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Numero do processo: 13884.001689/2009-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INEXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO.
O prazo legal para interposição do recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Apresentando-se recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer causa impeditiva, é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido.
Recurso Voluntário não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-004.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva.
André Luís Marsico Lombardi - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luís Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INEXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. O prazo legal para interposição do recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Apresentandose recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer causa impeditiva, é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido. Recurso Voluntário não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 16 89 /2 00 9- 80 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13884.001689/200980 Acórdão n.º 2401004.186 S2C4T1 Fl. 72 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva. André Luís Marsico Lombardi Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luís Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13884.001689/200980 Acórdão n.º 2401004.186 S2C4T1 Fl. 73 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 20ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), que julgou improcedente a impugnação e manteve integralmente o crédito tributário exigido. Eis a ementa do Acórdão nº 1260.717 (fls. 30/33): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com o seu correspondente lançamento de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado. MOLÉSTIA GRAVE A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. A notificação de lançamento (fls. 04/06) que deu origem ao presente processo se deu em decorrência da revisão da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda (DIRPF) do ora recorrente, referente ao exercício de 2007, anocalendário de 2006, alterando se o saldo de imposto a restituir no valor de R$ 7.620,24 (declarado), para R$ 3.176,58 de IRPF Suplementar, acrescido de multa de ofício de 75% e juros. Nos termos da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 06, o recorrente incorreu na seguinte infração: Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 39.261,19, recebidos da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado pela autoridade fiscal o IRRF sobre os rendimentos considerados omitidos no valor de R$ 0,00. Fonte Pagadora Rendimento Omitido IRRF s/ Omissão PreviGM Sociedade de Previdência Privada (53.710.968/000178) 39.261,19 0,00 Total 39.261,19 0,00 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13884.001689/200980 Acórdão n.º 2401004.186 S2C4T1 Fl. 74 4 Após a intimação do acórdão nº 1260.717 (fls. 30/33) acima ementado, conforme Aviso de Recebimento de fls. 37, o contribuinte apresentou o recurso voluntário de folhas 39/64, postado via correios, onde alega: a) A nulidade do lançamento por ausência de expedição de Mandado de Procedimento Fiscal em face do contribuinte; b) Que a suposta omissão de receitas se dá, em verdade, por erro da fonte pagadora (PreviGM Sociedade de Previdência Privada) na retificação da DIRF; c) Que sejam requisitados documentos à Fonte Pagadora e à Receita Federal do Brasil para que se esclareçam eventuais dúvidas quanto à correção das informações da fonte pagadora na DIRF, e com relação à isenção do recorrente por moléstia grave, que alega constar na base de dados da Receita Federal do Brasil. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13884.001689/200980 Acórdão n.º 2401004.186 S2C4T1 Fl. 75 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Juízo de admissibilidade Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, das decisões de primeira instância caberá a interposição de recurso voluntário, no prazo de 30 dias, a contar da ciência da decisão: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Contudo, este pressuposto de admissibilidade – tempestividade – não se faz presente e o recurso voluntário não deve ser conhecido. O contribuinte foi intimado do Acórdão nº. 1260.717 de fls. 30/33 em 07/11/2013, conforme Aviso de Recebimento de fls. 37. Sendo o dia 07/11/2013 uma quinta feira, o prazo recursal de 30 dias iniciouse no primeiro dia útil seguinte, 08/11/2013, sexta feira. O prazo de trinta dias para apresentação do recurso voluntário encerrarseia em 07/12/2013, um sábado, sendo, assim, prorrogado até o primeiro dia útil seguinte, no caso, a segundafeira 09/12/2013, conforme determina o art. 5º do Decreto 70.235/72: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. O recurso voluntário interposto pelo contribuinte foi protocolado via postal em 16/12/2013, conforme o envelope com o carimbo dos Correios à fl. 63. Ressaltese que o mesmo dia 16/12/2013 consta como a data da assinatura do recurso voluntário, ou seja, ainda que tal menção no recurso não faça prova quanto à tempestividade do ato, demonstra estar em consonância com o protocolo realizado nos Correios. Destacase que em consulta à Portaria nº. 03/2013 do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, e ao sítio eletrônico da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, não verifiquei qualquer feriado no dia seguinte à ciência do Acórdão nº. 1260.717, tampouco no dia 09/12/2013, último dia para a interposição do recurso voluntário. Ainda, o contribuinte não informa e, consequentemente, não prova a ocorrência de qualquer justa causa que o tenha impedido de recorrer no prazo legal, nos termos do § 1º do art. 183 do Código de Processo Civil: Fl. 75DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13884.001689/200980 Acórdão n.º 2401004.186 S2C4T1 Fl. 76 6 Art. 183. Decorrido o prazo, extinguese, independentemente de declaração judicial, o direito de praticar o ato, ficando salvo, porém, à parte provar que o não realizou por justa causa. § 1o Reputase justa causa o evento imprevisto, alheio à vontade da parte, e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário. Portanto, considerando o não cumprimento do requisito previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72 para interposição do recurso voluntário, tampouco apresentada qualquer justa causa que demonstrasse a impossibilidade de cumprimento do prazo legal, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por ser intempestivo. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 10907.001887/2009-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica
Anos calendário 2004, 2005 e 2006.
Ementa:
RECURSO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. EXIGÊNCIAS CONSTITUÍDAS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITA ORIUNDA DA PRESTAÇÃO
DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS. EMPRESA QUE TERCEIRIZA OS SERVIÇOS E TRIBUTA APENAS A “COMISSÃO” RECEBIDA. VALORES CREDITADOS EM SUAS PRÓPRIAS CONTAS BANCÁRIAS. INEXISTÊNCIA DE SITUAÇÕES QUE CARACTERIZEM MOTIVOS PARA A QUALIFICAÇÃO DA MULTA. RECURSO DE OFÍCIO IMPROVIDO EM RELAÇÃO A ESTE ITEM.
Não caracteriza situação que justifica a qualificação da multa o fato do sujeito passivo, que terceiriza os serviços de transporte de carga, levar à tributação somente a diferença entre o valor pago pelo contratante dos serviços e a quantia repassada ao transportador de fato, procedimento este que era realizado com base no entendimento de que a tributação incidia apenas sobre a “comissão” efetivamente recebida.
Em relação à exigência feita com base nos depósitos bancários de origem não qualificada, não há situação que possa caracterizar a intenção de sonegar tributo, ocultar ou retardar a ocorrência do fato gerador, pois foi exatamente a partir dos depósitos bancários que a fiscalização iniciou a apuração da exigência fiscal.
MULTA QUALIFICADA. RECEITA ESCRITURADA E PARCIALMENTE INFORMADA À AUTORIDADE FISCAL. SITUAÇÃO QUE CARACTERIZA A INTENÇÃO DE OCULTAR A OCORRÊNCIA DE FATO GERADOR. RECURSO DE OFÍCIO PROVIDO EM RELAÇÃO A ESTE PONTO.
Enquanto nos valores relacionados aos depósitos bancários a empresa entendia que sua receita era caracterizada apenas pela “comissão” que recebia dos fretes que contratava e terceirizava, em relação ao item 02 do auto de infração, correspondente ao ano de 2004, a autuada declarou à fiscalização, em três trimestres, menos de 15% (quinze por cento) da receita escriturada,
situação que demonstra não se tratar de equívoco, mas efetiva intenção de reduzir o montante do imposto a pagar, o que, neste ponto, justifica a qualificação da multa.
Recurso de ofício parcialmente provido.
RECURSO VOLUNTÁRIO. CONTABILIDADE QUE NÃO REGISTRA A MOVIMENTAÇÃO
FINANCEIRA. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO CONFERE CREDIBILIDADE AOS REGISTROS CONTÁBEIS. CONTABILIDADE DESCLASSIFICADA. ARBITRAMENTO DO LUCRO.
Não se pode conferir credibilidade à contabilidade quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade das operações comerciais e bancárias realizadas pela empresa.
Não é regular a contabilidade que deixa de registrar a maior parte das transações realizadas pelo contribuinte, ainda que formalmente correta.
Nos casos em que a contabilidade da empresa não registrar a real
movimentação financeira, com receita declarada em percentual muito aquém daquela apurada pela fiscalização, deverá a autoridade fiscal proceder ao arbitramento do lucro, ainda que a pessoa jurídica seja tributada com base no lucro real.
O artigo 24, da Lei nº 9.249, de 1996, deve ser aplicado em conjunto com o artigo 47, II, da Lei nº 8.981, de 1995. O artigo 47, II, da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar a expressão de que o lucro será arbitrado, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação.
Se os fundamentos acima, em especial o artigo 47, II, da Lei nº 8.981, de 1997, que determinam que o lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando a escrituração do contribuinte contiver deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, servem para justificar a correção do procedimento da autoridade fiscal em
relação aos anos calendário de 2005 e 2006, também devem ser aplicados para o ano calendário de 2004.
No caso dos autos, em relação ao ano de 2004, o recurso voluntário deve ser parcialmente provido para que a apuração do valor devido se dê com base no lucro arbitrado, tendo por parâmetro o montante da receita apurada, descontando na exigência as importâncias pagas em relação à receita declarada e já tributada.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 1402-000.533
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO:
1) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a qualificação da multa de ofício do ano calendário
de 2004;
2) Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que, em relação ao ano calendário
de 2004, seja reduzida a base de cálculo do IRPJ e da CSLL,
mediante aplicação do percentual do lucro arbitrado, considerando toda a receita apurada no ano, diminuindo da exigência os tributos já recolhidos relativos a esse período; vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima que negava provimento ao recurso voluntário.
Ausente momentaneamente a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: Moises Giacomelli Nunes da Silva
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ementa_s : Imposto de Renda da Pessoa Jurídica Anos calendário 2004, 2005 e 2006. Ementa: RECURSO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. EXIGÊNCIAS CONSTITUÍDAS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITA ORIUNDA DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS. EMPRESA QUE TERCEIRIZA OS SERVIÇOS E TRIBUTA APENAS A “COMISSÃO” RECEBIDA. VALORES CREDITADOS EM SUAS PRÓPRIAS CONTAS BANCÁRIAS. INEXISTÊNCIA DE SITUAÇÕES QUE CARACTERIZEM MOTIVOS PARA A QUALIFICAÇÃO DA MULTA. RECURSO DE OFÍCIO IMPROVIDO EM RELAÇÃO A ESTE ITEM. Não caracteriza situação que justifica a qualificação da multa o fato do sujeito passivo, que terceiriza os serviços de transporte de carga, levar à tributação somente a diferença entre o valor pago pelo contratante dos serviços e a quantia repassada ao transportador de fato, procedimento este que era realizado com base no entendimento de que a tributação incidia apenas sobre a “comissão” efetivamente recebida. Em relação à exigência feita com base nos depósitos bancários de origem não qualificada, não há situação que possa caracterizar a intenção de sonegar tributo, ocultar ou retardar a ocorrência do fato gerador, pois foi exatamente a partir dos depósitos bancários que a fiscalização iniciou a apuração da exigência fiscal. MULTA QUALIFICADA. RECEITA ESCRITURADA E PARCIALMENTE INFORMADA À AUTORIDADE FISCAL. SITUAÇÃO QUE CARACTERIZA A INTENÇÃO DE OCULTAR A OCORRÊNCIA DE FATO GERADOR. RECURSO DE OFÍCIO PROVIDO EM RELAÇÃO A ESTE PONTO. Enquanto nos valores relacionados aos depósitos bancários a empresa entendia que sua receita era caracterizada apenas pela “comissão” que recebia dos fretes que contratava e terceirizava, em relação ao item 02 do auto de infração, correspondente ao ano de 2004, a autuada declarou à fiscalização, em três trimestres, menos de 15% (quinze por cento) da receita escriturada, situação que demonstra não se tratar de equívoco, mas efetiva intenção de reduzir o montante do imposto a pagar, o que, neste ponto, justifica a qualificação da multa. Recurso de ofício parcialmente provido. RECURSO VOLUNTÁRIO. CONTABILIDADE QUE NÃO REGISTRA A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO CONFERE CREDIBILIDADE AOS REGISTROS CONTÁBEIS. CONTABILIDADE DESCLASSIFICADA. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade das operações comerciais e bancárias realizadas pela empresa. Não é regular a contabilidade que deixa de registrar a maior parte das transações realizadas pelo contribuinte, ainda que formalmente correta. Nos casos em que a contabilidade da empresa não registrar a real movimentação financeira, com receita declarada em percentual muito aquém daquela apurada pela fiscalização, deverá a autoridade fiscal proceder ao arbitramento do lucro, ainda que a pessoa jurídica seja tributada com base no lucro real. O artigo 24, da Lei nº 9.249, de 1996, deve ser aplicado em conjunto com o artigo 47, II, da Lei nº 8.981, de 1995. O artigo 47, II, da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar a expressão de que o lucro será arbitrado, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. Se os fundamentos acima, em especial o artigo 47, II, da Lei nº 8.981, de 1997, que determinam que o lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando a escrituração do contribuinte contiver deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, servem para justificar a correção do procedimento da autoridade fiscal em relação aos anos calendário de 2005 e 2006, também devem ser aplicados para o ano calendário de 2004. No caso dos autos, em relação ao ano de 2004, o recurso voluntário deve ser parcialmente provido para que a apuração do valor devido se dê com base no lucro arbitrado, tendo por parâmetro o montante da receita apurada, descontando na exigência as importâncias pagas em relação à receita declarada e já tributada. Recurso voluntário parcialmente provido.
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO: 1) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a qualificação da multa de ofício do ano calendário de 2004; 2) Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que, em relação ao ano calendário de 2004, seja reduzida a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, mediante aplicação do percentual do lucro arbitrado, considerando toda a receita apurada no ano, diminuindo da exigência os tributos já recolhidos relativos a esse período; vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima que negava provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
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Assunto: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica Anoscalendário 2004, 2005 e 2006. Ementa: RECURSO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. EXIGÊNCIAS CONSTITUÍDAS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITA ORIUNDA DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS. EMPRESA QUE TERCEIRIZA OS SERVIÇOS E TRIBUTA APENAS A “COMISSÃO” RECEBIDA. VALORES CREDITADOS EM SUAS PRÓPRIAS CONTAS BANCÁRIAS. INEXISTÊNCIA DE SITUAÇÕES QUE CARACTERIZEM MOTIVOS PARA A QUALIFICAÇÃO DA MULTA. RECURSO DE OFÍCIO IMPROVIDO EM RELAÇÃO A ESTE ITEM. Não caracteriza situação que justifica a qualificação da multa o fato do sujeito passivo, que terceiriza os serviços de transporte de carga, levar à tributação somente a diferença entre o valor pago pelo contratante dos serviços e a quantia repassada ao transportador de fato, procedimento este que era realizado com base no entendimento de que a tributação incidia apenas sobre a “comissão” efetivamente recebida. Em relação à exigência feita com base nos depósitos bancários de origem não qualificada, não há situação que possa caracterizar a intenção de sonegar tributo, ocultar ou retardar a ocorrência do fato gerador, pois foi exatamente a partir dos depósitos bancários que a fiscalização iniciou a apuração da exigência fiscal. MULTA QUALIFICADA. RECEITA ESCRITURADA E PARCIALMENTE INFORMADA À AUTORIDADE FISCAL. SITUAÇÃO QUE CARACTERIZA A INTENÇÃO DE OCULTAR A OCORRÊNCIA DE FATO GERADOR. RECURSO DE OFÍCIO PROVIDO EM RELAÇÃO A ESTE PONTO. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL 2 Enquanto nos valores relacionados aos depósitos bancários a empresa entendia que sua receita era caracterizada apenas pela “comissão” que recebia dos fretes que contratava e terceirizava, em relação ao item 02 do auto de infração, correspondente ao ano de 2004, a autuada declarou à fiscalização, em três trimestres, menos de 15% (quinze por cento) da receita escriturada, situação que demonstra não se tratar de equívoco, mas efetiva intenção de reduzir o montante do imposto a pagar, o que, neste ponto, justifica a qualificação da multa. Recurso de ofício parcialmente provido. RECURSO VOLUNTÁRIO. CONTABILIDADE QUE NÃO REGISTRA A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO CONFERE CREDIBILIDADE AOS REGISTROS CONTÁBEIS. CONTABILIDADE DESCLASSIFICADA. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade das operações comerciais e bancárias realizadas pela empresa. Não é regular a contabilidade que deixa de registrar a maior parte das transações realizadas pelo contribuinte, ainda que formalmente correta. Nos casos em que a contabilidade da empresa não registrar a real movimentação financeira, com receita declarada em percentual muito aquém daquela apurada pela fiscalização, deverá a autoridade fiscal proceder ao arbitramento do lucro, ainda que a pessoa jurídica seja tributada com base no lucro real. O artigo 24, da Lei nº 9.249, de 1996, deve ser aplicado em conjunto com o artigo 47, II, da Lei nº 8.981, de 1995. O artigo 47, II, da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar a expressão de que o lucro será arbitrado, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. Se os fundamentos acima, em especial o artigo 47, II, da Lei nº 8.981, de 1997, que determinam que o lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando a escrituração do contribuinte contiver deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, servem para justificar a correção do procedimento da autoridade fiscal em relação aos anoscalendário de 2005 e 2006, também devem ser aplicados para o anocalendário de 2004. No caso dos autos, em relação ao ano de 2004, o recurso voluntário deve ser parcialmente provido para que a apuração do valor devido se dê com base no lucro arbitrado, tendo por parâmetro o montante da receita apurada, descontando na exigência as importâncias pagas em relação à receita declarada e já tributada. Recurso voluntário parcialmente provido. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10907.001887/200940 Acórdão n.º 140200.533 S1C4T2 Fl. 2 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO: 1) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a qualificação da multa de ofício do anocalendário de 2004; 2) Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que, em relação ao anocalendário de 2004, seja reduzida a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, mediante aplicação do percentual do lucro arbitrado, considerando toda a receita apurada no ano, diminuindo da exigência os tributos já recolhidos relativos a esse período; vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima que negava provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (presidente da turma), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (vicepresidente), Antonio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar e Moises Giacomelli Nunes da Silva. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL 4 Relatório Conforme auto de infração de fls. 1293 a 1338, referente aos anoscalendário de 2005 e 2006, notificados em 19/10/2009, a contribuinte, que se dedica ao ramo de transporte de cargas, foi autuada, com base no lucro arbitrado, para exigência de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL. A autuação acima é decorrente das seguintes infrações: a) depósitos bancários de origem não comprovada; b) apuração incorreta do imposto. A planilha dos depósitos de origem não comprovada consta das fls. 1353 a 1402. O arbitramento do lucro, segundo o auto de infração, às fls. 1295 e 1345, relativo aos anoscalendário de 2005 e 2006, deuse “em virtude de que o contribuinte, estando autorizado a optar pela tributação com base no lucro presumido, deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à sua determinação”. Neste sentido, à fl. 1345, a fiscalização destaca “que tentouse (sic.) validar a escrituração contábil da empresa comparandose a movimentação registrada na conta ‘caixa’ com os registros existentes nos extratos bancários da empresa, não havendo correspondência de valores, destacandose ainda os expressivos valores movimentados”. Em relação aos depósitos bancários, a exigência deuse com multa qualificada, sob o fundamento de que: “A total ausência de escrituração das contas bancárias pelo contribuinte demonstra o intuito em omitir o faturamento auferido. Não se trata de uma pequena empresa que possui reduzida movimentação bancária em sua conta e não escritura, são valores expressivos: anocalendário receita declarada depósitos bancários 2005 1.201.647,47 R$ 18.635.934,79 2006 5.563.739,94 R$ 20.271.072,88 Logo, a total ausência da escrituração das contas bancárias e a expressiva divergência em relação à receita declarada e apurada, foi determinante na qualificação do percentual de multa aplicado às infrações.” Esclareço que, além da exigência caracterizada com base nos depósitos bancários, conforme especificado no item 02 do auto de infração, a empresa também foi autuada, com multa de 75% (setenta e cinco por cento), em relação à receita declarada que, por ter extrapolado aos limites do SIMPLES, não poderia ter calculado os tributos com base em tal modalidade de apuração. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10907.001887/200940 Acórdão n.º 140200.533 S1C4T2 Fl. 3 5 Notificada do auto de infração, a autuada, de forma tempestiva, apresentou a impugnação de fls. 1412/1437, anexando, dentre outros documentos, a planilha de fl. 1491, em que relaciona os valores objeto de estorno de cheques no ano de 2005, no montante de R$ 622.070,44 e, em 2006, no valor de R$ 33.733,00, na Agência 0259, do Banco do Brasil, e de R$ 29.865,00, na Agência 3228, também do Banco do Brasil. Neste ponto do relatório faço um breve parêntese, para destacar que o acórdão recorrido, à fl. 2300 e 2300verso, excluiu da base de cálculo o valor de R$ 622.070,44, em 2005, e R$ 62.597,64, em 2006, por acolher o argumento da recorrente de que se tratavam de valores cujos depósitos efetivamente foram estornados, não ocorrendo a regular compensação. Retomando o curso do relatório, considerando que os documentos especificados no ANEXO I, no montante de três volumes, e ANEXO II, no montante de dois volumes, não foram objeto de digitalização, retirei os autos de pauta examinálos e considerá los para efeito de julgamento, exame este que fiz, na sala de sessões, no dia 17/12/2010, oportunidade em que constatei que o ANEXO I é composto dos seguintes documentos: a) Livro razão de 2005 (fls. 01 a 239); b) Livro Diário de 2005 (fls. 240 a 248); c) Livro Razão de 2006 (fls. 249 a 473). No ANEXO II constam as notas fiscais de fls. 02/260; a planilha de fls. 261/262, intitulada de “análise dos conhecimentos de transporte e contabilização” e o Livro Razão referente ao período de outubro a dezembro de 2004 (fls. 264/292). Às fls. 1534/1538, consta a decisão referente ao processo nº 10907.001742/200949, referente à exclusão do SIMPLES da empresa autuada, sem notícia de eventual recurso. À fl. 1599, verificase que a empresa foi intimada para apresentar o Livro Caixa e o Livro Diário de 2004 a 2006. A partir deste ponto, inicio o relatório da autuação em relação ao ano de 2004, cujo auto de infração consta das fls. 2303/2304, e descreve as seguintes infrações: “001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS Valor referente a depósitos e investimentos, realizados junto a instituição financeira, em que o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal e planilha denominada "Demonstrativo dos Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada", ambos anexos ao presente auto. A descrição minuciosa dos fatos encontrase no Termo de Verificação Fiscal integrante do presente auto de infração. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL 6 Fato Gerador Valor Trib. ou Imposto Multa(%) 31/12/2004 R$ 216.860,77 150,00 31/12/2004 R$ 1.055.441,69 150,00 002 RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS OPÇÃO INDEVIDA PELO SIMPLES RESULTADOS OPERACIONAIS O sujeito passivo optou indevidamente em apurar os seus tributos pelo SIMPLES, e com manteve escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, está sendo tributado pelo lucro real trimestral. O lucro objeto da presente infração foi extraído da Demonstração de Resultado do Exercício contida a folha 71 do Livro Diário. A descrição minuciosa dos fatos se encontra no Termo de Verificação Fiscal anexo ao presente auto de infração. Fato Gerador Valor Trib. ou Imposto Multa(%) 31/12/2004 R$ 750.674,31 150,00 ....” Feito o registro acima, que considero útil para efeito de julgamento, em relação ao ano de 2004, exigido com base no lucro real, a tributação está assim identificada: “001 – OMISSÃO DE RECEITA – DEP. BANC. NÃO JUSTIFICADOS Fato gerador Valor Tributável Multa 31/12/2004 216.860,77 150% 31/12/2004 1.055.441,69 150% 02 – RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS OPÇÃO INDEVIDA PELO SIMPLES – RESULTADOS OPERACIONAIS O sujeito passivo optou indevidamente pelo SIMPLES, e como manteve escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, está sendo tributado pelo lucro real trimestral. O lucro objeto da presente infração foi extraído da Demonstração de Resultado do Exercício contida na fl. 71 do Livro Diário Fato gerador Valor Tributável Multa% 31/12/2004 R$ 750.674,31 150% ....” Fl. 6DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10907.001887/200940 Acórdão n.º 140200.533 S1C4T2 Fl. 4 7 Em relação ao ano de 2004, a multa foi qualificada, tanto numa infração quanto noutra, em face da expressiva “divergência em relação à receita declarada nos livros contábeis e a receita declarada na PJIS”, conforme quadro comparativo especificado à fl. 2231, que transcrevo: Quadro Comparativo Outubro Novembro Dezembro Total Receita declarada nos livros contábeis 280.317,80 667.785,64 885.427,32 1.833.530,76 Receita Declarada em PJSI 72.286,00 67.785,64 69.045,00 209.166,64 Por oportuno, registro que, para fins de apuração do tributo devido, a autoridade fiscal subtraiu o valor correspondente ao faturamento já declarado pelo contribuinte em DIPJ, conforme pode ser verificado na planilha de fl. 1350. Notificada do lançamento, em relação aos lançamentos dos anoscalendário de 2005 e 2006, a autuada ingressou com a impugnação de fls. 1412/1437, instruída com os documentos de fls. 1438 a 1491, alegando, em síntese: a) que foi constituída para exercer a atividade de transporte rodoviário de cargas, contudo, tendo em vista fatores operacionais, passou a honrar seus compromissos, perante os clientes, terceirizando a atividade; b) que os valores repassados aos transportadores encontramse registrados no Livro Caixa, por contrato e respectivo conhecimento de transporte, e segregados sob a rubrica "Fretes e Carretos"; c) que a receita obtida pela empresa corresponde tãosomente à diferença entre os ingressos recebidos de seus clientes e os valores repassados a título de fretes e carretos; d) que apresentou à fiscalização uma planilha demonstrando em parte, por conhecimento de transporte e respectivo contrato, os ingressos recebidos e as importâncias pagas aos carreteiros contratados, assim como as receitas impróprias (simples ingressos) e próprias (diferença entre os ingressos e as importâncias repassadas); e) que excluiu os valores repassados da base de cálculo dos tributos por entender que não configuram receita de prestação de serviços, o que pode ter concorrido, equivocadamente, para a suposta omissão de receita arbitrada com base na movimentação financeira; f) que não conseguiu comprovar a origem dos recursos depositados nas contas correntes bancárias em razão de sérias dificuldades na localização dos respectivos documentos; g) que não há razão para o arbitramento do lucro. Considerando que a impugnante optou pelo lucro presumido, bastaria a aplicação do percentual da atividade (8% Fl. 7DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL 8 oito por cento), sem o a acréscimo de 20% (vinte por cento) sobre a suposta receita omitida, para se determinar o resultado normal; h) que os depósitos bancários não constituem fato imponível nem matéria dimensível do imposto de renda e demais tributos; i) que há inconsistência na base de cálculo formada pelos depósitos bancários, pois a autoridade fiscal incluiu diversos valores em duplicidade e que foram estornados, conforme planilha que junta aos autos, no montante de R$ 622.070,44, em 2005, e R$ 63.597,64, em 2006 (fl. 1491); j) que é descabida a multa em 150% (cento e cinquenta por cento), pois não há indícios de que houve dolo, fraude ou sonegação no caso concreto. Relativamente ao anocalendário de 2004, a autuada apresentou impugnação de fls. 2242/2264, instruída com os documentos de fls. 2265/2290, sustentando, em síntese: a) que em relação ao período de 2004, não houve a regular intimação da autuada, pois a intimação específica para esclarecer as origens dos depósitos referiuse apenas aos anoscalendário de 2005 e 2006, sendo omissa quanto ao de 2004; b) que mesmo tendo deixado de escriturar a movimentação bancária do ano calendário de 2004, não teve sua escrita contábil desclassificada, tal como ocorreu em relação anoscalendário de 2005 e 2006; c) que é inaplicável a multa qualificada para a diferença entre os valores declarados e contabilizados, pois é cediço que, nestas circunstâncias, houve declaração inexata e não omissão de receita. Os membros da Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR, no acórdão de fls. 2293/2305, decidiram, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte o lançamento, tãosomente para desqualificar a multa aplicada em relação a receita omitida. A decisão pode ser sintetizada a partir da seguinte ementa: “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA DE TITULARIDADE DA PESSOA JURÍDICA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS UTILIZADOS. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta bancária de titularidade da pessoa jurídica, mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais ela, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Procedente o arbitramento do lucro dos anoscalendário de 2005 e 2006 em face de a escrituração contábil mantida pela contribuinte estar com sua credibilidade afetada em decorrência da falta de escrituração de numerosa movimentação bancária. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10907.001887/200940 Acórdão n.º 140200.533 S1C4T2 Fl. 5 9 BASE DE CÁLCULO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS. VALORES REPASSADOS A TERCEIROS. As receitas auferidas no transporte rodoviário de cargas realizado por conta e exclusiva responsabilidade da contribuinte, que emite os conhecimentos de transporte de cargas e recebe os valores decorrentes dessas operações, integram a sua receita bruta para fins de determinação da base de cálculo do lucro presumido/arbitrado, inexistindo amparo legal para dedução de valores repassados a terceiros subcontratados para realização de parte dos serviços. Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006 MULTA DE OFÍCIO DE 150%. DESCABIMENTO. REDUÇÃO PARA O PERCENTUAL DE 75%. Tendo a autoridade fiscal deixado de apontar de forma objetiva as razões determinantes para imposição da multa de ofício qualificada, é de ser reduzir a penalidade para o percentual não qualificado de 75%. DECORRÊNCIA. PIS, COFINS E CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento ao PIS, à Cofins e à CSLL. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” Da decisão, recorreuse de ofício ao CARF (fl. 2293). Intimada à fl. 2307, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 2308/2333, ratificando as razões apresentadas na impugnação inicial. Alegou, ainda, que inúmeros depósitos glosados referemse a cheques trocados com terceiros (como é o caso do Posto Locatelli); a empréstimos bancários feitos informalmente perante os gerentes de bancos, cujas devoluções davamse em curtíssimos prazos através de lançamentos nos extratos bancários; a devoluções feitas por motoristas quando do retorno de viagens e a valores referentes a vendas de bens do imobilizado. Antes de finalizar o relatório, registro que em 30/10/2009 (fl. 1536), a empresa foi intimada de sua exclusão do SIMPLES, em relação ao ano de 2004 e, nesta mesma data, do auto de infração de fl. 2.238, correspondente ao ano de 2004. A impugnação de fl. 2.242 não ataca a exclusão do SIMPLES, relativo, motivo pelo qual, dita matéria, não é objeto de exame neste recurso. É o relatório. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL 10 Voto O recurso voluntário é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. O recurso de ofício excluiu da exigência crédito tributário superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), razão pela qual também deve ser conhecido. I Do exame do recurso de ofício Inicio a análise da matéria pelo exame do recurso de ofício, que afastou a multa qualificada, sob o entendimento de que “tendo a autoridade fiscal deixado de apontar de forma objetiva as razões determinantes para imposição da multa de ofício qualificada, é de ser reduzir a penalidade para o percentual não qualificado de 75%”. Pelo que se apurou nos autos, a empresa dedicase ao ramo de transportes. Conforme suas alegações, pelo volume de cargas e o reduzido número de caminhões registrados em seu nome, depreendese que a mesma tinha como principal atividade o agenciamento de cargas, terceirizando o frete que era executado por terceiros. Na prática, os transportadores de fato eram os caminhoneiros proprietários dos veículos utilizados na prestação dos serviços de transporte. A empresa contratante dos transportes pagava o valor ajustado à autuada, cabendo a esta acertar com o terceiro que, de fato, realizava o transporte. É sabido que nos serviços de transporte a maior parte do custo está no deslocamento da mercadoria de um local para o outro. Nesta linha, a autuada, optante pelo SIMPLES, argumenta que considerava como receita apenas a diferença que lhe cabia, não havendo sequer omissão em relação ao quantum que repassava aos transportadores de fato, eis que tal valor corresponde a receita destes, e não da recorrente. Ocorre que a autuada, embora tendo apresentado planilha procurando identificar as transferências pagas aos transportadores de fato, não o fez com a apresentação de documentos que pudessem ser considerados satisfatórios, daí a exigência do tributo. Quanto ao item 02 do auto de infração, relativo ao ano de 2004, que a multa foi qualificada em razão da “divergência em relação à receita declarada nos livros contábeis e a receita declarada na PJIS”, conforme quadro comparativo de fl. 2231, que transcrevo, entendo que o recurso de ofício, neste ponto, deve ser provido. Quadro Comparativo Outubro Novembro Dezembro Total Receita declarada nos livros contábeis 280.317,80 667.785,64 885.427,32 1.833.530,76 Receita Declarada em PJSI 72.286,00 67.785,64 69.045,00 209.166,64 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10907.001887/200940 Acórdão n.º 140200.533 S1C4T2 Fl. 6 11 No que diz respeito aos valores relacionados aos depósitos bancários, a empresa, ao que sustenta e ao que aparenta, entendia que sua receita era caracterizada apenas pela “comissão” que recebia dos fretes que contratava e terceirizava. Em relação ao item 02 do auto de infração, correspondente ao ano de 2004, a empresa registrou como receita os valores especificados no quadro acima e declarou apenas parte dela, o que ao meu sentir não se trata de equívoco, mas sim da efetiva intenção de reduzir o montante do imposto a pagar, o que justifica a qualificação da multa, pelos fundamentos especificados no termo de verificação fiscal. Situação diferente diz respeito à tributação caracterizada com base em depósito bancário de origem não comprovada. No caso dos autos, a origem está comprovada, pois eram oriundos de serviços de transportes contratados pela empresa e creditados em suas contas. Como a empresa terceirizava os transportes entendia ela que sua receita correspondia apenas na diferença entre o valor pago pelo contratante do transporte e o valor repassado por esta ao transportador de fato. Tal entendimento, ainda que não se acolha para efeitos de tributação, não caracteriza intenção de sonegar tributo, ocultar ou que retardar a ocorrência do fato gerador, elementos necessários para a caracterização da multa. Ademais, na exigência de crédito tributário constituído a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, não se pode falar em omissão qualificada do contribuinte com a finalidade de sonegar, ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador, pois ao efetuar transação financeira dáse o oposto, isto é, possibilita, conforme artigo 5°, da Lei Complementar n° 105, de 2001, e arts. 1°, 2°, §§ 2° e 3°, inciso I, do Decreto n° 4.489, de 2002, que sejam encaminhadas à Fiscalização as informações acerca de todos os recursos que movimentou. Em relação à movimentação financeira, é preciso que se tenham presentes as normas contidas nos dispositivos legais anteriormente citados, os quais seguem transcritos: “Lei Complementar n° 105, de 2001. .... Art. 5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. Decreto nº 4.489, de 2002. Art. 1º As instituições financeiras, assim consideradas ou equiparadas nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 1º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, devem prestar à Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda informações sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços, sem prejuízo do disposto no art. 6º da referida Lei Complementar. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL 12 Art. 2º As informações de que trata este Decreto, referentes às operações financeiras descritas no § 1º do art. 5º da Lei Complementar nº 105, de 2001, serão prestadas, continuamente, em arquivos digitais, de acordo com as especificações definidas pela Secretaria da Receita Federal, e restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e com os montantes globais mensalmente movimentados, relativos a cada usuário, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos efetuados. .... § 3º A identificação dos titulares das operações ou dos usuários dos serviços será efetuada pelo número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e pelo número ou qualquer outro elemento de identificação existente na instituição financeira. Art. 3º Para os efeitos deste Decreto, considerase montante global mensalmente movimentado: I nos depósitos à vista e a prazo, inclusive em conta de poupança, o somatório dos lançamentos a crédito efetuados no mês;” (grifei) Se por força das disposições legais antes referidas, mais precisamente o artigo 2°, § 3°, inciso I, do Decreto n° 4.489, de 2002, as informações são continuamente, em arquivos digitais, prestadas à SRF, identificando cada uma das operações realizadas por seus respectivos titulares, não se pode falar em sonegação ou omissão, com o intuito de ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador. Se estivéssemos no campo do direito penal estaria configurada situação de crime impossível, pois em fazendo aplicação financeira, não tem o contribuinte como impedir o conhecimento desta por parte da fiscalização. No caso concreto, a movimentação de recursos em contas bancárias em valores menores do que a receita declarada chamou atenção da autoridade que iniciou a fiscalização que resultou no auto de infração. Neste sentido, dou parcial provimento o recurso de ofício, para manter a exigência, com multa qualificada, apenas em relação ao item 02 do auto de infração, correspondente ao ano de 2004. II Do exame do recurso voluntário Inicio o exame do recurso voluntário com questão relacionada aos depósitos bancários no ano de 2004, em relação aos quais a contribuinte alega que não foi intimada para comprovar a origem dos mesmos. a) Da alegação de que não houve intimação para impugnação dos depósitos bancários, em relação ao anocalendário de 2004 O MPF de fl. 02 referese ao período de apuração de 2004 a 2006. As intimações de fls. 04; 452; 461; 465; 470, fazem expressa referência ao período de apuração de Fl. 12DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10907.001887/200940 Acórdão n.º 140200.533 S1C4T2 Fl. 7 13 2004 a 2006. Todavia, o termo de intimação de fl. 476, que contém em anexo a relação dos depósitos bancários, está assim redigido: “No exercício das funções de AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil e no curso da ação fiscal iniciada em 16/04/2007, de acordo com o disposto nos art. 904, 910, 911 e 927 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do 'Imposto de Renda RIR/99), INTIMAMOS o contribuinte acima identificado a apresentar os elementos abaixo especificados: Prazo: 20 dias Período de apuração: Anos calendário 2005 a 2006 1 Comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas 'correntes, conforme relação anexo.” Na planilha de fls. 477/529, a que se refere o termo de intimação, se identificam, inicialmente, depósitos relacionados ao ano de 2005 (fls. 477/482), depósitos referentes ao ano de 2006 (fls. 483/496), depois retornase a depósitos de 2005 (fl. 497), voltando a depósitos feitos em 2006 (também na fl. 497), incluindose, às fls. 497/498, depósitos de 2004, seguindo para depósitos realizados em 2005 e terminando com depósitos realizados em 2006. Os depósitos de 2004 estão no meio desta relação. Como o termo de intimação acima transcrito destaca o período de apuração dos anos de 2005 e 2006, a questão a ser enfrentada é se a recorrente estava obrigada a se manifestar acerca dos depósitos bancários correspondentes ao ano de 2004, que também foram relacionados na planilha de fls. 477 e seguintes. Ao se manifestar acerca do referido termo de intimação, a recorrente limita se a fazer referência aos 2912 depósitos bancários de 2005 e 2006, sem fazer referência aos depósitos bancários do ano de 2004, em número de 57 (cinquenta e sete). O último termo de intimação consta da fl. 2149 dos autos e possui a seguinte redação: “No exercício das funções de AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil e no curso da ação fiscal iniciada em 16/04/2007, de acordo com o disposto nos art. 904, 910, 911 e 927 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), INTIMAMOS o contribuinte acima identificado a ( ) apresentar os elementos abaixo especificados: Prazo: 20 dias. Período de apuração: Ano calendário 2004. 1 Confeccionar planilha relacionando os créditos oriundos de receita da empresa. 2 Confeccionar planilha relacionando os créditos que este contribuinte entende ser de natureza diversa de receita. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL 14 3 Em relação aos créditos que o contribuinte entende não trataremse de receita da empresa, apresentar documentação comprobatória. Os créditos objeto da presente intimação estão listados no Anexo A ,integrante do presente termo. As respectivas planilhas deverão ser assinadas pelo responsável pela empresa ou seu procurador. Prazo: 20 dias. Período de apuração: Anos calendário 2005 e 2006 Em relação a resposta datada de 21/8/09, efetuamos a análise do "Demonstrativo de Transferências Interbancárias e Outros Créd. Não Tributáveis". 4 Intimamos a apresentar a documentação comprobatória relativa as alegações efetuadas em relação, aos créditos listados no Anexo B, integrante deste termo. Os demais créditos do respectivo demonstrativo não listados no Anexo B, foram considerados de origem comprovada. Prazo: 5 dias úteis. Período de apuração: Anos calendários 2004 – 2005 e 2006 Apresentar as notas fiscais emitidas pela empresa e suas filiais neste período. A resposta à presente intimação deverá ser prestada por escrito, datada e assinada pelo contribuinte, ou seu representante legal, com indicação dos elementos que estão sendo apresentados.” No momento que o termo de fl. 2149 faz referência ao ano de 2004, contendo no anexo de fl. 2.150, a relação dos depósitos bancários cuja origem necessitava ser comprovada, não prospera o argumento de que não houve intimação para comprovação da origem destes recursos. b) Das questões relacionadas ao arbitramento determinado pelo artigo 47, II, da Lei nº 8.981, de 1997 O arbitramento, segundo o auto de infração, às fls. 1295/1345, relativo aos anos de 2005 e 2006, deuse “em virtude de que o contribuinte, estando autorizado a optar pela tributação com base no lucro presumido, deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à sua determinação”. Neste sentido, à fl. 1345, a fiscalização destaca “que tentouse (sic.) validar a escrituração contábil da empresa comparandose a movimentação registrada na conta ‘caixa’ com os registros existentes nos extratos bancários da empresa, não havendo correspondência de valores, destacandose ainda os expressivos valores movimentados”. O artigo 47, II, da Lei nº 8.981, de 1997, determina que o lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: Fl. 14DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10907.001887/200940 Acórdão n.º 140200.533 S1C4T2 Fl. 8 15 “II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou ...” O artigo 47, da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar a expressão de que o lucro será arbitrado, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. No presente caso, a apuração feita pela autoridade fiscal demonstrou que a recorrente teve receita presumida, caracterizada por depósitos bancários, tendo declarado apenas parte dos valores creditados em suas contas bancárias. A constatação feita pela autoridade fiscal revela que a escrituração da recorrente não permite identificar a efetiva movimentação financeira, incidindo o disposto no artigo 47, II, a, da Lei nº 8.981, de 1995, e artigos 529 e 530, do Regulamento do Imposto de Renda, que, nestas situações, determinam que o lucro deve ser arbitrado. O arbitramento do lucro não é faculdade concedida pela lei, mas sim imposição. O artigo 47, da Lei nº 8.981, de 1995, não usa a expressão poderá, mas sim será arbitrado. Constatado situação que não identifica a efetiva movimentação financeira, a autoridade fiscal, mesmo para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, deve arbitrar o valor da receita. No caso dos autos, correto o procedimento da autoridade fiscal que arbitrou o lucro em relação aos anoscalendário de 2005 e 2006. Por outro lado, não prospera a inconformidade da recorrente quanto à exigência do adicional de 20% (vinte por cento), visto que este se encontra previsto no artigo 532, do Regulamento do Imposto de Renda e artigo 16, da Lei nº 9.249, de 1995, a seguir transcritos: “Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no artigo 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no artigo 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, artigo 16, e Lei nº 9.430, de 1996, artigo 27, inciso I).” “Art. 16. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais fixados no artigo 15, acrescidos de vinte por cento.” Se os fundamentos acima elencados, em especial o artigo 47, II da Lei nº 8.981, de 1997, que determina que o lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando a Fl. 15DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL 16 escrituração do contribuinte contiver deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, servem para justificar a correção do procedimento da autoridade fiscal em relação aos anoscalendário de 2005 e 2006, também devem ser aplicados para o anocalendário de 2004, com receita declarada de R$ 750.647,31 e depósitos bancários no valor de R$ 1.272.302,46, o que corresponde, em relação à receita declarada, omissão de 69,49% (750.649,31 + 69,49% = 1.272.302,46). A situação, em relação ao ano de 2004, no caso concreto, é semelhante a que examinamos no recurso nº 179.439, de que fui relator, propondo a seguinte ementa: “CONTABILIDADE QUE NÃO REGISTRA A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO CONFERE CREDIBILIDADE AOS REGISTROS CONTÁBEIS. CONTABILIDADE DESCLASSIFICADA. ARBITRADO O LUCRO. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade das operações comerciais e bancárias realizadas pela empresa. Não é regular a contabilidade que deixa de registrar a maior parte das transações realizadas pelo contribuinte, ainda que formalmente correta. Nos casos em que a contabilidade da empresa não registrar a real movimentação financeira, com receita declarada em percentual muito aquém daquela apurada pela fiscalização, deverá a autoridade fiscal proceder ao arbitramento do lucro, ainda que a pessoa jurídica seja tributada com base no lucro real. O artigo 24 da Lei nº 9.249, de 1996, deve ser aplicado em conjunto com o artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995. O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar a expressão de que o lucro será arbitrado, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação.” Na situação presente, em relação ao ano de 2004, o recurso voluntário deve ser parcialmente provido, para que a exigência fiscal ocorra na modalidade do lucro arbitrado, tendo como base de cálculo o montante integral da receita apurada, descontando da exigência as importâncias pagas em relação à receita declarada. Ao destacar que está certa a exigência feita com base no lucro arbitrado em relação aos anoscalendário de 2005 e 2006 e ao dar parcial provimento ao recurso para que, em relação ao ano de 2004, a exigência se dê nos mesmos moldes, por evidente que estou rejeitando os demais argumentos, inclusive os que destacam que a receita obtida pela empresa corresponde tãosomente à diferença entre os ingressos recebidos de seus clientes e os valores repassados a título de fretes e carretos e de que não há razão para o arbitramento do lucro, pois, segundo a recorrente, tendo ela, em 2005 e 2006, optado pelo lucro presumido, bastaria a aplicação do percentual da atividade, sem o a acréscimo de 20% (vinte por cento), sobre a suposta receita omitida, para se determinar o resultado normal. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10907.001887/200940 Acórdão n.º 140200.533 S1C4T2 Fl. 9 17 Para que não se alegue falta de fundamentação em relação aos argumentos acima elencados, mesmo partindo da premissa de que a recorrente, empresa de transporte de carga, de fato, terceirizava os serviços, a base de cálculo a ser considerada é o percentual de 8% (oito por cento), previsto no artigo 15, da Lei nº 9.249, de 1995. Ao fixar base de cálculo de 8% (oito por cento) para a atividade de transporte, o artigo 15, II, a, segunda parte, assim reduz a base de cálculo, por considerar todas as despesas inerentes a esta atividade. Seria ilógico considerar a base de cálculo apenas da suposta receita líquida e reduzila, ainda, a 8% (oito por cento). ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a qualificação da multa de ofício do anocalendário de 2004 e dar provimento parcial ao recurso voluntário para que, em relação ao anocalendário de 2004, seja reduzida a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, mediante aplicação do percentual do lucro arbitrado, considerando toda a receita apurada no ano, diminuindo da exigência os tributos já recolhidos relativos a esse período. É o voto. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva – Relator. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/05/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
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Numero do processo: 13804.000454/2005-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Ausente, justificadamente, a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Helcio Lafeta Reis, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Ausente, justificadamente, a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Helcio Lafeta Reis, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1955; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 4.351 1 4.350 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13804.000454/200590 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201000.644 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 23 de fevereiro de 2016 Assunto RESSARCIMENTO Recorrente PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S.A. (INCORPORADA PELA BRF S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Ausente, justificadamente, a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Helcio Lafeta Reis, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Tratase o presente processo de pedido de ressarcimento de PIS, relativo a receitas de exportação, no importe de R$ 1.000.000,00, referente a janeiro de 2004. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório a decisão de primeira instância: O caso submetido à apreciação desta DRJ versa sobre declaração de compensação apresentada pela empresa Perdigão Agroindustrial S/A (incorporada posteriormente por BRF — Brasil Foods S/A), com o RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 04 .0 00 45 4/ 20 05 -9 0 Fl. 990DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.000454/200590 Resolução nº 3201000.644 S3C2T1 Fl. 4.352 2 objetivo de compensar débitos próprios com supostos créditos de PIS oriundos de operações de exportação, os quais teria apurado no mês de janeiro de 2004 pelo regime nãocumulativo e com fundamento no art. 5o, § 1°, da lei n° 10.637/2002. 5. A declaração citada foi apresentada em 31/01/2005, ocupando as fls. 1/2 dos autos. 6. Dada a complexidade da matéria e a necessidade de apurar a liquidez e certeza dos créditos informados pela requerente, a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da DERAT/SPO, em despacho de 2210812007 (fls. 41/42), determinou o envio do processo à DEFIS/SP para a realização de auditoria fiscal. 7. As autoridades tributárias incumbidas da diligência elaboraram em 22/07/2009 a informação fiscal anexa às fls. 55/57, na qual declaram em síntese que o sujeito passivo não apresentou a documentação mencionada no Termo de Inicio de Ação Fiscal (fls. 45/50), reiterado pelo Termo de Reintimação constante nas fls. 52/53, o que as impediu de analisar os créditos reivindicados. 8. Retornando os autos à DERAT/SP, a DIORT emitiu em 04/11/20090 Parecer Decisório anexo ás fls. 58/61, no qual se exprime nos seguintes termos: "Diante do exposto, indefiro o pedido de restituição e, como conseqüência, não homologo as compensações constantes das declarações de compensação vinculadas aos processos em tela, pela falta de comprova cão dos créditos pleiteados, nos termos da legislação tributária vigente." (fl. 61) 9. Intimada da decisão por via postal em 02/12/2009 (fl. 62 — v.), a interessada apresentou em 30/12/2009 a manifestação de inconformidade anexa ás fls. 65/86, cujo teor resumo a seguir, acompanhada de diversos documentos (fls. 87/142). Resumo Apresenta inicialmente um quadro demonstrativo na fl. 66, no qual expõe minuciosamente o conteúdo da declaração de compensação ora examinada, informando a natureza do débito a compensar, bem como seu valor, código e período de apuração. Afirma que o "histórico do objeto" emitido pelos Correios e anexo à fl. 51 indica meramente a data de entrega do Termo de Inicio de Fiscalização, não contendo o aviso de recebimento com o nome e assinatura do recebedor. Acrescenta que o setor responsável da empresa não recebeu o aludido documento, o que a levou a solicitar aos Correios informações acerca do nome do recebedor no intuito de averiguar se teria havido extravio no interior de suas dependências. III. Assevera que, ao receber o Termo de Reintimação, entrou em contato com os auditores fiscais por intermédio de seu patrono, a fim de obter cópia do Termo de Inicio de Fiscalização e solicitar prorrogação do prazo de 5 dias concedido para a entrega dos arquivos magnéticos, tendo em vista que o art. 2 ° da IN SRF n° 86/2001 lhe facultava prazo de 20 dias para cumprir tal exigência. Fl. 991DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.000454/200590 Resolução nº 3201000.644 S3C2T1 Fl. 4.353 3 IV. Observando que, além de indeferir o pedido de prorrogação, os auditores fiscais não aceitaram os arquivos magnéticos que lhes foram apresentados após o decurso do prazo de 5 dias, assinala que o prazo de atendimento da segunda intimação também deveria ser de 20 dias, visto que, embora possuam discricionariedade para decidir se devem reintimar ou não o contribuinte, não podem as ditas autoridades fixar o prazo a ser cumprido, quando este se encontra previsto em diploma legal. Entende portanto que a fixação do referido prazo constitui ato vinculado, diferentemente do envio de nova intimação, a seu ver ato discricionário da autoridade administrativa. V. Ressalta ademais ser desnecessária a verificação dos arquivos magnéticos pertinentes à contabilidade da empresa, alegando que, para atestar a existência e a validade dos créditos de Pis apurados, bastaria analisar seus documentos fiscais, que sempre estiveram à disposição do Fisco, consistindo basicamente em D1PJ, DCTF, DACON, notas fiscais, livros de registro de entradas e saídas, etc. VI. Salienta a impossibilidade de apresentar no exíguo prazo de 5 dias os documentos requisitados, em virtude de seu volume expressivo, o qual se deve á quantidade de informações solicitadas e de lançamentos correspondentes. VII No tocante ao item "6" do Termo de Inicio de Fiscalização, afirma que as notas fiscais de entrada e saída nele mencionadas sempre estiveram à disposição do Fisco e continuam a sua disposição. VIII. Esclarece que os créditos de Pis pleiteados, como consta no demonstrativo anexo à fl. 2, provêm de custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação e que os apurou na forma da lei n° 10.833/2003 (na verdade lei 10.637/2002, conforme se lê no dito demonstrativo), declarandoos devidamente na DIPJ e no DACON. IX. Ressalta que as autoridades fiscais, além de não abordar nenhum aspecto relativo à inexistência do direito creditório ou do seu quantum, não comprovaram que ele seja ficto ou inventado. X. Voltando a mencionar o DACON, o demonstrativo de créditos de Pis anexo fl. 2, a DCTF e a DIPJ, assinala que os auditores fiscais não lhes questionaram a veracidade ou validade. Xl. Assinala que as informações contidas nas fichas 20 e 21 da DIPJ relativa ao exercício de 2005 conferem com aquelas exibidas pelo DACON, como mostram as cópias desses documentos incluidas nas fls. 71/73. XII. Declara que, ao não apreciar os arquivos magnéticos, a DIPJ (fichas 20 e 21), o DACON, a DCTF, as notas fiscais de saida e de entrada e os livros fiscais, que sempre estiveram à disposição do Fisco, o autor do parecer decisório impugnado feriu os princípios da instrumentalidade processual e da verdade material. XIII. Afirma haver juntado aos autos 1 DVD contendo os arquivos magnéticos solicitados, assim como cópia física dos seguintes documentos: DACON, Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON, e Demonstrativo do Crédito de Pis ("Anexo 2"). Fl. 992DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.000454/200590 Resolução nº 3201000.644 S3C2T1 Fl. 4.354 4 XIV. Finalmente, estribada em diversos julgados do Conselho de Contribuintes transcritos nas fls. 75/85, requer que — na linha desses precedentes e em nome do principio da verdade material — este órgão judicante anule o presente processo a partir do despacho decisório e determine que a autoridade a quo analise o pedido de restituição à luz dos documentos e arquivos magnéticos trazidos aos autos, "deferindo se, por conseguinte, o pedido de restituição e homologandose as compensações declaradas vinculadas ao presente processo"(fls. 85/86). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA o PIS/PASEP Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A falta de comprovação do crédito informado não permite a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na decisão recorrida. afirmase que o histórico do objeto constitui documento oficial extraído do sitio dos Correios, possuindo fé pública, o que significa que, salvo prova em contrário, as informações nele contidas se reputam verdadeiras. Quanto ao Termo de Reintimação, afirmase que não há prova nos autos de que a contribuinte tenha de fato apresentado os arquivos magnéticos as autoridades fiscais ou pedido dilação de prazo. Ademais, o prazo de 20 dias do art. 2° da IN SRF n° 861/2001, diz respeito unicamente a apresentação de arquivos digitais, ao passo que, pela natureza da documentação requisitada, o prazo para apresentação de 5 dias, tendo em vista o que dispõe o art. 19, § 1°, da Lei n° 3.470/58, incluído pela MP n° 2.158 35/01, devendo estar à disposição das autoridades fiscais, por força do art. 11, da Lei n° 8.218 /91. Por conseguinte, em face da inação da interessada, encerrouse a ação fiscal, propondose que se denegasse o ressarcimento dos referidos créditos. Finalmente, afirmouse que não basta alegar que a documentação fiscal e os arquivos magnéticos relativos ao direito creditório informado sempre estiveram à disposição das autoridades tributárias, pois, para demonstrar a veracidade dos dados, assim como a veracidade das informações prestadas nas declarações entregues â Receita Federal (Dacon, DIPJ e DCTF), seria indispensável, exibir documentos que comprovassem os valores das rubricas que compõem a base de cálculo utilizada. Por outro lado, o único disco digital (DVD) juntado aos autos está incompleto, não contendo todos os arquivos magnéticos solicitados pelas autoridades fiscais. Tais arquivos, previstos no Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS n° 15, de 23/10/2001, vêm Fl. 993DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.000454/200590 Resolução nº 3201000.644 S3C2T1 Fl. 4.355 5 enumerados de forma expressa no Termo de Inicio de Ação Fiscal, ao qual se reporta o Termo de Reintimação. Cientificada, a interessada interpôs recurso voluntário, argumentando, preliminarmente, a necessidade de julgamento conjunto do presente processo administrativo com processos que relaciona, que também tratam de análise de créditos de PIS/Cofins não cumulativos objeto do Mandado de Procedimento Fiscal ("MPF") no 08.1.90.002009 01493 3. Ademais , alegase que a fiscalização e a DRJ não analisaram um documento sequer juntado aos autos, embora a Recorrente tivesse apresentado devidamente, arquivos magnéticos e demais documentos solicitados. O indeferimento, pelo Fisco, do direito creditório pleiteado, que se encontra astreado em documentação fiscal — DIPJ, DACON e PER/DCOMP — e contábil — arquivos magnéticos devidamente validados pelos sistemas da Receita Federal do Brasil) deveria ser justificado, com razoabilidade, sob pena de caracterizar ato ilegal por parte do agente público. No item 6 do Termo de Inicio de Ação Fiscal, os Auditores Fiscais solicitaram à Recorrente para "Disponibilizar no estabelecimento da fiscalizada, as Notas Fiscais de Entradas e Saídas para eventual consulta por esta fiscalização, todas referentes ao(s) anos(s) calendário(s) dos processos relacionados na TABELA DE PROCESSO acima". Contudo, não foi empreendida diligência alguma pela Fiscalização ao estabelecimento da Recorrente no sentido de consultar as notas fiscais de suporte da contabilidade. A Fiscalização, tanto por meio da Defis/SP, quanto por meio do Sr. Agente Fiscal prolator do Parecer Decisório, jamais solicitou a documentação de suporte da contabilidade, embora a DRJ tenha afirmado que tal verificação seria indispensável à comprovação da liquidez e certeza dos créditos), incorrendo em grave preterição do direito de defesa da Recorrente, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72. Não é razoável, bem como é desproporcional, estabelecer como condição sine qua non para a análise do crédito da Recorrente que ela apresente toda a documentação que suportou a sua contabilidade eletrônica, o que implica em gigantesca quantidade de documentos, sem antes sequer avaliar a sua contabilidade. Com o recurso voluntário, foi apresentado DVD — doc. 09), com as cópias dos arquivos eletrônicos contendo os Livros de Registro de Entradas e Saídas de todas as filiais da Recorrente, bem como planilha com a identificação dos produtos utilizados referentes a combustíveis e energia elétrica empregados em seu processo produtivo e geradores de créditos de PIS. Anexa, por amostragem, cópia dos Livros de Registro de Entradas e Saídas de 5 de suas 260 filiais (doc. 10), contemplando as compras (entradas) e vendas (saídas) de mercadorias no mês de janeiro de 2004, compondo, juntamente com a movimentação de suas demais filiais, o crédito total de PIS apurado no mês. A Recorrente ainda anexa aos autos, ademais, a abertura completa dos Razões das contas contábeis que fundamentaram a apuração dos créditos utilizados nas compensações (doc. 11), conforme as planilhas demonstrando a apuração do PIS já juntadas aos autos (doc. Fl. 994DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.000454/200590 Resolução nº 3201000.644 S3C2T1 Fl. 4.356 6 05 acima) , que possibilitaria, de forma individualizada, com datas, valores e descrição, todos os lançamentos efetuados nas contas contábeis utilizadas para a composição dos valores de cada linha da Ficha de Apuração dos Créditos do PIS no DACON, a qual reúne, por espécie, os valores de créditos apurados pela Recorrente no mês. A Recorrente requer, a procedência de seu pedido, ou, com fulcro no disposto no art. 16, inciso IV, do Decreto n°70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 8.748/93, e no art. 11 da Portaria RFB n° 10.875/2007, que seja decretada a realização de diligência por esta Colenda Turma. É o Relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Inicialmente, em relação ao pedido de julgamento do presente processo com outros mencionados pela Recorrente, que teriam se originado do mesmo MPF, entendo ser despiciendo, pois, apesar de se relacionarem a ressarcimento de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, fazem menção a direito creditório relativo a períodos de apuração distintos. O fato de se originarem de um mesmo MPF, que, no caso em tela, de acordo com alegação da Recorrente, traduziuse em vícios procedimentais e cerceamento do direito de defesa, é suplantando, caso se encampe o entendimento de prevalência da Verdade Material, que é o adotado na presente decisão. De fato, embora formalmente não se demonstre nos autos, que a Recorrente tenha atendido às intimações para apresentação e documentos, podese questionar, materialmente, a legitimidade do procedimento fiscal, especialmente quanto aos diminutos prazos concedidos. Por outro lado, é notório a relevante papel da Recorrente como grande exportadora, sendo certo que deve deter créditos oriundos da exportação, não obstante a necessidade de comprovação de sua liquidez e certeza. Destarte, nos processos administrativos cujo pedido é o reconhecimento de direito creditório, o conflito originarseá do não reconhecimento da relação de débito do Fisco e, por conseguinte, da não extinção da relação de seu crédito, sendo a manifestação de inconformidade o veículo introdutor de conflito, no âmbito da jurisdição administrativa. O contencioso administrativo originado da impugnação ao lançamento de ofício não se confunde com aquele decorrente de manifestação de inconformidade, pois naquela o contribuinte visa a desconstituir o lançamento tributário, ato jurídico produzido pelo Fisco, nos termos do art.142 do CTN, ao passo que no caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de Fl. 995DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.000454/200590 Resolução nº 3201000.644 S3C2T1 Fl. 4.357 7 indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. Por essa razão, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. Outrossim, o Conselho Administrativo Fiscal vem admitido a relativização da preclusão na apresentação de provas, sob o lastro do Princípio Verdade Material, e da Estrita Legalidade, sempre quando o contribuinte logre trazer aos autos, ainda que intempestivamente, elementos probatórios que espelhem o direito afirmado. No caso em tela, a ora Recorrente apresentou, juntamente com sua Manifestação de Inconformidade, os seguintes elementos: Cópia do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais —DACON; Cópia da Ficha 21 da DIPJ, onde consta a base de cálculo do PIS —Regime Não Cumulativo — Incidência Total ou Parcial; Cópia da Ficha 20 da DIPJ 2004, onde consta a Apuração dos Créditos do PIS Regime não Cumulativo, cujas informações conferem com o DACON; Planilhas informando a composição dos valores constantes do DACON (linha a linha), indicando as contas contábeis lançadas; Demonstrativo do crédito do PIS; DVD contendo os arquivos magnéticos e demais elementos solicitados pela Fiscalização, quais sejam: a) Planilha Excel em mídia eletrônica com o respectivo Hash Code, informando a composição dos valores constantes do DACONI (linha a linha), do mês de janeiro de 2004, indicando as contas contábeis lançados (item 1 do Termo de Inicio de Ação Fiscal); b) Livros de registro de Entradas e Saídas do anocalendário de 2004, de todas as filiais (item 7 do Termo de Inicio de Ação Fiscal); c) Arquivos magnéticos 4.1.1, 4.1.2, 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3, 4.3.4, 4.4.1, 4.5.2 (individual para cada inicio e fim de mês), 4.7.1, 4.9.1, 4.9.2, 4.9.5, conforme layout definido pela IN SRF n° 86/2001, do anocalendário de 2004 (item 7 do Termo de Inicio de Ação Fiscal); e d)Planilha em Excel com a identificação dos produtos utilizados pela empresa referentes a Combustíveis e Energia Elétrica nos arquivos 4.3.4 (arquivos de itens de mercadorias/serviços (entradas) —Emitidas por Terceiros). Conforme relatório, também com o recurso voluntário, foram juntados diversos outros documentos que supostamente estribariam o direito afirmado. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.000454/200590 Resolução nº 3201000.644 S3C2T1 Fl. 4.358 8 Nesse sentido, não tendo sido apreciado quaisquer documentos juntados aos autos em detrimento da Verdade Material, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o processo retorne à autoridade preparadora, para serem apreciados os documentos trazidos aos autos, e outros, que se entendam necessários, nesse caso dandose o prazo de 30 dias, para que referida documentação seja apresentada pela Recorrente. Analisados os documentos e elaborado o relatório de diligência, intimese a Recorrente e a Procuradoria da Fazenda Nacional, para que, desejando, manifestemse. Após, retornem os autos a esse Turma Julgadora, para prosseguimento do julgamento. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo (assinado digitalmente) Fl. 997DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 13819.720968/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
DESPESAS COM SAÚDE. PROVA.
A eficácia da prova de despesas com saúde, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Ivacir Julio de Souza, Fabio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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PROVA. A eficácia da prova de despesas com saúde, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Ivacir Julio de Souza, Fabio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 09 68 /2 01 3- 14 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0644.020, da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba, f. 3033, que julgou improcedente a impugnação à exigência decorrente de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), incidente no exercício 2012, anocalendário 2010, em razão de glosa de dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 41.700,00, por falta de comprovação. O sujeito passivo apresentou impugnação, juntando documentos para comprovação das despesas médicas deduzidas na Declaração de Ajuste Anual e solicitando o cancelamento do crédito tributário. A impugnação foi considerada improcedente sob o fundamento de que os documentos apresentados não comprovam o efetivo pagamento da despesa médica. O sujeito passivo foi intimado da decisão recorrida em 22/10/2013, fls. 36. Em 12/11/2013 foi apresentado recurso, fls. 4452, no qual o interessado reitera os argumentos apresentados na impugnação. Por fim, requer o cancelamento do crédito tributário lançado. É o relatório. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13819.720968/201314 Acórdão n.º 2301004.610 S2C3T1 Fl. 86 3 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por constatar que atende os requisitos de admissibilidade. Despesas Médicas A dedução das despesas com saúde na Declaração de Ajuste Anual é permitida nos casos de prestação de serviço na área da saúde, realizada por médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como no caso de fornecimento de produtos de exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (art. 8o , inc. II “a” da lei 9.520, de 26/12/1995), quando o beneficiário da prestação do serviço ou o adquirente do produto for o contribuinte ou seus dependentes, e desde que o preço do serviço ou do produto tenha sido suportado pelo contribuinte (art. 8o § 2o, inc. II da lei 9.520, de 26/12/1995). O legislador restringiu a prova da despesa médica ao tipo documental, estipulando requisitos objetivos para sua eficácia, a saber: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 8º, § 2º O disposto na alínea a do inciso II: III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; No mais, é do contribuinte o ônus da prova das despesas médicas deduzidas em sua Declaração de Ajuste Anual, quando exigida pelo Fisco, por força da determinação contida no DecretoLei 5.844/43, reproduzida no art. 73 do RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Logo, para desincumbirse do ônus da prova, ao contribuinte compete provar o fato que deu origem à despesa (serviço/produto) e também o pagamento efetuado. No caso dos autos, a fiscalização efetuou a glosa da dedução das despesas médicas informadas pelo Recorrente em sua Declaração de Ajuste Anual, por entender que não houve comprovação do efetivo pagamento, conforme abaixo discriminado: Fl. 87DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 4 Tabela 1 Nº Prestador Serviço CPF/CNPJ Prestador Serviço Nome Prestador Serviço Valor Declarado DAA Valor Glosado NFLD Valor Mantido NFLD Motivo Glosa 1 67.634.493/000192 RW Oftalmologia Ltda 21.920,00 21.920,00 0,00 2 07.000.886/000112 WYT Serviços Médicos Ltda 4.480,00 4.480,00 0,00 3 02.579.815/000100 Clínica Paulista de Cirurgia 15.300,00 15.300,00 0,00 Total 41.700,00 41.700,00 0,00 Falta de apresentação de comprovantes de pagamento/recibos O Recorrente apresentou os seguintes documentos a fim de comprovar a prestação do serviço pelos profissionais de saúde indicados, bem como a quitação do pagamento do valor declarado: Tabela 2 Nº Prestador Serviço Documento Descrição Documento Valor Data fls 1 recibo e relatório oftalmológico, fls. 6768 exame (R$480,00), aplicação intravítrea de lucentis (R$2.830,00), medicamento (R$1.170,00) no mesmo. Diagnóstico de retinopatia diabética, fls. 6768 4.480,00 22/01/2011 20 1 recibo e relatório oftalmológico, fls. 6768 exame de tomografia de coerência ótica. Diagnóstico de retinopatia diabética, fls. 6768 480,00 26/04/2011 20 1 recibo e relatório oftalmológico, fls. 6768, aplicação intravitrea de lucentis no mesmo. Diagnóstico de retinopatia diabética, fls. 6768 4.000,00 12/05/2011 19 1 recibo e relatório oftalmológico, fls. 6768 exames de tomografia de coerência óptica em ambos os olhos e aplicação intravitrea de lucentis. Diagnóstico de retinopatia diabética, fls. 6768 4.480,00 14/06/2011 19 1 recibo e relatório oftalmológico, fls. 6768 aplicação intravitrea de lucentis e tomografia de córnea ótica. Diagnóstico de retinopatia diabética, fls. 6768 4.480,00 19/08/2011 18 1 recibo e relatório oftalmológico, fls. 6768 aplicação intravitrea de lucentis no mesmo. Diagnóstico de retinopatia diabética, fls. 6768 4.000,00 23/08/2011 18 21.920,00 2 recibo e relatório oftalmológico, fls. 56 aplicação intravitrea de lucentis e tomografia de coerência ótica. Diagnóstico de retinopatia diabética. 4.480,00 01/11/2011 17 3 NF nº 0001122, e declaração fls. 57 Serviços clínicos prestados. Cirurgia de ritidoplastia, fls. 57 15.000,00 09/02/2011 15 3 NF nº 0001102 e declaração fls. 57 consulta médica 300,00 12/01/2011 16 15.300,00 Entendo que a documentação apresentada pelo Recorrente constitui prova eficaz da prestação do serviço e da quitação da obrigação. Os recibos, as notas fiscais de serviços e os relatórios médicos contêm dados suficientes quanto à identificação do profissional de saúde, como nome do profissional/clínica médica, CPF/CNPJ e endereço; quanto à identificação do diagnóstico e do tratamento específico ao qual o contribuinte foi submetido; e, ainda, quanto ao valor do serviço prestado. Demonstram, ainda, a quitação da obrigação contraída pelo contribuinte, pois não há elementos nos autos que possam infirmar os recibos emitidos pelos profissionais. Portanto, considero eficazes as provas apresentadas e restabeleço a dedução a título de despesas médicas correspondente ao valor de R$ 41.700,00. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13819.720968/201314 Acórdão n.º 2301004.610 S2C3T1 Fl. 87 5 Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso e darlhe provimento. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 89DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720933/2014-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2012
PRODUTOR RURAL. SUB-ROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE.
A empresa adquirente de produtos rurais fica sub-rogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, nos termos e nas condições estabelecidas na legislação previdenciária vigente.
INCONSTITUCIONALIDADE IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF, sendo órgão do Poder Executivo, não possui competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que amparou o lançamento, de acordo com a Súmula CARF nº 2: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
MULTA E JUROS CONFISCATÓRIOS. SÚMULA CARF Nº 2.
Aplica-se a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa e dos juros se atém à matéria de índole constitucional.
RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. CARÁTER INFORMATIVO. SÚMULA CARF Nº 88.
Consoante enuncia a Súmula CARF nº 88, " A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa".
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Natanael Vieira dos Santos, que dava provimento ao recurso.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2012 PRODUTOR RURAL. SUB-ROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. A empresa adquirente de produtos rurais fica sub-rogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, nos termos e nas condições estabelecidas na legislação previdenciária vigente. INCONSTITUCIONALIDADE IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF, sendo órgão do Poder Executivo, não possui competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que amparou o lançamento, de acordo com a Súmula CARF nº 2: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". MULTA E JUROS CONFISCATÓRIOS. SÚMULA CARF Nº 2. Aplica-se a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa e dos juros se atém à matéria de índole constitucional. RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. CARÁTER INFORMATIVO. SÚMULA CARF Nº 88. Consoante enuncia a Súmula CARF nº 88, " A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa". Recurso Voluntário Negado.
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SUBROGAÇÃO. Recorrente BALBINOS AGROINDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2012 PRODUTOR RURAL. SUBROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. A empresa adquirente de produtos rurais fica subrogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, nos termos e nas condições estabelecidas na legislação previdenciária vigente. INCONSTITUCIONALIDADE IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF, sendo órgão do Poder Executivo, não possui competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que amparou o lançamento, de acordo com a Súmula CARF nº 2: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". MULTA E JUROS CONFISCATÓRIOS. SÚMULA CARF Nº 2. Aplicase a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa e dos juros se atém à matéria de índole constitucional. RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. CARÁTER INFORMATIVO. SÚMULA CARF Nº 88. Consoante enuncia a Súmula CARF nº 88, " A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa". Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 09 33 /2 01 4- 80 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Natanael Vieira dos Santos, que dava provimento ao recurso. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10140.720933/201480 Acórdão n.º 2402005.093 S2C4T2 Fl. 108 3 Relatório Examinase recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1, que julgou procedente autos de infração das obrigações principais referentes às contribuições previdenciárias incidentes sobre a aquisição de produtos rurais de pessoa física e às destinadas ao SENAR. O relatório da instância a quo descreve com minúcia os termos do lançamento, bem como da impugnação do contribuinte, motivo pelo qual peço a devida vênia para reproduzilo, na sua essência (fls. 231/233): Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra o sujeito passivo em referência, lançado em 02/06/2014, que de acordo com o Relatório Fiscal de fls .22/24, referese a: Autos de Infração de Obrigações Principais · DEBCAD 51.048.2473 no valor de R$ 8.564.768,05 (oito milhões quinhentos e sessenta e quatro mil setecentos e sessenta e oito reais e cinco centavos), que acrescido de multa e juros corresponde ao valor consolidado de R$ 16.559.127,71 (dezesseis milhões quinhentos e cinquenta e nove mil cento e vinte e sete reais e setenta e um centavos), referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre a aquisição de produtos rurais de pessoa física (gado bovino para o abate), devidas à Seguridade Social, no período de 12/2010 a 12/2012. · DEBCAD 51.048.2490 – no valor de R$ 808.263,89 (oitocentos e oito mil duzentos e sessenta e três reais e oitenta e nove centavos), que acrescido de multa e juros corresponde ao valor consolidado de R$ 1.562.697,95 (um milhão quinhentos e sessenta e dois mil seiscentos e noventa e sete reais e noventa e cino centavos), referente às contribuições destinadas ao SENAR incidentes sobre a aquisição de produtos rurais de pessoa física (gado bovino para o abate), no período de 12/2010 a 12/2012. 2. De acordo com o Relatório Fiscal, o contribuinte desenvolve atividade de abate de bovinos (frigorífico), tendo adquirido uma volumosa quantidade de animais de produtores rurais pessoas físicas, sem no entanto, efetuar as devidas contribuições. 3. As bases de cálculo foram obtidas através das Notas Fiscais de Entradas, disponibilizadas pela empresa e constantes do Banco de Dados da Secretaria da Fazenda do Estado do Mato Grosso do Sul. Elas não foram declaradas em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. 4. Não foi apresentada durante o procedimento fiscal nenhuma medida judicial ou administrativa que lhe outorgasse o direito de não recolher as contribuições em questão. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 5. Foi anexada pela fiscalização uma planilha relacionando os valores das notas fiscais por competência, número da NF, data da emissão, CPF e nome do vendedor (fls. 32/168). IMPUGNAÇÃO 6. O contribuinte foi cientificado do lançamento em 16/06/2014, conforme AR de fls. 177 e apresentou impugnação em 15/07/2014, alegando, em síntese: 6.1 A tempestividade; 6.2 “As multas aplicadas, além de serem abusivas comparadas com o tipo de infração alegada, ainda apresenta juros e multas de grandes valores, valores estes inconstitucionais, pois, possuem caráter confiscatório.” Transcreve jurisprudência nesse sentido. 6.3 A aplicação de multa de 75% (setenta e cinco por cento) possui intenção confiscatória punitiva, além de criar um grande desincentivo social. 6.4 “Aqui se faz necessário esclarecer que a requerente defende nesta impugnação a inconstitucionalidade da exigência tributária, como será visto adiante; e também defende percentuais constitucionais para a cobrança de multa e juros por questão social.” DEBCAD N° 51.048.2473 6.5 Esclarece que, no que se refere ao fato gerador baseado nos valores de compra de produção rural junto à produtor rural pessoa física na qualidade de sub rogado, jamais descontou dos contribuintes o tributo exigido (FUNRURAL), tendo o mesmo sido declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, como é de conhecimento de todos. 6.6 A Impugnante aduz que participa através de sua associação de classe, da ADI 4.395, manejada pela Associação Brasileira de Frigoríficos (ABRAFRIGO) que tem por objeto a declaração de inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 11.718/2008. 6.7 “Assim, como bem se observa do reconhecimento da Repercussão no RE 718.874RS de 2013 e dos julgados constantes dos Recursos Extraordinários 363.852/MG e 596.177/RS, há invencível inconstitucionalidade formal frente à necessidade de lei complementar para instituir nova fonte de custeio para a seguridade social lembrando o Ministro Ricardo Lewandowski que o fato do produtor rural substituído ser pessoa física empregadora em nada altera a conclusão, pois mesmo que afastado o bis in idem não se poderia desconsiderar a ausência de previsão constitucional para base de incidência da contribuição social, que reclama lei complementar; e reforça o Ministro Marco Aurélio que a lei 10.256/01 é ordinária e não complementar, mantendo a inconstitucionalidade mesmo após a EC 20/98, que em nada alterou a necessidade de lei complementar, consistindo apenas na alteração do §8° do art. 195 para retirar a figura do 'garimpeiro'.” 6.8 “Tal entendimento é a consolidação da invalidade da substituição do responsável tributário para a exação exigida, assim entendida pelo judiciário federal e pelo STF.” 6.9 “Em 03 de fevereiro de 2010, o Plenário do Supremo Tribunal Federal declarou, por votação unânime, a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei n° 8.540/92 (RE 363852/MG Relator Ministro Marco Aurélio Mello). Este Fl. 301DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10140.720933/201480 Acórdão n.º 2402005.093 S2C4T2 Fl. 109 5 entendimento transmite ao contribuinte a certeza de que o artigo que instituía a exação do tributo sempre fora inconstitucional; mesmo que anterior a data de seu julgamento. Seria inconcebível a exigência do crédito dito inconstitucional a qualquer tempo, seja no passado ou no presente.” DEBCAD N° 51.048.2490 6.10 O Auto de Infração em questão referese às contribuições para o SENAR, incidentes sobre o valor de compra de produção rural junto à produtor rural pessoa física não declarado em GFIP. 6.11 A autoridade fiscal deixou de considerar recolhimentos realizados, o que prejudica a elaboração do auto em questão, que deve, assim, ser anulado, bem como a multa aplicada. 6.12 “Além disso, tal contribuição guarda relação direta com a ADI informada no quesito anterior, tendo grande probabilidade de se ver declarada sua inconstitucionalidade, sendo necessário, ao menos, que se aguarde aquele julgamento, por parte do Supremo Tribunal Federal, para a ocorrência de sua exigência.” DA RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS 6.13 Não se pode desconsiderar a pessoa jurídica em qualquer situação. Durante todo o período da infração não eram todos os integrantes da sociedade que a gerenciavam. Foram colocados no processo os sócios gerentes, mas os mesmos não podem ser responsabilizados pelas infrações, pois em nenhuma hipótese os sócios gerentes agiram com o intuito de ludibriar o fisco, mas tão somente o contribuinte deixou de recolher tributo que não reteve, por estar desobrigado, não ocorrendo excesso de poderes por parte dos sócios. 6.14 “Dessa forma , não há que se falar em responsabilidade dos sócios cotistas na sociedade, devendo qualquer dívida tributária atingir apenas o patrimônio da empresa.” DO PEDIDO 6.15 “Que sejam extintos os presentes autos de infração, e que se referem ao processo n° 11140.720933/201480, por se tratar, ou de tributo exigido de forma inconstitucional, como preconiza o entendimento do Supremo Tribunal Federal, ou de contribuição não retida por parte da impugnante, o que não foi considerado pela autoridade fiscalizadora quando da elaboração dos referidos autos de infração.” 6.15 “Que sejam declaradas as multas abusivas e confiscatórias extinguindo as.” A DRJ/SP1 manteve integralmente a exigência, conforme acórdão de fls. 229/241. De sua parte, o recurso voluntário foi interposto em 11/11/2014 (fls. 269/287), sendo nele defendido, em síntese, que as multas e os juros aplicados foram confiscatórios, e que não foram consideradas as contribuições recolhidas; além disso, não há razão para que sejam vinculados os nomes dos sócios ao processo, "pois estes não praticaram nenhuma ilegalidade". Fl. 302DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 6 Ao final reitera, transcrevendo trecho da impugnação, seu entendimento pela inconstitucionalidade da exigência, demandando a declaração de que os juros e as multas aplicadas são confiscatórios, bem como que seja reconhecida a inconstitucionalidade da autuação, que deve ser anulada. É o relatório. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10140.720933/201480 Acórdão n.º 2402005.093 S2C4T2 Fl. 110 7 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Não são necessárias maiores lucubrações argumentativas para concluirse que a irresignação em comento não merece prosperar. É cediço que o STF reconheceu, quando do julgamento do RE nº 363.852/MG (j. 3/2/2010), ratificado pelo acórdão exarado em sede de repercussão geral no RE nº 596.177/RS (j. 29/8/2011), a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/1992, o qual respaldava o art. 25 da Lei nº 8.212/1991, no que tange à contribuição social exigida do empregador rural pessoa física sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. Porém a autuação contestada tem supedâneo legal diverso, a saber, os artigos 30, inciso IV, e 25 da Lei nº 8.212/1991, este último já com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, em consonância com a novel redação do art. 195 da Carta Magna, nos termos da Emenda Constitucional nº 20/98. A precitada inconstitucionalidade reconhecida sob o rito do art. 545B do CPC, por conseguinte, não atinge o diploma no qual se amparou o lançamento. Noutro giro, é sabido que há existência de repercussão geral reconhecida em 23/8/2013 no RE nº 718.874/RS, no que diz respeito à redação conferida ao art. 25 da Lei nº 8.212/1991 pela Lei nº 10.256/2001. Encontrase tal recurso pendente de julgamento, entretanto, não produzindo, daí, quaisquer efeitos perante os órgãos da administração pública federal. E, de todo modo, a mera leitura da peça recursal desvela que os questionamentos quanto ao auto de infração e à decisão a quo cingemse, de um modo ou de outro, a apontar vícios de inconstitucionalidade em sua matriz legal. Nessa esteira, impõese a aplicação no caso do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e da Súmula CARF nº 2, esta por força do art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. As alegações acerca do caráter confiscatório da multa e dos juros similarmente não merecem melhor sorte, pois também atraem a incidência do enunciado sumular supra, sendo de valia mencionar, ainda, que órgão da administração fazendária pauta sua atuação no princípio da legalidade, não lhe sendo facultada a apreciação de questões de constitucionalidade das normas em vigor. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 8 Noutro giro, registrese que o lançamento atinente à contribuição ao SENAR foi lavrado tendo em vista os mesmos fatos geradores da contribuição sobre a aquisição de produtos rurais pessoa física, não trazendo o recorrente, em ambos os casos, qualquer documentação que comprovasse os alegados recolhimentos. Por fim, deve ser observado que não foi lavrado qualquer termo processual mediante o qual tenha sido imputada responsabilidade aos sócios do contribuinte; de sua parte, o relatório de vínculos combatido tem caráter meramente informativo, consoante entendimento aprovado pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em sessão de 10/12/2012: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Ante o exposto, voto no sentido NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 10435.001097/2006-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2004
DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A constatação de valores creditados em contas bancárias cuja origem não foi comprovada com documentação hábil e idônea autorizam a presunção legal de omissão de receitas.
OPÇÃO PELO SIMPLES. IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES ABRANGIDOS.
Ao optar pela tributação na sistemática do SIMPLES, a pessoa jurídica recolherá, em pagamento unificado, os impostos e contribuições com base em percentual sobre a receita bruta, previstos na legislação pertinente.
Numero da decisão: 1401-001.419
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Fernando Luiz Gomes de Mattos
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A constatação de valores creditados em contas bancárias cuja origem não foi comprovada com documentação hábil e idônea autorizam a presunção legal de omissão de receitas. OPÇÃO PELO SIMPLES. IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES ABRANGIDOS. Ao optar pela tributação na sistemática do SIMPLES, a pessoa jurídica recolherá, em pagamento unificado, os impostos e contribuições com base em percentual sobre a receita bruta, previstos na legislação pertinente.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A constatação de valores creditados em contas bancárias cuja origem não foi comprovada com documentação hábil e idônea autorizam a presunção legal de omissão de receitas. OPÇÃO PELO SIMPLES. IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES ABRANGIDOS. Ao optar pela tributação na sistemática do SIMPLES, a pesoa jurídica recolherá, em pagamento unificado, os impostos e contribuições com base em percentual sobre a receita bruta, previstos na legislação pertinente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator. 1 Fl. 566DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini de Carvalho. Ausente justificadamente a conselheira Livia De Carli Germano. 2 Fl. 567DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório que consta da decisão de piso, fls. 529-531: Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração, às fls. 05 a 46, para exigência de créditos tributários, referentes ao ano calendário de 2004, adiante especificados: Os referidos autos de infração são decorrentes do procedimento de fiscalização efetuado junto à contribuinte, no qual a fiscalização constatou infrações à legislação do SIMPLES. Consta do Termo de Verificação Fiscal, fls.428/441 que a contribuinte havia optado pelo SIMPLES na condição de EPP desde 01/01/2001 e auferiu, no decorrer do ano calendário de 2004, receita bruta superior ao limite para permanência no sistema simplificado, sendo excluída do SIMPLES a partir do ano calendário de 2005, exclusão contida no processo n° 10435.000911/2006-84. A Fiscalização detectou a existência de depósitos bancários de origem não comprovada ensejando a omissão de receita de acordo com o disposto no art. 42 da Lei n° 9.430/96. A omissão de receita se encontra consolidada no "Demonstrativo", fl.133. Assim, a fiscalização procedeu à autuação apontando as seguintes irregularidades: 1) OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS, nos meses de janeiro a dezembro de 2004, resultante da análise dos extratos bancários, consoante demonstrativos às fls. 134 a 136, consolidada no demonstrativo de fl. 133. Dos depósitos bancários de origem não comprovada, foram excluídos os valores declarados na PJSI, consoante demonstrativo à fl. 132. Sobre as bases de cálculo apuradas foram determinados os impostos e contribuições do SIMPLES (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS E INSS), aplicando-se a alíquota apropriada a cada período de apuração; 3 Fl. 568DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 2) INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO, dos meses de janeiro a setembro de 2004, dos impostos e contribuições do SIMPLES (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS), decorrente da diferença apurada relativa à utilização de percentual inferior ao efetivamente aplicável sobre a receita bruta declarada na PJSI/2005. Devidamente notificada, e não se conformando com o procedimento fiscal, a contribuinte apresentou, tempestivamente, a sua peça impugnatória, às fls.444/455, na qual questiona integralmente os autos de infração, apresentando seus argumentos de defesa, abaixo descritos sucintamente. A impugnante se insurge contra o fato de a fiscalização transferir para a contribuinte toda a instrução probatória de não ter omitido receita através de documentação hábil e idônea que alega desconhecer. Assevera ainda que os depósitos bancários, representando o marco inicial da investigação, não poderiam sustentar uma presunção legal imputando a esses a condição de fato gerador do IRPJ/CSLL e das demais contribuições. Alega também que, a impossibilidade material de justificar uma movimentação bancária ocorrida em 2004 (dois anos passados) não é justificativa suficiente para alterar o conceito de renda, nos termos do CTN, ensejando o lançamento em lide. A impugnante discorre acerca do conceito de renda, e alega a impossibilidade de se eleger depósitos bancários com fato gerador do Imposto de Renda. Assevera ainda que, para que o fato apontado pela fiscalização, gozasse de presunção de veracidade, com a exigência de qualquer prova em contrário por parte da contribuinte, seria necessário que a fiscalização relacionasse os depósitos não declarados com outros fatos que indicassem omissão de rendimentos ou de receitas tais como: a aquisição de um bem de valor incompatível com os rendimentos declarados; venda de um bem com valor inferior ao de mercado, ou prestação de serviços com volume incompatível com os honorários declarados. Sobre o assunto cita ementas do Conselho de Contribuintes e do TRF. Conclui a impugnante afirmando que: "somente gera presunção de validade, ou seja, somente é capaz de gerar algum ônus de prova em desfavor do contribuinte, o ato administrativo fundamentado, com motivação inteligível de sua ocorrência e que é embasado em dados concretos, os quais têm que de estar especificados. A falta desses dados demonstra a ilegalidade dos autos de infração que foram lançados com base única e exclusivamente em extratos bancários, sendo certo que nenhuma lei pode dispor de modo diverso, já que essa necessidade de fundamentação decorre do direito de defesa. "(sic) Relativamente à cobrança das Contribuições Sociais — COFINS; PIS e INSS, a impugnante se insurge contra a utilização dos depósitos bancários como base de cálculo das mesmas. 4 Fl. 569DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 A impugnante alega a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS e do PIS. Sobre o assunta transcreve em sua peça impugnatória entendimentos doutrinários e decisões do STF. Conclui requerendo a improcedência dos lançamentos relativos às contribuições para o PIS, COFINS e INSS alegando que os mesmos afrontam princípios constitucionais tributários imprescindíveis à legitimação do ato jurídico do lançamento, fundamentalmente o da legalidade, vez que o fisco deixou de demonstrar e provar, no procedimento fiscal, a pertinência absoluta da obrigação fiscal, afrontando o disposto no art. 142 e seu parágrafo único do CTN. Do pedido. Diante das razões apresentadas a impugnante requer a improcedências dos lançamentos em lide considerando fundamentalmente que: - a pretensa prova de omissão de receita "se restringiu à indicação de meros depósitos/transferências verificados em contas correntes bancárias, tidas como mantidas pela pessoa jurídica, créditos esses ineficazes para dar sustentação, por si só, a exigência do IRPJ/CSLL simples, da COFINS, do PIS e da Contribuição para a Seguridade Social/INSS";(sic) - "a incorreta apuração do montante do tributo devido, no lançamento em tela, haja vista que indevidamente utilizado, na definição das bases de cálculo do Imposto de Renda, o simples somatório dos créditos bancários, estes comprovadamente não caracterizadores de disponibilidade econômica de renda e proventos, nos termos do artigo 43 do CTN; "(sic) - "e mais, inadmissíveis lançamentos fiscais da COFINS, do PIS e da Contribuição para a Seguridade Social/INSS, em face de imprevisão legal. A base de cálculo dessas Contribuições Sociais, nos termos da Constituição Federal, é o faturamento, tido esse, no caso em exame, como o resultado da revenda de mercadorias. Desse modo, movimentação bancária (créditos) mensal é evento absurdamente estranho ao conceito de fatura, estando salvo, portanto, da incidência das Contribuições Sociais em questão. Nessas circunstâncias, é de ser inquestionavelmente reconhecido o dever do Poder Público em invalidar atos elaborados por seus agentes (lançamentos fiscais relativos à COFINS, do PIS e da Contribuição para a Seguridade Social/INSS), quando firmados em desconformidade com os comandos do sistema positivo vigente."(sic) A 4ª Turma da DRJ/REC, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, por meio de Acórdão que recebeu a seguinte ementa, fls. 528: 5 Fl. 570DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os valores creditados em contas bancárias cuja origem não foi comprovada com documentação hábil e idônea, se enquadram na presunção legal de omissão de receitas. Não logrando a contribuinte demonstrar que o numerário creditado não é receita tributável ou que já foi oferecido à tributação há de se considerar a omissão de receita lançada. OPÇÃO PELO SIMPLES. IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES ABRANGIDOS. A pessoa jurídica ao optar pela tributação na sistemática do SIMPLES recolherá, em pagamento unificado, os impostos e contribuições com base em percentual sobre a receita bruta, previstos na legislação pertinente. Lançamento procedente O contribuinte foi devidamente cientificado do aludido Acórdão em 03/11/2008, conforme AR de fls. 545 e apresentou recurso voluntário em 03/12/2008 (v. fls. 547-556), reiterando os argumentos de defesa apresentados na fase impugnatória. É o relatório. 6 Fl. 571DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso apresentado atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Trata o presente processo de autos de infração do IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e Contribuição do INSS, decorrentes da apuração de omissão de receita decorrente da constatação de depósitos bancários de origem não comprovada e conseqüente insuficiência de recolhimento do SIMPLES. Questionamento acerca da utilização de depósitos bancários como base para o presente lançamento Os presentes auto de infração exigem tributos e contribuições com fundamento no art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996. O aludido dispositivo legal estabelece uma presunção legal de omissão de receitas, nos casos em que não houver comprovação acerca da origem dos recursos depositados em contas bancárias existentes em nome da pessoa jurídica. Trata-se, por óbvio, de uma presunção juris tantum, ou seja, que admite prova em contrário. No caso concreto, caberia à interessada comprovar a sua improcedência, mediante elementos de prova hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores. Sobre o tema, ensina José Luiz Bulhões Pedreira (in Imposto sobre a Renda - Pessoas Jurídicas, JUSTEC-RJ, 1979, pág. 806): O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocando-a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume - cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Os elementos constantes dos autos revelam que as autoridades fiscais concederam amplas oportunidades para a contribuinte comprovar a origem dos vultosos depósitos existentes em sua conta corrente. A falta de comprovação da origem dos valores depositados autoriza a presunção legal de omissão de receitas, cabendo à contribuinte a produção da prova em contrário. Tal comprovação poderia se dar a qualquer tempo, inclusive nesta fase recursal, mediante a apresentação de explicações coerentes e elementos de prova hábeis e idôneos, 7 Fl. 572DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO coincidentes em datas e valores, capazes de justificar a existência daqueles depósitos bancários em contas bancárias de sua titularidade. Em síntese, temos que o lançamento com base em presunção é completamente aceitável em nosso ordenamento jurídico tributário. Sobre o tema, também discorreu com muita propriedade o acórdão recorrido, fls. 532-533: Ensina Maria Rita Ferragut, no livro Presunções no Direito Tributário, editora dialética, ano de 2001, que diversas são as razões que impedem ou tornam extremamente difícil que a ordem jurídica constate diretamente a ocorrência do fato social que, quando juridicizado, passa a produzir efeitos jurídicos. Com efeito, não podendo o direito manter-se inerte diante dessa situação, desenvolveu técnicas que possibilitaram o alcance do conhecimento indireto do fato. Dentro dessas técnicas encontram-se as presunções legais. A Constituição Federal de 1988, no § 7° do art.150, outorga competência para a criação de regra presuntiva, ao autorizar as pessoas políticas cobrarem impostos e contribuições com base em fatos jurídicos indiciários de eventos de provável ocorrência. [...] Não logrando a titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, tem-se a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem receitas da contribuinte. Há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais, ou seja, a contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é receita tributável. Registre-se, por oportuno, que na fase recursal a contribuinte também não apontou qual a origem dos recursos utilizados nos depósitos efetuados em suas contas correntes bancárias, nem apresentou qualquer outra documentação capaz de elidir a presunção legal. Também não deve prosperar a alegação da recorrente acerca de uma suposta impossibilidade material de justificar urna movimentação bancária pelo fato de se referir a dois anos passados. Sobre o tema, pronunciou-se com muita objetividade e correção o acórdão recorrido, fls. 533: A legislação tributária prevê a obrigatoriedade de conservação dos Livros e Comprovantes, pelo período de 5 (cinco) anos (prazo decadencial), consoante art. 264 do RIR/99, transcrito a seguir: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, n enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, os documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam a vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto n° 486, de 1969, art. 4°) 8 Fl. 573DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Diante do exposto, considero que em relação a este tema o acórdão recorrido não merece quaisquer reparos. Questionamento acerca das contribuições sociais Repetindo o que fez na fase impugnatória, a recorrente se insurgiu contra a aplicação da Lei n.° 9.718/98, alegando que a mesma viola o art. 110 do CTN , e portanto não poderia ter alterado Lei Complementar. Não merecem prosperar as alegações da recorrente. As autoridades administrativas, de qualquer instância, tem o dever funcional de aplicar a lei vigente e eficaz, vedado qualquer pronunciamento acerca de alegados conflitos entre normas legais. A recorrente também apresentou questionamentos contra a utilização da presunção legal contida no art. 42 da Lei n° 9.340/96 para a tributação das contribuições para o PIS, COFINS, CSLL e INSS. Sobre o tema, cumpre analisar o que dispõe a Lei n° 9.317/96 sobre a cobrança dos impostos e contribuições na sistemática do SIMPLES, das pessoas que optarem por essa forma de recolhimento: Art. 3° A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, na forma do art. 2°, poderá optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES. § 1° A inscrição no SIMPLES implica pagamento mensal unificado dos seguintes impostos e contribuições: a) Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas - IRPJ; b) Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP; c) Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL; d) Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS; e) Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI; f) Contribuições para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que tratam a Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, os arts. 22 e 22A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 e o art. 25 da Lei nº 8.870, de 15 de abril de 1994. (Redação dada pela Lei n°10.256, de 9.10.2001) (Vide Lei 10.034, de 24.10.2000) 9 Fl. 574DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Art. 5º O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais.(negritei) No caso em análise, a autoridade fiscal constatou omissão de receita fundamentada no art. 42 da Lei n° 9.430/96, receita esta que corretamente foi tributada na sistemática do SIMPLES, opção exercida pela autuada, nos termos da Lei n° 9.317/96. Conseqüentemente, não assiste razão à recorrente ao alegar que a fiscalização teria deixado de demonstrar e provar a pertinência absoluta da obrigação fiscal, afrontando o disposto no art. 142 e seu parágrafo único do CTN. Diante do exposto, também em relação a este tema, considero que o recurso voluntário não merece ser provido. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator 10 Fl. 575DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10825.722459/2012-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA.
A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614406/RS, com repercussão geral reconhecida
Numero da decisão: 2201-003.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah (Presidente) que aplicavam aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ser adimplidos.
Assinado digitalmente.
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 20/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Presente aos julgamentos a Procuradora da Fazenda Nacional SARA RIBEIRO BRAGA FERREIRA.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614406/RS, com repercussão geral reconhecida Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah (Presidente) que aplicavam aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ser adimplidos. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 20/05/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 24 59 /2 01 2- 60 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Presente aos julgamentos a Procuradora da Fazenda Nacional SARA RIBEIRO BRAGA FERREIRA. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 03/09/2012, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício 2009, anocalendário 2008, decorrente da omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 20.435,50 recebidos pela fonte pagadora Caixa Econômica Federal. Inconformada com a notificação apresentada, a contribuinte protocolizou impugnação, fl. 2 a 11, alegando o que segue: a) os valores tidos como omitidos pelo fisco são oriundos de ação judicial que tramitou perante o Juizado Especial Federal da 3ª Região em que se discutiu a revisão da renda mensal inicial; b) não haveria incidência de imposto de renda se a União tivesse efetuado, à época, os pagamentos mensais de forma correta, razão pela qual não pode concordar com o fato de o fisco considerar para tributação o recebimento de valores de forma cumulativa; c) não se pode exigir imposto de renda sobre valores auferidos a título de correção monetária, por sua natureza indenizatória; d) inconstitucionalidade na utilização da taxa Selic e da multa aplicada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, com as seguintes considerações: a) no caso em tela, a contribuinte recebeu rendimentos acumulados do INSS no anocalendário 2008. Assim, não é possível aplicar o disposto no artigo 12A da Lei nº 7.713/88, na redação dada pela Lei nº 12.350/10, e na Instrução Normativa RFB nº 1.127/11; b) como o artigo 12 da Lei nº 7.713/88 está em vigor, não há como calcular o imposto correspondente aos rendimentos recebidos pelo contribuinte no anocalendário 2008 pelo regime de competência; c) ser mantida a tributação sobre os valores pagos a título de correção monetária; Fl. 75DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10825.722459/201260 Acórdão n.º 2201003.167 S2C2T1 Fl. 75 3 d) a contribuinte não juntou nos autos posição que vincule as decisões prolatadas por este colegiado; e) em sede administrativa, não há lugar para embate sobre fundamento de inconstitucionalidade, consoante a previsão do artigo 26A do Decreto nº 70.235/72. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte sustenta, em síntese, a impossibilidade de incidência de imposto de renda de forma cumulativa em virtude de recebimento integral de valores corrigidos à título de salário contribuição, bem como a não incidência do imposto de renda sobre a correção monetária. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, pois presentes os requisitos de admissibilidade. Cingese a controvérsia sobre a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente referentes à revisão de benefício previdenciário, conforme conta das fls. 13 a 22. Conforme se extrai dos autos, inclusive da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, a base de cálculo do imposto de renda devido foi calculada com fundamento na regra estabelecida no art. 12 da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988 (regime de caixa). Da inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (art. 12 da Lei 7.713/88) Em 23 de outubro de 2014, diante da análise do RE 614406/RS, com repercussão geral, o STF concluiu o julgamento relativo à forma de incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente no sentido de que a alíquota do imposto deve ser aplicada ao rendimento recebido mês a mês, e não aquela que incidiria sobre valor total pago de uma única vez. O Informativo 794 do Supremo Tribunal Federal assim dispôs sobre o tema: IRPF e valores recebidos acumuladamente 4 É inconstitucional o art. 12 da Lei 7.713/1988 (“No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido Fl. 76DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 pagas pelo contribuinte, sem indenização”). Com base nessa orientação, em conclusão de julgamento e por maioria, o Plenário negou provimento a recurso extraordinário em que se discutia a constitucionalidade da referida norma — v. Informativo 628. O Tribunal afirmou que o sistema não poderia apenar o contribuinte duas vezes. Esse fenômeno ocorreria, já que o contribuinte, ao não receber as parcelas na época própria, deveria ingressar em juízo e, ao fazêlo, seria posteriormente tributado com uma alíquota superior de imposto de renda em virtude da junção do que percebido. Isso porque a exação em foco teria como fato gerador a disponibilidade econômica e jurídica da renda. A novel Lei 12.350/2010, embora não fizesse alusão expressa ao regime de competência, teria implicado a adoção desse regime mediante inserção de cálculos que direcionariam à consideração do que apontara como “épocas próprias”, tendo em conta o surgimento, em si, da disponibilidade econômica. Desse modo, transgredira os princípios da isonomia e da capacidade contributiva, de forma a configurar confisco e majoração de alíquota do imposto de renda. Vencida a Ministra Ellen Gracie, que dava provimento ao recurso por reputar constitucional o dispositivo questionado. Considerava que o preceito em foco não violaria o princípio da capacidade contributiva. Enfatizava que o regime de caixa seria o que melhor aferiria a possibilidade de contribuir, uma vez que exigiria o pagamento do imposto à luz dos rendimentos efetivamente percebidos, independentemente do momento em que surgido o direito a eles. RE 614406/RS, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, 23.10.2014. (RE614406) Cumpre destacar que o voto vencedor redigido pelo Ministro Marco Aurélio consignou o seguinte entendimento: Qual é a consequência de se entender de modo diverso do que assentado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região? Haverá, como ressaltado pela doutrina, principalmente a partir de 2003, transgressão ao princípio da isonomia. Aqueles que receberam os valores nas épocas próprias ficaram sujeitos a certa alíquota. O contribuinte que viu resistida a satisfação do direito e teve que ingressar em Juízo será apenado, alfim, mediante a incidência de alíquota maior. Mais do que isso, tem se o envolvimento da capacidade contributiva, porque não é dado aferila, tendo em conta o que apontei como disponibilidade financeira, que diz respeito à posse, mas o estado jurídico notado à época em que o contribuinte teve jus à parcela sujeita ao Imposto de Renda. O desprezo a esses dois princípios conduziria a verdadeiro confisco e, diria, à majoração da alíquota do Imposto de Renda. (...) Por isso, no caso, desprovejo o recurso, assentando a inconstitucionalidade do artigo 12 – não do 12A, que resultou da medida provisória, da conversão em lei –, no que conferida interpretação alusiva à junção do que alcançado pelo contribuinte, considerados os vários exercícios. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10825.722459/201260 Acórdão n.º 2201003.167 S2C2T1 Fl. 76 5 Verificase, portanto, que o voto condutor do acórdão negou provimento ao recurso da União e afastou a aplicabilidade da regra prevista no art. 12 da Lei nº 7.713/1998, declarandoa inconstitucional, em controle difuso, com julgamento submetido ao rito da repercussão geral (CPC, art. 543B). O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, assim descrito: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, impõese a aplicação do entendimento externado pelo STF em julgamento realizado na sistemática da repercussão geral ao caso concreto, reconhecendo que houve um vício material no lançamento (apuração indevida da base de cálculo do tributo com repercussão na alíquota aplicável), haja vista que os valores recebidos pela Recorrente se referem a benefícios previdenciários. Nesse contexto, entendo que deve ser cancelada a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 78DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10552.000406/2007-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
NÃO CONHECER DO RECURSO. INTEMPESTIVIDADE. O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 08/05/2009, conforme AR juntado às fl. 127, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado no dia 10/06/2009. O prazo fatal para a interposição do Recurso Voluntário era 09/05/2009. Tenho, portanto, que o Recurso interposto é INTEMPESTIVO.
DECADÊNCIA.Reconhece-se a decadência quando entre o fato de apuração e o lançamento decorreram mais de cinco anos.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-004.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do Recurso Voluntário, porquanto intempestivo, e de ofício reconhecer a decadência do lançamento para o período de novembro de 1999 a novembro de 2001, com base no art. 173, inc. I do CTN, determinando a retificação do montante do crédito previdenciário apurado.
Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta
Luciana Matos Pereira Barbosa- Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 NÃO CONHECER DO RECURSO. INTEMPESTIVIDADE. O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 08/05/2009, conforme AR juntado às fl. 127, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado no dia 10/06/2009. O prazo fatal para a interposição do Recurso Voluntário era 09/05/2009. Tenho, portanto, que o Recurso interposto é INTEMPESTIVO. DECADÊNCIA.Reconhece-se a decadência quando entre o fato de apuração e o lançamento decorreram mais de cinco anos. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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INTEMPESTIVIDADE. O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 08/05/2009, conforme AR juntado às fl. 127, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado no dia 10/06/2009. O prazo fatal para a interposição do Recurso Voluntário era 09/05/2009. Tenho, portanto, que o Recurso interposto é INTEMPESTIVO. DECADÊNCIA.Reconhecese a decadência quando entre o fato de apuração e o lançamento decorreram mais de cinco anos. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 55 2. 00 04 06 /2 00 7- 84 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do Recurso Voluntário, porquanto intempestivo, e de ofício reconhecer a decadência do lançamento para o período de novembro de 1999 a novembro de 2001, com base no art. 173, inc. I do CTN, determinando a retificação do montante do crédito previdenciário apurado. Maria Cleci Coti Martins – Presidente Substituta Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 10552.000406/200784 Acórdão n.º 2401004.056 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Período de apuração: 01/11/1999 a 31/01/2007 Data de emissão da NFLD: 20/04/2007 Data de ciência da NFLD: 21/04/2007 Tratase de Recurso Voluntário intempestivo, interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância, textualizada no Acórdão no 13.5758a Turma da DRJ/POA, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por meio da NFLD DEBCAD no 37.040.0852. De acordo com o Relatório Fiscal que integra a NFLD, juntado às fl 77/78, a fiscalização previdenciária, contra o sujeito passivo classificado como “Cartório”, efetuou o lançamento de créditos previdenciarios destinados: 1. À Previdência Social e referemse às: a) contribuições da empresa sobre os valores da folha de pagamento dos empregados bem como sobre a remuneração do contribuinte individual (Laurete Teresinha de Oliveira). b) contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho sobre a remuneração da folha salarial dos empregados. 2. Ao Fundo Nacional de Desenvolvimento de Educação (FNDE) e referese à contribuição da empresa destinada ao salárioeducação incidente sobre a folha salarial dos segurados empregados. Apresentada impugnação contra o lançamento, a contribuinte suscintou as seguintes matérias: Decadência do direito de se constituir o crédito tributário para as competências anteriores a fevereiro de 2002; Cerceamento ao direito de defesa decorrente da identificação genérica dos valores devidos nos Discriminativos Analítico e Sintético do Débito apresentados, o que impossibilitou a verificação quanto à correção dos valores lançados e seus respectivos acessórios; O lançamento foi julgado procedente, nos termos do v. Acórdão recorrido, cuja ementa foi assim construída (fl. 108): Fl. 155DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 4 “NFLD no 37.040.0852 O prazo para a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos é decenal. A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada de acordo com os requisitos previstos na lei atende aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Não cabe na instância administrativa a discussão sobre a constitucional idade das leis. Lançamento procedente.” Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, a ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 129/139), INTEMPESTIVAMENTE, já quefoi cientificado da r. decisão em debate no dia 08/05/2009, conforme AR juntado às fl. 127, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado no dia 10/06/2009 (fls. 129/139). O prazo fatal para a interposição do Recurso Voluntário ocorreu na data de 09/05/2009. Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 10552.000406/200784 Acórdão n.º 2401004.056 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 08/05/2009, conforme AR juntado às fl. 127, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado no dia 10/06/2009 (fls 129/139). O prazo fatal para a interposição do Recurso Voluntário ocorreu em 09/05/2009. Tenho, portanto, que o Recurso interposto é INTEMPESTIVO. Por essa razão, NÃO CONHEÇO DO RECURSO interposto, já que ausentes os requisitos de admissibilidade. 2. DA DECADÊNCIA Em que pese a apresentação do Recurso Voluntário extemporaneamente, como aliás certificado à fl. 138, a intempestividade não afasta do julgador o dever de analisar as matérias de ordem pública intrínsecas à autuação, como a decadência. De acordo com o Relatório Fiscal juntado à fl. 05, os perídos de apuração do crédito previdenciário tomou por base as seguintes competências: “FPG Folha de pagamento dos segurados empregados — remuneração registrada na folha de pagamento dos segurados empregados e na GFIP — Guia do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social, referente às competências: 1999 (novembro, dezembro, inclusive 13o salário), 2000 (janeiro a dezembro, inclusive 13o salário), 2001 (janeiro a dezembro, inclusive 13o salário), 2002 (janeiro a dezembro, inclusive 13o salário), 2003 (janeiro a dezembro, inclusive 13o salário), 2004 (janeiro a dezembro, inclusive 13o salário), 2005 (janeiro a dezembro, inclusive 13o salário), 2006 (janeiro a dezembro, inclusive 13o salário) e janeiro de 2007. FPC— Folha de pagamento do contribuinte individual remuneração do contribuinte individual (Laurete Teresinha de Oliveira), lançada na folha de pagamento e na GFIP, referente às competências: 1999 (novembro e dezembro), 2000 (janeiro a dezembro) 2001 (janeiro a dezembro), 2002 (janeiro a dezembro), 2003 (janeiro a dezembro), 2004 (janeiro a dezembro), 2005 (janeiro a dezembro), 2006 (janeiro a dezembro) e janeiro de 2007. Deixou de ser lançada a contribuição do trabalhador na alíquota de 11% pois a sua remuneração em outros vínculos supera o teto máximo de contribuição do INSS.” Fl. 157DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 6 A NFLD foi emitida 20/04/2007 (fl. 03), devendo assim ser reconhecida a decadência para as competências de novembro de 1999 a março de 2004, tendo em vista que esse período está fulminado pela decadência, já que atingido pelo prazo quinquenal previsto na legislação de regência. O Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante no 8, segundo a qual “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário”, de modo que, de fato, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 5 (cinco) anos. É de se ressaltar que em sede de impugnação – esta sim, tempestiva – o Recorrente suscitou a decadência dos créditos previdenciários anteriores a fevereiro de 2002, o que foi rejeitado por ocasião do julgamento de primeira instância ao argumento de que o prazo de lançamento seria, in casu, decenal. A matéria encontrase superada e a decadência deve ser reconhecida – inclusive ex officio – para as competências que ultrapassaram os 5 (cinco) anos previstos na legislação em vigor, tomandose por base a data de emissão da NFLD (lançamento). Nesse descortino, tornase imperioso reconhecer, de ofício, a decadência do lançamento para o período de novembro de 1999 a março de 2004. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário, porquanto INTEMPESTIVO, e, de ofício, reconheço a decadência do lançamento para o período de novembro de 1999 a março de 2004, determinando a retificação do montante do crédito previdenciário apurado. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS
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Numero do processo: 12266.720166/2011-75
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 16/09/2008
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.725
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/09/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1947; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF‐T3 Fl. 331 1 330 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12266.720166/201175 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303003.725 – 3ª Turma Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria Denuncia espontânea multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada Recorrente ALIANCA NAVEGACAO E LOGISTICA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/09/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 6. 72 01 66 /2 01 1- 75 Fl. 331DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 9303003.725 CSRF‐T3 Fl. 332 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.852. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 332DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 9303003.725 CSRF‐T3 Fl. 333 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 333DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 9303003.725 CSRF‐T3 Fl. 334 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 9303003.725 CSRF‐T3 Fl. 335 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 335DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 9303003.725 CSRF‐T3 Fl. 336 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 336DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 9303003.725 CSRF‐T3 Fl. 337 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 9303003.725 CSRF‐T3 Fl. 338 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 338DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 9303003.725 CSRF‐T3 Fl. 339 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 9303003.725 CSRF‐T3 Fl. 340 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 340DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 9303003.725 CSRF‐T3 Fl. 341 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 341DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 9303003.725 CSRF‐T3 Fl. 342 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 342DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13807.008982/2001-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC.
Para fins de deferimento do PERC, a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula CARF nº 37).
Numero da decisão: 1402-002.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso e determinar a remessa dos autos à Unidade de origem para que se prossiga na análise do pedido, retomando-se o rito processual a parti daí. Vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que votou por dar provimento integralmente ao recurso.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Presidente), GILBERTO BAPTISTA, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, DEMETRIUS NICHELE MACEI, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, PAULO MATEUS CICCONE, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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Para fins de deferimento do PERC, a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula CARF nº 37). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso e determinar a remessa dos autos à Unidade de origem para que se prossiga na análise do pedido, retomandose o rito processual a parti daí. Vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que votou por dar provimento integralmente ao recurso. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Presidente), GILBERTO BAPTISTA, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, DEMETRIUS NICHELE MACEI, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, PAULO MATEUS CICCONE, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 89 82 /2 00 1- 33 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13807.008982/200133 Acórdão n.º 1402002.154 S1C4T2 Fl. 387 2 Relatório KITCHENS COM. DE APARELHOS DOMÉSTICOS LTDA recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 10ª Turma da DRJ São Paulo 01/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, relativo ao anocalendário de 1997, protocolizado em 31/07/2001 pelo contribuinte acima identificado (fls. 1). Conforme dados constantes da ficha 10 Aplicações em Incentivos Fiscais da Declinação de Rendimentos DIRPJ/98 (fls. 15), o contribuinte optou por destinar parcela do imposto de renda, no montante de R$155.096,30, para aplicação no FINAM. Todavia, não foi reconhecido o direito ao incentivo fiscal, o que motivou a apresentação do PERC, que foi indeferido por meio do Despacho Decisório de fls. 323, em razão de irregularidades fiscais do contribuinte perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB e a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN. Cientificado dessa decisão em 10/11/2008 (AR de fls. 324, verso), o contribuinte apresentou, em 27/11/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 325, acompanhada dos documentos de fls. 326 a 344. Alega que as cobranças são indevidas e que a demora na análise das pendências é de responsabilidade da RFB e da PGFN. Assim, requer prorrogação do prazo para comprovação de sua regularidade por 60 dias, prorrogável de acordo com a demora na análise dos processos pela EQDAU/SPO.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 16 24.074 (fls. 353356) de 26/01/2010, por unanimidade de votos, considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997 INCENTIVO FISCAL. FINAM. REQUISITOS. A não comprovação de quitação de tributos e contribuições federais pelo contribuinte impede o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos fiscais.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 04/03/2010 (A.R. de fl. 359) a interessada interpôs recurso voluntário em 15/03/2010 (fls. 360367) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13807.008982/200133 Acórdão n.º 1402002.154 S1C4T2 Fl. 388 3 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. No que diz respeito ao preenchimento dos requisitos necessários à obtenção do benefício, digno de destaque é o disposto no art. 60, da Lei n° 9.069/95, que orienta a administração tributária nos procedimentos de reconhecimento de benefícios fiscais, a saber: "Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais." Não há dúvidas de que o contribuinte, para obter a concessão ou reconhecimento de um benefício fiscal deve estar quite com a Receita Federal. A controvérsia, diante da lacuna da lei, é o momento para sua aferição: i) sempre que se analisar o pedido, ii) no momento de sua concessão ou iii) quando o contribuinte pleiteia o benefício fiscal. Em sua Decisão, a DRJ entendeu que o momento em que deve ser comprovada a regularidade fiscal, pelo sujeito passivo, com vistas ao gozo do beneficio fiscal, seria a data da prolação do despacho decisório que confere ou reconhece o benefício. Em sentido diverso, no âmbito deste CARF, o enunciado nº 37 da súmula do CARF estabelece: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Com efeito, conforme sumulado, entendese ser admitida a prova da quitação a qualquer momento do processo administrativo. Isso porque se entende que o sentido da lei não é impedir que o contribuinte em débito usufrua o benefício, mas sim, condicionar seu gozo à quitação do débito. Assim, não sendo possível identificar que na data da entrega da declaração o contribuinte possuía débitos de tributos ou contribuições federais, deverá ser considerada a regularidade comprovada nos Fl. 388DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13807.008982/200133 Acórdão n.º 1402002.154 S1C4T2 Fl. 389 4 autos. Novos débitos que surjam após a data da entrega da declaração influenciarão a concessão do benefício apenas em anos calendários subseqüentes. Outrossim, verifico que nem a DRF de origem, nem a DRJ, apreciaram os demais requisitos para a concessão do incentivo. Pelo exposto, Voto pro dar provimento parcial ao recurso para determinar a remessa dos autos à Unidade de origem para que se prossiga na análise do pedido de revisão, retomando o rito processual a partir dai. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 389DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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