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Numero do processo: 10183.002500/2006-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE, PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2005
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE.
Comprovado da retenção do IRR- Fonte por feitas por outros meios que não o informe de rendimentos. Admissibilidade. Responsabilidade pelo pagamento do tributo retido na fonte,. Glosa pela ausência da Dirf Exigência cancelada.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-000.738
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pot unanimidade de votos, em dar - proviniento ao recurso para restabelecer a compen.sart do IRRE de RS 7.135,87, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Odmir Fernandes
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Comprova0o da retenção do 1R [Z.-Eon te pot feitas por outros meios que nao o intbrme de rendimentos. Admissibilidade. Responsabilidade pelo pagamento do tributo retido na tonte,. Glosa pela ausência da. Dirt. Exigência cancelada. Recurso provido.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pot unanimidade de votos, em dar - proviniento ao recurso para restabelecer a compen.sart do IRRE de RS 7.135,87, nos termos do voto do Relator.. (1. Relator EDITA 0 EM: 10/02/2.011 Participaram da sessilo de julgamento os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka., Ana Neyle Olimpio Holanda, Caio Marcos Ciindido., Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo 1.‘osta Santos e Odmir Fernandes. Relatório Trata-se de Recurso Voluntario da decisão da 3' 1 urina de Julgamento da DRt de Campo Grande-MT que manteve a exigência do IRPF do exercício de 2005, decorrente da: I) Oniieio de rendimentos recebidos por s'('u dependente de R$ 11 730,65 e IRRI ,. de R$ 984,92, 2) Compensay'io indevida do de R$ 7 135,87, por li/ta de pagamento pela Ibrac pagador a e infininaçiio na A decisão recorrida manteve a exigência sob o fundament() dc o autuado não se insurgir contra a omissão de rendimentos (item I, do Al); O segundo item da autuação - compensação indevida do IRRF — Ibi mantido em razão (1) da falta do informe de rendimentos; (2) não haver prova do pagamento pela fonte pagadora impost() retido; (3) não ser informado o imposto retido na Dirt (4) o contribuinte no comunicar o fato ii Receita .Federal; (5) as notas fiscais não servirem ii comprovaçao retenção e screm de ernissao do contribuitne Admitiu a decisão recorrida que o contribuinte não pode ser prejudicado pela ausência da Dirt e do intúrine de rendimentos. Nas razões de recurs() sustenta que foi norneado administrador judicial da empresa - fonte pagadora dos rendimentos; recebeu outros rendimentos da . mesma fonte, sem que o imposto retido deixasse de pago e informado na Dirt, enquanto estava na administrayao da emptesa nomeado pela justiça.. A responsabilidade pelo pagamento do imposto retido é da empresa, nib sua. As notas fiscais parr" cobrança dos serviços .prestados foram emitidas pela Municipalidade, com a retenção do IRR-Fonte, cabendo a fonte pagadora recolher o tributo e informar na Assim, nap pode ser responsabilizado e penalizado pela talta desse recolhimento e infbiruação na Dirf. Vo to Conselheiro Odmir Fernandes, Relator 0 recurs() étempestivo, preenche os requisitos e deve se conhecido O Recorrente é agente fiscal de rendas do Estado, aposentado Na rase da impugnação admitiu a omissao dos rendimentos recebidos por seu dependente, fi uto, sustenta, de equivoco em nao saber da existência dessa renda rmferida Assim, a lide recursal limita-se ao exame do segundo item da peça acusatória - compensação indevida do IRRF .por talta de pagamento do imposto retido pela fonte pagadora, informe de rendimentos e inibrma.ção na O rendimento o imposto deduzido esta dec linado e isto não se discute. 0 wait° e em relação o imposto retido na fonte compensado coin o imposto devido na declaração anual de ajuste. A decisao recorrida manteve a glosa do imposto compensando cru razão da lalta da apresentação da Dirt e do informe de rendimentos e de o contribuinte não comunicar a falta do informe de rendimentos à Receita Federal e as notas fiscais não servirem para comprovação da retenção do imposto retido na fonte, por serem de emissão do próprio contribuinte 2 Ptoccsso n' I 01 S3 002300/2006-3 2 t Acorco ti 101-00..738 Fl 2 Consignou também a decisão recorrida que o contribuinte não pode ser preiudicado pela ausência da 4)1i1 e do in forme de rendimentos.. 0 Recorrente insiste de (Inc as notas fiscais da prestação de serviços foram uni id is pola Municipalidade onde consta a retenção do impost() tend() na itonte Não é usual essa pratica de a 'Municipal idade - sujeito ativo do Imposto Sobre Serviços - ISS - emitir a nota fiscal do sujeito passivo da obrigação.. As notas fiscais são de emissão contribuinte, essa é a rotina pratica, mas pela descrição dos documentos vemos que há costa verossimi I franca na alegação, embora sem comprovação desse fato de quem efetivamente fez, a emissão.. Mas as notas fiscais mencionam o imposto retido. No period° em que o Recorrente exerceu a administração judicial da empres a . não liñ noticia da. folio de pagamento do imposto relido na fonte. Com sua. destituição da. função de administrador .judicial cm utzão do provimento de recurso .judicial da empresa, o imposto retid° deixou de ser pago pela fonte pagadora. Compreensível te reprovável) a conduta da empresa de uma possível ictaliação ao Recorrente em não honrar o pagamento do impost.° retido na fonte dos honorários pagos, diante da indesejável função de administrador da empresa nomeado pela justiça. Houve, sem dúvida, folha de o Recorrente não informar a Receita Federal da falta do in [brine de rendimentos, mas isto não pode lhe prejudicar no sentido de retirar o direito substantivo ii compensação do tributo retido na fonte dos rendimentos recebidos. A responsabilidade pelo pagamento do imposto retido não é sua, mas da fonte pagadora - a empresa - onde o contribuinte exerceu a administração judicial. A falia de comunicação à Receita Federal da ausência infOrme de rendimentos até poderia implicar em sanção ao contribuinte, se houvesse tipificação em lei e essa fosse a acusação Contudo, essa falta. jamais vedar a compensação de um direito substantivo do contribuinte, se a lei não traz a vedação à compensação pela. ausência do intbrine de rendimentos. Ao contrário, a necessidade de comunicação da ausência do informe de rendimentos consta do Manual de perguntas e respostas, conforme consignou a decisão recorrida. Trata-se assim dc mera orientação procedimental, sem qualquer poder -vinculante ao contribuinte e muito menos ofensa ao direito substantivo à compensação do imposto retido, dai a necessidade da fetorma da decisão recorrida. Por outro ângulo é fácil perceber o desacerto da decisão recorrida. Sc o contribuinte não declarasse os rendimentos, submetendo-os a tributação como fez, por certo o lisco não o autuaria. Os rendimentos foram submetidos a tributação, questiona-se a compensação do imposto retido, (wand° os elementos do conjunto probatórios constantes dos autos demonstrama saciedade que a falta foi da empresa responsável pelo pagamenio do imposto, i n forme ern Dirt e entire do intbrme de rendimentos; ao contribuinte direito do tributo.. 3 0( Assim, diante da particularidade exposta, vemos que as notas liscais com o valor do imposto Fetid°, eujos rendimentos submetidos a tributaçdo n.ao tbram questionados, merecem credibilidade e &vein a admitira compensaçao do imposto retido Ante o exposto, pelo .meu voto, conheço e dou provimento ao recurs() para reformar a decisao recorrida e restabelccer a eompensaçao do .imposto retido na fonte de R$ 7.1.35,87, mantida a autuaçao sobre a omissa) de rendimentos admitida pelo autuado.
score : 1.0
Numero do processo: 16327.900578/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 07/05/2003
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS EFETUADOS.
O contribuinte que efetuou pagamento de tributos e contribuições com base no art. 5º da Medida Provisória n° 2.222, de 04 de setembro de 2001, e na Lei n° 10.431, de 24 de abril de 2002, em valor superior ao efetivamente devido, tem direito à restituição ou compensação da parcela comprovadamente paga a maior, de acordo com os procedimentos previstos na legislação tributária federal para os tributos e contribuições federais (ADI SRF nº 17/2007).
DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DO MÉRITO.
Se a autoridade administrativa competente para apreciar o pedido, levantando questão prejudicial, sequer se manifestou sobre a existência do direito creditório, demonstrado o descabimento da prejudicial deve o processo retornar à autoridade competente para apreciá-lo.
Numero da decisão: 2201-004.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo conselheiro (relator), para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 07/05/2003 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS EFETUADOS. O contribuinte que efetuou pagamento de tributos e contribuições com base no art. 5º da Medida Provisória n° 2.222, de 04 de setembro de 2001, e na Lei n° 10.431, de 24 de abril de 2002, em valor superior ao efetivamente devido, tem direito à restituição ou compensação da parcela comprovadamente paga a maior, de acordo com os procedimentos previstos na legislação tributária federal para os tributos e contribuições federais (ADI SRF nº 17/2007). DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DO MÉRITO. Se a autoridade administrativa competente para apreciar o pedido, levantando questão prejudicial, sequer se manifestou sobre a existência do direito creditório, demonstrado o descabimento da prejudicial deve o processo retornar à autoridade competente para apreciá-lo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 07/05/2003 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS EFETUADOS. O contribuinte que efetuou pagamento de tributos e contribuições com base no art. 5º da Medida Provisória n° 2.222, de 04 de setembro de 2001, e na Lei n° 10.431, de 24 de abril de 2002, em valor superior ao efetivamente devido, tem direito à restituição ou compensação da parcela comprovadamente paga a maior, de acordo com os procedimentos previstos na legislação tributária federal para os tributos e contribuições federais (ADI SRF nº 17/2007). DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DO MÉRITO. Se a autoridade administrativa competente para apreciar o pedido, levantando questão prejudicial, sequer se manifestou sobre a existência do direito creditório, demonstrado o descabimento da prejudicial deve o processo retornar à autoridade competente para apreciálo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo conselheiro (relator), para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra – Presidente em exercício e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 05 78 /2 00 8- 81 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 16327.900578/200881 Acórdão n.º 2201004.957 S2C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.950, de 12 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.900498/200825, paradigma deste julgamento. "Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido, a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. De acordo com o despacho decisório, o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. O contribuinte alega que efetuou a retenção de forma equivocada de IRRF, tendo em vista que se tratava de entidade de Educação Imune. Por tal razão, não deveria ter feito a retenção do IRRF da instituição que apresentou declaração informando que cumpria os requisitos para fruição da imunidade. Em primeiro grau a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o entendimento de que não poderia apreciar o pedido de compensação, pois se encontrava pendente ação judicial perante o Supremo Tribunal Federal. Considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário." Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.950, de 12 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.900498/200825, paradigma deste julgamento. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 16327.900578/200881 Acórdão n.º 2201004.957 S2C2T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.950, de 12 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2201004.950 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. No caso em tela, verificase que a decisão de primeira instância não entrou no mérito da questão, o que pode ocasionar a malfadada a supressão de instância. Este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais determinou que a análise de mérito referente ao direito creditório deve ser feito pela decisão recorrida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS EFETUADOS NOS TERMOS DO ART. 5º DA MP n° 2.222/ 2001. O contribuinte que efetuou pagamento de tributos e contribuições com base no art. 50 da Medida Provisória n° 2.222, de 04 de setembro de 2001, e na Lei n° 10.431, de 24 de abril de 2002, em valor superior ao efetivamente devido, tem direito à restituição ou compensação da parcela comprovadamente paga a maior, de acordo com os procedimentos previstos na legislação tributária federal para os tributos e contribuições federais (ADI SRF nº 17/2007). DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DO MÉRITO. Se a autoridade administrativa competente para apreciar o pedido, levantando questão prejudicial, sequer se manifestou sobre a existência do direito creditório, demonstrado o descabimento da prejudicial deve o processo retornar à autoridade competente para apreciálo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para anular a decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à DEINF/RJ para, observando o disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 17, de 28 de dezembro de 2005, decidir o pleito. Para que a DRJ analise a regularidade da compensação realizada pela Recorrente, bem como sobre a existência do crédito, com a provas juntadas pelo contribuinte. Sendo assim, e considerando que a decisão de primeiro grau foi proferida levando em consideração a ADIn 18023 e que esta ação já foi julgada, declaro a nulidade da decisão recorrida para que outra seja proferida em seu lugar, analisando se a origem do crédito pleiteado, bem como o direito do contribuinte sobre o crédito pleiteado. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento para cancelar a decisão recorrida para que outra seja proferida." Fl. 82DF CARF MF Processo nº 16327.900578/200881 Acórdão n.º 2201004.957 S2C2T1 Fl. 5 4 Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento para cancelar a decisão recorrida para que outra seja proferida. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 83DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.901868/2013-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS
O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa.
PROCESSO PRODUTIVO. PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. ETAPA AGRÍCOLA. CUSTOS. CRÉDITO
Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no cultivo da cana de açúcar guardam estreita relação de relevância e essencialidade com o processo produtivo das variadas formas e composição do álcool e do açúcar e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS COM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO À APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO NA DESPESA DE FRETE.
No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, a despesa com transporte de bens utilizado como insumos na produção/industrialização de bens destinados à venda, suportado pelo comprador, e devida à pessoa jurídica, propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens.
CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO.
Os serviços e bens utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004).
REGIME NÃO-CUMULATIVO. DESPESAS COM ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA.
Concede-se direito à apuração de crédito às despesas de armazenagem e frete contratado relacionado a operações de venda, desde que amparado em documentos fiscal e o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedor e pago à pessoa jurídica beneficiária domiciliada no País.
Numero da decisão: 3201-005.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendo-se as glosas efetuadas, atendidos os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: I - Serviços utilizados como insumos na fase agrícola: (item 1.1) Serviços de Terceiros-Equipamentos Agrícolas: serviços de manutenção e solda em equipamentos agrícolas e de irrigação, e serviços de "lavagem de roupas-herbicidas"; (item 1.2) Manutenção e Reparo de Equipamentos Agrícolas: peças aplicadas por terceiros na manutenção de implementos agrícolas e irrigação; (item 1.3) Fretes de compra (apenas para os valores comprovados através da apresentação de Conhecimento de Carga); e (item 1.4) Transporte de cana (bens aplicados em veículos próprios, utilizados no transporte de cana); II - Bens utilizados como insumos na fase agrícola (item "1.2"): Óleo Diesel, Material Lubrificante, Pneus e Câmaras, Material de Manutenção, utilizados em veículos empregados especificamente na movimentação e transporte da cana-de-açúcar e nos centros de custos relacionados à fase agrícola, tais como: Adutoras, Pivôs, Carregadeiras, Grades, Fazendas, Tratores, Sulcador, Aplicação de Herbicidas, Produção de Mudas; III - Bens e serviços utilizados na fase industrial de fabricação de açúcar e álcool (itens "4.1" e "4.2") - transporte de resíduo industriais; serviços de dedetização, desde que nas instalações da atividade produtiva; IV - Encargos de depreciação de bens utilizados na fase agrícola: tratores, colheitadeiras, caminhões, reboques e outros bens utilizados na agricultura ou transporte da cana; e V - Despesas com armazenagem e fretes nas operações de venda.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. PROCESSO PRODUTIVO. PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. ETAPA AGRÍCOLA. CUSTOS. CRÉDITO Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no cultivo da cana de açúcar guardam estreita relação de relevância e essencialidade com o processo produtivo das variadas formas e composição do álcool e do açúcar e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS COM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO À APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO NA DESPESA DE FRETE. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, a despesa com transporte de bens utilizado como insumos na produção/industrialização de bens destinados à venda, suportado pelo comprador, e devida à pessoa jurídica, propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 90 18 68 /2 01 3- 83 Fl. 1822DF CARF MF Processo nº 10410.901868/201383 Acórdão n.º 3201005.314 S3C2T1 Fl. 1.823 2 Os serviços e bens utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004). REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. Concedese direito à apuração de crédito às despesas de armazenagem e frete contratado relacionado a operações de venda, desde que amparado em documentos fiscal e o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedor e pago à pessoa jurídica beneficiária domiciliada no País. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendose as glosas efetuadas, atendidos os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: I Serviços utilizados como insumos na fase agrícola: (item 1.1) Serviços de Terceiros Equipamentos Agrícolas: serviços de manutenção e solda em equipamentos agrícolas e de irrigação, e serviços de "lavagem de roupasherbicidas"; (item 1.2) Manutenção e Reparo de Equipamentos Agrícolas: peças aplicadas por terceiros na manutenção de implementos agrícolas e irrigação; (item 1.3) Fretes de compra (apenas para os valores comprovados através da apresentação de Conhecimento de Carga); e (item 1.4) Transporte de cana (bens aplicados em veículos próprios, utilizados no transporte de cana); II Bens utilizados como insumos na fase agrícola (item "1.2"): Óleo Diesel, Material Lubrificante, Pneus e Câmaras, Material de Manutenção, utilizados em veículos empregados especificamente na movimentação e transporte da canadeaçúcar e nos centros de custos relacionados à fase agrícola, tais como: Adutoras, Pivôs, Carregadeiras, Grades, Fazendas, Tratores, Sulcador, Aplicação de Herbicidas, Produção de Mudas; III Bens e serviços utilizados na fase industrial de fabricação de açúcar e álcool (itens "4.1" e "4.2") transporte de resíduo industriais; serviços de dedetização, desde que nas instalações da atividade produtiva; IV Encargos de depreciação de bens utilizados na fase agrícola: tratores, colheitadeiras, caminhões, reboques e outros bens utilizados na agricultura ou transporte da cana; e V Despesas com armazenagem e fretes nas operações de venda. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente em Exercício e Relator Fl. 1823DF CARF MF Processo nº 10410.901868/201383 Acórdão n.º 3201005.314 S3C2T1 Fl. 1.824 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo no Acórdão nº 1464.839: Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos do PIS não cumulativo do 2º Trimestre de 2012, no importe de R$ 47.838,11, formalizado por meio do PER/DCOMP nº 13350.31563.170713.1.1.088735 (fls. 34/41), ao qual a contribuinte vinculou declarações de compensação nas quais procurou extinguir débitos próprios, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. Analisada a pretensão, foi emitido o Despacho Decisório nº de Rastreamento 095447502 (fl. 42), no qual o direito creditório foi reconhecido parcialmente, disso resultando declaração de compensação homologada parcialmente e inexistência de saldo a ser ressarcido. Os fundamentos da decisão estão no Relatório Fiscal de fls. 1676/1711, no qual a autoridade fiscal se manifestou pelo deferimento parcial do pedido, e expôs os motivos de seu entendimento, conforme segue. Inicia esclarecendo que: a empresa dedicase à produção e comercialização de açúcar e álcool utilizando como matéria prima básica a canadeaçúcar obtida mediante produção própria ou adquirida de terceiros; como a maioria das empresas deste ramo, tem produção sazonal, normalmente ocorrendo o período de safra/produção entre os meses de setembro a março; a comercialização é feita tanto no mercado interno como no externo, sendo que o açúcar é predominantemente exportado e o álcool é majoritariamente comercializado no mercado interno. Passa a tratar dos créditos glosados informando inicialmente que o conceito de insumo, para fins de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins está regido em legislação própria e não pode ser confundido nem interpretado à luz da legislação do IRPJ. Relata que em atendimento ao Termo de Início de Ação Fiscal, a contribuinte apresentou planilhas detalhadas em que demonstrava a memória de cálculo dos valores de crédito que informou no DACON e que embasaram seus Pedidos de Ressarcimento. Informa ainda que estas planilhas apresentavam Fl. 1824DF CARF MF Processo nº 10410.901868/201383 Acórdão n.º 3201005.314 S3C2T1 Fl. 1.825 4 os insumos “que foram utilizados para compor os créditos discriminados por utilização em AGRICULTURA ou INDÚSTRIA”. Diz ainda que, na AGRICULTURA, a contribuinte incluiu também “as despesas (serviços, fretes, peças de veículos...) com o transporte e movimentação de canade açúcar, tanto a cana adquirida de terceiros como também a cana produzida em suas diversas fazendas até a unidade fabril”. Ressalta (os destaques são do original): Ora, em relação aos gastos ocorridos na Agricultura, tais aquisições não poderiam gerar direito aos créditos pleiteados por tratarse de ciclos produtivos diferentes: um, a atividade rural de cultivo da canadeaçúcar e outro, a produção de álcool e açúcar. A contribuinte fabrica açúcar e álcool, e além disso, cultiva parte da canadeaçúcar que utiliza na própria atividade industrial. Entende a Receita Federal que a fabricação de açúcar e álcool e a produção de canadeaçúcar são dois processos diferentes e que não se confundem para fins de apuração de PIS e Cofins no regime nãocumulativo. Além disso, não representam gastos com insumos utilizados na produção de produtos destinados à venda e sim gastos/insumos utilizados na obtenção de matérias prima para o próprio consumo. Notese que a empresa não vende cana e sim açúcar e álcool e a legislação do PIS/COFINS é clara quando restringe o direito ao crédito apenas a insumos utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. Registra que este entendimento está expresso em diversas Soluções de Consulta, das quais transcreve trechos, e ainda, que o mesmo entendimento se aplica a outras atividades do segmento agroindustrial como, por exemplo, siderúrgicas com produção própria de carvão vegetal, indústria de papel com produção própria de eucaliptos, e acrescenta: E não é só. Mesmo na absurda hipótese de creditamento de bens e serviços aplicados na área agrícola, nem assim os supostos créditos seriam integrais, uma vez que a maioria das atividades agrícolas (entre as quais se inclui a produção de cana...), está sujeita a que parte dos seus custos com preparo e plantio seja imobilizada através da EXAUSTÃO e, ao contrário da depreciação e da amortização, não existe qualquer previsão legal para o creditamento de quotas de exaustão. (...) (destaques no original) Apresenta, em nota de rodapé, a seguinte observação: A empresa apresentou uma planilha denominada Serviços de TerceirosAgrícola na qual relacionava todos os serviços de manutenção, frete de cana, solda, diversos,....efetuados na área agrícola. Para fins de melhor visualização, a ação fiscal "quebrou" esta planilha em várias outras de acordo com o tipo do serviço prestado: Frete de Cana, Serviços de Terceiros manutenção e solda de equipamentos agrícolas, Serviços Diversos e Serviços de Terceirosmanutenção e solda de veículos Fl. 1825DF CARF MF Processo nº 10410.901868/201383 Acórdão n.º 3201005.314 S3C2T1 Fl. 1.826 5 e equipamentos de transporte. A mesma "quebra" foi efetuada na Planilha Manutenção e Reparos, que foi dividida em Equipamentos Agrícolas e Transporte. Convém acrescentar que a "quebra" não implicou alteração nos valores totais, que, de qualquer forma e independentemente da divisão adotada, seriam glosados, uma vez que referemse a atividades que não ensejam creditamento. Passa então a informar as glosas efetuadas, relativas a aquisições para a área agrícola: 1.1 SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS ÁREA AGRÍCOLA Do valor total de Serviços Utilizados como Insumos foram glosados os seguintes créditos referentes a agricultura: • Serviços de TerceirosEquipamentos Agrícolas: serviços de manutenção e solda em equipamentos agrícolas e de irrigação; • Serviços Diversos: outros créditos de serviços na área agrícola, de natureza indireta e administrativa, tais como Consultoria Agrícola, Consultoria em Meio Ambiente, Lavagem de Roupa Herbicidas e Manutenção de Programas de Computador. • Manutenção e Reparo de Equipamentos Agrícolas: peças aplicadas por terceiros na manutenção de implementos agrícolas e irrigação. Os valores glosados estão demonstrados abaixo e também nas Planilhas “Apuração dos Valores de Serviços utilizados como Insumos” e “Serviços de Terceiros Prestados na Agricultura Creditamentos Glosados”, Anexo 04. (...) 1. 2 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS ÁREA AGRÍCOLA Conforme exposto anteriormente, em suas planilhas apresentadas a empresa englobou como “Agricultura” as despesas referentes à aquisição de bens utilizados em automóveis e veículos para a movimentação e transporte da cana de açúcar. Além disso, apresentou todas as aquisições em uma única planilha (“Bens Insumos”), sem separação por tipo ou natureza do bem. Com o objetivo de melhor apresentação e visualização dos créditos glosados, a ação fiscal separou os bens nas planilhas da empresa, utilizando a mesma classificação existente na Contabilidade (SPED ContábilReq. 1dffe5fa2f9348db9308 3175c5a3a827, Anexo 01), ou seja, Óleo Diesel, Material Lubrificante, Pneus e Câmaras, Material de Manutenção. A seguir, a empresa foi intimada a identificar centros de custos (item 2 do Termo de Intimação n° 03) e, com base nas informações recebidas (Respostas Apresentadas pela Empresa Anexo 03) e com base nas informações contábeis que Fl. 1826DF CARF MF Processo nº 10410.901868/201383 Acórdão n.º 3201005.314 S3C2T1 Fl. 1.827 6 identificavam o centro de custo para o qual o material foi requisitado, foram separados aqueles gastos específicos da agricultura ( bens utilizados em tratores, colheitadeiras, equipamentos de irrigação,...) daqueles mais específicos do transporte (caminhões, automóveis, motos,..). Em Agricultura foram considerados centros de custos tais como, Adutoras, Pivôs, Carregadeiras, Grades, Fazendas, Tratores, Sulcador, Aplicação de Herbicidas, Produção de Mudas,.... Em Transportes foram classificados os centros de custos Toyota Hillux, Fiat Uno, Ford Cargo, Caminhão MBB, Moto Honda, Pajero TR4, Reboques,... Os valores contábeis foram separados por Agricultura e Transporte e os percentuais obtidos aplicados sobre as aquisições constantes nas planilhas da empresa: Óleo Diesel, Lubrificantes, Pneus e Câmaras e Material de Manutenção. Os valores glosados estão relacionados abaixo e também nas Planilhas da Ação Fiscal “Apuração do Rateio entre Bens Utilizados na Área Agrícola e no Transporte de Cana” e “Apuração dos Valores de Bens Utilizados como Insumos” (Anexo 05). 1. 3 OUTRAS GLOSAS DE CRÉDITOS EFETUADAS NA ÁREA AGRÍCOLA Outros créditos também foram glosados na área Agrícola, tais como o Frete de Compras, Transporte de Cana, Transporte de Pessoal e Aluguéis de Veículos, os quais se encontram apresentados em tópicos específicos, a seguir. Discorre então sobre os fretes de compras, salientando a inexistência de previsão legal para a apuração de créditos sobre tais despesas. Depois, justifica as glosas relativas a “Frete de Compras na Aquisição de Bens” e, a seguir, as glosas relativas a “Frete de Compras na Aquisição de CanadeAçúcar de Terceiros”. Na sequência, trata dos créditos glosados no transporte de cana: A empresa possui diversas fazendas onde planta canadeaçúcar que é utilizada para consumo próprio em sua unidade fabril. Uma vez colhida esta cana é transportada de seus estabelecimentos agrícolas até a sua unidade fabril. Neste processo de movimentação da matériaprima, a empresa tanto utiliza sua frota própria de caminhões e reboques como também pode utilizar serviços de terceiros. Nos dois casos tratase da mesma situação, que é o comumente chamado “frete interno”, ou seja, o transporte de matériaprima, produto em elaboração ou produtos acabados entre estabelecimentos de uma mesma empresa. E o crédito para tal tipo de transporte é totalmente vedado pela legislação e por inúmeras Soluções de Consulta e Julgamento. Confiramse algumas: Fl. 1827DF CARF MF Processo nº 10410.901868/201383 Acórdão n.º 3201005.314 S3C2T1 Fl. 1.828 7 Cita soluções de consulta, bem como acórdãos de diversas DRJ, e conclui: Abaixo e também nas Planilhas “Apuração dos Valores de Bens Utilizados como Insumos” (Anexo 05) e “Apuração dos Valores de Serviços Utilizados como Insumos”, “Serviços com Creditamento Glosado” e “Detalhamento da Apuração das Glosas em Frete de Cana: Própria e Adquirida de Terceiros” (Anexo 04) estão demonstrados os valores glosados. Prossegue (destaques no original): Em Bens Aplicados em Equipamentos e Veículos de Transporte de Cana: Óleo Diesel, Lubrificantes, Pneus e Câmaras, Material de Manutenção, Os critérios utilizados na segregação destes créditos foram os já expostos no item 1.2 – Bens utilizados como Insumos – Área Agrícola. (...) Em Serviços Aplicados em Equipamentos e Veículos para o Transporte de Cana: Serviços de TerceirosCaminhões, Motos e Automóveis, Manutenção e Reparo de Veículos e Equipamentos de Transporte e Frete de Cana. (...) A seguir, o AuditorFiscal discorre sobre os créditos glosados na indústria. Sustenta (os destaques são do original): Como já exposto anteriormente, enseja o creditamento a utilização de insumos na atividade de “prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda” (lei 10.833/03, art. 3o, II), que, no caso da empresa, é a fabricação de açúcar e álcool. No entanto, no processo de análise dos bens e serviços que a empresa considerou em sua apuração, foram identificados diversos grupos de bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo da legislação do PIS/COFINS. São eles: 4.1 SERVIÇOS DE DEDETIZAÇÃO E TRANSPORTE DE RESÍDUOS Foram glosados dispêndios com Dedetização e Transporte de Resíduos, abaixo demonstrados e também nas Planilhas “Apuração dos Valores de Serviços Utilizados como Insumos” e “Serviços com Creditamento Glosado” (Anexo 04). (...) 4.2 – BENS E SERVIÇOS C/NATUREZA DE ATIVO FIXO Na análise dos bens que compuseram o crédito pleiteado pela empresa, foi constatada a existência de bens de alto valor unitário e com nítida natureza de ativo fixo. Fl. 1828DF CARF MF Processo nº 10410.901868/201383 Acórdão n.º 3201005.314 S3C2T1 Fl. 1.829 8 De acordo com o art. 346 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR), deverão ser capitalizadas partes e peças, cuja substituição resultar aumento de vida útil superior a um ano da máquina ou equipamento ao qual serão integrados: “Art. 346. Serão admitidas, como custo ou despesa operacional, as despesas com reparos e conservação de bens e instalações destinadas a mantêlos em condições eficientes de operação (Lei nº 4.506, de 1964, art. 48). § 1º Se dos reparos, da conservação ou da substituição de partes e peças resultar aumento da vida útil prevista no ato de aquisição do respectivo bem, as despesas correspondentes, quando aquele aumento for superior a um ano, deverão ser capitalizadas, a fim de servirem de base a depreciações futuras (Lei nº 4.506, de 1964, art. 48, parágrafo único).” Sobre o assunto convém destacar parte da Solução de Consulta 204: (...) Ora, é evidente que, se tratando de partes e peças significativas em um equipamento, a sua substituição irá aumentar a vida útil deste equipamento. É o caso, por exemplo, da substituição ou retífica de um bloco de motor de automóvel ou de um rotor em uma bomba. Desta forma a ação fiscal buscou identificar bens de alto valor unitário, significativos e relevantes na máquina ou equipamento e que não tenham sido novamente requisitados pelo menos nos dois anos seguintes. Os valores glosados estão abaixo demonstrados e também nas Planilhas “Apuração dos Valores de Bens Utilizados como Insumos” e “Bens com Creditamento Glosado” (Anexo 05). (...) 4.3 OUTROS BENS DIVERSOS Foram também glosadas aquisições diversas, tais como lâmpadas, fechaduras para porta, peças para arcondicionado, ferramentas, graxa e outros. Em relação ao material de construção glosado, convém ressaltar que a legislação não veda seu creditamento desde que incorporado ao bem ou instalação, onde passa a ter seu credito efetuado indiretamente através da depreciação. Sobre a graxa, que representou a glosa mais significativa, segue abaixo parte do Acórdão DRJ 02 42.382 sobre o assunto: Acórdão DRJ N° 0242.382 de 04 de fevereiro de 2013. GASTOS COM GRAXA Assim, não procede a alegação de que estaria revisto o entendimento contido na Solução de Divergência COSIT n° 12/2007, com a publicação da Solução de Divergência COSIT nº Fl. 1829DF CARF MF Processo nº 10410.901868/201383 Acórdão n.º 3201005.314 S3C2T1 Fl. 1.830 9 15/2008, uma vez que, conforme acima demonstrado, ambas tratam de questões específicas diversas e, portanto, convivem perfeitamente, sem nenhuma contradição entre si. Por conseguinte, a justificativa para enquadramento da graxa como insumo, para efeito de aproveitamento de crédito por se constituir produto indispensável à realização de suas atividades cai por terra, uma vez que a citada Solução de Divergência COSIT n° 12/2007 já abordou profundamente essa questão, conforme transcrito abaixo: 18.3) Em termos técnicos, as graxas são diferentes dos óleos lubrificantes, visto que elas são tidas como uma combinação de um fluido com um espessante, resultando em um produto homogêneo com qualidades lubrificantes. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), enquanto lubrificante ou óleo lubrificante é líquido obtido por destilação do petróleo bruto, utilizados para reduzir o atrito e o desgaste de engrenagens e peças, desde o delicado mecanismo de relógio até os pesados mancais de navios e máquinas industriais, a graxa é lubrificante fluido espessado por adição de outros agentes, formando uma consistência de 'gel' e tem a mesma função do óleo lubrificante, mas com consistência semisólida para reduzir a tendência do lubrificante a fluir ou vazar. Não fosse a disposição literal que se encontra no art. 3° Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003 (“bens utilizados como insumo ... na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes...”), as graxas com certeza poderiam ser aqui incluídas. Entretanto, o referido artigo não contém o termo graxa e, por isso, não se pode desonerar a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins. Tal ocorre porque: 18.3.1) Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre a exclusão do crédito tributário (art. 111 do CTN), de forma que o termo graxa deverá estar contemplado na lei; 18.5) Os combustíveis e lubrificantes geram direito ao creditamento não porque sejam insumos diretos de produção, mas apenas por disposição legal. (...) 19.2) Graxas. Tratase, mesmo no contexto produtivo da interessada, de insumo indireto de produção. Embora seja uma mercadoria com propriedades lubrificantes, difere dos lubrificantes, também ditos óleos lubrificantes e, por isso, deveriam constar literalmente da legislação em tela. Como tal não ocorre, também aqui se constata que não geram direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins; Os valores glosados estão abaixo demonstrados e também nas Planilhas “Apuração dos Valores de Bens Utilizados como Insumos” e “Bens com Creditamento Glosado” (Anexo 05). Fl. 1830DF CARF MF Processo nº 10410.901868/201383 Acórdão n.º 3201005.314 S3C2T1 Fl. 1.831 10 O Auditor Fiscal abre então um tópico intitulado “OUTROS VALORES GLOSADOS”, que divide em vários subitens, conforme segue: 5.1 – SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE PESSOAL A empresa contrata serviços de transporte tanto para os funcionários de sua área agrícola como também para funcionários da indústria. Apesar de ser um gasto de inegável alcance social e ser aceito na legislação do imposto de renda (evidentemente se não se revestir de liberalidade...), tal dispêndio não é considerado insumo para a legislação do PIS/COFINS, pelo fato de não se aplicar diretamente ao processo produtivo. Pese ainda o fato da maior parte deste dispêndio estar relacionada à área agrícola. Sobre o assunto convém destacar as seguintes Soluções de Divergência: (...) Foram os seguintes os valores glosados, também demonstrados nas Planilhas e também nas Planilhas “Apuração dos Valores de Serviços Utilizados como Insumos” e “Serviços com Creditamento Glosado” (Anexo 4): (...) 5.2 – SERVIÇOS DE ALUGUEL DE VEÍCULOS A legislação permite o creditamento de Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos, conforme Lei 10.833/03, art. 3º, IV: (...) Notese que neste caso a própria Lei usa o termo “atividades da empresa” ao contrário de outras disposições em que vincula o crédito à prestação de serviços e à produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Desta forma a ação fiscal aceitou todos os valores apresentados pela empresa em sua Planilha de Serviços/Aluguel de Máquinas e Equipamentos. Inclusive aqueles relacionados à Agricultura, uma vez que, repetimos, para este tipo de dispêndio a Lei não restringiu o creditamento à produção ou fabricação de produtos destinados à venda. No entanto, e embora tivesse sido englobado no valor dos Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos informado no DACON, foram glosados os dispêndios com aluguel de automóveis e aeronaves, os quais, a própria empresa separou e discriminou em planilhas próprias e separadas das planilhas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos. (...) Fl. 1831DF CARF MF Processo nº 10410.901868/201383 Acórdão n.º 3201005.314 S3C2T1 Fl. 1.832 11 Foram os seguintes os valores glosados, também demonstrados nas Planilhas “Apuração dos Valores de Aluguéis de Máquinas e Despesas de Armazenagem e Frete de Vendas” e Relatório Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas, Anexo 06: (...) 5.3 –DEPRECIAÇÃO A legislação do PIS/COFINS vincula o direito ao creditamento de encargos de depreciação à utilização dos bens na prestação de serviços ou na produção de bens destinados à venda. Confirase o art. 3o da lei 10.833/03: (...) Desta forma encargos de depreciação de bens não utilizados na fabricação de produtos destinados à venda não ensejam aproveitamento de crédito. É o caso de tratores, colheitadeiras, caminhões, reboques e outros bens utilizados na agricultura ou transporte da cana, conforme já exposto em itens anteriores. Convém ressaltar que, mesmo na absurda hipótese de concessão de crédito para agricultura e transporte de cana, nem assim os valores apresentados pela empresa poderiam ser integralmente acatados, uma vez que a empresa incluiu bens do tipo “Nissan Livina”, “Mitsubshi L 200”, “Pajero TR 4” e outros, que nem com muita boa vontade, poderiam ser considerados integrantes de um processo produtivo de fabricação de açúcar e álcool. Mesmo no processo de fabricação do açúcar e do álcool também foram encontrados bens que, que embora alocados fisicamente na área industrial, não se enquadram no conceito de utilização na fabricação de bens destinados à venda, como por exemplo, bomba centrífuga na casa de hóspedes, quadro de distribuição de energia do banheiro industrial, roupeiro em aço, águas residuais, betoneira, ferramentas manuais, splits, ar condicionado, escadas, e outros. (...) O detalhamento dos itens glosados está demonstrado na Planilha “Apuração das Glosas em Depreciação” e “Apuração dos Valores de Encargos de Depreciação e Ajustes Negativos”, Anexo 06. 5.4. DUPLICIDADE NO APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS A empresa adquire partes e peças para uso normal em máquinas, equipamentos e instalações de seu processo produtivo. É o caso de fusíveis, parafusos, material elétrico, perfis, contatores, tubos, etc... Tais materiais ensejam direito a crédito e são normalmente creditados quando de sua aquisição. Fl. 1832DF CARF MF Processo nº 10410.901868/201383 Acórdão n.º 3201005.314 S3C2T1 Fl. 1.833 12 No entanto estas mesmas peças também podem ser requisitadas do Almoxarifado para o Ativo Imobilizado, geralmente em grandes reformas ou recuperações na conta 142010990002 Obras em Andamento. Ao se analisar os registros contábeis desta conta foram observadas inúmeras contabilizações de grupos de contas (Material Elétrico e Material de Manutenção) que tem seu crédito apropriado quando da aquisição. No Termo de Intimação n° 04 a empresa foi intimada a apresentar dados dos materiais requisitados para essa conta e constatouse que para os Grupos Material Elétrico e Material de Manutenção, a maioria dos materiais requisitados, constava nas Planilhas de BensInsumos apresentadas pela empresa, ou seja, tiveram seu crédito apropriado no momento da aquisição. O problema é que, quando termina a recuperação ou reforma, o valor registrado em Obras em Andamento é creditado e debitado à conta específica do bem no Ativo Imobilizado. E, a partir do momento em que a reforma ou instalação é ativada, a mesma peça que teve seu crédito apropriado quando de sua aquisição, passa a ser novamente creditada, através da depreciação do bem no qual foi empregada. Em resumo, uma clara (e ilegal) situação de duplicidade na apropriação de créditos. Como é muito difícil definir o destino de uma peça de uso geral, o procedimento correto seria o de apropriar a totalidade do crédito na aquisição, porém efetuando o estorno proporcional quando de uma eventual e posterior destinação ao Ativo Imobilizado. Para tal a empresa poderia ter utilizado a Linha do DACON de “Ajustes Negativos de Crédito”. No entanto os valores que a empresa registrou nesta linha referemse apenas a devoluções de compra. No Termo de Intimação N° 9 a empresa foi então intimada a apresentar, em arquivo magnético, os materiais requisitados para Obras em Andamento. No arquivo apresentado a ação fiscal desconsiderou da apuração aqueles materiais que não foram objeto de creditamento na entrada, tais como tintas, eletrodos, cimento e outros. Também foram desconsiderados os materiais que já tinham sido glosados por não se enquadrarem no conceito de insumos, tais como lâmpadas e tomadas. Abaixo e nas planilhas “Glosa de Bens Utilizados como Insumos Duplicidade na Apuração do Crédito Bens com Creditamento na Aquisição Requisitados para o Ativo Fixo” e “Apuração dos Créditos de Depreciação dos Bens do Ativo Imobilizado e Ajustes Negativos”, Anexo 06, estão demonstrados os valores apurados: (...) Fl. 1833DF CARF MF Processo nº 10410.901868/201383 Acórdão n.º 3201005.314 S3C2T1 Fl. 1.834 13 5. 5. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETE DE VENDAS A maior parte da produção de açúcar da empresa é destinada e transferida para os armazéns da CRPAAALCooperativa Regional dos Produtores de Açúcar e Álcool de Alagoas, onde fica armazenada aguardando uma futura venda. Esta situação ficou evidenciada através da Diligência efetuada na CRPAAAL, em que esta foi intimada a apresentar os recebimentos de açúcar da Usina Triunfo (Anexo 1 Termos da Ação Fiscal). Na resposta apresentada (Anexo 3 Cartas e Respostas da Empresa e Diligências) , vêse claramente que a maior parte do açúcar foi destinada aos armazéns da Cooperativa. Mesmo boa parte do açúcar destinado à exportação também não foi transferida diretamente ao Porto de Maceió, mas sim a um armazém da Cooperativa em Marechal Deodoro, onde ficou armazenada até o seu transporte ao Porto. Para confirmar esta situação, o Porto de Maceió, através da EMPATEmpresa Alagoana de Terminais Ltda, também foi diligenciado no sentido de informar os recebimentos de açúcar para exportação da Usina Triunfo. Na resposta apresentada (Anexo 3 Cartas e Respostas da Empresa e Diligências), a EMPAT discriminou todos os recebimentos de açúcar, datas, quantidades e transportadora. Constatouse que a maior parte do açúcar foi transportado através da “Transportadora Padre Cícero” que nem sequer foi relacionada dentre os Fretes de Venda com direito a crédito informados na Planilha apresentada pela Usina Triunfo (Anexo 2 Planilhas Apresentadas pela Empresa Serviços). Ou seja, açúcar transportado dos armazéns da Cooperativa para o Terminal da EMPAT. Nesta situação fica claro que não existe nenhuma vinculação entre o frete e a venda. Tanto assim, que não há, no Conhecimento de Transporte, nenhuma indicação de quem seja o cliente da mercadoria. Na realidade tratase de “frete interno” ou “frete logístico”, ou ainda “frete para formação de estoque”, o qual não apresenta qualquer relação com a efetiva operação de venda. Sobre o assunto já foram emanadas diversas Soluções de Consulta, cujos trechos de maior interesse abaixo transcrevemos: (...) E mesmo para os demais fretes de vendas, ao cotejar a Planilha de Fretes de Venda apresentada pela empresa com as informações recebidas nas Diligências, constatouse ainda que: • A Usina Triunfo se creditou de fretes de transportadoras que não foram relacionadas dentre as transportadoras que entregaram o açúcar no Terminal da EMPAT, como por exemplo, A J B Transportes e Sandoval F de Moraes. Fl. 1834DF CARF MF Processo nº 10410.901868/201383 Acórdão n.º 3201005.314 S3C2T1 Fl. 1.835 14 • E mesmo dentre as transportadoras relacionadas, foram verificadas discrepâncias, como por exemplo o fato de a Usina Triunfo ter se creditado de fretes da “R de Oliveira Transportes” desde início de 2009 quando, de acordo com informações da EMPAT, tal empresa só começou a realizar entregas no Porto a partir de Setembro de 2009. Também foram verificados alguns fretes de transportadoras dos quais a Usina Triunfo se apropriou de créditos, não compatíveis com as informações de datas e quantidades fornecidas pela EMPAT/CRPAAA. Foram os seguintes os valores glosados, também demonstrados nas Planilhas “Apuração dos Valores de Aluguéis de Máquinas e Despesas de Armazenagem e Frete de Vendas” e Relatório Despesas de Armazenagem e Frete de Vendas Creditamentos Glosados, Anexo 06: (...) O AuditorFiscal apresenta então um tópico intitulado “APURAÇÃO DOS VALORES DO CRÉDITO”, no qual esclarece: Como consequência das glosas efetuadas foram apurados novos valores de crédito, demonstrados na Planilha “Resumo da Apuração dos Créditos” e “Apuração dos Valores dos Créditos Passíveis de Ressarcimento”, Anexo 06. (...) O valor correto apurado para o Pedido de Ressarcimento em questão totalizou R$ 16.110,32 (dezesseis mil cento e dez reais e trinta e dois centavos). As glosas de crédito totalizaram R$ 31.727,79 (trinta e um mil setecentos e vinte e sete reais e setenta e nove centavos) correspondente ao somatório dos valores indevidamente solicitados. Por fim, apresenta uma “Relação de Anexos”. Cientificada do Despacho Decisório por via postal em 15/12/2014, conforme Aviso de Recebimento – AR de fl. 44, no dia 09/01/2015 a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 02/07. Após breve resumo do objeto da manifestação de inconformidade, a contribuinte passa a contestar as glosas efetuadas alegando, inicialmente, que a autoridade fiscal teria se equivocado na glosa dos créditos. Transcreve o caput e o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e sustenta: É claro o dispositivo em comento ao prever a possibilidade de utilização pelo contribuinte de créditos calculados sobre os bens e serviços utilizados como insumos da produção de bens. No caso em questão, resta incontroverso que a Manifestante exerce atividade agroindustrial, consistente no cultivo da cana de açúcar e sua transformação em açúcar e álcool. Fl. 1835DF CARF MF Processo nº 10410.901868/201383 Acórdão n.º 3201005.314 S3C2T1 Fl. 1.836 15 Assim, os gastos com a aquisição de bens e as despesas incorridas no processo produtivo da Manifestante geram o direito à apropriação do crédito a título de PIS não cumulativo. Analisandose o despacho decisório ora combatido, observase que a decisão combatida, ao glosar diversos créditos utilizados pela Manifestante, ignorou as especificidades da atividade agroindustrial por ela desenvolvida, cindindo, de forma absurda, as atividades agrícolas e industriais, com o único propósito de impedir a plena fruição dos créditos que a legislação tributária assegura ao contribuinte. Com efeito, a grande controvérsia estabelecida no Despacho Decisório está em saber se a Manifestante poderia apropriarse de créditos a título de PIS não cumulativo pelas despesas relacionadas a insumos pertinentes à etapa de cultivo da cana de açúcar que será utilizada como matéria prima no processo de industrialização. A resposta, por óbvio, só pode ser positiva. Mas não se consegue chegar à resposta sem a exata compreensão do que seja atividade agroindustrial. E foi esse o equívoco em que incorreu o despacho decisório aqui impugnado. Passa então a discorrer sobre “atividade agroindustrial”. Além de invocar, neste sentido, o art. 22A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e o art. 6º da Instrução Normativa SRF nº 660, de 17 de julho 2006, salienta que “a própria Receita Federal, em seus atos normativos, reconhece que a atividade desenvolvida pela Manifestante se enquadra na categoria de ‘agroindustrial’, não se confundindo com a atividade agropecuária nem com a atividade industrial em sentido estrito”. Prossegue (os destaques são do original): Resta demonstrado, portanto, que a pessoa jurídica, como sucede com a Manifestante, "cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros" enquadrase no conceito de agroindústria. Essa premissa é fundamental para que se compreenda o direito creditório da Manifestante, que foi absurdamente glosado no despacho decisório aqui impugnado. A atividade agroindustrial, por imposição da definição dada pelo art. 22A, caput, da Lei n° 8.212/91, abrange a industrialização da produção própria ou de terceiros. Portanto, tratandose de produção própria, as despesas incorridas na lavoura, plantio, conservação, aplicação de herbicidas, adubação, além de outras geram direito ao crédito da COFINS não cumulativa, de que trata o art. 3o da Lei n. 10.833/03. Alega que o entendimento adotado pela fiscalização criaria uma situação antiisonômica, pois a aquisição de matéria prima, no caso, canadeaçúcar, de terceiros daria origem Fl. 1836DF CARF MF Processo nº 10410.901868/201383 Acórdão n.º 3201005.314 S3C2T1 Fl. 1.837 16 ao crédito presumido da Cofins, enquanto a produção da matériaprima pela própria industrializadora não seria beneficiada com o creditamento. Acrescenta: Assim, usinas de açúcar que predominantemente adquirissem canas de açúcar através de terceiros (fornecedores) gozariam de uma situação fiscal muito mais favorecida (em razão do crédito presumido gerado nessa aquisição) em relação às usinas que optassem por investir na produção própria da matériaprima (as quais não teriam direito ao crédito de insumos, segundo o despacho decisório ora questionado). Revelase, também por esse motivo, inaceitável a glosa efetuada no despacho decisório ora questionado. A subdivisão ilegal (porque colide frontalmente com o disposto no art. 22A, caput, da Lei n. 8.212/91) promovida pelo despacho decisório entre a fase agrícola e a fase industrial de uma agroindústria, como se pudessem ser seccionadas para fins de apropriação das despesas da Manifestante, gerou a glosa equivocada. Todas as despesas que integram a fase agrícola, envolvendo aí, mas não somente: o tratamento do solo, plantio, manejo e colheita representam insumos para o processo fabril do açúcar e do álcool. Não há como a empresa Manifestante produzir açúcar e álcool sem promover os tratos culturais, plantio e demais trabalhos sobre a lavoura da canadeaçúcar, que é sua matéria prima fundamental. Essas etapas integram o seu processo produtivo e não poderiam ser seccionadas, como equivocadamente o fizera o despacho decisório em questão, exclusivamente com o propósito de glosar os créditos fiscais que a Lei n. 10.833/03, em seu art. 3o, já assegura ao contribuinte. Depois a contribuinte passa a alegar o direito à apuração de créditos sobre todas as suas despesas incorridas na área agrícola, bem como com transporte de pessoal, transporte de matériaprima, etc, uma vez que se trata de atividades essenciais ao seu processo produtivo: O mesmo sucede em relação aos custos com frete, serviços de transporte de pessoal, serviços de dedetização, transporte de resíduos, serviços de manutenção e reparo dos equipamentos agrícolas, e todos os demais serviços utilizados como insumos na área agrícola pela empresa. De fato, seria inimaginável que a Manifestante cultivasse a matériaprima fundamental por ela produzida (canadeaçúcar) e deixasse de realizar o transporte do que foi colhido para as suas caldeiras, a fim de iniciar o processamento fabril. As diversas despesas com transporte (aí incluindo o transporte dos trabalhadores que precisam ser deslocados entre as diversas Fl. 1837DF CARF MF Processo nº 10410.901868/201383 Acórdão n.º 3201005.314 S3C2T1 Fl. 1.838 17 fazendas onde se situam os canaviais, assim como o transporte do produto colhido do campo para a indústria) são essenciais ao processo produtivo e integram a base de cálculo do crédito previsto no art. 3o da Lei n. 10.833/03. Não se pode supor que esses custos seriam supostamente "indiretos", isto é, não integrariam o processo produtivo, pois, como visto, a premissa equivocada de que se partiu no despacho decisório para glosa dos créditos informados nas declarações de compensação foi a de que os custos incorridos na fase agrícola seriam desprezíveis. Afirma ainda: Como se demonstrou, o despacho decisório partiu da premissa de que a Manifestante exerceria atividade industrial, quando, na verdade, exerce atividade agroindustrial! A atividade do contribuinte deve ser vista como um todo único e indivisível, segundo a própria definição extraída do art. 22A, caput, da Lei n. 8.212/91. Notese que uma simples interpretação literal do art. 3o, II, da Lei n° 10.833/03, que alude a insumos aplicados na “produção ou fabricação” de bens e serviços destinados à venda, fica claro que a lei contemplou com o direito de crédito tanto a “produção” quanto a “fabricação”. Por fim, a contribuinte conclui: Diante das considerações acima aduzidas, vem a Manifestante, respeitosamente, à presença de V. Exa, requerer seja reformado o despacho decisório exarado nos autos do processo n. 10410.901.868/201383, reconhecendo em favor da Manifestante a totalidade dos créditos informados no PER 13350.31563.170713.1.1.088735 e nas DCOMP’s a ele correspondentes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP por intermédio da 11ª Turma, no Acórdão nº 1464.839, sessão de 23/03/2017, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012 NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo da Cofins nãocumulativa somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, Fl. 1838DF CARF MF Processo nº 10410.901868/201383 Acórdão n.º 3201005.314 S3C2T1 Fl. 1.839 18 aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Bens e serviços empregados no cultivo de canadeaçúcar não se classificam como insumos na fabricação de álcool ou de açúcar, por se tratarem de processos produtivos diversos. As despesas com aqueles itens não geram direito à apuração de créditos na determinação da contribuição devida sobre as receitas auferidas com vendas de açúcar e de álcool produzidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa os mesmos argumentos para pleitear o deferimento integral dos valores que constam do pedido de ressarcimento e homologação de todas as declarações de compensações. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Considerações Iniciais No mérito, consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não concedeu o ressarcimento da integralidade de saldo credor da Contribuição nãocumulativa, apurado no trimestre em referência e vinculados às receitas de vendas para o mercado externo, em razão de glosa de créditos com bens e serviços não considerados insumos e outros dispêndios. A recorrente é uma agroindustrial que se dedica às atividades de plantio, cultivo e colheita de canadeaçúcar com fins à produção de álcool e açúcar, este destinado principalmente à exportação. Dessa forma, consoante às Leis que instituíram a sistemática de apuração não cumulativa para o PIS/Pasep e para a Cofins é permitida à pessoa jurídica que se dedica à atividade industrial a tomada de créditos nas aquisições de bens e serviços considerados insumos na produção e prestação de serviços, e de despesas específicas, a teor do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Fl. 1839DF CARF MF Processo nº 10410.901868/201383 Acórdão n.º 3201005.314 S3C2T1 Fl. 1.840 19 A autoridade julgadora de 1ª instância entendeu que a contribuinte limitouse apenas à contestação das glosas como um todo, sem apresentar nenhum questionamento quanto aos cálculos apresentados pela autoridade fiscal. De fato, na manifestação de inconformidade e agora em recurso voluntário, a contribuinte, no mérito, insurgese quanto ao procedimento fiscal que glosou os créditos apropriados com os dispêndios relacionados aos insumos da fase agrícola, e mais; para a recorrente, todas as despesas incorridas e sua atividade econômica geram crédito a serem descontados das contribuições. Não se trata de uma contestação genérica. A recorrente pretende o reconhecimento dos créditos de insumos na fase agrícola, tal como a fiscalização concedera na atividade de produção de açúcar/álcool (desde que obedecidos os requisitos legais). Outrossim, resta claro nos autos que se pretende créditos com todas as despesas incorridas no âmbito de sua atividade econômica. Assim, incumbe a este Colegiado decidir acerca da possibilidade da recorrente apropriarse dos créditos nas aquisições de bens e serviços vinculados à atividade agrícola plantio, cultivo e colheita da principal matériaprima (canadeaçúcar) dos produtos fabricados e destinados à venda. De outra banda, devese decidir no tocante à extensão dos dispêndios que a legislação de regência permite a apropriação dos créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. Os dispositivos dos incisos e parágrafos do art. 3º da Lei nºs 10.637/03 (PIS/Pasep) e da Lei 10.833/03 (Cofins) são suficientes para decidir o litígio. De ressaltar, contudo, que este voto devese ater apenas aos elementos que constam nos autos com fins à confrontação da descrição do dispêndio, sua correlação com o centro de custo relacionado à natureza da atividade e o motivo da glosa efetuada pela autoridade fiscal. Passemos às matérias em litígio. Conceito de insumos para créditos de PIS e Cofins Este Conselho, incluindo esta Turma, entende que o conceito de insumo é mais elástico que o adotado pela fiscalização e julgadores da DRJ nas suas Instruções Normativas n°s. 247/2002 e 404/2004, mas não alcança a amplitude de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda, como requer a recorrente. Isto posto, há de se fixar os contornos jurídicos para delimitar os dispêndios (gastos) que são considerados insumos com direito ao crédito das contribuições sociais, quer no processo produtivo ou na prestação de serviço. Ressalto que este Relator vinha acolhendo e adotando o conceito estabelecido pelo Ministro do STJ Mauro Campbell Marques no voto condutor do REsp nº 1.246.317MG, Fl. 1840DF CARF MF Processo nº 10410.901868/201383 Acórdão n.º 3201005.314 S3C2T1 Fl. 1.841 20 no qual se firmara o entendimento no tripé de que (i) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos em síntese, tenha pertinência ao processo produtivo; (ii) a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição a essencialidade ao processo produtivo; e (iii) não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto que exprime a possibilidade de emprego indireto no processo produtivo. Recentemente os Ministros do STJ reviram seu posicionamento mantendose a decisão intermediária para concessão do crédito considerandose a essencialidade ou relevância do bem ou serviço no processo produtivo, conforme o REsp nº 1.221.170/PR, julgamento de 22/02/2018, Relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, com a ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos [sic] realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz Fl. 1841DF CARF MF Processo nº 10410.901868/201383 Acórdão n.º 3201005.314 S3C2T1 Fl. 1.842 21 dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Este novo entendimento, que na verdade não conduz à divergência em relação à decisão no REsp indigitado, insere outros fundamentos para a delimitação dos elementos que geram crédito assentado na essencialidade ou relevância a ser aferida no cotejo (desses elementos) com o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa. A seguir os excertos do voto vista proferido pela Ministra Regina Helena Costa que acabou por pautar o entendimento exarado no voto condutor do Ministro Relator que considero relevantes para demonstrar o entendimento daquele Tribunal e adotálos neste voto: [...] Nesse cenário, penso seja possível extrair das leis disciplinadoras dessas contribuições o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, tal como já expressei, no TRF da 3ª Região, no julgamento das Apelações Cíveis em Mandado de Segurança ns. 001235252.2010.4.03.6100/SP e 0005469 26.2009.4.03.6100/SP, respectivamente em 15.12.2011 e 31.05.2012. [...] Marco Aurélio Greco, ao dissertar sobre a questão, pondera: De fato, serão as circunstâncias de cada atividade, de cada empreendimento e, mais, até mesmo de cada produto a ser vendido que determinarão a dimensão temporal dentro da qual reconhecer os bens e serviços utilizados como respectivos insumos [...] O critério a ser aplicado, portanto, apóiase na inerência do bem ou serviço à atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte (por decisão sua e/ou por delineamento legal) e o grau de relevância que apresenta para ela. Se o bem adquirido integra o desempenho da atividade, ainda que em fase anterior à obtenção do produto final a ser vendido, e assume a importância de algo necessário à sua existência ou útil para que possua determinada qualidade, então o bem estará sendo utilizado como insumo daquela atividade (de produção, fabricação), pois desde o momento de sua aquisição já se encontra em andamento a atividade econômica que – vista global e unitariamente – desembocará num produto final a ser vendido. (Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS , in Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, Belo Horizonte, n. 34, jul./ago. 2008, p. 6) Fl. 1842DF CARF MF Processo nº 10410.901868/201383 Acórdão n.º 3201005.314 S3C2T1 Fl. 1.843 22 [...] Demarcadas tais premissas, temse que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço.Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revelase mais abrangente do que o da pertinência. [...] Como visto, consoante os critérios da essencialidade e relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados pelo CARF, há que se analisar, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou de relevância para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa. Observandose essas premissas, penso que as despesas referentes ao pagamento de despesas com água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI, em princípio, inseremse no conceito de insumo para efeito de creditamento, assim compreendido num sistema de não cumulatividade cuja técnica há de ser a de "base sobre base". Todavia, a aferição da essencialidade ou da relevância daqueles elementos na cadeia produtiva impõe análise casuística, porquanto sensivelmente dependente de instrução probatória, providência essa, como sabido, incompatível com a via especial. Logo, mostrase necessário o retorno dos autos à origem, a fim de que a Corte a quo, observadas as balizas dogmáticas aqui delineadas, aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custos e despesas com:água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. [...] Firmado nos fundamentos assentados, quanto ao alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS, entendo que a Fl. 1843DF CARF MF Processo nº 10410.901868/201383 Acórdão n.º 3201005.314 S3C2T1 Fl. 1.844 23 acepção correta é aquela em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de: 1. essencialidade ou relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte; 2. aferição casuística da essencialidade ou relevância, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa; Assim, há de se verificar se o recorrente comprova a utilização dos insumos no contexto da atividade fabricação, produção ou prestação de serviço de forma a demonstrar que o gasto incorrido guarda relação de pertinência com o processo produtivo/prestação de serviço, mediante seu emprego, ainda que indireto, de forma que sua subtração implique ao menos redução da qualidade. Passo à análise da possibilidade de apropriação de créditos das contribuições nas despesas com bens e serviços na fase agrícola (plantio e cultivo), em que se inicia o processo industrial da agroindústria, como é o caso da contribuinte. Créditos com insumos na fase agrícola Na linha de raciocínio assentada, depreendese que o processo produtivo considera todo o ciclo de produção e compõe o objeto de uma única pessoa jurídica, sendo indevido interpretálo como etapas distintas que se completam, e o direito ao crédito é concedido àquela em que se pressupõe uma industrialização mais efetiva ou a que resulta no bem final destinado à venda. Não há fundamento para tal, sequer autorização nos textos legais. As leis que regem a não cumulatividade atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda, inexistindo amparo legal para secção do processo produtivo da sociedade empresária agroindustrial em cultivo de matériaprima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no plantio, cultivo e colheita da canadeaçúcar guardam estreita relação de emprego, relevância e essencialidade com o processo produtivo do açúcar e do álcool e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas. Com base nesses fundamentos entendo pela possibilidade da contribuinte apropriarse dos créditos de PIS e Cofins decorrentes das despesas com bens e serviços utilizados como insumos na etapa agrícola, do plantio à colheita da canadeaçúcar, aplicados no processo industrial da pessoa jurídica, e atendidos todos os demais requisitos da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003 pertinentes à matéria e que não incorram nas vedações previstas nos referidos textos. Fl. 1844DF CARF MF Processo nº 10410.901868/201383 Acórdão n.º 3201005.314 S3C2T1 Fl. 1.845 24 Análise das glosas na fase agrícola A fabricação de açúcar e álcool e a produção de canadeaçúcar são processos indissociáveis de forma que os custos e despesas com a cultura de canadeaçúcar e seu transporte até a unidade de fabricação do açúcar e do álcool enquadramse no conceito legal de insumo desta fabricação. A autoridade fiscal glosou créditos lançados pela contribuinte e relacionados ao cultivo da canadeaçúcar que, posteriormente, serviria à produção própria de açúcar e álcool. Segundo a autoridade fiscal, tais créditos foram apurados indevidamente por não terem sido, os bens e serviços, diretamente empregados na fabricação do açúcar e do álcool. Nenhum outro fundamento foi assentado para glosa. A posição adotada por este Colegiado para considerar custos e despesas geradoras do direito creditório como aquelas em que o bem/serviço participa do processo produtivo (fase agrícola) de forma essencial e necessária implica reconhecer os dispêndios com aquisições de bens e serviços, com a observação a seguir. Dessa forma revertemse as glosas de créditos com custos e/ou despesas nos itens a seguir relacionados, atendidos aos demais requisitos da legislação das Contribuições não cumulativas, em especial dos §§ 2º e 3º do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, com a observação adicional de que, em se tratando de bens/serviços cujos dispêndios são incorporados ao Ativo Imobilizado, os créditos concedidos limitamse ao valor da depreciação (e não de despesas), conforme as regras contábeis, e art. 3º, inciso VII do caput, e inciso III o §1º, das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002: Tópico "1.1 SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS ÁREA AGRÍCOLA" Serviços de TerceirosEquipamentos Agrícolas: serviços de manutenção e solda em equipamentos agrícolas e de irrigação. Serviços de Lavagem de RoupaHerbicidas Manutenção e Reparo de Equipamentos Agrícolas: peças aplicadas por terceiros na manutenção de implementos agrícolas e irrigação. Tópico "1. 2 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS ÁREA AGRÍCOLA" Aquisição de bens (Óleo Diesel, Material Lubrificante, Pneus e Câmaras, Material de Manutenção) utilizados em veículos empregados especificamente na movimentação e transporte da canadeaçúcar e nos centros de custos relacionados à fase agrícola, tais como Adutoras, Pivôs, Carregadeiras, Grades, Fazendas, Tratores, Sulcador, Aplicação de Herbicidas, Produção de Mudas Fretes na fase agrícola Fl. 1845DF CARF MF Processo nº 10410.901868/201383 Acórdão n.º 3201005.314 S3C2T1 Fl. 1.846 25 Na atividade industrial, conquanto não haja expressa previsão legal à tomada de crédito nas despesas com frete na aquisição de insumos, a interpretação que se dá ao art. 3º, I e § 1º, I das Leis 10.637/02 e 10.833/03 cumulada com o art. 290 do RIR/1999 possibilita o entendimento de que é legítima a apropriação dos créditos do PIS e das Cofins, calculados sobre o valor do frete relativo ao serviço de bens a serem utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Os textos legais: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, (...); (...) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2ª desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; (...) Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, §1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; (...) De acordo com os referidos preceitos legais, inferese que a parcela do valor do frete, relativo ao transporte de bens a serem utilizados como insumos de produção ou fabricação de bens destinados à venda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Assim, sendo o bem transportado um insumo com direito a credito, também o será o gasto com transporte, se suportado pelo adquirente e pago à pessoa jurídica. Portanto, revertemse as glosas do Tópico "1. 3 OUTRAS GLOSAS DE CRÉDITOS EFETUADAS NA ÁREA AGRÍCOLA" relacionadas: Fretes de compra (apenas para os valores comprovados através da apresentação de Conhecimento de Carga) Fl. 1846DF CARF MF Processo nº 10410.901868/201383 Acórdão n.º 3201005.314 S3C2T1 Fl. 1.847 26 Transporte de cana (bens aplicados em veículos próprios, utilizados no transporte de cana) Análise das glosas na fase industrial (produção de açúcar e álcool) As glosas de gastos com bens e serviços descritos a partir do item "4.1" a "4.4" do Relatório Fiscal tiveram fundamento na ausência de enquadramento no conceito de insumo. Como relatado linhas acima, a contribuinte não questiona o conceito de insumo empregado pelo Fisco e tampouco asseverou seu próprio entendimento, apenas pretende crédito de todos os gastos incorridos em sua atividade empresarial. Nada obstante, a descrição de alguns dos dispêndios permite concluir pela sua essencialidade ou relevância face à atividade industrial desenvolvida. Dessa forma revertemse as glosas relativas a: Transporte de resíduo industriais Serviço de dedetização, desde que nas instalações da atividade produtiva. Outros bens e serviços pretensamente utilizados nas atividades industriais carecem de comprovação, ônus do qual não se desincumbiu a recorrente. Glosas de Despesas Os dispêndios com serviços de transporte de pessoal carecem de previsão legal para o aproveitamento do crédito. Quanto aos automóveis e aeronaves alugados não se tem comprovação de uso como equipamento nas atividades da empresa, mantendose a glosa com base no art. 3º da Lei nº 10.833/03. Encargos de depreciação Os mesmos fundamentos para a reversão das glosas de gastos com bens utilizados na etapa agrícola são válidos para a manutenção do crédito com encargos de depreciação de tratores, colheitadeiras, caminhões, reboques e outros bens utilizados na agricultura ou transporte da cana. Mantémse as glosas de créditos dos demais encargos de depreciação de veículos e bens não utilizados nas etapas produtivas e de fabricação. Fl. 1847DF CARF MF Processo nº 10410.901868/201383 Acórdão n.º 3201005.314 S3C2T1 Fl. 1.848 27 Produtos acabados Armazenagem e frete na venda A fiscalização glosou os créditos com despesas de armazenagem e frete pois entendeu restar descaracterizada a operação de venda a cliente. Segundo a autoridade fiscal, a inexistência de informação do clienteadquirente nos documentos fiscais bem como a entrega do açúcar fabricado em locais que não identificam a venda/exportação, no caso o porto de embarque, revelam uma mera operação de “frete interno” ou “frete logístico”, ou ainda “frete para formação de estoque”, o qual não apresenta qualquer relação com a efetiva operação de venda. Discordo do entendimento fiscal. A legislação referente ao PIS/PASEP (Lei nº 10.637/2004) e a COFINS (Lei nº 10.833/2003) tratam da possibilidade de creditamento do frete como insumo no processo produtivo e na operação de venda (suas etapas) quando o ônus for suportado pelo vendedor, como dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. A operação de venda não se revela simplesmente pela saída do produto acabado do estabelecimento industrial diretamente ao adquirente ou embarque para exportação. No caso, a operação de venda comporta uma logística de transporte e armazenagem do açúcar fabricado, caracterizandose necessários à atividade final de venda. Dessa forma, não se pode admitir que as transferências do produto fabricado restringemse a uma mera opção de logística ou comercial, mas essencial e necessários à preservação dos produtos até que se complete a atividade final de venda. Neste sentido é o entendimento deste Colegiado no Acórdão nº 3201 004.279, sessão de 23/10/2018, cujo voto vencedor na matéria é de lavra do Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, que transcrevo na parte que interessa a este julgamento: [...] No caso dos gastos logísticos na venda, entendo que estão abrangidos pela expressão “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda”, conforme consta no inciso IX do artigo Fl. 1848DF CARF MF Processo nº 10410.901868/201383 Acórdão n.º 3201005.314 S3C2T1 Fl. 1.849 28 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. Entendo que são termos cuja semântica abrange a movimentação das cargas na operação de venda.. Assim, tais dispêndios logísticos estão inseridos no direito de crédito, respeitados os demais requisitos da Lei, como, por exemplo, que o serviço seja feito por pessoas jurídicas tributadas pelo Pis e Cofins. Outrossim, as discrepâncias entre quantidades e datas nos conhecimentos de transporte ou documentos do armazenador não desnaturam a operação como de armazenagem e frete de venda, com direito ao aproveitamento do crédito a teor do inciso IX, do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Com essas considerações, concedese o creditamento dos fretes de produtos acabados, em que o ônus é suportado pelo vendedor e pago à pessoa jurídica beneficiária domiciliada no País à vista de documento fiscal hábil e idôneo. Por fim, a ausência de refutação específica as todas os demais dispêndios (insumos ou despesas) glosados, além do não afastamento da acusação fiscal de duplicidade no aproveitamento de créditos (item "5.4") e não apresentação de documentação comprobatória, mantémse as glosas efetivadas pela autoridade fiscal. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendose as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria, exclusivamente quanto a: 1. Serviços utilizados como insumos na fase agrícola (itens "1.1" e "1.3") 1.1 Serviços de TerceirosEquipamentos Agrícolas: serviços de manutenção e solda em equipamentos agrícolas e de irrigação, e serviços de lavagem “roupasHerbicidas”; 1.2 Manutenção e Reparo de Equipamentos Agrícolas: peças aplicadas por terceiros na manutenção de implementos agrícolas e irrigação; 1.3 Fretes de compras (apenas para os valores comprovados através da apresentação de Conhecimento de Carga); 1.4 Transporte de cana (bens aplicados em veículos próprios, utilizados no transporte de cana) 2. Bens utilizados como insumos na fase agrícola (item "1.2") 2.1 Óleo Diesel, Material Lubrificante, Pneus e Câmaras, Material de Manutenção, utilizados em veículos empregados especificamente na movimentação e transporte da canadeaçúcar e nos centros de custos relacionados à fase agrícola, tais como: Adutoras, Pivôs, Carregadeiras, Grades, Fazendas, Tratores, Sulcador, Aplicação de Herbicidas, Produção de Mudas. Fl. 1849DF CARF MF Processo nº 10410.901868/201383 Acórdão n.º 3201005.314 S3C2T1 Fl. 1.850 29 3. Bens e serviços utilizados na fase industrial de fabricação de açúcar e álcool (itens "4.1" e "4.2") 3.1 Transporte de resíduos industriais; 3.2 Serviços de dedetização, desde que nas instalações da atividade produtiva; 4. Encargos de depreciação de bens utilizados na fase agrícola: tratores, colheitadeiras, caminhões, reboques e outros bens utilizados na agricultura ou transporte da cana; e 5. Despesas com armazenagem e fretes nas operações de vendas (à vista de documento fiscal hábil e idôneo). (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 1850DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720764/2017-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012, 2013
ISENÇÃO. ENTIDADES DE DESPORTO PROFISSIONAL DA MODALIDADE FUTEBOL. FICÇÃO JURÍDICA. ALCANCE DOS EFEITSO.
As entidades desportivas de caráter profissional na modalidade futebol gozam de isenção, por se enquadrarem como associações civis sem fins lucrativos nos termos da lei.
As entidades sem finalidade de lucro são aquelas em que o resultado positivo não é destinado aos detentores do patrimônio líquido e o lucro ou prejuízo são denominados, respectivamente, de superávit ou déficit. Desse modo, o fato da associação realizar atividades econômicas não permite concluir que ela possui finalidade lucrativa, pelo contrário, faz parte do seu escopo de obter recursos para fomentar suas atividades empresariais.
A equiparação às sociedades empresárias estabelecida pela Lei Pelé em seu art. 27, §13º, possui natureza de ficção jurídica, se restringindo, portanto, apenas aos aspectos que a própria lei dispôs, é dizer, no tocante à fiscalização e controle do que for disposto naquele diploma normativo, não abrangendo outros aspectos, mormente o tributário.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012, 2013
CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO.
Aplica-se a mesma solução dada ao IRPJ, em razão do lançamento estar apoiado nos mesmos elementos de convicção.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012, 2013
COFINS. ISENÇÃO.
As entidades desportivas de caráter profissional na modalidade futebol gozam de isenção, por se enquadrarem como associações civis sem fins lucrativos nos termos da lei.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2012, 2013
PIS. ISENÇÃO.
As entidades desportivas de caráter profissional na modalidade futebol gozam de isenção, por se enquadrarem como associações civis sem fins lucrativos nos termos da lei.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2012, 2013
DECADÊNCIA. PIS E COFINS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Constatada a existência de pagamento, na hipótese de lançamento por homologação, há de se reconhecer a decadência quando o lançamento de ofício ocorre após o prazo de 05 anos, contados da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 1301-003.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite (relatora) que votou por lhe dar provimento parcial para reconhecer a decadência dos lançamentos de PIS e COFINS relativa aos períodos de jan/2012 a nov/2012. Designado o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto para redigir o voto vencedor.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Giovana Pereira de Paiva Leite - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: GIOVANA PEREIRA DE PAIVA LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012, 2013 ISENÇÃO. ENTIDADES DE DESPORTO PROFISSIONAL DA MODALIDADE FUTEBOL. FICÇÃO JURÍDICA. ALCANCE DOS EFEITSO. As entidades desportivas de caráter profissional na modalidade futebol gozam de isenção, por se enquadrarem como associações civis sem fins lucrativos nos termos da lei. As entidades sem finalidade de lucro são aquelas em que o resultado positivo não é destinado aos detentores do patrimônio líquido e o lucro ou prejuízo são denominados, respectivamente, de superávit ou déficit. Desse modo, o fato da associação realizar atividades econômicas não permite concluir que ela possui finalidade lucrativa, pelo contrário, faz parte do seu escopo de obter recursos para fomentar suas atividades empresariais. A equiparação às sociedades empresárias estabelecida pela Lei Pelé em seu art. 27, §13º, possui natureza de ficção jurídica, se restringindo, portanto, apenas aos aspectos que a própria lei dispôs, é dizer, no tocante à fiscalização e controle do que for disposto naquele diploma normativo, não abrangendo outros aspectos, mormente o tributário. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2012, 2013 CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplica-se a mesma solução dada ao IRPJ, em razão do lançamento estar apoiado nos mesmos elementos de convicção. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2012, 2013 COFINS. ISENÇÃO. As entidades desportivas de caráter profissional na modalidade futebol gozam de isenção, por se enquadrarem como associações civis sem fins lucrativos nos termos da lei. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2012, 2013 PIS. ISENÇÃO. As entidades desportivas de caráter profissional na modalidade futebol gozam de isenção, por se enquadrarem como associações civis sem fins lucrativos nos termos da lei. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2012, 2013 DECADÊNCIA. PIS E COFINS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Constatada a existência de pagamento, na hipótese de lançamento por homologação, há de se reconhecer a decadência quando o lançamento de ofício ocorre após o prazo de 05 anos, contados da ocorrência do fato gerador.
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ENTIDADES DE DESPORTO PROFISSIONAL DA MODALIDADE FUTEBOL. FICÇÃO JURÍDICA. ALCANCE DOS EFEITSO. As entidades desportivas de caráter profissional na modalidade futebol gozam de isenção, por se enquadrarem como associações civis sem fins lucrativos nos termos da lei. As entidades sem finalidade de lucro são aquelas em que o resultado positivo não é destinado aos detentores do patrimônio líquido e o lucro ou prejuízo são denominados, respectivamente, de superávit ou déficit. Desse modo, o fato da associação realizar atividades econômicas não permite concluir que ela possui finalidade lucrativa, pelo contrário, faz parte do seu escopo de obter recursos para fomentar suas atividades empresariais. A equiparação às sociedades empresárias estabelecida pela Lei Pelé em seu art. 27, §13º, possui natureza de ficção jurídica, se restringindo, portanto, apenas aos aspectos que a própria lei dispôs, é dizer, no tocante à fiscalização e controle do que for disposto naquele diploma normativo, não abrangendo outros aspectos, mormente o tributário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012, 2013 CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase a mesma solução dada ao IRPJ, em razão do lançamento estar apoiado nos mesmos elementos de convicção. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012, 2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 07 64 /2 01 7- 08 Fl. 13216DF CARF MF Processo nº 19515.720764/201708 Acórdão n.º 1301003.869 S1C3T1 Fl. 3 2 COFINS. ISENÇÃO. As entidades desportivas de caráter profissional na modalidade futebol gozam de isenção, por se enquadrarem como associações civis sem fins lucrativos nos termos da lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2012, 2013 PIS. ISENÇÃO. As entidades desportivas de caráter profissional na modalidade futebol gozam de isenção, por se enquadrarem como associações civis sem fins lucrativos nos termos da lei. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012, 2013 DECADÊNCIA. PIS E COFINS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Constatada a existência de pagamento, na hipótese de lançamento por homologação, há de se reconhecer a decadência quando o lançamento de ofício ocorre após o prazo de 05 anos, contados da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite (relatora) que votou por lhe dar provimento parcial para reconhecer a decadência dos lançamentos de PIS e COFINS relativa aos períodos de jan/2012 a nov/2012. Designado o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (Assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite Relatora. (Assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. Fl. 13217DF CARF MF Processo nº 19515.720764/201708 Acórdão n.º 1301003.869 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Trata o presente processo de lançamento IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, referente aos anoscalendários 2012 e 2013, decorrente de omissão de receitas escrituradas e não declaradas, após reconhecida a suspensão de isenção através do Ato Declaratório nº 179 de 20/09/2017. Houve imposição de multa de ofício de 75% e acréscimo de juros moratórios. O processo administrativo em comento é aquele em que foi proferido o Ato Declaratório para suspender a isenção do Recorrente, enquanto que o lançamento do crédito tributário se deu no processo administrativo nº 19515.721288/201734. Em razão de determinação contida no §9º do art. 32. da Lei nº 9430/96, os processos foram reunidos em um único processo, para que fosse decidido simultaneamente o ato de suspensão da isenção e o lançamento dele decorrente. Por questão de sistemas da RFB, o crédito tributário foi transferido do processo nº 19515.721288/201734 para o presente processo. Tendo restado este processo (nº 19515.720764/201708) como principal e o processo nº 19515.721288/201734 como apensado. Da Suspensão da Isenção Inicialmente foi emitido o Termo de Notificação Fiscal de Suspensão de Isenção, na folha 451 e seguintes, datado de 04/08/2017, do qual consta os seguintes trechos: Temos, no cenário da tributação dos clubes de futebol profissional, que: a) Os clubes de futebol profissional, organizados, sejam na forma de associações ou de sociedades empresárias, não se beneficiam da Imunidade Constitucional referente aos impostos, definida no art. 150 da Constituição Federal, por diferirem das entidades ali previstas; b) A isenção que os clubes de profissional desfrutaram no período de 1943 a 1997 foi expressamente revogada, a partir de 1998, pelo art. 18 da Lei 9.532/1997; c) Como sociedades em comum dedicadas à prática desportiva de caráter profissional, em pleno exercício da atividade econômica na exploração e gestão do futebol, os clubes não se enquadram literalmente entre as entidades elencadas nos arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532/97, de vez que não são “instituição de caráter filantrópico, recreativo, cultural ou científico”, ou “associação civil que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição do grupo de pessoa a que se destina, sem fins lucrativos”, não fazendo jus, portanto, à isenção àquelas concedidas; (...) f) Independentemente da forma jurídica adotada, os clubes de futebol profissional, equiparandose à sociedade empresária sujeitamse à incidência do PIS e COFINS sobre o faturamento. (...) Fl. 13218DF CARF MF Processo nº 19515.720764/201708 Acórdão n.º 1301003.869 S1C3T1 Fl. 5 4 Caracterizamse, os clubes de futebol profissional, para efeito de tributação do imposto de renda, como sociedades em comum equiparadas às sociedades empresárias, sujeitandose as regras de apuração, declaração e pagamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL impostas às demais pessoas jurídicas, adotandose os regimes de tributação existentes: Lucro Real, Lucro Presumido ou Lucro Arbitrado. Em 20/09/2017, foi emitido o Ato Declaratório nº 179, de 20/09/2017 (fl.725), publicado no DOU em 26/09/2017, nos seguintes termos: O DELEGADO DA DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA EM SÃO PAULO, no uso das atribuições (...) e tendo em vista o que consta no processo administrativo nº 19515.720764/201708: Art. 1º Declara a suspensão da isenção tributária de que trata o art. 15 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, da pessoa jurídica SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE, CNPJ: 60.517.984/000104 no período de 01/01/2012 a 31/12/2013. Art. 2º Fica a pessoa jurídica mencionada sujeita aos lançamentos de ofício para a constituição dos créditos tributários relativos aos tributos e contribuições devidos e administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, cujos fatos geradores ocorreram no período abrangido pela suspensão da isenção tributária aqui especificada. Art. 3º O presente Ato Declaratório Executivo entra em vigor na data de sua publicação no DOU. Da Autuação Em 15/12/2017, foram lavrados os autos de infração de IRPJ e seus reflexos. Transcrevo trechos do TVF (fls. 12740 e ss) que descrevem os fundamentos da autuação: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, em trabalho de ação fiscal sobre o IRPJ – Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, anos calendário 2012 e 2013, (...), constatamos as irregularidades abaixo, cujo crédito tributário decorrente, será exigido através de Auto de Infração, face a CONSTATAÇÃO DE UTILIZAÇÃO INDEVIDA DE ISENÇÃO FISCAL, nos anos calendário de 2012 e 2013 por parte do sujeito passivo deste procedimento fiscal, SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE, CNPJ 60.517.984/000104, para o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e seus reflexos. (...) Segundo os ditames do parágrafo 13 da Lei 9.615/98, para os fins de fiscalização e controle do disposto, as atividades profissionais do São Paulo Futebol Clube equiparamse às das sociedades empresárias, notadamente para efeitos tributários, fiscais, previdenciários, financeiros, contábeis e administrativos. Finalizando, temos que, para o período compreendido entre 01/01/2012 a 31/12/2013, o São Paulo Futebol Clube, CNPJ 60.517.984/000104, clube de futebol profissional, conforme o conjunto de fatos retro exposto, não é Fl. 13219DF CARF MF Processo nº 19515.720764/201708 Acórdão n.º 1301003.869 S1C3T1 Fl. 6 5 beneficiário da isenção prevista no artigo 15 da Lei nº 9.532/1997, caracterizandose para efeito de tributação, como sociedade em comum equiparada à sociedade empresária, sujeitandose às regras de apuração, declaração e pagamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) imposta às demais pessoas jurídicas. Deverseá ter em conta que, além do não benefício do gozo da isenção para o Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, os clubes de futebol profissional, igualmente, também não fazem jus ao benefício para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Contribuição para o Programa da Integração Social – PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social –COFINS. (...) Os clubes de futebol profissional ao perderem a natureza de associação civil sem fins lucrativos, perderam, consequentemente, os benefícios dados a estas associações pela legislação do PIS e COFINS, não fazendo jus às disposições do art. 13, inciso IV, e do art. 14, inciso X, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, equiparandose, por conseguinte, à sociedade empresária, e sujeitandose, independentemente da forma jurídica adotada, à incidência do PIS e COFINS sobre o faturamento nos termos do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. (...) Finalizando, temos que, para o período compreendido entre 01/01/2012 e 31/12/2013, o São Paulo Futebol Clube, CNPJ 60.517.984/000104, Clube de Futebol Profissional, conforme o conjunto de fatos expostos, não é beneficiário das isenções previstas no artigo 15 da Lei 9.532/1997 e nos artigos 13 e 14 da Medida Provisória 2.15835/2001, caracterizandose, para efeitos de tributação, como sociedade comum equiparada à sociedade empresária, sujeitandose às regras de apuração, declaração e pagamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS). (...) Da Apuração do Crédito Tributário Conforme é possível notar na descrição dos fatos, o contribuinte apresentou as demonstrações e livros fiscais e comerciais suficientes à apuração do Lucro Real. (...) CONCLUSÃO Por tudo exposto, será constituído de ofício crédito tributário em favor da Fazenda Federal através da lavratura de Auto de Infração no montante de R$ 82.473.681,04 (oitenta e dois milhões, quatrocentos e setenta e três mil, seiscentos e oitenta e um reais e quatro centavos), incluídos principal, multa e juros, protocolado em Processo Administrativo Fiscal nº 19515.721288/201734, referente ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Fl. 13220DF CARF MF Processo nº 19515.720764/201708 Acórdão n.º 1301003.869 S1C3T1 Fl. 7 6 O presente procedimento está diretamente relacionado ao processo nº 19515 720.764/201708, que versa sobre a SUSPENSÃO DE ISENÇÃO usufruída pelo sujeito passivo no período de 01/01/2012 a 31/12/2013, devendo, pois, ser APENSADO a este para, havendo impugnações contra o Ato Declaratório Executivo nº 179, de 20 de setembro de 2017, publicado no D.O.U., de 26 de setembro de 2017, expedido pelo Sr. Delegado da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo – DERAT e contra a exigência do crédito tributário, serem decididas simultaneamente, nos termos do § 9º do art. 32 da Lei nº 9.430/1996. Da Impugnação Ciente do Ato Declaratório de suspensão da isenção, bem como da autuação, o contribuinte apresentou impugnações. A DRJ julgou improcedente os recursos, através de acórdão único, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012, 2013 CLUBES DE FUTEBOL. ASSOCIAÇÃO CIVIL. ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. As diversas atividades exercidas pelos clubes de futebol profissional não se albergam na figura legal da associação civil sem fins lucrativos, por se caracterizarem em verdadeiro exercício de atividade econômica, sendo inaplicável a isenção tributária estabelecida no art. 15, da Lei n° 9.532/97. PERDA DE ISENÇÃO. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. O Ato Declaratório de perda da isenção é o marco inicial para contagem do prazo decadencial do Fisco constituir o crédito. Do Recurso Voluntário Em 18/06/2018, a Recorrente tomou ciência do acórdão da DRJ através do seu Domicílio Tributário EletrônicoDTE, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem à fl. 13114. Não concordando com os termos da decisão, em 05/07/2018, interpôs recurso voluntário conforme Termo de Solicitação de Juntada (fl.13115), no qual: Acerca da isenção, alega ser indevida restrição infralegal ao conceito de receitas das associações; Acrescenta que está constituído inequivocamente sob a forma de associação civil sem fins lucrativos e que essa ausência de finalidade lucrativa das associações civis levou o legislador a conferirlhes isenções de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS ; Que, nos termos dos arts. 13, inc.IV, 14, inc. X e §1º da MP 215835/2001, as receitas das associações civis sem fins lucrativos são isentas do PIS e da COFINS, cabendolhes apenas o recolhimento do PIS com base na folha de salários, à alíquota de 1%, o que foi devidamente recolhido pelo Recorrente nos anos de 2012 e 2013; Fl. 13221DF CARF MF Processo nº 19515.720764/201708 Acórdão n.º 1301003.869 S1C3T1 Fl. 8 7 Defende que as instruções normativas, tal qual a IN SRF nº 247/2002 não podem impor limites divergentes da lei, nem podem inovar no ordenamento jurídico; Argumenta que a legislação de que dispõe sobre isenção deve ser interpretada literalmente, nos termos do art.111 do CTN, por conseguinte, faz jus à isenção de acordo com artigo 15 da Lei nº 9.532/97 c/c os artigos 13 e 14 da MP 2.15835/2001; Argui entendimento equivocado da revogação da isenção pelo art.18 da Lei nº 9.532/97; Argumenta que é uma faculdade a transformação das entidades de desporto profissional em sociedades empresárias, e afirma que podem os clubes de futebol profissional manter sua forma constitutiva como associações sem fins lucrativos, com o que, tal qual o Recorrente, fazem jus à isenção veiculada pela Lei nº 9.532/97 e pela MP 2.15835/2001; Alega ser indevida a equiparação das atividades profissionais das entidades esportivas às das sociedades empresárias para efeitos tributários, fiscais e previdenciários contida no parágrafo 13 do artigo 27 da Lei nº 9.615/97, nesse ponto revogada pela Lei nº 12.395/2011; Argui decadência quanto ao PIS e à COFINS, como consequência da aplicação do art.150, §4º do CTN; Argumenta que ainda que não fosse considerada entidade isenta, para efeitos de PIS e da COFINS haveria de ser excluída da base de cálculo as "contribuições sociais", eis que tais verbas perfazem a natureza de "contribuições associativas", as quais inequivocadamente são isentas do PIS e da COFINS; Por fim, a Recorrente requereu que fosse reconhecida a isenção referente a IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, cancelando, consecutivamente, o Ato Declaratório Executivo, bem como os autos de infração; ou que os montantes devidos sejam revisados para excluir as contribuições associativas por ele recebidas que não devem compor as bases de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS; ou subsidiariamente, que seja reconhecida a decadência do PIS e da COFINS do anocalendário 2012. A Fazenda apresentou contrarrazões às fls. 1318013213. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, Relatora. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Do mérito. Fl. 13222DF CARF MF Processo nº 19515.720764/201708 Acórdão n.º 1301003.869 S1C3T1 Fl. 9 8 O processo em comento trata da suspensão da isenção do Recorrente através do Ato Declaratório Executivo nº 179/2017 e, consequente lançamento dos tributos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. O Recorrente afirma ser associação civil sem fins lucrativos e justifica seu direito à isenção, mediante interpretação da legislação tributária que rege a matéria. De outra banda, o órgão julgador de 1ª Instância ratificou o entendimento da autoridade fiscal, no sentido de que as atividades exercidas pelos clubes de futebol profissional não se enquadram na figura legal de associação civil sem fins lucrativos e, por conseguinte, seria inaplicável a isenção estabelecida no art. 15 da Lei nº 9.532/97. O cerne do litígio reside portanto no enquadramento ou não do contribuinte como entidade sem fins lucrativos para fins de isenção dos tributos citados. Primeiramente, fazse mister demonstrar a evolução da legislação que dispõe acerca das isenções para entidades que exercem atividades ligadas ao desporto. Até 1997, as entidades dedicadas à prática desportiva, seja de modo amador ou profissional, gozavam de isenção do IRPJ nos termos do art. 28 do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943 e do art. 30 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964. O Decreto de 1943 assim dispôs: DecretoLei nº 5.844/43 Art. 28. Estão isentas do imposto de renda: a) As sociedades e fundações de caráter beneficente, filantrópico, caritativo, religioso, educativo, cultural, instrutivo, científico, artístico, literário, recreativo e esportivo; (...) Posteriormente, foi sancionada a Lei nº 4.506/1964 que manteve a isenção para as mesmas entidades, todavia com a imposição de novas condicionantes, nos seguintes termos: Art. 30. As sociedades, associações e fundações referidas nas letras a e b do art. 28 do Decretolei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, gozarão de isenção do impôsto de renda, desde que: I Não remunerem os seus dirigentes e não distribuam lucros, a qualquer título; II Apliquem integralmente os seus recursos na manutenção e desenvolvimento, dos objetivos sociais; III Mantenham escrituração das suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; IV Prestem à administração do impôsto as informações determinadas pela lei e recolham os tributos arrecadados sôbre os rendimentos por elas pagos. (...) Fl. 13223DF CARF MF Processo nº 19515.720764/201708 Acórdão n.º 1301003.869 S1C3T1 Fl. 10 9 A Lei nº 9.532/97 revogou expressamente o art. 28 do DecretoLei nº 5.844/1943 e o art. 30 da Lei nº 4.506/1964: Art. 82. Ficam revogados: (...) II a partir de 1º de janeiro de 1998: a) o art. 28 do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943; b) o art. 30 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964; Apesar da revogação expressa dos arts.28 e 30 supracitados, a Lei nº 9.532/97 em seus arts. 12 e 15 permitiu que instituições de educação e assistência social sem fins lucrativos, pudessem gozar da isenção, desde que atendessem aos requisitos legais: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (...) §3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. (...) Resta claro que a lei afastou do campo da isenção/imunidade as entidades que desenvolvam atividades empresariais, não importando a forma como se encontrem constituídas. As entidades que se dedicam às atividades relacionadas à prática do futebol profissional têm inequivocamente caráter empresarial e finalidade lucrativa. É suficiente analisar as atividades mercantis e comerciais que desenvolve, como a venda de ingressos, de direitos de transmissão dos jogos, negociação de contratos de patrocínio com empresas privada. Veja que, apenas a título exemplificativo: Apenas em janeiro de 1982 é que o Conselho Nacional de Desportos passou a permitir patrocínios em camisas de clubes de futebol, porém, apenas para partidas no exterior.[43] Ainda no mesmo ano o patrocínio estampado na camisa acabou permitido para jogos em território nacional, dessa maneira Fl. 13224DF CARF MF Processo nº 19515.720764/201708 Acórdão n.º 1301003.869 S1C3T1 Fl. 11 10 o São Paulo ostentou a Cofap como patrocinadora do time na final do Campenato Paulista de 1982.[44] A sulcoreana LG Electronics teve sua marca exposta na frente e nas costas da camisa até 2010[45] com valores próximos a 18 milhões de reais anuais (contando o aditamento do contrato anterior no valor de 16 milhões mais a atualização monetária pelo IGP M),[46][47] o que o credenciou a um dos maiores contratos de patrocínio do Brasil em 2009. (...) Além do patrocinador principal e das mangas, o clube tricolor sempre manteve alguns outros contratos de valores mais baixos, entre eles estão Volkswagen, Aché, Ambev, Copa Airlines,[50] Habib's e Life Fitness, e diversas parcerias para alavancar recursos para o clube, como as próprias Volkswagen e Aché, a Applebee's e a ABIH. Esses contratos secundários rendem ao S. Paulo cerca de 20 milhões de reais anuais. 1 Do texto acima, restam patentes duas evidências: a primeira, a realização de atos de negócio mercantis com empresas privadas; a segunda, a constatação da alteração do perfil dos clubes de futebol profissional, no sentido de que apenas em 1982, o Conselho passou a permitir o patrocínio nos uniformes. Ou seja, na vigência do Decreto nº 5.844/1943 e da Lei nº 4.506/1964 e nos primórdios de sua criação, os clubes de futebol não possuíam esse perfil empresarial que as entidades ostentam hoje. Foi justamente o reconhecimento da capacidade contributiva dos clubes de futebol profissional que levou o legislador a promover a revogação da isenção dessas entidades. É de se observar que não obstante a revogação expressa do art. 82 da Lei nº 9.532/97 em relação aos arts. 28 do Decreto e 30 da Lei nº 4506/64, o art. 18 da Lei reforçou a revogação da isenção para as entidades que se dedicam à atividade de prática desportiva, de caráter profissional, in verbis: Art. 18. Fica revogada a isenção concedida em virtude do art. 30 da Lei nº 4.506, de 1964, e alterações posteriores, às entidades que se dediquem às seguintes atividades: (...) IV de prática desportiva, de caráter profissional; No ano seguinte à promulgação da Lei nº 9.532/97, foi sancionada a Lei nº 9.615/98 (Lei Pelé), a qual instituiu normais gerais sobre desporto. A referida lei traz logo em seu art.2º o estabelecimento da diferenciação entre o desporto profissional e nãoprofissional, consignado tratamento específico para cada modalidade: Art. 2o O desporto, como direito individual, tem como base os princípios: (...) 1 Fonte: wikipidea. Link https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Paulo_Futebol_Clube#Patrocinadores, em 11/03/2019. Fl. 13225DF CARF MF Processo nº 19515.720764/201708 Acórdão n.º 1301003.869 S1C3T1 Fl. 12 11 VI da diferenciação, consubstanciado no tratamento específico dado ao desporto profissional e nãoprofissional; (...) Parágrafo único. A exploração e a gestão do desporto profissional constituem exercício de atividade econômica sujeitandose, especificamente, à observância dos princípios:(Incluído pela Lei nº 10.672, de 2003) I da transparência financeira e administrativa;(Incluído pela Lei nº 10.672, de 2003) II da moralidade na gestão desportiva; (Incluído pela Lei nº 10.672, de 2003) III da responsabilidade social de seus dirigentes; (Incluído pela Lei nº 10.672, de 2003) IV do tratamento diferenciado em relação ao desporto não profissional; e (Incluído pela Lei nº 10.672, de 2003) V da participação na organização desportiva do País. (Incluído pela Lei nº 10.672, de 2003)(grifo nosso) Tal diferenciação de tratamento encontra guarida no art.217 da Constituição Federal transcrito abaixo: Art. 217. É dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e nãoformais, como direito de cada um, observados: I a autonomia das entidades desportivas dirigentes e associações, quanto a sua organização e funcionamento; II a destinação de recursos públicos para a promoção prioritária do desporto educacional e, em casos específicos, para a do desporto de alto rendimento; III o tratamento diferenciado para o desporto profissional e o não profissional; IV a proteção e o incentivo às manifestações desportivas de criação nacional. (...) (grifo nosso) A Lei Pelé, em conformidade com a Constituição, conferiu tratamento diferenciado para o desporto profissional e nãoprofissional, e consignou expressamente que a exploração e a gestão do desporto profissional constituem exercício de atividade econômica. Tal dispositivo legal tem o objetivo de aplacar qualquer dúvida acerca da natureza jurídica das atividades desenvolvidas pelas entidades de desporto profissional. Sendo assim, a negociação de patrocínio, a venda de ingressos, a comercialização de espaços de marketing nos estádios, negociação de contratos de patrocínio, venda dos direitos das transmissões dos jogos por emissoras de rádio e televisão e a venda e/ou Fl. 13226DF CARF MF Processo nº 19515.720764/201708 Acórdão n.º 1301003.869 S1C3T1 Fl. 13 12 empréstimo dos direitos liberatórios e/ou econômicos dos atletas, tudo isso configura atividade econômica, e a renda dela decorrente deve ser tributada. Os clubes de futebol profissional mudaram bastante ao longo dos anos. Isto pode ser constatado pelas cifras que movimentam, pelos salários pagos aos jogadores e pela soma de patrocínio que recebem, adquirindo inegavelmente um perfil empresarial. O art.26 da Lei Pelé destaca que a prática desportiva profissional é aquela promovida para obter renda, através de atletas profissionais remunerados por contrato de trabalho desportivo: DA PRÁTICA DESPORTIVA PROFISSIONAL Art. 26. Atletas e entidades de prática desportiva são livres para organizar a atividade profissional, qualquer que seja sua modalidade, respeitados os termos desta Lei. Parágrafo único. Considerase competição profissional para os efeitos desta Lei aquela promovida para obter renda e disputada por atletas profissionais cuja remuneração decorra de contrato de trabalho desportivo.(Incluído pela Lei nº 10.672, de 2003)(grifei) O objetivo da entidade de futebol profissional direcionado para a obtenção de renda não se coaduna com a finalidade de uma entidade sem fins lucrativos. É bem verdade que uma associação sem fins lucrativos por até obter "renda", no sentido de produzir um superávit, mas o objetivo de uma entidade sem fins lucrativos não é a renda e sim a prestação de um serviço para um determinado grupo de pessoas. A Recorrente defende que podem os clubes de futebol profissional manter sua forma constitutiva como associações sem fins lucrativos, e como tal, fariam jus à isenção veiculada pela Lei nº 9.532/97 e pela MP 2.15835/2001, e afirma: Por isso, em que pesem as restrições contidas nos incisos do artigo 18 da Lei nº 9.532/95, ainda assim quis o legislador, no parágrafo único a ele acrescido, proteger aquelas entidades constituídas sob a forma de associação civil sem fins lucrativos, mesmo aquelas destinadas à prática desportiva em caráter profissional, não podendo a Administração Federal ignorar por completo o nítido comando do parágrafo único do artigo 18 da Lei nº 9.532/97. Todavia, resta equivocada a interpretação realizada pela Recorrente, uma vez que a legislação determinou expressamente que as entidades dedicadas à prática desportiva profissional, mormente no que diz respeito ao futebol, são entidades empresárias, e não podem ser classificadas como instituições sem fins lucrativos, ainda que formalmente constituídas desta forma. Veja que a legislação também determinou que os clubes de futebol profissionais alterassem sua forma de constituição. Todavia o Recorrente insiste em manter seus estatutos como entidades sem fins lucrativos com objetivo de gozar de uma isenção, que não lhe é mais aplicável. Fl. 13227DF CARF MF Processo nº 19515.720764/201708 Acórdão n.º 1301003.869 S1C3T1 Fl. 14 13 A Recorrente argumenta que o art. 217, inciso I da Carta Magna impõe liberdade quanto à forma de organização das entidades desportivas dirigentes e das associações e que a Lei Pelé, em seu texto original, de fato pretendia impor a obrigatoriedade, às entidades de prática de esporte profissional, de organização em sociedades civis de fins econômicos ou sociedades comerciais. Porém, ainda em sua primeira infância, a Lei nº 9.615/98 foi alterada pela Lei nº 9.981/2000, que transformou a redação do citado artigo 27 para o seguinte: Art. 27. É facultado à entidade de prática desportiva participante de competições profissionais: (Redação dada pela Lei nº 9.981, de 2000) I transformarse em sociedade civil de fins econômicos; (Redação dada pela Lei nº 9.981, de 2000) II transformarse em sociedade comercial;(Redação dada pela Lei nº 9.981, de 2000) III constituir ou contratar sociedade comercial para administrar suas atividades profissionais. (Redação dada pela Lei nº 9.981, de 2000) Com efeito, o art.27 da Lei nº 9.615/98 inicialmente obrigava as entidades de desporto profissional a se constituírem sob uma das formas de sociedade empresária, ou que contratasse uma sociedade empresária para administrar suas atividades profissionais. Ou seja, em última análise, essa atividade seria privativa de sociedade empresária, diretamente ou por subcontratação. A Lei nº 9.981/2000 alterou a redação original do art. 27 no sentido de transformar a obrigatoriedade em uma faculdade, mas manteve o tratamento dispensado às sociedades empresárias, independentemente da forma jurídica que adotassem. Em 2003, a redação deste artigo foi mais uma vez alterada pela Lei nº 10.672/2003 e, à época do lançamento, a Lei nº 9.615/98 possuía a seguinte redação, no que se refere ao art.27 e ao art.94 que trazem disposições para as entidades de desporto profissional e, especificamente, para os clubes de futebol profissional: Art. 27. As entidades de prática desportiva participantes de competições profissionais e as entidades de administração de desporto ou ligas em que se organizarem, independentemente da forma jurídica adotada, sujeitam os bens particulares de seus dirigentes ao disposto no art. 50 da Lei no10.406, de 10 de janeiro de 2002, além das sanções e responsabilidades previstas no caput do art. 1.017 da Lei no10.406, de 10 de janeiro de 2002, na hipótese de aplicarem créditos ou bens sociais da entidade desportiva em proveito próprio ou de terceiros.(Redação dada pela Lei nº 10.672, de 2003) (...) § 9º É facultado às entidades desportivas profissionais constituíremse regularmente em sociedade empresária, segundo um dos tipos regulados nos arts. 1.039 a 1.092 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. (Incluído pela Lei nº 10.672, de 2003) Fl. 13228DF CARF MF Processo nº 19515.720764/201708 Acórdão n.º 1301003.869 S1C3T1 Fl. 15 14 § 10. Considerase entidade desportiva profissional, para fins desta Lei, as entidades de prática desportiva envolvidas em competições de atletas profissionais, as ligas em que se organizarem e as entidades de administração de desporto profissional. (Incluído pela Lei nº 10.672, de 2003) § 11. Os administradores de entidades desportivas profissionais respondem solidária e ilimitadamente pelos atos ilícitos praticados, de gestão temerária ou contrários ao previsto no contrato social ou estatuto, nos termos da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. (Redação dada pela Lei nº 12.395, de 2011). (...) § 13. Para os fins de fiscalização e controle do disposto nesta Lei, as atividades profissionais das entidades de que trata o caput deste artigo, independentemente da forma jurídica sob a qual estejam constituídas, equiparamse às das sociedades empresárias. (Redação dada pela Lei nº 12.395, de 2011). (grifo nosso) (...) Art. 94. O disposto nºs arts. 27, 27A, 28, 29, 29A, 30, 39, 43, 45 e nº § 1º do art. 41 desta Lei será obrigatório exclusivamente para atletas e entidades de prática profissional da modalidade de futebol.(Redação dada pela Lei nº 12.395, de 2011). Parágrafo único. É facultado às demais modalidades desportivas adotar os preceitos constantes dos dispositivos referidos no caput deste artigo.(Incluído pela Lei nº 9.981, de 2000) Vêse portanto, que as entidades de futebol profissional, independente da forma que se encontrem constituídas, equiparamse às sociedades empresárias e, por conseguinte, recebem o mesmo tratamento a estas dispensado. Ainda no que concerne à liberdade de organização das entidades desportivas profissionais, há de se fazer uma interpretação do art. 217 da Constituição de maneira integral. Enquanto o inciso I garante a autonomia das entidades desportivas e associações, quanto à sua organização e funcionamento, também prevê um tratamento diferenciado para o desporto profissional e o não profissional. Esta liberdade de organização encontrase balizada pela própria diferenciação entre o desporto profissional e nãoprofissional. Nessa linha, a Lei Pelé em seu art.27, §9º facultou que as entidades de desporto profissional se organizassem sob um dos tipos de sociedades empresárias regulados nos arts. 1.039 a 1.092 do Código Civil. É possível que as entidades de desporto profissional adotem um dos tipos de sociedade empresária previstos no ordenamento, todavia não é admissível a adoção de um tipo de pessoa jurídica fora do escopo das sociedades empresárias, como a associação sem fins lucrativos. Fl. 13229DF CARF MF Processo nº 19515.720764/201708 Acórdão n.º 1301003.869 S1C3T1 Fl. 16 15 A interpretação sistêmica garante a coerência do ordenamento, pois a liberdade de organização remanesce, mas dentro dos limites impostos pela lei, que garante o tratamento diferenciado para as entidades de desporto profissional e nãoprofissional. Acrescentese que não é a forma constante de seus estatutos que definirá a natureza jurídica da entidade, mas sim as atividades econômicas por ela desenvolvidas. Em verdade, o §9º do art.27 basicamente reproduz o art. 983 do Código Civil que assim determina: Art. 983. A sociedade empresária deve constituirse segundo um dos tipos regulados nos arts. 1.039 a 1.092; a sociedade simples pode constituirse de conformidade com um desses tipos, e, não o fazendo, subordinase às normas que lhe são próprias. Por sua vez o art. 982, juntamente com os arts. 966 e 967 dão a compreensão de sociedade empresária, in verbis: Art. 966. Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Art. 967. É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade. Art. 982. Salvo as exceções expressas, considerase empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais.(grifei) Nesta seara, sociedade empresária é a que tem por objeto exercício de atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens e serviços. O parágrafo único do art. 2º da Lei Pelé estabelece que a exploração e a gestão do desporto profissional constituem exercício de atividade econômica. Ao se analisar as atividades desenvolvidas pelos clubes de futebol nos dias atuais, não há como negar o caráter empresarial dessas entidades. Citese algumas das atividades elencadas no TVF (fl.12742): "venda de ingressos para jogos, licenciamento de marcas, exploração da venda de produtos ligados ao clube, comercialização de venda de placas nos estádios, negociação de contratos de patrocínio, venda dos direitos das transmissões dos jogos por emissoras de rádio e televisão (direito de arena) e a venda e/ou empréstimo dos direitos liberatórios e/ou econômicos dos atletas", ou seja, estáse diante de atividades notadamente de caráter econômico. Nesse sentido, vale transcrever trecho do acórdão nº 1201002.073: O Santos Futebol Clube obtém suas receitas da exploração do futebol profissional, quais sejam, publicidade, marketing, Fl. 13230DF CARF MF Processo nº 19515.720764/201708 Acórdão n.º 1301003.869 S1C3T1 Fl. 17 16 bilheteria, transmissão de jogos, prêmios, etc. O objetivo dos clubes de futebol profissional é o de vencer os diversos campeonatos de futebol dos quais participa, tanto em âmbito nacional, quanto internacional. Não se vislumbra, como já salientado, nenhum caráter filantrópico, científico, cultural ou recreativo nessa atividade, nem qualquer tipo de prestação de serviço. Esse entendimento dirigese ao aspecto fiscal. Por óbvio que há, inclusive por disposição legal, autonomia para que as entidades desportivas definam sua forma de organização e funcionamento. Contudo, não é aceitável o uso dessa autonomia para que os clubes de futebol profissional se eximam de uma legítima incidência tributária. Ocorre que as atividades exercidas pelos clubes de futebol profissional não se configuram como aquelas que são exercidas por associações civis sem fins lucrativos. Na realidade, elas se caracterizam como um exercício de atividade econômica. Como exemplo podese citar a venda ou a exploração comercial de imagem, contratos de patrocínio, licenciamento de marcas etc. Desse modo, essas entidades desportivas devem se organizar segundo formas jurídicas que sejam afetas ao exercício das referidas atividades econômicas. (grifei) A Recorrente alega ainda que nos termos §13º, do art.27 da Lei Pelé, equiparase às sociedades empresarias apenas para fins de fiscalização e controle, mas não para os efeitos tributários, fiscais e previdenciários. Está é mais uma interpretação equivocada da Recorrente. A redação original do §13º assim dispôs: § 13. Para os fins de fiscalização e controle do disposto nesta Lei, as atividades profissionais das entidades de prática desportiva, das entidades de administração de desporto e das ligas desportivas, independentemente da forma jurídica como estas estejam constituídas, equiparamse às das sociedades empresárias, notadamente para efeitos tributários, fiscais, previdenciários, financeiros, contábeis e administrativos. A alteração promovida pela Lei nº 12.395/2011 apenas retirou a parte final do parágrafo, restando assim redigido: § 13. Para os fins de fiscalização e controle do disposto nesta Lei, as atividades profissionais das entidades de que trata o caput deste artigo, independentemente da forma jurídica sob a qual estejam constituídas, equiparamse às das sociedades empresárias. (Redação dada pela Lei nº 12.395, de 2011). O sentido de notadamente, constante da redação original, foi aquele de enfatizar alguns dos efeitos possíveis, mas sem qualquer pretensão de ser exaustivo. Seu caráter é meramente exemplificativo. A retirada do trecho final evita discussões acerca de outros efeitos não listados, e que as entidades poderiam alegar não ser aplicáveis, como os efeitos trabalhistas. Fl. 13231DF CARF MF Processo nº 19515.720764/201708 Acórdão n.º 1301003.869 S1C3T1 Fl. 18 17 Veja que nos artigos seguintes, a Lei nº 9.506/98 disciplina a relação do atleta profissional com a entidade no que diz respeito ao contrato de trabalho. A mesma Lei nº 12.395/2011 que excluiu a parte final do §13º, incluiu disposições acerca do contrato de trabalho. O legislador deu preferência a retirar aquela parte final do parágrafo do que correr o risco de que os clubes alegassem que não se encontravam equiparados às sociedades empresárias para fins trabalhistas, posto que este efeito não se encontrava ali listado. Transcrevo alguns artigos que seguiram ao §13º do art. 27: Art. 27B. São nulas de pleno direito as cláusulas de contratos firmados entre as entidades de prática desportiva e terceiros, ou entre estes e atletas, que possam intervir ou influenciar nas transferências de atletas ou, ainda, que interfiram no desempenho do atleta ou da entidade de prática desportiva, exceto quando objeto de acordo ou convenção coletiva de trabalho. (Incluído pela Lei nº 12.395, de 2011). Art. 27C. São nulos de pleno direito os contratos firmados pelo atleta ou por seu representante legal com agente desportivo, pessoa física ou jurídica, bem como as cláusulas contratuais ou de instrumentos procuratórios que: (Incluído pela Lei nº 12.395, de 2011). (...) Art. 28. A atividade do atleta profissional é caracterizada por remuneração pactuada em contrato especial de trabalho desportivo, firmado com entidade de prática desportiva, no qual deverá constar, obrigatoriamente: (Redação dada pela Lei nº 12.395, de 2011). (...) § 4º Aplicamse ao atleta profissional as normas gerais da legislação trabalhista e da Seguridade Social, ressalvadas as peculiaridades constantes desta Lei, especialmente as seguintes:(Redação dada pela Lei nº 12.395, de 2011). (...) Não resta dúvida de que um dos objetivos da Lei nº 12.395/2011 foi regulamentar o contrato de trabalho dos atletas profissionais, e a retirada da parte final do citado §13º afasta as discussões acerca equiparação das entidades de desporto profissional às sociedades empresárias para efeitos trabalhistas. Na medida em que os exemplos contidos no dispositivo foram retirados, impede a discussão acerca do caráter exemplificativo ou taxativo do rol dos efeitos contidos na norma. O método de interpretação históricoevolutivo mostra que a legislação sofreu alterações para expurgar isenções concedidas de maneira indiscriminada a todas as associações desportivas, quando saltava aos olhos o caráter empresarial dos times de futebol do país. A legislação foi alterada com objetivo de tributar aqueles que atuavam no ramo do desporto profissional, desenvolvendo atividades tipicamente empresariais e buscando maior lucratividade, além do que, apresentavam elevada capacidade contributiva. Revogouse então o art. 28 do DecretoLei nº 5.844/1943 e o art. 30 da Lei nº 4.506/1964 que concediam Fl. 13232DF CARF MF Processo nº 19515.720764/201708 Acórdão n.º 1301003.869 S1C3T1 Fl. 19 18 isenção para as sociedades e fundações de prática desportiva, independente de seu caráter profissional ou não. A Lei nº 9.532/97, em seus art.12 e 15, manteve a isenção para as instituições de assistência social, de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e associações civis, todos sem fins lucrativos. A citada lei em seu art. 18 revogou expressamente a isenção para as entidades de prática desportiva de caráter profissional. Enquanto que a Lei nº 9.615/98 definiu a prática do desporto profissional e nãoprofissional, e concedeulhes tratamento diferenciado, em conformidade com o preceito constitucional contido no art.217, inciso III, evidenciando o caráter empresarial do desporto profissional. E ainda tornou obrigatória a observância de determinados artigos para as entidades de prática profissional na modalidade de futebol (art. 94 da Lei nº 9.615/98). A Recorrente cita ainda a Lei nº 11.345/2006 que teria estendido a isenção concedida aos clubes de futebol constituídos sob a forma de associação sem fins lucrativos para aqueles que exploram a mesma atividade, todavia sob a forma de sociedade empresarial. Em verdade, não procede essa interpretação dada pela Recorrente. A Lei nº 11.345/2006 que, entre outros temas, dispôs sobre o parcelamento denominado "Timemania", concedeu a isenção para os clubes de futebol profissional pelo prazo de 5 anos, nos termos dos arts. 13 e 13A, in verbis: Art. 13. Fica assegurado, por 5 (cinco) anos contados a partir da publicação desta Lei, o regime de que tratam o art. 15 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e os arts. 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, às entidades desportivas da modalidade futebol cujas atividades profissionais sejam administradas por pessoa jurídica regularmente constituída, segundo um dos tipos regulados nos arts. 1.039 a 1.092 da Lei no10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Parágrafo único. Às entidades referidas no caput deste artigo não se aplica o disposto no§ 3º do art. 15 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Art. 13A. O disposto no art. 13 desta Lei aplicase apenas às atividades diretamente relacionadas com a manutenção e administração de equipe profissional de futebol, não se estendendo às outras atividades econômicas exercidas pelas referidas sociedades empresariais beneficiárias.(Incluído pela Lei nº 11.505, de 2007)(grifei) A referida lei foi um estímulo à regularização dos times de futebol, tanto do ponto de vista das dívidas tributárias através do parcelamento, como também concedeu um incentivo à regularização formal, uma vez que a maioria dos clubes de futebol teve início a partir de associações e permaneciam constituídos desta forma, ainda que desempenhando o papel de empresas. Esse incentivo à regularização veio sob a forma de isenção pelo período de 05 anos, sendo assim vigorou até o anocalendário de 2011. Não há que se falar que houve uma extensão da isenção para os clubes constituídos sob a forma de sociedade empresária, mas sim da concessão de um incentivo para a regularização das entidades de prática de futebol profissional. Logo, tal benefício não Fl. 13233DF CARF MF Processo nº 19515.720764/201708 Acórdão n.º 1301003.869 S1C3T1 Fl. 20 19 alcançou a Recorrente que não alterou seus estatutos e mantevese constituída sob a forma de associação sem fins lucrativos, ainda que de fato atue como sociedade empresarial e receba tal tratamento por força do §13º do art. 27 da Lei 9.615/98, com redação dada pela Lei nº 12.935/2011, mais uma vez reproduzido abaixo: § 13. Para os fins de fiscalização e controle do disposto nesta Lei, as atividades profissionais das entidades de que trata o caput deste artigo, independentemente da forma jurídica sob a qual estejam constituídas, equiparamse às das sociedades empresárias. (Redação dada pela Lei nº 12.395, de 2011). É de se ressaltar que a Lei Pelé tentou inicialmente obrigar as entidades de prática de desporto profissional a se transformarem em sociedades empresariais através do art. 27 em sua redação inicial. Constatando que esta obrigatoriedade traria outros problemas, quais sejam, a suspensão dos clubes e o impedimento para participar de competições, preferiu converter em uma faculdade, mas o tratamento dado seria o de sociedades empresárias, não importando a forma que adotem. Sendo assim, desde a revogação da isenção pela Lei nº 9.532/97, as entidades que exploram a prática profissional de futebol devem sofrer a incidência tributária. A isenção foi uma excepcionalidade concedida aos clubes que decidiram se regularizar e adotar a forma de sociedade empresarial. Dessarte, a Recorrente, ainda que formalmente constituída sob a forma de associação sem fins lucrativos, é contribuinte do IRPJ e da CSLL, pois de fato, desempenha atividade empresarial, conforme reconhecido por lei, na medida em que impõe o tratamento de sociedade empresária, independente da forma que adote. Da Isenção para o PIS e a COFINS Alega a Recorrente que nos termos dos arts. 13, inc.IV, 14, inc. X e §1º da MP 2.15835/2001, as receitas das associações civis sem fins lucrativos são isentas do PIS e da COFINS, cabendolhes apenas o recolhimento do PIS com base na folha de salários, à alíquota de 1%, o que foi devidamente recolhido pelo Recorrente nos anos de 2012 e 2013. Transcrevo os citados dispositivos: MP 215835/2001 Art.13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; (...) Art.14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) Fl. 13234DF CARF MF Processo nº 19515.720764/201708 Acórdão n.º 1301003.869 S1C3T1 Fl. 21 20 X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. §1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput.(grifei) Não obstante a Recorrente se encontrar constituída sob a forma de associação sem fins lucrativos, de fato, desenvolve atividade empresarial e não se encontra enquadrada na hipótese de isenção constante do art. 15 da Lei nº 9.532/97. Por conseguinte, também não faz jus à isenção do PIS e da COFINS. Tornase portanto despicienda a análise dos requisitos constantes do art.12, §2º da Lei nº 9.532/97, uma vez que a Lei Pelé foi clara em classificar como empresarial as atividades desenvolvidas pelas entidades de desporto profissional. Nesse sentido, a Recorrente também não faz jus à isenção do PIS e da COFINS, pois para todos os efeitos jurídicos, equiparase à sociedade empresarial, independente da forma que esteja constituída. Das Contribuições Associativas A Recorrente se insurge contra a inclusão do valor da receita das contribuições associativas na base de cálculo dos tributos, nos seguintes termos: (...), convém esclarecer que a d. fiscalização cometeu equívocos com relação aos lançamentos tributários relativos a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. 141. Mais especificamente, é importante notar que a rubrica contábil “contribuições sociais” não compõe a base de cálculo das respectivas espécies tributárias, mormente diante do fato de que tal verba necessariamente é a principal fonte de recursos para a subsistência do Recorrente, tendo em vista que “inexiste atividade associativa realizada sem aporte direto ou indireto de recursos". 142. A esse propósito, a mencionada rubrica corresponde, portanto, aos “meios de que dispõe a associação para financiar suas atividades” e decorrem da obrigatoriedade dos associados de pagar ao Recorrente tais valores por força do próprio ato de associação. Em seguida, a Recorrente apresenta planilha de cálculos, onde demonstra quais seriam os valores devidos de PIS e COFINS para os anoscalendários 2012 e 2013 após a exclusão das "contribuições associativas" da base de cálculo das contribuições. A Lei nº 9.615/98 quando equiparou as entidades de desporto profissional com as sociedades empresárias não fez qualquer distinção se a origem das receitas dessas entidades advém de contribuição de associados, de patrocinadores, de marketing ou outra origem qualquer. Logo, não cabe a exclusão de verbas de associados da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois uma vez que a Recorrente não se enquadra na hipótese de isenção do art. 15 Fl. 13235DF CARF MF Processo nº 19515.720764/201708 Acórdão n.º 1301003.869 S1C3T1 Fl. 22 21 da Lei nº 9.532/97, também não se subsume na norma do art.13 da MP nº 215835/2001 (isenção para o PIS), nem no art.14, inc. X (isenção da COFINS), que remete ao art.13. Da Decadência Argui a Recorrente decadência para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, para os quais há comprovação do pagamento, nos termos do art.150, §4º do Código Tributário Nacional e afirma que: Nos termos da pacífica jurisprudência acima demonstrada, é certo que, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação e tendo havido pagamento antecipado parcial, eis que, em relação ao PIS, o Recorrente efetuou o recolhimento com base na folha de salários à alíquota de 1%, ao passo que a COFINS também foi recolhida conforme denotam os comprovantes de recolhimento anexados aos autos (fls. 1491/1.615), a decadência se opera no caso em tela em relação a todo o período de 2012! Acerca da arguição de decadência, a decisão de piso manteve o lançamento sob o argumento de que não houve pagamento sobre os fatos geradores lançados e acrescenta que os recolhimentos efetuados pela autuada têm fatos geradores e códigos de receita distintos aos lançados. Transcrevo trecho do voto (fl.13100): A contagem do prazo decadencial (a perda do direito do Fisco constituir um crédito) de 5 anos deve ser feita pelo art. art.150, §4º ou pelo art. 173, I, ambos do CTN. Em havendo pagamento antecipado, ou seja, recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, aplicase a regra prevista no art. 150, § 4o. Não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inc. I do CTN, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No presente caso, não houve recolhimento antecipado sobre os fatos geradores lançados. Os recolhimentos efetuados pela autuada têm fatos geradores e códigos de receita distintos aos lançados. Neste ponto, merece ser acolhido os argumentos da Recorrente. Resta pacificado o entendimento de que no lançamento por homologação, quando houver pagamento, o prazo decadencial é contado a partir da ocorrência do fato gerador, conforme interpretação do art.150, §4º do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 13236DF CARF MF Processo nº 19515.720764/201708 Acórdão n.º 1301003.869 S1C3T1 Fl. 23 22 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifei) Nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo será contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte (art. 150, §4º , in fine c/c art. 173, I do CTN ) bem como quando não houver pagamento. No caso em comento, a autuada efetuou pagamentos de PIS e COFINS para todos os meses dos anoscalendários 2012 e 2013, com exceção para o PIS de dez/2013, de acordo com o TVF (fl.1278889), os quais foram aproveitados pela autoridade fiscal para descontar do valor apurado e lançado no auto de infração. O auditor não informa qual foi o código de arrecadação utilizado para efetivar os recolhimentos, mas tal informação se mostra irrelevante. A Recorrente recolheu PIS e a COFINS com se fosse entidade sem fins lucrativos. Para o PIS, efetivou recolhimento à alíquota de 1% com base na folha de salários, nos termos do art.13 da MP nº 215835/2001. Também apresentou DIPJ informando ser pessoa jurídica isenta. O sujeito passivo em momento algum agiu com dolo ou omitiu informações ao Fisco federal, apenas apurou os tributos da forma que entendia devidos e efetuou os respectivos recolhimentos. O Fisco tinha o prazo de 05 anos para rever as informações prestadas pelo contribuinte e não homologar o seu pagamento, informandoo dentro daquele prazo que seu entendimento encontravase equivocado e que o mesmo não tinha direito à isenção. Ressaltese que a partir do momento que a autoridade fiscal retirou a isenção da Recorrente, o PIS recolhido à alíquota de 1% deixou de ser devido e foi aproveitado para abater do lançamento. Neste diapasão, é de se reconhecer a decadência dos lançamentos referentes ao PIS e à COFINS com períodos de apuração compreendidos de janeiro/2012 a outubro/2012, em face da ciência do auto de infração ter sido efetivada em 21/12/2017. Conclusão Por tudo ora exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a decadência dos lançamentos de PIS e COFINS com período de apuração compreendidos de jan/2012 a nov/2012. (Assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite Fl. 13237DF CARF MF Processo nº 19515.720764/201708 Acórdão n.º 1301003.869 S1C3T1 Fl. 24 23 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Redator Designado. Peço vênia para expor minha divergência quanto à posição esposada pela Ilustre Relatora em seu minucioso voto, pelas razões abaixo aduzidas. Ademais, ressalto minha concordância com a parcela do voto da relatora no tocante à decadência reconhecida. O cerne da discussão dos autos diz respeito à qualificação da Recorrente como associação civil sem fins lucrativos, para fins do gozo de isenção sobre diversos tributos. Em um breve histórico da discussão, o DecretoLei nº 5.844/43 estabeleceu, em seu art. 28, “a”, que estariam isentas do IRPJ as sociedades e fundações de caráter esportivo, afastando, desde então, a incidência desse tributo sobre as associações desportivas. Posteriormente, a Lei nº 4.604/64 estabeleceu, em seu art. 30, condições para o gozo da referida isenção das associações desportivas, exigindo que: a) não se remunerassem dirigentes nem distribuíssem lucros, a qualquer título; b) se aplicassem todos os recursos nos seus objetivos sociais; c) mantivesse escrituração regular de suas receitas e despesas; e d) que prestassem ao Fisco todas as informações determinadas por lei e recolham todos os tributos sobre os rendimentos pagos por elas. Diante desse contexto normativo, todas as associações desportivas, amadoras e profissionais, gozavam da isenção do IRPJ, até o advento da Lei nº 9.532/97, que, por meio do seu art. 82, II, revogou expressamente o art. 28 do DecretoLei nº 5.844/1943 e o art. 30 da Lei nº 4.506/1964. Além disso, o art. 18, IV, da mesma lei, estabelecia a revogação da isenção em relação às entidades desportivas de caráter profissional, ressalvando a possibilidade de manutenção no caso de enquadramento nas condições do art. 12 ou 15 da Lei nº 9.532/97, verbis: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (...) Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 2º Não estão abrangidos pela isenção do imposto de renda os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. Fl. 13238DF CARF MF Processo nº 19515.720764/201708 Acórdão n.º 1301003.869 S1C3T1 Fl. 25 24 § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. O art. 12 da Lei nº 9.532/97 estabeleceu que estivessem abrangidos pela imunidade do art. 150, VI, “c” da CF/88 as instituições de educação e assistência social sem fins lucrativos, ao passo que o art. 15, daquela lei, estabeleceu a isenção do IRPJ e CSLL para as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos, desde que atendessem às condições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3°, da mesma lei, que tratam sobre remuneração de dirigentes, aplicação dos recursos, escrituração de receitas e despesas, manutenção de documentação contábil, destinação do patrimônio etc. No ano seguinte, foi promulgada a Lei nº 9.615/98 (Lei Pelé), que estabeleceu o novo marco legal desportivo brasileiro, revogando a Lei nº 8.672/93 (Lei Zico), trazendo, entre seus dispositivos, a previsão do art. 2º, parágrafo único, no sentido de que a exploração e gestão do desporto profissional seriam exercício de atividade econômica, incluindose entre seus princípios o tratamento diferenciado em relação ao desporto amador, em seu inciso IV. Além disso, o art. 27 da mesma lei estabeleceu que elas devessem se organizar sob certas formas societárias3 para participar de eventos profissionais. Logo em seguida, entretanto, o referido dispositivo foi objeto de alteração, por meio da Lei nº 9.981/00, que deixou de impor que essas atividades fossem privativas de sociedades civis de fins econômicos, tornando a constituição das entidades arroladas nos incisos uma faculdade da entidade desportiva. Vejamos o seu teor: Art. 27. As entidades de prática desportiva participantes de competições profissionais e as entidades de administração de desporto ou ligas em que se organizarem, independentemente da forma jurídica adotada, sujeitam os bens particulares de seus dirigentes ao disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002, além das sanções e responsabilidades previstas no caput do art. 1.017 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002, na hipótese de aplicarem créditos ou bens sociais da entidade desportiva em proveito próprio ou de terceiros. Por outro lado, a Lei nº 10.672/03 introduziu o §13º do art. 27 da Lei Pelé, que estabelecia que a entidade desportiva se equiparasse a uma sociedade empresária para fins de fiscalização e controle no disposto naquela lei, notadamente para efeitos tributários, fiscais, previdenciários, financeiros, contábeis e administrativos, independente da forma que estivesse constituída4. Esse parece ser o ponto onde reside a raiz do equívoco na compreensão dessa legislação. O legislador, no referido dispositivo, construiu uma ficção jurídica, isto é, para fins do Direito, exclusivamente, o legislador optou por dar um tratamento normativo diferente daquele que seria adequado a determinada realidade fenomênica. Como ensina José Luis Pérez de Ayala, em clássica obra sobre o tema, a ficção jurídica “no falsea ni oculta la verdad real. Lo que hace es crear una verdad jurídica distinta de la real” (“Las Ficciones en Derecho Tributário”. Editorial de Derecho Financiero: Madrid, 1970, p. 16). Ao estabelecer essa ficção, o legislador também dimensionou precisamente quais âmbitos de normatividade seriam afetados pelo tratamento fictício dado às entidades Fl. 13239DF CARF MF Processo nº 19515.720764/201708 Acórdão n.º 1301003.869 S1C3T1 Fl. 26 25 desportivas, delimitando o seu alcance para o campo tributário, administrativo e outros, independente da forma adotada. É dizer, estabeleceu a ficção e também regulou expressamente o alcance de seu regime jurídico. Essa definição do alcance do regime jurídico fictício é da própria natureza da ficção, a exemplo do navio, que é bem imóvel apenas para fins de garantia e para registro cartorário são considerados bens imóveis – e apenas para isso. O fato da lei estabelecer uma ficção não implica que esse realidade forjada normativamente terá alcance sobre todos os âmbitos de juridicidade. Prossigamos. Em seguida, a Lei nº 11.345/2006, em seu art. 13, garantiu que as entidades desportivas futebolísticas tivessem a isenção do IRPJ, da CSLL e da Cofins asseguradas (bem como um regime especial do PIS/Pasep) até 2011: Art. 13. Fica assegurado, por 5 (cinco) anos contados a partir da publicação desta Lei, o regime de que tratam o art. 15 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e os arts. 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, às entidades desportivas da modalidade futebol cujas atividades profissionais sejam administradas por pessoa jurídica regularmente constituída, segundo um dos tipos regulados nos arts. 1.039 a 1.092 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Todavia, antes do término de sua vigência a Lei nº 12.395/2011 alterou a redação do § 13 do art. 27 da Lei Pelé, para expurgar a expressão “notadamente para efeitos tributários, fiscais, previdenciários, financeiros, contábeis e administrativos”. Essa mesma lei também alterou o §11, afastando a sujeição ao regime da sociedade em comum das entidades que não se constituíssem regularmente em sociedade empresária na forma do § 9º do art. 27 da Lei Pelé. Vejamos o teor do §13: § 13. Para os fins de fiscalização e controle do disposto nesta Lei, as atividades profissionais das entidades de que trata o caput deste artigo, independentemente da forma jurídica sob a qual estejam constituídas, equiparamse às das sociedades empresárias. Como se vê, o regime jurídico da ficção estabelecida pelo legislador foi expressamente reduzido, de modo que a equiparação às sociedades empresárias vale apenas para fins de fiscalização e controle do disposto na Lei Pelé – que, venhamos e convenhamos, não é uma lei tributária, e nada dispõe sobre matéria fiscal, mas apenas sobre a estruturação de entidades desportivas e as normas gerais sobre a prática do desporto. Com a devida vênia à posição da Conselheira Relatora, entender que o art. 27, §13 estabelece a equiparação das entidades desportivas a sociedades empresárias para fins tributários mesmo após a alteração feita pela Lei nº 12.395/2011 é o mesmo que esvaziar de sentido o §9º do mesmo artigo (§9º É facultado às entidades desportivas profissionais constituíremse regularmente em sociedade empresária, segundo um dos tipos regulados nos arts. 1.039 a 1.092 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil). O referido dispositivo dá às entidades desportivas a faculdade de se estabelecerem como sociedades empresárias, submetendose ao seu regime jurídico próprio para tudo aquilo que a ficção jurídica do §13 não estabelecer tratamento diverso. Fl. 13240DF CARF MF Processo nº 19515.720764/201708 Acórdão n.º 1301003.869 S1C3T1 Fl. 27 26 Além disso, seria o mesmo que dizer que a alteração legislativa seria absolutamente inócua ou despicienda. Como ensina o velho brocardo, verba cum effectu sunt accipienda – ou na lição do Mestre Carlos Maximiliano, as palavras da lei devem ser compreendidas como tendo alguma eficácia, pois não se presume, na lei, palavras inúteis (Hermenêutica e Aplicação do Direito, 8a. ed., Freitas Bastos, 1965, p. 262). Do fato de que a Lei nº 12.395/2011 regulamentou o contrato de trabalho dos atletas profissionais, e que a retirada da parte final do citado §13º afasta as discussões acerca equiparação das entidades de desporto profissional às sociedades empresárias para efeitos trabalhistas, não se pode dar um salto argumentativo para concluir que esse mesmo regime é aplicado para fins tributários, até porque foram introduzidos na Lei Pelé dispositivos específicos para tratar do contrato de trabalho (art. 27B, 27C e 28) – ou seja, a equiparação aí se mantém por estar dentro dos “fins de fiscalização e controle do disposto nesta Lei”. A relatora aduz, em seu voto, que a Recorrente realiza atividades próprias de empresário ("venda de ingressos para jogos, licenciamento de marcas, exploração da venda de produtos ligados ao clube, comercialização de venda de placas nos estádios, negociação de contratos de patrocínio, venda dos direitos das transmissões dos jogos por emissoras de rádio e televisão (direito de arena) e a venda e/ou empréstimo dos direitos liberatórios e/ou econômicos dos atletas”), e que portanto se enquadraria na condição de sociedade empresária, com base no art. 982 do CC/028. Parecenos haver uma confusão nesse ponto. O empresário, na definição do art. 966 do CC/02, é aquele que exerce profissionalmente atividade econômica, sempre com a finalidade de obtenção do lucro – tanto que a definição de sociedade do art. 981 do mesmo Código pressupõe a partilha dos resultados entre os partícipes da sociedade. A Recorrente, diferentemente, não obtém lucro, mas sim superávits. Nos termos do item 10.19.1.3 da NBC T – 10.19 – ENTIDADES SEM FINALIDADES DE LUCROS, “As entidades sem finalidade de lucro são aquelas em que o resultado positivo não é destinado aos detentores do patrimônio líquido e o lucro ou prejuízo são denominados, respectivamente, de superávit ou déficit.”. Portanto, mesmo que a Recorrente realize diversos contratos visando o ingresso de receitas em seu caixa, essas receitas são todas revertidas em prol de sua finalidade institucional, e não destinadas a quaisquer sócios ou associados do clube, razão pelo qual não se desvirtua a sua natureza de entidade sem fins lucrativos. Não há que se confundir, portanto, o ingresso de receitas com a presença de lucro, são coisas absolutamente distintas. Esse argumento, inclusive, embasou o posicionamento recente da 1ª CSRF, por meio do Acórdão nº 9101003.6489, que pontuou que o art. 18, p.u., da Lei nº 9.532/97 autorizou expressamente a isenção às entidades desportivas de caráter profissional, o que pressupõe também que elas realizem atividades econômicas – caso contrário, o dispositivo simplesmente se confundiria com o que já dispõe o art. 15 daquela lei. Vejamos o seu teor: Art. 18. Fica revogada a isenção concedida em virtude do art. 30 da Lei nº 4.506, de 1964, e alterações posteriores, às entidades que se dediquem às seguintes atividades: I educacionais; II de assistência à saúde; Fl. 13241DF CARF MF Processo nº 19515.720764/201708 Acórdão n.º 1301003.869 S1C3T1 Fl. 28 27 III de administração de planos de saúde; IV de prática desportiva, de caráter profissional; V de administração do desporto. Parágrafo único. O disposto neste artigo não elide a fruição, conforme o caso, de imunidade ou isenção por entidade que se enquadrar nas condições do art. 12 ou do art. 15. A redação, de fato, é claríssima: revogouse a isenção, mas expressamente ressalvou que as entidades que fruíam dela poderiam também se enquadrar nas hipóteses do art. 12 ou 15 da mesma lei. Além disso, aduziu a CSRF que mesmo que não houvesse a previsão específica do art. 18, p.u., da Lei nº 9.532/97, os clubes de futebol profissional poderiam fazer jus à isenção na condição de associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. O serviço prestado por eles se relaciona ao entretenimento fornecido aos espectadores, associados ou não, tanto que o espectadorpagante é tratado como consumidor para fins de aplicação do Código de Defesa do Consumidor. O fato de haver um grande ingresso de receitas não desqualifica a natureza de entidade sem fins lucrativos, pelo fato desses recursos serem revertidos no melhoramento da prestação desse serviço. É necessário distinguir, nessas associações civis, os “fins” e “atividades”. Não há qualquer impedimento para que uma associação sem fins econômicos desenvolvesse atividades econômicas para geração de renda, desde que não partilhe os resultados decorrentes entre os associados, destinandoos integralmente à consecução de seu objetivo social – postura coincidente com a definição de entidade sem fins lucrativos, do art. 13, §3º da Lei nº 9.532/97, verbis: “§ 3º Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, CASO O APRESENTE EM DETERMINADO EXERCÍCIO, DESTINE REFERIDO RESULTADO, INTEGRALMENTE, À MANUTENÇÃO E AO DESENVOLVIMENTO DOS SEUS OBJETIVOS SOCIAIS.” Desse modo, não há qualquer dúvida que a Recorrente se enquadra como entidade sem fins lucrativos, fazendo jus à isenção do art. 15 da Lei nº 9.532/97. Há ainda outra razão, de ordem formal. A AdvocaciaGeral da União (AGU) emitiu o Parecer DENOR/CGU/AGU nº 4/2013, que cuidou da minuta do decreto que regulamenta a Lei Pelé, aduzindo que a supressão da expressão "notadamente para efeitos tributários, fiscais, previdenciários, financeiros, contábeis e administrativos” do §13º do art. 27 daquela lei teve como finalidade restringir o alcance da equiparação apenas às finalidades de “fiscalização e controle do disposto na lei”. Em razão disso, as entidades de prática desportiva profissionais e as entidades de administração de desporto ou ligas em que se organizarem podem adotar a forma jurídica de associação civil, fazendo jus aos benefícios fiscais legalmente instituídos. Fl. 13242DF CARF MF Processo nº 19515.720764/201708 Acórdão n.º 1301003.869 S1C3T1 Fl. 29 28 Ao tomar ciência do referido Parecer e da sua aprovação pelo Ministro AdvogadoGeral da União, a PGFN emitiu o Parecer PGFN/CAT/Nº 587/2013, vinculandose às conclusões técnicas lá aduzidas, por força do art. 2º, §1º da Lei Complementar nº 73/93. Em atenção aos pareceres acima indicados, a RFB exarou a Solução de Consulta COSIT nº 231/2018, concluindo que passou a ser possível o enquadramento das entidades desportivas profissionais na forma de associação sem fins lucrativos e ao disposto no art. 15 da Lei nº 9.532/97, a partir da produção de efeitos da Lei nº 12.395/2011, e desde que cumpridos os requisitos legais estipulados, além de reconhecer também a isenção no período subsequente à edição da Lei nº 11.345/2006 (Lei da Timemania). Frisese que desde a edição da Instrução Normativa n. 1.434/2013, por meio de seu art. 9º10, tornou vinculante para a RFB o teor das soluções de consulta exaradas pela COSIT. Ou seja: a RFB, a PFN e a AGU possuem manifestações expressas e vinculantes, de caráter normativo, favoráveis ao pleito do contribuinte, o que esvazia qualquer litigiosidade da questão, o que por si só já justificaria o provimento do Recurso Voluntário – sem prejuízo do já demonstrado acerto de suas razões substanciais. Por tudo isso, dou provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte para reconhecer a sua isenção. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 13243DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.903882/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 06/06/2005
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior
Oportunizada, em face do exercício do contraditório, com a trazida da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário, a apresentação de documentos pela empresa interessada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a conclusão contida no despacho decisório contestado, mantém-se o indeferimento da compensação, por inexistência do crédito indicado em Per/Dcomp.
DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. JUNTADA DE PROVAS. DESNECESSIDADE.
Deve ser indeferido o pedido de diligência e/ou perícia, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do Darf pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, ou comprovar o erro material em sua retificação, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência e/ou perícia, bem assim a eventual juntada de novas provas.
VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES.
Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi-lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal.
Numero da decisão: 2201-004.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior Oportunizada, em face do exercício do contraditório, com a trazida da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário, a apresentação de documentos pela empresa interessada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a conclusão contida no despacho decisório contestado, mantémse o indeferimento da compensação, por inexistência do crédito indicado em Per/Dcomp. DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. JUNTADA DE PROVAS. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de diligência e/ou perícia, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. 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(assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.917, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.903749/200912, paradigma deste julgamento. "Acórdão nº 2201004.917 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. De acordo com o despacho decisório, o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. O contribuinte alega que efetuou a retenção de forma equivocada de IRRF sobre operações de ganho de capital, ocasionada por de erro no cálculo na obtenção do custo médio das ações de propriedade de empresa investidora e deixado de compensar prejuízos em operações anteriores. Alega que após tais ajustes o IR sobre ganho de capital foi reduzido a zero, sendo que houve a apuração de diferença entre o IR correto e o errado objeto da compensação. Aduz também que o cálculo incorreto ocorreu por conta do fato da investidora ter efetuado Split das ações (desdobramento) e que não foi incluído no cálculo do IRRF. Alega que efetuou a devolução do montante do Imposto à empresa investidora. A Delegacia da Receita de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte sob o fundamento em síntese de falta de comprovação do erro de fato no preenchimento da DCTF e falta de comprovação dos lançamentos contábeis e outros documentos que pudessem evidenciar o erro cometido na operação, sendo que considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para este Conselheiro. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 16327.903882/200961 Acórdão n.º 2201004.920 S2C2T1 Fl. 4 3 É o que havia para ser relatado." Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.917, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.903749/200912, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.917, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: "Acórdão nº 2201004.917 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, o conheço. O presente processo está sendo julgado na mesma sessão dos processos nº 16327.903749/200912, 16327.903880/200971, 16327.903881/200916, 16327.903882/200961, 16327.903883/200913, 16327.903884/200950, 16327.903885/200902, 16327.903886/200949, 16327.903887/200993, 16327.903888/200938 e 16327.903889/200982 nos termos do § 2º do art. 47 do Anexo II à Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF. Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo mantendo integralmente os termos do despacho decisório que não homologou o crédito de IRRF para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Não verifico razões para a reforma do julgado, que se baseou nos elementos de prova juntados pelo contribuinte que teve assegurado o devido processo legal e contraditório, inclusive podendo ter juntado novos documentos na época para comprovar a existência do direito creditório. No presente caso, o Despacho Decisório não homologou a compensação em razão de o crédito a ser compensado estar alocado como pagamento de débito confessado na DCTF original. Após a emissão do Despacho Decisório, a DCTF foi retificada para se excluir tal débito e se caracterizar o recolhimento em questão como indevido/a maior. A apresentação de DCTF constituise em obrigação acessória. Entretanto, uma vez apresentada, o contribuinte comunica a existência de crédito tributário, confessando a dívida (DecretoLei n° 2.124, de 1984, art. 5°, § 1°)1. Destarte, o Despacho Decisório foi validamente emitido, eis que havia débito confessado correspondente ao valor recolhido em DARF. Resta perquirir se sua eficácia permanece, em face da posterior retificação da DCTF. Ao apresentar a DCTF retificadora após a emissão do Despacho Decisório, o contribuinte pretende corrigir pretenso erro de preenchimento da DCTF original, Fl. 180DF CARF MF Processo nº 16327.903882/200961 Acórdão n.º 2201004.920 S2C2T1 Fl. 5 4 conforme expressamente consignado na manifestação de inconformidade e nas razões do recurso. A simples apresentação das DCTFs original e retificadora, ainda que acompanhadas de DARF, não se constitui em prova do alegado erro de fato. A retificação da DCTF é ineficaz, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame das DCTFs (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II2; e IN RFB n° 903, de 2008, art. 11, §2°, III). A alegação de erro de fato nessa instância recursal, no caso, deve vir acompanhada de documentos incontestes quanto a esse fato, posto que tais oportunidades de esclarecimentos e juntada de novos documentos que comprovam a veracidade das razões recursais, o foram analisadas quando do julgamento de primeiro grau constatando a não comprovação do alegado direito pelo contribuinte. Ora, apesar das planilhas estarem com os valores mencionados na manifestação de inconformidade e juntadas também em recurso voluntário, as mesmas vieram desacompanhadas de quaisquer outros documentos que pudessem evidenciar o erro cometido. Da forma como ponderado pela decisão de piso, há uma simples alteração de valores sem qualquer comprovação. No caso, seria necessário demonstrar por meio de notas de compra das ações da empresa investidora o custo médio antes e depois, até porque o manifestante alega que a justificativa do erro é pelo fato de ter ocorrido um split das ações, ou seja, o citado desdobramento na realidade faria com que o custo médio das ações diminuísse e não aumentasse, de forma que seria mais coerente que o preço a ser considerado fosse mesmo o menor. Também seria necessário comprovar o total de prejuízos anteriores trazendo, por exemplo, as operações que geraram tal prejuízo com os respectivos documentos que as embasam. As telas de movimentação financeira juntadas também não comprovam a retenção indevida, mas apenas que houve uma transferência de valores, não foram anexados sequer os lançamentos contábeis indicando a retenção e o alegado estorno para a conferência dos valores e também não ficou evidenciado que a conta creditada era do cliente da recorrente sendo juntado de terceiro com outra denominação, não esclarecendo os fatos. Os empresários têm o dever de manter a escrituração dos negócios de que participam, nos termos do art. 1.179 do Código Civil (lei n° 10.406/2002): "Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. É oportuno citarmos um trecho da exposição de motivos do Código de Comércio Napoleônico, lembrado por Fábio Ulhoa Coelho, em sua obra "Curso de Direito Comercial": "A consciência do comerciante está escrita nos seus livros; neles é que o comerciante registra todas as suas ações; são, para ele, imia espécie de garantia (...). Quando surgem contestações, é Fl. 181DF CARF MF Processo nº 16327.903882/200961 Acórdão n.º 2201004.920 S2C2T1 Fl. 6 5 preciso que a consciência do juiz fique esclarecida; e é então que os livros são necessários, pois que eles são os confidentes das ações do comerciante ". O objetivo primordial da Contabilidade é apreender e entender as mutações sofridas pelo patrimônio de uma entidade. Desta forma, os registros contábeis são o meio de prova mais natural para demonstrar a liquidez e certeza do direito creditório. Nesse ponto, adoto como razões de decidir excerto dessa Turma da lavra do I. Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim AC. 2201004.437 j. 04/04/18, verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2004 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (...) omissis Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da Fl. 182DF CARF MF Processo nº 16327.903882/200961 Acórdão n.º 2201004.920 S2C2T1 Fl. 7 6 demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário provalo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. (...) Quanto a questão da diligência e perquirição de provas e aplicação do princípio da busca da verdade material, tomo como razões de decidir parte do Voto do I. Conselheiro Orlando Rutigliani Berri no Ac. 3001000.545 j. 17/10/2018, verbis: Mais, que analisados os pretensos elementos de prova carreados aos presentes autos, verificouse que se mostraram insuficientes para comprovar o direito creditório alegado. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 16327.903882/200961 Acórdão n.º 2201004.920 S2C2T1 Fl. 8 7 Diante destas constatações e o que dos autos consta, aí também aliado aos corretos fundamentos da decisão recorrida, advogo o entendimento segundo o qual não é papel deste colegiado recursal conceder infindáveis oportunidades para que o contribuinte transponha aos autos documentos e/ou informações que venham confirmar seu direito, digo isto pois entendo que tal concessão importaria em desrespeito aos prazos estabelecidos na legislação processual de regência, como vimos anteriormente. Prosseguindo um pouco mais, podese dize ainda que é comezinho a obrigação do sujeito passivo, desde a feitura de seu pleito reivindicatório, passando pela sua manifestação de inconformidade, municiar sua pretensão em documentos hábeis suficientes para evidenciar a liquidez e certeza do crédito tributário cuja restituição postula. Por isso, e não por outra razão, é que a legislação impõe ao contribuinte o dever de demonstrar sua liquidez e certeza. De outra forma dizendo, é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária tal mister. Desta feita, não se pode, sob o pálio da "verdade material" suplantar toda e qualquer regra processual aplicável ao processo administrativo fiscal federal a fim de, ao arrepio, dentre outros, do princípio da isonomia, permitir seja desbancada a competência originária da autoridade fiscal ou mesmo do colegiado recorrido, para fins de substituir tarefa que competia ao sujeito passivo, seja espontaneamente ou mesmo depois de provocado, em face das sucessivas rejeições da sua pretensão. Portanto, não é correto afirmar que a aventada a menor rigidez dos prazos para a produção de prova tenha o condão de sobrepujar determinadas regras, vez que o primado da "verdade material", na medida em que autoriza o julgador apreciar provas e/ou indícios não contemplados pela instância a quo, impõe que estas tenham sido produzidas no momento oportuno, o que não se observa nestes autos, uma vez que não foram produzidas. omissis Ultrapassada a contextualização fático, esclareço, por oportuno que este colegiado, atento à hodierna tendência de se mitigar os rigores das regras preclusivas contidas no processo administrativo fiscal, para o fim de acolher provas apresentadas nesta instância recursal, entende que para aplicarse tais regras, o comportamento do sujeito passivo é determinante. Melhor dizendo, estando o contribuinte, como é o caso em apreço, ciente dos motivos pelos quais os elementos de prova coligidos aos autos não foram considerados hábeis e suficientes para seu desiderato, era seu o dever demonstrar que envidou o esforço no sentido de sanar as lacunas probatórias aventadas na decisão recorrida. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 16327.903882/200961 Acórdão n.º 2201004.920 S2C2T1 Fl. 9 8 No entanto, o recorrente, ao manter se fiel à linha argumentativa, mesmo sabedor que o fundamento da decisão recorrida assentouse na ausência de documentos que corroborassem sua pretensão, preferiu agir de forma não proativa, ao deixar de se empenhar em provar o direito que alega possuir, impedindo, in totum, que este julgador aventasse, quiçá, a hipótese de conversão deste julgamento em diligência, com supedâneo no novel princípio da cooperação, que atualmente tem redação implementada pelo artigo 6º da Lei nº 13.105, de 16.03.2015 Novo Código de Processo Civil, que afirma que "todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva". Em suma, constatase que no caso destes autos, o alegado indébito não foi correta e suficientemente demonstrado e provado. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso e NEGOLHE PROVIMENTO." Diante do exposto, conheço do recurso e NEGOLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 185DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.721256/2014-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
Ementa:
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS AGRÍCOLAS.
Devem ser tributados como rendimentos sujeitos ao ajuste na declaração anual as receitas provenientes do aluguel ou arrendamento de máquinas, equipamentos agrícolas e pastagens, e da prestação de serviços de transportes de produtos de terceiros.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Com a entrada em vigor da Lei 9.430 de 1996, consideram-se rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, somente quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. No caso, tendo ocorrido a comprovação da origem de parte dos depósitos considerados no lançamento, a base de cálculo do imposto deve ser alterada para retirar de seu cômputo esses créditos.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS -EMPRÉSTIMO NÃO COMPROVADO.
Na comprovação de empréstimos é imprescindível: (1) que haja a apresentação do contrato de mútuo assinado pelas partes; (2) que o empréstimo tenha sido informado tempestivamente na declaração de ajuste; (3) que o mutuante tenha disponibilidade financeira (4) que seja comprovada a efetiva transferência do numerário entre credor e devedor (na tomada do empréstimo), com indicação de valor e data coincidentes como previsto no contrato firmado; e (5) expirado o prazo contratual, a comprovação da quitação do empréstimo ou de aditivo contratual alterando a data do vencimento. No caso de empréstimos entre pessoa jurídica e pessoa física (sócio), necessária a apresentação dos livro contábeis com a correspondente escrituração do fato.
Numero da decisão: 2301-005.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente), Thiago Duca Amoni (Suplente), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Savio Nastureles (Presidente substituto), sendo os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni suplentes convocados, em substituição, respectivamente, aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS AGRÍCOLAS. Devem ser tributados como rendimentos sujeitos ao ajuste na declaração anual as receitas provenientes do aluguel ou arrendamento de máquinas, equipamentos agrícolas e pastagens, e da prestação de serviços de transportes de produtos de terceiros. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Com a entrada em vigor da Lei 9.430 de 1996, consideram-se rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, somente quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. No caso, tendo ocorrido a comprovação da origem de parte dos depósitos considerados no lançamento, a base de cálculo do imposto deve ser alterada para retirar de seu cômputo esses créditos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS -EMPRÉSTIMO NÃO COMPROVADO. Na comprovação de empréstimos é imprescindível: (1) que haja a apresentação do contrato de mútuo assinado pelas partes; (2) que o empréstimo tenha sido informado tempestivamente na declaração de ajuste; (3) que o mutuante tenha disponibilidade financeira (4) que seja comprovada a efetiva transferência do numerário entre credor e devedor (na tomada do empréstimo), com indicação de valor e data coincidentes como previsto no contrato firmado; e (5) expirado o prazo contratual, a comprovação da quitação do empréstimo ou de aditivo contratual alterando a data do vencimento. No caso de empréstimos entre pessoa jurídica e pessoa física (sócio), necessária a apresentação dos livro contábeis com a correspondente escrituração do fato.
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ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS AGRÍCOLAS. Devem ser tributados como rendimentos sujeitos ao ajuste na declaração anual as receitas provenientes do aluguel ou arrendamento de máquinas, equipamentos agrícolas e pastagens, e da prestação de serviços de transportes de produtos de terceiros. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Com a entrada em vigor da Lei 9.430 de 1996, consideramse rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, somente quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. No caso, tendo ocorrido a comprovação da origem de parte dos depósitos considerados no lançamento, a base de cálculo do imposto deve ser alterada para retirar de seu cômputo esses créditos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS EMPRÉSTIMO NÃO COMPROVADO. Na comprovação de empréstimos é imprescindível: (1) que haja a apresentação do contrato de mútuo assinado pelas partes; (2) que o empréstimo tenha sido informado tempestivamente na declaração de ajuste; (3) que o mutuante tenha disponibilidade financeira (4) que seja comprovada a efetiva transferência do numerário entre credor e devedor (na tomada do empréstimo), com indicação de valor e data coincidentes como previsto no contrato firmado; e (5) expirado o prazo contratual, a comprovação da quitação do empréstimo ou de aditivo contratual alterando a data do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 12 56 /2 01 4- 30 Fl. 3276DF CARF MF 2 vencimento. No caso de empréstimos entre pessoa jurídica e pessoa física (sócio), necessária a apresentação dos livro contábeis com a correspondente escrituração do fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente), Thiago Duca Amoni (Suplente), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Savio Nastureles (Presidente substituto), sendo os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni suplentes convocados, em substituição, respectivamente, aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório 1. Tratase de julgar recurso voluntário (efls 2966/3202) interposto em face do Acórdão nº 1678.303 (efls 2921/2950) prolatado pela 16ª Turma da DRJ/SPO, em sessão de julgamento realizada em 28/06/2017, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada em face da lavratura do auto de infração (efls 1537/1545). 2. Fazse a transcrição do relatório contido na decisão de primeira instância, por bem descrever o contexto fático e propiciar a compreensão do litígio devolvido ao Colegiado. início da transcrição do relatório inserto no acórdão nº 1678.303 Contra o contribuinte em questão foi lavrado o auto de infração (fls. 1537/1545) com o lançamento de imposto de renda relativo ao anocalendário 2010 de R$ 1.374.258,30, de multa de ofício de R$ 1.030.693,73 e de juros de mora calculados até 06/2014 de R$395.374,11. O procedimento fiscal que culminou com o presente lançamento é decorrente de fiscalização em face do cônjuge do contribuinte iniciada por meio de Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 02/32), em que foi intimado a apresentar informações acerca de rendimentos, movimentação bancária e patrimônio relativos ao ano calendário 2010. Apresentados os extratos bancários, Antônio Cabrera Mano Filho foi intimado, por meio do Termo de Intimação n° 09/2013 (fls. 266/284), a comprovar a origem do dos créditos em suas contas correntes e de poupança. Fl. 3277DF CARF MF Processo nº 10920.721256/201430 Acórdão n.º 2301005.926 S2C3T1 Fl. 3.277 3 Constatada a cotitularidade das contas correntes examinadas, o contribuinte em epígrafe (Ângela Cabrera) também foi intimada a comprovar a origem dos créditos, conforme Termo de Intimação Fiscal n° 062/2013 (fls. 546/548), relacionados nos demonstrativos de fls. 549/566. No Relatório Fiscal de fls. 1546/1557, a autoridade fiscal indica para cada conta corrente examinada as razões pelas quais não considerou comprovados os créditos, esclarecendo que, em relação às contas conjuntas, foi lançada como omissão a metade dos depósitos, conforme demonstrativo de fls. 1552: "Analisados os créditos efetuados nas diversas contas, que verificamos serem em sua maioria conjuntas com a Sra. Ângela, selecionamos aqueles que indicavam não se tratar de simples transferência de uma conta pra outra do próprio correntista e nem se referiam a empréstimos bancários, estornos ou devolução de cheques, para então solicitar a comprovação de origem. Os extratos bancários constam às fls. 08 a 26; 43 a 81; 90 a 210; 230 a 265; e 471 a 474 do processo fiscal. A partir daí intimamos exaustivamente, não somente o Sr. Antônio, mas também esta contribuinte, a apresentar os comprovantes de origem dos valores creditados em suas contas correntes e de poupança, conforme relatado no item 1. A Sra. Ângela foi intimada pelo Termo n° 062/2013 (fls. 546 a 568), mas afirmou que os comprovantes seriam apresentados pelo cônjuge varão, ratificando, desta forma, o teor do que nos foi encaminhado por ele. Após a análise dos documentos recebidos por esta fiscalização, concluímos o que segue, em relação a cada uma das contas bancárias. Os valores não comprovados foram objeto de lançamento de oficio, como omissão de receitas, conforme disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, alterado pela Lei n° 9.481, de 1997 e pela Lei n° 10.637, de 2002." Da análise do livro Caixa da atividade rural (fls. 756/922), a autoridade detectou, ainda, a escrituração errada de rendimentos recebidos de alugueis de máquinas e equipamentos como receita da atividade rural: "Conforme salientado nas alíneas "a" e "e" do item 2.1, detectamos a omissão de rendimentos recebidos especificamente de aluguéis, tanto na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário 2010 do Sr. Antônio quanto na da Sra. Ângela. Da análise do livro caixa dos contribuintes (fls. 756 a 922), verificase que estes valores estão ali relacionados como receita da atividade rural. Mas, como já frisamos no item 2.1, esses rendimentos deveriam ter sido tributados à parte, como rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, na Declaração de Imposto de Renda, mesmo que sejam provenientes de alugueis de máquinas agrícolas, conforme clara disposição contida no art. 4,da INSRF 83/2001, verbis: Fl. 3278DF CARF MF 4 Art. 4 Não se considera atividade rural: (...) V as receitas provenientes do aluguel ou arrendamento de máquinas, equipamentos agrícolas e pastagens, e da prestação de serviços de transportes de produtos de terceiros; Esses valores, que constam no Demonstrativo de Aluguéis Recebidos, à fl. 1531, foram informados pelo Sr. Antonio, nas suas respostas aos Termos n° 009/2013 (fls. 320 a 331; 363 a 366), e 010/2014 (fls. 1235, 1311 e 1312), e totalizam R$ 2.662.217,23, em 2010. Tendo em vista o regime da comunhão parcial de bens, entre os cônjuges, esse valor será exigido por metade de cada um deles, totalizando R$ 1.331.108,61 para cada cônjuge." Assim, a ação fiscal é encerrada com a lavratura do citado auto de infração, tendo em vista que foram apuradas as seguintes infrações à legislação tributária: 1 Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Omissão de rendimentos de alugueis, conforme Relatório Fiscal. Enquadramento legal: arts. 37, 38, 49, 50, 52, 53, 56 e 83 do RIR/99. Art. Io, IV e parágrafo único da Lei 11.482/07, redação dada pela Lei 11.945/09. 2 Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários sem Origem Comprovada. Omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea, conforme descrição dos valores tributáveis e respectivas datas dos fatos geradores, no citado auto de infração, e sob o seguinte fundamento legal: artigo 42 da Lei 9.430/96; artigo 4o da Lei 9.481/97; artigo 21 da Lei 9.532/97. O contribuinte é cientificado do auto de infração em 16/06/2014, e, inconformado com o lançamento, apresenta impugnação, em 16/07/2014 de fls. 1599/1683, em que alega, em síntese, que: 1. arguise, com fulcro nos arts. 11, c.c. 10, inciso III, ambos do Decreto n° 70.235/72, a NULIDADE do Auto de Infração MPF n° 0618500.2014.00036 (fls. 1537/1578), em face de sua lavratura a destempo, ou seja, quando ainda se achavam em trâmite diligências que vinham sendo empreendidas pelo cônjuge da Impugnante (ANTONIO CABRERA MANO FILHO), a fim de dar total esclarecimento aos fatos e assim atender ao que havia sido solicitado pelo Sr. Auditor Fiscal, portanto, tornandose incerto e impreciso os fatos narrados, e, por conseqüência, acarretandose o cerceamento do direito de defesa da Impugnante, ex vi do art. 5o , inciso LV, da Constituição Federal; 2. quando lavrado o Auto de Infração, em 12/06/2014 (fls. 1537), estava pendente não só a informação a ser prestada no tocante ao extrato do Banco do Brasil S/A., conta 53880, agência 04510 como a solicitação da prorrogação do prazo de 20 (vinte) dias para atendimento do Termo de Intimação Fiscal n° 012, de 2014, a Impugnante sequer foi intimada a comprovar o movimento bancário relativo à conta em epígrafe, muito menos a fazer qualquer outra comprovação que seu caso demandava; 3. ficaram sem comprovação o mencionado movimento bancário e tudo mais que se relaciona com o Auto de Infração (tomadas de empréstimos e reembolsos pelo cônjuge da Impugnante das empresas Caltarém, Fl. 3279DF CARF MF Processo nº 10920.721256/201430 Acórdão n.º 2301005.926 S2C3T1 Fl. 3.278 5 Calpará, Cabrera, e pessoas físicas Maurício, Benhur, João José e etc) . Era de rigor que antes fosse ensejado a Impugnante se manifestar sobre esses fatos relevantes, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa; 4. o Sr. Auditor Fiscal entendeu de solicitar que fosse comprovada a origem dos recursos no montante de R$ 2.662.217,23 (R$ 1.331.108,61 x 2); uma vez comprovada essa origem, ainda não completamente satisfeito, entendeu de submetêla a tributação em separado, como rendimentos recebidos de pessoas jurídicas; 5. os contratos juntados comprovam se tratar de maquinários, equipamentos, veículos, etc, investidos na atividade rural, com destinação e utilização específicas no meio rural, pelo que se afigura despropósito, sem paralelo, querer afastar, como pretende o Fisco, os rendimentos proporcionados como receita da atividade rural; 6. também é de se invocar o art. 110 do Código Tributário Nacional, o qual expressamente preconiza que "A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias"; 7. é defeso à lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, por isso, não se tem como acolher a pretensão do fisco referente à mudança da tributação dos aluguéis, deixando de considerálos como da atividade rural para inserilos na vala comum dos rendimentos em geral. Importante: Como rendimentos da atividade rural a Impugnante já os tributou em sua Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário 2010; 8. conforme consta do Relatório Fiscal (fls. 1546/1557), o Sr. Auditor Fiscal ao enveredar pelo dito caminho baseouse única e exclusivamente no art. 4º, inciso V, da Instrução Normativa SRF n° 83/2001; 9. contudo, como é sabido norma de hierarquia inferior não se presta para alterar norma de hierarquia superior. Isto porque a lei ordinária Lei 4.506/64, art. 21 na qual se baseia a Secretaria da Receita Federal para sustentar que a receita correspondente ao aluguel de máquinas e equipamentos não é tributada na atividade rural, mas, sim, submetida ao ajuste na declaração anual, não lhe confere esse direito; 10. a Impugnante ainda tem em seu favor o Parecer Normativo COORDENARDOR DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO CST n° 7 de 17.03.1982, o qual versa sobre matéria intimamente ligada à questão enfocada; 11. o Senhor Auditor Fiscal analisando a situação interpretou os recursos que entraram na conta bancária da Impugnante como recursos de mão única, pois, teriam somente entrado no patrimônio da Impugnante, quando, na verdade, dizem respeito a recursos de mão dupla, pois, além de terem entrado também saíram do patrimônio da Impugnante, cuja pretensão de tributálos configura verdadeiro "bis in idem"; Fl. 3280DF CARF MF 6 12. é que existe equilíbrio entre os recursos que saíram do patrimônio da Impugnante, no valor de R$ 4.176.193,28, e os que entraram, no montante de R$ 5.774.626,49, de modo que a pretensão de cobrar tributo e penalidades pela entrada, se quando saíram já tinham sido tributados, revela verdadeira "bitributação"; 13. Contas Correntes envolvendo o cônjuge da Impugnante (ANTONIO CABRERA MANO FILHO) e a empresa CALPARÁ EXPLORAÇÃO DE JAZIDA E COMÉRCIO DE CALCÁRIO LTDA empresa essa que a Impugnante é sócia, cujo Contas Correntes contém os lançamentos "a débito" (representativos dos valores que foram reembolsados ao cônjuge da Impugnante por conta de obrigações amortizadas de responsabilidade da referida empresa e/ou para fazer frente a empréstimos efetivados), no valor total de R$ 747.998,00, bem como os lançamentos "a crédito" (representativos dos valores que foram utilizados pelo cônjuge da Impugnante para pagamento de obrigações de responsabilidade da mencionada empresa, como suprimento de caixa, e/ou para fazer frente a empréstimos tomados), no valor total de R$ 1.077.628.93; 14. Contas Correntes (incluso dos documentos que dão sustentação), envolvendo o cônjuge da Impugnante (ANTONIO CABRERA MANO FILHO) e a empresa CALTAREM EXPLORAÇÃO DE JAZIDA E COMÉRCIO DE CALCÁRIO E BRITA LTDA da qual é sócia, cujo Contas Correntes contém os lançamentos "a débito" (representativos dos valores que foram reembolsados ao cônjuge da Impugnante por conta de obrigações amortizadas de responsabilidade da mencionada empresa e/ou para fazer frente a empréstimos efetivados), no valor total de R$ 2.082.643.18, bem como os lançamentos "a crédito" (representativos dos valores que foram utilizados pelo cônjuge da Impugnante para pagamento de obrigações de responsabilidade da mencionada empresa, como suprimento de caixa, e/ou para fazer frente a empréstimos tomados) no valor total de R$ 949.256.46; 15. Contas Correntes (incluso dos documentos que dão sustentação), envolvendo o cônjuge da Impugnante (ANTONIO CABRERA MANO FILHO) e a empresa CABRERA COM. E IND. DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS LTDA empresa essa que a Impugnante é sócia, cujo Contas Correntes contém os lançamentos "a débito" (representativos dos valores que foram reembolsados ao cônjuge da Impugnante por conta de obrigações amortizadas de responsabilidade da citada empresa e/ou para fazer frente a empréstimos efetivados), no valor total de R$ 655.568.32. bem como os lançamentos "a crédito" (representativos dos valores que foram utilizados pelo cônjuge da Impugnante para pagamento de obrigações de responsabilidade da citada empresa, como suprimento de caixa, e/ou para fazer frente a empréstimos tomados), no valor total de R$ 923.500.00; 16. Contas Correntes (incluso dos documentos que dão sustentação), envolvendo o cônjuge da Impugnante (ANTONIO CABRERA MANO FILHO) e MAURÍCIO CARVALHO CABRERA MANO cujo Contas Correntes contém os lançamentos "a débito" (representativos dos valores que foram reembolsados ao cônjuge da Impugnante por conta de empréstimos efetivados a mencionada pessoa), no valor total de R$ 18.485.20, bem como os lançamentos "a crédito" (representativos dos valores que foram utilizados pelo cônjuge da Impugnante para efetivação de empréstimos à mencionada pessoa), no valor total de R$ 18.615.14; Fl. 3281DF CARF MF Processo nº 10920.721256/201430 Acórdão n.º 2301005.926 S2C3T1 Fl. 3.279 7 17. Contas Correntes (incluso dos documentos que dão sustentação), envolvendo o cônjuge da Impugnante (ANTONIO CABRERA MANO FILHO) e BENHUR CARVALHO CABRERA MANO, CPF. 101.960.04896, cujo Contas Correntes contém os lançamentos "a débito" (representativos dos valores que foram reembolsados ao cônjuge da Impugnante por conta de empréstimos efetivados a citada pessoa), no valor total de R$ 1.201.971.29. bem como os lançamentos "a crédito" (representativos dos valores que foram utilizados pela Impugnante para efetivação de empréstimos a citada pessoa), no valor total de R$ 1.202.192.75; 18. Contas Correntes (incluso dos documentos que dão sustentação), envolvendo o cônjuge da Impugnante (ANTONIO CABRERA MANO FILHO) e JOÃO JOSÉ BARRETO HERNANDES, cujo Contas Correntes contém os lançamentos "a débito" (representativos dos valores que foram reembolsados ao cônjuge da Impugnante por conta de empréstimos efetivados a mencionada pessoa), no valor total de R$ 1.067.960.50, bem como os lançamentos "a crédito" (representativos dos valores que foram utilizados pelo cônjuge da Impugnante para efetivação de empréstimos a mencionada pessoa), no valor total de R$ 5.000.00; 19. a soma dos valores acima que constam como lançamentos "a débito", isto é, R$ 747.998,00 + R$ 2.082.643,18 + R$ 655.568,32 + R$ 18.485,20 + R$ 1.201.971,29 + R$ 1.067.960,50, perfaz o montante de R$ 5.774.626,49, cuja metade equivalente a R$ 2.887.313,25, no tocante à omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada prevista no Auto de Infração lavrado, deve ser excluída do valor apurado da infração no montante de R$ 3.735.569,76, enquanto que a outra metade no valor de $ 2.887.313,25, à vista do regime da comunhão parcial de bens, entre os cônjuges, igualmente deve ser excluída do valor apurado da infração no montante de R$ 3.983.744,76, o qual está sendo exigido de seu cônjuge ANTONIO CABRERA MANO FILHO; 20. montante de R$ 1.000.000.00. A comprovação dessa origem, para fins de exclusão do valor apurado da infração no montante de R$ 3.735.569,76, resulta do Contrato de Compra e Venda Para Entrega Futura, celebrado entre o cônjuge da Impugnante (ANTONIO CABRERA MANO FILHO) e a AGROPECUÁRIA LILIANA LTDA, devidamente subscrito pelas partes e testemunhas, no qual ficou pactuado a venda pelo cônjuge da Impugnante à indigitada Agropecuária, de 1.818 (um mil, oitocentos e dezoito) cabeças de bezerros desmamados, da raça anelorada, pelo preço certo e ajustado de R$ 1.000.000,00, a ser pago na data de 12/07/2010. através de depósito na Conta Corrente n° 53880, do Banco do Brasil S/A., agência 04510, de titularidade do cônjuge da Impugnante, servindo o comprovante de depósito bancário como prova de quitação da referida obrigação; 21. recebimento do preço do citado contrato se deu através do TED, enviado em 09/07/2010, tendo como favorecido o cônjuge da Impugnante, Antonio Cabrera Mano Filho, CPF. sob n° 018.987.008 77, Conta Corrente n° 53880, do Banco do Brasil S/A., agência 0451 0, e como remetente a Senhora Janete Colla Sisti. CPF. 340.269.75134, Conta Corrente n° 34029, do Banco Bradesco S/A., agência 3218; Fl. 3282DF CARF MF 8 22. a remetente Senhora Janete Colla Sisti. conforme comprova o Edital de Citação , referente ao Processo n° 285247.2010.811.0007, disponibilizado no Diário da Justiça de Mato Grosso, na data de 09/11/2010, é 1 e g í t i m a esposa do Senhor Luís Olavo Sabino dos Santos, que, por sua vez, é proprietário da adquirente Agropecuária Liliana, cujo a dministrador é o Senhor Fernando Douglas Sisti Junqueira. CPF. 626.796.27172, filho da Sr3 Janete e do Sr. Luis Olavo, fatos esses que resultam bem delineados dos documentos inclusos; 23. Montante de R$ 233.036.60. A comprovação dessa origem, para fins de exclusão do valor apurado da infração no montante de R$ 3.735.569,76, resulta do Demonstrativo que instruiu a CartaResposta elaborada pela CENTRAL ENERGÉTICA AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA, datada de 16 de dezembro de 2013, cujo demonstrativo enuncia pormenorizadamente os pagamentos feitos por essa empresa em favor do cônjuge da Impugnante, nas datas e valores declinados, contendo as observações seguintes: "Pagamento travessia balsa", "Reembolso colete salva vidas" e " Reembolso de despesas com paisagista" , totalizando o montante de R$ 233.036,60; 24. com base no próprio Demonstrativo, tomandose como exemplo os valores de R$ 222.789,60, em 04/01/2010, R$ 6.282.54. em 15/01/2010 ( reembolso de despesas com passagens aéreas), R$ 248.100,00, em 05/02/2010, R$ 919.94 ( = R$ 74,99 + R$ 426,55 + R$ 300,00 + R$ 118,40), em 08/04/2010 ( reembolso de despesas de cartório) , R$ 335.550,00, em 10/11/2010, e R$ 322.650,00, em 16/11/2010, existiram casos em que a Fiscalização, em situações idênticas, considerou comprovadas as origens dos recursos; 25. a lei não pode exigir o impossível, o irrazoável na produção da prova crível, eis que a prova não se produz por questão de força contrária a parte que a quer provar. Com isso, a doutrina e a jurisprudência se amoldaram para a realidade da prova diabólica, que é uma teoria que pugnava pela flexibilidade das regras de ônus da prova, com a finalidade de admitir peculiaridades na distribuição de ônus da prova, a depender do caso concreto; 26. montante de R$ 378.761.23. Para efeito de prova da origem referido valor se subdivide nos valores de R$ 3.064,90, R$ 2.946,13, R$ 2.300,00, R$ 60.000,00, R$ 22.469,20, R$ 16.681,00, R$ 50.000,00, R$ 25.300,00 e R$ 196.000,00; 27. R$ 3.064.90 • DEMONSTRATIVOS DE CRÉDITOS EXTRATOS BANCÁRIOS V e VI, juntados às fls. 1691/1709 (reproduzidos por cópia, doe. 6 Planilha Auxiliar II): Banco Bradesco, Agência 3520, Conta 1526421, Data 27/05/2010, Histórico transf. contas Agro Ferrag. Luizão, Valor R$ 3.064,90 (não comprovado). Emissão pelo cônjuge da Impugnante do Cheque n° 3030, Conta 1526421, Banco Bradesco, Agência 35203, para pagamento das Notas Fiscais n°s 44.081 (valor de R$ 796,90) e 44.083 (valor de R$ 2.268,00), emitidas por Agroferragens Luizão, em 23/04/2010, com boletas amortizadas. Efetuada a devolução dos produtos a empresa sobredita devolveu o valor pago das boletas; 28. R$ 2.946.13 • DEMONSTRATIVOS DE CRÉDITOS EXTRATOS BANCÁRIOS V e V I, juntados às fls 1691/1709 (reproduzidos por cópia, doe. 6 Planilha Auxiliar II): Banco Bradesco, Agência 3520, Fl. 3283DF CARF MF Processo nº 10920.721256/201430 Acórdão n.º 2301005.926 S2C3T1 Fl. 3.280 9 Conta 1526421, Data 29/03/2010, Histórico dep. em cheque, Valor R$ 2.946,13 (não comprovado). Reembolso ao cônjuge da Impugnante pela Sociedade Bíblica de gastos com viagem a Recife (PE), através do Cheque n° 968360, emitido em 23/03/2010, no mesmo valor de R$ 2.946,13; 29. R$ 2.300.00 • DEMONSTRATIVOS DE CRÉDITOS EXTRATOS BANCÁRIOS V e VI, juntados às fls. 1691/1709 (reproduzidos por cópia, doe. 6 Planilha Auxiliar II): Banco Bradesco, Agência 3520, Conta 1526421, Data 03/08/2010, Histórico dep. em cheque, Valor R$ 2.300,00 (não comprovado). Cheque n° 003117, emitido em 03/08/2010 (para descontar), Banco Bradesco, Agência 3520, Conta 23418. Não efetivado o desconto e em seguida depositado; 30. R$ 60.000.00 • DEMONSTRATIVOS DE CRÉDITOS EXTRATOS BANCÁRIOS V e VI, juntados às fls. 1691/1709 (reproduzidos por cópia, doe. 6 Planilha Auxiliar II): Banco Bradesco, Agência 3520, Conta 1526421, Data 12/03/2010, Histórico dep. em cheque, Valor R$ 60.000,00 (não comprovado). Emitidas as Notas Fiscais de Produtor n°s 001960, 001961 e 001962, nos valores de R$ 24.200,00, R$ 20.600,00 e R$ 18.200,00 (no total de R$ 63.000,00), em 23/02/2010, referentes à venda efetivada a Paulo Henrique Figueiredo Lopes, Inscrição de Produtor 337.057.300110, Sitio Rio III, Guzolândia (sp), de bois e bezerros para pasto. Tendo em vista que o gado não atingiu o peso esperado de 10 (dez) arrobas, foi feito um acerto e concedido o desconto de R$ 3.000,00; 31. R$ 22.469.20 • DEMONSTRATIVOS DE CRÉDITOS EXTRATOS BANCÁRIOS V e VI, juntados às fls. 1691/1709 (reproduzidos por cópia, doe. 6 Planilha Auxiliar II): Banco Bradesco, Agência 3520, Conta 1526421, Data 06/10/2010, Histórico dep. cc autoat, Valor R$ 22.469,20 (não comprovado). Emitida a Nota Fiscal de Produtor n° 001968, no valor de R$ 21.300,00 (valor simbólico), referente à venda efetivada a Cofercarnes Ciai. Fernand. Carnes Ltda., CNPJ. 59.074.468/000173, Fernandópolis (sp), em 04/10/2010, de novilhas para abate. Emitida a correspondente Nota Fiscal de Entrada n° 2.103, no valor de R$ 25.751,75, em 06/10/2010 (Peso da Fazenda 8.800 kg aproveitamento 44,02%). Valor pago de R$ 22.469,20, com os descontos de R$ 235,00 (acerto de peso), e de R$ 3.047,55 (frete); 32. R$ 16.681.00 • DEMONSTRATIVOS DE CRÉDITOS EXTRATOS BANCÁRIOS V e VI, juntados às fls. 1691/1709 (reproduzidos por cópia, doe. 6 Planilha Auxiliar II): Banco Bradesco, Agência 3520, Conta 1526421, Data 20/10/2010, Histórico dep. cc autoat, Valor R$ 16.681,00 (não comprovado). Emitida a Nota Fiscal de Produtor n° 001971, no valor de R$ 22.180,00 (valor simbólico), referente à venda efetivada a Cofercarnes Ciai. Fernand. Carnes Ltda., CNPJ. 59.074.468/000173, Fernandópolis (sp), em 19/10/2010, de novilhas e bois para abate. Emitida a respectiva Nota Fiscal de Entrada n° 2.184, no valor de R$ 16.681,00, em 22/10/2010. Valor pago deR$ 16.681,00; 33. R$ 50.000.00 • DEMONSTRATIVOS DE CRÉDITOS EXTRATOS BANCÁRIOS V e VI, juntados às fls. 1691/1709 (reproduzidos por cópia, doe. 6 Planilha Auxiliar II): Banco Coop. Créd. Iturama, Agência 32563, Conta 203009, Data 09/08/2010, Histórico cred. ted Fl. 3284DF CARF MF 10 str, Valor R$ 50.000,00 (não comprovado). Emitida a Nota Fiscal de Produtor n° 001982, no valor de R$ 56.000,00, referente à venda efetivada a Antonio Carlos Lourenço, Inscrição de Produtor 474.064.646.117, Nhandeara/SP, em 10/12/2010, de vacas para pasto. Recebido o valor adiantado de R$ 50.000,00, em 09/08/2010, e o restante em dinheiro na importância de R$ 6.000,00, em 10/12/2010; 34. R$ 25.300.00 • DEMONSTRATIVOS DE CRÉDITOS EXTRATOS BANCÁRIOS V e VI, juntados às fls. 1691/1709 (reproduzidos por cópia, doe. 6 Planilha Auxiliar II): Banco Bradesco, Agência 2697, Conta 16160, Data 09/08/2010, Histórico ted Rubens B. Tonelli, Valor R$ 22.300,00 (não comprovado) e Banco Bradesco, Agência 3520, Conta 1526421, Data 20/08/2010, Histórico dep. em cheque, Valor R$ 3.000.00 (não comprovado). Emitida a Nota Fiscal de Produtor n° 002028, no valor de R$ 26.400,00, referente à venda efetivada a André Sanches Molina, Inscrição de Produtor n° 481.053.520.111, Gastão Vidigal (sp), em 20/09/2010, de novilhas. Recebido o valor adiantado de R$ 22.300,00, em 09/08/2010 (através de TED enviado pelo corretor de gado, Sr. Rubens Tonelli), e o restante de R$ 4.100,00, uma parte de R$ 3.000,00 (por intermédio de Cheque), em 20/08/2010, e outra de R$ 1.100,00 (por meio de dinheiro), em 20/09/2010; 35. R$ 196.000.00 • DEMONSTRATIVOS DE CRÉDITOS EXTRATOS BANCÁRIOS V e V I, juntados às fls. 1691/1709 (reproduzidos por cópia, doc 6 Planilha Auxiliar II): Banco Brasil, Agência 04510, Conta 53880, Data 05/08/2010, Histórico ted crédito em conta, Valor R$ 196.000,00 (não comprovado). Emitidas as Notas Fiscais de Produtor n°s 002008, 002009, 002011 e 002012, nos valores de R$ 69.000,00, R$ 36.800,00, R$ 45.500,00 e R$ 45.000,00, totalizando R$ 196.800,00, referente às vendas efetivadas a Rosemary de Barros Gomes, Inscrição de Produtor n° 670.058.077.119, Sud Menucci (sp), em 01/04/2010, de bois para pasto (no valor total de R$ 105.800,00), e Gercino Maciel, Inscrição de Produtor n° 325.079.030.114, Guará (sp), em 20/04/2010, de vacas para pasto (no valor total de R$ 91.000,00). Recebido o valor de R$ 196.000,00 (com desconto de R$ 800,00), em 05/08/2010, através do corretor de gado, Sr. Rubens B. Tonelli, cujo pagamento se encontrava em atraso e com risco de não recebimento; 36. "Ad argumentandum tantum", ainda que fosse para deixar de excluir do valor apurado da infração no montante de R$ 3.735.569,76, as comprovações de origens consistentes nas metades equivalentes a R$ 2.887.313,25, R$ 500.000,00, R$ 116.518,30, e R$ 189.380,62, fazendo "sair de cena" quer os Contas Correntes, quer as demais provas documentais irrefutáveis, não haveria como tributar dito valor apurado da infração no montante de R$ 3.735.569,76, daí melhor sorte não socorrer o Auto de Infração lavrado; 37. no procedimento fiscal tributário para haver autuação, com base em depósito bancário nos termos do art. 42, da Lei n° 9.430/96, não basta a simples presunção legal de que os depósitos constituem renda tributável, é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. O lançamento assim constituído só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre o depósito e o fato que represente omissão de rendimentos; Fl. 3285DF CARF MF Processo nº 10920.721256/201430 Acórdão n.º 2301005.926 S2C3T1 Fl. 3.281 11 38. finalmente, à vista do que foi exposto até aqui, não há como prestigiar o Auto de Infração impugnado, tendo em vista que a sua lavratura não atende o comando do art. 42, § 3o , inciso 11, da Lei n° 9.430/1996, em sua redação conferida pela Lei n° 9.481/1997, o qual, em casos como da espécie (Solução de Consulta Interna n° 13 COSIT, de 16/05/2013), determina que se exclua valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). Em 16/02/2017, o contribuinte apresenta petição de fls. 2869/2873 requerendo ajuntada dos documentos de fls. 2874/2880. Em nova petição, em 24/02/2017, de fls. 2883/2887, o contribuinte requer ajuntada dos documentos de fls. 2888/2891. Em 10/03/2017, solicita (fls. 2894/2902) juntada dos documentos de fls. 2903/2920, e requer a "não colocação em pauta com vista à apreciação e julgamento do presente processo administrativotributario, perante a Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), a que couber, enquanto a questão do "bônus de eficiência" não estiver definitivamente resolvida pelo Poder Judiciário". final da transcrição do relatório inserto no acórdão nº 1678.303 3. Julgada procedente em parte a impugnação apresentada, fazse a transcrição da ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendario: 2010 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PROCEDIMENTO FISCAL. Os princípios do contraditório e da ampla defesa não se aplicam ao procedimento fiscal, fase que antecede a lavratura do auto de infração, por se tratar de mero procedimento administrativo de verificação de irregularidades tributárias. Todos os direitos constitucionais garantidores do devido processo legal podem ser exercidos na sua plenitude após instaurado o contencioso administrativo por meio da apresentação da impugnação. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS AGRÍCOLAS. Devem ser tributados como rendimentos sujeitos ao ajuste na declaração anual as receitas provenientes do aluguel ou arrendamento de máquinas, equipamentos agrícolas e pastagens, e da prestação de serviços de transportes de produtos de terceiros. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Com a entrada em vigor da Lei 9.430 de 1996, consideramse rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, somente quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. No caso, tendo ocorrido a comprovação da origem de parte dos depósitos considerados no lançamento, a base de cálculo do imposto deve ser alterada para retirar de seu cômputo esses créditos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS EMPRÉSTIMO NÃO COMPROVADO. Fl. 3286DF CARF MF 12 Na comprovação de empréstimos é imprescindível: (1) que haja a apresentação do contrato de mútuo assinado pelas partes; (2) que o empréstimo tenha sido informado tempestivamente na declaração de ajuste; (3) que o mutuante tenha disponibilidade financeira (4) que seja comprovada a efetiva transferência do numerário entre credor e devedor (na tomada do empréstimo), com indicação de valor e data coincidentes como previsto no contrato firmado; e (5) expirado o prazo contratual, a comprovação da quitação do empréstimo ou de aditivo contratual alterando a data do vencimento. No caso de empréstimos entre pessoa jurídica e pessoa física (sócio), necessária a apresentação dos livro contábeis com a correspondente escrituração do fato. ADITIVO À IMPUGNAÇÃO APRESENTADA APÓS O PRAZO REGULAMENTAR PRECLUSÃO. A impugnação deve ser apresentada no prazo de trinta dias a contar da data em que o contribuinte for intimado da exigência. Novas impugnações ou aditivos à primeira, apresentados após o prazo de trinta dias, não devem ser conhecidos por ocorrida a preclusão. 4. O Recurso Voluntário interposto em 07/08/2017 (efls 2966/2968), apresenta as razões (efls 2969/3202) para o rejulgamento da impugnação ofertada contra o autode infração, que podem ser sintetizadas como segue: 4.1. Em sede preliminar, pede a decretação de nulidade parcial do acórdão recorrido em vista do alegado impedimento da autoridade julgadora dado o suposto interesse remuneratório derivável da percepção do bônus de eficiência e produtividade (efls 2793/3025); 4.1.1. Relacionado a tal alegação, também se insurge, contra o trecho da decisão de primeira instância que considerou preclusa as alegações deduzidas no aditivo apresentado após o prazo de impugnação. 4.2. No mérito, ao inserir nas razões recursais o tópico intitulado "DAS DEMAIS RAZÕES QUE SUSTENTAM A REFORMA PARCIAL DO V. ACÓRDÃO RECORRIDO (ART. 42, § 3º, DA LEI Nº9.430/1996, ALÉM DE OUTRAS NORMAS A SEREM CONSIDERADAS)" (efls 3.025 em diante), sustenta ter acostado fartos elementos de prova, hábeis e idôneos para comprovar as movimentações financeiras; levanta argumentos para se insurgir contra à situação de confusão patrimonial, bem como à exigência de apresentação de contratos de mútuo para fins de comprovação de empréstimos bancários . 4.3. Concernente à exigência por omissão de rendimentos por depósitos bancários dedicase a reproduzir nas razões recursais (efls 3116/3127), os mesmos trechos dispostos na impugnação (efls. 1599/1683). 4.4. Repete argumentação relacionada ao inconformismo quanto à manutenção da tributação relacionada ao montante de R$ 1.000.000,00 (crédito na conta 53880 no Banco do Brasil), com base em documentação que diz ser comprobatória de operações com a Agropecuária Liliana (efls. 3128/3133); 4.5. Sustenta, ainda, a existência de provas hábeis e idôneas para comprovação de montantes de R$ 233.036,60 e de R$ 378.761,23 especificados no item "12." das razões recursais (efls 3133/3149). 4.6. Para finalizar as razões de recurso, manifesta inconformismo com a manutenção da tributação relacionada à omissão de aluguel (efls 3149). Reproduz às efls Fl. 3287DF CARF MF Processo nº 10920.721256/201430 Acórdão n.º 2301005.926 S2C3T1 Fl. 3.282 13 3150/3158 as mesmas razões pinçadas da impugnação; reafirma se tratar de rendimentos enquadráveis como receita de atividade rural, e pede o afastamento da exigência nessa parte (e fls 3191). 4.7. Fazse a transcrição do pedido formulado pelo Recorrente, tal como disposto no item "18." das razões recursais (efls 3192). 18. Por tudo quanto expendido, a recorrente, conf iantemente, aguarda e requer que o presente RECURSO VOLUNTÁRIO seja conhecido e totalmente provido por esse COLENDO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, para o fim de que, reformando o v. acórdão de fls. 2921/2950 dos autos, dignese de a) anulá lo parcialmente, em razão de ter ocorrido o julgamento de primeira instância através de Auditor Fiscal da RFB considerado absolutamente impedido para atuar no processo administrativo tributário em razão de seu interesse na matéria, a fim de determinar o retorno dos autos à primeira instância, para que seja renovado o dito julgamento, via de conseqüência, sem a aludida mácula, ou c) acolher integralmente os pedidos contidos na Impugnação (fls. 1599/1683), reproduzidos nas presentes razões de recurso voluntário, para o fim de serem acolhidas as razões de mérito, cancelandose a totalidade do débito fiscal reclamado remanescente nos valores de R$ 1.371.543,24 (Imposto de Renda), R$ 1.028.657,43 (Multa de Ofício – 75%), e quaisquer outros acréscimos legais decorrentes, por conseqüência, redundandose no cancelamento do débito fiscal reclamado originalmente, no valor de R$ 2.800.326,14. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles 5. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. AALLEEGGAAÇÇÕÕEESS PPRREELLIIMMIINNAARREESS RREELLAATTIIVVAASS AAOO BBÔÔNNUUSS DDEE EEFFIICCIIÊÊNNCCIIAA EE PPRROODDUUTTIIVVIIDDAADDEE 6. Longo trecho da peça recursal (efls 2793/3025) se dedica a apresentar argumentos para sustentar impedimento da autoridade julgadora em vista de suposto interesse remuneratório derivável da percepção do bônus de eficiência e produtividade e justificar o pedido de decretação de nulidade parcial do acórdão recorrido. 6.1. Não assiste razão à Recorrente. 6.2. O art. 5º, caput, da Medida Provisória nº 765, de 29 de dezembro de 2016, instituiu o Programa de Produtividade da Receita Federal do Brasil e o Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira, com o objetivo de incrementar a Fl. 3288DF CARF MF 14 produtividade nas áreas de atuação dos ocupantes dos cargos de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e de AnalistaTributário da Receita Federal do Brasil. 6.3. A composição da base de cálculo do valor global do referido bônus foi definida pelo § 4º do referido art. 5º, nos seguintes termos: § 4o A base de cálculo do valor global do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira será composta pelo valor total arrecadado pelas seguintes fontes integrantes do Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização FUNDAF, instituído pelo DecretoLei no1.437, de 17 de dezembro de 1975: I arrecadação de multas tributárias e aduaneiras incidentes sobre a receita de impostos, de taxas e de contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil a que se refere o art. 4o da Lei no 7.711, de 22 de dezembro de 1988, inclusive por descumprimento de obrigações acessórias; e II recursos advindos da alienação de bens apreendidos a que se refere o inciso I do § 5o do art. 29 do DecretoLei no 1.455, de 7 de abril de 1976. 6.4. Na visão da Recorrente, os auditoresfiscais integrantes do órgão julgador de primeira instância, estariam impedidos de atuar neste e em outros processos, por serem “diretamente interessados na manutenção das autuações, o que revelará a aludida ‘produtividade’ e impactará no aumento do pagamento do ‘bônus’.” 6.5. Acerca do impedimento de julgador, a Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, que disciplina a constituição das Turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), assim dispõe: Art. 18. O julgador está impedido de deliberar nos processos em que: I tenha participado da ação fiscal, praticado ato decisório ou proferido parecer no processo; II sejam parte seu cônjuge, companheiro, parentes consanguíneos ou afins até o 3º (terceiro) grau; ou III tenha interesse direto ou indireto na matéria. 6.6. Ao contrário do que tenta fazer crer a Recorrente, a base de cálculo do valor global do bônus não será aumentada pelo simples fato de uma multa vir a ser mantida no julgamento administrativo. Com efeito, só poderão compor a base de cálculo os valores das multas arrecadadas, ou seja, aquelas que forem efetivamente pagas. Ora, em se tratando de multas indevidamente mantidas pelo órgãos administrativos, sempre poderá o sujeito passivo recorrer ao Poder Judiciário para obter o seu cancelamento. Já as multas legítimas devem ser mantidas, não por interesse, mas, evidentemente, por dever de ofício, sob pena de responsabilidade funcional. 6.7. Como se vê, não existe nenhum interesse direto ou indireto dos julgadores administrativos na manutenção das autuações, não se configurando, pois, o alegado impedimento por tal hipótese. Tal assertiva, frisese, também se mostra aplicável na segunda instância, em relação aos conselheiros representantes da Fazenda Nacional. Fl. 3289DF CARF MF Processo nº 10920.721256/201430 Acórdão n.º 2301005.926 S2C3T1 Fl. 3.283 15 6.8. Verificase também, que foi suscitado pedido de nulidade, em decorrência da rejeição de tal preliminar com base no instituto da preclusão consumativa. 6.8.1. Não assiste razão à Recorrente. 6.8.2. O conjunto de alegações sobre o "bônus de eficiência" foi ofertado após o prazo de impugnação, e com isso, afigurase correta a fundamentação traçada às efls 2948/2949, assim como a conclusão "que o direito de impugnar o lançamento em questão se exauriu com a apresentação da primeira impugnação. Ocorrida a preclusão consumativa, não é mais possível ao contribuinte apresentar quaisquer complementos à impugnação, como retificações ou aditivos" (efls 2949). 6.9. Em vista das considerações acima delineadas, cumpre rejeitar as alegações preliminares em questão. MMÉÉRRIITTOO 7. Conforme relatado no subitens 4.2 a 4.6 supra, podese divisar que a Recorrente se dedica, na essência, em tecer argumentos de mero inconformismo com os termos da decisão de primeira instância, e procura centrar as razões com a replicação dos mesmos argumentos apresentados na peça impugnatória. 8. No entendimento deste Conselheiro, ao traçar minuciosa fundamentação, alicerçada em elementos de prova constantes nos autos, em estrita sintonia com a legislação de regência, mostrase hígida decisão de primeira instância, não merecendo nenhum reparo, motivo pelo qual, utilizandose da prerrogativa conferida pelo artigo 57, § 3ª do Regimento Interno do CARF, adoto com razões de decidir os fundamentos extraídos do voto prolatado pelo órgão a quo, que se passa a transcrever: início da transcrição do voto inserto no acórdão nº 1678.303 Omissão de Rendimentos de Aluguel. A omissão de rendimentos de pessoa jurídica foi decorrente de pagamentos recebidos pelo contribuinte pelo aluguel de equipamentos que haviam sido escriturados como receita da atividade rural. No lançamento, a autoridade fiscal retira os rendimentos da apuração do resultado da atividade rural e os reclassifica como rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual. Em decorrência, apura valor maior de prejuízo da atividade, possibilitando a sua compensação em períodos posteriores, e constitui o crédito decorrente da omissão. No relatório fiscal consta a seguinte descrição: Conforme salientado nas alíneas "a" e "e" do item 2.1, detectamos a omissão de rendimentos recebidos especificamente de aluguéis, tanto na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário 2010 do Sr. Antônio quanto na da Sra.Ângela. Da análise do livro caixa dos contribuintes (fls. 756 a 922), verificase que estes valores estão ali relacionados Fl. 3290DF CARF MF 16 como receita da atividade rural. Mas, como já frisamos no item 2.1, esses rendimentos deveriam ter sido tributados à parte, como rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, na Declaração de Imposto de Renda, mesmo que sejam provenientes de alugueis de máquinas agrícolas, conforme clara disposição contida no art. 4,da INSRF 83/2001, verbis: (...) Esses valores, que constam no Demonstrativo de Aluguéis Recebidos, à fl. 1531, foram informados pelo Sr. Antonio, nas suas respostas aos Termos n° 009/2013 (fls. 320 a 31; 363 a 366), e 010/2014 (fls. 1235, 1311 e 1312), e totalizam R$ 2.662.217,23, em 2010. Tendo em vista o regime da comunhão parcial de bens, entre os cônjuges, esse valor será exigido por metade de cada um deles, totalizando R$ 1.331.108,61 para cada cônjuge. Notese que o valor de R$ 6.890,40, depositado na conta 1526421Bradesco, no dia 05.01.2010, corresponde à devolução de um desconto indevido de ISS sobre a Nota Fiscal n° 029. O valor dessa nota é de R$ 229.680,00, mas foi creditado apenas R$ 222.789,60, no dia 04.01.2010, na conta 53880, do Banco do Brasil (fls. 363 a 365). Essa diferença, portanto, também foi incluída como receita de alugueis (item 2.2), por ter sido reembolsada ao emitente Conforme apresentado no relatório, os rendimentos pagos a título de aluguel foram devidamente comprovados pelas notas fiscais de fls. 320/331 e 363/363, totalizando, segundo demonstrativo de fls. 1531, R$ 2.662.217,23, cabendo ao contribuinte 50% desse valor, ou seja, R$ 1.331.108,61. O impugnante não contesta o recebimento e nem a natureza do rendimentos. Alega, contudo, que o lançamento é improcedente em razão de tratarse de receita da atividade rural que teria sido corretamente declarada. Fundamenta sua defesa no art. 110, do Código Tributário Nacional, art. 21 da Lei 4.506/64 e Parecer Normativo CST n° 7, de 17/03/1982. Segundo aduz, o art. 4o da Instrução Normativa n° 83 de 2001 extrapolou a previsão contida no art. 21 da Lei 4.506/64. A argumentação do impugnante é no sentido de que, ao escriturar como receita da atividade rural os recebimentos em tela, não teria deixado de considerálos como rendimentos de aluguel. O raciocínio do impugnante não está correto. O art. 21 da Lei 4.506/64 expressamente determina que devem ser classificados como aluguéis os rendimentos de qualquer espécie oriundos da ocupação, uso ou exploração de bens corpóreos. A classificação de um determinado rendimento como de uma natureza específica por uma lei tributária significa definir a sua forma de tributação. Assim, classificando o rendimento como de aluguel, a norma legal está fixando a sua tributação como sujeita ao ajuste na declaração. Ademais, o art. 4o, V, da Instrução Normativa SRF n° 83/2001, como norma complementar válida, é de aplicação compulsória no âmbito da administração tributária e sua contestação somente pode ser conhecida pelo Poder Judiciário. Fl. 3291DF CARF MF Processo nº 10920.721256/201430 Acórdão n.º 2301005.926 S2C3T1 Fl. 3.284 17 A autoridade administrativa, por força de sua subordinação ao poder vinculado, deve limitarse à aplicação da normas, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua legalidade ou constitucionalidade. Por último cabe esclarecer que o Parecer Normativo CST n° 7 de 17 de março de 1982 não se aplica ao caso em questão por se referir à aplicação do regime tributário previsto no Decretolei n° 1.382, de 26 de dezembro de 1974, que trata das atividades das empresas que exploram a agricultura, a pecuária e a criação de pequenos animais. Omissão de Rendimentos. Depósitos Bancários. O lançamento com base em depósitos ou créditos bancários tem como fundamento legal o artigo 42 da lei 9.430 de 1996. A partir de sua entrada em vigor, estabeleceuse uma presunção de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Conforme transcrição do texto legal abaixo, verificase tratarse de uma presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada pela insuficiência de comprovação da origem dos recursos que possibilitaram a movimentação financeira. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § I o O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2o Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3oPara efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (Alteradopela Lei n° 9.481, de 13.8.97) Fl. 3292DF CARF MF 18 § 4 ° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluídopela Lei n° 10.637, de 2002) O Código Tributário Nacional define, em seus artigos 43, 44 e 45 o fato gerador, a base de cálculo e os contribuintes do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. De acordo com o art. 44, a tributação do imposto de renda não se dá somente sobre rendimentos reais, mas, também, sobre rendimentos arbitrados ou presumidos. Art. 43 O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: 1 de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis, (gn) As presunções legais, também chamadas presunções jurídicas, dividemse em absolutas (júris et juré) e relativas (júris tantum). Denominase presunção júris et jure aquela que, por expressa determinação de lei, não admite prova em contrário nem impugnação. Dizse que a presunção é júris tantum, quando a norma legal é formulada de tal maneira que a verdade enunciada pode ser elidida pela prova em contrário Concluise, por conseguinte, pela leitura dos textos normativos citados, que a presunção legal de renda, caracterizada por depósitos bancários, é do tipo júris tantum (relativa), ou seja, cabe ao contribuinte a comprovação da origem dos ingressos ocorridos em suas contascorrentes. No caso específico da presunção em tela, é necessária a comprovação dos fatosbase indicados pela norma para que se possa concluir pela existência do fato presumido. Tratase de uma construção lógica do legislador baseada em um juízo de verossimilhança, na medida em que ocorridos os pressupostos indiciários, há uma grande probabilidade de que o fato presumido seja real. Somente com a comprovação dos fatosbase é que a presunção se completa, possibilitando à autoridade fiscal efetuar o lançamento e constituir o crédito tributário decorrente. Fl. 3293DF CARF MF Processo nº 10920.721256/201430 Acórdão n.º 2301005.926 S2C3T1 Fl. 3.285 19 A leitura do artigo 42, da Lei 9.430/96, define todos os fatos antecedentes que devem ser comprovados para que se chegue ao conseqüente que é a presunção de omissão de rendimentos. Como se trata de presunção legal e não de uma presunção simples, que leva apenas em conta o juízo da autoridade julgadora em relação aos indícios apresentados e à conclusão lógicodedutiva que deles se extrai ou seja, um juízo pessoal e subjetivo do julgador há necessidade de, na presunção legal, se refazer todo o caminho construído pelo legislador no processo presuntivo. Tratase de processo objetivo que não comporta juízos de verossimilhança, uma vez esta apreciação já ter sido feita pelo legislador. É, portanto, função do Fisco comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações, esclarecimentos, com vista à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos. Por outro lado, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações cabe exclusivamente ao contribuinte e não compete à fiscalização realizar auditorias ou levantamentos para suprir deficiências probatórias na defesa do contribuinte. A comprovação de origem apta a elidir a tributação em comento, nos termos do disposto legal examinado, deve ser efetuada com a apresentação de documentação hábil e idônea que permita identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que deixe clara a natureza dos depósitos questionados. Há necessidade de se estabelecer uma relação biunívoca entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, com coincidências de data e valor, não cabendo a "comprovação" feita de forma genérica com indicação de uma receita ou rendimento em um determinado documento a comprovar vários créditos em conta. É de se ver, como já analisado acima, que o ônus desta prova recai exclusivamente sobre o contribuinte, não bastando, para tal, a simples apresentação de justificativas trazidas na peça impugnatória, mas, também, que estas sejam amparadas por provas hábeis, idôneas e robustas. Sobre a questão, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF aprovou a Súmula n° 26, DOU de 22/12/2009, com o seguinte enunciado: Súmula CARF n" 26. A presunção estabelecida no art. 42, da Lei 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem não comprovada. Como se vê, apenas a correta comprovação de origem dos depósitos tem o condão de elidir a tributação ou de desviar a tributação para formas de apuração específicas determinadas pela legislação, como é o caso, por exemplo, de receitas advindas da atividade rural. Com base no acima exposto, verificase que a presunção foi corretamente aplicada pelo auditor fiscal, uma vez que os créditos foram relacionados em planilha e o contribuinte foi corretamente intimado a apresentar documentos hábeis a comprovar a origem dos recursos que possibilitaram os créditos decorrentes. A falta de comprovação à época permitiu o lançamento com base na presunção de omissão, mas não impede, logicamente, que nessa fase processual, o Fl. 3294DF CARF MF 20 impugnante apresente documentos com o intuito de fazer a prova anteriormente requerida, já que se trata de presunção relativa que comporta prova em contrário. A jurisprudência das Turmas do Superior Tribunal de Justiça é pacifica no sentido de que, não identificados os valores creditados na conta bancária do contribuinte, há presunção legal de que estes valores lhe pertencem, sujeitos, portanto, à incidência do Imposto de Renda na forma do art. 42 da Lei n. 9.430/1996, mediante a caracterização de omissão de receitas, conforme os seguintes julgados: "Não identificados os valores creditados na conta bancária do contribuinte, há presunção legal no sentido de que estes valores lhe pertencem, sujeitos, portanto, à incidência do Imposto de Renda da Pessoa Física (art. 42 da Lei n. 9.430/1996) " (AgRg no REsp 1370302 / SC, Sexta Turma, Rei. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 05.09.2013). "Consectariamente, consoante assentado no Parecer do Ministério Público (fls. 272/274): "uma vez verificada a incompatibilidade entre os rendimentos informados na declaração de ajuste anual do ano calendário de 1992 (fls. 67/73) e os valores dos depósitos bancários em questão (fls. 15/30), por inferência lógica se cria uma presunção relativa de omissão de rendimentos , a qual pode ser afastada pela interessada mediante prova em contrário. " (REsp 792812 / RJ, Primeira Turma, Rei. Min. LuizFux, julgado em 13.03.2007). "Se o que a lei exige para autorizar a requisição de dados referentes à movimentação financeira são meros indícios, é razoável que, no curso do procedimento administrativo fiscal, no qual é dada ao contribuinte oportunidade para prestar os devidos esclarecimentos, não se encontre nenhum elemento que confirme as suspeitas iniciais, de sorte que, em não havendo esclarecimento a respeito da origem das receitas verificadas, o próprio Decreto 3.724/2001 determina seja observada a legislação pertinente à omissão de receita (art. 42, da Lei 9.430/96) " (REsp 1237852 / PR, Primeira Turma, Rei. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 01.12.2011). "A jurisprudência da Primeira Turma desta Corte, por unanimidade, inaugura novo entendimento sobre o tema, no sentido da inaplicabilidade da Súmula 182/TFR, e da possibilidade de autuação do Fisco com base em demonstrativos de movimentação bancária, em decorrência da aplicação imediata da Lei n. 8.021/90 e Lei Complementar n. 105/2001, como exceção ao princípio da irretroatividade tributária " (AgRg no REsp 1072960 /PR, Segunda Turma, Rei. Min. Humberto Martins, julgado em 02.12.2008). A presunção em tela, ao contrário do que defende o impugnante, não é alterada pelos débitos na conta corrente, ou pelas "saídas de seu patrimônio", apenas as entradas compõem a omissão de rendimentos e as retiradas bancárias não possibilitam dedução do total apurado. A norma legal em estudo não prevê essa exclusão. Com o objetivo de comprovação dos créditos bancários utilizados no lançamento, o impugnante apresenta vários documentos e alegações os quais são examinados a seguir. O impugnante alega que seu cônjuge, no anocalendário em questão, efetuou operações financeiras com as empresas Calpará Exploração de Jazida e Comércio de Calcário Ltda, Caltarem Exploração de Jazida e Comércio de Calcário e Brita Ltda, Fl. 3295DF CARF MF Processo nº 10920.721256/201430 Acórdão n.º 2301005.926 S2C3T1 Fl. 3.286 21 Cabrera Comércio e Indústria de Produtos Agropecuários Ltda, a título de empréstimos e amortizações de obrigações de responsabilidade das empresas. Para cada uma das empresas, o impugnante assim se manifesta: a) Contas Correntes (incluso dos documentos que dão sustentação), envolvendo o cônjuge da Impugnante (ANTONIO CABRERA MANO FILHO) e a empresa CALPARÁ EXPLORAÇÃO DE JAZIDA E COMÉRCIO DE CALCÁRIO LTDA., CNPJ. 05.630.609/000168, com contrato social e alterações registrados na JUCEPA, sob n° 15.200832339, em sessão de 09/05/2003, sediada na Fazenda Santa Fé, sn°, Zona Rural, na cidade de Santana do Araguaia, Estado do Pará, CEP. 68.560000, empresa essa que a Impugnante é sócia detendo 30% (trinta por cento) de seu capital, cujo Contas Correntes contém os lançamentos "a débito" (representativos dos valores que foram reembolsados ao cônjuge da Impugnante por conta de obrigações amortizadas de responsabilidade da referida empresa e/ou para fazer frente a empréstimos efetivados), no valor total de R$ 747.998,00, bem como os lançamentos "a crédito" (representativos dos valores que foram utilizados pelo cônjuge da Impugnante para pagamento de obrigações de responsabilidade da mencionada empresa, como suprimento de caixa, e/ou para fazer frente a empréstimos tomados), no valor total de R$ 1.077.628.93 (doe. 8 Planilha Auxiliar IV); b) Contas Correntes (incluso dos documentos que dão sustentação), envolvendo o cônjuge da Impugnante (ANTONIO CABRERA MANO FILHO) e a empresa CALTAREM EXPLORAÇÃO DE JAZIDA E COMÉRCIO DE CALCÁRIO E BRITA LTDA., CNPJ. sob n° 06.751.094/000117, com contrato social e alterações registrados na JUCEPA, sob n° 15200872110, em sessão de 19/07/2004, sediada na Localidade de Serra Tajuri, sn°, Gleba Mulata, na cidade de Monte Alegre, Estado do Pará, CEP. 68.220000, da qual a Impugnante é sócia detendo 40% (quarenta por cento) de seu capital, cujo Contas Correntes contém os lançamentos "a débito" (representativos dos valores que foram reembolsados ao cônjuge da Impugnante por conta de obrigações amortizadas de responsabilidade da mencionada empresa e/ou para fazer frente a empréstimos efetivados), no valor total de R$ 2.082.643.18, bem como os lançamentos "a crédito" (representativos dos valores que foram utilizados pelo cônjuge da Impugnante para pagamento de obrigações de responsabilidade da mencionada empresa, como suprimento de caixa, e/ou para fazer frente a empréstimos tomados), no valor total de R$ 949.256.46 (doe. 9 Planilha Auxiliar V); c ) Contas Correntes (incluso dos documentos que dão sustentação), envolvendo o cônjuge da Impugnante (ANTONIO CABRERA MANO FILHO) e a empresa CABRERA COM. E IND. DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS LTDA., CNPJ. n° 03.927.457/000134, com contrato social e alterações registrados na JUCEPAR, sob n° 41204375375, em sessão de 17/07/2000, sediada na Rua Forel, n° 269, Vila Maria Otilia, Bairro Oficinas, na cidade de Ponta Grossa, Estado do Paraná, CEP. 84.043465, empresa essa que a Impugnante é sócia detendo 30% (trinta por cento) de seu capital, cujo Contas Correntes contém os lançamentos "a débito" (representativos dos valores que foram reembolsados ao cônjuge da Impugnante por conta de obrigações amortizadas de responsabilidade da citada empresa e/ou para fazer frente a empréstimos efetivados), no valor total de R$ 655.568.32. bem Fl. 3296DF CARF MF 22 como os lançamentos "a crédito" (representativos dos valores que foram utilizados pelo cônjuge da Impugnante para pagamento de obrigações de responsabilidade da citada empresa, como suprimento de caixa, e/ou para fazer frente a empréstimos tomados), no valor total deR$ 923.500.00 (doe . 1 0 Planilha Auxiliar VI); Os documentos juntados pelo impugnante são: conta corrente de débitos e créditos com o Antônio Cabrera Mano Filho (cônjuge), comprovantes de depósitos, e declaração das pessoas jurídicas ratificando as alegadas operações financeiras. Em relação à empresa Calpará Exploração de Jazida e Comércio de Calcário Ltda, o conta corrente encontrase às fls. 1805/1816; folhas de despesas com salários, extratos, comprovantes de pagamento e notas fiscais da Calpará de fls. 1817/2269. O impugnante esclarece que é sócia detendo 30% do Capital Social, que os lançamentos a débito são "representativos dos valores reembolsados ao cônjuge da Impugnante por conta de obrigações amortizadas de responsabilidade da citada empresa e/ou para fazer frente a empréstimos efetivados/tomados", e os lançamentos a crédito, "representativos dos valores que foram utilizados pelo cônjuge da Impugnante para pagamento de obrigações de responsabilidade da citada empresa, como suprimento de caixa". Quanto à Caltarem Exploração de Jazida e Comércio de Calcário e Brita Ltda, o conta corrente encontrase às fls. 2277/2287; resumos de folhas de pagamento de salário, comprovantes de pagamento, notas fiscais, comprovantes de depósito, transferências e extratos em nome da Caltarem às fls. 2288/2575. O impugnante esclarece que é sócia detendo 40% do Capital Social, que os lançamentos a débito são "representativos dos valores reembolsados ao cônjuge da Impugnante por conta de obrigações amortizadas de responsabilidade da citada empresa e/ou para fazer frente a empréstimos efetivados/tomados", e os lançamentos a crédito, "representativos dos valores que foram utilizados pelo cônjuge da Impugnante para pagamento de obrigações de responsabilidade da citada empresa, como suprimento de caixa". De Cabrera Comércio e Indústria de Produtos Agropecuarios Ltda foram juntados o conta corrente às folhas 2578/2582; comprovantes de depósito, transferências e extratos às fls. 2584/2634. O impugnante esclarece que é sócia detendo 30% do Capital Social, que os lançamentos a débito são "representativos dos valores reembolsados ao cônjuge da Impugnante por conta de obrigações amortizadas de responsabilidade da citada empresa e/ou para fazer frente a empréstimos efetivados/tomados", e que não houve lançamentos a crédito". De acordo com as normas contábeis e a legislação do imposto de renda, o patrimônio da sociedade e o patrimônio dos sócios não se misturam. Pelo princípio da entidade, há autonomia patrimonial e deve haver diferenciação entre o particular e a empresa. O patrimônio da entidade (empresa) não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários (Resolução CFC 750 de 29/12/1993). O fato de ser sócio (com menor ou maior participação) não autoriza a empresa a realizar pagamentos de suas despesas particulares com recursos da sociedade e nem tampouco que o sócio faça pagamento de despesas da sociedade com seus próprios recursos. Pelas alegações apresentadas, a Calpará Exploração de Jazida e Comércio de Calcário Ltda teria efetuado pagamentos de despesas particulares de Antônio Fl. 3297DF CARF MF Processo nº 10920.721256/201430 Acórdão n.º 2301005.926 S2C3T1 Fl. 3.287 23 Cabrera Mano Filho e Ângela Cristina Pivoto Mano; e Antônio Cabrera Mano Filho teria feito pagamentos de despesas da empresa Caltarem Exploração de Jazida e Comércio de Calcário e Brita Ltda. É de se notar que essa confusão de patrimônios, em claro descumprimento às resoluções impostas pelo Conselho Federal de Contabilidade, exige que a instrução probatória a cargo do impugnante seja robusta e traga elementos suficientes para demonstrar cada operação, individualizadamente. No caso da omissão com base em depósitos bancários, como já tratado, o ônus desta comprovação é, exclusivamente, do impugnante. Nos casos de empréstimos de sócios para suprimento de caixa, é imprescindível a correta escrituração contábil na empresa, lastreada em contrato de mútuo que especifique o valor, a qualificação das partes, o prazo de devolução, dentre outra cláusulas, tais como, os juros que serão pagos. Especificamente em relação à comprovação de fatos através de Livros Contábeis, assim dispõe o art. 923 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99). Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art.9°, §l°).(Grifei) Para cada despesa, necessário, portanto, apresentar a correspondente nota fiscal em nome da pessoa jurídica ou pessoa física, conforme o dispêndio seja de um ou outro, e a escrituração contábil da pessoa jurídica detalhando a correspondente operação. Apesar do grande volume de documentos juntados, o impugnante resumiuse em apresentar demonstrativos (Contas Correntes) com controle informal dos pagamentos e recebimentos, sem trazer aos autos os livros fiscais das empresas com a escrituração dos respectivos lançamentos e as notas fiscais que os fundamentaram. Importante nessa demonstração é restar comprovado que os recursos foram devolvidos ao caixa das empresas. Tratase de prova imprescindível uma vez o contribuinte participar do quadro societário das empresas e seu cônjuge ser o administrador. O entendimento emanado dos Tribunais Judiciais fixa a necessidade de provas cabais das transferências de numerários entre as partes, no caso de empréstimos entre sócios e empresas. "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. OMISSÃO DE RECEITA. EMPRÉSTIMO DE DINHEIRO PELO SÓCIO À SOCIEDADE. "O empréstimo feito pelo sócio à empresa de que faz parte, para suprimento de caixa, deve ficar cabalmente demonstrado, comprovandose a origem do numerário e sua entrega efetiva, sob pena de se entender ser fictício para ocultar estouro de caixa." (AC 95.01.359158/GO, 3a Turma, Relator Juiz TOURINHO NETO, DJ 06/05/1996). Fl. 3298DF CARF MF 24 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. CERCEAMENTO DE DEFESA E ILEGITIMIDADE PASSIVA NÃO CARACTERIZADOS. PRESUNÇÃO DE DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS AOS SÓCIOS. DECRETOLEI N. 2.065/83. IRRETROATIVIDADE. HONORÁRIOS NOS EMBARGOS À EXECUÇÃO: SUBSTITUIÇÃO PELO ENCARGO DO DECLEIN. 1.025/69. SÚMULA N. 168 DO EXTFR. OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE CAIXA PELOS SÓCIOS. NÃO COMPROVAÇÃO DA EFETIVA TRANSFERÊNCIA PATRIMONIAL. 1. Não se caracteriza o cerceamento de defesa, por falta de realização de prova pericial, se os quesitos formulados para a perícia encontram esclarecimentos na prova documental já constante dos autos. 2. Apurada omissão presumida de receita, mediante suprimento de caixa pelos sócios, sem a devida transferência de numerário do patrimônio daqueles para o da empresa, não é esta última parte ilegítima para a causa na execução do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre o lucro presumidamente distribuído aos sócios. 3. A omissão de receita caracterizada pelo suprimento de caixa feito pelos sócios à empresa só é ilidida pela comprovação da efetiva transferência de numerário do patrimônio daqueles para o da empresa, não sendo suficientes, para essa comprovação, a exibição de recibos emitidos pela empresa, o lançamento contábil de tais recibos e a demonstração de capacidade financeira dos sócios para suportar o suprimento. 4. Estabelecida a presunção de distribuição automática dos lucros aos sócios, em caso de omissão de receita, somente pelo art. 8o do Decretolei n. 2.065, de 23/10/83, não prevalece a autuação da empresa por falta de retenção do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre tal distribuição, por omissão de receita verificada em 31/05/83, sob pena de aplicação retroativa inconstitucional do citado Decretolei. 5. O encargo do Decretolei n. 1.025/69 substitui, nos embargos, a condenação da executada embargante em honorários advocatícos (Súmula n. 168 do exTFR). 6. Apelação parcialmente provida.(TRF1 AC: 44543 MA 1998.01.00.044543 8, Relator: JUIZ OLINDO MENEZES, Data de Julgamento: 24/06/1999, TERCEIRA TURMA, Data de Publicação: 17/12/1999 DJp.1040) Ainda sob a alegação de empréstimos, o impugnante sustenta ter recebido de Maurício Carvalho Cabrera Mano, o total de R$ 18.485,20, na conta Bradesco 1526421. Recebido de Benhur Carvalho Cabrera Mano, o valor total de R$ 1.201.971,29, conforme conta corrente de fls. 2645. E de João José Barreto Hernandes, no valor total de R$ 1.067.960,50, conforme conta corrente de fls. 2681. O artigo 373 do Novo Código de Processo Civil (NCPC) art. 333 do antigo CPC estabelece as regras gerais relativas ao ônus da prova, partindo da premissa básica de que cabe a quem alega provar a veracidade do fato. O Decreto 70.235/72 dispõe que a impugnação deverá ser instruída com documentos em que se fundamentar. Art. 373. O ônus da prova incumbe: 1 ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tratandose de alegação de mútuos, é imprescindível: (1) que haja a apresentação do contrato de mútuo assinado pelas partes; (2) que o empréstimo tenha sido informado tempestivamente na declaração de ajuste; (3) que o mutuante Fl. 3299DF CARF MF Processo nº 10920.721256/201430 Acórdão n.º 2301005.926 S2C3T1 Fl. 3.288 25 tenha disponibilidade financeira (4) que seja comprovada a efetiva transferência do numerário entre credor e devedor (na tomada do empréstimo), com indicação de valor e data coincidentes como previsto no contrato firmado; e (5) expirado o prazo contratual, a comprovação da quitação do empréstimo ou de aditivo contratual alterando a data do vencimento. Nesse mesmo diapasão, farta jurisprudência coletada na Câmara Administrativa de Recursos Fiscais (CARF) consolidam a exigência probatória a respeito da alegação de mútuo. MÚTUO. COMPROVAÇÃO. A alegação de que foram recebidos recursos em empréstimo obtido de pessoa física deve ser acompanhada dos comprovantes do efetivo ingresso do numerário no patrimônio do contribuinte, além da informação da dívida nas declarações de rendimentos do mutuário e do mutuante e da demonstração de que este último possuía recursos próprios suficientes para respaldar o empréstimo. (Ac 10612836 de 23/08/2002) EMPRÉSTIMO NÃO COMPROVADO. Os fatos registrados na escrituração de pessoa jurídica, da qual o contribuinte é sócio majoritário são tidos como verdadeiros desde que respaldados por documentação hábil e idônea. O simples registro do empréstimo na escrituração, por si só, é insuficiente para comprovar a saída do numerário da pessoa jurídica. Na falta de documentos, coincidentes em datas e valores, que comprovem o efetivo ingresso dos recursos alegados no patrimônio da pessoa física do sócio, mantémse o lançamento a título de omissão de rendimentos revelada por acréscimo patrimonial a descoberto. (Acórdão 10612357 de 07/11/200^(grifouse) OMISSÃO DE PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS E/OU FÍSICAS DESCARACTERIZAÇÃO DE CONTRATOS DE MÚTUOS. Incluise como rendimentos tributáveis, proveniente do trabalho sem vínculo empregatício, os valores recebidos de pessoas jurídicas e/ou pessoas físicas, não declarados espontaneamente pelo contribuinte, e detectados de ofício pela autoridade lançadora cuja origem não for justificada, através da apresentação de documentação hábil e idônea, se tratarem de rendimentos já tributados, isentos, ou não tributáveis. Assim, são tributáveis como rendimentos auferidos os valores recebidos de pessoa jurídica cuja natureza de mútuo foi descaracteriza pela falta de comprovação, através da apresentação de documentação hábil e idônea. (2a Câmara2" Turma Ordinária Ac. 2202002.650, de 13 de maio de 2014) OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS DESCARACTERIZAÇÃO DE CONTRATOS DE MÚTUOS. São tributáveis como rendimentos auferidos os valores recebidos de pessoa física cuja natureza de mútuo foi descaracteriza pela falta de comprovação por meio da apresentação de documentação hábil e idônea. (2a Câmara 2 a Turma Ordinária, Ac 2202003.034 de 12 de março de 2015). OPERAÇÃO DE MÚTUO. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM DE RENDIMENTOS. A partir das evidências carreadas aos autos não se pode acolher como efetivas as operações de mútuo alegadas, principalmente pela ausência de Fl. 3300DF CARF MF 26 comprovação da realização do contrato, que pode ser aferida pela transferência do valor mutuado e sua posterior devolução. (2a Câmara I a Turma Ordinária, Ac 2201003.342, de 21 de setembro de 2016). ALEGAÇÕES DE MÚTUO, APLICAÇÕES FINANCEIRAS E TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS. Excluise da base tributável apenas depósito cujo estorno está comprovado em extrato bancário, rejeitandose alegações incomprovadas ou vinculadas, apenas, a contratações em termos gerais, dissociadas de comprovantes coincidentes e datas e valores, mormente se nenhum livro contábil ou fiscal foi apresentado pelo sujeito passivo. (2a Câmara 2 a Turma Ordinária, Ac 2202003.461, de 16 de junho de 2016). OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. ALEGAÇÃO DE MÚTUO. Não há como prosperar a alegação de mútuo, se somente estão devidamente comprovados, inclusive com transferências bancárias, a entrega dos recursos da pessoa jurídica para o contribuinte, ao passo, que não há documentação a comprovar a devolução de tais recursos. ( I a Câmara 2a Turma Ordinária, Ac 2102003.198, de 3 de dezembro de 2014) IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. MÚTUO. COMPROVAÇÃO. Para que seja aceita como origem de recursos no acréscimo patrimonial a descoberto, a operação de mútuo deve estar lastreada em meios efetivos de prova, tais como: transferência de numerário coincidente em datas e valores, registro nas Declarações de Ajuste do mutuante e mutuário e escrituração contábil, no caso de pessoa jurídica. ( I aCâmara 2a Turma Ordinária, Ac 2102003.147, de 4 de novembro de 2014) No caso em questão, o impugnante não juntou aos autos qualquer documento hábil que tivesse o condão de comprovar os empréstimos citados. Não foram apresentados os contratos de mútuo firmados, indicando os valores, as datas, os juros aplicados, o prazo para quitação e as garantias oferecidas pelo devedor. É de se ressaltar que em relação aos alegados empréstimos recebidos de Maurício Carvalho Cabrera Mano e de Benhur Carvalho Cabrera Mano, o impugnante não logrou demonstrar a origem de nenhum dos créditos em sua conta. Apenas trouxe comprovantes de quitação de empréstimos bancários beneficiando essas pessoas. Ora, não há como acolher a alegação do impugnante de que juntando comprovantes de pagamentos que beneficiaram seus alegados credores, restaria comprovado empréstimo no mesmo valor e, em decorrência, a origem de créditos bancários cuja fonte dos recursos nem sequer foi identificada. A informalidade dos contratos de mútuo entre pessoas próximas restringese, apenas, a garantias que deixam de ser exigidas em razão da confiança entre as partes um empréstimo sem nota promissória, por exemplo. Entretanto, essa mesma informalidade ou vínculo de confiança não se aplica quando o contribuinte é instado a comprovar o empréstimo junto à terceiros, em especial, a Fazenda Pública. Não há, portanto, como prosperar as alegações de empréstimos apresentadas. Pela mesma razão, não socorrem o impugnante as declarações juntadas após a apresentação da impugnação (fls. 2874/2880; 2888/2891). Fl. 3301DF CARF MF Processo nº 10920.721256/201430 Acórdão n.º 2301005.926 S2C3T1 Fl. 3.289 27 Alega o impugnante que o crédito em sua conta 53880 do Banco do Brasil, no valor de R$ 1.000.000,00, foi realizado por Agropecuária Liliana Ltda em razão de pagamento adiantado de compra de cabeças de gado para entrega futura. Junta Contrato de Compra e Venda de Bovinos para Entrega Futura (fls. 2692/2694), firmado em 07 de julho de 2010, entre Antônio Cabrera e Agropecuária Liliana Ltda, prevendo a venda de 1.818 cabeças de bezerros, pelo preço de R$ 1.000.000,00 a ser pago em 12/07/2010, por meio de depósito na conta corrente 5388. A entrega, segundo cláusula 3o, ocorreria até 30/07/2011. Apresenta comprovante de transferência de fls. 2695, identificando a remetente de transferência de R$ 1.000.000,00, realizada em 09/07/2010, como sendo Janete Colla Sisti. Por fim, junta as notas fiscais do produtor de fls. 2702/2719. Durante o procedimento fiscal, essa alegação já havia sido apresentada pelo contribuinte com o intuito de comprovar a origem do depósito; tendo sido, no entanto, recusada pela autoridade lançadora, conforme o seguinte fundamento: "Quanto ao crédito de R$ 1.000.000,00, que seria transferência da Agropecuária Liliana Ltda. em 09.07.2010, foi apresentado um contrato às fls. 334 a 336, celebrado em 07.07.2010, que não tem a assinatura da compradora. Mais tarde, foi apresentado outro contrato, de 03.08.2010 (fls. 373 a 375), que seria, portanto, posterior ao crédito. Intimamos a Agropecuária Liliana a esclarecer, pelos termos n° 028/2013 (fls. 478 a 480) e 061/2013 (fls. 539 a 545), tendo ela respondido que não efetuou o pagamento ao Sr. Antônio, pelo que desconsideramos a justificativa desse crédito." Esclarece o auditor fiscal que, intimada a Agropecuária Liliana a se manifestar, a resposta obtida, conforme fls. 542/543, foi a de que não efetuou o pagamento alegado. É de ressaltar que o contribuinte apresentou, com o intuito de comprovar o depósito em tela, dois contratos no decorrer da ação fiscal (fls. 334/336 e 373/375) e um, nessa fase processual, com a impugnação (fls. 2692/2694). Todos os três são diferentes. O primeiro não tem assinatura da compradora, o segundo contém cláusulas diferentes e o terceiro, aparentemente, é o primeiro com a assinatura. Ora, não há como depositar valor probante a um contrato de compra e venda futura, no valor de R$ 1.000.000,00, sem a presença de nenhuma formalidade como, por exemplo, o reconhecimento das assinaturas por tabelião; sem a identificação do signatário representante da agropecuária, com cópia do contrato social concedendo poderes de contratar em nome da empresa; sem a previsão de multas por descumprimento, como é praxe nos contratos de entrega futura. Ademais, o remetente do numerário não foi a agropecuária e a empresa não confirmou o pagamento. Em relação às notas fiscais do produtor apresentadas, não há nada que as vincule ao contrato apresentado. Alega o impugnante que os depósitos abaixo identificados, totalizando R$ 233.036,60, referemse a reembolsos efetuados pela empresa Central Energética Açúcar e Álcool Ltda de despesas com pagamentos de travessia de balsa e paisagismo, conforme tabela abaixo: Fl. 3302DF CARF MF 28 DATA VALOR OBSERVAÇÃO DOCUMENTAÇÃO PERTINENTE 18/03/2010 14.048,52 PAGTO. TRAV. BALSA COMP. BANC. PAGTO 25/03/2010 300,00 REEMB. COL. SALVA VIDAS COMP. BANC. PAGTO 30/03/2010 19.315,80 PAGTO. TRAV. BALSA COMP. BANC. PAGTO 29/04/2010 268,40 REEMB. DESP. C/PAISAGISMO COMP. BANC. PAGTO 05/05/2010 19.322,00 PAGTO. TRAV. BALSA COMP. BANC. PAGTO 15/06/2010 15.116,86 PAGTO. TRAV. BALSA COMP. BANC. PAGTO 08/07/2010 3.387,29 PAGTO. TRAV. BALSA COMP. BANC. PAGTO 01/09/2010 9.154,29 PAGTO. TRAV. BALSA COMP. BANC. PAGTO 01/09/2010 68.831,00 PAGTO. TRAV. BALSA COMP. BANC. PAGTO 17/09/2010 66.522,44 PAGTO. TRAV. BALSA COMP. BANC. PAGTO 29/09/2010 16.770,00 PAGTO. TRAV. BALSA COMP. BANC. PAGTO TOTAL 233.036,60 Ora, como já posto acima, a comprovação de origem apta a elidir a tributação, deve ser efetuada com a apresentação de documentação hábil e idônea que permita identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que deixe clara a natureza dos depósitos questionados. O impugnante, no entanto, embora afirme na sua defesa ter apresentado documentos suficientes, não junta nenhuma prova do que alega, apenas junta planilhas que nada demonstram. Não foi juntado nenhum documento comprobatório da titularidade da despesa e de que o pagamento foi efetuado pelo contribuinte em nome da Central Energética. Os relatórios apresentados não tem o condão de comprovar o que alega. O impugnante apresenta muitos documentos em sua impugnação, afirma constantemente tratarse de fartos elementos de prova, mas não junta nada além de relatórios particulares produzidos por ele mesmo. O impugnante afirma que o depósito no valor de R$ 3.064,90, de 27/05 resulta de transferência feita pela Agro Ferragem Luizão em decorrência de devolução de mercadorias adquiridas, conforme notas fiscais de fls. 2772/2773. No extrato do Banco Bradesco de fls. 128, consta no histórico do depósito de R$ 3.064,90 a informação de "TRANSF CONTAS AGRO FERRAGENS LUIZÃO LTDA". As notas fiscais apresentadas de fls. 2772/2773, emitidas em 23/04/2010, indica como destinatário o contribuinte e o valor total delas é exatamente o valor do depósito. Assim, devese considerar comprovada a origem do crédito e excluir o valor do total das infrações. Em relação ao depósito no valor de R$ 2.946,13 de 29/03/2010 (fls. 2776), o impugnante sustenta tratarse de reembolso feito pela Sociedade Bíblica em razão de viagem a Recife. Entretanto, não junta nenhum documento além do comprovante de depósito feito pelo próprio favorecido. Quanto ao depósito em cheque efetuado em 03/08 no Banco Bradesco o impugnante alega que "não efetivado o desconto e em seguida depositado". Além de difícil compreensão, essa alegação não foi acompanhada de nenhuma prova. Alega que o depósito em cheque de R$ 60.000,00, em 12/03/2010, é decorrente da venda de bovinos conforme cópias de notas fiscais do produtor de fls. 2779/2781 que totalizam R$ 60.000,00. Afirma que o desconto de R$ 3.000,00 foi concedido em razão do peso dos bois não ter atingido 10 arrobas. Fl. 3303DF CARF MF Processo nº 10920.721256/201430 Acórdão n.º 2301005.926 S2C3T1 Fl. 3.290 29 Porém, não foram apresentadas provas de que o depositante do cheque de R$ 60.000,00 foi o destinatário das mercadorias dos bois constantes das notas fiscais citadas. Aduz que o depósito no valor de R$ 22.469,20, de 06/10 é relativa a venda a Cofercarnes Ltda, foi emitida nota fiscal do produtor de R$ 21.300,00 e nota fiscal de entrada de R$ 25.751,75. Da mesma forma, o impugnante não comprovou que o deposito foi efetuado pelo comprador das mercadorias especificadas na nota. Depósito de R$ 16.681,00, de 20/10, o impugnante alega tratarse de venda de bovinos a Cofercarnes Ltda. Junta a nota fiscal de produtor (fls. 2952) consignando a venda de 23 novilhas e de 2 bois à Cofercarnes, emitida em 19/10/2010. A nota fiscal de entrada foi emitida pela compradora em 22/10/2010 (fls. 2951) no valor de R$ 16.681,00. Como o valor da nota fiscal é exatamente igual ao depósito e as datas são compatíveis, ainda que não tenha sido comprovado o responsável pelo depósito, deve ser considerada comprovada a origem. Entretanto, como o contribuinte não demonstrou ter escriturado essa receita no livro Caixa esse valor deve ser diminuído do total de prejuízos a compensar. O impugnante contesta o crédito no valor de R$ 50.000,00, efetuado na conta 203009 mantida no Banco Coop Créd. Iturama. Essa conta, no entanto, por não ser conjunta, não foi utilizada nesse lançamento. Afirma que o crédito de R$ 22.300,00 de 09/08 na c/c 16160 e de R$ 3.000,00 em 20/08, na c/c 1526421, ambas no Banco Bradesco, são decorrentes da venda de bois, conforme nota fiscal do produtor de 20/09 de R$ 26.400,00. Como não há batimento de valores, de datas, de depositante e destinatário da nota fiscal do produtor, não há como acatar a alegação. Alega que o crédito de R$ 196.000,00 na c/c 53880 no Banco do Brasil, em 05/08, referese a venda de gado, conforme notas fiscais do produtor de R$ 69.000,00, R$ 36.800,00, R$ 45.500,00 e R$ 45.000,00, totalizando R$ 196.300,00. Ora, o crédito é de agosto e as notas fiscais do produtor são de abril e os destinatários não são os mesmos. Assim, não há como considerar comprovado o crédito em tela. final da transcrição do voto inserto no acórdão nº 1678.303 CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 9. Em vista do exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator Fl. 3304DF CARF MF 30 Fl. 3305DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13002.001422/2008-90
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC.
O artigo 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil.
IRPF. ISENÇÃO SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS. PNUD. DEVER DE COERÊNCIA NA ATUAÇÃO ADMINISTRATIVA.
Conforme decisão prolatada no Recurso Especial n.º 1.306.393/DF, eleito como representativo da controvérsia e julgado sob o rito do art. 543C do CPC, o STJ confirmou o entendimento firmado pela 1º Seção, no REsp nº 1.159.379/DF (Relator Ministro Teori Zavascki), no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD.
Numero da decisão: 2002-001.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. O artigo 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil. IRPF. ISENÇÃO SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS. PNUD. DEVER DE COERÊNCIA NA ATUAÇÃO ADMINISTRATIVA. Conforme decisão prolatada no Recurso Especial n.º 1.306.393/DF, eleito como representativo da controvérsia e julgado sob o rito do art. 543C do CPC, o STJ confirmou o entendimento firmado pela 1º Seção, no REsp nº 1.159.379/DF (Relator Ministro Teori Zavascki), no sentido de que “são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 2. 00 14 22 /2 00 8- 90 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13002.001422/200890 Acórdão n.º 2002001.046 S2C0T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 32/37) contra decisão de primeira instância (fls. 22/28), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Através de Notificação de Lançamento às fls. 11 a 14, exigese do contribuinte acima identificado a importância de RS 6.033,49, a título de imposto suplementar (código 2904), a ser acrescida da multa de ofício de 75% e de juros moratórios, relativo ao imposto de renda pessoa física, exercício 2006. O total do crédito tributário atinge a RS 11.899,84, calculado até 29.02.2008. A ação da Fiscalização decorreu de revisão da Declaração de Ajuste Anual, exercício 2006, DIRPF 2006, cópia às fls. 15 a 18, com o cruzamento e análise de informações constantes nas Declarações de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais DERC, e o contrato celebrado entre o contribuinte e o organismo internacional, quando foi apurada irregularidade as normas tributárias, conforme relatada na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” fl. 12, indicada a seguir: omissão de rendimentos recebidos do exterior DERC, decorrente de serviços prestados a organismos internacionais, no valor de R$ 57.240,00, no anocalendário 2005. O enquadramento legal: arts. 1°, 2°, 3° e parágrafos, e 8°, da Lei n° 7.713/88; arts. 1° a 4°, da Lei n° 8.134/90; art. 6° da Lei n° 9.250/95; art. 55, inciso VII e 995, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, arts. 1° e 15 da Lei n° 10.451/02, Instrução Normativa SRF n° 166/2002 e Decreto n° 3.751/2001. O contribuinte, inconformado com o lançamento, apresentou impugnação à Notificação de Lançamento, às fls. 01 a 05, informando, inicialmente, que foram declarados como rendimentos isentos e não tributáveis os valores percebidos do Programa das Nações Unidas para Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13002.001422/200890 Acórdão n.º 2002001.046 S2C0T2 Fl. 4 3 o Desenvolvimento PNUD. Aduz, ainda, orientação emanada do Parecer Normativo n° 717/79 e do Parecer Normativo n° 03/96, ambos editados pela Receita Federal. Especificamente ao mérito, invoca o artigo 5°, parágrafo 2°, da Constituição Federal, os artigos 96 e 98 do Código Tributário Nacional CTN, Lei n° 5.172/66, 0 artigo V, do Decreto n° 27.784/50, o artigo 6° do Decreto n° 52.288/63 e o Decreto n° 59.308/66. Menciona, ainda, orientações em perguntas contidas na publicação “Perguntas e Respostas”, editada pela Receita Federal. Reproduz as ementas de acórdão do Egrégio Tribunal Regional Federal da 1ª Região e de acórdãos do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Requer, por fim, o cancelamento do crédito tributário lançado. Preenchidos os requisitos formais de admissibilidade, conhecese da impugnação. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. São tributáveis os rendimentos decorrentes de prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD, percebidos por pessoa física nacional, residente e contratada no País, que não detenha a condição de funcionário de organismo internacional. Súmula CARF n° 39: “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do imposto sobre a renda da pessoa física.” Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 08/11/2010 (fl. 31); Recurso Voluntário protocolado em 09/11/2010 (fl. 32), assinado pelo próprio contribuinte. Responde o contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Omissão de Rendimentos Recebidos do Exterior DERC Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13002.001422/200890 Acórdão n.º 2002001.046 S2C0T2 Fl. 5 4 Relata o Sr. AFRF que: Confrontando o valor dos Rendimentos Recebidos do Exterior declarados, com o valor informado por Órgão/Entidade da Administração Pública Federal, em Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos no valor de R$ 57.240,00 , recebidos de Organismo Internacional. A r. decisão revisanda, entendeu que: Reafirmados os princípios da territorialidade e político na tributação de renda dos residentes no país, concluise que, no caso em apreço, os rendimentos recebidos pelo contribuinte pessoa física nacional, residente e contratada no Brasil, decorrentes de prestação de serviço ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD, quando não detenha a condição de funcionário desse organismo internacional, deverão integrar a base de cálculo na Declaração de Ajuste Anual, conforme determina o regramento tributário nacional supramencionado. A par disso, e por oportuno, cumpre salientar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, órgão do Ministério da Fazenda, editou, recentemente, a Súmula n° 39, consolidando entendimento acerca da matéria, nos seguintes termos: “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do imposto sobre a renda da pessoa física”. Irresignado, o contribuinte maneja recurso próprio, juntando documentos. Em sua peça de resistência o recorrente, alega razões preliminares que se confundem com o mérito, e com este serão analisadas. Alega o recorrente, que foi contratado pelo “PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO – PNUD/ONU, a fim de trabalhar com horário préestabelecido, sob subordinação hierárquica, em trabalho não eventual e mediante o recebimento de salários fixos mensais. Assim entende o recorrente, que conforme dispõe o art.3º da CLT o mesmo se enquadra como empregado. Verificando o documento de fl. 39, em seu item III verificamos que: “O CONTRATADO não estará isento do pagamento de imposto em virtude deste contrato, obrigandose ao pagamento de impostos, encargos, taxas e outros tributos devidos em função das importâncias recebidas sob este contrato, conforme legislação aplicável”. No item IV assim relata: “O CONTRATADO será considerado como consultor independente. O CONTRATADO não será considerado, sob nenhum aspecto membro do quadro de funcionários da Agência Nacional de Execução do Projeto ou do PNUD. Desde a decisão do STJ este CARF vem decidindo a matéria, conforme excertos colacionados: Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13002.001422/200890 Acórdão n.º 2002001.046 S2C0T2 Fl. 6 5 IRPF. ISENÇÃO SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS. Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 1.306.393/DF, eleito como representativo da controvérsia e julgado sob o rito do art. 543C do CPC, o STJ ratificou o entendimento firmado pela 1ª Seção, no REsp n.º 1.159.379/DF (Relator Ministro Teori Zavascki), no sentido de que “são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD”. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. Recurso Provido”. (CARF, 2ª Seção de Julgamento, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, relatora Conselheira Alice Grecchi, Acórdão nº 2102003.265, Sessão de 11 de fevereiro de 2015). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil. RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS, CONTRATADOS NO BRASIL PARA ATUAR COMO CONSULTORES NO ÂMBITO DO PNUD/ONU. ISENÇÃO. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.724660/2013-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2202-000.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a DRF Curitiba manifeste-se sobre o conteúdo do processo administrativo 10980.004223/2009-50, indicando a situação processual dos mesmos, juntando cópias comprobatórias dos documentos que esclareçam tanto seu objeto quanto seu andamento. Vencido o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que entendeu ser desnecessária a diligência.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(Assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a DRF Curitiba manifeste-se sobre o conteúdo do processo administrativo 10980.004223/2009-50, indicando a situação processual dos mesmos, juntando cópias comprobatórias dos documentos que esclareçam tanto seu objeto quanto seu andamento. Vencido o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que entendeu ser desnecessária a diligência. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (Assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
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Vencido o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que entendeu ser desnecessária a diligência. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (Assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 190/212), interposto contra o Acórdão no. 0734.499 da 6a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC – DRJ/FNS (efls. 174/186), que por maioria de votos considerou improcedente impugnação RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 24 66 0/ 20 13 -7 0 Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10980.724660/201370 Resolução nº 2202000.863 S2C2T2 Fl. 224 2 interposta contra Auto de Infração lavrado pela falta de recolhimento de Contribuições Sociais Previdenciárias, referentes ao período de 01/2008 a 12/2008, no valor de R$ 137.207,91 (DEBCAD 37.404.8614). 2. Adoto o Relatório do referido Acórdão da DRJ/FNS, transcrito a seguir em síntese, por bem esclarecer os fatos ocorridos: Relatório: (...) Segundo descreve a autoridade autuante no Relatório Fiscal (fls. 16 a 24), o lançamento da contribuição social cumulada com os mencionados consectários legais referese, mais precisamente, às contribuições devidas a outras entidades e fundos (denominados terceiros), incidentes sobre remunerações pagas a empregados no período 01/2008 a 12/2008, inclusive 13° salário, conforme consta em GFIP e folhas de pagamento, decorrentes da informação incorreta de opção pelo sistema SIMPLES, de forma a restarem omitidas e não pagas. Esclarece a fiscalização que, ao consultar o CNPJ da empresa na página do Simples Nacional foi constatado que a solicitação de opção da contribuinte foi INDEFERIDA POR PROBLEMAS FISCAIS, situação essa que se manteve desde 14/03/2008 até 29/12/2012, quando foi aceito o pedido de opção pelo Simples Nacional para o ano de 2013. Prossegue a fiscalização relatando que, à revelia do referido indeferimento, a empresa acessou o sistema Programa Gerador do Documento de Arrecadação do Simples Nacional PGDAS, apresentou declarações, emitiu o DAS Documento de Arrecadação do Simples e recolheu os tributos como se fosse optante pelo Simples Nacional. Aduz a autoridade autuante que, nos Extratos do Simples Nacional, extraídos dos sistemas do Simples Nacional da Receita Federal do Brasil (originário do preenchimento das declarações para apuração do Simples Nacional PGDAS), nos anoscalendário 2008, 2009 e 2010, consta a observação de que a empresa NÃO era optante do regime Simples Nacional. Ademais disso, relata a fiscalização que, para evitar outras pendências fiscais, ainda à revelia do indeferimento da opção pelo Simples Nacional, a empresa apresentou declarações de imposto de renda (DIPJ) "zeradas" (informou dados cadastrais e nos campos em que deveria informar valores a contribuinte preencheu com o valor R$ 0,00), durante todo período fiscalizado, como optante pela forma de tributação Lucro Presumido. Por outro lado, informa a fiscalização que, nas competências abrangidas pelo presente processo, a contribuinte declarou em GFIP ser optante pelo regime tributário SIMPLES NACIONAL. Isto é, no quadro opção pelo SIMPLES está declarado o código 2 (optante), quando o correto seria código 1 (não optante), conforme o Manual da GFIP/SEFIP. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10980.724660/201370 Resolução nº 2202000.863 S2C2T2 Fl. 225 3 Assim, conclui a autoridade lançadora que, a partir desta informação, deixaram de ser calculadas como devidas as contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa e as contribuições devidas a outras entidades e fundos (terceiros), incidentes sobre remunerações pagas a empregados e contribuintes individuais. Inconformada com os lançamentos, a contribuinte juntou a documentação colacionada às fls. 139 a 155 e apresentou a impugnação de fls. 118 a 138, onde, em síntese: Salienta que juntamente com o Auto de Infração objeto do presente processo (DEBCAD n° 37.404.8614), foram lavrados mais quatro Autos de Infração constantes dos seguintes PAF: a) 10980.726970/201319 (DEBCAD n° 51.033.2196); b) 10980.724658 /201370 (DEBCAD n° 37.404.8606) ; c) 10980.726971/201373 (DEBCAD n° 51.033.2200); d) 10980.726972/201318 (DEBCAD n° 51.033.2188), em razão de que entende que seria racional que todos os processos listados fossem agrupados para julgamento utilizando os mesmos fundamentos, uma vez que todos versam sobre o mesmo assunto e com total dependência do PAF 10980.729970/201329, protesta, enfim, pela juntada dos demais processos; Dito isto, reclama que a despeito de a empresa preencher todos os requisitos para enquadrarse no programa do SIMPLES (Lei 9.316 de 1996) e posteriormente do SIMPLES NACIONAL (Lei Complementar 123 de 2006), a Receita Federal do Brasil, em despacho datado de 14/03/2008, indeferiu sua adesão ao programa motivada por suposta prática de atividade vedada; Aduz que, em meados de 2007, a Prefeitura Municipal de Curitiba lavrou termo de indeferimento da adesão ao SIMPLES NACIONAL (...), mas que, assim que obteve ciência dessa situação, a empresa prontamente promoveu alteração no seu contrato social (...), alteração essa que foi arquivada na Junta Comercial do Paraná em 14/09/2007 e, ato contínuo, especificamente no dia 18/09/2007, solicitou a alteração do seu CNAE perante o Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas CNPJ da Receita Federal do Brasil; Reclama que, nada obstante à regularização tempestiva, por meio da exclusão da atividade vedada ainda em 2007, o seu pedido de inclusão no SIMPLES NACIONAL para o ano de 2008 foi indeferido pela Receita Federal do Brasil, razão pela qual alega que apresentou impugnação à decisão administrativa, cujo inteiro teor alega ter juntado ao PAF 10980.729970/201329, impugnação essa que ainda se encontra pendente de julgamento; Dado este quadro, alega que, muito embora estivesse suspensa a decisão administrativa em comento por força da impugnação apresentada a empresa não conseguiu manterse formalmente no SIMPLES NACIONAL segundo os cadastros da Receita Federal do Brasil, mas que, diante da impossibilidade de concorrer em igualdade de condições com os seus pares comerciais e, bem assim, por materialmente não possuir, a seu ver, qualquer impeditivo para o exercício dessa opção de tributação simplificada, viuse obrigada a promover a apuração e recolhimento dos seus haveres tributários de Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10980.724660/201370 Resolução nº 2202000.863 S2C2T2 Fl. 226 4 acordo com os métodos de apuração prescritos pela Lei Complementar 123; Alega ter agido como se fosse optante do SIMPLES NACIONAL (gerando os documentos de arrecadação competentes), em virtude de duas razões: era materialmente deferido à empresa optar pelo regime diferenciado (uma vez que não se enquadrava em nenhuma hipótese de vedação); e porque o ato que a impediu de optar pelo SIMPLES estava com sua exigibilidade suspensa; Dito isso, reclama que a fiscalização, por vislumbrar que a empresa estava formalmente impedida de optar pelo SIMPLES NACIONAL, por este só argumento, simplesmente procedeu ao lançamento das contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas em função da sistemática de apuração adotada, olvidando que, segundo a legislação atinente ao SIMPLES NACIONAL, o ato declaratório de exclusão é o caminho indicado para que sejam lavradas exigências fiscais relativas ao reenquadramento em outro regime de tributação; (...) Em outro plano ainda, reclama que, na hipótese de ser mantida a exação, devem ser excluídos alguns valores da base de cálculo da contribuição previdenciária lançada, tais como as parcelas referentes a aviso prévio indenizado, terço constitucional de férias e os 15 dias que antecedem o auxíliodoença, horas extras, adicionais noturno, de periculosidade e insalubridade, salário maternidade, nos termos do artigo 72 da Lei 8.213/91, férias gozadas e indenizadas, prevista nos artigos 1293 e 1464 da CLT, além de auxílioeducação e auxílio creche, uma vez que referidas verbas não possuem natureza salarial; Ademais disso, tendo em vista que a empresa foi cientificada da medida fiscal em 26 de setembro de 2013, entende ser imperioso reconhecer a preclusão parcial do ato de lançamento, mais precisamente os lançamentos referentes aos meses de janeiro a setembro de 2008 que, a seu ver, encontramse fulminados pela decadência, a teor do disposto no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN); Neste plano, considera inaplicável à espécie a regra contida no art. 173 do CTN, uma vez que a empresa efetuou regularmente pagamentos relativos aos segurados durante todo o período fiscalizado, aliado aos pagamentos relativos ao SIMPLES; Finalmente, em face do exposto, requer que seja declarada a improcedência do presente Auto de Infração, com a determinação de seu arquivamento de forma definitiva e, caso assim não se entenda, que sejam acatados os argumentos da decadência, das exclusões da verbas indenizatórias da base de cálculo do INSS e por fim que seja compensados os valores recolhidos na modalidade simplificada. 3. A decisão proferida no Acórdão a quo tem sua ementa colacionada a seguir: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10980.724660/201370 Resolução nº 2202000.863 S2C2T2 Fl. 227 5 PLURALIDADE DE PROCESSOS. IDÊNTICOS ELEMENTOS DE PROVA. JUNTADA EM PROCESSO ÚNICO. NÃO OBRIGATORIEDADE. Ainda que a comprovação dos ilícitos dependa dos mesmos elementos de prova, a juntada em um único processo de autos de infração formalizados em relação a um mesmo sujeito passivo, embora recomendável, não é obrigatória. ALEGAÇÕES DE DEFESA. ÔNUS DA PROVA. Cabe à impugnante o ônus de apresentar a impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar e, bem assim, indicar objetivamente os pontos de discordância relativamente ao feito impugnado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 SIMPLES NACIONAL. OPÇÃO INDEFERIDA. RECURSO. LANÇAMENTO. O fato de a impugnante não constar como optante do Simples Nacional no período fiscalizado é bastante para que a autoridade administrativa competente proceda ao lançamento do crédito tributário relativo à contribuição não recolhida pela impugnante segundo o regime ordinário de tributação, mesmo na hipótese de haver recurso administrativo interposto contra o indeferimento da opção pelo Simples pendente de julgamento. SIMPLES NACIONAL. OPÇÃO INDEFERIDA. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Os valores indevidamente recolhidos pela contribuinte segundo o regramento do Simples Nacional, não podem ser considerados na apuração do valor crédito tributário exigido de ofício segundo o regime ordinário de tributação, até porque tampouco constituem pagamento antecipado, ainda que insuficiente, do crédito tributário decorrente da obrigação tributária que ensejou o lançamento e, em razão disso, o lançamento atacado tampouco está sujeito ao prazo que a doutrina e a jurisprudência consagraram como decadencial a teor do § 4º do art. 150 do CTN, mas sim sujeito ao prazo de decadência veiculado pelo inciso I do art. 173 do referido Código. SIMPLES NACIONAL. OPÇÃO INDEFERIDA. RECOLHIMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. Os pagamentos indevidamente realizados pela contribuinte no regime do Simples Nacional são passíveis de restituição a pedido da contribuinte, mas não de compensação com contribuições previdenciárias apuradas de ofício segundo o regime ordinário de tributação. Recurso Voluntário 4. Cientificada da decisão a quo, em 09/05/2014 (efl. 188) a contribuinte apresenta os seguintes argumentos, em 09/06/2014, transcritos em síntese: Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10980.724660/201370 Resolução nº 2202000.863 S2C2T2 Fl. 228 6 apresenta breve descrição dos fatos ocorridos, destacando que a Receita Federal do Brasil, em despacho de 14/03/2008, indeferiu sua adesão ao SIMPLES por suposta prática de atividade vedada, motivo pelo qual apresentou impugnação a este ato através do PAF 10980.004223/200950; destaca ainda que agiu como se optante do SIMPLES NACIONAL fosse, por entenderse não se enquadrar em hipóteses de vedação e porque o ato que a impediu de optar pelo SIMPLES estaria com exigibilidade suspensa; reclama que sob o único argumento de ter sido excluída do sistema em 2008 a Receita Federal lavrou o auto combatido; reitera a necessidade de apreciação unificada dos cinco processos administrativos que contém os autos de infração lavrados na mesma ação fiscal, a saber: 10980.724658/201309, 10980.724660/201370 (presentes autos), 10980.726970/201329, 10980.726971/201373 e 10980.726972/201318; entende que não estava impedida de ser enquadrada no SIMPLES no período fiscalizado, uma vez que sua impugnação apresentada em face do ato de exclusão do SIMPLES está pendente de julgamento, cf. Processo no. 10980.004223/200950, o que suspenderia o ato de exclusão; insistentemente discorre que impugnação apresentada face a ato de exclusão do simples tem efeito suspensivo até seu julgamento final ; reitera então o pedido de sobrestamento dos processos de autos de infração até decisão definitiva de sua impugnação acostada ao processo 10980.004223/200950; repisa seus argumentos impugnatórios de inexistência de atividade vedada ao SIMPLES em seu objeto social, de que a Prefeitura Municipal de Curitiba considerou pertinente sua permanência no SIMPLES NACIONAL, e de exclusão das verbas indenizatórias da base de cálculo das contribuições previdenciárias ; e repisa também a consumação de decadência parcial e seu pedido de eventual compensação dos valores recolhidos no SIMPLES. 5. Requer, por fim, que seja proferida apenas uma decisão nos processos acima mencionados, que este processo seja sobrestado até o deslinde do processo 10980.004223/200950 e a improcedência deste Auto de Infração. Caso não aceita a improcedência, requer sejam acatadas a decadência e a exclusão das verbas indenizatórias da base de cálculo, além da compensação dos valores já recolhidos na modalidade simplificada. 6. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima. 7. De plano verificase que eventual procedência ou não de impugnação da ora recorrente em face de Ato Administrativo de exclusão do SIMPLES realmente interferiria de forma crucial na apreciação dos Recursos acostados aos processos 10980.724658/201309, 10980.724660/201370 (presentes autos), 10980.726970/201329, 10980.726971/201373 e 10980.726972 /201318. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10980.724660/201370 Resolução nº 2202000.863 S2C2T2 Fl. 229 7 8. Isso porque eventual impugnação de exclusão do sistema simplificado efetivamente teria efeito suspensivo até decisão definitiva proferida em processo de apreciação de tal impugnação. 9. O fato é que enquanto em seu Recurso a interessada insistentemente se contrapõe a uma eventual exclusão do sistema simplificado de tributação, por outro lado há nos presentes autos evidências de que a empresa, na verdade, não foi excluída do SIMPLES em relação ao anocalendário 2008, mas sim não teve sua inclusão deferida para tal período, o que traz desdobramentos completamente díspares em relação à apreciação dos referenciados autos de infração. 10. A interessada, em seu recurso, enquanto contrapõese a uma eventual exclusão, ao mesmo tempo e na mesma peça recursal, item I.02., efl. 192, informa que "a Receita Federal do Brasil, em despacho datado de 14/03/2008, indeferiu sua adesão ao programa motivada por suposta prática de atividade vedada", e também, no item I.05., mesma efl., informa que "o seu pedido de inclusão no SIMPLES NACIONAL para o ano de 2008 foi indeferido pela Receita Federal do Brasil". 11. Ou seja, a recursante se confunde entre os conceitos de indeferimento e de exclusão do sistema. 12. Segundo o relatório fiscal da autuação, a impugnante sequer figurava no regime simplificado no período em questão, pois teve sua opção indeferida por problemas fiscais, e esta situação perdurou de 14/03/2008, data do indeferimento, até 29/12/2012, quando foi aceito o pedido de opção pelo Simples Nacional para o ano de 2013, conforme consta do extrato de consulta ao histórico da empresa no citado regime que foi reproduzido pela fiscalização em seu relatório. 13. Ainda em seu recurso a interessada informa que o indeferimento (item I.06, efl. 192) gerou irresignação e apresentou impugnação no processo 10980.004223/200950, pendente de julgamento. 14. Mas o conteúdo e o deslinde de tal processo não são possíveis de serem verificados. Em consulta recente ao sistema COMPROT da Receita Federal, tal processo está autuado em meio papel e não de forma eletrônica, o que impede sua consulta remota, e apresentase na situação "em andamento", com movimentação para a Equipe do Simples da DRF Curitiba/PR em 20/12/2011. 15. Verifiquese a consulta pública ao sistema COMPROT, fornecida pelo sítio da RFB, através da cópia da imagem a seguir colacionada, onde pode ser constatado que trata se de, s.m.j., impugnação do termo de indeferimento do simples nacional, e não impugnação face à exclusão do sistema SIMPLES. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10980.724660/201370 Resolução nº 2202000.863 S2C2T2 Fl. 230 8 16. Tratandose realmente de impugnação face a indeferimento de adesão ao SIMPLES, deve ser ressaltado que a contestação de tal indeferimento não tem efeito suspensivo, conforme Perguntas e Respostas do Manual do SIMPLES Nacional, publicado no sítio da Receita Federal do Brasil, tópico 2.17, nota 1. Ou seja, durante a tramitação de impugnação face a indeferimento de adesão ao sistema, a empresa não será considerada optante pelo Simples Nacional, e os Autos de Infração em comento não devem ser sobrestados. 17. Constatados tais fatos e tendo em vista que a apreciação de cinco peças Recursais depende da verificação do real motivo impugnatório ou até da eventual conclusão da apreciação da alegada impugnação a um suposto ato de exclusão do SIMPLES, entendo pela conversão deste Julgamento em Diligência, a fim de que a DRF Curitiba manifestese sobre o conteúdo do processo administrativo 10980.004223/200950. Conclusão 18. Ante o exposto, voto pela conversão deste Julgamento em Diligência, para que a DRF Curitiba manifestese sobre o conteúdo do processo administrativo 10980.004223/ 200950, indicando a situação processual dos mesmos, juntando cópias comprobatórias dos documentos que esclareçam tanto seu objeto quanto seu andamento. (assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Relator. Fl. 230DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.900147/2009-72
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO DA DIVERGÊNCIA SOBRE PRECLUSÃO.
A controvérsia sobre a preclusão lógica nos presentes autos se dá em torno da questão de que a contribuinte, ao requerer o cancelamento do PER/DCOMP (pleito que foi apresentado na primeira instância e simplesmente repetido na fase processual seguinte), estava adotando conduta incompatível com o ânimo de controverter o despacho decisório proferido pela unidade de origem (porque esse despacho decisório já havia negado/cancelado o encontro de contas). A situação abordada no paradigma, envolvendo questões sobre "matéria não expressamente impugnada", não guarda correlação com os presentes autos. Naquela decisão, não houve nenhum debate sobre a possibilidade de conhecimento de petição apresentada pelo contribuinte, em razão do que havia sido firmado anteriormente pela própria Receita Federal. Quando o paradigma fala em "matéria não expressamente impugnada", isso está totalmente inserido no contexto da produção de prova, e nada tem a ver com a questão da preclusão lógica que foi examinada no presente processo. O debate sobre a preclusão lógica (matéria da primeira divergência) não pode nem mesmo ser confrontado com o paradigma apresentados pela PGFN, de modo que o recurso não deve ser conhecido nessa parte.
DCOMP. CANCELAMENTO OU RETIFICAÇÃO DO DÉBITO PELOS ÓRGÃOS JULGADORES, APÓS DECISÃO DA DELEGACIA DE ORIGEM QUE NEGA A HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O cancelamento ou a retificação do PER/DCOMP somente são admitidos enquanto este se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador ou do pedido de cancelamento, e desde que fundados em hipóteses de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento. A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário contra a não homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo não constituem meios adequados para veicular a retificação ou o cancelamento do débito indicado na Declaração de Compensação. O rito processual previsto no Decreto nº 70.235/1972 não se aplica para o cancelamento de débitos informados em PER/DCOMP (em razão de erro cometido pelo contribuinte em suas apurações), assim como não se aplica para o cancelamento de débitos informados em DCTF. As Delegacias da Receita Federal tem plena competência para sanar esse tipo de problema. O que não se pode é alargar a competência dos órgãos julgadores, submetidos ao rito processual previsto no Decreto nº 70.235/1972, para que passem a apreciar situações que não lhes devem ser submetidas.
Numero da decisão: 9101-004.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial (i) quanto à preclusão. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial (ii) quanto à retificação e ao cancelamento de PER/DCOMP e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Cristiane Silva Costa, que lhe negou provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Demetrius Nichele Macei, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Lívia De Carli Germano, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO DA DIVERGÊNCIA SOBRE PRECLUSÃO. A controvérsia sobre a preclusão lógica nos presentes autos se dá em torno da questão de que a contribuinte, ao requerer o cancelamento do PER/DCOMP (pleito que foi apresentado na primeira instância e simplesmente repetido na fase processual seguinte), estava adotando conduta incompatível com o ânimo de controverter o despacho decisório proferido pela unidade de origem (porque esse despacho decisório já havia negado/cancelado o encontro de contas). A situação abordada no paradigma, envolvendo questões sobre "matéria não expressamente impugnada", não guarda correlação com os presentes autos. Naquela decisão, não houve nenhum debate sobre a possibilidade de conhecimento de petição apresentada pelo contribuinte, em razão do que havia sido firmado anteriormente pela própria Receita Federal. Quando o paradigma fala em "matéria não expressamente impugnada", isso está totalmente inserido no contexto da produção de prova, e nada tem a ver com a questão da preclusão lógica que foi examinada no presente processo. O debate sobre a preclusão lógica (matéria da primeira divergência) não pode nem mesmo ser confrontado com o paradigma apresentados pela PGFN, de modo que o recurso não deve ser conhecido nessa parte. DCOMP. CANCELAMENTO OU RETIFICAÇÃO DO DÉBITO PELOS ÓRGÃOS JULGADORES, APÓS DECISÃO DA DELEGACIA DE ORIGEM QUE NEGA A HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O cancelamento ou a retificação do PER/DCOMP somente são admitidos enquanto este se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador ou do pedido de cancelamento, e desde que fundados em hipóteses de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento. A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário contra a não homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo não constituem meios adequados para veicular a retificação ou o cancelamento do débito indicado na Declaração de Compensação. O rito processual previsto no Decreto nº 70.235/1972 não se aplica para o cancelamento de débitos informados em PER/DCOMP (em razão de erro cometido pelo contribuinte em suas apurações), assim como não se aplica para o cancelamento de débitos informados em DCTF. As Delegacias da Receita Federal tem plena competência para sanar esse tipo de problema. O que não se pode é alargar a competência dos órgãos julgadores, submetidos ao rito processual previsto no Decreto nº 70.235/1972, para que passem a apreciar situações que não lhes devem ser submetidas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial (i) quanto à preclusão. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial (ii) quanto à retificação e ao cancelamento de PER/DCOMP e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Cristiane Silva Costa, que lhe negou provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Demetrius Nichele Macei, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Lívia De Carli Germano, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO DA DIVERGÊNCIA SOBRE PRECLUSÃO. A controvérsia sobre a preclusão lógica nos presentes autos se dá em torno da questão de que a contribuinte, ao requerer o cancelamento do PER/DCOMP (pleito que foi apresentado na primeira instância e simplesmente repetido na fase processual seguinte), estava adotando conduta incompatível com o ânimo de controverter o despacho decisório proferido pela unidade de origem (porque esse despacho decisório já havia negado/cancelado o encontro de contas). A situação abordada no paradigma, envolvendo questões sobre "matéria não expressamente impugnada", não guarda correlação com os presentes autos. Naquela decisão, não houve nenhum debate sobre a possibilidade de conhecimento de petição apresentada pelo contribuinte, em razão do que havia sido firmado anteriormente pela própria Receita Federal. Quando o paradigma fala em "matéria não expressamente impugnada", isso está totalmente inserido no contexto da produção de prova, e nada tem a ver com a questão da preclusão lógica que foi examinada no presente processo. O debate sobre a preclusão lógica (matéria da primeira divergência) não pode nem mesmo ser confrontado com o paradigma apresentados pela PGFN, de modo que o recurso não deve ser conhecido nessa parte. DCOMP. CANCELAMENTO OU RETIFICAÇÃO DO DÉBITO PELOS ÓRGÃOS JULGADORES, APÓS DECISÃO DA DELEGACIA DE ORIGEM QUE NEGA A HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O cancelamento ou a retificação do PER/DCOMP somente são admitidos enquanto este se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador ou do pedido de cancelamento, e desde que fundados em hipóteses de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento. A manifestação de inconformidade e o recurso AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 01 47 /2 00 9- 72 Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10283.900147/200972 Acórdão n.º 9101004.077 CSRFT1 Fl. 3 2 voluntário contra a não homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo não constituem meios adequados para veicular a retificação ou o cancelamento do débito indicado na Declaração de Compensação. O rito processual previsto no Decreto nº 70.235/1972 não se aplica para o cancelamento de débitos informados em PER/DCOMP (em razão de erro cometido pelo contribuinte em suas apurações), assim como não se aplica para o cancelamento de débitos informados em DCTF. As Delegacias da Receita Federal tem plena competência para sanar esse tipo de problema. O que não se pode é alargar a competência dos órgãos julgadores, submetidos ao rito processual previsto no Decreto nº 70.235/1972, para que passem a apreciar situações que não lhes devem ser submetidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial (i) quanto à preclusão. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial (ii) quanto à retificação e ao cancelamento de PER/DCOMP e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Cristiane Silva Costa, que lhe negou provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo – Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Demetrius Nichele Macei, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Lívia De Carli Germano, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao que se decidiu sobre declaração de compensação apresentada pela contribuinte acima identificada. A PGFN insurgese contra o Acórdão nº 1803001.592, de 04/12/2012, por meio do qual a 3ª Turma Especial da 1a Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, deu provimento a recurso voluntário da contribuinte, "para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que seja analisado o mérito do pedido". O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10283.900147/200972 Acórdão n.º 9101004.077 CSRFT1 Fl. 4 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. VALORAÇÃO DAS PROVAS. A comprovação de efetivo erro de fato, no preenchimento da PER/DCOMP exige em homenagem ao princípio da verdade material e adequada valoração das provas, que se aprecie o pedido, afastando óbices formais que supostamente preconizam a intangibilidade das informações prestadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que seja analisado o mérito do pedido, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, relator, que negava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walter Adolfo Maresch. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente a dois pontos. Primeiro, quanto o fato de a contribuinte ter adotado conduta incompatível com o ânimo de controverter o despacho decisório proferido pela unidade de origem. Segundo, relativamente à competência da Delegacia de Julgamento para apreciar “pedido de cancelamento de declaração de compensação”. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos a seguir: DOS FATOS tratase de declaração de compensação transmitida em 31/03/2005 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito no valor de R$ 239.458,11 resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2362, do período de apuração de 30/04/2004, com arrecadação em 31/05/2004, no valor originário de R$ 462.763,31; a Delegacia de origem, em análise datada de 18/02/2009 (fl. 06), constatou que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP ". Assim, não homologou a compensação declarada; cientificada, a interessada apresentou, em 03/04/2009, manifestação de inconformidade (fls. 12/15), na qual requer o cancelamento do PER/DCOMP ora analisado, uma vez que apurou equivocadamente o valor do tributo a pagar e, do mesmo modo, informou valor de crédito inferior ao efetivamente calculado por ocasião do ajuste da DIPJ e apuração do lucro real, e, que não há, portanto, crédito nem débito para compensar (neste processo); Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10283.900147/200972 Acórdão n.º 9101004.077 CSRFT1 Fl. 5 4 a Colenda 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA NÃO CONHECEU da manifestação de inconformidade formulada pela contribuinte, como se vê pela ementa abaixo, litteris: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 IMPUGNAÇÃO. REQUISITOS. Nos termos do art. 16, III, do Decreto nº 70.235, de 1972, a impugnação deverá conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, sob pena de não ser conhecida. inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário; a 3ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que fosse analisado o mérito do pedido; tecidas tais considerações, passemos a demonstrar doravante as razões pelas quais merece ser reformado o v. acórdão ora recorrido; DA 1ª DIVERGÊNCIA E DAS RAZÕES PELAS QUAIS MERECE SER REFORMADO O V. ACÓRDÃO ORA RECORRIDO como visto, na 1ª instância a pretensão da contribuinte havia sido indeferida, considerando que nos termos do art. 16, III, do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deverá conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, sob pena de não ser conhecida; porém, a 2ª instância reformou tal entendimento, invocando o princípio da busca da verdade material, em detrimento dos termos da norma mencionada; ao assim decidir, o v. acórdão ora recorrido acabou por malferir o seguinte PARADIGMA, que reforça o mesmo entendimento já esposado na 1ª instância, senão vejamos, litteris: Acórdão nº 2403001.310 MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE IMPUGNADA. Na forma da redação dada pela Lei n 8.748, de 1993, o comando do inciso III, artigo 16 do Decreto 70.235/72, exige que a impugnação faça constar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Também o artigo 17 do Decreto 70.235/72 preceitua que: “Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Em instância administrativa, de forma subsidiaria, o artigo 286 do Código de Processo Civil – CPC , impõe ao autor que individue e descreva, quantitativamente e Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10283.900147/200972 Acórdão n.º 9101004.077 CSRFT1 Fl. 6 5 qualitativamente, na forma mais concreta possível, o que pretende em Recurso, a fim de possibilitar a correta compreensão da decisão proferida. uma vez evidenciada a divergência jurisprudencial, passemos a analisar doravante as razões que justificam ser prestigiado o entendimento sufragado no paradigma apontado; a propósito do tema, transcrevese lição proferida por Nelson Nery Júnior em comentário ao artigo 60 da Lei nº 9.784, de 1999, a qual regula, em caráter geral, o Processo Administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, como segue: “1. Juízo de admissibilidade. Para ser conhecido, o recurso tem de preencher os pressupostos de admissibilidade. Estes são intrínsecos e extrínsecos à decisão da qual se pretende recorrer. São intrínsecos: a legitimidade para recorrer, o interesse em recorrer (sucumbência ou gravame) e a existência (recorribilidade da decisão) e a adequação do recurso. São extrínsecos: a tempestividade (prazo para recorrer), a regularidade formal (petição, razões do recurso, pedido de nova decisão, documentos), a inexistência de fato extintivo ou impeditivo do poder de recorrer (renúncia, aquiescência e desistência). Caso falte um desses pressupostos, o recurso não pode ser conhecido (juízo de admissibilidade negativo) e o mérito estará prejudicado (...)” (Código de Processo Civil Comentado e Legislação Processual Civil Extravagante em Vigor’. 6ª edição. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2002. p. 1453) ressaltese que, por óbvio, o delineamento teórico acima reproduzido fazse também aplicável ao recurso administrativo apresentado no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF), inclusive em face do art. 16, inc. III, e 17 do Decreto nº 70.235, de 1972: [...]; no caso concreto, constatase que a interessada, embora alegue a existência de recolhimento a maior (e limitase exclusivamente a alegar, sem trazer aos autos qualquer prova do quanto alega), acaba por requerer o cancelamento do PER/DCOMP objeto dos autos, adotando, pois, conduta incompatível com o ânimo de controverter o despacho decisório proferido pela unidade de origem, ou seja, incide em preclusão lógica a sua faculdade recursal; esclareçase, neste ponto, que nos termos do art. 82 da Instrução Normativa SRF n° 900, de 2008, o pedido de cancelamento de PER/DCOMP somente poderá ocorrer enquanto o documento estiver pendente de apreciação administrativa, encontrandose tal análise, inclusive, no âmbito de competência da unidade local de jurisdição do sujeito passivo; por último, no que diz respeito à cobrança decorrente da não homologação do PER/DCOMP objeto dos autos (nos termos do despacho decisório de fl. 06, tornado definitivo), cumpre assinalar que compete à unidade de origem verificar em concreto a existência do erro de fato argüido pela contribuinte, bem como, em sendo o caso e em assim indicando o seu convencimento, adotar as providências necessárias ao tratamento manual que o caso vier a requer; DA 2ª DIVERGÊNCIA E DAS RAZÕES PELAS QUAIS MERECE SER REFORMADO O V. ACÓRDÃO ORA RECORRIDO (PARADIGMA JÁ APONTADO EXPRESSAMENTE NO VOTO VENCIDO) Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10283.900147/200972 Acórdão n.º 9101004.077 CSRFT1 Fl. 7 6 analisandose o caso vertente, limitase a interessada a alegar a inexistência do crédito e do débito informados no Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) apresentado; assim, embora intitulada a petição de fls. 11 a 16, indevidamente, de “manifestação de inconformidade”, tratase, ela, na realidade, de um “pedido de cancelamento de declaração de compensação”, matéria alheia à competência da Delegacia de Julgamento jurisdicionante; nesse sentido, pronunciouse a CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit), no Parecer nº 53, de 29 de junho de 2011, ao analisar o rito processual do pedido de retificação ou cancelamento de DComp: 15. Os §§ 9º e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, são cristalinos no sentido de que o sujeito passivo pode apresentar manifestação de inconformidade contra decisão da autoridade administrativa que não tenha homologado compensação efetuada, e que esta contestação deve seguir o rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972. [...]. 16. Convém, porém, salientar que a petição apresentada pelo sujeito passivo deve possuir um aspecto de contestação, de inconformismo, de insatisfação contra as razões que conduziram a autoridade administrativa a decidir de determinada forma. Daí o termo “manifestação de inconformidade”. Não basta o contribuinte manifestarse, mediante petição qualquer. É necessário haver uma expressa discordância da decisão prolatada, ou seja, deve estar presente um litígio, um enfrentamento. 17. O fato de, no despacho decisório, constar a informação de que o contribuinte pode apresentar manifestação de inconformidade contra a decisão, não autoriza concluir que qualquer petição, apresentada no prazo estabelecido de trinta dias, deva ser recebida como peça de contestação. Tal medida visa simplesmente a alertar o sujeito passivo de um direito que lhe é garantido por lei, o qual pode ser ou não exercido. dessa forma, e inexistindo qualquer litígio a ser dirimido por aquela DRJ no presente processo, correta estava a r. decisão da 1ª instância, de não conhecer da “manifestação de inconformidade” apresentada; a fim de demonstrar a DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL, trazemos o seguinte PARADIGMA, que corrobora o já dito: Acórdão nº 110200.620 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. Anocalendário: 2004. DCOMP. CANCELAMENTO OU RETIFICAÇÃO DO DÉBITO APÓS DECISÃO QUE NEGOU HOMOLOGAÇÃO À COMPENSAÇÃO. O cancelamento ou a retificação do PERDCOMP somente são admitidos enquanto este se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador ou do Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10283.900147/200972 Acórdão n.º 9101004.077 CSRFT1 Fl. 8 7 pedido de cancelamento, e desde que fundados em hipóteses de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento. A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário contra a não homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo não constituem meios adequados para veicular a retificação ou o cancelamento do débito indicado na Declaração de Compensação. não obstante, recomendase à DRF de origem proceder à revisão de ofício da exigência objeto do despacho decisório de fls. 6, em face de se tratar ao que tudo indica de compensação de estimativa com ajuste do mesmo anocalendário (fls. 3 e 4), cuja compensação já é feita na Ficha 12A da Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ); DO PEDIDO diante do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer seja CONHECIDO e PROVIDO o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, a fim de reformando o v. acórdão ora recorrido, ser restaurado a r. decisão de 1ª instância. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 22/04/2015, deu seguimento ao recurso, fundamentando sua decisão na seguinte análise sobre as divergências suscitadas: A PGFN interpôs recurso especial em 18.03.2013, alegando divergência jurisprudencial da decisão proferida. 1) Matéria Não Expressamente Impugnada [...] 2) Cancelamento do Per/DComp Após a Prolação do Despacho Decisório [...] Para fins de análise, tem cabimento transcrever excertos das ementas dos acórdãos apresentados como paradigmas: 1) Matéria Não Expressamente Impugnada Acórdão nº 2403001.310, de 16.05.2012: [...] Avaliando o acórdão paradigma em seu inteiro teor verificase que o mesmo traz o entendimento de que considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo Sujeito Passivo. Assim, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial apontada pela PGFN. 2) Cancelamento do Per/DComp Após a Prolação do Despacho Decisório Acórdão nº 1102000.620, de 24.11.2011: [...] Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10283.900147/200972 Acórdão n.º 9101004.077 CSRFT1 Fl. 9 8 Examinando o acórdão paradigma em seu inteiro teor verificase que o mesmo traz o entendimento de que não há possibilidade de cancelamento do Per/DComp após a prolação do Despacho Decisório que não homologa a compensação pleiteada pelo Sujeito Passivo. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial apontada pela PGFN. Em 24/11/2015, a contribuinte foi cientificada do despacho que deu seguimento ao recurso especial da PGFN, e em 09/12/2015, ela apresentou tempestivamente suas contrarrazões, com os seguintes argumentos: quanto à alegação de preclusão em face da suposta ausência de impugnação específica do contribuinte em relação à decisão de primeira instância que, nos termos do art. 16, III do Decreto nº 70.235/72, não conheceu a manifestação de inconformidade, fazse necessário destacar que a Recorrida, tanto em sua defesa quanto em seu Recurso Voluntário, demonstrou a necessidade de cancelamento do PER/DCOMP, tendo em vista a inexistência do débito e crédito informados, e ressaltou a imperiosa necessidade de serem os autos convertidos em diligência para que seja comprovado o erro material alegado; inexiste, portanto, interpretação divergente que fundamente o Recurso Especial ora contrarrazoado, pois a Recorrida não apenas fundamentou a sua Manifestação de Inconformidade indicando a ocorrência de erro material, como também apresentou documentos capazes de comprovar os seus argumentos. Tais fatos foram, inclusive, ratificados pelo Voto Vencedor do Acórdão nº 1803001.592,, confirase: "Conforme o ilustre conselheiro relator reconheceu em seu voto, existem fundadas razões em se acreditar que o pleito da recorrente tem procedência em afirmar a existência de erro de fato e que se conhecida a manifestação de inconformidade. Com efeito, conforme se observa dos documentos que embasam o pedido inicial, manifestação de inconformidade e recurso voluntário, temse evidência de que houve efetivamente erro de fato no preenchimento da PER/DCOMP pois inexiste saldo de imposto a pagar relativo ao ajuste do período de apuração encerrado em 31/12/2004. Não havendo o débito constante da PER/DCOMP irrelevante qualquer discussão em torno do suposto crédito informado nessa declaração. Desta forma, não se apresenta razoável considerando a robusta prova material existente no processo desconhecer pura e simplesmente a manifestação de inconformidade, sob o pretexto de preclusão do direito em retificar a PER/DCOMP ignorando totalmente o conjunto probatório apresentado." como se pode depreender da análise do trecho acima destacado, o Voto Vencedor da Terceira Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, não apenas afastou o suposto descumprimento ao art. 16, III do Decreto nº 70.235/72 e a suposta preclusão, como também expressamente destacou que "conforme se observa dos documentos Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10283.900147/200972 Acórdão n.º 9101004.077 CSRFT1 Fl. 10 9 que embasam o pedido inicial, manifestação de inconformidade e recurso voluntário, temse evidência de que houve efetivamente erro de fato no preenchimento da PER/DCOMP"; a Recorrente, inconformada com o teor o Acórdão recorrido, suscita suposta divergência de entendimento, sem qualquer embasamento, pois no próprio Voto Vencedor é destacado que o contribuinte cumpriu com os requisitos necessários para que os argumentos e documentos da manifestação de inconformidade sejam apreciados, o que leva à conclusão de que, em relação à suposta preclusão, é totalmente incabível o Recurso Especial; no que se refere à suposta divergência em relação à impossibilidade de cancelamento do PER/DCOMP após a prolação do despacho que não homologa a compensação, é importante ressaltar que a Recorrida em nenhum momento contesta os termos do art. 82 da Instrução Normativa SRF nº 900/2008, atual art. 93 da Instrução Normativa RFB 1300/2012; ocorre que a situação discutida nos presentes autos transcende o formalismo contido na Instrução Normativa, uma vez que o contribuinte, ao apresentar a sua Manifestação de Inconformidade, confessa o equívoco na elaboração do PER/DCOMP, e comprova que não há qualquer débito ou crédito para compensação; como bem destacado no Acórdão recorrido "não havendo o débito constante da PER/DCOMP irrelevante qualquer discussão em torno do suposto crédito informado nessa declaração." Aceitar o contrário é se prender a formalidades processuais ao invés de buscar a verdade material, suprimindo o próprio princípio da capacidade contributiva; manter o PER/DCOMP e, consequentemente, o entendimento do Despacho Decisório que não homologou a compensação e, ainda, determinou, o pagamento de suposto saldo remanescente, é desconsiderar todo o pagamento e apuração efetuada pelo contribuinte, de modo a exigir tributo nitidamente indevido e fruto de manifesto erro material; inclusive, sobre o tema, esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já afirmou que não se pode admitir, de forma alguma, a cobrança de tributo indevido, ainda que decorrente de erro do contribuinte, in verbis: [...]; o acolhimento do pleito da União Federal, qual seja, a reforma do acórdão que determinou que a remessa dos autos à unidade julgadora de origem para análise do mérito, traz nitidamente uma violação à verdade material, vez que se aceito, não haverá análise da documentação fiscal do contribuinte, impondo a cobrança de valor que é manifestamente indevido; ou seja, a União Federal ao aduzir a impossibilidade de cancelamento do PERD/DCOMP após despacho que não homologa a compensação, deixa, por uma excessiva formalidade processual, de considerar dois princípios essenciais, quais sejam, princípio da verdade material e princípio da capacidade contributiva; no que se refere à verdade material, o acórdão recorrido destaca não ser razoável "considerando a robusta prova material existente no processo desconhecer pura e simplesmente a manifestação de inconformidade, sob o pretexto de preclusão do direito em retificar a PER/DCOMP ignorando totalmente o conjunto probatório apresentado"; Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10283.900147/200972 Acórdão n.º 9101004.077 CSRFT1 Fl. 11 10 nesse sentido, esse Colendo Conselho Administrativo possui entendimento de que a verdade material deve prevalecer sobre a formalidade processual, de maneira que a decisão seja a mais justa possível. Confirase: [...]; logo, não cabe a alegação da União Federal de que o acórdão recorrido divergiu de outros julgados do CARF. Isto porque, é possível verificar que as Turmas têm acolhido os apelos dos contribuintes, no sentido de respeitar o principio da verdade material e possibilitar a produção da prova material para a conclusão final da demanda; cabe ressaltar, ainda, que a autoridade fiscal tem o dever de apurar detidamente a veracidade de todas as informações e decidir estritamente de acordo com tal apuração, tanto para favorecer o Fisco como o próprio contribuinte, podendo de antemão fazer as necessárias retificações de ofício, ao invés de invocar dados equivocados ou recorrer a formalidades processuais para justificar a cobrança de valores notoriamente indevidos, na exata linha do que já decidiu esse Colendo Conselho, senão vejase: [...]; nesse mesmo sentido se posiciona a doutrina: [...]; por todo o exposto, evidenciase que restam equivocados os argumentos aduzidos pela Recorrente em seu Recurso Especial, devendo ser mantido o entendimento esposado no Voto Vencedor do Acórdão nº 1803001.592, segundo o qual se defende a necessidade de remessa dos autos à origem para análise do mérito do pedido; com base nas considerações aqui expostas, a ora Recorrida, requer e espera seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pela União Federal, devendo ser mantido o Acórdão nº 1803001.592, de modo que os autos sejam remetidos à origem para análise do mérito do pedido. É o relatório. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10283.900147/200972 Acórdão n.º 9101004.077 CSRFT1 Fl. 12 11 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo traz controvérsia sobre declaração de compensação em que a contribuinte utilizou um alegado direito creditório no valor de R$ 239.458,11 resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF no código 2362 (IRPJ/Estimativa), referente ao período de apuração de 30/04/2004, com arrecadação em 31/05/2004, no valor originário de R$ 462.763,31. A Delegacia de origem não homologou a compensação porque constatou que o pagamento gerador do direito creditório havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte. Desde a manifestação de inconformidade, a contribuinte vem requerendo o cancelamento do PER/DCOMP, com a alegação de que apurou equivocadamente o valor do tributo a pagar e, do mesmo modo, informou valor de crédito inferior ao efetivamente calculado por ocasião do ajuste da DIPJ e apuração do lucro real, e que não há, portanto, crédito nem débito para compensar (neste processo). A decisão de primeira instância administrativa não conheceu da manifestação de inconformidade, pelas seguintes razões: [...] No caso concreto, constatase que a interessada, embora alegue a existência de recolhimento a maior (e limitase exclusivamente a alegar, sem trazer aos autos qualquer prova do quanto alega), acaba por requerer o cancelamento do PER/DCOMP objeto dos autos, adotando, pois, conduta incompatível com o ânimo de controverter o despacho decisório proferido pela unidade de origem, ou seja, incide em preclusão lógica a sua faculdade recursal. Esclareçase, neste ponto, que nos termos do art. 82 da Instrução Normativa SRF n° 900, de 2008, o pedido de cancelamento de PER/DCOMP somente poderá ocorrer enquanto o documento estiver pendente de apreciação administrativa, encontrandose tal análise, inclusive, no âmbito de competência da unidade local de jurisdição do sujeito passivo. Por último, no que diz respeito à cobrança decorrente da não homologação do PER/DCOMP objeto dos autos (nos termos do despacho decisório de fl. 06, tornado definitivo), cumpre assinalar que compete à unidade de origem verificar em concreto a existência do erro de fato argüido pela contribuinte, bem como, em sendo o caso e em assim indicando o seu convencimento, adotar as providências necessárias ao tratamento manual que o caso vier a requer. Isto posto, voto no sentido de NÃO CONHECER da manifestação de inconformidade. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10283.900147/200972 Acórdão n.º 9101004.077 CSRFT1 Fl. 13 12 A decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido), por sua vez, entendeu que não era razoável desconhecer pura e simplesmente a manifestação de inconformidade, sob o pretexto de preclusão do direito em retificar o PER/DCOMP, ignorando totalmente o conjunto probatório apresentado; e que, em homenagem ao princípio da verdade material e da adequada valoração das provas, deveria determinar o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que fosse analisado o mérito do pedido. Com seu recurso especial, a PGFN tenta restabelecer o que foi decidido na primeira instância administrativa. É preciso inicialmente fazer algumas considerações sobre a admissibilidade do recurso. Quanto à primeira divergência, que trata da ocorrência de preclusão lógica, ou seja, do fato de a contribuinte ter adotado conduta incompatível com o ânimo de controverter o despacho decisório proferido pela unidade de origem, observo que a PGFN apresenta paradigma, no caso, o Acórdão nº 2403001.310, que trata de uma questão diversa. O referido paradigma tratou de Auto de Infração para exigência de contribuições devidas à Seguridade Social, parcela patronal, decorrente de glosas de compensações indevidamente levadas a efeito pela contribuinte. Examinando as peças de defesa, o paradigma concluiu que o fundamento do lançamento controlado naqueles autos não foi expressamente impugnado. Ao fazer menção à existência de "matéria não expressamente impugnada", o que aquela decisão contempla é que "a recorrente (contribuinte autuada) afirma sem efetivamente demonstrar que efetuou recolhimentos sobre horas extras, adicional noturno, adicional de insalubridade e de periculosidade", rubricas que teriam gerado os supostos indébitos compensados. A referida decisão afirma que a contribuinte, "confessando que se utilizou das verbas acima para compensar, colacionou resumido demonstrativo sem exibir cópias dos recolhimentos que sustentaram a produção da planilha"; que o recurso voluntário da contribuinte dispõe essencialmente sobre questões de direito, e não sobre as questões fáticas levantadas pela Fiscalização; que a contribuinte não apresentou nenhum material fático, por exemplo, cópias de folhas de pagamentos e outros documentos com destaques para os valores das rubricas indevidamente recolhidos (que justificassem as alegadas compensações); e que o comando do inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 exige que a impugnação faça constar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta. Nesse passo, conclui o referido paradigma em relação ao tema abordado na primeira divergência: Isto exibido, demonstra que o recurso apresentado não contesta expressamente os termos do Auto de Infração lavrado, limitandose a requerer a compensação do seu valor com os créditos oriundos de decisões judiciais onde na ampla maioria – não figuras como autor e que sequer encontramse pacificadas. Aduz que a Recorrente, também, não impugnou expressamente as razões que motivaram o Relator “ad quod” na condução de seu voto quando no decisium não deu provimento às alegações procedidas em sede de impugnação, que ressaltese, também não combatia expressamente o Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10283.900147/200972 Acórdão n.º 9101004.077 CSRFT1 Fl. 14 13 lançamento promovendo tãosomente caudalosa peça com exortações de direito e não fáticas. Convicto de que o Auto de Infração em comento não se insere dentro das exceções previstas nos incisos I, II e III do artigo 286 do Código de Processo Civil – CPC , subsidiariamente busco amparo no sobredito artigo que impõe ao autor que individue e descreva, quantitativamente e qualitativamente, na forma mais concreta possível, o que pretende em Recurso, a fim de possibilitar a correta compreensão da decisão proferida. Neste diapasão, com redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009, cumpre sucumbir ao comando do artigo 17 do Decreto 70.235/72 para observar que “ Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Vêse que toda a questão trazida pelo paradigma diz respeito à situação de a contribuinte alegar genericamente questões jurídicas, sem trazer documentos que pudessem confrontar os fatos apontados pela Fiscalização (de que ela realizou compensações indevidas), sem comprovar os alegados direitos creditórios que utilizou nas compensações. Enfim, no caso paradigma, a contribuinte tentou, sem êxito, contestar os fundamentos do lançamento. Mas quando o paradigma fala em "MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE IMPUGNADA", isso está totalmente inserido no contexto da produção de prova, e nada tem a ver com a questão da preclusão lógica que foi examinada nos presentes autos. Realmente, a situação examinada pelo acórdão recorrido é outra. Nos presentes autos, a questão se deu em torno da preclusão lógica, pelo fato de a contribuinte estar pedindo cancelamento de um PER/DCOMP que já tinha sido indeferido pela Delegacia de origem. O caso aqui não tem nada a ver com falta de apresentação de provas que pudessem dar substância à contestação do ato administrativo (no caso, do despacho decisório que negou a homologação do PER/DCOMP). Aqui, diferentemente do paradigma, a contribuinte nem mesmo confronta a parte dispositiva da decisão administrativa, ou seja, ela não busca reverter essa decisão, para que sua compensação seja homologada. Tem razão a contribuinte quando, em sede de contrarrazões, alega que tratou da necessidade de cancelamento do PER/DCOMP tanto em sua primeira defesa quanto no recurso voluntário; que inexiste interpretação divergente relativa à suposta preclusão; e que o recurso especial é totalmente incabível para essa matéria. Realmente, a situação abordada no paradigma, envolvendo questões sobre "matéria não expressamente impugnada", não guarda correlação com os presentes autos. Naquela decisão, não houve nenhum debate sobre a possibilidade de conhecimento de petição apresentada pelo contribuinte, em razão do que havia sido firmado anteriormente pela própria Receita Federal. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10283.900147/200972 Acórdão n.º 9101004.077 CSRFT1 Fl. 15 14 A decisão de primeira instância proferida nos presentes autos, ao fazer menção aos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, deixou bem claro que estava tratando da preclusão lógica. Isso, aliás, está expresso na referida decisão, conforme transcrição acima. Seu entendimento foi no sentido de que a contribuinte, ao requerer o cancelamento do PER/DCOMP (pleito que foi apresentado na primeira instância e simplesmente repetido na fase processual seguinte), adotava uma conduta incompatível com o ânimo de controverter o despacho decisório proferido pela unidade de origem (porque esse despacho decisório já havia negado/cancelado o encontro de contas). E essa mesma preclusão é que foi afastada pelo acórdão recorrido. Portanto, o debate sobre a preclusão nos presentes autos não pode nem mesmo ser confrontado com o paradigma apresentados pela PGFN para a primeira divergência, de modo que o recurso não deve ser conhecido nessa parte. A segunda divergência, por sua vez, está caracterizada. Enquanto o acórdão recorrido admite que no contexto da apreciação de manifestação de inconformidade ou de recurso voluntário, há a possibilidade de atendimento de pedido para cancelamento de PER/ DCOMP já indeferido pela Delegacia de origem, o paradigma nega essa possibilidade. De acordo com o paradigma (Acórdão nº 110200.620), o cancelamento ou a retificação de PER/DCOMP somente são admitidos enquanto este se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador ou do pedido de cancelamento. E ainda de acordo com essa decisão, a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário contra a nãohomologação da compensação declarada pelo sujeito passivo não constituem meios adequados para veicular a retificação ou o cancelamento do débito indicado na Declaração de Compensação. Quanto ao mérito, cabe primeiramente assinalar que a preclusão lógica não foi a única razão pela qual a decisão de primeira instância defendeu o não conhecimento da manifestação de inconformidade da contribuinte. Além da preclusão lógica, essa decisão também registrou que a análise de pedido de cancelamento de PER/DCOMP está no âmbito de competência da unidade local de jurisdição do sujeito passivo. Ainda de acordo com essa decisão, no que diz respeito à cobrança do débito decorrente da não homologação do PER/DCOMP, compete à unidade de origem verificar em concreto a existência do erro de fato argüido pela contribuinte, bem como, em sendo o caso e em assim indicando o seu convencimento, adotar as providências necessárias ao tratamento manual que o caso vier a requerer. Portanto, o não conhecimento da manifestação de inconformidade também foi vinculado a questões sobre a competência legal para verificar a existência de erro nas apurações feitas pela contribuinte, visando o cancelamento do débito que ela informou na Declaração de Compensação. Contudo, invocando o princípio da verdade material e da adequada valoração das provas, o acórdão recorrido entendeu que, no âmbito da competência jurisdicional do CARF, poderia/deveria ser determinado o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que fosse analisado o mérito do pedido. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10283.900147/200972 Acórdão n.º 9101004.077 CSRFT1 Fl. 16 15 Penso que andou melhor a decisão de primeira instância administrativa. Não se trata de defender a cobrança de tributo indevido, fruto de erro material da contribuinte, com violação do princípio da verdade material, etc., como critica a contribuinte em suas contrarrazões. A questão sobre a competência legal surge porque o foco do processo de compensação é o encontro de contas. E se já houve negativa (indeferimento, não aceitação, cancelamento) desse encontro de contas (sem que haja uma controvérsia quanto a essa parte dispositiva da decisão administrativa), não cabe dar continuidade ao processo para que se modifique apenas o fundamento da decisão denegatória (em vez de ser cancelada pela inexistência do crédito, a compensação passaria a ser cancelada pela inexistência do débito). Não quero aqui retomar o debate sobre preclusão. Mas é necessário esclarecer que a contribuinte pretendeu seguir com o processo não para defender a regularidade da compensação, visando sua homologação, e sim para conseguir o cancelamento do débito que ela mesma apurou e informou ao Fisco, e isso está além dos limites do rito processual previsto no Decreto nº 70.235/1972. Com efeito, o referido decreto prevê o processamento de litígios referentes a créditos tributários constituídos mediante lavratura de auto de infração ou notificação de lançamento. Tratase daqueles créditos tributários constituídos de ofício pelas autoridades fiscais. Não desconheço que a Lei 9.430/1996, em seu art. 74, §11, prevê a aplicação do rito processual do Decreto nº 70.235/1972 aos processos de compensação tributária, mas isso se aplica àqueles casos em que a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação (art. 74, §9º, da mesma lei), pretendendo revertêla, o que, conforme já mencionado, não ocorreu aqui. O Decreto nº 70.235/1972 não se aplica para cancelar débitos informados em PER/DCOMP (em razão de erro cometido pelo contribuinte em suas apurações), assim como não se aplica para cancelar débitos informados em DCTF. Novamente, isso não significa defender a cobrança de tributo indevido, fruto de erro material da contribuinte, com violação do princípio da verdade material, etc. As Delegacias da Receita Federal tem plena competência para sanar esse tipo de problema. O que não se pode é alargar a competência dos órgãos julgadores, submetidos ao rito processual previsto no Decreto nº 70.235/1972, para que passem a apreciar situações que não lhes devem ser submetidas. E a determinação feita pelo acórdão recorrido para a Delegacia de origem incorreu exatamente nesse problema. É o caso de indagar: se a contribuinte não ficar satisfeita com o posicionamento da DRF em relação ao cancelamento do débito confessado, ela vai poder voltar ao CARF para questionar isso, uma vez que foi o CARF que determinou esse exame? Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10283.900147/200972 Acórdão n.º 9101004.077 CSRFT1 Fl. 17 16 A meu ver, o voto vencido constante do acórdão recorrido, lavrado pelo Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes (relator do processo na segunda instância administrativa), foi correto e preciso em seus apontamentos: Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Conforme foi salientado no Relatório deste Acórdão, limitase a interessada a alegar a inexistência do crédito e do débito informados no Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) apresentado. Assim, embora intitulada a petição de fls. 11 a 16, indevidamente, de “manifestação de inconformidade”, tratase, ela, na realidade, de um “pedido de cancelamento de declaração de compensação”, matéria alheia à competência da Delegacia de Julgamento jurisdicionante. Nesse sentido, pronunciouse a CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit), no Parecer nº 53, de 29 de junho de 2011, ao analisar o rito processual do pedido de retificação ou cancelamento de DComp: 15. Os §§ 9º e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, são cristalinos no sentido de que o sujeito passivo pode apresentar manifestação de inconformidade contra decisão da autoridade administrativa que não tenha homologado compensação efetuada, e que esta contestação deve seguir o rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972. [...]. 16. Convém, porém, salientar que a petição apresentada pelo sujeito passivo deve possuir um aspecto de contestação, de inconformismo, de insatisfação contra as razões que conduziram a autoridade administrativa a decidir de determinada forma. Daí o termo “manifestação de inconformidade”. Não basta o contribuinte manifestarse, mediante petição qualquer. É necessário haver uma expressa discordância da decisão prolatada, ou seja, deve estar presente um litígio, um enfrentamento. 17. O fato de, no despacho decisório, constar a informação de que o contribuinte pode apresentar manifestação de inconformidade contra a decisão, não autoriza concluir que qualquer petição, apresentada no prazo estabelecido de trinta dias, deva ser recebida como peça de contestação. Tal medida visa simplesmente a alertar o sujeito passivo de um direito que lhe é garantido por lei, o qual pode ser ou não exercido. Dessa forma, e inexistindo qualquer litígio a ser dirimido por aquela DRJ no presente processo, correta a decisão daquele Colegiado, de não conhecer da “manifestação de inconformidade” apresentada. Menciono, a respeito, o seguinte precedente administrativo: Acórdão nº 110200.620 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de novembro de 2011 DCOMP. CANCELAMENTO OU RETIFICAÇÃO DO DÉBITO APÓS DECISÃO QUE NEGOU HOMOLOGAÇÃO À COMPENSAÇÃO. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10283.900147/200972 Acórdão n.º 9101004.077 CSRFT1 Fl. 18 17 O cancelamento ou a retificação do PERDCOMP somente são admitidos enquanto este se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador ou do pedido de cancelamento, e desde que fundados em hipóteses de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento. A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário contra a não homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo não constituem meios adequados para veicular a retificação ou o cancelamento do débito indicado na Declaração de Compensação. Não obstante, recomendase à DRF de origem proceder à revisão de ofício da exigência objeto do despacho decisório de fls. 6, em face de se tratar ao que tudo indica de compensação de estimativa com ajuste do mesmo anocalendário (fls. 3 e 4), cuja compensação já é feita na Ficha 12A da Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Diante de todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial em relação à primeira divergência (preclusão), e de dar provimento ao recurso especial em relação à segunda divergência, para fins de restabelecer a decisão de primeira instância, firmando o entendimento de que não cabe conhecer de recurso administrativo que busque a retificação/cancelamento de DCOMP pelos órgãos julgadores após despacho da Delegacia de origem que não homologa a compensação. Em síntese, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial (i) quanto à preclusão e por CONHECER do Recurso Especial (ii) quanto à retificação e ao cancelamento de PER/DCOMP e, no mérito, em DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10283.900147/200972 Acórdão n.º 9101004.077 CSRFT1 Fl. 19 18 Declaração de Voto Conselheira Cristiane Silva Costa Com a devida vênia ao entendimento do Ilustre Relator, entendo por negar provimento ao recurso especial da Procuradoria na matéria admitida por este Colegiado. Com efeito, esta Turma da CSRF já manifestou entendimento pela possibilidade de análise do débito em processo de compensação (acórdão 9101003.494): Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ANÁLISE DO DÉBITO DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. ESTIMATIVA MENSAL ANTECIPAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL. SÚMULA CARF 82. O ato de homologação de uma declaração de compensação abrange a análise do débito confessado pelo contribuinte, inclusive de fatos supervenientes que modifiquem a sua existência. A extinção do IRPJ devido ao final do exercício impede a exigência da estimativa mensal. Aplicação da Súmula CARF 82: "Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas." A Relatora do acórdão nº 9101003.494, conselheira e atual Presidente do CARF Adriana Gomes Rêgo , negou provimento ao recurso, em citado julgamento mas manifestou entendimento no sentido da possibilidade de apreciação do débito compensado, nos termos da Lei nº 9.430/1996: Ora, a atividade de homologação de uma declaração de compensação exige a análise tanto do crédito (pagamento indevido ou a maior), quanto do débito (obrigação tributária), nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996 (...) É que essa Lei exige, expressamente, certas características do débito a ser compensado: que seja próprio do declarante (caput), que seja administrado pela RFB (caput), que não seja devido em razão de importação (§3º, II); que não esteja inscrito em Dívida Ativa da União (§3º, III); que não esteja incluído em programa de parcelamento (§3º, IV) e que não tenha sido objeto de outra compensação não homologada (§3º, V). Com isso, a atividade de homologação de uma declaração de compensação deve incluir a apreciação do débito, pelo menos nos aspectos acima apontados, em razão de comando legal. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10283.900147/200972 Acórdão n.º 9101004.077 CSRFT1 Fl. 20 19 Aliás, a verificação do débito é ainda mais ampla, em razão da necessidade de se concretizar o princípio da verdade material frente às alegações do contribuinte quando argumenta, por exemplo: que o débito não existe, que o débito foi declarado em duplicidade, que o débito foi declarado a maior, que o débito já foi extinto etc.. (...) A despeito de reconhecer a possibilidade de análise do débito, a D. Relatora à ocasião entendeu que o caso não deveria ser acolhido pois “o resultado dessa atividade não comporta o cancelamento de uma obrigação tributária devida, ainda que tenha se tornado inexigível em razão de fato superveniente” (trecho extraído do referido acórdão). Diante disso, restei vencedora no acórdão nº 9101003.494, elaborando voto vencedor, no qual consignei a possibilidade de análise de fato superveniente: A despeito de concordar com a possibilidade de apreciação do débito confessado, divirjo quanto à possibilidade de apreciação de fatos supervenientes que modifiquem o débito originalmente declarado. (...) O caso dos autos trata de débitos (do contribuinte) de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, declarados em PER/DCOMP, para fins de compensação com créditos então identificados pelo contribuinte. Alega o contribuinte que os débitos (de estimativa mensal) teriam sido extinto pelo pagamento (REFIS IV) do IRPJ devido ao final do anocalendário. O contribuinte tem razão em seu pedido, tanto por reconhecimento do pagamento do tributo ao final do anocalendário inclusive no Programa REFIS IV , que é forma de extinção do crédito tributário (IRPJ e CSLL devidos ao final do período e, por consequência, os débitos de estimativas mensais indicados pelo contribuinte em suas PER/DCOMPs), nos termos do artigo 156, do Código Tributário Nacional; como pela natureza antecipatória da estimativa mensal, como tratado anteriormente. Reitero meu entendimento, manifestado à ocasião, pela possibilidade de análise do débito declarado em compensação, como também de fatos supervenientes, conforme acórdão acima reproduzido. Nesse sentido, irretocável o acórdão recorrido (acórdão 1803001.590), ao analisar a existência do débito, diante da “robusta prova documental” nos autos. Trancrevese trecho do voto vencedor, do Conselheiro Walter Adolfo Maresch: Com efeito, conforme se observa dos documentos que embasam o pedido inicial, manifestação de inconformidade e recurso voluntário, temse evidência de que houve efetivamente erro de fato no preenchimento da PER/DCOMP pois inexiste saldo de imposto a pagar relativo ao ajuste do período de apuração encerrado em 31/12/2004. Não havendo o débito constante da PER/DCOMP irrelevante qualquer discussão em torno do suposto crédito informado nessa declaração. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10283.900147/200972 Acórdão n.º 9101004.077 CSRFT1 Fl. 21 20 Desta forma, não se apresenta razoável considerando a robusta prova material existente no processo desconhecer pura e simplesmente a manifestação de inconformidade, sob o pretexto de preclusão do direito em retificar a PER/DCOMP ignorando totalmente o conjunto probatório apresentado. Destarte, em nome do princípio da verdade material e da adequada valoração das provas, deve ser conhecida a manifestação de inconformidade para que a unidade de origem aprecie e analise a existência do erro de fato, acolhendo a retificação da PER/DCOMP confirmandose os elementos apresentados pela recorrente. Assim, nego provimento ao recurso especial da Procuradoria. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 301DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720868/2011-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA.
Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma.
Numero da decisão: 3201-005.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em REJEITAR os Embargos de Declaração.
(assinatura digital)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
(assinatura digital)
LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
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OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA. Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em REJEITAR os Embargos de Declaração. (assinatura digital) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. (assinatura digital) LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 08 68 /2 01 1- 07 Fl. 5925DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos contra o Acórdão em Recurso Voluntário que assim decidiu: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO DE CRÉDITO/ DEPENDÊNCIA DE AUTUAÇÃO FISCAL JULGADA PROCEDENTE/ VINCULAÇÃO É de se reconhecer a decisão proferida por Turma do CARF que aplicou a Súmula nº 20 para decidir pela procedência da autuação fiscal que glosou os créditos do IPI nas aquisições de insumos empregados na fabricação de produto NT na TIPI. Não se homologa compensação, além do limite do crédito em despacho decisório, quando o credito pleiteado revelase indevido após auditoria fiscal em processo formalizado para sua verificação, uma vez que a procedência do auto de infração para cobrança das glosas dos créditos vincula o resultado do processo de declaração de compensação/ressarcimento Seguindo a marcha processual normal o Contribuinte apresentou Embargos de Declaração alegando em síntese que o voto condutor só analisou a questão da prescrição e não analisando a decadência, nos termos do art. 150, §4º. O Recurso foi admitido pelo Presidente de Turma Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, no seguinte sentido: Ante o exposto, concluo que foram preenchidas as condições de admissibilidade dos Embargos Declaratórios, a serem submetidos à apreciação do colegiado de julgamento desta Turma. Diante do exposto, com base nas razões acima expostas e com fundamento no art. 65, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 2015, DOU SEGUIMENTO aos Embargos opostos. Encaminhese o presente processo ao i. Relator, Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior, a fim de que indique o processo para inclusão em pauta. Assinado digitalmente CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente da 1ª Turma Ordinária 2ª Câmara 3ª Seção CARF É o relatório. Voto Conselheiro Relator Laércio Cruz Uliana Junior Fl. 5926DF CARF MF Processo nº 16682.720868/201107 Acórdão n.º 3201005.150 S3C2T1 Fl. 5.927 3 Tratase de Recurso de Embargos de Declaração manejado pelo Contribuinte, alegando, que o Relator foi omissão analise da decadência, não observando o prazo do art. 150, §4º do CTN. Pois bem! O voto tratou que não teria ocorrido a prescrição, quando em verdade, tratase de erro material, devendo ser decadência. Assim a nova redação que deve integrar o Acórdão do Recurso Voluntário: A matéria versaad é sobre prescrição e não decadência. Assim ficou assentado: Ademais a mais, deve ser afastada a decadência, uma vez, que da transmissão da PER/DCOMP ao despacho decisório, e da ciência do, com isso não decorrendo os 5 (cinco) anos para reconhecimento da homologação tácita (prescrição) nos termos doa art. 74, §5º da Lei 9430/96. Ademais, por mais que o Relator não tenha tratado especificamente do art. 150, §4º do CTN, ele vai ao encontro da lei 9430/96, art. 74, §5º, que tem o mesmo sentido redacional. Finalmente, diante do fato do Contribuinte ter transmitido o seu pedido em 18/10/07 e tomado ciência do despacho decisório em 16/10/12, não ocorreu os 05 (cinco) anos. Com isso, o voto é no sentido de conhecer do Recurso, e REJEITAR os Embargos de Declaração. Relator Laércio Cruz Uliana Junior (assinado digitalmente) Fl. 5927DF CARF MF
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