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6306686 #
Numero do processo: 12448.733473/2011-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2008 OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTOS DE CAIXA. EFETIVIDADE DO SUPRIMENTO. PROVA. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. O emprego da presunção legal pressupõe a inexistência de dúvidas acerca do fato indiciário. No caso do suprimento de caixa, o ingresso dos valores, em espécie, no caixa da pessoa jurídica tem que estar provado acima de qualquer dúvida. No caso vertente, comprovada a ocorrência de erro contábil, o lançamento deve ser afastado.
Numero da decisão: 1301-001.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/2011­88  Acórdão n.º 1301­001.928  S1­C3T1  Fl. 1.395          2 Relatório  ALIANSCE  SHOPPING  CENTERS  S/A,  já  qualificada  nestes  autos,  inconformada  com  o  Acórdão  n°  12­46.917,  de  17/05/2012,  da  6ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Rio  de  Janeiro  ­  I  /  RJ,  recorre  voluntariamente  a  este  Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado.  Por bem descrever o ocorrido, valho­me do minucioso relatório elaborado por  ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito:  Trata­se  de  quatro  autos  de  infração  lavrados  em  face  da  ALIANSCE  SHOPPING CENTERS SA CNPJ nº  06.082.980/0001­03  constituindo  os  créditos  tributários  referentes  a:  a)  imposto  sobre  a  renda  (IRPJ)  no  valor  de  R$  7.446.047,23; b) contribuição social  sobre o  lucro  líquido  (CSLL) no valor de R$  2.698.050,56; c) contribuição para o programa de integração social (PIS), no valor  de  R$  494.642,60  e  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (Cofins), no valor de R$ 2.278.353,81. As autuações foram acrescidas da multa de  ofício de 75% e dos juros de mora (fls. 2).  As exigências decorreram da infração “Suprimento de Numerário por Pessoas  Ligadas quando não comprovada a origem dos recursos” (artigos 249, inciso II, 251,  parágrafo único, 279, 282 e 288 do Regulamento do Imposto de Renda – Decreto nº  3000/99 e artigo 24 da Lei 9249/95).  Transcrevo  abaixo  os  principais  trechos do Termo de Verificação Fiscal de  fls. 394/405, no qual a autoridade fiscal esclareceu os motivos de fato e de direito  que a levaram à constituição dos créditos tributários ora em debate:  1­ Introdução  (...)  Conforme ata da AGE da Alpar Investimentos Participações S/A,  realizada em 21/05/2007, foi aprovado o boletim de Subscrição  de Ações,  com aumento de capital  social  em R$ 29.978.339,62  mediante  emissão  de  12.338.332  ações  ordinárias  sem  valor  nominal,  subscritas  por MASU6 PARTICIPAÇÕES SA – CNPJ  08.091.139/0001­08,  a  serem  integralizadas  no  prazo  de  30  (trinta) dias contados de 21/05/2007 em moeda corrente do país;  Os  assentamentos  contábeis  efetuados  na  ALPAR,  em  24/05/2007,  registram  débito  na  conta  110101  ­  Caixa  e  contrapartida  a  crédito  na  conta  270101  ­  Capital  Social  Integralizado, no valor de R$ 29.978.339,62, com o histórico de"  Valor integralizado nesta data;  Os  assentamentos  contábeis  efetuados  na  ALIANSCE,  em  30/06/2007,  registram  débito  na  conta  :  110224  ­  Unibanco  ­  MASU6  e  contrapartida  a  crédito  na  conta  110103  ­  Caixa  ­  Alpar,  no  valor  de  R$  29.978.339,62,  com  o  histórico  de  "reclassificação entre contas')  Considerando  estes  documentos  a  contribuinte  foi  intimada  a  apresentar os seguintes esclarecimentos/documentos:  Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/2011­88  Acórdão n.º 1301­001.928  S1­C3T1  Fl. 1.396          3 Comprovação,  através  de  documentos  hábeis  e  idôneos,  da  origem, efetiva entrega e recebimento dos numerários, no valor  de R$ 29.978.339,62, relativo à integralização do capital social  da ALPAR  INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A  ­ CNPJ  ne  08.298.717/0001­73  pela  MASU6  PARTICIPAÇÕES  S/A  ­  CNPJ 08.091.139/0001­08, ocorrido em 24/05/2007; Apresentar  os razões contábeis dos registros destas operações em ambas as  empresas;  Apresentar ata da AGE da MASU6 PARTICIPAÇÕES S/A, onde  foi  aprovada  a  subscrição  das  ações  da  ALPAR  INVESTIMENTOS  E  PARTICIPAÇÕES  S.A,  no  valor  de  R$  29.978.339,62;  Apresentar  ata  da  AGE  da  ALIANSCE  SHOPPING CENTERS  S.A,  onde  foi  aprovada  a  incorporação  da  MASU6  PARTICIPAÇÕES S/A;  Apresentar, por escrito, esclarecimento conclusivo a respeito da  integralização  do  capital  social  da  ALPAR  pela  MASU6,  no  valor de R$ 29.978.339,62, em moeda corrente do país, através  do  lançamento  na  conta  caixa  ­  110103,  em  24/05/2007  (na  contabilidade da ALPAR) e lançamentos de reclassificação entre  contas  efetuados  em  30/06/2007,  com  crédito  na  conta  caixa  Alpar ­ 110103 e débito na conta 110224 ­ Unibanco MASU6, no  valor de R$ 29.978.339,62 (na contabilidade da ALIANSCE).  Em 05/07/2011,­ Através de carta escrita assinada pelo Diretor,  o  contribuinte  apresentou  os  seguintes  esclarecimentos/documentos:  1­  Segue  em  anexo  a  AGE  da  ALPAR,  datada  de  21/05/2007,  aprovando  a  deliberação  de  aumento  de  capital no valor de R$ 29.978.339,62, totalmente subscrito  pela MASU6 PARTICIPAÇÕES S/A;  2  ­ O valor de R$ 29.978.339,62,  lançado em conta caixa,  em 24/05/2007, na empresa ALPAR, como mencionado em  correspondência  anterior  a  respeito  da mesma  transação,  deve­se  a  lançamento  de  aumento  de  capital  de  sua  acionista  MASU6  (Razão  contábil  de  MASU6  e  ALPAR  seguem anexos);  3  ­  Ocorre  que  tal  lançamento  em  conta  caixa  teve  a  intenção  de  ser  apenas  momentâneo,  pois  a  acionista  MASU6  seria  também  incorporada  pela  empresa  ALIANSCE  SHOPPING  CENTERS  S/A.  As  atas  de  Assembléia  Geral  Extraordinária  da  ALIANSCE  realizadas em 31/05/2007, que aprovaram a  incorporação  da MASU6 e da ALPAR seguem anexas.  4 ­ Em   31/05/2007  ALIANSCE  procede  com  os  lançamentos  contábeis  de  incorporação  das  empresas  ALPAR e MASU6, sendo assim, o valor mencionado de R$  29.978.339,62,  transitou  apenas  para  a  formalização  das  transações  de  aumento  de  capital  e  lançamentos  de  Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/2011­88  Acórdão n.º 1301­001.928  S1­C3T1  Fl. 1.397          4 incorporação,  não  transitando  pela  conta  de  banco  na  empresa ALPAR  ou  da ALIANSCE,  pois  ficaram  na  conta  bancária  da MASU6  (extrato  bancário  já  disponibilizado  em  correspondência  anterior)  que  fora  transferida  por  incorporação para a ALIANSCE;  5  ­  Em  30/06/2007,  para  fazer  valer  o  saldo  da  conta  bancária  ora  transferida  da  empresa MASU6,  ALIANSCE  corrigiu através de  lançamento de reclassificação o saldo  da  conta  caixa  ­  110103  de  R$  29.978.339,62,  para  a  conta  Unibanco  ­  MASU6,  cujo  montante  de  R$  29.978.339,62 encontra­se incluso.  Em  11/07/2011  ­  Através  de  carta  assinada  pelo  Diretor,  o  Contribuinte encaminhou os seguintes documentos:  Carta resposta aos questionamentos feitos no TIF 06 (repetiu a  carta acima);  Cópia dos extratos bancários em nome de MASU6 Participações  S/A, informando que a mesma foi incorporada pela remetente, no  período de 01/06 a 13/09/2007, pós­incorporação.  Cópia  do  Razão  contábil  da  ALIANSCE,  conta  "1.1.02.04  ­  Unibanco ­ MASU6", do mesmo período.  (...)  De  posse  dos  documento  dos  “Atos  Sociais”,  dos  extratos  bancários  e  registros  contábeis  a  fiscalização  analisou  a  movimentação  financeira  do  contribuinte, verificando o seguinte:  1)  De  fato  ocorreu  uma  reorganização  societária  no  grupo,  sendo  que  a  auditoria  por  amostragem  mostrou  que  as  incorporações  efetuadas  pela  ALPAR  Investimentos  e  Participações  S/A  ­  CNPJ  ne  08.298.717/0001­73  e  a  sua  incorporação  pela  ALIANSCE  SHOPPING  CENTERS  S/A  ­  CNPJ ne 06.082.980/000, ') foram por avaliação a valor contábil.  Não foram criados ágios ou deságios;  2)­  A  empresa  MASU6  Participações  S/A  ­  CNPJ  08.091.139/0001­08,  não  comprovou  a  efetiva  entrega  dos  numerários  e  a  origem  dos  recursos,  no  valor  de  R$  29.978.339,62,  relativa  à  subscrição  ~  inicialização  de  12.388.332  ações  ordinárias nominativas,  emitidas por ALPAR  Investimentos  e Participações  S/A  ­ CNPJ ne  08.298.717/0001­ 73, nos termos do "Boletim de Subscrição", aprovado na Ata de  Assembléia Geral Extraordinária da ALPAR, realizada no dia 21  de maio de 2007.  3)  Conforme  "Ata  da  Assembléia  Geral  Extraordinária,  Realizada no dia 21 de Maio de 2007"de Alpar Investimentos e  Participações S/A (documento entregue à fiscalização, em 13 de  outubro  de  2010,  em  atendimento  ao  Termo  Fiscal  nQ  2),  no  parágrafo  DELIBERAÇÕES  APROVADAS  POR  UNANIMIDADE,  fora  aprovado  (Doe.  13/10/2010  ­  "AGE  Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/2011­88  Acórdão n.º 1301­001.928  S1­C3T1  Fl. 1.398          5 ALPAR ­ 21/05/2007)  : por unanimidade, o aumento de capital  social  no  valor  de  R$  29.978.339,62,  mediante  emissão  de  12.388.332  ações  ordinárias  nominativas,  sem  valor  nominal.  Com  a  expressa  concordância  dos  demais  acionistas,  que  renunciaram  ao  seu  direito  de  preferência,  sendo  a  totalidade  das ações subscritas pela acionista MASU6 Participações S/A, a  serem integralizadas em moeda corrente nacional, nos termos do  "Boletim  de  Subscrição",  firmado  nesta  data,  ora  anexado  à  presente ata.  4) ­ Conforme "Boletim de Subscrição ­ Documento III, lido na  Assembléia Geral Extraordinária realizada no dia 21 de Maio de  2007" de Alpar Investimentos e Participações S/A, foi aprovado  o seguinte (Doe. 13/10/2010 ­ "AGE ALPAR ­ 21/05/2007):”  Subscritor: Masu6 Participações S/A ­ CNPJ 08.091.139/0001­ 08  Número  de  ações  subscritas:  12.388.332  ações  ordinárias,  nominativas e sem valor nominal.  Valor de Subscrição: R$ 29.978.339,62  {vinte e nove milhões,  novecentos e setenta e oito mil, trezentos e trinta e nove reais e  sessenta e dois centavos);  Forma  de  Integralização:  As  ações  ora  subscritas  serão  integralmente  integralizadas  no  prazo  de  até  30  (trinta)  dias  contados desta data, em moeda corrente do país.  5)  conforme  "razão  contábil  por  contrapartida"  (13/10/2010  ­  Razão  ALPAR  ­  Caixa  110101),  em  24/05/2007,  ALPAR  fez  lançamento contábil na conta "110101 ­ Caixa", no valor de R$  29.978.339,62, em contrapartida com a conta "270101 ­ Capital  Social Integralizado, com o histórico "Valor integralizado nesta  data", como se fosse um recebimento em moeda;  ;  Conforme os razões contábeis das contas "110206 ­ Banco ABC  do Brasil" e "110209 ­Unibanco", em seus registros não existe o  valor de R$ 29.978.339,62 (Doc. 05/07/2011 ­ Razões Contábeis  ALPAR);    5.1) Conforme "razão contábil da MASU6" (05/07/2011 ­ Razões  Contábeis MASU6), em 24/05/2007, MASU6 fez  lançamento na  conta  "110209  ­  Unibanco",  em  contrapartida  com  a  conta  "130102250001  ­  Investimentos"  ­  sub  conta  "Alpar  Investimentos S/A", com o histórico "valor aportado nesta data",  no valor de R$ 29.978.339,62, como se fosse uma transferência  bancária:  5.2) Registro contábil na ALIANSCE ­ Incorporação da ALPAR:   Conforme "Razão de lançamentos contábeis" da ALIANSCE, em  31/05/2007,  ALIANSCE  fez  lançamentos  contábeis  na  conta  "270109  ­  Capital  Integralizado  ­  Alpar",  relativos  a  incorporação  da  ALPAR,  (05/07/11  ­  Razão  Lanç.  Cont.  ALIANSCE),  com  avaliação  a  valor  contábil,  inclusive  com  o  Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/2011­88  Acórdão n.º 1301­001.928  S1­C3T1  Fl. 1.399          6 capital social integralizado de R$ 65.098.179,80 (Saldo anterior  de  R$  35.119.840,18  +  R$  29.978.339,62)  e  a  conta  caixa  no  valor  de  R$  29.978.339,62,  conforme  balancete  da ALPAR  em  31/05/2007 (Doc. 05/07/11 ­ AGE ALIANSCE 31/05/2007 ­ Inc.  ALPAR);  Conforme  razão  e  lançamentos  contábeis  da  ALIANSCE  ,  em  30/06/2007,  foi  creditada  a  conta  “110103  –  Caixa  Alpar”  e  debitada  a  conta  “110224  –  Unibanco  –  Masu6”,  com  o  histórico  de  “reclassificação  entre  contas”  (Doc.  05/07/11  –  Razão Lanç. Cont. ALIANCE) no valor de R$ 29.978.339,62.   5.3) Extratos Bancários:  5.3.1) Extratos Bancários da MASU6:  Conforme  extrato  bancário  da  "CC:  300  102520­00  ­  Unibanco",  no  período  de  24/04/2007  a  31  07,  não  houve  a  transferência  de  R$  29.978.339,62,  para  a  integralização  do  capital da ALPAR (Doe. 20/06/2011 ­ Extratos Bancários e Reg.  Cont. MASU6).  5.3.2­ Extratos Bancários da ALPAR:  Conforme  extratos  bancários  das  "CC:  0022011430  ­  Banco  ABC Brasil S.A" e "CC: 3001025141 ­ Unibanco", também não  houve  a  transferência  de  R$  29.978.339,62,  para  a  integralização do capital da ALPAR (Doe. 13/10/2010: Extratos  do Unibanco ALPAR e Extratos do Bc ABC Brasil);  5.3.3­ Extrato Bancário da ALIANSCE (antiga CAYAPAS):  Conforme extrato bancário da "CC: 300 204269­9 ­ Unibanco",  também não houve a transferência de R$ 29.978.339,62, relativo  à  integralização  do  capital  da  ALPAR  (Doe.  21/06/2011  ­ Extratos do Bancários ALIANSCE).  6. Esclarecimentos Formais do Contribuinte:  O  lançamento  em  conta  caixa  teve  a  intenção  de  ser  apenas  momentâneo,  pois  a  acionista  MASU6  seria  também incorporada pela empresa ALIANSCE SHOPPING  CENTERS  S/A  ("ALIANSCE"),  As  atas  de  Ata  de  Assembléia  Geral  Extraordinária  da  ALIANSCE  realizadas em 31/05/2007, que aprovaram a incorporação  da  MASU6  e  da  ALPAR,  seguem  anexas.  Em  31/05/2007  ALIANSCE  procede  com  os  lançamentos  contábeis  de  incorporação  das  empresas  ALPAR  e  MASU6,  sendo  assim, o valor mencionado de R$ 29.978.339,62, transitou  apenas para a formalização das transações de aumento de  capital  e  lançamentos  de  incorporação,  não  transitando  pela conta de banco na empresa ALPAR ou da ALIANSCE,  pois  ficara  na  conta  bancária  da  MASU6  \  (extrato  bancário  já disponibilizado em correspondência anterior)  que fora transferida por incorporação para a ALIANSCE;  Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/2011­88  Acórdão n.º 1301­001.928  S1­C3T1  Fl. 1.400          7 Em  30/06/2007,  para  fazer  valer  o  saldo  da  conta  bancária  ora  transferida  da  empresa MASU6,  ALIANSCE  corrigiu através de  lançamento de reclassificação o saldo  da  conta  caixa  ­  110103  de  R$  29.978.339,62,  para  a  conta  Unibanco  ­  MASU6,  cujo  montante  de  R$29.978.339,62 encontra­se incluso".  7. Conclusão da Fiscalização:  7.1 Registros contábeis e Extrato Bancário da MASU6.  Com  base  nos  registros  contábeis  e  extratos  bancários,  considero  que  ocorreu  a  falta  de  comprovação  da  origem  dos  recursos  e  da  efetiva  entrega  dos  numerários,  por  parte  da  companhia  MASU6  PARTICIPAÇÕES  S/A  ­  CNPJ  Nº  08.091.139/0001­08  quando  da  integralização  de  capital  na  ALPAR  INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A  ­ CNPJ Nº  08.298.717/0001­73  nos  termos  do  boletim  de  subscrição  no  valor de R$ 29.978.339,62.  7.2 Registros contábeis e Extrato Bancário da ALIANSCE:  Com  a  incorporação  da  ALPAR  INVESTIMENTOS  E  PARTICIPAÇÕES S/A ­ CNPJ Nº 08.298.717/0001­73, ocorrida  em 31/05/2007, com avaliação a valor contábil, inclusive com o  capital social integralizado de R$ 65.098.179,80 (Saldo anterior  de R$ 35.119.840,18 + "R$ 29.978.339,62") e a conta caixa no  valor  de  R$  29.978.339,62  (conforme  balancete  da  ALPAR  de  31/05/2007), ALIANSCE SHOPPING CENTERS S/A  ­ CNPJ n9  06.082.980/0001­03,  em  30/06/2007,  "ajustou"  a  sua  conta  bancária,  transferindo  os  recursos  da  conta  "110103  ­  Caixa  Alpar" e debitando a conta "110224 ­ Unibanco ­ Masu6", com o  histórico de "Reclassificação entre contas".  7.3  Relativamente  às  alegações  do  Contribuinte  ALIANSCE  SHOPPING CENTERS S/A ­ CNPJ nº 06.082.980/0001­03:  7.3.1 Não há comprovação nos lançamentos contábeis e extratos  bancários da ALIANSCE, ALPAR ou MASU6 de que os recursos  no  valor  de  R$  29.978.39,62  relativos  à  Integralização  de  Capital efetuada por MASU6 PARTICIPAÇÕES S/A – CNPJ Nº  08.091.139/0001­08  na  ALPAR  INVESTIMENTOS  E  PARTICIPAÇÕES S/A ­ CNPJ N9 08.298.717/0001­73, conforme  AGE de 21/05/07 nos termos do Boletim de Subscrição no valor  de R$ 29.978.339,62.   7.3.2 Não procede a alegação de que o lançamento contábil de  integralização de capital pela MASU6 na ALPAR teve intenção  de  ser  apenas  momentâneo,  pois  sua  incorporação  pela  ALIANSCE , ocorrida em 31/05/2007, se deu pela avaliação com  base  no  valor  contábil  da  ALPAR,  inclusive  com  o  capital  integralizado  de  R$  65.098.179,80  (saldo  anterior  de  R$  35.119.840,18  +  29.978.339,62  integralizado  pela  MASU6  conforme balancete da ALPAR de 31/05/2007, passando a fazer  parte do capital integral da incorporadora ALIANSCE.  Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/2011­88  Acórdão n.º 1301­001.928  S1­C3T1  Fl. 1.401          8 7.3.3  Considerando  que  a  incorporação  da  ALPAR  INVESTIMENTOS  E  PARTICIPAÇÕES  S/A  ­  CNPJ  Ne  08.298.717/0001­73 pela ALIANSCE SHOPPING CENTERS S/A  ­ CNPJ ns 06.082.980/0001­03, ocorrida em 31/05/2007, se deu  com  avaliação  a  valor  contábil,  cujo  patrimônio  líquido  foi  aprovado  por  empresa  de  auditores  independentes  (Global  Auditores  Independentes  ­CNPJ  nº  08.298.717/0001­73),  está  correto  o  lançamento  de  reclassificação  do  saldo  da  "conta  110103  ­  Caixa  ­  Alpar"  para  a  "conta  11024  Unibanco  ­  Masu6", cujo saldo era de R$ 29.978.339,62.  8. CONSTATAÇÃO FISCAL:  A empresa MASU6 Participações S/A ­ CNPJ 08.091.139/0001­ 08, não comprovou a efetiva entrega dos numerários e a origem  dos  recursos,  no  valor  de  R$  29.978.339,62,  relativa  à  subscrição  e  integralização  de  12.388.332  ações  ordinárias  nominativas, emitidas por ALPAR Investimentos e Participações  S/A  ­ CNPJ ne  08.298.717/0001­73, nos  termos do "Boletim de  Subscrição",  aprovados  na  Ata  de  Assembléia  Geral  Extraordinária da ALPAR, realizada no dia 21 de maio de 2007,  incidindo na infração de "Suprimento de Numerário por Pessoas  Ligadas,  Quando  não  Comprovada  a  Origem  dos  Recursos",  com  infração  aos  artigos  249  inciso  II,  251  parágrafo  único,  279, 282 e 288 do Regulamento do Imposto de Renda ­ Decreto  n9 3.000, de 26/03/1999 e artigo 24 da Lei 9.249/95.   Tendo em vista que a ALIANSCE SHOPPING CENTERS S/A. –  CNPJ 06.082.980/0001­03, incorporou as companhias ALPAR e  MASU6,  em  31/05/2007,  tornou­se  a  sucessora  daquelas  empresas e, por conseguinte, o lançamento do crédito tributário  será em seu nome e CNPJ.  (. . .)   A contribuinte tomou ciência do auto de infração em 05/11/11 conforme AR  de fls. 430 e, irresignada, apresentou a impugnação de fls. 521/546 em 02/12/11, a  qual, em síntese, contém as seguintes alegações:  a)  a  IMPUGNANTE  esclareceu  à  fiscalização  que  apesar  de  os  registros  contábeis da ALPAR e da MASU6 indicarem a  integralização, em 24.05.2007, do  referido  aumento  de  capital  de  R$  29.978.339,62,  tais  recursos  não  foram  transferidos  da  MASU6  para  o  caixa  da  ALPAR  na  referida  data.  Foi  um  erro  contábi1.   b)  Na  realidade,  os  R$  29.978.339,62  em  questão  estavam  disponíveis  em  conta bancária da MASU6 mantida no Banco Unibanco (ag. 0300, c/c n° 102520­8),  e lá permaneceram até a incorporação da MASU6 pela IMPUGNANTE, quando tal  conta passou à titularidade da IMPUGNANTE, por sucessão.  c) Esclareceu a  IMPUGNANTE, ainda, que  tais equívocos foram corrigidos  pouco depois, quando a IMPUGNANTE, tendo incorporado tanto a ALPAR como a  MASU6,  reclassificou  a  conta  contábil  "11013  ­  Caixa  Alpar"  para  a  sua  conta  contábil "110224 ­ Unibanco ­ Masu6" (correspondente justamente à referida conta  corrente anteriormente de titularidade da MASU6).  Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/2011­88  Acórdão n.º 1301­001.928  S1­C3T1  Fl. 1.402          9 d)  Por  entender  que  as  justificativas  e  documentos  apresentados  pela  IMPUGNANTE não seriam suficientes para comprovar a origem e a efetividade da  entrega dos recursos em discussão, a fiscalização concluiu que o aumento de capital  no  montante  de  R$  29.978.339,62,  supostamente  recebido  pela  ALPAR,  corresponderia a uma omissão de receitas, sujeita à incidência de IRPJ, CSLL, PIS e  COFINS.  e) Pela leitura dos AUTOS e do Termo de Constatação Fiscal a eles anexado,  percebe­se claramente que a autuação tem por base o art. 282 do RIR/99. Os demais  dispositivos invocados pela fiscalização, (arts. 249, II, 251, parágrafo único, 279, e  288  do  RIR/99  e  o  art.  24  da  Lei  n°  9.249/96  servem  apenas  para  dar  subsídios  gerais à autuação.  f)  O  item  6.3  do  Termo  de  Constatação  fiscal  demonstra  que  a  própria  autoridade  fiscal  reconhece  que  os  recursos  em  questão  nunca  chegaram  a  ser  transferidos  da  MASU6  para  a  ALPAR,  permanecendo  sob  a  titularidade  da  MASU6  até  a  sua  incorporação  pela  IMPUGNANTE,  e  considera  correta  reclassificação  feita  pela  IMPUGNANTE  do  valor  de  R$  29.978.339,62  de  sua  conta contábil "110103 ­ Caixa Alpar" para a sua conta contábil "110224 ­ Unibanco  ­ Masu6".  Transcrevo o item 6.3:  "6.3 ­ Registros Contábeis Efetuados na ALIANSCE   Com  a  incorporação  da  ALPAR  INVESTIMENTOS  E  PARTICIPAÇÕES  S.A.  ­  CNPJ  N°  0  8.298.717/0001­73,  ocorrida  em  31/05/2007,  com  avaliação  a  valor  contábil,  inclusive com o capital social integralizado de R$ 65.098.179,80  (Saldo  anterior  de R$  35.119.840,18 +  'R$  29.978.339,62)  e  a  conta caixa no valor de R$ 29.978.339,62  (conforme balancete  da  ALPAR  de  31/05/2007),  ALIANSCE  SHOPPING CENTERS  S/A  ­ CNPJ n° 06.082.980/0001­03,  em 30/06/2007,  'ajustou' a  sua conta bancária, transferindo os recursos da conta '110103 ­  Caixa Alpar' e debitando a conta  '110224 ­Unibanco ­ Masu6',  com o histórico de 'Reclassificação entre contas'.  Considerando que a incorporação da ALPAR INVESTIMENTOS  E PARTICIPAÇÕES S.A.  ­ CNPJ N° 0 8.298.717/0001­73 pela  ALIANSCE  SHOPPING  CENTERS  S/A­CNPJ  n°  06.082.980/0001­03,  ocorrida  em  31/05/2007,  se  deu  com  avaliação a valor contábil, cujo patrimônio líquido foi aprovado  por  empresa  de  auditores  independentes  (Global  Auditores  Independentes  ­  CNPJ  n°  08.298.717/0001­73),  está  correto  o  lançamento  de  reclassificação  do  saldo  da  'conta  110103  ­  Caixa ­Alpar' para a  'conta 11024 Unibanco — Masu6', cujo  saldo era de R$ 29.978.339,62." (Grifos da IMPUGNANTE).  A  contribuinte  transcreve  precedentes  administrativos  do  CC,  atual  CARF,  contendo entendimento de que erros contábeis não são fatos geradores de tributos.  h) No caso concreto, porém, a própria fiscalização reconhece que o montante  correspondente  ao  aumento  de  capital  em discussão  jamais  ingressou  no  caixa  da  ALPAR; nesse sentido, vale transcrever o seguinte trecho do Termo de Constatação  Fiscal:  Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/2011­88  Acórdão n.º 1301­001.928  S1­C3T1  Fl. 1.403          10 "2 ­ Registros Contábeis:  2.1 ­ Registros contábeis na ALPAR:  Conforme 'razão contábil por contrapartida' (Doe. 13/10/2010 ­  Razão  ALPAR  ­  Caixa  110101),  em  24/05/2007,  ALPAR  fez  lançamento contábil na conta  '110101 ­ Caixa', no valor de R$  29.978.339,62, em contrapartida com a conta '270101 ­ Capital  Social Integralizado' , com o histórico 'Valor integralizado nesta  data', como se fosse um recebimento em moeda;  Conforme razões os contábeis das contas '110206 ­ Banco ABC  do Brasil' e '110209 ­ Unibanco', em seus registros não existe o  valor de R$ 29.978.339,62 (Doe. 05/07/2011 ­ Razões Contábeis  ALPAR);  2.2 ­ Registro contábil na MASU6:  Conforme 'razão contábil da MASU6' (Doe. 05/07/2011 ­ Razões  Contábeis MASU6), em 24/05/2007, MASU6 fez  lançamento na  conta  '110209  ­  Unibanco',  em  contrapartida  com  a  conta  '130102250001 ­ Investimentos' ­ sub conta 'Alpar Investimentos  S/A', com o histórico 'valor aportado nesta data', no valor de R$  29.978.339,62, como se fosse uma transferência bancária;  3 ­ Extratos Bancários:  3.1 ­ Extratos Bancários da MASU6:  Conforme extrato bancário da ' CC: 300 102520 ­Unibanco', no  período de 24/04/2007 a 31/05/2007, não houve a transferência  de RS 29.978.339,62, para a integralizaçâo do capital da ALPAR  (Doe. 20/06/2011 ­Extratos Bancários e Reg. Cont. MASU6).  3.2 ­ Extratos Bancários da ALPAR:  Conforme extratos bancários das CC: 0022011430 ­ Banco ABC  do Brasil  S.A'  e  ' CC: 300 102514­1  ­ Unibanco',  também não  houve  a  transferência  de  R$  29.978.339,62,  para  a  integralização do capital da ALPAR (Doe. 13/10/2010: Extratos  do Unibanco ALPAR extratos do Bc ABC Brasil);  3.3 ­ Extrato Bancário da ALIANSCE (antiga CAYAPAS):  Conforme  extrato  bancário  da  CC:  300  204269­9  ­Unibanco,  também não houve a transferência de R$ 29.978.339,62, relativo  à  integralização  do  capital  da  ALPAR  (Doc.  21/06/2011  ­  Extratos do Bancários [sic] ALIANSCE)  i) Ou seja, é fato incontroverso que o montante em discussão nunca chegou a  ingressar no caixa ou em conta bancária de titularidade da ALPAR.  j)  Em  outras  palavras,  a  fiscalização  acusa  ter  havido  "suprimento  de  numerário" reconhecendo, paradoxalmente, que o numerário não ingressou no caixa  ou  nas  contas  bancárias  da  ALPAR.  É  o  "suprimento  de  numerário"  sem  "suprimento" e sem "numerário"!  Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/2011­88  Acórdão n.º 1301­001.928  S1­C3T1  Fl. 1.404          11 k) Além de contraditório, tal procedimento é totalmente despropositado. Isso  porque,  como  já  destacado,  o  art.  282  do RIR/99  tem por  base  legal  o  art.  12  do  Decreto­lei  n°  1.598/77,  concebido  para  coibir  a prática do  chamado  "caixa dois"  por empresas vendedoras de mercadorias ou prestadoras de serviços; não há razão  para  se  estender  a  aplicação  do  art.  282  do RIR/99  a  empresas  "holding"  como a  ALPAR e a MASU6, que tinham por objeto apenas e tão­somente a participação em  outras  sociedades,  o  que  lhes  gerava  basicamente  receitas  de  equivalência  patrimonial e de dividendos, isentas da incidência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS.  l)  a  simples alegação de  suprimento de caixa por administradores ou sócios  não  é  suficiente  para  justificar  uma  autuação  com  base  no  art.  282  do  IR/99;  a  fiscalização  precisa  apresentar  provas  ou,  no mínimo,  indícios  de  que  a  empresa  questionada  teria  omitido  e  deixado de  oferecer  à  tributação parte das  receitas de  usas atividades operacionais.  m)  Em  realidade,  houve  um  mero  erro  contábil,  depois  corrigido,  que  foi  tomado  por  renda  omitida  da  ALPAR,  para  tentar  justificar  a  autuação  da  IMPUGNANTE.  n) Não obstante, para não restar dúvidas quanto à legitimidade das operações  realizadas,  a  IMPUGNANTE  passa  a  demonstrar  a  origem  desses  recursos,  que  passaram à sua titularidade, por sucessão, por ocasião da incorporação da MASU6 e  da ALPAR.   n1) Em 30.03.2007, como se verifica no extrato bancário da conta corrente de  titularidade  da MASU6  no UNIBANCO  (DOC.  05)  ,  havia  saldo  de  apenas  R$  16.316,79.  Dois  meses  depois,  em  31.05.2007,  quando  de  sua  incorporação  pela  IMPUGNANTE, o saldo da conta corrente em questão era de R$ 31.618.730,32 (o  qual  compreende  os  R$  29.978.339,62  que  deveriam  ter  sido  integralizados  em  ALPAR, mas acabaram não o sendo).  n2) Eis todos os lançamentos credores na referida conta corrente durante esse  período (vide DOC. 06):  · Em  05.04.2007:  TED­RECEBIDA  de  GIF  no  valor  de  R$  104.024.596,30;  · Em  13.04.2007:  TED­RECEBIDA  de  GIF  no  valor  de  R$  32.271.700,00;  · Em  08.05.2007:  BÔNUS  DE  CPMF  ­  CASH  no  valor  de  R$  65.511,72;  · Em  25.05.2007:  TED­RECEBIDA  de  GIF  no  valor  de  R$  23.000.000,00;  · Em 29.05.2007: TRANSFERÊNCIA INTERCONTA no valor de R$  7.323.665,72; e  · Em  29.05.2007:  TED­RECEBIDA  de  GIF  no  valor  de  R$ 849.558,97.  n3)  Os  créditos  ocorridos  nos  dias  05.04.2007  e  13.04.2007  referem­se  à  transferência de recursos financeiros de GIF em realização de aumento de capital de  MASU6 no valor de R$ 136.296.296,30 . A descrição do respectivo extrato bancário  Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/2011­88  Acórdão n.º 1301­001.928  S1­C3T1  Fl. 1.405          12 não deixa dúvidas quanto à origem dos recursos:  "TED­RECEBIDA BRADESCO  GBP I FUNDO DE INV".  n4) A IMPUGNANTE ora junta como DOC. 07 a ata da respectiva AGE de  MASU6  realizada  em  05.04.2007,  por  meio  da  qual  foi  aprovado  o  mencionado  aumento  de  capital  de  R$  136.296.296,30,  inteiramente  subscrito  por  GIF,  bem  como  o  respectivo  boletim  de  subscrição,  que  indica  sua  integralização  em  duas  parcelas nos exatos montantes citados.  n5) Por sua vez, os créditos ocorridos nos dias 25.05.2007 e 29.05.2007 são  transferências  de  recursos  financeiros  de  GIF  e MANET  em  realização  de  outro  aumento de capital de MASU6, no valor total de R$ 34.249.558,97.  n6) IMPUGNANTE também junta como DOC. 08 a ata da AGE da MASU6  realizada em 25.05.2007, por meio da qual foi aprovado aumento de capital de R$  34.249.558,97,  subscrito por GIF e MANET na proporção de R$ 23.000.000,00 e  R$ 11.249.558,97, respectivamente.  n7). O item acima, corresponde exatamente ao crédito de R$ 23.000.000,00 na  conta corrente de MASU6 em razão da integralização de ações de sua emissão por  GIF, no dia 25.05.2007, como descrito no respectivo boletim de subscrição (DOC.  09) n8)  .  Já  os  valores  creditados  em  29.05.2007  referem­se  a  transferências  realizadas por MANET, ou em nome desta, para a integralização parcial no valor de  R$ 8.173.224,69 das ações acima subscritas, restando uma parcela a integralizar de  R$ 3.076.334,38. Para comprovar a origem e entrega desses recursos financeiros à  MASU  6,  a  IMPUGNANTE  apresenta  os  seguintes  extratos  bancários,  que  demonstram a sua origem:  · extrato  bancário  da  conta  corrente  UNIBANCO  de  MANET  demonstrando a transferência dos R$ 7.323.665,72 em 29.05.2007; e  · extrato  bancário  da  conta  corrente  UNIBANCO  de  RIQUE  EMPREENDIMENTOS  E  PARTICIPAÇÕES  S.A.  (RIQUE)  demonstrando  a  transferência  dos  R$  849.558,97  em  29.05.2007.  Note­se  que  tais  recursos  foram  transferidos  por RIQUE à MASU6  em  nome  de  MANET,  a  qual  passou  a  registrar  uma  obrigação/passivo RIQUE com em igual valor.  n9)  Quanto  ao  saldo  remanescente  a  ser  integralizado  no  valor  de  R$  3.076.334,38 , a IMPUGNANTE esclarece que o mesmo foi integralizado por meio  de cheque emitido pela MANET no mesmo valor e cujo beneficiário original era a  MASU6 (DOC. 10), que, no entanto, endossou­o em favor da IMPUGNANTE, para  quitar uma dívida que  tinha  com esta. Para  comprovar  tal  fato,  a  IMPUGNANTE  ainda  apresenta  os  respectivos  extratos  bancários  da  MANET  e  da  própria,  que  evidenciam a emissão do cheque e o respectivo depósito (DOC. 11).  o) Resta claro, portanto, que os recursos mantidos em conta corrente da MASU6  tiveram  por  origem  transferências  de  capital  de  seus  sócios,  e  não  atividades  operacionais  por  ela  pontualmente  desenvolvidas,  sobre  as  quais  poderia  ser  presumida uma omissão de receitas.  p) Nesse sentido, ainda que a autoridade fiscal pudesse arguir de ALPAR e da  IMPUGNANTE, sua sucessora, a comprovação da origem dos recursos transferidos  Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/2011­88  Acórdão n.º 1301­001.928  S1­C3T1  Fl. 1.406          13 finalmente  à  IMPUGNANTE,  a  autuação  fiscal  não  pode  prosperar  em  razão  da  documentação acima apresentada, que comprova a licitude de sua origem.  A  contribuinte  termina  sua  impugnação  requerendo  que  sejam  julgados  improcedentes todos os autos de infração.  A  6ª  Turma  da  DRJ  em  Rio  de  Janeiro  ­  I  /  RJ  analisou  a  impugnação  apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 12­46.917, de 17/05/2012 (fls. 675/701),  considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ   Ano­calendário: 2007   OMISSÃO  DE  RECEITA.  SUPRIMENTOS  DE  CAIXA.  ERRO  CONTÁBIL NÃO COMPROVADO.  A escrita contábil deve refletir os fatos , sendo inadmissível que  os  acervos  líquidos  das  controladas,  avaliados  pelos  seus  valores  contábeis  no  momento  de  suas  incorporações  à  sua  controladora, estejam discrepantes com aquela.  SUPRIMENTO  DE  NUMERÁRIOS  PARA  INTEGRALIZAÇÃO  DE  CAPITAL.  INDÍCIO  SUFICIENTE  PARA  VERIFICAÇÃO  DA HIPÓTESE DA OCORRÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITA  COM BASE NO VALOR DO SUPRIMENTO.  A existência de suprimento de numerário por sócios é o indício  que, no caso de  falta de comprovação pelo contribuinte de sua  origem  e  de  sua  efetividade,  autoriza  a  presunção de  que  esse  mesmo valor suprido é oriundo de omissão de receita e deve ser  tributado de  forma autônoma, não se comunicando com outras  hipóteses de omissão de receita ou quanto a atividade principal  da pessoa jurídica autuada.  Assunto: Outros Tributos ou Contribuições   Ano­calendário: 2007   AUTOS  DE  INFRAÇÃO  CORRELATOS  Sendo  uma  mesma  infração fato gerador que enseja a incidência de outros tributos  a mesma sorte terão os autos de infração correlatos observadas  suas bases de cálculo e alíquotas próprias.  A ciência da decisão de primeira instância se fez por meio eletrônico, tendo  sido  lavrado Termo de Ciência por Decurso de Prazo  (fl.  712)  e o Termo de Perempção  (fl.  713). O processo foi encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União.  Posteriormente,  o  contribuinte  se  insurgiu  contra  os  rumos  que  o  processo  havia tomado, alegando que não havia optado pelas intimações por meio eletrônico. Encontro,  nos autos, diversos termos, despachos e extratos eletrônicos, sempre no sentido de averiguar o  que de fato teria ocorrido. Afinal, o Despacho de Encaminhamento, proferido pela autoridade  competente da Unidade Preparadora (fl. 1268) bem resume a conclusão, quanto a este ponto:  Trata o presente processo de auto de infração de IRPJ e reflexos, com decisão  de 1ª instância, fls. 675/701. A ciência foi realizada por meio eletrônico, fl. 705, com  Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/2011­88  Acórdão n.º 1301­001.928  S1­C3T1  Fl. 1.407          14 o que não concordou o contribuinte, sob a alegação de que nunca havia feito a opção  por  intimações  dessa  natureza.  Providências  foram  adotadas  por  essa  RFB,  juntamente ao SERPRO, na intenção de se comprovar que a opção havia sido feita,  porém,  sem  sucesso. Assim,  foi  solicitado o cancelamento da  inscrição  em dívida  ativa,  que  já  havia  sido  feita,  e  considerou­se  como  ciência,  não  a  decorrente  da  intimação  eletrônica,  mas  a  data  na  qual  o  contribuinte  obteve  cópia  integral  do  processo,  fl.  833,  22/03/2014.  O  interessado  apresentou  a  documentação  para  Recurso Voluntário,  fls.  836/885  dentro  do  prazo  legal. Desta  forma,  proponho o  encaminhamento o processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.  O  recurso  voluntário  foi  apresentado  em  12/04/2013,  conforme  carimbo de  recepção à folha 836.  No  recurso  interposto  (fls.  837/876),  a  recorrente  alega  preliminarmente  a  tempestividade de seu recurso, protestando que a ciência da decisão de primeira instância, feita  por  meio  eletrônico,  seria  inválida,  posto  que  nunca  teria  optado  por  essa  forma  de  comunicação de atos processuais.  No  mérito,  a  interessada  reitera  os  argumentos  apresentados  em  sede  de  impugnação,  no  sentido  de  que  tratar­se­ia  de  mero  equívoco  contábil  e  que  a  efetiva  integralização  do  aumento  de  capital  da ALPAR,  subscrito  por MASU6,  nunca  teria  de  fato  ocorrido.  Ao  serem  ambas  as  empresas  incorporadas,  ao  mesmo  tempo,  pela  ora  recorrente  ALIANSCE,  a  correção  do  equívoco  contábil  teria  sido  feita  mediante  realocação  da  conta  caixa para a conta banco.  A recorrente sustenta, ainda, que a presunção legal do art. 282 pressupõe ter  havido um efetivo  recebimento no caixa, o que não seria o caso dos autos. Acrescenta que a  própria fiscalização teria reconhecido que não houve ingresso no caixa da ALPAR.  A interessada combate o entendimento do acórdão recorrido, e afirma que os  erros contábeis cometidos por ALPAR e MASU6 em nada teriam interferido na quantificação  do saldo da conta de capital social da recorrente. Em suas palavras (fl. 858):  5.23. Em outras palavras, ou o valor de R$ 29.978.332,62 estava refletido na  conta de  investimentos de MASU6 em ALPAR e não em disponibilidades ­ como  erroneamente constava da sua contabilidade ­ ou tal valor estava refletido na conta  de  disponibilidades  e  não  na  de  investimentos  ­  como  indicavam  os  extratos  bancários  da  empresa  ­,  mas  em  ambas  as  hipóteses  o  aumento  de  capital  da  RECORRENTE decorrente da absorção dos acervos líquidos de ALPAR e MASU6  seria o mesmo.  5.24. Na primeira hipótese, os investimentos de MASU6 em ALPAR seriam  desprezados  para  não  haver  duplicidade  de valores uma vez que ALPAR  também  estaria sendo  incorporada; na segunda hipótese, não se consideraria o valor de R$  29.978.332,62 na conta de investimentos de MASU6 em ALPAR e nem tal valor no  acervo líquido de ALPAR, mas seriam consideradas as disponibilidades de MASU6.  5.25.  Ou  seja,  o  acervo  líquido  consolidado  de MASU6  e ALPAR  sempre  representaria  o  mesmo  valor  e,  por  conseguinte,  o  aumento  de  capital  da  RECORRENTE sempre seria o mesmo.  Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/2011­88  Acórdão n.º 1301­001.928  S1­C3T1  Fl. 1.408          15 Na  sequência,  a  recorrente  repete  os  argumentos  acerca  da  origem  dos  recursos da MASU6, que passaram à titularidade da ALIANSCE por ocasião da incorporação  da MASU6 e da ALPAR.  Também repisa as alegações de que seriam necessárias provas e/ou  indícios  de que a empresa teria omitido e deixado de oferecer à tributação parte de suas receitas.  Conclui com o pedido de cancelamento das exigências.  Finalmente,  em  19/08/2015,  foi  juntado  aos  autos  (fls.  1321/1384)  documento  intitulado "Aditamento ao Recurso Voluntário", mediante o qual a  recorrente traz  reforço  dos  argumentos  já  apresentados  no  recurso  voluntário  e  requer  a  juntada  de  laudo  pericial.  É o Relatório.    Voto             Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator  Após toda a celeuma, já relatada, acerca da comunicação dos atos processuais  por meio eletrônico, e da falta de prova de que a interessada houvesse optado por essa via, fato  admitido  pela  autoridade  preparadora,  tenho  que  o  recurso  deve  ser  considerado  tempestivo.  Tendo em vista que também atende aos demais requisitos processuais, dele conheço.  Gira  a  lide  em  torno  da  acusação  de omissão de  receitas,  quantificada  com  base na presunção legal conhecida como “suprimentos de caixa” estatuída pelo art. 12, § 3º, do  Decreto­Lei nº 1.598/1977 e art. 1º, inciso II, do Decreto­Lei nº 1.648/1978, bases legais do art.  282 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99).   Eis o dispositivo em comento:  Art.  282.  Provada  a  omissão  de  receita,  por  indícios  na  escrituração  do  contribuinte  ou  qualquer  outro  elemento  de  prova,  a  autoridade  tributária  poderá  arbitrá­la  com  base  no  valor  dos  recursos  de  caixa  fornecidos  à  empresa  por  administradores,  sócios  da  sociedade  não  anônima,  titular  da  empresa  individual,  ou  pelo  acionista  controlador  da  companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos  não  forem  comprovadamente  demonstradas  (Decreto­Lei  nº  1.598,  de  1977,  art.  12,  §3º,  e  Decreto­Lei  nº1.648,  de  18  de  dezembro de 1978, art. 1º, inciso II).  As presunções legais são um instrumento que permite ao Fisco a constituição  de créditos tributários em situações que seriam de muito difícil alcance. Uma vez verificado, na  prática, que um determinado fato econômico está, na grande maioria dos casos, associado ao  fato  gerador  tributário,  a  lei  atribui  àquele  primeiro  fato  (denominado  fato  indiciário)  a  condição de necessário e suficiente para a constituição de crédito tributário, sem a necessidade  de  provar  diretamente  a  ocorrência  do  fato  gerador.  A  presunção  diz­se  relativa  quando  o  Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/2011­88  Acórdão n.º 1301­001.928  S1­C3T1  Fl. 1.409          16 contribuinte tem a faculdade de provar que, em seu caso particular não ocorreu o fato gerador,  apesar de ter ocorrido o fato indiciário. É a inversão do ônus da prova.  Naturalmente,  o  fato  indiciário  deve  ser  provado  sem  qualquer  sombra  de  dúvida. Além disso, a presunção deve ser aplicada dentro da situação fática que, reiteradamente  observada na vida econômica das empresas, conduziu o legislador a estatuir a presunção legal.  Especificamente  sobre  a  presunção  legal  aqui  discutida,  Higuchi1  leciona  que:  Os  suprimentos  de  Caixa  cuja  origem  dos  recursos  não  for  devidamente  comprovada  são  tributados  como  receitas  omitidas  da  própria  empresa. Quando  a  pessoa  jurídica  paga  duplicatas  com  recursos  provenientes  de  receitas  omitidas  e  contabiliza os pagamentos terá necessidade de contabilizar a entrada de dinheiro na  conta Caixa,  porque, do  contrário,  o  seu saldo ficaria credor. Essa contabilização,  denominada suprimentos de Caixa, poderá ter como contrapartida a conta dos sócios  ou capital.  Qualquer que seja a contrapartida dos lançamentos, os suprimentos de caixa  devem  ser  comprovados  com  documentação  idônea  e  coincidente  em  datas  e  valores.  A  inteligência  da  presunção  é  de  que  o  contribuinte  empregou  recursos  estranhos à contabilidade (caixa­dois) para efetuar pagamentos contabilizados. Para impedir ou  mascarar o “estouro” do caixa, faz constar um ou mais  lançamentos a débito da conta Caixa,  como suprimento dessa conta, supostamente feito por sócio.  Não  pode  haver  dúvidas  de  que  os  recursos  efetivamente  ingressaram  no  Caixa, e a melhor prova disso, a meu ver, é a utilização contábil desses recursos, ou seja, o fato  de  serem  empregados  na  operação  normal  da  empresa,  com  desembolsos  e  pagamentos  variados, sempre a crédito da conta Caixa.   No  caso  concreto,  a  acusação  de  suprimento  de  caixa  se  baseia  no  fato  de  que, no entender da fiscalização, não haveria prova suficiente da origem e efetivo ingresso, na  pessoa  jurídica ALPAR  Investimentos  e  Participações  S/A,  da  integralização  de  capital  feita  por MASU6 Participações S/A, no montante de R$ 29.978.339,62, em 24/05/2007.  A defesa da recorrente, desde a fase de fiscalização, afirma que, não obstante  os  lançamentos  contábeis  em  ambas  as  empresas  ALPAR  e  MASU6,  antes  do  evento  de  incorporação, a movimentação financeira nunca teria de fato ocorrido. Os recursos destinados à  integralização do capital teriam, na verdade, permanecido em poder da investidora (MASU6),  em  sua  conta  corrente  bancária.  Quanto  da  incorporação  de  ambas  pela  ALIANSCE  em  31/05/2007, teria ocorrido o ajuste contábil, em 30/06/2007.  A  decisão  de  primeira  instância  fixou,  de  modo  irretocável,  a  correta  interpretação  do  art.  282  do RIR/99,  especialmente  acerca da  desnecessidade da presença de  “outros indícios” para a aplicação da presunção em tela. Quanto a este ponto, não há qualquer  reparo a fazer.                                                              1  HIGUCHI,  Hiromi,  e  outros.  Imposto  de  Renda  das  Empresas  ­  Interpretação  e  Prática.  29ª  Ed.  São  Paulo:  Editora do Autor, 2004, p. 600.  Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/2011­88  Acórdão n.º 1301­001.928  S1­C3T1  Fl. 1.410          17 No entanto, no que tange à aplicação prática do dispositivo ao caso concreto,  com a devida vênia, devo divergir.  O  ponto  central  da  discussão  é  se  os  R$  29.978.339,62  efetivamente  ingressaram,  em  espécie,  no  caixa  da  ALPAR  em  24/05/2007,  conforme  registrado  na  contabilidade daquela empresa, à fl. 320. Já se provou, à saciedade, que o lançamento contábil  na  investidora MASU6,  na mesma  data,  não  correspondeu  à  realidade  (Razão  fl.  334,  conta  contábil  1.1.02.09  –  Unibanco),  visto  que  não  houve  a  correspondente  saída  de  recursos  da  conta­corrente 300 102520­8 mantida no Unibanco (extrato fl. 262). Mas antes de se buscar a  “origem  e  efetivo  ingresso”  no  Caixa  da  investida  ALPAR,  é  necessário  perquirir  se  o  suprimento foi real, como afirma o Fisco, ou não, como sustenta a ora recorrente.  Compulsando  os  autos,  não  encontro  aquilo  que,  no  meu  entender,  constituiria  a  prova  da  realidade  do  suprimento,  a  saber,  o  emprego  do  valor  supostamente  suprido para pagamentos e desembolsos, no curso da operação normal da pessoa jurídica. Em  outras  palavras,  lançamentos  a  crédito  da  conta Caixa,  correspondentes  ao  uso  dos  recursos  supridos, a confirmar que, sem o suprimento, a conta Caixa ficaria com saldo credor.  O  razão  da  conta  1.1.01.01  –  Caixa  na  ALPAR  (fl.  320)  mostra  que,  em  31/05/2007, o  saldo  era de R$ 29.861.744,71. Na mesma data, por conta da  incorporação da  ALPAR pela ALIANSCE, esse valor  foi  transferido para a conta 1.1.01.03 – Caixa Alpar na  Aliansce. Considerando, por ora, exclusivamente a contabilidade, essa disponibilidade de caixa  passou à titularidade da incorporadora Aliansce.  Por  outro  lado,  na  investidora  MASU6,  o  razão  da  conta  1.1.02.09  –  Unibanco (fl. 334) mostra que o saldo contábil em 31/05/2007 era credor em R$ 1.049.558,97.  Esse  valor  deveria  corresponder  (mas,  de  fato,  não  correspondia)  ao  saldo  da  conta­corrente  300 102520­8, mantida pela MASU6 no Unibanco (extrato fl. 262, saldo da conta­corrente em  31/05/2007 positivo de R$ 31.618.730,32). Após a incorporação da MASU6 pela ALIANSCE,  essa conta­corrente passou à titularidade da incorporadora. Na contabilidade, foi criada a conta  contábil  1.1.02.24  –  Unibanco  Masu6  para  essa  finalidade  (razão  à  fl.  388).  Aqui,  considerando­se  exclusivamente  a  contabilidade,  não  haveria  disponibilidade  financeira  na  conta do Unibanco, muito embora, de fato, essa disponibilidade existisse.  Alega a recorrente que essa discrepância somente veio a ser corrigida um mês  depois,  em  30/06/2007.  Isso  teria  sido  feito mediante  o  lançamento  de R$  29.867.744,71,  a  débito de 1.1.02.24 – Unibanco Masu6 e a crédito de 1.1.01.03 – Caixa Alpar. A alegação da  recorrente  faz  sentido.  Observe­se  que,  após  31/05/2007,  tanto  o  antigo  Caixa  da  ALPAR  quanto a antiga conta­corrente da MASU6 passaram à titularidade da ALIANSCE. Em assim  sendo, o “excesso” encontrado na conta­corrente, quando comparado com a contabilidade, foi  corrigido  contra  a  “falta”  encontrada  no  caixa,  quando  também  comparado  com  a  contabilidade.  Isso  é compatível com a afirmação de que a movimentação de  recursos nunca  teria ocorrido de fato, em 25/05/2007, da MASU6 para a ALPAR.  Adicionalmente,  observo  que  o  valor  do  caixa  da  ALPAR  nunca  foi  empregado  para  pagamentos  ou  desembolsos  quaisquer,  permanecendo  intacto  até  o  lançamento de ajuste, com a única exceção descrita no parágrafo seguinte.  O  razão  do  caixa  da  ALPAR  (fl.  320)  acusa  um  pagamento  de  CPMF  no  valor de R$ 117.594,91, em 24/05/2007. Esse seria o único emprego do suprimento de caixa,  desde  essa  data  (mesma  do  suposto  suprimento)  até  30/06/2007,  data  do  lançamento  de  Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/2011­88  Acórdão n.º 1301­001.928  S1­C3T1  Fl. 1.411          18 reclassificação contábil, já após a incorporação da ALPAR pela ALIANSCE. Esse pagamento  nunca  veio  a  ser  questionado  pelo  Fisco.  De  pronto,  o  histórico  do  lançamento  (CPMF)  já  levanta dúvidas, visto que despesas com o pagamento dessa contribuição são sempre debitadas  pela  instituição  financeira na própria conta­corrente,  e seria, no mínimo, pouco usual que  tal  despesa viesse a ser paga com recursos de caixa. Além disso, após a incorporação, o razão da  conta 1.1.02.24 – Unibanco Masu6 registra um lançamento a débito, em 01/06/2007, no valor  de R$ 116.594,94 com o histórico “Diferença de caixa de Alpar / Masu6”. Esse valor, somado  à  “reclassificação  entre  contas”  de  R$  29.861.744,71,  conduz  precisamente  ao  suposto  suprimento de caixa aqui discutido, R$ 29.978.339,62. Tenho, assim, que o lançamento a título  de CPMF em 24/05/2007 foi equivocado, e corrigido após a incorporação.  No  mesmo  sentido,  a  análise  do  razão  da  conta  1.1.02.09  –  Unibanco  (fl.  334), na MASU6, no período entre 24/05/2007 e 31/05/2007, e da conta 1.1.02.24 – Unibanco  Masu6  (fl. 388), no período entre 01/06/2007 e 30/06/2007, mostra que diversos pagamentos  foram  contabilizados  fazendo  com que o  saldo  contábil muitas vezes  se apresentasse credor,  enquanto que o saldo da conta­corrente sempre foi positivo no período.  Com isso, concluo que não há provas de que o suprimento de caixa no valor  de R$ 29.978.339,62 tenha de fato ocorrido, tudo levando a crer que tenha se tratado, conforme  sustenta  a  recorrente,  de  lançamento  contábil  sem  sustentação  na  realidade  fática,  tanto  na  investida  ALPAR  quanto  na  investidora  MASU6,  ambas  posteriormente  incorporadas  pela  recorrente ALIANSCE.  A Autoridade Julgadora em primeira instância empreendeu análise minuciosa  de  aspectos  envolvendo  as  transferências  de  acervo  líquido  das  incorporadas  ALPAR  e  MASU6  para  a  incorporadora  ALIANSCE.  Entre  outros  aspectos,  sua  análise  se  baseou  na  confrontação  dos  livros Razão  com  o Balancete  da MASU6  (fl.  356,  anexo  ao  protocolo  de  incorporação).  Sua  conclusão,  em  apertada  síntese,  foi  de  que  a  ALIANSCE  teria  auferido  benefício  em  duplicidade  na  operação,  posto  que  “[...]  a  ALPAR  foi  incorporada  pela  ALIANSCE considerando a integralização de capital feita pela MASU6 com um suprimento de  caixa  no  valor  de  R$  29.978.332,62,  registrada  contabilmente  tanto  na  ALPAR  como  na  MASU6 e, ao mesmo tempo, a MASU6 foi incorporada pela ALIANSCE desconsiderando que  o saldo contábil da conta Banco Movimento Unibanco encontrava­se deduzido do valor de R$  29.978.332,62 que serviu para a integralização do capital na ALPAR”.  Com todo o respeito, considero que o Balancete da MASU6 (fl. 356), muito  embora  de  fato  revele  certas  incompatibilidades  com  as  contas  do  livro  Razão,  é  muito  sintético e insuficiente para firmar convicção acerca da correção de um (balancete) ou de outro  (livro  Razão).  Seriam  necessárias  maiores  verificações  e  aprofundamentos  para  se  chegar  a  essa conclusão, aprofundamentos esses que não foram feitos em momento algum, nem na fase  procedimental, nem após instaurado o contencioso administrativo. Ademais, ainda que, apenas  por  hipótese  argumentativa,  se  admita  a  ocorrência  de  alguma  irregularidade  societária  no  momento da  incorporação de ALPAR e MASU6, conduzindo a um benefício em duplicidade  para a incorporadora ALIANSCE, não vejo de que modo isso implicaria a comprovação de que  recursos de caixa no valor de R$ 29 milhões teriam sido supridos, em espécie, à ALPAR em  25/05/2007.  O emprego da presunção legal pressupõe a inexistência de dúvidas acerca do  fato indiciário. No caso do suprimento de caixa, o ingresso dos valores, em espécie, no caixa da  pessoa  jurídica  tem  que  estar  provado  acima  de  qualquer  dúvida.  Não  é  o  que  ocorre  no  Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/2011­88  Acórdão n.º 1301­001.928  S1­C3T1  Fl. 1.412          19 presente  caso,  pelo  que  a  acusação  de  omissão  de  receitas  com  esse  fundamento  não  pode  subsistir.  Por todo o exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário interposto.   (assinado digitalmente)  Waldir Veiga Rocha                                Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES

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Numero do processo: 13893.000429/2003-92
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. MÉRITO BASEADO EM AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO DESFAVORAVELMENTE AO SUJEITO PASSIVO. Nada obstante a possibilidade de o pedido administrativo de restituição tramitar paralelamente ao processo judicial em que o contribuinte busca obter provimento favorável à sua pretensão de fundo, o encerramento do litígio desfavorável ao contribuinte impede o deferimento da repetição de indébito. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-003.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Adriene Maria de Miranda Veras, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     2 Relatório  Preliminarmente, ressalta­se que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo  II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ RICARF/2015, fui  designado  como  redator  ad  hoc  (fl.  434),  para  formalização  do  respectivo  Acórdão,  considerando o  resultado  do  julgado,  conforme  o  constante  da ATA da  respectiva  sessão  de  julgamento.    O  contribuinte  MESO  MED.  EM  SAÚDE  OCUPACIONAL  S/C  LTDA.  interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 05­22.326, proferido em primeira  instância  pela  1ª  Turma  da  DRJ  de  Campinas  (DRJ/CPS),  que  julgou  improcedente  a  manifestação de inconformidade interposta pelo sujeito passivo, rejeitando­a.    Por bem explicitar os atos e  fases processuais ultrapassados até o momento  da  análise  da  manifestação  de  inconformidade,  adota­se  o  sucinto  relatório  elaborado  pela  autoridade julgadora a quo:    Trata­se de Pedido de Restituição de fl. 01, protocolado em 23/05/2003, no  valor  de  R$  45.840,70,  correspondente  a  recolhimentos  feitos  a  título  de  Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social­ Cofins, relativos  aos  períodos  de  apuração  janeiro/1998  a  março/2003,  fundamentado  na  suposta ilegalidade do art. 56 da Lei 9.430, de 1996, que revogou a isenção  'prevista no art.  6° da Lei Complementar 70, de 1991,  conforme  razões  de  fls. 03/34, Darfs de fls. 35/56 e planilhas de cálculo de fls. 57/61.    Ao  direito  creditório  postulado,  a  contribuinte  vinculou  débitos  tributários  mediante apresentação de declarações de compensação.  Em 26/07/2004 a DRF de origem exarou o despacho de fl. 86, decidindo pela  cobrança  dos  débitos  compensados,  tendo  em  vista  que  o  fundamento  do  pedido  de  restituição  da  contribuinte  seria  o  mesmo  por  ela  argüido  no  Mandado de Segurança n° 2004.61.19.000114­3.    Cientificada  desse  despacho  em  19/09/2006,  a  interessada  apresentou  “manifestação de inconformidade” em 09/10/2006 (fls. 194/217), alegando,  em  síntese:  a  distinção  entre  os  pedidos  formulados  no  mandado  de  segurança e no presente processo, conforme cópia da peça inicial em anexo;  seu direito ã restituição/compensação, em face da suposta ilegalidade do art.  56 da Lei 9.430, de 1996, que revogou a isenção prevista no art. 6° da Lei  Complementar  70,  de  1991;  prescrição  decenal  e  suposta  ilegalidade  do  artigo 3° da Lei n° 118, de 2005; direito à correção monetária.    Remetidos os autos à nova DRF jurisdicionante em 02/10/2007, essa unidade  emitiu  o  Despacho  Decisório  de  fls.  262/266,  indeferindo  o  pedido  de  restituição  e  não  homologando  as  compensações  dos  débitos,  sob  a  fundamentação  de  que:  estaria  extinto  o  direito  a  pleitear  eventual  restituição  quanto  aos  recolhimentos  em  análise,  a  teor  do  disposto  nos  artigos  165  e 168  do Código Tributário Nacional,  e na Lei Complementar  118, de 2005; o art. 56 da Lei 9.430, de 1996, revogou a isenção concedida  às  sociedades  civis  de  prestação  de  serviços  de  profissão  legalmente  regulamentada,  por  ser  a  Lei  Complementar  n°  70,  de  1991  apenas  Fl. 436DF CARF MF Impresso em 25/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13893.000429/2003­92  Acórdão n.º 3802­003.664  S3­TE02  Fl. 436          3 formalmente  lei  complementar,  não  cabendo  à  autoridade  fiscal  decidir  sobre a inconstitucionalidade/ilegalidade das leis.    Indeferida a Manifestação de  Inconformidade apresentada, o órgão  julgador  de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório, na forma  da ementa que segue:    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/2003    RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO.  O direito de a contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição  pago  indevidamente  extingue­se  após  o  transcurso  do  prazo  de  cinco  anos  contados da data do pagamento.    CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE.  O controle de constitucionalidade da legislação é de competência exclusiva  do  Poder  Judiciário.  A  extensão  administrativa  dos  efeitos  jurídicos  de  declaração  de  inconstitucionalidade  proferida  pelo  STF  no  exercício  do  controle  difuso  condiciona­se  às  hipóteses  estabelecidas  no  Decreto  n°  2.346, de 1997.    ISENÇÃO.  SOCIEDADE  CIVIL  DE  PROFISSÃO  REGULAMENTADA.  REVOGAÇÃO.  A  isenção  da  Cofins  que  beneficiava  as  sociedades  civis  de  prestação  de  serviços  profissionais  relativos  ao  exercício  de  profissão  legalmente  regulamentada,  prevista  na  Lei  Complementar  n°  70,  de  1991,  deixou  de  vigorar com a publicação da Lei n° 9.430, de 1996.    Rest/Ress. Indeferido ­ Comp. não homologada.'    Cientificada  acerca  da  decisão  exarada,  a  interessada  interpôs  o  presente  Recurso Voluntário, no qual reitera os termos de sua manifestação de inconformidade e reforça  a possibilidade de tramitação, paralelamente, entre o processo administrativo de restituição e a  ação  judicial  em  que  se  discute  a  constitucionalidade  da  revogação  da  isenção  de  COFINS  sobre as sociedades uniprofissionais.    É o relatório.  Voto             Conselheiro  Waldir  Navarro  Bezerra,  redator  ad  hoc  designado  para  formalizar  a  decisão  (fl.  434),  uma  vez  que  o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo  Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando  hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF,  aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015.  Fl. 437DF CARF MF Impresso em 25/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     4 Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros  processos nessa situação tratamento diverso.    Tempestivamente  interposto  e  manifestamente  admissível,  nos  termos  do  Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso Voluntário e passo à análise das razões recursais.    Nada obstante todos os elementos trazidos a exame, há uma questão que entendo  prejudicial para a análise do mérito: trata­se do trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº  0000114­51.2004.4.03.6119 (2004.61.19.000114­3).    Isso porque o presente pedido de restituição tem como fundamento o mesmo do  Mandado  de  Segurança,  qual  seja  a  discussão  acerca  da  constitucionalidade  da  revogação  da  isenção da COFINS para sociedades uniprofissionais.    Entendo,  a  princípio,  que  nada  obsta  a  que  o  contribuinte  ­  receoso  de  vir  a  caducar parte de seus créditos ­ apresente pedido de restituição, paralelamente a uma ação judicial  em que discute o mérito da questão central.    Ocorre que, no  caso  concreto,  o Mandado de Segurança  em que o Recorrente  discutia a questão de fundo transitou em julgado, desfavoravelmente à sua pretensão, em decisão  proferida pelo Tribunal Regional Federal da 3a Região, cujo Acórdão restou assim ementado:    TRIBUTÁRIO.  SOCIEDADE  CIVIL  DE  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS  PROFISSIONAIS  LEGALMENTE  REGULAMENTADA.  LEI  10.833/03.  RETENÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE.  1. O art. 30 da Lei 10.833/03 trata da chamada substituição tributária para  frente,  técnica  de  facilitação  da  arrecadação  tributária,  possibilitada  pelo  art.  150,  §  7º,  da  Constituição  Federal  e  declarada  constitucional  pelo  Supremo Tribunal Federal (RE 194.382 e 213.396).  2.  Não  há  ofensa  ao  art.  246  da  Constituição  Federal.  O  art.  30  da  Lei  10.833/03 não é  regulamentação do art.  150, § 7º, mas mera aplicação da  permissão constitucional especificamente à COFINS. Ademais, o art. 246 se  refere  a  artigo modificado  por  emenda  promulgada  a  partir  de  janeiro  de  1995 e a emenda que acrescentou à Constituição o § 7º do art. 150 é datada  de 1993.  3. Medida provisória pode regulamentar matéria tributária.  4. Apelação desprovida.    No voto condutor do Acórdão da Apelação, Rel. Des. Fed. Márcio Moraes, resta  nítida a identificação entre o presente processo administrativo e a tese de fundo:    “A  impetrante  alega  que  possui  crédito  tributário  por  ter  recolhido  a  COFINS,  apesar  da  isenção  conferida  pelo  art.  6º,  inciso  II,  da  Lei  Complementar  7/70.  Afirma  que  já  vinha  efetuando  a  compensação,  tendo  protocolado  um  pedido  de  restituição  em  23  de  maio  de  2003,  mas  foi  surpreendida  com  a  Lei  10.833/03,  que  impõe  a  retenção  e  a  impede  de  continuar compensando seu crédito.  O MM. Juízo a quo denegou a segurança.  A  impetrante  apela,  pugnando  pela  reforma  da  sentença  para  não  ser  submetida  à  retenção  do  art.  30  da  Lei  10.833/03,  reafirmando  os  argumentos expostos na inicial.”  Fl. 438DF CARF MF Impresso em 25/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13893.000429/2003­92  Acórdão n.º 3802­003.664  S3­TE02  Fl. 437          5   O encerramento da ação judicial (com arquivamento definitivo, após trânsito em  julgado,  em  19/12/2007)  desfavoravelmente  ao  Recorrente  inviabiliza  a  restituição  de  créditos  decorrentes da tese defendida em juízo.    Dessa  forma,  restam  prejudicados  todos  os  demais  argumentos  aduzidos  no  presente  Recurso  Voluntário,  uma  vez  que  qualquer  análise  feita  à  materialidade  do  crédito  esbarraria no provimento jurisdicional que considera insubsistentes os seus motivos para repetição  do indébito.      Conclusão  Ante  todo o exposto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário para, nessa  parte, negar­lhe provimento.      Este, portanto, foi o entendimento proferido pelo conselheiro relator na ocasião  em que o  feito  foi  julgado,  entendimento  o  qual  reproduzo  por  força do  disposto  no  artigo  17,  inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343,  de 09 de junho de 2015.       (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc.                                Fl. 439DF CARF MF Impresso em 25/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA

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6263959 #
Numero do processo: 10880.000959/2002-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 PEDIDO RESTITUIÇÃO. SALDO CREDOR E IRRF. São passíveis de restituição ou compensação os valores retidos na fonte referentes a receitas oferecidas à tributação apenas na medida em que contribuam para a formação de saldos credores de IRPJ. Considera-se apenas o IRRF cuja receita correspondente tenha sido oferecida à tributação, não cabendo a restituição/compensação do IRRF em si (apenas de eventual saldo credor). ANÁLISE E RECOMPOSIÇÃO DO SALDO DO IMPOSTO. COMPETÊNCIA. Compete ao órgão preparador a análise e recomposição do saldo do imposto em face da apresentação de provas documentais pertinentes pela contribuinte. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Rejeita-se a preliminar de nulidade do Despacho Decisório por cerceamento do direito de defesa quando o ato tenha sido praticado por pessoa competente e a Contribuinte, intimada a esclarecer as divergências encontradas pela autoridade tributária, não se manifesta.
Numero da decisão: 1402-000.716
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, e, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à Unidade de origem, para que, mediante complementação do despacho decisório, adentre no mérito, superando o erro de preenchimento da DCOMP, vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira que entendia que o colegiado poderia apreciar o mérito, ao amparo do art. 59, § 3º do Decreto 70.235/72.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2328; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T2  Fl. 783          1 782  S1­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.000959/2002­19  Recurso nº  169.394   Voluntário  Acórdão nº  1402­00.716  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  29 de setembro de 2011  Matéria  IRPJ  Recorrente  BRIPAR DOIS PARTICIPAÇÕES S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 1999, 2000, 2001  PEDIDO RESTITUIÇÃO. SALDO CREDOR E IRRF.  São  passíveis  de  restituição  ou  compensação  os  valores  retidos  na  fonte  referentes  a  receitas  oferecidas  à  tributação  apenas  na  medida  em  que  contribuam para a formação de saldos credores de IRPJ. Considera­se apenas  o  IRRF  cuja  receita  correspondente  tenha  sido  oferecida  à  tributação,  não  cabendo a restituição/compensação do IRRF em si (apenas de eventual saldo  credor).  ANÁLISE  E  RECOMPOSIÇÃO  DO  SALDO  DO  IMPOSTO.  COMPETÊNCIA.  Compete ao órgão preparador a análise e recomposição do saldo do imposto  em face da apresentação de provas documentais pertinentes pela contribuinte.  CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.  Rejeita­se a preliminar de nulidade do Despacho Decisório por cerceamento  do direito de defesa quando o ato tenha sido praticado por pessoa competente  e  a  Contribuinte,  intimada  a  esclarecer  as  divergências  encontradas  pela  autoridade tributária, não se manifesta.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  a  preliminar  de  nulidade,  e,  por  maioria  de  votos,  dar  provimento  parcial  ao  recurso,  para  determinar o retorno dos autos à Unidade de origem, para que, mediante complementação do  despacho  decisório,  adentre  no  mérito,  superando  o  erro  de  preenchimento  da  DCOMP,  vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira que entendia que o colegiado  poderia apreciar o mérito, ao amparo do art. 59, § 3º do Decreto 70.235/72.     Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.000959/2002­19  Acórdão n.º 1402­00.716  S1­C4T2  Fl. 784          2   (assinado digitalmente)  Albertina Silva Santos de Lima ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Frederico Augusto Gomes de Alencar  ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de  Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises  Giacomelli  Nunes  da  Silva,  Leonardo  Henrique  Magalhães  de  Oliveira  e  Albertina  Silva  Santos de Lima.  Relatório  Bri­Par  Dois  Participações  S.A.  recorre  a  este  Conselho  contra  decisão  de  primeira  instância  proferida  pela  5ª Turma da DRJ São Paulo/SP01,  pleiteando  sua  reforma,  com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF).  Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis):  “DOS PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO  Trata o presente de Pedidos de Restituição (constantes do presente processo,  de  nº  10880.000959/2002­19,  e  dos  processos  de  nºs  11610.005684/2002­44  e  11610.011320/2002­01, ora juntados ao presente), relativos, saldo credor de IRPJ e  IRRF (anos­calendário de 1999 a 2001), totalizando o montante de R$ 669.484,88,  cumulados com Pedidos de Compensação (vide relação à fl. 197).  Os Pedidos de Restituição, nos montantes de R$ 192.979,08, R$ 328.704,93 e  R$  147.800,87,  encontram­se,  respectivamente,  às  fls.  01,  428  e  492  do  presente  processo.  DO DESPACHO DECISÓRIO DA DERAT/DIORT  Em face desses pedidos, a DERAT/DIORT proferiu o Despacho Decisório de  fls. 197 a 224, nos seguintes termos:  A  fim  de  determinar  a  quais  anos­calendário  se  referem  os  Pedidos  de  Restituição fez­se a análise descrita à fl. 199 (item 6), cuja conclusão está a seguir  sintetizada:  Fl.  Valor (R$)  Anos­calendário  01  192.979,08  1999, 2000 e 2001  428  328.704,93  1999  492  147.800,87  2000  Em relação ao débito da COFINS, período de apuração dez/2001, objeto do  Pedido de Compensação de fl. 02, verificou­se, na DIPJ do ano­calendário de 2001,  Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.000959/2002­19  Acórdão n.º 1402­00.716  S1­C4T2  Fl. 785          3 que o valor da COFINS a pagar em dezembro/2001 é de R$ 539.716,40 (fl. 162). Foi  encontrado um pagamento de R$ 346.737,32, referente a esse débito (fl. 117), sendo  que o restante (R$ 192.979,08) corresponde ao Pedido de Compensação (fl. 02). O  valor  declarado  em  DCTF  foi  de  R$  346.737,32  (fl.  127),  de  modo  que  o  valor  correspondente ao Pedido de Compensação não foi declarado em DCTF.  A  seguir  a  autoridade  tributária  descreve  aparentes  inconsistências  encontradas na análise das pesquisas nos sistemas da Receita Federal.  Comparando­se  os  valores  referentes  a  Juros  sobre  Capital  Próprio  (JCP)  declarados nas DIPJs dos anos­calendário de 1999, 2000 e 2001 (fls. 137, 146 e 154,  respectivamente)  com  os  valores  declarados  nas  DIRFs  correspondentes  (fls.  142,  143, 149, 150, 159 e 160),  encontraram­se  algumas divergências,  conforme  tabela  abaixo:  Juros Sobre Capital Próprio  DIPJ (R$)  DIRF (R$)  Pagos em 1999  2.788.816,49  1.700.000,00  Recebidos em 1999  0,00  1.088.816,49  Pagos em 2000  4.382.490,05  559.398,41  Recebidos em 2000  3.970.280,68  3.970.280,68  Pagos em 2001  17.460.119,73  17.460.119,73  Recebidos em 2001  17.972.079,36  17.968.530,80  Executando  pesquisas  para  comprovar  o  efetivo  recolhimento  do  IRRF  relativo  a  JCP  pagos,  conforme  dados  declarados  em DIRF,  observa  a  autoridade  tributária  que  não  foi  encontrado  recolhimento  correspondente  ao  IRRF  do  ano­ calendário de 2001 (R$ 2.619.017,96, conforme DIRF de fl. 160), e que esse débito  de IRRF não foi declarado em DCTF.  A fim de esclarecer as supracitadas divergências, a contribuinte foi intimada  (fls.  107  a  109).  No  dia  30/10/2006,  alegando  dificuldades  operacionais  no  levantamento  das  informações  (fl.  110),  a  interessada  solicitou,  tempestivamente,  mais  20  dias  de  prazo,  tendo  sido  atendida. Até  a  data  do  presente  despacho, não  houve manifestação da interessada.  Não  havendo  a  comprovação  da  ocorrência  de  recolhimento  ou  pagamento  indevido  ou a maior,  há que  se  considerar  a  hipótese  de  a  interessada pretender  a  restituição de saldo credor de IRPJ (artigo 858 do RIR/99).  Analisando  as DIPJs  juntadas  aos  autos,  a  autoridade  tributária  interpretou,  por  economia  processual,  que  a  interessada  pretende  obter  restituição  de  saldos  credores de IRPJ apurados nessas DIPJs.  Considerando  que  a  interessada  não  atendeu  à  supracitada  intimação,  procedeu­se  ao  recálculo  do  imposto  de  renda  a  pagar,  com  base  nos  sistemas  constantes na Receita Federal,  conforme detalhado às  fls.  207/211  (ano­calendário  1999), 212/216  (ano­calendário 2000) e 217/221  (ano­calendário 2001), e a  seguir  sintetizado:  Ano­calendário  Declarado (R$)  Recalculado (R$)  Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.000959/2002­19  Acórdão n.º 1402­00.716  S1­C4T2  Fl. 786          4 1999  ­294.613,85  471.642,57  2000  ­231.245,43  212.944,28  2001  ­115.128,97  1.678.304,70  Observa a autoridade tributária que:  os  saldos  credores  de  imposto  de  renda,  depois  dos  recálculos,  passaram  a  imposto de renda a pagar;  a  interessada  deduziu  como  despesa  de  JCP  a  importância  de  R$  17.460.119,73,  sendo  que:  a)  não  foi  localizado  pagamento  relativo  ao  respectivo  IRRF;  e  b)  esse  débito  de  IRRF  não  foi  declarado  em  DCTF,  impossibilitando  averiguar se houve compensações;  a interessada eximiu­se de prestar as informações solicitadas em intimação.  Assim  sendo,  a DERAT/DIORT  indeferiu  os  Pedidos  de Restituição  de  fls.  01, 428 e 492 e não homologou as compensações declaradas, vinculadas aos créditos  analisados,  nos  termos  do  disposto  no  artigo  49  da  Lei  nº  10.637/2002  e  §  2º  do  artigo 26 da IN SRF nº 600/2005.  DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE  Cientificada  do  Despacho  Decisório  em  08/01/2007  (fl.  225,  verso),  a  contribuinte,  por  meio  de  seu  advogado,  regularmente  constituído  (fls.  244  e  748/754), apresentou, em 07/02/2007, a manifestação de inconformidade de fls. 228  a 242, alegando, em síntese, o seguinte.  PRELIMINARMENTE  O  primeiro  argumento  utilizado  pelo  agente  fiscal  para  negar  os  pleitos  formulados  pela  requerente  foi  o  de  que  esta,  intimada  a  prestar  esclarecimentos,  manteve­se inerte. Referida premissa, no entanto, não procede.  Conforme consta dos presentes autos, ao ser intimada, a requerente apresentou  pedido de dilação de prazo ao agente fiscal – o qual foi deferido – uma vez que o  levantamento  de  todos  os  dados  e  documentos  demandaria  tempo  e  considerável  esforço,  especialmente  pelo  fato  de  que  boa  parte  desses  documentos  referia­se  a  período superior a 5 anos.  Após árduo trabalho, concluído no último dia do prazo, os esclarecimentos e  documentos  foram  postados  via  correio  à  Receita  Federal.  Estes,  no  entanto,  supostamente não foram recepcionados pela Receita, razão pela qual o agente fiscal  procedeu imediatamente ao recálculo do imposto de renda a pagar, decorrendo daí o  indeferimento das restituições e das compensações.  Tivesse  a  autoridade  tributária  reintimado a  requerente,  esta poderia exercer  regularmente  seu  direito  de  defesa,  comprovando  a  improcedência  do  Despacho  Decisório e evitando o contencioso administrativo.  Ademais,  a  autoridade  tributária  omite  o  dispositivo  legal  ou  regulamentar  que daria base ao aludido recálculo.  Assim, além de evidenciar a precipitação na prolação do Despacho Decisório,  a  omissão  da  previsão  legal  do  recálculo  acaba  por  precipitar  ainda  mais  o  Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.000959/2002­19  Acórdão n.º 1402­00.716  S1­C4T2  Fl. 787          5 cerceamento  do  direito  de  defesa  da  requerente,  impondo­se  a  declaração  de  nulidade do referido despacho.  DO MÉRITO  O Auditor Fiscal procedeu ao recálculo do imposto de renda a pagar com base  nos  dados  constantes  dos  sistemas  da  Receita  Federal,  tendo  em  vista  o  não  esclarecimento,  pela  requerente,  de  divergências  verificadas  entre  os  valores  declarados nas DIRFs e nas DIPJs a título de Juros sobre Capital Próprio, relativos  aos anos de 1999, 2000 e 2001.  Em  relação  a  1999,  o  Auditor  Fiscal  ofereceu  à  tributação  receitas  de  aplicação financeira de renda fixa (linha 24 da Ficha 7A da DIPJ), no montante de  R$ 1.609.749,46, conforme demonstrativo de fl. 208.  O  oferecimento  dessas  receitas  à  tributação,  no  entanto,  afigura­se  manifestamente  indevido, uma vez que  já  foram consideradas pela  contribuinte na  linha 21 da Ficha 7A da DIPJ (doc. 3), ainda que não tenha sido a melhor alocação.  Ademais,  o  correspondente  informe  de  rendimentos  (doc.  2)  demonstra  ter  havido  a  retenção  de  R$  305.062,37  a  título  de  IRRF  em  relação  a  esses  rendimentos.  E  nem  se  alegue  que  eventual  inconsistência  na  DIRF  ou  na  DIPJ  poderia  justificar  o  oferecimento  à  tributação daquilo que  já  foi  reconhecido  como  receita  tributável.  Ainda em relação a 1999, verifica­se que o recálculo procedido pelo Auditor  Fiscal resultou o oferecimento à tributação, a título de receitas de Juros sobre Capital  Próprio (linha 23 da Ficha 7A da DIPJ), do montante de R$ 1.088.816,49.  A  requerente  possui  participações  em  outras  sociedades,  em  virtude  do  que  aufere  receitas  a  título  de  Juros  sobre  Capital  Próprio  (JCP).  Por  outro  lado,  periodicamente  efetua  a  distribuição  de  seus  próprios  resultados  a  seus  sócios,  também por meio de JCP.  No  ano  de  1999,  a  requerente  recebeu  a  importância  de R$  1.088.816,49  a  título  de  JCP,  devidamente  consignado  no  seu  balancete  de  dezembro  de  1999,  lançado  como  outras  receitas  operacionais  (doc.  3)  e  na  linha  29  da  Ficha  7A  da  DIPJ (Outras Receitas Operacionais), ainda que não tenha sido a melhor alocação.  Em  relação  ao  referido montante,  houve  a  retenção  do  imposto  de  renda  à  alíquota  de  15%  pela  fonte  pagadora,  equivalente  a  R$  163.325,50,  ativado  na  contabilidade pela requente como “IR a recuperar”.  Em  seguida,  a  requerente  pagou,  ela  própria,  JCP  aos  seus  sócios,  no  montante  de  R$  2.788.816,49,  passando  a  ter  a  obrigação  de  reter  o  respectivo  imposto, no valor de R$ 418.322,47, o qual também encontra­se lançado no mesmo  balancete de dezembro de 1999 (doc. 3).  Como  possuía  créditos  devidamente  contabilizados  de  IRRF  sobre  JCP  (R$  163.325,50), a requerente efetuou a compensação do IRRF, vindo a recolher apenas  a diferença efetivamente devida de R$ 254.996,97 (R$ 418.322,47 ­ R$ 163.325,50),  procedimento este previsto no artigo 9º, § 6º, da Lei nº 9.249/95.  A  autoridade  tributária,  no  entanto,  desconsiderou  o  procedimento  absolutamente  regular  e  legítimo  adotado  pela  requerente,  e,  a  um  só  tempo,  Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.000959/2002­19  Acórdão n.º 1402­00.716  S1­C4T2  Fl. 788          6 ofereceu  à  tributação  novamente  as  receitas  a  título  de  JCP,  no  valor  de  R$  1.088.816,49 e glosou o mesmo valor nas despesas com JCP, reduzindo­se para R$  1.700.000,00.  Note­se que mesmo se esses valores  tiverem sido  incorretamente declarados  na DIRF e na DIPJ correspondentes, desse erro não poderá  resultar a cobrança de  tributo,  nem  tampouco  obstar  o  direito  da  requerente  de  reaver  valores  pagos  a  maior.  Em  relação  a  2000  e  2001,  o  mesmo  procedimento  foi  adotado  pela  requerente e, da mesma forma, a autoridade tributária desconsiderou a compensação  realizada.  Em relação a 2000, conforme demonstrativo de fl. 213, houve a glosa de R$  3.823.091,64 nas despesas de JCP (linha 35 da Ficha 6A da DIPJ), em virtude de ter  sido  desconsiderada  a  compensação  do  imposto  retido  com  o  devido  quando  do  recebimento de receitas de mesma origem.  Aliás,  o  pagamento  de  todo  o montante  originalmente  declarado  a  título  de  JCP pode ser verificado e comprovado pela documentação anexa (doc. 4).  Em relação a 2001, conforme demonstrativo de fl. 218, houve a glosa de todos  os R$ 17.460.119,73 originalmente declarados na DIRF e na DIPJ como despesas de  JCP (linha 35 da Ficha 6A da DIPJ).  Também nesse caso, os documentos juntados aos autos demonstram o efetivo  pagamento dos  JCP e,  por  conseguinte,  a  ilegitimidade do  recálculo  efetuado pela  autoridade fiscal (doc. 5).  DO PEDIDO  Diante do exposto, pede a requerente, em sede de preliminar, que seja anulado  o Despacho Decisório, determinando­se o retorno dos autos à origem, para que nova  decisão seja proferida.  Caso  assim não  se  proceda,  que  seja  reformado o Despacho decisório,  para  fim de que as restituições sejam deferidas e as compensações homologadas.  Protesta­se  provar  o  alegado  por  todos  os  meios  de  prova  em  direito  admitidos, especialmente pela juntada de novos documentos.”  A  decisão  de  primeira  instância,  representada  no  Acórdão  da  DRJ  nº  16­ 18.423  (fls.  756­765)  de  08/09/2008,  por  unanimidade  de  votos,  indeferir  a  solicitação  da  contribuinte. A decisão foi assim ementada.   “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Ano­calendário: 1999, 2000, 2001  PEDIDO  RESTITUIÇÃO.  SALDO  CREDOR  E  IRRF.  São  passíveis  de  restituição  ou  compensação  os  valores  retidos  na  fonte  referentes  a  receitas  oferecidas  à  tributação  apenas  na  medida em que contribuam para a formação de saldos credores  de  IRPJ.  Considera­se  apenas  o  IRRF  cuja  receita  correspondente tenha sido oferecida à tributação, não cabendo a  restituição/compensação  do  IRRF  em  si  (apenas  de  eventual  saldo credor).”  Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.000959/2002­19  Acórdão n.º 1402­00.716  S1­C4T2  Fl. 789          7 Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 26/09/2008 (fl. 765), a  interessada  interpôs  recurso  voluntário  em  09/03/2010  (fls.  766­781)  onde  repisa  os  argumentos trazidos na impugnação.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar.   O  recurso  voluntário  reúne  os  pressupostos  de  admissibilidade  previstos na  legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento.  Preliminarmente, há que se fazer algumas considerações quanto à apreciação  do direito creditório pleiteado pela interessada.  Dispõem os artigos 837 e 858 do RIR/99:    “Art.  837.  No  cálculo  do  imposto  devido,  para  fins  de  compensação,  restituição  ou  cobrança  de  diferença  do  tributo,  será  abatida  do  total  apurado  a  importância  que  houver  sido  descontada  nas  fontes,  correspondente  a  imposto  retido,  como  antecipação,  sobre  rendimentos  incluídos  na  declaração  (Decreto­Lei nº 94, de 30 de dezembro de 1966, art. 9º)”.  (...)  “Art.  858.  O  imposto  devido,  apurado  na  forma  do  art.  222,  deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele  a que se referir (Lei nº 9.430, de 1996, art. 6º).  § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será (Lei nº  9.430, de 1996, art. 6º, § 1º):  (...)  II  ­  compensado com o  imposto  a  ser  pago a partir do mês  de  abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa  de  requerer,  após  a  entrega  da  declaração  de  rendimentos,  a  restituição do montante pago a maior.  (...)”.    Assim, entende­se passíveis de restituição ou compensação os valores retidos  na fonte referentes a receitas oferecidas à tributação apenas na medida em que contribuam para  a  formação  de  saldos  credores  de  IRPJ.  Considera­se  apenas  o  IRRF  cuja  receita  correspondente  tenha  sido  oferecida  à  tributação  e  não  cabe  a  restituição/compensação  do  IRRF em si (apenas de eventual saldo credor).  Observa­se,  nesse  sentido,  que  a  Unidade  de  Origem  deixou  de  efetuar  a  análise do saldo credor pleiteado. A DRJ, quanto a esse aspecto, assim se posicionou:  Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.000959/2002­19  Acórdão n.º 1402­00.716  S1­C4T2  Fl. 790          8 “...  Por  outro  lado,  na  análise  do  saldo  credor  pleiteado  pelo  contribuinte,  a  competência  da  DERAT  é  limitada,  pois  esse  Órgão não pode  exercer a atividade de  revisão de declarações  apresentadas pelos sujeitos passivos, consoante se depreende do  que dispõe o artigo 140 do Anexo da Portaria do Ministério da  Fazenda  nº  302/2005,  então  vigente.  Essa  competência,  nos  termos do artigo 145 da citada Portaria, pertence à Divisão de  Fiscalização (Difis), do Serviço de Fiscalização (Sefis), da Seção  de  Fiscalização  (Safis)  ou  do  Setor  de  Fiscalização  (Sofis),  conforme  a Delegacia  da Receita  Federal  da  circunscrição  do  contribuinte.  Cabe  à  DERAT  apenas  verificar  se  as  receitas  relativas  aos  valores  retidos  na  fonte,  que  implicaram  saldos  credores  de  IRPJ, foram oferecidas à tributação.  ...  Conforme  já  mencionado,  no  item  “DAS  CONSIDERAÇÕES  PRELIMINARES”,  na  análise  do  Pedido  de  Restituição,  não  é  possível  a  revisão  das  declarações  apresentadas  pelos  sujeitos  passivos (seja pela DERAT, seja por esta DRJ), ...”  Com efeito, entendo de maneira diferente. A análise e recomposição do saldo  do imposto é da alçada da Unidade de Origem, não importando qual setor seja o competente  para  tanto. Não pode a  contribuinte ser penalizada sob o argumento de que a DERAT não é  competente para tanto.  Por  outro  lado,  entendo  não  caber  razão  à  recorrente  quanto  à  alegação  de  nulidade por cerceamento do seu direito de defesa.  Nos termos do § 11 da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 18.833/2003, a  manifestação de inconformidade deve obedecer ao rito processual do Decreto nº 70.235/72.  Assim, com relação à preliminar de nulidade suscitada, há que se observar o  disposto nos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72, in verbis:  “Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  Art.  60.  As  irregularidades,  incorreções  e  omissões  diferentes  das  referidas  no  artigo  anterior  não  importarão  em nulidade  e  serão  sanadas  quando  resultarem  em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo,  salvo  se  este  lhes  houver  dado  causa,  ou  quando  não  influírem na solução do litígio”.  No  caso  em  tela,  o  ato  foi  praticado  por  pessoa  competente  e  não  se  vislumbra  o  alegado  cerceamento  do  direito  de  defesa,  pois  a  contribuinte  foi  intimada  a  esclarecer  as  divergências  encontradas  pela  autoridade  tributária  (fls.  107  a  109),  solicitou  Fl. 8DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.000959/2002­19  Acórdão n.º 1402­00.716  S1­C4T2  Fl. 791          9 (tendo sido atendida) mais 20 dias de prazo (fl. 110), e não apresentou à DERAT/DIORT as  informações requeridas.   Entende­se,  nesse  caso,  que  os  motivos  alegados  pela  interessada  não  invalidam  o  Despacho  Decisório  proferido  pela  DERAT/DIORT,  sendo  que  eventuais  irregularidades serão sanadas, nos termos do artigo 60 do Decreto nº 70.235/72.  Improcede, assim, a alegação de nulidade do Despacho Decisório proferido  pela DERAT/DIORT.  Dessa  forma,  voto  no  sentido  de  rejeitar  a  preliminar  de  nulidade  do  Despacho Decisório por cerceamento do direito de defesa e dar provimento parcial ao recurso  apresentado para que o processo seja devolvido à Unidade de Origem para que seja efetuada a  recomposição do saldo do imposto.  Caso não seja apurado saldo credor, ou que esse seja insuficiente para fazer  frente  à  compensação  pleiteada,  deve­se,  em  obediência  ao  princípio  do  contraditório  e  da  ampla defesa, facultar à interessada a apresentação de nova manifestação de inconformidade ao  Órgão Julgador de primeira instância.   Sala das Sessões, em 29 de setembro de 2011.    (assinado digitalmente)  Frederico Augusto Gomes de Alencar  ­ Relator.                                Fl. 9DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA

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Numero do processo: 10880.722426/2013-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Compareceu à sessão de julgamento o(a) advogado(a) Ana Paula Lui, OAB/SP nº 175658. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Compareceu à sessão de julgamento o(a) advogado(a) Ana Paula Lui, OAB/SP nº 175658. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1489; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 5          1 4  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.722426/2013­36  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3201­000.605  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  25 de janeiro de 2016  Assunto  Solicitação de Diligência  Recorrente  HYPERMARCAS S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  recurso em diligência nos termos do voto do relator. Compareceu à sessão de julgamento o(a)  advogado(a) Ana Paula Lui, OAB/SP nº 175658.       Assinado digitalmente  Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente.        Assinado digitalmente  Winderley Morais Pereira ­ Relator.    Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro  Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley  Morais  Pereira,  Pedro  Rinaldi  de  Oliveira  Lima,  Carlos  Alberto  Nascimento  e  Silva  Pinto,  Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.    Relatório        RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 22 42 6/ 20 13 -3 6 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10880.722426/2013­36  Resolução nº  3201­000.605  S3­C2T1  Fl. 6            2 Trata o presente processo de cobrança referente a pedido de compensação não  homologado,  que  originalmente  estava  apensado  ao  Processo  Administrativo  nº  12585.000.287/2010­11.   O  Processo  Administrativo  nº  12585.000.287/2010­11,  foi  julgado  pela  Delegacia  da Receita Federal  de  Julgamento,  que manteve o  despacho decisório  negando os  créditos  pleiteados  pela  Recorrente. O  contribuinte  irresignado  com  as  decisões  da  primeira  instância,  interpôs  recurso  voluntário,  posteriormente  os  processos  foram  desapensados  no  CARF e distribuídos a este Relator para julgamento.  A  turma  de  julgamento  ao  analisar  o  Processo  Administrativo  nº  12585.000287/2010­11  resolveu  converter  o  processo  em  diligência,  que  ainda  encontra­se  pendente de realização pela Unidade de Origem.    É o Relatório.    Voto     Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator.    A  teor do  relatado, o pedido de compensação controlado no presente processo  refere­se  aos  créditos  constantes  do  Processo Administrativo  nº  12585.000287/2010­11,  que  encontra­se em diligência para cumprimento de resolução deste conselho  Entendo, que a desapensação do processo foi equivocada sendo necessário a sua  juntada novamente ao Processo Administrativo nº 12585.000287/2010­11.  Confirmando este entendimento, o novo Regimento Interno do CARF determina  de  forma  expressa,  que  existindo  conexão,  os  processo  deverão  ser  vinculados  para  que  o  julgamento ocorra em conjunto. A determinação consta do art. 6º do Anexo II do Regimento  Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015.    Art.  6º  Os  processos  vinculados  poderão  ser  distribuídos  e  julgados  observando­se a seguinte disciplina:     § 1º Os processos podem ser vinculados por:     I  ­  conexão,  constatada  entre  processos  que  tratam  de  exigência  de  crédito  tributário  ou  pedido  do  contribuinte  fundamentados  em  fato  idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos  passivos;   II  ­  decorrência,  constatada  a  partir  de  processos  formalizados  em  razão  de  procedimento  fiscal  anterior  ou  de  atos  do  sujeito  passivo  Fl. 6DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10880.722426/2013­36  Resolução nº  3201­000.605  S3­C2T1  Fl. 7            3 acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem  outras matérias autônomas; e   III  ­  reflexo,  constatado entre processos  formaliza dos em um mesmo  procedimento  fiscal,  com  base  nos  mesmos  elementos  de  prova,  mas  referentes a tributos distintos.   §  2º  Observada  a  competência  da  Seção,  os  processos  poderão  ser  distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo,  ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão.   §  3º  A  distribuição  poderá  ser  requerida  pelas  partes  ou  pelo  conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por  despacho  do  Presidente  da  Câmara  ou  da  Seção  de  Julgamento,  conforme a localização do processo.   § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º , se o processo  principal  não  estiver  localizado  no  CARF,  o  colegiado  deverá  converter  o  julgamento  em  diligência  para  a  unidade  preparadora,  para determinar a vinculação dos autos ao processo principal.   § 5º Se o processo principal  e os decorrentes  e os  reflexos  estiverem  localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter  o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o  sobrestamento  do  julgamento  do  processo  na  Câmara,  de  forma  a  aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal.   §  6º  Na  hipótese  prevista  no  §  4º  ,  se  não  houver  recurso  a  ser  apreciado  pelo  CARF  relativo  ao  processo  principal,  a  unidade  preparadora  deverá  devolver  ao  colegiado  o  processo  convertido  em  diligência,  juntamente  com  as  informações  constantes  do  processo  principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo  sobrestado.   §  7º  No  caso  de  conflito  de  competência  entre  Seções,  caberá  ao  Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do  Presidente da Turma que ensejou o conflito.   §  8º  Incluem­se  na  hipótese  prevista  no  inciso  III  do  §  1º  os  lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo  procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies.  (grifo nosso)    Diante do exposto, voto no sentido de converter o processo em diligência para  que  a  Unidade  Preparadora  providencie  a  apensação  do  presente  processo  ao  Processo  Administrativo nº 12585.000287/2010­11.    Assinado digitalmente   Winderley Morais Pereira    Fl. 7DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA

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6255756 #
Numero do processo: 10980.722737/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA ENTRE AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. DISCUSSÃO JUDICIAL SOBRE A FORMA DE CÁLCULO DA INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. IMPUGNAÇÃO SOBRE A COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO RETIDO E NÃO RECOLHIDO NO AJUSTE ANUAL. IRRF DEPOSITADO À DISPOSIÇÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE IDENTIDADE DE MATÉRIA. IMPUGNAÇÃO QUE DEVE SER CONHECIDA. SÚMULA CARF Nº 1. Não há identidade de matéria quando em juízo se discute como deve ser calculado o imposto de renda sobre rendimentos pagos acumuladamente e no processo administrativo o litígio é sobre o procedimento correto para aproveitamento da retenção retida judicialmente. A diversidade de matéria implica o conhecimento da impugnação, nos termos da parte final da Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para afastar a concomitância com decisão judicial, determinando o retorno dos autos para que seja conhecida a impugnação e proferido novo Acórdão. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA ENTRE AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. DISCUSSÃO JUDICIAL SOBRE A FORMA DE CÁLCULO DA INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. IMPUGNAÇÃO SOBRE A COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO RETIDO E NÃO RECOLHIDO NO AJUSTE ANUAL. IRRF DEPOSITADO À DISPOSIÇÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE IDENTIDADE DE MATÉRIA. IMPUGNAÇÃO QUE DEVE SER CONHECIDA. SÚMULA CARF Nº 1. Não há identidade de matéria quando em juízo se discute como deve ser calculado o imposto de renda sobre rendimentos pagos acumuladamente e no processo administrativo o litígio é sobre o procedimento correto para aproveitamento da retenção retida judicialmente. A diversidade de matéria implica o conhecimento da impugnação, nos termos da parte final da Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Provido.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para afastar a concomitância com decisão judicial, determinando o retorno dos autos para que seja conhecida a impugnação e proferido novo Acórdão. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2324; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 133          1  132  S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10980.722737/2011­13  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2202­003.045  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  08 de dezembro de 2015  Matéria  IRPF  Recorrente  MARCOS HENRIQUE MACHADO PEREIRA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2009  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  INEXISTÊNCIA  DE  CONCOMITÂNCIA  ENTRE  AÇÃO  JUDICIAL  E  PROCESSO  ADMINISTRATIVO.  DISCUSSÃO  JUDICIAL  SOBRE  A  FORMA  DE  CÁLCULO DA INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. IMPUGNAÇÃO SOBRE A  COMPENSAÇÃO  DO  IMPOSTO  RETIDO  E  NÃO  RECOLHIDO  NO  AJUSTE  ANUAL.  IRRF  DEPOSITADO  À  DISPOSIÇÃO  JUDICIAL.  INEXISTÊNCIA DE IDENTIDADE DE MATÉRIA. IMPUGNAÇÃO QUE  DEVE SER CONHECIDA. SÚMULA CARF Nº 1.  Não  há  identidade  de  matéria  quando  em  juízo  se  discute  como  deve  ser  calculado o imposto de renda sobre rendimentos pagos acumuladamente e no  processo  administrativo  o  litígio  é  sobre  o  procedimento  correto  para  aproveitamento  da  retenção  retida  judicialmente.  A  diversidade  de  matéria  implica o conhecimento da impugnação, nos termos da parte final da Súmula  CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo  sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo  objeto  do  processo  administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento  administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.  Recurso Voluntário Provido.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  Por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento  ao  recurso,  para  afastar  a  concomitância  com  decisão  judicial,  determinando  o  retorno dos autos para que seja conhecida a impugnação e proferido novo Acórdão.  Assinado digitalmente     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 27 37 /2 01 1- 13 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.722737/2011­13  Acórdão n.º 2202­003.045  S2­C2T2  Fl. 134          2  Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente.   Assinado digitalmente  Marcio Henrique Sales Parada ­ Relator.    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Marco  Aurélio  de  Oliveira  Barbosa,  Junia  Roberta  Gouveia  Sampaio,  Paulo  Mauricio  Pinheiro  Monteiro,  Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da  Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.  Relatório  Adoto  como  relatório,  em  parte,  aquele  elaborado  pelo  Julgador  de  1ª  instância, que bem descreve e resume os fatos (fl. 43), complementando­o ao final:  Por  meio  da  notificação  de  lançamento,  de  fls.  05/08,  foi  apurado  o  imposto  de R$  92.832,06,  a  multa  de  mora  de R$  18.566,41  e  acréscimos  legais,  em  decorrência  da  revisão  da  declaração de ajuste anual do exercício de 2009, ano calendário  2008.  O  lançamento, conforme descrição dos  fatos e enquadramentos  legais  de  fl.  07,  apurou  compensação  indevida  de  imposto  de  renda retido na fonte de R$ 92.832,06.  Cientificado  do  lançamento  em  02/05/2011,  o  contribuinte  apresentou,  em  26/05/2011,  a  impugnação  de  fls.  02/03,  instruída com os anexos de fls. 09/10.  Aduz que o valor de R$ 92.832,06, “objeto da glosa é oriundo de  pagamento  de  Precatório  Judicial,  referente  aos  Autos  nº  8167/1991, do Juízo de Direito da 1ª Vara da Fazenda Pública de  Curitiba”.  Informa  que  no  “levantamento  das  importâncias  declaradas  referente  ao  precatório,  foi  expedida  certidão  explicativa  dos  valores,  retidos  pelo  Cartório  referente  a  honorários  advocatícios,  previdência  e  imposto  de  renda  retido  na fonte, conforme se infere da certidão inclusa”. Assevera que o  imposto  “ficou  retido  pelo  Cartório  da  1ª  Vara  da  Fazenda  Pública,  desta  forma,  o  responsável  pelo  recolhimento  do  Imposto  de  Renda  é  o  Cartório  que  fez  a  retenção  na  fonte,  consoante estabelece a legislação do I.R.”.  Acrescenta  que,  “pela  cópia  da  informação  retirada  às  fls.  307,  dos  autos,  indicado,  verifica­se  que  o  tributo  retido  não  foi  recolhido, conforme documento incluso”.  Diz que “não concorda com a glosa da compensação do imposto  de renda retido na fonte, em face de que o Cartório da 1ª Vara da  Fazenda Pública efetuou o desconto do tributo devido no ato do  pagamento,  retendo  o  valor  do  imposto,  e,  por  conseguinte,  Fl. 141DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.722737/2011­13  Acórdão n.º 2202­003.045  S2­C2T2  Fl. 135          3  sendo o responsável pelo seu recolhimento à Fazenda Nacional”  e requer o cancelamento da glosa efetuada pelo lançamento.  Solicita  prioridade  no  trâmite  do  processo,  com  fulcro  no  Estatuto do Idoso.  Ao analisar os autos, assim dispôs o Julgador de Primeira Instância:  O impugnante alegou que o imposto foi retido pelo Cartório no  momento do pagamento do precatório, o que é confirmado pela  certidão de fl. 09, assim como é certo que não fora recolhido ou  colocado  à  disposição  da Fazenda Pública  até  18  de  junho  de  2010, consoante informação de fl. 10.  (...)  Em resposta (a Ofício da RFB), a autoridade judicial informou,  à  fl.  33, “que  os  valores  retidos  a  título  de  imposto de  renda  e  previdência,  permanecem  depositados  à  disposição  deste  Juízo,  em razão da existência de discussão se os referidos descontos são  devidos ou não”.  Assim,  o  IR  no  valor  de  R$  92.832,06  foi  objeto  de  depósito  judicial,  porque  o  impugnante  está  discutindo  se  é  cabível  a  retenção. Ou  seja,  esse  valor de  IR não  foi  recolhido  e nem se  encontra à disposição da Fazenda Nacional. Por conseguinte, a  compensação desse imposto na declaração de ajuste anual, para  obter  restituição  ou  para  reduzir  o  saldo  de  imposto  a  pagar,  fica  condicionada  ao  desenrolar  da  ação  judicial  em  que  o  impugnante contesta a própria retenção.  (...)  A  via  judicial  é  uma  opção  adotada  pelo  contribuinte  no  seu  livre exercício de escolha e o exercício dessa  faculdade produz  como  efeito  processual  obrigatório  a  perda  do  poder  de  continuar  a  parte  a  litigar  na  esfera  administrativa,  ou  seja,  importa renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa  e desistência de recurso interposto.(...)  Alfim,  concluiu  a  instância  recorrida  pelo  "não  conhecimento  da  Impugnação,  julgando definitivo  o  lançamento  na  esfera  administrativa,  prosseguindo­se  na  cobrança..." (sublinhei)  Dessa decisão de 1ª instância o contribuinte foi cientificado em 26/06/2012,  conforme AR na fl. 49, e apresentou recurso voluntário em 25/07/2012, conforme protocolo na  folha 54.  Em sede de  recurso, argumenta que houve a  retenção do  imposto de  renda,  efetuada  pela  Justiça,  que  determinou  o  pagamento  de  precatórios,  como  comprova  documentalmente;  se  aquela  não  informou  ou  não  recolheu  aos  cofres  da  Fazenda  a  importância, a responsabilidade não é sua; reputa equivocada a decisão recorrida, esclarecendo  que não propusera ação judicial para discutir a retenção do imposto na fonte nem as contestou.  Diz que houve omissão da Delegacia de Julgamento e que jamais se poderia cogitar "trânsito  em julgado". Levanta questões sobre a informação judicial , para tentar elucidá­la.  Fl. 142DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.722737/2011­13  Acórdão n.º 2202­003.045  S2­C2T2  Fl. 136          4  Assim, REQUER a)  revisão de ofício do  lançamento,  pela RFB; b)  retorno  dos autos à DRJ, após a juntada de novos documentos, para que conheça da Impugnação ou c)  encaminhamento ao CARF para conhecimento do recurso.  A Unidade de origem providenciou o encaminhamento dos autos à DRJ, que  em  despacho  (fl.  126)  entendeu  exaurida  sua  competência  e  sugeriu  o  encaminhamento  ao  CARF.   É o relatório.   Voto             Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator.  O  recurso  é  tempestivo,  conforme  relatado  e,  atendidas  as  demais  formalidades legais, dele tomo conhecimento.  O Contribuinte recorrente recebeu rendimentos tributáveis, acumuladamente,  em  virtude  de  ação  judicial,  em  face  do Estado  do  Paraná,  conforme  informa  a Certidão  de  folha  09. Os  precatórios,  que  se  referem  a  competências  pretéritas,  entre  outubro  de  1989  e  março  de  1996  (fl.  73  e  ss.)  foram  pagos  no  ano  de  2008. Deram­se  quatro  depósitos,  com  retenção na fonte do imposto, sobre a totalidade do montante levantado, como se depreende da  mesma Certidão.  O Recorrente informou o recebimento dos rendimentos e compensou o valor  informado na Certidão (DIRPF, fl. 12), na declaração de ajuste anual. A DIRF apresentada pela  fonte não trouxe a informação de nenhum valor de retenção, tendo a mesma sido integralmente  glosada (Notificação, fl. 07).  O MM.  Juiz,  atendendo  ao  contido  em  petição  que  não  se  localiza  nestes  autos,  observou  sobre  a  forma de  cálculo  do  imposto  retido  na  fonte,  sobre  a  totalidade  dos  rendimentos  recebidos  acumuladamente,  elaborada pela Contadoria,  e  determinou o  seguinte  (fls. 63 e 65):   Quanto ao contido na petição de fls. 2707/2708, observo que os  cálculos relativos à retenção de imposto de renda retido na fonte  dos quatro primeiros depósitos não foram elaborados com base  no valor mensal, mas sim com base no valor total.  Assim,  remetam­se  novamente  os  autos  ao  contador  para  que  elabore  novo  cálculo  relativo  à  retenção  do  imposto  de  renda  retido na fonte, em relação aos quatro primeiros depósitos, mês  a  mês,  pois,  do  contrário  "o  credor  estaria  sob  dupla  penalização:  por  não  receber  o  que  lhe  era  devido  na  época  própria em que tais valores eram suscetíveis de tributação e por  recebê­los,  posteriormente,  ocasião  em  que,  por  acumulação,  formam, então, um montante tributável".(grifos originais)  Cumprida a determinação do Juiz, constam anexadas aos autos várias tabelas,  a  partir  da  folha  71,  onde  se  calcula  o  imposto de  renda  devido mês  a mês,  aplicando­se  as  alíquotas devidas a cada competência a que se referem, individualmente, os rendimentos, para  Fl. 143DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.722737/2011­13  Acórdão n.º 2202­003.045  S2­C2T2  Fl. 137          5  ao final concluir o Contador que "procedeu ao recolhimento do imposto de renda no valor de  R$ 22.412,71, devido pelo Sr. Marcos Henrique Machado Pereira..."(Certidão, fl. 120).  Ou seja, daqueles R$ 92.832,06, que constaram da Certidão de folha 09 e da  DIRPF,  após  terem  ficado  retidos  à  disposição  da  Justiça,  somente  R$  22.412,71  foram  recolhidos a título de imposto aos cofres da Fazenda Pública, não esclarecendo os documentos  acostados aos autos sobre o que foi feito com a diferença.  A petição feita nos autos judiciais que motivou o Juízo competente a rever a  forma de cálculo do montante  retido não se confunde com a  Impugnação administrativa que  objetiva  ter  reconhecido  o  direito  a  compensar  o  valor  retido  e,  na  época  da  entrega  da  declaração, ainda a disposição da fonte, ou seja, analogamente, "depositado em juízo" (O Juiz  disse:  "...  informo  a  Vossa  Senhoria  que  os  valores  retidos  a  título  de  imposto  de  renda  e  previdência  permanecem  depositados  à  disposição  deste  Juízo...,  fl.  119).  Nesse  sentido,  valho­me das  disposições  contidas  no Acórdão 2802­003.244  ­  2ª Turma Especial,  de 05  de  novembro de 2014:  A  contribuinte  informou  na  Declaração  de  Ajuste  Anual  no  campo  dos  rendimentos  tributáveis  o  valor  cujo  crédito  tributário correspondente estava com exigibilidade suspensa por  força  do  depósito  judicial  e  no  campo  de  IRRF  o  total  do  depósito  judicial  relativo  à  retenção  sobre  os  mesmos  rendimentos.  O  acórdão  recorrido  não  conheceu  da  impugnação  sob  fundamento  de  que  a  propositura  de  ação  judicial  pela  contribuinte  acerca  da  não  incidência  do  imposto  importou  renúncia à instância administrativa.  Não  há  identidade  entre  a  matéria  discutida  judicialmente  e  a  que  se  discute  no  processo  administrativo:  lá  se  discute  a  tributação ou não dos rendimentos; aqui, a forma de se cumprir  a  decisão  judicial,  notadamente  quanto  ao  IRRF  depositado  judicialmente e a suspensão da exigibilidade.  A  diversidade  de  matérias  implica  o  conhecimento  da  impugnação, nos termos da parte final da Súmula CARF nº 1:  Súmula  CARF  nº  1:  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo  objeto  do  processo  administrativo,  sendo  cabível  apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria  distinta  da  constante  do processo judicial.  Problemas  desta  natureza  motivaram  a  modificação  do  Programa  Gerador  da  Declaração  de  Ajuste  Anual,  de  forma  que a partir do exercício 2010, a DIRPF passou a ter um campo  próprio para os rendimentos e respectiva retenção, nos casos de  exigibilidade suspensa.  Para  os  exercícios  anteriores,  como  é  o  caso  dos  autos,  a  Secretaria  da  Receita  Federal,  por  meio  de  Solicitação  de  Consulta  Interna  nº  9  ­ Cosit,  deu  adequada  interpretação  por  Fl. 144DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.722737/2011­13  Acórdão n.º 2202­003.045  S2­C2T2  Fl. 138          6  meio do entendimento transcrito abaixo, do qual está dissonante  o acórdão recorrido.  RENDIMENTOS  COM  EXIGIBILIDADE  SUSPENSA.  IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAR O IMPOSTO SOBRE A  RENDA  RETIDO  NA  FONTE  (IRRF)  NA  DECLARAÇÃO  DE  AJUSTE  ANUAL  (DAA).Os  rendimentos  com  a  exigibilidade  suspensa  em  função  de  ter  havido  o  depósito  do  montante  integral  do  respectivo  imposto  sobre  a  renda,  devem  ser  excluídos  do  total  de  rendimentos  tributáveis  informados  na  DAA.  Não  pode  ser  compensado  na  DAA  o  valor  depositado  judicialmente  a  título  de  IRRF  cuja  exigibilidade  esteja  suspensa. Deve ser conhecida a impugnação do sujeito passivo,  tendo  em  vista  não  se  verificar  concomitância  entre  a  ação  judicial  e  a  impugnação  administrativa.  (grifos  acrescidos)  Dispositivos  Legais:  Lei  n  º  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966  Código Tributário Nacional (CTN), art.151.  (http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/Legislacao/Solucoes Consulta/2013/Cosit/SCICosit 09/2013.pdf)  É  irrelevante  que  a  decisão  de  primeira  instância  tenha  sido  proferida  antes  da  Receita  Federal  ter  expedido  a  Solução  de  Consulta Interna.  Diante  do  exposto,  voto  por  conhecer  o  recurso  voluntário  e  determinar o retorno dos autos à primeira instância para que a  Delegacia  de  Julgamento  conheça  a  impugnação  na  íntegra  e  profira novo acórdão.   Por  estas  razões,  VOTO  por  conhecer  do  recurso  e  dar  provimento  para  afastar  a  concomitância  com  ação  judicial  e  determinar  o  retorno  dos  autos  à  primeira  instância para que a Delegacia de Julgamento conheça a impugnação e profira novo Acórdão.  Assinado digitalmente  Marcio Henrique Sales Parada                                Fl. 145DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA

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Numero do processo: 16327.001902/2008-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 150, §4º, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Encontra-se homologado tacitamente, nos termos do art. 150, §4º, do CTN, parte do Crédito Tributário objeto do presente lançamento. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Considera-se Salário de Contribuição do segurado empregado a remuneração por ele auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. PREMIAÇÃO. PROGRAMA DE INCENTIVO. BENEFÍCIO SALARIAL. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A verba paga pela empresa a segurados obrigatórios do RGPS a título de Incentivo Desempenho tem natureza jurídica de gratificação, sendo, portanto, fato gerador de contribuições previdenciárias. PROVAR. PROVA. DIFERENÇAS SUBSTANCIAIS. Prova”, em Direito, é todo meio destinado a convencer o Julgador, seu destinatário, a respeito da verdade de um fato levado a julgamento. “Provar” é atividade cognitiva mediante a qual o Interessado, conjugando os registros assentados em documentos, as informações colhidas em depoimentos e em outros meios de prova, as vincula de maneira coerente e ordenada, interconectando-as numa sequência lógica, harmônica e convergente, tendente a formar uma correspondência unívoca com a verdade que se tenta demonstrar ao Órgão Julgador. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, por unanimidade, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do lançamento, tão somente, as Obrigações Tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos nas competências de julho/2003 a novembro/2003, em razão da homologação tácita do Crédito Tributário correspondente, na forma prevista no art. 150, §4º, do CTN, e em atenção à Súmula 99 do CARF. Vencidos os Conselheiros ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, CARLOS ALEXANDRE TORTATO e RAYD SANTANA FERREIRA, que discordaram quanto ao conhecimento parcial do recurso, na medida em que o voto do Relator adentrou, ainda que perfunctoriamente, na análise da questão suscitada apenas por ocasião da interposição do Recurso Voluntário. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 150, §4º, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Encontra-se homologado tacitamente, nos termos do art. 150, §4º, do CTN, parte do Crédito Tributário objeto do presente lançamento. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Considera-se Salário de Contribuição do segurado empregado a remuneração por ele auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. PREMIAÇÃO. PROGRAMA DE INCENTIVO. BENEFÍCIO SALARIAL. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A verba paga pela empresa a segurados obrigatórios do RGPS a título de Incentivo Desempenho tem natureza jurídica de gratificação, sendo, portanto, fato gerador de contribuições previdenciárias. PROVAR. PROVA. DIFERENÇAS SUBSTANCIAIS. Prova”, em Direito, é todo meio destinado a convencer o Julgador, seu destinatário, a respeito da verdade de um fato levado a julgamento. “Provar” é atividade cognitiva mediante a qual o Interessado, conjugando os registros assentados em documentos, as informações colhidas em depoimentos e em outros meios de prova, as vincula de maneira coerente e ordenada, interconectando-as numa sequência lógica, harmônica e convergente, tendente a formar uma correspondência unívoca com a verdade que se tenta demonstrar ao Órgão Julgador. Recurso Voluntário Provido em Parte.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, por unanimidade, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do lançamento, tão somente, as Obrigações Tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos nas competências de julho/2003 a novembro/2003, em razão da homologação tácita do Crédito Tributário correspondente, na forma prevista no art. 150, §4º, do CTN, e em atenção à Súmula 99 do CARF. Vencidos os Conselheiros ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, CARLOS ALEXANDRE TORTATO e RAYD SANTANA FERREIRA, que discordaram quanto ao conhecimento parcial do recurso, na medida em que o voto do Relator adentrou, ainda que perfunctoriamente, na análise da questão suscitada apenas por ocasião da interposição do Recurso Voluntário. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     2  PREMIAÇÃO.  PROGRAMA DE  INCENTIVO. BENEFÍCIO SALARIAL.  SALÁRIO  DE  CONTRIBUIÇÃO.  INCIDÊNCIA  DE  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  A  verba  paga  pela  empresa  a  segurados  obrigatórios  do  RGPS  a  título  de  Incentivo Desempenho tem natureza jurídica de gratificação, sendo, portanto,  fato gerador de contribuições previdenciárias.  PROVAR. PROVA. DIFERENÇAS SUBSTANCIAIS.  Prova”,  em  Direito,  é  todo  meio  destinado  a  convencer  o  Julgador,  seu  destinatário, a respeito da verdade de um fato levado a julgamento. “Provar”  é atividade cognitiva mediante a qual o Interessado, conjugando os registros  assentados  em  documentos,  as  informações  colhidas  em  depoimentos  e  em  outros  meios  de  prova,  as  vincula  de  maneira  coerente  e  ordenada,  interconectando­as  numa  sequência  lógica,  harmônica  e  convergente,  tendente a formar uma correspondência unívoca com a verdade que se tenta  demonstrar ao Órgão Julgador.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,  por  maioria  de  votos,  em  CONHECER  PARCIALMENTE  do  Recurso  Voluntário  para,  no  mérito, por unanimidade, DAR­LHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do lançamento,  tão  somente,  as  Obrigações  Tributárias  decorrentes  dos  fatos  geradores  ocorridos  nas  competências  de  julho/2003  a  novembro/2003,  em  razão  da  homologação  tácita  do  Crédito  Tributário correspondente, na forma prevista no art. 150, §4º, do CTN, e em atenção à Súmula  99  do CARF. Vencidos  os Conselheiros ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, CARLOS  ALEXANDRE  TORTATO  e  RAYD  SANTANA  FERREIRA,  que  discordaram  quanto  ao  conhecimento  parcial  do  recurso,  na medida  em  que  o  voto  do Relator  adentrou,  ainda  que  perfunctoriamente,  na  análise  da  questão  suscitada  apenas  por  ocasião  da  interposição  do  Recurso Voluntário.    André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma.     Arlindo da Costa e Silva ­ Relator.    Participaram da sessão de  julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico  Lombardi  (Presidente  de  Turma),  Luciana  Matos  Pereira  Barbosa,  Cleberson  Alex  Friess,  Carlos  Alexandre  Tortato,  Rayd  Santana  Ferreira,  Carlos  Henrique  de  Oliveira,  Theodoro  Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.     Fl. 463DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001902/2008­86  Acórdão n.º 2401­004.093  S2­C4T1  Fl. 448          3     Relatório  Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2006  Data da lavratura do Auto de Infração: 19/12/2008.  Data da Ciência do Auto de Infração: 19/12/2008.    Tem­se  em  pauta  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  de  Decisão  Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em São Paulo I/SP que julgou improcedente  a  impugnação  oferecida  pelo  sujeito  passivo  do  crédito  tributário  lançado por  intermédio  do  Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.174.884­4, consistente em contribuições sociais  previdenciárias  a  cargo  dos  segurados,  incidentes  sobre  seus  respectivos  Salários  de  Contribuição, tendo por fatos geradores os valores pagos aos empregados quando as metas de  venda  de  determinados  produtos  eram  atingidas  ou  ultrapassadas,  conforme  descrito  no  Relatório Fiscal, a fls. 31/35.  De  acordo  com  o  Relatório  Fiscal,  em  auditoria  fiscal  realizada  no  contribuinte,  foram  solicitados  esclarecimentos  sobre  valores  e  beneficiários  das  contas  "950258 ­ INCENTIVO DESEMPENHO ­ 106" e "950494 ­ DESP PESS ­ BONUS DESEM",  pertencentes  ao  grupo  de  contas  COSIF  "8.1.7.27.00­3  ­  DESPESAS  DE  PESSOAL  ­  BENEFÍCIOS" e "8.1.7.33.00­4 ­ DESPESAS DE PESSOAL ­ PROVENTOS".  O contribuinte informou que as referidas contas são utilizadas para registrar  as despesas com INCENTIVO DESEMPENHO, representando valores pagos aos empregados  quando  as  metas  de  venda  de  determinados  produtos  são  atingidas  ou  ultrapassadas,  não  havendo informado os critérios e as metas que geraram os valores pagos.  Os  valores  objeto  do  presente  levantamento  constam  na  contabilidade  do  contribuinte como valores pagos aos empregados a título de incentivo por desempenho, valores  esses não declarado em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social ­  GFIP.  Mesmo  reiteradamente  intimada  mediante  Termo  Próprio,  a  Autuada  não  forneceu a relação das pessoas beneficiadas com tal remuneração, fato que motivou a apuração  do  Quantum  devido  por  aferição  indireta,  com  fundamento  no  §3º  do  art.  33  da  Lei  nº  8.212/91,  mediante  a  aplicação  da  alíquota  mínima  de  8%  sobre  o  montante  da  matéria  tributável, além da lavratura de Auto de Infração por descumprimento de Obrigação Acessória.  Irresignado  com o  supracitado  lançamento  tributário,  o Autuado apresentou  impugnação a fls. 86/99.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP  lavrou  Decisão  Administrativa  textualizada  no  Acórdão  nº  16­21.857  ­  11ª  Turma  da  DRJ/SPO1,  a  fls.  148/162,  julgando  improcedente  a  impugnação  oferecida  pelo  Sujeito  Passivo, e mantendo o Crédito Tributário lançado em sua integralidade.    Fl. 464DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     4  O  Sujeito  Passivo  foi  cientificado  da  decisão  de  1ª  Instância  no  dia  31/07/2009, conforme Aviso de Recebimento a fl. 165.  Inconformado  com  a  decisão  exarada  pelo  órgão  administrativo  julgador  a  quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 166/188, respaldando sua contrariedade  em argumentação desenvolvida nos seguintes termos:   ·  Decadência Parcial;   ·  Improcedência do lançamento pela falta de diligência da Fiscalização em  buscar  a  realidade  dos  fatos,  e  em  razão  da  ausência  de  fato  gerador  do  tributo;   ·  Que  nas  contas  contábeis  onde  foram  apurados  os  fatos  geradores  eram  contabilizadas  provisões  de  despesas  futuras  com  o  pagamento  a  determinados  níveis  de  executivos  funcionários  da  Recorrente,  de  produtos  de  bonificação  consubstanciados  por  uma  opção  de  compra  de  ações que somente poderia  ser exercida no período de  janeiro de 2008 a  janeiro de 2009;   ·  Que as bonificações não integram o Salário de Contribuição;   ·  Que o programa de bonificação previa a premiação para os eleitos de uma  determinada quantidade de opções se a Recorrente atingisse, globalmente,  determinadas condições, como preço de mercado das ações, etc. Aduz que  se tratava de uma bonificação extraordinária, eis que as opções de compra  puderam ser exercidas pela primeira vez no período de janeiro de 2008 a  janeiro de 2009;     Ao fim, requer declaração de improcedência do Auto de Infração.    Relatados sumariamente os fatos relevantes.  Fl. 465DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001902/2008­86  Acórdão n.º 2401­004.093  S2­C4T1  Fl. 449          5    Voto             Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator.    1.   DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE   1.1.  DA TEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO   O  sujeito passivo  foi  valida  e eficazmente  cientificado da decisão  recorrida  em 31/07/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 01/09/2009, há que se  reconhecer a tempestividade do recurso interposto.    1.2.  DO CONHECIMENTO DO RECURSO  O Recorrente advoga a improcedência do lançamento pela falta de diligência  da Fiscalização  em buscar  a  realidade  dos  fatos,  e  em  razão  da  ausência  de  fato  gerador  do  tributo.  Alega que nas contas contábeis onde foram apurados os fatos geradores eram  contabilizadas  provisões  de  despesas  futuras  com  o  pagamento  a  determinados  níveis  de  executivos funcionários da Recorrente, de produtos de bonificação consubstanciados por uma  opção de compra de ações que somente poderia ser exercida no período de janeiro de 2008 a  janeiro de 2009.  Aduz que tal programa de bonificação previa a premiação para os eleitos de  uma determinada quantidade de opções  se a Recorrente atingisse,  globalmente, determinadas  condições,  como  preço  de  mercado  das  ações,  etc.,  e  que  se  tratava  de  uma  bonificação  extraordinária,  eis  que  as  opções  de  compra  puderam  ser  exercidas  pela  primeira  vez  no  período de janeiro de 2008 a janeiro de 2009.  Tais alegações, todavia, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte  Administrativa eis que as matérias nelas aventadas não foram oferecidas à apreciação do Órgão  Julgador de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada.  Com  efeito,  compulsando  a  Peça  Impugnatória  ao  Auto  de  Infração  em  julgamento,  verificamos  que  as  alegações  acima postadas  inovam o Processo Administrativo  Fiscal ora em apreciação. Tais matérias não foram, nem mesmo indiretamente, abordadas pelo  Impugnante  em  sede  de  defesa  administrativa  em  face  do  lançamento  tributário  que  ora  se  discute, não se instaurando em relação a elas qualquer  litígio, a teor do art. 17 do Decreto nº  70.235/72.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Fl. 466DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     6  Art.  17.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação  dada pela Lei nº 9.532/97)    Os  alicerces  do  Processo  Administrativo  Fiscal  encontram­se  fincados  no  Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos  de  fato e de direito em que se  fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as  razões  e  provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe  de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante  será considerada legalmente como não impugnada.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art. 16. A impugnação mencionará:  (...)  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748/93)  (...)  §4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532/97)  a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação  oportuna,  por  motivo  de  força maior;  (Incluído  pela  Lei  nº  9.532/97)  b) refira­se a  fato ou a direito  superveniente;  (Incluído pela  Lei nº 9.532/97)  c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532/97)    As  disposições  inscritas  no  art.  17  do  Dec.  nº  70.235/72  espelham,  no  Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no  art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido:  Código de Processo Civil   Art. 302. Cabe também ao réu manifestar­se precisamente sobre  os  fatos  narrados  na  petição  inicial.  Presumem­se  verdadeiros  os fatos não impugnados, salvo:  I ­ se não for admissível, a seu respeito, a confissão;  II ­ se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento  público que a lei considerar da substância do ato;  III ­ se estiverem em contradição com a defesa, considerada em  seu conjunto.  Parágrafo  único.  Esta  regra,  quanto  ao  ônus  da  impugnação  especificada  dos  fatos,  não  se  aplica  ao  advogado  dativo,  ao  curador especial e ao órgão do Ministério Público.    Deflui  da  normatividade  jurídica  inserida  pelos  comandos  insculpidos  no  Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo  Fl. 467DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001902/2008­86  Acórdão n.º 2401­004.093  S2­C4T1  Fl. 450          7  art.  108  do  CTN,  que  o  impugnante  carrega  como  fardo  processual  o  ônus  da  impugnação  específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa  assinalado  expressamente  no  Auto  de  Infração,  observadas  as  condições  de  contorno  assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte.  Nessa  perspectiva,  a  matéria  específica  não  expressamente  impugnada  em  sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a  oportunidade  de  impugnação  ulterior,  não  podendo  ser  alegada  originariamente  em  grau  de  Recurso Voluntário.  Saliente­se  que  as  diretivas  ora  enunciadas  não  conflitam  com  as  normas  perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário,  a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a  cujo respeito já se operou a preclusão.   De  outro  eito,  cumpre  esclarecer,  eis  que  pertinente,  que  o  Recurso  Voluntário consubstancia­se num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso  do  processo,  a  inconformidade  do  sucumbente  em  face  de  decisão  proferida  pelo  órgão  julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformá­la. Não exige o dispêndio de  energias  intelectuais  no  exame  da  legislação  em  abstrato  a  conclusão  de  que  o  recurso  pressupõe a  existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão  julgador postado  em  posição  processual  hierarquicamente  inferior,  a  qual  tenha  se  decidido,  em  relação  a  determinada  questão  do  lançamento,  de  maneira  que  não  contemple  os  interesses  do  Recorrente.  Não  se  mostra  despiciendo  frisar  que  o  efeito  devolutivo  do  recurso  não  implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da  decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem.  Com efeito,  o objeto  imediato do Recurso Voluntário  é  a decisão proferida  pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, enquanto que o lançamento em si considerado figura, tão  somente, como o objeto mediato da insurgência.  Assim,  não  havendo  a  decisão  vergastada  se  manifestado  sob  determinada  questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que  se  falar em  reforma do  julgado em  relação a  tal  questão,  haja vista que  a  respeito dela nada  consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada.  Nesse  contexto,  à  luz  do  que  emana,  com  extrema  clareza,  do  Direito  Positivo, permeado pelos princípios processuais da eventualidade, da impugnação específica e  da  preclusão,  que  todas  as  alegações  de  defesa devem  ser  concentradas  na  impugnação,  não  podendo  o  órgão  ad  quem  se  pronunciar  sobre  matéria  antes  não  questionada,  sob  pena  de  supressão de instância e violação ao devido processo legal.  Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não  expressamente  contestadas  pelo  impugnante  em  sede  de defesa  ao  lançamento  tributário  são  juridicamente  consideradas  como  não  impugnadas,  não  se  instaurando  qualquer  litígio  em  relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para  inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que  se opera.  Fl. 468DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     8  O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento  do  Órgão  Julgador  Primário,  representaria,  por  parte  desta  Corte,  negativa  de  vigência  ao  preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia  emergir do Poder Judiciário.  Por tais razões, as matérias abordadas nos primeiros parágrafos deste tópico,  além  de  outras  eventualmente  dispersas  no  instrumento  de  Recurso  Voluntário,  mas  não  contestadas expressamente em sede de impugnação ao lançamento, não poderão ser conhecidas  por este Colegiado em virtude de preclusão legal.  De  todo  o  exposto,  presentes  os  demais  requisitos  de  admissibilidade  do  Recurso Voluntário, dele conheço parcialmente.    2.  DAS PRELIMINARES  2.1.   DA DECADENCIA  O  Supremo Tribunal  Federal,  em  julgamento  realizado  em  12  de  junho  de  2008,  reconheceu  a  inconstitucionalidade  dos  artigos  45  e  46  da  Lei  nº  8.212/91,  conforme  entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, nos termos que se vos seguem:  Súmula Vinculante nº 8  “São  inconstitucionais  o  parágrafo  único  do  artigo  5º  do  Decreto­lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que  tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.    Conforme  estatuído  no  art.  103­A  da  Constituição  Federal,  a  Súmula  Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela  Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá­la de imediato.  Constituição Federal de 1988   Art.  103­A.  O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  mediante  decisão  de  dois  terços  dos  seus  membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional,  aprovar  súmula  que,  a  partir  de  sua  publicação  na  imprensa  oficial,  terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do  Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas  esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua  revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.    Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos  45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo  inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência.  A  decadência  tributária  conceitua­se  como  a  perda  do  poder  potestativo  da  Fazenda  Pública  de  constituir  o  crédito  tributário  mediante  o  lançamento,  em  razão  do  exaurimento integral do prazo previsto na legislação competente.  Fl. 469DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001902/2008­86  Acórdão n.º 2401­004.093  S2­C4T1  Fl. 451          9  O  instituto  da  decadência  no  Direito  Tributário,  malgrado  respeitadas  posições  em  sentido  diverso,  encontra­se  regulamentado  no  art.  173  do  Código  Tributário  Nacional ­ CTN, que reza ipsis litteris:  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  II  ­  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue­se  definitivamente  com  o  decurso  do  prazo  nele  previsto,  contado  da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação,  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer  medida preparatória indispensável ao lançamento.    Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302­ 01.387  proferido  nesta  2ª  TO/3ª  CÂMARA/2ª  SEJUL/CARF/MF/DF,  na  Sessão  de  26  de  outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/2008­65, convicto encontra­se este  Conselheiro  de  que,  após  a  implementação  do  sistema  GFIP/SEFIP,  o  lançamento  das  contribuições  previdenciárias  não  mais  se  enquadra  na  sistemática  de  lançamento  por  homologação, mas,  sim,  na  de  lançamento  por  declaração,  nos  termos  do  art.  147  do CTN,  contingência que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º do  CTN.  Além do mais,  a  verve  de  fundamentação  do  lançamento  por  homologação  baseia­se  no  fato  de,  desde  a  ocorrência  do  fato  gerador  do  tributo  até  a  ocorrência  do  lançamento, o que existe é,  tão somente, obrigação  tributária, a qual é  ilíquida e  incerta, não  dispondo  a  Administração  Tributária  de  justo  título  para  a  cobrança.  Torna­se,  por  isso,  necessário  o  procedimento  administrativo  do  lançamento  para,  conferindo  à  obrigação  tributária os atributos da liquidez e certeza, convolá­la em crédito tributário, este sim exigível  pelo Fisco. Daí a natureza jurídica dúplice do lançamento: declaratória da obrigação tributária e  constitutiva do crédito tributário.  Trocando em miúdos,  somente após a efetiva convolação, pelo  lançamento,  da obrigação tributária em crédito tributário, passa a administração tributária a dispor de justo  título  para  a  exigência  do  crédito  decorrente.  Antes  não.  Antes  do  lançamento  há,  apenas,  obrigação tributária: ilíquida, incerta e inexigível.  No  caso  das  contribuições  previdenciárias,  como  originariamente  o  sujeito  passivo efetuava o recolhimento do tributo com fundamento em obrigação tributária, e não em  crédito  tributário,  tal  recolhimento,  nessa  condição,  era  ainda  indevido,  haja  vista  que  o  beneficiário  do  pagamento  –  o  Fisco,  até  então,  não  dispunha  de  justo  título,  o  qual  é  constituído por intermédio do Lançamento, nos termos do art. 142 do CTN.  Ocorrido o fato gerador, a obrigação tributária correspondente ao pagamento  realizado antecipadamente pelo Sujeito Passivo passava a depender da efetivação do respectivo  lançamento, por parte da administração tributária, o qual, ocorrendo, convolava a obrigação em  Fl. 470DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     10  crédito  tributário  sendo  este,  imediatamente  extinto  pelo  recolhimento  antecipado  efetuado  pelo Sujeito Passivo.  É o que diz o §1º do art. 150 do CTN.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos  tributos  cuja  legislação  atribua  ao  sujeito  passivo  o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  §1º O  pagamento  antecipado  pelo  obrigado  nos  termos  deste  artigo  extingue o  crédito,  sob  condição  resolutória da ulterior  homologação ao lançamento. (grifos nossos)   §2º  Não  influem  sobre  a  obrigação  tributária  quaisquer  atos  anteriores  à  homologação,  praticados  pelo  sujeito  passivo  ou  por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito.  §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém,  considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o  caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação.  §4º  Se  a  lei  não  fixar  prazo  a  homologação,  será  ele  de  cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.    Em  outras  palavras,  a  extinção  do  crédito  tributário  pelo  pagamento  antecipado  realiza­se  sob  condição  resolutória  de  ulterior  homologação  ao  lançamento.  Ou  seja, se não houver lançamento, resolve­se a extinção do crédito tributário correspondente ao  pagamento efetuado, podendo o Obrigado repetir o que se houve por indevidamente pago, haja  vista que o pagamento deu­se com fundamento, não em razão de crédito tributário, e não em  virtude de obrigação tributária, ilíquida, incerta e inexigível.  Daí  a  necessidade  de  lançamento  associado,  especificamente,  ao  montante  que se houve por recolhido antecipadamente: Para convolar a obrigação tributária nascida com  os  fatos  geradores  praticados  pelo  Contribuinte  no  crédito  tributário  correspondente,  este  dotado  de  liquidez,  certeza  e  exigibilidade,  excluindo,  a  partir  de  então  a  possibilidade  do  Sujeito Passivo de repetir o que foi pago antecipadamente.  Note­se  que,  nos  termos  do  §1º  do  art.  150  do CTN,  a  extinção  do  crédito  tributário encontra­se sujeita a condição resolutória do lançamento. Ocorre que, nos termos do  art. 173, I, do CTN, o direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento extingue­se após 5 anos  contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que tal lançamento poderia ter sido  efetuado.  Assim, exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN sem que  tenha ocorrido o lançamento, passa a dispor o Contribuinte do direito de repetir o que se houve  por recolhido antecipadamente.   Fl. 471DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001902/2008­86  Acórdão n.º 2401­004.093  S2­C4T1  Fl. 452          11  Para evitar tal repetição tributária, o legislador ordinário instituiu a figura do  lançamento por homologação tácita daquilo se houve por antecipadamente recolhido a título de  tributo, nos termos assentados no §4º do art. 150 do CTN.   Assim, escoado o prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato  gerador,  a Lei homologa o valor  recolhido  correspondente como  se  lançamento  fosse. Daí  o  lançamento por homologação ser conhecido pela Doutrina e  jurisprudência pelo  termo “auto  lançamento”.  Note­se que o lançamento por homologação tácita sempre, sempre irá ocorrer  antes de exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN.    Registre­se,  todavia,  que  a  modalidade  de  lançamento  por  homologação  somente é aplicável aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar  o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Nos termos da lei, o lançamento  por homologação opera­se pelo  ato  em que a  referida autoridade,  tomando conhecimento do  recolhimento  antecipado  realizado pelo Sujeito Passivo,  expressamente o homologa  como  se  lançamento fosse.  Inexistindo  tal homologação expressa, esta soerá advir  tacitamente, após o  decurso de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.  Acontece que o §1º do art. 113 do CTN estatui que “A obrigação principal  surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade  pecuniária e extingue­se juntamente com o crédito dela decorrente”.  Assim, com a homologação expressa ou tácita, apenas a fração da obrigação  tributária correspondente ao crédito tributário pago antecipadamente se houve por extinta com  o pagamento.  Ilumine­se  que  a  própria  lei  estatui  que  não  influem  sobre  a  obrigação  tributária  quaisquer  atos  anteriores  à  homologação,  aqui  incluído  por  óbvio  o  ato  do  pagamento antecipado, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total  ou parcial do crédito, os quais serão considerados na apuração do saldo porventura devido.  Assim, nos termos do art. 150, caput e parágrafos, do CTN, apenas encontra­ se  extinta  pelo  pagamento  antecipado  e  correspondente  homologação  tácita  a  fração  da  obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado.   Dessarte,  as  obrigações  tributárias  decorrentes  dos  fatos  geradores  cujo  crédito tributário correspondente não se houve por contemplado pelo recolhimento antecipado  permanecem  hígidas,  não  sofrendo  qualquer  influência  do  pagamento  realizado  pelo  Sujeito  Passivo, nos termos do §2º do art. 150 do CTN.  Nessa vertente, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário  referente às obrigações tributárias ainda não extintas pelo pagamento extingue­se após 5 anos,  contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o  lançamento poderia  ter sido  efetuado, em atenção ao preceito inscrito no art. 173, I, do CTN.  De outro eito, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do  Processo Administrativo Fiscal  referido nos parágrafos  anteriores,  entende este  relator que o  Fl. 472DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     12  lançamento tributário encontra­se perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela  assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de  publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não,  atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária,  em sua composição permanente, comunga a concepção de que a data de ciência do contribuinte  produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial.  Diante de tal cenário, o entendimento deste que vos relata mostra­se isolado  perante  o  Colegiado.  Dessarte,  em  atenção  aos  clamores  da  eficiência  exigida  pela  Lex  Excelsior,  curvo­me  ao  entendimento majoritário  deste  Sodalício,  em  respeito  à  opinio  iuris  dos demais Conselheiros.     Cumpre focalizar, neste comenos, a questão pertinente ao dies a quo do prazo  decadencial relativo à competência dezembro de cada ano calendário.  O art. 37 da Lei Orgânica da Seguridade Social prevê o lançamento de ofício  de contribuições previdenciárias sempre que a fiscalização constatar o atraso total ou parcial no  recolhimento das exações em apreço.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de  contribuições  tratadas  nesta  Lei,  ou  em  caso  de  falta  de  pagamento  de  benefício  reembolsado,  a  fiscalização  lavrará  notificação  de  débito,  com  discriminação  clara  e  precisa  dos  fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que  se referem, conforme dispuser o regulamento.  Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou  segurado  terá  o  prazo  de  15  (quinze)  dias  para  apresentar  defesa, observado o disposto em regulamento.    De  outro  canto,  o  art.  30  do mesmo Diploma  Legal,  na  redação  vigente  à  época da ocorrência dos fatos geradores, estabelece como obrigação da empresa de recolher as  contribuições previdenciárias a seu encargo e aquelas descontadas dos segurados obrigatórios  do RGPS a seu serviço até o dia 02 do mês seguinte ao da competência.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991  Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem  às  seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93)   I ­ a empresa é obrigada a:   a)  arrecadar  as  contribuições  dos  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos  a  seu  serviço,  descontando­as  da  respectiva remuneração;     b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a  contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como  as  contribuições a  seu  cargo  incidentes  sobre as  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas,  a  qualquer  título,  aos  segurados  empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a  Fl. 473DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001902/2008­86  Acórdão n.º 2401­004.093  S2­C4T1  Fl. 453          13  seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência;  (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).    No  caso  da  competência  dezembro,  até  que  se  expire  o  prazo  para  o  recolhimento,  diga­se,  o  dia  02  de  janeiro  do  ano  seguinte,  não  pode  a  autoridade  administrativa  proceder  ao  lançamento  de  oficio,  eis  que  o  sujeito  passivo  ainda  não  se  encontra em atraso com o adimplemento da obrigação principal. Trata­se de concepção análoga  ao  o  princípio  da  actio  nata,  impondo­se  que  o  prazo  decadencial  para  o  exercício  de  um  direito potestativo somente começa a fluir a contar da data em que o sujeito ativo dele detentor  pode, efetivamente, exerce­lo. Dessarte, a deflagração do aludido lançamento, referente ao mês  de dezembro, somente pode ser perpetrada a contar do dia 03 de janeiro do ano seguinte.   Nesse  contexto,  a  contagem do  prazo  decadencial  assentado  no  inciso  I  do  art. 173 do CTN relativo à competência dezembro do ano xx somente terá início a partir de 1º  de janeiro do ano xx + 2.  Pacificando o entendimento acerca do assunto em realce, o Superior Tribunal  de  Justiça  assentou  em  sua  jurisprudência  a  interpretação  que  deve  prevalecer,  espancando  definitivamente  qualquer  controvérsia  ainda  renitente,  conforme  dessai  em  cores  vivas  do  julgado dos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no  Recurso Especial nº 674.497, assim ementado:  PROCESSUAL  CIVIL.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.  RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS.  ART.  173,  I,  DO  CTN.  DECADÊNCIA.  ERRO  MATERIAL.  OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS.  EXCEPCIONALIDADE.  1.  Trata­se  de  embargos  de  declaração  opostos  pela  Fazenda  Nacional  objetivando  afastar  a  decadência  de  créditos  tributários  referentes a  fatos geradores ocorridos em dezembro  de 1993.   2.  Na  espécie,  os  fatos  geradores  do  tributo  em  questão  são  relativos  ao  período  de  1º  a  31.12.1993,  ou  seja,  a  exação  só  poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo  assim, na forma do art. 173, I do CTN, o prazo decadencial teve  início  somente  em  1º.1.1995,  expirando­se  em  1º.1.2000.  Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999,  tem­se por não consumada a decadência, in casu.   3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos,  para dar parcial provimento ao recurso especial.    No  caso  vertente,  o  prazo  decadencial  relativo  às  obrigações  tributárias  nascidas na competência dezembro de 2002 tem seu dies a quo assentado no dia 1º de janeiro  de  2004,  o  que  implica  dizer  que  a  constituição  do  crédito  tributário  referente  aos  fatos  geradores  ocorridos  nessa  competência  poderia  ser  objeto  de  lançamento  até  o  dia  31  de  dezembro de 2008, inclusive.  Fl. 474DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     14  Assim  delimitadas  as  nuances  materiais  do  lançamento,  nesse  específico  particular, tendo sido a ciência dos Autos de Infração em debate realizada aos 19/12/2008, os  efeitos  o  lançamento  em  questão  alcançarão  com  a  mesma  eficácia  constitutiva  todas  as  obrigações tributárias exigíveis a contar da competência dezembro/2002, inclusive, nos termos  do  art.  173,  I,  do  CTN,  estando  fulminadas  pela  decadência  todas  as  obrigações  tributárias  decorrentes  dos  fatos  geradores  ocorridos  até  a  competência  novembro/2002,  inclusive,  bem  como aquelas referentes ao 13º salário desse mesmo ano­calendário.    Ocorre,  todavia, que, em 18/09/2009, houve­se por publicado o Acórdão do  Recurso Especial nº 973.733 – SC, proferido na sistemática prevista no art. 543­C do Código  de  Processo  Civil,  tendo  por  objeto  de  mérito  questão  referente  ao  termo  inicial  do  prazo  decadencial  para  a  constituição  do  crédito  tributário  pelo  Fisco  nas  hipóteses  em  que  o  contribuinte não declara, nem efetua o pagamento antecipado do tributo sujeito a lançamento  por homologação, cuja ementa ora se vos segue:  Recurso Especial nº 973.733 – SC (2007/0176994­0)  Rel. : Min. Luiz Fux  Data de Publicação: 18/09/2009.  PROCESSUAL CIVIL.  RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ARTIGO  543­C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO 173,  I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN. IMPOSSIBILIDADE.  1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado  da  exação  ou  quando,  a  despeito  da  previsão  legal,  o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração prévia do  débito  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  REsp  766.050/PR,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  28.11.2007,  DJ  25.02.2008;  AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz  Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina abalizada, encontra­se regulada por cinco regras jurídicas  gerais e abstratas, entre as quais  figura a regra da decadência do  direito  de  lançar  nos  casos  de  tributos  sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação  em  que  o  contribuinte  não  efetua  o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo,  2004, págs. 163/210).  3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial  rege­se pelo disposto no artigo 173,  I, do CTN,  sendo certo que o  "primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  Fl. 475DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001902/2008­86  Acórdão n.º 2401­004.093  S2­C4T1  Fl. 454          15  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do  fato imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4º, e  173,  do  Codex  Tributário,  ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro,  2005,  págs.  91/104;  Luciano  Amaro,  "Direito  Tributário  Brasileiro",  10ª  ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5.  In  casu,  consoante  assente  na  origem:  (i)  cuida­se  de  tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de  pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou  adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos  fatos  imponíveis  ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii)  a  constituição  dos  créditos  tributários  respectivos  deu­se  em  26.03.2001.   6. Destarte, revelam­se caducos os créditos tributários executados,  tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que  o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do  artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.    Na  fundamentação  do  Acórdão,  o  Ministro  Relator  destaca  que,  em  se  tratando  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  quando  ocorre  pagamento  antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude,  dolo ou simulação, nem tendo sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, a  decadência  do  direito  do  Fisco  de  constituir  o  crédito  tributário  obedece  à  regra  prevista  na  primeira parte do §4º do  artigo 150 do CTN,  conforme  se depreende do excerto  extraído do  voto condutor do Acórdão, adiante transcrito para melhor compreensão de seus fundamentos:  “13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em  se  tratando  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  quando  ocorre  pagamento  antecipado  inferior  ao  efetivamente  devido, sem que o contribuinte  tenha incorrido em fraude, dolo ou  simulação,  nem  sido  notificado  pelo  Fisco  de  quaisquer  medidas  preparatórias,  obedece à  regra prevista na primeira parte do §4º,  do  artigo  150,  do Codex Tributário,  segundo  o  qual,  se  a  lei  não  fixar  prazo  a  homologação,  será  ele  de  cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência do  fato gerador:  "Neste  caso,  concorre a  contagem do  prazo  para  o  Fisco  homologar  expressamente  o  pagamento  antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso  de  não  homologação,  empreender  o  correspondente  lançamento  tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam­ se  simultaneamente  a  homologação  tácita,  a  perda  do  direito  de  homologar  expressamente  e,  consequentemente,  a  impossibilidade  jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito  Tributário,  Eurico Marcos Diniz  de  Santi,  3ª  Ed., Max  Limonad  ,  pág.  170).”  (REsp  973.733  –  SC,  Rel.:  Min.  Luiz  Fux,  DJ:  18/09/2009)  Fl. 476DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     16    O  entendimento  esposado  pela  Suprema  Corte  de  Justiça  houve­se  por  assimilado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o que motivou a edição da  Súmula nº 99, cujo verbete reproduzimos abaixo:  SÚMULA CARF Nº 99  Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, §4°, do  CTN,  para  as  contribuições  previdenciárias,  caracteriza  pagamento  antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como  devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a  autuação,  mesmo  que  não  tenha  sido  incluída,  na  base  de  cálculo  deste  recolhimento,  parcela  relativa  a  rubrica  especificamente  exigida  no  auto  de infração.  Acórdãos  Precedentes:  9202­002.669,  de  25/04/2013;  9202­002.596,  de  07/03/2013;  9202­002.436,  de  07/11/2012;  9202­01.413,  de  12/04/2011;  2301­003.452,  de  17/04/2013;  2403­001.742,  de  20/11/2012;  2401­ 002.299, de 12/03/2012; 2301­002.092, de 12/ 05/ 2011.    Pelo  exposto,  considerando  ser  de  01/07/2003  a  31/12/2006  o  período  de  apuração  do  crédito  tributário  ora  em  constituição,  considerando  ser  a  data  de  ciência  do  lançamento  19/12/2008  e  sendo  constatada  a  ocorrência  de  recolhimentos  antecipados  no  período,  concluímos  que  se  encontram  homologados  tacitamente  os  Créditos  Tributários  decorrentes dos  fatos geradores ocorridos nas competências de  julho/2003 a novembro/2003,  inclusive, nos termos expostos no §4º do art. 150 do CTN e da Súmula 99 do CARF.    Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito.    3.   DO MÉRITO  Cumpre  de  plano  assentar  que  não  serão  objeto  de  apreciação  por  este  Colegiado  as  matérias  não  expressamente  impugnadas  pelo  Recorrente,  as  quais  serão  consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª  Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso  Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte.  Também  não  serão  objeto  de  apreciação  por  esta  Corte  Administrativa  as  matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo  de  que  ora  se  cuida,  não  se  houve  por  instaurado  qualquer  litígio  a  ser  dirimido  por  este  Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não  oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª  Instância,  em razão da preclusão prevista no  art. 17 do Decreto nº 70.235/72.    3.1.  DOS FATOS GERADORES   Alega  o  Recorrente  que  as  bonificações  não  integram  o  Salário  de  Contribuição.  Sem razão.  Fl. 477DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001902/2008­86  Acórdão n.º 2401­004.093  S2­C4T1  Fl. 455          17  Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a  serôdia  ideia  de  que  a  remuneração  do  empregado  é  constituída,  tão  somente,  por  verbas  representativas  de  contraprestação  de  serviços  efetivamente  prestados  pelos  empregados.  A  retidão  de  tal  concepção  poderia  até  ter  sua  primazia  aferida  ao  tempo  da  promulgação  do  Decreto­Lei nº 5.452/43 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho.  Hoje, não mais.  CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO ­CLT   Art.  457  ­ Compreendem­se na  remuneração do empregado, para  todos os  efeitos  legais,  além  do  salário  devido  e  pago  diretamente  pelo  empregador,  como  contraprestação  do  serviço,  as  gorjetas  que  receber.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  1.999, de 1.10.1953)  §1º  ­  Integram  o  salário  não  só  a  importância  fixa  estipulada,  como  também  as  comissões,  percentagens,  gratificações  ajustadas,  diárias  para  viagens  e  abonos  pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953)  §2º ­ Não se  incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para  viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo  empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953)  §3º ­ Considera­se gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente  ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como  adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados.  (Redação dada pelo Decreto­lei nº 229, de 28.2.1967)    Art. 458 ­ Além do pagamento em dinheiro, compreende­se no salário, para todos os  efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura"  que  a  empresa,  por  forca  do  contrato  ou  do  costume,  fornecer  habitualmente  ao  empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou  drogas nocivas. (Redação dada pelo Decreto­lei nº 229, de 28.2.1967)  §1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis,  não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes  do salário­mínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decreto­lei nº 229, de 28.2.1967)  § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as  seguintes  utilidades  concedidas  pelo  empregador:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  10.243, de 19.6.2001)  I  –  vestuários,  equipamentos  e  outros  acessórios  fornecidos  aos  empregados  e  utilizados no  local de  trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº  10.243, de 19.6.2001)  II  –  educação,  em  estabelecimento  de  ensino  próprio  ou  de  terceiros,  compreendendo  os  valores  relativos  a  matrícula,  mensalidade,  anuidade,  livros  e  material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001)  III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso  servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001)  IV  –  assistência  médica,  hospitalar  e  odontológica,  prestada  diretamente  ou  mediante seguro­saúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001)  V  –  seguros  de  vida  e  de  acidentes  pessoais;  (Incluído  pela  Lei  nº  10.243,  de  19.6.2001)  VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001)  VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001)  §3º  ­  A  habitação  e  a  alimentação  fornecidas  como  salário­utilidade  deverão  atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25%  Fl. 478DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     18  (vinte  e  cinco  por  cento)  e 20%  (vinte  por  cento)  do  salário­contratual.  (Incluído  pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994)  §4º  ­  Tratando­se  de  habitação  coletiva,  o  valor  do  salário­utilidade  a  ela  correspondente  será  obtido  mediante  a  divisão  do  justo  valor  da  habitação  pelo  número  de  coabitantes,  vedada,  em  qualquer  hipótese,  a  utilização  da  mesma  unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94)    Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de  Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui,  as  relações  jurídicas  se  transformam,  acompanhando...,  os  conceitos  evolvem­se...  Nesse  compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações.  Ao  contrário,  tais  são  exigíveis.  A  sucessiva  evolução  na  interpretação  das  normas  já  positivadas  ajustam­nas  à  nova  realidade  mundial,  resgatando­lhes  o  alcance  visado  pelo  legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo  real.  Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito  às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao  empregador.  Se  assim  o  fosse,  o  décimo  terceiro  salário,  as  férias,  o  final  de  semana  remunerado,  as  faltas  justificadas  e  outras  tantas  rubricas  frequentemente  encontradas  nos  contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por  serviços executados pelo obreiro.  Paralelamente,  as  relações  de  trabalho  hoje  estabelecidas  tornaram­se  por  demais  complexas  e  diversificadas,  assistimos  à  introdução  de  novas  exigências  de  exclusividade  e  de  imagem,  novas  rubricas  salariais  foram  criadas  para  contemplar  outras  prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos,  dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente  démodé.   Antenada  a  tantas  transformações,  a  doutrina  mais  balizada  passou  a  interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo  empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho.   Com  efeito,  o  liame  jurídico  estabelecido  entre  empregador  e  empregado  segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum  minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer  ao  contratante,  além  do  seu  labor,  também  a  sua  imagem,  o  seu  não  labor  nas  empresas  concorrentes,  a  sua  disponibilidade,  sua  credibilidade  no  mercado,  ceteris  paribus.  Já  o  contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como  também uma série de vantagens diretas,  indiretas, em utilidades,  in natura, e assim adiante...  Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas  elas  ostentam,  em  sua  essência,  uma  nota  contraprestativa.  Todas  elas  colimam,  inequivocamente,  oferecer  um  atrativo  financeiro/econômico  para  que  o  obreiro  estabeleça  e  mantenha vínculo jurídico com o empregador.   Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente  figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos  patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de  trabalho e da  lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo  trabalho  realizado.  Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento:  Fl. 479DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001902/2008­86  Acórdão n.º 2401­004.093  S2­C4T1  Fl. 456          19  “Fatores  diversos  multiplicaram  as  formas  de  pagamento  no  contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do  salário­base  há  modos  diversificados  de  remuneração  do  empregado,  cuja  variedade  de  denominações  não  desnatura  a  sua natureza salarial ...  (...)  Salário  é  o  conjunto  de  percepções  econômicas  devidas  pelo  empregador  ao  empregado  não  só  como  contraprestação  pelo  trabalho,  mas,  também,  pelos  períodos  em  que  estiver  à  disposição  daquele  aguardando  ordens,  pelos  descansos  remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por  força  de  lei”  Nascimento,  Amauri  M.  ,  Iniciação  ao  Direito  do  Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005.    Registre­se, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo  “remuneração”  esposado  pelos  diplomas  jurídicos  mais  atuais  se  divorciou  de  forma  substancial daquele conceito antiquado presente na CLT.   O baluarte desse novo entendimento  tem sua pedra  fundamental  fincada na  própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece:  Constituição Federal de 1988   Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da União,  dos  Estados,  do Distrito Federal  e  dos Municípios,  e  das  seguintes  contribuições sociais:   I ­ do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada  na  forma da  lei,  incidentes sobre:  (Redação dada pela Emenda  Constitucional nº 20, de 1998)  a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos  ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste  serviço,  mesmo  sem  vínculo  empregatício;  (Incluído  pela  Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos)     Do  marco  primitivo  constitucional  deflui  que  a  base  de  incidência  das  contribuições  em  realce  não  é  mais  o  salário,  mas,  sim,  a  “folha  de  salários”,  propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, por todos  os  lançamentos  efetuados  em  favor  do  trabalhador  em  contraprestação  direta  pelo  trabalho  efetivo  prestado  à  empresa,  acrescido  dos  “demais  rendimentos  do  trabalho,  pagos  ou  creditados, a qualquer título, à pessoa  física que  lhe preste  serviço, mesmo sem vínculo  empregatício”,  parcela  esta  que  abraça  todas  as  demais  rubricas  devidas  ao  trabalhador  em  decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação  paga  pela  empresa,  a  qualquer  título,  aos  segurados  obrigatórios  do  RGPS  encontram­se  abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição.  Nessa  perspectiva,  todo  e  qualquer  lançamento  a  conta  de  despesa  da  empresa representativa de rubrica paga, devida ou creditada a segurado obrigatório do RGPS,  que  tiver  por  motivação  e  origem  o  trabalho  realizado  pela  pessoa  física  em  favor  do  Fl. 480DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     20  Contribuinte,  ostentará  natureza  jurídica  remuneratória,  e  como  tal,  base  de  cálculo  das  contribuições previdenciárias.   Na prática,  inexiste dificuldade em tal discernimento. Basta hipoteticamente  suprimir o trabalho realizado pela pessoa física na consecução do objeto social da sociedade. A  importância que deixar de ser vertida a essa pessoa corresponderá, assim, à parcela do trabalho  que  o  obreiro  dedicou  à  empresa.  Ao  revés,  a  fração  que  ainda  for  devida  à  pessoa,  independentemente do eventual labor físico ou intelectual por ela realizado, representará mera  liberalidade do empregador.  Como visto, o próprio Legislador Constituinte honrou deixar consignado no  Texto  Constitucional  a  real  amplitude  da  base  de  incidência  da  contribuição  social  em  destaque:  as  contribuições previdenciárias  incidem não  somente  a “folha de  salários”,  como  também, sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à  pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”.  Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11  do  artigo  201  da  Constituição  Federal,  que  estendeu  a  abrangência  do  conceito  de  salário  (Instituto de Direito do Trabalho) para abraçar os ganhos habituais do empregado, recebidos a  qualquer título.  Constituição Federal de 1988   Art.  201. A  previdência  social  será  organizada  sob a  forma de  regime geral,  de  caráter  contributivo  e  de  filiação  obrigatória,  observados  critérios  que  preservem  o  equilíbrio  financeiro  e  atuarial,  e  atenderá,  nos  termos  da  lei,  a:  (Redação dada pela  Emenda Constitucional nº 20, de 1998)  (...)  §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão  incorporados  ao  salário  para  efeito  de  contribuição  previdenciária  e  consequente  repercussão  em  benefícios,  nos  casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº  20, de 1998)    Assim, a contar da EC n° 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade  pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma  constitucional,  o  conceito  jurídico  de  SALÁRIO  (Instituto  de  Direito  do  Trabalho)  e,  nessa  condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO  (Instituto de  Direito  Previdenciário)  do  segurado,  se  sujeitando  compulsoriamente  à  incidência  de  contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado.  Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do  seguinte julgado:  TRT­7 ­Recurso Ordinário:   Processo:  RECORD  53007520095070011  CE  0005300­ 7520095070011   Relator(a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO   Órgão Julgador: TURMA 2  Publicação: 22/03/2010 DEJT  RECURSO DA RECLAMANTE CTVA ­NATUREZA SALARIAL ­ CONTRIBUIÇÃO A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA.  Fl. 481DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001902/2008­86  Acórdão n.º 2401­004.093  S2­C4T1  Fl. 457          21  A parcela CTVA, paga habitualmente e com destinação a servir  de  compromisso  aos  ganhos  mensais  do  empregado,  detém  natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os  fins,  inclusive  para  o  cálculo  da  contribuição  a  entidade  de  previdência privada.   RECURSO  DO  RECLAMADO  CEF  ­  CTVA.  Com  efeito,  se  referidas  gratificações  são  pagas  com  habitualidade  se  incorporam  ao  patrimônio  jurídico  do  reclamante,  de  forma  definitiva,  compondo  sua  remuneração  para  todos  os  efeitos.  Atente­se  que  a  natureza  de  tal  verba  não  mais  será  de  "gratificação" mas  sim  de  "Adicional Compensatório  de Perda  de Função"    A  norma  constitucional  acima  citada  não  exclui  da  tributação,  de  maneira  alguma,  as  rubricas  recebidas  em  espécie  de  forma  eventual.  A  todo  ver,  a  norma  constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos  os  ganhos  habituais  do  empregado,  a  qualquer  título.  Ocorre,  contudo,  que  o  conceito  de  SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que  o  conceito  trabalhista  mencionado,  compreendendo  não  somente  o  SALÁRIO  (instituto  de  direito  do  trabalho),  mas,  também,  todos  os  demais  rendimentos  do  trabalho  pagos  ou  creditados, a qualquer título, pela empresa à pessoa física que lhe preste serviço.  Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme  o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram  o  conceito  de  Salário  de  Contribuição,  nos  termos  e  na  abrangência  do  art.  28  da  Lei  nº  8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º.  Leinº8.212,de24 de julho de 1991  Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:   I  ­  para  o  empregado  e  trabalhador  avulso:  a  remuneração  auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade  dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título,  durante  o mês,  destinados  a  retribuir o  trabalho,  qualquer  que  seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a  forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de  reajuste  salarial, quer pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos  termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo  coletivo  de  trabalho  ou  sentença  normativa;  (Redação  dada  pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos)  II ­ para o empregado doméstico: a remuneração registrada na  Carteira  de  Trabalho  e  Previdência  Social,  observadas  as  normas  a  serem  estabelecidas  em  regulamento  para  comprovação  do  vínculo  empregatício  e  do  valor  da  remuneração;  III ­ para o contribuinte individual: a remuneração auferida em  uma  ou mais  empresas  ou  pelo  exercício  de  sua  atividade  por  conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que  se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  Fl. 482DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     22  IV  ­  para  o  segurado  facultativo:  o  valor  por  ele  declarado,  observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela  Lei nº 9.876, de 1999).    Note­se que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência  das  contribuições  previdenciárias,  foi  estruturado  de molde  a  abraçar  toda  e  qualquer  verba  recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente  prestados,  mas  também,  no  interstício  em  que  o  trabalhador  estiver  à  disposição  do  empregador, nos termos do contrato de trabalho.  Advirta­se que o termo “remunerações” encontra­se empregado no caput do  transcrito  art.  28  em  seu  sentido  amplo,  abarcando  todos  os  componentes  atomizados  que  integram  a  contraprestação  da  empresa  aos  segurados  obrigatórios  que  lhe  prestam  serviços.  Em  verdade,  até  mesmo  a  remuneração  referente  ao  tempo  ocioso  em  que  o  empregado  permanecer  à  disposição  do  empregador  não  escapa  da  amplitude  do  conceito  de  salário  de  contribuição.  Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a  literalidade  dos  enunciados  normativos  supratranscritos,  eis  que  o  texto  legal  revela­se  cristalino  ao  estabelecer,  como  base  de  incidência,  o  “total  das  remunerações  pagas  ou  creditadas a qualquer título”.  Nesses  termos,  compreendem­se  no  conceito  legal  de  remuneração  os  três  componentes do gênero, assim especificados pela doutrina:  1­  Remuneração  Básica  –  Também  denominada  “Verbas  de  natureza  Salarial”. Refere­se à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador  pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o  obreiro  aufere  de  maneira  regular,  na  forma  de  salário  mensal  ou  na  forma de salário por hora.   2­  Incentivos  Salariais  ­  São  programas  desenhados  para  recompensar  funcionários  com  bom  desempenho.  Os  incentivos  são  concedidos  sob  diversas  formas,  como  bônus,  gratificações,  prêmios,  participação  nos  resultados  a  título  de  recompensa  por  resultados  alcançados,  dentre  outros.   3­  Benefícios  ­ Quase  sempre denominados como “remuneração  indireta”.  Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem  uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in  natura”,  que  culminam  por  representar  um  ganho  patrimonial  para  o  trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o  profissional deixa de desembolsar diretamente.    Nesse  novel  cenário,  a  regra  primária  importa  na  tributação  de  toda  e  qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que  a  própria  lei  excluir  do  campo  de  incidência.  No  caso  específico  das  contribuições  previdenciárias,  a  regra  de  excepcionalidade  encontra­se  estatuída  no  parágrafo  9º  do  citado  art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade:  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Fl. 483DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001902/2008­86  Acórdão n.º 2401­004.093  S2­C4T1  Fl. 458          23  Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:   (...)  §9º  Não  integram  o  salário­de­contribuição  para  os  fins  desta  Lei,  exclusivamente:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97) (grifos nossos)  a)  Os  benefícios  da  previdência  social,  nos  termos  e  limites  legais, salvo o  salário­maternidade;  (Redação dada pela Lei nº  9.528, de 10.12.97).   b)  As  ajudas  de  custo  e  o  adicional  mensal  recebidos  pelo  aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973;   c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas  de  alimentação  aprovados  pelo  Ministério  do  Trabalho  e  da  Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de  1976;  d)  As  importâncias  recebidas  a  título  de  férias  indenizadas  e  respectivo  adicional  constitucional,  inclusive  o  valor  correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o  art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho ­CLT; (Redação  dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).   e)  As  importâncias:  (Alínea  alterada  e  itens  de  1  a  5  acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   1.  Previstas  no  inciso  I  do  art.  10  do  Ato  das  Disposições  Constitucionais Transitórias;   2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de  outubro  de  1988,  do  empregado  não  optante  pelo  Fundo  de  Garantia do Tempo de Serviço ­FGTS;   3. Recebidas a  título da  indenização de que  trata o art. 479 da  CLT;   4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei  nº 5.889, de 8 de junho de 1973;   5. Recebidas a título de incentivo à demissão;  6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e  144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  7.  Recebidas  a  título  de  ganhos  eventuais  e  os  abonos  expressamente  desvinculados  do  salário;  (Redação  dada  pela  Lei nº 9.711, de 1998).   8.  Recebidas  a  título  de  licença­prêmio  indenizada;  (Redação  dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei  nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº  9.711, de 1998).  f)  A  parcela  recebida  a  título  de  vale­transporte,  na  forma  da  legislação própria;   g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente  em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado,  na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528,  de 10.12.97).  h)  As  diárias  para  viagens,  desde  que  não  excedam  a  50%  (cinquenta por cento) da remuneração mensal;   Fl. 484DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     24  i) A  importância  recebida a  título de bolsa de complementação  educacional  de  estagiário,  quando  paga  nos  termos  da  Lei  nº  6.494, de 7 de dezembro de 1977;   j) A participação nos  lucros ou resultados da empresa, quando  paga ou creditada de acordo com lei específica;   l)  O  abono  do  Programa  de  Integração  Social­PIS  e  do  Programa  de  Assistência  ao  Servidor  Público­PASEP;  (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   m)  Os  valores  correspondentes  a  transporte,  alimentação  e  habitação  fornecidos  pela  empresa  ao  empregado  contratado  para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em  canteiro  de  obras  ou  local  que,  por  força  da  atividade,  exija  deslocamento  e  estada,  observadas  as  normas  de  proteção  estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada  pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  n)  A  importância  paga  ao  empregado  a  título  de  complementação  ao  valor  do  auxílio­doença,  desde  que  este  direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa;  (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  o)  As  parcelas  destinadas  à  assistência  ao  trabalhador  da  agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870,  de  1º  de  dezembro  de  1965;  (Alínea  acrescentada  pela  Lei  nº  9.528, de 10.12.97).  p)  O  valor  das  contribuições  efetivamente  pago  pela  pessoa  jurídica  relativo  a  programa  de  previdência  complementar,  aberto  ou  fechado,  desde  que  disponível  à  totalidade  de  seus  empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts.  9º  e  468  da  CLT;  (Alínea  acrescentada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97) (grifos nossos)   q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou  odontológico,  próprio  da  empresa  ou  por  ela  conveniado,  inclusive  o  reembolso  de  despesas  com  medicamentos,  óculos,  aparelhos  ortopédicos,  despesas  médico­hospitalares  e  outras  similares,  desde  que  a  cobertura  abranja  a  totalidade  dos  empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela  Lei nº 9.528, de 10.12.97)   r) O  valor  correspondente  a  vestuários,  equipamentos  e  outros  acessórios  fornecidos  ao  empregado  e  utilizados  no  local  do  trabalho  para  prestação  dos  respectivos  serviços;  (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   s)  O  ressarcimento  de  despesas  pelo  uso  de  veículo  do  empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a  legislação  trabalhista,  observado  o  limite máximo  de  seis  anos  de  idade,  quando  devidamente  comprovadas  as  despesas  realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   t)  O  valor  relativo  a  plano  educacional  que  vise  à  educação  básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro  de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais  vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que  não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos  os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação  dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  u)  A  importância  recebida  a  título  de  bolsa  de  aprendizagem  garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo  Fl. 485DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001902/2008­86  Acórdão n.º 2401­004.093  S2­C4T1  Fl. 459          25  com  o  disposto  no  art.  64  da  Lei  nº  8.069,  de  13  de  julho  de  1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   v)  Os  valores  recebidos  em  decorrência  da  cessão  de  direitos  autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   x) O valor da multa prevista no §8º do art. 477 da CLT. (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)     Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II, do CTN, deve­se emprestar  interpretação  restritiva  às  normas  que  concedam  outorga  de  isenção.  Nesse  diapasão,  em  sintonia  com  a  norma  tributária  há  pouco  citada,  para  se  excluir  da  regra  de  incidência  é  necessária  a  fiel  observância  dos  termos  da  norma  de  exceção,  tanto  assim  que  as  parcelas  integrantes do supra­aludido § 9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação  pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem  prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  111.  Interpreta­se  literalmente  a  legislação  tributária  que  disponha sobre:  I ­ suspensão ou exclusão do crédito tributário;   II ­ outorga de isenção;    No  caso  ora  em  apreciação,  consta  dos  autos  que,  em  auditoria  fiscal  realizada no contribuinte,  foram solicitados esclarecimentos sobre valores e beneficiários das  contas  "950258  ­  INCENTIVO  DESEMPENHO  ­  106"  e  "950494  ­  DESP  PESS  ­  BONUS  DESEM", pertencentes ao grupo de contas COSIF "8.1.7.27.00­3 ­ DESPESAS DE PESSOAL ­  BENEFÍCIOS" e "8.1.7.33.00­4 ­ DESPESAS DE PESSOAL ­ PROVENTOS";  O contribuinte informou que as referidas contas são utilizadas para registrar  as DESPESAS com INCENTIVO DESEMPENHO, representando VALORES PAGOS AOS  EMPREGADOS  quando  as  metas  de  venda  de  determinados  produtos  são  atingidas  ou  ultrapassadas, não havendo informado os critérios e as metas que geraram os valores pagos.  Contextualizado  nesses  termos  o  quadro  jurídico­normativo  aplicável  ao  caso­espécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o  foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que as verbas auferidas pelos  segurados obrigatórios que prestam serviços à Recorrente, a título de incentivo de desempenho,  assim  considerados  os  valores  recebidos  pelos  empregados  quando  as  metas  de  venda  de  determinados produtos são atingidas ou ultrapassadas, subsumem­se no conceito de “salário de  Contribuição”  assentado  no  caput  do  art.  28  da  Lei  nº  8.212/91,  na  forma  de  incentivos  salariais,  não  estando  acobertadas  por  nenhuma  das  hipóteses  de  não  incidência  tributária  destacadas no §9º desse mesmo dispositivo  legal,  razão pela qual  integram a base de cálculo  das contribuições previdenciárias.  Na  hipótese  sub  oculi,  não  é  exigida  áurea  mestria  para  perceber  que  tais  pagamentos  ostentam  natureza  jurídica  de  gratificação  de  desempenho.  Da  pena  de  Plá  Rodriguez, citado por Mascaro Nascimento, grafou­se singular conceito de gratificações como  as  “somas  em  dinheiro  de  tipo  variável,  outorgadas  voluntariamente  pelo  patrão  aos  seus  Fl. 486DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     26  empregados, a  título de prêmio ou  incentivo, para  lograr a maior dedicação e perseverança  destes.  Mostra­se  valioso  relembrar,  no  que  pertine  à  natureza  de  liberalidade  das  gratificações, as palavras de Cabanellas: “provado ou comprovado o caráter habitual, geral,  invariável e periódico da gratificação, esta perde a sua voluntariedade característica, para se  converter  em  obrigatória;  então,  deixa  de  ser  liberalidade  para  se  transformar  em  direito  exigível  pelo  trabalhador  e  inescusável  pelo  empregador”  (Guillermo  Cabanellas  de  Torres,  Compendio de Derecho Laboral, Bibliográfica Omeba, Buenos Aires, 1968)  É  exatamente  o  que  ocorre  no  caso  concreto  sobre  o  qual  ora  nos  debruçamos. As verbas  em destaque não  se  consubstanciam em ganhos  eventuais, mas,  sim,  numa  contraprestação  remuneratória  auferida  por  segurados  obrigatórios  do  RGPS  que  lograram  alcançar  as  metas  estabelecidas  pela  empresa.  Atingindo  o  trabalhador  as  metas  estabelecidas, ele se titulariza no direito subjetivo à gratificação correspondente, podendo esta  ser exigida inclusive judicialmente. Dessarte,   Os prêmios e  as gratificações  frequentemente são utilizados pelas empresas  como fonte de incentivo ao aumento de produtividade do trabalhador, visando a que este venha  a  participar  da  dinâmica  da  pessoa  jurídica  não  somente  como  um  dos  fatores  objetivos  de  produção  ­  trabalho  ­  em  troca  da  contrapartida  salarial, mas,  principalmente,  a  que  este  se  comprometa  subjetivamente  com  a  atividade  econômica  da  empresa,  dando  o máximo  de  si  para o sucesso do empreendimento.  Trata­se  de  parcela  salarial  cuja  aquisição  pelo  obreiro  depende  do  adimplemento de parâmetros objetivos, subjetivos e circunstanciais previamente estabelecidos  pelas  partes  em  comum  acordo,  consubstanciando­se,  assim,  num  direito  subjetivo  do  trabalhador sujeito a condição suspensiva, o qual, uma vez adimplida a condição, passa a ser  exigível  judicialmente  pelo  empregado,  circunstância  que  acentua  a  sua  natureza  jurídica  remuneratória.  Adite­se  que  o  conhecimento  prévio  de  que  tal  pagamento  será  realizado  quando  implementada  a  condição  para  o  seu  recebimento  retira­lhe  o  caráter  de  premiação  eventual,  uma  vez  que,  para  auferir  tal  "bônus"  ou  "prêmio  de  incentivo",  bastava  aos  empregados  apresentar  o  desempenho  exigido  pela  empresa,  de  maneira  que  os  referidos  pagamentos  encontram­se  totalmente  vinculados  à  produção  laboral  do  trabalhador,  circunstância que demonstra o caráter contraprestacional remuneratório da rubrica em relevo,  ajustando­se perfeitamente à hipótese de incidência das contribuições previdenciárias.  Aqui, se hipoteticamente suprimirmos o trabalho realizado por cada um dos  segurados que auferiram tais gratificações, a importância que cada um iria receber a esse título  seria  exatamente  igual  a  ZERO,  o  que  demonstra  insofismavelmente  que  tais  verbas  decorreram  da  contraprestação  pelo  trabalho  efetivamente  prestado  pelo  trabalhador  na  realização dos objetivos  sociais da pessoa  jurídica. Logo,  remuneração. Daí,  base de  cálculo  das contribuições previdenciárias.  Dessarte,  os  benefícios  auferidos  pelos  segurados  sob  o  título  de  incentivo  desempenho  possuem  natureza  remuneratória,  na  forma  de  incentivos  salariais.  Tais  ganhos  ingressaram na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho  e  da  prestação  de  serviços  ao  Recorrente,  sendo,  portanto,  um  benefício  concedido  pelo  trabalho e não para o trabalho.  Fl. 487DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001902/2008­86  Acórdão n.º 2401­004.093  S2­C4T1  Fl. 460          27  Não  procede  a  alegação  de  que  tais  verbas  seriam  “provisões  de  despesas  futuras com o pagamento a determinados níveis de executivos funcionários da Recorrente, de  produtos de bonificação consubstanciados por uma opção de  compra de ações que  somente  poderia ser exercida no período de janeiro de 2008 a janeiro de 2009”  De  acordo  com  os  esclarecimentos  prestados  pela  empresa  diretamente  à  Fiscalização as contas contábeis em realce “são utilizadas para registrar as DESPESAS com  INCENTIVO  DESEMPENHO,  representando  VALORES  PAGOS  AOS  EMPREGADOS  quando as metas de venda de determinados produtos são atingidas ou ultrapassadas”.    Adite­se  que  em  sua  impugnação  administrativa,  o  contribuinte  alegou  que  tais  despesas  referiam­se  a  PAGAMENTOS  efetuados  a  empregados/estagiários  a  título  a  título de ganhos eventuais (bonificações).  “19.  Por  outro  lado,  insta  esclarecer  que  os  valores  exigidos  na  presente  Notificação  de  Lançamento  Fiscal  não  são  derivados  do  pagamento  de  comissões,  como  pretendeu  fazer  entender  a  D.  Autoridade  Fiscal,  mas  sim  do  pagamento  efetuado  aos  empregados/estagiários a título de ganhos eventuais (bonificações).  20. Com efeito, os valores desembolsados pela Impugnante a título  de  Bônus,  não  integram  a  base  de  cálculo  da  contribuição  previdenciária, na medida em que tratam de ganhos eventuais.  21. Os  bônus  pagos  pela  Impugnante  dependem  da  ocorrência  de  um grande número de fatores, muitos deles completamente fora do  controle de quem paga e de quem recebe, como o resultado obtido  pela  empresa,  o  resultado  da  área  específica  de  alocação  do  funcionário,  bem  como  dos  resultados  individuais  obtidos  pelo  empregado ou dirigente. Se um desses fatores não for favorável, ai  da  que  os  outros  sejam,  o  empregado  ou  dirigente  não  fará  jus  a  nenhum ganho. Por hipótese, se a Impugnante obtém os resultados  esperados e o empregado cumpre suas metas  individuais, mas sua  área  não  em  desempenho  esperado. O mesmo  acontece  quando  a  área e o empregado tem o desempenho esperado, mas os resultados  do  Impugnante  ficam  abaixo  do  que  estava  projetado.  Nestas  condições,  o  empregado  nada  recebe,  ou  recebe  em  proporcionalmente à combinação dos resultados .  22.  Assim,  verifica­se  que  a  patente  eventualidade  dos  Bônus  em  comento,  na  medida  em  que  o  seu  pagamento  está  diretamente  ligado a eventos futuros e incertos, eis que o atingimento de metas e  resultados dependem de inúmeras circunstâncias alheias a vontade  do empregado/empregador para sua ocorrência”.    Agora,  em  sede  de Recurso Voluntário,  o Sujeito Passivo  já  alega  que  não  são  pagamentos,  mas,  sim,  provisões.  Também  já  não  são  mais  bonus  eventuais,  mas  sim,  opções de compra de ações.   Afinal ! de que se trata ? Nem o Recorrente sabe, ou não se decidiu ainda !  Ademais, não fez acostar aos autos as provas de suas alegações.  Fl. 488DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     28    Merece ser enaltecido que “provar” e “prova” são conceitos afins, mas que  não se confundem.  “Prova”,  em  Direito,  é  todo  meio  destinado  a  convencer  o  Julgador,  seu  destinatário,  a  respeito  da  verdade  de  um  fato  levado  a  julgamento.  As  “provas”  fornecem  elementos  para  que  o  Julgador  forme  seu  convencimento  a  respeito  de  fatos  controvertidos  relevantes para o processo. Daí serem referidas como “elementos de prova” ou, simplesmente,  “meios de prova”.  “Provar”,  no  entanto,  é  atividade  cognitiva mediante  a  qual  o  Interessado,  conjugando os registros assentados em documentos, as informações colhidas em depoimentos e  em  outros  meios  de  prova,  as  vincula  de  maneira  coerente  e  ordenada,  interconectando­as  numa  sequência  lógica,  harmônica  e  convergente,  tendente  a  formar  uma  correspondência  unívoca com a verdade que se tenta demonstrar ao Órgão Julgador.  Dessarte, provar um fato nada  tem a ver com a mera colação de centenas e  centenas de documentos e depoimentos ao Processo. Estes, são elementos estáticos nos autos.  “Provar”,  ao  contrário,  demanda a  demonstração  da  correlação  dinâmica  e  racional  entre os  registros e  informações consignados em tais elementos de prova, de cuja sinergia emergirá a  convicção acerca da realidade que se almeja revelar.  A atividade probatória, portanto, não se resume, tampouco se encerra, com a  mera  juntada  de  documentos  aos  autos  do  processo.  Esta  é  apenas  a  parte  inanimada  do  procedimento  probatório.  Parte  dinâmica  de  tal  procedimento,  consistente  na  concatenação  entre os elementos probantes veiculados nos documentos e o fato/circunstâncias que se deseja  demonstrar  constitui  capítulo  apartado  do  primeiro,  e  se  revela,  exatamente,  na  atividade  probatória propriamente dita.  No caso presente,  o Recorrente  fez  acostar  a  fls.  252/441 do processo uma  miríade de planilhas,  cópias de  instrumentos de opção de  compra de  ações, e cópias de uma  série de outros documentos. Não efetuou o Recorrente, no entanto, qualquer correlação entre  tais  documentos,  qualquer  vinculação  entre  os  elementos  neles  constantes  com  aquilo  que  almejada demonstrar nos autos. Apenas elementos estáticos, sem qualquer produção cognitiva,  os quais figuram nos autos simplesmente como um “2 de paus”.  Ou seja,  juntou documentos, mas nada provou. Não disse, mas foi como se  houvesse dito : “Busque aí nesse amontoado de cópias aquilo que eu preciso provar”.  Tentando  suprir  tal  deficiência,  este  Subscritor  ainda  buscou  identificar  alguma  correlação  entre  tais  elementos  e  as  alegações  aviadas  pelo Autuado, mas  sem  êxito  igualmente.  ALERTE­SE QUE A ATIVIDADAE COGNITIVA DE PROVAR O FATO  AFIRMADO É ÔNUS DO INTERESSADO, ENCARGO ESTE QUE NÃO É ADIMPLIDO  COM A MERA COLAÇÃO ALEATÓRIA DE DOCUMENTOS AOS AUTOS.   Nessa esteira, a verdade processual que efetivamente se tem é que os valores  objeto  do  lançamento  referem­se  a  “DESPESAS  com  INCENTIVO  DESEMPENHO,  representando  VALORES  PAGOS  AOS  EMPREGADOS  quando  as  metas  de  venda  de  determinados produtos são atingidas ou ultrapassadas”, conforme informado diretamente pela  empresa  à  Fiscalização  e  consignado  no  Relatório  Fiscal,  o  qual,  na  condição  de  Ato  Fl. 489DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001902/2008­86  Acórdão n.º 2401­004.093  S2­C4T1  Fl. 461          29  Administrativo por excelência, ostenta presunção iuris tantum de legitimidade e veracidade de  seu conteúdo.  Ostentando,  todavia,  a  presunção  de  veracidade  dos  Atos  Administrativos  eficácia relativa, esta admite prova em contrário a ônus da parte interessada, encargo este não  adimplido pelo Autuado, o qual não logrou afastar a fidedignidade do conteúdo dos Autos de  Infração em debate.  Allegatio et non probatio, quasi non allegatio.    Assim,  havendo  um  documento  público  com  presunção  de  veracidade  não  impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção.    Por  tudo  o  quanto  foi  ora  discutido,  avulta  que  o  benefício  auferido  pelos  segurados  da  Autuada,  a  título  de  Incentivo  Desempenho,  dada  a  sua  natureza  jurídica  de  gratificação,  e  por  não  constar  expressamente  no  rol  numerus  clausus  de  hipóteses  de  não  incidência tributária, constitui­se parcela integrante do Salário de contribuição dos segurados,  estando  sujeito,  por  decorrência  legal  vinculante,  à  incidência  de  contribuições  sociais  previdenciárias.    4.   CONCLUSÃO:  Pelos  motivos  expendidos,  CONHEÇO  PARCIALMENTE  do  recurso  voluntário para, no mérito, DAR­LHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídas do  lançamento, tão somente, as Obrigações Tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos  nas competências de julho/2003 a novembro/2003, em razão da homologação tácita do Crédito  Tributário correspondente, na forma prevista no art. 150, §4º, do CTN, e em atenção à Súmula  99 do CARF.    É como voto.    Arlindo da Costa e Silva, Relator.                                 Fl. 490DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI

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6301669 #
Numero do processo: 19515.720074/2014-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 25/08/2010, 30/12/2010, 17/01/2010, 22/02/2011, 04/11/2011 REVOGAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL SOBRE A INFRAÇÃO - RETROATIVIDADE BENIGNA Deve ser cancelada a multa isolada, haja vista que, em data posterior à lavratura do auto de infração, foi revogado o dispositivo legal, que dispunha sobre a infração e a penalidade aplicável. NÃO HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP - FATO TÍPICO - MULTA ISOLADA E JUROS A simples não homologação da DCOMP enseja a aplicação da multa isolada de 50%. Por conseguinte, também é aplicável a cobrança dos juros de mora sobre a penalidade. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Em Parte
Numero da decisão: 3301-002.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de Ofício e, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara, que dava provimento parcial. Andrada Márcio Canuto Natal- Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Francisco José Barroso Rios, Semíramis de Oliveira Duro, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA

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conteudo_txt : Metadados => date: 2016-03-05T15:20:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-03-05T15:20:01Z; Last-Modified: 2016-03-05T15:20:01Z; dcterms:modified: 2016-03-05T15:20:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:eb5589ae-6c97-49bd-8211-e3b58650390c; Last-Save-Date: 2016-03-05T15:20:01Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-03-05T15:20:01Z; meta:save-date: 2016-03-05T15:20:01Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-03-05T15:20:01Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-03-05T15:20:01Z; created: 2016-03-05T15:20:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2016-03-05T15:20:01Z; pdf:charsPerPage: 1849; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-03-05T15:20:01Z | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 10          1 9  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.720074/2014­06  Recurso nº               De Ofício e Voluntário  Acórdão nº  3301­002.753  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de janeiro de 2016  Matéria  Multa isolada  Recorrentes  FIBRIA CELULOSE S/A              FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Data  do  fato  gerador:  25/08/2010,  30/12/2010,  17/01/2010,  22/02/2011,  04/11/2011  REVOGAÇÃO  DO  DISPOSITIVO  LEGAL  SOBRE  A  INFRAÇÃO  ­  RETROATIVIDADE BENIGNA   Deve  ser  cancelada  a  multa  isolada,  haja  vista  que,  em  data  posterior  à  lavratura do auto de infração, foi revogado o dispositivo legal, que dispunha  sobre a infração e a penalidade aplicável.  NÃO  HOMOLOGAÇÃO  DE  DCOMP  ­  FATO  TÍPICO  ­  MULTA  ISOLADA E JUROS  A simples não homologação da DCOMP enseja a aplicação da multa isolada  de 50%. Por conseguinte,  também é aplicável a cobrança dos juros de mora  sobre a penalidade.  Recurso de Ofício Negado.  Recurso Voluntário Negado  Crédito Tributário Mantido Em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso  de  Ofício  e,  por  maioria  de  votos,  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário.  Vencida  a  Conselheira  Maria  Eduarda  Alencar  Câmara,  que  dava  provimento  parcial.    Andrada Márcio Canuto Natal­ Presidente.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 00 74 /2 01 4- 06 Fl. 451DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 19515.720074/2014­06  Acórdão n.º 3301­002.753  S3­C3T1  Fl. 11          2   Marcelo Costa Marques d'Oliveira ­ Relator.      Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Andrada  Márcio  Canuto  Natal,  Luiz  Augusto  do  Couto  Chagas,  Francisco  José  Barroso  Rios,  Semíramis  de  Oliveira  Duro,  José  Henrique  Mauri,  Marcelo  Costa  Marques  d'Oliveira  e  Maria  Eduarda  Alencar Câmara Simões                                    Fl. 452DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 19515.720074/2014­06  Acórdão n.º 3301­002.753  S3­C3T1  Fl. 12          3   Relatório  Adoto o relatório contido na decisão de primeira instância:  "Trata­se  de  impugnação  contra  o  lançamento  de  multa  regulamentar  isolada,  exigida  com  fundamento  nos  §§  15  e  17  do  art.  74  da  Lei  nº  9.430,  de  27/12/1996, incluídos pelo art. 62 da Lei nº 12.249, de 11/06/2010, 15, com / c o art.  44,  inciso  I  da  Lei  nº  9.430,  de  27/12/1996,  pelo  fato  de  a  Declaração  de  Compensação  (Dcomp)  nº  12742.20781.220211.1.7.09­2454,  transmitida  em  22/02/2011,  não  ter  sido  homologada,  e,  os  Pedidos  de  Ressarcimento  (PER)  nº  20875.26815.041111.1.5.08­  5070;  31715.02352.041111.1.5.09­4714;  02971.96.042.250810.1.1.08­  2370;  02345.80625.250810.1.1.09­9860;  07453.66184.301210.1.1.08­  4166;  16298.50921.301210.1.1.09­4875;  41627.28356.170111.1.1.08­  4608;  38559.07000.170111.1.1.09­9099;  transmitidos  entre as datas de 25/08/2010 e 04/11/2001,  terem sido indeferidos e/ ou deferidos,  em  parte,  conforme  consta  do  Termo  de  Verificação  Fiscal  às  fls.  18/76,  parte  integrante do auto de infração.    Intimado  do  lançamento,  o  interessado  impugnou­o  (fls.  84/110),  alegando,  em síntese: I – em preliminar, a nulidade do auto de infração, sob o argumento de  ausência  da  indicação  da  base  de  cálculo  das  multas,  afrontando  o  Decreto  nº  70.235, de 1972, art. 10, inciso V, e, conseqüentemente, cerceamento do seu direito  de defesa; e, ainda, erro do cálculo das multas referentes ao 4º trimestre de 2011,  tendo  em  vista  que  os  créditos  cujos  fatos  geradores  ocorreram  em  04/11/2011  foram pleiteados nos processo de ressarcimento nºs. 10880.941619/2012­11 (PIS) e  10880.941650/2012­44 (Cofins), nos valores de R$6.384.854,91 e R$29.409.028,73,  respectivamente;  e  os  valores  indeferidos  foram  de  R$3.170.705,86  e  R$14.604.435,57,  o  que  implicaria  multas  de  R$1.585.352,93  e  R$7.302.217,79,  segundo a Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 15, e não os valores de R$3.339.809,90 e  R$15.383.364,98, exigidos no auto de infração, com afronta ao art. 142 do CTN; e,  II – no mérito, o seu cancelamento, sob o argumento de que não ocorreu fato típico  que  ensejasse  a  aplicação  da  penalidade,  porque  o  fato  de  os  pedidos  de  ressarcimento/compensação  terem  sido  indeferidos  não  caracterizou  ato  ilícito  e,  ainda,  que  o  caracterizasse,  a multa  somente  poderia  ter  sido  aplicado depois  de  analisados  e  indeferidos  todos  os  pedidos,  sendo  que  as  manifestações  de  inconformidade  (doc.  05)  apresentadas  nos  processo  que  tratam  dos  3º  e  4º  de  trimestres de 2010 e dos 1º e 4º de 2011 estão pendentes de julgamento (doc. 06)."    A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Ribeirão  Preto (SP) julgou improcedente a impugnação. Reproduzo a ementa do Acórdão nº  24­54.396, de 29 de outubro de 2014:    "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data  do  fato  gerador:  25/08/2010,  30/12/2010,  17/01/2011,  22/02/2011,  04/11/2001  Fl. 453DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 19515.720074/2014­06  Acórdão n.º 3301­002.753  S3­C3T1  Fl. 13          4 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. MOTIVAÇÃO.    O auto de infração, lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil,  com a indicação expressa da motivação e das infrações imputadas ao contribuinte e  respectivas  fundamentações,  constitui  instrumento  legal  e  hábil  à  exigência  do  crédito tributário.    LANÇAMENTO. NULIDADE.    É válido o lançamento efetuado de conformidade com as normas legais que  regem o procedimento administrativo fiscal.    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Data  do  fato  gerador:  25/08/2010,  30/12/2010,  17/01/2011,  22/02/2011,  04/11/2001  PENALIDADE. MULTA ISOLADA. PER/DCOMP. CRÉDITO INCERTO  E ILÍQUIDO.    O indeferimento de Pedido de Restituição (PER) e/ ou a não homologação de  compensação,  mediante  a  transmissão  de  Declaração  de  Compensação  (Per/Dcomp),  em  face  da  incerteza  e  iliquidez  dos  créditos  financeiros  reclamados/utilizados,  sujeita  o  contribuinte  à  multa  regulamentar  isolada,  nos  termos da legislação tributária vigente.    Impugnação Improcedente    Crédito Tributário Mantido"    O colegiado julgador, não obstante o fato de ter considerado como cabível a  aplicação  das  multas  isoladas,  manteve  suspensa  a  exigibilidade  do  crédito  tributário,  até  a  prolação  de  decisão  definitiva  sobre  cada  um  dos  processos  administrativos  em  que  se  discutem o indeferimento dos PER e não homologação das DCOMP.    Posteriormente,  em  sessão  do  dia  24  de  fevereiro  de  2015,  o  mesmo  colegiado  revisou o Acórdão n° 24­54.396,  cuja  ementa  foi  acima  reproduzida,  em  razão da  revogação do § 15 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, que embasava a aplicação de multa isolada de  50% sobre o crédito tributário objeto de Pedido de Ressarcimento (PER) indeferido.   Fl. 454DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 19515.720074/2014­06  Acórdão n.º 3301­002.753  S3­C3T1  Fl. 14          5   Com  fundamento  no  inciso  II  do  art.  106  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN), foi proferida nova decisão (Acórdão n° 14­56.642), por meio da qual foram canceladas  as multas isoladas relativas aos PER indeferidos. Foram, contudo, mantidas as concernentes às  Declarações  de  Compensação  (DCOMP)  não  homologadas,  no  montante  total  de  R$  127.118,88.     A DRJ  recorreu de ofício, nos  termos do  inciso.  I do art. 34 do Decreto n°  70.235/72.    O  contribuinte,  por  seu  turno,  apresentou  Recurso,  no  qual  contesta  a  cobrança  da  multa  isolada  de  50%  remanescente,  sob  a  alegação  de  que  o  fato  típico  que  motivaria sua cobrança não  teria ocorrido, e dos  juros, em consequência do descabimento da  exigência da multa isolada.    É o relatório.                              Fl. 455DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 19515.720074/2014­06  Acórdão n.º 3301­002.753  S3­C3T1  Fl. 15          6   Voto             Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira    I) ADMISSIBILIDADE DOS RECURSOS  Os  Recurso  de  Ofício  e  Voluntário  preenchem  os  requisitos  de  admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72, pelo que deles tomo conhecimento.    II) DOS FATOS    Trata­se da  lavratura de Auto  de  Infração  (fls.  8  a  17),  para  a  cobrança  de  multas isoladas pelo indeferimento de Pedidos de Ressarcimento (PER), transmitidos entre as  datas de 25/8/2010 e 4/11/2011,  e não homologação de Pedido de Compensação  (DCOMP),  transmitido em 22/2/2011, fundamentadas, respectivamente, nos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei n°  9.430/96.     A  multa  isolada  total  era  de  R$  56.814.722,36,  sendo  R$  56.687.603,48,  referente aos PER, e R$ 127.118,88, ao DCOMP.    III) DO RECURSO DE OFÍCIO    A decisão recorrida, proferida pelo Acórdão n° 14­56.642, de 24/2/2015, que  revisou  o Acórdão  n°  24­54.396,  de  29/10/2014,  cancelou  a multa  isolada de  50%,  aplicada  sobre os Pedidos de Ressarcimento (PER) indeferidos, em razão da revogação do § 15 do art.  74 da Lei n° 9.430/96.    O § 15 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, que fundamentou a exigência da multa  isolada de 50% sobre os PER indeferidos, foi revogado pela MP n° 656, de 7/10/2014. Esta MP  foi convertida na Lei n° 13.097, de 19/01/2015, a qual, todavia, não confirmou tal revogação.  Porém, em 30/1/2015, foi publicada a MP n° 668, trazendo novamente a revogação do § 15 do  art.  74  da  Lei  n°  9.430/96.  A  extinção  da  penalidade  foi  mantida  pela  Lei  n°  13.137,  de  22/6/2015, na qual a MP 668/2015 foi convertida.  Fl. 456DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 19515.720074/2014­06  Acórdão n.º 3301­002.753  S3­C3T1  Fl. 16          7   Diante de tal revogação, há de se recorrer ao inciso II do art. 106 do CTN:    "Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:    I  ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a  aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;     II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:    a) quando deixe de defini­lo como infração;    (. . .) (grifo nosso)    Uma  vez  que  a  infração  pelo  indeferimento  de  PER  deixou  de  existir  no  ordenamento  jurídico,  há  de  se  cancelar  a  cobrança  da  penalidade  correspondente,  isto  é,  da  multa isolada de 50%, no montante total de R$ 56.814.722,36.    Portanto, nego provimento ao Recurso de Ofício.    IV) RECURSO VOLUNTÁRIO    A  Recorrente  aduz  que  a  multa  isolada  de  50%  não  poderia  ser  aplicada,  porque "o  fato  típico  ensejador  da  infração"  ainda não  teria ocorrido. Relata que  estava  em  curso, na esfera administrativa, processo em que discute a glosa de créditos de PIS/COFINS e a  consequente  não  homologação  da  correspondente  Declaração  de  Compensação  (DCOMP).  Com efeito, foi este último fato o que originou a aplicação da penalidade pela autuante.    Fl. 457DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 19515.720074/2014­06  Acórdão n.º 3301­002.753  S3­C3T1  Fl. 17          8 Adicionalmente,  pede  o  afastamento  da  cobrança  dos  juros  de  mora  incidentes  sobre  a  multa  isolada,  uma  vez  que  restar  comprovada  a  inaplicabilidade  da  penalidade.    Dispõem os §§ 17 e 18 do artigo 74 da lei n° 9.430/96    "Art.  74.  O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na  compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e  contribuições administrados por aquele Órgão.    (. . .)    § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento)  sobre  o  valor  do  débito  objeto  de  declaração  de  compensação  não  homologada,  salvo  no  caso  de  falsidade  da  declaração  apresentada pelo sujeito passivo.    §  18.  No  caso  de  apresentação  de  manifestação  de  inconformidade  contra  a  não  homologação  da  compensação,  fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o §  17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrando­se  no disposto no inciso III do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de  outubro de 1966 ­ Código Tributário Nacional (CTN)." (grifos  nossos)    Consta nos autos (fls 75 e 76) que a Declaração de Compensação (DCOMP)  nº 12742.20781.220211.1.7.09­2454, transmitida em 22/02/2011, não foi homologada e, como  consequência,  foi  lavrado auto de  infração para a cobrança da multa  isolada de 50% sobre o  crédito  não  homologado.  Da  leitura  do  §  17  do  art.  74  Lei  n°  9430/96,  acima  transcrito,  verifica­se que a simples não homologação da DCOMP dá causa à aplicação da penalidade.     Portanto,  a  autuante  procedeu  corretamente  ao  aplicar  a  multa  isolada  de  50%. Por conseguinte, também procede a cobrança dos juros incidentes sobre a multa isolada,  nos termos da Súmula CARF n° 4, a saber:    Fl. 458DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 19515.720074/2014­06  Acórdão n.º 3301­002.753  S3­C3T1  Fl. 18          9 "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­  SELIC para títulos federais."    Outrossim, também verifica­se nos autos que a Recorrente está litigando, na  esfera  administrativa,  contra  as  glosas  de  créditos  de  PIS/COFINS  e  a  consequente  não  homologação  da  DCOMP.  Assim  sendo,  nos  termos  do  §  18  do  mesmo  artigo,  deve  ficar  suspensa a exigência da multa prevista no § 17, até o desfecho do respectivo processo, tal qual  já havia sido determinado pelo julgador de primeira instância.     Portanto, nego provimento ao Recurso Voluntário, permanecendo suspensa a  exigência  da  multa  prevista  no  §  17  do  art.  74  da  Lei  n°  9.430/96  e  dos  juros  de  mora  incidentes, até o desfecho do processo administrativo em que se discute a não homologação da  respectiva DCOMP.    V) CONCLUSÃO    Com base nos argumentos acima expostos, nego provimento aos Recursos de  Ofício e Voluntário, ressalvando, no último caso, que deve permanecer suspensa a exigência da  multa prevista no § 17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, até o desfecho do processo administrativo  em que se discute a não homologação da respectiva DCOMP.    Marcelo Costa Marques d'Oliveira ­ Relator                                    Fl. 459DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL

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Numero do processo: 13839.721219/2011-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 27/11/2006 a 28/09/2010 OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. ORIGEM DOS RECURSOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUNÇÃO. Presume-se a interposição fraudulenta de terceiro nas operações de comércio exterior em que não se comprovaram a origem, disponibilidade e transferência dos recursos nela empregados. DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Nos arts. 23 e 24 do Decreto-Lei no 1.455/1976 enumeram-se as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir do pólo passivo a empresa Red Bear e Logística. Sustentou: Dr. Guilherme de Macedo Soares - OAB 35.220 - DF, presente também o Dr. Luiz Carlos de Andrada Júnior - OAB 258.521 - SP. Ricardo Paulo Rosa - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2024; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T2  Fl. 9          1 8  S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13839.721219/2011­04  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3302­003.087  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de fevereiro de 2016  Matéria  IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO/ MULTA  Recorrente  DANRIO COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e  OUTROS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL     ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO ­ II  Período de apuração: 27/11/2006 a 28/09/2010  OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. ORIGEM DOS RECURSOS.  FALTA  DE  COMPROVAÇÃO.  INTERPOSIÇÃO  FRAUDULENTA.  PRESUNÇÃO.  Presume­se a interposição fraudulenta de terceiro nas operações de comércio  exterior  em  que  não  se  comprovaram  a  origem,  disponibilidade  e  transferência dos recursos nela empregados.  DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.  Nos  arts.  23  e  24  do Decreto­Lei  no  1.455/1976  enumeram­se  as  infrações  que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento  das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao  Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do  texto  da própria lei.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial  provimento  ao  Recurso  Voluntário  para  excluir  do  pólo  passivo  a  empresa  Red  Bear  e  Logística. Sustentou: Dr. Guilherme de Macedo Soares ­ OAB 35.220 ­ DF, presente também o  Dr. Luiz Carlos de Andrada Júnior ­ OAB 258.521 ­ SP.  Ricardo Paulo Rosa ­ Presidente.   Domingos de Sá Filho ­ Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 72 12 19 /2 01 1- 04 Fl. 3233DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA   2 Participaram da  sessão de  julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa  (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro  Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares  de Araujo e Walker Araujo.      Relatório  Cuida­se  de  processo  consubstanciado  em  auto  de  infração  versando  sobre  aplicação da pena de perdimento da mercadoria nos caso de  inserção de  informação que não  traduza  a  realidade da  operação, motivo  pelo  qual  foi  aplicado  a multa  equivalente  ao  valor  aduaneiro da mercadoria  importada, conforme disposto no § 3º do art. 23 do Decreto Lei n°  1.455/76, pelo cometimento da infração tipificada no inciso VI do art. 105 do Decreto Lei n°  37/66, referente aos fatos geradores do período de apuração de 27/11/2006 a 28/09/2010.   Assim, a Fiscalização considerou no caso dos  autos que houve “cessão do  nome  da  pessoa  jurídica  com  vistas  no  acobertamento  dos  reais  intervenientes  ou  beneficiários, descumprimento de manter em boa guarda os documentos ou de apresentá­ los a fiscalização e multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria importada”.  Conforme se depura do Auto de Infração, fora constatado que a Fiscalizada,  no  período  de  2006  à  2008,  importou  matérias  diversas,  entre  tantas  encontram  tecidos,  faqueiros,  gravatas  peças  eletrônicas  ,etc,  através  das  Declarações  de  Importação  nº  07/07730877,  08/805011506,  08/10898661,  06/14337768,  07/02299400,  07/03353343  e  07/04609805, sendo que, às ultimas quatro Declarações de  Importação por conta e ordem de  terceiros tinha como benefíciária a empresa K2 Logística  Importação e Exportação Ltda, esta  que,  inclusive,  fora  declarada  inapta  pela  Receita  Federal  do  Brasil,  ante  a  prática  de  irregularidades  de  comércio  exterior,  e,  ocultar  real  adquirente  de  mercadorias  e  pela  apresentação de faturas ideologicamente falsas.  No  período  compreendido  entre  março  e  setembro  de  2010,  as  operações  realizadas  foram  por  meio  das  declarações  de  importação  n°  10/03353101,  10/03539078,  10/04811391,  10/05235734,  10/05235530,  10/05215830,  10/06456203,  10/06454189,  10/07815363,  10/08442994,  10/08475469,  10/09228546,  10/09227779,  10/09383401,  10/09383150,  10/10967071,  10/10963254,  10/11054894,  10/13151846,  10/14706990,  10/14782203, 10/14779776, 10/14889083, 10/16072580 e 10/1704311 8.  Extraí­se dos autos que a Fiscalização oportunizou a Interessada à apresentar  os  contratos  de  câmbio  como  meio  de  comprovar  a  efetiva  transferência  dos  recursos  empregados  nas  operações  de  comércio  exterior,  o  que  não  o  fez,  cometendo  a  infração  tipificada no § 2º, inciso V, do art. 23 do Decreto Lei n° 1.455/76.  Também não apresentou a documentação exigida pelo fisco, tais como: notas  fiscais  de  entrada  e  saída  relativas  às  mercadorias  importadas  e  os  originais  das  faturas  comerciais e conhecimento de carga das  importações,  incorrendo na  infração definida no art.  70, inciso II, alínea “b” da Lei n° 10.833/03.  E  no  período  entre março  e  setembro  de  2010,  constatou­se que  a  empresa  Icon  do  Brasil  Importação  e  Exportação  Ltda  importou  para  a  Fiscalizada  aparelhos  de  Fl. 3234DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13839.721219/2011­04  Acórdão n.º 3302­003.087  S3­C3T2  Fl. 10          3 "fitness",  capas para  aparelhos  eletrônicos,  na modalidade  “importação por  conta  e ordem”,  nos  termos  da  Instrução  Normativa  SRF  n°  225/02.  Entretanto,  dolosamente,  também  a  identificou  como  encomendante  no  campo  "informações  complementares"  de  todas  as  declarações de importação citadas. (...). Simultaneamente passou a desfrutar de dois benefícios:  vantagens tributárias da modalidade de importação por encomenda e importação sem limite de  valor da modalidade por conta e ordem de terceiros.(...)./  Considerou  o Contrato  de  Importação  por Conta  e Ordem  como  falso  e  os  documentos de instrução das declarações de importação na mesma condição, fato motivador da  aplicação  à  Fiscalizada  a  multa  equivalente  ao  valor  aduaneiro  da  mercadoria  importada,  conforme disposto no § 3º do art. 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, pelo cometimento da infração  tipificada no inciso VI do art. 105 do Decreto Lei n° 37/66.  Ainda  no  mesmo  período,  narra  o  fisco  que,  documentalmente,  as  mercadorias passam por  três empresas: 1º Icon, 2º Danrio (Fiscalizada), 3º APJ ou Gávea.  Entretanto, na prática o caminho das mercadorias passa por apenas duas empresas: 1° Icon, 2º  APJ ou Gávea, as quais são intimamente ligadas, funcionando em conluio, conforme consulta  à Receita Federal do Brasil (fls. 39 e ss dos autos), tratando­se de um esquema ilícito composto  por  empresas  localizadas  nos  estados  de  São  Paulo  e  no  Estado  do  Espírito  Santo,  juntas  objetivavam sonegar tributos federais, estaduais e municipais.  Também  neste  período,  entendeu  a  fiscalização  que  a  motivação  para  a  conduta  da  empresa  Icon  de  vincular­se  perante  o  Cismes  como  “importadora  por  conta  e  ordem”  da Fiscalizada  foi  importar  sem  limites  de  valores,  utilizando­se  da modalidade  de  habilitação  ordinária  concedida  à Fiscalizada.  Já  no momento  de  dar  saída  nas mercadorias  declarava­se como “importador para encomendante predeterminado”, pois aí utilizava­se do  benefício fiscal concedido pelo Estado do Espírito Santo. Sendo que numa mesma importação  a legislação não permite a utilização simultânea dos dois institutos.  Ressalta, por fim, que a empresa APJ nunca deixou de operar vinculada ao  grupo.  As  mercadorias  agora  importadas  em  nome  da  Fiscalizada  continuaram  a  ser  repassadas, na maior parte, à empresa APJ. Esta que, nas informações prestadas ao Fisco não  mais aparecia como encomendante ou adquirente, permanecendo oculta, estando desobrigada  do  recolhimento  de  IPI.  Concluindo  que  Fiscalizada  nunca  foi  a  real  destinatária  das  importações, mas sim a empresa APJ.  Em  síntese,  fora  imputada  à  Fiscalizada  o  ilícito  de  utilizar  pessoas  interpostas por meio de um esquema fraudulento, facilitando entrada irregular de mercadorias  importadas para revenda, burlando o fisco.   E,  aos  terceiros  envolvidos  na  cessão,  estes  respondem  juntamente  com  a  Contribuinte, na condição de responsáveis solidários, sendo eles: Icon do Brasil Importação e  Exportação Ltda, Gávea Distribuidora de Produtos Ltda, APJ International Consultoria  e  Comercio  Ltda  EPP,  Red  Bear Armazém  e  Logística  SA,  Francisco  Escobar, Marco  Antonio  de  Paiva  Escobar,  Bernard  Anton  Fuldauer,  Carlos  André  Nascimento  Silva,  Rosanny Roncetti, Amadeu Jose Policastro Júnior e Antonio Calmon Du Pin e Almeida  Filho.   Tempestivamente,  a  Fiscalizada,  bem  como  os  responsáveis  solidários  apresentaram suas respectivas Impugnações.  Fl. 3235DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA   4 Proferido o r. Acórdão pela Turma de Julgamento, considerou improcedente  a impugnação da interessada, mantendo­se a totalidade do credito lançado e, com relação aos  responsáveis  solidários,  manteve­os,  com  exceção  a  multa  de  10%  do  valor  aduaneiro  das  mercadorias importadas, pela cessão do nome.  Fase  recursal,  irresignados  com  o  Acórdão  desfavorável,  apresentaram  Recursos Voluntários:  Da  Fiscalizada:  Recurso  apresentado  às  fls.  3003/3028,  rechaçando  a  decisão  recorrida,  alegando  em  síntese:  a)  ausência  de  prova  certa  e  inequívoca  para  fundamentar  a  decisão  fustigada,  tendo  em  vista  que  o  fisco  apresentou  elementos  contraditórios, tais como fotos e declarações inconsistentes; b) caracteriza simples presunções  do fisco, incapazes, por si só, em afirmar que a recorrente tenha cedido o nome com as demais  empresas, com a forma de “esquema” para sonegação de impostos, havendo a necessidade do  desmembramento  do  Auto  de  infração;  c)  que  não  houve  ocultação  da  empresa  APL,  nem  sonegação de IPI; d) que não houve uso de documentação falsa e nem fraude aos controles de  importações, vez que não era a recorrente quem preenchia ou instruía as referidas informações;  e) não cumprimento correto do art. 73 da lei. 10.833/2003, ante a aplicação da penalidade;   Por fim, requer a improcedência da autuação.   Dos Responsáveis solidários:  Icon do Brasil Importação e Exportação Ltda apresentou  impugnação as  fls  3079/3097,  alegando  em  síntese:  a)  as  infrações  imputadas  serem  baseados  em  teorias  e  meras suposições, construídas sobre falsas premissas; b) da inadequada subsunção dos fatos à  norma, sem identificação precisa do sujeito passivo de cada uma das infrações elencadas, mas  sujeitando todas as pessoas físicas e jurídicas a todas as infrações; c) da inobservância do artigo  112 do CTN; d)  de  ser  inadmissível  culpar  a  recorrente pelas  fragilidades do SISCOMEX e  pela mora da Receita Federal do Brasil em promover a adaptação do sistema às normas; e) da  fiscalização  não  ter  comprovado  o  cometimento  de  qualquer  dos  ilícitos  apontados  contra  a  recorrente.  Diante disso, requer que seja declarada extinta a relação jurídico­tributária.  Gávea  Distribuidora  de  Produtos  Ltda,  apresentou  impugnação  as  fls  3065/3077, alegando em síntese: a) as infrações imputadas serem baseados em teorias e meras  suposições, construídas sobre falsas premissas; b) da inadequada subsunção dos fatos à norma,  sem  identificação  precisa  do  sujeito  passivo  de  cada  uma  das  infrações  elencadas,  mas  sujeitando todas as pessoas físicas e jurídicas a todas as infrações; c) da inobservância do artigo  112  do  CTN; d)  da  falta  de  nexo  causal  entre  os  ilícitos  apontados  e  as  suposta  finalidade  almejada; e) da ausência total de provas de que a recorrente teria “interesse comum” na prática  dos supostos ilícitos; f) que não houve ocultação da empresa APL, nem sonegação de IPI; g)  não cumprimento correto do art. 73 da lei. 10.833/2003, ante a aplicação da penalidade.  Requerendo  assim,  a  extinção  da  relação  jurídico­tributária.APJ  –  International Consultoria e Comércio Ltda ­ EPP, apresentou impugnação as fls 3108/3133,  alegando em síntese: a) as infrações imputadas serem baseados em teorias e meras suposições,  construídas sobre falsas premissas; b) da inadequada subsunção dos fatos à norma e violação  ao artigo 142 do CTN, sem identificação precisa do sujeito passivo de cada uma das infrações  elencadas,  mas  sujeitando  todas  as  pessoas  físicas  e  jurídicas  a  todas  as  infrações;  c)  da  inobservância do artigo 112 do CTN; d) da falta de nexo causal entre os ilícitos apontados e as  suposta finalidade almejada; e) da não observância dos requisitos materiais e formais previstos  Fl. 3236DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13839.721219/2011­04  Acórdão n.º 3302­003.087  S3­C3T2  Fl. 11          5 no  parágrafo  3º  do  artigo  23  do  Decreto  Lei  1.455/76  (mercadoria  não  localizada  ou  consumida); f) da responsabilização da recorrente pelo valor global das DI, sem considerar que  parte das mercadorias foram adquiridas por outras empresas.    Ante o exposto, requer a declaração de extinção da relação jurídico­tributária  Red  Bear  Armazém  e  Logística  S/A,  apresentou  impugnação  as  fls  3049/3063, alegando em síntese: a) as infrações imputadas serem baseados em teorias e meras  suposições, construídas sobre falsas premissas; b) da inadequada subsunção dos fatos à norma  e violação ao artigo 142 do CTN, sem identificação precisa do sujeito passivo de cada uma das  infrações elencadas, mas sujeitando todas as pessoas físicas e jurídicas a todas as infrações; c)  não cumprimento correto do art. 73 da lei. 10.833/2003, ante a aplicação da penalidade; d) da  falta  de  nexo  causal  entre  os  ilícitos  apontados  e  as  suposta  finalidade  almejada;  e)  da  responsabilização  da  recorrente  pelo  valor  global  das  DI,  sem  considerar  que  parte  das  mercadorias  foram  adquiridas  por  outras  empresas;  f)  da  ausência  total  de  justificativa  para  imputação  de  responsabilidade  solidária  pelos  atos  praticados  entre  os  anos  de  2006  e  2008  pela Fiscalizada; g)da ausência total de provas de que a recorrente teria “interesse comum” na  prática do ilícito de cessão de nome supostamente praticado pela Fiscalizada.  Assim, requer que seja extinta a relação jurídico­tributária.    Francisco  Escobar  (fls.  3035/3040),  Bernard  Anton  Fuldauer  (fls.  3141/3145),  Carlos  André  Nascimento  Silva  (fls.  3147/3150),  Rosanny  Roncetti  (fls.  3044/3047), Amadeu Jose Policastro Júnior  (fls. 3153/3157) e Antonio Calmon Du Pin e  Almeida Filho (fls. 3159/3162) apresentam seu respectivos recursos, alegando em síntese: a)  as infrações imputadas serem baseadas em teorias e meras suposições, construídas sobre falsas  premissas; b) da ausência de motivação ou justificativa para a imputação de responsabilidade  solidária;  c)  da  distinção  entre  as  personalidades  da  pessoa  jurídica  e  de  seus  sócios/administradores;  d)  da  ausência  de  prova  por  parte  do  fisco,  no  tocante  as  infrações  teriam  sido  cometidas  nos  termos  dos  artigos  135  e 137  do CTN;  e)  da  fiscalização  não  ter  comprovado o cometimento de qualquer dos ilícitos apontados.  O  responsável  solidário Marco Antonio de Paiva Escobar não apresentou  recurso cabível, conforme Termo de Perempção de fls. 3.188.  Às fls. 3194/3196 os presentes autos foram encaminhados para julgamento.  É o que interessa relatar.     Voto             Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator.  Cuida­se  de  recursos  tempestivos,  verificado  presentes  os  demais  pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual devem ser conhecidos.  Fl. 3237DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA   6 Registra­se,  o  senhor Marcos  Antonio  Paiva  Escobar  deixou  de  apresentar  Recurso Voluntário, conformando­se com a decisão de primeira instância.  A contenda trazida neste caderno se refere acusação de cessão de nome com  intuito de ocultação dos reais destinatários das mercadorias importadas por meio de simulação.  A fiscalização traçou longo caminho e fatos a levar a conclusão da existência de concluiu com  o  objetivo  de  fraudar  o  sistema  aduaneiro  engendrado  entre  as  empresas:  DANRIO  COMÉRCIO  IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. e as  empresas  ICON DO BRASIL  IMPORTAÇÃO  e  EXPORTAÇÃO  LTDA.,  APJ  INTERNATIONAL  CONSULTORIA  E  COMÉRCIO  LTDA.,  e,  GÁVEA  DISTRIBUIDORA  DE  PRODUTOS  LTDA.  todas  na  qualidade  de  sujeito  passivo  da  obrigação,  e  a  empresa  RED  BEAR  ARMAZEM  e  LOGISTICA  S/A.,  e  as  pessoas  dos  sócios:  Francisco  Escobar,  Marco  Antonio  de  Paiva  Escobar,  Bernard Anton  Fuldauer,  Carlos André Nascimento  Silva, Amadeu  José  Policastro  Júnior, Antonio Calmon Du Pin  e Almeida Filho  e Rosanny Roncetti,  todos  na  condição  de  sujeito passivo solidário.   A  decisão  hostilizada  em  relação  aos  responsáveis  solidários,  manteve  a  solidariedade relativamente aos créditos tributários lançados relativamente ao período de 2010,  com exceção do valor da multa de 10% do valor aduaneiro das mercadorias importadas.  A decisão recorrida concluiu que a empresa Danrio Comércio  Importação e  Exportação Ltda integrou ao esquema para ceder seu nome, em substituição à empresa APJ –  International  Consultoria  e  Comércio  Ltda  e  Gávea  Distribuidora  de  Produtos  Ltda,  para  possibilitar ao grupo a elevação do volume importado, caracterizando interposição fraudulenta,  esteada no relatório fiscal e na longa transcrição da legislação.  Nesse passo faz­se necessário percorrer o caminho traçado pela fiscalização  aduaneira que a levou a considerar a conduta da recorrente ilícita.  O primeiro ponto que se destaca se refere ao comentário quanto aos produtos  produzidos  pela  “ICON  HEALTH  FITNESS,  segundo  narra  o  relatório  fiscal  é  a  maior  produtor mundial de artigos de “fitness”, no Brasil encontra representada pela ICON BRASIL.  Seguindo o raciocínio lógico da fiscalização, notícia que as mercadorias eram  importadas  e  desembaraçadas  no Espírito  Santo  pela  empresa  ICON do Brasil  e Exportação  Ltda.,  estabelecida  no  Município  de  Vila  Velha­ES,  e,  transferida  para  empresa  DANRIO  COMÉRCIO IMPORTAÇÃO e EXPORTAÇÃO LTDA., situada no Município de Atibaia­SP.  Em  seguida,  a  empresa  DANRIO  COMÉRCIO  IMPORTAÇÃO  e  EXPORTAÇÃO  LTDA.,  eram  vendidas  às  empresas  APJ  International  Consultoria  e  Comércio Ltda. e a Gávea Distribuidora de Produtos Ltda.,  as quais distribuíam no mercado  interno.  Surge como laço a vincular o esquema na palavra do auditor encarregado do  procedimento  fiscal  o  fato  de  que  as  empresas  ICON do Brasil  e Exportação Ltda.  e Gávea  Distribuidora de Produtos Ltda., formalmente, estavam estabelecidas no mesmo local, em salas  comerciais alugadas pela empresa RED BEAR ARMAZÉM E LOGÍSTICA S/A.  Por  seu  turno,  a  empresa  RED  BEAR  ARMAZÉM  E  LOGÍSTICA  S/A.,  cujos sócios são as empresas ICON DO BRASIL e APJ Internacional Consultoria e Comércio  Ltda.,  cabendo  a  presidência  ao  sócio  da  ICON  do  Brasil  Ltda.  A  partir  desses  fatos  a  afirmação de que DANRIO emitia as notas fiscais de venda às empresas APJ e GÁVEA. Outro  ponto de convencimento da fiscalização, que durante o procedimento fiscal a empresa Danrio  Fl. 3238DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13839.721219/2011­04  Acórdão n.º 3302­003.087  S3­C3T2  Fl. 12          7 Comércio  Importação  e  Exportação  Ltda.  encontrava  com  restrição  a  operar  no  comércio  exterior,  e,  sendo  assim,  a  ICON DO BRASIL  IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA.,  deixou de importar por encomenda e passou a importar por conta e ordem da empresa SAVOX  DO BRASIL TRADING S/A, estabelecida em São Paulo e no Espírito Santo, repassou a título  de venda os aparelhos de “fitness” as empresas APJ International Consultoria e Comércio Ltda  e Gávea Distribuidora de Produtos ltda.  Esses  acontecimentos  fizeram  a  fiscalização  concluir  a  presença  de  interposição  fraudulenta  e  não  apresentação  de  documentos  instrutivos  das  declarações  de  importação  e  utilização  de  documentos  falsos,  fraudes  contra  os  controles  administrativos  aduaneiros das importações e ocultação dos reais destinatários das importações visando o não  recolhimento de IPI.  Extraio  dos  fatos  narrados  no  Termo  de  Verificação  Fiscal  como  sendo  elemento  de  convicção  que  a  empresa  DANRIO  pode  ter  sido  usada  para  ocultação  dos  verdadeiros  importadores decorre da visita da fiscalização em sua sede na cidade de Atibaia,  quando encontrou o local fechado e a informação de terceiros estabelecidos no mesmo imóvel  que  o  local  estava  a mais  de um ano  fechado  e  precária  condições  em  relação  a  capacidade  física  e  operacional. Quadra  registra  também a  declaração  colhida  da  proprietária  do  imóvel  que o  local  só era utilizado para receber correspondências. Essa é uma  técnica utilizada para  atender a parte formal da existência da pessoa jurídica, no entanto, se revela falsa e confirma a  inexistência de negócio sadio, confirma prática característica de sonegação.  Assim, a exibição de contrato de locação diante da realidade configurada pela  efetiva visita in loco confirmando inexistência de atividade comercial da fiscalizada, encontra  despida de envergadura capaz de contrariar a verdade.   Essa  prática  danosa  está  corroborada  pela  declaração  de  inatividade  e  inexistência  de  faturamento,  assim  como,  ausência  Declaração  de  Imposto  de  Renda  dos  sócios, que sequer informaram suas participações no capital da Fiscalizada.  Compulsando  os  autos  constata­se,  que  a  partir  do  momento  que  a  Interessada vinculou no SISCOMEX com a  empresa  ICON DO BRASIL  IMPORTAÇÃO E  EXPORTAÇÃO  LTDA.,  a  empresa  APJ  INTERNATIONAL  CONSULTORIA  E  COMÉRCIO LTDA. passou ser cliente e não mais adquirindo as mercadorias importadora pela  ICON,  com  essa  manobra  as  empresas  APJ  e  GÁVEA  deixam  de  ser  contribuinte  do  IPI,  aprova encontra estampadas nas notas fiscais consignam a venda dos produtos “fitness” para as  duas empresas.  De  outra  banda,  a  recorrente  não  se  esforçou  em  demonstrar  que  detinha  condições  financeiras,  que  disponibilizava  de  local  apropriado  para  exercer  atividade  comercial. Com base nos documentos constantes dos autos, exsurge assim a presunção legal de  que  DANRIO  foi  interposta  fraudulentamente  para  ocultar  operações  de  comércio  exterior  realizadas por terceiros, no caso concreto as empresas: ICON DO BRASIL IMPORTAÇÃO E  EXPORTAÇÃO  LTDA.,  a  empresa  APJ  INTERNATIONAL  CONSULTORIA  E  COMÉRCIO LTDA. GÁVEA Distribuidora de Produtos Ltda.  Assim como, deixou de comprovar por meio de contratos de câmbio a efetiva  de  transferências  de  recursos  financeiros  utilizados  em  pagamento  pelas  importações  do  período de 2006 a 2008.   Fl. 3239DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA   8 Há  outros  elementos  o  suficiente  capaz  de  caracterizar  interligação  das  empresas  acima citadas,  entre  esses utilização do mesmo  site,  o mesmo número de  telefone,  email  dirigidos  a  APJ  respondido  e  atendido  por  sócio  da  ICON,  definitivamente  a  prática  comercial  entre  as  empresas,  como  restou  demonstrado  pela  fiscalização  são  bastante  interligadas.   Em  visita  ao  endereço  da  GÁVEA,  a  fiscalização  notou  ausência  dos  responsáveis, cujo endereço fica ao lado da sala da ICON.  Em  sendo  assim,  as  empresas  ICON  DO  BRASIL  IMPORTAÇÃO  E  EXPORTAÇÃO  LTDA.,  a  empresa  APJ  INTERNATIONAL  CONSULTORIA  E  COMÉRCIO  LTDA.  GÁVEA  Distribuidora  de  Produtos  Ltda.,  devem  ser  mantidas  na  qualidade de sujeito solidário, portanto, há de manter a decisão recorrida nos termos em que foi  proferida.  No  tocante  sujeição  passiva  a  empresa  RED  BEAR  ARMAZÉM  E  LOGÍSTICA  S/A,  tenho  que  só  a  relação  existente  de  participação  societária  e  locação  de  espaço  não  é  suficiente  para  atribuir­lhe  participação  efetiva  no  esquema  desenhado  e  executados pelos sócios nas empresas ICON DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO  LTDA., a empresa APJ INTERNATIONAL CONSULTORIA E COMÉRCIO LTDA.  Essa  certeza  é  retirada  do  próprio  relatório  fiscal,  os  fatos  narrados  ali  não  são  convencedores. A meu  sentir  o  fato da  fiscalização encontrar no  local  cedido a  titulo de  locação  mercadorias  desacompanhada  de  documento  fiscal,  e,  posteriormente  apresentados  com evidência de ter sido emitidos após a presença da fiscalização não me convence.  Penso que o fato de ceder o local não configura comportamento ilícito, capaz  de lhe atribuir condição de sujeito passivo solidário.  Diante  de  ausência  de  comprovação  por  parte  do  Fisco  de  que  a  empresa  RED BEAR E LOGÍSTICA S/A. atuou efetivamente em prejuízo do erário, inclino acolher o  pleito para afastá­la da condição de sujeito passivo solidário.  Com essas razões, conheço do recurso e dou provimento parcial para afastar  da sujeição passiva solidária a empresa RED BEAR E LOGÍSTICA S/A.  É como voto.  Domingos de Sá Filho                                Fl. 3240DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA

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Numero do processo: 10280.002731/2004-86
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1999 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Nos termos da decisão do STJ, proferida em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, inexistindo dolo, fraude ou simulação do contribuinte e, existindo recolhimento antecipado da exação e declaração prévia do débito, a contagem do prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário tem como termo inicial a data do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN.
Numero da decisão: 9900-000.273
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário.
Nome do relator: Adriana Gomes Rêgo - Redatora ad hoc

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ASSUNTO: I MPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1999 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Nos termos da decisão do STJ, proferida em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, inexistindo dolo, fraude ou simulação do contribuinte e, existindo recolhimento antecipado da exação e declaração prévia do débito, a contagem do prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário tem como termo inicial a data do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (para fins de formalização do acórdão). (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Redatora ad hoc, designada para formalização do acórdão. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (presidente), Suzy Gomes Hoffmann, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Teresa Martinez Lopez, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, MArcelo Oliveira, Karem Jureidini Dias, Julio Cesar Alves Ramos, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/11/2015 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 18/11/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10280.002731/2004-86 Acórdão n.º 9900-000.273 CSRF-PL Fl. 1.151 2 (Relator), Alberto Pinto Souza Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Henrique Pìnheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Rabelo de Albuquerque Silva, Francisco Assis de Oliveira Junior, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Fabiola Cassiano Keramidas. Considerando que o Presidente à época do Julgamento não mais compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, a presente decisão é assinada pelo Presidente do CARF nesta data, Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, que o faz meramente para a formalização do Acórdão. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Conselheiro José Ricardo da Silva não integra o quadro de Conselheiros do CARF, a Conselheira Adriana Gomes Rêgo foi designada ad hoc como a responsável pela formalização do presente Acórdão, o que se deu na data de 18/11/2015. Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/11/2015 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 18/11/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10280.002731/2004-86 Acórdão n.º 9900-000.273 CSRF-PL Fl. 1.152 3 Relatório Cuida-se de Recurso Extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, (e-fls. 1132/1139), contra decisão proferida pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recurso Fiscais, consubstanciada no Acórdão n° 01-05.925, de 24 de abril de 2008 (e-fl. 1110/1125), que negou provimento ao seu Recurso Especial, por entender que, em virtude do IRPJ possuir a natureza de tributo sujeito à modalidade de apuração por homologação o auto de infração somente poderia ser lavrado dentro do prazo estipulado no art. 150, § 4º do CTN, de cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador e que, assim, à data em que o contribuinte fora cientificado do auto de infração (31/08/2004) havia caducado o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos no 1º e 2º trimestres do ano-calendário de 1999. A decisão recorrida foi consubstanciada com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Ano-calendário: 1999 IRPJ - DECADÊNCIA - O inicio da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 40 do artigo 150 do CTN. Na ocorrência de dolo fraude ou simulação, o início da contagem do prazo desloca-se do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser realizado (artigo 173, inciso I do CTN), hipótese esta que não ocorre no caso. CSLL - DECADÊNCIA - A Contribuição Social sobre o Lucro Liquido tem natureza de tributo e sujeita-se à modalidade de apuração por homologação. A ausência ou insuficiência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, da qual pode resultar ou não crédito tributário devido. Em razão da sua natureza e modalidade originária de apuração, para a CSLL aplica-se a regra decadencial prevista no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional. Recurso especial negado. Cientificada da referida decisão em 20 de janeiro de 2009, e com ela não se conformando, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Recurso Extraordinário (e-fls. 1132/1139) , alegando, em síntese, que: a) o acórdão recorrido diverge da jurisprudência emanada pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que por meio do Acórdão CSRF/02-01.308 entendeu sobre o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários sujeitos a lançamento por homologação, que não havendo o pagamento antecipado do imposto devido aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, inc. I do CTN. b) que este também é o entendimento do STJ sobre a matéria Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/11/2015 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 18/11/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10280.002731/2004-86 Acórdão n.º 9900-000.273 CSRF-PL Fl. 1.153 4 c) o STJ também entende que, não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para a contribuição do respectivo crédito tributário reger-se-á pelo disposto no art. 173, I, do CTN, conforme Informativo 250/STJ; d) que, nessa linha de interpretação o lançamento de ofício, que deveria ter sido recolhido mediante o sistema de pagamento por homologação, observa o prazo decadencial disposto no art. 173, I, do CTN, e não o prazo do art. 150, §4°; e) que, tanto no acórdão recorrido, como no paradigma, não houve recolhimento antecipado do tributo pelo contribuinte; f) que no presente caso entendeu-se como decaídos os lançamentos referentes a relativo aos fatos geradores ocorridos no 1º e 2º trimestres do ano-calendário de 1999 ; g) que assim, na sistemática do art. 173, I, do CTN, ocorridos os fatos geradores do IRPJ em 30/03/1999 e 30/06/1999, o lançamento poderia ter sido efetuado a partir de 01/04/1999 e 01/07/1999, respectivamente. Dessa forma, o dies a quo do prazo decadencial para lançar será o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, o que corresponde ao primeiro dia do ano de 2000, que findaria em 31/12/2004; h) que, como a notificação do sujeito passivo acerca do auto de infração deu-se em 31/08/2004, não haveria que se cogitar a respeito da decadência; O Acórdão CSRF n° 02.01-308, indicado como paradigma traz a seguinte ementa: COFINS — AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO — PRAZO DECADENCIAL. ART. 173, I, CTN. AMPLIAÇÃO DO PRAZO DECADENCIAL POR MEIO DE LEI ORDINÁRIA. IMPOSSIBILIDADE_ Não havendo o Contribuinte recolhido valor algum a título de COFINS, não é possível a ocorrência da homologação tácita, uma vez que não há pagamento antecipado a ser homologado aplicando-se a regra geral para contagem do prazo decadencial do lançamento de oficio, descrita no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, que é de cinco (05) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o tributo poderia ser lançado. A decadência consubstancia-se em garantia fundamental dos contribuintes, razão pela qual se veda ao legislador ordinário fixar prazo superior àquele insculpido no art. 173 do CTN. Recurso negado." (grifo acrescido) Admitido o presente Recurso Extraordinário, conforme despacho do presidente da CSRF (e-fls. 1142/1143), a contribuinte (recorrida), intimada por edital (e-fls. 1147), não apresentou contrarrazões, conforme despacho de encaminhamento da unidade de origem (e-fls. 1148). É o relatório. Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/11/2015 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 18/11/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10280.002731/2004-86 Acórdão n.º 9900-000.273 CSRF-PL Fl. 1.154 5 Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo - Redatora ad hoc, para fins de formalização do Acórdão. Formalizo este acórdão por designação do presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais efetuada por meio do despacho de e-fl. 1.149, tendo em vista que o relator, Conselheiro José Ricardo da Silva, não formalizou a decisão, proferida em 07/12/2011, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF e não pertence mais aos colegiados do CARF. Ressalto, por oportuno, que não integrava o colegiado que proferiu o acórdão e, portanto, não participei do julgamento. Assim, o entendimento consubstanciado neste voto tem por base os elementos do processo e os dados constantes da ata da Sessão de Julgamento, realizada pelo Pleno da CSRF, a partir das quatorze horas do dia 07 de dezembro de 2011 e não exprime qualquer juízo de valor por parte desta redatora ad hoc sobre as matérias decididas. O recurso foi apresentado tempestivamente e preencheu os requisitos para a sua admissibilidade, haja vista que a recorrente se desincumbiu comprovar a dissidência jurisprudencial entre as turmas da CSRF. No presente caso, a Fazenda Nacional postula a reforma do Acórdão CSRF/01-05.925, ao argumento de que ele teria interpretado as normas referentes à decadência de maneira divergente da interpretação dada à mesma matéria pela 2ª Turma da Câmara Superior, que entendeu que, na hipótese de ausência de pagamento antecipado, a regra aplicável para a decadência é a do art. 173, I, do CTN. Portanto, a questão controvertida cuja interpretação se busca uniformizar diz respeito à relevância do pagamento antecipado para fins de determinação do termo inicial para a contagem do prazo de decadência do direito da Fazenda Pública de proceder ao lançamento de ofício, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação. A tese de irrelevância do fato de ter ou não havido pagamento encontra-se totalmente superada pela recente jurisprudência deste CARF que, em comprimento ao art. 62-A do Regimento, acolhe o entendimento expressado no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333/SC, na sistemática de recursos repetitivos, no sentido de que "O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. O litígio, ora examinado, decorre de lançamentos de ofício para formalização de exigências de IRPJ e CSLL sob acusação de omissão de receitas, cujos fatos geradores ocorreram em 30/03/1999 e 30/06/1999. Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/11/2015 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 18/11/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10280.002731/2004-86 Acórdão n.º 9900-000.273 CSRF-PL Fl. 1.155 6 Ao exame dos autos de infração (e-fls. 987 e 993 e respectivos demonstrativos que o embasaram (e-fls. 968/981) verificou-se que ocorreram retenções na fonte de IR e CSLL e que débitos dos períodos lançados foram confessados e incluídos, antes do início da ação fiscal, em parcelamento no Refis instituído pela Lei nº 10.684/2004, que foram devidamente compensados pela autoridade fiscal no cálculo dos valores devidos e lançados por ocasião da autuação. Desta feita, entendeu o colegiado que ficou caracterizada a ocorrência de recolhimento antecipado dos tributos lançados por meio de sua retenção antecipada na fonte e de parcelamento no Refis, observando-se, portanto, o prazo decadencial de cinco anos, a contar do fato gerador, previsto no art. 150, § 4º do CTN. Assim, tendo o contribuinte sido cientificado em 31/08/2004, reconheceu-se a decadência do lançamento realizado relativos aos fatos geradores apurados em 31/03/1999 e 30/06/1999. Em face do exposto, acordaram os membros do colegiado no sentido de NEGAR provimento ao recurso da Fazenda. Acórdão formalizado em 18 de novembro de 2015. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Redatora ad hoc, designada para formalizar o Acórdão. Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/11/2015 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 18/11/2015 por ADRIANA GOMES REGO

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Numero do processo: 13603.724492/2011-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2008 a 29/02/2008 COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado - além de seu emprego para locação a terceiros - a seu uso “na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento. Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. O regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL. A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações - no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da não-cumulatividade - nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004). COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO. Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004). Recurso ao qual se dá parcial provimento
Numero da decisão: 3301-002.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Valcir Gassen, que reconheciam o direito a creditamento também inerente aos fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da interessada, bem como relativamente aos fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Garcia Leão Reis Valadares, OAB/MG nº 136.654.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Valcir Gassen, que reconheciam o direito a creditamento também inerente aos fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da interessada, bem como relativamente aos fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Garcia Leão Reis Valadares, OAB/MG nº 136.654.

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2008 a 29/02/2008 COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado - além de seu emprego para locação a terceiros - a seu uso “na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento. Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. O regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL. A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações - no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da não-cumulatividade - nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004). COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO. Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004). Recurso ao qual se dá parcial provimento

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          2 10.833/03,  qualquer  menção  expressa  à  adoção  do  conceito  de  insumo  destinado  ao  IPI,  nem  previsão  limitativa  à  tomada  de  créditos  relativos  somente  às  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  materiais  de  embalagem.   Contudo,  deve  ser  afastada  a  interpretação  demasiadamente  elástica  e  sem  base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa  dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se  referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não  dá  margem  a  que  se  considerem  como  insumos  passíveis  de  creditamento  despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa.   Logo, há que se conferir  ao conceito de  insumo previsto pela  legislação do  PIS  e  da  COFINS  um  sentido  próprio,  extraído  da  materialidade  desses  tributos  e  atento  à  sua  conformação  legal  expressa:  são  insumos  os  bens  e  serviços  utilizados  (aplicados  ou  consumidos)  diretamente  no  processo  produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso  dos  bens,  não  sofram  alterações  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre o produto em fabricação.  Realidade  em  que  a  empresa,  fabricante  de  máquinas  e  equipamentos  de  grande porte,  busca  se  creditar da  contribuição  em  função  de  serviços  com  despacho  aduaneiro,  contabilidade  geral,  controle  fiscal,  contas  a  pagar  e  tesouraria,  controle  de  ativo  fixo,  registro  fiscal,  faturamento,  gestão  tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais  dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por  não  estarem  relacionados  diretamente  à  atividade  produtiva  da  interessada,  não dão direito a creditamento.  Diferentemente,  poderão  alicerçar  creditamento  os  serviços  relacionados  ao  controle  de  fluxo  de  produção  e  de  estoque  nas  instalações  fabris  (sistema  just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo.  COFINS.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DESCONTO  DE  CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES  DA  TRANSFERÊNCIA  DE  PRODUTO  ACABADO  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  INTERESSADA,  OU  AINDA,  PELOS  FRETES  DO  TRANSPORTE  DE  MERCADORIAS  DESTINADAS  AO  ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE.  No  regime  da  não­cumulatividade  do  PIS/PASEP  e  da  COFINS  a  possibilidade  de  creditamento  em  relação  a  despesas  com  frete  e  armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos  para  revenda  ou  produzidos  pelo  sujeito  passivo,  e,  ainda  assim,  quando  o  ônus for suportado pelo mesmo.  Logo, por  falta de previsão  legal, é  inadmissível o creditamento em face de  fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos  da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas  ao ativo imobilizado ou a uso e consumo.  COFINS.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DESCONTO  DE  CRÉDITOS  CALCULADOS  EM  RELAÇÃO  A  FRETES  PAGOS  NA  Fl. 3586DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          3 COMPRA  DE  INSUMOS  ADQUIRIDOS  DE  PESSOA  JURÍDICA.  POSSIBILIDADE.  O  regime  da  não­cumulatividade  do  PIS/PASEP  e  da  COFINS  admite  o  creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de  insumos adquiridos de pessoas jurídicas.  COFINS.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  COMPENSAÇÃO  OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL.  A  possibilidade  de  compensação  ou  de  ressarcimento  em  espécie  do  saldo  credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente  da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais  não  incidem  as  contribuições  em  tela),  passou  a  alcançar  todos  os  créditos  apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem  como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as  importações  ­  no  caso  de  pessoas  jurídicas  sujeitas  ao  regime  da  não­ cumulatividade  ­  nas  hipóteses  albergadas  pelo  artigo  15  da  Lei  nº  10.865/2004,  dentre  as  quais  se  inclui  a  aquisição  de  bens  para  revenda  (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004).  COFINS.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  SALDO  CREDOR.  COMPENSAÇÃO  OU  RESSARCIMENTO.  TRIMESTRALIDADE  DA  APURAÇÃO.  Poderá  ser  objeto  de  compensação  ou  de  ressarcimento  o  saldo  credor  da  Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art.  3º  das Leis nos  10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art.  15 da Lei nº  10.865/2004,  acumulado  ao  final  de  cada  trimestre  do  ano­calendário,  em  virtude  da  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos  vinculados  a  vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota  zero  ou  não  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS  (artigo  17  da  Lei  nº  11.033/2004).  Recurso ao qual se dá parcial provimento      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  dar  parcial  provimento  ao  recurso,  na  forma  do  relatório  e  do  voto  que  integram  o  presente  julgado.  Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara  Simões e Valcir Gassen, que reconheciam o direito a creditamento também inerente aos fretes  pelo  transporte  na  transferência  de  produtos  acabados  entre  estabelecimentos  da  interessada,  bem  como  relativamente  aos  fretes  pelo  transporte  de  mercadorias  destinadas  ao  ativo  imobilizado.  (assinado digitalmente)  Andrada Márcio Canuto Natal ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator.  Fl. 3587DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          4 Participaram  da  presente  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto Natal,  Francisco  José  Barroso  Rios,  José Henrique Mauri,  Luiz  Augusto  do  Couto  Chagas, Marcelo  Costa Marques  d'Oliveira, Maria  Eduarda Alencar  Câmara  Simões,  Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.  Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Garcia Leão Reis Valadares,  OAB/MG nº 136.654.  Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão da 1a Turma da DRJ  Belo Horizonte (fls. 13603.724492/2011­46 do processo eletrônico), que, por unanimidade de  votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade formalizada contra o não  reconhecimento  integral  do  direito  creditório  pleiteado  mediante  as  declarações  de  compensação objeto dos autos, conforme acórdão assim ementado:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de Apuração: 01/02/2008 a 29/02/2008  REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS  DECORRENTES  DE  EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO.   A contribuição não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de  exportação de mercadorias para o exterior. O reconhecimento de direito ao  ressarcimento  ou  à  compensação  demanda  a  comprovação,  pela  contribuinte,  da  existência  de  crédito  líquido  e  certo  contra  a  Fazenda  Pública.   REGIME NÃO­CUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.  Geram  créditos  os  dispêndios  realizados  com  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  observadas  as  ressalvas  legais.  O  termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer  fator que  onere  a  atividade  econômica,  mas  tão­somente  como  aqueles  bens  ou  serviços  que  sejam  diretamente  empregados  na  produção  de  bens  ou  na  prestação de serviços.   REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS.  DESPESAS  COM  TRANSPORTES.   As despesas efetuadas com fretes para transferência da matéria­prima ou do  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  mesma  pessoa  jurídica,  com  fretes de bens ou mercadorias não identificadas e com fretes de mercadorias  destinadas ao ativo imobilizado, não utilizadas diretamente na produção, ou  ao uso e consumo da pessoa jurídica, não geram direito ao creditamento.   REGIME NÃO­CUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS COM SEGUROS.  Desde que suportado pela pessoa jurídica compradora, o seguro pago pelo  transporte,  assim  como  o  frete,  integra  o  custo  de  aquisição  de  bens  ou  mercadorias adquiridas.   REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS  SOBRE  IMPORTAÇÃO  VINCULADOS  A  RECEITA  DE  EXPORTAÇÃO.  RESSARCIMENTO.  COMPENSAÇÃO.   Fl. 3588DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          5 A possibilidade de compensação, ou de ressarcimento em espécie, do saldo  credor  apurado  em  decorrência  de  operações  de  importação,  autorizada  pelo  art.  16  da  Lei  nº  11.116,  de  2005,  alcança  tão­somente  os  créditos  previstos no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004.   REGIME NÃO­CUMULATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. APURAÇÃO.   A  autoridade  competente  para  decidir  sobre  o  pedido  de  ressarcimento,  restituição  ou  compensação  de  créditos  poderá  condicionar  o  reconhecimento  do  direito  creditório  à  apresentação  de  documentos  comprobatórios  do  referido  direito,  sendo  que  somente  são  passíveis  de  compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar  de liquidez e certeza para serem utilizados.   Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte   Direito Creditório Reconhecido em Parte   O presente processo  diz  respeito  a declarações  de  compensação  – DCOMP  relativas a saldo credor de COFINS apurado no período de 01/02/2008 a 29/02/2008, no valor  total de R$ 2.401.092,54, em conformidade com o artigo 6º da Lei nº 10.833, de 2003. Desse  montante, a unidade jurisdicionante do contribuinte já reconhecera o direito sobre a parcela de  R$  2.196.791,95.  Por  seu  turno,  a  DRJ  recorrida  entendeu  que  deverão  ser  também  restabelecidos  os  créditos  apropriados  sobre  a  utilização  de  água  e  esgoto  das  filiais  “Contagem”  e  “Curitiba”,  bem  como os  créditos  relativos  aos  seguros  pagos  pelos  fretes  de  bens ou mercadorias adquiridas pela interessada.   Assim,  com  base  nos  cálculos  elaborados  posteriormente  pela  DRF  Contagem  em  conseqüência  da  decisão  da DRJ,  segundo  os  quais  a  quantia  adicional  a  ser  creditada  em  favor  do  sujeito  passivo  corresponde  a  R$  36,56  (ressalvado  o  desconto  de  alguma  parcela  outrora  compensada  evidenciada  em  alguns  processos  da  empresa  sobre  a  mesma matéria), tem­se que o montante em litígio corresponde a R$ 204.264,03.  Segue,  abaixo,  o  relato  dos  fatos  transcrito  da  decisão  recorrida,  o  qual  é  padrão em todos os processos da empresa sobre essa matéria:  Com o  intuito  de  verificar  a  apuração do  IPI,  bem  como o PIS  e  a  Cofins  da  pessoa  jurídica,  foi  emitido,  em  11/05/2011,  o  Mandado  de  Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPF­F n.º: 06.1.10.00­2011­00427­3).  Em  decorrência,  a  autoridade  fiscal  lavrou  o  Termo  de  Início  de  Fiscalização,  intimando  o  sujeito  passivo  a  apresentar,  dentre  outros  elementos,  arquivos  digitais  referentes  aos  itens  4.3.1,  4.3.2,  4.3.3,  4.3.4,  4.9.1 e 4.9.5 do Anexo Único do Ato Declaratório SRF/Cofis nº 15, de 2001,  escrituração  contábil  digital,  nos  termos  da  Instrução  Normativa  RFB  nº  787,  de  2007,  relação  dos  produtos  fabricados  pelo  estabelecimento,  certidão de objeto  e pé de ações  judiciais  referentes ao  IPI, PIS e Cofins,  relação das contas contábeis  referentes a créditos, receitas e exclusões da  base de  cálculo do PIS  e da Cofins, memoriais de apuração das bases de  cálculo  utilizadas  no  preenchimento  dos Demonstrativos  de Apuração  das  Contribuições Sociais – Dacon ­ e demonstrativo dos fretes de compras de  bens utilizados como insumos.   De acordo com a fiscalização, a contribuinte admitiu a ocorrência de  erros no preenchimento dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições  Sociais – Dacon. Sendo assim, os créditos foram apurados de acordo com os  Fl. 3589DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          6 memoriais  de  apuração  das  bases  de  cálculo  dos  Dacon  e  demais  documentos apresentados pela contribuinte a pedido da autoridade fiscal.  Em seguida, a autoridade fiscal elaborou demonstrativo das glosas de  créditos de PIS, conforme abaixo (valores em reais):    P.A.   3.1.  3.2.  3.3.  3.4.  3.5.  3.6.  3.7.  TOTAL  ME/FAT  MI   ME  jan/08  3,26  2.845,44  1.367,77  0,00  0,00  36,02  127.836,13  132.088,62  20,23%  105.371,64  26.716,98  fev/08  3,26  5.381,60  1.515,51  0,00  0,00  38,86  91.338,39  98.277,62  14,25%  84.274,71  14.002,91  mar/08  3,26  5.967,74  1.390,14  0,00  0,00  29,65  71.482,90  78.873,69  18,07%  64.623,36  14.250,33  abr/08  3,26  4.719,18  1.627,64  0,00  38,13  186,26  180.784,88  187.359,35  16,34%  156.741,83  30.617,52  mai/08  49,44  8.261,21  1.586,73  0,00  159,52  496,78  125.875,75  136.429,43  19,55%  109.752,61  26.676,82  jun/08  49,44  5.983,14  2.042,36  0,00  50,27  191,73  108.912,17  117.229,11  16,40%  98.001,10  19.228,01  jul/08  151,12  9.659,18  1.909,71  26,51  150,14  587,80  121.509,41  133.993,87  16,20%  112.289,14  21.704,73  ago/08  151,12  7.179,43  1.921,09  3,76  132,18  1.291,51  118.778,39  129.457,48  22,26%  100.645,30  28.812,18  set/08  168,13  3.074,82  1.883,11  6,96  217,27  1.647,18  104.600,83  111.598,30  24,00%  84.811,15  26.787,15  out/08  241,91  6.252,08  1.770,70  0,00  136,81  1.219,34  122.203,64  131.824,48  23,59%  100.727,26  31.097,22  nov/08  318,76  8.491,53  1.719,92  8,63  91,80  1.456,49  70.934,88  83.022,01  22,87%  64.032,81  18.989,20  dez/08  532,25  4.150,69  1.471,63  0,20  112,63  1.467,26  131.074,08  138.808,74  37,59%  86.634,00  52.174,74  jan/09  532,25  5.385,90  1.179,67  0,00  173,76  1.879,16  51.684,90  60.835,64  14,79%  51.837,44  8.998,20  fev/09  532,25  11.673,37  1.262,98  33,26  104,68  3.510,75  64.575,01  81.692,30  15,53%  69.008,40  12.683,90  mar/09  532,25  10.388,31  441,21  7,40  25,91  2.776,46  44.105,65  58.277,19  16,48%  48.672,38  9.604,81  abr/09  532,25  2.838,07  1.572,35  1.164,99  40,14  3.401,09  24.839,83  34.388,72  9,90%  30.983,35  3.405,37  mai/09  532,25  5.261,01  874,84  2.569,55  27,06  3.012,90  45.330,66  57.608,27  7,28%  53.414,17  4.194,10  jun/09  532,25  3.246,92  958,43  0,00  14,04  2.405,55  50.649,08  57.806,27  18,59%  47.059,37  10.746,90  jul/09  532,25  7.110,54  720,28  2.897,56  59,09  3.385,00  34.676,13  49.380,85  17,15%  40.912,30  8.468,55  ago/09  532,25  1.953,83  1.175,60  92,21  46,59  1.767,91  33.182,54  38.750,93  8,12%  35.604,80  3.146,13  set/09  532,25  5.565,34  445,25  1.389,50  25,96  4.099,24  17.784,73  29.842,27  14,27%  25.583,88  4.258,39  out/09  532,25  4.171,09  2.445,14  1.917,99  14,83  2.016,65  29.949,93  41.047,88  7,37%  38.023,58  3.024,30  nov/09  532,25  5.999,82  1.378,43  1.289,05  20,70  4.449,68  33.600,99  47.270,92  9,53%  42.765,50  4.505,42  dez/09  532,25  3.670,03  1.580,37  4.930,84  37,09  11.126,51  39.091,41  60.968,50  8,26%  55.933,91  5.034,59  jan/10  532,25  3.502,79  2.203,49  20,65  27,72  1.117,50  14.467,59  21.871,99  8,45%  20.023,98  1.848,01  fev/10  532,25  7.916,35  1.523,09  0,00  18,55  3.337,67  90.260,30  103.588,21  6,86%  96.482,90  7.105,31  mar/10  532,25  1.633,53  1.589,22  299,59  33,98  3.206,79  54.032,80  61.328,16  13,04%  53.333,25  7.994,91  abr/10  532,25  18.149,44  1.551,72  474,12  33,89  3.384,16  213.636,74  237.762,32  14,80%  202.585,29  35.177,03  mai/10  532,25  6.014,24  1.054,57  190,05  46,59  5.760,11  52.717,10  66.314,91  7,27%  61.493,82  4.821,09  jun/10  532,25  8.552,18  1.487,26  72,44  41,18  2.397,81  93.602,34  106.685,46  11,08%  94.864,71  11.820,75  jul/10  532,25  8.892,22  1.229,17  3.311,98  44,16  6.016,23  64.426,44  84.452,45  13,12%  73.372,29  11.080,16  ago/10  532,25  10.200,72  1.366,51  2.038,99  41,63  1.732,96  37.199,94  53.113,00  10,40%  47.589,25  5.523,75  set/10  532,25  7.053,10  1.284,13  5.068,86  61,18  5.531,16  43.200,69  62.731,37  7,76%  57.863,42  4.867,95  LEGENDA:   P.A. PERÍODO DE APURAÇÃO;  Fl. 3590DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          7 3.1. AQUISIÇÕES DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO;   3.2. AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS NÃO UTILIZADOS DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO;   3.3. AQUISIÇÕES DE ÁGUA E ESGOTO NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO;   3.4. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A TRANSPORTE DE PRODUTOS FINAIS ENTRE ESTABELECIMENTOS;   3.5. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A TRANSPORTE DE BENS PARA USO, CONSUMO OU IMOBILIZADO;   3.6. AQUISIÇÕES DE SEGUROS PARA FRETES;   3.7. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A MERCADORIAS NÃO IDENTIFICADAS.   MI. MERCADO INTERNO   ME. MERCADO EXTERNO  ME/FAT. RELAÇÃO PERCENTUAL MERCADO EXTERNO/FATURAMENTO   Como resultado,  foram obtidos os valores dos créditos vinculados ao  mercado  externo,  sendo  que,  a  fim  de  se  apurar  os  saldos  passíveis  de  ressarcimento ou de compensação antecipada, a autoridade  fiscal executou  alguns ajustes.   O primeiro  deles,  segundo  ela,  deriva  do  fato  de  que,  em  virtude  do  art.  16  da  Lei  nº  11.116,  de  2005,  apenas  os  créditos  de  importação  elencados  no  art.  15  da  Lei  nº  10.865,  de  2004,  são  passíveis  de  ressarcimento  ou  compensação.  Durante  a  auditoria,  constatou­se  que  a  contribuinte  importou,  para  fins  de  revenda,  diversas  máquinas  e  veículos  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01  e  87.04  da  Nomenclatura  Comum  do Mercosul,  previstos no art. 17 da Lei nº 10.865, de 2004, enquanto que os créditos de  PIS/Cofins  foram  submetidos  indevidamente  ao  rateio  proporcional  entre  mercado externo e interno. Assim, apurou a fiscalização o crédito mensal a  ser  reclassificado  como  não  ressarcível.  Já  o  segundo  ajuste  diz  respeito,  conforme  a  fiscalização,  à  possibilidade  de  compensação,  antes  do  encerramento do trimestre, de créditos de importação vinculados à receita de  exportação. Aduz que, apesar do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, permitir o  ressarcimento  dos  créditos  de  importação,  a  compensação  antecipada  possibilitada  pelo  art.  42  da  Instrução  Normativa  RFB  nº  900,  de  2008,  menciona  apenas  aqueles  créditos  oriundos  de  aquisições  no  mercado  interno.  Por  créditos  de  importação,  entende  aqueles  do  art.  15  da  Lei  nº  10.865, de 2004, inclusive aquisição de máquinas e equipamentos destinados  ao  ativo  imobilizado.  Refere­se  ao  caput  do  art.  34  desta  Instrução  Normativa e conclui que o contribuinte não observou o regramento exposto  no preenchimento das PER/Dcomp, de modo que elabora demonstrativos que  indicam quais créditos devem ser reposicionados no último mês do trimestre  para fins de pedido de ressarcimento.  Assim,  após  efetuados  os  ajustes,  prossegue  a  fiscalização,  a  contribuinte teria direito ao ressarcimento dos valores de Cofins e de PIS nos  valores  que  demonstra.  Afirma  a  autoridade  fiscal  que  a  reapuração  dos  saldos  de  PIS  e  Cofins  não  altera  os  valores  passíveis  de  ressarcimento  indicados, porém, o saldo credor total, ou montante disponível após a última  PER/Dcomp  para  desconto  das  contribuições  a  recolher,  é  de  R$  9.048.196,92,  de  PIS  e  de  R$  12.349.027,24,  de  Cofins,  respectivamente.  Esclarece que não foram apurados valores a recolher no período auditado.  Por  fim,  calcula  os  créditos  passíveis  de  ressarcimento,  elabora  demonstrativos  e  sugere  o  deferimento  parcial  dos  diversos  pedidos  de  ressarcimento  e  compensações  efetuados,  de  acordo  com  os  valores  que  indica no Termo de Verificação Fiscal.   As  glosas  efetuadas  bem  como  as  justificativas  estão  detalhadas  no  Termo de Verificação Fiscal e no demonstrativo “Glosas de Compensações e  Fl. 3591DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          8 Ressarcimento” para as contribuições PIS/Cofins elaborado pela autoridade  fiscal.  Diante desses fatos, a DRF/Contagem emitiu Despacho Decisório, em  27/12/2011, por meio do qual foi parcialmente homologada a Dcomp. Como  resultado foi reconhecido o crédito no valor de R$ 594.742,57.  Como base  legal  são  citados,  entre  outros,  os  seguintes  dispositivos:  Lei nº 10.637, de 2002; Lei nº 10.833, de 2003; Instrução Normativa RFB nº  600, de 2005 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008.  Cientificada  em  27/02/2012,  a  contribuinte  apresentou,  em  28/03/2012,  a  manifestação  de  inconformidade  às  fls.  69  a  101  e  155,  acompanhada dos documentos às fls. 102 a 154 e 156 a 1369, alegando, em  síntese, que:  ­ A matéria objeto de recurso não foi submetida à apreciação judicial,  com o que se atende ao disposto no art. 16, inciso V, do Decreto nº 70.235,  de 1972;  ­ As três supostas irregularidades apontadas pela fiscalização fizeram  com  que  os  créditos  de  PIS/Cofins  fossem  recalculados  mensalmente.  Obtidos  os  novos  valores  passíveis  de  ressarcimento  e  compensação,  as  compensações  foram  homologadas  até  esse  limite,  indeferindo,  integral  ou  parcialmente, aqueles que o superaram;   ­ Desse trabalho, 198 PER/Dcomp foram deferidos, 42 o foram apenas  em  parte  e  34  receberam  resposta  negativa.  Por  sua  vez,  os  respectivos  despachos  decisórios,  em  que  tais  entendimentos  foram  apresentados,  constaram  de  51  processos  administrativos  de  crédito,  dos  quais  41  trouxeram  resultados  contrários  aos  interesses  da  requerente.  A  decisão  recorrida, para que se apresenta a presente manifestação de inconformidade,  é  um  desses.  Como  todos  esses  41  processos  se  referem  a  uma  mesma  matéria, advém de um mesmo procedimento de fiscalização, é desejável que  as correspondentes defesas sejam julgadas conjuntamente, o que desde já se  requer;  ­  Segundo  a  fiscalização,  a  recorrente  não  estava  autorizada  a  se  creditar  sobre as  seguintes bases: ativo  imobilizado –  inclusão  indevida de  bens não utilizados na produção (item 3.1 do TVF), serviços não empregados  diretamente  na  industrialização  (item  3.2  do  TVF),  utilização  de  água  e  esgoto  em  processos  industriais  (item  3.3  do  TVF),  fretes  –  transporte  de  produtos finais entre estabelecimentos da pessoa jurídica (item 3.4 do TVF),  fretes  –  inclusão  indevida  do  transporte  de  mercadorias  destinadas  ao  imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF), fretes­ inclusão indevida  do  seguro  pago  (item  3.6  do  TVF)  e  fretes  –  falta  de  identificação  das  mercadorias  transportadas  (item 3.7 do TVF). Mas  ela  estava, na  verdade,  haja vista a legislação e jurisprudência acerca da matéria;   ­  Item 3.1 do TVF. A DRF entendeu que as despesas  com veículos e  com móveis para salas de treinamento de funcionários não poderiam compor  a  base  de  cálculo  dos  créditos  por  não  serem  diretamente  destinadas  às  atividades  de  industrialização.  Entretanto,  consoante  art.  3o  das  Leis  nº  10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, tal creditamento é permitido. No caso,  não há como dizer que os bens não se prestam ao exercício da indústria. Os  equipamentos  destinados  à  capacitação  de  empregados,  por  exemplo,  são  Fl. 3592DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          9 essenciais  a  curso  regular  das  atividades  da  recorrente,  a  qual  se  destaca  por  sua  atuação  inovativa  e  comprometida  com  o  desenvolvimento  tecnológico;   ­  Item  3.2  do  TVF.  Esses  serviços,  ao  contrário  do  que  sustenta  a  fiscalização,  são,  sim,  utilizados  de  forma  direta  na  atividade  industrial,  sobretudo  porque  são  a  ela  essenciais.  Os  insumos,  na  sistemática  do  PIS/Cofins,  são  aquelas  despesas,  custos  ou  encargos  essenciais  ao  desempenho da atividade econômica da contribuinte, seja ela qual for. São,  de acordo com doutrinadores,  todos os elementos  físicos ou  funcionais  (...)  que sejam relevantes para o processo de produção ou fabricação, ou para o  produto.  Jurisprudência  administrativa  do  CARF  apresenta  o  mesmo  posicionamento, a exemplo dos Acórdãos nº 3202­00.226, de 08/02/2010 e nº  9303­01.035,  de  23/08/2010.  Julgados  dos  Tribunais  Regionais  Federais  e  Superior  Tribunal  de  Justiça  também  vão  no  mesmo  sentido.  No  caso,  os  serviços  são  essenciais.  Aqueles  prestados  pela  GFL  Gestão  de  Fatores  Logísticos Ltda., por exemplo, são vitais para o processo de industrialização,  que  depende  da  entrega  de  insumos  na  lógica  do  sistema  just  in  time.  (“produção  enxuta,  por  demanda”).  Conforme  se  afere  dos  contratos  ora  anexados  (doc.  5),  tais  serviços  consistem  na  gestão  inteligente  do  fornecimentos  de  bens  a  serem  aplicados  no  processo  produtivo.  Não  se  trata, pois, de meros serviços de movimentação e controle de estoques, como  pareceu  entender  a  fiscalização.  O  que  essa  pessoa  jurídica  fornece  é  a  otimização do processo industrial,  serviço diretamente  ligado à produção e  cujo  fator  intelectual  é  preponderante.  Esse  tipo  de  serviço,  sobretudo  no  setor econômico em que atua a contribuinte, é fundamental. Portanto, não há  como  afastar  a  sua  natureza  de  insumo  e,  via  de  conseqüência,  de  gasto  passível de creditamento, eis que se trata de serviço essencial e diretamente  vinculado  à  produção,  inclusive  qualificado  como  verdadeiro  custo  de  produção para as quais a jurisprudência administrativa permite, há muito, o  desconto de créditos;  ­  Item  3.3  do  TVF.  Somente  foram  admitidas  para  efeito  de  creditamento  a  água  aplicada  nos  processos  industriais  de  “têmpera”  e  “lavagem  e  prova  hídrica”,  pois  somente  nesses  casos  haveria  o  contato  direito com o bem produzido. A água empregada nos outros dois processos  industriais, os de “pintura” e “usinagem”, não teria tal natureza. Contudo, a  fiscalização  glosou  os  créditos  não  apenas  quanto  aos  dois  últimos  processos,  mas  em  relação  a  todos  eles,  sob  o  argumento  de  que  a  contribuinte não soube precisar a quantidade de água empregada em cada  um desses processos, o que intensifica o absurdo da autuação. É que não há  dúvida  que  a  água  empregada  em  todos  esses  quatro  processos  permite  o  aproveitamento de créditos de PIS/Cofins, porque se encaixa no conceito de  insumo  e  é  empregada,  de  forma  essencial,  na  produção,  descabendo  a  exigência  de  contato  físico  direto  com  os  produtos  fabricados,  consoante  jurisprudência do CARF e  julgados dos Tribunais Regionais Federais e do  Superior Tribunal de Justiça;   ­  Item  3.4  do  TVF.  O  fato  de  a  transferência  de  bens  entre  estabelecimentos da pessoa jurídica não se caracterizar, propriamente, como  uma operação de venda, nada tem a ver com a sua aptidão a gerar créditos  de PIS/Cofins, sendo relevante apenas a sua qualificação como insumo, isto  é, a sua essencialidade para o processo de produção, conforme já reiterado.  E  transportar  as  mercadorias  entre  os  diversos  estabelecimentos  é  fundamental  para  o  curso  regular  das  operações  da  pessoa  jurídica  Fl. 3593DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          10 principalmente  por  dois  motivos:  (a)  A  contribuinte  possui  um  variado  portfólio, provendo máquinas e equipamentos de marcas distintas  (“Case”,  “New  Holland”,  “Kobelco”  e  “Steyr”,  por  exemplo)  para  setores  do  mercado também díspares (de agricultura e construção civil, sobretudo), mas  suas  plantas  industriais  não  estão  preparadas  para  fabricarem  todos  esses  produtos,  até porque,  aliás,  isso  demandaria  investimentos  de  elevadíssima  monta. Mormente  pela  variedade  de  estabelecimentos  em  todo  o  país,  que  também  operam  como  centros  de  venda,  fornecendo  todos  os  produtos  da  marca, há necessidade de manutenção de estoques, segundo as condições do  mercado,  mesmo  para  aquelas  mercadorias  que  não  são  fabricadas  no  próprio  estabelecimento,  de modo  que  valores  consideráveis  são  gastos  no  transporte de mercadorias entre os estabelecimentos da pessoa jurídica e (b)  São  produzidas  máquinas  e  equipamentos  pesados,  os  quais  gozam  de  particularidades  quanto  à  sua  estocagem,  sobretudo  pelos  grandes  e  diferenciados  tamanhos. É  possível,  por  isso,  que  devido  a  uma queda nas  vendas,  por  exemplo,  determinado  estabelecimento  fique  sem  espaço  para  alocar  a  sua  produção,  o  que  tornará  necessária  a  busca  por  outras  unidades.  Nessas  situações  é  desejável  que  seja  feita  a  transferência  para  outro estabelecimento,  pois a  locação de  espaços para  tal  pode  se mostrar  excessivamente onerosa muito em virtude das  elevadas dimensões dos bens  produzidos.  Além  disso,  os  fretes  em  exame  são  despesas  vinculadas  ao  processo  de  produção,  o  que  reforça  a  possibilidade  de  creditamento.  De  fato, até que as mercadorias produzidas sejam efetivamente alienadas não há  falar em encerramento da atividade industrial, mesmo porque o objetivo de  qualquer pessoa jurídica é vender (obter receitas). Com efeito como este é o  fato gerador de PIS/Cofins (as receitas), todo gasto com os produtos até que  elas sejam auferidas deve ser considerado  insumo. Julgados do CARF e do  Superior Tribunal de Justiça corroboram essa tese;   ­ Item 3.5 do TVF. Ainda que não goze de previsão legal, é assente na  jurisprudência  administrativa  que  o  frete  pago  na  aquisição  de  bens  necessários  ao  desenvolvimento  da  atividade  industrial  permite  o  creditamento. Cita a Solução de Consulta nº 156, de 19/09/2008, da SRRF/6a  RF. Deveras, considerando a materialidade do PIS/Cofins, bem assim o atual  entendimento  jurisprudencial  sobre  o  tema,  quaisquer  custos  de  aquisição  devem autorizar o desconto de créditos;   ­  Item  3.6  do  TVF.  Entendeu  o  fisco  que  o  seguro,  normalmente  destacado, que compõe o frete pago na aquisição de insumos deveria ter sido  descontado da apuração dos créditos, de sorte que a recorrente não poderia  ter  se  creditado  com  base  no  valor  total  do  Conhecimento  de  Transporte  Rodoviário de Cargas ­ CTRC, como ocorreu. O seguro do transporte não é  custeado pela recorrente, mas sim pela própria transportadora, a verdadeira  e  única  contratante  desse  serviço.  O  destaque  no  CTRC  é  apenas  uma  exigência  legal  instituída  para  permitir  a  identificação  da  composição  do  frete.  O  RICMS/MG,  em  seu  art.  81,  inciso  XIII,  trata  o  seguro  como  “valores dos componentes do  frete”. O seguro, portanto,  foi avençado pela  transportadora, que apenas  informa o seu  respectivo  valor em atendimento  ao regramento legal. No caso, a recorrente pagou apenas pelo transporte e,  sendo  o  frete  na  aquisição  de  insumos  passível  de  creditamento,  agiu  de  forma acertada ao calcular seus créditos sobre o valor total do CTRC, que é  o efetivo valor do frete. Ainda que se entenda o contrário, o crédito afigura­ se  legítimo em virtude de equivaler ao “custo de aquisição”. O art. 289 do  RIR autoriza o aproveitamento do crédito em relação a quaisquer custos de  aquisição. Cita a Solução de Consulta nº 156, de 19/09/2008, da SRRF/6a RF.  Fl. 3594DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          11 Assim, sendo os seguros, igualmente, um “custo de aquisição”, conforme art.  289, § 1o do RIR, cabível o creditamento quanto a eles;   ­ Item 3.7 do TVF. Essa glosa decorreu da ausência de vinculação de  boa parte dos fretes aos respectivos insumos adquiridos. Estornou­se, então,  praticamente todo o crédito de fretes do período, exceto aqueles tratados nos  itens anteriores, que tiveram análise própria e apartada. Para que não haja  dúvidas quanto ao seu direito a recorrente requer, desde já, a realização de  diligência  fiscal  e  perícia  contábil  para  que  tal  vinculação  seja  verificada.  Para  tanto,  compromete­se,  inclusive,  a  trazer  aos  autos  todas  as  informações  e  documentos  correspondentes,  o  que  apenas  não  faz  agora,  com esta defesa, e não  fez durante o procedimento  fiscal,  em  razão do  seu  extensíssimo  volume  –  entre  janeiro  de  2008  e  setembro  de  2010  foram  realizadas  quase  800  mil  operações  de  aquisição  de  mercadorias.  De  qualquer  forma,  por  ocasião  de  suas  respostas  à  fiscalização,  demonstrou,  para  aproximadamente  20%  das  referidas  operações  (mais  um  menos  140  mil),  que  quase  90%  dos  fretes  pagos  no  aludido  interregno  se  referiam à  compra de insumos. Por isso, na eventualidade de não se permitir a juntada  desses  documentos,  propugna  pela  homologação  proporcional  desses  créditos,  sob  pena  de  perpetuação  de  exigência  fiscal  claramente  desproporcional e ilegítima;   ­ Item 4.2 do TVF. Os créditos utilizados como base dos PER/Dcomp  ora  examinados,  e  também  daqueles  outros  apresentados  no  período  fiscalizado,  decorreram  de  aquisições  realizadas  no mercado  interno  e  no  exterior. No entanto, para a fiscalização, os créditos advindos da importação  de mercadorias citadas no art. 17 da Lei nº 10.865, de 2004, não poderiam  ter  sido  utilizados  para  efeito  de  ressarcimento  e  compensação,  segundo a  qual  apenas  as  importações  amparadas  pelo  art.  15  da  aludida  lei  é  que  permitiriam tais procedimentos, haja vista a literalidade do art. 16. Porém,  não há regramentos distintos para os créditos de importações, que estariam  nos  mencionados  arts.  15  e  17.  Na  verdade,  todo  o  creditamento  de  PIS/Cofins  –  Importação deriva  do  art.  15  da  Lei  nº  10.865,  de  2004,  que  seria  o  equivalente  funcional  dos  arts.  3o  das Leis nº  10.637,  de  2002  e  nº  10.833,  de  2003,  que  tratam  de  créditos  no  mercado  interno.  O  art.  17  é  apenas uma complementação ao art. 15 e será aplicado somente em alguns  casos, e em conjunto com o art. 15. A  função do art. 17 é,  exclusivamente,  tratar  das  situações  em  que  o  recolhimento  de  PIS/Cofins  não­cumulativo  deixa  de  ser  feito  com  base  nas  alíquotas  de  1,65%  e  7,6%  e  passa  a  contemplar  alíquotas  diferenciadas,  nos  casos  de  aplicação  do  “regime  monofásico” ou alíquotas específicas para alguns derivados de petróleo. A  contrario sensu, a única situação em que o art. 15 não se aplica aos produtos  e serviços  tratados no art. 17 é,  justamente, quando cuida da quantificação  do  crédito.  Ou  seja,  o  art.  17  não  vem  trazer  regulação  especial  para  os  créditos de produtos específicos, de  forma a excluir a aplicação do art. 15.  Tanto que do seu § 8o consta que “(...) disposto neste artigo alcança somente  as pessoas jurídicas de que trata o art. 15 desta Lei...”. Portanto, o art. 15  fundamenta e se aplica a todo crédito decorrente de importações, incidindo o  art. 17, eventual e conjuntamente, apenas para tratar de sua quantificação.  Assim, havia direito de utilização de créditos dos bens mencionados no art.  17 em PER/Dcomp, alterando apenas a alíquota do crédito, que será maior  em razão da natureza do produto. A própria Secretaria da Receita Federal  do Brasil  abona essa  conclusão  (Acórdão nº 3803­000.885, de 27/10/2010,  do  CARF).  Interpretação  distinta  representaria  grave  ofensa  à  isonomia  tributária, uma vez que importadoras e pessoas jurídicas em geral estariam  Fl. 3595DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          12 submetidas  a  tratamentos  fiscais  distintos,  sem  qualquer  justificação.  Na  verdade, a situação das importadoras de bens regulados pelo art. 17 ficaria  ainda pior: além de arcarem com alíquotas majoradas (em razão do regime  monofásico),  teriam  o  seu  direito  de  crédito  excessivamente  limitado.  Essa  violação é desconfortavelmente contraditória, uma vez que o objetivo da Lei  nº  10.865,  de  2004,  foi  justamente,  segundo  sua  exposição  de  motivos,  introduzir “(...) um tratamento tributário isonômico entre os bens e serviços  produzidos internamente e os importados...” Daí advém ainda o desrespeito  às  regras  da  proporcionalidade  e  razoabilidade,  afinal,  qual  seria  a  razão  jurídica  para  se  permitir  a  utilização  de  créditos  de  importação  em  PER/Dcomp  e  excluir,  ao  mesmo  tempo,  esse  direito  daquelas  operações  abarcadas  pelo  art.  17?  Razão  não  há,  estando  claro  que  o  exame  da  legislação não autoriza a exegese levada a efeito pela autoridade fiscal, pelo  que deve ser descartada;   ­  Item  4.3  do  TVF.  Foram  reposicionados  parcelas  dos  créditos  de  importação aproveitados em PER/Dcomp ao argumento de que estes, por se  originarem do mercado externo, somente poderiam ser utilizados no final do  respectivo  trimestre­calendário.  O  procedimento  teve  efeito  nefasto  e  desproporcional:  vários  dos  débitos  compensados,  no  período  autuado,  ficaram descobertos, passando a ser exigidos, integral ou parcialmente, com  o acréscimo de juros e multa. Entretanto, como os créditos foram deslocados  para  o  último  mês  do  trimestre  correspondente,  neste  terceiro  mês  havia  saldo  suficiente  para  homologar,  ainda  que  em  parte,  as  compensações  realizadas  nos  dois  primeiros  meses.  Desse  modo,  caso  se  entenda  por  validar tal procedimento, os acréscimos legais somente se referem ao atraso  de  um  ou  dois  meses,  isto  é,  aquele  decorrente  da  espera  até  o  fim  do  trimestre;  ­  Erros  de  cálculo.  Em  cada  mês  em  que  os  créditos  foram  recalculados  ocorreram  impropriedades  na  quantificação  desses  créditos,  consoante exemplos a seguir. (a) Ressarcimento de Cofins ­ abril a junho de  2008  (PER/Dcomp  nº  41058.12544.220708.1.1.09­9018  e  nº  33371.36444.290710.1.7.09­8945).  Somente  foi  considerado  o  montante  ressarcível de junho de 2008 e não o total da parcela relativa ao trimestre.  Ou seja,  não  foi  feita a  recomposição do crédito  relativo ao  ressarcimento  (não foi feito o reposicionamento). Caso tivesse sido feita a recomposição, o  valor  passível  de  ressarcimento  seria  de  R$  3.267.967,06  e  não  R$  3.075.278,21, o que gerou uma diferença de R$ 192.688,85, que é  superior  ao  necessário  para  quitar  os  débitos  vinculados  ao  crédito  deste  período.  Além disso, no quadro “Créditos de Compensação Utilizados (CCU)/CTs –  Valor  utilizado  valorado de  acordo  com  o  tipo  de  crédito”  há  valores  que  divergem daqueles cuja compensação foi solicitada por meio de PER/Dcomp  originais. Todos esses PER/Dcomp foram retificados o que leva a crer que a  última  versão  sobrepôs  a  primeira,  fazendo  com  que  os  débitos  fossem  compensados  com multa  e  juros.  É  de  se  notar  que  a  data  da  transmissão  original  estava  dentro  do  período  para  recolhimento  (antes  da  data  de  vencimento)  e  que  não  houve  aumento  do  débito  compensado,  somente  redução (fl.139). (b) Ressarcimento de Cofins ­ outubro a dezembro de 2008  (PER/Dcomp nº 11240.95939.300109.1.5.09­0408). Somente foi considerado  o montante ressarcível de dezembro de 2008 e não o total da parcela relativa  ao  trimestre.  Ou  seja,  não  foi  feita  a  recomposição  do  crédito  relativo  ao  ressarcimento  (não  foi  feito  o  reposicionamento).  Caso  tivesse  sido  feita  a  recomposição, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 7.642.847,66 e  não R$ 6.352,123,81, o que gerou uma diferença de R$ 1.290.723,85, que é  Fl. 3596DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          13 superior  ao  necessário  para  quitar  os  débitos  vinculados  ao  crédito  deste  período  (fl.  140).  (c)  Ressarcimento  de Cofins  ­  julho  a  setembro  de  2010  (PER/Dcomp  nº  19382.21408.281010.1.1.09­0687).  Não  foi  feita  a  recomposição  do  crédito  relativo  ao  ressarcimento  (não  foi  feito  o  reposicionamento). Caso tivesse sido  feita a recomposição, o valor passível  de  ressarcimento  seria  de  R$  6.541.682,26  e  não  R$  6.201.733,66,  o  que  gerou  uma diferença  de R$ 339.948,90,  que  é  superior  ao  necessário  para  quitar  os  débitos  vinculados  ao  crédito  deste  período  (fl.  141).  (d)  Ressarcimento  de  Cofins  ­  abril  de  2010  (PER/Dcomp  nº  02755.47816.300610.1.3.09­4563). O fisco partiu de montante de créditos de  mercado  externo  diferente  daquele  que  consta  no  PER/Dcomp,  sendo  considerado o montante de R$ 3.153.956,33, enquanto que o valor solicitado  é de R$ 5.916.155,44. Caso tivesse usado o valor constante do PER/Dcomp,  o  valor  passível  de  ressarcimento  seria  de  R$  5.511.341,71  e  não  R$  2.749.142,61, o que gerou uma diferença de R$ 2.762.199,10, que é superior  ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período (fl.  141).  Esses  erros,  que  são  verificados  em  todas  as  competências,  são  inclusive bastantes para que se decrete a nulidade do procedimento fiscal e  do TVF ora contestado. De todo modo, caso assim não se entenda, requer­se,  desde  já,  a  realização  de  diligência  fiscal  e  perícia  contábil  para  que  os  referidos  equívocos  sejam  definitivamente  comprovados.  Para  tanto,  compromete­se,  inclusive,  a  trazer  aos  autos  todas  as  informações  e  documentos correspondentes, o que apenas não faz agora, com esta defesa,  em  razão  do  exíguo  tempo  para  recorrer,  posto  que  são  mais  de  200  PER/Dcomp  envolvidos,  que  devem  ser  revistos  em  todos  os  critérios  apontados pela fiscalização, alguns deles complexos;  Em 20/08/2012, a contribuinte  juntou aos autos mídia  em CD com o  que  entende  ser  as  informações  necessárias  para  que  seja  verificada  a  vinculação  dos  fretes  autuados  no  item  3.7  do  TVF  com  a  compra  de  insumos,  de  modo  a  comprovar  a  legitimidade  dos  créditos  aproveitados  sobre tais despesas (fretes na aquisição de insumos).   Ao  final,  requer  a  contribuinte:  a)  o  julgamento  conjunto  dos  processos, haja vista a identidade da argumentação de defesa; b) a nulidade  do  procedimento  fiscal  e  de  seus  correspondentes  frutos,  o  TVF  e  os  despachos decisórios proferidos neste e nos demais processos que tratam do  mesmo assunto; c) a realização de diligência fiscal e perícia contábil com o  objetivo de vincular os fretes pagos às mercadorias a esses correspondentes  ou, caso assim não se entenda, ao menos o reconhecimento proporcional das  vinculações,  conforme  demonstrado;  d)  o  reconhecimento  da  existência  de  todos  os  créditos  de  PIS/Cofins  utilizados  pela  interessada  nos  pedidos  de  ressarcimento  e  compensação  vinculados  ao  MPF­F  n.º:  06.1.10.00­2011­ 00427­3,  transmitidos  entre  janeiro  de  2008  e  setembro  de  2010,  com  o  conseqüente  deferimento  e  homologação  de  todos  os  PER/Dcomp  objetos  deste processo; e) a realização de diligência fiscal e perícia contábil com o  objetivo de comprovação dos equívocos e erros de cálculo mencionados;  f)  caso  os  argumentos  anteriores  não  sejam  acatados,  que  os  erros  expressamente  apontados  sejam  definitivamente  corrigidos  e  g)  subsidiariamente,  sejam  decotados  os  juros  e  multas  decorrentes  do  reposicionamento  de  créditos  efetuados  pela  Secretaria  da Receita Federal  do Brasil.   A ciência da decisão que manteve em parte a exigência formalizada contra a  recorrente  ocorreu  em  04/01/2014  (fls.  1420).  Inconformada,  a  mesma  apresentou,  em  Fl. 3597DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          14 20/01/2014,  o  recurso  voluntário  de  fls.  1422/1449,  onde  reitera  os  argumentos  aduzidos  na  primeira instância na parte em que seu pleito não foi deferido, requerendo, ao final:  a)  o  julgamento  conjunto deste  com os demais processos  da  empresa,  haja  vista a identidade da argumentação de defesa, nos termos do artigo 58, § 8º,  do Regimento Interno do CARF;  b)  seja  determinada  a  realização  de  diligência  para  os  esclarecimentos  referentes  à  glosa  de  créditos  calculados  sobre  fretes  (item  3.7  do  TVF),  diligência  cuja  necessidade  seria  reforçada  diante  do  reconhecimento,  pela  DRJ, de equívocos nos cálculos promovidos;  c)  seja o  recurso conhecido e provido, com a reforma do acórdão para que  sejam restabelecidos os créditos glosados nos itens 3.1, 3.2, 3.4, 3.5 e 3.7 do  TVF,  bem  como  reconhecida  a  regularidade  da  utilização  dos  créditos  de  PIS/COFINS tratados pelo artigo 17 da Lei nº 10.865/04 (item 4.2 do TVF),  e,  finalmente,  sejam  descontados  juros  e  multa  calculados  quando  do  reposicionamento  dos  créditos  (item 4.3  do TVF),  de modo que  se  refiram  tão­somente ao atraso de um ou dois meses (i. é, aquele decorrente da espera  até o fim do trimestre).   No que diz respeito ao item 3.7 do Termo de Verificação Fiscal – fretes pelo  transporte de mercadorias não identificadas – a Segunda Turma Especial desta Terceira Seção  do CARF, em sessão transcorrida em 19/08/2014, converteu o julgamento em diligência "para  que  a  unidade  de  origem,  diante  dos  registros  apresentados  pelo  sujeito  passivo  e  os  correspondentes documentos neles referenciados, apure os créditos do PIS e da COFINS nos  casos  em  que  os  mesmos,  realmente,  correspondem  a  fretes  pela  aquisição  de  insumos,  conforme metodologia que entender mais adequada para tanto".  Tal diligência foi determinada considerando que os documentos apresentados  pela suplicante poderiam efetivamente subsidiar o necessário exame para verificar se existe ou  não vínculo entre os fretes e as mercadorias transportadas.  Em resposta à diligência supra foi acostado aos autos Relatório Fiscal de fls.  3564/3569, padrão para todos os processos ora em julgamento da interessada, sobre o qual nos  reportaremos doravante ao apresentarmos nosso voto.  Intimado  a manifestar­se,  o  sujeito passivo,  apresentou petição onde  requer  seja prorrogado por mais 30 dias o prazo para sua manifestação, o que fez com fundamento nos  princípios da ampla defesa e do contraditório.  Não obstante, até a presente data, não foi apresentada nova manifestação da  interessada no que diz respeito à matéria em discussão nos autos.  É o relatório.   Voto             Da admissibilidade do recurso  Fl. 3598DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          15 O  recurso  é  tempestivo,  posto  que  apresentado  (em  20/01/2014)  dentro  do  prazo  legal  de  30  dias  contados  da  data  da  ciência  da  decisão  de  primeira  instância  (que  ocorreu em 04/01/2014 ­ conf. fls. 1420).   Quanto  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade  os  mesmos  se  encontram  presentes.   Conheço, portanto, do recurso formalizado pelo sujeito passivo.   Da matéria em litígio  Conforme relatado, vê­se que a contenda envolve a homologação parcial de  pedidos de compensação da interessada onde o direito creditório reclamado diz respeito a saldo  credor de COFINS, direito o qual foi glosado em parte, permanecendo em litígio as questões  relativas ao cômputo de créditos calculados sobre:  a)  bens destinados ao ativo  imobilizado e não utilizados na produção  (item  3.1 do Termo de Verificação Fiscal – TVF);  b)  serviços  não  empregados  diretamente  na  industrialização  (item  3.2  do  TVF);  c)  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado  entre  estabelecimentos da interessada (item 3.4 do TVF);  d)  fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a  uso e consumo (item 3.5 do TVF); e,  e)  fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas (item 3.7 do TVF).  Também necessita ser analisada a reclassificação de créditos objeto do item  4.2  do  Termo  de  Verificação  Fiscal,  segundo  o  qual,  em  virtude  do  artigo  16  da  Lei  nº  11.116/20051,  apenas  os  créditos  de  importação  elencados  no  art.  15  da Lei  nº  10.865/2004  seriam  passíveis  de  ressarcimento  ou  de  compensação.  Assim,  em  relação  aos  créditos  enquadrados  no  artigo  17  da  mesma  Lei  nº  10.865/2004  –  que  remete  às  importações  de  produtos  objeto  do  §  3º  do  artigo  8º  da  Lei  em  tela2  (dentre  outros)  –  estes,  por  falta  de                                                              1      Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos  10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de  abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano­calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº  11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de:          I  ­  compensação  com  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou          II ­ pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.          Parágrafo  único.  Relativamente  ao  saldo  credor  acumulado  a  partir  de  9  de  agosto  de  2004  até  o  último  trimestre­calendário anterior ao de publicação desta Lei,  a compensação ou pedido de  ressarcimento poderá  ser  efetuado a partir da promulgação desta Lei.    Lei nº  11.033,  de 21/12/2004, Art.  17. As vendas  efetuadas  com suspensão,  isenção,  alíquota 0  (zero) ou  não  incidência  da Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da COFINS  não  impedem  a manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos vinculados a essas operações.    2  Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta  Lei, das alíquotas de:  Fl. 3599DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          16 previsão  legal,  não  poderiam  ser  objeto  de  ressarcimento  ou  de  compensação,  apesar  da  possibilidade de desconto em relação aos débitos.  Por  fim,  a  lide  envolve  também a  análise quanto  à possibilidade ou não de  compensação  de  créditos  de  importação  vinculados  a  receita  de  exportação  antes  do  encerramento do trimestre.  Todas essas questões são comuns em relação a todos os processos da empresa  trazidos à pauta, razão pela qual serão examinadas em conjunto, o que atende, nessa parte, ao  pleito do sujeito passivo.  Do regime da não­cumulatividade do PIS e da COFINS  O  regime  da  incidência  não­cumulativa  das  contribuições  sociais  foi  instituído,  inicialmente,  para  o  PIS/PASEP,  mediante  a  publicação  da  Lei  nº  10.637,  de  30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), tendo passado a produzir efeitos,  em relação à não­cumulatividade da referida contribuição, a partir de 1o de dezembro de 2002.  Posteriormente,  com  a  publicação  da  Lei  nº  10.833,  de  29/12/2003  –  conversão  da Medida  Provisória  nº  135,  de  2003  –,  tal  regime  foi  estendido  à  COFINS.  Concernente  à  não­ cumulatividade  da  COFINS  a  lei  em  evidência  passou  a  produzir  efeitos  a  partir  de  1º  de  fevereiro de 2004.  Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência não­cumulativa do  PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas  pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real.  A  legislação  pertinente  ao  regime  autoriza  o  desconto  de  créditos  apurados  com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3o das Leis  nos 10.637/2002 e 10.833/2003. Além disso, o artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e o artigo 6º da  Lei  nº  10.833/2003  dispõem,  respectivamente,  que  o  PIS/PASEP  e  a  COFINS  não  incidem  sobre  as  receitas  decorrentes  de:  a)  exportações  de mercadorias;  b) prestação  de  serviços  no  exterior  cujo  pagamento  represente  ingresso  de  divisas  e;  c)  vendas  a  empresa  comercial  exportadora como fim específico de exportação. Em tais hipóteses, o crédito apurado na forma  do  artigo  3º  das  leis  em  comento  poderá  ser  utilizado  para  a  dedução  da  correspondente  contribuição a  recolher ou para compensação com outros  tributos administrados pela Receita  Federal. Finalmente, acaso aludido crédito não possa ser utilizado por nenhuma dessas formas  até o final de cada trimestre do ano civil, poderá o sujeito passivo solicitar seu ressarcimento  em dinheiro.   A  seguir,  examinaremos  a  legitimidade  dos  créditos  calculados  pela  interessada  seguindo  a  mesma  ordem  utilizada  pela  fiscalização  no  Termo  de  Verificação  Fiscal ­ TVF.   Das  glosas  objeto  do  item  3.1  do  TVF:  bens  destinados  ao  ativo  imobilizado e não utilizados na produção                                                                                                                                                                                              [omitido]     § 3º Na importação de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20,  8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul  ­ NCM, as alíquotas são de:          I ­ 2% (dois por cento), para o PIS/PASEP­Importação; e          II ­ 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), para a COFINS­Importação.  Fl. 3600DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          17 A  fiscalização  entendeu  que  as  despesas  com  veículos  e  com móveis  para  salas de treinamento de funcionários não poderiam compor a base de cálculo dos créditos por  não  estarem  diretamente  vinculados  às  atividades  de  industrialização.  Por  sua  vez,  o  sujeito  passivo entende que aludido creditamento estaria alicerçado no artigo 3º das Leis 10.637/2002  e 10.833/2003.   Segundo  defende  a  interessada,  seria  inapropriado  afirmar  que  os  bens  em  evidência  não  se  prestariam  ao  exercício  de  sua  atividade  industrial. Afirma que  “quaisquer  bens imobilizados, que sejam empregados na atividade econômica do contribuinte (direta ou  indiretamente),  autorizam  o  creditamento”,  e  ainda,  que  “os  equipamentos  destinados  à  capacitação  de  empregados,  por  exemplo,  são  essenciais  a  curso  regular  das  atividades  da  Recorrente,  a  qual  se  destaca  por  sua  atuação  inovativa  e  comprometida  com  o  desenvolvimento tecnológico”.  O  creditamento  relativo  a  bens  destinados  ao  ativo  imobilizado  está  fundamentado nos incisos VI e VII, §§ 1º, 14, 16 e 21 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. Em  relação  ao  PIS/PASEP,  regramento  no  mesmo  sentido  consta  da  Lei  nº  10.637/2002.  Reproduzimos, abaixo, os dispositivos da Lei nº 10.833/2003 que são mais  relevantes para a  resolução da contenda:  Art.  3º  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2º  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar créditos calculados em relação a:  [...]  VI  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  ou  fabricados  para  locação  a  terceiros,  ou  para  utilização  na  produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  VII  ­  edificações  e  benfeitorias  em  imóveis  próprios  ou  de  terceiros,  utilizados nas atividades da empresa;  [...]  § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado  mediante  a  aplicação  da  alíquota  prevista  no  caput  do  art.  2º  desta  Lei  sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)  [...]  III ­ dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos  incisos VI e VII do caput, incorridos no mês;  [...]  (grifo nosso)  O  inciso  VI  do  artigo  3º  das  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003  vincula  o  creditamento  em  relação  a  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado – além de seu emprego para locação a terceiros – a seu uso “na produção de bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços”.  Portanto,  o  legislador  restringiu  o  creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização  das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do  cômputo de créditos a aquisição de “quaisquer bens imobilizados [...]empregados na atividade  econômica do contribuinte (direta ou indiretamente)”, como defende a interessada.  Fl. 3601DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          18 Com efeito, o ativo imobilizado compreende os bens e direitos necessários ao  exercício das atividades estatutárias da pessoa jurídica, aí incluídos aqueles que tem finalidade  unicamente  administrativa,  ou  seja,  que  não  são  empregados  diretamente  na produção  ou  na  comercialização de mercadorias  e de  serviços,  ou  ainda, na  locação. Apenas  esses últimos  é  que fazem jus ao creditamento.  No mais, muito embora este relator entenda que os móveis de escritório e os  automóveis de passageiros possam ser necessários ao exercício das atividades da empresa, tais  não  se  enquadram  na  amplitude  conceitual  de  insumo  na  produção  dos  bens  destinados  à  venda. Essas despesas, com efeito, são de caráter geral, não estando vinculadas diretamente ao  processo de industrialização, razão pela qual entendemos não ser legítimo o cômputo de crédito  com base em tais rubricas.  É por essa  razão que deverá ser negado provimento ao recurso na parte em  que  o  sujeito  passivo  pretende  se  creditar  do  PIS  e  da  COFINS  pela  aquisição  de  bens  destinados ao ativo imobilizado, mas não utilizados na produção.  O  alcance  do  conceito  de  insumo  para  fins  do  regime  de  incidência  não­ cumulativa do PIS/PASEP e da COFINS será tratada com mais detalhes no tópico seguinte.  Das  glosas  objeto  do  item  3.2  do  TVF:  serviços  não  empregados  diretamente na industrialização  A  fiscalização  glosou  o  creditamento  correspondente  a  alguns  serviços  que  não foram “empregados diretamente na industrialização”.   Reproduzo o trecho do relatório fiscal correspondente à questão:  Instado,  conforme  Termo  de  Intimação  nº  0551/2011,  a  informar  quais  tipos  de  serviços  prestavam  as  empresas  Fiat  do  Brasil  S/A  e GFL  Gestão  de  Fatores  Logísticos,  e  a  apresentar  os  respectivos  contratos,  a  empresa respondeu, em 01/09/2011, o seguinte:   “Serviços prestados à INTIMADA pela FIAT DO BRASIL S/A:  • Comércio Exterior:  ◦ Despacho aduaneiro consubstanciados em operações de Exportação da  CNH  em  todo  o  território  nacional  e  relacionados  com  os  modais  marítimo, aéreo e rodoviário;  ◦ Despacho aduaneiro consubstanciados em operações de importação da  CNH  em  todo  o  território  nacional  e  relacionados  com  os  modais  marítimo, aéreo e rodoviário.  • Contabilidade Geral;  • Controle Fiscal;  • Contas a pagar e Tesouraria;  • Controle de ativo fixo;  • Registro Fiscal;  • Faturamento;  • Gestão tributária e societária;  • Serviços de assessoria a expatriados.  Fl. 3602DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          19 Serviços  prestados  à  INTIMADA  pela  GFL  GESTÃO  DE  FATORES  LOGÍSTICOS LTDA:  • Gerenciamento  das  operações  de  transporte  "IN Bound"  ­  Transportes  de  materiais/produtos  que  adentram  na  fábrica  da  contratante  e  "Follow­up"  ­ Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela  contratada, perante os fornecedores da contratante.”  Nenhuma  destas  atividades  pode  ser  considerada  como  aplicada  ou  consumida  na  fabricação de  produtos. Os  serviços prestados  pela Fiat  do  Brasil S/A, claramente, têm caráter administrativo, mas mesmo os prestados  pela GFL não podem ser considerados insumos. Neste sentido, a ementa da  Solução de Consulta Nº 125 de 2007 – DISIT – 10ª RF declara:  INCIDÊNCIA NÃO­CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. SERVIÇOS  DE MOVIMENTAÇÃO E CONTROLE DE ESTOQUES. Não gera direito a  crédito  da  Cofins  a  aquisição  de  serviços  de  movimentação  e  controle  de  estoques  de  matérias­primas,  materiais  de  embalagem  e  produtos  acabados,  realizados nas instalações da pessoa jurídica ou da própria empresa contratada.   As  contas  contábeis  responsáveis  pelo  registro  dos  créditos  de  PIS  e  COFINS  incidentes  sobre  serviços,  conforme  resposta  ao  Termo  de  Início  entregue  em 08/06/2011,  são  as  de  nos  144240 e  144241,  e  a  esmagadora  maioria  dos  lançamentos  referem­se  a  serviços  prestados  pelas  duas  empresas mencionadas anteriormente, com algumas exceções: a nota fiscal  nº  149087  da  Metropolitana  Vigilância  Comercial,  cujo  crédito  o  contribuinte afirmou não  ter  incluído na base de cálculo, e algumas notas  fiscais,  em 2010,  referentes  a  treinamentos  técnicos de  diversos  tipos,  aos  quais,  pelos  mesmos  argumentos  expostos  acima,  é  vedada  a  geração  de  créditos.      Deste  modo,  todo  o  crédito  descrito  como  “Serviço  Nacional”  nas  memórias  de  cálculo  entregues  em  08/07/2011,  em  resposta  ao  Termo  de  Início, deve ser glosado [...]  A  análise  do  problema  envolve  essa  que  talvez  seja  a  questão  mais  controvertida em relação à não­cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS: definir o que são  insumos para fins de creditamento das citadas contribuições.   O  inciso  II  do  artigo  3o  das Leis  10.833/2003  e 10.637  de  2002  autoriza  o  cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados  como  insumos  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda.   As  normais  legais  stricto  sensu  que  prevêem  a  não­cumulatividade  (Leis  10.637/2002  e  10.833/2003)  são  omissas  quanto  ao  alcance do  termo  “insumo” para  fins  de  cálculo do crédito atinente a referidas contribuições. Tal amplitude terminológica encontra­se  disposta apenas em norma de natureza infralegal, qual seja, no § 5º, do artigo 66, da IN SRF no  247,  de  21/11/2002  (dispositivo  incluído  pela  IN  SRF  no  358,  de  09/09/2003)  –  não­ cumulatividade do PIS/Pasep –, bem como nos incisos I e II do § 4º, do artigo 8o, da IN SRF no  404,  de  12/03/2004  –  não­cumulatividade  da  COFINS  –,  segundo  os  quais,  para  fins  de  aquisição  de  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos,  deverão  ser  assim  concebidos  (como  insumos), aqueles:   I ­ utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda:   a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem  e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano  Fl. 3603DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          20 ou  a  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam  incluídas no ativo imobilizado;   b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados  ou consumidos na produção ou fabricação do produto;   II ­ utilizados na prestação de serviços:  a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não  estejam incluídos no ativo imobilizado; e   b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados  ou consumidos na prestação do serviço.   Para a doutrina, há os que defendem a ampla consideração como insumo de  todas  as  despesas  da  empresa,  como  Natanael  Martins3.  Segundo  ele,  pelo  fato  das  contribuições em comento alcançarem a receita total das empresas, a única forma de assegurar  sua  integral  não­cumulatividade  seria  se  “os  créditos  apropriáveis  alcançarem  todas  as  despesas necessárias à consecução das atividades da empresa”.  Também na mesma toada, Solon Sehn4, segundo o qual,  salvo  nas  hipóteses  expressamente  vedadas  pela  Lei  nº  10.833/2003,  o  crédito  de  insumo  deve  ser  calculado  a  partir  do  custo  de  produção  da  legislação do imposto de renda (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º;  Decreto nº 3.000/1999, arts. 290 e 291), abrangendo as matérias­primas e  quaisquer  outros  bens,  direitos  ou  serviços  aplicados  ou  consumidos  no  processo  de  fabricação,  diretos  ou  indiretos,  independentemente  de  desgaste, dano ou perda de propriedades físico­químicas.  Por  sua  vez,  Marco  Aurélio  Greco5  defende  que  os  insumos,  para  fins  de  PIS/Pasep e Cofins, não se equiparam àqueles indicados pela legislação do Imposto de Renda,  uma vez que há distinção material entre  receita e  renda. Patrícia Madeira comenta a  lição de  Greco asseverando que os pressupostos de fato para o IRPJ e a CSLL são o resultado positivo  (renda/lucro), e, nesse caso, deverão ser considerados todos os custos que interferirem na sua  apuração; no entanto, “nem todos os custos da atividade empresarial interferem na formação  da  receita,  que  é  materialidade  do  PIS  e  da  Cofins”.  A  ideia  de  insumo  proclamada  pela  legislação do IPI também não seria aplicável para o PIS/Pasep e para a COFINS6, dado ser o  IPI  [...]  tributo  cuja  não­cumulatividade  se  opera  pelo  método  subtrativo, variante imposto contra imposto (que, portanto, requer tenha                                                              3 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática não­cumulativa do PIS e da Cofins. In: PEIXOTO.  Marcelo Magalhães, FISCHER, Octávio Campos  (coord.).  PIS­Cofins:  questões  atuais  e polêmicas. São Paulo:  Quartier Latin,  2005.  p.  204. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Não­cumulatividade  do  PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127.  4  SEHN, Solon. PIS­COFINS: Não cumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011. p.  317.  5 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (Coord.) et al. Não­ cumulatividade  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins.  São  Paulo:  IOB  Thompson.  Porto  Alegre:  Instituto  de  Estudos  Tributários, 2004. p. 112­122. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Não­cumulatividade do  PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127.  6 O trecho acima, que sintetiza a lição de Marco Aurélio Greco (op. cit., p. 117­118), foi extraído da Dissertação  de Mestrado de Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves Madeira, p. 127­128 – referência já citada.     Fl. 3604DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          21 havido  incidência  na  operação  anterior  para  que  o  insumo  seja  creditável) e cuja materialidade (industrialização) remete à ideia de algo  fisicamente apreensível.  Como  a  receita  decorre  de  uma  prestação  de  serviços  ou  da  produção de bens, Marco Aurélio Greco conclui que só deve ser insumo  o  que  for  inerente  àquilo  que  denomina  de  “processo  formativo  da  receita”. Em suas palavras:  relevante  é  determinar  quais  os  dispêndios  ligados  à  prestação  de  serviços e à  fabricação/produção que digam respeito aos  respectivos  fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e  os fatores capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá  – em princípio – direito à dedução.  Há  ainda  outros  pensamentos  doutrinários  diversos  que  revelam  grandes  divergências concernentes aos critérios sobre o que pode ou não ser considerado como insumo  para fins de creditamento do PIS/Pasep e da COFINS no regime da não­cumulatividade. Culpa  da legislação lamentavelmente intrincada sobre o assunto.   De  nossa  parte,  dadas  as  limitações  impostas  ao  creditamento  pelo  texto  normativo, temos nos manifestado no sentido de que o legislador optou por um regime de não­ cumulatividade parcial, muito embora respeitável doutrina defenda que deveria ser dado ao  regime um sentido mais amplo e próximo dos aspectos econômicos da produção, o que, penso,  não encontra alicerce na legislação pertinente.  Com efeito, além da aquisição de bens e de serviços utilizados como insumo,  a lei contempla várias outras hipóteses de creditamento em virtude de despesas incorridas pela  pessoa jurídica, tais como pelo aluguel de prédios, de máquinas e de equipamentos utilizados  nas  atividades  da  empresa,  bem  como  da  energia  consumida  em  seus  estabelecimentos,  ressalvadas  as  exceções  legais.  O  detalhamento  das  possibilidades  de  creditamento  e  das  vedações  ao  mesmo,  sujeitos  a  emendas  normativas  implementadas  no  decorrer  do  tempo,  revela,  sem  nenhuma  dúvida,  que  o  legislador  sempre  optou  por  um  regime  de  não­ cumulatividade seletivo.  Especialmente sobre o alcance do termo “insumo” vejamos, primeiramente, o  teor  do  inciso  II  do  artigo  3o  de  ambas  as  leis  10.637/2002  e  10.833/2003  que,  sobre  a  correspondente contribuição determinada na forma do artigo 2o de cada lei, permite o desconto  de créditos calculados em relação a:  II  ­  bens  e  serviços  utilizados  como  insumo  na  fabricação  de  produtos  destinados  à  venda  ou  à  prestação  de  serviços,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes; (redação original da Lei 10.637/2002)  II  –  bens  e  serviços  utilizados  como  insumo  na  fabricação  de  produtos  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes;  (Lei  10.637/2002  ­  redação  dada  pela  Lei  nº  10.684,  de  30.5.2003)  II  ­ bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na  produção ou  fabricação de bens ou produtos destinados à venda,  inclusive  combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o  art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de  julho de 2002, devido pelo  fabricante ou  importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos  classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação original da lei nº  Fl. 3605DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          22 10.833/2003.  Na  Lei  nº  10.637/2002  essa  redação  é  decorrente  da  Lei  nº  10.865, de 2004)  Da  leitura  das  redações  do  dispositivo  que  trata  do  creditamento  em  decorrência  da  aquisição  de  insumos  –  a  atual  e  as  historicamente  concebidas  para  referido  preceito – constata­se que o termo “insumo”, na forma como é e sempre foi empregado, nunca  se  apresentou  no  texto  normativo  de  forma  isolada,  mas  continuamente  associado  ao  seu  papel de fator de produção ou na prestação de serviços.   Em razão disso, penso que só podem ser considerados como insumos os bens  e os serviços diretamente utilizados, necessários e essenciais à prestação de serviços ou à  fabricação  dos  produtos  destinados  à  venda,  o  que  requer,  pois,  análise  individual  do  processo  produtivo  da  pessoa  jurídica  que  busca  o  creditamento  segundo  o  regime  da  não­ cumulatividade.   No caso presente, entendo que os serviços prestados à  interessada pela Fiat  do  Brasil  S.A.  (despacho  aduaneiro  de  importação  e  exportação,  serviços  de  contabilidade  geral,  controle  fiscal,  contas  a  pagar  e  tesouraria,  controle  de  ativo  fixo,  registro  fiscal,  faturamento,  gestão  tributária  e  societária,  serviços  de  assessoria  e  expatriados)  não  se  destinam  diretamente  à  atividade  de  “fabricação  de  máquinas  e  equipamentos  para  terraplenagem, pavimentação e construção, peças e acessórios, exceto tratores – instalação de  máquinas e equipamentos industriais” (conforme ficha cadastral junto ao CNPJ).  Logo, muito embora entendamos que o conceito de insumo seja mais elástico  que o  adotado pela Receita Federal  nas  suas  instruções normativas nos  247, de 21/11/2002 e  404,  de  12/03/2004,  conforme  razões  acima  desenvolvidas,  e mesmo  admitindo  que muitos  desses serviços são essenciais à dinâmica empresarial no seu aspecto macro, todos eles dizem  respeito a atividades de caráter meramente administrativo, não estando relacionados, de forma  direta, à atividade produtiva da interessada.   Contudo,  em  relação  aos  serviços  prestados  pela GFL  Gestão  de  Fatores  Logísticos  Ltda.,  (“Gerenciamento  das  operações  de  transporte  ‘Inbound’  ­  Transportes  de  materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Follow­up" ­ Acompanhamento  de  entrega  de  materiais  e  componentes  a  ser  realizado  pela  contratada,  perante  os  fornecedores  da  contratante”),  esses,  por  estarem  relacionados  ao  controle  de  fluxo  de  componentes nas instalações fabris, são essenciais ao processo produtivo, o qual, nas palavras  da interessada, “depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time”.  Com efeito, não se concebe o exercício da atividade industrial sem um eficaz  sistema de controle do fluxo de produção e dos estoques ligados à produção, razão pela qual  entendo  que  os  créditos  calculados  com  base  nos  serviços  prestados  pela  GFL  Gestão  de  Fatores Logísticos Ltda. deverão ser mantidos.  Nessa parte, portanto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para que  sejam admitidos os  créditos  calculados  pelo  sujeito passivo  em  relação  aos  serviços pagos  à  GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda.  Das  glosas  objeto  dos  itens  3.4  e  3.5  do  TVF:  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  interessada  e  fretes  pelo  transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo  Fl. 3606DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          23 A  Lei  nº  10.833/2003,  em  seu  artigo  3º,  inciso  IX,  admite  o  desconto  de  créditos  da  COFINS  calculados  com  base  em  “armazenagem  de  mercadoria  e  frete  na  operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”.  Isso também se aplica ao PIS/PASEP não cumulativo em razão do disposto no artigo 15, inciso  II, da mesma norma7.  Como se vê, a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete  e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda  ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo.  Trata­se, pois, de hipótese de creditamento da contribuição bastante restrita, a  despeito daquela inerente ao desconto de créditos calculados em relação a insumos, conforme  ressaltado.   Essa  restrição  ao  gozo  do  mecanismo  creditório  se  observa  também  em  relação a outros casos previstos no regime da não­cumulatividade do PIS e da COFINS, como,  por  exemplo,  nos  casos  de  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos;  máquinas,  equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para  locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação  de  serviços;  edificações  e  benfeitorias  em  imóveis;  vale­transporte,  vale­refeição  ou  vale­ alimentação,  fardamento  ou  uniforme  fornecidos  aos  empregados  por  pessoa  jurídica  que  explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção.  No mais, entendo que aludidos fretes  também não caracterizam insumo, até  porque,  conforme  asseverado  pela  instância  recorrida,  o  frete  pago  na  compra  de  insumos  integra o custo de aquisição (artigo 289, § 1º, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado  pelo Decreto nº 3.000, de 1999), podendo assim gerar créditos quando contratado com pessoa  jurídica domiciliada no país e suportado pela adquirente.  Logo, por falta de previsão legal, entendo que o sujeito passivo não faz jus ao  creditamento  em  face  de  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  interessada  (item  3.4  do  TVF),  ou  ainda,  pelos  fretes  do  transporte  de  mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF).  Em sintonia com o entendimento acima esposado, a seguinte jurisprudência:  TRIBUTÁRIO.  PIS/COFINS  NÃO  CUMULATIVOS.  FRETE  INTERCOMPANY.  OPERAÇÃO  DE  VENDA  NÃO  CARACTERIZADA  (ART. 3º, IX, L10833). ENQUADRAMENTO COMO INSUMO (ART. 3º, II,  L10833). IMPOSSIBILIDADE.   1. O  frete  intercompany,  referente  à  alocação dos  produtos  acabados  das  indústrias  para  os  centros  de  distribuição  da  empresa,  configura  simples  transferência interna, não estando diretamente relacionado às operações de  venda.  Com  efeito,  apenas  enseja  o  aproveitamento  dos  créditos  de  PIS/COFINS, nos termos do art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, o transporte  de bens diretamente ao consumidor final. Precedentes desta Turma.                                                               7   Art.  15. Aplica­se  à  contribuição  para  o  PIS/PASEP  não­cumulativa  de  que  trata  a  Lei  nº  10.637,  de 30  de  dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)     [...]     II ­ nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de  2004)  Fl. 3607DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          24 2. Em que pese, em uma perspectiva econômica, a distribuição dos produtos  das fábricas para as filiais ser etapa do iter percorrido pela mercadoria até  chegar  à  sua  destinação  final,  a  "operação  de  venda",  enquanto  negócio  jurídico, é  relação estabelecida estritamente entre os  sujeitos  fornecedor e  adquirente. Deste modo,  as  etapas  anteriores  à  destinação  do  produto  ao  consumidor  final,  ainda  âmbito  da  empresa  (fornecedora),  não  podem ser  consideradas operações de venda.   3.  Na  linha  do  que  defende  a  doutrina  mais  moderna,  o  conceito  de  "insumo",  no  campo  tributário,  não  é  uniforme  para  todas  as  exações.  Assim,  os  conceitos  encontrados  no  IPI  não  são,  de  fato,  suficientes  para  abarcar  todos  os  custos  que  podem  gerar  créditos  de  PIS/COFINS.  Enquanto na  legislação de  regência daquele  imposto, há referência  tão­só  às  despesas  referentes  à  industrialização  dos  bens  (matérias­primas,  produtos  intermediários,  materiais  de  embalagem  etc.)  aqui,  as  receitas  submetidas  às  contribuições  não  são  unicamente  decorrentes  da  venda  de  produtos industrializados.   4. Se o conceito de insumo do IPI é demasiado restritivo, não é o caso de ir­ se  ao  outro  extremo,  estendendo­o  de  tal  modo  a  incorporar  "todo  e  qualquer custo ou despesa necessário à atividade de empresa", nos termos  da legislação do IRPJ, como o quer o apelante. A não­cumulatividade deve  estar adstrita à materialidade do tributo ­ para PIS/COFINS, receita; para  IR,  lucro  líquido.  Logo,  também  imprestável,  o  conceito  de  despesa  operacional do RIR/99, de modo a equiparar PIS/COFINS a IR.   5.  Nesse  contexto,  de  intermédio,  primeiramente,  há  que  se  ter,  por  parâmetro, as próprias regras legais das contribuições em tela. Assim, o art.  3º, II, da Lei nº 10.833/2003 dispõe que a pessoa jurídica poderá descontar  os  créditos  calculados  em  relação  a  "bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo na prestação de  serviços  e na produção ou  fabricação de bens ou  produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes".   6.  Portanto,  o  conceito  legal  de  insumo,  para  efeito  de  crédito  de  PIS/COFINS, abrange os dispêndios indispensáveis à produção de bens ou  à prestação de serviços geradores de renda. Noutros termos, todos os itens  diretamente  relacionados  com  a  produção  do  contribuinte  e  que  afetem  o  montante  das  receitas  tributáveis  pelas  contribuições  constituem  crédito  utilizáveis na apuração destas.   7.  Por  seu  turno,  Marco  Aurélio  Greco  preconiza  o  critério  da  essencialidade  ou  relevância  para  análise  do  conceito  de  insumo,  a  ser  entendido  sob  uma  perspectiva  dinâmica.  Devem,  assim,  ser  rechaçados  como tal os gastos realizados por mera conveniência do contribuinte.   8. Na hipótese dos autos, a apelante é empresa que se dedica às atividades  de industrialização e comercialização de farinha de trigo, massas, biscoitos,  margarinas  e  cremes  vegetais.  A  ser  assim,  não  é  de  entender­se  o  frete  entre estabelecimentos, para distribuição dos produtos acabados às  filiais,  como inerente ou essencial à atividade econômica ou ao processo produtivo  desenvolvido  pelo  contribuinte.  Tal  custo  é  posterior  ao  processo  de  fabricação dos bens destinados à  venda, não consistindo, pois,  em insumo  direto.   9.  Assim,  seja  como  for,  quer  se  entendendo  insumo  como  o  gasto  relacionado diretamente ao processo produtivo, quer como aquele essencial  a este, o frete intercompany não pode ser compreendido como tanto. É que  ele  corresponde  a  dispêndio  elegível  a  título  de  mera  conveniência  da  pessoa  jurídica  (não  alcançando  "perante  o  fator  de  produção  o  nível  de  Fl. 3608DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          25 uma  utilidade  ou  necessidade"),  visando  à  melhor  distribuição  dos  bens  fabricados ao adquirente final.   Apelação a que se nega provimento.  (Tribunal Regional Federal da 5a Região. Primeira Turma. Apelação Cível nº  544709.  Relator  Des.  Federal  José  Maria  Lucena.  Data  do  acórdão:  15/05/2014. Publicado em: 22/05/2014)    TRIBUTÁRIO.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  PIS.  COFINS.  FRETE  DE  MERCADORIAS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  EMPRESA  CONTRIBUINTE.  DEDUTIBILIDADE.  AUSÊNCIA  DE  PREVISÃO  LEGAL.   1 ­ O art. 3º das Leis 10.833/03 e 10.627/02 prevêm as hipóteses em que é  possível  o contribuinte deduzir os valores de PIS e COFINS recolhidos na  sistemática  da  não­cumulatividade.  A  utilização  do  crédito  presumido,  em  relação ao frete, está relacionada ao transporte da mercadoria destinada à  operação de venda, o que exclui o frete realizado entre os estabelecimentos  de uma mesma empresa. Interpretação restritiva determinada pelo art. 111  do CTN.   2  ­  O  Superior  Tribunal  de  Justiça  pronunciou­se  no  sentido  de  que  o  conceito de  insumo não abrange as operações de  transferência  interna de  mercadorias  entre  os  estabelecimentos  de  uma  mesma  pessoa  jurídica  (AGRESP 1335014).   3 ­ Recurso conhecido e improvido. Sentença confirmada.  (Tribunal  Regional  Federal  da  2a  Região.  Terceira  Turma  Especializada.  Apelação Cível  nº  526.709. Relator Des.  Federal Geraldine  Pinto Vital  de  Castro. Data do acórdão: 29/04/2014. Publicado em 14/05/2014)     TRIBUTÁRIO.  CONSTITUCIONAL.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  PIS.  COFINS.  ARTIGO  3º,  INCISO  IX.  ARTIGO  15,  INCISO  II.  LEI  Nº  10.833/03. FRETE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.   1 ­ No caso em exame, a recorrente objetiva assegurar o alegado direito ao  creditamento,  a  título  de PIS/COFINS,  de  valores  despendidos  com  fretes  contratados  pela  impetrante  desde  2002  até  a  data  da  propositura  da  presente ação, para o transporte de insumos e produtos acabados entre seus  estabelecimentos e pontos de distribuição.   2  ­  A  questão  em  discussão  nestes  autos  diz  respeito  ao  regime  da  não  cumulatividade da contribuição ao PIS/COFINS, previsto nos §§ 12 e 13, do  artigo  195  da  Constituição  Federal,  introduzidos  pela  Emenda  Constitucional nº 42, de 19.12.2003, e instituído pela Medida Provisória nº  66/2002  (DOU  30.08.2002),  convertida  na  Lei  nº  10.637/2002  (DOU  31.12.2002)  no  que  diz  respeito  ao  PIS,  e  pela  Medida  Provisória  nº  135/2003  (DOU  31.10.2003),  convertida  na  Lei  nº  10.833/2003  (DOU  31.12.2003) referente à COFINS.   3 ­ Outrossim, a Lei nº 10.637/02 também dispôs em seu artigo 3º (caput e  incisos)  sobre  os  créditos  passíveis  de  descontos  a  título  de  PIS  do  valor  apurado  na  forma  do  artigo  2º  da  referida  lei.  E,  no  que  tange  a  "frete",  estabeleceu o inciso II, do art. 15 da Lei nº 10.833/03 (COFINS) a respeito  da aplicabilidade, também à contribuição ao PIS, do previsto no inciso IX,  do artigo 3º dessa mesma lei, nos termos mencionados, valendo ressaltar a  Fl. 3609DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          26 interpretação  restrita  dada  pela  lei  no  sentido  de  se  tratar  de  "frete  na  operação  de  venda,  nos  casos  dos  incisos  I  e  II,  quando  o  ônus  for  suportado pelo vendedor" (grifos meus).   4  ­  Nesse  passo,  considerando  que  as  regras  da  não­cumulatividade  das  contribuições  sociais  em  comento  estão  afetas  à  definição  infraconstitucional,  ao  amparo  da  Lei  Maior,  os  aludidos  diplomas  normativos  restringiram  a  hipótese  de  creditamento,  não  abrangendo  a  hipótese  pretendida  nestes  autos,  como  equivocadamente  entende  a  impetrante, ora recorrente.   5  ­ Observa­se  que  a  pretensão  formulada  neste mandamus  não  encontra  guarida  legal  para  prosperar,  porquanto  a  impetrante  objetiva  o  creditamento  a  título  de  PIS/COFINS  de  valores  despendidos  com  "fretes  contratados  pela  impetrante,  desde  2002  até  a  data  da  propositura  da  presente ação, para o transporte de insumos e produtos acabados entre seus  estabelecimentos  e  pontos  de  distribuição",  hipótese  essa  não  amparada  pela  lei  de  regência,  que  restringe  o  creditamento  ao  frete  à  operação de  venda da mercadoria, nos termos assinalados no inciso IX, do art. 3º da Lei  nº 10.833/03.   6 ­ Vale mencionar que a lei pode estabelecer exclusões ou vedar deduções  de  créditos  para  fins  de  apuração  da  base  de  cálculo  das  exações  em  comento, ao amparo constitucional, havendo direito de creditamento apenas  nas hipóteses taxativamente previstas em lei, sob pena de violação ao artigo  111 do Código Tributário Nacional.   7  ­  Na  verdade,  verifica­se  que  a  recorrente  insurge­se  quanto  à  base  de  cálculo  das  contribuições  ao  PIS/COFINS,  objetivando  a  redução  da  incidência da exação, ao que cumpre salientar que não cabe ao Judiciário  atuar como legislador positivo, haja vista que a redução da base de cálculo  somente  ocorre  mediante  expressa  previsão  legal,  a  cargo  do  Poder  Legislativo. Ademais, cumpre salientar, ainda que se tratasse de hipótese de  creditamento, não restou comprovada, nestes autos, a totalidade dos valores  efetivamente despendidos com a "contratação de fretes" pela impetrante, no  período reclamado, objeto de pedido de compensação nestes autos. Assim,  não restando demonstrado o alegado direito líquido e certo, apto a amparar  a  pretensão  veiculada  na  presente  ação  mandamental,  não  merece  prosperar o apelo da impetrante.   8 ­ Apelação não provida.  (Tribunal Regional Federal da 3a Região. Terceira Turma. Apelação Cível nº  325.368.  Relator  Des.  Federal  Nery  Junior.  Data  do  acórdão:  19/12/2013.  Publicado em: 10/01/2014)     TRIBUTÁRIO ­ AÇÃO ORDINÁRIA ­ PIS E COFINS ­ LEIS Nº 10.637/2002  E 10.833/2003 ­ REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE ­ DESPESAS DE  FRETE  ­  TRANSFERÊNCIA  INTERNA  DE  MERCADORIAS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  MESMA  EMPRESA  ­  CREDITAMENTO  ­  IMPOSSIBILIDADE.   1. É da essência do sistema de produção de bens e serviços que toda pessoa  jurídica,  a  fim  de  que  possa  desenvolver  as  suas  atividades,  tenha  de  adquirir insumos, matérias­primas ou serviços de outras pessoas jurídicas.   2.  Assim,  é  natural  que  uma  parcela  das  suas  receitas,  dos  recursos  advindos do desempenho das suas atividades empresariais seja destinada ao  Fl. 3610DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          27 pagamento  dos  seus  custos,  das  suas  despesas  operacionais,  ou  seja,  à  remuneração  dos  seus  fornecedores  e  prestadores  de  serviço.  Os  pagamentos  feitos  aos  seus  fornecedores  e  prestadores  de  serviço  representarão faturamento destes e sujeitar­se­ão, por sua vez, à incidência  do  PIS  e  da  COFINS.  O  que  é  dispêndio,  desembolso  para  uma  pessoa  jurídica representa ingresso de valores, receita operacional para outra. Isso  é uma consequência natural do fato de o legislador constituinte ter eleito o  faturamento  e,  posteriormente,  todas  as  receitas  como  hipótese  de  incidência  para  contribuição  destinada  ao  financiamento  da  seguridade  social. Quando houver  várias  fases  ou  etapas  de  circulação  econômica,  a  incidência sobre o faturamento será necessariamente cumulativa.   3. As únicas  deduções  ou  exclusões  possíveis  seriam aquelas  previstas  em  lei,  que  teriam  a  natureza  de  isenção,  de  favor  fiscal,  determinado  discricionariamente pelo legislador, segundo juízo político de conveniência  e oportunidade em consonância com o interesse público; ou aquelas que já  se encontram fora da base de cálculo das contribuições questionadas, isto é,  que não correspondem às receitas de venda de bens e serviços ou às receitas  das atividades empresariais, representando situação de não­incidência.   4. O artigo 195, § 9º da CF/88, acrescido pela EC nº 20/98 e alterado pela  EC  nº  47/2005  prevê  a  possibilidade  de  as  contribuições  sociais  terem  alíquotas  ou  bases  de  cálculo  diferenciadas,  em  razão  da  atividade  econômica, da utilização intensiva de mão­de­obra, do porte da empresa ou  da  condição  estrutural  do  mercado  de  trabalho,  conforme  opção  a  ser  exercida pelo legislador ordinário.   5. Por  sua vez,  o § 12, do artigo 195 da CF/88, acrescentado pela EC nº  42/2003,  determina  que  a  lei  definirá  os  setores  de  atividade  econômica  para os quais a contribuição social sobre as receitas será não­cumulativa.   6. A Lei nº 10.637/02, no inciso II do artigo 3º, prevê que do valor apurado  do  PIS  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos  relativos  a  bens  e  serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na fabricação  de bens ou produtos destinados à venda.   7.  Já  a  Lei  nº  10.833/03,  no  inciso  IX  do  artigo  3º,  dispõe  que  do  valor  apurado de COFINS a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados  em  relação  à  armazenagem  de mercadoria  e  frete  na  operação  de  venda,  quando o ônus for suportado pelo vendedor.   8.  Como  as  exclusões  e  isenções  tributárias  devem  ter  interpretação  restritiva, conforme o artigo 111, incisos I e II, do CTN, a previsão legal de  desconto de créditos relativos a fretes nas operações de vendas não abarca  as  despesas  incorridas  no  transporte  interno  de  mercadorias  entre  os  estabelecimentos  do  contribuinte,  porque  não  são  despesas  diretamente  relacionadas  em  operações  de  venda.  A  transferência  interna  entre  estabelecimentos  da  mesma  empresa  não  caracteriza  uma  operação  de  venda,  e,  por  isso,  as  despesas  de  frete  desse  transporte  não  estão  relacionadas direta e imediatamente com a venda de mercadorias.   9. Precedentes deste TRF e do STJ.   10. Apelação da autora desprovida.  (Tribunal  Regional  Federal  da  2a  Região.  Terceira  Turma  Especializada.  Apelação  Cível  nº  545.908.  Relator  Des.  Federal  Luiz  Mattos.  Data  do  acórdão: 23/07/2013. Publicado em: 05/08/2013)   (grifos nossos)  Fl. 3611DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          28 Finalmente,  o  precedente  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  que  alicerçou  a  fundamentação de alguns dos julgados acima referenciados  TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. PIS E COFINS. LEIS 10.637/2002  E  10.833/2003.  REGIME  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  DESPESAS  DE  FRETE.  TRANSFERÊNCIA  INTERNA  DE  MERCADORIAS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  MESMA  EMPRESA.  CREDITAMENTO.  IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO LITERAL.   1.  Consoante  decidiu  esta  Turma,  "as  despesas  de  frete  somente  geram  crédito quando relacionadas à operação de venda e, ainda assim, desde que  sejam suportadas pelo contribuinte vendedor". Precedente.   2.  O  frete  devido  em  razão  das  operações  de  transportes  de  produtos  acabados  entre  estabelecimento  da mesma  empresa,  por  não  caracterizar  uma operação de venda, não gera direito ao creditamento.   3. A  norma que  concede benefício  fiscal  somente pode  ser  prevista  em  lei  específica, devendo ser interpretada literalmente, nos termos do art. 111 do  CTN,  não  se  admitindo  sua  concessão  por  interpretação  extensiva,  tampouco analógica. Precedentes.   4. Agravo regimental não provido  (STJ.  Segunda  Turma.  Agravo  Regimental  no  Recurso  Especial  nº  1.335.014.  Relator  Min.  Castro  Meira.  Data  do  acórdão:  18/12/2012.  Publicado em: 08/02/2013)  (Grifos nossos)  Das  glosas  objeto  do  item  3.7  do  TVF:  fretes  pelo  transporte  de  mercadorias não identificadas  Quanto  às  glosas  em  vista  dos  fretes  pelo  transporte  de  mercadorias  não  identificadas, reproduzo, abaixo, trechos do item 3.7 do Termo de Verificação Fiscal:  Como  demonstrado  anteriormente,  a  possibilidade  de  creditamento  nos  casos  em  que  se  entende  a  despesa  com  frete  como  um  serviço  utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem  (inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e inciso II do artigo 3º da Lei nº  10.833/2002), depende da identificação do insumo transportado. Em outras  palavras, apenas os fretes associados a bens tidos como insumos no âmbito  do PIS  e  da COFINS  é  que  dão  direito  a  créditos;  assim,  caso  a  pessoa  jurídica  adquira um bem de  pessoa  física,  o  transporte  deste  bem, mesmo  feito por pessoa jurídica domiciliada no país, não gera direito a crédito; do  mesmo modo, caso o bem transportado não dê direito a crédito, também não  haverá créditos relacionados com as despesas de fretes.   Não  havendo  informação,  na  Escrituração  Fiscal,  das  notas  fiscais  dos bens  considerados  como  insumos associados aos  fretes,  lavrou­se  em  14/09/2011, o Termo de Intimação nº 0617/2011, a fim de que o contribuinte  associasse,  nota  fiscal  por  nota  fiscal,  os  fretes  com  as  mercadorias  transportadas, mediante a elaboração de três arquivos distintos, devendo­se  observar lay­out específico para tanto.   Vencido o prazo inicial em 04/10/2011, o contribuinte solicitou prazo  adicional  de  vinte  dias,  por  nós  deferido.  Em  24/10/2011,  a  empresa  apresentou  apenas  dados  parciais,  e  requereu  mais  algum  tempo  para  Fl. 3612DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          29 terminar a feitura dos arquivos. Numa última oportunidade, estendemos por  mais quinze dias o prazo final.   Na data aprazada, o  sujeito passivo  entregou os arquivos,  os quais,  porém,  não  possuíam  todos  os  vínculos  necessários  à  identificação  das  mercadorias conduzidas em cada serviço de transporte.   [...]  No  caso  em  tela,  essencial  era  a  vinculação  entre  as  despesas  de  frete e os insumos pretensamente adquiridos, o que deveria ser possível por  intermédio  do  arquivo  de  vínculos,  que  possuía  tanto  a  identificação  das  notas fiscais de fretes como a identificação das notas fiscais de compra ou  venda de mercadorias. Entretanto,  nos arquivos entregues  em 08/11/2011,  anexos  ao  processo,  duas  falhas  foram  observadas:  por  um  lado,  notas  fiscais de  transporte  relacionadas no arquivo “Arquivo de CTRC.txt” não  foram encontradas no “Arquivo de Vínculos.txt”; por outro, notas fiscais de  mercadorias  indicadas  no  arquivo  de  vínculos  não  foram  encontradas  no  “Arquivo  de  NF.txt”,  nem  na  Escrituração  Fiscal.  Estas  duas  irregularidades  foram  relacionadas,  respectivamente,  nos  demonstrativos  “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos” e “Notas  Fiscais  de  Mercadorias  não  Encontradas  na  Escrituração  Fiscal”,  em  anexo.   A  título  de  exemplo,  tomemos  uma  das  diversas  notas  fiscais  não  encontradas, de forma a verificar a necessidade de se realizar o elo entre as  notas  fiscais  de  transporte  e  as  notas  fiscais  de  mercadorias:  o  Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas nº 005595, série única,  emitido  pela  Transportadora  Rodomeu  Ltda,  em  anexo.  Trata­se  de  um  documento  relativo  ao  transporte  de  mercadorias  importadas  da  CNH  America LLC, do porto de Santos até a filial de Curitiba, cujo valor total  somava R$ 65.741,50.   Tal  creditamento  é  vedado  pela  RFB,  conforme  dispõem  várias  consultas emitidas pelo órgão, entre as quais a Solução de Consulta nº 84,  da SRRF 07/DISIT, de 20/08/2010, cuja ementa reproduzimos abaixo:  “CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS IMPORTADOS.   O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica­se,  exclusivamente,  em  relação  aos  bens  e  serviços  adquiridos  de  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País  e  aos  custos  e  despesas  incorridos,  pagos  ou  creditados  a  pessoa jurídica domiciliada no País.   O  desconto  de  créditos,  no  caso  de  importações  sujeitas  ao  pagamento  da  Cofins­Importação,  sujeita­se  ao  disposto  nos  arts.  7º  e  15,  §  3º,  da  Lei  nº  10.865,  de  2004,  que  determinam  que  a  base  de  cálculo  desses  créditos  corresponde  ao  valor  aduaneiro  acrescido  do  valor  do  IPI  vinculado  à  importação, quando integrante do custo de aquisição.  Assim,  o  frete  pago  para  transportar  bens  importados,  empregados  como  insumos em processo produtivo, do local do desembaraço até o estabelecimento  fabril do contribuinte não gera direito a crédito da COFINS, por não fazer parte  de sua base de cálculo, nos termos da legislação em vigor.” (grifo nosso)  Deste  modo,  é  forçoso  concluir  que  a  falta  de  vinculação  entre  os  fretes  e  as  mercadorias  transportadas  impede  a  constatação  não  só  da  irregularidade  acima  descrita,  mas  de  quaisquer  outras  que  a  empresa  porventura tenha cometido.  [...]  Fl. 3613DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          30 Cabe registrar que tais créditos foram lançados a débito das contas  144238  ­  PIS  a  recuperar  ­  insumos  e  144239  ­ COFINS  a  recuperar  –  insumos,  e que, no caso do demonstrativo “Notas Fiscais de Mercadorias  não Encontradas  na Escrituração Fiscal”,  todo  o  valor  das  contribuições  creditadas a um determinado CTRC deve ser glosado, visto que a  falta de  determinada  associação  impede  o  cálculo  do  valor  creditado  proporcionalmente.  (os destaquem em negrito não constam do original)  Extrai­se dos trechos destacados acima (em negrito) que a motivação adotada  pela  fiscalização  para  a  glosa  dos  créditos  calculados  sobre  os  fretes  foi,  essencialmente,  a  impossibilidade  de  vinculação  “entre  as  despesas  de  frete  e  os  insumos  pretensamente  adquiridos”, ou seja, entre os CTRC (Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas) e as  notas  fiscais  de  entrada  dos  insumos.  A  ausência  desse  vínculo  impediu  a  autoridade  administrativa de examinar se referidas despesas com fretes poderiam realmente ser admitidas  como “um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem”.  Decerto,  “apenas  os  fretes  associados  a  bens  tidos  como  insumos  no  âmbito  do  PIS  e  da  COFINS  é  que  dão  direito  a  créditos”,  muito  embora  a  autoridade  administrativa  tenha  afirmado, posteriormente, que é vedado o creditamento pelo  frete pago para  transportar bens  importados empregados como insumos do processo produtivo.  Segundo  a  defesa  apresentada  pelo  sujeito  passivo:  “[...]  se  há  créditos  de  insumos, por exemplo, já reconhecidos para o período, é corolário lógico que haja, também,  créditos  referentes  a  seus  correlatos  fretes”.  Ressalta  ainda  a  reclamante  que  “a  maioria  esmagadora de tais  fretes se refere a notas ficais cujos CFOPs são os seguintes: [...] 1.101:  Compra para industrialização ou produção rural [...] 2.101: Compra para industrialização ou  produção rural. [...] 5.101: SAÍDAS OU PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS PARA O ESTADO”.  Ainda segundo a recorrente:  Os  CFOPs  das  notas  fiscais  são  provas  cabais  de  que  os  correspondentes fretes autorizavam o creditamento. Os CFOPs ns. 1.101 e  2.101 se referem, como se pôde verificar, à aquisição de insumos, caso em  que, tendo­se em vista os termos do art. 3º, inciso II, das Leis ns. 10.637/02  e 10.833/03, o crédito é indubitavelmente permitido. É como se posiciona a  própria Receita Federal, aliás. Veja­se um exemplo:  “(...) FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O valor do frete  pago  a  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País  na  aquisição  de  matéria­ prima, material de embalagem e produtos intermediários compõe o custo  destes  insumos  para  fins  de  cálculo  do  crédito  a  ser  descontado  da  Cofins.”  (Solução  de  Consulta  n.  197,  de  16  de  Agosto  de  2011  –  sem  destaques no original)  Já quanto ao CFOP n. 5.101, o creditamento ainda é mais evidente:  segundo  o  inciso  IX  do  citado  art.  3º,  o  “frete  na  operação  de  venda”  autoriza o desconto de créditos das mencionadas contribuições sociais.  É importante reiterar que a Recorrente, logo após a Impugnação, fez  a prova que havia sido reclamada pela DRF e que a DRJ afirmou ter sido  realizada. A Recorrente elaborou, como dito, planilha detalhada, com mais  de  50  mil  linhas,  na  qual  indicou,  uma  a  uma,  nota  fiscal  autuada  e  respectivo CTRC. É por meio dessa planilha, pois, que se poderia ver que a  Fl. 3614DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          31 maior  parte  dos  fretes  autuados  se  referia  a  situações  em  que  o  creditamento estava claramente autorizado.  Sobre  a  planilha  reportada  e  demais  argumentos  suscitados  pelo  sujeito  passivo, asseverou a instância recorrida, verbis:  9.  FRETES.  FALTA  DE  IDENTIFICAÇÃO  DAS  MERCADORIAS  TRANSPORTADAS. ITEM 3.7 DO TVF.  Diante da ausência de  informação, na escrituração  fiscal, das notas  fiscais dos bens considerados insumos associados ao frete, a contribuinte foi  intimada a associar, nota fiscal de compra ou venda por nota fiscal de frete,  os fretes com as mercadorias transportadas, mediante a elaboração de três  arquivos distintos. Após  algumas  prorrogações,  a  recorrente  apresentou  a  documentação  solicitada, que,  contudo, não apresentava  todos os  vínculos  necessários  à  identificação  das  mercadorias  transportadas.  Ponderou  a  autoridade  fiscal  que  a  falta  de  vinculação  entre  fretes  e  mercadorias  transportadas,  além  de  impedir  o  creditamento,  também  impede  a  constatação de apropriações irregulares de crédito feitas pela interessada, a  exemplo  de  frete  pago  para  transporte  de  bens  importados,  empregados  como insumos, do local de desembaraço até o estabelecimento fabril.   Suscita  a  interessada,  quanto  ao  tema,  que  a  glosa  decorreu  da  ausência  de  vinculação  de  boa  parte  dos  fretes  aos  respectivos  insumos  adquiridos,  estornando­se,  então, praticamente  todo o  crédito de  fretes  do  período,  exceto  aqueles  tratados  nos  itens  anteriores,  que  tiveram  análise  própria  e  apartada.  Solicita,  para  que  não  hajam  dúvidas  quanto  ao  seu  direito  a  realização  de  diligência  fiscal  e  perícia  contábil  para  que  tal  vinculação  seja  verificada.  Para  tanto,  compromete­se,  inclusive,  a  trazer  aos autos todas as informações e documentos correspondentes, o que apenas  não faz agora, com esta defesa, e não fez durante o procedimento fiscal, em  razão  do  seu  extensíssimo  volume  –  entre  janeiro  de  2008  e  setembro  de  2010  foram  realizadas  quase  800  mil  operações  de  aquisição  de  mercadorias. De  qualquer  forma,  afirma,  por  ocasião  de  suas  respostas  à  fiscalização,  demonstrou,  para  aproximadamente  20%  das  referidas  operações  (mais  ou  menos  140  mil),  que  quase  90%  dos  fretes  pagos  no  aludido  interregno  se  referiam  à  compra  de  insumos.  Por  fim,  na  eventualidade de não se permitir a juntada desses documentos, a recorrente  propugna  pela  homologação  proporcional  desses  créditos,  sob  pena  de  perpetuação de exigência fiscal claramente desproporcional e ilegítima.  A  contribuinte  juntou  aos  autos  mídia  em  CD,  incluindo  as  informações  que  entendeu  necessárias  para  o  restabelecimento  desses  créditos,  a  qual  foi  convertida  em  documentos  anexados  aos  autos.  Examinando  esses  documentos,  pode­se  observar  que  se  trata  de  planilha  contendo  dados  dos  CTRC  objetos  da  fiscalização  (código  CTRC,  CTRC,  data de emissão, data  fiscal, código,  ID, razão social e CNPJ) e dados da  nota fiscal vinculada (número, série, data de emissão, data fiscal, código e  CNPJ).   Não  obstante,  do  exame  dessa  planilha  não  resta  comprovada  a  vinculação pretendida pela recorrente. Para tanto,  fazia­se necessário que  fossem juntados, além da própria planilha, ao menos cópias dos documentos  fiscais nela mencionados. Isso, entretanto, não se fez.   Fl. 3615DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          32 Em adição, pode­se observar que a aludida planilha apresenta mais  de 50.000  linhas com dados para verificação, enquanto que a  interessada,  ao  trazê­la  aos  autos,  limitou­se  a  requerer  fosse  verificada  a  vinculação  dos fretes autuados no item 3.7 com a compra de insumos.   Ocorre  que  o  ônus  de  prova  do  direito  ao  creditamento  é  da  contribuinte,  como  adiante  se melhor  verá,  a  quem  competia,  no mínimo,  apontar ou indicar as linhas das operações que entende serem passíveis de  dedução e não simplesmente pretender transferir esse ônus, que é seu, para  o fisco.  Ressalte­se que, para  fins de  creditamento,  a  legislação exige que o  crédito seja líquido e certo. Não obstante, também não restou comprovada a  alegação  de  que  para  aproximadamente  20%  das  referidas  operações,  quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de  insumos.   Por conseguinte, cumpre manter as glosas quanto a este item.  (grifos nossos)  No voto que direcionou a diligência à unidade de origem, ressaltamos, com a  devida  vênia,  que  a  DRJ  não  caminhou  bem  ao  apreciar  a  questão.  Na  ocasião,  assim  nos  manifestamos:     A leitura que faço dos argumentos acima reproduzidos, proferidos pela  instância  a  quo,  é  a  de  que  esta  não  examinou  adequadamente  a  documentação  e  os  argumentos  apresentados  pelo  sujeito  passivo.  Isso  porque a planilha “[...] de mais de 50.000 linhas com dados para verificação  [...]”,  onde  a  interessada alega  que  “[...]  para  aproximadamente  20% das  referidas  operações,  quase  90%  dos  fretes  pagos  no  aludido  interregno  se  referiam  à  compra  de  insumos  [...]”,  não  foi  efetivamente  apreciada  pela  instância recorrida, como se vê dos trechos grifados no excerto reproduzido  acima.    Como  a  própria  DRJ  afirma,  o  documento  acostado  aos  autos  pela  reclamante  “trata  de  planilha  contendo  dados  dos  CTRC  objetos  da  fiscalização (código CTRC, CTRC, data de emissão, data fiscal, código, ID,  razão social e CNPJ) e dados da nota fiscal vinculada (número, série, data  de emissão, data fiscal, código e CNPJ)”. Tais informações, entendo, podem  sim  subsidiar  o  necessário  exame  para  verificar  se  existe  ou  não  vínculo  entre os fretes e as mercadorias transportadas.     No mais, não me parece razoável exigir a apensação aos autos de cópia  de mais de 800 mil documentos e, dada a não anexação deles, concluir que  o sujeito passivo negligenciou com o ônus probatório.  Foi  com  essa  motivação  que  propusemos  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  "para  que  a  unidade  de  origem,  diante  dos  registros  apresentados  pelo  sujeito  passivo e os correspondentes documentos neles referenciados, apure os créditos do PIS e da  COFINS nos  casos  em  que  os mesmos,  realmente,  correspondem a  fretes  pela  aquisição  de  insumos, conforme metodologia que entender mais adequada para tanto".  Em resposta à diligência  supra a unidade de origem apresentou o Relatório  Fiscal de fls. 3564/3569, de onde destacamos o seguinte trecho:  Fl. 3616DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          33   [...]    Vários  dos  CTRCs  informados  na  planilha  anexa  à  Manifestação  de  Inconformidade, cerca de 1/3, já haviam sido aceitos pela fiscalização, pois  não constam dos demonstrativos “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à  Tabela de Vínculos” e “Notas Fiscais de Mercadorias não Encontradas na  Escrituração Fiscal” e, portanto, seus créditos de PIS e COFINS não foram  objeto  de  glosa.  Tais  documentos  estão  relacionados  na  planilha  anexa  denominada “CTRCs e Notas Fiscais Não Relacionados a Glosas Efetuadas  na Ação Fiscal”.     Dos CTRCs remanescentes da defesa do sujeito passivo, dois deles se  referem a documentos cujas notas fiscais a eles associadas originariamente  não  tinham  sido  escrituradas  (“Notas  Fiscais  de  Mercadorias  não  Encontradas na Escrituração Fiscal” do item 3.7 do TVF). Informadas novas  notas de entrada após o desfecho da ação fiscal, solicitamos ao contribuinte,  via  Termo  de  Intimação  nº  001­201500011,  item  1,  cientificado  pessoalmente  em  04/02/2015,  que  nos  exibisse  tanto  estes  dois  Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas como as quatro Notas  Fiscais  a  eles  vinculadas,  determinação  esta  cumprida  parcialmente  em  24/02/2015 e 16/03/2015: foi apresentado o CTRC nº 4510 e as notas fiscais  nos 1720 e 1721, mas não o CTRC nº 514599 e as notas fiscais nos 55999 e  56000.     Também  por  meio  deste  Termo  de  Intimação  visamos  comprovar  a  veracidade dos demais vínculos  informados cujos créditos  foram objeto de  glosa (que corresponderiam parcialmente ao demonstrativo “Notas Fiscais  de  Fretes  não  Associadas  à  Tabela  de  Vínculos”  do  item  3.7  do  TVF),  solicitando  assim,  por  amostragem,  algumas  Notas  Fiscais  e  CTRCs,  por  meio  do  item  2  da  mencionada  intimação.  Apesar  de  alguns  CTRCs  (nos  68797  e  886)  e  uma  Nota  Fiscal  (nº  37183)  não  terem  sido  entregues,  segundo  o  contribuinte,  em  virtude  do  “grande  volume  de  documentos  arquivados”,  pôde­se  concluir,  em  consonância  com  este,  que  a  documentação  apresentada  referenda  a  planilha  por  ele  elaborada  e  anexada  à  Manifestação  de  Inconformidade,  com  exceção  destes  documentos não exibidos.      Apesar  de  considerarmos  comprovados  os  vínculos  informados  na  defesa  do  sujeito  passivo,  algumas  das  notas  fiscais  relacionadas,  salvo  melhor juízo, não permitem a apropriação dos créditos relacionados a seus  fretes.  Tal  ocorre  porque  se  referem  a  aquisições  de  bens  para  uso  ou  consumo  ou  destinados  ao  imobilizado,  nos  CFOPs  – Códigos  Fiscais  de  Operação – nos 1551, 2551 e 2556.     Neste  sentido, aliás,  foi a decisão em 1ª  instância em relação ao  item  3.5 do mencionado TVF, como demonstra a ementa a seguir:   “REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS.  DESPESAS  COM  TRANSPORTES.   As despesas efetuadas com fretes para transferência da matéria­prima ou do  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  mesma  pessoa  jurídica,  com  fretes de bens ou mercadorias não identificadas e com fretes de mercadorias  destinadas ao ativo imobilizado, não utilizadas diretamente na produção, ou  ao uso e consumo da pessoa jurídica, não geram direito ao creditamento.”   Fl. 3617DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          34   Na planilha anexa “Fretes de Bens Destinados a Imobilizado ou a Uso  e  Consumo”  detalhamos  todos  estes  registros  e,  abaixo,  temos  o  resumo  mensal destes créditos, cuja glosa, s.m.j, deverá ser mantida:  Mês  PIS  COFINS  fev/2008  0,92  4,24  jun/2008  3,94  18,13  ago/2008  1,30  6,00  set/2008  3,99  18,40  dez/2008  7,40  34,10  fev/2009  1,13  5,21  mar/2009  2,44  11,19  abr/2009  17,02  78,36  mai/2009  2,02  9,28  jun/2009  10,49  48,30  jul/2009  2,06  9,53  ago/2009  3,67  16,90  set/2009  12,88  59,36  out/2009  9,12  41,98  dez/2009  16,59  76,37  jan/2010  0,48  2,21  fev/2010  17,17  79,05  mar/2010  1,42  6,54  abr/2010  14,41  66,34  mai/2010  5,17  23,77  jun/2010  7,81  35,98  jul/2010  14,48  66,68  ago/2010  36,33  167,37  set/2010  8,98  41,42    Por  outro  lado,  reunimos  todas  as  glosas  que  o  contribuinte  logrou  comprovar  indevidas na planilha “Glosas Revertidas”, a  seguir  totalizadas  mensalmente:  Mês  PIS  COFINS  jan/2008  286,53  1.319,78  fev/2008  381,23  1.755,95  mar/2008  3,92  18,06  abr/2008  605,72  2.790,07  mai/2008  804,26  3.704,48  jun/2008  148,17  682,45  jul/2008  2.010,67  9.261,50  ago/2008  3.674,28  16.924,00  Fl. 3618DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          35 set/2008  1.445,04  6.656,14  out/2008  4.608,03  21.224,31  nov/2008  374,20  1.723,23  dez/2008  7.588,03  34.950,81  jan/2009  668,90  3.081,03  fev/2009  7.495,94  34.525,92  mar/2009  1.386,62  6.387,71  abr/2009  2.007,42  9.245,72  mai/2009  738,41  3.401,16  jun/2009  6.265,02  28.855,01  jul/2009  3.300,66  15.202,28  ago/2009  840,01  3.869,59  set/2009  719,75  3.315,29  out/2009  965,56  4.447,56  nov/2009  1.303,04  6.001,82  dez/2009  2.257,21  10.397,23  jan/2010  1.974,52  9.094,68  fev/2010  2.248,05  10.354,84  mar/2010  490,59  2.259,87  abr/2010  3.197,74  14.728,89  mai/2010  1.315,44  6.059,04  jun/2010  791,94  3.648,05  jul/2010  1.508,77  6.949,40  ago/2010  2.920,90  13.452,87  set/2010  2.954,21  13.607,00    Cumpre lembrar que a planilha “Glosas Revertidas” obedece ao que foi  evidenciado originalmente pela fiscalização no demonstrativo “Notas Fiscais  de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos”, ou seja, contém apenas a  identificação  do  CTRC  e  o  valor  do  PIS  e  da  COFINS  glosados.  Esta  planilha  também inclui o Conhecimento de Transporte Rodoviário nº 4510,  do  demonstrativo  “Notas  Fiscais  de  Mercadorias  não  Encontradas  na  Escrituração Fiscal”, cuja admissibilidade de créditos ficou evidenciada pela  apresentação do documento e das notas fiscais a ele relacionadas.     É importante notar que as planilhas citadas neste relatório incluem o 1º  trimestre  de  2010,  período  para  o  qual  o  contribuinte,  à  época  da  fiscalização,  não  havia  ainda  apresentado  Pedidos  de  Ressarcimento,  portanto, sem que houvesse possibilidade de ocorrerem glosas efetuadas pela  fiscalização.  Porém,  como  nas  planilhas  mencionadas  no  Termo  de  Verificação Fiscal,  assim como  no  demonstrativo  anexo  à Manifestação  de  Inconformidade  há  referências  a  documentos  deste  período,  optamos  por  relacioná­los  também  neste  trabalho,  apesar  desta  informação  não  gerar  qualquer efeito sobre os direitos pleiteados pelo contribuinte.   *****  Fl. 3619DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          36   Em face do acima exposto, e à luz das informações trazidas pelo sujeito  passivo  durante  a  fiscalização  e  por  ocasião  da  sua  Manifestação  de  Inconformidade, concluímos a diligência solicitada pela 2ª Turma Especial,  da  Terceira  Seção  de  Julgamento  do Conselho Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  no  sentido  de  considerar  como  créditos  de  PIS/COFINS  correspondentes a  fretes pela aquisição de  insumos os apurados na escrita  do sujeito passivo, diminuídos das glosas do TVF, acrescidos, no entanto, dos  valores discriminados na última tabela deste Relatório Fiscal.     [...]  Intimada  do  teor  do  relatório  fiscal  acima  reportado,  o  qual  é  padrão  para  todos  os  processos  da  interessada  que  ora  apresentamos  para  julgamento,  a  recorrente,  mediante expediente de fls. 3574/3576, ressalta que as glosas revertidas, em comparação com  as  glosas  originais,  totaliza  valor  inexpressivo,  e  que,  dado  o  grande  volume  de  dados  a  analisar, tem necessidade que seja estendido em mais 30 dias o prazo para sua manifestação.  Até  a  presente  data,  contudo,  o  sujeito  passivo  não  apresentou  nenhum  argumento  adicional  frente  ao  resultado  da  diligência  fiscal  conduzida  pelo  Auditor  Fiscal  responsável pela diligência, e pela própria ação fiscal.  Portanto,  considerando  o  criterioso  trabalho  conduzido  pela  autoridade  administrativa,  retratado  por  último  na  fundamentação  objeto  do  relatório  fiscal  acima  transcrito  parcialmente,  e  ainda,  diante  da  não  apresentação,  pela  recorrente,  de  razões  objetivas  capazes  de  abalar  minimamente  o  resultado  do  trabalho  da  autoridade  em  tela,  entendo  que  deverão  ser  mantidas  as  glosas  inerentes  a  fretes  pelo  transporte  de  mercadorias não admitidas pelo regime da não­cumulatividade, ajustadas nos termos do  aduzido relatório fiscal.   Consequentemente,  há  que  se  dar  provimento  em  parte  aos  argumentos  apresentados  pela  reclamante,  mas  apenas  no  que  concerne  aos  ajustes  perpetrados  pela  autoridade fiscal, acima referenciados.  Da reclassificação de créditos – item 4.2 do TVF  O  sujeito  passivo  também  se  insurge  contra  a  reclassificação  de  créditos  objeto  do  item  4.2  do  Termo  de Verificação  Fiscal.  Segundo  a  fiscalização,  em  virtude  do  artigo  16  da  Lei  nº  11.116/20058,  os  créditos  de  importação  elencados  no  art.  15  da  Lei  nº                                                              8      Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos  10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de  abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano­calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº  11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de:          I  ­  compensação  com  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou          II ­ pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.          Parágrafo  único.  Relativamente  ao  saldo  credor  acumulado  a  partir  de  9  de  agosto  de  2004  até  o  último  trimestre­calendário anterior ao de publicação desta Lei,  a compensação ou pedido de  ressarcimento poderá  ser  efetuado a partir da promulgação desta Lei.    Lei nº  11.033,  de 21/12/2004, Art.  17. As vendas  efetuadas  com suspensão,  isenção,  alíquota 0  (zero) ou  não  incidência  da Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da COFINS  não  impedem  a manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos vinculados a essas operações.    Fl. 3620DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          37 10.865/2004 – além do saldo credor apurado na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e  10.833/2003  –  são  passíveis  de  ressarcimento  ou  compensação.  Contudo,  em  relação  aos  créditos enquadrados no artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004 – que remete às importações  de produtos objeto do § 3º do artigo 8º da mesma Lei nº 10.865/20049 (dentre outros) – estes,  “por  falta  de  previsão  legal”,  não  seriam  passíveis  de  ressarcimento  ou  de  compensação,  apesar da possibilidade de desconto em relação aos débitos.  Ressalta  a  autoridade  administrativa  que  a  recorrente  importou  diversas  máquinas  e  veículos  para  revenda  enquadradas  nos  códigos  tarifários  elencados  no  §  3º  do  artigo 8º da mesma Lei nº 10.865/2004, “cujos créditos de PIS e COFINS foram submetidos,  indevidamente, ao rateio proporcional entre o mercado externo e o faturamento total”.  Vejamos  a  questão  analisando  cronologicamente  os  preceitos  inerentes  ao  regime da não­cumulatividade do PIS e da COFINS que tem relevância para a presente análise.  Como  já  ressaltado  linhas  cima,  o  artigo  3o  das  Leis  nos  10.637/2002  e  10.833/2003 autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos  da pessoa  jurídica. No âmbito dos preceitos  legais em tela, esse direito de crédito alcança os  “bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País” ou os “custos e despesas  incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País” (§ 3º do artigo 3o das  Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 – grifos nossos). Estabelece ainda o § 7º do mesmo artigo  3º das normas em evidência que, na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar­se à incidência não­ cumulativa  do  PIS  e  da COFINS  em  relação  apenas  a  parte  de  suas  receitas,  o  crédito  será  apurado,  exclusivamente,  em  relação  aos  custos,  despesas  e  encargos  vinculados  a  essas  receitas.   Ainda no que concerne às  leis que criaram o regime da não­cumulatividade  das contribuições em tela, o artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e o artigo 6º da Lei nº 10.833/2003  dispõem,  respectivamente,  que  o  PIS/PASEP  e  a  COFINS  não  incidem  sobre  as  receitas  decorrentes  de:  a)  exportações  de  mercadorias;  b)  prestação  de  serviços  no  exterior  cujo  pagamento represente ingresso de divisas e; c) vendas a empresa comercial exportadora como  fim específico de exportação. Em tais hipóteses – “unicamente” –, o crédito apurado na forma  do  artigo  3º  das  leis  em  comento  poderá  ser  utilizado  para  a  dedução  da  correspondente  contribuição  a  recolher  ou  para  compensação  com  outros  tributos  administrados  pela  Receita Federal. Ainda restrito a esse horizonte, acaso aludido crédito não possa ser utilizado  por nenhuma dessas formas até o final de cada trimestre do ano civil, poderá o sujeito passivo  solicitar seu ressarcimento em espécie (vide §§ 1º e 2º do artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e §§  1º e 2º do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003.  Posteriormente,  foi  editada  a  Lei  nº  10.865,  de  30/04/2004,  que  instituiu  o  PIS  e  a  COFINS  incidentes  sobre  as  importações  de  bens  e  de  serviços.  A  norma  em  tela  também  dispôs  sobre  o  creditamento  das  referidas  contribuições  incidentes  sobre  as                                                              9  Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta  Lei, das alíquotas de:     [omitido]     § 3º Na importação de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20,  8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul  ­ NCM, as alíquotas são de:          I ­ 2% (dois por cento), para o PIS/PASEP­Importação; e          II ­ 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), para a COFINS­Importação.  Fl. 3621DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          38 importações,  conforme  o  correspondente  artigo  15,  cujos  trechos  relevantes  seguem  abaixo  transcritos:  Art.  15.  As  pessoas  jurídicas  sujeitas  à  apuração  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637,  de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação  dessas  contribuições,  em  relação  às  importações  sujeitas  ao  pagamento  das  contribuições  de  que  trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses:   I ­ bens adquiridos para revenda;  II  ­  bens  e  serviços utilizados  como  insumo na prestação de  serviços e na  produção ou  fabricação de bens ou produtos destinados à venda,  inclusive  combustível e lubrificantes;  III ­ energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica;   IV  ­  aluguéis  e  contraprestações  de  arrendamento  mercantil  de  prédios,  máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade  da empresa;  V  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  para  locação  a  terceiros  ou  para  utilização  na  produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.(Redação  dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplica­ se em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e  serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei.   § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê­lo nos meses  subseqüentes.  [...]  § 5º Para os efeitos deste artigo, aplicam­se, no que couber, as disposições  dos §§ 7o e 9o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e  10.833, de 29 de dezembro de 2003.  [...]  § 8º As pessoas jurídicas importadoras, nas hipóteses de importação de que  tratam os incisos a seguir, devem observar as disposições do art. 17 desta  Lei:  I – produtos dos §§ 1º a 3º e 5º a 7º do art. 8º desta Lei, quando destinados à  revenda;  [...]  Por seu turno, o artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004 estabelece que   Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1º  a 3º, 5º a 10, 17 e 19 do art. 8º desta Lei e no art. 58­A da Lei no 10.833, de  29  de  dezembro  de  2003,  poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação à  importação desses produtos, nas hipóteses:  I  ­  dos  §§  1º  a  3º,  5º  a  7º  e  10  do  art.  8º  desta Lei,  quando destinados  à  revenda; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)  [...]  Fl. 3622DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          39 (grifo nosso)  Importa destacar que os produtos de que  trata o § 3º do artigo 8º da Lei nº  10.865/2004  são  “máquinas  e  veículos,  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  8432.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01,  87.02,  87.03,  87.04,  87.05  e  87.06,  da  Nomenclatura  Comum  do  Mercosul  –  NCM”.  Não  há  controvérsia  quanto  à  subsunção  das  mercadorias  importadas  pelo  sujeito  passivo  nesse  dispositivo,  já  que  ele  próprio  afirma  isso  quando  denomina  a  planilha  “Importação  para  Revenda  de Máquinas  e  Veículos – Lei 10.865/2004, art. 8º, § 3º ” (grifou­se) – vide item 4.2 do TVF.  Historicamente, vê­se que, até aqui, o regime da não­cumulatividade do PIS e  da COFINS autorizava unicamente o desconto dos créditos calculados em conformidade com o  regime,  prevendo,  contudo,  a  compensação  ou  o  ressarcimento  em  espécie  (se  inexistir  a  possibilidade  de  dedução  da  contribuição  a  recolher  ou  compensação  com  outros  tributos  administrados  pela  RFB)  exclusivamente  no  caso  de  as  receitas  serem  decorrentes  da  exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior.   Sobreveio  então  a  Lei  nº  11.033,  de  21/12/2004,  cujo  artigo  17  permitia  a  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos  decorrentes  das  “vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota  0  (zero)  ou  não  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS”.   Pouco tempo depois foi publicada a Lei nº 11.116, de 18/05/2005, cujo artigo  16 estabelece os seguinte:  Art.  16.  O  saldo  credor  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002,  e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de  abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano­calendário em  virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004,  poderá ser objeto de:  I  ­  compensação com débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  observada a legislação específica aplicável à matéria; ou   II ­ pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica  aplicável à matéria.   Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de  agosto de 2004 até o último trimestre­calendário anterior ao de publicação  desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a  partir da promulgação desta Lei.  Vê­se,  pois,  que  a  possibilidade  de  compensação  ou  de  ressarcimento  em  espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente  da  exportação de mercadorias ou de  serviços para o  exterior  (sobre  as quais não  incidem as  contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das  Leis nos  10.637/2002 e  10.833/2003, bem como os  créditos decorrentes da  incidência das  contribuições em tela sobre as importações – no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime  da não­cumulatividade – nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004.  Ora, dentre essas hipóteses consta o creditamento em função da aquisição de  bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004), razão pela qual entendemos  Fl. 3623DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          40 que a possibilidade de utilização dos créditos para  fins de compensação ou de  ressarcimento  ampara  as  compras,  pelo  sujeito passivo, das máquinas  e dos veículos destinadas  à  revenda.  Quando  o  §  8º  do  artigo  15  diz  que  “as  pessoas  jurídicas  importadoras,  nas  hipóteses  de  importação de que tratam os incisos a seguir, devem observar as disposições do art. 17 desta  Lei”  em  relação,  dentre  outros,  aos  produtos  do  §  3º  do  artigo  8º  (“máquinas  e  veículos,  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  8432.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01,  87.02,  87.03,  87.04,  87.05  e  87.06,  da Nomenclatura Comum do Mercosul  –  NCM”), penso que tal assertiva é restrita à forma de apuração do direito creditório.   Com efeito, estabelece o § 3º do artigo 15 da lei nº 10.865/2004 que   O  crédito  de  que  trata  o  caput  deste  artigo  será  apurado  mediante  a  aplicação das alíquotas previstas no caput do art. 2o das Leis nos 10.637, de  30  de  dezembro  de  2002,  e  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003,  sobre  o  valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na  forma do art. 7º  desta  Lei,  acrescido  do  valor  do  IPI  vinculado  à  importação,  quando  integrante do custo de aquisição.  Portanto, a regra geral de apuração do crédito é a aplicação das alíquotas de  1,65% para o PIS e de  7,6% para a COFINS  (artigo 2º das Lei 10.637/2002 e 10.833/2003,  respectivamente).  Contudo,  na  realidade  presente,  inerente  à  importação  das  máquinas  e  veículos cujos códigos estão elencados no § 3º do artigo 8º da Lei nº 10.865/2004, ao qual faz  referência  o  inciso  I  do  artigo  17  da  mesma  lei,  os  créditos  serão  apurados  “mediante  a  aplicação das alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a  receita  decorrente  da  venda,  no  mercado  interno,  dos  respectivos  produtos,  na  forma  da  legislação específica, sobre o valor de que trata o § 3º do art. 15 desta Lei”, ou seja, “sobre o  valor  que  serviu  de  base  de  cálculo  das  contribuições,  na  forma  do  art.  7º  desta  Lei  [10.865/2004], acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo  de aquisição”.  De  fato,  o  artigo  17  da  Lei  nº  10.865/2004  trata  especificamente  da  possibilidade  de  desconto  de  créditos  nas  hipóteses  que  elenca,  e  nada  diz  a  respeito  de  eventual  restrição  à  utilização  do  direito  creditório  calculado  segundo  as  formas  prescritas.  Reproduzo, abaixo, o  teor do disposto no referido preceito no que importa para a solução do  presente litígio:  Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1º  a 3º, 5º a 10, 17 e 19 do art. 8º desta Lei e no art. 58­A da Lei no10.833, de  29  de  dezembro  de  2003,  poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação à  importação desses produtos, nas hipóteses:  I  ­  dos §§  1º  a  3º,  5º  a  7º  e  10  do  art.  8º  desta Lei,  quando destinados  à  revenda; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)  [...]   §  2º  Os  créditos  de  que  trata  este  artigo  serão  apurados  mediante  a  aplicação das alíquotas da  contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS  incidentes  sobre  a  receita  decorrente  da  venda,  no  mercado  interno,  dos  respectivos  produtos,  na  forma  da  legislação  específica,  sobre  o  valor  de  que trata o § 3º do art. 15 desta Lei.  Fl. 3624DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          41 [...]  Por  fim,  vale  destacar  que  quase  todos  os  demais  parágrafos  do  artigo  17  tratam,  exclusivamente,  de  formas  de  apuração  de  crédito  nas  hipóteses  abrangidas  pelos  mesmos (regime monofásico). A única exceção é o § 8º do preceito em tela, o qual, quando diz  que “o disposto neste artigo alcança somente as pessoas jurídicas de que trata o art. 15 desta  Lei”,  corrobora  o  presente  entendimento  concernente  ao  qual  o  artigo  17  particulariza  a  apuração do crédito (e unicamente isso) quando aludida apuração foge à regra geral objeto do  artigo 15.  Em conclusão, e no que concerne ao presente tópico, entendo como indevida  a  reclassificação  como  “não  ressarcível”  operada  pela  fiscalização,  uma  vez  que,  conforme  demonstrado, os créditos em tela poderão, sim, ser utilizados para fins de compensação ou de  ressarcimento.  Nessa parte, portanto, também dou provimento ao recurso do sujeito passivo.  Do reposicionamento dos créditos – item 4.3 do TVF  Segundo relatado, foram reposicionadas parcelas dos créditos de importação  aproveitados  em  PER/Dcomp  ao  argumento  de  que  estes,  por  se  originarem  do  mercado  externo, somente poderiam ser utilizados no final do respectivo trimestre­calendário. De fato,  conforme o Termo de Verificação Fiscal, o ajuste foi feito em vista da compensação, antes de  findo o trimestre, de créditos do PIS/COFINS importação vinculados a receitas de exportação.  Referido  ajuste  foi  baseado  no  artigo  42  da  IN  RFB  nº  900/2008,  cujo  §  7º  autorizava  a  compensação  de  créditos  decorrentes  de  custos,  despesas  e  encargos  incorridos no mercado  interno  vinculados  a  receitas  de  exportação,  mesmo  antes  de  findo  o  trimestre  do  ano­ calendário a que se refere o crédito.  Em pesquisa à mais atual  instrução normativa que trata do assunto observei  que tal regramento permanece em vigor. Com efeito, o artigo 49, § 6º, da IN RFB nº 1.300, de  20/11/2012,  dispõe  que  a  compensação  dos  créditos,  dentre  outras  hipóteses,  decorrentes  de  custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão,  isenção, alíquota  zero ou não  incidência,  “poderá  ser  efetuada  somente depois do  encerramento do  trimestre­ calendário”.  Tal  regramento,  de  fato,  está  amparado  no  caput  do  artigo  16  da  Lei  nº  11.116/2005, segundo o qual poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento   o saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na  forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833,  de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de  2004, acumulado ao  final de  cada  trimestre do ano­calendário  em virtude  do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004.  (grifo nosso)  Vale  lembrar  que  o  artigo  17  da  Lei  nº  11.033/2004  trata,  justamente,  da  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos  vinculados  a  “vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota  0  (zero)  ou  não  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS”.  Fl. 3625DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          42 Portanto, não há embasamento legal que autorize o sujeito passivo a utilizar  os créditos do PIS/COFINS importação antes de findo o trimestre correspondente.  Quanto ao pedido para “decotar os juros e multa calculados, de modo a que  refiram, tão­somente, ao atraso de um ou dois meses  (i.e, aquele decorrente da espera até o  fim  do  trimestre”,  acaso  a  incidência  dos  encargos  tenha  extrapolado  o  correspondente  trimestre (tal não ficou claro no TVF), entendo que, de fato, deverão ser efetuados os ajustes  necessários a considerar a incidência de juros e multa de mora do débito apenas até o término  de cada  trimestre  ­ data  a partir da qual o  contribuinte passou a  ter direito ao crédito. Dessa  forma,  serão  corrigidos  até  a  data  da  compensação  unicamente  os  débitos  em  aberto  posteriormente aos ajustes em tela.  Nesse tópico, portanto, dou provimento parcial ao pedido da recorrente, nos  termos do parágrafo anterior.  Dos erros de cálculo  No  que  concerne  aos  erros  de  cálculo  o  sujeito  passivo  alega  que  a  DRJ  recorrida,  “sem  muitas  justificativas,  também  negou  a  realização  de  diligência  para  tal  verificação”.  Todavia,  ressaltou  que,  “quanto  a  dois  dos  quatro  períodos  apontados  como  exemplos na explanação (abr/2010 e jul a set/2010) os erros de cálculo já foram reconhecidos  e o direito creditório da Recorrente declarados (Acórdãos ns. 02­46.070 e 02­46.072)”.  De  fato,  dentre  todos  os  processos  da  empresa  sob  nossa  responsabilidade  que  ora  trazemos  à  pauta,  observamos  que  a  primeira  instância  já  reconheceu  crédito  remanescente  em  relação  aos  seguintes  processos  da  recorrente  nos  respectivos montantes  a  seguir  discriminados:  13603.724502/2011­43  (R$  7.743,90),  13603.724508/2011­11  (R$  132.933,34), 13603.724529/2011­36 (R$ 339.948,59), 13603.724627/2011­73 (R$ 1.114,90) e  13603.724631/2011­31 (R$ 596.928,10).   Agora, nada mais há que se apreciar em relação ao assunto, uma vez que a  reclamante  não  contesta  o  resultado  das  correções  perpetradas  pela  DRJ,  tendo­se  limitado  unicamente  a  reiterar  a  necessidade  de  “[...]  diligência  para  a  verificação  da  correção  do  cálculo dos créditos a que tem direito [...]”, pleito com respeito ao qual negamos provimento  pelo fato de o mesmo não estar revestido de verossimilhança que revele sua necessidade.   Portanto, nessa parte, entendo que deverá ser negado provimento ao recurso.  Da conclusão  Por  todo  o  exposto,  voto  para  dar  parcial  provimento  ao  recurso,  no  seguinte sentido:  I)  negar o direito ao creditamento do PIS e da COFINS pela aquisição de  bens destinados ao ativo imobilizado (item 3.1 do TVF);  II)  reconhecer em parte o direito a creditamento para que sejam admitidos os  créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL  Gestão de Fatores Logísticos Ltda. (item 3.2 do TVF);  Fl. 3626DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724492/2011­46  Acórdão n.º 3301­002.791  S3­C3T1  Fl. 0          43 III) manter  o  entendimento  da  fiscalização  pela  impossibilidade  de  creditamento  em  face  de  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado entre estabelecimentos da  interessada (item 3.4 do TVF), ou ainda,  pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou  a uso e consumo (item 3.5 do TVF);  IV) quanto  à  glosa  dos  créditos  calculados  sobre  fretes  pela  “falta  de  identificação das mercadorias transportadas” (item 3.7 do TVF), dar parcial  provimento ao recurso, nos termos dos cálculos apresentados pela autoridade  fiscal no relatório de diligência de fls. 3564/3569;  V)  concernente  à  reclassificação  de  créditos  (item  4.2  do  TVF),  desconsiderar os ajustes nos cálculos procedidos pela  fiscalização, uma vez  caracterizada  a  possibilidade  de  utilização  dos  créditos,  para  fins  de  compensação ou de ressarcimento, em vista das compras das máquinas e dos  veículos destinadas à revenda;   VI) quanto ao reposicionamento dos créditos (item 4.3 do TVF), dar parcial  provimento  ao  recurso  para  permitir  o  ajuste  necessário  de  forma  a  considerar a incidência de juros e de multa de mora sobre os débitos apenas  até o término de cada trimestre ­ data a partir da qual a contribuinte passou a  ter direito ao crédito;  VII)  negar provimento quanto à retificação dos erros de cálculo.  Sala de Sessões, em 29 de janeiro de 2016.  (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator                                Fl. 3627DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS

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