Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,797)
- Primeira Turma Ordinária (16,268)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,177)
- Primeira Turma Ordinária (16,126)
- Primeira Turma Ordinária (16,115)
- Segunda Turma Ordinária d (15,858)
- Segunda Turma Ordinária d (14,456)
- Primeira Turma Ordinária (13,024)
- Primeira Turma Ordinária (12,395)
- Segunda Turma Ordinária d (12,382)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,433)
- Quarta Câmara (84,928)
- Terceira Câmara (67,526)
- Segunda Câmara (55,905)
- Primeira Câmara (20,315)
- 3ª SEÇÃO (16,177)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,442)
- Segunda Seção de Julgamen (114,527)
- Primeira Seção de Julgame (76,632)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,890)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- HELCIO LAFETA REIS (3,758)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,730)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,922)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,550)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,244)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13227.900805/2012-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 19/03/2007
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.293
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 19/03/2007 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13227.900805/2012-94
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5731393
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-003.293
nome_arquivo_s : Decisao_13227900805201294.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
nome_arquivo_pdf_s : 13227900805201294_5731393.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
id : 6793327
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210168803328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1403; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13227.900805/201294 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301003.293 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de março de 2017 Matéria PIS/COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente AUTO POSTO IRMÃOS BATISTA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 19/03/2007 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 08 05 /2 01 2- 94 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13227.900805/201294 Acórdão n.º 3301003.293 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 06048.599, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) – DRJ/CTA – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Por meio do Despacho Decisório, emitido pela DRF JiParaná, o pedido de restituição foi indeferido, uma vez que o crédito informado, correspondente ao pagamento de Data do Fato Gerador: 19/03/2007, já estava integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte. Cientificada da decisão administrativa, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: é empresa dedicada ao comércio varejista de combustíveis e lubrificantes e a prestação de serviços afins. Assim, por adquirir combustíveis para revenda com incidência monofásica de PIS e Cofins e promover a saída desses combustíveis à alíquota zero, equivocadamente, deixou de constituir os demais créditos das contribuições (demais insumos e produtos/serviços, excluídas as aquisições de combustíveis) que lhe são autorizados conforme determinação do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Diz que refez a apuração do PIS e da Cofins do período, em face da não apropriação de créditos autorizados em lei, e apurou novos valores de débitos, todos demonstrados em Dacon retificador, de forma que os valores recolhidos e declarados na DCTF à época revelaramse indevidos e/ou maiores que os devido. Por fim, solicita a reforma da decisão, para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado e para que seja determinada a suspensão da exigência do crédito tributário, até que seja proferido despacho decisório definitivo. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 3ª Turma da DRJ/CTA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.268, de 30 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 13227.900788/201295, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.268): Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13227.900805/201294 Acórdão n.º 3301003.293 S3C3T1 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário, de 13 de novembro de 2014, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0648.583, de 27 de agosto de 2014, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/07/2006 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se manter o indeferimento do pedido. PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE UTILIZAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de créditos passíveis de aproveitamento no sistema da não cumulatividade. O presente processo diz respeito ao Despacho Decisório nº de rastreamento 031047802 (fl. 5), de 4 de setembro de 2012, que indeferiu o pedido do Contribuinte de restituição de pagamento de PIS/COFINS (PER nº 41619.73872.130508.1.2.04 3004) no valor de R$ 390,64 por alegada inexistência do referido crédito. Nas razões do Recurso Voluntário o Contribuinte aduz que o Acórdão ora recorrido e o Despacho Decisório não verificaram a origem dos créditos. Cito trecho do recurso em análise para elucidar o caso (fls. 35 e 36): Vale reprisar: a Recorrente refez sua apuração de Pis e Cofins no período em debate em face da não apropriação de créditos autorizados em lei e apurou novos valores de débitos destas contribuições, todo demonstrados em DACON Retificador, de forma que os valores recolhidos e declarados na DCTF à época revelaramse indevidos e/ou maiores que os efetivamente devidos conforme demonstramos acima. Desta forma, o valor indevido (diferença entre o valor recolhido e o declarado na DCTF e o novo valor demonstrado em DACON) corresponde ao valor objeto de pedido de restituição ora debatido. O crédito utilizado por compensação na Dcomp não homologada pelo Acórdão em debate pode ser confirmado na Dacon retificadora do período em epígrafe, cujo recibo de entrega já integra os autos deste processo, na qual está demonstrada toda a apuração de créditos que resultou em saldo credor a favor da Recorrente. No entanto, de imediato verificase que a análise do pedido da Recorrente foi realizada parcialmente pela Receita Federal, já Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13227.900805/201294 Acórdão n.º 3301003.293 S3C3T1 Fl. 5 4 que aparentemente a Dacon retificadora apresentada não foi analisada. Apenas o Pedido de restituição foi analisado. Sendo assim, ao efetuar o cruzamento de informações entre DACON Retificadora x DCTF x Pedido de Restituição se verificará claramente que o valor ora requerido é exatamente o valor que foi recolhido indevidamente (conforme demonstrado na DACON) e que deve, portanto, ser restituído à Recorrente. De fato a Recorrente não retificou as DCTFs em relação a tais valores mas não o fez por julgar o Dacon o documento demonstrativo suficiente para este fim. Também não o fez por considerar que a DCTF é o documento no qual deve permanecer o pagamento do Darf efetivamente realizado, para que, quando comparado ao valor da contribuição apurada e demonstrada em DACON, a diferença corresponda ao crédito pleiteado. E, de fato, se houvesse ocorrido o cruzamento do Dacon com a DCTF facilmente se verificaria e se confirmaria o crédito da Recorrente. Assim, o crédito existe, foi efetivamente demonstrado e como tal deve ser reconhecido à Recorrente. O fato de ter incorrido em erro por não retificar a DCTF não pode ser motivo de glosa e não reconhecimento de um crédito que está devidamente demonstrado em Dacon, já que neste demonstrativo podese verificar o valor devido no período a título da contribuição em debate, e cujo valor a favor da Recorrente pode ser facilmente confirmado pela análise conjunta dos dados – Dacon x DCTF, do qual se confirmará que o valor pleiteado é apenas a diferença recolhida a maior e, que a Recorrente manteve na DCTF, justamente para que se confirme o pagamento a maior consta da base de dados da Receita Federal. O acórdão ora analisado indeferiu o pedido do Contribuinte por entender que o crédito pleiteado não existia, conforme se verifica no seguinte trecho do voto (fl. 26): Como já dito, o indeferimento do pedido deveuse porque o crédito indicado não existia, ou seja, na data da ciência do despacho decisório, o DARF informado como origem do crédito, estava totalmente utilizado para a quitação de débito da contribuinte que foi validamente declarado em DCTF. Na sequência dos fatos, a interessada diz que procedeu à retificação do Dacon (zerando o valor da contribuição devida ao PIS e à Cofins) e requer, por isso, o deferimento do seu pleito. Nesse contexto, devese observar que, ainda que tivessem sido retificados os valores declarados em DCTF, que, como é sabido, é o instrumento de confissão de dívida e de constituição definitiva do crédito tributário (art. 5.º do Decretolei nº 2.124/84 e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF), somente seria possível a admissão da retificação mediante a comprovação do erro em que se funde, justamente, porque visa a reduzir ou excluir tributo, como estabelecido pelo Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13227.900805/201294 Acórdão n.º 3301003.293 S3C3T1 Fl. 6 5 art. 147, § 1º da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. O Dacon, por sua vez, tem o objetivo de refletir os controles feitos pelo sujeito passivo de todas as suas operações capazes de influenciar a apuração das contribuições devidas a título de PIS e Cofins, bem como dos respectivos créditos a serem descontados, deduzidos, compensados ou ressarcidos; mas, apresentado isoladamente, não tem o peso necessário para retificar informações declaradas tempestivamente em DCTF. (grifouse) Cabe salientar que para o ressarcimento e ou compensação tributária exigese do contribuinte a demonstração da liquidez e certeza do crédito pleiteado como dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. (grifou se). Neste sentido foi a conclusão do voto do ora recorrido acórdão que assim expôs (fl. 27): Nesse contexto, cabe enfatizar que a comprovação da existência de crédito junto à Fazenda Nacional é atribuição dos interessados, cabendo à autoridade administrativa, por sua vez, examinar a liquidez e certeza de que teriam sido repassadas aos cofres públicos importâncias superiores àquelas devidas, de acordo com a legislação pertinente, e autorizando, após confirmação de sua regularidade, a restituição ou compensação do crédito conforme vontade expressa da contribuinte. (grifou se). Percebese no presente processo que o Contribuinte não apresenta provas cabais, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e/ou documentos fiscais, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o alegado valor recolhido a maior. Neste sentido, constase que o Contribuinte trouxe, por meio do Recurso Voluntário, os mesmos argumentos trazidos já na fase da Manifestação de inconformidade, com a inclusão de alguns novos argumentos, mas sem apresentar provas que demonstrem o seu direito creditício junto à Fazenda Nacional. Sendo assim, tendo em vista os autos do processo e a legislação aplicável, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, mantendo o entendimento do Acórdão ora analisado. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, no presente processo o Contribuinte, da mesma forma que no caso do paradigma, não apresenta provas cabais, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e/ou documentos fiscais, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o alegado valor recolhido a maior, que demonstrem o seu direito creditício junto à Fazenda Nacional. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13227.900805/201294 Acórdão n.º 3301003.293 S3C3T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 55DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.720604/2015-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2012 a 31/05/2013
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS DIRIGENTES. ATO COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO À LEI. NÃO COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DO POLO PASSIVO.
Na linha da consagrada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do dirigente com base no artigo 135 do CTN (REsp 1.101.728/SP). Tal conclusão não se modifica em razão do lançamento ter sido efetuado com base no artigo 28 do Decreto nº 7.212, de 15/06/2010 (RIPI/2010) - realocação do artigo 8º do Decreto-Lei n. 1.736/1979 -, uma vez que se trata de norma veiculada por meio de legislação ordinária, em dissonância com o que prescreve a legislação complementar, e que portanto não merece aplicação, também de acordo com a jurisprudência do STJ (REsp 1.641.491).
REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STJ, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C, DO CPC.
No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigo 543-C, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62, §2º do Regimento Interno.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA.
Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso.
Numero da decisão: 3402-004.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para i) excluir a responsabilidade solidária da Sra. Wilma Thome Daud; e ii) a excluir a aplicação da taxa de juros Selic sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa do presente julgado. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula, quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2012 a 31/05/2013 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS DIRIGENTES. ATO COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO À LEI. NÃO COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DO POLO PASSIVO. Na linha da consagrada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do dirigente com base no artigo 135 do CTN (REsp 1.101.728/SP). Tal conclusão não se modifica em razão do lançamento ter sido efetuado com base no artigo 28 do Decreto nº 7.212, de 15/06/2010 (RIPI/2010) - realocação do artigo 8º do Decreto-Lei n. 1.736/1979 -, uma vez que se trata de norma veiculada por meio de legislação ordinária, em dissonância com o que prescreve a legislação complementar, e que portanto não merece aplicação, também de acordo com a jurisprudência do STJ (REsp 1.641.491). REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STJ, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C, DO CPC. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigo 543-C, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62, §2º do Regimento Interno. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10865.720604/2015-44
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5730713
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-004.138
nome_arquivo_s : Decisao_10865720604201544.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
nome_arquivo_pdf_s : 10865720604201544_5730713.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para i) excluir a responsabilidade solidária da Sra. Wilma Thome Daud; e ii) a excluir a aplicação da taxa de juros Selic sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa do presente julgado. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula, quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
id : 6787708
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210170900480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2013; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 333 1 332 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.720604/201544 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.138 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2017 Matéria IPI Recorrente DISNAC INDÚSTRIA NACIONAL DE PRODUTOS DE BORRACHA LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2012 a 31/05/2013 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS DIRIGENTES. ATO COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO À LEI. NÃO COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DO POLO PASSIVO. Na linha da consagrada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do dirigente com base no artigo 135 do CTN (REsp 1.101.728/SP). Tal conclusão não se modifica em razão do lançamento ter sido efetuado com base no artigo 28 do Decreto nº 7.212, de 15/06/2010 (RIPI/2010) realocação do artigo 8º do DecretoLei n. 1.736/1979 , uma vez que se trata de norma veiculada por meio de legislação ordinária, em dissonância com o que prescreve a legislação complementar, e que portanto não merece aplicação, também de acordo com a jurisprudência do STJ (REsp 1.641.491). REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STJ, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigo 543C, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62, §2º do Regimento Interno. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 06 04 /2 01 5- 44 Fl. 260DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para i) excluir a responsabilidade solidária da Sra. Wilma Thome Daud; e ii) a excluir a aplicação da taxa de juros Selic sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa do presente julgado. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula, quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Autos de Infração para cobrança de valores devidos a título de Imposto sobre Produtos Industrializados (“IPI”), bem como juros de mora, multa de ofício de multa regulamentar. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório do acórdão recorrido in verbis: Tratase de impugnação a autos de infração lavrados pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira/SP, sendo que o primeiro deles referese ao Imposto sobre Produtos Industrializados lançado, não escriturado, não declarado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, nem recolhido nos prazos estabelecidos pela legislação, acrescido de juros de mora e multa de ofício de 112,50%, totalizando R$ 926.967,07, à data da autuação. O auto de infração de fl. 15, referese à multa regulamentar, no valor total de R$ 5.500,00 imputada em virtude da apresentação de DCTF sem a informação dos saldos devedores de IPI. Também foi apontada a responsabilidade solidária da sócia Wilma Thome Daud, com fundamento no art. 135 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), bem como lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, com base no inciso I do art. 1°e no inciso II do art. 2º da Lei n° 8.137/1990. Foi apontado no Relatório Fiscal que o sujeito passivo lançou IPI nas notas fiscais emitidas e escriturou o imposto no Livro Registro de Apuração do IPI – RAIPI e Livro Registro de Saídas, mas não declarou os saldos devedores em DCTF, nem recolheu os respectivos valores. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10865.720604/201544 Acórdão n.º 3402004.138 S3C4T2 Fl. 334 3 Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva, assinada por procurador habilitado, na qual alega a inaplicabilidade de multa agravada, pois não teria sido apontada a justificativa para tanto, nem a circunstância agravante, prevista no art. 68 da Lei 4.502/1964, que teria sido detectada pelo autuante, sendo que a mera indicação não seria suficiente para a aplicabilidade do referido dispositivo, devendo ser feita prova da sua efetiva ocorrência. Contesta a exigência de juros de mora, calculados pela Taxa Selic, e cita jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, bem como trecho do relatório da votação da Lei 9.430/1996, na Câmara dos Deputados, em que é abordado o artigo 61 (cuja numeração inicial era 63), aprovado pelo plenário na sessão de 20/11/1996 (sem destaques ou emendas em relação ao dispositivo tratado). Argumenta ainda que apenas parte do crédito tributário exigido no auto de infração tem como fato gerador a imposição de multa (arts. 113, §1° c/c 139 do CTN) e, considerando que a impugnação suspende a sua exigibilidade (art. 151, III, CTN), seria inegável que não transcorreu o prazo para adimplemento da multa de ofício. Não vencida a obrigação, seriam descabidos encargos moratórios. Alega não desconhecer a jurisprudência do E. Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que os artigos 113 e 161 do CTN não vedam a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. Contudo, considera que tais precedentes devem ser lidos em sua integralidade, considerando a situação fática que os originou. E, na hipótese de se entender cabível a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício, deve ser observado como termo inicial o dia subsequente ao prazo que o contribuinte teria para adimplemento voluntário da obrigação, nos termos do artigo 21, §3°, do Decreto n. 70.235/1972. Aponta ainda que as DCTFs negligenciadas serviriam, exclusivamente, para noticiar à RFB o montante dos tributos devidos, entre eles o IPI aqui exigido, e que tanto a não entrega destes arquivos fiscais quanto o não recolhimento do imposto devido representam aspectos complementares de uma só atividade delitiva, representada pelo inadimplemento do tributo (obrigação principal). A entrega de DCTF sem contemplação do IPI devido seria simples “condutameio” que teria servido ao aperfeiçoamento do delitofim penalizado com a multa de 112,5%. Assim, a prática de uma única conduta, resultou na aplicação de duas multas, o que seria descabido pela observância do princípio penal e fiscal da consunção, segundo o qual, em síntese, a transgressão mais aguda, necessariamente, deve absorver a mais branda, ou o delitofim deve englobar o delitomeio, para fins de imputação da correspondente sanção. Por decorrência, deve ser cancelada a multa regulamentar. Finalizando, solicita que seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário e quanto ao mérito, sintetiza suas pretensões nos seguintes termos (fl. 155): Fl. 262DF CARF MF 4 “ reduzir a multa majorada de 112,5% para o percentual ordinário de 75%; afastar a aplicabilidade de juros de mora (selic) sobre a multa de oficio; e cancelar a multa disciplinar de RS 500,00 por DCTF entregue com dados supostamente incorretos.” A DRJ de Porto Alegre julgou a impugnação apresentada pelo Contribuinte em 21/08/2015, concluindo pela parcial improcedência da autuação fiscal, como se depreende da ementa abaixo colacionada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2012 a 31/05/2013 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Consideramse definitivas as parcelas não contestadas do lançamento, nos termos do processo administrativo fiscal. MULTA MAJORADA. CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não estando apontada a circunstância agravante que teria motivado o agravamento da multa de ofício, cabível a sua redução ao percentual de 75%. MULTA REGULAMENTAR. Presente a circunstância tipificada em lei, deve ser exigida a multa regulamentar prevista para as hipóteses de entrega de DCTF com incorreções ou omissões. Cientificada do resultado do julgamento em 08/09/2015 (AR de fls 100), na data de 08/10/2015 foi interposto recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”) pela empresa Recorrente. As razões expostas na peça dirigida a este Conselho são as mesmas daquelas apresentadas na impugnação, com relação à impossibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício e sobre a consunção relativa às multas aplicadas. Ademais, a Recorrente clama pela decretação de nulidade da decisão da DRJ por cerceamento do direito de defesa, uma vez que indevidamente considerou como não impugnada a questão da responsabilidade solidária da Sra. Wilma Thome Daud, sendo que, na realidade, foi tempestividade protocolada em seu nome impugnação ao lançamento tributário. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz O Recurso Voluntário é tempestivo, o patrono encontrase regularmente constituído nos autos, assim dele tomo conhecimento. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10865.720604/201544 Acórdão n.º 3402004.138 S3C4T2 Fl. 335 5 Primeiramente, saliento que os valores exonerados pelo DRJ estão abaixo do limite de alçada estabelecido pela Portaria n. 63 do Ministério da Fazenda, de 09 de fevereiro de 2017, não havendo, portanto, recurso de ofício a ser julgado. Permanece, assim, incólume o acórdão a quo sobre a redução da multa agravada para 75%, uma vez que o agravamento da penalidade não foi devidamente motivado no lançamento tributário. Ademais, as questões da exigência do IPI acrescido de juros de mora e a incidência de multa de ofício sobre o débito encontramse preclusas, nos termos do artigo 17 do Decreto 70.35/72, já que não foram contestadas pela Contribuinte. O que resta então para o presente julgamento é (i) a responsabilidade da Sra. Wilma Thome Daud; (ii) a consunção relativa às multas aplicadas; e (iii) a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício; 1. DA RESPONSABILIDADE DA SRA. WILMA THOME DAUD A Recorrente traz aos autos (fls 244 a 257) a cópia da impugnação protocolada pela Sra. Wilma Thome Daud, em 23/04/2015, com carimbo da DERPF CAC/LUZ e assinatura da servidora responsável. Contudo, tal impugnação não havia sido oportunamente juntada ao processo, o que fez com que a instância a quo entendesse como "não impugnado" o ponto da responsabilidade solidária. É por esse motivo que, com razão, a Recorrente aponta preterição do direito de defesa por parte da Sra. Wilma Thome Daud, que acarretaria nulidade da decisão da DRJ nos termo do artigo 59, inciso II do Decreto 70.235/72. Contudo, deixo de analisar a questão da nulidade com fulcro no artigo 59, §3º do mesmo diploma legal, cujo texto dispõe: “quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” Vejamos. No Relatório Fiscal constam as seguintes informações a respeito da atribuição da solidariedade à sócia da empresa autuada: 3.1 Em decorrência das irregularidades apontadas no item “2.1 – Saldos Devedores de IPI Não Declarados em DCTF e Não Recolhidos”, foram adotadas as seguintes providências fiscais: (...) 3.1.2 – Foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva (atribuída a responsabilidade solidária aos sócios dirigentes), conforme dispõe o 28 do Decreto nº 7.212, de 15/06/2010 (RIPI/2010) em razão do não recolhimento do imposto nos respectivos prazos legais. Por sua vez, o termo de sujeição passiva foi singelamente lavrado nos seguintes termos: 1.1 – SALDOS DEVEDORES DE IPI NÃO RECOLHIDOS => Conforme consta do item 2.1 do Relatório Fiscal da referida ação fiscal (em anexo), o sujeito passivo deixou de recolher os débitos de IPI no montante original de R$ 1.427.736,93: Fl. 264DF CARF MF 6 1.1 – O imposto foi lançado nas notas fiscais emitidas mas não foram recolhidos, razão pela qual foi lavrado este Termo, conforme determina o disposto no art. 28 do Decreto nº 7.212, de 15/06/2010 (RIPI/2010), que diz: “Art. 28. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo, no período de sua administração, gestão ou representação, os acionistas controladores, e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do imposto no prazo legal Ou seja, a autoridade fiscal entendeu por bem lavrar o auto de infração com responsabilização solidária da Sra. Wilma Thome Daud unicamente com base no artigo 28 do Decreto nº 7.212, de 15/06/2010 (RIPI/2010), que nada mais é do que a realocação do artigo 8º do DecretoLei n. 1.736/1979.1 Ambos os dispositivos previam a responsabilidade de pessoas físicas (diretores, gerentes ou sócios) pelo simples inadimplemento da obrigação tributária pela pessoa jurídica, em hialina afronta ao que dispõe o artigo 135, inciso III do Código Tributário2 Nacional, dentro do limite de competência que lhe foi conferido pelo artigo 146, inciso III da Constituição Federal. Sobre tal sorte de situação, o Poder Judiciário já se manifestou em diversas oportunidades, sendo que atualmente os recursos especiais da Fazenda Nacional tentando fazer prevalecer tais despropositados dispositivos legais com status de lei ordinária, em dissonância com a legislação complementar sobre o tema (artigo 135, inciso III do CTN) têm seus seguimentos monocraticamente negados pelos ministros do Superior Tribunal de Justiça ("STJ"). Como exemplo, destaco abaixo a recentíssima decisão3 da lavra da Ministra Regina Helena Costa, proferida no REsp 1.641.491: DECISÃO Vistos. Tratase de Recurso Especial interposto pela FAZENDA NACIONAL, contra acórdão prolatado, por unanimidade, pela 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, no julgamento de agravo legal em agravo de instrumento, assim ementado (fls. 115/118e): (...) Com amparo no art. 105, III, a, da Constituição da República, apontase ofensa ao art. 8º do DecretoLei n. 1.736/79, alegandose, em síntese, que a responsabilidade dos sócios, em caso de débitos relativos a IPI e ao IRRF é solidária, não havendo a necessidade de se comprovar a infração à lei; por outro lado, chegase à conclusão de que devem ser responsabilizados tanto os administradores da época do fato 1 Art 8º São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto sobre produtos industrializados e do imposto sobre a renda descontado na fonte. 2 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 3 Data da Publicação 08/02/2017 Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10865.720604/201544 Acórdão n.º 3402004.138 S3C4T2 Fl. 336 7 gerador do tributo não pago, bem como aqueles que assumiram esta condição em momento posterior. Sem contrarrazões (fl. 128e), o recurso foi admitido (fls. 132/133e). Feito breve relato, decido. Por primeiro, consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplicase o Código de Processo Civil de 1973. Nos termos do art. 557, caput, do Código de Processo Civil, combinado com o art. 34, XVIII, do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, a negar seguimento a recurso ou a pedido manifestamente inadmissível, improcedente, prejudicado ou em confronto com súmula ou jurisprudência dominante da respectiva Corte ou Tribunal Superior. Ao tratar da aplicação do art. 8º do DecretoLei n. 1.736/79, o Tribunal de origem adotou fundamento constitucional suficiente para sustentar o acórdão recorrido, nos seguintes termos (fls. 111/114e): Como se observa, a imposição de responsabilidade tributária, com solidariedade, para além do que dispõe o artigo 135, III, do Código Tributário Nacional, configura não apenas ilegalidade, no plano infraconstitucional, o que já seria suficiente para repelir a pretensão fazendária, mas ainda violação da reserva constitucional estabelecida pelo artigo 146, III, da Constituição Federal, em favor da materialidade consagrada no Código Tributário Nacional. A alegação de que o artigo 124, II, do CTN ("São solidariamente obrigadas: (...) as pessoas expressamente designadas por lei") ampara o artigo 8º do Decretolei 1.736/1979 ("São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto sobre produtos industrializados e do imposto sobre a renda descontado na fonte") foi rejeitada pelo Supremo Tribunal Federal quando se destacou, no mesmo julgamento, que: "3. O preceito do art. 124, II, no sentido de que são solidariamente obrigadas "as pessoas expressamente designadas por lei", não autoriza o legislador a criar novos casos de responsabilidade tributária sem a observância dos requisitos exigidos pelo art. 128 do CTN, tampouco a desconsiderar as regras matrizes de responsabilidade de terceiros estabelecidas em caráter geral pelos arts. 134 e 135 do mesmo diploma. A previsão legal de solidariedade entre devedores de modo que o pagamento efetuado por um aproveite aos demais, que a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, também lhes tenha efeitos comuns e que a Fl. 266DF CARF MF 8 isenção ou remissão de crédito exonere a todos os obrigados quando não seja pessoal (art. 125 do CTN) pressupõe que a própria condição de devedor tenha sido estabelecida validamente." Assim, aplicando a jurisprudência suprema e superior, evidenciase que não é válida a solidariedade ("São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado") se a própria responsabilidade tributária, tal como prevista na lei ordinária ("pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto sobre produtos industrializados e do imposto sobre a renda descontado na fonte"), não se sustenta diante do artigo 135, III, do CTN, do qual se extrai o entendimento de que mera inadimplência no pagamento dos tributos não se insere, para efeito de redirecionamento a administradores, na hipótese normativa de "atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos". (...). Como se observa, as questões deduzidas no agravo inominado são mera reiteração do que constou das razões do agravo de instrumento,inclusive no tocante ao artigo 8o do Decretolei 1.736 /79 ("São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto sobre produtos industrializados e do imposto sobre a renda descontado na fonte"), cujo afastamento não caberia, segundo a agravante, sem observância do artigo 97 da Constituição e SV 10/STF. Todavia, não procede a tese, em específico, seja porque o conflito entre o artigo 8o do Decretolei 1.736/79 foi estabelecido em relação ao artigo 135, III, do CTN, e não com o artigo 146, III, b, da Constituição Federal, daí porque sequer necessário adentrar no juízo de inconstitucionalidade para efeito de aplicação do princípio da reserva de Plenário (artigo 97, CF), conforme tem sido decidido no âmbito, inclusive, do Superior Tribunal de Justiça (AGRESP n° 1.039.289, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJE de 05/06/2008); seja porque, ainda que se queira ampliar a discussão para o foco constitucional, a existência de precedente da Suprema Corte, firmado no RE 562.276, dispensa, nos termos do parágrafo único do artigo 481 do Código de Processo Civil, a reserva de Plenário. De fato, a questão jurídica da atribuição, por lei ordinária, de responsabilidade tributária solidária pela mera condição de sócio, contrariando os termos do art. 135, III, do CTN, é inconstitucional, conforme já declarado pelo Supremo Tribunal Federal. Ante o exposto, nego provimento ao agravo inominado. (destaques meus) Apesar disso, a matéria não foi impugnada por meio de recurso extraordinário, circunstância que atrai o óbice da Súmula n. 126 desta Corte, segundo a qual "é inadmissível recurso especial, quando o acórdão recorrido assenta em fundamentos constitucional e infraconstitucional, qualquer deles Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10865.720604/201544 Acórdão n.º 3402004.138 S3C4T2 Fl. 337 9 suficiente, por si só, para mantêlo, e a parte vencida não manifesta recurso extraordinário". (...) Isto posto, com fundamento no art. 557, caput, do Código de Processo Civil, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial. publiquese e intimemse. Brasília (DF), 1º de fevereiro de 2017. MINISTRA REGINA HELENA COSTA Relatora Tratase de decisão irretocável, cujo conteúdo adoto com razão de decidir no presente processo, para excluir a responsabilidade solidária da Sra. Wilma Thome Daud, uma vez que inexiste nos presentes autos qualquer elemento trazido pela fiscalização no sentido de que a mesma tenha agido com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Na realidade, nem mesmo contra a pessoa jurídica restou provada qualquer conduta dolosa, razão pela qual a DRJ corretamente reduziu a multa aplicada para o patamar de 75%.4 Nesse sentido, há de se aplicar o entendimento consagrado em sede de julgamento por meio de recursos repetitivos pelo E. STJ no REsp 1.101.728/SP TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DISPENSA. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. TRIBUTO NÃO PAGO PELA SOCIEDADE. 2. É igualmente pacífica a jurisprudência do ST3 no sentido de que a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, ore vista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa (EREsp 374.139/RS, Ia Seção, 03 de 28.02.2005). 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolucão STJ 08/08. (Min. Rel. Teori Albino Zavascki; D3 23.3.2009; sem grifos no original) Nesse sentido, entendo que a Sra. Wilma Thome Daud deve ser excluída do polo passivo do presente processo administrativo tributário. 4 Nas palavras do voto do Relator na instância a quo: "Ocorre que o auto de infração não esclarece o enquadramento legal dado pelo autuante ao procedimento adotado pelo contribuinte, a ensejar a majoração da penalidade, o que resulta em prejuízo à defesa, e a própria análise nesta instância de julgamento. Por outro lado, verificase que a fiscalizada respondeu as intimações lhe foram dirigidas, apresentando os arquivos e informações solicitados, além de ter escriturado o imposto destacado nas notas fiscais no Livro Registro de Apuração do IPI – RAIPI, tendo, inclusive, declarado os saldos devedores ali apurados nas DIPJ relativas aos anoscalendário de 2012 e 2013. Referidos saldos devedores correspondem exatamente aos valores lançados em cada período, conforme consulta realizada nesta data ao Portal IRPJ, ou seja, tais dados estavam à disposição do Fisco antes do início da ação fiscal que redundou na autuação ora em análise, uma vez que as DIPJ foram transmitidas antes da lavratura do Termo de Início de Fiscalização." Fl. 268DF CARF MF 10 2. CONSUNÇÃO RELATIVA ÀS MULTAS APLICADAS Entendo que não merece reparos a decisão da DRJ ao ter mantido a multa regulamentar pela apresentação de DCTF com incorreções no presente caso. Isto porque foi afastado o agravamento da penalidade pena DRJ, que restou reduzida para patamar de 75%, deixando de fazer sentido o argumento da Recorrente no sentido de haver a consunção entre a multa de ofício de a multa regulamentar pela apresentação de DCTF com incorreções. Efetivamente, caso tivesse sido mantida a penalidade de 112,5%, por exemplo,pela aplicação do agravamento contido no artigo 68, §1º, inciso III da mesma Lei n. 4.502/64 ("são circunstâncias agravantes (...) a inobservância de instruções dos agentes fiscalizadores sôbre a obrigação violada, anotada nos livros e documentos fiscais do sujeito passivo"), poderia de fato ser travada uma discussão sobre dupla penalidade, uma vez que a prestação de informações inexatas em DCTF estaria culminando tanto no agravamento da multa de ofício como na incidência da multa regulamentar do artigo 7º, inciso IV, da Lei 10.426/2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei 11.051/2004, a seguir transcrito. “Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...)” Contudo, como já exposto, a referida redução da penalidade para 75% fez com que a multa de ofício aplicada in casu passasse a se referir pura e simplesmente à penalidade pela falta de pagamento de tributo, típica dos lançamentos de ofício. Esse é o fato que a multa de ofício de 75% apena no presente caso: o não pagamento do IPI, em estreita consonância com os dizeres do artigo 80 da Lei n. 4.502/64 in verbis: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. Tal fato (não pagamento de tributo), obviamente não se confunde com a prestação de informações incorretas em DCTF, afinal poderia a Recorrente ter corretamente preenchida a DCTF, declarando o tributo devido aos Cofres Públicos, porém sem o respectivo recolhimento do IPI. É nesse sentido inclusive que se percebe que os bens jurídicos tutelados por cada uma das situações é diverso: o Erário, pela multa de ofício em razão de não pagamento de tributo; e a Fiscalização tributária, pela multa regulamentar por informação inexata em DCTF. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10865.720604/201544 Acórdão n.º 3402004.138 S3C4T2 Fl. 338 11 Lembrese que no presente caso a apresentação de DCTF foi feita sem a informação dos saldos devedores do IPI lançados em notas fiscais. Portanto, entendo como correta a imposição da multa regulamentar, não sendo devido o provimento do recurso voluntário nesse ponto. 3. JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Com relação à incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício, entendendo que assiste razão à Recorrente. Isto porque inexiste no ordenamento jurídico pátrio dispositivo legal que fundamente tal exigência. Com efeito, o artigo 61, caput e §3º da Lei n. 9.430, de 37 de dezembro de 1996 (“Lei n. 9.430/96) dispõe que sobre os “ “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, (...) não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora”, e que “sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora”. O comando do citado artigo, portanto, determina que sobre os débitos (tributos) será aplicada multa de mora quando pagos a destempo, e sobre os débitos aplicarse á, igualmente, os juros de mora. Contudo, a multa de ofício não foi incluída no débito tributário para fins de aplicação dos juros. Seria de fato “ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput”, nas palavras do Conselheiro Rosaldo Trevisan (Acórdão 3403002.367, de 24 de julho de 2013). Vêse, assim, que a literalidade do artigo separa os débitos tributários das penalidades (multas de ofício), determinando a incidência dos juros só sobre os primeiros, e não sobre as segundas. Parece ter assim andado o legislador buscando estar em sintonia com as regras estabelecidas pelo Código Tributário Nacional (“CTN”), com o status de lei complementar que tem ao dar cumprimento às funções estipuladas pelo artigo 146 da Constituição Federal. Efetivamente, o CTN além de claramente separar a natureza jurídica dos tributos (invariavelmente decorrente de condutas lícitas, segundo o artigo 3ª) e das multas (penalidades pela prática de ilícitos, ou seja, sanções aplicadas quando da ocorrência de infrações ao sistema tributário), em seu artigo 161 coloca que o “crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.” O artigo 161 do CTN, destarte, desintegra as penalidades do crédito tributário para fins de aplicação dos juros. Afinal, caso quisesse que as penalidades estivessem abarcadas pela locução “crédito”, no início do dispositivo, não as teria destacado e dado tratamento diferenciado ao final do mesmo dispositivo legal. Fl. 270DF CARF MF 12 Ressalto que não se está aqui a olvidar que a separação entre crédito tributário (do ponto de vista do Fisco, o que corresponde ao débito tributário, do ponto de vista do contribuinte) e penalidades, do artigo 161 do CTN, colide com outras normas trazidas pelo próprio CTN, vale dizer, o artigo 1135 combinado com o artigo 139,6 os quais, lidos conjuntamente, levam à conclusão de que o crédito tributário abarca toda a obrigação principal, composta tanto pelos tributos como pelas penalidades pecuniárias devidas pelo contribuinte aos Cofres Públicos. Tal incoerência, contudo, não é suficiente para afastar a dissociação entre crédito/débito tributário e penalidades, estampada tanto no artigo 161 do CTN como no artigo 61 da Lei n. 9.430/96, quando tratam especificamente a incidência dos juros sobre os valores devidos pelos contribuintes ao Fisco. Em ambos os dispositivos somente há autorização para a incidência de juros (no âmbito federal representado pela SELIC) sobre o crédito/débito, entendido como aquele decorrente de fatos gerados de tributos, mas não sobre as penalidades tributárias. As incoerências da legislação tributária são diversas, cabendo aos órgãos julgadores solucionálas da maneira mais lógica e justa possível, que é justamente o que aqui se pretende, chegando, das razões acima expostas, à conclusão pela não incidência de juros sobre a multa de ofício. Nesse sentido vem caminhando a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (e.g. Acórdão 3403002.367, de 24 de julho de 2013; Acórdão 3402 002.862, de 26 de janeiro 2016), porém ainda não consolidada. Assim, ao meu ver, é nesse sentido que deve ser interpretada a Súmula CARF n. 4,7 cujo teor impõe o reconhecimento como devida a SELIC sobre débitos tributários administrados pela Secretaria Receita Federal. São sim devidos os juros SELIC, mas tão somente sobre os tributos no período de inadimplência, e não sobre eventuais multas de ofício cobradas no mesmo suporte documental (auto de infração). Sem lei que estabeleça expressamente a aplicação de juros sobre a multa de ofício, incabível a cobrança pretendida pela Autoridade Fiscal nestes autos, devendo ser a mesma cancelada por este Colegiado. Neste ponto, insta mencionar que não seria aplicável ao presente caso o art. 43, da Lei n.º 9.430/96, mencionado no Acórdão 9303002.399, da 3ª Turma da CSRF. Isso porque o referido dispositivo traz a previsão de aplicação dos juros de mora quando da lavratura auto de infração que se refira, "exclusivamente, a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente", tratandose, portanto, de "Auto de Infração sem tributo" nos termos do título utilizado pela própria lei neste artigo: "Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Auto de Infração sem Tributo 5 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. 6 Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 7 Súmula CARF n° 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10865.720604/201544 Acórdão n.º 3402004.138 S3C4T2 Fl. 339 13 Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifo nosso) Como se depreende do relatório, a hipótese trazida no dispositivo legal acima distinguese claramente daquela sob análise, no qual foi aplicada multa de ofício sobre o valor do tributo não recolhido (IPI), esta sim sem previsão legal para a incidência de juros. Por fim, cumpre tecer alguns comentários sobre o julgamento do Superior Tribunal de Justiça, que poderia ser citado como fundamento da posição em sentido contrário a aqui exposta. Tratase do AgRg no REsp 1.335.688PR, segundo o qual: "entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: 'É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.' (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010." Com a devida vênia ao Egrégio Tribunal, entendo que a decisão ali alcançada não merece guarida. Para ser mais precisa, por uma análise acurada do teor do julgamento, entendo que o STJ ainda não se manifestou sobre a específica questão aqui discutida, pois no AgRg no REsp 1.335.688PR não foi trazido um único fundamento de decidir a respeito da diccção do artigo 61 caput e §3º da Lei n. 9.430/96, apresentada alhures, tendo sido a decisão calcada em acórdãos do próprio órgão que não resolvem ao tema. Explico. No Recurso Especial n. 1.335.688, bem como no Agravo de Instrumento de mesmo número, as razões de decidir do Ministro Relator Benedito Gonçalvez se limitam a afirmar que o acórdão do TRF da 4ª Região, objeto de reclame do contribuinte, ao decidir pela incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício espelhou a jurisprudência firmada pelas Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, justamente como consta no trecho da ementa acima citado, quais sejam: o REsp 1.129.990/PR e o REsp 834.681/MG. Ocorre que no REsp 1.129.990/PR, segundo os dizeres do Ministro Castro Meira (Relator) "a questão devolvida a este Superior Tribunal de Justiça consiste em saber se a multa decorrente do inadimplemento de ICMS sujeitase à incidência de juros de mora, como defende o Fisco Estadual, ou sequer integra o crédito tributário e, portanto, não pode sofrer este acréscimo, conforme a tese adotada pelo acórdão hostilizado." Não são necessárias maiores digressões para chegar a conclusão de que se a matéria analisada pelo STJ nesse caso dizia respeito à tributo estadual (ICMS), de modo que não foi objeto de apreciação a legislação federal que fundamenta o presente voto (artigo 61 caput e §3º da Lei n. 9.430/96). Com efeito, o r. acórdão teve como base unicamente as normas constantes dos artigos 113, 139 e 161 do CTN. Fl. 272DF CARF MF 14 Na mesma problemática incorre o REsp 834.681/MG, no qual discutiase, em primeiro lugar, a aplicabilidade da taxa Selic como índice legítimo de correção monetária e juros de mora para a correção de débitos do contribuinte perante a Fazenda Pública estadual (de Minas Gerais, in casu). Como segundo ponto enfrentado pelo STJ aparecia a incidência dos juros sobre a multa de ofício que, por óbvio, também se limitava ao âmbito da legislação estadual, provável razão pela qual mais uma vez o Tribunal silenciou sobre a exegese do artigo 61, caput e §3º da Lei n. 9.430/96. Constatase, assim, que os precedentes utilizados como alicerce para a decisão do AgRg no REsp 1.335.688PR não tangenciaram especificamente os dizeres do artigo 61 caput e §3º da Lei n. 9.430/96. Por essa razão não vislumbro qualquer razão para alterar o posicionamento majoritário que vem sendo adotado por esse Colegiado, a respeito da falta de previsão legal para a incidência da Selic sobre a multa de ofício imposta nos autos de infração lavrados pela Secretaria da Receita Federal. Dessarte, entendo que o recurso merece provimento para a excluir a aplicação da taxa de juros Selic sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa do presente julgado. 4. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao presente recurso voluntário: i) excluir a responsabilidade solidária da Sra. Wilma Thome Daud; ii) a excluir a aplicação da taxa de juros Selic sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa do presente julgado. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 273DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900380/2014-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 06/07/2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 06/07/2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13888.900380/2014-00
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5735144
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3401-003.743
nome_arquivo_s : Decisao_13888900380201400.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 13888900380201400_5735144.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6812145
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210176143360
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1588; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.900380/201400 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401003.743 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2017 Matéria IPI pagamento a maior ou indevido Recorrente RMF INDUSTRIA E COMERCIO DE EMBALAGENS PLASTICAS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 06/07/2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 80 /2 01 4- 00 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900380/201400 Acórdão n.º 3401003.743 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 06/07/2012 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900380/201400 Acórdão n.º 3401003.743 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13888.900380/201400 Acórdão n.º 3401003.743 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.005063/2008-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 09/01/2003 a 08/01/2004
DECADÊNCIA. IRRF. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. ART.173, I, DO CTN.
A ausência de comprovação de pagamento antecipado, que tenha conexão com o fato gerador da obrigação tributária, aplica-se ao lançamento do imposto sobre a renda incidente exclusivamente na fonte, a regra geral de contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, do CTN.
PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. PROGRAMA DE INCENTIVO.
A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado ou recurso entregue a terceiros, contabilizados ou não, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte.
MULTA QUALIFICADA. INTENÇÃO DOLOSA. COMPROVAÇÃO PELA AUTORIDADE LANÇADORA.
Uma vez devidamente comprovada a intenção dolosa do contribuinte cabe aplicação de multa de ofício qualificada.
Numero da decisão: 2402-005.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, afastar a decadência e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo (Presidente), Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felícia Rothschild, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Theodoro Vicente Agostinho, Mario Pereira de Pinho Filho e Waltir de Carvalho.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Período de apuração: 09/01/2003 a 08/01/2004 DECADÊNCIA. IRRF. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. ART.173, I, DO CTN. A ausência de comprovação de pagamento antecipado, que tenha conexão com o fato gerador da obrigação tributária, aplica-se ao lançamento do imposto sobre a renda incidente exclusivamente na fonte, a regra geral de contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, do CTN. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. PROGRAMA DE INCENTIVO. A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado ou recurso entregue a terceiros, contabilizados ou não, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte. MULTA QUALIFICADA. INTENÇÃO DOLOSA. COMPROVAÇÃO PELA AUTORIDADE LANÇADORA. Uma vez devidamente comprovada a intenção dolosa do contribuinte cabe aplicação de multa de ofício qualificada.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11516.005063/2008-24
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5739590
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2402-005.857
nome_arquivo_s : Decisao_11516005063200824.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
nome_arquivo_pdf_s : 11516005063200824_5739590.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, afastar a decadência e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo (Presidente), Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felícia Rothschild, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Theodoro Vicente Agostinho, Mario Pereira de Pinho Filho e Waltir de Carvalho.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
id : 6845736
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210177191936
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-07-05T18:17:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-07-05T18:17:02Z; Last-Modified: 2017-07-05T18:17:02Z; dcterms:modified: 2017-07-05T18:17:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:cbc0ab94-7bec-44ea-8d92-0a6c75e78729; Last-Save-Date: 2017-07-05T18:17:02Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-07-05T18:17:02Z; meta:save-date: 2017-07-05T18:17:02Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-07-05T18:17:02Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-07-05T18:17:02Z; created: 2017-07-05T18:17:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2017-07-05T18:17:02Z; pdf:charsPerPage: 1488; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-07-05T18:17:02Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.005063/200824 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.857 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de junho de 2017 Matéria IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Recorrente NEXXERA TECNOLOGIA E SERVIÇOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 09/01/2003 a 08/01/2004 DECADÊNCIA. IRRF. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. ART.173, I, DO CTN. A ausência de comprovação de pagamento antecipado, que tenha conexão com o fato gerador da obrigação tributária, aplicase ao lançamento do imposto sobre a renda incidente exclusivamente na fonte, a regra geral de contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, do CTN. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. PROGRAMA DE INCENTIVO. A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado ou recurso entregue a terceiros, contabilizados ou não, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte. MULTA QUALIFICADA. INTENÇÃO DOLOSA. COMPROVAÇÃO PELA AUTORIDADE LANÇADORA. Uma vez devidamente comprovada a intenção dolosa do contribuinte cabe aplicação de multa de ofício qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 50 63 /2 00 8- 24 Fl. 448DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, afastar a decadência e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo (Presidente), Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felícia Rothschild, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Theodoro Vicente Agostinho, Mario Pereira de Pinho Filho e Waltir de Carvalho. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 11516.005063/200824 Acórdão n.º 2402005.857 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme relatório da decisão recorrida, trata o presente processo de impugnação a revisão de ofício de auto de infração de fls. 04 a 24, o qual exige da interessada o recolhimento da importância de R$ 463.377,33, acrescido de multa de oficio de 150% e juros de mora, a titulo de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, correspondente a fatos geradores ocorridos no período entre 09/01/2003 e 08/01/2004, com base no art. 674 do RIR/99. Na Descrição dos Fatos no Auto de Infração (fls.18 e segs), temos que: 001 — OUTROS RENDIMENTOS — BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃ0 IDENTIFICADO Esse lançamento decorre de revisão de oficio, efetuada nos termos do art.149 do CTN, determinada pela autoridade competente, e substitui e cancela o lançamento anterior, lavrado em 30/06/2008, que se encontra no processo administrativo fiscal número 11516.004787/200851. (...) Fica o contribuinte cientificado que todos os documentos entregues por ele e os produzidos pela fiscalização que fazem parte do processo administrativo 11516.004787/200851 são parte integrante e inseparável deste auto de infração [..] Valor apurado conforme descrito detalhadamente no "Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal", que é parte integrante e inseparável deste auto de infração. Na empresa ora sob investigação restou configurada a prática de sonegação fiscal pela não retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte referente a pagamentos realizados a beneficiários do relacionamento da autuada (funcionários, diretores, etc.) através de outra pessoa jurídica, consoante corroboram os documentos presentes neste processo. Na forma desses assentos, no ano calendário de 2003 e janeiro de 2004, realizou pagamentos a diversos beneficiários, a titulo de prêmios, por intermédio da empresa SIM Incentive Marketing Ltda. Tais operações tem por lastro notas fiscais emitidas pela empresa que intermediou os pagamentos, documentos que consignam, sob a Descrição "VR. REF. A REEMBOLSO SIM CLUB — CAMPANHA MARKETING DE INCENTIVOS", os encargos de responsabilidade do cliente, ou seja, que estão sendo apenas intermediados pelo emitente; e ainda sob a descrição "Honorários", a comissão cobrada pela intermediação. Na contabilidade o valor total das notas foi registrado sob a rubrica de "Sim Incentive — Conta n°11475 — 2.1.1.1.000", com histórico de "Despesas c/ Serviços de Assessoria" e "Conta n°98 — 1.1.1..2.0002 — Banco Bradesco — 03205550". Assim, os fatos escriturados não se conformam com as operações efetivamente realizadas, permanecendo ocultos os fatos verdadeiros e os reais beneficiários dos pagamentos. Impugnação Fl. 450DF CARF MF 4 Cientificada do Auto de Infração e do Termo de Verificação Fiscal, a contribuinte apresentou sua impugnação (fls. 27 a 116) que a seguir se resume: que tendo em vista a revisão do lançamento efetuado, com lavratura de novo auto de infração, abriuse novo prazo de defesa para a Impugnante a contar da data de ciência do ato decisório do novo lançamento, que ocorreu aos 10 de julho de 2008; em preliminar, alega a decadência (fls.30/35), com base no art.150 do CTN, onde menciona outros textos legais para concluir que "o termo a quo para cômputo do prazo decadencial começa a fluir a partir da ocorrência do "fato gerador", que relativo ao IRRF ocorre no dia da percepção do rendimento ou a data disposta como do fato gerador no próprio Demonstrativo de Multa e Juros de Mora do presente auto de infração." assim, considerandose que a Impugnante teve ciência do lançamento aos 10 de julho de 2008, o Fisco decaiu do direito de lançar o IRRF relativo aos fatos geradores que indica a fl.35; III DA CAMPANHA MOTIVACIONAL DE INCENTIVO (fls. 35 a 38) discorre sobre os programas de incentivo; que como contraprestação pelos serviços prestados, as agências de marketing são remuneradas por meio de honorários, tal como previsto na cláusula quarta do contrato de prestação de serviços firmado entre a Impugnante e a SIM IN Marketing (comissão de serviços de 7%); IV DO CONTRATO FIRMADO COM A SIM INCENTIVE (fls. 38 a41) a SIM Incentive Marketing S/C Ltda., planejou, criou e organizou toda a campanha motivacional relativa ao exercício de 2003, ficando a seu cargo toda a gestão de resultados e premiação, bem como toda a documentação a respeito da campanha e premiados; que, ao contrário do que alega a fiscalização, definir os valores dos cartões NÃO significa determinar os beneficiários do programa; o contrato é claro em dizer que a Impugnante irá determinar apenas os valores dos prêmios sendo que os beneficiários serão informados pela SIM INCENTIVE, empresa responsável pelo desenvolvimento do programa de incentivos que engloba: pagamento dos beneficiários, análise de quem atingiu as metas do programa de premiação, planejamento, etc...atendimento aos participantes, administração das ferramentas de distribuição dos prêmios e encerramento; que a relação dos beneficiários e demais documentos relacionados à campanha , de marketing é de conhecimento exclusivo da SIM INCENTIVE MARKETING; que os pagamentos feitos à SIM estão lastreados em notas fiscais, que em 2003 era optante do lucro presumido, o que o desconto de eventuais parcelas não lhe traria qualquer beneficio fiscal; que ao contrário do que deduz a fiscalização, a Impugnante não utiliza "essa modalidade de remuneração" no lugar de pagamento de salários; que os documentos relacionados com a campanha motivacional objeto do contrato de prestação de serviço firmado estavam todos com a SIM INCENTIVE, nos termos da carta enviada por esta, já anexada a este processo administrativo, que informa, ainda, sobre o incêndio no armazém onde se localizava o arquivo com os documentos e informações vinculados à Impugnante; V — DA SUPOSTA FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRRF PARA BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS Fl. 451DF CARF MF Processo nº 11516.005063/200824 Acórdão n.º 2402005.857 S2C4T2 Fl. 4 5 que não existe fato gerador, que o fisco alega que a Impugnante estaria sujeito ao IRRF por efetuar pagamento a beneficiário não identificado, com base no art.674 do RIR/99; ocorre que a beneficiária do pagamento realizado está perfeitamente identificada, a SIM INCENTIVE; que só restaria caracterizada a incidência tributária de que trata o art. 674 se estivesse comprovado a entrega de recursos por parte da Impugnante, a terceiros; além disso, o beneficiário do pagamento deveria restar não identificado, o que não ocorreu; além de não haver comprovação sobre a operação que motivou o pagamento, o que também não ocorreu, visto estar sobejamente comprovada a contratação de serviço de marketing promocional pela Impugnante; VI — DA RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO mesmo que assim não entenda, a responsabilidade pelo tributo incidente na fonte é atribuída à fonte pagadora, ou seja, a SIM INCENTIVE; quem auferiu renda foram os beneficiários do programa e não a impugnante; discorre sobre conceito de obrigação tributária e fato gerador para arrematar que "Mesmo que se entendesse que a Impugnante seria a fonte pagadora dos prêmios do programa de incentivo, o que se admite apenas para fins de argumentação, a mesma não seria contribuinte, nem responsável por substituição ou por transferência e nem teria responsabilidade solidária ou subsidiária relativamente ao imposto que deveria ser retido e recolhido, independentemente de se tratar de antecipação ou tributação definitiva"; que se não houver lei designando expressamente a fonte como contribuinte, responsável ou substituto tributário, o contribuinte é sempre o beneficiário do rendimento, quer a tributação seja definitiva ou por antecipação, razão pela qual, data vênia, compete ao beneficiário e não a fonte pagadora incluir na declaração anual a antecipação e o respectivo rendimento, bera assim os rendimentos tributados exclusivamente na fonte; não obstante, quando a incidência do imposto de renda na fonte ocorre por antecipação do tributo devido na declaração de ajuste anual e a ação fiscal que constata a falta de retenção é concluída após o dia 31 de dezembro do ano do fato gerador, o imposto deve ser exigido do beneficiário dos rendimentos, que é o contribuinte do tributo, nos termos do artigo 45 do CTN; VII — DO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL (fls.47 .a 50) discorre sobre conceito de acréscimo patrimonial, para concluir que "...os prêmios fornecidos pela SIM INCENTIVE aOs funcionários da Impugnante só poderiam ser computados na conta de imposto sobre a renda, desde que não consumidos pelos beneficiários, posto que afeta seu cálculo anual. E, relativamente à Impugn aten, esta não efetuou pagamento dos prêmios aos beneficiários do contrato de marketing firmado, assim, como não auferiu renda, fato gerador do imposto sobre a renda, não sendo, portanto, contribuinte legitima do imposto digitado." VITI — DA SUPOSTA FRAUDE Fl. 452DF CARF MF 6 que para a aplicação da penalidade do art.44 da Lei 9.430/96, é indispensável a plena caracterização e comprovação da pratica de uma conduta fraudulenta por parte da Impugnante, ou seja, é absolutamente necessário restar demonstrada a materialidade dessa conduta, ou que reste configurado o dolo especifico do agente evidenciado não somente a intenção mas também o seu objetivo, isso porque a fraude não pode ser presumida mas sim comprovada através de elementos contundentes apuráveis, inclusive, através do devido processo legal; (transcreve ementas de julgados do CC (fl.51); que no presente caso, a fiscalização não logrou demonstrar a intenção dolosa da Impugnante; que durante todo o período fiscalizatório a Impugnante não poupou esforços no sentido de municiar totalmente os agentes fiscais disponibilizandolhes toda a gama de documentos relacionados aos períodos analisados; IX — DO ERRO NO LANÇAMENTO DA MULTA — NULIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO não obstante não ter sido comprovado o intuito de fraude pela Impugnante que autorize a aplicação da multa do artigo 44, inciso II da Lei 9.430/96, a multa foi lançada erroneamente, com alíquota de 150% ao invés de 50%, o que leva a nulidade do lançamento; que a fiscalização utilizouse da alíquota de 150% para calcular o imposto devido quando na verdade a alíquota do inciso II do art.44 da Lei 9.430/96 foi alterada pela Lei 11.488, de 15 de junho de 2007 para 50% (transcreve nova redação As fls.53/54); que a exata descrição da falta imputada ao contribuinte é elemento essencial de validade, nos termos do art.10 do Decreto 70.235/72, que transcreve a fl.54; o erro na invocação da norma infringida e discrepância entre a aliquota correta a ser aplicada de 50% para 150% representa mudança no critério jurídico do lançamento, posto que a antiga redação do artigo 44, II, fala em "caso de evidente intuito de fraude" e a nova redação trata da redução do percentual da multa de oficio, lançada isoladamente, nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa fisica a titulo de came leão ou pela pessoa jurídica a titulo de estimativa; disso resulta claro cerceando (sic) o direito de defesa da Impugnante, posto que não se sabe com segurança qual o critério jurídico que motivou o lançamento, devendo o • mesmo ser anulado de plano; nos itens X (fls.55 a 58) e XI (fl.59) reclama da aplicação da taxa SELIC de juros, enquanto que no item XII (fls.60 a 62) reclama da ilegalidade da cobrança dos juros de mora e que não se observou o limite de 20% para aplicação da multa do art.61 da Lei 9.430196; Em sessão de 21 de novembro de 2008, a decisão da autoridade de primeira instancia julgou improcedente a impugnação da Recorrente (fl. 121), cuja ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 09/01/2003 a 08/01/2004 Pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não Fl. 453DF CARF MF Processo nº 11516.005063/200824 Acórdão n.º 2402005.857 S2C4T2 Fl. 5 7 identificado ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado ou recurso entregue a terceiros, contabilizados ou no, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 09/01/2003 a 08/01/2004 Multa de Oficio. Qualificada. Aplicabilidade A penalidade aplicada multa de oficio foi no percentual de 150%, pois constatada que a conduta da contribuinte foi tendenciosa, deliberada, ou seja, esteve associada as situações previstas .nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, mencionados no art.44 da Lei 9.430/96, base legal da multa em questão. Lançamento por homologação. Dolo. Decadência. Art.173 do CTN. IRRF. Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicase o prazo decadencial previsto no art.173 do CTN, onde ficou constatado que não ocorreu a decadência para os fatos geradores supra indicados. Presunções Legais Relativas. Distribuição do ônus da Prova. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Lançamento Procedente Cientificado da decisão de primeira instancia em 15/12/2008, o contribuinte apresentou tempestivamente, fl. 144 e segs., em 14/01/2009, o recurso voluntário apenas repisando os argumentos levantados em sede de impugnação. Sem contrarazões. É o relatório. Fl. 454DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Bianca Felícia Rothschild Relatora O recurso é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 15/12/2008, interpôs recurso voluntário no dia 14/01/2009, atendendo também às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser CONHECIDO. Preliminar Decadência Cuida de tributação extraordinária do imposto sobre a renda, a alíquota de 35%, que possui regra de incidência tributária específica (art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995). No âmbito do lançamento dos tributos por homologação, como ora se examina, a tarefa prescrita em lei de antecipar o pagamento demanda do sujeito passivo a realização de uma série de procedimentos a partir da confrontação entre o fato jurídico e a regramatriz de incidência tributária. Sob esse prisma, não localizei nos autos a existência de pagamento antecipado que mantenha conexão com os fatos geradores associados ao crédito tributário lançado pela fiscalização, portanto aptos a atrair a aplicação do § 4º do art. 150 do CTN. Logo, na ausência de pagamento ou antecipação impõese a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN, na esteira do REsp nº 973.733/SC, contandose o termo inicial do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como o contribuinte foi cientificado do lançamento em 10 de julho de 2008, conforme Auto de Infração a fl. 06 e segs, de se verificar, a luz do artigo supra, se o IRRF correspondente ao fato gerador mais antigo, no caso, de em 09/01/2003 (fl.17), teria sido atingido pela decadência: Fato Gerador Exercício possível de lançamento 1o dia do exercício seguinte Contagem de 5 anos 09/01/2003 2003 01/01/2004 31/12/2008 Como o lançamento foi cientificado ao contribuinte antes de 31/12/2008, não houve a decadência alegada para nenhum fato gerador de 2003 e, conseqüentemente, para nenhum fato gerador posterior, objeto de lançamento. Observo que as conclusões acima expostas independem da análise do dolo, fraude ou simulação na conduta do sujeito passivo. MÉRITO Fl. 455DF CARF MF Processo nº 11516.005063/200824 Acórdão n.º 2402005.857 S2C4T2 Fl. 6 9 Em relação ao mérito, o cerne da questão gira em torno da suposta falta de retenção do imposto de renda na fonte, por parte do Recorrente, referente a pagamentos realizados a beneficiários não identificados, a titulo de prêmios, através de outra pessoa jurídica SIM Incentive Marketing Ltda. ("SIM Incentive"), no ano calendário de 2003 e janeiro de 2004. A suposta infração legal está capitulada nos termos do art. 674 do Regulamento de Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/99): Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. (grifei) Vale esclarecer que, apesar dos pagamentos em questão terem sido realizados a empresa identificada, qual seja a SIM Incentive, conforme notas fiscais apensas ao autos (fl. 18 a 63), o que se alega pela fiscalização, é que os pagamentos, em verdade, eram realizados a funcionários não identificados da empresa Recorrente. Neste sentido, a empresa SIM Incentive era remunerada mediante comissão de intermediação, que, conforme respectivo contrato de prestação de serviços, era de 7% sobre os total dos valores pagos a título de premiação. Desta forma, excluindose a comissão da intermediária, todo o montante pago a título de premiação seria, portanto, pagamento efetuado a beneficiário não identificado, nos moldes do art. 674 do RIR/99. Sobre tal valor recaiu o lançamento. Notase, pois, que não se está aqui questionando a legitimidade da campanha motivacional de incentivo em si, que, conforme bem fundamentado pelo Recorrente, é totalmente lícita. O que se questiona seria a forma como os respectivos pagamentos foram realizados e contabilizados pela empresa, como se fossem pagamentos de despesas operacionais a terceiro Sim Incentive. Uma vez realizado este esclarecimento, passase a analise da mérito, que requer a ponderação sobre as clausulas do contrato celebrado entre o Recorrente e a suposta intermediária, SIM Incentive. CLAUSULA PRIMEIRA — OBJETIVO DO CONTRATO A SIM INCENTIVE MARKETING S/C LTDA., garantirá o perfeito funcionamento do sistema SIM CLUB, cartões eletrônicos utilizados como meio de pagamento de premiação, desde que obedecidas às cláusulas seguintes. CLÁUSULA SEGUNDA — OBRIGAÇÕES DA SIM A) Fornecer a contratante os cartões SIM CLUB nos valores e quantidades requisitados. CLÁUSULA TERCEIRA — OBRIGAÇÕES DA CONTRATANTE A CONTRATANTE obrigase a: Fl. 456DF CARF MF 10 A) Definir previamente os valores dos cartões SIM CLUB, respeitandose os valores mínimos de cada um deles, sendo estes informados pela SIM INCENTIVE MARKETING. B) Requisitar da SIM INCENTIVE, por escrito, os cartões de premiação, respeitando o prazo estabelecido no item (B) da cláusula segunda deste instrumento. C) Efetuar o pagamento dos valores creditados nos cartões fornecidos pela SIM INCENTIVE, bem como da respectiva comissão no prazo (à vista) contados a partir do momento em que se der a entrega dos mesmos à CONTRATANTE. CLÁUSULA QUARTA: COMISSÃO DE SERVIÇOS A comissão de serviços será de 7% (sete por cento) sobre o valor de cada pedido na entrega centralizada, sendo que nesta não está contido o valor disponível no cartão SIM CLUB. Apesar das clausulas contratuais serem claras no sentido de que a SIM Incentive seria apenas uma intermediária, posto que a Recorrente é quem realizaria a definição e pagamento dos valores a serem distribuídos, carece de informação acerca de quem seria beneficiário do programa. Não obstante ter sido a recorrente e a SIM Incentive intimadas a prestar tal explicação, informaram sobre um incêndio no armazém onde se localizava o arquivo com os documentos e informações vinculados, desta forma, não seria possível fornecer respectiva documentação, identificando individualmente os beneficiários agraciados. Neste sentido, segue abaixo carta da SIM Incentive: "Com relação a cópia do contraio de prestação de serviço e demais documentos vinculados a empresa NEXXERA TECNOLOGIA E SERVIÇOS S/A, a SIM informa que tais documentos encontravamse em um arquivo localizado em São Paulo, na Rua Marina Ciufuli Zanfelice, 280, na Lapa, conforme contrato de locação de espaço, firmado com a empresa ARMAZÉNS GERAIS FUR USHO E S.A LZANO LTDA. Ocorre que em 24/12/2007 ocorreu um incêndio no local onde se estabelecia o armazém conforme comunicado enviado pela locadora em 28/12/2007, juntamente com o Boletim de Ocorrência lavrado na 7" Delegacia Policial da Lapa. E ainda, segundo informado pela locadora, o Box onde se encontrava o arquivo da SIM foi totalmente destruído pelo incêndio. Assim, todos os documentos da SIM que se encontravam arquivados no Armazém Geral incendiado, entre eles contratos, notas fiscais dos exercícios de 2000 a 2007, relatórios de faturamento, correspondências, recibos, etc, foram perdidos o incêndio, conforme relação anexa ao Boletim de Ocorrência lavrado na 15' Delegacia de Policia do Itaim Bibi, noticiado por uma das sócias da SIM Em decorrência disso, os documentos e informações que poderiam ser fornecidos pela SIM para amparar eventual informação a Receita Federal a respeito do contrato com a empresa NEXXERA TECNOLOGIA E SER VIÇOS S/A, foram destruídos no incêndio. Fl. 457DF CARF MF Processo nº 11516.005063/200824 Acórdão n.º 2402005.857 S2C4T2 Fl. 7 11 Seguem, anexas a presente, cópias dos documentos que amparam os falos acima narrados, quais sejam: a) contraio de locação de espaço, firmado com a empresa ARMAZÉNS GERAIS FUR USHO E SALZAINO LTDA.; b) comunicado enviado pela locadora em 28/12/2007, informando a respeito da ocorrência do incêndio; c) Boletim de Ocorrência lavrado na 7 Delegacia Policial da Lapa pela proprietária do Armazém; d) Boletim de Ocorrência lavrado na 15, Delegacia de Policia do Itaim Bibi, noticiado por uma das sócias da SIM, com a relação de todos os documentos que se encontravam no arquivo.)"(grifei) No entanto, foi confirmado pelo próprio Recorrente em sede recurso voluntário, que os beneficiários do programa são seus próprios funcionários (fl. 158) "O objetivo de se contratar terceiros (agências de marketing) para operacionalizar um sistema de incentivo e premiação dos funcionários tem por objetivo aumentar a produtividade sem que a Recorrente necessite desviarse do foco do negócio." Poderiase argumentar que o pagamento tratase de remuneração salarial e que a infração seria, apenas, a falta de retenção na fonte, cuja penalidade seria a multa isolada, na medida em que após o encerramento do período a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos. No entanto, a falta de identificação individualizada dos beneficiários impossibilita prosperar em tal argumentação. Tendo em vista o acima, não é difícil concluir que a situação fática ocorrida se subsume perfeitamente a norma legal do enquadramento de exigência do IRRF, na forma do art. 674 do RIR/99, na medida em que se verificou comprovado que a Nexxera efetuou pagamentos, via SIM Incentive, a seus funcionários sob a forma de prêmios em espécie por meio de utilização de cartão eletrônico, cujos beneficiários não foram identificados. Responsabilidade pelo imposto Alega a recorrente que a responsabilidade pelo tributo incidente na fonte é atribuída à fonte pagadora, ou seja, a SIM INCENTIVE. O fato de a empresa, no caso a Nexxera, afirmar que a responsabilidade da guarda da documentação é da SIM INCENTIVE e que "[...] a relação dos beneficiários e demais documentos relacionados à campanha de marketing é de conhecimento exclusivo da SIM INCENTIVE MARKETING", posto que tais documentos encontravamse de posse desta empresa, não lhe retira a sua responsabilidade e o dever de comprovar as operações pactuadas e o fornecimento dos documentos correspondentes, mormente quando tais operações têm repercussões tributárias. Ademais, acordos firmados entre particulares não podem afastar a responsabilidade pelo pagamento de tributos: Art.123 do Código Tributário Nacional — CTN: "Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas a responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas a Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes." Fl. 458DF CARF MF 12 Dos pagamentos efetuados a SIM INCENTIVE, uma parte referese a valor dos serviços (VALOR REF. REEMBOLSO SIM CLUB) e a outra a honorários, conforme consta nas notas fiscais As fls.18 a 63, do processo apenso. O que está se tributando a titulo de imposto de renda retido na fonte são aqueles valores que constam nas notas fiscais denominados VALOR REF. REEMBOLSO SIM CLUB, que, segundo tudo que aqui se mostrou, tal rubrica contemplava as importâncias que eram distribuídas como prêmios de produtividade, que, como visto, sob a forma de créditos efetuados no Unibanco vinculados aos já referidos cartões magnéticos, ocasião em que eram sacados em espécie e/ou utilizados em compras pelos contemplados, cuja identificação restou incomprovada. Quanto a questão levantada acerca de que não existe fato gerador, na situação tipificada no enquadramento legal, uma vez que o beneficiário do pagamento foi identificado, no caso a empresa SIM INCENTIVE MARKETING LTDA., tal afirmação é incoerente, tendo em vista que a SIM INCENTIVE foi mera intermediária no repasse de valores determinados e remetidos pela Nexxera para serem destinados como prêmios aos seus funcionários e/ou colaboradores sem vinculo empregatício. Quanto as suas outras alegações, expostas no item VI — Da responsabilidade pelo recolhimento do imposto e VII — Do acréscimo patrimonial, de se dizer apenas que suas considerações são infundadas, tendo em vista que está provado nos autos que quem determina e remete os valores destinados aos pagamentos em espécie é a Nexxera e não a SIM INCENTIVE. Qualificação da multa Aduz a recorrente, em seu recurso voluntário, que é inadmissível a qualificação da multa, como fez o agente fiscal, porquanto ausente o dolo, a fraude ou a simulação, não tendo cometido qualquer das condutas descritas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. As alegações da autoridade fiscal, em relação ao dolo, se baseiam nos seguintes argumentos: É consabido, e seguramente sabe a contribuinte em questão, que o pagamento de rendimentos dessa natureza subsume as normas do IRF, donde se depreende que as operações na forma em que foram sistematizadas, tiveram o único condão de iludir a administração tributária. Tanto isso é verdade que os rendimentos permaneceram completamente à margem dos controles do fisco, como das Declarações do Imposto de Renda na Fonte — DIRF, declarações de renda dos beneficiários pessoas físicas. Assim, a prática perpetrada teve por finalidade primordial ocultar a verdadeira operação, não resistindo, todavia, a exame um pouco mais acurado. Pretender atribuir aos pagamentos realizados à natureza de rendimento não suscetível ao gravame do imposto de renda na fonte, a despeito de todas as formalidades adotadas, ofende a inteligência dos agentes da administração tributária, sendo capaz de ludibriar apenas os mais incautos. [fl.185, do processo apenso] [...][grifei] Fl. 459DF CARF MF Processo nº 11516.005063/200824 Acórdão n.º 2402005.857 S2C4T2 Fl. 8 13 Ao remunerar os funcionários e demais pessoas do seu relacionamento com a utilização de cartão eletrônico do Unibanco S/A, com o qual os mesmos poderiam utilizálo para saques, compras, etc.; ficando esses pagamentos totalmente a margem da contabilidade e da escrita fiscal, a empresa tentou esconder do Fisco o seu real objetivo que era a complementação salarial sem o pagamento dos impostos devidos. Nas notas fiscais apresentadas pela fiscalizada (Jls.18/63), emitidas pela SIM Incentive estão consignados na "Descrição dos Serviços" como pagamentos "VLR REF. A REEMBOLSO SIM CLUB". A despeito da causa declinada, da forma de pagamento sistematizada, as importâncias pagas configuram remuneração indireta paga a beneficiário não identificado, sujeitas a incidência do Imposto de Renda Exclusivo na Fonte a alíquota de 35% sobre as diferenças apuradas, entre os valores identificados e o total pago a SIM Incentive Marketing Ltda., a titulo de "Pagamento a Beneficiários não Identificados", conforme definido no artigo 674 e 675 do RIR/99 (art. 61 da Lei n°8.981/95). [fls.185/186]. Entendo, assim como a autoridade de primeira instancia, que ficando esses pagamentos totalmente a margem da contabilidade e da escrita fiscal, a empresa tentou esconder do Fisco o seu real objetivo que era a complementação salarial sem o pagamento dos impostos devidos. Lançamentos contábeis e fiscais devem refletir a efetiva atividade econômica da empresa, em especial o movimento real da remuneração paga ou creditada aos segurados, mas, no caso do recorrente, restaram como instrumentos de ocultação dos tributos devidos, ao ocultar os verdadeiros contemplados pelos prêmios de incentivo pagos pelo recorrente. Observese que verificada a conduta de não lançar devidamente na contabilidade e escrita as operações ora analisadas, mantémse indene a multa qualificada aplicada. Erro no lançamento não obstante não ter sido comprovado o intuito de fraude pela Impugnante que autorize a aplicação da multa do artigo 44, inciso II da Lei 9.430/96, a multa foi lançada erroneamente, com alíquota de 150% ao invés de 50%, o que leva a nulidade do lançamento; que a fiscalização utilizouse da alíquota de 150% para calcular o imposto devido quando na verdade a alíquota do inciso II do art.44 da Lei 9.430/96 foi alterada pela Lei 11.488, de 15 de junho de 2007 para 50% (transcreve nova redação As fls.53/54); que a exata descrição da falta imputada ao contribuinte é elemento essencial de validade, nos termos do art.10 do Decreto 70.235/72, que transcreve a fl.54; o erro na invocação da norma infringida e discrepância entre a aliquota correta a ser aplicada de 50% para 150% representa mudança no critério jurídico do lançamento, posto que a antiga redação do artigo 44, II, fala em "caso de evidente intuito de fraude" e a nova redação trata da redução do percentual da multa de oficio, lançada Fl. 460DF CARF MF 14 isoladamente, nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa fisica a titulo de came leão ou pela pessoa jurídica a titulo de estimativa; disso resulta claro cerceando (sic) o direito de defesa da Impugnante, posto que não se sabe com segurança qual o critério jurídico que motivou o lançamento, devendo o • mesmo ser anulado de plano; nos itens X (fls.55 a 58) e XI (fl.59) reclama da aplicação da taxa SELIC de juros, enquanto que no item XII (fls.60 a 62) reclama da ilegalidade da cobrança dos juros de mora e que não se observou o limite de 20% para aplicação da multa do art.61 da Lei 9.430196; Taxa Selic e Juros A recorrente traz uma série de argumentos relativos a taxa de atualização do crédito e juros aplicados. No entanto, como é sabido não cabe a este órgão administrativo se manifestar quanto a ilegalidade ou inconstitucionalidade de norma tributária até que esta seja declarada pelo Tribunal competente. Neste sentido, vale mencionar a sumula CARF abaixo transcrita: “Súmula CARF n° 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Ainda assim, este E. Conselho possui entendimento consubstanciado na Súmula n° 04 no sentido de que “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Dessa forma, descabido o argumento da recorrente pela ilegalidade da aplicação da SELIC. Ademais, em relação a cumulação de multas, apesar de já ter me posicionado de forma diversa, insta observar que a incidência dos juros sobre a multa aplicada é evento que ocorre em momento posterior ao lançamento tributário. Importante mencionar o entendimento prevalecente neste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, evidenciado no acórdão n° 910100.539, proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, relatoria da I. Conselheira Viviane Vidal Wagner: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Dessa forma, irretocável a decisão proferida pela DRJ. *** Fl. 461DF CARF MF Processo nº 11516.005063/200824 Acórdão n.º 2402005.857 S2C4T2 Fl. 9 15 Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO nos termos do voto acima (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 462DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13805.002754/96-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 30/07/1991 a 30/03/1992
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. DEPÓSITO. CONVERSÃO EM RENDA.
Confirmado em decisão judicial transitada em julgado a conversão de depósitos em renda da União e sendo suficiente para a liquidação dos débitos remanescentes, não há que subsistir o auto de infração concernente.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-003.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 30/07/1991 a 30/03/1992 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. DEPÓSITO. CONVERSÃO EM RENDA. Confirmado em decisão judicial transitada em julgado a conversão de depósitos em renda da União e sendo suficiente para a liquidação dos débitos remanescentes, não há que subsistir o auto de infração concernente. Recurso Voluntário provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13805.002754/96-60
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5739984
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-003.855
nome_arquivo_s : Decisao_138050027549660.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : VALCIR GASSEN
nome_arquivo_pdf_s : 138050027549660_5739984.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
id : 6847151
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210227523584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1375; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 254 1 253 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13805.002754/9660 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301003.855 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2017 Matéria FINSOCIAL Recorrente BANDEIRANTES PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 30/07/1991 a 30/03/1992 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. DEPÓSITO. CONVERSÃO EM RENDA. Confirmado em decisão judicial transitada em julgado a conversão de depósitos em renda da União e sendo suficiente para a liquidação dos débitos remanescentes, não há que subsistir o auto de infração concernente. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 27 54 /9 6- 60 Fl. 270DF CARF MF Processo nº 13805.002754/9660 Acórdão n.º 3301003.855 S3C3T1 Fl. 255 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 191 a 199) interposto pelo Contribuinte, em 16 de abril de 2004, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 04.467 (fls. 173 a 178), de 18 de dezembro de 2003, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) – DRJ/SDR – que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte o lançamento. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Neste processo a contribuinte impugna o Auto de Infração (AI) lavrado para exigência do crédito tributário de 36.027,84 UFTR, relativo A. Contribuição para o FINSOCIAL do período de 30/07/1991 a 30/03/1992 (fls. 107 a 114). 2. A base legal utilizada foi o art. 1º, § 1º, do DecretoLei n° 1.940, de 1982, arts. 16, 80 e 83 do Regulamento do FINSOCIAL, aprovado pelo Decreto n° 92.698, de 1986, e art. 28 da Lei n° 7.738, de 1989. O autuante aplicou a alíquota de 2,0% (dois por cento) e multa de oficio de 100%. 3. Consta na descrição dos fatos, anexo ao AI, que a contribuinte foi autuada por falta de recolhimento da Contribuição para o FINSOCIAL sobre o faturamento, relativamente ao período de jul/1991 a mar/1992. Noticia o Termo de fl. 115 que o crédito tributário encontrase suspenso, por força da Medida Cautelar n° 91.06822738, com correspondente Ação Ordinária n° 91.07287879. 4. Ciente do feito em 19/03/1996, a autuada interpôs impugnação em 18/04/1996 (fls. 116/120), requerendo o cancelamento do AI, porque seria incabível a sua lavratura pela existência de pendência judicial, com exigibilidade suspensa; e que a autuação pretende a cobrança A. alíquota de 2%, quando a determinação judicial valida se somente feita a 0,5%. Questiona a incidência da TRD, de juros e multa de 100%. 5. Em face da transferência de competência para julgamento, prevista no anexo único da Portaria SRF n° 1.033, de 27/08/2002, o presente processo foi encaminhado a esta Delegacia de Julgamento. Tendo em vista a negativa parcial do Acórdão da 3ª Turma da DRJ/SDR, que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, em 16 de abril de 2004, visando reformar a referida decisão. A Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por meio da Resolução nº 3011.904 (fls. 232 a 243), de 18 de outubro de 2007, resolveu converter o julgamento em diligência para verificar se a conversão de depósitos da recorrente em renda da União foi suficiente para liquidação dos débitos remanescentes. Em 25 de março de 2009, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte, por intermédio do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário, Equipe de Cálculo e Revisão de Crédito Sub Júdice prestou as informações requeridas (fls. 250). É o relatório. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 13805.002754/9660 Acórdão n.º 3301003.855 S3C3T1 Fl. 256 3 Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário, de 16 de abril de 2004, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 04.467, de 18 de dezembro de 2003, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 30/07/1991 a 30/03/1992 Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL Tratandose de matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, não se conhece da impugnação administrativa, quanto ao mérito, por ter o mesmo objeto da ação judicial, em respeito ao principio da unicidade de jurisdição contemplado na Carta Política, cabendo, entretanto, análise relativamente a matéria não submetida à apreciação do Poder Judiciário. PRESTADORAS DE SERVIÇOS. ALÍQUOTAS MAJORADAS. As alíquotas do FINSOCIAL acima de 0,5% foram declaradas inconstitucionais pelo STF somente para as empresas vendedoras de mercadorias, ou mistas, excluindose, portanto, as empresas prestadoras de serviços. FINSOCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AÇÃO JUDICIAL. O crédito tributário, ainda que questionado e depositado judicialmente, deve ser regularmente constituído de oficio, mediante auto de infração, tendo porém suspensa a sua exigibilidade. MULTA DE OFÍCIO. É incabível a imposição de multa de oficio no caso de lançamento efetuado apenas para formalizar a constituição legal do crédito tributário destinada a prevenir a decadência também quando sua exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso V do artigo 151 do CTN. Lançamento Procedente em Parte O Contribuinte, por meio do Recurso Voluntário apresentado, alega que há, na esfera judicial, decisão que isenta o mesmo do pagamento da alíquota majorada em 2% anterior, inclusive, ao ora analisado Auto de Infração. Nesse mesmo sentido, aduz que a exigibilidade do crédito tributário está suspensa, uma vez que houve o depósito judicial e isso impossibilita, também, a cobrança dos juros moratórios exigidos no Auto de Infração. Tendo isso em vista, requer o Contribuinte, em seu Recurso Voluntário, que seja anulado o referido Auto de Infração. O Contribuinte, por meio de Requerimento (fls. 225 e 226), em 6 de setembro de 2007, efetuou a juntada de documentos que visam comprovar sua versão dos fatos. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 13805.002754/9660 Acórdão n.º 3301003.855 S3C3T1 Fl. 257 4 Diante do exposto cito trecho do voto da Resolução nº 3011.904, que converteu o julgamento do presente litígio em diligência, como forma de elucidação do caso (fls. 243): Tratase de lançamento de Finsocial efetuado com base na alíquota de 2%, referente a fatos geradores ocorridos entre 30/7/91 e 30/3/92, com a finalidade de evitar a decadência, tendo em vista ter ficado suspensa a exigibilidade do crédito tributário em decorrência do deferimento de cautelar nos autos da Medida Cautelar n 91.06822738, que foi seguida da Ação Ordinária n 91.07287879, processadas perante a Seção Judiciária de São Paulo. Verificase que a DRF de Administração Tributária em São Paulo/SP tomou as providências determinadas pela DRJ em São Paulo/SP (fl. 141), no sentido de intimar a contribuinte a apresentar a certidão de objeto e pé, bem como as cópias de sentenças e acórdãos correspondentes, a fim de que fosse bem instruído este processo. No entanto a intimação foi devolvida por falta de atualização do endereço da interessada (fls. 161/162); e intimada por edital, esgotouse o prazo sem que houvesse se manifestado, conforme demonstram os documentos de fls. 161, 162, 164 e 166. Por esse motivo não constaram no processo, por ocasião do julgamento de primeira instância, os elementos pertinentes ao trânsito em julgado do processo judicial, o que veio a constar nos autos tãosomente em 10/9/2007, mês anterior ao desta sessão, com a juntada de documentos feita por parte da recorrente. No mérito, verificase que embora a recorrente alegue em sua recente juntada de documentos ter comprovado a conversão de depósitos em renda da União, e tenha apresentado Certidão judicial atestando que as autoras requereram essa conversão e que foi expedido e cumprido o ofício de conversão, com os autos apensados à Ação Ordinária acima indicada (fl. 233), não constam nos autos quaisquer documentos que comprovem essa conversão, os valores convertidos e se tal conversão foi suficiente para a liquidação dos débitos remanescentes com base na alíquota de 0,5% confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, cuja decisão transitou em julgado em 8/5/97 (fls. 226/231). Diante do exposto, voto por que se converta o julgamento em diligência junto à unidade da RFB de origem, a fim de que sejam autuadas as necessárias informações para que se tenha plena convicção sobre se a conversão de depósitos da recorrente em renda da União foi suficiente para a liquidação dos débitos remanescentes à alíquota de 0,5%, confirmada em decisão judicial transitada em julgado. (grifouse). Como resposta à referida Resolução, foi apresentado documento às fls. 250, em 25 de março de 2009, pela Equipe de Cálculo e Revisão de Crédito Sub Júdice da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte que concluiu o que se segue: Tratase de solicitação do Terceiro Conselho de Contribuintes que determinou a conversão do julgamento em diligência. Foi solicitado pelo referido Conselho que esta DRF se pronunciasse quanto a suficiência dos depósitos judiciais efetuados na ação judicial 91.06822738. Após análise do auto de infração, constatei que a fl. 179 do mesmo já consta informação de que os depósitos judiciais amparam os respectivos débitos e a fl. 233 foi anexada certidão da Justiça Federal da 18ª vara federal de São Paulo que informa que a pedido do próprio contribuinte todos os depósitos judiciais devem ser integralmente convertidos em renda da União. Isso posto, proponho a devolução deste processo à Eqprof, com a informação da suficiência dos depósitos judiciais, para as providências cabíveis. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 13805.002754/9660 Acórdão n.º 3301003.855 S3C3T1 Fl. 258 5 Isto posto, diante da decisão de converter o julgamento em diligência para se apurar a conversão de depósitos em renda da União, e, da comprovação pela Equipe de Cálculo e Revisão de Crédito Sub Júdice quanto a suficiência dos depósitos judiciais efetuados na ação no. 91.06822738, constatase que os débitos estão devidamente lastreados pelos depósitos judiciais. Diante dos autos do processo, da legislação aplicável e, principalmente, da resposta ao pedido de diligência supra citada, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte, anulando o referido auto de infração. Valcir Gassen Relator Fl. 274DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.905029/2012-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.583
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10865.905029/2012-13
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5745430
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-003.583
nome_arquivo_s : Decisao_10865905029201213.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
nome_arquivo_pdf_s : 10865905029201213_5745430.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
id : 6871394
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210246397952
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1683; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.905029/201213 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301003.583 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de abril de 2017 Matéria DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 50 29 /2 01 2- 13 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10865.905029/201213 Acórdão n.º 3301003.583 S3C3T1 Fl. 3 2 descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02049.489. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10865.905029/201213 Acórdão n.º 3301003.583 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10865.905029/201213 Acórdão n.º 3301003.583 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10865.905029/201213 Acórdão n.º 3301003.583 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10865.905029/201213 Acórdão n.º 3301003.583 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10865.905029/201213 Acórdão n.º 3301003.583 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.720384/2008-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA.
No processo administrativo de restituição e compensação de créditos tributários, incumbe ao contribuinte provar o fato constitutivo do seu direito (a certeza e liquidez do direito creditório) e, ao Fisco, para indeferir o pleito, provar fatos que evidenciem a inexistência do direito afirmado pelo contribuinte ou que constituam impedimento, modificação ou extinção desse direito.
PROVA INDIRETA. INDÍCIOS. PRESUNÇÃO SIMPLES. VALIDADE. VERDADE MATERIAL.
A Administração Pública tem o poder-dever de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico. Esse poder-dever é ainda mais presente na seara tributária, em que é usual a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. A liberdade de investigação do Fisco pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei como indícios de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta.
DIREITO CREDITORIO. ORIGEM REMOTA. NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO. INDEFERIMENTO.
Provado nos autos, por indícios fartos, graves, precisos e convergentes, que o negócio jurídico que constituiria a causa remota do direito creditório pleiteado pelo contribuinte não teve lugar no mundo atico, cumpre indeferir o direito creditório e não homologar as compensações declaradas.
DIREITO CREDITORIO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. CERTEZA E LIQUIDEZ. SIMULAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO QUE TERIA ENSEJADO A RETENÇÃO DE IRRF. PARCELAMENTO, PELA FONTE PAGADORA, DO IRRF QUE COMPÔS O SALDO NEGATIVO. IMPROCEDÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO, POR AUSÊNCIA DE MATERIALIDADE.
O fato de a fonte pagadora haver formalizado parcelamento do IRRF pretensamente retido em negócio jurídico simulado não confere materialidade ao direito creditório pleiteado sob a forma de saldo negativo de IRPJ pela pretensa beneficiária da retenção.
SUCESSÃO EMPRESARIAL. SIMULAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONTEÚDO MATERIAL NO PATRIMONIO TRANSFERIDO ENTRE AS EMPRESAS. INEFICÁCIA DOS ATOS FORMALMENTE PRATICADOS, A DESPEITO DE SUA LEGALIDADE.
É irrelevante, para fins de apuração da eficácia dos atos de sucessão empresarial, que estes tenham sido praticados com observância da legislação pertinente, quando resta demonstrado nos autos que o patrimônio pretensamente transposto entre as empresas é destituído de conteúdo material.
Numero da decisão: 1402-002.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes momentaneamente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone e justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto..
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. No processo administrativo de restituição e compensação de créditos tributários, incumbe ao contribuinte provar o fato constitutivo do seu direito (a certeza e liquidez do direito creditório) e, ao Fisco, para indeferir o pleito, provar fatos que evidenciem a inexistência do direito afirmado pelo contribuinte ou que constituam impedimento, modificação ou extinção desse direito. PROVA INDIRETA. INDÍCIOS. PRESUNÇÃO SIMPLES. VALIDADE. VERDADE MATERIAL. A Administração Pública tem o poder-dever de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico. Esse poder-dever é ainda mais presente na seara tributária, em que é usual a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. A liberdade de investigação do Fisco pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei como indícios de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. DIREITO CREDITORIO. ORIGEM REMOTA. NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO. INDEFERIMENTO. Provado nos autos, por indícios fartos, graves, precisos e convergentes, que o negócio jurídico que constituiria a causa remota do direito creditório pleiteado pelo contribuinte não teve lugar no mundo atico, cumpre indeferir o direito creditório e não homologar as compensações declaradas. DIREITO CREDITORIO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. CERTEZA E LIQUIDEZ. SIMULAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO QUE TERIA ENSEJADO A RETENÇÃO DE IRRF. PARCELAMENTO, PELA FONTE PAGADORA, DO IRRF QUE COMPÔS O SALDO NEGATIVO. IMPROCEDÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO, POR AUSÊNCIA DE MATERIALIDADE. O fato de a fonte pagadora haver formalizado parcelamento do IRRF pretensamente retido em negócio jurídico simulado não confere materialidade ao direito creditório pleiteado sob a forma de saldo negativo de IRPJ pela pretensa beneficiária da retenção. SUCESSÃO EMPRESARIAL. SIMULAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONTEÚDO MATERIAL NO PATRIMONIO TRANSFERIDO ENTRE AS EMPRESAS. INEFICÁCIA DOS ATOS FORMALMENTE PRATICADOS, A DESPEITO DE SUA LEGALIDADE. É irrelevante, para fins de apuração da eficácia dos atos de sucessão empresarial, que estes tenham sido praticados com observância da legislação pertinente, quando resta demonstrado nos autos que o patrimônio pretensamente transposto entre as empresas é destituído de conteúdo material.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10380.720384/2008-72
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5728362
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1402-002.481
nome_arquivo_s : Decisao_10380720384200872.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10380720384200872_5728362.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes momentaneamente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone e justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto..
dt_sessao_tdt : Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
id : 6779510
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210261078016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 40; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2235; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.289 1 1.288 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.720384/200872 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.481 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2017 Matéria IRPJ Recorrente CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. No processo administrativo de restituição e compensação de créditos tributários, incumbe ao contribuinte provar o fato constitutivo do seu direito (a certeza e liquidez do direito creditório) e, ao Fisco, para indeferir o pleito, provar fatos que evidenciem a inexistência do direito afirmado pelo contribuinte ou que constituam impedimento, modificação ou extinção desse direito. PROVA INDIRETA. INDÍCIOS. PRESUNÇÃO SIMPLES. VALIDADE. VERDADE MATERIAL. A Administração Pública tem o poderdever de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico. Esse poderdever é ainda mais presente na seara tributária, em que é usual a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. A liberdade de investigação do Fisco pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei como indícios de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. DIREITO CREDITORIO. ORIGEM REMOTA. NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO. INDEFERIMENTO. Provado nos autos, por indícios fartos, graves, precisos e convergentes, que o negócio jurídico que constituiria a causa remota do direito creditório pleiteado pelo contribuinte não teve lugar no mundo atico, cumpre indeferir o direito creditório e não homologar as compensações declaradas. DIREITO CREDITORIO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. CERTEZA E LIQUIDEZ. SIMULAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO QUE TERIA ENSEJADO A RETENÇÃO DE IRRF. PARCELAMENTO, PELA FONTE PAGADORA, DO IRRF QUE COMPÔS O SALDO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 03 84 /2 00 8- 72 Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.290 2 NEGATIVO. IMPROCEDÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO, POR AUSÊNCIA DE MATERIALIDADE. O fato de a fonte pagadora haver formalizado parcelamento do IRRF pretensamente retido em negócio jurídico simulado não confere materialidade ao direito creditório pleiteado sob a forma de saldo negativo de IRPJ pela pretensa beneficiária da retenção. SUCESSÃO EMPRESARIAL. SIMULAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONTEÚDO MATERIAL NO PATRIMONIO TRANSFERIDO ENTRE AS EMPRESAS. INEFICÁCIA DOS ATOS FORMALMENTE PRATICADOS, A DESPEITO DE SUA LEGALIDADE. É irrelevante, para fins de apuração da eficácia dos atos de sucessão empresarial, que estes tenham sido praticados com observância da legislação pertinente, quando resta demonstrado nos autos que o patrimônio pretensamente transposto entre as empresas é destituído de conteúdo material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes momentaneamente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone e justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.. Fl. 1290DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.291 3 Relatório Inicialmente, apenas para informar e afastar qualquer dúvida, após ter sido proferido o r. Despacho de fls.142, a Recorrente ofereceu manifestação de inconformidade de fls.144/155. Na seqüência, veio despacho do Chefe do Seort/DRF/FOR, de fls. 285/287, determinando que a parcela dos débitos cuja compensação foi requerida nos PER/DCOMP objeto do presente processo, que excedeu ao montante do direito creditório pleiteado pela interessada, foi "transferido para o processo n°10380.003762/201074 para sua devida cobrança". (este processo de final 201074 não foi anexado, apenso ou distribuído para este Relator analisar e não consta mais nenhuma informação nos autos). Em seguida, após análise dos documentos e respostas a intimações da Recorrente, foi proferido v. acórdão pela DRJFOR, convertendo o julgamento em diligência. (fls. 298/309). A DRFFOR, juntou documentos de fls. 310/774 e o Relatório SAPAC, fls. 775/845 e os autos forma encaminhados para a SAPAC se manifestar sobre a diligência. (fl. 848). A resposta da diligencia da SAPAC, veio aos autos as fls. 850/898, com documentos para subsidiar suas alegações as fls. 899/1006. Em seguida, veio o Despacho da DRFFOR fl. 1007 vol 6, nos seguintes termos. A empresa acima identificada requer o reconhecimento do direito creditório declarado nos Pedidos Eletrônicos de Restituição (PER) n° 20937.85622.241003.1.2.040048, no 41078.33663.241003.1.2.044467 e n°34453.30638.280504.1.2.048112, relativamente a pagamento indevido. Posteriormente, a empresa reivindicou a retificação de tais pedidos (PER) mediante os processos n° 10380.009184/200601 e n° 10380.009186/200692 e n° 10380.009195/200583, aduzindo que o crédito se tratava de saldo negativo do IRPJ, anocalendário 2001, e não de pagamento indevido. 2. Em 10/11/2010, verificando que referidos processos vinculavamse ao mesmo objeto, qual seja, saldo negativo do IRPJ, anocalendário 2001, conforme suscitado pelo sujeito passivo, procedeuse à juntada processual. 0 processo n° 10380.009195/200683 passou à qualidade de principal, sendo a ele anexado todo o conteúdo dos processos numero 10380.009184/200601, n° 10380.009186/200692, n° 10380.901901/200641 e n° 10380.901902/200695. 3. Constatase que o processo n° 10380.009195/200683, o qual culminou na juntada dos de n° 10380.009184/200601, Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.292 4 10380.009186/200692, 10380.901901/200641 e 10380.901902/200695, tem como objeto o suposto crédito de saldo negativo do IRPJ, anocalendário 2001. Tal crédito já se encontra sob apreciação em grau de recurso pela DRJ/FOR (proc. N° 10380.720384/200872), afigurando, assim, a presente demanda uma mera duplicidade de um mesmo pedido. Dessa forma, imperioso declarer sua extinção, por forge da Lei n° 9.784/99, art. 52, posto que seu objeto tornouse impossível, inútil ou prejudicado por ato superveniente, ante a duplicidade de um mesmo objeto. 4. Assim sendo, proponho a baixa dos pedidos eletrônicos de restituição (PER), refutandoos, relativamente As pegas processuais em epígrafe, as quais arquivarseao no código de temporalidade de cinco anos. Em seguida, foi juntado o Relatório de Diligência da DRFFOR de fls. 1008/1020. Pois bem. Após as considerações acima, passo a relatar os acontecimentos dos autos. Tratase de Recurso Voluntário face v. acórdão de fls. 1.117 e seguintes, que manteve o decidido no Despacho Decisório, que por sua vez, adotou a Informação da Diligência Fiscal determinada pela DRJ FOR, fundamentada no Relatório de Análise Tributária da SAPAC de 11/05/2010, onde relatou um esquema de fraude, simulação e conluio entre empresas, com origem remota em negócios fictos de compra e venda de imóveis, geradores de créditos inexistentes de tributos federais e subsequente celebração de contratos simulados entre as empresas dos grupos empresariais CEC Internacional S/A e Grupo Marquise, com o fim de auferimento de vantagens fiscais ilícitas em prejuízo da fazenda nacional. Segundo consta do Relatório de Análise Tributária da SAPAC, o Grupo Marquise, por meio de uma série de atos, incorporava empresas do Grupo Empresarial CEC Internacional S/A, com prejuízos fiscais, utilizando tais créditos para compensar tributos devidos. Contudo, "tais créditos" eram ilegítimos, visto que decorrentes de dolo, simulação e conluio entre as empresas do Grupo Marquise e as empresas do Grupo CEC, as primeiras lucrativas e as segundas em estado de insolvência. Destaca a autoridade fiscal que os atos praticados por cada uma das empresas citadas não podem ser vistos de forma isolada e autônoma, como ocorre na maioria dos negócios imobiliários, financeiros e empresariais em geral, mas contêmse (cada um deles) num conjunto global de atos que buscava, em verdade, um objetivo pré ordenadamente planejado entre as partes. Ao Grupo CEC, estão ligadas as empresas: Sul Diesel S/A; Iracema Florestamento e Reflorestamento Ltda e Maximar Fomento Mercantil Ltda EPP; Xingu Empreendimentos Imobiliários Ltda; Xingu Administração e Participação S/A; à RCA Fl. 1292DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.293 5 International Commodities S/A estão ligadas as empresas BEX Internacional S/A; Canavieira Florestamento e Reflorestamento S/A e Panagra do Brasil S/A; Agropecuária e Reflorestadora Parente S/A e quanto ao Grupo capitaneado pela Construtora Marquise S/A, a Capitalize Fomento, Comercial Ltda, Construtora Marquise S/A e Ecofor Ambiental S/A. Segundo a autoridade fiscal, conforme descreve no Anexo do Relatório de Análise Tributária, temse os quadros (abaixo colacionados) e a auditoria cruzada das operações intragrupos para rastreamento da origem dos créditos, que geram imposto a recuperar em face das transações realizadas entre contribuintes dos dois grupos empresariais. Vejamos o fluxograma e em seguida as notas explicativas com o panorama global do planejamento tributário ocorrido entre os grupos CEC e MARQUISE. Seguem as explicações do fluxograma com enfoque global do planejamento tributário entre os grupos empresarias. I) PRINCIPAIS CARACTERES DOS ATOS DE GERAÇÃO FICTÍCIA DE TRIBUTOS 1 Instrumentação por Contratos de Promessa de Compra e Venda de Imóveis formalizados apenas "no papel". Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.294 6 2 — Ausência do substrato material especifico de uma efetiva compra e venda imobiliária (animo de pagar o preço objetivando a transcrição no Cartório de Registro de Imóveis). 3 — Inserção de clausula previsora de multa desarrazoada com o objetivo de entabular a incidência de IRFONTE e conseqüente conversão em crédito transferível de IRRF/Saldo Negativo de IRPJ com destinação posterior préconcebida. 4 — Presença de clausula estipulatória, temporalmente delimitada, de ENCARGOS FINANCEIROS especialmente superavaliados até o mês de Julho/2004, com o objetivo de gerar Créditos de PIS/COFINS NãoCumulativos para posterior transferência. 5 — Agregação daqueles encargos financeiros, conforme nova clausula especialmente alocada para tal, de multa imotivada a ser reconhecida no especifico mês de Julho/2004, com o mesmo objetivo de gerar Créditos de PIS/COFINS NãoCumulativo. 6 — Operações sempre concebidas e entabuladas como sendo a Prazo, onde o adquirente nada paga (por absoluta inexistência de recursos para tal), e o alienante nada cobra (por ter a operação de compra e venda função outra que não a ordinária aquisição de imóvel). 7 — Operações concebidas sempre em meio a pessoas ligadas. 8 — Operações realizadas em circulo, com vendas sucessivas, reclamando a utilização igualmente simulada do artifício das cessões fictícias de crédito, ante o registro meramente contábil da "venda anterior' ainda não recebida. 9 — Utilização de operações com imóveis , superavaliados, dado o alto valor atribuído aos bens, considerado como método IDEAL a garantir ao Grupo Empresarial transmitente a maior cifra possível de Créditos Fiscais Fictícios, proporcionando maiores vantagens ao Grupo Empresarial recepcionador. II) DETALHES OBSERVADOS NOS ATOS INTERMEDIÁRIOS PRATICADOS COMO CONDIÇÃO NECESSÁRIA À IMPLEMENTAÇÃO DO PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO QUE OBJETIVOU A TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS A PARTIR DOS ATOS DE GERAÇÃO FICTÍCIA DE TRIBUTOS 1 — Manipulação contábil das empresas adquirentes e alienantes dos bens imóveis geradores dos créditos fiscais fictícios. 2 — Receitas e despesas com origens apenas nas operações intragrupo ou intergrupos empresariais, adequando valores e resultados contábeis/fiscais, sendo sempre aquelas inferiores a estas. 3 — Preparação das empresas para as operações de CISÕES SELETIVAS, com criação de PJs para cumprirem vida efêmera e papéis préordenados. 4 — Segregação dos créditos de tributos fictícios vertidos para as Pessoas Jurídicas então surgidas das Cisões Seletivas. Fl. 1294DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.295 7 5 — Negociação simulada das ações/quotas das pessoas jurídicas criadas a partir das Cisões Seletivas com os integrantes do Grupo Empresarial interessado na captação dos créditos fictos. 6 — Incorporações intermediárias das pessoas jurídicas surgidas das Cisões Parciais Seletivas por outras pessoas jurídicas ligadas ao Grupo Empresarial solvente e lucrativo, interessado na captação dos créditos fiscais fictos. III) DETALHES OBSERVADOS NOS ATOS DE RECEPÇÃO FINAL DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FICTÍCIOS PRATICADOS NO SEIO DAS EMPRESAS DO GRUPO EMPRESARIAL. SOLVENTE E LUCRATIVO INTERESSADO NA CAPTAÇÃO ESPECÍFICA DE CRÉDITOS COM O FIM DE EXTINGUIR SEUS DÉBITOS PRÓPRIOS SEM QUALQUER DESEMBOLSO REAL. 1 — Chamamento das situações postas pelas Cisões seletivas para o patrimônio das pessoas jurídicas componentes do Grupo Empresarial lucrativo e solvente. 2 — Captação final dos créditos precedida de transações comerciais/financeiras simuladas, tendentes a ofuscar e obscurecer a visão imediata da recepção direta e pré ordenada dos créditos fiscais fictícios. 3 — Incorporações intermediárias dissimuladoras da recepção direta e imediata dos créditos pelo Grupo Empresarial interessado na captação final. 4 — Incorporações finais (préordenadas) das diversas pessoas jurídicas de vida efêmera recheadas todas de créditos fiscais fictícios. 5 — Usufruto do almejado "recheio fiscal" via PER/DCOMPs pelo Grupo Empresarial economicamente lucrativo, em flagrante prejuízo do Fisco. A autoridade fiscal elaborou longo despacho, descrevendo as transações realizadas entres as empresas adiante citadas. Consta do relatório, que o Grupo Marquise, por meio de uma série de atos, incorporava empresas do Grupo Empresarial CEC Internacional S/A, com prejuízos fiscais, utilizando tais créditos para compensar tributos devidos. Contudo, os créditos eram ilegítimos, visto que decorrentes de dolo, simulação e conluio entre as empresas do Grupo Marquise e as empresas do Grupo CEC, as primeiras lucrativas e as segundas em estado de insolvência. Como destacado pela autoridade fiscal, os atos praticados por cada uma das empresas citadas não podem ser vistos de forma isolada e autônoma em si mesmo, como ocorre na maioria dos negócios imobiliários, financeiros e empresariais em geral, mas contêmse (cada Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.296 8 um deles) num conjunto global de atos que buscava, em verdade, um objetivo pré ordenadamente planejado entre as partes. Segundo a autoridade fiscal, temse os seguintes quadros, que geram imposto a recuperar em face das transações realizadas entre contribuintes dos dois grupos empresariais: Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.297 9 Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.298 10 Por fim, o trabalho fiscal objetivou oferecer sólida fundamentação probatória e a motivação legal para o indeferimento liminar de qualquer pedido de restituição/compensação que envolva os créditos tributários de Imposto de Renda Retido na Fonte (convertido ou não em Saldo Negativo de IRPJ) e das Contribuições para o PIS Não Cumulativo e COFINS Não Cumulativo, cujas origens — imediata ou remota — decorra das transações celebradas entre as empresas Cio Grupo CEC e do Grupo Marquise. Foram analisados no documento os fundamentos primáiros da origem dos créditos utilizados finalisticamente pelas empresas do Grupo Marquise em PER/DCOMPs diversas entregues ora pela Construtora Marquise S/A, ora pela ECOFOR Ambiental S/A, ora pela Capitalize Fomento Comercial Ltda, entre outras do empresas de ambos os grupos. Também forma procedidas as demonstrações dos vícios insanáveis dos negócios jurídicos presentes e considerados em todas as etapas do planejamento tributário evasivo que, ao fim, almejou como objetivo real e querido pelas partes, a geração ficta de créditos para aproveitamento dos mesmos em PER/DCOMPs. Conclusivamente, pretendese que as elementares "simulação", "fraude" e "conluio", qualificadoras da conduta das partes nos casos concretos examinados, sejam não só inseridas na análise, como também e principalmente, pautem a razão de decidir por parte dos julgadores, no sentido do indeferimento liminar daqueles pedidos restitutórios/compensatorios, fundamentados na origem que apontamos. Assim, tendo em vista que o ponto inicial que criou os créditos que se pretende restituir e compensar é o mesmo dos processos abaixo indicados, tendo em vista a relação de causa e efeito, todos devem ser julgados conjuntamente. 10380.009193/200694 RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A 10380.901897/200611 RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A 10380.901733/200693 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.901737/200671 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.901739/200661 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.901735/200682 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.720384/200872 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.720385/200817 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.720499/200867 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.722709/201076 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.722703/201007 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.722244/201053 CONSTRUTORA MARQUISE.S/A 10380.722365/201003 CONSTRUTORA MARQUISE.S/A 10380.722355/201060 CONSTRUTORA MARQUISE.S/A 10380.722361/201017 CONSTRUTORA MARQUISE S/A Fl. 1298DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.299 11 10380.721600/201011 CONSTRUTORA MARQUISE S/A No presente caso, aconteceram os seguintes fatos conforme Informação Fiscal e Relatório de Diligência, fundamentado no Relatório de Análise Tributária da SAPAC: Mediante a Resolução n° 1.961, de 13/08/2010, proferida pela DRJ/FOR, foi determinada a realização de diligência fiscal junto à empresa em epígrafe, no sentido de que fosse respondido, no que concerne a este Serviço (Seort), o quesito primeiro e seus derivados (1.1 e 1.2). Além de ser ressaltado a possibilidade desta DRF/FOR/Seort prestar quaisquer outras informações ou quaisquer elementos que entender relevantes para o deslinde do presente litígio. É o que se faz a seguir, mormente pela ocorrência de fatos não revelados ou não conhecidos quando do Decisum, fls.140/142, ora guerreado. 2. A fim de se subsidiar a análise da presente demanda, anexou se a este processo o Relatório de Análise Tributária, fls. 775/845. 3. A empresa sucessora acima identificada requereu o acolhimento das compensações declaradas mediante os PER/DCOMPs, fls.01/38, abaixo discriminadas, relativamente ao suposto crédito decorrente, a priori, de saldo negativo do IRPJ da 410 empresa sucedida RCA INTERNATIONAL COMMODITIES LTDA (CNPJ 09.488.677/000195), informado na DIPJ/2002 (anocalendário 2001), com débitos vinculados a períodos posteriores. 4. Nesses PER/DCOMPs, a empresa CAP TALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA almejava o direito de ver compensado débitos referentes à IRPJ/CSLL, com o suposto crédito de R$ 743.400,00 decorrente, a priori, de saldo negativo da empresa sucedida, exercício financeiro de 2002. Referido saldo negativo corresponderia exatamente a uma retenção de IRF incidente sobre o recebimento de parcela de uma multa contratual relativa a uma suposta transação imobiliária entre a empresa sucedida RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A e a empresa IRACEMA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO LTDA, ambas pertencentes ao grupo econômico CEC. Assim, sem a comprovação da autenticidade de tal transação imobiliária entre as referidas empresas, não haveria nenhum crédito passive l de análise, não havendo que se falar homologação das DCOMPs citadas acima. Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.300 12 5. Cumpre ressaltar que a empresa sucessora em epígrafe, que se vincula ao Grupo Marquise, e a empresa sucedida, pertencente ao denominado Grupo CEC, já se submeteram a procedimento investigatório ou de diligência anteriormente realizado por este órgão, sendo emitido o Relatório de Análise Tributária pelo SAPAC/FOR em 15/04/2010, fls.775/845. 6. Tal Relatório versa sobre a matéria ora perquirida, revelando novos fatos não conhecidos ou não apreciados quando da emissão do Despacho Decisório, fls.140/142, ora guerreado, corroborando para o indeferimento do pleito ou a NÃO HOMOLOGAÇÃO da compensação de que trata este processo, nos moldes como se verá adiante. 7. A luz do referido Relatório de Análise Tributária, fls.775/845, a operação da compra e venda do imóvel que originaria o saldo negativo do IRPJ ora em pauta é fictícia, conforme se conclui da extração dos seguintes contextos: I) operações sucessivas com o mesmo objeto (bem imóvel) — os imóveis objeto dos alegados Contratos são sucessivamente "vendidos" e "comprados" pelas empresas do Grupo CEC, com a utilização da técnica da cessão de créditos para implementar a venda sucessiva à primeira; II) limitação subjetiva quanto as partes nos negócios — as características inusuais de cada um dos negócios, reclamavam a condição de que, alienante e adquirente, se circunscrevessem ás empresas do interior do Grupo CEC (operações domésticas); iii) ausência absoluta de qualquer fluxo financeiro decorrente do pretenso negócio imobiliário — dada a falta de realização de qualquer atividade econômica nas empresas do Grupo CEC hábeis a gerar receitas de qualquer ordem — salvo, obviamente, as simuladas "receitas de vendas de imóveis" — não há qualquer pagamento do prego atribuído ao imóvel por parte do "adquirente". De outro lado, à mingua de, sequer, o recebimento do valor da "entrada", não há nenhum procedimento de cobrança por parte do alienante; iv) precedência de reavaliações do valor contábil dos imóveis sempre em relação ao momento das alegadas vendas — para operacionalizar as vendas dos bens imóveis o alienante sempre recorria à técnica de reavaliações meramente formais do valor contábil v) vendas a prazo com implicações financeiras definidas em relação as partes, mas nunca resolvidas no tempo — os encargos contratuais constituíam receita financeira para o alienante e despesa financeira para o adquirente. Mas aquele que reconhecia a receita (apenas provisionando o crédito) tinha seu resultado fiscal neutralizado por despesas originárias de outros contratos imobiliários em circularização; Fl. 1300DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.301 13 vi) prep dos bens imóveis fora da realidade econômica — mesmo a despeito das condições jurídicas em que se encontravam os imóveis ao tempo das "vendas", as alienações se deram por valores astronômicos, onde alguns imóveis alcançaram a expressiva cifra de mais de R$ 20.000.000,00, sendo que os "adquirentes" sequer tinham receitas geradas para assunção de tamanho negócio; vii) previsão desproporcional, desarrazoada e sem qualquer justificativa no Direito dos Contratos de pagamentos de multas pelo alienante — cláusula do Contrato previa "pura e simplesmente" o pagamento de multas pelo alienante. Independentemente do pagamento da "entrada" pelo adquirente, a exigência dessa multa era imperativa. Os valores das multas praticamente se aproximavam do prego de venda do bem. Há caso em que a multa chegou a R$ 14.080.000,00 e o prep de venda do imóvel teria sido de R$ 8.800.000,00; vii) incompatibilidade da consideração simultânea entre a permanência dos efeitos do Contrato de Compra e Venda e da eficácia da cláusula previsora da multa — como o objeto do Contrato (compra e venda do imóvel) seguiu produzindo os efeitos queridos (nas contabilidades, o alienante registrou o Direito Creditório a Receber e suas correções, enquanto o adquirente registrou a obrigação junto àquele, além dos encargos decorrentes da mora), não há como conceber qualquer fato gerador da incidência da multa imputada ao alienante, porque não incidira em inadimplência contratual, mormente porque o "adquirente", sequer pagara qualquer centavo pela "entrada" prevista nos Contratos. Não podia a adquirente reclamar a multa, se não adimplira sua obrigação de pagar a "entrada". A escrituração mostra o absurdo do fato de que a multa devida pelo "alienante" é abatida (descontada) do montante do crédito a receber do adquirente. Na verdade, a presença dessas "multas" nesses Contratos fictícios cumprem uma função especial (vantagem prédefinida) querida pelas partes; ix) uso de preço artificial dos bens imóveis "vendidos" para proporcionar vantagens prédefinidas — as cifras (mnnetárias) com que os bens eram "vendidos" foram previamente mensuradas, de modo que fossem hábeis a garantir vantagens financeiras ao Grupo CEC, vantagens essas dignas de se constituir em fonte de recursos para serem negociadas junto a terceiros. Como se poderá ver logo a frente, constituíram também esses negócios em grande vantagem para o Grupo Marquise, o qual é identificado como o próprio "terceiro" negociador com o Grupo CEC, intervindo diretamente como parte interessoda no produto gerado por aquelas transações i mobiliárias fictícias: x) vantagem tributária especifica da existência de Cláusula previsora de multas — as mulias contratuais atuaram no planejamento tributário como pretenso fato constitutivo da Fl. 1301DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.302 14 incidência de Imposto de Renda Retido na Fonte, tendo como beneficiários os supostos adquirentes. Esses créditos de tributos compuseram os Ativos (Tributos a Recuperar) das empresas do Grupo CEC que, logo depois, sofrem Cisão Parcial, segregando exclusivamente (na pratica) o exato montante daquele crédito de tributo, o qual comporá o Ativo de outra empresa, especialmente constituída para absorver o crédito fiscal transferido. 0 passo seguinte, ou é a venda do "controle acionário" da nova empresa (então surgida da Cisão) para empresas do Grupo Marquise, para, em ato continuo a essa aquisição, o Grupo Marquise adquirente promova a incorporação dessa "nova empresa'', ou, de modo diferenciado, a incorporação direta dessa "nova empresa" por empresas do grupo Marquise. Cumpridas essas etapas, aparentemente licitas, conforme a legislação de regência, fica o Grupo Marquise com a disponibilidade do crédito de IRRF remotamente gerado nos negócios imobiliários entre as empresas do Grupo CEC; xi) vantagens tributdrias especificas das aquisições em si dos Imóveis constantes dos Contratos de Compra e Venda celebrados entre as empresas do Grupo CEC — a mera aquisição (fictícia, porque só existente no papel) dos imóveis cumpriram no planejamento tributário função própria. Pela compra — e titulandoa como "insumo" ou bem adquirido para revenda — o pretenso adquirente se creditava de PIS e COFINS Não Cumulativo, conduta pela qual garantiu apreciáveis valores de Créditos de Contribuições de PIS/COFINS nos Ativos de algumas empresas do Grupo CEC. Mas a mera aquisição como fundamento dos créditos de PIS/COFINS não era bastante para os agentes participes do planejamento tributário fraudulento como não havia nenhum fluxo de recursos nessas Compra e Venda (tal como já explicamos) os negócios eram feitos a Prazo. Isso fazia o adquirente incorrer em encargos financeiros decorrentes da compra, sendo tais encargos — até onde a legislação permitiu (julho/2004) — fatos geradores de créditos de PIS/COFINS. A dupla conduta garantiu mais um conjunto apreciável de Tributos a Recuperar (Créditos de PIS/COFINS) para algumas empresas do Grupo CEC. A partir dai — constatou o Fisco — seguemse as mesmas etapas (cisão/incorporação com fins distintos dos ordinários atribuidos a esses institutos) referidas no inciso anterior, quando descrevemos os caminhos percorridos por estes créditos de tributos que, ao final, chegam para disponibilização pelas empresas dc Grupo Marquise. E, uma vez compondo (aparentemente de forma incensurável) o patrimônio do Grupo Marquise, os pedidos de Restituição/Compensação tornaramse mera implementação final da fraude seguida de conluio na geração/utilização dos créditos fiscais fictícios, xii) existência explicita de uma "causa simulan di" expressa a fundamentar o planejamento tributário fraudulento engendrado entre as empresas do Grupo CEC e as do Grupo Marquise — comprovamos a existência de cobrança executiva Gudicial — Processo n° 2006.0020.13266/0) de valores por parte da Construtora Marquise junto a "controladora" do Grupo Fl. 1302DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.303 15 CEC ''CEC INTERNACIONAL S/A". Esses "valores" não representavam qualquer operação que tivessem origem na atividade operacional da Construtora (venda de Aptos CEC ou realização de obras civis, por exemplo). A divida da CEC perante a Construtora decorria, na verdade, de "PROMESSA DE VENDA DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS GERADOS PELA CEC E NEGOCIADOS PARA A CONSTRUTORA". Os créditos negociados eram de CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Ocorre que, uma vez indeferidos pela DRF FORTALEZA os créditos presumidos de IPI pretensamente alegados pelo Grupo CEC, restou a CEC INTERNACIONAL S/A como devedora da Construtora Marquise, dando azo ao Processo de Execução desta contra aquela. Mas as partes encerraram o Processo Judicial mediante acordo em juízo (Composição Amigável, cf docto. anexo). Dessa forma, uma vez indeferido na DRF Fortaleza o pleito creditório relativo ao tributo IPI, planejaram as partes resolver o Contrato de Promessa de Venda de Créditos Tributários Federais, mediante a utilização de tributos diversos daquele. Dai todo o estratagema de gerar — num primeiro momento — IRRF a partir de pretensas Multas sobre Contratos de Compra e Venda de Imóveis (todos simulados), além de PIS e COFINS Não Cumulativo pela simples aquisição (fictas) desses imóveis. Num segundo momento, cisões (seletivas) seguidas de incorporações (préordenadas) fizeram com que os CRÉDITOS FISCAIS (agora de IRRF e PIS/COFINS) chegassem ao Grupo Maquise; xiii) presença de fortes indícios da lavratura de documentos "antedatados" na conduta que formalizava os Contratos, o que revela outra característica de hipótese legal de simulação — para que se operassem as cisões (seletivas) seguidas de incorporações (préordenadas), convinha primeiramente, que Contratos Fictícios de Compra e Venda de Imóveis levassem datas antigas, para que implementassem o nascimento de créditos de IRRF e/ou de PIS/COFINS Não Cumulativo. H6 casos de Contratos de Compra e Venda de Imóveis datados de 1998, sendo que, os efeitos quanto aos alegados "Créditos de IRRF sobre Multas" — que teriam suposta incidência nos anos de 1999/2000/2001 e 2002 — só foram reconhecidos em DIRFs entregues globalmente em fins de 2003. Há outro caso de Contrato da mesma natureza, em que se consigna em Cláusula especifica, a cobrança de Multa, a qual fora levada em cômputo a Despesa Financeira, exatamente no mês de JULHO/2004. Este momentolimite é o mês/ano em que a legislação permitiu que "Encargos Financeiros" dessem origem a créditos fiscais de PIS/COFINS. Evidentemente, esses créditos (de IRRF/PIS/COFINS), tão engenhosamente gerados a partir daqueles Contratos simulados quanto ao objeto, pela via de Cisão (seletiva) que, logo após, seguiuse de Incorporação (pré ordenada), chegou aonde se almejava chegar: ao beneficiário Grupo Marquise. [...] Fl. 1303DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.304 16 Segundo o referido Relatório, no tocante à negociação do imóvel ora em pauta entre as empresas Iracema Florestamento e Reflorestamento Ltda. e RCA International Commodities S/A, o negócio operouse totalmente a prazo, sem qualquer fluxo de recursos financeiros, cabendo citar os seguintes fatos dignos de destaque extraídos do referido Relatório: i) executada sem qualquer registro, a opera cão não alterou a titularidade real do imóvel contida na Certidão do Cartório de Registro de Imóveis. Ou seja, o bem permanece titulado pela IRACEMA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO LTDA. E não pela simulada adquirente RCA International Commodities S/A. Aliás, essa alegada venda (supostamente ocorrida em 28.12.1998) seria, na verdade o desfazimento do negócio real registrado em Cartório na data de 03.08.1998 onde a IRACEMA adquire da RCA; ii)esse fato é de tal importância para se compreender que venda nenhuma houve da IRACEMA para a RCA, dado que, em 1999, aquela titular do imóvel (Iracema Florestamento) promove ato de disposição do bem, com o seu desmembramento em 03 (três) subglebas contíguas (Gleba A, com 500 Ha, Matricula 4417; Gleba B, com 300 Ha, Matricula 4418 e Gleba C, com 2200 Ha, Matricula 4419); iii) o valor da "venda" do imóvel alcança a cifra de R$ 20.650.000,00. Tendo em vista que a "venda" teria se dado em 28.12.1998, época em que havia uma estreita paridade entre as moedas "real" e "dólar americano", cabe dizer que a GLEBA CARAIBA teria sido vendida por cerca de US$ 20,000,000.00 (vinte milhões de dólares americanos). A escolha de um valor assim irreal e grandioso tinha sua razão de ser: proporcionar a criação de multas proporcionais ao prep:, de venda, igualmente imensuráveis com finalidade préordenada; iv) o Contrato, evidentemente, traz cláusula previsora de MULTA aplicável à parte alienante (1RACEMA) em beneficio da parte adquirente (RCA), se aquela não transferir a posse e a propriedade para esta ultima. Esta multa, de valor praticamente igual ao "valor da venda" do imóvel constitui, na visão das partes, fato gerador de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); v) a multa se fez incidida (com o conseqüente IR Fonte) mesmo que a parte adquirente (beneficiária da multa) não tenha cumprido a sua obrigação de pagar o valor da "entrada" a que se obrigara pelo Contrato. Ignorando a cláusula da "exceptio non adimpleti contractus" e seus efeitos próprios, a incidência imediata da multa, a despeito de ser graciosa e ilegítima, cumpriu papel fundamental estranho ao Contrato em si de Compra e Venda, que foi o de gerar crédito fictício de IRRF para posterior transferência ao Grupo Marquise; vi) ainda que incidente a multa (tida como Clausula Penal pela inadimplência da vendedora, substitutiva, pois, da obrigação principal, que era a de "entregar "o imóvel à parte compradora), Fl. 1304DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.305 17 o Contrato seguiu produzindo os efeitos próprios de uma Compra e Venda a prazo. Ou seja, o alienante reconhece receitas financeiras pelo não recebimento do prego, enquanto que o adquirente se apropria de encargos financeiros pelo pagamento que não fizera. Convém registrar que os efeitos de reconhecimento de receitas são neutralizados por outras operações igualmente fictas. A incompatibilidade entre a incidência da multa e a continuidade do Contrato salta aos olhos do simples intérprete do Direito dos Contratos. Fato curioso neste contexto é que, perdida no emaranhado de atos simulados, a empresa MAXIMAR, sucessora da 1RACEMA, apresenta ao Fisco cópias de recibos nos quais a RCA teria feito alguns pagamentos para a IRACEMA entre janeiro a agosto de 2004. Mas cabem duas observações sobre esses supostos pagamentos: são eles todos simulados porque os recursos vêm da empresa CAPITALIZE (Grupo Marquise) e a ela retornam; fossem eles verdadeiros, desmenteriam a hipótese de rescisão do contrato, a qual é o fato gerador da pretensa multa e do IRRF dela pretensamente decorrente; vii) em verdade verdadeira, ainda que legitima fosse (no campo contratual) a incidência dessa multa, não teria ela o condão de fazer incidir a regra do IRRF sobre Multas prevista no art. 70 da Lei n° 9.430/96. Se o elemento fatico que faria incidir a multa era a inadimplência do alienante prevista na Cláusula Segunda do Contrato (a falta de transferência em 180 dias da posse e propriedade do imóvel, mesmo que como já registramos o adquirente e beneficiário da multa não tivesse pago sequer o valor da "entrada" pela aquisição do imóvel), a conduta omissiva do alienante (1RACEMA) geraria uma multa contratual que não se adequa à hipótese de incidência (HI) prevista na referida lei. Para que esta HI seja ativada, exigese a efetiva rescisão do contrato (art. 70, Caput). E, como já demonstramos, esse fato da rescisão contratual não se configurou no caso concreto. Outrossim, ainda que alegasse a adquirente a reparação de danos patrimoniais, também não seria caso de incidência da multa legal, conforme expressa exclusão prevista no art. 70, § 5° da Lei n° 9.430/96; viii) observando as condutas que foram direcionadas ao Fisco, praticadas pelas empresas alienante (IRACEMA) e adquirente (RCA) constatamos a presença de fortes indícios do uso de documentos antedatados (os Contratos de Promessa de Compra e Venda). 0 respaldo fático para essa conclusão reside na concentração de atos realizados no anocalendário de 2003 e 2004, quando as DIRFs foram entregues em bloco e as DIPJs retificadas dessa mesma forma. Notar que os Srs. ANTONIO EUGENIO CARNEIRO PORTO, SEBASTIÃO OLIVEIRA SOUSA E MARIA DO SOCORRO VASCONCELOS OLIVEIRA são titulares comuns de ambas as empresas envolvidas (IRACEMA e RCA); ix) diante dessas constatações, fácil ficou para o Fisco visualizar o motivo mesmo desta PRIMEIRA VENDA do imóvel GLEBA Fl. 1305DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.306 18 CARAÍBA. 0 mote do planejamento tributário era gerar créditos fictícios do tributo IRRF, desde tempos remotos até o ano calendário de 2002 (dai a concentração de atos no ano de 2003 e 2004). 0 instrumento (meio) para tal seriam os Contratos de Promessa de Compra e Venda antedatados para o ano de 1998. 0 objetivo final era a transferência desses IRRF do Grupo CEC. para o Grupo Marquise em etapa posterior. Os valores originários de IRRF fictos gerados em beneficio da RCA estão na Tabela abaixo com dados da DIRFs (valores em R$); DIRFs ENTREGUES POR IRACEMA/MAXIMAR BENEFICIÁRIO RCA: Comentados esses detalhes relativos a PRIMEIRA VENDA DA GLEBA CARAÍBA da empresa IRACEMA para a empresa RCA, e, como se já não fossem bastante para a demonstração da natureza simulatória da opera cão (a qual visava mesmo a geração ficta de IRRF para "negociação" junto ao Grupo Marquise), passamos a detalhar as circunstancias da SEGUNDA VENDA DO IMÓVEL GLEBA CARAÍBA. Dissemos que o Contrato relativo a primeira venda não fora rescindido de fato (circunstância que, como demonstramos, exclui a eficácia da multa contratual para gerar IRRF). Dissemos também que o valor da venda, compreendendo a intecralidade da área da GLEBA CARAÍBA (3.000 ha) foi considerado no Contrato como sendo de R$ 20.650.000.00. Dissemos ainda, que o terreno fora desmembrado em 03 (três) subglebas de áreas menores (com 500 ha; 300 ha e 2200 ha). Pois bem. Em data de 31.08.2004 a empresa MAXIMAR (na qualidade de sucessora da IRACEMA, titular de direito da Gleba Caraiba com área total) vende conforme mera informação em DOI, mas sem a devida transcrição no Registro Imobiliário, a porção "B" da Gleba Caraiba desmembrada (também denominada Gleba Caraiba 2), com 300 ha objeto da Matricula n° 4418, para a mesma empresa RCA Fl. 1306DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.307 19 INTERNATIONAL COMMODITIES, pelo valor de R$ 20.650.000,00. A constatação do fato desta SEGUNDA VENDA da Gleba Caraiba constitui um verdadeiro acinte à inteligência do Fisco. Nesta transação há evidências grosseiras da presença de fraude e simulação, além de incompatibilidades lógicas entre as condutas quando observadas panoramicamente. Vejamos as principais aberrações e o objetivo dissimulado desta SEGUNDA VENDA: i) em primeiro lugar, a inconsistência mesma do negócio como legitima operação de Compra e Venda do imóvel. É que a Gleba Caraiba (total com 3000 ha) já tinha sido "alienada" na PRIMEIRA VENDA em operação envolvendo as mesmas partes. Contrato respectivo não fora rescindido, o que constitui fato impeditivo da concepção de uma segunda venda. Dentro daquele primeiro negócio simulado (dado que só serviu para gerar o IRRF formatado para transferência ao Grupo Marquise) as partes — uma vez perdida em seus próprios atos fraudulentas — promove o absurdo de apresentar ao Fisco recibos igualmente simulados de "pagamento" parciais feitos em 2004, pela primeira aquisição. Se assim fosse, como justificar essa SEGUNDA AQUISIÇÃO?; ii) outra questão vazia de significado é quanto ao valor da venda, quando consideradas as áreas das Glebas "vendidas" (em 1998 e 2004). Já tendo "comprado", em 1998, a Gleba Caraiba total (com 3000 ha) por R$ 20.650.000,00 junto à IRACEMA, a RCA resolve comprar "de novo" uma porção daquilo que já dispunha. É que em 31.08.2004, à vista do desmembramento do terreno, ela "adquire" da 1RACEMA a Gleba Caraiba "B" ou Gleba Caraiba 2, com apenas 300 ha. Mesmo a despeito de comprar o que já teria em totalidade, neste novo momento, por uma área de apenas 10% (dez por cento) daquele todo (a Gleba Caraiba total tem 3000 ha) ela se com promissa em 2004 com a obrigação de pagar o mesmo preço avençado quando comprara "o todo" em 1998. Ou seja, se obrigou a pagar R$ 20.650.000,00 por apenas 300 (trezentos) hectares de terra, que compõe a Gleba Caraíba "B". Não há como admitir veracidade neste negócio; iii) mas outro objetivo (dissimulado, escondido) movia os Grupos Empresariais envolvidos para entabular essa nova venda. Esse motivo é que, pela "aquisição" da Gleba Caraíba "B", a RCA se creditou de PIS e COFINS Não Cumulativo, almejando o repasse, em ato continuo, para o Grupo Marquise; iv) considerando o imóvel como se mercadoria fosse para aquele efeito creditório, a RCA se credita de exatos R$ 347.822,00 de Fl. 1307DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.308 20 PIS e de R$ 1.675.877,00 de COFINS. Logo depois, vem sua (da RCA) Cisão Seletiva, por meio da qual, criase a empresa efêmera CONCE CONSTRUTORA NACIONAL CEARENSE S/A, cujo Capital soma R$ 2.023.699,00 (curiosamente o somatório daquelas duas cifras relativas aos créditos de P1S/COFINS). Durando apenas pouco mais de 03 (três) meses, e sem qualquer atividade operacional (ou nãooperacional) vem a CONCE (então recheada de créditos fictícios de PIS/COFINS) a ser incorporada pela MULTIPLA COMERCIAL EXPORTADORA S/A. Desta última, que serviu apenas como mera ponte, o recheio da CONCE seguiu para a Construtora Marquise que, incorporando a MÚLTIPLA, traz definitivamente para si, aqueles preciosos créditos fictos de tributos. Com estas observações o Fisco põe a nu a real finalidade das operações de Compra e Venda do imóvel Gleba Caraiba, envolvendo diretamente as empresas IRACEMA/MAXIMAR e RCA, com efeitos e reflexos diretos e préordenados nas empresas do Grupo Marquise. Mas não pararam por ai. Inacreditavelmente, outras operações de Compra e Venda envolvendo as porções desmembradas da Gleba Caraíbas se sucederam. Em 10/09/2004 a empresa Agropecuária e Reflorestadora Parente S/A (sucessora da RCA remanescente) "vende" para a BEX Internacional S/A a Gleba Caraiba "A" (Gleba Caraiba 01), com 500 ha, pelo valor de R$ 20.650.000,00. Em 06/12/2004, a BEX Internacional S/A vende A Gleba Caraiba "A" (Gleba Caraiba 01) para a Xingu Empreendimentos Imobiliários Ltda, a qual se apropria de créditos de PIS/COFINS Não Cumulativo, transferindoos, por eventos de sucessão à empresa NO VAX CONSTRUÇÕES E EDIFICAÇÕES S/A, que, depois, os transfere para a Construtora Marquise. Em 30/11/2003, a BEX Internacional S/A vende A Gleba Caraiba "B" (Gleba Caraiba 02) para a PANAGRA DO BRASIL S/A. Por esse negócio a adquirente (PANAGRA) se escritura de encargos financeiros e Multa geradores, até Julho/2004, de créditos de tributos P1S/COFINS. Por evento de sucessão (Cisão Parcial Seletiva ) os créditos fiscais fictícios chegam à Construtora Marquise. Em 29/10/2004, a empresa PANAGRA DO BRASIL S/A "vende" para a CEC Internacional S/A a Gleba Caraíba "B", pelo valor de R$ 23.660.000,00. Tudo em opera coes de faz de conta, mas todas com objetivos implícitos: gerar créditos fictícios de tributos, além de manter valores meramente escriturais na contabilidade de cada uma delas, de forma a permitir a inserção de transações de interesse Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.309 21 do Grupo Marquise, com quem aquelas empresas do Grupo CEC se interrelacionam com freqüência mediante negócios de consistência simulada. 12. Como se viu, o Contrato de Compra e Venda de Imóveis, constituindose como os documentos remotos originadores de todas as demais operações que envolveram os Grupos Empresariais (CEC e Marquise), leva à conclusão de que nenhuma operação imobiliária de fato ocorreu, dado o elenco de provas indiciarias graves, precisas e concordantes entre si, apresentados nos incisos acima referidos, as quais foram apontadas pelo Relatório de Análise Tributária. Diante dessas constatações, não pode o Fisco têlo (o contrato) como produtor dos efeitos pretendidos pelas partes. Em conseqüência, há que se não homologar todas as compensações vinculadas ao crédito descabido. No caso vertente, inexiste pagamento indevido, muito menos saldo negativo do IRPJ, no anocalendário 2001, o que fulmina o pretenso da empresa sucessora. 13. Destarte, considerando o Relatório de Análise Tributária, fls. 775/845, é de se concluir que: a) inexiste o crédito alegado pela Interessada, uma vez que, como restou fartamente demonstrado nos autos, ele decorreria de um ato simulado (venda fictícia de imóvel), engendrado com o concurso de terceiros, por meio de conluio, objetivando, segundo referido Relatório, burlar a Fazenda Nacional, para extinguir débitos tributários legítimos, por meio de pretensos créditos cuja titularidade teria sido adquirida pela CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA, em processo de sucessão societária; b) inexiste motivação jurídica para a imposição da multa contratual que teria dado causa à incidência do IRFF, que veio a constituir o pretenso direito de crédito adquirido pela CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA, uma vez que a pretensa adquirente do imóvel (RCA International Commodities S/A), nem ao menos cumpriu a obrigação de pagar à pretensa alienante (Iracema Florestamento e Reflorestamento Ltda) o valor correspondente à entrada da respectiva operação; assim, é obvio que, se se tratasse de uma transação normal, não cabia a esta transferir a posse e a propriedade do imóvel para terceiros, sem qualquer contrapartida da parte adquirente, o que torna injustificável o acatamento pacifico reconhecimento da divida relativa à aludida multa; c) inexiste hipótese Mica para a incidência do IRF na situação tratada nos autos, em razão de a multa de que se cuida ainda que fosse legitima não corresponder à rescisão de contrato, única situação eleita pelo legislador como hipótese de incidência do tributo no caso de pagamento ou crédito de multas contratuais, nos termos do art. 70 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. 14. Ressaltese que a empresa sucessora já foi intimada do referido Relatório de Análise Tributária, fls. 775/845, por Fl. 1309DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.310 22 ocasião da ciência do indeferimento de seus pleitos de idêntica natureza, constantes dos processos n° 10380.720499/200867, 10380.720385/200817 e 10380.722491/201050, relativos à pretendida compensação dos saldos negativos de sociedades sucedidas dos anoscalendário de 2000, 2002 e 2005, igualmente objeto de manifestações de inconformidade, que se acham nessa DRJ/FOR para apreciação, conforme pesquisa realizada no sistema COMPROT/MF. 15. Ante o exposto, consoante a Lei no 10.833/2003, art. 18, § 2°, com redação dada pela Lei n° 11.051/2004, alterada pela Lei n° 11.488/2007, combinado com o inciso I do caput do art. 44 da Lei n 2 9.430/96, aplicarseá ao caso vertente multa isolada de 75% em dobro, equivalente a 150%, sobre o montante da compensação indevida. Assim, sobre o cômputo de R$ 1.209.629,92, valor compensado indevidamente, incidirá uma multa isolada correspondente a R$ 1.814.444,88. 16. No tocante aos quesitos ora perquiridos, no que concerne a este Serviço (Seort), eis os seguintes esclarecimentos: 1.1. Manifestarse a respeito da litispendência administrativa relatada no item "2" dos "Fatos que demandam diligências para esclarecimento" desta Resolução, informando as providências adotadas pela DRF/FOR para sanála. Resposta: Cumpre ressaltar que os processos n° 10380.009184/200601 e n° 10380.009186/200692 referemse tãosomente a pedido de retificação. Em tais processos, a requerente esclarece que, por equivoco, o crédito declarado no PER n° 20937.85622.241003.1.2.040048 (processo n° 10380.901901/200641) e no PER n° 41078.33663.241003.1.2.044467 (processo n° 10380.901902/200695) não se tratava de pagamento indevido, mas de saldo negativo do IRPJ, anocalendário 2001 da empresa sucedida RCA. Assim, os processos n° 10380.009184/200601 e n° 10380.009186/2006 92 foram anexados aos de n° 10380.901901/200641 e n° 10380.901902/200695 respectivamente, por ser parte retificadora destes. Por sua vez, em 10/11/2010, verificando que referidos processos em conjunto com o de n° 10380.009195/200683 vinculavamse ao mesmo objeto, qual seja, saldo negativo do IRPJ, ano calendário 2001, conforme reivindicado pelo sujeito passivo, procedeuse novamente à juntada processual. 0 processo n° 10380.009195/200683 passou qualidade de principal, sendo a ele anexado todo o conteúdo dos processos n° 10380.009184/200601, n° 10380.009186/200692, n° 10380.901901/200641 e n° 10380.901902/200695. Em 22/11/2010, o processo n°10380.009195/200683 o qual culminou na juntada dos processos n° 10380.009184/200601, Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.311 23 10380.009186/200692, 10380.901901/200641 e 10380.901902/200695 foi apreciado por este Serviço, sendo verificado que o seu objeto, suposto crédito de saldo negativo do IRPJ, anocalendário 2001, já se encontrava sob apreciação em grau de impugnação pela DRJ/FOR (processo n° 10380.720384/20 72), afigurandose, assim, tal processo, uma mera duplicidade de pedido. Dessa forma, declarouse sua extinção, por força da Lei n° 9.784/99, art. 52, posto que o objeto da demanda tornouse impossível, inútil ou prejudicado por ato superveniente, ante a duplicidade de um mesmo pedido. Informamos, portanto, que em 10/11/2010 foi emitido o Despacho, fls.1003, determinando o arquivamento do referido processo principal e seus juntados e a conseqüente baixa dos respectivos Pedidos Eletrônicos de Restituição (PER), saneando, assim, a pendência. 1.2. Manifestarse sobre a alegação da interessada de que Iracema Florestamento e Reflorestamento Ltda., hoje nomeada Maximar Fomento Mercantil Ltda. EPP, incluiu no Parcelamento Especial (PAES), instituído pela Lei n° 10.684/2003, o valor integral do IRRF que compôs o saldo negativo de IRPJ cuja restituição e compensação são pleiteadas nos presentes autos, informando, inclusive, a atual situação do pagamento do dito parcelamento, se for o caso. Resposta: Inicialmente, cabe informar que ao provisionar as parcelas da "multa", a serem pagas à RCA International Commodities S/A, CNPJ 09.488.677/000195, (incorporada por Agropecuária e Reflorestadora Parente S/A, CNPJ 07.795.271/000120) a empresa Iracema Florestamento e Reflorestamento Ltda (sucedida por Maximar Fomento Mercantil Ltda, CNPJ 11.828.258/000105) "retinha" o Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF que, no seu entender, sobre ela seria incidente, e deduzia o correspondente valor, do "crédito" constituído na escrituração contábil, em nome da RCA, pela compra do imóvel; assim, esta empresa ficaria com a disponibilização do crédito de natureza tributária correspondente à parcela do IRRF "retido" ("comprovado" por meio de DIRFs entregues pela pretensa fonte pagadora dos rendimentos da multa); este suposto "crédito" veio a ser "negociado" posteriormente com o grupo Marquise, que adquiriu a sua titularidade, com a incorporação da sociedade detentora. A Iracema Florestamento e Reflorestamento Ltda (sucedida por Maximar Fomento Mercantil Ltda, CNPJ 11.828.258/000105) apresentou as seguintes DIRFs, tendo como beneficiária a RCA International Commodities S/A, CNPJ 09.488.677/0001 95, (incorporada por Agropecuária e Reflorest. Parente S/A, CNPJ 07.795.271/000120): Fl. 1311DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.312 24 Com efeito, por meio do Processo n° 13362.450858/200496, os débitos se encontravam parcelados pela empresa sucedida Maximar Fomento Mercantil Ltda, CNPJ 11.828.258/000105, na modalidade de Parcelamento Especial — PAES, com fulcro na Lei n° 10.684, de 30/05/2003, e foram informados na Declaração PAES instituída pela Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 3, de 01/09/2003, com prazo de entrega prorrogado pela Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 5, de 23/10/2003, conforme extrato abaixo: Destacamos que os débitos de IRRF em comento não foram informados em DCTF pela empresa Maximar Fomento Mercantil Ltda, CNPJ 11.828.258/000105. Objetivando estabelecer uma coerência da Administração, que rejeitou a jurídica do Grupo Marquise, motivada pela demonstração de inocorrência dos fatos que homologação de um pretenso crédito de natureza tributária compensado por pessoa teriam lhe dado origem, competialhe declarar a inexistência dos débitos nascidos da operação simulada, de responsabilidade da pessoa jurídica do Grupo CEC (no caso, da Maximar Fomento Mercantil Ltda), excluindoos do respectivo parcelamento. Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.313 25 Dessa forma, foi proposta a revisão do parcelamento de que se cuida, controlado no já citado Processo n° 13362.450858/2004 96, visando a exclusão dos débitos parcelados no PAES relacionados As respectivas operações — inclusive, no "Refis da Crise" (Lei n° 11.941, de 2009), caso tenha havido a migração — dandose ciência a Interessada da medida administrativa adotada. Tal proposta foi acatada pela titular desta Unidade da RFB, a qual exarou o despacho decisório naqueles autos, com o seguinte teor: "DESPACHO DECISÓRIO Aprovo o presente Parecer Fiscal, para declarar a inexistência dos débitos abaixo relacionados indevidamente incluídos no Parcelamento PAES, pelo contribuinte Maximar Fomento Mercantil Ltda, CNPJ 11.828.258/000105, controlado no Processo n° 13362.450858/200496, e determinar a sua exclusão, de oficio inclusive, no Parcelamento da Lei n° 11.941, de 2009, caso tenha havido a migração pelos motivos constantes do aludido parecer e do Relatório de Análise Tributária, elaborado pela Seção de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal (SAPA C) desta DRF/Fortaleza, igualmente aprovado por esta autoridade administrativa: Ao Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário Secat/DRF/FOR, para adotar as providências cabíveis quanto à exclusão dos débitos do parcelamento em epígrafe, dandose ciência à parte interessada. 0 referido despacho foi cumprido pela autoridade competente, a qual efetuou a exclusão dos débitos de que se cuida do referido parcelamento, não mais remanescendo a obrigação a eles correspondentes, conforme se pode constatar da pesquisa abaixo, efetuada em 12/11/2010: Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.314 26 [...] Como se nota no quadro precedente, não restou nenhum débito no parcelamento (PAES) atinente ao IRF aqui tratado, com conseqüente repercussão no saldo negativo do IRPJ do ano calendário de 2001, da pessoa jurídica que pretensamente sofreu a retenção do tributo e, em conseqüência, seria a titular originária do direito pleiteado pela sucessoras o que elucida o quesito 1.2 da referida Resolução. 17. Cumprido o exame solicitado pela DRJ/FOR, no que concerne à DRF/FOR, proponho a ciência da Interessada dos dois Relatórios de Diligência, emanados do Serviço de Orientação e Análise Tributária (SEORT) e da Seção de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal (SAPAC), para, se quiser, sobre eles manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, assim como, atender, em igual prazo, aos quesitos a ela formulados na Resolução n° 1.961/3a Turma da DRJ/FOR, de 13/08/2010, e posterior devolução dos presentes autos àquela Unidade. A Diligência Fiscal, sintetiza as operações de compra e venda do imóvel/terreno entre as empresas do mesmo grupo, onde na primeira compra, gerou crédito indevido de IRRF e na segunda de PIS/COFINS. Com base nas conclusões que extraiu do Relatório de Análise Tributária elaborado pela Sapac/DRF/FOR, o Seort/DRF/FOR propôs, então, o não reconhecimento do direito creditório almejado pela empresa sucessora, relativamente a saldo negativo do IRPJ da empresa sucedida RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A, declarado no ano calendário 2001, e a nãohomologação das compensações de que trata o presente processo, bem como de todas as demais compensações, caso existentes, vinculadas ao direito creditório não reconhecido. Devido a tais fatos, e a falta de documentação que não foi entregue pelo contribuinte sucedido, os pedidos de restituição e de compensação foram negados, conforme Informação Fiscal (fls. 140/141) e o r. Despacho Decisório de fls.142. A Recorrente ofereceu manifestação de inconformidade, referente ao não reconhecimento do direito creditório. Em seguida, a DRJ proferiu v. acórdão de fls.827 e seguintes, mantendo o Despacho Decisório, registrando a ementa abaixo colacionada e concluindo da seguinte forma. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DO ONUS DA PROVA. No processo administrativo de restituição e compensação de créditos tributários, incumbe ao contribuinte provar o fato constitutivo do seu Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.315 27 direito (a certeza e liquidez do direito creditório) e, ao Fisco, para indeferir o pleito, provar fatos que evidenciem a inexistência do direito afirmado pelo contribuinte ou que constituam impedimento, modificação ou extinção desse direito. PROVA INDIRETA. INDÍCIOS. PRESUNÇÃO SIMPLES. VALIDA.DE. VERDADE MATERIAL. A Administração Pública tem o poderdever de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico. Esse poderdever é ainda mais presente na seara tributária, em que é usual a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. A liberdade de investigação do Fisco pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 DIREITO CREDITORIO. ORIGEM REMOTA. NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO. INDEFERIMENTO. Provado nos autos, por indícios fartos, graves, precisos e convergentes, que o negócio jurídico que constituiria a causa remota do direito creditório pleiteado pelo contribuinte não teve lugar no mundo fático, cumpre indeferir o direito creditório e não homologar as compensações declaradas. DIREITO CREDITORIO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. CERTEZA E LIQUIDEZ. SIMULAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO QUE TERIA ENSEJADO A RETENÇÃO DE IRRF. PARCELAMENTO, PELA FONTE PAGADORA, DO IRRF QUE COMPÔS O SALDO NEGATIVO. IMPROCEDÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO, POR AUSÊNCIA DE MATERIALIDADE. 0 fato de a fonte pagadora haver formalizado parcelamento do IRRF pretensamente retido em negócio jurídico simulado não confere materialidade ao direito credit6rio pleiteado sob a forma de saldo negativo de IRPJ pela pretensa beneficiária da retenção. SUCESSÃO EMPRESARIAL. SIMULAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONTEÚDO MATERIAL NO PATRIMÔNIO TRANSFERIDO ENTRE AS EMPRESAS. INEFICÁCIA DOS ATOS FORMALMENTE PRATICADOS, A DESPEITO DE SUA LEGALIDADE. irrelevante, para fins de apuração da eficácia dos atos de sucessão empresarial, que estes tenham sido praticados com observância da legislação pertinente, quando resta demonstrado nos autos que o patrimônio pretensamente transposto entre as empresas é destituído de conteúdo material. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.316 28 Por fim, concluiu da seguinte forma: Em seguida, foi interposto Recurso Voluntário pela Capitalize Fomento Comercial LTDA, incorporadora da RCA Internacional Commodities, descrevendo os fatos ocorridos, requerendo basicamente a reforma do v. acórdão recorrido, reiterando as alegações da manifestação de inconformidade, incluindo preliminar de nulidade relativa informações estranhas ao processo e, basicamente, alegando (fls.5/9 do RV) que não pode ser responsabilizada por atos ilícitos praticados por suas sucedidas e terceiros, eis que agiu de boa fé e não tinha conhecimento das irregularidades para a criação dos créditos, no momento em que incorporou a parte da RCA. Alega que a empresa IRACEMA, teria parcelado no âmbito do PAES Lei 10.684/2003 o IRRF relativo as multas contratuais da operação de compra e venda do terreno e, por tal motivo, restaria comprovado o direito ao crédito no momento da incorporação. É o relatório. Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.317 29 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves O Recurso Voluntário é tempestivo e foi interposto por seu representante com poderes para tanto, motivo pelo qual deve ser admitido. Preliminar de nulidade relativa a informações estranhas ao processo: As informações não são estranhas ao processo. As decisões e relatórios acostados aos autos são para descrever precisamente o sistema criado pela Recorrente e outras empresas para gerar créditos indevidos. Tais informações serviram para descrever fatos que estão totalmente relacionados com a matéria dos autos, relativos ao crédito que se pretende restituir e compensar. Desta forma, afasto a alegação preliminar, pois as informações não são estranhas ao processo. Na verdade, as informações retiradas de outros processos fazem parte e estão relacionadas com a matéria dos autos. Ademias, a Recorrente alega a nulidade, mas não aponta qual o prejuízo ou dispositivo da legislação do PAF Federal que foi desrespeitado. Mérito: Em relação as alegações de que a empresa IRACEMA, vendedora, teria parcelado o IRRF relativo as multas contratuais da operação de compra e venda do terreno, entendo que tais créditos não podem ser opostos face ao Fisco, pois os atos jurídicos, que geraram a multa contratual prevista no instrumento de compra e venda do terreno, restaram comprovadamente inexistentes, eis que foram praticados por meio de fraude, com dolo, simulação e conluio. Vejamos as constatações da Fiscalização que restaram comprovas nos autos por meio do Relatório de Análise Tributária, relativas as operações empresariais: Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.318 30 I) operações sucessivas com o mesmo objeto (bem imóvel)— os imóveis objeto dos alegados Contratos são sucessivamente "vendidos" e "comprados" pelas empresas do Grupo CEC, com a utilização da técnica da cessão de créditos para implementar a venda sucessiva 6 primeira; II) limitação subjetiva quanto às partes nos negócios — as características inusuais de cada um dos negócios, reclamavam a condição de que, alienante e adquirente, se circunscrevessem às empresas do interior do Grupo CEC (operações domésticas); III) ausência absoluta de qualquer fluxo financeiro decorrente do pretenso negócio imobiliário dada a falta de realização de qualquer atividade econômica nas empresas do Grupo CEC hábeis a gerar receitas de qualquer ordem salvo, obviamente, as simuladas "receitas de vendas de imóveis" não há qualquer pagamento do preço atribuído ao imóvel por parte do "adquirente". De outro lado, à mingua de, sequer, o recebimento do valor da "entrada", não há nenhum procedimento de cobrança por parte do alienante; iv) precedência de reavaliações do valor contábil dos imóveis sempre em relação ao momento das alegadas vendas para operacionalizar as vendas dos bens imóveis o alienante sempre recorria à técnica de reavaliações meramente formais do valor contábil; v) vendas a prazo com implicações financeiras definidas em relação às partes, mas nunca resolvidas no tempo — os encargos contratuais constituíam receita financeira para o alienante e despesa financeira para o adquirente. Mas aquele que reconhecia a receita (apenas pro visionando o crédito) tinha seu resultado fiscal neutralizado por despesas originárias de outros contratos imobiliários em circularização; vi) preço dos bens imóveis fora da realidade econômica mesmo a despeito das condições jurídicas em que se encontravam os imóveis ao tempo das "vendas", as alienações se deram porvalores astronômicos, onde alguns imóveis alcançaram a expressiva cifra de mais de R$20.000.000,00, sendo que os "adquirentes" sequer tinham receitas geradas para assunção de tamanho negócio; vii) previsão desproporcional, desarrazoada e sem qualquer justificativa no Direito dos Contratos de pagamentos de multas pelo alienante cláusula do Contrato previa "pura esimplesmente" o pagamento de multas pelo alienante. Independentemente do pagamento da"entrada" pelo adquirente, a exigência dessa multa era imperativa. Os valores das multas praticamente se aproximavam do prego de venda do bem. Há caso em que a multa chegou a R$ 14.080.000,00 e o prego de venda do imóvel teria sido de R$ 8.800.000,00; viii) incompatibilidade da consideração simultânea entre a permanência dos efeitos do Contrato de Compra e Venda e da eficácia da clausula previsora da multa como o objeto do Contrato (compra e venda do imóvel) seguiu produzindo os efeitos queridos (nas contabilidades o alienante registrou o Direito Creditório a Receber e suas correções, enquanto o adquirente registrou a Obrigação junto àquele, alem dos encargos decorrentes da mora), não há como conceber qualquer fato gerador da incidência da multa imputada ao alienante, porque não incidira em inadimplência contratual, mormente porque o "adquirente", sequer pagara qualquer centavo pela "entrada" Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.319 31 prevista nos Contratos. Não podia a adquirente reclamar a multa, se não adimplira sua obrigação de pagar a "entrada". A escrituração mostra o absurdo do fato de que a multa devida pelo "alienante" é abatida (descontada) do montante do crédito a receber do adquirente. Na verdade, a presença dessas "multas" nesses Contratos fictícios cumprem uma função especial (vantagem prédefinida) querida pelas partes; ix) uso de preço artificial dos bens imóveis "vendidos" para proporcionar vantagens predefinidas as cifras (monetárias) com que os bens eram "vendidos" foram previamente mensuradas, de modo que fossem hábeis a garantir vantagens financeiras ao Grupo CEC, vantagens essas dignas de se constituir em fonte de recursos para serem negociadas junto a terceiros. Como se poderá ver logo à frente, constituíram também esses negócios em grande vantagem para o Grupo Marquise, o qual é identificado como o próprio "terceiro" negociador com o Grupo CEC, intervindo diretamente como parte interessada no produto gerado por aquelas transações imobiliárias fictícias; x) vantagem tributária especifica da existência de Cláusula previs ora de multas as multas contratuais atuaram no planejamento tributário como pretenso fato constitutivo da incidência de Imposto de Renda Retido na Fonte, tendo como beneficiário os supostos adquirentes. Esses créditos de tributos compuseram os Ativos (Tributos a Recuperar) das empresas do Grupo CEC que, logo depois, sofrem Cisão Parcial, segregando exclusivamente (na prática) o exato montante daquele crédito de tributo, o qual comporá o Ativo de outra empresa, especialmente constituída para absorver o crédito fiscal transferido. 0 passo seguinte, ou é a venda do "controle acionário" da nova empresa (então surgida da Cisão) para empresas do Grupo Marquise, para, em ato continuo a essa aquisição, o Grupo Marquise adquirente promova a incorporação dessa "nova empresa", ou, de modo diferenciado, a incorporação direta dessa "nova empresa" por empresas do grupo Marquise. Cumpridas essas etapas, aparentemente licitas, conforme a legislação de regência, fica o Grupo Marquise com a disponibilidade do crédito de IRRF remotamente gerado nos negócios imobiliários entre as empresas do Grupo CEC; xi) vantagens tributárias especificas das aquisiciies em si dos Imóveis constantes dos Contratos de Compra e Venda celebrados entre as empresas do Grupo CEC a mera aquisição (fictícia, porque s6 existente no papel) dos imóveis cumpriram no planejamento tributário função própria. Pela compra e titulandoa como "insumo" ou bem adquirido para revenda o pretenso adquirente se creditava de PIS e COFINS Não Cumulativo, conduta pela qual garantiu apreciáveis valores de Créditos de Contribuições de PIS/COFINS nos Ativos de algumas empresas do Grupo CEC. Mas a mera aquisição como fundamento dos créditos de PIS/COFINS não era bastante para os agentes participes do planejamento tributário fraudulento. Como não havia nenhum fluxo de recursos nessas Compra e Venda (tal como já explicamos) os negócios eram feitos a Prazo. Isso fazia o adquirente incorrer em encargos financeiros decorrentes da compra, sendo tais encargos até onde a legislação permitiu (julho/2004) fatos geradores de créditos de PIS/COFINS. A dupla conduta garantiu mais um conjunto apreciável de Tributos a Recuperar (Créditos de PIS/COFINS) para algumas empresas do Grupo CEC. A partir dai constatou o Fisco seguemse as mesmas etapas Fl. 1319DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.320 32 (cisão/incorporação com fins distintos dos ordinários atribuídos a esses institutos) referidas no inciso anterior, quando descrevemos os caminhos percorridos por estes créditos de tributos que, ao final, chegam para disponibilização pelas empresas do Grupo Marquise. E, uma vez compondo (aparentemente de forma incensurável) o patrimônio do Grupo Marquise, os pedidos de Restituição/Compensação tornaramse mera implementação final da fraude seguida de conluio na geração/utilização dos créditos fiscais fictícios; xii) existência explicita de uma "causa simulandi" expressa a fundamentar o planejamento tributário fraudulento engendrado entre as empresas do Grupo CEC e as do Grupo Marquise comprovamos a existência de cobrança executiva (judicial Processo n° 2006.0020.13266/0) de valores por parte da Construtora Marquise junto a "controladora" do Grupo CEC "CEC INTERNACIONAL S/A". Esses "valores" não representavam qualquer operação que tivessem origem na atividade operacional da Construtora (venda de Aptos à CEC ou realização de obras civis, por exemplo). A divida da CEC perante a Construtora decorria, na verdade, de "PROMESSA DE VENDA DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS GERADOS PELA CEC E NEGOCIADOS PARA A CONSTRUTORA" Os créditos negociados eram de CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Ocorre que, uma vez indeferidos pela DRF FORTALEZA os créditos presumidos de IPI pretensamente alegados pelo Grupo CEC, restou a CEC INTERNACIONAL S/A como devedora da Construtora Marquise, dando azo ao Processo de Execução desta contra aquela. Mas as partes encerraram o Processo Judicial mediante acordo em juízo (Composição Amigável, cf docto. anexo! Dessa forma, uma vez indeferido na DRF Fortaleza o pleito creditório relativo ao tributo IPI, planejaram as partes resolver o Contrato de Promessa de Venda de Créditos Tributários Federais, mediante a utilização de tributos diversos daquele. Dai todo o estratagema de gerar num primeiro momento IRRF a partir de pretensas Multas sobre Contratos de Compra e Venda de Imóveis (todos simulados), além de PIS e COFINS Não Cumulativo pela simples aquisição (fictas) desses imóveis. Num segundo momento, cisões (seletivas) seguidas de incorporações (préordenadas) fizeram com que os CRÉDITOS FISCAIS (agora de iRRF e PiS/C0FiNS) chegassem ao Grupo Marquise; presença de fortes indícios da lavratura de documentos "antedatados" na conduta que formalizava os Contratos, o que revela outra característica de hipótese legal de simulação para que se operassem as cisões (seletivas) seguidas de incorporações (préordenadas), convinha primeiramente, que Contratos Fictícios de Compra e Venda de Imóveis levassem datas antigas, para que implementassem o nascimento de créditos de IRRF e/ou de PIS/COFINS Não Cumulativo. Há casos de Contratos de Compra e Venda de Imóveis datados de 1998, sendo que, os efeitos quanto aos alegados "Créditos de IRRF sobre Multas" que teriam suposta incidência nos anos de 1999/2000/2001 e 2002 só foram reconhecidos em DIRFs entregues globalmente em fins de 2003. Há outro caso de Contrato da mesma natureza, em que se consigna em Cláusula especifica, a cobrança de Multa, a qual fora levada em cômputo à Despesa Financeira, exatamente no mês de JULHO/2004. Este momentolimite é o mês/ano em que a legislação permitiu que "Encargos Financeiros" dessem origem a créditos fiscais de PIS/COFINS. Evidentemente, esses créditos (de IRRF/PIS/COFINS), Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.321 33 tão engenhosamente gerados a partir daqueles Contratos simulados quanto ao objeto, pela via de Cisão (seletiva) que, logo após, seguiuse de Incorporação (préordenada), chegou aonde se almejava chegar: ao beneficiário Grupo Marquise. Segundo o referido Relatório, no tocante à negociação do terreno ora em pauta entre as empresas Iracema Florestamento e Reflorestamento Ltda. e a RCA International Commodities S/A, o negócio operouse totalmente a prazo, sem qualquer fluxo de recursos financeiros, sendo que a compradora não tinha condições financeiras para concretizar a compra no valor estipulado, cabendo acrescentar e citar os seguintes fatos dignos de destaque extraídos do referido Relatório: i) executada sem qualquer registro, a operação não alterou a titularidade real do imóvel contida na Certidão do Cartório de Registro de Imóveis. Ou seja, o bem permanece titulado pela IRACEMA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO LTDA. E não pela simulada adquirente RCA International Commodities S/A. Aliás, essa alegada venda (supostamente ocorrida em 28.12.1998) seria, na verdade o desfazimento do negócio real registrado em Cartório na data de 03.08.1998 onde a IRACEMA adquire da RCA; ii)esse fato é de tal importância para se compreender que venda nenhuma houve da IRACEMA para a RCA, dado que, em 1999, aquela titular do imóvel (Iracema Florestamento) promove ato de disposição do bem, com o seu desmembramento em 03 (três) subglebas contíguas (Gleba A, com 500 Ha, Matricula 4417; Gleba B, com 300 Ha, Matricula 4418 e Gleba C, com 2200 Ha, Matricula 4419); iii) o valor da "venda" do imóvel alcança a cifra de R$ 20.650.000,00. Tendo em vista que a "venda" teria se dado em 28.12.1998, época em que havia uma estreita paridade entre as moedas "real" e "dólar americano", cabe dizer que a GLEBA CARAÍBA teria sido vendida por cerca de US$ 20,000,000.00 (vinte milhões de dólares americanos). A escolha de um valor assim irreal e grandioso tinha sua razão de ser: proporcionar a criação de multas proporcionais ao prego de venda, igualmente imensuráveis com finalidade préordenada; iv) o Contrato, evidentemente, traz cláusula previsora de MULTA aplicável à parte alienante (IRACEMA) em beneficio da parte adquirente (RCA), se aquela não transferir a posse e a propriedade para esta última. Esta multa, de valor praticamente igual ao "valor da venda" do imóvel constitui, na visão das partes, fato gerador de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); v) a multa se fez incidida (com o conseqüente IR Fonte) mesmo que a parte adquirente (beneficiária da multa) não tenha cumprido a sua obrigação de pagar o valor da "entrada" a que se obrigara pelo Contrato. Ignorando a cláusula da "exceptio non adimpleti contractus" e seus efeitos próprios, a incidência imediata da multa, a despeito de ser graciosa e ilegítima, cumpriu papel fundamental estranho ao Contrato em si de Compra e Venda, que foi o de gerar crédito fictício de IRRF para posterior transferência ao Grupo Marquise; Fl. 1321DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.322 34 vi) ainda que incidente a multa (tida como Cláusula Penal pela inadimplência da vendedora, substitutive, pois, da obrigação principal, que era a de "entregar "o imóvel 5 parte compradora), o Contrato seguiu produzindo os efeitos próprios de uma Compra e Venda a prazo. Ou seja, o alienante reconhece receitas financeiras pelo não recebimento do preço, enquanto que o adquirente se apropria de encargos financeiros pelo pagamento que não fizera. Convém registrar que os efeitos de reconhecimento de receitas são neutralizados por outras operações igualmente fictas. A incompatibilidade entre a incidência da multa e a continuidade do Contrato salta aos olhos do simples intérprete do Direito dos Contratos. Fato curioso neste contexto é que, perdida no emaranhado de atos simulados, a empresa MAXIMAR, sucessora da IRACEMA, apresenta ao Fisco cópias de recibos nos quais a RCA teria feito alguns pagamentos para a IRACEMA entre janeiro a agosto de 2004. Mas cabem duas observações sobre esses supostos pagamentos: são eles todos simulados porque os recursos vêm da empresa CAPITALIZE (Grupo Marquise) e a ela retornam; fossem eles verdadeiros, desmentiriam a hipótese de rescisão do contrato, a qual é o fato gerador da pretensa multa e do IRRF dela pretensamente decorrente; vii) em verdade verdadeira, ainda que legitima fosse (no campo contratual) a incidência dessa multa, não teria ela o condão de fazer incidir a regra do IRRF sobre Multas prevista no art. 70 da Lei n° 9.430/96. Se o elemento fatico que faria incidir a multa era a inadimplência do alienante prevista na Cláusula Segunda do Contrato (a falta de transferência em 180 dias da posse e propriedade do imóvel, mesmo que como já registramos o adquirente e beneficiário da multa não tivesse paqo sequer o valor da "entrada" pela aquisição do imóvel), a conduta omissiva do alienante (IRACEMA) geraria uma multa contratual que não se adequa à hipótese de incidência (HI) prevista na referida lei. Para que esta HI seja ativada, exigese a efetiva rescisão do contrato (art. 70, ca put). E, como já demonstramos, esse fato da rescisão contratual não se configurou no caso concreto. Outrossim, ainda que alegasse a adquirente a reparação de danos patrimoniais, também não seria caso de incidência da multa legal, conforme expressa exclusão prevista no art. 70, § 5° da Lei n° 9.430/96; viii) observando as condutas que foram direcionadas ao Fisco, praticadas pelas empresas alienante (IRACEMA) e adquirente (RCA) constatamos a presença de fortes indícios do uso de documentos antedatados (os Contratos de Promessa de Compra e Venda). 0 respaldo fático para essa conclusão reside na concentração de atos realizados no anocalendário de 2003 e 2004, quando as DIRFs foram entregues em bloco e as DIPJs retificadas dessa mesma forma. Notar que os Srs. ANTONIO EUGENIO CARNEIRO PORTO, SEBASTIÃO OLIVEIRA SOUSA E MARIA DO SOCORRO VASCONCELOS OLIVEIRA são titulares comuns de ambas as empresas envolvidas (IRACEMA e RCA); ix) diante dessas constatações, fácil ficou para o Fisco visualizar o motivo mesmo desta PRIMEIRA VENDA do imóvel GLEBA CARA IBA. 0 mote do planejamento tributário era gerar créditos fictícios do tributo IRRF, desde tempos remotos até o anocalendário de 2002 (dai a concentração de atos no ano de 2003 e 2004). 0 instrumento (meio) para tal seriam os Contratos de Promessa de Compra e Venda ante datados para o ano de 1998. Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.323 35 0 objetivo final era a transferência desses IRRF do Grupo CEC. para o Grupo Marquise em etapa posterior. Os valores originários de IRRF fictos gerados em beneficio da RCA estão na Tabela abaixo com dados da DIRFs (valores em R$); DIRFs ENTREGUES POR IRACEMA/MAXIMAR BENEFICIÁRIO RCA [...] Comentados esses detalhes relativos a PRIMEIRA VENDA DA GLEBA CARAÍBA da empresa IRACEMA para a empresa RCA, e, como se já não fossem bastante para a demonstração da natureza simulatória da opera cão (a qual visava mesmo a geração ficta de IRRF para "negociação" junto ao Grupo Marquise), passamos a detalhar as circunstâncias da SEGUNDA VENDA DO IMOVEL GLEBA CARAÍBA. Dissemos que o Contrato relativo a primeira venda não fora rescindido de fato (circunstância que, como demonstramos, exclui a eficácia da multa contratual para gerar IRRF). Dissemos também que o valor da venda, compreendendo a integralidade da área da GLEBA CARAÍBA (3.000 ha) foi considerado no Contrato como sendo de R$ 20.650.000,00. Dissemos ainda, que o terreno fora desmembrado em 03 (três) subglebas de áreas menores (com 500 ha; 300 ha e 2200 ha). Pois bem. Em data de 31.08.2004 a empresa MAXIMAR (na qualidade de sucessora da IRACEMA, titular de direito da Gleba Caraiba com área total) vende conforme mera informação em DOI, mas sem a devida transcrição no Registro Imobiliário, a porção "B" da Gleba Caraiba desmembrada (também denominada Gleba Caraiba 2), com 300 ha objeto da Matricula n° 4418, para a mesma empresa RCA INTERNATIONAL COMMODITIES, pelo valor de R$ 20.650.000,00. A constatação do fato desta SEGUNDA VENDA da Gleba Caraíba constitui um verdadeiro acinte à inteligência do Fisco. Nesta transação há evidências grosseiras da presença de fraude e simulação, além de incompatibilidades lógicas entre as condutas quando observadas panoramicamente. Vejamos as principais aberrações e o objetivo dissimulado desta SEGUNDA VENDA: i) em primeiro lugar, a inconsistência mesma do negócio como legitima operação de Compra e Venda do imóvel. É que a Gleba Caraiba (total com 3000 ha) já tinha sido "alienada" na PRIMEIRA VENDA em opera cão envolvendo as mesmas partes o Contrato respectivo não fora rescindido, o que constitui fato impeditivo da concepção de uma segunda venda. Dentro daquele primeiro negócio simulado (dado que só serviu para gerar o IRRF formatado para transferência ao Grupo Marquise) as partes — uma vez perdida em seus próprios atos fraudulentas — promove o absurdo de apresentar ao Fisco recibos igualmente simulados de "pagamento" parciais feitos em 2004, pela primeira aquisição. Se assim fosse, como justificar essa SEGUNDA AQUIS100?; ii) outra questão vazia de significado é quanto ao valor da venda, quando consideradas as áreas das Glebas "vendidas" (em 1998 e Fl. 1323DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.324 36 2004). Já tendo "comprado", em 1998, a Gleba Caraiba total (com 3000 ha) por R$ 20.650.000,00 junto à IRACEMA, a RCA resolve comprar "de novo" uma porção daquilo que já dispunha. É que em 31.08.2004, vista do desmembramento do terreno, ela "adquire" da IRACEMA a Gleba Caraiba "B" ou Gleba Caraiba 2, com apenas 300 ha. Mesmo a despeito de comprar o que já teria em totalidade, neste novo momento, por uma área de apenas 10% (dez por cento) daquele todo (a Gleba Caraiba total tem 3000 ha) ela se com promissa em 2004 com a obrigação de pagar o mesmo preço avençado quando comprara "o todo" em 1998. Ou seja, se obrigou a pagar R$ 20.650.000,00 por apenas 300 (trezentos) hectares de terra, que compõe a Gleba Caraiba "B". Não há como admitir veracidade neste negócio; iii) mas outro objetivo (dissimulado, escondido) movia os Grupos Empresariais envolvidos para entabular essa nova venda. Esse motivo é que, pela "aquisição" da Gleba Caraiba "B", a RCA se creditou de PIS e COFINS Não Cumulativo, almejando o repasse, em ato continuo, para o Grupo Marquise; iv) considerando o imóvel como se mercadoria fosse para aquele efeito creditório, a RCA se credita de exatos R$ 347.822,00 de PIS e de R$ 1.675.877,00 de COFINS. Logo depois, vem sua (da RCA) Cisão Seletiva, por meio da qual, criase a empresa efêmera CONCE CONSTRUTORA NACIONAL CEARENSE S/A, cujo Capital soma R$ 2.023.699,00 (curiosamente o somatório daquelas duas cifras relativas aos créditos de PIS/COFINS). Durando apenas pouco mais de 03 (três) meses, e sem qualquer atividade operacional (ou não operacional) vem a CONCE (então recheada de créditos fictícios de PIS/COFINS) a ser incorporada pela MULTIPLA COMERCIAL EXPORTADORA S/A. Desta ultima, que serviu apenas como mera ponte, o recheio da CONCE seguiu para a Construtora Marquise que, incorporando a MÚLTIPLA, traz definitivamente para si, aqueles preciosos créditos fictos de tributos. Com estas observações o Fisco põe a nu a real finalidade das opera coes de Compra e Venda do imóvel Gleba Caraiba, envolvendo diretamente as empresas IRACEMA/MAXIMAR e RCA, com efeitos e reflexos diretos e préordenados nas empresas do Grupo Marquise. Mas não pararam por ai. Inacreditavelmente, outras operações de Compra e Venda envolvendo as porções desmembradas da Gleba Caraíbas se sucederam. Em 10/09/2004 a empresa Agropecuária e Reflorestadora Parente S/A (sucessora da RCA remanescente) "vende" para a BEX Internacional S/A a Gleba Caraíba "A" (Gleba Caraiba 01), com 500 ha, pelo valor de R$ 20.650.000,00. Em 06/12/2004, a BEX Internacional S/A vende A Gleba Caraiba "A" (Gleba Caraíba 01) para a Xingu Empreendimentos Imobiliários Ltda, a qual se apropria de créditos de PIS/COFINS Não Cumulativo, transferindoos, por eventos de sucessão empresa NO VAX CONSTRUÇÕES E EDIFICAÇÕES S/A, que, depois, os transfere para a Construtora Marquise. Em 30/11/2003, a BEX Internacional S/A vende A Gleba Caraiba "B" (Gleba Caraiba 02) para a PANAGRA DO BRASIL S/A. Por esse negócio a adquirente (PANAGRA) se escritura de encargos financeiros e Multa geradores, até Julho/2004, de créditos de tributos Fl. 1324DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.325 37 PIS/COFINS. Por evento de sucessão (Cisão Parcial Seletiva) os créditos fiscais fictícios chegam à Construtora Marquise. Em 29/10/2004, a empresa PANAGRA DO BRASIL S/A "vende" para a CEC Internacional S/A a Gleba Caraiba "B", pelo valor de R$ 23.660.000,00. Tudo em operações de faz de conta, mas todas com objetivos implícitos: gerar créditos fictícios de tributos, além de manter valores meramente escriturais na contabilidade de cada uma delas, de forma a permitir a inserção de transações de interesse do Grupo Marquise, com quem aquelas empresas do Grupo CEC se interrelacionam com freqüência mediante negócios de consistência simulada. Como se viu, os Contratos/promessas de Compra e Venda do terreno, constituindose com documentos remotos, que originaram todas as demais operações que envolveram os Grupos Empresariais (CEC e Marquise), nos leva à conclusão de que nenhuma operação imobiliária de fato ocorreu, dado o elenco de provas indiciárias graves, precisas e concordantes entre si, apontadas pelo Relatório de Análise Tributária. Diante dessas constatações, não pode o Fisco têlos (os contratos) como produtores dos efeitos pretendidos pelas partes. Em conseqüência, não se pode homologar as compensações vinculadas ao crédito descabido. No caso vertente, inexiste pagamento indevido, muito menos saldo negativo do IRPJ, no anocalendário 2001, ou em qualquer outro ano. Destarte, tendo em vista as operações praticadas pelos grupos empresariais, podese concluir, assim como a Fiscalização, que: a) inexiste o crédito alegado pela Interessada, uma vez que, como restou fartamente demonstrado nos autos, ele decorreria de um ato simulado (venda fictícia de imóvel), engendrado com o concurso de terceiros, por meio de conluio, objetivando, segundo referido Relatório, burlar a Fazenda Nacional, para extinguir débitos tributários legítimos, por meio de pretensos créditos cuja titularidade teria sido adquirida pela CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA, em processo de sucessão societária; b) inexiste motivação jurídica para a imposição da multa contratual que teria dado causa A incidência do IRFF, que veio a constituir o pretenso direito de crédito adquirido pela CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA, uma vez que a pretensa adquirente do imóvel (RCA International Commodities S/A), nem ao menos cumpriu a obrigação de pagar A pretensa alienante (Iracema Florestamento e Reflorestamento Ltda) o valor correspondente 6 entrada da respectiva operação; assim, é óbvio que, se se tratasse de uma transação normal, não cabia a esta transferir a posse e a propriedade do imóvel para terceiros, sem qualquer contrapartida da parte adquirente, o que torna injustificável o acatamento pacifico do reconhecimento da divida relativa 6 aludida multa; c) inexiste hipótese fática para a incidência do IRF na situação tratada nos autos, em razão de a multa de que se cuida — ainda que fosse legitima não corresponder à rescisão de contrato, única situação eleita pelo legislador como hipótese de incidência do tributo no caso de Fl. 1325DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.326 38 pagamento ou crédito de multas contratuais, nos termos do art. 70 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. Ou seja, como a operação de compra e venda do terreno não existiu devido a fraude e simulação da compra e venda, logo a multa que acompanha o contrato, também não. Devido a tal fato, não se configurou hipótese de incidência do IRRF a ser parcelado pela vendedora do terreno IRACEMA. (cláusula onde prevê multa quando a vendedora não entrega o bem estipulada no contrato que foi vendido). Desta forma, como entendo que não deveria incidir o IRRF, pois não existiu hipótese de incidência de tal imposto, o parcelamento feito pela empresa IRACEMA, não pode gerar crédito para a empresa incorporadora da compradora (RCA Recorrente CAPITALIZE), face ao Fisco. A empresa IRACEMA, que parcelou IRRF, pagou/parcelou equivocadamente, devendo ela pedir a restituição de tais valores. Os valores parcelados pela empresa vendedora IRACEMA, não fazem parte da discussão dos autos e não podem compor o saldo negativo do IRPJ da compradora RCA, que foi incorporada pela Recorrente, que pretende compensar com seus débitos de imposto. Também é importante ressaltar, que o artigo 136, da Seção III do CTN, que trata de responsabilidade de terceiros, descreve que a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente, da natureza, extinção e extensão dos feitos do ato. (responsabilidade objetiva). Esta responsabilidade objetiva prevista no dispositivo acima indicado, tem presunção relativa (artigos 108, IV e 112 do CTN) e pode ser afastada quando comprovada pelo sujeito passivo, que agiu de boafé, não participou dos atos ilícitos e que não tinha condições de saber, no momento em que determinado ato foi praticado, das ilicitudes que geraram determinados créditos. Ocorre, que no presente caso, ficou constatado no Relatório de Análise Tributária da SAPAC, que o grupo empresarial do qual a Recorrente pertence (Grupo Marquise), que incorporou a compradora do terreno RCA, fez parte (conluio) das operações fraudulentas que criaram os créditos tributários irregulares, agravando ainda mais a situação da Recorrente, não tendo como aceitar determinados créditos e compensações. Neste diapasão, entendo que os valores do parcelamento do IRRF, não deveriam compor o saldo negativo do IRPJ, relativo ao pedido de restituição retificado, feito pela RCA, e muito menos ser transportado para empresa incorporadora, a CAPITALIZE, para requerer a compensação. No mais, adoto os fundamentos do v. acórdão recorrido, os quais entendo que devem ser mantidos. Em relação as alegações de que a sucessão da empresa RCA, não poderiam prejudicar a Recorrente, também entendo que não devem ser providas. Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.327 39 Restou comprovado nos autos, que tanto as pessoas físicas, como as empresas dos dois grupos, tinham participação nas operações fraudulentas e detinham participação acionária em ambas empresas, na RCA e na incorporadora CAPITALIZE, não tendo como a Recorrente alegar que não poderia ser responsabilizada por atos da empresa que incorporou. No presente caso, fico comprovado que a Recorrente incorporadora e seus representantes, participaram direta e indiretamente das irregularidades tributárias que geraram os créditos indevidos. Também é importante ressaltar, que todos os atos societários e participações da simulação de promessa/compra e venda do terreno, que ocasionaram as créditos indevidos estão devidamente relacionados e comprovados nos processos abaixo indicados, onde somando todas informações neles contidas, podese facilmente detectar que todas as empresas dos dois grupos agiram em conjunto para fraudar o erário e deixar de pagar impostos. (seguem os processos) 10380.009193/200694 RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A 10380.901897/200611 RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A 10380.901733/200693 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.901737/200671 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.901739/200661 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.901735/200682 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.720384/200872 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.720385/200817 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.720499/200867 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.722709/201076 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.722703/201007 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.722244/201053 CONSTRUTORA MARQUISE.S/A 10380.722365/201003 CONSTRUTORA MARQUISE.S/A 10380.722355/201060 CONSTRUTORA MARQUISE.S/A 10380.722361/201017 CONSTRUTORA MARQUISE S/A 10380.721600/201011 CONSTRUTORA MARQUISE S/A Fl. 1327DF CARF MF Processo nº 10380.720384/200872 Acórdão n.º 1402002.481 S1C4T2 Fl. 1.328 40 Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento, mantendo integralmente o v. acórdão recorrido, negando deferimento aos pedidos de restituição e não homologando as compensações. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 1328DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15868.720094/2012-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
EMBARGOS. OMISSÃO.
Configurada a omissão no julgado sobre ponto que a turma deveria se pronunciar, impõe-se a análise das matérias com vistas a sanar os vícios.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64.
Numero da decisão: 1201-001.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos interpostos, para suprir a omissão apontada, sem efeitos modificativos no decisum, para manter a multa qualificada aplicada.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 EMBARGOS. OMISSÃO. Configurada a omissão no julgado sobre ponto que a turma deveria se pronunciar, impõe-se a análise das matérias com vistas a sanar os vícios. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15868.720094/2012-56
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5744319
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1201-001.763
nome_arquivo_s : Decisao_15868720094201256.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
nome_arquivo_pdf_s : 15868720094201256_5744319.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos interpostos, para suprir a omissão apontada, sem efeitos modificativos no decisum, para manter a multa qualificada aplicada. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
id : 6867778
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210272612352
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-07-05T21:07:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; Last-Modified: 2017-07-05T21:07:18Z; dcterms:modified: 2017-07-05T21:07:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; Last-Save-Date: 2017-07-05T21:07:18Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-07-05T21:07:18Z; meta:save-date: 2017-07-05T21:07:18Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-07-05T21:07:18Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; pdf:charsPerPage: 1676; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 5.940 1 5.939 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15868.720094/201256 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1201001.763 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2017 Matéria Omissão de Receitas Embargante MCL EMPREENDIMENTOS E NEGÓCIOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 EMBARGOS. OMISSÃO. Configurada a omissão no julgado sobre ponto que a turma deveria se pronunciar, impõese a análise das matérias com vistas a sanar os vícios. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos interpostos, para suprir a omissão apontada, sem efeitos modificativos no decisum, para manter a multa qualificada aplicada. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 00 94 /2 01 2- 56 Fl. 5940DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pelo sujeito passivo (fls. 5.910 e seguintes), nos quais se aduz que o Acórdão nº 1102001.099 (fls. 5.793 e seguintes) complementado pelo Acórdão nº 1201001.236 (fls. 5.850 e seguintes), com ciência conferida em 28/06/2016, padeceria de omissão e obscuridade. Os embargos foram admitidos, conforme despacho do Presidente desta Turma (efls. 5.936 e seguintes), do qual, peço vênia para transcrever alguns trechos, verbis: Alega a interessada que a Turma teria incorrido em omissão, conforme trechos de seus embargos a seguir transcritos: "(........) 4. Ocorre que, quando da interposição do Recurso Voluntário, a ora Embargante apresentou argumento específico relativo à impossibilidade de manutenção de multa qualificada no lançamento relativo a omissão de receitas, mormente em razão do disposto nas súmulas 14 e 25 do CARF. 5. Entretanto, quando do julgamento, de fato o acórdão embargado foi omisso em relação à aplicação das aludidas súmulas, apenas tangenciando a discussão com a conclusão meramente superficial de que a fiscalização teria fundamentado a sua aplicação. 6. Assim, a despeito de o Recurso Voluntário ter sido parcialmente provido, não restou devidamente apreciado o argumento constante do Recurso Voluntário interposto no sentido de que a multa que acompanhou o lançamento de omissão de receitas de aluguel deveria ter sido desqualificada, em razão do teor das súmulas do CARF número 14 e 25." (......)" Pois bem, sobre os embargos declaratórios o Anexo II do Regimento Interno do CARF assim estabelece: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; ou Fl. 5941DF CARF MF Processo nº 15868.720094/201256 Acórdão n.º 1201001.763 S1C2T1 Fl. 5.941 3 V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. (grifamos) Pelo exame dos autos verifico a existência da omissão apontada pela embargante. De fato, a recorrente sustenta em seu recurso voluntário, cujo trecho trago à colação, que as súmulas CARF nºs 14 e 25 deveriam ser aplicadas ao presente caso, o que, consequentemente, afastaria a qualificação da multa de ofício: No entanto, o voto condutor não enfrenta essa questão e apenas justifica a qualificação da multa afirmando: "Por economia, devese tratar neste momento sobre a imposição de multa de oficio, qualificada à alíquota de 150% do tributo devido, nos termos do artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996. Pela leitura dos fatos – recebimento de receitas diretamente pelo sócio sem transitarem pelos livros da Recorrente, entendo que deva ser mantida respectiva majoração da multa de oficio. A autoridade autuante foi efetiva em demonstrar os fatos; por sua vez, a Recorrente não logrou êxito em demonstrar fundamento contábil e/ou jurídico que a dispensasse de tais registros das receitas. Fl. 5942DF CARF MF 4 Por tais fundamentos, não carecendo reparos quanto aos fatos relativos à omissão de receitas de aluguel, mantenho a multa agravada de 150%." De fato, é evidente a omissão da Turma em não apreciar argumento relevante da recorrente. Tal omissão somente poderá ser sanada mediante a prolação de um novo acórdão. É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. Os embargos interpostos são tempestivos e foram regularmente admitidos em despacho fundamentado exarado pelo presidente desta Turma. Assim, passo ao exame das matérias admitidas no despacho de embargos. Inicialmente cumpre ressaltar que o Acórdão nº 1201001.236, na sessão de 09 de dezembro de 2015, acolheu os embargos opostos pela DRF de origem relativos ao Acórdão nº 1102001.099, de 06 de maio de 2014, para retificar a parte dispositiva do julgado, para que passe a exibir o seguinte texto: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, e, no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para: (i) afastar a responsabilidade tributária da empresa Malibu Confinamento de Bovinos Ltda; (ii) cancelar os lançamentos relativos à infração 002 do auto de infração (ganhos de capital); (iii) reduzir o valor das infrações 004 (saldo credor de caixa em 2007 e 2008) e 001 (saldo credor de caixa em 2009) do auto de infração, nos termos do voto vencedor, vencido, nesta parte, o conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto (relator), que dava provimento em maior extensão, para reduzir o lançamento relativo à infração 004 ao montante de R$ 328.144,55 em 31/12/2008, e para cancelar integralmente o lançamento relativo à infração 001. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Otávio Oppermann Thomé.”(grifamos). Na "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" dos autos de infração constam as seguintes infrações (efls. 3.397 e seguintes): Fl. 5943DF CARF MF Processo nº 15868.720094/201256 Acórdão n.º 1201001.763 S1C2T1 Fl. 5.942 5 Fl. 5944DF CARF MF 6 Fl. 5945DF CARF MF Processo nº 15868.720094/201256 Acórdão n.º 1201001.763 S1C2T1 Fl. 5.943 7 Fl. 5946DF CARF MF 8 Fl. 5947DF CARF MF Processo nº 15868.720094/201256 Acórdão n.º 1201001.763 S1C2T1 Fl. 5.944 9 Fl. 5948DF CARF MF 10 Ocorre que a única infração que foi mantida por este colegiado que qualificava a multa, a de nº 003 (omissão de receitas da atividade), não se trata, obviamente, de presunção legal de omissão de receita, não se lhe aplicando a Súmula CARF nº 25. Tratase de omissão de receitas de aluguel recebidas da pessoa jurídica Oeste Plaza Administradora de Shopping Centers Ltda, controlada da contribuinte, que foram creditadas em contas bancárias do sócio controlador da contribuinte, Mário Celso Lopes, conforme consta do item 4 do "Termo de Constatação e de Intimação Fiscal" (efls. 3.473 e seguintes). A Fiscalização justifica a qualificação da multa nos itens 4 e 6 do citado Termo de Constatação, verbis: (...) Fl. 5949DF CARF MF Processo nº 15868.720094/201256 Acórdão n.º 1201001.763 S1C2T1 Fl. 5.945 11 (....) (...) (....) Aqui, me parece claro o intuito doloso de impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, característico da sonegação, nos termos do art. 71 da Lei nº4.502/1964, que justifica a aplicação da multa qualificada. Nesse caso, também, não se aplica a Súmula CARF nº 14, estando correto o procedimento fiscal. Por todo o exposto, voto no sentido de acolher os embargos interpostos, para suprir a omissão apontada, sem efeitos modificativos no decisum, para manter a multa qualificada aplicada. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Fl. 5950DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.901173/2009-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/12/2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.697
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/12/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13558.901173/2009-39
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5728837
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-002.697
nome_arquivo_s : Decisao_13558901173200939.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13558901173200939_5728837.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
id : 6781469
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210281000960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1705; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13558.901173/200939 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201002.697 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de março de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO PAGAMENTO INDEVIDO Recorrente PORTO SEGURO VEICULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/12/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 11 73 /2 00 9- 39 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13558.901173/200939 Acórdão n.º 3201002.697 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório PORTO SEGURO VEICULOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1522.426. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13558.901173/200939 Acórdão n.º 3201002.697 S3C2T1 Fl. 4 3 Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13558.901173/200939 Acórdão n.º 3201002.697 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.900632/2012-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2007 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13830.900632/2012-96
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5748069
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1302-002.163
nome_arquivo_s : Decisao_13830900632201296.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 13830900632201296_5748069.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
id : 6874880
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049210292535296
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1712; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.900632/201296 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302002.163 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de maio de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente MATHEUS RODRIGUES MARILIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 06 32 /2 01 2- 96 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.900632/201296 Acórdão n.º 1302002.163 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.900632/201296 Acórdão n.º 1302002.163 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13830.900632/201296 Acórdão n.º 1302002.163 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
