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Numero do processo: 10280.904974/2011-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.069
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá-los com o recolhido, apurando-se, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. (SUCESSORA DE BELÉM DIESEL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Campinas que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: (...) AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 04 97 4/ 20 11 -8 0 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10280.904974/201180 Resolução nº 3402001.069 S3C4T2 Fl. 186 2 A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido de restituição de crédito de contribuição não cumulativa, o qual foi indeferido pela DRF de origem, em razão de o recolhimento indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte em outro PER/DCOMP. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório na inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 (RE nº 390.840/MG e RE nº 585.235, com repercussão geral). O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, sob os seguintes fundamentos: A autoridade a quo procedeu corretamente ao indeferir o pleito da interessada, eis que existem débitos, confessado pela própria contribuinte por meio de DCTF e outro PER/DCOMP, no valor igual ao do recolhimento objeto do pedido de restituição, de forma que inexiste saldo passível de restituição. Seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. Como não o fez, não havia saldo de pagamento sobre o qual a autoridade fiscal tivesse que se manifestar. No tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, não se discute o entendimento do STF, exposto nos REs mencionados pela interessada. Tampouco se questiona a vinculação do CARF à decisão proferida no RE julgado na sistemática de repercussão geral, conforme prevê seu regimento. Sobre a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, pela Lei nº 11.941, apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos, e portanto não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise. Ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazêlo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10280.904974/201180 Resolução nº 3402001.069 S3C4T2 Fl. 187 3 Cientificada, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando e requerendo o que se segue: a) Requer a recorrente a reunião dos processos apontados de modo a haver seu julgamento conjunto em face da existência de conexão entre os mesmos. b) Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12. A DCTF não é o único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. Nem o art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações, tratandose de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. c) Acerca das provas juntadas para demonstrar a existência do crédito pleiteado, a decisão recorrida alegou a insuficiência para o intento, entretanto esse entendimento não merece prosperar, eis que os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado. O valor recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacadas no balancete em anexo à manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, nos termos do art. 230 do RIR/99. d) Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea "c" do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72 possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nesse passo, para corroborar os fatos já demonstrados pela documentação carreada à manifestação de inconformidade, e também com vistas a contrapor os argumentos da decisão recorrida, requer a juntada do livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado. e) Quanto ao mérito, a discussão encontrase totalmente superada na jurisprudência do STF que, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 no julgamento do RE nº 390840/MG em 9.11.2005. Não há dúvida de que esse entendimento do STF, com repercussão geral reconhecida, deve ser aplicado ao caso dos autos. Assim é que na base de cálculo do PIS e da Cofins somente deveriam ter sido incluídos pela recorrente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem as suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, razão pela qual a decisão a quo deve ser reformada a fim de que seja deferido o direito creditório pleiteado. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.050, de 27 de setembro de 2017, proferida no julgamento do processo 10280.900096/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.050: Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10280.904974/201180 Resolução nº 3402001.069 S3C4T2 Fl. 188 4 "Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Como se sabe, é obrigatória aos membros deste CARF a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Também não se desconhece que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido1. Em consequência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins enquanto aplicável aquele ato legal2 . No que concerne à possibilidade de reconhecimento do direito creditório independentemente da retificação da DCTF, este CARF já decidiu favoravelmente à própria contribuinte, mediante o Acórdão nº 3302004623 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 27 de julho de 2017, no processo nº 10280.905792/201126, no qual foi apurado, em diligência, que a recorrente demonstrou cabalmente a existência do crédito. Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, da 3ª Seção/4ª Câmara/1ªTurma Ordinária, de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do Carf tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, não obstante a 1 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006)Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). 2 Acórdão nº 9303002.444– 3ª Turma, de 08 de outubro de 2013 Relator: JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS PIS E COFINS. ALARGAMENTO. EMPRESAS INDUSTRIAIS E DE SERVIÇOS. Nos termos do quanto decidido pelo Pleno do STF no julgamento dos recursos extraordinários nºs 357.950, 390840, 358273 e 346084, deve ser repudiada a ampliação do conceito de faturamento intentado pelo § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Em conseqüência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições PISe PASEP enquanto aplicável aquele ato legal. Acórdão nº 3401003.828– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 29 de junho de 2017 Relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. As receitas que não se caracterizam como próprias da atividade da entidade, tal como estabelecido pelo estatuto ou contrato social, não compõem o seu faturamento, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ao declarar a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de receita bruta promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Devese, assim, ser acolhido o resultado da diligência constante no Relatório de Diligência Fiscal. Considerando a comprovação documental da validade do crédito, consistente em recolhimento indevido ou a maior de Cofins sobre receitas financeiras, deve o sujeito passivo ter atendido o seu pleito creditório. Recurso Voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10280.904974/201180 Resolução nº 3402001.069 S3C4T2 Fl. 189 5 preclusão do art. 16, §4° do Decreto nº 70.235/72, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. No presente processo, embora a recorrente não tenha produzido a prova necessária por ocasião da apresentação de seu pedido ou da manifestação de inconformidade, apresentou, posteriormente, no Recurso Voluntário, outros documentos na tentativa de comprovação do direito alegado. Assim, resguardando eventual julgamento posterior do Colegiado na linha dos entendimentos acima apontados, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, um Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, um Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 224DF CARF MF
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Numero do processo: 10845.004843/2002-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999
LUCRO INFLACIONÁRIO. ALTERAÇÕES PROMOVIDAS PELA FISCALIZAÇÃO NA APURAÇÃO DO LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO ANTECIPADA PELA CONTRIBUINTE, COM ALÍQUOTA INCENTIVADA. REFLEXOS QUANTO À DECADÊNCIA.
1- Apesar da possibilidade de haver decisões diferentes sobre decadência diante de uma base fática comum, o acórdão recorrido acertou ao decretar a decadência para o crédito tributário exigido nos presentes autos. Há duas razões para esse acerto.
2- A tributação não recaiu sobre o lucro inflacionário que foi apurado pela própria contribuinte. A Fiscalização promoveu alterações no cálculo do lucro inflacionário, e, nesse caso, a contagem da decadência não tem início apenas no período em que o lucro inflacionário deveria ter sido realizado (1997, 1998 e 1999). As alterações na apuração do lucro inflacionário são relativas ao ano-calendário de 1993, e não mais poderiam ser feitas nem no ano-calendário 2000 (lançamento contido no processo nº 10845.003663/99-48), e nem em 2003 (lançamento sob exame).
3- a contribuinte fez opção pela realização antecipada do lucro inflacionário em janeiro de 1993, com a alíquota incentivada de 5% (Lei 8.541/1992, art. 31), para a quitação em cota única de todo o saldo de lucro inflacionário que ela entendia ter acumulado em períodos anteriores. A opção pela realização antecipada do lucro inflacionário, por ser irretratável, estabelecia um novo regime temporal para o reconhecimento da realização desse lucro. A partir da opção, não mais poderia o contribuinte reivindicar o prazo de diferimento da regra geral. No caso de irregularidade, cabia ao Fisco exigir o cumprimento das realizações de acordo com a periodicidade adotada pelo Contribuinte em sua opção, seguindo os mesmos critérios em termos percentuais e temporais. A opção por cota única permitia, desde a sua implementação, a exigência integral de qualquer diferença constatada em relação à realização do lucro inflacionário, mas essa exigência tinha que ser feita em tempo hábil, sob pena de decadência. Súmula CARF nº 10: O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos.
Numero da decisão: 9101-003.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ALTERAÇÕES PROMOVIDAS PELA FISCALIZAÇÃO NA APURAÇÃO DO LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO ANTECIPADA PELA CONTRIBUINTE, COM ALÍQUOTA INCENTIVADA. REFLEXOS QUANTO À DECADÊNCIA. 1 Apesar da possibilidade de haver decisões diferentes sobre decadência diante de uma base fática comum, o acórdão recorrido acertou ao decretar a decadência para o crédito tributário exigido nos presentes autos. Há duas razões para esse acerto. 2 A tributação não recaiu sobre o lucro inflacionário que foi apurado pela própria contribuinte. A Fiscalização promoveu alterações no cálculo do lucro inflacionário, e, nesse caso, a contagem da decadência não tem início apenas no período em que o lucro inflacionário deveria ter sido realizado (1997, 1998 e 1999). As alterações na apuração do lucro inflacionário são relativas ao anocalendário de 1993, e não mais poderiam ser feitas nem no ano calendário 2000 (lançamento contido no processo nº 10845.003663/9948), e nem em 2003 (lançamento sob exame). 3 a contribuinte fez opção pela realização antecipada do lucro inflacionário em janeiro de 1993, com a alíquota incentivada de 5% (Lei 8.541/1992, art. 31), para a quitação em cota única de todo o saldo de lucro inflacionário que ela entendia ter acumulado em períodos anteriores. A opção pela realização antecipada do lucro inflacionário, por ser irretratável, estabelecia um novo regime temporal para o reconhecimento da realização desse lucro. A partir da opção, não mais poderia o contribuinte reivindicar o prazo de diferimento da regra geral. No caso de irregularidade, cabia ao Fisco exigir o cumprimento das realizações de acordo com a periodicidade adotada pelo Contribuinte em sua opção, seguindo os mesmos critérios em termos percentuais e temporais. A opção por cota única permitia, desde a sua implementação, a exigência integral de qualquer diferença constatada em relação à realização do lucro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 48 43 /2 00 2- 77 Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10845.004843/200277 Acórdão n.º 9101003.252 CSRFT1 Fl. 3 2 inflacionário, mas essa exigência tinha que ser feita em tempo hábil, sob pena de decadência. Súmula CARF nº 10: O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) contra "decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova", fundamentado no art. 7º, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, c/c art. 4º da Portaria MF nº 256/2009 (RICARF/2009) e art. 3º da Portaria MF nº 343/2015, que aprova o atual Regimento Interno do CARF. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 10323.396, de 05/03/2008, por meio do qual a antiga Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, cancelando o crédito tributário de IRPJ referente à realização de lucro inflacionário nos anoscalendário de 1996, 1997 e 1998. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva transcritas abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997, 1998, 1999 Ementa: DECADÊNCIA — se, nos autos de outro processo, já se proferiu decisão definitiva que afastou lançamento calcado em fato já alcançado pela decadência — no caso, diferença no cálculo do lucro inflacionário em 1993 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10845.004843/200277 Acórdão n.º 9101003.252 CSRFT1 Fl. 4 3 —, deve o mesmo critério ser adotado para os lançamentos posteriores esteados na mesma situação fática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PETROCOQUE S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO. ACORDAM os membros da TERCEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Antonio Bezerra Neto (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. A PGFN afirma que o acórdão recorrido configura decisão nãounânime e contrária à lei, quando vinculou estes autos ao que foi decidido em outro processo, que tratou de períodos anteriores. Para o processamento de seu recurso, ela desenvolve os argumentos descritos abaixo: a decisão viola o disposto no § 1° do art. 9° do Decreto n. 70.235/77, art. 6° da LICC, § 1° do art. 301 e art. 46 do CPC , art. 146 e § 4° do art. 150 do CTN; DA AUTONOMIA ENTRE AS CÂMARAS DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES — AUSÊNCIA DE EFEITO VINCULANTE DOS ACÓRDÃOS — UNIFORMIZAÇÃO DE ENTENDIMENTO PELA CSRF o julgador consignou que seria incoerente a prolação de duas decisões administrativas com posições diversas sobre o mesmo fato, e que para isso é previsto o instituto da conexão, que visa a preservar a segurança jurídica e a evitar contradições entre decisões proferidas por diferentes órgãos julgadores; no processo administrativo a ocorrência de decisões discrepantes seria ainda mais gritante por este não guardar as formalidades do processo judicial e pela previsão do art. 146 do CTN. Não seria possível a prolação de decisão diversa sobre um mesmo fato concreto, qual seja, diferença de lucro inflacionário em 1993; por isso, entendeu que a decisão proferida pela 1ª Câmara nos autos de n. 10845.003663/9948 teria efeito vinculante sobre a 3ª Câmara; as premissas empregadas pelo emérito julgador estão equivocadas. O presente processo e aquele cujo acórdão foi dotado de efeito vinculante não versam sobre os mesmos fatos. O primeiro tem por objeto o lançamento de IRPJ dos anoscalendário de 1997 a 1999. O segundo se debruçou sobre lançamento de IRPj dos anoscalendário de 1995 e 1996; consoante o r. acórdão recorrido, teria sido declarada decadência, pela 1ª Câmara, da diferença no cálculo do lucro inflacionário em 1993, logo, a decadência do mesmo fato não poderia ser apreciada novamente; todavia, a decadência não alcança um fato, mas fulmina o direito potestativo do fisco de realizar o lançamento de tributo. De acordo com a 1ª Câmara, estaria decaído o direito do fisco de lançar o IRPJ dos anoscalendário de 1995 e 1996 decorrente de irregularidades no cálculo do lucro inflacionário de 1993. Essa decisão não impede que a 3ª Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10845.004843/200277 Acórdão n.º 9101003.252 CSRFT1 Fl. 5 4 Câmara entenda que não está caduco o direito do fisco em lançar o IRPJ dos anoscalendário de 1997 a 1999 também em função de irregularidades no cálculo do lucro inflacionário de 1993; é claro o § 4º do art. 150 do CTN, ao ditar que o prazo decadencial é contado do fato gerador, e não de fato outro, ainda que tenha repercussão no fato gerador. No caso dos autos, irregularidades no cálculo do lucro inflacionário de 1993 não são o fato gerador do tributo; o entendimento da 1ª Câmara quanto ao início do prazo de contagem da decadência não vincula a 3ª Câmara. Os objetos dos processos administrativos são distintos; a origem comum de fato poderia autorizar o julgamento conjunto dos processos via conexão, de modo a evitar decisões divergentes quanto ao entendimento relativo à contagem do prazo decadencial, mas, de forma alguma, torna absoluta essa situação desejada; é plenamente possível a prolação de decisões divergentes sobre uma questão de origem comum de fato para um mesmo sujeito passivo. Cabe à CSRF realizar a uniformização do entendimento se divergência houver. Assim está desenhado pela lei o sistema processual administrativo fiscal; isso se demonstra pela nova redação do § 1º do art. 9º do Decreto n. 70.235/72, que corrigiu a redação anterior, a qual muitas vezes tolhia do Fisco o direito de agir a tempo de evitar a caducidade de seu direito potestativo de constituir o crédito tributário: [...]; sem dúvida que é desejável que não haja decisões divergentes sobre uma mesma questão com origem de fato comum, contudo, nada impede que elas existam e sejam plenamente válidas; o instituto da conexão somente implica em prorrogação relativa de competência enquanto não proferida a decisão do órgão encarregado do julgado do primeiro processo. Se este já foi julgado, o instituto não tem mais efeito, podendo o outro órgão julgador proferir decisão consoante as suas próprias convicções; cumpre anotar que pelo art. 6° da LICC a lei tem aplicação imediata, mormente a lei processual, nos exatos termos do art. 1.211 do CPC; pretendeu o nobre julgador dar ao acórdão proferido pela 1ª Câmara efeito de coisa julgada, no entanto, esta não engloba os motivos da decisão, ou seja, a forma de contagem do prazo decadencial não produz efeitos extraprocesso, não vincula outro órgão julgador, como bem definido pelo § 1º do art. 301 e art. 469 do CPC; o que não se pode voltar a discutir é se houve a decadência do direito de lançar IRPJ decorrente de irregularidades no cálculo do lucro inflacionário de 1993 nos anos calendário de 1995 e 1996. Essa matéria está acobertada pela coisa julgada e tem efeito vinculante, no sentido de impedir que outros órgãos se manifestem sobre ela; entrementes, não vincula outro órgão julgador na apreciação da decadência relativa ao lançamento de IRPJ decorrente de irregularidades no cálculo do lucro inflacionário de 1993 em anoscalendário diversos; Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10845.004843/200277 Acórdão n.º 9101003.252 CSRFT1 Fl. 6 5 a respeito do art. 146 do CTN, não tem incidência na espécie, na medida em que não houve modificação em nenhum critério jurídico no exercício do lançamento, os quais permaneceram os mesmos em ambas as autuações. A discussão travada se resume ao direito do fisco do lançar, se estaria ou não caduco, e não ao lançamento em si mesmo; o fiscal, ou os órgãos de julgamento, não empregou critérios diversos acerca do fato gerador, da matéria tributável, do montante do tributo devido, ou da identificação do sujeito passivo. Os critérios adotados para a definição desses elementos foram exatamente os mesmos; não fosse isso o bastante, o fiscal apresentou o mesmo entendimento quanto à decadência em ambas as autuações, sendo que a 1ª Câmara foi quem procedeu à alteração, e o que a lei veda é que a alteração seja aplicada em fatos geradores anteriores à sua promoção, o que não ocorreu nestes autos. O entendimento modificado não foi aplicado a fatos geradores anteriores; ademais, está claro que a lei visa a proteger o sujeito passivo de uma modificação que lhe seja prejudicial, e não daquela que lhe seja favorável. A decisão da 1ª Câmara foi favorável ao contribuinte, logo, mais um motivo pelo qual não há como incidir o art. 146 do CTN neste processo; isso quer dizer que o fisco não pode, ao mudar seu critério jurídico em determinado lançamento e agravar a situação do sujeito passivo, revisar os lançamentos relativos a fatos geradores anteriores; ao cabo, importante frisar que o reconhecimento da decadência quanto ao lançamento do IRPJ nos anoscalendário de 1995 e 1996 não é questão prejudicial para a análise da decadência nos anoscalendário de 1997 a 1999. Não há nexo de causa e efeito entre as questões, que podem ser apreciadas de maneira independente; CONCLUSÃO requer a Fazenda Nacional provimento ao presente recurso, para que seja anulado o r. acórdão proferido pela e. Câmara a quo, em vista de error in procedendo. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 103 0.198/2008, de 09/09/2008, deu seguimento ao recurso, nos seguintes termos: [...] A recorrente insurgiuse contra a decisão que, por maioria, deu provimento parcial ao recurso que acolheu a decadência do IRPJ. Asseverou que tal decisão mostrou contrariedade com o §1° do art. 9° do Decreto n° 70.235/77, art. 6° da LICC, §1º do art. 301 do CPC, art. 469 do CPC, art. 146 do CTN e §4° do art. 150 do CTN. De inicio cabe salientar cumprido o primeiro requisito necessário para a interposição de recurso especial com base no inciso I, do art. 7°, do RICSRF, qual seja, que a decisão tenha sido prolatada por maioria de votos relativamente à matéria recorrida. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10845.004843/200277 Acórdão n.º 9101003.252 CSRFT1 Fl. 7 6 Quanto às razões do recurso especial, entendo que restou demonstrado, fundamentadamente, em que a decisão recorrida seria contrária à lei no entendimento da Fazenda Nacional, consoante o disposto no §1º do art. 15 do RICSRF. Destarte, à vista destes fundamentos e no uso da competência conferida pelo § 6°, do art. 15, do RICSRF, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial, por estarem satisfeitos os pressupostos regimentais de admissibilidade Em 10/10/2008 (sextafeira), a contribuinte foi intimada do despacho que deu seguimento ao recurso especial da PGFN, e em 29/10/2008 (quartafeira) ela apresentou contrarrazões ao recurso, apresentando preliminar de não conhecimento do recurso e argumentação de mérito buscando a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10845.004843/200277 Acórdão n.º 9101003.252 CSRFT1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 1997, 1998 e 1999. A irregularidade que deu causa à exigência consistiu na não realização do percentual mínimo do saldo de lucro inflacionário acumulado em 31/12/1995. O acórdão recorrido (decisão de segunda instância administrativa) cancelou o lançamento, destacando que nos autos de outro processo já se proferiu decisão definitiva que afastou lançamento calcado em fato alcançado pela decadência no caso, diferença no cálculo do lucro inflacionário em 1993; e que o presente lançamento foi realizado com base na mesma diferença em 1993, não se podendo deixar de adotar idêntica posição acerca da decadência. Em seu recurso especial, a PGFN alega que a decisão viola os seguintes dispositivos: §1° do art. 9° do Decreto n. 70.235/77, art. 6° da LICC, § 1° do art. 301 e art. 46 do CPC , e art. 146 e §4° do art. 150 do CTN. A PGFN procura demonstrar que a decisão do presente processo não precisa estar vinculada ao que se decidiu no processo anterior (que tratou da realização de lucro inflacionário nos anoscalendário de 1995 e 1996). Entre outros argumentos, ela alega que a decadência não alcança um fato, mas fulmina o direito potestativo do fisco de realizar o lançamento de tributo; e que é plenamente possível a prolação de decisões divergentes sobre uma questão de origem comum de fato para um mesmo sujeito passivo. A contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso, mas a peça processual foi apresentada a destempo. Como mencionado no relatório, em 10/10/2008 (sextafeira), a contribuinte foi intimada do despacho que deu seguimento ao recurso especial da PGFN. O prazo de 15 dias para a apresentação de contrarrazões, com a contagem iniciada em 13/10/2008 (segundafeira), deveria se encerrar em 27/10/2008 (segundafeira). Ocorre que o SecretárioExecutivo do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, por meio da Portaria nº 855, de 26 de dezembro de 2007, estabeleceu que o dia 27 de outubro de 2008 seria ponto facultativo, em razão da comemoração alusiva ao dia do Servidor Público art. 236 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Nesse contexto, a data final para apresentação das contrarrazões passou a ser o dia 28/10/2008, mas elas só foram apresentadas em 29/10/2008, de forma extemporânea, o que prejudica o seu conhecimento. De todo modo, registro que a admissibilidade do recurso é matéria que pode ser examinada de ofício, pelo que faço algumas considerações a esse respeito. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10845.004843/200277 Acórdão n.º 9101003.252 CSRFT1 Fl. 9 8 O despacho monocrático que deu seguimento ao recurso especial não merece nenhum reparo por parte deste colegiado. Tratase de recurso especial contra "decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova", para o qual a admissibilidade, via de regra, é mais ampla, quando se compara com o recurso especial por divergência jurisprudencial. A PGFN aponta com detalhes os dispositivos legais que entende terem sido contrariados, entre eles o art. 146 do CTN, que foi expressamente abordado pelo voto vencedor que orientou o acórdão recorrido. Os outros dispositivos mencionados no recurso guardam relação direta com a mesma linha de argumentação feita sobre o art. 146 do CTN, ou seja, de que a decisão do presente processo não precisa estar necessariamente vinculada ao que se decidiu no processo anterior. E a PGFN nem mesmo está subordinada ao requisito do prequestionamento. Assim, o recurso especial realmente deve ser conhecido. Quanto ao seu mérito, é preciso inicialmente esclarecer o contexto dos fatos ora examinados. Como já mencionado, cuidase nos presentes autos de exigência de IRPJ sobre as parcelas do lucro inflacionário que, segundo a Fiscalização, deveriam ter sido realizadas nos anoscalendário de 1997, 1998 e 1999. A controvérsia suscitada pela PGFN diz respeito à vinculação feita pelo acórdão recorrido entre estes autos e o que restou decidido no processo nº 10845.003663/99 48, que tratou da realização do mesmo lucro inflacionário no anocalendário de 1995. O conteúdo do acórdão recorrido esclarece que o valor do saldo do lucro inflacionário apurado pela contribuinte era diferente do apurado pela Receita Federal. A divergência decorreu de diferença remanescente em janeiro de 1993, após a realização com o incentivo da Lei 8.541/93 (art. 31). O acórdão recorrido também informa que a opção pela realização incentivada constou da declaração apresentada pela contribuinte, e que os DARFs foram pagos em 26 de fevereiro de 1993. No caso do processo 10845.003663/9948, a ciência do auto de infração deu se em 27 de janeiro de 2000. A decisão proferida naquele outro processo, referente à realização do lucro inflacionário no anocalendário de 1995, reconheceu a decadência do crédito tributário, consignando o seguinte entendimento: "uma vez que a alteração tem origem na diferença de realização incentivada do lucro inflacionário, ocorrida em fevereiro de 1993, em janeiro de 2000 não mais estava a Fazenda Pública autorizada a efetuar lançamento decorrente de realização a menor." Como o lançamento nos presentes autos foi formalizado em 2003 (relativamente aos anoscalendário 1997, 1998 e 1999), e realizado com base na mesma diferença apurada em 1993, o acórdão recorrido entendeu que não poderia deixar de adotar Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10845.004843/200277 Acórdão n.º 9101003.252 CSRFT1 Fl. 10 9 idêntica posição acerca da decadência, nos termos do que já havia sido decidido para o ano calendário de 1995, independentemente da correção daquela decisão anterior. Há um parágrafo no voto vencedor do acórdão recorrido que explicita bem a razão da vinculação feita entre os processos: Ora, como se sustentaria, em especial na esfera judicial, uma autuação de parcelas de lucro inflacionário relativas aos anoscalendário de 1997 a 1999 e formalizada em 2002, se noutro processo, formalizado em 2000 e relativo ao anocalendário de 1995, a administração já havia decidido em definitivo a sua insubsistência em razão de estar decaído o direito de o fisco apurar a base de incidência, idêntica, no caso, para os dois processos? A formalização do lançamento objeto dos presentes autos ocorreu na verdade em 2003 (13/02/2003, AR às fls. 31), e não em 2002, como constou do acórdão recorrido. O reconhecimento da decadência voltouse principalmente para a possibilidade de apuração de uma base de incidência (lucro inflacionário) diferente daquela que foi apurada pela contribuinte. O acórdão recorrido esclareceu que "as alterações promovidas pela fiscalização foram (a) na média do valor contábil do ativo permanente no início e no fim do períodobase, (b) nos lucros e dividendos de participação societária recebidos no períodobase, (c) no lucro inflacionário de períodos anteriores e respectiva correção monetária". Concordo com a PGFN quando ela alega que a decadência não alcança um fato, mas fulmina o direito potestativo do fisco de realizar o lançamento de tributo, e também quanto argumenta que é possível a prolação de decisões divergentes sobre uma questão fática que tem repercussão em vários processos do mesmo sujeito passivo Embora haja uma base comum (saldo de lucro inflacionário), penso que os diferentes processos trataram de créditos tributários independentes, relativos a períodos de apuração distintos. Nesse passo, a data de cada lançamento deve ser cotejada com a ocorrência do fato gerador do tributo. No caso do lucro inflacionário, esse cotejo também deve levar em conta o período da realização do lucro inflacionário. Essa possibilidade de decisões divergentes sobre uma questão fática comum, aliás, é evidenciada pela própria jurisprudência sobre o lucro inflacionário, quando, nos casos de tributação do lucro inflacionário apurado pela própria contribuinte, passouse a adotar (às vezes, para um mesmo sujeito passivo) como marco inicial da contagem da decadência o período de realização do lucro inflacionário, e não mais o de sua apuração. Se houve um erro na contagem da decadência em relação a um determinado lançamento, esse erro não deve ser reproduzido em relação a lançamentos que envolvam outros períodos de tributação, ainda que eles tenham uma origem comum, principalmente porque o que está em pauta é a decadência do "lançamento", e não a qualificação (valoração, etc.) do fato autuado. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10845.004843/200277 Acórdão n.º 9101003.252 CSRFT1 Fl. 11 10 Incoerência processual mais complicada seria dizer em um processo que o lucro inflacionário não existiu, e dizer posteriormente, em outro processo, que esse mesmo lucro inflacionário existiu, mas não é esse o caso dos presentes autos. Contudo, embora concorde com a possibilidade de haver decisões diferentes sobre a decadência, mesmo diante de uma base fática comum, penso que o acórdão recorrido acertou ao decretar a decadência para o crédito tributário exigido nos presentes autos. Há duas razões para esse acerto. A primeira delas é que a tributação não recaiu sobre o lucro inflacionário que foi apurado pela própria contribuinte. Conforme mencionado acima, a Fiscalização promoveu alterações no cálculo do lucro inflacionário, e, nesse caso, a contagem da decadência não tem início apenas no período em que o lucro inflacionário deveria ter sido realizado (1997, 1998 e 1999). As alterações na apuração do lucro inflacionário são relativas ao ano calendário de 1993, e não mais poderiam ser feitas nem no anocalendário 2000 (lançamento contido no processo nº 10845.003663/9948), e nem em 2003 (lançamento sob exame). Outra razão do acerto do acórdão recorrido é que a contribuinte fez opção pela realização antecipada do lucro inflacionário em janeiro de 1993, com a alíquota incentivada de 5% (Lei 8.541/1992, art. 31), para a quitação em cota única de todo o saldo de lucro inflacionário que ela entendia ter acumulado em períodos anteriores. A opção pela realização antecipada/incentivada dos saldos acumulados de lucro inflacionário implicava em modificações no aspecto temporal dessa tributação. Há um acórdão exarado pela antiga 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF em 25/01/2010, que, ao analisar situação semelhante à dos presentes autos, apresenta informações esclarecedoras sobre essa questão: Acórdão nº 180200.318 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Exercício: 1998, 1999. LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZAÇÃO ANTECIPADA LEI 8.541/92, ARTIGO 31 DECADÊNCIA. A opção pela realização antecipada do lucro inflacionário, por ser irretratável, estabelecia um novo regime temporal para o reconhecimento da realização desse lucro. A partir da opção, não mais poderia o Contribuinte reivindicar o prazo de diferimento da regra geral. No caso de irregularidade, cabia ao Fisco exigir o cumprimento das realizações de acordo com a periodicidade adotada pelo Contribuinte em sua opção, seguindo os mesmos critérios em termos percentuais e temporais. A opção por cota única permitia, desde a sua implementação, a exigência integral de qualquer diferença constatada em relação à realização do lucro inflacionário, mas essa exigência tinha que ser feita em tempo hábil, sob pena de decadência. [...] Voto [...] A questão principal a ser enfrentada diz respeito à decadência. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10845.004843/200277 Acórdão n.º 9101003.252 CSRFT1 Fl. 12 11 [...] O fato é que o art. 31 da Lei 8.541/92 implementou uma gradativa redução na alíquota do IRPJ para aqueles Contribuintes que optassem por uma das formas de antecipação na realização do lucro inflacionário acumulado: Art. 31. À opção da pessoa jurídica, o lucro inflacionário acumulado e o saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF (Lei n° 8.200, de 28 de junho de 1991, art. 3°) existente em 31 de dezembro de 1992, corrigidos monetariamente, poderão ser considerados realizados mensalmente e tributados da seguinte forma: 1 1/120 à alíquota de vinte por cento; ou II 1/60 à alíquota de dezoito por cento; ou III 1/36 à alíquota de quinze por cento; ou IV 1/12 à alíquota de dez por cento, ou V em cota única à alíquota de cinco por cento. E o § 4° deste mesmo artigo estabeleceu que essa opção seria irretratável. Assim, qualquer das opções acima excluía o Contribuinte, de modo irreversível, da regra geral do art. 30 da referida lei, que previa o prazo máximo de 20 anos para a realização do lucro inflacionário. Nesse contexto, a opção feita pelo Contribuinte estabelecia um novo regime temporal para o reconhecimento da realização. Se a opção fosse pela regra do inciso I, deveria ser realizado 10% do lucro inflacionário ao ano, num prazo máximo de 10 anos. Pela regra do inciso II, a realização seria de 20% ao ano (prazo de 5 anos), e assim por diante. No caso de haver irregularidade na realização, a exigência fiscal deveria seguir os mesmos critérios em termos percentuais e temporais, posto que a opção realizada anteriormente era considerada irretratável. Ou seja, a partir dela, não mais poderia o Contribuinte reivindicar um prazo de diferimento maior do que o previsto para a sua opção. Quanto ao processo sob exame, não há dúvidas de que a Contribuinte fez opção pela realização integral, em cota única. Nesse sentido, o DARF de fl. 66 indica no seu campo 14 que a opção foi pela regra do inciso V. Além disso, a tela de consulta da DIRPJ/1994, à fl. 104, indica que a Contribuinte optou pela realização antecipada e incentivada, informação que também está registrada no SAPLI, à fl. 8. Sendo assim, desde 30/04/1993, que foi a data em que a Contribuinte optou pela realização em cota única, por meio do DARF acima referido, poderia o Fisco exigir integralmente qualquer diferença constatada em relação à realização de lucro inflacionário. Entretanto, o lançamento somente ocorreu em 01/08/2003, momento em que o crédito tributário já se encontrava extinto pela decadência, por qualquer dos prazos previstos no CTN. Em razão do acolhimento da decadência, as demais questões suscitadas pela Recorrente ficam prejudicadas. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10845.004843/200277 Acórdão n.º 9101003.252 CSRFT1 Fl. 13 12 Deste modo, dou provimento ao recurso, para acolher a decadência. Essa decisão da 2ª Turma Especial foi confirmada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme o Acórdão nº 9101001.505, exarado por esta 1ª Turma em 25/10/2012: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Anocalendário: 1997, 1998. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZAÇÃO ANTECIPADA LEI 8.541/92 ARTIGO 31 DECADÊNCIA. A opção pela realização antecipada do lucro inflacionário, por ser irretratável, estabelecia um novo regime temporal para o reconhecimento da realização desse lucro. A partir da opção, não mais poderia o Contribuinte reivindicar o prazo de diferimento da regra geral. No caso de irregularidade, cabia ao Fisco exigir o cumprimento das realizações de acordo com a periodicidade adotada pelo Contribuinte em sua opção, seguindo os mesmos critérios em termos percentuais e temporais. A opção por cota única permitia, desde a sua implementação, a exigência integral de qualquer diferença constatada em relação à realização do lucro inflacionário, mas essa exigência tinha que ser feita em tempo hábil, sob pena de decadência. Em outra oportunidade, esta 1ª Turma da CSRF também seguiu essa mesma linha de entendimento sobre a contagem da decadência para os casos em que o contribuinte opta pela realização antecipada do lucro inflacionário, conforme o Acórdão nº 9101002.176, de 19/01/2016: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Ano calendário: 1997. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LUCRO INFLACIONÁRIO. Realização incentivada do lucro inflacionário em cota única, prevista no art. 30, V, da Lei n. 8.541/92, com o correspondente pagamento, em 31/03/1993. Auto de infração lavrado em 29/04/2003, para a cobrança de suposta diferença na apuração do aludido lucro inflacionário, com a recomposição do respectivo saldo de 1997. Decadência consumada, conforme o prazo estabelecido no art. 150, par. 4º, do CTN. Incidência da Súmula n. 10, do CARF, e do REsp n. 973.733/SC, STJ (recurso repetitivo). Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional desprovido. A Súmula CARF nº 10, exarada em 14/07/2010, realmente confirma tudo o que está dito acima sobre essa questão da decadência para os casos de opção pela realização antecipada do lucro inflacionário: Súmula CARF nº 10: O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. Nos termos da própria lei (Lei 8.541/1992, art. 31, §§ 3º e 4º), essa opção era irretratável, e o imposto pago era considerado como de tributação exclusiva: Art. 31. À opção da pessoa jurídica, o lucro inflacionário acumulado e o saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF (Lei n° 8.200, de 28 de junho de 1991, art. 3°) existente em 31 de dezembro Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10845.004843/200277 Acórdão n.º 9101003.252 CSRFT1 Fl. 14 13 de 1992, corrigidos monetariamente, poderão ser considerados realizados mensalmente e tributados da seguinte forma: [...] § 3° O imposto de que trata este artigo será considerado como de tributação exclusiva. § 4° A opção de que trata o caput deste artigo, que deverá ser feita até o dia 31 de dezembro de 1994, será irretratável e manifestada através do pagamento do imposto sobre o lucro inflacionário acumulado, cumpridas as instruções baixadas pela Secretaria da Receita Federal. Quanto ao caso sob exame, o período de apuração em que deveria ter sido realizado o lucro inflacionário em questão é o período em que a contribuinte fez a opção pela realização integral do lucro inflacionário, em cota única, o que ocorreu no curso do anobase de 1993, e nos termos da própria Súmula CARF nº 10, é a partir daí que deve ser contada a decadência. Pelas informações contidas nos autos (respostas da contribuinte às intimações fiscais, Demonstrativo Sapli, e informações constantes do próprio acórdão recorrido), não há dúvida de que a contribuinte fez opção pela realização integral, em cota única, com alíquota incentivada. O pagamento em cota única, com alíquota de 5%, foi realizado em 26/02/1993, e desde essa época poderia o Fisco exigir integralmente qualquer diferença constatada em relação à realização do lucro inflacionário. Entretanto, o lançamento somente ocorreu em 13/02/2003, momento em que o crédito tributário já se encontrava extinto pela decadência, por qualquer dos prazos previstos no CTN. Nesse passo, não procede a alegação da PGFN, no sentido de que o acórdão recorrido teria contrariado o art. 150, §4º, do CTN. Pelas razões acima expostas, o reconhecimento da decadência pelo acórdão recorrido não merece reparo. Desse modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10845.004843/200277 Acórdão n.º 9101003.252 CSRFT1 Fl. 15 14 Fl. 227DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.720561/2010-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS.
Para se creditar da Cofins em relação à aquisição de bens e serviços, no regime da não cumulatividade, deve-se comprovar que os insumos foram utilizados na fabricação do produto destinado a venda.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
RECURSO ESPECIAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se presta para comprovar a divergência jurisprudencial, necessária ao conhecimento do recurso especial, acórdão paradigma cujo arcabouço fático seja diferente do acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9303-005.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado) não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Júlio César Alves Ramos na sessão anterior.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. Para se creditar da Cofins em relação à aquisição de bens e serviços, no regime da não cumulatividade, devese comprovar que os insumos foram utilizados na fabricação do produto destinado a venda. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 RECURSO ESPECIAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não se presta para comprovar a divergência jurisprudencial, necessária ao conhecimento do recurso especial, acórdão paradigma cujo arcabouço fático seja diferente do acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 05 61 /2 01 0- 10 Fl. 799DF CARF MF Processo nº 13609.720561/201010 Acórdão n.º 9303005.290 CSRFT3 Fl. 3 2 conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado) não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Júlio César Alves Ramos na sessão anterior. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional e pela Contribuinte com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, contra ao acórdão nº 3803006.454, proferido pela 3º Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito creditório de COFINS em relação a: (i) aluguel de máquinas e equipamentos, (ii) partes, peças (retentores, porcas, parafusos, rolamentos, anéis, baterias etc.) e serviços de manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo, (iii) “serviços de monitoramento e controle do espaço”, “serviços de eletricidade”, “serviços de fabricação de engrenagens”, “recondicionamento de equipamento utilizado no processo produtivo”, “transporte rodoviário de insumos importados”, “reforma de cesto inox industrial”, “manutenção em peças dos britadores” e “transporte de argila”, desde que não acarretem acréscimo de vida útil superior a um ano aos equipamentos e máquinas em que aplicados e (iv) encargos de depreciação e amortização de bens do ativo imobilizado (máquinas e equipamentos imobilizados e edificações e benfeitorias). Reproduzo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: Fl. 800DF CARF MF Processo nº 13609.720561/201010 Acórdão n.º 9303005.290 CSRFT3 Fl. 4 3 "A Fiscalização reconheceu em parte o direito creditório pleiteado, tendo procedido à glosa de créditos apurados relativamente a (i) peças e serviços de manutenção de máquinas e equipamentos (retentores, porcas, parafusos, rolamentos, anéis, baterias etc.), considerando que tais itens não se desgastam pela ação direta do produto em fabricação, (ii) equipamentos denominados “escavadeira hidráulica de esteiras” e “engrenagem bipartida”, por se tratar de bens do ativo imobilizado e (iii) serviços e locação de máquinas e equipamentos, por não serem aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. O acórdão recorrido, restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, desde que atendidos os demais requisitos legais. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A lei autoriza o creditamento relativamente a aluguel de máquinas e equipamentos utilizados na atividade da empresa, desde que atendidos os demais requisitos legais. ATIVO IMOBILIZADO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO. DIREITO AO CREDITAMENTO. Há previsão legal que assegura o direito a creditamento dos encargos de depreciação e amortização de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo e de edificações e benfeitorias utilizados nas atividades da empresa, calculados a partir da vigência do dispositivo legal, observados o período de apuração do pedido de ressarcimento, o prazo máximo permitido e os demais requisitos legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PEDIDO DE PERÍCIA E PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. DESNECESSIDADE. Fl. 801DF CARF MF Processo nº 13609.720561/201010 Acórdão n.º 9303005.290 CSRFT3 Fl. 5 4 Mostrase despiciendo o pedido de realização de perícia e de produção de novas provas, uma vez que os autos já contêm informações suficientes ao deslinde da controvérsia. Informações adicionais que o contribuinte considera relevantes já poderiam ter sido trazidos aos autos desde a fase impugnatória, dado tratarse de elementos relativos a seu processo produtivo, em relação ao qual se pressupõe a existência de controles, de escrituração contábil fiscal e de especificações técnicas. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, sustentando que: "A decisão ora recorrida, ao alargar o conceito de insumos dado pelo art. 3º da Lei nº 10.637/2002 c/c o disposto na IN SRF nº 247/2002, em razão de uma interpretação equivocada, acabou criando uma dispensa de pagamento de tributo não prevista em lei. Por este motivo, deve ser mantida a decisão de primeira instância a qual analisou a questão sob o prisma correto, mantendose todas as glosas ali ratificadas. Seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido, indeferindose o pleito do contribuinte, restabelecendose o entendimento da decisão de primeira instância administrativa". Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigma, o Acórdão nº 310100.795. Em seguida, o recurso teve seguimento especialmente quanto ao direito ou não de crédito de Cofins, no regime não cumulativo, referente aos encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, que se destinavam diretamente na produção de bens destinados a venda, nos termos do Despacho de Admissibilidade, fls. 692/694. Ainda assim, não conformada, a Contribuinte também interpõe Recurso Especial, defendendo que carece de reforma a decisão recorrida no que tange ao não reconhecimento do direito ao crédito de COFINS sobre despesas necessárias ("supervisão técnica", "fabricação de caixas" e etc), considerando que tais itens estão vinculados às atividades exercidas pela empresa, desse modo, enquadramse dentro do conceito de insumo previsto na legislação. Para respaldar a dissonância jurisprudencial, a Contribuinte colaciona como paradigma, o Acórdão nº 320200226. A divergência suscitada pelo sujeito passivo foi quanto ao direito ao crédito de Cofins, no regime nãocumulativo. A contribuinte não concorda com a glosa dos créditos sobre os gastos de “supervisão técnica” e demais itens não expressamente Fl. 802DF CARF MF Processo nº 13609.720561/201010 Acórdão n.º 9303005.290 CSRFT3 Fl. 6 5 admitidos no acórdão. Na seqüência, o recurso foi integralmente admitido nos termos do despacho de admissibilidade, fls.787/790. As razões relevantes para admissibilidade do recurso foram as seguir extraídas do citado despacho: "Entendo que foi comprovada a divergência jurisprudencial. Com efeito, em vários trechos do acórdão recorrido há a referência à necessidade de que os insumos sejam aplicados ou úteis ao processo produtivo, embora sem exigências da legislação do IPI. Confiramse alguns excertos: Acórdão recorrido: efolha 646 “Na não cumulatividade das contribuições, o elemento de valoração não é mais o produto ou mercadoria em si considerado, mas o total das receitas auferidas pelos contribuintes, o que engloba todo o resultado da atividade operacional produtiva da pessoa jurídica.” efolha 649 “No que se refere aos demais serviços glosados, considerando também o conceito de insumo acima abordado, bem como a sua efetiva utilização no processo produtivo, conclui se pelo direito de creditamento...” A manutenção da glosa sobre “serviços técnicos” e “fabricação de caixas” deveuse também a essa restrição: efolha 650 “Quanto aos demais itens (“supervisão técnica” etc.), dada a sua generalidade ou a ausência de demonstração de sua imprescindibilidade ao funcionamento do fator de produção, concluise pela manutenção da glosa efetuada pela Fiscalização.” Por sua vez, o paradigma prescinde dessa condição, não restringindo os insumos somente àqueles aplicados na produção, mas alcançando a totalidade das despesas e custos operacionais: É de se concluir, portanto, que o termo "insumo" utilizado para o cálculo do PIS e COFINS não cumulativos deve necessariamente compreender os custos e despesas operacionais da pessoa jurídica, na forma definida nos artigos 290 e 299 do RIR/99” Regularmente intimadas, as partes apresentaram contrarrazões. É o relatório. Fl. 803DF CARF MF Processo nº 13609.720561/201010 Acórdão n.º 9303005.290 CSRFT3 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheiro Demes Brito Relator Os Recursos foram apresentados com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Com efeito, o Recurso Especial da Fazenda Nacional trata exclusivamente sobre o direito de crédito do PIS e da COFINS, no regime não cumulativo, dos encargos de depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado. Para comprovar a divergência, foram apresentados acórdãos paradigmas, nºs 310100.795 e 20312.046, cujas ementas seguem abaixo transcritas na parte que interessa. Acórdão Paradigma nº 310100.795 Fl. 804DF CARF MF Processo nº 13609.720561/201010 Acórdão n.º 9303005.290 CSRFT3 Fl. 8 7 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 (...) REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas os bens do ativo permanente que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da nãocumulatividade. Acórdão Paradigma nº 20312.046 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 Ementa: IPI. CRÉDITO GLOSADO. MATERIAIS INTERMEDIÁRIOS. É correta a redução do valor de crédito de IPI, quando se constatam créditos indevidos relativos a produtos incorporados às instalações industriais, materiais de consumo e as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, que não se consomem em decorrência de uma ação exercida diretamente sobre o produto de fabricação, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização. Em relação ao primeiro acórdão paradigma, entendo não estar demonstrada a divergência jurisprudencial. Como se observa no voto condutor da decisão recorrida, o recurso voluntário mereceu provimento quanto as despesas com depreciação sobre bens e serviços utilizados na produção nos seguintes termos: "Somente os bens e serviços utilizados de forma direta na produção da pessoa jurídica dão direito ao crédito das contribuições, devendo ser, efetivamente, absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. Para a análise da questão posta, necessário se torna reproduzir os dispositivos legais que cuidam da matéria. A Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins na sistemática não cumulativa, disciplina a matéria nos seguintes termos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive Fl. 805DF CARF MF Processo nº 13609.720561/201010 Acórdão n.º 9303005.290 CSRFT3 Fl. 9 8 combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mão de obra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004). § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 806DF CARF MF Processo nº 13609.720561/201010 Acórdão n.º 9303005.290 CSRFT3 Fl. 10 9 III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. De acordo com os dispositivos legais suprarreproduzidos, é possível constatar que a lei prevê, de forma expressa, o direito de creditamento, independentemente da abrangência do conceito de insumo, relativamente a “energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica”, “aluguéis de (...) máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa” e “edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa”. Notese que tais direitos não se restringem ao processo produtivo da pessoa jurídica, abrangendo a totalidade dos estabelecimentos, no caso do consumo de energia elétrica, e as atividades da empresa, no caso do aluguel de máquinas e equipamentos e de edificações e benfeitorias. Por outro lado, a decisão indicada como paradigmática, acórdão nº 3101 00.795 , por sua vez, analisou a questão quanto a depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens do ativo imobilizado nos seguintes termos: "As glosas de créditos sob a rubrica encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado efetuadas pela auditoriafiscal ocorreram em razão de os créditos estarem associados a "máquinas e equipamentos que não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso específico a produção de maçã". O decisum guerreado elenca as condições para o direito ao crédito relativo aos encargos de depreciação: a) os bens incorporados ao ativo imobilizado devem ser aqueles envolvidos diretamente com o processo produtivo; b) para períodos de apuração até julho de 2004, os bens do ativo imobilizado geram créditos, independentemente das datas de suas aquisições; c) para períodos de apuração a partir de agosto de 2004, os bens do ativo imobilizado geram créditos, desde que adquiridos a partir de 01/05/2004. E pondera que independentemente da data de aquisição do bem do ativo imobilizado, uma condição deve sempre estar presente: os bens que geram os créditos relacionados com a depreciação, devem ser aqueles envolvidos diretamente com o processo produtivo". Como se vê, as decisões paragonadas laboram a partir de circunstâncias fáticas e jurídicas distintas, o Acórdão Recorrido, bem como a DRJ deram provimento ao Recurso, em razão da lei autorizar expressamente o direito de creditamento, independentemente da abrangência do conceito de insumo, relativamente a “energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica”, “aluguéis de (...) máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa” e “edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa”. Fl. 807DF CARF MF Processo nº 13609.720561/201010 Acórdão n.º 9303005.290 CSRFT3 Fl. 11 10 Por outro lado, o acórdão paradigmático, tratou de glosas de créditos sob a rubrica encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado efetuadas pela auditoria fiscal que ocorreram em razão de os créditos estarem associados a "máquinas e equipamentos que não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso específico a produção de maçã". Neste sentido, O Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (versão atualizada, pg.31) estabelece que: "Tratandose de situações fáticas diversas, cada qual com seu conjunto probatório específico, as soluções diferentes não têm como fundamento a interpretação diversa da legislação, mas sim as diferentes situações fáticas retratadas em cada um dos julgados. Nesse contexto, também não há que se falar em divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que por sua vez atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria". Diante do exposto, verificase que as dessemelhanças fáticas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. E em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Quanto ao segundo acórdão paradigma, conforme exame de admissibilidade, fls. 693/694, foi descartado, pois apesar de tratar de créditos de insumos, a legislação que motivou o indeferimento é relativa ao IPI. No paradigma os créditos de insumos foram indeferidos com fundamento no art. 147, I do RIPI/2008 (Decreto nº 2.637/98). É notório que a legislação que trata dos créditos do PIS e da Cofins, no regime da nãocumulatividade, é bem Fl. 808DF CARF MF Processo nº 13609.720561/201010 Acórdão n.º 9303005.290 CSRFT3 Fl. 12 11 diferenciada em relação ao IPI. No acórdão recorrido a discussão do direito ao crédito envolve as leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Nestes termos, por ausência de comprovação de divergência jurisprudencial, não tomo conhecimento do Recurso da Fazenda Nacional. No que tange o Recurso da Contribuinte, atende aos demais requisitos de Admissibilidade, dele tomo conhecimento. O dissenso jurisprudencial submetido ao crivo deste Colegiado cingese a possibilidade quanto ao direito ou não de crédito de COFINS, no regime não cumulativo, dos encargos de depreciação de bens incorporados ao ativo, bem como, sobre despesas necessárias ("supervisão técnica", "fabricação de caixas" e etc), considerando que tais itens estão vinculados às atividades exercidas pela Contribuinte, enquadramse assim, dentro do conceito de insumo previsto na legislação. Com efeito, em outras oportunidades, consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumo no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), todavia, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas Fl. 809DF CARF MF Processo nº 13609.720561/201010 Acórdão n.º 9303005.290 CSRFT3 Fl. 13 12 operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o total das despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Fl. 810DF CARF MF Processo nº 13609.720561/201010 Acórdão n.º 9303005.290 CSRFT3 Fl. 14 13 Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. In caso, a decisão recorrida reconheceu o direito a crédito de PIS em relação a: (i) aluguel de máquinas e equipamentos, (ii) partes, peças (retentores, porcas, parafusos, rolamentos, anéis, baterias etc.) e serviços de manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo, (iii) “serviços de monitoramento e controle do espaço”, “serviços de eletricidade”, “serviços de fabricação de engrenagens”, “recondicionamento de equipamento utilizado no processo produtivo”, “transporte rodoviário de insumos importados”, “reforma de cesto inox industrial”, “manutenção em peças dos britadores” e “transporte de argila”, desde que não acarretem acréscimo de vida útil superior a um ano aos equipamentos e máquinas em que aplicados e (iv) encargos de depreciação e amortização de bens do ativo imobilizado (máquinas e equipamentos imobilizados e edificações e benfeitorias). Por outro lado, a Fazenda Nacional sustenta que a decisão recorrida, merece reforma, pois, ao alargar o conceito de insumos previsto no art. 3º da Lei nº 10.637/2002, c/c o disposto na IN SRF nº 247/2002, em razão de uma interpretação equivocada, acabou criar dispensa de pagamento de tributo não prevista em lei. Por este motivo, deve ser mantida a decisão de primeira instância a qual analisou a questão sob o prisma correto, mantendose todas as glosas ali ratificadas. Compulsando os autos, verifico que Contribuinte dedicase ao segmento de exploração jazida de ouro e minerais a céu aberto, contendo uma usina de beneficiamento e uma área de rejeitos minerais, além da infraestrutura superficial. A mina a céu aberto "Morro do Ouro" tem o menor teor aurífero do mundo com uma média de 0,40 gramas de ouro por tonelada de minério. A empresa investe permanentemente em tecnologias de extração que viabilizam as operações em Paracatu, assegurando níveis médios de produção anual de até 15 toneladas. Todo processo produtivo é monitorado de acordo com padrões de segurança, incluindo a utilização de insumos importantes para o processo produtivo. Desde o início dos anos 2000, a Contribuinte tem respondido por parte significativa da produção e das exportações brasileiras de ouro, respectivamente, entre 15% e 20%, em média, dos totais produzido e exportado. Fl. 811DF CARF MF Processo nº 13609.720561/201010 Acórdão n.º 9303005.290 CSRFT3 Fl. 15 14 A atividade de mineração extrativa é considerada complexa, em razão da demanda de uso de maquinário pesado, necessitando de reposição de peças e de manutenção constantes para manter o bom funcionamento do processo de produção. Neste sentido, para fixar minhas razões de decidir, considero o Parecer técnico referente ao processo de produção apresentando pela contribuinte, o qual se demonstra o seguinte: "A Kinross Brasil Mineração S.A possui em sua planta industrial 39 máquinas "fora de estrada", da marca Caterpillar, os quais são usados no processo de extração e movimentação do material minerado. O ciclo de produção da Kinross Brasil iniciase através do desmonte das rochas, podendo ser através de explosivos ou do uso de máquinas e equipamentos, o que depende da consistência da massa de onde o minério será extraído. Posteriormente o material minerado é transportado à planta de beneficiamento, o que ocorre através de equipamentos "fora de estrada", em sua maioria, por variáveis que envolvem a situação do seu parque produtivo e de sua mina, ou por correrias transportadoras. Como se depreende, a movimentação dos veículos "fora de estrada" dentro do parque industrial da Kinross Brasil, incluindo da mina, é necessária, tanto para extração do minério quanto para o transporte do material para a área de beneficiamento. Em virtude dessas condições de trabalho a que são submetidas, as referidas máquinas sofrem desgastes tanto pelo contado direto com o minério, quanto pelo acionamento de suas engrenagens e comandos o que, conseqüentemente, ocasiona à Kinross Brasil grande gasto com a reposição de peças e partes destas máquinas". Como se observa, a Contribuinte tem por objeto a exploração jazida de ouro e minerais, seu processo produtivo consiste no desmonte de rochas, podendo ser por meio de explosivos ou do uso de máquinas e equipamentos pesados, o que faz a Contribuinte suportar todo custo referente a extração dos minerais. Como bem decidido pelo Acórdão Recorrido, o que penso de igual modo, tais atividades estão integradas ao processo produtivo, ademais, os dispêndios relativos ao aluguel de máquinas e equipamentos, partes, peças (retentores, porcas, parafusos, rolamentos, anéis, baterias etc.) e serviços de manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo, “serviços de monitoramento e controle do espaço”, “serviços de eletricidade”, “serviços de fabricação de engrenagens”, “recondicionamento de equipamento utilizado no processo produtivo”, “transporte rodoviário de insumos importados”, “reforma de cesto inox industrial”, “manutenção em peças dos Fl. 812DF CARF MF Processo nº 13609.720561/201010 Acórdão n.º 9303005.290 CSRFT3 Fl. 16 15 britadores” e “transporte de argila”, desde que não acarretem acréscimo de vida útil superior a um ano aos equipamentos e máquinas em que aplicados e (iv) encargos de depreciação e amortização de bens do ativo imobilizado (máquinas e equipamentos imobilizados e edificações e benfeitorias) geram direito a crédito de COFINS não cumulativa, por serem extremamente essenciais ao processo produtivo. Nesta toada, penso que o termo "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento da COFINS não cumulativa, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI. Considero que tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, entendo para que se mantenha o equilíbrio normativo, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Neste sentido, a Lei nº 10.833, de 2003, aplicável à COFINS não cumulativa, disciplina a matéria nos seguintes termos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; Fl. 813DF CARF MF Processo nº 13609.720561/201010 Acórdão n.º 9303005.290 CSRFT3 Fl. 17 16 § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãode obra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. Deste modo, o conteúdo contido na Lei nº 10.833, de 2003, pode ser interpretada de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de COFINS, no regime não cumulativo. Por outro lado, discordo do conceito de insumo guerreado pela Fazenda Nacional, considerando a utilização do critério do IPI para fins de analise ao direito a crédito da referida contribuição. Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 814DF CARF MF Processo nº 13609.720561/201010 Acórdão n.º 9303005.290 CSRFT3 Fl. 18 17 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto do ilustre relator, mas discordo de suas conclusões. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade previstos nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Como visto o relator aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso do contribuinte é quanto a possibilidade de manutenção de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins sobre os itens assim denominados: "Supervisão Técnica, fabricação de caixas, etc". No Acórdão recorrido negouse o aproveitamento do crédito em razão da falta de comprovação de sua imprescindibilidade ao processo de produção. Abaixo trecho do voto: (...) Quanto aos demais itens (“supervisão técnica”, “fabricação de caixas” etc.), dada a sua generalidade ou a ausência de demonstração de sua imprescindibilidade ao funcionamento do fator de produção, concluise pela manutenção da glosa efetuada pela Fiscalização. (...) Fl. 815DF CARF MF Processo nº 13609.720561/201010 Acórdão n.º 9303005.290 CSRFT3 Fl. 19 18 O contribuinte, por sua vez, pede a reversão desta glosa, em seu Recurso Especial, não pela demonstração da necessidade de referidos itens no processo produtivo, mas fazendo uma defesa mais ampla do que se entende por insumos na não cumulatividade do PIS e da Cofins. Nesse sentido também transcrevo trecho do seu recurso especial: Veja que o contribuinte não contestou especificamente a conclusão do acórdão recorrido de que não havia provas da imprescindibilidade de referidos itens no processo produtivo. Nesse sentido, não havendo elementos da essencialidade dos itens ao processo produtivo, nem utilizando o conceito de insumos adotado pelo ilustre relator, penso que não poderia admitir estes créditos. Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da essencialidade, adotado pelo relator. Nesse sentido, importante transcrever os artigos da legislação que tratam do creditamento de PIS e Cofins. Transcrevo somente os artigos da Lei 10.833/2003, da Cofins, pois repetem basicamente o que dispõe a Lei 10.637/2002 do PIS. Lei 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no Fl. 816DF CARF MF Processo nº 13609.720561/201010 Acórdão n.º 9303005.290 CSRFT3 Fl. 20 19 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição custos com bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens destinados a venda. No presente caso, em momento algum, o recorrente demonstrou que as despesas incorridas com "supervisão técnica", "fabricação de caixa", "etc" (não especificadas) são imprescindíveis ao seu processo produtivo. Sequer demonstrou e comprovou que foram realizadas dentro do parque industrial. Observe que não há um mínimo de resposta ao que se entende por "supervisão ténica". Seria um serviço comprado de terceiros, já que não existe previsão legal para creditamento de salários ou mãodeobra. Qual a destinação desse serviço? O mesmo se aplica aos serviços de fabricação de caixa e "etc". O contribuinte não se ocupou em demonstrar sequer sua essencialidade, caso se adotasse este conceito no presente voto, o que não é o caso. Dessa forma, não tendo a recorrente demonstrado que as referidas despesas são imprescindíveis à fabricação/venda de seus produtos mantémse as glosas dos créditos da contribuição, efetuadas pela autoridade administrativa. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 817DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.720023/2008-97
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003, 2004
PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Na presunção legal há que se fazer prova do fato indiciário, no caso, a não apresentação de documentação hábil e idônea apta a comprovar a origem dos depósitos bancários. Demonstrando-se a ocorrência do fato indiciário, consuma-se o fato indiciado, a omissão de receitas. Sendo a presunção relativa, pode ser desconstituída, mediante apresentação de prova direta apta a se contrapor ao fato indiciário.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A omissão do fiscalizado em apresentar a comprovação da origem do recurso creditado em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, constitui-se em fato indiciário da presunção legal. Nesse contexto, não dá ensejo, por si só, ao agravamento da multa de ofício em razão de falta de atendimento de intimações.
Numero da decisão: 9101-002.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. Na presunção legal há que se fazer prova do fato indiciário, no caso, a não apresentação de documentação hábil e idônea apta a comprovar a origem dos depósitos bancários. Demonstrandose a ocorrência do fato indiciário, consumase o fato indiciado, a omissão de receitas. Sendo a presunção relativa, pode ser desconstituída, mediante apresentação de prova direta apta a se contrapor ao fato indiciário. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A omissão do fiscalizado em apresentar a comprovação da origem do recurso creditado em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, constituise em fato indiciário da presunção legal. Nesse contexto, não dá ensejo, por si só, ao agravamento da multa de ofício em razão de falta de atendimento de intimações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 00 23 /2 00 8- 97 Fl. 2296DF CARF MF Processo nº 13227.720023/200897 Acórdão n.º 9101002.992 CSRFT1 Fl. 2.297 2 (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (efls. 2268/2275) em face da decisão proferida no Acórdão nº 1402001.000 (efls. 2259/2265), pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 12/04/2012, no qual foi negado provimento ao recurso de ofício. Resumo Processual A autuação fiscal (efls. 361/402), relativa aos anoscalendário de 2003 e 2004, trata de uma única infração tributária, a saber, a omissão de receitas, presumida pela existência de depósitos bancários de origem não comprovada. O lançamento de IRPJ se deu a partir do lucro real trimestral e a multa de ofício foi agravada (112,5%). A Contribuinte apresentou impugnação (efls. 470/479), que foi julgada procedente em parte na primeira instância (DRJ), em que foi exonerado o agravamento da multa de ofício, reduzindoa ao patamar de 75% (efls. 595/605). A exoneração parcial deu ensejo a recurso de ofício. A contribuinte não apresentou recurso voluntário. A turma ordinária do CARF negou provimento ao recurso de ofício, ratificando a exoneração do agravamento da multa de ofício (efls. 2259/2265). Foi interposto recurso especial pela Fazenda Nacional (efls. 2268/2275), admitido em despacho de exame de admissibilidade (efls. 2278/2285). A contribuinte não apresentou contrarrazões nem recurso especial. A seguir, maiores detalhes sobre a autuação fiscal e a fase contenciosa. Da Autuação Fiscal. O Termo de Verificação de Infração TVI (efl. 352/360) informa, em síntese: Fl. 2297DF CARF MF Processo nº 13227.720023/200897 Acórdão n.º 9101002.992 CSRFT1 Fl. 2.298 3 A ação fiscal foi motivada pela existência de grande discrepância entre a receita bruta declarada e o montante da movimentação financeira da contribuinte; A auditoria teve início em 22/01/2007, quando foi lavrado o Termo de Início da Fiscalização intimando o sujeito passivo a apresentar, relativamente aos anos calendário 2003 e 2004: 1) cópia autenticada dos atos constitutivos e suas alterações; 2) Livro Diário e Livro Razão ou Livro Caixa; 3) Livro Registro de Entrada de Mercadorias; 4) Livro Registro de Saídas de Mercadorias; 5) Livro Registro de Inventário; 6) Extratos bancários da movimentação financeira de todas as contas bancárias mantidas pelo contribuinte junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior; Em 06/03/2007, foi lavrado Termo de Reintimação Fiscal solicitando novamente os documentos demandados no Termo de Início da Fiscalização, haja vista que, decorrido o prazo fixado no mesmo, o sujeito passivo não atendeu ao requerido. Em resposta, a contribuinte pediu mais prazo para apresentar os documentos requeridos, tendolhe sido concedido mais trinta dias; Em 02/05/2007, já além do prazo prorrogado, a contribuinte apresentou seu contrato social e alterações e os Livros Diário, Razão, de Registro de Entrada, de Saída e de Inventário; Em 22/05/2007 foi lavrado novo Termo de Intimação Fiscal em que foram novamente requeridos os extratos bancários da contribuinte, bem como a escrituração contábil e fiscal das suas filiais; Em 11/06/2007, a contribuinte respondeu afirmando que não houve qualquer atividade operacional, não operacional, financeira ou patrimonial em suas filiais. Novamente, deixou de apresentar os extratos requeridos, o que levou à emissão de Requisição de Movimentação Financeira junto às instituições financeira; Em 23/07/2007, foi lavrado Termo de Intimação Fiscal em que a contribuinte foi intimada a comprovar a origem dos depósitos a crédito de suas contas bancárias, conforme relação lá anexada. A intimação não foi respondida; A contribuinte foi reintimada cinco vezes a apresentar a referida comprovação, mas não apresentou resposta. Foi tipificada a infração prevista no art. 287 do RIR/99 (presunção de omissão de receitas) para o IRPJ (efls. 361/373), cuja base legal é o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. A apuração se deu conforme o regime de tributação do lucro real trimestral. A multa de ofício foi agravada, atingindo o patamar de 112,5%. Os lançamentos de PIS/Pasep (efls. 374/383), de Cofins (efls. 384/394) e de CSLL (efls. 395/402) foram realizados como decorrência dos mesmos fatos que fundamentaram o lançamento do IRPJ. Da Fase Contenciosa. A contribuinte apresentou impugnação (efls. 470/479), que foi julgada procedente em parte pela 1ª Turma da DRJ/Belém, para exonerar o agravamento da multa de ofício, nos termos do Acórdão nº 0112.205 (efls. 595/605), conforme a ementa a seguir. Fl. 2298DF CARF MF Processo nº 13227.720023/200897 Acórdão n.º 9101002.992 CSRFT1 Fl. 2.299 4 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 Ementa: DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. PRESUNÇÃO JÚRIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal júris tantum inverte o ônus da prova. Nesse caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. A autoridade fiscal encontrase limitada ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de ultrapassar tais restrições para examinar questões que neguem a eficácia da norma. MULTA AGRAVADA. A falta de comprovação dos depósitos bancários é uma hipótese de incidência da infração de omissão de receita, tipificada no art. 42 da Lei n° 9.430/96, não podendo servir, portanto, de fundamentação para o agravamento da multa aplicada sobre essa mesma infração. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. A exoneração parcial do crédito tributário deu ensejo a recurso de ofício. A contribuinte não interpôs recurso voluntário. A decisão de segunda instância (efls. 2259/2265) negou provimento ao recurso de ofício, ratificando a exoneração do agravamento da multa de ofício, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: Imposto Sobre a Renda Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 AGRAVAMENTO DA MULTA. HIPÓTESE EM QUE OS DADOS SOLICITADOS JÁ ESTÃO EM PODER DO FISCO. IMPOSSIBILIDADE DE AGRAVAMENTO DA MULTA COM BASE NO ARGUMENTO DE QUE O CONTRIBUINTE NÃO FORNECEU OS DADOS SOLICITADOS. Fl. 2299DF CARF MF Processo nº 13227.720023/200897 Acórdão n.º 9101002.992 CSRFT1 Fl. 2.300 5 O agravamento da multa constituise em sanção ao sujeito passivo, aplicáveis nas hipóteses em que este deixar de prestar informações ou esclarecimentos necessários ao trabalho da autoridade fiscal. Contudo, tais esclarecimentos devem ser necessários e pertinentes à ação fiscal. E incabível o lançamento da multa agravada nas situações em que a autoridade fiscal já disponha dos elementos necessários ao lançamento, como ocorre, por exemplo, nos casos de omissão caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada ou de omissão resultante da diferença entre os registros constantes na DIPJ e nos livros de apuração de ICMS, cuja movimentação e registros já estão em poder da autoridade fiscal em razão de requisição ao sistema financeiro ou de convênio com o fisco estadual. No caso dos autos, ao iniciar o procedimento fiscal, a autoridade já tinha conhecimento dos registros do ICMS da contribuinte. Assim, o fato da recorrente não ter encaminhado à autoridade documento ou informação de que ela já dispunha não enseja o agravamento da multa. A consequência da omissão é a presunção de omissão de receita com multa de 75%, sendo incabível o agravamento desta. (Precedente ac. 140200.872. Jul. 31 de janeiro de 2012.) Foi interposto recurso especial pela Fazenda Nacional (efls. 2268/2275), em que esta apresentou divergência jurisprudencial quanto ao agravamento da multa de ofício. Para tanto, foram apresentados como paradigmas da divergência os Acórdãos nº 10613.502 e n°10248.549, cujas ementas estão a seguir transcritas, naquilo que interessa ao feito: Acórdão n° 10613.502: MULTA AGRAVADA Cabível o agravamento de 112,5% no percentual da multa de lançamento de ofício quanto comprovado que o sujeito passivo não atendeu ás intimações fiscais para a apresentação de informações relacionadas com as atividades do fiscalizado. Acórdão n°10248.549: MULTA AGRAVADA Nos termos da legislação em vigor, o desatendimento ás intimações fiscais dá ensejo ao agravamento de ofício para 112,50%, conforme os termos do art. 44, § 2° da Lei 9.430/1996. O Despacho de Exame de Admissibilidade (efls. 2278/2285) deu seguimento ao recurso e a contribuinte não apresentou contrarrazões. Devidamente cientificada, a contribuinte não interpôs recurso especial. É o relatório. Fl. 2300DF CARF MF Processo nº 13227.720023/200897 Acórdão n.º 9101002.992 CSRFT1 Fl. 2.301 6 Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Em relação à admissibilidade, adoto as razões do Despacho de Admissibilidade de efls. 2278/2285, com fulcro no art. 50, §1º da Lei n° 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, para conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, que questiona a exoneração do agravamento da multa de ofício, realizado com fundamento no art. 44, §2º, da Lei n° 9.430, de 1996. Passo ao exame do mérito. A questão trazida a esse Colegiado diz respeito à melhor interpretação a ser adotada, no presente processo, do disposto no §2º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que tem a seguinte redação: § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) A fiscalização fundamentou o agravamento da multa de ofício da seguinte maneira (efls. 360): O contribuinte, intimado desde o Termo de Intimação Fiscal n° 271/2007, de 23 de julho de 2007, a identificar e comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos lançados a crédito nas contascorrentes de titularidade do contribuinte, reintimado pelos termos 291/2007, 315/2007, 326/2007, 002/2008 e 011/2008, não apresentou qualquer resposta desde então, caracterizando o inciso I do §2o do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ensejando a aplicação de multa de ofício de 112,5% sobre os tributos e contribuições lançados. Diante dos autos, a decisão recorrida foi no sentido de afastar o agravamento da multa, com o seguinte fundamento (efl. 2264): Do texto acima transcrito depreendese de que o agravamento da multa constituise em sanção ao sujeito passivo, aplicáveis nas hipóteses em que este deixar de prestar informações ou esclarecimentos necessários ao trabalho da autoridade fiscal. Há que se registrar, contudo, que tais esclarecimentos devem ser necessários e pertinentes à ação fiscal, sendo incabível o agravamento da multa nas situações em que a autoridade fiscal já disponha dos elementos necessários ao lançamento, como ocorre, por exemplo, nos casos de omissão caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada ou de omissão resultante da diferença entre os registros constantes na DIPJ e nos livros de apuração de ICMS, cujos registros e movimentação Fl. 2301DF CARF MF Processo nº 13227.720023/200897 Acórdão n.º 9101002.992 CSRFT1 Fl. 2.302 7 já estão em poder da autoridade fiscal em razão de requisição ao sistema financeiro ou de convênio com o fisco estadual. No caso dos autos, a autoridade fiscal, ao iniciar o procedimento, já tinha conhecimento da movimentação financeira do sujeito passivo. Assim, o fato da autuada não ter entregue os livros contábeis, os quais informou não possuir, ou deixado de responder as intimações para comprovar a origem dos depósitos bancários não se constitui em causa para o agravamento. Neste sentido, além da precisa fundamentação constante do acórdão recorrido, cuja ementa, na parte que interessa já foi transcrita quando do relatório, este colegiado, na sessão de 31 de janeiro do corrente ano. por unanimidade, decidiu no seguinte linha: Vêse que a decisão recorrida entendeu que as intimações não respondidas pela contribuinte eram desnecessárias, uma vez que a fiscalização já possuía as informações requeridas. Não compartilho do entendimento proferido pela decisão a quo, pelo qual "a autoridade fiscal, ao iniciar o procedimento, já tinha conhecimento da movimentação financeira do sujeito passivo". Ora, a fiscalização conhecia apenas o montante da movimentação financeira da contribuinte quando iniciou a ação fiscal, conforme relatado no TVI supracitado. Não se pode confundir o montante da movimentação financeira, que é um valor absoluto, com a própria movimentação financeira, que é um conjunto de operações de débitos e créditos em uma ou mais contas bancárias, em tempos e valores distintos. De qualquer forma, acompanho o encaminhamento da decisão recorrida por outros fundamentos. Observase que a contribuinte atendeu à intimação inicial da ação fiscal fora do prazo estipulado, apesar de terlhe sido concedido um prazo adicional e apesar de ter havido uma reintimação, cujo prazo também não foi atendido. Em tese, tal situação seria motivo suficiente para o agravamento da multa de ofício, uma vez que a norma tributária em tela apresenta requisitos de ordem objetiva: cabe a penalidade pelo não atendimento pelo sujeito passivo no prazo marcado para prestar esclarecimentos, apresentar arquivos ou sistemas ou apresentar documentação comprobatória. Ademais, a contribuinte não apresentou a escrituração contábil e fiscal de suas filiais, apesar de ter sido intimada para isso. Contudo, o caso em tela trata de infração relativa à presunção de omissão de receitas decorrente da não comprovação da origem dos depósitos bancários. Na presunção legal há que se fazer prova do fato indiciário, no caso, a não comprovação da origem dos depósitos bancários mediante apresentação de documentação hábil e idônea. Demonstrandose a ocorrência do fato indiciário, consumase o fato indiciado, a omissão de receitas. Sendo a presunção relativa, pode ser desconstituída, mediante apresentação de prova direta apta a se contrapor ao fato indiciário. Repito: é precisamente a falta de apresentação de documentação probatória a essência do fato indiciário da presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 2302DF CARF MF Processo nº 13227.720023/200897 Acórdão n.º 9101002.992 CSRFT1 Fl. 2.303 8 Ocorre que o não atendimento às intimações foi também a motivação para o agravamento da multa de ofício (112,5%), como se pode observar no Termo de Verificação de Infração (efl. 360): O contribuinte, intimado desde o Termo de Intimação Fiscal nº 271/2007, de 23 de julho de 2007, a identificar e comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos lançados a crédito nas contascorrentes de titularidade do contribuinte, reintimado pelos termos 291/2007, 315/2007, 326/2007, 002/2008 e 011/2008, não apresentou qualquer resposta desde então, caracterizando o inciso I do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ensejando a aplicação da multa de ofício de 112,5% sobre os tributos e contribuições lançados. Tratase de situação em que entendo não ser aplicado o agravamento. A apuração do fato indiciado da presunção legal deu ensejo à infração tributária, e não pode ser considerado um plus na conduta da contribuinte apto a fundamentar o agravamento da multa. A fiscalização está obrigada a dar oportunidade ao contribuinte a esclarecer a origem do depósito bancário apontado. Por outro lado, o contribuinte só pode dar esse esclarecimento quando ele existir. Se não atender a intimação, consumarse a hipótese de incidência da presunção legal. Entender ao contrário implica em aplicar sempre a multa agravada quando for tipificada a presunção de omissão de receitas decorrente da não comprovação mediante documentação hábil e idônea dos depósitos bancários. Com certeza, esse não é o espírito do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. O caso guarda analogia com aquele tratado pela Súmula CARF nº 96. Apesar de discorrer sobre o arbitramento, concretiza o mesmo raciocínio, ao predicar que a falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 2303DF CARF MF Processo nº 13227.720023/200897 Acórdão n.º 9101002.992 CSRFT1 Fl. 2.304 9 Fl. 2304DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.900300/2013-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/09/2012
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.724
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 03 00 /2 01 3- 02 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10830.900300/201302 Acórdão n.º 3301003.724 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.758, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10830.900300/201302 Acórdão n.º 3301003.724 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10830.900300/201302 Acórdão n.º 3301003.724 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10830.900300/201302 Acórdão n.º 3301003.724 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10830.900300/201302 Acórdão n.º 3301003.724 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10830.900300/201302 Acórdão n.º 3301003.724 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10830.900300/201302 Acórdão n.º 3301003.724 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10830.900300/201302 Acórdão n.º 3301003.724 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 178DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.728066/2013-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2013
NULIDADE. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OFENSA AO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E DO CONTRADITÓRIO. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado ao contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente.
MULTA ISOLADA QUALIFICADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. FALSIDADE NAS DECLARAÇÕES. CABIMENTO.
Correta a aplicação da multa prevista no art. 18, § 2º da Lei nº 10.833/2003, quando for negada homologação às compensações declaradas e for caracterizada falsidade nas declarações apresentadas.
Numero da decisão: 1301-002.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votaram por dar provimento parcial ao recurso para reduzir a penalidade para o percentual de 50%. Designada Conselheira Milene de Araújo Macedo para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator.
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flavio Franco Correa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araujo Macedo e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OFENSA AO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E DO CONTRADITÓRIO. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado ao contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente. MULTA ISOLADA QUALIFICADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. FALSIDADE NAS DECLARAÇÕES. CABIMENTO. Correta a aplicação da multa prevista no art. 18, § 2º da Lei nº 10.833/2003, quando for negada homologação às compensações declaradas e for caracterizada falsidade nas declarações apresentadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votaram por dar provimento parcial ao recurso para reduzir a penalidade para o percentual de 50%. Designada Conselheira Milene de Araújo Macedo para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 80 66 /2 01 3- 51 Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10166.728066/201351 Acórdão n.º 1301002.505 S1C3T1 Fl. 520 2 (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flavio Franco Correa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araujo Macedo e Roberto Silva Junior. Relatório Cuida o presente processo de exigência de ofício da penalidade qualificada, de 150%, no valor de R$ 5.957.836,94 (conforme fls. 3 dos autos), com fulcro no artigo 18 e seu § 2º, da Lei n° 10.833/2003, com a redação da Lei n° 11.488/2007. Conforme se depreende do detalhamento da autuação fiscal às fls. 04/07, a infração decorre da compensação indevida emitida pelo contribuinte, a qual teve o objetivo de compensar débitos diversos, que somam R$ 3.971.891,29, com suposto crédito de saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2009. Ocorre que, no referido anocalendário de 2009 o contribuinte foi optante pelo Lucro Presumido, conforme consta na DIPJ 2010, sendo defesa a compensação pleiteada. A infração se deu com a transmissão da declaração por terceiro autorizado, em 08/08/2001. Ainda, conforme às fls. 75/76, o contribuinte reconheceu que não tem ciência de nenhum crédito a ser restituído ou compensado, bem como desconhece o procedimento adotado por seu exempregado, ao transmitir a PER/DCOMP em referência. Vejamos as descrições dos fatos do auto de infração e seus desdobramentos, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão prolatado pela 2ª Turma da DRJ/RJO (fls. 184/185): 1.2. A qualificação da penalidade se lastreou na transmissão de PER/DCOMP n° 29783.13413.080811.1.3.023630 em 08/08/2011, por pessoa devidamente habilitada, amparada a pretendida compensação nos aludidos créditos inexistentes. 1.2.1. Nos autos do processo n° 10166.725948/201365, acostado por cópia ao presente (processo n° 10166.728068/201341, de 19/09/2013), o sujeito passivo foi intimado em 06/03/2012, fls. 68 a retificar a DIPJ correspondente ou o PER/DCOMP, e, intimado em 29/07/2013 e reintimado a apresentar os comprovantes das retenções constantes do mesmo PER/DCOMP, fls. 71, permanecendo omisso. Apenas em 04/09/2013, alegou tentar fazer o cancelamento da PER/DCOMP sendo impedido pelo sistema de processamento de dados desta Receita Federal. 1.2.2. No despacho decisório que motivou a não homologação da pretendida compensação, ante os fatos relatados, deles constante, fls. 10/20 do presente feito (fls. 102/112 do processo n° 10166.728068/201341), a autoridade decisória Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10166.728066/201351 Acórdão n.º 1301002.505 S1C3T1 Fl. 521 3 expressamente determinou a imposição da penalidade qualificada, objeto destes autos. 2. Ciente da exigência por AR em 31/10/2013, fls. 67, e recebido cópia integral do presente feito em 05/11/2013, fls. 61, o sujeito passivo acostou aos autos a impugnação de fls. 71/100, protocolada em 27/11/2013, por meio da qual alega, em síntese: 2.1. a exigência do Mandato de Procedimento Fiscal como fundamento da legalidade e legitimidade do procedimento fiscal que redundou na autuação, conforme legislação e normas administrativas que regeriam a matéria, reproduzida nos autos, fls. 73/74 e 76/84; 2.1.1. a prévia exigência de MPF seria corroborada por decisões judiciais, igualmente reproduzidas nas alegações impugnatórias, fls. 86 e 88; 2.1.2. a ausência de cópia do MPF redundaria em nulidade processual por cerceamento do direito de defesa, conforme art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72 e art. 2º da Lei n° 9748/93; 2.2. desrespeito ao art. 9° do Decreto n° 70.235/72 por inexistência nos autos de comprovação da compensação que originou a autuação; 3. No mérito se insurge contra a penalidade isolada, dada inexistência de prova de conluio ou fraude, e, a seu entendimento, possuir caráter confiscatório conforme artigo 150, IV, da Constituição de 1988 e RE640452, do STF, citado nos autos, fls. 95. 3.1. No contexto alega que a coibição do art. 82 da IN n° 900/2008 não tem envergadura de lei e não pode minimizar ao direito de petição; mesmo porque, ao indeferir o cancelamento da PER/DCOMP a autoridade administrativa suscitou a penalidade em total descompasso com fatos e direitos requeridos pela impugnante. A DRJ, ao analisar a impugnação de fls 185/188, julgou procedente o lançamento fiscal, retificando a exigência da penalidade imputada. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 195/231 e 234/243), no qual repisa os argumentos da Impugnação e contesta os motivos que levaram à DRJ a julgar seu pedido improcedente. Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. Voto Vencido Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. Primeiramente, impende registrar que o Recurso Voluntário é tempestivo, razão pela qual dele conheço. DA NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10166.728066/201351 Acórdão n.º 1301002.505 S1C3T1 Fl. 522 4 O contribuinte aponta irregularidade no procedimento fiscal, a saber: ausência de cópia integral do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) no processo. Nesse sentido, o contribuinte alega ser impossível a verificação da legalidade e legitimidade do procedimento fiscal em comento. Ainda, aduz que inexiste senha à sua disposição para a realização da consulta perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil. Dessa maneira, concluiu que teve seu direito de ampla defesa e contraditório cerceado, ante a ausência da cópia do inteiro teor do MPF, o que caracteriza infração quanto à inobservância ao princípio da legalidade, pois estaria impedida de analisar todos os elementos que lhe são imprescindíveis. Ademais, cita o Decreto nº 6.104/07, o qual diz que o procedimento fiscal, por parte da Secretaria da Receita Federal, se dará por força de Mandado de Procedimento Fiscal, bem como estabelece as informações essenciais para sua expedição. Ainda, cita a Portaria RFB nº 3.014/2011, a qual dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de seus procedimentos. Por fim, cita algumas jurisprudências. Diante disso, requer a nulidade do feito sob o argumento da preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, II do Decreto nº 70.235/72. Nesse ponto, a decisão recorrida rebate a alegação do contribuinte no que tange aos objetivos e limites do MPF, uma vez que se trata de instrumento de controle operacional da Receita Federal, não sendo impeditivo ao procedimento fiscal, sobretudo, por ser indiscutível a competência legal do auditor fiscal para atuar em procedimentos fiscais, bem como lavrar auto de infração, nos termos legais. Outrossim, é equivocada a alegação de que a inexistência de MPF implicaria em cerceamento do direito de defesa. Apenas em decorrência de sua execução seria configurada ou não, a exigência tributária, objeto do processo administrativo a que alude o art. 5º, LV, da CF/88. Não bastasse tais considerações, cumpre mencionar que o MPF atrelado aos autos, consta, expressamente, do auto de infração à fls. 3, bem como de fácil verificação eletrônica pelo sujeito passivo perante a Receita Federal. Adicionalmente, as jurisprudências citadas dizem respeito exclusivamente ao contraditório e ao direito de defesa ante uma exigência administrativa. No caso em comento, o contribuinte atestou o recebimento integral do feito, conforme fls. 61. Logo, teve amplo conhecimento dos fundamentos legais e materiais da exação fiscal. Dessa maneira, concluiu que a fiscalização pode examinar a qualquer tempo o cumprimento das obrigações fiscais relativas a períodos não decaídos, desde que devidamente autorizada. Adicionalmente, explanou que a origem do lançamento fiscal ocorreu devido a pretensão compensatória de iniciativa do contribuinte, por meio do PER/DCOMP n° 29783.13413.080811.1.3.023630, o que carece o argumento da inexistência nos autos da comprovação da compensação, bem como da alegação de descumprimento do art. 11, IV, do Decreto nª 70.235/72, por não se tratar de notificação fiscal, mas de autuação fiscal. Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10166.728066/201351 Acórdão n.º 1301002.505 S1C3T1 Fl. 523 5 Pois bem, entendo que deve ser mantida a decisão da DRJ nesse ponto, conquanto não restou demonstrado o cerceamento de defesa que ensejasse a nulidade do presente feito. Cumpre ressaltar por oportuno que o MPF representa mero instrumento de controle administrativo, e que quaisquer irregularidades em relação ao aspecto meramente formal do MPF não tornariam nulo o lançamento conforme jurisprudência deste Colegiado. Confirase: Mandado de Procedimento Fiscal — Ausência. Com efeito, não obstante o fato de que o Mandado de Procedimento Fiscal representa mero instrumento de controle administrativo, não implicando nulidade do lançamento a eventual irregularidade relacionada com a sua emissão, (...) a existência do Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização n° 01.2.01.00.2004.00027 0, no qual está prevista a realização das denominadas "verificações obrigatórias", representadas pelo confronto entre os valores declarados e os apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos últimos cinco anos e no período de execução do procedimento fiscal. Portanto, nos exatos termos do parágrafo primeiro do art. 7° da Portaria SRF n° 3.007, de 2001, (acórdão n° 10515.952 Relator Wilson Fernandes Guimarães) Destaco que o posicionamento adotado pelo Ilustre Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães está em consonância com o meu entendimento sobre a matéria e com a posição mais recente adotada por este Colegiado. Ademais, ressaltase que foram capituladas, bem como foram descritos os motivos que levaram o agente fiscal a aplicar a penalidade em tela, dando a Recorrente o conhecimento do objeto da autuação fiscal. Portanto, não foi vislumbrada as hipóteses de nulidade dos atos e termos lavrados, de acordo com o art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Destarte, o auto de infração se serviu de todos os requisitos formais exigidos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não invalidando o exercício da ampla defesa no processo. Dessa maneira, os argumentos alegados pela contribuinte não devem prosperar, não restando comprovado o prejuízo à defesa do contribuinte. Assim, julgo no sentido de não acatar a preliminar de nulidade argüida pela Recorrente. NO MÉRITO A Fiscalização concluiu pela falsidade da declaração apresentada pelo contribuinte e aplicou a multa prevista do art. 18, caput e §2º, da Lei nº 10.833/2003 pelos seguintes motivos, a saber: 1. o crédito pleiteado na DCOMP n° 29783.13413.080811.1.3.023630 seria de saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário 2009, apurado pelo Lucro Real. Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10166.728066/201351 Acórdão n.º 1301002.505 S1C3T1 Fl. 524 6 Entretanto, no anocalendário de 2009, a contribuinte foi optante pelo Lucro Presumido, conforme verificado na DIPJ 2010. Ademais, o sujeito passivo apurou, na DIPJ 2010 – Ficha 14A, imposto de renda a pagar nos quatro trimestres de 2009; 2. A contribuinte compensou, na DCOMP de n° 29783.13413.080811.1.3.02 3630, dentre outros débitos, débitos de IRPJ referentes ao 1° Trimestre de 2009, ao 2° Trimestre de 2009, ao 3° Trimestre de 2009 e ao 4° Trimestre de 2009. Ou seja, o sujeito passivo apurou IRPJ a pagar nos quatro trimestres de 2009 e compensou estes débitos com suposto saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2009; 3. Na Declaração de Compensação em tela, a requerente informa que o suposto saldo negativo seria originário de três retenções de IRPJ na fonte, sob código de receita 5204, que somam R$ 3.971.891,32. Entretanto, verificouse em DIRF que a contribuinte foi beneficiária de retenções que totalizam apenas R$ 115.754,79 no anocalendário de 2009. Ademais, não consta nenhuma retenção efetuada sob código de receita 5204, nem por um dos CNPJ indicados como fontes pagadoras das referidas retenções. Intimada, e reintimada, a contribuinte não apresentou nenhum comprovante das retenções que originaram o crédito pleiteado, nem sequer se manifestou acerca de tais retenções; 4. A contribuinte, intimada, alega desconhecer o crédito pleiteado; 5. A DCOMP n° 29783.13413.080811.1.3.023630 foi transmitida por terceiro autorizado pela contribuinte em 08/08/2011, dentro do período de validade da procuração eletrônica outorgada; 5. A contribuinte, intimada, alega desconhecer o crédito pleiteado. Todavia, a Recorrente entende que não faz jus à multa de 150% sobre o crédito tributário, uma vez que não restou comprovado a ação dolosa e o intuito de fraude em sua conduta. Isso porque, tentou proceder ao cancelamento da declaração, embora fosse impedida pelo sistema da receita, por ter sido ulterior à intimação da empresa para que esta apresentasse os documentos comprobatórios quanto ao direito à compensação, por força do art. 82, parágrafo único da IN nº 900/2008. Ainda, apresentou petição informando que admitiu a não existência do crédito tributário, de forma a reconhecer a falha cometida, o que demonstraria, em última instância, a sua boafé. Primeiramente, ante a alegação do caráter confiscatório da multa, entendo que esta não merece prosperar, senão vejamos: Pois bem, vejamos a capitulação legal que orientou a multa qualificada imputada pelo fiscal autuante, a qual enquadrou a conduta do contribuinte como falsidade de declaração e imputou o agravamento de multa, in verbis: "Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10166.728066/201351 Acórdão n.º 1301002.505 S1C3T1 Fl. 525 7 (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)" Entendo, contudo, que não restou caracterizada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação do contribuinte, sobretudo, por não prejudicar o lançamento fiscal, bem como pelo fato ser de conhecimento da autoridade fiscal. De plano, pois, afasto a possibilidade de sonegação, fraude ou conluio, pois tais práticas pressupõe dolo, nos termos dos arts. 70 a 73 da Lei nº 4.502/64. Ademais, inexiste vedação expressa aos procedimentos adotados pelo contribuinte, logo, não há que se falar em fraude à lei. Tal entendimento, é reforçado pelo fato do contribuinte ter pedido a desistência da declaração enviada em setembro de 2013, bem como pelo reconhecimento do erro cometido. Concluise, portanto, que no caso presente, o que restou demonstrado é a insubsistência da DCOMP transmitida, não havendo nenhuma comprovação no sentido de registros de documentos inidôneos ou fraudes em registros contábeis ou de qualquer natureza. Logo, ainda que a contribuinte possa ter realizado algum procedimento que se considere doloso, certamente não pode ser considerado uma conduta que "demonstre a existência de artifício doloso na prática da infração, ou que importe em agravar as suas conseqüências ou em retardar o seu conhecimento pela autoridade fazendária", conforme o artigo 68 da Lei nº 4.502/64. Em face do exposto, entendo que a qualificação da multa de ofício foi exacerbada, devendo ser reduzida a 50%, nos termos do art. 74, § 17, da Lei nº 9.430/1996. CONCLUSÃO Ante todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de darlhe parcial provimento ao Recurso Voluntário para reduzir a multa aplicada à 50%, art. 74, § 17, da Lei nº 9.430/1996. É como voto (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10166.728066/201351 Acórdão n.º 1301002.505 S1C3T1 Fl. 526 8 Voto Vencedor Conselheira Milene de Araújo Macedo, Redatora Designada. Em que pesem os argumentos efetuados pelo I. Conselheiro Relator, divirjo do seu voto relativamente à aplicação da multa qualificada de 150% prevista no art. 18, § 2º, da Lei nº 10.833/03. A aplicação da multa qualificada, prevista no art. 18, § 2º da Lei nº 10.833/03, restringese aos casos em que a nãohomologação da compensação tenha como motivo a comprovação da falsidade da declaração apresentada pela sujeito passivo. Veja a redação do referido dispositivo legal vigente à época dos fatos geradores: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Para todos os outros casos de compensação não homologada, aplicase a penalidade prevista no art. 74, § 17 da Lei nº 9.430/96, que assim dispõe: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) Fl. 526DF CARF MF Processo nº 10166.728066/201351 Acórdão n.º 1301002.505 S1C3T1 Fl. 527 9 No caso concreto, a recorrente defende a inaplicabilidade da multa de 150% face à não comprovação nos autos da ação dolosa e do intuito de fraude em sua conduta. Afirma que somente constatou a inexatidão da declaração, transmitida por profissional que não mais trabalhava na empresa, quando intimada para esclarecimentos e que o pedido de cancelamento da PER/DCOMP, apesar de impedido pelo sistema, revela o reconhecimento do erro e demonstra sua boafé. De fato, consta da autuação que, em 04/09/2013, a recorrente tentou efetuar o cancelamento da Declaração de Compensação transmitida em 08/08/2011, todavia, referido pedido não foi aceito pois foi realizado após a contribuinte ter sido intimada, em 29/07/2013, e reintimada, em 21/08/2013, a apresentar documentos comprobatórios e esclarecimentos acerca do crédito pleiteado. O início do procedimento do procedimento fiscal, nos termos do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72, afasta a espontaneidade do sujeito passivo: Art. 7 O procedimento fiscal tem início com: [...] § 1º O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Assim, considerando que o reconhecimento do erro e o conseqüente pedido de cancelamento da DCOMP somente foram realizados em setembro/2013, ou seja, há mais de dois anos do envio da DCOMP e sem espontaneidade, pois efetuados após a intimação para prestar esclarecimentos, tais atos não são hábeis a demonstrar a boafé recorrente. Ao contrário, a conduta dolosa e a falsidade da declaração apresentada, revelamse pelos seguintes fatos acertadamente apontados pela fiscalização na autuação: "* O Crédito pleiteado na DCOMP de n° 29783.13413.080811.1.3.023630 seria de saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário 2009, apurado pelo Lucro Real. Entretanto, no anocalendário de 2009, a contribuinte foi optante pelo Lucro Presumido, conforme verificado na DIPJ 2010. Ademais, o sujeito passivo apurou, na DIPJ 2010 Ficha 14A, imposto de renda a pagar nos quatro trimestres de 2009; * A contribuinte compensou, na DCOMP de n° 29783.13413.080811.1.3.02 3630, dentre outros débitos, débitos de IRPJ referentes ao 1o Trimestre de 2009, ao 2o Trimestre de 2009, ao 3o Trimestre de 2009 e ao 4o Trimestre de 2009. Ou seja, o sujeito passivo apurou IRPJ a pagar nos quatro trimestres de 2009 e compensou estes débitos com suposto saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2009; * Na Declaração de Compensação em tela, a requerente informa que o suposto saldo negativo seria originário de três retenções de IRPJ na fonte, sob código de receita 5204, que somam R$ 3.971.891,32. Entretanto, verificouse em DIRF que a contribuinte foi beneficiária de retenções que totalizam apenas R$ 115.754,79 no anocalendário de 2009. Ademais, não consta nenhuma retenção efetuada sob código de receita 5204, nem por um dos CNPJ indicados como fontes pagadoras das referidas retenções. Intimada, e reintimada, a contribuinte não Fl. 527DF CARF MF Processo nº 10166.728066/201351 Acórdão n.º 1301002.505 S1C3T1 Fl. 528 10 apresentou nenhum comprovante das retenções que originaram o crédito pleiteado, nem sequer se manifestou acerca de tais retenções; * A contribuinte, intimada, alega desconhecer o crédito pleiteado; * A DCOMP n° 29783.13413.080811.1.3.023630foi transmitida por terceiro autorizado pela contribuinte em 08/08/2011, dentro do período de validade da procuração eletrônica outorgada." Dessa forma, caracterizada a falsidade da Declaração de Compensação enviada, tenho por correta a decisão de primeira instância, que manteve o lançamento e nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 528DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.730153/2012-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
EMBARGOS INOMINADOS. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO E/OU ERRO MATERIAL.
Inexistindo omissão, obscuridade, contradição e/ou erro material no julgado, devem ser rejeitados os embargos inominados.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 2202-004.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos inominados.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO E/OU ERRO MATERIAL. Inexistindo omissão, obscuridade, contradição e/ou erro material no julgado, devem ser rejeitados os embargos inominados. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos inominados. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 73 01 53 /2 01 2- 12 Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Acórdão n.º 2202004.140 S2C2T2 Fl. 643 2 Relatório Tratase de Embargos Inominados opostos pela Delegacia da Receita Federal em Recife/PE às fls. 627/630, contra a Resolução nº 1301000.277, fls. 613/622, que foi assim relatado: "Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração de fls. 2 a 8, no qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF), relativamente ao ano calendário de 2007, no valor de R$ 13.967.968,63, acrescido de multa de lançamento de ofício (75%) e de juros de mora, calculados até 28/09/2012, perfazendo um crédito tributário total de R$ 31.651.416,91. 2.A ação fiscal foi iniciada por meio do termo de início de fls. 18 a 19, para apresentação de esclarecimentos e documentos relativos à situação fiscal no ano calendário de 2007, e às variações patrimoniais ocorridas junto à Administradora Baía Formosa S.A, CNPJ 08.104.051/000175, à Vale Verde Empresas Agrícolas Ltda, CNPJ 02.414.858/000128 e à Legacy Veículos Ltda, CNPJ 07.591.836/000157. 3. Conforme carta resposta de fls. 21 a 25, o contribuinte apresentou documentos, entre eles a 7ª (fls. 40 e 123 a 150) , a 11ª (fls. 63 a 74), a 12ª (fls. 75 a 85) e a 13ª (fls. 108 a 119), alterações contratuais da Vale Verde Empresas Agrícolas Ltda, a ata da assembléia geral da Administradora Baía Formosa de 30/06/2007 (fls. 99 a 107) e o contrato social da Legacy Veículos Ldta (fls. 151 a 166). De acordo com a 11ª alteração contratual da Vale Verde Empresas Agrícolas Ltda ocorrida em 28/06/2007, o capital social da empresa teria sido elevado de R$ 494.539,00 para R$ 107.593.000,00, sendo R$ 13.334.282,73 em razão da incorporação de reservas de capital e R$ 93.764.178,27 em razão da incorporação de lucros acumulados (fls. 65). Em razão da referida alteração, a participação societária do contribuinte, mantida no percentual de 99,7434%, teria sido elevada de R$ 493.270,00 para R$ 107.316.916,00 (fls. 65 a 66). 4. De posse da referida documentação a fiscalização emitiu o termo de constatação de fls. 167 em que relata ter havido, por meio de procedimento fiscal autônomo, a glosa do aumento do capital social da Vale Verde Empresas Agrícolas Ltda, no valor de R$ 93.764.178,27, entendendo assim deva haver o correspondente ajuste do valor da participação societária do contribuinte. 5. Em atendimento o fiscalizado forneceu os esclarecimentos de fls. 169 a 172, anexando a primeira folha do recurso voluntário interposto pela Vale Verde Empreendimentos Agrícolas Ltda (fls. 179) ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais contra a decisão de primeira instância administrativa proferida no Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Acórdão n.º 2202004.140 S2C2T2 Fl. 644 3 julgamento da ação fiscal levada a efeito sobre a empresa acima mencionadas. 6. A autoridade fiscal, então, lavrou o auto de infração de fls. 2 a 8, em virtude de ter sido constatada a seguinte infração, conforme descrita no relatório de encerramento de ação fiscal de fls. 187 a 190: 6.1 – ganho de capital na alienação de bens e direitos (omissão de ganho de capital no valor de R$ 93.119.790,90 no ano calendário de 2007 , fato gerador em 07/2007). 7. Cientificado do lançamento e não concordando com a exigência o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 197 a 234, alegando em síntese que: 7.1 – que o lançamento é nulo por vício formal, em razão de fundamentação legal inadequada e da incorreta identificação dos fatos, pois o processo fiscalizatório não foi conclusivo. Que a fiscalização se valeu das supostas constatações fiscais resultantes da autuação referente à Vale verde Empreendimentos Agrícolas (Vale Verde), em que foram glosados valores contidos na conta de lucros acumulados, sem especificar quais os fundamentos pelos quais os valores lançados na conta da empresa não foram considerados. Que naquele procedimento fiscal a autoridade administrativa partiu de um valor de lucros acumulados arbitrado sem qualquer lógica ou razão expressa para o ano de 2006, desconsiderando todos os lucros auferidos entre 2003 e 2005, exercícios em que a Vale Verde havia apurado IRPJ com base no lucro presumido. Que, no caso, a própria fiscalização registrou, em seu termo de encerramento (item III, pág. 7) lucros acumulados em dezembro de 2006 no valor de R$ 93.764.178,27. Todavia, sem qualquer explicação plausível e sem nenhuma demonstração aritmética, partiu de um lucro no valor de R$ 12.269.656,19 neste mesmo mês, desconsiderando os lucros acumulados no montante de R$ 81.163.996,38. Que a Vale Verde mantém duas formas de escrituração de sua atividade econômica, uma para fins societários e outra para fins tributários, do que decorre a apuração de dois resultados distintos: o contábil e o fiscal. Que a opção pela tributação pelo lucro presumido não elimina os lucros acumulados da contabilidade da empresa e no entanto a fiscalização considerou que a Vale Verde não dispunha de saldo na conta lucros acumulados, requisito para realizar o aumento de capital social registrado na 11ª alteração contratual no valor de R$ 93.764.178,27. Logo, não há ganho de capital tributável , visto que não cabe falar em inexistência dos valores lançados na conta de lucros acumulados da escrituração da Vale Verde. Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Acórdão n.º 2202004.140 S2C2T2 Fl. 645 4 No sentido de demonstrar a improcedência da autuação sobre a Vale Verde, conforme auto de infração protocolado sob processo nº 10480.731156/201103, a defesa expõe as razões contidas nos subitens III.2.1A Da ausência de demonstração clara e inequívoca na análise da conta de lucros e prejuízos acumulados na empresa Vale Verde (fls. 214 a 218), e III.2.1.B – Da impropriedade da tributação dos ajuste credores – postergação e efeitos no tempo (fls. 218 a 220). Que o procedimento fiscal assim realizado, ainda que mais simples e célere, afronta diversos princípios constitucionais tributários, com destaque para os princípios do contraditório, da ampla defesa, da legalidade e da segurança jurídica. Que, em razão de o lançamento ser ato administrativo vinculado, como exigido pelo art. 142 do CTN, e em razão do princípio da legalidade, previsto nos arts. 5º, II, e 150, I, ambos da CF/1988, e no art. 9º, I, do CTN, é necessária a adequação dos fatos ocorridos a um tipo legal específico. Que o auto de infração impugnado encontrase eivado de capitulações vagas e imprecisas ferindo, portanto, o princípio da tipicidade fechada. 7.2 o lançamento é nulo por vício formal, igualmente, pois o autuado apresentou sua declaração de ajuste anual do imposto de renda pessoa física (doc. 13 de fls. 386 a 397) relativa ao ano calendário de 2007, com todas as informações corretas, tendo pago integralmente o imposto apurado, e no entanto foi imputada ao impugnante cobrança de IRPF que se baseia em acervo probatório decorrente de fiscalização do IRPJ e da CSLL; 7.3 – que a nulidade do lançamento por vício formal decorre aditivamente da utilização de prova emprestada do auto de infração lavrado sobre a Vale Verde, processo nº 10480.731156/201103. Que não houve, em relação ao IRPF, procedimento fiscalizatório conclusivo, pois o lançamento está baseado exclusivamente em ação fiscal levada a efeito junto à Vale Verde, objeto do mandado de procedimento fiscal nº 04.2.01.002011018977 (doc. 08), sem que o impugnante jamais tenha sido intimado para responder às indagações do agente fiscal durante aquele procedimento. Que fiscalização considerou que a Vale Verde não dispunha de saldo na conta lucros acumulados, requisito para realizar o aumento de capital social registrado na 11ª alteração contratual no valor de R$ 93.764.178,27, que acabou por ocasionar o indevido lançamento, evidenciando a precariedade das provas. Cita jurisprudência administrativa em favor de sua alegação. 7.4 – que o vício formal torna nulo o lançamento, ainda, porque o impugnante espera o cancelamento do auto de infração lavrado sobre a Vale Verde, processo nº 10480.731156/201103, tornandose questão “prejudicial ao lançamento ora impugnado, de maneira que, se cancelado, o presente lançamento perde seu Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Acórdão n.º 2202004.140 S2C2T2 Fl. 646 5 substrato legal de validade, devendo por conseguinte, ser igualmente cancelado” (fls. 209). Que a Vale Verde apresentou defesa administrativa, processo nº 10480.731156/201103, ainda não definitivamente julgada, obstando a definitividade do lançamento contra ela efetuado. Logo, se aquela autuação é prejudicial a esta, e se ela for cancelada, o lançamento ora impugnado também deverá seguir a mesma sorte; 7.5 que operouse a decadência do direito de efetuar o lançamento do crédito tributário referente a julho de 2007, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, e do art. 146, III, ‘b’, da CF/1988, visto que o contribuinte somente foi cientificado em 25/10/2012. Que o fato gerador dos ganhos de capital considerase ocorrido no mês da alienação e se submete à tributação em separado, não integrando o imposto de renda na declaração de ajuste anual, nos termos do art. 18, § 2º, da Lei nº 8.134/1990, do art. 21, § 2º, da Lei nº 8.981/1995 e do art. 117, § 2º, do Decreto nº 3.000/1999, Regulamento do Imposto de Renda. Que, tratandose de lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial de 5 anos se inicia na data da ocorrência do fato gerador conforme art. 150, § 4º do CTN, não se aplicando ao caso o dies a quo previsto no art. 173, I, do citado Código. Que já houve pagamento parcial do imposto de renda pessoa física pelo impugnante relativamente ao ano calendário de 2007, no valor de R$ 17.145,91, de modo que eventual lançamento do IRPF no mesmo ano deverá ser considerado residual, aplicando se, portanto, a regra prevista no já mencionado § 4º do art, 150 do CTN. Transcreve jurisprudencial judicial e administrativa nesse sentido; 7.6 – que, ainda que por absurdo não seja reconhecida a improcedência do lançamento relativo à Vale Verde, não cabe falar na existência de ganhos de capital na operação societária realizada pelo contribuinte, pois não houve a desconsideração do valor proveniente da conta Lucros ou Prejuízos Acumulados utilizado para aumento do capital social da Vale Verde como informado pela própria fiscalização: [...]Que, se o recurso voluntário interposto pela Vale Verde for considerado procedente, a decisão terá reconhecido que o valor de R$ 93.764.178,27 representa lucros acumulados da sociedade, afastando a tributação da pessoa jurídica e, consequentemente, da pessoa física, pois o patrimônio da Vale Veserá aquele registrado em sua contabilidade. Que se, por outro lado, referido recurso voluntário for julgado improcedente, será mantida a tributação sobre o valor de R$ Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Acórdão n.º 2202004.140 S2C2T2 Fl. 647 6 93.764.178,27, de modo que o patrimônio da Vale Verde será igualmente aquele registrado em sua contabilidade. 7.7 – que a exorbitante multa de ofício aplicada, no percentual de R$ 75% do imposto, no valor de R$ 10.475.976,47, possui caráter confiscatório e desproporcional. Que a multa exigida afronta o princípio do não confisco insculpido no art. 150, IV, da CF/1988, como se depreende da leitura das decisões do STF e do STJ sobre a matéria. Que, ademais, a multa exigida com base no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, visa à coibição de atos infracionais lesivos ao erário. Que, em face de a autuação ter por base o lançamento fiscal ainda não definitivo em nome da Vale Verde, contra o qual foi interposto recurso voluntário pendente de julgamento no CARF representando, portanto, crédito tributário com exigibilidade suspensa, conforme art. 151, III, do CTN, ainda não se pode falar em ato lesivo por parte do impugnante capaz de tipificar a penalidade. Que, enquanto não definitivamente julgada a validade do ato que ensejou a tributação da pessoa jurídica, o Fisco teria o dever de proceder ao lançamento na pessoa física visando exclusivamente à prevenção da decadência, sem a incidência da multa nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/1996; 7.8 Faz juntados de diversos documentos à impugnação. 7.9 – que protesta pela juntada posterior de provas, conforme previsto no § 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972; 7.10 que reivindica a realização de diligência para esclarecimento de pontos controversos, nos termos dos arts. 16, 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972; 7.11 – que, por fim, pede seja acolhida a impugnação para: (i) que seja determinada a suspensão do presente processo até que seja proferida a decisão administrativa definitiva relativa ao auto de infração lavrado contra a Vale Verde Empreendimentos AGrícolas Ltda, CNPJ 02.414.858/000128; e (ii) que seja integralmente cancelado o lançamento. A DRJ/RECIFE (PE) decidiu a matéria consubstanciada pelo Acórdão 1139.946, de 12 de março de 2013, julgando improcedente a impugnação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Fl. 647DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Acórdão n.º 2202004.140 S2C2T2 Fl. 648 7 Está sujeita ao pagamento do imposto a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de participações societárias, considerandose como custo de aquisição o aumento de capital por incorporação de reservas, no que corresponder ao sócio beneficiário, desde que devidamente contabilizado e tributado do na pessoa jurídica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LANÇAMENTO. PENALIDADE PECUNIÁRIA. LEGALIDADE. Nos casos de lançamento de ofício, deve ser aplicada multa calculada sobre o valor do tributo devido, no percentual de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento decorrente de falta de declaração e de declaração inexata. LANÇAMENTO. FORMALIZAÇÃO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. O afastamento da penalidade pressupõe a prévia suspensão da exigibilidade do crédito lançamento por meio da concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, ou ainda, do depósito integral do respectivo crédito, circunstâncias que, quando inexistentes, não permitem a não incidência da multa. LANÇAMENTO. FATO GERADOR. PROVA EMPRESTADA. É lícito à autoridade fiscal valerse de informações colhidas e as conclusões produzidas por outras autoridades fiscais para efeito de lançamento, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer e sejam levadas ao conhecimento do sujeito passivo dandolhe oportunidade para sobre elas se manifestar. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 Ementa: NULIDADE. VÍCIOS NO LANÇAMENTO. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A nulidade por preterição do direito de defesa, como se infere do art. 59, II, transcrito, somente pode ser declarada quando o cerceamento está relacionado aos despachos e às decisões, ou Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Acórdão n.º 2202004.140 S2C2T2 Fl. 649 8 seja, somente pode ocorrer em uma fase posterior à lavratura do auto de infração. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. REQUISITOS. Indeferese o pedido de realização de diligência quando desatendidos os requisitos legais previstos na sua solicitação. INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. PRECLUSÃO. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. LANÇAMENTO. AGRAVAMENTO. COMPETÊNCIA. Não havendo competência para proceder ao agravamento da autuação em sede de julgamento administrativo tributário, nos termos do § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, deve ser mantido o valor lançado equivocadamente a menor registrado no auto de infração. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. EFEITOS. Os efeitos da jurisprudência judicial e administrativa no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil somente se aplicam às partes nelas envolvidas, não possuindo caráter normativo exceto nos casos previstos em lei. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JULGAMENTO. SOBRESTAMENTO. Não há previsão legal nem para o sobrestamento, nem para o julgamento conjunto de processos, entre as normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. Pelo princípio da oficialidade, a administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final. É o Relatório." O voto proferido na ocasião foi pela conversão do julgamento em diligência, cujo teor é abaixo reproduzido: "O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Para melhor compreensão dos fatos se extrai dos competentes Termo de Constatação do Auto de Infração e Contrarrazões apresentadas pela PFN, que o citado contribuinte era sócio na empresa Vale Verde Empreendimentos Agrícolas Ltda, com 99,7434% das cotas da sociedade. No dia 28 de junho de 2007, os sócios da Vale Verde aprovaram um aumento de capital da sociedade com a utilização dos saldos contábeis das contas de reserva de capital e da conta de lucros acumulados. Com isso o capital social foi aumentado em R$ 107.098.461,00, passando a valer R$ 107.593.000,00. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Acórdão n.º 2202004.140 S2C2T2 Fl. 650 9 Em 30 de junho de 2007, foi admitida na Vale Verde, como sócia cotista, a Administradora Baía Formosa S/A, que recebeu do sócio Eduardo José de Farias a totalidade de sua participação na Vale Verde, registrada como 106.339.132 cotas no valor global de R$ 106.339.132,00. Ainda em 30 de junho de 2007, os acionistas da Administradora Baía Formosa S/A aprovaram um aumento de capital no montante de R$ 106.015.343,32, mediante a emissão de 1.140.784 ações ordinárias nominativas ao preço de R$ 92,93, subscritas unicamente pelo acionista Eduardo José de Farias e totalmente integralizadas por meio da entrega das cotas que detinha no capital social da Vale Verde Empreendimentos. Consoante o TVF, no dia 30 de novembro de 2011, foi lavrado auto de infração de IRPJ e CSLL contra a pessoa jurídica Vale Verde Empreendimentos Ltda, referente ao anocalendário 2007, no qual foi constatado que a empresa não tinha saldo de lucros acumulados para proceder ao aumento de capital realizado em 30/06/2007, no montante de R$ 93.764.18,27. Diz a fiscalização que: Assim, o valor do capital da Vale Verde após a décima segunda alteração contratual era de R$ 13.828.821,80 e não R$ 107.593.000,00. (...) Como o contribuinte alienou à Administradora Baía Formosa S/A a totalidade de sua participação na Vale Verde Empreendimentos Agrícolas, que valia R$ 12.815.552,49, e obteve em troca 1.140.784 ações ordinárias nominativas, sem valor nominal, por R$ 106.015.343,32, houve um ganho de capital na operação de R$ 93.199.790,90. Esse ganho de capital não foi oferecido à tributação. Pois bem, nesta linha, o ora recorrente insurgese alegando: "Na fundamentação apresentada no v. acórdão ora combatido foi sustentado o entendimento de que o Recorrente teria obtido ganho de capital na alienação de suas quotas da Vale Verde à Administradora Baia Formosa S/A, sob o argumento de que a fiscalização no processo administrativo 10480.731156/201103 teria comprovado que o saldo da conta de Lucros Acumulados da empresa Vale Verde apresentaria número negativo, ou seja, prejuízo, o que tornaria impossível a incorporação de capital social descrita na 11a. alteração contratual citada na descrição das situações fáticas anteriores à autuação. ... Não poderia haver entendimento mais desvirtuado, pois, em primeiro lugar, é feito totalmente com base no processo administrativo 10480.731156/201103 que ainda não foi submetido a uma decisão final." Aduz mais: Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Acórdão n.º 2202004.140 S2C2T2 Fl. 651 10 "que se reconhecido a impropriedade da glosa da conta de lucros acumulados na empresa Vale Verde, tal fato, representaria a desconstituição do presente auto de infração, na medida em que restará reconhecido o custo de aquisição necessário para neutralizar um possível ganho de capital na alienação futura das quotas daquela empresa por parte do Recorrente." Deixar claro que, nestes autos a lide diz respeito, tão somente, à tributação do ganho de capital, não se atendo as alegações de vícios do auto de infração lavrado contra a empresa Vale Verde (processo administrativo 10480.731156/201103). Não obstante, registrese, que em pesquisa no eprocesso constatase que o referido processo administrativo restou julgado por este Conselho, em 08 de outubro de 2013 (Acórdão 1302001.187), encontrandose, atualmente, pendente de apreciação ao Recurso Especial interposto pela PFN, quanto a matéria lucros ou prejuízos acumulados (item 4 do AI), exatamente o que interessa ao deslinde da questão em apreço nos autos do presente processo. Explico: No presente caso, é inegável a existência de alienação na operação pela qual o recorrente cedeu suas cotas no capital social da Vale Verde para a empresa Baía Formosa, tendo recebido em troca ações dessa mesma empresa, que tinham valor superior ao custo de aquisição das cotas cedidas (caso se confirme glosa no processo da Vale Verde). No que concerne ao custo de aquisição das cotas da Vale Verde alienadas pelo recorrente, é importante transcrever o art. 135 do RIR/99, que dispõe sobre os efeitos do aumento de capital social por meio da utilização de lucros ou reservas de lucros: Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art. 10, parágrafo único). Conforme preceitua o dispositivo acima transcrito, se houver aumento de capital social com a utilização de lucros ou reservas de lucros, o custo de aquisição das cotas ou ações da pessoa jurídica sofrerá o reflexo dessa operação. Assim, o custo de aquisição das ações ou cotas passará a ser integrado pelos lucros que forem consumidos na capitalização da empresa. Daí a dependência no resultado final do referido processo administrativo nº. 10480.731156/201103. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Acórdão n.º 2202004.140 S2C2T2 Fl. 652 11 Com essas considerações, encaminho o meu voto no sentido de converter o julgamento do presente processo em diligência para aguardar, na Unidade de Origem, o trânsito em julgado do processo principal de nº. 10480.731156/201103, retornando em seguida a esta Corte Administrativa para prosseguimento do julgamento." Os autos foram encaminhados para a repartição de origem em 05/07/2016 (Despacho de Encaminhamento de fl. 623). A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife, então de acordo com os fundamentos antes descritos, requereu que a Turma retificasse a decisão proferida de modo a desfazer a vinculação entre os processos. O despacho de admissibilidade destes embargos inominados, assim tratou dos argumentos apontados nos Embargos e a manifestação do Despacho de fls. 634/636, do Presidente da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção, Waldir Veiga Rocha, como transcrito abaixo: "A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife/PE opôs Embargos Inominados, fls. 627/630, contra a Resolução nº 1301 000.277, fls. 613/622, que determinou “converter o julgamento do presente processo em diligência para aguardar, na Unidade de Origem, o trânsito em julgado do processo principal de nº. 10480.731156/201103”. Em apertada síntese, verificase que a Turma Julgadora constatou que o presente processo seria decorrente de procedimento fiscalizatório realizado na pessoa jurídica Vale Verde Empreendimentos Agrícolas Ltda, procedimento esse cuja conclusão teria sido formalizada nos autos do processo administrativo nº 10480.731156/201103. O fundamento para a decisão de declinar da competência foi, então, o inciso IV do art. 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF) então vigente, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Entretanto, de acordo com a Embargante, não há nenhuma vinculação entre os processos, já que a matéria sobre julgamento no processo nº 10480.73156/201103 (IRPJ e CSLL) em nada afeta o resultado do julgamento do processo nº 10880.730153/201212 (IRPF). Transcrevese trecho dos Embargos: As infrações já mencionadas acima do processo nº 10480.73156/201103 (IRPJ e CSLL) referemse: i) Alteração do resultado fiscal (Lucro Real e base de cálculo da CSLL) sem nenhum efeito no lucro/prejuízo contábil. ii) Cobrança de ofício diferenças de IRPJ e da CSLL em consequência da falta de tributação de lançamentos postergados (com efeito tributário) sem a comprovação do seu pagamento pela empresa. iii) Ajustes no sistema Sapli da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB de prejuízos fiscais registrados na contabilidade da empresa e informados nas DIPJ em valores diferentes. Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Acórdão n.º 2202004.140 S2C2T2 Fl. 653 12 Ressaltamos que para o período de 01/01/2007 a 30/06/2007 não houve lançamento, e sim ajustes (aumento a favor da empresa) no sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB – Sapli do prejuízo fiscal informado na sua DIPJ; e em relação ao período de 01/07/2007 a 31/12/2007, houve lançamento de redução prejuízo fiscal, porém tratase de período posterior ao aumento de capital não tendo nenhuma repercussão no saldo de lucros/prejuízos acumulados em 30/06/2007. DO PEDIDO Em face ao exposto, não existindo nenhuma dependência do processo da pessoa física nº 10880.730153/201212 com o processo na pessoa jurídica nº 10480.731156/201103, ou seja, o julgamento da procedência ou não do auto da pessoa jurídica não afeta em nada o auto na pessoa, requer esta Delegacia o conhecimento e o provimento do presente recurso para que essa e. Turma retifique a decisão proferia por meio da Resolução nº 1301000.277 de modo a desfazer a vinculação entre esses processos. Nesses termos, pede deferimento. Por sua vez, houve também manifestação do Presidente da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção, Waldir Veiga Rocha, que por meio do Despacho, fls. 634/636, entendeu que em razão do novo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, inciso IV do art. 2º do Anexo II, o processo sob análise não se inclui entre as competências da 1ª Seção de Julgamento do CARF, mas sim entre aquelas da 2ª Seção de Julgamento, conforme inciso I do art. 3º do Anexo II: Art. 3º À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF); (...) Conclui o Presidente da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção que: 13. Ressalto, finalmente, que entendo não se tratar de conflito negativo de competência, mas sim da superveniência de novo regimento interno, dispondo sobre a matéria de modo diferente. 14. Por todo o exposto, o presente processo deve ser encaminhado para a 2ª Seção de Julgamento deste CARF para a análise de admissibilidade dos Embargos Inominados (fls. 627/630) e, posteriormente, no momento processual que se mostrar adequado, também o julgamento do recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. De fato, em razão da inexistência de correlação entre o processo nº 10480.73156/201103 (IRPJ e CSLL) e o processo nº 10880.730153/201212 (IRPF), além de superveniência de novo Fl. 653DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Acórdão n.º 2202004.140 S2C2T2 Fl. 654 13 regimento interno processo (Portaria MF nº 343/2015), entendo que o processo sob análise se inclui entre as matérias de competências da 2ª Seção de Julgamento do CARF. Dessa forma, encaminhese os autos à SECAM/2ª Câmara/2ª SEJUL para que se proceda a um novo sorteio, dentre os integrantes da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, para relatar." É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto – Relator Os embargos inominados preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto, devem ser conhecidos os mesmos. No presente caso, nos termos da Resolução nº 1301000.277, é inegável a existência de alienação na operação pela qual o recorrente cedeu suas cotas no capital social da Vale Verde para a empresa Baía Formosa, tendo recebido em troca ações dessa mesma empresa, que tinham valor superior ao custo de aquisição das cotas cedidas (caso se confirme glosa no processo da Vale Verde). No que concerne ao custo de aquisição das cotas da Vale Verde alienadas pelo recorrente, é importante transcrever o art. 135 do RIR/99, abaixo grifado, que dispõe sobre os efeitos do aumento de capital social por meio da utilização de lucros ou reservas de lucros: Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art. 10, parágrafo único). Conforme preceitua o dispositivo acima transcrito, se houver aumento de capital social com a utilização de lucros ou reservas de lucros, o custo de aquisição das cotas ou ações da pessoa jurídica sofrerá o reflexo dessa operação. Assim, nos termos da Resolução nº 1301000.277, o custo de aquisição das ações ou cotas passará a ser integrado pelos lucros que forem consumidos na capitalização da empresa. E disso decorre a dependência no resultado final do referido processo administrativo nº. 10480.731156/201103. Salientase que o referido processo ainda não transitou em julgado conforme consta a seguinte movimentação processual que se extrai do site do CARF, abaixo reproduzido: 23/08/2017 ANALISAR RECURSO ESPECIAL 3ª CÂMARA1ªSEÇÃOCARFMFDF Fl. 654DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Acórdão n.º 2202004.140 S2C2T2 Fl. 655 14 23/08/2017 ENTRADA NO CARF Tipo de Recurso: RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE Data de Entrada: 23/08/2017 Unidade: SERETCEGAPCARFMFDF Importa destacar que os embargos inominados apresentados inclusive refere que haveria impacto no saldo de prejuízo acumulado, vejamos: Todavia, no último parágrafo da fl. 3 dos embargos inominados, argumenta o embargante que não haveria "nenhuma repercussão no saldo lucros/prejuízos acumulados em 30/06/2007". Entendo que há contradição no que a embargante alega. Ao meu entender, conforme preceitua art. 135 do RIR/99, já acima transcrito, se houver aumento de capital social com a utilização de lucros ou reservas de lucros, o custo de aquisição das cotas ou ações da pessoa jurídica sofrerá o reflexo dessa operação. Assim, o custo de aquisição das ações ou cotas passará a ser integrado pelos lucros que forem consumidos na capitalização da empresa. E disso decorre a dependência no resultado final do referido processo administrativo nº. 10480.731156/201103. Diante disso, pelo que consta nos autos e pelo que foi dito nos embargos, não há nada que possa infirmar a Resolução nº 1301000.277 no sentido de converter o julgamento do presente processo em diligência para aguardar, na Unidade de Origem, o trânsito em julgado do processo principal de nº. 10480.731156/201103. Ante o exposto, voto por rejeitar os embargos inominados. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 655DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 36378.004044/2006-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ABONOS PREVISTOS EM ACORDO COLETIVO DE TRABALHO.
Somente o abono expressamente desvinculado do salário não se sujeita à incidência da contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, §9º, alínea e, item 7 da Lei nº 8.212/91.
Numero da decisão: 2301-005.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os embargos de declaração, para sanar a omissão, substituindo a ementa referente às contribuições previdenciárias, para: "CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS, ABONOS PREVISTOS EM ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. Somente o abono expressamente desvinculado do salário não se sujeita à incidência da contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, §9º, alínea "e", item 7 da Lei nº 8.212/91".
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior Presidente
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Mauricio Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros da Silveira (suplente), Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni (suplente), João Bellini Junior (presidente).
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ABONOS PREVISTOS EM ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. Somente o abono expressamente desvinculado do salário não se sujeita à incidência da contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, §9º, alínea e, item 7 da Lei nº 8.212/91.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os embargos de declaração, para sanar a omissão, substituindo a ementa referente às contribuições previdenciárias, para: "CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS, ABONOS PREVISTOS EM ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. Somente o abono expressamente desvinculado do salário não se sujeita à incidência da contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, §9º, alínea "e", item 7 da Lei nº 8.212/91". (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Mauricio Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros da Silveira (suplente), Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni (suplente), João Bellini Junior (presidente).
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CABIMENTO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ABONOS PREVISTOS EM ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. Somente o abono expressamente desvinculado do salário não se sujeita à incidência da contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, §9º, alínea “e”, item 7 da Lei nº 8.212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os embargos de declaração, para sanar a omissão, substituindo a ementa referente às contribuições previdenciárias, para: "CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS, ABONOS PREVISTOS EM ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. Somente o abono expressamente desvinculado do salário não se sujeita à incidência da contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, §9º, alínea "e", item 7 da Lei nº 8.212/91". (assinado digitalmente) João Bellini Junior – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 37 8. 00 40 44 /2 00 6- 71 Fl. 1416DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Mauricio Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros da Silveira (suplente), Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni (suplente), João Bellini Junior (presidente). Relatório Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza Tratase de embargos de declaração apresentados tempestivamente por Aperam Inox América do Sul S/A (sucessora de Acesita S/A) contra o acórdão nº 2301002.777, de 15/05/2012, cuja ementa é a seguinte (grifos nossos): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/2004 DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. CONTRIBUIÇOES RELACIONADAS COM OS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. Os adicionais destinados ao financiamento das aposentadorias especiais serão devidos pela empresa sempre que ficar constatada a ocorrência da situação prevista na legislação como necessária para ensejar a concessão do benefício da aposentadoria especial. Ao se deparar com inconsistência nos documentos relacionados com o gerenciamento dos riscos ambientais do trabalho, ou a sua apresentação deficiente ou em descordo com os normativos legais, a fiscalização deverá arbitrar o débito com fulcro no art. 33, § 3º, da Lei 8.212/91. ABONOS PREVISTOS EM ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. Fl. 1417DF CARF MF Processo nº 36378.004044/200671 Acórdão n.º 2301005.103 S2C3T1 Fl. 3 3 O abono pago pelo empregador aos segurados empregados não integra o saláriodecontribuição, e, como tal, não está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. MULTA DE MORA. OBSERVÂNCIA DA LEI MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Exonerado em Parte. A parte dispositiva do julgado encontrase assim redigida (grifos nossos): Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em analisar e decidir o recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Marcelo Oliveira, que votaram em anular as decisões de primeira instância, devido ao disposto no II, Art. 59, do Decreto 70.235/1972; b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; d) em analisar e decidir o recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram em converter o julgamento em diligência; II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/1999, anteriores a 12/1999, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; b) em negar provimento ao recurso, no mérito, nos termos do voto da Redatora. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; Redatores: Bernadete de Oliveira Barros e Adriano Gonzáles Silvério. Declaração de voto: Mauro José Silva. Alega a Embargante que, conforme consta do voto do conselheiro relator, no que tange ao julgamento quanto à natureza do abono, restou decidido, por maioria de voto, que esta parcela não integra a remuneração. Contudo, na parte dispositiva, constou que foi dado provimento parcial, quando, de fato, ele o foi totalmente. Fl. 1418DF CARF MF 4 Observa que o único voto que analisou expressamente a matéria referente à incidência do adicional de aposentadoria especial sobre os abonos pagos pelo empregador foi o do conselheiro relator, dando provimento ao recurso voluntário, dada a ausência da natureza remuneratória do abono, não constando qualquer divergência entre os demais membros do colegiado. Entende que, apesar de o recurso voluntário do contribuinte ter sido provido para reconhecer que os abonos não integram a remuneração, tal questão não constou no acórdão embargado, motivo pelo qual a omissão deve ser suprida. Requer, por fim, o conhecimento e provimento dos presentes embargos de declaração, a fim de que, sanandose a omissão apontada, seja extinto integralmente o crédito tributário autuado. Por meio do despacho exarado em 25/03/2014, o presidente da turma admitiu os presentes embargos para julgamento. É o relatório Voto Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza A Embargante tem razão quanto à existência de omissão no acórdão embargado, mas não com as consequências que propaga em seus embargos. Isso porque o voto do relator foi vencedor, por maioria, com relação: (i) ao conhecimento e apreciação do recurso voluntário; (ii) à manutenção da multa; (iii) à aplicação da retroatividade benigna, limitandose a multa ao previsto no art. 61 da Lei nº 9.430/96. Por outro lado, o voto do relator foi vencido, por voto de qualidade, com relação: (iv) à contagem da decadência de acordo com a regra do art. 150, §4º do CTN (prevalecendo a regra do art. 173, I do CTN) e (v) ao provimento do recurso voluntário, no mérito (prevalecendo o improvimento). Designada para o voto vencedor a conselheira Bernadete de Oliveira Barros. A conselheira redatora deveria se pronunciar sobre dois pontos, quanto ao mérito da exigência fiscal. Primeiro, sobre a exposição dos empregados a agentes nocivos no ambiente de trabalho, capaz de justificar a cobrança de adicional ao SAT para fins de financiamento da aposentadoria especial. Segundo, passada essa fase, sobre a incidência do adicional ao SAT sobre pagamentos ou créditos aos seus empregados, a título de abono em acordo coletivo de trabalho, gratificação de retorno de férias e abono regime de trabalho. O voto vencedor da conselheira redatora cuidou do primeiro ponto, mas foi omisso com relação ao segundo. A ementa do julgado também não foi ajustada para refletir o entendimento. Cabe, portanto, suprir a omissão do voto vencedor. Mas devese respeitar a decisão majoritária do colegiado naquela assentada, independentemente do posicionamento atual da turma. Assim, de acordo com o relatório fiscal (efls. 120): Fl. 1419DF CARF MF Processo nº 36378.004044/200671 Acórdão n.º 2301005.103 S2C3T1 Fl. 4 5 2.2.1. ABONO EM ACORDO COLETIVO DE TRABALHO Concedidos mediante Acordo Coletivo celebrado entre a ACESITA S/A e o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Siderúrgicas, Metalúrgicas, Mecânicas, de Material Elétrico, Material Eletrônico, Desenhos/Projetos e de Informática de Tomóteo/MG e Coronel Fabriciano/MG METASITA, no período de 2000 a 2004. 2.2.2. ABONO REGIME DE TRABALHO O Abono Regime de Trabalho foi concedido mediante Acordo Coletivo de Trabalho, celebrado entre a Acesita S/A e o Sindicato METASITA; A Cláusula 1.9 deste Acordo prevê um abono de R$ 3.642,00, aos empregados, em compensação à implantação do novo regime de trabalho; em efetivo exercício de seus cargos no dia da implantação e que estavam, em 10/11/2000, trabalhando no regime de 6x2, quatro turmas. Este abono foi concedido somente no estabelecimento CNPJ: 001312. 2.2.3. FOLHA DE PAGAMENTO/RETORNO DE FÉRIAS Acordos Coletivos de Trabalho celebrados entre a ACESITA e o Sindicato META SITA, preveem que a ACESITA pagará aos seus empregados, quando da volta do gozo de férias, o adicional de RETORNO DE FÉRIAS, corresponde à importância equivalente ao máximo de 95% da remuneração de férias, excluída desta o adicional previsto no inciso XVII, do artigo 7º , da Constituição Federal. Os empregados que não fizerem jus ao gozo de 30 dias de férias, terão o valor do Retorno de Férias pago proporcionalmente ao número de dias de direito e não será devido na hipótese de férias não gozadas e/ou indenizadas. Os empregados que vierem a ser admitidos na ACESITA a partir de 01/11/1998, não farão jus RETORNO DE FÉRIAS. ’ Nos termos do art. 28, § 9º, alínea “e”, item 7 da Lei nº 8.212/91, somente o abono expressamente desvinculado do salário não se sujeita à incidência da contribuição previdenciária, o que não parece ser o caso. Por isso, o recurso voluntário deve ser rejeitado nessa parte. Conclusão Em face do exposto, voto por conhecer e acolher os embargos de declaração, com o objetivo de sanar a omissão no voto vencedor. A ementa do julgado passam a ser a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/2004 DECADÊNCIA PARCIAL Fl. 1420DF CARF MF 6 De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. CONTRIBUIÇOES RELACIONADAS COM OS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. Os adicionais destinados ao financiamento das aposentadorias especiais serão devidos pela empresa sempre que ficar constatada a ocorrência da situação prevista na legislação como necessária para ensejar a concessão do benefício da aposentadoria especial. Ao se deparar com inconsistência nos documentos relacionados com o gerenciamento dos riscos ambientais do trabalho, ou a sua apresentação deficiente ou em descordo com os normativos legais, a fiscalização deverá arbitrar o débito com fulcro no art. 33, § 3º, da Lei 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ABONOS PREVISTOS EM ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. Somente o abono expressamente desvinculado do salário não se sujeita à incidência da contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, §9º, alínea “e”, item 7 da Lei nº 8.212/91. MULTA DE MORA. OBSERVÂNCIA DA LEI MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Exonerado em Parte. É como voto. Fábio Piovesan Bozza – Relator Fl. 1421DF CARF MF Processo nº 36378.004044/200671 Acórdão n.º 2301005.103 S2C3T1 Fl. 5 7 Fl. 1422DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.908047/2011-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.941
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1934; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.908047/201137 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201000.941 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 29 de junho de 2017 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente RODOBENS MÁQUINAS AGRÍCOLAS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .9 08 04 7/ 20 11 -3 7 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10183.908047/201137 Resolução nº 3201000.941 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Florianópolis/SC, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de retificação tempestiva da DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo a integral homologação da compensação declarada, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10183.908047/201137 Resolução nº 3201000.941 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10183.908047/201137 Resolução nº 3201000.941 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10183.908047/201137 Resolução nº 3201000.941 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 106DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.901589/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/06/2006
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.938
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 15 89 /2 01 2- 51 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13116.901589/201251 Acórdão n.º 3201002.938 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.570, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13116.901589/201251 Acórdão n.º 3201002.938 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13116.901589/201251 Acórdão n.º 3201002.938 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13116.901589/201251 Acórdão n.º 3201002.938 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13116.901589/201251 Acórdão n.º 3201002.938 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13116.901589/201251 Acórdão n.º 3201002.938 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13116.901589/201251 Acórdão n.º 3201002.938 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13116.901589/201251 Acórdão n.º 3201002.938 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13116.901589/201251 Acórdão n.º 3201002.938 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
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