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Numero do processo: 13657.000190/2006-96
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 30 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3801-000.072
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Nome do relator: MAGDA COTTA CARDOZO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. al) _ .... &O? M gd Cotta Crrdoço - Presidente e Relatora EDITADO EM: 18/10/2010 Participaram do presente julgamento os conselheiros Magda Cotta Cardozo, Flávio de Castro Pontes, Andréa Medrado Darzé (Suplente), José Luiz Bordignon e Rodrigo Pereira de Mello (Suplente). Ausente, justificadamente os Conselheiros Amo Jerke Júnior e Andréia Dantas Lacerda Moneta. Relatório transcrito: Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ-Juiz de Fora/MG, abaixo "Trata o presente processo de PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE IPI de fL 01, segundo planilhas de fls. 02/06, relativo ao 2' Trimestre do ano-calendário de 2002, ,formulado, em Processo n° 13657.000190/2006-96 S3-T101 Resolução n,° 3801-00.072 Fl. 86 08/03/2006, no montante de R$3..872,29, com fulcro no artigo 11 da Lei n° 9 779, de 19/01/1999. Instruída pelo Relatório de Veríficação Fiscal de fls. 61/63, a autoridade competente da Delegacia da Receita Federal em Varginha, MG, exarou, às fls, 66/67, Despacho Decisório indeferindo o ressarcimento. No citado relatório, o auditor . fiscal - encarregado de proceder à análise da legitimidade do presente pleito -, manifestou-se contrariamente à pretensão do requerente de obter o reconhecimento de saldo credor de IPI, tendo em vista que manteve em sua escrita fiscal o saldo credor de IPI existente em 31/12/1998 e os créditos de IPI oriundos de aquisições a partir de 01/01/1999, com utilização concomitante desses valores. Regularmente notificado, o requerente apresenta, por meio de seu procurador (f1. 73) a manifestação de inconformidade de fls. 69/72, para aduzir que- "os créditos acumulados e IPI existentes em 31/12/1998 estão sendo abatidos débitos de IPI e os créditos acumulados posteriormente a esta data evidentemente que poderão ser ressarcidos ou compensados. No processo em lide o pedido foi referente ao 2" trimestre de 2002, não havendo impedimento para o ressarcimento ou a compensação. Diante do exposto requer a V Exa que seja conhecido e provido o presente recurso deferindo e havendo débitos que seja efetuada a compensação Analisando o litígio, a DIU-Juiz de Fora/MG indeferiu a solicitação do contribuinte (fls. 75 a 78), conforme ementa abaixo transcrita: RESSARCIMENTO IPI. IMPOSSIBILIDADE. O ressarcimento de saldo credor de IPI, conforme dispuseram o art. 11 da Lei n" 9,779, de 19/01/1999, e o art 5' da 1N SRF n° 33, de 04/03/1999, demanda o esgotamento dos créditos existentes em 31/12/1998, seja pela sua utilização na dedução de débitos decorrentes da saída de produtos acabados em estoque naquela data ou de produtos elaborados a partir de 01/01/1999 com os insunzos geradores de tal saldo credor ou, finalmente, pelo simples estorno do saldo credor conforme admitido no ADI NU' n° 1,5, de 2002, Não atendidas estas condições, impossível é deferir saldo credor em favor do contribuinte. Às fls. 80 a 83 consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a empresa traz as seguintes alegações, em resumo: o A DRJ, apesar de reconhecer a existência do direito ao ressarcimento, indeferiu o pedido da recorrente pela existência do saldo em 31/12/98; o A DRj deveria julgar parcialmente procedente o pedido, estornando o saldo de 31/12/98, aplicando a súmula 8 do Segundo Conselho; 2 Processo na 13657 000190/2006-96 S3-TE01 Resolução ri a 3801-00372 Fl. 87 o Os créditos acumulados posteriormente a 31/12/98 poderão ser ressarcidos ou compensados, É o relatório. Voto Conselheira Magda Cotta Cardozo, Relatora O presente processo, como visto, diz respeito a pedido de ressarcimento de IPI, relativo ao 2' trimestre/2002, Conforme relatório elaborado pela Fiscalização da DRFNarginha (fls. 61 a 63), o contribuinte possuía, em 31/12/98, um saldo credor no valor de R$ 30,075,41, acumulado até 31/12/2000 no valor de R$ 51,548,44, Tais conclusões são comprovadas pelos documentos de fis, 50 a 58 (Livro de Registro do IN), Sobre o ressarcimento do 1PI, dispõe a Lei n° 9,779, de 19 de janeiro de 1999: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados - IR!, acumulado em cada trimestre-calendário, decorrente de aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à aliquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. (Grifo nosso) Disciplinando tal matéria, a 1N/SRF n° 33, de 4 de março de 1999, estabeleceu que: Art. 4o O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidos no art. 11 da Lei No 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à aliquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de lo de janeiro de 1999. (Grifo nosso) Art. 5o Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação, (Grifo nosso) § 1 o Os créditos a que se refere este artigo deverão ficar anotados à margem da escrita fiscal do IPI. (Grifo nosso.) § 2o O aproveitamento dos créditos do IPI de que trata este artigo somente poderá ser efetuado com débitos decorrentes da salda dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e dos fabricados a partir de 1 o de janeiro de 1999, com a utilização dos 3 Processo nõ 13657,000190/2006-96 S3- T E01 Resolução n.° 3801-00.072 Fl 88 insurnos originadores desses créditos, considerando-se que os produtos que primeiro saírem foram industrializados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento. § 3o O aproveitamento dos créditos, nas condições estabelecidas no artigo anterior, somente será admitido após esgotados os créditos referidos neste artigo, (Grifo nosso) Assim, a partir de janeiro de 1999 passou a ser possível ao contribuinte do IPI a utilização do saldo credor do imposto, que não puder ser compensado na saída, para fins de ressarcimento ou compensação, previstos na Lei n° 9.430/96. No entanto, tal direito alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial a partir de 01/01/1999, limitação reconhecida pela Súmula n° 8 do 2° Conselho de Contribuintes (Súmula CARF n° 16). Quanto ao saldo credor acumulado existente no estabelecimento em 31/12/1998, dispôs a IN acima transcrita que somente poderia ser aproveitado para dedução do IPI devido, não sendo possível sua utilização por meio de ressarcimento ou compensação, devendo sua contabilização ser feita à margem da escrita fiscal do imposto, ou seja, seu controle deveria ser feito à parte do saldo apurado a partir de janeiro de 1999. Além disso, sua utilização estava restrita aos débitos decorrentes da saída de produtos acabados, existentes em 31/12/1998, e dos fabricados a partir de 01/01/1999, com a utilização dos insumos originadores desses créditos. Por fim, a mesma norma define que o estabelecimento industrial somente poderia se beneficiar do disposto na Lei n° 9379/99 após esgotar seus créditos anteriores a janeiro de 1999. Nesse aspecto a SRF editou o Ato Declaratório Interpretativo n° 15, de 25 de setembro de 2002, nos seguintes termos: Artigo único Será considerado esgotado, nas condições previstas no § 3' do art. 5" da Instrução Normativa SRF n" 33/99, o saldo credor que remanescer do aproveitamento previsto no § 2' do mencionado artigo, quando o contribuinte optar pelo estorno daquele saldo. Portanto, caso não fosse utilizada a totalidade do saldo anterior a 1999, poderia o contribuinte estornar o restante e, a partir daí, utilizar-se do ressarcimento e/ou compensação, previstos na referida Lei. No presente caso, a escrita fiscal do contribuinte demonstra que tais previsões normativas não fbram por ele observadas, considerando que consta registrado, em 31/12/98, um saldo credor de IPI no valor de R$ 30,075,41 (fl. 51), para o qual não foi efetuado um controle paralelo, à parte do saldo apurado a partir de 1999, permanecendo, ao contrário, aquele valor na composição dos saldos apurados para os períodos posteriores (fis, 10 a 28 e 52 a 59). No entanto, tais incorreções em sua escrita não lhe retiram o direito relativo aos períodos posteriores a 1998, como é o caso dos presentes autos (2' trimestre de 2002). A vedação à utilização do ressarcimento previsto na Lei n° 9,779/99 quando não esgotados os créditos anteriores a 1999, ou não estornados, é prevista unicamente no § 3° do artigo 5' da IN/SRF if 33/99, nada dispondo a Lei que a originou quanto a tal questão. O contribuinte relacionou as notas fiscais referentes ao período mencionado no pedido (fls. 02 a 05), apresentou planilhas de apuração do IPI devido no trimestre (ft 06), bem 4 Processo n° 13657000190/2006.96 53-TEOI Resolução n 3801-00.072 Fl. 89 como das saídas (fl. 07), calculando o saldo credor (fl. 07) objeto do processo. Observe-se que consta na planilha de fl. 07 o saldo relativo ao período anterior, no qual estaria incluído o valor referente aos períodos anteriores a jati/1999, Porém, tal saldo não foi considerado pela empresa no cálculo do saldo credor do 20 trimestre/2002. Por outro lado, o indeferimento do pedido fundamentou-se tão-somente na vedação prevista na IN/SRF n" 33/99, não tendo sido, em conseqüência, verificada a correção do valor apurado e requerido pelo contribuinte, conforme destacou a autoridade de l a instância. Considerando o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF/Varginha-MG para: o Apurar a correção do saldo calculado pelo contribuinte para o 2' trimestre/2002, reconstituindo sua escrita fiscal, desconsiderando o saldo credor relativo aos períodos anteriores a janeiro/1999; • Após, intimar a empresa a se manifestar, se assim desejar, relativamente ao resultado da diligência, no prazo de trinta dias de sua ciência; • Retornar o processo a este Carf para julgamento. /aptn Lbbl-fe, CáLL-Qcy Magdkotta Cardozo 5
score : 1.0
Numero do processo: 13657.000187/2006-72
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
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Numero da decisão: 3801-000.071
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência.
Nome do relator: MAGDA COTTA CARDOZO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-21T10:43:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-21T10:43:25Z; Last-Modified: 2010-12-21T10:43:25Z; dcterms:modified: 2010-12-21T10:43:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:ef7ce120-2830-4efe-9e2a-0385458e910a; Last-Save-Date: 2010-12-21T10:43:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-21T10:43:25Z; meta:save-date: 2010-12-21T10:43:25Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-21T10:43:25Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-21T10:43:25Z; created: 2010-12-21T10:43:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-12-21T10:43:25Z; pdf:charsPerPage: 1144; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-21T10:43:25Z | Conteúdo => S3-TE01 Fi 83 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13657,000187/2006-72 Recurso n° 507,609 Resolução n° 3801-00.071 — 1" Turma Especial Data 30 de setembro de 2010 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente PROCAIXAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, sjgde-l'a CGQXotta Cardozo - Presidente e Relatora dl a" LCU EDITADO EM: 18/10/2010 Participaram do presente julgamento os conselheiros Magda Coita Cardozo, Flávio de Castro Pontes, Andréa Medrado Darzé (Suplente), José Luiz Bordignon e Rodrigo Pereira de Mello (Suplente), Ausente, justificadamente os Conselheiros Arrio Jerke Júnior e Andréia Dantas Lacerda Moneta. Relatório transcrito: Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ-Juiz de Fora/MG, abaixo "Trata o presente processo de PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE IPI de fl. 01, segundo planilhas de fls. 02/06, relativo ao 3" Trimestre do ano-calendário de 2001, formulado, em Processo ri' 13657000187/2006-72 83-TE01 Resolução o " 3801-00,071 Fl 84 08/03/2006, no montante de R$11 .096,99, com fidcro no artigo 11 da Lei n" 9,779, de 19/01/1999. Instruída pelo Relatório de Verificação Fiscal de fls. 59/61, a autoridade competente da Delegacia da Receita Federal em Varginha, MG, exarou, às fis 64/65, Despacho Decisório indeferindo o ressarcimento, No citado relatório, o auditor fiscal - encarregado de proceder à análise da legitimidade do presente pleito -, manifestou-se contrariamente à pretensão do requerente de obter o reconhecimento de saldo credor de IH, tendo em vista que manteve em sua escrita fiscal o saldo credor de IPI existente em 31/12/1998 e os créditos de IPI oriundos de aquisições a partir de 01/01/1999, com utilização concomitante desses valores, Regularmente notificado, o requerente apresenta, por meio de seu procurador (fl. 71) a manifestação de inconformidade de fis. 67/70, para aduzir que: "os créditos acumulados de IPI existentes em 31/12/1998 estão sendo abatidos débitos de IPI e os créditos acumulados posteriormente a esta data evidentemente que poderão ser ressarcidos ou compensados. No processo em lide o pedido foi referente ao 3" trimestre de 2001, não havendo impedimento para o ressarcimento ou a compensação. Diante do exposto requer a V Exa. que seja conhecido e provido o presente recurso deferindo e havendo débitos que seja efetuada a compensação," Analisando o litígio, a DRJ-Juiz de Fora/MG indeferiu a solicitação do contribuinte (fls. 73 a 76), conforme ementa abaixo transcrita: RESSARCIMENTO IPI IMPOSSIBILIDADE O ressarcimento de saldo credor de IPI, conforme dispuseram o art. 11 da Lei n° 9,779, de 19/01/1999, e o art 5' da IN SRF n" 33, de 04/03/1999, demanda o esgotamento dos créditos existentes em 31/12/1998, seja pela sua utilização na dedução de débitos decorrentes da saída de produtos acabados em estoque naquela data ou de produtos elaborados a partir de 01/01/1999 com os insumos geradores de tal saldo credor ou, finalmente, pelo simples estorno do saldo credor conforme admitido no ADI SRF n" 15, de 2002. Não atendidas estas condições, impossível é deferir saldo credor em favor do contribuinte, Às fls. 78 a 81 consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a empresa traz as seguintes alegações, em resumo: (h A DRI, apesar de reconhecer a existência do direito ao ressarcimento, indeferiu o pedido da recorrente pela existência do saldo em 31/12/98; o A DRJ deveria julgar parcialmente procedente o pedido, estornando o saldo de 31/12/98, aplicando a súmula 8 do Segundo Conselho; 2 Processo Tic' 13657000187/2006-72 S3-TE01 Resolução ;1.° 3801 -00.071 Fl 85 o Os créditos acumulados posteriormente a 31/12/98 poderão ser ressarcidos ou compensados. É o relatório. Voto Conselheira Magda Cotta Cardozo, Relatora O presente processo, como visto, diz respeito a pedido de ressarcimento de IPI, relativo ao 3 0 trimestre/2001. Conforme relatório elaborado pela Fiscalização da DRF/Varginha (fls. 59 a 61), o contribuinte possuía, em 31/12/98, um saldo credor no valor de R$ .30.075,41, acumulado até 31/12/2000 no valor de R$ 51,548,44. Tais conclusões são comprovadas pelos documentos de fls, 47 a 56 (Livro de Registro do IFI) Sobre o ressarcimento do PI, dispõe a Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializadas IPI, acumulado em cada trimestre-calendário, decorrente de aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à allquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na salda de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n2 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. (Grifo nosso) Disciplinando tal matéria, a 1N/SRF n" 33, de 4 de março de 1999, estabeleceu que: Art. 4o O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei No 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à aliquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de lo de janeiro de 1999. (Grifo nosso) Art. So Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação, (Grifo nosso) lo Os créditos a que se refere este artigo deverão ficar anotados à margem da escrita fiscal do 1PL (Grifo nosso) áç 2o O aproveitamento dos créditos do IPI de que trata este artigo somente poderá ser efetuado com débitos decorrentes da salda dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e dos fabricados a partir de 10 de janeiro de 1999, com a utilização dos 3 Processo n° 13657.00018'7/2006-72 S3- I E01 Resolução n 3801-00.071 Fl 86 insumos originadores desses créditos, considerando-se que os produtos que primeiro saírem foram industrializados com a utilização dos inSUMOS que primeiro entraram no estabelecimento § 3o O aproveitamento dos créditos, nas condições estabelecidas no artigo anterior, somente será admitido após esgotados os créditos referidos neste artigo (Grifo nosso) Assim, a partir de janeiro de 1999 passou a ser possível ao contribuinte do IPI a utilização do saldo credor do imposto, que não puder ser compensado na saída, para fins de ressarcimento ou compensação, previstos na Lei n° 9,430/96 No entanto, tal direito alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial a partir de 01/01/1999, limitação reconhecida pela Súmula n° 8 do 2° Conselho de Contribuintes (Súmula CARF n° 16). Quanto ao saldo credor acumulado existente no estabelecimento em 31/12/1998, dispôs a IN acima transcrita que somente poderia ser aproveitado para dedução do IPI devido, não sendo possível sua utilização por meio de ressarcimento ou compensação, devendo sua contabilização ser feita à margem da escrita fiscal do imposto, ou seja, seu controle deveria ser feito à parte do saldo apurado a partir de janeiro de 1999. Além disso, sua utilização estava restrita aos débitos decorrentes da saída de produtos acabados, existentes em 31/12/1998, e dos fabricados a partir de 01/01/1999, com a utilização dos insumos originadores desses créditos, Por fim, a mesma norma define que o estabelecimento industrial somente poderia se beneficiar do disposto na Lei n° 9.779/99 após esgotar seus créditos anteriores a janeiro de 1999. Nesse aspecto a SRF editou o Ato Declaratório Interpretativo rf 15, de 25 de setembro de 2002, nos seguintes termos: Artigo único. Será considerado esgotado, nas condições previstas no § 3" do art. 5" da Instrução Normativa SRF n" 33/99, o saldo credor que remanescer do aproveitamento previsto no § 2" do mencionado artigo, quando o contribuinte optar pelo estorno daquele saldo Portanto, caso não fosse utilizada a totalidade do saldo anterior a 1999, poderia o contribuinte estornar o restante e, a partir daí, utilizar-se do ressarcimento e/ou compensação, previstos na referida Lei. No presente caso, a escrita fiscal do contribuinte demonstra que tais previsões normativas não foram por ele observadas, considerando que consta registrado, em 31/12/98, um saldo credor de IPI no valor de R$ 30.075,41 (fl. 49), para o qual não foi efetuado um controle paralelo, à paute do saldo apurado a partir de 1999, permanecendo, ao contrário, aquele valor na composição dos saldos apurados para os períodos posteriores (fis. 09 a 26 e 50 a 57). No entanto, tais incorreções em sua escrita não lhe retiram o direito relativo aos períodos posteriores a 1998, como é o caso dos presentes autos (3° trimestre de 2001). A vedação à utilização do ressarcimento previsto na Lei n" 9,779/99 quando não esgotados os créditos anteriores a 1999, ou não estornados, é prevista unicamente no § 3' do artigo 5° da IN/SRF n° 33/99, nada dispondo a Lei que a originou quanto a tal questão. O contribuinte relacionou as notas fiscais referentes ao período mencionado no pedido (fls. 02 a 04), apresentou planilhas de apuração do IPI devido no trimestre (fl. 05), bem 4 Processo n" /3657.000187/2006-72 S3-TE01 Resolução n.° 3801-00.07/ Fl. 87 como das saídas (fl. 06), calculando o saldo credor (ff 06) objeto do processo Observe-se que consta na planilha de fi. 06 o saldo relativo ao período anterior, no qual estaria incluído o valor referente aos períodos anteriores a jan/1999. Porém, tal saldo não foi considerado pela empresa no cálculo do saldo credor do 3 0 trimestre/2001. Por outro lado, o indeferimento do pedido fundamentou-se tão-somente na vedação prevista na IN/SRF n° 33/99, não tendo sido, em conseqüência, verificada a correção do valor apurado e requerido pelo contribuinte, conforme destacou a autoridade de I a instância, Considerando o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF/Varginha-MG para: • Apurar a correção do saldo calculado pelo contribuinte para o 30 trimestre/200I, reconstituindo sua escrita fiscal, desconsiderando o saldo credor relativo aos períodos anteriores a janeiro/1999; • Após, intimar a empresa a se manifestar, se assim desejar, relativamente ao resultado da diligência, no prazo de trinta dias de sua ciência; 43 Retomar o processo a este Carf para julgamento. (-), '--\ c, ii• 1 , -CoiLae--57 Magfa Cotta Cardozo L_
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Numero do processo: 10120.900448/2006-16
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3801-000.115
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à DRF de origem para apurar o valor devido do IOF no período objeto do pedido, à luz dos documentos constantes dos autos e outros que entender necessários.
Matéria: IOF- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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(assinado digitalmente) Magda Cotta Cardozo Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. EDITADO EM: 13/04/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Magda Cotta Cardozo (Presidente), Flávio de Castro Pontes, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Leonardo Mussi da Silva e José Luiz Bordignon. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 09/07/2013 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 13/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 14/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10120.900448/200616 Resolução n.º 3801000.115 S3C1T1 Fl. 110 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: “Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de n° 16082.10382.081003.1.3.043887 (fls. 1/5), transmitida eletronicamente em 8/10/2003, com base em créditos de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários — IOF, tendo a contribuinte vinculado débitos no montante total de R$ 1.832,50. Em 16/6/2008, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 6), fundamentado, nos termos dos artigos 165 e 170 do Código Tributário Nacional, e do artigo 74 da Lei n° 9.430, 27 de dezembro de 1996, cuja decisão não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito. Cientificado, via postal, dessa decisão em 27/6/2008, bem como da cobrança dos débitos compensados na Dcomp (fls. 47/48), o sujeito passivo apresentou em 25/7/2008, manifestações de inconformidade às fls. 10/18, acrescida de documentação anexa. Cabe destacar que foram juntadas aos autos duas manifestações de inconformidade referentes ao presente processo, com igual teor. A manifestação de inconformidade, contém, em síntese, as seguintes alegações: • Cerceamento do Direito de Defesa: que a nãohomologação eletrônica impediria a contribuinte de exercer o direito constitucional de ampla defesa, pois faltaria ao despacho decisório a demonstração das razões que teriam levado a nãohomologação da compensação, como por exemplo, quais valores teriam sido utilizados em outros pagamentos; o que o fisco teria trazido ao processo somente a descrição dos valores apurados; que o despacho decisório não teria sido necessariamente motivado; cita a Constituição Federal e doutrinadores; • Erros na DCTF: que a contribuinte teria, por erro, declarado na DCTF do 3° trim/01, "1ª semana de set/01”, o valor de R$ 13.018,75, como DARF vinculado a débito do período. Afirma que tal valor corresponderia a pagamento parcialmente efetuado a maior. Indica como documentos que comprovariam essa alegação o Per/Dcomp transmitido em 8/10/2003 (fls. 1/5), a DCTF do 3° Fl. 111DF CARF MF Impresso em 09/07/2013 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 13/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 14/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10120.900448/200616 Resolução n.º 3801000.115 S3C1T1 Fl. 111 3 trimestre de 2001 (fls. 37/39) e o comprovante de arrecadação (fl. 40); apresenta DCTF do 4º trimestre de 2003 (fls. 41/45), contendo a vinculação do crédito informado na presente Per/Dcomp, no valor de R$ 1.832,50, à extinção do débito apurado na 1ª semana de outubro de 2003, que totalizou R$ 40.254,44, antes de efetuadas as compensações. Ao final requer que seja julgado improcedente o despacho decisório, reconhecendose o direito de compensação, bem como o cancelamento da cobrança através do processo administrativo n° 10120.902029/200619 (fl. 46)”. Delegacia de Julgamento em Brasília proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 02/02/2002 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA DO CITADO VÍCIO. O despacho decisório deverá conter, entre outros requisitos formais, obrigatoriamente, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do despacho nãohomologatório, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. NÃO COMPROVAÇÃO DE EQUÍVOCO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. O julgador deve buscar analisar as razões e provas apresentadas pelo impugnante, em confronto com as documentações e fatos (comprovados) que serviram de base ao lançamento. A contribuinte não logrou trazer aos Autos material probatório que comprovasse as alegações feitas, o que permitiria a este colegiado formar convicção sobre as mesmas alegações. Solicitação Indeferida”. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 09/07/2013 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 13/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 14/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10120.900448/200616 Resolução n.º 3801000.115 S3C1T1 Fl. 112 4 Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme petição de fls. 73 a 79, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, acrescentando, em síntese: 1. Que em 13.06.2003, a recorrente recebeu correspondência do cliente COOPERATIVA INDUSTRIAL DE CARNES E DERIVADOS DE GOIÁS LTDA — GOIÁS CARNE (doc. 05), requerendo a devolução de valores de IOF incidentes sobre operações de crédito, sob alegação de que foram retidos indevidamente de sua conta, no período de abril de 2001 a abril de 2002. 2. Que tal requerimento fundamentavase no art. 8º, inciso I, do Decreto n.° 2.219/97, então vigente na época dos fatos geradores, segundo o qual as operações de crédito, em que a cooperativa figurasse como tomadora, estavam sujeitas à alíquota zero do IOF. 3. Que após analisar o pedido do cliente e verificar sua procedência, a recorrente apurou o montante de R$ 47.595,65, conforme relação dos débitos de IOF indevidos (doc. 06), que foi atualizado até outubro de 2003, perfazendo a quantia de R$ 65.924,95 (doc. 07). Tal valor foi devolvido em 09.10.2003, mediante crédito na conta corrente de titularidade da Cooperativa (Agência 190— Caldazinha, C/C 038087 — doc. 08). 4. Que a recorrente assumiu o ônus do recolhimento indevido do IOF, passou, então, a ter um crédito de R$ 65.924,95 para ser compensado (conforme Razão Auxiliar da conta contábil onde foi contabilizado o valor de ressarcimento do IOF para o cliente — doc. 09). 5. Que na DCTF do 4º trim/03, 1ª semana de out/03, código 3467 IOF consta declarado corretamente o valor de R$ 1.832,50 (doc. 08 anexo à manifestação de inconformidade), que corresponde ao crédito pleiteado pelo Recorrente. É o relatório. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 09/07/2013 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 13/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 14/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10120.900448/200616 Resolução n.º 3801000.115 S3C1T1 Fl. 113 5 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator Conforme relatório acima, o motivo que fundamentou o indeferimento do pedido formulado pelo contribuinte e a conseqüente não homologação da compensação por ele pretendida foi a falta de comprovação de liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Em outros termos, o pagamento informado como origem do crédito, alegadamente indevido, estava indisponível em razão de estar vinculado a débito declarado em DCTF e, portanto, já tendo sido utilizado para quitação deste no sistema conta corrente. É o que se depreende da leitura do Despacho Decisório Eletrônico de fls. 06. Tal fundamentação, por certo, decorre de análise superficial, realizada nos limites de sistema informatizado de informações (batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não), no qual não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Considerando a referida fundamentação, a recorrente explica que cometeu um equívoco ao vincular o débito apurado na DCTF do 3° trimestre de 2001 ao DARF correspondente, o que levaria a existência de um suposto crédito no valor de R$ 1.832,50 (R$ 1.310,99 x 39,78%) referente a esse período. Em resposta, a DRJ/Brasília/DF concluiu pela manutenção do indeferimento do pedido, sob o fundamento de que: “(i) a contribuinte não trouxe aos autos material probatório que comprovasse o erro cometido na DCTF do 3° trimestre de 2001, o que demonstraria a existência do crédito alegado, bem como a possibilidade de utilizálo para quitar os débitos apurados na DCTF do 3° trimestre de 2003 e, (ii) a apresentação apenas das cópias do DARF e das DCTF referentes ao 3° trimestre 2001 e ao 4° trimestre de 2003, anexadas aos autos, não pode ser considerada como prova suficiente de que a mesma cometeu erro ao vincular o Darf aos débitos apurados no 1° trimestre de 2001. Por seu turno, a recorrente, contrapondose as razões argüidas pela autoridade julgadora, carreou aos autos, com o objetivo de comprovar o crédito alegado, os seguintes documentos: • Declaração da Cooperativa Industrial de Carnes e Derivados de Goiás Ltda – Goiás Carnes, que, para efeito da aplicabilidade da alíquota reduzida a zero de que trata o inciso I, art. 8°, do Decreto nº 2.219, de 02 de maio de 19971, é uma sociedade cooperativa 1 Art. 8º A alíquota é reduzida a zero na operação de crédito: I em que figure como tomadora cooperativa, observado o disposto no art. 39, inciso I; Art. 39. Para efeito de reconhecimento da aplicabilidade de isenção ou alíquota reduzida, cabe à instituição responsável pela cobrança e recolhimento do IOF exigir, no ato da realização das operações: I no caso de cooperativa, declaração por ela firmada de que atende aos requisitos da legislação cooperativista (Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971). Fl. 114DF CARF MF Impresso em 09/07/2013 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 13/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 14/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10120.900448/200616 Resolução n.º 3801000.115 S3C1T1 Fl. 114 6 constituída e operando em observância a todos os requisitos da Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971. (fls. 98). • Quadro demonstrativo dos valores retidos de IOF no período de 03/04/2001 a 06/04/2002. (fls. 100). • Quadro demonstrativo do IOF pago a maior e compensado. (fls.101). • Ficha Contábil Eletrônica – consulta histórica. (fls. 102). • Lançamentos contábeis de outubro de 2003 – Contas do Ativo. (fls. 103). Desse modo, considerando o disposto no art. 8º, inciso I, do Decreto nº 2.219, de 1997 e o art. 16, §4º, letra “c”, do Decreto nº 70.235, de 1972 2, encaminho meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência à DRF de origem, a fim de: 1. Apurar o valor devido do IOF para o período 109/2001, à luz dos documentos de fls. 98 a 103 e demais documentos que entender necessário; 2. Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; 3. Retornar o processo a este CARF para julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (...) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 09/07/2013 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 13/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 14/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900355/2006-88
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 25 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3801-000.058
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os conselheiros Flavio de Castro Pontes (Relator) e Andréia Dantas Lacerda Maneta. Designada a Conselheira Magda Cotta Cardozo para redigir a Resolução.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos as conselheiros Flavio de Castro Pontes (Relatar) e Andréia Dantas Lacerda Maneta. Designada a Conselheira Magda Cotta Cardozo para redigir a Resolução. tk_ G Ma da, otta Cardozo - Presidente e Redatora Designada - / / Flávio de Cas ra Pontes - R-elatar EDITADO EM: 30/06/2010 Participaram do presente julgamento os conselheiros Magda Cotta Cardozo, Flávio de Castro Pontes, Amo lerke Júnior, Andréia Dantas Lacerda Moneta, José Luis Bordignon e Adriene Maria de Miranda Veras (Suplente). Ausente, justifidadamente, a conselheira Renata Auxiliadora Marchetti. , Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação apresentada pelo contribuinte acima identificado, na qual este informa corno origem do crédito pagamento relativo à Cofins, período de apuração set/2002, no valor de R$ 520,92, o qual teria sido efetuado indevidamente. A compensação em questão não foi homologada pela DRP/Limeira — SP, em razão de o pagamento informado encontrar-se "integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP" (despacho decisório à fl, 04). Às tis, 01 a 03 consta manifestação de inconformidade, na qual o contribuinte alega, em síntese, que: • Seu ramo de atividade é posto de combustíveis, onde a Cofins já é retida pelo regime de substituição tributária pela distribuidora, sendo o recolhimento efetuado indevido; • A empresa opera apenas com produtos sujeitos à substituição tributária, conforme notas fiscais anexadas por cópia (fls. 12 a 61 e 96 a 143); • Inadvertidamente a contadora fez o recolhimento indevido da Cotins sobre vendas de combustíveis, já retida pela distribuidora, conforme cópia de DARF anexa (fl. 62); • Descoberto o erro, efetuou a compensação em questão; o Por negligência, não . foi efetuada a retificação da DCTF; razão pela qual o débito ficou em aberto, gerando a presente cobrança; • Para regularizar tal situação, a empresa apresentou DCTF e DIPJ retíficadoras em 26/02/2008 (fls. 69 a 95) Analisando o litígio, a DRJ/Ribeirão Preto — SP indeferiu a solicitação (fls. 146 a 149), conforme ementas abaixo transcritas: CONTRIBUINTE'. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. REVOGAÇÃO. A partir de 1° de julho de 2000 foi revogado o regime de substituição tributária previsto na redação original da Lei n° 9.718, de 1998, cabendo, a partir dessa data, ao comerciante varejista de combustíveis apuração e o recolhimento das contribuições para o PIS e Co fins nos termos do disposto nos arts. 2°c 3" da Lei n° 9.718, de 1998 COMPENSAÇÃO, LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO, Não comprovada a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo, não é cabível a compensação com débitos próprios, nos termos da legislação aplicável - art, 170 do CTN, e art. 74 da Lei n° 9,430, de 1996. Às fis, 152 a 155 consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a empresa traz as seguintes alegações, em resumo: o A recorrente concorda com a revogação da substituição tributária para a Cotins,- • Se antes, pela substituição tributária, era recolhido (retido pela distribuidora) diretamente pela compra na nota fiscal de ob ' 2 Processo ri. 10865.900355/2006-88 S3-TE01 Resolução o." 3801-00.058 Fl. 2 combustível, obviamente a recorrente não estava obrigada a recolher a contribuição; o A partir de 01/07/2000, com a MP 1,991-1.5/2000 e reedições, a Cotins- incidente sobre a revenda de combustíveis dos comerciantes varejistas ficou reduzida a zero. É o relatório_ Voto Vencido Conselheiro Flávio de Castro Pontes - Relatar O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomo conhecimento. Em que pese as argumentos da recorrente, o direito creditório não pode ser reconhecido, porquanto a requerente somente retificou, em 26/02/2008, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais do 3 0 trimestre de 2002, fl. 70, e, em 25/02/2008, a Declaração de Informações Econômico-Fiscais — DIPJ, ano-calendário 2002, fl. 71, ou seja, as declarações foram retificadas após a ciência do despacho decisório eletrônico. Destarte, a retificação da DCTF não pode ser considerada pela autoridade julgadora, visto que foi transmitida após a ciência do despacho eletrônico. A propósito, o parágrafo único do art. 138 do Código Tributário Nacional — CTN estabelece: Art. 138, Á responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifou-se) No mesmo sentido, o art. 7 2, § 1 2, do Decreto n2 70.235, de 1972, preceitua que o inicio do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo. Art. 7" O procedimento fiscal tem início 00112: - o primeiro ato de oficio, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II - a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III - o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1 0 O inicio do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. "grifou- se) 3 Com referência à retificação de DCTF, regulamentando essas disposições legais, a Instrução Normativa SRF n.° 786, de 19 de novembro de 2007, estabelecia: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF refificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração ratificada, (.- ) ,sç. 2" A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: 1 - cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DA U, nos casos em que importe alteração desses saldos; II - cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DALI; ou Hl - em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (grtfou-se) (..) Assim, a DCTF retificadora apresentada em 26/02/2008 não pode substituir a declaração originariamente apresentada, de sorte que o pagamento da contribuição COFINS, período de apuração 31/09/2002, permanece vinculado ao débito declarado na DCTF original, portanto, o crédito pleiteado está indisponível para restituição nos termos do despacho decisório eletrônico. Por tais razões, incabível a apresentação de declaração retificadora após o início de procedimento administrativo da Fazenda Nacional, in ca,s'u, o despacho decisório atacado. A perda da espontaneidade tem como consequência imediata a indisponibilidade do crédito para compensação do débito informado no PER/DCOMP. Quanto à alegação relativa à alíquota zero da Cofins incidente sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolina automotiva, óleo diesel, GLP e álcool para fins carburantes, auferida por comerciantes varejistas, é importante consignar que ela não pode ser apreciada, sob pena de supressão de instância, por constituir matéria nova não abrangida pelo litígio. De fato, em sua manifestação de inconformidade, fls. 01 a 03, a requerente argumentou que era comerciante varejista de combustíveis e que operava somente com produtos sujeitos à substituição tributária e, portanto, a contribuição para a COFINS era retida pela distribuidora, enquanto no recurso voluntário sustentou que a afiquota das contribuições PIS e COHNS incidentes sobre a receita decorrente da revenda de combustível ficou reduzida a zero a partir de 01/07/2000.. Do exame da decisão recorrida, fls. 146 a 149, verifica-se que a matéria aliquota zero não foi enfrentada, apenas a questão relativa à substituição tributária. Assim sendo, na apreciação do recurso voluntário não se toma conhecimento desta matéria por preclusa.,/ . ó•4 Processo n° 10865 900355/2006-88 83-TE01 Resolução n ° 3801-00.058 Fl 3 Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação pleiteada. /Flávio de Castro Pontes Voto Vencedor Conselheira Magda Cotta Cardozo, Redatora Designada Como visto acima, o motivo que fundamentou o indeferimento do pedido formulado pelo contribuinte e a conseqüente não homologação da compensação por ele pretendida foi tão-somente a indisponibilidade do pagamento informado como origem do crédito, alegadamente indevido, em razão de estar vinculado a débito declarado em DCTF e, portanto, já tendo sido utilizado para quitação deste no sistema conta corrente. Tal fundamentação, por certo, decorre de análise superficial, realizada nos limites de sistema informatizado de informações (batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente — disponível ou não), no qual não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, espera-se, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Considerando a referida fundamentação, única apresentada ao contribuinte, este efetuou a retificação das informações prestadas na DCTF, objetivando liberar o pagamento e possibilitar sua utilização para fins de compensação, informando na manifestação de inconformidade que seu direito decorreria do regime de substituição tributária aplicável à Cofins incidente sobre a receita decorrente da venda de combustíveis. Em resposta, a DRJ/Ribeirão Preto — SP concluiu pela manutenção do indeferimento do pedido, sob o fundamento de que no PA 09/2002 a requerente estaria obrigada ao recolhimento da Cofins, nos termos do artigo 4 0 da Lei n° 9.718/98, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.990/2000. No entanto, vê-se que, apesar de efetivamente a alteração legislativa citada na decisão de 1 a instância ter acabado com o regime de substituição tributária para a Cofins, relativamente aos combustíveis, tal norma instituiu novo regime, o concentrado, fixando recolhimento único a ser realizado pelas refinarias de petróleo, no caso de gasolinas, exceto de aviação, de óleo diesel e de GLP (art. 4" da Lei n° 9.718/98, alterado pela Lei ri° 9.990/2000). No caso do álcool para fins carburantes, o recolhimento concentrou-se nas distribuidoras (art. 50 da mesma norma). Ao mesmo tempo, complementando tais disposições, a Medida Provisória if 1.991/2000, reeditada até a de n° 2.158/2001, reduziu a zero a alíquota da Cofins incidente sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas, exceto de aviação, de óleo diesel, de GL,P e de álcool para fins carburantes, auferida pelos comerciantes varejistas. Tais alíquotas passaram a vigorar a partir de 1° de julho de 2000, conforme artigo 77 das normas citadas. 5 Desta forma, vê-se que o direito pleiteado pela recorrente é plausível, na medida em que esta, na condição de comerciante varejista (posto de combustíveis), não estava obrigada ao recolhimento da Cofiris no PA 09/2002, informado na compensação pretendida, concluindo- se, ainda, pelo equívoco da decisão recorrida, que não observou a legislação complementar àquela mencionada em seu acórdão. Discordando dos argumentos trazidos no voto do ilustre relator, entendo que não se trata aqui de hipótese análoga àquela prevista no artigo 7' do Decreto tf 70.235/72, visto que não há procedimento fiscal instaurado, o Fisco não busca apurar qualquer ilícito fiscal, nem tampouco tributo não recolhido. Na verdade, o processo se originou por iniciativa do próprio contribuinte, não se podendo equiparar a decisão proferida pela DRF ao início do procedimento fiscal para apuração de crédito tributário, especialmente pelo fato de que aqui não há infração a ser apurada, sendo a única "infração" cometida a retificação da DCTF originalmente apresentada, após a não homologação da compensação. A previsão do artigo 7' em tela deve ser interpretada diretamente vinculada à noção de espontaneidade do sujeito passivo, sendo esta relativa às infrações eventualmente por ele cometidas anteriormente à ciência do termo de início do procedimento fiscal, não se podendo aplicar tal noção, por analogia, ao presente caso, visto que, como dito, não há infração a ser apurada. Assim, não há fundamento legal para que não se analise o mérito do pedido simplesmente pelo fato de ter havido a retificação da DCTF após a decisão proferida pela DRJ, mesmo porque o direito do contribuinte não decorre de tal documento e sua alteração, ou não, não tem qualquer efeito sobre aquele. Na verdade, ele apenas "retirou" o impedimento à compensação pretendida, de acordo com as razões que lhe foram apresentadas no despacho decisório, o qual não trouxe qualquer fundamento de direito para a negativa, e nem poderia, visto que, como dito, se tratava tão-somente de análise de informações contidas em um sistema e, portanto, limitada. Reforçando tal entendimento, verifica-se que o colegiada de 1' instância efetivamente analisou o mérito do pedido, concluindo, no entanto, de forma equivocada. Relativamente à retificação efetuada, observa corretamente que esta, por si só, não gera direito creditório para o contribuinte, nem toma tal direito líquido e certo. A não apreciação do mérito sob o fundamento da falta de espontaneidade da DCTF retificadora levaria à inusitada situação da manutenção de pagamento sabidamente indevido, ferindo, portanto, o princípio da legalidade, pelo simples fato de que o referido documento não mais poderia ser alterado após a decisão da DRF, apesar de ser totalmente lógico o fato de que tal pagamento tenha sido acompanhado pela informação do correspondente débito na DCTF, estando, portanto, a este vinculado. A existência ou não de tal vinculação não pode, por certo, servir de fundamento para negar ou conceder o direito creditório pleiteado, mas sim o mérito do pedido, Por fim, resta argumentar que tal fundamento somente se justifica em razão da DCTF retificadora apresentada pelo contribuinte Caso tal fato não tivesse ocorrido, limitando- se a empresa a trazer suas razões de direito na manifestação de inconformidade, estas seriam apreciadas. Tal disparidade de procedimentos do órgão julgador não pode se justificar,. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF de origem, a fim de: 6 Processo ir 10865 900355/2006-88 S3-TE01 Resoluçâo n.° 3801 -00.058 Fl. 4 1. Apurar a base de cálculo da Cofins para o período set/2002, considerando a totalidade das receitas de vendas e serviços auferidas pela recorrente; 1 Apurar, relativamente às receitas acima, a parcela correspondente à venda de gasolina, óleo diesel, GLP e álcool carburante, sujeitas à alíquota zero; 3. Apurar a Cofins devida efetivamente pela recorrente no referido período, considerando o disposto na Lei n° 9.718/98 (arts. 3', 4° e 5°) e na Medida Provisória n° 1158/2001 (arts, 42 e 77); 4. Retomar o processo a este CARF para julgamento. -- al-k,G,QC),..„D Ma da . otta -Cardozo A 7
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Numero do processo: 15504.012250/2009-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
ESCREVENTES E AUXILIARES DE CARTÓRIO. VINCULAÇÃO A REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL (RPPS).
IMPOSSIBILIDADE.
Somente podem ser filiados a Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) os servidores públicos titulares de cargo efetivo e militares. Não ostentando essa condição, os escreventes e auxiliares de cartórios são filiados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social (RGPS).
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno.
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.848
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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CONTRIBUIÇÃO PATRONAL E SAT Recorrente JOÃO MAURÍCIO VILLANO FERRAZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 ESCREVENTES E AUXILIARES DE CARTÓRIO. VINCULAÇÃO A REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL (RPPS). IMPOSSIBILIDADE. Somente podem ser filiados a Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) os servidores públicos titulares de cargo efetivo e militares. Não ostentando essa condição, os escreventes e auxiliares de cartórios são filiados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social (RGPS). INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/07/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/07/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.012250/200935 Acórdão n.º 2402002.848 S2C4T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativas às contribuições da parte patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), para as competências 01/2005 a 13/2005. O Relatório Fiscal (fls. 16/19) informa que os fatos geradores das contribuições lançadas decorrem das remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados (escreventes e auxiliares de cartórios), apurados em folhas de pagamento, Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), Guias de Recolhimento da Previdência Social (GPS), Livro Caixa, Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Esse Relatório Fiscal informa ainda que não houve retenção de contribuição do segurado empregado para o Regime Geral de Previdência Social, tornandose o titular do cartório responsável por tal recolhimento, de acordo com o art. 33, § 5o, da Lei 8.212/1991, não caracterizando o crime de apropriação indébita. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 16/07/2009 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 33/41) – acompanhada de anexos de fls. 42/94 –, alegando, em síntese, que: 1. a legislação apontada no Auto de Infração fere o Direito, que estabelece a legalidade jurídica funcional dos funcionários que foram objeto da hipótese de incidência das contribuições apontadas, pois, segundo o art. 1° do Decreto 21.204/1981, os servidores da justiça não remunerados pelo Estado são compulsoriamente filiados ao IPSEMG. Cita artigos da Lei Complementar 64/02, que tratam da vinculação do notário, do registrador, do escrevente e do auxiliar aposentado ao Regime Próprio de Previdência Social, e ainda, dos benefícios e assistências prestados pelo IPSEMG; 2. segundo os arts. 40 e 48 da Lei 8.935/94, os notários, registradores, escreventes e auxiliares poderiam optar por permanecer no regime estatuário ou mudar para o celetista e, não o fazendo, persistiriam subordinados ao regime estatutário ou especial. A Portaria MPAS n° 2.701/95 corrobora o que até aqui já foi exposto; 3. o Agente Fiscal não observou a norma contida na letra "o", do inciso I, do art. 9° do Decreto 3.048/99, que vincula ao RGPS apenas o escrevente e o auxiliar contratados por titular de serviços notariais e de registro a partir de 21 de novembro de 1994, bem como aquele que Fl. 262DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/07/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 optou pelo regime geral da Previdência social, em conformidade com a Lei 8.935/94. No Auto de Infração não consta nada que demonstre a opção pela contratação segundo a legislação trabalhista dos funcionários listados no anexo citado, não se aplicando, no caso, a fundamentação colocada pela fiscalização; 4. junta à defesa provas irrefutáveis sobre a vinculação dos funcionários à previdência do Estado, ou seja, ao IPSEMG, conforme consta das certidões e das folhas de pagamentos e dos seus descontos a favor deste Instituto, e do controle funcional da Corregedoria de Justiça de Minas Gerais; 5. sem adotar os critérios legais que o Auto de Infração exige, ou seja a legislação geral (Lei 8.935/94 e Portaria 2.701/95), que regula a situação dos funcionários arrolados no lançamento, aconteceu o esvaziamento do conteúdo jurídico do Auto de Infração, tornandoo ineficaz ou mesmo nulo, por não ter suporte legal, sem constituir fato gerador de contribuição previdenciária. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão no 0230.491 da 6a Turma da DRJ/BHE (fls. 100/107) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso voluntário (fls. 111/120), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Belo Horizonte/MG encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processo e julgamento. É o relatório. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/07/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.012250/200935 Acórdão n.º 2402002.848 S2C4T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA PRELIMINAR: Com relação às alegações de inconstitucionalidade constantes na peça recursal, cumpre esclarecer que a administração pública deve observar o princípio da estrita legalidade, sendo que as leis e atos normativos nascem com a presunção de constitucionalidade, que só pode ser elidida pelo Poder Judiciário, conforme a competência determinada pela Carta Magna. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, ou seja, declarada suspensa pelo Senado Federal nos termos art. 52, X, da Constituição Federal, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, o Regimento Interno (RI) do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) veda aos membros de Turmas de julgamento afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, e o próprio Conselho uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 2 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), transcrito a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante disso, não examinarei as questões referente à inconstitucionalidade de leis e atos normativos, especificamente as seguintes alegações: (i) inconstitucionalidade da Lei 8.212/1991, que inseriu os escreventes e auxiliares de serviços notariais e de registros como segurados obrigatórios do RGPS; e (ii) inconstitucionalidade da Emenda Constitucional no 20/1998, que estabeleceu novas regras para o RGPS; dentre outras expostas na peça recursal da Recorrente. Diante disso, não acato as alegações de inconstitucionalidade, e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: No aspecto meritório, o cerne do recurso repousa na alegação de que os escreventes e auxiliares notariais não seriam segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), pois, segundo a Recorrente, eles estariam vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) do Estado de Minas Gerais. Tal alegação não será acatada pelos motivos a seguir delineados. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/07/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 É cediço que o art. 40 da Constituição Federal, “caput” e § 13, desde a redação dada pela Emenda Constitucional n° 20/1998, somente possibilita a inclusão em regime próprio de previdência para os servidores públicos titulares de cargo efetivo. Eis o texto: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (...) § 13. Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica se o regime geral de previdência social. (g.n.) Trilhando no mesmo sentido, o artigo 13 da Lei 8.212/1991, cuidou de se adequar às disposições da Constituição Federal e da Lei 9.717/1998, tratando da exclusiva inserção em RPPS dos servidores públicos titulares de cargo efetivo, ficando os demais automaticamente vinculados ao RGPS. Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social. (Redação dada pela Lei 1109.876, de 1999). (g.n.) Resta saber se os serventuários (escreventes e auxiliares) dos cartórios poderiam ser considerados servidores públicos para fins de aplicação do dispositivo constitucional acima transcrito (art. 40 da Constituição Federal de 1988). O Supremo Tribunal Federal (STF) – nos termos da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) n° 575/1991 (medida liminar, Acórdão, DJ 01/07/1994), cuja relatoria coube ao Ministro Sepúlvida Pertence – entendeu que os servidores de cartórios não remunerados pelos cofres públicos não são considerados servidores públicos para fins de aplicação do art. 40 da Constituição Federal. Transcrevo a Ementa na parte que interessa ao presente julgamento: “[...] V Tabeliães e oficiais de registros públicos aposentadoria inconstitucionalidade da norma da Constituição local que – além de concederlhes aposentadoria de servidor público, que , para esse efeito, não são – vincula os respectivos proventos às alterações dos vencimentos da magistratura: precedente (ADIn 139, RTJ 138/14). [...]” (...) Vale a pena trazer à colação as palavras do Ilustre Ministro responsável pela relatoria da ADI n° 575/1991: Fl. 265DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/07/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.012250/200935 Acórdão n.º 2402002.848 S2C4T2 Fl. 4 7 “[...] Não pode permanecer no corpo da Constituição esse dispositivo, teratologia que há de erradicar, em resguardo do paradigma constitucional. Com efeito, em matéria de aposentadoria, parte a Constituição Federal do art. 40, com o radical comando (grifo do ora a.). Quer dizer: no campo do Capítulo VII do Título III da Carta Política, aquele, “DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA”, a previsão de APOSENTADORIA é exclusiva para o SERVIDOR, para quem vinculado à Administração Pública por relação estatutária ou contratual administrativa (pressuposta a extinção, com adoção de regime jurídico único, do pessoal de regime temporário ou especial), em tal condição remunerado pelos cofres públicos. Quem não é servidor do Estado, mediante vínculo administrativo, não pode ter aposentadoria compreendida nas disposição do art. 40 Constituição Federal. O servidor trabalhista, por exemplo, temna por previsão do art. 7.°, XXIV do mesmo Estatuto Supremo. Nesse art. 28 do ADCT integrado à Constituição da nação piauiense, todavia, está inserto o inimaginável, a garantia de aposentadoria a nãoservidores, a titulares de órgãos auxiliares da Justiça não oficiais, não integrantes da Administração Pública [...]” Nesse caminho, o STF volta a afirma que não são titulares de cargo público efetivo, tampouco ocupam cargo público, os notários e os registradores que exercem atividade estatal, e, por consectário lógico, não estão submetidos a regra de aposentadoria do art. 40 da Constituição Federal de 1998, nos termos da ADI 2602/MG: “[...] Ementa: Ação Direta de Inconstitucionalidade. Provimento N. 055/2001 do CorregedorGeral de Justiça do Estado De Minas Gerais. Notários e Registradores. Regime Jurídico dos Servidores Públicos. Inaplicabilidade. Emenda Constitucional N. 20/98. Exercício de Atividade em Caráter Privado por Delegação do Poder Público. Inaplicabilidade da Aposentadoria Compulsória aos Setenta Anos. Inconstitucionalidade. 1. O artigo 40, § 1º, inciso II, da Constituição do Brasil, na redação que lhe foi conferida pela EC 20/98, está restrito aos cargos efetivos da União, dos Estadosmembros , do Distrito Federal e dos Municípios – incluídas as autarquias e fundações. 2. Os serviços de registros públicos, cartorários e notariais são exercidos em caráter privado por delegação do Poder Público – serviço público nãoprivativo. 3. Os notários e os registradores exercem atividade estatal, entretanto não são titulares de cargo público efetivo, tampouco ocupam cargo público. Não são servidores públicos, não lhes alcançando a compulsoriedade imposta pelo mencionado artigo 40 da CB/88 – aposentadoria compulsória aos setenta anos de idade. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/07/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 4. Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente. (ADI 2602 MG; Relator(a): JOAQUIM BARBOSA; Julgamento: 23/11/2005; Órgão Julgador: Tribunal Pleno; Publicação: DJ 31032006) [...]”. Ainda dentro do aspecto jurisprudencial, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) reconheceu que, a partir da Constituição Federal de 1988, os trabalhadores contratados pelos cartórios estão sujeitos ao regime jurídico da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), pois o vínculo profissional é estabelecido diretamente com o tabelião, e não com o Estado. Isso está consubstanciado no Recurso de Revista (RR) no 1080053.2006.5.12.0023, noticiado no sítio do TST em 14/02/2011, com o seguinte resumo: os empregados de cartório estão necessariamente sujeitos ao regime jurídico da CLT, mesmo quando contratados em período anterior à vigência da Lei 8.935/1994, pois o artigo 236 da Constituição de 1988 já previa o caráter privado do exercício dos serviços notariais e de registro. “[...] Ementa: RECURSO DE REVISTA. EMPREGADOS AUXILIARES E ESCREVENTES DE CARTÓRIO. REGIME JURÍDICO CELETISTA. ARTIGO 236 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988. NORMA AUTO APLICÁVEL. A jurisprudência majoritária desta Corte superior é de que os empregados de cartório estão sujeitos ao regime jurídico da CLT, ainda que contratados em período anterior à vigência da Lei nº 8.935/94. A partir da vigência da Constituição Federal de 1988, ficou implicitamente determinado, em seu artigo 236, que os trabalhadores contratados pelos cartórios extrajudiciais, para fins de prestação de serviços, encontramse sujeitos ao regime jurídico da CLT, pois mantêm vínculo profissional diretamente com o tabelião, e não com o Estado. Esse preceito constitucional, por ser de eficácia plena e, portanto, auto aplicável, dispensa regulamentação por lei ordinária. Logo, reconhecese, na hipótese, a natureza trabalhista da relação firmada entre as partes, também no período por ele trabalhado sob o errôneo rótulo de servidor estatutário (de 08/03/1994 a 30/10/2004), e a unicidade de seu contrato de trabalho desde a data da admissão do autor, em 1º/09/1992, até a data de sua dispensa sem justa causa, em 05/12/2005. Recurso de revista conhecido e provido. (Processo: RR 10800 53.2006.5.12.0023; Número no TRT de Origem: RO 10800/2006002312.00; Publicação: 11/02/2011) [...]”. Nesse julgado do TST (RR no 1080053.2006.5.12.0023) também reconheceu que o art. 236 da Constituição Federal de 1988 é norma autoaplicável e dispensa regulamentação por lei ordinária. E o fato de o empregado não ter feito opção pelo regime da CLT no prazo de 30 dias após a edição da Lei 8.935/1994 não é suficiente para afastar o reconhecimento do regime celetista na hipótese. Lei 8.935/1994: Art. 48. Os notários e os oficiais de registro poderão contratar, segundo a legislação trabalhista, seus atuais escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial desde que estes aceitem a transformação de seu regime jurídico, em opcão expressa, no prazo improrrogável de trinta dias, contados da publicação desta lei. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/07/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.012250/200935 Acórdão n.º 2402002.848 S2C4T2 Fl. 5 9 § 1° Ocorrendo opção, o tempo de serviço prestado será integralmente considerado, para todos os efeitos de direito. § 2° Não ocorrendo opção, os escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial continuarão regidos pelas normas aplicáveis aos funcionários públicos ou pelas editadas pelo Tribunal de Justiça respectivo, vedadas novas admissões por qualquer desses regimes, a partir da publicação desta lei. (g.n.) Por sua vez, o artigo 236 da Constituição estabelece que: “os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por delegação do Poder Público”. Esse dispositivo demonstra que a intenção do legislador foi excluir o Estado da condição de empregador, deixando para o titular do cartório a tarefa de contratar seus auxiliares e escreventes pelo regime celetista. Entendese como titulares de cargos efetivos àqueles que estão vinculados na Administração Pública direta (União, Estadosmembros, Distrito Federal e Municípios), incluídos também os servidores de suas autarquias e fundações públicas, estas instituídas na modalidade de pessoa jurídica de direito público. Convém lembrar que cargo efetivo é daquele que conta com a nomeação em caráter definitivo, permanente e com prévia aprovação em concurso público. Dessa maneira, uma pessoa que tem vínculo trabalhista com o empregador de serviços notariais e de registros, que não está nos quadros dessa Administração Pública, não pode ser titular de cargo efetivo, que é o caso do presente processo. Curvome à lição apresentada na jurisprudência do STF e do TST retromencionada, e passo a entender que os escreventes e auxiliares de cartório não são servidores públicos titulares de cargo efetivo para fins de vinculação ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). Com isso, os oficiais dos serviços notariais e de registros (notário ou tabelião e oficial de registro) – na qualidade de segurado contribuinte individual –, bem como os seus auxiliares e escreventes – na qualidade de segurado empregado –, são filiados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), nos termos do art. 12, inciso I e alínea “a”, inciso V e alínea “h”, da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; V como contribuinte individual: h) a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (g.n.) Esclareço também que não há direito adquirido à manutenção de regime jurídico anterior para servidores públicos, como faz registro na peça recursal da Recorrente, pois os benefícios e vantagens previstos inicialmente podem ser suprimidos em momento posterior por meio de lei ou emenda constitucional, que é o caso da Emenda Constitucional 20/1998 que inseriu novas normas no âmbito previdenciário. Isso já foi reconhecido pelo Fl. 268DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/07/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Supremo Tribunal Federal (RE 246989/DF; DJ 17/04/2009) e pelo Superior Tribunal de Justiça (AgRg no RMS 20.029/CE; DJ 24/05/2010), que admitem não haver como impedir que o legislador edite uma nova lei ou altere já existente, não tendo, portanto, como garantir a manutenção de uma disposição legal ou constitucional, desde que se respeite aos limites formais (respeito ao procedimento) e circunstanciais (a Constituição não será emendada na vigência de intervenção federal, estado de sítio e estado de defesa), bem como às cláusulas pétreas (art. 60, § 4o, da Constituição). Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/07/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13971.907649/2009-64
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3801-000.169
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à DRF de origem para que informe se a interessada propôs ação judicial com o mesmo objeto do processo e apure o valor devido da contribuição com base na escrituração fiscal e contábil, considerando as receitas de vendas e de serviços.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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(assinado digitalmente) Magda Cotta Cardozo Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. EDITADO EM: 11/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Magda Cotta Cardozo (Presidente), Flávio de Castro Pontes, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Sidney Eduardo Stahl, Daniela Ribeiro de Gusmão e José Luiz Bordignon. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 13/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 13971.907649/200964 Resolução n.º 3801000.169 S3C1T1 Fl. 61 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Declaração de Compensação — PER/DCOMP, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de valores que teriam sido indevidamente recolhidos a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, no período de apuração de fevereiro de 2005, no valor de R$ 568,95 (v. folha 06). Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC pela não homologação da compensação declarada (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, pois o valor do "DARF discriminado no PER/DCOMP" havia sido "integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Inconformada com a nãohomologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, às folhas 9 a 18, na qual alega a inconstitucionalidade do artigo 3º, §1° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998. Defende a contribuinte que o Supremo Tribunal Federal, em sessão realizada em 9 de novembro de 2005, declarou a inconstitucionalidade do citado dispositivo, bem como a Lei n° 11.941/09 expurgou do ordenamento jurídico o referido dispositivo legal, confirmando seu pleito. A contribuinte argumenta, ainda, a nulidade do Despacho Decisório por, ausência de diligência sobre o crédito informado, nos termos do artigo 65 da Instrução Normativa n° 900/08”. Delegacia de Julgamento em Florianópolis proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PRELIMINAR. NULIDADE. AUSÊNCIA DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A autoridade competente para decidir sobre restituição/compensação poderá, ou seja, tem a faculdade de condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos, bem como tem a faculdade de determinar a realização de diligência. Se pela DCOMP apresentada já é possível concluir que o crédito pleiteado carece de liquidez e certeza, desnecessária a realização de diligência. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 13/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 13971.907649/200964 Resolução n.º 3801000.169 S3C1T1 Fl. 62 3 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme petição de fls. 48 a 58, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 13/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 13971.907649/200964 Resolução n.º 3801000.169 S3C1T1 Fl. 63 4 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator Conforme relatório acima, o motivo que fundamentou o indeferimento do pedido formulado pelo contribuinte e a conseqüente não homologação da compensação por ele pretendida foi a falta de comprovação de liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Em outros termos, o pagamento informado como origem do crédito, alegadamente indevido, estava indisponível em razão de estar vinculado a débito declarado em DCTF e, portanto, já tendo sido utilizado para quitação deste no sistema conta corrente. É o que se depreende da leitura do Despacho Decisório Eletrônico de fls. 07. Tal fundamentação, por certo, decorre de análise superficial, realizada nos limites de sistema informatizado de informações (batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não), no qual não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Considerando a referida fundamentação, a recorrente explica que em 04/05/2006 transmitiu a PER/DCOMP n° 21681.59652.040506.1.3.04272, por meio da qual declarou a compensação de um crédito de COFINS (2172) relativo à competência de fevereiro de 2005, já que na data de 15/03/2005 recolheu indevidamente (a maior), o valor originário de R$ 568,95, visto que referese à sua incidência sobre as receitas não operacionais. Aduz, também, que atualmente sequer mais existe a obrigação legal de recolher a COFINS sobre receitas que tenham natureza diversa de faturamento, seja em razão da determinação do STF (RE 346.084), seja ainda mesmo por conta da eliminação do art. 3º, §1°, da Lei n° 9.718/98 do ordenamento jurídico, o que foi recentemente promovida pela Lei n° 11.941/2009. Em resposta, a DRJ/Florianópolis/SC concluiu pela manutenção do indeferimento do pedido, sob o fundamento de que: (i) “o artigo 3°, §1°, da Lei n.° 9.718/1998 vigia no período de apuração em análise, não pode este juízo afastála, sob pena de, com isto, estar ultrapassando seus limites legais de competência” e (ii) “que a contribuinte não demonstra ser parte de nenhuma ação judicial que a beneficie. Até a presente data, o Supremo Tribunal Federal só tomou decisões acerca da constitucionalidade da Lei n° 9.718, de 1998, na via incidental, ou seja, as ações julgadas têm efeitos apenas para as partes, não se estendendo a terceiros com efeitos erga omnes”. Entretanto, para o presente caso, devese ter em mente que a Lei nº 9.718/98 (conversão da Medida Provisória nº 1.724/98), ampliou o conceito de faturamento base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins definindoo no §1º do art. 3º como sendo “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Por sua vez, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 13/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 13971.907649/200964 Resolução n.º 3801000.169 S3C1T1 Fl. 64 5 à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º.718/98, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 (1Regimento 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). Fl. 5DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 13/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 13971.907649/200964 Resolução n.º 3801000.169 S3C1T1 Fl. 65 6 Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Destarte, é incontestável o direito da recorrente, visto que a presente lide tem como objeto principal a restituição parcial de contribuição paga a maior com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal (alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins). Assim, levandose em consideração o direito da interessada e o exame dos elementos comprobatórios, constatase que os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição para a COFINS e eventuais pagamentos a maior. Por outro lado, é notório que boa parte dos contribuintes recorreu ao Poder Judiciário em relação ao alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, o que implica, em tese, na renúncia à esfera administrativa. Desse modo, pelo acima exposto, encaminho meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência à DRF de origem, a fim de: 1. informe se a interessada propôs ação judicial com o mesmo objeto deste processo administrativo fiscal. Em caso positivo, fazer uma síntese do andamento processual; 2. apure o valor devido a título de contribuição para a COFINS com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração de fevereiro/2005, segundo o conceito de faturamento adotado na Lei Complementar nº 70, de 1991, qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. 3. Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; 4. Retornar o processo a este CARF para julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 6DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 13/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10315.000478/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2004
DIRIGENTE ÓRGÃO PÚBLICO – DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – MULTA – RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI
Pelo princípio da retroatividade benigna da lei, o dirigente de órgão público deixa de ser o responsável pela multa aplicada no caso de descumprimento de obrigação acessória verificada no âmbito do órgão em questão, em razão da revogação do art. 41 da Lei nº 8.212/1991
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2402-002.947
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2004 DIRIGENTE ÓRGÃO PÚBLICO – DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – MULTA – RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI Pelo princípio da retroatividade benigna da lei, o dirigente de órgão público deixa de ser o responsável pela multa aplicada no caso de descumprimento de obrigação acessória verificada no âmbito do órgão em questão, em razão da revogação do art. 41 da Lei nº 8.212/1991 Recurso Voluntário Provido
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 266DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de infração ao disposto na Lei nº 8.212/1991, art. 30, inciso I, alínea ‘a’, na Lei nº 10.666/2003, art. 4º, caput e no Decreto nº 3.048/1999, art. 216, inciso I, alínea ‘a’, que consiste em a empresa deixar de arrecadar mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 11/12), em ação fiscal realizada na Prefeitura Municipal de Abaiara (CE), verificouse que não foram descontadas as contribuições dos segurados contribuintes individuais que prestaram serviços ao Município. A autuação se deu contra o dirigente, no caso, o Prefeito Municipal, conforme dispunha o art. 41 da Lei nº 8.212/1991. O autuado teve ciência do lançamento em 12/05/2008 e apresentou defesa (fls. 78/99) onde apresenta preliminares de cerceamento de defesa, decadência e ainda considera que não poderia ser considerado responsável pelas infrações ocorridas no âmbito da Prefeitura Municipal. Pelo Acórdão nº 0813.811 (fls. 146/154), a 5ª Turma da DRJ/Fortaleza considerou a autuação procedente. Contra tal decisão, o autuado apresentou recurso tempestivo (fls. 115/128), onde efetua repetição das alegações de defesa. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10315.000478/200813 Acórdão n.º 2402002.947 S2C4T2 Fl. 132 3 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão com base no art. 41 da Lei nº 8.212/1991 que assim estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Ocorre que o dispositivo em questão foi revogado pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Por tratarse de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, ou seja, penalidade, entendo que cabe observar as disposições do Código Tributário Nacional no que tange à retroatividade da lei. O Códex Tributário dispõe, em seu art. 106, o seguinte: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A meu ver, a revogação do art. 41 da Lei nº 8.212/1991 se enquadra na alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN acima transcrito, ou seja, a penalidade deixou de ser aplicada contra o dirigente do órgão. Nesse sentido, com base no princípio da retroatividade benigna da lei, entendo que o lançamento não pode prevalecer. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 269DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000993/2007-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 02/01/2006 a 31/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS QUANDO A CONTRIBUINTE ESTÁ EM DÉBITO COM A SEGURIDADE SOCIAL.
ART. 52, II, DA LEI 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao
CARF a análise de constitucionalidade da legislação tributária.Inteligência da súmula CARF n. 02.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.878
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recruso voluntário.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS QUANDO A CONTRIBUINTE ESTÁ EM DÉBITO COM A SEGURIDADE SOCIAL. ART. 52, II, DA LEI 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de constitucionalidade da legislação tributária.Inteligência da súmula CARF n. 02. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recruso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Lourenço Ferreira do Prado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/10/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por ROYAL LOTEADORA E INCORPORADORA SS LTDA, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.109.8491, lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente distribuído lucros quando estava em débito com o Instituto Nacional do Seguro Social –INSS. Consta do relatório fiscal que a apuração da distribuição dos lucros foi obtida da análise dos livros contábeis Diário e Razão. E o débito que gerou a infração a legislação restou caracterizado da seguinte forma: 2.5.1. A empresa tem contabilizado as contribuições devidas à Seguridade Social nas contas de despesas 3360009 — Encargos Sociais, 6270702 — Previdência Social, e 9400004 — Previdência Social, calculadas sobre as remunerações indicadas nas folhas de pagamento de segurados apresentadas, como indicam os Livros Diário e Razão de 2005 e 2006. Estas contribuições são também contabilizadas na conta do passivo circulante 2011001— INSS a Recolher (do grupo de contas 2010000 — Obrigações com Pessoal) que teve saldo final credor de R$ 631.678,19 em 31/12/05 e R$ 790.557,47 em 31/12/06. A evolução desta conta do passivo mostra que a empresa efetuou pagamentos no decorrer de 2006, indicados nos lançamentos a débito com contrapartida na conta da ativo circulante 1000000 — Caixa, de apenas uma pequena parte das contribuições reconhecidas por ela como devidas. 0 elevado saldo credor acumulado na conta 2011001 mostra que a Royal reconhece estar "... em débito para com a Seguridade Social ... ". 0 uso desta conta e das contas de despesas indica que a empresa efetuou um procedimento equivalente ao previsto na IN 3/05 : "... a provisão contábil de contribuições sociais não recolhidas.". O lançamento compreende as competências de 01/2006 a 12/2006, tendo sido o contribuinte cientificado em 12/09/2007 (fls.71). O auto de infração foi impugnado exclusivamente pelo fundamento de que a multa aplicada é inconstitucional. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 96), a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. a inconstitucionalidade da multa aplicada, por ofensa ao art. 170 da CF, valendose de lição doutrinária que transcreve sobre o tema; 2. que o Poder Executivo não pode deixar de jungirse aos comandos constitucionais válidos, devendo afastar a Fl. 183DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/10/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11634.000993/200764 Acórdão n.º 2402002.878 S2C4T2 Fl. 173 3 aplicação de lei que vai de encontro aos princípios maiores insculpidos na CF/88, colacionando precedentes judiciais e passagens doutrinária que fundamentam sua tese; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/10/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenco Ferreira do Prado CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Conforme já relatado, a recorrente sustenta que a multa que lhe foi aplicada é inconstitucional, sem mesmo terse insurgido quanto aos fundamentos constantes do relatório fiscal que lhe imputam a existência do débito que gerou a lavratura do Auto de Infração. Em que pesem seus argumentos, não há como acatálos. A sustentada inconstitucionalidade do art. 52, II, da Lei 8.212/91, de fato não pode ser analisada por este Eg. Conselho, em respeito à competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Em não havendo pronunciamento do Poder Judiciário ou do próprio Poder Legislativo no sentido da invalidade da norma suso mencionada, não pode o dispositivo legal vir a ser afastado por este Eg. Conselho, ainda em respeito ao que disposto no art. 62 do RICARF, a seguir: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 185DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/10/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11634.000993/200764 Acórdão n.º 2402002.878 S2C4T2 Fl. 174 5 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Em não se verificando nenhuma das hipóteses acima, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 186DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/10/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10835.903423/2009-61
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3801-000.183
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à DRF/Presidente Prudente – SP, nos termos da presente resolução.
Nome do relator: MAGDA COTTA CARDOZO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à DRF/Presidente Prudente – SP, nos termos da presente resolução. (assinado digitalmente) Magda Cotta Cardozo – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Magda Cotta Cardozo, Sidney Eduardo Stahl, Daniela Ribeiro de Gusmão, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Flávio de Castro Pontes e José Luiz Bordignon. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJRibeirão Preto/SP, abaixo transcrito: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP). O valor do indébito com o qual a contribuinte declarou a compensação, objeto deste processo, seria Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10835.903423/200961 Resolução n.º 3801000.183 S3TE01 Fl. 75 2 originário de pagamento indevido ou a maior de COFINS, relativo ao fato gerador de 28/02/2002. Por intermédio do despacho decisório de fl. 6, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) foi alocado para o débito declarado conforme Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) apresentada pela própria contribuinte. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 11/26, na qual alega, em síntese, que: I. A contribuinte auferiu na competência em questão receitas constituídas de valores outros que não a venda de veículos e serviços correlatos (oficina mecânica e outros que compõe o objeto social da empresa), receitas essas que juridicamente não estavam sujeitas à incidência de PIS e Cofins, dada a irregularidade do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, que fixou um novo conceito de faturamento para fins de incidência de PIS e Cofins; II. A lei ordinária, ao fixar novo conceito de faturamento, abarcando todas as receitas auferidas pela empresa, sem qualquer distinção, acabou por imiscuirse em matéria privativa de lei complementar (majoração de base de cálculo) criando uma nova fonte de custeio para a Seguridade Social; III. O dispositivo em questão é inconstitucional, pois fere o art. 146 e 195 da Constituição Federal, além de violar o art. 110 do Código Tributário Nacional, alterando o alcance a definição de institutos, conceitos e formas do direito privado; IV. De acordo com a doutrina, faturamento é uma espécie de receita, qualificada como ingresso patrimonial decorrente de operações mercantis de venda de mercadorias e serviços. Sendo o faturamento uma espécie de receita, forçoso concluir que o primeiro, dada a qualificação, não abrange a segunda, razão pela qual é conceito jurídico limitado e assim deve ser interpretado pelo jurista; V. O Supremo Tribunal Federal, por seu pleno, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, ao julgar os RREE 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, por entender que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal; VI. Demonstrada a ilegitimidade da cobrança do PIS e da Cofins sobre as receitas não provenientes de venda de mercadorias ou da prestação de serviços no período que se cuida, não há razão para se considerar inexistente o crédito apontado na PER/DCOMP; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10835.903423/200961 Resolução n.º 3801000.183 S3TE01 Fl. 76 3 VII. Ao final, requereu que seja dado provimento à presente manifestação de inconformidade a fim de que se reconheça a existência do direito ao crédito e conseqüentemente à compensação.” Analisando o litígio, a DRJRibeirão Preto/SP considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada (fls. 35 a 37), conforme ementas abaixo transcritas: CONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. COFINS. BASE DE CÁLCULO. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo da Cofins passou a ser a totalidade das receitas auferidas pela empresa subtraída de algumas exclusões previstas em lei. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Às fls. 40 a 63 consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a empresa traz as seguintes alegações, em resumo: • Conforme demonstram os julgados transcritos, não só o STF já consolidou a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo em questão, como os demais tribunais nacionais assim o fizeram; • Deste modo, considerando especialmente os termos do artigo 1º do Decreto nº 2.346/97, sendo certo que a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 foi inequivocamente declarada pelo STF, é de se reconhecer o direito creditório da recorrente; • Quanto à comprovação documental do crédito, argumenta que efetuou tal prova por meio do registro e indicação do crédito na PER/DCOMP (comprovante de pagamento – DARF); • Além disso, a falta de comprovação não foi o motivo da não homologação, e sim considerar que a recorrente não possuía o direito creditório; • Por fim, argumentase que a comprovação é facilmente extraída do cruzamento das DCTF com as DIPJ, que demonstram os montantes a que a empresa faz jus. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10835.903423/200961 Resolução n.º 3801000.183 S3TE01 Fl. 77 4 Voto Magda Cotta Cardozo – Relatora O presente processo, como visto, trata de compensação (PER/DCOMP) cujo fundamento do direito creditório alega a recorrente ser a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, sendo o pagamento informado como superior ao devido relativo à Cofins, período de apuração fevereiro de 2002. Relativamente à alegada inconstitucionalidade, não há qualquer dúvida, considerando o decidido pelo STF no julgamento dos RE nºs 390.840, 346.084, 358.273 e 357.950, reconhecendo aquele Tribunal, ainda, tratarse de matéria de repercussão geral, e reafirmando expressamente a jurisprudência acerca da questão, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante. Assim, da mesma forma, não há dúvida quanto à sua aplicação ao presente caso, tendo em vista o disposto nos artigos 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/97, 26A, § 6º, inciso I do Decreto nº 70.235/72 e 62 e 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, alterado pela Portaria MF nº 586/2010. No entanto, a recorrente não traz aos autos qualquer especificação relativa às receitas que deram origem ao pagamento alegadamente indevido, limitandose a mencionar em sua manifestação de inconformidade tratarse de “receitas não operacionais”, que “não compõem a base de cálculo daquela exação”. Também no recurso voluntário não traz qualquer documentação relativa a tais valores, limitandose a alegar que seria suficiente para tal comprovação a comparação entre os valores constantes da DCTF e da DIPJ. Pelo exposto, proponho a conversão do julgamento em resolução, encaminhandose o presente processo à DRF/Presidente Prudente – SP em diligência, a fim de: 1. Verificar se o contribuinte possui ação judicial relativa à Lei nº 9.718/98; 2. Apurar a base de cálculo da Cofins devida pela recorrente no PA fevereiro/2002 e a contribuição correspondente, considerando o disposto na LC nº 70/91; 3. Intimar a recorrente do resultado do item acima para, se assim desejar, apresentar complementação ao recurso voluntário interposto, relativamente à diligência realizada, no prazo de trinta dias de sua ciência; 4. Retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Magda Cotta Cardozo Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 16682.720420/2013-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1201-000.144
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, CONVERTER o julgamento em diligencia, vencidos o Relator e o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Cuba Netto.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, CONVERTER o julgamento em diligencia, vencidos o Relator e o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Cuba Netto. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Redator designado Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Trata-se de Auto de Infração com a exigência de recolhimento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), relativo ao ano-calendário de 2010. O lançamento tem como fundamento glosa de exclusões/compensações não autorizadas na apuração do lucro real, com base no artigo 250, I, do RIR/99, bem assim a apuração incorreta da CSLL. A ação fiscal foi motivada por seleção interna para a verificação de indícios de exclusão indevida nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, de valores relativos a incentivos fiscais para o ano-calendário de 2010. Fl. 7191DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.720420/2013-47 Resolução n.º 1201-000.144 S1-C2T1 Fl. 3 2 A fiscalização apontou que o contribuinte não utilizou contas contábeis específicas para o controle dos dispêndios com pesquisa tecnológica e desenvolvimento, P&D, de inovação tecnológica (recursos humanos e serviços de terceiros), conforme exigência contida no inciso I, do artigo 22, da Lei nº 11.196/05 (conhecida como Lei do Bem). Em 06 de junho de 2012, o Contribuinte tomou ciência do Termo de Início da ação fiscal, no qual foi intimado a apresentar e informar, entre outras providências: 1. Os valores dos dispêndios com pesquisas tecnológicas e desenvolvimento de inovação tecnológica a que se refere o artigo 17, inciso I, da Lei nº 11.196/2005, deduzidos como despesas operacionais na apuração do lucro líquido do exercício relativo ao ano-calendário de 2010, anexando cópias do Livro Razão onde constassem as contas contábeis que os registraram e suas contrapartidas; 2. Quais percentuais dos valores dos dispêndios com pesquisas tecnológicas e desenvolvimento de inovação tecnológica, deduzidos como despesas operacionais na apuração do lucro líquido do exercício, foram excluídos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do ano-calendário de 2010, conforme artigo 19, §§ 1º e 3º da Lei nº 11.196/2005, e qual o valor, em reais, das respectivas exclusões; 3. Cópias das folhas do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) que indicassem as exclusões realizadas, no ano-calendário de 2010, a título de dispêndios com pesquisas tecnológicas e desenvolvimento de inovação tecnológica, conforme artigo 19, §§ 1º e 3º da Lei nº. 11.196/2005; 4. Indicar as linhas e as fichas de suas Declarações de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ's), relativas ao ano- calendário de 2010, em que foram declaradas as despesas operacionais e as exclusões a título de dispêndios com pesquisas tecnológicas e desenvolvimento de inovação tecnológica; 5. Caso os valores constantes de determinadas linhas abarcassem não só os dispêndios a esse título, mas também outras despesas/exclusões, o contribuinte deveria compô-los, explicitando as demais despesas/exclusões e apresentando a documentação comprobatória (cópias das Folhas do Razão e/ou LALUR, balancetes mensais etc.) onde estivessem registradas; 6. Demonstrações do Resultado do Exercício e as apurações das bases de cálculo do IRPJ (lucro real) e da CSLL, relativas aos anos calendários de 2007, 2008 e 2009; 7. Cópias dos formulários entregues ao Ministério da Ciência e Tecnologia, em atendimento ao disposto no art. 17, §7º, da Lei nº. 11.196/2005, e no art. 14 do Decreto nº. 5.798/2006, relativos ao ano- calendário de 2010, bem como cópias das folhas do Livro Razão onde constassem as contas contábeis que registraram os dispêndios ali presentes, bem como suas respectivas contrapartidas. 8. Regularizar a situação SPED, que se encontrava “como não autenticada” e “sob exigência”, apresentando os arquivos digitais relativos à contabilidade do ano-calendário de 2010. Fl. 7192DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.720420/2013-47 Resolução n.º 1201-000.144 S1-C2T1 Fl. 4 3 O contribuinte entregou parcialmente os documentos solicitados, conforme atesta a autoridade fiscal, em 27 de novembro de 2012 e requereu dilação do prazo, por vinte dias, para atendimento aos demais itens. Em 07 de dezembro de 2012 foi emitido o Termo de Intimação Fiscal nº 01, que basicamente reiterou as solicitações ainda não cumpridas pela interessada. Por meio de resposta protocolizada em 04 de janeiro de 2013, o Contribuinte informou que: 1. As contas contábeis 13215080 e 13250240 são as que detêm os registros contábeis dos valores dos dispêndios com pesquisas tecnológicas e desenvolvimento de inovação; 2. Indicou que os registros das despesas operacionais e das exclusões a título de dispêndios podem ser verificadas nas fichas da DIPJ e das demonstrações do Lucro Real e da base da CSLL; 3. Entregou arquivos contábeis com os dados importados e validados, gerados através do SINCO; Em 20 de março de 2013 a fiscalização intimou o contribuinte a regularizar a pendência verificada na Escrituração Contábil Digital (ECD) do SPED, no prazo de vinte dias. O Contribuinte protocolizou, em 08 de abril de 2013, documento indicando que havia realizado o reenvio da escrituração fiscal e saneado a pendência constatada. Em 1 o de abril de 2013 a fiscalização deu ciência ao contribuinte sobre o uso de arquivos, documentos e esclarecimentos relativos ao ano-calendário de 2010 que foram solicitados e entregues no curso dos trabalhos que culminaram no processo n. 16682.721105/2011-75, já apreciado por esta Turma, em que foram lançados créditos relativos aos anos-calendário de 2007 e 2008. Em razão disso, tais documentos passaram a integrar os presentes autos (fls. 1.951 e ss). Em 26 de abril de 2013 foi lavrado Auto de Infração contra a interessada, cujos fundamentos constam do Termo de Verificação Fiscal de fls. 6.203 a 6.228, em que a autoridade lançadora, além das informações já relatadas, informa o seguinte: 1. O Contribuinte apresentou quadro demonstrativo dos dispêndios e percentuais incentivados utilizados conforme reproduzido às fls.6.217, (Quadro 1), estando os valores dos dispêndios demonstrados na coluna Total dos dispêndios (100%, valor de R$ 47.661.412,59), bem como o percentual dos valores despendidos com pesquisas tecnológicas e desenvolvimento de inovação tecnológica que foi excluído das bases de cálculo do IRPJ e CSLL no referido ano-calendário; 2. Da mesma forma, o valor da respectiva exclusão, está demonstrado na coluna Parcela Dedutível do dispêndio (80%), no valor de R$ 38.129.130,07; Fl. 7193DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.720420/2013-47 Resolução n.º 1201-000.144 S1-C2T1 Fl. 5 4 3. O Contribuinte foi intimado a informar todas as contas contábeis (patrimoniais e de resultado), e suas respectivas contrapartidas, que registraram no ano de 2010, todos os valores dos dispêndios com pesquisas tecnológicas e desenvolvimento de inovação (inclusive recursos humanos), informados de forma individualizada nos respectivos formulários enviados ao MCTI, cujo total foi de R$ 47.661.412,59, conforme Quadro 2 de fls. 6.218; 4. Em resposta, informou que a conta de ativo 0013210203 DISPENDIOS C/INOVACAO TECNOLOGICA, e respectiva conta de amortização 0013250203 TRANSF. DE DISPENDIOS C/ INOVACAO TECNOLOGICA, são utilizadas para registro e controle dos dispêndios cujos respectivos percentuais foram utilizados como incentivos fiscais; 5. O Contribuinte apresentou tabela, reproduzida às fls. 6.218, indicando o valor relativo aos percentuais dos dispêndios e as respectivas linhas e fichas das DIPJ's em que foram declarados e utilizados como exclusão na apuração do lucro real no ano-calendário de 2010; 6. Foram encontradas divergências entre os valores dos Recursos Humanos e dos Serviços de Terceiros, informados no Formulário MCTI 2010 e os valores registrados nas contas contábeis de controle dos dispêndios (13210203 e 13250203); 7. Quanto a isto, informou o Contribuinte que as diferenças decorreram de despesas com recursos humanos envolvidos no projeto, que foram classificadas durante o exercício no grupo de contas 211.1 – PESSOAL, ENCARGOS E BENEFÍCIOS e não foram reclassificadas, em tempo, nas contas próprias 13210203 e 13250203, apesar de fazerem parte do programa; 8. Acrescentou que a diferença com empresas contratadas foi decorrente do atraso na reclassificação das despesas com o incentivo em suas contas próprias, sejam estas as contas n. 13210203 e 13250203, fato este que foi resolvido, conforme consta no razão destas contas que apresentou, doc. 02, (fls. 2.144/2.149); 9. Após análise dos esclarecimentos, documentos e arquivos digitais fornecidos pelo Contribuinte, afirmou a Fiscalização que o mesmo não observou para o ano de 2010 o requisito previsto no inciso I do art. 22 da Lei n°. 11.196/05, uma vez que não foi feito o controle contábil dos dispêndios e pagamentos de que tratam os artigos 17 a 20, da referida Lei, em contas específicas; 10. Registrou a Fiscalização que o extrato do Razão 2010 das contas 13210203 e 13250203 (Anexo Razão 2010 Contas 13210203 e 13250203), extraídos da Contabilidade, utilizadas para a alegada reclassificação pelo Contribuinte, revela que no ano-calendário de 2010 não foram efetuados lançamentos referentes aos dispêndios declarados no Formulário MCTI 2010; 11. Registrou a Fiscalização que tais lançamentos tidos como de reclassificação pelo Contribuinte só foram efetuados em 31/10/2011, conforme extrato do Razão 2011 das mesmas contas 13210203 e 13250203, conforme Anexo Razão 2011 Contas 13210203 e 13250203; Fl. 7194DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.720420/2013-47 Resolução n.º 1201-000.144 S1-C2T1 Fl. 6 5 portanto, logo após o início da mencionada Ação Fiscal anterior (16/06/2011) e imediatamente após a intimação que solicitou informações acerca dos dispêndios com inovação tecnológica relativos ao ano calendário de 2010 com a emissão dos termos de intimação 02 e 03, de 22/08/2011 e 12/09/2011, respectivamente; 12. Estes lançamentos extemporâneos estão registrados no razão do ano-calendário de 2011, das contas 13210203 e 13250203, apresentados pelo Contribuinte (Anexos AF Anterior Reclassificação extemporânea 13210203 e AF Anterior Reclassificação extemporânea 13250203); 13. Assim, o alegado atraso na reclassificação das despesas, como informado pelo Contribuinte, refere-se ao registro contábil no ano- calendário 2011 subsequente ao ano da realização dos dispêndios e sua utilização na apuração do IRPJ e da CSLL do ano-calendário 2010; 14. Os denominados pelo Contribuinte razões das contas contábeis 13215080 e 13250240 não contêm as datas em que os documentos ali mencionados foram lançados (registrados) na contabilidade, pois informam tão somente as datas dos documentos, a conta contábil em que foram registrados, os valores dos documentos e os respectivos textos descritivos destes; 15. Assim, concluiu a fiscalização que devem ser aplicadas as disposições contidas no art. 24 da Lei n° 11.196/05; 16. O Parecer Técnico Conjunto n° 076/2011 (Parecer/MCTI n° 076/2011) da Coordenação Geral de Inovação Tecnológica (CGIT) e da Coordenação Geral de Tecnologia da Informação (CGTE), ambas do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCTI), não corrobora o enquadramento como projetos de P&D apresentados pela TELEMAR NORTE LESTE S/A no ano base de 2010, conforme os termos e os propósitos estabelecidos na Lei n° 11.196, de 21/11/2005; 17. O referido Parecer/MCTI n° 076/2011 menciona ainda que o MCTI, relativo ao ano base 2010, classificou a TELEMAR NORTE LESTE S/A no Anexo V do Relatório Anual da Utilização dos Incentivos Fiscais, na relação das “Empresas que Apresentaram Informações Imprecisas e/ou Incompatíveis ao Atendimento dos Dispositivos da Lei nº.11.196/05”; 18. Assim, houve a glosa da exclusão no valor de R$ 38.129.130,07, na apuração do lucro real, por violação à legislação mencionada no presente relatório. Com a ciência do crédito lançado pela autoridade fiscalizadora, a interessada apresentou impugnação tempestiva que, em síntese, formulou os seguintes argumentos: 1. Utilizou contas contábeis específicas para controle dos dispêndios com P&D, em estrita observância ao que dispõe o artigo 22, inciso I, da Lei n° 11.196/05, (contas contábeis 13210203 e 13250203) para controle dos dispêndios com P&D; Fl. 7195DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.720420/2013-47 Resolução n.º 1201-000.144 S1-C2T1 Fl. 7 6 2. A legislação que regula a concessão de benefícios fiscais deve ser interpretada literalmente não apenas pelo contribuinte, mas também pelo Fisco; 3. Assim, tendo por base que o artigo 22, inciso I, da Lei n° 11.196/05, o Decreto n° 5.798/06 e a Instrução Normativa RFB n°1.187/11 não prescreveram a forma ou prazo para a contabilização dos dispêndios, não poderia a fiscalização, por mera liberalidade, alargar o conteúdo daquela legislação, criando exigência ali não prevista; 4. O objetivo do art. 22, I, da Lei n° 11.196/2005 foi somente assegurar que as autoridades administrativas pudessem identificar com facilidade e clareza os dispêndios incorridos pelas empresas com pesquisas tecnológicas e desenvolvimento de inovações tecnológicas, para fins de fiscalização do aproveitamento do incentivo fiscal em causa; 5. Trata-se de norma legal que prevê obrigação meramente instrumental, que visa dar às autoridades administrativas melhores condições para fiscalizar a fruição dos incentivos fiscais previstos nos arts. 17 e 19 da Lei n°. 11.196/05; 6. No caso concreto, para o seu melhor controle do aproveitamento do incentivo fiscal previsto no art. 19 da Lei n° 11.196/2005, optou por, inicialmente, registrar os dispêndios com pesquisas tecnológicas e desenvolvimento de inovações tecnológicas em diversas contas contábeis do seu plano de contas, identificando-os por meio da aposição de códigos que permitem a sua vinculação com o projeto de pesquisas tecnológicas e desenvolvimento de inovações tecnológicas correspondentes; 7. Posteriormente, reclassificava os referidos dispêndios codificados para contas contábeis específicas, tudo em atendimento ao disposto no art. 22, I, da Lei n°.11.196/2005; 8. Com efeito, conforme documentos de fls. 2.145/2.154 e 1654/1665, reclassificou os dispêndios para as contas n. 13210203 (“Dispêndios com Inovação Tecnológica”) e 13250203 (“Transferência de Dispêndios com Inovação Tecnológica”) e, logo em seguida, estornou os lançamentos efetuados, registrando-os novamente nas contas n. 13210580 (“Dispêndios com Inovação Tecnológica” e 13250240 (“"Dep. de Dispêndios com Inovação Tecnológica”); 9. O fato de as referidas reclassificações somente terem sido efetuadas em 2011 não é suficiente, por si só, para fundamentar a glosa das exclusões efetuadas, já que, insista-se, a legislação que regulamenta a fruição do incentivo fiscal em causa não estipula nenhum prazo para a contabilização em contas específicas dos dispêndios com pesquisas tecnológicas e desenvolvimento de inovações tecnológicas; 10. A ação fiscal anterior, abrangeu inicialmente apenas o ano- calendário 2007; posteriormente, em 29.11.2011, o MPF foi alterado para incluir o ano-calendário 2008 e, em 19.12.2011, tomou ciência do Termo de Encerramento da fiscalização e dos autos de infração lavrados para exigir o IR e a CSLL relativos aos anos-calendário 2007 e 2008. Assim, a ação fiscal anterior não teve como escopo o ano- calendário de 2010; Fl. 7196DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.720420/2013-47 Resolução n.º 1201-000.144 S1-C2T1 Fl. 8 7 11. Portanto, as reclassificações dos dispêndios com pesquisa e inovação tecnológica, realizadas em outubro de 2011, ocorreram antes de iniciado o procedimento de fiscalização que culminou na lavratura dos presentes autos, sendo, assim, espontânea a reclassificação dos referidos dispêndios para contas contábeis específicas, o que torna ainda mais evidente o atendimento da finalidade da regra contida no art. 22, I, da Lei n° 11.196/2005; 12. Desta forma, o procedimento contábil adotado atendeu ao objetivo do art. 22, I, da Lei n° 11.196/2005, que é o de assegurar às autoridades administrativas mecanismo de controle para fiscalizar a fruição dos incentivos fiscais previstos nos arts. 17 e 19 da Lei n° 11.196/2005, não tendo havido qualquer prejuízo ao fisco que justifique a perda integral do incentivo fiscal concedido, uma vez que, mesmo quando escriturou originalmente os dispêndios em diversas contas contábeis do seu plano de contas, sempre teve o cuidado de identificá-los com códigos que permitiam a sua vinculação com os seus projetos de pesquisas tecnológicas e desenvolvimento de inovações tecnológicas, o que já seria meio suficiente para que as autoridades administrativas pudessem fiscalizar a fruição dos referidos incentivos fiscais; 13. A informação do Parecer do MCTI no sentido de que as informações prestadas no formulário não evidenciaram maior grau de clareza e quais foram, de fato, as atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e/ou inovação tecnológica realizadas, no decorrer do ano de 2010, deveu-se ao fato de o dito formulário ter um espaço limitado, com número de caracteres restrito, sendo possível apenas a apresentação de um pequeno resumo das pesquisas e inovações tecnológicas desenvolvidas; 14. Ocorre que o MCTI não realizou uma análise pormenorizada dos dispêndios realizados nem afirmou, por isso mesmo, que os projetos descritos no formulário deixaram de atender aos requisitos previstos em lei para o seu enquadramento como de inovação tecnológica; 15. Na realidade, a única conclusão que se pode inferir do Parecer do MCTI é que, pelo resumo constante do formulário, não seria possível determinar se os projetos executados no ano de 2010 seriam ou não de inovação tecnológica; 16. As autoridades fazendárias preferiram lavrar os autos com base em meras presunções, isto é, sem qualquer prova efetiva acerca da suposta inadequação dos projetos de pesquisa e de desenvolvimento de inovações tecnológicas aos incentivos fiscais previstos nos arts. 17 e 19 da Lei n°.11.196/2005; 17. Nem se diga que a competência para analisar o correto enquadramento dos projetos como de pesquisa e de desenvolvimento de inovações tecnológicas seria exclusivamente do MCTI e que, portanto, os autos teriam sido corretamente lavrados em razão do parecer; 18. Em primeiro lugar, repise-se que o próprio parecer jamais afirmou que os projetos descritos em seu formulário deixaram de atender aos requisitos previstos em lei, mas apenas que as informações apresentadas não permitiam uma conclusão definitiva; Fl. 7197DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.720420/2013-47 Resolução n.º 1201-000.144 S1-C2T1 Fl. 9 8 19. Por outro lado, a Lei n°.11.196/2005 não atribuiu ao MCTI competência exclusiva para fiscalizar e analisar a correta utilização do incentivo fiscal em exame; essa competência é da RFB; 20. O Decreto n. 949/93, que regulamentou a Lei n. 8.861/93, determinou que cabia ao Ministério da Ciência e Tecnologia, atual MCTI, a concessão dos respectivos incentivos, diferentemente da Lei n. 11.196/2005 que não vinculou o aproveitamento dos incentivos fiscais previstos em seus artigos 17 a 26 à autorização ou aprovação prévia do MCTI; 21. Com efeito, o § 7 o do art. 17 da Lei n° 11.196/2005 apenas estabelece que a pessoa jurídica beneficiária dos incentivos de que trata este artigo fica obrigada a prestar, em meio eletrônico, informações sobre os programas de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação na forma estabelecida em regulamento; 22. Por sua vez, o art. 14 do Decreto n. 5.798/2006 obriga o contribuinte a manter a disposição da RFB toda a documentação relativa à fruição do incentivo durante o prazo prescricional, portanto, as autoridades fiscais passaram a ter competência para fiscalizar e verificar o cumprimento dos requisitos; 23. Destaque-se que, para usufruir os incentivos fiscais, as empresas não precisam apresentar previamente um projeto de desenvolvimento tecnológico, sendo o usufruto de forma automática; 24. Os autos foram lavrados sem qualquer análise dos projetos de pesquisa e de desenvolvimento de inovações tecnológicas, reportando- se apenas ao parecer do MCTI que, como já mencionado, não disse que os projetos deixaram de atender aos requisitos legais mas, apenas que as informações constantes do formulário não seriam suficientes para que houvesse uma conclusão definitiva sobre a matéria; 25. Ou seja, sob o pretexto de que a competência para a análise da utilização do incentivo fiscal caberia exclusivamente ao MCTI, a fiscalização lavrou os autos com base em meras presunções; 26. Assim, houve violação aos artigos 112 e 142, do CTN, pois, o lançamento tributário só é válido se demonstrada, com absoluta certeza, a ocorrência do fato gerador, pois a exação baseada na mera possibilidade dessa ocorrência ofende aos princípios da legalidade e tipicidade da tributação; 27. O parecer do MCTI, além de afirmar que as informações constantes do formulário não demonstrariam “com maior grau de clareza quais foram, de fato, as atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e/ou inovação tecnológica realizadas”, também sustenta que teriam efetuado despesas com serviços contratados de pessoas jurídicas classificadas como de médio e grande porte, quais sejam, a IBM Brasil e a Accenture, que não poderiam ser objeto do incentivo fiscal em causa, conforme Lei n. 11.196/2005 e art. 4 o , § 9° da IN RFB n°.1.187/2011; Fl. 7198DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.720420/2013-47 Resolução n.º 1201-000.144 S1-C2T1 Fl. 10 9 28. A restrição relativa à contratação de empresas de médio ou grande porte somente está, mesmo assim, de forma indireta, prevista na Lei nº.11.196/2005; 29. Ocorre que, não houve transferência de execução de pesquisa, ainda que parcialmente, a outras pessoas, portanto, a contratação de serviços de pessoas jurídicas de médio e grande porte não afeta o gozo do benefício fiscal. Em sessão realizada no dia 27 de agosto de 2013, a 8ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro, por unanimidade de votos, negou provimento à Impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, com os acréscimos moratórios. As Ementas a seguir reproduzem o entendimento daquela instância de julgamento: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2010 INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. DISPÊNDIOS. BENEFÍCIO FISCAL. Na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL os dispêndios com pesquisa e desenvolvimento de inovação tecnológica somente poderão ser excluídos do lucro líquido se forem controlados contabilmente em contas específicas. Artigos 17; 19; 22, inciso I; e 24, da Lei nº.11.196/2005. ESCRITURAÇÃO. CONFIABILIDADE. A falta de integridade e tempestividade na escrituração de informação contábil pode ocasionar a perda de sua relevância e confiabilidade. Resoluções CFC nº. 750/93 de 1993 e CFC nº. 1282/10. RECLASSIFICAÇÃO. EFEITOS FISCAIS. A reclassificação somente terá efeitos fiscais se tornar as informações contábeis mais claras, precisas e confiáveis. INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. PARECER TÉCNICO. O parecer técnico emitido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia vincula a Receita Federal, uma vez que aquele órgão é que tem a competência legal para opinar sobre matéria técnica a ele afeita. Artigo 14, do Decreto nº 5.798, de 2006. ESCRITURAÇÃO. FORÇA PROBANTE. A escrituração contábil mantida com observância das disposições legais somente faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados se forem comprovados por documentos hábeis e idôneos, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. Fl. 7199DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.720420/2013-47 Resolução n.º 1201-000.144 S1-C2T1 Fl. 11 10 Os documentos hábeis segundo sua natureza são aqueles que já contêm uma prova direta acerca do fato alegado cuja existência ali se materializa. Devem ter autenticidade, legitimidade e o seu conteúdo conduzir à convicção da efetiva ocorrência do fato, devendo, preferencialmente, ser subscritos por terceiros que tenham participado das respectivas operações. IMPUGNAÇÃO. DOCUMENTOS. A apresentação de alegações visando desconstituir as provas apresentadas pela Fiscalização devem vir acompanhadas de documentos hábeis e idôneos. Art. 16, inciso III, do Decreto 70.235 de 1972. IMPUGNAÇÃO. INEFICÁCIA. Não há como abrigar alegações que não logram desconstituir os fundamentos da autuação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Posteriormente, a Contribuinte foi intimada da decisão e interpôs Recurso Voluntário, no qual reproduziu, basicamente, as alegações da impugnação, acrescidas, em síntese, dos seguintes argumentos: 1. A decisão recorrida não tratou da aplicação do incentivo fiscal em causa aos dispêndios efetuados com empresas de médio e grande porte, por entender, corretamente, que essa questão não foi objeto do lançamento, mas manteve, ainda assim, os valores autuados, sob o argumento de que deveriam ser registrados em contas específicas e que a reclassificação deveria, ao menos, ser efetuada no mesmo ano da ocorrência dos fatos; 2. Que o lançamento fiscal jamais duvidou da existência dos dispêndios efetuados pela Recorrente e que a decisão jamais poderia manter o lançamento em razão de uma suposta não apresentação de documentos, por faltar-lhe competência para agravar, modificar ou aperfeiçoar o lançamento. Anexou, junto ao recurso voluntário, laudos técnicos elaborados por empresa privada especializada e laudos do Instituto Nacional de Tecnologia – INT, acerca de parte dos projetos que foram objeto da autuação. Por fim, requereu, caso necessária, a conversão do julgamento em diligência, sem prejuízo do pedido de que a autuação seja cancelada. Os autos foram encaminhados ao CARF para apreciação e julgamento. Este é o relatório. Fl. 7200DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.720420/2013-47 Resolução n.º 1201-000.144 S1-C2T1 Fl. 12 11 Voto Vencido Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. No intuito de enfrentar todos os argumentos apresentados no Recurso, passo a analisar, de forma tópica, as alegações, sem prejuízo de agrupar aquelas que possuem evidente correlação. 1. A Recorrente cumpriu o requisito do art. 22, I, da Lei n. 11.196/05 ao utilizar conta de ativo específica para controle dos dispêndios com P&D: a lei não estabelece forma ou prazo para a contabilização O argumento de que a lei não estabelece forma ou prazo para a contabilização, de per si, parece-me inusitado, posto que, se levado às últimas consequências, simplesmente permitiria que a formalização não ocorresse. Existe um postulado lógico elementar no sentido de que a formulação de argumento genérico, para ser válida, precisa ser testada em todo o universo de possibilidades e, como se pode depreender no caso dos autos, tal assertiva, caso aplicada, nos levaria a conclusões absurdas. No entanto, a Lei n. 11.196/05 nos traz indicativos claros sobre a forma e o momento da contabilização das contas destinadas a controlar os dispêndios relativos à inovação tecnológica. A dicção do artigo 17, I, do referido diploma legal nos ajuda a desvendar a questão: Art. 17. A pessoa jurídica poderá usufruir dos seguintes incentivos fiscais: I - dedução, para efeito de apuração do lucro líquido, de valor correspondente à soma dos dispêndios realizados no período de apuração com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica classificáveis como despesas operacionais pela legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ ou como pagamento na forma prevista no § 2 o deste artigo; (grifamos) O dispositivo determina, para além de qualquer dúvida, que só poderão ser deduzidos dispêndios quando classificáveis como despesas operacionais pela legislação do IRPJ, de forma que é induvidoso que a forma e o prazo de sua contabilização devem seguir o rito preconizado para tais despesas. Somente isso já seria suficiente para rechaçar a ausência de preceitos defendida pela Recorrente, que a levou a contabilizar os dispêndios relativos à inovação tecnológica como contas de ativo, conforme se tem notícia dos autos. Mais há mais. Fl. 7201DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.720420/2013-47 Resolução n.º 1201-000.144 S1-C2T1 Fl. 13 12 Resta claro que a própria Lei n. 11.196/05 remete o intérprete, expressamente, a outras fontes de referência. É cediço que a escrituração contábil busca evidenciar os atos e fatos ocorridos no tempo e no espaço. E a Lei n. 6.404/76, ao contrário de servir de fundamento para uma suposta liberdade de escrituração das companhias, traz comando em sentido exatamente contrário, ao dispor: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. (grifamos) Os Princípios Fundamentais da Contabilidade, no Brasil, foram aprovados pela Resolução CFC n. 750/93, com a redação atualmente dada pela Resolução CFC n. 1.282/2010. Entre esses princípios dois merecem destaque, para a compreensão da matéria aqui debatida: o princípio da oportunidade e o princípio da competência, conforme definições a seguir. Art. 6º O Princípio da Oportunidade refere-se ao processo de mensuração e apresentação dos componentes patrimoniais para produzir informações íntegras e tempestivas. Parágrafo único. A falta de integridade e tempestividade na produção e na divulgação da informação contábil pode ocasionar a perda de sua relevância, por isso é necessário ponderar a relação entre a oportunidade e a confiabilidade da informação. (Redação dada pela Resolução CFC nº. 1.282/10) (grifamos) (...) Art. 9º O Princípio da Competência determina que os efeitos das transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento. Parágrafo único. O Princípio da Competência pressupõe a simultaneidade da confrontação de receitas e de despesas correlatas. (Redação dada pela Resolução CFC nº. 1.282/10) A Resolução CFC n. 774/94, vigente ao tempo da escrituração dos fatos que ensejaram o presente processo, aprovou o Apêndice interpretativo dos princípios fundamentais de contabilidade, que possui força vinculante para todos os profissionais de contabilidade no Brasil, dada a competência privativa do Conselho Federal de Contabilidade para editar normas regulamentares 1 . O item 2.3.1 da referida norma aborda os aspectos conceituais do princípio da oportunidade, nos seguintes termos: 1 Princípios Fundamentais e Normas Brasileiras de Contabilidade, 3ª edição, Conselho Federal de Contabilidade – Brasília, 2008 Fl. 7202DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LEIS_2001/L10303.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LEIS_2001/L10303.htm#art2 Processo nº 16682.720420/2013-47 Resolução n.º 1201-000.144 S1-C2T1 Fl. 14 13 Aspectos conceituais O Princípio da OPORTUNIDADE exige a apreensão, o registro e o relato de todas as variações sofridas pelo patrimônio de uma Entidade, no momento em que elas ocorrerem. Cumprido tal preceito, chega-se ao acervo máximo de dados primários sobre o patrimônio, fonte de todos os relatos, demonstrações e análises posteriores, ou seja, o Princípio da Oportunidade é a base indispensável à fidedignidade das informações sobre o patrimônio da Entidade, relativas a um determinado período e com o emprego de quaisquer procedimentos técnicos. É o fundamento daquilo que muitos sistemas de normas denominam de “representação fiel” pela informação ou seja, que esta espelhe com precisão e objetividade as transações e eventos a que concerne. Tal tributo é, outrossim, exigível em qualquer circunstância, a começar sempre nos registros contábeis, embora as normas tendem a enfatizá-lo nas demonstrações contábeis. O Princípio da OPORTUNIDADE abarca dois aspectos distintos, mas complementares: a integridade e a tempestividade, razão pela qual muitos autores preferem denominá-los de Princípio da UNIVERSALIDADE. O Princípio da OPORTUNIDADE tem sido confundido algumas vezes, com o da COMPETÊNCIA, embora os dois apresentem conteúdos manifestamente diversos. Na oportunidade, o objetivo está na completeza da apreensão das variações, do seu oportuno conhecimento, enquanto, na competência, o fulcro está na qualificação das variações diante do Patrimônio Líquido, isto é, na decisão sobre se estas o alteram ou não. Em síntese, no primeiro caso, temos o conhecimento da variação, e, na competência, a determinação de sua natureza. A tempestividade do registro A tempestividade obriga a que as variações sejam registradas no momento em que ocorrerem, mesmo na hipótese de alguma incerteza, na forma relatada no item anterior. Sem o registro no momento da ocorrência, ficarão incompletos os registros sobre o patrimônio até aquele momento, e, em decorrência, insuficientes quaisquer demonstrações ou relatos, e falseadas as conclusões, diagnósticos e prognósticos. (grifamos) O texto reproduzido, quer pela força normativa, quer pela extrema clareza de seus termos, afasta qualquer argumento da Recorrente no sentido de que não existia previsão legal para a escrituração dos dispêndios classificáveis como despesas operacionais e que a fiscalização não poderia ter exigido como “melhor técnica” coisa diversa do seu entendimento. Ao revés, os registros contábeis deveriam atender, pela força vinculante dos enunciados transcritos, os critérios da legislação do IRPJ e dos princípios da contabilidade típicos das despesas operacionais, o que efetivamente não ocorreu, fato que, por si só, já garante a procedência dos lançamentos efetuados pela fiscalização. Fl. 7203DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.720420/2013-47 Resolução n.º 1201-000.144 S1-C2T1 Fl. 15 14 2. Da ausência de previsão legal acerca do momento da segregação dos dispêndios em contas especificas Ante o que foi exposto no tópico anterior, entendo que a alegação supracitada não pode prosperar. Já fundamentamos nosso entendimento de que os dispêndios previstos na Lei n. 11.196 devem seguir, forçosamente, o rito contábil das despesas operacionais, conclusão que a própria Recorrente parece reconhecer. Ora, a própria Recorrente indica o momento, segundo seu entendimento, sobre o controle contábil a ser efetuado, vale dizer, este deve ser realizado durante o período de apuração e de acordo com as regras do IRPJ para as despesas operacionais, na medida em que incorridas. O que é absolutamente óbvio e natural, porque oriundo dos preceitos normativos citados, pois, do contrário, seria de se indagar, apenas a título de curiosidade: Quando deveria ser feito tal controle? A qualquer tempo, a critério do beneficiário? Por óbvio que a resposta a tais indagações difere frontalmente da posição defendida pela Recorrente, visto que não se pode aceitar a tese de um controle a posteriori dos fatos, ainda que anterior à apuração do resultado ou ao início dos procedimentos de fiscalização. Ressalte-se que o fator tempo sempre foi determinante para a segurança jurídica e a transparência das operações, notadamente quanto aos registros contábeis, o que não foi, na hipótese dos autos, observado pela Contribuinte. No caso debatido nos autos houve flagrante descumprimento da legislação tributária e daquela que concede benefícios fiscais, pois a reclassificação das contas foi feita de forma extemporânea, após o encerramento do ano-calendário correspondente, o que, por si só, atesta a impropriedade da conduta. Neste passo, seria possível indagar: Ainda que a reclassificação tenha sido efetuada antes dos procedimentos de fiscalização relativos ao ano-calendário de 2010, porque a interessada a realizou, se sempre entendeu, como inclusive argumenta em sua defesa, que o procedimento era correto? Porque a fiscalização relativa a períodos anteriores a levou a reclassificar, de forma extemporânea e com incorreções, os lançamentos contábeis que reputava adequados? Entendo, em razão disso, que o próprio ato de reclassificação é indicativo do erro na aplicação dos preceitos normativos aplicáveis à espécie. 3. A decisão de adotar conta de ativo específica para controle dos dispêndios com P&D atende aos dispositivos legais Quanto a este tópico, parece-me incontroverso que se a Recorrente pretendia compatibilizar os dispositivos da chamada Lei do Bem com aqueles previstos pelas novas regras das S/A deveria, sobretudo, ter aplicado os princípios contábeis de forma Fl. 7204DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.720420/2013-47 Resolução n.º 1201-000.144 S1-C2T1 Fl. 16 15 adequada e efetuado os registros de acordo com o que foi explicitado neste voto, visto que dessa forma estariam mais bem assegurados os interesses dos acionistas e credores. Em arremate, aproveitamos para enfatizar que, ante a existência de comandos normativos que preconizam os procedimentos contábeis que deveriam ser adotados pela Contribuinte, a demanda da Recorrente, pela interpretação literal dos dispositivos que concedem benefícios fiscais, foi totalmente aplicada pela autoridade lançadora, de sorte que a sua atuação, nesse contexto, não merece reparos. Aliás, o fato de pugnar pela interpretação literal no presente caso me parece produzir efeitos contrários àqueles pleiteados pela Recorrente. Não há dúvida de que a Lei no Bem trouxe, lato sensu, diversos benefícios fiscais às empresas que se enquadrarem nos requisitos nela previstos. A possibilidade de dedução, em percentuais superiores ao normal, dos dispêndios com inovação tecnológica encontra-se prevista nos artigos 17 e 19 da citada norma, que, conforme já consignado, estabelecem “incentivos fiscais”, na exata dicção do caput do artigo 17. Pois bem. O artigo 22, I, da Lei do Bem determina que: Art. 22. Os dispêndios e pagamentos de que tratam os arts. 17 a 20 desta Lei: I – serão controlados contabilmente em contas específicas; e (...) (grifamos) Ora, se o tema versado nos dispositivos acima diz respeito a incentivos fiscais, que notadamente reduzem a base de cálculo dos tributos e o consequente crédito tributário devido ao Estado, a única interpretação viável para a espécie é aquela consubstanciada no artigo 111 do CTN: Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I - suspensão ou exclusão do crédito tributário; II - outorga de isenção; III - dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Além de resolver a questão em relação ao crédito, o artigo 111 do CTN, no seu inciso III, também não deixa dúvidas sobre a necessidade de lei para a dispensa do cumprimento de obrigações acessórias. E, se existe lei que determina que os dispêndios e pagamentos relativos à inovação tecnológica devem ser controlados contabilmente em contas específicas, como expressamente exige o artigo 22, I, da Lei n. 11.196/05, por certo que não há lei dispensando tais obrigações (e nem poderia haver, dado que tal norma conflitaria com os princípios contábeis e a legislação societária, conforme já demonstrado). Fl. 7205DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.720420/2013-47 Resolução n.º 1201-000.144 S1-C2T1 Fl. 17 16 E foi exatamente com base nessas impropriedades que o autoridade fiscal fundamentou a glosa das despesas, conforme se depreende do Termo de Verificação Fiscal: Em sua resposta à intimação (Anexo AF Anterior Resposta à Intimação), o Contribuinte forneceu telas do sistema contábil SAP, contendo lançamentos contábeis dos faturamentos prestadores de serviços pessoas jurídicas listados no Formulário MCTI do ano de 2010. Analisados na contabilidade estes lançamentos contábeis registrados em tais telas, esta Fiscalização constatou que os dispêndios efetuados com os prestadores de serviços pessoas jurídicas, listados no Formulário MCTI do ano de 2010, foram lançados em contas contábeis que englobam também outros prestadores de serviços cuja natureza das prestações não estão relacionadas com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica. Os anexos listados abaixo registram, por amostragem, os lançamentos contábeis efetuados na conta 0021120140 - FORNECEDORES - ENTR MERC/SERV-ENTR FATURAT, que recebeu grande parte dos dispêndios efetuados pela empresa juntamente com outros prestadores de serviços não relacionados com pesquisa tecnológica e desenvolvimentos de inovação tecnológica. (...) Dispêndios de 2010 não "reclassificados" – Esta Fiscalização considera importante demonstrar a forma equivocada do Contribuinte para atender a exigência legal do registro dos dispêndios informados no Formulário MCTI 2010 (Anexo TELEMAR Formulário MCTI 2010) em contas contábeis específicas (inciso I do art. 22 da referida Lei do Bem) com a utilização de contas de “reclassificação”, segundo ele, para controle dos dispêndios. Esta conduta fica evidente quando, no ano base de 2010, o Contribuinte se beneficiou dos incentivos fiscais (§§ 1 o e 3 o do art. 19 da Lei do Bem) e não promoveu a “reclassificação” dos montantes dos dispêndios (recursos humanos e serviços de terceiros) declarados no Formulário MCTI 2010 nas contas criadas para esta finalidade e informadas por ele. O extrato do Razão 2010 das contas 13210203 e 13250203 (Anexo Razão 2010 Contas 13210203 e 13250203), extraídos da Contabilidade pela Fiscalização, utilizadas para “reclassificação” pelo Contribuinte, revela que no ano-calendário de 2010 não foram efetuados lançamentos referentes aos dispêndios declarados no Formulário MCTI 2010. Tais lançamentos de “reclassificação” só foram efetuados em 31/10/2011, conforme extrato do Razão 2011 das mesmas contas 13210203 e 13250203 (Anexo Razão 2011 Contas 13210203 e 13250203), portanto, logo após o início da Ação Fiscal anterior (16/06/2011) e imediatamente após esta Fiscalização ter solicitado informações acerca dos dispêndios com inovação tecnológica relativos ao ano-calendário de 2010 com a emissão dos TIFs 02 e 03 (22/08/2011 e 12/09/2011, respectivamente). Fl. 7206DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.720420/2013-47 Resolução n.º 1201-000.144 S1-C2T1 Fl. 18 17 Estes lançamentos extemporâneos estão registrados no razão do ano- calendário de 2011, destas contas 13210203 e 13250203, apresentados pelo Contribuinte (Anexos AF Anterior Reclassificação extemporânea 13210203 e AF Anterior Reclassificação extemporânea 13250203). O “atraso na reclassificação das despesas”, como informado pelo Contribuinte, refere-se ao registro contábil no ano- calendário (2011) subsequente ao ano da realização dos dispêndios e sua utilização na apuração do IRPJ e da CSLL do ano-calendário 2010. Para situar no tempo os lançamentos contábeis destes documentos representativos dos dispêndios incorridos no ano base de 2010, esta Fiscalização extraiu da Contabilidade do Contribuinte os razões contábeis destas contas nos anos- calendário de 2010 e 2011 (Anexos Razão 2010 Contas 13215080 e 13250240 e Razão 2011 Contas 13215080 e 13250240), sendo constatado que no ano base de 2010 (objeto da presente apuração) não houve lançamentos contábeis relativos aos documentos que fundamentaram os dispêndios ocorridos naquele ano. A simples leitura dos excertos acima, que correspondem aos documentos trazidos aos autos, revela que a Recorrente não efetuou, de forma correta, os lançamentos contábeis necessários à fruição dos benefícios fiscais, inviabilizando, portanto, qualquer possibilidade de controle, ao tempo dos fatos, pela autoridades competentes. A necessidade de controle específico, exigida pela norma e desconsiderada pela Recorrente, foi exemplarmente analisada na decisão de 1 a instância, cujos argumentos me parecem irrefutáveis: Neste sentido, a expressão “contas específicas” que se encontra no artigo 22, inciso I, da Lei nº. 11.196/2005, remete ao fato de os dispêndios com recursos humanos e serviços de terceiros, referentes à pesquisa e inovação tecnológica, necessariamente, deverão estar em contas especialmente criadas para tal fim, e, portanto, separadas das demais despesas da sociedade empresarial, vez que, na espécie, aqueles dispêndios possuem natureza especial reveladora de um benefício fiscal. Em síntese, “contas específicas” no presente contexto, são aquelas que o seu título, por si só, já revelam a exclusividade do seu conteúdo. Registre-se que a finalidade do artigo 22, inciso I, da Lei nº. 11.196/2005, é que a contabilidade revele de maneira clara, direta e inquestionável os dispêndios ocorridos a título de pesquisa e inovação tecnológica, quando da efetiva ocorrência dos fatos ensejadores dos respectivos lançamentos contábeis. E não poderia ser de outra forma, pois o termo “controle” que também consta naquele dispositivo, implica que o registro deve ocorrer no momento da ocorrência dos fatos sem o que não há que se falar em controle. O sentido etimológico da expressão “controle” é: ato, efeito ou poder de controlar; domínio; governo; ..., enfim, é uma conduta que se coaduna com a contemporaneidade dos fatos. Note-se que o texto legal não menciona “registrados”, “escriturados” ou “contabilizados”, mas sim, que “Os dispêndios e pagamentos de Fl. 7207DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.720420/2013-47 Resolução n.º 1201-000.144 S1-C2T1 Fl. 19 18 que tratam os arts. 17 a 20 desta Lei serão controlados contabilmente em contas específicas.” (...) Pensar de outro modo estar-se-ia esvaziando o sentido do termo “controle” do artigo 22, inciso I, da Lei nº.11.196/2005. 4. Ausência de fundamento legal para a glosa integral dos valores contabilizados Entendo, ao contrário do aduzido pela Recorrente, que a autoridade fiscal fundamentou de modo consistente a glosa dos valores excluídos na apuração do lucro real. Ante toda a evidência, os autos demonstram, à exaustão, que os fundamentos para a glosa integral foram diversos, a saber: a) Ausência de escrituração adequada, nos moldes já delineados; b) Intempestividade dos registros contábeis e c) Parecer técnico do MCT indeferindo o enquadramento das despesas como P&D, para o ano-calendário de 2010. Conquanto qualquer um deles, no meu entendimento, já seria suficiente para a glosa integral, por óbvio que a somatória de todos apenas reforça o acerto dos lançamentos efetuados. A autoridade lançadora fundamentou, de forma exaustiva, todos os requisitos da autuação, inclusive quanto à glosa integral dos dispêndios, conforme relata o Termo de Verificação Fiscal: 3.2 Da perda do benefício fiscal 3.2..1 Observe-se que, conforme os art. 22, inciso I, e art. 23 do citado diploma legal, abaixo reproduzidos, os dispêndios e pagamentos a título de dispêndios com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica devem ser controlados em contas contábeis específicas e os benefícios fiscais respectivos somente podem ser usufruídos caso a pessoa jurídica esteja em dia com suas obrigações fiscais. (grifamos) Art. 22. Os dispêndios e pagamentos de que tratam os arts. 17 a 20 desta Lei: I - serão controlados contabilmente em contas específicas: e II - somente poderão ser deduzidos se pagos a pessoas físicas ou jurídicas residentes e domiciliadas no País, ressalvados os mencionados nos incisos V e VI do caput do art. 17 desta Lei. Art. 23. O gozo dos benefícios fiscais e da subvenção de que tratam os arts. 17 a 21 desta Lei fica condicionado à comprovação da regularidade fiscal da pessoa jurídica. Fl. 7208DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.720420/2013-47 Resolução n.º 1201-000.144 S1-C2T1 Fl. 20 19 3.2.2 Por fim, saliente-se que o descumprimento de qualquer obrigação assumida para obtenção dos incentivos fiscais ou sua utilização indevida ensejam a perda dos mesmos, bem como a cobrança de tributos eventualmente não recolhidos por sua utilização, acrescidos de juros e multa de mora ou ofício e sem prejuízo das sanções penais cabíveis. (grifamos) Art. 24. O descumprimento de qualquer obrigação assumida para obtenção dos incentivos de que tratam os arts. 17 a 22 desta Lei bem como a utilização indevida dos incentivos fiscais neles referidos implicam perda do direito aos incentivos ainda não utilizados e o recolhimento do valor correspondente aos tributos não pagos em decorrência dos incentivos já utilizados, acrescidos de juros e multa, de mora ou de ofício, previstos na legislação tributária, sem prejuízo das sanções penais cabíveis. Como a escrituração contábil da empresa não seguiu os preceitos normativos, coube à autoridade lançadora, cujo trabalho de apuração me parece exemplar, detectar a impropriedade dos lançamentos e, inclusive, indicar erros nos valores reclassificados. No entendimento da Recorrente tudo seria possível ante o suposto permissivo legal (que obviamente inexiste), inclusive efetuar o controle de despesas objeto de incentivo fiscal em contas do ativo, para, quando bem entender, fazer as respectivas reclassificações, ainda que isso somente ocorresse no ano subsequente. Aliás, neste passo, é de se perguntar: Se o procedimento adotado pela Contribuinte era correto, no seu entendimento, porque então fazer a “reclassificação das contas”? Se a lei, no seu entendimento, autoriza os lançamentos efetuados, não conseguimos entender a razão de reclassificá-los, pois, se estavam corretos e primavam pela higidez deveriam ser mantidos! É incontroverso que a interessada simplesmente não efetuou qualquer lançamento contábil relativo aos dispêndios com tecnologia no ano-calendário de 2010, como se pode constatar dos extratos do Razão do período. A “reclassificação” só ocorreu em 31 de outubro do ano seguinte, após o início do procedimento fiscal para os anos anteriores e imediatamente depois de ter sido intimada, naquele procedimento, a prestar informações sobre o ano-calendário de 2010. Conquanto seja verdadeiro o fato de que o Mandado de Procedimento Fiscal específico para o ano-calendário de 2010 só tenha sido emitido meses depois, é inequívoco que a empresa não primava pelo controle da sua documentação nem tampouco cumpria, com a devida diligência, suas obrigações acessórias, tanto assim que a Escrituração Contábil Digital do SPED não estava autenticada, com a indicação de “sob exigência”. Ao comentar a necessidade de controle dos projetos objeto de incentivos à inovação tecnológica, Edmar Oliveira Andrade Filho, na obra Imposto de Renda das Empresas 10 a edição, p. 396, esclarece: O valor que servirá de base para a exclusão deverá ser controlado na Parte B do LALUR, por projeto, até que sejam satisfeitas as exigências previstas na Lei, quando poderá ser excluído na determinação do lucro real. Os valores registrados deverão, a qualquer tempo, ser Fl. 7209DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.720420/2013-47 Resolução n.º 1201-000.144 S1-C2T1 Fl. 21 20 comprovados por documentação idônea, que deverá estar à disposição da fiscalização da Secretaria da Receita Federal. Todas as constatações acima demonstram que não houve a propagada higidez na contabilidade da Contribuinte e, no meu sentir, justificam o lançamento integral das glosas, sem prejuízo dos comentários que ainda serão feitos no próximo tópico. 5. Do Parecer do MCT Neste derradeiro tópico passo a enfrentar, conjuntamente, todos os argumentos apresentados pela Recorrente acerca do Parecer MCT, até porque são correlatos. Convém ressaltar que os lançamentos foram lastreados em extensa análise da contabilidade da Contribuinte, como demonstram os vários termos de intimação e a vastíssima documentação trazida aos autos. Ademais, a autoridade fiscal elaborou planilhas demonstrando, minuciosamente, as origens dos valores – que sequer são contestados pela Recorrente – e o seu entendimento acerca dos lançamentos contábeis e das razões que levaram à autuação. Nesse sentido, não merece reparos a conduta fiscal, que foi extremamente diligente na condução dos trabalhos. A autoridade lançadora demonstra, por meio de diversas tabelas e cálculos, os motivos que ensejaram os lançamentos, bem como apresenta longas explicações acerca dos procedimentos utilizados e dos erros constatados. A leitura dos fundamentos da autuação não deixa margem para dúvidas, no sentido de que a autoridade lançadora efetivamente detectou problemas e vícios na contabilidade da empresa, que culminaram nos lançamentos ora recorridos. Ademais, ao contrário do que aduz a Recorrente, entendo que os Pareceres MCT são conclusivos e não extrapolaram sua competência, visto que foram utilizados, em caráter complementar – e nesse sentido, ratificados –, pela autoridade competente. Embora a Recorrente ressalte que não há impugnação quanto a matéria técnica dos Pareceres, resta claro que a autoridade lançadora analisou a questão da natureza e da pertinência dos dispêndios supostamente aplicados em P&D e, no exercício de sua plena competência tributária, os considerou como inadequados. Tal entendimento foi corroborado pela decisão de primeira instância e, no meu sentir, é absolutamente correto. Não vislumbro qualquer problema no fato de os Pareceres do MCT mencionarem, ao longo de suas considerações, posicionamento acerca dos artigos da lei, sejam eles de natureza técnica ou tributária. Parece-me incongruente a tese de que tais comentários teriam usurpado a competência da Receita Federal na interpretação da legislação tributária, até porque o Termo de Verificação Fiscal é exaustivo, como demonstrado, ao enumerar os critérios de interpretação que adotou, bem como os efeitos tributários deles decorrentes, tanto assim que lavrou, no exercício de sua competência, os respectivos lançamentos! Fl. 7210DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.720420/2013-47 Resolução n.º 1201-000.144 S1-C2T1 Fl. 22 21 Por fim, o argumento de que o Parecer MCT não é conclusivo, embora inócuo à luz do que já demonstramos, não representa a realidade dos fatos. Neste passo cabem dois comentários. O primeiro é que se o próprio Ministério possui classificação específica para as “Empresas que Apresentaram Informações Imprecisas ou Incompatíveis ao Atendimento dos Dispositivos da Lei n. 11.196/05”. Essa qualificação, por óbvio, é diferente da decisão que reconhece ou corrobora o enquadramento das despesas como P&D. Depois, se as informações foram imprecisas ou incompatíveis, no entender daquelas autoridades, resta claro que o parecer é conclusivo. Apenas a guisa de ilustração, dados imprecisos ou incompatíveis fulminam sim os procedimentos neles baseados, assim como, por analogia, o ato de injetar sangue incompatível num indivíduo pode levá-lo à morte... Portanto, entendo que o Parecer combatido em nada prejudica o lançamento efetuado; ao contrário, apenas o corrobora, nos exatos termos fixados pela autoridade lançadora: No que pese o parecer produzido pelo MCTI, não recomendando o enquadramento como projetos de P&D apresentados pela TELEMAR NORTE LESTE S/A no ano base de 2010, conforme os termos e os propósitos estabelecidos na Lei n. 11.196/05, esta Fiscalização ainda constatou, pela análise dos esclarecimentos, documentos e arquivos digitais, apresentados, tanto na Ação Fiscal anterior como na atual, e da contabilidade do ano de 2010, que o Contribuinte deixou de observar as disposições contidas no inciso I do art. 22 da referida Lei, que determina que os dispêndios e pagamentos de que tratam os artigos 17 a 20 da Lei do Bem sejam controlados contabilmente em contas específicas. (grifamos) Informa o Contribuinte em sua carta de esclarecimentos (Anexo AF Anterior Resposta à Intimação em 03102011) que visando “o cumprimento da determinação constante do inciso I. do art. 22, da lei em comento, a Companhia registrou os respectivos montantes, ainda, em conta de ativo (contas contábeis 13210203 e 13250203) sem qualquer efeito no resultado ou influência no patrimônio líquido”. Contudo esta Fiscalização verificou que se trata única e exclusivamente de uma reclassificação contábil, efetuada inclusive fora do exercício em que os dispêndios foram efetuados, visando apenas dar um aspecto formal de cumprimento da exigência estampada no inciso I do art. 22. O uso destas contas de "reclassificação" não atendem à exigência legal de controle dos dispêndios por contas contábeis específicas, que registrem os fatos contábeis pelo regime da competência. (grifado no original) Assim, considerando que o Contribuinte não utilizou contas contábeis específicas para controle dos dispêndios com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica no transcurso do ano calendário 2010, conforme exigência contida na Lei do Bem e, em virtude da conclusão do Parecer/MCTI n. 076/2011, cujo objeto foi justamente a avaliação do enquadramento dos projetos realizados pelo Fl. 7211DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.720420/2013-47 Resolução n.º 1201-000.144 S1-C2T1 Fl. 23 22 Contribuinte no escopo da mesma Lei do Bem e do decreto que a regulamentou, cabe a glosa das exclusões realizadas no período fiscalizado com base no benefício fiscal previsto naquele diploma legal. De se notar que em nenhum momento a fiscalização afirma ser essencial ou determinante para a autuação a recomendação constante do Parecer MCT. Os lançamentos foram efetuados com base em extensa análise da contabilidade, de modo que refuto as alegações da Recorrente quanto ao tema, inclusive os argumentos quanto ao enquadramentos dos dispêndios apenas para as contratações com terceiros que fossem considerados como microempresa ou empresa de pequeno porte, posto que coube à autoridade lançadora, como demonstrado de forma cabal, a decisão e os cálculos que ensejaram a base de cálculo das autuações. Neste passo, também reitero procedência dos lançamentos relativos à CSLL, conforme autorização legal contida no artigo 19 da Lei n. 11.196/2005. Por fim, convém ressaltar que os laudos trazidos pela defesa como anexos ao Recurso Voluntário, em nada alteram o que ficou consignado neste voto. Além de serem intempestivos e parciais (pois não cobrem o espectro de todos os produtos contemplados nos projetos tecnológicos apresentados ao MCT), os referidos laudos não são fungíveis, no sentido de substituírem ou contestarem o Parecer regularmente formulado e transmitido por aquele Ministério à Receita Federal. Ressalte-se que existe previsão legal para os Pareceres do MCT, consubstanciada no artigo 17, § 7 o da Lei do Bem: § 7 o A pessoa jurídica beneficiária dos incentivos de que trata este artigo fica obrigada a prestar, em meio eletrônico, informações sobre os programas de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação, na forma estabelecida em regulamento. E a regulamentação prevista em lei se deu pelo artigo 14 da Decreto n. 5.798/2006: Art. 14. A pessoa jurídica beneficiária dos incentivos de que trata este Decreto fica obrigada a prestar ao Ministério da Ciência e Tecnologia, em meio eletrônico, conforme instruções por este estabelecidas, informações sobre seus programas de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, até 31 de julho de cada ano. § 1 o A documentação relativa à utilização dos incentivos de que trata este Decreto deverá ser mantida pela pessoa jurídica beneficiária à disposição da fiscalização da Secretaria da Receita Federal, durante o prazo prescricional. § 2 o O Ministério da Ciência e Tecnologia remeterá à Secretaria da Receita Federal as informações relativas aos incentivos fiscais. (grifamos) Fl. 7212DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.720420/2013-47 Resolução n.º 1201-000.144 S1-C2T1 Fl. 24 23 É evidente que a legislação faz referência ao Parecer específico exarado pelo MCT e comunicado, pela via oficial, à Receita do Brasil. Parece-me óbvio que laudos de empresas particulares ou mesmo laudos parciais do INT – Instituto Nacional de Tecnologia, não podem prevalecer sobre o instrumento jurídico previsto em lei, até porque parece cediço que os laudos são instrumentos auxiliares, que subsidiam pareceres, e não o contrário! Se alguém duvida disso, basta estudar a hierarquia dos órgãos administrativos, pois os Relatórios Técnicos trazidos aos autos são da “Divisão de Engenharia de Avaliações e Produção” do INT, que está subordinado ao MCT, enquanto o instrumento utilizado pela autoridade fiscal é o “Parecer Técnico Conjunto n. 076/2011 (Parecer/MCTI n. 076/2011) da Coordenação Geral de Inovação Tecnológica (CGIT) e da Coordenação Geral de Tecnologia da Informação (CGTE), instâncias superiores e previstas em lei para a análise dos processos de inovação tecnológica previstos pela chamada Lei do Bem. Qualquer argumento contrário a isso simplesmente não tem fundamento. Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso e, no mérito, NEGO-LHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Relator Fl. 7213DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.720420/2013-47 Resolução n.º 1201-000.144 S1-C2T1 Fl. 25 24 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Redator designado. Com o respeito devido e merecido ao Relator, peço licença para dele divergir no que concerne à formação da convicção diante dos elementos contidos nos autos. Pois bem, os lançamentos do IRPJ e da CSLL relativos ao ano-calendário de 2010 tiveram como fundamento: a) a falta de contabilização, em contas específicas, dos dispêndios realizados com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, em afronta ao disposto no art. 22, I, da Lei nº 11.196/2005; b) o Parecer Técnico Conjunto CGIT/MCTI e CGTE/MCTI nº 076/2011, que conclui que os projetos apresentados pela contribuinte não se enquadram como projetos de P,D&I, nos termos da Lei nº 11.196/2005. A questão mencionado no item “a” é meramente de direito, e sobre ela não me pronunciarei neste momento. A questão relativa ao item “b”, entretanto, não me parece que esteja esclarecida, uma vez que a recorrente apresentou Relatórios Técnicos produzidos pela Divisão de Engenharia de Avaliações e de Produção - DEAP, órgão do Instituto Nacional de Tecnologia - INT, o qual, por sua vez, é órgão do próprio MCTI. Referidos Relatórios Técnicos, ao contrário do que conclui o mencionado Parecer Técnico Conjunto CGIT/MCTI e CGTE/MCTI nº 076/2011, atesta que os projetos neles referidos devem ser considerados inovação tecnológica. Embora haja ressalvas a serem feitas em relação aos Relatórios Técnicos do INT (conceito de “inovação tecnológica” distinto daquele empregado no art. 2º, I, do Decreto nº 5.798/2006; falta de averiguação da veracidade das informações prestadas pela empresa, etc.), o fato é que há nos autos pronunciamentos distintos de órgãos do MCTI acerca de se os projetos desenvolvidos pela contribuinte em 2010 podem ou não ser considerados inovação tecnológica, nos termos da Lei nº 11.196/2005 e do Decreto nº 5.798/2006. Por todo o exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência a fim de que a autoridade fiscal de jurisdição do sujeito passivo: a) envie ofício ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação - MCTI, solicitando que este se pronuncie definitivamente sobre se os projetos desenvolvidos pela contribuinte em 2010 podem ou não ser considerados inovação tecnológica, nos termos da Lei nº 11.196/2005 e do Decreto nº 5.798/2006, haja vista a incongruência das conclusões contidas, por um lado, no Parecer Técnico Conjunto CGIT/MCTI e CGTE/MCTI nº 076/2011 e, por outro, nos Relatórios Técnicos DEAP/INT n os 000.989/13, 000.924/13, 000.992/13, 000.920/13, 000.993/13, 000.955/13, 000.990/13, 000.998/13, 000.923/13, 001.001/13, 001.000/13 e 000.934/13; Fl. 7214DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.720420/2013-47 Resolução n.º 1201-000.144 S1-C2T1 Fl. 26 25 b) acaso o MCTI admita a inovação tecnológica para alguns projetos, e não a admita para outros, intime a contribuinte a segregar os dispêndios relativos ao projetos admitidos daqueles realizados com os projetos não admitidos; c) na hipótese acima verifique, ainda que por amostragem, a veracidade das informações prestada pela contribuinte e elabore novo demonstrativo de exigência de IRPJ e de CSLL considerando apenas os dispêndios não admitidos pela MCTI; d) elabore relatório circunstanciado sobre os fatos apurados; e) intime a contribuinte a, se assim lhe convier, apresentar contrarrazões ao relatório de diligência no prazo de vinte dias de sua ciência. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 7215DF CARF MF Impresso em 22/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 11/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO
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