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Numero do processo: 11080.928336/2009-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006
CONTRATO A PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE APURAÇÃO. CUMULATIVIDADE. MANUTENÇÃO. IGP-M. POSSIBILIDADE.
As receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços, permanecem sujeitas às normas da legislação da Contribuição para o PIS/Pasep vigentes anteriormente à Lei 10.637/02, mesmo quando o valor do contrato sofre reajustado baseado em índice de correção nele previsto, reconhecido no mercado como sendo de adoção consagrada no segmento correspondente e destinado à manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do mesmo.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3302-002.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral o Dr. Marco Antônio Behrndt - OAB 173.362 - SP.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 18/12/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Hélcio Lafetá Reis, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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REGIME DE APURAÇÃO. CUMULATIVIDADE. MANUTENÇÃO. IGPM. POSSIBILIDADE. As receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços, permanecem sujeitas às normas da legislação da Contribuição para o PIS/Pasep vigentes anteriormente à Lei 10.637/02, mesmo quando o valor do contrato sofre reajustado baseado em índice de correção nele previsto, reconhecido no mercado como sendo de adoção consagrada no segmento correspondente e destinado à manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do mesmo. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral o Dr. Marco Antônio Behrndt OAB 173.362 SP. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 18/12/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 83 36 /2 00 9- 59 Fl. 549DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Hélcio Lafetá Reis, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não reconheceu direito creditório e não homologou compensação declarada pelo contribuinte referente a crédito da contribuição para o PIS, com débito de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O indébito teria origem na mudança de entendimento quanto à permanência das receitas apuradas no regime da cumulatividade, tendo a empresa efetuado recolhimento pela sistemática da nãocumulatividade. A Lei nº 10.833/2003 em seu artigo 10, inciso XI previu a possibilidade de que as receitas de contratos de fornecimento de serviços a preço predeterminado, com prazo superior a um ano, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003 poderiam continuar a ser tributadas pela sistemática da cumulatividade.Com a edição da Lei nº 11.196/2005, mais especificamente seu art. 109, combinado com o disposto na IN SRF nº658/2006 e ainda de acordo com orientações emanadas da Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, a interessada entendeu ter reunido condições suficientes para tributar suas receitas com base na sistemática da cumulatividade. Procedeu então a retificação das suas DCTFs, declarando débitos de PIS e Cofins pela forma cumulativa. Assim teria passado a credora da União, uma vez que teria efetuado recolhimentos a maior do que os efetivamente devidos por calcular as contribuições em apreço pela sistemática da nãocumulatividade. A Coordenação de Tributação da Receita Federal do Brasil submeteu à apreciação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio da Nota Técnica COSIT nº 1, de 16 de fevereiro de 2007, referida questão, resultando na edição do Parecer PGFN/CAT nº 1.610, de 01 de agosto de 2007. Esse Parecer esclareceu que “contratos iniciais” e “contratos bilateriais”, os quais são utilizados pela empresa na comercialização de energia, perdem o caráter de contratos de preço predeterminado, tendo em vista reajuste efetuado pelo IGPM e, pela variação tributária, portanto, não se submetem à exceção prevista no art. 10, XI da Lei nº 10.833/2003. A interessada por meio do processo nº 11080.006335/200951 protocolou processo de consulta a este respeito. A Superintendência da 10ª Região Fiscal solucionou a questão emitindo a Solução de Consulta nº 228, de 14 de dezembro de 2009, assim ementada: CONTRATOS FIRMADOS ANTERIORMENTE A 31 DE OUTUBRO DE 2003. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE COM BASE NO IGPM. Para efeito de definir o regime de incidência da Cofins aplicável às receitas relativas a contratos com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, o cômputo do IGPM no percentual de reajuste de preços, descaracteriza a condição de preço predeterminado, ainda que nesse percentual de reajuste seja também considerada a variação de determinados custos de produção, o que implica a sujeição dessas receitas à incidência nãocumulativa. Não obstante, quando o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, não superar o percentual correspondente ao Fl. 550DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.928336/200959 Acórdão n.º 3302002.913 S3C3T2 Fl. 3 3 acréscimo dos custos de produção, e desde que o referido reajuste leve em conta termos de custos de produção ou insumos, a condição de preço predeterminado não se terá descaracterizado, consoante explicitação do § 3º do art. 3º da IN SRF nº 658, de 2006. Nessa hipótese, e cumpridos os demais requisitos dessa Instrução, as receitas em questão submetemse à incidência da Cofins na forma cumulativa, até que venha a suceder a perda do caráter de preço predeterminado, ocasião em que as receitas passarão a sujeitarse à incidência nãocumulativa, de modo definitivo. Com base no entendimento acima exposto e na informação Fiscal SEFIS/DRF/POA (fls. 394/397) 1, foi emitido o Despacho Decisório DRF/POA nº 2.132, de 05/11/2010 (fls. 388/393) que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação declarada. A interessada discorda do indeferimento do seu pleito, alegando, preliminarmente, a tempestividade de sua manifestação. Faz um histórico da evolução da legislação do PIS e da Cofins e da nova sistemática de apuração dessas contribuições: nãocumulatividade. Discorre a respeito dos chamados “contratos iniciais” firmados por ela e as distribuidoras de energia elétrica, celebrados em 30 de setembro de 1997, com vigência de 15 anos. Menciona que o Primeiro Termo Aditivo ao Contrato de Concessão nº 67/2000, firmado em 03/04/2001, passou a prever que o reajuste seria calculado de acordo com o IGPM. Acredita que tal fato não afetaria a condição de preço predeterminado no fornecimento de energia, tendo como objetivo a preservação do equilíbrio contratual, resguardando o valor e quantia da moeda contratada. Nesse caso, as receitas advindas desses contratos deveriam sujeitarse ao regime cumulativo das contribuições, por obedecerem ao disposto no art. 10, XI, da Lei nº 10.833/2003. Ataca a IN SRF nº 468/2004, afirmando que essa teria inovado no mundo jurídico ao eleger critérios não previstos na Lei nº 10.833/2003 para definição de preço predeterminado. Destaca que esse entendimento foi alterado pela Lei nº 11.196/2006 ao determinar que o reajuste de preços em função do custo da produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, não seria considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Cita Nota Técnica nº 224/2006 e o Ofício nº 1.431/2006, ambos expedidos pela ANEEL os quais afirmam que a utilização do IGPM, como índice de correção monetária, no reajuste do preço do contrato de fornecimento de energia equivaleria ao custo de produção ou dos insumos utilizados no setor energético. Tece considerações a respeito dos requisitos exigidos pelo art. 10, XI da Lei nº 10.833/2003 para que suas receitas permaneçam no regime cumulativo das contribuições. Entende serem quatro as exigências da Lei: contrato de fornecimento de bens e serviços, prazo de duração mínimo superior a um ano, assinatura do contrato anteriormente a 31 de outubro de 2003 e que o preço de fornecimento de bens e serviços esteja predeterminado no contrato. Entende que os contratos por ela celebrados com as empresas contratantes de seus serviços atendem aos requisitos antes expostos e por isso permanecem no regime da cumulatividade, tornando a empresa detentora de créditos recolhidos pela sistemática da nãocumulatividade. Observa que protocolou declarações de compensação, via PER/DCOMP, dos créditos oriundos dos períodos dezembro de 2002 a fevereiro de 2006, e pedido de restituição, via papel, do período novembro de 2004 a julho de 2005. Menciona a consulta formulada a respeito do assunto (processo nº 11080.006335/200951), a Nota Técnica Cosit nº 1, de 16 de fevereiro de 2007, bem como o Parecer PGFN/CAT nº 1.610, de 01 de agosto de 2007, os quais concluíram Fl. 551DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 4 que as receitas da empresa estariam sujeitas a tributação pelo regime não cumulativo. Discorda do entendimento da informação Fiscal, para os períodos de dezembro de 2002 a janeiro de 2004, que não reconhece efeito retroativo ao disposto no art. 15 da Lei nº 10.833/2003, o qual estendeu ao PIS a possibilidade de manter no regime da cumulatividade as receitas de contratos firmados com preço predeterminado. Entende ser nulo o Despacho Decisório por ausência de motivação e afronta à ampla defesa e ao contraditório. Alega que a decisão deixa de justificar/fundamentar as razões para o indeferimento do pleito de restituição/compensação. Não se reveste dos mínimos e indispensáveis requisitos de validade e não lhe permite conhecer os fundamentos do indeferimento dos pleitos de restituição/compensação. Na eventualidade de não ser declarado nulo o Despacho Decisório atacado, passa a defender a existência do direito creditório pleiteado. Destaca a apresentação de Recurso Especial de Divergência contra o entendimento da Solução de Consulta nº 228, proferida pela SRRF10/DISIT. Está certa de que o recurso interposto será provido. Passa a tecer considerações a respeito das exceções estabelecidas pela Lei nº 10.833/2003 para permanência de determinadas receitas no regime da cumulatividade. Aponta 4 requisitos necessários: existência de um contrato de fornecimento de bens e serviços, com prazo de duração superior a 1 ano, assinatura anterior a 31 de outubro de 2003 e que o preço de fornecimento dos bens e serviços esteja predeterminado nesse contrato. Destaca que o Despacho Decisório questiona apenas um desses requisitos, o que tornaria incontroverso os demais. A discussão estaria limitada a predeterminação dos preços estipulados nos contratos celebrados pela empresa. Argumenta que esse requisito também foi cumprido. Argumenta não existir lei que defina o conceito de preço predeterminado. Esse conceito seria obtido por meio de uma interpretação sistemática do ordenamento jurídico, sendo encontrado a partir do exame de princípios do direito privado. Busca na doutrina definições de preço determinado e preço determinável. Acredita que a eventual cláusula de reajuste não descaracterizaria a natureza do preço predeterminado quando tal reajuste tenha como objetivo tãosomente preservar o poder aquisitivo nominal inicialmente pactuado. Cita decisão jurisprudencial nesse sentido. Invoca os art. 109 e 110 do CTN para defender seu ponto de vista. Afirma que de acordo com a IN SRF nº 21/79, o entendimento da Secretaria da Receita Federal sempre foi no sentido de que para a caracterização de preço predeterminado não seria essencial a inexistência de cláusula de reajuste, mas a necessidade de o preço estar fixado em contrato, sendo de conhecimento prévio para as partes. Defende o reconhecimento por parte da legislação, através do art. 109 da Lei nº 11.196/2005, de que a aplicação de cláusula de reajuste não descaracterizaria o preço predeterminado. Alega que seus preços estariam predeterminados em contrato. A necessidade de investimentos vultosos e a assunção de uma série de compromissos a longo prazo só seriam possíveis se houvesse garantia de uma fonte previsível de receitas a longo Fl. 552DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.928336/200959 Acórdão n.º 3302002.913 S3C3T2 Fl. 4 5 prazo, livre do risco da oscilação de preços e da diminuição da demanda. Sendo assim, afirma que celebrou todos os contratos de fornecimento de energia baseados em “preço firme”. Transcreve parte destes contratos. Relata que esses prevêem inclusive a necessidade da empresa buscar energia no mercado caso não consiga produzila por problemas técnicos. Nesse caso terá que arcar com a diferença entre o preço de aquisição da energia no mercado e aquele predeterminado em contrato. Frisa ser o reajuste pelo IGPM, cláusula padrão, constante de todos os contratos por ela celebrados de fornecimento de energia, independente da outra parte contratante ser distribuidora, comerciante ou consumidora final de energia. Afirma que o IGPM nada mais reflete do que o reajuste de preços em função do custo de produção. Repisa o argumento de que segundo entendimento esposado pela ANEEL (Nota Técnica 224/2006), o IGPM é índice que reflete o custo de produção e, portanto, em nada altera a condição de preço acordado nos contratos iniciais. Argumenta que a correção monetária corresponde à manutenção do valor real da moeda operante no tempo, não se tratando de um acréscimo ao valor original. Assim a simples aplicação de cláusulas de reajuste de correção monetária, materializadas no caso presente pelo IGPM, não desconfiguraria de maneira alguma a natureza do preço inicialmente fixado em contrato, pela contrário, tratar seia apenas de reposição dos valor originário da moeda, corroída por diversos fatores. Interpretação diversa levaria a uma norma de efeitos temporários, de curtíssima duração. Ataca a IN SRF nº 468/2004, a IN SRF nº 658/2006 e o Parecer PGFN/CAT nº 1610/2007 afirmando que teriam criado mandamentos não previstos em lei extrapolando sua competência, incorrendo em vícios manifestos de legalidade. Passa a defender a retroatividade do art. 15 da Lei nº 10.833/2003. A manutenção das receitas no regime da cumulatividade para o PIS seria aplicável desde a instituição do regime nãocumulativo do PIS, ou seja, dezembro de 2002. Pensar de forma diversa levaria a quebra na segurança jurídica, pois, nesse caso, haveria um aumento repentino da carga tributária. Ratifica seu pedido de restituição e a homologação integral das compensações declaradas. Aponta impossibilidade da cobrança dos débitos compensados com créditos referentes aos períodos de apuração janeiro e fevereiro de 2006, uma vez que esses períodos foram objeto de auto de infração (processo 11080.722655/201096), o qual estaria pendente de análise. Ao final requer a nulidade do Despacho Decisório com reconhecimento integral do crédito e conseqüente homologação das compensações declaradas ou ainda que seja proferida nova decisão pela DRF de origem. Alternativamente, caso não seja declarada a nulidade do Despacho Decisório, pleiteia a sua reforma integral e o reconhecimento do direito creditório e a homologação das compensações declaradas. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 553DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 6 Período de apuração:01/02/2006 a 28/02/2006 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o Despacho Decisório foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. PREÇO PREDETERMINADO. IGPM. ÍNDICE GERAL. Nos termos do disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. O IGPM não é índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, por ser índice geral de reajuste de preços. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTÊNCIA. Não havendo comprovação de pagamento indevido, não há como homologar a compensação declarada. A lavratura de auto de infração exigindo os valores porventura recolhidos não tem o condão de transformar os recolhimentos efetuados em pagamentos indevidos. Insatisfeito com a decisão de primeira instância administrativa, o sujeito passivo apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa, em linhas gerais, os argumentos presentes na Manifestação de Inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. No mérito, a matéria objeto do processo gira em torno da correta interpretação do dispositivo legal insculpido na alínea "b" do inciso XI do artigo 10 da Lei 10.833/031, que tem o seguinte teor. 1 Os efeitos do disposto no artigo 10, aplicável à Cofins, foram estendidos à Contribuição para o PIS/Pasep pelo artigo 15 da mesma Lei 10.833/03. "Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)" Produção de efeitos, nos termos do artigo 93 da Lei 10.833/03. "Art. 93. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeito, em relação: I aos arts. 1o a 15 e 25, a partir de 1o de fevereiro de 2004;" Fl. 554DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.928336/200959 Acórdão n.º 3302002.913 S3C3T2 Fl. 5 7 Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Em novembro de 2005, a Lei 11.196/05, em seu art. 109, definiu hipótese de reajuste do valor do contrato que não acarretaria a descaracterização da condição de preço predeterminado. Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Matéria idêntica a que neste se discute foi submetida a julgamento e decidida pela 2ª TO da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do acórdão nº 3102 001.881, de 21/06/2013, em processo da relatoria do i. Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, julgamento que teve a participação do Conselheiro que ora relata este processo. A decisão foi assim ementada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Solução de Consulta Desfavorável ao Contribuinte. Efeitos. A prévia manifestação da Administração, veiculada por meio de decisão exarada em processo de consulta desfavorável à pretensão do Contribuinte, não impede a rediscussão da matéria consultada no bojo de processo administrativo fiscal em que se debate exigência de tributos e contribuições. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Contrato por Preço Predeterminado. Regime de Incidência. O reajuste do preço, homologado por órgão estatal, com vistas à manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, não altera o preço predeterminado e, consequentemente, não impede a manutenção da tributação do regime cumulativo. Jurisprudência do Carf e do Superior Tribunal de Justiça. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 8 Recurso Voluntário Provido. Boa parte da controvérsia deste, daquele e de outros processos nos quais se discute o regime de apuração das Contribuições das receitas decorrentes de contratos deste tipo reside justamente na desqualificação da condição de preço predeterminado em face de seu reajuste com base no IGPm. A respeito dessa questão, pertinente reproduzir a interpretação dada pela 2ª TO nos autos do precitado acórdão nº 3102001.881. De fato, a meu ver, não há a menor dúvida de que o reajuste realizado com base no IGPM não se amolda às hipóteses enumeradas no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005. Tratase de um índice geral de preços composto por dois índices setoriais de preço e um índice setorial de custo, relativo à Construção Civil, atividade econômica que em nada se confunde com a geração de energia. Por esse motivo e, principalmente, em razão da incompetência para dispor sobre a interpretação da legislação tributária, é igualmente claro que a opinião da ANEEL, veiculada por meio da Nota Técnica nº 224/2006 não pode ser levada em consideração para a solução do presente litígio. (...) Ocorre, entretanto, que há uma premissa que orienta a conclusão do Fisco, que, a meu ver, com o devido respeito, está equivocada. Diferentemente do defendido, imagino, o art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005 não possui o caráter restritivo suscitado por aquela autoridade lançadora. A meu ver, o dispositivo não restringiu as hipóteses em que o reajuste contratual não desvirtua a predeterminação do preço, elencou duas dessas circunstâncias. Com efeito, se analisarmos a redação do artigo, ponto de partida para a compreensão do comando legal nele veiculado, podese averiguar que o legislador, em nenhuma passagem, afirmara que aquelas seriam as únicas hipóteses em que o reajuste não descaracterizaria a predeterminação do preço. Afirmou que aquelas hipóteses não a desvirtuariam. Reforça essa convicção o fato de que, nos termos do seu parágrafo único, já transcrito acima, o dispositivo novel teria vigência retroativa à vigência da medida provisória nº 135, de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003. Se o objetivo do comando inserido na “MP do Bem” fosse restringir e, consequentemente, aumentar o universo de contribuintes sujeitos à incidência mais gravosa, não haveria espaço para tal cláusula de vigência. (...) Abstraindose o entendimento veiculado nas Instruções Normativas 468/04 e 658/06, editadas pela Secretaria da Receita Federal, a descaracterização do valor contratado como sendo a preço predeterminado em função da utilização de índice de correção monetária não setorial foi objeto de estudo tanto no âmbito da Secretaria da Receita Federal (CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação Nota Técnica Cosit nº 1, de 16/02/07) quanto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (CoordenaçãoGeral de Assuntos Tributários da Parecer PGFN/CAT nº 1610/2007). Alguns apontamentos são de grande relevo à elucidação do assunto. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.928336/200959 Acórdão n.º 3302002.913 S3C3T2 Fl. 6 9 Vejamos como se manifestou a Secretaria da Receita Federal na Nota Técnica Cosit nº 01/2007. 20. A alínea "b" do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, teve por objetivo, não impor aos contribuintes o encargo de terem que iniciar negociações apressadas a fim de revisarem ou reajustarem seus contratos, em virtude do pouco tempo (90 dias, contados a partir da publicação da MP nº 135, de 2003) concedido para que os contribuintes adaptassemse ao novo regime de incidência da contribuição, o que era tempo insuficiente para que alguns setores renegociassem seus contratos, devido à complexidade da avaliação da manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro pretendido quando da contratação inicial. A lei utilizou um conceito ainda novo na legislação das contribuições exatamente para que ele fosse definido adequadamente pela legislação. Não há, no direito privado, conceito legislado de "preço predeterminado", daí porque não procede qualquer alegação de ofensa ao art 110 do CTN. 21. Posteriormente, o art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, estatuiu a regra de que a condição de preço predeterminado não seria descaracterizada pelo reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. (...) 22. A ANEEL alega que tal dispositivo foi publicado: "visando superar as perplexidades interpretativas inauguradas pela IN SRF nº 468, de 2004." E expõe que: "outro aspecto importante é que o art. 109 da Lei nº 11.196/2005, tem por claro objetivo estabelecer o que normalmente se denomina "interpretação autêntica" da noção de preço predeterminado, para fins de aplicação do disposto nas citadas alíneas "b" e "c", do inciso XI, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003." 23. A agência entende que o art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, veio a dar uma interpretação autêntica às alíneas "b" e "c" do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. Mas na realidade, o disposto no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005 veio estabelecer uma exceção ao § 2º do art. 2º da IN SRF nº 468, de 2004. 24. É a seguinte a dicção do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, a que faz referência o art. 109 da Lei 11.196, de 2005: "CAPÍTULO IV Da Correção Monetária Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1 o de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do índice de Preços ao Consumidor, Série r lPCr. § 1 º O disposto neste artigo não se aplica: (...) II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; " (Grifouse) 25. É claro a diferenciação feita pela lei: o reajuste baseado na correção monetária não se confunde com os reajustes baseados ou no custo de produção ou na variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos Fl. 557DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 10 utilizados. A contrario sensu, a lei posicionouse no sentido de excluir do art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, o reajuste baseado na correção monetária. Vale reproduzir o estudo feito pela SFF/ANEEL, reproduzido na Nota Técnica nº 224, de 2006: Nos termos do dispositivo anteriormente citado, a regra geral era no sentido de que a correção monetária de quaisquer negócios jurídicos seja calculada com base no IPCr (índice de Preços ao Consumidor série r). Nada obstante, no caso de fornecimento de bens e serviços a serem produzidos, a regra geral não se aplicaria, sendo que o índice de reajuste deveria ser calculado reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. (Grifouse) Ressaltese que IPCr, previsto no caput do art. 27 da Lei nº 9.069/95, já foi extinto (vide art. 8º da Lei nº 10.192, de 14/02/2001), sendo substituído, a partir de lº/07/1995, nas obrigações e contratos pelo índice previsto contratualmente. Confirase: "Art. 8o A partir de 1º de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1º Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste será substituído, a partir de 1° de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. 34. Além do mais, o art. 2 desta mesma lei estabeleceu que: "Art. 2° E admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano." 26. Ora, a extinção do IPCr e a sua substituição por outro índice equivalente, permitido pela Lei nº 10.192, de 14 de fevereiro de 2001, não tem o condão de transformar esse novo índice em um coeficiente que reflita a variação dos custos de produção ou dos insumos. Pelo contrário, nesse ponto a Lei 10.192, de 2001, em nada inovou, posto que o inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 1995, já permitia contratos com cláusulas de reajuste baseados em índices que expressassem a variação dos custos de produção ou dos insumos. Assim, segundo o art. 2º da Lei nº 10.192, de 2001, acima transcrito, admitese a estipulação de reajuste por: a) índices de preços gerais; b) índices de preços setoriais; c) índices que reflitam a variação dos custos de produção; d) índices que reflitam a variação dos custos dos insumos utilizados. 27. A fim de esclarecer qualquer dúvida, fazse necessário distinguir "índices de preços setoriais" de "índices de custos setoriais". Índice de preços setoriais reflete a inflação a que foi submetido um determinado setor. Já índice de custos setoriais, como o próprio nome indica, reflete os custos envolvidos na atividade de um dado setor. 28. Feitas as distinções entre os índices existentes, fica claro que o art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, somente contemplou em sua redação as letras "c" e "d" do item 26. Não foram permitidos, entre os índices admitidos para a permanência na cumulatividade, os índices de preços gerais, nem os índices de preços setoriais. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.928336/200959 Acórdão n.º 3302002.913 S3C3T2 Fl. 7 11 De fato, esses índices não estavam entre aqueles albergados pelo inciso II do § 1o do art. 27 da Lei n° 9.069, de 1995. 29. Segundo informações constantes do sítio da FGV na internet (www.fgv.br), o IGPM, principiou a ser calculado a partir de junho de 1989, por solicitação de um grupo de entidades de classe do setor financeiro, liderado pela Confederação Nacional das Instituições Financeiras, em decorrência das constantes mudanças ocorridas nos indicadores da correção monetária e da inflação oficial. Esse índice originase da média ponderada do índice de Preços por Atacado (IPAM; 60%), do índice de Preços ao Consumidor (IPCM; 30%) e do índice Nacional de Custos da Construção (INCCM; 10%). 30. É desnecessário apresentar maiores detalhes acerca das características do IGPM para verificar que este não se trata de "índice que reflita a variação dos custos de produção" e nem de "índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados" a sua própria denominação e a dos índices que o compõem é suficientemente elucidativa. Em resposta às questões suscitadas a partir das considerações acima e de outras presentes da Nota editada pela Cosit, a Procuradoria da Fazenda Nacional assim se pronunciou acerca do tema. 3. Na redação original da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 2003, não havia esta disposição. Isto quer dizer que uma vez em vigor a nãocumulatividade, obrigatória para determinadas pessoas jurídicas. rapidamente foi detectado que a mudança criou um desequilíbrio nos contratos em que os preços foram acertados pela sistemática anterior. Assim sendo, no Projeto de Lei de Conversão foi apresentada emenda que criou a regra de transição que pode ser lida no texto vigente da lei. 4. Por este regime provisório, os contratos deveriam obedecer a quatro requisitos para que as suas receitas permanecem na cumulatividade: anterior a 31 de outubro de 2003, por prazo superior a um ano, construção por empreitada ou fornecimento de bens e serviços, e a preço predeterminado. Eram, portanto, exceção à regra da nãocumulatividade. Alguma ocorrência que prejudicasse o atendimento aos requisitos, obriga a tributação dos valores recebidos seguindo a não cumulatividade. 5. A idéia central deste dispositivo é a nãosurpresa do contribuinte que calculou seu preço antes da vigência da M.P. n° 135, de 2003, utilizando para tanto a alíquota menor. Ademais, somente com o passar de certo tempo é que as empresas acumulariam os créditos a serem compensados com o valor devido pelos tributos e se efetivaria a nãocumulatividade. Passada a surpresa da alteração legislativa, e iniciado o processo de aquisição de créditos, o certo seria que todos os contratos passassem para a nãocumulatividade. 6. Entretanto, algumas empresas ao fazer o cálculo dos tributos devidos perceberam que teriam que pagar um valor maior no sistema da não cumulatividade do que no sistema da cumulatividade. Dessa forma, começaram a buscar meios de prorrogar indefinidamente os seus contratos para que sobre aquelas receitas incidissem alíquotas menores. Como os três primeiros requisitos legais são bastante objetivos, passaram a tecer ilações sobre o mais impreciso dos conceitos: o de preço predeterminado. 7. Os contribuintes passaram a reajustar seus contratos, aplicando índices de inflação diretamente aos seus preços. Acreditavam que estava mantido o caráter de Fl. 559DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 12 preço predeterminado e, em conseqüência, poderiam manter aquelas receitas na sistemática da cumulatividade. Dessa forma, por hipótese, um contrato com prazo de vinte anos poderia passar todo este período na cumulatividade, alterando periodicamente o seu preço com aplicação de qualquer índice de inflação. 8. É justamente para evitar este tipo de situação que as Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal buscaram esclarecer o que seria aceito como preço predeterminado para fins de contribuição para o PIS/PASEP e COFINS. Não há um conceito legal ou técnico que defina com clareza "preço predeterminado". Existia a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 21, de 1979, referente ao imposto de renda e em período de inflação elevada. Com a nova legislação da contribuição para o PIS e da COFINS foi necessária a edição de novas instruções que constituíram mais um instrumento para que aquelas situações provisórias não se eternizassem, como desejam alguns contribuintes. Como dito no §2° do art.2º da IN n° 468, de novembro de 2003: § 2° Se estipulada em contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1º. 9. O eventual aumento de carga tributária causado pela mudança da cumulatividade para a nãocumulatividade irá refletir no preço cobrado pela contratada, repassando o ônus para o contratante. Devese atentar que um aumento geral de carga tributária reflete em aumento de preços. Consequentemente um índice que traga um incremento de inflação, também inclui a elevação de carga tributária. A conclusão para este ciclo é que as empresas pretendem repassar aos seus clientes o eventual aumento de tributos devidos, e não desejam repassar estes valores ao Fisco. 10. A Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, trouxe em seu art. 109 a seguinte norma interpretativa: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § Io do art. 27 da Lei|n° 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde de novembro de 2003. 11. Assim como na lei anterior, este dispositivo não constava da Medida original, sendo incluído por emenda parlamentar. 12. Para que se possa entender bem a regra, é preciso lembrar que a Lei 9.069, de1995, é a que instituiu o Plano Real. A referência presente no artigo acima citado é justamente para excepcionar "os contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos do insumos utilizados" da regra de aplicação geral do IPCr (caput do art. 27). 13. A inovação do art. 109 da Lei n° 11.196, de 2006, trouxe nova exceção à anterior disciplina, e com efeitos expressamente retroativos. Antes o conceito de "preço predeterminado" era amplo, agora há limitação para "os contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos" (referência ao inciso II do § 1o do art. 27 da Lei n° 9.069, de 1995). Para que estes sejam considerados de "preço predeterminado" é Fl. 560DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.928336/200959 Acórdão n.º 3302002.913 S3C3T2 Fl. 8 13 preciso que não sejam reajustados com a aplicação de índice ao seu próprio preço, mas sim, que demonstrem que aquele reajuste se deu em virtude do reajuste dos custos de produção ou da variação de custos de insumos utilizados. 14. Neste ponto, estabelece a lei uma diferenciação entre os índices de preços gerais ou setoriais daqueles que refletem os custos de produção ou os custos dos insumos. Enquanto os primeiros auferem a variação de preços ao consumidor (IPC, p. ex.) ou no atacado (IPA), quando a lei se refere aos custos de insumos, tratase dos índices que pesquisam os preços dos materiais, equipamentos e pessoal utilizado por determinadas empresas para a consecução de suas finalidades econômicas (CUB, p. ex., utilizado pela construção civil) 15. Relendo o art. 109 da Lei n° 11.196, de 2005, podese inferir que salvo nas hipóteses expressas, os reajustes de preços ocasionarão a descaracterização como preço predeterminado. Essas duas únicas possibilidades são: o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita à variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Isto quer dizer que para reajustar seus preços e permanecer atendendo ao disposto na regra de exceção da nãocumulatividade, a contratada deve demonstrar que não está aplicando um índice aos seus próprios preços, mas sim, que os preços das etapas econômicas anteriores foi modificado. Somente nestes casos, o incremento do valor do contrato não estaria refletindo o aumento da carga tributária da contratada. O que é óbvio porque no caso de revisão de valor do preço da própria contratada, obrigatoriamente levarseia em conta a modificação legislativa da Lei n° 10.833, de 2003, dando ensejo à entrada no campo da nãocumulatividade. Com base no entendimento acima, expresso na Nota Técnica Cosit nº 1/07 e Parecer PGFN/CAT nº 1610/2007, assim como na interpretação veiculada na Solução de Consulta nº 228/09, a Fiscalização Federal, conforme consta às folhas 495 e seguintes, decidiu pela não homologação das compensações pretendidas pela Recorrente. Posto isto, creio que, para o encaminhamento da decisão que será proposta no vertente Voto, seja necessário, antes de tudo, fixar certos postulados que, na leitura que faço do assunto, devam ser observados pelo Colegiado. Liminarmente, quero dizer que me parece um tanto obscura a razão de ser da suposta delimitação especificada no artigo 109 da Lei 11.196/05 na fixação do índice de reajuste que, implementado, preservaria o caráter de preço predeterminado do valor contratual previamente pactuado. Assim entendo porque, concessa venia, não comungo de certas premissas admitidas nos expedientes cujo teor acima transcrevi. De fato, ao contrário da linha de raciocínio expressa pela Douta Procuradoria da Fazenda Nacional e pela Secretaria da Receita Federal, não vejo como tal delimitação corrobore ou mesmo se alinhe ao entendimento (i) de que a alínea "b" do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, teve por objetivo, não impor aos contribuintes o encargo de terem que iniciar negociações apressadas; (ii) de que a previsão insculpida no artigo 109 da Lei 11.196/05 seja uma forma de exclusão do reajuste baseado na correção monetária; (iii) de que o IGPM não poderia ser aplicado porque a referência ao inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069 é justamente para excepcionar determinados contratos da regra de aplicação geral do IPCR; e, menos ainda, (iv) de que a regra se constitui em exceção ao § 2º do art. 2º da IN SRF nº 468, de 2004. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 14 Ainda mais, também não posso aquiescer com a tese de que antes o conceito de "preço predeterminado" era amplo, havendo, agora, uma limitação para "os contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos" (referência ao inciso II do § 1o do art. 27 da Lei n° 9.069, de 1995). E tampouco me parece que, no caso concreto, se esteja diante de contribuinte que tenha saído em busca de meios de prorrogar indefinidamente os seus contratos para que sobre aquelas receitas incidissem alíquotas menores ou que tenha, deliberadamente, reajustado seus contratos, aplicando índices de inflação diretamente aos seus preços. Com efeito, a meu sentir, o disposto na alínea "b" do inciso XI do artigo 10 da Lei 10.833/03 encontra supedâneo, sobretudo, nas disposições constitucionais que preservam o ato jurídico perfeito, constituído antes da entrada em vigor da legislação que alterou o ordenamento jurídico eficaz à época da contratação do negócio2. Se as partes haviam pactuado um negócio em determinadas bases, como obrigálas a revêlo, modificando os encargos tributários e, corolário, o preço pactuado? Conforme se depreende dos autos, os contratos objeto da lide foram assinados no ano de 1997 e com vigência de quinze anos. Ainda no ano de 2000, antes, portanto, da instituição do Sistema Não Cumulativo de apuração das Contribuições, foi previsto o reajuste dos valores com base no IGPm. Essas circunstâncias remetem à insofismável conclusão de que, à data da entrada em vigor da sistemática não cumulativa, os contratos constituíamse em ato jurídico perfeito e já previam a preservação da expressão monetária do valor contratado por meio da indexação com base no IGPm. Nessas condições, não vejo como se possa cogitar que o objetivo da disposição legal em epígrafe tenha sido o de não impor aos contribuintes o encargo de terem que iniciar negociações apressadas, que haveriam de ser iniciados dentro de determinado prazo. Salvo melhor juízo, não se identifica nem base jurídica para que esse entendimento prospere nem fundamento legal que lhe explicite. Como disse, o que percebo é a preocupação do legislador em proteger o negócio regularmente constituído antes da entrada em vigor das Leis que modificaram o sistema de apuração das Contribuições Sociais e os efeitos econômicos que lhe eram próprios. E, também com base na configuração acima retratada, é possível dizer que não há razão para que se cogite de qualquer espécie de abuso de forma. A cláusula contratual de reajuste ou correção do preço já havia sido pactuada quando da entrada em vigor da legislação novel. Tratase, portanto, de uma condição própria do negócio, sem nenhum vínculo com as modificações introduzidas, que, definitivamente, não lhe deram causa. Feitas essas considerações preambulares, impõese averiguar o que venha a ser preço predeterminado para efeito de aplicação da legislação sob exame e quais sejam as condições para sua preservação como tal. Quanto a isso, uma vez que não pareça haver dúvidas sobre a qualidade de preço predeterminado dos valores contratados originalmente, creio que seja incontroverso assim considerálos até o momento em que tenham sido submetidos à correção monetária pelo IGPm. Em outras palavras, o valores recebidos pelo contribuinte, até a data prevista para o reajuste do preço, tratavamse de receitas relativas a contratos de fornecimento a preço predeterminado. O que é preciso decidir, portanto, é se essa condição foi perdida pela 2 Art. 4º A República Federativa do Brasil regese nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: (...) XXXVI a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; Fl. 562DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.928336/200959 Acórdão n.º 3302002.913 S3C3T2 Fl. 9 15 implementação do reajuste com base nesse índice de correção. Para tanto, necessário fazer uma digressão em torno dos índices de correção ou reajuste de valores (indexadores) existentes desde o advento da Lei 9.069/95. De início, releva dizer que, conforme depreendese da leitura dos pareceres supratranscritos, fixouse o entendimento de que o critério de reajuste admitido para os contratos a preço predeterminado constituise em uma exceção à regra geral e, por isso, merece interpretação restritiva. Contudo, como adiante se verá, da análise acurada da estrutura normativa própria vigente nos dias de hoje e à época da implementação do Plano Real, me inclino a dizer que este é o primeiro ponto a ser rechaçado. De plano, é de se destacar que, mesmo que o critério definido na Lei 11.196/05 se constituísse de uma exceção à regra geral, ainda assim não tratarseia de uma exceção de natureza tributária, e, por conta disso, não se lhe aplicariam as particularidades de interpretação inerentes a esse ramo do direito. Depois, retornado à essência da questão, me arrisco a dizer que o critério de correção previsto no inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/95 está muito mais para uma autorização de caráter ampliativo, do que para uma regra de exceção, daquelas que, como costumeiramente ocorre no direito tributário, só são válidas sob condição de adimplemento de certos requisitos e condições. Explico. Quando da edição da Lei 9.069/95, havia uma grande preocupação com a desindexação da economia, como medida necessária à erradicação da inflação. Por essa razão, ficou estabelecido que a correção da expressão nominal dos contratos ou dos preços em geral somente poderia ser realizada com base no IPCr, em mais nenhum índice. Contudo, por ser o IPCr um índice insuficiente para correção do valor contratual em certos segmentos de mercado, o legislador previu, para determinadas operações, indexação mais efetiva. Observese o texto legal. Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; III às hipóteses tratadas em lei especial. § 2º Considerarseá de nenhum efeito a estipulação, a partir de 1º de julho de 1994, de correção monetária em desacordo com o estabelecido neste artigo. (...) Fl. 563DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 16 Como fica claro, o imperativo legal foi unificar a indexação do mercado, desautorizando índices gerais de reajuste superiores ao IPCr e admitindo apenas algumas poucas exceções setoriais. A intelecção lógica desse contexto normativo leva a conclusão de que os índices excepcionados haveriam de ser mais elevados do que o índice geral de opção forçada, pois, caso contrário, não seria necessário autorizálos. Ou seja, a regra de exceção de que aqui tratamos era mais favorável aos contratantes, permitindo reajustes maiores do que o indexador por índice geral de preços. Mas há outros eventos que evidenciam ainda melhor a lógica que me esforço em demonstrar. Em 2001, a Lei 10.192, sem revogar o disposto na Lei 9.069/95, redefiniu o sistema macro de reajuste dos valores contratados, nos seguintes termos. Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. § 1o É nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária de periodicidade inferior a um ano. § 2o Em caso de revisão contratual, o termo inicial do período de correção monetária ou reajuste, ou de nova revisão, será a data em que a anterior revisão tiver ocorrido. § 3o Ressalvado o disposto no § 7o do art. 28 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, e no parágrafo seguinte, são nulos de pleno direito quaisquer expedientes que, na apuração do índice de reajuste, produzam efeitos financeiros equivalentes aos de reajuste de periodicidade inferior à anual. § 4o Nos contratos de prazo de duração igual ou superior a três anos, cujo objeto seja a produção de bens para entrega futura ou a aquisição de bens ou direitos a eles relativos, as partes poderão pactuar a atualização das obrigações, a cada período de um ano, contado a partir da contratação, e no seu vencimento final, considerada a periodicidade de pagamento das prestações, e abatidos os pagamentos, atualizados da mesma forma, efetuados no período. § 5o O disposto no parágrafo anterior aplicase aos contratos celebrados a partir de 28 de outubro de 1995 até 11 de outubro de 1997.(Vide Medida Provisória nº 2.223, de 4.9.2001) § 6o O prazo a que alude o parágrafo anterior poderá ser prorrogado mediante ato do Poder Executivo.(Vide Medida Provisória nº 2.223, de 4.9.2001) Isso quer dizer que a partir da Lei 10.192/01 a correção monetária ou reajuste de preços passou a ser admitida com base em quaisquer índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados, desde que com periodicidade igual ou superior a um ano. Pois bem, neste ponto me permito retornar às considerações iniciais que fiz, para reafirmar que encontro certa dificuldade em compreender a razão porque o legislador somente teria admitido o reajuste com base nos critérios definidos no § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/95, em um cenário no qual esse critério específico já não era mais uma exceção, na medida em que estava contemplado pela regra geral de correção ou reajuste periódico admitidos pelo arcabouço normativo vigente. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.928336/200959 Acórdão n.º 3302002.913 S3C3T2 Fl. 10 17 O IGPm, por sua vez, por ser um índice de composição mista3, pode ser definido tanto como um índice de preços, quanto como um índice de custos; mas, a despeito de qual enquadramento receba, não restam dúvidas de que se encontra hoje nessa mesma regra geral introduzida pelo art. 2º da Lei 10.192/01, tão aceito como indexador de contratos quanto o são os índices de variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados. A respeito da questão atinente aos índices gerais ou setoriais de reajuste do valor contratual, creio que seja pertinente trazer a lume as considerações da Câmara Permanente de Licitações e Contratos, criada no âmbito da Procuradoria Geral Federal AGU, por meio da Portaria 359/12, com objetivo de uniformizar questões jurídicas afetas a licitações e contratos Parecer n° 04/2013/CPLC/DEPCONSU/PGF/AGU. 23. Questão importante, nesse sentido, saber qual índice escolher. A priori, deve ser aquele que melhor reflita os preços do objeto contratual. Não há dúvida, portanto, de que índices setoriais ou específicos são preferíveis aos índices gerais, pois enquanto estes procuram mensurar variação de preços da economia em geral, aqueles aferem variação de preços em um determinado setor econômico ou refletem, de maneira detalhada, composição dos custos envolvidos na contratação. 24. Há, ainda, uma razão jurídica para preferência por índices setoriais ou específicos. art. 40, XI, da Lei n° 8.666/93 exige priorização de índices capazes de retratar variação efetiva do custo do objeto contratual: Art. 40, XI critério de reajuste, que deverá retratar variação efetiva do custo de produção, admitida adoção de índices específicos ou setoriais, desde data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento que essa proposta se referir, até data do adimplemento de cada parcela. 25. Para tanto, nada melhor que admitir adoção de índices setoriais ou específicos, pois são concebidos para, necessariamente, refletirem os custos de determinado setor da economia ou de determinado objeto, não os preços praticados no mercado em geral. 26. Para vários objetos contratuais, contudo, não existem índices específicos ou setoriais. Nesses casos, adoção de índice geral é, obviamente, mandatória, por absoluta impossibilidade de adoção de índice específico ou setorial por força da Orientação Normativa AGU n° 23/2009. Nesses casos, devese procurar verificar qual seria índice geral de preços que melhor estaria correlacionado com os custos do objeto contratual ou, ainda, em caráter subsidiário, verificar se existe, no mercado, algum índice geral de adoção consagrada para o objeto contratado. 27. Apenas se tecnicamente inviável identificação do índice geral mais adequado ou consagrado pelo mercado, deverá ser adotado IPCA/IBGE, pois, com supedâneo no art. 3o do Decreto n° 3.088, de 21 de junho de 1999,5 índice geral de preços oficialmente escolhido pelo Conselho Monetário Nacional para monitorar inflação do país desde Resolução CMN n° 2.615, de 30 de junho de 1999. A ementa do Parecer nº 04/13 traz, dentre outros enunciados, o seguinte: III. Contratação da prestação de serviços continuados sem dedicação exclusiva de mão de obra. Obrigatoriedade da cláusula de reajuste por índices 3 O IGPM é calculado com base em dados coletados entre o dia 21 do mês anterior e o dia 20 do mês. É formado pelo IPAM (Índice de Preços por Atacado Mercado), IPCM (Índice de Preços ao Consumidor Mercado) e INCCM (Índice Nacional do Custo da Construção Mercado), com pesos de 60%, 30% e 10%, respectivamente. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 18 setoriais ou específicos. Caso inexistam, a Administração Pública deverá adotar o índice geral de preços que melhor esteja correlacionado com os custos do objeto contratual ou, ainda, em caráter subsidiário, verificar se existe, no mercado, algum índice geral de adoção consagrada para o objeto contratado. Não havendo índices com uma dessas características, deve ser adotado o reajustamento pelo IPCA/IBGE. Obrigatoriedade de justificativa técnica da escolha do índice. Até quanto se sabe, não existe no mercado um índice específico para o cálculo do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, assim, conforme orientação acima, devese procurar verificar qual seria índice geral de preços que melhor estaria correlacionado com os custos do objeto contratual ou, ainda, em caráter subsidiário, verificar se existe, no mercado, algum índice geral de adoção consagrada para o objeto contratado. Baseado nisso é que, segundo me parece, a manifestação da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL informando que o IGPm equivale ao custo de produção ou dos insumos utilizados no setor energético, se não eleva o Índice à condição de um índice "consagrado" no mercado, pelo menos acena com eloquência nesse sentido, uma vez que os agentes econômicos envolvidos haverão de seguir essa orientação e utilizálo na indexação dos contratos do setor. Neste contexto, também afigurase mais do que razoável o que se decidiu nos autos do Acórdão 3102001.881, no sentido de que o disposto no artigo 109 da Lei 11.196/05 apenas trata de uma possibilidade dentre outras tantas ali não especificadas. O fato de o legislador determinar que o reajuste feito nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069/95 não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado, não significa, necessariamente, que o reajuste feito com base em outros critérios que coexistem com o critério admitido e que, em determinadas circunstâncias, praticamente se impõe, também não tenha esse mesmo efeito. Com base em tudo o que até aqui foi dito, tendo em vista (i) a inexistência do índice específico previsto em lei para preservação do valor de contratos objeto dos autos; (ii) que, nestes casos, a orientação da própria Administração sugere a adoção de um índice razoável; (iii) que o IGPm foi reconhecido pela Aneel como apto a exercer essa função; (iv) que, sabidamente, o valor do contrato requer proteção dos efeitos corrosivos da elevação geral dos preços; (v) que o IGPM, se não é, de fato, o índice indicado pelo critério excepcional (II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069/95), muito menos é o indicado no critério geral (caput do art. 27)4, até mesmo porque essa segregação deixou de existir a partir da Lei 10.192/01; e, (vi), principalmente, que os contratos de que aqui se trata já estavam indexados pelo IGPm antes da entrada em vigor da Lei 11.196/05, entendo que deva ser reconhecida a manutenção da 4 O IPCr deixou de ser calculado em 1995, conforme art. 8º da Lei 10.192/01, e não foi substituído pelo IGP m. Como se sabe, a regra geral instituída pela Lei 9.069/95, de que apenas um índice de correção monetária/reajuste de preços poderia ser utilizado, salvo determinadas exceções, foi, também nessa ocasião, revogada. Todos os critérios de correção passaram a ter o mesmo status. Por conta dessas circunstâncias, a tentativa de enquadrar o IGPm na regra geral ou na exceção prevista pela Lei 9.065/95 é, a meu ver, incorreta. Ele situase, isto sim, dentre as possibilidades admitidas a partir da Lei 10.192/01. "Art. 8º A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1º Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1º de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo." Fl. 566DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.928336/200959 Acórdão n.º 3302002.913 S3C3T2 Fl. 11 19 condição de preço predeterminado do valor contratado, mesmo depois de implementado o reajuste/correção com base no IGPm. Resolvido isso, necessário que se diga que o assunto, contudo, não se esgota nem se decide com base exclusivamente nessa abordagem. Como bem demonstrado na Nota Técnica Cosit nº 1/07 e no Parecer PGFN/CAT nº 1610/2007, o critério prefixado de reajuste do valor de contrato levava em consideração não somente um indexador para preservação do preço negociado ante a perda do valor da moeda, mas, também, eventual alteração da carga tributária incidente na operação específica. Por ser demonstração de mais fácil compreensão, transcrevo excerto presente no Parecer PGFN/CAT nº 1610/2007 a respeito do assunto. 7. Segundo a própria manifestação da ANEEL, a fórmula de reajuste dos contratos prevê que alteração tributária faz parte do cálculo do fator de reajuste. Destacamos a fórmula presente no contrato. FR = (VPA1 + (VPBO x IP))/RA Onde: FR é o fator de reajuste VPA é o "valor correspondente aos tributos relativos ao período de referência, nas condições vigentes na data de referência anterior" VPB é o "valor correspondente aos tributos relativos ao período de referência, nas condições vigentes na data do reajuste em processamento IP é o fator que exprime a variação do IGPM entre o mês anterior ao do reajuste em processamento e do mês anterior à data de referência anterior. RA é o somatório dos faturamentos de energia e de demanda no período de referência calculados com os preços de energia e de demanda na data de referência anterior, excluído o ICMS. É fato incontroverso, portanto, que os contratos em questão continham na fórmula de cálculo do preço predeterminado fator de reajuste com base em eventual alteração da carga tributária incidente. Poderseia, então, entender que, se o preço predeterminado com base em fatores também predeterminados já considerava, dentre esses fatores, eventual modificação da carga tributária, esses contratos já estavam preparados para, a partir da implementação do primeiro reajuste, passarem para o sistema não cumulativo de apuração das contribuições. Contudo, embora essa leitura possa parecer razoável, percebese logo que ela conduz a uma confusão entre causa e efeito. A carga tributária somente se altera se houver alteração no preço, descaracterizando sua condição de preço predeterminado, mas o preço somente se altera se houver alteração da carga tributária5. Mas creio que essa questão se resolva em definitivo à luz das disposições da Instrução Normativa SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 468, de 8 de novembro de 2004, autoproclamando efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004. 5 Abstraindose, por ora, a questão da inflação. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 20 Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Percebese que em nenhum momento a regulamentação editada pela Secretaria da Receita Federal vinculou a condição de preço predeterminado à revisão dos valores feita com base na elevação da carga tributária, apenas à alteração de preço decorrente da aplicação de regra de reajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro. E, de fato, é óbvio que, quando se fala em implementação de reajuste como sendo um fator de elevação da carga tributária do contrato pela descaracterização da condição do preço predeterminado, esse reajuste não pode estar relacionado à própria carga tributária, necessariamente ele deve estar associado a outros elementos que tenham esse efeito. Se a intenção do Órgão Fiscalizador fosse a de contemplar essa situação, melhor seria que dissesse que a condição de preço predeterminado prevista na Lei 10.833/03 somente subsistiria, nos casos em que a fórmula de correção do valor do contrato tenha previsto alteração do preço em função da modificação da carga tributária, até a data marcada para a primeira "revisão". Não o disse. VOTO por dar provimento ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 09 de dezembro de 2015. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 568DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10783.720356/2012-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. GLOSAS EFETUADAS NO PROCESSO DE LANÇAMENTO. DECISÕES INTERDEPENDENTES.
Mantidas as glosas no julgamento do processo de lançamento fiscal, referentes ao mesmo período de apuração, por consequência, devem ser indeferidos os pedidos de ressarcimentos e compensações advindos dos créditos glosados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que dava provimento.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, José Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. GLOSAS EFETUADAS NO PROCESSO DE LANÇAMENTO. DECISÕES INTERDEPENDENTES. Mantidas as glosas no julgamento do processo de lançamento fiscal, referentes ao mesmo período de apuração, por consequência, devem ser indeferidos os pedidos de ressarcimentos e compensações advindos dos créditos glosados. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que dava provimento. Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, José Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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NÃOCUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. GLOSAS EFETUADAS NO PROCESSO DE LANÇAMENTO. DECISÕES INTERDEPENDENTES. Mantidas as glosas no julgamento do processo de lançamento fiscal, referentes ao mesmo período de apuração, por consequência, devem ser indeferidos os pedidos de ressarcimentos e compensações advindos dos créditos glosados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que dava provimento. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, José Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 03 56 /2 01 2- 07 Fl. 16570DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.537 2 Relatório Por economia processual, adoto o relatório elaborado na decisão recorrida, abaixo transcrito: Tratase de pedido de reconhecimento de direito creditório (ressarcimento) de PIS do 3° trimestre de 2009, no valor de R$239.212,32 (duzentos e trinta e nove mil, duzentos e doze reais e trinta e dois centavos), oriundo do sistema de não cumulatividade, para fins de compensação com outros tributos (fls. 02/19). A autoridade fiscal decidiu pela improcedência do pedido, conforme Despacho Decisório de fl. 25, com fundamento na Informação Fiscal SEFIS/DRF/VIT/ES n° 03/2012, às fls. 20/24, onde alega que: 1. NICCHIO SOBRINHO CAFÉ foi objeto de procedimento de auditoria amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 07.2.01.00002011014792 que teve como escopo a verificação de pretensos créditos, oriundos principalmente da aquisição de café para revenda, deduzidos contabilmente dos valores devidos das contribuições não cumulativas para o PIS/COFINS, bem como utilizados na compensação de tributos e contribuições mediante pedido de ressarcimento/compensação por meio de PER/DCOMP; 2. a auditoria fiscal comprovou à saciedade que a Empresa autuada apropriouse de créditos integrais fictos decorrentes da compra de café, razão pela qual foram objeto de glosas; 3. a Empresa autuada lançou mão de um ardil disseminado por todo o estado do Espírito Santo e de Minas Gerais, e que consiste na interposição fraudulenta de pseudoatacadista para dissimular vendas de café de pessoa física para empresas exportadoras e torrefadoras, gerando créditos ilícitos; 4. as investigações originadas na operação fiscal "TEMPO DE COLHEITA", deflagrada pela DRF/Vitória, em outubro de 2007, resultaram na comunicação de tais fatos ao Ministério Público Federal; 5. em 01/06/2010, deflagrouse a operação BROCA parceria do Ministério Público, Polícia Federal, e Receita Federal, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão em 74 locais, dentre os quais os estabelecimentos da NICCHIO SOBRINHO CAFÉ; 6. a criação e utilização dessas meras figuras formais, travestidas de atacadistas de café em grão, provocaram e provocam notável distorção no mercado de café, beneficiando torrefadoras e grandes exportadoras; 7. na NICCHIO SOBRINHO CAFÉ, o valor das notas fiscais em nome dessas empresas de fachada "laranjas" ultrapassou o valor de R$256 MILHÕES; Fl. 16571DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.538 3 8. provas e documentos produzidos durante os trabalhos fiscais constam do processo fiscal n° 10783.720371/201247, desse modo, a Informação Fiscal e Despacho Decisório, bem como o aludido processo serão cientificados simultaneamente à Empresa, por se tratarem do mesmo objeto, qual seja: análise, glosa e recomposição dos créditos a descontar. Devidamente cientificada, em 12/03/2012 (fl. 38), a interessada apresentou, às fls. 45 e seguintes, em 11/04/2012, a correspondente Manifestação de Inconformidade, onde alegou, na mesma linha da impugnação nos autos do PAF n° 10783.720371/201247, em resumo, que: 1. se impõe a nulidade da decisão, pois houve cerceamento do direito de defesa e do contraditório, vez que a autuada não pode participar da produção da prova, o que gera a invalidade do MPF; 2. a Autoridade Administrativa em momento algum oportunizou à empresa o direito de participar da colheita dos depoimentos prestados pelos produtores rurais, corretores e maquinistas; 3. o mesmo raciocínio se aplica aos documentos que a Receita diz ter recebido do Ministério Público; 4. o direito de crédito decorrente da nãocumulatividade está de acordo com a legislação, pois adquiriu bens de pessoa jurídica domiciliada no País para posterior revenda; 5. as aquisições de bens se deram por intermédio de pessoas jurídicas ativas no CNPJ e no Sintegra, com documentos que não foram declarados inidôneos e pagamentos efetuados por meio de transferência bancária; 6. não há atribuição legal, nem possibilidade de a empresa exportadora verificar a atuação da empresa intermediária, pois tal procedimento cabe à Receita Federal; 7. as empresas citadas como supostamente laranjas procediam por intermédio de corretores de café, vendendo para todo mercado brasileiro, sendo a Impugnante uma das adquirentes; 8. ao adquirir 'café cru em grão' o revende no mercado externo, em alguns casos, antes da revenda, o rebeneficia, sem o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos ou separar por densidade dos grãos; 9. o adquirente das sociedades cooperativas de produção agropecuária tem direito ao aproveitamento integral dos créditos da contribuição em referência, porque estas não têm direito à manutenção dos créditos ordinários originados da aquisição de bens e serviços; 10. a cadeia produtiva do café a ser exportado pressupõe três etapas; 11. na primeira etapa, a venda de café de pessoa física, produtor rural, não há Cofins incidente sobre a venda para cooperativa, mas a venda de pessoa jurídica (cerealista, agropecuária e sociedade cooperativa) para cooperativa de produtos do código NCM 9.01, fazse mediante suspensão da exigibilidade; Fl. 16572DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.539 4 12. o adquirente necessita ter os requisitos apontados na legislação para que a suspensão citada seja aplicável: lucro real, exerça as atividades citadas no §6° do art. 8°, caput, da Lei n° 10.925/2004, e utilização do produto in natura ou insumo na fabricação de produtos classificados no capítulo 9 da NCM; 13. em virtude da suspensão na etapa anterior sociedades cooperativas de produção agropecuária têm direito ao aproveitamento presumido dos créditos da contribuição, visto que produzem "café cru em grão"; 14. a sociedade cooperativa de produção agropecuária, inclusive agroindustrial, antes adquirente na 1a etapa, agora, fornecedora, vende "café cru em grão" beneficiado para empresa exportadora, no caso, a empresa ora impugnante; 15. nesse caso, a recorrente/adquirente tem direito ao aproveitamento do crédito integral, se a venda decorre de ato nãocooperativo; 16. se a venda decorre de ato cooperativo, a recorrente/adquirente também tem direito ao aproveitamento do crédito integral, mas a legislação prevê ajuste na base de cálculo; 17. a autoridade fiscal desconsiderou uma das etapas do processo produtivo do café, mais especificamente, a 2a etapa; 18. somente na saída do café in natura, destinado à utilização como insumo de produção do café cru em grão, é obrigatória a suspensão da exigibilidade da Cofins, assim, o aproveitamento do crédito presumido ocorre apenas na segunda etapa, não sendo o caso da impugnante que atua na terceira etapa; 19. se os fornecedores da impugnante deixaram de recolher tributos ou apresentaram declarações falsas não cabe a esta qualquer responsabilidade; 20. responsabilidade solidária aplicase somente ao sujeito passivo e decorre sempre de lei, não podendo ser presumida; 21. a impugnante, se solicitada, entregaria os documentos de registros de CNPJ e Sintegra a respeito dos seus fornecedores, e, ainda, notas fiscais e comprovantes de pagamento; 22. a responsabilidade solidária não pode ser presumida, deve ser provada, como não foi provada, a compensação/ressarcimento deve ser deferida; 23. não há prova de dolo, e, além disso, a multa de 150% viola os princípios da proporcionalidade e do nãoconfisco. A inconformada cita legislação, doutrina e jurisprudência e, com base na argumentação expendida, requer: 1. produção de novas provas mediante diligências para conferência das notas fiscais, pagamentos efetuados e cadastros das pessoas jurídicas fornecedoras; Fl. 16573DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.540 5 2. deferimento da juntada de documentos que acompanham a Manifestação de Inconformidade; 3. reforma da decisão exarada e reconhecimento integral do crédito de ressarcimento pleiteado, visando homologação da compensação declarada; 4. reconhecimento integral do direito creditório de PIS/Cofins decorrente das aquisições de cooperativa. Ao julgar referida manifestação de inconformidade, a 17ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro1 proferiu o Acórdão nº 1253737, de 14/03/2013, com a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos, a fim de fazer recair a responsabilidade tributária, acompanhada da devida multa de ofício, sobre o sujeito passivo autuado. Uso de Interposta Pessoa. Inexistência de Finalidade Comercial. Dano ao Erário. Caracterizado. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. Cooperativa. Regime de Suspensão da exigibilidade. Obrigatoriedade. A obrigatoriedade do regime de suspensão de exigibilidade do crédito tributário, no âmbito da nãocumulatividade de PIS e Cofins, nas vendas da cooperativa agropecuária para a agroindústria, não se desqualifica pelo descumprimento de obrigações acessórias impostas às partes envolvidas no negócio, havendo, por outro lado, o benefício fiscal do crédito presumido para o adquirente. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 Nulidade Não padece de nulidade a decisão, lavrada por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o Fl. 16574DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.541 6 contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Juntada de Novas Provas A prova documental deve ser apresentada na impugnação; precluído o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto quando justificado por motivo legalmente previsto. Diligência. Perícia. Desnecessária. Indeferimento Indeferese o pedido de diligência (ou perícia) quando a sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não concordando com referida decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 16.300 em diante, por meio do qual apresenta basicamente os mesmos argumentos colocados em sua manifestação de inconformidade e que podem ser assim resumidos. nulidade do auto de infração e processo administrativo fiscal em face do cerceamento ao amplo direito de defesa. Argumenta que não foram observados o art. 5º, inc. LIV e LV da CF e os art. 2º, inc. X, 3º, inc. III, e 38 da Lei nº 9.784/99. Isto porque os depoimentos pessoais de testemunhas colhidos e utilizados foram realizados à sua revelia. Afirma que a fiscalização parte "de constatações fáticas particulares, pontuais e unilaterais para, com isso, construir uma 'conclusão generalizada' sobre o mercado e a empresa fiscalizada. Cita doutrina e jurisprudência do CARF para fundamentar as suas razões; nulidade da decisão recorrida por ter se valido de provas ilícitas. De acordo com o recorrente a decisão se valeu, em alguns de seus trechos, de provas colhidas no inquérito policial que embasou a ação penal da Operação Broca, autos nº 2008.50.05.005.383, ação que fora trancada por força do HC nº 2012.02.01.0143115, impetrado diretamente no TRF da 2ª Região. Transcreve ementa do citado HC a qual afirma a inexistência de crime de estelionato e de quadrilha; que deve ser mantido o seu direito ao aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins, uma vez que foram cumpridos, por parte do recorrente, todos os requisitos necessários à utilização dos referidos créditos, quais sejam, "a) aquisição de mercadorias de fornecedoras enquadradas na situação jurídica 'ativa' na RFB; b) emissão de nota fiscal de venda e registro das mesmas na contabilidade da empresa interessada; c) pagamento integral no preço via TED na conta corrente que as fornecedoras mantinham nos bancos mais tradicionais do País e d) real ingresso da mercadoria no estoque da adquirente". Relaciona, por amostragem, o nome de uma série de fornecedoras que estariam regulares na época da aquisição das mercadorias. Cita jurisprudência do STJ no sentido de que a obrigatoriedade de verificar a idoneidade de documentos e de regularidade da empresa é do fisco e não do contribuinte; Fl. 16575DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.542 7 afirma que "não há nos autos qualquer documento ou outro meio de prova que vincule a empresa recorrente às fornecedoras de café, senão na condição de compradora das mercadorias que lhes foram vendidas". Que na condição de compradora, a regra era a utilização do "corretor de café" para intermediar as operações de compra e venda, não sendo comum um relacionamento comercial entre o produtor e o adquirente do café. Desta forma, não havia preocupação da empresa em buscar maiores informações a respeito da fornecedora, sendo que todas as operações de compra estão devidamente registradas na contabilidade e escrita fiscal, fazendo prova em seu favor; sustenta que a Receita Federal, está tentando de maneira oblíqua fazer com que o recorrente repare o erário por obrigações tributárias que seriam de responsabilidade de suas fornecedoras de café. Defende que a legislação do PIS/Cofins não atribui como requisito para manutenção dos créditos tributários "ter ou não ter a vendedora armazém, imóvel próprio ou alugado, quantidade mínima ou máxima de funcionários, etc.". Cita doutrina para concluir que cabe ao fisco o ônus de provar o fato constitutivo do lançamento e também a improcedência do fato impeditivo de seu direito ao crédito, com base no art. 9º do Decreto nº 70.235/72; que enquanto a Receita Federal não declarar a inidoneidade, ou inaptidão, das pessoas jurídicas, atribuição que lhe é exclusiva, não há que falar em invalidade das aquisições dos créditos tributários efetuados, uma vez que foram adquiridos de empresas com seu funcionamento regular perante o cadastro do CNPJ; não há prova de fraude ou dolo, e, além disso, a multa de 150% viola os princípios da proporcionalidade e do nãoconfisco; cita a legislação de regência no sentido de garantir o direito ao aproveitamento integral do crédito nas aquisições de café das cooperativas. Cita, o que segundo ele seriam as três etapas de beneficiamento do café, para concluir que na aquisição das cooperativas ele não atua na 2ª etapa, que seria o beneficiamento propriamente dito, e nesta condição a aquisição do café das cooperativas seria integralmente tributada gerando por consequência direito ao integral aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins; insiste na realização de diligência para "i) conferir todas as compras da RECORRENTE, sobretudo as notas fiscais dos fornecedores, ii) os comprovantes de pagamento das operações via depósito bancário na conta corrente das empresas, bem como iii) os cadastros das pessoas jurídicas atacadistas de café nas Receitas Federal e Estadual, no período em que ocorreram aquisições de bens". Segundo a defesa a diligência também seria importante para "conferência da legalidade das aquisições provenientes do estado de Minas Gerais, principalmente do Município de Manhuaçu". É o relatório. Fl. 16576DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.543 8 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Conforme o que tudo dos autos consta, a glosa de créditos de PIS realizadas no presente processo é decorrência da fiscalização realizada no contribuinte a qual gerou o processo administrativo fiscal nº 10783.720371/201247, no qual houve toda a glosa dos créditos e recomposição de toda a apuração do PIS e da Cofins no regime da não cumulatividade, gerando os correspondentes autos de infração. De forma que o destino do julgamento do presente processo é totalmente dependente do que for decidido no processo nº 10783.720371/201247. Mantido os lançamentos naquele processo, forçoso é manter o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação das compensações constantes do presente processo. Da mesma forma a anulação de glosas constantes naquele processo gerariam efeitos correspondentes no presente processo, de acordo com o período de apuração a que se refere. Esclareço ainda que os argumentos de defesa utilizados pelo contribuinte no processo nº 10783.720371/201247, são idênticos aos utilizados no presente processo. De forma que já analisei aquele processo, proferindo voto pela manutenção do lançamento, o qual peço vênia para transcrevêlo abaixo, utilizandoo como razão para negar provimento ao presente recurso voluntário. (...) Nulidade do Lançamento O recorrente solicita a nulidade dos autos de infração e do processo administrativo fiscal em face do cerceamento ao amplo direito de defesa. Argumenta que não foram observados o art. 5º, inc. LIV e LV da CF e os art. 2º, inc. X, 3º, inc. III, e 38 da Lei nº 9.784/99. Isto porque os depoimentos pessoais de testemunhas colhidos e utilizados foram realizados à sua revelia. Esclareço que não vislumbrei nos autos de infração constantes do presente processo, qualquer mácula que pudessem tornálos nulos. Prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 8.748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Fl. 16577DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.544 9 Todos os atos praticados no presente processo foram executados por pessoa competente e sem preterição do direito de defesa. Cumpre verificar que foram observados os requisitos fundamentais à validade do ato administrativo. Art. 10, inc. III e IV do Decreto 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...). III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. Por sua vez, assim dispõe o art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Verificase que constam adequadamente descritos os fatos apurados pela autoridade, a fundamentação legal, a matéria tributável, os valores apurados e os fatos motivadores da autuação, permitindo ao contribuinte conhecer todos os elementos componentes da ação fiscal e, assim, propiciandolhe todos os meios para livre e plenamente manifestar suas razões de defesa. Não há nem incerteza e nem falta de liquidez na autuação, pois o valor exigido está apontado e a matéria tributável devidamente caracterizada e fundamentada. A análise de mérito destas questões podem levar à improcedência do lançamento e não a sua nulidade. O contribuinte insiste que houve cerceamento ao seu amplo direito de defesa e que não teriam sido observados o art. 5º, inc. LIV e LV da CF e os art. 2º, inc. X, 3º, inc. III, e 38 da Lei nº 9.784/99. Vejamos o que dispõe estes dispositivos constitucionais e legais. Constituição Federal Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) Fl. 16578DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.545 10 LIV ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (...) Lei nº 9.784/99 Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (...) Art. 3o O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: (...) III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; (...) Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Fl. 16579DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.546 11 Vêse que a Constituição Federal garante no processo administrativo o contraditório e ampla defesa e que ninguém seja privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. Ora o contribuinte está exercendo o seu direito de ampla defesa. O Decreto nº 70.235/72, o qual regulamenta o processo administrativo tributário, garante duas instâncias administrativas para apresentação da defesa ao lançamento fiscal. Para tanto foi apresentada impugnação ao lançamento e agora, diante de improcedência da impugnação, está sendo apreciado o recurso voluntário. E nem há que se falar que o contribuinte esteja sendo privado de seus bens ou de sua liberdade, sem o devido processo legal, pois o objeto do presente processo é a exigência de crédito tributário e seus consectários legais, cuja exigibilidade está suspensa até a trânsito em julgado do presente processo. Não foi negado acesso ao contribuinte de nenhum elemento de prova constante do presente processo. Tanto é que ele faz referência aos depoimentos pessoais utilizados para compor a convicção da acusação fiscal. No caso a lei não determina que é direito do acusado de participar da tomada de depoimentos e demais diligências realizadas previamente ao lançamento fiscal. Ficaria até impraticável a realização da fiscalização nos contribuintes, caso eles tivessem que obrigatoriamente estar presentes em todos os atos fiscalizatórios. Não houve qualquer afronta aos dispositivos legais da Lei nº 9.784/99, acima citados. No presente caso, o contribuinte está exercendo o seu direito de defesa de forma plena. O fato de os autos de infração terem sido lavrados após colhidos os depoimentos de terceiros e coleta de provas e informações diversas, mas sem intimação prévia do contribuinte, não implica em qualquer ilegalidade. O contencioso administrativo só se inicia, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72 com a apresentação da impugnação ao lançamento por parte do contribuinte. Inclusive, nos termos da Súmula CARF nº 46, "o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário". Portanto afasto a preliminar de nulidade do auto de infração. Nulidade de Decisão Recorrida O contribuinte pede a nulidade da decisão recorrida por ela ter se valido de provas ilícitas. De acordo com o recorrente a decisão se valeu, em alguns de seus trechos, de provas colhidas no inquérito policial que embasou a ação penal da Operação Broca, autos nº 2008.50.05.005.383, ação que fora trancada por força do HC nº 2012.02.01.0143115, impetrado diretamente no TRF da 2ª Região. Transcreve ementa do citado HC a qual afirma a inexistência de crime de estelionato e de quadrilha. O objetivo do julgamento no processo administrativo é aferir a legalidade dos atos administrativos, para que estes coadunemse o mais próximo possível com a legislação tributária. O art. 31 do Decreto nº 70.235/72 que regula o processo administrativo fiscal, assim dispõe sobre o conteúdo da decisão de 1ª instância: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 16580DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.547 12 Por sua vez, o art. 59, inc. II do mesmo decreto aborda as situações quanto à nulidade dos atos adminsitrativos: Art. 59 São nulos: (...); II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Vêse que a decisão a quo foi proferida por autoridade competente, está devidamente fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pelo contribuinte em sua impugnação. Não houve preterimento do direito de defesa, tanto é que o contribuinte em seu recurso voluntário denota perfeita compreensão do que foi decidido. Quanto a afirmativa de que a decisão teria sido embasada em elementos de prova declarados ilícitos pelo TRF da 2ª Região no HC nº 2012.02.01.0143115, concluo que esta afirmação não está correta. Neste sentido é relevante transcrever o trecho do recurso voluntário: (...) "Não obstante tais transcrições serem um absurdo por si só, é imperioso registrar que esses elementos probatórios encaixamse no conceito de prova ilícita, pois ação penal na qual se encontra vinculada (autos nº 2008.50.05.005383) foi trancada, isto é, extinta, por força da decisão proferida no HC n. 2012.02.01.0143115, impetrado diretamente no colendo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO. (Doc 02). No referido habeas corpus, a egrégia Primeira Turma Especializada do TRF da 2ª Região afirmou categoricamente a inexistência de crime de estelionato, bem como afastou com todo acerto a existência de crime de quadrilha. Eis a ementa do acórdão, cuja relatoria foi confiada ao eminente e culto Des. ANTÔNIO IVAN ATHIE (doc. 02): EMENTA: Princípio da especialidade. Ações visando redução e/ou não recolhimento de tributos não configura estelionato, face estarem tipificadas na Lei 8137/90. Artigo 12 do Código Penal. Tampouco existe eventual crime de quadrilha antes de existir o próprio crime que, em tese, fora praticado. Adaptação do voto do relator neste sentido, adotando a tese desenvolvida pelo Des. Abel Gomes, no julgamento. Ordem concedida, estendida aos demais acusados, para trancar a ação penal. (...) Da leitura da ementa resta claro que não houve qualquer declaração de que as provas obtidas e disponibilizadas à Receita Federal sejam ilícitas. A conclusão é evidente no sentido de que, pelo princípio da especialidade das penas, o crime que Fl. 16581DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.548 13 pode ter sido praticado pelos acusados é o previsto na Lei nº 8.137/90, ou seja, crime contra a ordem tributária. Portanto a ação penal que tratava dos crimes de estelionato e formação de quadrilha foi extinta. Claro que o crime contra a ordem tributária de que trata a Lei nº 8.137/90 não era objeto daquela ação penal, pois nestes casos, a denúncia só pode ser oferecida após a constituição definitiva do crédito tributário, a qual se dá após o trânsito em julgado dos processos de lançamento fiscal. Desta forma, afasto a preliminar de nulidade da decisão recorrida, suscitada pelo contribuinte em seu recurso voluntário. Mérito Glosa dos Créditos de PIS e Cofins nas Aquisições de Pseudo Atacadistas. O contribuinte argumenta em sua defesa que deve ser mantido o seu direito ao aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins, uma vez que foram cumpridos, por parte do recorrente, todos os requisitos necessários à utilização dos referidos créditos, quais sejam, "a) aquisição de mercadorias de fornecedoras enquadradas na situação jurídica 'ativa' na RFB; b) emissão de nota fiscal de venda e registro das mesmas na contabilidade da empresa interessada; c) pagamento integral no preço via TED na conta corrente que as fornecedoras mantinham nos bancos mais tradicionais do País e d) real ingresso da mercadoria no estoque da adquirente". Relaciona, por amostragem, o nome de uma série de fornecedoras que estariam regulares na época da aquisição das mercadorias. Cita jurisprudência do STJ no sentido de que a obrigatoriedade de verificar a idoneidade de documentos e de regularidade da empresa é do fisco e não do contribuinte. Afirma que "não há nos autos qualquer documento ou outro meio de prova que vincule a empresa recorrente às fornecedoras de café, senão na condição de compradora das mercadorias que lhes foram vendidas". Que na condição de compradora, a regra era a utilização do "corretor de café" para intermediar as operações de compra e venda, não sendo comum um relacionamento comercial entre o produtor e o adquirente do café. Desta forma, não havia preocupação da empresa em buscar maiores informações a respeito da fornecedora, sendo que todas as operações de compra estão devidamente registradas na contabilidade e escrita fiscal, fazendo prova em seu favor. Toda esta argumentação já havia sido apresentada na sua impugnação e foi rebatida de forma didática pela decisão recorrida. Da análise dos elementos apresentados pelo contribuinte em sua defesa constato que o conjunto de provas trazidos pela fiscalização são contundentes no sentido de que a recorrente efetivamente participou conscientemente de um esquema fraudulento para burlar a legislação tributária, sobretudo o aproveitamento de créditos de PIS e Cofins de maneira indevida. As inúmeras notas fiscais de aquisição de café apresentadas pelo contribuinte e sua escrituração contábil e fiscal não afasta a acusação fiscal, ao contrário, o aproveitamento dos créditos depende efetivamente de todo os elementos apresentados pelo contribuinte, quais sejam: a) aquisição de mercadorias; b) emissão de nota fiscal de venda por parte do vendedor e seu registro na contabilidade do adquirente; c) pagamento do preço; e d) real ingresso da mercadoria no estoque da adquirente. Ora, a acusação fiscal não nega estes fatos, ao contrário concorda que foram realizados, mas relata com detalhes impressionantes, que tudo isto foi orquestrado para simular a verdadeira operação engendrada na compra do café, ou seja, foi colocado artificialmente entre o produtor rural e os verdadeiros adquirentes do produto, empresas atacadistas que só existiam para emissão de nota fiscal intermediária para permitir o aproveitamento indevido de créditos de PIS e Cofins. Fl. 16582DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.549 14 Longe de escorada em simples presunção, como argúi a Recorrente, a autuação encontra suporte fático, restando comprovada a simulação nas operações de compra às pessoas jurídicas atacadistas, já que de fato eram realizadas aos produtores pessoas físicas. O Termo de Encerramento da Ação Fiscal, fls. 1660/1962, é bastante detalhado e não há razão ao contribuinte em afirmar que não foi cumprido o art. 9º do Decreto nº 70.235/72. Por economia processual e considerando que o contribuinte não rebateu especificamente as conclusões decorrentes do acórdão recorrido, transcrevo abaixo parte do voto, no qual fica evidente sua participação no esquema de fraude. Portanto com base no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, utilizo partes da própria decisão recorrida como razões de decidir. (...) No quadro legal de regime nãocumulativo, que então se instituía, passou a ser tributariamente interessante adquirir bens e serviços de pessoa jurídica, e não diretamente de pessoa física/produtor rural. Assim, optar por uma pessoa jurídica, no caso atacadista de café, em detrimento de um produtor rural pessoa física, pode situarse de fato no domínio do assim chamado planejamento tributário do adquirente. Embora, claro, a introdução de um elo a mais na cadeia produtiva eleve os custos desse adquirente, pois aquele atacadista intermediário, além de seus custos operacionais normais, deverá recolher as contribuições incidentes sobre as receitas auferidas nas suas alíquotas normais (1,65% e 7,6%), podendo se creditar no percentual de apenas 35% do crédito, calculado com as mesmas alíquotas. Evidenciase, então, que a aquisição da mercadoria da Pessoa Jurídica, ao invés da aquisição direta do produtor rural, embora, resulte para o adquirente creditamento integral, o seu custo de aquisição necessariamente será maior. De qualquer forma, a escolha por uma forma, ou outra, poderá fazer parte de um planejamento tributário, sem qualquer óbice legal. Situação bem diferente é aquela em que a pessoa jurídica atacadista introduzse nesta cadeia sob os auspícios do adquirente, sob uma aparência de regularidade formal, apenas para gerar crédito para o comprador; porque, neste caso, o procedimento só gera uma vantagem global apreciável, para ambos, se este atacadista não cumprir com ônus tributário que lhe será próprio. Tal situação nada tem de planejamento tributário, tratandose de pura fraude fiscal. As provas dos autos militam a favor de que esta situação tenha de fato ocorrido. Devese notar, em primeiro lugar, que as pessoas jurídicas atacadistas, fornecedoras do contribuinte autuado, constituídas como visto quase todas já em pleno regime da nãocumulatividade, estiveram, quase sempre, em situação irregular no período em que foram fiscalizadas, seja por omissão em relação as suas obrigações acessórias, seja em relação ao pagamento de tributos... (...) No conjunto as empresas deste quadro movimentaram R$ 1,75 bilhão de Reais mas praticamente nada recolheram de PIS/Cofins, no período de 2003/2007. A este quadro de incompatibilidade entre volume financeiro movimentado e total recolhido de tributos, acrescentado de situação de omissão e inatividade declarada inapta, nula, baixada ou suspensa , junta Fl. 16583DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.550 15 se mais um fato, constatado em diligências nas empresas, nenhuma das empresas diligenciadas possui armazéns, nenhum funcionário contratado e, nenhuma estrutura logística. Ora, tudo que se espera de uma empresa atacadista de café é a existência de uma estrutura que a capacite movimentar grandes volumes de café. Ofende, portanto, a qualquer limite de razoabilidade a inexistência de depósitos, funcionários e logística, encontrando, ao invés disso, escritórios estabelecidos em pequenas salas comerciais de acomodações acanhadas. A fiscalização exemplifica a exiguidade e precariedade das instalações constatadas nas empresas diligenciadas, com a fotografia do estabelecimento da JC BINS (v. fl. 1675), cujo nome fantasia é Cafeeira Colatina, um imóvel de minguados 40 m2, com equipamentos e material de escritório: uma mesa, um armário, meia dúzia de pastas, telefone, fax e um computador. Vale sublinhar, contudo, que este mesmo atacadista de café movimentou mais de 149 milhões de Reais apenas no período de 2006 a 2007 (fls. 1674/1675). A fiscalização fornece outro exemplo de precariedade das instalações, com a fotografia do estabelecimento da Nova Brasília Comércio de Café Ltda (fl. 1678), onde o mesmo quadro de exiguidade das instalações constatadas nas empresas diligenciadas se repete, um imóvel de minguadas dimensões, com equipamentos e material de escritório: duas mesas, duas cadeiras, um armário, meia dúzia de caixas, telefone, fax e um computador. A Empresa, dotada de tal patrimônio, movimentou mais de 300 milhões de Reais, apenas no período de 2007 a 2009. Como fornecedora da Nicchio Sobrinho teria negociado mais de 8 milhões de Reais, apenas no curto período de janeiro a agosto de 2009 (fl. 1679). Tudo indica até aqui que as autodenominadas "atacadistas" são empresas de fachadas, que se prestaram a uma simulação/dissimulação de uma operação de compra e venda de café, pois financeiramente movimentavam grandes somas, mas não tinham como operar com as mercadorias. Além do fato de ter, como se viu, um existência fantasmagórica do ponto de vista da tributação, descumprindo obrigações acessórias e também a principal, consistente em pagar tributo. É cedo, porém, enunciar esta hipótese como provada, embora seja inegável sua plausibilidade. A impugnante alega que se o esquema ocorreu, não foi com sua conivência, que procurava tão somente adquirir café de pessoas jurídicas, afirmando nada ter a ver com qualquer fraude, ou prejuízo que as atacadistas, seus fornecedores, tenham perpetrado contra o Erário. Não é bem assim, como se verá na seqüência. Antônio Gava, inicialmente sócio e depois administrador da Colúmbia, no depoimento que se encontra às fls. 230/232 dos autos, corrobora a tese da auditoria de modo expresso, e, sem peias ou meias palavras, esclarece o modus operandi das empresas envolvidas: Que a Colúmbia funciona como recebedora da nota fiscal do produtor e emissora da nota fiscal de saída, que vai para o real proprietário do café, ou melhor, o verdadeiro comprador de café; Fl. 16584DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.551 16 O real comprador de café adquire o produto do produtor rural por intermédio de corretores de café; Que os compradores de café efetuam depósitos nas contas correntes da Colúmbia, e esta efetiva o pagamento aos produtores rurais.(destaquei) Registrese que Thiago de Resende Gava, filho de Antônio Gava, antes de fundar a Colúmbia, trabalhou na Nicchio Sobrinho. Logrou a Colúmbia negociar mais de 55 milhões de Reais em fornecimento de café para a Nicchio Sobrinho, apenas no período de 2006/2008. Em outro depoimento à Fiscalização, agora de Alexandre Pancieri, sócio da Do Grão, encontrase apoio para a hipótese de uma ação coordenada no sentido de fraudar a Fazenda Nacional. Todavia, o apoio desta vez vem no sentido de esclarecer outro aspecto da situação sob suspeita: a de que as empresas (ou pelo menos algumas delas) eram previamente montadas, não nasciam de um acordo livre das vontades dos sócios para atuar na mercado, mas eram engendradas por terceiros interessados: Indagado pela fiscalização, ALEXANDRE PANCIERI confirmou figurar no quadro societário da DO GRAO como interposta pessoa e revelou que, na verdade, é classificador de café na FONTE RICA, corretora de seu irmão Paulo Pancieri Júnior. Assegurou que DO GRAO foi constituída a pedido de LUIZ FERNANDO MATTEDE. (fl. 1687) Destacamos a afirmação do sócio da Empresa Do Grão, cujo quadro societário compunhase de apenas dois sócios, que a empresa fora criada "a pedido" do Sr. Luiz Fernando Mattede. A Empresa, dessa forma constituída, movimentou milhões, entre 2003/2006, mas não recolheu absolutamente nada aos cofres públicos a título de tributo, no período. Entre 2006 e 2008, a Do Grão teria negociado cerca de 9 milhões de Reais em café com a Nicchio Sobrinho. Porém, toda a estrutura empresarial da Do Grão restringese a uma pequena sala em Colatina. Vale notar que o Sr. Luiz Fernando Mattede Tomazi, citado no depoimento de Alexandre Pancieri, era um dos administradores da Do Grão, exercendo a função mediante procuração. Foi também um dos sócios fundadores da Acádia Comércio e Exportação Ltda, o outro era Flávio Tardin Faria, que, aliás, era o outro administrador da Do Grão. A Acádia Comércio e Exportação Ltda apresentou recolhimento nulo entre 2003/2009. Luiz Fernando Mattede Tomazi é ainda um dos sócios fundadores da L&L Comércio e Exportação de Café Ltda (fl. 1688), empresa que movimentou milhões entre 2003 e 2006, e apresentou recolhimento ZERO no período. Entre 2008 e 2009, a Do Grão teria negociado cerca de 12 milhões de Reais em café com a Nicchio Sobrinho. Fato notável é que as empresas Do Grão, Acádia e L&L funcionam no mesmo prédio (Av. Silvio Ávidos, Ed. Silver Center) , e ainda têm a Fl. 16585DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.552 17 companhia de mais quatro empresas fiscalizadas na mesma operação: Colúmbia, JC Bins, Stange's Corretagem e a V Munaldi ME. Fato apenas curioso não se tratassem de "atacadistas de café", atividade que por sua própria natureza exige espaço, funcionários e logística sofisticada. Quanto a esta última empresa citada V Munaldi ME, no depoimento de seu titular de direito Vilson Munaldi (fl. 1689) à Fiscalização é declarado que o verdadeiro proprietário é o Sr. Altair Braz Alves. O Sr. Altair Braz Alves confirmou o depoimento de Vilson Munaldi, admitindo ser o verdadeiro proprietário da V Munaldi ME, embora figurasse o nome daquele nesta condição. Mais esclarecedor ainda é o depoimento de Altair quanto ao modus operandi da engrenagem que vai se revelando como esquema fraudulento para vender notas fiscais e simular elo na cadeia produtiva inexistente, tendo por fim ultimo gerar fictícios créditos de PIS/Cofins no regime da nãocumulatividade. No ano de 2006, a Nicchio Sobrinho registrou mais de 4 milhões de reais em notas da V. Munaldi. O depoimento completo de Altair está às fls. 275/278. Na seqüência, destacam se alguns pontos. O citado depoimento estabelece os seguintes pontos cruciais. Afirma que a empresa V Munaldi ME nunca foi atacadista, nem mesmo sequer atuou no seguimento de compra e venda de café, pois, a empresa foi criada unicamente para fornecer notas fiscais para os verdadeiros compradores de café, que adquiriam a mercadoria diretamente dos produtores rurais. Neste sentido, ao receber a nota fiscal do produtor rural por intermédio de officeboy do verdadeiro comprador, emitia Nota Fiscal de Entrada, e, na mesma data, emitia nota fiscal de saída para o verdadeiro comprador. Afirma ainda Altair que a operação real de compra e venda se dava diretamente entre o comprador final e o produtor rural, funcionando a sua empresa como repassadora de recursos financeiros dos compradores para os produtores rurais. Nesta linha, afirma que nunca teve qualquer contato com os produtores rurais, no que tange às operações descritas nas notas. Decorre logicamente, do que fora dito até agora, que a Empresa V Munaldi ME não era remunerada mediante lucro resultante da atividade de compra e venda de café, porque não realizava tais atividades, mas recebia "comissão", conforme admitira Sr. Altair, que precisou o valor na faixa de R$0,35 a R$0,50 por saca de café, pagos pelo verdadeiro comprador. Destaquese que Altair fora empregado da Nicchio Sobrinho, antes de se tornar o "proprietário" da V Munaldi (fl. 276). Em resposta à intimação da autoridade fiscal, as empresas Colúmbia, Acádia, Do Grão e L&L confirmam a dedução acima (v. fls. 248 e ss): Vale ressaltar que em alguns casos, a Fiscalizada nem mesmo procurava o vendedor/produtor, pois o comprador (seja indústria, exportador ou corretora), depois de fazer a negociação direta com o produtor ou com a corretora de mercado futuro, apenas informava a Fiscalizada que iria precisar de seus serviços, quais sejam receber a Nota do Produtor, receber o dinheiro, pagar o produtor e emitir Nota Fiscal de Venda/Viagem. Fl. 16586DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.553 18 Os recursos transitados pela conta da Fiscalizada são dos compradores do café, sejam estes corretores futuros, especuladores de mercado, indústrias torrefadoras, cerealistas, atacadistas ou exportadores. Os sócios e/ou gestores da fiscalizada, na realidade e em verdade, são e sempre foram agentes de comércio (corretores de café), sendo por imposição do mercado (empresas que atuam do mesmo modo que a fiscalizada) transformada em pessoas jurídicas, para continuar ganhando pelo serviço prestado e sujeitandose a situações como a presente fiscalização por exigência e imposição dos compradores, posto que esta seja a única forma de sobreviver em sua atividade comercial (gn) O depoimento denuncia a fraude, confirma seu modus operandi, e, ainda, demonstra a participação efetiva dos compradores, entre os quais está a contribuinte, ora impugnante. Não se trata de depoimento qualquer, mas dos próprios fornecedores da contribuinte. Observese no item 4, fl. 289, citação expressa à Nicchio Sobrinho: Dependendo da necessidade do Comprador em baixar seu caixa "dois" ou de gerar mais créditos de entrada para caucionar as vendas, solicitavam a emissão das notas com valores acima do mercado, inclusive acima da pauta fiscal, que via de regra já é mais elevada que o preço comercial. Todas as empresas fizeram e fazem uso desta prática, podendose destacar .... Nicchio Sobrinho, ... Algumas empresas Exportadoras/Indústrias comprovadamente, pelo que foi registrado até agora, efetivamente participaram da montagem e do uso do esquema fraudulento. Há prova documental neste sentido, e os depoimentos também convergem perfeitamente para este ponto. Por exemplo, no depoimento do corretor de café Arylson Storck de Oliveira, às fls. 412/414, textualmente se declara: "(...)ligava para as exportadoras com o objetivo de vender café de produtor rural e era informado de que não havia a menor possibilidade de que as exportadoras adquirissem café de pessoa física, que as exportadoras respondiam ao declarante que somente estavam aceitando café de pessoa jurídica" (item 2) "a maioria dos sócios ou titulares das empresas constituídas para guiar café para as exportadoras e Indústrias são ex Fl. 16587DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.554 19 funcionários das próprias exportadoras do Estado do Espírito Santo" (item 3) "pela emissão da nota fiscal para guiar o café para as exportadoras as interpostas empresas recebem um determinado valor por saca de café, que o 'mercado de nota fiscal' chegou a tal ponto que há uma disputa para ver quem vende a sua nota fiscal por um menor preço por saca de café " (item 4).(gn) O depoimento esclarece que as próprias exportadoras somente estavam aceitando café de pessoa jurídica, isto é, recusavam o café da pessoa física. Na verdade continuavam a comprar dos produtores rurais, apenas utilizavam pessoas jurídicas para "guiar o café", expressão, que neste caso, não passa de eufemismo para a prática simulatória/dissimulatória. Noutro depoimento (fls. 449/454), do corretor Luciano Arpini Gobbi, o depoente afirma que houve uma fase em que o produtor rural guiava diretamente o café para as exportadoras e indústrias e recebia diretamente o pagamento, mas depois estas empresas, exportadoras e indústrias, passaram exigir que o café fosse descarregado nelas com nota fiscal de pessoa jurídica. No depoimento do corretor João Carlos de Abreu Zampier (fls. 441 e seguintes, item 12), identificase os intermediários como empresas laranjas, cuja finalidade é vender nota fiscal: Que o declarante afirmou que o mercado de café se "prostituiu"porque alguns corretores começaram a negociar café dispensando a cobrança da comissão de corretagem, e devido ao aparecimento de empresas laranjas que entraram no mercado de café vendendo nota fiscal para ganhar um percentual sobre as vendas de café; (gn) Em mais um depoimento, de um outro corretor Valério Antônio Dallapícula , novamente de modo muito explícito é descrita a fraude (fls. 529/534), afirma, por exemplo, que os reais compradores (exportadoras e indústrias) perguntavam aos produtores quem iria "guiar" o café, muitas vezes elas mesmas indicando um nome, denunciando até uma reunião entre as reais compradoras e os corretores para passar "orientações", entre as quais, a de pulverizar o café guiado em várias empresas, diminuindo o volume da Colúmbia, a de não mencionar o nome do produtor rural no fechamento das operações, nem deixar pistas (telefone, email, MSN): Que a interposição de uma pessoa jurídica para mascarar a operação de compra de café das empresas acima relacionadas diretamente do produtor rural iniciouse com as próprias compradoras de café, que no inicio as notas fiscais do produtor eram trocadas pela nota fiscal da interposta pessoa dentro do próprio armazém da empresa compradora, que nessas operações o corretor Fl. 16588DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.555 20 recebia das compradoras o nome da interposta pessoa jurídica pelo qual o café do produtor rural era guiado para dentro do seu armazém;(gn) (...) Que então se criou um círculo vicioso: o comprador satisfeito com o café sendo guiado em nome de uma pessoa jurídica passou a solicitar que os corretores indicassem "empresas" para que os produtores rurais guiassem o café; (...) Que confirma a ocorrência de uma reunião na NICCHIO SOBRINHO, na qual o declarante estava presente, juntamente com outros corretores, onde foi dito que os corretores teriam de diminuir a quantidade de café guiado em nome da COLÚMBIA, pulverizando com outras "empresas"; (gn) (... ) Há, nos autos, outros depoimentos de corretores todos convergindo para os pontos acima destacados. As declarações dos produtores rurais esclarecem pontos adicionais e confirmam outros já sublinhados por corretores. É o caso do depoimento do produtor rural/maquinista Sr. Fernando Plantikow Neto (fls. 307/308): (...) 4)(...) que realizava venda de café de sua propriedade e de seus familiares, assim como, intermediava a venda de café de meeiros e pequenos produtores rurais da região diretamente com as seguintes empresas que por ora se recorda: (...), NICCHIO SOBRINHO e (...); 5)Que, a partir de um determinado momento, o declarante se recorda que os compradores dessas empresas, (...), (...) e Sr Edinho (Nicchio Sobrinho) indicaram que o declarante procurasse as 'empresas' Do Grão, Colúmbia, Acádia, L&L, dentre outras, para que guiasse o café do produtor rural para uma dessas empresas listadas; que, ao depois, era efetuada a troca da nota fiscal do produtor rural pela nota fiscal de uma das empresas indicadas guiando o café para a (...) Nicchio Sobrinho e (...); (...) Fl. 16589DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.556 21 7) Que o declarante afirmou que é descontado um determinado valor, que chegava a R$1,00, do produtor rural, para pagar o fornecedor da nota fiscal que guiou o café para as empresas acima citadas; 8) Que o declarante afirmou que a troca de nota fiscal do produtor rural ocorria em um determinado ponto, previamente estabelecido, sendo que um moto boy comparecia para efetuar a troca; (...)(gn) Notase aí, na citação expressa à Nicchio Sobrinho pelo produtor rural/maquinista, o papel ativo da autuada na operação, fato que refuta a hipótese de fraude sem sua participação, exceto se é admitida a teoria conspiratória, onde "atacadistas", corretores do ramo e produtores rurais de café conspiram com o único propósito de prejudicar a contribuinte, ora impugnante. Mas diante da convergência irresistível dos depoimentos de personagens, que atuam com funções distintas na cadeia produtiva, a teoria conspiratória revelase mera fantasia. O exame de mais um depoimento firma mais ainda esta convicção. Tratase do depoimento do produtor rural Jarbas Alexandre Nicoli, a descrição detalhada torna inteiramente plausível a hipótese de uma intermediação fictícia com a participação ativa dos reais adquirentes (indústrias e exportadores) (fl. 322/323): 1) Que o declarante informou que é produtor de café na região de Jaguaré, com uma produção anual média em torno de 10.000 (dez mil) sacas, sendo a mesma em parceria/meação; 2) Que o declarante afirmou que a comercialização de seu café, produzido em meação, é feita por intermédio de corretores localizados em Colatina; 3) Que Paulo Zache, Junior Preti (RP COMISSÁRIA) e Fernando Alvarenga (CASA DO CAFE) são corretores de café em Colatina e que com quem o declarante, preponderantemente, mantém contato para a venda do café; 4) Que o declarante afirmou nunca ter negociado pessoalmente com a COLÚMBIA, (...) V. MUNALDI (...) ACÁDIA, DO GRÃO; (...) 6) Que o declarante afirmou que os corretores acima citados, por intermédio de FAX, repassavam o nome da empresa que deveria constar na nota fiscal do produtor rural; Fl. 16590DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.557 22 7) Que o declarante afirmou que nunca pagou qualquer tipo de remuneração ou valor de corretagem para os corretores acima citados; (...) 10) Que a partir de 2003, ainda por intermédio de corretores de café da região de Colatina, o declarante não mais conseguia vender sua produção diretamente para exportadores e indústrias, sendo o declarante orientado pelos mesmos corretores a guiar seu café em nome de outras pessoas tais como: COLUMBIA e V. MUNALDI:, (...) 12) Que os corretores informavam ao declarante que as notas fiscais de produtor rural seriam trocadas quando o motorista chegasse nas redondezas de Colatina. que preferencialmente se dava em um posto de gasolina; que neste momento o próprio motorista ligava para determinado número de telefone, fornecido pelo corretor, comunicando a sua chegada a fim de possibilitar o recebimento da nota fiscal para o local onde o café era descarregado; (gn). E, finalmente, o depoimento do produtor rural Américo Barbosa Martins (fls. 295/296): (...) após concretizar a negociação, o café negociado por Junior Pretti é guiado por meio de nota fiscal de produtor do declarante em nome da COLUMBIA, e poucas vezes em nome da C DÁRIO ME, WR DA SILVA LTDA ME e WG DE AZEVEDO BRASIL COFFEE, (...); (...) após a descarga do café o corretor Junior Pretti informa ao declarante que o café foi descarregado/armazenado nos armazéns do (...), NICCHIO SOBRINHO e (...), em Colatina, e (...), em Vitória; O produtor rural (Américo Barbosa Martins) afirma que "do total dos recursos depositados na conta corrente do declarante por cada operação de venda de café é descontado o valor de R$1,00 por saca;que o declarante afirma queopróprio Junior Pretti dizia que esta quantia seria destinada à própria COLÚMBIA". Júnior Pretti aí referido é o corretor encarregado, no caso, da transação real e direta do produtor rural com a Nicchio Sobrinho ( e Fl. 16591DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.558 23 outras empresas), mas que também operava contatos entre a real adquirente e o pseudo adquirente do café do produtor rural, pois o produtor rural afirma na seqüência que "não conhece e nunca negociou com a COLÚMBIA, (...), ou seus sócios, sendo que o único contato do declarante na negociação do café era com o corretor Júnior Pretti" (fl. 296). A fiscalização intimou vários outros produtores rurais para esclarecer pontos dos negócios respectivos, dos resultados obtidos concluiuse, em resumo, que (1) os produtores rurais desconhecem as pessoas jurídicas que constam como destinatárias das suas próprias notas fiscais. Ou seja, eles negociavam o café com a adquirente Nicchio Sobrinho e outros compradores, mas nas notas eram substituídos pela Colúmbia, Do Grão, Acádia, L&L, Miranda Com. Exp. e Imp. de Café e outras pseudoempresas; (2) as notas eram ou preenchidas pelos reais compradores (Exportadoras e Indústrias), ou preenchidas pelo produtor com dados que lhes eram fornecidos pela Nicchio Sobrinho; (3) o café era retirado da propriedade rural pela Nicchio Sobrinho, e nos seus armazéns descarregado, (4) Sr. Carlos Henrique, genro do Sr. Nicchio Sobrinho, participa ativamente no setor de compra da Nicchio Sobrinho. Repitase: as 'pseudoempresas' que constam nas notas fiscais de venda dos produtores rurais não participam da negociação, são desconhecidas dos produtores rurais, mas aparecem no momento de preenchimento da Nota Fiscal por exigência do real comprador. Quando a Autoridade Fiscal requisita às Empresas Do Grão, Acádia, L&L e Colúmbia informar se era do "pleno conhecimento" dos comerciantes, exportadores e indústrias, ou seja, dos compradores de que apenas forneciam a nota fiscal, para respaldar operação, que na verdade se dava entre real comprador e produtor rural, a resposta corrobora o que já está fartamente provado: "Sim. Os grandes atacadistas, assim como os Torradores e os Exportadores tinham e tem pleno conhecimento de que as notas fiscais são vendidas, como também sabem que nossa empresa nunca recolheu nenhum valor de PIS e Cofins. Vale dizer que eles até incentivaram a abertura de varias empresas (...)". (v. por exemplo fl. 258, item 2). Acrescenta, em outro momento, que "regra geral, é o comprador (torrador, exportador ou atacadista) diretamente por si ou por meio do Corretor que o assessorou no negócio, que determina qual empresa vai faturar, ou melhor, emitir a nota Fiscal para guiar o produto da lavoura para os depósitos dos compradores". (v. por exemplo fl. 258, item 3, fine) Em outro momento ainda, relatam as empresas citadas Do Grão, Acádia, L&L e Colúmbia, que após fiscalização da Receita, as Torrefadoras passaram a exigir que os antigos maquinistas, "que antigamente faziam uso da nossa empresa para guiar o café, constituíssem empresas suas para guiar o café". E assim, explicam, surgiram outras atacadistas, "que na verdade são a personificação jurídica dos antigos maquinistas". Estas novas empresas "passaram a fazer os mesmos atos que os Grandes Atacadistas, Torradores e Exportadores, ou seja, comprar notas de pessoas jurídicas para acobertar as compras feitas diretamente dos produtores, já que os Maquinistas, só compram café dos produtores rurais de suas comunidades locais" (fls. 259/260, itens 6 e 7). Claro está que as empresas fornecedoras da empresa, ora autuada, tais como Do Grão, Acádia, L&L, Colúmbia e outras arroladas nestes autos, não Fl. 16592DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.559 24 operam no mercado de compravenda de café, mas atuam em outro 'mercado', a saber, 'mercado de compravenda de nota fiscal'. Esta conclusão sobejamente demonstrada por farto suporte documental presente nos autos, é constantemente ratificada nos depoimentos dos próprios envolvidos na fraude. Veja, por exemplo, o depoimento (fls. 539/541) de Thiago de Resende Gava, assistido por Advogado, sócio de fato da Colúmbia, admitindo que a W R da SILVA (para quem trabalhou) " nunca comprou nem vendeu um grão de café..", esclarecendo ainda a finalidade de toda a engrenagem montada: "que o objetivo das operações realizadas desta forma é proporcionar um ganho maior para as empresas exportadoras e/ou torrefadoras de café, pois se fosse emitida nota fiscal do produtor rural diretamente para as empresas exportadoras, estas não teriam direito ao crédito de tributos de 9,25% sobre o valor da compra de café. Que alem disso as empresas exportadoras/torrefadoras teriam que recolher o valor referente ao FUNRURAL sobre a nota fiscal do produtor rural (..)" Empresas como Nova Brasília, Colúmbia, Do Grão, Acádia, L&L, V. Munaldi, e outras funcionam como 'laranjas', termo, aliás, corriqueiramente empregado no meio, como se registra no depoimento dos corretores. Por exemplo, em seu depoimento Devanir Fernandes dos Santos "afirmou que as empresas exportadoras e Indústrias, compradoras de café, para os as quais o declarante atua como corretor de café, tem pleno conhecimento de que as empresas que constam nas notas fiscais como vendedoras de café são laranjas" (fl. 423, item 5). Quanto ao preço da nota fiscal vendida, até final de 2003 era de 1%, o valor de Hum Real por saca de café vigorou entre 2004 e 2006, pois conforme explicaram Do Grão, Acádia, L&L e Colúmbia "quando abriram muitas empresas novas, o preço foi caindo'" para R$0,50 ou R$0,30 (v. fl. 259, item 5). Observar também o que declara a Colúmbia à fl. 32, item b: "para a nossa empresa o que importa não é o preço da saca de café, mas sim a quantidade de sacas, já que a nossa remuneração (é)pelo número de sacas". A face financeira da simulação consistiu, conforme demonstrou a Fiscalização, quase sempre na abertura de contascorrentes pela real compradora (Indústria ou exportadora, por exemplo, Nicchio Sobrinho) em nome de uma "atacadista" (por exemplo, V. Munaldi), mas para ser movimentada por um procurador, corretor ou pelo próprio produtor rural (exemplo, Fernando Plantikow Neto): Por exemplo, a conta n° 52.1914 aberta em nome da V. MUNALDI no SICOOB unidade de BAIXO GUANDÚ ES, era movimentada pelo produtor/maquinista FERNANDO PLATIKOW NETO. Indagada sobre a origem dos depósitos na citada conta da V. MUNALDI, Adriana Lopes Dal Cól Soares, então tesoureira da unidade do SICCOB, esclareceu que, em sua maioria, eram da NICCHIO SOBRINHO (fl. 1709)(gn) Fl. 16593DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.560 25 Às fls. 1723/1724, no Termo de Encerramento Fiscal, há uma lista fornecida pela própria Colúmbia de contascorrentes abertas em seu nome, mas movimentadas por outras pessoas. Como prova documental (v. fl. 1731), a Fiscalização cita dois cadernos contendo anotações de Edson Everaldo Bortolozzo (o citado Edinho), comprador da Nicchio Sobrinho. No caderno de compra da Nicchio Sobrinho aparecem o nome do produtor rural e o nome da empresa "atacadista" contratada para guiar o café, isto é, para vender a falsa nota fiscal. Observese o exemplo destacado à fl. 1731, onde aparece o nome Mazolini (produtor rural) seguida do n° 999 (pedido) e da abreviação "Col" de Colúmbia. O diálogo reproduzido na seqüência, fl. 1732), confirma a real compra e já fecha a simulação. No caso a compra é do produtor rural Ocimar Gomes, mas a nota fiscal deveria ser da Ypiranga. No diálogo "Edinho" da Nicchio Sobrinho adverte o corretor duas vezes, primeiro com a expressão "acorda" e depois, mas diretamente, com "e se espalhar já sabe que acontece". Os diálogos mais completos encontramse reproduzidos às fls. 904/908 e estão recheados de expressões análogas às citadas. No trecho citado no Termo de Encerramento Fiscal (fl. 1732) aparece o número do pedido (nv 112): edinns (14:18:27): cafe do ocimar fica fechado edinns (14:18:31): qual firma? edinns (14:19:24): acorda Sidnei VG (14:19:31): Ypiranga edinns (14:19:38): nv 112 Sidnei VG (14:19:46): Agradecido... edinns (14:19:57): e se espalhar ja sabe que acontece Na nota fiscal da Nicchio Sobrinho aparece todo o combinado no diálogo, vide sua reprodução à fl. 909. O suposto vendedor é a Ypiranga, mas o número nv 112, referente ao pedido fechado do corretor com o produtor rural, aparece no canto inferior esquerdo do engendrado documento, e o transportador é o próprio Ocimar Gomes, o produtor rural! A prova da simulação/dissimulação é cabal. Entre outras provas documentais, há as planilhas de "controle diário de compras", que foram anexadas nos emails de Edson Bortolozzo (o Edinho) para os dirigentes da Nicchio Sobrinho. As planilhas encontramse às fls. 1103/1374 dos autos, e no relatório da Autoridade Fiscal concluise que: Essas planilhas de compras foram anexadas aos emails e encaminhadas por EDSON BORTOLOZZO aos dirigentes da empresa: SÉRGIO NICCHIO, JORGE NICCHIO, MAXWEL NICCHIO, NICCHIO JÚNIOR, PEDRO NICCHIO e outros. É mais um tipo de documento, onde restou, portanto, comprovado que os dirigentes da empresa tinham pleno conhecimento acerca das compras de café de produtores/maquinistas documentadas com notas de empresas laranjas. (gn) Fl. 16594DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.561 26 Também a planilha de fl. 1594 demonstra a existência da operação fictícia, pois ao lado da quantidade de sacas registrase o valor de R$1,30, que representa a aludida remuneração por saca do (pseudo) atacadista para "guiar" o café. As notas fiscais citadas na planilha (2a coluna) simulam a venda de "PJ" para outra PJ, encobrindo a venda real do produtor rural para a PJ: Por exemplo, a planilha mostra que no dia 26/05/2010 foi emitida a nota fiscal n° 4843 com 180 sacas de café ao preço unitário de R$234,00 para a NICCHIO SOBRINHO, referente à compra NV 0684/10 Confirmação n° 0197/10. Compulsando a nota fiscal n° 4843 , da RODRIGO SIQUEIRA, que fora apresentada pela NICCHIO SOBRINHO em atendimento à intimação fiscal, verificase que se trata de venda de Domingos Perim que conduziu o seu próprio veículo de placa MPO 1651 até o armazém da NICCHIO SOBRINHO (fl. 1.613). De documentos recebidos da Polícia Federal (fls. 224/225), a planilha de saídas da Colúmbia (v. fl. 1759 e ss) para a Nicchio Sobrinho deixa claro a distinção entre o vendedor ficto (a própria Colúmbia) e o vendedor real, pessoa física/produtor rural. A origem da mercadoria é o produtor rural, no caso Edmar Muller, e o destino é a Nicchio Sobrinho. Edmar Muller, no entanto, declarou que sua produção é negociada diretamente com Nicchio Sobrinho, mas que em determinado ponto era efetuada a troca das notas fiscais (fls. 304/305). A Fiscalização comprovou que a própria Nicchio Sobrinho depositava os recursos que a Colúmbia necessitava para o pagamento exato aos produtores rurais (fls. 1765/1766). Comparar a planilha de fl. 1764 (Razão Analítico da própria Nicchio Sobrinho) com a planilha de fls. 1765/1766: É curioso notar que a "venda" do café para a Colúmbia, e a "revenda" desta para a Nicchio Sobrinho eram efetuadas pelo mesmo preço, situação comercialmente muito heterodoxa. Antonio Gava (já citado sócio da Colúmbia) confirmou a mecânica de pagamentos da Nicchio Sobrinho aos produtores rurais e, simultaneamente, aos (pseudo) atacadistas (reproduzido parcialmente às fls. 1771/1772): (...) QUE, para pagar a NICCHIO SOBRINHO, mais precisamente para os sócios SÉRGIO, MAXUEL e JORGE, foi orientado por eles a vender nota fiscal, com vistas a possibilitar o creditamento das contrubuições PIS e COFINS por parte da empresa. QUE, esclarecendo melhor, passou a fornecer a nota fiscal de sua empresa, em virtude da compra de café da NICCHIO SOBRINHO diretamente para o produtor; QUE, ficou acertado com os sócios da NICCHIO SOBRINHO que seria abatida da dívida de R$0,80 a R$1,00 por saca de café guiada por sua empresa (...). QUE, fazia contatos com SÉRGIO, MAXUEL e JORGE por telefone, (...) QUE, para pagamento dos produtores rurais de café adquirido pela empresa NICCHIO SOBRINHO, os sócios dessa empresa depositavam os valores em uma conta da COLÚMBIA e Fl. 16595DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.562 27 lhe mandavam posteriormente uma relação dos produtores de café que deveriam ser pagos, com os respectivos montantes discriminados (...). O depoimento resume com coerência tudo o que a documentação extensa amealhada pela Fiscalização (e também pela Polícia Federal e pelo Ministério Público) e constante dos autos confirma. Do Ministério Público do Espírito Santo Grupo GETPOT a fiscalização recebeu e analisou um relatório financeiro correspondendo a uma espécie de livro caixa ("caixa 2"), documento apreendido na Operação Acádia deflagrada "com o objetivo de coibir sonegação fiscal de ICMS" (fl. 223), que detalha ganhos das 'pseudoempresas' Do Grão e L&L, Acádia e D'Cristo. O documento reproduzido (fl. 1866) mostra que a receita é claramente proveniente de venda de notas. O total de ganho no fechamento geral relativo à Empresa Do Grão corresponde à diferença desses créditos (provenientes de pessoas físicas) contra as despesas (nada a ver com compra de café) (vide fl. 3706). Documento ainda mais conclusivo se isso é possível quanto ao efetivo uso do esquema pela Nicchio Sobrinho é o que transcreve conversas efetuadas mediante MSN. Neste voto, parte de tais diálogos já foi citada. Um dos diálogos é travado entre funcionário do setor financeiro da Nicchio Sobrinho e o corretor Edson Pancieri Filho da Clonal Corretora, que confirmou a conversa (fls. 432 e ss) e entregou o arquivo correspondente (fl. 435). Ali são tratados pagamentos da Nicchio Sobrinho a produtor rural. Ocorre que o pagamento ali registrado (R$59.722,00) é depositado na conta de WR da Silva (vide cópia do extrato do Razão analítico à fl. 1719) no valor de R$59.800,00 (2 X 29.900); onde a diferença devese a quebra de peso (fl. 1719). Examinese o que diz Weverton Rosa da Silva (WR DA SILVA): Que a WR DA SILVA não é empresa comercial de café, muito menos atacadista, conforme consta no contrato social; Que na verdade a WR DA SILVA fornece NOTA FISCAL para guiar o café do PRODUTOR RURAL para as empresas exportadoras e indústrias, que são as reais compradoras do café dos produtores rurais; Que pela operação de fornecimento da nota fiscal a WR DA SILVA recebe R$0,30 (trinta centavos) a R$0,50 (cinqüenta centavos)por saca de café; Que o declarante afirmou que as empresas exportadoras e indústrias (para as quais a WR DA SILVA guia o café) compram o café diretamente do produtor rural ou, mais frequentemente, por intermédio de corretores ou corretoras; O papel fictício das "atacadistas" na negociação direta entre produtor rural e a Nicchio Sobrinho evidenciase em muitos documentos nos autos. Mas, apenas os diálogos transcritos bastariam para refutar a tese de conspiração, ainda mais que se compatibilizam perfeitamente com todo o resto do conjunto probatório, inclusive notas fiscais, pagamentos via transferências eletrônicas, e depoimentos de corretores e produtores rurais. Fl. 16596DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.563 28 Ressaltese que a mecânica desvendada pela Fiscalização extrapola os limites do estado do Espírito Santo e atinge outros membros da Federação, particularmente, atinge Minas Gerais, onde as autoridades fiscais também diligenciaram e colheram provas que apontam para a mesma conclusão: as empresas "atacadistas" são chamadas no último ato para representar a cena final, sem qualquer participação efetiva do ponto de vista comercial (capítulo 6, do Termo de Encerramento Fiscal, item 5.10). Finalmente, a impugnante tenta fazer crer que não há liame algum entre a recorrente e algumas empresas atacadistas, seus fornecedores, assim, os créditos derivados das aquisições destas empresas não poderiam ser glosados. Alega que se os fornecedores da impugnante deixaram de recolher tributos ou apresentaram declarações falsas não cabe a esta qualquer responsabilidade. No entanto, a alegação não procede porquanto a caracterização daqueles fornecedores como empresa atacadista sem capacidade operacional, com existência fantasmagórica do ponto vista fiscal, mas com movimento apreciável de recursos restou incontroverso. Além disso, encontramse bem definidas como empresas criadas com o propósito de vender nota fiscal, não com o propósito de comercializar café, logo, não seria crível contrariando o que afirma seus próprios sócios e administradores que teria vendido café somente para a Nicchio Sobrinho. Uma vez confessado pelas próprias "atacadistas", fornecedoras da contribuinte, que não vendiam café, mas apenas forneciam nota fiscal para uma operação eufemisticamente chamada de "guiar o café", concluise que a correspondente compra do café pela contribuinte não passa de simples arranjo documental com vistas a vantagens tributárias ilícitas. Em suma, se não houve a venda conforme confessado por quem podia confessar tampouco poderia ter havido a compra, a contrario senso, estarse ia diante de fenômeno único no mundo jurídico, onde uma compra não se conecta com sua contraparte lógica, a venda. O simples fato de que "comprou, pagou e recebeu a mercadoria", o que seria suficiente para garantir o crédito de PIS/Cofins, na forma do parágrafo único do art. 82, da Lei n° 9.430/96, não é eficaz, porquanto a Fiscalização investiga resposta à outra questão: "de quem ?". E as provas dos autos direcionam para a resposta de que "comprou, pagou e recebeu a mercadoria" de produtor rural (pessoa física), não de pessoa jurídica, no que pese as notas fiscais tenham sido construídas para mascarar a realidade, fazendo nelas constar "empresas" sem qualquer vínculo com o mercado de café, mas criadas para participar de um estratagema de ataque à Fazenda Nacional. No quadro probatório assentado têmse ainda por irrelevantes as alegações da inconformada quanto à inexistência de declaração de inidoneidade/inaptidão das empresas fornecedoras; ao tempo em que efetuou as transações, e de que tomou o cuidado de verificar a regularidade das empresas fornecedoras no CNPJ ou Sintegra. As alegações são irrelevantes porque independentemente da declaração de inaptidão, em ato oficial adequado emitido pela autoridade competente da Receita Federal do Brasil, a documentação fiscal pode ser considerada como tributariamente ineficaz, quando comprovado não ter havido a transação a que se refere, permitindo concluir que os documentos apresentados mascaram uma aquisição fictícia de Fl. 16597DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.564 29 mercadorias, impondose afastar a faculdade de a interessada calcular crédito de PIS/Cofins na incidência nãocumulativa. A alegação da contribuinte de que não é possível concluir que teve conhecimento da prática ilícita de fornecedores não prevalece diante dos depoimentos e da prova robusta reunida pela Autoridade Fiscal. Da mesma forma, a alegação de que responsabilidade solidária aplicase somente ao sujeito passivo, decorre de lei e não pode ser presumida é irrelevante, pois não há imputação de solidariedade. Nem a Fiscalização está responsabilizando a autuada por tributos que não foram pagos por seus fornecedores, nem está aplicando penalidade por infração cometida por terceiros, mas essencialmente glosou créditos da nãocumulatividade, que entendeu indevidos, porque decorrentes de negócios inexistentes, meramente simulados, enfim, imputou responsabilidade por atos cometidos pela própria autuada. A infração tributária cometida, independente da repercussão penal dos mesmos atos, consistiu basicamente em se apropriar de créditos fiscais indevidamente, pois já se explicou, neste voto, que a compra de café diretamente de pessoa física dá ao comprador um direito de crédito presumido, correspondente a 35% do crédito que seria devido se o negócio fosse realizado com pessoa jurídica. (...) O contribuinte, em seu recurso voluntário, não contestou especificamente nenhum destes argumentos. Como disse combateu genericamente a acusação de que não teria provas no processo de sua participação. A única questão específica que argumentou nesta parte, em relação à decisão recorrida, é que ela teria utilizado provas ilícitas, situação esta que já foi explicitada neste voto na análise da preliminar de nulidade da decisão da DRJ. Mérito Direito à Manutenção do Crédito na Aquisição de Café das Cooperativas. Após fazer um diagnóstico bem detalhado das aquisições efetuadas diretamente de pessoas físicas, produtores rurais de café, conforme tópico anterior, a fiscalização concluiu que nestas aquisições a recorrente faz jus ao crédito presumido do PIS e Cofins nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Portanto, nestas aquisições de café in natura diretamente dos produtores rurais, mas com intermédio da interposição fraudulenta de pseudoatacadistas, a adquirente beneficia este café in natura para venda no mercado externo. Concluise assim que o contribuinte exerce a produção agroindustrial, consistente no exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, relativamente aos produtos classificados no código 09.01 da NCM (art. 6º da IN SRF nº 660/2006). A partir daí, ao analisar os créditos decorrentes das aquisições de café oriundos de cooperativas de produção rural, a fiscalização conclui que as vendas deveriam ter sido efetuadas com suspensão da incidência do PIS e da Cofins e que o contribuinte somente teria direito ao crédito presumido, efetuando a glosa dos créditos integrais apropriados pelo recorrente. Assim se pronuncia a fiscalização: (...) Fl. 16598DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.565 30 Desse modo, a NICCHIO SOBRINHO preenche os requisitos estabelecidos para a aplicação da suspensão nas compras de café efetuadas com as cooperativas, a saber: a) apura IRPJ com base no lucro real; b) exerce atividade agroindustrial definida no art. 6°, II; e c) utiliza o café adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que trata o inciso I do art. 5°. Portanto, efetuouse a glosa dos créditos integrais sobre tais aquisições e apurouse o crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004. (...) Em atendimento ao Termo de Início da Ação Fiscal, no qual o contribuinte foi intimado a detalhar o seu processo produtivo, a empresa assim se pronunciou (fl. 6): (...) Item 2.7 Informamos que a empresa é uma produtora na concepção da lei, uma vez que em relação aos produtos classificados no código 0901.11.10 (Café em grãos), adota o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) e separar por densidades de grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (...) Agora, após o lançamento consumado, o contribuinte quer alterar totalmente a realidade antes afirmada. Agora ele não é mais um típico beneficiador de café na concepção da lei. De forma inusitada ele agora já adquire o grão beneficiado e é somente um revendedor de café que nesta condição não tem mais direito ao crédito presumido e sim ao crédito integral. Que sua principal atividade é a revenda de café já beneficiado. Para tanto traz como prova, uma amostra das notas de aquisição das cooperativas, nas quais não consta o carimbo indicativo da suspensão do PIS e da Cofins. Junto com esta pretensa prova, apresenta como se fosse uma realidade óbvia do mercado as três etapas da comercialização do café: 1ª) a compra do produto in natura; 2ª ) o beneficiamento transformando o café in natura em "café cru em grão"; e 3º) a revenda do "café cru em grão" pela recorrente no máximo exercendo sobre o produto algum rebeneficiamento, o qual não atingiria as condições cumulativas previstas no art. 6º da IN SRF nº 660/2006. Contrariando o que declarou expressamente, em resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal, agora ele afirma que atua na 3ª etapa, o que caracteriza simples revenda. Muito oportuno esta mudança, não fosse uma necessidade essencial de fazer prova efetiva em seu favor. O ônus da prova, na caso é do contribuinte, primeiro porquê ele altera uma realidade antes por ele afirmada e confirmada pela fiscalização. Segundo porque estamos falando de apuração de crédito de PIS e Cofins, cuja certeza e liquidez deve ser comprovada por quem afirma. Veja o que dispõe os art. 333, inc. I do CPC e 170 do CTN: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 16599DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.566 31 (...) Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.(destaquei) Quanto ao que ele diz ser as três etapas do processo produtivo do café, não vejo qualquer óbice de que qualquer contribuinte, ou membro da cadeia produtiva do café, realize as três conjuntamente, ou somente duas delas, ou até mesma uma em cada elo. Esta situação relatada como óbvia, da realidade do mercado, longe de ser um elemento de prova contundente, não passa de uma afirmação banal, que não traz nenhuma utilidade que possa alterar a realidade fática e a consequente utilização da legislação tributária. Portanto, entendo correta a apuração realizada pela fiscalização e confirmada pelo acórdão recorrido. Vejamos o que diz a legislação a respeito da suspensão do PIS e Cofins e o consequente aproveitamento do crédito presumido. Lei nº 10.925/04 Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do Fl. 16600DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.567 32 art. 8o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Destaquei) Da leitura desse dispositivo, entendo que a suspensão não é uma mera opção dos contribuintes, ao contrário, estando atendidas as condicionantes impostas pela lei, a suspensão do PIS e Cofins é obrigatória. Note que o § 2º da Lei autoriza que a Secretaria da Receita Federal estabeleça termos e condições para aplicação da suspensão. Neste sentido foi editada a IN SRF nº 660/2006, a qual regulamentou a suspensão das contribuições e o aproveitamento do crédito presumido. Para melhor clareza, transcreve se abaixo trechos essenciais da referida instrução normativa: DO ÂMBITO DE APLICAÇÃO Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a comercialização de produtos agropecuários na forma dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei nº10.925, de 2004. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES DOS PRODUTOS VENDIDOS COM SUSPENSÃO Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: I de produtos in natura de origem vegetal, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nos códigos: a) 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; b) 12.01 e 18.01; II de leite in natura; III de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da NCM; e IV de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. § 1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. Fl. 16601DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.568 33 § 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. DAS PESSOAS JURÍDICAS QUE EFETUAM VENDAS COM SUSPENSÃO Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: I cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art. 2º; II que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, no caso do produto referido no inciso II do art. 2º; e III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2º; II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. § 2º Conforme determinação do inciso II do § 4º do art. 8º e do § 4º do art. 15 da Lei nº 10.925, de 2004, a pessoa jurídica cerealista, ou que exerça as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura, ou que exerça atividade agropecuária e a cooperativa de produção agropecuária, de que tratam os incisos I a III do caput, deverão estornar os créditos referentes à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando decorrentes da aquisição dos insumos utilizados nos produtos Fl. 16602DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.569 34 agropecuários vendidos com suspensão da exigência das contribuições na forma do art. 2º. § 3º No caso de algum produto relacionado no art. 2º também ser objeto de redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, nas vendas efetuadas à pessoa jurídica de que trata o art. 4º prevalecerá o regime de suspensão, inclusive com a aplicação do § 2º deste artigo. DA APLICAÇÃO DA SUSPENSÃO Art. 4º Aplicase a suspensão de que trata o art. 2º somente na hipótese de, cumulativamente, o adquirente: I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. (...) § 3º É vedada a suspensão quando a aquisição for destinada à revenda. DO CRÉDITO PRESUMIDO DO DIREITO AO DESCONTO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: a) no capítulo 2, exceto os códigos 02.01, 02.02, 02.03, 0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29, 0206.30.00, 0206.4, 02.07, 0210.1; b) no capítulo 4; c) nos códigos 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99; Fl. 16603DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.570 35 d) nos capítulos 8 a 12, 15 e 16; (Redação original) e) nos códigos 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09 e 2209.00.00; f) no capítulo 23, exceto o código 23.09.90. g) no capítulo 3, exceto os produtos vivos deste capítulo; h) no capítulo 16; II classificados no código 22.04, da NCM. § 1º O direito ao desconto de créditos presumidos na forma do caput aplicase, também, à sociedade cooperativa que exerça atividade agroindustrial. § 2º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do caput do art. 3º a utilização de créditos presumidos na forma deste artigo. § 3º Aplicase o disposto neste artigo também em relação às mercadorias relacionadas no caput quando, produzidas pela própria pessoa jurídica ou sociedade cooperativa, forem por ela utilizadas como insumo na produção de outras mercadorias. DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e II o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, relativamente aos produtos classificados no código 09.01 da NCM. DOS INSUMOS QUE GERAM CRÉDITO PRESUMIDO Art. 7º Geram direito ao desconto de créditos presumidos na forma do art. 5º, os produtos agropecuários: I adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, com suspensão da exigibilidade das contribuições na forma do art. 2º; Fl. 16604DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.571 36 II adquiridos de pessoa física residente no País; ou III recebidos de cooperado, pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no País. (...) Verificase que a Instrução Normativa editada pela Receita Federal, em atendimento à exigência do § 2º do art. 9º da Lei nº 10.925/2004, estabeleceu alguns regramentos para o cumprimento da suspensão nas aquisições de café para beneficiamento e fica evidente que a suspensão na aquisição era obrigatória da simples leitura do seu art. 4º acima transcrito, pois a recorrente preenche todas as suas condições conforme constatou a fiscalização. A ausência da expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS" em algumas das notas fiscais de aquisição não são suficientes para fazer prova de que o produto não foi adquirido com suspensão. Pode ter havido somente um descumprimento de uma obrigação acessória, a qual a recorrente poderia ter exigido a sua correção no momento do recebimento da mercadoria. Em seu recurso o contribuinte afirma "da impossibilidade jurídica de aproveitamento do crédito presumido em duplicidade na cadeia do café". Em síntese aduz que tendo a cooperativa já aproveitado do crédito presumido nas aquisições do café do produtor rural este crédito só pode ser aproveitado uma vez, cabendo o crédito integral para a recorrente que adquiriu o café da cooperativa. Correta a primeira afirmação de que não há previsão legal para aproveitamento do crédito presumido em duplicidade. Isto decorre da própria sistemática do sistema de créditos. No caso o § 2º do art. 3º da IN nº 660/2006, acima transcrito, prevê que nestas situações, quando a cooperativa utilizouse do crédito presumido na aquisição do produtor rural e efetuou a venda com suspensão, caso dos autos, ela deve estornar estes créditos apropriados na aquisição. Portanto a segunda afirmação não é verdadeira de que a recorrente poderia apropriarse integralmente do crédito de PIS e Cofins. Assim correta a glosa dos créditos integrais apropriados pelo contribuinte e a manutenção do crédito presumido apropriado pela fiscalização. Mérito Multa Qualificada de 150% Neste ponto o contribuinte afirma que não há prova de fraude ou dolo, e, além disso, a multa de 150% viola os princípios da proporcionalidade e do nãoconfisco. Penso que a questão da existência de fraude ou dolo já foi enfrentada na questão de mérito inicial, pois a exigência do presente lançamento só se sustenta ante a comprovação da prática simulatória de adquirir o produto diretamente de produtores rurais com a inserção fictícia do pseudoatacadista. O dolo restou caracterizado e enseja a qualificação da penalidade nos exatos termos do art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração Fl. 16605DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.572 37 inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Por sua vez assim dispõe a Lei nº 4.502/64: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. O procedimento sistemático de contribuir para a emissão dessas notas fiscais e depois se utilizar dos créditos básicos do PIS e Cofins, que como se sabe são superiores ao crédito presumido a que faz jus (este foi reconhecido pela fiscalização, cabe ressaltar), caracteriza o dolo, consistente na intenção de impedir ou ao menos retardar o conhecimento, por parte do Fisco, de todas as características essenciais do fato gerador, com vistas a reduzir o montante do tributo devido e evitar ou diferir o seu pagamento. Daí a fraude, cominada com a multa no percentual de 150%. Quanto à argumentação de inconstitucionalidade da norma em decorrência do suposto caráter confiscatório da multa aplicada, é necessário lembrar que este Conselho não é competente para se pronunciar a este respeito, conforme Súmula CARF nº 2: Súmula nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 16606DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.573 38 Pedido de Diligência O contribuinte insiste na realização de diligência para "i) conferir todas as compras da RECORRENTE, sobretudo as notas fiscais dos fornecedores, ii) os comprovantes de pagamento das operações via depósito bancário na conta corrente das empresas, bem como iii) os cadastros das pessoas jurídicas atacadistas de café nas Receitas Federal e Estadual, no período em que ocorreram aquisições de bens". Segundo a defesa a diligência também seria importante para "conferência da legalidade das aquisições provenientes do estado de Minas Gerais, principalmente do Município de Manhuaçu". Também neste caso concordo com a decisão recorrida. No meu entendimento as questões que o contribuinte colocam para ser diligenciadas não são pertinentes, pois já estão exaustivamente demonstradas no lançamento fiscal, ou por intermédio de sua defesa. Não há nenhum questionamento quanto à existência das notas fiscais emitidas pelos fornecedores. A fiscalização reconhece a sua existência tendo sido elas utilizadas para o cálculo matemático das glosas e dos lançamentos sendo que o contribuinte não impugnou qualquer questão relativa a estes cálculos, restringindo a discussão somente quanto ao direito ao crédito. Da mesma forma não há relevância quanto a existência dos pagamentos, depósitos bancários e cadastro ativo ou não nas Receitas Federal e Estadual. De igual forma a fiscalização não negou a existência dos pagamentos, depósitos bancários e as situações cadastrais. Assim também a fiscalização não diferenciou os tipos de operações em conformidade com o local de sua aquisição, seja em Colatina, Manhuaçu ou outro município qualquer. Em conclusão nego o pedido de diligência por entender que constam dos autos todos os elementos necessários para realizar o julgamento. Multas Isoladas Observase que não houve impugnação específica quanto à aplicação das multas isoladas em decorrência da não homologação das compensações declaradas ou do indeferimento dos pedidos de ressarcimento. Certo que se no mérito as glosas e o próprio lançamento fossem afastados haveria também o consequente afastamento destas multas, o que não é o caso. Porém, embora não contestadas especificamente no recurso voluntário, parte das multas isoladas foram aplicadas com base nos § 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Estes dispositivos legais foram revogados pelo art. 27, inc. II da Lei nº 13.137/2015, retirando tal penalidade do ordenamento jurídico. Desta forma entendo que a aplicação desta penalidade deve ser excluída do lançamento tributário, em face do disposto no art. 106, inc. II, "a" do CTN. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido Fl. 16607DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720356/201207 Acórdão n.º 3301002.776 S3C3T1 Fl. 16.574 39 fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, somente para afastar a exigência das multas isoladas aplicadas com base nos § 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, mantendo intacto o restante do crédito tributário exigido no presente processo. (...) (Fim da transcrição do voto) Portanto, pelas mesmas razões do voto proferido no processo de lançamento fiscal nº 10783.720371/201247, acima transcrito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário para manter o indeferimento do ressarcimento solicitado e a não homologação das compensações correspondentes. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 16608DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 10283.901009/2008-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO - ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO.
Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal.
Numero da decisão: 1202-001.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente da Segunda Câmara
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Redator ad hoc.
EDITADO EM: 25/09/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima (Presidente à época do julgamento) Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta (relatora à época do julgamento), Orlando Jose Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto.
O Redator ad hoc, nos termos do art. 17, III, c/c o art. 18, XVII, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, publicada no DOU em 10/06/2015, formalizou a seguir o relatório e o voto da presente resolução, considerando:
(I) a publicação no Diário Oficial da União (DOU) n° 66, de 08/04/2015, da Portaria do Ministério da Fazenda n° 186, que dispensou, a pedido, NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA do mandato de Conselheira, representante dos Contribuintes, junto a Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF;
(II) a designação inicial de MARCELO BAETA IPPOLITO para redator ad hoc, nos termos do art. 17, III, do RICARF(Fls.1.181);
(III) a publicação no DOU n° 102, de 01/06/2015, da Portaria do Ministério da Fazenda n° 314, que dispensou, a pedido, em razão do Decreto n° 8.441, publicado no DOU em 30 de abril de 2015, MARCELO BAETA IPPOLITO do mandato de Conselheiro Suplente, representante dos Contribuintes, junto a Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF; e
(IV) a extinção da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção por meio da Portaria CARF n° 34, de 31 de agosto de 2015.
Nome do relator: NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente da Segunda Câmara (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima - Redator ad hoc. EDITADO EM: 25/09/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima (Presidente à época do julgamento) Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta (relatora à época do julgamento), Orlando Jose Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto. O Redator ad hoc, nos termos do art. 17, III, c/c o art. 18, XVII, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, publicada no DOU em 10/06/2015, formalizou a seguir o relatório e o voto da presente resolução, considerando: (I) a publicação no Diário Oficial da União (DOU) n° 66, de 08/04/2015, da Portaria do Ministério da Fazenda n° 186, que dispensou, a pedido, NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA do mandato de Conselheira, representante dos Contribuintes, junto a Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF; (II) a designação inicial de MARCELO BAETA IPPOLITO para redator ad hoc, nos termos do art. 17, III, do RICARF(Fls.1.181); (III) a publicação no DOU n° 102, de 01/06/2015, da Portaria do Ministério da Fazenda n° 314, que dispensou, a pedido, em razão do Decreto n° 8.441, publicado no DOU em 30 de abril de 2015, MARCELO BAETA IPPOLITO do mandato de Conselheiro Suplente, representante dos Contribuintes, junto a Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF; e (IV) a extinção da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção por meio da Portaria CARF n° 34, de 31 de agosto de 2015.
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Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente da Segunda Câmara (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Redator ad hoc. EDITADO EM: 25/09/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima (Presidente à época do julgamento) Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta (relatora à época do julgamento), Orlando Jose Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 10 09 /2 00 8- 20 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 2 O Redator ad hoc, nos termos do art. 17, III, c/c o art. 18, XVII, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, publicada no DOU em 10/06/2015, formalizou a seguir o relatório e o voto da presente resolução, considerando: (I) a publicação no Diário Oficial da União (DOU) n° 66, de 08/04/2015, da Portaria do Ministério da Fazenda n° 186, que dispensou, a pedido, NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA do mandato de Conselheira, representante dos Contribuintes, junto a Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF; (II) a designação inicial de MARCELO BAETA IPPOLITO para redator ad hoc, nos termos do art. 17, III, do RICARF(Fls.1.181); (III) a publicação no DOU n° 102, de 01/06/2015, da Portaria do Ministério da Fazenda n° 314, que dispensou, a pedido, em razão do Decreto n° 8.441, publicado no DOU em 30 de abril de 2015, MARCELO BAETA IPPOLITO do mandato de Conselheiro Suplente, representante dos Contribuintes, junto a Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF; e (IV) a extinção da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção por meio da Portaria CARF n° 34, de 31 de agosto de 2015. Relatório Segundo a relatora: "Cuidase de pedido de Compensação apresentado pela contribuinte Siemens Eletroeletrônica S.A. (CNPJ 34.558.841/000130). Foi requerida a compensação (fl. 3/5) via PER/DCOMP n° 20269.79926.270204.1.3.040008, de crédito referente a pagamento indevido ou a maior de CSLL para o período de apuração de 30/11/2003 no valor de R$ 873.541,94 para compensação com débito de mesma natureza, CSLL, referente ao período de apuração em janeiro/2004, no valor de R$ 156.539,58. Apreciando o pedido, a autoridade, por meio do Despacho Decisório em fl. 6, não homologou a compensação, ante a inexistência de crédito, pelo fato de sua utilização integral para quitação de outros débitos da contribuinte. Intimada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fl. 11/16) Indica inicialmente que o crédito a ser compensado era oriundo de saldo negativo de CSLL e que, embora este esteja corretamente descrito em DIPJ, foi erroneamente declarado em DCOMP e DCTF do 1º Trimestre de 2004, onde foi classificado como pagamento indevido ou a maior de CSLL. Aponta que o equívoco consistente no preenchimento errado de obrigação acessória (DCTF e PER/DCOMP) não pode gerar gravame à contribuinte, vez que a legislação permite sua correção de ofício ou por declaração retificadora. Desta feita, o débito apontado Fl. 116DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10283.901009/200820 Acórdão n.º 1202001.010 S1C2T2 Fl. 3 3 corresponde à dívida fictícia, já que houve sua compensação, afastando a postura do fisco que sequer analisou a legitimidade da compensação requerida. Aponta que o crédito tributário nasce com o lançamento, trazendo aspectos jurídicos deste e transcrevendo o teor do artigo 145 do CTN, informando que, pela análise do dispositivo, temse que há possibilidade de correção do engano cometido pela Autoridade Fiscal quando exarou o Despacho Decisório impugnado, vez que a compensação efetuada está correta, tendo havido mero erro de preenchimento e o crédito está apurado em DIPJ. Traz julgados do Conselho de Contribuintes neste sentido, a saber: "IRRF — DCTF — AUDITORIA INTERNA — Comprovada a regular compensação com saldo credor e o erro na data do lançamento contábil devese cancelar a parcela remanescente da exigência. Recurso provido." (Conselho de Contribuintes, Processo n° 13.061.000174/200270, Recurso n° 145979, Relator: Gustavo Lian Haddad, Sessão 07/12/06) "IRPJ — Erro de fato — Verificada a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração de rendimentos, deve ser retificado o lançamento suplementar dele decorrente." (DRJ Manaus, Decisão n° 20263 de 17 de maio de 2001) "ERRO DE FATO. PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO: Constatado erro de fato no preenchimento da Declaração de Rendimentos, e tendo o contribuinte direito à compensação de prejuízos, procedese a tal compensação. exonerandose o crédito tributário lançado. Recurso de Ofício. (Conselho de Contribuintes, Processo n° 10.880.008657/9805, Recurso n° 126806, Relator: Raul Pimentel, Sessão 24/01/02) Pugna pela revisão do despacho impugnado, e não sendo este o entendimento, pelo recebimento e julgamento da manifestação de inconformidade. A 1ª Turma da DRJ/BEL ao julgar o feito no Acórdão nº 0114.221 (fl. 58/60v), indeferiu a solicitação da contribuinte. Inicialmente, analisa a natureza do crédito pleiteado, eis que, no pedido de compensação, foi indicado pagamento indevido ou a maior oriundo do DARF de fl. 03 e na manifestação de inconformidade diz ser o crédito referente a saldo negativo de CSLL, apurado em DIPJ retificadora. Aponta ser de fácil percepção o erro da contribuinte em relação ao pedido de compensação discutido, indicando que foi apontado crédito de pagamento indevido ou a maior a partir do DARF reproduzido em fl. 03 (R$ 1.201.173,72), que foi integralmente alocado em débito de CSLL (2484), referente a novembro de 2003, no valor de R$ 1.307.942,9, o que reflete em inexistência de pagamento indevido ou a maior com base no mencionado DARF. Indica ainda que, na DIPJ/2004 retificadora (fl. 44/47), houve a apuração de saldo negativo de CSLL com valor de R$ R$ 873.541,94, o que, no entender da autoridade julgadora, seria crédito de natureza diversa da correspondente à realidade dos fatos, sem que houvesse, por parte da contribuinte a preocupação em corrigir o erro apontado. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 4 Estabelece a distinção entre “saldo negativo CSLL” e pagamento indevido ou a maior de CSLL”, ensinando que “O saldo negativo CSLL (anual ou trimestral) é apurado na DIPJ (Ficha 17 linha 48) e corresponde, grosso modo, à diferença entre a "CSLL total" (Ficha 17 linhas ,01 a 38) e as deduções previstas em lei ( com destaque paia a CSLL mensal paga por estimativa Ficha 17 — linhas 39 a 47). Sendo anual, é determinado em 31 de dezembro. Se for trimestral, é calculado em 31/março, 30/junho, 30/setembro e 31/dezembro; Já o pagamento indevido ou a maior pode ser constatado em qualquer mês do anocalendário e ocorre quando o contribuinte, por exemplo, apura corretamente o imposto, assim o declara na DCTF e recolhe valor maior. Um outro exemplo ocorre quando o contribuinte apura o tributo, declara esse valor na DCTF e paga no valor apurado. Posteriormente, verifica que apurou o tributo a maior. Nesse caso, deve retificar a DCTF e comprovar, mediante documentos hábeis e idôneos, o erro cometido.” Assim, inexiste o crédito pleiteado pela contribuinte, eis que ela mesma reconhece como correto o recolhimento realizado pelo DARF de fl. 03, afirmando ainda que o crédito é originário de saldo negativo de CSLL. Aponta que há falta de providências para a correção do erro por parte da contribuinte referente a indicação de crédito de natureza inexistente, fere de forma irreparável a DCOMP apresentada. Para demonstrar a impossibilidade de retificação da DCOMP, aponta que, em 14 de maio de 2003, foi disponibilizado o programa PER/DCOMP, que passou a ser obrigatório para apresentação de pedido de restituição/ressarcimento e declaração de compensação a partir de 29 de setembro de 2003. Aponta ainda que nova versão do programa fora disponibilizada em 31 de dezembro de 2003. Ainda sobre o tema, indica que o artigo 10 da IN SRF nº 376/2003 esclarece que, em caso de DCOMP com crédito inexistente, devese cancelar a declaração de compensação, para, em seguida, enviar nova DCOMP, não havendo de se falar em retificação, que só é cabível quando houver inexatidões materiais no preenchimento desta, nos termos do artigo 7º da mencionada IN, tanto é que o programa PER/DCOMP não admite a retificação da natureza do crédito informado. Disto, destaca que a retificação da DIPJ/2004 não afasta as conclusões do acórdão, sendo que ante a apresentação de DCOMP com crédito inexistente o resultado é a não homologação. Prossegue, analisando os argumentos da contribuinte quanto a retificação de ofício da DIPJ. Aponta que o artigo 145 do CTN, citado pela contribuinte, não é aplicável ao caso em concreto, eis que o artigo trata de lançamento de ofício regularmente noticiado ao sujeito passivo, cuja alteração é permitida nas hipóteses dos incisos I a III do mencionado artigo, sendo que, no caso vertente, não há previsão para a atuação de ofício da autoridade administrativa no sentido de retificar ou cancelar a declaração de compensação, funções de responsabilidade da contribuinte. Ainda sobre o tema, diz que o artigo 132 do CTN não se refere à atividade de lançamento. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10283.901009/200820 Acórdão n.º 1202001.010 S1C2T2 Fl. 4 5 Informa ainda que a jurisprudência administrativa e judicial trazida pela contribuinte não influenciam a decisão do caso discutido, eis que não há lei que lhes atribua eficácia. Diz ainda que estas não constituem normas complementares do Direito Tributário, por vincularem apenas as partes envolvidas diretamente nos casos em que proferidas, apontando o artigo 100, II do CTN e o Parecer Normativo CST n° 390, de 1971. Por tais argumentos, julga por indeferir a solicitação da contribuinte. A contribuinte foi intimada do Acórdão em 22 de julho de 2009 (fl. 61), apresentando seu Recurso Voluntário (fl. 62/71) em 18 de agosto de 2009. Indica que a análise da DRJ se pautou unicamente no equívoco cometido pela contribuinte na declaração da natureza do crédito compensado, sem perquirir a existência do mesmo. Aponta que não era de sua intenção elidir o fisco na tentativa de “justificar erro injustificável” e multinacional de renome que é, paga seus impostos em dia, mas também defende equívocos cometidos por falhas em digitação, preenchimento de declarações e outras obrigações acessórias que não reflitam a verdade real dos fatos e que, se houvesse detectado a falha antes de proferido o despacho decisório, procederia a retificação da DCOMP e, na hipótese de inexistência do crédito, pagaria o débito, como ocorreu em diversas oportunidades. Diz que a alegação de impossibilidade de retificação da DCOMP indicada pela DRJ e da inação da contribuinte no cancelamento desta, pela inexistência do crédito, não deve ser considerada, uma vez que a contribuinte se utilizou dos meios de defesa para comprovar a existência do crédito e a validade da compensação. Ainda, em relação ao crédito que se buscou compensar, indica que este era oriundo de saldo negativo de CSLL, no importe de R$ 873.541,94, conforme DIPJ/2003, ficha 17, linha 48 e que foi utilizado em 03 DCOMPs: 20269.79926.270204.1.3.040008 (PA 10283.901009/200820) — Débito compensado no valor de R$ 156.539,58; 06843.05426.310304.1.3.043300 (PA 10283.900882/200803) — Débito compensado no valor de R$ 329.228,10; 24718.99382.290404.1.3.047945 Débito compensado no valor de R$ 420.931,32. Diz que, embora tenha sido indicado pela DRJ a ocorrência de grave equívoco por parte da contribuinte, ante a indicação na DCOMP de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, quando deveria ter informado saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 2003, não houve a análise da validade ou existência do crédito para a compensação. Traz jurisprudência administrativa proferida pela Receita Federal, indicativa da possibilidade de correção de erro de fato, consubstanciada nas ementas das decisões proferidas pela: DRJ em Campinas — 5ª Turma, Acórdão n° 0524644 de 21 de janeiro de 2009, DRJ em Ribeirão Preto – 5ª Turma, Acórdão n° Fl. 119DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 6 1421862 de 18 de dezembro de 2008; DRJ em Curitiba – 1ªTurma, Acórdão n° 0622083 de 07 de maio de 2009; DRJ em Juiz de Fora – 3ª Turma, Acórdão n° 09 21562 de 13 de novembro de 2008; DRJ em São Paulo – 10ª Turma, Acórdão n° 1621511 de 25 de maio de 2009; DRJ em Juiz de Fora – 6ª Turma, Acórdão n° 0921426 de 06 de novembro de 2008. Aponta que, diferentemente do entendimento da decisão recorrida, a jurisprudência pode auxiliar no julgamento da lide. Prossegue, indicando que o crédito tributário surge com o lançamento, trazendo informações sobre o lançamento por homologação. Cita doutrina de Hugo de Brito Machado e Raquel Cavalcanti Ramos. Aponta que, no caso concreto, ante a documentação trazida, há a possibilidade de correção do engano cometido pela DRJ quando proferiu o acórdão, eis que o erro da contribuinte no preenchimento da DCOMP, não afasta a existência do crédito utilizado do saldo negativo da CSLL de 2003, no importe de R$ 873.541,94 ante sua comprovação pela DIPJ trazida. Ante tais fatos, entende que não pode ser prejudicada pela mera alegação do fisco da ocorrência de grave equívoco no preenchimento da DCOMP sem que houvesse por parte deste a análise da existência e validade do crédito. Diz que tal postura fere inúmeros princípios constitucionais como a ampla defesa, contraditório e legalidade, apontando que o processo administrativo fiscal é norteado pelo princípio da verdade material, o que permite a análise dos documentos trazidos para a comprovação e validade do crédito, e por lógica, da Declaração de Compensação, o que não fora apreciado pela DRJ de origem. Neste sentido, colaciona ementas de julgados administrativos, proferidos: DRJ em Curitiba – 1ª Turma Acórdão n° 0620800 de 29 de janeiro de 2009; CSRF, Processo n° 10.920.000270/9111, Acórdão n° 01 41111 1854, Relator: Afonso Celso Mattos Lourenço, Sessão 15/05/1995; 1° Conselho de Contribuintes Acórdão n° 10196.829, Relator: Valmir Sandri, Sessão: 27/06/2008, que entende ampararem sua pretensão de revisão do acórdão com base nas informações prestadas que não correspondem à realidade trazida nos autos pela autoridade fazendária. Assim, requer o provimento do Recurso Voluntário, julgandose procedente o mesmo, para que se reconheça parte do crédito de saldo negativo de CSLL – ano calendário 2003, para quitar o débito informado, homologandose a compensação efetuada". Foi o relatório da Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, Redator ad hoc Segundo a relatora: Fl. 120DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10283.901009/200820 Acórdão n.º 1202001.010 S1C2T2 Fl. 5 7 "O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Portanto, tomo conhecimento dele. Tratase os autos de não homologação de compensação declarada pelo fato dos créditos lá registrados já terem sido compensados. O que ocorreu foi que, na Declaração de Compensação n° 20269.79926.270204.1.3.040008 (fls.1/5), a contribuinte indicou como crédito um pagamento indevido ou a maior de R$ 873.541,94, derivado de recolhimento, conforme DARF de fl.3, no valor de R$ 1.201.173,72. Em sua Manifestação de Inconformidade, esclareceu que o crédito é saldo negativo de CSLL, no valor de R$ 873.541,94, o qual está registrado na DIPJ retificadora. Na Declaração de Compensação foi indicado incorretamente o valor constante do DARF, fls 3. O Despacho Decisório não homologou pelo fato do crédito decorrente do DARF ter sido totalmente compensado, à débito de CSLL, referente ao período de novembro de 2003, no total de R$ 1.307.942,91. Portanto, não há o que se falar em pagamento indevido ou a maior. A DRJ, por sua vez, indeferiu o pedido, tendo em vista que a contribuinte não percorreu o caminho que prega o artigo 10 da IN 376/2003, o qual determina que quando é apresentado DCOMP com crédito inexistente, devese cancelar a DCOMP e reenviar nova com o crédito correto, o que não foi feito. Todavia, a contribuinte traz aos autos a DIPJ, comprovando que há saldo negativo de CSLL, fls 47, logo, os fatos que alegam são verdadeiros e não foram corretamente registrados por ocasião do preenchimento da Declaração. Assim, temos que a recorrente conseguiu demonstrar as verdades dos fatos diferente daquela constante da Declaração de Compensação em exame, demonstrou que houve equívoco no preenchimento da DCOMP pois o crédito é o constante da DIPJ e, não, do DARF. Esse entendimento tem prevalecido em julgados desse Conselho, a saber: Acórdão n° : 10807.418 “IRPJ — COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL — ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO — Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso de oficio negado.” Acórdão n° 10196.829 “COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO — Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido.” Ademais, como a recorrente trouxe comprovação do saldo negativo de CSLL, não há prejuízo ao Fisco a concordância da compensação. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 8 Para finalizar, cito as palavras do ilustre relator do Acórdão supra, Valmir Sandri: “Portanto, embora a formalização do pedido efetuado pelo contribuinte não tenha sido procedido de acordo com os atos administrativos emanados, não há como deixar de reconhecer os erros de fatos procedidos pelo contribuinte quando da formalização de seu pedido, eis que no processo administrativo, deve, acima de tudo, prevalecer a verdade matéria dos fatos e, nesse sentido, merece ser apreciado o pedido de acordo com as informações constantes do processo.” Por todo o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso, determinando o retorno do processo à unidade de origem para que a autoridade administrativa aprecie o pedido de compensação, considerando os créditos existentes na DIPJ 2004, fls 43". Foi como votou a relatora. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Fl. 122DF CARF MF Impresso em 25/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/09/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/09/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Numero do processo: 10830.014190/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - RELATOR
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Cassio Schappo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Paulo Sehn, OAB/SP n.º 109.361-B.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA RELATOR Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D’amorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Cassio Schappo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Paulo Sehn, OAB/SP n.º 109.361B. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte de forma tempestiva em face da Decisão da DRJ, que julgou procedente o lançamento de ofício, veiculado através de auto de infração, lavrado em 25/10/2010 (folhas 01/ss), para a cobrança do IPI – imposto sobre produtos industrializados, multa proporcional, multa do IPI não lançado com cobertura de crédito e juros de mora, perfazendo um montante de R$ 291.394.122,29, referente ao período de apuração de outubro/2005 a dezembro/2009, em decorrência do suposto uso indevido dos benefícios fiscais trazidos pela Lei da Informática (Lei n° 8.191/91, alterada pela Lei n° 8.248/91, com a redação dada pelas Leis n°s 10.176/2001 e 11.077/2004). A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou o lançamento procedente, nos termos do Acórdão n° 1432.958 de 22/03/2011 (fls. 748/ss). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 14 19 0/ 20 10 -1 1 Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 10830.014190/201011 Resolução nº 3201000.610 S3C2T1 Fl. 1.091 2 Inconformada com a decisão da autoridade julgadora administrativa, interpôs Recurso voluntário, em 07/06/2011 (fls. 859/ss), onde repisa os argumentos trazidos na impugnação, além de arguir a nulidade da decisão de primeira instância. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou “contrarazões” às fls. 919/940. Consta ainda dos autos, petição datada de 24/01/2012 (protocolizado diretamente no CARF), através da qual a Recorrente apresenta laudo pericial elaborado pelo Instituto Nacional de Tecnologia – INT. Em seguida os autos foram distribuídos a este Conselho que decidiu por unanimidade em converter o julgamento em diligência nos seguintes moldes: “A questão central para o deslinde do litígio fiscal consiste na apuração se os diversos modelos/produtos comercializados com o benefício fiscal pela Motorola estão efetivamente relacionados dentre aqueles que constam de processo de habilitação da empresa junto Ministério da Ciência e Tecnologia. Pelo que consta dos autos, persiste dúvida razoável em relação ao enquadramento dos produtos vendidos pela Recorrente dentre aqueles autorizados Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838. Deste modo, entendo que deve ser propiciada a ampla oportunidade para as partes esclarecerem os fatos, através da juntada de Laudo Técnico que possa demonstrar o seu direito, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório. Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, proponho que os autos retornem à DRFCAMPINAS para a realização de perícia técnica, para que sejam respondidos os seguintes quesitos: Quesitos: 1) Identificar tipo, modelo, código dos produtos, características técnicas, nome técnico e comercial, fabricante e país de origem dos modelos/produtos constantes das Notas Fiscais de Saída objeto da autuação fiscal. 2) Elaborar um quadro comparativo entre os modelos/produtos constantes das Notas Fiscais de Saída (vide folhas 173 a 176) e aqueles modelos/produtos habilitados à fruição dos benefícios fiscais da Lei de Informática e descritos na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838 (vide folhas 169 e 177 a 181). Descrever, detalhadamente, as semelhanças e/ou divergências técnicas existentes entre esses grupos de modelos/produtos. 3) Acrescentar outras informações que entender necessárias e úteis para a perfeita identificação dos modelos/produtos sob análise. As partes (Fisco e Recorrente), caso entendam conveniente, podem apresentar quesitos adicionais a serem respondidos pelos peritos. Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 10830.014190/201011 Resolução nº 3201000.610 S3C2T1 Fl. 1.092 3 Desta forma, a autoridade fiscal da DRFCAMPINAS (SP) deverá intimar a Recorrente para contratar instituição de renomada reputação (IPT, UNICAMP, ou outra similar) para realização do Laudo Técnico. Caso entenda necessário, ao término da perícia, a fiscalização poderá manifestar se sobre o Laudo Técnico elaborado. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestar se no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro, na forma regimental.” Cumpridos os requisitos da diligência e presente nos autos o novo Laudo Técnico, é o relatório. Voto Conselheiro PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Conforme as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno, apresento e relato o seguinte Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. A questão central para o deslinde do litígio fiscal consiste no resultado da apuração dos diversos modelos/produtos comercializados com o benefício fiscal concedido ao contribuinte, se esses são efetivamente os mesmos modelos/produtos relacionados no processo de habilitação da empresa junto ao Ministério da Ciência e Tecnologia, os autorizados na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838. Pelo que consta dos autos, não persiste nenhuma dúvida de que os modelos/produtos são exatamente os mesmos, contudo verificase irregularidades nos autos que precisam ser sanadas antes mesmo de motivar a decisão material da lide, sejam estas a não digitalização das fls. 2, 4 e 6 da Decisão da DRJ/RPO, assim como a não intimação do sujeito passivo solidário Motorola Solutions Indústria de Produtos de Banda Móvel LTDA, conforme fls. 3 do Auto de Infração. Deste modo, entendo que deve ser propiciada a ampla oportunidade para as partes esclarecerem os fatos, através da ciência a todos os sujeitos passivos, para que possam demonstrar o seu direito, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório. Inclusive conforme Súmula n.º 71 desse Conselho/CARF: “Súmula CARF nº 71: Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 10830.014190/201011 Resolução nº 3201000.610 S3C2T1 Fl. 1.093 4 acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade.” Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, proponho que os autos retornem à equipe de apoio deste conselho, a SECAM, para que encaminhe os autos a DRJ/RPO e realize os seguintes procedimentos: 1 seja intimada da decisão DRJ/RPO via correio com AR a Motorola Solutions Indústria de Produtos de Banda Móvel LTDA, sujeito passivo solidário conforme fls. 3 do Auto de Infração; 2 Seja juntada aos autos as fls. 2, 4 e 6 da decisão DRJ/RPO, ausentes nos autos deste processo; 3 – Seja reaberto o prazo para recurso do sujeito passivo solidário; É como voto. PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA RELATOR. Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Numero do processo: 13896.722831/2012-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
I) DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: AIOP Debcad nº 37.372.175-7 (patronal contribuinte individual).
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. INCIDÊNCIA.
É devida contribuição sobre remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais a serviço da empresa.
Quando realiza diretamente o pagamento aos profissionais da área de saúde, o Contribuinte, operador de plano de assistência odontológica, é considerado o efetivo contratante dos prestadores de serviços odontológicos.
MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO.
O sucessor responde integralmente pelos créditos tributários relativos a fatos geradores ocorridos no âmbito da sucedida e anteriormente à data da ocorrência da sucessão se esta cessar as atividades.
Em relação aos fatos geradores praticados pela incorporada (sucedida) antes do evento da sucessão, a incorporadora, sucessora universal da incorporada, responde tanto pela multa de ofício como pela multa oriunda do descumprimento de obrigação acessória.
Súmula 554/STJ: Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão.
II) DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: AIOA Debcad nº 37.372.174-9 (CFL 68).
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas.
LEGISLAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Em decorrência das alterações promovidas pela MP 449/2008, quanto às modificações dos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, o Fisco apresentou comparativo das penalidades previstas à época dos fatos e à época da autuação, em cumprimento ao previsto no inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional, aplicando a multa benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e João Victor Ribeiro Aldinucci, que davam provimento ao recurso.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 I) DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: AIOP Debcad nº 37.372.175-7 (patronal contribuinte individual). CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. INCIDÊNCIA. É devida contribuição sobre remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais a serviço da empresa. Quando realiza diretamente o pagamento aos profissionais da área de saúde, o Contribuinte, operador de plano de assistência odontológica, é considerado o efetivo contratante dos prestadores de serviços odontológicos. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. O sucessor responde integralmente pelos créditos tributários relativos a fatos geradores ocorridos no âmbito da sucedida e anteriormente à data da ocorrência da sucessão se esta cessar as atividades. Em relação aos fatos geradores praticados pela incorporada (sucedida) antes do evento da sucessão, a incorporadora, sucessora universal da incorporada, responde tanto pela multa de ofício como pela multa oriunda do descumprimento de obrigação acessória. Súmula 554/STJ: Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão. II) DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: AIOA Debcad nº 37.372.174-9 (CFL 68). OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. LEGISLAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em decorrência das alterações promovidas pela MP 449/2008, quanto às modificações dos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, o Fisco apresentou comparativo das penalidades previstas à época dos fatos e à época da autuação, em cumprimento ao previsto no inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional, aplicando a multa benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Negado.
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PLANO SAÚDE ODONTOLÓGICO Recorrente ODONTO EMPRESAS CONVÊNIOS DENTÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 I) DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: AIOP Debcad nº 37.372.1757 (patronal contribuinte individual). CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. INCIDÊNCIA. É devida contribuição sobre remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais a serviço da empresa. Quando realiza diretamente o pagamento aos profissionais da área de saúde, o Contribuinte, operador de plano de assistência odontológica, é considerado o efetivo contratante dos prestadores de serviços odontológicos. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. O sucessor responde integralmente pelos créditos tributários relativos a fatos geradores ocorridos no âmbito da sucedida e anteriormente à data da ocorrência da sucessão se esta cessar as atividades. Em relação aos fatos geradores praticados pela incorporada (sucedida) antes do evento da sucessão, a incorporadora, sucessora universal da incorporada, responde tanto pela multa de ofício como pela multa oriunda do descumprimento de obrigação acessória. Súmula 554/STJ: Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão. II) DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: AIOA Debcad nº 37.372.1749 (CFL 68). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 28 31 /2 01 2- 92 Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. LEGISLAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em decorrência das alterações promovidas pela MP 449/2008, quanto às modificações dos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, o Fisco apresentou comparativo das penalidades previstas à época dos fatos e à época da autuação, em cumprimento ao previsto no inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional, aplicando a multa benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e João Victor Ribeiro Aldinucci, que davam provimento ao recurso. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.722831/201292 Acórdão n.º 2402004.871 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, compreendendo as contribuições da empresa (artigo 22, inciso III, da Lei 8.212/91), incidentes sobre pagamentos a contribuintes individuais, nas competências 01/2008 a 12/2008. Também há o lançamento pelo descumprimento de obrigação acessória. O Relatório Fiscal (fls. 16/42) informa que o fato gerador decorre de remuneração paga aos dentistas (pessoas físicas) de rede credenciada pelo sujeito passivo para a prestação de serviços aos usuários dos planos de saúde odontológicos. Esclarece que os créditos tributários foram constituídos por meio dos seguintes lançamentos fiscais: 1. DEBCAD 37.372.1757 à referente às contribuições devidas à Seguridade Social, da parte da empresa, incidentes sobre as remunerações pagas a contribuintes individuais não declaradas em GFIP, abrangendo as competências 01/2008 a 12/2008; 2. DEBCAD 37.372.1749 à referese à aplicação da multa no Código de Fundamento Legal CFL 68 (descumprimento de obrigação acessória), lavrado por infração ao artigo 32, inciso IV e parágrafo 5º, da Lei 8.212, de 24/07/1991, na redação da Lei 9.528, de 10/12/1997, para as competências 10/2008 e 11/2008. Considerouse na aplicação da multa o contido no artigo 106, inciso II, “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), quanto à penalidade mais benéfica ao contribuinte, conforme item 8.2.10 do relatório fiscal. O Relatório informa ainda os seguintes fatos: 1. a Odonto Empresas Convênios Dentários Ltda. incorporou as empresas Gama Odonto S/A, CNPJ n° 29.411.345/000110, e Maxi Care Odontologia Empresarial S/A, CNPJ n° 05.401.529/000130, conforme consta na Ata de Assembléia Geral Extraordinária dos Acionistas realizada em 31/12/2008, corroborada pela Ata de Assembléia Geral dos Acionistas da Gama Odonto S/A, também realizada em 31/12/2008 onde consta o Protocolo e Justificação de Incorporação que celebram Odonto Empresa Convênios Dentários S/A, Gama Odonto S/A e Maxi Care Odontologia Empresarial S/A.; 2. na Ata de Incorporação das empresas consta que a Odonto Empresa Convênios Dentários S/A passou a ser responsável solidária, como incorporadora, respondendo pelo Ativo e Passivo das empresas incorporadas, conforme dispõe a legislação vigente; 3. conforme dispõe a legislação vigente, Lei 10.406/2002 (Código Civil) e Lei 6.404/76, a Odonto Empresa Convênios Dentários Ltda. é Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 responsável pelos valores das contribuições previdenciárias devidas sobre os pagamentos efetuados aos prestadores de serviços contribuintes individuais, durante o ano de 2008, pelas empresas Gama Odonto S/A e Maxi Care Odontologia Empresarial S/A.; 4. consta do Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral da empresa Gama Odonto S/A, CNPJ 29.411.345/000110, em 31/12/2008 a situação “baixada por motivo de incorporação”; 5. em relação a Maxi Care Odontologia Empresarial S/A, esta permanece com a situação ativa no CNPJ Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, apesar do protocolo de incorporação e da ata da Assembléia de 31/12/2008, constar que as empresas incorporadas seriam extintas. Intimada a respeito, a autuada esclareceu que “ao recuperar o histórico de incorporação, por uma falha de comunicação entre a contabilidade da incorporadora e da incorporada, a baixa por incorporação conforme consta na Ata da Assembléia e no Protocolo de incorporação assinados em 2008, não foi realizada, o que a nova administração da companhia se compromete a realizar todos os trâmites até o final do mês de junho/2012”; 6. os pagamentos por serviços prestados por pessoas físicas contribuintes individuais, feitos pelas empresas Odonto Empresa Convênios Dentários Ltda, Gama Odonto S/A e Maxi Care Odontologia Empresarial S/A foram apresentados em arquivos digitais e confirmados nos lançamentos contábeis; 7. Gama Odonto S/A. após confronto das informações prestadas pela empresa Gama Odonto S/A na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte/DIRF – código 0588 – rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício com as declarações em GFIP, constatouse que não foram declarados os valores em GFIP, sendo então intimada a empresa a prestar esclarecimentos pelo que foi dito que: (...) “Quanto ao procedimento adotado pela Odonto Empresa Convênios Dentários Ltda ("Odonto Empresa") de não informar em sua GFIP os pagamentos efetuados aos prestadores de serviços, pessoas físicas, a intimada esclarece que, a partir de 10/2008, os seus administradores verificaram que vinham adotando um entendimento equivocado, o que justificou a modificação do procedimento. Isto porque, conforme já esclarecido em respostas anteriores, considerando as atividades desenvolvidas pela Odonto Empresa, os pagamentos feitos a esses prestadores de serviços de sua rede referenciada se davam sempre em nome e por conta e ordem dos beneficiários dos serviços, não sendo a referida empresa a contratante de tais serviços odontológicos”. “Neste sentido, os pagamentos realizados para os beneficiários pessoas físicas (profissionais dentistas) informados na DIRF referente ao ano calendário de 2008, nada mais são do que pagamentos realizados pela Gama Odonto S/A, por conta e ordem do consumidor (beneficiário do plano odontológico) em razão de serviços odontológicos prestados por profissionais dentistas para referidos consumidores. Deste modo, a Gama Odonto S/A também não informou referidos paqamentos em GFIP”. Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.722831/201292 Acórdão n.º 2402004.871 S2C4T2 Fl. 4 5 8. a fiscalização constatou no exame dos documentos apresentados e dos lançamentos contábeis da empresa Gama Odonto S/A que os pagamentos a pessoas físicas contribuintes individuais não se tratavam de pagamento por conta e ordem do consumidor beneficiário do plano de odontológico, pois constavam nos lançamentos contábeis da empresa apresentados em arquivos digitais, validados pelo Sistema de Validação de Arquivos Digitais – SVA; 9. Odonto Empresa Convênios Dentários Ltda. Esta informou valores pagos aos contribuintes individuais nas GFIP no ano de 2008, com recolhimentos até a competência 09/2008, porém a partir do mês 10/2008 as informações e os recolhimentos não acompanharam a média mensal anteriormente informada e recolhida, sendo assim, o contribuinte foi intimado, TIF 016, a esclarecer a razão da mudança no procedimento a partir da competência 10/2008: (...) “a intimada esclarece que, a partir de 10/2008, os seus administradores verificaram que vinham adotando entendimento equivocado, o que justificou a modificação do procedimento. Isto porque, conforme já esclarecido em respostas anteriores, considerando as atividades desenvolvidas pela Odonto empresa, os pagamentos feitos a esses prestadores de serviços de sua rede referenciada se davam sempre em nome e por conta e ordem dos beneficiários dos serviços, não sendo a referida empresa a contratante de tais serviços odontológicos”. 10. embora intimada, a autuada não apresentou as folhas de pagamentos dos contribuintes individuais relativas ao ano de 2008, assim, o valor da remuneração dos segurados foi apurado pelos lançamentos nas contas do Razão corroborada pelas demais informações prestadas pela empresa e demonstrada nas planilhas anexas; 11. com base nos lançamentos realizados na Conta Contábil 41121100002 – Cobertura Assist. com Preço préestabelecido Pessoa Física – foram apurados os totais pagos aos contribuintes individuais. Os valores pagos às pessoas físicas, contribuintes individuais, informados em GFIP foram deduzidos do valor da remuneração apurada com base nos lançamentos contábeis, conforme demonstrado na planilha constante do item 5.29 do relatório fiscal; 12. Maxi Care Odontologia Empresarial S/A. Foi constatado pagamento de remuneração a pessoas físicas, prestadoras de serviços odontológicos no ano de 2008 nos lançamentos contábeis na conta 40198 Serviços Prestados – que serviram de base de cálculo para o lançamento conforme demonstrado na planilha do item 5.31.3 do relatório fiscal. A empresa informou parcialmente em GFIP os valores pagos aos contribuintes individuais. Portanto no levantamento das contribuições previdenciárias devidas, foram incluídos apenas os valores não informados em GFIP. Conclui a fiscalização que a autuada agiu em desacordo com a legislação vigente não efetuando o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre os Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 valores pagos aos prestadores de serviços, pessoas físicas, contribuintes individuais, conforme apurado nas informações contidas na DIRF/2008, nas GFIP, nos lançamentos de sua contabilidade e nos arquivos digitais apresentados pela Odonto Empresa Convênios Dentários Ltda, Gama Odonto S/A e Maxi Care Odontologia Empresarial S/A.; 13. com base nos documentos apresentados e nas informações prestadas pelas empresas, foram elaborados demonstrativos analíticos dos valores pagos aos contribuintes individuais onde constam data, nome e valores correspondentes às três empresas. Estas planilhas foram denominadas: Anexo I Odonto Empresa Convênios Dentários Ltda, Anexo II Gama Odonto S/A e Anexo III Maxi Care Odontologia Empresarial S/A; 14. conforme legislação vigente à época dos fatos geradores, IN SRP n° 03/2005 artigos 276 e 277, a base de cálculo corresponde a 60% (sessenta por cento) do valor bruto contido na Nota Fiscal, Fatura ou Recibo dos prestadores de serviços, em se tratando de empresa que atua na área da saúde. Quanto à multa aplicada, houve comparação entre as multas cabíveis antes da Medida Provisória (MP) 449/08 (multa anterior + AIOA 68) e após esta MP (multa atual) que foi convertida na Lei 11.941/09 e, portanto, a multa aplicada e discriminada no DD decorreu da observância do princípio da retroatividade benigna (art. 106, II, alínea “c”, do CTN), conforme discriminado nas planilhas de comparação de multas de fls. 50/52. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 05/12/2012 (fls. 01 e 02). A Recorrente interpôs impugnação (fls. 1477/1509 e 1674/1678) requerendo a total improcedência do lançamento e alegando, em síntese, que: 1. a empresa opera planos de assistência a saúde suplementar no seguimento exclusivo da odontologia (Doc. 2), sendo registrada na Agência Nacional de Saúde, como disposto no artigo 1°, inciso II, da Lei 9.656/98, e, no exercício de suas atividades, firma contrato de prestação de serviços na forma de Plano Privado de Assistência à Saúde Odontológica, cujos beneficiários são usuários diretos ou indiretos, com cobertura das despesas assistenciais realizados por profissionais de sua rede referenciada diretamente aos clientes usuários (Doc. 3). Acrescenta que organiza o cadastro de uma rede de prestadores de serviços odontológicos (rede referenciada) e aproxima tais prestadores de serviços e os seus clientes usuários mediante a colocação do cadastro da rede de referenciados à disposição para que os clientes escolham livremente o prestador de serviço de sua preferência, observadas as condições específicas previstas em contrato (Doc. 4). Segundo a Lei 9.656/98, a assistência deve ser paga integral ou parcialmente pela operadora contratada mediante reembolso ao beneficiário do plano ou pagamento direto ao prestador de serviços por conta e ordem do consumidor. Ou seja, os pagamentos efetuados pela autuada aos prestadores integrantes da sua rede referenciada por conta da prestação de serviços aos clientes usuários Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.722831/201292 Acórdão n.º 2402004.871 S2C4T2 Fl. 5 7 são efetuados a título de assunção dos custos relativos aos serviços de assistência odontológica prestados, sempre em nome e por conta e ordem dos clientes usuários a que se referirem tais pagamentos. Apesar de ter esclarecido que os prestadores de serviços não são contribuintes individuais (resposta ao TIF n° 15), pois a autuada não é tomadora de seus serviços, está sendo exigida a contribuição do artigo 22, inciso III, da Lei 8.212/91 indevidamente; 2. Da Não Incidência da Contribuição Previdenciária, prevista no Artigo 22, inciso III, da Lei 8.212/91, sobre os Valores Pagos aos Dentistas – Pessoas Físicas Integrantes de sua Rede Referenciada. Afirma que no anocalendário de 2008, a autuada e as empresas por ela incorporadas pagaram aos dentistas (pessoas físicas) de sua rede referenciada, valores devidos em decorrência da prestação de serviços aos usuários dos planos de saúde odontológicos, porém tais valores eram pagos por conta e ordem dos clientes usuários, sendo estes os reais tomadores dos serviços prestados. Assevera que, para a exigência da contribuição disposta no inciso III do artigo 22 da Lei 8.212/91, a pessoa jurídica além de fonte pagadora deve ser também tomadora dos serviços prestados pelos contribuintes individuais, conforme disposto na alínea "a" do inciso I do artigo 195 da Constituição Federal. No presente caso, o inciso I do artigo 1° da Lei 9.656/98 deixa claro que o tomador dos serviços prestados pelos profissionais integrantes da rede referenciada pela empresa operadora de plano de saúde é o usuário do plano odontológico e que a operadora de tal plano efetua o pagamento aos profissionais de sua rede referenciada meramente por conta e ordem desse usuário, conforme pode ser verificado nas cláusulas 2.3, 2.4 e 3.1 do contrato padrão. Aduz que o entendimento acima foi confirmado em voto de Conselheiro da 6ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes nos autos do processo 35301.003300/200634, e apesar de o colegiado ter mantido a autuação com base em parecer da Advocacia Geral da União Parecer AGU/SRG01/2008, a Câmara Superior de Recursos Fiscais em sede de recurso especial reformou tal acórdão ao entendimento de que pagamentos realizados pelas empresas operadoras de planos de saúde a profissionais (pessoas físicas) de sua rede referenciada em decorrência de prestação de serviços aos usuários, não representa fato gerador da contribuição previdenciária prevista no inciso III do artigo 22 da Lei 8.212/91. Acrescenta que o STJ também se posicionou pela não incidência da contribuição previdenciária disposta no artigo 22, inciso III, da Lei 8.212/91, sobre os pagamentos realizados pelas empresas operadoras de planos de saúde aos profissionais/pessoas físicas, integrantes de sua rede referenciada, na medida em que o tomador dos serviços não é a pessoa jurídica pagadora, mas sim o usuário do plano de saúde. Cita ainda entendimento da 1ª turma do STJ considerando que a base de cálculo do ISS não deve incluir as quantias repassadas pelas empresas operadoras de planos de saúde aos profissionais da rede referenciada, considerando que não há prestação de serviços por estes às operadoras. Conclui que os profissionais credenciados, pessoas Fl. 1780DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 físicas, não prestaram serviços a autuada, sendo os pagamentos efetuados por conta e ordem do usuário, equivalendo ao ressarcimento pelos serviços odontológicos tomados pelos beneficiários dos planos, conclusão também exarada em Parecer elaborado por escritório de advocacia que anexa (Doc. 5), devendo, portanto, ser cancelada a autuação; 3. Incorreta Imposição das Multas por Descumprimento de Obrigação Principal e Descumprimento de Obrigação Acessória. Caso permaneça a exigência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos aos profissionais da rede referenciada, a imposição das multas deve ser julgada nula, pois a fiscalização tratou as multas indistintamente como se fossem da mesma natureza, aplicando a multa de ofício de 75% nas competências de 01 a 09/2008 e a multa de ofício de 24%, acrescida da multa por descumprimento de obrigação acessória para as competências de 10 e 11/2008. Entende que o método comparativo utilizado pela fiscalização é equivocado e ofende ao disposto no artigo 106, inciso II, “c”, do CTN, por resultar em penalidade mais gravosa, e ainda porque mesmo antes ou depois da edição da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, sempre houve aplicação de multas distintas para descumprimento de obrigação principal e acessória, não podendo se admitir a comparação de multas de natureza distinta como no presente caso. Argumenta que o procedimento correto seria comparar as multas isoladamente, o que levaria a conclusão de que a multa de ofício de 24% é mais benéfica de que a multa no percentual de 75%, e a multa por descumprimento de obrigação acessória disposta no artigo 32A da Lei 8.212/91 mais benéfica que a anterior no percentual de 100% do valor devido das contribuições não declaradas, conforme planilha comparativa que elabora. Conclui que houve violação ao artigo 142 do CTN, pela falta de aplicação das penalidades cabíveis, e ao artigo 106, inciso II, “c”, do referido código, devendo ser julgados nulos os lançamentos nos autos de infração Debcad 37.372.1757 e 37.372.1749; 4. Da Impossibilidade da Exigência da Multa de Ofício sobre os Supostos Fatos Geradores Praticados pelas empresas Gama Odonto e Maxi Care. Insurgese contra a aplicação da multa de ofício relativa aos fatos geradores no ano calendário 2008 cometidos supostamente pelas empresas Gama Odonto e Maxi Care, pois estes ocorreram antes das incorporações realizadas em 31/12/2008, conforme Protocolos e Justificação de Incorporação apresentados, devendo ser aplicado o artigo 132 do Código Tributário Nacional/CTN, uma vez que a sucessora é responsável apenas pelos tributos devidos pela sociedade incorporada até a data da incorporação, excluindo a responsabilidade pelo pagamento da multa punitiva imposta após a incorporação. Conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais a transferência de responsabilidade sobre a multa fiscal somente se dá quando ela tiver sido lançada antes do ato sucessório, e como no presente caso o lançamento só foi efetuado em 05/12/2012, após a incorporação das empresas em 31/12/2008, não cabe a imposição de multa de ofício na parcela do crédito relativo a supostos fatos geradores praticados pelas sucedidas, em conformidade com o artigo 132 do CTN e Fl. 1781DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.722831/201292 Acórdão n.º 2402004.871 S2C4T2 Fl. 6 9 jurisprudência pacífica da instância administrativa citada. Requereu ao final: a improcedência do lançamento consubstanciado nos autos de infração 37.372.1757 e 37.372.1749, subsidiariamente sejam julgados nulos por vício insanável na imposição de multa de oficio de 75% no auto de infração 37.372.1757 e multa por obrigação acessória no auto de infração 37.372.1749. Caso se admita a procedência do lançamento que seja excluída a multa de ofício sobre a parcela do crédito relativo a supostos fatos geradores praticados pelas empresas Gama Odonto e Maxi Care. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campinas/SP – por meio do Acórdão no 0540.840 da 6a Turma da DRJ/CPS (fls. 1684/1701) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Agência em Barueri/SP encaminha os autos ao CARF para processo e julgamento. É o relatório. Fl. 1782DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. I) DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: AIOP Debcad nº 37.372.1757 (patronal contribuinte individual). Com relação aos contribuintes individuais, a Recorrente alega que os valores lançados pelo Fisco não constituem base de cálculo de contribuição previdenciária, porquanto ela não é a tomadora dos serviços e os valores foram pagos por conta e ordem dos clientes usuários dos planos de saúde odontológicos, sendo os usuários os reais tomadores dos serviços prestados. Essa alegação não será acatada, pois a regra contida no inciso III do artigo 28 da Lei 8.212/91 estabelece que, para o contribuinte individual, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, durante o mês, será considerada como base de cálculo da contribuição previdenciária (salário de contribuição), sem que haja a necessidade de se levar em consideração o fato de que os valores somente eram pagos após a utilização pelos usuários dos planos de saúde odontológicos, como propõe a Recorrente. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5°; (Redação dada pela Lei n° 9.876, de 1999). A Recorrente afirma que os valores pagos aos contribuintes individuais (profissionais dentistas) foram realizados a título de repasses, por conta e ordem dos clientes usuários, reais tomadores de serviços, conforme se infere do contrato designado de “Instrumento particular de condições gerais de credenciamento para prestação de serviços por profissionais de saúde ou pessoa jurídicas que prestam serviços em consultório Padrão” (fls. 1.588/1.615). Esse contrato, por si só, não demonstra a inexistência de relação jurídica de prestação de serviços entre o profissional dentista/pessoa física e a Recorrente, já que, em matéria tributária, não se pode imputar responsabilidade tributária oriunda exclusivamente de acordos particulares firmados entre a Recorrente e os profissionais da área de saúde, ademais a contribuição previdenciária é compulsória, configurada como tributo. Assim, a alegação da Recorrente de que somente realizou os repasses dos valores aos profissionais dentistas (contribuintes individuais) para o cumprimento de cláusulas do contrato particular é totalmente inócua e absolutamente ineficaz em face do Fisco, nos termos do art. 123 do CTN, que dispõe sobre a inoponibilidade das convenções privadas contra a entidade lançadora do tributo. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Fl. 1783DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.722831/201292 Acórdão n.º 2402004.871 S2C4T2 Fl. 7 11 Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. (g.n.) Por outro lado, extraise do objeto do contrato particular que o profissional da área de saúde (designado de REFERENCIADO) ficava comprometido em prestar os serviços odontológicos e/ou tratamentos em consultório(s) em regime ambulatorial e/ou emergência aos usuários (cláusula 1.1), e recebia a remuneração da Recorrente (designado de OPERADORA), nos prazos definidos no ANEXO IV disponível no site da Operadora e desde que atendidos os demais termos e condições do instrumento contratual e do Manual do Referenciado (cláusula 3.2). “Instrumento particular de condições gerais de credenciamento para prestação de serviços por profissionais de saúde ou pessoa jurídicas que prestam serviços em consultório Padrão I Do Objeto 1.1 Ao aderir ao presente instrumento o REFERENCIADO comprometese a prestar serviços odontológicos e/ou tratamentos em consultório(s) em regime ambulatorial e/ou emergência, conforme discriminados nos Anexo II e III. (g.n.) II Dos Serviços Contratados e Condições de Atendimento 2.1 Os Anexos II e III descreve os serviços a serem prestados pelo REFERENCIADO aos beneficiários, especialidades, valores e tabelas contratadas. 2.2. Os serviços a serem prestados pelo REFERENCIADO o serão no(s) regime(s) determinado(s) no Anexo II, o(s) qual(is) pode(m) consistir em ambulatorial e/ou urgência/emergência – Pronto Socorro. III Da Remuneração e do Pagamento 3.1 Os pagamentos pelos serviços prestados aos beneficiários respeitarão os valores de remuneração de honorários e insumos normalmente praticados pela OPERADORA junto à sua rede de Referenciados, conforme estipulado no Anexo II ao presente instrumento, sendo os créditos devidos realizados através de depósito na conta bancária ali indicada pelo REFERENCIADO à OPERADORA, observandose ainda as demais disposições deste instrumento. 3.2 Os serviços efetivamente prestados pelo REFERENCIADO aos beneficiários serão remunerados pela OPERADORA, nos prazos definidos no ANEXO IV disponível no site da OPERADORA e desde que atendidos os demais termos e condições deste instrumento e do Manual do Referenciado. (g.n.) 3.3 O REFERENCIADO emitirá os formulários, eletrônicos ou em papel, fornecidos pela OPERADRORA, as faturas, recibos, notas fiscais e/ou quaisquer outros documentos relativos aos Fl. 1784DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 serviços prestados e os entregará à OPERADORA no prazo máximo de 90 (noventa) dias, a contar da data do efetivo atendimento, para o endereçamento previsto no Manual do Referenciado.” (fls. 1.588/1.615) Percebese então que o operador do plano de saúde odontológico (Recorrente) assume obrigações com seus clientes e, para cumprilas, valese de profissionais dentistas, que, igualmente, assumem obrigações que deverão ser cumpridas nos limites pactuadas entre o operador e seus clientes, ainda que sujeitas a disposições legais específicas. Na realidade, o serviço prestado pelo profissional dentista é um mero desdobramento das obrigações assumidas pelo operador do plano de saúde odontológico, já que o profissional dentista não pode contratar honorários diretamente com os clientesusuários e sim com a operadora do plano de saúde, no caso analisado a própria Recorrente. Em outra palavras, a Recorrente, na qualidade de operadora de plano de assistência odontológica, é considerada a efetiva contratante dos prestadores de serviços odontológicos, os quais foram configurados como contribuintes individuais. Isso demonstra que os serviços desses profissionais eram prestados à Recorrente, a teor do art. 12, inciso V, da Lei 8.212/1991, bem como evidencia a incidência da contribuição previdenciária prevista no inciso III do art. 22 dessa mesma lei. Lei 8.212/1991: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (...) g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; ......................................................................................................... Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços;(...). Nesse caminhar, o Fisco demonstrou que os pagamentos eram realizados diretamente às pessoas físicas (profissionais dentistas) pela Recorrente para a prestação de serviços odontológicos e não se tratavam de meros repasses por conta e ordem dos beneficiários do plano de saúde (usuários), conforme se extraem dos seguintes documentos: 1. GFIP e contabilidade da Recorrente. Cumpre esclarece que a Recorrente reconhecia a incidência da contribuição patronal sobre os pagamentos feitos a pessoas físicas/contribuintes individuais, declarando em GFIP e recolhendo os valores devidos até a competência 09/2008, conforme o item 5.21 do relatório fiscal e o Termo de Intimação n° 16 (fls.773/775): “(...) a intimada esclarece que, a partir de 10/2008, os seus administradores verificaram que vinham adotando entendimento equivocado, o que justificou a modificação do procedimento. Isto porque, conforme já esclarecido em respostas anteriores, considerando as atividades desenvolvidas pela Odonto empresa, os pagamentos feitos a esses prestadores de serviços de sua rede referenciada se davam sempre em nome e por conta e ordem dos beneficiários dos serviços, não sendo a referida Fl. 1785DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.722831/201292 Acórdão n.º 2402004.871 S2C4T2 Fl. 8 13 empresa a contratante de tais serviços odontológicos”. Contudo, sem qualquer ação judicial ou consulta formulada ao Fisco, a partir de 10/2008 modificou seu entendimento passando a não recolher as contribuições incidentes sobre os pagamentos a contribuintes individuais sob a justificativa que efetuava mero repasse desses valores; 2. na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) da empresa Gama Odonto S/A os valores foram declarados nos rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício (código 0588); 3. na contabilidade da empresa Maxi Care Odontologia Empresarial S/A os valores foram registrados na conta de despesa “40198 Serviços Prestados”, contendo o histórico de pagamentos a autônomos. Nesse caminhar, os elementos de convicção revelam que a Recorrente atua no ramo de serviços odontológicos, ainda que se intitule como sendo apenas uma operadora de planos de saúde odontológicos, já que a atividadefim, a par de admitir associados aos seus planos odontológicos, na sua estrutura mantinha um núcleo produtivo que é a sua atividade principal, isto é, atendimento aos associados com oferecimento de serviços odontológicos nos estabelecimentos conveniados, mantendo, para isso, contratação de profissionais (pessoas físicas) da área de odontologia, sob a forma de contratação de prestadores de serviços. Sem dúvida, a Recorrente, a despeito de se intitular mera operadora de planos de saúde odontológicos, atua no ramo de serviços odontológicos em que os dentistas contratos estavam objetivamente inseridos em seu núcleo produtivo. Ora, aqui não estamos diante de um caso de reenquadramento de contribuintes individuais como segurados empregados, mas sim da manutenção da condição de prestador de serviços autônomo, no caso os dentistas, que efetivamente perceberam remuneração tanto da Recorrente como das empresas incorporadas pela Recorrente, que foram: Gama Odonto S/A e Maxi Care Odontologia Empresarial S/A.. E dita remuneração, como sobressai dos autos, não visava a atender repasses determinados por conta e ordem dos clientesusuários do plano de saúde odontológico, porque este era formalizado, controlado e administrado exclusivamente pela Recorrente, conforme se extrai das cláusulas 1.1 a 3.3 “do Instrumento particular de condições gerais de credenciamento para prestação de serviços por profissionais de saúde ou pessoa jurídicas que prestam serviços em consultório Padrão”, (fls. 1.588/1.615). É de se ressaltar, ainda, que, por meio do referido plano de saúde odontológico, quem está assumindo a obrigação de executar os serviços para os clientesusuários é a Recorrente, na qualidade de operadora desse plano de saúde e, como já foi frisado, os profissionais dentistas não poderiam contratar os honorários diretamente com os clientesusuários e sim com a operadora do plano de saúde (Recorrente). Diante desse contexto fático, percebese que as remunerações pagas aos profissionais dentistas, na qualidade de pessoas físicas prestadores de serviços a Recorrente, configuram a matriz de concretude de incidência de contribuição previdenciária, a teor do inciso III do artigo 22 da Lei 8.212/91, e não se acatará a alegação de que os valores foram simplesmente repasses autorizados pelos clientesusuários do plano de saúde odontológico, pois este requisito, no caso de contribuintes individuais, é dispensado para a configuração da incidência de contribuição previdenciária e os elementos probatórios demonstram que os Fl. 1786DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 14 profissionais dentistas receberam a remuneração diretamente da Recorrente e das empresas incorporadas pela Recorrente. A Recorrente (incorporadora) alega que não há previsão na legislação para a exigibilidade de multa por supostas infrações tributárias praticadas pelas sucedidas (empresas Gama Odonto S/A e Maxi Care Odontologia Empresarial S/A), razão não confiro à Recorrente, já que a multa foi aplicada em conformidade à legislação tributária a seguir delineada. Inicialmente, dentro dessa argumentação, entendo que é impertinente a discussão dessa matéria, eis que a multa foi aplicada exclusivamente em face do contribuinte (sucessora, Recorrente), este é o sujeito passivo direto da obrigação tributaria lançada no presente processo. Mas por simples debate, em outro giro, segundo a Recorrente o art. 132 do CTN não permite que haja responsabilidade de sucessão por multa de ofício e por infrações tributárias (multas pecuniárias, obrigação tributária acessória). Argumenta também que o referido código não admite a imputação às sucessoras de créditos oriundos de multa de ofício nem de infrações tributárias, salvo se tais créditos já tiverem sido formalizados pelo lançamento no momento da incorporação. Esse entendimento também não será acatado pelas seguintes razões a seguir demonstradas. Em meio à seara tributarista brasileira, dizse que responsabilidade tributária “é a submissão, em virtude de disposição legal expressa, de determinada pessoa que não é contribuinte, mas está vinculada ao fato gerador da obrigação tributária, ao direito do fisco de dirigir a prestação respectiva” (Hugo de Brito Machado, Curso de Direito Tributário, 23ª ed., São Paulo, Malheiros, 2003, p. 145). O conceito aí enunciado decorre do texto do Código Tributário Nacional (CTN), que define “responsável” pelo método da exclusão; vale dizer, define “contribuinte”, que é o sujeito que pratica o verbonúcleo da norma hipotética tributária, e, por exclusão, denomina de “responsável” todo sujeito passivo que responde pela obrigação tributária sem ser “contribuinte”, compondo essas espécies o gênero de “sujeito passivo” – arts. 121 e 128 do CTN. Por sua vez, a responsabilidade por sucessão dáse quando um sujeito sucede ao outro em universalidade de bens, créditos e débitos. Essa hipótese está arrolada no art. 132 do CTN. A punição prevista na lei tributária onera o patrimônio do sujeito passivo, que é composto de todos os seus bônus (bens e direitos) e ônus (obrigações). Esse patrimônio poderá ser transmitido, mediante a incorporação, transformação ou fusão, cabendo ao sucessor o ônus de responder por tais obrigações. Isso está em consonância com o art. 132 do CTN, in verbis: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. (g.n.) Percebese que esse art. 132, acima transcrito, está inserido na Seção II – Responsabilidade dos Sucessores, do Capítulo V Responsabilidade Tributária, do Título II – Obrigação Tributária, do Livro Segundo – Normas Gerais de Direito Tributário, do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 1787DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.722831/201292 Acórdão n.º 2402004.871 S2C4T2 Fl. 9 15 Tal Seção iniciase com o art. 129, que constitui regra geral aplicável a todas as disposições relativas às “Responsabilidade dos Sucessores” (artigos 130 a 133), e assim prescreve: Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. (g.n.) Da inteligência desse art. 129, observase que a sucessora (incorporadora, Recorrente) é responsável pelos créditos tributários constituídos em data anterior ou posterior à data do evento da sucessão (incorporação), relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data, e abarca inclusive a multa sem se fazer distinção se é de caráter moratório ou punitivo, visto ser ela imposição decorrente do não pagamento do tributo na época do vencimento. Esse entendimento também está consubstanciado na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a saber: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ARTIGO 159 DO CC DE 1916. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. MULTA TRIBUTÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SUCESSÃO EMPRESARIAL. OBRIGAÇÃO ANTERIOR E LANÇAMENTO POSTERIOR. RESPONSABILIDADE DA SOCIEDADE SUCESSORA. 1. Não se conhece do recurso especial se a matéria suscitada não foi objeto de análise pelo Tribunal de origem, em virtude da falta do requisito do prequestionamento. Súmulas 282 e 356/STF. 2. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas abrange as multas, moratórias ou de outra espécie, que, por representarem penalidade pecuniária, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. 3. Segundo dispõe o artigo 113, § 3º, do CTN, o descumprimento de obrigação acessória faz surgir, imediatamente, nova obrigação consistente no pagamento da multa tributária. A responsabilidade do sucessor abrange, nos termos do artigo 129 do CTN, os créditos definitivamente constituídos, em curso de constituição ou "constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data", que é o caso dos autos. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. (REsp 959389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009)” ......................................................................................................... “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL EM EMBARGOS À EXECUÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO Fl. 1788DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 16 SUCESSOR EMPRESARIAL POR INFRAÇÕES DO SUCEDIDO. ARTIGO 133 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. PRECEDENTES. 1. Em interpretação ao disposto no art. 133 do CTN, o STJ tem entendido que a responsabilidade tributária dos sucessores estendese às multas impostas ao sucedido, sejam de natureza moratória ou punitiva, pois integram o patrimônio jurídico material da sociedade empresarial sucedida. 2. Os arts. 132 e 133, do CTN, impõem ao sucessor a responsabilidade integral, tanto pelos eventuais tributos devidos quanto pela multa decorrente, seja ela de caráter moratório ou punitivo. A multa aplicada antes da sucessão se incorpora ao patrimônio do contribuinte, podendo ser exigida do sucessor, sendo que, em qualquer hipótese, o sucedido permanece como responsável. É devida, pois, a multa, sem se fazer distinção se é de caráter moratório ou punitivo; é ela imposição decorrente do nãopagamento do tributo na época do vencimento". (REsp n. 592.007/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ de 22/3/2004). 2. Recurso especial provido. (REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009)” (grifo nosso). ......................................................................................................... TRIBUTÁRIO. EMPRESA INCORPORADORA. SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SUCESSOR. MULTA FISCAL (MORATÓRIA). APLICAÇÃO. ARTS. 132 E 133, DO CTN. PRECEDENTES. 1. Recurso Especial interposto contra v. Acórdão segundo o qual não se aplicam os arts. 132 e 133, do CTN, tendo em vista que multa não é tributo, e, mesmo que se admita que multa moratória seja ressalvada desta inteligência, o que vem sendo admitido pelo STJ, in casu tratase de multa exclusivamente punitiva, uma vez que constitui sanção pela não apresentação do livro diário geral. 2. Os arts. 132 e 133, do CTN, impõem ao sucessor a responsabilidade integral tanto pelos eventuais tributos devidos quanto pela multa decorrente, seja ela de caráter moratório ou punitivo. A multa aplicada antes da sucessão se incorpora ao patrimônio do contribuinte, podendo ser exigida do sucessor, sendo que, em qualquer hipótese, o sucedido permanece como responsável. Portanto, é devida a multa, sem se fazer distinção se é de caráter moratório ou punitivo, visto ser ela imposição decorrente do não pagamento do tributo na época do vencimento. 3. Na expressão "créditos tributários" estão incluídas as multas moratórias. 4. A empresa, quando chamada na qualidade de sucessora tributária, é responsável pelo tributo declarado pela sucedida e Fl. 1789DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.722831/201292 Acórdão n.º 2402004.871 S2C4T2 Fl. 10 17 não pago no vencimento, incluindose o valor da multa moratória. 5. Precedentes das 1ª e 2ª Turmas desta Corte Superior e do colendo STF. 6. Recurso provido. (STJ, 1a Turma, REsp 432049/SC, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, J. 13/08/2002, DJ 23.09.2002, p. 279) (g.n.) Nesse caminhar, o STJ sumulou a matéria nos seguintes termos: Súmula 554/STJ: Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 09/12/2015. DJe 15/12/2015. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu favoravelmente ao Fisco, aduzindo que o princípio da personalização da pena não tem guarida no direito tributário, e que a tese da intransmissibilidade das multas fiscais deve ser evitada, sob pena de criar um instrumento de evasão ao Fisco. Confirase a ementa do acórdão proferido no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) n.º 83.613/SP, e os principais trechos do voto condutor, proferido pelo e. Ministro CORDEIRO GUERRA: RE 83613/SP Ementa: MULTA FISCAL. Responsabilidade do sucessor. Precedentes: RE 74.851, RE 59.883, RE 77.187SP. Recurso extraordinário conhecido e provido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO CORDEIRO GUERRA: (RELATOR) – No Recurso Extraordinário n.º 77.187 – SP, assim votou o eminente relator: Fls. 3/4 A multa punitiva no Direito Tributário, que se distancia de outros ramos da Ciência Jurídica principalmente por sua autonomia dogmática, revestese de natureza patrimonial, não lhe aproveitando o aceno à aplicação da norma superior de personalização, consentânea com os princípios do Direito Penal. (...) A esse voto dei minha anuência, repelindo a interpretação literal do art. 133 do CTN propugnada pelo recorrente, com base no art. 129 do mesmo código que estabelece a responsabilidade dos sucessores pelos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos fatos nela referidos. Na expressão créditos tributários a meu ver, se incluem as multas sob pena de fraudarse o direito do Fisco à percepção de seus créditos legítimos em face da lei. Fl. 1790DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 18 Por esses motivos, conheço do recurso e lhe dou provimento”. (g.n.) Esses entendimentos não divergem do entendimento manifestado pelo CARF. Vejase: “PIS. MULTA. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Responde o sucessor pela multa de natureza fiscal. O direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades), ainda mais quando a incorporada e a incorporadora possuíam o mesmo quadro societário. PIS. DECADÊNCIA. O lançamento da contribuição ao PIS está sujeito ao prazo de decadência de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência dos fatos geradores, nos termos do art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional, especialmente na hipótese de terem sido efetuados pagamentos parciais nos períodos abrangidos pelo lançamento.” (CSRF, Segunda Turma, Processo n.º 10880.002521/9540, Sessão de 23/01/2007, Relator Antonio Carlos Atulim, Acórdão: CSRF/0202.589). ......................................................................................................... “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO – INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADES SOB CONTROLE COMUM – SUCESSÃO – CARACTERIZAÇÃO – A interpretação do artigo 132 do CTN, moldada no conceito de que a pena não deve passar da pessoa de seu infrator, não pode ser feita isoladamente, de sorte a afastar a responsabilidade do sucessor pelas infrações anteriormente cometidas pelas sociedades incorporadas, quando provado nos autos do processo que as sociedades, incorporadora e incorporadas, sempre estiveram sob controle comum. Recurso voluntário negado.” (CSRF, Segunda Turma, Processo: n.º 11080.002826/200176, Sessão de 23/04/2007, Relator Antonio Bezerra Neto, Acórdão: CSRF/0202.623). Extraemse ainda desses entendimentos do STJ, do STF e do CARF que, na sucessão empresarial, a responsabilidade tributária da sucessora (incorporadora, Recorrente) engloba créditos relativos a tributos e multas, inclusive a multa de ofício. Isso decorre do fato de o patrimônio ser definido como um conjunto de bens, direitos e obrigações, de forma que o sucessor não recebe apenas o bônus, mas também arca com o ônus (obrigações – dentre elas as multas aplicadas pelo Fisco) integrantes do patrimônio. Com isso, não pode ser afastada a responsabilidade da Recorrente (sucessora, incorporadora) em relação às multas aplicadas no presente lançamento fiscal. II) DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: AIOA Debcad nº 37.372.1749 (CFL 68). Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.722831/201292 Acórdão n.º 2402004.871 S2C4T2 Fl. 11 19 Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência de a Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente não informou ao Fisco, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração dos contribuintes individuais que lhes prestaram serviços na qualidade de dentistas (odontólogos). Os valores da remuneração dos segurados foram devidamente delineados no Relatório Fiscal e no AIOP 37.372.1757 (patronal contribuinte individual). Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Lei 8.212/1991 – Lei de Custeio da Previdência Social (LCPS): Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 5º. A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Esse art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o preenchimento e as informações prestadas são de inteira responsabilidade da empresa, conforme preceitua o seu art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o: Decreto 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 20 fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. § 2º A entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá ser efetuada na rede bancária, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) § 3º A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social é exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não incluir na GFIP todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração dos contribuintes individuais – incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o, do Regulamento da Previdência Social (RPS). No que tange à alegação de que a imposição das multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória estaria incorreta, essa alegação não será acatada, pois foi aplicado o princípio da retroatividade benéfica, a teor do inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional (CTN). Cumpre esclarecer que a Medida Provisória (MP) 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, revogou o artigo 32, parágrafo 5º da Lei 8.212/91, alterou o artigo 35 e incluiu os artigos 32A e 35A nessa mesma lei, e, com isso, houve modificação nas regras para aplicação de multa decorrente do descumprimento de obrigações acessórias relativas à GFIP, que é o caso dos autos. Em decorrência das modificações promovidas pela MP 449 nos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, convertida na Lei 11.941/2009, o Fisco apresentou comparativo das penalidades previstas à época dos fatos e à época da autuação, e aplicou a multa benéfica ao contribuinte, conforme previsão do inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional. Diante desse quadro, somente houve a aplicação da multa oriunda da obrigação acessória, AIOA Debcad nº 37.372.1749 (CFL 68), para as competências 10/2008 e 11/2008, e de forma simultânea a aplicação da multa de mora pelo não cumprimento da obrigação principal no tempo oportuno, com fundamento no artigo 35 da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, além do recolhimento do valor referente à própria obrigação principal, conforme planilhas de fls. 50/52 e subitem “8.2.11” do Relatório Fiscal. Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.722831/201292 Acórdão n.º 2402004.871 S2C4T2 Fl. 12 21 Para as demais competências, aplicouse a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei 9.430/1996, na redação dada pela Lei 11.488/2007, além do lançamento do valor relativo às contribuições devidas (subitem “8.2.10” do Relatório Fiscal). Assim, afastamse tanto a alegação da Recorrente de que deveria ser aplicada a multa prevista no art. 32A da Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, para a obrigação acessória, como a alegação de que não se deveria aplicar a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei 9.430/1996, na redação dada pela Lei 11.488/2007, já que a situação apresentada pelo Fisco no quadro comparativo entre o total da multa anterior e o total multa atual (subitens “8.2.10 e 8.2.11” do Relatório Fiscal) representa um contexto fático mais benéfico ao contribuinte, conforme preconiza o princípio da retroatividade benéfica tributária, previsto no inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional. Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente embasado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente não se verificou a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGAR PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001799/2003-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
RESTITUIÇÃO.
Cabe admitir a restituição de pagamento indevido quando os documentos acostados aos autos comprovam o direito líquido e certo do contribuinte, em homenagem ao princípio da verdade material
Numero da decisão: 1401-001.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 15.09.2015. Da mesma maneira, tendo em vista que o relator Maurício Pereira Faro não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto.
Participaram do julgamento os conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à Época do Julgamento).
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 15.09.2015. Da mesma maneira, tendo em vista que o relator Maurício Pereira Faro não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto. Participaram do julgamento os conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à Época do Julgamento).
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Cabe admitir a restituição de pagamento indevido quando os documentos acostados aos autos comprovam o direito líquido e certo do contribuinte, em homenagem ao princípio da verdade material Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização do Acórdão Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 15.09.2015. Da mesma maneira, tendo em vista que o relator Maurício Pereira Faro não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto. Participaram do julgamento os conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à Época do Julgamento). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 99 /2 00 3- 60 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16327.001799/200360 Acórdão n.º 1401001.288 S1C4T1 Fl. 254 2 Relatório Tratase de recurso interposto pelo contribuinte contra acórdão que julgou procedente o auto de infração. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto e transcrevo o relatório do órgão julgador a quo: Tratase de manifestação de inconformidade (fl. 84) em face de Despacho Decisório (fls. 21 e 22), que homologou parcialmente a Declaração de Compensação 06414.824058.310504.1.3.030179 (fls. 06 a 09), por insuficiência de direito creditório decorrente de Saldo Negativo de IRPJ a Pagar do anocalendário de 2002. 2. No parecer que acompanha o referido Despacho, a autoridade aprecia os fatos e oferece os fundamentos para a decisão, conforme resumo abaixo: i) haveria divergência entre os pagamentos de IRPJ Estimativa que 1 teriam gerado o Saldo Negativo de IRPJ a Pagar, do anocalendário de 2002, declarados na DIPJ, e os valores efetivamente pagos; ii) o interessado teria, ainda, incluído na estimativa de 03/2002, recolhimento referente a incentivo fiscal, que não poderia ser objeto de restituição; iii) em razão disso, o direito creditório decorrente do Saldo Negativo de IREI a Pagar do anocalendário de 2002, seria reduzido de R$ 80.929,01 (fl. 11), conforme consta da D1PJ, para R$ 49.877,23, consoante apurado pela autoridade (fls. 21 e 22); iv) em consequência, foram homologadas a DCOMP em formulário• (fls 01 e 02) e a DCOMP eletrônica 10305.17500.310504.1.3.02,8981 (fls. 10 a 13), e, apenas parcialmente, a DCOMP eletrônica 064414.82405.310504.1.3.030179 (fls. 06 a 09). 3. Cientificado do Despacho Decisório, em 19/06/2008 (fl. 29), o interessado protocolizou manifestação de inconformidade, em 11/07/2008 (fl. 84), apresentando as1 seguintes informações e pedido, em resumo: i) teria emitido, para os meses de 03/2002 e 04/2002, documento de retificação de DARF (fl. 85), alterando o código de arrecadação 9032 IRPJ Opção FINAM para o código 2319 IRPJ Estimativa, conforme cópias juntadas (fls.86 e 87); ii) requer, assim, seja considerada a referida retificação de DARF’s e tomada sem efeito a cobrança do IRPJ no valor original de R$ 52.376,33 (fls. 14, 24 e 25). Fl. 254DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16327.001799/200360 Acórdão n.º 1401001.288 S1C4T1 Fl. 255 3 Em face de tais argumentos, entenderam os membros da 8ª Turma de Julgamento da DRJ/SPOI, por unanimidade de votos, indeferir a impugnação, e por via de consequência, julgar procedente o lançamento, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DARF REDARF NÃO ATENDIDO. APRECIAÇÃO PELAS INSTÂNCIAS JULGADORAS. IMPOSSIBILIDADE. A irresignação em face do não atendimento a pedido de REDARF não instaura litígio administrativo passível de apreciação pelas instâncias julgadoras, por falta de previsão legal, cabendo ser aplicado ao caso o disposto no artigo 56, parágrafo 1°, da Lei 9.784/99, que trata do recurso hierárquico. RECOLHIMENTO DE INCENTIVO FISCAL. INTEGRAÇÃO NO SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IMPOSSIBILIDADE. A inclusão de valor recolhido a titulo de investimento incentivado, no Saldo Negativo do IRPJ a Pagar do, ano, não é admitida pelas normas fiscais de apuração do imposto, estando, assim, obstada sua utilização como direito creditório na compensação tributária. Solicitação Indeferida Em face do referido acórdão de Primeira Instância o contribuinte (HEWLETT PACKARD ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A ) interpôs Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos Fl. 255DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16327.001799/200360 Acórdão n.º 1401001.288 S1C4T1 Fl. 256 4 adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Conforme consta no relatório, tratase de manifestação de inconformidade (fl. 84) em face de Despacho Decisório (fls. 21 e 22), que homologou parcialmente a Declaração de Compensação 06414.824058.310504.1.3.030179 (fls. 06 a 09), por insuficiência de direito creditório decorrente de Saldo Negativo de IRPJ a Pagar do anocalendário de 2002. Entendo que o ponto nodal do presente caso é a possibilidade, ou não, da utilização de REDARF após a decisão do despacho decisório, bem como a origem do crédito alegada pela Recorrente. Vejamos. Alega o Recorrente que a insuficiência do direito creditório que ensejou a homologação apenas parcial da DCOMP 064414.82405.310504.1.3.030179, se deve ao fato de a autoridade não ter considerado, como pagamentos de IRPJ Estimativa dos meses de ! 03/2002 e 04/2002, os valores de R$ 28.083,47 e R$ 32.365,76, originalmente recolhidos como incentivo fiscal, a título de IRPJ Opção FINAM, código 9032 (fls. 86 e 87), e, posteriormente, retificados pelo pedido de retificação de DARF, REDARF (fl. 85), para IRPJ Estimativa, código 2319. Deve ser notado, porém, que, consoante os registros existentes no Sistema Integrado de Informações EconômicoFiscais SIEF, da RFB, somente o valor de R$32.365,76, do mês 04/2002, foi retificado, da IRPJ Opção FINAM, código 9032, para IRPJ Estimativa, sob o código 2319 (fl. 93). Esta é a razão pela qual a autoridade incluiu tal valor na composição do Saldo Negativo de IRPJ a Pagar do anocalendário de 2002 (fl. 21). Embora não conste do SIEF que tenha sido realizada a mesma alteração de código, para o valor R$ 8.083,47, esta quantia está registrada como recolhimento a titulo de IRPJ Opção FINAM (fl. 95), na forma do DARF original (fl. 86). Importa observar que a citada insuficiência de crédito se deveu, em valores precisos, conforme demonstrativo a seguir apresentado, aos recolhimentos de IRPJ Estimativa do anocalendário de 2002 realizados a menor em relação aos declarados na respectiva DIPJ, da seguinte forma: R$ 28.001,71, de 03/2002 (correspondentes, aproximadamente ao citado recolhimento de IRPJ Opção FINAM, de R$ 28.083,47), R$ 1.190,77, referente às diferenças de 07/2002 e 08/2002, e de R$ 1.859,31, relativo às diferenças de 10/2002, 11/2002 e 12/2002, totalizando, as insuficiências dos períodos, RS 31.051,79, conforme se demonstra no quadro abaixo: Fl. 256DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16327.001799/200360 Acórdão n.º 1401001.288 S1C4T1 Fl. 257 5 Todavia o equívoco expresso na contestação da exclusão anteriormente referida do valor de R$32.365,76, está demonstrada e a Recorrente, com respeito às diferenças apontadas no quadro acima, questiona aquela relativa ao mês 03/02, quando recolheu o IRPJ Opção FINAM, código 9032, objeto de posterior pedido de retificação. Embora o pedido de retificação do DARF não tenha sido atendido pela administração fiscal, devese observar o princípio da verdade material, mesmo porque a restituição de pagamento indevido é conduta imposta pela moralidade administrativa (art. 37 da Constituição Federal). Assim, há que se concluir que tal questão deve ser discutida no âmbito do presente processo de compensação. Tem cabimento, assim, a pretensão da Recorrente em converter, recolhimento efetuado a título de incentivo fiscal, IRPJ Opção FINAM, de 03/2002, em pagamento de IRPJ Estimativa do mês, para fins de compor o Saldo Negativo de IRPJ a Pagar do anocalendário de 2002, transformando tal saldo em direito creditório utilizável na compensação de débito de IRPJ Estimativa relativo a 12/2003 (fls. 07 e 08). Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Fl. 257DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 10540.720939/2013-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2010
ADA. ITR. ISENÇÃO APP. O Ato Declaratório Ambiental tempestivo é condição indispensável para a isenção de ITR da área de preservação permanente existente no imóvel rural. No caso dos autos não foi apresentado ADA.
RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. Para a isenção do ITR de área de reserva legal é indispensável, pelo menos, a averbação tempestiva da referida área na matrícula do imóvel rural. No caso dos autos não foi feita a averbação da ARL.
VTN. IMÓVEL RURAL SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. No caso de imóvel sem avaliação por aptidão agrícola no SIPT, mitiga-se a utilização do VTN arbitrado pelo SIPT, que é substituído pelo VTN aceito pelo contribuinte e, portanto, incontroverso. Caso dos autos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em prover parcialmente o recurso para modificar o VTN total da propriedade, para o valor de R$ 17.840.759,38, aceito pelo contribuinte.
MARIA CLECI COTI MARTINS
Presidente Substituta e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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ITR. ISENÇÃO APP. O Ato Declaratório Ambiental tempestivo é condição indispensável para a isenção de ITR da área de preservação permanente existente no imóvel rural. No caso dos autos não foi apresentado ADA. RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. Para a isenção do ITR de área de reserva legal é indispensável, pelo menos, a averbação tempestiva da referida área na matrícula do imóvel rural. No caso dos autos não foi feita a averbação da ARL. VTN. IMÓVEL RURAL SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. No caso de imóvel sem avaliação por aptidão agrícola no SIPT, mitigase a utilização do VTN arbitrado pelo SIPT, que é substituído pelo VTN aceito pelo contribuinte e, portanto, incontroverso. Caso dos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 09 39 /2 01 3- 63 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em prover parcialmente o recurso para modificar o VTN total da propriedade, para o valor de R$ 17.840.759,38, aceito pelo contribuinte. MARIA CLECI COTI MARTINS Presidente Substituta e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10540.720939/201363 Acórdão n.º 2401004.027 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte que visa modificar a decisão no Acórdão 0356.029 1a Turma da DRJ/BSB, que considerou improcedente a impugnação ao lançamento de ITR, de ofício, para o imóvel rural "Formoso do Guará", NIRF 2.440.5167, com área declarada de 19.831,4ha, localizado no Município de CorrentinaBA. A ciência da decisão recorrida ocorreu em 26/12/2013. O Recurso Voluntário foi interposto em 21/01/2014. Observo que existem dois AR´s no processo relativamente à ciência da decisão, tendo em vista que a primeira intimação fora enviada desacompanhada do Acórdão de Impugnação. A decisão recorrida está assim ementada. DA RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO PERDA DA ESPONTANEIDADE O inicio do procedimento administrativo ou medida de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores, portanto cabe ser mantida as informações declaradas na DITR quanto à distribuição das áreas do imóvel, que não são objeto da lide. DA REVISÃO DE OFICIO ERRO DE FATO A revisão de oficio de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. DAS ÁREAS COM REFLORESTAMENTO As áreas utilizadas com reflorestamento cabem ser devidamente comprovadas com documentos hábeis, conforme exigido pela autoridade fiscal. DA ÁREA DE PASTAGEM A área de pastagem a ser aceita será a menor entre a área de pastagem declarada e a área de pastagem calculada, observado o respectivo índice de lotação mínima por zona de pecuária, fixado para a regido onde se situa o imóvel. 0 rebanho necessário para justificar a área de pastagem aceita cabe ser comprovado com prova documental hábil. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) SUBAVALIAÇÃO Fl. 188DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 Para fins de revisão do VTN/ha arbitrado pela fiscalização, correspondente ao VTN/ha constante do SIPT, exigese que o Laudo de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT (NBR 14.6533), principalmente no que tange aos dados de mercado coletados, de modo a atingir fundamentação e Grau de precisão II, demonstrando, de forma clara e convincente, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis que pudessem justificar a revisão pretendida. Conforme registrado no Acórdão de Impugnação, a lide diz respeito exclusivamente à glosa das áreas com reflorestamento e de pastagem, respectivamente 9.800ha e 5.820,0ha, e sobre o VTN, arbitrado em R$ 2.143,00/ha, conforme apontado no SIPT. O Recurso Voluntário repisa as alegações da impugnação, conforme a seguir. Houve erro no preenchimento da declaração de ITR/2010, pois foram omitidas áreas de preservação permanente, de reserva legal, ocupada com benfeitorias, pastagens, e utilizada com pecuária. Também busca alterar a área total do imóvel, de 19.831,40 ha para 20.332,74ha. Apresentou laudo técnico que confirma as informações que pretende sejam alteradas na DITR, e pedido de Certificação do Imóvel, a ser expedida pelo INCRA. Apresenta informações sobre o cálculo do valor da terra nua conforme determinado pela prefeitura de localização do imóvel e, também pelo laudo técnico, aonde informa o VTN para a propriedade, para o ano de referência, no importe de R$ 17.840.759,38 (efl. 109). O valor total apurado pelo SIPT é de R$ 42.498.690,20. O laudo técnico teria comprovado 2.201,16ha como de preservação permanente, conforme art. 4, inc. I, alíneas "a" e "b" e inciso IX da Lei 12.651/2012. Também comprovaria a existência de 4.069,00ha totalmente preservada, de reserva legal, e que foi delimitada por ocasião do georreferenciamento do imóvel. O novo código florestal desobriga a averbação da área de reserva legal, sendo apenas necessário o registro no CAR. O Cadastro Ambiental Rural (CAR) é um registro público, eletrônico, de abrangência nacional tem como finalidade integrar as informações ambientais para controle, monitoramento, planejamento ambiental e econômico e combate ao desmatamento, obrigatório para todos os imóveis rurais. Junta aos autos os certificados de inscrição no Cadastro Estadual Florestal de Imóveis Rurais das matrículas que compõem o imóvel, atestando as áreas de preservação permanente e de reserva legal. Informa ainda que o laudo também atesta a existência de: a. 148,14ha da propriedade são ocupadas com benfeitorias, sob a forma de cercas e estradas internas do imóvel, b. 99,83ha em reflorestamentos de Eucalipto em fase de desenvolvimento vegetativo, não tendo sido realizado nenhum corte, c. 13.814,61ha em pastagem nativa, que, em 2009, foram cedidas em regime de comodato, onde foram apascentadas 3500 cabeças de gado (anexou contratos aos autos). É o relatório. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10540.720939/201363 Acórdão n.º 2401004.027 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora O Recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. Primeiramente é importante esclarecer que, após o início do procedimento fiscal, não se pode fazer modificação nas informações prestadas pelo contribuinte para a propriedade rural, a não ser se comprovada a existência de erro formal em situações específicas. No curso do procedimento fiscal, as alterações nas informações porventura necessárias, devem decorrer da investigação fiscal, às quais o contribuinte possui o direito de se defender através de impugnação e recursos. No caso dos autos, não foi juntado aos autos o ADA para as áreas de preservação permanente, e nem as áreas de reserva legal foram averbadas no registro do imóvel. O contribuinte apresentou certificados de inscrição, em 17 de janeiro de 2014, no Cadastro Estadual Florestal de Imóveis Rurais do INEMA Instituto (estadual) do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, em que são declaradas áreas de preservação permanente, de reserva legal e de vegetação nativa. Contudo, tais documentos não são considerados suficientes para a comprovação de APP e ARL para o período considerado. Alertase para o fato de que a legislação vigente à época determina que a isenção de ITR só pode ser concedida mediante a apresentação de ADA (áreas de preservação permanente e de reserva legal) e de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel rural. Entendo que o ADA é uma exigência legal, conforme art. 17O par. 1o. da lei 6938/81 que visa municiar o órgão ambiental com informações para o planejamento do cumprimento das normas ambientais pelos contribuintes. A obrigatoriedade da averbação de reserva legal está consignada no parágrafo 8o., art. 16, da Lei nº 4.771/1965 (Código Florestal), vigente à época. Considerando a legislação a seguir e a informação de que o imóvel não tem avaliação média por aptidão agrícola no SIPT, é possível aceitar o VTN conforme o laudo apresentado pelo recorrente. Lei 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos Fl. 190DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.(g.n.) Lei 8.629/93 Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos:(Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) III dimensão do imóvel;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IV área ocupada e ancianidade das posses;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias.(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) (grifei) §1oVerificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA.(Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §2o Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel.(Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) Como forma de comprovar a destinação de áreas para pastagens, foram juntados aos autos dois contratos de comodato em que o comodatário poderia apascentar 1.200 e 2.300 bovinos na propriedade do comodante Fazenda Formoso do Guará. Os contratos foram feitos para o período 20/12/2007 a 20/12/2010. Também possui uma declaração emitida em 2013, de que gado bovino de propriedade do comodatário foram vacinados nos anos 2007, 2008, 2009 e 2010. Foi anexada também uma declaração do comodatário, datada de 2013, de que, 2.300 bois foram "apascentados" na Fazenda Formoso do Guará no período 2007 a 2010. Entendo que os documentos juntados aos autos não são suficientes para corroborar a alegação do recorrente de que no período considerado, houve efetivamente atividade de pecuária e/ou reflorestamento na propriedade. Também carece de provas mais contundentes sobre a existência de 148,14ha com benfeitorias. Com relação à atualização de dados relativos à propriedade (área total, etc.), deve ser pleiteada junto à agência da Receita Federal de jurisdição da propriedade através de procedimento próprio. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10540.720939/201363 Acórdão n.º 2401004.027 S2C4T1 Fl. 5 7 Tendo em vista o exposto, voto por prover parcialmente o recurso para modificar o VTN total para a propriedade, para o valor de R$ 17.840.759,38, aceito pelo contribuinte. Maria Cleci Coti Martins Fl. 192DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 11684.000964/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 22/08/2006
JUROS MORATÓRIOS. SELIC.
Os juros moratórios, calculados com aplicação da taxa Selic, são devidos pelo não pagamento de tributos nos prazos previstos na legislação específica.
MULTA MORATÓRIA. EXIGIBILIDADE.
Procede a exigência de multa de mora nos casos de solicitação, feita no despacho de importação, de preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabível.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3302-002.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Domingos De Sá Filho, Lenisa Prado e Walker Araújo, que davam provimento.
Fez sustentação oral: Dr. Luiz Romano - OAB 14.303 - DF.
[assinado digitalmente]
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
[assinado digitalmente]
MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Ausente justificadamente o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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INDEFERIMENTO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses previstas em lei, ex vi do parágrafo 4º do artigo 16 do Decreto nº. 70.235/1972, incluído pela Lei nº 9.532/1997. PEDIDO DE PERÍCIA NÃO FORMULADO. Considerarseá não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV, do artigo 16, do Decreto n° 70.235/1972. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 22/08/2006 ACORDO DE COMPLEMENTAÇÃO ECONÔMICA N.º 58 (ACE 58). OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. TRIANGULAÇÃO COMERCIAL COM OPERADOR DE TERCEIRO PAÍS NÃO SIGNATÁRIO. DESCUMPRIMENTO. A interveniência de um operador de outro país não participante do ACE 58, deve ser informada em campo próprio do Certificado de Origem emitido por autoridade competente de Estado Parte exportador. Ainda que atendidas as condições de expedição direta e esteja lastreada em Certificado de Origem emitido por autoridade competente de Estado Parte exportador, não faz jus a redução tarifária prevista no acordo a operação de importação de mercadoria originária de Estado Parte, se o exportador for de outro país não membro do Acordo e não houver o atendimento aos requisitos exigidos no ACE 58. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 4. 00 09 64 /2 00 7- 15 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 2 Data do fato gerador: 22/08/2006 JUROS MORATÓRIOS. SELIC. Os juros moratórios, calculados com aplicação da taxa Selic, são devidos pelo não pagamento de tributos nos prazos previstos na legislação específica. MULTA MORATÓRIA. EXIGIBILIDADE. Procede a exigência de multa de mora nos casos de solicitação, feita no despacho de importação, de preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabível. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Domingos De Sá Filho, Lenisa Prado e Walker Araújo, que davam provimento. Fez sustentação oral: Dr. Luiz Romano OAB 14.303 DF. [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Ausente justificadamente o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado por VOTORANTIM METAIS ZINCO S/A, com CNPJ 42.416.651/000883, em face do Acórdão nº. 35.882, de 29/10/2014, proferido pela 1ª Turma da DRJ/FNS, que, à unanimidade, julgou improcedente Impugnação mantendo o crédito tributário lançado. Em face da minudência da situação fática retratada, adoto o relatório da r. decisão de primeira instância, conforme a seguir transcrito, exceto apenas quanto às transcrições de base legal para evitar repetição desnecessária: “Trata o presente processo de auto de infração de fls. 02/10, lavrado para exigência de Imposto de Importação, multa de mora e juros de mora, importando o crédito tributário no valor total de R$1.018.971,81. A exigência em tela originouse da desqualificação de certificado de origem das mercadorias importadas através da DI Fl. 285DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 11684.000964/200715 Acórdão n.º 3302002.936 S3C3T2 Fl. 264 3 n.º 06/10000580 (fls. 16/39), registrada em 22/08/2006, com a consequente cobrança do imposto de importação devido. A fiscalização relata que a autuada importou minério de zinco através da DI retro citada, solicitando a isenção do tributo devido à condição de preferência tarifária da mercadoria em questão, por ser originária do Peru, indicando os certificados de origem n.ºs 041408, 041409, 040903, 040902, 040944, 040943, 040942, (fls. 42, 45, 48, 54, 57 e 60) para comprovação de sua origem.(sic). Todavia, na análise da documentação apresentada pela importadora, inclusive quando intimada para tal, a fiscalização constatou e concluiu que: Os certificados de origem n.ºs 41408 e 41409, emitidos pela Câmara de Comércio de Lima/Peru, referemse às faturas de n.ºs 0020002682 e 0105181/002 0002680/0030000180/041 0001915. Estes certificados de origem tratam de operações comerciais com o exportador/produtor: AYS S.A. Em ambos certificados, consta no campo observações o seguinte: LA MERCADERIA OBJETO DE ESTE CERTIFICADO DE ORIGEM SERA FACTURADA DE UN PAÍS TERCERO POR GLENCORE INTERNATIONAL AGBAARERMATTSTRASSE 3 P.O.BOX 777 CH6301BAAR/SWITZERLAND. Os certificados de origem n.ºs 40903 e 40902, emitidos pela Câmara de Comércio de ima/Peru, referemse às faturas de n.ºs TRBP 018665 e TRBP 018666. Estes certificados de origem tratam de operações comerciais com o exportador/produtor: VOLCAN COMPANIA MINERA SAA e CONSORCIO MINERO S.A. CORMIN. Em ambos certificados, consta no campo observações o seguinte: LA MERCADERIA OBJETO DE ESTE CERTIFICADO DE ORIGEM SERA FACTURADA DE UN PAÍS TERCERO: TRAFIGURA BEHEER B.V. AMSTERDAM, BRANCH OFFICE LUCERNE ZURICHSTRASSE 5, 6002 LUCERNE SWITZERLAND. Os certificados de origem n.ºs 40944, 40943 E 40942, emitidos pela Câmara de Comércio de Lima/Peru, referemse às faturas de n.ºs 100191, 01513 E 01514. Estes certificados de origem tratam de operações comerciais com o exportador/produtor: BHL RESOURCES LIMITED INC. e MINERA HUALLANCA S.A. (os dois últimos certificados). Em ambos certificados, consta no campo observações o seguinte: NOTIFICADO: VOTORANTIM METAIS ZINCO S.A., RODOVIA BR 267 KM 119 IGREJINHA JUIZ DE FORA MG / BRASIL, CNPJ 42.416.651/000883. Estas informações atendem ao disposto no artigo 13 do anexo V do ACE 58: Na DI n.º 06/10000580 registrada pela interessada, consta como exportador a empresa VOTORANTRADE, de Curaçao, Antilhas Holandesas, país não membro da ALADI. A legislação pertinente, (ACE 58, anexo 5, art.13), não prevê o reconhecimento do certificado de origem quando o processo é Fl. 286DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 4 instruído com certificados de origem relativos a outras transações comerciais (entre outras pessoas jurídicas) mesmo que tenha sido negociado o mesmo produto. Assim, os certificados apontados são considerados peças estranhas à instrução da declaração de importação em análise, e por fim, que as faturas que instruem a declaração de importação tratam de transação comercial entre empresa situada em país não signatário do acordo de complementação econômica n° 58 (VOTORANTRADE Curaçao – Antilhas Holandesas) e uma empresa nacional (VOTORANTIM METAIS ZINCO S.A.) / que neste caso não é alcançada pelo beneficio fiscal. A importadora impetrou mandado de segurança exclusivamente para liberação da mercadoria. A interessada obteve liminar com a finalidade pretendida e posteriormente foi denegada segurança (fls. 133/139). Diante desta análise, e sendo literal a interpretação da legislação tributária que dispuser de outorga de isenção de imposto de importação, conforme preceitua o art. 111, inciso II, da lei 5.172/66 (CTN), concluiu pelo não reconhecimento da preferência tarifária pretendida e pela exigência dos recolhimentos do Imposto de Importação, multa e juros de mora. Lavrado o auto de infração, a interessada tomou ciência do mesmo, apresentando impugnação às fls. 147/173, alegando o que segue: 1) A Impugnante é empresa que se dedica à produção e venda, principalmente para o exterior, de zinco metálico obtido a partir do processamento de minério de zinco sulfetado, classificado na Nomenclatura Comum do Mercosul ("NCM") sob o código 2608.00.10 ("Minério"). Parte do Minério importado pela Impugnante é originário do Peru e, dessa forma, faz jus a benefícios de alíquota 0% do Imposto de Importação, previsto nos Acordos de Complementação Econômica n°s 58 e 39 (ACE 58 e ACE 39), negociados no âmbito da referida Associação ("ALADI"), da qual são partes o Brasil e o Peru. Para gozar dos benefícios previstos em referidos acordos a impugnante apresentou os certificados de origem (041408, 041409, 040903, 040902, 040944, 040943, 040942) que atestam que o Minério importado foi efetivamente extraído do Peru e é originário daquele país para efeitos de aplicação dos acordos mencionados. 2) O despacho de importação do minério foi instruído com faturas da empresa vendedora (fls. 40/41, 43/44, 46/47, 49/50, 52/53, 55/56 e 58/59), a Votorantrade NV, localizada em Curaçao, Antilhas Holandesas, e que assim como a Impugnante, é empresa pertencente ao grupo "Votorantim". A Votorantrade adquire o minério dos fornecedores Peruanos e o revende à Impugnante, sendo que a mercadoria é remetida diretamente do Peru ao Brasil, sem transitar fisicamente por Curaçao. 3) A operação de importação descrita acima é perfeitamente legal e visa principalmente a obtenção de prazos mais longos de financiamento e encontrase prevista, inclusive, no texto do próprio ACE 58. Em outras palavras, o ACE 58 garante o Fl. 287DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 11684.000964/200715 Acórdão n.º 3302002.936 S3C3T2 Fl. 265 5 tratamento tributário preferencial às mercadorias faturadas em país distinto desde que comprovada a sua origem. 4) Durante o despacho aduaneiro foram apresentadas as petições de fls. 11/115 no intuito de demonstrar a estrutura da operação triangular acima indicada e que de fato ocorreram duas operações de venda, e não apenas um mas dois faturamentos distintos. Tratase de operação em que o produtor/fornecedor fatura e vende para terceiro (Votorantrade), e este, por sua vez, fatura e revende para a Impugnante. Ocorre que a exigência das autoridades aduaneiras era para a apresentação das faturas emitidas pelos produtores/fornecedores para a impugnante, e de fato tais documentos não existem pois não houve qualquer transação direta entre referidas empresas. Tudo de acordo com o ACE 58 que prevê expressamente em seu Anexo V (relativo ao regime de origem), no artigo 13, a hipótese de faturamento feito por terceiro operador a partir de país distinto daquele do qual a mercadoria é originária. 5) As empresas GLENCORE, TRAFIGURA, MINERA HUALLANCA E BHLRESOURCES são fornecedores do minério para a Votorantrade e não emitem faturas diretas para a Impugnante, e que possíveis erros formais que possam conter os Certificados de Origem (emitidos pela Câmara de Comércio de Lima), objeto de referida importação, deveriam ser corrigidos de acordo com o procedimento previsto nos artigos 15 e 16 do Anexo V do ACE 58 sem que sejam impedidos os trâmites de importação e despacho das mercadorias. No entanto a autoridade fiscal não adotou este procedimento, fazendo exigências descabidas. 6) Conforme já dito minério originário do Peru é vendido pelos fornecedores à Votorantrade, e em seguida revendido por esta à Impugnante, sendo que a mercadoria é remetida diretamente do Peru ao Brasil, nos termos do artigo 14 do ACE 58. A operação de importação descrita é perfeitamente legal, visa principalmente a obtenção de prazos mais longos de financiamento e encontrase prevista, inclusive, no texto do próprio ACE 58, notadamente no artigo 13 de seu anexo V que trata do regime de origem. Além disso, o ACE 58 estabelece como condição para a fruição do beneficio tarifário a expedição direta da mercadoria transacionada, ou seja, que a mercadoria originária de um País signatário siga diretamente deste País para o País signatário no qual esteja localizada a empresa que a adquiriu. É importante ressaltar que o minério importado pela impugnante obedeceu ao requisito acima disposto da expedição direta, tanto assim que o conhecimento de embarque (B/L) que amparou o transporte da mercadoria indica claramente que o minério foi embarcado no Porto de Callao (localizado no Peru) e posteriormente desembarcado no Porto de Itajaí (fls. 61). 7) Diante do exposto, concluise que as transações comerciais efetuadas pela impugnante estão amparadas tanto na Fl. 288DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 6 possibilidade de faturamento por operador localizado em país diferente ao da origem da mercadoria (artigo 13 do Anexo V do AXE 58), quanto na expedição direta do Minério do Peru para o Brasil (artigo 14 do Anexo V do ACE 58) e, dessa forma, não há base legal para se negar o reconhecimento da preferência tarifária ao caso concreto.(sic). 8) Ainda a esse respeito, vale ressaltar que a identificação da origem de mercadoria transacionada com beneficio tarifário disciplinado por Tratados Internacionais é o elemento fundamental na determinação do gozo da preferência tarifária pelo importador. 9) Fiscalização Federal afirma no Auto de Infração ora impugnado que os certificados de origem que instruíram a DI no 06/09999502 são "relativos a outras transações comerciais (entre outras pessoas jurídicas)". A esse respeito, é importante esclarecer e enfatizar que em nenhum momento houve transações comerciais entre "outras pessoas jurídicas", mas apenas a operação triangular, perfeitamente amparada pelo ACE 58, entre o fornecedor do minério e a Votorantrade, e posteriormente entre a Votorantrade e a Impugnante. 10) É possível que a equivocada interpretação da fiscalização tenha surgido em razão dos erros cometidos pela Câmara de Comercio de Lima quando do preenchimento dos certificados de origem que instruíram a DI n.º 06/10000580. Estes certificados, apesar de indicarem corretamente no campo "Observações" os números das faturas emitidas pela Votorantrade como aquela responsável pelo faturamento, a partir de um terceiro país, do minério à impugnante conforme determina o artigo 13 do Anexo V do ACE 58, indicaram erroneamente o nome da empresa que forneceu o minério à Votorantrade (Glencore International AG), provavelmente porque, normalmente, cabe ao próprio fornecedor peruano solicitar à Câmara de Comércio de Lima a emissão do certificado de origem de seu produto para venda ao exterior, ao invés de indicar no referido campo o nome da Votorantrade, que foi a empresa que efetivamente revendeu e faturou o Minério à Impugnante. Os referidos equívocos cometidos pela Câmara de Comercio de Lima são identificáveis quando se analisa os respectivos documentos (faturas comerciais e certificados de origem) que instruíram a DI n° 06/10000580 e que já foram anexados ao Auto de Infração, conforme explicação abaixo: • A fatura comercial n°. 0020002682 da Votorantrade (fls. 40/41) tem sua numeração corretamente mencionada no Certificado de Origem n°. 041408 (fls. 42). No entanto, percebe se que tal certificado, no campo em que deveria ter indicado a Votorantrade como responsável pelo faturamento do Minério à Impugnante, indicou a empresa "Glencore International AG", que é, na verdade, o fornecedor/vendedor daquele Minério para a Votorantrade. O mesmo equivoco aconteceu com relação fatura comercial n°. 001/05181/0020002680/0030000180/041 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 11684.000964/200715 Acórdão n.º 3302002.936 S3C3T2 Fl. 266 7 0001915 da Votorantrade (fls. 43/44), que tem sua numeração mencionada no Certificado de Origem n°. 041409 (fls. 45); • A fatura comercial n°. TRBP018665 da Votorantrade (fls. 46/47) tem sua numeração corretamente mencionada no Certificado de Origem n°. 040903 (fls. 48). No entanto, percebe se que tal certificado, no campo em que deveria ter indicado a Votorantrade como responsável pelo faturamento do Minério à Impugnante, indicou a empresa "Trafigura Beheer B.V. Amsterdam", que é, na verdade, o fornecedor/vendedor daquele Minério para a Votorantrade. O mesmo equivoco aconteceu com relação à fatura comercial n°. TRBP018666 da Votorantrade (fls. 49/50), que tem sua numeração mencionada no Certificado de Origem n° 040902 (fls. 51); • A fatura comercial n°. 100191 da Votorantrade (fls. 52/53) tem sua numeração corretamente mencionada no Certificado de Origem n°. 040944 (fls. 54). No entanto, percebese que constou do certificado apenas a informação de que a Impugnante seria o "notificado" da importação e, dessa maneira, o produtor do Minério no Peru, denominado "BHL Resources Limited Inc." figurou no documento como se fosse o "exportador ou produtor" da mercadoria; O mesmo equivoco aconteceu com relação As faturas comerciais n° 001513 (fls. 55/56) e 001514 (fls. 58/59) da Votorantrade, cujas numerações foram mencionadas nos certificados de origem no 040943 (fls. 57) e n° 040942 (fls. 60). Neste caso, os certificados também indicaram a Impugnante como o "notificado" da importação e, dessa maneira, o produtor do Minério no Peru, denominado "Minera Huallanca S.A.", figurou como se fosse o "exportador ou produtor" da mercadoria; Ainda que tenham ocorrido os equívocos acima mencionados, é importante frisar que os certificados de origem em questão indicam a numeração das faturas emitidas pela Votorantrade. Além disso, os documentos já juntados ao Auto de Infração comprovam, de forma inequívoca, que o minério importado é originário do Peru e que ocorreu no caso concreto a expedição direta, o que por si só justifica a concessão da preferência tarifária em discussão. 11) O erro formal no preenchimento dos certificados de origem jamais poderia dar ensejo à alegação de não fruição do beneficio tarifário, especialmente porque tal erro formal não tem a capacidade de alterar a origem do minério importado. Ademais, os referidos erros são passíveis de retificação aliás, por iniciativa que deve partir das próprias autoridades aduaneiras do país do importador conforme determina o próprio Anexo V do ACE 58 em sua Seção IV, arts. 15 e 16. Não houve, no caso concreto, qualquer providência da fiscalização no sentido de cumprir as determinações contidas no supra transcrito artigo 16 do Anexo V do ACE 58 e notificar a impugnante para que esta pudesse providenciar a retificação dos certificados de origem, e, apenas se tal determinação não fosse cumprida pela impugnante é que a Fiscalização poderia então Fl. 290DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 8 desconsiderar a origem da mercadoria e cobrar os valores dos tributos de importação. Há na presente autuação uma evidente violação aos ditames contidos em referido Tratado Internacional e o não atendimento do princípio da verdade material, que impõe ao seu julgador a busca por elementos que revelem a verdade dos fatos. 12) Como é sabido, o erro formal no preenchimento dos certificados de origem jamais poderia dar ensejo à alegação de não fruição do beneficio tarifário, especialmente porque tal erro formal não tem a capacidade de alterar a origem do minério importado. Ademais, os referidos erros são passíveis de retificação, aliás, por iniciativa que deveria ter partido das próprias autoridades aduaneiras, conforme determina o próprio Anexo V do ACE 58 em sua Seção IV: Notase desde logo que os erros formais nos certificados de origem não são capazes de afetar a qualificação da origem da mercadoria que, conforme a jurisprudência do E. Conselho de Contribuintes, é o elemento mais importante na determinação da fruição da preferência tarifária pela parte importadora. Além disso, é de se notar que não houve, no caso concreto, qualquer providência da D. Fiscalização Federal no sentido de cumprir as determinações contidas no artigo 16 do Anexo V do ACE 58 e notificar a Impugnante para que esta pudesse providenciar a retificação dos certificados de origem. 13) O mero erro formal não pode se sobrepor à verdade material dos fatos ocorridos. Vale frisar mais uma vez que, na hipótese ora analisada, a verdade material é que o minério importado pela impugnante é originário do Peru, nos termos do artigo 3°, do anexo V, do ACE 58 e que ocorreu a expedição direta do minério do Peru ao Brasil, estando presentes os requisitos para a concessão da preferência tarifária em discussão. 14) A exigência fiscal ora combatida viola ainda dispositivos do Acordo Geral sobre Tarifas e Comercio (GATT 1947) ao impor penalidade pecuniária sobre a Impugnante com base em meros erros formais nos certificados de origem. De acordo com o art. VIII do Anexo V do ACE 58 os Estados Partes não poderão impor (inclusive no tocante aos documentos a exibir, à documentação e à emissão de certificados) penalidades severas (como, por exemplo, a exigência de tributo em hipótese de concessão de preferência tarifária e multa) por ligeiras infrações (se existentes) à regulamentação ou ao processo aduaneiro. 15) Multa de mora: a impugnante atendeu a todos os requisitos necessários para a concessão da preferência tarifária a garantida pelo ACE 58, restando indevida, portanto, a cobrança de multa de 20% sobre o valor do imposto incidente sobre a importação do minério. 16) Juros SELIC: a jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade da taxa SELIC aos créditos tributários, uma vez que essa taxa não foi criada por lei para fins tributários. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 11684.000964/200715 Acórdão n.º 3302002.936 S3C3T2 Fl. 267 9 17) Por fim, a impugnante pleiteia seja integralmente acolhida a presente impugnação, para o fim de se reconhecer a improcedência da exigência fiscal ora impugnada (incluindo imposto, multa e juros de mora).” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu a lide conforme demonstra a ementa da decisão proferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 22/08/2006 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. ACE 58. CERTIFICADO DE ORIGEM. DESQUALIFICAÇÃO. Impõese a perda de preferência tarifária percentual pleiteada com base em acordo internacional firmado no âmbito do Mercosul quando verificado que o certificado de origem não espelha a operação comercial de aquisição da mercadoria importada. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 22/08/2006 JUROS MORATÓRIOS. SELIC. Os juros moratórios, calculados com aplicação da taxa Selic, são devidos pelo não pagamento de tributos nos prazos previstos na legislação específica. Cientificada da decisão de primeira instância em 09/12/2014, conforme Aviso de Recebimento de fl. 221, a interessada apresentou Recurso Voluntário em 07/01/2015, fl. 222, no qual retrata basicamente os mesmos argumentos já aduzidos na peça impugnatória, que podem ser assim resumidos: “Diante do exposto, a Recorrente está certa de haver demonstrado que as importações objeto da DI 06/10000580 observaram os requisitos para a concessão da preferência tarifária estabelecida pelo ACE 58 às suas importações (i.e. o Minério ser originário do Peru, expedição direta do Peru ao Brasil), restando incontestável o seu direito ao tratamento tarifário preferencial na importação do referido Minério. Nesse sentido, a exigência do Imposto de Importação, acrescido de juros e multa nas referidas importações representa um evidente desrespeito ao artigo VIII do GATT e ao ACE 58 ao não considerar a verdade material (i.e. o cumprimento dos requisitos para a preferência tarifária) e se ater a erros formais passíveis de retificação por iniciativa da própria Fiscalização. Dessa forma, fere o artigo 5º, §2º, da CF/88 e também o artigo 98 do CTN, segundo o qual ”os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha”. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 10 Ademais , a lavratura do Auto de Infração caracterizou evidente violação às normas descritas pelo art. 16, do anexo V, ao ACE 58 e artigo 15 da Resolução 252/99, bem como pelo art. 112 do CTN ao pretender a D. Autoridade Administrativa penalizar a Recorrente sem a devida instauração do procedimento indicado nos referidos artigos. Em face de todo o exposto, a Recorrente tem como amplamente demonstrado que o V. Acórdão recorrido deve ser reformado, eis que a autuação lavrada carece de suporte técnico e legal. Ademais, e caso seja necessário, a Recorrente desde já protesta pela produção de todas e quaisquer provas em direito admitidas, inclusive a realização das diligências e perícias necessárias para a comprovação dos fatos e direitos ora alegados. Por fim, pleiteia seja integralmente acolhido e julgado procedente o presente Recurso Voluntário, para o fim de se reconhecer a improcedência da presente autuação e das exigências fiscais ora impugnadas(incluindo imposto, multa e juros de mora), com o cancelamento dos supostos créditos fiscais, penalidades e acréscimos reclamados e o consequente arquivamento do processo administrativo. Por fim, a recorrente pleiteia seja integralmente acolhido e julgado procedente o presente Recurso Voluntário, para o fim de se reconhecer a improcedência da presente autuação e das exigências fiscais ora impugnadas (incluindo imposto, multa e juros de mora).” É o relatório. Voto PRELIMINARMENTE Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Do objeto da ação judicial Demonstram os autos que o Recorrente impetrou Mandado de Segurança n.° 2006.51.11.0008078 na 1ª VARA FEDERAL DE ANGRA DOS REIS, no entanto, pelo teor da Sentença de fls.134/139, constatase que o objeto da Ação Mandamental era o imediato desembaraço das mercadorias em vista da interrupção do despacho aduaneiro das importações de minério de zinco sulfetado, através das Declarações de Importação nºs 66/09999502 e 06/10000580 registradas em 22/08/2006, como demonstram os excertos a seguir transcritos: Por fim, consignese que não se apreciou neste writ o direito ou não da impetrante a usufruir do beneficio fiscal contemplado no Fl. 293DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 11684.000964/200715 Acórdão n.º 3302002.936 S3C3T2 Fl. 268 11 ACE 58. Apenas foi julgado o acerto da postura tomada pelos fiscais aduaneiros que exigiram documentos capazes de espelhar a origem dos bens importados. Como a mercadoria já foi liberada, diante do caráter satisfativo da liminar concedida poucos efeitos práticos advirão desta sentença. Restam ao. fisco o direito de, após regular processo administrativo e eventual comprovação do não enquadramento da operação na situação de isenção, efetuar o lançamento fiscal das exações devidas em decorrência da importação em questão. Do exposto, verificase que não há renúncia à instância administrativa, visto que não há concomitância de pedidos nas esferas administrativa e judicial. Do pedido de produção de provas a posteriori Protesta o impugnante pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Em caráter preliminar, em se tratando de prova documental, deve esta ser apresentada juntamente com a peça impugnatória, conforme determina o art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972. Notese que o § 4º do art. 16 do mesmo diploma legal, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 1997, permite ao impugnante apresentar provas documentais em outro momento processual, quando demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou quando se refira a fato ou a direito superveniente ou, ainda, se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Conforme preceitua o § 5º do art. 16 do referido Decreto nº 70.235, de 1972 com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997 a juntada de documentos em momento posterior à apresentação da impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência das condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Observese que até o momento não houve a solicitação de juntada de documentos ao processo com esteio no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, acima consignado, assim, conquanto tenha protestado pela posterior juntada de documentos, até a presente data a impugnante não trouxe aos autos quaisquer elementos probatórios adicionais nem apresentou qualquer petição demonstrando a ocorrência de alguma das hipóteses legais que autorizam a juntada posterior de prova documental. Do pedido de perícia não formulado Observese ainda que no caso de obtenção de provas por meio de diligências ou perícias, essas providências devem ser expressamente solicitadas na impugnação, sendo exigido ainda o atendimento dos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, tais como os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito, considerandose não formulado o pedido de diligência ou perícia, quando desatendidas tais exigências, por força das disposições do § 1º do art. 16 do diploma legal em referência. Assim, ao requerer a perícia feita também de forma genérica o recorrente não atendeu à disposição legal em comento, uma vez que sequer elaborou os quesitos referentes aos Fl. 294DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 12 exames desejados. Outrossim, não apontou o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito, motivos pelos quais considero NÃO FORMULADO o pedido de perícia. MÉRITO Preferência tarifária em função da origem da mercadoria Da análise da peça recursal verificase que a matéria nuclear da presente lide cingese ao exame dos documentos que instruem a DI n.º 06/10000580 (fls. 16/39), notadamente quanto à participação do suposto operador na importação em destaque, à luz das regras do Acordo de Complementação Econômica n.º 58, doravante (ACE 58), visto que são incontroversos o trânsito direto da mercadoria e a Certificação emitida pelas autoridades do Estado Parte produtor. Tendo em vista que o Tratado de Montevidéu de 1980, que criou a Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), firmado pelo Brasil em 12 de agosto de 1980 e aprovado pelo Congresso Nacional, por meio do Decreto Legislativo nº 66, de 16 de novembro de 1981, prevê a modalidade de Acordo de Complementação Econômica, foi firmado pelos Estados Partes do MERCOSUL, e a República do Peru o (ACE 58), incorporado ao ordenamento jurídico interno através do Decreto n.º 5.651, de 2005. Sendo o Brasil, paísmembro da citada associação, assinou o Regime Geral de Origem, através da Resolução 78 do Comitê de Representantes – ALADI/CR/Resolução 78 (Decreto nº 98.874, de 24 de novembro de 1990), cuja REGULAMENTAÇÃO DAS DISPOSIÇÕES REFERENTES À CERTIFICAÇÃO DE ORIGEM operouse através do Acordo 91, apenso ao Decreto nº 98.836, de 1990, que trata de sua execução em nível nacional. Com efeito, a Resolução ALADI/CR/Resolução nº 252, de 4 de agosto de 1999 que engloba as Resoluções nºs 227, 232 e os Acordos nºs 25, 91 e 215 do Comitê de Representantes da ALADI, em seu art. 9º veio permitir a participação de um operador de um terceiro país, membro ou não da ALADI, nos seguintes termos: “Nono. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino.” Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, o campo correspondente do certificado não deverá ser preenchido. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação.” Fl. 295DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 11684.000964/200715 Acórdão n.º 3302002.936 S3C3T2 Fl. 269 13 Nesses termos, dispõem os artigos a seguir transcritos do anexo V do (ACE 58): Artigo 13 – Faturamento em país distinto ao da origem Quando a mercadoria originária for faturada por um operador de uma Parte Signatária ou não do Acordo diferente ao da origem da mercadoria, no campo relativo a “Observações” do Certificado de Origem deverá indicar que a mercadoria será faturada por esse operador, indicando o nome, denominação ou razão social e domicílio de quem em definitivo faturar a operação no destino, assim como o número e a data da fatura comercial correspondente. (gn) Na situação à que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida pelo operador da Parte Signatária ou não do Acordo, distinta à de origem, o importador apresentará à administração alfandegária correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, na qual deverá indicar o número e data da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a importação. Seção IV: Controle e Verificação Artigo 15 As autoridades aduaneiras As autoridades aduaneiras da Parte Signatária importadora não poderão impedir os trâmites de importação e o despacho ou levantamento das mercadorias quando: a) o Certificado de Origem apresente erros formais; b) existam discrepâncias na classificação tarifária das mercadorias; c) existam dúvidas sobre a expedição direta das mercadorias; d) existam dúvidas sobre a qualificação da origem das mercadorias; ou d) existam dúvidas sobre a autenticidade da certificação. Em tais situações, as autoridades aduaneiras, previamente ao despacho ou retirada da mercadoria, poderão exigir o cancelamento dos tributos correspondentes ou a constituição de uma garantia pelo valor equivalente dos mesmos, de acordo com legislação nacional da Parte Signatária importadora. No entanto, não serão aceitos os certificados de origem incompletos, em formato distinto do estabelecido no presente Regime, aqueles não emitidos por funcionários habilitados ou quando a autoridade aduaneira formule observações distintas das indicadas nas letras a) a e) precedentes. Em tais casos, o Fl. 296DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 14 importador deverá proceder ao pagamento dos gravames correspondentes a Partes não Signatárias do Acordo. Artigo 16 Retificação de Certificados de Origem Caso sejam detectados erros de forma no Certificado de Origem, ou seja, erros que não afetem a qualificação de origem da mercadoria, a autoridade aduaneira conservará o Certificado de Origem original e notificará o importador, indicando os erros que tornam o Certificado de Origem inaceitável. O importador deverá apresentar a retificação correspondente em um prazo máximo de trinta (30) dias corridos contados a partir da data de recebimento da notificação. Dita retificação deve ser realizada mediante nota, em exemplar original, que deve conter a emenda, a data e o número do certificado de origem, e estar assinada por uma pessoa autorizada para expedir certificados de origem da entidade certificadora. Se o importador não cumprir a apresentação da retificação correspondente no prazo estipulado, a autoridade competente da Parte Signatária importadora poderá desconhecer o caráter originário da mercadoria e procederseá à execução das garantias apresentadas ou à cobrança do valor dos tributos de importação, conforme o caso.(gn). Ante as normas citadas dessumese que há amparo legal para a participação de um operador de uma Parte Signatária ou não do Acordo, diferente ao da origem da mercadoria, logo a questão não se prende à possibilidade de participação de um operador ainda que de uma Parte não Signatária do Acordo em importações da espécie dos autos, mas na verificação da compatibilidade dos documentos instrutórios da importação aos requisitos impostos na legislação quanto à operacionalização de um operador de país não signatário em importação com pleito de preferência tarifária. É importante destacar a natureza da operação descrita pela Recorrente, na forma dos excertos a seguir: Item 10 (fl.227) – no intuito de demonstrar a estrutura da operação triangular acima indicada, de fato ocorreram duas operações de venda e não apenas um, mas dois faturamentos distintos. Tratase de uma operação em que o produtor/fornecedor fatura e vende para terceiro (Votorantrade), e este, por sua vez fatura e revende para a Recorrente. Ocorre que a exigência das Autoridades Aduaneiras era para a apresentação das faturas emitidas pelos produtores/fornecedores para a Recorrente, e de fato esses documentos não existem, pois não houve qualquer transação direta entre as referidas empresas.(gn) Fl. 297DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 11684.000964/200715 Acórdão n.º 3302002.936 S3C3T2 Fl. 270 15 Item 13 (fl.228) As empresas GLENCORE INTERNATIONAL, TRAFIGURA, MINERA HUALLANCA e BHL RESOURCES, que constam nos mencionados certificados de origem, são fornecedores do minério para a Votorantrade e não emitem faturas diretas para a Recorrente, e que possíveis erros formais que possam conter os Certificados de Origem (emitidos pela Câmara de Comércio de Lima) objeto de referida importação devem ser corrigidos de acordo com o procedimento previsto nos artigos 15 e 16 do Anexo V do ACE 58 sem que sejam impedidos os trâmites de importação e despacho da mercadoria. Analisase, portanto, o suporte documental instrutório da DI n.º 06/1000058 0, registrada em 22/08/2006 (fls. 16/39), na qual a importadora, VOTORANTIM METAIS ZINCO S.A. requer a redução tarifária de 100% do Imposto de Importação com base no ACE 58, para a mercadoria, minério de zinco sulfetado blenda, faturas: 0020002682, 01 05181/0020002680/0030000180/0410001915, TRBP 018665, TRBP 018666, 100191, 001 513 e 001514, tendo como exportador: VOTORANTRADE NV, País: Antilhas Holandesas. 1 Conhecimento n.º 1, de 07/08/2006, fl. 61, porto de embarque: Callao/Peru; porto de descarga: Itajaí/Brasil, veículo: navio Dong Chang Hai; toneladas de minério de zinco: 13.225,60. Remetente: VOTORANTRADE NV, Curacao, Netherlands Antilles; Destinatário: Votorantim Metais Zinco S.A. 2 Invoices: 0020002682, 0105181/0020002680/0030000180/041 0001915, TRBP 018665, TRBP 018666, 100191, 001513 e 001514: emitente: VOTORANTRADE NV, Curacao, Netherlands Antilles para Votorantim Metais Zinco S.A. Mercadoria: zinco concentrado. 3 Certificados de origem: 3.1 n.ºs 41408 e 41409 fls. 42 e 45: 3.1.1 Signatário da Declaração de Origem Assina como Exportador/produtor a empresa AYS S.A; 3.1.2 – Campo: OBSERVAÇÕES: As mercadorias objeto destes certificados de origem, invoices n.ºs 0020002682 e 01 05181/0020002680/003 0000180/0410001915, serão faturadas de um terceiro país, Glencore International Ag., Switzerland; 3.2 n.ºs 40903 e 40902 (fls. 48 e 51): 3.2.1 Signatário da Declaração de Origem Assina como Exportador/produtor as empresas Volcan Compania Minera SAA e Consorcio Minero S.A; 3.2.2 – Campo: OBSERVAÇÕES: As mercadorias objeto destes certificados de origem, invoices n.ºs TRBP 018665 e TRBP 018666, serão faturadas de um terceiro país, Trafigura Beheer B.V. Amsterdam. 3.3 n.ºs 40944, 40943 e 40942 (fls. 54, 57e 60): invoices n.ºs 100191, 01513 E 01514 3.3.1 Signatário da Declaração de Origem Assinam como Exportador/produtor as empresas BHL RESOURCES LIMITED INC. e MINERA HUALLANCA S.A); 3.3.2 – Campo: OBSERVAÇÕES: Em ambos certificados, consta no campo observações o seguinte: NOTIFICADO: VOTORANTIM METAIS ZINCO S.A., RODOVIA BR 267 KM 119 IGREJINHA JUIZ DE FORA MG /BRASIL, CNPJ 42.416.651/000883. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 16 Da análise do suporte documental em cotejo com a natureza da operação descrita pela Recorrente constatase uma evidente contradição, haja vista que todas as faturas que instruíram a DI foram emitidas pela empresa VOTORANTRADE, de Curaçao, Antilhas Holandesas, país não membro da ALADI e identificada na referida DI como empresa exportadora, no entanto nos Certificados de Origem nºs: 41408, 41409, 40903, 40902, 40944, 40943 e 40942, além de não haver qualquer indicação de que as mercadorias objeto da certificação de origem estariam sendo faturadas por esse interveniente, conforme prevê o art. 13 do anexo V do ACE 58, quando há [...Faturamento em país distinto ao da origem], verificamse ainda duas situações retratadas nos Certificados de Origem em análise, como já identificado nos subitens 3.1, 3.2 e 3.3 acima destacado: a) nos Certificados de Origem nºs 41408, 41409, 40903, 40902 no campo observações há a informação de que as mercadorias estariam sendo faturadas por Glencore International Ag., Switzerland, Trafigura Beheer B.V. Amsterdam, no entanto, as faturas que instruíram a DI foram emitidas empresa VOTORANTRADE, de Curaçao, Antilhas Holandesas, país não membro da ALADI; b) nos Certificados de Origem nºs 40944, 40943 e 40942, no campo observações o seguinte: NOTIFICADO: VOTORANTIM METAIS ZINCO S.A., RODOVIA BR 267 KM 119 IGREJINHA JUIZ DE FORA MG /BRASIL, CNPJ 42.416.651/000883. Nesse caso, embora não haja informação no campo observações quanto ao faturamento por um operador de um terceiro país, as mercadorias também foram objeto de invoices emitidas pela empresa VOTORANTRADE, de Curaçao, Antilhas Holandesas, país não membro da ALADI; Conforme destacado pela Recorrente em sua peça recursal, há duas operações de venda e dois faturamentos, no entanto se há duas operações de venda, uma do exportador, no Peru para a Votorandrade, de Curaçao, Antilhas Holandesas, país não membro da ALADI e outra, desta para a recorrente e conforme aduz em sua defesa, as empresas fornecedoras no Peru não emitem faturas diretas para a Recorrente, a situação fática dos autos além de não está retratada na documentação que instrui a importação em apreço tampouco encontra amparo nas disposições do ACE 58, cujos dispositivos que regem a espécie dos autos, notadamente o art. 13 do Anexo V do ACE deixam claro a forma de operacionalização de faturamento de uma mercadoria originária dos Estados Partes da ALADI por um operador de um terceiro país, signatário ou não do acordo, ou seja há requisitos a serem cumpridos entre os quais [“identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que em definitivo será o que fatura a operação a destino”]. Estando bem delineados o suporte normativo que rege a espécie dos autos e conhecido o suporte probatório que ampara a importação em lide, reputamse pertinentes as informações solicitadas pela fiscalização ao importador, quanto às faturas indicadas nos certificados de origem nas duas situações fáticas acima demonstradas, haja vista que o vínculo necessário entre a fatura comercial que ampara a partida de mercadoria pactuada e o certificado de origem, centrase na segurança jurídica visada pelo acordo junto às Partes signatárias, ao estabelecer uma redução tarifária em função da origem da mercadoria. Assim, longe de se enquadrarem como meros erros formais, a divergência das informações consignadas nos documentos instrutórios da DI representa de fato em descumprimento ao requisito essencial para a participação de um operador de um terceiro país, não signatário do acordo quanto à importação de mercadoria amparada por regime de origem, seja no âmbito do Mercosul ou Aladi ou em acordos bilaterais entre blocos, uma vez que os Fl. 299DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 11684.000964/200715 Acórdão n.º 3302002.936 S3C3T2 Fl. 271 17 certificados de origem trazem informações discrepantes com relação às faturas comerciais apresentadas e, por conseguinte, quanto ao operador que fatura a operação a destino. Da interpretação das normas de regência, acima mencionadas, constatase, em face do caráter bilateral dos acordos que objetivam tratamentos preferenciais entre os países integrantes da ALADI e do escopo de assegurar a sua eficácia, que a concessão de redução tarifária reservada a esses países com base nos requisitos de origem, foi formulada justamente para prevenir operações comerciais que, pela sua natureza poderiam, de modo ilegítimo, estender a terceiros países não signatários, o tratamento preferencial acordado exclusivamente entre os países membros. Acrescentese ainda que não se enquadrando a divergência verificada nos termos do ACE 58, como meros erros formais nos Certificados emitidos pela Câmara de Comércio de Lima), incabível a adoção do procedimento disposto no artigo 16 do Anexo V do ACE 58 que trata da retificação de Certificado de Origem, quando constatado erro de forma. Ao caso em análise aplicamse as disposições do § 2º do art.15 do Anexo V do ACE, [ No entanto, não serão aceitos os certificados de origem incompletos, em formato distinto do estabelecido no presente Regime, aqueles não emitidos por funcionários habilitados ou quando a autoridade aduaneira formule observações distintas das indicadas nas letras a) a e) precedentes. Em tais casos, o importador deverá proceder ao pagamento dos gravames correspondentes a Partes não Signatárias do Acordo.]. Da Inaplicabilidade do artigo 112 do CTN A interpretação benigna autorizada pelo art. 112 do CTN têm pressupostos de aplicabilidade, conforme dispõem seus incisos [Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.], os quais não se vislumbram no presente processo, inexistindo portanto dúvida quanto à autoria, natureza da penalidade/gradação ou às circunstâncias materiais do fato e suas consequências. Da Multa Moratória Em virtude da falta de recolhimento do imposto de importação, foi aplicada a multa de mora de 20%, prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, vigente na data do fato gerador, e os juros de mora, por aplicação do entendimento da então Secretaria da Receita Federal, veiculado através do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13, de 10 de setembro de 2002. De acordo com o referido ato, não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 18 Ocorrendo a hipótese acima mencionada, sobre o imposto devido em razão da falta de pagamento, exigido em ato de revisão aduaneira, devem incidir os encargos legais previstos na legislação de regência, no caso, a multa de mora de 20%, prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96, vigente na data do fato gerador, e os juros de mora. No presente caso, tendo ocorrido a situação acima descrita e como não há nos autos relato que indique irregularidade na descrição da mercadoria, tampouco constam elementos que possam evidenciar dolo ou má fé por parte do importador, agiu com acerto a fiscalização ao aplicar as disposições interpretativas do ADI SRF nº 13/02. Dos Juros de Mora Quanto à incidência dos juros de mora, está prevista no artigo 161 do Código Tributário Nacional, verbis: "Art. 161 O Crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária." §1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês.”(grifei). Os juros de mora, ex vi do art. 161 retrotranscrito, incidem quando da insuficiência ou do retardo do pagamento do crédito tributário, qualquer que seja a intenção do contribuinte ou o motivo do atraso. Sendo a atividade administrativa de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme disciplina o parágrafo único do art. 142 do CTN, cumpre ao agente público, no caso em espécie, ao AuditorFiscal, desempenhála na forma e nas condições estabelecidas por lei. Nesse mister, foi aplicado aos débitos objeto da presente lide o percentual de juros de mora com escopo na legislação específica. Acrescentese que, for força das disposições do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, não se pode em sede de julgamento administrativo fiscal, afastar a aplicação da lei motivos de ilegalidade e inconstitucionalidade, assim a arguição de supostas ilegalidades ou inconstitucionalidades advindas da aplicação da taxa SELIC em função da Lei nº 9.065, de 1995, não serão objeto de análise por esta instância administrativa. Aplicase ainda à presente matéria a Súmula CARF nº 4 nos termos a seguir transcritos: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendose na íntegra a decisão recorrida. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 301DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 11684.000964/200715 Acórdão n.º 3302002.936 S3C3T2 Fl. 272 19 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR
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Numero do processo: 10875.000664/2002-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997
RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.
A opção pela via judicial importa renúncia às instâncias administrativas, não cabendo conhecer das razões de defesa quanto à matéria sob o crivo do Poder Judiciário.
A propositura de ação judicial afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da pretensão judicial, razão pela qual não se aprecia o seu mérito, não se conhecendo do recurso apresentado.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 3402-002.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por reconhecer a concomitância com processo judicial.
ANTONIO CARLOS ATULIM
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por reconhecer a concomitância com processo judicial. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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A opção pela via judicial importa renúncia às instâncias administrativas, não cabendo conhecer das razões de defesa quanto à matéria sob o crivo do Poder Judiciário. A propositura de ação judicial afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da pretensão judicial, razão pela qual não se aprecia o seu mérito, não se conhecendo do recurso apresentado. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por reconhecer a concomitância com processo judicial. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 06 64 /2 00 2- 11 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO 2 Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 82 dos autos emanados da decisão DRJ/CPS, por meio do voto do relator José Carlos Ortolani nos seguintes termos: “Tratase de auto de infração eletrônico, decorrente do processamento da DCTF do anocalendário de 1997, lavrado em 1º de novembro de 2001, cientificado à contribuinte em 13 de dezembro de 2001, exigindo crédito tributário no valor de R$ 736,61, relativo à falta de recolhimento da Contribuição ao PIS, referida ao mês de dezembro de 1997, diante da não comprovação de processo judicial informado no campo “Exigibilidade Suspensa” da DCTF respectiva. 2. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte, por meio de seus representantes legais, apresentou a impugnação de 01/03, em 10 de janeiro de 2002, com as seguintes razões de defesa. 2.1. Afirma que interpôs Medida Cautelar Inominada e Ação Declaratória Ordinária, na 17ª Vara Federal de São Paulo, sob nºs. 97.00199517 e 97.0229645, visando a suspensão do recolhimento da Contribuição ao PIS, na forma dos Decretos nºs. 2.445 e 2.449, ambos de 1998, bem como a compensação dos montantes recolhidos indevidamente com tributos da mesma espécie. 2.2. Referida ação foi julgada procedente, com sentença confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Portanto, não há débitos a serem exigidos. 2.3. Requer a anulação do lançamento. ” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 0538.600 de fls. 80 traz a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 1997 DCTF. REVISÃO INTERNA. LANÇAMENTO. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO JUDICIAL. A propositura de ação judicial antes da lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, ainda que restasse confirmada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não obstaculiza a formalização do lançamento. MULTA DE OFÍCIO V INCULADA. Em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no Código Tributário Nacional, é cabível a exoneração da multa de lançamento de ofício, para débitos já declarados em DCTF. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 122DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Processo nº 10875.000664/200211 Acórdão n.º 3402002.926 S3C4T2 Fl. 3 3 O contribuinte apresentou recurso voluntário a este Conselho de Recursos Fiscais através de procurador, onde alega não concordar com o lançamento. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo mas dele NÃO tomo conhecimento por reconhecer em face do seu pedido, a concomitância da questão na esfera judicial e administrativa, no caso, adotando as razões da decisão recorrida, através do voto do relator de fls.82 a 86, que deixo de repetir aqui, mas será lido em sessão se necessário. Também, é sumula nesse Conselho o seguinte: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial. ” Isto Posto, não conheço do Recurso Voluntário. É como voto. Relator Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 123DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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Numero do processo: 18186.000186/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Sep 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/06/2003 a 31/12/2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
A protocolização de Termo de Desistência de Impugnação ou Recurso Administrativo pelo Recorrente implica o não conhecimento do Recurso Voluntário interposto, em virtude da perda do seu objeto.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-003.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do Recurso Voluntário pela perda do objeto, frente à desistência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi, Relator
EDITADO EM: 28/07/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Luciana Matos Pereira Barbosa e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Fatos Geradores Recorrente ROSSETTI CONSULTORIA DE MARKETING LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2003 a 31/12/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. A protocolização de Termo de Desistência de Impugnação ou Recurso Administrativo pelo Recorrente implica o não conhecimento do Recurso Voluntário interposto, em virtude da perda do seu objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do Recurso Voluntário pela perda do objeto, frente à desistência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Presidente em exercício (Assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi, Relator EDITADO EM: 28/07/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 01 86 /2 00 7- 16 Fl. 2728DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Luciana Matos Pereira Barbosa e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 2729DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 18186.000186/200716 Acórdão n.º 2302003.691 S2C3T2 Fl. 2.729 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação da recorrente, retificando o crédito tributário de R$ 312.794,86 (trezentos e doze mil e setecentos e noventa e quatro reais e oitenta e seis centavos) para o montante de R$ 252.224,37( duzentos e cinqüenta e dois mil e duzentos e vinte e quatro reais e trinta e sete centavos), respeitada, oportunamente, quanto à multa aplicada, a legislação de regência no que tange à retroatividade benigna, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea '"c" do Código Tributário Nacional (CTN), por força das alterações realizadas na Lei n.° 8.212/91 pela Medida Provisória (MP) n.° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 2.651 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de Auto de Infração (AI) DEBCAD n° 37.086.0640, lavrado pela fiscalização contra a empresa em epígrafe, por infração ao disposto no artigo 32, inciso IV. parágrafo 5o da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991, na redação da Lei n.° 9.528, de 10/12/1997, c no artigo 225, inciso IV e parágrafo 4o do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999, tendo em vista que, de acordo com o Relatório Fiscal da Infração de fl. 04, e anexos I, II, e III, às fls. 08/65, ela elaborou e apresentou Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 06/2003 a 06/2004, 08/2004 a 06/2005, e 09/2005 a 12/2006, tendo deixado de declarar os valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais por meio do cartão de premiação, denominado "SPIRIT CARD": •A tabela de fls. 08/10 do anexo I relaciona os valores não informados, por competência; •A relação dos segurados que foram remunerados através do cartão de premiação encontrase nos anexos II e III. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa de fl. 05, por sua vez, informa que foi aplicada, no caso, multa correspondente a 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada, conforme artigo 32, parágrafo 5o da Lei n.° 8.212/91, na redação dada pela Lei n.° 9.528/97, e artigos 284, inciso II e 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999, na redação dada pelo Decreto n.° 4.729, de 09/06/2003, com atualização pela Portaria MPS n.° 142, de 11/04/2007, observado o limite por competência, em função do número de segurados da empresa, totalizando o montante de R$ 312.794,86 (trezentos e doze mil e setecentos e noventa e quatro reais e oitenta e seis centavos). O anexos IV e V, às fls. 66/69, apresentam o demonstrativo do cálculo do valor da multa, bem como o número de segurados da empresa, por competência. O Termo de Antecedentes de fl. 70 informa que não Fl. 2730DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 4 constam Autos de Infração lavrados contra a empresa, em ações fiscais anteriores. Também encontramse anexos ao Auto de Infração: IPC Instruções para o Contribuinte de fls. 02 a 03; REPLEG Relatório de Representantes Legais, fl. 06; VÍNCULOS Relação de Vínculos, fl. 07; Mandado de Procedimento Fiscal MPF, fl. 73; Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD's, fls. 74/76; Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF, fls. 77/78. Foram juntadas, ainda, pela fiscalização, cópias dos seguintes documentos: telas de consulta a processos do devedor, fls. 71/72; Contrato de Prestação de Serviços, lis. 79/81; Notas Fiscais/Faturas de serviços, fls. 82/85; Recibos de Entrega de Arquivos Digitais, fls. 86/94. DA IMPUGNAÇÃO Tendo sido cientificada da NFLD em 27/04/2007, fl. 01, a Notificada, dentro do prazo regulamentar, conforme despacho de fl. 99/129, com juntada dos seguintes documentos às fls. 130/157, 160/366, 369/623, 626/884, e 887/1.210, por cópias simples/autenticadas: (...) DA DILIGÊNCIA FISCAL Considerando as alegações da empresa, a juntada de documentos e a necessidade de alguns esclarecimentos, os autos foram baixados em diligência à Fiscalização, conforme despachos de fls. 1.228 a 1.237. Como resultado, foram anexados Mandado de Procedimento Fiscal, Termo de Início de Procedimento Fiscal, Termo de Intimação Fiscal n° 01, e Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal, fls. 1.292 a 1.296, e foi emitida a Informação Fiscal de fls. 1.240 a 1.243, acompanhada dos Anexos A, B, C e D de fls. 1.244 a 1.291. Na referida Informação Fiscal a Auditora Autuante responde a cada um dos quesitos formulados pelo Contribuinte no seu requerimento de perícia contábil, e conclui pela necessidade de retificação do Auto de Infração, de acordo com o demonstrativo à fl. 1.243: “(...) G. Considerando as colocações do item "F" deste relatório concluímos: Os segurados, cujos comprovantes de reembolso de despesas não estão regulares, tiveram desconsideradas os recibos e as notas fiscais não comprobatórias. Os valores descaracterizados foram considerados remuneração, e como tal, base de cálculo para a contribuição previdenciária (...) A empresa utilizou o cartão "Spirit Card" para pagamento de gratificações a seus segurados, decorrentes de produtividade. A própria Nulificada mencionou este fato, no item 77. As gratificações, fruto de produtividade, não são ganhos eventuais, mas a retribuição pelo bom trabalho executado, e, como tais, sofrem incidência de contribuição previdenciária (...) Demonstrativo encontrase nos anexos A e B. Os valores lançados nesta NFLD necessitam de retificação, que está explicitada a seguir (...) " Fl. 2731DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 18186.000186/200716 Acórdão n.º 2302003.691 S2C3T2 Fl. 2.730 5 DA COMUNICAÇÃO DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA FISCAL AO CONTRIBUINTE E DA ABERTURA DE PRAZO PARA SUA MANIFESTAÇÃO O resultado da diligência fiscal foi comunicado à empresa pessoalmente, em 04/03/2011 (fl. 1.243), tendo sido aberto o prazo de 10 (dez) dias, a contar da ciência deste, para a sua manifestação. DA MANIFESTAÇÃO DA EMPRESA A empresa apresentou a manifestação de lis. 1.299 a 1.301, na qual apresenta breve relato sobre a NFLD e a diligência fiscal realizada, e argumenta que. embora não concorde com a conclusão da diligência fiscal, em relação às gratificações, entende que a matéria é de mérito, e já foi devidamente abordada quando da apresentação da impugnação administrativa, sendo desnecessário apresentar novas considerações. (i)considerando o resultado da diligência, a retificação da NFLD (sic), com a exclusão dos valores que comprovadamente correspondem a reembolso de despesas; e (ii)relativamente ao restante do valor, requer que a NFLD (sic) seja julgada improcedente, porque foi demonstrado anteriormente que as gratificações pagas não atendem aos requisitos legais para serem consideradas remuneração, não podendo servir de base de cálculo da contribuição previdenciária. (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada procedente em parte, sendo alterado o crédito tributário de R$ 312.794,86 (trezentos e doze mil e setecentos e noventa e quatro reais e oitenta e seis centavos) para o montante de R$ 252.224,37( duzentos e cinqüenta e dois mil e duzentos e vinte e quatro reais e trinta e sete centavos), respeitada, oportunamente, quanto à multa aplicada, a legislação de regência no que tange à retroatividade benigna, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea '"c" do Código Tributário Nacional (CTN), por força das alterações realizadas na Lei n.° 8.212/91 pela Medida Provisória (MP) n.° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009. Cientificada do julgamento, a recorrente apresentou o recurso de fls. 2.680 e seguintes. É o relatório. Fl. 2732DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 6 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Devidamente intimado da decisão de 1ª Instância Administrativa, o contribuinte em tela ofereceu tempestivamente Recurso Voluntário requerendo a declaração de insubsistência do lançamento. Ocorre, todavia, que aos 31 dias do mês de janeiro de 2015, a recorrente protocolizou, na DERAT/CAC Paulista, requerimento de desistência Recurso Administrativo, a fl. 2.722 e seguintes, para fins de adesão a programa de parcelamento especial. Assim, em razão de desistência expressa aviada no Requerimento de Desistência de Recurso Administrativo acima citado, pugnamos pelo não conhecimento do recurso voluntário. Pelos motivos expendidos, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário. (Assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi, Relator Fl. 2733DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI
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