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5838562 #
Numero do processo: 13855.001760/2009-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 CARF. SÚMULA 76. SIMULAÇÃO. FORMA DE EVADIR-SE DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. INTERPOSTAS PESSOAS. SIMPLES. SAT. LEGALIDADE. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. A utilização de interpostas pessoas enquadradas no SIMPLES para contratação de mão de obra e colocação à disposição de uma outra pessoa jurídica, à fim de não recolher a quota patronal das contribuições previdenciárias, quando comprovado que o único fim desta empresa é desvincular o empregador, não merece surtir efeitos. O enquadramento da empresa no respectivo grau de risco é realizado pelo código CNAE, até a competência 05/2007, em decorrência da aplicação do anexo V do Decreto nº 3.048/99, e pelo CNAE FISCAL, a partir de 06/2007, tendo em vista a alteração do anexo mencionado pelo Decreto nº 6.042/97. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte e, ao final,determinar a apropriação dos valores pagos a título de contribuição previdenciária patronal nas guias do Simples Nacional.Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  Colegiado,  Por  maioria  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso,  para  determinar  o  recálculo  da multa  de mora,  de  acordo  com  o  disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da  Lei  nº  9.430/96),  prevalecendo  o  valor  mais  benéfico  ao  contribuinte  e,  ao  final,determinar  a  apropriação dos valores pagos a título de contribuição previdenciária patronal nas guias do Simples  Nacional.Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa      Carlos Alberto Mees Stringari ­ Presidente    Marcelo Magalhães Peixoto ­ Relator    Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees  Stringari,  Marcelo  Magalhães  Peixoto,  Paulo  Maurício  Pinheiro  Monteiro,  Ivacir  Julio  de  Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.  Fl. 2573DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13855.001760/2009­71  Acórdão n.º 2403­002.855  S2­C4T3  Fl. 3          3   Relatório  Cuida­se de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 14­37.398,  fls.  2030/2042,  que  julgou  totalmente  improcedente  a  Impugnação  apresentada  para manter  a  integralidade  das  imputações  dispostas  na  autuação  fiscal,  representadas  pelo  seguinte  DEBCAD`s.  1 ­ AI DEBCAD nº. 37.220.018­4, no valor de R$ 3.480.261,85 (três milhões,  quatrocentos e oitenta mil, duzentos e sessenta e um reais e oitenta e cinco centavos), referente  às contribuições previdenciárias a cargo da empresa.  As exigências  fiscais  se  referem ao  fato de  ter o contribuinte  se utilizado de  interpostas pessoas para contratar mão­de­obra sem a incidência da contribuição previdenciária,  uma vez que aquelas que seriam favorecidas pelo regime de tributação destinadas às empresas  de micro e pequeno porte – SIMPLES, quais sejam: OS BARBOSA PERSPONTO – EPP e DM  DE SOUZA PESPONTO DE CALÇADOS – EPP.  Abaixo seguem trechos do relatório fiscal de fls. 74/124:  2.  O  presente  trabalho  decorre  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal – Fiscalização nº 0812300­2008­00571­7, emitido em 10 de  junho  de  2008,  destinado  a  verificar  os  tributos  Contribuições  Previdenciárias  e  para  outras  entidades  e  fundos  no  período  de  01/2004 a 12/2007.  2.1  O  objeto  do  lançamento  correspondente  a  este  auto  de  infração  se  refere  às  contribuições  previdenciárias  a  cargo  da  empresa, previstas no artigo 22, incisos I e II da Lei 8.212/91.  3.Durante  auditoria  fiscal  realizada  na  empresa  ESTIVAL  IMPORTAÇÃO  EXPORTAÇÃO  LTDA,  CNPJ  nº  01.145.506/0001­51,  doravante  denominada  por  ESTIVAL,  que  atua no ramo da indústria, comércio, exportação e importação de  calçados,  ficou  constatado  que  esta  utiliza  as  empresas  P.S.BARBOSA PESPONTO EPP, CNPJ nº 07.418.488/0001­10, e  D M DE SOUZA PESPONTO DE CALÇADOS – EPPP, CNPJ nº  07.418.488/0001­10, ambas OPTANTES pelo SIMPLES – Sistema  Integrado  de  Pagamentos  de  Impostos  e  Contribuições  (Doravante  denominadas  por  P.S.BARBOSA  e DM DE  SOUZA)  como  INTERPOSTAS  PESSOAS  com  a  finalidade  de  contratar  segurados empregados com redução de encargos previdenciários,  uma vez que, por  serem optantes pelo SIMPLES não recolhem a  contribuição  previdenciária  patronal,  conforme  restará  demonstrado e comprovado no presente relatório.  5.1 Em diligência efetuada no endereço das empresas envolvidas  (Rua  Joaquim  Neves,  1360,  1370  e  1400)  no  dia  18/08/2008,  acompanhada da Supervisora da Equipe Fiscal, a Auditora Fiscal  senhora Otília  Aparecida Cintra,  quando  fomos  atendidas  pelos  senhores  Marcelo  Kanaiama  Lemos,  CPF  nº  005.729.748­64,  Fl. 2574DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     4  sócio­administrador  da  ESTIVAL  e  Francisco  Carlos  Siqueira  Silva,  CPF  nº  005.729.528­76,  contador,  constatamos  que,  embora  constem  números  diferentes  no  cadastro  da  Receita  Federal,  as  três  empresas  funcionam  no  mesmo  prédio,  constituído  de  02(dois)  barracões  interligados,  construídos  no  mesmo  terreno,  como  trânsito  livre  entre  eles,  não  há muros  ou  divisões separando­os, à frente do barracão maior está instalada  a  recepção  e  a  administração  da  empresa.  No  barracão menor,  estão os empregados da Seção de Corte, todos os demais estão no  barracão  principal,  onde  funcionam  também  o  refeitório  e  os  banheiros, que são usados por todos os empregados, e também a  área  administrativa.  A  entrada  é  única  e  no  local  existe  uma  guarita, onde a recepção (das três empresas) para visitantes (vide  foto nº 1).  5.2 Nessa mesma ocasião, com a anuência do senhor Marcelo e  acompanhadas  pelo  senhor  Francisco,  efetuamos  visita  ao  interior  dos  barracões  e  verificamos  a  presença  de  um  grande  número  de  funcionários  trabalhando  no  local,  e  este  último  nos  informou  que  os  funcionários  que  ali  se  encontravam  eram  empregados  das  empresas  P  S  BARBOSA  e  D  M  de  SOUZA.  Segundo  ele,  em  nome  da  P  S  BARBOSA  estão  atualmente  registrados  os  empregados  das  áreas  de  pesponto  e  administração, e em nome da D M DE SOUZA estão registrados  os empregados das áreas de corte e montagem. Saliente­se que a  ESTIVAL não possui nenhum empregado registrado em seu nome,  todos  estão  registrados  em  nome  da  OS  Barbosa  ou  da DM  de  Souza.  5.3 Não obstante a afirmação do contador de que os empregados  das empresas estão separados por seções (P S Barbosa: pesponto  e  administração)  e  (D M  de  Souza:  corte  e montagem),  não  foi  isso que constatamos no  local. A situação  fática, constatada por  ocasião da diligência efetuada na empresa, é que os empregados  trabalham todos juntos numa linha de produção continua, onde se  verifica  apenas  a  separação  da  seção  de  corte  e  almoxarifado  (barracão menos), exclusivamente por falta de espaço, os demais  empregados  estão  todos  alocados  no  outro  barracão.  Portanto,  não  há  como  se  diferenciar,  visualmente,  qual  empregado  pertence a uma empresa ou outra.  5.5 Em 12/09/2008 foi efetuada uma nova visita ao endereço das  empresas  envolvidas,  desta  vez  acompanhada  dos  Auditores  Fiscais  senhor Carlos  Antônio Venturini  Júnior,  senhor Rogério  Duarte Perez e senhora Otilia Aparecida Cintra, e mais uma vez,  ficou  constatada  a  inexistência  de  separação  física  entre  o  endereço da ESTIVAL e das  empresas P S BARBOSA e D M de  Souza  e  a  impossibilidade  de  distinção  dos  funcionários  em  atividade,  eis  que  todos  estavam  usando  uniformes  da  empresa  ESTIVAL. Na  ocasião  foi  lavrado  o  Termo  de Constatação  nº  1  (fls.  64)  do  qual  o  senhor  Marcelo,  sócio­administrador  da  ESTIVAL, recebeu uma cópia.  6.1.2 DO FATURAMENTO DA OS BARBOSA  6.1.2.1 Empresa optante pelo SIMPLES, inicialmente enquadrada  na condição de microempresa e a partir de 2005 na condição de  empresa  de  pequeno  porte,  a  P  S  BARBOSA  declarou  em  sua  Fl. 2575DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13855.001760/2009­71  Acórdão n.º 2403­002.855  S2­C4T3  Fl. 4          5 DIPJ – Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, receita  bruta  de  vendas  correspondente  a  valores  próximos  do  limite  máximo permitido para opção por este Regime de Tributação (R$  1.200.000,00  até  o  ano  de  2005  e  R$  2.400.000,00  a  partir  de  2006).  Ao  efetuarmos  comparação  entre  a  massa  salarial  constante  em  suas  folhas  de  pagamento mensais,  declaradas  em  GFIP  –  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  e  Informações a Previdência Social e a receita bruta informada na  DIPJ,  constatamos  que  o  valor  da  receita  bruta  auferida  no  período,  com  exceção  do  ano  de  2006,  não  cobre  sequer  as  despesas de salários por elas declaradas em GFIP (Quadro 01).  Importante  esclarecer  que  para  efeito  desta  comparação  foi  considerada  apenas  a  massa  salarial  tributável,  não  foram  utilizadas  verbas  indenizatórias,  tais  como:  férias  pagas  em  rescisões, aviso prévio indenizado, etc.  6.2  A D M DE  SOUZA  PESPONTO DE  CALÇADOS  – ME  foi  criada  em  04/05/2005  e  teve  seu  nome  alterado  em  05/07/2005  para D M DE SOUSA PESPONTO DE CALÇADOS –ME, sendo  sua titular a senhora Delcy Maria de Souza, CPF nº 180.977.168­ 44,  ex­esposa  do  senhor  Marcelo  Kanaiama  Lemos,  sócio­ administrador da ESTIVAL. A DM SOUZA iniciou suas atividades  tendo  como  objeto  a  prestação  de  serviços  de  corte,  costura,  pesponto e montagem de partes de calçados, que em 05/07/2005  foi alterado para prestação de serviço de pesponto em partes de  calçados.  6.2.1 A partir do mês de  julho de 2005  iniciou a contratação de  empregados, sendo que no mês de setembro/2005 contava com 51  empregados registrados, desses, 40 (quarenta) eram funcionários  que estavam registrados na P S BARBOSA, tiveram seus contratos  “rescindidos”  e  imediatamente  foram  registrados  como  empregados da D M DE SOUZA, conforme se verifica da relação  anexa (fls. 65). A partir de 08/2006 as duas empresas tinham em  seus  registros  praticamente  a mesma quantidade  de  empregados  cada uma, sendo q eu no mês de 12/2007 a P S BARBOSA possuía  161 empregados, com massa salarial mensal declarada em GFIP  de  R$  125.840,14  e  a  DM  DE  SOUZA  181  empregados,  com  massa salarial mensal declarada em GFIP de R$ 144.601,76.  7.4.3 Não obstante os contratos de locação terem sido elaborados  em  separado,  um em nome da OS Barbosa  e  outro  em nome da  DM de Souza, os pagamentos sempre foram feitos pela ESTIVAL,  através  de  cheques  debitados  em  sua  conta  corrente  nº  6.128­z,  mantida  na  agência  2991­2  do  Banco  do  Brasil,  conforme  demonstram  as  cópias  dos  recibos  de  pagamentos  do  extrato  bancário.  11. CONCLUSÃO  11.1  Os  fatos  acima  descritos,  corroborados  por  inúmeros  elementos  de  prova  anexados  a  este  relatório  evidenciam  uma  situação  fática  que  não  se  coaduna  com  a  situação  jurídica  apresentada  à  fiscalização,  o  que  permite  CONCLUIR,  DE  FORMA  IRREFUTÁVEL,  que  as  empresas  P.S.BARBOSA  Fl. 2576DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     6  PESPONTO­EPP,  CNPJ  nº  03.186.205/0001­00  e  D  M  DE  SOUZA  PESPONTO  EPP,  CNPJ  nº  07.418.488/0001­10,  constituem  empresas  INTERPOSTAS  utilizadas  pela  ESTIVAL  IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO LTDA, CNPJ 01.145.506/0001­51  para  contratar  empregados  com  redução  de  encargos  previdenciários.  DA IMPUGNAÇÃO  Inconformada  com  o  lançamento,  a  empresa  contestou  a  autuação  fiscal  em  epígrafe por meio do instrumento de fls. 1921/1983.  DA DECISÃO DA DRJ  Após  analisar  os  argumentos  da  Recorrente,  a  8ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), DRJ/RPO, prolatou o Acórdão n° 14­ 27.398,  fls.  2030/2044,  mantendo  procedente  o  lançamento,  conforme  ementa  que  abaixo  se  transcreve, verbis:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007  AUTO DE  INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL.  MEIO  IDÔNEO  PARA  CONSTITUIÇÃO  DO  CRÉDITO.  Constitui, o Auto de Infração, meio idôneo para a constituição de  crédito  tributário  por  Auditor  Fiscal,  da  Receita  Federal  do  Brasil, mediante aplicação das disposições constantes no Decreto  nº 70.235/72.  COMPENSAÇÃO.  RECOLHIMENTOS  EFETUADOS  EM  CONFORMIDADE  COMA  LEGISLAÇÃO  QUE  REGE  O  SIMPLES FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE.  É  vedada  a  compensação  de  contribuições  previdenciárias,  mediante  aproveitamento  de  valores  recolhidos  indevidamente  para o Simples Federal ou Nacional.  CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.  Presentes  nos  autos  todos  os  elementos  fáticos  e  legais  que  embasam  a  autuação,  não  há  que  se  falar  em  nulidade  em  decorrência do cerceamento do direito de defesa.  SAT. LEGALIDADE.  É  válida  a  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, para o financiamento do benefício previsto nos  artigos 57 e 58 da Lei 8.213/91 e daqueles concedidos em razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  de  riscos ambientais do trabalho, nos termos da Lei nº 8.212/91 e do  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Decreto  nº  3.048/99.  O  enquadramento  da  empresa  no  respectivo  grau  de  risco  é  realizado  pelo  código  CNAE,  até  a  competência  05/2007  em  decorrência da  aplicação do  anexo V do Decreto  nº  3.048/99,  e  Fl. 2577DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13855.001760/2009­71  Acórdão n.º 2403­002.855  S2­C4T3  Fl. 5          7 pelo código CNAE FISCAL a partir de 06/2007, tendo em vista a  alteração do anexo mencionado pelo Decreto nº 6.042/97.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  DO RECURSO  Irresignada, a empresa  interpôs,  tempestivamente, Recurso Voluntário de fls.  2.050/2.132, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, afirmando em síntese que:  ­ Nulidade por ausência de apropriação dos valores recolhidos junto ao sistema  “SIMPLES”pelas  empresas  OS  Barbosa  Pesponto  –  EPP  e  DM  de  Souza  Pesponto  –  EPP.  Manifesta Nulidade do lançamento em face da suposta inequívoca duplicidade de incidência;  ­ A apuração do crédito foi realizada por aferição indireta de forma equivocada  e que nem mesmo o Relatório Fiscal faz qualquer referência ao disposto no art. 33, parágrafos  terceiro e sexto da Lei 8212/91;  ­ A fundamentação legal foi realizada de forma precária;  ­  A  descaracterização  da  opção  pelo  SIMPLES  da  empresa OS  BARBOSA  PESPONTO – EPP, uma vez que  a própria auditoria  reconhece que o  faturamento da mesma  encontra­se adstrito aos patamares legais;  ­ Da  necessidade  de  inclusão  no  pólo  passivo  das  empresas OS BARBOSA  PESPONTO – EPP e DM DE SOUZA PESPONTO – EPP;  ­  Não  estão  comprovados  os  elementos  caracterizadores  da  relação  de  trabalho;  ­ A precária  fundamentação  legal  relacionada  ao  enquadramento  do  grau  de  riscos de acidentes de trabalho, para fins de identificação e mensuração da alíquota.  A  necessidade  de  adequada  constituição  do  pólo  passivo  deste  Auto  de  Infração  e  a  imperiosa  necessidade  de  se  oferecer  oportunidade  de  defesa  às  empresas  PS  BARBOSA PESPONTO –EPP e DM de SOUZA PESPONTO­EPP  ­  A  boa­fé  do  contribuinte  e  a  racionalização  do  empreendimento  e  da  inexistência de norma geral antielisão no CTN;  É o relatório.  Fl. 2578DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     8    Voto             Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator  DA TEMPESTIVIDADE  Conforme documento de fl. 2.176, tem­se que o recurso é tempestivo e reúne  os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento.  DAS PRELIMINARES  DA AUSÊNCIA DE APROPRIAÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS  JUNTO AO  SISTEMA  SIMPLES  PELAS  EMPRESAS  PS  BARBOSA  PERPONTO  –  EPP E DM DE SOUZA PESPONTO – EPP  Alega  o  recorrente  que  os  valores  recolhimentos  dentro  do  SIMPLES  NACIONAL referente a contribuição previdenciária, com as contribuições previdenciárias ora  lançadas de ofício, foi negado, sob o argumento de que não há sustentação legal ao pedido.  A DRJ quando da análise do argumento, afirmou que esse procedimento não  poderia ser feito em razão do disposto no parágrafo 6º da IN 900/08.  No  entanto,  merece  razão  o  contribuinte  neste  tocante,  uma  vez  que  este  conselho  possui  súmula  específica  com  relação  ao  tema  e,  por  sua  natureza,  vincula  este  colegiado, in verbis:  Súmula  CARF  nº  76:  Na  determinação  dos  valores  a  serem  lançados  de  ofício  para  cada  tributo,  após  a  exclusão  do  Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma  natureza  efetuados  nessa  sistemática,  observando­se  os  percentuais  previstos  em  lei  sobre  o  montante  pago  de  forma  unificada.  Mesmo que o presente processo não trate de exclusão do SIMPLES, mas sim  de  sua desconsideração  por  simulação entendo que os valores  efetivamente pagos  através da  Guia do Simples Nacional no período dos fatos geradores, na alíquota referente à Contribuição  Previdenciária  Patronal  (art.  13,  VI)  devam  ser  compensados  até  o  seu  limite,  seja  das  empresas desconsideradas, seja da empresa principal, com os lançamentos aqui efetuados.  Cumpre  destacar  que  este  procedimento  deve  ser  realizado  quando  da  execução  do  julgado,  não  importando  em  nulidade  do  auto  de  infração  o  presente  procedimento.  DA SUPOSTA UTILIZAÇÃO DA AFERIÇÃO INDIRETA  Afirma  o  recorrente  que  o  fisco  autuante  se  utilizou  da  técnica  da  aferição  indireta  para  obter  a  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias.  No  entanto,  o  argumento não merece prosperar, estando correto o posicionamento da DRJ em Ribeirão Preto.  Para tanto, veja­se trecho do relatório fiscal, fl. 74/124  Fl. 2579DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13855.001760/2009­71  Acórdão n.º 2403­002.855  S2­C4T3  Fl. 6          9 12 – DO FATO GERADOR E DA BASE DE CÁLCULO  12.1 Constituem  fatos geradores  das  contribuições  lançadas  as  remunerações  pagas  e/ou  creditadas  ao  segurados,  registrados  como  empregados  das  empresas  P  S  BARBOSA  PESPONTO­ EPP  e  D  M  DE  SOUZA  PESPONTO  DE  CALÇADOS­EPP,  caracterizados,  por  esta  fiscalização,  como  empregados  da  empresa  ESTIVAL  IMPORTAÇÃO  EXPORTAÇÃO  LTDA,  discriminada, por empregado, em folhas de pagamento daquelas  empresas,  no  período  de  janeiro/2004  a  dezembro/2007,  reproduzidos na planilha anexa denominada Anexo II (fls. 602 a  799 e 802 a 839).  Portanto,  não  se  está  diante  da  aferição  indireta,  para  calcular  eventual  diferença na base de cálculo, mas sim, a utilização da própria base informada pelo contribuinte,  quando  do  preenchimento  das  GFIPs.  Ultrapassada  também  a  alegação  de  precária  fundamentação legal correspondente.  DA  SUPOSTA  ADEQUAÇÃO  NA  CARACTERIZAÇÃO  NO  POLO  PASSIVO   Afirma  o  contribuinte  que  deveria  ter  sido  oferecida  oportunidade  as  empresas  PS  BARBOSA  PESPONTO  –  EPP  e  DM  DE  SOUZA  PESPONTO  –  EPP,  a  oportunidade de se manifestar nos presentes autos, uma vez que foram tidos como responsáveis  pelo adimplemento da obrigação.  No entanto, o fiscal não está arrolando como corresponsáveis as empresas em  questão, não está  também imputando a caracterização de grupo econômico de  fato, mas sim,  desmanchando  o  negócio  jurídico  realizado  o  qual  reputa­se  fraudulento,  concentrando  os  vínculos empregatícios para com a ESTIVAL, sujeito passivo do presente processo.  Com  relação  ao  Relatório  de  Vínculos,  na  fl.  34  (que  cita  apenas  o  Sr.  Marcelo Kanaiama Lemos e o Sr. Holger Gerhard Riechert), esclarece­se que, por não imputar  responsabilidade, atrai a incidência da Súmula CARF n. 88:  A  Relação  de  Co­Responsáveis  ­  CORESP”,  o  “Relatório  de  Representantes  Legais  –  RepLeg”  e  a  “Relação  de Vínculos  –  VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado  unicamente  contra  pessoa  jurídica,  não  atribuem  responsabilidade  tributária  às  pessoas  ali  indicadas  nem  comportam  discussão  no  âmbito  do  contencioso  administrativo  fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa  Portanto, não há que se falar em nulidade por adequação do pólo passivo.  DO MÉRITO  DA  ALÍQUOTA  RELACIONADA  AO  GRAU  DE  RISCOS  DE  ACIDENTES DE TRABALHO  Afirma  a  recorrente  que  a  DRJ  não  fundamentou  devidamente  acerca  do  enquadramento da empresa quanto ao graus de riscos de acidentes de trabalho e conseqüente  aplicação alíquota/SAT.  Fl. 2580DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     10 Em seu acórdão, a 8ª Turma da DRJ/RPO afirma, in verbis:  Primeiramente,  deve­se  destacar  que  o  relatório  FLD  –  Fundamentos  Legais  do  Débito  indica  ao  contribuinte  os  dispositivos legais que fundamento o presente lançamento fiscal,  de acordo com a  legislação vigente à época da ocorrência dos  fatos geradores. Especificamente em relação ao SAT, o relatório  menciona a aplicação do artigo 22,  II da Lei nº 8.212/91 e dos  artigos 12,  I, parágrafo único e 202,  I,  II e  III e §§1º ao 6º do  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo Decreto  nº  3.048/99.  Analisando os dispositivos mencionados, observa­se que o artigo  22, II da Lei nº 8.212/91 institui o tributo,  fixa as alíquotas e a  base de cálculo e define o fato gerador da obrigação tributária.  O  artigo  202  do  Regulamento  da  Previdência  Social,  ao  regulamentar o dispositivo da lei, esclarece o que se entende por  atividade preponderante e quais os graus de risco de acidente de  trabalho  para  cada  atividade,  o  que  é  feito  com  base  em  estatísticas de acidente de trabalho.  (...)  Anteriormente  À  alteração  do  Decreto  nº  3.048/99,  a  administração  previdenciária  adotava  para  fins  de  enquadramento  do  SAT  o  Código  Nacional  de  Atividades  Econômicas  –  CNAE  divulgada  pelo  IBGE,  enquadrando  o  contribuinte  no  respectivo  grau  de  risco  de  acordo  com  a  atividade desenvolvida.  Com a edição do Decreto nº 6.042/07, foi alterado o anexo V do  Regulamento  da  Previdência  Social,  e,  com  o  objetivo  de  padronizar  a  classificação  econômica  nas  três  esferas  do  governo, adotou­se a partir de 06/2007, o CNAE FISCAL para  fins de enquadramento do sujeito passivo no competente grau de  risco.  Como  apontado  pelo  acórdão  da  DRJ,  o  enquadramento  da  empresa  para  estabelecimento da alíquota SAT se dá através da realização de integração por estatística que  revelem os índices de acidentes do trabalho e os qualifiquem de acordo com os graus.  Logo, não houve  fundamentação precária  acerca do  assunto,  nem aplicação  incorreta da alíquota, seja por parte da autoridade autuante, seja por parte da DRJ, não havendo  portanto, qualquer motivo para afastar a exigibilidade de referida contribuição.  DA UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS DO SIMPLES  A Recorrente levantou várias questões preliminares antes de entrar no mérito,  contudo, verifico que elas estão diretamente ligadas ao objeto da lide, razão pela qual, passa­se  a analisá­lo.  Segundo  o  fiscal,  no  relatório,  estase  diante  de  uma  situação  fática  que  configura  simulação,  com  a  utilização  de  interpostas  pessoas  à  fim  de  reduzir  os  encargos  previdenciários e trabalhistas.  Fl. 2581DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13855.001760/2009­71  Acórdão n.º 2403­002.855  S2­C4T3  Fl. 7          11 Nesse diapasão, mister se faz analisar o que vem a ser Elisão Fiscal e Evasão  Fiscal, o lícito com o ilícito, o planejamento tributário legal com a fraude e/ou simulação, para,  em seguida, analisar o caso concreto.  Em obra pretérita  de minha  autoria me manifestei  da  seguinte maneira1,  in  verbis:  “Elisão Fiscal, portanto, é a redução tributária legal, lícita, pois  a  mesma  elide  o  surgimento  do  fato  jurídico  tributário,  eliminando  a  ocorrência  do  respectivo  fato  gerador;  ou  ainda,  reduz  o  impacto  tributário,  mutilando  parcialmente  o  critério  quantitativo  da  Regra  Matriz  de  Incidência  Tributária,  ou,  posterga  a  ocorrência  do  fato  jurídico  tributário  descrito  no  antecedente normativo para um período posterior,  dando nesse  último  um  ganho  temporal,  vale  dizer,  um  maior  prazo  para  efetuar o cumprimento da obrigação tributária.  Destarte,  a Elisão é o  fruto obtido do Planejamento Tributário  lícito. É o resultado da prática de atos ou negócios jurídicos, ou  a  sua  não  prática,  com  vistas  a  elidir,  reduzir  ou  postergar  o  surgimento da obrigação tributária.  Evasão fiscal, ao contrário, é a redução tributária ilegal, ilícita,  pois,  por  meio  dessa,  o  contribuinte  se  evade  da  obrigação  tributária já nascida, agindo de maneira oposta aos ditames de  nosso ordenamento jurídico. Poderá ocorrer a indevida redução  do ônus  tributário de uma obrigação  tributária,  em  relação ao  seu exato montante previsto em lei.  Portanto, a Evasão Fiscal (que sempre será  ilegítima) é a  fuga  total ou parcial da obrigação tributária já existente pela anterior  ocorrência do fato gerador previsto em lei, ou que está prestes a  acontecer.”  A Elisão Fiscal busca evitar ou minorar a carga  tributária  incidente sobre o  contribuinte, por meio de operações lícitas, utilizadas, principalmente, para esse fim. Por outro  lado, a Evasão Fiscal é  ilícita, pois visa ocultar do Fisco a ocorrência de  fatos geradores por  meio de operações fraudulentas.2  Para Hermes Marcelo Huck3, verbis:  “A  elisão,  em  algumas  de  suas  formas,  pode  ser  enquadrada  como  abuso  de  direito.  Estruturas  elisivas,  nas  quais  o  agente  utiliza­se  de  formas  jurídicas  anormais,  insólitas  ou  inadequadas,  com  o  fito  único  de  escapar  ao  tributo,  têm  sido  consideradas abusivas. O abuso na utilização da forma jurídica  é  equiparável  ao  que  no  direito  anglo­americano  se  tem  chamado de business purpose test, ou seja, o teste da finalidade  negocial,  pelo  qual  busca­se  desconsiderar  o  negócio  jurídico  constituído  sem  qualquer  objetivo  senão  o  de  pagar  o  imposto                                                              1 PEIXOTO, Marcelo Magalhães (coord.) Planejamento Tributário – São Paulo: Quartier Latin, 2004. Pág. 73/74.  2 Idem, ibidem. Pág. 65.  3 HUCK, Hermes Marcelo. Evasão e elisão: rotas nacionais e internacionais – São Paulo: Saraiva, 1997. Pág. 138.  Fl. 2582DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     12 que  seria  devido,  não  fosse  adotada a  forma  jurídica  anormal,  insólita ou inadequada.”  Conforme destacado alhures; para a Fiscalização, houve simulação por parte  da Recorrente. O conceito de simulação advém do Direito Civil, mais especificamente no art.  167, § 1o, do Código Civil, in verbis:  “Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o  que se dissimulou, se válido for na substância e na forma.  § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando:  I  ­  aparentarem  conferir  ou  transmitir  direitos  a  pessoas  diversas  daquelas  às  quais  realmente  se  conferem,  ou  transmitem;  II  ­  contiverem  declaração,  confissão,  condição  ou  cláusula  não verdadeira;  III  ­  os  instrumentos  particulares  forem  antedatados,  ou  pós­ datados.” (sem destaques no original)  Feitas as considerações, passa­se a analisar o caso concreto.  Vários são os pontos enumerados pelo fiscal que levaram à sua conclusão de  utilização  de  interpostas  pessoas,  para  tanto,  vejamos,  em  síntese,  os  principais,  com  as  respectiva indicação no REFISC, abaixo:  a)  As  03  (três)  empresas,  embora  constassem  números  diferentes  no  cadastro da Receita Federal, possuíam o mesmo endereço, composto por  02  (dois)  barracões  interligados,  construídos  no  mesmo  terreno,  com  trânsito livre entre eles (Item 5.1.);  b)  A ESTIVAL não possuía à época, nenhum empregado registrado em seu  nome,  todos estavam registrados em nome da PS Barbosa ou da DM de  Souza,  apesar de os  empregados  laborarem  todos  juntos,  numa  linha de  produção  contínua,  sem  condições  de  diferenciar  visualmente  qual  empregado pertencia a uma ou outra empresa (Item 5.2 e 5.3.);  c)  Todos  os  funcionários  usavam  uniformes  com  a  estampa  da  ESTIVAL  (item 5.4.)  d)  Toda  documentação  contábil  e  financeira  das  três  empresas  envolvidas  estava localiza no mesmo local físico (item 5.6.);  e)  A auditoria se dirigiu até o endereço residencial da sócia administradora  da empresa PS BARBOSA à fim de cientificá­la do procedimento fiscal,  tendo  sido  localizada  e  declarado  espontaneamente  que  a  empresa  OS  BARBOSA foi constituída em 1999 a pedido de seu companheiro, senhor  Marcelo  Kanaiama  (sócio  administrador  da  ESTIVAL),  com  o  qual  mantém  união  estável  há  12  anos  e  que  não  atua  na  administração  da  empresa, que é dona de casa e cuida dos dois filhos do casal (item 6.1.1.);  f)  O  valor  da  receita  bruta  da  PS  BARBOSA  era  insuficiente  para  pagar  sequer as despesas de salários por ela declaradas em GFIP (item 6.1.2.1.);  Fl. 2583DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13855.001760/2009­71  Acórdão n.º 2403­002.855  S2­C4T3  Fl. 8          13 g)  Embora o faturamento da PS BARBOSA não fosse suficiente para cobrir  todas  as  despesas  da  empresa,  eram  elas,  juntamente  com  os  encargos  sociais e os  impostos, pagos pela ESTIVAL e por ela contabilizados na  conta 1.01.03.06.000268­ Adiantamento  a Fornecedor  – PS BARBOSA  (item 6.1.2.2)  h)  A PS BARBOSA prestava serviços  exclusivamente para  a Estival  (item  6.1.2.3.);  i)  A DM DE SOUZA PESPONTO foi criada em 04/05/2005, foi criado pela  senhora Delcy Maria de Souza, ex­esposa do senhor Marcelo Kanaiama  Lemos  (sócio  administrador da ESTIVAL),  e  contratou naquele mês 51  (cinqüenta e um) empregados, sendo 40 (quarenta) ex funcionários da OS  BARBOSA,  que  tiveram  seus  contratos  ‘rescindidos’  e  imediatamente  registrados como empregados da DM DE SOUZA, que, também prestava  serviços exclusivamente para a ESTIVAL (6.2.);  j)  A DM DE SOUZA  teria  sido  criada  para  dividir  com  a  PS Barbosa  as  despesas  oriundas  da  contratação  de  funcionários,  à  fim  de  não  ultrapassar  o  limite máximo  anual  estabelecido  à  época  pela  legislação  (item 6.3.);  k)  Os  aluguéis  das  empresas  PS  Barbosa  e  DM  de  Souza  foram  sempre  feitos pela ESTIVAL e contabilizados em Livro Diário – Adiantamento a  Fornecedor – Aluguel PS Barbosa e DM de Souza (item 7.1.1.);  l)  As despesas de energia, água e telefone sempre foram e continuam sendo  pagas  pela  Estival,  devidamente  contabilizadas  em  Livro  Diário  (Item  8.1);  m) O maquinário da ESTIVAL era utilizado pela PS BARBOSA, a partir da  elaboração  extemporânea  de  um  contrato  de  cessão  de  máquinas  e  equipamento  em  regime  de  Comodato,  sem  ter  sido  registrado  na  contabilidade da ESTIVAL (item 8.1.2.7);  n)  O controle de  todo o pessoal,  sejam eles  empregados  registrados na PS  BARBOSA  ou  na  DM  de  SOUZA  era  realizado  por  um  único  departamento de recursos humanos que estava localizado no endereço das  empresas, da mesma forma o controle da produção também era feito pela  ESTIVAL (item 9.1.);  o)  A  ESTIVAL  fornecia  lanches  aos  empregados  registrados  na  PS  BARBOSA  e  DM  DE  SOUZA,  bem  como  realizava  a  compra  de  equipamentos de segurança e proteção à saúde e uniformes (item 9.3.);  p)  Para  efetuar  pagamentos  as  duas  empresas  recebiam  da  ESTIVAL,  por  meio  de  transferência  eletrônica,  valores  que  são  creditados  em  suas  contas  correntes  em montante  igual  ao  da  folha  de  salários,  acrescidos  apenas  de  um  pequeno  valor  para  cobrir  as  despesas  de movimentação  bancária cobradas (Item 9.6.4.1.)  Fl. 2584DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     14 A partir da análise dos 16 itens colacionados acima, é de concluir­se que se  está  diante  da  utilização  de  interpostas  pessoas  optantes  pelo  simples,  à  fim  de  a  empresa  evadir­se do pagamento das contribuições previdenciárias (parte patronal).  A  utilização  dessa  manobra  não  é  particularidade  do  presente  caso,  já  foi  julgado  por  esta  turma,  da mesma  forma,  nos  autos  do  processo  11065.003161/2010­05,  na  sessão  de  17  de  outubro  de 2012,  que  resultou  na prolatação  do  acórdão  2403­001.686,  que  restou assim ementado:  Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias  Período de apuração: 01/11/2006 a 28/02/2010  SIMULAÇÃO.  FORMA  DE  EVADIR­SE  DAS  OBRIGAÇÕES  TRIBUTÁRIAS.  A simulação não é aceita como forma de planejamento tributário  com  vistas  a  reduzir  a  carga  tributária  da  empresa.  Manobra  considerada ilegal.  MULTA.  Recálculo  da multa  para que  seja aplicada a mais benéfica  ao  contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN.  PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO.  Não  há  cerceamento  de  defesa  para  o  indeferimento  de  requerimentos genéricos de produção de prova.  Recurso Voluntário Provido em Parte  A  prática  dessa  manobra  é  recorrente,  tendo  gerado,  inclusive,  estudo  doutrinário  exclusivo  ao  tema,  de  autoria  da  Conselheira  Ana  Maria  Bandeira,  no  Livro  Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais,  São Paulo: MP Editora,  2012,  p.  158/159,  de  coordenação  do Conselheiro  Elias Sampaio Freire e deste conselheiro redator deste voto, in verbis:  “Quanto  à  utilização  de  interpostas  pessoas  jurídicas  optantes  pelo  SIMPLES  para  concentrar  a  mão  de  obra  necessária  ao  processo  produtivo  das  empresas  originárias,  o  lançamento  da  contribuição patronal se dá em face da conduta simulada que se  verifica.  (...)  Escudada  no  princípio  da  verdade material  e  pelo  poder­dever  de  buscar  o  ato  efetivamente  praticado  pelas  partes,  a  Administração,  ao  verificar  a  ocorrência  de  simulação,  pode  superar o negócio jurídico simulado para aplicar a lei tributária  aos verdadeiros participantes do negócio, pois, de acordo com o  art.  118,  inciso  I  do CTN,  a  definição  legal  do  fato  gerador  é  interpretada  abstraindo­se  da  validade  jurídica  dos  atos  efetivamente  praticados  pelos  contribuintes,  responsáveis,  ou  terceiros,  bem  como  da  natureza  do  seu  objeto  ou  dos  seus  efeitos.”  Fl. 2585DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13855.001760/2009­71  Acórdão n.º 2403­002.855  S2­C4T3  Fl. 9          15 Por  esses  motivos,  conclui­se  que  de  fato  houve  simulação  por  parte  da  Recorrente, razão pela qual deve o lançamento ser mantido.  Como  restou  comprovada  a  simulação,  as  matérias  preliminares  restaram  prejudicadas.  MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL  Verifica­se  que  a  autoridade  fiscal  realizou  um  comparativo  entre  multas  tendo em vista o advento da MP 449/08 e da Lei 11.941/09, até a competência de novembro de  2008, tendo aplicado apenas a multa de mora, no entanto, erroneamente, no patamar de 24%,  merecendo assim, reforma, conforme os motivos abaixo.  A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts.  32 e 35 e incluiu os arts. 32­A e 35­A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa  aplicada no caso de contribuição previdenciária.  Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis:  Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas  pelo  INSS,  incidirá  multa  de  mora,  que  não  poderá  ser  relevada,  nos  seguintes  termos:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876, de 1999).  I  ­  para  pagamento,  após  o  vencimento  de  obrigação  não  incluída em notificação fiscal de lançamento:  a)  oito  por  cento,  dentro  do mês  de  vencimento  da  obrigação;  (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei  nº 9.876, de 1999).  c)  vinte  por  cento,  a  partir  do  segundo  mês  seguinte  ao  do  vencimento da obrigação;  (Redação dada pela Lei nº 9.876, de  1999).  II ­ para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal  de lançamento:  a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento  da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da  notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que  antecedido de defesa, sendo ambos  tempestivos, até quinze dias  da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência  Social ­ CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da  decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social ­ CRPS,  enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei  nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original)  Fl. 2586DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     16 Verifica­se,  portanto,  que  antes  da  MP  nº  449  não  havia  multa  de  ofício.  Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso,  desde  que  de  forma  espontânea  a  duas  decorrente  da  notificação  fiscal  de  lançamento,  conforme  previsto  nos  incisos  I  e  II,  respectivamente,  do  art.  35  da  Lei  nº  8.212/91,  então  vigente.  Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz  da  jurisprudência  do CARF – Conselho Administrativo  de Recursos Fiscais  /  Elias Sampaio  Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São  Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis:   “De  fato,  a  multa  inserida  como  acréscimo  legal  nos  lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no  pagamento  das  contribuições  previdenciárias,  independentemente  de  a  cobrança  ser  decorrente  do  procedimento  de  ofício.  Mesmo  que  o  contribuinte  não  tivesse  realizado  qualquer  pagamento  espontâneo,  sendo,  portanto,  necessária  a  constituição  do  crédito  tributário  por  meio  do  lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia  a  falta  de  espontaneidade,  mas  tão  somente  o  atraso  no  pagamento – a mora.” (com destaque no original)  Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data  da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao  art. 35 e incluído o art. 35­A na Lei nº 8.212/91, in verbis:  Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das  contribuições  sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art.  11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição  e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras  entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  em  legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora,  nos  termos  do  art.  61  da Lei  nº  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).  Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído  pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original)  Nesse  momento  surgiu  a  multa  de  ofício  em  relação  à  contribuição  previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures.  Logo,  tendo  em  vista  que  o  lançamento  se  reporta  à  data  da  ocorrência  do  fato  gerador,  nos  termos  do  art.  144  do  CTN,  tem­se  que,  em  relação  aos  fatos  geradores  ocorridos  antes  de  12/2008,  data  da  MP  nº  449,  aplica­se  apenas  a  multa  de  mora.  Já  em  relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplica­se apenas a multa de ofício.  Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base  no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação  retroativa da lei quando, tratando­se de ato não definitivamente julgado, comine­lhe penalidade  menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade  benigna. Impõe­se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece  multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na  redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais  benéfica, no momento do pagamento.  Fl. 2587DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13855.001760/2009­71  Acórdão n.º 2403­002.855  S2­C4T3  Fl. 10          17 CONCLUSÃO  Do exposto,  conheço  do  recurso  para,  no mérito, dar parcial  provimento,  para determinar o recálculo da multa aplicada, nos termos do art. 35 caput, da Lei nº 8.212/91,  na  redação  dada  pela  Lei  nº  11.941/2009  (art.  61,  da  Lei  no  9.430/96),  assim  como  para  determinar a apropriação dos valores pagos a título de contribuição previdenciária patronal nas  guias do Simples Nacional.    Marcelo Magalhães Peixoto.                              Fl. 2588DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI

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Numero do processo: 10680.017002/2007-64
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003, 2004 DESISTÊNCIA PARCIAL. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. No recurso deve-se recorrer daquilo que foi disposto em 1ª instância administrativa. Nos casos em que o ato do lançamento recorrível seja ‘cindível’, o recurso pode ser apenas parcial, de tal modo que o recorrente poderá individualizar o objeto do processo, especificando as questões ou pedidos parciais que pretende questionar, ficando as demais, em virtude da renúncia ao direito, sujeitas à preclusão. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte e confirmados tacitamente pelo Fisco transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-004.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o crédito tributário ainda em litígio. Vencidos os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada (Relator) e Marcelo Vasconcelos de Almeida que davam provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício. Designado Redator do Voto Vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Adriano Keith Yjichi Haga.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2360; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE01  Fl. 787          1 786  S2­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10680.017002/2007­64  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2801­004.014  –  1ª Turma Especial   Sessão de  10 de março de 2015  Matéria  IRPF  Recorrente  TEREZINHA GEO RODRIGUES  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2003, 2004  DESISTÊNCIA PARCIAL. MATÉRIA NÃO RECORRIDA.  No  recurso  deve­se  recorrer  daquilo  que  foi  disposto  em  1ª  instância  administrativa.  Nos  casos  em  que  o  ato  do  lançamento  recorrível  seja  ‘cindível’,  o  recurso  pode  ser  apenas  parcial,  de  tal modo que  o  recorrente  poderá  individualizar  o  objeto  do  processo,  especificando  as  questões  ou  pedidos  parciais  que  pretende questionar,  ficando  as  demais,  em virtude  da  renúncia ao direito, sujeitas à preclusão.  DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.  Caracterizam  omissão  de  rendimentos  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  mantida  junto  à  instituição  financeira,  quando  o  contribuinte,  regularmente  intimado,  não  comprova,  mediante  documentação  hábil  e  idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.  Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos  serão analisados  individualizadamente.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  RENDIMENTOS  CONFESSADOS.  TRÂNSITO  PELAS  CONTAS  DE  DEPÓSITOS.  EXCLUSÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO  DO  IMPOSTO  LANÇADO. POSSIBILIDADE.  É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de  recursos  declarados  oportunamente  pelo  contribuinte  e  confirmados  tacitamente  pelo  Fisco  transitam,  igualmente,  pelas  contas  bancárias  do  fiscalizado,  devendo,  assim, os  correspondentes  valores  serem  excluídos da  base  de  cálculo  da  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários de origem não comprovada.  Recurso Voluntário Provido.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 70 02 /2 00 7- 64 Fl. 787DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por CARLOS CESAR QUADR OS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.017002/2007­64  Acórdão n.º 2801­004.014  S2­TE01  Fl. 788          2   Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao  recurso para cancelar o  crédito  tributário  ainda  em  litígio. Vencidos  os Conselheiros Marcio  Henrique Sales Parada  (Relator)  e Marcelo Vasconcelos  de Almeida  que  davam provimento  parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício. Designado Redator do Voto Vencedor o  Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.  Assinado digitalmente  Tânia Mara Paschoalin – Presidente.   Assinado digitalmente  Marcio Henrique Sales Parada ­ Relator.  Assinado digitalmente  Carlos César Quadros Pierre ­ Redator Designado.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Tânia  Mara  Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de  Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Adriano Keith Yjichi Haga.  Relatório  No  relatório  utilizado  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento, (fls. 692 ss), na decisão recorrida, encontra­se que:  Contra a contribuinte precitada  foi  lavrado o Auto de  Infração  As fls. 4 a 10 e 241, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física,  exercícios  2003  e  2004,  anos­calendário  2002  e  2003,  formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$  132.551,64,  acrescido  de  multa  de  oficio  e  juros  de  mora  calculados  até  setembro de  2007,  totalizando  crédito  tributário  no montante de R$ 407.743,65.  0  lançamento  decorre  da  tributação  de  rendimentos  omitidos  provenientes  de  valores  creditados  em  conta  de depósito  ou  de  investimento, mantidos  em  instituições  financeiras,  cuja  origem  de  recursos  utilizados  não  foi  comprovada  mediante  documentação hábil  e  idônea, nos  totais,  atribuídos à autuada,  de  R$  187.233,96  (exercício  2003)  e  R$  304.179,33  (exercício  2004). (fls. 11 a 23).  (...)  A contribuinte foi identificada como beneficiária de remessas de  recursos ao exterior. Decorre o procedimento de uma operação  mais  abrangente  desencadeada  por  autoridades  públicas  nacionais,  no  combate  à  transferência  ilícita  de  recursos  ao  exterior, e aos crimes correlacionados, destacando­se o crime de  Fl. 788DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por CARLOS CESAR QUADR OS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.017002/2007­64  Acórdão n.º 2801­004.014  S2­TE01  Fl. 789          3 lavagem  de  dinheiro.  Trata­se  da  denominada  CPI  do  Banestado, que foi amplamente divulgada pela mídia nacional, e  que envolveu trabalhos da Receita Federal, do Bacen e da Coaf,  com  estreita  colaboração  de  autoridades  estrangeiras.  A  investigação  conduzida  pelo  Departamento  da  Policia  Federal  verificou que empresas sediadas em Nova York, Estados Unidos  da América, representavam `doleiros' brasileiros e/ou empresas  "off  shore"  com  participação  de  brasileiros  e  atuavam  como  prepostos  bancário­financeiros  de  pessoas  físicas  ou  jurídicas,  entre as quais encontraram­se diversos contribuintes brasileiros  que  enviaram  e/ou movimentaram  divisas  no  exterior  à  revelia  do  sistema  financeiro  nacional,  ordenando,  remetendo  ou  se  beneficiando de recursos em divisas estrangeiras. No curso das  investigações  houve  o  afastamento  do  sigilo  bancário  da  empresa  "Beacon  Hill  Service  Corporation"  que  atuava  como  preposto  bancário­financeiro  de  pessoas  fisicas  ou  jurídicas  e  utilizava­se  de  contas/subcontas  mantidas  em  bancos  situados  em  território  norte­americano.  A  Promotoria  do  Distrito  de  Nova  Iorque  apresentou  as  mídias  eletrônicas  e  documentos  contendo dados  financeiros  da  empresa Beacon Hill. Os  dados  obtidos  no  afastamento  de  sigilo  e  na  investigação  criminal  foram  transferidos  a  então  Secretaria  da  Receita  Federal,  conforme decisões judiciais.   Sobre  as  omissões  detectadas  foi  lançada  multa  de  oficio  de  150%...  Do  Termo  de  Verificação  Fiscal,  nas  folhas  26  e  ss.,  extraio  as  seguintes  considerações, elaboradas pela Auditora Fiscal:  ­  A  Fiscalização  foi  iniciada  atendendo  a  demanda  requisitória  da  Justiça  Federal no Paraná, com a emissão de MPF; o caso DELTA BANK ­ NY decorre da Comissão  Parlamentar Mista de Inquérito do Banestado e trata de operações em dólares efetuadas a partir  de  sub­contas  da  empresa  Beacon  Hill,  uma  das  beneficiárias  de  contas  da  agência  do  Banestado ­ Nova Iorque;  ­  Após  requisição  da  Polícia  Federal,  o  MM.  Juiz  Federal  competente  autorizou  a  quebra  de  sigilo  bancário  de  contas  movimentadas  no  Delta  Bank  e,  posteriormente,  autorizou  o  compartilhamento  dos  documentos  e  arquivos  com  a  Receita  Federal;  ­  Após  análise  das  informações  assim  recebidas,  a  contribuinte  foi  regularmente intimada e re­intimada a comprovar, com documentação, a origem dos recursos  depositados  em  conta  bancária  de  sua  co­titularidade,  no  exterior,  tendo­se  limitado  a  questionar a obtenção dos dados pela Autoridade Fazendária. Considerou­se como omissão de  rendimentos os depósitos com origem não comprovada;  ­  Esclarece  ainda  a  auditoria  fiscal  que  havia  três  co­titulares,  que  todos  foram regularmente intimados a comprovar a origem dos recursos e que o valor apurado como  "omissão de rendimentos" foi proporcionalmente dividido entre os três, como demonstra (fl. 44  e ss.);   Fl. 789DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por CARLOS CESAR QUADR OS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.017002/2007­64  Acórdão n.º 2801­004.014  S2­TE01  Fl. 790          4 ­ Por fim,  justifica a aplicação da multa qualificada pelo evidente intuito de  fraude, no percentual de 150% .  Inconformada  com  o  lançamento  tributário,  a  Contribuinte  apresentou  Impugnação alegando, em resumo: nulidade do  lançamento porque fundado em prova ilícita;  nulidade  do  lançamento  por  basear­se  apenas  em  movimentação  bancária,  sem  provas  suplementares;  apuração  anual  e  não  mensal,  como  determina  a  lei;  decadência  parcial;  impossibilidade  de  aplicação  da multa  agravada  e  que  a  renda  e  disponibilidades  declaradas  pelo casal suportam financeiramente os valores depositados.   Sua  manifestação  foi  tratada  pela  DRJ/BHE.  Disse  o  Julgador  a  quo,  em  síntese:  1  ­  o  lançamento  revestiu­se  das  formalidades  previstas  no  artigo  10  do  Decreto nº 70.235, de 1972, e não se observa, pelo que dispõe a legislação e pelos documentos  que  constam  dos  autos,  que  os  dados  tenham  sido  compartilhados  com  a  restrição  de  uso  suscitada  pelo  autuado,  ou  que  tenha  havido  alguma  irregularidade  ou  ilegalidade  no  procedimento, de modo que não se acatam essas alegações de nulidade;  2 ­ não assiste razão a amparar a tese de decadência, ressaltando o "evidente  intuito de fraude" e a qualificação da penalidade, contando o dies a quo na forma do artigo 173,  I, do CTN;  3 ­ a presunção em favor do fisco, estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430,  de 1996  transfere ao contribuinte o ônus de elidir a  imputação, mediante a comprovação, no  caso, da origem dos recursos. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o  poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na  declaração de ajuste anual efetuando o lançamento do imposto correspondente;  4 ­ o que a legislação impõe no presente caso é a apuração mensal do valor  dos  rendimentos  omitidos,  estando  o  somatório  desses  valores  sujeito  à  tributação  anual,  ou  seja, o montante da omissão apurada compõe a base de calculo do imposto na Declaração de  Ajuste Anual.  incabível  a  alegação de que  a  tributação não pode prevalecer por não  ter  sido  realizada em bases mensais.  5  ­  correta  a  divisão  dos  depósitos  para  os  três  co­titulares  (33,33%)  para  cada um). Destarte, não há reparo a fazer no lançamento, não se acatando a alegação de não­ autoria das remessas.  6 ­ evidencia­se que a interessada omitiu informações e prestou declarações  falsas às autoridades fazendárias sobre as rendas auferidas e propriedade de bens e direitos nos  anos de 2002 e 2003. Diante desses fatos, administrativamente, os elementos caracterizadores  da  qualificação  da  infração  estão  perfeitamente  comprovados  nos  autos,  não  havendo  necessidade de reparar o lançamento.  Assim, deu­se a decisão de 1ª instância, para rejeitar os pedidos de nulidade e  decadência e considerar, no mérito, procedente o lançamento.  Cientificada em 04/03/2008, conforme Aviso de Recebimento na folha 722, a  contribuinte apresentou  recurso voluntário  em 01/04/2008, conforme protocolo na folha 724.  Em sede de recurso, assim, em suma, manifesta sua inconformidade:  Fl. 790DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por CARLOS CESAR QUADR OS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.017002/2007­64  Acórdão n.º 2801­004.014  S2­TE01  Fl. 791          5 ­ Preliminarmente:   a)  Reitera  que  não  fez  remessa  de  valores  para  alimentar  contas  no  Delta  Bank,  além  disso,  os  documentos  acostados  aos  autos  são  prova  ilícita  porque  sua  obtenção  desrespeitou normas constitucionais, legais e contidas em tratado internacional;  b) O depósito bancário, embora possa demonstrar movimentação de riqueza  em nome do contribuinte, não pode ser aceito, por si só, como produto do capital, do trabalho  ou  da  combinação  de  ambos  e  nem  como  acréscimo  patrimonial.  Cita  jurisprudência  do  Conselho  de  Contribuintes  e  conclui  que  a  Recorrente  não  estaria  obrigada  a  manter  escrituração de sua movimentação financeira. A precariedade do trabalho fiscal torna­se mais  evidente quando se constata que o agente não praticou qualquer ato  'fiscalizatório' a ensejar a  presente autuação;  c)  A  legislação  determinou,  com  extrema  clareza  e  precisão,  a  ocorrência  mensal do fato gerador do imposto de renda das pessoas físicas. Reitera que a apuração deveria  ser mensal e não anual;   d)  Decadência  parcial  do  direito  do  Fisco  de  constituir  crédito  tributário  relativos aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e setembro de 2002;  ­ No mérito:  e)  impossibilidade  de  aplicação  da multa  qualificada  diante  da  ausência  do  evidente intuito de fraude;  f)  os  depósitos  são  suportados  por  recursos  suficientes  informados  nas  declarações  de  rendimentos  do  casal,  ainda que  apresentadas  em separado,  conforme quadro  que  elabora,  na  folha  756.  Trata,  especialmente,  de  "dinheiro  em  espécie"  que  consta  da  declaração do marido.  Dessa feita, PEDIU que fosse reconhecida a nulidade do Auto de Infração e,  sucessivamente, a decadência parcial do crédito tributário, a inaplicabilidade da multa de 150%  e a exclusão dos "recursos de origem comprovada".   Em  25/02/2010,  como  agora  consta  da  folha  767,  a  Contribuinte,  por  seus  representantes legais, havia protocolado na Receita Federal um pedido de desistência parcial do  recurso. Anexo, apresentou pedido de parcelamento, cópia na folha 772, com fulcro na Lei nº  11.941, de 2009.  Naquela manifestação,  especificou  que,  desistindo  do  recurso  parcialmente,  mantinha sua discordância apenas em relação a dois pontos: a aplicação da multa qualificada,  no percentual de 150%, e a não exclusão do total dos rendimentos considerados omitidos, dos  valores que foram informados como rendimentos em suas DIRPF.  O processo foi  indicado para a pauta da Sessão de 10 de fevereiro de 2015,  porém  constatou­se  que  essa  manifestação  de  desistência  parcial  não  se  encontrava  regularmente anexada aos autos, o que ensejou a decisão de sua retirada. Suprida a falta, volta  o mesmo a julgamento.  É o relatório.  Fl. 791DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por CARLOS CESAR QUADR OS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.017002/2007­64  Acórdão n.º 2801­004.014  S2­TE01  Fl. 792          6 Voto Vencido  Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator.  Conheço  do  recurso,  uma  vez  que  tempestivo,  conforme  relatado,  e  com  condições de admissibilidade.  A  numeração  de  folhas  a  que  me  refiro  a  seguir  é  a  existente  após  a  digitalização do processo, transformado em meio magnético. (formato .pdf)  Considerando a relatada desistência parcial do recurso, cito a seguinte lição:  ...esclarece  Alberto  Xavier  que  “nos  casos  em  que  o  ato  do  lançamento  impugnável  seja  ‘cindível’,  a  impugnação pode  ser  apenas  parcial,  de  tal  modo  que  o  impugnante  poderá  individualizar  o  objeto  do  processo,  especificando  as  ‘questões  ou pedidos parciais’ que pretende impugnar, ficando as demais,  em  virtude  da  renúncia  á  impugnação,  sujeitas  á  preclusão”(XAVIER.  Alberto.  Do  lançamento...2ª  ed.  Forense,  São  Paulo,  1997,  p.  333,  Apud  NEDER,  Marcos  Vinícius  e  LOPEZ, Maria Teresa Martinez. Processo Administrativo Fiscal  Comentado. 2ª ed,. Dialética, São Paulo, 2004, p. 269)  Sendo  assim,  deixo  de  apreciar,  por  desnecessário,  as  preliminares  que  versavam sobre nulidade do lançamento e acesso aos dados bancários, pelo Fisco. Também, a  questão  de  decadência,  suscitada  originalmente,  e  sobre  a  forma  de  apuração  (mensal,  com  ajuste anual) empreendida pela Autoridade Fiscal.  Em  relação  à  legitimidade  da  co­titular  da  conta  para  responder  pelos  depósitos, diz a Súmula CARF nº 29:   Todos  os  co­titulares  da  conta  bancária  devem  ser  intimados  para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na  fase  que  precede  à  lavratura  do  auto  de  infração  com  base  na  presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena  de nulidade do lançamento.  Observo,  conforme  relatado,  que  tal  procedimento  foi  seguido  pela  Autoridade Fiscal, tal qual descrito no Termo de Verificação.  Diz o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996:  Art. 42. Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  § 1º  O  valor  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido  no  mês  do  crédito  efetuado  pela instituição financeira.  Fl. 792DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por CARLOS CESAR QUADR OS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.017002/2007­64  Acórdão n.º 2801­004.014  S2­TE01  Fl. 793          7  § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente  à época em que auferidos ou recebidos.   § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos  serão analisados individualizadamente, observado que não serão  considerados:  I ­ os decorrentes de transferências de outras contas da própria  pessoa física ou jurídica;  II ­ no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso  anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00  (doze  mil  reais),  desde  que  o  seu  somatório,  dentro  do  ano­ calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil  reais).   § 4º Tratando­se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão  tributados no mês em que considerados recebidos, com base na  tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o  crédito pela instituição financeira.   §  5o  Quando  provado  que  os  valores  creditados  na  conta  de  depósito ou de investimento pertencem a  terceiro, evidenciando  interposição  de  pessoa,  a  determinação  dos  rendimentos  ou  receitas  será  efetuada  em  relação  ao  terceiro,  na  condição  de  efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.   §  6o  Na  hipótese  de  contas  de  depósito  ou  de  investimento  mantidas  em  conjunto,  cuja  declaração  de  rendimentos  ou  de  informações  dos  titulares  tenham  sido  apresentadas  em  separado, e não havendo comprovação da origem dos  recursos  nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será  imputado  a  cada  titular  mediante  divisão  entre  o  total  dos  rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.  Preceitua  o  artigo  124,  I,  do  CTN  que  são  solidariamente  obrigadas  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação  principal. Obviamente que os co­titulares de uma conta bancária enquadram­se nessa situação,  todos interessados na manutenção do numerário. Diz BECHO:  “Que  é  ter  interesse  comum  no  fato  gerador?  Parece­nos  ser  quando há mais de uma pessoa ocupando o mesmo pólo de uma  relação jurídica....Há situações econômicas em que mais de uma  pessoa ocupa uma mesma posição em relação a outras. É o que  ocorre  na  co­propriedade.  Quando  houver  mais  de  um  proprietário  (contribuinte),  haverá  solidariedade  entre  eles.  (BECHO,  Renato  Lopes.  A  Responsabilidade  Tributária  dos  Sócios  tem  fundamento  legal?  RDDT  182/107,  nov/2010,  apud  PAULSEN,  Leandro.  Direito  tributário:  Constituição  e  Código  Tributário....15.  ed.  ­  Porto  Alegre  :  Livraria  do  Advogado  Editora, ESMAFE, 2013, p.952)  Fl. 793DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por CARLOS CESAR QUADR OS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.017002/2007­64  Acórdão n.º 2801­004.014  S2­TE01  Fl. 794          8 Ademais,  há  norma  específica,  no  §  6º  do  dispositivo  legal  transcrito,  prevendo a situação e o procedimento fiscal para contas correntes com mais de um titular.  MÉRITO  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  CARACTERIZADA  POR  DEPÓSITOS BANCÁRIOS.  Neste aspecto, a Recorente, no seu pedido de desistência parcial, concordou  com as disposições da DRJ.  Mas,  ad  argumentandum,  em  relação  à  autuação  com  base  apenas  em  presunção  de  renda  caracterizada  pelos  depósitos  bancários,  baseada  exclusivamente  nos  extratos,  destaco  que  já  há  entendimento  pacificado  no  âmbito  do  CARF,  com  a  seguinte  Súmula, que é de aplicação obrigatória por estes Conselheiros:  Súmula CARF nº 26 ­ A presunção estabelecida no art. 42 da Lei  nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda  representada  pelos  depósitos  bancários  sem  origem  comprovada.  Isso porque existe, no caso, a inversão do ônus da prova, não necessitando o  Fisco  demonstrar  que  aquele  depósito  trata­se  de  ingresso  patrimonial  inédito  na  esfera  de  disponibilidade  do  contribuinte,  portanto  passível  de  tributação,  cabendo  ao  sujeito  passivo  demonstrar  o  contrário.  As  presunções  legais  são  admitidas  em  diversos  casos  para  fins  de  tributação e isso não é inovação ou exclusividade da legislação brasileira.   Assim,  os  extratos  bancários  constantes  dos  autos  (fls.  324  e  ss.)  são  suficientes para a comprovação dos depósitos bancários e sobre estes é correta a aplicação da  presunção  de  omissão  de  rendimentos,  quando  o  contribuinte,  regularmente  intimado,  não  demonstra com documentação hábil e idônea a origem dos recursos.  Destaco  que  apesar  de  no  Memorial  (mais  atual)  e  no  recurso  original  a  Contribuinte  referir­se  aos  rendimentos  declarados  tanto  por  ela  quanto  por  seu  marido,  no  pedido de desistência parcial datado de 25/02/2010 apresentou um quadro onde se manifesta  expressamente  apenas  pela  exclusão  de R$  28.800,00,  em  cada  um  dos  anos  auditados,  que  corresponde ao valor dos  rendimentos  informados por ela  nas  suas DIRPF dos  exercícios de  2003 e 2004.  Dessa  feita,  diz  que  dos R$  50.195,83  e  dos  R$  82.355,81  lançados  como  diferença de imposto em 2002 e 2003, respectivamente (Auto fl. 24), desiste de recorrer de R$  R$ 42.275,84 e R$ 74.435,82, também respectivamente. A diferença que se encontra é de R$  7.920,00, em cada ano, que corresponde a vinte e sete vírgula cinco por cento de R$ 28.800,00.  É verdade que  a  jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais  tem  avançado  no  sentido  de mitigar  o  rigor  da  análise  individualizada  dos  créditos,  permitindo, por exemplo, que os  rendimentos  informados nas declarações de ajuste  anual da  pessoa física, mesmo que não expressamente vinculados aos depósitos bancários de origem não  comprovada, pois nesse  caso  seriam  excluídos  pela própria  fiscalização,  sejam excluídos  em  bloco.  Neste  sentido,  cito  os  Acórdãos  nº  2102­00.430  (2ª  Turma  Ordinária/1ª  Câmara/2ª  Seção/CARF), sessão de 03/12/2009, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos,  Fl. 794DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por CARLOS CESAR QUADR OS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.017002/2007­64  Acórdão n.º 2801­004.014  S2­TE01  Fl. 795          9 por  unanimidade;  2202­00.415  (2ª  Turma  Ordinária/2ª  Câmara/2ª  Seção/CARF),  sessão  de  04/02/2010, relator o Conselheiro Nelson Mallmann, por maioria.  A questão é que não parece plausível defender que somente os rendimentos  informados na declaração de ajuste anual não tenham transitado pelas contas bancárias, o que  implicaria dizer que somente os rendimentos omitidos transitam pelas contas bancárias.  Mas observo que neste caso concreto, a única conta auditada era mantida no  DELTA BANK DE NOVA YORK (EUA), conforme Termo de Início de Fiscalização (fl. 52) e  os  rendimentos  declarados  pela  Contribuinte  em  DIRPF,  que  pretende  excluir  do  montante  considerado  omitido,  são  exclusivamente,  como  informado,  provenientes  da  pessoa  jurídica  Talento Jóias Ltda, CNPJ 38.551.792/0001­65, conforme declarações nas folhas 476 e 484.  Portanto, não seria por suposição ou plausibilidade que se iria entender que a  empresa,  sediada  no  Brasil,  efetuou  pagamentos  em  uma  conta  em  Nova  York,  sem  que  a  Recorrente demonstrasse tal fato.  Entendo que não se excepcione a presunção legal estabelecida, cabendo então  à Contribuinte demonstrar que o dinheiro  foi  transferido para a conta mantida no exterior ou  que o recebeu diretamente lá, o que seria insólito.  A  comprovação  da  origem  dos  recursos  deve  ser  feita  "individualizadamente",  como  expressamente  prescrito  no  §  3º  do  artigo  42,  da  Lei  em  comento. Alegar também que as disponibilidades anuais do casal, especialmente a manutenção  de dinheiro em espécie, suportam os depósitos não é suficiente para ilidir a presunção legal e o  procedimento fiscal.  Veja  que  conforme  as  declarações  de  imposto  de  renda  do  contribuinte  Jacques Rodrigues, marido  da  contribuinte  aqui  recorrente,  que  foram  trazidas  a  estes  autos  juntamente com a Impugnação (fls 658 e 674), em 31/12/2001 foi declarada a disponibilidade  de moeda em espécie de R$ 150.000,00, em 31/12/2002 de R$ 450.000,00 e em 31/12/2003 de  R$  550.000,00. Mas  quando  esse  numerário  teria  transitado  pela  conta  corrente mantida  no  exterior  e  especificamente  auditada?  Onde  estão  os  registros  dessas  operações,  de  que  esse  dinheiro  saiu  das  mãos  do  declarante,  passou  por  uma  conta  no  exterior  e  retornou  posteriormente?  Ou  seja,  ter  declarado  disponibilidade  financeira,  sem  nenhuma  espécie  de  demonstração  de  vinculação  com  os  depósitos  e,  principalmente,  sem  qualquer  registro  mediante  documentação  hábil  e  idônea  não  serve,  de  forma  alguma,  para  "comprovar",  de  forma  genérica  e  como  pretende  o  quadro  elaborado  no  recurso  e  repetido  no  Memorial  apresentado  por  ocasião  da  primeira  Sessão  de  Julgamento  em  que  constaram  os  autos,  a  origem dos depósitos, que foram especificados "individualizadamente" no Termo de Intimação  Fiscal.  É claro o artigo 42, acima transcrito, que reputo bastar para fundamentar este  entendimento.  Por fim, quanto a alegação de que a pessoa física não está obrigada a manter  escrituração  de  suas  movimentações  financeiras,  destaco  que  em  vista  disso  a  lei  já  se  preocupou em excluir  depósitos  abaixo de determinados  limites,  conforme  inciso  II,  § 3º do  artigo 42, reputando que acima deles a pessoa física deveria sim, quando intimada pelo Fisco,  Fl. 795DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por CARLOS CESAR QUADR OS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.017002/2007­64  Acórdão n.º 2801­004.014  S2­TE01  Fl. 796          10 ter  documentação que  comprovasse a origem dos  recursos depositados,  por  serem  relevantes  (apuração nas folha 44 a 48).  DA MULTA QUALIFICADA. 150%.   Neste  aspecto,  entretanto,  é  preciso  contextualizar  a  situação  ora  analisada,  para  se verificar  as  conseqüências  e  sanções  a  serem aplicadas,  dentre  as previstas no nosso  ordenamento jurídico.   A ausência de declaração de um rendimento, ou seu reconhecimento a menor,  demanda a constituição da respectiva obrigação tributária pelo Fisco, mediante lançamento de  ofício, e traz como corolário direto a aplicação da multa de 75%, chamada “multa de ofício”,  que encontra sua legitimidade no art. 44 da Lei nº 9.430/1996.  Destaco a Sumula CARF nº 25:  A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  ofício,  sendo  necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72  e 73 da Lei n° 4.502/64.  Outrossim,  tendo  em  vista  que  a  interpretação  do  regime  de  aplicação  de  penalidade tributária é regida pelos preceitos contidos no art. 112 do CTN, dispositivo abaixo  reproduzido:  Art.  112.  A  lei  tributária  que  define  infrações,  ou  lhe  comina  penalidades,  interpreta­se  da  maneira  mais  favorável  ao  acusado, em caso de dúvida quanto:  I­ à capitulação legal do fato;  II  –  à  natureza  ou  às  circunstâncias  materiais  do  fato,  ou  à  natureza ou extensão dos seus efeitos;  III­ à autoria, imputabilidade, ou punibilidade;  IV­ à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação  Não  se  pode,  desse  modo,  interpretar  literalmente  cada  enunciado,  desprezando a análise sistemática e sua implicação sobre o mesmo contexto. Da mesma forma,  a  natureza  punitiva  do  vínculo  estabelecido  pela  autoridade  fiscal  exige  que,  dentre  as  alternativas de interpretação possíveis, seja acolhida aquela mais favorável ao contribuinte.   Disse a Autoridade Fiscal, ao entender pela aplicação da qualificação (fl. 48):  ...  ao  abrir  conta  no  exterior  à  revelia  do  sistema  financeiro  nacional sem declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil,  e  sem  origem  comprovada,  o  contribuinte  agiu  de  maneira  consciente e deliberada, com o  intuito de  sonegar  informações,  dificultou  a  fiscalização,  e  usou  meios  fraudulentos  para  esconder  o  fato  gerador  do  Imposto  de  Renda,  o  montante  de  Crédito Tributário, e suas condições pessoais,  cometendo o ato  ilícito  de  sonegação  e  fraude  fiscal  conforme  preceitua  a  Lei  4.502/1964:  Fl. 796DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por CARLOS CESAR QUADR OS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.017002/2007­64  Acórdão n.º 2801­004.014  S2­TE01  Fl. 797          11 Ora,  abrir conta no exterior não é  ilícito  e a questão da  "revelia ao sistema  financeiro"  transborda  a  matéria  tributária  de  competência  da  auditoria  fiscal.  Entretanto,  entendo que não  foi  demonstrada a origem  ilícita dos depósitos ou o dolo  específico, mas o  lançamento encontra­se suportado por uma "presunção legal".  Segundo PAULO DE BARROS CARVALHO, “é a espécie de multa que tem  por conteúdo a agravação da penalidade...É aplicada quando a Administração demonstra, por  elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator  de  atuar  com  dolo,  fraudar  ou  simular  situação  perante  o  Fisco”  (CARVALHO,  Paulo  de  Barros, Curso de Direito Tributário, 21 ed. Saraiva, 2009, p 581)  Citamos também a Súmula CARF nº 14 – “A simples apuração de omissão  de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo  necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”.  Assim,  entendo  que  uma  autuação  com  base  em  presunção,  apesar  de  expressamente  prevista  em  lei,  não  autoriza  o  Fisco  à  qualificação  da  multa  proporcional,  passando­a  de  75% para  150%. O  ônus,  neste  caso,  quanto  à  situação  fática  que  autorize  a  duplicação da multa, é do Fisco.  Não  se  afigura  razoável  que  se  “presuma”  a  omissão  de  rendimentos  e  se  afirme cabalmente o dolo do agente.  CONCLUSÃO  Ante tudo acima exposto, especialmente destacando o pedido de desistência  parcial  apresentado  pela  Recorrente,  e  o  que  mais  constam  nos  autos,  VOTO  por  dar  provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa de ofício proporcional a 75%.   Assinado digitalmente  Marcio Henrique Sales Parada.     Voto Vencedor  Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Redator Designado.  Apesar  do  brilhante  voto  do  Conselheiro  Relator,  peço  permissão  para  discordar do seu entendimento quanto à questão de mérito.  Conforme  se  verifica  nos  autos,  a  litígio  resta  restrito  ao  pedido  da  Contribuinte para afastar do lançamento os valores por ela declarados; como bem destacou o  Ilustre Conselheiro Relator em seu voto:  Destaco  que  apesar  de  no Memorial  (mais  atual)  e no  recurso  original  a  Contribuinte  referir­se  aos  rendimentos  declarados  tanto  por  ela  quanto  por  seu marido,  no  pedido  de  desistência  parcial  datado  de  25/02/2010  apresentou  um  quadro  onde  se  manifesta expressamente apenas pela exclusão de R$ 28.800,00,  Fl. 797DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por CARLOS CESAR QUADR OS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.017002/2007­64  Acórdão n.º 2801­004.014  S2­TE01  Fl. 798          12 em cada um dos anos auditados, que corresponde ao valor dos  rendimentos informados por ela nas suas DIRPF dos exercícios  de 2003 e 2004.  Dessa  feita,  diz  que  dos  R$  50.195,83  e  dos  R$  82.355,81  lançados  como  diferença  de  imposto  em  2002  e  2003,  respectivamente  (Auto  fl.  24),  desiste  de  recorrer  de  R$  R$  42.275,84 e R$ 74.435,82, também respectivamente. A diferença  que se encontra é de R$ 7.920,00, em cada ano, que corresponde  a vinte e sete vírgula cinco por cento de R$ 28.800,00.  Destaco  que  a  jurisprudência  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  tem  avançado  no  sentido  de mitigar  o  rigor  da  análise  individualizada  dos  créditos,  permitindo, por exemplo, que os  rendimentos  informados nas declarações de ajuste  anual da  pessoa física, desde que não expressamente vinculados aos depósitos bancários de origem não  comprovada, pois nesse  caso  seriam  excluídos  pela própria  fiscalização,  sejam excluídos  em  bloco.  Neste  sentido,  cito  os  Acórdãos  nº  2102­00.430  (2ª  Turma  Ordinária/1ª  Câmara/2ª  Seção/CARF), sessão de 03/12/2009, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos,  por  unanimidade;  2202­00.415  (2ª  Turma  Ordinária/2ª  Câmara/2ª  Seção/CARF),  sessão  de  04/02/2010, relator o Conselheiro Nelson Mallmann, por maioria.  A questão é que não parece plausível defender que somente os rendimentos  informados na declaração de ajuste anual não tenham transitado pelas contas bancárias, o que  implicaria dizer que somente os rendimentos omitidos transitam pelas contas bancárias.  No  caso  em  exame,  percebo  que  a  fiscalização  não  tratou  de  abater  no  lançamento os rendimentos declarados pela contribuinte.  Neste ponto,  ouso discordar do  Ilustre Relator,  que pensa não  ser plausível  que a pessoa jurídica, informada na declaração como fonte dos rendimentos da contribuinte, ter  depositado os valores em conta no exterior.  Em  primeiro  plano,  entendo  que,  se  a  pessoa  jurídica  houvesse  depositado  diretamente na conta do exterior teríamos a origem dos depósitos e não haveria lançamento por  depósito bancário de origem não comprovada.  Em  segundo  plano,  penso  que,  mesmo  que  não  fosse  plausível,  não  seria  impossível o depósito pela pessoa jurídica.  Pior  fim,  em  caso  de  dúvida,  deve  prevalecer  o  princípio  "in  dúbio  pro  contribuinte".  Assim, os citados valores devem ser excluídos da base de cálculo da omissão  de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada,  já que tais  rendimentos  não  foram  objeto  de  glosa  pela  autoridade  fiscal,  ou  seja,  estes  recursos  foram  tacitamente confirmados pelo Fisco.  Ante  tudo  acima  exposto  e  o  que  mais  constam  nos  autos,  voto  por  dar  provimento ao recurso, para cancelar o crédito tributário ainda em litígio.    Fl. 798DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por CARLOS CESAR QUADR OS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.017002/2007­64  Acórdão n.º 2801­004.014  S2­TE01  Fl. 799          13 Assinado digitalmente  Carlos César Quadros Pierre                    Fl. 799DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por CARLOS CESAR QUADR OS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN

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Numero do processo: 13855.721243/2013-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 AI’s DEBCAD’s sob nºs 51.038.128-6 e 51.038.129-4 Consolidado em 15/05/2013 DECISÃO DA DRJ DE OUTRO ESTADO. VALIDADE Decisão de DRJ de outro estado diferente de onde encontra-se localizado a Recorrente é estritamente legal não implicando em cerceamento de defesa, considerando a Portaria RFB nº1006/2013 que disciplina a competência por matéria das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), relaciona as matérias de julgamento por Turma e define atribuição para a identificação dos processos a serem distribuídos às DRJ. ILEGITIMIDADE DA INCLUSÃO DE SÓCIOS E EX-SÓCIOS NA DECISÃO DE PISO Inclusão no processo dos sócios e ex-sócio que a Recorrente alega que não foram noticiados do lançamentos, e demonstrado nos autos os Termos de Responsabilidade de todos eles, não causa ilegitimidade e tão pouco nulidade da ação e tão pouco há ilegitimidade. NULIDADE POR AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTO FORMAL POR PARTE DA FISCALIZAÇÃO. No caso em tela há a alegação da Recorrente que não tem nos autos a comprovação de que ela foi noticiada do procedimento fiscal que desaguou na autuação. Havendo nos autos, como há no caso em tela, que a ação fiscal foi precedida de Termo de Início de Procedimento Fiscal, o nº do MPF 0812300.2012.00402, onde o representante da autuada tomou ciência, bem como dos atos constitutivos da lavratura, não há de se falar em nulidade por ausência de pressuposto formal. INEXISTÊNCIA DE PROVAS INDISPENSÁVEIS PARA O LANÇAMENTO. VALIDADE DO AUTO. FATO GERADOR COMPORVADO. No caso em tela a Recorrente alega que a Fiscalização não teve elementos probatórios suficientes para poder demonstrar a relação direta de emprego de cada funcionário com cada uma das empresas citadas, e depois, diretamente com a Autuada. Entretanto há nos autos todos os elementos de prova aptos a embasar a acusação fiscal, ou seja, a simulação na contratação de empregados, por meio de empresas interpostas optante do SIMPLES. Não há nos autos a simples acusação fiscal, estribada na desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com a conseqüente caracterização de segurados empregados. Há comprovação da conduta do contribuinte com o fito de sonegar tributos, capaz de comprovar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, e é suficiente para caracterizar a relação de emprego entre os funcionários de uma empresa e ou de outra com a Recorrente. Nos moldes do artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, resta constatada e comprovada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e os “prestadores de serviços”. Desta forma foi caracterizado como contribuinte individual ou segurado empregado e desconsiderado a personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, considerando seus sócios e/ou funcionários como empregados da tomadora. EMPRESAS COM SEDE DENTRO DA EMPRESA MÃE. VERIFICAÇÃO FÍSICA NA SEDE DAS EMPRESAS ENVOLVIDAS Sendo efetuado diligência 'in loco' e constatado que o endereço das empresas ora fiscalizadas, (Av. Alberto Pulicano, 3700, 3702; 3706 e Rua Ademar Pulicano, 390 - Sala “A”; todas no Distrito Industrial CEP: 14.406-100), no dia 21.06.2009, nas dependências da REcorrente. CONSTATADO que no mesmo endereço, embora constem números diferentes no cadastro da Receita Federal do Brasil, funcionam todas as empresas filhas (dita prestadoras de serviços). CONFIGURADO SUBORDINAÇÃO JURÍDICA. TODOS OS EMPREGADOS DE TODAS AS EMPRESAS TRABALHANDO NA RECORRENTE. Todos os empregados de todas as empresas, interpostos e ou empresa mãe, trabalhando nas dependências da pessoa jurídica contratante, sob o julgo deste, sob as regras deste e sobre o comando de horário de dependência financeira, claro está que há somente um no comando. Empresa que comanda ações de funcionários na sua dependência há configurado a relação de emprego. DEPARTAMENTO FINANCEIRO Há nos autos a comprovação que todas as empresas possuía um departamento financeiro, sob seu comando e julgo. No caso em tela há a clara relação empregatícia com a Recorrente, quando os empregados das supostas interpostas, estão subordinadas a somente um DEPARTAMENTO FINANCEIRO. RESPONSÁVEL DO DEPARTAMENTO FINANCEIRO DA EMPRESA MÃE REGISTRADO NUMA DAS EMPRESAS INTERPOSTAS. CONFIGURAÇÃO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO. No caso em tela uma funcionária da empresa V. de O. Padilha - ME é a responsável pelo do serviços no DEPARTAMENTO FINANCEIRO da Point Shoes Ltda - Carmen Steffens. Assim como o DIRETOR FINANCEIRO da Point Shoes Ltda encontra-se registrado na COUROQUIMICA COUROS E ACABAMENTOS LTDA. APRESENTAÇÃO FUNCIONAL.UNIFORMIZAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE SUBORDINAÇÃO JURÍDICA. Todos os funcionários, independentes de estarem registrados em uma ou outra empresa do grupo, indistintamente, em todos os setores trabalham com o uniforme da empresa “Carmen Steffens”, Point Shoes Ltda. CONTROLE DE PONTO. SUBORDINAÇÃO JURÍDICA. Controle de ponto realizado por meio eletrônico, cuja identificação da empresa é Point Shoes e Carmen Steffens, com o Relógio eletrônico nas suas dependências, perto da administração central, demonstra o controle e a subordinação de todos pela REcorrente. CENTRALIZAÇÃO FINANCEIRA DA POINT SHOES LTDA Empresa que efetivamente PAGA e CONTROLA financeiramente as despesas tributárias, como SIMPLES, FGTS, INSS das interpostas sem que haja autorização contratual e legal, configura inexistência das supostas empresas prestadoras de serviços. PLANO DE SAÚDE -“PLANO EMPRESA PERCAPITA”. Empresa mãe que disponibilizada Plano de Saúde através de contrato, sendo que relaciona os beneficiários, que são empregados das empresas interpostas configura subordinação jurídica. OUTROS ELEMENTOS DE PROVA. DECLARAÇÃO EM MÍDIA. CONFIGURAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE EMPRESAS INTERPOSTAS. No caso em tela há uma declaração do diretor presidente da Recorrente que o número de funcionários a seu comando é exatamente a soma de todos os funcionários de todas as empresas. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA DAS EMPRESAS INTERPOSTAS. Dos elementos probantes verificando-se que há entre a Recorrente todos os requisitos para configurar o vínculo de emprego com todos os funcionários, pois presente a não eventualidade, a subordinação, a pessoalidade e a onerosidade, há a autoridade fiscal de desconsiderar a personalidade jurídica das empresas interpostas e configurar todos os empregados como sendo da empresa que comanda as demais. No caso em tela foram constatados todos os requisitos necessários à caracterização do vínculo laboral entre o suposto tomador de serviços com os tidos prestadores de serviços (funcionários das empresas contratadas), a autoridade administrativa, de conformidade com os dispositivos legais, tem a obrigação de caracterizar como segurado empregado qualquer trabalhador que preste serviço ao contribuinte nestas condições, fazendo incidir, conseqüentemente, as contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas ou creditadas em favor daqueles. MULTA QUALIFICADA. DESCABIMENTO. No âmbito das contribuições previdenciárias, anteriormente administradas pela Secretaria da Receita Previdenciária, na maioria dos casos inexistia o devido cuidado em caracterizar a conduta dolosa do contribuinte para efeito de comprovação dos crimes fiscais do dolo, fraude ou simulação. A fiscalização tão somente informava à notificada da existência de Representação Fiscal para Fins Penais, sem o devido aprofundamento na matéria. Isto porque, além de inexistir multa de ofício qualificada, àquela época, vigia o artigo 45 da Lei nº 8.212/91, o qual contemplava o prazo decadencial de 10 (dez) anos, independentemente de antecipação de pagamento e/ou ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Após a unificação das Secretarias das Receitas Previdenciária e Federal, em Receita Federal do Brasil (“Super Receita”), as contribuições previdenciárias passaram a ser administradas pela RFB que, em curto lapso temporal, compatibilizou os procedimentos fiscalizatórios e, por conseguinte, de constituição de créditos tributários, estabelecendo, igualmente, para os tributos em epígrafe multas de ofício a serem aplicadas em observância à Lei n° 9.430/1996, conforme alterações na legislação introduzidas pela Lei nº 11.941/2009. Diante desses fatos, com a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, associada com os novos procedimentos adotados pela RFB e a transferência de competência para julgamento das contribuições previdenciárias do CRPS para o CARF, passou a ser de extrema importância a comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, para efeito de aplicação do prazo decadencial, do artigo 150, § 4, ou artigo 173, inciso I, do CTN. No caso em tela a forte indícios da existência de qualquer um dos três comportamentos, todavia, não comprovado. Razão pela qual não há como aplicar a multa qualificada. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado DECISÃO: I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, no que tange à caracterização dos segurados como empregados, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso, nas demais questões alegadas pela recorrente, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir a qualificação da multa, devido à ausência de dolo, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Cleberson Alex Friess, que votaram em manter o percentual da multa. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antonio de Souza Correa
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA

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NULIDADE POR AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTO FORMAL POR PARTE DA FISCALIZAÇÃO. No caso em tela há a alegação da Recorrente que não tem nos autos a comprovação de que ela foi noticiada do procedimento fiscal que desaguou na autuação. Havendo nos autos, como há no caso em tela, que a ação fiscal foi precedida de Termo de Início de Procedimento Fiscal, o nº do MPF 0812300.2012.00402, onde o representante da autuada tomou ciência, bem como dos atos constitutivos da lavratura, não há de se falar em nulidade por ausência de pressuposto formal. INEXISTÊNCIA DE PROVAS INDISPENSÁVEIS PARA O LANÇAMENTO. VALIDADE DO AUTO. FATO GERADOR COMPORVADO. No caso em tela a Recorrente alega que a Fiscalização não teve elementos probatórios suficientes para poder demonstrar a relação direta de emprego de cada funcionário com cada uma das empresas citadas, e depois, diretamente com a Autuada. Entretanto há nos autos todos os elementos de prova aptos a embasar a acusação fiscal, ou seja, a simulação na contratação de empregados, por meio de empresas interpostas optante do SIMPLES. Não há nos autos a simples acusação fiscal, estribada na desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com a conseqüente caracterização de segurados empregados. Há comprovação da conduta do contribuinte com o fito de sonegar tributos, capaz de comprovar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, e é suficiente para caracterizar a relação de emprego entre os funcionários de uma empresa e ou de outra com a Recorrente. Nos moldes do artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, resta constatada e comprovada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e os “prestadores de serviços”. Desta forma foi caracterizado como contribuinte individual ou segurado empregado e desconsiderado a personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, considerando seus sócios e/ou funcionários como empregados da tomadora. EMPRESAS COM SEDE DENTRO DA EMPRESA MÃE. VERIFICAÇÃO FÍSICA NA SEDE DAS EMPRESAS ENVOLVIDAS Sendo efetuado diligência 'in loco' e constatado que o endereço das empresas ora fiscalizadas, (Av. Alberto Pulicano, 3700, 3702; 3706 e Rua Ademar Pulicano, 390 - Sala “A”; todas no Distrito Industrial CEP: 14.406-100), no dia 21.06.2009, nas dependências da REcorrente. CONSTATADO que no mesmo endereço, embora constem números diferentes no cadastro da Receita Federal do Brasil, funcionam todas as empresas filhas (dita prestadoras de serviços). CONFIGURADO SUBORDINAÇÃO JURÍDICA. TODOS OS EMPREGADOS DE TODAS AS EMPRESAS TRABALHANDO NA RECORRENTE. Todos os empregados de todas as empresas, interpostos e ou empresa mãe, trabalhando nas dependências da pessoa jurídica contratante, sob o julgo deste, sob as regras deste e sobre o comando de horário de dependência financeira, claro está que há somente um no comando. Empresa que comanda ações de funcionários na sua dependência há configurado a relação de emprego. DEPARTAMENTO FINANCEIRO Há nos autos a comprovação que todas as empresas possuía um departamento financeiro, sob seu comando e julgo. No caso em tela há a clara relação empregatícia com a Recorrente, quando os empregados das supostas interpostas, estão subordinadas a somente um DEPARTAMENTO FINANCEIRO. RESPONSÁVEL DO DEPARTAMENTO FINANCEIRO DA EMPRESA MÃE REGISTRADO NUMA DAS EMPRESAS INTERPOSTAS. CONFIGURAÇÃO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO. No caso em tela uma funcionária da empresa V. de O. Padilha - ME é a responsável pelo do serviços no DEPARTAMENTO FINANCEIRO da Point Shoes Ltda - Carmen Steffens. Assim como o DIRETOR FINANCEIRO da Point Shoes Ltda encontra-se registrado na COUROQUIMICA COUROS E ACABAMENTOS LTDA. APRESENTAÇÃO FUNCIONAL.UNIFORMIZAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE SUBORDINAÇÃO JURÍDICA. Todos os funcionários, independentes de estarem registrados em uma ou outra empresa do grupo, indistintamente, em todos os setores trabalham com o uniforme da empresa “Carmen Steffens”, Point Shoes Ltda. CONTROLE DE PONTO. SUBORDINAÇÃO JURÍDICA. Controle de ponto realizado por meio eletrônico, cuja identificação da empresa é Point Shoes e Carmen Steffens, com o Relógio eletrônico nas suas dependências, perto da administração central, demonstra o controle e a subordinação de todos pela REcorrente. CENTRALIZAÇÃO FINANCEIRA DA POINT SHOES LTDA Empresa que efetivamente PAGA e CONTROLA financeiramente as despesas tributárias, como SIMPLES, FGTS, INSS das interpostas sem que haja autorização contratual e legal, configura inexistência das supostas empresas prestadoras de serviços. PLANO DE SAÚDE -“PLANO EMPRESA PERCAPITA”. Empresa mãe que disponibilizada Plano de Saúde através de contrato, sendo que relaciona os beneficiários, que são empregados das empresas interpostas configura subordinação jurídica. OUTROS ELEMENTOS DE PROVA. DECLARAÇÃO EM MÍDIA. CONFIGURAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE EMPRESAS INTERPOSTAS. No caso em tela há uma declaração do diretor presidente da Recorrente que o número de funcionários a seu comando é exatamente a soma de todos os funcionários de todas as empresas. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA DAS EMPRESAS INTERPOSTAS. Dos elementos probantes verificando-se que há entre a Recorrente todos os requisitos para configurar o vínculo de emprego com todos os funcionários, pois presente a não eventualidade, a subordinação, a pessoalidade e a onerosidade, há a autoridade fiscal de desconsiderar a personalidade jurídica das empresas interpostas e configurar todos os empregados como sendo da empresa que comanda as demais. No caso em tela foram constatados todos os requisitos necessários à caracterização do vínculo laboral entre o suposto tomador de serviços com os tidos prestadores de serviços (funcionários das empresas contratadas), a autoridade administrativa, de conformidade com os dispositivos legais, tem a obrigação de caracterizar como segurado empregado qualquer trabalhador que preste serviço ao contribuinte nestas condições, fazendo incidir, conseqüentemente, as contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas ou creditadas em favor daqueles. MULTA QUALIFICADA. DESCABIMENTO. No âmbito das contribuições previdenciárias, anteriormente administradas pela Secretaria da Receita Previdenciária, na maioria dos casos inexistia o devido cuidado em caracterizar a conduta dolosa do contribuinte para efeito de comprovação dos crimes fiscais do dolo, fraude ou simulação. A fiscalização tão somente informava à notificada da existência de Representação Fiscal para Fins Penais, sem o devido aprofundamento na matéria. Isto porque, além de inexistir multa de ofício qualificada, àquela época, vigia o artigo 45 da Lei nº 8.212/91, o qual contemplava o prazo decadencial de 10 (dez) anos, independentemente de antecipação de pagamento e/ou ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Após a unificação das Secretarias das Receitas Previdenciária e Federal, em Receita Federal do Brasil (“Super Receita”), as contribuições previdenciárias passaram a ser administradas pela RFB que, em curto lapso temporal, compatibilizou os procedimentos fiscalizatórios e, por conseguinte, de constituição de créditos tributários, estabelecendo, igualmente, para os tributos em epígrafe multas de ofício a serem aplicadas em observância à Lei n° 9.430/1996, conforme alterações na legislação introduzidas pela Lei nº 11.941/2009. Diante desses fatos, com a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, associada com os novos procedimentos adotados pela RFB e a transferência de competência para julgamento das contribuições previdenciárias do CRPS para o CARF, passou a ser de extrema importância a comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, para efeito de aplicação do prazo decadencial, do artigo 150, § 4, ou artigo 173, inciso I, do CTN. No caso em tela a forte indícios da existência de qualquer um dos três comportamentos, todavia, não comprovado. Razão pela qual não há como aplicar a multa qualificada. Recurso Voluntário Provido em Parte

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2175; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 2          1 1  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13855.721243/2013­07  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2301­004.324  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de fevereiro de 2015  Matéria  Contribuição Previdenciária  Recorrente  POINT SHOES LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010  AI’s DEBCAD’s sob nºs 51.038.128­6 e 51.038.129­4  Consolidado em 15/05/2013  DECISÃO DA DRJ DE OUTRO ESTADO. VALIDADE  Decisão  de  DRJ  de  outro  estado  diferente  de  onde  encontra­se  localizado a Recorrente é estritamente  legal não  implicando em  cerceamento  de  defesa,  considerando  a  Portaria  RFB  nº1006/2013  que  disciplina  a  competência  por  matéria  das  Delegacias  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ),  relaciona  as  matérias  de  julgamento  por  Turma  e  define  atribuição para a identificação dos processos a serem distribuídos  às DRJ.  ILEGITIMIDADE  DA  INCLUSÃO  DE  SÓCIOS  E  EX­SÓCIOS  NA  DECISÃO DE PISO  Inclusão no processo dos  sócios e ex­sócio que a Recorrente alega que não  foram  noticiados  do  lançamentos,  e  demonstrado  nos  autos  os  Termos  de  Responsabilidade de todos eles, não causa ilegitimidade e tão pouco nulidade  da ação e tão pouco há ilegitimidade.  NULIDADE  POR  AUSÊNCIA  DE  PRESSUPOSTO  FORMAL  POR  PARTE DA FISCALIZAÇÃO.  No  caso  em  tela  há  a  alegação  da  Recorrente  que  não  tem  nos  autos  a  comprovação de que ela  foi noticiada do procedimento  fiscal que desaguou  na autuação.  Havendo nos autos, como há no caso em tela, que a ação fiscal foi precedida  de  Termo  de  Início  de  Procedimento  Fiscal,  o  nº  do  MPF  0812300.2012.00402,  onde  o  representante  da  autuada  tomou  ciência,  bem     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 12 43 /2 01 3- 07 Fl. 2488DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA     2 como dos atos constitutivos da lavratura, não há de se falar em nulidade por  ausência de pressuposto formal.  INEXISTÊNCIA  DE  PROVAS  INDISPENSÁVEIS  PARA  O  LANÇAMENTO.  VALIDADE  DO  AUTO.  FATO  GERADOR  COMPORVADO.  No  caso  em  tela  a Recorrente  alega  que  a Fiscalização  não  teve  elementos  probatórios suficientes para poder demonstrar a relação direta de emprego de  cada funcionário com cada uma das empresas citadas, e depois, diretamente  com a Autuada.  Entretanto  há  nos  autos  todos  os  elementos  de  prova  aptos  a  embasar  a  acusação fiscal, ou seja, a simulação na contratação de empregados, por meio  de empresas interpostas optante do SIMPLES.  Não há nos autos a simples acusação fiscal, estribada na desconsideração da  personalidade  jurídica  das  empresas  prestadoras  de  serviços,  com  a  conseqüente caracterização de segurados empregados.  Há comprovação da conduta do contribuinte com o fito de sonegar tributos,  capaz de comprovar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, e é suficiente  para caracterizar a relação de emprego entre os funcionários de uma empresa  e ou de outra com a Recorrente.  Nos  moldes  do  artigo  229,  §  2º,  do  Regulamento  da  Previdência  Social  ­  RPS,  aprovado  pelo Decreto  nº  3.048/99,  resta  constatada  e  comprovada  a  efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o  suposto “tomador de serviços” e os “prestadores de serviços”.  Desta  forma  foi  caracterizado  como  contribuinte  individual  ou  segurado  empregado  e  desconsiderado  a  personalidade  jurídica  das  empresas  prestadoras  de  serviços,  considerando  seus  sócios  e/ou  funcionários  como  empregados da tomadora.  EMPRESAS COM SEDE DENTRO DA EMPRESA MÃE. VERIFICAÇÃO  FÍSICA NA SEDE DAS EMPRESAS ENVOLVIDAS  Sendo efetuado diligência 'in loco' e constatado que o endereço das empresas  ora  fiscalizadas,  (Av.  Alberto  Pulicano,  3700,  3702;  3706  e  Rua  Ademar  Pulicano, 390 ­ Sala “A”;  todas no Distrito Industrial CEP: 14.406­100), no  dia  21.06.2009,  nas  dependências  da  REcorrente.  CONSTATADO  que  no  mesmo endereço, embora constem números diferentes no cadastro da Receita  Federal  do  Brasil,  funcionam  todas  as  empresas  filhas  (dita  prestadoras  de  serviços).  CONFIGURADO  SUBORDINAÇÃO  JURÍDICA.  TODOS  OS  EMPREGADOS  DE  TODAS  AS  EMPRESAS  TRABALHANDO  NA  RECORRENTE.  Todos os  empregados de  todas  as  empresas,  interpostos  e ou  empresa mãe,  trabalhando  nas  dependências  da  pessoa  jurídica  contratante,  sob  o  julgo  deste,  sob  as  regras  deste  e  sobre  o  comando  de  horário  de  dependência  financeira, claro está que há somente um no comando. Empresa que comanda  ações  de  funcionários  na  sua  dependência  há  configurado  a  relação  de  emprego.  DEPARTAMENTO FINANCEIRO  Fl. 2489DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 13855.721243/2013­07  Acórdão n.º 2301­004.324  S2­C3T1  Fl. 3          3 Há nos autos a comprovação que todas as empresas possuía um departamento  financeiro, sob seu comando e julgo.  No caso em tela há a clara relação empregatícia com a Recorrente, quando os  empregados  das  supostas  interpostas,  estão  subordinadas  a  somente  um  DEPARTAMENTO FINANCEIRO.  RESPONSÁVEL  DO  DEPARTAMENTO  FINANCEIRO  DA  EMPRESA  MÃE  REGISTRADO  NUMA  DAS  EMPRESAS  INTERPOSTAS.  CONFIGURAÇÃO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO.  No  caso  em  tela  uma  funcionária  da  empresa  V.  de  O.  Padilha  ­ ME  é  a  responsável pelo do serviços no DEPARTAMENTO FINANCEIRO da Point  Shoes Ltda ­ Carmen Steffens. Assim como o DIRETOR FINANCEIRO da  Point Shoes Ltda encontra­se registrado na COUROQUIMICA COUROS E  ACABAMENTOS LTDA.  APRESENTAÇÃO  FUNCIONAL.UNIFORMIZAÇÃO.  CARACTERIZAÇÃO DE SUBORDINAÇÃO JURÍDICA.  Todos  os  funcionários,  independentes  de  estarem  registrados  em  uma  ou  outra empresa do grupo, indistintamente, em todos os setores trabalham com  o uniforme da empresa “Carmen Steffens”, Point Shoes Ltda.  CONTROLE DE PONTO. SUBORDINAÇÃO JURÍDICA.  Controle  de  ponto  realizado  por  meio  eletrônico,  cuja  identificação  da  empresa é Point Shoes e Carmen Steffens, com o Relógio eletrônico nas suas  dependências,  perto  da  administração  central,  demonstra  o  controle  e  a  subordinação de todos pela REcorrente.  CENTRALIZAÇÃO FINANCEIRA DA POINT SHOES LTDA  Empresa  que  efetivamente  PAGA  e  CONTROLA  financeiramente  as  despesas  tributárias,  como SIMPLES, FGTS,  INSS das  interpostas  sem que  haja  autorização  contratual  e  legal,  configura  inexistência  das  supostas  empresas prestadoras de serviços.  PLANO DE SAÚDE ­“PLANO EMPRESA PERCAPITA”.  Empresa mãe que disponibilizada Plano de Saúde através de contrato, sendo  que relaciona os beneficiários, que são empregados das empresas interpostas  configura subordinação jurídica.  OUTROS  ELEMENTOS  DE  PROVA.  DECLARAÇÃO  EM  MÍDIA.  CONFIGURAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE EMPRESAS INTERPOSTAS.  No caso em tela há uma declaração do diretor presidente da Recorrente que o  número  de  funcionários  a  seu  comando  é  exatamente  a  soma  de  todos  os  funcionários de todas as empresas.  CARACTERIZAÇÃO  DE  SEGURADOS  EMPREGADOS.  DESCONSIDERAÇÃO  DA  PERSONALIDADE  JURÍDICA  DAS  EMPRESAS INTERPOSTAS.  Dos elementos probantes verificando­se que há  entre a Recorrente  todos os  requisitos para configurar o vínculo de emprego com todos os funcionários,  pois  presente  a  não  eventualidade,  a  subordinação,  a  pessoalidade  e  a  Fl. 2490DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA     4 onerosidade, há a autoridade fiscal de desconsiderar a personalidade jurídica  das  empresas  interpostas  e  configurar  todos  os  empregados  como  sendo  da  empresa que comanda as demais.  No  caso  em  tela  foram  constatados  todos  os  requisitos  necessários  à  caracterização do vínculo laboral entre o suposto tomador de serviços com os  tidos  prestadores  de  serviços  (funcionários  das  empresas  contratadas),  a  autoridade administrativa, de conformidade com os dispositivos legais, tem a  obrigação  de  caracterizar  como  segurado  empregado  qualquer  trabalhador  que  preste  serviço  ao  contribuinte  nestas  condições,  fazendo  incidir,  conseqüentemente,  as  contribuições  previdenciárias  sobre  as  remunerações  pagas ou creditadas em favor daqueles.  MULTA QUALIFICADA. DESCABIMENTO.  No  âmbito  das  contribuições  previdenciárias,  anteriormente  administradas  pela  Secretaria  da  Receita  Previdenciária,  na maioria  dos  casos  inexistia  o  devido cuidado em caracterizar a conduta dolosa do contribuinte para efeito  de  comprovação  dos  crimes  fiscais  do  dolo,  fraude  ou  simulação.  A  fiscalização  tão  somente  informava  à  notificada  da  existência  de  Representação  Fiscal  para  Fins  Penais,  sem  o  devido  aprofundamento  na  matéria.  Isto porque, além de inexistir multa de ofício qualificada, àquela época, vigia  o artigo 45 da Lei nº 8.212/91, o qual contemplava o prazo decadencial de 10  (dez) anos, independentemente de antecipação de pagamento e/ou ocorrência  de dolo, fraude ou simulação.  Após a unificação das Secretarias das Receitas Previdenciária e Federal, em  Receita Federal do Brasil (“Super Receita”), as contribuições previdenciárias  passaram  a  ser  administradas  pela  RFB  que,  em  curto  lapso  temporal,  compatibilizou  os  procedimentos  fiscalizatórios  e,  por  conseguinte,  de  constituição  de  créditos  tributários,  estabelecendo,  igualmente,  para  os  tributos em epígrafe multas de ofício a serem aplicadas em observância à Lei  n°  9.430/1996,  conforme  alterações  na  legislação  introduzidas  pela  Lei  nº  11.941/2009.  Diante desses  fatos, com a declaração da  inconstitucionalidade do artigo 45  da  Lei  nº  8.212/91,  associada  com  os  novos  procedimentos  adotados  pela  RFB  e  a  transferência  de  competência  para  julgamento  das  contribuições  previdenciárias do CRPS para o CARF, passou a ser de extrema importância  a  comprovação  da  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  para  efeito  de  aplicação do prazo decadencial, do artigo 150, § 4, ou artigo 173, inciso I, do  CTN.  No  caso  em  tela  a  forte  indícios  da  existência  de  qualquer  um  dos  três  comportamentos,  todavia,  não  comprovado.  Razão  pela  qual  não  há  como  aplicar a multa qualificada.  Recurso Voluntário Provido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado DECISÃO: I) Por unanimidade de votos:  a)  em  negar  provimento  ao  recurso,  no  que  tange  à  caracterização  dos  segurados  como  empregados, nos  termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso, nas demais  Fl. 2491DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 13855.721243/2013­07  Acórdão n.º 2301­004.324  S2­C3T1  Fl. 4          5 questões alegadas pela recorrente, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a)  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso,  a  fim  de  excluir  a  qualificação  da  multa,  devido  à  ausência  de  dolo,  nos  termos  do  voto  do  Relator.  Vencidos  os  Conselheiros  Daniel  Melo  Mendes Bezerra e Cleberson Alex Friess, que votaram em manter o percentual da multa.     (assinado digitalmente)  MARCELO OLIVEIRA ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcelo  Oliveira  (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos,  Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antonio de Souza Correa   Fl. 2492DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA     6 Relatório  Trata­se  de  lançamento  em  dois  AI’s  DEBCAD’s,  em  desfavor  da  Recorrente, constituindo crédito Previdenciário, sendo eles:   1)  Auto  de  Infração,  DEBCAD  nº  51.038.1286,  13.089.678,29,  já  acrescido  da  multa  de  oficio  de  150%,  e dos  juros  de mora,  referente  às  contribuições  devidas à previdência social, correspondentes à parte da  empresa, e ao financiamento dos benefícios concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho  – RAT, incidentes sobre a remuneração paga, devida ou  creditada a qualquer título, aos segurados empregados e  contribuintes individuais a serviço da autuada.  2)  Auto de  Infração, DEBCAD nº 51.038.1294,  no valor  de R$ 3.493.344,32, já acrescido da multa de oficio de  150%  e  dos  juros  de mora,  referente  às  contribuições  devidas às terceiras entidades e fundos, incidentes sobre  a  remuneração  paga,  devida  ou  creditada  a  qualquer  título,  aos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais a serviço da autuada.  Irresignada  com  o  Acórdão  sob  n°  0733.224,  exarado  pela  6ª  Turma  da  DRJ/FNS, aviou o presente remédio recursivo.  Quanto ao  lançamento, constatou a Fiscalização em ação fiscal  realizada na  Recorrente  (fábrica  de  calçados  em  couro)  que  as  empresas  ESCA  ESCRITÓRIO  DE  CONTABILIDADE  LTDA EPP,  CNPJ  nº  07.196.242/0001­41,  denominada  ESCA,  FÁBIO  APARECIDO ANDRADE ­ ME, CNPJ nº 03.694.037/0001­55, denominada FÁBIO, FRANK  ALBERTO FERNANDES ­ ME, CNPJ nº 03.694.607/0001­07, denominada FRANK, V. DE  O. PADILHA ­ ME, CNPJ nº 05.446.500/0001­75, denominada VALDOMIRO, TOP STYLE  INDÚSTRIA DE CALÇADOS LTDA ­ EPP, CNPJ nº 07.566.340/0001­23, denominada TOP,  GLAMOUR  FRANCA  INDÚSTRIA  E  COMÉRCIO  DE  CALÇADOS  E  ARTEFATOS,  CNPJ  nº  09.233.509/0001­59,  denominada  GLAMOUR  e  DORIVAL  DOS  SANTOS  FERREIRA  ­  EPP,  CNPJ  nº  07.306.324/0001­00,  denominada DORIVAL,  foram  utilizadas  como  empresas  interpostas,  ou  seja,  laranja,  com  a  finalidade  de  estas  empresas  contratar  empregados  as  suas  despesas,  para  pagar  menos  contribuição  previdenciária,  eis  que  na  condição de optantes do SIMPLES nacional são isentas da parte patronal e outras entidades.  No  Relatório  Fiscal  há  informação  que  a  Recorrente  é  optante  na  classificação de empresa que contribui de conformidade com o seu lucro real.  O que  levou  a Fiscalização  desconsiderar  as  empresas  interpostas  foram os  seguintes fatos:  1.  Havia  na  Recorrente  a  documentação  das  demais  empresas,  tais  como: contrato  social;  livro caixa;  folha de pagamento;  contratos de  prestação de serviços celebrados com terceiros, dentre outros;  Fl. 2493DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 13855.721243/2013­07  Acórdão n.º 2301­004.324  S2­C3T1  Fl. 5          7 2.  Verificou  a  Fiscalização  que  quase  todas  as  ‘Interpostas’  encontravam­se  com  endereço  sede  localizado  no  mesmo  da  Recorrente, sendo elas abrigadas pela Point Shoes;  3.  Segundo  a  Fiscalização,  em  que  pese  estarem  as  ‘Interpostas’  albergadas na Recorrente, elas não possuíam despesas de produção e  tão pouco de manutenção;  4.  Verificou a Fiscalização que as  empresas  ‘Interpostas’, muitas delas  não possuíam receita o suficiente para honrar com a despesa da massa  salarial;  5.  Que  em  05/08/2008  houve  pagamento  da  Point  Shoes  a  empresa  Dorival,  no  valor  de  R$  43.000,00  e  no  mesmo  dia  foi  feito  um  pagamento no valor de R$ 38.237,00  referente a “DEBITO PAGTO  DE SALÁRIO”;  6.  Em  19/08/2008  houve  uma  transferência  da  POINT  SHOES  para  a  DORIVAL  no  valor  de  R$  65.000,00,  e  no  mesmo  dia  houve  um  débito na DORIVAL de R$ 62.861,00 referente a “DEBITO PAGTO  DE SALÁRIO”;  7.  Segundo  a  Fiscalização  esta  prática  também  foi  utilizada  com  as  empresas  FRANK,  VALDOMIRO,  FÁBIO,  GLAMOUR,  TOP  e  ESCA;  8.  Várias  iniciais  de  ação  trabalhista  onde  figuram  no  pólo  passivo,  a  Recorrente mais uma ou duas ‘Interpostas’;  9.  Dos  contratos  com  as  ‘Interpostas’­Terceirizadas  contatou  a  Fiscalização  que  esses  contratos  foram  denominados  como  “INSTRUMENTO  DE  CONTRATO  DE  TRABALHO  DE  TERCEIRIZAÇÃO INDUSTRIAL”, sendo seu objeto a prestação de  serviços de mão­de­obra especializada na industrialização de sapatos  femininos  pelas  empresas  VALDOMIRO,  FABIO,  FRANK,  TOP,  GLAMOUR e DORIVAL dentro das dependências da POINT, onde  esta não cobrava dos prestadores desses serviços despesas com custos  de  aluguel  predial,  energia  elétrica,  água,  telefone,  manutenção  de  máquinas  e  predial  ou  qualquer  outra  despesa  durante  o  período  de  vigência do contrato;  10. Quanto  as  notas  fiscais  emitidas  pelas  empresas  FRANK,  VALDOMIRO,  FABIO,  GLAMOUR  e  TOP,  verificou­se  que  as  mesmas  não  foram  contabilizadas  nos  Livros  contábeis  dessas  empresas, demonstrando que nem sequer contabilizavam suas receitas  de prestação de serviços;  11. Quanto ao vínculo empregatício de funcionários das ‘Interpostas’ com  a Recorrente, a Fiscalização procedeu uma pesquisa no sistema CNIS  –  Cadastro  Nacional  de  Informações  e  constatou  que  muitos  Fl. 2494DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA     8 funcionários possuíam vínculos com mais de duas empresas do grupo  em tela.  12. Havia vínculo entre os titulares/sócios das empresas envolvidas, cuja  qual  foi  constado  também  na  pesquisa  do  item  anterior,  onde  foi  demonstrado o vínculo dos sócios com várias empresas;  13. Nos termos de declaração extraídos do interrogatório da Fiscalização  com  os  proprietários  da  FRANK, DORIVAL  e  FÁBIO  obteve­se  a  confissão que elas funcionavam no interior da Recorrente, sendo que  a  parte  administrativa  de  suas  empresas  eram  realizadas  por  funcionários da POINT SHOES;   14. Que o dono da ESCA é o contador da POINT SHOES;  15.  Que a partir de 05/2010, constatou que a quantidade de funcionários  da ESCA aumenta muito, coincidindo com o fim das empresas Fábio,  Valdomiro, Frank e Dorival encerraram suas atividades;  16. Há várias procurações das  ‘Interpostas’ concedendo poder a pessoas  que  figuram  como  sócios  da  POINT  SHOES  e  ou  funcionários  de  importância essencial nela, ou sendo proprietário da ESCA;  17. Quanto  aos  responsáveis  pela  apresentação  das  GFIPs  de  todas  as  empresas envolvidas, constatou a Fiscalização que a responsabilidade  era da POINT SHOES, eis que o telefone para contato é o mesmo e, pelo  campo  e­mail,  pode­se  concluir  que  foram  entregues  a partir  de um  mesmo local, e, o nome do contato pode­se ver que é sempre a mesma  pessoa  para  as  empresas  POINT  SHOES  e  TOP,  sendo  a  mesma  pessoa em comum para as empresas DORIVAL, FABIO, FRANK e  VALDOMIRO, concluindo que toda administração dessas GFIPs era  feita  em  um  mesmo  local,  qual  seja,  o  departamento  de  Recursos  Humanos  da  POINT  SHOES,  que  detinha  toda  documentação  necessária para a confecção dessas GFIPs.  Com base no PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE sobre a forma  concluiu  a  Fiscalização  que  a  realidade  fática  em  comento  implica  em  prevalecer  sobre  qualquer  instrumento formal utilizado para documentar o contrato, pois as circunstâncias e o  cotidiano na relação empregatícia podem ser diversos daquilo que ficou documentado.  Por  isto  desconsiderou  os  contratos  de  prestação  de  serviço,  bem  como  a  personalidade jurídica das pessoas jurídicas interposta para considerar todos os funcionários de  todas àquelas empresas, tão somente com vínculo empregatício com a POINT SHOES LTDA,  que não era optante de SIMPLES NACIONAL, devendo declarar de conformidade com o seu  lucro real.  Desta  forma,  constituem  fatos  geradores  das  contribuições  objeto  de  lançamento  de  ofício  neste  processo  as  remunerações  pagas  e/ou  creditadas  aos  segurados  relacionados  nas Guias  de Recolhimento  do Fundo de Garantia  e  informações  a Previdência  Social  –  GFIP(s)  e  Resumos  das  Folhas  de  Pagamentos  das  empresas  Interpostas  (ESCA  ESCRITÓRIO  DE  CONTABILIDADE  LTDA  EPP  (de  06  a  12/2010  excluindo­se  os  funcionários  da  competência  05/2010),  FÁBIO  APARECIDO  ANDRADE  ­  ME,  FRANK  ALBERTO FERNANDES ­ ME, V. DE O. PADILHA ­ ME, TOP STYLE INDÚSTRIA DE  Fl. 2495DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 13855.721243/2013­07  Acórdão n.º 2301­004.324  S2­C3T1  Fl. 6          9 CALÇADOS  LTDA  ­  EPP,  GLAMOUR  FRANCA  INDÚSTRIA  E  COMÉRCIO  DE  CALÇADOS E ARTEFATOS e DORIVAL DOS SANTOS FERREIRA ­ EPP) no período de  07/2008 a 12/2010 (inclusive décimo terceiro salário), e caracterizados, por esta  fiscalização,  como empregados da empresa POINT SHOES LTDA.   Para a empresa ESCA o período considerado foi de 06 a 12/2010, conforme  Resumos das Folhas de Pagamento contidos no documento intitulado ESCA Resumos FP 05 a  12 2010.  Quanto  a  multa,  considerando  que  o  lançamento  constituído  contém  fatos  geradores  ocorridos  antes  da  publicação  da  MP449/2008,  foi  efetuada  por  aquela  auditoria  fiscal a comparação entre as multas a serem aplicadas da seguinte forma:  a) Multa de mora prevista no  inciso  II  do  art.  35 da Lei 8.212/91,  com redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999 – 24% (legislação anterior  à MP 449/2008);  b) Multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no §  5º do art. 32 da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97  – CFL 68 (legislação anterior à MP 449/2008);  c) Multa de ofício (75%) prevista no artigo 35 – A da Lei 8.212/91  na  redação  dada  pela  MP  449/2008,  convertida  na  Lei  nº  11.941  de  27/05/2009.  Comparando  as multas  (legislação  anterior(a)+(b)  com a  legislação  atual(c)  apurou­se que a multa prevista na  legislação anterior é mais benéfica ao contribuinte para as  competências  07  a  11/2008.  Portanto,  está  sendo  aplicada  para  as  competências  anteriores  à  publicação da  referida MP a multa de mora prevista no  inciso  II do art. 35 da Lei 8.212/91,  com redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999 – 24% (legislação anterior à MP 449/2008).  DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Houve aplicação da multa qualificada  de 150%, porque a Fiscalização entendeu que houve evidente  intuito de  fraude, definido nos  arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, o que justificaria a aplicação da  multa qualificada de 150%, conforme enunciado no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430/96,  com redação dada pela Lei 11.488, de 15 de junho de 2007.  Ou  seja,  entendeu  a  Fiscalização  que  a  conduta  da  Recorrente,  deixou  de  declarar  em GFIP  ,  de  forma  fraudulenta,  funcionários  registrados  ilegalmente  nas  empresas  ESCA  ESCRITÓRIO  DE  CONTABILIDADE  LTDA  EPP  (a  partir  de  06/2010),  FÁBIO  APARECIDO  ANDRADE  ­  ME,  FRANK  ALBERTO  FERNANDES  ­  ME,  V.  DE  O.  PADILHA  ­ ME,  TOP  STYLE  INDÚSTRIA DE  CALÇADOS  LTDA  ­  EPP,  GLAMOUR  FRANCA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADOS E ARTEFATOS e DORIVAL DOS  SANTOS  FERREIRA  –  EPP,  utilizando­se  dessas  empresas  para  declarar­se  indevidamente  como  OPTANTE  pelo  SIMPLES  ­  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições,  como  INTERPOSTA  PESSOA  com  a  finalidade  de  contratar  segurados  empregados  com  redução  de  encargos  previdenciários,  uma  vez  que,  por  ser  optante  pelo  SIMPLES não recolhe a contribuição previdenciária patronal, mostra a intenção dolosa de seus  sócios, de eximir­se de pagamento de  tributo, com o claro objetivo de  tributação  favorecida,  denotando  o  elemento  subjetivo  do  dolo  e  ensejando  a  aplicação  da  multa  agravada.  Os  elementos  probatórios  acostados  aos  autos  evidenciam  ainda  que  houve  conluio  entre  os  Fl. 2496DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA     10 envolvidos  na  conduta  fraudulenta  (sócios­administradores  e  proprietários  das  empresas  envolvidas). A  situação  fática  acima  descrita  se  subsume  perfeitamente  ao  tipo  previsto  nos  artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964.  DA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.  Segundo a Fiscalização a Recorrente foi autuada por infração ao artigo 32, inciso IV , da Lei  8.212/91,  acrescentado  pela Lei  9.528/97,  c/c  o  artigo  225,  inciso  IV  e  parágrafo  quarto,  do  RPS­  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Decreto  3.048/99,  por  apresentar  GFIP ­ Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social com  dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.  Tomou conhecimento do lançamento em 20 de maio de 2013 e no dia 19 de  junho  do mesmo  ano  aviou  impugnação  com  suas  razões,  cujas  quais  não  foram  suficientes  para modificarem o lançamento, haja vista que foi mantido o lançamento em sua totalidade.  Em 20 de dezembro de 2013 foi notificado da decisão de piso e no dia 17 de  janeiro de 2014 aviou o presente remédio recursivo e suas alegações.  Eis em apertada síntese o relato dos fatos.  Fl. 2497DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 13855.721243/2013­07  Acórdão n.º 2301­004.324  S2­C3T1  Fl. 7          11 Voto             Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa ­ Relator  O  presente  Recurso  Voluntário  foi  aviado  dentro  do  trintídio  e  acode  os  demais  requisitos para sua admissibilidade,  razão pela qual dele conheço e passo analise dos  argumentos expendidos para, ao final, julgamento deles.  NULIDADE DA DECISÃO ‘A QUO’.  Aduz a Recorrente que o julgado ‘a quo’ deve ser nulo por ter sido exarado  por  DRJ  de  outro  estado  que  desconhece  a  pratica  habitual  da  sua  região,  mormente  um  possível TAC – Termo de Ajuste de Conduta existente na cidade de Franca/SP que permite a  terceirização, ou melhor, determina, porque se não se submeter a ela (terceirização) incorre em  multa.  Neste  aspecto,  mera  alegação  que  não  acompanhado  de  prova  do  possível  TAC, e, ainda que existisse ele não teria valia, pois distorcido da legislação pátria que é una na  Federação.  E  quanto  ao  cerceamento  de  defesa,  que  alega,  trata  de  outra  anomalia  apontada mais  indevida, eis que na  época do  julgamento não havia  este permissível  junto as  DRJ e mesmo que houvesse o Recorrente poderia ter se deslocado até aquela localidade.  De mais a mais diz a Portaria RFB nº1006/2013 que disciplina a competência  por matéria  das Delegacias  da Receita  Federal  do Brasil  de  Julgamento  (DRJ),  relaciona  as  matérias  de  julgamento  por  Turma  e  define  atribuição  para  a  identificação  dos  processos  a  serem distribuídos às DRJ:  O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso  da  atribuição  que  lhe  confere  o  inciso  III  do  art.  280  do  Regimento  Interno  da  Secretaria  da Receita Federal  do Brasil,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  203,  de  14  de  maio  de  2012,  resolve:  Art.  1º Estabelecer  a  competência  por matéria  das Delegacias  da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) e relacionar  as matérias de julgamento por Turma, conforme os Anexos I e  II a esta Portaria. (GN)  Art.  2º  A  identificação  dos  processos  a  serem  distribuídos  às  DRJ, de acordo com as prioridades estabelecidas na legislação,  a  competência  por  matéria  e  a  capacidade  de  julgamento  de  cada  unidade,  ficará  a  cargo  da  Coordenação­Geral  de  Contencioso Administrativo e Judicial.  Art.  3º  O  disposto  nesta  Portaria  aplica­se,  inclusive,  aos  processos protocolizados anteriormente à sua edição.    Fl. 2498DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA     12 Art. 4º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.  Art. 5º Fica revogada a Portaria RFB nº 1.916, de 13 de outubro  de 2010.  Desta  forma, com  todo  respeito ao Recorrente, mas não é sua conveniência  que determina o local de julgamento.  De mais a mais, se este TAC é legal e aplicável, deveria ter vindo aos autos,  para julgamento.  Sem razão.  ILEGITIMIDADE  DA  INCLUSÃO  DE  SÓCIOS  E  EX­SÓCIOS  NA  DECISÃO DE PISO  Diz­se surpresa a Recorrente com a inclusão no processo dos sócios e um ex­ sócio dela, que, segundo alega, nem mesmo foram noticiados do lançamentos e portanto, não  tinham conhecimento da existência do auto de infração.  Todavia,  inverídica  tal  afirmação,  eis  que  o  auto  de  infração  está  acompanhado de Termos de Responsabilidade de todos eles.   Desta  forma,  o  devido  conhecimento  do  lançamento  foi  devidamente  realizado  às  pessoas  mencionadas  na  defesa,  não  prospera  a  alegação  da  Recorrente,  pois  demonstrado está que não houve surpresa ao lançamento, diante das notificações por AR.  NULIDADE  POR  AUSÊNCIA  DE  PRESSUPOSTO  FORMAL  POR  PARTE DA FISCALIZAÇÃO.  Alega a Recorrente que não tem nos autos a imperiosa comprovação de que  ela  foi  noticiado  do  procedimento  fiscal  que  se  encontrava  em  curso  e  que  acabou  por  ser  autuada, sobretudo, não haveria nos autos informação aos sócios da ação fiscal. Ou seja, repete  a indignação apresentada no quesito acima, e que, da mesma forma não merece prosperar.  Nos  autos  se  que  a  ação  fiscal  foi  precedida  de  Termo  de  Início  de  Procedimento  Fiscal,  o  nº  do  MPF  0812300.2012.00402,  onde  o  Srº  Cláudio  Henrique  Delbianco tomou ciência em 31/12/05,e, ato contínuo houve a lavratura de outros termos, que  deu ciência às empresas interpostas envolvidas.  Não  olvidemos  que  a  Recorrente  recebeu  da  Receita  Federal  mais  cinco  intimações, solicitando documentos e esclarecimentos.  Desta forma, a presente argumentação deságua na improcedência.  PRELIMINAR  DE  INEXISTÊNCIA  DE  PROVAS  INDISPENSÁVEIS  PARA O LANÇAMENTO. VALIDADE DO AUTO.  A  Recorrente  alega  em  sua  peça  recursiva  que  a  Fiscalização  não  teve  elementos probatórios suficientes para poder demonstras com percuciência a relação direta de  emprego de cada funcionário com cada uma das empresas citadas, e depois, diretamente com a  Autuada.  Fl. 2499DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 13855.721243/2013­07  Acórdão n.º 2301­004.324  S2­C3T1  Fl. 8          13 Nas contra­razões a Fazenda alega que a Fiscalização levou aos autos todos  os elementos de prova aptos a embasar a acusação fiscal, ou seja, a simulação na contratação  de empregados, por meio de empresas interpostas optantes pelo SIMPLES.  Apesar  que  esta  preliminar  argüida  afetar  o  mérito,  como  levantada  pela  Recorrente, há de ser analisada, até porque a prova é elemento substancial no lançamento.  Como  venho  pronunciando  em  meus  julgados,  a  simples  acusação  fiscal,  estribada na desconsideração da personalidade  jurídica das empresas prestadoras de serviços,  com  a  conseqüente  caracterização  de  segurados  empregados,  sem  que  haja  uma  perfeita  demonstração  da  conduta  do  contribuinte  com  o  fito  de  sonegar  tributos,  não  é  capaz  de  comprovar  a  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  e,  tão  pouco  é  suficiente  para  caracterizar a relação de emprego entre os funcionários de uma empresa e ou de outra.  Entretanto,  e  de  acordo  com  o  artigo  229,  §  2º,  do  Regulamento  da  Previdência Social ­ RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, restando devidamente constatada  e comprovada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o  suposto  “tomador  de  serviços”  e  os  “prestadores  de  serviços”,  poderá  o  Auditor  Fiscal  caracterizar  o  contribuinte  individual  como  segurado  empregado,  ou  mesmo  promover  a  desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, considerando  seus sócios e/ou funcionários como empregados da tomadora.  Das  provas  trazidas  aos  autos,  mormente  as  ações  trabalhistas,  onde  nelas  vemos  que  a  relação  de  emprego  não  foi  reconhecida  judicialmente  entre  os  empregados/reclamantes  e  as  empresas  (interposta  e  autuada),  mas  há  depoimentos  de  funcionários  reconhecendo o vínculo  trabalhista  com as  interpostas. Todavia, nenhum com a  Recorrente.  Na  acusação  fiscal  vemos  que  as  empresas  supostamente  interposta  prestavam serviços dentro da Recorrente. Vejamos:  5.  VERIFICAÇÃO  FÍSICA  NA  SEDE  DAS  EMPRESAS  ENVOLVIDAS  5.1  ­Em  diligência  efetuada  no  endereço  das  empresas  ora  fiscalizadas,  (Av.  Alberto  Pulicano,  3700,  3702;  3706  e  Rua  Ademar Pulicano, 390  ­  Sala “A”;  todas no Distrito  Industrial  CEP:  14.406­100),  no  dia  21.06.2009,  nas  dependências  da  Point Shoes Ltda.,  no  endereço da Av. Alberto Pulicano, 3700,  Distrito  Industrial  em  Franca­SP,  com  a  anuência  do  proprietário sr. Mário Osmar Spaniol, acompanhado do Sr Luiz  Carlos  de  Carvalho,  contador  de  todas  as  empresas  do  grupo  CouroquímicaxPoint  Shoes  Ltda  (Carmen  Steffens),  CONSTATOU­SE  que,  no  mesmo  endereço,  embora  constem  números  diferentes  no  cadastro  da  Receita  Federal  do  Brasil,  funcionam as seguintes empresas:  Mas, segundo a Fiscalização todos empregados são acomodados num mesmo  pavilhão  recebendo  os  mesmos  tratamentos,  bem  como  não  há  separação  de  contas  e  obrigações,  como  por  exemplo  registro  de  água  e  esgoto,  relógio  de  luz,  sem  contar  que  a  contabilidade é uma só para todas as empresas. Veja um trecho:  Fl. 2500DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA     14 ­Os empregados da produção utilizam banheiro comum a todos,  obviamente vários banheiros porque o espaço é muito grande e  são  muitos  empregados.  Na  ala  em  que  se  encontra  a  administração e a loja de franquia, existem outros banheiros que  são utilizados por aqueles empregados.  ­Não existem medidores de água ou de energia elétrica distintos.  Existe uma cabine central de energia elétrica na parte  inferior,  localizada  ao  lado  da  entrada  social  das  empresas(público  externo e administração).  ­Do plano superior, através de uma escada metálica, em caracol,  tem­se acesso ao plano  inferior onde se  localiza a caldeira e o  arquivo morto em que se encontra  toda a documentação(livros,  pastas,  caixas  contendo  vários  documentos  como Notas  fiscais,  planilhas,  extratos  bancários,  etc)  de  todas  as  empresas  acima  relacionadas,  documentação  essa  distribuída  nas  várias  prateleiras e em caixas de papelão, protegidas por um plástico  preto devido ao balcão que circunda o restaurante tem­se acesso  ao  setor  de  pessoal  local  em  que  está  instalada  uma  catraca  eletrônica  que  controla  a  entrada  e  saída  dos  empregados  do  setor da produção e que conduz para a portaria controlada por  outra guarita com portão eletrônico e interfone com saída para a  Rua Ademar Pulicano, 390.  ...  Há nos autos, comprovadamente, elementos suficientes para demonstrar que  todos  funcionários  trabalhavam  na  Recorrente,  e  foi  assaz  demonstrado  a  dependência  financeira e a subordinação destes empregados com ela. Vejamos:  9.2.4 –DEPARTAMENTO FINANCEIRO  ­Comprovação  de  vínculos  empregatícios  nas  empresas  envolvidas  conforme  CNIS  ­  CADASTRO  NACIONAL  DE  INFORMAÇÕES  SOCIAIS­CONSULTA  VÍNCULOS  EMPREGATÍCIOS  DO  TRABALHADOR,  Inscrição  nº  1.251.222.166­2  de  Milena  Ferracioli  Pereira,  Inscrição  nº  1.228.966.181­5  de  Rodolfo  Juliano  Souza  e  Inscrição  nº  1.249.281.211­3de Marcelo Peixe Del Bianco,  fica comprovado  que todos esses empregados não são registrados na Point Shoes  Ltda, porém respondem por ela conforme documentos de fls. 472  a 486.  ­Pode­se perceber a clareza de vínculo empregatício quando se  verifica  que  Milena  Ferracioli,  respondendo  pelo  DEPARTAMENTO  FINANCEIRO  encontra­se  registrada  na  empresa  V.  de  O.  Padilha  –  ME  e  Rodolfo  Juliano  também  prestando  serviços  no  DEPARTAMENTO  FINANCEIRO  da  Point Shoes Ltda – Carmen Steffens, é funcionário registrado na  empresa  FABIO  APARECIDO ANDRADE  – ME  e,  finalmente,  Marcelo Peixe Del Bianco – DIRETOR FINANCEIRO da Point  Shoes  Ltda  encontra­se  registrado  na  COUROQUIMICA  COUROS E ACABAMENTOS LTDA.  Todas  essas  comprovações,  praticamente  em  uma  única  transação verificada.  Fl. 2501DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 13855.721243/2013­07  Acórdão n.º 2301­004.324  S2­C3T1  Fl. 9          15 ­Assim,  fica  patente  e  manifestamente  comprovado  que  todos  esses empregados estão registrados em diferentes empresas, não  sendo  nenhum  deles  registrado  na  Point  Shoes  Ltda  mas,  respondendo por ela em cargos de alta responsabilidade.  ­Outro  exemplo  por  amostragem,  são  as  despesas  de  hospedagem do  funcionário Emerson Martins Vieira,  Inscrição  nº  1.140.451.396­0,  registrado  na  empresa  V.de  O.  Padilha  –  ME,  mas  pagas  pela  Point  Shoes  Ltda  e  lançadas  na  sua  contabilidade,  conforme  registro  contábil  na  conta  621.24.0020310 em 31/01/2004 no Diário Geral 02/22 pag. 643  e demais documentos de  fls.  487 a 496. Também,  conforme  fls.  497  a  507,  a  funcionaria  Roseli  Gabiatti  Lopes,  Inscrição  nº  1.236.690.937­5,  registrada  na  empresa  FABIO  APARECIDO  ANDRADE  –  ME,  detém  a  sigilosa  prerrogativa  de  acesso  a  movimentação financeira da Point Shoes Ltda.  ­Mas,  especial  atenção  para  a  planilha  “AMOSTRAGEM DE  PAGAMENTOS EFETUADOS AO EMPREGADO–DORIVAL  DOS  SANTOS  FERREIRA”,  e  cópias  de  cheques  em  que  a  empresa  não  tem  numerário  nem  para  pagar  Contribuição  sindical  no  valor  de  R$  382,89­LANÇAMENTO  NA  CONTA  211230008060­CF.  CHEQUE  100806,  emprestado  pela  Couroquimica  para  a  Point  Shoes  Ltda  pagar  despesas  de  Dorival, e todos os outros pagamentos constantes desta planilha  anexa,  que  é  extraída  da  contabilidade  digital  fornecida  pela  Point  Shoes  Ltda  a  esta  auditoria  fiscal.  Também  outras  despesas como Despesas de combustível de seu veículo no valor  de  R$  24,99,  tudo  conforme  cópias  de  cheques  e  lançamentos  contábeis efetuados na POINT SHOES LTDA. Por exemplo, na  conta 211.01.0200530­conta de celular no valor de 78,27.  ­Pagamentos  de  salários  das  interpostas,  pagamento  de  quinzena, Adiantamentos  de  salários  em  forma de  empréstimos  para quitação de rescisão de contrato de trabalho, antecipação  de décimo terceiro salário e outras despesas.  ­Esta documentação, se resume em cópias do Livro Diário, por  amostragem,  da  contabilidade  da  POINT  SHOES  LTDA(por  exemplo,  Livro Diário  número  11/22  com  termo  de  abertura  e  lançamentos  contábeis,  cópias  de  cheques,  relação  de  empregados que prestam serviços para a POINT SHOES LTDA,  mas que se encontram registrados, indevidamente nas empresas  interpostas(FÁBIO  APARECIDO  ANDRADE  –  ME;  FRANK  ALBERTO FERNANDES  – ME; DORIVAL DOS  SANTOS­ME,  V.  DE  O  PADILHA­ME),  relação  de  empregados  da  própria  POINT  SHOES  LTDA,  para  melhor  entendimento  devido  a  valores que compõem os extratos bancários de vários bancos em  que a titular é a POINT SHOES LTDA, e, também para melhor  visualização  dos  fatos,  esta  auditoria  elaborou  planilhas  retiradas da contabilidade digital da POINT SHOES LTDA em  que, por amostragem, fica demonstrado todos os fatos alegados  nesse item do relatório.  Conforme cópias de documentos de fls. 508 a 757.  Fl. 2502DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA     16   9.2.5 –APRESENTAÇÃO FUNCIONAL  ­Em  verificação  realizada  nas  dependências  da  Point  Shoes  Ltda. Não existem vestígios de outras empresas no local, já que  todos  os  funcionários,  indistintamente,  em  todos  os  setores  trabalham  com  o  uniforme  da  empresa  “Carmen  Steffens”,  Point Shoes Ltda, conforme fotos acima.  9.2.6 –CONTROLE DE PONTO  ­O controle de ponto é realizado por meio eletrônico, utilizando­ se  para  tal  o  cartão  de  identificação  da  empresa  Carmen  Steffens. A  catraca  eletrônica  localiza­se  do  lado  oposto  ao  da  entrada  social,  com  saída  para  a  Rua  Ademar  Pulicano,  390,  local  em  que  devem  passar,  obrigatoriamente  todos  os  funcionários,  independentemente  de  ser  empregado  da  Point  Shoes  Ltda  ou  de  qualquer  outra  empresa  que  funciona  ali  naquele local.  ­Constatada  a  inexistência  de  atividades  das  empresas  FÁBIO  APARECIDO  ANDRADE  –  ME;  FRANK  ALBERTO  FERNANDES  – ME; DORIVAL DOS  SANTOS­ME  e  V.  DE O  PADILHA­ME e a prova clara de exclusividade de prestação de  serviços para a Point Shoes Ltda, fica cristalino que a separação  por empresas trata­se de uma simulação para que elas pudessem  ser optantes pelo SIMPLES.  9.2.8 –DA CENTRALIZAÇÃO FINANCEIRA DA POINT SHOES  LTDA  9.2.8.1–  Outro  fato  de  fundamental  importância  que  deve  ser  trazido  aos  autos  é  o  de  que  a  POINT  SHOES  LTDA  é  quem  efetivamente PAGA e CONTROLA  financeiramente as despesas  tributárias,  como SIMPLES, FGTS,  INSS das  empresas FÁBIO  APARECIDO  ANDRADE  –  ME;  V.  DE  O  PADILHA­ME  e  DORIVAL DOS SANTOS FERREIRA­ME, conforme documentos  de 561 a 757 e planilha elaborada por esta fiscalização, em que  traz,  por  amostragem,  cópias  de  cheques  do  BANCO  237  ­  Banco  Bradesco  S/A,  Conta:  0776343,  os  seguintes  PAGAMENTOS FEITOS PELA POINT SHOES LTDA para seus  empregados,  Fábio  Aparecido  Andrade,  Dorival  dos  Santos  Ferreira  e  Valdomiro  de  Oliveira  Padilha,  responsáveis  pelas  empresas acima descritas:  ­­Cópia  do  cheque  nº  51475  para  pagamento  do  valor  de  R$  4.516,37,  relativo  a  DARF/SIMPLES  a  VALDOMIRO  de  OLIVEIRA PADILHA­ME em abril de 2005;  ­­Cópia  do  cheque  nº  43302  para  pagamento  do  valor  de  R$  6.677,17,  relativo  a  DARF/SIMPLES  de  07.2004  a  VALDOMIRO de OLIVEIRA PADILHA­ME;  ­­Cópia  do  cheque  nº  44714  para  pagamento  do  valor  de  R$  6.268,34,  relativo  a  DARF/SIMPLES  de  09.2004  a  FABIO  APARECIDO ANDRADE­ME;  Fl. 2503DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 13855.721243/2013­07  Acórdão n.º 2301­004.324  S2­C3T1  Fl. 10          17 ­­Cópia  do  cheque  nº  43302  para  pagamento  do  valor  de  R$  6.949,95,  relativo  a  DARF/SIMPLES  de  07.2004  a  FABIO  APARECIDO ANDRADE­ME;  ­­Cópia  do  cheque  nº  39503  para  pagamento  do  valor  de  R$  5.516,42,  relativo  a  DARF/SIMPLES  de  04.2004  a  FABIO  APARECIDO ANDRADE­ME;  ­­Cópia  do  cheque  nº  37128  para  pagamento  do  valor  de  R$  3.501.86  relativo  a  DARF/SIMPLES  de  02.2004  a  FABIO  APARECIDO ANDRADE­ME;  ­­Cópia  do  cheque  nº  39034  para  pagamento  do  valor  de  R$  5.942,36,  relativo  a  I.N.S.S  competência  04.2004  a  FABIO  APARECIDO ANDRADE­ME;  ­­Cópia  do  cheque  nº  41767  para  pagamento  do  valor  de  R$  7.546,96,  relativo  a  I.N.S.S  competência  06.2004  a  FABIO  APARECIDO ANDRADE­ME;  ­­Cópia  do  cheque  nº  35444  para  pagamento  do  valor  de  R$  2.758,25,  relativo  a  I.N.S.S  competência  01.2004  a  FABIO  APARECIDO ANDRADE­ME;  ­­Cópia  do  cheque  nº  37948  para  pagamento  do  valor  de  R$3.132,35, relativo a I.N.S.S competência 03.2004 a V. DE O.  PADILHA­ME;  ­­Cópia  do  cheque  nº  37948  para  pagamento  do  valor  de  R$73,92,  relativo  a  I.N.S.S  competência  03.2004  a  FRANK  ALBERTO FERNANDES­ME;  9.2.8.2  –Conforme  documento  de  pagamento  de  retirada  “Pro  Labore”  de  VALDOMIRO  DE  OLIVEIRA  PADILHA  em  10/2006 no valor de R$ 623,00, contabilizado no dia 06/10/2006  no Livro Diário de  folhas 0063 da empresa VALDOMIRO DE  OLIVEIRA  PADILHA  ME,  registrado  na  conta  211.09.0007857­ HONORARIOS E SALARIOS A PAGAR, quem  paga efetivamente esse valor é a Point Shoes Ltda através de seu  cheque  nº  69780  no  valor  de  R$  623,00  do  banco  237­Banco  Brasileiro  de Desconto da  conta  0776343  lançado na Point  no  dia 07/11/2006, conforme extrato bancário.  9.3  –DO  PLANO  DE  SAÚDE  –“PLANO  EMPRESA  PERCAPITA”.  9.3.1  Aos  empregados  é  disponibilizado  um  Plano  de  Saúde  através do contrato nºs 68005 firmados entre a Point Shoes Ltda  denominado  de PLANO  EMPRESA  PERCAPTA(assim  como  se  encontra  consignado  no  documento),  em  que  relaciona  os  beneficiários,  que  são  empregados  da  POINT  registrados  nas  empresas  FÁBIO  APARECIDO  ANDRADE  –  ME;  FRANK  ALBERTO FERNANDES – ME; DORIVAL DOS SANTOS­ME V.  DE O PADILHA­ME, vide CNIS­CADASTRO NACIONAL DE  INFORMAÇÕES  SOCIAIS  ­  CONSULTA  VINCULOS  Fl. 2504DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA     18 EMPREGATICIOS  DO  TRABALHADOR,  dos  empregados  constantes da relação de dependentes por amostragem, anexa.  9.3.2  Os  pagamentos  DAS  FATURAS  relativas  ao  convênio  encontram­se  anexas  de  758  a  820  em  que  comprovam  serem  feitos pela POINT SHOES LTDA., Conforme AMOSTRAGEM de  cópias  de  cheque  nº  69804,  Conta:0776343  Lote:  611081,  no  valor  de  R$  4.000,00(quatro  mil  reais);  cheque  nº  69805,  Conta:0776343 Lote: 611081, no valor de R$ 2.485,66(dois mil,  quatrocentos e oitenta e cinco reais e sessenta e seis centavos); e  demais documentos anexos e relações com todos os funcionários  das  empresas  como  sendo  os  beneficiários  do  convenio,  planilhas  elaboradas  por  esta  auditoria  fiscal,  segue  também  relação de empregados vinculados às empresas interpostas, por  amostragem, da competência 11.2006, fls 821 a 832.  Não  olvidemos  dos  contratos  de  prestação  de  serviço  realizado  entre  a  Recorrente  e  as  empresas  interpostas,  onde  havia  previsão  contratual  da  utilização  de  suas  independências sem tocar nas despesas com tarifa de iluminação pública e outros quejandos.  Também  há  de  ser  lembrado  os  contratos  de  locação,  que  em  que  pese  a  aparente  anomalia  para  justificar  a  ocupação,  pois  os  contratos  apresentam  discrepância  de  data, mas são só suposição de anomalia, nada comprovado.  Todavia,  o  que  justifica  uma  relação  de  emprego  é  a  subordinação  destes  funcionários com a Recorrente e a dependência financeira, cujas quais foram trazidas aos autos  pela Fiscalização.  É  bem  verdade  que  a  Fiscalização  reconhece  a  confusão  de  se  saber  qual  funcionário pertence a esta ou aquela empresa:  5.2  Em  dezembro  de  2006  a  Point  Shoes  Ltda  tinha  em  seus  quadros  apenas  31  empregados  registrados  em  seu  nome  enquanto  Dorival  dos  Santos  Ferreira  tinha  106;  V.  de  O  Padilha: 101;  Fábio Aparecido Andrade: 117,  período  em  que  ainda  não  existia  a  Top  Style  e  a  Frank  Alberto  Fernandes  encontrava­se  paralisada.  Já,  atualmente,  a  POINT  SHOES  LTDA.,  possui  160  empregados  registrados  em  seu  nome;  Dorival  dos  Santos  Ferreira:134;  Frank  Alberto  Fernandes:  127;  V.  de  O  Padilha:  149;  Fábio  Aparecido  Andrade:  118  e  TOP STYLE INDÚSTRIA DE CALÇADOS LTDA: 109.  ­A situação fática, constatada por ocasião da diligência efetuada  na empresa, é que os empregados trabalham todos juntos numa  linha de produção continua, onde se verifica apenas a separação  da  seção  de  corte, montagem,  pesponto,  etc  e  por  se  tratar  de  muitos empregados são alocados em outras salas no interior da  fiscalizada. Portanto,  não há  como  se  diferenciar,  visualmente,  qual empregado pertence a uma ou outra empresa.(GN)  Mas,  no  Relatório  Fiscal  ela  demonstra  a  dependência  financeira  e  a  subordinação de funcionários por amostragem, cuja desfiguração deveria ter sido realizado em  defesa e não foi.  Entretanto,não  é  só,  pois  funcionários  de  outras  empresas  interpostas  e  o  próprio  gerente  administrativo  da  Recorrente,  em  jornal  local  denuncia  a  demissão  de  300  funcionários, sendo que seu quadro não correspondia à metade.  Fl. 2505DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 13855.721243/2013­07  Acórdão n.º 2301­004.324  S2­C3T1  Fl. 11          19 10. OUTROS ELEMENTOS DE PROVA  10.1  ­Importante  que  fique  consignado  nos  autos  o  que  efetivamente  ocorre  na mídia  local.  Por  exemplo  na  edição  do  jornal Comércio da Franca de 06.03.2009, o sr. MARIO OSMAR  SPANIOL,  atual  administrador  da  POINT  SHOES  LTDA,  cujo  nome  de  fantasia  é  “Carmen Steffens”,  faz  alguns  comentários  interessantes a  respeito da matéria ali  publicada que aborda a  respeito da flexibilização da jornada de trabalho e a redução de  salário para evitar demissões. Já na reportagem de capa, tem a  notícia de que a “Carmen Steffens” vai demitir 300 funcionários.  Folheando a página 10 encontra­se o que o jornal denomina de  “TRISTE COMUNICADO” – AN A TEREZ A LAR A E SILVA ,  gerente de Recursos Humanos da “Carmen Steffens” , anuncia a  demissão de 300 funcionários a partir de segunda­feira, 9.  ­Bem,  como  se  vê,  realmente  a  empregada  ANA  TEREZA  é  a  gerente  que  responde  pela  Point,  inclusive  nessas  situações,  o  que não podia ser diferente. Mas, a afirmação de ANA TEREZA,  retrata o que de fato acontece dentro da POINT SHOES LTDA.  Porque  em  nome  da  Point  shoes  nunca  existiram  300  funcionários  registrados.  Ela  nunca  teve  tantos  empregados  inscritos  em  seus  quadros.  Então  de  onde  vêm  esses  empregados?  Obviamente  que  estão  distribuídos  em  outras  empresas como FÁBIO APARECIDO ANDRADE – ME; FRANK  ALBERTO FERNANDES – ME; DORIVAL DOS SANTOS­ME e  V. DE O PADILHA­ME e em outras que não são objetos desta  auditoria.  Frise­se  que  o  período  desta  auditoria  é  de  janeiro  de  2004  a  dezembro de 2006.  10.2 Novamente em edição do jornal Comércio da Franca de 06  de  agosto  de  2009,  o  Sr  Mário  Osmar  Spaniol  afirma  enfaticamente  que  “hoje,  a  empresa  da  cidade  tem  1.300  funcionários  e  produz  3200  pares  de  calçados  e  800  bolsas  por dia”, palavras do sr Mário que se encontram na página A­7  do  jornal  Comércio  da  Franca  de  06  de  agosto  de  2009,  MERCADO CALÇADISTA.  10.3  ­Em  visita  ao  sitio:  http://institucional.carmensteffens.com.br/pagTexto/quemsomos//  4/  , pode­se confirmar o que o  sr Mário afirma nas entrevistas  concedidas à mídia local, conforme fls. 833 a 836, Fala do grupo  “Carmen Steffens” que emprega diretamente 1.300 profissionais  e conta com mais de 1.000 colaboradores indiretos.  Ou seja, os 1.300 empregados noticiados pelo Administrador da  “Carmen  Steffens”  sr.  Mário  encontram­se  registrados  na  empresas  FÁBIO  APARECIDO  ANDRADE  –  ME;  FRANK  ALBERTO FERNANDES – ME; DORIVAL DOS SANTOS­ME e  V. DE O PADILHA­ME, como fica amplamente demonstrado por  esta auditoria fiscal.  Sem razão a Recorrente.  Fl. 2506DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA     20 ERRO NA BASE DE CÁLCULO. NULIDADE DO AI  Diz a Recorrente que o lançamento fiscal é nulo, eis que não foram abatidos  dos valores lançados os recolhimentos feitos na sistemática do Simples pelas pessoas jurídicas  contratadas.  Mas,  o  lançamento  tem  origem  exatamente  porque  as  demais  empresas  envolvidas,  cujas  quais  encontram­se  no  SIMPLES  tiveram  sua  personalidade  jurídica  desconsiderada.  Então,  como  se vê o  ponto nodal da  testilha é  exatamente desconsiderar  as  empresas  interpostas  e  responsabilizar  a  Recorrente  como  empregadora  de  todos  os  funcionários, recaindo sobre ela as contribuições sociais devidas.  Neste aspecto não assiste razão a Recorrente.  MATÉRIA  DE  MÉRITO  –  CARACTERIZAÇÃO  DE  SEGURADOS  EMPREGADOS.  Compulsando os autos vê­se que o Relatório Fiscal, a r. autoridade lançadora  achou por  bem desconsiderar  a personalidade  jurídica das  empresas  prestadoras  de  serviços,  caracterizando  os  respectivos  sócios  e  demais  funcionários  como  segurados  empregados  da  autuada,  tendo  em  vista  que  do  exame  da  documentação  apresentada  pela  contribuinte  verificou­se a existência dos  requisitos do vínculo empregatício entre àqueles e a  recorrente,  inscritos no artigo 12, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, quais sejam, a não eventualidade,  a subordinação, a pessoalidade e a onerosidade.  A fiscalização adotou como fundamento à sua empreitada, em suma, afora os  argumentos  já  explicitados  no  Relatório  acima,  os  seguintes  argumentos  constantes  do  Relatório Fiscal, in verbis:  ‘...  11.2 Conforme o exposto, não se pode chegar a outra conclusão  senão a de que realmente existiu a  relação de emprego entre a  Point Shoes Ltda e as empresas aqui consideradas de empresas  interpostas, ou seja: FÁBIO APARECIDO ANDRADE – ME;  FRANK  ALBERTO  FERNANDES  –  ME;  DORIVAL  DOS  SANTOS­ME,  V.  DE  O  PADILHA­ME,  se  levar  em  consideração  que  nas  relações  trabalhistas  aplica­se  o  conhecido  PRINCÍPIO  DA  PRIMAZIA  DA  REALIDADE  sobre  a  forma,  norteador  do  Direito  do  Trabalho,  deve  prevalecer  a  situação  que  ocorre  na  prática  mais  do  que  aquilo  que  as  partes  hajam  pactuado  de  forma  mais  ou  menos  solene,  ou  expressa  ou  aquilo  que  conste  em  documentos  papéis  ou  formulários  e  instrumentos  de  controle.  Ou  seja,  assim  deve­se  dar  preferência  ao  que  acontece no terreno dos fatos e não o que consta de contratos ou  acordos  quando houver discordância  entre  os  dois. Assim,  este  princípio  rechaça  qualquer  artifício  ou  pacto  do  contribuinte  para  transparecer  a  legalidade  dos  atos  praticados  a  fim  de  elidir  a  responsabilidade  pelo  recolhimento  de  contribuições  sociais. Em qualquer hipótese, os fatos devem prevalecer sobre o  contido  nos  documentos;  a  essência  do  ato  jurídico  é  o  fato  e  não a forma.  Fl. 2507DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 13855.721243/2013­07  Acórdão n.º 2301­004.324  S2­C3T1  Fl. 12          21 Em seu recurso, a Recorrente se opõe a caracterização dos funcionários e/ou  sócios  das  empresas  prestadoras  de  serviços  como  seus  segurados  empregados,  a  partir  da  desconsideração  da  personalidade  jurídica,  aduzindo  para  tanto  inexistir  a  comprovação  dos  elementos do vínculo empregatício.  Suscita que o procedimento adotado pela fiscalização é totalmente subjetivo,  deixando de  lado  a  realidade dos  fatos,  os  quais  não  comprovam a  existência dos  requisitos  autorizadores  da  descaracterização  da  personalidade  jurídica  das  empresas  prestadoras  de  serviços.  Alega que a Receita Federal não detém competência para reconhecer vínculo  empregatício, especialmente quando procedido com base na desconsideração de personalidade  jurídica de empresas, sob pena de invasão de competência exclusiva da Justiça do Trabalho.  A fazer prevalecer seu entendimento, a recorrente refuta as razões de decidir  do  julgador  de  piso,  notadamente  em  relação  aos  pressupostos  da  relação  empregatícia,  inscritos  no  artigo  12,  inciso  I,  da  Lei  nº  8.212/91,  concluindo  inexistir  tais  requisitos  na  prestação de  serviços por parte dos  funcionários  e/ou sócios das pessoas  jurídicas constantes  dos autos.  Inobstante os argumentos da recorrente contra referido procedimento levado  a efeito na constituição do crédito tributário ora exigido, a legislação previdenciária, por meio  do artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº  3.048/1999,  impôs  ao Auditor  Fiscal  a  obrigação  de  considerar  os  contribuintes  individuais  (autônomos)  ou  outros  prestadores  de  serviços  como  segurados  empregados,  quando  verificados os requisitos legais, in verbis:   “Art. 229.  [...]  § 2º ­ Se o Auditor Fiscal da Previdência Social, constatar que o  segurado  contratado  como  contribuinte  individual,  trabalhador  avulso,  ou  sob  qualquer  outra  denominação,  preenche  as  condições  referidas  no  inc.  I  «caput»  do  art.9º,  deverá  desconsiderar  o  vínculo  pactuado  e  efetuar  o  enquadramento  como segurado empregado.”  Verifica­se do artigo supracitado, que o legislador ao mencionar “ [...] ou sob  qualquer outra denominação [...]”, deu margem a desconsideração da personalidade  jurídica  de empresas, quando verificados os requisitos para tanto, tal como procedeu o Auditor Fiscal  na presente demanda.  Mais  a  mais,  esse  procedimento  também  encontra  respaldo  no  Parecer/MPAS/CJ  nº  1652/99  c/c  Parecer/MPAS/CJ  nº  299/95,  os  quais  apesar  de  não mais  vincularem  este  Colegiado,  tratam  da  matéria  com  muita  propriedade,  com  as  seguintes  ementas:   “EMENTA  PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – VÍNCULO EMPREGATÍCIO  –  DESCARACTERIZAÇÃO  DE  MICROEMPRESÁRIOS.  1.  A  descaracterização  de  microempresários,  pessoas  físicas,  em  empregados  é  perfeitamente  possível  se  verificada  a  existência  Fl. 2508DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA     22 dos  elementos  constituintes  da  relação  empregatícia  entre  o  suposto “tomador  de  serviços” e  o  tido “microempresário”. 2.  Parecer  pelo  não  conhecimento  da  avocatória.  Precedente  Parecer/CJ nº 330/1995.”  “EMENTA  Débito  previdenciário.  Avocatória.  Segurados  empregados  indevidamente  caracterizados  como  autônomos.  Procedente  a  NFLD emitida pela fiscalização do INSS. Revogação do Acórdão  nº 671/94 da 2ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos  da  Previdência  Social,  que  decidiu  contrariamente  a  esse  entendimento.”  Ainda a respeito do tema, cumpre transcrever o artigo 12, inciso I, alínea “a”,  da Lei nº 8.212/91, e o artigo 3º da CLT, que assim estabelecem:  “Art.  12.  São  segurados  obrigatórios  da Previdência  Social  as  seguintes pessoas físicas?  I – como empregado:  a)  aquele  que  presta  serviço  de  natureza  urbana  ou  rural  à  empresa,  em  caráter  não  eventual,  sob  sua  subordinação  e  mediante remuneração, inclusive como diretor empregado;”  “Art. 3º. Considera­se empregado toda pessoa física que prestar  serviços  de  natureza  não  eventual  a  empregador,  sob  a  dependência deste e mediante salário.”  Assim,  constatados  todos  os  requisitos  necessários  à  caracterização  do  vínculo  laboral  entre  o  suposto  tomador  de  serviços  com  os  tidos  prestadores  de  serviços  (funcionários das empresas contratadas), a autoridade administrativa, de conformidade com os  dispositivos  legais  encimados,  tem  a  obrigação  de  caracterizar  como  segurado  empregado  qualquer  trabalhador  que  preste  serviço  ao  contribuinte  nestas  condições,  fazendo  incidir,  conseqüentemente, as contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas ou creditadas  em favor daqueles.  No entanto, não basta que a autoridade lançadora inscreva no Relatório Fiscal  da Autuação  tais  requisitos,  quais  sejam,  subordinação,  pessoalidade,  remuneração  e  não  eventualidade.  Deve,  em  verdade,  deixar  explicitamente  comprovada  a  existência  dos  pressupostos  legais  do  vínculo  empregatício,  sob  pena  de  improcedência  do  lançamento  por  ausência  de  comprovação  do  fato  gerador  do  tributo,  e  cerceamento  do  direito  de  defesa  do  contribuinte.  É o que determina o artigo 37 da Lei nº 8.212/91, nos seguintes termos:  “Art. 37. Constatado o atraso  total ou parcial no recolhimento  de  contribuições  tratadas  nesta  Lei,  ou  em  caso  de  falta  de  pagamento  de  benefício  reembolsado,  a  fiscalização  lavrará  notificação  de  débito,  com  discriminação  clara  e  precisa  dos  fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que  se referem, conforme dispuser o regulamento.” (grifamos)  No mesmo sentido, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir a  competência privativa do lançamento à autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa  Fl. 2509DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 13855.721243/2013­07  Acórdão n.º 2301­004.324  S2­C3T1  Fl. 13          23 atividade  o  fiscal  autuante  descreva  e  comprove  a  ocorrência  do  fato  gerador  do  tributo  lançado, como segue:  “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.”  Na  hipótese  dos  autos,  o  substancioso  trabalho  fiscal  em  relação  à  desconsideração  da  personalidade  jurídica  das  empresas  elencadas  no  processo,  a  ilustre  autoridade  lançadora,  ao  promover  a  caracterização  dos  funcionários  das  pessoas  jurídicas  desconsideradas  como  segurados  empregados  da  autuada,  logrou  motivar  o  presente  lançamento, mais precisamente no Relatório Fiscal, comprovando com declaração dos próprios  administradores  da  Recorrente  a  configuração  do  vínculo  empregatício,  que  declararam  ter  mais de mil funcionários, mesmo tendo registrado um pouco mais de cento e cinqüenta.  MULTA QUALIFICADA  Diz a Fiscalização que há uma declaração do administrador da Recorrente e  de uma funcionária de uma empresa interposta em jornal de circulação local, onde reconhecem  a  existência  de  mais  de  mil  empregos  diretos,  sendo  declarados  menos  de  duzentos  formalmente  em  seus  arquivos,  tenho  que  o Recorrente POINT SHOES LTDA,  deixou  de  declarar  em  GFIP  ,  com  intenção  fraudulenta  funcionários  registrados  ilegalmente  nas  empresas ESCA ESCRITÓRIO DE CONTABILIDADE LTDA EPP (a partir de 06/2010),  FÁBIO APARECIDO ANDRADE  ­ ME,  FRANK ALBERTO FERNANDES  ­ ME, V.  DE  O.  PADILHA  ­  ME,  TOP  STYLE  INDÚSTRIA  DE  CALÇADOS  LTDA  ­  EPP,  GLAMOUR FRANCA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADOS E ARTEFATOS e  DORIVAL DOS SANTOS FERREIRA – EPP, utilizando­se dessas empresas para declarar­ se  indevidamente  como OPTANTE  pelo  SIMPLES  ­  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições,  como  INTERPOSTA  PESSOA  com  a  finalidade  de  contratar  segurados  empregados  com  redução  de  encargos  previdenciários,  uma  vez  que, por  ser  optante  pelo  SIMPLES  não  recolhe  a  contribuição  previdenciária  patronal,  mostra  a  intenção dolosa de seus sócios, de eximir­se de pagamento de tributo, com o claro objetivo  de tributação favorecida, denotando o elemento subjetivo do dolo e ensejando a aplicação da  multa agravada.  Desta forma, se estivesse acompanhado o lançamento as ditas matérias onde  há reconhecimento dos donos da autuada que o número de funcionários dela não é o que consta  em seus cadernos contábeis, subsumeria perfeitamente ao tipo previsto nos artigos 71, 72 e 73  da Lei nº 4.502/1964.  Neste  aspecto  haveria  de  se  aplicar  a  multa  agravada  prevista  no  art.  44,  inciso I e 10, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007.  Todavia, com todo o respeito ao Fiscal Autuador não faz parte deste mundo  jurídico as ditas declarações de reconhecimento de números de funcionário maior do que ela  (Recorrente) apresenta.  Fl. 2510DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA     24 Como  a  decisão  de  piso  e  a  Fiscalização,  entendem  ter  ocorrido  fraude  na  contratação  de  segurados  empregados  por  meio  de  pessoas  jurídicas,  com  a  finalidade  de  sonegar  verbas  ao  FGTS,  à  Previdência  Social  e  à  Receita  Federal  e  não  houve  a  efetiva  demonstração da prova cabal de fraude, dolo ou simulação, através da dita declaração,  temos  que analisar de outra forma.  No  âmbito  das  contribuições  previdenciárias,  anteriormente  administradas  pela Secretaria da Receita Previdenciária, na maioria dos casos inexistia o devido cuidado em  caracterizar a conduta dolosa do contribuinte para efeito de comprovação dos crimes fiscais do  dolo, fraude ou simulação. A fiscalização tão somente informava à notificada da existência de  Representação Fiscal para Fins Penais, sem o devido aprofundamento na matéria.  Isto porque, além de inexistir multa de ofício qualificada, àquela época, vigia  o  artigo  45  da  Lei  nº  8.212/91,  o  qual  contemplava  o  prazo  decadencial  de  10  (dez)  anos,  independentemente  de  antecipação  de  pagamento  e/ou  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação.  Após a unificação das Secretarias das Receitas Previdenciária e Federal, em  Receita Federal  do Brasil  (“Super Receita”),  as  contribuições previdenciárias passaram a  ser  administradas  pela  RFB  que,  em  curto  lapso  temporal,  compatibilizou  os  procedimentos  fiscalizatórios  e,  por  conseguinte,  de  constituição  de  créditos  tributários,  estabelecendo,  igualmente, para os tributos em epígrafe multas de ofício a serem aplicadas em observância à  Lei n° 9.430/1996, conforme alterações na legislação introduzidas pela Lei nº 11.941/2009.  Diante desses  fatos, com a declaração da  inconstitucionalidade do artigo 45  da Lei nº 8.212/91, associada com os novos procedimentos adotados pela RFB e a transferência  de  competência  para  julgamento  das  contribuições  previdenciárias  do  CRPS  para  o  CARF,  passou  a  ser  de  extrema  importância  a  comprovação  da  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  para  efeito  de  aplicação  do  prazo  decadencial,  do  artigo  150,  §  4,  ou  artigo  173,  inciso I, do CTN.  Na esteira desse raciocínio, antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão,  cumpre trazer à baila os dispositivos legais que atualmente regulamentam a matéria, que assim  prescrevem:  “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  [...]  § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.  Por sua vez, os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, ao contemplarem as  figuras do “dolo, fraude ou sonegação”, estabelecem o que segue:  “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:   Fl. 2511DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 13855.721243/2013­07  Acórdão n.º 2301­004.324  S2­C3T1  Fl. 14          25 I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;   II ­ das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar  a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente.   Art  .  72.  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.   Art  . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas  naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos  arts. 71 e 72.”  Consoante  se  infere  dos  dispositivos  legais  acima  transcritos,  impõe­se  à  autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação  de regência em casos de  imputação da multa qualificada (in casu, exclusivamente do crime),  que somente poderá ser  levada a efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do  crime  (dolo,  fraude  ou  simulação),  devendo,  ainda,  relatar  todos  os  fatos  de  forma  pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo  atribuída e, bem assim, ao procurador de que o delito fora efetivamente praticado.  Em outras palavras, não basta à indicação da conduta dolosa, fraudulenta ou  simulatória, a partir de meras presunções e/ou subjetividades, impondo a devida comprovação  por  parte  da  autoridade  fiscal  da  intenção  pré­determinada  do  contribuinte,  demonstrada  de  modo  concreto,  sem  deixar  margem  a  qualquer  dúvida,  visando  impedir/retardar  o  recolhimento do tributo devido.  Este  entendimento,  aliás,  encontra­se  sedimentado  no  âmbito  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  –  CARF,  conforme  se  extrai  dos  julgados  com  suas  ementas abaixo transcritas:  “MULTA AGRAVADA – Fraude – Não pode  ser presumida ou  alicerçada  em  indícios.  A  penalidade  qualificada  somente  é  admissível  quando  factualmente  constatada  as  hipóteses  de  fraude,  dolo  ou  simulação.”  (8ª  Câmara  do  1°  Conselho  de  Contribuintes – Acórdão n° 108­07.561, Sessão de 16/10/2003)  (grifamos)  “ MULTA QUALIFICADA  – NÃO CARACTERIZAÇÃO  –  Não  tendo sido comprovada de forma objetiva o resultado do dolo, da  fraude  ou  da  simulação,  descabe  a  qualificação  da  penalidade  de  ofício  agravada.”  (2ª  Câmara  do  1°  Conselho  de  Contribuintes – Acórdão n° 102­45.625, Sessão de 21/08/2002)  “MULTA DE OFÍCIO – AGRAVAMENTO – APLICABILIDADE  – REDUÇÃO DO PERCENTUAL – Somente deve ser aplicada a  multa  agravada  quando  presentes  os  fatos  caracterizadores  de  evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da  Lei n° 4.502/64, fazendo­se a sua redução ao percentual normal  de 75%, para os demais casos, especialmente quando se referem  Fl. 2512DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA     26 à  infrações  apuradas  por  presunção.”  (8ª  Câmara  do  1°  Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 108­07.356, Sessão de  16/04/2003) (grifamos)  Em  decorrência  da  jurisprudência  uníssona  nesse  sentido,  o  então  1º  Conselho de Contribuintes consagrou de uma vez por todas o entendimento acima alinhavado,  editando a Súmula nº 14, determinando que:   “ Súmula 1ºCC nº 14: A simples apuração de omissão de receita  ou  de  rendimentos,  por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  ofício,  sendo  necessária  a  comprovação  do  evidente  intuito de fraude do sujeito passivo.”  Assim,  impende  analisar  os  autos  detidamente  de  maneira  a  elucidar  se  o  fiscal autuante logrou comprovar que a contribuinte agiu com dolo com o intuito de fraudar ou  simular a hipótese de incidência da obrigação tributária.  Neste ponto, aliás, mister esclarecer que o simples fato de, anteriormente às  alterações  na  legislação  acima mencionadas,  não  se  exigir  tal  comprovação  não  é  capaz  de  sustentar a pretensão fiscal em defesa da existência de dolo, fraude ou simulação.  Com  efeito,  cabe/caberia  à  autoridade  lançadora  demonstrar  de  forma  pormenorizada  suas  razões  no  sentido  de  que  a  contribuinte  agiu  com  dolo,  fraude  ou  simulação, para efeito da conclusão/comprovação do crime arquitetado pela autuada.  Pretender atribuir um crime ao contribuinte em sede de primeira ou segunda  instância,  sem  que  a  própria  autoridade  lançadora  tivesse  imputado  tal  conduta  à  autuada,  comprovando  e  fundamentando  suas  conclusões,  objetivando  oportunizar  a  ampla  defesa  e  contraditório da empresa em relação a este  tema, além de  representar supressão de  instância,  fere  de  morte  o  princípio  do  devido  processo  legal.  Estar­se­ia  imputando  um  crime  ao  contribuinte sem que o fiscal autuante o fizesse.  In  casu,  o  fato  de  constar  do  Relatório  Fiscal  da  Autuação  as  razões  que  levaram  à  fiscalização  a  desconsiderar  a  personalidade  jurídica  das  empresas  prestadoras  de  serviços, caracterizando os  respectivos  sócios e/ou  funcionários  como segurados empregados  da autuada não suprime o dever legal do fisco de justificar e comprovar o crime a ser imputado  ao contribuinte.  A  Egrégia  Segunda  Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  adotando o mesmo entendimento encimado, já se manifestou a propósito da matéria em caso da  mesma natureza, nos seguintes termos:  “[...]  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  DOLO,  FRAUDE  OU  SIMULAÇÃO.  NÃO  OCORRÊNCIA.  SIMPLES  DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO ­ PESSOAS  JURÍDICAS  E  CARACTERIZAÇÃO  DE  SEGURADOS  EMPREGADOS.  A  simples  procedência  de  notificação  fiscal,  estribada  na  desconsideração  de  personalidade  jurídica  das  empresas  prestadoras  de  serviços,  com  a  conseqüente  caracterização  de  segurados  empregados,  sem  que  haja  uma  perfeita demonstração da conduta do contribuinte com o fito de  sonegar  tributos,  não  é  capaz  de  comprovar  a  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação  de  maneira  a  deslocar  o  prazo  decadencial do artigo 150, § 4°, para o artigo 173, inciso I, do  Fl. 2513DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 13855.721243/2013­07  Acórdão n.º 2301­004.324  S2­C3T1  Fl. 15          27 Código  Tributário  Nacional.  Ademais,  o  artigo  229,  §  2º,  do  Regulamento da Previdência Social­RPS, aprovado pelo Decreto  nº  3.048/99,  o  qual  oferece  guarida  a  aludido  procedimento,  exige  tão  somente  a  demonstração  da  existência  dos  requisitos  do vínculo laboral para que seja procedente o lançamento, nada  dissertando a respeito da simulação, que poderá ou não vir a ser  demonstrada,  não  implicando,  necessariamente,  que  um  fato  conduz a outro, sem que ocorra um aprofundamento em relação  à  imputação  do  crime  fiscal.”  (Acórdão  n°  9202­01.127  –  Processo n° 16095.000604/2007­69, Sessão de 19/10/2010)  Não bastasse isso, no presente caso, o que torna ainda mais digno de realce é  que  a  autoridade  lançadora  somente  trouxe  à  colação  os  argumentos  a  propósito  da  suposta  fraude,  dolo  ou  simulação  praticados  pela  contribuinte  para  tratar  do  próprio  mérito  da  demanda.  Partindo  dessa  premissa,  o  simples  fato  da  pretensa  procedência  do  lançamento  em  relação  ao  mérito,  SE  FOSSE  O  CASO,  legitimando  a  desconsideração  procedida pela autoridade lançadora, a partir da comprovação dos requisitos do vínculo laboral,  não implica dizer necessariamente que a contribuinte cometeu o CRIME de simulação. Mesmo  porque o  dispositivo  legal  que  contempla  tal  procedimento,  qual  seja,  o  artigo  229,  §  2º,  do  Regulamento  da  Previdência  Social­RPS,  aprovado  pelo  Decreto  nº  3.048/99,  exige  exclusivamente  a  comprovação  dos  pressupostos  da  relação  empregatícia,  inscritos  no  artigo  12, inciso I, alínea “a” da Lei nº 8.212/91. Nada menciona sobre dolo, fraude ou simulação.  Nesse sentido, a análise fática de casos dessa natureza impõe primeiramente e  necessariamente  a  verificação  da  demonstração  da  existência  de  tais  requisitos  (do  vínculo  empregatício), o que não ocorre quanto à simulação, que poderá vir elucidada/comprovada ou  não.  Dessa  forma,  repita­se, o  fato de se considerar procedente o  lançamento, se  for o caso, estribado na desconsideração da personalidade jurídica e conseqüente caracterização  de segurados empregados, não quer dizer necessariamente que há o crime de simulação, dolo  ou  fraude  comprovados.  Impõe­se,  assim,  um  aprofundamento  maior  no  tema  por  parte  do  fiscal autuante ao pretender  imputar  tais crimes ao contribuinte, de forma a comprovar, além  dos pressupostos do vínculo laboral, a conduta criminosa da autuada.  No caso sob análise, vislumbramos a demonstração da ocorrência do CRIME  de simulação, com a segurança que o caso exige, isto porque, parto da premissa maior de que,  para  configurar  a  existência  de  pessoa  jurídica  interposta,  mister  que  pelo  menos  um  dos  elementos jurídicos trabalhistas estejam configurados, quais sejam: pessoalidade; onerosidade;  não­eventualidade e subordinação.  Neste  sentido  diz  a  Fiscalização  ter  configurado  todas  os  requisitos  de  vinculo empregatício, mas não houve prova cabal de um dos crimes que eleve a exigência da  multa qualificada.  CONCLUSÃO  Diante  do  exposto,  tenho  que  o  recurso  voluntário  aviado  acode  todos  os  pressupostos  de  admissibilidade,  razão  pela  qual  dele  conheço,  para  DAR­LHE  PARCIAL  Fl. 2514DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA     28 PROVIMENTO para não aplicar a multa qualificada, porque um dos crimes previsto para tal  exigência deve ter prova cabal de sua existência.  É como Voto.  WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA ­ Relator  (assinado digitalmente)                            Fl. 2515DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA

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Numero do processo: 10680.011910/2007-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/05/2003 a 30/11/2004 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIARIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INCENTIVE HOUSE. DEIXAR DE DESCONTAR CONTRIBUIÇÕES DE SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Constitui fato gerador de contribuição previdenciária o pagamento alusivo a verba paga pela empresa por intermédio do programa de incentivo. JULGAMENTO DO LANÇAMENTO PRINCIPAL TIDO POR PROCEDENTE. Uma vez que o lançamento principal do qual decorre o presente Auto de Infração foi julgado procedente, tendo em vista a desobediência à legislação previdenciária, outro não é o posicionamento acerca da matéria, razão pela qual deve ser mantido o lançamento em tela. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1612; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 291          1  290  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10680.011910/2007­44  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­004.590  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de fevereiro de 2015  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO:MULTA.CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  MILENIUM PROMOTORA DE VENDAS LTDA            Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 01/05/2003 a 30/11/2004  LEGISLAÇÃO  PREVIDENCIARIA.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  DESCUMPRIMENTO. INCENTIVE HOUSE. DEIXAR DE DESCONTAR  CONTRIBUIÇÕES DE SEGURADOS CONTRIBUINTES  INDIVIDUAIS.  Constitui fato gerador de contribuição previdenciária o pagamento alusivo a  verba  paga  pela  empresa  por  intermédio  do  programa  de  incentivo.  JULGAMENTO  DO  LANÇAMENTO  PRINCIPAL  TIDO  POR  PROCEDENTE.  Uma  vez  que  o  lançamento  principal  do  qual  decorre  o  presente  Auto  de  Infração  foi  julgado  procedente,  tendo  em  vista  a  desobediência  à  legislação  previdenciária,  outro  não  é  o  posicionamento  acerca da matéria, razão pela qual deve ser mantido o lançamento em tela.   Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 19 10 /2 00 7- 44 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     2    ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar  provimento ao recurso voluntário.       Julio César Vieira Gomes ­ Presidente       Lourenço Ferreira do Prado ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Júlio  César  Vieira  Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda  Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.      Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011910/2007­44  Acórdão n.º 2402­004.590  S2­C4T2  Fl. 292          3  Relatório    Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  por  MILLENIUM  PROMOTORA DE VENDAS LTDA EPP, em face de acórdão que manteve a integralidade  do  Auto  de  Infração  n.  37.033.871­5,  lavrado  para  a  cobrança  de  multa  por  ter  deixado  a  recorrente  de  arrecadar,  mediante  desconto  na  remuneração  de  seus  segurados  contribuintes  individuais (sócios/gerentes), os valores de suas contribuições previdenciárias.  Consta  do  relatório  fiscal  que  os  pagamentos  das  remunerações  foram  efetuados  através  de  recursos  alocados  em  cartões  FLEXCARD,  concedidos  aos  sócios  gerentes  da  autuada,  utilizando  como  intermediária  a  empresa  INCENTIVE  HOUSE  S.A.,  CNPJ  00.416.126/000141,  como  comprovam  o  contrato  assinado  entre  esta  empresa  e  a  autuada  e  as  Notas  Fiscais  de  emissão  de  INCENTIVE  HOUSE,  bem  como  Relação  de  pagamentos elaborada pela autuada, onde foram relacionados os segurados beneficiários.  O  lançamento  compreende  o  período  de  05/2003  a  11/2004,  tendo  sido  o  contribuinte cientificado em 02/01/2007 (fls. 20).  Devidamente  intimado  do  julgamento  em  primeira  instância  (fls.48/52),  a  recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta:  1.  que  o  presente  Auto  de  Infração  é  corolário  da  Notificação  Fiscal  de  Lançamento  de  Débito/DEBCAB  37.033.8731,  lavrada  em  decorrência  de  suposto  não  recolhimento  de  contribuições  previdenciárias,  situação  que  configura o bis in idem;  2. que para que se cogite acerca da incidência da contribuição previdenciária,  é forçoso que a remuneração creditada aos sócios decorra do trabalho do sócio  na empresa, o que não ocorreu no caso dos autos;   3.  que  para  que  houvesse  falar  em  incidência  da  exação  aqui  combatida,  imperioso  se  vislumbrasse,  no  trabalho  fiscal,  de  forma  inequívoca,  que  as  verbas  pagas  pela  autuada  aos  seus  sócios  através  da  Incentive House  S/A  diziam  respeito  a  efetivo  trabalho  por  eles  prestado  em  favor  da  sociedade,  trabalho ou serviço este que sequer veio a ser mencionado no relatório fiscal  ou mesmo na decisão de primeira instância;   4.  que  a  fiscalização  presumiu  que  os  pagamentos  efetuados  aos  sócios  detinham correlação  com o  trabalho prestado na  empresa,  procedimento que  deve  ser  considerado  como  ilegal,  na medida  em  que  o  relatório  fiscal  não  tratou dessa correlação;  5. que a verba transitou na conta de resultados da recorrente, de modo que sua  verdadeira  natureza  jurídica  foi  fato  ignorado  pela  r.  decisão  de  primeira  instância, e que os sócios declararam em suas declarações anuais de ajuste o  Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     4  recebimento  de  tais  parcelas,  pois,  através  do  cartão  eram  creditados  distribuição de lucros e resultados;  6. que em caso de manutenção do lançamento, que lhe seja aplicada a multa  mais favorável, com esteio no art. 112 do CTN.   Processado  o  recurso  sem  contrarrazões  da  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho.  É o relatório.  Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011910/2007­44  Acórdão n.º 2402­004.590  S2­C4T2  Fl. 293          5    Voto             Conselheiro Lourenco Ferreira do Prado, Relator  CONHECIMENTO  Tempestivo  o  recurso  e  presentes  os  demais  requisitos  de  admissibilidade,  dele conheço.  Sem preliminares.  MÉRITO  Inicialmente, cumpre esclarecer que as alegações recursais já foram objeto de  análise  quando  do  julgamento  do  processo  nº  10680.008495/2007.41, NFLD nº37.033.8731,  oportunidade na qual restou mantido o lançamento efetuado pela autoridade fiscal, lavrado para  a  cobrança  de  multa  por  ter  deixado  a  recorrente  de  arrecadar,  mediante  desconto  na  remuneração de seus segurados contribuintes individuais (sócios/gerentes), os valores de suas  contribuições previdenciárias  A título de escalrecimento, segue o voto, na íntegra, proferido pela 3ª Turma  Especial do CARF:  “PREVIDENCIÁRIO.  CUSTEIO.  NOTIFICAÇÃO  FISCAL  DE  LANÇAMENTO DE DÉBITO. REMUNERAÇÃO. INCENTIVE HOUSE.  PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  A verba paga pela  empresa aos  segurados por  intermédio de programa de  incentivo  administrado  por  interposta  pessoa  jurídica  é  fato  gerador  de  contribuição  previdenciária.  Portanto,  estando  a  verba  no  campo  de  incidência  das  contribuições  previdenciárias,  para  não  haver  tributação  sobre ela é necessário haver previsão legal nesse sentido. Qualquer medida  contrária a tal pressuposto malferirá princípios, tais como, o da legalidade e  da isonomia tributária. Recurso Voluntário Negado.    Helton Carlos Praia de Lima – Presidente   Eduardo  de  Oliveira  –  Relator  Participaram  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  Helton  Carlos  Praia  de  Lima,  Eduardo  de  Oliveira,  Oseas  Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato.  Trata­se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD DEBCAD  37.033.8731, lavrada em desfavor do contribuinte acima indicado, referente  as  contribuições  sociais  destinadas  à  Seguridade  Social,  decorrentes  de  remunerações  pagas  e/ou  creditadas  aos  segurados  contribuintes  individuais,  sócios  gerentes  da  empresa,  por  intermédio  de  cartão  de  premiação FLEXCARD. O lançamento alcançou as competências de 05/2003  a 11/2004.  Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     6  O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva.  A  impugnação  foi  julgada em 29 de maio de 2008, ementada nos seguintes  termos:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIARIAS  Período  de  apuração:  01/05/2003  a  30/11/2004  PREVIDENCIARIO.  CUSTEIO.  CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA.  A  empresa  é  obrigada  a  recolher  as  contribuições  a  seu  cargo,  incidentes  sobre as  remunerações pagas aos  segurados contribuintes  individuais, bem  como  recolher  a  contribuição  devida  por  eles,  mediante  desconto  na  remuneração, a partir da competência de abril/2003, em conformidade com  a legislação de regência.  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇO  A  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS.  INAPLICABILIDADE  DO  ADICIONAL  DE  CONTRIBUIÇÃO.  RETIFICAÇÃO.  Não é devido o adicional de 2,5%(dois inteiro e cinco décimos por cento) por  empresa não inserida no rol do § 1° do artigo 22 da Lei n. 8.212/91.  Lançamento  Procedente  em  Parte  Inconformado  com  resultado  do  julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou  recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte:  O  suposto  crédito  tributário  objeto  de  lançamento  foi  apurado,  consoante  narrado no Relatório que acompanha a Notificação Fiscal em questão, com  base  em  exame  de  lançamentos  realizados  pelo  contribuinte  na  subconta  "Prêmios por vendas", lançamentos estes que tinham por objeto pagamentos  realizados  em  favor  dos  sócios  da  pessoa  jurídica  por  intermédio  da  Incentive House S/A, no período 05/ 2003 a 12/2004.  Argumenta  a  fiscalização  que,  não  tendo  os  valores  pertinentes  aos  pagamentos  realizados aos  sócios da pessoa  jurídica  transitado nas  contas  "Pro labore a pagar", "Pro Labore", ou "Lucros ou Prejuízos Acumulados",  tratar­se­iam  de  "remunerações  pagas  ou  creditadas  aos  segurados  contribuintes  individuais",  portanto  sujeitas  a  incidência  de  contribuição  previdenciária,  nos  termos  dos  arts.  22,  III,  §  1  0,  e  28,  III,  da  Lei  n°  8.212/91..........  A  verba paga pela  empresa aos  segurados por  intermédio de programa de  incentivo  administrado  por  interposta  pessoa  jurídica  é  fato  gerador  de  contribuição  previdenciária.  Portanto,  estando  a  verba  no  campo  de  incidência  das  contribuições  previdenciárias,  para  não  haver  tributação  sobre ela é necessário haver previsão legal nesse sentido. Qualquer medida  contrária a tal pressuposto malferirá princípios, tais como, o da legalidade e  da isonomia tributária.  CONCLUSÃO:  Pelo  exposto,  voto  por  conhecer  do  recurso  para,  no  mérito,  negar­lhe  provimento.”    Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011910/2007­44  Acórdão n.º 2402­004.590  S2­C4T2  Fl. 294          7  Logo, resta inconteste a ocorrência da infração descrita no presente Auto de  Infração, de modo que em não tendo sido trazidas aos autos outras alegações além daquelas já  analisadas, deve ser mantida a multa aplicada.    Ante  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso.  É como voto.    Lourenço Ferreira do Prado.                                  Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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Numero do processo: 11040.720347/2012-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 LANÇAMENTOS DECORRENTES. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E COFINS. Inclui-se na base de cálculo do PIS/PASEP e Cofins o ICMS, em razão do fato gerador das aludidas contribuições ser o faturamento ou receita bruta, sem exclusão do valor do ICMS destacado nas notas fiscais de saúde que compõe o preço total do produto. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. O fato da Recorrente ter entendido equivocado quanto à forma de tributação da receita decorrente de serviços de transporte, não oferecendo à tributação a receita dos subcontratados, inexistindo fraude, sonegação ou conluio, nos termos dos arts. 71, 72 de 73, da Lei nº 4.502/64, não justifica a aplicação da multa qualificada de 150%¨. Recurso Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 1101-001.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Integrou o Colegiado o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone. [assinado digitalmente] Marcos Aurélio Pereira Valadão, Presidente [assinado digitalmente] Antônio Lisboa Cardoso, Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari, Antônio Lisboa Cardoso (relator) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente).
Nome do relator: Antônio Lisboa Cardoso

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 LANÇAMENTOS DECORRENTES. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E COFINS. Inclui-se na base de cálculo do PIS/PASEP e Cofins o ICMS, em razão do fato gerador das aludidas contribuições ser o faturamento ou receita bruta, sem exclusão do valor do ICMS destacado nas notas fiscais de saúde que compõe o preço total do produto. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. O fato da Recorrente ter entendido equivocado quanto à forma de tributação da receita decorrente de serviços de transporte, não oferecendo à tributação a receita dos subcontratados, inexistindo fraude, sonegação ou conluio, nos termos dos arts. 71, 72 de 73, da Lei nº 4.502/64, não justifica a aplicação da multa qualificada de 150%¨. Recurso Parcialmente Provido.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2247; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C1T1  Fl. 223          1 222  S1­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11040.720347/2012­64  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  1101­001.258  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  5 de fevereiro de 2015  Matéria  IRPJ­CSLL­PIS­COFINS  Recorrente  RINALDO GUERRA CECERE  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2008  IRPJ.  RECEITA  BRUTA.  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS  DE  TRANSPORTE DE CARGAS.  A  receita  bruta  é  o  produto  da  venda  de  bens  e  serviços  nas  operações  de  conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em  conta  alheia,  excluídas  as  vendas  canceladas  e  os  descontos  incondicionais  concedidos.  Na  prestação  de  serviços  de  transporte  de  cargas,  quando  os  serviços  são  realizados  por  conta  e  exclusiva  responsabilidade  da  transportadora,  recebendo os valores dos fretes,  inclusive aqueles efetuados por  terceiros, a  totalidade  dos  recebimentos  decorrentes  dessas  operações  integra  a  receita  bruta  para  fins  de  determinação  da  base  de  cálculo  do  lucro  arbitrado,  não  tendo amparo legal a exclusão dos valores repassados a terceiros pelos fretes  subcontratados.  ARBITRAMENTO  DO  LUCRO.  LIVRO  CAIXA.  AUSÊNCIA  DE  ESCRITURAÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA.  Cabe  o  arbitramento  do  lucro  quando  a  pessoa  jurídica,  optante  pelo  lucro  presumido,  não  apresentar  a  escrituração  contábil  nos  termos  da  legislação  comercial  ou  o  livro  Caixa  contendo  toda  a  movimentação  financeira,  inclusive a bancária.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 2008  LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL.   A  solução  dada  ao  litígio  principal,  relativo  ao  IRPJ,  aplica­se,  no  que  couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos  a ensejar decisão diversa.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 03 47 /2 01 2- 64 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 11040.720347/2012­64  Acórdão n.º 1101­001.258  S1­C1T1  Fl. 224          2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano­calendário: 2008  LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS/PASEP  A  solução  dada  ao  litígio  principal,  relativo  ao  IRPJ,  aplica­se,  no  que  couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos  a ensejar decisão diversa.  ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E COFINS.  Inclui­se na base de cálculo do PIS/PASEP e Cofins o  ICMS, em razão do  fato  gerador  das  aludidas  contribuições  ser  o  faturamento  ou  receita  bruta,  sem  exclusão  do  valor  do  ICMS  destacado  nas  notas  fiscais  de  saúde  que  compõe o preço total do produto.   ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2008  LANÇAMENTOS DECORRENTES. COFINS  A  solução  dada  ao  litígio  principal,  relativo  ao  IRPJ,  aplica­se,  no  que  couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos  a ensejar decisão diversa.  ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E COFINS.  Inclui­se na base de cálculo do PIS/PASEP e Cofins o  ICMS, em razão do  fato  gerador  das  aludidas  contribuições  ser  o  faturamento  ou  receita  bruta,  sem  exclusão  do  valor  do  ICMS  destacado  nas  notas  fiscais  de  saúde  que  compõe o preço total do produto.   MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO.  O fato da Recorrente ter entendido equivocado quanto à forma de tributação  da receita decorrente de serviços de transporte, não oferecendo à tributação a  receita  dos  subcontratados,  inexistindo  fraude,  sonegação  ou  conluio,  nos  termos dos arts. 71, 72 de 73, da Lei nº 4.502/64, não justifica a aplicação da  multa qualificada de 150%¨.  Recurso Parcialmente Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  da  1ª  Câmara  /  1ª  Turma  Ordinária  da  Primeira  Seção de  Julgamento,  por unanimidade de votos,  em dar provimento parcial  ao  recurso,  nos  termos  do  relatorio  e  votos  que  integram  o  presente  julgado.  Integrou  o  Colegiado  o  Conselheiro Paulo Mateus Ciccone.  [assinado digitalmente]  Marcos Aurélio Pereira Valadão, Presidente  [assinado digitalmente]  Fl. 224DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 11040.720347/2012­64  Acórdão n.º 1101­001.258  S1­C1T1  Fl. 225          3 Antônio Lisboa Cardoso, Relator  Participaram da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Edeli  Pereira Bessa,  Benedicto  Celso  Benício  Júnior,  Paulo  Mateus  Ciccone,  Paulo  Reynaldo  Becari,  Antônio  Lisboa Cardoso (relator) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente).    Relatório  Cuida­se  de  recurso  em  face  da  decisão  que  julgou  procedente  os  autos  de  infração de IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS, incidentes sobre os fatos geradores ocorrido  no ano­calendário de 2008, relativamente aos serviços de transporte realizados pela Recorrente,  conforme sintetiza a ementa a seguir transcrita:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA IRPJ  Ano­calendário: 2008  Ementa:  PRELIMINAR. PEDIDO DE PERÍCIA  Indefere­se  o  pedido  de  perícia  quando os  quesitos  formulados  tratam  de  questões  cujo  conhecimento  técnico  do  julgador  permite formar a sua convicção.  PRINCÍPIOS  CONSTITUCIONAIS.  INCONSTITUCIONALIDADE  E  ILEGALIDADE  DE  NORMAS  E  ATOS  LEGAIS.  APRECIAÇÃO  PELO  JULGADOR  ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA  A  autoridade  administrativa  não  é  competente  para  se  manifestar  acerca  da  constitucionalidade  ou  legalidade  de  normas e atos legalmente editados, prerrogativa essa reservada  ao Poder Judiciário.  IRPJ.  CSLL.  RECEITA  BRUTA.  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS  DE TRANSPORTE DE CARGAS.  A  receita  bruta  é  o  produto  da  venda  de  bens  e  serviços  nas  operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o  resultado  nas  operações  em  conta  alheia,  excluídas  as  vendas  canceladas e os descontos incondicionais concedidos.  Na  prestação  de  serviços  de  transporte  de  cargas,  quando  os  serviços  são  realizados  por  conta  e  exclusiva  responsabilidade  da  transportadora,  recebendo  os  valores  dos  fretes,  inclusive  aqueles  efetuados  por  terceiros,  a  totalidade  dos  recebimentos  decorrentes  dessas  operações  integra  a  receita  bruta  para  fins  de  determinação  da  base  de  cálculo  do  lucro  arbitrado,  não  tendo  amparo  legal  a  exclusão  dos  valores  repassados  a  terceiros pelos fretes subcontratados.  Fl. 225DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 11040.720347/2012­64  Acórdão n.º 1101­001.258  S1­C1T1  Fl. 226          4 ARBITRAMENTO DO LUCRO. LIVRO CAIXA. AUSÊNCIA DE  ESCRITURAÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA.  Cabe o arbitramento do lucro quando a pessoa jurídica, optante  pelo  lucro  presumido,  não  apresentar  a  escrituração  contábil  nos  termos  da  legislação  comercial  ou  o  livro Caixa  contendo  toda a movimentação financeira, inclusive a bancária.  LUCRO  ARBITRADO.  ENTREGA  DA  DIPJ  ZERADA.  OMISSÃO DE RECEITA  Constitui  omissão  de  receita  os  valores  registrados  nos  Livros  Registros  de  Apuração  do  ICMS  e  não  informados  na  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica,  quando  não  foi  efetuado  o  pagamento  dos  tributos  correspondentes, nem informado os débitos em DCTF.   MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO  Justifica­se a aplicação da multa no percentual de 150% quando  restar  demonstrado  que  o  contribuinte  agiu  de  forma  dolosa,  com  o  propósito  de  impedir  ou  retardar,  o  conhecimento  por  parte  da  autoridade  fazendária,  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária,  ou  de  excluir  ou  modificar  as  suas  características.  LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS  A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica­se,  no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver  fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.  BASES DE CÁLCULO. PIS/PASEP. COFINS  A  base  de  cálculo  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  corresponde  à  totalidade  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  sendo  irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação  contábil adotada para as receitas, sendo permitidas somente as  exclusões determinadas em lei.  Incabível a exclusão das importâncias computadas como receita  que  tenham  sido  transferidas  para  outra  pessoa  jurídica  e  do  ICMS.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Transcrevo a seguir alguns trechos da decisão recorrida que bem esclarecem  os fatos discutidos no presente processo:  3. MÉRITO  3.1. OMISSÃO DE RECEITAS  O art 43 do Código Tributário Nacional dispõe que o imposto sobre a renda e  proventos  de  qualquer  natureza  tem  como  fato  gerador  a  aquisição  da  Fl. 226DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 11040.720347/2012­64  Acórdão n.º 1101­001.258  S1­C1T1  Fl. 227          5 disponibilidade econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho ou  da  combinação  de  ambos)  e  de  proventos  de  qualquer  natureza  (acréscimos  patrimoniais não compreendidos no conceito de renda).  Os valores recebidos pelo contribuinte por conta da prestação de serviços de  transporte devem ser considerados como uma disponibilidade adquirida, pois estão  diretamente ligados ao conceito de renda, e, por isso, sujeitos à tributação de acordo  com um dos regimes de tributação disponíveis (lucro real, lucro presumido ou lucro  arbitrado).  O impugnante alega que repassava para terceiros, que finalizavam os serviços  de transporte, 80% do valor contratado para a realização do  transporte, por  isso os  valores repassados não poderiam ser considerados como receita sujeita à tributação.  Não lhe assiste razão.  Em  todas  essas  formas  de  tributação,  a  apuração  do  imposto  de  renda  é  baseada na receita bruta auferida. No caso do SIMPLES, o conceito de receita bruta  é  aquele  previsto  no  §  2º  do  art.  2º  da  Lei  nº  9.317,  de  1996;  no  caso  do  lucro  arbitrado e no presumido, no art. 224 do RIR/1999, que assim dispõem:  Lei 9.317/96 . Art. 2º. § 2º Para os fins do disposto neste artigo, considera­se  receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria,  o preço dos  serviços prestados  e o  resultado nas operações  em conta alheia, não  incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos.  RIR/99. Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto  da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e  o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31).  Parágrafo único. Na receita bruta não se  incluem as vendas canceladas, os  descontos  incondicionais  concedidos  e  os  impostos  não  cumulativos  cobrados  destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o  prestador  dos  serviços  seja  mero  depositário  (Lei  nº  8.981,  de  1995,  art.  31,  parágrafo único).  O  impugnante  é  um  prestador  de  serviços  de  transporte  de  cargas  e,  nessa  condição, efetua o transporte de cargas contratados em veículos de terceiros. O fato  de subcontratar terceiros para efetuar os fretes, não lhe retira a obrigação assumida  de  transportar  os  produtos,  recebendo  pelos  fretes,  cujo  valor  é  repassado  parcialmente  para  outros  transportadores.  Esses  valores  repassados  configuram­se  como custos dos serviços prestados!  Portanto,  seu  trabalho  não  é  de  simples  agenciamento  de  fretes,  recebendo  comissões, mas sim, de prestação de serviços de transportes de cargas. Assim, se os  serviços  de  transportes  são  realizados  em  nome  do  impugnante,  por  sua  conta  e  risco, a receita bruta corresponde ao produto da venda dos referidos serviços.  Observe­se,  entretanto,  que  na  sistemática  do  lucro  presumido  e  do  arbitramento do lucro não se tributa a totalidade da receita obtida, mas uma parcela  dessa  receita,  que  a  legislação  atribui  como  valor  tributável.  Na  definição  do  percentual de presunção e do percentual de arbitramento de lucro o legislador levou  em  consideração  todos  os  aspectos  relacionados  aos  custos  e  despesas  inerentes  à  atividade de transporte de cargas.  Se o contribuinte quiser ver  tributado apenas o  seu  resultado positivo,  basta  que  efetue  a  escrituração  contábil  e  fiscal  de  suas  operações  e  apure  o  IRPJ  e  a  Fl. 227DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 11040.720347/2012­64  Acórdão n.º 1101­001.258  S1­C1T1  Fl. 228          6 CSLL  com  base  no  lucro  real.  Não  o  fazendo,  se  sujeita  aos  percentuais  de  presunção  do  lucro  da  sistemática  de  apuração  do  lucro  presumido  ou  do  lucro  arbitrado,  aplicados  sobre  os  valores  totais  dos  fretes,  não  cabendo,  por  falta  de  previsão legal, a exclusão dos valores pagos a terceiros por conta da subcontratação  dos fretes.  Portanto,  foi  correto  o  procedimento  fiscal  de  considerar  como  receita  do  contribuinte a integralidade dos valores recebidos por conta da prestação de serviços  de transporte.  3.2. ARBITRAMENTO DO LUCRO  O  contribuinte  escriturou  o  Livro  Caixa  efetuando  lançamentos  com  totalização mensal dos valores movimentados e sem contemplar o registro de toda a  movimentação financeira e bancária. Por outro lado, não apresentou a escrituração  contábil/fiscal, de forma que a Fiscalização, com base no art. 530, II, “a”, e III, do  RIR/99, arbitrou o lucro, tomando por base a receita bruta, aplicando o percentual de  9,6% sobre a receita bruta apurada.  Na Impugnação o contribuinte alega que o arbitramento do lucro só deve ser  aplicado nos casos em que ele não apresenta os documentos fiscais solicitados, o que  não  foi  o  caso,  pois  toda  a  sua  documentação  fiscal  foi  entregue,  conforme  demonstram os documentos em anexo.  Além disso, o arbitramento não levou em consideração fatos essenciais para a  real apuração da base de cálculo sobre a qual deve incidir as alíquotas de IRPJ, PIS,  Cofins  e  CSLL,  como  o  valor  que  efetivamente  constitui  o  seu  faturamento,  correspondente  a  20%  dos  valores  pagos  pelo  serviço  contratado,  sob  pena  de  se  desrespeitar  a  ordem  constitucional  que  considera  como  renda  somente  aqueles  valores que correspondam a um verdadeiro acréscimo patrimonial.  Conforme já exposto, a regra normal de tributação é aquela na forma do lucro  real, em que as pessoas jurídicas apuram seus resultados a partir das demonstrações  financeiras, baseadas em escrituração regular. Sendo, pois, o lucro real a regra geral  para a tributação das empresas, então, por consequência, o lucro presumido e o lucro  arbitrado configuram­se em exceções à regra geral.  No caso da pessoa jurídica sujeita à tributação pelo lucro real, não há dúvidas  que ela deve manter escrituração com observâncias das leis comerciais e fiscais, que  deve abranger todas as suas operações (art. 251 e parágrafo único do RIR/1999).  No  caso  da  pessoa  jurídica  optante  pela  tributação  com  base  no  lucro  presumido,  caso  não mantenha  escrituração  nos  termos  da  legislação  comercial  e  fiscal, deve manter, obrigatoriamente, o Livro Caixa, no qual deve escriturar toda a  movimentação financeira,  inclusive bancária. Essa obrigatoriedade está prevista no  art. 527, inciso I, e § único, do RIR/1999, que assim dispõe.   Por  isso,  quando  solicitado  pelo  Fisco,  o  contribuinte  deve  exibir  os  documentos e os respectivos livros comerciais e fiscais ou o Livro Caixa contendo  toda a movimentação financeira, inclusive a bancária, em boa ordem, escriturados e  em dia.  A  autorização  legal  para  o  arbitramento  do  lucro,  quando  o  Contribuinte  é  optante  pelo  lucro  presumido,  no  caso  da  não  apresentação  do  Livro  Caixa  devidamente escriturado, é prevista no art. 530,  inciso  II, do RIR/1999, a  seguir é  transcrito:  Fl. 228DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 11040.720347/2012­64  Acórdão n.º 1101­001.258  S1­C1T1  Fl. 229          7 Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano­calendário,  será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981,  de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º);  Conclui,  por  fim  que  no  caso  dos  autos,  o  contribuinte  escriturou  o  Livro  Caixa  com  base  em  partidas  mensais,  sem  identificação  da  sua  movimentação  financeira,  inclusive  a movimentação  bancária,  situação  que  se  subsume  à  norma  legal,  que  determina  o  arbitramento  do  lucro,  sendo  mantido  o  arbitramento  do  lucro.  3.2. ARBITRAMENTO DO LUCRO  O  contribuinte  escriturou  o  Livro  Caixa  efetuando  lançamentos  com  totalização mensal dos valores movimentados e sem contemplar o registro de toda a  movimentação financeira e bancária. Por outro lado, não apresentou a escrituração  contábil/fiscal, de forma que a Fiscalização, com base no art. 530, II, “a”, e III, do  RIR/99, arbitrou o lucro, tomando por base a receita bruta, aplicando o percentual de  9,6% sobre a receita bruta apurada.  O  contribuinte  alega  que  o  arbitramento  do  lucro  só  deve  ser  aplicado  nos  casos em que ele não apresenta os documentos  fiscais  solicitados, o que não  foi o  caso,  pois  toda  a  sua  documentação  fiscal  foi  entregue,  conforme  demonstram  os  documentos em anexo.  Além disso, o arbitramento não levou em consideração fatos essenciais para a  real apuração da base de cálculo sobre a qual deve incidir as alíquotas de IRPJ, PIS,  Cofins  e  CSLL,  como  o  valor  que  efetivamente  constitui  o  seu  faturamento,  correspondente  a  20%  dos  valores  pagos  pelo  serviço  contratado,  sob  pena  de  se  desrespeitar  a  ordem  constitucional  que  considera  como  renda  somente  aqueles  valores que correspondam a um verdadeiro acréscimo patrimonial.  Conforme já exposto, a regra normal de tributação é aquela na forma do lucro  real, em que as pessoas jurídicas apuram seus resultados a partir das demonstrações  financeiras, baseadas em escrituração regular. Sendo, pois, o lucro real a regra geral  para a tributação das empresas, então, por consequência, o lucro presumido e o lucro  arbitrado configuram­se em exceções à regra geral.  No caso da pessoa jurídica sujeita à tributação pelo lucro real, não há dúvidas  que ela deve manter escrituração com observâncias das leis comerciais e fiscais, que  deve abranger todas as suas operações (art. 251 e parágrafo único do RIR/1999).  No  caso  da  pessoa  jurídica  optante  pela  tributação  com  base  no  lucro  presumido,  caso  não mantenha  escrituração  nos  termos  da  legislação  comercial  e  fiscal, deve manter, obrigatoriamente, o Livro Caixa, no qual deve escriturar toda a  movimentação financeira,  inclusive bancária. Essa obrigatoriedade está prevista no  art. 527, inciso I, e § único, do RIR/1999, que assim dispõe:  Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com  base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45):  I escrituração contábil nos termos da legislação comercial;  II  Livro  Registro  de  Inventário,  no  qual  deverão  constar  registrados  os  estoques existentes no término do ano­calendário;  III em boa guarda e ordem,  enquanto não decorrido o prazo decadencial e  não  prescritas  eventuais  ações  que  lhes  sejam  pertinentes,  todos  os  livros  de  Fl. 229DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 11040.720347/2012­64  Acórdão n.º 1101­001.258  S1­C1T1  Fl. 230          8 escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos  e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal.  Parágrafo único. O disposto no  inciso I deste artigo não se aplica à pessoa  jurídica que, no decorrer do ano­calendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá  estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981,  de 1995, art. 45, parágrafo único). (grifo nosso)  Por  isso,  quando  solicitado  pelo  Fisco,  o  contribuinte  deve  exibir  os  documentos e os respectivos livros comerciais e fiscais ou o Livro Caixa contendo  toda a movimentação financeira, inclusive a bancária, em boa ordem, escriturados e  em dia.  A  autorização  legal  para  o  arbitramento  do  lucro,  quando  o  Contribuinte  é  optante  pelo  lucro  presumido,  no  caso  da  não  apresentação  do  Livro  Caixa  devidamente escriturado, é prevista no art. 530,  inciso  II, do RIR/1999, a  seguir é  transcrito:  Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano­calendário,  será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981,  de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º):  [...]  II  a  escrituração  a  que  estiver  obrigado  o  contribuinte  revelar  evidentes  indícios  de  fraudes  ou  contiver  vícios,  erros  ou  deficiências  que  a  tornem  imprestável para:  a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária;  No  caso  dos  autos,  o  contribuinte  escriturou  o  Livro  Caixa  com  base  em  partidas  mensais,  sem  identificação  da  sua  movimentação  financeira,  inclusive  a  movimentação  bancária,  situação  que  se  subsume  à  norma  legal,  que  determina  o  arbitramento do lucro.  Portanto, deve ser mantido o arbitramento do lucro.  3.3. LANÇAMENTOS DECORRENTES  De  acordo  com  a  análise  dos  argumentos  específicos  do  impugnante  relativamente  às  bases  de  cálculos  de  PIS  e  Cofins,  pois,  além  da  exclusão  dos  valores  repassados  a  terceiros,  o  contribuinte  requer  a  exclusão  do  ICMS  da  base  de  cálculo  do  PIS/Pasep e da Cofins.  Com a edição da Lei nº 9.718, de 1998,  arts.  2º  e 3º,  a base de  cálculo  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins  passou  a  ser  a  totalidade  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as  receitas.  Assim,  concluiu  a  decisão  recorrida que  com a  edição  da Lei  n.º  9.718,  de  1998 (arts. 2º e 3º, § 1º), foi adotada uma base universal para efeito de incidência do PIS/Pasep  e  da  Cofins,  abrangendo,  a  totalidade  das  receitas  auferidas,  inclusive  receitas  financeiras,  cambiais,  outras  receitas  operacionais,  sendo  irrelevante  o  tipo  de  atividade  exercida,  a  classificação  contábil  ou  a  denominação  adotada  para  as  receitas,  ajustada  pelas  exclusões  Fl. 230DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 11040.720347/2012­64  Acórdão n.º 1101­001.258  S1­C1T1  Fl. 231          9 autorizadas  pelo  art.  3º,  §  2º,  e  demais  normas  editadas  posteriormente,  dentre  as  quais  não  estão aquelas pretendidas pelo contribuinte.  Logo,  na  composição  da  base  de  cálculo  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  o  faturamento incluí a parcela referente ao ICMS, não havendo, pois, que excluir esse tributo da  base de cálculo.  3.4. DO AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO  Como argumenta o impugnante, para o agravamento da multa de ofício deve  estar presente o dolo, que é o elemento que se relaciona com a consciência e a vontade de agir,  presente em todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502, de 1964, ou seja, a vontade de  praticar a conduta, para a subseqüente obtenção do resultado. Deve estar claro que a conduta  praticada  teve  o  intuito  consciente  voltado  a  suprimir  ou  reduzir  o  pagamento  do  tributo  ou  contribuições devidos.  Esses elementos estão presentes no caso dos autos, pois o contribuinte além  de  ter  entregado  a Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  (DIPJ)  zerada,  não  declarou  os  débitos  em  DCTF  e  somente  efetuou  o  pagamento  de  pequenas  parcelas dos tributos devidos. Esses procedimentos configuram, sem dúvida, a intenção dolosa  na sua conduta com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade  fazendária,  da ocorrência do  fato gerador,  ou de  excluir  ou modificar  as  suas  características,  enquadrando­se nas hipóteses previstas nos art. 71 (sonegação) e 72 (fraude) da Lei nº 4.502,  de 1964. Esse "animus", vontade de querer o resultado, ou assumir o risco de produzi­lo, ficou  evidenciado  e  demonstrado  nos  autos,  não  podendo  ser  considerados meros  erros  de  ordem  material, sem a caracterização de qualquer intuito fraudulento, posto que não se tratam de atos  isolados, mas reiteradamente praticados pelo contribuinte em todos os meses do ano­calendário  de 2008.  O  agravamento  da multa  está  relacionado  diretamente  à  conduta  dolosa  de  suprimir  ou  reduzir  o  pagamento  de  tributos,  por  isso,  a  apresentação  dos  documentos  solicitados  pelo  fisco  na  intimação  fiscal  não  tem  a  força  de  afastar  a  aplicação  da  multa  qualificada, mantendo assim as multas aplicadas.  Cientificada em 21/09/2012 (cf. AR – fl. 159) a Recorrente interpôs o recurso  voluntário  de  fls.  161  e  seguintes,  alegando,  em  sede  de  preliminar  que  o  processo  seja  devolvido  à  primeira  instância  para  a  realização  de  prova  pericial,  pois  entende  que  a  identificação  do  real  faturamento  da  Recorrente  seria  imprescindível  para  o  deslinde  da  questão.  Nesse  sentido  aduz  que  a Autoridade  Julgadora,  sentindo  a  necessidade  de  realização de prova pericial para a formação de sua convicção, não pode deixar de determinar o  ato, sob pena de nulidade da decisão, cita doutrina e jurisprudência favoráveis à sua tese.  Em  relação  ao mérito,  reitera  os  argumentos  apresentados  inicialmente,  de  que para a realização dos serviços de transportes contratava outros transportadores, repassando  a  esses  terceiros  contratados 80% dos valores  recebidos,  pelo que  somente constitui  base de  cálculo para a tributação 20% dos valores efetivamente recebidos.  Em  seguida  reitera  os  demais  argumentos  inicialmente  apresentados,  em  relação ao PIS/COFINS requer seja excluído o ICMS das respectivas bases de cálculos.  Fl. 231DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 11040.720347/2012­64  Acórdão n.º 1101­001.258  S1­C1T1  Fl. 232          10 Protesta  por  fim  pela  inaplicabilidade  da  multa  qualificada  de  150%,  nos  termos do art. 44, da Lei nº 9.430/96, inexistindo fraude, sonegação ou conluio, nos termos dos  arts. 71, 72 de 73, da Lei nº 4.502/64.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  encontra­se  revestido  das  demais  formalidades  pertinentes, devendo o mesmo ser conhecido.  Preliminar para realização de Perícia  A preliminar de cerceamento de defesa suscitada pela Recorrente não merece  ser  acolhida,  porquanto  a  realização  de  prova  pericial  pode  e  deve  ser  determinada  pela  autoridade julgadora, mas sempre que a mesma entender haver necessidade de esclarecimento  para  sua  convicção,  conforme  bem  frisou  em  seu  recurso,  todavia,  no  caso  em  tela  em  momento  algum  a  autoridade  de  primeira  instância  sinalizou  necessitar  da  produção  dessa  prova pericial.  Ademais disto, em momento algum a Recorrente trouxe aos autos quaisquer  elementos que pudesse ensejar a necessidade de devolver os autos à Fiscalização para  serem  analisados.  Assim,  afasto  a  preliminar  de  nulidade  da  decisão  recorrida  por  suposta  necessidade de produção de prova pericial.  Mérito  Em  relação  ao mérito,  nenhum  reparo merece  ser  feito  à decisão  recorrida,  porquanto de acordo com o art 43 do Código Tributário Nacional, o  imposto sobre a renda e  proventos  de  qualquer  natureza  tem  como  fato  gerador  a  aquisição  da  disponibilidade  econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos) e  de proventos de qualquer natureza (acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de  renda).  Logo,  os  valores  recebidos  pelo  contribuinte  por  conta  da  prestação  de  serviços  de  transporte,  ainda  que  através  de  transportadores  contratados,  devem  ser  considerados como uma disponibilidade adquirida, pois estão diretamente ligados ao conceito  de  renda,  e,  por  isso,  sujeitos  à  tributação  de  acordo  com  um  dos  regimes  de  tributação  disponíveis (lucro real, lucro presumido ou lucro arbitrado).  Não  merece  prosperar  a  alegação  da  Recorrente  quanto  aos  repasses  para  terceiros, que finalizavam os serviços de transporte, 80% do valor contratado para a realização  do transporte, vez que não há na legislação de regência do SIMPLES, lucro arbitrado ou lucro  presumido, permissão para que, possam ser deduzidos da receita bruta os valores  repassados  Fl. 232DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 11040.720347/2012­64  Acórdão n.º 1101­001.258  S1­C1T1  Fl. 233          11 aos outros transportadores, pois tais valores representam custos para o contribuinte e, como tal,  somente dedutíveis quando os resultados são tributados pelo lucro real.  Conforme  bem  ressaltou  a  decisão  recorrida,  no  caso  do  SIMPLES,  o  conceito de receita bruta é aquele previsto no § 2º do art. 2º da Lei nº 9.317, de 1996; no caso  do lucro arbitrado e no presumido, no art. 224 do RIR/1999, que assim dispõem:  Lei 9.317/96 .   Art. 2º. § 2º Para os  fins do disposto neste artigo, considera­se  receita  bruta  o  produto  da  venda  de  bens  e  serviços  nas  operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o  resultado  nas  operações  em  conta  alheia,  não  incluídas  as  vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos.  RIR/99.   Art.  224.  A  receita  bruta  das  vendas  e  serviços  compreende  o  produto  da  venda  de  bens  nas  operações  de  conta  própria,  o  preço  dos  serviços  prestados  e  o  resultado  auferido  nas  operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31).  Parágrafo  único.  Na  receita  bruta  não  se  incluem  as  vendas  canceladas,  os  descontos  incondicionais  concedidos  e  os  impostos  não  cumulativos  cobrados  destacadamente  do  comprador ou contratante dos quais o  vendedor dos bens ou o  prestador  dos  serviços  seja mero  depositário  (Lei  nº  8.981,  de  1995, art. 31, parágrafo único).  Ademais disto, na sistemática do lucro presumido e do arbitramento do lucro  não se  tributa a  totalidade da  receita obtida, mas uma parcela dessa  receita, que a  legislação  atribui  como  valor  tributável.  Na  definição  do  percentual  de  presunção  e  do  percentual  de  arbitramento de  lucro o  legislador  levou em consideração  todos os aspectos  relacionados aos  custos e despesas inerentes à atividade de transporte de cargas.  Se o contribuinte pretendesse ser tributado apenas pelo seu resultado positivo,  deveria  promover  a  escrituração  contábil  e  fiscal  de  suas  operações  com  a  consequente  apuração do IRPJ e a CSLL com base no lucro real, o que no caso não ocorreu, sujeitando­se  aos percentuais de presunção do  lucro da  sistemática de  apuração do  lucro presumido ou do  lucro arbitrado, aplicados sobre os valores totais dos fretes, não cabendo, por falta de previsão  legal, a exclusão dos valores pagos a terceiros por conta da subcontratação dos fretes.  Em relação ao lucro arbitrado, questionado pela Recorrente em seu recurso, o  mesmo  escriturou  o Livro Caixa  efetuando  lançamentos  com  totalização mensal  dos  valores  movimentados e sem contemplar o registro de toda a movimentação financeira e bancária, não  apresentando a escrituração contábil/fiscal, de forma que a Fiscalização, com base no art. 530,  II,  “a”,  e  III,  do RIR/99,  razão pela qual o  lucro  foi  arbitrado com base na  receita bruta,  no  percentual de 9,6% sobre a receita bruta apurada.  Acresce ainda que no caso da pessoa jurídica sujeita à tributação pelo lucro  real, não há dúvidas que ela deve manter escrituração com observâncias das leis comerciais e  fiscais, que deve abranger todas as suas operações (art. 251 e parágrafo único do RIR/1999).  Fl. 233DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 11040.720347/2012­64  Acórdão n.º 1101­001.258  S1­C1T1  Fl. 234          12 No  caso  da  pessoa  jurídica  optante  pela  tributação  com  base  no  lucro  presumido, caso não mantenha escrituração nos termos da legislação comercial e fiscal, deve  manter,  obrigatoriamente,  o  Livro  Caixa,  no  qual  deve  escriturar  toda  a  movimentação  financeira, inclusive bancária. Essa obrigatoriedade está prevista no art. 527, inciso I, e § único,  do RIR/1999, que assim dispõe:  Art.  527.  A  pessoa  jurídica  habilitada  à  opção  pelo  regime  de  tributação com base no  lucro presumido deverá manter  (Lei nº  8.981, de 1995, art. 45):  I escrituração contábil nos termos da legislação comercial;  II  Livro  Registro  de  Inventário,  no  qual  deverão  constar  registrados os estoques existentes no término do ano­calendário;  III  em  boa  guarda  e  ordem,  enquanto  não  decorrido  o  prazo  decadencial  e  não  prescritas  eventuais  ações  que  lhes  sejam  pertinentes,  todos  os  livros  de  escrituração  obrigatórios  por  legislação  fiscal  específica,  bem como os documentos  e demais  papéis  que  serviram  de  base  para  escrituração  comercial  e  fiscal.  Parágrafo  único.  O  disposto  no  inciso  I  deste  artigo  não  se  aplica  à  pessoa  jurídica  que,  no  decorrer  do  ano­calendário,  mantiver  Livro Caixa,  no  qual  deverá  estar  escriturado  toda  a  movimentação  financeira,  inclusive  bancária  (Lei  nº  8.981,  de  1995, art. 45, parágrafo único). (grifo nosso)  Por  isso,  quando  solicitado  pelo  Fisco,  o  contribuinte  deve  exibir  os  documentos  e  os  respectivos  livros  comerciais  e  fiscais  ou  o  Livro  Caixa  contendo  toda  a  movimentação financeira, inclusive a bancária, em boa ordem, escriturados e em dia.  A  autorização  legal  para  o  arbitramento  do  lucro,  quando  o Contribuinte  é  optante  pelo  lucro  presumido,  no  caso  da  não  apresentação  do  Livro  Caixa  devidamente  escriturado, é prevista no art. 530, inciso II, do RIR/1999, a seguir é transcrito:  Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano­ calendário,  Será  determinado  com  base  nos  critérios  do  lucro  arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de  1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º):  [...]  II  a  escrituração  a  que  estiver  obrigado  o  contribuinte  revelar  evidentes  indícios  de  fraudes  ou  contiver  vícios,  erros  ou  deficiências que a tornem imprestável para:  a)  identificar  a  efetiva  movimentação  financeira,  inclusive  bancária;  No  caso  dos  autos,  o  contribuinte  escriturou  o  Livro  Caixa  com  base  em  partidas mensais, sem identificação da sua movimentação financeira, inclusive a movimentação  bancária, situação que prevista na norma legal como ensejadora do arbitramento do lucro.  Fl. 234DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 11040.720347/2012­64  Acórdão n.º 1101­001.258  S1­C1T1  Fl. 235          13 Logo, deve ser mantida a exigência com base no arbitramento do  lucro, em  face da não apresentação do  livro caixa contendo o  real  faturamento da  empresa,  inclusive a  movimentação financeira e bancária.  LANÇAMENTOS DECORRENTES  Constatada a ocorrência de omissão de  receitas,  o § 2º do art. 24 da Lei nº  9.249, de 1995, determina que o valor correspondente seja considerado, também, nas bases de  cálculo da CSLL, do PIS e da COFINS, in verbis:  Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária  determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados  de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a  pessoa jurídica no período­base a que corresponder a omissão.  (...)  §  2º.  O  valor  da  receita  omitida  será  considerado  na  determinação  da  base  de  cálculo  para  o  lançamento  da  contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a  seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas  de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor  Público PIS/PASEP.  Portanto, o valor da receita omitida integra as bases de cálculo das referidas  contribuições.  Em relação ao pleito para exclusão do  ICMS das bases de cálculo do PIS e  Cofins,  afastando  a  questão  constitucional,  que  não  pode  ser  apreciada  por  este  colendo  Conselho  (Súmula  nº  2  CARF),  e  uma  vez  que  o  foi  revogado  o  §  1º  do  art.  62­A  do  Regimento  Interno  do  CARF  que  determinava  que  se  aguardasse  o  julgamento  do  recurso  objeto de repercussão geral pelo STF, deve ser dado ao caso a mesma destinação já assentada  pelo Superior Tribunal de  Justiça,  que  apreciando a  legalidade da questão  reconheceu que  o  ICMS integra a base de cálculo das aludidas contribuições (Súmulas 68/STJ e 94/STJ):  PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. BASE DE  CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. SÚMULAS 68/STJ E 94/STJ.  PRECEDENTES.  SÚMULA  83/STJ.  CONCEITO  DE  FATURAMENTO.  TEMA  CONSTITUCIONAL.  IMPOSSIBILIDADE DE EXAME.  1. O entendimento do Tribunal de origem não merece  censura,  pois  está  em  harmonia  com  a  jurisprudência  desta  Corte  Superior, no sentido da inclusão do ICMS na base de cálculo do  PIS e da COFINS. Incidência das Súmulas 68 e 94 do STJ.  2.  Com  relação  ao  conceito  de  faturamento,  é  assente  nesta  Corte,  que  a  sua  interpretação  para  fins  de  incidência  da  contribuição  ao  PIS  e  à  COFINS,  é  matéria  com  nítidos  contornos  constitucionais,  a  atrair  a  competência  da  Suprema  Corte.  Agravo regimental improvido.  Fl. 235DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 11040.720347/2012­64  Acórdão n.º 1101­001.258  S1­C1T1  Fl. 236          14 (AgRg  no  AREsp  555.016/RS,  Rel.  Ministro  HUMBERTO  MARTINS,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  23/09/2014,  DJe  06/10/2014)    TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. MATÉRIA PENDENTE  DE  JULGAMENTO  NO  STF.  REPERCUSSÃO  GERAL.  SOBRESTAMENTO  DO  FEITO.  DESCABIMENTO.  PIS  E  COFINS.  INCLUSÃO  DO  ICMS  NA  BASE  DE  CÁLCULO.  JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA DO STJ.  1. A pendência de julgamento, no Supremo Tribunal Federal, de  Recurso Extraordinário submetido ao rito do art. 543­B do CPC  não enseja sobrestamento dos Recursos Especiais que tramitam  no STJ.  2. O  STJ  possui  firme  orientação  de  que  a  parcela  relativa  ao  ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68  e 94/STJ).  3. Agravo Regimental não provido.  (AgRg  no  AREsp  516.035/BA,  Rel.  Ministro  HERMAN  BENJAMIN,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  23/09/2014,  DJe  10/10/2014).  Nesse sentido também é o entendimento deste C. CARF:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL – COFINS   PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/2000 A 30/04/2000  BASE  DE  CÁLCULO.  EXCLUSÃO  DE  VALORES  TRANSFERIDOS A TERCEIROS.  IMPOSSIBILIDADE. O ART.  3º,  §  2°,  III, DA  LEI N°  9318/98,  AO PREVER A EXCLUSÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO  DA  COFINS  E  DO  PIS  FATURAMENTO DE VALORES QUE, COMPUTADOS COMO  RECEITA,  HOUVESSEM  SIDO  TRANSFERIDOS  A  OUTRAS  PESSOAS  JURÍDICAS,  CONSTITUIU NORMA DE  EFICÁCIA  CONDICIONADA  À  REGULAMENTAÇÃO  PELO  PODER  EXECUTIVO,  QUE  NÃO  PRODUZIU  EFEITOS  PORQUE  REVOGADA ANTES DE REGULAMENTADA.   BASE  DE  CÁLCULO.  ICMS,  INCLUSÃO.  A  BASE  DE  CÁLCULO  DA  COFINS  E  DO  PIS  FATURAMENTO  É  O  FATURAMENTO OU RECEITA BRUTA, SEM EXCLUSÃO  DO  VALOR DO  ICMS DEVIDO,  DESTACADO NAS  NOTAS  FISCAIS DE SAÍDA E QUE COMPÕE O PREÇO TOTAL DO  PRODUTO. RECURSO NEGADO.  (3ª  Seção  de  Julgamento.  4ª  Câmara.  1ª  Turma  Ordinária  ­  Acórdão  nº  340100991  do Processo  11080906454200825 Data  30/09/2010).  Multa Qualificada (150%)  Fl. 236DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 11040.720347/2012­64  Acórdão n.º 1101­001.258  S1­C1T1  Fl. 237          15 Entendo, porém, assistir parcial razão à Recorrente quanto ao agravamento da  multa de ofício (150%), pois, a despeito da digna Fiscalização e decisão recorrida entender que  o  contribuinte  agiu de  forma dolosa  ao  apresentar  a Declaração de  Informações Econômico­ Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) zerada e não ter declarado os débitos em DCTF, apesar de ter  efetuou o pagamento de pequenas parcelas dos tributos devidos, o que configuraria as hipóteses  previstas nos arts. 71 (sonegação) e 72 (fraude) da Lei nº 4.502, de 1964.  Todavia,  esse  procedimento  decorreu  de  interpretação  equivocada  do  Contribuinte, visto que o mesmo repassava para  terceiros, os  serviços de  transporte, 80% do  valor  contratado  para  a  realização  do  transporte,  o  que  ensejou  inclusive  o  arbitramento  do  lucro pela falta de não declaração dos mesmos em DCTF e pelo consequente não pagamento  do  tributo, bem como pelo  fato de não  ter apresentado a escrituração contábil nos  termos da  legislação  comercial  ou  o  livro Caixa  contendo  toda  a movimentação  financeira,  inclusive  a  bancária.  Em  face do  exposto,  voto no  sentido de dar provimento parcial  ao  recurso,  para afastar o agravamento da multa de ofício aplicada,  reduzindo­a ao percentual normal de  75%.  Sala das Sessões, em 5 de fevereiro de 2015  [assinado digitalmente]  Antônio Lisboa Cardoso, Relator                                Fl. 237DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O

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Numero do processo: 16004.000034/2007-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 IRPJ/CSLL. FALTA DE RECOLHIMENTO. COMPENSAÇÕES DE SALDOS NEGATIVOS DE PERÍODOS ANTERIORES NÃO COMPROVADOS. A mera alegação da existência de saldos negativo de IRPJ e CSLL de exercícios anteriores, a compensar, desacompanhada de provas de sua apuração e das compensações efetuadas, é insuficiente para tornar insubsistente o lançamento.
Numero da decisão: 1301-001.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausentes justificadamente os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente). Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1928; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 378          1 377  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16004.000034/2007­89  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1301­001.738  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de novembro de 2014  Matéria  Falta de recolhimento de IRPJ/CSLL  Recorrente  TARRAF AGROPECUÁRIA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2002  IRPJ/CSLL.  FALTA  DE  RECOLHIMENTO.  COMPENSAÇÕES  DE  SALDOS  NEGATIVOS  DE  PERÍODOS  ANTERIORES  NÃO  COMPROVADOS.  A  mera  alegação  da  existência  de  saldos  negativo  de  IRPJ  e  CSLL  de  exercícios  anteriores,  a  compensar,  desacompanhada  de  provas  de  sua  apuração  e  das  compensações  efetuadas,  é  insuficiente  para  tornar  insubsistente o lançamento.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.  (assinado digitalmente)  WILSON FERNANDES GUIMARÃES ­ Presidente em exercício.   (assinado digitalmente)  LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO ­ Relator.      Participaram  do  julgamento  os  conselheiros:  Wilson  Fernandes  Guimarães,  Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu  Matosinho  Machado.  Ausentes  justificadamente  os  Conselheiros  Edwal  Casoni  de  Paula  Fernandes  Júnior  e  Valmar  Fonsêca  de  Menezes  (Presidente).  Presidiu  o  julgamento  o  Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 00 34 /2 00 7- 89 Fl. 378DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03 /02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16004.000034/2007­89  Acórdão n.º 1301­001.738  S1­C3T1  Fl. 379          2 Relatório  TARRAF  AGROPECUÁRIA  LTDA,  já  qualificada  nestes  autos,  inconformada  com  o  Acórdão  n°  14­18.403,  de  14  de  fevereiro  de  2008,  da  3ª  Turma  da  Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, recorre voluntariamente a  este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado.  A  recorrente  foi  cientificada  do  auto  de  infração  relativo  ao  IRPJ  e multa  isolada, no valor de R$ 18.795,90 e CSLL e multa isolada, no valor de R$ 13.411,03  Inconformada,  impugnou  tempestivamente o  lançamento,  instaurando a  fase  litigiosa do presente processo administrativo fiscal.   Suas  alegações  foram  sintetizadas  no  acórdão  recorrido,  nos  seguintes  termos:  · Preencheu  incorretamente  a  DIPJ/1999,  ficha  28  —  Informações  Gerais, informando o valor de R$ 20.659,10 a título de saldo de base  de  cálculo negativa da CSLL, quando o  correto  seria R$ 27.389,26.  Desta maneira, os anos posteriores também estão com valor menor do  que o correto;  · Apurou saldo negativo de CSLL nos anos de 2000 e 2001, nos valores  de R$ 1.307,46 e R$ 991,43, respectivamente, e, compensando­se tais  saldos negativos com o valor devido no ano­calendário de 2002 (R$  2.298,89), não resta qualquer saldo a pagar, conforme se vê à fl.79 e  nos  demonstrativos  da  composição  do  saldo  ne  ativo  da  referida  contribuição constantes às fls. 83 a 88;  · Demonstra à fl.79 a correta compensação do saldo de prejuízos fiscais  no ano­calendário de 2002 e do saldo negativo de IRPJ apurado nos  anos­calendário  de  1996,  2000  e  2001,  apurando  ao  final  saldo  a  pagar  de  R$  991,25.  Anexa  ao  processo  o  demonstrativo  da  composição do saldo negativo do IRPJ (anexo II).  Solicita  que  seja  reconhecida  a  correta  base  de  cálculo  negativa  da  CSLL  existente em 31/12/2001, sendo R$ 115.961,65 para a atividade rural e R$ 12.967,48  para a atividade geral.   Requer  que  seja  reconhecida  a  existência  de  saldo  negativo  da  CSLL  e  a  devida  compensação  no  ano­calendário  de  2002,  como  consta  no  demonstrativo  exposto,  bem  assim  sejam  consideradas  as  compensações  efetuadas  de  débitos  do  IRPJ, naquele ano­calendário, com créditos de saldo negativo de períodos anteriores,  conforme demonstrado nos anos de 1996, 2000 e 2001.  Caso  não  sejam  deferidas  as  compensações  requer  seja  constituído  um  crédito  correspondente  aos  valores  compensados  corrigidos  desde  as  datas  das  citadas compensações.  Fl. 379DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03 /02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16004.000034/2007­89  Acórdão n.º 1301­001.738  S1­C3T1  Fl. 380          3 Protestou provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos,  especialmente pela juntada posterior de documentos que se fizerem necessários.   A 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP analisou a impugnação apresentada  pela  contribuinte  e,  por  via  do  Acórdão  nº  14­18.403,  de  14  de  fevereiro  de  2008  (fls.  ),  considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa:  RETENÇÃO NA FONTE.  O  imposto  retido  na  fonte  constitui  antecipação  do  imposto  apurado  no  período,  configurando­se  crédito  da  contribuinte  apenas  quando  a  tributação  dos  rendimentos  auferidos  pela  empresa  no  período  resultar  em  imposto  devido  inferior  ao  montante antecipado.  SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ANOS ANTERIORES.  Incabível o aproveitamento de saldos negativos de IRPJ de anos  anteriores para quitação de parte do crédito tributário  lançado  de oficio, quando a contribuinte não comprova a sua apuração e  a  tributação  dos  rendimentos  cujo  imposto  de  renda  na  fonte  compõe aqueles saldos negativos.  SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO.  A partir de outubro de 2002 a compensação passou a depender  da apresentação de declaração de compensação, mesmo no caso  de compensação entre tributos de mesma espécie.  SALDO NEGATIVO DE CSLL. ANOS ANTERIORES.  Incabível o aproveitamento de saldos negativos de CSLL de nos  anteriores  para  pagamento  de  parcela  do  crédito  tributário  lançado  de  oficio,  mormente  quando  a  contribuinte  não  comprova a sua apuração.  SALDO NEGATIVO DE CSLL. COMPENSAÇÃO.  A partir de outubro de 2002 a compensação passou a depender  da apresentação de declaração de compensação, mesmo no caso  de compensação entre tributos de mesma espécie.  JUNTADA  POSTERIOR  DE  DOCUMENTAÇÃO.  IMPOSSIBILIDADE.  O protesto pela juntada posterior de documentação não obsta a  apreciação  da  impugnação,  e  ela  só  é  possível  em  casos  especificados na lei.  Lançamento Procedente em Parte  O  colegiado  recorrido  decidiu,  por  unanimidade  de  votos,  considerar  procedente em parte o lançamento, reduzindo a exigência da CSLL para o valor de R$ 2.495,71  e da multa isolada para o valor de R$ 1.247,85; e mantendo a exigência do IRPJ no valor de R$  6.556,75 e da multa isolada sobre estimativa desse imposto no valor de R$ 2.992,83.  Fl. 380DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03 /02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16004.000034/2007­89  Acórdão n.º 1301­001.738  S1­C3T1  Fl. 381          4 Ciente da decisão de primeira  instância em 14/04/2008, conforme Aviso de  Recebimento  (fl.  286  –  e­processo),  a  interessada  apresentou  recurso  voluntário  em  14/05/2008. No recurso interposto, alega:  a)  Que  o  valor  anual  devido  a  título  de CSLL,  no  ano  de  2002,  após  a  compensação  de  bases  de  cálculos  negativas  de  períodos  anteriores  é  de R$ 5.702,76,  que  deduzido o pagamento de R$ 3.403,89, comprovado por  meio  de  DARF,  resta  um  saldo  e  R$  2.298,89,  que  restou  liquidado  mediante  compensação  de  saldo  negativo de CSLL do ano 2000 (R$ 1.307,46) e do ano  2001 (R$ 991,43).   b)  Que o valor compensado de R$1.307,46, é composto de  estimativa compensada do ano calendário de 2000, com  saldo negativo da CSLL do ano calendário de 1998, uma  vez  que  apresentou  prejuízos  fiscais  em  todos  os  anos­ calendário desde ano de 1.998.   c)  Que  o  valor  de  R$  991,43,  refere­se  a  valor  de  CSLL  devido no mês de dez/2002, conforme ficha 16, linha 07,  compensado com saldo negativo do exercício do ano de  2001.  d)  Com  relação ao  IRPJ,  alega que  efetuou compensações  sucessivas  de  saldos  negativos  de  IRPJ,  da  seguinte  forma:   ­ o saldo negativo de IRPJ do ano de 1998,  no valor original de R$ 1.689,63, foi utilizado para  compensação  de  estimativas  de  IRPJ  do  mês  de  março de 2000, no montante de R$ 1.994,16, e de  estimativa  parcial  de  setembro  de  2001,  no  valor  de 116,79;  ­ o saldo negativo do ano­calendário 2000,  no montante original de R$ 1.994,16, foi utilizado  para  quitar  parcialmente  as  estimativas  de  setembro/2001,  no montante  de R$ 2.172,00  e  da  estimativa  mensal  de  dezembro  de  2002,  no  montante de R$ 68,05;  ­ o saldo negativo do ano­calendário 2001,  no montante original de R$ 2.288.79, foi utilizado  para quitar as estimativas mensais de dezembro de  2002, no valor de R$ 2.692,99.  e)  Que,  considerando  a  compensação  de  prejuízos  fiscais  acumulados, apura­se um valor de IRPJ devido no ano­ calendário  de  2002,  no  montante  de  R$  9.556,10  e,  já  Fl. 381DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03 /02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16004.000034/2007­89  Acórdão n.º 1301­001.738  S1­C3T1  Fl. 382          5 tendo sido recolhido via DARF o valor de R$ 2.719,94,  resta um saldo de IRPJ a recolher de R$ 6.836,16.  f)  Deste  valor  apurado,  devem  ainda  ser  deduzidas  as  importâncias de R$ 68,05 e de R$ 2.692,99,  relativo as  estimativas  de  dezembro  de  2002  quitadas  mediante  compensação com o saldo negativo dos anos­calendário  2000 e 2001, do que resulta num saldo de IRPJ a pagar  no valor de R$ 4.075,12.   g)  Alega,  ainda  que  o  valor  da multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  de  estimativas  deve  ser  calculada  no  montante  de  R$  1.256,38,  que,  com  redução  de  30%,  resultaria no valor de R$ 879,46.  A  recorrente  apresenta  diversas  tabelas,  visando  a  demonstrar  os  valores  compensados ano a ano, e, ainda, assevera que existiriam outros valores a compensar, relativos  a  saldos  negativos  anteriores  ao  ano  de  1.998, mas  que  deixam  de  ser  pleiteados,  tendo  em  vista a ausência de documentos comprobatórios.  Ao final, requer que seja dado provimento ao recurso para que:  i. seja reconhecida a existência de saldo negativo da Contribuição Social, e a  devida compensação no ano calendário de 2002, como consta nos demonstrativos expostos; e  ii. que sejam consideradas as compensações efetuadas de débitos de imposto  de  renda,  ano  calendário  2002,  com  créditos  de  saldo  negativo  de  períodos  anteriores,  conforme demonstrado nos anos 1998, 2000 e 2001.  É o Relatório.  Fl. 382DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03 /02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16004.000034/2007­89  Acórdão n.º 1301­001.738  S1­C3T1  Fl. 383          6   Voto             Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  pressupostos  regimentais.  Assim, dele conheço.  A controvérsia  remanescente nos  autos  refere­se  à  falta de  recolhimento de  IRPJ e CSLL apurados em 31/12/2002 e da alegação da recorrente quanto à quitação total do  saldo  de CSLL mediante  compensação  de  saldos  negativos  de  anos  anteriores  e da  quitação  parcial  do  saldo  devido  de  IRPJ,  também mediante  a  compensação  de  saldos  negativos  de  exercícios anteriores.  Analisando  as  alegadas  compensações  o  acórdão  recorrido  assim  dispôs  quanto ao IRPJ:  [...]  Assim,  mesmo  se  a  contribuinte  tivesse  comprovado  a  existência  de  saldo  negativo  de  1RPJ  nos  anos­calendário  de  1992,  1993,  1994  e  1995,  não  poderia  aproveitá­lo no ano­calendário de 2002.  Quanto à solicitação de se considerar o saldo negativo de IRPJ do ano­ calendário  de  2000  para  liquidação  da  presente  exigência,  observa­se,  na  DIPJ daquele ano­calendário, que foi apurado um saldo negativo de 1RPJ no  valor de R$ 4.566,60 (fls. 228 a 238).  Entretanto,  a  contribuinte  não  comprova  a  apuração  de  tal  saldo  negativo. Não anexa ao processo os comprovantes do imposto de renda que  declara  ter  sido  retido,  no  valor  de  R$  2.572,44,  e  da  tributação  dos  respectivos  rendimentos,  tampouco  do  imposto  de  renda  mensal  pago  por  estimativa que foi incluído naquela D1PJ.  Com  relação  ao  ano­calendário  de  2001,  apesar  de  constar,  na  DIPJ/2002,  o  saldo  negativo  do  IRPJ  de  R$  4.566,60  (fls.  239  a  241),  a  contribuinte  não  comprova  a  apuração  do  referido  saldo.  Não  foram  apresentados quaisquer  documentos que comprovassem o  imposto de  renda  mensal pago por estimativa declarado na ficha 12 A, linha 16, bem assim do  imposto de renda que se diz  retido na_fonte, no valor de R$ 2.277,81, e da  inclusão dos respectivos rendimentos na apuração do lucro real. ­ ­  Cabe esclarecer, ainda, que, a partir da vigência da MI' n° 66, de 2002,  que deu nova redação ao art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, o sujeito passivo  que  apurasse  crédito  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível  de  restituição,  poderia  utilizá­lo  na  compensação  de  débitos  próprios  relativos  a  quaisquer  tributos  e  contribuições  administrados  por  aquele  órgão,  mediante  a  entrega  de  Fl. 383DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03 /02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16004.000034/2007­89  Acórdão n.º 1301­001.738  S1­C3T1  Fl. 384          7 declaração na qual constariam informações relativas aos créditos utilizados e  aos respectivos débitos compensados.   Assim,  a  compensação  passou  a  depender  da  apresentação  de  declaração, mesmo no caso de compensação entre tributos de mesma espécie,  e  quando  apresentada  para  extinção  de  débito  lançado  de  oficio  tem  como  conseqüência a renúncia às instâncias administrativas.  Não  se  comprovando  a  entrega  da  declaração  de  compensação  estabelecida pela MP n° 66, de 2002, tampouco os alegados saldos negativos  de IRPJ, não se pode alterar o lançamento desse imposto.  Os comprovantes do 1RRF relativos a dezembro de 1998 e a janeiro e  fevereiro de 1999, bem assim as planilhas de atualização do imposto de renda  elaboradas pela contribuinte (fls. 90 a 104), não (sic) provas hábeis para elidir  o presente lançamento.  No  que  concerne  à  apuração  da  CSLL,  o  acórdão  recorrido  admitiu  a  compensação  de  base  de  cálculo  negativa  de períodos  anteriores,  nos  termos  pleiteados  pela  recorrente. Não obstante, no  tocante às supostas compensações de saldos negativos de CSLL  de anos anteriores, o acórdão recorrido rejeitou as alegações, nestes termos:  Com relação ao alegado saldo negativo da CSLL dos anos­calendário de 2000  e 2001, nos valores de R$ 1.307,46 e R$ 991,43,  respectivamente, assim como no  caso  do  IRPJ,  não  foi  apresentado  qualquer  registro  contábil  que  comprovasse  a  apuração  e  a  existência  do  alegado  saldo  negativo.  As  planilhas  elaboradas  pela  contribuinte (fls. 84/88) não são provas hábeis dessa alegação.  Ademais,  a  contribuinte  não  comprova  que  entregou  a  declaração  de  compensação, estabelecida pela MP n°66, de 2002, anteriormente citada.  Assim, não se pode admitir a solicitação da contribuinte.  Verifico  que,  no  seu  recurso  voluntário,  a  recorrente  insiste  na  tese  de  que  efetuou  a  compensação  de  saldos  negativos  apurados  desde  o  ano­calendário  de  1998  e  apresenta  uma  série  de  planilhas  de  cálculos  visando  a  demonstrar  a  correção  de  tais  compensações.  No  entanto,  a  recorrente  não  trouxe  aos  autos  nem  a  comprovação  da  existência  de  tais  saldos  negativos,  nos  montantes  por  ela  indicados  nas  planilhas,  nem  tampouco  a  comprovação  de  que  tais  compensações  foram de  fato  efetivadas,  seja mediante  cópias  de  registros  contábeis,  seja  mediante  declarações  (DCTF  e/ou  Dcomp  porventura  entregues). As cópias parciais de DIPJ, especialmente as retificadoras apresentadas após o fim  do  procedimento  fiscal,  desacompanhadas  dos  registros  contábeis  respectivos,  não  são  elementos suficientes para comprovar, sequer, a existência de tais saldos negativos.  Assim, a mera alegação da existência de saldos negativo de IRPJ e CSLL a  compensar  de  exercícios  anteriores,  desacompanhada  de  provas  de  sua  apuração  e  das  compensações efetuadas, é insuficiente para tornar insubsistente o lançamento, seja quanto ao  saldo  de  imposto  anual  devido,  seja  quanto  à  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  de  estimativas mensais.    Fl. 384DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03 /02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16004.000034/2007­89  Acórdão n.º 1301­001.738  S1­C3T1  Fl. 385          8 Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário.  Sala de sessões, em 27 de novembro de 2014.  (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Relator                                Fl. 385DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03 /02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES

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Numero do processo: 19515.002202/2006-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. Confirmada a exoneração processada pelos membros da instância a quo, quanto ao montante do crédito exonerado, que é superior ao limite de alçada previsto na Portaria MF nº 03/2008, impõe-se o conhecimento do recurso de ofício. IRRF. CRÉDITO CONTÁBIL. RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR. FATO GERADOR Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, por fonte situada no país. O simples registro contábil do crédito não caracteriza disponibilidade econômica ou jurídica dos rendimentos.
Numero da decisão: 2202-003.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Fez sustentação oral pelo Contribuinte, Dr. Hugo Barreto Sodré Leal, OAB/SP 195.640. Assinado digitalmente ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e RAFAEL PANDOLFO.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1970; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 655          1 654  S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.002202/2006­18  Recurso nº               De Ofício  Acórdão nº  2202­003.029  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de março de 2015  Matéria  IRRF ­ remessas a beneficiários no exterior  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  AMERICAN TOWER DO BRASIL ­ CESSÃO DE INFRAESTRUTURAS  LTDA.    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007  RECURSO  DE  OFÍCIO.  CONHECIMENTO.  Confirmada  a  exoneração  processada pelos membros da instância a quo, quanto ao montante do crédito  exonerado,  que  é  superior  ao  limite  de  alçada  previsto  na  Portaria  MF  nº  03/2008, impõe­se o conhecimento do recurso de ofício.  IRRF.  CRÉDITO  CONTÁBIL.  RESIDENTES  OU  DOMICILIADOS  NO  EXTERIOR. FATO GERADOR  Estão  sujeitas  à  incidência  do  imposto  na  fonte  as  importâncias  pagas,  creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários residentes ou  domiciliados  no  exterior,  por  fonte  situada  no  país.  O  simples  registro  contábil do crédito não caracteriza disponibilidade econômica ou jurídica dos  rendimentos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso  de  ofício.  Fez  sustentação  oral  pelo  Contribuinte,  Dr.  Hugo  Barreto  Sodré Leal, OAB/SP 195.640.    Assinado digitalmente  ANTONIO LOPO MARTINEZ ­ Presidente.   Assinado digitalmente  MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA ­ Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 22 02 /2 00 6- 18 Fl. 655DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  ANTONIO  LOPO  MARTINEZ  (Presidente),  JIMIR DONIAK  JUNIOR  (Suplente  convocado),  PEDRO ANAN  JUNIOR, MARCO AURÉLIO DE  OLIVEIRA  BARBOSA,  DAYSE  FERNANDES  LEITE  (Suplente convocada) e RAFAEL PANDOLFO.    Relatório  Foi  lavrado  Auto  de  Infração  (fls.  306  a  322)  contra  o  contribuinte  AMERICAN  TOWER  DO  BRASIL  ­  CESSÃO  DE  INFRAESTRUTURAS  LTDA.,  tendo  sido constituído crédito  tributário de R$ 14.227.128,37 (quatorze milhões, duzentos e vinte e  sete  mil,  cento  e  vinte  e  oito  reais  e  trinta  e  sete  centavos),  incluídos  o  valor  do  imposto  (IRRF), da multa de ofício e dos juros de mora calculados até 29/09/2006.  Foram  lançados  os  valores  do  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  contabilizados  pela  empresa  nas  contas  de  nº  no  5.1.1.1.11.465,  6.1.1.9101010  e  6.1.1.9101030,  intituladas  como  "Despesas  IR  s/  Empréstimos  Exterior",  conforme  demonstram os lançamentos contábeis nos Livros Diário e Razão, no período compreendido de  05.2001 a 06.2006 e relacionados no Demonstrativo de fl. 299.  Afirma  a  autoridade  lançadora  que  o  fato  gerador  ocorre  no  momento  do  crédito contábil da fonte pagadora, quando o crédito acontece antes do pagamento, enfatizando  que o crédito contábil antes do pagamento faz nascer a obrigação tributária.  O  contribuinte  foi  cientificado  do  Auto  de  Infração  em  23/10/2006  e  apresentou  impugnação,  por  meio  de  seus  representantes  legais,  em  21/11/2006  (fls.  324  a  551), alegando, em breve síntese:  ­ A título de preliminar, pugna pela nulidade do Auto de Infração, em relação  às  exigências  relativas  aos  anos­calendário  de  2001,  2003,  2004,  2005  e  2006,  pois  a  ação  fiscal  foi  efetuada  em  desacordo  com  o  determinado  pela  Portaria  SRF  nº  6.087/05,  que  estabelece sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de  procedimentos relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF;  ­  os  trabalhos  fiscais  tiveram  início  através  do MPF­F no  02.1.90.00­2006­ 1025­2, que previu e restringiu a fiscalização do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica no ano­ calendário de 2002, conforme, também dito pelo autuante, quando da elaboração do Termo de  Verificação Fiscal. Apesar disso,  a  Impugnante  foi  surpreendida,  ao  término da  fiscalização,  com a  lavratura de Auto de  Infração que  abarcou,  além daquele  ano­calendário,  os de 2001,  2003, 2004, 2005 e 2006, para os quais não houve referência à emissão do MPF­C (Mandado  de Procedimento Fiscal Complementar). Em outras palavras, o lançamento contemplou quase 5  exercícios  não  previstos  pelo MPF­F,  sem que  houvesse  emissão  do  competente MPF­C,  tal  como exigido pelo artigo 10, § 2º, da portaria mencionada;  ­  as  parcelas  relativas  aos  meses  de  maio  a  setembro  de  2001  foram  alcançadas  pela  decadência,  visto  passados  mais  de  cinco  anos  da  ocorrência  dos  fatos  geradores, na forma do artigo 150, § 4º, c/c artigo 156, inciso V, do CTN;  ­  quanto  ao  mérito,  o  entendimento  adotado  pelo  autuante  é  absurdo,  por  considerar  que  o  fato  gerador  ocorre  no  momento  em  que  os  juros,  incidentes  sobre  as  operações, são contabilizados em contrapartida ao resultado do exercício;  Fl. 656DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.002202/2006­18  Acórdão n.º 2202­003.029  S2­C2T2  Fl. 656          3 ­  o  autuante  sequer  faz menção aos  contratos de  empréstimos,  sendo que o  primeiro deles aponta, como vencimento (do principal e juros), o ano­calendário de 2016;  ­  o  impugnante  junta  cópias  dos  contratos  (total  de  12)  que  originaram  as  referidas obrigações, com os respectivos contratos de câmbio;  ­  o  momento  da  incidência  do  imposto  é  o  momento  da  remessa  ou,  em  último caso, o momento do vencimento da obrigação, o que não ocorreu nesse caso;  ­  o  mero  reconhecimento  contábil  dos  juros  não  o  torna  mais  ou  menos  disponível, assim como não acresce valor patrimonial ao beneficiário, o que é precisamente a  condição essencial que desencadeia o fato gerador do imposto de renda.   Ao final, requer o cancelamento do lançamento.  A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I  (DRJ/SPOI)  julgou, por unanimidade de votos, improcedente o lançamento, exonerando o crédito tributário  exigido, cuja decisão foi assim ementada.   Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte ­ IRRF  Data  do  fato  gerador:  31/05/2001,  30/06/2001,  30/07/2001,  30/08/2001,  30/09/2001,  30/10/2001,  30/11/2001,  30/12/2001,  15/01/2002,  28/02/2002,  30/03/2002,  30/04/2002,  31/05/2002,  30/06/2002,  30/07/2002,  30/08/2002,  30/09/2002,  30/10/2002,  30/11/2002,  30/12/2002,  30/01/2003,  28/02/2003,  30/03/2003,  30/04/2003,  30/05/2003,  30/06/2003,  30/07/2003,  30/08/2003,  30/09/2003,  30/10/2003,  30/11/2003,  30/12/2003,  28/02/2004,  30/03/2004,  30/04/2004,  30/05/2004,  30/06/2004,  30/07/2004,  30/08/2004,  30/09/2004,  30/10/2004,  30/11/2004,  30/12/2004,  30/01/2005,  28/02/2005,  30/03/2005,  30/04/2005,  30/05/2005,  30/06/2005,  30/07/2005,  30/08/2005,  30/09/2005,  30/10/2005,  30/11/2005,  30/12/2005,  30/01/2006,  28/02/2006,  30/03/2006,  30/04/2006,  31/05/2006,   30/06/2006  Ementa:  PRELIMINAR.  AUSÊNCIA  DO  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL  (MPF)  A  ABRANGER  A  AÇÃO  FISCAL  COMO  UM  TODO.  OBRIGATORIEDADE  E  VINCULAÇÃO.  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO.  INOCORRÊNCIA.  O  MPF,  presta­se,  primordialmente,  como  um  instrumento  de  controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência  à relação fisco­contribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que seu nome  foi selecionado segundo critérios objetivos e impessoais, e que o agente fiscal nele  indicado recebeu do fisco a incumbência de executar aquela ação fiscal. Mesmo que  não mencionados no MPF, a  totalidade dos períodos a  serem objeto de auditoria,  ainda  assim não  seriam  invalidados  os  trabalhos  de  fiscalização  levados  a  efeito,  assim como o  lançamento que deles resultar, vez que a atividade de  lançamento é  obrigatória  e  vinculada,  e,  detectada  situação  descrita  na  lei  como  necessária  e  suficiente à ocorrência do fato gerador (art. 114, CTN) da obrigação tributária, não  poderia  o  agente  fiscal  deixar  de  efetuar  o  lançamento,  sob  pena  de  vir  a  ser  responsabilizado  funcionalmente.  Somente  devem  ser  considerados  nulos,  aqueles  atos  em  que  presentes  quaisquer —  e  somente  elas  ­  das  circunstâncias  previstas  pelo art. 59 do Decreto no 70.23511972. Preliminar rejeitada.  DECADÊNCIA.  IRF.  INOCORRÊNCIA.  Não  tendo  ocorrido  o  pagamento  antecipado previsto no art. 150 do CTN, o prazo decadencial, de cinco anos, conta­ se  a  partir  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  Fl. 657DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ     4 poderia ter sido efetuado, na forma do art. 173, inciso I, do CTN, estando correta,  portanto, a parcela da exigência relativa aos fatos geradores ocorridos no decorrer  de 2001. Preliminar rejeitada.  MÉRITO.  IRF. FATO GERADOR.  JUROS  INCIDENTES SOBRE EMPRÉSTIMOS  CONTRAÍDOS  NO  EXTERIOR.  Somente  ocorre  o  fato  gerador  por  ocasião  do  pagamento,  crédito,  entrega,  emprego ou  remessa de  importâncias a beneficiários  residentes ou domiciliados no  exterior,  feito por  fonte  situada no País,  a  título de  juros, na forma do art. 702 do RIR/1999. A apropriação contábil de tal despesa, em  obediência  ao  princípio  da  competência,  não  caracteriza  a  ocorrência  do  fato  gerador  do  tributo,  em  razão  da  inocorrência  da  comprovação  de  quaisquer  das  situações elencadas pelo dispositivo acima.  Lançamento Improcedente  Tendo em vista que o crédito  tributário exonerado  foi  superior ao  limite de  alçada previsto na Portaria MF nº 03/2008, foi submetido à apreciação do CARF o Recurso de  Ofício.  É o relatório.    Voto             Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA   A decisão de primeira  instância  exonerou um crédito  tributário que  totaliza  R$ 14.227.128,37 (quatorze milhões, duzentos e vinte e sete mil, cento e vinte e oito  reais e  trinta e sete centavos), superior ao limite de alçada previsto na Portaria MF nº 03/2008, razão  pela qual o recurso de ofício deve ser conhecido.  A controvérsia reside em saber o momento da ocorrência do fato gerador do  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  sobre  importâncias  pagas,  creditadas,  entregues,  empregadas  ou  remetidas,  a  título  de  juros,  a  beneficiários  residentes  ou  domiciliados  no  exterior.   A autoridade fiscal entendeu que o crédito contábil antes do pagamento faz  nascer a obrigação tributária, enquanto a recorrente discorda desse entendimento e defende que  a contabilização dos juros incidentes sobre empréstimos contraídos no exterior, em obediência  ao princípio de competência, não faz nascer a obrigação tributária, em razão da inocorrência de  pagamentos ou disponibilização de importâncias a tal título.  A  decisão  de  primeira  instância  exonerou  o  crédito  tributário  lançado  por  entender que o fato gerador do Imposto de Renda na Fonte, na hipótese dos autos, não se dá no  momento da apropriação (contabilização) das parcelas a  título de  juros, como defendido pela  Fiscalização.  Peço  vênia  para  transcrever  trechos  do  voto  condutor  da  decisão  recorrida,  cujo entendimento eu acompanho.  09.03. Sobre o assunto, assim determina o art. 702 do já mencionado RIR/1999:  "Art. 702. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de quinze por  cento,  as  importâncias  pagas,  creditadas,  entregues,  empregadas  ou  remetidas  a  Fl. 658DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.002202/2006­18  Acórdão n.º 2202­003.029  S2­C2T2  Fl. 657          5 beneficiários  residentes  ou  domiciliados  no  exterior,  por  fonte  situada  no  País,  a  título de juros, comissões, descontos, despesas financeiras e assemelhadas. " (grifei).  09.03.01.  Subsidiariamente  e,  visando  um  melhor  relacionamento  entre  fisco  e  contribuintes,  esta  Secretaria  da  Receita  Federal  edita,  anualmente,  manuais  de  orientação que versam sobre alguns dos tributos por ela administrados. Dentre eles,  destaca­se o relativo ao "Imposto de Renda Retido na Fonte" que traz, no capítulo  destinado a "Rendimentos de Residentes ou Domiciliados no Exterior " — "Juros e  Comissões  em Geral",  que o  fato gerador do  tributo  corresponde a  "Importâncias  pagas,  creditadas,  entregues,  empregadas  ou  remetidas  ao  exterior,  por  fonte  localizada  no Brasil,  a  título  de  juros  e  comissões,.......'.  exatamente — e de outra  forma não poderia ser — o disposto no acima reproduzido art. 702 do RIR/1999;  09.03.02.  dessa  maneira,  o  texto  acima  não  deixa  quaisquer  dúvidas  quanto  ao  momento da ocorrência do fato gerador do IRRF, no caso dos autos, qual seja, no  instante em que as importâncias são pagas, creditadas , entregues , empregadas ou  remetidas, por fonte situada no País, a beneficiários residentes ou domiciliados no  exterior, a título de juros, etc.;  09.03.03.  voltando  aos  autos,  e  à  guisa  de  exemplo,  a  cópia  do  "Contrato  de  Empréstimo" trazido pela impugnação (fls. 413/416), firmado em 08/06/2001, entre  "American Tower Corp." e a interessada, por suas Cláusulas II e III, ao falar sobre  os "Juros" e "Vencimento e Pagamento", assim se expressam:  "CLÁUSULA II. JUROS  2.1. Sobre o valor do Empréstimo,  incidirão juros anuais calculados à  taxa LIBOR,  acrescida de spread de 3  (três por cento) ao ano,  juros esses que serão papos pelo  Devedor  juntamente  com  o  valor  principal  do  Empréstimo,  conforme  previsto  na  Cláusula III abaixo.  CLÁUSULA III. VENCIMENTO E PAGAMENTO  3.1. O valor total do Empréstimo,  juntamente com os juros calculados na forma da  Cláusula  II  acima,  será pago pela ATC à Credora em uma única parcela em........"  (grifei).  09.03.04.  Demais  "Contrato  de  Empréstimo"  (fis.  414/552),  juntados  pela  Impugnação, apresentam cláusulas de semelhantes teores, apresentando as devidas  alterações,  no  tocante  aos  juros  e  aos  vencimentos,  através  dos  respectivos  "Aditamentos". Vêem­se, por tais avenças e aditamentos, assim como pela planilha  que os sintetiza, às fls. 346/347, que a operação que apresentava vencimento mais  próximo,  ou  seja,  em  21/12/2006  (fls.  346),  se  deu  em  data  posterior  ao  encerramento da ação fiscal que, conforme já dito, ocorreu em 23/10/2006;  09.03.05. além do que, elementos obtidos pela fiscalização (cópias de "Contrato de  Empréstimo",  planilhas,  cópias  de  folhas  de  Livros  Diário  e  Razão),  através  de  intimações  específicas  e,  aos  autos  juntados  (fls.  80/299)  pela  própria,  nos  dão  conta  da  forma  de  apropriação  (contabilização)  dos  valores  atinentes  aos  juros  incidentes sobre as operações de empréstimos oriundos do exterior, onde, de forma  englobada,  incluem­se os valores  relativos a  tais parcelas, acrescidos do  spread e  do valor do Imposto de Renda na fonte, que recai sobre os dois primeiros. De se ver,  exemplificativamente, a planilha de fls. 197, no tocante ao mês de janeiro de 2002 e  sua respectiva contabilização (fls. 211);  Fl. 659DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ     6 09.03.05.01.  e,  conforme  dito  pelo  próprio  "Termo  de  Verificação  Fiscal"  (fls.  302/303),  ao  reproduzir  (fls.  302)  o  §  3º  do  art.  344,  do  RIR/1999,  que  prevê  a  possibilidade  da  dedução,  como  custo  ou  despesa,  de  rendimentos  pagos  ou  creditados a terceiros, abrangendo, inclusive, tal possibilidade, o valor do imposto  que  o  contribuinte,  como  fonte pagadora,  tiver  o  dever  de  reter  e  recolher,  ainda  que venha a assumir o ônus do tributo.  Corrobora  tal  entendimento,  o disciplinado pelo Parecer Normativo CST no 2/80,  também reproduzido às fls. 302/303 pelo mencionado "Termo....".  09.04.  Assim  sendo,  fundamentado  no  disposto  no  art.  702  do  RIR/1999,  acima  reproduzido, o  fato gerador do Imposto de Renda retido na  fonte, na hipótese dos  auto,  se dá por ocasião do pagamento,  do  crédito, da  entrega, do emprego ou da  remessa  de  importância,  a  beneficiário  residente  ou  domiciliado  no  exterior,  por  fonte  situada  no  País,  a  título  de  juros,  etc.,  ao  contrário  do  apregoado  pela  fiscalização,  que  equiparou  o  momento  da  apropriação  (contabilização)  de  tais  parcelas, como o da ocorrência do fato gerador, daí porque procedeu à exigência  formalizada.  Nesse mesmo  sentido  da  decisão  de  primeira  instância,  temos  as  seguintes  decisões do CARF:  IMPOSTO  DE  RENDA  NA  FONTE.  CRÉDITO  CONTÁBIL  DE  JUROS.   BENEFICIÁRIOS  DOMICILIADOS  NO  EXTERIOR.  AUSÊNCIA  DE  REMESSA  EFETIVA DOS NUMERÁRIOS.   Não se materializa a hipótese de incidência do imposto de renda na fonte prevista  no artigo 702 do RIR/99 (artigo 100 do Decreto­lei n° 5.844/43), quando não restar  comprovada a efetiva remessa dos numerários para o exterior, mas  tão­somente o  crédito  contábil,  pelo  regime  de  competência,  dos  juros  contratados.  Neste  caso,  não se verifica a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda para  a empresa sediada no exterior. Recurso de oficio negado. (Acórdão nº 106­16.910,  da  6ª  Câmara  do  1º  Conselho  de  Contribuintes,  PAF  nº    18471.002385/2004­09,  relator: Conselheiro Gonçalo Bonet Allage).  IMPOSTO  DE  RENDA  NA  FONTE.  CRÉDITO  CONTÁBIL.  RESIDENTES  OU  DOMICILIADOS NO EXTERIOR. FATO GERADOR.  Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte as importâncias pagas, creditadas,  entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários residentes ou domiciliados no  exterior, por  fonte  situada no país. O registro contábil do crédito não caracteriza  disponibilidade econômica ou jurídica dos rendimentos. Recurso provido. (Acórdão  nº    106­16.071,  da  6ª    Câmara  do  1º    Conselho  de  Contribuintes,  PAF  nº  13808.005907/2001­19, relatora: Conselheira Sueli Efigênia Mendes de Britto)  IMPOSTO  DE  RENDA  RETIDO  NA  FONTE.  JUROS  E  CORREÇÃO  PELA  VARIAÇÃO CAMBIAL DECORRENTE DE EMPRÉSTIMO DE PESSOA JURÍDICA  SITUADA  NO  EXTERIOR  COM  CLÁUSULA  DE  VENCIMENTO  EM  10  ANOS.  ENCARGOS FINANCEIROS LANÇADOS ATRAVÉS DE CRÉDITOS CONTÁBEIS  REGISTRADOS  EM  DATA  ANTERIOR  AO  VENCIMENTO  DO  EMPRÉSTIMO.  FATO GERADOR.   Não há  fato  gerador  do  imposto  de  renda  incidente  na  fonte  quando os  juros  e a  correção  pela  variação  cambial  são  contabilmente  creditados  ao  beneficiário  do  rendimento  em  data  anterior  ao  vencimento  da  obrigação.  O  simples  crédito  contábil,  antes  da  data  aprazada  para  seu  pagamento,  não  extingue  a  obrigação  nem antecipa a sua exigibilidade pelo credor. O fato gerador do imposto na fonte,  pelo  crédito  dos  rendimentos,  relaciona­se,  necessariamente,  com  a  aquisição  da  respectiva  disponibilidade  econômica  ou  jurídica.  Recurso  provido.  (Acórdão  nº  Fl. 660DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.002202/2006­18  Acórdão n.º 2202­003.029  S2­C2T2  Fl. 658          7 104­21.549,  da  4ª  Câmara  do  1º  Conselho  de  Contribuintes,  PAF  nº  15374.001719/2002­67, relator: Conselheiro Nelson Mallmann).  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Data do fato gerador: 30/11/2001, 31/12/2001   IMPOSTO  DE  RENDA  RETIDO  NA  FONTE.  REMESSAS  PARA  O  EXTERIOR.  IMPOSTO CALCULADO TENDO COMO DATA DO FATO GERADOR A DATA  DOS CRÉDITOS CONTÁBEIS. IMPOSSIBILIDADE.   A  hipótese  de  incidência  exige  que  as  importâncias  sejam  pagas,  creditadas,  entregues,  empregadas ou  remetidas  a beneficiários  domiciliados  no  exterior,  por  fonte situada no País.   As  dicções  "pagas",  "creditadas",  "entregues",  "empregadas"  ou  "remetidas"  não  deixam dúvidas de que o beneficiário não residente tem que ter tido a aquisição de  disponibilidade  jurídica ou econômica do rendimento, conforme disciplina contida  no art. 43 do CTN.   "A  disponibilidade  econômica  decorre  do  recebimento  do  valor  que  se  vem  a  acrescentar ao patrimônio do contribuinte. Já a disponibilidade jurídica decorre do  simples  crédito  desse  valor,  do  qual  o  contribuinte  passa  a  juridicamente  dispor,  embora  este  não  lhe  esteja  ainda  nas mãos."  (Hugo de Brito Machado. Curso  de  Direito Tributário. São Paulo: Malheiros Editores, 2000, p. 243).   Não  há  fato  gerador  do  imposto  incidente  na  fonte  quando  as  importâncias  são  contabilmente  creditados  ao  beneficiário  do  rendimento  em  data  anterior  ao  vencimento  da  obrigação,  consoante  os  prazos  ajustados  em  contrato.  O  simples  crédito  contábil,  antes  da  data  aprazada  para  seu  pagamento,  não  extingue  a  obrigação nem antecipa a sua exigibilidade pelo credor. O fato gerador do imposto  de renda na fonte, pelo crédito dos rendimentos, relaciona­se, necessariamente, com  a aquisição da respectiva disponibilidade econômica ou jurídica.  Por si só, o  fato da  fonte pagadora lançar contabilmente o acréscimo do valor de  sua obrigação na respectiva conta de passivo não torna devido o imposto de renda  na fonte, por não importar na aquisição de qualquer disponibilidade econômica ou  jurídica de renda pelo beneficiário.   No caso dos autos, os rendimentos só passaram a ser devidos quando do vencimento  previsto  no  contrato.  Ora,  por  dedução  lógica,  o  simples  registro  contábil,  nos  períodos  questionados,  não  tem,  por  si  só,  o  condão  de  modificar  o  prazo  de  vencimento da obrigação contratual.   Recurso  especial  negado.  (Acórdão  nº  9202­003.120,  da  2ª  Turma  da  CSRF,  Relator: Conselheiro Elias Sampaio Freire).  Dessa  forma, entendo que procedeu corretamente a autoridade  julgadora de  primeira instância ao exonerar o crédito tributário lançado.  Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao Recurso de Ofício.  Assinado digitalmente  MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA ­ Relator              Fl. 661DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ     8                   Fl. 662DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ

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Numero do processo: 11516.003313/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. O mero inconformismo da parte quanto aos argumentos e fundamentos de decidir do v. acórdão de primeira instância não tem o condão de caracterizar o cerceamento de seu direito de defesa. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP SEM A INFORMAÇÃO DE TODOS OS FATOS GERADORES. MULTA. CABIMENTO. Tendo em vista que a recorrente apresentou GFIP sem a informação de todos os fatos geradores de de contribuições previdenciárias, verifica-se a ofensa ao art. 32, IV, da Lei 8.212/91, sobretudo quando os lançamentos principais já foram objeto de julgamento e as contribuições não informadas já foram julgadas como procedentes. INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA. CONFISCO. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) rejeitar a preliminar de nulidade e, b) no mérito, negar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Igor Araújo Soares - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1821; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 2.400          1  2.399  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11516.003313/2010­14  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2401­003.908  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  10 de março de 2015  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO: GFIP. FATOS GERADORES  Recorrente  SERVIÇO SOCIAL DA INDUSTRIA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2007  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  NULIDADE  DO  ACÓRDÃO  DE  PRIMEIRA  INSTÂNCIA.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. O mero inconformismo da parte quanto aos  argumentos e fundamentos de decidir do v. acórdão de primeira instância não  tem o condão de caracterizar o cerceamento de seu direito de defesa.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  GFIP  SEM  A  INFORMAÇÃO  DE  TODOS  OS  FATOS  GERADORES.  MULTA.  CABIMENTO.  Tendo  em  vista  que  a  recorrente apresentou GFIP sem a informação de todos os fatos geradores de  de  contribuições  previdenciárias,  verifica­se  a ofensa  ao  art.  32,  IV,  da Lei  8.212/91,  sobretudo  quando  os  lançamentos  principais  já  foram  objeto  de  julgamento  e  as  contribuições  não  informadas  já  foram  julgadas  como  procedentes.  INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA. CONFISCO. Não cabe ao CARF  a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 33 13 /2 01 0- 14 Fl. 359DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA     2    ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) rejeitar  a preliminar de nulidade e, b) no mérito, negar provimento ao recurso.      Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício      Igor Araújo Soares ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Elaine  Cristina  Monteiro  e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo,  Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de  Oliveira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.  Fl. 360DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11516.003313/2010­14  Acórdão n.º 2401­003.908  S2­C4T1  Fl. 2.401          3    Relatório    Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  por  SERVIÇO  SOCIAL  DA  INDUSTRIA  em  face  do  acórdão  de  fls.  236/243  que  manteve  a  integralidade  do  Auto  de  Infração  n.  37.263.2890  lavrado  para  a  cobrança  de  multa  por  ter  informado  dados  não  correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias em GFIP.   O período apurado compreende a competência de 10/2005 a 13/2007,  tendo  sido o contribuinte cientificado em 15/09/2010 (fls. 01).  Consta do relatório fiscal que no período apurado a recorrente entregou GFIP  com omissão de informações, constatada a partir de divergências entre a folha de pagamento e  a  GFIP,  relativamente  a  pagamentos  efetuados  a  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais.  Quanto aos contribuintes  individuais não  informados, o auditor fiscal expôs  que em resposta aos TIF’s, a recorrente informou ter ocorrido um erro no sistema de gestão de  folha de pagamento por isso alguns segurados deixaram de ser incluídos em GFIP.  Já  em  relação  aos  segurados  empregados,  a  recorrente  reconheceu  a  existência  de  erros  de  cadastramento,  a  existência  de  segurados  com NIT  em  duplicidade  e  também  mais  de  um  segurado  com  o  mesmo  NIT,  além  da  não  inclusão  em  GFIP  de  remunerações pagas em rescisões de contratos de trabalho, inclusive rescisões complementares.  Ainda de acordo com o auditor fiscal, a recorrente não apresentou, nos prazos  estabelecidos, as GFIP retificadoras contendo as remunerações que deixaram de ser declaradas  total ou parcialmente.  Em seu recurso, sustenta o cerceamento de seu direito de defesa originado do  fato do v. acórdão de primeira instância ter denegado o seu pedido de produção de provas para  que os  recolhimentos das diferenças por  ela  efetuados  fossem objeto de  apropriação, mesmo  quando o julgamento de primeira instância veio a reconhecer que esta efetuou recolhimentos a  maior.  Acrescenta que  a presente  autuação pretende modificar matéria  já discutida  no  Poder  Judiciário,  que  em  todas  as  instâncias  reconheceu  o  seu  direito  de  não  efetuar  os  pagamentos  de  contribuições  sobre  o  salário­educação  e  INCRA. Que  a  realização  de  novo  lançamento, quando já existente coisa julgada pelo Judiciário caracteriza o crime de excesso de  exação.  Defende ser entidade que goza de imunidade tributária, de acordo com o art.  195,  7º  da  CF/88,  além  de  serem  indevidas  as  contribuições  ao  INCRA  e  SALÁRIO  EDUCAÇÃO.  Fl. 361DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA     4    Finaliza argumentando que a multa aplicada possui caráter confiscatório.  Sem  contrarrazões  da  Procuradoria  Geral  da  Fazenda  Nacional,  vieram  os  autos a este Eg. Conselho.  É o relatório.  Fl. 362DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11516.003313/2010­14  Acórdão n.º 2401­003.908  S2­C4T1  Fl. 2.402          5  Voto             Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator  CONHECIMENTO  Tempestivo o recurso, dele conheço.  Inicialmente ressalto que determinei a conversão do julgamento do presente  recurso em diligência, às fls. 342/347, “para que sejam os autos baixados à origem, juntamente  com  os  Autos  Principais,  para  que  se  aguarde  o  resultado  das  diligências  ali  requeridas,  sendo que, após, os autos deverão retornar a este Eg. Conselho”.  Tendo  sido  proferido  julgamento  nos  processos  relacionados,  quais  sejam,  11516.003314/2010­51  (AIOP  372632904);  11516.003315/2010­03  (AIOP  372632920);  11516.003316/2010­40  (AIOP 372632939)  e 11516.003312/2010­61  (AI  372632882),  utilizo  as mesmas razões de decidir para assim julgar os presentes autos em decorrência daqueles.  PRELIMINARES  Em sede preliminar a recorrente sustenta a que o seu direito de defesa restou  cerceado pelo v. acórdão de primeira instância , na medida em que este indeferiu o seu pedido  de  perícia,  entendendo  pela  não  apropriação  dos  pagamentos  que  efetuou,  apesar  de  ter  reconhecido que os mesmos ocorreram.  Sem razão.  O  fato  do  julgamento  de  primeira  instância  ter  deixado  de  apropriar  os  pagamentos  efetuados,  em  nenhum momento  pode  vir  a  ser  considerado  como  motivo  que  ensejou o cerceamento do direito de defesa da recorrente, pois a negativa na apropriação e do  afastamento do pedido de perícia fora devidamente fundamentada pelo julgador, quando expôs  os motivos pelos quais entendia que a tese levantada na impugnação da recorrente, deveria ser  afastada.  O mero inconformismo da parte relativamente ao resultado do julgamento de  primeira instância, por si só, não autoriza o reconhecimento do cerceamento de seu direito de  defesa, de modo a justificar a declaração de nulidade do julgamento a quo.  Rejeito o pedido.  Passo ao mérito  MÉRITO  Trago à colação os fundamentos adotados como razão de decidir nos autos do  processo n. 11516.003314/2010­51, que demonstram a procedência do  lançamento quanto às  contribuições  incidentes  sobre  pagamentos  efetuados  a  contribuintes  individuais  e  segurados  Fl. 363DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA     6  empregados  que  não  foram  objeto  de  informação  em GFIP  e  originaram  a multa  objeto  do  presente Auto de Infração.  Confira­se:  Quanto  as  diferenças  apuradas  no  presente  auto  de  Infração,  a  recorrente  sequer  contestou  o  lançamento.  Ao  contrário,  com  ele  concordou,  todavia,  sustentando  ter  efetuado  o  pagamento  das  mesmas, de sorte que outra não poderia ser a conclusão, senão pela  anulação do Auto de Infração em decorrência do pagamento  Ao  levar  a  efeito  o  cumprimento  do  resultado  de  diligência  solicitado,  o  ilustre  auditor  fiscal  levou  a  efeito  intimação  da  recorrente  para  que  apresentasse  planilha  apontando  as  divergências  entre os  recolhimentos  efetuados a maior  e os  valores  declarado  sem  GFIP,  juntamente  com  a  respectiva  GFIP  retificadora.  Vejamos o que constou do pedido:   9.  A  pedido  deste  Auditor  Fiscal,  foi  comandando  Procedimento  Fiscal de Diligência DRF 0951146, consubstanciado no Mandado de  Procedimento  FiscalMPF09.20100.2014.00334,  sendo  emitido  Termo  de  Início  de  Procedimento  Fiscal  –TIPF,  em23/04/2014,recepcionado  pelo  Coordenador  do  Contencioso  – DIJUR  –  FIESC,  Dr.  André  Luiz  de  Carvalho  Cordeiro,  as  16:30  horas  do  dia  24/04/2014.  A  Diligência  transcorreu  da  seguinte  forma: 9.1.No referido TIPF constou a solicitação para apresentação  dos  seguintes  documentos:  Planilha  de  Cálculo  demonstrando  valores recolhidos a maior em relação àqueles declarados em GFIP,  por  competência,  discriminados  por  estabelecimento;  GFIP  retificadora, com declaração dos valores corretos, para inclusão dos  valores  recolhidos  à  maior,  por  competência,  de  cada  estabelecimento.  E  a  recorrente,  em  resposta  apresentou  dois  CDS,  sobre  os  quais,  após analise,concluiu­se o seguinte:   10.  Em  que  pese  a  afirmação  do  SESI,  em  seu  Ofício  de  encaminhamento  dos  arquivos  digitais,  que  teria  atendido  as  solicitações da Fiscalização, a realidade passou bem longe disso. Os  dois  (2)  CDS  entregues  contém,  cada  um  deles,três(3)  arquivos  digitais  relativos  aos  períodos  fiscalizados  de  2005,  2006  e  2007,  respectivamente.  Entretanto,  as  planilhas  constantes  dos  referidos  arquivos  referemse  apenas  ao  desmembramento  das  Guias  de  Recolhimento da Previdência Social(GPS) de  cada período. 11.Não  houve,portanto,atendimento por parte do contribuinte às informações  solicitadas  pela  fiscalização.  Em  face  do  não  atendimento  das  solicitações  do  auditor,  finalizou  sua  resposta  no  sentido  da  impossibilidade  de  atendimento  ao  que  requerido  por  esta  Turma,  apontando não  ter  sido  comprovada a existência dos  recolhimentos  relacionados  com  à  míngua  da  existência  de  provas  dos  recolhimentos e esclarecimentos não prestados pelo contribuinte.  Da análise de sua resposta, percebo que desta vez o mesmo levou a  efeito  as  providências  necessárias  para  efetuar  a  correlação  entre  eventuais  pagamentos  a  maior  e  o  objetodopresentelançamento,semêxito,noentantoemefetuartalcorrelaç Fl. 364DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11516.003313/2010­14  Acórdão n.º 2401­003.908  S2­C4T1  Fl. 2.403          7  ão,diantedofato  da  própria  recorrente  não  ter  apresentado  documentação dos recolhimentos a maior e esclarecimentos sobre as  diferenças. Ressalto que as  conclusões do  fiscal  também não  foram  especificadamente contestadas pela recorrente. Logo, realmente não  restou  possível  efetuar  eventual  correlação  no  presente  caso,  de  modo que entendo por não comprovada de forma cabal a existência  de  recolhimentos  a  maior  que  possam  ou  deveriam  ter  sido  aproveitados no presente lançamento.  Assim,  considerando  que  a  recorrente,  deixou  de  impugnar  a  exigência  fiscal,  defendo­se  sobre  o  mérito  do  lançamento  tão  somente no sentido de que teria efetuado o recolhimento dos valores  lançados,  outra  não  pode  ser  a  conclusão  senão  pela  sua  manutenção.  No que se  refere à alegada  isenção, apesar de esta Turma a  ter  reconhecido  nos autos do processo n. 11516.003316/2010­40,  tal  entendimento não há de  ser aplicado ao  presente  caso,  pois  somente  tem  efeitos  com  relação  ao  lançamento  das  contribuições  destinadas  a  terceiros  e  não  com  as  demais  contribuições  incidentes  sobre  o  mesmo  fato  gerador.  Por  fim,  no  que,  no  que  se  refere  ao  caráter  confiscatório  da  multa,  tal  entendimento não pode ser analisado por esta  turma, em respeito a competência privativa do  Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente as contribuições,  indubitavelmente,  ensejaria  o  reconhecimento  de  inconstitucionalidade  de  lei  em  vigor,  conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado  a este Eg. Conselho, sendo o assunto já consolidado pelo CARF por meio da referida súmula,  conforme já integralmente citada.   “Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária  Ante todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, e,  no mérito, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso.  É como voto.    Igor Araújo Soares.                              Fl. 365DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA

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Numero do processo: 10814.006908/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 08/11/2007 DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada. A base de calculo dessa multa será o valor da operação, ou o valor arbitrado pela autoridade fiscal nos termos dispostos em lei quando ele estiver sob suspeita de fraude.
Numero da decisão: 3401-002.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl - Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Raquel Motta Brandão Minatel, Efigênia Maria Nolasco Duarte, Eloy Eros da Silva Nogueira, Adriana Oliveria e Ribeiro e Ângela Sartori.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1840; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 2          1 1  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10814.006908/2008­71  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3401­002.723  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de setembro de 2014  Matéria  aduana. combate a fraude.  Recorrente  GETRONICS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Data do fato gerador: 08/11/2007  DANO  AO  ERÁRIO.  OCULTAÇÃO  DO  RESPONSÁVEL  PELA  OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR.  A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização  de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior  de  terceiros  com  vistas  ao  acobertamento  de  seus  reais  intervenientes  ou  beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação  acobertada.  A  base  de  calculo  dessa multa  será  o  valor  da  operação,  ou  o  valor arbitrado pela autoridade fiscal nos termos dispostos em lei quando ele  estiver sob suspeita de fraude.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao  recurso.  Robson José Bayerl ­ Presidente.     Eloy Eros da Silva Nogueira ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Robson  José Bayerl  (Presidente),  Raquel Motta  Brandão Minatel,  Efigênia Maria Nolasco Duarte,  Eloy  Eros  da  Silva Nogueira, Adriana Oliveria e Ribeiro e Ângela Sartori.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 00 69 08 /2 00 8- 71 Fl. 744DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA     2 Relatório  Trata  o  presente  de  auto  de  infração  para  exigir  a  penalidade  prevista  no  artigo 727 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009), o qual retrata o art. 33 da Lei  11.488, de 15 de junho de 2007, em face da infração da autuada ter cedido seu nome, inclusive  mediante  a  disponibilização  de  documentos  próprios,  para  a  realização  de  operações  de  comércio  exterior  de  terceiros  com  vistas  ao  acobertamento  de  seus  reais  intervenientes  ou  beneficiários, ficando sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada,  no valor de R$ 24.494,35.    Como descreve o Auto de Infração, cujo texto aqui reproduzo:  A  GETRONICS  LTDA,  CNPJ  02.267.071/0001­80  (doravante  denominada  neste  auto  por  GETRONICS),  declarando­se  como  própria  adquirente  dos  produtos,  submeteu  a  despacho  aduaneiro  a DI  n.  07/1545437­9,  registrada  em  08/11/2007,  para  nacionalização  de  sistema denominado TelePresénce  3000  (código  fabricante  CTS­3000) no valor declarado de US$ 56.810,00 (cinqüenta e seis mil, oitocentos e  dez dólares norte­americanos), não incluindo frete e seguro internacionais (fls. 19 a  22).  (....)  A DI foi instruída com conhecimento de carga HAWB 045 6798 5691 03699894, de  08/10/2007,  fatura  comercial  (COMMERCIAL  INVOICE)  n°  14429562  e  respectivo  romaneio  de  carga  (PACKING SLIP),  ambos  documentos  emitidos  em  referência  ao  pedido  de  compra  n°  30075239  e  emitidos  pela  CISCO  SYSTEMS  INC  (doravante  denominada  neste  auto  por  CISCO),  dos  Estados  Unidos  da  América (EUA) (fls. 23 a 33).  (....)  A retenção das mercadorias se deu em função de suspeitas quanto ao valor aduaneiro  declarado para  as mercadorias  importadas  e  também quanto ao  real comprador ou  responsável pela operação, conforme explicitado no  referido Termo de Retenção e  Início de Fiscalização.  A fiscalização incluiu a coleta de informações de diversos sistemas da Secretaria da  Receita  Federal  do  Brasil­  RFB,  solicitação  de  informações  e  documentos  diretamente  junto  à  empresa  importadora  e  também  junto  a  outras  empresas,  bem  como informações públicas, retiradas da internet.  Ao  final  dos  procedimentos,  ficou  evidente  que  a  GETRONICS  LTDA,  CNPJ  02.4267.071/0001­80,  confeccionou  declaração  de  importação,  documento  necessário  ao despacho  aduaneiro de mercadoria  importada,  com  informações  que  não refletem a realidade da operação realizada.  As informações e documentos analisados permitem a conclusão de que a mercadoria  objeto do presente auto foi embarcada para o Brasil em decorrência de negociação  entre  a  CISCO  e  empresa  do  grupo  Telefônica,  tendo  como  usuária  final  do  equipamento  a  TELECOMUNICAÇÕES  DE  SÃO  PAULO  SA  ­  TELESP.  A  participação  da GETRONICS na  operação  foi  no  papel  de  intermediária,  fato  que  não foi  informado à fiscalização aduaneira e não consta das informações prestadas  pela empresa na DI registrada.  No que se refere aos valores envolvidos, a análise abaixo mostra que a DI registrada  pela  GETRONICS  foi  confeccionada  com  objetivo  de  induzir  a  fiscalização  aduaneira  acreditar  que  o  valor  aduaneiro  declarado  foi  determinado  em  uma  negociação  de  compra  e  venda  internacional  entre  a  importadora  e  a  CISCO,  ocorrida em situação normal de mercado, quando isto não é verdade. Ou seja, com  intuito  de  reduzir  o  montante  dos  tributos  a  pagar  na  importação,  o  valor  da  mercadoria  constante  da  DI  foi  apurado  deliberadamente  em  descumprimento  ao  Fl. 745DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10814.006908/2008­71  Acórdão n.º 3401­002.723  S3­C4T1  Fl. 3          3 Acordo  de  Implementação  do  Artigo  VII  do  GATT,  aprovado  pelo  Decreto  Legislativo n°. 30, de 15/12/2004, e promulgado pelo Decreto 1.355, de 30/12/1994.  A  negociação  de  preço  do  equipamento,  conforme  declarações  da  própria  exportadora  e  também  da  TELEFÔNICA  INTERNATIONAL  WHOLESALE  SERVICES BRASIL LTDA (doravante denominada somente pela sigla TIWS), se  deu de fato entre a CISCO e a TELEFÔNICA.  No final dos procedimentos, ficou caracterizada:  a)  CESSÃO  DO  NOME  PARA  A  REALIZAÇÃO  DE  OPERAÇÕES  DE  COMÉRCIO  EXTERIOR  DE  TERCEIROS  COM  VISTAS  AO  ACOBERTAMENTO  DE  SEUS  REAIS  INTERVENIENTES  OU  BENEFICIÁRIOS.  b)  A  OCULTAÇÃO  DO  SUJEITO  PASSIVO,  DO  REAL  VENDEDOR,  COMPRADOR OU RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO, MEDIANTE FRAUDE  OU SIMULAÇÃO,   C)  O  DESEMBARAÇO  DE  MERCADORIA  ESTRANGEIRA  COM  PAGAMENTO PARCIAL DOS TRIBUTOS MEDIANTE ARTIFÍCIO DOLOSO;  d)  A  IMPORTAÇÃO  DE  MERCADORIA  COM  FALSIFICAÇÃO  OU  ADULTERAÇÃO  DE  DOCUMENTO  NECESSÁRIO  AO  EMBARQUE  (NO  CASO, A PRÓPRIA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO)  O presente processo trata apenas da infração referente ao item "a", acima. Às  infrações  "b"  e  "c",  acima,  foi  aplicada  PENA  DE  PERDIMENTO  DA  MERCADORIA,  nos  termos  do Art.  618,  incisos XXII  e VI,  através  do  processo  administrativo n° 1081.006169/2008­18.    IV ­ Das conclusões e enquadramento legal:  a) A DI em questão foi registrada pela própria GETRONICS LTDA;  b) A empresa que registrou a DI participou na operação como mera  intermediária,  representante legal da empresa exportadora perante o cliente no Brasil, usuário final  da mercadoria;  c)  existem  razões  ou  motivações  que  levaram  a  realização  da  operação  de  importação  por  outra  pessoa  que  não  o  real  comprador,  qual  seja,  a  simulação  de  uma  etapa  da  transação  comercial,  no  caso  a  importação,  com  valores  declarados  subfaturados visando o pagamento a menor dos tributos incidentes na importação.  Conclui­se  que,  ao  registrar  DI  como  sendo  a  importadora  e  adquirente  da  mercadoria,  a  GETRONICS  incorreu  na  CESSÃO  DO  SEU  NOME  PARA  A  REALIZAÇÃO DE OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR DE TERCEIROS  COM VISTAS AO ACOBERTAMENTO DE  SEUS REAIS  INTERVENIENTES  OU BENEFICIÁRIOS.  De acordo com o Art. 33 da lei n° 11.488 11 de julho de 2007, tal prática é punível  com multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo  ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais).    O contribuinte apresentou sua Impugnação, por meio da qual expôs as razões  porque pede a reversão da autuação fiscal. Ela explicou:  1.  Firmou  contrato  com  a  Telefônica  para  a  venda  do  produto  TelePresence 3000 e prestação dos serviços relacionados, adquirindo o produto,  no mês posterior, da empresa americana Cisco Systems, o qual foi apreendido.  2.  Os documentos juntados encontram­se em idioma inglês, em grande  parte, sem tradução juramentada, o que torna o auto nulo.  3.  O fato de apresentar a TELESP como destinatária final no pedido de  compra foi um erro, sendo que ali deveria estar a TELEFONICA.  Fl. 746DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA     4 4.  A  Telefônica  firmou  contrato  com  a  Getronics  quando  tomou  conhecimento  sobre  a possibilidade de  realização de  teste  em equipamento de  tele presença, não participando de nenhum processo de licitação internacional e  não encomendando equipamento junto à Cisco.  5.  Arcou com os riscos comerciais inerentes à operação, dentre os quais  ficar  com  produto  usado  caso  a  Telefônica  optasse  por  não  adquirir  a  mercadoria.  6.  Carece  de  fundamentos  a  alegação  fiscal  de  que  participou  como  representante comercial da Cisco, não sendo pessoa fraudulentamente interposta  na operação.  7.  A  fiscalização  não  considerou  o  valor  dos  serviços  prestados,  que  também  fazem  parte  do  contrato  com  a  Telefônica,  para  apurar  o  lucro  na  operação.  8.  Os descontos  concedidos  pela Cisco para  empresa  ligada  são muito  próximas  àquele  concedido  à  impugnante,  não  cabendo  falar  em  subfaturamento.  9.  O  valor  da  operação  condiz  exatamente  com  o  valor  aduaneiro  do  GATT, ou seja, o valor da transação comercial.  10.  Os valores envolvidos nas importações de empresa brasileiro da qual  a cisco é supostamente co­proprietária não foram apurados com base no valor de  transação mas sim pelo método do valor computado.  11.  Não  se  pode  comparar  operação  da Cisco  no mercado  interno  com  aquela do mercado externo.  12.  A  Getronics  tem  direito  a  descontos  diferenciados  e  profissionais  amplamente qualificados para operar em todo o mundo produtos da Cisco.  13.  Se  é  prática  ou  não  conceder  desconto,  pouco  importa,  pois  foi  concedido  desconto  à  impugnante  por  ser  o  primeiro  equipamento  e  poder  ampliar  a  parceria  e  poder  de  comercializar  e  operar  novos  equipamentos  do  mesmo modelo e marca.  14.  O  período  de  teste  concedido  para  a  impugnante  pela  Cisco  é  extensivamente menor do que aquele concedido pela impugnante à Telefônica,  fato que demonstra o propósito negocial da operação.  15.  Falhou  o  fiscal  na  valoração  por  comparar  produtos  usando  simplesmente a semelhança entre seus componentes, desconsiderando o fato de  não serem totalmente idênticos, valendo­se do critério valor.  16.  Deveria haver laudo profissional e ser considerado que foi a primeira  aquisição no país.  17.  Requer a improcedência do auto de infração.    A respeitável 24ª Turma da Delegacia da Receita Federal em São Paulo (DRJ  SP1) apreciou a autuação e a impugnação e teceu as considerações e conclusões seguintes:   Inicialmente  cabe  dizer  que  a  fiscalização  foi  efetuada  dentro  do  ordenamento  do  processo administrativo fiscal, com respeito a mandado de procedimento fiscal e com  direito ao contraditório à interessada e que não se apóia em documentos prescritos.  A alegação de nulidade em função de os documentos juntados encontram­se em idioma  inglês, em grande parte, sem tradução juramentada, não merece prosperar. Não restam  dúvidas,  conforme  veremos  adiante,  de  que  a  interessada  promoveu  importação  já  destinada a outra empresa.  Nesse sentido, os Julgadores de 1ª  Instância destacam que, na hipótese de a operação  tratar­se  de  importação  para  revenda  a  encomendante  predeterminado,  objeto  dos  artigos  11  a  14  da  Lei  nº  11.281,  de  20/02/2006,  o  encomendante  é,  de  fato,  o  comprador final.  Fl. 747DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10814.006908/2008­71  Acórdão n.º 3401­002.723  S3­C4T1  Fl. 4          5 Observam  que  a  infração,  doravante  chamada  tão  somente  de  “interposição  fraudulenta”,  inclusive  já  mencionada  no  texto  da  Instrução  Normativa  SRF  nº  225/2002,  caracteriza­se  pela  ocultação  do  verdadeiro  importador  de  mercadorias  estrangeiras,  conforme  definição  constante  do  Decreto­Lei  nº  1.455/1976  (artigo  23,  inciso V e § 2º, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002).  Outrossim,  o  artigo  27  da  Lei  nº  10.637/2002  dispõe  que  “a  operação  de  comércio  exterior  realizada mediante  utilização  de  recursos  de  terceiro  presume­se  por  conta  e  ordem deste”.  Ou  seja,  a  utilização  de  empresas  interpostas  para  a  realização  de  importações  destinadas  a  terceiros  passou  a  ser  conduta  punida  com  a  pena  de  perdimento  das  mercadorias  importadas,  bem  como  a  ocultação  decorre  da  não  informação  do  responsável  pela  operação,  terceiro  a  quem  se  destinam  mercadorias  e  que  pode  fornecer, ou não, os recursos empregados.  Recorde­se, no propósito de entender a definição acima, que o importador é obrigado a  consignar  na  declaração  de  importação o  número  de  inscrição  da  empresa  adquirente  (real  comprador  ou  responsável  pela  operação)  no  CNPJ,  consoante  (i)  a  Medida  Provisória nº 2.15835/ 2001, artigo 80, e Instrução Normativa SRF nº 225/2002, artigo  3º,  para  o  caso  de  importação  por  conta  e  ordem  de  terceiro,  e  (ii)  a  Lei  nº  11.281/2006,  artigo  11,  e  Instrução  Normativa  SRF  nº  634/2006,  artigo  3º,  para  a  importação para revenda a encomendante predeterminado.  (....)  Com efeito, se a importação por conta e ordem de terceiro estivesse presente apenas na  hipótese de o importador não utilizar recursos próprios, seria desnecessária a presunção  legal  nesse  sentido.  A  presunção  legal  alberga  situação  particular  em  que,  indubitavelmente, trata­se de importação por conta e ordem de terceiro.  Porém,  o  exposto  aplicasse  à  importação  por  conta  de  terceiro  em  sentido  amplo,  gênero que, a partir de 2006, divide­se em duas espécies,  conforme  tratado no  tópico  anterior:  a  importação por conta de  terceiro propriamente dita  (i)  e a  importação para  revenda a encomendante predeterminado (ii).     Ou seja, a despeito de o adquirente das mercadorias ser o responsável pela negociação  comercial com o exportador e a ele se destinarem mercadorias  importadas, não figura  na  declaração  de  importação  nem  como  importador,  nem  como  adquirente  das  mercadorias,  importadas  por  sua  conta  e  ordem  ou  por  encomenda  (após  a  lei  11.281/06).  Destarte,  a  caracterização  da  infração  não  requer  a  indicação  de  qual  o  benefício  auferido  pelo  adquirente  ocultado,  mas  apenas  a  demonstração  de  que  houve  a  interposição fraudulenta.  Observa­se  que  a  caracterização  da  importação  por  conta  e  ordem de  terceiro ou  por  encomenda não decorre apenas da obediência por parte do importador e do terceiro aos  requisitos  das  Instruções  Normativas  SRF  nº  225/2002  e  634/2006,  que  pode  ser  definida como caracterização formal, mas também da realidade material, qual seja, da  presença de simulação, em que o importador declara ser também o real comprador ou  responsável  pela  operação  (adquirente),  sem  observância  das  normas  estampadas  nas  instruções normativas 225/2002 ou 634/2006.  No  caso  de  a  importação  ser  materialmente  destinada  a  terceiro,  fato  ocultado  à  fiscalização  aduaneira,  mediante  a  prestação  de  informação  falsa  na  declaração  de  importação, configura a  infração punível com a pena de perdimento das mercadorias,  com base no Decreto­Lei nº 1.455/1976, artigo 23,  incisos IV e V, combinado com o  Decreto­Lei nº 37/1966, artigo 105, inciso VI.    Quanto  à  definição  dos  responsáveis  pela  infração,  os  Julgadores  a  quo  ponderaram:  Fl. 748DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA     6 A leitura do artigo 121 implica a conclusão de que para o CTN o “infrator” é também  “contribuinte”,  se  possuir  “relação  pessoal  e  direta  com  a  situação  que  constitua  o  respectivo fato gerador”. Além disso, sendo diversos os co­autores da infração sujeita a  pena  pecuniária,  são  todos  responsáveis  solidários,  por  possuírem  interesse  jurídico  comum no ilícito que dá azo à penalidade pecuniária (obrigação principal), nos termos  do artigo 124,  inciso I, do CTN. Nos  termos do decreto­lei 37/1966, comete infração  toda a pessoa  física ou  jurídica que, por ação ou omissão, voluntária ou  involuntária,  não  observe  norma  estabelecida  no  decreto­lei,  em  seu  regulamento  ou  em  ato  administrativo de caráter normativo destinado a completá­los. Segundo tais normas é,  portanto,  imputável  a  infração  em  tela  a  importador  e  adquirente  da  mercadoria  importada, pois ambos atuam conjuntamente.     Com efeito, há elementos no processo que demonstram que a operação foi realizada por  conta  e  ordem  dos  reais  adquirentes,  informação  que  foi  omitida  nas  declarações  apresentadas  e  que  não  se  encontravam  estampadas  nos  documentos  apresentados  no  despacho  de  importação,  que  informavam  como  adquirente  pessoa  jurídica  diversa  daquela que efetivamente realizou o negócio.  É fato inconteste que a importação foi realização pela Getronics, mas o real adquirente  era a Telefônica. Contrato anterior à importação já demonstrava a quem seria destinado  o equipamento, conforme alegação da própria impugnante.  As  informações  e  documentos  analisados  permitem  a  conclusão  de  que  a mercadoria  objeto do presente auto foi embarcada para o Brasil em decorrência de negociação entre  a CISCO e empresa do grupo Telefônica,  tendo como usuária  final do equipamento a  TELECOMUNICAÇÕES DE SÃO PAULO SA TELESP.  A participação da GETRONICS na operação foi no papel de intermediária, fato que não  foi  informado  à  fiscalização  aduaneira  e  não  consta  das  informações  prestadas  pela  empresa na DI registrada.    No  final  dos  procedimentos,  ficou  caracterizada  a CESSÃO  DO  NOME  PARA  A  REALIZAÇÃO  DE  OPERAÇÕES  DE  COMÉRCIO  EXTERIOR  DE  TERCEIROS  COM  VISTAS  AO  ACOBERTAMENTO  DE  SEUS  REAIS  INTERVENIENTES OU BENEFICIÁRIOS.    Quanto ao valor da operação, para definir a base da penalidade, os Julgadores  entenderam  que  não  poderiam  ser  aceitas  as  alegações  da  impugnante,  pois  o  preço  do  equipamento  seria  muito  superior  ao  declarado  na  DI,  e  o  critério  adotado  pela  autoridade  fiscal foi fundamentada na Lei:  Segundo as informações constantes dos sistemas informatizados de compra da própria  Cisco  ("www.cisco.com"),  em  consulta  realizada  em  21/01/2008  pela  funcionária  da  importadora Christine Atkinson (fls. 90 a 94), trata­se de importação de uma unidade do  equipamento  identificado pelo  código CTS3000, mercadoria  embarcada  para  o Brasil  em 25/09/2007 (Quantity/Date Shipped). O preço de tabela do equipamento é de US$  299.000,00 (duzentos e noventa e nove mil dólares dos EUA). Considerando os valores  declarados, a importadora teria sido beneficiada com incrível desconto de 81 % sobre o  valor  da  tabela  global  CISCO  na  sua  importação.  Ou  seja,  a  GETRONICS  teria  adquirido o produto junto à CISCO por valor equivalente a somente 19% do preço de  venda praticado pela própria fabricante dos produtos.      Ao  final,  os  I  Julgadores  concluíram  por  considerar  improcedente  a  impugnação. A Ementa do Acórdão n. 16­37.424, de 22/03/2012, ficou assim redigida:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II  Fl. 749DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10814.006908/2008­71  Acórdão n.º 3401­002.723  S3­C4T1  Fl. 5          7 Data do Fato Gerador: 08/11/2007  DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO DE  COMÉRCIO EXTERIOR.  A  pessoa  jurídica  que  ceder  seu  nome,  inclusive  mediante  a  disponibilização  de  documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros  com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a  multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada.  SUBFATURAMENTO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO.  Art. 88 da MP n º 2.15835/  2001. Constatada a existência de subfaturamento (fraude) nas operações de importação  e não sendo possível a apuração do preço efetivamente praticado, a base de cálculo dos  tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço  da mercadoria. Nestes casos, a fiscalização fica autorizada a proceder ao arbitramento  nos termos do art. 88 da Medida Provisória n.º 2.15835, de 24/08/2001.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  O contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou os  argumentos apresentados em sua  impugnação. A eles acrescentou seu pedido de nulidade do  acórdão de 1ª instância. Afirmou que os Julgadores deixaram de motivar a decisão com relação  à sua alegação de nulidade do auto de infração pela falta de juntada de tradução juramentada  dos documentos em língua estrangeira.  É o relatório.    Voto             Conselheiro ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA.    O recurso é tempestivo. Atendidos os demais requisitos de admissibilidade.    Preliminar de nulidade do acórdão  Constato  que  a  impugnação  traz  alegação  de  nulidade  do  auto  de  infração  pela instrução de documentos estrangeiros desacompanhados de tradução competente. E que a  decisão de 1º grau informa que esse pedido de nulidade não pode prosperar. mas sem justificá­ lo. Esse fato feriria o previsto no artigo 30 do Decreto n. 70.235, de 1972, e comprometeria o  direito de defesa do autuado. Entretanto, parece­me que os julgadores a quo não deixaram de  apreciar  a  alegação  do  contribuinte  e  justificaram  sua  posição  de  não  acolhê­la  ao  longo  do  voto, nas considerações que demonstraram que a falta da tradução foi superada pela capacidade  da impugnante em apresentar sua defesa. Por essas razões, submeto à Turma minha proposição  de negar a preliminar de nulidade do acórdão, para que esse processo não necessite retornar à  instância a quo.    Fl. 750DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA     8 Preliminar de nulidade do auto de infração  A  recorrente  requer  a declaração  de  nulidade do  auto  de  infração  pelo  fato  dele não estar acompanhado com tradução juramentada dos documentos em língua estrangeira  que instruem o procedimento fiscal.  Verifico  que  o  auto  de  infração  está  instruído  com  9  (nove)  diferentes  documentos escritos em língua inglesa. Para nenhum deles a autoridade fiscal providenciou a  juntada  de  tradução  competente.  A  autuação  aproveita  informações  constantes  nesses  documentos para desenvolver sua argumentação e subsidiar suas conclusões. A inauguração da  lide  contem  debate  estreitamente  ligado  a  informações  extraídas  desses  documentos  e  à  sua  significação,  inclusive  para  determinar  o  teor  das  relações  mantidas  entre  fornecedor,  importador e destinatário e usuário final do bem importado. Contudo, forçoso é reconhecer que  a ausência de tradução competente não afetou a análise dos argumentos e das provas. Submeto  a Julgamento minha proposição de negar essa preliminar para a declaração de nulidade do auto  de infração.  Mérito  O  presente  contencioso  tem  como  ponto  central  que  a  GETRONICS  está  incursa no que prescreve o art. 33 da Lei 11.488, de 15 de junho de 2007, em razão de haver  cedido  seu  nome,  inclusive  mediante  a  disponibilização  de  documentos  próprios,  para  a  realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus  reais intervenientes ou beneficiários, ficando sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor  da operação acobertada.    No entender da autoridade fiscal:  a mercadoria objeto do presente auto foi embarcada para o Brasil em decorrência de  negociação entre a CISCO e empresa do grupo Telefônica, tendo como usuária final do  equipamento  a  TELECOMUNICAÇÕES  DE  SÃO  PAULO  SA  ­  TELESP.  A  participação da GETRONICS na operação foi no papel de intermediária, fato que não  foi  informado à  fiscalização aduaneira  e não  consta das  informações  prestadas  pela  empresa na DI registrada.  No que se refere aos valores envolvidos, a análise abaixo mostra que a DI registrada  pela GETRONICS foi confeccionada com objetivo de induzir a fiscalização aduaneira  acreditar  que  o  valor  aduaneiro  declarado  foi  determinado  em  uma  negociação  de  compra e venda  internacional entre a  importadora e a CISCO, ocorrida em situação  normal  de  mercado,  quando  isto  não  é  verdade.  Ou  seja,  com  intuito  de  reduzir  o  montante dos tributos a pagar na importação, o valor da mercadoria constante da DI  foi  apurado  deliberadamente  em  descumprimento  ao  Acordo  de  Implementação  do  Artigo  VII  do  GATT,  aprovado  pelo  Decreto  Legislativo  n°.  30,  de  15/12/2004,  e  promulgado  pelo  Decreto  1.355,  de  30/12/1994.  A  negociação  de  preço  do  equipamento,  conforme  declarações  da  própria  exportadora  e  também  da  TELEFÔNICA INTERNATIONAL WHOLESALE SERVICES BRASIL LTDA (doravante  denominada  somente  pela  sigla  TIWS),  se  deu  de  fato  entre  a  CISCO  e  a  TELEFÔNICA.    Os Julgadores de 1ª Instância chegaram à mesma conclusão que a autoridade  fiscal  e  consideraram  improcedente  a  impugnação.  Entenderam  que  o  importador  deixou  de  atender o que prescrevem as normas que regem as importações por conta e ordem de terceiro e  as importações por encomenda, consoante IN SRF 225/2002 e 634/2006.  Fl. 751DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10814.006908/2008­71  Acórdão n.º 3401­002.723  S3­C4T1  Fl. 6          9 A  Receita  Federal,  e  suas  normativas,  exige  prévia  habilitação  no  SISCOMEX para atuar por conta e ordem de adquirente, o que a interessada não fez. Ademais,  o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 trouxe nova disciplina a respeito da infração em comento:  “Art.  33.  A  pessoa  jurídica  que  ceder  seu  nome,  inclusive  mediante  a  disponibilização  de  documentos  próprios,  para  a  realização de  operações  de  comércio  exterior  de  terceiros  com  vistas  no  acobertamento  de  seus  reais  intervenientes  ou  beneficiários  fica  sujeita  a  multa  de  10%  (dez  por  cento)  do  valor  da  operação  acobertada,  não  podendo  ser  inferior  a  R$  5.000,00 (cinco mil reais).  Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não  se  aplica  o  disposto  no  art.  81  da  Lei  nº  9.430,  de  27  de  dezembro de 1996.”    Compulsando os documentos acostados aos autos, a despeito das elucidantes  justificativas trazidas pela contribuinte, não consigo não concluir que ela, com a importação em  tela,  realmente  tinha  como propósito  atender a  terceiro previamente determinado;  e que  essa  importação constituía parte de um projeto e negociação mais amplos entre (a) o fornecedor, (b)  o  usuário  final  (a  empresa  que  aproveita  o  uso  do  equipamento  e  tecnologia  oferecida  pelo  fornecedor  e  seus  intermediários)  e  (  c)  o  responsável  pela  importação  e  implantação  do  equipamento  importado, mesmo que essa  importação pudesse  sofrer os  riscos decorrentes da  condição  contratual  "try  &  buy".  Para  chegar  a  essas  conclusões  considero  as  informações  constantes do processo, e as prestadas pelo contribuinte. Senão vejamos.  O  recorrente  compreende  que  a  investigação  da  Receita  Federal  é  de  importação por encomenda, e não por conta e ordem de terceiro. E não haveria que se falar em  interposição  fraudulenta. Ele  reconhece que  já  tinha comprador conhecido para a mercadoria  oferecida pelo fornecedor CISCO quando providenciou a importação.   Além disso, ele explica que a usuária final (TELEFONICA) queria comprar a  mercadoria,  mas  antes  queria  testá­la.  e  que,  ao  encontrá­la,  pelo  preço  que  lhe  seria  conveniente,  procurou  e  encontrou  quem  lhe  poderia  fornecê­la  no Brasil  atendendo  a  essas  condições de preço e prévio teste.  E que o Grupo empresarial TELEFONICA, sediado na Espanha, havia feito  contato  com  o  fabricante  fornecedor  CISCO  no  sentido  da  realização  de  testes  de  seu  equipamento. e que a usuária final contratou a recorrente por ser ela parceira e representante da  fornecedora CISCO no Brasil.  Entretanto, a  recorrente  afirma que não houve  licitação  internacional para a  realização  de  testes,  nem  a  empresa  Telefônica  no Brasil  assinou  qualquer  compromisso  de  compra e venda com a CISCO, e nem essas duas firmaram entre si a condição Try & Buy para  essa importação. Sublinha, ainda, que a clausula 'try & buy' do contrato entre o fornecedor no  exterior  e  a  recorrente  se  expiraria  antes  do  prazo  concedido  em  clausula  idêntica  entre  recorrente e usuário  final  (Telefônica no Brasil). Mas  essas  afirmações  feitas pela  recorrente  não logram afastar as suas outras informações de que a Telefonica procurou a recorrente com  um propósito,  a  partir  de  informações  previas  a  respeito  do  produto  e  do  fornecedor,  e  com  Fl. 752DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA     10 condições estabelecidas para orientar uma possível importação e implantação de equipamento  com os serviços da recorrente.  Adoto como demonstração e justificativa nesse sentido, a apreciação feita a  respeito pelos Julgadores a quo por considerá­la suficiente, e que reproduzo:  Com efeito, há elementos no processo que demonstram que a operação foi realizada  por  conta  e  ordem  dos  reais  adquirentes,  informação  que  foi  omitida  nas  declarações  apresentadas  e  que  não  se  encontravam  estampadas  nos  documentos  apresentados no despacho de importação, que informavam como adquirente pessoa  jurídica diversa daquela que efetivamente realizou o negócio.   É  fato  inconteste  que  a  importação  foi  realização  pela  Getronics  mas  o  real  adquirente era a Telefônica. Contrato anterior à importação já demonstrava a quem  seria  destinado  o  equipamento,  conforme  alegação  da  própria  impugnante.  As  informações  e  documentos  analisados  permitem  a  conclusão  de  que  a mercadoria  objeto do presente auto foi embarcada para o Brasil em decorrência de negociação  entre  a  CISCO  e  empresa  do  grupo  Telefônica,  tendo  como  usuária  final  do  equipamento  a  TELECOMUNICAÇÕES  DE  SÃO  PAULO  SA  TELESP.  A  participação  da GETRONICS na  operação  foi  no  papel  de  intermediária,  fato  que  não foi  informado à fiscalização aduaneira e não consta das informações prestadas  pela empresa na DI registrada.   .....  No  que  se  refere  aos  valores  envolvidos,  nota­se  que  a  DI  registrada  pela  GETRONICS foi confeccionada com objetivo de induzir a fiscalização aduaneira a  acreditar que o valor aduaneiro declarado foi determinado em uma negociação de  compra  e  venda  internacional  entre  a  importadora  e  a  CISCO,  ocorrida  em  situação normal de mercado, quando  isto não é  verdade. Ou  seja,  com  intuito de  reduzir  o  montante  dos  tributos  a  pagar  na  importação,  o  valor  da  mercadoria  constante  da  DI  foi  apurado  deliberadamente  em  descumprimento  ao  Acordo  de  Implementação do Artigo VII do GATT, aprovado pelo Decreto Legislativo n°. 30,  de 15/12/2004, e promulgado pelo Decreto 1.355, de 30/12/1994.   A  negociação  de  preço  do  equipamento,  conforme  declarações  da  própria  exportadora  e  também  da  TELEFÔNICA  INTERNATIONAL  WHOLESALE  SERVICES  BRASIL  LTDA  –  TIWS  deu­se,  de  fato,  entre  a  CISCO  e  a  TELEFÔNICA.  No final dos procedimentos, ficou caracterizada a CESSÃO DO NOME PARA A  REALIZAÇÃO  DE  OPERAÇÕES  DE  COMÉRCIO  EXTERIOR  DE  TERCEIROS  COM  VISTAS  AO  ACOBERTAMENTO  DE  SEUS  REAIS  INTERVENIENTES  OU  BENEFICIÁRIOS.  O  Termo  de  Retenção  e  Início  de  Fiscalização  n°  10/2008  e  a  Notificação  n°  05/2008  (fls.78,  79  e  82)  lista  como  motivo  de  retenção  da  mercadoria  importada  a  suspeita  quanto  ocultação  do  real  comprador ou responsável pela operação de importação. Nos documentos entregues  pela importadora em instrução ao despacho aduaneiro da DI n° 07/15454379 (fls. 25  a 33), constam inscrições que indicam que a mercadoria teria como usuário final a  TELESP e não a declarada importadora e adquirente.  As  informações  obtidas  dos  sistemas  informatizados  de  compra  da  própria  Cisco  (fls. 91 e 113 a 115) também indicam que a mercadoria foi embarcada para o Brasil  com destino  à  empresa TELECOMUNICAÇÕES DE SAO PAULO SA TELESP,  com  endereço  na  Rua  Martiniano  de  Carvalho  851,  15  Andar,  São  PauloSP,  na  condição  de  usuária  final  dos  produtos  (end­user). Em 24/01/2008,  a  importadora  informou que a aquisição dos produtos importados por meio da DI n° 07/15454379  se deu em virtude de contrato com a TIWS, celebrado em 24/08/2007, apresentando  cópia do citado instrumento acompanhado de proposta da contratada (GETRONICS)  n° 30075239 v2, de 09/08/2007, e folha impressa da "Planilha de Preços 30075239  v2.xls" (fls. 95 a 111). A proposta e a planilha anexas ao contrato apresentado tem  numeração  idêntica  à  da  ordem  de  compra  (Purchase  Order)  registrada  pela  funcionária da GETRONICS no sistema da CISCO. O inusitado advém do fato que,  Fl. 753DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10814.006908/2008­71  Acórdão n.º 3401­002.723  S3­C4T1  Fl. 7          11 à época da elaboração da proposta e mesmo da contratação, o referido registro ainda  não  havia  sido  efetivado.  Na  mesma  ocasião,  a  importadora  apresentou  à  fiscalização Declaração  da CISCO SYSTEMS  INC  (fls.  97  e  98),  na  qual  o Vice  Presidente para América Latina da empresa exportadora, Sr. Jaime Vallés, informa  que:  1 A CISCO SYSTEMS  INC  foi  vencedora  de  processo  de  licitação  internacional  realizada pela Telefônica para compra de tecnologia chamada TelePresença;  2  Os  preços  envolvidos  na  operação  foram  os  acordados  com  a  Telefônica  devido à importância do projeto, na qual a CISCO enfrentou vários concorrentes e  teve de oferecer condições excepcionais com baixa margem de lucro;  3  A  GETRONICS  é  responsável  pela  importação  dos  produtos  e,  em  última  instância, pela venda e instalação desses produtos no cliente, a Telefônica.    Em resposta á  intimação n° 05/2008 (fls. 140 a 144), a GETRONICS informa que  haveria ocorrido um simples erro material no preenchimento da "comercial invoice"  em  virtude  de  informação  equivocada  encaminhada  pela  GETRONICS  à  CISCO.  Acrescenta  a  importadora  ainda  que  o  contrato  firmado  entre  a GETRONICS  e  a  TIWS  possui  a  cláusula  "TRY  &  BUY',  que  consiste  na  disponibilização  do  equipamento a TIWS, sem custos, durante 180 dias, ao término dos quais a TIWS  poderá optar por restituir a mercadoria, sem nenhum custo, ou adquirir a mesma pelo  preço  já  estipulado  (em  planilha  anexa  ao  contrato  já  apresentado  anteriormente).  Segundo as informações constantes no sistema informatizado de pedidos da CISCO  (fls. 113 a 115), o pedido de compra (Purchase Order) n° 30075239 foi submetido  em 06 de setembro de 2007 pela GETRONICS já com indicação da TELESP como  usuária  final  do  equipamento.  Houve  uma  operação  realizada  entre  a  CISCO  SYSTEMS  INC  e  o  grupo  Telefônica,  para  aquisição  de  um  sistema  de  teleconferência  na  modalidade  "try  &  buy",  programa  oferecido  pela  empresa  americana a seus clientes. A própria TIWS, em resposta à intimação n° 19/2007,  em  seu  item "6",  informa  que  "foram  feitos  contatos  de  empresas  do Grupo  Telefônica  no  exterior  com  o Fabricante  com  a  intenção  de  se  realizar  testes  nesses  equipamentos",  o  que  corrobora  a  afirmação  do  Vice  Presidente  para  América  Latina  da  empresa  exportadora,  Sr.  Jaime  Vallés,  de  que  "a  CISCO  SYSTEMS, INC foi vencedora de processo de licitação internacional realizada pela  Telefônica,  com  quem  negociou  os  valores  do  equipamento.  Ou  seja,  a  CISCO  vendeu  a  mercadoria  para  o  grupo  TELEFÔNICA.  A  GETRONICS  tomou  parte  nessa operação como representante comercial da fabricante dos produtos e é nesse  contexto que deve ser entendida a afirmação da CISCO de que a GETRONICS "é  responsável  pela  importação  dos  produtos  e,  em  última  instância,  pela  venda  e  instalação desses produtos no cliente, a Telefônica". Ou seja, cabe a GETRONICS  no  processo  o  papel  de  representante  comercial  e  técnica  da  real  vendedora  dos  produtos, a CISCO, na operação desta com sua cliente a TELEFÔNICA.       O  valor  declarado  pelo  importador  como  preço  do  equipamento  importado  não pode ser considerado como valor da operação para fins de determinação da multa prevista  no  artigo 33 da Lei n.  11.488/2007.  Inclino­me pelo  entendimento de que o valor  aduaneiro  seria  um  critério  correto  para  esse  fim. A  autoridade  fiscal  encontrou  outra  importação  feita  pela recorrente com o produto CTS 3000 e usou o seu preço como parâmetro para arbitrar o  preço do equipamento na importação em discussão neste processo administrativo e chegar ao  valor da operação, base de calculo da multa. Invocou como base legal o artigo 88 da Medida  Provisória n. 2.158­35, de 2001.  Fl. 754DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA     12 Entendo que toda discussão em torno do valor do equipamento e da operação  concorre para  atender o disposto no artigo 33 da Lei n. 11.488/2007. Contudo, não constitui  objeto deste processo a aplicação do procedimento de valoração aduaneira.  A autoridade fiscal, no Auto de Infração, relata que o contribuinte informara  que o valor aduaneiro segue o método do valor computado. No recurso ela contradiz e afirma  ter praticado valor da transação. Contudo, explica que o preço atribuído ao equipamento está  inserido  em  uma  negociação  onde  concorrem  outras  condições  ­  ela  destaca,  no  caso,  a  prestação de  serviços  ­  para proporcionar o  lucro do  fornecedor do  equipamento. Ou  seja,  o  desconto  concedido  compõe  um  planejamento  estruturado  nos  contratos  que  conduzem  a  operação. O que conduz à constatação de que o preço declarado não corresponde ao valor da  operação.   As  alegações  da  recorrente  que  justificam  o  desconto,  e  defendem o  preço  declarado, a meu ver, não afastam a conclusão de que o preço declarado não representa o valor  da  operação.  Portanto,  procedente  o  arbitramento  do  preço  feito  pela  autoridade  fiscal,  para  chegar à base de calculo da multa.  Proponho  a  esta  elevada  câmara  que  ao  recurso  voluntário  seja  negado  provimento e que o credito tributário seja mantido.     Eloy Eros da Silva Nogueira Relator                               Fl. 755DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA

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Numero do processo: 13603.900701/2010-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO CSLL. ESTIMATIVAS. QUITAÇÃO. O valor da CSLL devido a título de estimativas deve ser considerado na apuração do saldo negativo do período a que se refere desde que demonstrada sua quitação, seja por pagamento ou compensação.
Numero da decisão: 1402-001.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário e homologar a compensação pleiteada. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1493; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T2  Fl. 2          1 1  S1­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13603.900701/2010­83  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1402­001.873  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de novembro de 2014  Matéria  COMPENSAÇÃO  Recorrente  CNH LATIN AMÉRICA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2003  COMPENSAÇÃO.  SALDO  NEGATIVO  CSLL.  ESTIMATIVAS.  QUITAÇÃO.  O  valor  da  CSLL  devido  a  título  de  estimativas  deve  ser  considerado  na  apuração do saldo negativo do período a que se refere desde que demonstrada  sua quitação, seja por pagamento ou compensação.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento ao recurso voluntário e homologar a compensação pleiteada.     LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator.      Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Frederico  Augusto  Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes  da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 07 01 /2 01 0- 83 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/12 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO     2     Relatório  Por bem resumir a controvérsia,  adoto o Relatório da decisão  recorrida que  abaixo transcrevo:  Trata­se de Declarações de Compensação (DCOMP), mediante utilização de  parte do pretenso “Saldo Negativo de CSLL” no valor de R$ 2.072.345,85.  2. As compensações declaradas pelo contribuinte, sinteticamente:  [.....]  Despacho Decisório da DRF   3.  A  análise  dos  documentos  protocolizados  pelo  contribuinte  foi  efetuada  pela DRF através do Despacho Decisório nº 863080642 anexado à  fl. 14, exarado  aos 19/05/2010, que apurou:  3.1 Verificadas as antecipações referentes à CSLL AC 2003 identificadas no  PER/DCOMP, foi confirmada a importância no valor de R$ 10.091.300,52.  3.2.  As  “Informações  Complementares  da  Análise  do  Crédito”  disponibilizadas  ao  contribuinte  pela  internet  (informação  constante  do  Despacho  Decisório), anexadas às fls. 15/16 identificam as antecipações confirmadas.  3.2.1  A  CSLL  devida  no  período  importou  em  R$  8.438.217,86.  A  CSLL  devida menos (­) as antecipações confirmadas (R$ 10.091.300,52) resultou no Saldo  Negativo disponível no importe de R$ 1.683.082,66.  3.3  Utilizando  o  crédito  reconhecido  como  válido  na  extinção  dos  débitos  declarados nas DCOMP’s, a DRF constatou a sua insuficiência na homologação da  totalidade  das  compensações  declaradas,  homologando  parcialmente  estas  compensações. O saldo dos débitos não compensados são aqueles discriminados à fl.  17 do processo (principal no valor de R$ 439.621,62).  Manifestação de Inconformidade   4. O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 01/06/2010, conforme  documento  à  fl.  18.  Irresignado,  o  contribuinte  apresenta  em  01/07/2010  a  manifestação  de  inconformidade  anexada  às  fls.  19  a  31,  onde,  em  síntese,  argumenta:  4.1 O Saldo Negativo de CSLL apurado pela requerente no ano calendário de  2003  está  identificado  na  Ficha  17  da  DIPJ  2004  no  valor  de  R$  2.072.345,85.  Apresenta planilha demonstrativa das antecipações que originaram o SN CSLL em  comento.  4.1.1  Esclarece  que  a  CSLL­Estimativa  Mensal  apurada  no  mês  de  junho/2003,  no  valor  de  R$  1.115.493,15  foi  quitada  por  meio  de  compensação,  declarada  na  DCOMP  de  nº  13497.37115.310703.1.3.03­0097,  transmitida  aos  31/07/2003.  4.1.2 Parte do valor apurado e compensado não foi reconhecido pelo fisco sob  o  argumento  de  que  a  PER/DCOMP  13497.37115.310703.1.3.03­0097  foi  Fl. 157DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/12 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13603.900701/2010­83  Acórdão n.º 1402­001.873  S1­C4T2  Fl. 3          3 parcialmente homologada, remanescendo débito em aberto. O fisco equivocou­se no  seu  entendimento  uma  vez  que  a  DCOMP  em  comento  já  foi  homologada  tacitamente,  diante  da  inexistência  de  manifestação  da  autoridade  administrativa  quando já transcorridos mais de 05 (cinco) anos da sua transmissão. Invoca o art. 74  da Lei nº 9.430, de 1996 e arts. 150 e 156 do CTN. Ilustra com Acórdão da DRJ de  Campinas/SP,  do  CARF  (Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais),  do  TRF  (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região e do Superior Tribunal de Justiça.  4.2  Neste  contexto,  propugna  pelo  cômputo  da  integralidade  da  CSLL­ Estimativa Mensal apurada em junho/2003 e o reconhecimento da integralidade do  crédito decorrente do Saldo Negativo de CSLL AC 2003 e a compensação integral  dos débitos declarados nas DCOMP’s em comento.  4.3 Em outra  linha argumentativa, esclarece que a CSLL­Estimativa Mensal  apurada no mês de  junho/2003 foi quitada por meio da compensação declarada na  DCOMP de nº  CSLL apurado no AC de 2002. Porém, por um equívoco, foi informado que o  crédito utilizado naquela DCOMP seria decorrente de pagamentos a maior efetuados  por meio de DARF’s.  Acrescenta  que  o  erro  cometido  pode  ser  facilmente  comprovado  por meio  dos documentos contábeis da requerente; tece a seguir diversas considerações acerca  da apuração do Saldo Negativo de CSLL apurado no AC de 2002.  4.3.1 Menciona que a Administração Pública deve considerar os  fatos como  efetivamente  ocorridos,  de  acordo  com  o  princípio  da  verdade  material,  argumentando  que  a  informação  equivocada  na  DCOMP  13497.37115.310703.1.3.03­0097 não afasta o poderdever da Administração apurar  a  efetiva  existência ou não do crédito para  compensação do débito declarado pela  requerente. Ilustra com jurisprudência do CARF.  4.4 Por  fim,  requer o  provimento  à Manifestação de  Inconformidade  com a  reforma  do  Despacho  Decisório,  o  reconhecimento  da  homologação  tácita  da  DCOMP 13497.37115.310703.1.3.03­0097 e a homologação integral das DCOMP’s  em litígio neste processo.  4.4.1  Requer  a  homologação  integral  das  compensações  em  litígio  neste  processo,  considerando que  restou devidamente  comprovado o pagamento  integral  da CSLL­Estimativa Mensal apurada em junho/2003.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento prolatou o Acórdão  02­35.586 corroborando o entendimento do despacho decisório. Esclareceu que não ocorreu a  homologação  tácita  suscitada  relativamente  à  Dcomp  13497.37115.310703.1.3.03­0097  e  registrou  que  a  decisão  lá  proferida,  devidamente  cientificada  ao  sujeito  passivo,  foi  pela  homologação parcial da compensação pleiteada, o que atingiria inclusive o valor da estimativa  de CSLL do mês de junho de 2003 objeto da presente discussão.  Informa  que  os  débitos  não  compensados  naquela  Dcomp  foram  quitados  pelo sujeito passivo com os benefícios da Lei nº 11.941/2009 e salienta que não cabe apreciar  nestes autos razões de defesa contra decisão proferida em outro processo.  Devidamente  cientificado,  o  sujeito  passivo  recorre  a  este  colegiado  ratificando  em  essência  as  razões  expedidas  na  peça  impugnatória  e  aduz  ter  quitado  por  pagamento o valor questionado, o que implicaria em que fosse considerado no pedido.  Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/12 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO     4 É o Relatório.     Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/12 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13603.900701/2010­83  Acórdão n.º 1402­001.873  S1­C4T2  Fl. 4          5   Voto             Conselheiro Leonardo de Andrade Couto  O recurso é tempestivo, foi interposto por signatário devidamente legitimado  e preenche as condições de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço.  Na composição do crédito objeto do pedido de compensação, referente à base  de cálculo negativa da CSLL apurada no ano­calendário de 2003, houve divergência quanto ao  valor da estimativa correspondente ao mês de junho daquele ano.   A  interessada  informou  o  valor  de R$  1.115.493,15  que  teria  sido  quitada  mediante  compensação  na  Dcomp  13497.37115.310703.1.3.03­0097.  Superada  a  questão  da  homologação tácita, que não ocorreu, foi homologada a compensação de parte desse valor (R$  696.229,96) parcela essa considerada neste autos.  Restou em litígio o montante de R$ 419.263,19.  De  acordo  com  informações  prestadas  pela  decisão  recorrida,tal  valor  teria  sido incluído pelo sujeito passivo na sistemática de pagamento prevista na Lei nº 11.941/2009.  Suscitado pela própria autoridade julgadora, esse fato foi demonstrado pelo sujeito passivo que  trouxe aos autos, na peça recursal, os documentos comprobatórios do recolhimento.  Sendo  assim,  não  há  impedimento  para  que  o  valor  seja  considerado  na  apuração  do  saldo  negativo  da  CSLL  no  ano­calendário  de  2003.  Em  sentido  distinto  da  decisão recorrida, entendo que não se trata de apreciar questões referentes a outro processo mas  sim levar em consideração um fato lá apurado, com impacto direto no julgamento de que trata  o presente.   Do  exposto,  voto  por  dar  provimento  ao  recurso  e  reconhecer  o  direito  à  utilização do valor de R$ 419.263,19; referente à parcela remanescente da estimativa do mês de  junho/2003, na composição do saldo negativo da CSLL nesse ano­calendário.    Leonardo de Andrade Couto ­ Relator                              Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/12 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO     6   Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/12 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO

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