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Numero do processo: 15578.000766/2009-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. Compareceu à sessão de julgamento o advogado Mário Junqueira Franco Jr., OAB/SP nº 140284.
Assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. Compareceu à sessão de julgamento o advogado Mário Junqueira Franco Jr., OAB/SP nº 140284. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 78 .0 00 76 6/ 20 09 -7 3 Fl. 2037DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15578.000766/200973 Resolução nº 3201000.618 S3C2T1 Fl. 2.037 2 "Tratase de pedido de reconhecimento de direito creditório de Cofins decorrente do regime de nãocumulatividade, no período de 01/04/05 a 30/06/05, no valor de R$698.183,61 (fl. 2), para fins de compensação. A autoridade fiscal decidiu (fl. 156) homologar parcialmente as compensações efetuadas, porque entendeu que a contribuinte não possuía o direito creditório no montante declarado. Reconheceu, no entanto, o valor de R$609.321,52, argumentando por meio do Parecer SEORT/DRF/VIT/ES nº 2.979/09 (fls. 1136 e ss), em resumo, que: 1. a requerente tem por objeto social o comércio atacadista de café, comércio atacadista de algodão em pluma, fabricação de óleos vegetais e fiação de fibras de algodão, todas atividades com vendas no mercado interno e no mercado externo; 2. em razão da atividade desenvolvida e tendo em vista a apuração do IRPJ com base no lucro real no anocalendário 2005, neste ano ficou sujeita ao regime de incidência nãocumulativa da contribuição; 3. a contribuinte informou despesas (manutenção e reparos) não passíveis de aproveitamento de crédito, visto que não se enquadraram na definição de insumos esboçada pela legislação tributária, e em outras situações, não discriminou os serviços efetivamente incorridos; 4. as vendas de mercadorias realizadas pela empresa pública CONAB, não são tributadas, portanto, não fazem jus ao crédito; 5. há compras de mais de 200 diferentes fornecedores, porém, uma amostragem de mais de 80% das compras de café acabou por definir análise da situação dos 39 maiores fornecedores, 1 é empresa do poder público, restando 38 fornecedores; 6. aproximadamente, 82% destes fornecedores analisados, enquadramse como pessoas jurídicas que se declararam à Receita Federal do Brasil em situação de inatividade, ou simplesmente estão omissas perante o órgão, outras ainda, quando prestaram tais informações, o fizeram de maneira irregular, eis que a receita declarada é totalmente incompatível com o valor das vendas realizadas, isto considerando apenas as operações mercantis com a requerente; 7. registrase que as compras de café de cooperativas foram desconsideradas do cálculo por possuírem tratamento diferenciado no que tange a apuração das contribuições nãocumulativas; 8. se tomados os valores de aquisição que foram declarados, das empresas analisadas, o percentual de aquisições que, em tese, sofreu a incidência do PIS/Pasep na etapa anterior é de impressionantes 29%, sublinhando que o levantamento se contentou em esquadrinhar apenas os valores declarados, independentemente do efetivo recolhimento de tais exações; 9. no caso examinado há presunção de que a abertura destas "pessoas jurídicas" era meramente casuística, indicando objetivos escusos, bastando verificar que aproximadamente 50% (cinquenta inteiros percentuais) destas "sociedades" analisadas iniciaram suas "operações" após 09/2002, quando foi publicada a Medida Provisória n° 66/2002, que instituiu a nãocumulatividade para a contribuição para o PIS/Pasep, o que reforça ainda mais as suspeitas; 10. assim, o que se verifica deste quadro é que, a bem da verdade, estas "pseudopessoas jurídicas" são apenas figuras formais, longa manus de pessoas inescrupulosas, que as utilizam em suas práticas ilegais, onde funcionam como intermediárias, com o único propósito de "fabricar" créditos da nãocumulatividade para as contribuições em comento; 11. não se está afirmando que a requerente agiu em conluio ou mesmo que tivesse Fl. 2038DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15578.000766/200973 Resolução nº 3201000.618 S3C2T1 Fl. 2.038 3 conhecimento de tal situação, ao passo que não houve investigação neste sentido e não há prova que aponte tal realidade, pois não é este o escopo deste trabalho; 12. nesse contexto, a ausência de provas que unam a requerente aos seus fornecedores gera uma presunção de boa fé em seu favor, todavia, em que pese tal circunstância, pressuposta inocência não pode lhe garantir o cômputo normal de tais créditos, justamente porque também foi vítima do procedimento ilegal; 13. não se concebe que a adquirente, neste ato requerente do crédito, possa transferir o seu pretenso prejuízo ao Estado, sob pena de se admitir a distribuição por toda a sociedade de um ônus individual; 14. nesta peça opinativa não se questiona a existência das operações de venda, mas sim, a inclusão das compras em debate no cálculo dos créditos a descontar dos valores devidos a título de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, haja vista que sendo Fisco e contribuinte vítimas de um mesmo golpe, não é possível a socialização do prejuízo sofrido pelo adquirente, exigindose que o Estado arque com um prejuízo dobrado, qual seja, além de nada receber ainda ter de ressarcir aquilo que deveria ter sido recolhido e não foi, ainda que o adquirente tenha agido de boafé; 15. com estes fundamentos foi providenciado o reenquadramento dessas compras, consideradas irregulares pela presente fiscalização, para aquisições de pessoas físicas garantindose o direito ao crédito presumido, de acordo com a planilha de apuração das contribuições nãocumulativas; 16. o sujeito passivo apurou créditos referentes a embalagens adquiridas, de acordo com o DACON/Demonstrativo Analítico de apuração do PIS, referidas aquisições estão enquadradas nos CFOP de n°s 1920 e 2920, os quais se referem à entrada de sacaria e vasilhame; 17. foram desconsideradas as entradas de mercadorias sob os CFOP de n°s 1122, 2122, 1125 e 2125, visto que referidas aquisições foram contempladas no item Compras Terceiros PJ, conforme declaração do próprio contribuinte às fls. 109/110; 18. verificase, pelo somatório da documentação apresentada, que o contribuinte não logrou êxito em confirmar as despesas de aluguel informadas, razão pela qual essa diferença foi desconsiderada para fins de apuração dos créditos a descontar; 19. o contribuinte ofereceu à base de cálculo dos créditos despesas de condomínio, mas não há previsão no texto legal para a inclusão desta despesa no âmbito da despesa de aluguel, visto que possuem naturezas jurídicas distintas, desta forma, despesas de condomínio não foram consideradas como créditos passíveis de aproveitamento, tendo sido glosadas pela fiscalização; 20. procedeu se, então, à utilização dos créditos na dedução do débito da Cofins apurado no mês, além dos créditos vinculados ao mercado interno, consumiramse, também, créditos atrelados ao mercado externo, de sorte que restou saldo credor, a ser utilizado nas compensações de outros tributos ao final do 2º Trimestre de 2005 no montante de R$609.321,52. Em decorrência de sua decisão, a DRF lavrou auto de infração para exigência da Cofins dos meses de abril/maio de 2005, nos valores de R$892.698,41 e R$284.406,10, respectivamente; além de juros e multa, correspondente ao débito apurado à fl. 135. O citado auto e a correspondente impugnação encontramse no processo nº 15.578.001024/200965, a este apensado. Cientificada da Decisão (fl. 164), em 24/06/10, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 165 e seguintes), em 23/07/10, onde alegou, em resumo, que: 1. o Parecer DRF/VIT/SEORT n° 2.979/2009 ora Fl. 2039DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15578.000766/200973 Resolução nº 3201000.618 S3C2T1 Fl. 2.039 4 guerreado tem razões conexas aos Pareceres DRF/VIT/SEORT n.° 2.975/2009, mister se faz o apensamento destes autos àqueles, tudo com vistas a que sejam julgados simultaneamente, evitando se, destarte, decisões conflitantes acerca da mesma matéria; 2. teve limitado seu direito a uma parcela do crédito pleiteado sem que tenham sido dados os fundamentos para a glosa, portanto, pleiteia a nulidade do processo; 3. as despesas pagas às pessoas jurídicas responsáveis pela manutenção e reparos de seus ativos se enquadram verdadeiramente no conceito de insumos albergado pela legislação fiscal de regência; 4. o direito ao crédito da contribuição nascerá em relação a toda e qualquer aquisição de bens e serviços, desde que: (i) tratemse de elementos sem os quais a receita de vendas não se realizaria; e, (ii) não haja vedação legal à apropriação de créditos calculados sobre tais dispêndios; 5. a Requerente esclarece que as tais despesas são registradas na conta 752.600 e referemse à utilização de serviços no beneficiamento do algodão; 6. se o art. 3º, II da Lei n.° 10.833/03 não restringiu o direito ao crédito apenas para as hipóteses em que os serviços são aplicados ou consumidos na produção, o ato administrativo ora mencionado (IN nº 247/02 com redação dada pela IN º 358/03) não poderia criar este limite, sob pena de ofensa ao Princípio da legalidade, alçado a patamares constitucionais por força do art. 150, I da Constituição Federal; 7. nos tributos em que o ônus financeiro é transferido ao adquirente (tributos indiretos) há a obediência ao chamado Princípio Constitucional da NãoCumulatividade, pelo qual o contribuinte possui o direito de abater o tributo cobrado em etapas anteriores do que for devido em decorrência de suas próprias operações; 8. a ideia materializada nesse princípio é a de evitar o chamado efeito cascata, isto é, a incidência de tributo sobre tributo; 9. em relação aos fornecedores inidôneos, a Requerente acosta notas fiscais, comprovantes de pagamentos e de entrada de mercadorias, que comprovam as transações elencadas pelo Sr. AFRF; 10. cumpre destacar que a Lei nº 10.833/2003 não condicionou a apropriação de créditos ao pagamento do produto adquirido, mas sim a sua aquisição; 11. exigir que a Requerente tome os créditos apenas de pessoas jurídicas que estejam em dia com suas obrigações tributárias (principais e acessórias) é no mínimo paradoxal, na medida em que a Requerente não dispõe do mesmo aparato que o Fisco detém para constatar irregularidades tributárias; 12. ainda que existisse regra condicionando o crédito ao pagamento na etapa anterior, tratarseia de dispositivo absolutamente inócuo, na medida em que em virtude do sigilo fiscal (arts. 198 e 199 do CTN) não há como a Requerente constatar se seus fornecedores estão em dia com o Fisco; 13. assim, solicita o cancelamento da glosa referente às aquisições de pessoas jurídicas inidôneas; 14. o Parecer equivocouse ao glosar o crédito pleiteado pela Requerente (registrado na linha 02 da ficha 04 do DACON), na medida em que as embalagens registradas nessa linha do DACON (contabilizadas na conta 755.000) referemse àquelas consumidas na industrialização do óleo de algodão, não guardando qualquer/relação com aquelas adquiridas, sob o CFOP n°s 1.122, 2122, 1125 e 2125; 15. as demais despesas com embalagens citadas referemse às aquisições de sacaria utilizada na exportação, de café (linha 01 do DACON); 16. não há registro em duplicidade e, consequentemente, não há valores à serem glosados; 17. não há como prosperar a glosa efetuada em relação à aluguel, pois todos os Fl. 2040DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15578.000766/200973 Resolução nº 3201000.618 S3C2T1 Fl. 2.040 5 dispêndios encontramse devidamente suportados por recibos e comprovantes de pagamento que à Requerente anexará posteriormente; 18. os dispêndios de condomínio compõem o valor da própria despesa de aluguel e, dessa forma, também geram direito ao crédito. A Inconformada cita legislação e jurisprudência, requerendo, ao final, reconhecimento do direito de crédito e homologação das compensações efetuadas." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório. A decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 Créditos a Descontar. Incidência nãoCumulativa. Não dá direito a crédito gastos ou despesas com bens ou serviços utilizados nas atividades da Empresa, quando não corresponderem ao conceito de insumo ou a outra expressa hipótese legal. Aquisições. Nãosujeitas à Cofins. Crédito Vedado. A Partir de 01/05/04. A alteração promovida pela Lei nº 10.865, de 30 de abril 2004, na Lei nº 10.833/2003, no sentido de vedar o direito ao crédito da não cumulatividade da Cofins, nos casos de aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, passou a produzir efeitos a partir de 01/05/04. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderandose os negócios fraudulentos. Uso de Interposta Pessoa. Inexistência de Finalidade Comercial. Dano ao Erário. Caracterizado. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” Inconformada com a decisão da DRJ, foi interposto recurso voluntário repisando as alegações já apresentadas na manifestação de inconformidade. Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15578.000766/200973 Resolução nº 3201000.618 S3C2T1 Fl. 2.041 6 É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Estáse as voltas novamente com a discussão sobre o creditamento de insumos para apuração das contribuições sobre o PIS e a COFINS. Matéria que tem sido objeto de julgamento em diversas turmas desta terceira seção. É cediço que a situação atual do julgamento no CARF é de aplicar o conceito de insumos em relação ao processo produtivo do contribuinte, adotando uma posição intermediária entre aquela considerada pela Receita Federal, com base na IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04 e aquela defendida por muitos contribuintes em que todas as despesas e aquisições realizadas estariam incluídas no conceito de insumo. Em razão destes posicionamentos, nos deparamos com situações distintas no processo. A Fiscalização ao auditar a empresa, utilizando as regras constantes das instruções normativas da Receita Federal, não se atem ao exame detalhado da situação das aquisições e despesas incorridas no processo produtivo, utilizando critérios que ao sentir da Fiscalização são suficientes para afastar tais despesas do conceito de insumo, procedendo assim, as glosas aos créditos informados pelo contribuinte. De outro giro, o contribuinte ao se deparar com a posição adotada pelo Fisco e considerando o seu próprio entendimento sobre o conceito de insumo. Apresenta os seus recursos administrativos alegando que as aquisições de bens e serviços informados como insumo em sua totalidade são procedentes, aplicando um conceito amplo em que todas as despesas seriam aptas a serem consideradas para fruição dos créditos das contribuições. Conforme dito alhures, as turmas do CARF vem entendendo que para a definição das despesas com aquisição de bens e serviços que possam ser consideradas insumos para aproveitamento de créditos é necessária uma definição clara de quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase da processo produtivo eles estão vinculados. Assim, em muitas situações, tanto os relatórios e trabalhos de auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, quanto os documentos e argumentos apresentados pelos contribuintes em seus recursos, não são suficientes para a definição de quais despesas estariam incluídas no conceito de insumo a serem consideradas possíveis de gerar créditos no cálculo das contribuições do PIS e da COFINS não cumulativos. Nos termos aqui expostos, entendo que os documentos e informações constantes dos autos não são suficientes para definir com exatidão quais são os insumos glosados pela Fiscalização e quais deles o contribuinte tenta pleitear seus créditos. Assim, fazse necessário a baixa dos autos em diligência para que seja determinada com acuracidade, quais são as aquisições de bens e as despesas de serviços que foram utilizadas a título de crédito pela Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15578.000766/200973 Resolução nº 3201000.618 S3C2T1 Fl. 2.042 7 Recorrente, quais foram glosadas pela Fiscalização e qual a implicação destes bens e serviços no processo produtivo. Diante do exposto, buscando os esclarecimentos necessários ao prosseguimento do julgamento, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: a) Intime a Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência de cada um dos bens e serviços que pretende aferir créditos para apuração do PIS e a COFINS não cumulativos; b) A Receita Federal, deverá elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa, indicando os motivos para tal indeferimento. Com a possibilidade, se julgar necessário, de manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída tais verificações, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 2043DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13804.003167/2005-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Cássio Stokfisz, OAB/SP nº 257324.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Cássio Stokfisz, OAB/SP nº 257324. Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório A interessada apresentou pedido de compensação de débito próprio com crédito da Contribuição para o Programa de Financiamento da Seguridade Social Cofins apurado no regime não cumulativo, com origem em abril de 2005. Indeferido o pleito e impugnada a decisão, a DRJ/SP1 não conheceu da manifestação de inconformidade, por considerála intempestiva (despacho de fls. 188/189). Cientificada, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 199 e ss., por meio da qual, entre outros argumentos, defende a tempestividade da primeira peça de defesa, ao fundamento de que não houve expediente normal na repartição no último dia de sua apresentação. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 04 .0 03 16 7/ 20 05 -3 1 Fl. 328DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.003167/200531 Resolução nº 3201000.579 S3C2T1 Fl. 328 2 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Como relatado, a Recorrente assevera que a manifestação de inconformidade foi, sim, apresentada dentro do trintídio legal, uma vez que não teria havido expediente normal na repartição no último dia de sua apresentação, conforme atestaria o documento de fl. 261, segundo o qual o expediente na CAC LAPA, no dia 18/12/2009, uma sextafeira, teria sido encerrado às 12 h, fato que autorizaria, em conformidade com o disposto no parágrafo único do art. 5º do Decreto nº 70.235, de 1972, a sua entrega no primeiro dia útil seguinte, qual seja, 21/12/2009, data de sua apresentação. Com efeito, se, de fato, o expediente da repartição fazendária encerrouse mais cedo do que o normal, a manifestação de inconformidade deve ser considerada tempestiva. Daí que se faz necessário que os autos sejam enviados à repartição de origem para confirmar a informação encartada no documento de fl. 261. Ante o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade de origem ateste a veracidade da informação registrada no mencionado documento, bem como anexe cópia do AR correspondente à primeira intimação cuja data de realização consta do extrato dos Correios de fl. 32. Ao término do procedimento, deve a autoridade preparadora elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes para esclarecer os fatos. Encerrada a instrução processual, a interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Salientese, entretanto, que a sua manifestação devese restringir ao resultado da diligência, não sendo cabível revolver questões de defesa já suscitadas quando do oferecimento do recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 329DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 13855.001534/2006-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005
EMBARGOS INOMINADOS. EQUÍVOCO NO ACÓRDÃO EMBARGADO. CORREÇÃO.
Verificado equívoco no acórdão embargado, especificamente no que diz respeito aos valores a serem excluídos da tributação, deve tal lapso ser sanado, com a rerratificação do acórdão.
Embargos acolhidos com efeitos infringentes.
Acórdão rerratificado.
Numero da decisão: 2202-003.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202-002.649, de 13/05/2014, alterar a decisão original para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator
Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202-002.649, de 13/05/2014, alterar a decisão original para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
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EQUÍVOCO NO ACÓRDÃO EMBARGADO. CORREÇÃO. Verificado equívoco no acórdão embargado, especificamente no que diz respeito aos valores a serem excluídos da tributação, deve tal lapso ser sanado, com a rerratificação do acórdão. Embargos acolhidos com efeitos infringentes. Acórdão rerratificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202002.649, de 13/05/2014, alterar a decisão original para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 15 34 /2 00 6- 48 Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 Relatório Reproduzo o relatório do Acórdão de Recurso Voluntário, que descreve os fatos ocorridos até a decisão embargada desta Turma do CARF. Tratase de impugnação apresenta contra lançamento que, apurando omissão de rendimentos e glosando valores deduzidos diretamente do imposto devido, formalizou a exigência de crédito tributário no montante de R$ 563.165,41, compreendendo Imposto de Renda, multa e juros, tendo por fundamento legal o art. 42 da Lei n° 9.430/1996 e demais dispositivos citados no auto de infração de fls. 03 a 10. Entendeu a Fiscalização terem ocorrido as seguintes infrações: a) omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, recebidos de pessoas jurídicas, nos anos de 2003 e 2004; b) omissão de rendimentos caracteriza por depósitos bancários de origem não comprovada, nos anos de 2003 e 2004; e c) dedução indevida do imposto, de valores pretensamente doados ao Fundo da Criança e do Adolescente, no ano de 2003. O contribuinte admitiu apenas a correção do lançamento relativamente à glosa da doação feita à instituição Lar da Caridade, impugnando o restante do crédito tributário. Alegou, quanto à glosa da dedução de incentivo, que a entidade favorecida, a Instituição Espírita Nosso Lar, estava cadastrada no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente do Município de Uberaba/MG, e por essa razão a dedução era válida. No que tange aos depósitos bancários, afirmou não ter como demonstrar a origem dos valores depositados, uma vez que eles pertenceriam à empresa Antik Indústria e Comércio de Couros para Calçados e Representações Ltda, com quem mantinha contrato de representação comercial. De acordo com uma das cláusulas do referido contrato, à empresa era permitido utilizar a conta corrente do impugnante para movimentar receitas oriundas de suas operações. Assim, as quantias depositadas em sua conta bancária não lhe pertenceriam, mas sim a terceiro, contra quem, por força do próprio art. 42 da Lei n° 9.430, o lançamento deveria ter sido feito. Ressaltou ainda que a Fiscalização não demonstrou que o contrato era falso. Quanto ao recebimento de comissões, alegou o impugnante que mantinha contrato de representação tanto com a empresa Curtume Açay S/A, quanto com a empresa Antik, e que fizera intermediação de vendas da Curtume Açay para a empresa Antik, recebendo comissão apenas da primeira. E tais valores já teriam sido tributados na declaração de ajuste. Ademais, a Fiscalização não demonstrou que houve recebimento também da empresa Antik. Disse ainda que a diferença no valor de R$ 3.634,20, encontrada pela Fiscalização nos rendimentos informados como tendo sido recebidos da empresa Açay, corresponde ao Imposto de Renda retido na fonte. Com esses fundamentos, pugnou pela anulação do lançamento. A impugnação veio acompanhada dos documentos de fls. 358 a 794. Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13855.001534/200648 Acórdão n.º 2202003.071 S2C2T2 Fl. 1.033 3 A Delegacia de Receita Federal de Julgamento de Campo Grande, DRJ/CGE ao analisar a impugnação, negou provimento parcial por unanimidade, através do acórdão DRJ/CGE 0417.932 de 19 de junho de 2009, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMISSÕES RECEBIDAS. PROVA DA EXISTÊNCIA DO CONTRATO E DAS VENDAS. CARACTERIZAÇÃO. A existência de contratos de prestação de serviço de intermediação de compra e venda de mercadoria e a existência dos documentos fiscais referentes às vendas são suficientes para caracterizar a aquisição de disponibilidade que constitui fato gerador do Imposto de Renda. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os valores creditados em contas bancárias geram presunção "júris tantum" de omissão de rendimentos, quando o titular não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. A comprovação da origem dos recursos não pode se limitar à identificação da pessoa do depositante, mas exige esclarecer os negócios jurídicos de que se originam os recursos. DOAÇÃO. ENTIDADE FILANTRÓPICA. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis apenas as doações feitas aos fundos controlados pelos Conselhos municipais, estaduais e pelo Conselho nacional dos direitos da criança e do adolescente, não se aplicando igual tratamento às doações feitas diretamente às entidades filantrópicas. Devidamente cientificado dessa decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário, onde em síntese reitera os argumentos de impugnação, no que tange aos depósitos bancários e doações. É o relatório. Em sessão de julgamento ocorrida em 13/05/2014, foi dado provimento parcial ao recurso, cuja decisão foi consubstanciada no acórdão 2202002.649, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005 AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 PRESUNÇÃO DE RENDIMENTO OMITIDO A presunção do art. 42 da Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 Lei nº 9.430/96 é relativa, podendo ser afastada pela comprovação da origem do depósito bancário, quando, então, a autoridade autuante submeterá o rendimento outrora omitido às normas específicas de tributação, previstas na legislação vigente à época em que o rendimento foi auferido ou recebido. No caso em questão há comprovação da origem dos depósitos bancários. MULTA DE OFÍCIO CONFISCO Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos O dispositivo do acórdão foi assim redigido: Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE NULIDADE: Por unanimidade de votos, rejeita a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão apurada o valor de R$738.977,52 e R$ 173.813,44, relativos aos anos calendários 2003 e 2004, respectivamente. A Conselheira Dayse Fernandes Leite acompanhou pelas conclusões. Cientificada da decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) opôs embargos de declaração (fls. 1.011 a 1.014), alegando contradição entre os valores apontados pelo Relator para serem excluídos da tributação e aqueles constantes do auto de infração. Os embargos opostos pela PFN foram rejeitados pelo então Presidente da Turma, conforme despacho de fls. 1.017 e 1.018. A Chefe da SACAT da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Franca/SP solicitou retificação do acórdão (fl. 1.026), alegando que a DRJ já havia se manifestado no sentido de excluir valores que foram novamente excluídos pela decisão do CARF, além de não constar no acórdão a tabela mencionada em sua página 9 (fl. 1.007 do eprocesso). Tendo em vista que o Relator do Acórdão não mais compõe a Turma, fui designado pelo então Presidente da Turma para emitir parecer sobre a admissibilidade dos embargos (fl. 1.028). Em virtude da ausência de legitimidade da Embargante (Chefe da Sacat da DRF em Franca/SP), os embargos foram convertidos em embargos inominados apresentados por este Conselheiro, tendo sido admitidos em razão do reconhecimento da existência de controvérsia sobre os valores a serem excluídos da tributação, conforme despacho de admissibilidade (fls. 1.029 a 1.031). É o relatório. Voto Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Os embargos preenchem os pressupostos de admissibilidade e, portanto, devem ser conhecidos. Tratase de embargos inominados apresentados por este Conselheiro, relativos ao Acórdão nº 2202002.649, de 13/05/2014. Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13855.001534/200648 Acórdão n.º 2202003.071 S2C2T2 Fl. 1.034 5 A Delegacia de origem alegou que a DRJ já havia se manifestado no sentido de excluir valores que foram excluídos novamente pela decisão do CARF, além de não constar no acórdão a tabela mencionada em sua página 9 (fl. 1.007 do eprocesso). Entendo que os embargos devem ser acolhidos, pois ocorreu efetivamente uma inexatidão material, devida a lapso manifesto, quando da emissão do voto condutor do acórdão embargado. A esse respeito, os arts. 65 e 66 do RICARF assim dispõem: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; ou V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. [...] Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Cabe destacar que o voto condutor faz referência a uma tabela contendo a relação dos depósitos bancários que devem ser excluídos da tributação, porém no voto consta apenas os valores totais de R$ 738.977,52 relativo ao anocalendário de 2003 e R$ 173.813,44 relativo ao anocalendário de 2004, consoante abaixo. Com base no demonstrativo elaborado pela autoridade lançadora de fls. 22 a 26, podemos verificar vários depósito bancário considerados como de origem não comprovada, foram minuciosamente identificados pelo Recorrente no curso do procedimento fiscalizatório, antes da lavratura do auto de infração, e foram devidamente destacados pela autoridade fiscalizatória. Conforme tabela abaixo: Ora, como esses depósitos foram minuciosamente identificados no decorrer do procedimento fiscalizatório, a autoridade lançadora deveria ter observado o disposto nos §§ 2º. e 5º. do artigo 42 da Lei n. 9.430/96, ou seja fundamentar o auto de infração com base em omissão de rendimentos, e não com base fundamento legal que foi utilizado no presente caso. Desta forma entendo que tais valores devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento. Nesse sentido devemos excluir o valor de R$ 738.977,52 relativo ao anocalendário de 2003 e R$ 173.813,44 relativo ao anocalendário de 2004. (destaquei) Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 Tal omissão impede o conhecimento de quais depósitos foram considerados pela decisão combatida como de origem comprovada e que, por essa razão, deveriam ser excluídos da base de cálculo. Também foram constatados equívocos no voto condutor, uma vez que, ao se comparar as tabelas elaboradas pela autoridade fiscal (fls. 20 a 26), se observa que, de fato, existem valores relativos a depósitos identificados que não foram incluídos na base de cálculo, os quais logicamente não poderiam ser excluídos da tributação pela decisão contestada. De acordo com o voto condutor da decisão embargada, em relação aos depósitos devidamente identificados no decorrer da ação fiscal, a autoridade lançadora deveria ter fundamentado o auto de infração com base em omissão de rendimentos, em conformidade com o disposto nos §§ 2º e 5º do artigo 42, da lei nº 9.430/96, e não terse utilizado da presunção legal da omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada. Entendeu o Relator que o contribuinte sempre alegou que os valores objeto do lançamento tiveram como origem pagamentos efetuados pela empresa Antik Indústria e Comércio de Couro para Calçados e Representações Ltda. e que foram apresentados documentos que embasavam esses argumentos, no decorrer do procedimento fiscal, antes da lavratura do auto de infração. A seguir transcrevo excerto do voto condutor sobre a matéria em discussão: Podemos verificar que no decorrer a fiscalização o contribuinte sempre alegou que os valores objeto do lançamento tiveram como origem pagamentos efetuados pela empresa Antik Indústria e Comércio de Couro para calçados e Representações Ltda. Foi apresentado no decorrer do procedimento fiscal, antes da lavratura do auto de infração, para a autoridade lançadora os documentos que embasassem esses argumentos. Além disso foi apresentados os comprovantes bancários onde demonstram que parte dos valores depositados tiveram como origem a conta bancária daquelas sociedades conforme foi devidamente apurado pela autoridade lançadora no termo de verificação fiscal e devidamente evidenciando nas planilhas de fls. 22 a 26 dos autos. Com base no demonstrativo elaborado pela autoridade lançadora de fls. 22 a 26, podemos verificar vários depósito bancário considerados como de origem não comprovada, foram minuciosamente identificados pelo Recorrente no curso do procedimento fiscalizatório, antes da lavratura do auto de infração, e foram devidamente destacados pela autoridade fiscalizatória. Conforme tabela abaixo: Ora, como esses depósitos foram minuciosamente identificados no decorrer do procedimento fiscalizatório, a autoridade lançadora deveria ter observado o disposto nos §§ 2º. e 5º. do artigo 42 da Lei n. 9.430/96, ou seja fundamentar o auto de infração com base em omissão de rendimentos, e não com base fundamento legal que foi utilizado no presente caso.. Desta forma entendo que tais valores devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento. Nesse sentido devemos excluir o valor de R$ 738.977,52 relativo ao anocalendário de 2003 e R$ 173.813,44 relativo ao anocalendário de 2004. Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13855.001534/200648 Acórdão n.º 2202003.071 S2C2T2 Fl. 1.035 7 Nessa linha de entendimento, segundo o Relator, caberia à autoridade fiscal, após a identificação da origem dos depósitos bancários, intimar os depositantes para que estes indicassem a causa ou a razão da transação. A partir daí, se fosse o caso, submeteria os valores creditados às normas específicas previstas na legislação, conforme § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Apenas nos casos em que se constatasse a impossibilidade da Fiscalização obter as informações junto aos depositantes já identificados, admitirseia que fosse imputado ao fiscalizado o ônus de comprovar a causa da operação. Após a fase da autuação, sem que houvesse a comprovação da origem dos depósitos bancários, o contribuinte deveria sofrer o ônus da presunção legal, a qual somente poderia ser afastada se ele comprovasse, inequivocamente, que os depósitos bancários têm origem em fatos que se encontram fora do campo da incidência do imposto de renda ou que já foram submetidos à tributação. A razão desse raciocínio reside na possibilidade de a comprovação da origem somente na fase contenciosa tornar inócua a presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, posto que os contribuintes poderiam aguardar a autuação e, por ocasião do contencioso administrativo, afastar a presunção de omissão de rendimentos tão somente com a comprovação da origem dos depósitos, sem a necessidade de comprovar que os rendimentos estariam fora do campo da tributação. No presente caso, verificase que a Fiscalização buscou obter as informações relativas a todos os depósitos identificados, tanto junto ao contribuinte como junto aos depositantes, consoante se observa da leitura do Termo de Verificação (fls. 812 a 817), do qual transcrevo os seguintes trechos: 3) Avisos de Movimentação / Lançamento relativos A cobrança de títulos, fls. 178 a 192, referentes aos créditos com histórico "LIQUIDAÇÃO TITS. COBRANÇA". No âmbito da fiscalização 0812300 2005 003179, os créditos efetuados na conta corrente 010220392 do Banco Mercantil do Brasil pelas empresas Democrata Calçados e Artefatos de Couro Ltda e San Genaro Ind. e Com. de Calçados Ltda foram atribuidos à firma individual Kelson Kléber dos Santos Franca — ME por se tratarem de pagamentos pela venda de couro. Todavia, os créditos efetuados pela Antik em 22/01/2004 (R$ 45.000,00), em 28/01/2004 (R$ 45.000,00), em 04/02/2004 (R$ 45.000,00) e em 10/02/2004 (R$ 46.046,06), referentes à cobrança de um titulo de n.° 283, não foram justificados pelo contribuinte; 4) Identificação dos emissores dos DOC creditados na conta corrente do contribuinte, fls. 193 a 205. Conforme as planilhas "ORIGEM DOS CRÉDITOS DA CC 0221010220392 DO BANCO MERCANTIL DO BRASIL 2003" e "ORIGEM DOS CRÉDITOS DA CC 0221010220392 DO BANCO MERCANTIL DO BRASIL 2004" anexas a este termo, verificase que os DOC creditados, em sua maioria, se referem a rendimentos da atividade rural do contribuinte, devidamente informados nas Declarações IRPF 2004 e 2005, fls. 331 a 339. Os DOC creditados que não foram justificados pelo contribuinte são os seguintes: Roller Ind. e Com. Ltda no valor de R$ 12.000,00 e Antik no valor de R$ 10.000,00. A receita relativa ao DOC no valor de R$ 19.655,52, creditado em 12/08/2003, foi atribuida à firma Kelson Kléber dos Santos Franca ME no âmbito da fiscalização 08123 2005 003179; [...] 2.1.3.2) DEPÓSITOS EFETUADOS PELA EMPRESA BOLCIMODAS NÃO JUSTIFICADOS PELO CONTRIBUINTE Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 Em análise às guias de fls. 266 a 252, podese verificar a existência de R$ 411.284,14 em depósitos efetuados pela empresa Bolcimodas Comércio de Couros Ltda com sede em São Paulo SP. Os referidos créditos ocorridos na conta corrente 010220392, agência 0221, do Banco Mercantil do Brasil, estão relacionados na planilha "DEPóSITOS EFETUADOS PELA EMPRESA BOLCIMODAS", anexa a este termo. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal N.° 002, fls. 256 a 257, o contribuinte informou, literalmente, "Desconheço a Empresa Bolcimodas, pois os seus depósitos entraram em minha conta por meio interbancário por ordem da firma Antik Ind. Com . de Couros para Calçados Ltda.,após compensados destinava os valores conforme instruções da mesma previstas no contrato de prestação de Serviços e Representações Comerciais junto a esta, só tive conhecimento dos respectivos depósitos em nome de Bolcimodas após a microfilmagem dos documentos efetuados pelo Banco". Em circularização à Bolcimodas, conforme documentos de fls. 296 a 303, a referida empresa respondeu que não identificou em seus arquivos qualquer depósito em nome do contribuinte. Ademais, a Bolcimodas informou que não conhece Kelson Kléber dos Santos nem a empresa Antik. Concluise, portanto, que os valores de todos os depósitos que foram identificados e devidamente justificados não foram incluídos pela Fiscalização na base de cálculo tributável, não restando, assim, nenhum valor a ser excluído. O procedimento adotado pela Fiscalização está em conformidade com o entendimento da decisão embargada, no tocante à fundamentação com base no § 2º do artigo 42, da Lei nº 9.430/96. Ou seja, naqueles casos em que foi possível a identificação da origem e da natureza do rendimento, os valores foram submetidos às normas de tributação específicas. Porém, quando não foi possível essa identificação, o lançamento deuse com base na presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, de acordo com o exposto no Termo de Verificação. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Diante do exposto, acolho os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202002.649, de 13/05/2014, alterar a decisão original para REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13855.001534/200648 Acórdão n.º 2202003.071 S2C2T2 Fl. 1.036 9 Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10830.000714/2003-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
APURAÇÃO DE CRÉDITO PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. INOCORRÊNCIA.
O regime jurídico-administrativo se assenta nos princípios da indisponibilidade do interesse público e da supremacia deste sobre o privado, logo, havendo conflito entre estes princípios e os institutos de natureza formal, previstos na seara do processo administrativo fiscal, tal como o instituto da preclusão processual, a força normativa dos citados princípios devem prevalecer sobre tais institutos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Na impossibilidade de apuração do IPI devido com base na alíquota específica, a apuração de eventual saldo credor do IPI, passível de ressarcimento, deve ser feita com base na alíquota ad valorem fixada no código 2202.90.00 da TIPI.
Numero da decisão: 3302-003.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 APURAÇÃO DE CRÉDITO PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. INOCORRÊNCIA. O regime jurídico-administrativo se assenta nos princípios da indisponibilidade do interesse público e da supremacia deste sobre o privado, logo, havendo conflito entre estes princípios e os institutos de natureza formal, previstos na seara do processo administrativo fiscal, tal como o instituto da preclusão processual, a força normativa dos citados princípios devem prevalecer sobre tais institutos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Na impossibilidade de apuração do IPI devido com base na alíquota específica, a apuração de eventual saldo credor do IPI, passível de ressarcimento, deve ser feita com base na alíquota ad valorem fixada no código 2202.90.00 da TIPI.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 BEBIDAS DA MARCA XTAPA. ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. As bebidas da marca XTapa classificamse no código 2202.90.00 da TIPI, ainda que apresentem propriedades alimentares. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 SUPLEMENTOS VITAMÍNICOS. PRODUTO EXCLUÍDO DA RELAÇÃO DE ALIMENTO PARA PRATICANTES DE ATIVIDADE FÍSICA. APURAÇÃO DO IPI DEVIDO COM BASE NA ALÍQUOTA ESPECÍFICA. IMPOSSIBILIDADE. Os suplementos vitamínicos, por não enquadrarem como alimento para praticantes de atividade física, nos termos da Portaria 222/1998 da extinta Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, não estão sujeitos às alíquotas específicas fixadas no Ato Declaratório SRF 12/2000. RESSARCIMENTO. SUPLEMENTOS VITAMÍNICOS. PRODUTO SUJEITO A APURAÇÃO DO IPI COM BASE ALÍQUOTA AD VALOREM. APURAÇÃO DO SALDO CREDOR REMANESCENTE DO IMPOSTO. POSSIBILIDADE. Na impossibilidade de apuração do IPI devido com base na alíquota específica, a apuração de eventual saldo credor do IPI, passível de ressarcimento, deve ser feita com base na alíquota ad valorem fixada no código 2202.90.00 da TIPI. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 APURAÇÃO DE CRÉDITO PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. INOCORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 07 14 /2 00 3- 50 Fl. 594DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A 2 O regime jurídicoadministrativo se assenta nos princípios da indisponibilidade do interesse público e da supremacia deste sobre o privado, logo, havendo conflito entre estes princípios e os institutos de natureza formal, previstos na seara do processo administrativo fiscal, tal como o instituto da preclusão processual, a força normativa dos citados princípios devem prevalecer sobre tais institutos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento (fl. 3) de saldo crédito básico do IPI apurado no 4º trimestre de 2002, no valor de R$ 82.600,14, acompanhado do Pedido de Compensação de fl. 4, em que informada a compensação do referido crédito com os débitos da Contribuição para PIS/Pasep e Cofins, discriminados no extrato de fls. 71/76. Com respaldo na Informação Fiscal de fls. 107/111, a autoridade julgadora da unidade da Receita Federal de origem, por intermédio do Despacho Decisório de fl. 115, indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as compensações pleiteadas, com base no argumento de que a contribuinte dera saída a produtos de sua fabricação com classificação fiscal equivocada e sem o lançamento do imposto devido. Em consequência, fora reconstituída a escrita fiscal da interessada e, em vez de saldo credor, foi apurado saldo devedor do IPI no referido trimestre. Em sede de manifestação de inconformidade, a interessada apresentou as suas razões de defesa que foram assim resumidas no relatório encartado na decisão recorrida: 1. O mérito desse processo de ressarcimento/compensação é dependente e vinculado ao processo de auto de infração de IPI n° 10830.006632/200661, assim, o exame do mérito desses autos deve ser sobrestado até o julgamento final do auto de infração relativo à mesma matéria, ou ter julgamento simultâneo com este; 2. Contesta a reconstituição da escrita fiscal efetuada pela fiscalização, questionando os critérios adotados na lavratura do auto de infração. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10830.000714/200350 Acórdão n.º 3302003.048 S3C3T2 Fl. 101 3 3. Protesta contra a cobrança dos débitos compensados enquanto estiver pendente a discussão sobre a legitimidade dos procedimentos adotados pela contribuinte; requereu, ainda, seja sustada a precipitada cobrança, consignandose a suspensão da exigibilidade das parcelas indicadas nesta. Por fim, requer o reconhecimento da improcedência do Despacho Decisório. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 347/387), em que, por unanimidade de votos, foi deferido parcialmente a solicitação e reconhecido o direito ao crédito no valor de R$ 925,94, com base nos fundamentos resumidos no enunciado da ementa que segue transcrito: ASSUNTO: IMPOSTOS SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE CALENDÁRIO. Havendo redução do saldo credor de IPI do trimestre calendário, em virtude de lançamento de imposto, deferese o ressarcimento do novo saldo credor, após a reconstituição da escrita fiscal. Solicitação Indeferida Em 23/9/2008, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância (fls. 457/459). Inconformada, em 14/10/2008, apresentou o recurso voluntário de fls. 461/491, em que reafirmou os argumentos suscitados na manifestação de inconformidade e reiterou que fossem considerados os créditos das mercadorias devolvidas, assim como o pedido de diligência apresentado na manifestação de inconformidade, para fim de confirmar tais devoluções. Em 31/8/2011, por meio da petição de fls. 521/522, a recorrente apresentou pedido de desistência parcial do recurso voluntário, por meio do qual renunciou às alegações suscitadas em relação às compensações e manteve as razões recursais atinentes ao pedido de ressarcimento do valor do crédito pleiteado. Na Sessão de 29 de janeiro de 2014, por meio da Resolução nº 3102000.297 (fls. 543/548), os membros da extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção deste Conselho, por maioria de votos, conheceu do recurso voluntário, na parte em que se discutia o direito de crédito, vencido este Conselheiro Relator, que não tomava conhecimento do recurso na sua totalidade. Em seguida, por unanimidade de votos, o julgamento do recurso foi convertido em diligência, para que a unidade da Receita Federal de origem aguardasse a decisão definitiva a ser proferida no âmbito do processo nº 10830.006632/200661, que tratava do auto de infração formalizado para cobrança dos débitos relativos ao mesmo período de apuração do IPI. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A 4 Em 4/2/2015, cumprindo o determinado na referida diligência, por meio do Despacho de fl. 592, os autos foram devolvidos a este Conselho, para prosseguimento do julgamento, tendo em vista que as decisões exaradas nos acórdãos nºs 320100.888, de 02 de fevereiro de 2011, e 3102001.711, de 29 de janeiro de 2013, proferidos no âmbito do citado processo nº 10830.006632/200661 (fls. 550/565 e 578/590), tornaramse definitivas na esfera administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, todavia, em razão da formalização da desistência do pedido de compensação apresentado pela recorrente, tomase conhecimento apenas das razões de defesa restrita ao litígio concernente à parcela do direito creditório não reconhecido nas instâncias anteriores. Inicialmente, é oportuno esclarecer que, em 31/8/2011, a recorrente apresentou pedido de desistência parcial do presente recurso voluntário, com renúncia às razões de defesa s atinentes apenas às compensações pleiteadas e não homologadas, mas com a manutenção das razões de defesa aduzidas em relação à parcela do direito creditório pleiteado e não reconhecido pelas instâncias julgadoras a quo. Pelas razões aduzidas no voto vencido encartado na Resolução nº 3102 000.296, este Conselheiro manifestou o entendimento de que o pedido de desistência formulado pela recorrente não se limitava apenas às compensações não homologadas, mas também implicava desistência do pedido de ressarcimento do direito creditório não reconhecido pelas anteriores instâncias de julgamento. Portanto, tratavase de desistência integral do recurso voluntário e não parcial como pretendido pela recorrente. Acontece que esse entendimento foi rejeitado pela maioria dos membros do Colegiado, que decidiu que o referido pedido de desistência limitavase apenas à parcela dos débitos cuja compensação não fora homologada. Por decorrência, as razões de defesa atinentes à parcela do direito creditório não reconhecido deveria ser conhecida pelo Colegiado, pelas razões declinadas no voto vencedor que integra a referida Resolução. Assim, uma vez decidida a questão atinente ao alcance do pedido de desistência apresentado pela recorrente, este Relator curvase ao entendimento da maioria e passa analisar as razões de defesa suscitadas pela recorrente na peça recursal em apreço, referente à parcela do pedido de ressarcimento do saldo remanescente do crédito do IPI não reconhecido pela decisão recorrida. No recurso em apreço, a recorrente alegou que o desfecho do julgamento deste processo era dependente e vinculado ao que fosse decidido no julgamento de mérito do auto de infração encartado no processo n° 10830.006632/200661, já que a reconstituição da sua escrita fiscal, ultimada no âmbito da respectiva autuação, acarretara a inexistência parcial do saldo credor de IPI objeto do pedido de ressarcimento em apreço, uma vez que o valor do crédito fora utilizado para amortizar os débitos do IPI apurados por conta da citada reconstituição da escrita fiscal. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10830.000714/200350 Acórdão n.º 3302003.048 S3C3T2 Fl. 102 5 Com efeito, compulsando a Informação Fiscal de fls. 107/111, verificase que o motivo que levou ao não reconhecimento da parcela do crédito do IPI pleiteada nos presentes autos foi a reconstituição da escrita fiscal da recorrente, que resultou na apuração dos novos valores dos saldos devedores ou credores do IPI especificados na planilha de fls. 101/105. Segundo a fiscalização, a recorrente classificara o mencionado produto no código TIPI 2106.90.30 (Preparações Alimentícias Complementos Alimentar), sujeito a alíquota zero do IPI, mas o correto seria no código TIPI 2202.90.00. Em razão da reclassificação fiscal do produto para este código tarifário, a fiscalização entendeu por aplicar "tabela mais benéfica prevista para os alimentos para praticantes de atividades físicas", cujo valor do IPI devido fora calculado com base na alíquota específica fixada para 12 (doze) unidades do produto, conforme estabelecido no anexo do Ato Declaratório SRF 12/2000, combinado com o disposto no Ato Declaratório Executivo SRF 2/2001, que estendeu a abrangência do daquele Ato Declaratório para as bebidas classificadas no código 2202.90.00 da TIPI, que se enquadrassem como alimento para praticantes de atividade física, nos termos da Portaria 222/1998 da extinta Secretaria de Vigilância Sanitária, atual Agência Nacional de Vigilância Sanitária, do Ministério da Saúde. Cabe esclarecer que o referido Ato Declaratório Executivo teve validade até 30/11/2002, quando então o Decreto 4.488/2002, válido no mês de dezembro de 2002, e o Decreto 4.542/2002, vigente a partir de 1/1/2003, mantiveram a sistemática de cobrança do IPI com base nos valores fixos, sendo que o imposto passou a ser calculado por unidade e não por dúzia, como estabelecido no anexo do Ato Declaratório SRF 12/2000. Assim fica demonstrado que, no mérito, o ponto central da controvérsia objeto do processo n° 10830.006632/200661 girava em torno da definição da classificação fiscal da bebida da marca XTapa produzida pela recorrente e a forma de tributação do IPI do referido produto (alíquota específica ou ad valorem). No que tange à classificação fiscal, a recorrente alegou que o referido produto classificavase no código 2106.90.30 da TIPI, porque se tratava de um alimento, enquadrado como suplemento vitamínico, conforme definido na Portaria 32/1998 da extinta Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde. Por sua vez, a fiscalização enquadrou o citado produto no código 2202.90.00 da TIPI, com base no entendimento de que ele era uma bebida, destinada a ingestão humana, em estado liquido e não tinha finalidade medicamentosa ou terapêutica (não usado para cura de doenças). Esse ponto do litígio foi adequada e profundamente analisado pelo i. Conselheiro Ricardo Paulo Rosa no voto condutor do acórdão nº 320100.888 (fls. 550/565), proferido no âmbito do processo nº 10830.006632/200661, de onde extraise os seguintes excertos relevantes: Pareceme muito claro que há uma importante distinção entre os produtos compreendidos no capítulo 21 e os incluídos no capítulo 22, quando o assunto gira em torno da classificação de mercadorias da espécie das que são produzidas pela autuada, qual seja, o simples fato de serem ou não identificáveis como bebidas. Os itens 07 e 12 das Notas Explicativas, acima comentados, são determinantes a esse respeito. Estivesse o produto sub examine apresentado nas condições neles especificadas e certamente Fl. 598DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A 6 deveriam, por força de seus próprios dizeres, ser enquadrados na posição 2106; todavia, estando o produto, como está, pronto para ser consumido como uma bebida, impossível classificarse no capítulo 21. Por esta mesma razão, não há como enquadrar tais produtos na especificação contida no item 16 também acima transcrito, tal como pretende a recorrente, pois, se onde encontrase a mais textual menção aos produtos suscetíveis de serem enquadrados nos dois capítulos – itens 07 e 12 – não se admitem bebidas prontas para consumo, por certo não será como complementos alimentares que os mesmos venham a se enquadrar no capítulo 21, a menos que não fossem identificáveis como bebidas. Noutro giro, o que se extrai das Notas Explicativas à posição 2202 também orienta em sentido contrário ao pretendido pela recorrente, se não vejamos. Capítulo 22 Bebidas, líquidos alcoólicos e vinagres 22.02 Águas, incluídas as águas minerais e as águas gaseificadas, adicionadas de açúcar ou de outros edulcorantes ou aromatizadas e outras bebidas não alcoólicas, exceto sucos (sumos*) de frutas ou de produtos hortícolas, da posição 20.09. 2202.10 Águas, incluídas as águas minerais e as águas gaseificadas, adicionadas de açúcar ou de outros edulcorantes ou aromatizadas 2202.90 Outras A presente posição engloba as bebidas não alcoólicas tal como são definidas na Nota 3 do presente Capítulo, exceto as compreendidas em outras posições, em particular nas posições 20.09 ou 22.01. A) Águas, incluídas as águas minerais e as águas gaseificadas, adicionadas de açúcar ou de outros edulcorantes ou aromatizadas. Este grupo inclui, entre outras: 1) As águas minerais (naturais ou artificiais) adicionadas de açúcar ou de outros edulcorantes ou aromatizadas. 2) As bebidas tais como refrescos ou refrigerantes, cola, laranjadas ou limonadas, constituídas por água potável comum, com ou sem açúcar ou outros edulcorantes, aromatizadas com sucos ou essências de frutos ou com extratos compostos e adicionados, por vezes, de ácido tartárico e de ácido cítrico; estas bebidas são freqüentemente tornadas gasosas, por meio de dióxido de carbono. Apresentamse quase sempre em garrafas ou em outros recipientes fechados hermeticamente. B) Outras bebidas não alcoólicas, exceto sucos de frutas ou de produtos hortícolas da posição 20.09. Este grupo inclui, entre outros: Fl. 599DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10830.000714/200350 Acórdão n.º 3302003.048 S3C3T2 Fl. 103 7 1) Os néctares de tamarindo tornados próprios para consumo sob a forma de bebida, por adição de água, açúcar ou outros edulcorantes e filtração. 2) Certos produtos alimentícios líquidos, suscetíveis de consumo direto como bebidas, tais como certas bebidas à base de leite e de cacau. (grifos meus) Estão excluídos desta posição: a) Os iogurtes líquidos e outros leites e cremes fermentados ou acidificados, adicionados de cacau, frutas ou de aromatizantes (posição 04.03). b) Os xaropes de açúcares da posição 17.02 e os xaropes de açúcar aromatizados da posição 21.06. c) Os sucos de frutas ou de produtos hortícolas, mesmo que sejam diretamente utilizados como bebidas (posição 20.09). d) Os medicamentos das posições 30.03 ou 30.04. Como se vê, é o capítulo 22 que destinase às bebidas tais como refrescos ou refrigerantes, cola, laranjadas ou limonadas, constituídas por água potável comum, com ou sem açúcar ou outros edulcorantes, inclusive certos produtos alimentícios líquidos, suscetíveis de consumo direto como bebidas, como pode ser o caso do produto sub examine, uma vez identificado como complemento alimentar. Neste contexto, não há qualquer contradição no fato de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária ter avaliado criteriosamente o produto e classificado o mesmo como suplemento vitamínico, ou mesmo que a legislação infralegal citada no recurso voluntário e o registro junto ao Ministério da Saúde atestem a condição do produto como alimento. A uma, porque é de consabido que cada Órgão Público assim como cada Ministério tem competências próprias, sendo afeto ao Ministério da Fazenda a atividade de classificação fiscal de mercadorias, a duas, porque nada obsta que os produtos produzidos pela autuada sejam reconhecidos como suplemento vitamínico, devendo, ainda assim, ser enquadrados no capítulo 22, conforme acima demonstrado. (grifos do original) Este Relator está de pleno acordo com as conclusões exarados nos excertos do voto acima transcritos e com base nas mesmas razões, que as adota integralmente, também entende que a bebida da marca XTapa, ainda que caracterizada como um alimento do tipo suplemento vitamínico, classificase no código 2202.90.00 da TIPI, conforme determinado pela fiscalização. No que tange à forma de tributação do referido produto pelo IPI, por meio do acórdão nº 320100.888, o referido Colegiado julgador firmou entendimento de que, por ser um suplemento vitamínico, a bebida da marca XTapa não se enquadrava como alimento para praticantes de atividade física, conforme definido na Portaria 222/1998 da extinta Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, e, por conseguinte, não estava sujeita às Fl. 600DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A 8 alíquotas específicas fixadas nos "Atos Declaratórios nº 012 de 2000 e 02 de 2001, da Secretaria da Receita Federal", mas a alíquota ad valorem fixada para o código 2202.90.00 da TIPI. Apesar desse entendimento, o citado Colegiado negou provimento ao recurso voluntário, com base no argumento de que o equívoco na apuração da base cálculo do IPI, mediante utilização da alíquota específica, não era razão suficiente para declaração da improcedência da autuação, haja vista que a apuração do imposto com emprego da alíquota ad valorem era mais gravosa para o contribuinte. Esse argumento ficou claramente explicitado no julgamento dos embargos de declaração interpostos pela recorrente, que resultou no acórdão nº 3102001.711, em que foi dado integral provimento ao recurso voluntário, respaldo no argumento de que a fiscalização equivocarase ao lançar o valor do IPI devido, mediante a utilização da alíquota específica, quando isso não era possível, haja vista que, embora a fiscalização tivesse mencionado que utilização da respectiva alíquota ad valorem resultava em tributação mais gravosa para a recorrente, não era possível que a metodologia de cálculo fosse revista por decisão administrativa, ou que, se apurado por um critério considerado incorreto, o crédito fosse mantido sob o argumento de que, se houvesse sido corretamente apurado, teria sido mais gravoso ao contribuinte. Para que reste qualquer dúvida a respeito do entendimento do Colegiado julgador, trazse a lume trechos relevantes extraídos do voto condutor do acórdão nº 3102 001.711, que seguem transcritos: Feita essa importante ressalva, de se acrescentar que, embora ela, parece que haja, de fato, uma contradição no Acórdão embargado que exige retificação. Ao justificar a manutenção da exigência, ficou assentado que, embora o cálculo devesse ter sido feito pela aplicação da alíquota ad valorem e não da alíquota específica, tendo em conta que o crédito tributário, se regularmente constituído, teria sido em valor superior ao valor lançado, seria possível a manutenção do valor ainda que a metodologia de apuração estivesse equivocada. Assim constou no Voto. Desta maneira, embora a classificação fiscal correta seja a defendida pelo Fisco, o cálculo do tributo devido deve ser feito pela aplicação da alíquota ad valorem e não pela alíquota específica. Diante de tais circunstâncias, considerando as informações contidas no auto de infração dando conta de que da aplicação da alíquota ad valorem resulta crédito tributário em valor superior ao constituído no presente processo, resta o contribuinte beneficiado pela exigência de valor inferior ao que é efetivamente devido neste tipo de operação. Ocorre que, como não se desconhece, compete à autoridade autuante a apuração do crédito tributário devido, não sendo possível que a metodologia de cálculo seja revista em decisão administrativa ou que, se apurado por um critério considerado incorreto, o crédito seja mantido sob o argumento de que, Fl. 601DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10830.000714/200350 Acórdão n.º 3302003.048 S3C3T2 Fl. 104 9 houvesse sido corretamente apurado, teria sido mais gravoso ao contribuinte. O fato é que, ainda que a auditoria mencione a circunstância de que o valor do crédito haveria de ser superior acaso utilizada a alíquota ad valorem, persiste o equívoco cometido, ao lançar o valor devido com base em critério de apuração inaplicável ao caso concreto, utilizandose a alíquota específica quando isso não era possível. Por conta disso, uma vez que à simples referência no Auto de Infração à conseqüência advinda da apuração do crédito tributário pela aplicação da alíquota ad valorem tenha sido indevidamente atribuído o condão de tornar o Auto uma espécie de lançamento híbrido, constituído por dois critérios de apuração distintos, resta a decisão desprovida de fundamentação capaz de darlhe o suporte necessário e, ainda mais, contraditória, ao encaminhar a solução do litígio com base em uma interpretação que não condiz com seus próprios fundamentos, sempre amparados na correta aplicação da legislação tributária por parte da Fiscalização Federal, devendo ser, por conseguinte, reformada. Assim, fica demonstrado que, a classificação fiscal do produto da marca XTAPA foi expressamente determinada, ou seja, que o referido produto classificavase no código TIPI 2202.90.00 e não no código TIPI 2106.90.30, como equivocadamente classificara a recorrente, mas a apuração do IPI devido do referido produto é feita com base na alíquota ad valorem e não alíquota específica como procedera a fiscalização. Assim, embora o entendimento, esposado no referido julgado, quanto à classificação fiscal do referido produto, possa ser aqui integralmente adotada, ante a identidade da matéria discutida em ambos os processos, o mesmo não pode ser feito em relação ao fundamento da decisão quanto à forma de apuração do imposto, haja vista que, nos presentes autos, o litígio não diz respeito à cobrança do crédito tributário lançado, mas ao ressarcimento de saldo credor remanescente do IPI, apurado no final do 1º trimestre de 2001, com fundamento no art. 11 do Lei 9.779/1999, a seguir transcrito: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Não se pode olvidar que o regime jurídicoadministrativo se assenta em dois princípios basilares: a indisponibilidade do interesse público e supremacia deste sobre o privado. Logo, quando institutos de natureza formal, previstos na seara do processo administrativo fiscal, tal como o instituto da preclusão processual, entra em conflito com o disposto nos citados princípios, certamente, a força normativa destes devem prevalecer. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A 10 No caso em tela, uma vez decidido, de forma definitiva, que o produto da marca XTapa fora incorretamente classificado pela recorrente no código TIPI 2106.90.30, a apuração do valor do saldo credor do IPI, por ela realizado, com base nessa classificação fiscal, obviamente, não pode ser aceita. Também pelas mesmas razões aduzidas no acórdão nº 320100.888, proferido no âmbito do processo nº 10830.006632/200661, não pode ser aceita apuração do valor do IPI com base na alíquota específica do produto, fixada no anexo do Ato Declaratório SRF 12/2000, porque tal procedimento de apuração do IPI não se aplica ao citado produto, conforme decidido no âmbito do citado julgado. Assim, em consonância com as conclusões exaradas no referido acórdão e tendo em conta o disposto nos citados princípios, no caso em tela, a apuração do direito creditório deve ser feito com base na alíquota ad valorem fixada para o citado produto no código 2202.90.00 da TIPI, que deverá ser feito pela unidade da Receita Federal de origem, em razão da competência para analisar os processos envolvendo ressarcimento de tributo administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), estabelecida no art. 302, VI, do Regimento Interno da RFB (aprovado pela Portaria MF 203/2012), bem como no art. 69 na Instrução Normativa nº 1.300, de 2012. Em relação as demais alegações suscitadas no presente recurso, inclusive pedido de diligência, obviamente, estão todas superadas, ante a decisão definitiva proferidas nos acórdãos nºs 320100.888 e 3102001.711, em que foram rejeitadas tais questões pelo referido Colegiado julgador, o que torna despicienda a apreciação delas no âmbito deste julgamento. Por todo o exposto, votase pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, para determinar que autoridade da Receita Federal de origem proceda a apuração do valor do valor do crédito do IPI com base na alíquota ad valorem do imposto fixada para o código 2202.90.00 da TIPI, na data da ocorrência dos fatos geradores, devendo ser observado o seguinte: a) a parcela do crédito reconhecido não poderá ser revista para reduzir o valor do crédito já reconhecido pela decisão de primeira instância (fls. 347/387), que, neste ponto, deve ser considerada definitiva, em razão da não interposição de recurso de ofício, por não atender os requisitos de admissibilidade; e b) eventual irresignação da recorrente quanto ao valor do crédito passível de ressarcimento a ser reconhecido pela autoridade competente da unidade da Receita Federal de origem deverá ser feita na forma prevista na Solução de Consulta Interna Cosit 18/2012, combinado com o disposto nos itens 61 a 80 do Parecer Normativo Cosit 8/2014, no que aplicável ao caso em tela. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 603DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10830.000714/200350 Acórdão n.º 3302003.048 S3C3T2 Fl. 105 11 Fl. 604DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 11080.726027/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COOPERATIVAS DE TRABALHO - RETENÇÃO - DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838/SP - RICARF.
O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.838/SP, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral, com trânsito em julgado em 09.03.2015.
Diante da vinculação deste conselho à decisão veiculada por decisão plenária do STF no RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, §1º, I e 62, §2º, do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à autuação referente às contribuições das cooperativas de trabalho.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, acolher a preliminar de decadência até a competência 06/2007, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN, vencidos os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, EDUARDO DE OLIVEIRA E WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), que a consideraram prejudicada em virtude da inconstitucionalidade declarada no RE 595.838/SP. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO COOPERATIVAS DE TRABALHO RETENÇÃO DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838/SP RICARF. O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.838/SP, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral, com trânsito em julgado em 09.03.2015. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 60 27 /2 01 2- 41 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 Diante da vinculação deste conselho à decisão veiculada por decisão plenária do STF no RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, §1º, I e 62, §2º, do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à autuação referente às contribuições das cooperativas de trabalho. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, acolher a preliminar de decadência até a competência 06/2007, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN, vencidos os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, EDUARDO DE OLIVEIRA E WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), que a consideraram prejudicada em virtude da inconstitucionalidade declarada no RE 595.838/SP. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Fl. 305DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.726027/201241 Acórdão n.º 2202003.090 S2C2T2 Fl. 305 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – ITS TECNOLOGIA E INFORMAÇÃO LTDA contra Acórdão nº 1041.540 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigações, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.312.1121 e Auto de Infração de Obrigação Acessória (CFL 68) AIOA nº. 37.312.113. Conforme o Relatório da decisão de primeira instância: i) Auto de Infração AIOP nº 37.312.1121 no valor de R$ 1.510.993,84 (um milhão, quinhentos e dez mil, novecentos e noventa e três reais e oitenta e quatro centavos), consolidado em 25 de junho de 2012, relativo ao lançamento de contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre pagamentos relativos a serviços que lhe foram prestados, nas competências janeiro de 2007 a dezembro de 2008, por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho, no caso, a Cooperativa de Trabalho em Gestão Integrada de Negócios e Serviços, CNPJ n.º 04.913.285/000102; e ii) Auto de Infração AIOA(CFL 68) nº 37.312.1113 no valor de R$ 22.866,54 (vinte e dois mil, oitocentos e sessenta e seis reais e cinqüenta e quatro centavos), consolidado em 25 de junho de 2012, relativo ao lançamento de multa por haver apresentado as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIPs sem os valores correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (Código de Fundamento Legal CFL 68), mais especificamente, sem informar, relativamente às competências janeiro de 2007 a novembro de 2008, as bases de cálculo das contribuições incidentes sobre os valores pagos a cooperativa de trabalho. O Relatório da decisão de primeira instância também informa que: No Relatório Fiscal (fls. 05/12), a autoridade lançadora informa que a empresa presta serviços aos seus clientes, utilizando mão deobra terceirizada, de contribuintes individuais, contratados por meio de cooperativa de trabalho, nada declarando nas GFIPs correspondentes. No que pertine às despesas de mãodeobra com cooperativa de trabalho, esclarece, a um, que, confrontados os dados da contabilidade da empresa com as informações constantes de suas Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte Fl. 306DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 DIRFs, restou constatado que nem todos os valores das notas fiscais referentes aos serviços prestados pela Cooperativa de Trabalho em Gestão Integrada de Negócios e Serviços “estão lançados na contabilidade, corretamente nas contas de despesas, conforme determina a Lei n.º 8.212/91 e também não batem totalmente com as informações declaradas nas DIRF (...), código [de receita] 1708”, correspondente à remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica; a dois, que, nos meses em que houve divergências, verificouse que parte das notas fiscais dos serviços da cooperativa foram lançadas “na conta de despesa SERVIÇOS TERC. P. JURIDICA CSP, código 330102010033129, e parte na conta do Ativo Circulante, ADIANTAMENTO DE VIAGENS, código 110211010011636”; a três, que, nas notas fiscais emitidas pela cooperativa, não consta qualquer discriminação, mas tão somente serviços prestados; a quatro, que, quanto ao fornecimento, pela contratada, de alimentação “in natura” ou valetransporte aos cooperados, estes benefícios constam discriminados em documentos (nota fiscal, fatura ou recibo) emitidos especificamente para este fim; a cinco, que não se verificou, no contrato de prestação de serviços com a cooperativa, a existência de previsão contratual para o fornecimento de materiais ou de equipamentos próprios ou de terceiros. Além disso, uma vez que, confrontada a contabilidade da empresa com a DIRF, verificouse que os valores declarados pela empresa, “nas DIRF com o código 1708, não estão em igualdade, todos os meses, com o montante das despesas lançadas, referentes aos serviços de cooperativa”. Em assim sendo, foram solicitados os documentos que deram origem aos lançamentos contábeis, escolhidos aleatoriamente, com valores lançados a crédito da conta ADIANTAMENTO DE VIAGENS código 110211010011636 e a débito de bancos, conta BANCO ITAÚ S/A código 110102010011112 – constatandose, ao final, que tais diferenças se referem a despesas de hotéis, táxi, refeições, passagens, etc., de trabalhadores da empresa que prestaram serviços para o cliente Marcopolo S.A., “na modalidade de terceirização de mão de obra”. A autoridade lançadora verificou, ainda, com base na “Nota de Débito n.º 1010/07” (fl. 85), relativa à Marcopolo S.A., “onde constam discriminados todos os profissionais que prestaram serviços, bem como as respectivas despesas de refeições, hospedagens, combustíveis, quilometragens e passagens aéreas, referentes ao mês de 03/2007”, que na GFIP da cooperativa “nenhum dos profissionais relacionados foi declarado como cooperado”, tampouco, na GFIP da empresa, nesta mesma competência, constou informação de qualquer dos trabalhadores relacionados na referida nota de débito – a empresa teve apenas dois segurados empregados informados na GFIP da competência março de 2007, perfazendo uma “média de dois segurados em 2007, sete em 2008 e quatorze em 2009.” Em assim sendo, considerando as discrepâncias verificadas no montante dos valores das notas fiscais referentes à cooperativa de trabalho, nos valores lançados na contabilidade e nos valores declarados nas DIRFs, a Fiscalização apurou a base de Fl. 307DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.726027/201241 Acórdão n.º 2202003.090 S2C2T2 Fl. 306 5 cálculo das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas à Cooperativa de Trabalho em Gestão Integrada de Negócios e Serviços, no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2009, por aferição indireta (arbitramento), com base nas DIRFs declaradas pela empresa com o código de receita 1708. Especificamente quanto à obrigação tributária acessória de apresentar as GFIPs com os valores correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, a autoridade lançadora informa que, analisadas as GFIPs apresentadas pela empresa, conforme constam dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, restou constatado que em nenhuma das competências correspondentes ao período fiscalizado foram informados valores pagos à cooperativa de trabalho. Em relação aos acréscimos legais, o Relatório Fiscal informa ter sido realizado o quadro comparativo de multas, nestes termos: 9. A edição da Medida Provisória 449, de 03/12/2008, publicada no Diário Oficial da União de 04/12/2008, convertida na Lei no. 11.941 de 27/05/2009, publicada no DOU de 28/05/2009, provocou efeitos tributários a todos os fatos geradores ocorridos imediatamente após a sua vigência. 10. Entretanto, o Código Tributário Nacional CTN prevê, em seu artigo 106, inciso I, 'c", que a lei se aplica a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 11. Assim, muito embora o período de apuração ora auditado seja parte anterior à data da edição da Lei 11941/09, segundo comando legal do CTN, que determina a retroatividade, fazse necessário verificar qual dos procedimentos de cálculo de multa é o menos oneroso a Empresa. Por essa razão, elaboramos o cálculo da multa pela legislação vigente à época dos fatos c pela atual. 12. Nas competências em que ocorreu ausência de recolhimento, ou recolhimento parcial e, apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias as penalidades aplicadas são: 12.1. Cálculo da multa anterior com legislação à época dos fatos: 12.1.1. Multa de mora de 24%, incidente sobre o valor originário previsto no inciso II do | r t . 35 da Lei 8212/91, mais, 12.1.2. Multa acessória CFL 68. 12.2. Cálculo da multa atual, a partir da Lei 11.941, de 27/05/2009: 12.2.1. Multa de ofício de 75% incidente sobre o valor originário, estabelecido pelo art. 44, inciso I, d a l 9430/96. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 12.3. Assim, comparadas as multas, verificase que em todas as competências a legislação menos severa à Empresa é a da ocorrência do fato gerador, com a multa anterior, conforme demonstrado na planilha "SAFIS comparação de Multas COMPMULTA" (anexadok). O período da autuação, conforme o Relatório Discriminativo de Débitos DD, às fls. 91, é de 01/2007 a 12/2008. A Recorrente teve ciência das autuações em 06.07.2012, conforme Aviso de Recebimento AR, às fls. 99. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: A empresa impugnou tempestivamente as exigências, através do arrazoado de fls. 105/122. A ciência dos autos de infração ocorreu em 05 de julho de 2012, por via postal, enquanto que a impugnação foi protocolizada em 02 de agosto de 2012. Preliminarmente, afirma que o crédito tributário (obrigações principal e acessória) das competências de janeiro de 2007 a junho de 2007 foi extinto pela decadência, por força do disposto no artigo 150, parágrafo 4.º, combinado com o artigo 156, inciso V, do CTN, conforme assentado na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ, em julgado pelo regime do artigo 543 C do Código de Processo Civil CPC. No mérito, destaca, inicialmente, que “a contribuição exigida sobre cooperativas de trabalho (art. 22, IV, da Lei n.º 8.212/91), objeto do DEBCAD n.º 37.312.112 1, não encontra sustentação de validade na Constituição Federal (violação ao art. 195, § 4.º), o que fulmina igualmente as respectivas sanções constantes no DEBCAD n.º 37.312.1113” –inexistindo óbice que impeça a apreciação de temas constitucionais no âmbito da presente instância, de forma a garantir a hierarquia das diversas espécies de normas, sob pena de se estar “diante do absurdo em aceitar que a Administração Pública, plenamente vinculada à Constituição Federal, ignore tais disposições, em prol de regulamentos, portarias e outros atos de menor hierarquia.” Observa, ainda quanto a este aspecto, que a inconstitucionalidade do artigo 22, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91, atualmente é foco de cognição pelo Supremo Tribunal Federal STF, por meio da ADI n.º 25945, na qual o ProcuradorGeral da República, na condição de responsável pela defesa da ordem jurídica, proferiu parecer pela inconstitucionalidade da contribuição social objeto do lançamento ora impugnado. Aponta, em seqüência, a indevida incidência da contribuição previdenciária do artigo 22, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91, sobre valores pagos como reembolsos de despesas (adiantamentos de viagens), na medida em que, “como não se tratam de remuneração pelos serviços prestados pelos cooperados, mas de despesas não diretamente relacionadas com a execução desses serviços (refeições, viagens, etc.) que são indenizadas por força Fl. 309DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.726027/201241 Acórdão n.º 2202003.090 S2C2T2 Fl. 307 7 de contrato, esses montantes devem ser excluídos da base de cálculo da contribuição previdenciária do art. 22, IV, da Lei n.º 8.212/91, por ausência de conformação do fato gerador do tributo.” Ao final, a empresa postula, preliminarmente, seja provida a impugnação ora interposta para o efeito de reconhecer a extinção pela decadência da obrigação principal, bem assim aquela decorrente do descumprimento de obrigação acessória, referentemente às competências janeiro de 2007 a junho de 2007. No mérito, requer seja provida totalmente a impugnação, diante da inconstitucionalidade da contribuição previdenciária incidente sobre os pagamentos para cooperativas de trabalho, “cuja obrigação principal e acessória são cobradas pelos Autos de Infração, aplicandose o entendimento do Parecer da Procuradoria da República proferido nos Autos da ADIN n.º 25945.” Sucessivamente, requer seja provida a impugnação para o efeito de determinar sejam excluídos do lançamento os valores pagos para cooperativa de trabalho, a título de reembolso de despesas de viagens, combustível, alimentação, etc. Anexa os documentos de fls. 123/171, correspondentes à representação da empresa, no presente processo, além de cópias de peças dos autos de infração impugnados, inclusive no que pertine à data da respectiva notificação. Junta também (fls. 172/226) cópias das guias de recolhimento do FGTS e das GFIPs das competências janeiro de 2007 a junho de 2007. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1041.540 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS, conforme Ementa a seguir: Acórdão 1041.540 7ª Turma da DRJ/POÁ Sessão de 28 de novembro de 2012 Processo 11080.726027/201241 Interessado ITS TECNOLOGIA E INFORMAÇÃO LTDA. CNPJ/CPF 94.914.694/000116 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONSTITUCIONALIDADE. A constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 COOPERATIVAS DE TRABALHO. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 A empresa, na condição de tomadora dos serviços de trabalhadores cooperados, contratados por intermédio de cooperativa de trabalho, está obrigada ao recolhimento da contribuição previdenciária patronal incidente sobre o valor bruto da respectiva nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, emitida pela cooperativa de trabalho. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008 GFIP. INFORMAÇÃO. A empresa está obrigada a informar, em suas GFIPs, os valores pagos a cooperativa de trabalho, na condição de tomadora dos serviços de trabalhadores cooperados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. As contribuições previdenciárias estão sujeitas, em matéria decadencial, aos prazos estabelecidos Código Tributário Nacional, contados da ocorrência do fato gerador ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme tenha havido, ou não, antecipação de pagamento parcial, respectivamente. Já em relação às multas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, o prazo decadencial é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, haja vista a impossibilidade de antecipação do pagamento da exigência quando da ocorrência da infração. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 7.ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a impugnação, mantendo os créditos tributários exigidos. Intimese para pagamento dos créditos mantidos no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo artigo 33 do Decreto n.º 70.235, de 06 de março de 1972, alterado pelo artigo 1.º da Lei n.º 8.748, de 09 de dezembro de 1993, e pelo artigo 32 da Lei n.º 10.522, de 19 de julho de 2002. Porto Alegre, em 28 de novembro de 2012. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recursos Voluntários, combatendo a decisão de primeira instância e reiterando os argumento deduzidos em sede de Impugnação, em apertada síntese: Fl. 311DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.726027/201241 Acórdão n.º 2202003.090 S2C2T2 Fl. 308 9 (i) Da decadência do crédito tributário (Obrigações principal e acessória) constituído em relação às competências de 01/2007 a 06/2007. 1. Com a devida vénia, a Delegacia de Julgamento buscou inovar em sua decisão, por desconsiderar a declaração realizada pela Recorrente em GFIP, bem como o recolhimento realizado mediante GPS, o que, por si só, caracteriza e perfectibiliza o chamado lançamento por homologação e atrai, tratandose de decadência, o prazo do art. 150, § 4o , para a exigência de eventuais diferenças não declaradas. (...) 3. Portanto, não resta qualquer dúvida que o prazo decadencial a ser levado em conta no caso presente é o do 150, §4°, do CTN, impondose o reconhecimento da decadência do período compreendido entre 01/07 e 06/07, já que a Recorrente declarou e recolheu contribuições previdenciárias no período, tendo início, do fato gerador das contribuições, o prazo para constituição de eventuais diferenças, prazo esse já extinto ao tempo da intimação da contribuinte dos Autos de Infração objeto deste processo. (ii) Do mérito possibilidade de exame de matéria constitucional pelos Órgãos Administrativos de Julgamento. 3. Muito embora se saiba, até mesmo pelas regras que norteiam o processo administrativo', da vedação imposta aos órgãos administrativos de julgamento acerca da argüição da inconstitucionalidade da regra utilizada como supedâneo legal da exigência fiscal, entende a Recorrente que, dentre as características da atividade que o Estado exerce no desempenho da "função administrativa judicante ", inexiste óbice a impedir a apreciação de temas constitucionais no âmbito da presente instância. 4. Inicialmente, é de frisarse que a atividade de remover do sistema jurídico, em caráter definitivo, a eficácia de regras contrárias aos preceitos da Constituição Federal é vinculada ao Poder Judiciário. 5. Contudo, nenhum óbice existe que, em âmbito administrativo, a aplicação de determinada regra seja afastada na apreciação do caso concreto, sob a fundamentação de sua incompatibilidade com os preceitos constitucionais. (iii) Da inconstitucionalidade material do art. 22, IV, Lei 8212/1991. Da incidência da contribuição previdenciária sobre os serviços prestados por cooperativas de trabalho. Expressa violação ao art. 195, I, a, da Constituição Federal. (iv) Da inconstitucionalidade formal do art. 22, IV, Lei 8212/1991. Alteração de matéria reservada à Lei Complementar por Lei Ordinária. Violação ao art. 146, III, a e ao art. 195, § 4º da Constituição Federal. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 (v) Da indevida incidência da contribuição previdenciária do art. 22, IV, Lei 8212/1991 sobre valores pagos como reembolsos de despesas ("adiantamentos de viagens"). (vi) Da necessidade de sobrestamento da matéria que trata da inconstitucionalidade da contribuição do art. 22, IV, Lei 8212/1991 aplicação do artigo §1°, do artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais 1. No caso tratado nos autos, inconstitucionalidade da contribuição previdenciária de 15% incidentes na fatura ou nota fiscal de serviços prestados por cooperativas, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou pelo reconhecimento da repercussão geral do caso, nos termos do artigo 543B, do CPC: EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXIGIBILIDADE. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVAS. ARTIGO 22, INCISO IV, DA LEI N° 8.212/91. REDAÇÃO CONFERIDA PELA LEI N° 9.876/99. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 595838 RG, Relator(a): Min. MENEZES DIREITO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 14/05/2009, DJe027 D1VULG 11022010 PUBLIC 1202 2010 EMENT VOL0238904 PP00844 ) 2. E reconhecida a repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, a aplicação do §1°, do artigo 543B é medida que se impõe, devendo Ficarem sobrestados todos os demais recursos que tratam da mesma matérias. 3. Portanto, o caso dos autos comporta a aplicação do artigo §1°, do artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, devendo a matéria relativa a inconstitucionalidade da exação discutida ficar sobrestada até o pronunciamento final do STF. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. Em Sessão de Julgamento, a Colenda 3a Turma Ordinária da 4a Câmara de Julgamento baixou o processo em Diligência Fiscal, Resolução n° 2403000228, nestes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente informe se: (a) nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, como por exemplo o PLENUS/CCOR, há o registro de recolhimentos feitos pela Recorrente entre as competências 01/2007 a 12/2008; Fl. 313DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.726027/201241 Acórdão n.º 2202003.090 S2C2T2 Fl. 309 11 (b) nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, como por exemplo o PLENUS/CCOR, há recolhimentos feitos pela Recorrente entre as competências 01/2009 a 12/2013; Em resposta à Resolução n° 2403000228 Diligência Fiscal, a Unidade da Receita Federal do Brasil assim se manifesta na Informação Fiscal: A Resolução 2403000228 da 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF determinou a Diligência no processo em pauta, para informar se nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil há registro de recolhimentos feitos pela recorrente entre as competências 01/2007 e 12/2013. Em cumprimento ao determinado pelo CARF, anexamos o extrato da contacorrente no período requisitado, extraído do sistema “PLENUS/CCOR”, citado como exemplo na Resolução. Convém salientar em relação às guias arroladas no extrato, que estas foram recolhidas habitualmente, no entanto, o seu fato gerador é estranho à contribuição lançada neste Auto de Infração contestado. Observase, às fls. 290 a 297, que a Informação Fiscal colaciona cópia de telas do sistema MF/RFB/DATAPREV/CCOR na qual se verificam recolhimentos do contribuinte de 12/2006 a 12/2013. O contribuinte devidamente intimado acerca da Diligência Fiscal, não apresentou Manifestação. Posteriormente, os autos foram novamente encaminhados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Da decadência (i) Da decadência do crédito tributário (Obrigações principal e acessória) constituído em relação às competências de 01/2007 a 06/2007. De plano, observase que a decisão de primeira instância aplicou o critério do art. 173, I, CTN para análise da hipótese de decadência tanto para o AIOP quanto para o AIOA. De modo a que considerou não ter havido decadência nas autuações principal e acessória. Analisemos. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.726027/201241 Acórdão n.º 2202003.090 S2C2T2 Fl. 310 13 É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (...) (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 343/2015, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo primeiro, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de Fl. 316DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62, parágrafo primeiro, inciso I, Regimento Interno do CARF – RICARF. Neste mesmo sentido, temse a Súmula 99 do CARF: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Na hipótese dos autos, em resposta à Resolução n° 2403000228 Diligência Fiscal, a Unidade da Receita Federal do Brasil na Informação Fiscal colaciona, às fls. 290 a 297, cópia de telas do sistema MF/RFB/DATAPREV/CCOR na qual se verificam recolhimentos do contribuinte em todas as competências de 12/2006 a 12/2013: Portanto, estes recolhimentos feitos pelo contribuinte, via Guias da Previdência Social GPS, em todas as competências 12/2006 a 12/2013, no meu posicionamento, é o suficiente para considerar os recolhimentos antecipados feitos pelo contribuinte ensejando a aplicação do art. 150, § 4º, CTN, com fulcro na Súmula 99 do CARF e no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Inclusive, em que pese o fato de que os recolhimentos não serem referentes à mesma rubrica, conforme a Informação Fiscal relata às fls. 289, no entanto, mantenho este posicionamento de aplicação do critério decadencial do art. 150, § 4º, CTN com fundamento na Súmula 99, CARF. Outrossim, com fundamento no art. 32, § 11., Lei 8.212/1991, adoto o mesmo critério decadencial para o Auto de Infração de Obrigação Acessória (CFL 68) AIOA nº. 37.312.113, cujo dispositivo legal infringido é o da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Então, o período da autuação, conforme o Relatório Discriminativo de Débitos DD, às fls. 91, é de 01/2007 a 12/2008. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.726027/201241 Acórdão n.º 2202003.090 S2C2T2 Fl. 311 15 A Recorrente teve ciência das autuações em 06.07.2012, conforme Aviso de Recebimento AR, às fls. 99. Portanto, tanto em relação ao Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.312.1121, quanto em relação ao Auto de Infração de Obrigação Acessória (CFL 68) AIOA nº. 37.312.113, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 06/2007, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. (ii) Do mérito possibilidade de exame de matéria constitucional pelos Órgãos Administrativos de Julgamento. (iii) Da inconstitucionalidade material do art. 22, IV, Lei 8212/1991. Da incidência da contribuição previdenciária sobre os serviços prestados por cooperativas de trabalho. Expressa violação ao art. 195, I, a, da Constituição Federal. (iv) Da inconstitucionalidade formal do art. 22, IV, Lei 8212/1991. Alteração de matéria reservada à Lei Complementar por Lei Ordinária. Violação ao art. 146, III, a e ao art. 195, § 4º da Constituição Federal. (v) Da indevida incidência da contribuição previdenciária do art. 22, IV, Lei 8212/1991 sobre valores pagos como reembolsos de despesas ("adiantamentos de viagens"). (vi) Da necessidade de sobrestamento da matéria que trata da inconstitucionalidade da contribuição do art. 22, IV, Lei 8212/1991 aplicação do artigo §1°, do artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Analisemos conjuntamente os itens (ii) a (vi). Segundo o Relatório Fiscal, o lançamento referese às contribuições destinadas à Seguridade Social, parte devida pela Empresa, no percentual de 15%, incidente sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme previsto na Lei 8.212/91, artigo 22, inciso IV, referente ao período 01/2007 a 12/2008: i) Auto de Infração AIOP nº 37.312.1121 no valor de R$ 1.510.993,84 (um milhão, quinhentos e dez mil, novecentos e noventa e três reais e oitenta e quatro centavos), consolidado em 25 de junho de 2012, relativo ao lançamento de contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre pagamentos relativos a serviços que lhe foram prestados, nas competências janeiro de 2007 a dezembro de 2008, por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho, no caso, a Cooperativa de Trabalho em Fl. 318DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 16 Gestão Integrada de Negócios e Serviços, CNPJ n.º 04.913.285/000102; e ii) Auto de Infração AIOA(CFL 68) nº 37.312.1113 no valor de R$ 22.866,54 (vinte e dois mil, oitocentos e sessenta e seis reais e cinqüenta e quatro centavos), consolidado em 25 de junho de 2012, relativo ao lançamento de multa por haver apresentado as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIPs sem os valores correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (Código de Fundamento Legal CFL 68), mais especificamente, sem informar, relativamente às competências janeiro de 2007 a novembro de 2008, as bases de cálculo das contribuições incidentes sobre os valores pagos a cooperativa de trabalho. Quanto às cooperativas de trabalho, as contribuições devidas a cargo da empresa, tem sua disposição no art. 22, IV, Lei nº 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.(Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Outrossim, o Supremo Tribunal Federal – STF, em sessão plenária realizada em 23/04/2014, em sede de Recurso Extraordinário RE 595.838/SP com Repercussão Geral, art. 543B, CPC, impetrado por Etel Estudos Técnicos Ltda., em face da União, cuja inconstitucionalidade fora declarada pela unanimidade de votos, conforme se percebe de seu trecho abaixo, verbis: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, deu provimento ao recurso extraordinário e declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Ausente, justificadamente, o Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pelo amicus curiae, o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, e, pela recorrida, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 23.04.2014. Observase que esta decisão foi publicada na Ata nº 10, de 23/04/2014. DJE nº 85, divulgado em 06/05/2014. Em consulta ao sítio do Supremo Tribunal Federal (http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=2651722) temse a movimentação processual indicando a rejeição por unanimidade dos Embargos de Declaração, além do trânsito em julgado em 09.03.2015: Em 11.03.2015 Transitado(a) em julgado em 09/03/2015. Em 08/01/2015 Conclusos ao(à) Relator(a) Em 08/01/2015Juntada a petição nº58621/2014.58621/2014 Fl. 319DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.726027/201241 Acórdão n.º 2202003.090 S2C2T2 Fl. 312 17 Em 19/12/2014 Juntada da certidão de julgamento referente à sessão Plenária de 18/12/2014. Em 18/12/2014Embargos rejeitados TRIBUNAL PLENO Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, rejeitou os embargos de declaração. Ausentes, justificadamente, os Ministros Gilmar Mendes e Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 18.12.2014. Ainda assim, segue trecho do voto do Ministro Relator (http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/RE595838.pdf), cuja redação a seguir: Diante de tudo quanto exposto, é forçoso reconhecer que, no caso, houve extrapolação da base econômica delineada no art. 195, I, a, da Constituição, ou seja, da norma sobre a competência para se instituir contribuição sobre a folha ou sobre outros rendimentos do trabalho. Houve violação do princípio da capacidade contributiva, estampado no art. 145, § 1º, da Constituição, pois os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus associados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. Ademais, o legislador ordinário acabou por descaracterizar a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. A contribuição instituída pela Lei nº 9.876/99 representa nova fonte de custeio, sendo certo que somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. Diante do exposto, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. É como voto. Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 343/2015, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo primeiro, inciso I, do RICARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de Fl. 320DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 18 observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Enquanto que o art. 62, §2º, do RICARF, dispõe que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista pelos artigos 543 B, CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Portanto, diante da vinculação deste conselho à decisão supra, RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, parágrafo primeiro, inciso I, e . 62, §2º, do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à tributação no percentual de 15%, incidente sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme previsto na Lei 8.212/91, artigo 22, inciso IV. Neste sentido, como conseqüência lógica do afastamento da tributação da autuação principal, AIOP nº 37.312.1121, também deve ser afastada a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória Auto de Infração AIOA (CFL 68) nº 37.312.111 3, posto que a multa foi devida a não informar, relativamente às competências janeiro de 2007 a novembro de 2008, as bases de cálculo das contribuições incidentes sobre os valores pagos a cooperativa de trabalho. Demais argumentos. Em função do decidido nos tópicos acima, pelo provimento total ao recurso, por falta de objeto, não iremos apreciar os demais argumentos do Recurso Voluntário. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.726027/201241 Acórdão n.º 2202003.090 S2C2T2 Fl. 313 19 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário para: (i) reconhecer a decadência até a competência 06/2007, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN; (ii) Dar provimento ao Recurso Voluntário para afastar a tributação incidente tanto sobre o Auto de Infração de Obrigação Principal quanto sobre o Auto de Infração de Obrigação Acessória, em função da inconstitucionalidade reconhecida pelo STF no RE no. 595.838/SP, na sistemática do art. 543B, CPC, em relação à incidência de tributação de contribuição social previdenciária sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 322DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 11020.720381/2007-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
FRETES. TRANSPORTE DE INSUMOS.
Oscustosincorridoscomfretesnotransportedeinsumos destinados ao processo produtivo da empresa configuramocustodeproduçãoe,portal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições não cumulativas.
NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE. PRODUTO ACABADO PARA ARAMAZENAGEM. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Não dão direito a crédito da Cofins não cumulativa os gastos com frete de produto acabado para armazenagem, porque este frete não caracteriza insumo e não se equipara a frete na operação de venda.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3201-001.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para provê-lo quanto ao frete sobre insumos, vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim e Paulo Sergio Celani; e negar provimento, pelo voto de qualidade, quanto ao frete de produtos acabados para armazenagem, vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes; designado o Conselheiro Paulo Sergio Celani para redigir o voto vencedor em relação a esta matéria.
Joel Miyazaki Presidente, que assina apenas para formalização do acórdão.
Marcelo Ribeiro Nogueira Relator
Paulo Sérgio Celani Redator Designado
José Luiz Feistauer de Oliveira Relator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 FRETES. TRANSPORTE DE INSUMOS. Oscustosincorridoscomfretesnotransportedeinsumos destinados ao processo produtivo da empresa configuramocustodeproduçãoe,portal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições não cumulativas. NÃOCUMULATIVIDADE. FRETE. PRODUTO ACABADO PARA ARAMAZENAGEM. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não dão direito a crédito da Cofins não cumulativa os gastos com frete de produto acabado para armazenagem, porque este frete não caracteriza insumo e não se equipara a frete na operação de venda. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para provêlo quanto ao frete sobre insumos, vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim e Paulo Sergio Celani; e negar provimento, pelo voto de qualidade, quanto ao frete de produtos acabados para armazenagem, vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes; designado o Conselheiro Paulo Sergio Celani para redigir o voto vencedor em relação a esta matéria. Joel Miyazaki – Presidente, que assina apenas para formalização do acórdão. Marcelo Ribeiro Nogueira – Relator Paulo Sérgio Celani – Redator Designado José Luiz Feistauer de Oliveira – Relator ad hoc AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 03 81 /2 00 7- 18 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 18/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 17/11/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVE IRA Processo nº 11020.720381/200718 Acórdão n.º 3201001.075 S3C2T1 Fl. 224 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudiño. Relatório Para descrever os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Trata o presente processo de verificação da legitimidade de pedido de ressarcimento de crédito relativo a COFINS nãocumulativa (mercado interno) do primeiro trimestre de 2007, pleiteado através de PER/DCOMP eletrônico transmitido em 04/09/2007, totalizando o montante de R$ 74.684,90. Efetuadas as devidas análises, a Seção competente entendeu cabível a glosa parcial do montante solicitado, tendo havido o parcial reconhecimento do direito creditório (montante de R$ 55.585,18). Posteriormente foram acostadas cópias de DCOMPs transmitidas entre 08/02/2008 e 17/03/2009. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde, ao inicio, discorda da compensação de oficio a ser realizada, envolvendo débitos pendentes com crédito ainda remanescente das compensações informadas. Refere não haver fundamentação legal para tal procedimento, existindo agressão a direitos constitucionais. Diverge da glosa parcial perpetrada, alegando, basicamente, que a legislação que trata da COFINS nãocumulativa estabeleceu regras para a apuração dos créditos, restringindo o direito apenas para as hipóteses previstas em lei, o que impede sejam consideradas no cálculo, despesas inerentes e essenciais à atividade empresarial. Tal restrição afronta o cânone constitucional da nãocumulatividade, eis que o § 12 do art. 195 da CF permitiu ao legislador definir quais setores da economia sofreriam a incidência, não tendo estabelecido o poder de restringir hipóteses de apuração dos créditos. Entende que, pretender restringir o direito A apuração de créditos na sistemática da nãocumulatividade da contribuição apenas àquelas poucas situações previstas em lei, configura restrição indevida, ilegal e inconstitucional, o que distorce o sistema da nãocumulatividade constitucional e legalmente assegurado ao contribuinte. Não se conforma, também, com o indeferimento da parcela dos créditos calculados sobre fretes de transferência entre a matriz e os estabelecimentos distribuidores, entendo tratarse de etapa essencial A atividade da empresa, condição elementar para a consecução de seus objetivos sociais._Diz_que as transferências de produtos entre a matriz e os estabelecimentos distribuidores não retiram das mercadorias sua destinação natural (produtos destinados á venda/comércio), permitindo a Lei o creditamento da contribuição. Sabe que a RFB possui entendimento diverso acerca do tema, não constituindo ele óbice para o creditamento em debate. 0 posicionamento administrativo adotado representa interpretação restritiva do direito ao crédito sobre os valores pagos a titulo de frete à pessoa jurídica domiciliada no pais, caracterizando afronta A legislação tributária (restrição à aplicação do art. 3°, II, da Lei n° 10.833, de 2003). No mais, tendo em vista posicionamentos internos divergentes na RFB (ausência de tratamento uniforme) até setembro de 2007 e abril de 2008, a empresa entende que antes desse período não pode ser vedado o direito aos créditos de Fl. 224DF CARF MF Impresso em 18/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 17/11/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVE IRA Processo nº 11020.720381/200718 Acórdão n.º 3201001.075 S3C2T1 Fl. 225 3 COFINS gerados pelas despesas com fretes contratados para transportar mercadorias entre seus próprios estabelecimentos. Ao finalizar, manifesta discordância quanto ao pretendido procedimento de compensação de oficio, eis que se trata de procedimento ilegal. Requer seja integralmente reconhecido o direito relativamente aos créditos de COFINS gerados pelas despesas efetuadas com fretes para a realização de transferências de mercadorias entre estabelecimentos da mesma empresa, ou, alternativamente, seja reconhecido o direito de crédito em relação ao período anterior a abril de 2008, data da prolação da última Solução de Divergência relativa ao presente caso e que definiu o posicionamento da RFB. Protesta por todos os meios de prova existentes, com base no art. 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235, de 1972. Junto com sua contestação a contribuinte apresentou documentos. 0 Órgão de origem despachou na fl. 177, remetendo o processo a esta DRJ. Voto Vencido Conselheiro Substituto José Luiz Feistauer de Oliveira – Redator ad hoc Por intermédio de Despacho, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiume o Presidente da Turma a formalizar este Acórdão, não entregue pela relator original, Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pelo relator original, que foi acompanhada parcialmente, por maioria de votos, pelos demais integrantes do colegiado. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele se tomou conhecimento. Duas são as matérias tratadas no presente litígio: fretes sobre insumos e fretes de produtos acabados para armazenagem. Vejamos cada uma delas separadamente. Frete sobre insumos Em se tratando de serviço de transporte, as leis de regência permitem o creditamento tomado sobre o frete pago quando o serviço de transporte seja utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/02, e no caso de serviço de frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme inciso IX. A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas com fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 225DF CARF MF Impresso em 18/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 17/11/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVE IRA Processo nº 11020.720381/200718 Acórdão n.º 3201001.075 S3C2T1 Fl. 226 4 adquirente, é apropriado ao de aquisição de um bem utilizado como insumo. Isso em razão de o valor do serviço integrar o valor de aquisição de tal bem, passando então a compor a base de cálculo do crédito decorrente da aquisição do bem utilizado como insumo. Deste modo, as despesas com fretes no transporte de insumos, por se tratarem de custos acessórios aos mesmos, devem dar direito ao creditamento da Cofins, de acordo com o inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/02. Frete de produtos acabados para armazenagem. O segundo tema a ser decidido é se o art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002 c/c o art. 15, II, e art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, autorizam ou não o creditamento do frete na transferência dos produtos acabados para armazenagem em centros de distribuição. Entendo que a expressão operação de venda para a Cofins, inscrita no art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, aplicável ao PIS por força do art. 15, II, do mesmo diploma legal, não exclui o creditamento do frete suportado pelo Recorrente na remessa de mercadoria para os centros de distribuição. Leiase o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003: IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. O enunciado normativo acima destacado autoriza o crédito do PIS e da Cofins das despesas com frete na operação de venda. O significado literal da expressão “operação de venda” não é esvaziado pela existência de um local intermediário (centros de distribuição), no transporte da mercadoria destinada à venda, para distribuir com mais eficiência os produtos. À luz do art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, a forma como a empresa organiza a logística da venda de sua produção não descaracteriza ipso facto a operação de venda, principalmente porque não há outra finalidade para remessa da mercadoria ao centro de distribuição, que não seja a venda. Nesse mesmo sentido interpretativo, decidiu a 3ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, em acórdão da lavra do eminente Conselheiro ROBSON JOSÉ BAYERL. Observese: CARF 3ª Seção / 3ª Turma da 4ª Câmara ACÓRDÃO 340300.485 em 30/07/2010 PIS NÃOCUMULATIVO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PIS NÃO CUMULATIVO, TRANSFERÊNCIAS DE PRODUTOS ACABADOS DESTINADOS À EXPORTAÇÃO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA PESSOA; JURÍDICA. FRETE INCORRIDO NAS OPERAÇÕES. CARACTERIZAÇÃO COMO INCIDENTE SOBRE VENDAS. As transferências de mercadorias destinadas à exportação para estabelecimento onde se realiza operação de consolidação e armazenagem de mercadorias, cujo destino final é a comercialização, se equipara a frete sobre venda para fins de Fl. 226DF CARF MF Impresso em 18/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 17/11/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVE IRA Processo nº 11020.720381/200718 Acórdão n.º 3201001.075 S3C2T1 Fl. 227 5 reconhecimento de direito de crédito, nos termos do art. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Recurso Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de incluir no cálculo do crédito da contribuição não cumulativa os fretes relativos às operações de transferência de produtos acabados para o estabelecimento localizado na área retroportuária. Vencidos os Conselheiros Winderley Morais Pereira Antonio Carlos Atulim, que negaram provimento na íntegra. Publicado no DOU em: 24.03.2011 Deste modo, as despesas com fretes de produtos acabados para armazenagem, por se tratarem de despesas com na operação de venda, devem dar direito ao creditamento da Cofins, de acordo com o inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.637/02. Conclusão Assim, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito da Cofins em relação ao custo/despesa com frete no transporte de insumos e também ao custo/despesa com frete na transferência dos produtos acabados para armazenagem. E estas são as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. (assinado digitalmente) Conselheiro Substituto José Luiz Feistauer de Oliveira – Redator ad hoc Voto Vencedor Conselheiro Substituto José Luiz Feistauer de Oliveira – Redator ad hoc Por intermédio de Despacho, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF2, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiume o Presidente da Turma a formalizar este Acórdão, cujo redator designado – Paulo Sergio Celani , não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Embora não mais integre os colegiados do CARF, o relator apresentou a minuta do voto na sessão de julgamento, que será adotada na presente formalização. Transcrevese, a seguir, o voto que consta da minuta apresentada: “Fui designado para redigir o voto vencedor em relação à possibilidade de o frete de produtos acabados para armazenagem dar direito a crédito da Cofins não cumulativa. 2 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 227DF CARF MF Impresso em 18/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 17/11/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVE IRA Processo nº 11020.720381/200718 Acórdão n.º 3201001.075 S3C2T1 Fl. 228 6 Antes de tratar especificamente destes gastos, apresento meu entendimento sobre o conceito de insumo à luz da legislação de incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime não cumulativo, de modo a deixar claro que o frete aqui discutido não pode ser enquadrado naquele conceito. Uma vez não enquadrado no conceito de insumo, só poderia dar direito a crédito se houvesse previsão legal específica para isto. Insumo e a Cofins sob a regência da Lei nº 10.833, de 2003. Para gerarem crédito, os gastos glosados pela fiscalização deveriam enquadrarse no conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, que dispõe sobre a Cofins não cumulativa, ou em algum dos demais incisos deste artigo. Não se pode dizer que todos os gastos necessários ao processo produtivo poderiam ser incluídos no cálculo dos créditos a serem deduzidos dos valores a recolher, seja da COFINS, seja da Contribuição para o PIS/Pasep. A Lei nº 10.833, de 2003, determina: “Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (negritei) (...) Fl. 228DF CARF MF Impresso em 18/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 17/11/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVE IRA Processo nº 11020.720381/200718 Acórdão n.º 3201001.075 S3C2T1 Fl. 229 7 IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...)" A Constituição Federal de 1988 referese à nãocumulativadade ao tratar do imposto sobre produtos industrializados (IPI) e do imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS). Conforme o art. 153, IV, § 3º II, da CF/88, o IPI, de competência da União, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. E, segundo o art. 155, II, §2º, I, da CF/88, o ICMS, de competência dos Estados e do Distrito Federal, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelos Estados ou pelo Distrito Federal. Até pouco tempo atrás, apenas a estes dois tributos, classificados no CTN como impostos sobre a produção e a circulação, aplicavase a nãocumulatividade. Muito se discutiu sobre que bens e serviços, uma vez adquiridos, ensejariam crédito para compensar com o que seria devido nas operações tributadas por estes impostos, de modo que o que se entende por “insumo” está atrelado à materialidade deles. Vale dizer, o conteúdo do conceito de “insumo” decorre dos entendimentos firmados sobre quais bens e serviços seriam alcançados pela nãocumulatividade própria de impostos incidentes sobre a produção e a circulação. É este conteúdo que o legislador tinha em mente, quando se referiu a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda como aqueles que dariam direito a créditos para abatimento da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP a serem recolhidas. Ao não elucidar o que deveria ser entendido por “insumo”, o legislador, por certo, admitiu que aquilo que se tinha como o seu conteúdo deveria servir para nortear a concretização do comando legal bem como as condutas das pessoas a quem a norma se destinava. Fosse intenção do legislador que o termo “insumo” tivesse um alcance maior do que o já consolidado, teria ele expressado um conceito de insumo diferente. Assim, devem ser rechaçados argumentos segundo os quais o conceito de “insumo” somente poderia ser igual ao utilizado pela legislação do IPI se a lei assim determinasse. Pelo contrário, por serem, COFINS e PIS/Pasep, contribuições instituídas por lei federal, a legislação do IPI, que também é tributo federal nãocumulativo, pode e deve ser utilizada para obtenção do conceito de “insumo”. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 18/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 17/11/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVE IRA Processo nº 11020.720381/200718 Acórdão n.º 3201001.075 S3C2T1 Fl. 230 8 Também não deve ser aceito argumento segundo o qual todos os gastos dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda incluirseiam no conceito de insumo para fins de abatimento dos valores a serem recolhidos como COFINS e contribuição para o PIS/PASEP, pois, isto implicaria considerar letra morta muitos dos dispositivos das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, que apresentam rol de bens, cujas aquisições podem ser incluídas na apuração de créditos a serem descontados destas contribuições. Quisesse o legislador que todos os gastos necessários à produção, fabricação ou prestação de serviços ensejassem o direito ao crédito, não usaria o termo “insumo”; reproduziria legislação do IRPJ ou evidenciaria que todos os gastos dedutíveis em relação ao IRPJ dariam aquele direito. Assim, da leitura dos dispositivos que trataram da nãocumulatividade da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP, com base no que foi dito acima, aos bens conceituados como insumo à luz da legislação do IPI, a saber, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem consumidos na produção industrial de produtos, em decorrência de contato direto com estes, devem ser acrescentados: os serviços utilizados na prestação de serviços e na produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda; outros bens utilizados na prestação de serviços e na produção, ainda que não industrial, de bens destinados à venda; outros gastos expressamente citados nas Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003. Em reforço a tal entendimento, vejamse alguns trechos da Exposição de Motivos da MP nº 66, de 26/08/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002: “2. A proposta, de plano, dá curso a uma ampla reestruturação na cobrança das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento. Após a instituição da cobrança monofásica em vários setores da economia, o que se pretende, na forma desta Medida Provisória, é, gradualmente, procederse à introdução da cobrança em regime de valor agregado – inicialmente com o PIS/Pasep para, posteriormente, alcançar a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). 3. O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep. ... 7. Para fins de controle do crédito presumido, a Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. ... 9. A alíquota foi fixada em 1,65% e incidirá sobre as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, admitido o aproveitamento de créditos vinculados à aquisição de insumos, bens para revenda Fl. 230DF CARF MF Impresso em 18/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 17/11/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVE IRA Processo nº 11020.720381/200718 Acórdão n.º 3201001.075 S3C2T1 Fl. 231 9 e bens destinados ao ativo imobilizado, ademais de, entre outras, despesas financeiras. ... 44. Com relação ao atendimento das condições e restrições estabelecidas pelo art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, cumpre esclarecer que: a) a introdução da incidência não cumulativa na cobrança do PIS/Pasep, prevista nos arts. 1º a 7º, é rigorosamente neutra do ponto de vista fiscal, porquanto a alíquota estabelecida para esse tipo de incidência foi projetada, precisamente, para compensar o estreitamento da base de cálculo; ... ...” E, na Mensagem de Veto nº 1.243, de 30/12/2002, a razão que levou o Presidente da República a vetar dispositivos, por meio dos quais se tentava alterar a MP, foi que, se fossem sancionados, romperseia a premissa sobre a qual foi construída a nova modalidade de incidência da contribuição, devidamente acertada com a comissão especial constituída no âmbito da Câmara dos Deputados para tratar da matéria, a qual previa neutralidade sob o ponto de vista da arrecadação. Havia, pois, preocupação quanto ao atendimento às condições e restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal, de modo que o equilíbrio das contas públicas não seria posto em risco pela introdução da cobrança nãocumulativa, e a carga tributária correspondente ao que se arrecadava com a cobrança do PIS/PASEP seria mantida. Assim, caberia à RFB, para fins de controle do crédito presumido, estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. É razoável acreditar que, segundo expectativas da época, se fossem incluídos todos os gastos na apuração do crédito a ser descontado, a arrecadação tributária não se manteria, o que nos leva a concluir que o conceito de insumo não poderia ser alargado em relação àquele então aceito. Por tudo isso, correto o entendimento expressado pela RFB órgão responsável pela administração tributária da União, a quem compete interpretar e aplicar a legislação tributária federal, ao editar os atos normativos e as instruções necessárias à sua execução que, ao expedir a Instrução Normativa nº 247/2002, com redação dada pela IN SRF nº 358/03, e a IN SRF nº 404/2004, adotou interpretação para o conceito de insumo, com base na concepção tradicional da legislação do IPI: Cito a IN/SRF nº 404/04, que dispôs “sobre a incidência nãocumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social na forma estabelecida pela Lei nº 10.833, de 2003, [...]”: “Art. 7º Sobre a base de cálculo apurada conforme art. 4º, aplicase a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Fl. 231DF CARF MF Impresso em 18/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 17/11/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVE IRA Processo nº 11020.720381/200718 Acórdão n.º 3201001.075 S3C2T1 Fl. 232 10 Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) [...]; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. O conteúdo da IN nº 247/2002, com redação dada pela IN SRF nº 358/03, aplicável à contribuição para o PIS/Pasep, é o mesmo. Os gastos com frete de produtos acabados para armazenamento não se enquadram no conceito de insumo aqui adotado. Logo, só poderia dar direito ao crédito da Cofins não cumulativa se houvesse previsão legal específica, o que não ocorre. Conforme art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, transcrito acima, gastos com frete que dão direito a crédito são apenas os decorrente de operações de venda, nos casos dos incisos I e II do mesmo artigo, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Saída de produtos acabados para armazenagem não é o mesmo que saída de produtos em operação de venda, logo, não cabe, no caso, o direito ao crédito. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 18/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 17/11/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVE IRA Processo nº 11020.720381/200718 Acórdão n.º 3201001.075 S3C2T1 Fl. 233 11 Por estas razões, voto por negar provimento ao recurso voluntário”. E estas são as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. (assinado digitalmente) Conselheiro Substituto José Luiz Feistauer de Oliveira – Redator ad hoc Fl. 233DF CARF MF Impresso em 18/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 17/11/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVE IRA
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Numero do processo: 13971.002144/2006-69
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 31/01/2001 a 30/11/2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PEREMPÇÃO.
Recurso apresentado fora do prazo previsto na legislação de
regência (art. 33, do Decreto n° 70.235/72 c/ alterações) não pode
ser conhecido por sua manifesta perempção.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 203-12.841
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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Matéria COFINS e PIS - Auto de Infração 0, ..1>wa(s° 1 # ' Pub201---o 02emAcórdão n° 203-12.841 Sessão de 09 de abril de 2008 Recorrente SANTA RITA INDÚSTRIA DE AUTO PEÇAS LTDA. Recorrida DRJ EM FLORIANÓPOLIS-SC ' ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 31/01/2001 a 30/11/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PEREMPÇÃO. Recurso apresentado fora do prazo previsto na legislação de regência (art. 33, do Decreto n° 70.235/72 c/ alterações) não pode ser conhecido por sua manifesta perempção. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. , ACORD sP i os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CO: U1NTES, ior unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. "fr ap/ 4 i ...„....„,) r, .. 'e. , , • '' B O ROSENBURG FILHO Presidente ODASSI GUERZONI LHO elator Participaram, ainda, presente julgamento, os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Eric Moraes de Castro e Silva, Jean Cleuter Simões Mendonça, José Adão Vitorino de Morais, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. i ..g-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRJBUINTES i CONrERE COMO ORIGINAL i S'aeftia _Ia/ as - i 02 (01 I Marltde C :s.n de Oliveira L. Mat. Siape 91650 • CONFERE Com c) onci BuESProcesso n° 13971.002144/2006-69 i CCO2 CO3 Acórdão n.° 203-12.841 I Eis. 240 Marlide Curs, de Oliveira• ..... ____ kat 91650 Relatório Trata o presente processo de dois autos de infração, cientificados ao sujeito passivo em 13/12/2006, sendo um relativo ao PIS/Pasep e outro à Cofins, mas ambos referindo-se aos mesmos períodos de apuração, quais sejam, de janeiro a novembro de 2001. Os créditos tributários constituídos montam, respectivamente, a R$ 44.868,72 e R$ 198.662,92, neles incluídos os juros de mora e a multa de oficio, esta de 150%. Foi elaborada uma Representação Fiscal para Fins Penais. A exigência decorreu de diferenças encontradas pelo fisco quando do cotejo entre os valores informados na DIPJ, na DCTF e os recolhimentos efetuados, estes efetuados a menor que o devido, sob a alegação de que a parcela do ICMS sobre as vendas estaria incluída indevidamente na base de cálculo das duas contribuições. Não foi apresentada durante a fiscalização qualquer medida judicial ou pedido administrativo de restituição e/ou compensação que justificasse o procedimento da autuada. Entendeu a fiscalização que a autuada, ao reduzir os valores a pagar mediante o artificio de uma compensação desprovida de crédito a justificá-la, incorreu no disposto no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, que trata dos casos de evidente intuito de fraude definido nos artigo 72 da Lei 4.502, de 30/11/1964, daí ter aplicado para o caso a multa de oficio de 150%. Na impugnação, a autuada pugna pela decadência para os períodos de apuração de janeiro a setembro de 2001, a teor dos cinco anos estabelecidos pelo artigo 150, § 4°, do CTN, bem como pela inexistência de fraude, haja vista que informou o valor devido das contribuições nas suas DIPJ, bem como se valeu do disposto no artigo 66 da Lei n° 8.383/91 para efetuar suas compensações. Aduz ainda que é descabida a inclusão na base de cálculo das contribuições a parcela do ICMS destacado de suas vendas. A DRJ manteve integralmente o lançamento por entender que o prazo para a constituição do crédito tributário relacionado ao PIS/Pasep e à Cofins é de dez anos, nos termos do artigo 45 da Lei n° 8.212, de 1991; que não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo e que a compensação, caso fosse aceita, ainda assim, restaria prejudicada pois os valores aproveitados pelo contribuinte são originários de períodos com mais de cinco anos da data em que efetuada; assim, estaria prescritos. Viu aquele colegiado dolo na conduta da empresa, de modo que restou mantida a multa qualificada de 150%. A decisão foi cientificada ao contribuinte em 29/05/2007, conforme atesta o documento de fl. 177. O Recurso Voluntário foi apresentado em 29/06/2007, conforme documento de fl. 178, e nele, com alguma ênfase, foram praticamente repetidos os argumentos da peça impugnatória. Intimação da Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF em • Blumenau-SC intimou a empresa a apresentar cópias dos documentos de identifi ão dos subscritores do Recurso Voluntário, no que foi atendida. O 2 - - • Processo n° 13971.002144/2006-69 CCO21CO3_ Acórdão n.° 203-12.841 Fls. 241 À fl. 216 consta o Termo de Perempção, lavrado para fazer constar que o Recurso Voluntário não fora entregue dentro dos trinta dias de prazo fixados pelo art. 33 do Decreto n°70.235, de 1972. É o Relatório. mr-sEouNuo CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Brasília, L3 / O Se / 02 Matilde, Curs„.o de Oliveira Mat. Siape 91650 , $3 3 - .. • Processo n° I 3971.002144/2006-69 CCO2'CO3 Acórdão n.° 203-12241 Fls. 242 Voto Conselheiro ODASSI GUERZONI FILHO, Relator Preliminarmente, verifico a procedência do Termo de Perempção de fl. 216, ou seja, a contribuinte, de fato, ao apresentar seu recurso voluntário, não observou o prazo do art. 33, do Decreto n° 70.235/72 c/ alterações, "in verbis", "Art. 33 — Da decisão caberá recurso voluntário, total e parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão". Ao tomar ciência da decisão de primeira instância em 29/05/2007, uma terça- feira, a interessada protocolizou o recurso em apreço somente em 29/06/2007, fora do prazo estabelecido pela legislação de regência, que vencera em 28/06/2007. Dessa forma, o Recurso é manifestamente perempto e voto no sentido de não conhecê-lo. Sala das Sessões, em O de abril de 2008 O ASSI GUERZ -Of NI FIL 1 MP,SEGUtagEiONSECátOoDíg Brasília, iM RiCgiNTRIBUINTES / n g / og Matilde Cora de Oliveira Mal Siepe 91650 4 - Page 1 _0025000.PDF Page 1 _0025100.PDF Page 1 _0025200.PDF Page 1
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Numero do processo: 10073.721566/2011-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
COFINS. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO.
A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.158-35, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997 (Súmula CARF nº 107).
Numero da decisão: 1402-002.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i) acolher a preliminar pelo não conhecimento do recurso de ofício e aplicar os efeitos desse entendimento ao processo 10073.721565/2011-95; ii) dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da Cofins as receitas operacionais.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Mateus Ciccone, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 COFINS. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.158-35, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997 (Súmula CARF nº 107).
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LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. Deve ser anulada a decisão que apreciou recurso de ofício equivocadamente interposto. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 COFINS. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997 (Súmula CARF nº 107). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i) acolher a preliminar pelo não conhecimento do recurso de ofício e aplicar os efeitos desse entendimento ao processo 10073.721565/201195; ii) dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da Cofins as receitas operacionais. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 15 66 /2 01 1- 30 Fl. 567DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Mateus Ciccone, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10073.721566/201130 Acórdão n.º 1402002.128 S1C4T2 Fl. 568 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Tratase de Lançamento de Ofício efetuado em Instituição de Educação, referente ao período de 01/2006 a 12/2006, de que resultou a lavratura de autos de Infração de PIS/PASEP e COFINS, com os valores abaixo demonstrados: [...] (*) Juros calculados até 30/11/2011 2. De acordo com o Termo de Verificação de Infração, fls. 337/341: 2.1. O sujeito passivo, conforme cláusula 2ª de seu estatuto, tem por finalidade: I – Promover, incentivar e divulgar a cultura e a pesquisa técnica científica e literária; II – Formar pessoas habilitadas para investigação filosófica, científica, artística e literária, bem como, capacitálas ao exercício das profissões liberais, técnicocientíficas e de magistério; III – Organizar e manter estabelecimentos de ensino em grau superior, em curso, faculdades independentes, Centro Universitário ou Universidade, Educação Infantil, Ensino Fundamental, Médio e Educação Profissional e/ou Centro Educacional com a observância das exigências e disposições em vigor e na forma do presente Estatuto Social. 2.2. Na contabilidade, foi verificado que a instituição cobra mensalidades para prestação de serviços ao qual foi instituída e que a fonte de receitas está voltada ao ensino superior e cursos. Pelo processo 17883.000049/200913, a fiscalizada teve cancelada a isenção das contribuições sociais, pois ficou sem cobertura do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CBAS, no período de 01/01/2001 a 30/12/2007. 2.3. A entidade apresentou a 2ª via do Termo de Adesão do Programa Universidade para Todos (PROUNI) realizada no dia 02 de dezembro de 2005, com efeitos a partir de 2006; sendo verificado no item 2.1.8 do Termo, que a mesma se intitulou como “Sem fins lucrativos não beneficente”. 2.4. A Medida Provisória 213, de 10/09/2004, foi convertida na Lei 11.096, de 13/01/2005 e previu que as instituições que aderissem ao PROUNI, ficariam isentas dos impostos e contribuições. 2.5. Por força do artigo 8º, parágrafo 2º do mesmo diploma legal, a Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinou através da Instrução Normativa 456/2004. o disposto acima. Dentre os dispositivos da IN SRF 456/04, o Fl. 569DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 artigo 1º trata da adesão e isenção dos tributos mencionados de instituições privadas de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente. Atentase que, para o período em questão, a empresa se intitulou como não beneficente. Os artigos 3º, 4º e 5º trataram de observância de atos para usufruir da isenção. 2.6. Embora cancelada a isenção das contribuições sociais, com a adesão feita pela fiscalizada ao PROUNI, esta ficou isenta dos tributos descritos na Lei, em relação ao ano de 2006. Entretanto, conforme Notificação Fiscal lavrada em 08/09/2011, a fiscalização apurou irregularidades quanto ao cumprimento de requisitos previstos na legislação tributária para gozo do benefício da isenção dos tributos de que tratam a Lei 11.096/2005 e a IN/SRF/456/2004, dando ciência dos fatos apurados através da Notificação Fiscal de 08/09/2011, recebida por AR em 09/09/2011 e contestada em 11/10/2011, gerando assim o processo de Suspensão de Isenção de tributos sob o número 10073721201/201113, no qual o Delegado da Receita Federal do Brasil em Volta Redonda – RJ decidiu pela suspensão da isenção dos tributos: IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, de que trata o artigo 8º, inciso I a IV da Lei 11.096/2005, expedindo o Ato Declaratório Executivo 44, de 22/11/2011, relativo ao ano calendário de 2006, cuja ciência ao contribuinte foi dada em 30/11/2011. 2.7. Para o período de 2004 e 2005, o contribuinte perdeu a isenção das contribuições sociais, visto que deixou e renovar o seu CEBAS onde foram constituídos créditos tributários do PIS e COFINS. 2.8. O trabalho fiscal foi realizado com base na escrituração contábil apresentada, documentos e respostas do contribuinte. 2.9. Informações contidas na escrituração apresentada e Balanço Patrimonial do ano de 2006 demonstram que a entidade apresentou déficit anual, apresentando prejuízo para o período. Entretanto, em decorrência da suspensão da isenção, a apuração do IRPJ e CSLL passou a ser apurada de forma trimestral. 2.10. Com base na escrituração apresentada, foi efetuado levantamento do lucro da empresa nos quatro trimestres do ano de 2006, sendo apurado no primeiro trimestre um lucro no valor de R$ 1.272.498,07. 2.11. Através do Termo de Constatação datado de 02/12/2011, o contribuinte foi intimado para apresentar a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, observando a forma de tributação a que se sujeitam as demais pessoas jurídicas. Em resposta, o contribuinte apresentou cópia da declaração original, como imune, considerando que o ato declaratório suspensivo das isenções seria impugnado no prazo regular. 2.12. A contabilidade do contribuinte apresentada nos moldes do ADE 15 (arquivos magnéticos) reuniu condições para a apuração dos resultados nos trimestres de 2006, motivo pelo qual, através dos balancetes apurados, foi obtido resultado positivo no primeiro trimestre, sendo os demais com prejuízo. 2.13. Para o período em questão (a/c 2006), a empresa ficou sujeita à apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica sujeita as demais pessoas jurídicas, devido ao resultado positivo apurado no primeiro trimestre, sujeito ao lançamento tributário através de auto de infração, tendo como base o valor para o 1º trimestre – R$ 1.272.498,07. 2.14. Assim como definido para o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, foi lançado para o primeiro trimestre do ano calendário de 2006, devido ao resultado positivo apurado da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, o mesmo valor do tópico anterior. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10073.721566/201130 Acórdão n.º 1402002.128 S1C4T2 Fl. 569 5 2.15. Consubstanciado na contabilidade apresentada, foram elaborados balancetes de janeiro a dezembro de 2006, contendo as receitas e bolsas de estudo lançadas no respectivo ano, sendo geradas as seguintes planilhas que foram entregues ao contribuinte: ANEXO I – CONSOLIDAÇÃO RECEITAS OPERACIONAIS, conforme escrituração de diversas contas relacionadas às receitas da empresa; ANEXO II – CONSOLIDAÇÃO RECEITAS E BOLSAS INCORRIDAS, que se refere ao somatório mensal do Anexo I, receitas não operacionais conforme conta de código estrutural 42, tais como receitas financeiras e bolsas apuradas que foram descontos concedidos, resultando nos valores a serem lançados através de Auto de Infração para constituição de crédito tributário do PIS e COFINS no ano calendário de 2006. 2.16. A base de cálculo das contribuições de PIS e COFINS, no período fiscalizado, é a receita bruta auferida, deduzidos os descontos concedidos, conforme definido pela Lei 9.718/98, artigos 2º e 3º (com as redações alteradas pela Medida Provisória 2.15835/ 2001); pelo Decreto 4.524/2002, artigo 10; pela IN/SRF/247/2002, artigo 10; e Lei 10.833, artigo 10, XIV. 2.17. As alíquotas da Contribuição para o PIS e da COFINS são de 0,65% (prevista no art 8º, inciso I, da Lei 9715/98 e no art 1º da Medida Provisória 215832/ 2001) e 3% (prevista no art 8º da Lei 9718/1998). 3. Consta em cada Auto de Infração a devida fundamentação legal. Da Impugnação 4. Inconformada, a Impugnante, que tomou ciência do lançamento em 12/12/2011, AR de fls. 404, apresenta impugnação aos Autos de Infração, fls. 410/417, na qual, em síntese, alega: Preliminar – Atos Declaratórios pendentes de Decisão Definitiva 4.1. O crédito tributário em discussão somente foi lançado em decorrência do cancelamento da isenção de contribuições sociais, com validade até 31/12/2007, e da suspensão da isenção dos tributos instituída pelo PROUNI para o anocalendário 2006. A autoridade fiscal, todavia, não considerou as manifestações e recursos, dotados de efeito suspensivo, apresentados pela Impugnante contra os referidos Atos Cancelatórios e Suspensivos de suas isenções e imunidades, fato que, obviamente, obstaria a autuação fiscal. As impugnações apresentadas contra os referidos atos suspendem a possibilidade de efetivação de qualquer lançamento, tendo em vista a provisoriedade e incerteza de tais atos, uma vez que ainda não são definitivos. 4.2. Subsistindo a condição impeditiva para que o Fisco Federal proceda à autuação, devem ser cancelados os autos de infração até que sobrevenham decisões administrativas finais nos seguintes processo: • 17883.000049/200913– Ato Cancelatório de Isenção de contribuições sociais. • 100073.721201/201113– Ato Declaratório Suspensivo de Tributos. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Prejudicial de Mérito – Decadência Integral do Lançamento 4.3. Segundo entendimento pacífico na doutrina e jurisprudência, o Imposto de Renda, bem como a CSLL, o PIS e a COFINS são tributos segundo a modalidade “por homologação”. Sendo assim, a regra relativa ao decurso temporal para o Fisco constituir o crédito tributário está prevista no § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional. 4.4. Nos casos de tributos sujeito ao lançamento por homologação, a falta ou insuficiência de recolhimento não altera a natureza do lançamento, deslocando o prazo decadencial para o artigo 173, I do CTN, pois o objeto da homologação é a atividade exercida pelo sujeito passivo e não a antecipação do pagamento. 4.5. Em que pese o entendimento da Impugnante no sentido de não fazer diferença o fato de haver ou não recolhimento antecipado para depois se verificar qual dispositivo será aplicado (art. 150 ou 173 do CTN), certo é que, à época da ocorrência dos fatos geradores, a entidade fiscalizada sequer tinha obrigação legal de recolher a exação alcançada, tendo em vista que possuía isenção e imunidade reconhecida pela própria Receita Federal, as quais somente vieram a ser canceladas e suspensas em momento muito posterior, notadamente aos anos de 2009 e 2011. 4.6. Como a ciência do lançamento se deu em 12/12/2011, todo o período dos lançamentos de PIS e COFINS encontrase decadente MÉRITO 4.7. Da análise do Auto de Infração do PIS, verificase que o enquadramento legal imputado pelo Auditor autuante foram os artigos 1º e 3º da Lei Complementar 7/70, os arts. 2º, inciso I, alínea “a”, e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto 4.524/02. No demonstrativo de apuração do lançamento, verificase que a alíquota da contribuição para o PIS aplicada, para todo o período de apuração, foi de 0,65%. Dessa forma, constatase que a autoridade fiscal lançou a contribuição para o PIS, para todo o período de apuração objeto do auto de infração, com base na legislação pertinente ao regime cumulativo. Ocorre que, sendo a Impugnante tributada pelo Lucro Real, no anocalendário de 2006, de acordo com o artigo 8º, da Lei 10.637/2002, a contribuição para o PIS deveria ter sido apurada pelo regime não cumulativo, com a incidência da alíquota de 1,65%. 4.8. Demonstrado que houve erro de direito, que caracteriza um irremediável vício material no lançamento, impõese o cancelamento do auto de infração do PIS. 4.9. Igualmente, quanto ao auto da COFINS, os lançamentos referemse ao anocalendário de 2006, em que vigorava para a Impugnante o regime da não cumulatividade introduzida pela Lei 10.833/2003, sendo que o fiscal aplicou a legislação relativa à sistemática da cumulatividade. Também devem ser cancelados os lançamentos da COFINS. 4.10. Requer a insubsistência da exigência fiscal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ, prolatou o Acórdão 1252.550 considerando a impugnação parcialmente procedente. Acolheu a decadência parcial do lançamento do PIS paras os meses de janeiro e de março a setembro de 2006 e, no mérito, cancelou a exigência remanescente dessa contribuição. A autuação para cobrança da Cofins foi integralmente mantida. Entendeu a primeira instância julgadora que, a suspensão da isenção face ao PROUNI não autoriza a cobrança de PIS sobre receitas, visto que Instituições de Educação que Fl. 572DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10073.721566/201130 Acórdão n.º 1402002.128 S1C4T2 Fl. 570 7 preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei 9.532, de 1997, são contribuintes do PIS/PASEP incidente sobre a folha de salários. Dessa parte da decisão, o Órgão julgador recorreu de ofício a este colegiado. Quanto à Cofins, a autoridade julgadora entendeu que a isenção para as instituições de educação que atendam aos requisitos do art. 12 da Lei 9.532, de 1997 abrange apenas as receitas decorrente das atividades próprias não atingindo, por exemplo, as financeiras e as decorrentes dos cursos oferecidos. Cientificada da decisão, a interessada recorre a este colegiado suscitando em preliminar o não conhecimento do recurso de ofício, pois o valor da parcela exonerada seria inferior ao limite de alçada. No mérito, argumenta que o enquadramento legal utilizado para subsidiar a suspensão da isenção em face do PROUNI seria o art. 3º , da IN/SRF nº 456/2004 que estabeleceu restrições ao gozo do benefício sem base nas Leis 11.096/2005 e 11.228/2005, que regem a matéria. Acrescenta que o CARF já teria se manifestado nesse sentido. Aduz que, em sentido contrário ao entendimento da decisão recorrida, as receitas decorrentes da prestação de serviços educacionais devem ser tidas como referentes a atividades próprias e, portanto, abrangidas pela isenção do art. 14, da MP nº 2.15835/2001. É o relatório. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O recurso voluntário é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. A preliminar de não conhecimento do recurso de ofício será apreciada em momento posterior deste voto. O argumento quanto à ilegalidade no procedimento de suspensão que teria baseado o enquadramento legal na IN/SRF nº 456/2004 sem respaldo na Lei 11.096/2004 é razão de defesa inerente ao processo 10073.721201/201113, que trata do procedimento de suspensão da isenção dos tributos, e foi julgado em acórdão proferido no processo 10073.721565/201195. Registrese, entretanto, que tal questão não foi suscitada naqueles autos. Antes de adentrar no mérito, importa ressaltar que no caso das instituições de educação e de assistência social o tratamento a ser dado para as contribuições sociais previstas na CF é de imunidade e não de isenção. Conforme reconhecido em diversas decisões do STF, o § 7º, do art. 195 da CF, contém um equívoco ao mencionar que seriam isentas das contribuições para a seguridade social as entidades de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Deve se entender que o dispositivo fala em imunidade e que albergaria também as instituições de educação. Sob esse prisma, as leis que tratam dessas exigências devem ser lidas no mesmo enfoque, ou seja, a menção à isenção deve ser tida como imunidade. Aplicase tal entendimento no âmbito da Lei nº 8.212/1991. Por outro lado, ainda no caso das instituições de educação e mais especificamente quanto à Cofins, a lei estabeleceu hipóteses de isenção da contribuição. Uma delas, justamente a abordada nestes autos, no âmbito do PROUNI. A outra, envolvendo as denominadas receitas de atividade própria, nos termos de legislação específica. Pois bem. Em primeiro lugar, verificase que através do processo 17883.000049/2009 13 a entidade teve cancelada a isenção (imunidade) face às contribuições sociais por descumprimento do estabelecido no inciso II, do art. 55, da Lei nº 8.212/91 no período de 01/01/2001 a 30/12/2007 em decisão definitiva. Sendo assim, no que se refere à imunidade perante a Cofins não haveria necessidade de outro procedimento específico para suspendêla diferentemente do IRPJ eis que já formalizado nos termos mencionados no parágrafo anterior. No que se refere à isenção dessa contribuição, a decisão recorrida trouxe à baila dispositivos da MP nº 2.15835/2001: [...] Fl. 574DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10073.721566/201130 Acórdão n.º 1402002.128 S1C4T2 Fl. 571 9 Art.13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: [...] III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; [...] Art.14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: [...] X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. [...] Art.17. Aplicamse às entidades filantrópicas e beneficentes de assistência social, para efeito de pagamento da contribuição para o PIS/PASEP na forma do art. 13 e de gozo da isenção da COFINS, o disposto no art. 55 da Lei no 8.212, de 1991. Ainda que não seja relevante ao deslinde da presente questão registrese que o art. 17, ao mencionar a necessidade de cumprimento de requisitos estabelecidos para o gozo da isenção da Cofins para as entidades beneficentes de assistência social, na verdade referese a imunidade (RE 636.941 – STF Pleno, sessão de 13/02/2014, Ministro Luiz Fux) No que se refere à Cofins, o acórdão recorrido entendeu aplicável ao caso o Art. 14 supra transcrito. Entretanto, com base em dispositivos constantes da IN/SRF nº 247/2002, deu interpretação restritiva ao conceito de “atividade própria” e manteve o lançamento. A meu ver, tratandose de instituições de educação a atividade inerente seria por óbvio a prestação de serviços educacionais e, portanto, não há como excluir do conceito de “atividade própria” a receita daí decorente. Nessa mesma linha, a jurisprudência do CARF foi consolidada na Súmula 107 de Enunciado: A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. Sendo assim voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para manter na base tributável apenas os valores correspondentes às receitas não operacionais no Anexo II do Termo de Verificação denominado “Consolidação Receitas e Bolsas Incorridas”. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 O recurso de ofício foi apreciado no voto condutor do Acórdão 1402001.882 (processo 10073.721565/201195), cópia anexa, tendolhe sido dado provimento parcial. Na peça recursal do presente processo a interessada suscita, em preliminar o não conhecimento do recurso de ofício por abranger crédito tributário inferior ao limite de alçada. A interposição do recurso de ofício é regulamentada pela Portaria MF nº 3/2008, nos seguintes termos (destaques acrecidos): Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. [...] Duas questões mostramse relevantes: A primeira delas é que o valor de alçada é definido com base no tributo lançado e multas, sem incluir juros de mora. A segunda é que esse valor deve ser aferido por processo. Considerando que adotei o procedimento de julgar os processos em conjunto, mesmo que a preliminar de não conhecimento do recurso de ofício tenha sido suscitada apenas nestes autos entendo que a análise da questão deve abranger todos eles. No presente caso, o crédito tributário exonerado (tributo + multa) no processo 10073.721565/201195 referente ao IRPJ e CSLL foi de R$ 746.636,32; sendo R$ 546.217,89 de IRPJ e R$ 200.418,43 de CSLL; inferior portanto ao limite de R$ 1.000.000,00. Neste processo, o montante exonerado de PIS (contribuição + multa) foi de R$ 630.364,94, também inferior ao limite de alçada. Sendo assim, não caberia a interposição de recurso de ofício contra a decisão de primeira instância e o acórdão que o apreciou deve ser anulado. Nesses termos, também não cabe neste voto a apreciação de qualquer fato em relação ao PIS. É como voto. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 576DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10073.721566/201130 Acórdão n.º 1402002.128 S1C4T2 Fl. 572 11 Fl. 577DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10830.002243/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que se aguarde o desfecho do processo judicial, nos termos do voto da Relatora. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Thais de Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim (Presidente da Turma), Carlos Augusto Daniel Neto (Vice-presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula e Diego Diniz Ribeiro
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que se aguarde o desfecho do processo judicial, nos termos do voto da Relatora. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Antonio Carlos Atulim Presidente Thais de Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim (Presidente da Turma), Carlos Augusto Daniel Neto (Vicepresidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula e Diego Diniz Ribeiro Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte ao reconhecer como legítimo o lançamento de ofício do Imposto sobre Produtos Industrializados (“IPI”) para prevenir decadência, haja vista a existência de decisão judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário em questão. Salientese que não há cobrança de multa in casu. Interposto recurso voluntário, em 24/08/2010 este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”) proferiu decisão, consubstanciada no Acórdão n. 330200.556003, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 02 24 3/ 20 09 -1 8 Fl. 781DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10830.002243/200918 Resolução nº 3402000.743 S3C4T2 Fl. 782 2 negando provimento ao pleito do Contribuinte neste Processo administrativo de n. 10830.002243/200918. Ao julgamento foi atribuída a ementa abaixo colacionada: Intimado do acórdão em 01/02/2011 (Intimação n. 146/2010 fls 343), o Contribuinte apresentou petição nos autos em 14/02/2011 (fls 347), afirmando que da intimação não constara o inteiro teor do acórdão e, portanto, requereu sua disponibilização bem como a reabertura de prazo para o recurso cabível. A requerida ciência do conteúdo do acórdão ocorreu em 17/02/2011 (fls 350 e 633). Na data de 23/02/2011, foi apresentado tempestivo Recurso Especial pelo contribuinte. Nesta oportunidade, frisese, o contribuinte apresentou pleno conhecimento do Acórdão recorrido, como não poderia deixar de ser, uma vez que dele foi tomada ciência, como descrito linhas acima. Em exame de admissibilidade do Recurso Especial em 30/12/2011, o Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, Rodrigo da Costa Pôssas, negou seguimento ao feito, por constatar que o recurso não atendia aos requisitos formais impostos pelo Regimento Interno do Conselho, vale ressaltar: i) o acórdão paradigma apresentado trazia tese superada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (“CSRF”); ii) o acórdão recorrido ter aplicado disposição de súmula do Conselho; iii) o acórdão paradigma apresentado tratar de período de apuração de 1995, que é anterior a edição da Lei n. 9.430/96, a qual embasa a decisão recorrida. Tal negativa de admissibilidade foi ratificada pelo Presidente da CSRF. Em seguida, aparecem nos autos petição do Contribuinte (fls 669 674), com carimbo de protocolo com data de 02/07/2013, requerendo a declaração de nulidade do julgamento proferido pela 2ª Turma Ordinária, 3ª Câmara, 3ª Seção do CARF, consubstanciado no Acórdão n. 330200.556, sob alegação de falta de intimação da pauta da reunião em que o processo teve julgamento, por erro na grafia do nome empresarial em que foi publicada a pauta. Em suas palavras: Fl. 782DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10830.002243/200918 Resolução nº 3402000.743 S3C4T2 Fl. 783 3 Pede, consequentemente, realização de novo julgamento, bem como a intimação em nome do advogado subscritor da peça. Analisando tal pedido, o Ilmo Presidente da 3ª Câmara de 3ª Seção esclareceu que não existe previsão legal ou regimental para a decretação de nulidade pleiteada. Outrossim, o ato processual cabível, vale dizer, o recurso especial, fora apresentado e julgado sem a exposição da problemática da nulidade. Ato contínuo, deuse notícia nestes autos sobre a Ação de conhecimento de rito ordinário, a qual foi atribuído o n. 001218967.2013.403.6100 (fls 771 a 777), julgada pela 10ª Vara Federal Cível de São Paulo. Nela, o Contribuinte aponta a já citada nulidade na decisão proferida por este Conselho, uma vez que seu nome foi publicado na pauta de julgamentos com incorreção tanto no Diário Oficial da União, quanto no sítio do CARF na internet, o que teria prejudicado seu exercício de defesa. Terseia, assim, afrontado o artigo 55 do Regimento do CARF então vigente. O Douto Magistrado entendeu, em antecipação de tutela julgada em 17/07/2013, que de fato o direito à ampla defesa e ao contraditório do contribuinte foram prejudicados pela ausência de intimação válida da pauta de julgamento. Por isso, determinou a suspensão do processo administrativo. Posteriormente adveio sentença, confirmando as razões aduzidas na anterior decisão precária e determinando que fosse dado novo julgamento ao recurso voluntário do contribuinte pelo CARF. Depois de despacho de saneamento determinando a redistribuição do processo para cumprimento da ordem judicial (fls 769), o processo foi a mim direcionado para novo julgamento. É o relatório. Voto Muito embora cause espanto que foram necessários mais de dois anos desde a ciência do conteúdo do acórdão proferido pela Câmara Ordinária do CARF (17/02/2011) e da apresentação do respectivo recurso especial (23/02/2011) para que o Contribuinte decidisse se insurgir contra a nulidade em apreço (02/07/2013), a sentença proferida nos autos do Processo n. 001218967.2013.403.6100 é incontestável em sua determinação de proferimento de novo julgamento pelo CARF, o que culminaria na obrigatoriedade de seu imediato cumprimento. Todavia, em consulta do andamento do Processo n. 001218967.2013.403.6100 no sítio da Justiça Federal, constatase que foi interposta apelação pela União Federal. Recebendo o recurso, o D. Juízo da 10ª Vara Cível da Capital proferiu o seguinte despacho, disponibilizado no Diário Eletrônico de 14/01/2015, p. 177/202: Fl. 783DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10830.002243/200918 Resolução nº 3402000.743 S3C4T2 Fl. 784 4 “Recebo a apelação da parte ré em ambos os efeitos, exceto no capítulo da sentença que confirmou a antecipação dos efeitos da tutela, que recebo apenas no efeito devolutivo, na forma do artigo 520, inciso VII, do CPC. Vista à parte contrária para contrarrazões. Oportunamente, subam os autos ao Egrégio Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Int..” (grifei) Em seguida, foi determinada a subida dos autos ao Tribunal Regional Federal da Terceira Região (“TRF3”), onde ainda não existe qualquer ato processual além da simples distribuição do feito à relatoria do Desembargador Federal Antonio Cedenho, da Terceira Turma. Pois bem. Analisando o dispositivo da sentença, encontramos o seguinte texto: Posto isso, julgo procedente o pedido e extingo o feito com resolução de mérito, com fulcro na norma do inciso I, do artigo 269, do Código de Processo Civil, para declarar a nulidade do julgamento proferido pelo Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) em 24 de agosto de 2010 no Processo Administrativo n. 10830.002243/200918, bem como determinar a realização de novo julgamento com a correta intimação da Autora na forma do Regimento Interno do referido Conselho. Por conseguinte, confirmo a antecipação da tutela judicial concedida a fls 95/96. (grifos do original) A seu turno, na anterior decisão que deferiu a antecipação dos efeitos tutela consta o seguinte dispositivo: “Ante o exposto, DEFIRO a antecipação de tutela postulada pela autora para determinar a suspensão do curso do processo administrativo nº 10830.002243/200918, até ulterior decisão neste processo.” (grifei) Resta claro, destarte, que tão somente o conteúdo da sentença que confirma a antecipação dos efeitos da tutela é que é atualmente eficaz e passível de cumprimento. O restante do decisum encontrase suspenso, nos termos do artigo 520 do Código de Processo Civil, em razão do despacho de 14/01/2015, o qual recebeu a apelação da União Federal nos seus efeitos devolutivo e suspensivo. Vale dizer, a ordem de cancelamento do Acórdão n. 330200.556003 e proferimento de novo julgamento do recurso voluntário pelo CARF está suspensa, devendo ser confirmada pelo TRF3 no julgamento da apelação, para que só então possa ser efetivada. Portanto, unicamente a determinação de suspensão do Processo Administrativo n. 10830.002243/200918 é que deve ser atualmente observada pelo CARF. Do contrário, ressaltese, poderseia incorrer na esdrúxula situação de ser dado novo julgamento ao caso nesse momento, julgamento este que depois poderia ser anulado pela decisão do TRF3, ao cassar a sentença proferida em primeiro grau. Terseia, então, a volta de vigência do Acórdão CARF n. 330200.556003, mas sendo que este teria sido suplantado pela atual decisão do CARF, igualmente nula. Sem acórdão válido nenhum restaríamos. Fl. 784DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10830.002243/200918 Resolução nº 3402000.743 S3C4T2 Fl. 785 5 Destes fatos, concluise que, por ora, cumpre a este Conselho converter o julgamento em diligência, para retorno do presente processo à repartição de origem a fim de que se aguarde a decisão definitiva da Apelação n. 2013.61.00.0121893 pela Terceira Turma do TRF3, a ensejar ou não novo julgamento do recurso voluntário do Contribuinte. É como voto. Thais de Laurentiis Galkowicz Relatora Fl. 785DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 1/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 13770.000389/2004-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
Ementa:
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Mantém-se as glosas não expressamente impugnadas, conforme consignado no acórdão da DRJ.
ÔNUS DA PROVA. RECEITAS DE VARIAÇÃO CAMBIAL
Tratando-se de processo de iniciativa do contribuinte, cabe a ele o ônus da prova dos fatos jurígenos do direito de crédito oposto à Administração Tributária. Não tendo apresentado documentos comprobatórios para darem lastro às alegações quanto às variações cambiais, mantém-se a apuração na forma estabelecida pela fiscalização.
REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. DILIGÊNCIA.
O transcurso in albis do prazo para manifestação em relação ao quanto apurado no relatório de diligência caracteriza anuência tácita do contribuinte em relação às averiguações, devendo ser mantidas as glosas relacionadas pela fiscalização no referido relatório.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 3402-002.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para homologar o resultado da diligência e reverter as glosas em relação a todos os itens - que foram objeto de impugnação -, exceto em relação aos serviços listados pela fiscalização na tabela que integra o relatório de diligência. Vencidos os conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto, que entenderam que o contribuinte não é obrigado a contestar o relatório de diligência e, assim, deram provimento parcial nos mesmos termos do processo nº 13770.000198/2004-94. O conselheiro Diego Diniz Ribeiro apresentou declaração de voto.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.relatados e discutidos os presentes autos.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 Ementa: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Mantém-se as glosas não expressamente impugnadas, conforme consignado no acórdão da DRJ. ÔNUS DA PROVA. RECEITAS DE VARIAÇÃO CAMBIAL Tratando-se de processo de iniciativa do contribuinte, cabe a ele o ônus da prova dos fatos jurígenos do direito de crédito oposto à Administração Tributária. Não tendo apresentado documentos comprobatórios para darem lastro às alegações quanto às variações cambiais, mantém-se a apuração na forma estabelecida pela fiscalização. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. DILIGÊNCIA. O transcurso in albis do prazo para manifestação em relação ao quanto apurado no relatório de diligência caracteriza anuência tácita do contribuinte em relação às averiguações, devendo ser mantidas as glosas relacionadas pela fiscalização no referido relatório. Recurso provido em parte.
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Mantémse as glosas não expressamente impugnadas, conforme consignado no acórdão da DRJ. ÔNUS DA PROVA. RECEITAS DE VARIAÇÃO CAMBIAL Tratandose de processo de iniciativa do contribuinte, cabe a ele o ônus da prova dos fatos jurígenos do direito de crédito oposto à Administração Tributária. Não tendo apresentado documentos comprobatórios para darem lastro às alegações quanto às variações cambiais, mantémse a apuração na forma estabelecida pela fiscalização. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. DILIGÊNCIA. O transcurso in albis do prazo para manifestação em relação ao quanto apurado no relatório de diligência caracteriza anuência tácita do contribuinte em relação às averiguações, devendo ser mantidas as glosas relacionadas pela fiscalização no referido relatório. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para homologar o resultado da diligência e reverter as glosas em relação a todos os itens que foram objeto de impugnação , exceto em relação aos serviços listados pela fiscalização na tabela que integra o relatório de diligência. Vencidos os conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 03 89 /2 00 4- 56 Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Neto, que entenderam que o contribuinte não é obrigado a contestar o relatório de diligência e, assim, deram provimento parcial nos mesmos termos do processo nº 13770.000198/200494. O conselheiro Diego Diniz Ribeiro apresentou declaração de voto. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.relatados e discutidos os presentes autos. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de créditos da COFINS com base no art. 6º da Lei nº 10.833/2003, relativo aos períodos de apuração compreendidos entre abril e junho de 2004, formalizado em 03/08/2004 e cumulado com declarações de compensação. Por meio do despacho decisório de fls. 241/271, notificado ao contribuinte em 23/12/2008, a autoridade administrativa efetuou ajustes na apuração do contribuinte, glosou parte dos créditos e homologou parcialmente as compensações. A fiscalização fez os seguintes ajustes na apuração do contribuinte: 1) Na apuração dos débitos da contribuição foram adicionadas à receita bruta as receitas de variação cambial, excluindose apenas os valores relativos a acertos e estornos (fls. 207/208); 2) Na rubrica "bens utilizados como insumos", foram glosados insumos importados, que à época não eram alcançados pela incidência do PIS/Cofins; a gasolina e o óleo diesel utilizado como combustíveis em veículos da empresa; serviços aduaneiros e logísticos computados como custo de aquisição dos produtos importados, pois na condição de serviços, não guardam qualquer pertinência com o conceito de insumo adotado pela Administração Tributária; e as compras efetuadas da Associação Indígena Tupiniquim e Guarani, pois se trata de empresa sujeita às contribuições sobre a folha de salários e não sobre o faturamento (fls. 150/151); 3) Na rubrica "serviços utilizados como insumos", foram glosados os valores que não foram aplicados diretamente na produção. Foram expurgados do DACON os serviços de manutenção de equipamentos de comunicação, manutenção de imóveis e escritórios, programas de formação profissional, serviços de consultoria e planejamento. Foram glosados também serviços prestados em áreas vinculadas à produção e/ou industrialização, mas que não se enquadram como insumos, devido à influência indireta que exercem sobre os bens produzidos/industrializados, o que motivou a fiscalização a elaborar uma planilha demonstrativa das glosas efetuadas (fls. 152/177); 4) Na rubrica "despesas com energia elétrica", a fiscalização glosou as despesas em relação às quais o contribuinte deixou de comprovar o gasto por meio da apresentação das faturas da concessionária de energia elétrica (fls. 146/149) Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13770.000389/200456 Acórdão n.º 3402002.907 S3C4T2 Fl. 1.064 3 5) Na rubrica "despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos", foram glosados os lançamentos relativos à locação de veículos e ambulâncias, arrendamento de veículos para transporte de pessoal, conserto de ferramentas elétricas, serviços de agências de viagens, aluguel de cilindros de gases, dentre outros, pelo fato dessas despesas não se enquadrarem no conceito estreito de aluguel de máquinas e equipamentos (fls. 178/180); 6) Na rubrica encargos de depreciação do ativo imobilizado, foram glosadas as despesas de amortização de gastos préoperacionais e os encargos de depreciação de bens utilizados em áreas não operacionais, como tesouraria, jurídico, administrativo, vendas, etc; e também bens utilizados em áreas operacionais, mas não diretamente envolvidos na produção, como mesas, cadeiras, armários, aparelhos de ar condicionado, entre outros (fl. 181/199); 7) Na rubrica "outros valores com direito a crédito", foram glosados valores que manifestamente não dão direito ao crédito, como despesas com hospedagem de empregados; viagens nacionais; serviços gráficos; serviços de táxis; assistência à saúde e funerais; anuidades e mensalidades de órgãos classistas; programas de formação profissional e eventos para empregados. Em sede de manifestação de inconformidade o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: a) Com o advento da COFINS nãocumulativa, a partir da vigência da Lei n° 10.833/2003, o impugnante passou a ter em sua escrita fiscal valores acumulados que foram expressamente informados no DACON referente aos saldos de 2003, que não foram considerados pelo auditor fiscal; b) A Lei n° 10.833/2003 estipulou a nãocumulatividade da COFINS e, como garantia desse instituto, determinou que o saldo de tributo não aproveitado no mês em que tiver sido apurado deverá ser acumulado para aproveitamento no exercício seguinte, sendo que, seguindo a risca esse preceito legal e no intuito de manter coerência com o princípio da não cumulatividade, o impugnante apurou o saldo de COFINS em fevereiro de 2004 e o acumulou com o saldo de março de 2004 e assim sucessivamente, mês a mês, até o pedido de compensação de parte do valor acumulado por ora em debate; c) Além do mais, na qualidade de empresa exportadora, faz jus ao beneficio instituído pela Lei n° 9.363/96, a qual prevê a hipótese de crédito presumido de IPI como meio de ressarcimento à COFINS, colocandoa na posição de empresa acumuladora de créditos de COFINS, causa do saldo constante dos seus registros contábeis/fiscais até a data de hoje, e assim, não há como existir igualdade entre os valores informados pelo impugnante como créditos acumulados de COFINS desde fevereiro/2004, para uso na compensação de COFINS em janeiro/2005, com os valores apurados pelo Fisco repleto de falhas de apuração como as acima evidenciadas; d) Tal situação, de inconsistências entre os dados apresentados pelo contribuinte e o resultado da apuração feita pela fiscalização enseja, no mínimo, a imediata revisão do procedimento fiscal realizado através de diligência, a ser realizada por fiscal estranho ao feito, quando não se optar pela sua imediata anulação; e) A empresa tributou corretamente as variações cambiais, pois ofereceu à tributação os valores apurados nas contas passivas em todos os meses em que houve variação Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 negativa do dólar e os valores das contas ativas em todos os meses em que houve variação positiva do dólar, conforme valores indicados em tabela no corpo da impugnação; f) O conceito de insumo deve ser entendido como toda e qualquer matéria prima, cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final. Seu processo produtivo se inicia no viveiro de mudas de eucalipto, que irão formar as futuras florestas. Após o tempo de maturação as árvores são cortadas e colhidas, sendo que nesta fase são incorridos inúmeros gastos, com silvicultura, corte, emprego de combustíveis em veículos, máquinas e equipamentos próprios e arrendados, operados por terceiros que são contratados para a prestação de serviços intrinsecamente ligados à produção, além do que todos os itens ligados a peças de manutenção, itens de reposição e os imprescindíveis equipamentos de segurança que são consumidos em significativo valor durante todo o processo produtivo da empresa; f) O combustível, bem como as peças de reposição e de manutenção adquiridos pelo impugnante são totalmente consumidos em máquinas e veículos próprios, locados, arrendados e de propriedade de terceiros quando da execução dos serviços contratados na área do impugnante e exclusivamente para o impugnante, sendo que, sem eles não há como produzir a celulose, revestindo dessa forma não apenas o combustível, mas também todos os demais insumos equivocadamente glosados pela fiscalização de indiscutível essencialidade no processo produtivo da empresa, conforme Solução de Consulta n° 260, de 26/09/2008, Solução de Consulta n° 85, de 07/04/2008, Solução de Consulta n° 72, de 04/09/2006; g) Também não há que se falar em glosa de créditos da COFINS, decorrentes da aquisição de insumos de pessoas supostamente tributadas pela COFINS pela sistemática da cumulatividade, conforme entendimento do STJ para fins de crédito presumido de IPI (Resp n° 1008021/CE; Resp n° 617.733/CE; Resp n° 813.280/SC), conceito posto para insumo que o impugnante toma emprestado para a apuração da COFINS; h) Ante o exposto, requerse a reforma do Parecer SEORT/DRFNIT/ES n° 2.942/2008, para que seja homologada na integralidade a compensação constante deste processo. Por meio do Acórdão nº 26.051, de 20/08/2009, a 5ª Turma da DRJ Rio de Janeiro 2, julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte. Ficou decidido o seguinte: 1) o contribuinte não tem direito de acumular saldos anteriores a fevereiro de 2004, pois a Lei nº 10.833/2003 só teve eficácia a partir de 01/02/2004; 2) não existe nenhum saldo acumulado nos meses de fevereiro e março de 2004, pois os valores relativos a esses meses foi objeto de pedido por parte do contribuinte no processo 13770.000198/200494, no qual o direito de crédito foi parcialmente reconhecido e totalmente absorvido para amortizar as compensações então declaradas, não restando saldo algum a transferir para os períodos seguintes; 3) o crédito presumido de IPI da Lei nº 9.363/96 nada tem a ver e não interfere com os créditos das contribuições no regime nãocumulativo. Além disso o regime não cumulativo exclui o direito de o contribuinte de apurar o crédito presumido com base na Lei nº 9.363/96; 4) a defesa não comprovou a alegação de que seu cálculo das variações cambiais está correto, pois os valores das planilhas não foram comprovados; 5) foram mantidas as glosas de bens e serviços, com a mesma fundamentação lançada pela fiscalização; 6) foram mantidas as glosas de combustíveis, sob o argumento de que o combustível não foi utilizado nas máquinas e equipamentos aplicados na produção; 7) foram mantidas as glosas relativas à locação de veículos e ambulâncias, pois a defesa não comprovou que esses veículos são aplicados no processo produtivo; 8) foram mantidas as glosas sobe equipamentos de proteção individual, porque o entendimento da Cosit é no sentido Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13770.000389/200456 Acórdão n.º 3402002.907 S3C4T2 Fl. 1.065 5 de que não dão direito a crédito; 9) foi mantida a glosa sobre partes e peças de reposição, sob o argumento de que produtos importados na época não davam direito a crédito; 10) foi mantida a glosa dos serviços aduaneiros, pois tais serviços não se identificam com o conceito de insumo, além do que o creditamento somente seria possível se as partes e peças de reposição não fossem incluídas no ativo imobilizado; 11) foi rejeitada a alegação genérica de que "todos os demais insumos glosados pela autoridade fiscal seriam de indiscutível essencialidade ao processo produtivo"; 12) foi revertida a glosa em relação às aquisições de madeira de associação sem fins lucrativos; 13) a DRJ considerou matérias não impugnadas: a glosa das despesas com energia elétrica e as glosas de encargos de amortização e depreciação do ativo imobilizado; 14) foi indeferido o pedido de diligência. Regularmente notificado dessa decisão em 30/11/2009, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 29/12/2009, no qual reprisou as alegações de impugnação. Por meio da Resolução nº 3202000.258 o julgamento foi convertido em diligência à repartição de origem para que fosse elaborado um laudo técnico descrevendo o processo produtivo do contribuinte e demonstrando a pertinência direta e a essencialidade dos insumos ao referido processo. Foi solicitado à fiscalização que, com base no laudo apresentado, elaborasse parecer conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, ofertandose prazo para a defesa apresentar manifestação (fls. 518/524). O processo retornou com os documentos de fls. 525/1059 com a diligência cumprida, destacandose desse conjunto o Laudo Técnico de fls. 819/869; o relatório de diligência de fls. 1030/1033; a notificação do resultado de diligência ao contribuinte de fls. 1037/1039; e o despacho da autoridade administrativa de fls. 1059, informando que o contribuinte deixou transcorrer in albis o prazo para manifestação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. As alegações do contribuinte quanto ao desrespeito na acumulação do saldo credor até abril de 2004 e quanto ao aproveitamento do crédito presumido da Lei nº 9.363/96 foram bem apreciados pela DRJ Rio de Janeiro. A fundamentação adotada por aquele colegiado deve ser mantida por esta Turma pois: (i) não existe direito de apurar crédito da não cumulatividade da COFINS antes da eficácia da lei que a instituiu (01/02/2004), exceto quanto a eventual estoque de abertura, o que nem de longe foi glosado pela fiscalização ou objeto de alegação por parte do contribuinte; (ii) em relação aos créditos de fevereiro e março de 2004, não existe saldo a ser transferido para períodos seguintes, pois o saldo alegado no processo nº 13770.000198/200494 não foi suficiente nem para amortizar as compensações a ele vinculadas; e (iii) a teor do art. 14 da Lei nº 10.833/2003, empresas sujeitas à sistemática da nãocumulatividade do PIS e COFINS não podem apurar o crédito presumido de IPI. Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Sendo assim, diante da inexistência dos "equívocos" alegados, o pedido de diligência foi corretamente indeferido pela DRJ, com base nos arts. 18 e 28 do Decreto nº 70235/72, por se tratar de providência prescindível. Da mesma forma, não merece nenhum reparo a decisão de primeira instância na parte em que manteve a inclusão das receitas de variação cambial na base de cálculo da contribuição, na forma estabelecida pela fiscalização, pois as tabelas apresentadas pelo contribuinte não estão escoradas em nenhum livro fiscal. Somente a escrituração fiscal mantida com as formalidades legais e acompanhada dos documentos que deram lastro aos lançamentos é meio apto de prova dos fatos nela registrados, a teor do art. 9º, § 1º, do DecretoLei nº 1.598/77: "Art 9º A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. § 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. § 2º Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no § 1º. § 3º O disposto no § 2º não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração." No recurso voluntário o contribuinte reprisou a alegação no sentido de que não cabe a glosa de créditos da COFINS, decorrentes da aquisição de insumos de pessoas supostamente tributadas na sistemática da cumulatividade. Entretanto, essa alegação perdeu o objeto, pois a DRJ já reverteu a glosa em relação às aquisições da Associação Indígena Tupiniquim e Guarani. No que tange à questão de fundo, a diligência solicitada pelo CARF eliminou a controvérsia quanto ao direito de crédito pela aquisição de bens e serviços utilizados como insumos. Essa diligência produziu um minucioso Laudo Técnico pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (fls. 819/869). O referido Laudo Técnico provocou uma visita da fiscalização às instalações da empresa, culminando em uma mudança no convencimento da fiscalização quanto à aptidão dos bens e serviços glosados gerarem créditos da contribuição. No relatório de diligência de fls. 1030/1033 a fiscalização, basicamente, reconheceu que a maioria dos insumos glosados estão aptos a gerarem o crédito das contribuições, com exceção dos serviços relacionados na planilha que integra o corpo do relatório de diligência. O contribuinte foi notificado desse relatório de diligência às fls. 1037/1039. Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13770.000389/200456 Acórdão n.º 3402002.907 S3C4T2 Fl. 1.066 7 Na fl. 1039 a fiscalização informou ao contribuinte expressamente que concordava com critério adotado pela empresa em relação a todos os bens utilizados como insumo e quanto aos serviços utilizados como insumos, exceto os serviços relacionados na planilha inserida no corpo do relatório de diligência. Eis o trecho no qual a fiscalização explicita a amplitude de sua concordância: "(...) (...)" O contribuinte tomou ciência desse termo, do relatório de diligência e dos demais documentos carreados aos autos em 27/10/2014 (fl. 1039) e deixou transcorrer in albis o prazo para manifestação, conforme consignado no despacho de fls. 1059: A inexistência de manifestação do contribuinte configura sua anuência tácita com o quanto foi apurado na diligência e liquida a controvérsia instaurada com a impugnação, em relação à matéria que foi objeto da diligência: bens e serviços aptos a gerarem créditos da contribuição. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para homologar o resultado da diligência e reverter as glosas em relação a todos os itens que foram objeto de impugnação exceto em relação aos serviços listados pela fiscalização na tabela que integra o relatório de diligência. Na liquidação deste julgado a fiscalização deverá observar que a reversão das glosas ora determinadas se referem exclusivamente aos itens impugnados, em relação aos quais houve instauração de controvérsia. Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Estão mantidas as glosas relativas a despesas com energia elétrica e de encargos de amortização e de depreciação do ativo imobilizado, a teor do que determina o art. 17 do Decreto nº 70.235/72, visto que não foram impugnadas. Antonio Carlos Atulim Declaração de Voto Declaração de voto do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. 1. Como bem exposto no relatório do presente voto, estamos diante de pedido de ressarcimento de créditos da COFINS com base no art. 6º da Lei nº 10.833/2003, cumulado com declarações de compensação. 2. Depois do trâmite regular do presente processo administrativo, o recurso voluntário interposto pelo contribuinte foi originalmente distribuído para a antiga Turma n. 3202, a qual, por meio da Resolução nº 3202000.258, converteu o julgamento em diligência para fins de elaboração de um laudo técnico com o fito de descrever o processo produtivo do contribuinte, bem como demonstrar sua pertinência direta e a essencialidade dos insumos ao referido processo. 3. Realizada a referida diligência o contribuinte foi intimado para, querendo, manifestarse a respeito do sobredito laudo. Todavia, o Recorrente preferiu quedar inerte, o que, com a devida vênia ao voto vencedor, não deveria lhe trazer qualquer prejuízo. 4. Para se alcançar tal conclusão convém desde já destacar que a baixa de processos em julgamento para diligência tem uma finalidade própria, qual seja, esclarecer determinadas questões de ordem fática imprescindíveis para o adequado e justo julgamento de um determinado caso. Percebese, pois, que o destinatário e, por conseguinte, interessado imediato no resultado da diligência é o órgão julgador e não as partes. 7. E isso se deve ao fato de não mais se acreditar na existência de um julgador onisciente ou, para me valer da expressão de Dworkin, do juiz Hércules, em especial quando se está diante de intrincadas situações fáticas que demandam conhecimentos técnicos que vão para muito além do conhecimento puramente jurídico, exatamente como ocorre no caso em comento, onde se discute, a grosso modo, o processo produtivo do contribuinte. 8. Tanto é verdade que baixar ou não um processo em diligência é prerrogativa exclusiva do julgador, que, inclusive, pode assim agir de ofício1, ou seja, independentemente de pedido ou anuência das partes litigantes2. 1 Assim prevê o art. 18 do Decreto n. 70.235/72. 2 O contribuinte tem o direito de pedir a realização de eventuais diligências que entenda pertinentes, exatamente como prevê o art. 16, inciso IV do Decreto n. 70.235/72, sob pena de preclusão quanto ao referido pedido. Todavia, a autorização ou não da diligência dependerá de exclusivo juízo de valor do órgão julgador, que deverá fundamentar a sua decisão seja pelo deferimento ou indeferimento do referido pedido. Resta claro, portanto, que o Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13770.000389/200456 Acórdão n.º 3402002.907 S3C4T2 Fl. 1.067 9 9. Insisto: o resultado da diligência é destinado ao julgador, a quem competirá analisálo como mais uma prova produzida nos autos, vis a vis do acervo fático jurídico desenvolvido ao longo de todo processo administrativo. Logo, querer imputar a qualquer uma das partes o ônus de necessariamente se manifestar a respeito do resultado de uma diligência é, com a devida vênia, subverter a finalidade da diligência (formação de um juízo de valor por parte do órgão julgador), além de implicar a criação de um ônus processual sem qualquer previsão legal. 10. Nesse sentido, convém neste momento fazer uma distinção entre (i) ônus e (ii) faculdade processual. 11. Sempre que houver um ônus processual caberá a parte para o qual este encargo é dirigido realizar ou não uma determinada ação no processo. Neste caso, a inércia da parte lhe traz uma consequência negativa no processo. Um exemplo clássico é o da parte que, diante de uma sentença em seu prejuízo, deixa de interpor o correlato recurso (ônus processual). A inércia da parte lhe traz consequências negativas, quais sejam, a preclusão recursal e o correlato trânsito em julgado da decisão proferida em seu desfavor. 12. Por sua vez, há faculdade processual quando a parte tem a possibilidade de agir no processo e, sua inércia, não lhe traz qualquer consequência, seja ela positiva ou negativa. Um exemplo que bem ilustra essa situação é a faculdade que o executado tem de indicar bens à penhora em sede de execução fiscal. 13. Nesse mesmo diapasão é a posição da nossa melhor doutrina: "Ônus constituise como atividade a ser desempenhada pela parte que lhe gera benefícios. Omisso nesta atividade, gera para parte consequências negativas. A faculdade consiste em opção pela parte de determinado ato processual sem consequências, como por exemplo indicar bens à penhora com a petição inicial, conforme a regra do art. 652,§ 2º do CPC. 3" 14. Assim, é ônus processual do contribuinte requisitar a realização de perícias e diligências no momento oportuno (art. 16, IV e §1º do Decreto n. 70.235/72 e art. 38 da lei n. 9.784/99), sob pena de preclusão. Não obstante, uma vez realizada a diligência determinada pelo órgão julgador, é faculdade do contribuinte a respeito dela se manifestar, razão pela qual sua inércia não lhe traz qualquer prejuízo. 15. Aliás, em compasso com as premissas alhures fixadas, é o teor do termo de ciência do resultado de diligência enviado pela fiscalização ao contribuinte (fls. 1.037/1.039), conforme se observa abaixo: (...) Fica estabelecido o prazo de 30 (trinta) dias para a empresa apresentar na Agência da Receita Federal da Serra/ES alguma manifestação, caso deseje, quanto ao resultado deste Relatório. único ônus processual imposto ao contribuinte em relação à diligência é no sentido de pleiteála em momento oportuno, sob pena de preclusão do pedido. 3 MEDINA, José Garcia. WAMBIER, Luiz Arruda Alvim. WAMBIER, Teresa Arruda Alvim. "Breves Comentários à Nova Sistemática Processual Civil".( Vol.3). São Paulo: RT Editora, 2007. p. 67. Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 (...). (grifos nosso). 16. Do trecho acima transcrito resta claro que a própria fiscalização trata a manifestação do contribuinte acerca do resultado de diligência como uma faculdade e não um ônus processual. 17. E nem poderia ser diferente, já que a previsão de um ônus processual depende de inconteste exigência legal, uma vez que, como já tratado alhures, o não cumprimento do encargo pela parte lhe implicará uma consequência processual negativa. 18. Concluise, portanto, que, s.m.j., a r. decisão vencedora se arvora de natureza legislativa, na medida em cria em concreto um ônus processual sem qualquer amparo legal neste sentido, imputando como consequência para o Recorrente a presunção da sua pretensa anuência tácita em relação ao resultado da diligência efetuada. Em suma, a r. decisão simultaneamente cria, como se lei fosse, (i) um ônus processual e também (ii) uma presunção, o que, com a devida vênia, padece de notória injuridicidade. 19. Aliás, quanto à injuridicidade da presunção aqui criada, mister se faz destacar que a r. decisão vencedora contraria expressamente o disposto no art. 27 da lei n. 9.784/99, in verbis: Art. 27. O desatendimento da intimação não importa o reconhecimento da verdade dos fatos, nem a renúncia a direito pelo administrado. 20. Por fim, não é demais lembrar que o resultado de diligência em processo administrativo ganha o status de prova e, como tal, pode ser analisada livremente pelo órgão julgador, em compasso, pois, com o consagrado princípio da persuasão racional do juiz e, ainda, com o disposto no art. 29 do Decreto n. 70.235/72 abaixo transcrito: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. 21. Aludido princípio permite que o julgador decida um determinado caso em contraposição a uma prova (resultado de diligência, inclusive) realizada nos autos, desde que o faça de forma motivada. Ora, se o julgador não está vinculado ao resultado da diligência, qual a razão de se obrigar o contribuinte a se manifestar a seu respeito? Em verdade, esta liberdade do julgador só reforça aquilo que foi afirmado no início deste voto divergente: o resultado da diligência se dirige imediatamente ao órgão julgador, no sentido de contribuir para a formação do seu convencimento. 22. Ex positis, entendo ser indevida a criação de ônus processuais e presunções inexistentes em lei, razão pela qual, permissa concessa venia, divirjo do douto Relator do presente caso. 23. É como voto. Conselheiro Diego Diniz Ribeiro Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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