Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,050)
- Primeira Turma Ordinária (16,516)
- Primeira Turma Ordinária (16,445)
- Primeira Turma Ordinária (16,325)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,024)
- Segunda Turma Ordinária d (14,547)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,572)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,851)
- Terceira Câmara (68,403)
- Segunda Câmara (57,284)
- Primeira Câmara (21,503)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,891)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,425)
- Segunda Seção de Julgamen (115,920)
- Primeira Seção de Julgame (77,827)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,142)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,440)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,597)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,147)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,856)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,753)
- WILDERSON BOTTO (2,679)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,474)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,671)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,021)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11020.003276/2010-16
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Outros Tributos ou Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA E SEBRAE. LEGALIDADE. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO.
A decisão recorrida encontra-se devidamente fundamentada e motivada, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal.
Não há que se falar em anulação da decisão de primeira instância, quando aferidos os requisitos capitulados no art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e art. 38, do Decreto 7.574/2011.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a
inconstitucionalidade de lei tributária.
É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas
urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de
previdência rural.
O adicional destinado ao SEBRAE (Lei nº 8.029/90, na redação dada
pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no Decreto-lei nº 2.318/86 (SENAI, SENAC, SESI e SESC).
O princípio da vedação ao confisco, estabelecido pela Constituição Federal, não obsta que a autoridade fiscal imponha multa, em conformidade com legislação em vigor.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2803-001.678
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 16 09:00:03 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201207
ementa_s : Outros Tributos ou Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA E SEBRAE. LEGALIDADE. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. A decisão recorrida encontra-se devidamente fundamentada e motivada, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal. Não há que se falar em anulação da decisão de primeira instância, quando aferidos os requisitos capitulados no art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e art. 38, do Decreto 7.574/2011. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. O adicional destinado ao SEBRAE (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no Decreto-lei nº 2.318/86 (SENAI, SENAC, SESI e SESC). O princípio da vedação ao confisco, estabelecido pela Constituição Federal, não obsta que a autoridade fiscal imponha multa, em conformidade com legislação em vigor. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 11020.003276/2010-16
anomes_publicacao_s : 201207
conteudo_id_s : 5158744
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 2803-001.678
nome_arquivo_s : 2803001678_11020003276201016_201206.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 11020003276201016_5158744.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
id : 4753617
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Sep 16 09:08:14 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1777184591501590528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1988; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 1 1 0 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.003276/201016 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803001.678 – 3ª Turma Especial Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente ARB LINHAS PESADAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA E SEBRAE. LEGALIDADE. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. A decisão recorrida encontrase devidamente fundamentada e motivada, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal. Não há que se falar em anulação da decisão de primeira instância, quando aferidos os requisitos capitulados no art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e art. 38, do Decreto 7.574/2011. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. O adicional destinado ao SEBRAE (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (SENAI, SENAC, SESI e SESC). O princípio da vedação ao confisco, estabelecido pela Constituição Federal, não obsta que a autoridade fiscal imponha multa, em conformidade com legislação em vigor. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 7/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 11020.003276/201016 Acórdão n.º 2803001.678 S2TE03 Fl. 2 2 Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente. (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, Osmar Pereira Costa. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 7/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 11020.003276/201016 Acórdão n.º 2803001.678 S2TE03 Fl. 2 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa ARB LINHAS PESADAS LTDA em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o lançamento de débito referente ao período de 01/01/2009 a 31/12/2009. 2. Segundo consta do relatório fiscal, o contribuinte deixou de recolher contribuições previdenciárias destinadas a terceiros (FNDE, SESI, SENAI e SEBRAE) incidentes sobre a remuneração paga, devida e creditada aos segurados empregados, conforme f. 263. Transcrevo trechos do relatório fiscal para melhor elucidar os fatos geradores do lançamento: “DO RELATÓRIO 1. (...) Auto de Infração acima descrito e referese às contribuições sociais devidas a outras entidades e fundos (TERCEIROS) – SALÁRIO EDUCAÇÃO (2,5%), INCRA (0,2%), SENAI (1%), SESI (1,5%) e SEBRAE (0,6%), a cargo da empresa, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados a seu serviço.] 1.2. De acordo com o art. 3o da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil, arrecadar e fiscalizar, mediante remuneração, contribuição por lei devida a terceiros, aplicando se a essa contribuição, no que couber, as mesmas disposições aplicadas às contribuições previdenciárias. CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE 2. Emitido Termo de Início de Procedimento Fiscal atado de 29/06/2010, com recebimento pelo contribuinte em 06/07/2010, conforme Aviso de Recebimento (AR n° RJ 70062260 5 BR). DO PERÍODO DE LANÇAMENTO DO CRÉDITO 3. Período do lançamento do crédito: 01/2009 a 12/2009 e 13/2009 (Décimo Terceiro Salário/2009). DA OPÇÃO AO SIMPLES NACIONAL 4. O contribuinte foi optante do regime denominado SIMPLES NACIONAL (solicitação 00.00.70.67.22, de 12/07/2007, conforme “Consulta Histórico da Empresa no Simples Nacional”), instituido pela Lei complementar nº 123/2006, no período de 01/01/2009, pelo ADE – Ato Declaratório Executivo DRF/CXL n 129569, de 22/08/2008, uma vez que possuía débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa. (...) Fl. 435DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 7/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 11020.003276/201016 Acórdão n.º 2803001.678 S2TE03 Fl. 2,5 4 O contribuinte não apresentou qualquer manifestação de inconformidade contra a exclusão do Simples Nacional, com que tornouse definitiva a referida decisão administrativa. 5. Inobstante cientificado, na forma da lei, da exclusão do SIMPLES NACIONAL, o sujeito passivo continuou indevidamente informando nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIPs (entregues até a data da ciência, pelo contribuinte, da presente ação fiscal, considerando a perda da espontaneidade conforme preceitua o artigo 7º[ e seus incisos e parágrafos, do Decreto nº 70.235/1972) como se optante deste regime fosse. agindo assim, deixou de declarar as contribuições lançadas na presente ação fiscal em GFIP – documento por meio do qual, a teor do no art. 32, inciso IV, da Lei n° 8.212, de 1991, incluído pela Lei n° 9.528, de 10 de dezembro de 1997, e alterado pela Lei n° 11.941, de 2009, as empresas declaram, mensalmente, dados relacionados a fatos geradores, bases de cálculo e valores devidos de contribuições previdenciárias e de contribuições devidas a outras entidades e fundos, para fins de cobrança pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e de concessão de benefícios por parte do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, o que implica omissão das correspondentes contribuições por ele devidas. 5.1. Não houve nenhum recolhimento de contribuições objeto do presente Auto de Infração. O contribuinte ora autuado nem mesmo recolheu a totalidade das contribuições previdenciárias descontadas dos segurados a seu serviço, relativas ao período abrangido pela presente ação fiscal. Os valores das contribuições devidas pelos segurados, declaradas em GFIP, foram objeto de cobrança automática (23/06/2010), através de DCG – DÉBITO CONFESSADO EM GFIP DEBITO: 36.897.4014 (competências 12/2008 e 01/2009 a 12/2009). As contribuições devidas pelos segurados empregados, relativas ao 13° salário/2008 (13/2008) e 3° salário/2009 (13/2009) não foram declaradas em GFIP, portanto, os créditos relativas as mesmas foram apurados na presente ação fiscal, através do Auto de Infração DEBCAD 37.291.7399. 5.2. Não houve, também, qualquer recolhimento ao SIMPLES NACIONAL, relativo ao período de referência do presente lançamento”. 3. O contribuinte foi devidamente cientificado do lançamento fiscal em 01/11/10, f. 24 e apresentou impugnação tempestiva às ff. 28/91. 4. O Colegiado de primeira instância julgou improcedente a impugnação da empresa e o acórdão recorrido restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: “1. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. 2. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. EXIGUIDADE DO PRAZO DE DEFESA. A nulidade do lançamento em função de suposto cerceamento de defesa pela exiguidade do prazo de que a empresa dispunha para impugnar os lançamentos esbarra nas previsões normativas que fixam esse prazo, descabendo à esfera administrativa Fl. 436DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 7/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 11020.003276/201016 Acórdão n.º 2803001.678 S2TE03 Fl. 3 5 alterar os prazos legalmente previstos, em observância ao princípio da legalidade. 3. ADITAMENTO DA IMPUGNAÇÃO. A impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar deve ser apresentada no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. 4. PEDIDO DE PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. A oportunidade para a apresentação de provas é na impugnação, somente sendo admitida a juntada extemporânea quando comprovada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. 5. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. A incidência das contribuições destinadas a outras entidades e fundos se dá sobre a remuneração total do segurado empregado, com exclusão, apenas, daquelas parcelas expressamente definidas em lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. (f. 267)” 5. A empresa foi devidamente intimada da decisão proferida e inconformada apresentou recurso voluntário tempestivo, no qual aduz em síntese: a) preliminarmente, nulidade da decisão proferida em sede de primeira instância por violação ao contraditório e à ampla defesa, tendo em vista que o acórdão careceu de fundamentação; b) requer que até a decisão final administrativa, seja garantido o direito de apresentação de quaisquer documentos ou impugnações a documentos, que julgue necessário à melhor resolução do procedimento administrativo, pois assim prevê o inciso III do artigo 3º da Lei n 9.784/1999; c) a inconstitucionalidade e ilegalidade da cobrança das contribuições destinadas ao SEBRAE de pessoas jurídicas que não se enquadrem entre as pequenas e micro empresas, como é o caso da recorrente, tendo em vista que a contribuição Social destinada ao SEBRAE foi criada com a finalidade de custear a política de apoio às micros e às pequenas empresas, não se enquadrando aquelas destinadas ao custeio da seguridade social previsto no art. 195, I da CF/88. d) a inexigibilidade das contribuições destinada às entidades privadas de serviço social e formação profissional sobre as verbas relativas ao terço constitucional de férias, horas extras, adicionais de periculosidade, insalubridade, noturno e sobre valores pagos aos trabalhadores afastados de suas atividades nos primeiros quinze dias eu antecedem o auxíliodoença, em razão de tais valores não possuírem natureza salarial; e) que a multas aplicadas ao contribuinte possuem nítida natureza confiscatória, dado os percentuais tão elevados, constituindo violação flagrante ao disposto no art. 150, inc. V da Constituição Federal; Fl. 437DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 7/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 11020.003276/201016 Acórdão n.º 2803001.678 S2TE03 Fl. 3,5 6 f) entende ilegal a aplicação da TAXA SELIC, para o cálculo dos juros moratórios, pois excede ao limite máximo fixado no artigo 161 do CTN, qual seja, juros de 1% ao mês. g) requer, por fim, a declaração de nulidade do acórdão proferido pela primeira instância e o retorno dos autos à origem para novo julgamento, e caso não atendido o requerimento, que seja anulado o auto de infração. 6. O fisco não apresentou contrarrazões. O processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 7/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 11020.003276/201016 Acórdão n.º 2803001.678 S2TE03 Fl. 4 7 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA NULIDADE POR FALTA DE MOTIVAÇÃO 2. A recorrente suscita a declaração de nulidade da decisão de primeira instância que considerou o lançamento procedente, por entender que houve falta de motivação no acórdão proferido. No entanto ao fazer o cotejamento entre os argumentos trazidos pela empresa em sua impugnação e os pontos manifestados pelo colegiado a quo, vêse que razão não assista ao contribuinte. 3. Isso porque, conforme pode ser verificado, a decisão recorrida analisou pontualmente cada um dos argumentos trazidos pela recorrente, com a devida motivação requerida pela legislação de regência. 4. E ao analisar os autos, cumpre ressaltar que tanto o lançamento quanto a decisão de primeira instância encontramse devidamente fundamentados e motivados, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e art. 38, do Decreto 7.574/2011. Assim, não há que se falar em anulação da decisão de primeira instância, no que rejeito a preliminar levantada pelo contribuinte. DO MÉRITO DA ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO SALÁRIO EDUCAÇÃO, DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA E AO SEBRAE 5. Pugna o contribuinte ainda pela inconstitucionalidade da contribuição ao INCRA E SEBRAE, pois essa contribuição não possui o perfil jurídico de contribuição social para o seguro social, nem se destina a entes privados de promoção profissional, não estando nos lindes do art. 195, I, nem no art. 240 da Constituição Federal. 6. Dessa feita, observase que tais argumentos não merecem prosperar, pois, a teor do que dispõe o art. 26A do Decreto 70.235/72, com redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, exceto nos casos previstos no § 6º do mesmo dispositivo legal, a seguir transcrito, este órgão julgador, de cunho administrativo, não tem competência legal para apreciar e declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de dispositivo de lei. “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, Fl. 439DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 7/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 11020.003276/201016 Acórdão n.º 2803001.678 S2TE03 Fl. 4,5 8 acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993.” 7. Segundo o caput do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, é vedado aos seus Conselheiros membros, sob fundamento de inconstitucionalidade, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. 8. Ademais, a súmula n.º 2 do CARF preceitua o seguinte: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” 9. Dessa forma, afastamse o conhecimento das alegações de inconstitucionalidade e de ilegalidade de defesa, pois os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições contidas no auto de infração em apreço, todos discriminados nos Fundamentos Legais do Débito, encontramse em plena vigência, não havendo até a presente data manifestação do Supremo Tribunal Federal sobre a inaplicabilidade dos mesmos. 10. Assim, rejeito as alegações do contribuinte de inconstitucionalidade dos atos normativos que embasam o lançamento. DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O INCRA 11. Alega a empresa autuada que a contribuição destinada ao INCRA é inexigível, uma vez que sua atividade é exclusivamente urbana, ou seja, ela não exerce atividade rural, faltando causa jurídica para contribuir. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 7/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 11020.003276/201016 Acórdão n.º 2803001.678 S2TE03 Fl. 5 9 12. Não se olvida que a referida contribuição tenha natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social, contudo as competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra: “DECRETOLEI Nº 1.110, DE 9 DE JULHO DE 1970. Regulamento Cria o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), extingue o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário e o Grupo Executivo da Reforma Agrária e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item I, da Constituição, DECRETA: Art. 1º É criado o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), entidade autárquica, vinculada ao Ministério da Agricultura, com sede na Capital da República. Art. 2º Passam ao INCRA todos os direitos, competência, atribuições e responsabilidades do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA) e do Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA), que ficam extintos a partir da posse do Presidente do novo Instituto.” ... “LEI Nº 4.504, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964. Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: (...) Art. 74. É criado, para atender às atividades atribuídas por esta Lei ao Ministério da Agricultura, o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário (INDA), entidade autárquica vinculada ao mesmo Ministério, com personalidade jurídica e autonomia financeira, de acordo com o prescrito nos dispositivos seguintes: I o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário tem por finalidade promover o desenvolvimento rural nos setores da colonização, da extensão rural e do cooperativismo; II o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário terá os recursos e o patrimônio definidos na presente Lei; III o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário será dirigido por um Presidente e um Conselho Diretor, composto de três membros, de nomeação do Presidente da República, mediante indicação do Ministro da Agricultura; Fl. 441DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 7/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 11020.003276/201016 Acórdão n.º 2803001.678 S2TE03 Fl. 5,5 10 IV Presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário integrará a Comissão de Planejamento da Política Agrícola;” 13. Assim, verificase que a contribuição ao INCRA não alcança exclusivamente a produção rural, conforme sua lei de instituição, a qual relaciona atividades industriais que podem ser desenvolvidas tanto no meio rural como nas regiões urbanas: “DECRETOLEI Nº 1.146, DE 31 DE DEZEMBRO DE 1970. Consolida os dispositivos sobre as contribuições criadas pela Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955 e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, DECRETA: Art 1º As contribuições criadas pela Lei nº 2.613, de 23 de setembro 1955, mantidas nos termos deste DecretoLei, são devidas de acordo com o artigo 6º do DecretoLei nº 582, de 15 de maio de 1969, e com o artigo 2º do DecretoLei nº 1.110, de 9 julho de 1970: I Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA: 1 as contribuições de que tratam os artigos 2º e 5º deste DecretoLei; 2 50% (cinquenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. 3º deste Decretolei. II Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural FUNRURAL, 50% (cinquenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3º deste Decretolei. Art 2º A contribuição instituída no " caput " do artigo 6º da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1º de janeiro de 1971, sendo devida sobre a soma da folha mensal dos salários de contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas: I Indústria de canadeaçúcar; II Indústria de laticínios; III Indústria de beneficiamento de chá e de mate; IV Indústria da uva; V Indústria de extração e beneficiamento de fibras vegetais e de descaroçamento de algodão; VI Indústria de beneficiamento de cereais; Fl. 442DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 7/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 11020.003276/201016 Acórdão n.º 2803001.678 S2TE03 Fl. 6 11 VII Indústria de beneficiamento de café; VIII Indústria de extração de madeira para serraria, de resina, lenha e carvão vegetal; IX Matadouros ou abatedouros de animais de quaisquer espécies e charqueadas.” 14. E nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça STJ que também se consolidou no Supremo Tribunal Federal – STF, verbis: “TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO SOCIAL INCRA ART. 6º, § 4º, DA LEI N. 2.613/55 EXIGIBILIDADE EMPRESA URBANA. 1. A contribuição destinada ao INCRA, desde sua concepção, caracterizase como contribuição especial de intervenção no domínio econômico, sendo classificada doutrinariamente como contribuição especial atípica. 2. A contribuição ao INCRA não possui referibilidade direta com o sujeito passivo, por isso se distingue das contribuições de interesse das categorias profissionais e de categorias econômicas. 3. Possível a exigência da contribuição social destinada ao INCRA das empresas urbanas. Agravo regimental improvido.” (AgRg nos EDcl no REsp 991214/PE. Segunda Turma. Relator Ministro Humberto Martins. DJ 16.05.2008, p. 1) 15. Abaixo, segue ementa lavrada pelo STF no julgamento do Agravo Regimental de n ° 735.665/RS, de relatoria do Ministro Joaquim Barbosa publicado no Diário da Justiça em 01 de abril de 2011: “AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. EMPRESA URBANA. A decisão agravada está em perfeita harmonia com o entendimento firmado por ambas as Turmas deste Tribunal, no sentido de que é devida por empresa urbana a contribuição destinada ao INCRA. Agravo regimental a que se nega provimento.” 16. Dessa forma, com base nas considerações tecidas acima, entendo que não merecem prosperar as alegações trazidas pela recorrente em suas razões. DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O SEBRAE 17. Quanto ao argumento de ilegalidade da cobrança de contribuições para o SEBRAE, aduz a recorrente que seus trabalhadores não recebem benefício algum desta entidade, e, portanto, indevida sua exigência. 18. Também não dou razão à recorrente. Isso porque, sobre a questão, este Conselho pacificou seu entendimento no sentido de que a contribuição ao SEBRAE tratase de Fl. 443DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 7/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 11020.003276/201016 Acórdão n.º 2803001.678 S2TE03 Fl. 6,5 12 um adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, SESI/SENAI e SEST/SENAT. A título de ilustração, sito julgado recente do ilustre Conselheiro Mauro José Silva, membro desta Turma: “(...)CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE. A contribuição ao SEBRAE como mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, SESI/SENAI e SEST/SENAT, deve ser recolhida por todas as empresas que são contribuintes destas.” (Acórdão n.º 2301 001.826 –Sessão realizada em 10.02.2011 – 1ª Turma, 3ª Câmara, 2ª Seção de Julgamento do CARF) 19. E com relação à cobrança da contribuição para o SEBRAE, a jurisprudência vem se posicionando no sentido de que o pagamento da contribuição não está diretamente relacionado com os beneficiários. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento, conforme ementa do Agravo Regimental no Recurso Especial de n ° 1216186/RS, publicado no DJe em 16 de maio de 2011: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VÍNCULO EMPREGATÍCIO.DESCARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 7. REDUÇÃO DE MULTA PARA 20%. LEISUPERVENIENTE N. 11.941/09. POSSIBILIDADE. 1. A contribuição para o SEBRAE constitui contribuição de intervenção no domínio econômico (CF art. 149) e, por isso, é exigível de todos aqueles que se sujeitam às Contribuições ao SESC,SESI, SENAC e SENAI, independentemente do porte econômico, porquanto não vinculada a eventual contraprestação dessa entidade. 2. O art. 35 da Lei n. 8.212/91 foi alterado pela Lei 11.941/09,devendo o novo percentual aplicável à multa moratória seguir o patamar de 20%, que, sendo mais propícia ao contribuinte, deve ser a ele aplicado, por se tratar de lei mais benéfica, cuja retroação é autorizada com base no art. 106, II, do CTN.3. Precedentes: REsp 1.189.915/ES, Rel. Ministra Eliana Calmon,Segunda Turma, julgado em 1º.6.2010, DJe 17.6.2010; REsp1.121.230/SC, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em18.2.2010, DJe 2.3.2010.Agravo regimental improvido.” 20. Por fim, ressalto que essa foi a vertente adotada pelo Supremo Tribunal Federal, ao analisar a questão nos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: “PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de Fl. 444DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 7/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 11020.003276/201016 Acórdão n.º 2803001.678 S2TE03 Fl. 7 13 intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse.” 21. Por tudo, entendo que não procedem os argumentos da recorrente visto que também ela é devedora das contribuições destinadas ao SEBRAE. DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS 22. Na peça recursal apresentada pela empresa, são levantados diversos argumentos jurídicos no intuito de excluir da base de cálculo do lançamento, rubricas que entende não possuir caráter remuneratório, as quais: verbas relativas ao terço constitucional de férias, horas extras, adicionais de periculosidade, de insalubridade, noturno e valores pagos aos trabalhadores afastados de suas atividades nos primeiros quinze dias que antecedem o auxílio doença. 23. No entanto, ao analisar as peças que integram o presente Auto de Infração não constatei qualquer menção da fiscalização quanto a estas rubricas. Motivo pelo qual não vislumbro razão de tais verbas terem sido questionadas pela recorrente. 24. Dessa forma, diante da ausência de provas contundentes de que tais valores tenham sido incluídos no lançamento, nesse ponto, me abstenho de analisar os argumentos apresentados pela recorrente, tendo em vista que cabe a interessada o ônus da impugnação específica dos fatos que fundamentam o lançamento fiscal, não merecendo guarida a análise de alegações estranhas à lide. DA UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC 25. Por fim, entendo que a utilização da taxa SELIC não é indevida no caso em análise. À época do fato gerador, a utilização da referida taxa era expressamente autorizada pelo art. 34 da Lei 8.212/91. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 7/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 11020.003276/201016 Acórdão n.º 2803001.678 S2TE03 Fl. 7,5 14 26. A matéria, inclusive, já foi sumulada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, verbis: “Súmula CARF Nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” 27. No mesmo sentido, devese ressaltar que a utilização da taxa SELIC no caso em análise não ocorreu por determinação do Banco Central, e sim em face do art. 34 da Lei 8.212/91, vigente à época do lançamento, que encontra respaldo na súmula nº 04 deste Conselho. 28. Além disso, em julgado recente, o STF decidiu pela incidência da taxa SELIC para a atualização de débitos tributários: “1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A Emenda Constitucional nº 33, de 2001, inseriu a alínea “i” no inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, para fazer constar que cabe à lei complementar “fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço”. Ora, se o texto dispõe que o ICMS deve ser calculado com o montante do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser feita é que o imposto já era calculado dessa forma em relação às operações internas. Com a alteração constitucional a Lei Complementar ficou autorizada a dar tratamento isonômico na determinação da base de cálculo entre as operações ou prestações internas com as importações do exterior, de modo que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. 4. Multa moratória. Patamar de 20%. Razoabilidade. Inexistência de efeito confiscatório. Precedentes. A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica Fl. 446DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 7/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 11020.003276/201016 Acórdão n.º 2803001.678 S2TE03 Fl. 8 15 confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por cento). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento.” (g.n.) (RE 582.461/SP. Tribunal Pleno. Relator Ministro Gilmar Mendes. DJe 18.08.2011, p. 177) AUSÊNCIA DE CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA 29. A alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada por ser indevida, abusiva e por vedação de confisco não se sustenta, considerando a existência de norma específica que determina a aplicação da multa em face de infração às regras instituídas pela legislação tributária. 30. Este posicionamento está em consonância com o entendimento do CARF. A propósito transcrevo ementa de julgado apenas para reforçar a minha posição: “CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTRUÇÃO PROPRIETÁRIO. DECADÊNCIA. SOLIDARIEDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O prazo para a constituição do crédito previdenciário é de dez anos, conforme previsto no art. 45 da Lei nº 8.212/91. SOLIDARIEDADE. O proprietário, o incorporador, o dono da obra ou o condomínio da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários pelo cumprimento das obrigações para com o Fisco. TAXA SELIC. MULTA DE OFÍCIO. JUROS. Correta a aplicação da taxa SELIC, prevista no artigo 13 da Lei nº 9.065/95, por conformada com os termos do artigo 161 do CTN. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. O princípio da vedação ao confisco, estabelecido pela Constituição Federal, não obsta que a autoridade fiscal imponha multa, em conformidade com legislação em vigor. Recurso negado. (Segundo Conselho de Contribuintes / Quinta Câmara. Proc. nº 35564.005439/200621 / Acórdão nº 20500.056 Data do julgamento 20/11/2007. Relator: Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes)”. CONCLUSÃO 35. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo a decisão recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator Fl. 447DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 7/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 11020.003276/201016 Acórdão n.º 2803001.678 S2TE03 Fl. 8,5 16 Fl. 448DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 7/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13204.000175/2005-95
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 20 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA DO STJ.
Os gastos com transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não se enquadram no conceito de insumo por serem posteriores ao processo produtivo. Também, conforme jurisprudência dominante do STJ (REsp nº 1.745.345/RJ), não podem ser considerados como os fretes previstos no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, por não se constituírem em operação de venda
Numero da decisão: 9303-014.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial, em relação a óleo diesel utilizado no transporte de produtos acabados, vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Erika Costa Camargos Autran, que votaram por negar provimento.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Tatiana Midori Migiyama, Vinicius Guimaraes, Semiramis de Oliveira Duro, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Erika Costa Camargos Autran, Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 16 09:00:03 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202307
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA DO STJ. Os gastos com transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não se enquadram no conceito de insumo por serem posteriores ao processo produtivo. Também, conforme jurisprudência dominante do STJ (REsp nº 1.745.345/RJ), não podem ser considerados como os fretes previstos no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, por não se constituírem em operação de venda
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 13204.000175/2005-95
anomes_publicacao_s : 202309
conteudo_id_s : 6931153
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 9303-014.194
nome_arquivo_s : Decisao_13204000175200595.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13204000175200595_6931153.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial, em relação a óleo diesel utilizado no transporte de produtos acabados, vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Erika Costa Camargos Autran, que votaram por negar provimento. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Tatiana Midori Migiyama, Vinicius Guimaraes, Semiramis de Oliveira Duro, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Erika Costa Camargos Autran, Liziane Angelotti Meira (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jul 20 00:00:00 UTC 2023
id : 10079928
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat Sep 16 09:08:04 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1777184591505784832
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-08-25T00:06:35Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: en-US; dcterms:created: 2023-08-25T00:06:35Z; Last-Modified: 2023-08-25T00:06:35Z; dcterms:modified: 2023-08-25T00:06:35Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-08-25T00:06:35Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-08-25T00:06:35Z; meta:save-date: 2023-08-25T00:06:35Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-08-25T00:06:35Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: en-US; meta:creation-date: 2023-08-25T00:06:35Z; created: 2023-08-25T00:06:35Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2023-08-25T00:06:35Z; pdf:charsPerPage: 2094; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-08-25T00:06:35Z | Conteúdo => CCSSRRFF--TT33 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA EECCOONNOOMMIIAA CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 13204.000175/2005-95 RReeccuurrssoo Especial do Procurador AAccóórrddããoo nnºº 9303-014.194 – CSRF / 3ª Turma SSeessssããoo ddee 20 de julho de 2023 RReeccoorrrreennttee FAZENDA NACIONAL IInntteerreessssaaddoo IMERYS RIO CAPIM CAULIM S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA DO STJ. Os gastos com transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não se enquadram no conceito de insumo por serem posteriores ao processo produtivo. Também, conforme jurisprudência dominante do STJ (REsp nº 1.745.345/RJ), não podem ser considerados como os fretes previstos no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, por não se constituírem em operação de venda Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial, em relação a óleo diesel utilizado no transporte de produtos acabados, vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Erika Costa Camargos Autran, que votaram por negar provimento. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Tatiana Midori Migiyama, Vinicius Guimaraes, Semiramis de Oliveira Duro, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Erika Costa Camargos Autran, Liziane Angelotti Meira (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 197 a 202), contra o Acórdão 3201-009.313, proferido pela 1ª Turma AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 01 75 /2 00 5- 95 Fl. 236DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-014.194 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13204.000175/2005-95 Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 163 a 195), sob a seguinte ementa (no que interessa à discussão): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 CONCEITO DE INSUMO. ÓLEO DIESEL. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO SOBRE COMBUSTÍVEIS UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE INSUMOS E PRODUTOS ACABADOS. POSSIBILIDADE. Geram créditos os combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que são empregados no transporte de insumos (matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem) e de produtos acabados, por serem tais serviços essenciais à atividade do sujeito passivo. No seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 220 a 223), a PGFN defendeu que não há direito ao crédito sobre os gastos com combustíveis utilizados em veículos empregados no transporte de produtos acabados. O contribuinte não apresentou Contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira, Relatora. Quanto ao conhecimento, à divergência, é patente já na ementa do Acórdão paradigma (nº 9303-011.413, de 15/04/2021). Assim, preenchidos todos os demais requisitos e respeitadas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial. No mérito, discute-se o direito ao crédito PIS/Cofins relativo aos gastos com o transporte nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa, no caso, os com o óleo diesel utilizado nos caminhões para o transporte do caulim, “da produção para a distribuição”, conforme se extrai do Recurso Voluntário (fls. 137 e 138): 11. ÓLEO DIESEL: utilizado nos caminhões para transporte de caulim. Certo está que todo o processo produtivo do caulim pressupõe o transporte e deslocamento de matéria- prima, produtos intermediários, e produto final entre os diversos setores da produção, seja das áreas de extração para a produção, entre setores desta última, ou ainda da produção para a distribuição. Por sua vez, este transporte no mais das vezes é feito com a utilização de veículos movidos a combustão de óleo diesel, restando patente sua aplicação no processo de produção da recorrente. Esta Turma, na Sessão de novembro/2022, não reconheceu o direito ao crédito, conforme Acórdão nº 9303-013.573, que teve como redator do Voto Vencedor, nesta parte, o Conselheiro Rosaldo Trevisan: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA ASSENTADA E PACÍFICA DO STJ. Fl. 237DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-014.194 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13204.000175/2005-95 Conforme jurisprudência assentada, pacífica e unânime do STJ, e textos das leis de regência das contribuições não cumulativas (Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003), não há amparo normativo para a tomada de créditos em relação a fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos de uma mesma empresa. No conceito de insumo (inciso II, do art. 3º da Lei nº 10.833/2003), não se enquadram esses gastos, pois são posteriores ao processo produtivo e, expressamente, não estão dentre as “exceções justificadas” do Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018: 5. GASTOS POSTERIORES À FINALIZAÇÃO DO PROCESSO DE PRODUÇÃO OU DE PRESTAÇÃO 55. Conforme salientado acima, em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, e nos termos decididos pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em regra somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo-se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. Dessa forma, se o produto já está pronto e acabado para a venda, efetivamente, não se trata de serviço utilizado como insumo "na produção ou fabricação de bens ou produtos” destinados à venda. Quanto à possibilidade de enquadramento no inciso IX do mesmo artigo 3º da Lei nº 10.833/2003 (frete na operação de venda), também aplicável à Contribuição para o PIS/Pasep, conforme art. 15, II, da mesma lei, alega-se que estes fretes seriam parte da “operação de venda”, contudo, a jurisprudência dominante do STJ (tão dominante que as decisões passaram a ser monocráticas) é no sentido oposto, interpretando-se que o “O frete devido em razão das operações de transportes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, por não se caracterizar uma operação de venda, não gera direito ao creditamento”, conforme REsp nº 1.745.345/RJ: Trata-se de Recurso Especial, interposto ... contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, assim ementado: (...) No mais, verifico que o entendimento do Tribunal de origem está em conformidade com a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que não se reconhece o direito de creditamento de despesas de frete relacionadas às transferências internas das mercadorias para estabelecimentos da mesma empresa, por não estarem intrinsecamente ligadas às operações de venda ou revenda, à luz da legislação federal de regência. Nesse sentido: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3 DO STJ. DESPESAS DE FRETE. TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA Fl. 238DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-014.194 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13204.000175/2005-95 EMPRESA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. CONCLUSÕES FÁTICOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO. REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. (...) 2. Em casos que tais, esta Corte já definiu que as despesas de frete somente geram crédito quando suportadas pelo vendedor nas hipóteses de venda ou revenda. Não se reconhece o direito de creditamento de despesas de frete relacionadas às transferências internas das mercadorias para estabelecimentos da mesma empresa, por não estarem intrinsecamente ligadas às operações de venda ou revenda. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.386.141/AL, Rel. Ministro Olindo Menezes (desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Primeira Turma, DJe 14/12/2015; AgRg no REsp 1.515.478/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 30/06/2015. 3. Agravo interno não provido" (STJ, AgInt no AgInt no REsp 1.763.878/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 1º/03/2019). "TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. LEIS NºS 10.637/02 E 10.833/03. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE FRETE RELACIONADAS A TRANSFERÊNCIAS INTERNAS DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 1. O direito ao creditamento na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, decorre da utilização de insumo que se incorpora ao produto final, e desde que vinculado ao desempenho da atividade empresarial. 2. As despesas de frete somente geram crédito quando suportadas pelo vendedor nas hipóteses de venda ou revenda. Não se reconhece o direito de creditamento de despesas de frete relacionadas às transferências internas das mercadorias para estabelecimentos da mesma empresa, por não estarem intrinsecamente ligadas às operações de venda ou revenda. Precedentes. (...) 4. Agravo regimental desprovido" (STJ, AgRg no REsp 1.386.141/AL, Rel. Ministro OLINDO MENEZES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO), PRIMEIRA TURMA, DJe de 14/12/2015). "TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE FRETE RELACIONADAS À TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Controverte-se sobre a possibilidade de utilização das despesas de frete, relacionadas à transferência de mercadorias entre estabelecimentos componentes da mesma empresa, como crédito dedutível na apuração da base de cálculo das contribuições à Cofins e ao PIS, nos termos das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. (...) 3. O direito ao crédito decorre da utilização de insumo que esteja vinculado ao desempenho da atividade empresarial. As despesas de frete somente geram crédito quando relacionadas à operação de venda e, ainda assim, desde que sejam suportadas pelo contribuinte vendedor. 4. Inexiste, portanto, direito ao creditamento de despesas concernentes às operações de transferência interna das mercadorias entre estabelecimentos de uma única sociedade empresarial. Fl. 239DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-014.194 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13204.000175/2005-95 5. Recurso Especial não provido" (STJ, REsp 1.147.902/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 06/04/2010). "TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. PIS E COFINS. LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE FRETE. TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO LITERAL. 1. Consoante decidiu esta Turma, "as despesas de frete somente geram crédito quando relacionadas à operação de venda e, ainda assim, desde que sejam suportadas pelo contribuinte vendedor". Precedente. 2. O frete devido em razão das operações de transportes de produtos acabados entre estabelecimento da mesma empresa, por não caracterizar uma operação de venda, não gera direito ao creditamento. (...) 4. Agravo regimental não provido" (STJ, AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, DJe de 08/02/2013). Destarte, estando o acórdão recorrido em sintonia com o entendimento dominante desta Corte, aplica-se, ao caso, o entendimento consolidado na Súmula 568 desta Corte, in verbis: "O relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema". Por fim, quanto ao suscitado dissenso jurisprudencial, incide o óbice da Súmula 83/STJ, que dispõe: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, I e II, do RISTJ, conheço parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, nego-lhe provimento. MINISTRA ASSUSETE MAGALHÃES Relatora (grifou-se) À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, em relação a óleo diesel utilizado no transporte de produtos acabados. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 240DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 12269.003754/2009-04
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO AOS EMPREGADOS, SEM A ADESÃO AO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. NÃO INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO POR TER NATUREZA INDENIZATÓRIA.
O valor relativo ao fornecimento de alimentação aos empregados, inclusive por meio de "vales refeição" ou a este congênere, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, não sofre a incidência da contribuição previdenciária por possuir natureza indenizatória, não se constituindo assim em verba de natureza salarial, conforme parecer PGN/CRJ/N° 2117/2011.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-001.667
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), a fim decotar do lançamento a parte relativa ao pagamento de auxilio alimentação, restando, porém, mantidos os valores lançados a título de remuneração paga a contribuintes individuais, tendo em vista que nessa parte não se instalou litígio.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 16 09:00:03 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201207
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO AOS EMPREGADOS, SEM A ADESÃO AO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. NÃO INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO POR TER NATUREZA INDENIZATÓRIA. O valor relativo ao fornecimento de alimentação aos empregados, inclusive por meio de "vales refeição" ou a este congênere, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, não sofre a incidência da contribuição previdenciária por possuir natureza indenizatória, não se constituindo assim em verba de natureza salarial, conforme parecer PGN/CRJ/N° 2117/2011. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
numero_processo_s : 12269.003754/2009-04
conteudo_id_s : 5219870
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 2803-001.667
nome_arquivo_s : Decisao_12269003754200904.pdf
nome_relator_s : NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 12269003754200904_5219870.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), a fim decotar do lançamento a parte relativa ao pagamento de auxilio alimentação, restando, porém, mantidos os valores lançados a título de remuneração paga a contribuintes individuais, tendo em vista que nessa parte não se instalou litígio.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
id : 4573735
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Sep 16 09:08:13 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1777184591518367744
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2046; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 354 1 353 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12269.003754/200904 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803001.667 – 3ª Turma Especial Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente BOA ESPERANÇA AGROINDÚSTRIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO AOS EMPREGADOS, SEM A ADESÃO AO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. NÃO INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO POR TER NATUREZA INDENIZATÓRIA. O valor relativo ao fornecimento de alimentação aos empregados, inclusive por meio de "vales refeição" ou a este congênere, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, não sofre a incidência da contribuição previdenciária por possuir natureza indenizatória, não se constituindo assim em verba de natureza salarial, conforme parecer PGN/CRJ/N° 2117/2011. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), a fim decotar do lançamento a parte relativa ao pagamento de auxilio alimentação, restando, porém, mantidos os valores lançados a título de remuneração paga a contribuintes individuais, tendo em vista que nessa parte não se instalou litígio. (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 9/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 12269.003754/200904 Acórdão n.º 2803001.667 S2TE03 Fl. 355 2 (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, Osmar Pereira Costa. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 9/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 12269.003754/200904 Acórdão n.º 2803001.667 S2TE03 Fl. 356 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa BOA ESPERANÇA AGROINDÚSTRIA LTDA., em face da decisão que julgou improcedente parte da impugnação apresentada e manteve o lançamento de débito referente à contribuição previdenciária, devida sobre os pagamentos efetuados aos empregados no período de 01/08/2004 a 08/2006, relativos à remuneração auferida a título de "alimentação". 2. Apurou a autoridade fiscal que o crédito tributário referese às contribuições previdenciárias devidas e não pagas, incidentes sobre valores lançados na contabilidade da empresa relativos às despesas com alimentação sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, no período de 08/2004 a 10/2006 e à remuneração paga a contribuintes individuais no período de 08/2004 a 12/2007. 3. Do relatório fiscal, extraise que: "6. Os fatos geradores da obrigação previdenciária foram apurados com base: nos valores lançados na contabilidade da empresa referentes a despesas com alimentação, no período 08/2004 à 10/2006; na remuneração paga a contribuintes individuais registrada na Contabilidade da empresa. 7. O presente AI compõese dos seguintes levantamentos para identificar as situações encontradas na empresa sob ação fiscal: (...). ALI Contribuição devida pelos segurados empregados, incidente sobre remuneração auferida a título de "alimentação", haja vista pagamento em desacordo com o PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, e não declarada na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, conforme planilhas 1 a 5. (...). CI Contribuição devida pelos segurados contribuintes individuais prestadores de serviços, incidente sobre as remunerações registradas na Contabilidade da empresa e não declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, conforme planilha 6.". (f. 24). 4. O Colegiado de primeira instância (ff. 264 e ss.) julgou procedente em parte a impugnação da empresa autuada, excluindo do lançamento as competências 09/2006 e 10/2006 em razão da comprovação do cadastramento no PAT desde 18/09/2006 e mantendo as demais competências por falta de comprovação de registro no programa. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 9/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 12269.003754/200904 Acórdão n.º 2803001.667 S2TE03 Fl. 357 4 5. O acórdão recorrido restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: "AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. ALIMENTAÇÃO SEM INSCRIÇÃO NO PAT. PRODUÇÃO DE PROVAS. A parcela in natura recebida pelo trabalhador de empresa não inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT integra o salário de contribuição. A prova documental deve ser juntada por ocasião da impugnação precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, quando não comprovada nenhuma das hipóteses de exceção previstas na legislação. Inexiste previsão legal para a produção de prova testemunhal no processo administrativo fiscal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte". (f. 264)" 6. Inconformada com a decisão proferida o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, no qual aduz em síntese: a) que à época do lançamento a recorrente estava em dia com a sua inscrição no PAT, uma vez que não incorreu em qualquer falha que resultasse na sua exclusão do programa, tampouco houve alteração cadastral que justificasse atualização do seu cadastro; b) que a recorrente não foi excluída do PAT, uma vez que para a sua exclusão esta deveria ser notificada da abertura de Processo Administrativo, oportunizando o seu exercício ao contraditório e a ampla defesa; c) não foi apontada pela auditora qualquer outra irregularidade no desenvolvimento do Programa e diante do cumprimento das normas legais pertinentes à espécie, considera indevida a cobrança das contribuições previdenciárias; d) ainda que a impugnante não estivesse inscrita no PAT não incide contribuição previdenciária sobre a parcela "in natura" oferecida pelo empregador a título de alimentação, e assim deve ser considerado o fornecimento de cestos básicos e de refeição aos seus empregados; e) que a fiscalização deveria utilizar como base de cálculo o valor efetivamente repassados aos funcionários e não o valor transferido à fornecedora de vale refeição; f) que somente o pagamento de auxílioalimentação em pecúnia de forma habitual tem o caráter salarial, passível, da incidência da contribuição previdenciária, o que não ocorreu no caso da recorrente; g) que a mera aquisição de "vale refeição" não possibilita cobrança da contribuição previdenciária; Fl. 357DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 9/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 12269.003754/200904 Acórdão n.º 2803001.667 S2TE03 Fl. 358 5 h) ao final, requer o reconhecimento da regularidade da inscrição da empresa recorrente junto ao PAT e a consequente inexigibilidade do crédito tributário lançado; i) que em relação à base de cálculo para apuração das contribuições devidas, em resumo, tratase de valores pagos a título de alimentação, por meio de Vale Refeição (Planilha 1), Cesta básica (Planilha 2) e Copa e cozinha (Planilha 3), correspondem ao fornecimento de alimentação in natura, não se caracterizando pagamento em pecúnia, razão pela qual não há incidência da contribuição previdenciária. Argumenta também que a questão já foi analisada pelo STJ, que considerou irrelevante a filiação ao PAT. 7. Cabe ressaltar que o contribuinte não questionou o débito quanto aos valores relativos ao levantamento "CI Contribuintes individuais" na impugnação e tampouco o fez no presente recurso. 8. O fisco não apresentou contrarazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 9/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 12269.003754/200904 Acórdão n.º 2803001.667 S2TE03 Fl. 359 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade e passo ao seu exame: DA REGULARIDADE DA INSCRIÇÃO NO PAT 2. A decisão recorrida convalidou o lançamento fiscal referente a contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos pelo fornecimento de alimentação in natura, valerefeição e cesta básica aos empregados segurados da empresa sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, no período de 08/2004 a 08/2006. 3. Sobre a questão o contribuinte aduz na peça recursal que estava devidamente inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT neste período, tendo em vista que não houve pedido de cancelamento por parte da empresa, tampouco recebeu qualquer notificação quanto a sua exclusão. 4. Não obstante o bom arrazoado trazido pelo fisco, a meu ver, o débito não merece prosperar. Isso porque a respeito da matéria firmo entendimento no sentido de que o pagamento do auxílioalimentação "in natura" ou fornecido por meio de valerefeição não sofre a incidência da contribuição previdenciária, haja vista a ausência de sua natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no PAT. 5. Corroborando o posicionamento ora exposto, temse a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificado o entendimento no sentido de que o pagamento 'in natura' do auxílioalimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. (Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006). 6. Segue recente julgado da Primeira Turma deste Colendo Tribunal, in verbis: "TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. VALE ALIMENTAÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O valor concedido pelo empregador a título de vale alimentação não se sujeita à contribuição previdenciária, Fl. 359DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 9/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 12269.003754/200904 Acórdão n.º 2803001.667 S2TE03 Fl. 360 7 mesmo nas hipóteses em que o referido benefício é pago em dinheiro. 2. A exegese hodierna, consoante a jurisprudência desta Corte e da Excelsa Corte, assenta que o contribuinte é sujeito de direito, e não mais objeto de tributação. 3. O Supremo Tribunal Federal, em situação análoga, concluiu pela inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o valor pago em espécie sobre o vale transporte do trabalhador, mercê de o benefício ostentar nítido caráter indenizatório. (STF RE 478.4I0/SP, Rel. Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.03.2010, DJe 14.05.2010) 4. Mutatis mutandis, a empresa oferece o ticket refeição antecipadamente para que o trabalhador se alimente antes e ir ao trabalho, e não como uma base integrativa do salário, porquanto este é decorrente do vínculo laboral do trabalhador com o seu empregador, e é pago como contraprestação pelo trabalho efetivado. 5. É que: (a) 'o pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho' (REsp I.I80.562/RJ (grifo nosso) (...). 6. Recurso especial provido." (STJ REsp 1185685/SP, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2010, DJe 10/05/2011). (g.n.) 7. Nesse momento fazse mister a referência ao acórdão de relatoria do Ministro José Delgado que tratou da matéria em questão, conforme ementa abaixo transcrita: "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REFEIÇÃO REALIZADA NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA. NÃOINCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DA CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA. PRECEDENTES. 1. Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 4a Região segundo o qual: a) o simples inadimplemento da obrigação tributária não constitui infração à lei capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios; Fl. 360DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 9/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 12269.003754/200904 Acórdão n.º 2803001.667 S2TE03 Fl. 361 8 b) o auxílioalimentação fornecido pela empresa não sofre a incidência de contribuição previdenciária, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Em seu apelo, o INSS aponta negativa de vigência dos artigos 135 e 202, do CTN, 2°, § 5°, I e IV, 3° da Lei 6.830/80, 28, § 9°, da Lei n. 8.212/91 e divergência jurisprudencial. Sustenta, em síntese, que: a) a) o ônus da prova acerca da não ocorrência da responsabilidade tributária será do sócioexecutado, tendo em vista a presunção de legitimidade e certeza da certidão da dívida ativa; b) é pacífico o entendimento no STJ de que o auxílioalimentação, caso seja pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, é salário e sofre a incidência de contribuição previdenciária. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, Resp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de24/04/2006. 3. Constando o nome do sóciogerente na certidão de dívida ativa e tendo ele tido pleno conhecimento do procedimento administrativo e da execução fiscal, responde solidariamente pelos débitos fiscais, salvo se provar a inexistência de qualquer vínculo com a obrigação. 4. Presunção de certeza e liquidez da certidão da dívida ativa. Ônus da prova da isenção de responsabilidade que cabe ao sócio gerente. Precedentes: EREsp 702.232/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 26/09/2005; EREsp 635.858/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 02/04/2007. 5. Recurso especial parcialmente provido." (REsp 977.238/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13.11.2007, DJ 29.11.2007 p. 257) [grifo nosso] 8. Inclusive, a argumentação da Fazenda Nacional nos autos acima (REsp 977.238/RS) era de que o auxilio alimentação, pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), possuía natureza salarial sendo, portanto, passível de recolhimento de tributo. No entanto, sua sustentação não foi provida em razão da orientação jurisprudencial pacífica do STJ em sentido contrário, qual seja não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de auxilio alimentação. 9. E recentemente, reforçando o entendimento que vem se pacificando no STJ, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional publicou o Parecer PGFN/CRJ/n.° 2117/2011 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 9/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 12269.003754/200904 Acórdão n.º 2803001.667 S2TE03 Fl. 362 9 sobre a não incidência de contribuição previdenciária sobre o auxílio alimentação pago in natura: "Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei n.° 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto n.° 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso e a desistir dos já interpostos." 10. No mesmo sentido, cito o Ato Declaratório n.° 03/2011 no qual a PGFN declarou que "fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária'". 11. De toda sorte, consoante ao parecer PGFN/CRJ/N° 2117/2011, acima mencionado, não há o que se falar em incidência de contribuição previdenciária quando fornecido auxílioalimentação sob a forma in natura. 12. Além disso, pelo que se indica nestes casos, a concessão da alimentação é desvinculada do salário por força da própria Lei n° 8.212/91 que determina a não integração do saláriodecontribuição às importâncias recebidas a título de ganhos expressamente desvinculados do salário (art. 28, §9°, letra "e", número 7). In casu a própria fiscalização registrou na peça inicial que se trata de valores lançados na contabilidade da empresa referente a "despesas com alimentação". 13. Assim, para os pagamentos efetuados sob a forma de cesta básica e copa e cozinha, não restam dúvidas que são alcançados pelos ditames do referido parecer da PGFN, bem como pela legislação citada no item precedente, necessitando apenas verificar se o fornecimento de vales refeição pode ser equiparado ao fornecimento de alimentação in natura, para fins de não incidência da contribuição previdenciária. 14. É de praxe que vales refeição têm aceitação e são utilizados para a aquisição de alimentos já preparados para o consumo junto à rede de bares, restaurantes e congêneres conveniados, ou seja, esses vales são aceitos somente por estabelecimentos comerciais conveniados que preparam e fornecem refeições prontas, não tendo tais vales outra finalidade. 15. O vale refeição que é inclusive uma das formas pelas quais se viabiliza a utilização do PAT pelo trabalhador, constitui em facilitador ou meio prático para que se realize o benefício ao empregado, na medida em que é oportunizada ao beneficiado a opção de realizar suas refeições onde desejar e o queira consumir. De qualquer forma, cabe ressaltar que, sendo oferecido vale refeição ou qualquer outro instrumento equivalente (cartão refeição, por exemplo), verificase que ambos correspondem ao fornecimento de alimentação in natura, sendo irrelevante, portanto, o meio ou mecanismo utilizado para fruição do benefício. 16. Do até aqui arrazoado, tenho que o fornecimento de vale refeição, bem como os valores gastos com copa e cozinha e cesta básica, compreendem ao disposto no parecer PGFN/CRJ/N° 2117 /2011, sendo assim o caso, portanto, de dar provimento parcial ao recurso, tendo em vista que o lançamento não pode se fundamentar em rubricas que não Fl. 362DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 9/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 12269.003754/200904 Acórdão n.º 2803001.667 S2TE03 Fl. 363 10 detenham caráter salarial, mantêmse os valores lançados a título de remuneração paga a contribuintes individuais, tendo em vista que nessa parte não se instalou litígio. CONCLUSÃO 17. Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, a fim decotar do lançamento a parte relativa ao pagamento de auxilio alimentação, restando, porém, mantidos os valores lançados a título de remuneração paga a contribuintes individuais, tendo em vista que nessa parte não se instalou litígio. É como voto. (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos – Relator. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 9/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11634.720099/2019-48
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2014
LUCRO ARBITRADO.
É cabível a exigência do imposto de renda apurado de ofício sobre o lucro arbitrado, quando a associação civil que teve a isenção suspensa não mantém escrituração regular, que permita a extração das informações para a composição da base de cálculo do imposto na modalidade de lucro real.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento.
JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento de imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. Suspensa a isenção da associação civil e passando a entidade a ser tributada com base no lucro arbitrado, estará sujeita à Cofins sobre suas receitas em face da legislação de regência.
Suspensa a isenção da associação civil e passando a entidade a ser tributada com base no lucro arbitrado, estará sujeita à Contribuição ao PIS sobre suas receitas em face da legislação de regência.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2014
SUSPENSÃO DA DECADÊNCIA/ISENÇÃO
Devido à segurança jurídica, e a conjugação dos comandos da Lei nº 9.532/97 e do CTN, e, ainda levando em consideração o dolo destes autos, a decadência para a suspensão da imunidade/isenção dar-se-á pelo art. 173, I do CTN.
IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. FRUIÇÃO. REQUISITOS.
Para que a entidade se enquadre na condição de imune, deve cumprir, cumulativamente, três os requisitos: (a) não distribuir qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (b) aplicar integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; e (c) manter escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar a sua exatidão.
Na falta de cumprimento de quaisquer dispositivos, a autoridade competente tem o poder dever de suspender o benefício.
ISENÇÃO. SUSPENSÃO. ASSOCIAÇÃO CIVIL.
O descumprimento dos requisitos previstos no artigo 12, § 2º, c, § 3º e artigo 15, § 3º, da Lei nº 9.532/97 é causa de suspensão da isenção tributária da associação civil.
PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. CONDUTA DOLOSA.
Configurada a conduta dolosa do contribuinte, no sentido de impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, a regra prevista para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação (art. 150, § 4º, do CTN), para fins de definição do termo de início do prazo decadencial, se desloca para a regra geral de decadência tributária (art. 173, I, do CTN).
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE ADMINISTRADOR. INFRAÇÃO À LEI. PROVA.
Existindo prova cabal de que o administrador da contribuinte pessoa jurídica agiu com infração à lei, exsurge a responsabilidade tributária solidária prevista no art. 135, inciso III, do CTN.
Numero da decisão: 1003-003.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: (1) rejeitar as preliminares e julgar improcedente o Recurso Voluntário apresentada pela Pessoa Jurídica; e; (2) rejeitar as preliminares e a decadência e julgar improcedente o Recurso Voluntário apresentado pelo Sr. JOÃO BATISTA REGINI contra os presentes autos de infração, mantendo-o no polo passivo da presente obrigação tributária.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Márcio Avito Ribeiro Faria - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: MARCIO AVITO RIBEIRO FARIA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 16 09:00:03 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202308
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2014 LUCRO ARBITRADO. É cabível a exigência do imposto de renda apurado de ofício sobre o lucro arbitrado, quando a associação civil que teve a isenção suspensa não mantém escrituração regular, que permita a extração das informações para a composição da base de cálculo do imposto na modalidade de lucro real. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento de imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. Suspensa a isenção da associação civil e passando a entidade a ser tributada com base no lucro arbitrado, estará sujeita à Cofins sobre suas receitas em face da legislação de regência. Suspensa a isenção da associação civil e passando a entidade a ser tributada com base no lucro arbitrado, estará sujeita à Contribuição ao PIS sobre suas receitas em face da legislação de regência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2014 SUSPENSÃO DA DECADÊNCIA/ISENÇÃO Devido à segurança jurídica, e a conjugação dos comandos da Lei nº 9.532/97 e do CTN, e, ainda levando em consideração o dolo destes autos, a decadência para a suspensão da imunidade/isenção dar-se-á pelo art. 173, I do CTN. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. FRUIÇÃO. REQUISITOS. Para que a entidade se enquadre na condição de imune, deve cumprir, cumulativamente, três os requisitos: (a) não distribuir qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (b) aplicar integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; e (c) manter escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar a sua exatidão. Na falta de cumprimento de quaisquer dispositivos, a autoridade competente tem o poder dever de suspender o benefício. ISENÇÃO. SUSPENSÃO. ASSOCIAÇÃO CIVIL. O descumprimento dos requisitos previstos no artigo 12, § 2º, c, § 3º e artigo 15, § 3º, da Lei nº 9.532/97 é causa de suspensão da isenção tributária da associação civil. PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. CONDUTA DOLOSA. Configurada a conduta dolosa do contribuinte, no sentido de impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, a regra prevista para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação (art. 150, § 4º, do CTN), para fins de definição do termo de início do prazo decadencial, se desloca para a regra geral de decadência tributária (art. 173, I, do CTN). RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE ADMINISTRADOR. INFRAÇÃO À LEI. PROVA. Existindo prova cabal de que o administrador da contribuinte pessoa jurídica agiu com infração à lei, exsurge a responsabilidade tributária solidária prevista no art. 135, inciso III, do CTN.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 11634.720099/2019-48
anomes_publicacao_s : 202309
conteudo_id_s : 6933593
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 1003-003.912
nome_arquivo_s : Decisao_11634720099201948.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : MARCIO AVITO RIBEIRO FARIA
nome_arquivo_pdf_s : 11634720099201948_6933593.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: (1) rejeitar as preliminares e julgar improcedente o Recurso Voluntário apresentada pela Pessoa Jurídica; e; (2) rejeitar as preliminares e a decadência e julgar improcedente o Recurso Voluntário apresentado pelo Sr. JOÃO BATISTA REGINI contra os presentes autos de infração, mantendo-o no polo passivo da presente obrigação tributária. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Márcio Avito Ribeiro Faria - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2023
id : 10085729
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat Sep 16 09:08:10 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1777184591521513472
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-09-11T12:43:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-09-11T12:43:16Z; Last-Modified: 2023-09-11T12:43:16Z; dcterms:modified: 2023-09-11T12:43:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-09-11T12:43:16Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-09-11T12:43:16Z; meta:save-date: 2023-09-11T12:43:16Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-09-11T12:43:16Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-09-11T12:43:16Z; created: 2023-09-11T12:43:16Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 39; Creation-Date: 2023-09-11T12:43:16Z; pdf:charsPerPage: 2314; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-09-11T12:43:16Z | Conteúdo => S1-TE03 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11634.720099/2019-48 Recurso Voluntário Acórdão nº 1003-003.912 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 31 de agosto de 2023 Recorrente MARINGA FUTEBOL CLUBE S.A.F. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2014 LUCRO ARBITRADO. É cabível a exigência do imposto de renda apurado de ofício sobre o lucro arbitrado, quando a associação civil que teve a isenção suspensa não mantém escrituração regular, que permita a extração das informações para a composição da base de cálculo do imposto na modalidade de lucro real. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento de imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. Suspensa a isenção da associação civil e passando a entidade a ser tributada com base no lucro arbitrado, estará sujeita à Cofins sobre suas receitas em face da legislação de regência. Suspensa a isenção da associação civil e passando a entidade a ser tributada com base no lucro arbitrado, estará sujeita à Contribuição ao PIS sobre suas receitas em face da legislação de regência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 00 99 /2 01 9- 48 Fl. 915DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2014 SUSPENSÃO DA DECADÊNCIA/ISENÇÃO Devido à segurança jurídica, e a conjugação dos comandos da Lei nº 9.532/97 e do CTN, e, ainda levando em consideração o dolo destes autos, a decadência para a suspensão da imunidade/isenção dar-se-á pelo art. 173, I do CTN. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. FRUIÇÃO. REQUISITOS. Para que a entidade se enquadre na condição de imune, deve cumprir, cumulativamente, três os requisitos: (a) não distribuir qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (b) aplicar integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; e (c) manter escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar a sua exatidão. Na falta de cumprimento de quaisquer dispositivos, a autoridade competente tem o poder dever de suspender o benefício. ISENÇÃO. SUSPENSÃO. ASSOCIAÇÃO CIVIL. O descumprimento dos requisitos previstos no artigo 12, § 2º, “c”, § 3º e artigo 15, § 3º, da Lei nº 9.532/97 é causa de suspensão da isenção tributária da associação civil. PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. CONDUTA DOLOSA. Configurada a conduta dolosa do contribuinte, no sentido de impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, a regra prevista para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação (art. 150, § 4º, do CTN), para fins de definição do termo de início do prazo decadencial, se desloca para a regra geral de decadência tributária (art. 173, I, do CTN). RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE ADMINISTRADOR. INFRAÇÃO À LEI. PROVA. Existindo prova cabal de que o administrador da contribuinte pessoa jurídica agiu com infração à lei, exsurge a responsabilidade tributária solidária prevista no art. 135, inciso III, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: (1) rejeitar as preliminares e julgar improcedente o Recurso Voluntário apresentada pela Pessoa Jurídica; e; (2) rejeitar as preliminares e a decadência e julgar improcedente o Recurso Voluntário apresentado pelo Sr. JOÃO BATISTA REGINI contra os presentes autos de infração, mantendo-o no polo passivo da presente obrigação tributária. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente Fl. 916DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 (documento assinado digitalmente) Márcio Avito Ribeiro Faria - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário em face do Acórdão, nº 03-91.063, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília – DF, que, por unanimidade de votos, julgou por (fls. 753/758): I – rejeitar as preliminares e julgar improcedente a impugnação apresentada por SOCIEDADE ESPORTIVA ALVORADA CLUB contra o Ato Declaratório Executivo (ADE) n° 025, de 25/07/2019, mantendo-se a suspensão da isenção tributária; II – rejeitar as preliminares e a prejudicial de decadência e julgar improcedente a impugnação apresentada por SOCIEDADE ESPORTIVA ALVORADA CLUB contra os presentes autos de infração, mantendo-se o crédito tributário; e; III – rejeitar as preliminares e a prejudicial de decadência e julgar improcedente a impugnação apresentada pelo Sr. JOÃO BATISTA REGINI contra os presentes autos de infração, mantendo-o no polo passivo da presente obrigação tributária. Contra a contribuinte, em epígrafe, foram lavrados autos de infração, em 05/09/2019, com exigência de IRPJ, CSLL, contribuição para o PIS e Cofins, no valor total de R$ 100.563,83, já incluídos multa de ofício de 150% e juros de mora, relativos a fatos geradores ocorridos no ano de 2014, em decorrência do Ato Declaratório Executivo (ADE) n° 025, de 25/07/2019, por meio do qual o Delegado da Receita Federal do Brasil em Maringá declarou a suspensão da imunidade/isenção tributárias da contribuinte entre 2013 e 2015. Foi também incluído no polo passivo da obrigação tributária, na condição de responsável solidário, nos termos do art. 135, III, do CTN – Código Tributário Nacional, o Sr. JOÃO BATISTA REGINI, CPF nº 390.372.749-00, presidente da fiscalizada. O processo administrativo em comento é aquele em que foi proferido o Ato Declaratório para suspender a isenção do Recorrente, enquanto que o lançamento do crédito tributário se deu no processo administrativo nº 19515.721288/2017-34. Em razão de determinação contida no § 9º, do art. 32, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, os processos foram reunidos em um único processo, para que fosse decidido simultaneamente o ato de suspensão da isenção e o lançamento dele decorrente. Conforme o artigo 1° de seu Estatuto Social, a SOCIEDADE ESPORTIVA ALVORADA CLUB é uma associação de direito privado, sem fins econômicos, de caráter organizacional, filantrópico, assistencial, promocional, recreativo e educacional, esportiva, sem cunho político ou partidário. Fl. 917DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 No tocante às declarações de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, a SOCIEDADE ESPORTIVA ALVORADA CLUB apresentou, para o ano-calendário de 2014 (exercício 2015), Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica — INATIVA. E, para o ano- calendário de 2013 (exercício 2014), informou em sua Declaração de Informações Econômico- Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) ser ISENTA do IRPJ. A suspensão da imunidade e da isenção tributária deu-se com a edição do Ato Declaratório Executivo n° 025/2019 (fl. 318), de 25 de julho de 2019, com ciência pessoa em 30.8.2019, o qual delimitou seus efeitos aos anos calendário de 2013 a 2015: ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO Nº 025 DE 25 DE JULHO DE 2019 O DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM MARINGÁ, no uso das atribuições previstas no art. 340 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 430, de 9 de outubro de 2017, publicada no Diário Oficial da União – DOU, de 11 de outubro de 2017, com base no artigo 14, § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN), e no artigo 32, §§ 3° e 10 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, artigos 12, 13, 14 e 15 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e tendo em vista o que consta do processo administrativo 11634.720099/2019-48, DECLARA: Art. 1º - A suspensão da imunidade/isenção da SOCIEDADE ESPORTIVA ALVORADA CLUB, CNPJ 04.220.731/0001-01, no período de 1º de janeiro de 2013 a 31 de dezembro de 2015, em conformidade com o disposto no artigo 32 da Lei 9.430/1996, pelo não cumprimento dos requisitos previstos no artigo 14, III, do CTN; no artigo 12, § 2º, “c”, § 3º e artigo 15, § 3º, da Lei nº 9.532/97; e no artigo 29, IV, da Lei nº 12.101/2009. (...) Art. 4º - O presente Ato Declaratório Executivo entra em vigor na data de sua ciência regulamentar à interessada. A emissão do Ato Declaratório foi fundamentada na Notificação Fiscal de Suspensão de Isenção Tributária, de fls. 2/5. O procedimento decorreu de constatação por parte das autoridades de que o interessado deixou de cumprir exigência fiscal para permanecer no direito de usufruir da isenção, em face de deixar de apresentar - e também de admitir - a inexistência de escrituração contábil relativamente aos exercícios de 2014 a 2016. DA AUTUAÇÃO Informou a Autoridade Fiscal que teriam sido realizadas diversas diligências, em delas teriam sido localizados contratos firmados entre a BB Corretora Ltda. — ME, Sociedade Esportiva Alvorada Club e outras empresas. Noutra das diligências realizadas constataram as autoridades fiscais a concessão de recursos financeiros na ordem de R$500.000,00 (5 parcelas de R$100.000,00 – de janeiro a maio de 2014) pela SANTA RITA SAÚDE S/A à BB Corretora Ltda. referente a contrato de patrocínio da equipe MARINGÁ FUTEBOL CLUBE no campeonato paranaense da 1ª divisão de 2014. Fl. 918DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 Destacam as autoridades fiscais que houve a entrega de numerário diretamente aos atletas e emissão de notas fiscais contra a empresa SANTA RITA SAÚDE S/A por empresas que não realizaram intermediação alguma entre os jogadores e a SANTA RITA SAÚDE S/A, conforme demonstram as cópias dos contratos, das notas fiscais, TED e recibos emitidos pelos jogadores acostados aos presentes autos (Fls. 71 a 229). Foram realizadas diligências junto a outros patrocinadores (RODOVIAS INTEGRADAS DO PARANÁ, VIAÇÃO GARCIA LTDA., EMPRESA PRINCESA DO IVAÍ LTDA., KIDASEN INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ANTENAS LTDA., VALE SORTE DISTRIBUIDORA E INTERMEDIADORA DE NEGÓCIOS LTDA., SORTECAP DISTRIBUIDORA E INTERMEDIADORA DE NEGÓCIOS LTDA., GONÇALVES E TORTOLA S/A, CESUMAR) e à Federação Paranaense de Futebol, ocasião em que também foram lavrados diversos termos de intimação com a finalidade de coletar informações sobre as operações realizadas pela contribuinte. Informa a Fiscalização que, com base no vasto material coletado (cópia de cheques, transferências bancárias, recibos emitidos pela BB corretora, cópias de diversos tipos contratos, etc.), foi possível constatar a entrega de recursos financeiros à contribuinte durante o período em que a contribuinte declarou-se INATIVA. Em consequência da suspensão da isenção tributária, os agentes fiscais consideraram os valores recebidos a título de patrocínio para a equipe de futebol como receitas auferidas e omitidas pela contribuinte, procedendo ao arbitramento do lucro, na forma do art. 537 do RIR/99. Em razão da infração apurada, os agentes fiscais procederam ainda ao lançamento da CSLL, contribuição ao PIS e à Cofins. DA MULTA QUALIFICADA Informam os agentes fiscais que, em face de todos os fatos revelados nos autos, a contribuinte omitiu receita de atividade operacional com a conduta dos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, e, tendo em vista ainda o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, a multa de ofício aplicada foi majorada para o percentual de 150%. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO PRESIDENTE Para os autores do procedimento fiscal, os contratos assinados e os pagamentos autorizados não deixam dúvida de que o Sr. JOÃO BATISTA REGINI praticou atos, como representante da contribuinte, com excesso de poderes ou infração à lei, razão pela qual o incluiu no polo passivo da obrigação tributária, na condição de responsável solidário, nos termos do art. 135, III, do CTN – Código Tributário Nacional. DAS IMPUGNAÇÕES DA IMPUGNAÇÃO DA CONTRIBUINTE CONTRA O ADE N° 25/2019 Nesse ponto, alegou que o Fisco baseou-se em legislação tributária superveniente ao período suspensivo (2013 a 2015), uma vez que aplicou o art. 184 do RIR/2018 e os arts. 10 a Fl. 919DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 13 da IN RFB n° 1.700/2017, em detrimento ao direito de defesa da impugnante, recaindo em vício material insanável. Assim, ao basear-se em legislação tributária superveniente, teria violado o princípio do devido processo legal, nos termos do art. 5°, incisos LV e LVI. No mérito sustentou que, tratando-se de obrigação acessória, não teria apresentado os documentos solicitados durante o procedimento fiscal na forma de encadernação, mas estes existem, conforme consta dos balancetes de 2014 e 2015, anexos à presente impugnação (Fls. 354 a 359). Aduziu, ainda, que não estaria obrigada a guardar documentos contábeis anteriores a 29/05/2014, uma vez que foi notificada do Termo de Início de Ação Fiscal em 29/05/2019. Argumentou, enfim, que o descumprimento da referida obrigação acessória não resultou em qualquer prejuízo ao Fisco, restando totalmente desarazoável a suspensão da imunidade/isenção da contribuinte, devendo-se anular o ADE n° 25/2019. Alegou que, tratando-se de imunidade e não de isenção, o Fisco teria deixado de observar os demais requisitos respeitados pela impugnante quanto à imunidade, limitando-se a fundamentar o ADE tão somente ao requisito para suspensão de isenção. Pugna, enfim, pela nulidade do ADE n° 25/2019. DA IMPUGNAÇÃO DA CONTRIBUINTE CONTRA OS AUTOS DE INFRAÇÃO Suscitou que, tratando-se de lançamento por homologação, com fulcro no art. 150, § 4°, do CTN, e uma vez notificada dos lançamentos em 27/09/2019, todo o crédito tributário anterior a esta data foi atingido pela decadência. Aduziu, ainda, que, levando-se em conta o art. 173, inciso I, do CTN, o período anterior a 24/04/2014 também se encontra atingido pela decadência. Alegou que, uma vez que o ADE n° 25 contém vício material insanável, os presentes lançamentos padecem do mesmo vício, devendo ser igualmente declarados nulos. Subsidiariamente, requer a suspensão da cobrança dos presentes autos, tendo em vista ainda não haver decisão definitiva quanto à impugnação contra o ADE n° 25/2019. Alegou que não teria ficado demonstrado nos autos o intuito de fraude, uma vez que trouxe aos autos os balanços de 2014 e 2015. Nesse sentido, citou o enunciado n° 14 da Súmula do CARF. Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Fl. 920DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 Defendeu a inexistência de previsão legal para a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício. Aduziu que o disposto no art. 61, §3°, da Lei n° 9.430, de 1996, apenas se aplica aos débitos confessados e não pagos, uma vez que sobre estes incide multa de mora, sendo inaplicável a multa de ofício. Argumentou, ainda, que o Fisco não fundamentou a aplicação dos juros moratórios sobre a multa de ofício, conforme dispõe o inciso IV do art. 10 do Decreto n° 70.235/72. Trouxe doutrina e jurisprudência administrativa nesse sentido. Afirmou que inexiste qualquer dispositivo legal estabelecendo os parâmetros de cálculo da SELIC, de forma que a sua utilização afronta os arts. 5°, II e 150, I, da CF. Aduziu, ainda, que a natureza jurídica da obrigação tributária não se confunde com uma aplicação financeira para autorizar a incidência da SELIC, a qual tem essência remuneratória. DA IMPUGNAÇÃO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO CONTRA OS AUTOS DE INFRAÇÃO Defendeu a decadência por meio de alegações idênticas às apresentadas pela contribuinte SOCIEDADE ESPORTIVA ALVORADA CLUB em sua peça de impugnação. Sustentou a nulidade dos autos de infração por indicação de dispositivo legal não correspondente ao período da suspensão da isenção/imunidade cujas alegações são idênticas às apresentadas pela contribuinte SOCIEDADE ESPORTIVA ALVORADA CLUB em sua peça de impugnação. Defendeu a suspensão da cobrança dos presentes autos até a decisão administrativa definitiva da declaração de suspensão da imunidade/isenção com alegações idênticas às apresentadas pela contribuinte SOCIEDADE ESPORTIVA ALVORADA CLUB em sua peça de impugnação. Sustentou a necessária suspensão da cobrança dos presentes autos até a decisão administrativa definitiva da declaração de suspensão da imunidade/isenção com alegações idênticas às apresentadas pela contribuinte SOCIEDADE ESPORTIVA ALVORADA CLUB em sua peça de impugnação. Em relação à insubsistência da multa qualificada produziu as mesmas alegações idênticas às apresentadas pela contribuinte SOCIEDADE ESPORTIVA ALVORADA CLUB em sua peça de impugnação. Sore a não incidência de juros sobre a multa de ofício também restaram alegações idênticas às apresentadas pela contribuinte SOCIEDADE ESPORTIVA ALVORADA CLUB em sua peça de impugnação. Contra a incidência da taxa SELIC defendeu sob as mesmas alegações idênticas às apresentadas pela contribuinte SOCIEDADE ESPORTIVA ALVORADA CLUB em sua peça de impugnação. Fl. 921DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 Defendeu a impossibilidade de extensão da responsabilidade na aplicação da multa de ofício por violação ao art. 59 do Código Penal, a qual se aplica exclusivamente do contribuinte. Alegou que não se teria encontrado nos autos qualquer demonstração pelo Fisco de que o impugnante era diretor, gerente ou presidente da contribuinte à época dos fatos. Argumentou, ainda, que não há qualquer demonstração pelo Fisco de atos supostamente cometidos pelo impugnante com excesso de poder, infração à lei ou ao estatuto social para que fosse aplicado o art. 135 do CTN. Pugnou, enfim, pela exclusão da responsabilidade solidária do impugnante. DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA PESSOA JURÍDICA A Pessoa Jurídica foi cientificada do acórdão da d. DRJ por edital em 9.10.2020 (fl. 796) tendo apresentado seu Recurso Voluntário em 26.10.202, assim resumido (fls. 800/846): DAS PRELIMINARES DA DECADÊNCIA Defendeu que a pretensão do Fisco estaria parcialmente fulminada pela decadência, já que transcorrido o lustro legal estabelecido pelo artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, posto a inexistência de indícios materiais de que a conduta do contribuinte teria sido dolosa. Destarte, como a Recorrente foi cientificada do lançamento tributário em 27 de setembro de 2019, todo o crédito tributário constituído anterior a 27 de setembro de 2014 já se encontra alcançado pela decadência. Afirmou que no caso dos autos não se aplicaria o artigo 173, I do CTN, pois teria havido recolhimento do tributo antecipadamente e não teria ficado demonstrado dolo, fraude ou simulação. Prossegue a Recorrente alegando que mesmo se aplicado o artigo 173, I do CTN, ao presente caso ter-se-ia, por exemplo, que a contagem da decadência para o período de janeiro de 2014 teria como termo a quo o mês de fevereiro de 2014, assim os períodos anteriores a fevereiro já se encontrariam decaídos, devendo ser cancelado o lançamento referente a tais períodos. DAS NULIDADES Neste ponto, sustentou que a autuação estaria eivada de vício relacionado à indicação de dispositivo legal aplicado, porque os fatos que ensejaram a suspensão da Recorrente teriam decorrido da falta de escrituração contábil dos anos-calendários de 2013 a 2015, cuja infração a legislação tributária teria por base uma legislação superveniente, qual seja, descumprimento ao art. 184 do Regulamento do Imposto de Renda de 2018, e dos art. 10 e 13 da Instrução Normativa da RFB de N° 1.700/2017. Fl. 922DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 Assim, tratando-se os fatos relativos aos anos de 2013 a 2015, não poderia a fiscalização tomar como base para a suspensão da isenção a legislação do RIR/2018 e muito menos utilizar a Instrução Normativa de 2017 para suspender benefícios da Recorrente. No caso, em seu entendimento caberia ao Fisco verificar o cumprimento da legislação com base no Decreto n° 3.000/99, vigente à época dos fatos, e não apontar descumprimento de legislação tributária que sequer era vigente na época da suposta infração a legislação, e portanto: .... observa-se do caso fático que a Notificação padece de vício insanável, na medida que imputa à Recorrente descumprimento de legislação tributária que sequer estava vigente no período em que teria ocorrido o suposto descumprimento da legislação, em evidente afronta ao princípio da legalidade, e em detrimento ao direito defesa da Recorrente. Cabe destacar, outrossim, que a Notificação de Suspensão é ato vinculado, regido pelo Decreto n° 70.235/1972, que trata do processo administrativo fiscal, de modo que, no Ato de Notificação deve constar especificamente o motivo da suspensão, data dos fatos, com legislação correspondente, para possibilitar ao contribuinte exercer plenamente o seu direito de defesa, sob pena de nulidade, nos termos do art. 59, do Decreto n° 70.235/1972: Logo, da análise da legislação, viu-se que a fiscalização aponta o descumprimento da legislação que sequer era vigente ao tempo dos fatos, em afronta ao princípio da legalidade e em cerceamento de defesa da Recorrente. Nesse norte, o CARF se posicionada sobre a nulidade insanável do procedimento fiscal. Incontroversa, assim, a necessidade de reforma do r. Acórdão ora recorrido, na medida em que o procedimento de Suspensão de Isenção Tributária se encontra maculado por vício material incorrigível, “...resultando insubsistente a autuação objurgada, ante ao vício encontrado desde o início da fiscalização, o que resultou na presente autuação fiscal, devendo ser declarado nulo de pleno direito, pois afronta os princípios constitucionais da legalidade e da moralidade, já que viola o direito do Recorrente de exercer seu direito à ampla defesa e ao contraditório”. DA NULIDADE POR AFRONTA AO PRINCIPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL Asseverou que a lavratura do auto de infração em comento e o prosseguimento do presente processo administrativo fiscal não poderiam ocorrer, porque havia pendência de decisão administrativa definitiva quanto à declaração de suspensão da sua imunidade, tornando nulo o ato de lançamento que ora se combate, à medida que se trata de fato incerto, que ofende a previsão legal do art. 10 do Decreto 70.235/1972. Para a Recorrente, não se poderia lavrar quaisquer autos de infração, sem a certeza de exclusão da empresa da isenção/imunidade de forma definitiva, pelo menos na seara administrativa. Isto, obviamente, porque as supostas infrações em discussão simplesmente desapareceriam, se o ato restar anulado ou for improcedente. A "descrição do fato" é uma incógnita, na medida em que ainda não se tem certeza se a empresa está ou não excluída da isenção/imunidade. Fl. 923DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 Mesmo ínterim, a "disposição legal infringida" conecta-se diretamente à "descrição do fato", ao que resta completamente desprovido de certeza jurídica o Auto de Infração lavrado. À medida que incertezas pairam sobre o ato fundamental do processo administrativo em tela, resta extremamente difícil à empresa Contribuinte, defender-se dos lançamentos objurgados, porque sequer se sabe se estas são realmente devidas. Assim, pelos motivos narrados, requer desde logo se dignem Vossas Senhorias em anular o ato administrativo de lançamento, porquanto fulcrado em fato incerto, ao que se ofende previsão legal (art. 10 do Decreto 70.235/1972), constituindo-se em vicio insanável de validade, e ofendendo o princípio constitucional do devido processo legal, tanto quanto, da ampla defesa e do contraditório. DO MÉRITO DA INSUBSISTÊNCIA DO ATO DECLARATÓRIO DE SUSPENDEU A ISENÇÃO/IMUNIDADE – DA IMUNIDADE PARA IRPJ, CSLL E PIS/COFINS – DA NECESSIDADE DE SUSPENSÃO DA COBRANÇA Neste ponto passa a tratar das diferenças entre isenção e imunidade: Tratando-se do tema de isenção x imunidade, o Supremo Tribunal Federal considera que a isenção inibe o lançamento do tributo, tendo ocorrido o fato gerador e nascido o liame jurídico-obrigacional. Não se fala em relação jurídico-tributária quando se estuda a imunidade, pois a norma imunizadora está fora do campo de incidência do tributo, constituindo um obstáculo à incidência de tributos sobre os fatos, situações e pessoas que a Constituição assim estabeleceu. Para a Recorrente o r. Acórdão encontra-se equivocado, à medida que a Recorrente perfeitamente dispôs acerca da indevida suspensão da isenção, que na realidade, trata-se de imunidade e, portanto, a presente autuação e o arbitramento do lucro pela i. fiscalização é totalmente indevido. DA DIVERGÊNCIA DE INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA – DO DIREITO DE IMUNIDADE TRIBUTÁRIA DA NOTIFICADA – DA INSUBSISTÊNCIA DA SUSPENSÃO DA ISENÇÃO TRIBUTÁRIA Afirmou que mesmo não formalizado de forma contábil os documentos dos anos- calendários fiscalizados, vislumbra-se no processo administrativo que os documentos comprobatórios das existem, seja por contrato de instrumento particular: i) contrato de parceria; ii) contrato de patrocínio e dentre outros documentos, estando presente os requisitos legais para imunidade. Passa a tratar do tema isenção x imunidade, citando jurisprudência e concluindo que no caso dos autos, os atos constitutivos das entidades autoras, bem como as demonstrações documentais acima mencionadas, demonstraram o preenchimento dos requisitos do artigo 14 do CTN. Defendeu que a fiscalização teria tido uma interpretação equivocada da legislação tributária, no qual a autuada é beneficiada pela imunidade e não pela isenção tributária. Fl. 924DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 Assim, asseverou que as regras da imunidade devem ser vistas como elementos de um sistema harmônico e integrado de normas e propósitos constitucionais e interpretadas em função do papel que cumprem em favor dos valores prestigiados por esse sistema. Tal afirmativa aplica-se, especialmente, para as imunidades previstas nos já mencionados artigos 150, inciso IV e artigo 195, § 7, ambos da Constituição Federal, considerando os impostos e as contribuições sociais, respectivamente. Portanto, como o fisco limitou-se a fundamentar pela suspensão da isenção (imunidade) tributária, sob a afirmativa de que a Recorrente não apresentou a escrituração contábil do ano- calendário de 2014, analisando os requisitos da imunidade tributária no presente caso de forma cingida, deixando de analisar os demais requisitos legais respeitados pela Recorrente, não haveria justificativas para a suspensão da isenção em questão, o que torna insubsistente as alegações do fiscal, devendo ser a suspensão ser considerada nula, com o consequente cancelamento do auto de infração que ora se combate. DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL E DA RELATIVIZAÇÃO DA MERA FORMALIDADE Neste pontoa, a Recorrente passa, citando jurisconsultos, a discorrer sobre o principio da verdade material. Em resumo, o princípio da verdade material norteia o contencioso administrativo fiscal no sentido de que se deve sempre averiguar a veracidade dos fatos alegados em detrimento das meras formalidades, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação ou do lançamento. O importante é saber se o fato ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. Sendo assim, tal princípio preceitua que na busca de apurar o que realmente aconteceu, não se deve atentar aos requisitos meramente formais para o reconhecimento de eventual direito do contribuinte, como se observa dos entendimentos exarados nos julgados colacionados. Assim, no caso dos autos, deveria o fisco buscar a verdade e verificar que de fato que a Recorrente é uma entidade sem fins lucrativos, com atividade assistencial e beneficiária da imunidade tributária, sendo que foi demonstrado através dos documentos juntados no termo de fiscalização demonstram sua atividade e seu objeto social, bem como o próprio documento constitutivo demonstra a finalidade institucional. Segundo a Recorrente no caso dos autos teria ocorrido uma mera ausência de formalidade para apresentar os documentos requeridos pela fiscalização, não sendo apresentados de forma “encadernadas”, porém os mesmos existem, o que se fez prova com a impugnação apresentada pela contribuinte. O Fisco teria se limitado apenas a argumentos genéricos, não observando de fato a atividade e a função social da Recorrente. Afirmou que a Recorrente se enquadra nos requisitos necessários para fins de usufruir da imunidade tributária, e não poderia a falta de escrituração contábil do período fiscalizado, posto a existência de provas documentais apresentadas no processo (mas que não foram levadas em consideração pelo fisco). Fl. 925DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 Para a Recorrente a ausência de um mero documento fiscal não incorreria em qualquer prejuízo ao Fisco, já que a mesma cumpre seu papel de entidade filantrópica e sem fins lucrativos, obedecendo a seu objeto social e demais requisitos da lei, não havendo razão para desclassificar a empresa da “isenção” tributária, que na realidade o correto é imunidade, como ocorreu no presente caso. Daí dizer, mais uma vez, que se mostra totalmente insubsistente a suspensão da “isenção” (imunidade) tributária em comento por tratar-se de medida absolutamente desproporcional, uma vez que pune o contribuinte sem que ele tenha cometido qualquer ato ilícito. Sustentou que não haveria que se falar em arbitramento de lucro para lavratura do presente auto de infração, à medida que ao contrário do que afirma a i. fiscalização, a contribuinte possui documentação hábil referente ao período fiscalizado, tornando, assim, ilegítimo o arbitramento. Desta feita, salienta-se que o ente fiscalizador deve observar não apenas a letra fria da lei, aplicação positivista rigorosa que viola os consagrados princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, mas também deve observar e evitar a aplicação de penalidades excessivas aos contribuintes entendidos aqui como aquelas que destoam de razoabilidade e proporcionalidade. Portanto, diante de todo o exposto, requer-se seja reformado o r. Acórdão proferido pela DRJ, com o reestabelecimento do direito de isenção tributária (imunidade) da Recorrente, conforme fundamentos expostos, com o consequente cancelamento do auto de infração em debate. DA INSUBSISTÊNCIA DA MULTA QUALIFICADA Segunda a Recorrente a i. fiscalização teria apontado que a suposta omissão de receita acarretaria na imediata aplicação da multa qualificada em percentual de 150%. Alegou a insubsistência da multa qualificada, à medida que trouxe aos autos os balanços referentes aos anos de 2014 e 2015 e, ainda, considerando que o fisco não apresentou provas capazes de apurar a efetiva atividade fraudulenta da Recorrente, haja vista que não houve qualquer omissão quanto à sua atividade operacional. Defendeu, com base em sumula do e. CARF que a conduta praticada não se revelaria como motivo suficiente à imposição da multa qualificada, a qual demanda a efetiva comprovação do intuito de fraude do sujeito passivo, o que não foi demonstrado no presente expediente administrativo, uma vez que não omitiu a receita da atividade operacional, pois trouxe aos autos os balanços de 2014 e 2015. Cita precedentes. Assim, resta claro que as situações suscitadas nos presentes autos, qual seja uma suposta omissão de receita não seria suficiente para justificar a qualificação da multa imposta, carecendo, para tanto, da efetiva comprovação quanto à ocorrência de dolo na conduta fraudulenta. Defendeu o caráter educacional das penalidades aplicadas. No entanto, caso mantida a multa qualificada, este segundo caráter, em verdade se perderá, haja vista que não mais subsistirá a contribuinte a ser "educada". Considerando-se os vultuosos valores que envolvem a questão aqui em debate, referida Fl. 926DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 sanção pecuniária, conforme firmada, certamente levará a empresa Recorrente ao encerramento de suas atividades. Nada obstante, importante novamente destacar que, referida multa qualificada é absolutamente inadequada, na medida em que, na situação aqui em evidência, inexistem os requisitos autorizadores para a qualificação da aludida sanção. DA NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Afirmou que a incidência dos juros moratórios sobre o crédito tributário acrescido de multa (sanção de ato ilícito) deve ser analisada de forma pormenorizada, uma vez que tal situação vem sendo ponto controvertido nos tribunais judiciais, e também no CARF. Sustentou que não haveria uma lei prevendo, expressamente, a incidência dos juros moratórios e correção sobre as multas aplicadas pelo Fisco. Para a Recorrente em se tratando de juros e correção sobre a multa, temos o artigo 161 do CTN, que não é autoaplicável, necessitando de norma reguladora. E se tiver lei, porém esta não especificar o índice, será de 1%. A outra hipótese, se tiver lei e está especificar o percentual, este será o especificado em lei. Mas para ambos os casos o art. 161, §1° do CTN prevê a necessidade de lei. Observe-se, então, que a exigência de lei é para que se possa corrigir o débito tributário, e se a lei não tiver o índice será este de 1%. Mas em momento algum o artigo 161 se intitula autoaplicável, precisando assim expressamente de lei, nos mesmos moldes do já comentado artigo 116 do CTN. Não existe a expressão "no caso de inexistência de lei" ou "na falta de lei". O artigo dispõe: "Se a lei não dispuser de modo diverso". Tanto isso é verdade que o caput não fixa qualquer índice, somente autoriza que o crédito tributário seja acrescido de juros de mora. E em seu parágrafo afirma que se a "lei" que o instituir não regular o índice, será de 1%. Assim, se a necessidade de lei para que os créditos tributários sejam corrigidos (juros de mora) é flagrante, o que dirá das multas e penalidades, que não fazem parte do conceito de crédito tributário, como bem preceitua o artigo 161 o separando em sua parte final. Colaciona ementas do e. CARF. Teceu longo arrazoado, citando decisões e jurisprudência, no intuito de identificar as espécies de multas e sua natureza jurídica, para concluir que não existira previsão legal para a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício. Este ponto é de fundamental importância por ser a espécie de multa mais comum a ser apreciada por pelo CARF, e que traz significativos reflexos patrimoniais aos Contribuintes e ao Fisco, sendo certo a necessidade de fundamentar a aplicação dos juros moratórios sobre as multas com o dispositivo referente, sob pena de nulidade da aplicação dos mesmos. Sustentou a inaplicabilidade, ao caso, do disposto no art. 61, § 3° da Lei nº 9.430/96, posto que a multa de oficio não seria débito, assim entendido a ausência do pagamento dos tributos e contribuições. Logo, os débitos decorrem do não pagamento. Fl. 927DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 A multa de ofício não é débito decorrente de tributos e contribuições. Ela decorre, nos precisos termos do art. 44 da Lei n. 9.430/96, da punição aplicada pela fiscalização às seguintes condutas: a) Falta de pagamento ou recolhimento de tributos e contribuições após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; e b) Falta de declaração e nos de declaração inexata. (Conselho de Contribuintes, 7ª Câmara. Acórdão 155.797, Rel. Cons. Luiz Martins Valero, Sessão 16/10/2008). Com razão o julgado acima. O deslinde da presente questão deve passar, portanto, por um cuidadoso processo hermenêutico que se inicia com a apresentação do conceito de "débitos decorrentes de tributo", uma vez que este é o termo utilizado pelo legislador no texto legal do caput do art. 61 da Lei n. 9430/96. Segundo a Recorrente nos termos do CTN tributo não decorre de sanção por ato ilícito. Na verdade, do ato ilícito decorrem multas. Por isso, o termo "débitos" no §3° do art. 61 da Lei 9.430/96 não abrange "tributo" E "multa", mas unicamente o valor do tributo em si. Tal conclusão é confirmada pelo próprio caput, onde o legislador expressamente diferencia os "débitos" de "multa de mora". Note-se que o caput do art. 61 da Lei 9.430/96 somente se refere às multas quando menciona que "serão acrescidos de multa de mora". E não o faz de forma genérica, mas especificamente à espécie "multa de mora". Esta disposição deixa claro que no termo "débitos (...) decorrentes de tributos e contribuições" não incluem as multas. Nesse sentido, a diferenciação entre "tributo" e "multa de mora" revela alguma finalidade almejada pelo legislador, a qual é confirmada pelo respectivo § 3°, onde se menciona que os juros incidirão apenas sobre os débitos, mas não sobre as multas. Não se trata de lapso e nem de má técnica legislativa, mas simplesmente uma opção legal. Não há lacuna a ser suprida, mas um silêncio eloquente que demonstra a expressa vontade do legislador em não fazer incidir juros sobre as multas de ofício. Desta forma, a mens legis do § 3° do art. 61 da Lei 9.430/96 é de que o termo "débito" se refira somente ao "tributo" a ser pago, excluída a "multa", pois esta vem prevista logo em seguida. Asseverou que, a título argumentativo, se a expressão "débitos (...) decorrentes de tributos e contribuições" compreende a multa, haver-se-ia de concluir que apenas estaria abrangida a multa moratória. Isto porque a expressão "serão acrescidos de multa de mora" torna inequívoco que em momento algum o legislador admitiu a incidência de juros sobre outra espécie de multas, como a de ofício. Em auxílio a esta interpretação está o art. 43 da Lei n. 9.430/96, que igualmente menciona apenas a multa isolada, jamais a de ofício, observe-se: Portanto, o disposto no art. 61 da Lei 9.430/96, ainda que se entendesse pela possibilidade da incidência de juros de mora sobre a multa, o que não é o caso, seria apenas aceitável sobre a multa de mora e nunca sobre a multa de ofício por evidente carência de previsão legal. Entendimento diverso desnaturaria o espírito da lei e suas expressas prescrições. Fl. 928DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 Aduziu ainda que seriam inaplicáveis os juros moratórios sobre a multa de ofício com base no art. 161, § 1° do Código Tributário Nacional, uma vez que o dispositivo prevê a necessidade de expressa previsão legal. Logo, deve ser rechaçado o entendimento que autoriza a incidência de juros moratórios sobre a multa de oficio com fulcro no art. 61, § 3° da Lei 9.430/96 e/ou no art. 161, §1°, do CTN, sobretudo em hipóteses de lançamento de oficio. Não há dúvidas de que tal incidência de correção sobre a multa de oficio carece de previsão legal. E, segundo a Recorrente tal entendimento já teria sido acolhido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, e em diversas outras oportunidades (Acórdãos n. 202-16.397, n. 101-96.008, n. 101-96.607). Pelo exposto, pugna-se seja determinado que não incidam juros moratórios sobre a multa de oficio, ante a ausência de autorização legal para tanto, nos termos expostos acima, com a consequente reforma do r. Acórdão ora recorrido. DA CORREÇÃO MONETÁRIA Neste ponto a Recorrente defendeu a inaplicabilidade da SELIC, pois no que diz respeito ao princípio da legalidade, não existe qualquer dispositivo legal estabelecendo os parâmetros de cálculo da taxa SELIC, de forma que a sua utilização afrontaria os arts. 5°, II e 150, I, da CF. A legislação prevê a aplicação da SELIC para os débitos tributários, porém a discussão que deve ser tratada diz respeito à ausência de legislação definidora dos critérios de cálculo da SELIC. Ou seja, a definição da taxa SELIC fica à cargo do Banco Central e assim, fica comprometida a segurança jurídica. Não existe lei, em sentido estrito, como determina o princípio da legalidade, definindo de forma clara como será obtido o percentual da SELIC. Simplesmente, ficam os administrados sujeitos aos mandos e desmandos do Poder Executivo, que por vias transversas, manipula a taxa SELIC. A necessidade de lei é imperativa e a sua falta, como no caso, gera, por consequência, inconstitucionalidade formal, o que impede a cobrança da SELIC nos tributos em atraso. Até porque, o artigo do CTN que trata dos juros moratórios, traz que somente à lei cabe alterar o percentual de 1% (um por cento) lá definido e como não há qualquer previsão legal a respeito, impõe-se a aplicação e o respeito ao índice previsto na lei complementar. Outra irregularidade, consiste em que a taxa SELIC é evidentemente remuneratória, pois como é notório, é calculada a partir da movimentação da negociação dos títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia, administrado pelo Banco Central, representando a captação de dinheiro pelo Poder Público e seguindo as diretrizes por ele determinadas. Uma obrigação tributária em nenhum momento se confunde como uma aplicação financeira, para justificar a aplicação da mesma remuneração. Não pode o contribuinte estar obrigado ao pagamento de determinada taxa de juros, cujo percentual varia de acordo com a flutuação do mercado ou de acordo com interesses do Poder Executivo. Fl. 929DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 Dessa forma, pretender em incidência a taxa SELIC seria considerar que a natureza jurídica da obrigação tributária se confundiria com a de uma aplicação financeira, o que não é o caso. A taxa da SELIC, da mesma forma que já foi decidida com a TR/TRD, configura-se como juros de remuneração e não de mora, logo, não pode ser aplicado como juros moratórios, acarretando a nulidade do ato administrativo que pretende a sua cobrança. Diante de tais aspectos, resta evidente a impossibilidade de aplicação da taxa SELIC sobre os débitos dos tributos e assim, também resta impossibilitada a cobrança de SELIC nos créditos lançados nesta autuação. DA CONCLUSÃO Ante todo o exposto, requereu que o presente Recurso Voluntário fosse recebido, acolhido e provido a fim de: PRELIMINARMENTE: i) Reconhecer a decadência dos créditos tributários constituídos anteriormente a 27 de setembro de 2014, conforme expresso no item III.I. ii) DECLARAR NULO o Processo Administrativo Fiscal n° 11634.720099/2019- 48, em razão da nulidade e ilegalidade do Ato Declaratório Executivo n° 25, de 25/07/2019, conforme expresso no item III. II. iii) Caso superadas as preliminares acima, requer que seja determinada a nulidade do trâmite processual, em relação aos lançamentos efetuados, e pretensos atos de cobrança dos tributos, como inscrição em dívida ativa, dentre outros, haja vista o irregular prosseguimento do processo sem que houvesse decisão definitiva da exclusão da empresa dos benefícios da isenção/imunidade, conforme item III.II. Vencidas as preliminares, em relação ao mérito, requereu: i) Reconhecer a insubsistência do Ato Declaratório 25, de 25/07/2019, ante as nulidades encontradas, nos termos dos itens III e IV; ii) Reconhecer a divergência de interpretação da legislação tributária – do direito de imunidade tributária, em razão da insubsistência da suspensão da isenção tributária, conforme fundamentação de item IV; iii) Reconhecer a ILEGALIDADE do lançamento do crédito tributário em epígrafe, por ofensa ao art. 142 do CTN, tendo em vista a impossibilidade de determinar o montante do tributo devido no caso em apreço, nos termos da fundamentação de item IV; iv) Reconhecer a inaplicabilidade da multa de ofício de 150% (cento e cinquenta por cento), bem como afastar a correção monetária pela taxa SELIC afastar a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício, ante à ausência de autorização legal para tanto conforme expresso no item V. DO RECURSO VOLUNTÁRIO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO A Pessoa Física, Sr. JOÃO BATISTA REGINI, arrolado responsável solidário, foi cientificada do acórdão da d. DRJ por via postal em 28.9.2020 (cópia de Aviso de Recebimento – AR, fl. 797) tendo apresentado seu Recurso Voluntário em 27.10.2020, assim resumido (fls. 849/908): Fl. 930DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 DAS PRELIMINARES DA DECADÊNCIA Neste ponto, deduziu as mesmas alegações produzidas pela Pessoa Jurídica defendendo que a pretensão do Fisco estaria parcialmente fulminada pela decadência, já que transcorrido o lustro legal estabelecido pelo artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, posto a inexistência de indícios materiais de que a conduta do contribuinte teria sido dolosa. DA NULIDADES Trouxe as mesmas alegações produzidas pela Pessoa Jurídica: Incontroversa, assim, a necessidade de reforma do r. Acórdão ora recorrido, na medida em que o procedimento de Suspensão de Isenção Tributária se encontra maculado por vício material incorrigível, “...resultando insubsistente a autuação objurgada, ante ao vício encontrado desde o início da fiscalização, o que resultou na presente autuação fiscal, devendo ser declarado nulo de pleno direito, pois afronta os princípios constitucionais da legalidade e da moralidade, já que viola o direito do Recorrente de exercer seu direito à ampla defesa e ao contraditório”. DA NULIDADE POR AFRONTA AO PRINCIPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL Conclui, neste ponto, pela nulidade do ato de lançamento, com idênticas alegações trazidas pela Pessoa Jurídica: Assim, pelos motivos narrados, requer desde logo dignem-se Vossas Senhorias em anular o ato administrativo de lançamento, porquanto fulcrado em fato incerto, ao que se ofende previsão legal (art. 10 do Decreto 70.235/1972), constituindo-se em vicio insanável de validade, e ofendendo o princípio constitucional do devido processo legal, tanto quanto, da ampla defesa e do contraditório. DO MÉRITO DA INSUBSISTÊNCIA DO ATO DECLARATÓRIO DE SUSPENDEU A ISENÇÃO/IMUNIDADE – DA IMUNIDADE PARA IRPJ, CSLL E PIS/COFINS – DA NECESSIDADE DE SUSPENSÃO DA COBRANÇA Para a Recorrente o r. Acórdão encontra-se equivocado, à medida que a Recorrente perfeitamente dispôs acerca da indevida suspensão da isenção, que na realidade, trata-se de imunidade e, portanto, a presente autuação e o arbitramento do lucro pela i. fiscalização é totalmente indevido. DA DIVERGÊNCIA DE INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA – DO DIREITO DE IMUNIDADE TRIBUTÁRIA DA NOTIFICADA – DA INSUBSISTÊNCIA DA SUSPENSÃO DA ISENÇÃO TRIBUTÁRIA Com as mesmas alegações trazidas pela Pessoa Jurídica, concluiu: Portanto, como o fisco limitou-se a fundamentar pela suspensão da isenção (imunidade) tributária, sob a afirmativa de que a Recorrente não apresentou a escrituração contábil do ano- calendário de 2014, analisando os requisitos da imunidade tributária no presente Fl. 931DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 caso de forma cingida, deixando de analisar os demais requisitos legais respeitados pela Recorrente, não haveria justificativas para a suspensão da isenção em questão, o que torna insubsistente as alegações do fiscal, devendo ser a suspensão ser considerada nula, com o consequente cancelamento do auto de infração que ora se combate. DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL E DA RELATIVIZAÇÃO DA MERA FORMALIDADE A Recorrente adota os mesmos argumentos defendidos pela Pessoa Jurídica, para defender a aplicação da Verdade Material, acatando outros documentos apresentados (menos a escrita contábil) como suficientes para a fruição do beneficio fiscal, bem como o arbitramento levado a cabo pela fiscalização: Assim, no caso dos autos, deveria o fisco buscar a verdade e verificar que de fato que a Recorrente é uma entidade sem fins lucrativos, com atividade assistencial e beneficiária da imunidade tributária, sendo que foi demonstrado através dos documentos juntados no termo de fiscalização demonstram sua atividade e seu objeto social, bem como o próprio documento constitutivo demonstra a finalidade institucional. Segundo a Recorrente no caso dos autos teria ocorrido uma mera ausência de formalidade para apresentar os documentos requeridos pela fiscalização, não sendo apresentados de forma “encadernadas”, porém os mesmos existem, o que se fez prova com a impugnação apresentada pela contribuinte. O Fisco teria se limitado apenas a argumentos genéricos, não observando de fato a atividade e a função social da Recorrente. Afirmou que a Recorrente se enquadra nos requisitos necessários para fins de usufruir da imunidade tributária, e não poderia a falta de escrituração contábil do período fiscalizado, posto a existência de provas documentais apresentadas no processo (mas que não foram levadas em consideração pelo fisco). Para a Recorrente a ausência de um mero documento fiscal não incorreria em qualquer prejuízo ao Fisco, já que a mesma cumpre seu papel de entidade filantrópica e sem fins lucrativos, obedecendo a seu objeto social e demais requisitos da lei, não havendo razão para desclassificar a empresa da “isenção” tributária, que na realidade o correto é imunidade, como ocorreu no presente caso. Sustentou que não haveria que se falar em arbitramento de lucro para lavratura do presente auto de infração, à medida que ao contrário do que afirma a i. fiscalização, a contribuinte possui documentação hábil referente ao período fiscalizado, tornando, assim, ilegítimo o arbitramento. DA INSUBSISTÊNCIA DA MULTA QUALIFICADA Defesa idêntica àquela apresentada pela Pessoa Jurídica, segunda a qual a suposta omissão de receita não acarretaria na imediata aplicação da multa qualificada em percentual de 150%. Alegou a insubsistência da multa qualificada, à medida que trouxe aos autos os balanços referentes aos anos de 2014 e 2015 e, ainda, considerando que o fisco não apresentou provas capazes de apurar a efetiva atividade fraudulenta da Recorrente, haja vista que não houve qualquer omissão quanto à sua atividade operacional. Defendeu, com base em sumula do e. CARF que a conduta praticada não se revelaria como motivo suficiente à imposição da multa qualificada, a qual demanda a efetiva comprovação do intuito de fraude do sujeito passivo, o que não foi demonstrado no Fl. 932DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 presente expediente administrativo, uma vez que não omitiu a receita da atividade operacional, pois trouxe aos autos os balanços de 2014 e 2015. Cita precedentes. Assim, resta claro que as situações suscitadas nos presentes autos, qual seja uma suposta omissão de receita não seria suficiente para justificar a qualificação da multa imposta, carecendo, para tanto, da efetiva comprovação quanto à ocorrência de dolo na conduta fraudulenta. DA NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Adotando os mesmos argumentos defendidos pela Pessoa Jurídica, sustentou a não incidência de juros sobre a multa de ofício. Portanto, o disposto no art. 61 da Lei 9.430/96, ainda que se entendesse pela possibilidade da incidência de juros de mora sobre a multa, o que não é o caso, seria apenas aceitável sobre a multa de mora e nunca sobre a multa de ofício por evidente carência de previsão legal. Entendimento diverso desnaturaria o espírito da lei e suas expressas prescrições. Aduziu ainda que seriam inaplicáveis os juros moratórios sobre a multa de ofício com base no art. 161, § 1° do Código Tributário Nacional, uma vez que o dispositivo prevê a necessidade de expressa previsão legal. Logo, deve ser rechaçado o entendimento que autoriza a incidência de juros moratórios sobre a multa de oficio com fulcro no art. 61, § 3° da Lei 9.430/96 e/ou no art. 161, §1°, do CTN, sobretudo em hipóteses de lançamento de oficio. Não há dúvidas de que tal incidência de correção sobre a multa de oficio carece de previsão legal. E, segundo a Recorrente tal entendimento já teria sido acolhido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, e em diversas outras oportunidades (Acórdãos n. 202-16.397, n. 101-96.008, n. 101-96.607). Pelo exposto, pugna-se seja determinado que não incidam juros moratórios sobre a multa de oficio, ante à ausência de autorização legal para tanto, nos termos expostos acima, com a consequente reforma do r. Acórdão ora recorrido. DA CORREÇÃO MONETÁRIA Neste ponto a Recorrente defendeu, a partir dos mesmos argumentos deduzidos pela Pessoa Jurídica, a inaplicabilidade da SELIC, pois no que diz respeito ao princípio da legalidade, não existe qualquer dispositivo legal estabelecendo os parâmetros de cálculo da taxa SELIC, de forma que a sua utilização afrontaria os arts. 5°, II e 150, I, da CF. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DA IMPOSSIBILIDADE DE EXTENSÃO DE RESPONSABILIDADE Começou defendendo a impossibilidade de extensão de responsabilidade na aplicação de multas/sanções/penais. Alegou que conforme o art. 59 do Código Penal a responsabilidade pela multa de ofício qualificada se aplica exclusivamente ao contribuinte. Outrossim, como é cediço, a aplicação de multa é uma das formas de aplicação de pena, que podem ser restritivas ou privativas de liberdade, por exemplo. O referido artigo supratranscrito é claro ao dispor que o juiz deve atender à "CULPABILIDADE", dentre outros critérios, para aplicação da pena. Fl. 933DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 Para o Recorrente em decorrência dos princípios da supremacia e da imperatividade seria impedida a transmissão de penalidades no âmbito penal, civil, tributário, trabalhista, dentre outros. Ora, foi imposta uma pena pela conduta realizada apenas pela empresa autuada principal, sendo absolutamente inadmissível a extensão da responsabilidade por essa pena -aplicada em forma de multa ao Impugnante por cristalina violação aos preceitos legais, principalmente da Constituição Federal no tocante à individualização das penas. Ademais, conforme tratado nos tópicos anteriores, resta inquestionável que o art. 135, do CTN é inaplicável ao caso, bem como os demais preceitos legais que tratam da responsabilização solidária. Portanto, com base nas razões acima expostas, requer-se a reforma do r. Acórdão recorrido com o consequente cancelamento da multa aplicada no Auto de Infração ora combatido, ante a total ilegitimidade passiva do Recorrente para figurar como responsável solidário pela multa lavrada unicamente em face da empresa autuada. DA INAPLICABILIDADE DO ART. 135 Nesse ponto, alegou o Recorrente que não se encontraria nos autos qualquer demonstração pelo Fisco de que a Pessoa Física seria diretor, gerente ou presidente da contribuinte à época dos fatos. Argumentou, ainda, que não haveria qualquer demonstração pelo Fisco de atos supostamente cometidos pelo impugnante com excesso de poder, infração à lei ou ao estatuto social para que fosse aplicado o art. 135 do CTN. Cabe, portanto, ao Fisco fazer a devida prova do preenchimento de tais requisitos, sendo necessário ser elencado qual deles foi praticado pelo terceiro sobre o qual incidirá a responsabilidade tributária pela integral quantia do débito fiscal, que era de responsabilidade do contribuinte originário. Para a Recorrente, a responsabilidade solidária da pessoa física apenas é permitida com espeque no artigo 135,1, II e III, do Código Tributário Nacional, mediante a estrita demonstração de dois requisitos: I) a demonstração de que o sócio exerceu a gerência na época da ocorrência do fato jurídico tributário da obrigação tributária; II) e que a obrigação decorra de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Ora, a autoridade fazendária não se desincumbiu de seu ônus probatório, qual seja, demonstrar de maneira cabal e irrefutável que houve a ação da pessoa física de forma dolosa e com excesso de poderes que infringisse à lei ou ao estatuto social relacionado ao crédito tributário ora combatido, É importante observar que a autoridade fiscal em nenhum momento aponta objetivamente quais foram os atos dolosos praticados com infração à lei ou ao estatuto social, não demonstra e muito menos comprova a prática de qualquer ato pelo Recorrente com excesso de poderes que pudessem caracterizar os requisitos necessários a fim de aplicar o art. 135, do CTN, para responsabiliza-los pessoalmente pelo lançamento tributário. Fl. 934DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 Cumpre destacar que segundo o art. 9º, do Dec. 70.235/72, é ônus do Fisco apresentar todas os elementos de provas indispensáveis à comprovação do ilícito para fins de realizar o lançamento tributário. Seu entendimento estaria pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça, como se verifica na jurisprudência colacionada. No mesmo sentido inclina-se a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), como se observa exemplificativamente das ementas colacionadas. É assente, que no caso de aplicação do art. 135, do CTN, por tratar-se de responsabilidade tributária por atos ilícitos, deve a autoridade fazendária descrever objetivamente, bem como comprovar a conduta do agente que caracterize a infração descrita em lei e que resulte de forma vinculada ao inadimplemento do crédito tributário. Ou seja, não cabe a responsabilização solidária pelo simples fato de ser impreterível a comprovação dos atos ilícitos cometidos pelos responsabilizados e a vinculação do crédito tributário resultante. Outrossim, não há que se confundir a responsabilidade de sócio ou mandatário da pessoa jurídica com base no art. 135, do CTN, com aquela do art. 124, do mesmo diploma legal, ou seja, quando há confusão patrimonial e interesse comum no fato gerador. Portanto, diante da ausência de demonstração inequívoca pelo auditor fiscal do cumprimento dos requisitos necessários para aplicação dos art. 135, do CTN, deve ser afastada a responsabilidade solidária do Recorrente. DA CONCLUSÃO Ante todo o exposto, requereu que o presente Recurso Voluntário seja recebido, acolhido e provido a fim de: PRELIMINARMENTE: i) Reconhecer a decadência dos créditos tributários constituídos anteriormente a 27 de setembro de 2014, conforme expresso no item III.I. ii) DECLARAR NULO o Processo Administrativo Fiscal n° 11634.720099/2019- 48, em razão da nulidade e ilegalidade do Ato Declaratório Executivo n° 25, de 25/07/2019, conforme expresso no item III.II. iii) Caso superadas as preliminares acima, requer que seja determinada a nulidade do trâmite processual, em relação aos lançamentos efetuados, e pretensos atos de cobrança dos tributos, como inscrição em dívida ativa, dentre outros, haja vista o irregular prosseguimento do processo sem que houvesse decisão definitiva da exclusão da empresa dos benefícios da isenção/imunidade, conforme item III.II. Vencidas as preliminares, em relação ao mérito, requereu: i) Reconhecer a insubsistência do Ato Declaratório 25, de 25/07/2019, ante as nulidades encontradas, nos termos dos itens III e IV; Fl. 935DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 ii) Reconhecer a divergência de interpretação da legislação tributária – do direito de imunidade tributária, em razão da insubsistência da suspensão da isenção tributária, conforme fundamentação de item IV; iii) Reconhecer a ILEGALIDADE do lançamento do crédito tributário em epígrafe, por ofensa ao art. 142 do CTN, tendo em vista a impossibilidade de determinar o montante do tributo devido no caso em apreço, nos termos da fundamentação de item IV; iv) Reconhecer a inaplicabilidade da multa de ofício de 150% (cento e cinquenta porcento), bem como afastar a correção monetária pela taxa SELIC afastar a incidência de juros moratórios sobre a multa de oficio, ante à ausência de autorização legal para tanto conforme expresso no item V; v) AFASTAR a responsabilidade solidária do Recorrente pelo lançamento tributário, uma vez que não estão presentes os requisitos necessários para aplicação dos artigos 135, III, do CTN, nos termos expostos no item VI.II; vi) Em se mantendo o lançamento tributário, CANCELAR a multa aplicada em face da Recorrente ante a total ilegitimidade passiva para figurar como responsável solidária pela multa lavrada unicamente em face da empresa autuada, nos formos expostos no item VI.I. É o relatório. Voto Conselheiro Márcio Avito Ribeiro Faria, Relator. Submete-se à apreciação desta Turma de Julgamento do recursos voluntários oferecidos pela Pessoa Jurídica MARINGÁ FUTEBOL CLUBE S.A.F. e pela Pessoa Física, Sr. JOÃO BATISTA REGINI, arrolado responsável solidário. Os recursos voluntários apresentados atendem aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele toma-se conhecimento. Conforme dispõe o § 8º, do art. 32 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o recurso apresentado contra o ato declaratório contestado não tem efeito suspensivo: Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. § 1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, § 1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. (...) Fl. 936DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 § 8º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. Cumpre consignar que como será visto no decorrer do presente voto, no caso em tela, não vislumbra-se qualquer mácula no procedimento levado a cabo pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, culminando no ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO n° 025, de 25 de julho de 2019, que suspendeu a isenção no período de 1º de janeiro de 2013 a 31 de dezembro de 2015. DAS INICIAIS Inicialmente a este julgador não resta dúvida sobre o grande saber jurídico dos signatários das diversas doutrinas trazidas. Entretanto as mesmas não têm o condão de alterar determinações expressas na legislação. E as decisões jurídicas trazidas somente têm efeito entre as partes. Em relação às citações doutrinárias que a defendente traz lume em seu petitório, em diversos tópicos da petição impugnativa, ressalva-se que a doutrina não integra a legislação tributária, conforme define o art. 96, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional – CTN: Art. 96. A expressão “legislação tributária” compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Também as decisões proferidas pelos Conselhos de Contribuintes, Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e mesmo pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, ainda que reiteradas sobre determinada questão, não se fazem oponíveis à autoridade administrativa de Julgamento, ressalvada a hipótese de edição de súmula administrativa, na forma do artigo 26A do Dec. 70.235/1972, incluído pela Lei 11.196/2005. Veja-se também o Parecer Normativo CST nº 23, publicado no DOU de 9 de setembro de 2013, que se presta a bem elucidar o tema: 11. Diante do exposto, conclui-se que acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo E, mais remotamente, o Parecer Normativo CST nº 390, de 1971, que trata do mesmo tema: Entenda-se aí que, não se constituindo em norma legal geral a decisão em processo fiscal proferida por Conselho de Contribuintes, não aproveitará seu acórdão em relação a qualquer outra ocorrência senão aquela objeto da decisão, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinte parte no processo de que decorreu a decisão daquele colegiado. Em relação às decisões judiciais, não é demais ressaltar que os entendimentos manifestados pelos Tribunais, ainda que Superiores, sem embargo de sua respeitabilidade, não vinculam, de per si, o julgamento administrativo, já que também não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do CTN, ressalvada, naturalmente, a força impositiva das súmulas vinculantes de que trata a Emenda Constitucional n° 45, de 2004, e das decisões Fl. 937DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade (artigo 102, § 2°, da CF/1988), inexistentes para o caso em apreço. Ao final, mas não menos importante, em relação às decisões judiciais, especificamente, há que se considerar que seus efeitos são estritos às partes, sem extensão a terceiros, por força do que dispõe o art. 506, da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015, denominada Código de Processo Civil – CPC, verbis: Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros. Por seu turno, a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Além de vinculada, a atividade administrativa de lançamento é obrigatória, conforme disciplina o art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional - CTN. DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA PESSOA JURÍDICA DAS PRELIMINARES DA DECADÊNCIA A Recorrente defendeu que a pretensão do Fisco estaria parcialmente fulminada pela decadência, já que transcorrido o lustro legal estabelecido pelo artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, posto a inexistência de indícios materiais de que a conduta do contribuinte teria sido dolosa, assim, dever-se-ia reconhecera a decadência dos créditos tributários constituídos anteriormente a 27 de setembro de 2014. Por seu turno, tendo em vista a conduta dolosa de impedir o conhecimento, por parte da autoridade administrativa, da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, desloca- se, para fins de definição do termo de início do prazo decadencial, da regra prevista para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação (art. 150, § 4º, do CTN) para a regra geral de decadência tributária (art. 173, I, do CTN). Pois bem. Em que pese seu descontentamento com o lançamento, sua razoes de defesa não merece prosperar. No caso dos autos a entrega da DIPJ 2015 como INATIVA (Fls. 13 e 14), quando restou demonstrado nos autos, com base no vasto material coletado (cópia de cheques, transferências bancárias, recibos emitidos pela BB corretora, cópias de diversos tipos contratos, etc.), que houve movimentação financeira neste período, permite confirmar uma ação dolosa tendente a impedir o total conhecimento por parte da autoridade fazendária: (I) da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; e; (II) das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 938DF CARF MF Original Fl. 25 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 Destarte, a situação comprova a ocorrência de dolo sonegação cujo conceito está estampado no art. 71 da Lei nº 4.502/64, verbis: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Presente, portanto, a conduta tipificada na Lei nº 4.502/64, cabível a aplicação da regra prevista no art. 173, inciso I, do CTN, não havendo decadência em relação ao IRPJ e à CSLL do 1° trimestre de 2014, nem relação ao 2° trimestre de 2014, o auto de infração foi notificado à Recorrente em 27/09/2019, enquanto o termo inicial do prazo quinquenal, em relação ao fato gerador mais antigo (31/03/2014) se deu em 1°/01/2015, o que levou, nesse caso, o termo final do prazo quinquenal para 31/12/2019. Em relação à exigência da Contribuição ao PIS e da Cofins, sobre o qual a autoridade fiscal também fez incidir a multa qualificada de 150%, aplicando-se a regra prevista no art. 173, inciso I, do CTN, igualmente, não há decadência, uma vez que o auto de infração foi notificado à contribuinte em 27/09/2019, enquanto o termo inicial do prazo quinquenal, em relação ao fato gerador mais recente (jan/2014) se deu em 1°/01/2015, o que levou, nesse caso, o termo final do prazo quinquenal para 31/12/2019. Em face do exposto, rejeita-se a preliminar de decadência. DAS NULIDADES Neste ponto sustentou a Recorrente que o Fisco teria se baseado em legislação tributária superveniente ao período suspensivo (2013 a 2015), ao aplicar o art. 184 do RIR/2018 e os arts. 10 a 13 da IN RFB n° 1.700/2017, devendo a notificação ser anulada em detrimento ao direito de defesa da Recorrente, recaindo em vício material insanável. Logo, da análise da legislação, viu-se que a fiscalização aponta o descumprimento da legislação que sequer era vigente ao tempo dos fatos, em afronta ao princípio da legalidade e em cerceamento de defesa da Recorrente. Em que pese seu bem elaborado recurso, as razões trazidas não invalidam o feito fiscal. Inicialmente, cabe destacar que eventual enquadramento equivocado não anula o ato de suspensão quando suprido pela descrição correta e exaustiva dos fatos e a descrição fática de todos os aspectos relevantes, oportunizando ao contribuinte o perfeito conhecimento daqueles e permitindo-lhe o direito de defesa e do contraditório – que foi o caso aqui. Tanto que, na sequência da preliminar de nulidade, o interessado exerceu plenamente estes direitos. E conforme consta da Notificação Fiscal de Suspensão de Isenção Tributária (Fls. 2 a 5), a perda da isenção decorreu da ausência admitida da escrituração contábil: Fl. 939DF CARF MF Original Fl. 26 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 (...) a contribuinte deixou de cumprir com as exigências legais para o gozo da isenção pretendida, porquanto ter admitido, em sua resposta de 26/11/2018, não possuir escrituração contábil referente aos anos-calendário de 2013 a 2015. Vejamos que um dos requisitos para manutenção do beneficio fiscal qual seja a manutenção da escrituração completa de suas receitas e suas despesas em livros revestidos das formalidades capazes de assegurar sua exatidão já estava prevista no art. 12, §2°, alínea “c”, c/c o art. 15, §3°, ambos da Lei n° 9.532, de 1997, o que demonstra inequivocamente ser o referido requisito de pleno conhecimento da contribuinte. A obrigatoriedade de escrituração também já estava prevista no Decreto 3.000/1996 em seus arts. 170 a 174 (imunidade e isenção) e na Instrução Normativa SRF nº 390/2004 e nos mesmos termos. Portanto, já existia à época dos fatos. O Ato Declaratório Executivo Nº 025, de 25 de julho de 2019, emitido tão somente após a manifestação da Recorrente contra a notificação fiscal (vide Parecer de fls. 315/316) assim decidiu: Art. 1º - A suspensão da imunidade/isenção da SOCIEDADE ESPORTIVA ALVORADA CLUB, CNPJ 04.220.731/0001-01, no período de 1º de janeiro de 2013 a 31 de dezembro de 2015, em conformidade com o disposto no artigo 32 da Lei 9.430/1996, pelo não cumprimento dos requisitos previstos no artigo 14, III, do CTN; no artigo 12, § 2º, “c”, § 3º e artigo 15, § 3º, da Lei nº 9.532/97; e no artigo 29, IV, da Lei nº 12.101/2009. Portanto, não há que se falar em violação ao direito de defesa da Recorrente. DA NULIDADE POR AFRONTA AO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL Neste item defendeu a Recorrente a nulidade do Auto de Infração lavrado na existência de pendência de decisão administrativa definitiva quanto à declaração de suspensão da sua imunidade, constituindo-se, em seu entendimento, em vício insanável de validade, e ofendendo o princípio constitucional do devido processo legal, tanto quanto, da ampla defesa e do contraditório. Vejamos que a partir da perda do beneficio fiscal o Recorrente apresentou sua impugnação, que conforme esclarecido no ADE, não tem efeito suspensivo: Art. 3º - É facultada a apresentação de impugnação a este Ato Declaratório Executivo (ADE), sem efeito suspensivo, no prazo de 30 dias de sua ciência, dirigida à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, nos termos do artigo 32, §§ 6º, I, 7º e 8º, da Lei nº 9.430/96. Assim, a discussão acerca da perda do beneficio fiscal não impede eventuais lançamentos de ofício para a constituição dos créditos tributários relativos aos tributos e contribuições devidos e administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB, cujos fatos geradores ocorreram no período abrangido pela suspensão da imunidade/isenção tributária aqui especificadas. Vejamos que a única exigência legal está na reunião das impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário, para serem decididas simultaneamente o art. 32 da Lei n° 9.430, de 1996,: Fl. 940DF CARF MF Original Fl. 27 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 Art.32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. (...) § 6º Efetivada a suspensão da imunidade: I - a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II - a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. § 7º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. § 8º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. § 9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. § 10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicam-se, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência Destarte, os dispositivos supracitados vão de encontro ao requerido pela Recorrente, não havendo que se falar em suspensão da cobrança nos presentes autos de infração. Sobre o tema calha trazer, embora se trate do Simples Nacional, a súmula CARF nº 77: Súmula CARF nº 77 A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Assim, rejeitam-se as alegações trazidas neste ponto. DO MÉRITO DA IMUNIDADE Conforme relatado, alegou a Recorrente que, tratando-se de imunidade e não de isenção, deixou o Fisco de observar os demais requisitos respeitados pela Recorrente quanto à imunidade, limitando-se a fundamentar o ADE tão somente ao requisito para suspensão de isenção. Quanto à questão de imunidade x isenção, não se vislumbra equívoco na interpretação da condição de isenta da entidade por parte dos auditores. A regra constitucional considera imune a instituição “de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; “são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei” - art. 150, VI, “c”, e 195, §7º da Constituição Federal. Fl. 941DF CARF MF Original Fl. 28 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 Assim, diferentemente do entendimento da Recorrente, os clubes de futebol não fazem jus a esta imunidade. Por outro lado, há norma de isenção aplicável desde que como associações civis, prestem os serviços para os quais foi instituída e os coloque à disposição da população em geral, sem fins lucrativos. De qualquer forma, a questão não poderia ser apreciada na esfera administrativa, por transpor os limites de sua competência legal. Ressalte-se também que, mesmo em caso de imunidade, há previsão para sua suspensão, inserida nos mesmos dispositivos legais concernentes à isenção. Vejamos que o art. 15, § 3º da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, que trata da isenção, caso dos autos: Art. 15. Consideram-se isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos.(Vide Medida Provisória nº 2158-35, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplica-se, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente (...) § 3º Às instituições isentas aplicam-se as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. (...) Por sua vez, o acima citado artigo, faz menção aos artigos 12, § 2º, “a” a “e”, § 3º, 13 e 14, da Lei nº 9.532/97, que assim dispõem: (...) Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considera-se imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (...) § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: (...) c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial (...) Fl. 942DF CARF MF Original Fl. 29 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 §3° Considera-se entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais; (...) Art. 13. Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Secretaria da Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade a que se refere o artigo anterior, relativamente aos anos-calendários em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. Parágrafo único. Considera-se, também, infração a dispositivo da legislação tributária o pagamento, pela instituição imune, em favor de seus associados ou dirigentes, ou, ainda, em favor de sócios, acionistas ou dirigentes de pessoa jurídica a ela associada por qualquer forma, de despesas consideradas indedutíveis na determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. Art. 14. À suspensão do gozo da imunidade aplica-se o disposto no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. Destarte, não houve equívoco algum na interpretação do Fisco ao declarar a suspensão da isenção em relação ao IRPJ e à CSLL, e o fez por descumprimento de um dos requisitos supracitados, como determina a Lei. DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL E DA RELATIVIZAÇÃO DA MERA FORMALIDADE No que concerne à aplicação da verdade material dos fatos, ela é efetivamente um dos pilares na esfera administrativa, mas não pode sobrepujar a própria lei e demais normas legais, mesmo porque o ato administrativo é vinculado, não existindo subjetivismo, mas apenas a averiguação da conformidade com a lei. No caso, em diversos dispositivos legais acerca do assunto fica clara a exigência da manutenção de “escrituração completa de suas receitas e suas despesas em livros revestidos das formalidades capazes de assegurar sua exatidão”. Neste caso, a teor do disposto no inciso III do art. 14 do CTN, nas alíneas “c” e “d” do § 2º do art. 12 da Lei n° 9.532/1997 e no inciso III do § 3º do art. 170 do RIR/99, a pessoa jurídica beneficiária da imunidade ou da isenção é obrigada a manter a escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Não se trata de exigência meramente formal, mas de requisito legal relevante para que se reconheça a fruição do beneficio fiscal, eis que só a partir de escrita confiável tem a autoridade fiscal oportunidade de examinar a documentação das entidades ditas imunes ou isentas e detectar possíveis desvirtuamentos na condição de instituição de assistência social Entretanto, a Recorrente admitiu a inexistência de escrituração contábil relativamente aos exercícios de 2014 a 2016, restando claramente descumprida outra das condições à manutenção do benefício fiscal. Esclareça-se à Recorrente que o CTN (art. 14, § 1°) é categórico: “Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício”, portanto, a Recorrente tem o dever de, se quiser se manter no regime Fl. 943DF CARF MF Original Fl. 30 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 especial, comprovar que mantêm a escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Assim, se a Recorrente não demonstra e nem comprova que mantêm a escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão resta para a autoridade fiscal, por dever de ofício, suspender o beneficio fiscal. Vejamos que a defesa trata o tema com retórica, quando o mesmo pede comprovação documental. Destarte, o beneficio fiscal concedido às entidades isentas se consubstancia em um favor fiscal que está condicionado ao cumprimento dos requisitos estabelecidos em lei. Caso não reste comprovado que a entidade cumpre todos os requisitos para merecer tal beneficio, o Estado pode e deve cancelar tal favor a qualquer tempo. Nesse sentido, o ônus da prova é da entidade em demonstrar que é merecedora de continuar usufruindo tal beneficio, não sendo aceitável, de forma alguma, a inversão desse ônus, no sentido de atribuir ao Estado o dever de provar que a entidade não vem cumprindo os requisitos, para então proceder à suspensão em curso. São, sem dúvida alguma, claros os termos do art. 14 do CTN, que determina sejam atendidas cumulativamente todas as exigências ali elencadas, para o fim de ser concedido o beneficio fiscal, cabendo à entidade interessada o ônus da prova, e, à RFB a fiscalização de seu fiel cumprimento. Portanto, a entidade que se recusa a apresentar a documentação necessária e suficiente para comprovar que continuava cumprindo os requisitos para o gozo do beneficio fiscal deixa de cumprir obrigação sua, a de demonstrar que se encontra num grupo diferenciado de entidades, aquelas que promovem assistência social beneficente nos termos da lei. DO ARBITRAMENTO Sustentou que não haveria que se falar em arbitramento de lucro para lavratura do presente auto de infração, à medida que ao contrário do que afirma a i. fiscalização, a contribuinte possui documentação hábil (balancetes de 2014 e 2015) referente ao período fiscalizado, tornando, assim, ilegítimo o arbitramento. No caso em tela, em consequência da suspensão da isenção tributária, os agentes fiscais consideraram os valores recebidos a título de patrocínio para a equipe de futebol como receitas auferidas e omitidas pela contribuinte, procedendo ao arbitramento do lucro, na forma do art. 537 do RIR/99. Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). (...) Fl. 944DF CARF MF Original Fl. 31 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 Art. 537. Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado o disposto no art. 532 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). Parágrafo único. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, §1º). Cumpres destacar que os balancetes acostados aos presentes autos fornecem tão somente um resumo da escrituração da contribuinte, enquanto a Lei exige a escrituração completa de suas receitas e despesas para o lucro real ou pelo menos o Livro Caixa para o lucro presumido. E mesmo que fossem acostados aos autos os referidos documentos, a apresentação posterior da escrituração não invalida o arbitramento, conforme consolidada jurisprudência administrativa do CARF, na forma do seguinte enunciado: Súmula CARF nº 59 A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Portanto, rejeitam-se as alegações trazidas pelo Recorrente neste ponto. DA INSUBSISTÊNCIA DA MULTA QUALIFICADA Segunda a Recorrente a i. fiscalização teria apontado que a suposta omissão de receita acarretaria na imediata aplicação da multa qualificada em percentual de 150%. Alegou a insubsistência da multa qualificada, à medida que teria trazido aos autos os balanços e ainda, o fisco não teria apresentado provas capazes de apurar a efetiva atividade fraudulenta da Recorrente, haja vista que não houve qualquer omissão quanto à sua atividade operacional. Pois bem. No caso dos autos a multa aplicada não decorreu de mera omissão de receita, mas sim da conduta dolosa perpetrada pela Recorrente ao apresentar a DIPJ 2015 como INATIVA (Fls. 13 e 14), quando, conforme restou demonstrado nos autos e relatado, com base no vasto material coletado (cópia de cheques, transferências bancárias, recibos emitidos pela BB corretora, cópias de diversos tipos contratos, etc.), houve movimentações financeiras durante o período. Assim, mesmo havendo movimentação financeira no ano-calendário 2014 (período do lançamento), a apresentação de DIPJ INATIVA permite confirmar uma ação dolosa tendente a impedir o total conhecimento por parte da autoridade fazendária: (I) da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; e; (II) das Fl. 945DF CARF MF Original Fl. 32 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Destarte, a situação comprova a ocorrência de dolo sonegação cujo conceito está estampado no art. 71 da Lei nº 4.502/64, verbis: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Presente, portanto, a conduta tipificada na Lei nº 4.502/64, cabível a qualificação da multa de ofício promovida pela autoridade fiscal, com fulcro no art. 44, inciso I e § 1º da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Em face do exposto, mantem-se a aplicação da multa qualificada. DA NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Neste ponto defendeu ser indevida a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício. O tema em questão já foi motivo de muitos “encontros e desencontros”, contudo atualmente não mais existem dúvidas, posto encontrar-se sumulado: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Assim, ante o caráter vinculante resta concluir que incide juros moratórios sobre o valor correspondente à multa de ofício. Rejeitam-se as alegações trazidas pela Recorrente. DA CORREÇÃO MONETÁRIA Fl. 946DF CARF MF Original Fl. 33 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 Defendeu a Recorrente, em respeito ao princípio da legalidade, a inexistência de qualquer dispositivo legal estabelecendo os parâmetros de cálculo da taxa SELIC. Ocorre que o tema em questão encontra-se sumulado: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Assim, ante o caráter vinculante resta concluir pela incidência da SELIC. Rejeitam-se as alegações trazidas pela Recorrente. DO RECURSO VOLUNTÁRIO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO DAS PRELIMINARES Neste ponto todas as alegações trazidas pela Pessoa Física coincidem com as alegações produzidas pela Pessoa Jurídica. Assim, para evitar repetições desnecessárias, reporto-me neste ponto aos fundamentos utilizados por este Relator quando do exame das razões de defesa oferecidas pela Pessoa Jurídica, os quais adoto integralmente, como se aqui estivessem transcritos, para rejeitar tudo o quanto suscitado pelo responsável solidário, o Senhor JOÃO BATISTA REGINI. DO MÉRITO Todas as alegações sobre insubsistência do Ato Declaratório 25, de 25/07/2019, sobre a interpretação tributária (imunidade x isenção), da ilegalidade do lançamento do crédito tributário em epígrafe, das aplicações de juros sobre multa, multa qualificada e SELIC já foram objeto de análise quando do Recurso Voluntário apresentado pela Pessoa Jurídica, assim, as razões lá expostas aplicam-se integralmente aqui. DA IMPOSSIBILIDADE DE EXTENSÃO DE RESPONSABILIDADE Começou defendendo a impossibilidade de extensão de responsabilidade na aplicação de multas/sanções/penais. Para o Recorrente em decorrência dos princípios da supremacia e da imperatividade seria impedida a transmissão de penalidades no âmbito penal, civil, tributário, trabalhista, dentre outros. Portanto, com base nas razões acima expostas, requer-se a reforma do r. Acórdão recorrido com o consequente cancelamento da multa aplicada no Auto de Infração ora combatido, ante a total ilegitimidade passiva do Recorrente para figurar como responsável solidário pela multa lavrada unicamente em face da empresa autuada. Não assiste razão ao Recorrente. Fl. 947DF CARF MF Original Fl. 34 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 O Recorrente incidiu na reponsabilidade tributária do art. 135 do CTN, o qual dispõe: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) Portanto, a aludida responsabilidade, recaindo sobre o crédito tributário, inclui a multa de ofício qualificada, sanção resultante de infração tributária. Quanto à infração de natureza penal, a autoridade autuante formalizou representação fiscal para fins penais (Fls. 643), por meio da qual caberá ao Ministério Público Federal analisa-la. Em face do exposto, julgo improcedente o Recurso Voluntário nesse item. DA INAPLICABILIDADE DO ART. 135 Nesse ponto, alegou o Recorrente que não se encontraria nos autos qualquer demonstração pelo Fisco de que a Pessoa Física seria diretor, gerente ou presidente da contribuinte à época dos fatos. Argumentou, ainda, que não haveria qualquer demonstração pelo Fisco de atos supostamente cometidos pelo Recorrente com excesso de poder, infração à lei ou ao estatuto social para que fosse aplicado o art. 135 do CTN. Para a Recorrente, a responsabilidade solidária da pessoa física apenas é permitida com espeque no artigo 135,1, II e III, do Código Tributário Nacional, mediante a estrita demonstração de dois requisitos: I) a demonstração de que o sócio exerceu a gerência na época da ocorrência do fato jurídico tributário da obrigação tributária; II) e que a obrigação decorra de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Pois bem. A primeira condição no entendimento do Recorrente para a sua responsabilização encontra-se fartamente demonstrado o representante da contribuinte, seu presidente, teria assinado contratos, consta como representante da empresa e responsável pelas informações prestadas na DIPJ inativa (fl. 13), consta como presidente nos balancetes de fls. 354 a 359, era a pessoa encarregada de representar a Pessoa Jurídica junto à fiscalização (fls. 19, 22, 606, 607, 609, 623). Na consolidação do Estatuto Social da Sociedade, o Recorrente assina como presidente (fl. 312), cujas competências constam do art. 15: Fl. 948DF CARF MF Original Fl. 35 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 No tocante à alegação de que o Recorrente que não teria agido com excesso de poderes ne infringido a lei, e que, por isso, não poderia responder solidariamente pelo crédito tributário apurado, melhor sorte não lhe assiste. Em que pese o arrazoado, a responsabilidade do Recorrente deve persistir e neste ponto, vale a pena destacar que, responsabilidade tributária, em sentido estrito, “... é a submissão, em virtude de disposição legal expressa, de determinada pessoa que não é contribuinte, mas está vinculada ao fato gerador da obrigação tributária, ao direito do fisco de dirigir a prestação respectiva”. O conceito aí enunciado decorre do texto do Código Tributário Nacional, que define “responsável” pelo método da exclusão; vale dizer, define “contribuinte”, que é o sujeito que pratica o verbo-núcleo da norma hipotética tributária, e, por exclusão, denomina de “responsável” todo sujeito passivo que responde pela obrigação tributária sem ser “contribuinte”, compondo essas espécies o gênero de “sujeito passivo” – arts. 121 e 128 do CTN. Destaca-se que o lançamento de ofício foi efetuado contra o contribuinte e o os responsável tributário, ressaltando-se que o art. 142 do CTN exige a identificação do sujeito passivo, conceito que engloba o contribuinte e o responsável, nos termos do seu art. 121. Demais disso, importante salientar que quando o Decreto n° 70.235/1972 estabelece, em seu art. 10, os elementos do auto de infração, faz referência à qualificação do autuado, podendo-se entender que utilizou o termo “autuado” em sua acepção ampla, abrangendo as figuras do contribuinte e responsável tributário. Vejamos que a responsabilização solidária se insere no tema das garantias do crédito tributário e visa, desde logo, carrear as provas necessárias para caracterizar a responsabilidade de terceiros, assegurando-lhes a apresentação de suas razões de impugnação e, por conseguinte, o exercício do direito constitucional da ampla defesa no processo Fl. 949DF CARF MF Original Fl. 36 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 administrativo, dispensando a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional de requerer o redirecionamento da execução fiscal contra sujeito passivo não incluído na Certidão de Dívida Ativa. Nunca é demais lembrar que os atos da empresa são sempre praticados através da vontade de seus dirigentes, e assim é inegável a solidariedade destes em relação às obrigações que contraem em nome daquela, pois a responsabilidade solidária em tal caso é objetiva, presumida, posto que a situação configurada na lei (art. 124, I) é aquela em que todos os envolvidos ganham simultaneamente com o fato econômico (fato gerador). Tal conclusão se sustenta, principalmente, frente à tese de que referida norma de solidariedade se aplica, tão somente, entre contribuintes entre si, responsáveis entre si e entre contribuinte e responsável, porque a matéria é regulamentada no Capítulo IV do CTN, destinado à definição do sujeito passivo da obrigação tributária. Nesse caso concreto, restou caracterizada a subsunção ao inciso III do artigo 135 do CTN, in verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Examinando o alcance da norma supra, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, no Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009, ressaltou que, em que pese o caput desse artigo mencionar “pessoalmente responsáveis”, trata este artigo de responsabilidade solidária. O entendimento manifestado pela douta Procuradoria no citado parecer toma por base a jurisprudência do STJ e externa as seguintes conclusões: (...) c) Para efeito de aplicação do art. 135, III, do CTN, responde também a pessoa que, de fato, administra a pessoa jurídica, ainda que não constem seus poderes expressamente do estatuto ou contrato social; d) A responsabilidade dos administradores, de acordo com a jurisprudência do STJ, não pode ser entendida como exclusiva (responsabilidade substitutiva), porquanto se admite na Corte Superior que a ação de execução fiscal seja ajuizada, ao mesmo tempo, contra a pessoa jurídica e o administrador; e) A tese da responsabilidade substitutiva também deve ser excluída pela inexistência de norma legal de desoneração da pessoa jurídica em razão da prática de ato ilícito por parte do administrador; f) A tese da responsabilidade subsidiária, em sentido próprio, dos administradores é incompatível com a adoção da tese da responsabilidade subjetiva, acolhida pelo STJ, visto que não se pode conceber que o terceiro, sendo sancionado pela prática de ato ilícito, condicione sua responsabilidade à inexistência de bens da pessoa jurídica, suficientes para a satisfação do crédito; g) A tese da responsabilidade subsidiária, em sentido próprio, dos administradores também deve ser afastada em razão da jurisprudência do STJ que admite que a execução fiscal seja ajuizada, desde logo, contra sociedade e administrador; não se trata de mera Fl. 950DF CARF MF Original Fl. 37 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 questão de legitimidade, como seria no processo de conhecimento, pois que, no processo de execução, não se admite o processamento da ação sem que se tenha presente, desde o início, a exigibilidade da pretensão em face do executado; h) Os acórdãos do STJ que fazem referência à “responsabilidade subsidiária” somente podem ser entendidos no sentido impróprio da expressão, que exige, além da existência de poderes de gerência e da prática de ilicitude pelo administrador, a ausência de pagamento pontual da obrigação tributária, e não a insolvabilidade da pessoa jurídica, o que se aproxima, na prática, da responsabilidade solidária decorrente de ato ilícito; (...) Já no que diz respeito ao elemento subjetivo, concluiu o item 59 do mencionado parecer que se exige apenas o dolo gênero e não o dolo espécie, com base nos seguintes fundamentos, litteris: 59. A respeito da necessidade da presença de ato doloso por parte do administrador ou da suficiência da presença de culpa, deve-se observar que, ao contrário do que defende parte da doutrina, a jurisprudência maciça do STJ exige tão-só a presença de “infração de lei” (=ato ilícito), a qual, pela teoria geral do Direito, pode ser tanto decorrente de ato culposo como de ato doloso (não obstante alguns poucos acórdãos referirem expressamente à necessidade de prova do dolo, em contraposição à imensa maioria que exige somente a culpa). Logo, se a lei e a jurisprudência não separam as hipóteses de culpa em sentido estrito e dolo, tanto um quanto outro elemento subjetivo satisfaz a hipótese do art. 135 do CTN. Em verdade, o Direito Tributário preocupa-se com a externalização de atos e fatos, não possuindo espaço para a persecução do dolo; basta a culpa. Por outro lado, é certo que, para que a Fiscalização possa promover a responsabilização solidária dos administradores e/ou acionistas da pessoa jurídica, nos termos do art. 135, inciso III, do CTN, necessária se faz a prova cabal de que os mesmos agiram com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, disso não se nega. No caso sob exame, a Fiscalização logrou produzir o seu conjunto probatório, que indubitavelmente deu lastro para a apuração de irregularidades cometidas pela Pessoa Jurídica no âmbito da legislação tributária federal. Esse mesmo escopo probatório permite, indubitavelmente, concluir que os aludidos atos praticados pela Pessoa Jurídica, o foram com a participação ou consentimento de seu Presidente. Com efeito, o arrolado solidário mesmo tendo pleno conhecimento das diversas operações financeiras, que resultaram, indubitavelmente, no auferimento de receitas em 2014, assim mesmo declarou que a Pessoa Jurídica “permaneceu, no ano de 2014, sem efetuar qualquer atividade operacional, financeira ou patrimonial...” (fl. 14) Fl. 951DF CARF MF Original Fl. 38 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 Vejamos o relato da Autoridade Fiscal (Fls. 623): (...) No decorrer dos trabalhos desta auditoria, e dos diversos procedimentos de diligências fiscais realizados com a finalidade coletar informações sobre as operações realizadas pela pessoa jurídica em comento, pôde ser constatado que foram acordadas concessões de recursos financeiros para a SOCIEDADE ESPORTIVA ALVORADA, por intermédio da BB CORRETORA. Indagadas sobre estes recursos financeiros, as empresas, que haviam firmado tais contratos com BB CORRETORA, confirmaram e comprovaram (mediante apresentação de cópia de cheques, transferências bancárias, recibos emitidos pela BB CORRETORA) as concessões dos montantes tratados nestes instrumentos contratuais. (...) Afinal, é inadmissível cogitar que os fatos narrados no presente caso, que retrata recebimentos de inúmeros numerários, pudessem passar à margem do conhecimento de seu Presidente. Destarte, como restou demonstrado, as operações realizadas entre a Pessoa Jurídica (com conhecimento do seu Presidente) e as demais empresas, deveriam ter sido contabilizadas e tributadas, e, ao não providenciar nem um e nem ou outro evidencia-se uma verdadeira evasão fiscal. Conclui-se que os atos ou negócios jurídicos escolhidos pelos contribuintes situam-se na senda da ilicitude, estabelecida em figuras como a fraude, o dolo e a simulação, bem como nas figuras típicas do direito tributário (sonegação, fraude e conluio). Portanto, agiu o Sr. JOÃO BATISTA REGINI; com infração à lei, na medida em que autorizavam ou concordavam com a não contabilização e tributação da receitas auferidas, pela contribuinte acobertadas pela DIPJ INATIVA (documentos ideologicamente falso) e ausência de Escrita Contábil. De se rejeitar, portanto, as alegações do Recorrente nesse item. Fl. 952DF CARF MF Original Fl. 39 do Acórdão n.º 1003-003.912 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11634.720099/2019-48 Em face de todo o exposto, rejeito as preliminares e de decadência e, no mérito julgo improcedente o Recurso Voluntário apresentada pelo Sr. JOÃO BATISTA REGINI contra os presentes autos de infração, mantendo-o no polo passivo da presente obrigação tributária CONCLUSÃO Em face de todo o exposto, voto no seguinte sentido: I – rejeitar as preliminares e julgar improcedente o Recurso Voluntário apresentada pela Pessoa Jurídica; e; II – rejeitar as preliminares e a decadência e julgar improcedente o Recurso Voluntário apresentado pelo Sr. JOÃO BATISTA REGINI contra os presentes autos de infração, mantendo-o no polo passivo da presente obrigação tributária. É o meu voto. (documento assinado digitalmente) Márcio Avito Ribeiro Faria Fl. 953DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10384.000025/2002-70
Data da sessão: Tue Mar 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 1997
AUDITORIA INTERNA DE DCTF. DESNECESSIDADE DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PREVISÃO LEGAL.
O procedimento de fiscalização relativo a tratamento automático das declarações (revisão interna, malhas finas), não exige emissão do MPF, conforme art. 11, inciso IV, da Portaria SRF n° 3007, de 26 de novembro de 2001.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O desenvolvimento de procedimento interno de fiscalização sem que dele seja dada ciência ao sujeito passivo não padece de vício. Os princípios do contraditório e da ampla defesa presidem apenas a fase processual após a instauração do litígio.
ARGUIÇÃO DE DÉBITOS COMPENSADOS. PRESCRIÇÃO. ART. 165, I E 168,1, AMBOS DO CTN. OCORRÊNCIA.
O pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior ou indevidamente extingue-se em cinco anos, contados a partir do pagamento do tributo, conforme previsão do art. 165,I, 168, I, ambos do CTN, e art. 3º, da LCnº 118/05.
PEDIDO/DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCTF.
A compensação a requerimento do contribuinte entre créditos e débitos de tributos deveria ser formalizada até 01/10/2002 em Pedido de Compensação e, após esta data, mediante a entrega de Declaração de Compensação. A informação prestada em DCTF não exime o sujeito passivo da apresentação do Pedido/Declaração de Compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-000.375
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: ANDREIA DANTAS LACERDA MONETA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
dt_index_tdt : Sat Sep 09 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201003
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 1997 AUDITORIA INTERNA DE DCTF. DESNECESSIDADE DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PREVISÃO LEGAL. O procedimento de fiscalização relativo a tratamento automático das declarações (revisão interna, malhas finas), não exige emissão do MPF, conforme art. 11, inciso IV, da Portaria SRF n° 3007, de 26 de novembro de 2001. NULIDADE. CERCEAMENTO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. O desenvolvimento de procedimento interno de fiscalização sem que dele seja dada ciência ao sujeito passivo não padece de vício. Os princípios do contraditório e da ampla defesa presidem apenas a fase processual após a instauração do litígio. ARGUIÇÃO DE DÉBITOS COMPENSADOS. PRESCRIÇÃO. ART. 165, I E 168,1, AMBOS DO CTN. OCORRÊNCIA. O pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior ou indevidamente extingue-se em cinco anos, contados a partir do pagamento do tributo, conforme previsão do art. 165,I, 168, I, ambos do CTN, e art. 3º, da LCnº 118/05. PEDIDO/DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCTF. A compensação a requerimento do contribuinte entre créditos e débitos de tributos deveria ser formalizada até 01/10/2002 em Pedido de Compensação e, após esta data, mediante a entrega de Declaração de Compensação. A informação prestada em DCTF não exime o sujeito passivo da apresentação do Pedido/Declaração de Compensação. Recurso Voluntário Negado.
numero_processo_s : 10384.000025/2002-70
conteudo_id_s : 6927224
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 05 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3801-000.375
nome_arquivo_s : 380100375_10384000025200270_201003.PDF
nome_relator_s : ANDREIA DANTAS LACERDA MONETA
nome_arquivo_pdf_s : 10384000025200270_6927224.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 16 00:00:00 UTC 2010
id : 5204544
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Sat Sep 16 09:08:16 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1777184591531999232
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-07-13T13:30:53Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-07-13T13:30:52Z; Last-Modified: 2010-07-13T13:30:53Z; dcterms:modified: 2010-07-13T13:30:53Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:4601a2c9-23ea-421e-a622-1b60d84df2b5; Last-Save-Date: 2010-07-13T13:30:53Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-07-13T13:30:53Z; meta:save-date: 2010-07-13T13:30:53Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-07-13T13:30:53Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-07-13T13:30:52Z; created: 2010-07-13T13:30:52Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2010-07-13T13:30:52Z; pdf:charsPerPage: 1700; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-07-13T13:30:52Z | Conteúdo => S3-TE01 Fl. 66 , MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS_ TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10384.000025/2002-70 Recurso n° 239.234 Voluntário Acórdão n° 3801-00.375 — ia Turma Especial Sessão de 16 de março de 2010 Matéria PIS Recorrente TRANSPORTE E CONSTRUÇÕES GUARUJÁ LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 1997 AUDITORIA INTERNA DE DCTF. DESNECESSIDADE DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PREVISÃO LEGAL. O procedimento de fiscalização relativo a tratamento automático das declarações (revisão interna, malhas finas), não exige emissão do MPF, conforme art. 11, inciso IV, da Portaria SRF n° 3007, de 26 de novembro de 2001. NULIDADE. CERCEAMENTO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. O desenvolvimento de procedimento interno de fiscalização sem que dele seja dada ciência ao sujeito passivo não padece de vício. Os princípios do contraditório e da ampla defesa presidem apenas a fase processual após a instauração do litígio. - ARGUIÇÃO DE DÉBITOS COMPENSADOS. PRESCRIÇÃO. ART. 165,1 E 168, I, AMBOS DO CTN. OCORRÊNCIA. O pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior ou indevidamente extingue-se em cinco anos, contados a partir do pagamento do tributo, conforme previsão do art. 165, I, 168, I, ambos do CTN, e art. 3°, da LC 118/05. PEDIDO/DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCTF. A compensação a requerimento do contribuinte entre créditos e débitos de tributos deveria ser fornializada até 01/10/2002 em Pedido de Compensação e, após esta data, mediante a entrega de Declaração de Compensação. A informação prestada em DCTF não exime o sujeito passivo da apresentação do Pedido/Declaração de Compensação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ç.--- "" ir o 4. o Mag a otta Cardozo - Presidente 4,-..4i-e- -Andréia Dantas Lacerda Moneta - Rel tora EDITADO EM: 26/03/2010 Participaram do presente julgamento os conselheiros Magda Cotta Cardozo, Amo Jerke Junior, Andreia Dantas Lacerda Moneta, Flávio de Castro Pontes e José Luiz Bordignon. Ausente, justificadamente, a conselheira Renata Auxiliadora Marcheti. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 59/62) interposto pelo contribuinte acima identificado, em 10/04/2007, contra acórdão n° 08-10.194-- 3 a Turma da DRJ em Fortaleza/CE, datado de 15 de fevereiro de 2007, que julgou procedente em parte o lançamento efetuado contra o recorrente, nos termos da ementa do acórdão (fls. 37/39), abaixo transcrita: "ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário 1997 AUDITORIA DE DCTF. IMPOSTO DECLARADO. PAGAMENTOS NÃO LOCALIZADOS. Logrando o contribuinte comprovar parcialmente ter efetuado o recolhimento do PIS correspondente a pagamento não localizado, insubsiste, em parte, o lançamento subseqüente. MULTA DE MORA PAGA A MENOR. Comprovado o pagamento fora do prazo de débitos declarados em DCTF, e com a multa de mora paga a menor, é cabível a exigência do seu valor complementar, conforme legislação de regência. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição/compensação de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declarató ria ou em recurso J 2 Processo n° 10384.000025/2002-70 S3-TE01 Acórdão n.° 3801-00375 Fl. 67 extraordinário, extingui-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário, conforme arts. 165, inciso I e 168, inciso I do CTN, c/c Ato Declaratório SRF n°96/99. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tendo em conta a nova redação dada pelo art. 25 da Lei 11.051, de 2004, ao art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, em combinação com o art. 106, inciso II, alínea "c" do CTN, cancela-se a multa de oficio aplicada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1997 EXIGÊNCIA FISCAL. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento, quando na formalização do crédito tributário foram respeitadas as disposições contidas no art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto n° 70.235/72, e foi assegurado à autuada o direito ao contraditório e ampla defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Desconfigura-se a preterição do direito de defesa se o contribuinte foi regularmente cientificado do auto de infração e seus reflexos sendo-lhe assegurado o direito a questionar a exigência nos termos das normas que tratam do processo administrativo-fiscal. - REVISÃO INTERNA DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. DISPENSA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Nos procedimentos de revisão interna de declaração de rendimentos é dispensada, por expressa disposição normativa, a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTA' RIO Ano-calendário: 1997 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A teor do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as decisões administrativas, mesmo proferidas pelos órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares de Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicando-se sobre a questão em análise e vinculando as partes envolvidas naqueles litígios. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ALCANCE. A função das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, como órgãos de jurisdição administrativa, consiste em examinar a consentaneidade dos procedimentos fiscais co as normas 3 legais vigentes, não lhes sendo facultado pronunciar-se a respeito da conformidade da lei, validamente editada, com os demais preceitos emanados pela Constituição Federa. Lançamento Procedente em Parte. Após a revisão interna das DTCS's do contribuinte relativas ao segundo, terceiro e quarto trimestres de 1997, foi lavrado o presente Auto de Infração Eletrônico de n° 000034 (fls. 20/29), no valor total de R$ 19.151,38, ante a verificação de falta de recolhimento das contribuições para o PIS/Pasep. Em 12/12/2001 o contribuinte tomou ciência da lavratura do presente Auto de Infração, conforme AR às fls. 31, tendo apresentado impugnação aos 04 de janeiro de 2002 (fls. 01/07). A DRJ em Fortaleza/CE julgou parcialmente procedente o lançamento efetuado pelos motivos descritos na ementa acima transcrita. Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário ao 2° Conselho de Contribuintes, aduzindo, em suma, as mesmas alegações constantes de sua peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheira Andreia Dantas Lacerda Moneta, Relatora. O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conheçido. * Da alegação de nulidade do Auto de Infração por não emissão de Mandado de Procedimento Fiscal e cerceamento do contraditório e ampla defesa O Mandado de Procedimento Fiscal — MPF constitui ato administrativo concreto imprescindível para deflagrar o procedimento de investigação a cargo de qualquer agente do Fisco, ressalvadas as hipóteses excepcionadas pelo próprio ato normativo que regulamenta a sua expedição. Não se trata, pois, de mero ato de controle interno, pois tem a função de dar partida ao procedimento fiscal, atribuindo condições de procedibilidade ao agente do Fisco competente para o exercício da auditoria fiscal, sendo, por conseguinte, ato preparatório e indispensável à produção dos atos subseqüentes, entre os quais o lançamento. O mandado de procedimento não confere competência ao auditor para levar a efeito o procedimento fiscal, pois essa competência é conferida pela lei, mas autoriza o exercício dessa competência. Por outro lado, considero, realmente, irregular o fato de o auto de infração mencionar um número de MPF, sem que, contudo, o contribuinte dele tenha tomado ciência, inclusive para obter o código de acesso para possibilitar o acompanhamento eletrônico das . prorrogações (se existe MPF, deveria ser dada ciência ao contribuinte). Entretanto, no caso concreto, essa irregularidade não causa a nulidade do auto de infração. É que, por se tratar de procedimento de fiscalização relativo a tratamento automático das declarações (revisão interna), a emissão do MPF estava dispensada, conforme previa o art. 11, inciso IV, da Portaria SRF n°3007, de 26 de nov bro de 2001, ato normativo 4 Processo n° 10384.000025/2002-70 S3-TE01 Acórdão n.° 3801-00.375 Fl. 68 regulamentador do mandado de procedimento fiscal vigente quando da lavratura do auto de infração. Também não há nenhuma irregularidade no fato de o contribuinte não ter sido cientificado da existência de procedimento de fiscalização. É dever do Fisco verificar o cumprimento das obrigações pelos contribuintes, e para tanto ele detém amplos poderes, podendo se valer tanto de elementos obtidos junto ao fiscalizado (ou seja, mediante procedimento de fiscalização externa, ordenada por MPF), como de dados dos seus arquivos internos, ou, ainda, de elementos obtidos junto a terceiros, que têm o dever de colaborar. Os princípios do contraditório e ampla defesa presidem a fase processual propriamente dita, a dizer, a partir da instauração do litígio. A fiscalização é presidida pelo princípio inquisitorial. Nos dizeres de Alberto Xavier, in Do Lançamento: teoria geral do ato, do procedimento e do processo tributário: "Dificilmente se concede, na verdade, que o lançamento tributário deva ser precedido de uma necessária audiência prévia dos interessados. Duas razões desaconselham tal audiência: em primeiro lugar, o caráter estritamente vinculado do lançamento quando ao seu conteúdo torna menos relevante a prévia ponderação de razões e interesses apresentados pelo particular do que nos atos discricionários; em segundo ligar, o fato de se tratar de um 'Procedimento de massas", dirigido a um amplo universo de destinatários e baseado em processos tecnológicos informáticos, tornaria praticamente inviável o desempenho da função, se submetida ao rito da prévia audiência individual. Em matéria de lançamento tributário a garantia da ampla defesa não atua necessariamente pela via da audiência prévia à prática do ato primário (preterrnination heraring) mas no "direito de recurso" deste mesmo ato, pelo qual o particular toma a iniciativa de uma impugnação em que se direito de audiência assumirá força plena (posttermation heraing) Assim, rejeito as preliminares. * Da alegação de débitos compensados. Ausência de Pedido/Declaração de Compensação. Prescrição. Art. 165, 1, e 168, 1, ambos do CT1V. O recorrente alega que procedeu com as compensações do seu crédito decorrente dos recolhimentos indevidos a título de PIS, nos moldes dos Decretos-Leis n 2.445 e 2.449, ambos de 1988, no período de janeiro/1990 a março de 1991, compensação esta para quitar os débitos de julho a dezembro de 1997. Primeiramente, verifica-se que o contribuinte aduz que procedeu com as compensações, mas em nenhum momento apresenta seus Pedidos de Compensação. De acordo com a Instrução Normativa SRF n° 21, de 10 de março de 1997, art. 12 e seus parágrafos, que regulamentava as compensações na época, a referida modalidade de extinção de crédito tributário se forliza\9.ediante Pedido de Compensação. 5 Assim, como não há registro de Pedido de Compensação, muito menos estes foram apresentados pelo contribuinte, não há como se conhecer as alegadas compensações, não sendo tal procedimento suprido pela informação em suas DCTF's. Passando esta questão, melhor sorte não assiste a recorrente para ver reconhecida sua compensação. O seu suposto crédito decorrente dos recolhimentos indevidos entre janeiro/90 a março/91 foram utilizados para extinguir os débitos de julho a dezembro de 1997, ou seja, muito além do prazo prescricional qüinqüenal. O direito e prazo para pleitear restituição de indébito estão disciplinados nos arts. 165 e 168 do CTN, que assim dispõem: 'Art. 165 O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do artigo 162, nos seguintes casos: I — cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Art. 168 O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I — nas hipóteses dos incisos I e II do art.165, da data da extinção do crédito tributário; (.) Aplica-se, portanto, o prazo de 5 (cinco) anos, nos termos do caput do art. 168 do Código Tributário Nacional, bem como o art. 30 da Lei Complementar n° 118, de 09 de fevereiro de 2005. No lançamento por homologação a extinção do crédito tributário ocorre com o pagamento do tributo e se confirma com a homologação ocorrida cinco anos depois, o que é ratificado pelo art. 3° da Lei Complementar n°. 118/2005, que dispõe: "Art. 3 0 Para efeitos de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o §10 do art. 150 da referida Lei." "Art. 40 Esta lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após a sua publicação, observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional." O art. 3° da LC 118/05 trata-se de disposição expressamente interpretativa. Para evitar qualquer dúvida existente, a LC n° 118/05, em seu art. 4°, textualmente afimia que, 6 Processo n° 10384.000025/2002-70 S3-TE01 Acórdão n.° 3801-00.375 Fl. 69 quanto a regra do art. 3 0, deve ser observado o art. 106, I, do CTN, que determina justamente a aplicação retroativa das leis expressamente interpretativas. Assim, resta configurada a prescrição da pretensão da recorrente. Diante do exposto, voto pela manutenção do acórdão recorrido, negando provimento ao Recurso Voluntário. Andréia Dantas Lacerda Moneta 7
score : 1.0
Numero do processo: 16327.903791/2012-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2008
DOCUMENTOS COMPROBATÓRIO. APRESENTAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. CONTRAPOR RAZÕES POSTERIORMENTE TRAZIDA AOS AUTOS PELA DRJ. POSSIBILIDADE.
A apresentação da escrituração contábil no recurso voluntário destinou-se a contrapor argumento levantado pela DRJ, e a comprovar seus argumentos e evidenciar a verdade dos fatos, nos termos do art. 16, §4º, c do Decreto 70.235/72.
RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. NECESSÁRIO A COMPROVAÇÃO DO ERRO EM QUE SE FUNDE. SÚMULA CARF N° 164
É possível a retificação de erro de preenchimento de DCTF, mesmo após a ciência do despacho decisório que indeferir pedido de restituição ou de compensação, desde que comprovado o erro que a fundamenta, nos termos da Súmula CARF n° 164.
Numero da decisão: 1302-006.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a conversão do julgamento em diligência, proposta pelo Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo, vencido este e o Conselheiro Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior. Acordam, ainda, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para determinar o retorno dos autos à Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente, a fim de seja proferido despacho decisório complementar, levando em consideração as provas juntadas aos autos, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Maria Angelica Echer Ferreira Feijo, Marcelo Oliveira, Savio Salomão de Almeida Nobrega, Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior, Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente)
Nome do relator: WILSON KAZUMI NAKAYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 16 09:00:03 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202308
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008 DOCUMENTOS COMPROBATÓRIO. APRESENTAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. CONTRAPOR RAZÕES POSTERIORMENTE TRAZIDA AOS AUTOS PELA DRJ. POSSIBILIDADE. A apresentação da escrituração contábil no recurso voluntário destinou-se a contrapor argumento levantado pela DRJ, e a comprovar seus argumentos e evidenciar a verdade dos fatos, nos termos do art. 16, §4º, c do Decreto 70.235/72. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. NECESSÁRIO A COMPROVAÇÃO DO ERRO EM QUE SE FUNDE. SÚMULA CARF N° 164 É possível a retificação de erro de preenchimento de DCTF, mesmo após a ciência do despacho decisório que indeferir pedido de restituição ou de compensação, desde que comprovado o erro que a fundamenta, nos termos da Súmula CARF n° 164.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 16327.903791/2012-21
anomes_publicacao_s : 202309
conteudo_id_s : 6931265
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 1302-006.876
nome_arquivo_s : Decisao_16327903791201221.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : WILSON KAZUMI NAKAYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 16327903791201221_6931265.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a conversão do julgamento em diligência, proposta pelo Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo, vencido este e o Conselheiro Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior. Acordam, ainda, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para determinar o retorno dos autos à Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente, a fim de seja proferido despacho decisório complementar, levando em consideração as provas juntadas aos autos, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Maria Angelica Echer Ferreira Feijo, Marcelo Oliveira, Savio Salomão de Almeida Nobrega, Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior, Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente)
dt_sessao_tdt : Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2023
id : 10080645
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat Sep 16 09:08:05 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1777184591534096384
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-08-29T18:20:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-08-29T18:20:48Z; Last-Modified: 2023-08-29T18:20:48Z; dcterms:modified: 2023-08-29T18:20:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-08-29T18:20:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-08-29T18:20:48Z; meta:save-date: 2023-08-29T18:20:48Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-08-29T18:20:48Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-08-29T18:20:48Z; created: 2023-08-29T18:20:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2023-08-29T18:20:48Z; pdf:charsPerPage: 2006; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-08-29T18:20:48Z | Conteúdo => S1-C 3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16327.903791/2012-21 Recurso Voluntário Acórdão nº 1302-006.876 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de agosto de 2023 Recorrente BANCO VR S.A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008 DOCUMENTOS COMPROBATÓRIO. APRESENTAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. CONTRAPOR RAZÕES POSTERIORMENTE TRAZIDA AOS AUTOS PELA DRJ. POSSIBILIDADE. A apresentação da escrituração contábil no recurso voluntário destinou-se a contrapor argumento levantado pela DRJ, e a comprovar seus argumentos e evidenciar a verdade dos fatos, nos termos do art. 16, §4º, “c” do Decreto 70.235/72. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. NECESSÁRIO A COMPROVAÇÃO DO ERRO EM QUE SE FUNDE. SÚMULA CARF N° 164 É possível a retificação de erro de preenchimento de DCTF, mesmo após a ciência do despacho decisório que indeferir pedido de restituição ou de compensação, desde que comprovado o erro que a fundamenta, nos termos da Súmula CARF n° 164. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a conversão do julgamento em diligência, proposta pelo Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo, vencido este e o Conselheiro Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior. Acordam, ainda, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para determinar o retorno dos autos à Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente, a fim de seja proferido despacho decisório complementar, levando em consideração as provas juntadas aos autos, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 37 91 /2 01 2- 21 Fl. 237DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-006.876 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.903791/2012-21 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Maria Angelica Echer Ferreira Feijo, Marcelo Oliveira, Savio Salomão de Almeida Nobrega, Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior, Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente) Relatório Trata-se de recurso voluntário em face do acórdão 01-36.670, de 30 de maio de 2019 da 5ª Turma da DRJ/BEL que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte Banco VR S/A contra despacho decisório que não homologou compensação por ele apresentada. O contribuinte encaminhou a DCOMP n° 42215.58640.150408.1.3.04-2975 (e-fls. 55 a 59), cujo crédito é relativo a pagamento indevido ou a maior de CSLL do PA fev/2008 no montante de R$ 40.148,85. O direito creditório não foi reconhecido porque o DARF informado como pagamento na DCOMP já teria sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, de acordo com o despacho decisório eletrônico 029245058 (e-fl. 2). Inconformada com a não homologação da compensação, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (e-fl. 3), onde alegou equívoco no preenchimento da DCTF, tendo informado um débito de CSLL do PA Fev/2008 no montante de R$ 40.148,85, valor este que foi recolhido por meio de DARF indevidamente, pois havia sido apurado base de cálculo negativa da CSLL no valor de R$ 21.520,65. A impugnação foi julgada improcedente pela 5ª Turma da DRJ/BEL porque a informação prestada em DIPJ tem caráter meramente informativa e o contribuinte não retificou a DCTF, onde foi confessado o débito ora questionado. Assim, por não ter retificado a DCTF e tampouco ter juntado aos autos a escrituração contábil que subsidiou a informação prestada na DIPJ, de modo a comprovar o alegado erro na informação prestada em DCTF, a 5ª Turma da DRJ/BEL julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Irresignado com o r. acórdão o ora Recorrente apresentou recurso voluntário (e- fls. 77 a 83), onde ratifica que apurou base negativa de CSLL do PA Fev/2008 no valor de R$ 21.520,65, e que por equívoco confessou em DCTF e recolheu o valor de R$ 40.148,85. Assevera que a base negativa da CSLL foi apurada em balancete de suspensão e redução que esta evidenciada na ECD, e que se fossem suficientes as informações prestadas na DIPJ e na ECD, competia à DRJ a determinação de realização de diligência para requisitar ao Recorrente a apresentação dos documentos contábeis necessários. Assim, para comprovação do erro de preenchimento da DCTF, o Recorrente apresenta em sede de recurso as seguintes informações contidas na ECD: Livro Diário com os balancetes relativos a janeiro e fevereiro de 2008 (doc. 03 e 04), balancete consolidado (doc. 05) e os demonstrativos detalhados da apuração da CSLL do PA Fev/2008. Fl. 238DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-006.876 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.903791/2012-21 Defende que a retificação da DCTF não seria suficiente para enseja o indeferimento da compensação, de acordo com ementa de decisões do CARF que junta ao processo. Requer ao final o provimento do recurso, ou subsidiariamente, caso se entenda necessário, a conversão do julgamento em diligência para verificação das provas que junta ao processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama, Relator. O recurso voluntario é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, assim dele conheço. O Recorrente apresentou DCOMP cujo crédito informado foi relativo a pagamento indevido de CSLL do PA Fev/2008, que não foi reconhecido pela autoridade administrativa. Isso porque o valor recolhido em DARF foi integralmente alocado a débito confessado em DCTF, não restando crédito disponível para compensação. Em manifestação de inconformidade, o Recorrente alegou que houve equívoco no preenchimento da DCTF, eis que teria apurado base negativa de CSLL no PA Fev/2008, sendo indevido o recolhimento, de modo que lhe assistia o direito à restituição do valor indevidamente recolhido. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ, porque o Recorrente não retificou a DCTF e tampouco apresentou a escrituração contábil que comprovasse o alegado erro de preenchimento. Em sede de recurso o Recorrente alegou que a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência para intimar o Recorrente a apresentar os documentos contábeis necessários. Em todo caso, para comprovação de que teria apurado saldo negativo de CSLL no PA Fev/2008 no valor de R$ 21.520,65 e que portanto a DCTF teria sido equivocadamente preenchida com o valor de R$ 40.148,85 e indevidamente recolhido, juntou aos autos os seguintes documentos: 1)DIPJ 2008 (e-fls. 121 a 143); 2)Composição da Base de Cálculo da CSLL de Fev/2008 (e-fls. 144 a 147); 3)Balancete de Verificação (e-fl. 149 a 209); 4)Balancete do Período (211 a 233). Em que pese os documentos comprobatórios acima discriminados terem sido juntados apenas no recurso voluntário, devem ser analisados pois foram apresentados em resposta ao consignado expressamente no acórdão recorrido, de que o Recorrente não teria Fl. 239DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-006.876 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.903791/2012-21 apresentado na impugnação a escrituração contábil que subsidiou a informação prestada na DIPJ, para comprovar o alegado erro de preenchimento da DCTF. Assim, não resta precluso o direito de apresentação da documentação comprobatória, eis que destinou-se a contrapor argumento levantado pela DRJ, e a comprovar seus argumentos e evidenciar a verdade dos fatos, nos termos do art. 16, §4º, “c” do Decreto 70.235/72 1 Além disso, é possível a retificação de erro de preenchimento de DCTF, mesmo após a ciência do despacho decisório que indeferir pedido de restituição ou de compensação, desde que comprovado o erro que a fundamenta, nos termos da Súmula CARF n° 164 (vinculante) 2 . A juntada de documentos comprobatórios no recurso pretendeu justamente comprovar o erro de preenchimento da DCTF. No presente caso, o Recorrente deveria comprovar, por meio de sua escrituração contábil, que apurou base negativa de CSLL no mês de fevereiro de 2008. E procurou fazer a comprovação, juntando além da DIPJ, o Livro de Apuração da CSLL de fevereiro de 2008, os balancetes de verificação de janeiro e fevereiro de 2008, o balancete do período 01/01/2008 a 29/02/2008 Como consignado no acórdão recorrido, a escrituração contábil faz prova a favor do contribuinte dos fatos nelas registrados, nos termos do art. 9º, § 1º, do Decreto-lei n° 1.598/77. Considerando que o Recorrente juntou aos autos documentação contábil que julgou pertinente para comprovação do alegado erro de preenchimento da DCTF para comprovação do direito creditório pleiteado, mas que tal documentação não foi apreciada pela DRJ e tampouco pela Unidade de preparo, entendo que deve ser considerado como início de prova, capaz de corroborar a alegação da Recorrente. Conclusão Pelo acima exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer início de prova capaz de corroborar as alegações do Recorrente, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, determinado o retorno dos autos à Unidade de Origem, a fim de seja proferido despacho decisório complementar, levando em consideração as 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. 2 Súmula CARF nº 164 A retificação de DCTF após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou que não homologou a declaração de compensação é insuficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se fundamenta a retificação. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Fl. 240DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-006.876 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16327.903791/2012-21 provas juntadas aos autos, sem prejuízo de intimar o Recorrente a apresentar outros documentos que a autoridade administrativa entender necessários, retomando-se o rito processual normal. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Fl. 241DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13984.721131/2013-72
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Sep 04 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2011
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DAA. BASE DE CÁLCULO. SÚMULA CARF Nº 69.
A falta de apresentação da declaração de ajuste anual ou sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física à multa por atraso na entrega de 1% ao mês ou fração sobre o imposto devido, limitada a 20%, respeitado o valor mínimo de R$165,74, na exata dicção do art. 964, I, a do RIR/99 (art. 88, I, da Lei nº 8.981/95 e art. 27 da Lei nº 9.532/97)
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DAA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 49.
A apresentação extemporânea da declaração de ajuste anual atrai a incidência da multaprevista na legislação de regência, tendo por base de cálculo o imposto de renda devido. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso de declaração de ajuste anual.
Numero da decisão: 2003-004.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 09 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202307
ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2011 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DAA. BASE DE CÁLCULO. SÚMULA CARF Nº 69. A falta de apresentação da declaração de ajuste anual ou sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física à multa por atraso na entrega de 1% ao mês ou fração sobre o imposto devido, limitada a 20%, respeitado o valor mínimo de R$165,74, na exata dicção do art. 964, I, a do RIR/99 (art. 88, I, da Lei nº 8.981/95 e art. 27 da Lei nº 9.532/97) MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DAA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 49. A apresentação extemporânea da declaração de ajuste anual atrai a incidência da multaprevista na legislação de regência, tendo por base de cálculo o imposto de renda devido. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso de declaração de ajuste anual.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 04 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 13984.721131/2013-72
anomes_publicacao_s : 202309
conteudo_id_s : 6926416
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 04 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 2003-004.933
nome_arquivo_s : Decisao_13984721131201372.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : WILDERSON BOTTO
nome_arquivo_pdf_s : 13984721131201372_6926416.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2023
id : 10068668
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat Sep 16 09:07:48 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1777184591535144960
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-08-29T13:10:11Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-08-29T13:10:11Z; Last-Modified: 2023-08-29T13:10:11Z; dcterms:modified: 2023-08-29T13:10:11Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-08-29T13:10:11Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-08-29T13:10:11Z; meta:save-date: 2023-08-29T13:10:11Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-08-29T13:10:11Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-08-29T13:10:11Z; created: 2023-08-29T13:10:11Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2023-08-29T13:10:11Z; pdf:charsPerPage: 1695; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-08-29T13:10:11Z | Conteúdo => S2-TE03 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13984.721131/2013-72 Recurso Voluntário Acórdão nº 2003-004.933 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 25 de julho de 2023 Recorrente DIMAS BRESSANINI PEREIRA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2011 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DAA. BASE DE CÁLCULO. SÚMULA CARF Nº 69. A falta de apresentação da declaração de ajuste anual ou sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física à multa por atraso na entrega de 1% ao mês ou fração sobre o imposto devido, limitada a 20%, respeitado o valor mínimo de R$165,74, na exata dicção do art. 964, I, “a” do RIR/99 (art. 88, I, da Lei nº 8.981/95 e art. 27 da Lei nº 9.532/97) MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DAA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 49. A apresentação extemporânea da declaração de ajuste anual atrai a incidência da multaprevista na legislação de regência, tendo por base de cálculo o imposto de renda devido. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso de declaração de ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 72 11 31 /2 01 3- 72 Fl. 61DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-004.933 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13984.721131/2013-72 Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida (fls. 25/27): Contra o sujeito passivo foi (foram) lavrado(s) lançamento(s) com exigência de crédito tributário a título de multa por atraso na entrega da declaração, sendo que os dispositivos legais infringidos constam em Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, conforme folhas de continuação anexas do(s) referido(s) feito(s) fiscal(is). Irresignado, tendo sido devidamente cientificado, o sujeito passivo impugnou asseverando sucintamente o seguinte: que o Sistema da RFB estava com problemas. Por isso requer seja(m) considerado(s) insubsistente(s) o(s) feito(s) fiscal(is). A decisão de primeira instância, por unanimidade, manteve o lançamento do crédito tributário exigido. Cientificado da decisão, em 25/02/2014 (fls. 30/31), o contribuinte, em 20/03/2014, interpôs recurso voluntário (fls. 32/35), repisando as alegações da peça impugnatória, no sentido de que cumpriu sua obrigação acessória, antes da instauração de qualquer procedimento administrativo, não podendo assim ser penalizado pela entrega intempestiva da declaração de ajuste anual. Alega ainda que, mesmo declarando em atraso, o pagamento do tributo já havia sido quitado em sua totalidade, motivo pelo qual a multa aplicada se mostra excessiva, calhando, em homenagem aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, sua redução para o valor mínimo de R$ 165,74. Requer, ao final, seja reduzida a multa aplicada para o valor mínimo previsto na legislação de regência. Instrui a peça recursal com o documento de fls. 36/59. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no presente recurso. Mérito Da entrega intempestiva da declaração de ajuste anual – da multa de ofício e denúncia espontânea: O litígio recai sobre a multa aplicada em face da entrega intempestiva da DAA/2012 – que ocorreu efetivamente em 31/072013, portanto 15 meses depois do prazo regulamentar, importando na aplicação da multa no valor de R$ 1.750,13, buscando, por Fl. 62DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-004.933 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13984.721131/2013-72 oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise acerca do todo processado, no sentido da redução da multa legal aplicada para o patamar mínimo de R$ 165,74. Pois bem. Em que pese as alegações trazidas, do cotejo dos documentos carreados aos autos, aliado aos fundamentos contidos no voto condutor da decisão recorrida (fls. 25/27) e atendo-se às informações contidas no lançamento (fls. 3), não há como prosperar a pretensão recursal. Assim, considerando que o Recorrente, neste momento processual, não trouxe novas razões hábeis e contundentes a modificar o julgado de piso – diga-se de passagem, limitando-se basicamente em repisar as alegações da peça impugnatória, acerca da espontaneidade pela apresentação da declaração de ajuste mesmo que em atraso, inclusive com o pagamento integral do imposto devido antes da autuação, calhando na espécie a redução da multa aplicada para o percentual mínimo – me convenço do acerto da decisão, pelo que adoto como razão de decidir os fundamentos norteadores do voto condutor na decisão recorrida (fls. 26/27), mediante transcrição dos excertos abaixo, à luz do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF: O art. 7° da Lei 9.250, de 1995, estabelece que a entrega da declaração de rendimentos da pessoa física deve ser feita até o último dia útil do mês de abril do ano-calendário subsequente ao da percepção dos rendimentos. O não atendimento a essa determinação legal, segundo o art. 88, inc. I, da Lei 8.981, de 1995, sujeita o contribuinte ao pagamento de multa de um por cento ao mês ou fração sobre o imposto de renda devido, ainda que o imposto tenha sido pago integralmente, limitada a vinte por cento do imposto devido (art. 27 da Lei 9.532, de 1997), respeitado o valor mínimo de R$ 165,74. Pelo exame dos autos, verifica-se que não assiste razão ao sujeito passivo, eis que no ano-calendário em referência o mesmo encontrava-se obrigado a apresentar a declaração de rendimentos pela legislação de regência, conforme se comprova via documentação anexada aos autos (auferiu rendimentos acima do limite legal, fl. 24). Assim, estando obrigado à apresentação da referida declaração e tendo cumprido a obrigação com atraso, não há como desobrigá-lo da multa imposta. Necessário enfatizar que ninguém pode se escusar de cumprir a lei, alegando que não a conhece, conforme disposto no art. 3° da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro. Ocorre que à autoridade tributária falece competência para deixar de aplicar as determinações legais. Ao revés, o Fisco tem por obrigação seguir estritamente os contornos da lei. Cumpre ressaltar, ainda, que a atividade administrativa, sendo plenamente vinculada, não comporta apreciação discricionária no tocante aos atos que integram a legislação tributária, cabendo à Administração apenas fazer cumpri-los, pelo que é defeso aos agentes públicos a aplicação de entendimentos contrários às orientações estabelecidas na legislação tributária de regência da matéria, sob pena de responsabilidade funcional, consoante disposição do parágrafo único do art. 142 do CTN, mesmo que sumulados por tribunais superiores, a menos que haja súmula vinculante do STF, não sendo esse o caso em tela. A autoridade julgadora também não poderia acolher questões porventura levantadas acerca da possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para o cancelamento da multa lançada, vez que a matéria encontra-se pacificada no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) por meio da Súmula nº 49, no seguintes termos: Fl. 63DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-004.933 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13984.721131/2013-72 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Portaria Carf nº 49, de 1/12/2010, publicada no DOU de 7/12/2010) Observe-se que, alegações não comprovadas por documentação, hábil e idônea, ou que tratem de questões não pertinentes à matéria tributável, não têm força para modificar a matéria em litígio. Nesse sentido, cabe esclarecer que, em virtude dos princípios da igualdade e da legalidade, a autoridade administrativa não pode se furtar à aplicação da legislação tributária, não sendo admitida qualquer diferenciação em virtude de argumentações pessoais. Diante dos fatos, indene de dúvida que a exigência da multa por atraso na entrega da DAA/2012, nos termos em que foi exigido no lançamento objurgado e a despeito das alegações recursais, encontra-se prevista e regulamentada na legislação de regência (art. 7º da Lei n° 9250/95, art. 88 da Lei nº 8.981/95, art. 27 da Lei nº 9.532/97 e art. 16 da Lei nº 9.779/99), importando sua base de cálculo no valor correspondente a 1% por mês de atraso ou fração sobre o imposto devido, limitada a 20%, com o valor mínimo de R$ 165,74 (art. 88, § 1º, alínea “a’ , da Lei nº 8.981/95). No que tange à espontaneidade alegada, embora não contestando que entregou a declaração de ajuste após o decurso do prazo regulamentar, alega o Recorrente que já promoveu o pagamento do imposto, restando certo que cumpriu a obrigação fiscal a ele direcionada antes mesmo qualquer medida tomada por parte da fiscalização, a ensejar senão a redução da multa aplicada para o percentual mínimo constante na legislação de regência. Entretanto, não há como acolher tal desiderato, pois descabe na espécie dos autos a regra prevista no art. 138 do CTN, uma vez que a suposta espontaneidade alegada – traduzindo na incidência do instituto da denúncia espontânea – não acolhe os casos de multas aplicadas por descumprimento de obrigações acessórias, consistentes no atraso de entrega da declaração de ajuste anual. Ademais, em relação ao alcance da denúncia espontânea e da imposição da multa por apresentação intempestiva da DAA, e confirmando o acerto da decisão recorrida, cabe ressaltar que tais as matérias já se encontram pacificadas neste CARF, inclusive culminando com a edição das Súmulas nº 49 e 69: Súmula nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Súmula nº 69 A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeitará a pessoa física à multa de um por cento ao mês ou fração, limitada a vinte por cento, sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, respeitado o valor mínimo. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Cabe relembrar, e corroborando o acerto da decisão recorrida, que o lançamento rege-se por expressa determinação legal, sendo portanto, a atividade fiscal, vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, não sendo determinante para a realização do lançamento a intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, mas sim da ocorrência do fato gerador, competindo ao Fisco realizar a revisão da declaração de ajuste anual, calcular a exigência e constituir o crédito tributário ou ajustar o imposto a restituir declarado, na exata dicção dos arts. 136 e 142 do CTN. Fl. 64DF CARF MF Original http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-004.933 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13984.721131/2013-72 Por fim, vale salientar que, enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade. Conclusão Ante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso, para manter o lançamento em face da entrega extemporânea da declaração de ajuste anual. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 65DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10855.001158/2008-65
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri Sep 08 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2003
EMENTA
OMISSÃO DE RENDIMENTO. ALEGADA ISENÇÃO. DOENÇA OU MOLÉSTIA GRAVE. AUSÊNCIA DE LAUDO OFICIAL. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO.
Para reconhecimento do direito à isenção concedida aos portadores de doenças graves, faz-se necessária a apresentação de laudo emitido por entidade da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios.
A apresentação de laudos particulares, isoladamente, não supre o requisito legal.
Numero da decisão: 2001-006.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honorio Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: THIAGO BUSCHINELLI SORRENTINO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 09 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202306
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2003 EMENTA OMISSÃO DE RENDIMENTO. ALEGADA ISENÇÃO. DOENÇA OU MOLÉSTIA GRAVE. AUSÊNCIA DE LAUDO OFICIAL. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Para reconhecimento do direito à isenção concedida aos portadores de doenças graves, faz-se necessária a apresentação de laudo emitido por entidade da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios. A apresentação de laudos particulares, isoladamente, não supre o requisito legal.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 08 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 10855.001158/2008-65
anomes_publicacao_s : 202309
conteudo_id_s : 6930310
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 08 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 2001-006.013
nome_arquivo_s : Decisao_10855001158200865.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : THIAGO BUSCHINELLI SORRENTINO
nome_arquivo_pdf_s : 10855001158200865_6930310.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2023
id : 10078684
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat Sep 16 09:07:59 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1777184591549825024
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-08-16T19:07:45Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-08-16T19:07:45Z; Last-Modified: 2023-08-16T19:07:45Z; dcterms:modified: 2023-08-16T19:07:45Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-08-16T19:07:45Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-08-16T19:07:45Z; meta:save-date: 2023-08-16T19:07:45Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-08-16T19:07:45Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-08-16T19:07:45Z; created: 2023-08-16T19:07:45Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2023-08-16T19:07:45Z; pdf:charsPerPage: 1344; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-08-16T19:07:45Z | Conteúdo => S2-TE01 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10855.001158/2008-65 Recurso Voluntário Acórdão nº 2001-006.013 – 2ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária Sessão de 27 de junho de 2023 Recorrente WALBER CAMARGO BESSA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2003 EMENTA OMISSÃO DE RENDIMENTO. ALEGADA ISENÇÃO. DOENÇA OU MOLÉSTIA GRAVE. AUSÊNCIA DE LAUDO OFICIAL. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Para reconhecimento do direito à isenção concedida aos portadores de doenças graves, faz-se necessária a apresentação de laudo emitido por entidade da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios. A apresentação de laudos particulares, isoladamente, não supre o requisito legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 11 58 /2 00 8- 65 Fl. 111DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-006.013 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10855.001158/2008-65 Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Em revisão da declaração de rendimentos do contribuinte em epígrafe, referente ao ano- calendário de 2003, foi lavrado a Notificação de Lançamento de fls. 07 e 08, através da qual houve inclusão de rendimentos tributáveis omitidos, recebidos do INSS, no total de R$ 13.335,24, resultando crédito tributário de R$ 3.501,40. A interessada, viúva do contribuinte, tomando conhecimento do lançamento apresenta impugnação de fls. 01 e 02, argumentando que é portador de moléstia grave, fazendo jus, dessa forma, à isenção do imposto de renda, conforme Laudos Médicos que apresenta, esclarecendo que os rendimentos recebidos do INSS não foram omitidos, mas sim declarados a título de rendimentos isentos e não tributáveis. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano- calendário: 2003 PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. A isenção de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria de portador de moléstia grave será concedida quando invocada pelos contribuintes que sofram das patologias elencadas no texto legal que dispõe sobre esse beneficio e deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE. Apurada infração à legislação tributária quando da entrega da declaração de ajuste pelo de cujus, mas com a ciência depois da abertura da sucessão, o espólio responde pelo pagamento do imposto respectivo, dos juros moratórios e da multa de mora de 10%. Cientificado da decisão de primeira instância em 16/08/2010, o sujeito passivo interpôs, em 08/09/2010, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que é desnecessária a apresentação de laudo oficial. É o relatório. Voto Conselheiro(a) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Dispõe a legislação de regência, verbatim: Decreto 3.000/1999 [RIR/1999]: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXI - os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que Fl. 112DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-006.013 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10855.001158/2008-65 a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); [...] XXXIII - os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); [...] § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicam-se aos rendimentos recebidos a partir: I - do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II - do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III - da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. De acordo com o texto legal transcrito, para o reconhecimento da isenção à incidência do IRPF sobre rendimentos, deve-se atender aos seguintes requisitos: 1. MATERIAIS 1.1. Acometimento por doença grave, tal como especificada em lei; 1.2. Identificação do momento em que a doença foi contraída; 1.3. Se a doença for controlável, a indicação da respectiva dimensão temporal (i.e., “prazo de validade do laudo”). 2. FORMAIS 2.1. Registro dos requisitos materiais concretos pelos procedimentos e técnicas próprias da emissão de laudo (requisito de legitimidade); e 2.2. Registro desses requisitos por serviço público da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (requisito pessoal). De fato, em regra, as moléstias devem ser comprovadas por laudo médico oficial, elaborado no seio dos serviços federal, estadual, distrital ou municipal, nos termos da orientação fixada na Súmula Carf 63, verbis: Fl. 113DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-006.013 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10855.001158/2008-65 Súmula CARF nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 106-17.181, de 16/12/2008 Acórdão nº 102-49.292, de 11/09/2008 Acórdão nº 106-16.928, de 29/05/2008 Acórdão nº 104-23.108, de 22/04/2008 Acórdão nº 102- 48.953, de 06/03/2008 Porém, a circunstância de o estado de saúde estar juridicizado em sentença judicial não impede o reconhecimento do direito à isenção, pois esse título jurídico pode substituir o laudo oficial. Nesse sentido, confira-se o seguinte precedente: Numero do processo:10680.013199/2007-62 Turma:Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção Câmara:Terceira Câmara Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019 Data da publicação:Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2020 Ementa:ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 2ios. Prescindível a apresentação de laudo médico oficial quando o diagnóstico da moléstia grave foi comprovada em ação judicial, situação constatada nos presentes autos. Aplicável a Súmula 627 do E. Superior Tribunal de Justiça. Numero da decisão:2301-006.757 Decisão:Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro João Maurício Vital. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Fernanda Melo Leal e João Maurício Vital (Presidente). Nome do relator:ANTONIO SAVIO NASTURELES Em relação ao alcance, a isenção retira do âmbito de incidência da regra-matriz tributária os rendimentos oriundos de aposentadoria, pensão, reserva ou reforma (militares), bem como a respectiva complementação. No caso em exame, a ausência do laudo médico elaborado por entidade da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos Municípios impede o reconhecimento da isenção pleiteada. Fl. 114DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-006.013 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10855.001158/2008-65 Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e NEGO-LHE PROVIMENTO. É como voto. (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino Fl. 115DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13896.001553/2007-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/01/2001
CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 1.
Súmula CARF nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 3402-010.979
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Jorge Luís Cabral - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luis Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Ricardo Piza di Giovanni (suplente convocado(a)), Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Renata da Silveira Bilhim, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Ricardo Piza di Giovanni.
Nome do relator: JORGE LUIS CABRAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 16 09:00:03 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202308
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1997 a 31/01/2001 CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 1. Súmula CARF nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 13896.001553/2007-79
anomes_publicacao_s : 202309
conteudo_id_s : 6933635
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3402-010.979
nome_arquivo_s : Decisao_13896001553200779.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : JORGE LUIS CABRAL
nome_arquivo_pdf_s : 13896001553200779_6933635.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Presidente (documento assinado digitalmente) Jorge Luís Cabral - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luis Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Ricardo Piza di Giovanni (suplente convocado(a)), Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Renata da Silveira Bilhim, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Ricardo Piza di Giovanni.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2023
id : 10087197
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat Sep 16 09:08:11 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1777184591605399552
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-09-11T13:13:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-09-11T13:13:18Z; Last-Modified: 2023-09-11T13:13:18Z; dcterms:modified: 2023-09-11T13:13:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-09-11T13:13:18Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-09-11T13:13:18Z; meta:save-date: 2023-09-11T13:13:18Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-09-11T13:13:18Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-09-11T13:13:18Z; created: 2023-09-11T13:13:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2023-09-11T13:13:18Z; pdf:charsPerPage: 1926; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-09-11T13:13:18Z | Conteúdo => S3-C 4T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13896.001553/2007-79 Recurso Voluntário Acórdão nº 3402-010.979 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de agosto de 2023 Recorrente CAMPARI DO BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1997 a 31/01/2001 CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 1. Súmula CARF nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Presidente (documento assinado digitalmente) Jorge Luís Cabral - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luis Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Ricardo Piza di Giovanni (suplente convocado(a)), Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Renata da Silveira Bilhim, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Ricardo Piza di Giovanni. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 14-99.769, proferido pela 14ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto/RPO, que por unanimidade julgou improcedente a Manifestação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 15 53 /2 00 7- 79 Fl. 325DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-010.979 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13896.001553/2007-79 de Inconformidade, contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Barueri/SP, não reconhecendo o direito creditório em litígio. Por entender que o relatório do Acórdão de Primeira Instância bem reproduz os fatos, adoto-o. “Trata-se de Despacho Decisório, e-fls. 240/244, que não reconheceu o direito creditório pleiteado em Pedido de Restituição. Os créditos decorreriam da incidência da contribuição sobre a parcela do faturamento correspondente ao ICMS. Nos termos do Parecer SEORT/DER/BRE nº 467/2008, os fundamentos do indeferimento são os seguintes: a) prescrição do direito de pedir em relação aos pagamentos efetuados entre outubro/1997 e setembro/2002, uma vez que o pedido foi protocolado em 15/10/2007; b) ausência de suporte legal para o entendimento de que teria ocorrido recolhimento indevido por conta da incidência da contribuição sobre o ICMS embutido no faturamento. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: a) o prazo para solicitação da restituição é de dez anos contados do recolhimento do tributo; b) o ICMS embutido nas vendas não compõe a base de cálculo das contribuições porque não pertence ao contribuinte, o qual é mero depositário.” Assim decidiu a Autoridade Julgadora de Primeira Instância: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1997 a 31/01/2001 RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de dez anos, contado do fato gerador. No caso, tendo o pedido sido veiculado após 2005, o prazo prescricional é de cinco anos. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. As decisões do Supremo Tribunal Federal prolatadas em Recurso Extraordinário, sob a sistemática da repercussão geral - caso do RE nº 574.706 que firmou entendimento pela exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo da Cofins e do PIS - somente vinculam as unidades da RFB após expressa manifestação da PGFN - Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio de Nota Explicativa, ainda não publicada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” A Recorrente tomou ciência do Acórdão de Primeira Instância no dia 25 de novembro de 2019, e apresentou Recurso Voluntário no dia 16 de dezembro de 2019. No entanto, à folha 297, a Recorrente peticiona no sentido de informar que o direito creditório pretendido neste processo teria perdido objeto em razão de ser idêntico ao objeto do Mandado de Segurança nº 0028351-50.2007.403.6100, que já teria transitado em julgado. Este é o relatório. Voto Conselheiro Jorge Luís Cabral, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e reveste-se dos demais requisitos de admissibilidade, no entanto, não tomo conhecimento do mesmo. Fl. 326DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-010.979 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13896.001553/2007-79 A informação do próprio Recorrente à folha 297, informando que há processo judicial com o mesmo objeto, já transitado em julgado, importa em renúncia às instâncias administrativas, nos termos da Súmula CARF nº 1: “Súmula CARF nº 1 Aprovada pelo Pleno em 2006 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 101-93877, de 20/06/2002 Acórdão nº 103-21884, de 16/03/2005 Acórdão nº 105- 14637, de 12/07/2004 Acórdão nº 107-06963, de 30/01/2003 Acórdão nº 108-07742, de 18/03/2004 Acórdão nº 201-77430, de 29/01/2004 Acórdão nº 201-77706, de 06/07/2004 Acórdão nº 202-15883, de 20/10/2004 Acórdão nº 201-78277, de 15/03/2005 Acórdão nº 201-78612, de 10/08/2005 Acórdão nº 303-30029, de 07/11/2001 Acórdão nº 301-31241, de 16/06/2004 Acórdão nº 302-36429, de 19/10/2004 Acórdão nº 303-31801, de 26/01/2005 Acórdão nº 301-31875, de 15/06/2005” (documento assinado digitalmente) Jorge Luís Cabral Fl. 327DF CARF MF Original http://carf.economia.gov.br/noticias/2021/arquivos-e-imagens/portaria-me-no-12975-sumulas-carf-atribui-efeito-vinculante.pdf
score : 1.0
Numero do processo: 13973.000566/2003-37
Data da sessão: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Ana-calendário: 1998
Ementa: AUTO DE INFRACAO ELETRONICO — FUNDAMENTO DA
AUTUAÇAO ALTERADO — IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇAO
DO LANÇAMENTO.
O fundamento do lancamento não pode ser alterado no decorrer do processo sob pena de nulidade do feito. Sendo o fundamento inicial derrubado pela defesa, deve o AI ser cancelado e não alterado o fundamento para manutenção da exação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-000.381
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
Nome do relator: RENATA AUXILIADORA MARCHETI
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
dt_index_tdt : Sat Sep 09 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201004
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ana-calendário: 1998 Ementa: AUTO DE INFRACAO ELETRONICO — FUNDAMENTO DA AUTUAÇAO ALTERADO — IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇAO DO LANÇAMENTO. O fundamento do lancamento não pode ser alterado no decorrer do processo sob pena de nulidade do feito. Sendo o fundamento inicial derrubado pela defesa, deve o AI ser cancelado e não alterado o fundamento para manutenção da exação. Recurso Voluntário Provido.
numero_processo_s : 13973.000566/2003-37
conteudo_id_s : 6927336
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 05 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3801-000.381
nome_arquivo_s : 380100381_354130_13973000566200337_004.PDF
nome_relator_s : RENATA AUXILIADORA MARCHETI
nome_arquivo_pdf_s : 13973000566200337_6927336.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2010
id : 10069807
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Sat Sep 16 09:07:50 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1777184591614836736
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-15T10:30:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-15T10:30:20Z; Last-Modified: 2010-12-15T10:30:20Z; dcterms:modified: 2010-12-15T10:30:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:622b2273-bf57-4b08-ad88-b1ed8905fd20; Last-Save-Date: 2010-12-15T10:30:20Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-15T10:30:20Z; meta:save-date: 2010-12-15T10:30:20Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-15T10:30:20Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-15T10:30:20Z; created: 2010-12-15T10:30:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2010-12-15T10:30:20Z; pdf:charsPerPage: 1064; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-15T10:30:20Z | Conteúdo => S3-TE01 Fl 79 MINISTÉRIO DA FAZENDA .,,. •:té '''''' '-''''' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 1397.3.000566/2003-37 Recurso n" .354.130 Voluntário Acórdão n" 3801-00.381 — 1" Turma Especial Sessão de 28 de abril de 2010 Matéria COFINS Recorrente POSTO MIME LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ana-calendário: 1998 Ementa: AUTO DE INFRACAO ELETRONICO — FUNDAMENTO DA AUTUAÇAO ALTERADO — IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇAO DO LANÇAMENTO. O fundamento do lancamento não pode ser alterado no decorrer do processo sob pena de nulidade do feito. Sendo o fundamento inicial derrubado pela defesa, deve o AI ser cancelado e não alterado o fundamento para manutenção da exação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso J-..0 I á 0, kfi , - - • / Ma d #Cotta Cardozo - Presidente _ ..:----- . . .. Rena. - --- ili-ádora archeti - Relatara„,, EDITADO EM: 28/07/2010 i Participaram do presente julgamento os conselheiros Magda Cotta Cardozo, Flávio de Castro Pontes, Amo Jeike Júnior, Renata Auxiliadora Marchetti, Paulo Sérgio Celani (suplente) e Maria Adelaide Carneiro Gonçalves de Aquino(suplente). Ausente, justificadamente, a conselheira Andréia Dantas Lacerda Moneta, Relatório Por bem lançado adoto o relatorio da DRJ: Trata o presente processo de impugnação ao auto de infração datado de 16.06 2003 (fls. 10/16), acompanhado dos documentos de .fls. 20/39, lavrado pela DRF/JOINV1LLE, com ciência do interessado em 07,07.200,3 (fi. 42), sendo exigidos os valores de CUPINS declarados nas DCTF dos quatro trimestres de 1998, acrescidos da multa de 75% e encargos moratórias, Conforme Demonstrativo dos Créditos Vinculados não Confirmados (fls.] 2/16), a interessada informou que os débitos da COF1NS relativos aos períodos de apuração de 1998 estariam com a exigibilidade suspensa por conta da ação judicial 96.01005560, Ainda, de acordo com este demonstrativo, o processo judicial informado não foi comprovado, De acorda com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl 11), foi lavrado o presente auto de infração decorrente da 'falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata". Inconformada, a interessada apresentou impugnação em 06,08..2003 (fls. 01/07), onde alega, em sinte.se, que: - os créditos tributários apresentadas no auto de infração estão com exigibilidade suspensa, conforme observação do autuante que apresentou o número do processo judicial, através do qual .farmalizou-se a suspensão da exigibilidade de tais valores,' - protocolizou em 1996, ação de t-epetiçà o de indébitos (proc. 96.01.00556-0), com o intuito de buscar a devolução dos valores que entendeu ter recolhido indevidamente a título de Pis e Cofins na venda de combustível e lubrificante; - . foram efetuados mensalmente depósitos judiciais vinculados ao processo e que a apresentação de suas cópias, acompanhadas da devida autenticação bancária, é suficiente para o cancelamento do auto de infração, visto que inexiste falha de recolhimento ou recolhimento a menor; - de acordo com o STF no julgamento do RE n" 150_764-1/PE em 16.12.1992, firmou-se entendimento de que a contribuição para o Fínsocial teve sua exigência regida pelo Decreto-Lei n" 1940/82 até a vigência da Lei Complementar n" 70/91, reconhecendo, desta forma, a inconstitucionalidade das majorações de aliquotas determinadas pelas Leis n" 7 787/89, 7.894/89 e 8. 147/90; 2 Processo n° 13973 000566/2003-37 S3-TE01 Acórdão n 3801-00381 El 80 - seguindo procedimentos da Fazenda Nacional de que a demanda que visa repetir o indébito carece de ação, basta que seja apurado o montante total do seu crédito e efetue a compensação de seu crédito, mês-a-mês, com débitos vincendos da Cotins, - que lhe seja permitido comprovar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, propondo-se a fornecer qualquer informação necessária. Os autos do processo foram remetidos a esta DR.), em atendimento à Portaria SRF n" 10.966, de 31 08.2007 (DOU 04 09.2007), que transferiu a competência para julgamento do presente processo a este Órgão. Julgada improcedente a impugnacao, apresentou recurso. Em sede de recurso, repisa os mesmos argumentos da impugnação, em especial a questão da comprovação do processo judicial. Passo ao voto. Voto Conselheira Renata Auxiliadora Marcheti Relatora Além de a Autuação ter sido procedida somente em 16/06/200.3, o que por si só já macularia o procedimento por abarcar período decaído anterior ao mês 06/1998, teve tal lançamento o fundamento de que o processo judicial informado pelo contribuinte nos seus documentos fiscais não estava comprovado. Após a defesa e com a efetiva comprovação da ação judicial (fis, 28 e seguintes), tendo ficado comprovado que o Processo Judicial em quest'ao realmente existia e referia-se ao mesmo contribuinte autuado, o Fisco tomou conhecimento das decisões daquele feito e devia ter sido encerrada aí a pendenga. Ocorre que a Administracao Tributaria, então, passou a fazer outras considerações, no âmbito do processo, e manteve o lançamento sob pressupostos outros que sequer foram aventados no AI eletronico, Isso configura verdadeira inovação no que diz respeito ao lançamento, onde a Autoridade Fiscal valora fatos outros que não aqueles inicialmente fundamentos do Auto de Infração Não pode a autoridade julgadora proceder ao agravamento da exigência, por força do que determina o par, .3°, do art. 18 do Decreto 70,235 de 71, com redação dada pelo art. 1° da Lei n. 8.748/93. Deveria ter sido lavrado, se fosse o caso, um auto de infração complementar, descrevendo os motivos que fundamentam a alteração do lançamento original, indicando o fato 3 ou circunstância que pretende retificar, demonstrando o crédito tributário unificado e dando ao contribuinte o pleno conhecimento da alteração. A descrição do fato é requisito de validade do auto de infração e elemento essencial do exercício do direito de ampla defesa do contribuinte. Se o auto inicial foi lavrado com base em um fundamento — não comprovação de processo judicial — e se esse fundamento foi ultrapassado não pode a autoridade julgadora simplesmente alterar a fundamentação do auto e mantê-lo incólume, subtraindo ao contribuinte o direito de se defender desses novos argumentos. Isto posto, ante a questão da decadência e ante à insubsistência do fato que ensejou a lavatura do Auto de Infração, já que foi comprovada a existência do processo judicial em tela, julgo decaído em parte o auto de infração e insubsistente o mesmo na outra parte, impondo-se o cancelamento do lançamento, cabendo ao Fisco, se entender devido, efetuar novo lançamento, sob os novos pressupostos desde que respeitado o prazo decadencial. É como voto. Renata uxiliadora, archeti 4
score : 1.0
