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Numero do processo: 10166.724917/2014-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
ART. 24 DA LINDB. INAPLICABILIDADE.
O art. 24 da LINDB, com a redação dada pela Lei nº 13.655/2018, não é apto a regular a atividade de lançamento, bem como o processo administrativo fiscal dele decorrente.
CORRETOR DE IMÓVEIS. IMOBILIÁRIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Quando o conjunto probatório que instrui os autos revela que o corretor de imóveis não mantém uma relação de parceria ou associação com a imobiliária, executando serviços que são essenciais à própria atividade fim da pessoa jurídica, a remuneração percebida pelo corretor autônomo pela comercialização de imóvel refere-se à prestação de serviços para a empresa imobiliária, na condição de contribuinte individual, hipótese de incidência da contribuição previdenciária.
CIRCULARIZAÇÃO.
Correto o procedimento de diligência que encaminha questionário a ser respondido por trabalhadores ligados a fato a ser analisado, a fim de entender as circunstâncias que ocorreram as prestações de serviço, mormente quando a empresa fiscalizada é omissa em prestar informações ao fisco.
ARBITRAMENTO
Correto o procedimento de arbitramento realizado por critério objetivo e lógico ante a omissão do contribuinte em fornecer informações.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADOS CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. LIMITE DO TETO DO BENEFÍCIO.
Ao lançar de ofício a contribuição previdenciária do segurado contribuinte individual, deve a autoridade fiscal respeitar o teto do benefício.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO.
No lançamento de ofício das contribuições previdenciárias, quanto aos fatos geradores ocorridos a partir da competência 12/2008, é devida a multa de ofício de 75% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago, recolhido ou declarado, sendo cabível a sua qualificação apenas quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei li0 4.502/64.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
Em relação à multa de oficio não recolhida no prazo legal incidem juros de mora à taxa Selic.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS.
A imputação de responsabilidade solidária dos sócios de pessoa jurídica, com fundamento nos arts. 124, I, e 135, III, do CTN, impõe sejam verificados atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. CONTROLADORA.
É considerada responsável solidária no polo passivo da obrigação tributária a empresa controladora quando resta comprovada a existência de interesse comum de que trata o art. 124 do CTN, decorrente do liame inequívoco presente nas atividades desempenhadas pelas empresas envolvidas (Controlada e Controladora).
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada, bem como em negar provimento ao recurso voluntário da autuada quanto à Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) e quanto à alegada não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício e, também, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário da autuada quanto à cota dos segurados, para que seja excluída do lançamento apenas a parcela que tiver excedido ao teto do salário de contribuição. Por voto de qualidade, negado provimento ao recurso voluntário da autuada quanto ao arbitramento da base de cálculo e negado provimento ao recurso voluntário da responsável solidária, LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, quanto a sua exclusão do pólo passivo. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Gabriel Tinoco Palatnic, Renata Toratti Cassini (Relatora) e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento aos recursos. Por maioria de votos, negado provimento ao recurso voluntário da autuada quanto à circularização. Vencido o conselheiro Gregório Rechmann Junior, que deu provimento ao recurso. Por maioria de votos, dado provimento ao recurso voluntário da autuada quanto à qualificação da multa aplicada, sendo reduzido seu percentual ao patamar ordinário de 75%. Vencidos os conselheiros Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. Por maioria de votos, dado provimento aos recursos voluntários das pessoas físicas, Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini, excluindo-as do pólo passivo. Vencido o conselheiro Luís Henrique Dias Lima, que negou provimento aos recursos. Quanto à LINDB, votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, Maurício Nogueira Righetti, Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira, tendo o conselheiro Maurício Nogueira Righetti manifestado intenção de apresentar declaração de voto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Sérgio da Silva.
Numero da decisão: 2402-007.296
Decisão: (assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio da Silva - Redator designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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Correto o procedimento de diligência que encaminha questionário a ser respondido por trabalhadores ligados a fato a ser analisado, a fim de entender as circunstâncias que ocorreram as prestações de serviço, mormente quando a empresa fiscalizada é omissa em prestar informações ao fisco. ARBITRAMENTO Correto o procedimento de arbitramento realizado por critério objetivo e lógico ante a omissão do contribuinte em fornecer informações. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADOS CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. LIMITE DO TETO DO BENEFÍCIO. Ao lançar de ofício a contribuição previdenciária do segurado contribuinte individual, deve a autoridade fiscal respeitar o teto do benefício. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO. No lançamento de ofício das contribuições previdenciárias, quanto aos fatos geradores ocorridos a partir da competência 12/2008, é devida a multa de ofício de 75% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago, recolhido ou declarado, sendo cabível a sua qualificação apenas quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei li0 4.502/64. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Em relação à multa de oficio não recolhida no prazo legal incidem juros de mora à taxa Selic. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS. A imputação de responsabilidade solidária dos sócios de pessoa jurídica, com fundamento nos arts. 124, I, e 135, III, do CTN, impõe sejam verificados atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. CONTROLADORA. É considerada responsável solidária no polo passivo da obrigação tributária a empresa controladora quando resta comprovada a existência de interesse comum de que trata o art. 124 do CTN, decorrente do liame inequívoco presente nas atividades desempenhadas pelas empresas envolvidas (Controlada e Controladora). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada, bem como em negar provimento ao recurso voluntário da autuada quanto à Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) e quanto à alegada não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício e, também, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário da autuada quanto à cota dos segurados, para que seja excluída do lançamento apenas a parcela que tiver excedido ao teto do salário de contribuição. Por voto de qualidade, negado provimento ao recurso voluntário da autuada quanto ao arbitramento da base de cálculo e negado provimento ao recurso voluntário da responsável solidária, LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, quanto a sua exclusão do pólo passivo. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Gabriel Tinoco Palatnic, Renata Toratti Cassini (Relatora) e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento aos recursos. Por maioria de votos, negado provimento ao recurso voluntário da autuada quanto à circularização. Vencido o conselheiro Gregório Rechmann Junior, que deu provimento ao recurso. Por maioria de votos, dado provimento ao recurso voluntário da autuada quanto à qualificação da multa aplicada, sendo reduzido seu percentual ao patamar ordinário de 75%. Vencidos os conselheiros Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. 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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 ART. 24 DA LINDB. INAPLICABILIDADE. O art. 24 da LINDB, com a redação dada pela Lei nº 13.655/2018, não é apto a regular a atividade de lançamento, bem como o processo administrativo fiscal dele decorrente. CORRETOR DE IMÓVEIS. IMOBILIÁRIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Quando o conjunto probatório que instrui os autos revela que o corretor de imóveis não mantém uma relação de parceria ou associação com a imobiliária, executando serviços que são essenciais à própria atividade fim da pessoa jurídica, a remuneração percebida pelo corretor autônomo pela comercialização de imóvel referese à prestação de serviços para a empresa imobiliária, na condição de contribuinte individual, hipótese de incidência da contribuição previdenciária. CIRCULARIZAÇÃO. Correto o procedimento de diligência que encaminha questionário a ser respondido por trabalhadores ligados a fato a ser analisado, a fim de entender as circunstâncias que ocorreram as prestações de serviço, mormente quando a empresa fiscalizada é omissa em prestar informações ao fisco. ARBITRAMENTO Correto o procedimento de arbitramento realizado por critério objetivo e lógico ante a omissão do contribuinte em fornecer informações. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADOS CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. LIMITE DO TETO DO BENEFÍCIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 49 17 /2 01 4- 78 Fl. 3152DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.106 Ao lançar de ofício a contribuição previdenciária do segurado contribuinte individual, deve a autoridade fiscal respeitar o teto do benefício. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO. No lançamento de ofício das contribuições previdenciárias, quanto aos fatos geradores ocorridos a partir da competência 12/2008, é devida a multa de ofício de 75% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago, recolhido ou declarado, sendo cabível a sua qualificação apenas quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei li0 4.502/64. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Em relação à multa de oficio não recolhida no prazo legal incidem juros de mora à taxa Selic. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS. A imputação de responsabilidade solidária dos sócios de pessoa jurídica, com fundamento nos arts. 124, I, e 135, III, do CTN, impõe sejam verificados atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. CONTROLADORA. É considerada responsável solidária no polo passivo da obrigação tributária a empresa controladora quando resta comprovada a existência de interesse comum de que trata o art. 124 do CTN, decorrente do liame inequívoco presente nas atividades desempenhadas pelas empresas envolvidas (Controlada e Controladora). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada, bem como em negar provimento ao recurso voluntário da autuada quanto à Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) e quanto à alegada não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício e, também, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário da autuada quanto à cota dos segurados, para que seja excluída do lançamento apenas a parcela que tiver excedido ao teto do salário de contribuição. 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Por maioria de votos, dado provimento aos recursos voluntários das pessoas físicas, Wildemar Antonio Fl. 3153DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.107 Demartini e Marco Antonio Moura Demartini, excluindoas do pólo passivo. Vencido o conselheiro Luís Henrique Dias Lima, que negou provimento aos recursos. Quanto à LINDB, votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, Maurício Nogueira Righetti, Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira, tendo o conselheiro Maurício Nogueira Righetti manifestado intenção de apresentar declaração de voto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Sérgio da Silva. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora (assinado digitalmente) Paulo Sérgio da Silva Redator designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recursos de ofício e voluntários, estes últimos interpostos pela contribuinte LPS BRASÍLIA CONSULTORIA DE IMÓVEIS LTDA. e pelos responsáveis solidários Wildemar Antônio Demartini, Marco Antônio Moura Demartini e LPS BRASIL Consultoria de Imóveis S/A, em face do Acórdão da 13ª Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) que julgou parcialmente procedentes os autos de infração DEBCAD nºs 51.065.2840 e 51.065.2859 por meio dos quais foram lançadas, respectivamente, contribuições devidas à Seguridade Social pela empresa incidentes sobre pagamento (comissões) realizado a contribuintes individuais nas competências 01/2010 a 12/2011 não declarados em GFIP (contribuição patronal) e contribuições devidas à Seguridade Social pelos segurados contribuintes individuais não retidas pela empresa contratante dos serviços e não repassadas ao órgão arrecadador incidentes sobre aquele mesmo pagamento realizado a contribuintes individuais nas competências 01/2010 a 12/2011 e não declarados em GFIP. Segundo o relatório fiscal, ambas autuações dizem respeito a pagamentos de comissão/premiação de vendas realizados a corretores que prestaram serviços à autuada (LPS Brasília Consultoria de Imóveis Ltda.) na intermediação imobiliária vinculada aos empreendimentos da empresa NS EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIO NOROESTE I SPE S/A. Fl. 3154DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.108 O crédito tributário totalizou, na data de consolidação (08/09/2014), o valor total de R$ 1.710.515,28 (um milhão e setecentos e dez mil e quinhentos e quinze reais e vinte e vinte e oito centavos). A ação fiscal teve por objeto a verificação do cumprimento de obrigações principais e acessórias relativas a contribuições previdenciárias. Sendo a atividade principal da empresa a intermediação ou comercialização de imóveis ou unidades imobiliárias autônomas, a autoridade fiscal relata as tentativas de obter a documentação comprobatória dos serviços prestados por contribuintes individuais, incluindose comprovantes das remunerações pagas, devidas ou creditadas a corretores ou consultores imobiliários pessoas físicas, bem como discriminativo dos valores pagos, com identificação de nome, CPF, NIT, CRECI e competência. Em resposta às intimações, diz que a fiscalizada apresentou esclarecimentos no sentido de que não toma serviços de corretores de imóveis independentes, nem efetua pagamentos em favor destes. Tais corretores seriam contratados e remunerados diretamente por seus clientes, compradores dos imóveis. Ao explicar suas atividades, a fiscalizada afirma que auxilia o incorporador a definir as características mercadológicas do produto e, com o seu lançamento, é autorizada a tornálo acessível ao mercado. Por sua vez, o corretor independente faz a intermediação da transação, associandose à LPS Brasília. Por fim, o comprador assume 3 obrigações distintas no ato da contratação, quais sejam de pagar o preço do imóvel, de remunerar a LPS Brasília e de remunerar o corretor independente. Entendendo que a fiscalizada não apresentou documentos e esclarecimentos suficientes para comprovar a veracidade dessas informações, a autoridade fiscal realizou diligências junto a incorporadoras/construtoras para as quais a fiscalizada prestou serviços de intermediação imobiliária, a prestadores de serviços pessoas físicas, (entre diretores, coordenadores, supervisores e corretores integrantes das equipes de venda da autuada) e a compradores de imóveis da carteira de negócios imobiliários da empresa, emitindo termos de intimação para fins específicos de prestação de informações e esclarecimentos de interesse do Fisco como forma de subsídio à ação fiscal desenvolvida na empresa LPS Brasília. Diz que os esclarecimentos prestados pelos compradores de imóveis foram consistentes no sentido de que os corretores que os atenderam se identificaram como representantes da imobiliária LPS Brasília e, em geral, usavam crachá, camiseta e/ou cartão de identificação dessa empresa, que emitiram vários cheques para fins de pagamentos diversos, inclusive do sinal e da comissão/premiação pela intermediação imobiliária realizada pelo corretor e pelos demais membros integrantes da equipe de vendas da LPS Brasília (corretor, supervisor/coordenador, gerente, diretor, LPS) e que a concretização do negócio ocorreu nos stands de venda da imobiliária e/ou da incorporadora/construtora, geralmente no local da obra, ou ainda na sede da empresa LPS Brasília. Relata que os corretores circularizados, por sua vez, esclareceram, em síntese, que embora assinassem praticamente todos os documentos relacionados à venda do imóvel, toda a documentação era entregue ao supervisor/coordenador de equipe e/ou diretor da LPS Brasília para análise e somente após a assinatura do contrato de compra e venda entre as partes (construtora/incorporadora e o comprador), a área financeira da Lopes Royal, entregava os cheques do pagamento da comissão de corretagem aos diversos integrantes das equipes de venda, aí incluídos os corretores de imóveis autônomos, que as comissões/premiações de vendas eram definidas pelas construtoras/incorporadoras em conjunto com a imobiliária LPS Fl. 3155DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.109 Brasília, que prestavam serviços geralmente em stands de vendas ou na sede da imobiliária LPS Brasília, que fornecia toda a infraestrutura e materiais necessários, sendo obrigatório o cumprimento das escalas de plantões de venda e a participação em reuniões e treinamentos determinados pelos representantes da imobiliária. Por fim, relata a fiscalização que as pessoas jurídicas diligenciadas esclareceram, resumidamente, ser praxe no mercado imobiliário do Distrito Federal a concessão de autorizações de intermediação com base no princípio da informalidade e da boa fé entre as incorporadoras/construtoras e as imobiliárias e que após a imobiliária prestar consultoria mercadológica à incorporadora, esta define o preço do imóvel e o valor da corretagem que, conforme costume adotado no mercado, varia entre 3,5% a 5,0%; que afirmaram, ainda, que a ligação incorporadoramercado é feita pela imobiliária e a relação compradorincorporadora é feita por meio de corretores independentes e que o sinal ou preço total do imóvel e as parcelas de corretagem devidas à imobiliária e aos corretores independentes são pagas diretamente pelos compradores àqueles. Esclarece a fiscalização que diante dos fatos apurados, considerando ainda os esclarecimentos insuficientes e insatisfatórios da empresa fiscalizada sobre a sistemática e a documentação empregada na comercialização de imóveis relativos aos empreendimentos da sua carteira de negócios imobiliários, concluiu que a autuada participa ativamente de todas as etapas da intermediação imobiliária, que vai desde o preenchimento da ficha cadastral, da emissão da proposta de compra e venda com recibo de sinal, da emissão do RPA e da nota fiscal para pagamento da comissão de venda até a coleta final da assinatura do contrato de compra e venda entre as partes (comprador e vendedor, em geral, a incorporadora). Entendeu a auditoria fiscal que a fiscalizada, quer na condição de prestadora de serviço às incorporadoras/construtoras, quer na condição de tomadora de serviço dos profissionais pessoas físicas, atua no intuito de fragmentar as etapas da comercialização de imóveis por meio de atos simulados/dissimulados, com a finalidade de vincular os corretores autônomos diretamente aos compradores de unidades imobiliária, sendo que todo esse processo de intermediação, apesar das afirmativas em contrário da fiscalizada, é executado sob a sua orientação, coordenação, controle, supervisão e direção, responsabilizandose pelo fornecimento dos materiais e de toda a estrutura de apoio aos profissionais pessoas físicas para que estes prestem um bom serviço de atendimento aos clientes compradores. Concluiu que o adquirente não toma conhecimento antecipado, adequado e transparente de boa parte de seus direitos e obrigações para a formação de seu livre convencimento, a não ser de forma superficial, no momento da assinatura da proposta de compra e venda. Afirma que esses procedimentos, adotados pelos entes imobiliários (incorporadora e/ou imobiliária), além de ferirem a legislação tributária, também contrariam o disposto nos arts. 6°, IV e V, 7°, p. ún., 39, I, 42, p. ún. e 51 do Código de Defesa do Consumidor. Acrescenta que os adquirentes de imóveis afirmaram que o corretor já se encontrava nos locais de venda designados pela fiscalizada, identificandose como representante da LPS. Os corretores de imóveis diligenciados, por sua vez, também esclareceram que cumpriam plantões nos pontos de venda ou stands da LPS (ou da incorporadora/construtora contratante), que a imobiliária fornecia toda a estrutura e documentação necessárias para a conclusão da venda de imóvel e que recebiam o pagamento da corretagem (em geral cheque emitido pelo comprador) da Tesouraria/setor financeiro da Fl. 3156DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.110 LPS após a assinatura final do contrato entre o comprador e o vendedor (incorporadora/construtora). Conclui estar demonstrado o procedimento ilícito da fiscalizada em consolidar no seu processo de intermediação imobiliária a transferência da responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação de venda para os compradores de imóveis, fazendo crer que o corretor autônomo presta serviço para esses adquirentes, com objetivo de se eximir do pagamento dos encargos tributários devidos na operação, principalmente no que tange às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos corretores e demais pessoas físicas pelos serviços de intermediação imobiliária que foram prestados para a empresa autuada, o que também caracterizaria tentativa de modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias, o que é vedado pelo art. 123 do CTN. Diante dos fatos apurados, o AuditorFiscal considerou fato gerador da obrigação principal a prestação de serviços de intermediação imobiliária mediante o pagamento de remuneração, a título de comissão/premiação de venda, a segurados contribuintes individuais (corretores, coordenadores, diretores etc.) pela comercialização de imóveis ou fração ideal de terrenos vinculada a uma unidade autônoma integrantes dos empreendimentos imobiliários sob a responsabilidade da empresa LPS Brasília – Consultoria de Imóveis Ltda. Em razão do sujeito passivo deixar de entregar os principais documentos solicitados e de prestar esclarecimentos deficientes, insatisfatórios e/ou que não mereçam fé quanto ao pagamento de comissão/premiação aos profissionais responsáveis pela comercialização de imóveis pertencentes à carteira de negócios da autuada, a autoridade administrativa, com fundamento no art. 148 do CTN, arbitrou as remunerações (bases de cálculo) pagas, devidas ou creditadas aos corretores autônomos/demais membros das equipes de vendas como contrapartida pelos serviços prestados nas transações imobiliárias. Para tanto, utilizouse do procedimento de aferição indireta, tendo como parâmetro os valores de comissão/premiação de corretagem recebidos pela fiscalizada e informados por ela nas Declarações de Informação sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB anoscalendário 2010 e 2011) e na conta contábil 311000 (Intermediação de Venda). Considerando a previsão de divisão de comissão entre corretores e/ou empresa imobiliária em 50% para cada parte, conforme Tabela de Honorários publicada no sítio do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 8ª Região (CRECI/DF), considerou como remuneração paga aos corretores e demais pessoas físicas o mesmo valor da comissão/premiação recebida pela empresa Lopes Royal e registrado na DIMOB 2010 e 2011 e na mencionada conta contábil. Informa a autoridade fiscal que, uma vez que os valores pagos aos corretores e demais pessoas físicas não foram informados pela fiscalizada, não foram declarados em folhas de pagamento nem em GFIP, nem lançados em títulos próprios da contabilidade, não foi observado o limite máximo do salário de contribuição no cálculo das contribuições a cargo dos segurados contribuintes individuais. Entende que por ter a fiscalizada agido no sentido de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias apuradas e de impedir ou retardar o conhecimento da sua condição pessoal de contribuinte, tendo, com isso, afetado a obrigação tributária principal, a Fl. 3157DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.111 multa de ofício de 75% foi aplicada em dobro (qualificada em 150%), nos termos do art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96. Foram arrolados como responsáveis solidários os sócios da autuada, quais sejam LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, Wildemir Antonio Demartini e Marco Antônio Moura Demartini. Relata a autoridade fiscal que a LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A se trata de sócia majoritária da autuada, com 51% de participação no seu capital social, e tem participação permanente em aproximadamente 23 empresas coligadas/controladas em outros Estados e no Distrito Federal, sendo a fiscalizada uma das integrantes desse grupo econômico, que tem como principal objeto a prestação de serviço de consultoria e intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis ou de direitos e obrigações a eles relativos. Aponta que existem diversos interesses comuns entre essas duas empresas, tais como controle acionário, administradores, atividade econômica e entende que também têm interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, qual seja a prestação de serviços remunerados de intermediação imobiliária por corretores pessoas físicas, tão determinantes e imprescindíveis para que a fiscalizada LPS Brasília auferisse expressivas receitas brutas de vendas de imóveis. Cita o art. 30, X, da Lei nº 8.212/91, c.c. o art. 222 do Decreto nº 3.048/99, que determinam que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da citada lei e regulamento. Quanto a Wildemir Antonio Demartini, informa a autoridade fiscal que se trata de sócio da empresa desde o início de sua atividade e sempre exerceu o papel de Diretor Geral e Responsável Técnico junto ao CRECI. Sobre o Marco Antônio Moura Demartini, sócio minoritário, informa que sempre se manteve no exercício do cargo de Diretor Administrativo, com poderes para praticar todos os atos necessários ao bom e regular funcionamento da empresa, inclusive com participação na comissão de venda destinada à Lopes Royal, conforme informações prestadas pelos corretores e coordenadores/diretores diligenciados. Fundamentandose na documentação apresentada quanto à comercialização de unidades imobiliárias, a fiscalização concluiu que as pessoas jurídicas integrantes do grupo econômico Real Engenharia, por contratarem os serviços da empresa LPS Brasília para a intermediação da comercialização de diversos imóveis ou fração ideal de terreno vinculada a uma unidade autônoma (vendas na planta ou em lançamento) da sua carteira de negócios imobiliários e por participaram, de forma isolada e/ou conjuntamente com a empresa autuada, da transferência, ao comprador do imóvel, da responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos, foram arroladas como responsáveis solidárias dos créditos tributários lançados na fiscalizada LPS BRASÍLIA. Por fim, informa o auditor fiscal que emitiu representação fiscal para fins penais, a ser encaminhada à autoridade competente, em razão da não inclusão dos segurados contribuintes individuais que prestaram serviços de intermediação imobiliária à autuada e as respectivas remunerações pagas, devidas ou creditadas nas folhas de pagamento e nas GFIP, bem como por ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios da contabilidade as contribuições previdenciárias devidas e as remunerações pagas, o que caracterizaria, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária previsto no art. 337A do Código Penal. Fl. 3158DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.112 Tanto a autuada quanto os responsáveis solidários apresentaram impugnações tempestivamente, que foram sintetizadas pela decisão recorrida, e de que pedimos vênia para reproduzir nos valermos: IMPUGNAÇÕES A LPS BRASÍLIA Consultoria de Imóveis S/A., após breve relato dos fatos e das conclusões da autoridade fiscal, argumenta que o AuditorFiscal não identificou a roupagem jurídica de que se reveste a relação estabelecida entre a empresa e os Corretores independentes, regida pelo art. 6º da Lei n° 6.530/78 e pelo art. 728 do Código Civil, o que afasta esta relação do modelo de contrato de prestação de serviços. Sustenta, com base no disposto no art. 722 do Código Civil, que o corretor não se encontra vinculado ao incumbente “em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência”. Assim, o corretor é “agente auxiliar do comércio” que tem por objetivo um resultado, qual seja a conclusão do negócio intermediado, e não o que se deve fazer ou deixar de fazer para obter esse resultado. Afirma que o corretor não se confunde com o “vendedor”, que é mero preposto do empresário, que atua em nome e por conta deste e não corre nenhum risco da atividade por este explorada. Nesse sentido, diz que a afirmação da autoridade lançadora de que a atividade dos corretores independentes se desenvolveria sob orientação, coordenação e controle da impugnante é inócua, uma vez que os corretores independentes correm, como os empresários, todos os riscos associados às suas atividades. Argumenta que as normas que regulamentam a relação entre corretores de imóveis pessoas física e jurídica, quais sejam o Código Civil, a Lei nº 6.530/78 e o Decreto nº 81.871/78, que a regulamenta, estabelece uma relação horizontal entre esses atores, nos moldes de uma associação ou parceria. Tal interpretação foi consagrada no art. 728 do Código Civil de 2002: Se o negócio se concluir com a intermediação de mais de um corretor, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário. Nesta relação de associação ou parceria, a impugnante capta autorizações/permissões de produtos imobiliários e os oferece para uma universalidade de potenciais compradores. Os corretores independentes se dedicam à captação do comprador específico com perfil adequado para o produto imobiliário anunciado e, quando atinge esse resultado, aproximam o cliente conquistado para fazer negócios em parceria com a impugnante. Assim, não existe, na associação, nenhuma delegação, por parte da imobiliária, de uma atividadefim ou atividademeio cuja titularidade necessariamente lhe incumba. Ao revés, as atividades da imobiliária e do corretor independente são distintas e complementares, correndo cada qual seus próprios e distintos riscos econômicos de suas atividades. Ressalta, ainda, o interesse específico do corretor no estabelecimento da associação: embora assuma riscos próprios de um empresário, recebe uma parcela dos lucros da intermediação, auferindo honorários que superam, substancialmente, aqueles que seriam recebidos sob outra estrutura contratual, como a prestação de serviços ou a relação de emprego. Alega ser plenamente possível que a impugnante dê orientações, compartilhe knowhow, e ofereça certa estrutura de trabalho aos corretores independentes, com o objetivo de coordenar (não controlar) a atividade destes com a sua própria. Semelhante coordenação, aliás, é muito comum numa sociedade, que também possui causa associativa: um sócio pode Fl. 3159DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.113 oferecer informações e ferramentas de trabalho a outro sócio, sem que com isto um se torne prestador de serviços contratado pelo outro. O que subjaz à base da coordenação é o fato de que as contribuições feitas pelos envolvidos sempre são direcionadas à persecução de objetivos comuns. No caso concreto, afirma que o comprador de imóveis remunera o corretor independente em razão do atendimento prestado. Por sua vez, o corretor independente, em contraprestação ao acesso à autorização de corretagem dada pela incorporadora/vendedora e a determinada infraestrutura para a captação de clientela (telefone, cartões de visita, etc.), “remunera” a imobiliária. Afirma não existir o pagamento de remunerações entre impugnante e os corretores independentes, mas sim rateio (como prevê o art. 728 do Código Civil) de valores pagos diretamente pelos beneficiários da intermediação levada a efeito. E sobre a questão, pondera que a autoridade fiscal não afirma nem comprova, em momento algum, a realização de pagamentos pela impugnante. Alega ser descabida a afirmação da fiscalização no sentido de “falta de livre convencimento”, por parte dos compradores de imóveis, quanto a estarem contratando os corretores independentes no ato do fechamento do contrato. Argumenta que todos os compradores receberam os recibos de pagamento autônomo emitidos pelos corretores independentes, e contra os fatos atestados em tal documento não se insurgiram. O recibo de pagamento autônomo formaliza não apenas o pagamento, como a própria relação de corretagem estabelecida entre o cliente e o corretor independente. Ainda que assim não fosse, nada impede que o contrato de corretagem seja celebrado verbalmente entre as partes, ou, ainda, que a sua existência seja deduzida a partir do comportamento concludente dos envolvidos. Ressalta que o próprio fiscal admitiu a possibilidade do contrato de corretagem ser celebrado tacitamente. Argumenta que também não se sustenta a acusação de simulação. Neste ponto, há contradição no raciocínio da autoridade fiscal: embora afirme que o negócio simulado teria o objetivo de aparentar a realização de pagamentos por parte dos compradores de imóveis, com o objetivo de encobrir o negócio dissimulado pelo qual seria a impugnante a efetiva pagadora das citadas remunerações, a própria autoridade fiscal defende ter ocorrido uma ilegal transferência do ônus de pagar a corretagem, transferência esta real e efetiva. Ora, se há transferência do ônus de pagar a corretagem, não se pode dizer que os pagamentos realizados pelos compradores são meramente aparentes. Ou bem a suposta transferência de ônus é apenas aparente e, neste caso, nada caberia dizer sobre a sua legalidade ou ilegalidade, pois ela sequer existiria ou ela é real e efetiva, e não haveria como negar que, concretamente, os pagamentos aos corretores independentes foram realizados pelos compradores. Ressalta que a acusação de simulação somente faria sentido se a autoridade fiscal tivesse afirmado e demonstrado o conluio entre a impugnante e o comprador, não sendo aplicável a mera presunção de que todos os compradores de imóveis teriam ajustado acordos simulatórios com a impugnante e os corretores independentes. Sustenta que o tema da responsabilidade pelo pagamento da corretagem é objeto de discussão no âmbito do direito do consumidor, e que tem prevalecido o entendimento de que não existe empecilho à contratação da corretagem pelo comprador, com o consequente pagamento, por este, da remuneração devida aos intermediadores. Colaciona julgado. Fl. 3160DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.114 Portanto, conclui que não é verdadeira a afirmação do relatório fiscal de que haveria inequívoca ilegalidade no modelo contratual adotado comumente no âmbito da corretagem de imóveis, argumentando que mesmo que a ilegalidade da prática comercial em questão fosse confirmada, isso não teria o condão de ocasionar a requalificação dos fatos, de modo a ficarem configurados os suportes fáticos referidos na legislação tributária. Acrescenta que a autoridade fiscal não nega que os compradores efetuaram os pagamentos devidos aos corretores independentes, limitandose a afirmar que estes pagamentos foram ilegais, abusivos, lesivos etc., como se tivesse legitimidade para pleitear eventuais direitos alheios, em matéria de direito do consumidor. Alega que ainda que admitida, esta discussão somente pode repercutir no âmbito da responsabilidade civil e não importa ao direito tributário. Argumenta que ao cogitar da transferência da sujeição passiva, a autoridade fiscal desenvolve uma narrativa que contraria a lógica formal, uma vez que o art. 123 do CTN, como regra geral, nega eficácia às convenções que tenham este escopo. Ainda, em que pese a autoridade fiscal não ter comprovado a efetiva realização de pagamentos pela impugnante em favor dos corretores independentes, a impugnante comprova a inexistência do fato tributável discutido mediante a apresentação de cópias de recibos de pagamentos autônomos emitidos por compradores em favor de corretores independentes, documentos estes que alega terem sido obtidos com muito custo, haja vista não manter a guarda de documentos relativos à atividade de terceiros. Aduz que esta controvérsia já foi objeto de decisões deste Conselho, que negou ter havido pagamento de corretagem pela impugnante em benefício dos corretores independentes, assim como negou que o modelo de negócios correntemente adotado pelos integrantes do mercado de corretagem imobiliária fundarseia sobre um planejamento tributário abusivo. Isto porque, ao não realizar os pagamentos aos corretores independentes, a imobiliária perde a possibilidade de realizar deduções para fins de apuração do imposto de renda. Quanto aos elementos probatórios colhidos pela autoridade fiscal mediante circularização, sustenta se tratar de provas ilícitas, uma vez que a sua produção não foi submetida ao contraditório. Ainda que assim não fosse, se o auto de infração pudesse ser fundamentado nas declarações unilaterais colhidas pela autoridade fiscal, há diversas declarações que comprovam a narrativa dos fatos e a interpretação jurídica da impugnante. Embora tenha recebido dos corretores independentes e das incorporadoras submetidos à circularização importantes esclarecimentos contrários à sua tese, a autoridade fiscal os ignorou. Afirma que há de se diferenciar a aparência que o empresário quer conferir ao seu negócio, única conhecida pelo consumidor, da essência jurídica que ele possui e que deve ser buscada pelo Fisco. O consumidor, na maioria das vezes, não tem condições de realizar uma análise técnicojurídica do negócio de que participa. Exemplifica, didaticamente, dizendo que diria que fulano ou cicrano trabalha “para” o McDonald’s ou “para” a Casa do Pão de Queijo, quando, na realidade, trabalha para outra empresa, que não se chama nem uma coisa, nem outra. Nessa linha, argumenta que a autoridade fiscal não se limitou a coletar fatos puros quando indagou da existência de “trabalho”, “serviço”, ou “vinculação” aos compradores Fl. 3161DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.115 de imóveis, que emitiram suas opiniões quando da circularização acerca da relação dos corretores independentes com a impugnante baseadas exclusivamente na aparência do negócio da impugnante, que jamais pode ser pressuposto de incidência tributária. Entende que a autoridade fiscal ignorou esclarecimentos prestados pelos corretores independentes, bem como cláusulas integrantes dos contratos firmados entre estes e a autuada, os quais deixam bastante claro o objeto da parceria e a inexistência de prestação ou tomada de serviços. De forma análoga, deixou de considerar os esclarecimentos prestados por algumas incorporadoras e contratos de corretagem disponibilizados por outras. Refuta o procedimento adotado pela autoridade fiscal de definir a base de cálculo do auto de infração com base no procedimento de arbitramento sem observar as diretrizes procedimentais estabelecidas pela legislação de regência. No caso de falta de informações sobre fatos tributáveis, alega que a autoridade fiscal pode, observadas as condições legais específicas, valerse do procedimento de arbitramento, mas nada a autoriza da descumprir o teto do salário de contribuição. Sustenta ser ônus do auditor fiscal a identificação dos beneficiários das remunerações discutidas para que restassem cumpridas as exigências mínimas necessárias para a apuração de base de cálculo legalmente válida. Ao contrário, a autoridade fiscal optou por se utilizar da criatividade e adotar um procedimento de arbitramento sem nenhuma base legal, motivo pelo qual o lançamento deverá ser cancelado. Diz ser relevante o fato de a autoridade fiscal ter adotado a Tabela de Honorários do CRECI para definir, a partir do percentual previsto de 50% para rateio da comissão entre imobiliária e corretores independentes, o valor da remuneração que a impugnante teria pago a estes. No entanto, considerando que o CRECI, seguindo o entendimento previsto na legislação especial, decorrente dos usos e costumes vigentes e da prática da corretagem imobiliária vigentes há décadas, entende que este rateio não diz respeito a pagamento de remuneração, mas a corretagem, a Autoridade Fiscal se utilizou, para a aferição indireta, de um documento que nega a sua tese. A par da ilegalidade do arbitramento, argumenta que é de se levar em conta que a alíquota aplicável, no caso da contribuição do segurado, é de 11%, não de 20%, como propôs a autoridade fiscal. Discorda da interpretação do auditor fiscal ao § 4º do art. 30 da Lei nº 8.212/91, que acarretou a inaplicabilidade da dedução de 45% da contribuição devida pela impugnante, limitada a 9% do saláriodecontribuição, vez que não teriam sido as contribuições declaradas. Subsidiariamente, requer seja afastado o agravamento da multa de ofício com base na acusação de evidente intuito de fraude de sua parte. Alega que a adoção de procedimento fiscal indevido, porém praticado de boafé e devidamente embasado em práticas e costumes socialmente consolidados há anos, consiste no chamado "erro de proibição", situação bem diferente daquela em que o sujeito passivo está ciente da sua obrigação para com o fisco, porém age de forma consciente e voluntária com o intuito de não recolher tributo que entende ser devido, o que não é a hipótese tratada. No presente caso, o modelo de negócio adotado pela impugnante está embasado em procedimento em uso e consolidado há décadas no ambiente do mercado Fl. 3162DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.116 imobiliário, adotado sistematicamente pelas imobiliárias e pelos corretores independentes, e contra o qual apenas muito recentemente se insurgiu a RFB. Assim, é absurda a acusação de que a fiscalizada teria adotado um procedimento sabidamente incorreto. Em tal contexto, a agravamento da multa de ofício fere o bom senso e a correta interpretação do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, além de contrariar toda a jurisprudência do CARF sobre o tema. Defende o entendimento de que a expressão “crédito”, contida no art. 161 do CTN, abrange tão somente aqueles créditos tributários que, por sua natureza, possam estar sujeitos a penalidades, ou seja, aqueles decorrentes do descumprimento da obrigação tributária. Assim, estaria excluído deste conceito o crédito tributário decorrente da obrigação penal tributária, devendose concluir no sentido da impossibilidade de cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Por fim, a impugnante (i) requer seja o Auto de Infração julgado integralmente improcedente; (ii) protesta pela produção de todas as provas admitidas em direito; (iii) solicita que todas as intimações e comunicações referentes ao presente processo administrativo sejam remetidas ao endereço da impugnante, constante do cadastro da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), bem como para o escritório de seus advogados infra assinados. IMPUGNAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS SÓCIOS PESSOAS FÍSICAS Os sócios da autuada, Wildemir Antônio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini, responsabilizados solidariamente, protocolizaram Impugnações tempestivas e em peças distintas que, porém, por terem sido subscritas pelo mesmo patrono e conterem idêntico teor, serão analisadas conjuntamente. Após breve relato dos fatos, apontam que o Termo de Sujeição Passiva Solidária tem como fundamento legal o artigo 124, I, bem como o artigo 135, III, do CTN, imputando aos impugnantes o dever de solver o crédito tributário principal, acrescido de juros, e multa de ofício qualificada. Aduzem que a expressão “interesse comum” contida na norma deve ser interpretada de forma técnica. Nesse sentido, o “interesse comum” sempre será o interesse jurídico compartilhado por dois ou mais sujeitos, partícipes de uma mesma relação jurídica, de modo que estes possuam, com relação à coisa ou atividade que constitui fato gerador, direitos e deveres iguais. Salientam que a existência de meros interesses econômicos, conforme apontado no relatório fiscal, não autoriza a instauração da solidariedade, sob pena de se ampliar indevidamente a possibilidade de atribuição de responsabilidade a pessoas alheias ao fato gerador tributário. Entendem que a autoridade fiscal não comprovou que os impugnantes e a LPS Brasília teriam agido, conjuntamente, nas relações jurídicas de que teriam resultado os supostos fatos geradores tributários, sendo a qualidade de sócio insuficiente para ensejar a responsabilidade solidária. Isto porque o relatório fiscal indica como interesse comum a expectativa de que a LPS Brasília auferisse receitas mediante a prática de suposto ilícito Fl. 3163DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.117 tributário. Este argumento, porém, confunde o interesse comum a que faz referência o art. 124, I, do CTN, com o interesse meramente econômico que todo sócio nutre com relação à sociedade investida. Essa tese, caso aceita, implicaria em tratar todo sócio como solidariamente obrigado pelos débitos das sociedades das quais participasse, o que é um equívoco. Relembram que solidariedade não se presume e citam decisão do CARF que considera a confusão patrimonial como requisito para caracterizar o interesse comum. Acrescentam que não restou demonstrado nenhum indício sequer de confusão patrimonial entre os impugnantes e a LPS Brasília, o que afasta a aplicabilidade do artigo 124, I do CTN ao presente caso concreto. Refutam, também, a caracterização da solidariedade como sanção, uma vez que se trata de uma situação objetiva, derivada da indivisibilidade da obrigação tributária. Um mesmo fato impõe, a dois ou mais sujeitos, ao mesmo tempo, a condição de contribuinte, não havendo extensão desta condição por força de qualquer fato que extrapole o fato gerador, como ocorreria, por exemplo, com a vinculação do interesse comum a uma noção genérica de conluio. Apontam inconsistência no relatório fiscal ao chamar os impugnantes a responderem pelo crédito tributário, simultaneamente, de forma solidária e como responsável pessoal. Consideram que a responsabilidade pessoal do agente exclui a responsabilidade solidária porque, antes disso, exclui a responsabilidade da própria pessoa jurídica autuada. Nesses termos, impõese o cancelamento dos Termos de Sujeição Passiva Solidária uma vez que o artigo 135, III, do CTN é incompatível com a responsabilidade da própria LPS Brasília (autuada). Alegam que o relatório fiscal não comprovou que os impugnantes teriam agido de forma ilegal ou com excesso de poderes, ou de forma contrária ao estatuto social da LPS Brasília. A incidência do dispositivo em questão requer prova de dolo específico do sócio, manifestado por deliberação ou outro ato de sua incumbência, que sabidamente contraria a lei e objetiva a obtenção de vantagem tributária indevida. Afirmam que a autoridade fiscal pretende arrolar os impugnantes entre os responsáveis pelo crédito tributário lançado sem fazer nenhuma prova de que teriam incorrido nas hipóteses ensejadoras da responsabilidade pessoal previstas no art. 135 do CTN. A inexistência dos requisitos autorizadores da aplicação do artigo 124, I, bem como do art. 135, III do CTN impõe o cancelamento dos Termos de Sujeição Passiva Solidária. Ainda que assim não se entenda, sustentam que os impugnantes não podem figurar como devedores solidários da multa de ofício aplicada, uma vez que o art. 124 do CTN é claro quanto a alcançar somente a obrigação tributária principal, excluída a multa. Também não se sustenta a responsabilidade dos impugnantes pela multa caso seja adotado como fundamento o art. 135 do CTN, pois somente responde pela penalidade o agente infrator, sendo indispensável a comprovação de que este agiu com dolo específico, conforme dispõe o art. 137 do CTN, o que não ocorreu no presente caso. Por fim, requerem (i) sejam os Termos de Sujeição Passiva julgados integralmente improcedentes; (ii) a produção de todas as provas admitidas em direito; (iii) que todas as intimações e comunicações referentes ao presente processo administrativo sejam Fl. 3164DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.118 remetidas aos endereços dos impugnantes, constantes do cadastro da RFB, bem como para o escritório de seus advogados infraassinados. IMPUGNAÇÃO DA RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA SÓCIA PESSOA JURÍDICA A sócia pessoa jurídica da autuada, LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, responsabilizada solidariamente pelas autuações em exame, apresentou as seguintes alegações em sua impugnação, resumidamente: Após breve relato dos fatos, aponta que o Termo de Sujeição Passiva Solidária tem como fundamento legal o artigo 124, I do CTN, bem como o artigo 30, IX, da Lei nº 8.212/91, imputando lhe o dever de solver o crédito tributário principal, acrescido de juros, e multa de ofício qualificada. Aduz que a expressão “interesse comum” contida na norma deve ser interpretada de forma técnica. Nesse sentido, o “interesse comum” sempre será o interesse jurídico compartilhado por dois ou mais sujeitos partícipes de uma mesma relação jurídica, de modo que estes possuam, com relação à coisa ou atividade que constitui o fato gerador, direitos e deveres iguais. Assim, a existência de meros interesses econômicos, conforme apontado no Relatório fiscal, não autoriza a instauração da solidariedade, pena de se ampliar indevidamente a possibilidade de atribuição de responsabilidade a pessoas alheias ao fato gerador tributário. Entende que a autoridade fiscal não comprovou que a impugnante e a LPS Brasília teriam agido, conjuntamente, nas relações jurídicas de que teriam resultado os supostos fatos geradores tributários, sendo a qualidade de sócio insuficiente para ensejar a responsabilidade solidária. Isto porque o Relatório fiscal indica como interesse comum da impugnante a expectativa de que a LPS Brasília auferisse receitas mediante a prática do suposto ilícito tributário. Este argumento, porém, confunde o interesse comum a que faz referência o art. 124, I, do CTN, com o interesse meramente econômico que todo sócio nutre em relação à sociedade investida. Essa tese, se aceita, implicaria em tratar todo sócio como solidariamente obrigado pelos débitos das sociedades das quais participasse. Relembra que solidariedade não se presume e cita decisão deste Conselho que considera a confusão patrimonial como requisito para caracterizar o interesse comum. Acrescenta que não restou demonstrado nenhum indício de confusão patrimonial entre a impugnante e a LPS Brasília, o que afasta a incidência do artigo 124, I do CTN, ao presente caso concreto. Refuta a caracterização da solidariedade como sanção, vez que se trata de uma situação objetiva, derivada da indivisibilidade da obrigação tributária. Um mesmo fato impõe, a dois ou mais sujeitos, ao mesmo tempo, a condição de contribuinte, não havendo extensão desta condição por força de qualquer fato que extrapole o fato gerador, como ocorreria, por exemplo, com a vinculação do interesse comum a uma noção genérica de conluio. Defende não estarem presentes as condições que autorizam a aplicação ao caso do art. 30, IX, da Lei n° 8.212/91, pois a obrigação solidária com fundamento neste dispositivo exige que haja verdadeira unicidade do poder decisório e administrativo entre as Fl. 3165DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.119 sociedades de um grupo econômico e que o grau da centralização decisória alcance as decisões sobre a realização ou não dos atos e negócios que correspondam aos fatos geradores, bem como que alcance a decisão acerca do cumprimento das obrigações tributárias. Dentro dessa moldura deve ser feita a análise dos elementos que darão azo à solidariedade, não sendo lícita a interpretação meramente literal de que em havendo grupo econômico, de direito ou de fato, automaticamente responderão solidariamente todas as pessoas integrantes desse grupo. Nessa linha, o artigo 30, IX, da Lei n° 8.212/91 atribui obrigação solidária àqueles que possuem competência decisória concreta e determinante sobre os atos que correspondem ao fato gerador, bem como ao cumprimento das obrigações tributárias, e não em função do simples pertencimento ao grupo econômico. Argumenta que a fiscalização não comprovou que a impugnante exerce sobre a LPS Brasília poder decisório capaz de determinar a prática dos atos que teriam constituído o suposto crédito tributário lançado, tampouco que teria tido ingerência sobre o cumprimento ou descumprimento das obrigações tributárias que a fiscalização pretende imputar à LPS Brasília. Portanto, não restou demonstrada a caracterização de situação que autoriza a imputação de obrigação solidária à impugnante com fundamento no art. 30, IX da Lei n° 8.212/91. Ainda que não se entenda pelo cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária pelas razões acima, sustenta que a impugnante não pode figurar como devedora solidária da multa de ofício aplicada, uma vez que o art. 124 do CTN é claro quanto a alcançar somente a obrigação tributária principal, excluída, pois, a multa. Também não se sustenta a responsabilidade da impugnante pela multa caso seja adotado como fundamento o art. 135, III do CTN, pois somente responde pela penalidade o agente infrator, sendo indispensável a comprovação de que teria agido com dolo específico, conforme dispõe o art. 137, também do CTN, o que não se verificou no presente caso. Por fim, requer (i) seja o Termo de Sujeição Passiva julgado integralmente improcedente; (ii) a produção de todas as provas admitidas em direito; (iii) que todas as intimações e comunicações referentes ao presente processo administrativo sejam remetidas ao endereço da impugnante, constante do cadastro da RFB, bem como para o escritório de seus advogados infraassinados. IMPUGNAÇÃO DAS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIAS INCORPORADORAS/VENDEDORAS Os sujeitos passivos solidários NS Empreendimento Imobiliário Noroeste I SPE S/A apresentaram impugnações e documentos alegando, em síntese: a) que o objeto social da empresa cingese a atividades de engenharia civil relativas à construção de empreendimentos imobiliários, ao passo que a principal atividade econômica desenvolvida pela Autuada consiste na intermediação imobiliária. b) insurgese contra o entendimento da Autoridade Fiscal quanto à sua inclusão no pólo passivo da demanda tributária que mostrase desarrazoado e desproporcional, devendo ser afastado. c) entende a fundamentação legal no art. 124, I do CTN para sua qualificação como devedora solidária, vez que a Autoridade Lançadora percebeu de forma equivocada o Fl. 3166DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.120 fluxo da operação que ensejou a autuação e o papel desempenhado por cada um dos atores, a despeito dos esclarecimentos prestados ao longo do procedimento fiscalizatório. d) esclarece que contrata as empresas corretoras de imóveis, como a Autuada, para que estas, por meio de contrato de corretagem, realizem a venda do empreendimento ao consumidor, refugindo ao seu controle a forma como a contratada operacionaliza o serviço contratado. e) em reforço, assevera que não possui nenhuma relação com os corretores pessoas físicas, donde sobrevém a absoluta falta de interesse comum, não possuindo nenhuma ingerência sobre a forma utilizada pela LPS no cumprimento do contrato de corretagem celebrado que com ela celebra. d) sustenta inaplicável a subsunção ao art. 135 do CTN para fins dE solidariedade tributária porque o ato praticado em contrariedade ao estatuto ou contrato social deve ser entendido como aquele que se distancia do objetivo funcional social da sociedade ou que é feito em desobediência às regras demarcadas pelo instrumento regulador da pessoa jurídica. e) ademais, toda e qualquer regra de responsabilidade tem a sua aplicação condicionada à existência de um liame entre o agente e o fato. Para que haja responsabilização de terceiros nos moldes do referido art. 135, do CTN, imperioso seja explicitada qual a conduta do agente que deu azo à responsabilidade. Colaciona julgado nesse sentido. f) insurgese contra o entendimento da Autoridade Fiscal no tocante à possibilidade de sua responsabilização solidária, vez que não existe no ordenamento dispositivo legal imputando exclusiva responsabilidade ao vendedor do imóvel pelo pagamento das comissões oriundas do contrato de corretagem, ou, ainda, que disponha ser ilegal o repasse do encargo ao comprador dos imóveis. g) com fundamento no art. 22, III, da Lei nº 8.212/91, aduz ser obrigatória a existência de relação de prestação de serviços entre empresa e o contribuinte individual, assim, contrario sensu, é indiferente à Previdência Social tudo que não decorrer de contrato diverso da prestação de serviço. h) Assevera ser equivocada a interpretação da Autoridade Fiscal, que confunde prestação de serviços, prevista nos arts. 593 a 609, com corretagem, disciplinada nos arts. 722 a 729, todos do Código Civil, e conclui que os contratos fiscalizados diriam respeito à espécie diversa daqueles autuados. i) aduz que o contrato de corretagem não se confunde com o de prestação de serviços, cujas naturezas jurídicas são distintas, sobretudo porque o seu objeto é apenas o da obrigação de obter o resultado. j) assim, em se tratando a corretagem de um conceito típico de direito privado e considerando o princípio da tipicidade cerrada que norteia o Direito Tributário, não poderia a Fiscalização desvirtuar o conceito de prestação de serviços fins do hostilizado lançamento, sob pena de incorrer em violação aos artigos 109 e 110 do CTN. Fl. 3167DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.121 l) argumenta que, ao contrário do que consta nas autuações ora impugnadas, eventual beneficiário dos serviços de corretagem prestados pelos corretores independentes não seria a empresa Autuada (LPS), mas o adquirente do imóvel. m) entende que não pode o Fisco, de forma alguma, imiscuirse em uma livre negociação entre as partes, na medida em que não há óbices para que a comissão devida ao corretor autônomo seja paga diretamente (e de forma individualizada) pelo comprador e, de forma separada entre os diversos agentes que fizeram parte do negócio (corretores e demais pessoas físicas envolvidas na intermediação da venda). n) afirma que a relação acaso existente entre a LPS e os corretores independentes traduzse, no máximo, em relação de comunhão de escopo, em que as partes visam a atingir objetivo comum consubstanciado na realização do negócio jurídico de venda de imóvel, não havendo, na hipótese, prestação de serviços de qualquer natureza entre a impugnante e os demais corretores independentes. m) partindo para a afronta ao arbitramento realizado pela Fiscalização, sustenta que foi violado o disposto no art. 21 c/c art. 28, III, ambos da Lei nº 8.212/91, vez que não teria sido respeitado o teto do salário de contribuição para fins da contribuição própria dos segurados. n) contesta o fundamento utilizado pela Autoridade Fiscal para a mencionada inobservância, vez que não encontra respaldo na boa técnica de arbitramento e, ainda menos, na legislação previdenciária, pois que não é razoável simplesmente ignorar a existência de teto para o salário de contribuição quando a legislação confere à Autoridade Lançadora recursos e mecanismos que permitem o arbitramento de grandezas que não puderem ser apuradas de forma exata. o) sobre a multa agravada, defende ser injustificada a imputação de conduta dolosa consubstanciada na prática de crime contra a ordem tributária, na medida em que, ao longo de todo o procedimento fiscal, não houve nenhuma prova ou indício da suposta materialidade do crime de sonegação, tendo a Autuada, inclusive, aberto por completo a sua contabilidade e franqueado todos os documentos que legalmente era obrigada a manter e fornecer. p) ainda, informa que não houve falsidade nas declarações transmitidas pela Impugnante, tampouco sonegação de contribuições previdenciárias ou evidente intuito de fraude. O que pode ser alegado é, tão somente, a aplicação de interpretação legal diversa daquela entendida como correta pela Fiscalização. Colaciona jurisprudência. Por fim, requer seja reconhecida a improcedência do Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado contra a Impugnante; quanto ao mérito, requer a procedência da Impugnação por seus fundamentos, para a declaração da insubsistência dos Autos de Infração; subsidiariamente, requer a improcedência parcial dos débitos lançados a título de contribuição previdenciária dos segurados por inobservância do teto do salário de contribuição e que seja reconhecida a inexistência do dolo, fraude ou simulação nas operações realizadas pela Autuada e pela Impugnante, afastandose a cobrança da multa majorada. A DRJ julgou improcedentes as impugnações da autuada LPS BRASÍLIA Consultoria de Imóveis Ltda., mantendose os créditos tributários exigidos por meio dos autos de infração DEBCAD nºs 51.065.2840 (contribuição patronal) e 51.065.2859 (contribuição Fl. 3168DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.122 dos segurados), das responsáveis solidárias LPS BRASIL Consultoria de Imóveis S/A, Wildemir Antônio Demartini e Marco Antônio Moura Demartini, sócios da autuada, para mantêlos nos polo passivo como responsáveis solidários pelos créditos tributários constituídios, e julgou procedente em parte a impugnação da responsável solidária NS Empreendimento Imobiliário Noroeste I SPE S/A para, unicamente, excluíla do polo passivo como responsáveis solidários. A autuada e os responsáveis solidários LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, Marco Antônio Moura Demartini e Wildemir Antônio Demartini interpuseram seus recursos voluntários aos 10/05/2016, (fls. 2251 e s.s., 2520 e s.s., 2445 e s.s. e 2838 e s.s.) respectivamente), nos quais foram repisadas, em linhas gerais, as alegações constantes das impugnações e contestados certos pontos da argumentação da DRJ. Também foram juntados aos autos parecer de renomado jurista, dois Laudos Técnicos elaborados por empresas de consultoria e auditoria (“Laudo Técnico – Pesquisas respondidas pelo público de stands” e laudo de avaliação da LPS Brasília) e, em reunião realizada neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aos 08/05/2018, foram apresentados memoriais a esta relatora e ao presidente deste Colegiado, que sintetizam alguns pontos dos recursos voluntários e, especialmente, apontam julgados recentes deste tribunal favoráveis à tese defendida proferidos em casos semelhantes ao ora tratado, bem como decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp nº 1.599.511/SP, processado sob o rito do art. 1036 e seguintes do NCPC (recurso representativo da controvérsia), julgamento este que se deu posteriormente à interposição os recursos voluntários. Iniciado o julgamento do recurso em seção realizada aos 14/09/18, em sustentação oral, o patrono da recorrente invocou a aplicação, ao caso, das recentes alterações havidas na Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro DecretoLei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942, especialmente do seu artigo 24 e, nesse sentido, que o processo fosse analisado à luz da jurisprudência vigente nos anos de 2010 e 2011, quando da ocorrência dos supostos fatos geradores, bem como das orientações que lhe teriam sido prestadas pela Fazenda Pública, como determina o mencionado dispositivo legal. Nesse contexto, houve por bem o Colegiado julgador retirar o processo de pauta para verificação de procedimento de modo que o contribuinte pudesse instruIr os autos com manifestação formal no sentido de sua postulação na tribuna. Aos 27/09/18, o recorrente juntou aos autos a petição e documentos de fls. 2911 e seguintes. Devidamente intimada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou manifestação de fls. 3068/3078. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Renata Toratti Cassini, Relatora. DO RECURSO DE OFÍCIO Fl. 3169DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.123 O recurso de ofício foi interposto uma vez que com a exclusão do polo passivo do responsável solidário NS Empreendimento Imobiliário Noroeste I SPE S/A, a decisão recorrida o teria exonerado da responsabilidade pelo crédito tributário em valor superior ao limite de alçada previsto no art. 1º da Portaria MF nº 03/08, à época fixado em R$ 1.000.000,00. Esse valor, todavia, foi majorado pela Portaria MF nº 63, de 10/02/2017, que estabelece em R$ 2.500.000,00 o valor de alçada para a interposição de recurso de ofício em hipóteses que tais, conforme abaixo: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Nos termos da Súmula CARF nº 103, essa norma deve ter aplicação imediata aos julgamentos em curso: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. (destacamos) O valor original dos autos de infração DEBCAD nº 51.065.2840 e nº 51.065.2859 (somatório de tributo e multa) é de R$ 1.103.558,26 e R$ 606.957,02, respectivamente (fls. 02). Assim, o total do valor exonerado perfaz o importe de R$ 1.710.515,28 (um milhão e setecentos e dez mil e quinhentos e quinze reais e vinte e oito centavos), inferior, portanto, ao valor de alçada fixado pela Portaria MF nº 63/17, impondose o não conhecimento do recurso de ofício. Pelo exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício. DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS Os recursos voluntários são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que deles conheço. Inicialmente, anoto que os protestos por produção de todas as provas admitidas em direito foram formulados nos recursos sem nenhuma fundamentação, em desacordo com o disposto no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72, pelo que são incabíveis. Igualmente, não tem cabimento o pedido de ciência pessoal do patrono dos recorrentes, uma vez que o art. 23, I a III do Decreto nº 70.235/72 estabelecem que as intimações no decorrer do processo administrativo tributário federal serão destinadas ao sujeito passivo, não a seu advogado, e não existe, tampouco, previsão nesse sentido no RICARF. DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA AUTUADA LPS BRASÍLIA CONSULTORIA DE IMÓVEIS LTDA. DO ART. 24 DA LINDB Fl. 3170DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.124 Inicialmente, a recorrente requer a aplicação ao presente caso do art. 24 da Lei de Introdução às Normas de Direito da Brasileiro Decretolei nº 4.657/52, a ele recentemente introduzido pela Lei nº 13.655, de 25 de abril de 2018, que dispõe o seguinte: Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. Conforme argumenta a recorrente, a finalidade desse dispositivo é dar segurança jurídica ao administrado, impedindo a retroatividade de novas interpretações e construções jurisprudenciais para fatos jurídicos perfeitos que levaram em consideração orientação jurisprudencial e das autoridades fiscais quando constituídos. Nesse contexto, esclarece que foi cientificado do lançamento de ofício aos 26/09/2014 e que na data da ocorrência dos fatos geradores (2010 e 2011), não havia orientação jurisprudencial contrária à possibilidade de adoção do modelo de negócios de corretagem adotado e quanto à existência de vínculo entre ela e o corretor independente. Prossegue dizendo que aos 19/03/2014, seis meses antes do lançamento, foram proferidas duas decisões por este tribunal administrativo em processos da própria recorrente (Acórdãos nº 2403002.509 e 2403002.508) que tiveram decisões integralmente favoráveis para afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre comissão de vendas recebidas pelo corretor independente paga pelo comprador, mas cujo pagamento, tal como no presente caso, houvera sido a ela atribuído. Informa que essas decisões transitaram em julgado uma vez que os recursos especiais delas interpostos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional tiveram seguimento negado, conforme despacho proferido aos 04/12/16 pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, anexado a fls. 2952. Colaciona, ainda, nova decisão, proferida em 2016 (Acórdão nº 2402 005.271), também transitada em julgado, que confirma o entendimento de que o modelo de negócios de corretagem não leva à conclusão sobre a existência de vínculo empregatício entre o corretor independente e a recorrente e esclarece que no momento da ocorrência do fato gerador (2010 e 2011) não havia jurisprudência no CARF sobre a possibilidade de adoção do modelo de negócios de corretagem da recorrente e a existência ou não de vínculo entre ela e o corretor independente. Argumenta que os acórdãos colacionados são os únicos que tiveram decisão definitiva irrecorrível na esfera administrativa sobre o tema, de forma que adotou prática válida de negócio, ao final confirmada pelo trânsito em julgado daquelas decisões. Fl. 3171DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.125 Por essas razões, diz ser o art. 24 da LINDB de aplicação obrigatória ao presente caso, de modo que seja ele analisado a partir do contexto jurisprudencial de 2010 e 2011 e das orientações recebidas da Fazenda. A Procuradoria da Fazenda Nacional, por sua vez, argumenta, em síntese, que: · o artigo 24 da LINDB não tem por objeto regulamentar o lançamento fiscal e as decisões proferidas no Processo Administrativo Fiscal; · o ato do lançamento não consubstancia “revisão” de ato da Administração, não sendo possível concluir, do art. 24 da LINDB, que o auditorfiscal, ao efetuar o lançamento, esteja amarrado à jurisprudência administrativa ou judicial existente à época dos fatos geradores; ademais, apenas Lei Complementar poderia dispor sobre norma geral afeta à atividade do lançamento; · tampouco faz sentido, diante do texto normativo, concluir que os órgãos responsáveis pelo julgamento de recursos administrativos, ao “revisar o lançamento” estejam vinculados à jurisprudência majoritária existente à época dos fatos geradores; · o artigo 24 simplesmente determina que, se a Administração pratica ato que gera uma situação consolidada (por exemplo, emite uma licença de funcionamento, assina um contrato, autoriza um pagamento), a mudança posterior de entendimento sobre a validade deste ato não pode afetar a situação consolidada que a própria Administração gerou; · o Código Tributário Nacional (CTN) possui regramento próprio e particular sobre os atos e decisões dotados de caráter normativo (art. 100, I a IV), sobre as consequências de sua observância pelo administrado (art. 100, parágrafo único), bem como sobre o efeito intertemporal da introdução de novos critérios jurídicos – leiase, nova interpretação – no processo de constituição do crédito tributário (art. 146). Tratase de normatização específica quanto às questões que o art. 24 (norma geral) se propõe a regulamentar; · a Lei 13.655/2018 não atribui eficácia normativa à jurisprudência majoritária vigente à época dos fatos geradores, não a enquadrando no conceito de decisão normativa, nos termos do art. 100, II, do CTN. Inicialmente, para nós não há dúvida sobre a incidência das normas da Lei de Introdução ao Direito Brasileiro – inclusive das recentemente introduzidas ao texto original pela Lei nº 13.655/18 – no âmbito da atividade judicante deste tribunal administrativo. Digo isso por conta do argumento de partida da D. Procuardoria Geral da Fazenda Nacinal em sua manifestação juntada aos autos, bem como de recentes decisões proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Tribunal. Segundo entendimento exarado nos expedientes mencionados, os novos dispositivos inseridos na LINDB pela Lei nº 13.655/18 (arts. 20 a 30) teriam se baseado na obra dos Professores Carlos Ari Sundfeld e Fl. 3172DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.126 Floriano de Azevedo Marques Neto, denominada "Contratações Públicas e Seu Controle", o que não deixaria margem de dúvida acerca de sua natureza essencialmente administrativa. Assim, os destinatários desses dispositivos seriam apenas os administradores públicos e os órgãos de controle da Administração Pública, inclusive do Judiciário. Nessa linha, a PGFN afirma, em sua manifestação: As alterações promovidas na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) pela Lei 13.655/2018 tiveram por objetivo, como indica a Justificativa do Projeto de Lei (PL), “incluir na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (Decretolei 4.657/1942) disposições para elevar os níveis de segurança jurídica e de eficiência na criação e aplicação do direito público”. Em que pese a pretensão de irradiar efeitos sobre todos os ramos do Direito e sobre todos os procedimentos da Administração Pública, não há dúvida de que as inovações promulgadas foram elaboradas tendo como pano de fundo os processos de controle das contratações públicas, em especial aqueles das instâncias de controle dos gastos públicos, como o TCU e a CGU. Com efeito, o PL é, declaradamente, fruto de projeto de pesquisa publicado na Obra “Contratações Públicas e Seu Controle”, dedicada exclusivamente ao tema. Em uma das decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais a que fizemos referência (proferida nos autos do processo administrativo de nº 19515.003515/200774), restou decido que em nenhum momento a lei sinaliza que seria dirigida à atividade judicante administrativa, como é o caso do CARF, de modo que “Quando muito, a aplicação desta lei no CARF restringirseia às atividades essencialmente administrativas, afetas à sua Secretaria Executiva, quanto a eventuais contratos, convênios e atos congêneres, inerentes ao próprio funcionamento do Órgão”. A PGFN, igualmente, como relatado, trouxe vários outros argumentos, aliás, muito bem fundamentados, para justificar a não aplicação do LINDB ao PAF. Com todo o respeito, ousamos discordar. A antiga Lei de Introdução ao Código Civil é uma norma de sobredireito, ou seja, uma norma jurídica que visa a regulamentar outras normas jurídicas. O seu estudo sempre foi comum na disciplina de Direito Civil pela sua posição topográfica, à frente do Código Civil de 1916, tradição que foi mantida no Código Civil de 2002. No entanto, apesar disso, a antiga LICC, como era conhecida, nunca foi uma norma exclusiva de Direito Privado, e bem por essa razão é que a Lei nº 12.376/10 tratou de alterar a sua denominação para Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro uma vez que ela muito mais se aplica a outros ramos do Direito do que ao próprio Direito Civil. O seu conteúdo, na realidade, é muito mais afeto à Teoria Geral do Direito. Assim, como esclarece o prof. Carlos Ari Sundfeld aliás, autor do projeto de lei que resultou na Lei nº 13.655/18, juntamente com o prof. Floriano de Azevedo Marques Neto comentando o mencionado julgado de nº 19515.003515/200774 da Câmara Superior de Recursos Fiscais, acima mencionado: Fl. 3173DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.127 “a ampla incidência sempre foi característica da antiga Lei de Introdução. Seu art. 1º, caput, diz que “salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco dias depois de oficialmente publicada”. E nunca houve dúvida de que essa regra deveria incidir sobre leis tributárias, leis funcionais, leis sobre serviços públicos, leis previdenciárias, enfim, quaisquer leis. O mesmo ocorre com seus arts. 2º (“a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue”), 3º (“ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece”), 4º (sobre a “lei omissa”), 5º (relevância dos “fins sociais” e “exigências do bem comum”), 6º (“efeito imediato e geral” da lei, salvo “o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada”), e assim por diante. Justamente por isso se diz, e é certo, que a Lei de Introdução é uma lei de sobredireito. Esses antigos dispositivos não têm, como se sabe, qualquer referência expressa ao direito tributário ou à atividade administrativa tributária, judicante ou não. Nem por isso há incerteza quanto à vinculação a eles dos julgadores administrativotributários. Normas gerais de interpretação e aplicação de Direito obrigam a todos que interpretam e aplicam o Direito, independentemente de citação nominal. De resto, se a atividade judicante do Judiciário está vinculada à Lei de Introdução, porque atividade judicante de simples autoridade administrativa estaria isenta? A resposta quanto ao âmbito de incidência dos novos arts. 20 a 30 da Lei de Introdução é bem clara, a começar da ementa da lei que a alterou. Tratase de “disposições sobre segurança jurídica e eficiência na criação e aplicação do direito público”. Os dispositivos da lei 13.655 não são de direito administrativo em sentido estrito (isto é, sobre contratos administrativos, servidores públicos, serviços públicos e outros temas a cargo dos professores desse ramo), tampouco sobre controle da administração; a lei é geral de direito público. Seus dispositivos são abrangentes e serão observados nas operações jurídicas envolvendo o direito público em geral. (...) Quanto à esfera administrativa, a lei não fez distinções nem previu tratamento especial ou imunidades para suas subdivisões. Logo, a Lei de Introdução reformada tem de ser observada por todas as autoridades administrativas, seja qual for sua atuação material específica (ativa, consultiva, controladora, licenciadora, reguladora, sancionadora, etc.), a legislação setorial a que está sujeita (contratual, concorrencial, tributária, etc.), sua vinculação organizacional (autoridades singulares, membros de colegiado, etc.) ou seu nível hierárquico (primeira instância, órgãos recursais, Chefe do Executivo, etc.). (...) (destacamos) Fl. 3174DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.128 (Disponível em https://www.jota.info/opiniaoe analise/artigos/lindbdireitotributarioestasujeitoaleide introducaoreformada10082018) Realmente, para nós, não há como uma lei que inclui na Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro “disposições sobre segurança jurídica e eficiência na criação e na aplicação do direito público” possa estar dirigida a um ou outro segmento da Administração Pública com exclusão de outros, ou do Judiciário, por exemplo, e não a todos eles, cada qual no exercício de todas as suas funções, sejam típicas ou atípicas, sempre que estejam no exercício de criar e aplicar o direito público. Com efeito, quando os dispositivos legais inseridos se referem às esferas administrativas, controladora e judicial, estão a se referir ao exercício de todas as funções a cargo dessas “esferas”, o que, no âmbito administrativo, também inclui a de julgar. Desse modo, data venia, não é que a lei, em nenhum momento, sinaliza que seria dirigida à atividade judicante administrativa e, via de consequência, ao Processo Administrativo Fiscal. Entendemos que uma vez que ela é dirigida, dentre outras, à “esfera administrativa”, ela já contempla a atividade judicante como exercício de função administrativa atípica. Como nos ensina Carlos Maximiliano, “no âmbito do mais sempre se compreende também o menos” (MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e Aplicação do Direito. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 200). Em uma determinada passagem de sua manifestação, a D. PGFN argumenta o seguinte: "Se o enquadramento do lançamento e do PAF nas disposições do art. 24 demanda tamanho malabarismo exegético, isso é a prova cabal de que o legislador não o idealizou para essa finalidade. E porquê? Justamente porque o PAF já é suficientemente regulamentado por legislação específica." Nessa linha, há inúmeros outros ramos do Direito, tais como, só para citar alguns, Consumidor, Infância e Juventude, Registros Públicos, Execução Penal, Separação e Divórcio, Relações de Trabalho, Eleitoral, dentre vários outros que também gozam de regulamentação suficientemente específica e que, nem por isso, passam ao largo das disposições da Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro. Assim, com todo o respeito, o que há, em verdade, parafraseando a D. PGFN, são "malabarismos exegéticos" (muito bem feitos, é verdade!) para justificar, desde logo, a não aplicação da LINDB uma norma de sobredireito ao Direito Tributárito e ao Processo Administrativo Fiscal, o que, como já exposto, entendemos não ser o caso. Superada a questão quanto à aplicação dos novos dispositivos inseridos na Lei de Introdução à Normas de Direito Brasileiro pela Lei nº 13.655/18 à atividade julgadora deste tribunal administrativo, cumpre analisar a pretensão do recorrente de aplicação do art. 24 da LINDB ao presente caso. Neste ponto, entendemos não lhe assistir razão. Com efeito, o art. 24, “caput”, da LINDB é claro ao dispor que a revisão, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já houver se completado levará em consideração as orientações gerais da época, sendo vedado Fl. 3175DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.129 que se considerem inválidas essas situações já plenamente constituídas com base em mudança posterior de orientação geral. O parágrafo único, por sua vez, explica que consideramse “orientações gerais” as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. No presente caso concreto, esses requisitos não estão preenchidos. Como observa a recorrente, à época do fato gerador, não havia jurisprudência deste tribunal em sentido contrário à possibilidade de adoção do modelo de negócios praticado. Mas não havia porque a discussão sequer aqui havia sido instalada. Quando a matéria chegou para ser enfrentada neste tribunal, a questão passou, então, a ser objeto de debate, havendo decisões em sentidos diversos, de modo que ainda hoje o endentimento acerca do tema é controverso. Na esfera judicial, esse assunto foi ainda mais debatido e controvertido, tanto que acabou resultando no julgamento do REsp repetitivo nº 1.599.511, publicado aos 06/09/2016. Assim, seja à época do fato gerador, seja à época do lançamento, não havia jurisprudência majoritária, administrativa ou judicial, acerca da questão debatida nestes autos. Não se pode dizer, como todo o respeito, que há jurisprudência majoritária, como exige o dispositivo em tela, com base em apenas dois julgados favoráveis à tese defendida, ainda que já transitados em julgado. Também o fato de não haver orientação jurisprudencial deste tribunal em sentido contrário à possibilidade de adoção do modelo de negócios praticado pelo recorrente na data do fato gerador não pode ser entendido como anuência tácita a esse modelo, até porque, como dito, sequer havia jurisprudência deste tribunal à época, seja num sentido ou noutro. Assim, entendemos que embora a LINDB seja aplicável aos julgamentos no âmbito deste tribunal, o art. 24, invocado pela recorrente, não tem aplicação a este caso específico por não estarem preenchidos os seus requisitos. DA RELAÇÃO JURÍDICA EXISTENTE ENTRE A RECORRENTE E OS CORRETORES INDEPENDENTES CORRETAGEM X PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS Como se verifica do relatório, o cerne da discussão travada nos autos diz respeito à natureza da relação jurídica existente entre a autuada e os corretores independentes e à alegada simulação/dissimulação que haveria em relação ao pagamento da respectiva remuneração destes profissionais relativamente à comissão de corretagem por eles recebida. A recorrente afirma que a relação jurídica que estabelece com os corretores independentes se trata de uma relação de parceria. Segundo relata a autoridade fiscal, existe entre eles, na verdade, uma relação jurídica de prestação e tomada de serviços travestida de parceria. Por conseguinte, afirma que a recorrente teria efetivado pagamentos de remuneração, qual seja comissões, em benefício dos corretores independentes, que constituiriam fatos geradores de contribuições previdenciárias a cargo da empresa e destes segurados. Fl. 3176DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.130 Melhor explicando, afirma a fiscalização que os pagamentos que a recorrente alega serem recebidos pelos corretores independentes dos compradores dos imóveis quando da efetivação dos negócios intermediados em razão de serviços de corretagem prestados a estes últimos, tratarseia, na verdade, de remuneração (comissão de corretagem) paga indiretamente pela LPS Brasília aos corretores pela sua atuação no negócio, mas por ela simulados/dissimulados mediante sua transferência aos compradores dos imóveis procurando fazer crer, com esse expediente, que os corretores autônomos teriam prestado serviços para estes últimos, não para a recorrente. A recorrente, por sua vez, contesta essa afirmação, e alega que não há prestação de serviços na relação firmada com os corretores independentes. Argumenta que a legislação vigente – arts. 6º da Lei nº 6.530/78, Decreto 81.871/78, que a regulamenta, e 722 e seguintes do Código Civil que rege a relação jurídica entre imobiliária (corretor pessoa jurídica) e corretores independentes (corretor pessoa física), é incompatível com o modelo de contrato de prestação de serviços. Relembra que desde o tempo do agora derrogado Código Comercial, o corretor é descrito como agente auxiliar do comércio, que não se vincula, no exercício de sua atividade específica, mediante relação de mandato, serviço, ou dependência, conforme expressamente reconhecido pelo art. 722 do Código Civil em vigor. Nessa linha, afirma que a relação que se estabelece entre ela e os corretores independentes é uma relação de parceria entre iguais, que atuam conjuntamente, sob a forma de associação, na intermediação de um mesmo negócio imobiliário. Acrescenta que os corretores independentes, profissionais liberais que são, e as imobiliárias, são juridicamente equiparados pela legislação vigente, e entre eles há uma relação horizontal, não vertical. Pois bem. Entendemos que não há prestação de serviços na corretagem. O objeto da atividade do corretor é aproximar pessoas que pretendem celebrar negócios jurídicos. O corretor é um mediador de negócios e, portando, de fato, um agente auxiliar do comércio. Conforme ensina Pontes de Miranda, “a corretagem é a atividade intermediatriz entre pessoas que desejam contratar, ou praticar para outrem algum ato; é intermediação, em senso largo, assalariada, nas negociações de caráter civil ou mercantil, mas, de ordinário, importa comercialidade dos atos de corretagem, pela natureza dos negócios jurídicos visados. Qualquer corretor que pratique, habitual e profissionalmente, atos de intermediação. É comerciante. O negócio jurídico que resulta do ato de corretagem, é ato de comércio. (Tratado de Direito Privado, vol. 43, Rio de Janeiro: Borsai, p. 333334) (destacamos). No mesmo sentido, esclarece Arnold Wald que “o objeto do contrato de corretagem ou de mediação não é um serviço propriamente dito que o mediador tem de prestar, mas o resultado desse serviço”. Acresce o autor que “os comercialistas reconhecem que ocorre, no caso, uma obrigação de resultado, e não uma simples obrigação de meios”. ("A remuneração do corretor", in Revista dos Tribunais, vol. 561, p. 910). Maria Helena Diniz, por sua vez, ensina: Fl. 3177DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.131 "Os corretores são considerados auxiliares do comércio, ante a acessoriedade de sua atividade de intermediação, que procura estimular o interesse das partes, levandoas a um acordo útil. Os corretores emprestariam uma colaboração técnica à empresa, aproximando comerciantes. O corretor terá a função de aproximar pessoas que pretendam contratar, aconselhando a conclusão do negócio, informando as condições de sua celebração, procurando conciliar os seus interesses. Realizará, portanto, uma intermediação, colocando o contratante em contato com pessoas interessadas em celebrar algum ato negocial, obtendo informações ou conseguindo o que aquele necessita. O contrato de corretagem ou mediação é a convenção pela qual uma pessoa, sem qualquer relação de dependência, se obriga, mediante remuneração, a obter para outrem um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas, ou a fornecerlhe as informações necessárias para a celebração do contrato. O objetivo do contrato de corretagem ou de mediação não é propriamente o serviço prestado pelo corretor, mas o resultado desse serviço. Daí ser uma obrigação de resultado e não de meio.” (Curso de Direito Civil Brasileiro. Volume 3. São Paulo: Saraiva, 2015, p. 471472) Para Washington de Barros Monteiro: “O contrato de corretagem, dadas as suas características, não se confunde com prestação de serviços, o mandato, a comissão ou outro contrato em que haja vínculo de subordinação ou dependência. Sobreleva notar que o contrato de corretagem não tem objeto em si próprio, mas a formação de outro contrato. Cuida o contrato de corretagem de obrigação de resultado, uma vez que o corretor obrigase perante o comitente a obter para este um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas. A remuneração ao corretor só será devida uma vez que tenha conseguido o resultado previsto no contrato de mediação (art. 725 do Cód. Civil de 2002)”. (MONTEIRO, Washington de Barros. Curso de Direito Civil. Vol. 5. São Paulo: Saraiva, 2009, 337) (destacamos). O contrato de corretagem, assim, é um contrato típico, que tem o seu próprio perfil jurídico. O que se pretende por meio da corretagem não é o "serviço" do corretor, mas o resultado da mediação, isto é, a conclusão do negócio. E a remuneração do corretor somente ocorrerá diante do resultado obtido. Pois bem. Por outro lado, o mesmo Washington de Barros Monteiro esclarece, agora ao tratar do contrato de prestação de serviços, que: "Efetivamente, na prestação de serviços, o trabalhador põe sua atividade à inteira disposição do locatário, mediante remuneração, por conta e risco deste." (Op. cit., p. 231) Ora, percebese nitidamente que o contrato de corretagem não se confunde, em absoluto, com o contrato de prestação de serviços, notadamente no que diz respeito à remuneração. Como vimos, o objeto do contrato de corretagem não é a "atividade" do corretor, mas o resultado dessa atividade, qual seja, a mediação, estando a sua remuneração sujeita ao sucesso do negócio intermediado. A remuneração do corretor somente ocorrerá diante do resultado obtido. Jamais o corretor será remuneradopor ter posto sua atividade à disposição de Fl. 3178DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.132 quem quer que seja e independentemente da obtenção ou não do resultado dessa atividade, como ocorre na prestação de serviços. Assim, não há prestação de serviços na corretagem porque não há uma troca entre a atividade do corretor e a obrigação do incumbente de pagar a corretagem, uma vez que o seu objeto não é o "serviço" que tem que prestar o corretor, a atividade que tem de desenvolver a fim de viabilizar o negócio perseguido, mas sim o resultado dessa atividade, que pode ser alcançado ou não. A atividade do corretor de imóveis é regida pela Lei nº 6.530/78, pelo Decreto nº 81.871/78, que a regulamenta, e pelos artigos 722 e seguintes do Código Civil. O art. 3º, “caput”, da Lei nº 6.530/78 dispõe que “compete ao Corretor de Imóveis exercer a intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, podendo, ainda, opinar quanto à comercialização imobiliária”. Ou seja, desempenha o corretor de imóveis, nos termos da lei, atividade de natureza tipicamente mercantil. O art. 722 do Código Civil, por sua vez, dispõe: Art. 722. Pelo contrato de corretagem, uma pessoa, não ligada a outra em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência, obrigase a obter para a segunda um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas. Parágrafo único. As atribuições constantes deste artigo poderão ser exercidas, também, por pessoa jurídica inscrita nos termos desta lei. (destacamos) Vejase que a lei é clara no sentido de que na corretagem não há prestação de serviço, assim como não há mandato nem relação de dependência. E onde a lei é expressa, não há lugar para interpretações, como adverte Carlos Maximiliano, citando o catedrático da Faculdade de Direito de Recife, Professor Paula Batista: “Interpretação é a exposição do verdadeiro sentido de uma lei obscura por defeitos de sua redação, ou duvidosa, com relação aos fatos ocorrentes ou silenciosa. Por conseguinte, não tem lugar sempre que a lei, em relação aos fatos sujeitos ao seu domínio, é clara e precisa. Interpretatio cessat in claris". (destacamos) (MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e Aplicação do Direito. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 29) Assim, não há como afirmar que o contrato de corretagem é hipótese de prestação de serviços quando o Código Civil, expressamente, afirma que não é. Atentese para o fato de que esse diploma legal, em seu Título VI, que trata “Das Várias Espécies de Contrato”, regulou em capítulos distintos, quais sejam os capítulos VII e XIII, respectivamente, o contrato de prestação de serviços, a que nos referimos brevemente linhas acima, e o contrato de corretagem, o primeiro disciplinado nos artigos 593 a 609 e o segundo, nos artigos 722 a 729, deixando bem claro que se trata de institutos que, absolutamente, não se confundem nem se relacionam, a não ser pelo fato de se tratar de espécies do mesmo gênero, qual seja contrato. Fl. 3179DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.133 Necessário lembrar, neste ponto, que o Código Tributário Nacional, por sua vez, em seu art. 110, estabelece que a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado. Se nem mesmo a lei tributária pode fazêlo, com muito maior razão não pode haver ampliação do raio de incidência de um tributo com base em interpretação por parte do aplicador do direito. Este tribunal, aliás, já se manifestou no sentido de que não há prestação de serviços na corretagem, conforme se verifica do acórdão de nº 2803003.816: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA. CONSTRUÇÃO CIVIL. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS X CONTRATO DE CORRETAGEM. FATO GERADOR NÃO CARACTERIZADO. CONFLITO DE NORMAS. INOBSERVÂNCIA, PELA FISCALIZAÇÃO, DOS COMANDOS DOS ARTIGOS 109, 110 E 142 DO CTN. 1. O cerne da discussão entre as partes litigantes diz respeito a contratos de prestação de serviços (tácitos) firmados pela recorrente e corretores ou consultores imobiliários, sob a ótica da lei previdenciária (art. 22 da Lei nº 8.212/91), conforme entendimento da fiscalização/julgadores de primeira instância, e contratos de corretagem (também tácitos) firmados pelos corretores/consultores imobiliários e os adquirentes de imóveis por intermédio da recorrente, sob a ótica do art. 723 do Código Civil/Lei 6.530/79, que define a área de atuação do corretor imobiliário. 2. Não tendo a autoridade administrativa, verificado, efetivamente, a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como impõe o art. 142 do CTN, tendo em vista que a relação existente entre o sujeito passivo e os corretores/consultores imobiliários não decorre de contrato de prestação de serviço, mas de contrato de corretagem, na forma estabelecida no art. 722 do Código Civil, bem como na Lei nº 6.530, de 1979, a constituição do crédito tributário está eivada de vício material insanável, não merecendo, desse modo, prosperar. 3. Além de a fiscalização ter inobservado a regra matriz para a constituição do crédito tributário, como prevê o art. 142 do CTN, ela também desconsiderou solenemente as previsões contidas nos artigos 109 e 110 do mesmo diploma legal. (...) Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima. Compareceu a sessão de julgamento o Advogado Dr. Francisco Carlos Rosas Giardina, OAB/RJ 41.765. Nesse passo, além do art. 722 do Código Civil, necessário transcrever os seguintes dispositivos da legislação que disciplina a atividade do corretor de imóveis: Código Civil Art. 725. A remuneração é devida ao corretor uma vez que tenha conseguido o resultado previsto no contrato de mediação, ou ainda que este não se efetive em virtude de arrependimento das partes. Art. 728. Se o negócio se concluir com a intermediação de mais de um corretor, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário. (destacamos) Lei nº 6.530/78 Fl. 3180DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.134 Art 6º As pessoas jurídicas inscritas no Conselho Regional de Corretores de Imóveis sujeitamse aos mesmos deveres e têm os mesmos direitos das pessoas físicas nele inscritas. § 1o As pessoas jurídicas a que se refere este artigo deverão ter como sócio gerente ou diretor um Corretor de Imóveis individualmente inscrito. § 2o O corretor de imóveis pode associarse a uma ou mais imobiliárias, mantendo sua autonomia profissional, sem qualquer outro vínculo, inclusive empregatício e previdenciário, mediante contrato de associação específico, registrado no Sindicato dos Corretores de Imóveis ou, onde não houver sindicato instalado, registrado nas delegacias da Federação Nacional de Corretores de Imóveis. § 3o Pelo contrato de que trata o § 2o deste artigo, o corretor de imóveis associado e a imobiliária coordenam, entre si, o desempenho de funções correlatas à intermediação imobiliária e ajustam critérios para a partilha dos resultados da atividade de corretagem, mediante obrigatória assistência da entidade sindical. 4o O contrato de associação não implica troca de serviços, pagamentos ou remunerações entre a imobiliária e o corretor de imóveis associado, desde que não configurados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício previstos no art. 3o da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1o de maio de 1943. Decreto n° 81.871/78 Art 2º Compete ao Corretor de Imóveis exercer a intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis e opinar quanto à comercialização imobiliária. Art 3º As atribuições constantes do artigo anterior poderão, também, ser exercidas por pessoa jurídica, devidamente inscrita no Conselho Regional de Corretores de Imóveis da Jurisdição. Parágrafo único. O atendimento ao público interessado na compra, venda, permuta ou locação de imóvel, cuja transação esteja sendo patrocinada por pessoa jurídica, somente poderá ser feito por Corretor de Imóveis inscrito no Conselho Regional da jurisdição. Neste ponto, cumprenos anotar que a fiscalização aponta elementos que entende que caracterizariam a relação de prestação e tomada de serviços entre a recorrente e os corretores independentes, como o fato de os corretores cumprirem plantão em stands ou pontos de vendas, de as atividades/cronograma nesses plantões serem coordenados pela recorrente, dos corretores utilizarem camisetas/crachás e se apresentarem como representantes da LPS Brasília aos compradores, bem como de a empresa fornecer toda a estrutura para o desempenho da atividade de venda pelos corretores, o que entende que implica em subordinação desses profissionais em relação a ela. Entendemos que não se deve confundir o regramento das condições que viabilizem a própria realização da atividade buscada, no caso a corretagem imobiliária, com disposições que, necessariamente, subordinem juridicamente os corretores independentes à recorrente. Parecenos natural a necessidade de diretrizes a serem seguidas pelos corretores no atendimento ao público interessado nos imóveis anunciados, tais como uso de Fl. 3181DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.135 crachá, escalas a serem seguidas, revezamento, até para acomodar interesses dos próprios profissionais relativamente a preferências no horário de atendimento em plantões, por exemplo. Também a existência de treinamentos e a uniformidade de procedimentos apenas se traduzem em elementos que visam a padronização de atividades que reforçam a credibilidade transmitida aos potenciais clientes. Assim, o regramento da atividade nos plantões nos parece bastante compreensível, pois caso o esforço de vendas não se concretize de forma satisfatória, a própria recorrente ficará comprometida perante a incorporadora, que poderá não mais requerer os seus serviços. Por outro lado, retornando aos argumentos da defesa, a recorrente procura elucidar no que consiste esse modelo de negócio contestado pela autoridade fiscal, que pratica há anos no mercado imobiliário com a intervenção dos corretores independentes, conforme segue: Em linhas gerais, quando a imobiliária é procurada pelo vendedor do imóvel, a intermediação abrange uma série de prestações acessórias (consultoria, divulgação via internet, desenvolvimento de estratégias comerciais etc.) que contribuem com o posicionamento mercadológico do produto do cliente – isto é, contribuem para o produto tornarse visível ao mercado (ou melhor, acessível ao mercado). Pode suceder, no entanto, de a imobiliária – que recebeu, previamente, uma simples “autorização” do vendedor do imóvel, para anunciar a oferta do negócio ao público – ser procurada pelo comprador do imóvel, hipótese em que a intermediação, além de viabilizar o negócio (pois o comprador, em regra, não possui acesso direto ao vendedor), equivale a um atestado de qualidade quanto ao bem objeto da transação. A intermediação, de fato, não se concretiza apenas com o posicionamento de mercado ou atestado de qualidade (o “patrocínio” realizado pela imobiliária). Não se pode esquecer que todo contrato é, antes de mais, uma relação que se estabelece entre pessoas (pessoas naturais, ou entre pessoas naturais e pessoas jurídicas, ou entre pessoas jurídicas), e é por isto que o parágrafo único do artigo 3º [do Decreto n° 81.871/78] menciona o “atendimento” ao público. É nesta etapa que, como bem notado pelo legislador regulamentar, entra em ação o Corretor Independente. Realizando o corpoacorpo, o contato direto com o cliente comprador, o Corretor Independente concretiza a aproximação daquele com o vendedor (papel que não cabe à imobiliária “patrocinadora”). Daí ter sido perspicaz o legislador ao positivar, por meio do artigo 728 do Código Civil, a relação típica que se estabelece entre os dois tipos de corretores que trabalham, lado a lado, e, sobretudo, por conta própria, correndo os seus próprios e distintos riscos econômicos. (destacamos) Esta última questão, a dos riscos econômicos, é importante para ratificar a consistência da exegese até aqui exposta. Nos casos em que há preposto, o risco da atividade de corretagem é sempre imputado ao preponente. Mas isto não sucede na corretagem imobiliária. A imobiliária “patrocinadora” não responde pelos atos do Corretor Independente, que, agindo como vero corretor de imóveis – não simples “instrumento” de outrem – assume todos os riscos inerentes à sua atividade. Não há como deixar de notar o interesse específico demonstrado pelo corretor com relação ao estabelecimento da associação. Segundo este modelo de negócios, Fl. 3182DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.136 aquele assume riscos próprios de um empresário; todavia, em contrapartida, colocase em posição de receber uma parcela dos lucros da intermediação, auferindo, desse modo, honorários que superam, substancialmente, aqueles que seriam recebidos sob outra estrutura contratual, como, por exemplo, a prestação de serviços ou a relação de emprego. (...) Deve, assim, restar claro que as atividades do corretor pessoa jurídica não coincidem com as do Corretor Independente, como sucederia se houvesse, entre eles, mera prestação de serviços. Não existe, na associação de que ora se trata, qualquer delegação, pela imobiliária, de uma atividadefim ou atividademeio cuja titularidade necessariamente lhe incumbisse. Ao revés, são, as atividades da imobiliária e do Corretor Independente, distintas e complementares. Analisando esse modelo de negócio e cotejandoo com a legislação de regência da atividade dos corretores de imóveis, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas, acima transcrita, constatase que ele se amolda perfeitamente aos aludidos dispositivos legais. No modelo de negócios apresentado, parecenos, de fato, haver uma relação de associação ou parceria, em que a recorrente capta autorizações/permissões para a negociação de produtos imobiliários junto às incorporadoras e, relativamente a elas, assume o compromisso de envidar os esforços de venda das unidades imobiliárias, que pode ou não resultar em efetivo negócio. Tendo em vista a necessidade de que o atendimento ao público comprador seja realizado por corretores pessoas físicas, conforme disposto no art. 3º, p. ún., do Decreto 81.871/78, a empresa efetiva suas vendas em parceria com corretores independentes na intermediação imobiliária, que se dedicam à captação do comprador específico com perfil adequado para o produto imobiliário anunciado. A álea contratual típica do contrato de corretagem se verifica pelo atingimento ou não da meta visada, a venda do imóvel. Ou seja, as atividades da imobiliária e do corretor independente são bem distintas e complementares, e cada um corre os seus próprios riscos econômicos do negócio, uma vez que o contrato de corretagem é um contrato aleatório, que depende de um acontecimento falível, qual seja a concretização do negócio intermediado, para que, nos termos do art. 725 do Código Civil, a remuneração daqueles que atuam na sua intermediação, qual seja a corretagem, seja exigível. E aqui transcrevemos um pequeno trecho do parecer do prof. Marco Aurélio Greco, anexado aos autos pela recorrente, cujo conhecimento não é vedado a este tribunal, uma vez que se trata de tese doutrinária, meramente opinativa. Aludindo ao modelo de negócio praticado pela recorrente, manifestase o professor no sentido de que “esta é a figura de reunião de esforços adotada pela consulente há anos. Somamse esforços de divulgação, exibição, informação tendo por objetivo comum intermediar negócios imobiliários, sem que exista qualquer garantia de que o negócio final venha a ocorrer.” Pois bem. Neste ponto, ainda que a fiscalização não concorde com este modelo de negócio, fato que ele foi validado pelo Superior Tribunal de Justiça recentemente em sede do julgamento do REsp 1.599.511, processado sob o regime do NCPC 1036 (recurso Fl. 3183DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.137 representativo de controvérsia), com publicação aos 06/09/2016, cuja ementa foi assim redigida: RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. DIREITO CIVIL E DO CONSUMIDOR. INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA. VENDA DE UNIDADES AUTÔNOMAS EM STAND DE VENDAS. CORRETAGEM. CLÁUSULA DE TRANSFERÊNCIA DA OBRIGAÇÃO AO CONSUMIDOR. VALIDADE. PREÇO TOTAL. DEVER DE INFORMAÇÃO. SERVIÇO DE ASSESSORIA TÉCNICOIMOBILIÁRIA (SATI). ABUSIVIDADE DA COBRANÇA. I TESE PARA OS FINS DO ART. 1.040 DO CPC/2015: 1.1. Validade da cláusula contratual que transfere ao promitentecomprador a obrigação de pagar a comissão de corretagem nos contratos de promessa de compra e venda de unidade autônoma em regime de incorporação imobiliária, desde que previamente informado o preço total da aquisição da unidade autônoma, com o destaque do valor da comissão de corretagem. 1.2. Abusividade da cobrança pelo promitentevendedor do serviço de assessoria técnicoimobiliária (SATI), ou atividade congênere, vinculado à celebração de promessa de compra e venda de imóvel. II CASO CONCRETO: 2.1. Improcedência do pedido de restituição da comissão de corretagem, tendo em vista a validade da cláusula prevista no contrato acerca da transferência desse encargo ao consumidor. Aplicação da tese 1.1. 2.2. Abusividade da cobrança por serviço de assessoria imobiliária, mantendose a procedência do pedido de restituição. Aplicação da tese 1.2. III RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. Desse modo, as alegações da fiscalização e da tese vencedora no julgamento de primeiro grau, de que seria ilegal e abusiva a transferência da obrigação de pagar a corretagem, do vendedor (incorporadora/imobiliária) ao comprador, mediante cláusula contratual, e de que assim, haveria indevida alteração do responsável pelo pagamento da remuneração (corretagem), restou superada por essa decisão do STJ. Considerando os termos do art. 62, § 2º do RICARF, e que essa decisão foi proferida sob o procedimento do art. 1036 do NCPC (recursos representativos de controvérsia), deve ser reproduzida pelos conselheiros nos âmbito dos julgamentos deste Tribunal, pelo que também não há falar em indevida alteração, ainda que indireta, do responsável pelo comprimento da obrigação tributária em decorrência da transferência dessa responsabilidade pelo pagamento da corretagem ao comprador do imóvel, já reconhecida como lícita pelo E. Superior Tribunal de Justiça. Assim, constatase que o modelo de negócio praticado pela recorrente é legítimo, não havendo nada de ilegal no fato de o pagamento da corretagem ser efetivado pelos compradores de imóveis. Também não se há falar em transferência simulada/dissimulada desses pagamentos, até porque há recibos emitidos por corretores juntados aos autos pela recorrente na Impugnação que demonstram que o pagamento da corretagem era efetivado diretamente pelos compradores dos imóveis a esses profissionais (fls. 19701975). Por outro lado, a fiscalização não fez nenhuma prova de que a recorrente tenha, de alguma forma, remunerado os corretores. Nesse mesmo sentido, precedente recente deste tribunal, julgado em janeiro/2018, que tem por objeto a cobrança de IRPF sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas a título de comissão de venda ao profissionais corretores de imóveis e demais Fl. 3184DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.138 pessoas físicas que prestaram serviços à autuada no período de 2010 e 2011, cujo lançamento teve origem na mesma ação fiscal: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2010, 2011 TEMPESTIVIDADE. Sem que haja intimação válida e eficaz conforme o art. 23. do Decreto 70.235/72, considerase válida a intimação somente a partir do momento em que o contribuinte toma ciência do conteúdo do Acórdão de forma eficiente com a abertura de sua caixa postal, não basta a sua remessa na forma de comunicado (documento com caráter meramente informativo, sem trava de funcionamento do sistema), já que este procedimento prejudica de certa maneira a ciência eficiente do contribuinte, quanto ao início do prazo recursal. IRRF. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. NÃO CABIMENTO. Não há fundamentos para exigir da Recorrente qualquer valor a título de IRRF, pois na situação fática versada nos autos não se trata de pagamentos a profissionais autônomos que tenham recebido por serviços prestados. A Recorrente não é contribuinte ou responsável tributária relativamente às obrigações principais ou mesmo IRRF. Razão pela qual, impossível dela exigir o pagamento do crédito tributário em questão. Quanto a aplicação da multa prevista no inciso I do artigo 44 da Lei n.º 9.430/96, a que faz remissão o artigo 9º da Lei nº 10.426/02, com as alterações constantes da Lei n.º 1.488/200, entendo que ela somente é aplicada quando exigida juntamente com o imposto. Atentese para o fato de que o art. 22, III da Lei nº 8.218/91, dispõe: "Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (...)." (destacamos e grifamos) Vêse que a hipótese de incidência tributária está absolutamente alinhada com o conceito legal de prestação de serviços do Código Civil, do trabalhador que põe sua força de trabalho à disposição do tomador em troca de remuneração. Ocorre que conforme consta do relatório fiscal, a fiscalização considerou como "fato gerador da obrigação principal a prestação de serviços de intermediação imobiliária mediante o pagamento de remuneração, a título de comissão/premiação de venda, a segurados contribuintes individuais (pessoas físicas: corretores, coordenadores, diretores...) pela comercialização de imóveis ou fração ideal de terrenos vinculada a uma unidade autônoma integrantes dos empreendimentos imobiliários sob a responsabilidade da empresa LPS BRASÍLIA CONSULTORIA DE IMÓVEIS LTDA." (fls. 81). Fl. 3185DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.139 Ou seja, a atividade identificada pela autoridade lançadora como fato gerador, que ela mesma descreve, tratase, em verdade, de corretagem, não de prestação de serviços. Assim, sob qualquer aspecto, não há fundamento para exigir da recorrente nenhum valor a título de contribuição previdenciária, pois na situação fática versada nos autos, não se trata de pagamentos a profissionais autônomos que tenham recebido por serviços prestados, mas pela intermediação imobiliária, pagamentos estes que sequer foram efetivados pelo recorrente, mas pelos compradores dos imóveis. A recorrente, assim, não é contribuinte ou responsável relativamente a obrigações principais relativas a contribuições previdenciárias, razão pela qual é impossível dela exigir o pagamento do crédito tributário em questão. Portanto, não há fato gerador passível de incidência de contribuições previdenciárias no presente caso, pelo que não há o que sustente os autos de infração que, dessa forma, devem ser cancelados. Neste ponto, pedimos vênia para transcrever trecho do Acórdão nº 1201 002.487, da 2ª Câmara da 1ª Turma Ordinária, relatora a Conselheira Eva Maria Los, julgado aos 19 de setembro de 2018, cujo objeto é IRPJ, CSLL, PIS e COFINS decorrentes da mesma fiscalização (mesmos fatos geradores/anoscalendário) que gerou a autuação ora em debate. O acórdão em questão houve por bem dar provimento ao Recurso Voluntário da recorrente e negar provimento ao Recurso de Ofício. E no que entendemos ser relevante para o julgamento do presente caso concreto, pedimos vênia para reproduzir o seguinte trecho da mencionada decisão para que venha integrar este voto como razões de decidir: 48. Verificouse que a Autuada era contratada por empresas construtoras/incorporadoras, para a realizar as vendas das unidades imobiliárias vendidas. (...) 52. Verificouse que tanto a Autuada como os Corretores receberam comissões referentes às vendas efetuadas de imóveis, ou seja, a remuneração foi pelos resultados dos negócios fechados; não há comprovação de pagamentos de salários fixos pelo fato de ficarem os Corretores disponíveis para a Autuada; a tabela montada pelo Autuante e a análise das duas vendas deixaram claro que as comissões recebidas tanto pela Autuada como pelos Corretores, em última análise, saíram do bolso dos compradores, assim como todo o pagamento pela compra, sendo que: a. em alguns casos a Autuada recebeu a comissão da Incorporadora/Construtora que a contratou e os Corretores (o que negociou, mais o coordenador de produto e o coordenador da equipe) receberam o pagamento da comissão pelo comprador; b. em outros, tanto a Autuada como os Corretores foram pagos pelo comprador; c. em outros, a Autuada recebeu a comissão da Incorporadora/Construtora que a contratou, e recebeu também Fl. 3186DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.140 uma parcela do pagamento efetuado pelo comprador, enquanto os Corretores receberam do comprador; d. assim, concluise que a partilha das comissões foi definida para cada negócio, não sendo igual para todos os negócios. e. Eis que o art. 728 do Código Civil, Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002: Art. 728. Se o negócio se concluir com a intermediação de mais de um corretor, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário. (...) 55. A atividade imobiliária tem tido desempenho bastante variável no País: 1 (...) 57. A legislação vigente a partir de 2015, veio [ao] encontro [da] forma de atuação mediante a associação entre o corretor de imóveis e as imobiliárias, que já era praticada. 58. De fato, muitas vezes a legislação disciplina situações que se consolidaram, o que é o caso (...). 59. Daí resultou que o arranjo mediante associações entre os Corretores e as pessoas jurídicas imobiliárias, na qual dividem o 1 Fonte: Balanço Nacional da Indústria da Construção 2013. CBIC Câmara Brasileira da Indústria de Construção Fl. 3187DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.141 trabalho e os ganhos resultantes das vendas concretizadas, é o mais vantajoso, dada a flexibilidade; as equipes de vendas são formadas e dissolvidas sem maiores formalidades. (...) 61. A decisão citada do STJ deixou claro que não há ilegalidade em o comprador pagar a comissão diretamente ao Corretor, desde que isso lhe seja esclarecido previamente; nos exemplos descritos nestes autos, evidenciouse que esse esclarecimento é bastante tortuoso, pois, primeiramente, o comprador é informado do preço do imóvel (no qual está embutido o valor da comissão ao Corretor) e, quando do fechamento, toma conhecimento de que o preço efetivo do imóvel é menor e a diferença se trata de comissão ao Corretor de qualquer forma, o comprador fecha o negócio ciente do total que irá desembolsar (que inclui a comissão); quanto à eventual futura apuração de um ganho de capital, se este comprador revender o imóvel, cabe esclarecer que o custo do imóvel será o preço efetivo do imóvel, acrescido da comissão ao Corretor, que pagou, desde que lhe seja fornecido o correspondente Recibo ou Nota Fiscal, o que segundo os autos, é feito. No mais, em que pese as demais discussões a seguir restarem prejudicadas à vista de todos os fundamentos expostos ao longo deste voto, caso esta relatora reste vencida no encaminhamento proposto, cumprenos enfrentar os argumentos subsidiários trazidos para recorrente em seu recurso. Do procedimento de circularização Prosseguindo, a recorrente defende a ilegalidade material do procedimento de circularização levado a efeito pela autoridade fiscal para a coleta de depoimentos de corretores, de compradores de imóveis e de incorporadores que serviram de base para as autuações. Argumenta que essa prova não foi submetida ao contraditório, que testemunhos colhidos sem contraditório não gozam de confiabilidade, podem ser induzidos, que a amostragem foi bastante reduzida, não foi selecionada com base em nenhum critério estatístico válido, dentre outras alegações. A decisão recorrida sustenta que o processo administrativo fiscal é precedido de uma fase inicial, a que chama de inquisitorial, na qual a autoridade administrativa pratica atos de ofício tendentes a verificar a correta aplicação da legislação tributária à situação de fato que podem resultar no lançamento tributário e/ou na aplicação de penalidades. Afirma que nessa fase preliminar, os atos praticados pela autoridade fiscal são unilaterais e não se há falar em contraditório, que somente se instaura após o ato de lançamento regulamente cientificado ao sujeito passivo. Entendemos que se por um lado, os depoimentos colhidos mediante o aludido procedimento de circularização não estão fulminados pelo vício da ilegalidade, por outro lado, eles devem ser tomados com parcimônia, posto que, parafraseando o nobre colega Ronnie Soares Anderson em voto proferido em caso semelhante a este, mas ali se referindo aos laudos técnicos juntados àqueles autos pela recorrente (quais sejam “Laudo Técnico – Pesquisas respondidas pelo público de stands” e laudo de avaliação da LPS Brasília), “é de se ressaltar que não teria[m] sido submetido[s] ao crivo do contraditório, o que implicaria em necessária e Fl. 3188DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.142 considerável cautela ante a sua pretensa utilidade para fins probatórios”. E aqui lembramos, mais uma vez, do que nos ensina Carlos Maximiliano: “onde existe a mesma razão fundamental, prevalece a mesma regra de Direito” (Op. cit., p. 200). Vejase que a jurisprudência de nossos tribunais superiores é firme no sentido de que mesmo as provas colhidas no inquérito policial, procedimento inquisitivo por excelência, devem ser posteriormente corroboradas por provas produzidas durante instrução processual ou desde que sejam repetidas em juízo, mediante procedimento contraditório. No processo administrativo fiscal, em que o contraditório se instaura com a notificação do sujeito passivo do lançamento e consiste apenas em juntar alegações escritas e documentos no exíguo prazo de 30 dias, impõese que a cautela na análise de provas produzidas unilateralmente por qualquer dos envolvidos seja redobrada. Assim, entendemos que não há ilegalidade na prova em si, porém, ela não pode servir de base fundamental à autuação, como parece ter sido o caso dos autos. Reforça, ainda, nosso entendimento o fato de que há depoimentos colhidos na procedimento de circularização contrários à tese defendida pela autoridade fiscal que foram, de fato, desprezados sem que ela, ao menos, declinasse o porquê. Com efeito, a autoridade fiscal alega que os corretores circularizados esclareceram que prestavam serviços à recorrente, geralmente em stands de vendas ou na sede da empresa, dentre outros argumentos que a levaram a concluir que entre eles haveria uma relação de prestação e tomada de serviços. Pois bem. Ocorre que dentre os depoimentos coletados, também há os que são no sentido de que os corretores não prestavam serviços à recorrente, mas sim de que mantinham com ela uma relação de parceria comercial (fls. 2338/2344). Não há sequer menção a respeito desses depoimentos no relatório fiscal, o que era de rigor, caso se pretendesse atribuir confiabilidade à mencionada prova. Mas não foi o que aconteceu. Assim, entendemos que não há ilegalidade que macula a prova produzida via procecimento de circularização, porém há uma série de senões que, no nosso entendimento, colocamna, no mínimo, sob suspeição. Do arbitramento No que diz respeito à ilegalidade do arbitramento, entendemos que assiste razão à recorrente. Com fundamento no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, c.c. o art. 148 do CTN, ao argumento de que houve apresentação deficiente dos elementos solicitados via intimação, a autoridade fiscal lançou os valores devidos, arbitrando a remuneração que teria sido paga pela recorrente aos corretores, base de cálculo das contribuições. Valeuse do procedimento de aferição indireta, utilizando como parâmetro os valores de comissão/premiação de corretagem recebidos pela recorrente relativos à intermediação imobiliária promovida para as incorporadoras/vendedoras Real Engenharia S/A, Real Celebration Engenharia Ltda., Real Evolution Engenharia Ltda., Real Ilhas Mauricio Engenharia Ltda. e Real Splendor Engenharia Ltda. informados por ela nas Declarações de Informação sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) dos anoscalendário 2010 e 2011 e na conta contábil 311000 (Intermediação de Venda). Fl. 3189DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.143 Considerando a previsão de divisão de comissão entre corretores e/ou empresa imobiliária em 50% para cada parte, conforme Tabela de Honorários publicada no sítio do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 8ª Região (CRECI/DF), considerou como remuneração paga aos corretores e demais pessoas físicas o mesmo valor da comissão/premiação recebida pela empresa Lopes Royal e registrado na DIMOB 2010 e 2011 e na mencionada conta contábil. Ocorre que o critério utilizado não tem relação lógica com a realidade. Segundo se pode extrair do Relatório fiscal, a autoridade fiscal sugere que as remunerações dos corretores independentes seriam exatamente iguais àquelas da recorrente, pois haveria um sistema de rateio de 50%/50%, empregado no mercado de corretagem imobiliária. Segundo a autoridade fiscal, este critério de rateio está previsto na Tabela de Honorários do CRECI. De fato, o CRECI estabelece uma razão (percentual) para divisão da corretagem entre imobiliária e Corretores Independentes. No entanto, “corretagem” não é “remuneração” e “divisão” não é “pagamento”; como bem esclarece a recorrente, na fixação desses percentuais, o CRECI acolheu o entendimento da legislação especial e dos usos e costumes da prática da corretagem imobiliária, segundo o qual há rateio no valor da comissão de corretagem quando intervenha imobiliária (corretor pessoa jurídica) e corretores independentes na intermediação do negócio imobiliário. Não se está tratando, no caso, de pagamento de remuneração, porque não há prestação de serviços que enseje o pagamento de remuneração. Assim, se a fiscalização afirma veementemente haver prestação de serviços na relação havida entre corretores independentes e a recorrente, não poderia se valer do valor de corretagem para arbitrar o suposto valor recebido a título de remuneração pelos supostos serviços prestados, pois implica em superavaliação da base da cálculo do tributo exigido. Com efeito, a própria natureza de uma relação de prestação de serviços, em que o profissional exerce sua atividade sem assunção dos riscos do negócio, ou seja, sem compromisso quanto à obtenção do resultado, evidentemente implica em auferir ganho muito menor a título de remuneração em comparação àquele profissional que assume os riscos de sua atividade para, em contrapartida, receber uma parcela dos lucros do negócio, no caso, da intermediação, como no caso dos corretores. Vejase que isso não destoa da lição de Washington de Barros Monteiro acerca do que consiste a prestação de serviços, que pedimos vênia para reproduzir novamente, por sua relevância no entendimento da questão ora enfrentada: na prestação de serviços, o trabalhador põe sua atividade à inteira disposição do locatário, mediante remuneração, por conta e risco deste. Assim, se há, de fato, relação de prestação e tomada de serviços entre a recorrente e os corretores independentes, tomar como parâmetro para a fixação da remuneração por supostos serviços prestados àquela por estes o valor da corretagem recebida pela intermediação nos negócios efetivados no período fiscalizado afronta o princípio da razoabilidade/proporcionalidade por se revelar, no mínimo, evidentemente, excessiva. A Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, dispõe, em seu art. 2°, que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Fl. 3190DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.144 Vejase que a própria fiscalização argumenta, seguida pela decisão recorrida, que considerando que os valores pagos a título de comissão/premiação para os integrantes das equipes de venda (corretores pessoa física) são normalmente superiores aos valores pagos à imobiliária (corretor pessoa jurídica), o critério de aferição indireta adotado para apurar o valor da remuneração paga aos corretores e demais profissionais pessoas físicas se demonstra justo, razoável, prudente. Donde se conclui, à luz do se tem, efetivamente, por prestação de serviços, que a situação retratada, de fato, se trata, de parceria, e a "remuneração" a que alude a fiscalização é, na verdade, rateio de corretagem, pelo que o critério adotado para arbitramento da suposta "remuneração" é desproporcional e, consequentemente, ilegal. Do lançamento da cota dos segurados A recorrente também alega improcedência do lançamento da cota dos segurados em razão da inobservância do limite do salário de contribuição. A autoridade fiscal argumenta que não foi observado o limite máximo do salário de contribuição para o cálculo das contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais (corretores, coordenadores, diretores...) em função da empresa ter deixado de apresentar a relação individualizada dos corretores e demais membros das equipes de venda (nome, CPF, CRECI etc.) com as respectivas remunerações pagas/creditadas ou qualquer documentação comprobatória do pagamento da premiação/comissão de corretagem a esses profissionais. A DRJ respaldou o procedimento adotado pela fiscalização argumentando que a própria recorrente a ele deu causa com a sua omissão em fornecer os documentos e esclarecimentos necessários para que fosse possível a apuração individualizada dos valores pagos aos corretores e, consequentemente, para que pudesse ser calculada a contribuição dos segurados e obedecido o referido limite. Discordamos desse posicionamento. Com efeito, a observância do salário de contribuição é mandamento legal insculpido no art. 258, III e § 5º da Lei nº 8.212/91, que dispõe: "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5º; (...) §5º O limite máximo do saláriodecontribuição é de Cr$ 170.000,00 (cento e setenta mil cruzeiros), reajustado a partir da data da entrada em vigor desta Lei, na mesma época e com os mesmos índices que os do reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Fl. 3191DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.145 (…)". No caso de falta de informações, a autoridade fiscal poderia, observados os parâmetros legais, valerse do procedimento de arbitramento, tal como fez para arbitrar a base de cálculo do tributo cobrado. Mas não está autorizada a descumprir o teto do salário de contribuição, como se essa providência se tratasse de penalidade pela não apresentação de documentos à fiscalização, o que não é o caso, razão pela qual deve ser dado provimento ao recurso da recorrente neste ponto. Da multa de ofício A recorrente contesta, ainda, a qualificação da multa de ofício, com fundamento no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c.c. arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. A autoridade fiscal justifica a qualificação da multa ao argumento de que a recorrente teria atuado “no intuito de fragmentar as etapas de comercialização de imóveis (...) por meio de atos simulados/dissimulados, ao agir no sentido de fazer crer que os corretores autônomos prestam serviços para os compradores de unidades imobiliárias (...)”. Afirma, ainda, que a transferência da responsabilidade pelo pagamento da comissão da venda aos compradores dos imóveis tem "o claro objetivo de se eximir do pagamento dos encargos tributários devidos na operação", especialmente de contribuições previdenciárias. No entanto, nos termos dos dispositivos legais mencionados, a qualificação da multa exige sejam demonstrados suficientes indícios de ação dolosa do agente que se ajuste, ao menos, a um daqueles casos, que preveem hipóteses de sonegação, fraude e conluio. Porém, a validade da transferência de responsabilidade pelo pagamento da comissão de corretagem da incorporadora/imobiliária ao comprador do imóvel é matéria sobre a qual havia considerável controvérsia, seja na esfera administrativa, seja na judicial, tanto que ensejou a afetação do julgamento da questão pelo Superior Tribunal de Justiça sob a sistemática do art. 1036 do NCPC e seguintes, que traça o procedimento para o julgamento dos ditos “recursos repetitivos”, recursos múltiplos que têm por objeto a discussão da mesma questão de direito. Percebese, assim, que a questão debatida estava sujeita a discussão jurídica relevante e interpretações divergentes, de modo que não se pode imputar à recorrente atuação dolosa visando a sonegar tributos, até porque tanto a tese por ele defendida é muito razoável, que foi reconhecida em 2016 pelo STJ, no aludido julgamento, em recurso repetitivo, a validade da cláusula contratual que prevê o pagamento da comissão ao corretor pelo comprador do imóvel, desde que previamente informado o preço do total da aquisição, com destaque do valor da comissão. Desse modo, as alegações da autoridade fiscal, de que essa prática teria natureza simulatória voltada à elisão fiscal, não se sustenta. Tratase, assim, de prática que foi reconhecida como legítima e no que se refere à informação prévia ao comprador, é questão que só pode ser avaliada em cada caso concreto, o que extrapola os limites desta lide. Desse modo, não há elementos no auto de infração para respaldar a qualificação da multa de ofício. Fl. 3192DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.146 Dos juros de mora sobre a multa de ofício No que concerne aos juros sobre a multa de ofício, art. 161, “caput” do CTN dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. O art. 142, “caput”, também do CTN, por sua vez, dispõe que “compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível”. Pois bem. Conforme se extrai do dispositivo legal acima, o crédito tributário compreende o “montante do tributo devido” e, quando aplicada, também a “penalidade”, qual seja a multa. Assim, é a esse “crédito” a que, mais adiante, alude o art. 161, referindose ao crédito tributário que, não pago no vencimento, está sujeito aos encargos da mora. Portanto, a incidência dos juros sobre as multas que eventualmente componham o crédito tributário está prevista no CTN. A jurisprudência do STJ firmouse nesse sentido, conforme precedente abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Do REsp nº 1.129.990/PR (2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 14/9/2009 (AgRgREsp nº 1335688/PR, 1ª Turma, rel. Min. Benedito Gonçalves, j. 04/12/2012, DJe 10/12/2012) Transcrevemos, a seguir, trecho do voto condutor do acórdão: De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de Fl. 3193DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.147 mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. É dizer, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Este, aliás, é o entendimento consolidado deste tribunal administrativo, constante do enunciado de nº 108 da súmula de sua jurisprudência, de teor vinculante, abaixo reproduzido: Enunciado nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA LPS BRASIL CONSULTORIA DE IMÓVEIS S/A. De acordo com o relatório fiscal e termo de sujeição passiva solidária, foi imputada responsabilidade tributária à LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A., com fundamento nos arts. 124, I do CTN e art. 30, IX da Lei nº 8.212/91. De acordo com o art. 124, I do CTN, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e, a esse respeito, ensina Hugo de Brito Machado que “o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação, cuja presença cria a solidariedade, não é um interesse meramente de fato, e sim um interesse jurídico”. (Curso de direito tributário. São Paulo: Malheiros, 2004, p. 151). Ou seja, a atribuição de responsabilidade solidária com fundamento no interesse comum demanda elementos adicionais que não a mera participação societária, ainda que majoritária, de uma pessoa jurídica em outra. O interesse comum se verifica a partir do vínculo de cada sujeito com o fato jurídico tributário. Há de haver vínculo direto e estreito com tais fatos. Não há como pressupor que o fato de ser sócio de uma empresa, que denota identidade de interesse econômico entre os sócios e a sociedade, implique necessariamente na existência de interesse jurídico comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária em discussão nestes autos, decorrente da efetiva venda de unidades imobiliárias, uma vez que se fosse assim, em todo lançamento tributário, a solidariedade entre sócios e sociedades haveria de ser suscitada, o que não acontece na realidade. Com relação ao art. 30, IX da Lei nº 8.212/90, que dispõe que “as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei”, entendemos que também à luz deste dispositivo, a sujeição passiva somente pode alcançar aqueles que tenham praticado ato ou negócio que constitua fato gerador da obrigação tributária ou que na sua prática tenham participado de forma concreta. Nesse sentido, ensina a doutrina que: “o art. 30, IX da Lei 8.212/91 apenas pode ser utilizado para impor a responsabilidade tributária solidária à sociedade controladora ou ao órgão de direção do grupo, com fundamento no art. 124, II e 128 do CTN, quando Fl. 3194DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.148 constatado, mediante provas concretas a cargo do Fisco, que elas atuaram concretamente junto à sociedade contribuinte de forma a determinar a realização do fato gerador e decidir pelo (des)cumprimento das obrigações tributárias. Preconizase assim a interpretação do art. 30, IX da Lei 8.212/91 em conformidade com as normas constitucionais de imposição do encargo tributário e com o CTN (art. 124, II c/c art. 128), para admitir que esse dispositivo legal imputa responsabilidade solidária apenas às sociedades de um mesmo grupo que concretamente participaram da ocorrência do fato gerador e do cumprimento das respectivas obrigações tributárias, por meio de determinações concretas junto à sociedade contribuinte tomadas na qualidade de centro decisório, não bastando, para tanto, a atuação meramente diretiva e indicativa dos objetivos do grupo sem interferência direta na administração das sociedades integrantes.” (BREYNER, Frederico Menezes. Responsabilidade tributária das sociedades integrantes de grupo econômico. Revista Dialética de Direito Tributário, v. 186, São Paulo, 2011) Este tribunal também já se manifestou nesse sentido, conforme precedente a seguir citado: NÃO COMPROVAÇÃO DE CIENTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE ACERCA DA AUTUAÇÃO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. É nula a decisão na qual não se tenha dado ao contribuinte a possibilidade de exercício do seu direito de defesa, não constando nos autos cópia do AR no caso de intimação postal. MÉRITO. DECISÃO EM FAVOR DO SUJEITO PASSIVO A QUEM APROVEITARIA A DECLARAÇÃO DE NULIDADE. Não será decretada a nulidade do auto de infração em razão do disposto no art. 59, parágrafo 3º, do Decreto 70.235/72 que informa que, quando se puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, bem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. Existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. Recurso voluntário Provido (Acórdão nº 2403002.180) Assim, não deve ser mantida a imputação de responsabilidade solidária à LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A. DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS DE WILDEMAR ANTONIO DEMARTINI E MARCO ANTONIO MOURA DEMARTINI A atribuição de responsabilidade solidária aos sócios da autuada Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini, fundamentada nos arts. 124, I, e 135, III do CTN, foi fundamentada da seguinte maneira no relatório fiscal: Fl. 3195DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.149 78. O sr. Wildemir Antonio Demartini, sócio da LPS Brasília desde o início de sua atividade, sempre exerceu o papel de Diretor Geral e Responsável Técnico da empresa junto ao CRECI, bem como o sócio minoritário Marco Antônio Moura Demartini sempre se manteve no exercício do cargo de Diretor Administrativo, com poderes para praticar todos os atos necessários ao bom e regular funcionamento da empresa sob ação fiscal. Já o sr. Marcello Rodrigues Leone exerce o cargo de Diretor financeiro na LPS Brasília e de Diretor sem vínculo empregatício na LPS Brasil. 79. Sendo assim, as sócias pessoas físicas e jurídica demonstradas na planilha acima por integrarem o quadro Societário e participarem do Capital Social e da Administração da empresa LPS BRASÍLIA, assim como, por participarem conjuntamente com a empresa autuada da ilegalidade e abusividade ao transferir para o comprador do imóvel a responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos, foram arroladas como responsáveis solidárias dos créditos tributários lançados no contribuinte ora fiscalizado. Como já expusemos linhas acima, segundo o art. 124, I do CTN são solidariamente obrigadas apenas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação principal, interesse comum este que há de ser um interesse jurídico e não meramente econômico. O art. 135, III do CTN, por sua vez, estabelece a reponsabilidade pessoal dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Assim, verificase que o mencionado dispositivo legal exige, para que seja aplicável, a comprovação da prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou aos estatutos que resulte em obrigações tributárias. Não há, nos autos, menção expressa à atuação dos sócios com excesso de poder ou em desconformidade com os estatutos sociais da empresa, restando, assim, a prática de atos com infração à lei como fundamento a solidariedade tributária. Ocorre que o procedimento que lhes é imputado e tido pela autoridade fiscal como ilegal, e que justificou a responsabilidade solidária, qual seja “participarem conjuntamente com a empresa autuada da ilegalidade e abusividade ao transferir para o comprador do imóvel a responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos”, teve sua legalidade reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de julgamento de recurso repetitivo. Desse modo, também neste caso, a imputação de responsabilidade solidária aos sócios da autuada não deve ser mantida. Conclusão Assim, diante de todo exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício e dar provimento aos recursos voluntários de LPS BRASÍLIA Consultoria de Imóveis Ltda., Wildemir Antônio Demartini, Marco Antônio Moura Demartini e LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Fl. 3196DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.150 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sergio da Silva Redator Designado Não obstante os fundamentos do voto condutor, pedese vênia para discordar parcialmente da ilustre relatora, especificamente i) quanto à natureza da relação estabelecida entre a autuada e os profissionais corretores de imóveis pessoas físicas envolvidos; ii) quanto ao critério de arbitramento da base de cálculo utilizada; e iii) quanto à indicação de responsável solidário. Quanto à natureza da relação entre a autuada e os corretores de imóveis contratados As circunstâncias da relação de trabalho sob exame assemelhase ao caso objeto de decisão no Acórdão de Recurso Voluntário 2401005.661, de 07 de agosto de 2018, envolvendo a imobiliária LPS SUL Consultoria de Móveis Ltda, cujo preciso voto vencedor, de lavra do Conselheiro Cleberson Alex Friess, decidiu pela ocorrência de prestação de serviço envolvendo corretores de imóveis pessoas físicas e outra imobiliária pertencente à mesma rede, classificando os profissionais envolvidos como contribuintes individuais pessoas físicas, prestadores de serviço da citada imobiliária. Aqui, como naquele caso, é importante direcionar a análise da matéria controvertida aos fatos efetivamente ocorridos, privilegiando a verdade real, foco do processo administrativo, sem se prender a maiores digressões ou justificativas teóricas quanto ao vinculo formal declarado nos feitos firmados entre as partes envolvidas. Não se discorda da possibilidade que a relação entre imobiliária e corretores, em tese, possa resultar num efetivo contrato de parceria ou associação, consubstanciado na existência de uma efetiva cooperação e independência entre as partes envolvidas, sem que haja qualquer controle ou ingerência da pessoa jurídica nas atividades de corretagem executada pelos contratados, de forma a afastar de tal relação o conceito de prestação de serviços. No entanto, não é o que se verifica do caso vertente, que deu ensejo à lavratura do auto de infração, por meio do qual a fiscalização lançou de oficio o crédito previdenciário discutido, relacionadoo a rendimentos pagos em decorrência de efetiva relação de trabalho (prestação de serviços) entre a imobiliária e corretores pessoas físicas a seu serviço, na condição de contribuintes individuais autônomos. A recorrente é uma empresa que faz parte de um grande grupo nacional da área imobiliária (cuja controladora é a LPS Brasil), exercendo a atividade de intermediação de compraevenda de imóveis de terceiros, na região do Distrito Federal. Para viabilizar a sua atividade negocial, a recorrente firmou com um grande número de corretores autônomos o denominado "instrumento particular de parceria comercial", atribuindo a tais profissionais o adjetivo de "corretores parceiros". Entretanto, ao examinar o conjunto probatório coletado no procedimento fiscal, verificase o acerto da fiscalização ao concluir que, na prática, os corretores contratados não atuavam efetivamente em regime de parceria com a imobiliária, mas sim como prestadores de serviços autônomos, envidando esforços, em nome da fiscalizada, na aproximação entre comprador e vendedor, mediante o recebendo de retribuição variável. Fl. 3197DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.151 A fiscalização junta aos autos, por amostragem, diversos instrumentos contratuais relacionados à suposta parceria comercial firmada entre a imobiliária e os corretores envolvidos, documentos estes que estampam cláusulas idênticas, sempre voltadas a resguardar a imobiliária em relação à autuação dos corretores contratados, evidenciando, assim, não se tratar de efetiva relação de parceria, firmada entre iguais, mas de estipulações impostas unilateralmente pela parte mais forte, como prérequisito autorizativo para os corretores exercerem suas atividades em nome da empresa. A verticalidade da relação entre imobiliária e os corretores contratados (relação hierárquica) resta clara ao analisar as respostas ofertadas aos questionamentos encaminhados pela auditoria em diligencia realizada junto aos compradores de imóveis, corretores e demais profissionais que aturam na venda dos imóveis no período. Nessas respostas ficam claras as seguintes circunstâncias da atividade exercida: Os corretores identificavamse como representantes da imobiliária (informação ratificada em diligência junto aos compradores); A imobiliária não entregava ao corretor cópia do "contrato de parceria" com ele firmado; O corretor usava camiseta, crachá, cartão de visitas, material de divulgação e formulários com logotipo da imobiliária (informação ratificada em diligência junto aos compradores); Os corretores eram escalados pela empresa para permaneceram em plantão nos estandes de venda da imobiliária (estandes personalizado com logotipo da imobiliária); Os corretores recebiam treinamentos obrigatórios prestados pela imobiliária e também eram obrigados a participar de reuniões na sede da empresa; Os serviços de corretagem dos profissionais eram prestados com exclusividade perante a imobiliária; Havia uma linha hierárquica funcional na empresa, onde existiam coordenadores, gerentes e diretores de venda, de forma que os corretores restavam naturalmente inseridos no contexto da atividade da empresa. obs: De todos os questionários retornados pelos corretores diligenciados, somente dois corroboram a tese de defesa da empresa, vale destacar: a resposta ofertada pelo Sr. ROGÉRIO DE OLIVEIRA (que ocupava o cargo de diretor empresa ao tempo do envio de sua resposta) e a encaminhada pelo Sr. CARLOS HENRIQUE PEIXOTO DE ALMEIDA, único profissional que apresentou a sua cópia do contrato de parceria firmado com a imobiliária (documento não entregue pela empresa aos demais contratados), evidenciando, assim, trataremse de pessoas da confiança da direção da fiscalizada. É de se destacar que a realidade acima resumida, obtida a partir de vários elementos que a fiscalização reuniu durante a auditoria, implica um contexto fático que não coaduna com a ideia de coordenação horizontal entre as partes independentes. Fl. 3198DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.152 Por certo a organização, o gerenciamento e a padronização de serviços prestados traziam maior credibilidade junto aos potenciais compradores, caracterizandose como algo imprescindível para o desenvolvimento das funções de intermediação da imobiliária, cujo trabalho executado de outra forma resultaria infrutífero, gerando insatisfação das incorporadoras e construtoras contratantes. De acordo com o modelo de negócios da recorrente, os pagamentos das comissões aos corretores de imóveis eram efetuados pelos próprios compradores, geralmente por intermédio de cheques, não havendo saída de recursos do caixa da imobiliária, porém, conforme foi relatado nas respostas obtidas nas diligências, tais valores eram mantidos sob a guarda da imobiliária até o momento do efetivo fechamento do negócio, sendo só então repassado ao corretor responsável pela intermediação. A sujeição passiva da contribuição previdenciária patronal diz respeito ao tomador de serviço, para o qual o segurado contribuinte individual presta efetivamente sua atividade remunerada no decorrer do mês (art. 22, inciso III, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991) e pela regra matriz de incidência, o tomador de serviço mantém relação pessoal e direta com a situação que constituí o fato gerador, isto é, com a prestação de serviço pelo trabalhador. Nesse contexto, a pessoa que efetua o pagamento da remuneração ao corretor de imóveis, por si só, é irrelevante para alterar o polo passivo da relação tributária e a obrigação pelo recolhimento do tributo. O ônus financeiro suportado pelo comprador, por convenção entre as partes, é resultado da assunção do custo da comissão de corretagem devida pela imobiliária e caso o adquirente não pague diretamente a corretagem, o custo estará embutido no preço total da compra e venda, de maneira análoga ao que acontece tantas situações do cotidiano do consumidor. A Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial (REsp) n° 1.599.51 l/SP, julgado em 24/08/2016, de fato, proferiu decisão pela validade da transferência para o adquirente do encargo relativo à comissão de corretagem nos contratos de promessa de compra e venda de unidade imobiliária, desde que prevista de forma clara e transparente no contrato, no entanto, vale ressaltar, o Tribunal não decidiu que o corretor de imóveis executa serviços para o adquirente ou que entre corretores e imobiliárias não pode haver relação de prestação de serviços. Assim, não há dúvidas que os corretores autônomos no caso em apreço prestaram serviços à LPS Brasília, posto que tais profissionais representavam a imobiliária contratante, conforme evidencia os uniformes, crachás, cartões de visita, reuniões e cursos patrocinados pela empresa, enfim, de acordo com todas as circunstâncias envolvendo a atividade prestada, estando o corretor, por certo, impedido de oferecer imóveis da carteira de outras imobiliárias, com as quais eventualmente mantinha relação, aos interessados que o procuravam no plantão da imobiliária contratante, fato que por si só afasta a sua independência. Ao lado disso, é certo e a experiência comum mostra que o comprador não se desloca a um "plantão de vendas" com o objetivo de contratar serviços de intermediação de um corretor de imóveis, mas sim porque efetivamente está interessado em adquirir um imóvel, sendo inadequado afirmar que tal corretor presta serviços ao comprador, quando a imagem, o local de trabalho e atuação do profissional demonstram que está a serviço da imobiliária. Ademais, o conjunto probatório trazido aos autos pela empresa não evidência a independência e a coordenação nas funções de intermediação que deve permear a Fl. 3199DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.153 relação entre imobiliária e corretor de imóveis associado, pelo contrário, conforme demonstrado, os fatos narrados e documentos juntados aos autos acentuam a ligação dos corretores à imobiliária na condição de prestadores de serviço autônomo. Assim, devese entender que a remuneração percebida pelos corretores ante as vendas dos imóveis envolvidos (comissão), referese à prestação de serviços para a empresa imobiliária, na condição de segurado contribuinte individual, nos termos do art. 22, III,da Lei n° 8.212/91, e não para o cliente comprador. Quanto ao critério de arbitramento da base de cálculo Quanto ao arbitramento da base de cálculo, consta dos autos que a auditoria objetivamente intimou a fiscalizada a apresentar o valor da comissão paga aos corretores que intermediaram as operações de compraevenda de imóveis (fls 648), sem que a fiscalizada se dispusesse a colaborar com o fisco, sob o argumento de que não dispunha de tais informações, já que se tratavam de corretores independentes e, como tais, remunerados pelos seus clientes. Tal argumento da empresa, no entanto, mostrouse falacioso ao analisar as respostas dos trabalhadores diligenciados ao longo da fiscalização, pois, conforme consta de tais respostas (e documentos constantes dos autos), o efetivo pagamento do trabalho dos corretores era realizado pela própria imobiliária, que retinha os valores pagos pelo compradores até o fechamento do negócio, para então, ela própria, proceder o repasse do valor ao corretor responsável. Vale ressaltar, no entanto, que mesmo que a empresa efetivamente não dispusesse de tais informações para repassar ao fisco, nos termos do 33, §3º e 6º, da Lei 8212/91, seria obrigatório realizar o arbitramento da base de cálculo, por meio de aferição indireta. Art. 33.(....) § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (....) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão Fl. 3200DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.154 apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (...) Assim, a fim de evitar que a fiscalizada tirasse proveito de sua própria omissão, não restou alternativa à auditoria que não escolher um meio objetivo para aferir o valor repassado aos corretores e, para tanto, mantendo coerência com a forma de remuneração alegada pela própria empresa (que afirmou que a remuneração dos corretores se deu em regime de parceria), utilizou a Tabela de Honorários extraída do sítio do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 8ª Região (CRECI/DF), que prevê o rateio da comissão de vendas entre imobiliária e corretor no percentual de 50% para cada lado. Vale destacar que a empresa poderia, nas diversas oportunidades de defesa apresentadas, juntar provas que demonstrassem os efetivos valores pagos aos trabalhadores, mas preferiu indisporse tãosomente contra o critério de arbitramento utilizado, sem trazer aos autos elementos que demonstrassem o desacerto da auditoria quanto à base de cálculo utilizada. Sendo assim, entendese que não cabe correção ao critério de arbitramento adotado pela auditoria. Quanto à responsabilidade solidária da LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A Sobre a questão da responsabilização solidária, embora este Conselheiro tenha votado pelo afastamento da responsabilidade das pessoas físicas e demais empresas apontadas pela auditoria, entendese correta a inclusão e manutenção da LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A como responsável solidária da fiscalizada no caso sob exame, uma vez que se trata de empresa controladora de todas as demais empresas do grupo, de forma que reflete em sua demonstração todo o resultado positivo obtido pelas empresas sob seu controle. Vale ressaltar, ainda, que a conduta perpetrada pela fiscalizada no caso em apreço não foi isolada, isto é, existem diversos outros lançamentos fiscais similares a este (P.Ex. 11080.725464/201591) realizados em outras empresas do grupo, fazendo crer que se trata de procedimento realizado por orientação dos controladores da empresa. Assim, nos termos do art 124, I, do Código Tributário Nacional, entendese correto o enquadramento da LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A como devedora solidária da obrigação lançada. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de considerar ocorrido o fato gerador, correto o critério de arbitramento utilizado pela auditoria e pela manutenção da responsabilidade solidária da LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, dando assim PROVIMENTO PARCIAL aos recursos voluntários apresentados, acompanhando a Sra. Conselheira relatora quanto às demais matérias examinadas. (Assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva – Redator designado Fl. 3201DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.155 Declaração de Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. Em que pese as bem fundamentadas razões de decidir da Conselheira Relatora quanto ao tema relacionado à aplicação o artigo 24 da LINDB ao caso em tela, dela ouso a discordar. Em resumo, entendeu a relatora que embora o dispositivo supra citado não tivesse trazido proveito concreto ao recorrente, seria admissível sua aplicabilidade ao contencioso fiscal. Não vejo dessa forma. No intuito de expressar meu posicionamento quanto à matéria, peço licença para colacionar excerto do voto do Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, lido na sessão de 7/5/19, relativo ao acórdão 2402007277 (PAF 16327.720633/201580). Confirase: Basicamente, e no entender da recorrente, a revisão quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, deve levar em consideração as orientações gerais da época, entre as quais se incluiria a jurisprudência judicial ou administrativa, tendo em vista a norma do art. 24 da LINDB. Vejase o texto legal: Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas.(Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público.(Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Em sendo assim, e de acordo com a tese do sujeito passivo, a observância do artigo retro mencionado implicaria afastar os efeitos do lançamento. No entanto, entendo que o Código Tributário Nacional tem norma específica que regulamenta os efeitos das decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, os quais, inclusive, não coincidem com os efeitos a que se pretende atribuir através do art. 24 da LINDB. Fl. 3202DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.156 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Sobre esse dispositivo, segue a inexcedível doutrina do Prof. Luís Eduardo Schoueri: Devese atentar que meras decisões de órgãos julgadores administrativos não são as "normas complementares" a que se refere o Código. Apenas aquelas cuja eficácia normativa seja assegurada por lei é que ali estariam. Assim, por faltar lei federal que dê eficácia normativa às decisões administrativas, em processos administrativos em geral não pode o contribuinte invocar, como razão para a adoção de determinado comportamento, o fato de um colegiado administrativo, em determinado caso, ter adotado tal entendimento. A tal contribuinte não virá em socorro o parágrafo único do artigo 100 do Código Tributário Nacional. Sua adoção consistente, entretanto, poderá indicar "prática reiterada", como se verá abaixo. Tratandose solução de consulta Cosit ou solução de divergência, seu efeito vinculante é assegurado no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, respaldando o sujeito passivo que a aplicar, independentemente de ser o consulente, nos termos do artigo 9º da Instrução Normativa (RFB) n. 1.396/2013, na redação dada pela Instrução Normativa (RFB) n. 1.434/20132. 2 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2017, p. 133. Fl. 3203DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.157 Quer dizer, em confronto com o art. 100, a recorrente pretende atribuir eficácia normativa às decisões do Conselho, com efeitos ainda mais extensos do que aqueles atribuídos pelo Código (o art. 24 afastaria todo o lançamento, diferentemente do art. 100), o que me parece equivocado. Vejase que a observância das decisões a que a lei atribua eficácia normativa excluiria a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização monetária, mas não o próprio tributo; e a doutrina retro mencionada evidencia que, "por faltar lei federal que dê eficácia normativa às decisões administrativas, em processos administrativos em geral não pode o contribuinte invocar, como razão para a adoção de determinado comportamento, o fato de um colegiado administrativo, em determinado caso, ter adotado tal entendimento". O art. 146, inc. III, da Constituição Federal, preleciona que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, entre as quais se inclui a norma do art. 100 do CTN, que enumera as normas complementares das leis, das convenções internacionais e dos decretos. Além disso, o próprio art. 146 do Código é claro ao determinar que a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução, de tal forma que tal modificação tem efeitos prospectivos, e não retroativos, ao contrário do que pretende fazer crer a recorrente. Por outro lado, a interpretação da recorrente não resiste às normas processuais que tratam, entre outras questões, das decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade, dos enunciados de súmula vinculante, dos acórdãos em julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos, etc, estes sim de observância obrigatória por parte deste Conselho, ex vi do disposto no art. 62 do seu Regimento Interno. No mais, adiro às seguintes razões de decidir, do voto proferido pelo ilustre Conselheiro Daniel Ribeiro Silva, no PAF 16561.720065/201382, neste ponto julgado por unanimidade de votos: Não há como negar que o valor que se busca com tal norma é nobre, qual seja, o de garantir a segurança jurídica, em especial aos contribuintes que acabam por serem obrigados a interpretar e aplicar uma legislação tributária absolutamente complexa. Entretanto, entendo que não se pode buscar, sob esse pretexto, ampliar o alcance ou impor a aplicação de uma norma (expressiva de um valor jurídico importante), sobre outras normas jurídicas já postas e absolutamente aplicáveis. Seria, a meu ver, buscar a segurança gerando Fl. 3204DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.158 ainda mais insegurança ao próprio sistema jurídico. É fato conhecido que o contexto de criação da norma tiveram como pano de fundo os processos de controle das contratações públicas, em especial aqueles das instâncias de controle dos gastos públicos, como o TCU e a CGU. Tal fato é manifestado claramente quando se aprecia a justificação do PL, de autoria do Senador Antônio Anastasia: Como fruto da consolidação da democracia e da crescente institucionalização do Poder Público, o Brasil desenvolveu, com o passar dos anos, ampla legislação administrativa que regula o funcionamento, a atuação dos mais diversos órgãos do Estado, bem como viabiliza o controle externo e interno do seu desempenho. Ocorre que, quanto mais se avança na produção dessa legislação, mais se retrocede em termos de segurança jurídica. O aumento de regras sobre processos e controle da administração têm provocado aumento da incerteza e da imprevisibilidade e esse efeito deletério pode colocar em risco os ganhos de estabilidade institucional. Outrossim, exatamente por isso que o texto da norma fala em ato administrativo, contrato administrativo, ajuste administrativo, processo administrativo ou norma administrativa. É a conclusão que se chega da concordância verbal do dispositivo, bem como da interpretação sistemática do seu parágrafo único e demais artigos inseridos da alteração legislativa. [...] Como bem manifestado pela Conselheira Livia Di Carli em voto sobre o tema: A entrega de declaração pelo contribuinte, pelo que se opera o "autolançamento" ou o "lançamento por homologação", não gera situação plenamente constituída, já que por definição a apuração feita pelo contribuinte é sempre provisória e precária, sujeita a homologação da autoridade competente, não havendo que se falar em "situação plenamente constituída" antes da homologação (expressa ou tácita) pela autoridade fiscal. Fl. 3205DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.159 [...] Entretanto, ressalto que o direito processual já estabelece uma lógica de precedentes (baseado no mesmo valor de segurança jurídica), a exemplo de decisões com repercussão geral ou as próprias súmulas administrativas vinculantes deste CARF. Entretanto, em todos esses casos há um procedimento específico para sua produção, e defender a aplicação direta do art. 24 da LINDB me parece ser tentar burlar um sistema de precedentes já posto. Ainda, necessário lembrar que o direito tributário possui regramento próprio na Constituição Federal que não pode ser ignorado, em especial quando se analisa a hierarquia das fontes normativas. O artigo 146 da Constituição Federal estabelece que a edição de normas gerais em matéria tributária é matéria reservada à lei complementar. E tem uma razão de ser em função da repartição de competências tributárias entre diversos entes federativos. É esse o status do Código Tributário Nacional e de qualquer norma que pretenda veicular norma geral em matéria tributária. Assim, já causa estranheza que o legislador tenha pretendido o alcance que defende a Recorrente por meio da edição de uma lei ordinária federal. Ademais, merece menção que o Núcleo de Estudos Fiscais (NEF) da FGV Direito SP realizou recente colóquio com o objetivo de debater os possíveis impactos da Nova Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro (LINDB) no direito tributário (https://direitosp.fgv.br/evento/novaleideintroduca onormasdireitobrasileirolindbobjetivandoprincipi osestruturantesd). No referido evento, um dos idealizadores do projeto de lei que gerou a alteração da LINDB (Prof. Carlos Ari Sundfeld) ao ser indagado sobre a aplicação do art. 24 da LINDB ao processo administrativo tributário, foi contundente ao afirmar que no direito tributário já existem os artigos 100 e 146 do CTN que trazem o "mesmo valor" buscado pela LINDB, e que o art. 24 não se prestaria como algo novo, mas sim um reforço de aplicação à norma já existente. Fl. 3206DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.160 Isto porque que o CTN possui regramento específico sobre a matéria, estabelecendo o artigo 100 que a observância das chamadas normas complementares (das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos) exclui tão somente a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Jamais o principal de tributo. Da mesma forma, o artigo 146 do CTN traz regramento próprio sobre o efeito intertemporal da introdução de novos critérios jurídicos – leia se, nova interpretação – no processo de constituição do crédito tributário. Ou ainda, o próprio art. 112 do CTN determina a interpretação mais benéfica ao contribuinte de normas que cominem penalidade. Diante disso, dar ao artigo 24 da LINDB o alcance que a Recorrente pretende é, ao fim e ao cabo, acreditar que lei ordinária federal poderia trazer uma espécie de exceção à norma do artigo 100 do CTN, o que vai de encontro a regras básicas de interpretação das normas em um sistema constitucional complexo como o brasileiro. Permitome citar, novamente, trecho de voto da Conselheira Livia Di Carli sobre o tema: o alcance pretendido pela Recorrente em nome da "segurança jurídica" acabaria por "engessar" o contencioso administrativo, impossibilitandoo de evoluir com eficiência, retirando dos debates tributários a tecnicidade da especialização dos Tribunais/Conselhos de Recursos Fiscais, que diuturnamente lidam com casos que envolvem critérios contábeis, situações e documentos específicos que o Poder Judiciário não tem condição (e nem estrutura) para analisar, o que acabaria por aumentar a vulnerabilidade dos contribuintes trazendo, veja só, insegurança jurídica. Nesse contexto, entendo que uma interpretação do sistema jurídico constitucional, tributário e processual resulta na conclusão de que o art. 24 não tem os efeitos pretendidos pela recorrente. " Ainda nesse mesmo sentido, adiro à conclusão do Conselheiro Relator Pedro Paulo Pereira Barbosa, no acórdão 9202007145, de 29/8/18, nos autos do PAF 16327.001389/200912. Vejase: (...) Fl. 3207DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.161 "Eis o teor do referido dispositivo: Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. Não assiste razão ao Recorrente. O dispositivo claramente dirigese ao controle interno de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, daí dirigido às esferas administrativas, “controladoras ou juridiciais”. Vale dizer, visa proteger a decisão de autoridade administrativa praticada conforme orientação vigente à época de sua prática. Há uma enorme diferença com o que ocorre com o processo administrativo tributário em que se analisa a validade de ato praticado pela autoridade administrativa (lançamento, por exemplo) à luz do contraditório, devendo o julgador administrativo, singular ou colegiado, decidir conforme sua convicção. Vincular a decisão presente ao que fora decidido no passado em outros processos é absolutamente incompatível com os princípios que regem o processo administrativo tributário. Tal posição implica em atribuir aos órgãos julgadores administrativos o poder de determinar, em cada caso e de maneira definitiva, a posição a ser adotada por toda a administração tributária. No caso presente significaria atribuir aos colegiados do CARF – supondo ser verdadeiro o fato alegado de que a jurisprudência do CARF era predominante no sentido pretendido pelo Contribuinte, o que se admite apenas para argumentar – o poder de decidir de forma definitiva e vinculante a toda a administração tributária, a interpretação quanto à desnecessidade de pactuação prévia no PLR. Para isso existem outros instrumentos, como a súmula, à qual pode ser atribuída força vinculante, por ato do Ministro da Fazenda. Registro, por fim, que a prevalecer a interpretação proposta pelo Recorrente – o que se admite apenas para argumentar – a regra valeria tanto para decisões favoráveis quanto desfavoráveis aos contribuintes. Isto é, jurisprudências predominantes num determinado sentido, favorável ou contrária aos interesses dos contribuinte, não poderia ser alterada posteriormente em relação a práticas realizadas durante a predominância dessa jurisprudência, o Fl. 3208DF CARF MF Processo nº 10166.724917/201478 Acórdão n.º 2402007.296 S2C4T2 Fl. 3.162 que configuraria, para o contribuinte prejudicado cerceamento de direito de defesa. Não bastasse isso, o conceito de jurisprudência predominante é, no mínimo vago, para ser definidor da validade ou não de condutas em matéria tributária. Para isso, repito, existe as sumulas, que nada mais são do que a consolidação, num ato, aí sim, vinculante aos órgãos julgadores, de jurisprudência predominante. Penso que a pretensão do Recorrente é uma tentativa de restringir a atuação do Colegiado no exercício de sua livre convicção quanto ao mérito da questão posta em julgamento, com base em numa interpretação extensiva de norma que, a meu juízo, tem destinação específica outra que não o contencioso administrativo tributário. Não conheço, portanto, da preliminar. Ante o exposto, VOTO por rejeitar a preliminar suscitada por entender que o dispositivo invocado não se aplica ao contenciosos tributário nesta fase recursal. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 3209DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.900011/2012-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 15/10/2003
BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE.
A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins.
Numero da decisão: 9303-008.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. Acordam, ainda, (i) por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de diligência suscitada pela conselheira Tatiana Midori Migiyama, vencida, também, a conselheira Érika Costa Camargos Autran e (ii) por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento suscitada pelo conselheiro Demes Brito, vencidas, também, as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. Acordam, ainda, (i) por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de diligência suscitada pela conselheira Tatiana Midori Migiyama, vencida, também, a conselheira Érika Costa Camargos Autran e (ii) por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento suscitada pelo conselheiro Demes Brito, vencidas, também, as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 00 11 /2 01 2- 09 Fl. 98DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-008.956 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900011/2012-09 Trata-se de pedido eletrônico de restituição de pagamento indevido ou a maior (e-fls. 02 a 04), transmitido em 09/07/2007, no valor de R$ 2.665,53, relativo a créditos originários de pagamento Cofins, com recolhimento em DARF datada de 15/10/2003, no valor originário de R$ 92.172,84. A DRF em Curitiba emitiu despacho decisório eletrônico em 01/02/2012, no qual informava que o valor pago no DARF encontrava-se integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, por isso não homologou a referida compensação. O sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, afirmando em resumo que os valores contabilizados como ICMS não comporiam o faturamento para fins de base de cálculo da Cofins. A 3ª Turma da DRJ/CTA exarou o acórdão nº 06-45.778, em 19/03/2014, no qual, por unanimidade, negou provimento à manifestação de inconformidade da contribuinte, ao considerar inexistente o direito creditório pois seria incabível a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Confins. Irresignada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às e-fls. 37 a 40, tendo como principal argumento da defesa a afirmação de que o ICMS não pode ser considerado como faturamento da empresa, não podendo, desta forma, compor a base de cálculo das contribuições. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 26/01/2017, resultando no acórdão nº 3302-003.552, às e-fls. 45 a 52, que tem a seguinte ementa: BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento. Recurso especial da contribuinte Cientificada do acórdão nº 3302-003.552, em 10/09/2018 (e-fl. 55), a contribuinte interpôs recurso especial de divergência na qual afirma o dissídio em face do acórdão paradigma nº 3201-004.124, fundamentando que o STF em sede de repercussão geral, decidiu que o ICMS não compõe a base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins . O Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, analisou o recurso especial de divergência da contribuinte, em 03/05/2017, no despacho de e-fls. 85 a 88, e, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343 de 09/06/2015, deu-lhe seguimento. Contrarrazões da Fazenda Cientificada do despacho de admissibilidade do recurso especial em 21/11/2018 (e-fl. 89), a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões em Fl. 99DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-008.956 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900011/2012-09 23/11/2018, às e-fls. 90 a 95, requerendo que seja negado provimento ao recurso especial do sujeito passivo, para manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator. O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e dele conheço. Mérito Inicialmente, afasto a possibilidade de sobrestamento aventada no recurso voluntário, por falta de previsão regimental, pois entendo que a revogação da previsão de sobrestamento impede sua realização. Em seguida, entendo não ser vinculante a decisão do STF esgrimida pela recorrente, por não ter ocorrido trânsito em julgado formal, haja vista estar-se ainda aguardando apreciação de embargos de declaração no RE 574.706/PR. Assim, busco a aplicação da legislação conforme às razões de decidir da decisão a quo, que, por sua vez, adotou o entendimento do voto do relator do acórdão nº 3302- 003.520. No que tange à exclusão do ICMS devido nas operações de venda, na condição de contribuinte, o §2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 estabeleceu as hipóteses de exclusão da base de cálculo das contribuições, à época dos fatos: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluem-se da receita bruta: I - as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II - as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) III - os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Vide Medida Provisória nº 1.991-18, de 2000) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) Fl. 100DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-008.956 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900011/2012-09 IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Verifica-se no inciso I, que o ICMS incidente nas operações na condição de contribuinte (próprio) não foi elencado como parcela a ser excluída da base de cálculo. Juridicamente e contabilmente, o ICMS compõe a receita de venda e consiste em redutor da receita bruta. A legislação, ao longo do tempo, dispôs sobre a receita bruta, sempre indicando que os impostos incidentes sobre a venda a compunham. Assim, citam-se o artigo 12 do Decreto-lei nº 1.598/1977, o artigo 187 da Lei nº 6.404, o artigo 31 da Lei nº 8.981/1995, bem como a IN SRF nº 51/1978: Decreto-lei nº 1.598/1977: Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I - o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II - o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III - o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV - as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. § 1º A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I - devoluções e vendas canceladas; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II - descontos concedidos incondicionalmente; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III - tributos sobre ela incidentes; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV - valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 6.404/1976: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I - a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; Fl. 101DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-008.956 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900011/2012-09 II - a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; IN SRF nº 51/1978: 1. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens, nas operações de conta própria, e o preço dos serviços prestados (artigo 12 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). 2. Na receita bruta não se incluem os impostos não-cumulativos cobrados do comprador ou contratante impostos não-cumulativos cobrados do comprador ou contratante (imposto sobre produtos industrializados e imposto único sobre minerais do País) e do qual o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Imposto não cumulativo é aquele em que se abate, em cada operação, o montante de imposto cobrado nas anteriores. 3. Igualmente não se computam no custo de aquisição das mercadorias para revenda e das matérias-primas os impostos mencionados no item anterior, que devam ser recuperados. 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. 4.1 Vendas canceladas correspondentes a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços; eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de venda, ou de serviços, mas serão computados nos resultados operacionais. 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. Neste sentido o STJ publicou as súmulas 69 e 94, cujos enunciados dispõem: Súmula n. 68 : "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". É de se concluir que a legislação inclui o ICMS incidente sobre as vendas no conceito de receita bruta, excluindo-o apenas do conceito de receita líquida. Sobre o tema, há decisões recentes do STJ entendendo pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, Fl. 102DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-008.956 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900011/2012-09 como o AgRg no REsp 1576424 / RS, de 10/03/2016, cuja ementa transcreve-se: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA. ARTS. 7º e 8º DA LEI Nº 12.546/2011. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO, MUTATIS MUTANDIS, DA ORIENTAÇÃO FIRMADA NO RESP Nº 1.330.737/SP, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RELATIVA À INCLUSÃO DO ISSQN NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS NA SISTEMÁTICA NÃOCUMULATIVA. 1. A possibilidade de inclusão, na receita bruta, de parcela relativa a tributo recolhido a título próprio foi pacificada, por maioria, pela Primeira Seção desta Corte em 10.6.2015, quando da conclusão do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp nº 1.330.737/SP, de relatoria do Ministro Og Fernandes, ocasião em que se concluiu que o ISSQN integra o conceito maior de receita bruta, base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS. 2. As razões que fundamentam o supracitado recurso especial representativo de controvérsia se aplicam, mutatis mutandis, à inclusão das parcelas relativas ao ICMS na base de cálculo da12.546/2011. Precedente: REsp nº 1.528.604, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.9.2015. 3. A contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011, da mesma forma que as contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS na sistemática não cumulativa previstas nas Leis n.s 10.637/2002 e 10.833/2003, adotou conceito amplo de receita bruta, o que afasta a aplicação ao caso em tela do precedente firmado no RE n. 240.785/MG (STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 08.10.2014), eis que o referido julgado da Suprema Corte tratou das contribuições ao PIS/Pasep e COFINS regidas pela Lei n. 9.718/98, sob a sistemática cumulativa que adotou, à época, um conceito restrito de faturamento. Precedente. 4. Agravo regimental não provido. Ressalta-se que a inclusão do ISS na base de cálculo das contribuições foi considerada legítima e julgada sob a sistemática de recursos repetitivos no REsp 1.330.737/SP, em 10/06/2015, que possuiu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ N. 8/2008. PRESTADOR DE SERVIÇO. PIS E COFINS. INCLUSÃO DO ISSQN NO CONCEITO DE RECEITA OU FATURAMENTO. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 109 E 110 DO CTN. 1. Para efeitos de aplicação do disposto no art. 543C do CPC, e levando em consideração o entendimento consolidado por esta Corte Superior de Justiça, firmase compreensão no sentido de que o valor suportado pelo beneficiário do serviço, nele incluindo a Fl. 103DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-008.956 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900011/2012-09 quantia referente ao ISSQN, compõe o conceito de receita ou faturamento para fins de adequação à hipótese de incidência do PIS e da COFINS. 2. A orientação das Turmas que compõem a Primeira Seção deste Tribunal Superior consolidouse no sentido de que "o valor do ISSQN integra o conceito de receita bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas com o exercício da atividade econômica, de modo que não pode ser dedutível da base de cálculo do PIS e da COFINS" (REsp 1.145.611/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 8/9/2010; AgRg no REsp 1.197.712/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 9/6/2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.218.448/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 24/8/2011; AgRg no AREsp 157.345/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 2/8/2012; AgRg no AREsp 166.149/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 28/08/2012, DJe 4/9/2012; EDcl no AgRg no REsp 1.233.741/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 7/3/2013, DJe 18/3/2013; AgRg no AREsp 75.356/SC, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 15/10/2013, DJe 21/10/2013). 3. Nas atividades de prestação de serviço, o conceito de receita e faturamento para fins de incidência do PIS e da COFINS deve levar em consideração o valor auferido pelo prestador do serviço, ou seja, valor desembolsado pelo beneficiário da prestação; e não o fato de o prestador do serviço utilizar parte do valor recebido pela prestação do serviço para pagar o ISSQN Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza. Isso por uma razão muito simples: o consumidor (beneficiário do serviço) não é contribuinte do ISSQN. 4. O fato de constar em nota fiscal informação no sentido de que o valor com o qual arcará o destinatário do serviço compreende quantia correspondente ao valor do ISSQN não torna o consumidor contribuinte desse tributo a ponto de se acolher a principal alegação das recorrentes, qual seja, de que o ISSQN não constituiu receita porque, em tese, diz respeito apenas a uma importância que não lhe pertence (e sim ao município competente), mas que transita em sua contabilidade sem representar, entretanto, acréscimo patrimonial. 5. Admitir essa tese seria o mesmo que considerar o consumidor como sujeito passivo de direito do tributo (contribuinte de direito) e a sociedade empresária, por sua vez, apenas uma simples espécie de "substituto tributário", cuja responsabilidade consistiria unicamente em recolher aos cofres públicos a exação devida por terceiro, no caso o consumidor. Não é isso que se tem sob o ponto de vista jurídico, pois o consumidor não é contribuinte (sujeito passivo de direito da relação jurídico-tributária). 6. O consumidor acaba suportando o valor do tributo em razão de uma política do sistema tributário nacional que permite a repercussão do ônus tributário ao beneficiário do serviço, e não porque aquele (consumidor) figura no polo passivo da relação jurídico-tributária como sujeito passivo de direito. Fl. 104DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-008.956 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900011/2012-09 7. A hipótese dos autos não se confunde com aquela em que se tem a chamada responsabilidade tributária por substituição, em que determinada entidade, por força de lei, figura no polo passivo de uma relação jurídico-tributária obrigacional, cuja prestação (o dever) consiste em reter o tributo devido pelo substituído para, posteriormente, repassar a quantia correspondente aos cofres públicos. Se fosse essa a hipótese (substituição tributária), é certo que a quantia recebida pelo contribuinte do PIS e da COFINS a título de ISSQN não integraria o conceito de faturamento. No mesmo sentido se o ônus referente ao ISSQN não fosse transferido ao consumidor do serviço. Nesse caso, não haveria dúvida de que o valor referente ao ISSQN não corresponderia a receita ou faturamento, já que faticamente suportado pelo contribuinte de direito, qual seja, o prestador do serviço. 8. Inexistência, portanto, de ofensa aos arts. 109 e 110 do CTN, na medida em que a consideração do valor correspondente ao ISSQN na base de cálculo do PIS e da COFINS não desnatura a definição de receita ou faturamento para fins de incidência de referidas contribuições. 9. Recurso especial a que se nega provimento. De fato, as mesmas razões utilizadas no repetitivo acima são aplicáveis na análise da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, o que restou configurado no julgamento do REsp nº 1.144.469, em 10/08/2016, sob a sistemática de recursos repetitivos, embora não possa ser aplicado pelo artigo 62 do RICARF, pois que ainda não transitado em julgado. A certidão deste julgamento constante no site do Superior Tribunal de Justiça traz o seguinte teor: AUTUAÇÃO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRENTE : HUBNER COMPONENTES E SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA ADVOGADOS : ANETE MAIR MACIEL MEDEIROS HENRIQUE GAEDE E OUTRO(S) RECORRIDO : OS MESMOS ASSUNTO: DIREITO TRIBUTÁRIO Crédito Tributário Base de Cálculo CERTIDÃO Certifico que a egrégia PRIMEIRA SEÇÃO, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "Prosseguindo no julgamento, a Seção, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Relator e Regina Helena Costa, negou provimento ao recurso especial da empresa recorrente, nos Fl. 105DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 9303-008.956 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900011/2012-09 termos do voto do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, que lavrará o acórdão." Votaram com o Sr. Ministro Mauro Campbell Marques os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins. Quanto à jurisprudência do STF, não obstante o RE 240.785 ter sido julgado favorável à tese defendida pela recorrente, não há, ainda, posicionamento definitivo no STF, uma vez que o RE 574.906 RG/PR, sob repercussão geral, ainda não foi julgado. Assim, enquanto não julgado o recurso extraordinário sob repercussão geral, deve-se prestigiar a legislação vigente que considera o ICMS das operações próprias como componente do preço de venda. Neste mesmo sentido, é a posição pacífica deste Conselho, como decidido no Acórdão nº 9303-003549, de 17/03/2016, cuja ementa transcreve-se: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Cofins. Base de Cálculo. Exclusão ICMS. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS. Dessarte, considero improcedente o recurso especial de divergência da contribuinte, para manter a decisão recorrida. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial de divergência do sujeito passivo. (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Declaração de Voto Fl. 106DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 9303-008.956 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900011/2012-09 Conselheira Tatiana Midori Migiyama Depreendendo-se da análise dos autos do processo, peço vênia ao ilustre conselheiro relator para expressar meu entendimento acerca da matéria trazida em recurso – qual seja – exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Antes de expressar o meu entendimento acerca da matéria, importante trazer os posicionamentos diferentes e recentes do CARF: 1. Aplicação da decisão do STJ quando da apreciação do REsp 1144469/PR, julgado em sede de repetitivo - Acórdão 3402-006.217; 2. Aplicação da Solução de Consulta Interna nº 13/2018 - Acórdão 3302-006.898; 3. Aplicação da decisão do STF favorável ao contribuinte quando da apreciação do RE 574.706, julgado em sede de repercussão geral - em sentido amplo - Acórdão 3201-004.124; 4. Direcionamento pelo Sobrestamento do processo até decisão definitiva do RE 574.706/PR - Acórdão 3402-006.283; 5. Direcionamento pela conversão de julgamento em diligência - para que a unidade de origem mensure o ICMS a ser excluído, em seu entendimento, da base de cálculo do PIS e da Cofins - Acórdão 3402- 002174. Sendo assim, atualmente, temos 5 posicionamentos diferentes no CARF relativo a mesma matéria. O que, para melhor expor meu entendimento, reflito brevemente sobre cada posicionamento. Quanto ao 1º posicionamento, vê-se que o colegiado refletiu “A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda, na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, conforme julgamento do STJ no Resp 114.469/PR. Impossibilidade de aplicação da tese firmada pelo STF no RE 574.706 pela ausência de trânsito em julgado.” Fl. 107DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 9303-008.956 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900011/2012-09 Nada obstante a esse posicionamento, entendo que não há como se aplicar a decisão antiga do STJ dada em sede de repetitivo, vez que o STF, em sede de repercussão geral, ao apreciar o RE 574706 fixou a seguinte tese: “O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins” – que, por sua vez, é contrário aquela decidida pelo STJ. Tem-se ainda que a tese de per si já foi firmada – ou seja, o ICMS efetivamente não compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins, independentemente dos embargos opostos pela Fazenda Nacional – que não poderão, a rigor, mudar a tese, mas apenas clarificá-la. O que, continuar aplicando a decisão do STJ traria insegurança jurídica e estaria em desacordo com o CPC que traz que, independentemente de não haver ainda o trânsito em julgado do RE em sede de repercussão geral, se apreciado o mérito, tal como ocorreu pelo STF, a tese jurídica firmada deverá ser aplicada no território nacional a todos os processos individuais ou coletivos que versem sobre idêntica questão de direito. Eis o art. 987 do CPC: “Art. 987.................................. [...] § 2º Apreciado o mérito do recurso, a tese jurídica adotada pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça será aplicada no território nacional a todos os processos individuais ou coletivos que verse sobre idêntica questão de direito.” O STF, como protetor da Constituição Federal, definiu tal tese devendo hierarquicamente ser observada frente as questões de legalidade enfrentadas anteriormente pelo STJ envolvendo a mesma discussão. Ademais, sendo a decisão do STF superveniente à decisão do STJ e firmada a tese constitucional, deve ela ser respeitada, nos termos do art. 987, § 2º, do CPC, independentemente de não ter havido o trânsito em julgado daquela decisão, pois os embargos opostos pela Fazenda Nacional, a meu sentir, não poderia alterar o decidido pelo STF, apenas esclarecê-la. Fl. 108DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 9303-008.956 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900011/2012-09 Entendo ainda que o STF não poderia, nesse caso, aplicar a modulação temporal “futura” (a partir do julgamento dos embargos), tampouco modulação pessoal (em relação ao passado, atingir apenas aqueles que ingressaram com medida judicial), vez que não houve pedido de modulação pela Fazenda Nacional no decorrer do processo, tampouco seria o caso, nos termos do art. 27 da Lei 9.868/99, de se modular os efeitos da referida decisão. Com efeito, a Lei 9.868/99, em seu art. 27 traz (Grifos meus): “Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado.” Vê-se que o STF somente poderia modular os efeitos de uma decisão por razões de segurança jurídica ou por excepcional interesse social. No presente caso, entendo que não há como o STF modular os efeitos de sua decisão por razões de segurança jurídica, pois: Os tribunais inferiores já estão aplicando o decidido pelo STF – “fazendo” transitar em julgado várias decisões a diversos contribuintes; O próprio CARF já aplicou a tese do STF mediante acórdão 3201- 004.124; A Fazenda Nacional não trouxe aos autos pedido de modulação dos efeitos da decisão anteriormente ao julgamento pelo STF em sede de repercussão geral. Sendo assim, vê-se que, a rigor, aquele tribunal não poderia nem apreciar essa questão por meio de embargos, pois omissão no julgamento que não tratou da “modulação dos efeitos” não houve efetivamente. Tem-se que o STF somente poderia modular os efeitos, nos termos ainda do art. 927, §3º, do CPC, de modo a favorecer a segurança jurídica. E, respeitando a segurança Fl. 109DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 9303-008.956 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900011/2012-09 jurídica, não há como o STF aplicar tal modulação, considerando a tese já firmada, as decisões dos tribunais inferiores que estão aplicando a decisão do STF e a ausência de omissão nos autos daquele processo, que em nenhum momento mencionou pedido de modulação dos efeitos. Modular os efeitos daquela decisão traria efetivamente insegurança jurídica aos contribuintes, tribunais e Fazenda Nacional, bem como à própria Receita Federal que já emitiu precipitadamente entendimento sobre qual o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. Ademais, refletindo ainda o art. 27 da Lei 9.868/99 e CPC, tem-se que o STF ainda poderia modular os efeitos da decisão se houvesse excepcional interesse social. Se condicionarmos a modulação ao interesse social, vê-se que modular os efeitos dessa decisão traria prejuízo à sociedade que, por sua vez, espera a segurança jurídica e repele a “surpresa” com uma modulação que nunca foi pedida nos autos anteriormente ao julgamento. Ademais, apenas esclarecendo que não se poderia considerar eventualmente a “crise do país” como interesse social, vez que estaríamos refletindo o interesse do Estado, e não social. E, indiretamente, a economia do país depende das grandes indústrias e dos grandes contribuintes que, por sua vez, poderão ser prejudicados com a modulação temporal “futura” dos efeitos daquela decisão. Sendo assim, com a devida vênia, não concordo com o decidido em acórdão nº 3402-006.217. Relativamente ao 2º posicionamento manifestado através do acórdão 3302- 006.898, refletindo “O montante a ser excluído da base de cálculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal” – entendo que não poderíamos também aplicar Fl. 110DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 9303-008.956 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900011/2012-09 esse entendimento, independentemente de o contribuinte ter ou não obtido trânsito em julgado em sua decisão. Ora, após decisão do STF, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração porque restou, para ela, dúvidas em relação ao ICMS que deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. Se há dúvidas para a Fazenda Nacional, como a Receita Federal do Brasil poderia precipitadamente expor seu entendimento frente a decisão do STF? Então, a Fazenda Nacional tem dúvidas quanto ao ICMS a ser excluído e a Receita Federal não, podendo esse último órgão expor seu entendimento, ainda que o STF ainda não tenha apreciado os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional? Aplicar o entendimento proferido em Solução de Consulta Cosit nº 13/2018 seria ignorar a dúvida suscitada em embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional no STF. Ademais, “juridicamente”, e não economicamente, faz todo o sentido excluir o ICMS destacado na Nota Fiscal de saída, pois esse é o único ICMS que, a rigor, faria parte da receita de venda das mercadorias que, por sua vez, é base de cálculo do PIS e da Cofins. Como excluir um ICMS que não compôs a base de cálculo do PIS e da Cofins – ou seja, a receita de venda? E juridicamente considerar o controle “contábil” para excluir um ICMS “recolhido”, considerando as entradas e saídas naquele período, independentemente de terem tais insumos que geraram o crédito sidos utilizados na mercadoria vendida? E como proporcionalizar o ICMS “recolhido” a ser excluído, considerando os diferentes regimes tributários de PIS e Cofins observados pelos contribuintes? Sendo assim, torna-se, com a devida vênia, desajuizado, aplicar o entendimento proferido em Solução de Consulta. Refletirei sobre o 3º posicionamento ao final desse singelo voto. Quanto ao 4º posicionamento, qual seja, aplicação do sobrestamento do processo até decisão definitiva do RE 574.706/PR, entendo ser ponderada tal decisão, eis que poderá evitar medida judicial – ação anulatória de decisão administrativa – afastando, considerando as decisões favoráveis proferidas no âmbito do judiciário, o pagamento de ônus de Fl. 111DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 9303-008.956 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900011/2012-09 sucumbência pela Fazenda Nacional. Ademais, considerando que atualmente o Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é omisso em relação à possibilidade ou não de se sobrestar processos, é de se considerar o art. 15 do CPC para o colegiado se direcionar por sobrestar esse processo. Eis o art. 15 do CPC: “ Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente.” Sendo assim, tendo previsão legal no CPC pelo sobrestamento, visando a segurança jurídica que tanto merece o contribuinte e a Fazenda Nacional, me direcionaria pelo “sobrestamento” até a apreciação dos embargos de declaração pelo STF. O que concordo com o decidido em acórdão 3402-006.283. Quanto ao 5º posicionamento, qual seja, direcionamento pela conversão de julgamento em diligência - para que a unidade de origem mensure o ICMS a ser excluído, em seu entendimento, da base de cálculo do PIS e da Cofins, entendo ser válida tal proposição, vez que, independentemente da Solução de Consulta Cosit nº 13/2018, não há como saber qual o ICMS que estamos discutindo, bem como qual o posicionamento da unidade de origem e quais os regimes de tributação pelo PIS e Cofins o contribuinte observa. Nesse sentido, considerando diversas interpretações, em respeito ao art. 10 do Decreto 70.235/72, que traz que o auto de infração deverá conter, entre outros, a determinação da exigência, entendo que seria válida a decisão proferida em acórdão 3402-002.174 com o intuito de mensurar o ICMS, pelo entendimento da autoridade fiscal, que deve ser efetivamente excluído. Tal informação seria relevante para, se for o caso, expor o entendimento com mais propriedade, considerando até mesmo diferentes regimes tributários envolvendo as contribuições que o contribuinte possa observar. Por fim, relativamente ao 3º posicionamento, qual seja, aplicação da tese do STF de “forma ampla”, entendo, depreendendo-se da leitura do acórdão consignado por aquele tribunal, ser o mais correto. Naquele acórdão temos (Grifos meus): Fl. 112DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 9303-008.956 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900011/2012-09 “[..] Contudo, é inegável que o ICMS respeita a todo o processo e o contribuinte não inclui como receita ou faturamento o que ele haverá de repassar à Fazenda Pública, 10. Com esses fundamentos, concluo que o valor correspondente ao ICMS não pode ser validamente incluído na base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. [...] 12. Pelo exposto, voto pelo provimento do recurso extraordinário para excluir da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. [...] Proponho como tese do presente julgamento: “O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS”. A posição vencedora considerou, de forma singela, em seus votos, tendo em vista as citações de pareceres de ilustres tributaristas e manifestações pessoais, que não poderia o ICMS ser tributado pelo PIS e Cofins, por não se encartar na natureza de receita. Sendo assim, a meu ver, resta claro que o decidido pelo STF é pela possibilidade de se excluir o ICMS destacado em Nota da base de cálculo do PIS e da Cofins, e não o efetivamente recolhido. Frise-se tal entendimento o voto do Ministro Celso de Melo (Grifos meus): “[...] Concluo o meu voto, Senhora Presidente. E, ao fazê-lo, quero destacar que a orientação, por mim ora referida, que censura, de modo correto, por inconstitucional, a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS (e da contribuição ao PIS) foi assim resumida na lição de ROBERTO CARLOS KEPPLER e de ROBERTO MOREIRA DIAS (“Da Inconstitucionalidade da Inclusão do ICMS na Base de Cálculo da Cofins”, “in” Revista Dialética de Direito Tributário nº 75, p. 178, item n. 4, 2001): “(...) o ICMS não poderá integrar a base de cálculo da Cofins pelos seguintes motivos: (i) o alcance do conceito constitucional de faturamento e receita não permite referida dilação na base de cálculo da exação; (ii) isso Fl. 113DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 9303-008.956 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900011/2012-09 representaria afronta aos princípios da isonomia tributária e da capacidade contributiva; e (iii) o previsto no art. 154, I, da Constituição Federal seria afrontado.” (grifei) Com essas considerações e com apoio em seu magnífico voto, senhora Presidente, conheço e dou provimento ao presente recurso extraordinário interposto pela empresa contribuinte, acolhendo, ainda, a tese formulada por Vossa Excelência no sentido de que “O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS”(grifei). É o meu voto.” É de trazer também o voto do Ministro Marco Aurélio(grifos meus): “[...] Após a tormenta, sempre vem a calmaria. O que inicialmente imaginei foi uma mudança de entendimento do Tribunal quanto à não incidência da contribuição sobre o valor do ICMS. Mas vejo que se confirmaria a óptica do precedente. Digo não ser o ICMS fato gerador do tributo, da contribuição. Digo também, reportando-me ao voto, que, seja qual for a modalidade utilizada para recolhimento do ICMS, o valor respectivo não se transforma em faturamento, em receita bruta da empresa, porque é devido ao Estado. E muito menos é possível pensar, uma vez que não se tem a relação tributária Estado-União, em transferir, numa ficção jurídica, o que decorrente do ICMS para o contribuinte e vir a onerá-lo. Acompanho Vossa Excelência, portanto, provendo o recurso, que é do contribuinte.” Recorda-se ainda a fala do Ministro Ricardo Lewandowski: “[...] Em suma, eu penso que a inclusão do ICMS nas bases de cálculo do PIS e Cofins subverte, sim, o conceito de faturamento ou de receita, em afronta àquilo que dispõe o artigo 195, I, b, da Constituição Federal, como foi, com muita propriedade, a meu ver, e com o devido respeito aos argumentos em Fl. 114DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 9303-008.956 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10980.900011/2012-09 contrário, agora ressaltado pelo Ministro Luiz Fux: o valor corresponde ao ICMS - eu, mais uma vez, repiso esse argumento - não possui a natureza jurídica de faturamento ou de receita. Por esse motivo é que a incidência dessas mencionadas contribuições - o PIS e a Cofins - sobre o tributo estadual fere, como disse o Ministro Celso de Mello num voto brilhante, agora reportado pelo Ministro Luiz Fux, dentre outros princípios, o princípio da capacidade contributiva. Para mim, isso está muito claro, extreme de dúvidas. Portanto, Senhora Presidente, louvando mais uma vez o voto de Vossa Excelência, o cuidado que Vossa Excelência teve em estudar uma matéria intrincada, difícil, eu acompanho integralmente o seu voto, dando provimento ao recurso e acolhendo a tese proposta por Vossa Excelência. Sendo assim, a posição que prevaleceu foi pela exclusão do ICMS destacado na Nota na base de cálculo das contribuições, vez que tal ICMS não se encarta na natureza de receita ou faturamento – que, por sua vez, é base de cálculo do PIS e da Cofins. Importante trazer que pela leitura dos Embargos de Declaração opostos pela Fazenda, a dúvida quanto ao ICMS a ser excluído surgiu através dos votos das posições vencidas naquele Tribunal, tendo em vista que trouxe em diversos momentos trechos dos votos vencidos. O que reforço o direcionamento pela exclusão do ICMS destacado na Nota Fiscal de saída. É o meu voto. (documento assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 115DF CARF MF
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Numero do processo: 10384.901371/2010-87
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO.
A apresentação da DCTF retificadora após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação requerida, não é suficiente, por si só, para reconhecer o direito creditório. Contudo, provado o recolhimento a maior da Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório.
Recurso especial do Procurador negado.
Numero da decisão: 9303-009.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. A apresentação da DCTF retificadora após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação requerida, não é suficiente, por si só, para reconhecer o direito creditório. Contudo, provado o recolhimento a maior da Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório. Recurso especial do Procurador negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 13 71 /2 01 0- 87 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10384.901371/201087 Acórdão n.º 9303009.228 CSRFT3 Fl. 3 2 Tratase de recurso especial do Procurador (fls. 80/99), admitido pelo despacho de fls. 101/102. Insurgese contra o Acórdão 3301001.849 (fls. 74/78), de 22/05/2013, o qual foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório. A apresentação da DCTF retificadora somente após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação requerida, não é suficiente, por si só, para descaracterizar o direito creditório. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Em suma, entende a recorrente que não pode ser permitida a entrega de PER/DCOMP retificadora após o despacho decisório, acostando 2 paradigmas que vão ao encontro de sua tese. O de nºs. 10517143, de 13/08/2008, e o 1803001.157, assim ementados, respectivamente: Acórdão de nº 10517143 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2002, 2003 LIMITES DA LIDE INOVAÇÃO DIREITO CREDITÓRIO NÃO EXPRESSO NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Não cabe a análise de eventual direito creditório correspondente a saldo negativo de IRPJ apurado por empresa incorporada pela recorrente, se esse pleito não restou expresso e demonstrado desde o início, quando da apresentação da declaração de compensação. A alegação, trazida por ocasião da manifestação de inconformidade, constitui inovação na lide. Assim, correta a decisão recorrida, que dela não conheceu. Nº Acórdão 180300.157 ... PRECLUSÃO. NOVOS DOCUMENTOS. Conforme disposto no art. 16, § 4° do Decreto n° 70.235/72, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito do impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto nos casos expressos no dispositivo, devendo a requerente comprovar estar abrigada em uma das exceções.” Aduz a Fazenda que os paradigmas atestam que não pode ser retificada a DCOMP após despacho decisório no sentido de se inovar no pedido de compensação pela Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10384.901371/201087 Acórdão n.º 9303009.228 CSRFT3 Fl. 4 3 indicação de crédito distinto do inicialmente apontado. Entende que não se pode admitir que um suposto crédito, não informado à Administração tributária no momento oportuno, ou seja, até a ciência do despacho decisório que negou a homologação das compensações, sob a pecha de tratarse de erro material, seja admitido em momento tão tardio do processo, sem que tal tema tenha sido objeto de análise pela DRF responsável pela análise do pleito. E conclui que a "declaração de compensação apresentada sem que o respectivo crédito que a lastreie seja comprovado desde logo, vindo apenas a ocorrer após a ciência do despacho decisório não pode ser aceita uma vez que constitui inovação à lide sendo situação nova que não estava em discussão quando da análise inicial da existência do crédito". Enfim, alega que por analogia deve ser aplicado o art. 16, § 4º do Decreto 70.235/72, precluindo o direito de produção de provas após a impugnação. Pede, ao final, o provimento do recurso para restabelecer in totum a decisão de primeira instância. Cientificado, o contribuinte não ofertou contrarrazões É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso nos termos em que foi processado. A jurisprudência desta Turma é uníssona no sentido de que a mera entrega de DCTF retificadora em pedido de restituição, desacompanhada de provas do efetivo indébito, não é, por si só, suficiente para comprovação do crédito. Vejase a ementa do Acórdão 9303 005.708, de 19/10/2017, de relatoria do Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2001 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Contudo, no caso em comento, embora a retificadora tenha sido apresentada após o despacho decisório, o relator encontrou nos autos provas a indicar o direito creditório do contribuinte, desta forma convalidando a DCTF retificadora, e, constatada a certeza e liquidez do crédito, reconheceu o direito creditório. Entendo que o aresto recorrido perfilhou o entendimento desta Turma, pois consignou que a simples entrega da DCTF retificadora não é suficiente para reconhecer o crédito desde que desacompanhada de outros elementos de prova a dar convicção ao julgador Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10384.901371/201087 Acórdão n.º 9303009.228 CSRFT3 Fl. 5 4 da existência daquele. Vejase a motivação do recorrido, de lavra do Conselheiro Andrada Canuto Natal: Está demonstrado nos autos que efetivamente o contribuinte está sujeito ao regime cumulativo na apuração da Cofins. Verificase na cláusula segunda do Contrato Social da recorrente que o objeto da sociedade é “ensino de Préescolar e Primeiro grau”. Conforme art. 10, inc. XIV da Lei 10833/2003, abaixo parcialmente transcrito, não se aplicam as regras do regime não cumulativo de apuração da Cofins às receitas decorrentes de prestação de serviços de educação infantil, ensinos fundamental e médio e educação superior. Art. 10 – Permanecem sujeitas às normas da legislação da Cofins, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: .... XIV as receitas decorrentes de prestação de serviços de educação infantil, ensinos fundamental e médio e educação superior. Está também demonstrado nos autos que o valor de R$ 15.050,18 recolhido por meio de DARF, com código 2172, referente ao período de apuração de março/2005 foi calculado com a aplicação da alíquota de 7,6%. A análise da ficha 17B do Dacon, fl. 37, não deixa margem de dúvida quanto a este fato. Portanto está comprovado nos autos que o contribuinte deveria recolher a título de Cofins relativo ao fato gerador de março/2005, o valor de R$ 6.220,33. Considerando que o valor pago foi de R$ 15.050,18, então o valor da diferença, R$ 8.829,85, configurase como valor pago a maior ou indevidamente e é justamente este o valor indicado como crédito no PER/DCOMP, fl. 17. ... O simples erro no preenchimento da DCTF não pode ser elemento suficiente para afastar o direito à restituição de tributo pago a maior indevidamente, assim como não pode resultar em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Desta forma, o direito à repetição do indébito não está vinculado à apresentação ou não de DCTF retificadora. De sorte que não há óbice legal para a retificação da DCTF antes ou após a emissão do despacho decisório, sendo relevante a comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com o art. 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional), como ocorreu nestes autos administrativos. O que vimos decidindo nesta C. Turma é que o ônus da prova em relação ao erro de preenchimento de DCTF é todo do contribuinte, devendo ele, na primeira oportunidade em que se manifestar nos autos fazer prova nesse sentido, sob pena de preclusão, aí sim! Isso Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10384.901371/201087 Acórdão n.º 9303009.228 CSRFT3 Fl. 6 5 porque a manifestação de inconformidade, in casu, é análoga à impugnação no rito do Decreto 70.235/72, momento da preclusão temporal, em atendimento ao princípio da concentração, da eventualidade, da produção probatória. Como já decidimos em variados julgados, nada obsta à retificação das DCTF, mesmo que efetuada após o despacho decisório em se tratando de PER/DCOMP1, mas, porém, ela, a retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar o alegado indébito ou outro equívoco em seu preenchimento. Vejase, a propósito, decisão unânime no Acórdão 9303 006.937, de 13/08/2018, de relatoria da Dra. Érika Costa Camargo Autran: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo,a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. O decidido no Acórdão 9303007.458, de 20/09/2018, de minha relatoria, perfilhou mesmo entendimento. Vejase sua ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDA O PLEITO. Cabe ao interessado a prova dos fatos constitutivos de seu direito em pedido de ressarcimento, cumulado ou não com declaração de compensação. No sentido ora esposado, decidimos em situação análoga, à unanimidade, em relação ao mesmo contribuinte no Acórdão 9303008.139, de 21/02/2019. Dessarte, entendo que deva ser mantido o aresto recorrido em toda sua extensão. DISPOSITIVO 1 Nesse sentido, Acórdão 9303006.977, de 13/06/2018, de relatoria do Dr. Rodrigo Pôssas, em que a recorrente igualmente era parte: DCTF. RETIFICAÇÃO. IMPEDIMENTO. INEXISTÊNCIA. Inexiste impedimento à retificação da DCTF, ainda que efetuada e transmitida depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório que não reconheceu a certeza e liquidez do crédito financeiro reclamado. DCTF RETIFICADORA. CRÉDITO FINANCEIRO. CERTEZA E LIQUIDEZ. FALTA DE COMPROVAÇÃO. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Demonstrado e provado que a DCTF retificadora não comprovou o indébito reclamado pelo contribuinte, ou seja, a certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado na compensação, mantémse a não homologação da Dcomp. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10384.901371/201087 Acórdão n.º 9303009.228 CSRFT3 Fl. 7 6 Em face do exposto, conheço do recurso especial do Procurador, mas nego lhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10384.901371/201087 Acórdão n.º 9303009.228 CSRFT3 Fl. 8 7 Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001094/2008-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA.
Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
Numero da decisão: 9303-008.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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BASE DE CÁLCULO DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 10 94 /2 00 8- 61 Fl. 371DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-008.994 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.001094/2008-61 Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o acórdão nº 3402-00.955, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso, consignando a seguinte ementa: “NORMAS REGIMENTAIS. SÚMULA ADMINISTRATIVA. ORBIGATORIEDADE DE ADOÇÃO. Nos termos do § 4º do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, é obrigatória a aplicação de entendimento consolidado em Súmula Administrativa dos Conselhos de Contribuintes por ele substituídos. NORMAS PROCESSUAIS. EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA ADMINISTRATIVA Nº 02. Nos termos de Súmula aprovada em sessão plenária datada de 18 de setembro de 2007, “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária”. NORMAS TRIBUTÁRIAS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE SALDO CREDOR DE ICMS. Por expressa disposição legal (art. 17 da Lei 11.945/2009) a cessão onerosa de crédito de ICMS decorrente de exportações, autorizada pelo art. 25 da Lei Complementar 87/96, configura receita que deve ser incluída pelo detentor original do crédito na base de cálculo da contribuição devida na forma não cumulativa até 31 de dezembro de 2008. ” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, ressurgindo com as seguintes discussões: Inclusão na base de cálculo das contribuições das receitas decorrentes da cessão onerosa a terceiros dos saldos credores de ICMS decorrente da exportação; Efeitos dos arts. 16 e 17 da Lei 11.945/09 e sua aplicação retroativa; e Mudança de fundamento jurídico. Fl. 372DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-008.994 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.001094/2008-61 Em Despacho às fls. 323 a 328, foi dado seguimento parcial unicamente em relação à divergência quanto à inclusão na base de cálculo das contribuições das receitas decorrentes da cessão onerosa a terceiros dos saldos credores de ICMS decorrente da exportação. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, requerendo que seja negado seguimento ao recurso. Agravo foi interposto pelo sujeito passivo contra o despacho que negou seguimento em parte das discussões trazidas pelo contribuinte, sendo indeferido em despacho às fls. 360 a 362. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Relatora. Depreendendo-se da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecê-lo, eis que atendidos os requisitos dispostos no art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Quanto à lide trazida em recurso, recordo que essa turma já apreciou essa matéria – o que reflito o acórdão 9303-006.890, que consignamos a seguinte ementa: “CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.” Fl. 373DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-008.994 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.001094/2008-61 Ora, já houve decisão proferida no Recurso Extraordinário n° 606.107/RS que restou assim ementado: “IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestar-lhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, trata-se de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos, imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. Fl. 374DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-008.994 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.001094/2008-61 V O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuida-se de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditar-se do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificam-se como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário Fl. 375DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-008.994 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11065.001094/2008-61 conhecido e não provido, aplicando-se aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Constata-se que a decisão proferida no RE 606.107/RS, em sede de repercussão geral, deve ser aplicada de acordo com o disposto no RICARF: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Em vista de todo o exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 376DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.939099/2008-26
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. FORNECEDOR OPTANTE PELO SIMPLES NACIONAL. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, não é devido o crédito sobre aquisições de produtos de estabelecimento optantes pelo SIMPLES FEDERAL.
Numero da decisão: 3003-000.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado digitalmente
Marcos Antônio Borges - Presidente.
Assinado digitalmente
Márcio Robson Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. FORNECEDOR OPTANTE PELO SIMPLES NACIONAL. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, não é devido o crédito sobre aquisições de produtos de estabelecimento optantes pelo SIMPLES FEDERAL.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente Marcos Antônio Borges - Presidente. Assinado digitalmente Márcio Robson Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-09T20:40:45Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-09T20:40:45Z; Last-Modified: 2019-08-09T20:40:45Z; dcterms:modified: 2019-08-09T20:40:45Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-09T20:40:45Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-09T20:40:45Z; meta:save-date: 2019-08-09T20:40:45Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-09T20:40:45Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-09T20:40:45Z; created: 2019-08-09T20:40:45Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-08-09T20:40:45Z; pdf:charsPerPage: 1581; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-09T20:40:45Z | Conteúdo => S3-TE03 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15374.939099/2008-26 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3003-000.406 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 18 de julho de 2019 Recorrente ENGESYSTEMS SISTEMAS DE ARMAZENAGENS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. FORNECEDOR OPTANTE PELO SIMPLES NACIONAL. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, não é devido o crédito sobre aquisições de produtos de estabelecimento optantes pelo SIMPLES FEDERAL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente Marcos Antônio Borges - Presidente. Assinado digitalmente Márcio Robson Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Replico o relatório utilizado pela DRJ para retratar os fatos. Trata o presente processo das DCOMPs de n°s 33056.91329.290704.1.3.01-1349 (DCOMP com informação do crédito, cópia às fls. 02 a 32) e _ 20715.68365.281l06.l.7.0l-9576, no valor total de R$ 28.615,71, que utilizaram como lastro das compensações declaradas saldo credor do IPI apurado no 1° trimestre de 2004. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 93 90 99 /2 00 8- 26 Fl. 275DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.406 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.939099/2008-26 A verificação da legitimidade dos créditos alegados foi efetuada por processamento eletrônico, cujos resultados estão consolidados nos demonstrativos de fls. 48/50. Foram glosados créditos oriundos de aquisições efetuadas perante: a) estabelecimentos com cadastros cancelados no CNPJ (motivo 4); b) empresas optantes do Simples (motivo 7). Em virtude das constatações acima foi reconhecido à contribuinte o direito creditório no montante de R$ 17.332,71. Esse valor foi utilizado para homologar, parcialmente, as compensações declaradas vinculadas ao crédito sob análise, restando a exigência do débito discriminado no quadro 3 do Despacho Decisório (fl. 79). A contribuinte apresentou a manifestação de inconforrnidade de fls. 37/40, por intermédio da qual discorda do deferimento parcial de seu pleito. Em resumo, a Manifestante apresentou as seguintes alegações: i. quanto às aquisições efetuadas perante estabelecimentos com CNPJ cancelado (motivo 4), houve um erro material na informação prestada na DCOMP, 'sendo que as aquisições foram efetuadas perante os estabelecimentos cadastrados sob os números 02.737.015/0003-24 e 33.611.500/0099-22; ii. quanto aos créditos relativos às aquisições de empresas optantes do Simples (motivo 7), o IPI foi creditado com amparo no art. 148 do RIPI/98, que permite o crédito de não- contribuintes, na forma estabelecida naquele artigo, não importando se o fornecedor é, ou não, optante do Simples. É o relatório, no essencial. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 09-31.089 com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 RESSARCIMENTO. GLOSA. ERRO DE PREENCHIMENTO. Deve ser restabelecido O crédito cujo motivo da glosa foi O cancelamento do cadastro, perante O CNPJ, do estabelecimento informado como emitente da nota fiscal, quando comprovada a regularidade da inscrição, nesse cadastro, do verdadeiro emitente do documento fiscal. RESSARCIMENTO. GLOSA. EMPRESA EMITENTE OPTANTE DO SIMPLES. Não existe direito a crédito do IPI nas aquisições de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem efetuadas perante empresa optante do Simples, em decorrência da disposição do § 5° do artigo 5° da Lei 9.317, de 1996. RESSARCIMENTO. GLOSA. CRÉDITO DE COMERCIANTE ATACADISTA NÃO CONTRIBUINTE. ` O direito ao crédito do IPI estabelecido pelo artigo 165 do RIPI/2002 se destina às aquisições de insumos efetuadas perante comerciantes atacadistas não-contribuintes, não alcançando as aquisições efetuadas perante comerciantes varejistas. Fl. 276DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.406 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.939099/2008-26 Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, devolvendo para julgamento as matéria relativa ao cabimento do creditamento, com base no art. 165 do Regulamento do IPI, nas operações onde o remetente das mercadorias é optante pelo Simples, ou inscrito no CNPJ na condição de comerciante varejista. É o Relatório. Voto Conselheiro Márcio Robson Costa, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo à análise do mérito. A problemática proposta refere-se a glosa do pedido de ressarcimento de créditos referentes ao IPI sobre os produtos adquiridos de empresas optantes do regime SIMPLES FEDERAL e também de empresas cujo CNPJ esta cadastrado como empresa varejista, mas que, conforme alegado pela recorrente, exerceu operação de venda a atacado. O regime SIMPLES FEDERAL tem a tributação do IPI diferenciada, não seguindo as alíquotas dispostas na TIPI e sim, um acréscimo de percentual na alíquota aplicada sobre a receita bruta, sendo assim, a tributação já é favorecida e não há que se falar em sistemas de débitos e créditos, que só é aplicada na forma normal de tributação. Assim dispunha a Lei nº 9.317, de 1996: Art. 5º O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: § 5º - A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos ao IPI e ao ICMS. § 6º - O disposto no parágrafo anterior não se aplica relativamente ao ICMS, caso a Unidade Federada em que esteja localizada a microempresa ou empresa de pequeno porte não tenha aderido ao SIMPLES, nos termos do art. 4º. (g.n). Importante destacar que o Contribuinte pretende se beneficiar do IPI do período que compreende entre 01/04/2004 a 30/06/2004, sendo certo que nessa ocasião vigorava a Lei n.º9.317 de 1996, não cabendo dúvidas quanto a sua obrigatória aplicabilidade. Desta feita ao optar pelo Simples, o contribuinte fica sujeito à forma diferenciada de tributação, inclusive quanto ao IPI, sendo lhe vedado a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos ao IPI. A LC nº 123/2006 revogou a Lei nº 9.317/96, porém manteve a vedação ao crédito na aquisição de fornecedores optantes pelo SIMPLES: Fl. 277DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.406 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.939099/2008-26 Art.23. As microempresas e as empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional não farão jus à apropriação nem transferirão créditos relativos a impostos ou contribuições abrangidos pelo Simples Nacional. O Decreto n.º 4.544 de 2002 1 , deixa claro nos seus artigos 165 e 166 quanto a impossibilidade do ressarcimento que o contribuinte pretende, seja por ser o fornecedor das matérias-primas optante do Regime Simples Federal, seja por ser empresa varejista. Vejamos a letra da lei: Art. 165. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão, ainda, creditar-se do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos de comerciante atacadista não-contribuinte, calculado pelo adquirente, mediante aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto, sobre cinqüenta por cento do seu valor, constante da respectiva nota fiscal (Decreto-lei nº 400, de 1968, art. 6º). Art. 166. As aquisições de produtos de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES, de que trata o art. 117, não ensejarão aos adquirentes direito a fruição de crédito de MP, PI e ME (Lei nº 9.317, de 1996, art. 5º, § 5º).(grifei) Nesse contexto o voto ora recorrido, esta correto, nos termos restritos da lei, pois este também é o entendimento reafirmado pela Receita Federal que ao ser consultada a respeito da matéria emitiu solução de consulta, Cosit nº74,de23 de janeiro de 2017, com a seguinte conclusão: (...) 17. Destarte, não reconheço eficácia à parte da consulta relativa à primeira e à quarta indagação, e concluo, quanto a outra parte, que ela deve ser solucionada mediante a declaração: 17.1. de que o estabelecimento industrial e o que lhe é equiparado podem creditar-se do imposto relativo a matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem adquiridos de comerciante atacadista não contribuinte, calculado mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto sobre 50% (cinquenta por cento) do valor indicado na respectiva nota fiscal, exceto se tais insumos, sabidamente, destinarem-se a emprego na industrialização de produtos não tributados - compreendidos aqueles com notação "NT" na TIPI, os imunes e os que resultem de operação excluída do conceito de industrialização, ou forem adquiridos de estabelecimento optante pelo Simples Nacional; e Colaborando com esse mesmo entendimento o acórdão n.º 3301-004.177, de relatoria da conselheira Semíramis de Oliveira Duro, que assim proferiu seu voto: Ementa CRÉDITO. APROVEITAMENTO. OPTANTES DO SIMPLES NACIONAL E FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o aproveitamento de crédito do IPI relativamente a aquisições de empresas optantes do Simples, nas modalidades “Simples Federal” e “Simples Nacional”. Voto "A vedação ao creditamento em relação a aquisições de empresas optantes do Simples está prevista não só na Lei n° 9.317, de 1996, como também no Regulamento do IPI. 1 Regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI. Revogado pelo Decreto nº 7.212, de 2010 Fl. 278DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.406 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.939099/2008-26 Os estabelecimentos optantes do Simples não podem efetuar a transferência de créditos relativos ao imposto, o que inclui o seu destaque em nota fiscal, para aproveitamento do adquirente contribuinte do IPI. Prosseguindo, no que se refere a alegação de que os créditos glosados em virtude da empresa ser cadastrada como varejista e ter exercido operação de atacadista no momento em que forneceu matéria-prima à Recorrente, destaco trecho do voto da DRJ que demonstra a dinâmica dos fatos. Vejamos: Embora a LANSA tenha apresentado a DIPJ 2005, ano-calendário 2004, com tributação pelo Lucro Real (fl. 90), as informações cadastrais da Receita Federal informam que nesse ano (2004) a empresa ainda era optante do Simples (fl. 92, verso), o que necessitaria aprofundar a pesquisa para ter certeza sobre a opção da empresa nesse ano calendário. Entretanto, tal pesquisa toma-se desnecessária, pois, mesmo que a empresa (LANSA) não tenha sido optante do Simples no ano-calendário de 2004, ainda assim não existe direito ao aproveitamento de crédito do IPI pela Engesystems. Isso porque, como a LANSA é não-contribuinte do IPI, o direito ao crédito só seria possível com amparo no artigo 165 do RIPI/2002, anteriormente transcrito. Ocorre que as condições estabelecidas pelo artigo em pauta para o direito ao crédito são: “imposto relativo a MP, PI e ME, adquiridos de comerciante atacadista não-contribuinte Frise-se: comerciante atacadista. Consulta ao sistema CNPJ atesta que a empresa LANSA não é comerciante atacadista. Ao contrário, é comerciante varejista, o que desatende ao prescrito na legislação (fls 91 e 93). Ademais, em consulta ao CNPJ da empresa Lansa, ela permanece como varejista. Desta forma, não há como atribuir conotação de empresa atacadista a empresa que se declara varejista desde sua concepção e no que se refere a sua opção pelo regime SIMPLES FEDERAL, somente ocorreu alteração após o período de apuração aqui discutido. Conclui-se, portanto, que a glosa do pedido de ressarcimento esta amparada na Lei, não havendo margem para alteração do que foi julgado pela DRJ. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. É o meu entendimento Márcio Robson Costa - Relator Fl. 279DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.727503/2015-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010
PIS/COFINS. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. PROCEDÊNCIA.
É cabível a aplicação da multa isolada de 50%, calculada sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada.
INCONSTITUCIONALIDADE. SUMULA CARF Nº 2
Não compete ao julgador administrativo analisar questões relativas à constitucionalidade de norma tributária.
NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do PAF.
Numero da decisão: 3401-006.133
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, devendo a unidade preparadora da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) alastrar ao presente processo os impactos decorrentes dos processos referentes às glosas de crédito.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: Tiago Guerra Machado
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 PIS/COFINS. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. PROCEDÊNCIA. É cabível a aplicação da multa isolada de 50%, calculada sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada. INCONSTITUCIONALIDADE. SUMULA CARF Nº 2 Não compete ao julgador administrativo analisar questões relativas à constitucionalidade de norma tributária. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do PAF.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, devendo a unidade preparadora da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) alastrar ao presente processo os impactos decorrentes dos processos referentes às glosas de crédito. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 PIS/COFINS. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. PROCEDÊNCIA. É cabível a aplicação da multa isolada de 50%, calculada sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada. INCONSTITUCIONALIDADE. SUMULA CARF Nº 2 Não compete ao julgador administrativo analisar questões relativas à constitucionalidade de norma tributária. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do PAF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, devendo a unidade preparadora da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) alastrar ao presente processo os impactos decorrentes dos processos referentes às glosas de crédito. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 75 03 /2 01 5- 16 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10120.727503/201516 Acórdão n.º 3401006.133 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ, que manteve o lançamento de multa isolada decorrente da não homologação de créditos relativos ao PIS/COFINS, na modalidade não cumulativa. Diante da decisão de primeiro grau, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a esse Tribunal administrativo, reprisando as teses da impugnação, na qual, que, em síntese, alega nulidade do lançamento em vista de que a multa isolada prevista no §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 "não se conforma com o direito de petição inserto no art. 5ª, inciso XXXIV, alínea "a", da CF/1988" e requer que o referido dispositivo (§17 do art. 74) seja interpretado segundo a Constituição. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº. 3401006.125, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10120.727613/201570. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.125): "Da Preliminar de Nulidade O Recurso Voluntário se insurge contra o entendimento da decisão de primeiro grau que manteve o lançamento, alegando nulidade. Contudo, não merece prosperar as alegações da Recorrente. O art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal (PAF), prevê as hipóteses de nulidade do lançamento: Art.59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso, o pleito de nulidade suscitado pela Recorrente se baseia em hipótese distinta: não está a se falar de incompetência Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10120.727503/201516 Acórdão n.º 3401006.133 S3C4T1 Fl. 4 3 ou ainda em cerceamento de defesa, mas em argumento que objetiva afastar a aplicação de norma vigente sob razão de suposta inconstitucionalidade, o que tampouco é possível de ser acolhido por esse Colegiado em virtude da obediência à Súmula CARF nº 2. Assim, nego provimento à alegação de nulidade. Assim, inexistindo mais alegações de fato e de direito quanto ao lançamento efetuado, é cabível a aplicação da multa isolada de 50%, calculada sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada. Por outro lado, é de se reconhecer de ofício, diante da conexão com o PAF 10120.720057/201420, que o valor lançado no presente deve ser revisto proporcionalmente à reforma decorrente do reconhecimento parcial dos créditos glosados naquele processo. Em vista do exposto, conheço do Recurso Voluntário, porém negolhe provimento, devendo a unidade preparadora da RFB alastrar ao presente processo os impactos decorrentes do processo referente às glosas de crédito." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do Recurso Voluntário, porém negarlhe provimento, devendo a unidade preparadora da RFB alastrar ao presente processo os impactos decorrentes do processo referente às glosas de crédito. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.002822/2006-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004
NULIDADE.
Devidamente comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas previstas na legislação, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
CONSTITUCIONALIDADE.
A autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre a constitucionalidade ou legalidade de leis.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Os valores depositados em instituições financeiras, de origem não comprovada pelo contribuinte, passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos, a partir de 01/01/1997.
Numero da decisão: 2201-005.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 NULIDADE. Devidamente comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas previstas na legislação, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. CONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre a constitucionalidade ou legalidade de leis. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os valores depositados em instituições financeiras, de origem não comprovada pelo contribuinte, passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos, a partir de 01/01/1997.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
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Devidamente comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas previstas na legislação, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. CONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre a constitucionalidade ou legalidade de leis. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os valores depositados em instituições financeiras, de origem não comprovada pelo contribuinte, passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos, a partir de 01/01/1997. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 28 22 /2 00 6- 31 Fl. 408DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.355 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.002822/2006-31 Trata-se de Recurso Voluntário de fls. fls. 383/400, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, de fls. 366/377, a qual julgou procedente em parte o lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física - IRPF, anos-calendários: 2001, 2002, 2003, 2004. Peço vênia para transcrever o relatório produzido na decisão recorrida: O presente processo que ostenta como última página a de n° 141 trata de auto de infração de fls. 93/99, para cobrança de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física Exercício 2006, ano-calendário 2005, no valor de R$ 173.008,26 (cento e setenta e três mil, oito reais e vinte e seis centavos), mais multa de ofício de 75% e juros de mora, calculados de acordo com a legislação pertinente. A autuação decorreu de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo, tendo sido constatada a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Às fls. 86/92, é acostado o Termo de Verificação e Constatação da Ação Fiscal, onde a fiscalização relata circunstanciadamente os fatos. Da Impugnação O contribuinte, intimado em 12/12/2006 (fl. 276), às fls. 279 a 303, impugna total e tempestivamente o auto de infração, e fazendo, em síntese, as alegações a seguir descritas. a) os valores depositados não se constituem em proventos ou rendimentos próprios do contribuinte e que, embora fosse o titular da conta, tais valores eram provenientes de doações e subvenções efetuadas por filiados e simpatizantes do partido político ao qual o impugnante é filiado e exerce atividades administrativas como membro do diretório regional; b) mencionados valores foram integralmente aplicados para atender a finalidade precípua de divulgar informações, efetuar publicações e promover inserções em jornais, revistas e periódicos de material de propaganda e ideológico do partido de filiação do contribuinte; c) assim, há erro na identificação do sujeito passivo, pelo fato de se ter considerado como rendimentos e proventos do impugnante aquele da entidade jurídica para a qual o mesmo trabalha; d) há ainda erro de cálculo na apuração do imposto como demonstrado à fl. 11; e) contesta a utilização dos dados da CPMF para apuração do imposto; f) os partidos políticos gozam de imunidade tributária e, no caso, o contribuinte é filiado ao partido político e está investido de atribuições de caráter administrativo e, para executá-las, utiliza-se dos recursos provenientes das doações depositadas ou creditadas na referida conta corrente, as quais se constituem em receita do mencionado partido político. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente em parte a autuação, conforme ementa abaixo (fl. 366): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. Fl. 409DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.355 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.002822/2006-31 CONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre a constitucionalidade ou legalidade de leis. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 01/01/1997, os valores depositados em instituições financeiras, de origem não comprovada pelo contribuinte, passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos. MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. Aplica-se retroativamente a lei que comine penalidade mais branda, em vista do princípio da retroatividade benigna. Reduziu a multa ao percentual de 50%: De acordo com o artigo 106, inciso II, alínea "c" do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato pretérito, não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Desta forma, a multa isolada aplicada no percentual de 75% deve ser reduzida para o percentual de 50%. Da parte procedente transcrevo o seguinte trecho: 2. No mérito, julgar procedente em parte o lançamento: Mantendo o imposto no valor de R$ 1.109.618,75, acrescido da multa de oficio e dos juros de mora; Mantendo a multa exigida isoladamente no valor de R$1.745,72, conforme demonstrativo a seguir: Do Recurso Voluntário O Recorrente, devidamente intimado da decisão da DRJ em 05/06/2008, apresentou o recurso voluntário de fls. 383/400, em que praticamente repete os argumentos apresentados em sede de impugnação. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, Relator. O Recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e, portanto, dele conheço. Da Utilização de Extratos Bancários para Constiuição do Crédito Tributário As normas que a recorrente entende violadas já foram objeto de análise por este Egrégio CARF: Numero do processo: 10240.001875/2007-34 Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção Câmara: Segunda Câmara Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 BRT 2016 Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 BRT 2016 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003 PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO. FALTA DE ACOMPANHAMENTO DO PROCESSO DE LANÇAMENTO. NULIDADE. Fl. 410DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.355 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.002822/2006-31 INEXISTÊNCIA. O Fisco não está obrigado a participar o sujeito passivo de todos os atos necessários ao procedimento fiscalizatório em razão do caráter inquisitório de tal procedimento. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A multa cabível no lançamento de ofício decorre de estrita previsão legal, sendo sua aplicação dever da autoridade lançadora. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. COMPATIBILIDADE COM AS DISPOSIÇÕES CODICISTAS. Não a incompatibilidade da Lei nº 8.981/95 com as disposições do artigo 161, § 1º do CTN. Precedentes judicais e administrativos. Inteligencia da Súmula CARF nº 4. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA RFB. CONSTITUCIONALIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/01. RETROATIVIDADE DA LEI Nº 10.174/01. POSSIBILIDADE. O Pleno do STF reconheceu a constitucionalidade das disposições da Lei Complementar nº 105/01 e a aplicação retroativa das disposições da Lei nº 10.174/01, quando do julgamento do RE 601314/SP, com repercussão geral reconhecida, em conjunto com as ADI's 2859, 2390, 2386 e 2397. Aplicação ao caso concreto das disposições constantes do artigo 62 do RICARF. Numero da decisão: 2201-003.300 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer da questão levantada da tribuna por não se tratar de matéria de ordem pública. Vencidos os Conselheiros Ana Cecília Lustosa da Cruz, Carlos César Quadros Pierre e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz. Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Extraio trechos do voto, que servirão como razão de decidir: O recorrente se insurge contra o lançamento com base na disposições da Lei Complementar nº 105, quanto mais quanto a sua aplicação retroativa. Em que pese as considerações feitas acima, deve-se recordar que em recentíssimo julgamento, ocorrido em 24 de fevereiro passado, examinando as Ações Declaratórias de Inconstitucionalidade, ADI's 2859, 2390, 2386 e 2397, além do Recurso Extraordinário (RE) 601314 SP, este sob o rito da repercussão geral, o Pleno do STF decidiu pela constitucionalidade das disposições da Lei Complementar nº 105/01. Consulta ao sitio do Supremo Tribunal Federal ( ), contém a decisão final proferida no curso da ADI 2390, representativa do entendimento da Corte Suprema: Decisão Final Após o relatório e as sustentações orais, pelo requerente Partido Social Liberal PSL, do Dr. Wladimir Reale, e, pela Advocacia Geral da União, da Dra. Grace Maria Fernandes Mendonça, Secretária Geral de Contencioso, o julgamento foi suspenso. Presidência do Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário,17.02.2016 Após o voto do Ministro Dias Toffoli (Relator), que conhecia da ação e a julgava improcedente, no que foi acompanhado pelos Ministros Edson Fachin, Teori Zavascki, Rosa Weber e Cármen Lúcia; o voto do Ministro Roberto Barroso, que acompanhava em parte o Relator, conferindo interpretação conforme ao art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, para estabelecer que a obtenção de informações nele prevista depende de processo administrativo devidamente regulamentado por cada ente da federação, em que se assegure, tal como se dá com a União, por força da Lei Fl. 411DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.355 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.002822/2006-31 nº 9.784/99 e do Decreto nº 3.724/2001, no mínimo as seguintes garantias: a) notificação do contribuinte quanto à instauração do processo e a todos os demais atos; b) sujeição do pedido de acesso a um superior hierárquico do requerente; c) existência de sistemas eletrônicos de segurança que sejam certificados e com registro de acesso, d) estabelecimento de mecanismos efetivos de apuração e correção de desvios; e o voto do Ministro Marco Aurélio, que dava interpretação conforme aos dispositivos impugnados de modo a afastar a possibilidade de acesso direto aos dados bancários pelos órgãos públicos, o julgamento foi suspenso. Impedido o Ministro Gilmar Mendes. Ausente, justificadamente, o Ministro Luiz Fux. Presidência do Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 18.02.2016. O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, julgou improcedente o pedido formulado na ação direta, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Reajustou o voto o Ministro Roberto Barroso para acompanhar integralmente o Relator. Impedido o Ministro Gilmar Mendes. Ausente, justificadamente, a Ministra Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 24.02.2016." (destaques não são originais) Mister realçar que o RE 601.314/SP, expressamente, versa sobre a possibilidade de aplicação dos dispositivos constantes da Lei Complementar para fato pretéritos a sua edição, além da da quebra de sigilo bancário pelo Fisco, mesmo tema da ADI 2390. São os termos da decisão proferida no mencionado recurso extraordinário submetido a sistemática da repercussão geral: "O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Ausente, justificadamente, a Ministra Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 24.02.2016." (negritamos e sublinhamos) Ora, a clareza da decisão tomada pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, no curso de ação declaratório de inconstitucionalidade, e no âmbito de um recurso extraordinário com repercussão geral, extingue de maneira definitiva qualquer dúvida sobre a lisura e legalidade do procedimento fiscal relativo a requisição às instituições financeiras dos dados referente a movimentação financeira dos contribuintes, quando tomados nos termos da Lei 10.174/01 e do Decreto nº 3724/01, com suas alterações posteriores. Importantíssimo ressaltar que, no caso em apreço, houve o cumprimento das disposições constantes do Decreto nº 3724/01, especialmente quanto à exigência da existência de procedimento fiscalizatório prévio a requisição dos dados bancários e da indispensabilidade de tal solicitação, consoante se observa no Relatório Fiscal, especificamente nas páginas 181 (quanto a existência prévia do MPF e da intimação de apresentação dos documentos), página 182 quanto à reintimação; e de número 183 quanto à negativa de atendimento das intimações e a consequente necessidade da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira. Logo, nego provimento ao recurso também nessa parte Por considerar que: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos Fl. 412DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.355 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.002822/2006-31 do artigo 144, §1º, do CTN”, tese defendida pelo fisco e que prevaleceu perante o Supremo Tribunal Federal, não há que se falar em ofensa ao sigilo bancário, nem mesmo que a norma feriria a irretroatividade das normas. Antes de mesmo da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, este Egrégio CARF já havia editado súmula: Súmula CARF nº 35 O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Sendo assim, não há o que prover quanto a este ponto. Do Lançamento Efetuado Apenas com Base em Depósitos Bancários Os depósitos bancários sem origem comprovada ou sem a devida comprovação configura presunção legal de omissão de rendimentos, nos termos do disposto no artigo 42 e parágrafos da Lei nº 9.430/96. Lei n° 9.430/1.996: "Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I — os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II — no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil Reais). (art. 42, § 3°, II, da Lei n° 9.430/1996 c/c art. 4° da Lei n°9.481, de 13/08/1997)." Os arts. 1º a 3º, e §§, da Lei n° 7.713/1.988, dispõem sobre a tributação de rendimentos, nos seguintes termos: "Art. 1° Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 20 O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9° a 14 desta Lei. § 1° Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os Fl. 413DF CARF MF https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portaria-383.pdf Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.355 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.002822/2006-31 proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2° Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerando-se como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3° Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4° A tributação independe da denominarão dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título." Por outro lado, o Processo Administrativo Tributário é do tipo que comporta a produção de provas iuris tantum, ou seja, a fim de ilidir a acusação, o contribuinte autuado deve produzir todos os elementos de prova possíveis a fim de comprovar tudo aquilo que alega, sob pena de tomar-se o que consta nos autos, como verdade absoluta para aquele processo. É da prática processual que o ônus da prova incumbe ao autor, sobre fato constitutivo de seu direito e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, nos termos do que dispõe o artigo 373, do Código de Processo Civil: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Logo tudo aquilo que foi alegado pelo Recorrente deveria vir acompanhado de prova a fim de demonstrar que os fatos ocorreram da forma como alegou. Ainda, o contribuinte pode apresentar provas que entender cabíveis, em regra, até a apresentação da defesa, nos termos do disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 414DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.355 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.002822/2006-31 Em outros termos, a prova deve ser juntada até a impugnação salvo se demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, entre outros casos. O contribuinte requer a aplicação da Súmula 182 do extinto TFR. Quanto a este ponto, trago à colação o que restou decidido na decisão recorrida. Esse entendimento de Tribunal já extinto não somente foi editado antes da Constituição Federal de 1988, mas se escorava em diplomas legais pretéritos e já superados. Acerca disso, cumpre rememorar o que dispõe o .art 144 do CTN: o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege- se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Dessa fonna, como o presente lançamento está assentado em uma presunção legal, instituída apenas em 1996, an. 42, da Lei n° 9.430, inaplicável in totum a utilização de tal súmula ao caso em tela. Sendo assim, adoto o trecho acima transcrito como razão de decidir, quanto à questão. Da Disponibilidade Econômica ou Jurídica da Renda – do Desvirtuamento do Fato Gerador do IRPF Não merecem prosperar as alegações de necessidade de se encontrar a disponibilidade, jurídica ou econômica, muito menos, demonstrar sinais exteriores de riqueza, nos termos do que dispõe a súmula CARF: SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº- 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Neste sentido, não há o que ser provido. Com relação aos demais pontos invoco o disposto no art. 489 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015), no seguinte dispositivo: Art. 489. São elementos essenciais da sentença: I - o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II - os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III - o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...) IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; Sendo assim, nego provimento ao recurso. Conclusão Em razão do exposto, conheço do recurso e voto por negar provimento. (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 415DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.355 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11060.002822/2006-31 Fl. 416DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002710/2001-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/05/1996, 01/07/1996 a 31/12/1997, 01/02/1998 a 31/10/1998
COFINS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91.
Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratando-se de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 anos (tese dos 5 + 5), contando-se a partir do pagamento indevido, pois o pedido foi formulado anteriormente a 9.6.05.
Numero da decisão: 9303-009.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91. Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratando-se de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 anos (tese dos 5 + 5), contando-se a partir do pagamento indevido, pois o pedido foi formulado anteriormente a 9.6.05. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 27 10 /2 00 1- 11 Fl. 745DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.283 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16327.002710/2001-11 Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra acórdão nº 202-17.312, da 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “NORMAS PROCESSUAIS. AÇÃO JUDICIAL. A opção do contribuinte pela via judicial impede a apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, devendo prosseguir o processo no tocante à matéria diferenciada. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Não Compete às instâncias administrativas apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumpiimento à legislação vigente. PIS. COMPENSAÇÃO. PIS COM PIS. PRAZO DECADENCIAL, NORMA INCONSTITUCIONAL. Admite-se a compensação dos pagamentos da contribuição para o PIS. efetuados a maior; com base nos Decretos-Leis n2s 2.445/88 e 2.449/88. dentro do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da publicação da Resolução n2 49 do Senado Federal. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DE ESPÉCIES DIFERENTES. NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO. A compensação entre tributos de espécies diferentes não pode ser efetuada sem autorização da Secretaria da Receita Federal, a teor do disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. É cabível a exigência, no lançamento de ofício, de juros de mora calculados com base na variação acumulada da taxa Selic, nos termos da previsão legal expressa no art. 13 da Lei nº 9.065, de 20/06/1995.” Fl. 746DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.283 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16327.002710/2001-11 Irresignada, a Fazenda Nacional, interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, ressurgindo com a discussão acerca do prazo decadencial – se a partir da data da extinção do crédito tributário ou não. Em despacho à fl. 664, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. O sujeito passivo interpôs Recurso Especial, mas foi negado seguimento ao seu Recurso Especial em Despacho de Admissibilidade e em Despacho de Reexame de Admissibilidade. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Relatora. Depreendendo-se da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecê-lo, eis que atendidos os requisitos para tanto dispostos no art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/15; o que concordo com o exame constante de Despacho de Admissibilidade de Recurso Especial. Sendo assim, entendo que o recurso deve ser conhecido – o que recordo que a Fazenda Nacional ressurge em recurso com a discussão envolvendo o termo inicial do prazo decadencial para repetição de indébito tributário. Especificamente ao termo inicial, tem-se que tal matéria havia sido objeto de decisão do STJ em sede de recurso repetitivo, na apreciação do REsp nº 1110578/SP, de relatoria Fl. 747DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.283 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16327.002710/2001-11 do Ministro Luiz Fux (data do julgamento 12/05/2010). O que peço licença para transcrever a ementa (Grifos meus): “Ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009 AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; Fl. 748DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-009.283 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16327.002710/2001-11 AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/2008". (Resp nº 1110578/SP, Rel. Min. Luiz Fux, data do julgamento 12052010, DJe de 21/05/2010; RT vol. 900 p. 204) (Negritos acrescentados)” Não obstante ao termo inicial, vê-se que há outra questão sob lide, qual seja, o prazo para se pleitear a repetição de indébito da LC 118 – que, por sua vez, também tratou da definição do termo a quo para a aplicação do prazo decadencial – na discussão acerca do prazo de 5 anos ou 10 anos. Nesse ponto, a matéria também foi decidida pelo STJ, inclusive definindo de forma clara o termo inicial a ser considerado, sob procedimento de recurso repetitivo, no julgamento do Recurso Especial n°1.002.932 SP, ao apreciar o texto trazido pela Lei Complementar n° 118/05. Após apreciação da matéria, o STJ firmou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permaneceria regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. O Supremo Tribunal Federal, por conseguinte, enfrentando o tema, decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), ser aplicável o novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Eis o decidido (Grifos meus): Fl. 749DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-009.283 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16327.002710/2001-11 “RE 566621 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 04/08/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus Fl. 750DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-009.283 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16327.002710/2001-11 conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando-se as aplicações inconstitucionais e resguardando-se, no mais, a eficácia da norma, permite-se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Ou seja, para os pedidos de repetição de indébito apresentados anteriormente a 9 de junho de 2005, poder-se-ia considerar o prazo prescricional/decadencial de 10 anos. Para melhor compreensão, transcrevo a ementa do referido acórdão: “PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Fl. 751DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-009.283 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16327.002710/2001-11 O que resta reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Eis a Súmula 91: “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” Em vista de todo o exposto, recorda-se o relatório do acórdão recorrido: “Segundo consta na Descrição dos Fatos, à fl. 262, o contribuinte calculou corretamente o PIS, aplicando a alíquota de 0,75% sobre a base de cálculo devida, porém, procedeu às seguintes exclusões dos valores assim apurados, que foram consideradas indevidas pela Fiscalização: b) compensação indevida, no total de R$ 1.353.368,00, no período de julho de 1996 a dezembro de 1997, de créditos de PIS recolhido no período de 01/89 à 03/91, cujo direito já teria decaído; c) compensação indevida, no total de R$ 1.589.369,07, no período de janeiro de 1997 a outubro de 1998, de suposto crédito de Finsocial recolhido no período de 10/89 a 03/91.” Em vista de todo o exposto, considerando que o pedido ocorreu anteriormente a 9.6.05, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. É o meu voto. (documento assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 752DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 9303-009.283 - CSRF/3ª Turma Processo nº 16327.002710/2001-11 Fl. 753DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.724114/2015-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2011 a 31/12/2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REJEIÇÃO.
Cabem embargos de declaração quando no acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição. Embargos não acolhidos.
Numero da decisão: 3401-006.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1301; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 426 1 425 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.724114/201503 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3401006.196 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2019 Matéria PIS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado VIA ITALIA COMERCIO E IMPORTAÇÃO DE VEÍCULOS LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2011 a 31/12/2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REJEIÇÃO. Cabem embargos de declaração quando no acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição. Embargos não acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 41 14 /2 01 5- 03 Fl. 426DF CARF MF Processo nº 11065.724114/201503 Acórdão n.º 3401006.196 S3C4T1 Fl. 427 2 1. Tratase de Embargos de Declaração opostos pela União (Fazenda Nacional) em face do acórdão nº 3401005.228, proferido por esta Turma em sessão realizada em 27 de agosto de 2018, sob minha relatoria. O acórdão embargado restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2011 a 31/12/2011 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. FALTA DE REGULAMENTAÇÃO DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 116 CTN. ERRO DE FUNDAMENTAÇÃO. O parágrafo único do art. 116 do CTN, introduzido pela Lei Complementar nº 104/2001, tratase de regra antidissimulação, e prevê a possibilidade de desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária que até o momento não foi editada, não podendo, portanto, ser utilizado como fundamento da decisão. 2. Alega a Embargante que o julgado incorre em OMISSÃO, pois: o presente lançamento foi formalizado com base nos mesmos elementos de prova de lançamento de IRPJ (PTA 11065.720334/201711), como verdadeiro lançamento reflexo deste imposto, a competência para sua apreciação e julgamento é da 1ª Seção de Julgamento, na forma do art. 2º, IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF. (a) 4ª Câmara da 2ª Turma da 3ª Seção, em 30 de agosto de 2018, quando, por meio da Resolução nº 3402001.411, no processo nº 11065.720375/201716 , a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, Relatora, propôs que aquele processo também da VIA ITALIA fosse declinado para a 1ª Seção em razão justamente dessa conexão com os elementos de prova 3. Além disso, aponta a embargante a existência de CONTRADIÇÃO na decisão, pois foi aplicado o VTM, mas: “a fiscalizada importava produtos por encomenda e os revendia diretamente para outra, com identidade e confusão patrimonial entre as partes, com o objetivo único e exclusivo de alcançar o consumidor final. Logo, tratavase de importadora e revendedora. Nunca foi atacadista, pois a referida sociedade empresária já visa o consumidor final”. 4. Isto porque “ninguém compra Ferraris, Masseratis e Lamborghinis no mercado atacadista, e sim, sempre no mercado de varejo”. Pontua ainda a Embargante que a fiscalizada é representante única e exclusiva das marcas italianas de carros de alto luxo no país, razão pela qual não há que se falar em mercado atacadistas nesse segmento e tampouco em aplicação do VTM, visto que os veículos são comercializados diretamente ao consumidor final no Brasil. 5. Os Embargos foram parcialmente admitidos pela presidência da Turma tão somente para apreciação da OMISSÃO apontada e encaminhados para minha relatoria. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 11065.724114/201503 Acórdão n.º 3401006.196 S3C4T1 Fl. 428 3 É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 6. Os Embargos apresentam os requisitos de admissibilidade previstos na legislação, e, portanto, deles tomo conhecimento. 7. Em relação à suposta omissão alegada, vejamos o que dispõe o art. 6º do RICARF: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 11065.724114/201503 Acórdão n.º 3401006.196 S3C4T1 Fl. 429 4 8. Percebese que não assiste razão à embargante. 9. Diferentemente do precedente citado, Resolução nº 3402001.411, no processo nº 11065.720375/201716, a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, Relatora, no caso concreto não há como se falar em lançamento reflexo, a uma porque se abstrai do relatório de ação fiscal, colacionado às fls. 14 e seguintes, que os presentes autos de infração se originaram de procedimento fiscal cujo escopo foi analisar os procedimentos da fiscalizada no que tange à apuração do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI em concordância com a legislação correlata em relação aos anoscalendário de 2011 a 2013. 10. Dessa forma, sequer é conclusivo que os autos de infração discutidos nos autos do processo administrativo nº 11065.720334/201711 e os autos de infração discutidos nos presentes autos possuam origem no mesmo procedimento fiscal. 11. A embargante não trouxe quaisquer elementos comprobatórios ou suficientes para demonstrar que se trata de lançamento reflexo. 12. Isto posto, não há como aplicarmos conclusão semelhante aos presentes autos, não se podendo aplicar o prescrito, portanto, no § 4 do art. 6 do RICARF. 13. Devese anotar ainda que os embargos de declaração não são o instrumento adequado para discutir a controvérsia de posições entre as diferentes turmas, devendo a Fazenda Nacional utilizar o recurso adequado caso entenda conveniente e adequado. 14. Nestes termos, voto por conhecer, mas rejeitar os embargos opostos. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 429DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720072/2013-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.
A ausência de pagamento antecipado do tributo atrai a incidência do artigo 173, inciso I, do CTN, para fins de contagem do prazo decadencial referente ao lançamento de ofício.
FPAS. ENQUADRAMENTO. REVISÃO.
O enquadramento na tabela de códigos de Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS é efetuado pelo sujeito passivo em função de sua atividade econômica, sendo passível de revisão, quando constatada sua incorreção.
No caso de frigorífico, apenas os empregados envolvidos diretamente na atividade de abate é que se enquadram no código FPAS 531. Em relação aos outros empregados, suas atividades são classificadas no código FPAS 507.
Numero da decisão: 2202-005.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), e Ronnie Soares Anderson.
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FPAS. Recorrente JBS S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. A ausência de pagamento antecipado do tributo atrai a incidência do artigo 173, inciso I, do CTN, para fins de contagem do prazo decadencial referente ao lançamento de ofício. FPAS. ENQUADRAMENTO. REVISÃO. O enquadramento na tabela de códigos de Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS é efetuado pelo sujeito passivo em função de sua atividade econômica, sendo passível de revisão, quando constatada sua incorreção. No caso de frigorífico, apenas os empregados envolvidos diretamente na atividade de abate é que se enquadram no código FPAS 531. Em relação aos outros empregados, suas atividades são classificadas no código FPAS 507. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 00 72 /2 01 3- 28 Fl. 4088DF CARF MF 2 Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) DRJ/SP1, que julgou procedente Auto de Infração de DEBCAD nº 37.365.6726, atinente ao anocalendário 2008, e relativo a contribuições devidas a Outras Entidades e Fundos – Terceiros, destinadas ao Serviço Social da Indústria – SESI (1,5%), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI (1,0%), e ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE (0,6%), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados alocados no setor industrial, nos estabelecimentos enquadrados no código FPAS Fundo de Previdência e Assistência Social 531. Conforme o relatório fiscal (fls. 411/421), a autuação se refere às contribuições devidas a terceiros incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados alocados no setor industrial, nos estabelecimentos enquadrados no código FPAS 531. A fiscalização considerou que somente os empregados do setor de abate poderiam ser enquadrados no FPAS 531, sendo que os demais deveriam ser enquadrados no FPAS 507, de acordo com o art. 137 e Anexo II da IN SRP nº 03/05, vigente à época, e tendo em vista que a atividade preponderante da empresa é a industrialização dos insumos adquiridos. Consta do relato fiscal a informação de que o setor de abate é definido como o setor que abarca as seguintes atividades: (i) recepção dos animais; (ii) condução e lavagem; e (iii) atordoamento, sendo que somente os valores referentes a essas atividades poderiam ser lançados com o FPAS 531. Não obstante impugnada (fls. 3691/3744), a exigência foi mantida pela instância de piso (fls. 3855/3860), consoante acórdão cuja ementa se transcreve na sequência: AUTO DE INFRAÇÃO (AI). FORMALIDADES LEGAIS. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À HIPÓTESE NORMATIVA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O Auto de Infração (AI) encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da Lei. Constatado que os fatos descritos se amoldam à norma legal indicada, deve o Fisco proceder ao lançamento, eis que esta é atividade vinculada e obrigatória. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o Auto de Infração (AI) e seus anexos integrantes são regularmente cientificados ao sujeito passivo, sendolhe concedido prazo para sua manifestação, inclusive os relatórios DD Discriminativo do Débito e RL Relatório de Lançamentos, os quais discriminam, por estabelecimento e competência, as bases de cálculo Fl. 4089DF CARF MF Processo nº 19515.720072/201328 Acórdão n.º 2202005.399 S2C2T2 Fl. 4.089 3 apuradas, as alíquotas aplicadas, as contribuições exigidas, e os acréscimos legais (multa e juros) devidos. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao Contribuinte o ônus da prova de suas alegações, ao contestar fatos apurados nas Folhas de Pagamento e GFIP´s Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, de sua própria elaboração. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA. Nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido de contribuições devidas a Terceiros, caberá ao contribuinte formular pedido de restituição ou realização sua compensação, nos termos e condições estabelecidos em atos normativos. AUTO DE INFRAÇÃO (AI). FORMALIDADES LEGAIS. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À HIPÓTESE NORMATIVA.CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O Auto de Infração (AI) encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da Lei. Constatado que os fatos descritos se amoldam à norma legal indicada, deve o Fisco proceder ao lançamento, eis que esta é atividade vinculada e obrigatória. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o Auto de Infração (AI) e seus anexos integrantes são regularmente cientificados ao sujeito passivo, sendolhe concedido prazo para sua manifestação, inclusive os relatórios DDDiscriminativo do Débito e RL Relatório de Lançamentos, os quais discriminam, por estabelecimento e competência, as bases de cálculo apuradas, as alíquotas aplicadas, as contribuições exigidas, e os acréscimos legais (multa e juros) devidos. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao Contribuinte o ônus da prova de suas alegações, ao contestar fatos apurados nas Folhas de Pagamento e GFIP´s Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, de sua própria elaboração. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA. Nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido de contribuições devidas a Terceiros, caberá ao contribuinte formular pedido de restituição ou realização sua Fl. 4090DF CARF MF 4 compensação, nos termos e condições estabelecidos em atos normativos. Não compete à autoridade julgadora apreciar pedido de restituição e declaração de compensação, tarefas reservadas a outras autoridades administrativas. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.º 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.º 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a fiscalização para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias será regido pelo Código Tributário Nacional (CTN Lei n.º 5.172/66). O lançamento das contribuições relativas às competências abrangidas pelo presente Auto de Infração (AI) foi realizado no prazo qüinqüenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do Impugnante, a realização de diligências, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada. INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO PATRONO DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante em endereço diverso do domicílio fiscal do contribuinte tendo em vista o artigo 10 do Decreto 7.574/2011. SUSTENTAÇÃO ORAL. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de sustentação oral em sessão de julgamento na primeira instância administrativa pela falta de previsão na legislação que trata do processo administrativo fiscal, em especial o Decreto 7.574/2011. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 FPAS. ENQUADRAMENTO. REVISÃO. O enquadramento na tabela de códigos de Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS é efetuado pelo sujeito passivo em função de sua atividade econômica, sendo passível de revisão, quando constatada sua incorreção. No caso de frigorífico, apenas os empregados lotados no setor de abate é que se enquadram no código FPAS 531. Em relação aos outros empregados, suas atividades são classificadas no código FPAS 507. Fl. 4091DF CARF MF Processo nº 19515.720072/201328 Acórdão n.º 2202005.399 S2C2T2 Fl. 4.090 5 Tal feito deu ensejo à interposição de recurso voluntário em 27/06/2013 (fls. 3779/3844), no qual foi alegado, conforme síntese efetuada pelo relator da Resolução nº 2402 00.519 (fl. 3858): a) o entendimento da fiscalização de que só o setor de abate pode ser enquadrado no FPAS 531 é incorreto, pois todos os procedimentos realizados até a serragem da carcaça ao meio compõem o setor de abate, devendo ser realizada diligência para determinar até qual procedimento se enquadra no setor de abate; b) o resfriamento e a desossa, procedimentos realizados após o abate, também devem ser qualificados como indústria rudimentar, devendo ser igualmente enquadrados no FPAS 531, eis que não há transformação, nessas fases, de matéria prima em bens de consumo ou produção, que é a definição de indústria que se enquadra no FPAS 507; c) vício do auto de infração, pois este teria sido lavrado contra a matriz incorretamente, uma vez que os fatos são relativos às filiais, não havendo sequer Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) relativo a estas, devendo se considerar que a competência para fiscalizar e cobrar é da DRF competente pela jurisdição de cada filial. d) a decadência relativa à competência 01/2008; e e) caso não seja esse o entendimento, pleiteia o repasse dos valores destinados ao INCRA para os demais “terceiros”, pois a empresa recolheu “contribuição a terceiros” à alíquota de 2,7%, e a impossibilidade de exigência de contribuição ao SESI para os estabelecimentos do Estado de São Paulo, pois afirma haver Convênio firmado para recolhimentos dos estabelecimentos enquadrados no código FPAS 507 diretamente àquela instituição. À ocasião daquela Resolução, datada de 26/01/2016, o julgamento foi convertido em diligência para que se procedesse à exata definição das atividades que compõem o setor de abate e qual o critério adotado para essa definição. Realizada tal providência (fls. 3925/3936), e manifestandose o contribuinte sobre o feito (fls. 3948/3957), retornou o processo ao CARF, sendo exarada a Resolução nº 2202000.817 em 07/06/2018 (fls. 3966/3969), determinando fosse intimado o SESISP com vistas à confirmação dos termos da Notificação apresentada às fls. 4161 e seguintes, e do Convênio em evidência, em especial no que concerne a sua abrangência territorial (filiais da empresa alcançadas pelo Convênio nº 5.199), bem como ao seu período de vigência. Efetuada a diligência requerida, com posterior nova manifestação do autuado (fls. 3977/4078), os autos retornaram ao Colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 4092DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e, atendendo aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. O contribuinte alega ter ocorrido a decadência do lançamento cientificado em 31/01/2003 relativamente ao período de apuração jan/08, postulando a aplicação do prazo preconizado no art. 150, § 4º do CTN, pois "não há qualquer acusação de fraude, dolo ou simulação". A decadência do direito do Fisco constituir o crédito tributário é matéria que foi objeto de apreciação por parte da 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no REsp nº 973.733/SC. Julgado em 12/08/2009, em sede de recurso repetitivo (art. 543C do Código de Processo Civil então vigente), o respectivo acórdão traz a seguinte ementa, parcialmente transcrita: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. .INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel.Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (...) Segundo as palavras extraídas do voto do relator, Ministro Luiz Fux: Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.(grifos meus e do original) O STJ, desse modo, se posicionou no sentido de que a atividade objeto de homologação pela autoridade administrativa, nos termos do art. 150 e §§ do Código Tributário Nacional (CTN), tem por objeto o pagamento antecipado do tributo, ainda que em montante Fl. 4093DF CARF MF Processo nº 19515.720072/201328 Acórdão n.º 2202005.399 S2C2T2 Fl. 4.091 7 menor que o devido, e não outro eventual proceder do contribuinte correlacionado com a apuração do fato gerador. A tese jurídica firmada no precedente em questão é de observância obrigatória para este Colegiado, por força do § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF (RICARF Portaria MF nº 343/2015). Notese que a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais também vem reiteradamente se pronunciando nesse sentido, conforme evidenciam, ilustrativamente, os acórdãos do Pleno de nº 9900000.227 (p. 09/05/2014) e nº 9900000.278 (p. 01/04/2014). Destaquese que não basta então a inexistência de dolo, fraude, ou similar, como pugna o recorrente, para a aplicação do § 4º do art. 150 do CTN; é necessário também que tenha havido antecipação de pagamento, o que não ocorreu na espécie. De acordo com o Relatório Fiscal, foram lançadas as contribuições devidas ao SESI (1,5%), SENAI (1,0%), e ao SEBRAE (0,6%), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados alocados no setor industrial, nos estabelecimentos enquadrados no código FPAS 531. Tais valores não integraram a base de cálculo dos recolhimentos efetuados pela empresa, e nas GFIP´s foi declarado o código FPAS 531 para estas filiais. Em suma, não houve recolhimento antecipado dessas contribuições no tocante aos períodos de apuração objeto da autuação, quedando improcedente o pleito atinente à decadência. No tocante à aludida nulidade do auto de infração por ter sido lavrado contra a matriz, e não contra cada CNPJ, adoto a fundamentação da vergastada quanto a esse ponto como razões de decidir, por bem abordar a questão: 13. A Impugnante argumenta que outra causa de nulidade do Auto de Infração em epígrafe seria o fato de não ter sido lavrado contra cada CNPJ específico, mas apenas contra a matriz. 13.1 Não assiste, porém, razão à Defendente, como segue: 13.2 A Lei nº 8.212/91, em seu artigo 15, dispõe, in verbis: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; 13.3 Ao definir a empresa, enquanto contribuinte das contribuições previdenciárias, resta claro que o artigo cuidou de definir, em verdade, não a atividade abstrata de organização dos fatores da produção com vistas ao lucro, que é a empresa, mas o empresário, seja ele pessoa física – firma individual – ou pessoa jurídica, enquanto aquele que exerce tal atividade, fazendoo por intermédio do conjunto de elementos corpóreos e incorpóreos definidos em lei como estabelecimento. 13.4 No entanto, cumpre distinguir entre a obrigação em si e a responsabilidade. À primeira vista, podem significar sinônimos da mesma realidade fenomênica. Contudo, tal não se mostra efetivo. Em verdade, a teoria das Fl. 4094DF CARF MF 8 obrigações, enquanto relação jurídica, e assim também o é a relação de sujeição tributária, assume uma particularidade dúplice, qual seja, a distinção entre a obrigação e a responsabilidade. 13.5 A obrigação se constitui no vínculo jurídico pelo qual um dos sujeitos deve a outro uma prestação, e ao segundo corresponde o direito de exigir seu adimplemento: é uma relação de puro débito. Já a responsabilidade se constitui em corolário do inadimplemento da prestação obrigacional, ou seja, exsurge secundária e condicionalmente, a partir do momento em que o devedor, obrigado à prestação, não a desempenha. 13.6 Assim, embora pareçam institutos semelhantes, se diferem. Por óbvio, o inadimplemento da obrigação gera a responsabilidade que recai sobre o elemento patrimônio, pertencente ou não ao devedor originário. Dessa forma, tanto a legislação civil como a tributária definem os devedores, isto é, os sujeitos obrigados à prestação que se constitui o objeto da relação jurídica, e, após isto, definem os responsáveis, isto é, pessoas que podem ou não coincidir com a pessoa do devedor originário, daí advindo que a definição de sujeito devedor pode conduzir à definição do responsável, mas não o contrário. 13.7 Muito embora o lançamento seja, ao final, consolidado no estabelecimento matriz, enquanto titular organizacional da empresa, de rigor reconhecer que cada conjunto de informações relativo ao lançamento, como a identificação da base de cálculo, o enquadramento em alíquotas, devem ser devidamente demonstrados de forma segregada, devendo haver a consideração de créditodébito em relação a cada estabelecimento. 13.8 No presente caso, pelas Planilhas Demonstrativas “Setor de Abate” e “SESI/SENAI/SEBRAE” juntadas às fls. fls. 422/3.638, em cotejo com o DD – Discriminativo do Débito (fls. 346/379), e RL – Relatório de Lançamentos (fls. 385/407), integrantes do Auto de Infração, verificase que a Fiscalização apurou os fatos geradores ocorridos nos estabelecimentos e procedeu ao lançamento das bases de cálculo de forma separada para cada uma das filiais. Cada estabelecimento foi tratado de forma independente em relação aos fatos geradores das contribuições ao SESI, SENAI e SEBRAE, objeto da autuação em comento. 13.9 Assim, ao contrário do que afirma a Impugnante, foi plenamente respeitada a regra de que cada estabelecimento da empresa, embora não provido de personalidade jurídica distinta, é devedor das contribuições de Terceiros cujos fatos geradores tenha praticado, ainda que o lançamento se consolide na responsabilidade do estabelecimento matriz. 13.10 No que se refere ao Mandado de Procedimento Fiscal (fls. 02/03), mais uma vez o Contribuinte faz confusão entre os institutos da obrigação e da responsabilidade. No MPF consta, claramente, que está identificado o Contribuinte/Responsável, no caso, a matriz CNPJ 02.916.265000160. 13.11 Ante todo o exposto, o presente Auto de Infração DEBCAD 37.365.6726 encontrase revestido das formalidades legais, gozando de liquidez e certeza, estando de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o disposto nos artigos 2º e 3º da Lei n.º 11.457, de 16/03/2007, artigo 37 da Lei nº 8212/91, e artigo 142 do CTN, observados os princípios da motivação, verdade material, e da legalidade dos atos administrativos, e propiciando o pleno exercício do direito do contraditório e da ampla defesa, constitucionalmente assegurado aos litigantes em processo administrativo. No que diz respeito à questão de fundo, temse que as entidades ou fundos para os quais dada pessoa jurídica deve contribuir estão vinculadas à atividade empresarial por Fl. 4095DF CARF MF Processo nº 19515.720072/201328 Acórdão n.º 2202005.399 S2C2T2 Fl. 4.092 9 ela desenvolvida, consoante respectivo CNAE Classificação Nacional de Atividades Econômicas, de acordo com o art. 137 da IN MPS/SRP nº 03/05, vigente à época do lançamento. As alíquotas associadas são identificadas por meio do enquadramento na Tabela de Alíquotas em conformidade com o código FPAS Fundo de Previdência e Assistência Social, enquadramento esse realizado pelo próprio sujeito passivo: Art. 137. As contribuições destinadas a outras entidades ou fundos incidem sobre §2º O enquadramento na Tabela de Alíquotas por Códigos FPAS, é efetuado pelo sujeito passivo de acordo com cada atividade econômica por ele exercida, ainda que desenvolva mais de uma atividade no mesmo estabelecimento, observados os §§ 1° e 2° do art. 581 da CLT. (...) ANEXO II 2.ATIVIDADES SUJEITAS A ENQUADRAMENTOS ESPECÍFICOS 2.1.CONCEITOS PARA ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADES NO CÓDIGO FPAS (...) Indústria. Para fins de recolhimento das contribuições sociais destinadas à seguridade social e a outras entidades e fundos, entendese como indústria (FPAS 507) o conjunto de atividades destinadas à transformação de matériasprimas em bens de produção ou de consumo, servindose de técnicas, instrumentos e maquinarias adequados a cada fim. Configura indústria a empresa cuja atividade econômica do setor secundário que engloba as atividades de produção e transformação por oposição ao primário (atividade agrícola) e ao terciário (prestação de serviços). Indústria rudimentar. Para fins de recolhimento das contribuições sociais destinadas à seguridade social e a outras entidades e fundos, entendese como indústria rudimentar (FPAS 531) o conjunto de atividades destinadas à produção de bens simples, para industrialização ou consumo, nos quais o processo produtivo é de baixa complexidade. (...) Indústrias relacionadas no art. 2º do Decretolei nº 1.146, de 31 de dezembro de 1970. A relação é exaustiva e se refere a indústrias rudimentares, as quais, por força do dispositivo, contribuem para o Incra e não para o Sesi e Senai. Tratandose de pessoa jurídica classificada como indústria e que empregue no processo produtivo matériaprima ou produto Fl. 4096DF CARF MF 10 oriundo da indústria rudimentar a que se refere o art. 2º do Decretolei nº 1.146, de 1970, serão devidas contribuições de acordo com o FPAS 507 e código de terceiros 0079. 2.2.RELAÇÃO DE ATIVIDADES SUJEITAS A ENQUADRAMENTOS ESPECÍFICOS I INDÚSTRIAS RELACIONADAS NO ART. 2º DO DECRETOLEI Nº 1.146, DE 1970. O dispositivo relaciona indústrias rudimentares destinadas à produção de bens simples, para industrialização ou consumo, para os quais se emprega processo produtivo de baixa complexidade. (...) Os frigoríficos enquadramse no FPAS 507, relativamente aos empregados que trabalham no setor industrial, e no FPAS 531, quanto aos empregados envolvidos diretamente com a matança (indústria rudimentar), conforme discriminativo da Tabela 1 do Anexo II da IN SRP nº 03/05: Vale ressaltar que a IN SRP nº 03/05, no § 3º de seu art. 139, assim regra sobre a fiscalização do enquadramento realizado pelo sujeito passivo: Art. 139. Compete ao MPS por intermédio da SRP, nos termos do art. 94 da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações decorrentes do art. 3º da Lei nº 11.098, de 2005, arrecadar e fiscalizar as contribuições devidas às outras entidades ou fundos, conforme alíquotas discriminadas na Tabela de Alíquotas por Códigos FPAS, prevista no Anexo III. § 1º O recolhimento dessas contribuições deve ser efetuado juntamente com as contribuições devidas pelo sujeito passivo à Previdência Social, observados os § § 2º, 6º, 9º e 10. (...) Fl. 4097DF CARF MF Processo nº 19515.720072/201328 Acórdão n.º 2202005.399 S2C2T2 Fl. 4.093 11 § 3º Caso seja feito enquadramento incorreto na Tabela de Códigos FPAS, prevista no Anexo III, a SRP, por meio de sua fiscalização, fará a revisão do enquadramento efetuado pelo sujeito passivo, observadas as atividades por ele exercidas. Conforme já relatado, o contribuinte enquadrou todos os estabelecimentos objeto de autuação como sendo de FPAS 531, o que foi objeto de exame da autoridade fiscal. Porém não é demasiado anotar que o SESI/SENAI enviou o Comunicado SESI/SENAI/SP DJ/GC/00474/2010, comunicando sobre a existência de enquadramento indevido quanto ao código FPAS, em alguns estabelecimentos da empresa. Chegase, então, ao cerne da controvérsia, ou seja, delimitar a abrangência da atividade de abate, dentro da indústria de processamento de carne bovina, realizada pelo frigorífico. Para a fiscalização, o setor de abate compreende tão somente as atividades de (i) recepção de animais, (ii) condução e lavagem e (iii) atordoamento de animais. Após diligência realizada em estabelecimento da empresa (fls. 3925/3936), a autoridade fiscal reiterou seu entendimento, pois: ...após o atordoamento dos animais todas as demais atividades realizadas pela Contribuinte contam com conjunto de métodos de produção industrial, a utilização de maquinários, intensa tecnologia para produção em larga escala. Verdadeira linha de produção industrial. Afastamse por completo de uma atividade rudimentar de baixa complexidade ou de processos artesanais. Além disso, ressaltou que à época do lançamento o contribuinte não informou quais seriam as outras atividades passíveis de serem enquadradas como rudimentares e inclusas no setor de abate. Já o recorrente entende que o setor de abate engloba outras atividades além dessas, quais sejam: (i) a atividade de içar o boi; (ii) cortar a carótida; (iii) rastreamento/tipificação para checar a origem do animal; (iv) a sangria; (v) a esfola; (vi) a atividade de tirar o couro; (vii) evisceração; (viii) separação das vísceras; e (ix) serragem da carcaça ao meio. Para ele, somente com a serragem da carcaça ao meio é que se encerra o setor de abate, iniciandose após essa fase o resfriamento e a desossa. Nesse sentido, e em contraponto às conclusões da diligência fiscal, diante da mesma realidade fática busca enfatizar o que considera uso intensivo de mãodeobra nas atividade posteriores ao atordoamento das reses, conforme manifestação (fls. 3948/3957) da qual se extrai os seguintes excertos exemplificativos: Exemplificativamente, a Manifestante cita a atividade de corte da carótida. Essa atividade é desenvolvida por funcionário apto para tanto, com a ajuda de 2 (duas) facas, sendo 1 (uma) delas com capacidade de perfuração e outra com capacidade de corte. Podese afirmar que todo o trabalho é desenvolvido de forma manual. (...) Fl. 4098DF CARF MF 12 As planilhas acostadas pela própria Autoridade Fiscal às fls. 422 a 3641, formuladas na lavratura do Auto de Infração atestam, de forma inequívoca, a quantidade abundante de mão deobra humana utilizada pela Manifestante nas atividades que compõem o setor de abate, que compreendem: içar o boi, cortar a carótida, rastrear/tipificar para checar a origem do animal, sangria, esfola, atividade de tirar o couro, evisceração, separação das vísceras e serragem da carcaça ao meio. Concluise, deste modo, que as atividades de içar o boi, cortar a carótida, rastrear/tipificar para checar a origem do animal, sangria, esfola, atividade de tirar o couro, evisceração, separação das vísceras e serragem da carcaça ao meio compreendem o setor de abate e são desenvolvidas por meio de mãodeobra humana, com pequeno auxílio de tecnologia, notadamente no que se refere à locomoção de animais dentro do setor, fato que não descaracteriza a baixa complexidade do processo produtivo desenvolvido pela Manifestante. O que se constata então é que diante dos mesmos procedimentos e situações, o autuado defende a existência de indústria rudimentar, "desenvolvida por meio de mãode obra humana, com pequeno auxílio de tecnologia, notadamente no que se refere à locomoção de animais dentro do setor", enquanto a fiscalização verifica "a utilização de maquinário intensa tecnologia para produção em larga escala. Verdadeira linha de produção industrial". Ora, abate é a matança de animais para consumo, sendo difícil conceber que empregados envolvidos em etapas posteriores à morte do animal possam ser abrangidos nos afazeres de indústria rudimentar, visto que a definição das atividades de frigorífico vinculadas a esse FPAS 531 requerem que os empregados estejam "diretamente envolvidos com a matança". Dessa feita, os empregados alocados em setores como "bucharia", "desossa", "rotulagem", "cozimento/enlatamento", "evisceração" e tantas outros presentes nas planilhas disponibilizadas pelo sujeito passivo não se adequam, à evidência, no conceito de funcionários "diretamente envolvidos com a matança". De outra parte, ainda que pareça razoável que os empregados envolvidos em atividades tais como "corte da carótida" e "sangria" estejam abarcados no aludido conceito normativo pois a morte do animal pode ocorrer não no momento no atordoamento, mas somente na etapa posterior da sangria o fato é que nas planilhas colacionadas aos autos às fls. 422/3641 não estão tais pessoas discriminadas de maneira apartada e transparente, de modo a permitir sua eventual exclusão para fins de recálculo da exigência tributária. Nem ao menos, registrese, aponta o recorrente quais lotações lá constantes corresponderiam ou englobariam as atividades em comento. Reiterese que não foi a autoridade lançadora, a seu alvitre, que definiu que apenas os empregados envolvidos diretamente com a matança poderiam ser enquadrados sob o FPAS 507, mas sim a IN SRP nº 03/05, no seu Anexo II, que assim dispôs. Poderia o recorrente, ao menos, ter carreado aos autos estudos acadêmicos, publicações ou mesmo normas/pareceres de órgãos públicos que regulamentam a sua atividade (vg, estudos do Ministério da Agricultura, da Embrapa, etc.) de modo a embasar com maior tecnicidade seus argumentos quanto à abrangência do setor de abate, ou à definição de indústria rudimentar. Fl. 4099DF CARF MF Processo nº 19515.720072/201328 Acórdão n.º 2202005.399 S2C2T2 Fl. 4.094 13 Limitouse, contudo, a tecer considerações genéricas sobre tais temas, as quais se revelam insuficientes para a reforma do lançamento. Demandou o recorrente, ainda, o repasse dos valores destinados ao INCRA para os demais “terceiros”, pois a empresa recolheu “contribuição a terceiros” à alíquota de 2,7%, e a impossibilidade de exigência de contribuição ao SESI para os estabelecimentos do Estado de São Paulo, pois afirma haver Convênio firmado para recolhimentos dos estabelecimentos enquadrados no código FPAS 507 diretamente àquela instituição. Todavia, a informação em diligência que atendeu os termos da Resolução nº 2202000.817 deixou claro a improcedência das alegações pertinentes ao convênio estadual, conforme lá aduzido à guisa de conclusão (fls. 4064/4070): 3.9 Em relação aos fatos geradores do ano 2008, o lançamento fiscal não merece reparos, eis que o Convênio firmado com o SESI, na data de 03/09/2008, somente teve seus efeitos devidas ao SESI, SENAI e SEBRAE, do ano de 2008, por meio de Guia da Previdência Social (GPS). Como não efetuou o recolhimento, foi devidamente autuada por esta fiscalização. 3.10 Subsidiariamente a isso, mesmo que o Convênio alcançasse parte do período de 2008, vêse que o referido acordo somente teria valia em relação aos estabelecimentos 000836;001131; 001727; 002707; 002960; 003509, os quais não foram objeto de lançamento de auto de infração em relação ao ano de 2008. Logo, não se faz necessário discussão sobre o alcance do Convênio. 3.11 É de se dizer, por qualquer lado que se possa avistar, que o lançamento deve ser mantido. Intimada a se manifestar sobre tais esclarecimentos, nada opôs com relação a tal ponto, não levantando discordância (fls. 4076/4078). E, quanto à pretensão de "repasse" dos valores destinados ao INCRA, pagos a maior, a órgãos diversos SESI, SENAI e SEBRAE, vale transcrever o arrazoado vertido pela decisão vergastada quanto à matéria, por não divergir este relator dessas razões (fl. 3370): 17. No presente caso as filiais objeto da autuação classificaramse integralmente no código FPAS 531, quando a classificação correta para os empregados não alocados no setor de abate seria o código FPAS 507, conforme apurado pela Fiscalização e ratificado neste voto. 17.1 No caso concreto, diante dos códigos FPAS envolvidos, temse que no código FPAS 531 a contribuição ao INCRA é feita no percentual de 2,7%, e no código FPAS 507 a contribuição ao INCRA é no percentual de 0,2%. 17.2 No que se refere aos empregados reenquadrados no FPAS 507, de fato houve um recolhimento a maior do INCRA. Neste caso, caberá ao Contribuinte pleitear sua restituição, em processo específico, ou realizar a compensação, consoante as regras previstas na Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2002, publicada no Diário Oficial da União em 21/11/2012. 17.3 Observe que as disposições da IN RFB nº 1.300/2012 atendem ao comando contido no art. 89 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Fl. 4100DF CARF MF 14 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) 17.4 Cabe lembrar ainda que, consoante a já citada IN RFB nº 1.300/2012, não compete à autoridade julgadora apreciar pedido de restituição e declaração de compensação, tarefas reservadas a outras autoridades administrativas. Art. 69 . A decisão sobre o pedido de restituição de crédito relativo a tributo administrado pela RFB, o pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, da Cofins, relativo ao Reintegra e o pedido de reembolso, caberá ao titular da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF), da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat), da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro (Demac/RJ) ou da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras (Deinf) que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, ressalvado o disposto nos arts. 70 e 72. Parágrafo único. A restituição, o reembolso ou o ressarcimento dos créditos a que se refere o caput , bem como a compensação de ofício desses créditos com os débitos do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, caberão à DRF, à Derat, à Demac/RJ ou à Deinf que, à data da restituição, do reembolso, do ressarcimento ou da compensação, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. Em síntese, então, deve ser mantido o lançamento. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 4101DF CARF MF
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