditório, com a apresentação de manifestação de inconformidade, sua análise estará a cargo das Delegacias de Julgamento, e somente com a apresentação de novo Recurso Voluntário deverá o processo ser encaminhado ao CARF. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 478DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10880.676036/200909 Acórdão n.º 1802002.413 S1TE02 Fl. 10 9 Fl. 479DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/ 12/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA
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Numero do processo: 36202.002474/2007-41
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/2005
GFIP. INFORMAÇÕES INCORRETAS COM DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO.
Constitui infração, punível na forma da Lei, a empresa informar incorretamente, pela GFIP, os dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI Nº 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA.
A multa referente à declaração em GFIP foi alterada pela lei 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A a Lei 8.212/91. Conforme previsto no art. 106 do CTN, deve-se aplicar a norma mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para: I- para declarar a decadência do período anterior a competência 11/2001, inclusive; II- aplicar ao valor da multa o disposto no art. 32-A, inciso I da Lei 8.212/1991, na redação da Lei 11.941/09, desde que mais favorável ao contribuinte. A análise do valor da multa para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento, nos termos do § 4º do art. 2o da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 /12 /2009. Sustentação oral Advogada Dra. Jandira de Souza Ferreira, OAB/RJ nº 149.721.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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OUTROS DADOS Recorrente BRASFLEX TUBOS FLEXÍVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/2005 GFIP. INFORMAÇÕES INCORRETAS COM DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível na forma da Lei, a empresa informar incorretamente, pela GFIP, os dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI Nº 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA. A multa referente à declaração em GFIP foi alterada pela lei 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32A a Lei 8.212/91. Conforme previsto no art. 106 do CTN, devese aplicar a norma mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para: I para declarar a decadência do período anterior a competência 11/2001, inclusive; II aplicar ao valor da multa o disposto no art. 32A, inciso I da Lei 8.212/1991, na redação da Lei 11.941/09, desde que mais favorável ao contribuinte. A análise do valor da multa para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento, nos termos do § 4º do art. 2o da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 /12 /2009. Sustentação oral Advogada Dra. Jandira de Souza Ferreira, OAB/RJ nº 149.721. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 20 2. 00 24 74 /2 00 7- 41 Fl. 439DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36202.002474/200741 Acórdão n.º 2803003.992 S2TE03 Fl. 440 2 Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36202.002474/200741 Acórdão n.º 2803003.992 S2TE03 Fl. 441 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de Auto de Infração (DEBCAD 37,095.0810) lavrado com fundamento no art. 32, IV, § 6o da Lei 8212/91 c/c art. 225, IV, e § 4o do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99, por ter a empresa informado incorretamente na GFIP campos não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, período 04/1999 a 04/2005. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, de fls. 60/65 , a BRASFLEX preencheu incorretamente o código relativo à categoria de segurados, no período de 06/2001 a 04/2005 (NFLD 37.095.0690) e a alíquota relativa ao grau de incidência da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, no período de 04/1999 a 06/2001 (NFLD 37,095.0755). No Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, de fls. 66/69 e na planilha, de fls. 79/80, a autoridade notificante demonstra como foi calculada a multa, que respeitou os limites legais impostos pela legislação previdenciária, tendo por base legal o art. 32, § 6° da Lei 8.212/91 c/c art. 284, inciso III, e art, 373 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, com valor atualizado pela Portaria MPS n° 142/2007. Foi verificada a circunstância agravante prevista no art. 290, inciso II, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, no entanto a mesma não produziu efeito para gradação da multa aplicada em face do disposto no art. 655, §4o, da Instrução Normativa SRP n° 03/2005. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O contribuinte foi cientificado da autuação fiscal, apresentando impugnação. A decisão do órgão de primeira instância administrativa foi pela procedência da autuação fiscal. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado da decisão, inconformado interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: na NFLD 37.095.0690 houve equívoco na descaracterização de segurados na condição de contribuinte individual (administradores) para enquadrálos como segurados empregados; na NFLD 37,095.0755 os Auditores Fiscais autuaram a empresa com base na equivocada premissa de que os percentuais recolhidos a titulo de riscos ambientais do trabalho teriam sido feito a menor. A fiscalização considerou como atividade preponderante aquela que detinha o maior número de empregados considerando o somatório total de todos os Fl. 441DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36202.002474/200741 Acórdão n.º 2803003.992 S2TE03 Fl. 442 4 estabelecimentos. A recorrente recolheu corretamente o percentual de 2% (dois por cento), não sendo devido o de 3% (três por cento) como se lançou na NFLD, isso porque em tal estabelecimento, os empregados que ali trabalhavam, atuavam exclusivamente na área administrativa, conforme se verifica da documentação anexa. O enquadramento da empresa está correto, nada sendo devido a titulo de diferença de percentual, eis que em tal estabelecimento sequer havia trabalhadores laborando em atividades industriais; por fim, requer a anulação da autuação fiscal. É o relatório. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36202.002474/200741 Acórdão n.º 2803003.992 S2TE03 Fl. 443 5 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual será analisado. DECADÊNCIA Quanto à questão preliminar relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser reconhecida. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212/91, há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Contudo, em se tratando de lançamento de ofício para aplicar penalidade pecuniária (multa isolada por descumprimento de obrigação acessória), previsto no art. 149, inciso VI do CTN, há que se observar sempre a regra do art. 173, inciso I do CTN, incluindo o parágrafo único desse artigo. Assim estabelece o art. 173 do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 443DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36202.002474/200741 Acórdão n.º 2803003.992 S2TE03 Fl. 444 6 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. No presente caso o contribuinte foi cientificado da autuação em 13/06/2007, fl. 3 dos autos digitalizados. A autuação fiscal é referente às competências 04/1999 a 04/2005. Assim, estariam decadentes as competências anteriores a 11/2001, inclusive. A competência 12/2001, não decaiu, pois o seu lançamento só poderia ocorrer em janeiro de 2003, após o vencimento espontâneo para declaração da GFIP (01/2002). Assim, a contar de 01 de janeiro de 2003 fluiria o prazo decadencial para o lançamento somente em 01 de janeiro de 2008. Este é o entendimento do STJ quando decidiu quanto a contagem do prazo decadencial do art. 173, I, do CTN, para a competência dezembro: Processo : EEARES 200401099782EEARES – EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL – 674497 , Relator(a) MAURO CAMPBELL MARQUES ,Órgão julgador SEGUNDA TURMA , Fonte DJE DATA:26/02/2010 Ementa: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN.DECADÊNCIA.ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao períodode1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeirode1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirando se em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Data da Decisão 09/02/2010 , Data da Publicação 26/02/2010. DA AUTUAÇÃO FISCAL Consta do relatório fiscal da infração, anexo I e do relatório da aplicação da multa e anexo II (fls. 60/71) que a empresa apresentou GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições Fl. 444DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36202.002474/200741 Acórdão n.º 2803003.992 S2TE03 Fl. 445 7 previdenciárias, o que constituiu infração ao disposto no art. 32, inciso IV, parágrafo 6° da Lei 8.212/91. Da análise das GFIP apresentadas verificouse o preenchimento incorreto de dados não correspondentes a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos seguintes campos: a) código relativo à categoria de segurados, no período de 06/2001 a 04/2005; b) alíquota relativa ao grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, no período de 04/1999 a 06/2001; Destarte, os valores relativos ao GILRAT no período de 04/1999 a 06/2001 (NFLD 37,095.0755) estão decadente, não serão apreciados e estão excluídos da autuação fiscal. Quanto aos valores relativos à categoria de segurados, no período de 06/2001 a 04/2005 (NFLD 37.095.0690) o período não decadente será apreciado. Consta do relatório fiscal (fls. 63/65 dos autos digitalizados) que a sociedade por cotas de responsabilidade limitada, na operacionalização de suas atividades, criou cargos de diretoria e enquadrou os ocupantes destes cargos como segurados contribuintes individuais, informandoos nas GFIP com a categoria 11. São os seguintes: a) Gilles Jacob de Naurois Diretor, sem designação específica, no período de 01/05/1999 a 30/04/2005; jamais foi nomeado através do contrato social ou em ato separado; jamais foi detentor de cotas na sociedade; b) Dominique René Marie Perreau Saussine Diretor de Projetos e Operações – de 07/01/1997 até os dias atuais; no período de 07/01/1997 a 26/09/2001 não possuiu cotas na sociedade e a partir de 27/09/2001 passou a deter 5 (cinco) cotas; c) Flavio Barreta Junior Diretor Adjunto, no período de 08/06/2001 a 23/12/2005; jamais foi detentor de cotas na sociedade. A Lei 8.212/91, art. 12, inciso I, alínea "a", estabelece que são segurados obrigatórios da Previdência Social como empregado aquele que presta serviço à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado. De outro modo, o art. 12, inciso V, alínea "f", da Lei 8.212/91 considera contribuinte individual o titular de firma individual, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural. O novo Código Civil, aprovado pela Lei 10.406/2002, prevê, nos artigos 1.060 a 1065 e 1.071, a figura do administrador não sócio, desde que designado em contrato social ou ato em separado, o que motivou a alteração da redação da alínea "h" do inciso V do Fl. 445DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36202.002474/200741 Acórdão n.º 2803003.992 S2TE03 Fl. 446 8 art. 9o do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3,0481999, que assim estabelece: V como contribuinte individual: h) o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho e o administrador não empregado na sociedade por cotas de responsabilidade limitada, urbana ou rural; (Redação alterada pelo Decreto n. 4,729, de 09/06/03) Assim sendo, a partir do novo Código Civil, surge a possibilidade do diretor não sócio, administrador designado em contrato social ou em ato separado e não detentor de cotas na sociedade por cotas de responsabilidade limitada, enquadrarse como contribuinte individual, não se enquadrando como segurado empregado da Previdência Social. Até então o diretor não cotista, responsável pela administração da empresa, enquadravase como segurado obrigatório na qualidade de empregado. Nas sociedades por cotas de responsabilidade limitada são os sócios cotistas quem detêm poderes para delegar, a não sócios, a função de diretor ou a gerência da sociedade. Até 12/2001, quando prestaram serviços na empresa antes do novo Código Civil, não passaram os "gerentes não sócios" da Brasflex de empregados da empresa, a qual dirigiram sob o controle e risco dos sócios que lhe delegaram poderes para tal, caracterizandose assim a pessoalidade, a não eventualidade, a subordinação hierárquica aos sócios, o cumprimento de ordens, dependência jurídica, recebendo pelos serviços prestados, nos termos do artigo 12, I, "a", da Lei 8.212/1991. Desta forma, os diretores Gilles Jacob de Naurois que jamais foi detentor de cotas na sociedade e prestou serviços a partir do novo Código Civil sem estar designado em contrato social ou em ato separado, Dominique René Marie Perreau Saussine e Flavio Barreta Junior, todos foram considerados como segurados empregados da Previdência Social. Diante das considerações constantes do relatório fiscal e da decisão recorrida entendese que o enquadramento como contribuintes individuais feito pela empresa está incorreto, sendo o correto como segurados empregados. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 115, todos do CTN, com a descrição da infração e dispositivo legal infringido, o valor da multa aplicada e sua fundamentação legal, período apurado, relatório fiscal da infração e da aplicação da multa, Instrução para o Contribuinte, e demais informações constantes dos autos, bem como, lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o artigo 33 da Lei 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA DA MULTA APLICADA Quanto à multa aplicada na autuação fiscal em epígrafe, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Lei 11.941, de 27/05/2009, sendo mais benéficas para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A a Lei 8.212/91, nestas palavras: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo Fl. 446DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36202.002474/200741 Acórdão n.º 2803003.992 S2TE03 Fl. 447 9 fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3odeste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3odeste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II–R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Em razão da introdução do art. 32A, inciso I na lei 8.212/91, pela lei 11.941/09, regulando a infração ora examinada, e seguindose o disposto no art. 106, inciso II do CTN (penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática), a multa que consta do presente Auto de Infração deve ser comparada com o valor obtido do cálculo feito consoante a regra do art. 32A, inciso I da lei 8.212/91, e aplicado o que for mais benéfico ao contribuinte. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso: I para declarar a decadência do período anterior a competência 11/2001, inclusive; II aplicar ao valor da multa o disposto no art. 32A, inciso I da Lei 8.212/1991, na redação da Lei 11.941/09, desde que Fl. 447DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36202.002474/200741 Acórdão n.º 2803003.992 S2TE03 Fl. 448 10 mais favorável ao contribuinte. A análise do valor da multa para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento, nos termos do § 4º do art. 2o da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 /12 /2009. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 448DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10768.720477/2007-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1988 a 31/10/1995
COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DE CRÉDITO DE AÇÃO JUDICIAL ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. ART. 170-A DO CTN. APLICAÇÃO NO TEMPO. RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ART. 62-A DO RICARF C/C ART. 543-C DO CPC.
Entende o Superior Tribunal de Justiça, em precedente firmado sob o regime de recurso repetitivo (art. 543-C do CPC), que Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170-A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. (REsp 1.164.452/MG, DJe 02/09/2010). Entendimento que se aplica no julgamento administrativo por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3403-003.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1988 a 31/10/1995 COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DE CRÉDITO DE AÇÃO JUDICIAL ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. ART. 170-A DO CTN. APLICAÇÃO NO TEMPO. RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ART. 62-A DO RICARF C/C ART. 543-C DO CPC. Entende o Superior Tribunal de Justiça, em precedente firmado sob o regime de recurso repetitivo (art. 543-C do CPC), que Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170-A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. (REsp 1.164.452/MG, DJe 02/09/2010). Entendimento que se aplica no julgamento administrativo por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Recurso provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
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VEDAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DE CRÉDITO DE AÇÃO JUDICIAL ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. ART. 170A DO CTN. APLICAÇÃO NO TEMPO. RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ART. 62A DO RICARF C/C ART. 543C DO CPC. Entende o Superior Tribunal de Justiça, em precedente firmado sob o regime de recurso repetitivo (art. 543C do CPC), que “Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001”. (REsp 1.164.452/MG, DJe 02/09/2010). Entendimento que se aplica no julgamento administrativo por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 04 77 /2 00 7- 71 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de Declarações de Compensação (fls. 5/69) que indicam como crédito valores de recolhimento a maior de PIS, decorrentes da inconstitucionalidade dos Decretosleis nºs 2.445 e 2.449/88, reconhecida por meio da ação judicial n° 95.00236591. Foi negada homologação às compensações por meio de Despacho Decisório (fl. 127) baseado em Parecer Conclusivo nº 307/2008 (fls. 124/126) cujo entendimento foi o seguinte: Tendo em vista que o crédito pleiteado decorre de ação judicial, o presente processo foi encaminhado à DICAT/DERATRJO. Da análise, foi proferido despacho de fl. 122, "... Da análise das informações coletadas verificamos que o trânsito em julgado ocorreu em 21/01/2008 e portanto posterior à transmissão das DCOMPs". Diante desse despacho, verificase que a data do trânsito em julgado da ação judicial ajuizada pela interessada ocorreu posteriormente à transmissão das DCOMPs. Assim, tendo sido as DCOMPs transmitidas em 14/10/2003, 11/11/2003, 11/12/2003, 12/01/2004, 05/02/2004, 12/03/2004, 15/04/2004, 12/05/2004, 09/06/2004, 13/07/2004, 10/08/2004, 10/09/2004, 14/10/2004 e 10/11/2004, inexistindo à época trânsito em julgado da ação judicial n° 95.00236591, não se pode acolher, em sede administrativa, a compensação aqui pleiteada em razão do primado do princípio da legalidade. Frisamos que não há determinação judicial em vigor para afastar as retrocitadas normas legais, normas que devem ser observadas pela Administração. Dessa maneira, demonstrase que a Declaração de Compensação com crédito oriundo de ação judicial sem trânsito em julgado à época das transmissões das DCOMP's não ampara o contribuinte a realizar a Compensação almejada, por total ausência de crédito passível de utilização pelo contribuinte. Diante do acima exposto e de tudo o mais que do processo consta, proponho que seja considerada não homologada as compensações das fls. 04/68 do presente processo, devendo o presente ser encaminhado à EQCAC desta DIORT para ciência da interessada, cobrança dos débitos objeto deste processo, e demais providências que entender cabíveis. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 155/158) cujos fundamentos são resumidos pela transcrição dos seguintes trechos: Pis bem, é verdade que o trânsito em julgado da ação declaratória n° 95.00236591 se deu em data posterior às transmissões referidas na decisão indeferitória. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10768.720477/200771 Acórdão n.º 3403003.178 S3C4T3 Fl. 198 3 Todavia, também é verdade que o crédito sobre o qual a compensação fora declarada pela interessada tem por fundamento o Mandado de Segurança n° 95.00083523, cujo trânsito em julgado se deu 28.03.1996, data anterior àquelas transmissões. De fato, a teor do disposto nos autos do writ supra, o recolhimento do PIS na forma dos Decretoslei n° 2.445 e 2.449, ambos de 1988, seria indevido, eis que tais diplomas seriam inconstitucionais. Com efeito, se os recolhimentos do PIS na forma dos referidos Decretoslei é indevido, força convir que os pagamentos porventura havidos configuram créditos compensáveis. (...) Ora, a decisão judicial do tributo objeto de contestação judicial, que se deu nos autos do Mandado de Segurança n° 95.0008352 3, transitou em julgado anteriormente as compensações declaradas e transmitidas pela interessada. Ou seja, o artigo 170A, do CTN, foi observado na espécie. Por outro lado, ainda que o Mandado de Segurança n° 95.00083523, não amparasse a compensação declarada, a Ação Declaratória n° 95.00236591 não poderia ser desconsiderada, apenas porque o trânsito em julgado da decisão nela proferida se deu em data posterior às respectivas transmissões. Primeiro, pela própria natureza da ação declaratória. De fato, a ação declaratória se presta, tão somente, à certificação de uma relação jurídica que, por óbvio, é pré existente. A decisão proferida no bojo duma ação declaratória não cria nenhum direito mas, tão somente, reconhece a sua existência jurídica. Com efeito, pretender que a ação declaratória seja o termo inicial do direito de compensação é transmudála em ação constitutiva. Segundo, é que a coisa julgada traduz garantia constitucional do cidadão/contribuinte pelo que a legislação, por conta dum formalismo exacerbado, não pode afastála. Por último, o fato de o trânsito em julgado da ação declaratória ser posterior às compensações implica em defeito sanável que, a teor do disposto no artigo 55 da Lei n° 9.784/99, deve ser convalidado. (...) De fato, no caso dos autos, a superação desse defeito mediante convalidação prestigia valores como a segurança jurídica e a boafé, notadamente o princípio da cooperação. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Oportuno frisar que, a teor do disposto no artigo 2º, caput, da Lei nº 9.784/99, a Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da finalidade, da razoabilidade, da proporcionalidade e da segurança jurídica. Notese que pelo disposto no inciso VI do artigo 2º da Lei n° 9.784/99, a Administração tem de observar o critério da adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público. Ora, indeferir a homologação de compensações porque o trânsito em julgado da ação judicial é posterior às respectivas transmissões reflete sanção em medida superior ao estritamente necessário ao atendimento do interesse público. Outrossim, o inciso XIII daquele mesmo artigo 2º determina que a Administração observe o critério da interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige. Ora, o fim público a que se dirige a exigência de trânsito em julgado para fins de compensação é a certeza do crédito. Com efeito, se quando da decisão homologatória da compensação já há tal certeza, o fim público perseguido foi atendido. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (DRJ), por meio do Acórdão nº 1338.952, de 12 de dezembro de 2011 (fls. 179/184), concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1988 a 31/10/1995 Declaração de Compensação (DCOMP). A compensação decorrente de decisão judicial somente pode ser efetivada após o trânsito em julgado da decisão que beneficia o contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 188/193), no qual reitera os mesmos fundamentos de sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator Fl. 200DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10768.720477/200771 Acórdão n.º 3403003.178 S3C4T3 Fl. 199 5 O recurso voluntário foi protocolado em 24/05/2012 (fl. 188), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 24/04/2012 (fl 186). Por ser tempestivo e conter razões de reforma do acórdão da DRJ, tomo conhecimento do recurso. O Despacho Decisório negou homologação às compensações com fundamento no art. 170A do CTN, concluindo pela inviabilidade de todas as compensações, em razão de que foram transmitidas antes do transito em julgado da ação judicial. Ocorre que o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento, pela sistemática dos Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC), de que o art. 170A do CTN não se aplica às ações judiciais propostas antes da introdução deste dispositivo, pela Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001. Confirase a ementa do Recurso Repetitivo em questão: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1164452/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010; grifo editado) O voto condutor deste Recurso Repetitivo afasta qualquer dúvida a respeito de sua conclusão: 4. (...) Aqui, com efeito, o que se examina e ́ a aplicação intertemporal de uma norma que veio dar tratamento especial a uma peculiar espécie de compensação: aquela em que o crédito do contribuinte, a ser compensado, e ́ objeto de controvérsia judicial. É a essa modalidade de compensação que se aplica o art. 170A do CTN. O que está aqui em questão é o domínio de aplicação, no tempo, de um preceito normativo que acrescentou um elemento qualificador ao crédito que tem o contribuinte contra a Fazenda: esse cred́ito, quando contestado em juízo, somente pode ser apresentado à compensação após ter sua existência confirmada em sentença transitada em julgado. O novo qualificador, bem se vê, tem por pressuposto e está Fl. 201DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 diretamente relacionado à existência de uma ação judicial em relação ao cred́ito. Ora, essa circunstância, inafastável do cenário de incidência da norma, deve ser considerada para efeito de direito intertemporal. Justificase, destarte, relativamente a ela, o entendimento firmemente assentado na jurisprudência do STJ no sentido de que, relativamente à compensabilidade de cred́itos objeto de controvérsia judicial, o requisito da certificação da sua existência por sentença transitada em julgado, previsto no art. 170A do CTN, somente se aplica a créditos objeto de ação judicial proposta após a sua entrada em vigor, não das anteriores. Nesse sentido, entre outros: EREsp 880.970/SP, 1ª Seção, Min. Benedito Gonçalves, DJe de 04/09/2009; PET 5546/SP, 1ª Seção, Min. Luiz Fux, DJe de 20/04/2009; EREsp 359.014/PR, 1ª Seção, Min. Herman Benjamin, DJ de 01/10/2007. 5. Não custa enfatizar que a compensação que venha a ser realizada antes do trânsito em julgado traz implícita a condição resolutória da sentença final favorável ao contribuinte, condição essa que, se não ocorrer, acarretará a ineficácia da operação, com as conseqüências daí decorrentes. 6. No caso dos autos, a ação foi ajuizada em 1998, razão pela qual não se aplica, em relação ao crédito nela controvertido, a exigência do art. 170A do CTN, cuja vigência se deu posteriormente. Não tendo adotado esse entendimento, merece reforma, no particular, o acórdão recorrido. (grifo editado) É este também o caso dos autos: a ação foi ajuizada em 1995, portanto, antes da introdução do art. 170A ao CTN, que apenas aconteceu em 2001. O entendimento do Recurso Repetitivo deve ser aplicado no presente julgamento por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Devese, por isso, dar provimento ao recurso voluntário na parte em que pleiteia o afastamento do óbice do art. 170A do CTN. Em razão deste fundamento, deve ser provido o recurso voluntário, para o fim de que, superado tal obstáculo formal para a compensação, devem os autos ser devolvidos para a Delegacia de origem para que promova a análise do quantum do direito de crédito e dos demais requisitos que entenda aplicáveis. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 202DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10380.006733/2010-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2006
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COMPETÊNCIA.
É da Segunda Seção de Julgamento a competência para julgamento de recurso relativo a exigência de crédito tributário de contribuição previdenciária.
Numero da decisão: 1103-000.864
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, declinar competência para a Segunda Seção de Julgamento deste Conselho.
Aloysio José Percínio da Silva Presidente e Relator
(assinatura digital)
Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005, 2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COMPETÊNCIA. É da Segunda Seção de Julgamento a competência para julgamento de recurso relativo a exigência de crédito tributário de contribuição previdenciária.
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COMPETÊNCIA. É da Segunda Seção de Julgamento a competência para julgamento de recurso relativo a exigência de crédito tributário de contribuição previdenciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, declinar competência para a Segunda Seção de Julgamento deste Conselho. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 67 33 /2 01 0- 64 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10380.006733/201064 Acórdão n.º 1103000.864 S1C1T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de auto de infração por falta de pagamento de contribuição previdenciária (fls. 002)1. Em face de tempestiva impugnação (fls. 92), a 5ª Turma da DRJ/Juiz de ForaMG julgou procedente o lançamento mediante o Acórdão nº 0935.008/2011 (fls. 118), assim ementado: "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2006 DEBCAD 37.281.8080 CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. A empresa deve reter e recolher, mediante desconto da remuneração, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento do direito de defesa quando estão explicitados todos os elementos do lançamento e quando o contribuinte tem preservado seu direito à apresentação de impugnação. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO APRECIAÇÃO. Não cabe apreciação, pela instância administrativa, de alegações de ilegalidade e ou inconstitucionalidade de leis e atos normativos em vigor, a qual incumbe ao Poder Judiciário." Cientificada do acórdão por via postal em 17/06/2011 (fls. 146), a Prefeitura interpôs recurso voluntário no dia 7 do mês seguinte (fls. 126). É o relatório. 1 As folhas dos autos estão indicadas conforme a numeração atribuída pelo sistema "eprocesso". Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10380.006733/201064 Acórdão n.º 1103000.864 S1C1T3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva – Relator. O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Viuse no relatório que a exigência tributária é relativa a contribuições previdenciárias. O regimento Interno do Carf (Ricarf) aprovado pela Portaria MF 256/2009 atribuiu às turmas da Segunda Seção de Julgamento a competência para julgamento de tal matéria. Assim prescreve o Ricarf, no Anexo II: "Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; e V penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo." Vêse, assim, que os autos devem ser transferidos à Segunda Seção de Julgamento para distribuição por sorteio a uma das turmas que integram aquele colegiado competente para processar o julgamento do recurso voluntário interposto. Conclusão Pelo exposto, devese declinar competência para a Segunda Seção de Julgamento deste Conselho. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 150DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10380.006733/201064 Acórdão n.º 1103000.864 S1C1T3 Fl. 5 4 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 13822.000005/2011-71
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Exercício: 2012
Ementa:: ISENÇÃO. DEFICIENTE FÍSICO. VEÍCULO ADAPTADO.
É de se conceder o benefício de isenção do IOF incidente sobre a operação de financiamento na aquisição de um veículo automotor com características especiais, adquirido por deficiente físico, quando comprovado o atendimento aos requisitos previstos em lei.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-004.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente o Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges e Demes Brito.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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DEFICIENTE FÍSICO. VEÍCULO ADAPTADO. É de se conceder o benefício de isenção do IOF incidente sobre a operação de financiamento na aquisição de um veículo automotor com características especiais, adquirido por deficiente físico, quando comprovado o atendimento aos requisitos previstos em lei. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente o Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges e Demes Brito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 2. 00 00 05 /2 01 1- 71 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13822.000005/201171 Acórdão n.º 3801004.753 S3TE01 Fl. 77 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: A interessada em epígrafe pleiteou, na condição de portadora de deficiência física, a fruição da isenção do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e/ou relativos a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF) incidente sobre a operação de financiamento na aquisição de um veículo automotor com características especiais, de fabricação nacional, prevista na Lei nº 8.383 , de 30 de dezembro de 1991, art. 72, IV. Mediante o Despacho Decisório de fls. 14/15, exarado com suporte no parecer de fls. 12/13, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araçatuba indeferiu o pedido, tendo em vista o fato de a requerente não preencher os requisitos exigidos pela lei para a sua fruição, uma vez que o Formulário Renach por ela apresentado não especifica a necessidade de nenhuma adaptação especial no veículo a ser adquirido. Regularmente cientificada (fl. 16), a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fl. 17), alegando ter direito à isenção, pois o laudo apresentado indica que o veículo deve ter algumas condições, como direção hidráulica e câmbio automático, portanto deixa de ser um carro convencional simples. Citou o exemplo “em que a simples doença que a Lei faz mençãocegueira parcial, que quem vai dirigir é terceiro indicado, o carro pode ser de qualquer jeito”. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Exercício: 2012 ISENÇÃO. DEFICIENTE FÍSICO. VEÍCULO ADAPTADO O reconhecimento da isenção de IOF na aquisição de automóvel por pessoas portadoras de deficiência física exige que a habilitação do deficiente seja condicionada a adaptações especiais do veículo, descritas em laudo emitido pelo Detran. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Inconformado, o contribuinte recorre a este Conselho, repisando os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13822.000005/201171 Acórdão n.º 3801004.753 S3TE01 Fl. 78 3 É o relatório. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13822.000005/201171 Acórdão n.º 3801004.753 S3TE01 Fl. 79 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A legislação que trata da isenção pleiteada está prevista na Lei n° 8.383/1991, que dispõe, in verbis: Art. 72. Ficam isentas do IOF as operações de financiamento para a aquisição de automóveis de passageiros de fabricação nacional de até 127 HP de potência bruta (SAE), quando adquiridos por: (...) IV pessoas portadoras de deficiência física, atestada pelo Departamento de Trânsito do Estado onde residirem em caráter permanente, cujo laudo de perícia médica especifique; a) o tipo de defeito físico e a total incapacidade do requerente para dirigir automóveis convencionais; b) a habilitação do requerente para dirigir veículo com adaptações especiais, descritas no referido laudo; (...) § 1° O benefício previsto neste artigo: a) poderá ser utilizado uma única vez; b) será reconhecido pelo Departamento da Receita Federal mediante prévia verificação de que o adquirente possui os requisitos. O despacho decisório indeferiu a isenção pleiteada por não atender ao disposto no art. 72 da Lei nº 8.383/1991, considerando que o Formulário Renach apresentado pela requerente não especifica a necessidade de nenhuma adaptação especial.. No entanto, assiste razão ao recorrente, senão vejamos. O Laudo de Perícia assinado pela junta médica credenciada no DETRAN/SP, às fls 06/09, conclui que “a Examinada apresenta Restrição Funcional do Membro Superior Esquerdo (Monoparesia) conseqüente a procedimentos cirúrgicos e radioterápicos, devidos à Neoplasia Maligna de Mama, o que a torna incapaz para dirigir veículo comum, estando apta a conduzir apenas Veículo Automático com Direção Hidráulica (Restrições "D" e "F", do Anexo XV, da Resolução Contran, n° 267, de 15 de fevereiro de 2008).” Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13822.000005/201171 Acórdão n.º 3801004.753 S3TE01 Fl. 80 5 O formulário RENACH, às fls. 09, apresenta como restrições médicas os códigos A, D e F, que segundo o Anexo XV da Resolução Contran 267, de 15 de fevereiro de 2008 referemse, respectivamente, Aobrigatório o uso de lentes corretivas; D obrigatório o uso de veículo com transmissão automática e F obrigatório o uso de veículo com direção hidráulica. No ordenamento jurídicotributário em vigor, a isenção fiscal decorre expressamente de lei, devendose fazer a interpretação literal da norma em comento, conforme determina o art. 111, II, CTN. O inc IV do no art. 72 da Lei nº 8.383/1991 coloca como requisito para a concessão do benefício que o laudo de perícia médica deve especificar o tipo de defeito físico e a total incapacidade do requerente para dirigir automóveis convencionais, bem como a habilitação do requerente para dirigir veículo com adaptações especiais, descritas no referido laudo. De fato, o laudo apresentado indica que a patologia apresentada pela requerente a torna incapaz para dirigir veículo comum, restringindo a condução de veículos que apresentem transmissão automática e direção hidráulica. Apesar de uma pessoa habilitada que não apresente nenhuma deficiência também possa conduzir veículos que apresentem esses mesmos dispositivos, no caso da requerente não se trata de uma opção mas sim de uma restrição decorrente da seqüela dos tratamentos a que foi obrigada a se submeter para combater a patologia que a acometeu, enquadrandoa como portadora de deficiência física, admitindose, no caso concreto, como adaptação especial o câmbio automático e a direção hidráulica, mesmo que o veículo tenha saído de fábrica com as características específicas discriminadas no Laudo Médico. Não se trata de interpretação extensiva dos dispositivos legais referidos vedada pelo art. 111 do CTN mas sim da verificação do real significado da norma, atendendo se aos ditames sociais de integração e proteção do portador de deficiência aplicados ao caso vertente. Assim, atendidos os requisitos previstos em lei, é de se conceder o benefício pleiteado. Diante do exposto e do que consta nos autos, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13822.000005/201171 Acórdão n.º 3801004.753 S3TE01 Fl. 81 6 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10850.907784/2011-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/1999 a 31/08/1999
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues, que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/1999 a 31/08/1999 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
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(Incorporadora de GREEN VEÍCULOS COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/1999 a 31/08/1999 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues, que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 77 84 /2 01 1- 11 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907784/201111 Acórdão n.º 3803006.533 S3TE03 Fl. 190 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência do indeferimento do pedido de restituição formulado pelo contribuinte supra identificado. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) em 15 de abril de 2004, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, período de apuração agosto de 1999, no valor de R$ 625,12. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu o pedido de restituição, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito decorrera da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Argüiu o interessado que não fora previamente intimado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, tendo sido o despacho decisório prolatado sem que a fiscalização tivesse examinado a situação concreta do pedido de restituição. Requereu, também, o então Manifestante, em respeito ao princípio da economia processual, a reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando terem todos eles o mesmo objeto. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, do comprovante de arrecadação, de planilha por ele elaborada contendo a identificação dos valores das receitas financeiras auferidas no período e de parte do balancete. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 31/08/1999 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907784/201111 Acórdão n.º 3803006.533 S3TE03 Fl. 191 3 Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 31/08/1999 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Arguiu o relator a quo que, “ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se [desincumbira] de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior”, uma vez que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. Em 02/09/2013, a repartição de origem juntou a este processo, por apensação, o processo administrativo nº 10850.722573/201363, em que se analisa a declaração de compensação relativa ao crédito controvertido nestes autos, a qual, por meio de despacho decisório, não foi homologada, em razão do indeferimento do direito creditório. Em 11/10/2013, o contribuinte apresentou nova Manifestação de Inconformidade, esta manejada para se contrapor à não homologação da declaração de compensação, repisou, quanto ao mérito, os mesmos argumentos de defesa anteriormente aduzidos e pleiteou o reconhecimento da prejudicialidade entre esta demanda e o pedido de restituição a ela vinculado, para fins de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. A DRJ Ribeirão Preto/SP, mais uma vez, não reconheceu o direito creditório, tendo sido o segundo acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/1999 DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO JÁ ANALISADO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907784/201111 Acórdão n.º 3803006.533 S3TE03 Fl. 192 4 Não é cabível a rediscussão de direito creditório vinculado a pedido de restituição, cuja matéria já foi analisada em outro processo administrativo fiscal, no qual foi indeferido. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, a restituição/compensação resta impossibilitada por falta de saldo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 31/08/1999 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão de primeira instância em 21 de agosto de 2014, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 4 de setembro do mesmo ano e reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo contestada a afirmativa da autoridade julgadora de piso relativamente à necessidade de prévia retificação da DCTF para se atestar a liquidez e certeza do crédito, argüindose que tal documento, além de não ser exigido em lei, não é o único apto a comprovar a existência de crédito passível de restituição. Afirmou ainda o Recorrente que apresentara, junto à Manifestação de Inconformidade, cópias do livro Diário, com seus termos de abertura e fechamento, bem como do balancete, contendo a identificação das receitas financeiras indevidamente incluídas no cômputo da contribuição, tratandose de documentos suficientes à comprovação do crédito pleiteado. Junto ao recurso, o contribuinte trouxe aos autos, além dos documentos que já haviam sido apresentados anteriormente, cópia de parte do livro Razão. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à alegação de que o despacho decisório fora prolatado em desconformidade com a legislação de regência, dada a inocorrência de prévia intimação do Fl. 192DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907784/201111 Acórdão n.º 3803006.533 S3TE03 Fl. 193 5 interessado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, há que se ressaltar que o ato administrativo, muitas vezes, “prescinde da existência de um procedimento específico”, pois, quando “o agente administrativo [detém] todas as informações necessárias à configuração do fato imponível e à extração de todas as conseqüências tributárias” 1, ele não necessita colher novas informações ou provas, podendo decidir com base nos elementos presentes nos sistemas internos do órgão, quando suficientes à prolação do despacho decisório. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do pedido de restituição, cumulado com declaração de compensação, referentes a valor recolhido a maior da contribuição apurada sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, do alargamento da base de cálculo promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição, para além do faturamento, operado pela Lei nº 9.718, de 1998, foi objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) 2, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. De acordo com o entendimento do STF3, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, não abrangendo, por conseguinte, outras receitas, como as receitas financeiras alheias ao objeto social da pessoa jurídica. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise, em tese, pelo direito do contribuinte de obter a restituição de recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito 1 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 266267. 2 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. 3 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907784/201111 Acórdão n.º 3803006.533 S3TE03 Fl. 194 6 de faturamento, restando verificar, nos autos, a existência inequívoca de prova do indébito reclamado. Conforme se verifica do relatório supra, a DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório por ausência de provas hábeis a demonstrar e comprovar o suposto recolhimento a maior, considerando que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. O Recorrente alega que, junto à Manifestação de Inconformidade, havia trazido aos autos, além de cópia do balancete, cópia do livro Diário, sendo que, compulsando os autos, se verifica que tal afirmativa não se confirma, pois somente as cópias do balancete e do livro Razão foram juntadas às peças recursais interpostas. Quanto aos elementos de prova efetivamente carreados aos autos, é possível constatar que eles se restringem às informações relativas às receitas financeiras, não se identificando o faturamento, dado esse imprescindível à apuração da contribuição efetivamente devida no período. De acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de Fl. 194DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907784/201111 Acórdão n.º 3803006.533 S3TE03 Fl. 195 7 impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Conforme já dito, os elementos trazidos aos autos por cópias pelo contribuinte não são aptos, por si sós, a comprovar o direito reclamado, dado que restritos às informações relativas às receitas financeiras, situação em que não se tem por comprovada a base de cálculo da contribuição devida (faturamento), o que impede o confronto entre os valores recolhidos aos cofres públicos e aqueles efetivamente devidos. A meu ver, essa constatação, por si só, já impede que se acate o pedido do Recorrente, pois não se têm por configuradas as características de liquidez e certeza requeridas em casos da espécie. Abrir a possibilidade de produção de novas provas, a meu ver, ainda que em consonância com o princípio da verdade material, configura afronta aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade (art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999), à obrigatoriedade de atuação da Administração em conformidade com a lei e o Direito e à adequação entre meios e fins (art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999), assim como ao dever do administrado de apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado antes das decisões administrativas e de prestar todas as informações necessárias ao esclarecimento dos fatos (art. 3º, III, e 4º, IV, da Lei nº 9.784, de 1999). Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Destaquese que, em razão da incompletude da prova apresentada, um eventual retorno dos autos à repartição de origem para a reabertura da apreciação do presente feito não encontra respaldo na legislação processual tributária, pois, conforme nos leciona James Marins, “[a] flexibilização generalizada do regime de fases e de preclusões processuais fragiliza a segurança do processo e não pode ser admitida mesmo sob invocação do princípio da formalidade moderada, por atingir axioma ínsito ao conceito ontológico do procedimento e do processo entendido cedere pro” 4 (ir para a frente). Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância de forma efetiva, dado que nenhum documento foi acrescentado para suprir a falha de instrução do processo que já havia sido detectada na primeira instância. Nesse contexto, por ausência de prova da efetiva existência do direito creditório pleiteado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. 4 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 293. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907784/201111 Acórdão n.º 3803006.533 S3TE03 Fl. 196 8 É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 196DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 15956.000339/2008-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003, 2004
PERDAS.
A legislação da contribuição social sobre o lucro não determina, na apuração de sua base de cálculo, a adição das perdas verificadas em aplicações financeiras e das perdas com multas de trânsito.
Numero da decisão: 1201-001.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em INDEFERIR as preliminares de decadência e de inovação cometida pela DRJ de origem e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso de ofício e em DAR provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003, 2004 PERDAS. A legislação da contribuição social sobre o lucro não determina, na apuração de sua base de cálculo, a adição das perdas verificadas em aplicações financeiras e das perdas com multas de trânsito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em INDEFERIR as preliminares de decadência e de inovação cometida pela DRJ de origem e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso de ofício e em DAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de recursos voluntário e de ofício interpostos nos termos do art. 33 e 34, I, do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1437.518, exarado pela 1ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto SP. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 03 39 /2 00 8- 50 Fl. 3933DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15956.000339/200850 Acórdão n.º 1201001.126 S1C2T1 Fl. 3 2 Conforme relatado em seu termo de encerramento de ação fiscal (fl. 691 e ss.), a autoridade tributária acusa a contribuinte em epígrafe de haver cometido as seguintes infrações à legislação da CSLL: a) falta de adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real do ano calendário de 2003, de perdas em operações de swap, no valor de R$ 9.101.626,96; b) falta de adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real do ano calendário de 2003, de perdas em operações em bolsa (exceto day trade e swap), no valor de R$ 7.877.232,05; c) falta de adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real do ano calendário de 2004, de perdas em operações em bolsa (exceto day trade e swap), no valor de R$ 3.131.274,34; d) falta de adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real do ano calendário de 2003 e 2004, de despesas com multas de trânsito, consideradas indedutíveis; e) compensação, a maior, no anocalendário de 2003, de base de calculo negativa da CSLL no valor de R$ 406.206,88. O auto de infração do IRPJ encontrase à fl. 4 e ss. Inconformada com a autuação a contribuinte propôs impugnação ao lançamento (fl. 708 e ss.) alegando, entre outras coisas, que é empresa comercial exportadora atuando principalmente na exportação de açúcar e álcool, e que as perdas em operações de swap e em bolsas, ao contrário do afirmado pela fiscalização, não devem compor o lucro real uma vez que tiveram como finalidade a proteção da empresa (hedge) à exposição cambial e à variação dos preços das commodities que comercializa, conforme disposto no art. 77, V e § 1º, da Lei nº 8.981/95. Afirma ainda que, ao contrário do que acontece com o IRPJ, inexiste norma legal que estabeleça a adição de perdas verificadas em mercados de renda à base de cálculo da CSLL, sendo inaplicável o art. 57 da Lei nº 8.981/95. Levados os autos a julgamento, o órgão de primeiro grau resolveu convertê lo em diligência com vistas a que a fiscalização se pronunciasse sobre os documentos juntados pela contribuinte em sua impugnação, os quais, segundo a defesa, comprovariam que as perdas aludidas no auto de infração são oriundas de hedge. Cumprida a diligência, a autoridade encarregada elaborou relatório (fl. 3686 e ss.) com a seguinte conclusão: a) as perdas em operações de swap relativas ao ano de 2003, no valor de R$ 9.101.626,96, não devem ser adicionadas na determinação na base de cálculo da CSLL pois relacionadas a hedge, nos termos do art. 35, § 6º, da Instrução Normativa SRF 25/2001; b) das perdas em operações em bolsa (exceto day trade e swap) observadas no ano de 2003, no valor de R$ 7.877.232,05, apenas R$ 1.282.214,77 devem ser adicionados à base de cálculo da CSLL pois tal valor superou o necessário para proteger a empresa de sua exposição à variação dos preços da commodities que comercializa, nos termos do art. 33, § 7º, da IN SRF 25/2001; Fl. 3934DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15956.000339/200850 Acórdão n.º 1201001.126 S1C2T1 Fl. 4 3 c) das perdas em operações em bolsa (exceto day trade e swap) verificadas no ano de 2004, no montante de R$ 3.131.274,34, foram integralmente relacionadas a hedge, daí porque não devem compor a base de cálculo da CSLL. Regularmente intimada para a tanto, a contribuinte apresentou contrarrazões ao relatório de diligência (fl. 3722 e ss.) onde alega, entre outras coisas, que a perda de R$ 1.282.214,77 aludida no relatório de diligência, também corresponde a operações de hedge daí porque são plenamente dedutíveis na determinação do lucro real. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou parcialmente procedente a impugnação (fl. 3760 e ss.) para manter a título de perdas indedutíveis apenas os R$ 1.282.214,77, conforme o relatório de diligência, bem como para manter a glosa de despesas com multas de trânsito. Em relação à compensação a maior de bases negativas da CSLL, a DRJ afirmou que a matéria não havia sido contestada pela defesa. Por haver eximido a contribuinte do pagamento de tributo e encargos de multa em montante superior ao limite de sua alçada, a DRJ submeteu sua decisão ao duplo grau de jurisdição administrativa. Por sua vez, irresignada com a parcela da exigência mantida, a interessada interpôs recurso voluntário sob as seguintes alegações, em síntese (fl. 3792 e ss.): a) o órgão de primeiro grau promoveu alteração nos fundamentos da autuação uma vez que, da perda de R$ 1.282.214,77, cuja glosa foi mantida, R$ 988.175,68 referemse ao mês de fevereiro de 2003, período esse que não foi objeto de autuação; b) a perda em questão, tal como aquela cuja validade da dedução foi reconhecida pela DRJ, tem como origem operações com objetivo de hedge, e não atividades de cunho especulativo, daí porque são plenamente dedutíveis; c) a decisão de primeiro grau é ilíquida, uma vez que deixou de considerar o direito da contribuinte em compensar bases negativas acumuladas; d) de acordo como o disposto no art. 150, § 4º, do CTN, decaiu o direito de o fisco constituir, pelo lançamento, créditos tributários referentes aos meses de fevereiro e abril de 2003, uma vez que a empresa tomou ciência do auto de infração somente em 28/11/2008; e) as perdas em operações de renda variável, ao contrário do que ocorre com o IRPJ, não são objeto de adição na determinação da base de cálculo da CSLL. O mesmo vale para as despesas com multas de trânsito; f) ao contrário do afirmado pela DRJ, a compensação dita a maior da base de cálculo da CSLL foi contestada, em especial no que toca à decadência. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade dos Recursos Os recursos atendem aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, deles devese tomar conhecimento. Fl. 3935DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15956.000339/200850 Acórdão n.º 1201001.126 S1C2T1 Fl. 5 4 2) Da Base de Cálculo da CSLL A autuação foi realizada com base na equivocada idéia de que o art. 57 da Lei nº 8.981/95, abaixo transcrito, estabelece a identidade entre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro(Lei nº 7.689, de 1988)as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) (...) No entanto é pacífico o entendimento deste Conselho segundo o qual a mencionada norma não estabelece identidade entre as bases de cálculo do mencionados tributos. O que a norma prescreve é a identidade entre a forma de tributação entre eles. Nesse sentido, se o contribuinte apurar lucro real trimestral, deverá apurar também trimestralmente a base de cálculo da CSLL com base no lucro líquido ajustado. Por outro lado, se o contribuinte optar pelo lucro real anual, a apuração da CSLL também deverá ser realizada anualmente, com base no lucro líquido ajustado. O mesmo vale se a opção for pelo lucro presumido o lucro presumido. Isso não significa, de forma alguma, identidade entre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Em outras palavras, as adições e exclusões ao lucro líquido determinadas ou autorizadas pela legislação do IRPJ não são necessariamente as mesmas determinadas ou autorizadas pela legislação da CSLL. No caso sob exame a autoridade fiscal entendeu serem indedutíveis da base de cálculo da CSLL: (i) as perdas líquidas verificadas em operações no mercado de renda variável, e; (ii) as despesas com multas de trânsito. Em relação ao IRPJ o art. 76, § 4º, da Lei nº 8.981/95, de fato limita a dedutibilidade das perdas ao montante dos ganhos auferidos no mercado de renda variável. Acaso o valor das perdas supere o valor dos ganhos, a diferença deve ser, em regra, adicionada na determinação do lucro real. Mas a legislação da CSLL, ao contrário, não determina que seja feita essa adição. O mesmo vale para as despesas com multas de trânsito. A alegada compensação a maior de base negativa da CSLL no ano de 2003 também foi glosada pelo auditor com fulcro na mesma premissa. Realmente, por entender que nos anos de 2001 e 2002 a contribuinte deixou de adicionar à base de cálculo da CSLL as perdas no mercado de renda variável, a autoridade reduziu as bases negativas apuradas pela empresa naqueles anos. Como a compensação em 2003 utilizou aquelas bases negativas, o auditor entendeu que houve compensação a maior. Fl. 3936DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15956.000339/200850 Acórdão n.º 1201001.126 S1C2T1 Fl. 6 5 3) Do Recurso de Ofício A DRJ de origem, na esteira do informado no relatório de diligência, afastou parcialmente a exigência do IRPJ relativamente ao ano de 2003, e integralmente quanto ao ano de 2004, sob o argumento de que as perdas glosadas pela fiscalização tiveram origem em operações com finalidade de hedge. Na esteira do que foi afirmado no item anterior deste voto, não há norma que determine a adição das perdas em mercados de renda variável à base de cálculo da CSLL. Isso posto, ainda que por fundamentos diversos daqueles apresentados pela DRJ, a CSLL deve ser afastada. 4) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício, e por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 3937DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 16095.000006/2006-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. SIMPLES.
O lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo da obrigação tributária apura o montante tributável e efetua o pagamento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa. Não
ocorrendo a antecipação do pagamento, a decadência rege-se pelo artigo 173, inciso I, do CTN, pelo qual a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para o lançamento fiscal se inicia no primeiro dia do exercício seguinte
àquele em que poderia ser efetivado.
ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A lei n.° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, nem esclareça a motivação das operações envolvidas.
MULTA AGRAVADA.
A imposição da multa agravada, por falta de atendimento a intimações, só é cabível nos casos em que fique perfeitamente demonstrada a atitude deliberada, por parte da interessada, de embaraçar a fiscalização.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS À TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTANCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA.
As autoridades administrativas estão obrigadas â. observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindo-se a instancia administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco.
Numero da decisão: 1202-001.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a prejudicial de decadência e em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires, Geraldo Valentim Neto, Cristiane Silva Costa, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Orlando Jose Gonçalves Bueno.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. SIMPLES. O lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo da obrigação tributária apura o montante tributável e efetua o pagamento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa. Não ocorrendo a antecipação do pagamento, a decadência regese pelo artigo 173, inciso I, do CTN, pelo qual a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para o lançamento fiscal se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser efetivado. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A lei n.° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, nem esclareça a motivação das operações envolvidas. MULTA AGRAVADA. A imposição da multa agravada, por falta de atendimento a intimações, só é cabível nos casos em que fique perfeitamente demonstrada a atitude deliberada, por parte da interessada, de embaraçar a fiscalização. MULTA DE OFÍCIO. JUROS À TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTANCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 00 06 /2 00 6- 17 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16095.000006/200617 Acórdão n.º 1202001.219 S1C2T2 Fl. 406 2 As autoridades administrativas estão obrigadas â. observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instancia administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a prejudicial de decadência e em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires, Geraldo Valentim Neto, Cristiane Silva Costa, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Orlando Jose Gonçalves Bueno. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente, contra Acórdão nº 0526.787 (fls.293/310) julgou parcialmente procedente a Impugnação, mantendo a integridade do crédito principal e reduzindo a multa de ofício ao patamar de 75%. Os Autos de Infração foram lavrados em 20/02/2006, visando à cobrança do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) e às Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS), Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e para Seguridade Social (INSS), na modalidade do SIMPLES, que formalizaram o crédito tributário contra a contribuinte em epígrafe no valor total de R$1.549.006,13. No Termo de Verificação Fiscal constam as irregularidades assim discriminadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, do IRPJ, conforme fls. 119/120. Os autos de infração relativos as contribuições sociais trazem as mesmas bases de cálculo, com indicação de insuficiência de recolhimento, estando enquadrados nos seguintes dispositivos legais: Pis: Art. 3°, alínea "b", da Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970, c/c art. 1°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 17, de 12 de dezembro de 1973, e arts. 2°, inciso I, 3° e 9°, da Medida Provisória n° Fl. 406DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16095.000006/200617 Acórdão n.º 1202001.219 S1C2T2 Fl. 407 3 1.249, de 14 de dezembro de 1995 e suas reedições; arts. 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "b", 5°, 7°, § 1 0, e 18, da Lei n°9.317, de 5 de dezembro de 1996; Art. 3° da Lei n° 9.732, de 11 de dezembro de 1998. Contribuição Social sobre o Lucro Liquido: Artigo 1° da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988; arts. 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "c", 5°, 7°, § 1°, e 18, da Lei n° 9.317, de 1996; Art. 3°, da Lei n°9.732, de 1998. Cofins: Art. 1° e 2°, da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; arts. 2°, § 2°, 3 0, § 1°, alínea "d", 5°, 7°, § 1°, e 18, da Lei n° 9.317, de 1996; Art. 3° da Lei n°9.732, de 1998. INSS: Arts. 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "f”, 5°, 7°, § 1°, e 18, da Lei n° 9.317, de 1996; Art. 3°, da Lei n° 9.732, de 1998. Constam no Termo de Verificação Fiscal os fatos que levaram o início da fiscalização: "No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal, e em cumprimento ao RPF/MPF supracitado, intimei o contribuinte, acima identificado a fim de verificar o cumprimento das obrigações relativas ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, relativo ao exercício 2.002, ano calendário de 2.001, especificamente em relação à Movimentação Financeira no citado período, observandose que a documentação que serviu de base para a execução do trabalho encontrase as fls. 36 a 75 e se referem aos extratos bancários fornecidos pela Instituição Financeira. O contribuinte tomou ciência regularmente do Mandado de Procedimento Fiscal concomitantemente com o Termo de Inicio de Fiscalização, em 20/04/05 (doc. De fls. 01 e 07), para apresentação, em síntese, de livros comerciais e fiscais, documento fiscal e contábil que deu suporte a escrituração da empresa no período, extratos bancários do Banco Cidade S/A, atos constitutivos e o último balanço, pertinentes ao ano calendário de 2.001, o 2º Mandado foi enviado via Aviso de Recebimento em 07/10/05 (doc. de fls. 02 a 03), o 3 0 Mandado (doc. de fls. 04) será objeto de encaminhamento juntamente com o Auto de Infração. Em 13/05/2.005, o contribuinte tomou ciência do Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal (doc. de fls. 30 a 31), no qual foi também cientificado de que a recusa injustificada, permitiria configurar embaraço a fiscalização, com consequente acesso ás informações relacionadas com operações junto a Instituições Financeiras, que o não atendimento no prazo da presente intimação, sujeitao, no caso de lançamento de oficio, ao agravamento em 50% da(s) multa(s). Em 14/06/05, foi lavrado o Termo de Embaraço a Ação Fiscal (doc. de fls. 34). De posse dos extratos bancários do Banco Cidade S/A, obtidos através do BRADESCO S/A (doc. de fls. 36 a 75), elaborei planilha contendo nesta os créditos, depósitos, devoluções e estornos (doc. de fls. 77 a 102) e intimei o contribuinte no Termo de Ciência e de Continuidade de Procedimento Fiscal (doc. de fls. 76), a comprovar a origem dos créditos, com documentação idônea, Fl. 407DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16095.000006/200617 Acórdão n.º 1202001.219 S1C2T2 Fl. 408 4 no prazo de 20 (vinte) dias, cujo termo foi assinado pelo outro sócio, Sr. Hélio Fernandes de Oliveira, tendo no ato recebido, em anexo, cópia da planilha por nós rubricada. Não tendo o contribuinte logrado êxito em comprovar a origem dos créditos, do Banco Cidade S/A — Ag. 175, contacorrente 784467, juntei cópia de sua Declaração Anual Simplificada (doc. de fls. 26 a 29), processada sob número 7758202, para subsidiar o demonstrativo (doc. de fls. 103), contendo o valor declarado, créditos não comprovados e valor total objeto de lançamento (...) Em razão do exposto e devido a inexistência das comprovações dos valores creditados em sua conta corrente, constante do demonstrativo, que integram o presente termo, fica portanto o contribuinte sujeito ao lançamento de oficio por presunção de omissão de rendimentos, nos termos do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Enquadramento Legal, completo, verseá descrito na(s) folha(s) de continuação do Auto de Infração. Ressalvo o direito de a Secretaria da Receita Federal efetuar novas verificações nos exercícios em questão, assim como em outros não abrangidos pela decadência. E para constar, e surtir os devidos efeitos legais, lavrei o presente Termo de Verificação e Constatação de Irregularidade, em 03 (três) vias de igual teor e forma, que vai por mim assinado e encaminhado, via Aviso de Recebimento (AR), junto com o Auto de Infração (doc. de fls. 104 a 106 e 107 a 152), respectivamente, e Mandado de Procedimento Complementar (doc. de fls. 04) ao Sindico Dativo da Massa Falida, sendo uma via de cada documento citado neste último parágrafo." Inconformada com a exigência fiscal, da qual foi cientificada em 25/02/2006, conforme AR de fls. 143/144, a contribuinte, por seus procuradores legalmente habilitados, interpôs, em 27/03/2006, Impugnação de fls. 161/170, expondo em sua defesa as razões de fato e de direito a seguir sintetizadas: 1) diz, inicialmente, que de acordo com o artigo 9°, do Decreto n° 70.235, de 1972, parágrafo primeiro, ficam autorizados o julgamento e a Impugnação dos autos de infração, em conjunto, por se basearem nos mesmos elementos de prova; 2) descreve, a seguir, todos os valores envolvidos na exigência fiscal, relatando que os autos de infração foram lavrados com base nos extratos bancários obtidos junto ao Banco Cidade S/A, presumindose que todas as importâncias creditadas se refeririam a rendimentos sem comprovação de origem; 3) entende que houve equívocos na elaboração dos autos de infração, o que pretende demonstrar com a peça contestatória; 4) preliminarmente, alega decadência do direito do Fisco proceder ao lançamento dos débitos de janeiro/2001, com base no artigo 173, do CTN, posto que, em 20/02/2006, quando foram lavrados os autos de infração, já havia decorrido mais de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador; Fl. 408DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16095.000006/200617 Acórdão n.º 1202001.219 S1C2T2 Fl. 409 5 5) solicita revisão dos valores lançados, para exclusão do período de apuração em janeiro/2001, além de outras quantias, que não podem ser consideradas como receitas omitidas, a exemplo do reembolso de despesas atinentes aos vícios dos veículos comercializados; 6) contesta, a seguir, o agravamento da multa de oficio em 50%, afirmando que a inércia da contribuinte em fornecer os extratos bancários não se assemelha a situações de embaraço à fiscalização, principalmente porque a entrega desses documentos estava até há pouco protegida pelo sigilo bancário; 7) além disso, aduz que os agentes do Fisco dispunham de outros instrumentos para a obtenção dos aludidos extratos bancários, como de fato ocorreu, o que confirma a impossibilidade de agravamento da multa; 8) tece considerações sobre a aplicação da taxa Selic, para cobrança dos créditos tributários lançados, afirmando ser indevida, em atenção aos princípios da legalidade, da anterioridade, da indelegabilidade de competência e da segurança jurídica, previstos na Constituição Federal; 9) protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, o que desde já fica requisitado; 10) requer, ao final, seja dado provimento à Impugnação apresentada, declarandose insubsistentes e infundados os autos de infração lavrados, ou, subsidiariamente, a redução da exação lançada, a redução da multa de oficio e a adequação dos juros que incidiram sobre os débitos. A 4ª Turma de Julgamento da DRJ/CPS julgou parcialmente procedente a Impugnação, reduzindo apenas o valor da multa de ofício para 75%. O Acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. SIMPLES. O lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo da obrigação tributária apura o montante tributável e efetua o pagamento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa. Não ocorrendo a antecipação do pagamento, a decadência regese pelo artigo 173, inciso I, do CTN, pelo qual a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para o lançamento fiscal se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser efetivado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 ENDEREÇAMENTO DAS INTIMAÇÕES. É prevista a intimação do sujeito passivo apenas no domicilio tributário, assim considerado o do endereço postal, eletrônico ou de fax, fornecido pelo contribuinte, para fins cadastrais, A. Receita Federal do Brasil. PROVAS. APRESENTAÇÃO. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16095.000006/200617 Acórdão n.º 1202001.219 S1C2T2 Fl. 410 6 No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a prova documental deve ser apresentada no momento da Impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4°, do Decreto n° 70.235, de 1972. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Anocalendário: 2001 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A lei n.° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, nem esclareça a motivação das operações envolvidas. MULTA AGRAVADA. A imposição da multa agravada, por falta de atendimento a intimações, só é cabível nos casos em que fique perfeitamente demonstrada a atitude deliberada, por parte da interessada, de embaraçar a fiscalização. MULTA DE OFÍCIO. JUROS À TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTANCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas â. observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instancia administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” A intimação da referida decisão se deu via postal, no dia 17/11/2009, conforme AR de fl. 363. Devidamente intimada, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário, objeto analisado neste voto, alegando em síntese as mesmas alegações aduzidas na Impugnação. Oportunamente os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Voto Fl. 410DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16095.000006/200617 Acórdão n.º 1202001.219 S1C2T2 Fl. 411 7 Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche o pressuposto de admissibilidade. Dessa forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões suscitadas. I Preliminares Decadência. Preliminarmente, a Recorrente alega a decadência do direito do Fisco de promover o lançamento dos tributos relativos ao mês de janeiro/2001, porquanto, quanto a esse período de apuração, teria decorrido mais de 5 (cinco) anos entre a ocorrência do fato gerador e a data da elaboração dos autos de infração, que ocorreu em 20/02/2006. Conforme estabelece o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional, o Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica é um tributo sujeito ao lançamento por homologação: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Tal norma, ao estabelecer o prazo de 5 (cinco) anos para homologação tácita, a contar da ocorrência do fato gerador, reduziu o limite temporal para autuação do Fisco, estabelecido, de forma genérica, nos termos do artigo 173, também do Código Tributário Nacional: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 411DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16095.000006/200617 Acórdão n.º 1202001.219 S1C2T2 Fl. 412 8 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme bem demonstrado no Acórdão recorrido a antecipação do pagamento é condição essencial para haver homologação: “Verificase que, ao estabelecer um prazo mais curto para constituição do crédito tributário, o legislador pressupôs pagamento prévio, o qual daria ao Fisco conhecimento da atividade exercida pelo contribuinte. Assim, a antecipação do pagamento é condição essencial para haver homologação. Esse é o fato positivo que, uma vez conhecido, move a autoridade a iniciar os procedimentos a fim de aferir a regularidade da satisfação da obrigação principal. Concluise, portanto, que se sujeitam as normas aplicáveis ao lançamento por homologação os créditos tributários já satisfeitos, ainda que parcialmente, por via do pagamento.” Assim já foi decidido por este Conselho: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA PAGAMENTO ANTECIPADO ART. 150, § 4º, DO CTN APLICABILIDADE IRPF SÚMULA 38 DO CARF APLICABILIDADE. O STJ tem entendimento consolidado, REsp 973733/SC, no sentido de que o prazo quinquenal previsto no art. 150, § 4º, do CTN é aplicado aos tributos sujeitos a lançamento por homologação quando houver o pagamento antecipado. Conforme Súmula nº 38 do CARF, “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário (Processo 18471.001181/200795, Acórdão 2202002.784) (grifouse) IRPJ FALTA DE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO — DECADÊNCIA — Após o advento do Decretolei n° 1967/82, o lançamento do IRPJ, no regime do lucro real, afeiçoouse a modalidade por homologação, como definida no art. 150 do Código Tributário Nacional, cuja essência consiste no dever de o contribuinte efetuar o pagamento do imposto no vencimento estipulado por lei, independentemente do exame prévio da autoridade administrativa. Se o pagamento do imposto não for antecipado, já não será o caso de lançamento por homologação, hipótese em que a constituição do crédito tributário deverá observar o disposto no art. 173, I, do Código Tributário Nacional (Acórdão n°101 93.104, Primeira Câmara do Conselho de Contribuintes). Fl. 412DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16095.000006/200617 Acórdão n.º 1202001.219 S1C2T2 Fl. 413 9 Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2000 DECADÊNCIA TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. Nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação e, não havendo pagamento, deve ser aplicado o prazo decadencial inserto no artigo 173, I do CTN. Recurso especial provido. (Processo 11041.000361/2004 28, acórdão nº 9202003.320) No que se refere à decadência das contribuições sociais, o entendimento administrativo vinha se consolidando no sentido de ser de dez anos o prazo para a constituição do crédito tributário, nos termos do artigo 45 da Lei n° 8.212, de 24 de Julho de 1991. No entanto, em 20/06/2008, foi publicada no Diário Oficial da União, a Súmula Vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal, com o seguinte teor: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Em consulta à declaração de rendimentos apresentada pela contribuinte, relativa ao anocalendário de 2001, na modalidade do SIMPLES (fls. 26/29), constatouse que, no preenchimento da Ficha 04 — Demonstrativo da Receita Bruta e do Simples a Pagar, o mês de janeiro/2001 não foi registrado qualquer rendimento, nem tributo a pagar. Verificouse também, em consulta ao sistema da Receita Federal do Brasil (fls. 245), que controla a arrecadação federal, que não existe pagamento do Simples, relativo ao período de apuração em janeiro/2001. Não havendo pagamentos, não há o que se homologar, porque não atendidas as condições delimitadas pelo artigo 150, caput, e § 40, do CTN, e a decadência regese pelo artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal. II Mérito Movimentações consideradas para o lançamento Em relação ao mérito dos lançamentos, cumpre mencionar que a tributação dos depósitos bancários está fundamentada no art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: Fl. 413DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16095.000006/200617 Acórdão n.º 1202001.219 S1C2T2 Fl. 414 10 I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; (...) Mais uma vez utilizome do Acórdão recorrido para elucidar a questão: Mencionado dispositivo, ao alçar os depósitos bancários de origem não comprovada à categoria de presunção legal de omissão de receitas, aperfeiçoou a legislação existente que já admitia o lançamento com base em depósitos bancários, mediante presunção simples, desde que outros elementos consolidassem os indícios apurados (...). A Recorrente argumenta, em síntese que os entre os depósitos bancários, haveria valores que se referiam a reembolso de despesas pagas, para recuperação de veículos, por parte de clientes da empresa, e que deveriam ser subtraídos da tributação. Porém, cumpre mencionar, que em nenhum momento do processo, a Recorrente trouxe qualquer documentação para comprovar os fatos alegados. Utilização da taxa Selic Por fim, a Recorrente alega que a taxa SELIC não se presta respaldar a cobrança de tributos, na medida em que estes devem obediência aos princípios da legalidade, da anterioridade, da indelegabilidade de competência tributária e da segurança jurídica. Ademais, afirma que a cobrança da taxa SELIC proporciona ao Fisco um enriquecimento ilícito em detrimento do contribuinte. Tais alegações também não merecem prosperar. A utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros de mora decorre de expressa previsão legal, conforme art. 13 da Lei nº 9.065/95: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Esse é o entendimento deste Conselho: MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A apresentação de declarações de informações com os campos em branco associada à omissão na apresentação das DCTF caracteriza a intenção do agente em descumprir, de forma deliberada, a obrigação tributária. Provado o evidente intuito de fraude, sujeitase o sujeito passivo aos lançamentos dos tributos devidos, acompanhados da multa qualificada de Fl. 414DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16095.000006/200617 Acórdão n.º 1202001.219 S1C2T2 Fl. 415 11 150%. JUROS DE MORA TAXA SELIC A utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros de mora decorre de expressa previsão legal (Lei nº 9.065/95, art. 13), estando também em consonância com o disposto no CTN (art. 161, § 1º). Recurso negado. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 8ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10808477 do Processo 10670001502200299, Data: 12/09/2005) (grifouse). Desse modo, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e manter o acórdão recorrido em sua integralidade. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 415DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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