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11145447 #
Numero do processo: 15586.720787/2013-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009, 2010 PROLAÇÃO DE NOVO ACÓRDÃO LAPSO MANIFESTO. SANEAMENTO As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos com o embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão.
Numero da decisão: 1401-007.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e prover os embargos inominados, para correção dos lapsos manifestos no acórdão embargado, sem efeitos infringentes. Assinado Digitalmente Fernando Augusto Carvalho de Souza – Relator Assinado Digitalmente Luiz Eduardo de Oliveria Santos – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveria Santos (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Fernando Augusto Carvalho de Souza, Andressa Paula Senna Lísias, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, ausente o Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, substituído pelo conselheiro Paulo Elias da Silva Filho.
Nome do relator: FERNANDO AUGUSTO CARVALHO DE SOUZA

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SANEAMENTO As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos com o embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e prover os embargos inominados, para correção dos lapsos manifestos no acórdão embargado, sem efeitos infringentes. Assinado Digitalmente Fernando Augusto Carvalho de Souza – Relator Assinado Digitalmente Luiz Eduardo de Oliveria Santos – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveria Santos (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Fernando Augusto Carvalho de Souza, Andressa Paula Senna Lísias, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, ausente o Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, substituído pelo conselheiro Paulo Elias da Silva Filho. Fl. 1275DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.671 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15586.720787/2013-96 2 RELATÓRIO Trata-se de embargos de declaração da Fazenda Nacional em epígrafe contra a decisão proferida no Acórdão n° 1401-006.788, sessão de 17/10/2023, ementado da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA(IRPJ) Ano-calendário: 2009, 2010 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade No momento da execução do acordão, foi identificado pela Equipe Regional Especializada em Contencioso Administrativo Fiscal na 7ª Região Fiscal, inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e de erros de escrita ou de cálculo constatados em decisão colegiada, nos termos do art. 117 do RICARF. Art. 117. As alegações de inexatidão material devida a lapso manifesto ou de erro de escrita ou de cálculo existentes na decisão, suscitadas pelos legitimados a opor embargos, deverão ser recebidas como embargos, mediante a prolação de um novo acórdão. § 1º Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar a inexatidão ou o erro. § 2º Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele. § 3º Será dada ciência ao requerente do despacho que indeferir o requerimento previsto no caput. Nesses casos em que o Embargante não é o titular da Unidade, é necessária a demonstração da delegação de competência para que seja suprido o requisito da legitimidade, sendo esta confirmada por meio Portaria SRRF07 n° 075, de 2021. Dessa forma, a Unidade de Origem apresentou Embargos Inominados (fls. 1.265) nos seguintes termos: Fl. 1276DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.671 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15586.720787/2013-96 3 O Despacho de Admissibilidade de Embargos (fls. 1.270/1.273), o qual o Sr. Presidente desta 1ª TO/ 4ª Câmara desta Seção de Julgamento, acolhe os Embargos Inominados, a fim de que se corrija o lapso manifesto no acórdão embargado, mediante a prolação de novo acórdão. Em seguida, tendo em vista que o Relator originário não mais integra esta TO, determinou o encaminhamento à Divisão de Análise de Retorno e Distribuição de Processos, para providenciar o sorteio, sendo o processo encaminhado a este relator para inclusão em pauta de julgamento. É o relatório do essencial, VOTO Conselheiro Fernando Augusto Carvalho de Souza, Relator. Na forma já verificada no despacho de admissibilidade os embargos inominados são tempestivos, portanto, deles conheço. O exame de admissibilidade decidido pelo Sr. Presidente dessa turma acolheu 02 (dois) pontos requisitados pelo embargante, referente a inexatidão material: 1) Transcrição no voto fazendo referência uma decisão da 1ª Turma de Julgamento, que teria exonerado em parte lançamento a título de IRPJ e multa isolada, e Fl. 1277DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.671 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15586.720787/2013-96 4 2) Na conclusão do voto quando o voto condutor do Acordão Embargado constou a negativa de provimento de Recurso Voluntário quando o objeto de julgamento foi um Recurso de Ofício. Pois bem, em relação ao primeiro ponto, a decisão de primeira instância, Acordão n° 07-37.680 (fls. 1.204/1.225) foi proferida pela 3ª Turma da DRJ/Florianópolis, que recorreu de ofício em função da exoneração da integralidade da exigência de IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins, como se observa nos trechos abaixo colacionados: Dessa forma, não restam dúvidas sobre inexatidão material no acórdão embargado no ponto. Para o segundo ponto, o relator, na sua conclusão, conduziu seu voto pelo não provimento do recurso voluntário, sendo que o julgamento foi apenas do Recurso de Ofício, interposto pela presidência da Turma da DRJ, tendo em vista a exoneração da exigência superar o Fl. 1278DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.671 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15586.720787/2013-96 5 limite estabelecido no art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, do Ministro de Estado da Fazenda: Compulsando os autos, verifica-se que não houve interposição de Recurso Voluntário frente ao Recurso de Ofício, dessa forma, confirmada a inexatidão material no ponto. Diante de tudo exposto, devem ser acolhidos os embargos inominados para corrigir a inexatidão material apontada no acordão embargado, de modo que os equívocos apontados sejam corrigidos, passando o voto a constar a seguinte redação: Voto Conselheiro Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Relator. Apresento abaixo o demonstrativo do crédito tributário constituído no presente processo. À época da interposição do recurso vigia a PORTARIA MF Nº 3, DE 03 DE JANEIRO DE 2008, posteriormente revogada pela Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, que estabelecia o valor limítrofe para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) Entretanto, em 17 de janeiro de 2023 foi publicada a Portaria MF Nº 2 que alterou o valor de alçada para interposição de Recurso de Ofício a R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). Fl. 1279DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.671 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15586.720787/2013-96 6 Aplica-se, portanto, a Súmula CARF no. 103 abaixo transcrita. Conclusão Desta forma, VOTO por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. (documento assinado digitalmente) Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Relator Conclusão: Isto posto, voto por conhecer e acolher os embargos inominados opostos, sem efeitos infringentes, retificando o Acordão n° 1401-006.788, nos termos acima discriminados. Assinado Digitalmente Fernando Augusto Carvalho de Souza Fl. 1280DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11148922 #
Numero do processo: 13161.720373/2016-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 EMPRESA CEREALISTA. VENDAS COM SUSPENSÃO. APROVEITAMENTO PIS/COFINS. VEDAÇÃO LEGAL. A empresa cerealista que realiza vendas de produtos com suspensão das contribuições deve estornar os créditos de PIS/COFINS apurados na aquisição, sendo-lhe vedado o aproveitamento para fins de ressarcimento. A regra geral contida no art. 17º da Lei 11.033 de 2004 não revogou a norma especial e anterior do art. 8º, §4º, inciso II, da Lei 10.925/2004, que veda o creditamento para atividade agropecuária. MATÉRIA NÃO CONTESTADA EXPRESSAMENTE. EFEITOS. Torna-se definitiva a exigência relativa às glosas de créditos associados às despesas de fretes, porquanto não contestada expressamente.
Numero da decisão: 3101-004.159
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-004.156, de 19 de setembro de 2025, prolatado no julgamento do processo 13161.720368/2016-62, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Ramon Silva Cunha, Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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VENDAS COM SUSPENSÃO. APROVEITAMENTO PIS/COFINS. VEDAÇÃO LEGAL. A empresa cerealista que realiza vendas de produtos com suspensão das contribuições deve estornar os créditos de PIS/COFINS apurados na aquisição, sendo-lhe vedado o aproveitamento para fins de ressarcimento. A regra geral contida no art. 17º da Lei 11.033 de 2004 não revogou a norma especial e anterior do art. 8º, §4º, inciso II, da Lei 10.925/2004, que veda o creditamento para atividade agropecuária. MATÉRIA NÃO CONTESTADA EXPRESSAMENTE. EFEITOS. Torna-se definitiva a exigência relativa às glosas de créditos associados às despesas de fretes, porquanto não contestada expressamente. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-004.156, de 19 de setembro de 2025, prolatado no julgamento do processo 13161.720368/2016-62, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Ramon Silva Cunha, Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Fl. 901DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.159 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13161.720373/2016-75 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, estão sumariados os fundamentos da decisão: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS DAS AQUISIÇÕES. VEDAÇÃO LEGAL. É vedado à empresa cerealista o aproveitamento de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. VENDA DE GRÃOS. BENEFÍCIO DA SUSPENSÃO. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 04/04/2006, a contribuinte, para fazer jus ao benefício da suspensão, deve observar as prescrições dos incisos I a III do art. 4º da IN 660/2006. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 MATÉRIA NÃO CONTESTADA EXPRESSAMENTE. EFEITOS. Torna-se definitiva a matéria relativa às glosas de créditos associados às despesas de fretes, porquanto não contestada expressamente. Em suas razões recursais, a Recorrente, reiterou as suas razões de inconformidade alegando, em síntese, que: - O regime da não cumulatividade é aplicável ao caso, uma vez que as saídas de seus produtos foram realizadas com suspensão das contribuições, conforme os artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004 e a Instrução Normativa nº 660/2006; - O art. 17 da Lei nº 11.033/2004 é plenamente aplicável ao caso, tendo revogado tacitamente o inciso II do § 4º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; Fl. 902DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.159 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13161.720373/2016-75 3 - A Instrução Normativa nº 660/2006 determina o estorno apenas dos créditos decorrentes da aquisição de insumos utilizados em produtos vendidos com suspensão, não podendo a fiscalização estender essa regra para todas as aquisições da Recorrente; - A eventual inobservância da lei por parte do fornecedor da Recorrente não comprova a não ocorrência das operações comerciais; - A venda com suspensão não pode ser condicionada à apresentação de declaração, cuja exigência foi revogada pela Instrução Normativa nº 977/2009, que a tornou obrigatória apenas para adquirentes que não apuram o Imposto de Renda com base no Lucro Real. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Recurso tempestivo. Passo à análise do mérito. A controvérsia central reside em definir se a Recorrente, na condição de empresa cerealista, faz jus à manutenção e ao ressarcimento de créditos de PIS/COFINS vinculados a receitas de vendas efetuadas com suspensão das contribuições. A principal discussão travada nos presentes autos está na aplicação do art. 8º, §4º, inciso II, da Lei 10.925/2004, o qual veda expressamente o credito pela empresa cerealista em relação às receitas de venda com suspensão. De acordo com o supramencionado artigo, os créditos apurados na aquisição dos grãos devem ser estornados quando a revenda ocorre sob o regime de suspensão. Recorrente atua no ramo de comércio atacadista de matérias primas agrícolas - milho e soja, sendo desta forma contribuinte do PIS e da COFINS na forma não cumulativa, conforme determinado para as empresas tributadas com base no lucro real, no termos das leis n. 10.637/02 (PIS/PASEP) e n. 10.833/03 (COFINS). Com isso, o contribuinte apurou o IRPJ e a CSLL pelo lucro real. Adquiriu, para revenda exclusiva no mercado interno, milho e soja em grãos (códigos dos itens 1005.90 e 12.01, respectivamente) assumindo, assim, a condição de cerealista. No que se refere aos bens para revenda, o contribuinte efetuou as saídas com suspensão com base nos artigos 8° e 9° da Lei 10.925/04 e Instrução Normativa SRF n° 660/2006. O conceito de cerealista está previsto na Lei 10.925/2004 e IN RFB 1.911/2019, que estabelece como a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem Fl. 903DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.159 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13161.720373/2016-75 4 vegetal classificados nos códigos NCM 09.01, 10.01 a 10.08, exceto 10.06.20 e 10.06.30, e 18.01. Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às aquisições efetuadas de: I - cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I - do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II - de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. (...) Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I - de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; O Recorrente apresenta em seu Recurso a sistemática lógica que teria se baseado a apuração do PIS e da COFINS no setor do agronegócio, alegando que o regime de créditos presumidos foi, inicialmente, atribuído para as indústrias de produtos alimentícios de origem vegetal e animal por meio dos artigos 3º, parágrafos 5º e 6º, da Lei 10.833/2003, sendo, logo em seguida, revogados pela Lei 10.925/2004, a qual dispôs acerca do regime em questão em seu conhecido artigo 8º. Com essa sistemática, buscou-se diminuir distorções na cadeia produtiva, decorrente da alteração legislativa que instituiu a não cumulatividade para o PIS e a COFINS. Isto porque, uma parte significativa dos insumos das agroindústrias eram – e continuam sendo – oriundos de produtores pessoas físicas, com impossibilidade de se efetuar o crédito ordinário. Com isso, defende a parte que, somada com a entrada em vigor da Lei nº 11.033/2004, a qual trouxe em seu artigo 17 a previsão que “as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para Fl. 904DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.159 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13161.720373/2016-75 5 o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”, deve ser levado em consideração no momento de uma aquisição e consequente creditamento das contribuições a tributação incidente na operação anterior, e não as operações futuras, em que ainda muitas vezes nem se sabe qual será o destino daquele produto. Ocorre que o entendimento quanto a vedação às cerealistas do aproveitamento do crédito presumido é decorrência natural da própria condição de cerealista. Uma vez que exerce o papel de revendedora do grão, não há que se falar em crédito presumido, o qual é direcionado exclusivamente às aquisições como insumo num processo de industrialização. Assim, entendo que deve ser mantido o entendimento da DRJ. A alegação da Recorrente de que o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 teria revogado tacitamente a vedação contida no referido artigo não merece prosperar, como bem ressaltou o acórdão da DRJ, trata-se de um conflito aparente de normas que deve ser solucionado pelo princípio da especialidade. A Lei nº 10.925/2004 contém uma norma específica para as operações do agronegócio realizada por cerealistas, como é o caso da Recorrente, enquanto a Lei nº 11.033, apesar de posterior, estabelece uma regra geral e deve ser aplicada a outros casos. Portanto, entendo, em consonância com o entendimento da DRJ, que a vedação específica ao aproveitamento do crédito permanece válida e aplicável ao caso em exame, eis que a lei geral posterior não revoga nem modifica a lei especial anterior. O referido entendimento ainda está em perfeita consonância com a jurisprudência pacífica deste Conselho Administrativo, que reconhece a impossibilidade de creditamento e a obrigatoriedade do estorno dos créditos por empresas cerealistas em vendas com suspensão. Senão, vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2006 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. REsp 1.221.170/PR. NOTA SEI PGFN MF 63/2018 O conceito de insumos, no contexto das contribuições não- cumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância do bem ou serviço, aferidos em face da sua relação com o processo produtivo ou de prestação de serviços realizados pelo sujeito passivo. STJ, REsp n.º 1.221.170/PR, julgado sob o rito do art. 543-C do CPC/1973, e em face do art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF). E aplicação da NOTA SEI PGFN MF 63/2018. PEDIDO DE RESSARCIMENTO/DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. SUJEITO PASSIVO. Em pedidos de restituição/ressarcimento e em declarações de compensação, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez Fl. 905DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.159 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13161.720373/2016-75 6 dos créditos pretendidos. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. DESPESAS DE FRETES. AQUISIÇÕES COM FIM ESPECIFICO DE EXPORTAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. É expressamente vedado pela legislação tributária o aproveitamento de crédito da contribuição não cumulativa, calculado sobre os custos de aquisições de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, por parte da comercial exportadora, assim como sobre os respectivos fretes e demais despesas não vinculadas às exportações de produtos próprios. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DE CRÉDITO. Em regra, não geram créditos no regime da não-cumulatividade das contribuições as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. As aquisições de bens para revenda em operações que estão sujeitas à alíquota zero não geram direito ao crédito da contribuição não-cumulativa, por força da vedação estabelecida pelo art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.833/2003. PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM TRANSPORTE DE INSUMOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO NO FRETE. POSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos insumos, mas excetua expressamente nos casos da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição (inciso II, § 2º, art. 3º). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador dos insumos sujeitos à alíquota zero, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99), por ausência de vedação legal. Sendo os regimes de incidência distintos, do insumo (alíquota zero) e do frete (tributável), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do insumo para produção. VEÍCULOS UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE INSUMOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Os encargos de depreciação de veículos utilizados no transporte de insumos geram créditos no âmbito das contribuições não-cumulativas. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. As despesas com serviços de manutenção em máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo podem gerar direito ao crédito de PIS/COFINS não- cumulativos. VENDAS COM SUSPENSÃO. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO LEGAL EXPRESSA. Por força do art. 8º, § 4º, inciso II, e do art. 15, § 4º, ambos da Lei nº 10.925/2004, a pessoa jurídica cerealista, aquela que exerça as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura, ou, ainda, aquela que exerça atividade agropecuária e a cooperativa de produção agropecuária, de que tratam os incisos I a III do § 1º do referido art. 8º, deverão estornar os créditos referentes Fl. 906DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.159 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13161.720373/2016-75 7 à incidência não-cumulativa do PIS/COFINS, quando decorrentes da aquisição dos insumos utilizados nos produtos agropecuários vendidos com suspensão da exigência daquelas contribuições. Nesses casos, a expressa vedação legal ao aproveitamento de créditos de PIS/COFINS continua válida e vigente, não tendo sido afastada pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF nº. 125. Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE. CRÉDITO. TRANSPORTE DE INSUMOS TRIBUTADOS. A apuração de crédito de PIS não cumulativo, calculado sobre despesas de frete, é cabível apenas na hipótese de transporte de insumos sujeitos à tributação pelas contribuições. PIS/PASEP. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS COMO INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE O creditamento pelos insumos previsto no art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002 abrange os custos com combustíveis utilizados pelo contribuinte nas máquinas agrícolas e demais equipamentos que participam de seu processo produtivo, gerando, portanto, direito a crédito. NÃO CUMULATIVIDADE. ALUGUÉIS DE PRÉDIOS. ARRENDAMENTO. A apuração de crédito não cumulativo calculado sobre arrendamento de área rural para plantio e cultivo de produtos agropecuários, bem como benfeitorias da área arrendada, segue a mesma sistemática permitida para o aluguel de prédios. Processo nº 10183.909233/2011-93, Relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, Nº do Acórdão 3201-008.938, julgado em: 25/08/2021). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2008 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. REsp 1.221.170/PR. NOTA SEI PGFN MF 63/2018 O conceito de insumos, no contexto das contribuições não- cumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância do bem ou serviço, aferidos em face da sua relação com o processo produtivo ou de prestação de serviços realizados pelo sujeito passivo. Tal entendimento restou consubstanciado pelo STJ, no REsp n.º 1.221.170/PR, julgado sob o rito do art. sob o rito do art. 543-C do CPC/1973, sendo, assim, de aplicação obrigatória pelos membros do CARF, em face do art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF). Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/2018, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não-cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. PEDIDO DE RESSARCIMENTO/DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. SUJEITO PASSIVO. Fl. 907DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.159 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13161.720373/2016-75 8 Em pedidos de restituição/ressarcimento e em declarações de compensação, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez dos créditos pretendidos. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. DESPESAS DE FRETES. AQUISIÇÕES COM FIM ESPECIFICO DE EXPORTAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. É expressamente vedado pela legislação tributária o aproveitamento de crédito da COFINS não cumulativa, calculado sobre os custos de aquisições de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, por parte da comercial exportadora, assim como sobre os respectivos fretes e demais despesas não vinculadas às exportações de produtos próprios. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DE CRÉDITO. Em regra, não geram créditos no regime da não-cumulatividade da COFINS as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. As aquisições de bens para revenda em operações que estão sujeitas à alíquota zero não geram direito ao crédito da COFINS não-cumulativa, por força da vedação estabelecida pelo art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.833/2003. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS/COFINS. VEÍCULOS UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE INSUMOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Os encargos de depreciação de veículos utilizados no transporte de insumos geram créditos no âmbito das contribuições não-cumulativas. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. As despesas com serviços de manutenção em máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo podem gerar direito ao crédito de PIS/COFINS não- cumulativos. DESPESAS DE EMBARQUE PARA EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. As despesas com embarque, nas operações de exportação de produtos para o exterior, constituem despesas na operação de venda e, portanto, dão direito ao creditamento. VENDAS COM SUSPENSÃO. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO LEGAL EXPRESSA. Por força do art. 8º, § 4º, inciso II, e do art. 15, § 4º, ambos da Lei nº 10.925/2004, a pessoa jurídica cerealista, aquela que exerça as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura, ou, ainda, aquela que exerça Fl. 908DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.159 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13161.720373/2016-75 9 atividade agropecuária e a cooperativa de produção agropecuária, de que tratam os incisos I a III do § 1º do referido art. 8º, deverão estornar os créditos referentes à incidência não-cumulativa do PIS/COFINS, quando decorrentes da aquisição dos insumos utilizados nos produtos agropecuários vendidos com suspensão da exigência daquelas contribuições. Nesses casos, a expressa vedação legal ao aproveitamento de créditos de PIS/COFINS continua válida e vigente, não tendo sido afastada pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF nº. 125. Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. (Processo nº 10183.720782/2013-82, Relator: Vinicius Guimaraes, Nº do Acórdão 3302-010.597, julgado em: 23/03/2021). Entendo ser correto ainda o entendimento da DRJ de manter a reclassificação de parte das receitas da Recorrente como tributáveis, eis que o benefício da suspensão exige o cumprimento de requisitos cumulativos pelo contribuinte, como a apuração do IRPJ pelo lucro real e a utilização do produto como insumo, vedada a revenda. Não tendo o contribuinte logrado êxito em comprovar que os adquirentes preenchem os pressupostos legais, escorreita a reclassificação efetuada pela fiscalização, que não pode se pautar em presunções quando se trata de benefício fiscal. Por fim, ressalto que a matéria relativa ao creditamento de fretes tornou-se definitiva, uma vez que não foi objeto de impugnação expressa pela Recorrente, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72: “Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Dessa forma, considerando que a Recorrente não trouxe aos autos qualquer argumento capaz de infirmar a decisão recorrida, entendo que o recurso voluntário interposto não merece provimento, nos exatos termos da decisão DRJ e do entendimento deste Conselho sobre o tema. Ante o exposto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário, mas no mérito, nego-lhe provimento. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Fl. 909DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.159 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13161.720373/2016-75 10 Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 910DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10730.722658/2017-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2012, 2013 ​​CIÊNCIA PESSOAL. APLICAÇAO SUBSIDIÁRIA DO CPC. ​Tendo a Autoridade Fiscal optado pela ciência pessoal no domicílio tributário e sendo constatado que a contribuinte empreendeu ações para dificultar à ciência, é cabível a aplicação de forma subsidiária do Código de Processo Civil para busca de local onde a empresa exerce suas atividades econômicas de modo a proceder a ciência. ​A ciência feita em local de atividade efetiva da empresa, ainda que não corresponda ao domicílio tributário, atinge a finalidade legal do ato, sobretudo quando há recusa subtendida do sujeito passivo em receber a notificação no endereço principal. ​RECUSA. CIÊNCIA PESSOAL. INCISO I DO ART. 23. DECRETO N° 70.235 DE 1972 ​Atos unilaterais visando o impedimento de ciência pessoal de intimações como o fechamento das portas da empresa e recusa formal no recebimento ensejam a aplicação da parte final do inciso I do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972. ​NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. INOCORRÊNCIA ​Perante o Fisco Federal, embora não sejam consideradas entidades jurídicas, para fins tributários, as SCPs são equiparadas às pessoas jurídicas, contudo não tem o reconhecimento de entidade jurídica isolada, sendo considerada, para todos os fins como sujeito passivo da obrigação tributária principal e acessória o sócio ostensivo desta. ​DECADÊNCIA. CONTAGEM DE PRAZO. REGRA APLICÁVEL.CTN, ART. 150, §4º OU ART. 173, INCISO I. ​O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado ou quando não há constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. ​Dessa forma, quando demonstrada a prática dolosa da infração, a contagem do prazo decadencial segue a regra estabelecida no art. 173, I, do CTN.​​ Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012, 2013 ​​RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN. DIRETORES E ADMINISTRADORES. DOLO OU CULPA. ​Os atos praticados com infração de lei – atos ilícitos - pelos diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica importam em responsabilidade solidária destes, não havendo diferenciação ou condicionante da lei da existência de dolo ou culpa. ​QUALIFICAÇÃO DA MULTA. ART. 8 DA LEI 14.689/23. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO PARA 100%. ​Com base no artigo 106, II, “c” do CTN e no artigo 8º da Lei nº 14.689, de 2023, o qual prevê nova redação para a qualificação da multa, menos gravosa para o contribuinte sancionado, deve haver a aplicação da retroatividade benigna.​​​ Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2012, 2013 LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, do IRPJ, em face da estreita relação da causa e efeito. CSLL. PIS. COFINS.
Numero da decisão: 1401-007.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, afastar a arguição de nulidade do auto de infração por vício na intimação do lançamento e negar provimento aos recursos dos apontados como responsáveis solidários. Vencidos os Conselheiros Daniel Ribeiro Silva, Andressa Paula Senna Lisias e Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin. Por maioria de votos, negar provimento à arguição de nulidade do auto de infração por erro na sujeição passiva. Vencida a Conselheira Andressa que acatava a arguição de nulidade. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito da autuação e, de ofício, reduzir a multa qualificada a 100% por força da retroatividade benigna da Lei nº 14.689/2023. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à qualificação da multa de ofício e à arguição de decadência. Vencidas as Conselheiras Andressa Paula Senna Lisias e Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin que davam provimento ao afastamento da qualificação. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fernando Augusto Carvalho de Souza. Assinado Digitalmente Andressa Paula Senna Lísias – Relatora Assinado Digitalmente Luiz Augusto de Souza Goncalves – Presidente Assinado Digitalmente Fernando Augusto Carvalho de Souza – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Daniel Ribeiro Silva, Fernando Augusto Carvalho de Souza, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Andressa Paula Senna Lísias e Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente).
Nome do relator: ANDRESSA PAULA SENNA LISIAS

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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2012, 2013 ​​CIÊNCIA PESSOAL. APLICAÇAO SUBSIDIÁRIA DO CPC. ​Tendo a Autoridade Fiscal optado pela ciência pessoal no domicílio tributário e sendo constatado que a contribuinte empreendeu ações para dificultar à ciência, é cabível a aplicação de forma subsidiária do Código de Processo Civil para busca de local onde a empresa exerce suas atividades econômicas de modo a proceder a ciência. ​A ciência feita em local de atividade efetiva da empresa, ainda que não corresponda ao domicílio tributário, atinge a finalidade legal do ato, sobretudo quando há recusa subtendida do sujeito passivo em receber a notificação no endereço principal. ​RECUSA. CIÊNCIA PESSOAL. INCISO I DO ART. 23. DECRETO N° 70.235 DE 1972 ​Atos unilaterais visando o impedimento de ciência pessoal de intimações como o fechamento das portas da empresa e recusa formal no recebimento ensejam a aplicação da parte final do inciso I do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972. ​NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. INOCORRÊNCIA ​Perante o Fisco Federal, embora não sejam consideradas entidades jurídicas, para fins tributários, as SCPs são equiparadas às pessoas jurídicas, contudo não tem o reconhecimento de entidade jurídica isolada, sendo considerada, para todos os fins como sujeito passivo da obrigação tributária principal e acessória o sócio ostensivo desta. ​DECADÊNCIA. CONTAGEM DE PRAZO. REGRA APLICÁVEL.CTN, ART. 150, §4º OU ART. 173, INCISO I. ​O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado ou quando não há constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. ​Dessa forma, quando demonstrada a prática dolosa da infração, a contagem do prazo decadencial segue a regra estabelecida no art. 173, I, do CTN.​​ Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012, 2013 ​​RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN. DIRETORES E ADMINISTRADORES. DOLO OU CULPA. ​Os atos praticados com infração de lei – atos ilícitos - pelos diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica importam em responsabilidade solidária destes, não havendo diferenciação ou condicionante da lei da existência de dolo ou culpa. ​QUALIFICAÇÃO DA MULTA. ART. 8 DA LEI 14.689/23. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO PARA 100%. ​Com base no artigo 106, II, “c” do CTN e no artigo 8º da Lei nº 14.689, de 2023, o qual prevê nova redação para a qualificação da multa, menos gravosa para o contribuinte sancionado, deve haver a aplicação da retroatividade benigna.​​​ Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2012, 2013 LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, do IRPJ, em face da estreita relação da causa e efeito. CSLL. PIS. COFINS.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, afastar a arguição de nulidade do auto de infração por vício na intimação do lançamento e negar provimento aos recursos dos apontados como responsáveis solidários. Vencidos os Conselheiros Daniel Ribeiro Silva, Andressa Paula Senna Lisias e Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin. Por maioria de votos, negar provimento à arguição de nulidade do auto de infração por erro na sujeição passiva. Vencida a Conselheira Andressa que acatava a arguição de nulidade. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito da autuação e, de ofício, reduzir a multa qualificada a 100% por força da retroatividade benigna da Lei nº 14.689/2023. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à qualificação da multa de ofício e à arguição de decadência. Vencidas as Conselheiras Andressa Paula Senna Lisias e Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin que davam provimento ao afastamento da qualificação. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fernando Augusto Carvalho de Souza. Assinado Digitalmente Andressa Paula Senna Lísias – Relatora Assinado Digitalmente Luiz Augusto de Souza Goncalves – Presidente Assinado Digitalmente Fernando Augusto Carvalho de Souza – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Daniel Ribeiro Silva, Fernando Augusto Carvalho de Souza, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Andressa Paula Senna Lísias e Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente).

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APLICAÇAO SUBSIDIÁRIA DO CPC. Tendo a Autoridade Fiscal optado pela ciência pessoal no domicílio tributário e sendo constatado que a contribuinte empreendeu ações para dificultar à ciência, é cabível a aplicação de forma subsidiária do Código de Processo Civil para busca de local onde a empresa exerce suas atividades econômicas de modo a proceder a ciência. A ciência feita em local de atividade efetiva da empresa, ainda que não corresponda ao domicílio tributário, atinge a finalidade legal do ato, sobretudo quando há recusa subtendida do sujeito passivo em receber a notificação no endereço principal. RECUSA. CIÊNCIA PESSOAL. INCISO I DO ART. 23. DECRETO N° 70.235 DE 1972 Atos unilaterais visando o impedimento de ciência pessoal de intimações como o fechamento das portas da empresa e recusa formal no recebimento ensejam a aplicação da parte final do inciso I do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972. NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. INOCORRÊNCIA Perante o Fisco Federal, embora não sejam consideradas entidades jurídicas, para fins tributários, as SCPs são equiparadas às pessoas jurídicas, contudo não tem o reconhecimento de entidade jurídica isolada, sendo considerada, para todos os fins como sujeito passivo da obrigação tributária principal e acessória o sócio ostensivo desta. DECADÊNCIA. CONTAGEM DE PRAZO. REGRA APLICÁVEL. CTN, ART. 150, §4º OU ART. 173, INCISO I. Fl. 3283DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 2 O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado ou quando não há constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. Dessa forma, quando demonstrada a prática dolosa da infração, a contagem do prazo decadencial segue a regra estabelecida no art. 173, I, do CTN. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012, 2013 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN. DIRETORES E ADMINISTRADORES. DOLO OU CULPA. Os atos praticados com infração de lei – atos ilícitos - pelos diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica importam em responsabilidade solidária destes, não havendo diferenciação ou condicionante da lei da existência de dolo ou culpa. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. ART. 8 DA LEI 14.689/23. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO PARA 100%. Com base no artigo 106, II, “c” do CTN e no artigo 8º da Lei nº 14.689, de 2023, o qual prevê nova redação para a qualificação da multa, menos gravosa para o contribuinte sancionado, deve haver a aplicação da retroatividade benigna. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2012, 2013 LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, do IRPJ, em face da estreita relação da causa e efeito. CSLL. PIS. COFINS. ACÓRDÃO Fl. 3284DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, afastar a arguição de nulidade do auto de infração por vício na intimação do lançamento e negar provimento aos recursos dos apontados como responsáveis solidários. Vencidos os Conselheiros Daniel Ribeiro Silva, Andressa Paula Senna Lisias e Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin. Por maioria de votos, negar provimento à arguição de nulidade do auto de infração por erro na sujeição passiva. Vencida a Conselheira Andressa que acatava a arguição de nulidade. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito da autuação e, de ofício, reduzir a multa qualificada a 100% por força da retroatividade benigna da Lei nº 14.689/2023. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à qualificação da multa de ofício e à arguição de decadência. Vencidas as Conselheiras Andressa Paula Senna Lisias e Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin que davam provimento ao afastamento da qualificação. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fernando Augusto Carvalho de Souza. Assinado Digitalmente Andressa Paula Senna Lísias – Relatora Assinado Digitalmente Luiz Augusto de Souza Goncalves – Presidente Assinado Digitalmente Fernando Augusto Carvalho de Souza – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Daniel Ribeiro Silva, Fernando Augusto Carvalho de Souza, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Andressa Paula Senna Lísias e Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de autos de infração de IRPJ, e os reflexos de CSLL, PIS, COFINS relativamente aos anos-calendários de 2012 e 2013, com imposição de multa de ofício de 150%, Fl. 3285DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 4 lavrados contra o sujeito passivo ora Recorrente para a exigência dos tributos devidos, por entender a D. Fiscalização que haveria omissão de receitas na apuração do lucro tributável. Neste caso, a omissão de receitas é a seguinte: - Omissão de receitas relativas a rateio de despesas condominiais (“taxa de decoração”) Os Srs. Fernando Policarpo de Oliveira e Nelson Policarpo de Oliveira foram responsabilizados solidariamente pelo crédito tributário constituído em função do disposto no art. 135 do Código Tributário Nacional (CTN). Pois bem, contra as autuações tanto o contribuinte como os responsáveis solidários apresentaram Impugnações, em síntese, alegando: 1 – Impugnação da Soter (empresa autuada), alegando que: - é nula a intimação que deu ciência à empresa autuada quanto aos lançamentos, porque foi feita mediante entrega, pessoalmente, a pessoa natural sem poderes para representar o contribuinte; -os créditos relativos ao ano de 2012 foram atingidos pela decadência, estando extintos; - ilegitimidade passiva da SOTER; - no mérito, o não enquadramento da taxa de decoração como receita bruta; - pede o afastamento da multa qualificada; - ilegalidade da incidência de juros sobre a multa. 2 - Impugnação do Sr. Nelson Policarpo de Oliveira, alegando: - reitera os argumentos do contribuinte quanto à nulidade do lançamento, decadência, erro da sujeição passiva, não omissão de receitas, descabimento da multa qualificada e da incidência de juros sobre a multa. - no mérito, alega que não foram observados os requisitos para a imposição da responsabilidade solidária, não tendo havido individualização da conduta, e tendo a atribuição se dado exclusivamente em razão do cargo ocupado pelo agente. 3 - Impugnação do Sr. Fernando Policarpo de Oliveira , alegando os mesmos argumentos veiculados na impugnação do Sr. Nelson. Fl. 3286DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 5 Em primeira instância, foi proferido o v. Acórdão 11-65.979 pela 4ª Turma da DRJ/REC, julgando improcedentes as Impugnações, conforme ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2012, 2013 DECADÊNCIA. CONTAGEM DE PRAZO. Quando demonstrada a prática dolosa da infração, a contagem do prazo decadencial segue a regra estabelecida no referido art. 173, I, do CTN. CIÊNCIA PESSOAL DO LANÇAMENTO. RECUSA DE RECEBIMENTO. Considera-se que o sujeito passivo foi cientificado pessoalmente do lançamento quando seu mandatário ou preposto se recusar a assinar o recebimento e a autoridade fiscal lavrar termo de constatação da recusa por si assinado e por testemunhas. CIÊNCIA PESSOAL. PREPOSTO. O engenheiro-chefe de obra de empreendimento de sociedade em conta de participação da qual o sujeito passivo é sócio ostensivo é considerado seu preposto para fins de intimação. LANÇAMENTO NO SÓCIO OSTENSIVO. ALEGAÇÃO DE ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. O lançamento de ofício deve ser realizado em nome do sócio ostensivo da sociedade em conta de participação, o qual é o sujeito passivo da obrigação principal. OMISSÃO DE RECEITA. TAXA DE DECORAÇÃO. NÃO ENQUADRAMENTO COMO REEMBOLSO. O recebimento das taxas de decoração previstas no contrato de compra e venda apresentado pelo contribuinte representa receita tributável, vez que os gastos correspondentes são inerentes à atividade do contribuinte. Somente pode ser tratado como reembolso o valor pago por contratante quando o contratado realiza gasto de responsabilidade daquele. Esta responsabilidade pelo gasto não pode ser alargada contratualmente, retirando-se artificialmente da responsabilidade do contratado gastos inerentes ao seu negócio. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. DOLO. Demonstrado o dolo do contribuinte na prática da infração que lhe foi imputada, devida a qualificação da multa. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Devida a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício que compõe o crédito tributário quando este se torna definitivo, ou seja, em fase de cobrança. Fl. 3287DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 6 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO À LEI. Caracterizada a infração à lei, é devida a responsabilização solidária dos sócios- gerentes em função do disposto no art. 135 do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano- calendário: 2012, 2013 LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicam-se ao lançamento de CSLL, no que couber, as mesmas razões de decidir do lançamento de IRPJ, haja vista estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2012, 2013 LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicam-se ao lançamento de Cofins, no que couber, as mesmas razões de decidir do lançamento de IRPJ, haja vista estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2012, 2013 LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicam-se ao lançamento de PIS, no que couber, as mesmas razões de decidir do lançamento de IRPJ, haja vista estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido’ O contribuinte e os responsáveis interpuseram Recursos Voluntários basicamente reiterando e reproduzindo os argumentos deduzidos na defesa. Por fim, os autos vieram a esta Conselheira Relatora. Não foram apresentadas Contrarrazões pela PFN. É o relatório do essencial. VOTO VENCIDO Conselheira Andressa Paula Senna Lísias, Relatora. Fl. 3288DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 7 Os Recursos Voluntários do contribuinte e dos responsáveis são tempestivos, e atendem aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Assim, conheço-os. I - Nulidade da intimação do auto de infração Os Recorrentes alegam que a intimação do auto de infração seria nula, porquanto a ciência se deu de forma pessoal e entregue a funcionário que não tinha poderes para representar a empresa. Para tanto, analisei o contexto relatado pela RFB sobre a dificuldade para a ciência do lançamento, que consta dos autos. Houve, primeiramente, a frustração da intimação por correio, que foi recusada na portaria em função das férias coletivas. A empresa inclusive comprova nos autos o fato quanto à efetiva concretização das férias coletivas, demonstrando comunicações aos órgãos do Trabalho, sindicatos, etc (docs. anexos ao recurso): Fl. 3289DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 8 Tendo isso ocorrido, a D. Fiscalização procedeu à intimação pessoal, a fim de fazer uma outra tentativa de intimar rapidamente o contribuinte, já que estava premida pela iminência de decurso do prazo decadencial do crédito tributário. Porém, a Fiscalização não poderia ter intimado pessoalmente o contribuinte fora de seu domicílio fiscal, em um local de obra, instando um engenheiro gerente de obra, funcionário da empresa, a receber o auto de infração. No entanto, foi o que fez, conforme Termo de Ciência acostado aos autos: 3– DA CIÊNCIA 24. Ante o exposto, percebe-se que o ato de a empresa fechar as portas de sua matriz e deixar as mencionadas orientações na portaria configura uma recusa prévia e deliberada à ciência de qualquer ato da Receita Federal, o que foi confirmado com o insucesso de entrega pelos Correios no dia 21/12/2017 às 11:12 e nos dias seguintes (22/12/2017, 23/12/2017 e 26/12/2017). Fl. 3290DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 9 25. Neste diapasão, é inimaginável que a formalização do crédito tributário pelo lançamento fique ao alvedrio do contribuinte em se dispor a tomar ciência do auto de infração, uma vez que só com a ciência do sujeito passivo se aperfeiçoa o lançamento. Com efeito, pensar de outra forma, permitiria que o autuado, sabedor do procedimento fiscal em andamento e de eventuais ilícitos fiscais por ele cometidos, poderia simplesmente criar toda série de artifícios e de dificuldades para impossibilitar que o autuante lhe desse ciência do lançamento, mormente, como no caso presente, quando se estivesse próximo do dies ad quem do prazo decadencial. 26. De toda sorte, tendo em vista a ordem prévia de recusa de ciência no endereço eleito pela própria empresa como domicílio tributário do seu estabelecimento matriz, a ciência foi também efetivada no estabelecimento da filial CNPJ 30.098.529/0017-18 (devidamente registrada pela própria fiscalizada no CNPJ), localizada à Rua Lemos Cunha 364, empreendimento Notting Hill (SCP LEC), em 21/12/2017, às 15hs, efetivada pela entrega ao Sr. Rodrigo Correa de Vasconcellos, na qualidade de preposto da empresa e responsável pelo estabelecimento, de todos os Termos de Encerramento e Autos de Infração relacionados aos processos identificados e pela lavratura no local de Termo de Constatação constando a entrega e a recusa de assinatura pelo preposto, e assinado pelos Auditores-Fiscais e por duas testemunhas. 27. Assim, apesar de todos os artifícios e dificuldades criados pela fiscalizada, a ciência foi efetivada em 21/12/2017, em conformidade com a legislação, que, para evitar que a formalização do crédito tributário fique a mercê do contribuinte em se dispor a tomar ciência do auto de infração, estabelece que a declaração escrita de quem intimar aperfeiçoa a ciência, no caso de recusa. Em vez de ter agido dessa forma, a conduta mais consentânea com a legislação teria sido intimar o contribuinte por edital. Eis o que prevê o Decreto 70.235/72, que regula o processo tributário na esfera administrativa: “Art. 23. Far-se-á a intimação: § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado” Fl. 3291DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 10 É bem verdade que a legislação não estabelece também nenhuma modalidade preferencial de intimação. É o que consta no art. 23: “§ 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência.” Contudo, as intimações sempre devem ser dirigidas ao domicílio tributário eleito pelo contribuinte. No caso de intimação improfícua, deveria a autoridade fiscal ter adotado a intimação por edital, nos termos do que dispõe o §1º do referido dispositivo legal acima. Nessa linha, cito jurisprudência deste E. CARF, inclusive da Câmara Superior: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2004, 2005 CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. TENTATIVA IMPROFÍCUA POR VIA POSTAL. INTIMAÇÃO POR EDITAL. VÁLIDADE. Com base no art. art. 23, § 1º, do Decreto nº 70.235/1972, uma única tentativa frustrada de intimação pessoal ou por via postal autoriza a intimação por edital.” (Acórdão nº 9202007.271 – 2ª Turma / CSRF, Sessão de 22 de outubro de 2018) “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2010 CIÊNCIA DO LANÇAMENTO FISCAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELEITO PELO SUJEITO PASSIVO. INTIMAÇÃO IMPROFÍCUA. EDITAL. VALIDADE. É válida a ciência por edital do auto de infração quando resulte improfícua a tentativa de intimação no endereço fornecido pelo contribuinte à administração tributária para fins cadastrais.” (Acórdão nº 2401005.914 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 2ª Seção, Sessão de 5 de dezembro de 2018) Assim, de fato existe um vício que não pode ser superado. Portanto, a meu ver, o lançamento está eivado por nulidade na intimação que deu ciência do lançamento ao contribuinte. II – Erro na sujeição passiva: nulidade do lançamento Como fui vencida no ponto anterior, passei a analisar o erro da sujeição passiva. Ademais, também alegam que teria havido erro na sujeição passiva no lançamento. Isso porque a sócia ostensiva não poderia figurar no polo passivo no lugar da SCP, já que as obrigações tributárias exigidas pertencem à SCP. A Soter é sócia ostensiva da SCP e no presente processo trata-se de omissões de receita atribuíveis à SCP. O v. acórdão recorrido, aliás, de certa forma reconhece que as obrigações Fl. 3292DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 11 tributárias pertencem à SCP, ao dispor em seus fundamentos que o sócio ostensivo seria responsável pelo recolhimento, veja-se: “uma vez que a sociedade em conta de participação não possui personalidade jurídica, o sócio ostensivo responde pelas atividades praticadas perante terceiros. Além disso, resta claro que tal sociedade é equiparada a pessoa jurídica, devendo ser feita a apuração dos resultados de sua atividade e dos tributos devidos em separado do sócio ostensivo, observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Entretanto, há disposição expressa determinando que a responsabilidade pela apuração desses resultados e pelo recolhimento do tributo é do sócio ostensivo. 53. Assim, não resta dúvida de que o sujeito passivo da obrigação principal é o sócio ostensivo, sendo acertada a lavratura dos autos de infração contra os mesmos relativamente a infrações que ensejaram recolhimento a menor dos tributos devidos em decorrência das atividades da SCP. Nesse sentido está o disposto no art. 121 do CTN, que esclarece que o “sujei to passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária” (grifou-se).” Compreendo que há um equívoco aqui tanto por parte da Fiscalização, como do acórdão da DRJ. Se se entendeu que havia responsabilidade por parte do sócio ostensivo, poderia ter havido sua configuração como responsável tributário no lançamento. No entanto, não foi isso que se deu: no presente lançamento, o sócio ostensivo não foi considerado responsável tributário, mas sim contribuinte. O art. 121 do CTN definiu o sujeito passivo da relação jurídica tributária como sendo “a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária”. Em suma, será contribuinte o sujeito passivo que realize a ação (materialidade) da hipótese de incidência . Neste caso, a omissão de receitas é atribuível à SCP. Além de que, na esfera tributária, a legislação considera a SCP uma pessoa jurídica autônoma da figura do sócio ostensivo, devendo cada um responder por suas próprias obrigações tributárias: DECRETO-LEI Nº 2.303, DE 21 DE NOVEMBRO DE 1986 (altera a legislação tributária federal, e dá outras providências): “Art 7º Equiparam-se a pessoas jurídicas, para os efeitos da legislação do imposto de renda, as sociedades em conta de participação.” Nessa linha também a jurisprudência deste E. CARF: Fl. 3293DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 12 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (Acórdão nº 1402¬002.208 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 08 de junho de 2016) “SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas e, portanto, é legítima a equiparação prevista no DL. nº 2.303/86 e no art. 148 do RIR ao PIS e à COFINS. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação é tributariamente distinta do sócio ostensivo, a existência de eventual benefício fiscal para este (Clube Atlético Paranaense) não se transmite àquela (SCPs). Logo, uma vez mantidas as exigências de PIS e COFINS sobre as receitas das SCPs, não são isentas as parcelas das receitas das SCPs cabíveis ao Clube Atlético Paraense. “ (Acórdão nº 1201-003.094 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 14 de agosto de 2019) Portanto, a meu ver, o lançamento deveria ter sido dirigido à SCP. Diante disso, constatado o erro na identificação do sujeito passivo que representa vício material e constitutivo do lançamento tributário nos termos do art. 142 do CTN, deve ser decretada a nulidade do auto de infração, acolhendo-se a preliminar arguida pelos Recorrentes. III - Decadência parcial do crédito tributário Como fui vencida no ponto anterior, passei a analisar a decadência. Alegam os Recorrentes que teria ocorrido a decadência dos créditos tributários ora exigidos, com base no art. 150, §4º do CTN. Entendo que, em parte, os Recorrentes tem razão. A contagem do prazo decadencial foi pacificada pelo E. STJ no REsp 973.733/SC (Tema Repetitivo 163), concluindo-se que, para aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, faz-se necessário o pagamento antecipado do tributo (ainda que parcialmente) e a ausência de dolo, Fl. 3294DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 13 fraude ou simulação, ao passo que, ausente uma dessas duas condições, o prazo decadencial será contado conforme prevê o artigo 173, I, do CTN. Além disso, as Súmulas CARF a seguir também regem essa temática: Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. Súmula CARF nº 101: Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” Identifico que nos autos as DARFs de recolhimento estão colacionadas às e-fls. 302/333 e se refere aos tributos questionados. Ademais, entendo não haver presença de dolo, fraude ou simulação no caso (como motivado nos tópicos a seguir), o que afasta a incidência do art. 173, inciso I, do CTN. Assim, considerando que o auto de infração foi lavrado em 18/12/2017, entendo que os fatos geradores de agosto a novembro de 2012 estão decaídos com base no art. 150, §4º do CTN, acatando em parte os argumentos dos Recorrentes. IV – Mérito: Omissão de receitas (taxa de decoração) No que diz respeito à omissão de receitas propriamente, o Recurso Voluntário reproduz os fundamentos da Impugnação, não tendo havido nenhuma outra evolução mais substancial após o acórdão, que entendo ter contemplado satisfatoriamente a análise da questão central. Com efeito, da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação do inc. I, § 12º do Art. 114 do novo Regimento Interno do CARF uma vez que o Recorrente em nada inova nas suas razões já apresentadas em sede de Impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo inc. I, § 12º do Art. 114 do novo Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria n. 1.634 de 21 de dezembro de 2023): Art. 114. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes, ausentes e Fl. 3295DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 14 impedidos ou sob suspeição, especificando-se, se houver, os conselheiros vencidos, a matéria em que o relator restou vencido e o voto vencedor. § 1º O relator deverá formalizar o acórdão no prazo de quinze dias, contado da movimentação dos autos para essa atividade. (...)§12. A fundamentação da decisão pode ser atendida mediante: I - declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida ; e II - referência a súmula do CARF, devendo identificar seu número e os fundamentos determinantes e demonstrar que o caso sob julgamento a eles se ajusta.” Assim, desde já proponho a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, com os quais concordo, considerando-se como se aqui transcrito integralmente o voto da decisão recorrida: 83. No caso concreto, o contribuinte estipulou no contrato de promessa de compra e venda que não estariam incluídos no preço convencionado para a transação os seguintes serviços: a) decoração e/ou mobiliário e/ou equipamento das dependências de uso comum e portaria; b) dos medidores de água, instalação para uso de equipamento tipo air-split, caixas de ar condicionado; c) ajardinamento; d) instalação do sistema de segurança; e) equipamentos de energização, iluminação das partes comuns do empreendimento; f) cabeame nto para telefone externo, TV a cabo, antena coletiva e internet; g) projetos relativos aos equipamentos e serviços descritos; e h) serviços relativos às ligações definitivas de água, esgoto, luz, força, gás, telefone e outros, executados ou mandados executar pelos poderes públicos. 84. Sem qualquer sombra de dúvida os gastos listados nos itens “b” em diante (sendo parte do “g” não relativos ao projeto de decoração da mobília e equipamentos da cozinha, espaço gourmet, sala de ginástica, cyber infantil e outros tratado no item "a") são inerentes à atividade da empresa, já que, ao se comprar um apartamento, é pressuposto que o que o cliente está comprando é o bem onde possa residir com as condições mínimas de segurança, e atendimento dos requisitos mínimos de conforto e lazer em sua unidade. 85. Inadmissível um imóvel ser entregue sem iluminação nas áreas comuns, sem instalação do sistema de gás, sem os medidores, sem o cabeamento de telefonia, de TV e internet, sem a antena coletiva, sem sistema de segurança, sem a ligação de água e luz, sem a instalação do equipamento necessário para uso do ar condicionado ou split, sem ao menos a colocação de grama. Na realidade, sem esses serviços e materiais mínimos o imóvel seria inabitável. A ausência desses implica que o condomínio teria que concluir uma obra inacabada. Fl. 3296DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 15 86. Como residir em um lugar onde não há proteção em relação ao “mundo exterior”? Como residir em um local onde não há iluminação, inviabilizando a movimentação pelas áreas comuns em horários sem iluminação natural? Como residir em um lugar onde há terra batida, pois não foi gramado? Como residir em um lugar, no clima de nosso país, sem instalação para ar-condicionado/split? Como residir em um lugar sem ligação de água e luz? Como residir em um lugar sem telefone, TV e internet nos dias atuais? 87. Evidente, pois, que houve o alargamento por parte do contribuinte do que seriam despesas de responsabilidade dos clientes, conforme alertado pelo jurista Higuchi. 88. Da relação de serviços e materiais não presentes no memorial descritivo e, supostamente, não incluídos no preço do imóvel, poder-se-ia questionar que os gastos relativos à decoração com mobiliário das áreas comuns tratados no item “a” da relação acima (e dos projetos tratados na parte do "g" relativos ao item "a") não seriam essenciais para que os clientes transferissem sua residência para o edifício construído. Efetivamente, tais gastos não têm relação direta com a atividade de construção de imóveis, não sendo responsabilidade, a princípio, da construtora, mas sim dos compradores. Como já tratado, para a consecução da atividade de construção, é necessária a entrega um imóvel habitável, com o mínimo de conforto e com segurança, sem estes gastos supérfluos passíveis de realização pelo condomínio posteriormente. 89. Por outro lado, há que se considerar que a oferta de tais serviços/materiais instalados pela própria construtora tornaram-se um diferencial para a conquista de clientes. 90. Ao estar diante de duas opções de compra semelhantes, salvo raras exce ções o cliente optará pelo empreendimento onde haja estes confortos adicionais instalados previamente, evitando, assim, a desgastante tarefa de aprovação em condomínio de taxas extras para realização de projeto de decoração, que, algumas vezes nem chegam a ser aprovadas ou, se aprovadas, os gastos são realizadas sem um projeto e com materiais de baixa qualidade. 91. Ressalte-se, inclusive, que as empresas conseguem aumentar o preço do imóvel quando apresentam os projetos de decoração e os incluem em seus serviços, pois esses ficam valorizados pelo diferencial oferecido. E, mesmo assim, em virtude da comodidade, geralmente os compradores aceitam arcar com a diferença a maior em relação ao outros imóveis sem decoração e equipamentos de lazer. 92. Adicionalmente à valorização do empreendimento, tais serviços agilizam a venda das unidades, pois despertam mais interesse dos possíveis clientes. 93. A importância da assunção desses serviços e benfeitorias na negociação dos imóveis é tão evidente que é comum as grandes construtoras darem destaque ao Fl. 3297DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 16 escritório de decoração contratado para realizar o projeto e coordenar/executar a aquisição da mobília/equipamentos. 94. Ainda assim, poder-se-ia defender que não há valorização direta das unidades imobiliárias e agilização na venda, e que o objetivo é o de garantir que a mobília e equipamentos de lazer das áreas coletivas mantenham o padrão de qualidade, conforme especificado no item 6.4 dos contratos: “Tendo em vista a necessidade de assegurar ao empreendimento, desde o início de sua vida operacional, um conjunto de serviços compatível com o padrão adotado (...)”. 95. Todavia, baseado no que foi colocado no contrato, é possível considerar que a ressaltada garantia da qualidade dos serviços de benfeitorias tem por objetivo nada mais do que ser uma vitrine para a construtora, pois as pessoas que frequentarem as áreas comuns, amigos, familiares e outros, vão sempre fazer a relação entre a construtora e a qualidade do ambiente. Com isso, ocorre a valorização da empresa no mercado, destacando-a em relação às outras do seu ramo de atividade. 96. Em vista disso, pergunta-se: o destaque obtido como uma empresa que zela pela qualidade dos serviços não implica, por consequência, a valorização de seus empreendimentos e, por conseguinte, também a venda de suas unidades por preços mais altos e de forma mais ágil? Não resta dúvida que sim. É corolário. 97. Daí o interesse na realização do serviço pela própria construtora, o que é garantido contratualmente, pois não é dada opção aos adquirentes de realizarem tais gastos quando entenderem ser oportuno, em condomínio, desvinculados da construtora. No contrato já é fixado o valor da taxa a ser paga para realização dos gastos e que, caso o cliente seja inadimplente, a construtora pode reter as chaves. 98. Assim, se a oferta de tal serviço não fosse do interesse da construtora, e, entenda-se interesse, no mundo dos negócios, a obtenção ao final de uma vantagem financeira, não haveria sentido algum em obrigar os clientes a fazer o serviço com ela. 99. Resta claro que tais gastos se tornaram essenciais para o negócio da construção civil, sendo despesas necessárias para que as empresas alcancem os resultados pretendidos, e de forma mais célere. Logo, tais gastos são inerentes à atividade do contribuinte, fazendo com que as recursos recebidos em decorrência representem receitas tributáveis. 100. Por fim é devido considerar que não ocorreu aqui mera divergência de interpretação da legislação tributária, mas prática intencional de omissão de receitas da atividade. Tal entendimento resta cristalino quando se verifica que o contribuinte procurou realizar lançamentos contábeis de tal forma a esconder o recebimento das taxas de decoração e que teriam ocorrido, como alegado, gastos de responsabilidade de terceiros a serem reembolsáveis. 101. Caso ele realmente entendesse que os valores recebidos correspondiam a reembolso pela realização de gastos de responsabilidade de terceiros, como Fl. 3298DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 17 argumentou, o registro contábil das operações deveria ter sido da seguinte forma: quando dos gastos, estes deveriam ter sido contabilizados em conta de direito a receber (débito), e quando dos recebimentos das taxas, deveriam ter sido lançados a crédito nesta conta, anulando os gastos anteriormente feitos (caso efetivamente realizados os serviços pelo custo). Tanto os gastos quanto os recebimentos não passariam por contas de resultado. 102. Isto porque, sendo os gastos de terceiros, não poderiam ser contabilizados pelo contribuinte como seus, em conta de resultado. 103. Contudo, ele registrou os gastos como despesas suas e não escriturou em qualquer conta os recebimentos. Com isso, ocultou os recebimentos do conhecimento da Receita Federal, bem assim camuflou os gastos como sendo seus, misturando-os com as demais despesas, em maior volume, referentes à construção dos empreendimentos, ou seja, tornando-os invisíveis; sabedor que, por ser a SCP optante pelo lucro presumido, em uma possível fiscalização sem aprofundamento, os gastos não seriam objeto de uma atenção especial pela autoridade fiscal. 104. Enfim, ele próprio tinha pleno conhecimento de que os gastos não eram de responsabilidade de terceiros e que as taxas eram receitas tributáveis.” Assim, quanto ao mérito, nego provimento aos recursos, mantendo o acórdão recorrido nos termos em que proferido. V - Multa de ofício de 150% - discussão quanto à qualificação e redução de ofício (retroatividade benigna) Por fim, com relação à multa qualificada que persiste após a decisão da DRJ, não a vejo como acertada neste caso. Entendo que a qualificação merece ser afastada, ante a ausência de condutas de dolo, simulação ou fraude do sujeito passivo com o intuito de omitir receitas. Conforme leitura do TVF, a qualificação da multa esteve baseada em circunstâncias relacionadas à própria omissão, e não a um ato ilícito praticado pelo sujeito passivo. Assim também prevê a Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Fl. 3299DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 18 Em casos tais, a multa de ofício deve ser aplicada no percentual de 75%, não havendo suporte na acusação para a aplicação da multa em sua modalidade qualificada. Como observou o Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, “a multa de ofício deve ser qualificada quando o contribuinte faz um esforço adicional para ocultar a omissão de receitas, praticando ato que não faz parte do núcleo da ação que concretizou a omissão, por exemplo, a simulação, a emissão de notas fiscais subfaturadas, a ocultação de documentos ou de registros contábeis.” (acórdão 9101-005.514, sessão de 13 de julho de 2021). Caso assim não se entenda, um reparo deve ser feito de ofício. Com a superveniência do art. 8º da Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023, que deu nova redação ao art. 44, da Lei nº 9.430/96, a multa qualificada passou a ter seu percentual limitado ao teto de 100% (salvo casos de reincidência na infração tributária, o que não houve no presente processo): “Art. 8º O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 44. ................................................................................. ......................................................................................................... § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será majorado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, e passará a ser de (Redação dada pela Lei nº 14.689, de 2023): (...)VI – 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício VII – 150% (cento e cinquenta por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício, nos casos em que verificada a reincidência do sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023)” Assim, há que se proceder à redução das multas qualificadas 150% para 100%, com suporte no artigo 106, II, “c”, do CTN (retroatividade benigna aplicável à sanção tributária Fl. 3300DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 19 posterior e menos severa), tendo em vista nova redação dada pelo artigo 8º da Lei nº 14.689, de 2023, ao artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Diante disso, de ofício, decreto a redução da multa qualificada de 150% para 100% devido ao artigo 8º da Lei nº 14.689, de 2023. VI - Responsabilidade solidária – art. 135 do CTN Conheço os recursos dos responsáveis solidários. Afasto, em primeiro lugar, a arguição de nulidade do acórdão recorrido. O contribuinte alega que a decisão seria nula, pois manteve a responsabilidade de ambos os solidários com base em um dispositivo diverso do adotado pela Fiscalização no lançamento. Entendo que a matéria seja meritória e a analisarei a seguir. Como visto, no presente caso, houve a imposição de responsabilidade solidária aos Srs. Fernando Policarpo de Oliveira e Nelson Policarpo de Oliveira, em função do disposto no art. 135 do Código Tributário Nacional (CTN): Fl. 3301DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 20 Entendo, porém, que a responsabilidade de ambos deve ser afastada, pelo que acato as razões recursais, discordando aqui da DRJ acerca disso. Inclusive, a DRJ acabou mantendo a responsabilidade, mas o fez incorretamente e às custas de uma interpretação equivocada, já que o art. 124 do CTN não foi a base jurídica para motivar a responsabilidade no auto de infração. Isso porque, lendo o TVF, verifico que na verdade não é possível identificar nenhuma conduta individualizada dos supostos solidários em relação às infrações tributárias questionadas. Falta, de fato e como alegado pelos responsáveis no recurso, uma motivação específica que poderia configurar conduta dolosa ou excesso de poderes. Veja-se: Fl. 3302DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 21 O próprio Relatório Fiscal, nessa descrição, ressalta ações da empresa relacionadas com a omissão, mas não há nenhuma linha sequer descrevendo qual teria sido a conduta das pessoas físicas com o intuito doloso, ou fraudulento, simulação, excesso de poderes no sentido de ocultar receitas. Na minha visão, nem as descrições que constaram do auto de infração e nem mesmo o que foi consignado no Relatório Fiscal mostram qualquer relação direta e específica dos solidários com os fatos geradores e a imposição tributária ora em discussão. Assim, fica atraída a jurisprudência que repele a solidariedade nessas situações: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN. PODERES DE GESTÃO/ADMINISTRAÇÃO. I - O art. 135 do CTN, ao dispor no caput, sobre os atos praticados, diz respeito aos atos de gestão para o adequado funcionamento da sociedade, exercidos por aquele que tem poderes de administração sobre a pessoa jurídica. A plena subsunção à norma que trata da sujeição passiva indireta demanda constatar se as obrigações tributárias, cujo surgimento ensejaram o lançamento de ofício e originaram o crédito tributário, foram resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Fala-se em conduta, acepção objetiva (de fazer), não basta apenas o atendimento de ordem subjetiva (quem ocupa o cargo). Ou seja, não recai sobre todos aqueles que ocupam os cargos de diretores, gerentes ou representantes de pessoa jurídica de direito Fl. 3303DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 22 privado, mas apenas sobre aqueles que incorreram em atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. II - O fundamento da responsabilização tributária do art. 135 do CTN repousa sobre quem pratica atos de gerência, podendo o sujeito passivo indireto ser tanto de um “sócio-gerente”, quanto um diretor contratado, ou ainda uma pessoa que não ocupa formalmente os cargos de diretores, gerentes ou representantes de pessoa jurídica de direito privado, mas que seja o sócio de fato da empresa. Não basta a pessoa integrar o quadro societário, deve restar demonstrado que possui poderes de gestão, seja mediante atos de constituição da sociedade empresária (contratos sociais, estatutos, por exemplo), ou, quando se tratar de sócio de fato, em provas demonstrando a efetiva atuação em nome da empresa. III - A caracterização de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos demandam a demonstração de ilícito específico, que evidencie a ocorrência de uma construção artificial para se amoldar a uma hipótese de incidência tributária. Provado que os diretores da pessoa jurídica praticaram atos de gestão amparados no que lhes conferia o contrato da sociedade para criação de despesas fictícias mediante constituição de sociedade inexistente de fato para prestação de serviços, deve ser restabelecida a responsabilidade tributária que lhes foi imputada.” (Acórdão nº 9101-006.640 – CSRF / 1ª Turma, Sessão de 11 de julho de 2023, Rel. Livia De Carli Germano) “Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Período de apuração: 01/01/2016 a 31/12/2016 TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SÓCIO- ADMINISTRADOR. ARTIGO 135, INCISO III, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL - CTN. AUSÊNCIA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DA CONDUTA. AFASTAMENTO DA IMPUTAÇÃO. A imputação da responsabilidade solidária ao sócio administrador, com fulcro no artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional - CTN, exige a demonstração, além da sua condição de administrador, de conduta individualizada que tenha relação direta e específica com os fatos geradores em relação aos quais se apura o crédito tributário cuja responsabilidade solidária se imputa. Ausente esta demonstração, afasta-se a imputação de responsabilidade solidária.” (ACÓRDÃO 3301-014.291 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA, SESSÃO DE 26 de novembro de 2024) “SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. ART. 135, III, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE VIOLAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTO. INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONDUTAS. Fl. 3304DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 23 Deve ser afastada a solidariedade dos sócios e administradores, quando inexistente comprovação de violação de lei, contrato social ou estatutos, e quando inexistente a individualização das condutas em relação a determinados lançamentos.” (Acórdão nº 9202-010.678 – CSRF / 2ª Turma, Sessão de 26 de abril de 2023) Discordando nesse ponto da decisão da DRJ pelos fundamentos acima, oriento meu voto no sentido de afastar a atribuição de todas as responsabilidades solidárias neste caso. a) Autos de Infração de CSLL, PIS, COFINS – reflexos e decorrentes Como regra, o decidido para o lançamento de IRPJ estende-se aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento, salvo quando houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. Desse modo, a decisão relativa ao auto de infração do IRPJ deve ser igualmente aplicada no julgamento dos autos de infração reflexos, uma vez que os lançamentos estão apoiados nos mesmos elementos de convicção, sendo clara a relação de causa-efeito entre eles. Ressalvo, ainda, o julgador não é obrigado a discorrer sobre todos os argumentos levantados pelas partes, mas sim decidir a contento, nos limites da lide que lhe foi proposta, fundamentando o seu entendimento de acordo com o seu livre convencimento, baseado na legislação que entender aplicável ao caso concreto. Aliás essa é a posição predominante no STJ: “O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC/2015, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada.” (STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315-DF, Rel. Min. Diva Malerbi, julgado em 8/6/2016). É como voto. Conclusão Fl. 3305DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 24 Considerando o exposto, voto no sentido de conhecer os Recursos Voluntários e dar-lhes provimento para acatar o argumento quanto à nulidade dos lançamentos. Assinado Digitalmente Andressa Paula Senna Lísias VOTO VENCEDOR Conselheiro Fernando Augusto Carvalho de Souza, redator designado Apesar do sempre bem fundamentado voto da I. Relatora, nas discussões no decorrer do julgamento, decidiu o colegiado, por voto de qualidade, afastar a arguição de nulidade do auto de infração por vício na intimação do lançamento e, também por voto de qualidade, negar provimento aos recursos de Fernando Policarpo de Oliveira e Nelson Policarpo de Oliveira, apontados como responsáveis solidários nos termos do art. 135 do CTN. Por maioria de votos, negar provimento à arguição de nulidade do auto de infração por erro na sujeição passiva, ao manter a qualificação da multa de ofício e à arguição de decadência. Preliminar de Nulidade da Ciência do Auto de Infração A Recorrente alega em seu Recurso Voluntário vício no procedimento de ciência do auto de infração em afronta à Lei 9.430/96 e ao art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, isso porque, no seu entendimento, a ciência foi procedida pela Autoridade Fiscal de forma pessoal através de um engenheiro, funcionário da empresa, que não é preposto e não tem poderes de gerência e que apenas estava presente em um prédio comercial construído pela SCP NP8, uma das inúmeras sociedade SCPs da qual a Recorrente é sócia ostensiva. A DRJ descreve toda dinâmica do procedimento adotado pela Autoridade Fiscal e os argumentos de defesa, considerando a ciência válida Na decisão, a autoridade julgadora descreve ações empreendidas pela Recorrente, consideradas “artimanhas” que visavam evitar a ciência pessoal ou postal da ciência do auto de infração, em função da proximidade do fim prazo decadencial. Dentre as ações constam a concessão de férias coletivas aos funcionários, o fechamento total da sede da empresa (cadeado no portão), encaminhamento ao Fl. 3306DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 25 condomínio empresarial onde fica a sede administrativa um comunicado com ameaça de responsabilização por perdas e danos caso houvesse o recebimento de qualquer documento. Para a DRJ, a Autoridade fiscal não teve alternativa a não ser comparecer em um local diverso do domicílio fiscal eleito pela Recorrente, mas onde exerce parte de suas atividades econômicas para proceder a ciência do auto de infração através de ciência pessoal através de um dos funcionários graduados da empresa, que foi instruído no momento da abordagem a não assinar o documento, sendo necessária a lavratura de Termo de Constatação de Recusa. Dessa forma, a ciência foi considerada válida pela DRJ com base na parte final do inciso I do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972. Além disso, a autoridade julgadora reforça sua decisão pela validade da ciência pelo fato de a Recorrente ter apresentado sua defesa administrativa respeitando os 30 dias após a ciência pessoal ocorrida em 21/12/2017, se mantivesse coerência nos seus argumentos de que a ciência teria ocorrido apenas em janeiro, teria apresentado sua defesa em fevereiro, fato que não ocorreu. No Recurso Voluntário a Recorrente faz questionamentos pontuais ao Acordão recorrido, contudo a base da defesa são os mesmos argumentos já apresentados em sede de impugnação: local inadequado, pessoa sem poderes, dever de intimação por edital, prejuízo ao contraditório, e violação da Lei n° 9.784/99. A Relatora acolheu a arguição de nulidade entendendo que a ciência não poderia ter ocorrido fora do domicílio fiscal da Recorrente, em um local de obra, através de um engenheiro gerente de obra a receber o auto de infração. Aduz que sendo frustrados os métodos de intimação para ciência do auto de infração, caracterizando-os como improfícuos, deveria a fiscalização procedido a publicação de um edital nos termos do § 1º do supracitado art. 23 do Decreto 70.235/72: Art. 23. Far-se-á a intimação: (...) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado Contudo, o colegiado por voto de qualidade, entendeu que a ciência pessoal não foi improfícua, de modo que não seria necessária a publicação do edital. Como descrito, as formas de ciência não concorrem em grau de preferência, sendo a opção da autoridade fiscal pela ciência pessoal, contudo ao chegar no domicílio fiscal da Recorrente, deparou-se com as portas fechadas. Fl. 3307DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 26 Aplicando o Código de Processo Civil de forma subsidiária, a autoridade fiscal buscou outro local onde a empresa exerce suas atividades econômicas de modo a proceder a ciência. Para os membros da turma, a intimação feita em local de atividade efetiva da empresa, ainda que não corresponda ao domicílio tributário, atinge a finalidade legal do ato, sobretudo quando há recusa expressa do sujeito passivo em receber a notificação no endereço principal. Importante ressaltar que existe diferença na circunstância de não se encontrar o endereço, de a contribuinte ter mudado de domicílio com a devida informação ao fisco ou de ter o fisco feito o endereçamento errado. Essas são situações que não podem ser imputados ao sujeito passivo como responsabilidade sua, porém o fechamento das portas foi um ato unilateral de responsabilidade da contribuinte. Da mesma forma que a RECUSA em receber o documento foi um ato unilateral impetrado por funcionário a mando da Recorrente. Dessa forma, diferente do entendimento da Relatora que considerou a ciência pessoal improfícua, os demais integrantes do colegiado consideram válida e diante da RECUSA, a aplicação da parte final do inciso I do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, mostrou-se acertada e dentro da legalidade. Art. 23. Far-se-á a intimação: I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Griffou-se) Quanto as demais argumentos da Recorrente em relação à violações da Lei n° 9.784/99, andou bem a DRJ no trecho abaixo, o qual adoto como minhas: 37. Por fim, no que se refere à alegação de violação do disposto no art. 26, §3º, da Lei nº 9.784, de 199, e no art. 248 do CPC, é devido esclarecer que tais normas se aplicam no processo administrativo tributário apenas quando a norma regente deste (Decreto nº 70.235, de 1972) não dispuser sobre determinada matéria, ou seja, tiver alguma lacuna, o que não é o caso. Diante do exposto, voto por rejeitar a arguição de nulidade referente a ciência do Auto de Infração. Preliminar de Nulidade por erro na sujeição passiva Fl. 3308DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 27 O procedimento fiscal sob julgamento ocorreu sobre a SOTER SOCIEDADE TÉCNICA DE ENGENHARIA S/A (SOTER) e suas SCPs (25 em 2012 e 29 em 2013), sendo que, por organização administrativa, a Fazenda decidiu instruir, em processos administrativos distintos, os fatos apurados em cada SCP, conforme quadro aposto no TVF: O presente processo teve por objeto o Edifício INGÁ OFFICE, construído pela SCP NP8. A decisão de formalização dos processos sobre a SOTER ocorreu em virtude da equiparação à pessoa jurídica que a legislação tributária conferiu às SCP's, descritas nos itens 11 à 16 do TVF: 11. No que se refere às SCP's, é cediço, no âmbito civil, que estas sociedades são associações de dois ou mais participantes (empresários ou não, pessoas físicas ou jurídicas) por relação contratual em sociedade regular de tipo sui generis (sem personalidade jurídica) para explorar atividades econômicas. Neste tipo de sociedade, o sócio ostensivo é quem se apresenta à frente do negócio, atua em seu próprio nome e sob sua inteira responsabilidade, pratica as operações que constituem o objeto da SCP, obriga-se perante terceiros e responde ilimitadamente pela gestão. O sócio oculto participa dos resultados (ganhos e perdas) do negócio e tem responsabilidade limitada ao sócio ostensivo, nos termos do contrato firmado entre si. 12. No âmbito tributário, até 31 de dezembro de 1986, em conformidade com o Parecer Normativo CST n. 345/1971, competia ao sócio ostensivo contabilizar as operações relativas ao empreendimento comum na SCP, em lançamentos destacados dos de sua atividade normal, bem como realizar a divisão do resultado entre os sócios. Cada sócio, inclusive o ostensivo, estava obrigado a reconhecer a parcela do lucro líquido na SCP que lhe competia como receita operacional e tributá-la em sua declaração de rendimentos. Os resultados da SCP, dessa forma, eram tributados nas declarações de imposto de renda dos sócios da SCP, respeitado o quinhão de cada um. Fl. 3309DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 28 13. A partir de 1º de janeiro de 1987, o regime de tributação da SCP foi alterado, uma vez que esta passou a ser equiparada, para fins tributários, à pessoa jurídica, com fulcro nas disposições constantes do art. 7º do Decreto-lei n. 2.303, de 21 de novembro de 1986, fazendo com que os resultados da SCP deixassem de ser tributados separadamente, nas declarações de imposto de renda dos respectivos sócios, e passassem a ser onerados respectivamente, como uma unidade econômica autônoma, realizando fatos, como a distribuição de lucros, comuns aos outros tipos de sociedade. 14. Decorrente desta equiparação, a escrituração pode ser feita tanto em livros contábeis próprios quanto nos do sócio ostensivo, neste caso, desde que de forma destacada, sobretudo quanto à apuração dos resultados e do lucro real. Essas são, em resumo, as disposições contidas nos seguintes artigos do RIR/99: “Sociedade em Conta de Participação Art. 148. As sociedades em conta de participação são equiparadas às pessoas jurídicas (Decreto-Lei nº 2.303, de 21 de novembro de 1986, art. 7º, e DecretoLei nº 2.308, de 19 de dezembro de 1986, art. 3º). Art. 149. Na apuração dos resultados dessas sociedades, assim como na tributação dos lucros apurados e dos distribuídos, serão observadas as normas aplicáveis às pessoas jurídicas em geral e o disposto no art. 254, II (Decreto-Lei nº 2.303, de 1986, art. 7º, parágrafo único). ......................................................................................................................... .......... Art. 254. A escrituração das operações de sociedade em conta de participação poderá, à opção do sócio ostensivo, ser efetuada nos livros deste ou em livros próprios, observando-se o seguinte: I - quando forem utilizados os livros do sócio ostensivo, os registros contábeis deverão ser feitos de forma a evidenciar os lançamentos referentes à sociedade em conta de participação; II - os resultados e o lucro real correspondentes à sociedade em conta de participação deverão ser apurados e demonstrados destacadamente dos resultados e do lucro real do sócio ostensivo, ainda que a escrituração seja feita nos mesmos livros; Fl. 3310DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 29 III - nos documentos relacionados com a atividade da sociedade em conta de participação, o sócio ostensivo deverá fazer constar indicação de modo a permitir identificar sua vinculação com a referida sociedade.” 15. Quanto à forma de apuração do lucro, as SCP’s podem optar pelo lucro presumido, independentemente do regime adotado pelo sócio ostensivo. Os recolhimentos deverão ser efetuados em nome do sócio ostensivo, mediante DARF específico. 16. Convém observar que a empresa adotou um procedimento de misturar nas mesmas contas bancárias os valores de todas as SCP’s (repita-se 25 em 2012 e 29 em 2013) com os seus recursos que eram estranhos às atividades das SCP’s. Dessa forma, quando se observa qualquer extrato bancário deve-se tomar muito cuidado para se ter certeza de quem é aquela movimentação dentre as 26 ou 30 possibilidades (25 SCP’s mais a própria SOTER em 2012 e 29 SCP’s mais a própria SOTER em 2013). A Recorrente alega em sua defesa preliminar de erro na identificação do sujeito passivo, pois no seu entendimento, o auto de infração foi lavrado sobre a SOTER, mas as obrigações tributárias eram de uma Sociedade de Cota de Participação chamada NP8 (SCP NP8), em flagrante afronta ao art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto n° 70.235/72. Aduz que a lei tributária define as SCPs como contribuintes dos tributos federais e que não deveria haver confusão com o sócio ostensivo nos lançamentos das obrigações tributárias e que a responsabilização do sócio ostensivo jamais deveria afastar a constituição do crédito tributário no respectivo efetivo contribuinte, a SCP. A DRJ manteve a autuação citando os arts. 991 a 996 do Código Civil, Lei nº 10.406, de 2002 e o tratamento tributário aplicável às SCPs descritas na IN RFB n° 1.700/2017, no seu art. 6°: Art. 6º As sociedades em conta de participação (SCP) são equiparadas às pessoas jurídicas. § 1º Na apuração dos resultados da SCP e na tributação dos lucros apurados e dos distribuídos serão observadas as normas aplicáveis às pessoas jurídicas em geral. § 2º Compete ao sócio ostensivo a responsabilidade pela apuração dos resultados da SCP e pelo recolhimento do IRPJ e da CSLL devidos. (Griffou-se) Conclui que as SCPs não possuem personalidade jurídica e com uma determinação expressa na legislação tributária de que a responsabilidade pela apuração desses resultados e pelo recolhimento do tributo é do sócio ostensivo, de modo que o sujeito passivo da obrigação principal é o sócio ostensivo. Fl. 3311DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 30 Nenhum reparo a decisão de primeira instância. A descrição do histórico legislativo descrito no TVF referente à equiparação à pessoa jurídica de SCPs foi importante para descaracterização da nulidade arguida. Uma SCP é formada quando duas ou mais pessoas identificam propósitos e identidades comuns, sendo uma delas qualificada como SÓCIO OSTENSIVO, responsável por praticar todos os atos concernentes ao propósito pelo qual foi instituída a sociedade, e a outra o SÓCIO OCULTO, que tem a obrigação de realizar os investimentos necessários para que se torne executável os propósitos de sua criação. Importante contribuição para o tema apresentado no Acordão n° 1202.001- 311 com citação do ilustre jurista Fábio Ulhoa Coelho: Antes de adentrar no caso concreto, cumpre esclarecer que a SCP é uma sociedade na qual uma ou mais pessoas fornecem recursos a um empreendedor, que os empregará em determinados negócios, com o objetivo de, ao final do prazo estipulado ou ao término do empreendimento, repartir os resultados auferidos (SPINELLI, Luis F.; SCALZILLI, João P.; TELLECHEA, Rodrigo. Sociedade em Conta de Participação. 2ª ed. São Paulo: Grupo Almedina, 2023, p. 34). Assim, as obrigações perante terceiros não são de responsabilidade da SCP, mas do sócio ostensivo (art. 991, parágrafo único). Por se tratar de sociedade não personificada, Para viabilizar o desenvolvimento da atividade, as partes ajustam entre si quais serão as contribuições de cada sócio e a forma de distribuição dos resultados (SPINELLI, Luis F.; SCALZILLI, João P.; TELLECHEA, Rodrigo. Sociedade em Conta de Participação. 2ª ed. São Paulo: Grupo Almedina, 2023, p. 35). Nesse sentido, Fábio Ulhoa Coelho explica que: Quando duas ou mais pessoas se associam para um empreendimento comum, poderão fazê lo na forma de sociedade em conta de participação, ficando um ou mais sócios em posição ostensiva e outro ou outros em posição oculta (chamamse estes sócios participantes). (...)“Tais, de qualquer forma, são as peculiaridades deste tipo societário, que seria preferível entendê-lo, mais, como uma espécie de contrato de investimento, que o legislador resolveu denominar por “sociedade”, do que, propriamente, como uma espécie de sociedade comercial.” (COELHO, Fábio Ulhoa. Novo manual de direito comercial: direito de empresa. 30ª edição. São Paulo: RT, 2018, p. 173 e COELHO, Fábio Ulhoa. Manual de Direito Comercial. 20ª ed. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 282) Assim, pessoas interessadas em fazer parte do empreendimento destinam recursos para que as atividades sejam exercidas, buscando participar de Fl. 3312DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 31 seus resultados econômicos, por meio de SCP. A sociedade empresária que tem condições de participar do projeto será a sócia ostensiva, executando os serviços ou a obra e aparecendo perante o mercado e os potenciais contratantes, enquanto os demais, sócios ocultos, aportarão os recursos e, na qualidade de sócios participantes, terão direito à participação proporcional nos lucros advindos. As sociedades em conta de participação por sua natureza de investimento têm tempo determinado para a sua existência, sendo certo que as especialidades dos sócios ostensivo e oculto são claramente distinguíveis. A constituição de SCPs dispensa formalidades, podendo ser comprovada por quaisquer meios de direito, de modo que o seu contrato social só produz efeitos entre os sócios, o sócio ostensivo é o elo de ligação e quaisquer demandas de terceiros sobre a SCP são de sua responsabilidade. Dessa forma, perante o Fisco Federal, embora não sejam consideradas entidades jurídicas, para fins tributários, as SCPs são equiparadas às pessoas jurídicas, contudo não tem o reconhecimento de entidade jurídica isolada, sendo considerada, para todos os fins como sujeito passivo da obrigação tributária principal e acessória o sócio ostensivo desta. Diante do exposto, voto por rejeitar arguição de nulidade referente a erro na identificação de sujeição passiva. Decadência parcial do crédito tributário A fiscalização procedeu a aplicação da regra de contagem de prazo decadência prevista no inciso I, do art. 173 do CTN, tendo em vista a comprovação de dolo na omissão de valores recebidos à título de taxa de decoração: 8 - Do Prazo Para Constituição do Crédito Tributário 83. Conforme já informado anteriormente, a SCP reconhecia suas receitas pelo regime de caixa, ou seja, a medida que efetivamente recebia os valores. 84. Neste diapasão, como restou comprovado o dolo da autuada em omitir os valores recebidos a título de taxa de decoração recebida nas entregas das chaves, verifica-se que a regra contida no artigo 150, § 4º, do CTN não se aplica ao caso. (...) 85. Da leitura do dispositivo, resta claro que o dolo em não oferecer à tributação os valores recebidos a título de taxa de decoração, tornam a referida regra do artigo 150 § 4º, do CTN inaplicável, restando, então, a Fl. 3313DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 32 aplicação da regra contida no artigo 173, inciso I que neste caso desloca o prazo final para o lançamento para 31/12/2017. A Recorrente pugna pela aplicação do art. 150, §4º, do CTN, em relação a contagem do prazo decadencial, tendo em vista que os tributos objetos dos autos estão sujeitos ao lançamento por homologação e dessa forma estariam extintos os créditos tributários relativos ao ano de 2012, não devendo ser afastada a regra para aplicação do art. 173, I, do CTN, pela ausência de comprovação pela fiscalização da ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A DRJ manteve a autuação com base no Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008 que determina que nos casos em que há pagamento do tributo, independentemente do montante recolhido, aplica-se o disposto no art. 150, § 4º, do CTN para fins de contagem do prazo decadencial. Não havendo o pagamento, deve ser aplicado o art. 173, I do CTN. A autoridade julgadora assim descreve os fatos no caso concreto: 40. Feitas as considerações acima, passa-se à análise da alegação de decadência no caso concreto. 41. Conforme cópias dos Darfs juntadas pela autoridade fiscal às fls. 265 a 285, o contribuinte efetuou recolhimentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins em todos os períodos de apuração dos anos-calendário 2012 e 2013, ainda que em montantes inferiores aos devidos. 42. Em razão disso, a princípio, dever-se-ia considerar atendida a condição para a aplicação da regra geral disposta no art. 150, §4º do CTN para fins de contagem do prazo decadencial relativamente aos fatos geradores acima referidos, o que ensejaria considerar: 42.1. Decaídos: 42.1.1. Para a Cofins e o PIS - os fatos geradores ocorridos até novembro de 2012 (inclusive); 42.1.2. Para o IRPJ e a CSLL - os fatos geradores ocorridos até o 3º trimestre de 2012 (inclusive); 42.2. Não decaídos: 42.2.1. Para a Cofins e o PIS - os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2012 (inclusive), vez que os termos finais de contagem do prazo decadencial ocorreriam a partir de 31/12/2017, sendo que os lançamentos foram cientificados em 21/12/2017; 42.1.2. Para o IRPJ e a CSLL - os fatos geradores ocorridos a partir do 4º trimestre de 2012 (inclusive), vez que os termos finais de contagem do prazo decadencial ocorreriam a partir de 31/12/2017, sendo que os lançamentos foram cientificados em 21/12/2017. Fl. 3314DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 33 43. Todavia, cabe considerar que houve imputação de prática dolosa por parte do contribuinte, mantida por este julgador consoante será visto mais adiante, o que determina a aplicação da regra de contagem do prazo decadencial estabelecida no art. 173, I, do CTN. 44. Portanto: 44.1. Em relação aos lançamentos de PIS e de Cofins, para os fatos geradores ocorridos até novembro de 2012 (inclusive), como o lançamento correspondente poderia ter sido realizado ainda em 2012, o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte, qual seja, 01/01/2013, e o termo final foi em 31/12/2017. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2012, o termo inicial foi em 01/01/2014, e o termo final em 31/12/2018. Como a ciência dos lançamentos para o contribuinte ocorreu em 21/12/2017, não há que se falar em decadência; 44.2. Quanto aos lançamentos de IRPJ e CSLL, para os fatos geradores ocorridos até o 3º trimestre de 2012 (inclusive), como o lançamento correspondente poderia ter sido realizado ainda em 2012, o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte, qual seja, 01/01/2013, e o termo final foi 31/12/2017. Para os fatos geradores ocorridos no 4º trimestre de 2012 em diante, o termo inicial foi 01/01/2014, e o termo final foi em 31/12/2018. Como a ciência ao contribuinte dos lançamentos ocorreu em 21/12/2017, não há que se falar em decadência. Em seu recurso voluntário, a Recorrente inclui em sua irresignação, fatos geradores do ano de 2013, que não havia sido incluídos na impugnação. 89. De início, porque, independente da regra aplicável (se aquela prevista no art. 150, § 4º, ou a do art. 173, I, ambos do CTN), os autos de infração relativos ao ano de 2012, e agora também em relação ao ano de 2013, encontram-se decaídos, não tendo o contribuinte sido notificado a tempo de impedir que se consumasse a decadência. (Griffou-se) Observa-se nos trechos acima transcritos, que a DRJ se debruçou sobre os fatos de 2013, de modo que considero que não houve a preclusão a inclusão, em sede recursal, de fatos relativos ao ano de 2013. A Relatora anui com os argumentos da Recorrente fundamentando sua decisão em jurisprudência do STJ (Tema Repetitivo 163), tendo em vista o pagamento antecipado do tributo (ainda que parcialmente) e a ausência de dolo, fraude ou simulação, ao passo que, ausente uma dessas duas condições, o prazo decadencial será contado conforme prevê o artigo 173, I, do CTN. Fl. 3315DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 34 Pois bem, A alegação de decadência em relação aos fatos geradores de 2013 é absolutamente improcedente. Tendo a ciência do lançamento ocorrido em 21/12/2017, e para os fatos geradores relativos aos lançamentos próximos à decadência (ex: dezembro de 2013 para PIS e COFINS e 3º trimestre de 2013 de IRPJ e CSLL), os prazos finais seriam 31/12/2019 e 31/12/2018 respectivamente. Logo, não houve decadência em relação ao ano de 2013. Em relação ao ano de 2012, a autoridade fiscal aplicou a regra geral de decadência prevista no inciso I, do art. 173 do CTN, tendo em vista a comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que remete a exceção prevista no § 4º do art. 150 do mesmo CTN: Art. 150. (...)§ 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (Griffou-se) (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; A regra geral prevista no artigo 173 prevê que a decadência do direito de lançar se dará em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, diferente do previsto no §4º do art. 150, em que a decadência é contada da data do fato gerador. Dessa forma a autoridade fiscal deve considerar que a homologação tácita ocorre por decurso do prazo de cinco anos contados da data do fato gerador desde que sejam 02 (duas) condições: que tenha havido pagamento ao menos parcial do tributo devido, e que não seja comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação No presente caso, a ciência do lançamento ocorreu em 21/12/2017, assim, se fosse possível aplicar a regra do §4º do artigo 150, todo o crédito tributário cujo fato gerador tivesse ocorrido até 20/12/2012 teria sido fulminado em virtude da decadência, ou seja, praticamente todo ano de 2012, como pugna a Recorrente. Ocorre que, da mesma forma que no julgamento de primeira instância, as imputações das práticas dolosas foram mantidas por este colegiado, de modo que a segunda Fl. 3316DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 35 condição fica comprovada, remetendo a aplicação da regra de contagem do prazo decadencial estabelecida no art. 173, I, do CTN. Esse assunto encontra-se sumulado: Súmula CARF nº 72 Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. Dessa forma, rejeitada a preliminar de decadência arguida pela Recorrente. Qualificação da multa de ofício A relatora manteve a autuação em relação ao mérito, nos termos do voto da DRJ, ratificada por esta TO, restando vencida em relação à qualificação da multa de ofício. Entendeu a relatora que a qualificação da multa ocorreu em função da omissão de receitas e não de um ato ilícito praticado pelo sujeito passivo, com isso, invocou a Sumula CARF n° 25, que prevê a nos casos de omissão de receitas, a multa de ofício deve ser aplicada no percentual de 75%, não havendo suporte na acusação para a aplicação da multa em sua modalidade qualificada. A Turma, em sua maioria, entendeu de forma diferente, que sim, estarem presentes situações que demandam a aplicação da multa de ofício qualificada, pois mais que evidenciado a conduta dolosa da Recorrente. Os atos descritos no TVF não deixam margem de dúvidas que a Recorrente efetivamente omitiu de forma dolosa parte dos valores recebidos dos seus clientes relativamente às taxas de decoração, sendo que tais valores só foram identificados após confronto entre a contabilidade e os extratos bancários, chegando a cifra de R$ 3 milhões de reais com destino ignorado, conforme trecho abaixo do TVF: 79. Neste contexto, a empresa deliberadamente praticou diversos atos na sua contabilidade de forma que os valores cobrados dos seus clientes a título de “rateio de despesas condominiais” não fossem detectados no confronto entre contabilidade e extratos bancários e, além disso, essa prática possibilitou que mais de R$ 3 milhões pudessem ter destino ignorado, uma vez que os cheques recebidos pelas taxas de decoração foram utilizados para justificar valores oferecidos à tributação, porém que nunca ingressaram nas contas bancárias da empresa como tenta apontar as contabilidades da SOTER e das suas SCP’s. (Griffou-se) Em relação ao entendimento da Relatora, a DRJ foi cirúrgica em apontar que a omissão da taxa de decoração não era uma simples divergência de interpretação da lei. Fl. 3317DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 36 A contabilização de receitas advindas de pagamentos efetuados por clientes pelos gastos com decoração como despesas com natureza de reembolso e não como receita em contas de resultado da SCP, demonstra o total conhecimento da irregularidade da não tributação das taxas recebidas. Essa situação é agravada pelo fato de que a opção pela tributação pelo lucro presumido haveria a “diluição” dos valores perante os altos valores que transitaram nas contas bancárias da Recorrente. A Autoridade Fiscal foi precisa em descrever um dos artifícios contábeis utilizados pela Recorrente para ocultar os valores, valendo-se de transferências de caixa para banco na contabilidade da sócia ostensiva, ou seja, os depósitos cuja identificação foi solicitada via termo de intimação pela fiscalização tiveram esclarecimentos como origem na conta caixa da própria Recorrente. Através desse procedimento, a Recorrente poderia ocultar pelo menos dois fatos: 1) omissão dos valores recebidos pelas suas SCP’s das taxas de decoração e, 2) permitir que valores saíssem do Caixa e fossem entregues a beneficiários não identificados. Além disso, foi identificado pela fiscalização que a Recorrente não ofereceu a tributação valores recebidos em espécie de clientes pelo pagamento de taxas de decoração. Importante nesse ponto transcrever trecho do TVF onde consta da descrição do modus operandi da Recorrente: 57. Em resumo, a fiscalização detectou o seguinte modus operandi: a. era praxe na empresa juntar cheques recebidos de taxas de decoração e outras omissões para depositar posteriormente em uma de suas contas bancárias. Detalhe: mesmo dois cheques entregues pelo mesmo cliente no mesmo dia, sendo um para pagamento de parcela do imóvel e o outro para pagamento de taxa de decoração, percebemos que o primeiro cheque era depositado imediatamente enquanto o segundo muitos dias depois. Que fique claro: as receitas relativas a esses cheques de que tratamos nesse ponto não foram oferecidas à tributação, foram omitidas, sonegadas. Depositar esses cheques posteriormente e em conjunto dificultaria a identificação da origem da omissão, pois os valores individuais depositados ficam escondidos e se afastam da data da entrega dos cheques, dificultando a identificação do pagador. Ou seja, não é apenas a sonegação. Há um esforço para ocultação do fruto dessa sonegação. Além disso, facilita a entrada desses valores em sua conta e em sua contabilidade com outra “cara”, com lançamentos contábeis e justificativas com a aparência de realidade. Apenas aparência. Fl. 3318DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 37 b. Ao mesmo tempo a empresa tinha recebimentos de clientes que efetuaram pagamentos em espécie (ou nem fizeram pagamentos, como em alguns casos que constatamos em diligência). Estas receitas seriam oferecidas à tributação pelas SCPs ou pela SOTER, porém era interesse da empresa dar outra destinação (não declarada) a essa moeda corrente. Destaque-se que não se trata de omissão dessas receitas. c. À medida em que precisava oferecer à tributação esses recebimentos de clientes, a fiscalizada fazia depósitos daqueles outros cheques (frutos de omissão) e contabilizava essas receitas nas SCPs com contrapartida a débito na conta BANCOS. Ou seja, simulava que os clientes haviam feito pagamentos em cheques, ora depositados. Quando coincidia os valores dos cheques em mãos a serem depositados com os valores que a empresa queria oferecer à tributação, era ótimo para a fiscalizada, pois a justificativa ficava bem mais realista, não chamava atenção. No entanto, na maioria das vezes havia diferença e, então, a empresa lançava mão de outros artifícios e fazia lançamentos contábeis (e até bancários) extras. Quando o depósito de cheques era superior ao montante de recebimentos oferecidos à tributação, a SOTER escriturava essa diferença como transferência de valores do Caixa para Bancos (débito em conta BANCOS e crédito em conta CAIXA). Quando o depósito de cheques era inferior ao montante de recebimentos oferecidos à tributação, a SOTER realizava um depósito em dinheiro para completar o valor e não levantar suspeitas. Fl. 3319DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 38 d. No entanto, além de camuflar os recursos das taxas de decoração sonegados, esse esquema possibilitou que os valores em espécie pagos pelos clientes simplesmente “sumissem”, entrando e saindo do Caixa das SCP’s sem qualquer registro na contabilidade O recurso voluntário não apresenta argumentos com relevância necessária ou provas que pudessem descaracterizar a correta qualificação da multa de ofício, ressaltando que a alongo do procedimento fiscal a Recorrente foi instada a identificar e informar a correta contabilização dos valores recebidos, limitando-se, conforme descrição da Autoridade Fiscal, a Fl. 3320DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 39 alegar a “a inexistência de controles internos acerca do recebimento desses valores, informando tão somente a data da entrega das chaves” A DRJ manteve a qualificação, detalhando de forma precisa atos praticados pela Recorrente que justificariam a manutenção da multa aplicada: Veja trecho do correto voto da decisão recorrida: 122. Não bastasse a escrituração na forma como feita demonstrar claramente que o contribuinte tinha plena ciência de que as taxas de decoração não se enquadravam como reembolso de despesa de responsabilidade de terceiros, cabe destacar que durante o procedimento fiscal o próprio contribuinte se contradisse nas planilhas apresentadas em resposta ao TI nº 34, ao admitir que não ofereceu à tributação valores depositados nas contas bancárias, que se referiam a taxas de decoração (de outras SCPs), solicitando o lançamento dos respectivos tributos. Ora, se a taxa de decoração tinha natureza de reembolso, conforme alegado, por que solicitar a tributação? 123. Resta claro, pois, que a qualificação da multa não decorreu de simples apuração de omissão de receitas, mas da prática dolosa do contribuinte de tentar impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fiscal da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, bem assim de modificar suas características essenciais, visando ao fim o não pagamento do tributo ou sua redução indevida. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a multa de ofício qualificada, contudo, há de se levar em conta, entretanto, que houve alteração legislativa em relação à qualificação da multa, nos termos do art. 8° da Lei 14.689/23, cujo texto se transcreve abaixo: Art. 8º O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 44. ................................................................................. ......................................................................................................... § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será majorado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, e passará a ser de: ......................................................................................................... VI – 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício Fl. 3321DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 40 Com base neste dispositivo, bem como no art. 106, II, “c”, do CTN, tem-se a aplicação da retroatividade benigna, de modo que o valor da multa qualificada mantida passa a ser de 100% (cem por cento). Responsabilidade Solidária Em outro aspecto do voto vencido, o Relator original manifestou-se pelo afastamento da responsabilidade solidária atribuída aos sócios/administradores Fernando Policarpo de Oliveira e Nelson Policarpo de Oliveira, capitulada no art. 135 do CTN, entretanto, a maioria da Turma tem uma postura diferente. A Relatora, acatando as razões recursais, afastou a responsabilização de ambos os sócios tendo em vista que não foi possível identificar nenhuma conduta individualizada dos supostos solidários em relação às infrações tributárias questionadas, faltando uma motivação específica que configuraria a conduta dolosa ou excesso de poder. Aduz que o TVF, no item específico em relação à solidarização de terceiros ressalta a omissão, sem descrever qual a conduta das pessoas físicas no intuito doloso e/ou fraudulento. Inicialmente, convém ressaltar que a imputação de responsabilidade solidária não se deu exclusivamente pelo item específico no TVF e sim por uma plêiade de provas e fatos, com a descrição ao longo de todo documento de ações empreendidas pela Recorrente através de seus sócios com intuito doloso de omitir da tributação valores recebidos a título de taxa de decoração. Se ainda existiam dúvidas sobre a participação dos Srs. Fernando Policarpo de Oliveira e Nelson Policarpo de Oliveira, a autoridade julgadora de primeira instância fulminou-as demonstrando as assinaturas de ambos em contratos de venda. Segue abaixo o item 136 do Acordão da DRJ que demonstra cabalmente a participação dos sócios: 136. Na espécie, restou comprovado que os diretores presidente e vicepresidente descumpriram leis comercial e societária ao terem aprovado, na condição de gestores, a realização de contratos de promessa de compra e venda com "alargamento" indevido da figura do reembolso (inclusive assinando alguns contratos como representante da empresa - vide exemplos abaixo), a não contabilizar os recebimentos a título de taxa de decoração, bem assim a serem efetuados registros contábeis fictícios, utilizando os cheques recebidos e depositados em contas bancárias para encobrir saída de numerário a beneficiários não identificados, visando, com tais medidas, impedir ou dificultar o conhecimento por parte da Receita Federal da ocorrência de fatos geradores de tributos, como também a correta valoração da obrigação tributária decorrente. Fl. 3322DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 41 Além disso, a DRJ sustenta sua decisão com base no Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009 que evidencia o entendimento da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) em relação ao art. 135 do CTN. Sobre esse ponto, já apresentei meu entendimento através do Acordão n° 1401.007-313 na sessão de 18 de novembro de 2024, a qual transcrevo abaixo, trecho relacionado a sujeição passiva solidária nos termos do art. 135: Nesse preambulo, valho-me de um trecho do voto do Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, redator designado para o voto vencedor do Acordão 1402-002.204, na sessão de 07 de junho de 2016: O termo responsabilidade, em sentido amplo, possui estreita ligação com o direito civil, em especial com o direito das obrigações. Karl Larenz aduz que a possibilidade de o devedor responder, em regra, com seu patrimônio perante o credor surgiu de longa evolução do direito de obrigações e do direito de execução. A obrigação, em sentido técnico, tem origem em uma relação jurídica entre duas ou mais partes, na qual o polo ativo (credor) passa a ter o direito de exigir do polo passivo (devedor) uma prestação, ou, de modo contrário, o devedor passa a ter obrigação de determinado comportamento ou conduta para com o credor. Fl. 3323DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 42 No bojo dessa relação jurídica obrigacional, tem-se como elemento necessário o denominado vínculo. Este pode se originar de inúmeras fontes e obriga o devedor a cumprir determinada prestação para com o credor. Subdivide-se em débito (prestação a ser cumprida conforme pactuado) e responsabilidade (o direito de o credor exigir o cumprimento da obrigação quando não satisfeita a prestação, podendo esta exigência incidir, inclusive, sobre os bens do devedor). Segundo Gonçalves A responsabilidade é, assim, a consequência jurídica patrimonial do descumprimento da relação obrigacional. Pode- se, pois, afirmar que a relação obrigacional tem por fim precípuo a prestação devida e, secundariamente, a sujeição do patrimônio do devedor que não a satisfaz. No âmbito da responsabilidade civil e tributária, a sujeição tem como limite o patrimônio do responsável, ainda que não seja este, necessariamente, o infrator da norma de conduta desrespeitada. Já o termo responsabilidade tributária, em sentido ainda amplo, é entendido como a sujeição do patrimônio de uma pessoa, física ou jurídica, ao cumprimento de obrigação tributária inadimplida por outrem. Assim, pode-se afirmar que “responsabilidade tributária” possui conceito próximo a “sujeição passiva tributária”, porém, ressaltese que há diferenças entre estes conceitos: enquanto a sujeição tributária nasce a partir da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, a responsabilidade exsurge somente se a pretensão tributária tornarse exigível, ou nas palavras de Luciano Amaro, “a presença do responsável como devedor na obrigação tributária traduz uma modificação subjetiva no polo passivo da obrigação, na posição que, naturalmente, seria ocupada pela figura do contribuinte”. É importante distinguir a responsabilidade tributária da responsabilidade civil. Esta advém da prática de ato ilícito lato sensu causador de dano a terceiro, sobrevindo a obrigação de indenizar, enquanto aquela, em que pesem algumas hipóteses de surgimento a partir de atos ilícitos (artigos 134, 135 e 137 do CTN), possui também como propulsor atos lícitos. Assim discorre Maria Rita Ferragut sobre a responsabilidade: É a ocorrência de um fato qualquer, lícito ou ilícito (morte, fusão, excesso de poderes etc.), e não tipificado como fato jurídico tributário, que autoriza a constituição da relação jurídica entre o Estado-credor e o responsável, relação essa que deve pressupor a existência do fato jurídico tributário. Fl. 3324DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 43 Ao ponderar sobre a matéria, Marcos Vinícius Neder anota que a responsabilidade tributária tem respaldo no CTN, o qual consagra normas gerais sobre sujeição passiva de tal forma a redirecionar a responsabilidade pela dívida tributária do contribuinte para um terceiro, facilitando e tornando mais efetivo o trabalho dos órgãos da administração tributária, e afirma que a “lei tributária autoriza ao Fisco incluir terceira pessoa, distinta da que pratica o fato jurídico tributário, no polo passivo da obrigação tributária como responsável pelo pagamento do crédito tributário”. O CTN contempla em seus artigos 128 a 138 os casos de responsabilidade tributária, assim distribuídos: Disposição geral (art. 128); Responsabilidade dos sucessores (arts. 129 a 133); Responsabilidade de terceiros (art. 134 e 135) e Responsabilidade por infrações (arts. 136 a 138). O que nos interessa, no momento, é a análise da responsabilidade dos representantes legais de empresas a que se refere o art. 135, III, do CTN, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado Doravante, de modo genérico, o tema será tratado como responsabilidade dos representantes legais de empresas. Elementos da Responsabilidade Tributária do Representante Legal de Empresas Para a caracterização da responsabilidade a que alude o art. 135, III, do CTN, faz-se necessário a presença dois elementos: Elemento pessoal: diz respeito ao sujeito que deu azo à ocorrência da infração, ou seja, o executor, partícipe ou mandante da infração. Trata-se, na realidade, do administrador da sociedade, independentemente de ser ou não sócio. Assim sendo, não poderão ser incluídos como responsáveis quaisquer sujeitos que não possuam poder de decisão; Elemento fático: necessidade de conduta que implique excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. Fl. 3325DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 44 Desse modo, “não basta ser sócio da empresa (pessoa jurídica), é indispensável que exerça função de administração no período contemporâneo aos fatos geradores”. Conforme já salientado, o art. 135, III, do CTN possibilita responsabilizar os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado desde que sejam os responsáveis pela ocorrência do elemento fático que ensejou o nascimento da obrigação tributária. O conceito de diretor é dado pelo art. 144 da Lei nº 6.404/76 – Lei das Sociedades Anônimas: o sócio ou administrador de uma organização é o que possui poderes para representá-la, inclusive em juízo, bem como para praticar todos os atos necessários ao seu regular funcionamento. Já a definição de gerente é trazida pelo Código Civil (art. 1.172 e seguintes): considera-se gerente o preposto permanente no exercício da empresa, na sede desta, ou em sucursal, filial ou agência. Note-se que na hipótese de lei não determinar poderes especiais, considera-se o gerente autorizado a praticar todos os atos necessários ao exercício dos poderes que lhe foram outorgados. Maria Rita Ferragut assim conceitua representante: é a pessoa física ou jurídica que, em função de um contrato mercantil, obriga-se a obter pedidos de compra e venda de mercadorias fabricadas ou comercializadas pelo representado, não tendo poderes para concluir a negociação em nome do representado. Não possui vínculo empregatício, e sua subordinação tem caráter empresarial, cingindo-se à organização do exercício da atividade econômica. Percebe-se que, para a caracterização da responsabilidade de que trata o dispositivo legal em questão, faz-se necessária a coexistência de dois elementos essenciais em relação a um fato: que seja praticado por um representante legal de empresa e que denote excesso de poder ou infração à lei ou atos constitutivos da pessoa jurídica. (as notas de rodapé foram omitidas para simplificação) Analisando o caso concreto, sendo caracterizada a infração legal com a aplicação da multa qualificada, resta suficiente para caracterizar a responsabilidade do administrador nos termos do art. 135 do CTN. O relator ainda fez constar que o inverso não é necessariamente verdadeiro, ou seja, a partir da ausência de qualificação da multa a não incidência de responsabilização estaria comprovada, apresentando como Fl. 3326DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 45 exemplo o caso de apropriação indébita previdenciária (art. 168-A do Código Penal): Por fim, tal implicação não possui correspondência biunívoca, ou seja, não se pode fazer o raciocínio inverso a ponto de se concluir que, na ausência de tal penalidade qualificada, não incidiria a responsabilidade tributária de que trata o art. 135, III, do CTN. Isso porque há hipóteses em que sequer é necessário o lançamento de ofício do crédito tributário para que o responsável legal da pessoa jurídica responda pelo crédito tributário, como, por exemplo, nos casos de apropriação indébita previdenciária (art. 168-A do Código Penal) (...)(Griffou-se) Tanto a fiscalização como a autoridade julgadora de primeira instância entenderam que o conjunto fático da situação levou a qualificação da multa e por consequência a responsabilização do administrador. Coaduno com esse entendimento. Para este relator, sendo confirmada no julgamento que a infração ocorreu qualificação da multa, resta caracterizada a responsabilidade do administrador nos termos do art. 135 do CTN. Importante ressaltar outro aspecto nessa manutenção da responsabilização solidário, que é a necessidade de a fiscalização comprovar o dolo nas ações do administrador e/u gerente, sendo muitas vezes afastada a solidariedade pela ausência de uma “prova cabal”, o que não é o presente caso, visto que constam as assinaturas dos responsáveis nos atos reprováveis . Normalmente, em atos ligados a redução de tributos, mediante planejamento tributário abusivo, dificilmente haverá uma “confissão” documental ou um determinado ato que caracterize o ilícito, sendo importante analisar o filme e não a fotografia, como lec iona Marco Aurélio Greco. Como bem apontado no Acordão n° 1302.002.632 do I. Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filhos, esse tipo de conclusão não se caracteriza uma presunção: No meu entendimento, não é necessário, nesses casos, que se aponte um determinado ato, uma determinada ordem, uma determinada assinatura. Isso é reduzir os fatos, que se desencadearam em alguns anos, a um momento específico em que houve um ilícito. O ilícito aqui é o conjunto, a obra, arquitetada e capitaneada, como dito, pelos dois administradores. E não se trata de presunção. O fatos estão comprovados. A direção da Empresa não é discutida ou contraditada. Quem tomou as decisões foram Fl. 3327DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.673 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10730.722658/2017-31 46 os dois dirigentes. O que se quer então? Afirmar que os dois foram enganados e que as operações foram feitas à revelia, que não queriam engordar seus cofres pessoais em milhões e milhões de reais, mas foram surpreendidos ao verem suas contas correntes? (Griffou-se) Ainda no acordão supracitado, o Conselheiro cita jurisprudência do STJ corroborando a presente tese: STJ - AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL AgRg no REsp 952762 SP 2007/0111235-5 (STJ)Data de publicação: 05/10/2007 Ementa: TRIBUTÁRIO – PROCESSUAL CIVIL – EXECUÇÃO FISCAL – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO SÓCIO-GERENTE AUSÊNCIA DE PROVA DE DOLO OU CULPA-REDIRECIONAMENTO – IMPOSSIBILIDADE. 1. O posicionamento pacífico desta Corte é no sentido de que o sócio somente deve responder pelos débitos fiscais do período em que exerceu a administração da sociedade se ficar provado que agiu com dolo ou fraude e exista prova de que a sociedade, em razão de dificuldade econômica decorrente desse ato, não pôde cumprir o débito fiscal. 2. In casu, não restou caracterizada prova de que os sócios tenham agido com dolo ou culpa, ou ainda que tenha havido dissolução irregular da sociedade. Agravo regimental improvido. Portanto, com base nos motivos de fato sustentados pela Autoridade Fiscal, resta caracterizada a circunstância a que alude o art. 135 do CTN, demonstrada, assim, a premissa juridicamente inafastável para se concretizar a hipótese da solidariedade tributária de Fernando Policarpo de Oliveira e Nelson Policarpo de Oliveira. É como voto Assinado Digitalmente Fernando Augusto Carvalho de Souza Fl. 3328DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor

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Numero do processo: 17227.720125/2020-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2017 MUDANÇA DE REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO LUCRO. SALDO DE AJUSTES A VALOR PRESENTE NÃO TRIBUTADOS NO LUCRO REAL. TRIBUTAÇÃO QUANDO MODIFICADA A APURAÇÃO PARA O LUCRO PRESUMIDO. POSSIBILIDADE. Por expressa disposição legal, o saldo registrado no LALUR a título de ajuste a valor presente, cuja tributação foi diferida para o momento de recebimento das receitas, deve ser oferecido à tributação quando a pessoa jurídica migra do regime de apuração do lucro real para o lucro presumido.
Numero da decisão: 1202-002.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de ofício. Sala de Sessões, em 21 de outubro de 2025. Assinado Digitalmente Maurício Novaes Ferreira – Relator Assinado Digitalmente Leonardo de Andrade Couto – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Andre Luis Ulrich Pinto, Fellipe Honorio Rodrigues da Costa, Jose Andre Wanderley Dantas de Oliveira, Liana Carine Fernandes de Queiroz, Mauricio Novaes Ferreira, Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: MAURICIO NOVAES FERREIRA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2017 MUDANÇA DE REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO LUCRO. SALDO DE AJUSTES A VALOR PRESENTE NÃO TRIBUTADOS NO LUCRO REAL. TRIBUTAÇÃO QUANDO MODIFICADA A APURAÇÃO PARA O LUCRO PRESUMIDO. POSSIBILIDADE. Por expressa disposição legal, o saldo registrado no LALUR a título de ajuste a valor presente, cuja tributação foi diferida para o momento de recebimento das receitas, deve ser oferecido à tributação quando a pessoa jurídica migra do regime de apuração do lucro real para o lucro presumido.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de ofício. Sala de Sessões, em 21 de outubro de 2025. Assinado Digitalmente Maurício Novaes Ferreira – Relator Assinado Digitalmente Leonardo de Andrade Couto – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Andre Luis Ulrich Pinto, Fellipe Honorio Rodrigues da Costa, Jose Andre Wanderley Dantas de Oliveira, Liana Carine Fernandes de Queiroz, Mauricio Novaes Ferreira, Leonardo de Andrade Couto (Presidente).

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SALDO DE AJUSTES A VALOR PRESENTE NÃO TRIBUTADOS NO LUCRO REAL. TRIBUTAÇÃO QUANDO MODIFICADA A APURAÇÃO PARA O LUCRO PRESUMIDO. POSSIBILIDADE. Por expressa disposição legal, o saldo registrado no LALUR a título de ajuste a valor presente, cuja tributação foi diferida para o momento de recebimento das receitas, deve ser oferecido à tributação quando a pessoa jurídica migra do regime de apuração do lucro real para o lucro presumido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de ofício. Sala de Sessões, em 21 de outubro de 2025. Assinado Digitalmente Maurício Novaes Ferreira – Relator Assinado Digitalmente Leonardo de Andrade Couto – Presidente Fl. 383DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.140 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.720125/2020-50 2 Participaram da sessão de julgamento os julgadores Andre Luis Ulrich Pinto, Fellipe Honorio Rodrigues da Costa, Jose Andre Wanderley Dantas de Oliveira, Liana Carine Fernandes de Queiroz, Mauricio Novaes Ferreira, Leonardo de Andrade Couto (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso de ofício interposto pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) 10, que considerou procedente a impugnação apresentada por LINHAS DE TRANSMISSÃO DO ITATIM S.A.. O julgado restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA – IRPJ. Ano de 2017. MUDANÇA DE REGIME. NORMAS INTERNACIONAIS DE CONTABILIDADE. AJUSTE A VALOR PRESENTE. INEXISTÊNCIA DE FATO GERADOR. A mudança de Regime Tributário de Lucro Real para Lucro Presumido não obriga, por si só, o Sujeito Passivo a promover adição à base de cálculo de IRPJ e CSLL de registros escriturados na Parte B do e-Lalur/e-Lacs a título de Ajuste a Valor Presente. A tributação de ofício somente deve ocorrer se houver efetiva existência de fato gerador. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Não Mantido. Na origem, o processo foi formalizado para exigir Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do ano-calendário 2017 em função da falta de adição às respectivas bases de cálculo dos valores de “ajuste a valor presente” escriturados no e-LALUR e e-LACS. No entender do fisco, como a Contribuinte alterou a forma de tributação do lucro real para o presumido, os valores escriturados na parte B dos referidos livros deveriam ter sido adicionados na apuração do IRPJ e da CSLL do 1º trimestre de 2017. Os argumentos da impugnação foram assim relatados no acórdão recorrido: 6. Em essência, conforme argumentação a partir da folha 119 (item III), a Impugnante alega impossibilidade de adição de tal saldo nas referidas bases de cálculo. Isto porque, conforme amplo detalhamento contido na Peça Impugnatória, em seu entendimento o Ajuste a Valor Presente (AVP) vinculado a ativos financeiros objeto da presente autuação, o qual é a causa da origem do montante de R$ 56.029.798,51 e do respectivo registro de neutralização tributária escriturado na Parte B dos livros fiscais mencionados (e-Lalur/e-Lac), não se Fl. 384DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.140 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.720125/2020-50 3 enquadra em conceito legal de diferimento de tributação tratado pelo artigo 54 da Lei 9.430/1996. 7. Na visão da Autuada, baseada, dentre outras normas, no artigo 43 do Código Tributário Nacional (CTN)6, tal saldo se refere a mero ajuste contábil decorrente de aplicação de critérios previstos em normas internacionais de contabilidade. Portanto, o entendimento de tratamento tributário é distinto daquele explicitado pelo Fisco nos autos. 8. A visão é a de que o valor de R$ 56.029.798,51 não se vincula de forma direta a uma hipótese de incidência tributária. Portanto, não poderia ter sido considerado como efetivo fato gerador de obrigação tributária por ocasião de mera migração de Regime. Outros fatores precisariam ter sido verificados e não foram. Um deles, o mais relevante, é o de análise de de real existência de possibilidade de tributação de tal montante. 9. A diretriz básica contida na Impugnação é a afirmação de que há evidente equívoco da autuação. De fato, conforme argumenta o Sujeito Passivo, tal engano fica evidente em texto contido na folha 17, parágrafo 14, do Relatório Fiscal: E, sendo diferimento, se enquadra na regra do art. 54 da Lei N.º 9.430/96, que não previu exceção para as concessionárias de serviço público. 10. Conforme se percebe, a Autoridade Tributária é taxativa ao afirmar que o montante de R$ 56.029.798,51 se refere a uma autêntica Receita Diferida. Em verdade, considerando explicitação detalhada contida na Impugnação, a conclusão é a de que tal montante se trata de mera expectativa futura de receita a ser auferida. O controle na escrituração fiscal do Lucro Real tem por objetivo neutralização tributária prevista na legislação. 11. Ou seja, o argumento da Impugnante é o de que há impropriedade conceitual em conteúdo legal invocado pelo Fisco para justificar a constituição de crédito. Pois, ao contrário de previsão contida no artigo 54 da Lei 9.430/96, em sua visão há informações suficientes nos autos apontando para inconsistência técnica do entendimento do Fisco quanto ao conceito de diferimento de receita. 12. Em última análise, o Sujeito Passivo é categórico ao concluir que o referido saldo não pode ser incluído em previsão contida no referido artigo. Isto porque, o Fisco não considerou especificidades que circundam o registro do referido valor, bem como, a lógica conceitual que o envolve, a qual, em essência, conforme já indicado, está vinculada a um franco objetivo de neutralização tributária vinculada a valores escriturados na contabilidade em relação aos quais inexiste, de imediato, efetivo fato gerador. Com fundamentos nos argumentos da defesa, a DRJ houve por bem considerar procedente a impugnação apresentada e exonerou o crédito tributário objeto do litígio. Ato contínuo, o Presidente do Colegiado recorreu de ofício a este Conselho. Não houve interposição de razões ou contrarrazões ao recurso de ofício. Fl. 385DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.140 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.720125/2020-50 4 Em seguida, o processo foi submetido a sorteio, cabendo-me sua relatoria. É o relatório. VOTO Conselheiro Maurício Novaes Ferreira, Relator 1 – ADMISSIBILIDADE O recurso de ofício atende ao limite de alçada estabelecido no art. 1º da Portaria MF nº 2/2023 e deve ser conhecido. 2 – MÉRITO Na origem, o processo foi formalizado para exigir Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do ano-calendário 2017 em função da falta de adição às respectivas bases de cálculo do “ajuste a valor presente” escrituradas no e-LALUR e e-LACS. No entender do fisco, como a Contribuinte alterou a forma de tributação do lucro real, apurado até 31/12/2016, para o presumido, os valores escriturados na parte B dos referidos livros deveriam ter sido adicionados na apuração do IRPJ e da CSLL do 1º trimestre de 2017. No dizer da autoridade autuante, a fundamentação dos lançamentos restou assim consignada (com destaques ora acrescidos): 6. Trata-se de empresa concessionária de serviço público, conforme Contrato de Concessão para Prestação do Serviço Público de Transmissão de Energia Elétrica N.º 007/2009-ANEEL, celebrado com a União no âmbito do processo N.º 48500.003905/2008-92. 7. A empresa mudou a forma de tributação em 2017 (Lucro Real Anual no ano de 2016 para Lucro Presumido em 2017). 8. Devido a diferenças existentes entre esses dois regimes, a legislação prevê que, quando da mudança de regime de tributação do lucro real para o lucro presumido, a pessoa jurídica deverá adicionar às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, os saldos de valores cuja tributação havia sido diferida, conforme o disposto no art. 54 da Lei N.º 9.430/96: Art. 54. A pessoa jurídica que, até o ano-calendário anterior, houver sido tributada com base no lucro real deverá adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido ou for tributada com base no lucro arbitrado, os saldos dos valores cuja tributação havia diferido, independentemente da necessidade de controle no livro de Fl. 386DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.140 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.720125/2020-50 5 que trata o inciso I do caput do art. 8º do Decreto-Lei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) 9. O contribuinte diferiu valores relativos a AVP – Ajuste a Valor Presente, em consonância com o art. 84 da IN RFB N.º 1.515/14. Art. 84. Os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, referentes aos ativos financeiros a receber decorrentes das receitas de serviços da fase de construção, serão tributados de acordo com o disposto no art. 34. Parágrafo único. Para fins do disposto no caput, a concessionária deverá realizar os seguintes ajustes no Lalur: I - exclusão da receita financeira relativa aos valores decorrentes do ajuste a valor presente a que se refere o caput apropriada no período, com registro na Parte B do valor excluído; II - adição de parte do total dos valores decorrentes do ajuste a valor presente a que se refere o caput, previsto para todo o contrato, na mesma proporção em que o lucro diferido for adicionado conforme art. 83, e respectiva baixa na Parte B. 10. Na Parte B do Lalur e do Lacs (Registro M500) da ECF do ano-calendário 2016 encontra-se o saldo credor de R$56.029.798,51, resultante dos ajustes a que se refere a legislação acima: [...] 11. Por expressão previsão legal, o saldo credor de R$56.029.798,51 deveria ter sido adicionado à base de cálculo do IRPJ (Registro P200 da ECF) e da CSLL (Registro P400 da ECF) no 1º trimestre de 2017, mas não o foi. 12. Questionada no item 3 do Termo de Início do Procedimento Fiscal, a empresa respondeu: [...] 13. A empresa argumenta que não se trata de hipótese de diferimento, no entanto o art. 36 da Lei N.º 12.973/14 é um claro caso de diferimento, que dá a opção ao contribuinte de tributar o lucro da fase de construção à medida do recebimento. Junto à essa opção de diferimento do lucro, ocorre o diferimento da tributação dos valores de AVP, conforme determinado pelo art. 4º da Lei N.º 12.973/14 e regulamentado pelo art. 84 da IN RFB N.º 1.515/14. 14. E, sendo diferimento, se enquadra na regra do art. 54 da Lei N.º 9.430/96, que não previu exceção para as concessionárias de serviço público. Restaram devidamente estampados, portanto, os fatos, incontroversos, que ensejaram a exigência fiscal: não tributação do ajuste a valor presente – AVP, escriturado no LALUR e no LACS, quando do reconhecimento da receita decorrente do contrato de concessão de serviço público e a mudança do regime de tributação do lucro real para o presumido. Fl. 387DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.140 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.720125/2020-50 6 Os fundamentos jurídicos da autuação, por outro lado, estão estabelecidos no art. 54 da Lei nº 9.430/1996, bem como nos arts. 4º e 36 da Lei nº 12.973/2014 e na regulamentação contida na Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.515/2014, posteriormente revogada pela IN nº 1.700/2017. O julgado recorrido afastou a exigência fiscal ao acolher os argumentos da impugnante. As razões do voto condutor do julgado foram assim apresentadas (com destaques acrescidos) 27. A Impugnante entende, de forma correta, conforme previsão legal contida nos artigos 90 e 169 da Instrução Normativa RFB 1.700/2017, combinada com artigos 168 e 26, bem como, com inciso VIII do caput do artigo 183 da Lei 6404/76, dentre outra normas, que o referido montante de saldo credor registrado nos livros mencionados, por inexistência de efetivo Lucro Diferido, não deve ser oferecido à tributação nos moldes considerados pelo Fisco. 28. Notadamente, conforme já indicado, em última instância, considerando extenso e detalhado conteúdo explicitado na Impugnação, a visão do Sujeito Passivo é a de que o entendimento do Fisco é inaplicável ao AVP ora tratado. Isto porque, inexiste fato gerador para a obrigação tributária imputada. 29. A argumentação essencial é a de que a regra contida no artigo 36 da Lei 12.973, ao contrário de entendimento explicitado pela Autoridade Tributária no Relatório Fiscal, trata de hipótese de diferimento de tributação quando houver efetivo recebimento de parcela de lucro decorrente de receita reconhecida, cuja contrapartida seja ativo financeiro representativo de direito contratual. 30. Portanto, ratificando o que diz a Impugnante, a questão central do presente caso reside, também, em resolução da seguinte questão: a alteração em forma histórica de reconhecimento contábil de receitas tem o condão de modificar natureza jurídica de receitas de empresas concessionárias e resultar em antecipação de tributação? 31. Em verdade, analisando o contexto de aplicação de tal norma (nota 8), pode- se concluir que ela visa regulação específica de momento de tributação de receitas de empresas concessionárias de serviços públicos. Assim, considerando as características de atuação da empresa ora autuada, é lícito concluir que o momento de tributação de receitas reconhecidas não pode estar em descompasso com a efetiva prestação de serviços de transmissão e o efetivo recebimento de Receita Anual Permitida (RAP). 32. Como conclusão final, a Autuada explicita de forma detalhada a visão de que, antes de efetiva prestação de serviço e de respectivo recebimento de RAP, eventuais registros de Ajuste a Valor Presente (AVP), relacionados com ativos financeiros escriturados, representam mera expectativa de receita futura tributável. Fl. 388DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.140 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.720125/2020-50 7 33. Para efeitos de apuração de IRPJ e CSLL, a defesa final é a de que o montante de R$ 56.029.798,51 não se enquadra em conceito de renda tributável delineado pela legislação contábil e tributária vigente. Há lógica na argumentação da Impugnante. De fato, o objetivo de neutralização de efeitos tributários teria surgido exatamente para evitar tributação indevida de receitas com mera expectativa de auferimento futuro. 34. Então, considerando o esboço do que já foi dito, para efeitos do presente julgamento, relevante será saber se a nova opção pelo regime de tributação de Lucro Presumido, realmente, configura efetivo fato gerador vinculado com a real disponibilização de renda tributável nos moldes do CTN e da legislação tributária. 35. Na diretriz mencionada, realmente, conforme afirma a Impugnante, não há dúvidas de que por força do artigo 146 da Constituição Federal toda a legislação tributária deve ser interpretada sob a diretriz do CTN. De fato, sabe-se que, como fundamento para a configuração de fato gerador de tributo, o já mencionado artigo 43 do CTN exige disponibilidade de renda, seja ela econômica ou jurídica. Considerando os fatos aqui presentes, é possível dizer que a aquisição de disponibilidade de renda pressupõe auferimento efetivo de receita (seja ela diferida ou não), situação não detalhada e comprovada nos autos. 36. Ora, é lúcida a ideia de que o saldo credor registrado nos livros fiscais antes da referida migração de regime não se torna renda disponível em face da simples mudança em forma de tributação. Antes de tudo tem de haver confirmação de existência de efetivo fato gerador correlacionado com os registros prévios da Autuada. 37. Sem dúvidas, é a partir da efetiva ocorrência de fato gerador que se torna pertinente verificar eventuais consequências tributárias de apropriação proporcional de receitas. No presente caso, a autoridade fiscal constituiu o crédito sem evidenciar que os valores tributados possuem fato gerador específico. Em escassa explicitação contida no Relatório Fiscal, a Autoridade Tributária simplesmente aplicou o artigo 54 da Lei 9.430/1996 sem avaliar se o montante de R$ 56.029.798,51 de fato vinculava-se ao conceito de Receita Diferida. Isto é, não houve avaliação durante o trabalho fiscal se, de fato, havia fato gerador tributável. Como a tese é de que a mera migração dá suporte para a constituição de crédito, não houve outros procedimentos visando conclusões adicionais. 38. Acerta a Impugnante ao afirmar (folha 119, último parágrafo) que, apesar de não haver nos artigos 54 da Lei 9.430/96 e 520 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR clara definição de alcance da expressão “valores cuja tributação tenha sido diferida”, o termo diferimento, na seara tributária, consiste em permissão de recolhimento de tributo em momento posterior à ocorrência de fato gerador. Nesta perspectiva, realmente, somente há diferimento tributário de receita que já tenha sido integrada ao respectivo fato gerador por Fl. 389DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.140 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.720125/2020-50 8 decorrência de efetiva disponibilidade econômica ou jurídica conforme prevê o artigo 43 do CTN já citado. 39. Por outro lado, conforme já comentado, depreende-se que o entendimento (folha 16, parágrafo 13) do Fisco é o de que o artigo 36 da Lei 12.973 é absolutamente aplicável ao referido montante. Ou seja, diferentemente da interpretação da Impugnante, a conclusão da Fazenda é a de que o montante tributado decorre de receita reconhecida, e mais ainda, de valores efetivamente recebidos. É o que se entende em leitura de trechos de textos descritos no Relatório Fiscal: (folha 16, parágrafo 13) ...no entanto o art. 36 da Lei N° 12.973/14 é um claro caso de diferimento, que dá a opção ao contribuinte de tributar o lucro da fase de construção à medida do recebimento. Junto à essa opção de diferimento do lucro, ocorre o diferimento da tributação dos valores de AVP, conforme determinado pelo art. 4º da Lei N.º 12.973/14 e regulamentado pelo art. 84 da IN RFB N.º 1.515/14.9 (folha 17, parágrafo 14) E, sendo diferimento, se enquadra na regra do art. 54 da Lei N.º 9.430/96, que não previu exceção para as concessionárias de serviço público. 40. O primeiro e relevante equívoco cometido pela Autoridade Tributária ao explicitar seus fundamentos refere-se à afirmação contida no trecho acima, descrito no parágrafo 14 da folha 17, de que o artigo 54 da Lei 9.430/96 não previu exceção para as concessionárias de serviço público ao regular tratamento tributário de saldos de receitas diferidas controlados no Regime de Lucro Real por ocasião de migração para o Regime de Lucro Presumido. 41. Por certo, seguindo raciocínio lógico, tal dispositivo não traria eventual exceção específica para concessionárias de serviços públicos. Tal norma regula uma regra geral. Seria incongruente que previsse exceções da espécie aventada pela referida Autoridade. 42. Conforme bem evidencia a Impugnante em sua detalhada Peça Impugnatória, a solução da controvérsia advém de análise sistemática e específica da legislação tributária. Não como uma exceção propriamente dita, mas como estudo de efetiva existência de fato gerador e de eventual diferimento tributário. 43. A leitura da Impugnação, por si só, resulta em conclusão de que a constituição de crédito é indevida. Rica em detalhes, tal documento explicita informações suficientes para a invalidação da Autuação. 44. Sem dúvidas, o registro de saldo de R$ 56.029.798,51 contido na parte B do e- Lalur antes da migração para o Regime de Lucro Presumido não pode ser enquadrado na regra geral contida no artigo 54 da Lei 9.430/96. Apesar de a Autuada ter optado pelo Lucro Real em 2016, conforme já dito, tal montante não se refere a um efetivo diferimento tributário conforme prevê tal dispositivo. Fl. 390DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.140 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.720125/2020-50 9 45. Estão corretas as ponderações da Impugnante quanto à inexistência de receita reconhecida, a qual, ocorrerá com a efetiva prestação de serviço de transmissão de energia e com efetivo recebimento de valores, os quais, em momento oportuno e adequado, serão tributados de acordo com regras de apuração aplicáveis ao Regime de Lucro Presumido eleito pelo Sujeito Passivo. 46. Se o crédito constituído fosse mantido haveria antecipação de tributação, fato não previsto pela legislação própria que regula o tema. Num pensamento extremo, poderia haver, inclusive, possibilidade de tributação em duplicidade. A primeira por ocasião da migração. E a segunda pela efetiva realização da receita proporcional vinculada ao ativo financeiro que deu origem ao AVP calculado pelo Sujeito Passivo. 47. Conforme já dito, o propósito de regra contida no artigo 36 da Lei 12.973/14 é assegurar que, para efeitos de tributação, receitas de atividades de transmissão devam ser reconhecidas por critério de auferimento (competência/realização/recebimento). 48. De fato, é o que se deduz de leitura de trecho de Solução de Consulta Cosit 112/2016 indicado na Impugnação. Em tal consulta há explicitação de lógica e de tratamento que deve ser dado a proporções de receitas auferidas em função de efetivo recebimento de valores decorrentes da operação das empresas que prestam serviços de transmissão. Vale a leitura detalhada de tal norma, a qual se aplica perfeitamente ao caso ora estudado. 49. Tais proporções, da mesma forma em que ocorreria no Regime de Lucro Real, serão tributadas no Lucro Presumido de acordo com a Receita Anual Permitida. Nesta diretriz, vale transcrever o item 28.1 da referida Solução de Consulta: ...a base de cálculo para apuração do Lucro Presumido/regime de caixa deve se dar com base na receita bruta (RAP) efetivamente recebida, com supedâneo no art. 129 da IN RFB nº 1.515, de 2014. 50. Portanto, a conclusão é a de que não há evidências probatórias adicionais demonstrando efetiva existência de diferimento tributário. Ou seja, é lícito afirmar, tendo por base o conjunto de provas instruídas nos autos, que inexistem informações no processo capazes de ratificar a tese do Fisco. 51. Em sentido contrário, a Impugnante, baseada em ampla fundamentação e detalhamento, esclarece que as receitas registradas nos referidos livros não estão sujeitas à tributação. São decorrentes de escrituração contábil neutralizada para fins tributários por exclusão de bases de cálculo do IRPJ e CSLL. 52. Considerando o exposto, concluo que a adição integral do saldo credor de R$ 56.029.798,51 em bases de cálculo do Lucro Presumido é incabível nos moldes considerados pelo Fisco. Se mantido o crédito em tais moldes a consequência seria uma antecipação de tributação não prevista na legislação. Conforme demonstrado, a tributação de tal saldo, indo ao encontro de objetivos de Fl. 391DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.140 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.720125/2020-50 10 neutralização tributária amplamente comentado, deve ser tributado de acordo com efetiva realização/recebimento de valores. Estes os fatos e fundamentos expostos no acórdão recorrido que levaram o Colegiado a afastar a exigência fiscal. Em suma, para a DRJ a norma contida no art. 54 da Lei nº 9.430/1996 não se aplicaria ao caso concreto porque não teria havido, em relação aos valores de AVP controlados na parte B do LALUR, o fato gerador tributário. Também considera que o art. 36 da Lei nº 12.973/2014 trata do diferimento de receitas já recebidas pelas concessionárias de serviços públicos, de modo que não poderia servir de fundamento para a autuação fiscal, já que no caso em julgamento as receitas ainda não teriam sido integralmente recebidas pela Recorrente. Aduz também que a norma antes referida não teria o condão de modificar a natureza jurídica da receita, posto que a Recorrente teria registrado uma mera expectativa de direito ao recebimento de receitas, fato que não se amolda ao conceito jurídico de renda e que, por consequência, não pode ser tributado. Sustenta que de acordo com os fatos do processo, “...é possível dizer que a aquisição de disponibilidade de renda pressupõe auferimento efetivo de receita (seja ela diferida ou não), situação não detalhada e comprovada nos autos”. Narra que estão corretas as conclusões da Impugnante quanto à inexistência de receita reconhecida, o que ocorrerá com a efetiva prestação do serviço de transmissão de energia. Informa ainda que a Solução de Consulta COSIT nº 112/2016 aplica-se perfeitamente ao caso e que, segundo suas disposições, a tributação das receitas no caso de pessoa jurídica optante pelo lucro presumido se daria de acordo com o regime de caixa, quando do seu recebimento. Com todas as vênias, penso que o acórdão merece ser reformado. O cerne da controvérsia não está no art. 54 da Lei nº 9.430/1996, cuja redação é de clareza solar, mas sim se houve ou não diferimento de tributação por parte da pessoa jurídica autuada. Neste sentido, o deslinde da controvérsia passa, mas não se resume, pela melhor exegese do disposto no art. 36 da Lei nº 12.973/2014, vazado nos seguintes termos (com destaques acrescidos): Seção XV Contratos de Concessão Art. 35. No caso de contrato de concessão de serviços públicos em que a concessionária reconhece como receita o direito de exploração recebido do poder concedente, o resultado decorrente desse reconhecimento deverá ser Fl. 392DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.140 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.720125/2020-50 11 computado no lucro real à medida que ocorrer a realização do respectivo ativo intangível, inclusive mediante amortização, alienação ou baixa. (Vigência) Parágrafo único. Para fins dos pagamentos mensais referidos no art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a receita mencionada no caput não integrará a base de cálculo, exceto na hipótese prevista no art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Art. 36. No caso de contrato de concessão de serviços públicos, o lucro decorrente da receita reconhecida pela construção, recuperação, reforma, ampliação ou melhoramento da infraestrutura, cuja contrapartida seja ativo financeiro representativo de direito contratual incondicional de receber caixa ou outro ativo financeiro, poderá ser tributado à medida do efetivo recebimento. (Vigência) Parágrafo único. Para fins dos pagamentos mensais determinados sobre a base de cálculo estimada de que trata o art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a concessionária poderá considerar como receita o montante efetivamente recebido. O caso dos autos é o normatizado pelo art. 36 acima. Salta aos olhos a evidente diferença entre as disposições do art. 35 (não aplicável ao caso em julgamento), regido pelo imperativo “deverá” e as do art. 36, mero autorizador de procedimento que poderá ou não ser adotado pela interessada. A diferença entre as duas disposições não é meramente semântica, mas sim de conteúdo normativo. No caso do art. 36 a faculdade outorgada ao sujeito passivo permite, autoriza, faculta, que ele tribute o lucro decorrente de receita reconhecida na fase de construção à medida do recebimento das receitas. Ecoando os dizeres da autoridade autuante, é um caso clássico de diferimento de tributação por meio do qual a interessada, necessariamente optante do lucro real, deixa de ser tributada pelo regime de competência (princípio básico contábil e regra deste regime de apuração) e passa a ser tributada pelo regime de caixa, que constitui exceção ao regime de competência que exige expressa disposição normativa para sua validade. Veja-se que o acórdão recorrido afirma que “...a regra contida no artigo 36 da Lei 12.973, ao contrário de entendimento explicitado pela Autoridade Tributária no Relatório Fiscal, trata de hipótese de diferimento de tributação quando houver efetivo recebimento de parcela de lucro decorrente de receita reconhecida...”. A única ressalva quanto à conclusão da DRJ é que o diferimento ocorre antes do recebimento das receitas já que estas, uma vez recebidas, devem ser tributadas pelo regime de caixa. Por vias transversas, o acórdão recorrido acaba por convalidar a tese do fisco de diferimento da tributação. E o fato de a receita reconhecida não ter sido integralmente tributada quando da celebração do contrato é questão incontroversa nos autos, dados os registros credores existentes no LALUR e no LACS, conforme seguinte passagem do relatório fiscal (fl. 15): Fl. 393DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.140 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.720125/2020-50 12 10 - Na Parte B do Lalur e do Lacs (Registro M500) da ECF do ano-calendário 2016 encontra-se o saldo credor de R$56.029.798,51, resultante dos ajustes a que se refere a legislação acima: Note-se que este registro é decorrente do reconhecimento contábil das receitas decorrentes do contrato celebrado com o poder público e ajustados a valor presente na data da sua celebração. O saldo credor evidenciado é resultante do valor inicial registrado (exclusões do lucro líquido), deduzidos os valores posteriormente tributados pelo regime de caixa (adições ao lucro líquido). O reconhecimento contábil da receita quando da assinatura do contrato de concessão é fato também incontroverso nos autos, conforme seguinte passagem da impugnação (fl. 117, com destaques ora acrescidos): Como essas receitas apropriadas na fase de construção só são recebidas ao longo da execução do contrato, a Impugnante deve efetuar os ajustes contábeis necessários para demonstrar o fluxo de caixa futuro pelo seu valor presente (AVP). Por valor presente, entende-se o valor do respectivo recebível após aplicação de taxa de desconto que reflita juros compatíveis com os prazos, a natureza e os riscos relacionados à transação. Ainda assim, a DRJ, inadvertidamente, concluiu que “...Estão corretas as ponderações da Impugnante quanto à inexistência de receita reconhecida” (item 45, acima transcrito). Também não encontro razão para a afirmativa do acórdão recorrido em relação ao que considerou que teria sido afirmado pelo fisco quanto ao recebimento das receitas. Segundo o voto condutor do julgado, “... a conclusão da Fazenda é a de que o montante tributado decorre de receita reconhecida, e mais ainda, de valores efetivamente recebidos” (Item 39 acima). Após a afirmação, transcreve passagem do TVF com a seguinte conclusão: “...no entanto o art. 36 da Lei N° 12.973/14 é um claro caso de diferimento, que dá a opção ao contribuinte de tributar o lucro da fase de construção à medida do recebimento”... Não há nada que indique no trecho acima que o fisco considerou que as receitas foram recebidas. Muito diferente disso, constatou a autoridade fiscal que a Lei atribuiu à pessoa jurídica a opção de tributar o lucro da fase de construção à medida do recebimento das receitas. Infundada, portanto, a afirmação da DRJ. A Empresa, optante à época dos fatos pela tributação do IRPJ com base no lucro real, corretamente apropriou as receitas do contrato de concessão e, com base na autorização do art. 36 da Lei nº 12.973/2014, passou a tributar o AVP à medida do recebimento das receitas. Fl. 394DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.140 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.720125/2020-50 13 A faculdade outorgada em Lei garante à pessoa jurídica concedida a possibilidade de diferir a tributação da receita à medida do seu recebimento. Trata-se de diferimento, posto ser faculdade da pessoa jurídica, que somente pode ser usufruído por empresa tributada com base no lucro real. Neste sentido, a IN nº 1.515/2014 e posteriormente a IN nº 1.700/2017 são de clareza solar, conforme disposição do art. 84 da primeira (art. 169 da segunda, com destaques ora acrescidos): Art. 84. Os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, referentes aos ativos financeiros a receber decorrentes das receitas de serviços da fase de construção, serão tributados de acordo com o disposto no art. 34. Parágrafo único. Para fins do disposto no caput, a concessionária deverá realizar os seguintes ajustes no Lalur: I - exclusão da receita financeira relativa aos valores decorrentes do ajuste a valor presente a que se refere o caput apropriada no período, com registro na Parte B do valor excluído; II - adição de parte do total dos valores decorrentes do ajuste a valor presente a que se refere o caput, previsto para todo o contrato, na mesma proporção em que o lucro diferido for adicionado conforme art. 83, e respectiva baixa na Parte B. O art. 34, referido no caput do art. 84 acima transcrito, possui a seguinte redação (com destaques ora acrescidos): Art. 34. Os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, relativos a cada operação, somente serão considerados na determinação do lucro real no mesmo período de apuração em que a receita ou resultado da operação deva ser oferecido à tributação. Do conteúdo normativo, ressalte-se que há expressa menção ao lucro diferido (art. 84, parágrafo único, inciso II), o que reforça os argumentos apresentados pela autoridade fiscal sobre o diferimento da tributação. Já o art. 34 disciplina a tributação do AVP, especificamente. Informa o dispositivo que seus valores somente serão considerados na determinação do lucro real quando a receita ou resultado da operação deva ser oferecido à tributação. Trata-se, como antes afirmado, de disposição restrita, dirigida exclusivamente às pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real. A pessoa jurídica autuada, até o dia 31/12/2016, com base em autorização legal, tributou o AVP à medida do auferimento das receitas decorrentes do período de construção. Fl. 395DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.140 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.720125/2020-50 14 Ademais, o LALUR, como é cediço, é livro obrigatório apenas para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real. Se o controle da tributação do AVP deve ser realizado na parte B do LALUR e este não é exigível das empresas tributadas pelo lucro presumido, igualmente se conclui que o benefício do diferimento da tributação não se estende a elas. Imagine-se como seria impossível o controle do valor não tributado originalmente na celebração do contrato sem que a pessoa jurídica seja obrigada a manter a escrituração do LALUR. A escrituração do AVP na parte B do LALUR também invalida a argumentação do acórdão recorrido segundo a qual “...não há evidências probatórias adicionais demonstrando efetiva existência de diferimento tributário...”. Além da disposição legal do art. 36 da Lei nº 12.973, há expressa referência da IN nº 1.515/2015 (art. 84, parágrafo único, inciso II) ao diferimento do lucro e a escrituração da parte B do LALUR, que visa exatamente ao controle da tributação diferida. No caso dos autos, é incontroverso que a autuada, voluntariamente, optou a partir de 2017 pela tributação com base no lucro presumido, de modo que o dispositivo do art. 34 acima não lhe confere amparo. A Solução de Consulta COSIT nº 112/2016, invocada pela defesa e acatada pelo acórdão recorrido, é expressa ao consignar que o benefício acima não se aplica às pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido: Solução de Consulta Cosit nº 112/2016 [...] 28.1.2. Visando tal neutralização é que exsurge o comando do art. 36 da Lei nº 12.973, de 2014, regulamentado pelo art. 83 da IN RFB nº 1.515, de 2014, retro transcrito, o qual é direcionado às pessoas jurídicas do Lucro Real. Nesse sentido, dispõe que a receita reconhecida na fase de construção poderá ser tributada à medida do efetivo recebimento e seu § 3º define efetivo recebimento para este caso, como uma proporção. 28.1.3. Como as pessoas jurídicas do Lucro Presumido podem optar pela tributação com base no regime de caixa, a legislação não se preocupou em estabelecer normas que especificamente tratassem dessa neutralidade: a própria opção do contribuinte já contornaria o problema. 28.1.4. Portanto, o art. 83, § 3º da referida IN é direcionado exclusivamente aos contribuintes do Lucro Real, não sendo aplicável aos optantes pelo Lucro Presumido. Estes, ou fazem a opção pelo regime de caixa (e automaticamente passam a tributar as receitas de construção à medida do efetivo recebimento, como é inerente a tal sistemática), ou optam pela competência e, neste caso, deverão tributar aquelas receitas quando de seu reconhecimento contábil, ou Fl. 396DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.140 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.720125/2020-50 15 seja, ainda na etapa de construção, incorrendo na tributação sobre o lucro antecipado. No caso dos autos, à época da contratação a pessoa jurídica era optante pelo lucro real e sujeitava-se ao princípio da competência, obrigatório para este regime de apuração, daí porque procedeu à correção das receitas contratuais por meio do AVP. Olhando em retrospectiva, o que ocorreu antes de 2017 em decorrência da contratação firmada com o poder público estava de acordo com os princípios contábeis e fiscais. O problema surge quando a Contribuinte modifica sua forma de apuração e passa a adotar o lucro presumido. Como bem salientado na Solução de Consulta acima, se a pessoa tributada desta maneira adotar o regime de competência, precisa reconhecer integralmente a receita contratual e proceder à tributação antecipada do lucro. E, na época da celebração do contrato, e até 31/12/2016, a autuada estava sujeita ao regime de competência, facultada a adoção do regime de caixa, desde que não houvesse modificação da forma de tributação dos lucros. Esta conclusão também diverge da outra contida no voto condutor do recorrido quando afirma que “Se o crédito constituído fosse mantido haveria antecipação de tributação, fato não previsto pela legislação própria que regula o tema...”. Na solução de consulta acima, está expressa a esta possibilidade. Também não concordo com a assertiva segundo a qual os registros de AVP correspondem a mera expectativa de receita futura tributável, daí porque não teria ocorrido o diferimento da tributação. Tal conclusão parece conflitar com os enunciados da ICPC 01, aplicada aos concessionários de serviços públicos, que dispõe: INTERPRETAÇÃO TÉCNICA ICPC 01 (R1) [...] 15. Se o concessionário presta serviços de construção ou de melhoria, a remuneração recebida ou a receber pelo concessionário deve ser registrada de acordo com o CPC 47. Essa remuneração pode corresponder a direitos sobre: (Alterado pela Revisão CPC 12) (a) um ativo financeiro; ou (b) um ativo intangível. 16. O concessionário deve reconhecer um ativo financeiro à medida em que tem o direito contratual incondicional de receber caixa ou outro ativo financeiro do concedente pelos serviços de construção; o concedente tem pouca ou nenhuma opção para evitar o pagamento, normalmente porque o contrato é executável por lei. O concessionário tem o direito incondicional de receber caixa se o concedente garantir em contrato o pagamento (a)de valores preestabelecidos Fl. 397DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.140 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.720125/2020-50 16 ou determináveis ou (b) insuficiência, se houver, dos valores recebidos dos usuários dos serviços públicos com relação aos valores preestabelecidos ou determináveis, mesmo se o pagamento estiver condicionado à garantia pelo concessionário de que a infraestrutura atende a requisitos específicos de qualidade ou eficiência. [...] Ativo financeiro 23. As disposições contábeis, aplicáveis a instrumentos financeiros (CPC 48, CPC 39 e CPC 40), aplicam-se ao ativo financeiro reconhecido nos termos dos itens 16 e 18. (Alterado pela Revisão CPC 12) [...] 25. Se o valor devido pelo concedente é mensurado ao custo amortizado ou ao valor justo por meio de outros resultados abrangentes, o CPC 48 exige que a parcela, referente aos juros calculados com base no método de taxa efetiva de juros, seja reconhecida no resultado.(Alterado pela Revisão CPC 12) O valor do ativo financeiro, portanto, deve ser reconhecido se o concessionário tem o direito incondicional de receber caixa ou outro ativo financeiro, o que se concretiza se o concedente garantir em contrato o pagamento de valores preestabelecidos ou determináveis. No caso dos autos, o contrato celebrado entre a autuada e a Anell (fls. 139 a 155) possui cláusulas que estabelecem os valores a serem recebidos pelo serviço prestado: [...] Fl. 398DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.140 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.720125/2020-50 17 [...] Portanto, os valores previstos no contrato são preestabelecidos ou determináveis, de modo que os ativos financeiros respectivos devem ser reconhecidos contabilmente. Não se trata, à luz da ICPC 01, diversamente do afirmado no acórdão recorrido, de mera expectativa de receita. Também não prospera o argumento segundo o qual a aplicação do previsto no art. 54 da Lei nº 9.430/1996 poderia ensejar a bitributação das receitas. Evidentemente, diante da tributação levada a efeito pela mudança de regime, cabe ao sujeito passivo, quando do recebimento da RAP, excluir a parcela relativa aos ajustes por AVP oferecidos à tributação com a mudança de regime de apuração do lucro. É um controle efetuado diretamente pela pessoa jurídica, sem os obstáculos que o fisco teria para realizá-lo, caso não se procedesse à tributação quando da mudança de regime, sem a obrigatoriedade de escrituração do LALUR pela empresa. Tratando-se, portanto, de receita que deveria ter sido reconhecida, embora seus efeitos tributários pudessem, nos termos do art. 36 da Lei nº 12.473/2014, ser diferidos para o momento do efetivo ingresso dos recursos, há de se aplicar ao caso o preconizado no art. 54 da Lei nº 9.430/1996: Art. 54. A pessoa jurídica que, até o ano-calendário anterior, houver sido tributada com base no lucro real deverá adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido ou for tributada com base no lucro arbitrado, os saldos dos valores cuja tributação havia diferido, independentemente da necessidade de controle no livro de que trata o inciso I do caput do art. 8º do Decreto-Lei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977 Fl. 399DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.140 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.720125/2020-50 18 A pessoa jurídica autuada, portanto, ao migrar voluntariamente para o regime do lucro presumido, perdeu as condições para continuar usufruindo dos benefícios legais do diferimento da tributação da receita correspondente ao AVP, impondo-se a tributação do saldo remanescente no primeiro período após a mudança de regime, por expressa determinação legal. Relembre-se que à época da consumação contratual, a pessoa jurídica adotava o regime de competência para sua escrituração contábil, de modo que as receitas foram reconhecidas naquela ocasião e ajustadas a valor presente para diferir a tributação do AVP, diferimento que impõe para seu gozo a adoção do lucro real. Com a mudança de regime, a pessoa jurídica, ciente das disposições legais que regem a matéria, obrigou-se a realizar antecipadamente a parcela das receitas cuja tributação foi diferida. Ademais, é defeso aos integrantes dos Colegiados deste CARF afastar a aplicação de leis, conforme rege o art. 98 do RICARF: Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Não consta dos autos que o art. 54 da Lei nº 9.430/1996 tenha sido derrogado, de modo que sua disposição deve ser aplicada por este Conselho, mormente quando resta demonstrado que houve, no caso concreto, diferimento da tributação do AVP. Recente julgado consolidado no acórdão nº 1301-007.744, prolatado em 20/02/2025 e publicado em 01/07/2025, analisando matéria em tudo análoga à enfrentada nos presentes autos, decidiu pela procedência da autuação fiscal. O voto vencedor representante do pensamento da maioria daquele Colegiado foi redigido pelo Conselheiro Iágaro Jung Martins e restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2018 MUDANÇA DE REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO LUCRO REAL PARA O LUCRO PRESUMIDO (OU ARBITRADO). TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DO SALDO DIFERIDO DE TRIBUTAÇÃO EM RAZÃO DE GANHO DECORRENTE DE AJUSTE A VALOR JUSTO. Constituiu hipótese de tributação os saldos dos valores diferidos quando o contribuinte migra do regime de tributação do Lucro Real para o Lucro Presumido, nos termos do art. 54 da Lei nº 9.430, de 1996. No caso concreto, o sujeito passivo promoveu avaliação de ativos com base em ajuste a valor justo (AVJ), os quais foram registrados em subcontas, em atendimento ao art. 13 da Lei nº 12.973, de 2014, para fins de diferimento do ganho da mais valia enquanto era optante do Lucro Real. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2018 Fl. 400DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.140 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.720125/2020-50 19 MUDANÇA DE REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO LUCRO REAL PARA O LUCRO PRESUMIDO (OU ARBITRADO). TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DO SALDO DIFERIDO DE TRIBUTAÇÃO EM RAZÃO DE GANHO DECORRENTE DE AJUSTE A VALOR JUSTO. Constituiu hipótese de tributação os saldos dos valores diferidos quando o contribuinte migra do regime de tributação do Lucro Real para o Lucro Presumido, nos termos do art. 54 da Lei nº 9.430, de 1996. No caso concreto, o sujeito passivo promoveu avaliação de ativos com base em ajuste a valor justo (AVJ), os quais foram registrados em subcontas, em atendimento ao art. 13 da Lei nº 12.973, de 2014, para fins de diferimento do ganho da mais valia enquanto era optante do Lucro Real. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza (Relator) e Eduarda Lacerda Kanieski, que lhe davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Iágaro Jung Martins. Por estes fatos e fundamentos, há de se prover o recurso de ofício e se restabelecer a autuação fiscal. 3 – CONCLUSÃO Por todo o exposto e pelo mais que dos autos consta, voto por conhecer do recurso de ofício e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO, restabelecendo a autuação fiscal objeto do processo. Assinado Digitalmente Maurício Novaes Ferreira Fl. 401DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 19515.721213/2017-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012 GLOSA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE MERCADORIAS NÃO OCORRIDAS DE FATO. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. Glosam-se os créditos do IPI escriturados nos livros fiscais alusivos a documentos fiscais reputados como inidôneos, em relação aos quais o sujeito passivo não comprovou o efetivo ingresso dos produtos no estabelecimento industrial. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012 DECADÊNCIA. A ocorrência de dolo, fraude ou simulação implica na contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A limitação constitucional que veda a utilização de tributo com efeito de confisco não se refere às penalidades. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012 NULIDADE. As arguições de nulidade só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. A exigência de que a lavratura do auto de infração se faça no local de verificação da falta não significa o local onde a falta foi praticada, mas sim onde foi constatada, nada impedindo, portanto, que ocorra no interior da própria repartição. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. IMPOSSIBILIDADE. Dada a existência de determinação legal expressa no sentido de que as intimações sejam endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao domicílio profissional do procurador. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. REPRESENTAÇÃO. FALTA DE PODERES. NÃO APRESENTAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO. REVELIA. INEXISTÊNCIA DE CONTROVÉRSIA. A falta de comprovação de que o signatário da peça de defesa possui poderes para representar a pessoa física a quem foi atribuída a responsabilidade solidária implica em não conhecer da impugnação. Assegurado ao suposto responsável solidário o direito ao contraditório e à ampla defesa, pela sua cientificação do auto de infração, operar-se-á a revelia em relação à referida nomeação como responsável solidário quando não conhecida a impugnação ao auto de infração, devendo ser declarada a inexistência de controvérsia quanto a este aspecto do lançamento.
Numero da decisão: 3401-014.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares e no mérito: a) não conhecer dos recursos voluntários interpostos por AMÉRICO SPIGAI FILHO E RICARDO LUIS SPIGAI; b) em conhecer do recurso voluntário interposto por DUTRA EMBALAGENS EIRELI e, no mérito, negar provimento. Assinado Digitalmente Celso José Ferreira de Oliveira – Relator Assinado Digitalmente Leonardo Correia Lima Macedo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Laercio Cruz Uliana Junior, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Mateus Soares de Oliveira, George da Silva Santos, Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente).
Nome do relator: CELSO JOSE FERREIRA DE OLIVEIRA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012 GLOSA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE MERCADORIAS NÃO OCORRIDAS DE FATO. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. Glosam-se os créditos do IPI escriturados nos livros fiscais alusivos a documentos fiscais reputados como inidôneos, em relação aos quais o sujeito passivo não comprovou o efetivo ingresso dos produtos no estabelecimento industrial. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012 DECADÊNCIA. A ocorrência de dolo, fraude ou simulação implica na contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A limitação constitucional que veda a utilização de tributo com efeito de confisco não se refere às penalidades. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012 NULIDADE. As arguições de nulidade só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. A exigência de que a lavratura do auto de infração se faça no local de verificação da falta não significa o local onde a falta foi praticada, mas sim onde foi constatada, nada impedindo, portanto, que ocorra no interior da própria repartição. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. IMPOSSIBILIDADE. Dada a existência de determinação legal expressa no sentido de que as intimações sejam endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao domicílio profissional do procurador. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. REPRESENTAÇÃO. FALTA DE PODERES. NÃO APRESENTAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO. REVELIA. INEXISTÊNCIA DE CONTROVÉRSIA. A falta de comprovação de que o signatário da peça de defesa possui poderes para representar a pessoa física a quem foi atribuída a responsabilidade solidária implica em não conhecer da impugnação. Assegurado ao suposto responsável solidário o direito ao contraditório e à ampla defesa, pela sua cientificação do auto de infração, operar-se-á a revelia em relação à referida nomeação como responsável solidário quando não conhecida a impugnação ao auto de infração, devendo ser declarada a inexistência de controvérsia quanto a este aspecto do lançamento.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares e no mérito: a) não conhecer dos recursos voluntários interpostos por AMÉRICO SPIGAI FILHO E RICARDO LUIS SPIGAI; b) em conhecer do recurso voluntário interposto por DUTRA EMBALAGENS EIRELI e, no mérito, negar provimento. Assinado Digitalmente Celso José Ferreira de Oliveira – Relator Assinado Digitalmente Leonardo Correia Lima Macedo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Laercio Cruz Uliana Junior, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Mateus Soares de Oliveira, George da Silva Santos, Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente).

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AQUISIÇÕES DE MERCADORIAS NÃO OCORRIDAS DE FATO. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. Glosam-se os créditos do IPI escriturados nos livros fiscais alusivos a documentos fiscais reputados como inidôneos, em relação aos quais o sujeito passivo não comprovou o efetivo ingresso dos produtos no estabelecimento industrial. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012 DECADÊNCIA. A ocorrência de dolo, fraude ou simulação implica na contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A limitação constitucional que veda a utilização de tributo com efeito de confisco não se refere às penalidades. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012 NULIDADE. As arguições de nulidade só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. Fl. 701DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.070 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721213/2017-53 2 LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. A exigência de que a lavratura do auto de infração se faça no local de verificação da falta não significa o local onde a falta foi praticada, mas sim onde foi constatada, nada impedindo, portanto, que ocorra no interior da própria repartição. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. IMPOSSIBILIDADE. Dada a existência de determinação legal expressa no sentido de que as intimações sejam endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao domicílio profissional do procurador. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. REPRESENTAÇÃO. FALTA DE PODERES. NÃO APRESENTAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO. REVELIA. INEXISTÊNCIA DE CONTROVÉRSIA. A falta de comprovação de que o signatário da peça de defesa possui poderes para representar a pessoa física a quem foi atribuída a responsabilidade solidária implica em não conhecer da impugnação. Assegurado ao suposto responsável solidário o direito ao contraditório e à ampla defesa, pela sua cientificação do auto de infração, operar-se-á a revelia em relação à referida nomeação como responsável solidário quando não conhecida a impugnação ao auto de infração, devendo ser declarada a inexistência de controvérsia quanto a este aspecto do lançamento. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares e no mérito: a) não conhecer dos recursos voluntários interpostos por AMÉRICO SPIGAI FILHO E RICARDO LUIS SPIGAI; b) em conhecer do recurso voluntário interposto por DUTRA EMBALAGENS EIRELI e, no mérito, negar provimento. Assinado Digitalmente Celso José Ferreira de Oliveira – Relator Fl. 702DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.070 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721213/2017-53 3 Assinado Digitalmente Leonardo Correia Lima Macedo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Laercio Cruz Uliana Junior, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Mateus Soares de Oliveira, George da Silva Santos, Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente). RELATÓRIO Por bem descrever a controvérsia até aquele momento processual, adoto o relatório da decisão de primeira instância: Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI relativo aos períodos de janeiro a dezembro de 2012. Segundo consta do auto de infração, a autuada creditou-se indevidamente do IPI destacado em documentos inidôneos (“notas frias”), reduzindo, assim, o valor do imposto a ser pago. Constatou-se que as operações comerciais não existiram, tendo a autuante, desta forma, procedido à glosa destes créditos e efetuado o lançamento de ofício. Segundo a autuante, o dolo ficou caracterizado na tentativa de ludibriar a fiscalização, ao realizar o pagamento parcial do imposto, em percentual inferior a 10% do valor devido, além de a empresa receber parte dos recursos de volta à margem da sua escrituração contábil, o que caracteriza fraude, nos termos do artigo 72 da Lei nº 4.502 de 30 de novembro de 1964. Assim, no lançamento de ofício foi aplicada a multa qualificada no percentual de 150%, nos termos do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Ademais, tendo em vista que a autuada, embora regularmente intimada, não apresentou a totalidade dos comprovantes dos pagamentos das mercadorias, não comprovou o frete, não apresentou a memória de cálculo do DACON, livros auxiliares, livro de apuração do IPI, não justificou o porquê do recebimento de transferências efetuadas pela empresa Alumiforte e não prestou esclarecimentos justificando os motivos do não atendimento às intimações, o percentual da multa de ofício aplicada foi majorado em 50%, nos termos do art. 44, § 2º, inciso I da Lei nº 9.430, de 1996. Com base no que dispõe o artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional – CTN, foi atribuída a responsabilidade solidária aos sócios da autuada, Srs. Américo Fl. 703DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.070 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721213/2017-53 4 Spigai Filho (CPF nº 269.285.408-00) e Ricardo Luís Spigai (CPF nº 163.458.598- 42), conforme Termos de Sujeição Passiva às folhas 519/520 e 521/522, respectivamente. Foi, ainda, formalizada a Representação Fiscal para Fins Penais com base no art. 1º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, objeto do processo nº 19515.721.214/217-06 a este apensado. Cientificada do auto de infração em 12/12/2017 (AR – Aviso de Recebimento à folha 580), a contribuinte apresenta impugnação às folhas 531/573, em 10/01/2018, conforme Termo de Solicitação de Juntada à folha 529, sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: 1. Requer preliminarmente que a defesa administrativa seja recebida com efeito suspensivo, até que sejam decididos os requerimentos e pedidos formulados; 2. O auto de infração foi lavrado na sede da Repartição Pública, em flagrante ofensa ao inciso II do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e aos princípios da ampla defesa e da publicidade, que deveriam revestir a atividade administrativa; 3. Durante a fiscalização, a contribuinte deveria ter tido a oportunidade de fazer- se representar por seu auxiliar contabilista e, se necessário, também pelo seu advogado; 4. Já decaiu o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário relativo aos períodos de apuração de janeiro a novembro de 2012, em face do transcurso do prazo de cinco anos previsto no artigo 150, parágrafo 4º, do Código Tributário Nacional; 5. Não há que se falar na aplicação do art. 173, I, do CTN, pois no presente caso não houve fraude, uma vez que a autuação foi motivada pela fiscalização da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, que resultou na lavratura de auto de infração objeto de discussão perante o Tribunal de Impostos e Taxas do Estado de São Paulo; 6. A autoridade fiscal não procedeu a uma investigação minuciosa para verificar se efetivamente os créditos foram ou não lançados de forma irregular, preferindo não se fundamentar na verificação de livros e demais documentos fiscais e contábeis da impugnante, mas limitando-se a autuá-la por entender que as relações comerciais em questão devem ser consideradas inidôneas, simplesmente ignorando a existência de uma série de documentos comprobatórios da mencionada relação comercial; 7. O auto de infração ignorou o princípio da verdade material, baseando-se em mera presunção de que não houve a consecução das operações mercantis entre a impugnante e a empresa tida por inidônea; 8. No período objeto da autuação, inexistia declaração de inidoneidade de todas as notas ficais emitidas pela empresa Rogério Iervolino, o que somente ocorreu por processo findo após as operações glosadas pela auditora fiscal; Fl. 704DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.070 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721213/2017-53 5 9. No pensar da autuante, os créditos glosados são indevidos não por inocorrência da operação de compra e venda, mas por mera presunção de inidoneidade das notas fiscais, não gozando o auto de infração, assim, da credibilidade necessária para ensejar a cobrança pretendida; 10. Inexistem provas cabais de que a impugnante não teve efetivas relações comerciais com a empresa tida por inidônea, discriminadas nos documentos fiscais, pois não há comprovação real de que tenha sido forjada a relação comercial para conferir lastro às notas fiscais emitidas; 11. Como se verifica do Termo de Verificação Fiscal, os sócios da empresa tida como inidônea foram encontrados, o que por si só demonstra a existência daquela empresa, pelo menos ao tempo em que esta manteve relações comerciais com a impugnante; 12. Ademais, a impugnante, adquirente de boa-fé, tomou todas as precauções que lhe eram possíveis no momento da realização das operações comerciais, bem como realizou pagamentos das mercadorias, não sendo devida a exigência fiscal perpetrada na presente autuação fiscal, o que torna nula a apuração do débito; 13. No caso, deveria a auditora fiscal demonstrar que as operações comerciais entre a impugnante e a empresa tida por inidônea foram forjadas, o que não ocorreu, limitando-se a considerar indevidos os créditos que foram glosados com base em presunção da inidoneidade; 14. Além disso, o processo que apura a inidoneidade dos documentos emitidos pela empresa Rogério Iervolino foi posterior às notas fiscais encartadas aos autos, que se referem a operações mercantis realizadas no período de janeiro a dezembro de 2012, cuja declaração de inidoneidade pela Delegacia Regional Tributária II, da Capital do Estado de São Paulo, foi publicada no Diário Oficial do Estado em 06/07/2013; 15. Entretanto, em assim sendo, a declaração de inidoneidade da referida empresa não influi nas operações comerciais dessa com a impugnante, sendo as glosas em tela irregulares, pois, segundo a legislação pertinente e a jurisprudência dominante de nossos tribunais, a declaração de inidoneidade só tem valor a partir de sua publicação, e os seus efeitos não retroagem à data de sua publicação, citando julgado do Superior Tribunal de Justiça – STJ que corroboraria seus argumentos; 16. Quanto à alegação da autuante para aplicar a multa pelo embaraço a fiscalização, de que a autuada não apresentou todos os documentos solicitados, assim não o fez por não mais tê-los visto serem “documentos de 5 anos atrás”, e não entregar documentos que não tem não se caracteriza como embaraço a fiscalização; 17. A multa de ofício aplicada é inconstitucional, por ser confiscatória e ferir o princípio da capacidade contributiva; Fl. 705DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.070 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721213/2017-53 6 18. Por fim, requer que futuras intimações sejam encaminhadas ao seu procurador. Os responsáveis solidários foram igualmente cientificados em 12/12/2017 e 19/12/2017, conforme AR às folhas 581/582, apresentando irresignação às folhas 574/576 e 577/579, alegando: 1. Foram incluídos no presente processo e estão sendo responsabilizados solidariamente pelo crédito tributário atribuído à empresa Dutra Embalagens Eireli na qualidade de sócios, sob a alegação de terem agido com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto, mas a motivação específica de sua responsabilidade tributária não consta nos Termos de Sujeição Passiva, o que por si só já é passível de nulidade, pois todos os atos administrativos devem ser devidamente motivados; 2. Cabe à autuante dispor o motivo que a levou a considerá-los responsáveis e prová-lo, e não simplesmente alegar ou declarar que eles eram os sócios administradores, sendo por isso responsáveis por utilizar notas fiscais declaradas inidôneas; 3. A impugnação apresentada pela empresa Dutra Embalagens Eireli demonstra que os peticionários não agiram com excesso de poderes, que não infringiram qualquer dispositivo de lei e que não contrariaram os termos do contrato social da empresa. Tendo em vista a inexistência nos autos de instrumento particular de procuração outorgando poderes de representação ao Sr. Luiz Paulo dos Santos, que juntou ao processo as contestações dos responsáveis solidários, foram emitidas as Intimações nº 157/2018 (fl. 588) e nº 158/2018 (fl. 599) para saneamento, das quais as pessoas físicas foram devidamente cientificadas em 15/02/2018 (fls. 592/593). Sobreveio decisão de primeira instância assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012 GLOSA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE MERCADORIAS NÃO OCORRIDAS DE FATO. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. Glosam-se os créditos do IPI escriturados nos livros fiscais alusivos a documentos fiscais reputados como inidôneos, em relação aos quais o sujeito passivo não comprovou o efetivo ingresso dos produtos nº estabelecimento industrial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012 DECADÊNCIA. Fl. 706DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.070 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721213/2017-53 7 A ocorrência de dolo, fraude ou simulação implica na contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A limitação constitucional que veda a utilização de tributo com efeito de confisco não se refere às penalidades. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012 NULIDADE. As arguições de nulidade só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. A exigência de que a lavratura do auto de infração se faça no local de verificação da falta não significa o local onde a falta foi praticada, mas sim onde foi constatada, nada impedindo, portanto, que ocorra no interior da própria repartição. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. IMPOSSIBILIDADE. Dada a existência de determinação legal expressa no sentido de que as intimações sejam endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao domicílio profissional do procurador. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. REPRESENTAÇÃO. FALTA DE PODERES. NÃO APRESENTAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO. REVELIA. INEXISTÊNCIA DE CONTROVÉRSIA. A falta de comprovação de que o signatário da peça de defesa possui poderes para representar a pessoa física a quem foi atribuída a responsabilidade solidária implica em não conhecer da impugnação. Assegurado ao suposto responsável solidário o direito ao contraditório e à ampla defesa, pela sua cientificação do auto de infração, operar-se-á a revelia em relação à referida nomeação como responsável solidário quando não conhecida a impugnação ao auto de infração, devendo ser declarada a inexistência de controvérsia quanto a este aspecto do lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada a recorrentes apresentou recurso voluntário em que repisa os argumentos de sua impugnação. Cientificados da decisão de primeira instância, os senhores AMÉRICO SPIGAI FILHO, ciência em 30 de agosto de 2018, por meio de seu procurador, e RICARDO LUIS SPIGAI, ciência em 27 de agosto de 2018, por meio de seu procurador, não interpuseram Recurso Voluntário, mas apresentaram Pedido de Reconsideração em 21 de setembro de 2018, em que se alega: Fl. 707DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.070 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721213/2017-53 8 É de se ressaltar que ao contrário do que foi julgado, LUIZ PAULO DOS SANTOS era sim procurador à época do protocolo e continua como procurador, conforme atesta procuração eletrônica válida, sem a qual não poderia ter realizado o protocolo da impugnação apresentada. A procuração eletrônica outorgada fica fazendo parte integrante desta peça tanto a atual como a anterior, mas para que não pairem dúvidas quanto ao mandato, anexa novamente também a física. Cumpre ressaltar, que junto aos processos dos requeridos acima, o portal eletrônico não permite que sejam realizados protocolos com o certificado digital da pessoa física como solidário, razão pelo qual foi realizado diretamente o protocolo no processo da empresa. Conforme se depreende dos documentos acostados acima, temos que tanto à época da propositura do presente recurso como no presente momento o peticionário era e ainda é procurador de todos os requeridos nos autos. Diante do exposto, requer a juntada dos documentos que acompanham este pedido, requerendo desde já a RECONSIDERAÇÃO DA DECISÃO QUE DESCONSIDEROU A DEFESA APRESENTADA POR NÃO HAVER PROCURAÇÃO NOS AUTOS. Sintetizo o relatório a fim de que possamos ele retirar as questões submetidas à deliberação do colegiado: 1. Trata-se de recursos voluntários interpostos contra decisão da 4ª Turma da DRJ/SDR, consubstanciada no Acórdão nº 15-44.809, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela DUTRA EMBALAGENS EIRELI e não conheceu das impugnações apresentadas em nome de AMÉRICO SPIGAI FILHO e RICARDO LUIS SPIGAI, por ausência de procuração válida. 2. Consta dos autos que o órgão preparador intimou os corresponsáveis para regularizar a representação processual mediante apresentação de procuração hábil. O prazo transcorreu sem atendimento, permanecendo o vício formal. 3. Foram lavrados: 3.1. Auto de Infração contra DUTRA EMBALAGENS EIRELI, exigindo IPI, multa qualificada de 225% e juros de mora, no montante total de R$ 434.252,30, em razão da glosa de créditos de IPI sobre aquisições da empresa ROGÉRIO IERVOLINO – ALUMIFORTE, declarada inidônea pela SEFAZ/SP com efeitos retroativos. 3.2. Termo de Sujeição Passiva Solidária para os sócios AMÉRICO SPIGAI FILHO e RICARDO LUIS SPIGAI, responsáveis tributários solidários, com fundamento no art. 135, III, do CTN. Fl. 708DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.070 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721213/2017-53 9 4. Recurso da pessoa jurídica: sustenta nulidade formal, decadência com base no art. 150, §4º, do CTN, boa-fé, afronta ao princípio da verdade material e indevida aplicação da multa qualificada. 5. Recursos dos corresponsáveis: interpostos contra o lançamento, mas sem impugnação válida em primeira instância, já que a DRJ não os conheceu por ausência de procuração hábil, mesmo após intimação para saneamento. É o relatório. VOTO Conselheiro Celso José Ferreira de Oliveira, Relator O recurso da DUTRA EMBALAGENS é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele se deve conhecer. Em relação ao Pedido de Reconsideração apresentado pelos responsáveis tributários solidários, em função de não haver sido apresentada impugnação válida e, portanto, não instaurada a fase litigiosa nos termos do artigo 14, não se deve tomar conhecimento. Vejamos. Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 14-A. No caso de determinação e exigência de créditos tributários da União cujo sujeito passivo seja órgão ou entidade de direito público da administração pública federal, a submissão do litígio à composição extrajudicial pela Advocacia- Geral da União é considerada reclamação, para fins do disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional. (Incluído pela Lei nº 13.140, de 2015) Vigência Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Parágrafo único. Ao sujeito passivo é facultada vista do processo, no órgão preparador, dentro do prazo fixado neste artigo. [...] Fl. 709DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.070 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721213/2017-53 10 Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Portanto, em relação aos sujeitos passivos que não apresentaram impugnação, nada mais há a discutir. [...] Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º No caso de impugnação parcial, não cumprida a exigência relativa à parte não litigiosa do crédito, o órgão preparador, antes da remessa dos autos a julgamento, providenciará a formação de autos apartados para a imediata cobrança da parte não contestada, consignando essa circunstância no processo original. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º A autoridade preparadora, após a declaração de revelia e findo o prazo previsto no caput deste artigo, procederá, em relação às mercadorias e outros bens perdidos em razão de exigência não impugnada, na forma do art. 63. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3° Esgotado o prazo de cobrança amigável sem que tenha sido pago o crédito tributário, o órgão preparador declarará o sujeito passivo devedor remisso e encaminhará o processo à autoridade competente para promover a cobrança executiva. Trata-se de não apresentação de impugnação válida e, em consequência, não instauração da fase litigiosa, tornando as imputações de responsabilidade tributária matéria decidida definitivamente na esfera administrativa. Assim vem decidindo o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, seja nas turmas ordinárias seja na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Neste sentido, os Acórdãos nº 1301.002.206, nº 9303-016.555, nº 9101-005.493, nº 9303-011.582: Acórdão nº 9303-016.555 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2006 RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. A impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal para o impugnante, ocorrendo a preclusão processual para os demais interessados que não apresentarem impugnação, salvo no caso de matéria de ordem pública. Além da matéria impugnada, a impugnação tem, como um de seus elementos Fl. 710DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.070 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721213/2017-53 11 caracterizadores, o próprio impugnante: isso significa que o processo fiscal será instaurado apenas com relação a quem apresentou impugnação e na medida da matéria impugnada. Nessa linha, se apenas o devedor principal apresentar impugnação, o processo administrativo será instaurado com relação apenas a ele, ocorrendo a preclusão processual quanto aos demais responsáveis solidários que não se manifestaram. ................................ .............................. Acórdão nº 9303-011.582 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2008 IMPUGNAÇÃO INEXISTENTE. PRECLUSÃO. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO EM SEDE RECURSAL. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido especificamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade, e, menos ainda, de ofício. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão em relação ao tema (responsabilidade solidária). Incabível a apreciação de alegada matéria de ordem pública quando não conhecida a impugnação, por intempestividade. ..................................... ............................ Acórdão nº 3201-012.373 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 RECURSO VOLUNTARIO. INTERPOSIÇÃO PELO SÓCIO QUE NÃO APRESENTARA IMPUGNAÇÃO. INADMISSIBILIDADE. A luz do art. 14 do Decreto 70.235/72, a impugnação administrativa é que instaura a lide, no âmbito do PAF. A falta de oposição da aludida defesa opera inadvertida preclusão e impede a formação da relação processual, sendo, pois, inadmissível, eventual recurso voluntário posteriormente interposto. ..................................... ................................. Acórdão nº 1301.002.206 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2008 Fl. 711DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.070 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721213/2017-53 12 [...] AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. REVELIA. PRECLUSÃO. Ao deixar de impugnar o lançamento, o sujeito passivo (responsável tributário) se toma revel no processo, operando-se para ele a preclusão processual, muito embora o processo tenha tido seguimento para outro sujeito passivo (contribuinte). Logo, não é possível analisar os fundamentos de seus recursos, por faltar competência a este colegiado para apreciação de matéria para a qual não se instaurou o contencioso administrativo tributário. Portanto, voto por não conhecer os recursos voluntários dos responsáveis solidários e por conhecer o recurso voluntário da DUTRA EMBALAGENS. Preliminares Nulidade formal do Auto de Infração O Auto de Infração descreve a infração, identifica o período de apuração, o valor do crédito tributário e indica expressamente o Termo de Verificação Fiscal (TVF) como parte integrante, no qual consta o detalhamento das operações e das conclusões fiscais. Para a pessoa jurídica, entendo que a motivação é suficiente, pois a remissão expressa ao TVF supre o requisito de descrição pormenorizada (art. 10, Decreto nº 70.235/72). Ademais, a própria impugnação apresentada revela o perfeito entendimento das imputações que lhe foram feitas, afastando a incidência do disposto no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Adoto como minhas as razões de decidir da primeira instância e voto, portanto, por rejeitar a preliminar de nulidade. Decadência A Recorrente sustenta a aplicação do art. 150, §4º, do CTN, por inexistir fraude, o que acarretaria a extinção dos créditos referentes a jan-nov/2012. O conjunto probatório, entretanto, aponta para fraude, considerando, eis que a descrição pormenorizada revela: a) inexistência material da fornecedora (estrutura física incompatível, fornecedores fictícios, volume irreal de movimentação); b) vínculo com empresa anteriormente declarada inidônea (ALUNOBRE); c) comercialização de mercadorias sem origem comprovada. Fl. 712DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.070 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721213/2017-53 13 Neste caso, o conjunto probatório atrai a incidência do art. 173, I, do CTN, afastando-se, portanto, a decadência. Adoto como minhas as razões de decidir da primeira instância e voto, portanto, por rejeitar tal prejudicial de mérito. Mérito O lançamento tem por fundamento a glosa de créditos básicos de IPI oriundos de aquisições da empresa Rogério Iervolino – ALUMIFORTE Distribuidora de Metais, posteriormente declarada inidônea pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (SEFAZ/SP), com efeitos retroativos à data de abertura, em razão de constatação de simulação de existência de estabelecimento, interposição de pessoas e utilização de fornecedores inexistentes. Consta do Termo de Verificação Fiscal (TVF) que a ALUMIFORTE apresentava capital social de R$ 10.000,00, estrutura física mínima (350 m², poucos fardos de sucata, um compactador, sem veículos e maquinário industrial), baixo quadro de pessoal e ausência de capacidade econômica e operacional compatível com o faturamento declarado, que ultrapassou R$ 210 milhões em 2012. Apurou-se ainda que cerca de 90% das compras da fornecedora provinham de empresas fictícias, com CNPJs tornados nulos. A fiscalização vinculou o caso ao encerramento de atividades da empresa ALUNOBRE, com perfil idêntico e igualmente declarada inidônea pela SEFAZ/SP, sustentando tratar-se de continuidade do mesmo esquema. As operações documentadas pelas notas fiscais emitidas pela ALUMIFORTE foram reputadas inexistentes, ensejando a glosa dos créditos de IPI apropriados pela Recorrente. 3. Boa-fé do adquirente Nunca é demais dizer quanto ao ponto que o STJ firmou que a boa-fé afasta a glosa de crédito somente se comprovada a efetiva operação, sendo ineficaz a mera regularidade formal das notas fiscais. Do mesmo modo, a Lei nº 9.430/96 estabeleceu os efeitos da inidoneidade de documentos fiscais e os casos a que não se aplicam tais efeitos: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstas na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido considerada ou declarada inapta. (Redação dada pela Lei nº 14.195, de 2021) Fl. 713DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.070 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721213/2017-53 14 Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. No caso, a Recorrente não apresentou sequer provas de entrega das mercadorias tais como: canhotos de notas fiscais, conhecimento de transporte, ordens de compra, controle de estoque, limitando-se a afirmar que realizou pagamentos e que à época não havia declaração de inidoneidade. A colegiado de primeira instância assim decidiu: Ora, bastassem a nota fiscal e os registros nos Livros de Entrada e de Apuração do IPI como prova da efetiva realização da transação e da entrega da mercadoria pelo vendedor no estabelecimento do comprador, a autuação seria absolutamente inócua, e o processo estaria direcionado exclusivamente pela verdade formal. Porém, no presente processo está sendo perseguida não só a verdade escrita nos documentos formais, mas o que de fato aconteceu nas operações em análise. Nesse contexto é que se insere a Súmula STJ nº 509, que evidencia exatamente a possibilidade jurídica de contestar, no caso concreto, a presumida inexistência das operações: É lícito ao comerciante de boa-fé aproveitar os créditos de ICMS decorrentes de nota fiscal posteriormente declarada inidônea, quando demonstrada a veracidade da compra e venda. Porém, a referida Súmula do STJ não se aplica ao presente caso, por absoluta falta de subsunção. Não há como se considerar a autuado terceiro de boa-fé. Repita-se, não demonstrou que a Alumiforte tinha capacidade operacional e efetivamente efetuou as vendas de matérias primas conforme documentos fiscais emitidos. Na impugnação, não refutou convincentemente os fatos narrados, nem os documentos trazidos pela autoridade lançadora, os quais compuseram um forte conjunto probatório e conduziram à conclusão de que a autuada se utilizava dessa suposta fornecedora para creditar-se indevidamente do IPI e não recolher corretamente o imposto devido. A glosa deve ser mantida conforme efetuada. Além de todos os elementos comprobatórios levantados, adicionalmente a autuante valeu-se de informações oriundas do órgão de fiscalização estadual (declaração de nulidade da inscrição estadual desde a data em que obteve a inscrição estadual). Destaque-se que além da Sefaz/SP, o CNPJ da Alumiforte foi baixado de ofício pela RFB nos autos do processo nº 16095.720050/2014-49, conforme Ato Declaratório Fl. 714DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.070 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721213/2017-53 15 Executivo nº 324 da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária, publicado no DOU de 07/11/2014 (fl. 457). O supracitado processo nº 16095.720050/2014-49 encontra-se arquivado desde 13/11/2017. A baixa do CNPJ foi motivada pela “inexistência de fato”, assim entendida a pessoa jurídica que não dispuser de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, nos termos da alínea “a” do inciso II do artigo 27 da Instrução Normativa RFB nº 1.470, de 30 de maio de 2014. Provada por todos os meios juridicamente admitidos, no âmbito de um processo de exigência tributária contra a adquirente, a inexistência de fato de uma empresa supostamente fornecedora, com elementos probatórios relevantes, a documentação fiscal pode ser afastada como tributariamente ineficaz, ainda mais quando houve declaração de nulidade da inscrição estadual em ato oficial adequado. Também aqui não vejo razões para reforma da decisão de primeira instância e adoto os seus fundamentos para negar provimento ao recurso neste ponto. Princípio da verdade material A fiscalização baseou-se em diligências próprias e em informações de outros entes (SEFAZ/SP), que indicaram elementos concretos da inexistência das operações. A ausência de inspeção direta junto à Recorrente não descaracteriza a presunção de legitimidade do lançamento, sobretudo diante de provas consistentes de simulação nas operações da fornecedora. 6. Multa qualificada Outra vez não merecem guarida os argumentos da recorrente. Além de todas as provas levantadas pela autuante, já mencionadas neste voto, que confirmam a ocorrência de fraude e motivam a qualificação da multa de ofício, em tópico específico do Termo de Verificação Fiscal foi analisado o relacionamento entre a Dutra e Alumiforte – Rogério Iervolino: 37. Durante a ação fiscal na ALUMIFORTE, obtivemos informações sobre a sua movimentação financeira na forma do inciso I parágrafo 3º. Do artigo 4º. Do Decreto 3.724/2001. Fl. 715DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.070 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721213/2017-53 16 38. De posse destas informações, verificamos que pagamentos efetuados pela DUTRA constavam nas informações de conta- corrente da ALUMIFORTE apresentadas pelos bancos, porém, verificamos que estes pagamentos eram muito inferiores ao valor das mercadorias supostamente adquiridas, e que, na maioria das vezes, na mesma data, uma parte deste valor foi transferido de volta para a DUTRA. 39. Verificamos, também, que a transferência de recursos da ALUMIFORTE em favor da DUTRA não estava suportada pela emissão de qualquer documento fiscal. (...)45. Examinando os fatos até aqui relatados constata-se o seguinte: (...)c) Em relação aos pagamentos efetuados em 2012 (ANEXO III), considerando que as mercadorias, supostamente, adquiridas, perfazem o valor de R$ 2.384.282,25 constata-se que a empresa só realizou pagamentos no valor de R$ 145.452,98, menos de 10% do total, e que na maioria das vezes, na mesma data, uma parte deste valor retornou para a DUTRA. d) Em relação as transferências recebidas pela DUTRA, fica claro que se trata de formação de caixa dois, onde a empresa simula a aquisição de mercadorias, integrando o seu custo e gerando crédito de tributos, realizando o pagamento destas “mercadorias” na tentativa de comprovar sua boa-fé. Em seguida parte dos valores retornam para a empresa, para não chamar a atenção. Conforme relação de Valores Recebidos (ANEXO IV). Restou demonstrada à exaustão a fraude praticada pela autuada. A impugnante se irresigna contra o agravamento da multa em 50% sob o argumento de que não apresentou todos os documentos solicitados por não mais possuí-los, visto que decorridos mais de 5 anos dos períodos fiscalizados. Conclui que não entregar documentos que se não tem não caracteriza embaraço a fiscalização. Os fatos geradores autuados ocorreram entre janeiro e dezembro de 2012, tendo a fiscalização se iniciado em abril de 2017. Além de à época ainda não terem se passado 5 anos em relação a todos os meses fiscalizados, não é razoável acreditar que a autuada simplesmente se desfez de toda a documentação a medida em que transcorria o prazo de 5 anos, embora estivesse sob procedimento fiscal. Ademais, sequer informou à fiscalização os motivos pelos quais não atendeu às intimações para apresentação do que lhe fora solicitado. Simplesmente não apresentou os comprovantes de pagamento, os documentos solicitados em intimações datadas de 06/06/2017 e 24/07/2017 (ainda que tenha informado que todos os itens haviam sido devidamente atendidos dentro do prazo, mesmo não Fl. 716DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.070 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721213/2017-53 17 apresentando qualquer elemento ou esclarecimento novos), e de 06/09/2017, frisando a auditora fiscal que a “contribuinte não apresentou documentos, qualquer justificativa ou esclarecimento”. Assim concluiu no Termo de Verificação Fiscal: 43. Constatamos que a DUTRA, regularmente intimada, NÃO comprovou o efetivo pagamento das mercadorias supostamente adquiridas da ALUMIFORTE, bem como NÃO comprovou o efetivo transporte das mercadorias e, consequentemente, o seu recebimento. Assim, ainda forte nas razões de decidir do colegiado de primeira instância, tem por bem lançadas a qualificação e o agravamento da multa de ofício, pelo que voto por negar provimento ao recurso voluntário neste ponto. Conclusão Por todo exposto, voto por: (a) não conhecer dos recursos voluntários interpostos por AMÉRICO SPIGAI FILHO e RICARDO LUIS SPIGAI; (b) conhecer do recurso voluntário interposto por DUTRA EMBALAGENS EIRELI, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Celso José Ferreira de Oliveira Fl. 717DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 19515.721423/2013-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 DISTRIBUIÇÃODELUCROS.LUCROPRESUMIDO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. RESPEITO À LEGISLAÇÃO SOCIETÁRIA. A empresa optante pelo lucro presumido pode distribuir lucros em valor superior à base de cálculo presumida, desde que demonstre, mediante escrituração contábil regularmente mantida e tempestivamente registrada na Junta Comercial, que o lucro efetivo é maior. Escrituração irregular, intempestiva ou desacompanhada das formalidades legais não se presta a comprovar a apuração do lucro efetivo, inviabilizando a isenção pretendida. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. VERDADE MATERIAL. FORMALIDADE ESSENCIAL. Não se trata de formalismo acessório, mas de requisito legal essencial a autenticação tempestiva do Livro Diário e a observância das disposições legais de escrituração. A ausência de registros contábeis devidamente autenticados retira a historicidade dos lançamentos e compromete a confiabilidade das informações, tornando inapta a escrituração para fins de comprovação da isenção de imposto de renda sobre lucros excedentes ao lucro presumido.
Numero da decisão: 2201-012.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negarprovimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Fernando Gomes Favacho – Relator Assinado Digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Débora Fófano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Weber Allak da Silva, Luana Esteves Freitas, Thiago Alvares Feital, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO GOMES FAVACHO

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LUCRO PRESUMIDO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. RESPEITO À LEGISLAÇÃO SOCIETÁRIA. A empresa optante pelo lucro presumido pode distribuir lucros em valor superior à base de cálculo presumida, desde que demonstre, mediante escrituração contábil regularmente mantida e tempestivamente registrada na Junta Comercial, que o lucro efetivo é maior. Escrituração irregular, intempestiva ou desacompanhada das formalidades legais não se presta a comprovar a apuração do lucro efetivo, inviabilizando a isenção pretendida. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. VERDADE MATERIAL. FORMALIDADE ESSENCIAL. Não se trata de formalismo acessório, mas de requisito legal essencial a autenticação tempestiva do Livro Diário e a observância das disposições legais de escrituração. A ausência de registros contábeis devidamente autenticados retira a historicidade dos lançamentos e compromete a confiabilidade das informações, tornando inapta a escrituração para fins de comprovação da isenção de imposto de renda sobre lucros excedentes ao lucro presumido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 889DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.345 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721423/2013-18 2 Assinado Digitalmente Fernando Gomes Favacho – Relator Assinado Digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Débora Fófano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Weber Allak da Silva, Luana Esteves Freitas, Thiago Alvares Feital, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente). RELATÓRIO Foi lavrado o Auto de Infração (fls. 239 a 246), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física do ano-calendário 2008, por meio do qual foi apurado imposto suplementar, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora. Segundo o Termo de Verificação Fiscal (fls. 231 a 238), o contribuinte declarou em sua DIRPF do ano-calendário 2008 o montante de R$ 3.777.752,00 a título de rendimentos isentos e não tributáveis - distribuição de lucros, recebidos da empresa Setembro Participações Societárias Ltda., optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido e da qual o contribuinte é sócio. O recebimento ocorreu em 08/08/2008, conforme Livros Diário e Razão (conta Lucros de Exercícios Anteriores). Apurou a Fiscalização que o contribuinte possui 29,991% do capital social da empresa, e que o Livro Diário apresentado não possuía registro na Junta Comercial do Estado de SP, portanto em desacordo com as normas legais. Foi então elaborada planilha dos lucros distribuídos ao contribuinte no ano em questão, com base nas informações da DIRPF e DIRPJ, constatando-se que a distribuição de lucros anual ao contribuinte em valor superior a R$ 549.847,66 (29,991% do lucro presumido menos impostos) implica na incidência do imposto de renda. Cientificado da autuação em 14/06/2013 (fl. 247), o interessado apresentou, em 16/07/2013, Impugnação (fls. 257 a 265), por meio da qual alega, em síntese: a) Houve erro de fato no preenchimento da DIRPF do impugnante. O valor recebido de outra empresa (Sinimplast), no montante de R$ 1.094.270,00, foi incluído novamente junto aos valores recebidos da empresa Setembro Participações, que na verdade somam R$ 2.683.482,00, conforme informações da DIPJ. Fl. 890DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.345 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721423/2013-18 3 A soma desses dois valores resulta exatamente no valor informado de R$ 3.777.752,00 como recebidos da Setembro Participações. Juntou extrato bancário (fls. 283-287) que demonstra que foi transferido ao então impugnante tão somente o valor de R$ 2.683.482,00 (R$ 1.922.318,00 em 08/08/2008 e R$ 761.164,00 em 15/08/2008). b) A Fiscalização não autuou o impugnante por considerar que a sua escrituração contábil não daria suporte à distribuição de lucros realizada, mas sim porque o livro Diário referente ao ano de 2008 não havia sido registrado na Junta Comercial. O Acórdão 15-43.917 da 3ª Turma da DRJ/SDR (fl. 791), em Sessão de 12/01/2018, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. a) Sobre a alegação de erro de fato: Em consulta à DIPJ apresentada pela empresa Setembro Participações em 15/07/2009 (declaração original), verificou-se que foi entregue zerada (fls. 198-212). Foi apresentada retificadora em 04/06/2013 (fl. 213), data em que o contribuinte já se encontrava sob fiscalização (fls. 18-19), sendo informado nessa retificadora o valor de lucros/dividendos distribuídos ao impugnante no valor de R$ 2.683.482,00 (fl. 226). O contribuinte afirma que a diferença entre o valor declarado em sua DIRPF como recebido a título de lucros/dividendos da empresa Setembro Participações (R$ 3.777.752,00) e o valor efetivamente recebido dessa empresa (R$ 2.683.482,00), no montante de R$ 1.094.270,00, foi na verdade recebido de outra empresa: a Sinimplast. Tal valor encontra-se também declarado em sua DIRPF (fl. 10). No entanto, não apresenta nenhuma comprovação de recebimento deste último valor da Sinimplast, além da sua própria DIRPF, a qual ele mesmo alega que não pode servir de prova em relação ao recebimento dos R$ 3.777.752,00 da Setembro Participações, pleiteando que deve ser observada a verdade material. No extrato bancário da empresa Setembro, apresentado pelo contribuinte (fl. 285), realmente constam os valores de transferência de R$ 1.922.318,00 e R$ 761.164,00, em 08/08/2008 e 15/08/2008, respectivamente. Contudo, existem nesse mesmo extrato inúmeras outras transferências sem identificação do beneficiário. Além disso, a empresa Setembro pode possuir outras contas bancárias. O extrato apresentado não faz prova, portanto, de que o contribuinte recebeu apenas os valores de R$ 1.922.318,00 e R$ 761.164,00 da empresa Setembro. Vale ressaltar que o contribuinte não apresentou extratos bancários seus (pessoa física). Os demonstrativos às fls. 284 e 286 não contém sequer assinatura, e seus valores foram supostamente obtidos a partir da escrituração apresentada sem o devido registro na Junta Comercial, como exige a lei, à época da Fiscalização. Sobre a tributação do lucro excedente ao lucro presumido: Alega o contribuinte que o resultado da empresa Setembro Participações, de acordo com a sua escrituração contábil, dava lastro suficiente para suportar a distribuição de lucro Fl. 891DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.345 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721423/2013-18 4 antecipado realizado. Que o contribuinte já possuía escriturado o livro Diário de 2008 no período da Fiscalização: o empecilho é que o referido livro não havia sido registrado na Junta Comercial. É evidente que a escrituração exigida neste caso é aquela que seja hábil a demonstrar o lucro efetivo, ou seja, a mesma à qual estão obrigadas as empresas que se submetem à sistemática de apuração do imposto pelo lucro real. Para tanto é indispensável que a escrituração contábil cumpra os requisitos formais estabelecidos nas normas pertinentes, dentre as quais se insere a Instrução Normativa SRF n° 16, de 1984, que dispõe a exigência de que o registro e a autenticação tenham sido promovidos até a data prevista para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos do correspondente exercício financeiro. O contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fl. 823 a 838 e 846 a 861). Sobre a admissibilidade do Recurso Voluntário, traz a Equipe de controle do Direito Creditório o pedido de Encaminhamento ao CARF (fl. 866), pelo que segue: Irresignado, contribuinte interpôs impugnação em 16/07/2013, a qual foi considerada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), fls. 791/799. Para cientificar o contribuinte da referida decisão, encaminhou-se intimação nº 75/2018, cuja data de ciência ocorreu em 29/01/2018, fl.805, facultando-lhe a interposição de recurso voluntário no prazo de 30 (trinta) dias. Em 29/03/2018, submetido à análise pelo(a) servidor(a) responsável desta equipe, o(a) qual não acusando a existência de pagamento ou recurso voluntário, o processo foi encaminhado à inscrição em dívida ativa da União. Ocorre que o contribuinte protocolizou recurso voluntário em 28/02/2018 no CAC PAULISTA/DERAT/SP, fls. 846/863, e a peça recursal não foi enviada por solicitação de juntada ao e-processo, sendo encaminhada a esta equipe tão somente em 07/05/2018, fl.844, ocasião em que o processo já se encontrava inscrito em dívida ativa. Da análise do processo, denota-se que a interposição do recurso voluntário foi realizada de forma tempestiva. Assim sendo, feitas tais considerações, o recurso voluntário se encontra pendente de julgamento e deve ser encaminhado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF/MF). São os argumentos colacionados no Recurso Voluntário: (fl. 848) O Fiscal Autuante aplicou o art. 51, §2º da IN SRF no 11/96, para concluir que, com base na participação de 29,91%, o Recorrente somente poderia ter recebido, a título de lucros isentos, o montante de R$ 549.847,66 e não o valor de R$ 3.777.752,00 que constou de sua DIPF 2009 (ano 2008) como rendimento isento decorrente de distribuição de lucros pagos pela empresa. Deste modo, cobra-se a título de imposto o valor de R$ 887.673,70, com juros no valor de R$ 339.180,12, e multa de 75% no valor de R$ 665.755,28, totalizando o montante de R$ 1.892.609,10. (fl. 849) A decisão recorrida, entretanto, entendeu pela manutenção do Auto de Infração, tendo em vista que não teria sido apresentada comprovação do recebimento da Sinimplast e, em relação à comprovação do resultado para dar Fl. 892DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.345 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721423/2013-18 5 margem à distribuição de lucro realizada, desconsiderou toda a documentação contábil apresentada, tendo em vista que o Livro Diário não teria sido registrado no prazo regulamentar. (fl. 850) Como pode se constatar da análise de fls. 10 dos autos, o Recorrente declara que recebeu, a título de distribuição de lucros e dividendos, da empresa "SETEMBRO PARTICIPAÇÕES'", a quantia de R$ 3.777.752,00. Ocorre que, ao lançar os valores em sua declaração, o Recorrente acabou por incorrer em erro de fato, ao incluir juntamente com os valores recebidos da empresa Setembro Participações, o valor recebido de outra empresa, qual seja Sinimplast Indústria e Comércio Ltda., de modo que ao valor efetivamente recebido da empresa Setembro Participações de R$ 2.683.482.00, foi indevidamente acrescido o montante de R$ 1.094.270,00, o qual foi recebido de empresa diversa: (fl. 851) Não bastassem esses fatos, juntou-se (fls. 284/287) também extrato bancário que demonstra que foi transferido pela empresa "SETEMBRO PARTICIPACÕES" ao Recorrente tão somente o valor R$ 2.683.482,00 (R$ 1.992.318,00 em 08/08/08 e R$ 761.164,00 em 15/08/08). (fl. 853) Conforme supra descrito, a autuação se deu por ter, o Agente Autuante, vislumbrado que o Recorrente somente poderia ter recebido distribuição de lucros isentos da "SETEMBRO PARTICIPAÇÕES" até o limite do lucro presumido de R$ 549.847,66. Como foi distribuído ao Recorrente o montante de R$ 2.683.482,00 (ou R$ 3.777.752,00 conforme equívoco já demonstrado), o Fiscal entendeu que este valor foi distribuído acima do limite isento do lucro presumido e, deste modo, tributou a diferença. (...) Portanto, a fiscalização não autuou o Recorrente por considerar que a sua escrituração contábil não daria suporte à distribuição de lucros realizada, mas, sim, por que o Livro Diário referente ao período de 2008 não havia sido registrado na junta comercial. Ignorando a documentação contábil apresentada pelo Recorrente, o Agente Autuante passou a considerar, como limite para a distribuição de dividendos isentos, a base de cálculo utilizada para apurar o Lucro Presumido da "SETEMBRO PARTICIPAÇÕES" e, então, tributou o valor excedente, ignorando por completo, a documentação contábil que daria suporte à distribuição de lucros. (fl. 854) Veja-se que a escrituração contábil, ainda que não registrada na junta comercial, foi apresentada na primeira oportunidade solicitada pela fiscalização nos exatos termos da documentação registrada apresentada na Impugnação. Em outras palavras, a documentação contábil da apresentada NÃO foi produzida em período posterior, de modo que já tinha sido realizada em período pretérito à fiscalização, ainda que sem registro. Fl. 893DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.345 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721423/2013-18 6 (fl. 857-858) Em relação ao valor lançado em DIRPF de forma equivocada, que, em verdade seria uma distribuição de lucros da empresa "SINIMPLAST", (i) a decisão recorrida não acatou os argumentos do Recorrente por entender que não foi apresentada nenhuma comprovação deste último valor da Sinimplast. Reafirmou sua posição, relativa à necessidade de comprovação dos recebimentos da "SINIMPLAST", alegando que (ii) existem diversas outras transferências nos extratos da "SETEMBRO PARTICIPAÇÕES", sem demonstração do beneficiário e que referida empresa pode possuir outras contas bancárias. (fl. 858-859) Em relação às alegações de que existem outras transferências nas contas da "SETEMBRO PARTICIPAÇÕES", além de que tal empresa poderia possuir outras contas bancárias, o que se pode afirmar é que tal demonstração implicaria na produção de prova negativa, o que se mostra impossível ao Recorrente. Ademais, quanto às demais transferências dos extratos da empresa, tal demonstração também se mostra impossível, uma vez que seria necessário apresentar extratos bancários de cada beneficiário das transferências realizadas para demonstrar o recebimento, o que se mostra inviável uma vez que se tratam de terceiros que muitas vezes não possuem relação com o Recorrente. Ainda, importante repisar que foram apresentados todos os documentos de suporte de cada lançamento contábil realizado pela "SETEMBRO PARTICIPAÇÕES" no período (fls. 323/787) e nenhum – além dos já citados – se refere à distribuição de lucros ao Recorrente. (iii) Extratos bancários do Recorrente. Quanto à alegação da decisão recorrida de que o Recorrente não apresentou seus extratos bancários, por mais que entenda irrelevante, uma vez que as transferências realizadas se comprovam apenas pelos extratos das fontes pagadoras, o Recorrente requer também a juntada de seus extratos (Doc. 03) que demonstram os recebimentos da "SINIMPLAST" no valor de R$ 1.094.269,56 em 05/06/2008 e os recebimentos da "SETEMBRO PARTICIPAÇÕES" nos valores de R$ 1.992.318,00 em 08/08/2008 e R$ 761.164,00 em 15/08/2008. Veja-se que é possível confirmar o cotejo das transferências, não só pela data e valor, mas também pelo número do documento que consta nos extratos. Ao final, pede: (i) reformar a decisão recorrida a fim de cancelar o Auto de Infração lavrado, tendo em vista que a empresa "SETEMBRO PARTICIPAÇÕES" possuía, à época da distribuição dos lucros, escrituração contábil tendente a demonstrar que o lucro efetivo para o período foi maior do que a base de cálculo do Lucro Presumido, o que caracteriza os rendimentos auferidos pelo Recorrente como isentos em sua integralidade; (ii) na remota hipótese de se entender pela manutenção do presente Auto de Infração, seja, ao menos, reduzido a fim de que a tributação recaia somente sobre Fl. 894DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.345 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721423/2013-18 7 o limite do montante efetivamente recebido da empresa "SETEMBRO PARTICIPAÇÕES", qual seja: R$ 2.683.482,00 (dois milhões e seiscentos e oitenta e três mil e quatrocentos e oitenta e dois reais). Não houve juntada de novos documentos. É o Relatório. VOTO Conselheiro Fernando Gomes Favacho, Relator. 1. Admissibilidade. Há expressa admissibilidade do Recurso Voluntário pela Equipe de controle do Direito Creditório no pedido de Encaminhamento ao CARF (fl. 866), após a solução de pendência no órgão correspondente. 2. Documentação contábil. O contribuinte, tendo em vista que a empresa "SETEMBRO PARTICIPAÇÕES" possuía, à época da distribuição dos lucros, escrituração contábil tendente a demonstrar que o lucro efetivo para o período foi maior do que a base de cálculo do Lucro Presumido, recorre para caracterizar os rendimentos auferidos como isentos em sua integralidade. Em primeira instância, a 3ª Turma da DRJ/SDR (fl. 791) considerou que, em consulta à DIPJ apresentada pela empresa Setembro Participações em 15/07/2009 (declaração original), verificou-se que foi entregue zerada (fls. 198-212). Foi apresentada retificadora em 04/06/2013 (fl. 213), data em que o contribuinte já se encontrava sob fiscalização (fls. 18-19), sendo informado então o valor de lucros/dividendos distribuídos ao impugnante no valor de R$ 2.683.482,00 (fl. 226). Pelo exposto, concluiu pela improcedência do pedido em razão da precariedade da escrituração: O livro Diário apresentado pelo contribuinte não foi tempestivamente registrado na Junta Comercial. Não cumpre assim as exigências legais para que os lucros excedentes ao lucro presumido possam ser considerados como isentos do imposto de renda. Não se trata, portanto, de simplesmente ignorar a escrituração contábil apresentada, como contesta o impugnante em relação à Fiscalização, mas sim de observar as normas legais às quais a autoridade administrativa está plenamente vinculada. Como preconiza o Decreto-Lei n. 1.598/1977, a escrituração mantida pelo contribuinte faz prova em seu favor, desde que haja observância das disposições legais: Art 9º - A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou Fl. 895DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.345 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721423/2013-18 8 esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. § 1º - A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. § 2º - Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no § 1º. A empresa enquadrada no regime de Lucro Presumido está autorizada a distribuir lucros excedentes, desde que demonstrados através de escrituração contábil com observância das normas legais, que o lucro efetivo é maior, como se depreende de trecho da Lei n. 9.249/1996: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. A regulamentação da matéria na época do fato jurídico tributável se dava na Instrução Normativa SRF n. 93/1997, que impunha a regular escrituração para que a parcela excedente fosse distribuída de forma isenta: Art. 48. Não estão sujeitos ao imposto de renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. § 1o O disposto neste artigo abrange inclusive os lucros e dividendos atribuídos a sócios ou acionistas residentes ou domiciliados no exterior. § 2o No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, poderá ser distribuído, sem incidência de imposto: I - o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica; II - a parcela de lucros ou dividendos excedentes ao valor determinado no item I, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido ou arbitrado. § 3o A parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista ou ao titular da pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a título de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de período-base não encerrado, que exceder ao valor apurado com base na escrituração, será imputada aos lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores, ficando sujeita a incidência do imposto de renda calculado segundo o disposto na legislação específica, com acréscimos legais. Fl. 896DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.345 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721423/2013-18 9 É de se observar que a determinação se mantém até os dias de hoje, como explicita a Instrução Normativa RFB n. 1.700/2017: Art. 238. Não estão sujeitos ao imposto sobre a renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual, observado o disposto no Capítulo III da Instrução Normativa RFB nº 1.397, de 16 de setembro de 2013. (...) § 2º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, poderão ser pagos ou creditados sem incidência do IRRF: I - o valor da base de cálculo do imposto, diminuído do IRPJ, da CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que estiver sujeita a pessoa jurídica; II - a parcela de lucros ou dividendos excedentes ao valor determinado no inciso I, desde que a empresa demonstre, com base em escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado. Ou seja, a empresa tributada com base no lucro presumido poderá distribuir a título de lucros, com isenção do imposto de renda, o valor correspondente à diferença entre o lucro presumido e os tributos a que está sujeita. Caso deseje distribuir valores acima deste limite, deverá demonstrar por meio de escrituração contábil elaborada com observância da legislação comercial que o lucro efetivo é maior que o apurado segundo as regras do lucro presumido. A escrituração deve ser regular, baseada em registros permanentes e deve seguir as estritas formalidades exigidas em relação aos livros obrigatórios, como prevê o Decreto-Lei n. 486/1969, que trata das formalidades intrínsecas e extrínsecas de escrituração do Livro Diário, inclusive a sua obrigatoriedade de registro no órgão competente: Art 5º Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de livro Diário, encadernado com fôlhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade mercantil, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial do comerciante. § 1º O comerciante que empregar escrituração mecanizada, poderá substituir o Diário e os livros facultativos ou auxiliares por fichas seguidamente numeradas, mecânica ou tipogràficamente. § 2º Os Livros ou fichas do Diário deverão conter têrmos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação do órgão competente do Registro do Comércio. § 3º Admite-se a escrituracão resumida do Diário, por totais que não excedam o período de um mês, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares Fl. 897DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.345 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721423/2013-18 10 para registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação. A exigência de autenticação do Livro Diário consta do Código Civil: Art. 1.181. Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público de Empresas Mercantis. Parágrafo único. A autenticação não se fará sem que esteja inscrito o empresário, ou a sociedade empresária, que poderá fazer autenticar livros não obrigatórios. O limite temporal da autenticação do Livro Diário se encontra regulamentado pela Instrução Normativa SRF nº 16, de 10 de março de 1984: Para fins de apuração do lucro real, poderá ser aceita, pelos Órgãos da Secretaria da Receita Federal, a escrituração do livro "Diário" autenticado em data posterior ao movimento das operações nele lançadas, desde que o registro e a autenticação tenham sido promovidos até a data prevista para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos do correspondente exercício financeiro. Dessa forma, observa-se que a escrituração comercial, por se tratar de um registro permanente, possui valor intrínseco decorrente de seu caráter histórico, sendo elemento formal essencial do livro diário. Por esse motivo, não se admite a inclusão de retificações posteriores a fatos que deveriam ter sido originalmente registrados. Quanto à distribuição de lucros em montante superior ao lucro presumido, é imprescindível a existência de lucro contábil devidamente apurado, o qual deve ser demonstrado por meio de levantamentos e demonstrativos elaborados na época própria, em conformidade com as exigências da legislação comercial. Caso haja distribuição de lucros além do limite presumido, a parcela excedente deve ser comprovada formalmente, respeitando-se as formalidades legais pertinentes. A escrituração contábil é indispensável quando se busca distribuir valores superiores ao lucro presumido com isenção do imposto de renda. A irregularidade compromete a identificação da movimentação financeira do contribuinte e torna a escrituração inapta para comprovar a apuração do lucro efetivo. A isenção relativa à distribuição de lucros excedentes está condicionada ao cumprimento de requisitos específicos, inclusive quanto às formalidades internas e externas a serem observadas. Não se trata de mero formalismo, mas de garantir a autenticidade e a confiabilidade dos registros contábeis, condição indispensável para a fruição da isenção. Pelo exposto, portanto, não assiste razão o Recorrente quando aduz que as ordens de caráter formal não devem prevalecer sobre a verdade material permeadora do processo administrativo tributário (fl. 830 e 813) quando a formalidade não é acessória, e sim elemento essencial para a identificação da verdade material. Fl. 898DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.345 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721423/2013-18 11 Ainda que o Recorrente alegue que a escrituração estava disponível desde o primeiro momento que foi requerida pela Fiscalização (e não somente no momento do registro na Junta Comercial (fl. 855), fato é que a documentação relativa à escrituração somente foi apresentada a partir de 2013, conforme o Termo de Verificação Fiscal (fl. 231 a 233), de forma que os registros ali apresentados perderam sua historicidade e deixaram de atender ao disposto na legislação de regência da isenção ora requerida. Dessa forma, resta desprovido o pedido do contribuinte. 3. Montante efetivamente recebido pela empresa. Quer o contribuinte que seja, ao menos, reduzido o valor a fim de que a tributação recaia somente sobre o limite do montante efetivamente recebido da empresa "SETEMBRO PARTICIPAÇÕES", qual seja: R$ 2.683.482,00 (dois milhões e seiscentos e oitenta e três mil e quatrocentos e oitenta e dois reais), sob o fundamento de que o mero erro no preenchimento de documento enviado ao Fisco não pressupõe necessariamente a veracidade dos preenchimentos realizados pelo contribuinte (fl. 852). Ao contrário do que alega o contribuinte, a situação não decorreu de erro simplório. A DIPJ originalmente entregue pela empresa Setembro Participações em 15/07/2009 (fls. 198-212) não continha praticamente nenhuma informação. Somente após o início do procedimento fiscal (fl. 18 a 19) foi transmitida a declaração retificadora (fl. 213), quatro anos após a primeira DIPJ, em 04/06/2013 (fl. 213). Nessa última DIPJ é que foi declarada a distribuição de lucros/dividendos ao impugnante no montante de R$ 2.683.482,00 (fl. 226). Considerando serem irretocáveis as razões da DRJ, transcrevo-as e tomo como fundamento para minha decisão, como autoriza o art. 114, §12, I da Portaria MF n. 1.634/2023 (RICARF): (fl. 796) Em consulta à DIPJ apresentada pela empresa Setembro Participações em 15/07/2009 (declaração original), verifica-se que a mesma foi entregue zerada (fls. 198-212). Foi apresentada retificadora em 04/06/2013 (fl. 213), data em que o contribuinte já se encontrava sob fiscalização (fls. 18-19), sendo informado nessa retificadora o valor de lucros/dividendos distribuídos ao impugnante no valor de R$ 2.683.482,00 (fl. 226). O contribuinte afirma que a diferença entre o valor declarado em sua DIRPF como recebido a título de lucros/dividendos da empresa Setembro Participações (R$ 3.777.752,00) e o valor efetivamente recebido dessa empresa (R$ 2.683.482,00), no montante de R$ 1.094.270,00, foi na verdade recebido de outra empresa: a Sinimplast. Tal valor encontra-se também declarado em sua DIRPF (fl. 10). No entanto, não apresenta nenhuma comprovação de recebimento deste último valor da Sinimplast, além da sua própria DIRPF, a qual ele mesmo alega que não pode servir de prova em relação ao recebimento dos R$ 3.777.752,00 da Setembro Participações, pleiteando que deve ser observada a verdade material. Fl. 899DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.345 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721423/2013-18 12 No extrato bancário da empresa Setembro, apresentado pelo contribuinte à fl. 285, realmente constam os valores de transferência de R$ 1.922.318,00 e R$ 761.164,00, em 08/08/2008 e 15/08/2008, respectivamente. Contudo, existem nesse mesmo extrato inúmeras outras transferências sem identificação do beneficiário. Além disso, a empresa Setembro pode possuir outras contas bancárias. O extrato apresentado não faz prova, portanto, de que o contribuinte recebeu apenas os valores de R$ 1.922.318,00 e R$ 761.164,00 da empresa Setembro. Vale ressaltar que o contribuinte não apresentou extratos bancários seus (pessoa física). Os demonstrativos às fls. 284 e 286 não contém sequer assinatura, e seus valores foram supostamente obtidos a partir da escrituração apresentada sem o devido registro na Junta Comercial, como exige a lei, à época da Fiscalização. Nos livros Razão e Diário da empresa Setembro Participações constam os valores de R$ 6.412.000,00 e R$ 2.538.911,00 a título de distribuição de lucros, em 08/08/2008 e 14/08/2008, respectivamente (fls. 56, 72 e 73). No entanto, pela ausência do registro dos referidos livros no órgão competente, o que se detalhará a seguir, somado aos fatos narrados nos parágrafos anteriores, não há que se acatar a alegação do erro de fato no preenchimento da DIRPF do contribuinte. Desprovido, portanto, o pedido do contribuinte. Conclusão. Ante o exposto, conheço o recurso voluntário do contribuinte e, no mérito, nego provimento. Assinado Digitalmente Fernando Gomes Favacho Fl. 900DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11123206 #
Numero do processo: 16692.720757/2014-16
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Fri Nov 14 00:00:00 UTC 2025
Numero da decisão: 3002-000.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Assinado Digitalmente GISELA PIMENTA GADELHA DANTAS – Relator Assinado Digitalmente Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Neiva Aparecida Baylon, Gisela Pimenta Gadelha Dantas, Adriano Monte Pessoa, Marcelo Enk de Aguiar (substituto[a] integral), Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão (Presidente)
Nome do relator: GISELA PIMENTA GADELHA

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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Assinado Digitalmente GISELA PIMENTA GADELHA DANTAS – Relator Assinado Digitalmente Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Neiva Aparecida Baylon, Gisela Pimenta Gadelha Dantas, Adriano Monte Pessoa, Marcelo Enk de Aguiar (substituto[a] integral), Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão (Presidente) RELATÓRIO Trata de pedido de restituição e compensação no PER/DCOMP N. 03651.29865.250210.1.3.04-0250, para o aproveitamento de crédito de PIS, proveniente de Fl. 3255DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.554 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16692.720757/2014-16 2 pagamento a maior que o devido, no período de apuração de julho de 2008, e compensação com o débito de PIS, no período de apuração de janeiro de 2010, no valor de crédito declarado pela Recorrente. A apuração do crédito decorreu da revisão do DACON do período de julho de 2008, para aproveitamento de créditos que deixaram de ser usufruídos pela Recorrente, decorrentes de custos, despesas e encargos relacionados à sua atividade produtiva. Por retratar, de forma detalhada os fatos, replico o relatório do Acórdão de Manifestação: “O despacho decisório (fl. 378/398) apurou o que se segue: LINHA BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS No DACON foi informado o valor de R$ 186.844.289,30 de base de cálculo dos créditos de não cumulatividade, na linha Bens utilizados como insumos, com a seguinte composição: A 2. MATERIAIS DE MANUTENÇÃO LIGADOS A PROD.XLS R$ 11.111.952,97 A 2.BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS.xlsx R$ 161.371.896,74 A 2.FRETE FOB.xlsx R$ 26.788.258,01 A 2.SUCATAS.xlsx * (R$ 12.427.818,42) 1.1 Materiais de Manutenção ligados a Produção Foi glosado o valor total informado como material de manutenção ligado à produção, uma vez que a planilha apresentada pela interessada não detalhou o uso, nem o NCM dos bens, de forma que não restou provada a caracterização de tais aquisições como passíveis de gerarem o direito ao crédito. 1.2 Sucatas O art. 47 da Lei 11.196/2005 veda a utilização de créditos referentes à aquisição de desperdícios, resíduos ou aparas de plástico, de papel ou cartão, de vidro, de ferro ou aço, de cobre, de níquel, de alumínio, de chumbo, de zinco e de estanho, classificados respectivamente nas posições 39.15, 47.07, 70.01, 72.04, 74.04, 75.03, 76.02, 78.02, 79.02 e 80.02 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, e demais desperdícios e resíduos metálicos do Capítulo 81 da TIPI. O total de sucatas encontrado na planilha “A 2.BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS.xlsx” foi de R$ 13.104.266,20 – ANEXO II -, ao passo que os valores constantes da planilha “A 2.SUCATAS.xlsx.” totalizam R$ 12.427.818,42. Sendo assim, será glosado o valor total de valores gastos na compra de sucata do total da planilha “A 2.BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS.xlsx” e será desconsiderado o valor referente a sucatas glosado pelo contribuinte constante da planilha “A 2.SUCATAS.xlsx.” Portanto, o efeito deste procedimento será a glosa da diferença entre o valor de R$ 13.104.266,20 e o valor de R$ 12.427.818,42, ou seja, a glosa de R$ 676.447,78. 1.3 Bens utilizados como insumos O contribuinte não apresentou as seguintes informações: Fl. 3256DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.554 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16692.720757/2014-16 3 - Descrição das atividades produtivas e/ou comerciais vinculadas às despesas e custos que compõem o crédito do PIS/COFINS pleiteados no período sob análise, contextualizando principalmente as seguintes despesas/custos: “Bens utilizados como insumos”, “Serviços utilizados como insumos” - Listagem de todos os insumos utilizados na industrialização em que conste o número da NCM e a descrição do produto. Descrever a utilização desses insumos no processo produtivo; Utilizando a delimitação do conceito de insumo, analisou-se o crédito calculado sobre a aquisição de bens que não devem ser considerados insumos. Dentre as glosas efetuadas, pode-se destacar a aquisição de materiais refratários, equipamentos e ferramentas, combustível de veículos, embalagem para transporte, estrados e pallets, materiais de limpeza, lubrificantes e óleos sem detalhamento de uso etc., conforme abaixo especificado: ANEXO I - Material Refratário, Tijolos, Argamassas, Cimentos, etc. – Referidos bens deveriam estar incorporados ao ativo imobilizado da empresa. ANEXO II - Sucata de Aço – Glosado com fundamento no Art. 47 Lei 11.196/2005. ANEXO III - Equipamentos. Ferramentas. Aparelhos. Maquinário. Partes do maquinário - Referidos bens deveriam estar incorporados ao ativo imobilizado da empresa. ANEXO IV - Embalagem para transporte – Foram glosados materiais de embalagem, destinados a garantir a integridade do produto até a chegada ao destino. ANEXO V - Amidos e féculas; inulina. Amidos e féculas: Amido de milho. – Referidos materiais não se caracterizam como insumos de produtos siderúrgicos. ANEXO VI - Lubrificantes/Óleos sem detalhamento do uso – Não foi possível identificar a destinação dos materiais utilizados. ANEXO VII – Papelão, Etiquetas, Fitas Adesivas, Sarrafos, Pregos, etc- Referidos materiais não se caracterizam como insumos de produtos siderúrgicos. ANEXO VIII - Diversos – Foram glosados diversos itens que não se enquadram no conceito de insumos de produtos siderúrgicos. Exemplos: Resina acrílica, desengraxante, papelão, disco plástico, saco plástico, etc. ANEXO IX - Estrados, pallets – Estrados e pallets não se caracterizam como insumos de produtos siderúrgicos. ANEXO X – Processo para tratamento de água e processo para limpeza de chapa - Referidos materiais não se caracterizam como insumos de produtos siderúrgicos. ANEXO XI - Aplicação: Abastecimento de veículos – O combustível de veículos não se enquadra no conceito de insumo para fins de creditamento de PIS/COFINS. ANEXO XII - Utilização como insumo não especificada/detalhada - Não foi possível identificar a destinação dos materiais utilizados. Fl. 3257DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.554 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16692.720757/2014-16 4 ANEXO XIII – Sucata de Cobre – Art. 47 Lei 11.196/2005 – Explicação no item 57/60 do presente despacho. ANEXO XIV - Areia - Referido material não se caracteriza como insumo de produtos siderúrgicos. ANEXO XV – Insumo não especificado – O insumo adquirido não foi especificado. Portanto, o valor glosado do total apresentado na planilha “A 2. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS.xlsx” é de R$ 45.623.019,82. No DACON foi informado o valor de R$ 45.989.315,04 de base de cálculo dos créditos de não cumulatividade, na linha Serviços utilizados como insumos, com a seguinte composição: A 3. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS.XLS .......................... R$ 5.983.148,01 A 3. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS 2.XLS............................R$ 40. 006.167,03 1.4 Planilha A 3. serviços utilizados como insumos.xls. O contribuinte não apresentou as seguintes informações: - Descrição das atividades produtivas e/ou comerciais vinculadas as despesas e custos que compõem o crédito do PIS/COFINS pleiteados no período sob análise, contextualizando principalmente as seguintes despesas/custos: “Bens utilizados como insumos”, “Serviços utilizados como insumos” - Listagem de todos os insumos utilizados na industrialização em que conste o número da NCM e a descrição do produto. Descrever a utilização desses insumos no processo produtivo; Utilizando a delimitação do conceito de insumo, analisou-se o crédito calculado sobre a aquisição de serviços utilizados como insumos e foram glosados os seguintes itens: ANEXO XX - Serviço não especificado – Não foi possível identificar a aplicação/destinação dos serviços utilizados. Exemplos: “EXECUÇÃO DE INDUST.”, “ESTANHO EM LINGOTE”, “CONJUNTO DE ROLOS 883 a 885”, “CANT. PLISSADA” etc. ANEXO XXI - Sucata de Aço - Impossibilidade de se creditar – Pelas informações prestadas na planilha elaborada pelo contribuinte, não foi possível verificar se os itens listados são referentes à aquisição de bens ou serviços. De qualquer forma, não seria permitida a utilização de tais bens ou serviços como crédito de PIS/COFINS, haja vista disposição legal vedando referida prática (art. 47 da Lei 11.196/2005). 1.5 Planilha A 3. serviços utilizados como insumos 2.xls. ANEXO XXII - Pasta Mineração – Serviço não se enquadra no conceito de insumo – Foram glosados vários serviços que não se enquadram como insumos de produtos siderúrgicos. Dentre eles, podemos citar “Serviço de operação de carregadeiras, retro, caminhão toco na dosagem e transporte de produtos na Mineração”, “Serviços de execuação de obra Fl. 3258DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.554 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16692.720757/2014-16 5 civil, p/ instalação de passarela sobre linhas ferreas na Mineradora”, “Serviços de supressão de vegetação na Mineradora”, “Serviços de topografia” etc. ANEXO XXIII – Pasta Operação – Serviço não se enquadra no conceito de insumo - Foram glosados vários serviços que não se enquadram como insumos de produtos siderúrgicos. Dentre eles, podemos citar Serviços de tratamento e disposição final de residuos”, “Serviço de operação e manutenção de equipamentos, operação carro torpedo”, “Serviços de desenvolvimento de software , etc. ANEXO XXIV – Pasta Operação – Serviço não especificado - Serviços não foram especificados, constando apenas descrição genérica “serviços conforme contrato” Frete Constata-se que a quase totalidade dos valores pleiteados pelo contribuinte eram referentes a transporte de mercadorias entre as filiais da empresa, R$ 26.331.852,07 ANEXO XVI. Entretanto, não se enquadra no conceito de insumos, para fins de creditamento de PIS/COFINS, os gastos com transporte do produto, acabado ou em elaboração, entre estabelecimentos industriais ou distribuidores da mesma pessoa jurídica. Há também uma parte glosada que não foi possível identificar a mercadoria e o vendedor, R$ 293.222,25, ANEXO XVII. Constatou-se a existência de pedido de crédito de transporte de mercadorias que não são consideradas insumos para efeito de creditamento de PIS/COFINS, R$ 68.632,85, ANEXO XVIII. Foram localizados também valores pagos a título de aluguel de ônibus para transporte, com a descrição “Transporte Grupos SIPAT”, no valor de R$1.550,00 LINHA SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS ANEXO XXV – Pasta Manutenção – Serviço não se enquadra no conceito de insumo - Foram glosados vários serviços que não se enquadram como insumos de produtos siderúrgicos. Dentre eles, podemos citar “Serviço de demolição e resfriamento de canais”, “Serviço de manutenção na GMQ”, etc ANEXO XXVI – Pasta Manutenção – Serviço não especificado - Serviços não foram especificados, constando apenas descrição genérica “ serviços conforme contrato”, etc. ANEXO XXVII - Pasta Logística – Serviço não se enquadra no conceito de Insumo - Foram glosados vários serviços que não se enquadram como insumos de produtos siderúrgicos. Dentre eles, podemos citar serviços portuários, “Serviços especializados de transportes rodoviarios na UPV, conf. Contrato S10760079”, etc. LINHA BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS – IMPORTAÇÃO Fl. 3259DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.554 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16692.720757/2014-16 6 O contribuinte foi intimado a apresentar descrição dos Bens relacionados no anexo I da intimação citando a maneira na qual se inserem no processo produtivo. O contribuinte apresentou uma sucinta descrição que não permitiu a caracterização dos bens relacionados no anexo I do Termo de Intimação como insumo, portanto foi efetuada a glosa do valor total do anexo I. Após a glosa dos créditos não foi apurado o alegado pagamento a maior, portanto, a DCOMP não foi homologada. O contribuinte foi cientificado em 19/02/2015 (fl. 400) e apresentou a manifestação de inconformidade (fls. 403/461) em 20/03/2015 alegando em síntese: - Apurou e recolheu PIS relativa a julho de 2008 no valor de R$ 10.180.811,22. Reviu a base de cálculo e verificou o recolhimento a maior do tributo ante o desconto de créditos autorizados que não haviam sido anteriormente considerados (doc. 07). - A decisão ora combatida seguiu uma linha inicial da RFB que a pretexto de “interpretar” e “aplicar” a legislação federal, quis restringir o conteúdo e o alcance do conceito de insumo, aplicando, subsidiariamente, a legislação do IPI. A partir da adoção desse entendimento restritivo do conceito de insumo, houve uma restrição ao conceito legal que acaba por glosar créditos legítimos dos contribuintes. Cita decisões do CARF que entenderam por um conceito mais amplo de insumo, entendendo por insumo “(...) todos aqueles bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados no processo produtivo, ou que o viabilizarem, e na prestação de serviços, sem os quais não se realizem ou se incorra na perda substancial de qualidade dos produtos ou dos serviços prestados. (...)” Partindo-se do entendimento construído pelo CARF, pode-se concluir que insumo é (i) todo bem ou serviço essencial e necessário à realização/produção de outro bem ou serviço; (ii) definido como tal a partir da integração deste bem ou serviço como fator de produção empregado direta ou indiretamente, em determinado processo produtivo; e (iii) que a ele esteja associado de maneira que, uma vez suprimido, dificulte ou até mesmo torne inviável o regular exercício do objeto econômico escolhido pela pessoa jurídica. - Quanto aos materiais de manutenção ligados à produção (doc. 09), a interessada alega que os materiais glosados participam do processo produtivo e são indispensáveis para a continuidade de suas atividades de forma que os créditos de COFINS relacionados aos materiais de manutenção ligados à produção devem ser integralmente admitidos. O fiscal glosou os itens porque a requerente não teria especificado a utilização dos itens em sua produção, todavia, referidos materiais permitem o uso contínuo de todos os equipamentos utilizados na atividade siderúrgica. - A interessada pleiteia posterior juntada de documentos relacionados à aplicação dos itens de manutenção que foram glosados a fim de demonstrar a sua essencialidade à atividade produtiva. Quanto à glosa do item bens utilizados como insumos a requerente resume o seu processo produtivo. - Acrescenta que os créditos tomados pela requerente estão em consonância com a legislação e entendimentos jurisprudencial e doutrinário atual, por se tratarem de materiais essenciais e necessários ao processo produtivo do aço, sem os quais a requerente estaria impossibilitada para a sua produção, de modo que não concorda com Fl. 3260DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.554 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16692.720757/2014-16 7 as glosas efetuadas e passa a demonstrar, para alguns dos itens, a essencialidade à sua atividade, conforme planilha de bens utilizados como insumos anexa (Doc. 10). A seguir serão elencados os itens glosados com a explicação no sentido da caracterização como insumo: a) Material refratário, tijolos, argamassas, cimentos, etc: Os materiais refratários são utilizados no processo siderúrgico para manter as altas temperaturas necessárias à produção e laminação do aço, sendo essenciais para o processo produtivo. São aplicados no Alto-forno, na construção, na siderurgia, de tamanho variável, externamente revestido por metal e internamente com material refratário, onde é fundido o minério de ferro, a fim de transformá-lo em ferro-gusa. Cita decisão do CARF que aceitou a natureza de insumo dos materiais refratários. Cita ainda decisão do STF. Os tijolos, cimentos e argamassa também são utilizados para a contenção de metal líquido e isolamento térmico. São materiais utilizados como agentes ligantes no assentamento dos materiais refratários formados na construção de alvenarias refratarias. O Laudo anexo evidencia a utilização desses materiais para revestimento dos fornos e canais onde o ferro gusa passa para chegar até a aciaria (Doc. 11). Ademais, os itens glosados não se tratam de bens que devam ser ativados pela Requerente, em virtude de sofreram grande desgaste com o contato com as altas temperaturas em que são submetidos, tendo vida útil inferior a 1 (um) ano. Para demonstrar isso, a Requerente pugna pela juntada posterior de Laudo demonstrando o desgaste que esses materiais sofrem no processo produtivo. b) Sucatas A vedação do art. 47 da Lei nº 11.196/2005 vai de encontro com o objetivo de incentivar a preservação do meio ambiente (Doc. 12). O STF reconheceu a repercussão geral da questão (Relatora MIN. ROSA WEBER, Leading Case: RE 607109). C) Equipamentos, ferramentas, aparelhos, maquinários, partes Segundo a fiscalização, os bens deveriam estar incorporados ao ativo imobilizado, de acordo com o artigo 301, §2° e 346, §1°, do RIR/99. A Recorrente impugna tal glosa em todos os seus itens, pois referidos itens fazem parte do seu processo produtivo, sendo indispensáveis para a continuidade das suas atividades de fabricação de aços e laminados. Com relação aos rolamentos 120,00X, trata-se do maquinário pelo qual passam as chapas de aço, com o escopo de deixá-las na espessura desejada. Já o abafador CSN SM04143 refere-se ao mecanismo responsável pela manutenção do calor produzido nos fornos de fundição, evitando assim que o calor produzido se dissipe e afete os demais maquinários da linha de produção. O mesmo ocorre com o ferro sílico manganês, mas uma matéria prima mineral utilização no processo de fundição. Além disso, os itens glosados também não devem ser ativados pela Requerente, por se desgastarem em menos de 1 (um) ano no processo produtivo do aço. Para isso, a Requerente pugna pela apresentação posterior de Laudo evidenciando o desgaste dos materiais. Fl. 3261DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.554 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16692.720757/2014-16 8 D) Abastecimento de veículos: A Autoridade Fiscal decidiu glosar o óleo diesel combustível adquirido pela Requerente para o abastecimento de seus veículos utilizados na produção. Ora, a despeito do combustível não ter contato direto com o produto fabricado e comercializado pela Requerente, é certo que este material é indispensável para a produção da Requerente, uma vez que necessita movimentar os seus materiais. O minério de ferro, por exemplo, que é a principal matéria prima da Requerente, é trazido da mina por veículos abastecidos a óleo diesel. Se os veículos não fizessem esse transporte do minério, a produção da Requerente restaria totalmente inviabilizada. Esse crédito tem autorização específica no artigo 3 o , inciso II, da Lei n° 10.833. E) Embalagem para transporte: A Autoridade Fiscal decidiu glosar os materiais utilizados pela Requerente para proteger os seus produtos de riscos e avarias. Ressalta-se que esses produtos integram o produto final da Requerente, ou seja, estão embutidos no seu custo. A interessada esclarece a sua utilização como material de proteção e transporte e apresenta fotos. Acrescenta que tais materiais compõem o custo do produto e não retornam mais à Requerente, sendo utilizados em fase de produção e não em fase de transporte de itens acabados e prontos para venda. F) DIVERSOS Esses itens também são indispensáveis, os desengraxantes são utilizados para limpezas mais pesadas e/ou que necessitem de maior rapidez de remoção em metais ferrosos e aço inox; os fluídos sintéticos são utilizados para o encruamento úmido de aço e substratos galvanizados; o papel kraft, fabricado a partir de misturas de fibras de celulose curtas e longas é ideal para embalar ou forrar objetos com segurança. Quanto aos demais itens glosados no gênero “diversos”, tais como saco plastico, papelão para embalagem, entre outros, é evidente que se referem aos materiais de embalagem para transporte, dos quais é licito o creditamento dos valores referentes às aquisiçoes, conforme explanado acima. Assim sendo, os itens cujos créditos foram glosados são itens necessários à produção do aço, de maneira que a Requerente impugna as glosas também para este tópico. G) ESTRADOS, PALLETS Os estrados e pallets de madeira, por exemplo, são utilizados pela Requerente para embalagem e acomodação de seus produtos em estoque da empresa, sendo que estes pallets integram o produto final no preço. Portanto, trata-se de pallets conhecidos como "oneway", ou seja, sem retorno, o que afasta o seu enquadramento como bem do ativo imobilizado. Cita decisões do CARF no sentido de admitir a apuração de crédito em relação a embalagem. H) Processo para tratamento de água e processo para limpeza de chapa: Fl. 3262DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.554 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16692.720757/2014-16 9 O ácido clorídrico é utilizado para limpeza e galvanização de metais e o hipoclorito de sódio é utilizado como desinfetante, sendo também utilizado para purificar a água utilizada no processo de limpeza das chapas de aço que são comercializadas pela Requerente. I) Amidos e féculas; inulina. Amidos e féculas; Amido de milho. Para esse tópico foram glosados créditos de NITRATO PEROLADO MAGNESIANO, GRITZ DE MILHO CARAMURU FLOTAMIL 75 e PALHA DE ARROZ EM FARDOS. Os créditos desses materiais também devem ser admitidos, pois utilizados no processo briquetagem que consiste na aglomeração de materiais com granulometria fina, com o objetivo é obter um produto com maiores dimensões pelo uso de ligantes, podendo ser de origem mineral ou orgânica. Por meio deste processo é possível obter briquetes de carvão vegetal. O briquete é capaz de substituir com eficiência o gás, a energia elétrica, o carvão Vegetal, o carvão mineral, a lenha e outros tipos de combustíveis e pode ser obtido a partir de serragem, casca de arroz, palha de milho, sabugo, bagaço de cana-de-açúcar, casca de algodão, etc. J) LUBRIFICANTES/ÓLEOS SEM DETALHAMENTO DO USO: O óleo anti-gripante, por exemplo, é utilizado para desemperrar engrenagens, facilitar a remoção de porcas, parafusos, lubrificar e proteger superfícies metálicas; o óleo protetivo é utilizado para proteger as chapas de aço no processo de fabricação para que não sofram riscos de avarias que danifiquem os produtos e inviabilize a comercialização. K) ETIQUETAS, FITAS ADESIVAS, SARRAFOS, PREGOS, ETC: Os créditos glosados devem ser admitidos, uma vez que os produtos fazem parte do processo produtivo da Requerente. As fitas adesivas, por exemplo, são utilizadas para embalar os produtos da Requerente, sendo aplicados junto aos filmes plásticos. As ripas também são utilizadas para facilitar o processo de embalagem dos produtos. L) UTILIZAÇÃO COMO INSUMO NÃO ESPECIFICADA/DETALHADA Referidos materiais também são relacionados à produção da Requerente e geram direito a crédito de COFINS. M) AREIA: A areia é utilizada no processo de derramamento do aço líquido nas formas de moldagem atuando na proteção do elemento vedante da válvula e evitando deterioração precoce da válvula. Por fim, no que tange ao argumento fiscal de que a Requerente deveria ter ativado alguns dos itens glosados, vê-se que o fiscal está presumindo que a vida útil dos materiais ultrapassa 1 (um) ano. Ademais, veja-se que numa hipótese ou outra (insumo ou ativo imobilizado) o efeito final será o crédito sobre o valor da aquisição ("custo"), seja ele de forma direta ou mediante depreciação do item, nos termos da legislação, ou seja, não existe prejuízo ao Fisco. Fl. 3263DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.554 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16692.720757/2014-16 10 N) DESPESAS DE FRETE A partir de uma leitura própria do conceito de insumo para apropriação dos créditos do PIS e COFINS, entende-se que o contribuinte pode descontar créditos relacionados aos custos e às despesas gerais de insumos empregados, direta ou indiretamente, na produção de bens e serviços, na linha do artigo 3 o , inciso II, das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, cabendo a análise no caso concreto se está presente a característica de insumo no bem ou serviço utilizado. A contratação de serviços de transporte e sua respectiva despesa podem ser identificadas em vários momentos dentro de uma cadeia econômica, não se restringindo, portanto, à etapa inicial de produção ou venda, mas sim presente em diferentes ocasiões para as quais há hipóteses de créditos para abatimento do PIS e da COFINS. Cita Solução de Consulta nº 234 de 2007 que entendeu pela apuração de crédito de frete na compra de insumos, ou de bens para revenda. Cita ainda a Solução de nº 210 de 2009 que entendeu pela possibilidade de apuração de créditos de frete sobre o serviço de transporte de bens entre estabelecimentos industriais da pessoa jurídica que estejam "em fase de industrialização". Cita decisões do CARF no sentido da possibilidade de apuração de crédito de transporte interno. Na etapa de produção dos itens que comercializa a Requerente tem que arcar com o frete para a transferência de bens que estão em processo de industrialização, transportando os seus produtos entre os seus estabelecimentos (transferências internas) para os processos industriais específicos e necessários à finalização do produto para venda ao consumidor final. Em certas ocasiões a Requerente necessita buscar produtos que foram devolvidos por algum motivo pelo adquirente e substituí-los. A despesa com frete para o transporte da escavadeira também foi necessário, pois é maquinário indispensável para a atividade da Requerente e que necessita de transporte especializado. Por sua vez, a correio transportadora é produto essencial para transporte do minério de ferro e demais produtos fabricados pela Requerente em sua planta industrial. E por se tratar de produto específico também precisa de transporte especializado. O) SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS A Requerente passa a impugnar os itens que foram glosados, deixando claro que não concorda com nenhuma das glosas efetuadas pelo Auditor para os serviços tomados como insumo e que passa a refutar, por amostragem alguns dos serviços. a) Serviços não especificados: Foram glosados Execução de Indústria e Conjunto de Rolos, por falta de identificação da aplicação/destinação dos mesmos, todavia, são inequivocamente relacionados com a atividade de produção, portanto devem ser reconhecidos os créditos. b) Sucata de aço – Foram glosados serviços de aproveitamento de sucata, contudo, tal serviço foi diretamente na atividade produtiva da requerente, portanto, devem ser reconhecidos os créditos. Fl. 3264DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.554 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16692.720757/2014-16 11 c) Pasta Mineração: Foram glosados vários serviços que não se enquadrariam como insumos de produtos siderúrgicos. Dentre eles, podem ser citados serviços de operação de carregadeira, retro, caminhão toco na dosagem e transporte de produtos, entre outros. Ora, tais serviços são essenciais e necessários ao desenvolvimento da atividade econômica da Requerente de modo que impugna todas as glosas efetuadas pela Autoridade Fiscal. Dentre os serviços relacionados à mineração encontram-se, por exemplo, aqueles ligados à pesquisa do solo e controle ambiental, para a extração de recursos minerais. O próprio Código de Mineração (Decreto-lei n° 227, de 28 de fevereiro de 1967) traz a previsão da pesquisa mineral e determina que a jazida deverá estar pesquisada para aprovação da lavra pelos órgãos ambientais. a) Pasta Operação Trata-se de serviços de operação de manutenção de software, operação carro torpedo, serviços de operação de manutenção de equipamentos, etc. São serviços técnicos de engenharia, limpeza, manutenção, etc, que não tem contato direto com a produção do aço, mas são essenciais e necessários à atividade produtiva da Requerente. b) Pasta Operação: Os serviços não teriam sido especificados, constando apenas descrição genérica "serviços conforme contrato". Os créditos relacionados à mineração concernentes a serviços que foram glosados pela Autoridade Fiscal dizem respeito aos custos daqueles acima referidos, mas cuja espécie deixou der ser especificado pela Requerente. Porém, isso não significa que estes custos não gerem direito a crédito, pois os serviços de mineração representam custos essenciais para a atividade da Requerente. c) Pasta Manutenção: Foram glosados vários serviços que não se enquadrariam como insumos de produtos siderúrgicos. Dentre eles, podem ser citados serviços de demolição e resfriamento de canais, serviços de manutenção na GMQ, etc. Os serviços de manutenção são indispensáveis para a atividade produtiva da requerente. d) Pasta Manutenção: Foram glosados serviços não especificados. Com efeito, os créditos relacionados a esses serviços devem ser admitidos integralmente. Os créditos relacionados à manutenção concernentes a mão-de-obra que foram glosados pela Autoridade Fiscal dizem respeito aos custos com os serviços envolvendo serviços aplicados na manutenção, mas cujo serviço deixou der ser especificado pela Requerente. Todavia, isso não significa que estes custos não gerem direito a crédito, pois custos são essenciais para a atividade da Requerente. e) Pasta Logística: Foram glosados vários serviços que não se enquadrariam como insumos de produtos siderúrgicos. Dentre eles, podem ser citados serviços Fl. 3265DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.554 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16692.720757/2014-16 12 especializados de transporte rodoviários na UPV, serviços portuários, etc. Os serviços acima são necessários para a atividade da Requerente. Sem a movimentação de carga e descarga, os serviços de transporte, movimentação de granéis, etc, a Requerente não consegue efetivar a comercialização de seus produtos, mostrando-se, portanto, essenciais. Os serviços portuários também são necessários e os respectivos créditos deverão ser autorizados pela Receita Federal, mediante tudo o que foi exposto anteriormente. Cita decisão do CARF no sentido de admissão do direito a crédito oriundo de gastos com serviços de despachante aduaneiro. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS – IMPORTAÇÃO Os referidos itens também fazem parte do processo de produção da Requerente. Os materiais refratários, como visto no tópico anterior, são utilizados nos processos de manufatura que utilizam altas temperaturas como os que praticamente envolvem a produção de todos os tipos de metais e aços. O work roll se trata dos cilindros metálicos que são utilizados para dar formato às placas de metal comercializadas pela Requerente. O Laudo apresentado pela Requerente (Doc. 11) evidencia a utilização desses produtos no processo produtivo. Já os itens que atendem por bearings são espécies de rolamentos, que são aplicados nos maquinários da Requerente, assim como os sealed roller bearing. Os demais itens importados também guardam relação com a produção da Requerente e por se tratarem de itens essenciais ficam, portanto, autorizados os créditos de COFINS tomados para as aquisições dos insumos importados. Encerra a manifestação requerendo: a) o deferimento do pedido de diligência, com exame de documentação complementar contábil e fiscal da Requerente; b) requer que seja garantido à Requerente o direito à produção de todas as provas em direito admitidas, inclusive a juntada posterior de documentos, nos termos do artigo 16 do Decreto Lei n° 70.235/1972; c) seja acolhida Manifestação de Inconformidade, a fim de que, reformando-se o r. Despacho Decisório recorrido, seja integralmente deferido o crédito objeto do Pedido de Restituição e efetivada a compensação.” A despeito dos argumentos de defesa da empresa interessada, os membros da 16ª Turma da DRJ/RJO, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório e não homologar a compensação pleiteada, , em acórdão assim ementado: Fl. 3266DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.554 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16692.720757/2014-16 13 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 31/07/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências e perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. PROVA. JUNTADA POSTERIOR. A prova documental deverá ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a interessada fazê-lo em outro momento processual, a menos que a interessada demonstre, com fundamentos, a impossibilidade de apresentação por motivo de força maior; refira-se a fato ou direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 31/07/2008 INSUMOS. CREDITO. CONCEITO. NÃO- CUMULATIVIDADE. Na definição de insumos utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda somente serão incluídos quaisquer serviços e bens que sofram alterações, tais como: consumo; desgaste; dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o serviço que está sendo prestado e no bem ou produto que está sendo fabricado. SUCATA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Fica vedada a utilização de créditos de não cumulatividade referentes à aquisição de desperdícios, resíduos ou aparas de plástico, de papel ou cartão, de vidro, de ferro ou aço, de cobre, de níquel, de alumínio, de chumbo, de zinco e de estanho, classificados respectivamente nas posições 39.15, 47.07, 70.01, 72.04, 74.04, 75.03, 76.02, 78.02, 79.02 e 80.02 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI, e demais desperdícios e resíduos metálicos do Capítulo 81 da Tipi. COMBUSTÍVEL. VEÍCULOS. TRANSPORTE INTERNO. Não geram direito ao crédito, os combustíveis utilizados em veículos de transporte interno de matérias primas, produtos em elaboração e produtos acabados, dado não se poder, a rigor, considerar tais veículos como equipamentos empregados na fabricação de produtos, e, por conseguinte, tampouco os combustíveis neles empregados como insumos à fabricação de produtos destinados à venda. MATÉRIA-PRIMA.COMBUSTÍVEL. Não geram direito ao crédito de não-cumulatividade, por não se configurarem como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, as matérias- primas aplicadas na fabricação de carvão a ser utilizado como combustível, na produção de bens. Fl. 3267DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.554 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16692.720757/2014-16 14 INSUMOS. EMBALAGEM. O conceito de insumo abrange tão-somente a embalagem que agrega valor comercial ao produto através de sua apresentação e que objetiva valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional. A embalagem de transporte não se configura como insumo. INSUMOS. TRANSPORTE. MOVIMENTAÇÃO INTERNA Os gastos com transporte do produto, acabado ou em elaboração, entre estabelecimentos industriais ou distribuidores da mesma pessoa jurídica não geram direito a crédito a ser descontado da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apuradas de forma não- cumulativa, por não se classificarem como insumos do produto. FRETE. DEVOLUÇÃO MERCADORIA. As despesas de frete na devolução de mercadoria, embora de certa forma relacionadas a uma operação de venda, não são frete na venda, tampouco são consideradas insumos já que não aplicadas ou consumidas na produção, portanto, não geram crédito de não cumulatividade. Trata-se de despesa de comercialização. INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CONCEITO. NÃO- CUMULATIVIDADE. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a Empresa apresenta o presente Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa, anexando farta documentação, bem como pleiteando a nulidade da decisão da DRJ por não ter analisado os documentos e tampouco as razões da Manifestação de Inconformidade. No mérito, espera o provimento do Recurso para reverter as glosas e, assim, homologar o pedido de compensação. É o relatório. VOTO Conselheira Gisela Pimenta Gadelha Dantas, Relatora. Fl. 3268DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.554 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16692.720757/2014-16 15 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos formais de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. A Recorrente apurou inicialmente o PIS não cumulativo para a competência de julho de 2008, no valor de R$ 10.180.811,22, devidamente declarado em DACON transmitido à Receita Federal do Brasil em 01/09/2008 e em DCTF transmitida em 04/08/2009, em que foram informados os pagamentos do tributo via DARF, no valor de R$ 10.180.811,22. DACON ORIGINAL Nº DACON DATA DE ENVIO DÉBITO PERÍODO DE APURAÇÃO TOTAL APURADO DO DÉBITO 3117637311 01/09/2008 6912 - PIS 31/07/2008 10.180.811,22 DCTF ORIGINAL Nº DCTF DATA DE ENVIO DÉBITO INFORMADO PERÍODO DE APURAÇÃO VALOR INFORMADO 21.14.67.69.83-23 04/09/2008 6912 - PIS 31/07/2008 10.180.811,22 COMPENSAÇÃO/DARF VINCULADO PERÍODO DE APURAÇÃO CÓD RECEITA VALOR TOTAL DATA ARRECADAÇÃO 31/07/2007 6912 - COFINS 10.180.811,22 20/08/2008 Ocorre que a Recorrente reviu a base de cálculo de PIS não cumulativa e verificou o recolhimento a maior do tributo ante o desconto de créditos autorizados que não haviam sido anteriormente considerados. Com efeito, a Recorrente retificou o DACON no dia 19/08/2009 (Doc. 08) e DCTF em 20/10/2009 reajustando o valor de R$ 10.180.811,22 para R$ 9.289.565,76, de modo que restou um recolhimento a maior do tributo no montante de R$ 891.245,46, cuja restituição e compensação foram pleiteadas por meio do PER/DCOMP nº 03651.29865.250210.1.3.04-0250. Todavia, adveio o Despacho Decisório não reconhecendo o direito de crédito e compensação no montante de R$ 891.245,46. No decorrer da fiscalização, a Recorrente apresentou a documentação solicitada pela Autoridade Fiscal, consistente nos demonstrativos de apuração do PIS, entre outros documentos, conforme respostas juntadas no processo administrativo de representação. Todavia, após análise da documentação apresentada, pautando-se no conceito restritivo de insumos (artigo 66 da IN SRF nº 247/2002 e artigo 8º da IN SRF nº Fl. 3269DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.554 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16692.720757/2014-16 16 404/2004), e por uma interpretação restritiva dos demais dispositivos legais autorizadores de créditos, a Autoridade Fiscal emitiu o Despacho Decisório não homologando o crédito e a compensação informados pela Recorrente. Como se vê, o presente feito envolve o conceito de insumo PIS/COFINS e o Superior Tribunal de Justiça já delineou o tema em sede de Recurso Repetitivo, vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não- cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018) Também vale destacar o parecer COSIT no. 5/18: Fl. 3270DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.554 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16692.720757/2014-16 17 Assunto. Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO E S T A B E L E C I D A NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica.Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento:a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”:a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”;a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”;b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”:b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”;b.2) “por mposição legal”.Dispositivos Legais. Lei nº10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. (Publicado(a) no DOU de 18/12/2018, seção 1, página 194) No memo sentido, a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF: Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014. Contudo, da leitura do relatório, percebe-se que a análise da DRJ se pautou pelo conceito restrito de insumo, que, data máxima vênia, não pode ser aceito por esse Colegiado, urgindo a necessidade de averiguação da farta documentação juntada pela Recorrente ao longo do contencioso sob a ótica pacificada do conceito de insumos do PIS/COFINS. Assim, merece o feito ser convertido em diligência para que a fiscalização aponte quais insumo se enquadra nas hipóteses acima. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que os autos retornem à unidade de origem no sentido de que sejam tomadas as seguintes providências: Fl. 3271DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.554 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16692.720757/2014-16 18 (1) Considerando a nova orientação firmada pelo STJ (REsp. 1.221.170/PR) acerca dos critérios de definição de insumo para fins de apuração do PIS e da COFINS não cumulativos e, especialmente a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, deve a Autoridade Administrativa verificar, dentre as despesas glosadas a título de insumos, quais se fazem essenciais ou relevantes ao processo produtivo da Recorrente, apresentando a competente justificativa, devendo-se observar, principalmente, os centros de custos aos quais foram vinculadas as respectivas despesas (operacionais ou não operacionais); Parecer COSIT no. 5/18; (2) Elaborar relatório com demonstrativo e parecer conclusivo acerca da auditoria dos documentos apresentados pela recorrente e da análise do ressarcimento do PIS para fins de compensação de débitos, objeto do presente litígio. O parecer deverá justificar todas as análises efetuadas e trazer todos os documentos e elementos necessários para suportar suas conclusões; (3) Ainda, o relatório deve discriminar cada item glosado, informando se enquadra ou não na hipótese do conceito conforme item “i”, devendo ser justificado; e (4) Após o encerramento do relatório fiscal conclusivo, conceda-se vista à Recorrente no prazo de 30 (trinta) dias, devendo retornar para julgamento. É como voto. Assinado Digitalmente GISELA PIMENTA GADELHA DANTAS Fl. 3272DF CARF MF Original Resolução Relatório F) Diversos J) Lubrificantes/Óleos sem detalhamento do uso: K) Etiquetas, Fitas Adesivas, Sarrafos, Pregos, etc: L) Utilização como insumo não especificada/detalhada m) Areia: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Voto

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11120759 #
Numero do processo: 12585.000264/2010-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 EMBARGOS. CONTRADIÇÃO. A decisão, em sua publicação final, deve refletir o juízo que efetivamente prevaleceu, em homenagem à segurança jurídica e à fidedignidade dos atos processuais. Recurso provido.
Numero da decisão: 3401-014.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. Assinado Digitalmente George da Silva Santos – Relator Assinado Digitalmente Leonardo Correia Lima Macedo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Laercio Cruz Uliana Junior, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Mateus Soares de Oliveira, George da Silva Santos, Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente).
Nome do relator: GEORGE DA SILVA SANTOS

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CONTRADIÇÃO. A decisão, em sua publicação final, deve refletir o juízo que efetivamente prevaleceu, em homenagem à segurança jurídica e à fidedignidade dos atos processuais. Recurso provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. Assinado Digitalmente George da Silva Santos – Relator Assinado Digitalmente Leonardo Correia Lima Macedo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Laercio Cruz Uliana Junior, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Mateus Soares de Oliveira, George da Silva Santos, Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente). Fl. 7196DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.230 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12585.000264/2010-07 2 RELATÓRIO Trata-se de Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) em face do Acórdão de Recurso Voluntário e que alega, em síntese, a existência de contradição entre a fundamentação do voto condutor e o que restou consignado na ementa e no dispositivo do julgado, no que tange ao momento de apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. É o relatório. VOTO Conselheiro George da Silva Santos, relator. A controvérsia original, no ponto específico objeto do recurso, cinge-se à definição do marco temporal para a apropriação de créditos na sistemática não cumulativa. De um lado, a fiscalização defendeu como correto o momento da emissão do documento fiscal; de outro, a contribuinte sustentou ser o momento da tradição do bem ou da efetiva prestação do serviço. Ao analisar a matéria, o nobre Conselheiro Relator original manifestou seu entendimento pessoal, alinhando-se à tese da contribuinte. Contudo, de forma expressa e inequívoca, fez a seguinte ressalva em seu voto: "Por pertinente, destaco que, apesar de discordar do voto quanto ao momento de apuração dos créditos, a C. Turma acompanhou a conclusão adotada, com base no artigo 3º, §4º, da Lei nº 10.833/03." Fica claro, portanto, que a tese que se sagrou vencedora entre a maioria dos membros deste colegiado foi a de que, embora o momento da apropriação pudesse ser o da emissão da nota fiscal, a glosa deveria ser revertida por um fundamento diverso: a permissão legal para o aproveitamento de créditos não utilizados em determinado mês nos períodos subsequentes (crédito extemporâneo), conforme o § 4º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. A conclusão prática (reversão da glosa) foi a mesma, mas a razão de decidir da maioria foi outra. Fl. 7197DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.230 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12585.000264/2010-07 3 Ocorre que, por um equívoco material, a ementa e o dispositivo do Acórdão embargado foram redigidos com base na tese vencida do Relator, como se esta representasse o entendimento do colegiado. Constou na ementa: “CRÉDITOS. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. AQUISIÇÃO. MOMENTO. A aquisição, a que se referem os incisos I e II do §1º dos artigos 3º das Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003, deve ser entendida como a tradição dos bens móveis, ou, no caso de serviços, o reconhecimento do estágio de execução (serviços em várias etapas) ou da conclusão, no caso de serviço de uma única etapa.” Tal redação não espelha a convicção da maioria, gerando a contradição apontada pela PGFN. A decisão, em sua publicação final, deve refletir o juízo que efetivamente prevaleceu, em homenagem à segurança jurídica e à fidedignidade dos atos processuais. O acolhimento dos presentes embargos não implica, de forma alguma, a reforma do resultado do julgamento no mérito, que permanece sendo o parcial provimento do recurso voluntário da contribuinte. O objetivo é, tão somente, corrigir a fundamentação do julgado para que esta se alinhe ao que foi efetivamente decidido pela Turma. Pelo exposto, voto por acolher os presentes Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para, sanando a contradição apontada, fazer constar na ementa e no dispositivo do Acórdão que o provimento do recurso voluntário no tópico referente ao momento de apuração dos créditos se deu com fundamento no art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, que autoriza o aproveitamento do crédito nos meses subsequentes, afastando-se a fundamentação baseada na tradição do bem como tese vencedora quanto ao momento de apropriação do crédito. Assinado Digitalmente George da Silva Santos Fl. 7198DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11113510 #
Numero do processo: 10880.909481/2013-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 PRELIMINAR SOBRE CORREÇÃO MONETÁRIA SUSCITADA DE OFÍCIO PELA RELATORA. Se a matéria, em momento algum, esteve em discussão nos autos, assim como não há qualquer pedido ou alegação do recorrente nesse sentido, a questão referente à correção monetária não faz parte da lide, não é matéria controversa e, portanto, não pode ser objeto de deliberação do Colegiado, mesmo tendo sido suscitada de ofício. CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. OPERAÇÃO AUTONÔMA. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA MERCADORIA PARA REVENDA. POSSIBILIDADE. Para efeito de cálculo dos créditos das Contribuições, integram o valor de aquisição o valor do seguro e do frete relativos ao produto adquirido, compõe o custo de aquisição da mercadoria para revenda, quando suportados pelo comprador. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela COFINS não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. Súmula CARF nº 188. ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO RECAI SOBRE O CONTRIBUINTE. Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do crédito.
Numero da decisão: 3302-015.098
Decisão: Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário da seguinte forma: por voto de qualidade, para negar a aplicação da correção monetária, suscitada de ofício pela relatora, tendo em vista que a questão não faz parte da lide, vencidos os conselheiros Marina Righi Rodrigues Lara, José Renato Pereira de Deus e Francisca das Chagas Lemos (relatora); e, por unanimidade de votos, para dar provimento ao pedido para reversão da glosa de fretes sobre produtos não tributados pelas contribuições. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-015.086, de 19 de agosto de 2025, prolatado no julgamento do processo 10880.909478/2013-15, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Marco Unaian Neves de Miranda (substituto[a]integral), Francisca das Chagas Lemos, José Renato Pereira de Deus e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente).
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES

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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 PRELIMINAR SOBRE CORREÇÃO MONETÁRIA SUSCITADA DE OFÍCIO PELA RELATORA. Se a matéria, em momento algum, esteve em discussão nos autos, assim como não há qualquer pedido ou alegação do recorrente nesse sentido, a questão referente à correção monetária não faz parte da lide, não é matéria controversa e, portanto, não pode ser objeto de deliberação do Colegiado, mesmo tendo sido suscitada de ofício. CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. OPERAÇÃO AUTONÔMA. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA MERCADORIA PARA REVENDA. POSSIBILIDADE. Para efeito de cálculo dos créditos das Contribuições, integram o valor de aquisição o valor do seguro e do frete relativos ao produto adquirido, compõe o custo de aquisição da mercadoria para revenda, quando suportados pelo comprador. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela COFINS não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. Súmula CARF nº 188. ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO RECAI SOBRE O CONTRIBUINTE. Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do crédito.

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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário da seguinte forma: por voto de qualidade, para negar a aplicação da correção monetária, suscitada de ofício pela relatora, tendo em vista que a questão não faz parte da lide, vencidos os conselheiros Marina Righi Rodrigues Lara, José Renato Pereira de Deus e Francisca das Chagas Lemos (relatora); e, por unanimidade de votos, para dar provimento ao pedido para reversão da glosa de fretes sobre produtos não tributados pelas contribuições. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-015.086, de 19 de agosto de 2025, prolatado no julgamento do processo 10880.909478/2013-15, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Marco Unaian Neves de Miranda (substituto[a]integral), Francisca das Chagas Lemos, José Renato Pereira de Deus e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente).

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 PRELIMINAR SOBRE CORREÇÃO MONETÁRIA SUSCITADA DE OFÍCIO PELA RELATORA. Se a matéria, em momento algum, esteve em discussão nos autos, assim como não há qualquer pedido ou alegação do recorrente nesse sentido, a questão referente à correção monetária não faz parte da lide, não é matéria controversa e, portanto, não pode ser objeto de deliberação do Colegiado, mesmo tendo sido suscitada de ofício. CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. OPERAÇÃO AUTONÔMA. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA MERCADORIA PARA REVENDA. POSSIBILIDADE. Para efeito de cálculo dos créditos das Contribuições, integram o valor de aquisição o valor do seguro e do frete relativos ao produto adquirido, compõe o custo de aquisição da mercadoria para revenda, quando suportados pelo comprador. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela COFINS não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. Súmula CARF nº 188. ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO RECAI SOBRE O CONTRIBUINTE. Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do crédito. Fl. 1955DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.098 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.909481/2013-39 2 ACÓRDÃO Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário da seguinte forma: por voto de qualidade, para negar a aplicação da correção monetária, suscitada de ofício pela relatora, tendo em vista que a questão não faz parte da lide, vencidos os conselheiros Marina Righi Rodrigues Lara, José Renato Pereira de Deus e Francisca das Chagas Lemos (relatora); e, por unanimidade de votos, para dar provimento ao pedido para reversão da glosa de fretes sobre produtos não tributados pelas contribuições. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302- 015.086, de 19 de agosto de 2025, prolatado no julgamento do processo 10880.909478/2013-15, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Marco Unaian Neves de Miranda (substituto[a]integral), Francisca das Chagas Lemos, José Renato Pereira de Deus e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Pedido de Ressarcimento em que a interessada pleiteou créditos de PIS-PASEP/COFINS – Mercado Interno. Nos termos do Acórdão recorrido, a glosa recaiu sobre créditos de fretes na aquisição de bens adquiridos com alíquota zero, bem como demais itens incluídos como insumos, mas não comprovados pela Recorrente. Cientificadas, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, em que alegou que o frete, integralmente tributado pelo PIS e COFINS, e o bem transportado, que pode ou não ser tributado, são realidades distintas. Defende que são válidos os créditos sobre o frete, quer seja de produtos tributados ou não. Alega ser improcedente a supressão da requerida, inclusive nas hipóteses de não comprovação do código da mercadoria na NCM por ser irrelevante a identificação do produto para esse fim. Fl. 1956DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.098 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.909481/2013-39 3 A Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil julgou improcedente a manifestação de inconformidade: CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. O crédito sobre o valor do frete na aquisição é admitido apenas quando o bem adquirido for passível de creditamento e na mesma proporção em que esse se der, já que o frete compõe o custo de aquisição do bem adquirido e a este está jungido e submetido como elemento acessório. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Tomando ciência da decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário argumentando os seguintes tópicos: i) que o valor do frete/serviço se enquadra no conceito de insumo utilizado para o cálculo do PIS/Pasep e COFINS e que o seu aproveitamento como crédito independe da existência de crédito com relação ao bem transportado; ii) Afirmou que foram glosados serviços prestados por agência marítima, agência de classificação de produtos importados e corretora de câmbio, além de encargos para depreciação. Com relação às tais glosas, remeteu à prova acostada à manifestação de inconformidade, que identifica a necessidade e imprescindibilidade dos produtos e serviços utilizados; iii) Defendeu que a Fiscalização não observou o que consta no art. 24 da Lei 11.457, de 16.03.07, tendo sido proferido despacho decisório bem depois dos trezentos e sessenta dias estabelecidos em lei e que a preclusão se aplica às partes e ao Julgador. Com a perda do prazo, o pedido de compensação é válido e assim deve ser considerado. Pediu o cancelamento integral da glosa sobre o crédito, quando menos, no cancelamento da parte referente à glosa dos créditos sobre valores do frete. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir. Deixa-se de transcrever a parte vencida do voto do relator, que pode ser consultada no acórdão paradigma e deverá ser considerada, para todos os fins regimentais, inclusive de pré-questionamento, como parte integrante desta decisão, transcrevendo-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Fl. 1957DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.098 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.909481/2013-39 4 Quanto à correção monetária, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto do relator do acórdão paradigma: ADMISSIBILIDADE Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo e cumprir os demais requisitos exigidos. PRELIMINAR: PRECLUSÃO A Recorrente argumentou que a Fiscalização não observou o teor do art. 24 da Lei 11.457, de 16.03.07, tendo sido proferido despacho decisório bem depois dos trezentos e sessenta dias estabelecidos em lei. Deste modo, o instituto da preclusão, caracterizado como a perda do direito de praticar o ato processual por não o ter feito na oportunidade devida, aplica-se às partes e ao Julgador. Com a perda do prazo, o pedido de compensação é válido e assim deve ser considerado. Pede o cancelamento integral da glosa do crédito ora discutido, quando menos, no cancelamento do crédito na parte referente à glosa dos valores do frete. Para a DRJ, embora o artigo 24 da Lei nº 11.457/2007 disponha acerca de prazo para proferimento de decisão administrativa a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte, a inobservância de tal prazo não implica em reconhecimento de direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Tampouco caracteriza qualquer transgressão aos princípios da eficiência, moralidade e razoabilidade. Ademais, o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 dispõe que o prazo para homologação compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, a contar da entrega da Declaração de Compensação. Conclusão Entendo que não cabe a declaração de nulidade das glosas para restabelecer os créditos pleiteados pela Recorrente, pela aplicação do princípio da preclusão para fins de declaração de nulidade do ato, tomando-se por base o artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que determinou 5 (cinco) anos como o prazo para homologação compensação declarada pelo sujeito passivo, a contar da entrega da Declaração de Compensação. De outro lado, pelo contido no REsp nº 1.767.945/PR, afetado ao rito dos repetitivos, o termo inicial da incidência de correção monetária (no ressarcimento de créditos tributários escriturais, como é o caso presente) como a data do protocolo do requerimento administrativo do contribuinte, previsto no art. 24 da Lei n. 11.457/2007. Assim, é devida a correção monetária no ressarcimento de crédito escritural acumulado ao final do Fl. 1958DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.098 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.909481/2013-39 5 trimestre, após escoado o prazo de 360 dias para a análise do correspondente pedido administrativo pelo Fisco. (Decisão 9303-014.843, Relator Alexandre Freitas Costa, 3ª. Turma, CSRF, 3ª. Seção, Data publicação 22.05.2024). Voto em rejeitar a preliminar de nulidade. DO DIREITO CRÉDITO SOBRE FRETES NA AQUISIÇÃO DE BENS ADQUIRIDOS Fretes na aquisição de Bens com alíquota zero A Recorrente atua na fabricação e venda de farinha de trigo e seus derivados, e para tanto adquire produtos como trigo, misturas e pasta para padaria, além de importar trigo e, na importação, utiliza os serviços prestados por agência marítima, agência de classificação dos produtos importados e corretora de câmbio. Defendeu o crédito calculado sobre o valor do frete que sofre a incidência do PIS/Pasep, desvinculando-se do produto transportado, desde que atendidas as demais condições (integrar o custo de aquisição). Disse que sem o frete para a movimentação do bem, não seria possível a atividade desenvolvida. A DRJ08 não acolheu o pedido da Recorrente sob o argumento de que (fls. 1992) o frete na aquisição integra o custo como valor acessório, uma vez que o principal é o valor da mercadoria ou insumo. A possibilidade de apropriação de crédito calculado sobre a despesa com frete deve ser determinada em função da possibilidade ou não de apropriação de crédito em relação aos bens transportados. Ou seja, nem toda despesa com frete é capaz de gerar crédito a ser deduzido na apuração não-cumulativa do PIS/COFINS, mas somente o frete pago nas aquisições de insumos ou mercadorias passíveis também de creditamento Portanto, entendeu a decisão da DRJ08 que deve ser mantida a glosa dos créditos com relação aos fretes na aquisição de bens sujeitos à alíquota zero. Neste ponto não há nenhuma referência relativamente a questão probatória, tratando-se de interpretação da norma. Passo a análise. A tese sustentada no acórdão é no sentido de vincular o frete pago ao produto que ele transporta, não admitindo o crédito do frete nos casos em que do produto transportado não foi tributado com alíquota positiva. O Fl. 1959DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.098 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.909481/2013-39 6 Acórdão transcreveu o relatório das glosas efetuadas pela fiscalização (Análise dos créditos, fls. 1981): A planilha das glosas constitui o anexo III; d) Fretes para o transporte de trigo, tributado à alíquota zero na importação e na comercialização no mercado interno, em virtude do disposto na Lei n° 10.925/04, artigo 1°, inciso XV, alterado pelo art. 1° da Lei n° 11.787/08 e MPv n° 433 de 25/07/08, em desacordo com o art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.637/2002, incluído pela Lei n° 10.865/04. Conforme art. 289, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda – RIR, de 1999, os custos de transporte integram o custo de aquisição da mercadoria, portanto, estando o bem sujeito à alíquota zero, o frete a ele vinculado não gera direito a crédito, em observância ao art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.637/2002. Os créditos foram lançados na Linha 02 da Ficha 6A do DACON – Bens Utilizados como Insumos -, conforme as planilhas da memória dos cálculos dos créditos. (Grifei) Transcreveu também as glosas do anexo I (Linha 03 da Ficha 6A do DACON – Serviços Utilizados como Insumos) créditos calculados sobre o valor de bem adquirido de código NCM 19012000 – Misturas e pastas para a preparação de produtos de padarias – tributado à alíquota zero na importação e na comercialização no mercado interno. Este tema foi objeto de julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, admitindo o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador dos insumos sujeitos à alíquota zero, que compõe o custo de aquisição do produto. Sendo os regimes de incidência distintos, do insumo (alíquota zero) e do frete (tributável), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do insumo para produção (Acórdão 9303-013.887). O frete é categorizado como operação autônoma em relação aos produtos que transporta. Tratando-se de operação autônoma, devidamente tributada e que compõe o custo de aquisição da mercadoria para revenda, sobre ela deve-se calcular o crédito das Contribuições. A matéria foi sumulada pelo CARF em 20.06.2024, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 188 É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela COFINS não cumulativas, desde que tais serviços, Fl. 1960DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.098 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.909481/2013-39 7 registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. De fato, o inciso II, § 2º, do art. 3º, das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, veda o crédito somente sobre a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, mas não impede o crédito sobre serviços tributados vinculados a bens não sujeitos à tributação. Com razão a Recorrente. Voto por dar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. DEMAIS GLOSAS Créditos – inclusão indevida na base de cálculo A respeito das demais glosas, a DRJ08 destacou (fls. 1993-1994): a) Créditos calculados sobre o valor de bens considerados como insumos, para os quais a empresa não informou o código NCM do produto adquirido, embora tenha sido intimada a fazê-lo pelo TIPF, não sendo possível verificar a procedência do creditamento (Anexo I): Análise: A Recorrente não informou o código NCM do produto adquirido, mesmo sendo intimada, tem-se que o ônus da prova cabe ao contribuinte, por se tratar de alegação de que possui o direito. A jurisprudência deste CARF é pacífica quanto a este ponto. Não efetuando a prova do direito, a glosa deve ser mantida. b) Créditos calculados sobre a aquisição de cartucho de tinta, código de NCM 8473.5035, por não se constituir em insumo para a produção de farinha de trigo, não havendo previsão legal para o creditamento. (Anexo V). Análise: Em relação as aquisições de itens considerados insumos no processo produtivo da Recorrente, relativos a cartuchos de tinta, o Parecer Normativo Cosit/RF nº 05/2018 (item 168), com base no REsp nº 1.221.170/PR, definiu que será considero insumo itens aplicados no processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços a terceiros, excluindo-se do conceito itens utilizados nas demais áreas de atuação da pessoa jurídica, como administrativa, jurídica, contábil, Fl. 1961DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.098 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.909481/2013-39 8 etc., bem como itens relacionados à atividade de revenda de bens. Nesta perspectiva, a Recorrente precisaria especificar a utilização do bem, de modo a evidenciar que está inserido no processo produtivo, pois o ônus da prova é de sua competência. Não fazendo, o direito ao crédito deve ser negado. Demais Glosas c) Base de cálculo de créditos sobre despesas de armazenagem e fretes na operação de venda não demonstrada na planilha da memória de cálculo dos créditos. d) Fretes sem a identificação na planilha da memória dos cálculos dos créditos do número da nota fiscal do produto transportado, embora tenha sido intimada a fazê-lo pelo TIPF, impedindo a verificação da procedência do creditamento. e) Créditos calculados sobre bens do ativo imobilizado, com base no valor de aquisição ou de construção, conforme planilha da memória de cálculo dos créditos. f) Base de cálculo em duplicidade (NF 558105). g) Crédito calculado sobre a aquisição de dois veículos para transporte de passageiros. h) Bases de cálculo de créditos sobre devoluções de vendas não demonstradas na planilha da memória de cálculo dos créditos. RECEITAS A glosa relacionada a utilização da alíquota zero na venda do produto grumos e sêmolas de milho (NCM 1103.1100) foi tratada pela Recorrente, sob o argumento de se tratar de questão de prova. A decisão da DRJ está correta no sentido de tratar-se de questão de direito e, nesta direção, não se identifica previsão legal para a aplicação da alíquota zero às vendas no mercado interno dos produtos classificados na NCM 1103.1100. Análise: Após extensa exposição na defesa do direito ao frete, acima analisado, a Recorrente tratou dos demais itens em seu Recurso às fls. 2020 e seguintes, do seguinte modo: “Com relação às demais glosas, a Reclamante remete-se à prova acostada à manifestação de inconformidade, que identifica a necessidade e imprescindibilidade dos produtos e serviços apontados para a confecção da farinha de trigo”. Fl. 1962DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.098 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.909481/2013-39 9 A Recorrente transcreveu decisões judiciais que trataram sobre essencialidade e relevância, indicou Parecer Normativo sem, contudo, adentrar na demonstração do seu direito, de modo claro e a partir de dados concretos. O ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito, cabendo ao Contribuinte a apresentação de elementos mínimos que justifiquem a respectiva inversão. Veja-se: ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO RECAI SOBRE O CONTRIBUINTE. Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do crédito. (Decisão 3003-001.349, publicação 27.10.20202). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 PROVA NEGATIVA. ONUS DA PROVA. A possibilidade de inversão do ônus da prova em situações peculiares não exime o contribuinte de apresentar elementos mínimos que justifiquem a respectiva inversão, sob pena de invalidação do artigo 16 do Dec. 70.235/72. (Decisão 3002-002.650, publicação 04.05.2023). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Data do fato gerador: 13/04/2006 PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos constitutivos de seu direito em pedido de repetição de indébito/ressarcimento, cumulado ou não com declaração de compensação. A mera apresentação de DCTF retificadora, desacompanhada de provas quanto ao valor retificado, não tem o condão de reverter o ônus da prova. (Decisão 9303-008.680, publicação 04.07.2019). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 PAF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O Código de Processo Civil (CPC), de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário, determina, em seu art. 373, I, que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. O pedido de restituição ou compensação (PER/DCOMP) apresentado desacompanhado de provas deve ser indeferido. (Decisão 9303-012.985, publicação 10.06.2022). Pelos fundamentos acima, ou seja, por não ter a Recorrente logrado em fazer prova do seu direito ao requerer o crédito calculado sobre aquisições consideradas insumos, ora glosadas, bem como a venda com alíquota zero sem a fundamentação legal devida, voto pelo não provimento do Recurso, neste ponto. Fl. 1963DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.098 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.909481/2013-39 10 Voto pelo parcial provimento do Recurso, para reverter as glosas dos seguintes itens: (i) créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas Contribuições. Quanto à correção monetária, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Com as vênias de estilo, em que pese o voto muito bem fundamentado da Conselheira Relatora Francisca das Chagas Lemos, ouso dela discordar quanto à sua decisão por, de ofício, nos termos do art. 99 do RICARF, dar provimento em relação à correção monetária no ressarcimento de crédito a que tiver direito a Recorrente. Explico. Consta do voto da ilustre Relatora os seguintes fundamentos para sua decisão: a) Análise. Recurso Especial nº 1.767.945/PR: Correção monetária. A Lei nº 11.457, de 16.03.2007, dispõe sobre a Administração Tributária Federal, em especial, sobre a Secretaria da Receita Federal do Brasil. Em seu art. 24 determinou que: “é obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta (dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte”. (...) O STJ afirmou que, na falta de autorização legal específica, a regra é a impossibilidade de correção monetária do crédito escritural. Apenas como exceção, a jurisprudência do STJ compreende pela desnaturação do crédito escritural e, consequentemente, pela possibilidade de sua atualização monetária, comprovada a resistência injustificada da Fazenda Pública ao aproveitamento do crédito, como, por exemplo, se houve o transcurso do prazo de 360 dias sem qualquer manifestação fazendária. O Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 1.634/2023, em seu art. 99, determinou que as decisões de mérito transitadas em julgado, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, ou pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (...) De ofício, nos termos do art. 99 do Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 1.634/2023, voto em dar provimento em relação a correção monetária no ressarcimento de crédito a que tiver direito a Recorrente, observado o escoamento do prazo de 360 dias da data do protocolo do requerimento administrativo. Fl. 1964DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.098 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.909481/2013-39 11 Contudo, apesar de não discordar, em tese, das afirmações da relatora, o fato é que essa matéria, em momento algum, esteve em discussão nos presentes autos, assim como não há qualquer pedido ou alegação do recorrente nesse sentido. Logo, a questão referente à correção monetária não faz parte da lide, não é matéria controversa e, portanto, não pode ser objeto de deliberação deste Colegiado, mesmo tendo sido suscitada de ofício. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada de ofício pela relatora. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para negar a aplicação da correção monetária e dar provimento ao pedido para reversão da glosa de fretes sobre produtos não tributados pelas contribuições. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Redator Fl. 1965DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 12448.904074/2010-27
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 DIREITO SUPERVENIENTE. IRRF. SÚMULAS CARF Nº 80, Nº 143. Na apuração do IRPJ ou CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Tem-se que no processo administrativo fiscal a Administração deve se pautar no princípio da verdade material, flexibilizando a preclusão no que se refere a apresentação de documentos, a fim de que se busque ao máximo a incidência tributária (Parecer PGFN nº 591, de 17 de abril de 2014). PER/DCOMP. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não dispensa a comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1001-004.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito por se referir a fato ou a direito superveniente, ante a aplicação das determinações das Súmulas CARF nºs 80 e 143, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. Destaque-se que a Unidade de Origem deverá considerar em sua investigação todas as provas colacionadas aos presentes autos devendo as compensações serem homologadas até o limite do crédito cuja liquidez e certeza forem devidamente constatadas e, se houver necessidade, intimar a Recorrente a prestar esclarecimentos ou complementar a produção de provas. Assinado Digitalmente Gustavo de Oliveira Machado – Relator Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Gustavo de Oliveira Machado, Paulo Elias da Silva Filho, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: GUSTAVO DE OLIVEIRA MACHADO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito por se referir a fato ou a direito superveniente, ante a aplicação das determinações das Súmulas CARF nºs 80 e 143, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. Destaque-se que a Unidade de Origem deverá considerar em sua investigação todas as provas colacionadas aos presentes autos devendo as compensações serem homologadas até o limite do crédito cuja liquidez e certeza forem devidamente constatadas e, se houver necessidade, intimar a Recorrente a prestar esclarecimentos ou complementar a produção de provas. Assinado Digitalmente Gustavo de Oliveira Machado – Relator Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Gustavo de Oliveira Machado, Paulo Elias da Silva Filho, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).

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IRRF. SÚMULAS CARF Nº 80, Nº 143. Na apuração do IRPJ ou CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Tem-se que no processo administrativo fiscal a Administração deve se pautar no princípio da verdade material, flexibilizando a preclusão no que se refere a apresentação de documentos, a fim de que se busque ao máximo a incidência tributária (Parecer PGFN nº 591, de 17 de abril de 2014). PER/DCOMP. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não dispensa a comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 90DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.057 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.904074/2010-27 2 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito por se referir a fato ou a direito superveniente, ante a aplicação das determinações das Súmulas CARF nºs 80 e 143, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. Destaque-se que a Unidade de Origem deverá considerar em sua investigação todas as provas colacionadas aos presentes autos devendo as compensações serem homologadas até o limite do crédito cuja liquidez e certeza forem devidamente constatadas e, se houver necessidade, intimar a Recorrente a prestar esclarecimentos ou complementar a produção de provas. Assinado Digitalmente Gustavo de Oliveira Machado – Relator Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Gustavo de Oliveira Machado, Paulo Elias da Silva Filho, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). RELATÓRIO Trata o presente de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 10- 62.260, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre- RS que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. A Contribuinte pretendia através de PER/DCOMP’s a compensação de diversos débitos com saldo negativo de IRPJ referente ao ano- calendário de 2003. A DRF do Rio de Janeiro- RJ emitiu o Despacho Decisório n°. 868492407 de e-fls. 24/37, cujo teor segue em síntese abaixo: Fl. 91DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.057 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.904074/2010-27 3 “(...) Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificou-se: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP (...) Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 457.971,43 Valor na DIPJ: R$ 457.971,43 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 457.971,43 IRPJ devido: R$ 0,00 Valor do saldo negativo disponível= (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) - (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 0,00 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 39540.96531.040504.1.3.02-3086 13416.79781.050704.1.3.02-8638 15275.66516.010904.1.3.02-0042 01732.43784.050105.1.3.02-9437 28301.69601.050105.1.3.02-4230 26883.01096.020305.1.3.02-3309 30974.53819.150305.1.3.02-5330 32990.83485.070404.1.3.02-9800 29588.41091.090604.1.3.02-8376 29655.53932.140704.1.3.02-8911 02530.54634.030804.1.3.02-3153 09801.92433.041004.1.3.02-8234 39968.56768.111104.1.3.02-9355 30737.72261.071204.1.3.02-8691 39076.83768.240105.1.3.02-5037 41826.90267.310105.1.3.02-6948 29807.92217.040205.1.3.02-0151 09276.92886.150205.1.3.02-0033 26237.72027.130405.1.3.02-8051 12841.04069.311006.1.7.02- 4032 Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/07/2010. PRINCIPAL MULTA JUROS 514.616,80 102.923,25 363.206,12 (...)”. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Fl. 92DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.057 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.904074/2010-27 4 Asseverou a Contribuinte que as razões apresentadas no despacho decisório não podem prosperar, uma vez que de acordo com o informe de rendimento referente ao exercício 2004, emitido pelo Banco Prosper S/A, foi informado retenção de imposto de renda pelo Banco Prosper S/A no total de R$ 457.971,43, contudo a Receita Federal do Brasil não reconheceu esse valor. Afirmou que a autoridade fiscal pode ter cometido um possível equívoco no momento da análise das PER/DCOMP, uma vez que a DIPJ apresentada pela empresa demonstra claramente que o imposto foi recolhido. Aduziu que os documentos colacionados à manifestação de inconformidade demonstram que houve retenção de IRPJ, gerando créditos passíveis de compensação podendo, assim, ser utilizado na compensação pleiteada. Pontuou que os princípios norteadores do Procedimento Administrativo são os da informalidade da busca pela verdade material, assim, não se pode penalizar a empresa pelo erro cometido por outrem, vez que a mesma, além de ter seu imposto retido na fonte, apresentou sua DIPJ informando do recolhimento, bem como solicitou a compensação pelas vias formais, com relação àqueles valores. Sustentou que restou inequívoco o direito creditório da empresa, conforme se verifica dos documentos anexos à presente, desta feita se faz a reforma da decisão recorrida e a consequente homologação das compensações procedidas nos presentes autos. Pleiteou que seja reformada a decisão proferida que aprovou o parecer n°. 868492407 e que sejam homologadas por inteiro as compensações procedidas por meio do presente procedimento. DO ACÓRDÃO PROLATADO Nº. 10-62.260/DRJ/POA A DRJ analisou a manifestação de inconformidade julgando-a improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado (e-fls. 36/40). Inconformada com a decisão da DRJ, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, destacando, em síntese, que (e-fls. 69/87). É o relatório. VOTO Conselheiro Gustavo de Oliveira Machado, Relator. Fl. 93DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.057 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.904074/2010-27 5 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN). Delimitação da lide O exame do mérito dos pedidos postulados delimitados em sede recursal fica restritos a argumentos em face do crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ, ano calendário 2003 no valor de R$ 457.971,43 que, conforme princípio de adstrição do julgador aos limites da lide, a atividade judicante está constrita (art. 141 e art. 492 do Código de Processo Civil, que se aplicam subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal - Decreto nº 70.235, de 02 de março de 1972). Análise do Direito Creditório A controvérsia nos autos cinge-se ao reconhecimento de direito creditório decorrente de saldo negativo de IRPJ, do ano-calendário 2003. A autoridade administrativa ao proceder a análise das retenções não conseguiu a comprovação de tais créditos, com base nas informações que constam no sistema do Fisco, não reconhecendo o crédito pleiteado. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos seguintes termos (e-fls. 36/40): “(...) Conclusão Tendo em vista o exposto, e diante, fundamentalmente, da ausência de atendimento ao disposto no art. 815 do RIR/99, voto por negar provimento à manifestação de inconformidade”. Do Imposto de Renda Retido na Fonte Inicialmente, em relação à dedução do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), a legislação prevê que a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o valor retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente. Para tanto, estão obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no ano-calendário anterior, por si Fl. 94DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.057 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.904074/2010-27 6 ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como a contribuição social retida da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também as pessoas jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção da contribuição na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no ano-calendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Assim, o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de CSLL no encerramento do período (art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do Decreto-Lei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do Decreto- Lei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983). Ademais, o Parecer Normativo Cosit nº 01, de 24 de setembro de 2002, orienta: “7. No caso do imposto de renda, há que ser feita distinção entre os dois regimes de retenção na fonte: o de retenção exclusiva e o de retenção por antecipação do imposto que será tributado posteriormente pelo contribuinte. Retenção exclusiva na fonte 8. Na retenção exclusiva na fonte, o imposto devido é retido pela fonte pagadora que entrega o valor já líquido ao beneficiário. 9. Nesse regime, a fonte pagadora substitui o contribuinte desde logo, no momento em que surge a obrigação tributária. A sujeição passiva é exclusiva da fonte pagadora, embora quem arque economicamente com o ônus do imposto seja o contribuinte. 10. Ressalvada a hipótese prevista nos parágrafos 18 a 22, a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora subsiste, ainda que ela não tenha retido o imposto. Imposto retido como antecipação 11. Diferentemente do regime anterior, no qual a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é exclusiva da fonte pagadora, no regime de retenção do imposto por antecipação, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual, e, pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual”. Para a análise das provas, cabe a aplicação das Súmulas abaixo relacionadas: Súmula CARF nº 80 Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Fl. 95DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.057 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.904074/2010-27 7 Súmula CARF nº 143 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. No caso sob em exame, a Contribuinte colacionou aos autos em sede recursal, o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte- Pessoa Jurídica do ano calendário de 2013 (e-fl. 86). E em meu sentir, os documentos apresentados pela Recorrente podem e devem ser analisados objetivando à comprovação da parcela do direito creditório em litígio. Logo ante tudo o que foi dito, o sujeito passivo tem direito de deduzir o imposto de renda retido na fonte pelas fontes pagadoras, incidente sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração. O procedimento previsto no rito do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pode ser revisto no caso em que foi instaurada a fase litigiosa no procedimento ou ainda que pela autoridade administrativa quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião ao ato original decorrente de fato ou a direito superveniente, e ainda se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, caso em que é elaborado ato administrativo complementar com efeito retroativo ao tempo de sua execução. Assim, no rito do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, sendo afastado o óbice do despacho decisório original em que a compensação não foi homologada na sua integralidade, cabe a autoridade preparadora emitir novo despacho não havendo que se falar em preclusão do direito de a Fazenda Pública analisar o Per/DComp nesse segundo momento, já que da ciência deste ato complementar não ocorre a homologação tácita, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa desde a instauração do litígio. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, deve ser possibilitada a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, conforme o rito processual do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Havendo dúvidas em relação ao que foi juntado ou a necessidade de juntada de outros documentos fiscais e contábeis da empresa, deve a Recorrente ser intimada para esclarecimentos e apresentação de documentos, inclusive, quanto às disposições da Sumula CARF nº 80. Destaca-se, por fim, que não se trata de emissão de novo despacho decisório, pois o primeiro não possuía vícios e estava de acordo com as provas e informações sistêmicas até aquele momento existentes. Os autos irão retornar apenas para a continuação da análise da liquidez e Fl. 96DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.057 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.904074/2010-27 8 certeza do crédito remanescente, considerando o saneamento do processo com a juntada de documentos para comprovar a existência do crédito. Dispositivo Ante o exposto, voto em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito por se referir a fato ou a direito superveniente, ante os documentos apresentados em sede recursal e aplicação das determinações das Súmulas CARF nºs 80 e 143, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. Destaque-se que a Unidade de Origem deverá considerar em sua investigação todas as provas colacionadas aos presentes autos devendo as compensações serem homologadas até o limite do crédito cuja liquidez e certeza forem devidamente constatadas e, se houver necessidade, intimar a Recorrente a prestar esclarecimentos ou complementar a produção de provas. Assinado Digitalmente Gustavo de Oliveira Machado – Relator Fl. 97DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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