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Numero do processo: 10920.001836/2009-40
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1101-000.063
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 01 83 6/ 20 09 -4 0 Fl. 26DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10920.001836/200940 Resolução nº 1101000.063 S1C1T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO TERMOTÉCNICA LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 26/05/2009, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 69.655.232,92. A autoridade lançadora assim estruturou as infrações constatadas, no Termo de Verificação Fiscal às fls. 747/765: 3. Infrações 3.1 Glosas 3.1.1 Glosa de despesas Despesas não comprovadas/não necessárias: Item a: Glosa de várias despesas lançadas na conta 3.50.05.005.000 DESPESAS DIVERSAS, relativamente às quais a contribuinte alegou não ter encontrado documento que comprove as despesas. Item b: Glosa de despesas em 2004, relativamente às quais a contribuinte não logrou comprovar integralmente o estorno de lançamentos reconhecidamente indevidos. Item c: Glosa de despesas com pagamento de débitos parcelados no PAES ou inscrito em Dívida Ativa da União, porque o principal já havia sido devidamente considerado no regime de competência. Item d: Glosa de despesas de aluguéis contabilizadas em 2006, que embora pagos à empresa PLASTIVAN referiamse a imóvel de propriedade da fiscalizada, situado em Contagem/MG, objeto de Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda com condição suspensiva e não levado a registro. Item e: Glosa de despesas oriundas de contratos de prestação de serviços jurídicos, que de forma inusitada teriam sido formalizados pela autuada e suas controladoras, mas sob gerenciamento da primeira. Asseverando que a contratação somente ocorreu porque o administrador das controladoras e das controladas era Albano Schmidt, que já deteria o controle das controladoras em razão de operações ocorridas de 2002 a 2004, reconheceu que a reestruturação do Grupo Empresarial, de fato, ocorreu, mas destinouse a concentrar todo o capital da Termotécnica nas mãos de um dos sócios, Albano Schmidt, excluindo seu contendor, Rodrigo de Almeida Schmidt, último dos familiares a vender suas cotas. Assim, se os gastos efetuados em favor de Albano Schmidt fossem dedutíveis, também o seriam aqueles efetuados por Rodrigo de Almeida Schmidt, que inclusive ingressou com ações judiciais contra a ação voraz de Albano Schmidt. Cita documento de fls. 112 a 116 que revela a estratégia adotada por Albano Schmidt, com vistas a contornar o acordo de acionistas assinado em 1998, fls. 118 a 122. Item f: Glosa de despesas relativas a dívidas confessadas no âmbito do PAEX, em razão de o montante de dívida contabilizada em 2006, no valor de R$ 45.652.316,29 ter sido inventado Fl. 27DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10920.001836/200940 Resolução nº 1101000.063 S1C1T1 Fl. 4 3 pela contribuinte para se contrapor à receita de R$ 31.252.454,34 reconhecida a título de crédito extemporâneo de IPI, ao passo que os montantes parcelados, incluídos os acréscimos legais, corresponderiam a R$ 21.354.142,13. 3.1.1 Glosa de custos – PIS e COFINS de compras: falta da comprovação da dedução dos créditos de PIS e COFINS relativos às compras em consignação, computadas a título de insumos, na apuração do custo dos produtos vendidos. 3.2 Ganho de capital – lei n° 9.249/95, artigo 22: apuração verificada em devolução de capital a sócio em dezembro/2006, pois, em operações realizadas, a TUPINAMBÁ que tinha R$ 24.379.075,00, ficou com R$ 9.991.917,00 e recebeu pelos seus R$ 14.387.158,00 (diferença entre 24.379.075 e 9.991.917) R$ 38.879.962,00, com ganho de capital de R$ 24.492.804,00 (diferença entre R$ 38.879.962,00 e R$ 14.387.158,00). Da mesma forma, ALBANO SCHMIDT tinha R$ 13.153,00 e ficou com R$ 8.083,00, recebendo seus R$ 5.070,00 a R$ 24.700,00, com ganho de capital de R$ 19.630,0. 3.3 Multa Regulamentar arquivos magnéticos: a autoridade lançadora aplicou a multa prevista no art. 980, inciso I do RIR/99, equivalente a 0,5% da receita bruta dos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, em razão da apresentação de arquivo com lançamentos cujo histórico não permite sua perfeita individualização, e porque a contabilidade contém dias desbalanceados, ou seja, os créditos e débitos não são iguais naquele dias (os lançamentos precisam de mais de um dia para se aperfeiçoarem). Além disso, os lançamentos do diário auxiliar tem códigos no histórico e não apresentam as contrapartidas. Impugnando parcialmente a exigência, a contribuinte veiculou alegações assim sintetizadas pela autoridade julgadora de 1a instância: reconhece ser devida a glosa das despesas dos subitens a, b e c do item 3.1.1. do Termo de Verificação Fiscal, mas não concorda com a multa de 75%, pelo seu caráter confiscatório; contesta a glosa dos alugueres pagos – subitem d do item 3.1.1 do TVF – reiterando que o imóvel fora alienado por instrumento particular irretratável, tendo ficado pendente apenas a outorga da escritura pública, ato que não se operou em virtude da existência de hipoteca sobre o prédio; também contesta a glosa das despesas de honorários advocatícios constantes do sub item e do item 3.1.1. do TVF, argumentando que o trabalho foi importante para os negócios das empresas, blindando a impugnante, principalmente porque o conflito societário vinha lhe criando dificuldades de crédito e problemas para a manutenção de contratos frente ao mercado, em razão da nãoaprovação de contas no ano de 1999. Enfatiza que os serviços foram prestados, beneficiando todas as empresas do grupo, mas a impugnante teve o maior benefício, porquanto conseguiu atravessar o período de conflito de seus controladores sem ter sido arrastada para a quebra ou para o declínio de seus negócios. Esclarece que ficou responsável pelo pagamento dos honorários por ser a única das empresas com potencial produtivo; reportandose ao contrato firmado em 17/08/2006, afirma não restarem dúvidas de que as despesas eram efetivamente afetas à impugnante, sendo que as notas fiscais nº 462 a 470 tiveram como objetivo a retirada da Termotécnica do Grupo Joinvillense, porquanto seus negócios eram dificultados pelas condições da controladora Joinvillense, que tinha patrimônio líquido negativo – prejuízos acumulados superiores a 100 milhões de reais – e dependia de mútuos constantes para se manter; Fl. 28DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10920.001836/200940 Resolução nº 1101000.063 S1C1T1 Fl. 5 4 também contesta a glosa das despesas constantes do subitem f do item 3.1.1. do TVF, argumentando que o autuante verificou nos sistemas internos da RFB que a dívida da impugnante no PAEX era de apenas R$ 21.354.142,13, quando, em realidade, era de R$ 45.652.316,29, valor devidamente lançado a título de despesas. Afirma que a escrituração contábil, da forma como efetivada, objetivou refletir os atos e fatos contábeis ocorridos. Afirma que o autuante reconheceu que a receita por ela escriturada, referente a créditos extemporâneos de IPI, no montante de R$ 31.252.454,34, foi válida, porém glosou a integralidade da despesa lançada, por considerála inexistente. Descreve em detalhe as operações e afirma que nada há de irregular no seu procedimento; reportandose ao item 3.1.2 do TVF – Glosa de custos – PIS e COFINS de compras, afirma que o autuante incorreu em equívocos por incorreta interpretação dos fatos, dada a peculiaridade de sua política de suprimentos, posto que adquire matériaprima pela sistemática de consignação. Discorre sobre o procedimento adotado, relativamente à aquisição e consumo de matériaprima e diz ser inverossímil que seja acusada de embutir PIS e COFINS em seu custo. Detalha exaustivamente o procedimento por ela adotado em relação à aquisição e consumo de matériaprima. Ao final, prevendo a hipótese de os julgadores não se sentirem seguros para decidir a questão, pede a realização de diligência tendente a aferir a veracidade das informações prestadas, constantes das novas planilhas apresentadas com a impugnação, com base nos quesitos formulados às fls. 802803; reportandose ao item 3.2 do TVF – Ganho de capital – Lei nº 9.249/95, art. 22, afirma que o TVF não relata a totalidade da operação, o que pode ensejar interpretação errônea. Reitera que a devolução de capital foi realizada com saldo em créditos de mútuo, devidamente registrados na contabilidade a valor de mercado e afirma ser evidente que, se os valores de mútuo foram devolvidos com base nos valores registrados na contabilidade, não há que se falar em ganho de capital, vez que a diferença é igual a zero, a teor do art. 419 do RIR/99, a cujo respeito discorre. Também historia os fatos ligados a alterações de seu capital; afirma ser indevida a cobrança da multa regulamentar, aduzindo que as acusações respectivas não guardam correspondência com a realidade. Argumenta que o autuante cometeu os equívocos que aponta e presta os esclarecimentos que considera pertinentes. Ao final, prevendo a hipótese de os julgadores não se sentirem seguros para decidir a questão, pede a realização de diligência nos arquivos magnéticos entregues à fiscalização, ou nos arquivos em seu poder, a fim de averiguar se atendem ou não as especificações regulamentares, com vistas a responder os quesitos formulados às fls. 813; contesta a exigência das multas isoladas afirmando que não houve irregularidades em relação aos tributos respectivos, e também ao argumento de que a aplicação de duas multas de ofício sobre a mesma infração fiscal caracteriza duas cobranças sobre o mesmo fato, representando verdadeiro confisco; contesta a totalidade das multas lançadas, atribuindolhes caráter confiscatório. Argumenta que o art. 150 da Constituição Federal veda a utilização de tributo com efeito de confisco. Finaliza argumentando que, em obediência ao princípio da razoabilidade, deve ser afastada a aplicação das exorbitantes multas de 75%, que revelariam nítido caráter confiscatório, pleiteando sua substituição para o percentual de 2%. A autoridade julgadora de 1a instância converteu o julgamento em diligência (fls. 1486/1487), em razão da qual a Fiscalização prestou as informações de fls. 3067/3073, contraditadas pela contribuinte por meio da petição de fls. 3074/3085. Os pontos debatidos foram os seguintes: Fl. 29DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10920.001836/200940 Resolução nº 1101000.063 S1C1T1 Fl. 6 5 ● Relativamente à glosa de R$ 45.652.316,29, correspondente a despesa tributária contabilizada em razão da adesão da contribuinte ao PAEX (item “3.1.1.f”), solicitouse pronunciamento da Fiscalização acerca dos elementos juntados na impugnação. Intimada, a contribuinte indicou os débitos parcelados às 1495/1541 que corresponderiam a débitos de IPI advindos de DCTFs retificadoras e não aproveitados na determinação do lucro real no período de competência. Observando que a contribuinte apurou prejuízos fiscais e bases negativas desde 2002, concluiu a autoridade fiscal que não houve antecipação de pagamento de IRPJ e CSLL, restando injustificada a inobservância do art. 344 do RIR/99. Replicou a impugnante que a Fiscalização não apurou adequadamente o montante da dívida da Contribuinte junto ao PAEX, e, restando evidenciado que não houveram lançamentos de despesas nos exercícios anteriores, pediu a desconsideração integral da glosa promovida. ● Relativamente à glosa de custos por falta de expurgo dos créditos de COFINS e Contribuição ao PIS incidentes sobre compras de mercadorias recebidas em consignação (item “3.1.2”), ante os novos elementos juntados na impugnação, apontando para outra conta contábil envolvida na operação, deferiuse a diligência solicitada pela impugnante para confirmação da natureza dos valores registrados na conta 1424 e na conta 1421, bem como para avaliação da alegação da contribuinte de que lançamentos realizados nas contas de COFINS e Contribuição ao PIS a recolher e de Fornecedores teriam se prestado ao expurgo dos valores glosados. A autoridade fiscal comparou os documentos trazidos pela contribuinte com os constantes dos autos, e solicitou novos elementos, mas concluiu que eles não provavam as alegações da impugnante, e também acrescentou que os lançamentos em conta de tributos a recolher e fornecedores não afetaram a apuração do resultado do período. A impugnante reafirmou a regularidade de seus registros contábeis, indicando a origem documental dos valores por ela afirmados, e acrescentando que a Fiscalização ainda não havia entendido a sistemática da aquisição de insumos por consignação e muito menos a sistemática de custos da Contribuinte, baseando suas conclusões em premissas falsas. Refutou individualmente as afirmações fiscais resultantes da diligência, concluindo que os valores de PIS e COFINS não estão "embutidos" no CPV e que os equívocos cometidos pela Fiscalização invalidam o lançamento. ● Relativamente à multa por irregularidades nos arquivos magnéticos apresentados (item “3.3”), solicitouse à Fiscalização que respondesse aos quesitos formulados na impugnação. A autoridade fiscal apontou a existência de um grande número de lançamentos com histórico genérico e de lançamentos sem histórico na contabilidade auxiliar, diferenças entre o total de lançamentos a crédito e a débito na contabilidade auxiliar conforme relatório de importação dos arquivos magnéticos, indicativo de falta de lançamentos nos arquivos entregues, a ocorrência de lançamentos que necessitam de dias distintos para equivaler débito e crédito e de lançamentos, no diário auxiliar, que não têm contrapartidas registradas nos arquivos magnéticos, mesmo em lançamentos de primeira fórmula, restando evidenciado que os arquivos magnéticos estão em desacordo com a legislação na sua forma de apresentação. Contrapondose a esta análise, a impugnante esclareceu que os históricos padrão por ela adotados remetem a outros relatórios contábeis, em regra extensos e de difícil impressão, como inclusive já explicitado na impugnação. Destacou o reconhecimento da existência dos lançamentos auxiliares pela Fiscalização, mas com o acréscimo de inconsistências que são infirmadas pela validação dos arquivos no sistema informatizado da Receita Federal. Reiterou as justificativas para esporádicos lançamentos iniciados em um dia e concluídos em outro, contidas na impugnação, declarou desconhecer a apuração dos valores que levaram à conclusão de que há lançamentos sem contrapartida e ressaltou a impossibilidade de os arquivos magnéticos serem validados acaso aquele volume de inconsistências existisse. Afirmou que a Fl. 30DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10920.001836/200940 Resolução nº 1101000.063 S1C1T1 Fl. 7 6 Fiscalização se apegou a detalhismos, desconsiderando fatos incontestáveis, como a validação dos arquivos no sistema da RFB. A Turma julgadora acolheu parcialmente os argumentos da impugnante, aduzindo que: · Relativamente ao item seguinte “3.1.1.d”, a operação foi atípica e lesiva aos interesses da sociedade, pois a venda do imóvel resultou em parcelas a receber a partir de maio/2010, e pagamentos de aluguel desde 07/07/2001, de modo que as despesas incorridas até maio/2010, mesmo sem correção, representariam R$ 1.500.000,00 pelo aluguel de um prédio que pertencia à autuada. Deste modo, a operação teria beneficiado apenas Albano Schmidt, que usou patrimônio da impugnante para adquirir, para si, ações da própria impugnante. · Relativamente ao item “3.1.1e”, com base no contrato firmado para prestação de serviços de advocacia, nas aquisições de ações quase todos os seus parentes por Albano Schmidt, e no relatório de execução dos serviços prestados apresentados à Fiscalização, o conflito a ser solucionado existia entre apenas duas pessoas, os irmãos Albano Schmidt e Rodrigo de Almeida Schmidt, que peleavam pela administração e pelo controle acionário da impugnante e sua controladora, Joinvillense Participações S/A.. Logo, os serviços jurídicos remunerados com mais de vinte milhões de reais não se destinaram a defender os interesses da impugnante contra os interesses de pessoas estranhas. Tampouco se destinaram a defendêla do ataque de um grupo expressivo de acionistas dissidentes. Tratavase pura e simplesmente da disputa de duas pessoas físicas, cada uma delas detentora de 17,16% de suas ações, sendo que uma delas se encontrava encastelada na presidência da impugnante e, até onde se encontra documentado nos autos, o sócio defenestrado da diretoria carecia do efetivo poder de representar ameaça séria. Inexistiria prova da reprovação de contas alegada pela impugnante, a justificar a necessidade de blindagem na companhia, bem como nenhuma evidência há de que estas despesas contribuíram para o incremento das atividades da impugnante. Procedente, portanto, a glosa. · Relativamente ao item “3.1.1.f”, embora tenha sido informado ao autor da diligência, a possível existência de vários outros débitos além daqueles mencionados no Termo de Verificação Fiscal, o que invalidaria a suposição de que eram ‘inventados’, e a necessidade de pronunciamento expresso declinando os motivos que respaldassem a glosa levada a efeito, não houve demonstração da erronia do procedimento da impugnante, e a existência de fundamentos legais para a glosa. Acrescentando que somente com a confissão do débito no PAEX surgiu a possibilidade de a contribuinte calcular e deduzir contabilmente os juros e multa até ali incorridos, registrou que a Fiscalização não demonstrou que os débitos são inventados, não demonstrou a falta de reconhecimento do ativo correspondente ao crédito obtido pela via judicial, não demonstrou fundamento legal para Fl. 31DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10920.001836/200940 Resolução nº 1101000.063 S1C1T1 Fl. 8 7 a indedutibilidade dos encargo, não demonstrou equívocos no procedimento contábil e não demonstrou qualquer afronta ao art. 344 do RIR/99, impondose a declaração de improcedência da glosa. · Relativamente o item “3.1.2”, observando que os lançamentos automatizados de créditos de COFINS e Contribuição ao PIS prestamse apenas a destacálos da conta de Fornecedores, declarou incontroverso o fato de que o expurgo destes valores da conta de custos é feito por meio de lançamentos manuais. Contudo, analisando os demonstrativos apresentados pela impugnante, constatou que os lançamentos dos tais ajustes manuais não guardam correspondência com o somatório do PIS/PASEP e da COFINS que deveriam ser expurgados, apontando, inclusive, a existência de lançamentos que anulam tais expurgos. Refutou a alegação de que o autuante não teria compreendido a sistemática de contabilização de compras pelo regime de consignação, imputou à contribuinte o dever de demonstrar, com clareza e objetividade, os lançamentos que diz existirem, e ressaltou o fato de o lançamento de créditos de COFINS e Contribuição ao PIS serem automatizados, porque beneficiam a impugnante, ao contrário do expurgo de seus valores do custo, que precisam ser realizados manualmente. Demonstrando individualmente a inexistência de correlação entre os lançamentos contábeis e os valores que deveriam ser expurgados, concluiu que a impugnante não logrou demonstrar que exclui dos custos os valores do PIS/PASEP e COFINS que se credita, em relação às matériasprimas que adquire. · Relativamente ao item “3.2”, entendeu não demonstrada a existência de ganho de capital tributável na pessoa jurídica, na medida em que desconsiderados eventos registrados no contrato analisado pela Fiscalizado (constituição de reserva de reavaliação e sua incorporação parcial ao capital social), e não enfrentadas as disposições do art. 22 da Lei nº 9.249/95. Ainda, tendo em conta o que dispõe o art. 60 da Instrução Normativa SRF nº 11/96, declarou que o ganho de capital suscetível de tributação na pessoa jurídica é aquele que for apurado no valor do bem, e não no valor da participação do capital da pessoa jurídica. Em verdade, o autuante não alega que um bem foi entregue por valor superior àquele pelo qual a pessoa jurídica o adquiriu. O que a fiscalização alega é que os titulares do capital auferiram ganhos de capital. Logo, a tributação deveria recair sobre os sócios – e não sobre a empresa. Em conseqüência, considerou insubsistente o lançamento relativamente ao ganho de capital. · Relativamente ao item “3.3”, concluindo que a autuação decorreu do não atendimento à forma estipulada pela Administração para a apresentação dos registros e respectivos arquivos magnéticos, reputou necessária a indicação da norma que deixou de ser observada pela contribuinte, sendo insuficiente a indicação de que a escrituração contábil da fiscalizada dificultaria a auditagem, pois tal característica é intrínseca à escrita e não à forma dos arquivos digitais. Considerou favorável à impugnante o fato de seus arquivos terem sido importados e validados pelo programa Fl. 32DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10920.001836/200940 Resolução nº 1101000.063 S1C1T1 Fl. 9 8 específico da Receita Federal do Brasil (SINCO – Sistema Integrado de Coleta), e observou que outras desconformidades não detectáveis por este programa deveriam ser apontadas objetivamente pela Fiscalização. Ausente tal demonstração, a multa não pode ser mantida. · Negou a cobrança de multas de ofício sobre a mesma infração fiscal, pois a falta de recolhimento de estimativas é distinta da falta de recolhimento do ajuste anual. Firmou, também, a compatibilidade destas exigências com a legislação de regência, e a impossibilidade de sua redução ou alteração por critérios meramente subjetivos. Reconstituindo o lançamento, a autoridade julgadora exonerou crédito tributário principal de IRPJ no valor de R$ 17.546.187,57, e de CSLL no valor de R$ 5.037.065,28, além das correspondentes multas de ofício proporcional e isoladas, bem como a multa regulamentar aplicada nos valores de R$ 793.386,97, R$ 895.446,55 e R$ 990.636,44. Em razão dos montantes cancelados, recorreu de ofício a este Conselho. Cientificada da decisão de primeira instância em 22/02/2010 (fl. 3114), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 24/03/2010 (fls. 3117/3176.. Inicialmente observou que a Fiscalização não se pautou pela melhor técnica, considerandose que autuou a Impugnante com base em conclusões decorrentes de análise superficial dos dados apresentados, ao invés de tomar os devidos cuidados para efetuar as investigações atentando para a verdade material. Recordou a afirmação da autoridade lançadora de que os valores contabilizados em razão no parcelamento no PAEX foram “inventados”, embora tais informações constassem dos sistemas da RFB, e que sem analisar a operação em sua integralidade, exigiu da contribuinte a comprovação de pagamento de imposto de renda sobre o ganho de capital na devolução de capital a sócio. Ainda, classificou de elogiável a atuação da autoridade julgadora de 1a instância que cancelou a exigência de multa regulamentar, desconsiderando lançamento sem nenhum cabimento. O cancelamento, em 1a instância de julgamento, de cerca de metade do auto de infração demonstraria que a Fiscalização não primou pela melhor técnica. Passou a demonstrar, então, que os R$ 35 milhões remanescentes também não estão consentâneos com a legislação e com o princípio da verdade material, mas antes destacando que o valor exigido é deveras significativo e pode levar a Recorrente a situação de insolvência, tendo em conta que seu patrimônio líquido representa R$ 26 milhões, e o arrolamento de seus bens alcançou R$ 48 milhões, o que já lhe causa dificuldades operacionais na obtenção de empréstimos. Como se vê, ante valores tão significativos, não poderiam haver tantos descuidos e tanto açodamento por parte da Fiscalização. Apesar da Recorrente estar ciente que nos tempos atuais a velocidade e a padronização são a tônica, há que se considerar que a Fiscalização não pode se deixar levar por essa onda que a todos engolfa, principalmente no caso em tela, onde, além das significativas cifras envolvidas, surgem inúmeras consequências que afetam a operacionalidade da Recorrente, pois, como já demonstrado, como fazer com que a Recorrente obtenha capital de giro e financiamentos com essa verdadeira "espada de Dâmocles" sobre sua cabeça? Afirmou que a Fiscalização decorreu de sua vitória em ação judicial, na qual obteve o direito de creditarse do IPI pela aquisição de insumos adquiridos com isenção, não tributação e alíquota zero. Pareceulhe que o Órgão de Fiscalização quer recuperar o Fl. 33DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10920.001836/200940 Resolução nº 1101000.063 S1C1T1 Fl. 10 9 numerário "na marra", tornando a Recorrente um exemplo aos que ousam desafiála, pois, além do valor significativo, como já demonstrado, há o gravame sobre os seus bens, o que dificulta sobremaneira as suas operações. Por estas razões, cogitou de requerer a nulidade do lançamento, mas assim não fez ante a jurisprudência administrativa predominante que classifica o procedimento fiscal de fase inquisitória. Todavia, pediu a este Colegiado a necessária ponderação para reequilibrar a equação, pois, da forma como efetuada a Fiscalização e concretizada a Autuação, como já se viu em relação a uma parte e como se verá em relação a outra parte, que ora é recorrida, deve ser redobrada a análise dos fatos e direitos, com o intuito único de evitar grave injustiça. No que tange à glosa de despesas de alugueis, reportouse aos documentos juntados à impugnação, que evidenciam o compromisso irretratável de compra e venda do imóvel de Contagem, datado de 08/06/2004, em favor de Albano Schmidt, que o repassou a Rodrigo de Almeida Schmidt, como autorizado contratualmente, restando pendente apenas a outorga da escritura pública de compra e venda, para a transferência perante o Registro de Imóveis. Entendeu que foram ignorados os efeitos jurídicos do contrato de compra e venda (negócio jurídico perfeito) — com cláusulas de irrevogabilidade e irretratabilidade (que não autorizam o arrependimento do negócio/contrato) – e também, os demais documentos, que roboram a informação acerca da efetiva transferência da posse (mesmo que indireta) — tradição do bem no ato de assinatura do aludido contrato, citando a lei civil e jurisprudência acerca dos conceitos de propriedade e posse. Comparou a operação questionada àquela que teve por objeto imóvel situado em Sumaré, bem como abordou a necessidade da despesa e a possibilidade de o proprietário vender seu imóvel e continuar nele morando como locatário. Relativamente à glosa de despesas tratada no item “3.1.1.e”, a autoridade julgadora teria ampliado os equívocos cometidos no lançamento, ensejando conclusões errôneas. Buscou assim desconstituir os seguintes equívocos da decisão recorrida: a.1) Equívoco 1: a autoridade julgadora não teria levado em conta o contrato firmado em 17/08/2006. Descrevendo os serviços contratados, pagos a cada etapa vencida, porque contratados ad êxito, esclareceu que a recorrente assumiu os pagamentos iniciados em 2004, por ser ela a única das Empresas com potencial produtivo e que assim precisava ser preservada no período de conflito de seus Controladores. Destacou o benefício patente representado pelo aumento de seu faturamento e os prejuízos que poderiam he causar um desgastante processo de reestruturação societária. Observou que o rateio das despesas pela controladora resultaria no mesmo encargo à autuada, conforme doutrina citada. Por fim, disse que o objeto do contrato de 17/08/2006 vincularseiia à última etapa da contratação anterior, consistente na retirada da Termotécnica do Grupo Joinvillense, operação de interesse da autuada, visto aquela controladora possuir patrimônio líquido negativo e depender de mútuos da Recorrente, prejudicando suas atividades. a.2) Equivoco 2: a autoridade julgadora teria desconsiderado a possibilidade de outra solução ao conflito, cogitada contratualmente, e consistente na dissolução do Grupo. O contrato buscou proteger a Recorrente de quaisquer efeitos do conflito societário, mantendo aa sinergia durante turbulências que são recorrentes em empresa familiar, e as conclusões da autoridade julgadora desconsidera as dificuldades enfrentadas no caso concreto, descritas em sua defesa, com base nas quais diz ser simplista a afirmação de que o Sr. Albano Schmidt abusou de sua condição de presidente para beneficiarse dos serviços do escritório de Fl. 34DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10920.001836/200940 Resolução nº 1101000.063 S1C1T1 Fl. 11 10 advocacia e adquirir as ações de quase todos seus parentes. Defende a necessidade dos serviços jurídicos para a manutenção da atividade da Recorrente durante o conflito e a manutenção da fonte produtora de receitas de forma independente das questões entre os Acionistas. Aborda novamente as opções cogitadas para solução do litígio, e a solução ao final encontrada, asseverando que a decisão recorrida inverteu a ordem dos fatos e distorceu a realidade, na busca de vincular a solução do conflito a interesse exclusivo do acionista, ignorando a imprevisibilidade sempre presente quando se lida com seres humanos. a.3) Equívoco 3: quanto à afirmação de que Albano Schmidt já havia adquirido as ações da Joinvillense Participações S/A, historiou os fatos desde o conflito evidenciado na Assembléia Geral Ordinária de 30/04/99, até a retirada dos minoritários, e as aquisições destas ações por Albano Schmidt, embora sem alteração do controle da sociedade, relatando a posterior retirada de Adele e Helga Schmidt, cujas ações foram adquiridas por aquele sócio, permitindolhe alcançar o controle do Grupo em abril/2002 e, assim, ”sonhar” com a concentração total das participações acionários de todos os integrantes da Família Schmidt. a.4) Equívoco 4: esclareceu que o documento de fls. 112/116, que revelaria que o escritório de advocacia contratado tomou partido do Sr. Albano, em detrimento de seu contendor, Sr. Rodrigo foi produzido pelos advogados contratados pelo Sr. Albano para cuidar de seus interesses no conflito societário, nada nele permitindo a afirmação de que ele seria de autoria do escritório contratado pela empresa, consoante abordagem comparativa apresentada na defesa. a.5) Equívoco 5: haveria contradição evidente na conclusão da autoridade julgadora de que o aumento de faturamento da contribuinte decorreu de boa gestão, mas ainda assim seriam desnecessários os gastos com assessoria jurídica. Questiona se a boa gestão não decorreria das medidas tomadas para evitar os problemas e potencializar seus negócios, citando a defesa em ações movidas pelos sócios, a profissionalização decorrente do afastamento de familiares empregados que não trabalhavam, o corte de benefícios indevidos a acionistas, as mudanças societárias. Concluiu ser óbvio que o fato do conflito societário ter sido resolvido da melhor forma possível, permitiu que a Recorrente continuasse a operar sem maiores traumas o que foi fundamental para a continuidade dos negócios. Concluiu, assim, que as despesas garantiram a operacionalidade da Recorrente, blindandoa contra atos prejudiciais que poderiam ser praticados por Rodrigo Schmidt. Transcreveu doutrina acerca da “função social dos contratos”, para afirmar que a resolução do conflito societário foi fundamental para a continuidade das operações da Recorrente, protegendo a própria existência da fonte produtora. Citou caso semelhante cuja exigência foi desconstituída em exame de recurso voluntário. No que tange à infração tratada no item 3.1.2 do Termo de Verificação Fiscal, decorrente da falta de exclusão dos créditos de PIS e COFINS das compras de insumos em consignação das DIPJ's dos anoscalendário 2004, 2005 e 2006, embora demonstrado, em impugnação, os equívocos cometidos pela Fiscalização, e tendo a autoridade julgadora solicitado diligência, na medida em que esta foi realizada pela próprio Auditor autuante, não houve o resultado almejado com vistas a dirimir toda e qualquer dúvida, quanto à ausência de fundamentos na Autuação. Assim, inicialmente firmou as balizas decorrentes do procedimento até aqui desenvolvido nos seguintes termos: 1) A Autuação se deu porque o Sr. AuditorFiscal entendeu que a Recorrente não excluiu o PIS e a COFINS da conta de compra de matériaprima pela sistemática da Fl. 35DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10920.001836/200940 Resolução nº 1101000.063 S1C1T1 Fl. 12 11 consignação, ou seja, os valores relativos ao PIS e COFINS estariam "embutidos" em tal conta, componente do CPV; 2) A Recorrente equivocouse ao remeter as Planilhas que apresentam os valores relativos aos centros de custo que compõem a linha 3 da Ficha 4A das DIPJ's dos anoscalendário 2004, 2005 e 2006 ("Anexo XVII" da Impugnação) e apresentou as novas Planilhas, desta feita com os valores corretos ("Anexo XVIII" da Impugnação); 3) A Recorrente apresentou também no "Anexo XX" da Impugnação, que foi reapresentado no "Anexo VIII" da cartaresposta a Diligência, protocolada em 09/11/2009, Planilhas relacionando todas as Notas Fiscais da movimentação efetuada pela Recorrente nos anoscalendário 2004, 2005 e 2006. Foi dito que estas Planilhas constituiam a compilação de dados extraídos do Relatório SUP 1650, não tendo sido juntado o referido Relatório em virtude do volume que seria gerado, porém, a Recorrente garantiu a veracidade das informações e deixou bem claro que o mesmo estava disponível para ser averiguado pela Fiscalização a qualquer momento. Cabe registrar que tendo sido realizada a Diligência e não tendo a Fiscalização se manifestado a respeito e considerando que a Turma Julgadora de Primeira Instância utilizouse do mesmo para embasar seu Acórdão, fica desde já registrado que as mencionadas Planilhas foram devidamente aceitas como verídicas e hábeis para o presente Recurso. Mesmo assim, caso a digna Turma assim não entenda o Relatório SUP 1650 permanece a disposição para quaisquer averiguações que se façam necessárias, para comprovação da veracidade dos dados fornecidos nas Planilhas juntadas no "Anexo XX" da Impugnação; 4) Demonstrouse que os lançamentos manuais existem e que os mesmos serviram para "expurgar" o PIS e a COFINS da conta 1424 (compras em consignação). Passou a demonstrar, então, como é efetivada a compra de matériaprima (monômero de estireno) pela sistemática da consignação e como se dá a apropriação dos custos em relação a tais aquisições, abordando a metodologia aplicada em relação a exclusão dos tributos IPI, ICMS, PIS e COFINS do custo dessas aquisições. Procurou demonstrar, também, seu equívoco ao enviar planilhas ao AuditorFiscal, e discordou das conclusões, equivocadas, da Fiscalização de que os Tributos PIS e COFINS estariam "embutidos" nas "compras em consignação", apontando as interpretações erradas adotadas pelo fiscal autuante. Alegou que apresentou os demonstrativos corretos na impugnação, não questionados pela Fiscalização ou pela autoridade julgadora e subsidiariamente cogitou da necessidade de novas análises pela autoridade fiscal. Ressaltou que a autoridade julgadora concluiu que não existem evidências de que a impugnante efetivamente expurgou de seus custos os valores por ela creditados a titulo de PIS/PASEP e COFINS, mas a acusação fiscal foi no sentido de que o PIS e a COFINS estão "embutidos" nas compras em consignação, não de que não existiriam lançamentos de expurgo, e questionou que comprovação deveria apresentar para desconstituir as premissas equivocadas aqui adotadas. Reportouse a evidências de que a Fiscalização não teria compreendido a sistemática de compras em consignação, e procurou demonstrar sua preocupação durante o procedimento fiscal em esclarecer tais fatos. Apresentou justificativas para os lançamentos manuais de ajustes, e apontou as verificações que deveriam ter sido feitas pela autoridade fiscal. Classificou de injusta a penalização com a exigência aqui veiculada pelo fato de efetuar a escrituração de forma não consentânea com o pretendido pela Fiscalização e pela Fl. 36DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10920.001836/200940 Resolução nº 1101000.063 S1C1T1 Fl. 13 12 Turma Julgadora de Primeira Instância e pediu a reforma do Julgado de Primeira Instância em relação a este item da Autuação. Subsidiariamente opôsse à aplicação de duas multas de ofício sobre a mesma infração fiscal, por caracterizar bis in idem. Invocou jurisprudência deste Conselho e pediu o cancelamento das multas isoladas. Aduziu, também, que a multa de ofício no percentual de 75% tem natureza confiscatória, e em obediência ao princípio da razoabilidade pede sua redução a 2%. Em contrarrazões, a Procuradoria da Fazenda Nacional apenas pediu que fosse negado provimento ao recurso voluntário. No que tange aos pagamentos de aluguel à empresa Plastivan, destacou que a formalidade prescrita em lei para a validade do negócio jurídico de compra e venda não foi observada, de modo que nos termos do art. 166, inciso IV do Código Civil de 2002, o negócio jurídico é nulo e ineficaz erga omnes, permanecendo a propriedade do imóvel com a contribuinte. Ademais, não se verificou o pagamento do preço e a respectiva entrega do bem, dado que a transferência de propriedade dependeria de registro da escritura pública de compra e venda, não realizado até a data do lançamento. Demais disso, o negócio jurídico seria completamente atípico e lesivo ao patrimônio da contribuinte, que, de proprietária do imóvel, passou, por puro arbítrio de seu administrador e sem nenhuma contrapartida financeira pelo prazo de seis anos, à condição de reles locatária, com a assunção de uma obrigação mensal de pagamento de R$ 15.000,00, posteriormente elevada para R$ 25.000,00. A autuada, por ato de pura liberalidade, financiou a perder de vista a pretensão do acionista Albano Schimidt de adquirir as ações de Rodrigo de Almeida Schmidt, assumindo, em função dessa liberalidade, o ônus de pagar despesas de aluguel. Logo, não estão presentes os requisitos da necessidade e da normalidade do gasto, na forma do Parecer Normativo CST nº 32/81. Quanto às despesas com serviços jurídicos, observa que para ser dedutível, a despesa deve se prestar à consecução das atividades próprias da empresa, de seu objeto social, contribuindo para a geração da correspondente receita. Contudo, o objetivo primordial e imediato a ser alcançado com as contratações, e quanto a isso não há debate, era solucionar o conflito estabelecido entre os sócios, evidenciando o uso da pessoa jurídica e de seus recursos como instrumento para resolver questões que tocam primordialmente aos interesses de ordem pessoal de seus sócios, sendo que apenas em caráter acessório, secundário, podese cogitar de possíveis ganhos em favor da empresa. Considerou, insuficiente, o fato de o gasto ter trazido algum benefício abstrato à pessoa jurídica, e firmou indispensável a prova dos efeitos concretos que o gasto gerou na obtenção das receitas. Destacou, por fim, que as despesas de 2004 a 2006 alcançaram a monta de aproximadamente R$ 95.000.000,00 (noventa e cinco milhões de reais), dos quais mais de R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de reais), ou seja, de cerca de 21%, foram incorridos com os serviços de advocacia ora debatidos. Com referência à glosa de custos, pediu vênia para encampar os argumentos coligidos pela DRJ, destacando que a matéria é eminentemente probatória, não havendo o contribuinte logrado êxito em comprovar que expurgava da conta de compra de matérias prima em consignação os créditos de PIS e Cofins. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10920.001836/200940 Resolução nº 1101000.063 S1C1T1 Fl. 14 13 Defendeu a legalidade da cumulação da multa de ofício com a multa isolada, na medida em que há duas infrações distintas, inclusive com bases de cálculos distintas, e transcreveu ementas de decisões judiciais favoráveis ao entendimento defendido. Por fim, abordou a legitimidade da multa no percentual de 75%, invocando a Súmula CARF nº 2 e discordando da alegação de ofensa ao princípio do não confisco. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10920.001836/200940 Resolução nº 1101000.063 S1C1T1 Fl. 15 14 VOTO Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Como relatado, a contribuinte não questionou os três primeiros itens da autuação que tratam de glosa de despesas não comprovadas ou desnecessárias. Assim, passase à apreciação do mérito da exigência a partir do item 3.1.1.d da autuação, mas iniciandoSE por aquele que exigiria prévia diligência para conclusão da apreciação de seu mérito. 3.1.2 – Glosa de custos – PIS e Cofins de compras A autoridade lançadora entendeu que a contribuinte não comprovara a exclusão de créditos de Contribuição ao PIS e de Cofins no montante de insumos computados no custo dos produtos vendidos, referentes a compras em consignação. Em impugnação, a contribuinte descreveu seu procedimento, disse que houve incorreta interpretação dos fatos, inclusive na exposição por ela feita ao Fisco, e requereu diligência, apresentando quesitos, para aferição da regularidade dos novos demonstrativos juntados à defesa. A diligência foi deferida, mas os elementos apresentados não convenceram a Fiscalização. A autoridade julgadora também entendeu que os expurgos eram feitos por lançamentos manuais, alguns dos quais estornados, concluindo que as alegações não foram demonstradas com clareza e objetividade. A recorrente traz extenso arrazoado acerca do procedimento por ela adotado, destacando as peculiaridades das operações de consignação. Necessário, portanto, analisar os elementos que ensejaram as conclusões das autoridades lançadora e julgadora, em confronto com as alegações da recorrente. Na introdução do Termo de Verificação Fiscal, disse a autoridade lançadora que os questionamentos acerca da apuração da Contribuição ao PIS e da Cofins foram objeto dos Termos de Intimação Fiscal de nº 13 e 14 (fls. 510 e 544), cujas respostas estariam juntadas às fls. 512/543 e 545/551, tendo sido prestados, também, esclarecimentos adicionais juntados às fls. 552/563. No Termo de Intimação Fiscal nº 13, questionou a Fiscalização: 1. Justificar os valores constantes das fichas 20 e 24 da DIPJ 2005, item 2, divergirem do valor de compras informado na ficha 4A ANO CALENDÁRIO 2004 COMPRAS FICHA 4A DIPJ 78. 737. 433,30 CRÉDITO DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS/PIS 110.353.172,51 CRÉDITO DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS/COFINS 110.220.889,05* *considerando o mesmo valor que o informado para PIS no mês de janeiro. 2. Justificar os valores das linhas correspondentes aos créditos de insumos nas DACON anos calendário 2005 e 2006 divergirem dos valores de compras informados na ficha 4A das DIPJ: ANO CALENDÁRIO 2005 2006 COMPRAS FICHA 4A DIPJ 72.663.243,55 76.854.901,73 CRÉDITO DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS/PIS 108.410.391,04 99.477.856,62 CRÉDITO DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS/COFINS 108.410.391,04 98.911.667,71 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10920.001836/200940 Resolução nº 1101000.063 S1C1T1 Fl. 16 15 Observase que o indício inicialmente apurado era contrário à conclusão final da Fiscalização: as compras inseridas no cálculo do custo dos produtos vendidos eram inferiores aos insumos utilizados para creditamento na apuração não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS. A contribuinte requereu dilação do prazo, informando que 5 (cinco) dias úteis seriam insuficientes para o atendimento. Este documento, juntado às fls. 512/514, é apontando pela Fiscalização como resposta à intimação, e é acompanhado de extrato do Livro Razão da conta 1.01.09.003.004 – Matéria Prima em Consignação nos anos de 2004 a 2006 (fls. 515/543). O Termo de Intimação Fiscal nº 14 exige justificativas acerca da composição do item OUTRAS RECEITAS na apuração das bases de cálculo de PIS e COFINS, nas DACON, bem como das diferenças entre as bases de cálculo de PIS e COFINS e as receitas de vendas na DACON 2007. Ou seja, não mantém relação direta com este item da autuação. Já às fls. 545/551 consta o que efetivamente seria a resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 13, e nela a contribuinte esclarece: · O valor dos insumos informado na ficha de apuração de créditos do PIS/Cofins (linha 02 das fichas 20 e 24 da DIPJ) correspondem ao valor bruto, antes do desconto de PIS, Cofins e ICMS, ao passo que o valor informado a título de compras de insumos, na linha 03 da ficha 04 da DIPJ) corresponde ao valor líquido de impostos; · O valor de compras em 2004 contém, indevidamente, o valor de frete vendas, que deveria estar destacado na linha 07 da mesma ficha, bem como o valor de energia elétrica dos meses de outubro, novembro e dezembro está ali computado, quando o correto seria estar indicado na linha 04; · A diferença entre o valor de insumos informados nas fichas de apuração de Contribuição ao PIS e Cofins de 2004 decorre de erro no preenchimento da ficha relativa à Cofins nos meses de outubro e novembro de 2004, sendo o correto o valor de R$ 110.353.172,51; e · A diferença entre o valor de insumos informados na apuração de Contribuição ao PIS e Cofins de 2006 não existe, conforme demonstrativos apresentados. Embora sem intimação formal, a contribuinte abordou, em esclarecimentos adicionais de fls. 552/563, as colocações da Fiscalização por ocasião da apresentação das respostas acima mencionadas, quando afirmado que não conseguiu verificar os créditos de PIS e COFINS, no arquivo magnético, o que, segundo afirmação sua "o leva a crer que a empresa não estaria excluindo tais créditos do custo dos produtos (CPV)"; e ter restado evidenciado, pelos questionamentos feitos por V.Sa., que não foi bem compreendida a questão afeta à operação de aquisição de matériaprima pela sistemática da consignação. Para esclarecer estes fatos, apresentou exemplo da contabilização do recebimento de matériaprima por consignação e do seu consumo, destacando que os valores da segunda operação são mais elevados por ser registrada em poucas notas fiscais: Fl. 40DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10920.001836/200940 Resolução nº 1101000.063 S1C1T1 Fl. 17 16 No momento da remessa da matériaprima, a empresa "Innova SA" emite nota fiscal de remessa de consignação e envia a mercadoria. A Termotécnica registra a nota fiscal e a mercadoria em estoque em consignação e se credita do ICMS e do IPI, conforme lançamentos contábeis abaixo: NF 54184 data emissão 30/11/2004 data entrada 02/12/2004 D — 1.01.09.003.004 conta reduzida 1424 (matériaprima em consignação) — valor total da nota fiscal deduzindo o crédito do ICMS e IPI. D — 2.01.03.001.000 conta reduzida 6101 (IPI a recuperar) valor do crédito do IPI. D — 2.01.03.002.000 conta reduzida 6102 (ICMS a recuperar) valor do crédito do ICMS. C _ 2.01.08.043.000 conta reduzida 6263 (fornecedores em consignação) valor total da nota fiscal. Para comprovar que assim é, segue no "Anexo 1" cópia do lançamento contábil, extraída diretamente da tela do computador, que reproduz o lançamento contábil efetivado no sistema "logix", bem como reprodução do que consta no arquivo magnético, enviado para V.Sa. Como se vê, nessa etapa, os créditos de PIS e COFINS ainda não haviam sido tomados, pelo fato de não ter havido consumo. Posteriormente, no momento em que a Termotécnica consumiu a matériaprima, a fornecedora "Innova" emitiu a nota fiscal de faturamento, gerando a cobrança. Dessa forma, a Termotécnica registrou a nota fiscal no seu estoque e creditou o PIS e a COFINS, de vez que, nesse momento, foi gerado o direito ao crédito, conforme lançamentos contábeis abaixo: NF 54943 data emissão 21/12/2004 data entrada 21/12/2004 D — 2.01.08.043.000 conta reduzida 6263 (fornecedores em consignação) valor da mercadoria deduzido o crédito do PIS e da COFINS D — 2.01.03.010.000 conta reduzida 6110 (PIS a recuperar) valor do PIS creditado D — 2.01.03.005.000 conta reduzida 6105 (COFINS a recuperar) valor da COFINS creditado C — 2.01.001.000 conta reduzida 6001 (fornecedores a pagar) valor total da nota fiscal Para comprovar que os lançamentos acima foram efetivamente realizados, segue o "Anexo 2" com a cópia do lançamento contábil, extraída diretamente da tela do computador, que reproduz o lançamento contábil efetivado no sistema "logix", bem como reprodução do que consta no arquivo magnético, enviado para V.Sa. Assim, fácil constatar que os valores do PIS e da COFINS não compõem a conta 2.01.08.043.000 (fornecedores em consignação), ou seja, em tal conta são registrados os valores "líquidos" (sem PIS e COFINS) das matériasprimas. Ao final de cada mês, os valores da conta 2.01.08.043.000 são transferidos, via lançamento manual, para conta de estoque, logo, não há PIS e COFINS nos valores contabilizados em estoque e conseqüentemente no CPV. Antes, porém, a Fiscalização já havia intimado a contribuinte a informar que contas do centro de custos estão abrangidas pelo custo de insumos, apresentando estes dados de modo que o custo total de insumos deve corresponder à soma dos valores informados nas contas de centro de custo controladas pelo estoque, bem como saneando inconsistências detectadas em contas representativas de compras (1401, 1402, 1421, 1424, 1425, 1426, 1431 e 1438) (fl. 446). E os demonstrativos de fls. 455/457 apontaram de quais contas foram extraídos Fl. 41DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10920.001836/200940 Resolução nº 1101000.063 S1C1T1 Fl. 18 17 os valores informados nas DIPJ dos anoscalendário 2004 a 2006, a título de estoque final, compras e estoque inicial. Eis o resumo do que informado acerca da composição de compras, com destaque do ponto central do presente litígio: Conta Contábil Valores Indicados no Demonstrativo Extenso Reduzida 2004 2005 2006 1.01.09.001.001 1401 64.559,13 11.948,16 1.01.09.001.002 1402 25.980.547,43 21.670.341,26 20.029.416,39 1.01.09.003.001 1421 4.334.424,40 5.636.113,34 12.560.034,98 1.01.09.003.005 1425 6.558.499,29 8.024.925,85 9.829.534,40 1.01.09.003.006 1426 479.355,46 810.430,71 1.01.09.004.001 1431 1.062.259,93 1.201.098,08 1.01.09.004.008 1438 1.01.09.003.004 1424 40.322.346,79 36.456.873,26 33.222.869,72 Total 78.737.433,30 72.663.243,55 76.854.901,73 Em razão destes elementos, a autoridade lançadora constatou que o custo de compras na ficha 4A das DIPJ's, para as compras em consignação, está representado pela conta 1424, 1.01.09.003.004 — Compras em Consignação, cujo relatório, fls. 515 a 543, apresenta seus valores. E, de fato, as fichas com informações do Livro Razão, ali juntadas, apontam que a conta 1.01.09.003.004 apresentava saldos devedores de R$ 40.322.346,79 em 31/12/2004 (fl. 526), R$ 36.456.873,26 em 31/12/2005 (fl. 534) e R$ 33.222.869,72 em 31/12/2006 (fl. 543). A Fiscalização concluiu que houve apropriação a maior no custo dos produtos vendidos, tendo em conta a informação da contribuinte de que os valores registrados na conta 1.01.09.003.004 ainda não estariam reduzidos pelos créditos de PIS e Cofins, fato por ela demonstrado por meio dos lançamentos contábeis antes descritos e pelo confronto das fls. 524 e 557/558, que expressam a contabilização da nota fiscal nº 54.184, de 02/12/2004, a título de exemplo. O fiscal autuante acrescentou que inexistia qualquer registro de lançamento manual naquela conta e que as deduções de PIS e Cofins, na apuração da receita líquida, foram feitas pelo valor destas contribuições antes do abatimento dos créditos. Para determinar o valor tributável, o fiscal autuante somou os registros de fls. 515/543 ao ICMS e ao IPI extraídos do Livro Registro de Entradas (observando a informação da contribuinte de que os registros da conta 1424 já estavam reduzidos pelo ICMS e IPI a recuperar), e elaborou o demonstrativo de fls. 616/628 no qual decompôs estas operações para apurar o valor total de cada nota fiscal sem os tributos, e assim identificar a diferença indevidamente apropriada a maior nos custos. A apuração fiscal representou reduções nos valores extraídos da conta 1.01.09.003.004 (reduzida 1424) em montantes equivalentes a R$ 5.113.821,58 em 2004, R$ 4.385.711,77 em 2005 e R$ 4.781.526,52 em 2006. Todavia, por ocasião da apresentação do demonstrativo de fls. 455/457, a contribuinte informara que a conta 1424 referese a estoque de consignação. Portanto, o estoque é de terceiros e conseqüentemente não podemos computar o valor do estoque inicial e final na composição do custo de insumos. As compras efetivadas (quando consumidas) fazem parte da composição do custo de insumos. Logo, embora afirmando que somente as compras efetivamente consumidas eram transportados para custo, a contribuinte indicou no Fl. 42DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10920.001836/200940 Resolução nº 1101000.063 S1C1T1 Fl. 19 18 demonstrativo de fls. 455/457 o saldo final da conta 1424 como integrante dos custos dos produtos vendidos nos períodos fiscalizados (fls. 526/543). Neste mesmo sentido, a Fiscalização tomou por referência as notas fiscais apontadas na conta 1424 como representativas de compras que poderiam ser computadas no custo dos produtos vendidos, e a partir delas determinou as parcelas de Contribuição ao PIS e Cofins que deveriam ser excluídas nesta operação. Observase, também, que nos esclarecimentos adicionais de fls. 552/563, a contribuinte disse que a conta reduzida 6263 (fornecedores em consignação), depois de ser creditada pelo valor bruto das matériasprimas recebidas em consignação (incluindo o ICMS e o IPI, e sem o destaque da Contribuição ao PIS e da Cofins), era debitada pelo valor líquido das matériasprimas efetivamente consumidas, depois de expurgados os créditos de Contribuição ao PIS e Cofins a recuperar, e que ao final do mês, o saldo desta conta era transferido, por meio de lançamento manual, para conta de estoque de mercadorias. Tal argumentação não observa a lógica contábil, pois se o valor representativo de matérias primas ingressa em uma conta contábil pelo seu valor bruto, e seu consumo é extraído daquela conta pelo valor líquido, o saldo remanescente jamais representará apenas o estoque daquela matéria prima. Certamente o saldo remanescente, em tais condições, estaria minimamente acrescido pelos créditos de Contribuição ao PIS e de Cofins que ingressaram, mas não saíram daquela conta, inexistindo qualquer esclarecimento acerca de ajustes do IPI e do ICMS devidos em razão do consumo efetivo das mercadorias. Esta observação se presta a demonstrar o quão imprecisos foram os esclarecimentos adicionais de fls. 552/563 que, recordese, sequer decorreram de uma intimação formal da Fiscalização. E isto para comparálos com os esclarecimentos prestados num segundo momento, durante o contencioso administrativo. Em impugnação, ao descrever novamente o procedimento adotado para esta contabilização, a interessada reformulou os demonstrativos de fls. 455/457 e deu ênfase aos lançamentos manuais necessários para a correta apropriação da matéria prima consumida, reportandose não só aos registros da conta 1424, como também na conta 6263. O comparativo a seguir evidencia as alterações alegadas (fls. 1145/1153), relativamente à composição do montante agregado, a título de compras, no custo dos produtos vendidos: Conta Contábil 2004 Extenso Reduzida Proc. Fiscal Impugnação 1.01.09.001.001 1401 1.01.09.001.002 1402 25.980.547,43 25.980.547,43 1.01.09.003.001 1421 4.334.424,40 8.380.915,28 1.01.09.003.005 1425 6.558.499,29 6.558.499,29 1.01.09.003.006 1426 479.355,46 479.355,46 1.01.09.004.001 1431 1.062.259,93 1.062.259,93 1.01.09.004.008 1438 1.01.09.003.004 1424 40.322.346,79 36.275.855,91 Total 78.737.433,30 78.737.433,30 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10920.001836/200940 Resolução nº 1101000.063 S1C1T1 Fl. 20 19 Conta Contábil 2005 Extenso Reduzida Proc. Fiscal Impugnação 1.01.09.001.001 1401 64.559,13 64.559,13 1.01.09.001.002 1402 21.670.341,26 21.670.341,26 1.01.09.003.001 1421 5.636.113,34 9.546.933,72 1.01.09.003.005 1425 8.024.925,85 8.024.925,85 1.01.09.003.006 1426 810.430,71 810.430,71 1.01.09.004.001 1431 1.01.09.004.008 1438 1.01.09.003.004 1424 36.456.873,26 32.546.052,88 Total 72.663.243,55 72.663.243,55 Conta Contábil 2006 Extenso Reduzida Proc. Fiscal Impugnação 1.01.09.001.001 1401 11.948,16 11.948,16 1.01.09.001.002 1402 20.029.416,39 20.029.416,39 1.01.09.003.001 1421 12.560.034,98 13.881.203,02 1.01.09.003.005 1425 9.829.534,40 9.829.534,40 1.01.09.003.006 1426 1.01.09.004.001 1431 1.201.098,08 1.201.098,08 1.01.09.004.008 1438 1.01.09.003.004 1424 33.222.869,72 31.901.701,68 Total 76.854.901,73 76.854.901,73 Disse a impugnante que errou ao elaborar o demonstrativo de fls. 455/457, dado o volume de informações exigidas e os exíguos prazos concedidos pela Fiscalização, estando os novos valores alegados expressos nos seguintes demonstrativos: · Anexo XIX à impugnação, no qual os novos valores apurados como oriundos da conta 1421 resultam do expurgo dos valores referentes a transferências de matériaprima de matriz para filial, e de filial para filial. Os extratos do Livro Razão evidenciariam estas operações em históricos que remetem ao nome da impugnante (fls. 1154/1355). Tais extratos apresentam os valores contabilizados na conta 1421 e o seu saldo final em cada anofiscalizado (R$ 18.625.073,63 em 2004, R$ 31.330.002,86 em 2005 e R$ 18.490.269,48 em 2006) · Anexo XX à impugnação, no qual estão descritas as notas fiscais de remessa de matérias primas em consignação, com destaque do IPI e do ICMS, e notas fiscais de faturamento destas matérias primas, com destaque da Contribuição ao PIS e da COFINS, agrupadas mensalmente em todo o período fiscalizado (fls. 1356/1384). No Anexo XIV à impugnação (fls. 1120/1121), a contribuinte transcreve o demonstrativo de janeiro/2006 expresso no Anexo XX, relacionando as notas fiscais de remessa de matériasprimas recebidas em consignação à correspondente nota fiscal de Fl. 44DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10920.001836/200940 Resolução nº 1101000.063 S1C1T1 Fl. 21 20 faturamento do consumo destes insumos, inclusive apontando, relativamente ao primeiro grupo, os créditos de PIS/COFINS que a Fiscalização entendeu tributáveis: Nº NF ESP DATA CFOP ICMS IPI PIS COFINS TOTAL NF PIS COFINS 69099 NFR 16/01/2006 2.917 16.555,25 16.855,32 137.960,43 12.761,34 69182 NFR 18/01/2006 2.917 16.034,52 16.325,14 133.620,96 12.359,94 69847 NFR 26/01/2006 2.917 16.084,51 16.376,04 134.037,55 12.398,47 68986 NFR 27/01/2006 2.917 15.997,02 16.286,97 133.308,52 12.331,04 69011 NFR 27/01/2006 2.917 16.005,35 16.295,45 133.377,95 12.337,46 69036 NFR 27/01/2006 2.917 15.938,70 16.227,59 132.822,50 12.286,08 69184 NFR 27/01/2006 2.917 16.580,25 16.880,76 138.168,72 12.780,61 69195 NFR 27/01/2006 2.917 16.176,16 16.469,35 134.801,30 12.469,12 69219 NFR 27/01/2006 2.917 16.705,22 17.008,01 139.210,20 12.876,94 69326 NFR 27/01/2006 2.917 16.126,17 16.418,45 134.384,71 12.430,59 69376 NFR 27/01/2006 2.917 15.951,20 16.240,31 132.926,65 12.295,72 69631 NFR 27/01/2006 2.917 15.663,75 15.947,66 130.531,26 12.074,14 69646 NFR 27/01/2006 2.917 15.980,36 16.270,00 133.169,66 12.318,19 69523 NFR 30/01/2006 2.917 16.084,51 16.376,04 134.037,55 12.398,47 69647 NFR 30/01/2006 2.917 16.097,00 16.388,76 134.141,70 12.408,11 69774 NFR 31/01/2006 2.917 15.876,21 16.163,97 132.301,76 12.237,91 69821 NFR 31/01/2006 2.917 15.713,74 15.998,55 130.947,85 12.112,68 69837 NFR 31/01/2006 2.917 16.551,09 16.851,07 137.925,71 12.758,13 69855 NFR 31/01/2006 2.917 16.051,18 16.342,11 133.759,82 12.372,78 306.172,19 311.721,55 2.551.434,80 236.007,72 69884 NFF 31/01/2006 2.111 42.065,45 193.756,02 2.549.421,28 42.065,45 193.756,02 2.549.421,28 COMPRAS SEM IMPOSTOS 1.695.706,07 A impugnante observou que estas informações foram extraídas por meio do relatório contábil SUP1650, exemplificado no Anexo XV da impugnação (fl. 1123). A soma destas compras sem impostos resulta nos valores que a contribuinte aponta no demonstrativo de fls. 1145/1153 como parcela extraída da conta 1424 para composição do custo dos produtos vendidos. Segundo alegação da impugnante, a conta 1424 é transitória e o consumo de matéria prima é dela extraído para apropriação na conta reduzida 0400.1000, representativa do custo do produto monômero de estireno. Os valores contabilizados nesta conta estariam exemplificados no Anexo XXI (fl. 1387), o qual apresenta, após transcrição de parte dos lançamentos realizados desde 31/07/2006, saldo em 31/12/2006 no valor de R$ 31.915.373,01. Esclarece a impugnante que a diferença entre este saldo e o valor apontando no demonstrativo de fls. 1145/1153 (R$ 31.901.701,68) decorre de avaliações de estoque por custo médio e variação cambial. Vejase que para comprovar os custos questionados pela Fiscalização, bastaria a contribuinte demonstrar a origem dos valores contabilizados na referida conta reduzida 0400.1000, que agrega a matéria prima recebida em consignação e consumida. Todavia, a farta documentação por ela apresentada em impugnação resulta em diversos demonstrativos, mas em precária demonstração do fluxo contábil, como fica claro na comparação entre o mencionado Anexo XXI (fl. 1387), que deveria coincidir com o Anexo XX ao menos quanto ao acréscimo líquido verificado mensalmente. Isto porque o Anexo XX nada mais é do que a demonstração das compras sem impostos, que somadas resultam, por exemplo, no valor de R$ 31.901.701,68, transportado, em Fl. 45DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10920.001836/200940 Resolução nº 1101000.063 S1C1T1 Fl. 22 21 2006, da conta 1424 para o custo dos produtos vendidos, segundo afirma a impugnante. Já o Anexo XXI espelha o movimento da conta que recebe estas transferências, cujo saldo ao final de 2006 é R$ 31.915.373,01. Ocorre que, considerados todos os débitos e créditos mensais espelhados a partir de 31/07/2006 no Anexo XXI (Razão da conta reduzida 0400.1000), o valor líquido acrescido mensalmente não coincide, em nenhum mês, com as compras sem impostos indicadas no Anexo XX. Vejase: Conta 4.00.00.0400.1000 (reduzida 0400.1000) Monômero de Estireno Data Débitos Créditos Acréscimo Anexo XX 31/07/2006 4.817.286,44 1.848.146,53 2.969.139,91 3.262.403,41 31/08/2006 3.643.010,65 403.674,59 3.239.336,06 2.251.444,79 30/09/2006 3.574.673,64 836.795,06 2.737.878,58 2.723.568,27 31/10/2006 3.866.244,04 691.998,93 3.174.245,11 3.110.620,05 30/11/2006 4.072.509,94 781.579,87 3.290.930,07 3.156.622,32 31/12/2006 2.769.739,13 853.774,42 1.915.964,71 2.015.474,73 Totais 17.327.494,44 16.520.133,57 Estas divergências eventualmente também podem decorrer do que antes alegado: avaliações de estoque por custo médio e variação cambial. Temse, portanto, de um lado, a firme convicção da contribuinte de que deduz os créditos de Contribuição ao PIS e COFINS ao integrar as matériasprimas consumidas ao custo de produção, e de outro, os alegados erros cometidos durante o procedimento fiscal, que teriam induzido a Fiscalização à conclusão de que este procedimento não se verificou. A contribuinte insiste que a Fiscalização, e também a autoridade julgadora, não compreenderam o procedimento por ela adotado para registro do consumo das matériasprimas recebidas em consignação, mas resta patente que a argumentação da contribuinte não foi clara o suficiente para permitir esta compreensão. A autoridade julgadora de 1a instância questionou a Fiscalização acerca da validade da retificação dos demonstrativos de fls. 455/457, bem como solicitou a análise fiscal a respeito das alegações envolvendo contas que aparentemente pertenceriam ao passivo circulante. Para responder aos quesitos da diligência, a Fiscalização intimou a contribuinte a detalhar as operações contabilizadas na conta 1421 e identificar, na conta 1424, os lançamentos pertinentes à Contribuição ao PIS e à Cofins. A resposta da contribuinte está juntada às fls. 1544/2505. Nela se destaca o Anexo V, apresentado para identificação dos lançamentos de ajustes de Contribuição ao PIS e Cofins na conta 1424 (fls. 2448/2463). Este documento denominado Razão Parcial expressa os movimentos da conta 1424 (1.01.09.003.004), contendo lançamentos a débito e a crédito, diversamente daquele tomado pela Fiscalização como referência para concluir que os saldos devedores daquela conta, de 2004 a 2006, foram computados no custo dos produtos vendidos (fls. 515/543). Novo exame deste relatório permite observar que ele foi denominado Razão Completo de Contas a Pagar, assim relacionando, apenas, as notas fiscais por fornecedor, registradas naquela conta. Outra intimação foi feita, durante a diligência, para que a contribuinte distinguisse, na conta 1421, os lançamentos correspondentes às compras de matériasprimas daqueles referentes às transferências matrizfilial e filialfilial (fl. 2506). A resposta da contribuinte consta às fls. 2508/2690. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10920.001836/200940 Resolução nº 1101000.063 S1C1T1 Fl. 23 22 A autoridade fiscal, então, prestou informação às fls. 3068/3070, juntando os elementos de fls. 2618/2798 e afirmando: · Os valores retificados apresentados pela contribuinte como integrantes de compras a partir da conta 1424 correspondem ao Anexo XX da impugnação, no qual foram utilizados distintos conjuntos de notas fiscais para cálculo de IPI/ICMS e Contribuição ao PIS/Cofins; · Os valores de compras utilizados para cálculo de Contribuição ao PIS/Cofins não são encontrados na conta 1424, e os lançamentos apresentados no Anexo V à diligência não guardam qualquer relação com os valores de Contribuição ao PIS/Cofins indicados no Anexo XX à impugnação, bem como não consta de seu histórico, listado às fls. 2633/2638, qualquer menção a PIS/Cofins; · Os valores de compras da conta 1421, à semelhança do que informado durante o procedimento fiscal, não correspondem ao alegado na impugnação, e foram reafirmados na resposta apresentada durante a diligência, juntada às fls. 2508/2610; · Os lançamentos feitos na conta “6001 – Fornecedores” não afetam os valores das compras informados na ficha de custos da DIPJ (ficha 4A). A Fiscalização não se manifestou acerca dos esclarecimentos complementares da contribuinte, apresentados em resposta à intimação no curso da diligência (fls. 1546/1548). Sua parte inicial, abordando o procedimento por ela adotado em razão das matérias primas recebidas em consignação, pouco difere do que antes informado no curso do procedimento fiscal: 1) Contabilização das remessas de matériaprima em consignação. Nesta etapa a mercadoria ainda não é de propriedade da Termotécnica, logo, ainda não há creditamento de PIS e COFINS. Abaixo, um dos lançamentos referente aquisição de matériaprima: D — 1424 (MP em consignação) — 104.549,86 D — 6101 (IPI a recuperar) — 16.855,32 D —6102 (ICMS a recuperar) — 16.555,25 C —6263 (fornecedores em consignação) — 137.960,43 2) No fim do mês de janeiro/2006 a movimentação apresentada acima teve os seguintes valores acumulados: D— 1424 (MP em consignação) —1.933.541,06 D — 6101 (IPI a recuperar) — 311.721,55 D — 6102 (ICMS a recuperar) — 306.172,19 C — 6263 (fornecedores em consignação) — 2.551.434,80 No fim do mês de janeiro/2006 é então feito o levantamento da quantidade de matéria prima consumida e, com base em tal quantidade, são enviadas as informações para o fornecedor que emite a nota fiscal de faturamento, referente as remessas do mês. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10920.001836/200940 Resolução nº 1101000.063 S1C1T1 Fl. 24 23 Considerando que nesse momento, as mercadorias passam a ser de propriedade da Termotécnica, podem haver então os lançamentos referentes os créditos de PIS e COFINS. Os lançamentos contábeis referentes essa etapa são os seguintes: D —6263 (fornecedores em consignação) —2.313.599,81 D —6110 (PIS a recuperar) —42.065,45 D —6105 (COFINS a recuperar) — 193.756,02 C — 6001 (fornecedores a pagar) — 2.549.421,88 Até este ponto, a argumentação da contribuinte guarda os mesmos contornos da petição de fls. 552/563. Mantémse a mesma impropriedade de integrar o valor bruto das matériasprimas à conta 6263, e nela creditar o valor líquido, já expurgado de créditos da Contribuição ao PIS e COFINS, no momento do registro do consumo daquelas matérias primas. Mas a interessada prossegue: 3) No fim do mês, para fins de cálculo do custo, são então apropriados os valores das compras (que se referem ao consumo) na conta do centro de custo produtivo 0400.1000. Essa é a etapa do fechamento ("corte"). Nessa etapa ocorre então a transferência do valor relativo ao consumo das matérias primas. O valor de R$ 2.149.012,08 é transferido da conta 1424 para a conta 0400.1000, ou seja, o valor referente ao consumo é apropriado na conta de centro de custo produtivo. Perguntase: se o valor líquido da matéria prima consumida era R$ 2.313.599,81, como antes demonstrado, por que se transfere para custo um valor menor de consumo (R$ 2.149.012,08)? A contribuinte não justifica expressamente. De outro lado, nos documentos anexados à sua resposta na diligência (Anexo VI), a interessada destaca que o valor transferido para custo foi R$ 2.151.938,41, o qual vincula por anotação manuscrita a um crédito de R$ 2.926,33, para identificar o resultado de R$ 2.149.012,08 (fl. 2467). Não há justificativa para este ajuste. De outro lado, o Razão Parcial da conta 1424 à fl. 2459 indica que o lançamento de consumo de matéria prima, contabilizado em 31/01/2006, representaria R$ 2.154.864,74, ajustado por estorno de R$ 5.852,66, o que também resulta em R$ 2.149.012,08. Prosseguindo nos esclarecimentos complementares em diligência, a contribuinte diz: Já na conta 6263 houve lançamento a débito de R$ 187.211,45 e na conta 1424 houve lançamento a débito de R$ 253.834,83, sendo as contrapartidas desses ajustes lançadas na conta 0400.1000 para garantir que o CPV não contenha PIS e COFINS. Significaria dizer que a conta representativa de custo da produção não foi aumentada por R$ 2.149.012,08, mas sim por este valor reduzido em R$ 187.211,45 e R$ 253.834,83, ou seja, R$ 1.707.965,80, restituindose aquelas parcelas redutoras às contas representativas de fornecedores em consignação (6263) e estoque de matéria prima em consignação (1424). Não há qualquer esclarecimento acerca de como foram apurados os ajustes de R$ 187.211,45 e R$ 253.834,83, embora eles estejam, de fato, registrados como ajustes na transcrição do Razão da conta 0400.1000 à fl. 2467 e da conta 1424 à fl. 2459. Observase, porém, que no detalhamento dos lançamentos de ajuste, apresentado pela Fiscalização à fl. 2637, o valor de R$ 253.834,83 é contabilizado a crédito da conta Fl. 48DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10920.001836/200940 Resolução nº 1101000.063 S1C1T1 Fl. 25 24 4.00.00.0400.2800, denominada Outros Mats de Processo, e como bem destacado pelo auditor responsável, o histórico do lançamento nada diz acerca da causa do ajuste. Mas a interessada assim finaliza sua argumentação: Concluindo: os lançamentos manuais/ajustes ocorrem de forma simultânea nas contas 6263; 1424 e 0400.1000 (centro de custo produtivo), logo, não há lançamento isolado de PIS e COFINS que demonstre o seu "expurgo" do CPV. A contribuinte reconhece, portanto, que não há lançamento específico de expurgo da Contribuição ao PIS e da Cofins por ocasião do cômputo das matériasprimas consumidas no custo de produtos vendidos. Há um ajuste manual que soluciona as pendências que subsistem nas contas citadas, o qual se prestaria, também, a confirmar o correto expurgo daqueles valores. De toda sorte, em algum momento estes afirmados expurgos das contribuições recuperáveis deveriam ter aportado em contas de ativo, ou minimamente em contas de passivo representativa das obrigações decorrentes daquelas contribuições. Prossegue a interessada: Para reforçar o fato de que o PIS e a COFINS não estão "embutidos" nas compras, cabe retornar ao exemplificado no texto da Impugnação encaminhada para a DRJ. No fim do ano 2006, o valor final da conta 0400.1000 (centro de custo produtivo) foi de R$ 31.915.373,01 (Anexo VII), que é praticamente o valor referente as "compras" (conta 1424 da coluna "compras" do novo "Demonstrativo da Ficha 4A do Termo de Intimação Fiscal nr. 0012"), que como já dito diversas vezes é o valor do consumo da matériaprima, de vez que a empresa não detém estoques, por adquirir matériaprima sob a sistemática da consignação. Percebese que a argumentação da contribuinte permanece confusa, pois no Anexo XIV, que detalha a lógica da elaboração do Anexo XX, ambos de sua impugnação, a contribuinte afirmara que o valor das compras sem impostos em janeiro/2006 seria R$ 1.695.706,07, e não R$ 1.707.965,80, como resulta das operações acima descritas. A única coerência, aqui, verificase em relação às divergências semelhantes apontadas neste voto a partir de julho/2006, no confronto entre os movimentos do Razão da conta reduzida 0400.1000 (Anexo XXI à impugnação) e a demonstração correlata contida nos meses de julho a dezembro/2006 no Anexo XX. Como dito, a impugnante mencionou genericamente que estas divergências decorreriam de avaliações de estoque por custo médio e variação cambial, sendo que em 2006 elas representam R$ 13.671,33, mas em 2004 totalizam R$ 578.601,60 e em 2005 R$ 279.983,50 (fl. 1550). De toda sorte, é possível que haja equívocos na interpretação fiscal que impedem a manutenção da exigência com os elementos até aqui disponíveis. Isto porque o trabalho fiscal pautouse em informações prestadas pela contribuinte, que foram posteriormente foram colocadas em dúvida, as quais não foram integralmente solucionadas durante a diligência requerida pela autoridade julgadora de 1a instância. As notas fiscais de recebimento das matériasprimas em consignação são registradas sem qualquer destaque de créditos de Contribuição ao PIS ou da Cofins. A exigência restringese à glosa destes créditos na apuração do resultado dos períodos fiscalizados. Aparentemente, no momento em que consumida esta matéria, os valores que foram transferidos para custos não correspondem ao exato valor das notas fiscais arroladas às fls. 515/543 (ponto de partida para os cálculos da exigência). Fl. 49DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10920.001836/200940 Resolução nº 1101000.063 S1C1T1 Fl. 26 25 O documento de fls. fls. 2448/2463 contraria a afirmação fiscal, mas não dá suporte à alegação da contribuinte de que as contribuições recuperáveis não teriam integrado o custo dos produtos vendidos. O confronto entre os movimentos do Razão da conta reduzida 0400.1000 (Anexo XXI à impugnação) e o demonstrativo do expurgo daqueles créditos, contido no Anexo XX à impugnação evidencia divergências que não foram individualmente justificadas pela interessada, a qual apenas mencionou a ocorrência de avaliações de estoque por custo médio e existência de variação cambial. Os lançamentos de consumo de matériasprimas em valores incompatíveis com as notas fiscais correspondentes, a imprecisão na determinação do valor a pagar aos fornecedores, e os lançamentos genéricos de ajustes, extensamente antes abordados, denotam que a contribuinte mantinha controles internos por meio dos quais aferia quais saldos deveriam ser mantidos nas contas patrimoniais, promovendo os estornos correspondentes da conta de resultado, integrante do custo dos produtos vendidos. Assim, é necessário que estes esclarecimentos venham aos autos, para ficar claro que os créditos de Contribuição ao PIS e Cofins não integraram a matériaprima consumida, computada no resultado dos períodos fiscalizados. Para tanto, deve a autoridade lançadora intimar a contribuinte a apresentar os lançamentos contábeis da conta reduzida 0400.1000, confirmando se, de fato, seu saldo representou, na apuração do resultado dos exercícios de 2004 a 2006, o consumo das matérias primas inicialmente adquiridas em consignação, e que o resultado assim apurado prestouse como ponto de partida aos ajustes para determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Na seqüência, devem ser justificados os lançamentos promovidos na conta reduzida 0400.1000, de modo a demonstrar que eles não comportam, de fato, os impostos e contribuições recuperáveis incidentes sobre as matériasprimas consumidas ali contabilizadas, demonstrandose, também, que tais créditos foram contabilizados como ativos recuperáveis ou como redutores de obrigações tributárias relativas à Contribuição ao PIS e à Cofins. Ao final, a autoridade lançadora deve elaborar relatório circunstanciado, informando se o resultado dos anoscalendário 2004 a 2006 foi indevidamente reduzido por alguma parcela de Contribuição ao PIS ou Cofins incidente sobre as matériasprimas objeto de operações de consignação que, sendo recuperáveis, não deveriam ter integrado o custo dos produtos vendidos a partir do consumo destas matériasprimas. A contribuinte deve ser cientificada do resultado dos trabalhos fiscais, com a reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa, antes do retorno dos autos a este Conselho. Estas as razões para CONVERTER o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 50DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 15504.721442/2019-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 19 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Dec 23 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2019
SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS. AUSÊNCIA DE QUITAÇÃO. ERRO NÃO ESCUSÁVEL. PERMANÊNCIA DO SALDO DEVEDOR.
Verificado que os débitos em aberto são de valor não insignificante, que contribuinte teve informações claras sobre os fatos impeditivos da opção mas quedou-se inerte por longos meses a despeito da orientação contida da documentação por ele mesmo colacionada, não se vislumbra erro escusável, devendo ser mantida a exclusão do Simples Nacional.
Numero da decisão: 1401-006.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Lucas Issa Halah - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, Andre Luis Ulrich Pinto, Andre Severo Chaves e Lucas Issa Halah.
Nome do relator: Lucas Issa Halah
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DÉBITOS. AUSÊNCIA DE QUITAÇÃO. ERRO NÃO ESCUSÁVEL. PERMANÊNCIA DO SALDO DEVEDOR. Verificado que os débitos em aberto são de valor não insignificante, que contribuinte teve informações claras sobre os fatos impeditivos da opção mas quedou-se inerte por longos meses a despeito da orientação contida da documentação por ele mesmo colacionada, não se vislumbra erro escusável, devendo ser mantida a exclusão do Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Lucas Issa Halah - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, Andre Luis Ulrich Pinto, Andre Severo Chaves e Lucas Issa Halah. Relatório O Contribuinte teve o seu pedido de inclusão no Simples Nacional para o ano de 2019 indeferido como consequência da existência de débito previdenciário inscrito em Dívida Ativa da União (PGFN), Debcad nº 140658750, no valor consolidado de R$ 7.278,83, cuja exigibilidade não estava suspensa, com fundamento no art. 17, inciso V, da Lei Complementar nº AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 14 42 /2 01 9- 16 Fl. 77DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-006.082 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.721442/2019-16 123, de 2006, conforme Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional com registro em 14/02/2019 (fls. 07), do qual o contribuinte tomou ciência em 19/02/2019. Inconformado, apresentou Manifestação de Inconformidade em 13/03/2019 (fls. 03), alegando que tentou parcelar os débitos que se encontram na PGFN e efetuou o pagamento de todos os parcelamentos dentro do prazo legal. Alega, assim, que não lhe seria imputável o descumprimento de eventuais obrigações acessórias pois tentou parcelar o débito impeditivo da opção. Juntou cópias de documentos de fls. 04 e seguintes e, por fim, requereu o deferimento de sua opção pelo Simples Nacional. O Acórdão Recorrido negou provimento à Manifestação de Inconformidade. Entendeu a DRJ que, não obstante o contribuinte tenha juntado comprovantes de adesão a parcelamento (fls. 46- 50 e 53), nenhum deles seria relativo ao débito Debcad nº 140658750. Acrescentou a instância a quo que, em consulta ao sistema informatizado da RFB, verificou-se que o parcelamento do Débito Inscrito em Dívida Ativa Debcad nº 140658750 foi cancelado por falta de pagamento da 1ª parcela (fls. 54-55) e constatou-se pelo Relatório Complementar de Situação Fiscal (fls. 64), que esse mesmo débito continuaria em cobrança pela PGFN e não estaria com a exigibilidade suspensa. Logo, não tendo a Contribuinte regularizado o débito pendente no prazo legal, nos termos do artigo 6º, §§ 1º e 2º, inciso I, da Resolução CGSN nº 140, de 22 de maio de 2018, não haveria como deferir seu pleito. Cientificado em 24/09/2020 (fl. 73), o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 14/10/2020, no qual refuta apenas o fundamento exposto pelo Acórdão da DRJ de que o parcelamento do Débito Inscrito em Dívida Ativa Debcad nº 140658750 teria sido cancelado por falta de pagamento da primeira parcela, asseverando que o comprovante de pagamento dessa primeira parcela teria sido anexado à fl. 40 dos autos, razão pela qual pede seja dado provimento o Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Lucas Issa Halah, Relator. 1 - Admissibilidade Inicialmente, reconheço a competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 2º da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF). No mais, anoto que o recurso é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 78DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-006.082 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.721442/2019-16 2 - Mérito O Recurso Voluntário ateve-se ao argumento de que o contribuinte teria pago a primeira parcela do parcelamento relativo ao Débito Inscrito em Dívida Ativa Debcad nº 140658750, apontado como impeditivo da opção no Termo de Indeferimento de fl. 59, sendo tal comprovante o de fl. 40. Analisando o comprovante apontado pelo contribuinte, concluímos referir-se ao pagamento de parcelamento dos débitos previdenciários que não chegaram a ser inscritos em dívida ativa, débitos portanto diversos, ainda na esfera administrativa de cobrança quando de sua inclusão no parcelamento. Veja-se que a guia GPS e o comprovante de pagamento de fl. 40 indicam o código de arrecadação 4308, “Pagamento de Parcelamento Administrativo - Número do Título de Cobrança”. Verificamos, de início, um esforço do contribuinte obter a suspensão da exigibilidade de todos os débitos apontados no relatório de fls. 15 a 28, mas não podemos deixar de notar que o débito Debcad nº 140658750 não quitado/suspenso e devidamente apontado no Termo de Indeferimento de Opção de fl. 59 só não teve sua exigibilidade suspensa porque o contribuinte requisitou sua inclusão em parcelamento mas não pagou a sua primeira parcela, conforme indica os documentos trazidos pelo contribuinte às fl. 34 e 37, com anotações à mão. O documento de fl. 37/38 esclarece que a impossibilidade de adesão a outro parcelamento decorre de já ter referido débito sido objeto de pedido de parcelamento que aguardava confirmação pelo pagamento da primeira parcela que nunca chegou a ser feito pelo contribuinte. Vejamos: Confirma-se, portanto, a informação posta pelo Acórdão Recorrido de que o contribuinte fez pedido de parcelamento do débito impeditivo da opção, o qual foi cancelado por falta de pagamento da 1ª parcela (fls. 54-55) e até 29/07/2019 seguia inadimplido (fls. 64). Entendo que a documentação trazida pelo contribuinte demonstra que, se em um primeiro momento ele tentou regularizar sua situação, não concluiu inclusão do débito impeditivo da opção e quedou-se inerte por longos meses a despeito da orientação contida nos documentos de fls. 37/38. Dessa forma, entendo que o erro em questão não é escusável e o contribuinte não só deixou de atender aos requisito para a opção, como também deixou de diligenciar para Fl. 79DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-006.082 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15504.721442/2019-16 suspender a exigibilidade do débito inscrito, ainda que após o prazo legal, o razão pela qual nego provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Lucas Issa Halah Fl. 80DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10283.007570/2007-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO – MULTA
Consiste descumprimento de obrigação acessória sujeita à multa, a empresa cedente de mão de obra deixar de destacar onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços
DECADÊNCIA – ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 –
INCONSTITUCIONALIDADE – STF – SÚMULA VINCULANTE – OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS – ART 173, I, CTN
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado
nos termos do art. 173, I, do CTN. Não há decadência no lançamento ocorrido em 2007, relativamente a fatos ocorridos em 2006
ATENUAÇÃO DA MULTA IMPOSSIBILIDADE
A atenuação da multa era possibilidade prevista na legislação vigente à época do lançamento, porém condicionada à correção da falta até o prazo final para apresentação da impugnação
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.261
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO – MULTA Consiste descumprimento de obrigação acessória sujeita à multa, a empresa cedente de mão de obra deixar de destacar onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços DECADÊNCIA – ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 – INCONSTITUCIONALIDADE – STF – SÚMULA VINCULANTE – OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS – ART 173, I, CTN De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. Não há decadência no lançamento ocorrido em 2007, relativamente a fatos ocorridos em 2006 ATENUAÇÃO DA MULTA IMPOSSIBILIDADE A atenuação da multa era possibilidade prevista na legislação vigente à época do lançamento, porém condicionada à correção da falta até o prazo final para apresentação da impugnação Recurso Voluntário Negado.
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Não há decadência no lançamento ocorrido em 2007, relativamente a fatos ocorridos em 2006 ATENUAÇÃO DA MULTA IMPOSSIBILIDADE A atenuação da multa era possibilidade prevista na legislação vigente à época do lançamento, porém condicionada à correção da falta até o prazo final para apresentação da impugnação Recurso Voluntário Negado Fl. 59DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. . Fl. 60DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10283.007570/200730 Acórdão n.º 2402002.261 S2C4T2 Fl. 52 3 Relatório Tratase de descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 31, § 1º da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 9.711/1998 c/c o art. 219, § 4º do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa cedente de mãodeobra deixar de destacar onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fl. 19), o contribuinte foi autuado por ter deixado de destacar o valor da retenção na Nota Fiscal nº. 23, referente à prestação de Serviços de Pintura. A autuada teve ciência do lançamento em 31/10/2007 e apresentou defesa (fls. 26/29), onde alega que boa parte do crédito está ceifada pela decadência, tendo em vista que o período apurado é de 2001 a 2006, tendo se iniciado o procedimento fiscal em 2007. Finaliza com a solicitação de que lhe fosse aplicada uma atenuante em face de nunca ter sido autuada anteriormente. Pelo Acórdão nº 0112.060 (fls. 39/42) a 4ª Turma da DRF/Belém (PA) considerou o lançamento procedente. Contra tal decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 45/46) onde requer o reexame da decisão de 1ª instância e reitera os termos da impugnação apresentada. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 61DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente apresenta preliminar de decadência que deve ser rejeitada. A decadência deve ser verificada considerandose a Súmula Vinculante nº 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que dispôs o seguinte: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Vale lembrar que os efeitos da súmula vinculante atingem a administração pública direta e indireta nas três esferas, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da análise do caso concreto, verificase que embora se trate de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, há que se verificar a ocorrência de eventual decadência à luz das disposições do Código Tributário Nacional que disciplinam a questão ante a manifestação do STF quanto à inconstitucionalidade do art 45 da Lei nº 8.212/1991. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Fl. 62DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10283.007570/200730 Acórdão n.º 2402002.261 S2C4T2 Fl. 53 5 Quanto ao lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. No caso, como se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo, assim, para a apuração de decadência, aplicase a regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN. Asseverese que a questão foi objeto de manifestação por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional por meio da Nota PGFN/CAT No 856/ 2008 aprovada pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional em 01/09/2008, nos seguintes termos: “Aprovo. Frisese a conclusão da presente Nota de que o prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.” No caso concreto, a infração ocorreu na competência 02/2006. como o lançamento ocorreu em 31/10/2007, não há que se falar em decadência pela aplicação de quaisquer dos dispositivos do CTN. A recorrente alega ainda que deveria ter a multa atenuada em razão de não ter sido autuada anteriormente. A possibilidade de atenuação da multa estava prevista no inciso V do art. 192 do Decreto nº 3.048/1999, o qual fazia referência ao cumprimento do requisito constante no art. 291 do mesmo diploma legal, in verbis: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) (...) Fl. 63DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: (...) Vna ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento. (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) Os citados dispositivos foram revogados pelo Decreto nº 6.727/2009, mas estavam vigentes à época do lançamento. Como se vê, a primariedade não é requisito para atenuação da multa, mas a correção da falta até o prazo final para apresentação da impugnação, o que não ocorreu no presente. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 64DF CARF MF Emitido em 13/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10865.003349/2008-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 01/10/2008
REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. PARTE DOS SEGURADOS. APURAÇÃO NA CONTABILIDADE.
A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição previdenciária do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando-a
da respectiva remuneração recebida, constante de livros contábeis, e recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código
Tributário Nacional CTN.
Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se
o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no
artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.292
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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PARTE DOS SEGURADOS. APURAÇÃO NA CONTABILIDADE. A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição previdenciária do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração recebida, constante de livros contábeis, e recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. Recurso Voluntário Negado Fl. 119DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 120DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.003349/200842 Acórdão n.º 2402002.292 S2C4T2 Fl. 120 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal por falta de desconto da contribuição de segurado contribuinte individual, realizada em 26/09/2008. Segue transcrição do relatório fiscal: 4. — A Empresa apresentou a contabilidade e analisando os livros contábeis verifiquei pagamentos regulares registrados na conta 3304500038 — Advogado, no período de 03/2003 a 06/2003, 08/2003, 09/2003, 11/2003, 12/2003, 02/2004, 04/2004, 09/2004 a 02/2005, 05/2005 a 01/2006, 04/2006 a 12/2007. A Empresa apresentou o Contrato de prestação de serviços de serviços profissionais advocatícios com o Sr. Ulysses Jose Dellamatrice, referente a estes lançamentos contábeis (fotocópia em anexo). Com base nos lançamentos contábeis e no contrato apresentado foram apurados valores de contribuições previdenciárias, que foram lançados no levantamento "CI — CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. ... 5. Diante do exposto, a Empresa está sendo autuada por infração na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 30, I, "a", e alterações posteriores, e Lei n° 10.666, de 08/05/2003, art. 4 0 , "caput" e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 216, I, "a". A decisão de primeira instância foi no sentido de julgar o lançamento procedente: AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. DEIXAR A EMPRESA DE ARRECADAR. Constitui infração à legislação previdenciária, deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações dos segurados contribuintes individuais que lhe prestam serviço, as contribuições por eles devidas. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. FATOS GERADORES. DECADÊNCIA QÜINQÜENAL. INOCORRÊNCIA. Os prazos decadenciais para constituição de Auto de Infração do obrigações acessórias são qüinqüenais, obedecendo ao disposto no art. 173, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN), contandose cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A constituição do crédito tributário se concretiza com a cientificação eficaz do sujeito passivo. Fl. 121DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 AUTORIDADES LANÇADORA E JULGADORA. ATRIBUIÇÕES LEGAIS. DISTINÇÃO DE COMPETÊNCIAS. LEGALIDADE DO PROCEDIMENTO. As atribuições e competências do AuditorFiscal que constitui o crédito tributário são delimitadas pela legislação tributária, cabendo o exame e julgamento do processo administrativo formalizado a outras autoridades fiscais, lotadas em órgãos colegiados de julgamento, distintos e autônomos em relação aos órgãos de fiscalização e lançamento tributário. CERCEAMENTO DE DEFESA. FALTA DE FUNDAMENTOS LEGAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO. Não há cerceamento de defesa se estão presentes todos os elementos necessários à perfeita identificação dos fatos motivadores do lançamento realizado pela autoridade fiscal. Os fato ocorridos e os dispositivos legais infringidos, discriminados de forma clara e sistematizada no Relatório Fiscal e no Anexo de Fundamentos Legais, consubstanciamse em pressupostos jurídicos suficientes para a exigência fiscal, inocorrendo violação da ampla defesa e do contraditório. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Consolidase administrativamente a matéria não impugnada, assim entendida aquela que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. Lançamento Procedente ... A fiscalização atesta a existência de circunstância agravante prevista no art. 290, V do Decreto n.° 3.048/99 — reincidência — de forma genérica, haja vista os AI procedentes nos últimos cinco anos, a contar da presente autuação. Discrimina as autuações anteriores, por código de fundamento legal (CFL), com as datas de decisões administrativas definitivas de procedência ou datas de liquidação, anexando telas de sistema do banco de dados da Receita Federal do Brasil (RFB) — "sistema de cobrança" e "divida ativa" contendo as informações dessas autuações anteriores. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: Da decadência alega, genericamente, que houve decadência tributária, devendo esta ser reconhecida de oficio. Da nulidade pela falta de 'competência para fiscalizar e julgar que o agente fiscal, ao impor a multa e julgar, ele próprio, as contribuições como devidas, desobedece as regras procedimentais do Decreto n.° 70.235/72 (DOU de 07/03/1972), exorbitando suas competências funcionais e acarretando a nulidade da autuação. Fl. 122DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.003349/200842 Acórdão n.º 2402002.292 S2C4T2 Fl. 121 5 Do Cerceamento de Defesa pela falta de fundamentação legal — nulidade que houve cerceamento de defesa pela ausência dos dispositivos legais infringidos pelo contribuinte, caracterizando a conseqüente nulidade da autuação. Dos pedidos Requer a impugnante: 1) a nulidade do AI, hajam vista as irregularidades apontadas e cerceamento de defesa; 2) a improcedência e a decadência da autuação. É o Relatório. Fl. 123DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 124DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.003349/200842 Acórdão n.º 2402002.292 S2C4T2 Fl. 122 7 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto à decadência, verificase pelo período de ocorrência dos fatos geradores que a constituição do crédito foi realizada no prazo decadencial qüinqüenal. Uma vez que se trata de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, aplicase a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN por não existir pagamento sujeito à homologação, mas sim lançamento de ofício. Fl. 125DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 No mérito Entendo que a decisão recorrida não merece reparos. A escrituração contábil, até prova em contrário, evidencia a realidade dos fatos. A peça acusatória do lançamento apresenta a conta contábil e o segurado beneficiário dos pagamentos. Tratandose de segurado contribuinte individual, os pagamentos estão sujeitos à retenção para posterior repasse à Previdência Social, conforme Lei n. 9.876, de 26/11/99 c/c artigo 4° §1° da Lei n. 10.666, de 08/05/2003 e a inobservância constitui infração, nos termos do artigo 283 do Regulamento da Previdência Social. Ressaltase que a recorrente não contestou esse fato. Decreto n° 3.048/99: Art.283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003): g)deixar a empresa de efetuar os descontos das contribuições devidas pelos segurados a seu serviço; Também cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento. Pela mesma razão já aqui apontada, não compete a este julgador afastar a aplicação das normas legais. Neste mesmo sentido é a legitimidade da incidência de juros e multa de mora. Os artigos 34 e 35 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 criaram regras claras para os acréscimos legais, que somente podem ser dispensados por expressa determinação de lei. Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o Art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) Fl. 126DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.003349/200842 Acórdão n.º 2402002.292 S2C4T2 Fl. 123 9 I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: (Inciso e alíneas restabelecidas, com nova redação, pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) Quanto as demais alegações, reportome às Súmulas aprovadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF Nº 2 Fl. 127DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ... Súmula CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. E em cumprimento ao Regimento Interno do órgão, aprovado pela Portaria n° 256, de 22/06/2009, aplicoas ao presente caso: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 128DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10855.900032/2008-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1102-000.041
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETO
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10855.900032/2008-75 Recurso n° 504113 Resolução n° 1102 -00.041 — la Câmara / 2 Turma Ordinária Data 25/05/2011 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente Auto Ônibus Nardelli Ltda. Recorrida 5' Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirao Preto-SP Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia, nos termos do voto do relator. IVETE IVFL-AQUIA PESS-OA MONTEIRO — Presidente SILVANA RESCIGO GUERRA BARRETO - Relatora EDITADO EM:08/08/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma), João Otavio Opperman Thomé, Silvana Rescigno Barreto, Meigan Sack Rodrigues (Suplente convocado), Manoel Mota Fonseca (Suplente convocado) e Joao Carlos Lima Junior(Vice-Presidente) evl Processo n° 10855.900032/2008-75 SI-CIT2 Resolução n.° 1102-00.041 Fl. 2 Relatório e voto. Trata-se de PER/DCOMP transmitida em 30 de dezembro de 2003 e indeferida, com base na inexistência de crédito de IRPJ no montante original de R$ 3.637,06, para compensação com estimativa do mesmo tributo, com vencimento em 30 de dezembro de 2003, no valor de R$ 3.982,94. Cientificada do indeferimento, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 07/08) alegando, preliminarmente, que se trata de PER/DCOMP indevidamente preenchida, haja vista que, por recolher o imposto por suspensão ou redução, deveria ter considerado o montante pago durante o exercício em curso como dedução e não como crédito contra a Receita Federal, como feito. No mérito, a Recorrente repetiu que não haveria credito para ser restituído, ressarcido ou compensado, tratando-se de pedido vazio, e informou ter recolhido em cada período de apuração o imposto devido, o que teria sido comprovado através da apresentação de guias (fls. 22/33). A DRJ de Ribeirão Preto indeferiu a Manifestação de Inconformidade, mantendo incólume o despacho decisório, por entender que a ausência de indébito tributário e a confissão de divida formalizada no PER/DCOMP exigiria a prova inequívoca de que o débito quitado por recolhimento através de DARF seria o mesmo confessado, ônus do qual não teria se desincumbido a Recorrente. Acrescentou, ainda, que os registros contábeis da Recorrente deveriam comprovar o alegado pagamento, consoante art. 923, do RIR/99. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repetindo as razões postas na Manifestação de Inconformidade, anexando aos autos cópia dos balancetes mensais de verificação referente ao mês de outubro, transcritos no Livro Diário n°. 45, e do LALUR com Demonstrativo de Cálculo correspondente a apuração do imposto e contribuições devidos. Considerando que a Recorrente reconhece, em suas razões, a inexistência de crédito passível de compensação, resta definir se deve ser ou não cancelada a cobrança do débito declarado sob o código 5993 relativo ao IRPJ com vencimento em 31 de dezembro de 2003, em razão de pagamento no valor de R$ 3.382,40. A identidade das informações prestadas na DIPJ (fl. 44) e registradas no Livro de Registro de Apuração do Lucro Real (fl. 153), assim como a guia DARF colacionada (fls. 30 e 161) constituem forte indicio de que inexistente o débito confessado em PER/DCOMP, contudo, julgo necessária a conversão do feito em diligência para que seja confirmada a inexistência de débito, mediante análise dos livros fiscais da Recorrente, e da DCTF correspondente, considerando ainda a multiplicidade de processos de compensação equivocados apresentados no mesmo exercício. como voto. LliZç-' SILVANA RESCIG 0 GUERRA BARRETO 2
score : 1.0
Numero do processo: 13016.000154/2010-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Dec 23 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo o contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo.
REGIME DE TRIBUTAÇÃO DECLARADO PELO SUJEITO PASSIVO.
A fiscalização tendo verificado nas Declarações de Imposto de Renda que o sujeito passivo é optante do sistema de tributação pelo lucro presumido no período fiscalizado, efetuou o lançamento levando-se em conta o regime de tributação adotado declarado.
Numero da decisão: 2401-010.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gustavo Faber de Azevedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Rodrigo Lopes Araujo, Rayd Santana Ferreira, Gustavo Faber de Azevedo, Matheus Soares Leite, Wilderson Botto (suplente convocado), Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: Gustavo Faber de Azevedo
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NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo o contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo. REGIME DE TRIBUTAÇÃO DECLARADO PELO SUJEITO PASSIVO. A fiscalização tendo verificado nas Declarações de Imposto de Renda que o sujeito passivo é optante do sistema de tributação pelo lucro presumido no período fiscalizado, efetuou o lançamento levando-se em conta o regime de tributação adotado declarado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Gustavo Faber de Azevedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Rodrigo Lopes Araujo, Rayd Santana Ferreira, Gustavo Faber de Azevedo, Matheus Soares Leite, Wilderson Botto (suplente convocado), Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 00 01 54 /2 01 0- 54 Fl. 98DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-010.081 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13016.000154/2010-54 Trata-se de recurso voluntário interposto contra a decisão da 6ª Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre, acórdão nº 02-28.986, que por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido no Auto de Infração nº 37.256.794-0. Segue abaixo a ementa do referido acórdão: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 AI Debcad n° 37.256.794-0 PROCESSO ADMINISTRATIVO F1SCAL. DIREITO AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Frente à obrigação vencida e não paga do sujeito passivo é imperiosa a atuação da autoridade administrativa no sentido de instaurar o procedimento de lançamento. O contraditório e ampla defesa não é um direito absoluto, deve ser exercido nos termos e prazos fixados pelas leis reguladoras do processo administrativo. A convicção da autoridade julgadora advém dos elementos probatórios carreados pelo fisco e pelo impugnante. O lançamento se refere a contribuições previdenciárias devidas a outras entidades e fundos (FNDE - Salário-Educação, INCRA, SEST/SENAT e SEBRAE), incidentes sobre as retribuições pagas, devidas ou creditadas a trabalhadores empregados a seu serviço: - aos segurados empregados; - aos contribuintes individuais (sócios administradores e transportadores rodoviários autônomos). O período do lançamento é janeiro/2005 a dezembro/2007, incluindo o 13º salário. Extrai-se do Relatório Fiscal (fls. 29/32) que: - consulta realizada nos sistemas da Receita Federal do Brasil, a empresa apresentou as Declarações de imposto de Renda Pessoa Jurídica, anos calendário 2004 a 2008, constando a forma de tributação com base no Lucro Presumido; - as GFIPS do período foram equivocadamente preenchidas ao apresentarem a matriz e a filial 01.663.796/00002-06 como sendo do Simples Federal e, a seguir, como do Simples Nacional, situação em que o sistema gerador da declaração não apura a quota patronal sobre a folha de pagamento; - pelo fato de ter sido informado em GFIP como “optante do Sistema SIMPLES”, houve a omissão dos valores de contribuições devidas, a cargo da empresa, em relação às bases de cálculo dos segurados empregados e contribuintes individuais, não tendo sido efetuado o recolhimento destas contribuições; Fl. 99DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-010.081 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13016.000154/2010-54 A exigência fiscal é de R$ 91.790,28, consolidado em 26/03/2010, aplicando-se a multa da legislação vigente à época dos fatos. Os fatos geradores das contribuições previdenciárias apuradas no presente lançamento de crédito são objeto dos seguintes levantamentos: - Levantamento FP e RE - Folha de Pagamento Empregados conforme Base Empresa; - Levantamento PL e PR - Pró-Labore - Remuneração Contribuinte Individual conforme Base Empresa; - Levantamento CI e CT - Freteiros Autônomos Transportadores – Base considerada pela Empresa; Os valores originários das contribuições apuradas, descritos por estabelecimento, competência e item de cobrança, constam do AI no anexo “Discriminativo do Débito - DD” (fl.5/20). A base imponível é apresentada no “Relatório de Lançamentos” (fl.14/20) e os fundamentos legais do débito afiguram-se no relatório “FLD” (fl.21/22). A conduta da empresa em não declarar os valores lançados nas Guias de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP, bem como não tê-los recolhido, em tese, configura a prática de crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária (art. 337-A do Código Penal Brasileiro), motivo pelo qual será efetuada Representação Fiscal para Fins Penais, a ser encaminhada ao Ministério Público Federal, para as providências cabíveis. O sujeito passivo apresentou impugnação tempestiva (fl.40/45), alegando, em síntese: - Cumprimento das obrigações tributárias - Nulidade do Auto de Infração pela falta clareza e objetividade na descrição dos fatos apontados como irregularidades, omitindo-se quanto à verdadeira causa da autuação; - Houve cerceamento de defesa e contraditório, uma vez que o procedimento fiscalizatório não lhe foi concedeu prazo para juntar as guias de pagamento, que deve ser reaberto o prazo para a empresa produzir prova a seu favor; - A fiscalização tendo encontrado divergência de informações entre as Declarações de imposto de Renda e os recolhimentos dos tributos em GFIP, considerou a requerente como optante do sistema de tributação pelo lucro presumido. Na prática, a requerente recolhia seus tributos pelo Simples Federal e Nacional, não havendo qualquer justificativa de ser tributada de forma diferente. A administração não pode alterar o sistema de tributação da requerente mediante um procedimento fiscalizatório. Sobreveio, assim, o acórdão nº 10-28.928 (fls. 87/90), da 6ª Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre, cientificado o sujeito passivo em 31/01/2011 (fl. 70). Fl. 100DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-010.081 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13016.000154/2010-54 Em 28/02/2011 (fl.73), o sujeito passivo apresentou o recurso voluntário (fls. 73/76), alegando que: 1. A autuação está embasada em fato de não ter havido o recolhimento das contribuições previdenciárias de responsabilidade da empresa, relativa ao período de competência de 01/2005 a 12/2007. Segundo constou na autuação a Requerente teria deixado de recolher as contribuições em vista de ter informado ser optante do simples. Foi apurado um débito na quantia de R$ 91.790,28; conforme cópia em anexo. 2. Entenderam os Eminentes Membros da Turma Julgadora que o contraditório e a ampla defesa não se constituem em direito absoluto, estando correta a autuação e a aplicação da multa no caso em foco. Para que se chegasse a tal conclusão, não foi observado que a Recorrente nunca faltou com suas obrigações tributarias, assim como, a não apresentação dos comprovantes de recolhimentos dos tributos, por si só, não pode significar que os mesmos não foram recolhidos. 3. No presente caso, rogando vênia aos distintos Membros da 'Turma Julgadora, o auto de infração padece de vícios que impedem o reconhecimento de sua validade. Sabidamente, atuação do Estado deve pautar-se rigorosamente pela legalidade, especialmente em procedimentos fiscalizatórios, corno no presente caso. De outra banda, os jurisdicionados necessitam que lhes seja assegurados, no mínimo a equiparação de direitos, quando em confronto com o Estado, sob pena de cerceamento de defesa. Ainda mais quando nos colocamos diante de um sistema tributário extremamente injusto, agravado em muito pelos pesados encargos que são lançados de oficio, em casos de autuação por descumprimento de qualquer regra do sistema de cari- cação de impostos, corno e o caso das multas que equiparam-se a verdadeiro confisco quando aplicadas. 4. Assim, cabe reconhecer que a descrição da infração se recente de clareza e objetividade em relação aos 'fatos apontados como irregularidade, omitindo-se quanto a verdadeira causa da autuação. Neste caso o agir estatal não pode produzir o resultado almejado, porquanto incompleto e incompreensível. Ademais, o defeito no ato se observa em relação aos demais (AI - 37.256.795-9 e 37.256.793-2) uma vez que todos estão unidos umbilicalmente, de forma a que o defeito eventualmente observado em dos citados atos, fatalmente levará à contaminação dos demais, comprometendo-os de irremediavelmente de igual modo. 5. Destaca-se, ainda, que por ocasião do procedimento fiscalizatório não foi propiciado a Recorrente a comprovação dos pagamentos faltantes, muito menos lhe foi concedido prazo para juntar as guias de pagamento, de forma a elidir a irregularidade. Por esta razão deve ser reaberto o prazo para apresentação de documentos e justificação da não apresentação dos comprovantes de pagamento objeto do procedimento fiscalizatório. 6. Não é correto que o julgador se sirva de convicções pessoais para decidir a respeito do pedido apresentado pelo jurisdicionado uma vez que o processo administrativo não prescinde da fundamentação da decisão e esta não pode ocorrer de forma alheia à prova. Assim, qualquer prova que possa influir na decisão do julgador e que venha a ser utilizada para o seu convencimento exige que a mesma tenha sido produzida de forma lícita e juntada ao processo, sob o crivo do contraditório. Então, o prejuízo da Recorrente ocorreu no momento em que não lhe foi permitido à produção do prova necessário no procedimento, cuja ausência sustentou a lavratura do auto de infração e a aplicação da penalidade. Não pode ser admitido, como causa da superação do vício, a possibilidade de juntar as provas em outra oportunidade uma que o ato inquinado de nulidade já foi praticado. 7. Mesmo que as preliminares arguidas venham a ser superadas o que só pode ser admitido no âmbito da tese, posto que o defeito é formal e atinge a própria compreensão e alcance do auto de infração, também sob o exame do mérito não pode ser mantida a Fl. 101DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-010.081 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13016.000154/2010-54 autuação. A Administração não poderia, de ofício, fazer o enquadramento do regime tributário da Recorrente, sem que previamente fizesse a sua notificação, propiciando a sua ciência. Contudo, tendo encontrado a divergência de informações entre as declarações de imposto de renda e os recolhimentos dos tributos cm GFIP, entendeu que a Requerente era optante do regime tributário pelo lucro presumido. 8. Por força da uma interpretação unilateral da Administração acabou considerando a Recorrente como optante do sistema de tributação pelo lucro presumido e com isto efetuando levantamento de tributos em aberto uma vez que, na prática, a Recorrente recolhia seus tributos pelo simples federal e nacional. Logicamente que esta interpretação unilateral e desprovida de qualquer fundamentação implica na criação instantânea de um enorme passivo tributário. 9. Apesar deste posicionamento da Administração inexiste qualquer justificativa de que a Recorrente, de fato, deve ser tributada pelo sistema do lucro presumido. A Administração não pode alterar o sistema de tributação da Recorrente mediante um procedimento fiscalizatório. Para tanto lia regras especiais que, no caso, não foram observadas pela Administração, havendo sobradas razões para que o auto de infração seja descaracterizado. É o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Faber de Azevedo, Relator. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. CERCEAMENTO DE DEFESA O sujeito passivo alegou que a atuação do Estado deve pautar-se rigorosamente pela legalidade, especialmente em procedimentos fiscalizatórios, como no presente caso. De outra banda, os jurisdicionados necessitam que lhes seja assegurado, no mínimo, a equiparação de direitos, quando em confronto com o Estado, sob pena de cerceamento de defesa. Alega que o sistema tributário é extremamente injusto e agravado em muito pelos pesados encargos que são lançados de oficio, em casos de autuação por descumprimento de qualquer regra do sistema de carreação de impostos, como é o caso das multas que se equiparam a verdadeiro confisco quando aplicadas. Argumenta que não é correto que o julgador se sirva de convicções pessoais para decidir a respeito do pedido apresentado pelo jurisdicionado uma vez que o processo administrativo não prescinde da fundamentação da decisão e esta não pode ocorrer de forma alheia à prova. Fl. 102DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-010.081 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13016.000154/2010-54 Não é correto que o julgador se sirva de convicções pessoais para decidir a respeito do pedido apresentado pelo jurisdicionado uma vez que o processo administrativo não prescinde da fundamentação da decisão e esta não pode ocorrer de forma alheia à prova. Assim, qualquer prova que possa influir na decisão do julgador e que venha a ser utilizada para o seu convencimento exige que a mesma tenha sido produzida de forma lícita e juntada ao processo, sob o crivo do contraditório. Então, o prejuízo da Recorrente ocorreu no momento em que não lhe foi permitido à produção do prova necessária no procedimento, cuja ausência sustentou a lavratura do auto de infração e a aplicação da penalidade. Não pode ser admitido, como causa da superação do vício, a possibilidade de juntar as provas em outra oportunidade uma que o ato inquinado de nulidade já foi praticado. Entretanto, não assiste razão o contribuinte. Sem delongas, tais alegações são genéricas que não guardam qualquer pertinência com o lançamento ora em análise. A decisão da DRJ foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de seu livre convencimento. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entenderem necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. Ademais, o cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidas nos autos do processo, hipótese que não se verifica in casu. O contraditório é exercido durante o curso do processo administrativo, nas instâncias de julgamento, não tendo sido identificado qualquer hipótese de embaraço ao direito de defesa do recorrente. E, ainda, ao contrário do que arguido pelo recorrente, vislumbro que o ato administrativo de lançamento foi motivado pelo conjunto das razões de fato e de direito que carrearam à conclusão contida na acusação fiscal, à luz da legislação tributária compatível com as razões apresentadas no lançamento. O convencimento fiscal está claro, aplicando a legislação que entendeu pertinente ao presente caso, procedeu à apuração do tributo devido com a demonstração constante no Auto de Infração. O lançamento em comento seguiu todos os passos para sua correta formação, conforme determina o art. 142 do Código Tributário Nacional, quais sejam: (a) constatação do fato gerador cominado na lei; (b) caracterização da obrigação; (c) apuração do montante da base de cálculo; (d) fixação da alíquota aplicável à espécie; (e) determinação da exação devida – valor original da obrigação; (f) definição do sujeito passivo da obrigação; e (g) lavratura do termo correspondente, tudo conforme a legislção. Assim, uma vez verificado a ocorrência do fato gerador, o Auditor Fiscal tem o dever de aplicar a legislação tributária de acordo com os fatos por ele constatados e efetuar o lançamento tributário. Fl. 103DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-010.081 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13016.000154/2010-54 Portanto, não havendo qualquer nulidade na hipótese dos autos, seja do lançamento tributário a que se combate ou mesmo da decisão proferida, não tendo sido constatada violação ao devido processo legal e à ampla defesa. Por fim, rejeito a preliminar suscitada. RECOLHIMENTOS NÃO COMPROVADOS O recorrente se insurge contra a decisão de piso que reputou como correta a autuação e a aplicação da multa. Alega que a DRJ não observou que o recorrente nunca faltou com suas obrigações tributarias, assim como, a simples não apresentação dos comprovantes de recolhimentos dos tributos, por si só, não pode significar que os mesmos não foram recolhidos. Entretanto não assiste razão o contribuinte. Os recolhimentos da quota patronal do recorrente, conforme relatado, a autoridade autuante, não foram encontrados nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil. Apesar de serem facilmente identificáveis nos sistemas de controle da Receita Federal do Brasil os recolhimentos da quota patronal da empresa, mesmo assim, nada impediria que o interessado fizesse prova em contrário. Assim, além de ser genérica, a tese do contribuinte é desprovida de apresentação de provas, no caso dos comprovantes de recolhimento, visto que, desde apresentação da impugnação, o recorrente alega e nada apresenta. ENQUADRAMENTO NO LUCRO PRESUMIDO O contribuinte alega que a Administração não poderia, de ofício, fazer o enquadramento do seu regime tributário. Aduz que, por força da uma interpretação unilateral da Administração acabou considerando a Recorrente como optante do sistema de tributação pelo lucro presumido e com isto efetuando levantamento de tributos em aberto uma vez que, na prática, a Recorrente recolhia seus tributos pelo simples federal e nacional. Mais uma vez não há como dar guarida ao contribuinte. Ao contrário do que alega, foi o próprio recorrente que apresentou as Declarações de imposto de Renda Pessoa Jurídica, anos calendário 2004 a 2008, e declarou a forma de tributação com base no Lucro Presumido. Portanto, a suposta interpretação unilateral da Administração nada mais foi do que a verificação fiscal da situação do contribuinte, exatamente na forma como ele próprio declarou e transmitiu ao Fisco. O recorrente, ao afirmar que inexiste qualquer justificativa de fato para ter sido tributada pelo sistema do lucro presumido quer mesmo é negar o que foi por ele declarado. Fl. 104DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-010.081 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13016.000154/2010-54 Assim, a Administração não alterou o sistema de tributação do sujeito passivo mediante um procedimento fiscalizatório, mas apurou as exigências considerando a situação que o próprio fiscalizado declarou em suas obrigações procedimentais. Por fim, após analisar os argumentos de defesa trazidos pelo sujeito passivo no Recurso Voluntário, adoto e reproduzo, abaixo, o voto que fundamenta decisão de primeira instância da DRJ, acórdão nº 10-28.929: A convicção da autoridade julgadora advém, no processo administrativo fiscal, dos elementos probatórios carreados pelo fisco e pelo impugnante. Daí a necessidade de se comprovarem os fatos deduzidos. As partes não têm o dever ou a obrigação de produzir as provas, tão-só o ônus. Não o atendendo não sofrem sanção alguma, mas deixam de auferir a vantagem que decorreria do implemento da prova. É indiscutível que a presunção de legitimidade do ato administrativo não tem o condão de inverter o ônus probatório, mas não se pode aceitar que a simples negativa geral do sujeito passivo relativamente ao fato constitutivo do lançamento tributário possa debilitar o procedimento fiscal, se este foi feito com observância das normas administrativas e com perfeita identificação dos elementos que serviram de base para a apuração dos fatos geradores. Nesse sentido, não existe registro nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil de que a empresa tenha optado pelo sistema de tributação simplificado (Simples Federal e Nacional). Assim, por não se afigurar no SIMPLES, as obrigações previdenciárias próprias recaem sobre a folha de pagamento. O pagamento da quota patronal, se havido (o que seria contraditório supor), seria facilmente identificado nos sistemas de controle da Receita Federal do Brasil. No caso, os ingressos não sobejam os valores declarados como devidos em GFIP (demonstrativo folhas 244/248), portanto, não se confundem com os da exigência fiscal, os quais não foram declarados em GFIP. Em que pese essas considerações, nada impede de que o interessado faça prova em contrário, desde que nos termos e prazos fixados para o exercício de seu direito constitucional do contraditório e ampla defesa. Admitir prorrogação independentemente e respaldo legal, equivale a tomar absolutamente inútil a fixação de prazos. Assim, frente à obrigação vencida e não paga do sujeito passivo é imperiosa a atuação da autoridade administrativa no sentido de instaurar o procedimento de lançamento. E o que determina o art. 37 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Portanto, é o titular do direito a declarar seu crédito em tempo hábil, considerando-se o prazo extintivo de natureza decadencial, de forma a salvaguardar seus interesses. CONCLUSÃO Por todo exposto, voto por CONHECER do recurso, REJEITAR a preliminar, o no mérito, NEGAR-LHE provimento. (documento assinado digitalmente) Fl. 105DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2401-010.081 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13016.000154/2010-54 Gustavo Faber de Azevedo Fl. 106DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10865.003351/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2007
REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. PARTE DOS SEGURADOS. APURAÇÃO NA CONTABILIDADE.
A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição previdenciária do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando-a
da respectiva remuneração recebida, constante de livros contábeis, e recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se
o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no
artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.293
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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PARTE DOS SEGURADOS. APURAÇÃO NA CONTABILIDADE. A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição previdenciária do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração recebida, constante de livros contábeis, e recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. Recurso Voluntário Negado Fl. 104DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 105DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.003351/200811 Acórdão n.º 2402002.293 S2C4T2 Fl. 105 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal de contribuições arrecadadas de segurado contribuinte individual, realizado em 26/09/2008. Segue transcrição do relatório fiscal: 6. As — referidas contribuições previdenciárias identificadas pelo código de levantamento "CI — CONTRIBUINTE INDIVIDUAL" foram apuradas sobre as remunerações pagas, creditadas e/ou devidas aos Contribuintes Individuais. ... 9. Analisando a contabilidade da Empresa verifiquei pagamentos regulares registrados na conta 3304500038 — Advogado. A Empresa apresentou o Contrato de prestação de serviços de serviços profissionais advocaticios com o Sr. Ulysses Jose Dellamatrice, referente a estes lançamentos contábeis (fotocópia em anexo). Com base nos lançamentos contábeis e no contrato apresentado foram lançados os valores deste lançamento. Este lançamento decorre do disposto no artigo 12, inciso V, artigo 20, artigo 21, artigo 22, inciso III e artigo 28, inciso III da Lei n° 8.212/91, o fato gerador das contribuições previdenciárias ocorre quando a remuneração é paga, devida ou creditada a qualquer titulo, durante o mês, aos Contribuintes Individuais a serviço da Empresa. 10. A Empresa não incluiu em folha de pagamento, nem declarou através da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social — GFIP estes pagamentos, bem como não foram feitos os descontos referentes a seguridade social da parte do segurado contribuinte individual. Por isto foram lavrados, alem deste, os Als com DEBCAD 37.170.6912 (Cód. Fund. Legal 30), 37.170.6890 (Cód. Fund. Legal 68), 37.170.6920 (Cód. Fund. Legal 59) e 37.123.6939 (referente as contribuições da Empresa). A decisão de primeira instância foi no sentido de julgar o lançamento procedente: Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2007 REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. PARTE DOS SEGURADOS. APURAÇÃO NA CONTABILIDADE. A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição previdenciária do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração recebida, constante de livros contábeis, e recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. Fl. 106DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. PRAZO QÜINQÜENAL. INOCORRÊNCIA. 0 prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é o do Código Tributário Nacional (CTN), nos termos da súmula vinculante n.° 8 do Supremo Tribunal Federal (STF). A constituição do crédito tributário se concretiza com a cientificação eficaz do sujeito passivo. Não tendo havido qualquer pagamento, o prazo para a constituição do crédito previdenciário segue a regra do artigo 173, inciso I do CTN, _ contandose cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. AUTORIDADES LANÇADORA E JULGADORA. ATRIBUIÇÕES LEGAIS. DISTINÇÃO DE COMPETÊNCIAS. LEGALIDADE DO PROCEDIMENTO. As atribuições e competências do AuditorFiscal que constitui o crédito tributário são delimitadas pela legislação tributária, cabendo o exame e julgamento do processo administrativo formalizado a outras autoridades fiscais, lotadas em órgãos colegiados de julgamento, distintos e autônomos em relação aos órgãos de fiscalização e lançamento tributário. CERCEAMENTO DE DEFESA. FALTA DE FUNDAMENTOS LEGAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO. Não há cerceamento de defesa se estão presentes todos os elementos necessários à perfeita identificação dos fatos motivadores do lançamento realizado pela autoridade fiscal. Os fato ocorridos e os dispositivos legais infringidos, discriminados de forma clara e sistematizada no Relatório Fiscal e no Anexo de Fundamentos Legais, consubstanciamse em pressupostos jurídicos suficientes para a exigência fiscal, inocorrendo violação da ampla defesa e do contraditório. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Consolidase administrativamente a matéria não impugnada, assim entendida aquela que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. Lançamento Procedente Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: Da decadência alega, genericamente, que houve decadência tributária, devendo esta ser reconhecida de oficio. Fl. 107DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.003351/200811 Acórdão n.º 2402002.293 S2C4T2 Fl. 106 5 Da nulidade pela falta de 'competência para fiscalizar e julgar que o agente fiscal, ao impor a multa e julgar, ele próprio, as contribuições como devidas, desobedece as regras procedimentais do Decreto n.° 70.235/72 (DOU de 07/03/1972), exorbitando suas competências funcionais e acarretando a nulidade da autuação. Do Cerceamento de Defesa pela falta de fundamentação legal — nulidade que houve cerceamento de defesa pela ausência dos dispositivos legais infringidos pelo contribuinte, caracterizando a conseqüente nulidade da autuação. Dos pedidos Requer a impugnante: 1) a nulidade do AI, hajam vista as irregularidades apontadas e cerceamento de defesa; 2) a improcedência e a decadência da autuação. É o Relatório. Fl. 108DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 109DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.003351/200811 Acórdão n.º 2402002.293 S2C4T2 Fl. 107 7 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto à decadência, verificase pelo período de ocorrência dos fatos geradores que a constituição do crédito foi realizada no prazo decadencial qüinqüenal. Tratandose de contribuição do segurado, a constatação do pagamento parcial deve ser em relação ao segurado em questão e não a totalidade da folha de pagamento. Assim, uma vez que não foram realizados quaisquer pagamentos da contribuição do segurado em questão aplicase a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN. Fl. 110DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 No mérito Entendo que a decisão recorrida não merece reparos. A escrituração contábil, até prova em contrário, evidencia a realidade dos fatos. A peça acusatória do lançamento apresenta a conta contábil e o segurado beneficiário dos pagamentos. Tratandose de segurado contribuinte individual, os pagamentos estão sujeitos à retenção para posterior repasse à Previdência Social, conforme Lei n. 9.876, de 26/11/99 c/c artigo 4° §1° da Lei n. 10.666, de 08/05/2003. Ressaltase que a recorrente não contestou esse fato. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento. Pela mesma razão já aqui apontada, não compete a este julgador afastar a aplicação das normas legais. Neste mesmo sentido é a legitimidade da incidência de juros e multa de mora. Os artigos 34 e 35 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 criaram regras claras para os acréscimos legais, que somente podem ser dispensados por expressa determinação de lei. Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o Art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: (Inciso e alíneas restabelecidas, com nova redação, pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) Fl. 111DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.003351/200811 Acórdão n.º 2402002.293 S2C4T2 Fl. 108 9 II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) Quanto as demais alegações, reportome às Súmulas aprovadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ... Súmula CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 112DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 E em cumprimento ao Regimento Interno do órgão, aprovado pela Portaria n° 256, de 22/06/2009, aplicoas ao presente caso: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 113DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13016.000153/2010-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Dec 23 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo o contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo.
REGIME DE TRIBUTAÇÃO DECLARADO PELO SUJEITO PASSIVO.
A fiscalização tendo verificado nas Declarações de Imposto de Renda que o sujeito passivo é optante do sistema de tributação pelo lucro presumido no período fiscalizado, efetuou o lançamento levando-se em conta o regime de tributação adotado declarado.
Numero da decisão: 2401-010.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gustavo Faber de Azevedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Rodrigo Lopes Araujo, Rayd Santana Ferreira, Gustavo Faber de Azevedo, Matheus Soares Leite, Wilderson Botto (suplente convocado), Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: Gustavo Faber de Azevedo
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NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo o contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo. REGIME DE TRIBUTAÇÃO DECLARADO PELO SUJEITO PASSIVO. A fiscalização tendo verificado nas Declarações de Imposto de Renda que o sujeito passivo é optante do sistema de tributação pelo lucro presumido no período fiscalizado, efetuou o lançamento levando-se em conta o regime de tributação adotado declarado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Gustavo Faber de Azevedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Rodrigo Lopes Araujo, Rayd Santana Ferreira, Gustavo Faber de Azevedo, Matheus Soares Leite, Wilderson Botto (suplente convocado), Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 00 01 53 /2 01 0- 18 Fl. 292DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-010.080 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13016.000153/2010-18 Trata-se de recurso voluntário interposto contra a decisão da 6ª Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre, acórdão nº 10-28.929, que por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido no Auto de Infração nº 37.256.793-2. Segue abaixo a ementa do referido acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 AI Debcad nº 37.256.793-2 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Frente à obrigação vencida e não paga do sujeito passivo é imperiosa a atuação da autoridade administrativa no sentido de instaurar o procedimento de lançamento. O contraditório e ampla defesa não é um direito absoluto, deve ser exercido nos termos e prazos fixados pelas leis reguladoras do processo administrativo. A convicção da autoridade julgadora advém os elementos probatórios carreados pelo fisco e pelo impugnante. O lançamento se refere a contribuições previdenciárias, parte patronal, incidentes sobre as retribuições pagas, devidas ou creditadas: - aos segurados empregados; - aos contribuintes individuais (sócios administradores e transportadores rodoviários autônomos). O período do lançamento é janeiro/2005 a dezembro/2007, incluindo o 13º salário. Extrai-se do Relatório Fiscal (fls. 61/62) que: - consulta realizada nos sistemas da Receita Federal do Brasil, a empresa apresentou as Declarações de imposto de Renda Pessoa Jurídica, anos calendário 2004 a 2008, constando a forma de tributação com base no Lucro Presumido; - as GFIPs do período foram equivocadamente preenchidas ao apresentarem a matriz e a filial 01.663.796/00002-06 como sendo do Simples Federal e, a seguir, como do Simples Nacional, situação em que o sistema gerador da declaração não apura a quota patronal sobre a folha de pagamento; - pelo fato de ter sido informado em GFIP como “optante do Sistema SIMPLES”, houve a omissão dos valores de contribuições devidas, a cargo da empresa, em relação às bases de cálculo dos segurados empregados e contribuintes individuais, não tendo sido efetuado o recolhimento destas contribuições; Fl. 293DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-010.080 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13016.000153/2010-18 - as contribuições para a Seguridade Social, a cargo da ora autuada, devidas em razão da empresa não ser optante pelo sistema SIMPLES, e não recolhidas, são aquelas previstas no art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991. A exigência fiscal é de R$ 532.268,46, consolidado em 26/03/2010, aplicando-se a multa da legislação vigente à época dos fatos ou, nas competências em que mais benéfica, a da legislação superveniente (multa de oficio), em conformidade com a metodologia descrita na folha 65. Os fatos geradores das contribuições previdenciárias apuradas no presente lançamento de crédito são objeto dos seguintes levantamentos: - Levantamento FP e RE - Folha de Pagamento Empregados conforme Base Empresa; - Levantamento PL e PR - Pró-Labore - Remuneração Contribuinte Individual conforme Base Empresa; - Levantamento CI e CT - Freteiros Autônomos Transportadores – Base considerada pela Empresa; Os valores originários das contribuições apuradas, descritos por estabelecimento, competência e item de cobrança, constam do AI no anexo “Discriminativo do Débito – DD” (fl.5/25). A base imponível é apresentada no “Relatório de Lançamentos” (fl.26/40) e os fundamentos legais do débito afiguram-se no relatório “FLD” (fl.41/42). A conduta da empresa em não declarar os valores lançados nas Guias de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP, bem como não tê-los recolhido, em tese, configura a prática de crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária (art. 337-A do Código Penal Brasileiro), motivo pelo qual será efetuada Representação Fiscal para Fins Penais, a ser encaminhada ao Ministério Público Federal, para as providências cabíveis. Por fim, consta do Relatório Fiscal que o sujeito passivo, no período fiscalizado, não efetuou qualquer pagamento vinculado ao SIMPLES, e consequentemente, não foi verificado nos Sistemas da RFB qualquer recolhimento mediante DARF- SIMPLES. O sujeito passivo apresentou impugnação tempestiva (fl.222/225), alegando, em síntese: - Cumprimento das obrigações tributárias; - Nulidade do Auto de Infração pela falta clareza e objetividade na descrição dos fatos apontados como irregularidades, omitindo-se quanto à verdadeira causa da autuação; - Houve cerceamento de defesa e contraditório, uma vez que o procedimento fiscalizatório não lhe foi concedeu prazo para juntar as guias de pagamento, que deve ser reaberto o prazo para a empresa produzir prova a seu favor; Fl. 294DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-010.080 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13016.000153/2010-18 - A fiscalização tendo encontrado divergência de informações entre as Declarações de imposto de Renda e os recolhimentos dos tributos em GFIP, considerou a requerente como optante do sistema de tributação pelo lucro presumido. Na prática, a requerente recolhia seus tributos pelo Simples Federal e Nacional, não havendo qualquer justificativa de ser tributada de forma diferente. A administração não pode alterar o sistema de tributação da requerente mediante um procedimento fiscalizatório. Sobreveio, assim, o acórdão nº 10-28.929 (fls. 249/252), da 6ª Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre, cientificado o sujeito passivo em 31/01/2011 (fl. 260). Em 28/02/2011 (fl.283), o sujeito passivo apresentou o recurso voluntário (fls. 263/266), alegando que: 1. A autuação está embasada em fato de não ter havido o recolhimento das contribuições previdenciárias de responsabilidade da empresa, relativa ao período de competência de 01/2005 a 12/2007. Segundo constou na autuação a Requerente teria deixado de recolher as contribuições em vista de ter informado ser optante do simples. Foi apurado um débito na quantia de R$ 532.268,46; conforme cópia em anexo. 2. Entenderam os Eminentes Membros da Turma Julgadora que o contraditório e a ampla defesa não se constituem em direito absoluto, estando correta a autuação e a aplicação da multa no caso em foco. Para que se chegasse a tal conclusão, não foi observado que a Recorrente nunca faltou com suas obrigações tributarias, assim como, a não apresentação dos comprovantes de recolhimentos dos tributos, por si só, não pode significar que os mesmos não foram recolhidos. 3. No presente caso, rogando vênia aos distintos Membros da Turma Julgadora, o auto de infração padece de vícios que impedem o reconhecimento de sua validade. Sabidamente, atuação do Estado deve pautar-se rigorosamente pela legalidade, especialmente em procedimentos fiscalizatórios, corno no presente caso. De outra banda, os jurisdicionados necessitam que lhes seja assegurado, no mínimo, a equiparação de direitos, quando em confronto com o Estado, sob pena de cerceamento de defesa. Ainda mais quando nos colocamos diante de um sistema tributário extremamente injusto, agravado em muito pelos pesados encargos que são lançados de oficio, em casos de autuação por descumprimento de qualquer regra do sistema de carreação de impostos, como é o caso das multas que equiparam-se a verdadeiro confisco quando aplicadas. 4. Assim, cabe reconhecer que a descrição da infração se recente de clareza e objetividade em relação aos fatos apontados como irregularidade, omitindo-se quanto a verdadeira causa da autuação. Neste caso o agir estatal não pode produzir o resultado almejado, porquanto incompleto e incompreensível. Ademais, o defeito no ato se observa em relação aos demais (AI 37.256.795-9 e AI 37.256.794-0) uma vez que todos estão unidos umbilicalmente, de forma a que o defeito eventualmente observado em dos citados atos, fatalmente levará à contaminação dos demais, comprometendo-os de irremediavelmente de igual modo. 5. Destaca-se, ainda, que por ocasião do procedimento fiscalizatório não foi propiciado a Recorrente a comprovação dos pagamentos faltantes, muito menos lhe foi concedido prazo para juntar as guias de pagamento, de forma a elidir a irregularidade. Por esta razão deve ser reaberto o prazo para apresentação de documentos e justificação da não apresentação dos comprovantes de pagamento objeto do procedimento fiscalizatório. 6. Não é correto que o julgador se sirva de convicções pessoais para decidir a respeito do pedido apresentado pelo jurisdicionado uma vez que o processo administrativo não prescinde da fundamentação da decisão e esta não pode ocorrer de forma alheia à prova. Assim, qualquer prova que possa influir na decisão do julgador e que venha a ser Fl. 295DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-010.080 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13016.000153/2010-18 utilizada para o seu convencimento exige que a mesma tenha sido produzida de forma lícita e juntada ao processo, sob o crivo do contraditório. Então, o prejuízo da Recorrente ocorreu no momento em que não lhe foi permitido a produção de prova necessária no procedimento, cuja ausência sustentou a lavratura do auto de infração e a aplicação da penalidade. Não pode ser admitido, como causa da superação do vício, a possibilidade de juntar as provas em outra oportunidade uma que o ato inquinado de nulidade já foi praticado. 7. Mesmo que as preliminares arguidas venham a ser superadas o que só pode ser admitido no âmbito da tese, posto que o defeito é formal e atinge a própria compreensão e alcance do auto de infração, também sob o exame do mérito não pode ser mantida a autuação. A Administração não poderia, de oficio, fazer o enquadramento do regime tributário da Recorrente, sem que previamente fizesse a sua notificação, propiciando a sua ciência. Contudo, tendo encontrado a divergência de informações entre as declarações de imposto de renda e os recolhimentos dos tributos cm GFIP, entendeu que a Requerente era optante do regime tributário pelo lucro presumido. 8. Por força da uma interpretação unilateral da Administração acabou considerando a Recorrente como optante do sistema de tributação pelo lucro presumido e com isto efetuando levantamento de tributos em aberto uma vez que, na prática, a Recorrente recolhia seus tributos pelo simples federal e nacional. Logicamente que esta interpretação unilateral e desprovida de qualquer fundamentação implica na criação instantânea de um enorme passivo tributário. 9. Apesar deste posicionamento da Administração, inexiste qualquer justificativa de que a Recorrente, de fato, deve ser tributada pelo sistema do lucro presumido. A Administração não pode alterar o sistema de tributação da Recorrente mediante um procedimento fiscalizatório. Para tanto lia regras especiais que, no caso, não foram observadas pela Administração, havendo sobradas razões para que o auto de infração seja descaracterizado. No pedido, o sujeito passivo requer o cancelamento do no Auto de Infração nº 37.256.793-2. É o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Faber de Azevedo, Relator. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. CERCEAMENTO DE DEFESA O sujeito passivo alegou que a atuação do Estado deve pautar-se rigorosamente pela legalidade, especialmente em procedimentos fiscalizatórios, como no presente caso. De outra banda, os jurisdicionados necessitam que lhes seja assegurado, no mínimo, a equiparação de direitos, quando em confronto com o Estado, sob pena de cerceamento de defesa. Fl. 296DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-010.080 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13016.000153/2010-18 Alega que o sistema tributário é extremamente injusto e agravado em muito pelos pesados encargos que são lançados de oficio, em casos de autuação por descumprimento de qualquer regra do sistema de carreação de impostos, como é o caso das multas que se equiparam a verdadeiro confisco quando aplicadas. Argumenta que não é correto que o julgador se sirva de convicções pessoais para decidir a respeito do pedido apresentado pelo jurisdicionado uma vez que o processo administrativo não prescinde da fundamentação da decisão e esta não pode ocorrer de forma alheia à prova. Não é correto que o julgador se sirva de convicções pessoais para decidir a respeito do pedido apresentado pelo jurisdicionado uma vez que o processo administrativo não prescinde da fundamentação da decisão e esta não pode ocorrer de forma alheia à prova. Assim, qualquer prova que possa influir na decisão do julgador e que venha a ser utilizada para o seu convencimento exige que a mesma tenha sido produzida de forma lícita e juntada ao processo, sob o crivo do contraditório. Então, o prejuízo do recorrente ocorreu no momento em que não lhe foi permitido à produção de prova necessária no procedimento, cuja ausência sustentou a lavratura do auto de infração e a aplicação da penalidade. Não pode ser admitido, como causa da superação do vício, a possibilidade de juntar as provas em outra oportunidade uma que o ato inquinado de nulidade já foi praticado. Entretanto, não assiste razão o contribuinte. Sem delongas, tais alegações são genéricas que não guardam qualquer pertinência com o lançamento ora em análise. A decisão da DRJ foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de seu livre convencimento. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entenderem necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. Ademais, o cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidas nos autos do processo, hipótese que não se verifica in casu. O contraditório é exercido durante o curso do processo administrativo, nas instâncias de julgamento, não tendo sido identificado qualquer hipótese de embaraço ao direito de defesa do recorrente. E, ainda, ao contrário do que arguido pelo recorrente, vislumbro que o ato administrativo de lançamento foi motivado pelo conjunto das razões de fato e de direito que carrearam à conclusão contida na acusação fiscal, à luz da legislação tributária compatível com as razões apresentadas no lançamento. O convencimento fiscal está claro, aplicando a legislação que entendeu pertinente ao presente caso, procedeu à apuração do tributo devido com a demonstração constante no Auto de Infração. Fl. 297DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-010.080 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13016.000153/2010-18 O lançamento em comento seguiu todos os passos para sua correta formação, conforme determina o art. 142 do Código Tributário Nacional, quais sejam: (a) constatação do fato gerador cominado na lei; (b) caracterização da obrigação; (c) apuração do montante da base de cálculo; (d) fixação da alíquota aplicável à espécie; (e) determinação da exação devida – valor original da obrigação; (f) definição do sujeito passivo da obrigação; e (g) lavratura do termo correspondente, tudo conforme a legislção. Assim, uma vez verificado a ocorrência do fato gerador, o Auditor Fiscal tem o dever de aplicar a legislação tributária de acordo com os fatos por ele constatados e efetuar o lançamento tributário. Portanto, não havendo qualquer nulidade na hipótese dos autos, seja do lançamento tributário a que se combate ou mesmo da decisão proferida, não tendo sido constatada violação ao devido processo legal e à ampla defesa. Por fim, rejeito a preliminar suscitada. RECOLHIMENTOS NÃO COMPROVADOS O recorrente se insurge contra a decisão de piso que reputou como correta a autuação e a aplicação da multa. Alega que a DRJ não observou que o recorrente nunca faltou com suas obrigações tributarias, assim como, a simples não apresentação dos comprovantes de recolhimentos dos tributos, por si só, não pode significar que os mesmos não foram recolhidos. Entretanto não assiste razão o contribuinte. Os recolhimentos da quota patronal do recorrente, conforme relatado, a autoridade autuante, não foram encontrados nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil. Apesar de serem facilmente identificáveis nos sistemas de controle da Receita Federal do Brasil os recolhimentos da quota patronal da empresa, mesmo assim, nada impediria que o interessado fizesse prova em contrário. Assim, além de ser genérica, a tese do contribuinte é desprovida de apresentação de provas, no caso dos comprovantes de recolhimento, visto que, desde apresentação da impugnação, o recorrente alega e nada apresenta. ENQUADRAMENTO NO LUCRO PRESUMIDO O contribuinte alega que a Administração não poderia, de ofício, fazer o enquadramento do seu regime tributário. Aduz que, por força da uma interpretação unilateral da Administração acabou considerando a Recorrente como optante do sistema de tributação pelo lucro presumido e com isto efetuando levantamento de tributos em aberto uma vez que, na prática, a Recorrente recolhia seus tributos pelo simples federal e nacional. Mais uma vez não há como dar guarida ao contribuinte. Fl. 298DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-010.080 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13016.000153/2010-18 Ao contrário do que alega, foi o próprio recorrente que apresentou as Declarações de imposto de Renda Pessoa Jurídica, anos calendário 2004 a 2008, e declarou a forma de tributação com base no Lucro Presumido. Portanto, a suposta interpretação unilateral da Administração nada mais foi do que a verificação fiscal da situação do contribuinte, exatamente na forma como ele próprio declarou e transmitiu ao Fisco. O recorrente, ao afirmar que inexiste qualquer justificativa de fato para ter sido tributada pelo sistema do lucro presumido quer mesmo é negar o que foi por ele declarado. Assim, a Administração não alterou o sistema de tributação do sujeito passivo mediante um procedimento fiscalizatório, mas apurou as exigências considerando a situação que o próprio fiscalizado declarou em suas obrigações procedimentais. Por fim, após analisar os argumentos de defesa trazidos pelo sujeito passivo no Recurso Voluntário, adoto e reproduzo, abaixo, o voto que fundamenta decisão de primeira instância da DRJ, acórdão nº 10-28.929: A convicção da autoridade julgadora advém, no processo administrativo fiscal, dos elementos probatórios carreados pelo fisco e pelo impugnante. Daí a necessidade de se comprovarem os fatos deduzidos. As partes não têm o dever ou a obrigação de produzir as provas, tão-só o ônus. Não o atendendo não sofrem sanção alguma, mas deixam de auferir a vantagem que decorreria do implemento da prova. É indiscutível que a presunção de legitimidade do ato administrativo não tem o condão de inverter o ônus probatório, mas não se pode aceitar que a simples negativa geral do sujeito passivo relativamente ao fato constitutivo do lançamento tributário possa debilitar o procedimento fiscal, se este foi feito com observância das normas administrativas e com perfeita identificação dos elementos que serviram de base para a apuração dos fatos geradores. Nesse sentido, não existe registro nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil de que a empresa tenha optado pelo sistema de tributação simplificado (Simples Federal e Nacional). Assim, por não se afigurar no SIMPLES, as obrigações previdenciárias próprias recaem sobre a folha de pagamento. O pagamento da quota patronal, se havido (o que seria contraditório supor), seria facilmente identificado nos sistemas de controle da Receita Federal do Brasil. No caso, os ingressos não sobejam os valores declarados como devidos em GFIP (demonstrativo folhas 244/248), portanto, não se confundem com os da exigência fiscal, os quais não foram declarados em GFIP. Em que pese essas considerações, nada impede de que o interessado faça prova em contrário, desde que nos termos e prazos fixados para o exercício de seu direito constitucional do contraditório e ampla defesa. Admitir prorrogação independentemente e respaldo legal, equivale a tomar absolutamente inútil a fixação de prazos. Assim, frente à obrigação vencida e não paga do sujeito passivo é imperiosa a atuação da autoridade administrativa no sentido de instaurar o procedimento de lançamento. E o que determina o art. 37 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Fl. 299DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2401-010.080 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13016.000153/2010-18 Portanto, é o titular do direito a declarar seu crédito em tempo hábil, considerando-se o prazo extintivo de natureza decadencial, de forma a salvaguardar seus interesses. CONCLUSÃO Por todo exposto, voto por CONHECER do recurso, REJEITAR a preliminar, o no mérito, NEGAR-LHE provimento. (documento assinado digitalmente) Gustavo Faber de Azevedo Fl. 300DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 18108.001309/2007-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/06/2006
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco)
anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias.
AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO DAS
OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS. OBSERVÂNCIA DO JULGAMENTO DAS
NFLD´S RESPECTIVAS. Em se tratando o presente lançamento de
obrigação acessória com relação direta e de dependência em face dos lançamentos principais, a sorte do julgamento do Auto de Infração deve obedecer ao que decidido no julgamento das NFLD´s respectivas.
MULTA MORATÓRIA. CONFISCO. ALEGAÇÃO DE
INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.
SUPERVENIÊNCIA DA LEI 11.941/09. FUNDAMENTO LEGAL A SER
UTILIZADO PARA O CÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA
APLICADA AO CONTRIBUINTE. INFORMAÇÕES EM GFIP. ART. 32A
da Lei 8.212/91. Em razão da superveniência da Lei 11.941/09, uma vez verificado que o contribuinte apresentou Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social GFIP
com informações que não compreendiam todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, deve ser considerado, para fins de recálculo da multa a ser aplicada, o disposto no art. 32A
da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.284
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32A
da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica, e para excluir da autuação a parte da multa aplicada relativa aos pagamentos efetuados a título de bolsa de estudos para custeio de cursos de capacitação e qualificação profissional.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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FATOS GERADORES Recorrente SANTA CONSTANCIA TECELAGEM Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 30/06/2006 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO DAS OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS. OBSERVÂNCIA DO JULGAMENTO DAS NFLD´S RESPECTIVAS. Em se tratando o presente lançamento de obrigação acessória com relação direta e de dependência em face dos lançamentos principais, a sorte do julgamento do Auto de Infração deve obedecer ao que decidido no julgamento das NFLD´s respectivas. MULTA MORATÓRIA. CONFISCO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. SUPERVENIÊNCIA DA LEI 11.941/09. FUNDAMENTO LEGAL A SER UTILIZADO PARA O CÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA APLICADA AO CONTRIBUINTE. INFORMAÇÕES EM GFIP. ART. 32 A da Lei 8.212/91. Em razão da superveniência da Lei 11.941/09, uma vez verificado que o contribuinte apresentou Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social GFIP com informações que não compreendiam todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, deve ser considerado, para fins de recálculo da multa a ser aplicada, o disposto no art. 32A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 278DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/12/20 11 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica, e para excluir da autuação a parte da multa aplicada relativa aos pagamentos efetuados a título de bolsa de estudos para custeio de cursos de capacitação e qualificação profissional. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Lourenço Ferreira do Prado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domigues. Fl. 279DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/12/20 11 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18108.001309/200769 Acórdão n.º 2402002.284 S2C4T2 Fl. 264 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por SANTA CONSTÂNCIA TECELAGEM LTDA, em face de acórdão que manteve parcialmente o lançamento efetuado por meio do Auto de Infração 37.011.3748, para a cobrança de multa por ter a recorrente deixado de informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias a que estava sujeita, infringindo artigo 32, inciso IV, Lei 8.212/91, combinado com artigo 225, inciso IV, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo decreto 3.048/99: Consta dos autos que os pagamentos não informados em GFIP são relativos a valores creditados indiretamente aos sócios a titulo de veículos adquiridos postos a disposição destes; aos segurados trabalhadores autônomos que lhe prestaram serviços; aos segurados empregados à titulo de bolsas de estudo; e finalmente a segurados empregados a titulo de seguro de vida em grupo. O lançamento compreende os segurados e pagamentos omitidos em 01/2000 a 06/2006, tendo sido o contribuinte cientificado do AI em 22/09/2006 (fls. 01) Após ter sido apresentada a impugnação, a recorrente informou por meio da petição de fls. 74, que os lançamentos principais foram efetuados nas seguintes NFLD´s: NLFD 37.011.3578 ( valores creditados indiretamente aos sócios), NFLD 37.011.3640 ( segurados trabalhadores autônomos), NFLD 37.011.3624 (pagamentos a segurados a título de bolsa de estudos) e NFLD 37.011.3632 ( seguro de vida em grupo). Aduziu, na oportunidade, que efetuou o pagamento dos valores das contribuições objeto das NFLD´s 37.011.3578 ( valores creditados indiretamente aos sócios), NFLD 37.011.3640 ( segurados trabalhadores autônomos) e que efetuou a competente retificação das GFIP´s correspondentes no prazo de defesa, motivo pelo qual requereu a relevação da multa aplicada. Às fls. 189 foi determinada a realização de diligência para que o fiscal autuante prestasse esclarecimentos acerca do lançamento efetuado. Às fls 194 sobreveio relatório fiscal complementar do qual a empresa fora devidamente intimada.. O julgamento de primeira instância julgou procedente em parte o lançamento, reconhecendo a decadência do período de 01/2000 a 12/2000 com base no art. 173, I, do CTN e a determinado a relevação parcial da multa cujo lançamento principal constava nas NFLD´s 37.011.3578 e 37.011.3640. O contribuinte interpôs o competente recurso voluntário de fls. 233/257, através do qual sustenta: Fl. 280DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/12/20 11 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 1. que em relação às NFLD's 37.011.3624 e 37.011.3632 , não há que se falar em infração, pois ambas estão em fase de recurso voluntário perante a 5a Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, não havendo decisão final acerca da sua certeza e estando com a exigibilidade suspensa nos termos do inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional 2. a decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento, com fundamento no art. 150, 4o do CTN; 3. que as verbas pagas aos empregados, referentes aos seguros de vida em grupo e a planos educacionais, não têm natureza jurídica de salário, por tratarem de verdadeiros benefícios concedidos pelos empregadores e não se traduzirem em ressarcimentos de despesas efetuadas pelos empregados 4. que é ciente de seu papel na sociedade e da impossibilidade do Estado de fornecer formação adequada e suficiente a seus cidadãos, concede aos seus empregados bolsas de estudo, fomente sem o qual muitos de seus empregados não teriam acesso a qualificação profissional, que hoje está cada vez mais sendo exigida no mercado de trabalho, além da capacitação ser necessária ao dia a dia da empresa já que guarda relação com a realização de suas atividades; 5. violação do art. 110 do CTN, pois não poderia a legislação tributária alterar o conceito de salário; 6. que a multa aplicada possui efeito confiscatório; 7. que em respeito e obediência ao principio constitucional da irretroatividade das leis, a penalidade contida no art. 90 da Portaria n° 142, de 11 de abril de 2007, só poderia ser aplicada para os fatos ocorridos a partir dessa mesma data, e nunca retroagir para alcançar fatos pretéritos, na data do fato gerador da multa; 8. que inexistindo circunstância agravante, como, aliás, atestou o nobre fiscal, a penalidade a ser aplicada no caso em questão deve obedecer o disposto no art. 292 do RPS, sendo sopesada em seu valor mínimo; 9. a decadência do direito de o fisco efetuar o lançamento; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 281DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/12/20 11 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18108.001309/200769 Acórdão n.º 2402002.284 S2C4T2 Fl. 265 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARES Em sede de preliminar, apenas a decadência veio a ser argüida. Conforme já relatado, o v. acórdão de primeira instância, já analisou a questão à luz do entendimento consolidado através da Súmula Vinculante n. 08 do STF, quando reconheceu a extinção de parte do lançamento, com fundamento no art. 173, I do CTN. O pedido constante no recurso, dessa forma, busca que no presente caso venha a ser aplicadas as disposições do art. 150, 4o do CTN, alegação que não merece amparo. O julgamento envolve o lançamento de multa pelo descumprimento de obrigação acessória imposta à recorrente pela legislação, motivo pelo qual, diante de já consolidado entendimento desta Turma, tratase de lançamento de ofício, devendo ser aplicado in casu o art. 173, I do CTN, como bem determinou o acórdão de primeira instância. Logo, rejeito a preliminar argüida. MÉRITO Conforme reconhecido pela própria recorrente, o presente caso, de fato depende do deslinde do julgamento das NFLD´s 37.011.3624 (pagamentos a segurados a título de bolsa de estudos) e NFLD 37.011.3632 ( seguro de vida em grupo). Em pesquisa ao sistema informatizado neste órgão, percebese que referidas NFLD´s foram autuadas sob os números 35564.005334/200672 e 35564.005332/200683, respectivamente, tendo sido distribuídas ao Em. Conselheiro Marco André Ramos Vieira. Ambas já foram objeto de julgamento. Logo, não há outra conclusão a ser adotada senão a de que o presente julgamento acompanhe todos os termos do julgamento dos lançamentos principais. Fl. 282DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/12/20 11 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Portanto, quanto ao lançamento da multa pela ausência de informação em GFIP de valores pagos aos empregados a título de seguro de vida em grupo, o lançamento há que ser mantido em sua integralidade, sendo dele excluídas, apenas, as competências atingidas pela decadência, de acordo com o que já restou decidido pelo acórdão de primeira instância. Já no que se refere ao lançamento da multa pela ausência de informações em GFIP dos valores pagos a título de bolsa de estudos, há de se considerar que o lançamento principal englobava (i) os valores pagos em cursos considerados como de capacitação profissional e (ii) cursos de ensino superior. O julgamento do processo 35564.005334/200672, sobre referido aspecto entendeu por negar provimento ao recurso impetrado mantendo incólume o lançamento dos valores pagos a título de bolsas de estudo em instituições de ensino superior, motivo pelo qual a multa aplicada pela não informação de tais pagamentos também há de ser mantida em sua integralidade. Todavia, quanto aos pagamentos de bolsas para realização de cursos de capacitação e qualificação profissional, o julgamento foi no sentido de determinar a nulidade do lançamento pela ocorrência de erro formal, em razão da fiscalização ter deixado de trazer aos autos elementos suficientes a demonstrar que não se tratavam de cursos de capacitação profissional sem corelação com as atividades desenvolvidas pela recorrente. Logo, uma vez que não houve a demonstração da efetiva ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas, não vejo como possa vir a ser mantida multa pela não informação em GFIP de referidos fatos geradores, de modo que entendo deve o lançamento da multa sobre este aspecto ser, também, anulado por vício formal. Ademais, tenho que a irresignação para o afastamento da multa moratória sob a argumentação de caracterizarse como confiscatória não pode ser analisada por este Eg. Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Por fim, há que se considerar aquilo o que determinado pelas invações trazidas pela Lei 11.941/09, que acrescentou na Lei 8.212/91 os artigos 32A e 35A, os quais dispõem o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será Fl. 283DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/12/20 11 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18108.001309/200769 Acórdão n.º 2402002.284 S2C4T2 Fl. 266 7 considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. “Art. 35A Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996”. Por sua vez, o art. 35A faz remição ao art. 44 da Lei 9.430/96, que assim dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ No caso dos autos, tratase de auto de infração no qual fora lançada multa pelo descumprimento de obrigação acessória relativa a apresentação de GFIP’s com informações inexatas relativamente a todos os fatos geradores de contribuições previdenciarias a que estaria sujeito o contribuinte. A meu ver, sobre o assunto não resta outra conclusão, senão acatar a tese sustentada no Recurso Voluntário. Das alterações levadas a efeito, a disposição contida no art. 32A da Lei 8.212/91, é específica para os casos de GFIP com informações inexatas ou mesmo omissões, assim devendo ser consideradas as informações relativas aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, motivo pelo qual entendo deva ser, no presente caso, o dispositivo legal aplicável, conforme determinado pelo art. 106, III, “c” do Código Tributário Nacional, que determina a aplicação retroativa da Lei nova, quando dispuser sobre penalidades e que possa vir a ser mais benéfica ao acusado, no caso o contribuinte. Ante todo o exposto voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito, em DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para que seja efetuado o cálculo e comparação da multa mais benéfica a ser aplicada com base no disposto no art 32A da Lei 8.212/91, bem como para que seja excluída do lançamento a Fl. 284DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/12/20 11 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 totalidade da multa aplicada pela não informação em GFIP dos pagamentos efetuados a título de bolsa de estudos para custeio de cursos de capacitação e qualificação profissional. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 285DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/12/20 11 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10855.900043/2008-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1102-000.042
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETO
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10855.900043/2008-55 Recurso n° 506355 Resolução n° 1102-00.042 — la Câmara!/ 2a Turma Ordinária Data 25/05/2011 Assunto Solicitação de Diligencia Recorrente Auto Ônibus Nardelli Ltda. Recorrida 5' Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto-SP Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia, nos termos do voto do relator. IVETE MAE, QUIAS:LlESSOA MONTEIRO — Presidente V SILVANA RESCIG 0 GUERRA BARRETO - Relatora EDITADO EM:08/08/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma), João Otavio Opperman Thorne, Silvana Rescigno Barreto, Meigan Sack Rodrigues (Suplente convocado), Manoel Mota Fonseca (Suplente convocado) e João Carlos Lima Junior(Vice-Presidente) Processo n° 10855.900043/2008-55 SI-CIT2 Resolução n.° 1102-00.042 Fl. 2 Relatório e voto. Trata-se de PER/DCOMP transmitida em 30 de dezembro de 2003 e indeferida, com base na inexistência de crédito de IRPJ no montante original de R$ 21.938,03, para compensação corn estimativa do mesmo tributo, com vencimento em 30 de dezembro de 2003, no valor de R$ 22.811,26. Cientificada do indeferimento, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 07/08) alegando, preliminarmente, que se trata de PER/DCOMP indevidamente preenchida, haja vista que, por recolher o imposto por suspensão ou redução, deveria ter considerado o montante pago durante o exercício em curso como dedução e não como crédito contra a Receita Federal, corno feito. No mérito, a Recorrente repetiu que não haveria crédito para ser restituído, ressarcido ou compensado, tratando-se de pedido vazio, e informou ter recolhido em cada período de apuração o imposto devido, o que teria sido comprovado através da apresentação de guias (fls. 20/33). A DRJ de Ribeirao Preto indeferiu a Manifestação de Inconformidade, mantendo incólume o despacho decisório, por entender que a ausência de indébito tributário e a confissão de divida formalizada no PER/DCOMP exigiria a prova inequívoca de que o débito quitado por recolhimento através de DARF seria o mesmo confessado, ônus do qual não teria se desincumbido a Recorrente. Acrescentou, ainda, que os registros contábeis da Recorrente deveriam comprovar o alegado pagamento, consoante art. 923, do RIR/99. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repetindo as razões postas na Manifestação de Inconformidade, anexando aos autos cópia dos balancetes mensais de verificação referente ao mês de outubro, transcritos no Livro Diário IV. 45, e do LALUR corn Demonstrativo de Cálculo correspondente à apuração do imposto e contribuições devidos. Considerando que a Recorrente reconhece, em suas razões, a inexistência de crédito passível de compensação, resta definir se deve ser ou não cancelada a cobrança do débito declarado sob o código 5993 relativo ao IRPJ corn vencimento em 30 de dezembro de 2003, em razão de pagamento no valor de R$ 28.952,13. A identidade das informações prestadas na DIPJ (fl. 44) e registradas no Livro de Registro de Apuração do Lucro Real (ti. 151), assim como a guia DARF colacionada (fls. 28 e 1167) constituem forte indicio de que inexistente o débito confessado em PER/DCOMP, contudo, julgo necessária a conversão do feito em diligência para que seja confirmada a inexistência de débito, mediante análise dos livros fiscais da Recorrente, e da DCTF correspondente, considerando ainda a multiplicidade de processos de compensação equivocados apresentados no mesmo exercício. É como voto. SILVANA RESCIG4GUERRA BARRETO 2
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