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Numero do processo: 10425.000354/00-54
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2006
Ementa: TAXA SELIC. Aplica-se a taxa Selic sobre o crédito a ser restituído em pedido de ressarcimento, por aplicação analógica ao dispositivo da legislação tributária, desta feita o art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95.
Recurso provido.
Numero da decisão: 204-01.041
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nayra Bastos Manatta e Júlio César Alves Ramos.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: SANDRA BARBON LEWIS
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Contribuintes MF-Stiesto (yds do Unte° Processo n2 : 10425.000354/00-54 de AtmRecurso n2 : 129.466 Rumos Acórdão n2 : 204-01.041 Recorrente : REFINAÇÕES DE MILHO BRASIL LTDA. (Atual Unilever Bestfoods Ltda.) Recorrida : DRJ em Recife - PE ME -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL . TAXA SELIC. Aplica-se a taxa Selic sobre o crédito a ser restituído em pedido de ressarcimento, por aplicação Gruiria 9 77. /17 / 07 analógica ao dispositivo da legislação tributária, desta feita • • PI Reis o art. 39, § 4°, da Lei n°9.250/95. Neey Bati:2 Mu nine 918116 • Recurso provido. V to , re a dos e discutidos os presentes autos de recurso interposto por REFINAÇÕES' 1 RASIL LTDA. (Atual Unilever Bestfoods Ltda.). AC 1 ' DA o Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por aio d votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Henriq iro korres, Nayra Bastos Manatta e Júlio César Alves Ramos. Sala d ess s, e 20 de fevereiro de 2006. • -••n••"—e.. g • Henrique ti t\A Presidente • Sandra Bar :on btn is XRelatora • Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Flávio de Sá Munhoz, Rodrigo Bemardes de Carvalho e Adriene Maria de Miranda. 1 ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .4? CONFERE COM O ORIGINAL 2" CC-MF -0 5.7, Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Cornrib &Mia 2 ?. Fl. ry lerildos Reis Processo n2 : 10425.000354/00-5 Ne Mat Siapc 91806 Recurso n2 : 129.466 Acórdão n2 : 204-01.041 - Recorrente : REFINAÇÕES DE MILHO BRASIL LTDA. (Atual Unilever Bestfoods Ltda.) RELATÓRIO A interessada acima qualificada formalizou pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados — TI no valor total de R$ 70.625,74 (fl. 01), referente ao período de apuração relativo ao 1° trimestre de 2000, assinalando, como fundamento, o art. 11 da Lei n° 9.779/99 e IN SRF n° 33/99. Registre-se, por oportuno, conforme indicado no Relatório Fiscal de fl. 179, que "foi protocolado como interessado Refinações de Milho Brasil Ltda., CNPJ 60.441.573/0160-03, havendo posteriormente incorporação dessa pessoa jurídica à Univeler Bestfoods Brasil Ltda., conforme Sistema CNPJ fls. (149/150)". O parecer foi no sentido de reconhecer parcialmente a legitimidade do crédito solicitado. Do montante solicitado de R$ 70.625,74, foi deferido o valor de R$ 70.339,70, ou seja, houve uma glosa no valor de R$ 286,04. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 197/207) em 26 de abril de 2004, expendendo, em síntese, a seguinte argumentação: 1. o agente fiscal, ao proferir o despacho decisório, entendeu não ter a impugnante direito a tomar crédito integral da quantia pleiteada, autorizando a compensação apenas parcial do crédito, sem, no entanto, discriminar quais notas fiscais foram glosadas, tendo a impugnante que supor sobre quais notas fiscais se referem os créditos tributários; 2. não obstante a extensão das citações normativas, o Agente Fiscal deixou de informar o real motivo da glosa, o que deveria ser feito mediante a indicação, inteligível• e objetiva das notas fiscais referentes aos créditos tributários; 3. transcreve o inciso LV do art. 5° da Constituição Federal, para daí inferir que houve um desrespeito ao direito fundamental de ampla defesa em processos administrativos; 4. pleiteia seu direito à correção monetária dos créditos pretendidos, amparando-se para tal em jurisprudência judicial e em princípios constitucionais, tais como o da isonomia; e 5. ao final, requereu a impugnante que sejam acatadas as razões apresentadas e seja o Pedido de Ressarcimento julgado totalmente procedente. A DRJ em Recife — PE, decidiu às fls. 230/235, pelo indeferimento do pedido, alegando que o direito ao ressarcimento de créditos, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779/99, está condicionado à apresentação dos documentos e registros hábeis que comprovem a legitimidade dos créditos postulados. No que cinge à correção • monetária, entendeu que não cabe correção monetária nem juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI. A Contribuinte apresenta Recurso Voluntário às fls. 240/253, onde requer a incidência de correção monetária sobre o valor reconhecido pela DRJ a ser ressarcido, com base nos mesmos índices utilizados pela Receita Federal, inclusive a taxa Selic, repisando os argumentos apresentados em sua peça impugnatória com relação a correção. É o relatório. 2 • 1. MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL . Ministério da Fazenda 271 Af2 •. tr.tOr Segundo Conselho de Contribuin, • 4;,"Clit Processo n2 : 10425.000354100-54 Necyi3atisa do% Reis • Mat Siáre SlIttléb Recurso n° : 129.466 Acórdão n2 : 204-01.041 • VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA • SANDRA BARBON LEWIS • O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso, dele tomo conhecimento. 1. Dos critérios de correção dos créditos a serem ressarcidos de IPI • O princípio da isonomia, esculpido em nossa Constituição Federal é o modelo a ser seguido nas relações traçadas entre o Contribuinte e o Fisco. Decorrente disso, se, em caso de pagamento a menor, ou em atraso, o• contribuinte é intimado a recolher a exação tributária acrescida da correção estabelecida pela Selic, como sempre decide este Conselho, em situações adversas, como no pedido de ressarcimento in casu, nada mais justo que dar eficácia à isonomia tributária e determinar que seus créditos sejam ressarcidos devidamente corrigidos pela Taxa Selic. Pede a Recorrente a aplicação de "juros calculados com base na taxa Selic" sobre os valores a serem ressarcidos a título de crédito presumido de IPI. A pretensão da Recorrente merece provimento, reconhecendo-se o direito à aplicação sobre os valores a serem ressarcidos, conforme fundamentação supra, da taxa• Selic, corrigidos a partir da protocolização do presente pedido de ressarcimento. Com efeito, até o advento da Lei n° 9.250/95, ou até o exercício de 1995, inclusive, não obstante a inexistência de expressa disposição legal neste sentido, os• créditos incentivados de IPI deveriam ser corrigidos monetariamente pelos mesmos índices até então utilizados pela Fazenda Nacional para atualização de seus créditos tributários, direito este reconhecido por aplicação analógica do disposto no § 3° do art. 66 da Lei n° 8.383/91. • Todavia, com a (pretensa) desindexação da economia, realizada pelo Plano • Real, e com o advento da citada Lei n° 9.250/95, que acabou com a correção monetária dos créditos dos contribuintes contra a Fazenda Nacional havidos em decorrência do pagamento indevido de tributos, prevaleceu o entendimento de que a partir de então não haveria mais direito à atualização monetária, e de que não se poderia aplicar a Taxa Selic para tal fim, pois teria a mesma natureza jurídica de taxa de juros, o que impediria sua aplicação como índice de correção monetária. Tal entendimento, com a devida vênia, não se apresenta adequado, eis que revela equívoco no exame da natureza jurídica da Taxa Selic. Isto porque, conforme percebeu o Ministro Domingos Franciulli Netto, do Superior Tribunal de Justiça, no em estudo aprofundado sobre a matéria', a referida taxa se destina também a afastar os efeitos da inflação, tal qual reconhecido pelo próprio Banco Central do Brasil: Entre os objetivos da taxa Selic encana-se o de neutralizar os efeitos da inflação. A correção monetária, ainda que aplicada de forma senão disfarçada, no mínimo obscura, é mera cláusula de readaptação do valor da moeda corroída pelos efeitos da inflação. O índice que procura reajustar esse valor imiscui-se no principal e passa, uma vez feita a operação, a exteriorizar novo valor. Isso quer dizer que o In, Da Inconstitucionalidade da Taxa Selic para fins tributários, RT 33-59. k 3 e. -É 1'41 CC-MF Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuinh F- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUIN ES EL J .?" To t: CONFERE COMO ORIGINAL) Processo n° : 10425.000354/00-54 Brasiiia / / 11‘ Recurso n° : 129.466 Acórdão no : 204-01.041 Nec) alisa dos Reis Siape ,PINIffs índice corretivo não é um plus, como, por exemplo, ocorre com os juros, que são adicionais, adventícios, adjacentes ao principal, com o qual não se confundem Sabe-se, segundo a mesma consulta, que a 'a taxa Selic reflete, basicamente, as condições instantâneas de liquidez no mercado monetário (oferta versus demanda por recursos financeiros). Finalmente, ressalte-se que a taxa Selic acumulada para determinado período de tempo correlaciona-se positivamente com a tara de inflação acumulada ex post, embora a sua fórmula de cálculo não contemple a participação expressa de índices de preços'. • A correlação entre a taxa Selic e a correção monetária, na hipótese supra, é admitida pelo próprio Banco Central. Por outro lado, cumpre salientar, a utilização da Taxa Selic para fins tributários pela Fazenda Nacional, apesar de possuir natureza híbrida — juros de mora e correção monetária —, e o fato de a correção monetária ter sido extinta pela Lei n° 9.249/95, por seu art 36, II, se dá exclusivamente a título de juros de mora (art. 61, § 30, da Lei n° 9.430/96). Ou seja, o fato de a atualização monetária ter sido expressamente banida de nosso ordenamento não impediu o Governo Federal de, por via transversa, garantir o valor real de seus créditos tributários através da utilização de uma taxa de juros que traz em si embutido e escamoteado índice de correção monetária. Ora, diante de tais considerações, por imposição dos princípios constitucionais da isonomia e da moralidade, nada mais justo que garanta-se agora direito à aplicação da denominada Taxa Selic sobre seu crédito, também por aplicação analógica de dispositivo da le:' • ;. Outária, desta feita o art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95 — que determina a inc dê c • da 'mencionada taxa sobre indébitos tributários a partir do pagamento indev ti , c dito ‘- te que em caso contrário restará grandemente minorado pelos efeitos de u a a• ão enf • quecida, mas ainda sabidamente danosa e que continua a corroer o valor da • da. 2. Co I ões Ante o ex • •st •, vots no sentido de prover integralmente o Recurso Voluntário interposto, • - - n • • ser • decisão da DRI reformada, para conceder ao Contribuinte a incidência • • t • . Selic m seus créditos que vierem a ser ressarcidos. É como voto. Sala das Sessões, 20 e fevere . • se 2006. / SANDRA BA • ON 4 Page 1 _0047500.PDF Page 1 _0047600.PDF Page 1 _0047700.PDF Page 1
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Numero do processo: 12466.000882/2006-19
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Embargos de Declaração
A constatação da configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, acolhe-se, portanto, o provimento dos embargos de declaração.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARCIALMENTE ACOLHIDOS.
Data do fato gerador: 21/03/2006
SOLIDARIEDADE PASSIVA E RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIO
São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, conforme o que disciplina o CTN.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO E POSTERIOR CONVERSÃO EM MULTA. Não comprovada a origem dos recursos utilizados nas transações, caracteriza-se
a interposição fraudulenta de terceiros a causar dano ao erário.
Portanto, cabível a pena de perdimento com posterior substituição por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta for consumida ou não localizada.
FRAUDE. ARBITRAMENTO DE PREÇO.
Comprovada a fraude na importação, a legislação pátria, assim como as decisões pelo Comitê de Valoração Aduaneira autorizam o arbitramento do preço.
RECURSO DE OFÍCIO PROVIDO
Numero da decisão: 3201-001.104
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em conhecer e acolher, em parte, os embargos, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM
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ementa_s : Embargos de Declaração A constatação da configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, acolhe-se, portanto, o provimento dos embargos de declaração. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARCIALMENTE ACOLHIDOS. Data do fato gerador: 21/03/2006 SOLIDARIEDADE PASSIVA E RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIO São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, conforme o que disciplina o CTN. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO E POSTERIOR CONVERSÃO EM MULTA. Não comprovada a origem dos recursos utilizados nas transações, caracteriza-se a interposição fraudulenta de terceiros a causar dano ao erário. Portanto, cabível a pena de perdimento com posterior substituição por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta for consumida ou não localizada. FRAUDE. ARBITRAMENTO DE PREÇO. Comprovada a fraude na importação, a legislação pátria, assim como as decisões pelo Comitê de Valoração Aduaneira autorizam o arbitramento do preço. RECURSO DE OFÍCIO PROVIDO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2128; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 738 1 737 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.000882/200619 Recurso nº 138.330 Embargos Acórdão nº 3201001.104 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2012 Matéria DANO AO ERÁRIO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado O&F COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA e na condição de responsáveis solidários:Lipman do Brasil Serviços de Automação Comercial Ltda. CNPJ 06.212.549/000126; Avlis Importação e Exportação Ltda. CNPJ 06.117.101/000123; e Good's Comercial Importação e Exportação Ltda. CNPJ 03.280.331/000110 Assunto: Embargos de Declaração A constatação da configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, acolhese, portanto, o provimento dos embargos de declaração. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARCIALMENTE ACOLHIDOS. Data do fato gerador: 21/03/2006 SOLIDARIEDADE PASSIVA E RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIO São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, conforme o que disciplina o CTN. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO E POSTERIOR CONVERSÃO EM MULTA. Não comprovada a origem dos recursos utilizados nas transações, caracterizase a interposição fraudulenta de terceiros a causar dano ao erário. Portanto, cabível a pena de perdimento com posterior substituição por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta for consumida ou não localizada. FRAUDE. ARBITRAMENTO DE PREÇO. Comprovada a fraude na importação, a legislação pátria, assim como as decisões pelo Comitê de Valoração Aduaneira autorizam o arbitramento do preço. RECURSO DE OFÍCIO PROVIDO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 08 82 /2 00 6- 19 Fl. 901DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1119.13194.ZM9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em conhecer e acolher, em parte, os embargos, nos termos do voto da relatora. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño. Ausência justificada do Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório A Fazenda Nacional, por intermédio da procuradora, com base nos artigos 64, inciso I e 65 e seguintes, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tempestivamente, apresentou Embargos de Declaração ao Acórdão no 320100.421, prolatado na sessão de março de 2010, o qual incidiu embargos da própria relatora em sessão de junho de 2010 (acórdão de n° 320100485); por entender a PGFN ter ocorrido erro material, pois não condiz com a conclusão externada na ementa do julgado, tampouco com o entendimento do voto que integra a decisão embargada. Para deixar bem claro, quanto a esta parte, os embargos foram conhecidos a acolhidos, em sessão de 01/03/2012 (embargos 3201 000920), tudo bem detalhado, conforme relato abaixo. Ademais, continua a embargante, o Colegiado não se pronunciou sobre os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário interposto pela empresa O&F COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. Digase que o contribuinte quando da interposição do recurso voluntário de fls. 496/505 não comprovou que a referida peça foi interposta por parte legítima. Vale dizer, não comprovou que a assinatura aposta no recurso voluntário pertencia a Sérgio Teixeira de Almeida. Intimado (fl. 505v), o sujeito passivo não regularizou essa pendência. A Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes converteu o julgamento em diligência nos termos da Resolução de fls. 579/588. Contudo, ao invés de regularizar a pendência, a empresa O&F COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. apresentou novo recurso voluntário (fls. 638/649). Assim, alem de não ter se pronunciado sobre o saneamento ou não do vicio verificado quando da interposição do recurso voluntário de fls. 496/504, quando a empresa O&F COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. não demonstrou que o recurso voluntário foi subscrito por parte legitima para recorrer, observase que o Colegiado Fl. 902DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1119.13194.ZM9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.000882/200619 Acórdão n.º 3201001.104 S3C2T1 Fl. 739 3 também foi omisso na apreciação sobre a ocorrência da prescrição consumativa em relação ao "novo" recurso voluntário interposto pela mesma empresa as fls. 638/649. Bem como, a empresa autuada na condição de responsável solidária, LIPMAN DO BRASIL SERVIÇOS DE AUTOMAÇÃO COMERCIAL LTDA, também apresentou recurso voluntário (fls. 515/532). Contudo, no acórdão embargado, não se vislumbra qualquer análise dos requisitos de admissibilidade desse recurso e, sendo esse o caso, de seu mérito. Assim, revelase o vicio da omissão nesse ponto. Assim sendo, serão os motivos que serão analisados neste, pois a primeira parte já foi sanado. Reproduzo meu integral voto, à época (acórdão de n° 320100485 de 30/06/2010): O interessado acima identificado recorreu a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. A DRJ acima identificada recorre, também, a este Conselho, tendo em vista recurso de ofício, nos termos do art. 34, do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/97 e Portaria MF nº 03, de 03/01/2008. Através da Resolução de nº 3021.448, em sessão de 27.02.2008, às fls. 579 a 588, a DRJ constatou a ocorrência de inexatidões materiais devidas a erros de cálculo no Acórdão DRJ/FNS nº 078.732, às fls. 460 a 481, razão pela qual foi proferido novo Acórdão em substituição daquele. Por bem descrever os fatos, adoto integralmente o relatório componente da decisão recorrida, às fls.597/599, que transcrevo, a seguir: “Trata o presente processo de exigência de Multa Equivalente ao Valor Aduaneiro da Mercadoria, perfazendo, na data de sua constituição, em 21.03.2006, um crédito tributário no valor de R$ 4.668.059,93, objeto do Auto de Infração de fls. 01 a 46, em razão de as operações de importações processadas por meio das Declarações de Importação nos 05/08863389, 05/09835109, 05/10071567 e 05/10071818 terem sido consideradas como ocorridas mediante ocultação do real comprador ou responsável pela operação. A autoridade competente da unidade de despacho, tendo em vista a comprovação da fraude constatada nos procedimentos adotados para a nacionalização das mercadorias acobertadas pelas DI’s nº 05/10940336, 05/10820810 e 05/1094024 7, formalizado no processo administrativo nº 12466.000881/200674, determinou a inclusão da importadora nos procedimentos especiais de fiscalização aduaneira, nos termos dos arts. 1º, 4º e 13 da IN/SRF nº 228/2002, momento em que foi elaborado o Relatório Fiscal SAPEL nº 12, de 27/10/2005 (fls. 47 a 60), no qual restou demonstrado que todas as mercadorias importadas por conta e risco da O&F são passíveis de aplicação da pena de perdimento (MPF 07.2.76.002005 003947), sendo que o contribuinte foi cientificado em 18/11/2005. A fiscalização, diante dos fatos acima destacados e com supedâneo no RPF 07.2.76.002006002685 (fls. 10), emitido para efeito de registro sistêmico, procedeu à análise minuciosa dos documentos constitutivos da empresa O&F e dos demais intervenientes (pessoas físicas e jurídicas), sua escrituração contábil, fluxo financeiro e de caixa, os relativos aos respectivos despachos aduaneiros e à contratação de câmbio, para concluir que a importadora fez uso de documentos ideológico e/ou materialmente falsos e de declarações ideologicamente falsas, cujo Fl. 903DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1119.13194.ZM9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 objetivo foi exclusivamente ocultar, por meio da simulação, os reais compradores, configurando, por conseguinte, a interposição fraudulenta envolvendo o importador de fato (AVLIS) das respectivas importações, tendo, ainda, como interessadas as empresas LIPMAN e GOOD’S TRADE (“Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)” às fls. 18/19). Dos inúmeros elementos de prova carreados aos autos como fundamento da autuação para impingir a multa em trato, a autoridade lançadora destaca algumas constatações com vista a demonstrar como operava a autuada importadora de direito O&F, vejamos: efetuou registros contábeis hipotéticos com relação à integralização do capital, uma vez que foi realizada diretamente contra a conta Caixa, em novembro de 1999, ficando esse saldo inalterado até março de 2005 (saldo existente somente de forma gráfica); utilizou o saldo da conta Caixa para demonstrar os pagamentos dos impostos incidentes nas referidas operações de importação, uma vez que esses valores devem ser debitados diretamente em sua conta corrente bancária; cometeu fraude contábil, ao demonstrar saldo fictício da conta Caixa, comprovado por meio da movimentação dos saques bancários em contrapartida daquela conta, uma vez que caso fosse verídico referido saldo não existiria a necessidade de efetuar os saques bancários para cumprir com os pagamentos registrados na contabilidade; foi efetuado recolhimento de impostos incidentes nas importações por meio de adiantamento de numerários fornecidos pelos reais compradores das mercadorias estrangeiras; registrou de forma sistemática todas as DI’s por sua conta e risco, sendo que, em verdade, em todas as importações restou evidenciado a prática de interposição fraudulenta. Com base nas citadas provas e no modo de agir da importadora, a fiscalização concluiu que a empresa autuada O&F e respectivos importadores de fato (AVLIS, LIPMAN e GOOD’S TRADE contribuintes solidários), infringiram o disposto no art. 23, IV e V, do Decretolei nº 1.455/76, com alteração dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/02 e art. 105, VI, do Decretolei nº 37/66, regulamentados pelo art. 618, XXII e § 1º e § 2º do Decreto nº 4.543/02, ficando as mercadorias objeto desta ação fiscal sujeitas à pena de perdimento por restar configurado dano ao erário. Como os produtos importados por meio das Notas Fiscais 000054, 00062, 000066 e 000064 (fls. 195, 218, 240 e 260) já haviam sido remetidos para consumo, ou seja, transferidos a terceiros, tornando impossível sua apreensão, aplicouse a multa prevista para os casos de não localização de bens sujeitos à pena de perdimento, equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, com base no disposto no art. 23, inciso V e § 1º do Decretolei nº 1.455/76, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/02, regulamentado pelo art. 618, IV e XXII e § 1º do Decreto nº 4.543/02. Irresignadas com a lavratura do Auto de Infração, as autuadas O&F e LIPMAN apresentaram, respectivamente, em 17 de maio e 02 de junho de 2006, as impugnações de fls. 318 a 333 e 363 a 379, alegando, em síntese, que: O&F Comercial Importadora e Exportadora Ltda. a capacidade econômica de uma empresa não se restringe ao capital social, tendo em vista que ela pode contar com outros recursos, tal qual os adiantamentos por Fl. 904DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1119.13194.ZM9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.000882/200619 Acórdão n.º 3201001.104 S3C2T1 Fl. 740 5 parte de seus compradores, não lhe retirando a natureza de importação por conta e risco próprios, portanto, a autuação da forma como realizada infringe diversos preceitos e princípios de Direito Positivo, inclusive de ordem constitucional, tais como o da Reserva da Lei, definido no inciso II do artigo 5º, donde se infere que a prática de qualquer ato administrativo deve pautarse em lei, sendo que sua inobservância representa um arbítrio, qualquer que seja sua procedência ou o objeto colimado; a Administração Pública somente poderá realizar atos que encontrem na lei sua previsão, apoiandose numa dupla demonstração, qual seja, a existência de lei autorizadora da sua emanação (motivo legal) e a verificação concreta da situação fática para a qual a lei previa o cabimento do referido ato (motivo de fato), sendo que a ausência desses elementos o ato administrativo padece de vício de ilegalidade, tendo em vista o princípio da Motivação consagrado no inciso X do artigo 93 da CF/88; no caso em foco, a medida combatida foi tomada ao desamparo de lei e sem sustentação fática, uma vez que inexiste lei autorizando autuação com base em meros indícios, estando viciada em face da inexistência de fato imponível, causandolhe sérios impedimentos ao seu funcionamento, haja vista que as importações efetuadas se revestem de inequívoca regularidade, sem qualquer má fé, posto que não infringiu qualquer norma ao celebrar o contrato em pauta e praticar os atos necessários ao seu fiel cumprimento; a IN/SRF nº 228, de 2002 representa mais um arbítrio fiscal perpetrado contra as empresas que operam ou dependem do comércio exterior, por extrapolar seu campo de atuação e criar obrigação não prevista em lei, ferindo, por conseguinte, princípios constitucionais, como o da legalidade, do direito de propriedade, da ampla defesa, que homenageiam o direito adquirido e a segurança jurídica; o procedimento adotado pela impugnante, na condição de integrante do sistema Fundap, não implica em qualquer ilicitude ou a necessidade de falsificar qualquer documento para fins de atender sua clientela, uma vez que se limitou a importar produtos e mercadorias para distribuir no mercado interno, sendo que parte de referidos bens foi objeto de venda futura, ou seja, já negociados com o seu destinatário, sem que disso resulte a descaracterização de importação por conta e risco; ao fisco não importa quem é o interessado nas referidas operações de importação ou como se processou a negociação ou ainda como veio a ser concluída em território aduaneiro, visto que a importadora efetuou a época do fato gerador o recolhimento dos impostos incidentes sobre as mercadorias objeto da presente autuação, não se vislumbrando qualquer dano ao erário federal, dado que todas importações foram concluídas na forma da lei e todos os documentos oferecidos no despacho aduaneiro são legítimos e válidos; por fim, protesta por todos os meios de provas em direito admitidos, bem como posterior apresentação de razões complementares, propugnando pela acolhida das razões de impugnação, e, por conseguinte, pela improcedência do lançamento e cancelamento do Auto de Infração impugnado. Lipman do Brasil Serviços de Automação Comercial Ltda. Fl. 905DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1119.13194.ZM9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 as afirmações contidas no auto de infração que objetivam vincular a LIPMAN à operação fiscalizada a fim de configurála como real adquirente das mercadorias importadas não passam de presunções e suposições forçadas; partindo do princípio que a autoridade lançadora afirma que são os verdadeiros compradores das mercadorias que adiantam à O&F as importâncias necessárias para cobrir os custos das mercadorias importadas e tendo em vista que a mesma autoridade não junta documento algum que demonstre qualquer repasse da LIPMAN a título de adiantamento, forçoso é admitir que LIPMAN não é a compradora das respectivas mercadorias; segundo a própria autoridade lançadora, o verdadeiro adquirente, ou seja, quem fez adiantamentos a O&F foi a AVLIS e não a LIPMAN, desta feita, a fiscalização, em diversos momentos de sua explanação, faz assertivas infundadas na medida que não consegue demonstrálas com elementos de provas que as corroborem; o fato de a LIPMAN DO BRASIL ser sócia da exportadora das mercadorias (LIPMAN ELETRONICS ENGIREERING LTD.) não autoriza o fisco concluir que todos os produtos importados se destinam à LIPMAN DO BRASIL, ainda mais que a LIPMAN é fabricante dos produtos importados em questão, não mais necessitando importálos; relativamente à acusação embasada no packing list e no préaviso encontrados em caixas quando da realização de diligência fiscal, tais documentos se referem a importações diversas da ora tratada, não se coadunando com a Invoice respectiva; ainda que referidos documentos fossem confiáveis para fins de vincular a LIPMAN à operação autuada, cabe observar que o valor nele mencionado é ínfimo em relação à autuação em trato, não podendo a fiscalização utilizálo extensivamente às demais mercadorias; o fato de a LIPMAN ter sido objeto de autuação anterior não autoriza, por inconcebível, presumir que participou da operação em comento, uma vez que suposta prática de infração anterior não serve como prova em acusações de infrações posteriores e distintas; não há qualquer referência, prova ou indício de beneficiamento da LIPMAN no suposto subfaturamento dos valores das mercadorias importadas; uma vez que não há prova ou indícios de qualquer declaração, enganosa ou verdadeira, ou qualquer referência a ações ou omissões relativamente às operações em trato, não há que se falar em prática de simulação, fraude ou interposição fraudulenta por parte da LIPMAN; devese ressaltar que o ônus da prova de que a LIPMAN participou da infração em trato é da Administração Pública, pois é quem acusa; a prova pode se assentar em indício e presunções, desde que sejam precisos, graves e concordantes. No entanto, os procedimentos especiais do fisco objetivaram demonstrar que a adquirente das mercadorias não era a empresa O&F, todavia, não o foram suficientes para provar que a LIPMAN foi a real adquirente das referidas mercadorias; por não ter conhecimento ou participação nas operações de importação, a LIPMAN não pode ser responsabilizada pela adulteração e falsidade de documentos que instruíram o despacho aduaneiro das mercadorias, pois todas as operações foram realizadas pela O&F; Fl. 906DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1119.13194.ZM9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.000882/200619 Acórdão n.º 3201001.104 S3C2T1 Fl. 741 7 diferentemente do tributo, no caso de infração, a penalidade deve ser aplicada de forma personificada. Portanto, considerando que a LIPMAN não tem qualquer influência sobre a O&F, não há como subsistir qualquer acusação de responsabilidade pela prática da infração em tela, haja vista que não há sequer uma prova neste sentido em todos os documentos que compõe a autuação; para a LIPMAN figurar como responsável solidária necessário seria demonstrar que tinha interesse na situação. No entanto, a fiscalização não logrou provar que a impugnante se beneficiou com a referida operação comercial, o máximo que fez foi colacionar documentos contraditórios que não sustentam nem ao menos as presunções lançadas na autuação, devendo, por conseguinte, ser a LIPMAN excluída da solidariedade manifestada no presente Auto de Infração; em relação ao pretenso subfaturamento, a autoridade lançadora utilizou como parâmetro de mensuração mercadoria importada pela DI 05/10820810, que se refere a componentes de reposição, enquanto que as mercadorias abrangidas pelas DI’s objeto desta ação fiscal diz respeito a máquinas; Portanto, não há que prevalecer o arbitramento realizado pela fiscalização, uma vez que ausente sua prova, devendo ser considerado os valores declarados nas faturas comerciais apresentadas para fins de despacho aduaneiro. Ao final da exposição de motivos e fundamentos da autuação, a autoridade lançadora informa que além do presente, foi proposta a Representação Fiscal para Fins Penais, contra os sujeitos passivos (importador e responsáveis solidários), formalizadas nos processos administrativos 12466.000883/200663, 12466.000884/200616, 12466.000885/200652 e 12466.000997/200611, pelo fato de a referida autoridade entender que durante a ação fiscal verificouse a ocorrência de fatos que, em tese, configuram crimes contra a ordem tributária, conforme definido no art. 1º da Lei nº 8.137, de 27.12.1990 (fls. 44). Por derradeiro, importa salientar que foram constatadas inexatidões materiais existentes no Acórdão nº 078.732 2ª Turma da DRJ/FNS, de 20.10.2006, conforme a seguir explicitado. Em 20 de outubro de 2006, ao apreciar o presente litígio, esta 2ª Turma de Julgamento proferiu o Acórdão DRJ/FNS nº 078.732 (fls. 460 a 481). Encaminhados os autos do presente processo ao Terceiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, em conformidade com o disposto na Portaria MF nº 375, de 07.12.2001, a ilustre Relatora, Conselheira Mércia Helena Trajano D’Amorim, analisando o recurso de ofício, verificou que a decisão proferida no mencionado Acórdão não demonstrou com a necessária clareza o cálculo pelo qual se chegou ao valor de R$ 1.465.414,87, concernente ao montante de crédito mantido, razão pela qual os nobres membros da Segunda Câmara daquele Conselho resolveram, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da d. Relatora para que fosse elaborada memória descritiva do crédito tributário mantido, é o que nos informa a Resolução nº 302 1.448, de 27.02.2008 (fls. 579 a 588). Devolvido os autos do presente processo a esta 2ª Turma da DRJ/FNS/SC, em 28.04.2008, passouse à análise da decisão proferida em 20.10.2006, nos termos da Resolução nº 3021.448. Desta análise constatamos a ocorrência de inexatidões materiais devidas a erros de cálculo no referido Acórdão, razão pela qual se faz necessário que seja então proferido novo Acórdão em substituição daquele, conforme dispõe a legislação de regência (art. 32 do Decreto nº 70.235, de Fl. 907DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1119.13194.ZM9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 06.03.1972; art. 22, § 1º, da Portaria MF nº 258, de 24.08.2001; e Portaria MF nº 58, de 17.03.2006). É o relatório.” O pleito foi deferido parcialmente, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão DRJ/FNS nº 0713.541, de 22/08/2008, às fls. 596/606, proferido pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 21/03/2006 IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. Considerase dano ao Erário à ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 21/03/2006 SUJEITO PASSIVO. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. Sujeito passivo no qual o CTN denomina responsável solidário da obrigação tributária é aquele que, tendo interesse comum com o contribuinte de direito na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, promove, na condição de contribuinte de fato, por meio de negociações, acertos e efetiva transação, a entrada da mercadoria estrangeira no território nacional. VALORAÇÃO ADUANEIRA. REJEIÇÃO DO PRIMEIRO MÉTODO. REQUISITOS. Uma vez verificada a inexatidão dos elementos utilizados para a determinação do valor aduaneiro declarado, com base no método do Valor de Transação (1o Método), fazse necessário, para se apurar o correto valor aduaneiro, a utilização dos métodos substitutivos de valoração com estrita observância da ordem seqüencial estabelecida no Acordo de Valoração Aduaneira (AVA). SUBFATURAMENTO DO PREÇO DA MERCADORIA IMPORTADA. Somente cabe desconsiderar o preço da mercadoria expressa em fatura comercial que instruiu o despacho aduaneiro, a título de subfaturamento, quando restar constatado que respectivo despacho foi efetivamente instruído com fatura comercial ideologicamente falsa, visando a atribuir valor menor para as mercadorias importadas. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE.” O julgamento foi no sentido de considerar procedente em parte o lançamento, mantendo o Crédito Tributário no valor de R$ 1.452.188,21. Assim sendo a DRJ recorreu de ofício a este Conselho, em virtude de o crédito tributário exonerado ser superior ao limite de alçada previsto na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. Os autos foram encaminhados a esta Conselheira para continuidade. Em sessão de 19/03/2010, foi proferida por esta turma o acórdão de n° 320100421. Fl. 908DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1119.13194.ZM9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.000882/200619 Acórdão n.º 3201001.104 S3C2T1 Fl. 742 9 Após formalização dos autos, esta relatora percebeu contradição entre os fundamentos e a conclusão do voto e solicitou à sra presidente a análise dos embargos, conforme informação técnica para inclusão do mesmo na sessão de junho de 2010. Transcrevo os arts. 64, inc. I e 65, §1°, do Regimento Interno dos Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria 256/2009, dispõem, verbis: “Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: I Embargos de Declaração; e Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos por conselheiro da turma, pelo Procurador da Fazenda Nacional, pelos Delegados de Julgamento, pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou pelo recorrente, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Câmara, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão.” A oposição dos Embargos baseiase no meu entendimento, que o acórdão ora recorrido padece, de erro material, na proclamação do resultado do julgamento, tendo em vista contradição entre os fundamentos do voto e sua conclusão. Entendo que deve ser dado provimento ao recurso de ofício e negado provimento ao recurso voluntário, tendo em vista a não comprovação da origem dos recursos utilizados nas transações, caracterizando a interposição fraudulenta de terceiros a causar dano ao erário. Portanto, cabível a pena de perdimento com posterior substituição por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta for consumida ou não localizada. Assim como, comprovada a fraude na importação, a legislação pátria, assim como as decisões pelo Comitê de Valoração Aduaneira autorizam o arbitramento do preço. Em análise pelo colegiado, os embargos foram conhecidos e acolhidos, conforme ementa e voto expedidos neste. É o relatório. VOTO A situação fática é que em uma primeira análise ao recurso de ofício, verifiquei que a decisão proferida no Acórdão não demonstrou com a necessária clareza o cálculo pelo qual se chegou ao valor de R$ 1.465.414,87, daí o pedido de diligência. Conforme se depreende dos autos, a exigência de que aqui se trata limitase à aplicação de multa no valor aduaneiro das mercadorias importadas por meio das declarações de importação supra referenciadas. Tratase, em verdade, de infração tipificada como dano ao Erário, sujeita à pena de perdimento pela constatação de fraude na importação, convertida em multa em decorrência da impossibilidade de apreensão das mercadorias objeto da lide, em razão de sua não localização ou consumo, se não vejamos. Fl. 909DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1119.13194.ZM9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 DecretoLei nº 1.455/76 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. Decretolei número 37/66 ART.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: (...) VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; VII nas condições do inciso anterior possuída a qualquer título ou para qualquer fim; (...) X estrangeira, exposta à venda, depositada ou em circulação comercial no país, se não for feita prova de sua importação regular; XI estrangeira, já desembaraçada e cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso; XXII estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (...) Lei 10.637/02 Art. 59. O art. 23 do DecretoLei no 1.455, de 7 de abril de 1976, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art.23. ................................................................................................. .................................................................................................. (...) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2o (...) Fl. 910DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1119.13194.ZM9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.000882/200619 Acórdão n.º 3201001.104 S3C2T1 Fl. 743 11 § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Lei 10.833/03 Art. 73. Verificada a impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua não localização ou consumo, extinguirseá o processo administrativo instaurado para apuração da infração capitulada como dano ao Erário. § 1o Na hipótese prevista no caput, será instaurado processo administrativo para aplicação da multa prevista no § 3o do art. 23 do DecretoLei no 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002. § 2o A multa a que se refere o § 1o será exigida mediante lançamento de ofício, que será processado e julgado nos termos da legislação que rege a determinação e exigência dos demais créditos tributários da União. O relatório de fiscalização menciona a fraude por interposição fraudulenta e por subfaturamento do preço das mercadorias na importação, comprovado por meio de documentos em duplicidade encontrados para a Declaração de Importação nº 05/10820810, revelando redução do valor declarado em relação ao efetivamente praticado no percentual de setenta por cento. No que diz respeito às demais declarações, o valor que serviu de base para o lançamento foi arbitrado, tendo por base esse mesmo percentual. Ou seja, a fatura de n° 12948 contém dois valores completamente discrepantes. No julgamento proferido em primeira instância, decidiuse pela manutenção parcial da exigência, exonerando o crédito na fração correspondente àquela que decorre da revisão do valores informados nas declarações de importação nºs 05/08863389, 05/09835109, 05/10071567 e 05/10071818. Considerouse que a revisão do valor aduaneiro declarado, com vistas à aplicação da pena de perdimento convertida em multa, depende da comprovação de que respectivo despacho foi efetivamente instruído com fatura comercial ideologicamente falsa, visando a atribuir valor menor para as mercadorias importadas. Por outro lado, sempre conforme decidiu o i. Relator do voto vencedor, uma vez verificada a inexatidão dos elementos utilizados para a determinação do valor aduaneiro declarado, a utilização dos métodos substitutivos de valoração deve ser feito com estrita observância da ordem seqüencial estabelecida no Acordo de Valoração Aduaneira (AVA), e não do modo como foi feito pela fiscalização, que simplesmente arbitrou o preço, tendo como paradigma o percentual de subfaturamento comprovado para a Declaração de Importação nº 05/10820810. Peço vênia para discordar dessas conclusões. Segundo entendo, a ausência de comprovação de que o respectivo despacho foi efetivamente instruído com fatura comercial ideologicamente falsa não implica alteração no valor considerado para o cálculo da multa aplicada, mas a própria Fl. 911DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1119.13194.ZM9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 inocorrência da infração, já que restam ausentes nos autos os elementos de prova capazes de demonstrar não só a presença do elemento volitivo, requisito essencial nas infrações dolosas, mas a própria ocorrência da situação tipificada como infração, por mais objetiva que seja a abordagem que lhe foi dada. Como é cediço, o dolo não se presume, se prova. O fato de terse comprovado o subfaturamento do preço em uma das operações não autoriza a presunção de sua ocorrência para as demais, quando muito a rejeição do primeiro método, ao amparo dos atos infralegais baixados pela Secretaria da Receita Federal, para, aí sim, decidirse por outro valor com estrita observância da ordem seqüencial estabelecida no Acordo de Valoração Aduaneira (AVA). Não obstante, no caso concreto a acusação contida na peça fiscal não se limita a essa irregularidade. Conforme mencionado acima, as empresas foram autuadas pela prática de subfaturamento do preço e por interposição fraudulenta, situação da qual decorre imprestabilidade das faturas para fins de comprovação do preço efetivamente praticado. Uma vez comprovada a ocorrência de fraude na importação, cujo efeito seja a rejeição das faturas apresentadas pelo fato destas não retratarem a operação efetivamente ocorrida, a legislação pátria, assim como as decisões proferidas pelo Comitê de Valoração Aduaneira, autorizam o arbitramento do preço, à margem do Acordo, se não vejamos. MP 2.15835 Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. “Opinião consultiva 17.1 Alcance e implicações do Artigo 11 do Acordo Fl. 912DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1119.13194.ZM9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.000882/200619 Acórdão n.º 3201001.104 S3C2T1 Fl. 744 13 A expressão "sem sujeição a penalidades", utilizada nas disposições concernentes ao direito de recurso que figura no Artigo 11, impede a Aduana de exigir, antes da interposição do recurso, o pagamento integral das penalidades impostas em razão de fraude em matéria de valor ou de outra infração às normas sobre valoração ? A questão foi levantada porque o parágrafo 3 da Nota Interpretativa ao Artigo 11 faz menção ao pagamento integral dos direitos aduaneiros, antes da interposição do recurso, mas não trata dos casos que envolvem o pagamento de multas ou outra penalização. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira concluiu que o parágrafo 2 da Nota Interpretativa ao Artigo 11 dispõe claramente que a expressão "sem sujeição a penalidades" significa "que o importador não estará sujeito ao pagamento de uma multa ou à ameaça de sua imposição pelo único fato de ter decidido exercer o seu direito de recurso". Por outro lado, o direito de recurso do importador, segundo este artigo, diz respeito às decisões tomadas pelas administrações aduaneiras com relação à determinação do valor aduaneiro, de conformidade com o Acordo. Disso resulta que os casos de fraude não foram alcançados por esse artigo; nestes casos, o exercício do direito de recurso deveria ajustarse às disposições da legislação nacional, que poderia prever tanto o pagamento das multas como o dos direitos aduaneiros antes da interposição do recurso”. (grifei) “Opinião consultiva 18.1 Implicações do Artigo 13 do Acordo A questão foi colocada no sentido de esclarecer se a garantia que o importador tem que prestar para retirar suas mercadorias, segundo o Artigo 13, cobre somente o pagamento dos direitos aduaneiros, de modo que as Aduanas ficam privadas de garantias adequadas para arrecadar as multas ou outras penalidades que possam ser impostas a pessoas ou exigíveis pelas mercadorias. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira concluiu que o Artigo 13 é aplicável somente quando, no curso da determinação do valor aduaneiro das mercadorias importadas, resultar necessário retardar a determinação definitiva desse valor. Um exemplo desta situação seria quando fosse necessário efetuar ajustes segundo o Artigo 8, porém as informações pertinentes não estivessem disponíveis no momento da importação. Numerosos casos desta natureza poderiam, de fato, surgir no curso da determinação do valor aduaneiro segundo o Acordo. Nessas circunstâncias, esse artigo prevê que as mercadorias podem ser retiradas, se for prestada uma garantia ou fiança suficiente para cobrir o montante definitivo dos direitos aduaneiros. Fl. 913DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1119.13194.ZM9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 14 O Artigo 13 não tem o propósito de alcançar os casos de infração à legislação aduaneira ou de fraude; nessas situações, o desembaraço das mercadorias ou a prestação de garantia relacionada com multas ou outras penalidades estariam sujeitos às disposições da legislação nacional de regência.” (grifei) “Opinião consultiva 19.1 Aplicação do Artigo 17 do Acordo e do parágrafo 6 do anexo III A questão foi formulada objetivando esclarecer se o Artigo 17, lido conjuntamente com o parágrafo 6 do Anexo III, outorga poderes suficientes às Administrações Aduaneiras para detectar e comprovar as infrações relativas à valoração, incluída a fraude, e se incumbe ao importador o ônus da prova no curso da determinação do valor aduaneiro. (grifei) O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira chegou à conclusão de que, ao examinar esta questão, cabe observar que o Artigo 17 estabelece que o Acordo não restringe, nem põe em dúvida os direitos da administração aduaneira. O parágrafo 6 do Anexo III enumera esses direitos, destacando concretamente o direito das administrações nacionais de contar com a plena cooperação dos importadores nas investigações sobre a veracidade ou exatidão de qualquer informação, documento ou declaração. Esta conclusão é reafirmada na Opinião Consultiva 10.1. Seria incorreto deduzir que ficam implicitamente excluídos quaisquer outros direitos das administrações aduaneiras que não estejam mencionados no Artigo 17 ou no parágrafo 6 do Anexo III. Os direitos que não estejam mencionados expressamente no Acordo, assim como os direitos e as obrigações dos importadores e das Aduanas na determinação do valor aduaneiro, dependerão das leis e regulamentos nacionais. (grifei) Diante do exposto, acolho os embargos, pois se enquadram numa das hipóteses do art. 65: por possuir a característica de contradição; razão pela qual voto por dar provimento aos embargos. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso de ofício para manter a exigência integral do crédito tributário correspondente à multa aplicada pela importação fraudulenta e negar provimento ao recurso voluntário. O que resultou na seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 21/03/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Constatada hipótese prevista no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais dáse o provimento dos embargos de declaração. RECURSO DE OFÍCIO RECURSO VOLUNTÁRIO Data do fato gerador: 21/03/2006 Fl. 914DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1119.13194.ZM9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.000882/200619 Acórdão n.º 3201001.104 S3C2T1 Fl. 745 15 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO E POSTERIOR CONVERSÃO EM MULTA. Não comprovada a origem dos recursos utilizados nas transações, caracterizase a interposição fraudulenta de terceiros a causar dano ao erário. Portanto, cabível a pena de perdimento com posterior substituição por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta for consumida ou não localizada. FRAUDE. ARBITRAMENTO DE PREÇO. Comprovada a fraude na importação, a legislação pátria, assim como as decisões pelo Comitê de Valoração Aduaneira autorizam o arbitramento do preço. RECURSO DE OFÍCIO PROVIDO RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, recurso voluntário conhecido e acolhido, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Pelo exposto e por tudo o mais que do processo consta, a embargante entende que deve ser reformado o acórdão, no sentido de constar do julgado a reprodução correta da conclusão do voto com a ementa do julgado em dar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário. E, manifestar sobre a intempestividade do novo recurso voluntário apresentado pela O&F COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA, bem como a empresa autuada na condição de responsável solidária, LIPMAN DO BRASIL SERVIÇOS DE AUTOMAÇÃO COMERCIAL LTDA., também apresentou recurso voluntário e não houve análise dos requisitos de admissibilidade desse recurso e, sendo esse o caso, de seu mérito. Em seguimento, a embargante, a PGFN entende que deve ser reformado o acórdão, no sentido de constar do julgado a reprodução correta da conclusão do voto com a ementa do julgado em dar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário. Como já relatado, a oposição dos Embargos baseouse no entendimento da PGFN, que houve um equívoco, ao declarar o resultado do julgamento. Bem como carecia de manifestação sobre a intempestividade do novo recurso voluntário apresentado pela O&F COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA, assim como, a empresa autuada na condição de responsável solidária, LIPMAN DO BRASIL SERVIÇOS DE AUTOMAÇÃO COMERCIAL LTDA, que também apresentou recurso voluntário que não houve análise dos requisitos de admissibilidade do recurso e, sendo esse o caso de admissibilidade, adentrar no mérito. Foram conhecidos e acolhidos os embargos (na sessão de março/2012 consolidado através do acórdão n° 3201000.920), para que não houvesse contradição entre conclusão externada na ementa e do julgado e que constasse: embargos conhecidos e acolhidos para dar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 915DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1119.13194.ZM9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 16 O que resultou nos embargos de n° 3201000.920, da sessão de 01/03/2012, a seguir: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO A constatação da configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, acolhese, portanto, o provimento dos embargos de declaração. Embargos Acolhidos Crédito Tributário Mantido. Por fim, os atuais embargos visam analisar sobre a manifestação da intempestividade do novo recurso voluntário apresentado pela O&F COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA, ou melhor se houve prescrição consumativa, assim como não teria ocorrido análise do recurso voluntário da empresa LIPMAN DO BRASIL SERVIÇOS DE AUTOMAÇÃO COMERCIAL LTDA. Como explanado, à época (março de 2012), deixei de apreciar essa parte a admissibilidade dos recursos voluntários (como requerido), tendo em vista processo de papel que não tinha sido totalmente digitalizado (só partes e precisava de todos os volumes digitalizados); no entanto, para todos os efeitos, houve omissão; já que foi observado dessa forma. Portanto, a proposta de toda a turma foi que os autos, retornassem, oportunamente à pauta para seguimento neste contexto e votado a parte de constar do julgado a reprodução correta da conclusão do voto com a ementa do julgado em dar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário, o que já foi realizado e não será mais discutido. Ou seja, requer a PGFN acolhimento dos embargos (atuais), para que se observe a prescrição consumativa no recurso voluntário apresentado pela O&F COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA e assim como não teria ocorrido análise do recurso voluntário da empresa LIPMAN DO BRASIL SERVIÇOS DE AUTOMAÇÃO COMERCIAL LTDA. Registrese que estou sendo demais prolixa para que os embargos e todo o voto fiquem todos atrelados e compreensíveis. O processo foi redistribuído a esta Conselheira para complemento da análise do embargos da PGFN, pós completa digitalização e posto em pauta. É o relatório. Voto Conselheiro Mércia Helena Trajano DAmorim Passo ao exame dos embargos, sobre os quais manifestome, transcrevendo, mais uma vez, os arts. 64, inc. I e 65, §1°, do Regimento Interno dos Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria 256/2009, dispõem, verbis: “Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: Fl. 916DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1119.13194.ZM9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.000882/200619 Acórdão n.º 3201001.104 S3C2T1 Fl. 746 17 I Embargos de Declaração; e Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos por conselheiro da turma, pelo Procurador da Fazenda Nacional, pelos Delegados de Julgamento, pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou pelo recorrente, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Câmara, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão.” A embargante, como relatado, entende existir contradição e omissão no referido Acórdão, tendo em vista que: Deveria haver manifestação sobre a intempestividade do segundo recurso da empresa O&F COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA, se houve prescrição consumativa; Deveria ter sido analisado o mérito do recurso da empresa LIPMAN DO BRASIL SERVIÇOS DE AUTOMAÇÃO COMERCIAL LTDA. Da admissibilidade do recurso voluntário (primeiro ponto) oferecido pela O&F COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. A situação fática é: apresentou recurso voluntário, inicialmente, fls 496/505 e instada a comprovar parte legítima, ou seja, se a assinatura aposta no respectivo recurso, do sr. Sérgio Teixeira de Almeida era parte legítima dos autos e não o fez; foi lavrado Termo de Perempção, à fl. 512. um dos principais motivos para não seguimento do recurso voluntário, além da falta de comprovação do sr. Sérgio Teixeira de Almeida, pois não se comprovou se o mesmo era parte qualificada, se tinha representação processual; foi a ausência de depósito de 30%, exigido, à época, instituído pelo art. 32° da Lei de n° 10.522/2002, que remetia ao art. 33, §2°, do Decreto n° 70.235/72 (Adin 19767); essa exigência, do depósito recursal foi considerada inconstitucional; no entanto, esta Conselheira entendeu que foram constatadas inexatidões materiais existentes no Acórdão nº 078.732 2ª Turma da DRJ/FNS, de 20.10.2006, conforme a seguir explicitado: Em 20 de outubro de 2006, ao apreciar o presente litígio, a 2ª Turma de Julgamento proferiu o Acórdão DRJ/FNS nº 078.732 (fls. 460 a 481). Encaminhados os autos do presente processo ao Terceiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, em conformidade com o disposto na Portaria MF nº 375, de 07.12.2001, a Relatora, Conselheira Mércia Helena Trajano D’Amorim, analisando o recurso de ofício, verificou que a decisão proferida no mencionado Acórdão não demonstrou com a necessária clareza o cálculo pelo qual se chegou ao valor de R$ 1.465.414,87, concernente ao Fl. 917DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1119.13194.ZM9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 18 montante de crédito mantido, razão pela qual os nobres membros da Segunda Câmara daquele Conselho resolveram, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora para que fosse elaborada memória descritiva do crédito tributário mantido, é o que nos informa a Resolução nº 3021.448, de 27.02.2008 (fls. 579 a 588). ou seja, resultou Resolução nº 3021.448, de 27.02.2008, para demonstração do cálculo do valor excluído (recurso de ofício), pois não estava claro; devolvido os autos do presente processo a 2ª Turma da DRJ/FNS/SC, em 28.04.2008, passouse à análise da decisão proferida em 20.10.2006, nos termos da Resolução nº 3021.448. Desta análise constatada a ocorrência de inexatidões materiais devidas a erros de cálculo no referido Acórdão, razão pela qual se fez necessário que fosse proferido novo Acórdão em substituição daquele, conforme dispõe a legislação de regência (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06.03.1972; art. 22, § 1º, da Portaria MF nº 258, de 24.08.2001; e Portaria MF nº 58, de 17.03.2006). como a DRJ proferiu novo acórdão, 0713541, de 22/08/2008, fls 596 e seguintes, tendo em vista inexatidão material. Houve reintimação, anulação dos Termos de Perempção (fl. 690) e novo prazo aberto e apresentado e admitido o recurso voluntário da O&F, com devida procuração. registrese que o sr. Sérgio Teixeira de Almeida é sócioadministrador da empresa O&F, conforme fl. 692; não obstante o art. 245 do Código de Processo Civil, dispor: Art. 245. A nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade em que couber à parte falar nos autos, sob pena de preclusão. observase que a preclusão consumativa é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto. E o alerta foi em relação à prescrição consumativa que seria a perda da ação processual por decurso de prazo; entendo, no caso em foco, um dos motivos, do não seguimento do recurso voluntário, tornouse uma exigência considerada inconstitucional (falta de depósito) e o próprio acórdão anterior foi substituído, por inexatidão material; e reaberto prazo; daí, declarar a prescrição ou mesmo a preclusão consumativa é o mesmo que cercear o direito de defesa à empresa, direito esse preconizado na nossa Constituição. Enfim, violação ao art. 5º, inc. LIV e LV, da Constituição Federal, cerceamento do direito à defesa, atentado ao devido processo legal, o que não procede. Por todo o exposto, não houve prescrição consumativa em relação ao novo recurso voluntário apresentado pela O&F COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA, o que foi analisado, quando do voto. Nego os embargos neste ponto. Da admissibilidade do recurso voluntário oferecido pela empresa autuada na condição de responsável solidária, LIPMAN DO BRASIL SERVIÇOS DE AUTOMAÇÃO COMERCIAL Fl. 918DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1119.13194.ZM9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.000882/200619 Acórdão n.º 3201001.104 S3C2T1 Fl. 747 19 Para evitar discussões sobre a violação da ampla defesa e contraditório dos recorrentes, entendo necessário complementar o voto, para explicitar claramente as razoes para negativa de seguimento do recurso da empresa Lipman. Iinicialmente, ressaltese que os outros responsáveis solidários Avlis Importação e Exportação Ltda. e Good's Comercial Importação e Exportação Ltda., foram expedidos os Termos de Revelia, pois não se manifestaram no prazo regulamentar; Quanto aos argumentos de defesa ofertados pela Lipman do Brasil Serviços de Automação Comercial Ltda., observase que sua defesa basicamente, a mesma alega que foi equivocado o entendimento da fiscalização em imputarlhe a responsabilidade solidária pela infração cometida pela O&F, posto que não logrou provar que se beneficiou com as operações de importação. Evidente que não há dúvida que a pessoa que promoveu a importação das mercadorias em questão foi a O&F Comercial Importadora e Exportadora Ltda. Discutese sim, a modalidade em que essas importações foram efetivadas no que respeita a pessoa do real adquirente das mercadorias, ou seja, se essas importações foram realizadas “por conta própria” ou “por conta e ordem de terceiros”. No caso, se por conta e ordem da ora recorrente. A empresa O&F foi incluída em procedimento especial de fiscalização, nos termos da IN SRF nº 228/02, por falta de capacidade financeira dos sócios e da empresa; a ocorrência de simulação no registro de importações próprias; a ocultação dos reais adquirentes das mercadorias importadas; e a ocorrência de interposição fraudulenta na importação. Em síntese, do procedimento em menção resultou o conhecimento do modo de operação da empresa O&F em suas importações. A empresa LIPMAN rebate que a acusação fiscal feita no sentido de atribuir lhe responsabilidade solidária nas operações de importação de que trata o Auto de Infração baseiase em documentos e argumentos imprecisos e frágeis, não prestando como prova ainda que indiciária. Necessário trazer as provas colhidas pela fiscalização no sentido de demonstrar ser a Lipman a verdadeira importadora de fato e real interessada nas transações comerciais aludidas na peça de acusação, conforme: Ficha 05/00020205 (fls. 271 e 272) – referese às DI’s 04/11607361 e 04/12382665, registradas em Itajaí/SC em nome da empresa MXT TRADING DO BRASIL IMP E EXPO LTDA. – CNPJ 06.290.408/000121, onde, conforme consta, ficou comprovado que os reais responsáveis pela operação foram as empresas LIPMAN DO BRASIL e a OPAL TRADING, operadora de um conjunto de empresas laranjas. Ficha 05/00157715 (fls. 273 e 274) – referese à DI 04/09333730, registrada no Aeroporto Internacional de São Paulo/SP em nome da empresa KIM IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. EPP – CNPJ 04.127.457/000112, onde conforme consta, ficou comprovado que os reais responsáveis pela operação foram as empresas LIPMAN DO BRASIL e a OPAL TRADING, operadora de um conjunto de empresas laranjas. Fl. 919DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1119.13194.ZM9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 20 Ficha 05/00196834 (fls. 275) relata resultado de Procedimento Especial levado a efeito na própria empresa LIPMAN, pela unidade jurisdicionante, quando ficou comprovado o esquema fraudulento de importação de cartões magnéticos, ratificando ainda, que o real exportador sempre foi a empresa LIPMAN ELECTRONICS ENGINEERING LTD de Israel. Ainda, a fiscalização, quando, em diligência na sede da O&F, verificando as caixas que continham mercadorias objeto da presente autuação, constatou a existência de um packing list e de um préaviso de embarque, nos quais evidenciou que as citadas mercadorias eram faturadas e destinadas a LIPMAN (fls. 281 e 282), inclusive, com a determinação de que o despachante aduaneiro (Sr. Paulo Cezar) providenciasse a confecção de nova fatura comercial e respectivo packing list. Portanto, não obstante suas alegações de defesa da LIPMAN; a mesma não procurou em nenhum momento trazer provas que pudessem desqualificar a acusação fiscal, só meras alegações. Destarte, sujeito passivo no qual o CTN, nos termos do art. 124. denomina responsável solidário da obrigação tributária é aquele que, tendo interesse comum com o contribuinte de direito na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, promove, na condição de contribuinte de fato, por meio de negociações, acertos e efetiva transação, a entrada da mercadoria estrangeira no território nacional. Por todo o exposto, meu voto, que é complementado pela análise do recurso voluntário (acima) da Lipman e todos os embargos analisados para saneamento e clareza, é no sentido de considerar totalmente procedente a exação em questão. Em assim sendo, neste segundo ponto, acolho os embargos. Logo, assiste razão parcialmente à embargante, pois não houve prescrição consumativa em relação ao recurso voluntário apresentado pela O&F COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA, o que foi analisado, quando do voto. Porém, no tocante à empresa autuada na condição de responsável solidária, LIPMAN DO BRASIL SERVIÇOS DE AUTOMAÇÃO COMERCIAL LTDA., que também apresentou recurso voluntário e que de fato, deixei de apreciálo, cabem embargos neste ponto, o que foi sanado neste. Diante do exposto, conheço e acolho, parcialmente, os embargos, pois se enquadram numa das hipóteses do art. 65: por possuir a característica de contradição e omissão; razão pela qual voto por dar provimento parcial aos embargos. Mércia Helena Trajano DAmorim Relator Fl. 920DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1119.13194.ZM9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.000882/200619 Acórdão n.º 3201001.104 S3C2T1 Fl. 748 21 Fl. 921DF CARF MF Documento de 21 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.1119.13194.ZM9H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM em 28/01/2013 11:50:04. Documento autenticado digitalmente por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM em 28/01/2013. Documento assinado digitalmente por: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO em 31/01/2013 e MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM em 28/01/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 01/11/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP01.1119.13194.ZM9H Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 581F80A32F023C989C946B8496FD269CBC5EC204 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 12466.000882/2006-19. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 18220.725883/2021-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 13 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2014
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL.
É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
Numero da decisão: 1201-006.724
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Fl. 121DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.724 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.725883/2021-78 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Na origem, trata-se de Auto de Infração que veiculou a cobrança de Multa Isolada decorrente da não homologação de declarações de compensação transmitidas pelo contribuinte. O Acórdão Recorrido manteve o auto de infração alegando que o lançamento seria mera decorrência da não homologação das compensações, razão pela qual deveria seguir a mesma sorte. Em Recurso Voluntário, o Contribuinte defende: 1. Nulidade do lançamento pois somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva do processo de crédito; 2. Insubsistência do lançamento por inconstitucionalidade decorrente da violação ao direito de petição; 3. Retroação benigna da Lei nº 13.137/15, a qual revogou o § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que previa a aplicação da multa de 50% em caso de indeferimento do pedido de restituição; 4. Impossibilidade de concomitância da multa de mora com a multa isolada; 5. Necessidade de sobrestamento do feito até o julgamento em definitivo do RE nº 796.939/RS (Tema STF nº 736). É a síntese do necessário. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Inicialmente, reconheço a competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do Regimento Interno do CARF, e verifico que o recurso é tempestivo. No mais, o recurso preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 122DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.724 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.725883/2021-78 3 Preliminar de nulidade O Recorrente suscita como preliminar a nulidade do lançamento, alegando que somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva no processo de crédito nº 10880-911.566/2018-91. Alega que o lançamento em questão é regido pelo art. 116, II do CTN, pois o fato gerador da multa isolada seria situação jurídica que, como tal, só poderia ser reputada ocorrida após a constituição definitiva do crédito tributário. Penso, entretanto, que o fato gerador da multa isolada decorrente da não homologação de compensação é situação de fato, regida pelo inciso I do art. 116 do CTN. Desde a transmissão da declaração de compensação reputada indevida, produzem-se os efeitos a ela inerentes, notadamente a extinção do crédito tributário, embora sob condição resolutória de ulterior homologação, justificando-se a imposição da multa isolada desde então, muito embora sua exigibilidade seja suspensa caso interposta Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório proferido no Processo de Crédito (§18, art. 74, Lei nº 9.430/96). Não vislumbro portanto qualquer nulidade. Mérito No mérito, a alegação de inconstitucionalidade passa a ter novos efeitos perante o CARF diante do julgamento definitivo da contenda pelo STF no tema de repercussão geral nº 736 e da e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, que produz efeitos vinculantes aos membros deste colegiado, nos termos do inciso I, do §1º, do art. 62, RICARF anterior, correspondente ao art. 98, II, “b” do atual RICARF, que agora exige o já verificado trânsito em julgado da matéria. Vejamos a redação anterior: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016)” E a redação atual: “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou Fl. 123DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.724 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.725883/2021-78 4 II - fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103- A da Constituição Federal; b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária;” (grifo nosso) O Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 796939, com repercussão geral (Tema 736) e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo 17 do artigo 74 da Lei 9.430/1996 que prevê a incidência de multa isolada no caso de não homologação de pedido de compensação tributária pela Receita Federal. No voto pelo desprovimento do recurso da União, o ministro Edson Fachin, relator, observou que a simples não homologação de compensação tributária não é ato ilícito capaz de gerar sanção tributária, razão pela qual a aplicação automática da sanção, sem considerações sobre a intenção do contribuinte, tacharia de ilícito o próprio exercício do direito de petição constitucionalmente assegurado. A tese de repercussão geral fixada foi a seguinte: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. Portanto, tendo o STF decidido pela inconstitucionalidade da multa isolada, ora em discussão, torna-se inafastável o entendimento da Suprema Corte, devendo- se afastar integralmente a penalidade aplicada. Restam assim prejudicados os demais argumentos apresentados pelo Recorrente. Pelo exposto, conheço o Recurso Voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento integral. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Fl. 124DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.724 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.725883/2021-78 5 Fl. 125DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Preliminar de nulidade Mérito
score : 1.0
Numero do processo: 18220.729459/2021-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 13 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2015
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL.
É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
Numero da decisão: 1201-006.745
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
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COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Fl. 243DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.745 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.729459/2021-01 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Na origem, trata-se de Auto de Infração que veiculou a cobrança de Multa Isolada decorrente da não homologação de declarações de compensação transmitidas pelo contribuinte. O Acórdão Recorrido manteve o auto de infração alegando que o lançamento seria mera decorrência da não homologação das compensações, razão pela qual deveria seguir a mesma sorte. Em Recurso Voluntário, o Contribuinte defende: 1. Nulidade do lançamento pois somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva do processo de crédito; 2. Insubsistência do lançamento por inconstitucionalidade decorrente da violação ao direito de petição; 3. Retroação benigna da Lei nº 13.137/15, a qual revogou o § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que previa a aplicação da multa de 50% em caso de indeferimento do pedido de restituição; 4. Impossibilidade de concomitância da multa de mora com a multa isolada; 5. Necessidade de sobrestamento do feito até o julgamento em definitivo do RE nº 796.939/RS (Tema STF nº 736). É a síntese do necessário. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Inicialmente, reconheço a competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do Regimento Interno do CARF, e verifico que o recurso é tempestivo. No mais, o recurso preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 244DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.745 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.729459/2021-01 3 Preliminar de nulidade O Recorrente suscita como preliminar a nulidade do lançamento, alegando que somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva no processo de crédito nº 10880-911.566/2018-91. Alega que o lançamento em questão é regido pelo art. 116, II do CTN, pois o fato gerador da multa isolada seria situação jurídica que, como tal, só poderia ser reputada ocorrida após a constituição definitiva do crédito tributário. Penso, entretanto, que o fato gerador da multa isolada decorrente da não homologação de compensação é situação de fato, regida pelo inciso I do art. 116 do CTN. Desde a transmissão da declaração de compensação reputada indevida, produzem-se os efeitos a ela inerentes, notadamente a extinção do crédito tributário, embora sob condição resolutória de ulterior homologação, justificando-se a imposição da multa isolada desde então, muito embora sua exigibilidade seja suspensa caso interposta Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório proferido no Processo de Crédito (§18, art. 74, Lei nº 9.430/96). Não vislumbro portanto qualquer nulidade. Mérito No mérito, a alegação de inconstitucionalidade passa a ter novos efeitos perante o CARF diante do julgamento definitivo da contenda pelo STF no tema de repercussão geral nº 736 e da e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, que produz efeitos vinculantes aos membros deste colegiado, nos termos do inciso I, do §1º, do art. 62, RICARF anterior, correspondente ao art. 98, II, “b” do atual RICARF, que agora exige o já verificado trânsito em julgado da matéria. Vejamos a redação anterior: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016)” E a redação atual: “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou Fl. 245DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.745 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.729459/2021-01 4 II - fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103- A da Constituição Federal; b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária;” (grifo nosso) O Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 796939, com repercussão geral (Tema 736) e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo 17 do artigo 74 da Lei 9.430/1996 que prevê a incidência de multa isolada no caso de não homologação de pedido de compensação tributária pela Receita Federal. No voto pelo desprovimento do recurso da União, o ministro Edson Fachin, relator, observou que a simples não homologação de compensação tributária não é ato ilícito capaz de gerar sanção tributária, razão pela qual a aplicação automática da sanção, sem considerações sobre a intenção do contribuinte, tacharia de ilícito o próprio exercício do direito de petição constitucionalmente assegurado. A tese de repercussão geral fixada foi a seguinte: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. Portanto, tendo o STF decidido pela inconstitucionalidade da multa isolada, ora em discussão, torna-se inafastável o entendimento da Suprema Corte, devendo- se afastar integralmente a penalidade aplicada. Restam assim prejudicados os demais argumentos apresentados pelo Recorrente. Pelo exposto, conheço o Recurso Voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento integral. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Fl. 246DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.745 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.729459/2021-01 5 Fl. 247DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Preliminar de nulidade Mérito
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Numero do processo: 10480.726249/2019-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2015
NORMAS GERAIS. NULIDADES. INOCORRÊNCIA.
A nulidade do lançamento deve ser declarada quando não atendidos os preceitos do CTN e da legislação que rege o processo administrativo tributário no tocante à incompetência do agente emissor dos atos, termos, despachos e decisões ou no caso de preterição do direito de defesa e do contraditório do contribuinte.
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
A tempestiva interposição de impugnação ao lançamento tributário, gera efeitos de suspender a exigibilidade do crédito tributário e postergar, consequentemente, o vencimento da obrigação para o término do prazo fixado para o cumprimento da decisão definitiva no âmbito administrativo.
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, a fundamentação da decisão pode ser atendida mediante declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida, nos termos do artigo 114, §12, inciso I da Portaria MF nº 1.634 de 2023.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO.
A empresa é obrigada a arrecadar e recolher nos prazos definidos em lei as contribuições dos segurados empregados e dos contribuintes individuais a seu serviço.
ALEGAÇÃO SEM COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE INFIRMAR O LANÇAMENTO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Alegações sem qualquer comprovação não tem o condão de infirmar o lançamento fiscal.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
É devida a multa de ofício, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença do imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430 de 1996.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. SÚMULA CARF Nº 163.
O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
JURISPRUDÊNCIA. EFICÁCIA NORMATIVA.
Somente devem ser observados os entendimentos jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
Numero da decisão: 2201-011.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Débora Fófano dos Santos - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Weber Allak da Silva, Luana Esteves Freitas, Thiago Alvares Feital e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente).
Nome do relator: DEBORA FOFANO DOS SANTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (documento assinado digitalmente) Débora Fófano dos Santos - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Weber Allak da Silva, Luana Esteves Freitas, Thiago Alvares Feital e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente).
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NULIDADES. INOCORRÊNCIA. A nulidade do lançamento deve ser declarada quando não atendidos os preceitos do CTN e da legislação que rege o processo administrativo tributário no tocante à incompetência do agente emissor dos atos, termos, despachos e decisões ou no caso de preterição do direito de defesa e do contraditório do contribuinte. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A tempestiva interposição de impugnação ao lançamento tributário, gera efeitos de suspender a exigibilidade do crédito tributário e postergar, consequentemente, o vencimento da obrigação para o término do prazo fixado para o cumprimento da decisão definitiva no âmbito administrativo. NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, a fundamentação da decisão pode ser atendida mediante declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida, nos termos do artigo 114, §12, inciso I da Portaria MF nº 1.634 de 2023. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a arrecadar e recolher nos prazos definidos em lei as contribuições dos segurados empregados e dos contribuintes individuais a seu serviço. ALEGAÇÃO SEM COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE INFIRMAR O LANÇAMENTO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Alegações sem qualquer comprovação não tem o condão de infirmar o lançamento fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 62 49 /2 01 9- 65 Fl. 27722DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-011.799 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.726249/2019-65 MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. É devida a multa de ofício, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença do imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430 de 1996. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. SÚMULA CARF Nº 163. O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. JURISPRUDÊNCIA. EFICÁCIA NORMATIVA. Somente devem ser observados os entendimentos jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (documento assinado digitalmente) Débora Fófano dos Santos - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Weber Allak da Silva, Luana Esteves Freitas, Thiago Alvares Feital e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 27.700/27.713 e págs. PDF 7.493/7.506 da parte 3) interposto contra decisão no acórdão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) de fls. 27.683/27.692 e págs. PDF 7.476/7.485 da parte 3, que julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário formalizado nos Autos de Infração abaixo relacionados, lavrados em 09/07/2019, acompanhados do Relatório Fiscal (fls. 20/30 da parte 1) e anexos (fls. 31/38 da parte 1): Auto de Infração – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DA EMPRESA E DO EMPREGADOR, no montante de R$ 14.954.219,57, já incluídos juros de mora (Calculados até 07/2019) e multa proporcional (passível de redução), referente contribuição previdenciária patronal e contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT (fls. 02/10 da parte 1); Fl. 27723DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-011.799 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.726249/2019-65 Auto de Infração - CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DOS SEGURADOS, no montante de R$ 5.600.263,42, já incluídos juros de mora (Calculados até 07/2019) e multa proporcional (passível de redução), referente contribuições a cargo dos segurados, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais que lhes prestaram serviços (fls. 11/15 da parte 1) e Auto de Infração - MULTAS PREVIDENCIÁRIAS, no montante de R$ 24.112,64, referente ao descumprimento de obrigação acessória: não exibição de documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei nº 8.212/91 ou apresentação que não atenda às formalidades legais exigidas (fls. 16/19 da parte 1). Do Lançamento Utilizo para compor o presente relatório o resumo constante no acórdão recorrido (fl. 27.685 e pág. PDF 7.478 da parte 3): (...) Noticia o Relatório Fiscal, fls. 20/30, que: O Município “não apresentou a totalidade das folhas de pagamento dos segurados ao RGPS² , que lhes prestaram serviços” para esclarecer diferenças encontradas entre a contabilidade e a folha de pagamento e comprovar que as folhas de pagamento totalizariam R$ 235.695.780,36, conforme informado em planilha, em resposta à intimação fiscal. Esse descumprimento de obrigação acessória resultou no lançamento da multa regulamentar. A metodologia utilizada consistiu em adotar como remuneração dos segurados do RGPS, em cada competência de 2015: “UM TREZE AVOS (vide anexo l) do valor total lançado nas contas de despesas Vencimentos e Vantagens Fixas - Pessoal Civil (3.1.90.11) e Contratação por Tempo Determinado (3.1.90.04), R$ 236.883.977,56, subtraindo deste, em cada competência, o total de proventos informados nas folhas de pagamento apresentadas do RPPS, conforme coluna "c" do anexo IV. Para chegar aos valores das bases de cálculo mensais das Contribuições Patronais, foram subtraídos os valores das remunerações informadas pelo sujeito passivo mensalmente em suas GFIP³ (anexo III e anexo IV, coluna G). Também em relação às Contribuições Previdenciárias dos Segurados, alíquota de 8%, foram subtraídos as Contribuições dos Segurados informadas em GFIP. Em relação às Contribuições dos contribuintes individuais foi utilizado o “extrato de empenhos da conta contábil ‘Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Física’, elemento de despesa 36, aqueles que se referem a prestadores de serviços em caráter eventual, destacados no anexo IV, cujos nomes não constam nas GFIP apresentadas pelo contribuinte”. Informa que a base de cálculo apurada resultou do somatório dos valores mensais dos empenhos liquidados referentes aos Contribuintes Individuais, anexo IV, na medida em que “não houve valores informados quanto a estes contribuintes nas GFIP enviadas”. ____________________ ² Regime Geral de Previdência Social. ³ Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. (...) Da Impugnação Fl. 27724DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-011.799 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.726249/2019-65 O contribuinte foi cientificado dos lançamentos em 11/07/2019 (AR de fl. 27.102 e pág. PDF 6.906 da parte 3) e apresentou sua impugnação em 08/08/2019 (fls. 27.111/27.124 e págs. PDF 6.915/6.928 da parte 3), acompanhada de documentos (fls. 27.125/27.664 e págs. PDF 6.929/7.467 da parte 3), com os seguintes argumentos, extraídos do acórdão recorrido (fls. 27.686/27.687 e págs. PDF 7.479/7.480 da parte 3): (...) O Interessado, devidamente citado, impugna o lançamento tributário, fls. 27.111/27.124, com base nos argumentos a seguir relatados. A Impugnação é tempestiva e resulta na suspensão da exigibilidade do crédito tributário, art. 151, III, do CTN 4 . Sustenta que os recolhimentos decorrentes das folhas de pagamento de 2015 foram realizados. A divergência ocorreu “por falta de alguns documentos dos servidores que impedem o envio da GFIP pelo sistema”. Exigir novamente é bis in idem. “Não há no presente caso a omissão de informações na folha de pagamento, não há supressão de informações, não há alteração de informações e, principalmente, não há a falta de recolhimento daquilo que foi lançado em folha de pagamento, havendo tão somente a divergência entre a folha de pagamento e GFIPS pelo fato de, repita-se, não ter sido possível a remessa por falta de documentação dos segurados”. Aduz que através de planilha, anexa à Impugnação, demonstra os erros alegados por meio de onze apêndices. “Temos que o valor de mais de 20 milhões encontrado pela fiscalização da Receita Federal do Brasil não condiz com a realidade dos fatos”. Enfatiza a necessidade de aplicar a verdade material: “Neste sentido, sendo possível a apuração da verdade concreta pelos documentos apresentados pelo contribuinte, ou perícias e novos documentos a serem apresentados, ainda que estes não sejam os desejáveis em consonância estrita com a lei tributária, e vislumbrando-se o correto recolhimento dos tributos ou contribuições aplicáveis ao caso, ainda que tenha havido falhas no envio da GFIP, há de se aplicar a verdade material sob pena de não termos a escorreita apuração e contribuição tributária”. A multa no percentual de 75% tem natureza confiscatória. Em caráter subsidiário requer a diminuição do percentual aplicado, para redução dos impactos financeiros que recairão sobre os cofres municipais. Assevera a necessidade de perícia e juntada posterior de novos documentos já que “possui todos os comprovantes de recolhimentos do período fiscalizado”. Indica a contadora municipal como perita “que possa esclarecer e apresentar todas as informações necessárias a fim de provar os fatos aqui argüidos”. Cita excertos de julgamentos e da doutrina para reforçar as teses da defesa. Requer: O provimento da Impugnação; A nulidade do Auto de Infração; Subsidiariamente, a revisão do percentual de 75% da multa em razão do seu caráter confiscatório; Juntada posterior de documentos e realização de perícia. ________________ 4 Código Tributário Nacional - Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966. Da Decisão da DRJ Fl. 27725DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-011.799 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.726249/2019-65 A 4ª Turma da DRJ/BEL, em sessão de 06 de março de 2020, no acórdão nº 01- 37.725 (fls. 27.683/27.692 e págs. PDF 7.476/7.485 da parte 3), julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo reproduzida (fl. 27.683/27.684 e págs. PDF 7.476/7.477 da parte 3): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Ano-calendário: 2015, 2019 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REGRAS DISTINTAS QUE INFORMAM A FISCALIZAÇÃO E O JULGAMENTO. PROVAS ESPECÍFICAS. LIVRE CONVICÇÃO MOTIVADA DOS JULGADORES. Distintos são os regimes jurídicos que regem as fases anterior e posterior ao lançamento tributário. As garantias do contraditório e da ampla defesa são efetivadas na fase litigiosa. Portanto, não é apropriado confundir as funções do Auditor-Fiscal autuante com as do julgador administrativo de litígios fiscais. No estágio processual o colegiado de julgadores administrativos, reunidos em um órgão especializado em julgamento, examina as questões suscitadas na profundidade da resistência específica corporificada na Impugnação. As alegações genéricas e/ou desacompanhadas de provas têm valor apenas argumentativo, já que para ilidir o lançamento fiscal se exige que a interessada produza argumentos e provas específicas com o objetivo de afetar a livre convicção motivada dos julgadores administrativo. Esse é o ônus do Impugnante e ao mesmo tempo condição para que sua resistência tenha êxito, ainda mais quando se constata que o Interessado não apresentou todos os documentos solicitados durante o período de fiscalização. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GFIP. ESPONTANEIDADE PARA RETIFICAÇÃO. O contribuinte é livre para retificar sua Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP, respeitado o prazo decadencial. No entanto, após a ciência do início do procedimento fiscal ou do lançamento tributário se consuma a perda da espontaneidade do interessado para alterar a sua Declaração. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. PAF. JULGADOR ADMINISTRATIVO. LIMITES. REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS. TRÊS PODERES. 1. O Processo Administrativo Fiscal não é o palco apropriado para discussão sobre qual critério ou percentual seria mais seguro para que a multa de ofício não afete o direito de propriedade, seja proporcional e razoável. A norma que veda a instituição de tributo e multa com caráter confiscatório é dirigida ao legislador. 2. Tampouco possui o julgador de litígios administrativos fiscais, no âmbito da Administração Tributária Federal, competência para decidir sobre a ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis que, eventualmente, fundamentaram a confecção de determinado lançamento tributário. Pelo contrário, a opção do sistema jurídico pátrio foi pela unicidade da jurisdição, portanto, é vedado ao julgador administrativo negar vigência a determinado dispositivo normativo, sejam regras ou princípios, sob a alegação de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Esta atribuição foi reservada ao poder judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário O contribuinte tomou ciência do acórdão em 14/06/2021 (AR de fl. 27.718 e pág. PDF 7.511 da parte 3) e interpôs recurso voluntário em 14/09/2020 (fls. 27.700/27.713 e págs. PDF 7.493/7.506 da parte 3), acompanhado de documentos (fls. 27.714/27.717 e págs. PDF 7.507/7.510 da parte 3), em que repisa ipsis litteris os mesmos argumentos da impugnação, sintetizados nos tópicos abaixo: Fl. 27726DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-011.799 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.726249/2019-65 I. TEMPESTIVIDADE II. DA DEFESA E RECURSO ADMINISTRATIVOS COMO INSTRUMENTOS HÁBEIS A SUSPENDER A EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO III. DO AUTO DE INFRAÇÃO — DIVERGÊNCIA ENTRE FOLHA E ENVIO DE GFIP — RECOLHIMENTO REALIZADO - INEXISTÊNCIA DE VALORES A SEREM RECOLHIDOS – BIS IN IDEM – PRECEDENTES DO TRF 5ª REGIÃO – NULIDADE DO AUTO. IV. DO EQUIVOCO NA FISCALIZAÇÃO — ERRO NA BASE DE CÁLCULO. V. DO PRINCÍPIO DE VERDADE MATERIAL. VI. A MULTA TRIBUTÁRIA, O "PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO" E A " RAZOABILIDADE". VII. NECESSIDADE DE PERÍCIA E JUNTADA POSTERIOR DE NOVOS DOCUMENTOS — ART. 16, IV E § 4° A) DO DECRETO 70.235 DE 06 DE MARÇO DE 1972. VIII. DOS PEDIDOS. Isto posto, espera a Recorrente o conhecimento e total provimento do presente Recurso Voluntário, sendo considerado nulo o presente auto de infração pelas razões acima expostas. Caso assim não entenda, o que se admite apenas por argumentação, que os valores sejam revistos com base nas planilhas anexas, bem como seja revisto o percentual de 75%, aplicado no auto, uma vez que apresenta nitidamente caráter confiscatório, conforme amplamente já demonstrado. O presente recurso compôs lote sorteado para esta relatora. É o relatório. Voto Conselheira Débora Fófano dos Santos, Relatora. PRELIMINARES Da Tempestividade do Recurso Voluntário. Da dicção do artigo 23 do Decreto nº 70.235 de 1972, extrai-se que são as seguintes as formas de intimação dos atos administrativos: Art. 23. Far-se-á a intimação: I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) III - por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante:(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 27727DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-011.799 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.726249/2019-65 b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo.(Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado:(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I - no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II - em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III - uma única vez, em órgão da imprensa oficial local.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considera-se feita a intimação: I - na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II - no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) III - se por meio eletrônico:(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo;(Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV - 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência.(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4º Para fins de intimação, considera-se domicílio tributário do sujeito passivo:(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I - o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II - o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informar-lhe-á as normas e condições de sua utilização e manutenção.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6º As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) (grifos nossos) Fl. 27728DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-011.799 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.726249/2019-65 Registre-se que o artigo 6º da Portaria RFB n° 4.105 de 30 de julho de 2020 1 suspendeu os prazos para a prática de atos processuais no âmbito da RFB até 31 de agosto de 2020. No caso em análise, o contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância no dia 14/06/2021 (AR de fl. 27.718 e pág. PDF 7.511 da parte 3) e interpôs recurso voluntário em 14/09/2020 (fls. 27.698/27.699 e págs. PDF 7.491/7.492 da parte 3), restando configurada a sua tempestividade, atestada inclusive pela própria unidade preparadora, conforme se observa do teor do “Despacho de Encaminhamento” exarado em 13/08/2021 (fl. 27.720 e pág. PDF 7.513 da parte 3). Em virtude destas considerações, o recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. Da Delimitação do Litígio. Preliminarmente convém deixar consignado que, em virtude do fato do contribuinte não ter apresentado impugnação ao Auto de Infração, no valor de R$ 24.112,64, correspondente ao descumprimento de obrigações acessórias, consistente na não exibição de documentos durante a fase de fiscalização, tampouco houve a comprovação ou a entrega tempestiva de todos os documentos, tal crédito tributário se tornou definitivo na esfera administrativa. Tal parcela incontroversa foi transferida para o processo nº 10480.730.289/2021- 26, conforme atestam o “Termo de Transferência de Crédito Tributário” (fl. 27.719 e pág. PDF 7.512 da parte 3) e o “Despacho de Encaminhamento” exarado em 13/08/2021 (fl. 27.720 e pág. PDF 7.513 da parte 3). Da Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário. O interessado requer seja reconhecida a suspensão de exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, inciso III do CTN. A tempestiva interposição de impugnação ao lançamento tributário, gera efeitos de suspender a exigibilidade do crédito tributário e postergar, consequentemente, o vencimento 1 PORTARIA RFB Nº 4105, DE 30 DE JULHO DE 2020. (Publicado(a) no DOU de 31/07/2020, seção 1, página 26). Altera a Portaria RFB nº 543, de 20 de março de 2020, que estabelece em caráter temporário, regras para o atendimento presencial nas unidades de atendimento, e suspende prazos para prática de atos processuais e os procedimentos administrativos que especifica, no âmbito da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB), como medida de proteção para enfrentamento da emergência de saúde pública decorrente do coronavírus (Covid19). O SECRETÁRIO ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no exercício da atribuição prevista no inciso III do art. 350 do Regimento Interno da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria ME nº 284, de 27 de julho de 2020, e tendo em vista o disposto no art. 67 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, no inciso XXIV do § 1º e no § 7º do art. 3º do Decreto nº 10.282, de 20 de março de 2020, e no art. 3º da Portaria ME nº 96, de 17 de março de 2020, resolve: Art. 1º A Portaria RFB nº 543, de 20 de março de 2020, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 1º O atendimento presencial nas unidades de atendimento da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB) ficará restrito, até 31 de agosto de 2020, mediante agendamento prévio obrigatório, aos seguintes serviços: ............................................................................................................" (NR) "Art. 6º Ficam suspensos os prazos para prática de atos processuais no âmbito da RFB até 31 de agosto de 2020." (NR) "Art. 7º Ficam suspensos os seguintes procedimentos administrativos até 31 de agosto de 2020: ............................................................................................................" (NR) Art. 2º Ficam revogados os incisos IV e V do art. 7º da Portaria RFB nº 543, de 20 de março de 2020. Art. 3º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Fl. 27729DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-011.799 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.726249/2019-65 da obrigação para o término do prazo fixado para o cumprimento da decisão definitiva no âmbito administrativo. Deste modo, as reclamações e recursos apresentados nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo suspendem a exigibilidade do crédito tributário em litígio, consoante artigo 151, inciso III do CTN combinado com o artigo 33 do Decreto n° 70.235 de 1972. Da Alegação de Nulidade do Auto de Infração e do Princípio de Verdade Material. Em seu recurso o Recorrente sustenta a nulidade do auto de infração alegando a existência de: (i) divergência entre folha e envio de GFIP — recolhimento realizado - inexistência de valores a serem recolhidos – bis in idem – precedentes do TRF 5ª Região e (ii) equivoco na fiscalização – erro na base de cálculo. O Recorrente relata que dentre os princípios norteadores do processo administrativo encontra-se o princípio da verdade material ou da liberdade da prova. Neste sentido, sendo possível a apuração da verdade concreta pelos documentos apresentados pelo contribuinte, ou perícias e novos documentos a serem apresentados, ainda que estes não sejam os desejáveis em consonância estrita com a lei tributária, e vislumbrando-se o correto recolhimento dos tributos ou contribuições aplicáveis ao caso, ainda que tenha havido falhas no envio da GFIP, há de se aplicar a verdade material sob pena de não termos a escorreita apuração e contribuição tributária. Deste modo, por mais que tenha informado com falha ou com GFIP's faltantes, deve ser levado em consideração o verdadeiro valor apurado para o período. Tais argumentos do Recorrente compuseram a impugnação e foram enfrentados pelo juízo a quo, de modo que, por concordar e não merecerem reparos os fundamentos da decisão recorrida, adoto-os como razões de decidir, nos termos do artigo 114, § 12, inciso I da Portaria MF nº 1.634 de 2023, mediante a reprodução do seguinte excerto (fls. 27.687/27.690 e págs. PDF 7.480/7.483 da parte 3): (...) Observa-se a inexistência de nulidade dos Autos de Infração sob exame, já que o procedimento fiscal foi realizado por agente competente, Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, com obediência às normas presumidamente constitucionais, e sem preterição do direito de defesa do impugnante - art. 59, Decreto 70.235/72. As demais alegações constantes na Impugnação serão analisadas em sede de mérito, pois com este se confundem. O epicentro do presente litígio se situa no território das provas. O lançamento foi realizado a partir de uma diferença a maior encontrada na contabilidade e folha de pagamento em relação ao declarado em GFIP. O Impugnante nega qualquer irregularidade na folha de pagamento, ao mesmo tempo em que admite a existência de divergência entre folha de pagamento e GFIP: “havendo tão somente a divergência entre a folha de pagamento e GFIPS pelo fato de, repita-se, não ter sido possível a remessa por falta de documentação dos segurados”. Certamente que a alegação da “falta de documentação dos segurados” não justifica, anos após os fatos geradores, a não declaração desses segurados em GFIP, que a qualquer momento - antes do prazo decadencial de 5 anos e da ação fiscal 7 - poderia ter sido retificada. Não se pode olvidar que também os segurados do RGPS sofrem prejuízos com a não declaração em GFIP de suas remunerações, pois a GFIP alimenta o CNIS 8 que é base para concessão de benefícios previdenciários. Fl. 27730DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-011.799 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.726249/2019-65 Em sua Impugnação o Interessado enfatiza a necessidade de aplicar a verdade material, no entanto, durante a ação fiscal o Contribuinte criou obstáculos para que a verdade material se revelasse, pois não cumpriu com o seu dever fundamental de colaboração, ao não apresentar todos os documentos e esclarecimentos solicitados, mormente, a não apresentação da totalidade das folhas de pagamento. Não se pode olvidar que ao contribuinte cabe colaborar com a Administração Tributária, como ensina o Desembargador do TRF4, Leandro Paulsen, no artigo intitulado “Do dever fundamental de colaboração com a Administração Tributária 9 ”: “O chamamento de todos, mesmo não contribuintes, ao cumprimento de obrigações com vista a viabilizar, a facilitar e a simplificar a tributação, dotando- lhe da praticabilidade necessária, encontra suporte no dever fundamental de colaboração com a Administração Tributária”. “O dever fundamental de colaboração com a Administração Tributária tem caráter autônomo, não se cuidando de mero desdobramento ou complemento do dever fundamental de pagar tributos. O dever fundamental de colaboração decorre diretamente do princípio do Estado de Direito Democrático e Social”. O dever fundamental de colaboração na lei 8.212/91 10 está estampado no §2º do art. 33: “A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Que junto com o § 3º, do art. 33 do mesmo diploma legal, robusteceram os fundamentos legais dos lançamentos tributários litigiosos. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). No vertente caso “o contribuinte não apresentou a totalidade das folhas de pagamentos dos seus segurados”, o que motivou os lançamentos tributários, uma vez que na contabilidade demonstrava valores maiores que o total das folhas de pagamento apresentadas. No Relatório Fiscal consta a metodologia utilizada possibilitando o efetivo exercício da ampla defesa e do contraditório: “Tomamos como remuneração dos empregados vinculados ao RGPS, em cada competência do ano de 2015, UM TREZE AVOS (vide anexo I) do valor total lançado nas contas de despesas Vencimentos e Vantagens Fixas - Pessoal Civil (3.1.90.11) e Contratação por Tempo Determinado (3.1.90.04), R$ 236.883.977,56, subtraindo deste, em cada competência, o total de proventos informados nas folhas de pagamento apresentadas do RPPS, conforme coluna "c" do anexo IV”. “Do valor apurado conforme descrito no subitem anterior, para se chegar ao valor das bases de cálculo mensais das contribuições patronais lançadas, subtraímos o valor da remuneração informada pelo sujeito passivo (vide anexo III), mensalmente, em suas GFIP, conforme demonstrado na coluna "G" do anexo IV”. O Impugnante tinha tudo para produzir uma Impugnação que pudesse demonstrar a sua tese de que “não há no presente caso a omissão de informações na folha de pagamento, não há supressão de informações, não há alteração de informações e, principalmente, não há a falta de recolhimento daquilo que foi lançado em folha de pagamento”, pois todas as informações contábeis e da folha de pagamento foram produzidas pelo próprio contribuinte, no entanto, observa-se que foi insuficiente o esforço probatório. Ao questionar a base de cálculo das Contribuições lançadas alega que a dedução da remuneração dos servidores vinculados ao RPPS 11 está a menor. Sustenta, por exemplo, que a folha dos servidores lotados na Educação e vinculados ao RPPS totaliza, em 2015, Fl. 27731DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-011.799 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.726249/2019-65 R$ 91.017.038,72 o que corresponde a uma diferença de R$ 28.675.270,25. No entanto, com as provas produzidas pelo Impugnante não se pode afirmar que esta diferença procede. Por ocasião da Impugnação o Interessado carreia aos autos os resumos gerais das folhas de pagamento, fls. 27.277/27.419, e apêndices com planilhas sobre as diferenças encontradas. No entanto, não tem como o julgador administrativo verificar, nem mesmo por amostragem ou por competências a exatidão desses valores e a filiação dos servidores ao RPPS. No vertente caso, é do Impugnante o ônus probatório para desconstituir o lançamento tributário em tela, ainda mais que o Interessado optou por não entregar todos os documentos solicitados durante a fase de fiscalização, o que resultou, inclusive, no lançamento de um auto de infração por descumprimento de obrigação acessória. Não se pode perder de vista que distintos os são os regimes jurídicos que regem as fases anterior e posterior ao lançamento tributário. As garantias do contraditório e da ampla defesa são efetivadas na fase litigiosa. Portanto, não é apropriado confundir as funções do Auditor-Fiscal autuante com as do julgador administrativo. No atual iter processual há necessidade de detalhamento das provas, já que essas são produzidas para afetar a livre convicção motivada do julgador, conforme inteligência do art. 29 do Decreto 70.235/72 12 . Em relação ao apêndice II, fl. 27.134, há uma repercussão matemática da reclassificação da remuneração dos servidores vinculados ao RGPS para os do RPPS, o que reforça a necessidade de produção de provas específicas e a comprovação da filiação desses servidores ao RPPS. Essa reclassificação teve reflexos nos outros apêndices modificados. Em consulta ao Sistema de Arrecadação Previdenciária, CCORGFIP – Consulta de Valores a Recolher x Valores recolhidos, no CNPJ do Interessado se constatou que na maioria das competências os valores declarados em GFIP correspondem aos valores recolhidos em GPS, o que demonstra a necessidade de produção de provas mais minuciosas, por parte do Interessado, se pretende comprovar que “não há a falta de recolhimento daquilo que foi lançado em folha de pagamento” ao mesmo tempo em que sustenta que a divergência ocorreu “por falta de alguns documentos dos servidores que impedem o envio da GFIP pelo sistema”. Portanto, diante da insuficiência de provas não há que falar em “bis in idem”, nem em relação aos lançamentos, nem em relação aos pagamentos. (...) ________________ 7 Parágrafo único do art. 138 do CTN: Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 8 Cadastro Nacional de Informações Sociais. 9 Este artigo está baseado em capítulo da tese de doutorado defendida pelo autor em 13 de janeiro de 2012 na Universidad de Salamanca (USAL), Espanha. 10 Dispõe sobre a organização da Seguridade Social, institui Plano de Custeio, e dá outras providências. 11 Regime Próprio de Previdência Social. 12 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Ainda que a decisão recorrida tenha apontado a necessidade de produção de provas pelo contribuinte, ainda assim ele insiste nas mesmas teses defensórias da impugnação, sem apresentar os elementos necessários para comprovar suas alegações, não se desincumbindo do ônus probatório nos termos do artigo 373 da Lei 13.105 de 2015 (Código de Processo Civil). Fl. 27732DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2201-011.799 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.726249/2019-65 MÉRITO Da Multa Tributária. O "Princípio do Não Confisco" e a " Razoabilidade”. O Recorrente aduz que a multa aplicada no percentual de 75% tem natureza confiscatória, não acompanhando a melhor doutrina e jurisprudência sobre o assunto. Assim, ante o alegado caráter confiscatório, solicita a redução do percentual aplicado da multa de ofício de 75%, a fim de minorar os impactos financeiros sobre os cofres públicos municipais. A multa é consequência da constatação da infração à legislação tributária e os juros decorrem do pagamento da obrigação fora do prazo previsto na legislação. O artigo 142 do CTN 2 prevê que a autoridade lançadora tem o dever de lavrar a multa de ofício, sob pena de responsabilidade funcional, visto que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória. Nos casos de lançamento de ofício, como se configura a situação presente, as multas aplicadas são as previstas no artigo 44, inciso I da Lei nº 9.430 de 1996 3 e os juros de mora estão dispostos no artigo 61, § 3º da referida lei 4 , não havendo previsão para reduzi-los. Em relação a alegação do caráter confiscatório da multa, a despeito da posição jurisprudencial mencionada, é uma apreciação a ser feita previamente pelo legislador ou no controle da constitucionalidade pelo judiciário. Uma vez vigente a lei, esta goza presunção de constitucionalidade, não cabendo ao aplicador negar sua aplicação sob argumentos desta natureza. No que diz respeito à invocação da violação aos princípios constitucionais aplica- se o disposto na Súmula CARF n° 2, de observância obrigatória por seus Conselheiros: Súmula CARF nº 2 Aprovada pelo Pleno em 2006 2 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 3 LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) 4 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Fl. 27733DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 2201-011.799 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.726249/2019-65 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional o que impede ao fisco de qualquer discricionariedade no momento da constituição do crédito tributário de não exigir a multa de ofício e os juros de mora em virtude do descumprimento a destempo da obrigação tributária. Do exposto, nada a prover neste tópico. Da Necessidade de Perícia e Juntada Posterior de Novos Documentos. O Recorrente faz menção ao artigo 16, inciso IV do Decreto nº 70.235 de 1972 para em seguida informar que dispõe de todos os comprovantes de recolhimentos do período fiscalizado, para posterior juntada do que mais se fizer necessário e aproveita para indicar perita que possa esclarecer e apresentar todas as informações necessárias a fim de provar os fatos aqui arguidos, indicando, por fim, dados de profissional e endereço de perito. Acerca dos pedidos de diligência e de juntada posterior de documentos, bem como seus efeitos, assim dispõe o artigo 16 do Decreto nº 70.235 de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador.(Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de Fl. 27734DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 2201-011.799 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.726249/2019-65 uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) O deferimento do pedido de diligência pressupõe o cumprimento dos requisitos do inciso IV, sob pena de ser considerado não formulado o pedido, nos termos do § 1º do artigo 16 do referido Decreto nº 70.235 de 1972. No caso em análise, sendo ônus exclusivo do contribuinte trazer a colação elementos de provas para comprovar suas alegações, deixou de fazê-lo em todas as oportunidades em que deveria ter se manifestado nos autos. A realização de diligência/perícia não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória. Ademais, não há qualquer cerceamento do direito de defesa o indeferimento de pedidos de diligência ou perícia quando estes se mostram desnecessários e protelatórios. Constando dos autos todos os elementos necessários à convicção do julgador, não se justifica tal pretensão. Aliás, nesse sentido, dispõem os artigos 18 e 29 do referido Decreto nº 70.235 de 1972, abaixo transcritos: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. No caso em análise houve a motivação pelo indeferimento da diligência solicitada, sendo esta baseada no próprio Decreto nº 70.235 de 1972, que faculta ao julgador indeferi-las, quando considerá-las prescindíveis à solução do litígio instaurado, conforme se observa da reprodução do seguinte excerto do acórdão recorrido (fl. 27.691 e pág. PDF 7.484 da parte 3): (...) As regras de direito, expostas acima, são claras: o Interessado pode apresentar provas após a protocolização da Impugnação desde que sua situação se enquadre em uma das três alíneas do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72 13 . Ademais, com o perdão pela repetição, não se pode olvidar que as provas são produzidas para afetar a livre convicção motivada do julgador - art. 29 do Decreto 70.235/72. Descabe a realização da perícia solicitada. No caso em tela as provas estão à disposição do Impugnante, cabe a ele comprovar quais servidores estão no RPPS e quanto foi pago a título de remuneração para cada servidor e para o conjunto deles em cada competência, ainda mais quando não foram entregues todos os documentos solicitados na fase de fiscalização. É do Interessado o ônus da prova. A perícia tem outra finalidade, envolve dúvidas técnicas que não é o caso que se afigura, tampouco deve ser utilizada como mecanismo de inversão do ônus da prova. Ademais, não foram cumpridos todos os requisitos expressos no inciso IV do art. 16 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972. Desta forma e em conformidade com o artigo 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, indefiro os pedidos de diligência e perícia, por considerá- las prescindíveis para o julgamento da presente lide, pois, como visto, as Fl. 27735DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 2201-011.799 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.726249/2019-65 perícias/diligências não devem ser utilizadas como mecanismo de inversão do ônus da prova, do Interessado para a Administração Tributária Federal. (...) ____________________ 13 Cita-se, ad argumentandum tantum, os ensinamentos de Fabiana Del Padre Tomé, verbis: “A função persuasiva da prova, voltada a formar a convicção do julgador acerca da existência ou inexistência dos fatos alegados no processo, não autoriza que a produção probatória se prolongue indefinidamente no tempo. O sistema jurídico estabelece limites temporais à produção da prova”. (A prova no Direito Tributário, 2ª edição, 2008, Editora Noeses) Ademais, nos termos da Súmula CARF nº 163, abaixo reproduzida, de observância obrigatória por parte de seus membros, nos termos do artigo 123, § 4º do RICARF, não se configura cerceamento de defesa o indeferimento fundamentado de requerimento de diligência: Súmula CARF nº 163 Aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.(Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Jurisprudência, Decisões Administrativas e Doutrina. No que concerne à interpretação da legislação e ao entendimento jurisprudencial indicado pela Recorrente, nos termos do artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN), somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso. Quanto a jurisprudência de tribunais e administrativa e o entendimento doutrinário colacionado pelo Recorrente, cabe esclarecer que os efeitos das decisões judiciais, conforme artigo 503 da Lei nº 13.105 de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil), somente obrigam as partes envolvidas, uma vez que a sentença judicial tem força de lei nos limites das questões expressamente decididas. Além disso, cabe ao conselheiro do CARF o dever de observância obrigatória de decisões definitivas proferidas pelo STF e STJ, após o trânsito em julgado do recurso afetado para julgamento como representativo da controvérsia, consoante disposição contida no artigo 98 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634 de 21 de dezembro de 2023 5 . 5 Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou II - fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103-A da Constituição Federal; b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) dispensa legal de constituição, Ato Declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional ou parecer, vigente e aprovado pelo Procurador-Geral da Fazenda Nacional, que conclua no mesmo sentido do pleito do particular, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 27736DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 2201-011.799 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.726249/2019-65 De aduzir-se, em conclusão, que a jurisprudência trazida aos autos pelo Recorrente não vincula este julgamento na esfera administrativa. Conclusão Por todo o exposto e por tudo mais que consta dos autos, vota-se em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Débora Fófano dos Santos d) Parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da Advocacia-Geral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Fl. 27737DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10183.729918/2019-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2016
DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. NULIDADE CARACTERIZADA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
É nula a decisão de primeira instância que deixa de enfrentar quesito constante da impugnação do sujeito passivo, cuja análise seja essencial para solucionar a controvérsia.
Numero da decisão: 2201-011.791
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para declarar a nulidade do acórdão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para que seja prolatada nova decisão.
Nome do relator: THIAGO ALVARES FEITAL
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NULIDADE CARACTERIZADA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. É nula a decisão de primeira instância que deixa de enfrentar quesito constante da impugnação do sujeito passivo, cuja análise seja essencial para solucionar a controvérsia. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para declarar a nulidade do acórdão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para que seja prolatada nova decisão. Assinado Digitalmente Thiago Álvares Feital – Relator Assinado Digitalmente Marco Aurelio de Oliveira Barbosa – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Debora Fofano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Weber Allak da Silva, Wilderson Botto (suplente convocado(a)), Thiago Alvares Feital, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente). Fl. 102DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.791 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.729918/2019-13 2 RELATÓRIO Do lançamento A autuação (fls. 04-07) versa sobre lançamento suplementar do ITR/2016, multa proporcional (75,0%) e juros de mora calculados até 11/06/2019, incidentes sobre o imóvel rural “Fazenda Passargada VIII” (NIRF 8.263.810-1), com área total declarada de 1.268,4 ha, localizado no município de Primavera do Leste - MT, em virtude de ausência de comprovação do valor da terra nua (VTN) declarado pelo contribuinte, o qual teria sido subavaliado. Da Impugnação Inconformado com o lançamento, o recorre apresentou Impugnação (fls. 39-44), argumentando preliminarmente que não é sujeito passivo do tributo, uma vez que a propriedade das terras adquiridas em 19/03/2013, teve os títulos definitivos emitidos em 21/06/2013, e foi registrada em 27/06/2019. Assim, até esta última data a área era de propriedade do estado do Mato Grosso, pessoa imune, nos termos do art. 150, VI, “a”, da Constituição da República. Em relação ao mérito, aduz, em apertada síntese que: a) Em 19.03.2013, adquiriu uma área de terras devolutas do Estado do Mato Grosso, localizada no Município de Primavera do Leste, com área de 1.268,4063 hectares, composta por dois títulos de posse. Na aquisição da referida área de terras, o Estado de Mato Grosso, através do INTERMAT - Instituto de Terras do Mato Grosso, levando em consideração os elementos técnicos do órgão, que após vistoria "in loco" considerou a área como sendo de utilização limitada, emitiu laudo de avaliação para a cobrança de VTN, no valor de R$ 177,75 por hectare, tendo sido o imposto devidamente quitado; b) Em 21.06.2013, foram expedidos os títulos definitivos da área, conforme documentos em anexo, onde consta o valor pago a título de quitação da área. Em 2013, declarou o ITR da referida área, recolhendo o valor com base no documento Oficial emitido pelo Estado do Mato Grosso, ou seja, a VTN efetivamente paga, conforme consta da guia de recolhimento e dos títulos definitivos de posse anexos; c) Considerando que a notificação refere-se ao ITR do ano de 2016, não se mostra plausível a exigência de apresentação de laudo de avaliação daquela época. Isto porque, o Poder Público procedeu na avaliação oficial do bem, quando da expedição dos títulos definitivos de posse (2013). Sendo que a avaliação realizada pelo Estado do Mato Grosso, mediante licitação pública, através do Instituto de Terras — INTERMAT tem fé pública. d) No caso concreto, a regularização de posse em favor do notificado decorreu de licitação pública, diretamente pelo Poder Público - Estado do Mato Grosso. Desta Fl. 103DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.791 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.729918/2019-13 3 forma, o valor efetivamente pago para a titulação do bem deve servir tanto para fins de cálculo do imposto de transmissão como para fins de cálculo do imposto territorial rural - ITR, conforme orientação jurisprudencial. Pede, ao final, o cancelamento do lançamento referente ao exercício de 2016. Da decisão em Primeira Instância A DRJ deliberou pela improcedência da Impugnação (fls. 62-65), mantendo o crédito tributário, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2016 DO VALOR DA TERRA NUA - VTN Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2016 com base no SIPT/RFB, por não ter sido apresentado laudo técnico de avaliação com ART/CREA, conforme a NBR 14.653-3 da ABNT, demonstrando o valor fundiário do imóvel, à época do fato gerador do imposto, e suas peculiaridades desfavoráveis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário O contribuinte recorreu da decisão de primeira instância (fls. 73-80), reiterando os argumentos formulados na Impugnação e acrescentando que a) A área foi alienada ao Recorrente pelo valor de pauta, estimado através de licitação pública em R$ 177,75 por hectare, conforme consta do próprio título definitivo de posse. Assim, deve ser considerada esta estimativa para fins legais, uma vez que detém fé-pública. b) Não se justifica a pretensão do Fisco de cobrar valor complementar de ITR, pautado no Sistema de Preços de Terra (SIPT) que, diversamente da avaliação oficial realizada pelo Estado do Mato Grosso - para fins de alienação - levou em consideração as peculiaridades específicas da área pertencente a notificada. c) não foram consideradas algumas características peculiares do imóvel, como por exemplo: (a) o imóvel em apreço fica localizado a uma distância de 80km da via asfaltada, sendo acessado apenas por estrada de chão; (b) o imóvel não possui energia elétrica ou água encanada; (c) o imóvel esteve envolvido em litígio judicial por mais 30 anos e, (d) durante este período (até 2012), esteve invadido por terceiros, não sendo utilizado para o cultivo e manejo adequados, ocasionando o empobrecimento do solo por falta de insumos. d) Por outro lado, avaliação oficial realizada pelo INTERMAT, realizada com vistoria in loco, validou a situação fática, e considerou dentre as peculiaridades do imóvel, o elevado investimento que o Recorrente terá que realizar ao longo dos anos, Fl. 104DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.791 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.729918/2019-13 4 para que o imóvel volte a ter sua capacidade produtiva e, com isso, obtenha valorização compatível com o mercado local. e) Cita julgados e dispositivos legais para afirmar que não se pode considerar como base de cálculo aquele valor genérico da VTN atribuído pelo Fisco, mas sim o valor efetivamente pago para a titulação do bem, que já serviu para fins de cálculo do imposto de transmissão e também deve guiar o cálculo do imposto territorial rural - ITR, conforme orientação jurisprudencial. Diante destes argumentos, pede que seja declarada a “[…] ilegalidade passiva do Recorrente para responder pelo lançamento. No mérito, impugna a avaliação apresentada pelo sistema SIPT, requerendo seja considerada aquela avaliação apresentada pelo Recorrente, realizada pelo Instituto de Terras do Mato Grosso-INTERMAT, através de licitação pública, e que detém fé- pública, servindo de base para a expedição do título definitivo de posse e para a cobrança do ITBI - amparado em decisão judicial. Com isso, há de ser cancelado em definitivo qualquer lançamento complementar de ITR referente ao exercício de 2016.” Da conversão do julgamento em diligência Em sessão de 05 de outubro de 2022, esta Turma, com outra composição, deliberou por converter o julgamento em diligência (fls. 93-95), nos seguintes termos: Em sede recursal o contribuinte questiona a falta de informações detalhadas no sistema SITP. De fato, a página do Sistema de Terras não se encontra no processo – e com isso não se tem como saber se houve a aptidão agrícola foi levada em consideração, e se para o cálculo cabe adotar a média da região como base. Deve haver, portanto, diligência para incluir no processo as informações do sistema SIPT. Cumpriu-se a diligência por meio da juntada aos autos de tela do sistema SIPT (fl. 97), a qual estampa os seguintes dados: VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA EXERCÍCIO : 2016 UF : MT NOME DO MUNICÍPIO : PRIMAVERA DO LESTE ORIGEM INFORMAÇÃO : PREFEITURA MUNICIPAL VTN DITR : 3.067,14 APTIDÃO AGRÍCOLA VTN MÉDIO/HA LAVOURA - APTIDAO REGULAR 4.255,79 PASTAGEM PLANTADA 1.823,91 Veja-se que idênticos valores constavam do Termo de Intimação Fiscal n.º 9871/00051/2019 à fl. 16. Fl. 105DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.791 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.729918/2019-13 5 VOTO Conselheiro Thiago Álvares Feital, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Inicialmente, é preciso enfrentar a preliminar de ilegitimidade passiva. Argumenta o recorrente que, uma vez que o registro da propriedade do imóvel ocorreu apenas em 27/06/2019, até esta data este era de propriedade do estado do Mato Grosso, pessoa imune, nos termos do art. 150, VI, “a”, da Constituição da República. Deste modo, em relação ao período aqui autuado o eventual sujeito passivo do imposto é o mencionado ente federativo e, portanto, restaria afastada a legitimidade passiva do recorrente. Da leitura do acórdão impugnado, verifica-se que a questão não foi enfrentada pela DRJ. Por esta razão, não se pode apreciar agora o argumento, sob pena de supressão de instância. Esta a razão pela qual deve-se dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para declarar a nulidade do acórdão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para que seja prolatada nova decisão Assinado Digitalmente Thiago Álvares Feital Relator Fl. 106DF CARF MF Original
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Numero do processo: 16306.000081/2010-23
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 30/12/2003
RESTITUIÇÃO. IRRF. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO (JCP). ART. 8° DA LEI 9.779/99. CONCEITO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE QUALQUER OPERAÇÃO. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO EM PAÍS COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA. APLICÁVEL A JCP.
O conceito de rendimentos decorrentes de qualquer operação, previsto no art. 8º da Lei 9.779/99, é aplicável aos pagamentos de JCP feitos a beneficiários residentes ou domiciliados em países com tributação favorecida, portanto, é de se aplicar a alíquota de 25% de retenção na fonte sobre tais pagamentos.
Numero da decisão: 9202-011.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, e no mérito, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Régis Xavier Holanda – Presidente em Exercício
(documento assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Leonam Rocha de Medeiros, Mario Hermes Soares Campos, Fernanda Melo Leal, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Regis Xavier Holanda (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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IRRF. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO (JCP). ART. 8° DA LEI 9.779/99. CONCEITO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE QUALQUER OPERAÇÃO. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO EM PAÍS COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA. APLICÁVEL A JCP. O conceito de "rendimentos decorrentes de qualquer operação", previsto no art. 8º da Lei 9.779/99, é aplicável aos pagamentos de JCP feitos a beneficiários residentes ou domiciliados em países com tributação favorecida, portanto, é de se aplicar a alíquota de 25% de retenção na fonte sobre tais pagamentos. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, e no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Leonam Rocha de Medeiros, Mario Hermes Soares Campos, Fernanda Melo Leal, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Regis Xavier Holanda (Presidente em Exercício). Fl. 307DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.340 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 16306.000081/2010-23 2 RELATÓRIO Trata-se de Recurso Especial interposto pelo Sujeito Passivo. Na origem, cuida-se de Pedido de Restituição de IRRF sobre JCP, indeferido pela Delegacia da RFB ao argumento de que uma vez remetidos a países ou dependências com tributação favorecida, a alíquota aplicável seria justamente aquela de que se valeu o requerente, é dizer, de 25%, e não a de 15%, como pretendido. O Despacho Decisório encontra-se às fls. 97/101. Houve apresentação de Manifestação de Inconformidade contra a decisão, acostada às fls. 104/135. Por sua vez, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP julgou-a (a decisão) procedente às fls. 156/161. Apresentado Recurso Voluntário às fls. 167/189, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção, negou-lhe provimento por meio do acórdão 1402-005.473 às fls. 204/212. Irresignado, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial às fls. 221/244, pugnando, ao final, fosse conhecido e provido o apelo. Em 23/12/22 - às fls. 289/295 - foi dado seguimento ao recurso para que fosse rediscutida a matéria “enquadramento dos JCP no conceito de ‘rendimentos decorrentes de qualquer operação’, presente no art. 8º da Lei nº 9.779/1999”. Intimado do recurso interposto pelo contribuinte em 5/5/23 (processo movimentado em 6/4/23 – fl. 296), a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões tempestivas às fls. 297/303 em 6/4/23 (fl. 304), propugnando pelo desprovimento do recurso. É o relatório. VOTO Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti - Relator O recorrente tomou ciência do acórdão de recurso voluntário em 18/7/22 (fl. 217) e apresentou seu Recurso Especial tempestivamente em 2/8/22, conforme se extrai de fl. 219. Não havendo questionamentos em contrarrazões e preenchidos os demais pressupostos para a sua admissibilidade, dele conheço. Como já relatado, o recurso teve seu seguimento admitido para que fosse rediscutida a matéria “enquadramento dos JCP no conceito de ‘rendimentos decorrentes de qualquer operação’, presente no art. 8º da Lei nº 9.779/1999”. O acórdão recorrido apresentou a seguinte ementa, naquilo que interessa ao caso: Fl. 308DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.340 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 16306.000081/2010-23 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 30/12/2003 RESTITUIÇÃO. IRRF. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO (JCP). ART. 8° DA LEI 9.779/99. CONCEITO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE QUALQUER OPERAÇÃO. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO EM PAÍS COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA. APLICÁVEL A JCP. O conceito de "rendimentos decorrentes de qualquer operação", previsto no art. 8 da Lei 9.779/99, é aplicável sobre os pagamentos de JCP feitos a beneficiários residentes ou domiciliados em países com tributação favorecida, de acordo com o art. 24 da Lei 9.430/96, incidente, portanto, a alíquota de 25% de retenção na fonte sobre tais pagamentos. ART. 13, § 1° DA IN SRF N° 252/2002. FUNDAMENTO LEGAL. ART. 8° DA LEI 9.779/99. . O fundamento legal para o art. 13 § 1° da IN SRF n° 252/2002 é o art. 8° da Lei 9.779/99. Por outro lado, a decisão se deu no seguinte sentido: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo os lançamentos. Como já relatado, busca o recorrente a restituição de parte do recolhimento do IRRF sobre pagamentos de JCP. Recolheu sob uma alíquota de 25%, mas defende que o correto seria na de 15%. Em resumo, sustenta que pagamentos de JCP não se amoldam ao estabelecido no artigo 8º da Lei 9.779/99, que impõe a tributação de 25% sobre os “rendimentos decorrentes de qualquer operação” em que o beneficiário seja residente ou domiciliado em país com tributação favorecida. Art.8o Ressalvadas as hipóteses a que se referem os incisos V, VIII, IX, X e XI do art. 1oda Lei no 9.481, de 1997, os rendimentos decorrentes de qualquer operação, em que o beneficiário seja residente ou domiciliado em país que não tribute a renda ou que a tribute à alíquota máxima inferior a vinte por cento, a que se refere o art. 24 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, sujeitam-se à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de vinte e cinco por cento. Anoto que a discussão cinge-se à subsunção, ou não, dos Juros sobre Capital Próprio ao conceito de “rendimentos decorrentes de qualquer operação” a que alude o artigo acima. Defende o recorrente que a alíquota aplicada à espécie seria aquela prevista no artigo 9º da Lei 9.249/95, verbis: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do Fl. 309DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.340 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 16306.000081/2010-23 4 patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo - TJLP. [...] § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário Não comungo do seu entendimento. Cumpre destacar, de início, que não me afigura razoável o comparativo pretendido pelo recorrente no que tange ao tratamento tributário dado às remessas ao exterior a países com tributação favorecida quando estamos a abordar o pagamento de JCP e a distribuição de lucros, pelo simples fato de que enquanto o primeiro é submetido à tributação pela legislação doméstica; o segundo, não. E isso me parece primordial para justificar o tratamento dado às remessas ao exterior num e noutro caso. Também não concordo com a afirmação de que a Lei 9.249/95 seria, no caso, mais específica, em relação à Lei 9.779/99. Ora, sob o ângulo do tratamento tributário dado às remessas de rendimentos ao exterior à países com tributação favorecida – e é do que se trata aqui - não tenho dúvidas de que a Lei 9.779/99, que, de fato, em nada revogou ou alterou as disposições do § 2º da Lei 9.249/95 e que continuou a ser aplicada aos demais pagamentos de JCP; é mais específica, quanto ao tema, do que esta última. Dito isso, em não havendo disposição específica para o tratamento dado às remessas de JCP a países com tributação favorecida, há de se concluir que elas estão, indubitavelmente, abarcadas pela expressão “rendimentos decorrentes de qualquer operação” trazida no caput daquele artigo 8º, onde se encontra positivada, inclusive, a exceção a esse então novo regramento (incisos V, VIII, IX, X e XI do art. 1o da Lei no 9.481, de 1997). Anote-se, nesse ponto, que a expressão é ampla o suficiente a considerar qualquer rendimento, seja ele em razão do trabalho, seja ele em função do capital investido, o que, a meu ver, abarcaria os JCP. Quanto às disposições da Lei 9.430/96, registre-se que os artigos 18 a 22 versavam sobre o tratamento dado às receitas e aos custos/despesas, para a determinação do lucro real, quando provenientes de operação realizada entre pessoas vinculadas aqui e no exterior. Especificamente em relação ao artigo 22, ele tratava do limite de dedutibilidade dos juros na apuração do lucro real e não da alíquota aplicada sobre a remessa a esse título. O artigo 24 nada mais fez do que estender essas mesmas regras para a determinação do lucro real às operações realizadas entre residentes no Brasil e pessoa física ou jurídica domiciliadas em países com tributação favorecida, independentemente de serem, ou não, vinculadas. Fl. 310DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.340 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 16306.000081/2010-23 5 Logo, não vejo razão ao recorrente, razão pela qual entendo perfeitamente adequados à solução do caso, os fundamentos esposados pelo voto condutor do recorrido, que ora adiciono às minhas razões de decidir, nos seguintes termos e com destaque a temática do que seria “operação”: [...] 11. O Recorrente não enquadra JCP no conceito de operação. Ele indica três características que fariam com que o instituto analisado (JCP) não se encaixe no conceito indicado. É de se observar, porém, que o Contribuinte não indica qual seria o conceito de operação, mais especificamente para a previsão no art. 8° da Lei 9.779/99. É fato que o dispositivo legal não deixa claramente se reconhecer qual seria tal conceito, por este motivo tenta se observar como ele poderia ser caracterizado a partir da análise da Constituição. 12. Dentro da parte destinada ao Sistema Tributário Nacional na Constituição, o termo “operação” aparece, dentre outros, nos artigos 149, III, “a” e § 3º; 153, V; 155, II e § 2° II “a” e “b”, todos transcritos abaixo. Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. [...] III - poderão ter alíquotas: a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; [...] § 3º A pessoa natural destinatária das operações de importação poderá ser equiparada a pessoa jurídica, na forma da lei. [...] Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: [...] V - Operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários; [...] Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: [...] II - Operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; Fl. 311DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.340 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 16306.000081/2010-23 6 [...] § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: [...] II - a isenção ou não-incidência, salvo determinação em contrário da legislação: a) não implicará crédito para compensação com o montante devido nas operações ou prestações seguintes; b) acarretará a anulação do crédito relativo às operações anteriores; 13. Em que pese nenhum deles estar inserido em dispositivos que dispõem sobre o imposto sobre a renda, percebe-se que eles não dizem respeito a apenas um tributo, mas se conceituando de forma geral para vários. Mais do que isto, a noção de operações no âmbito tributário está ligada a fato jurídico, com conteúdo econômico, proveniente de vontade entre as partes. Tal noção leva à ideia de negócio jurídico com conteúdo econômico, não excluindo assim, quando tal expressão está desacompanhada de algum adjetivo, às situações apontadas pelo Recorrente. Ora, o conceito de “operação” previsto na Constituição se caracteriza especialmente pelas relações jurídicas formadas pelos particulares, mais especificamente as contratuais. Veja-se, por exemplo, as operações de crédito, câmbio, seguros ou títulos ou valores mobiliários, no art. 153, V, todas elas demandam acordos entre as partes, negócio jurídico, que dá origem à formação de contratos entre tais pessoas. Qual seria a ocasião pela qual o conceito de operação não poderia incluir contratos sociais ou estatutos sociais como negócios jurídicos com conteúdo econômico? Não se vê como, nem o porquê. 14. Nesta mesma linha, não há fundamento para afastar o pagamento de JCP do conceito de operação, mesmo que não haja lucro no exercício ou por ele ser calculado sobre as contas do patrimônio líquido. Tais situações constituem situações contábeis, que podem ter efeitos jurídicos, mas para isto é necessário que haja norma que assim disponha, o que não há. Não se vê como tais situações possam descaracterizar o conceito de operação e a inclusão dos JCP neste, uma vez que não há dispositivo normativo que possa expressa ou implicitamente dispor neste sentido. Há de se ressaltar ainda que o próprio Contribuinte reconhece que os JCP são rendimentos. 15. Assim como a noção constitucional de operação, deve a interpretação do termo operação no art. 8° da Lei 9.779/99 ser ampla e inclusiva, pois o legislador assim a definiu. Com base neste entendimento se conclui que pagamento de JCP se caracteriza sim como “rendimentos decorrente de qualquer operação”. 16. Ainda com base no argumento relacionado ao conceito de JCP, o Contribuinte alega que o art. 9° da lei 9.249/95 seria aplicável ao instituto e não o art. 8° da Lei 9.779/99. Em sua visão, não há lei que tenha previsto o aumento de alíquota para retenção de JCP. Também não procede tal entendimento, uma vez que a Lei 9.779/99 prevê aplicação específica quanto à retenção na fonte de IR para Fl. 312DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.340 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 16306.000081/2010-23 7 distribuição de destes rendimentos a pessoas domiciliadas em países com tributação favorecida. [...] VII. Interpretação teleológica e com base em analogia 22. Com últimos argumentos, a Requerente afirma que a lei 9.779/99 suprimiria a finalidade da lei 9.249/95 quanto aos JCP, pois mesmo com a tributação de 25% seria vantajoso ter sócios ou acionistas em jurisdições com tributação favorecida. Por outro lado, se as alíquotas fossem as mesmas, seria mais vantajoso que os acionistas celebrassem contratos com a sociedade aqui no Brasil, do que se incrementassem o capital social. A alíquota de 25% leva a crer que a descapitalização de empresas que tenham sócios ou acionistas em países de tributação favorecida estaria sendo incentivada. Com fundamento na analogia, alega que não existe nada que permita à Receita efetuar distinção entre pagamento de dividendos a jurisdição com tributação favorecida e pagamento de dividendos a estes mesmos países. 23. Sobre o primeiro argumento, ainda que se possa ter os efeitos descritos, não cabe a este Conselho alterar ou impedi-los, uma vez que há previsão legal que sobre o pagamento de JCP a beneficiário domiciliado em país com tributação favorecida incide o IRRF com alíquota de 25%. A aplicação de eventual interpretação teleológica no sentido proposto ultrapassa os limites da interpretação, suprimindo, aí sim, lei válida e vigente, bem como regras de solução de antinomia de normas, pois a lei 9.779/99 é específica e mais recente. Não há, portanto, justificativa para o afastamento de sua cogência. 24. O mesmo ocorre com a interpretação com base em analogia. A diferença no tratamento quanto ao local onde o contribuinte está localizado foi definida pelo legislador. A não aplicação da referida norma conduziria à necessidade de analise da constitucionalidade ou eventual ilegalidade da lei, o que, como já se argumentou, não cabe a este Órgão julgar 25. Assim, não devem tais argumentos ser acolhidos. Forte no exposto, CONHEÇO do Recurso Especial para NEGAR-LHE provimento. (documento assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 313DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 11080.729869/2017-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 13 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/05/2012, 28/11/2012
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL.
É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
Numero da decisão: 1201-006.418
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Fl. 266DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.729869/2017-60 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Na origem, trata-se de Auto de Infração que veiculou a cobrança de Multa Isolada decorrente da não homologação de declarações de compensação transmitidas pelo contribuinte. O Acórdão Recorrido manteve parte do auto de infração. Em Recurso Voluntário, o Contribuinte defende: 1. Nulidade do lançamento pois somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva do processo de crédito; 2. Insubsistência do lançamento por inconstitucionalidade decorrente da violação ao direito de petição; 3. Retroação benigna da Lei nº 13.137/15, a qual revogou o § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que previa a aplicação da multa de 50% em caso de indeferimento do pedido de restituição; 4. Impossibilidade de concomitância da multa de mora com a multa isolada; 5. Necessidade de sobrestamento do feito até o julgamento em definitivo do RE nº 796.939/RS (Tema STF nº 736). É a síntese do necessário. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Inicialmente, reconheço a competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do Regimento Interno do CARF, e verifico que o recurso é tempestivo. No mais, o recurso preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 267DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.729869/2017-60 3 Preliminar de nulidade O Recorrente suscita como preliminar a nulidade do lançamento, alegando que somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva no processo de crédito nº 10880-911.566/2018-91. Alega que o lançamento em questão é regido pelo art. 116, II do CTN, pois o fato gerador da multa isolada seria situação jurídica que, como tal, só poderia ser reputada ocorrida após a constituição definitiva do crédito tributário. Penso, entretanto, que o fato gerador da multa isolada decorrente da não homologação de compensação é situação de fato, regida pelo inciso I do art. 116 do CTN. Desde a transmissão da declaração de compensação reputada indevida, produzem-se os efeitos a ela inerentes, notadamente a extinção do crédito tributário, embora sob condição resolutória de ulterior homologação, justificando-se a imposição da multa isolada desde então, muito embora sua exigibilidade seja suspensa caso interposta Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório proferido no Processo de Crédito (§18, art. 74, Lei nº 9.430/96). Não vislumbro portanto qualquer nulidade. Mérito No mérito, a alegação de inconstitucionalidade passa a ter novos efeitos perante o CARF diante do julgamento definitivo da contenda pelo STF no tema de repercussão geral nº 736 e da e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, que produz efeitos vinculantes aos membros deste colegiado, nos termos do inciso I, do §1º, do art. 62, RICARF anterior, correspondente ao art. 98, II, “b” do atual RICARF, que agora exige o já verificado trânsito em julgado da matéria. Vejamos a redação anterior: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016)” E a redação atual: “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou Fl. 268DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.729869/2017-60 4 II - fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103- A da Constituição Federal; b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária;” (grifo nosso) O Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 796939, com repercussão geral (Tema 736) e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo 17 do artigo 74 da Lei 9.430/1996 que prevê a incidência de multa isolada no caso de não homologação de pedido de compensação tributária pela Receita Federal. No voto pelo desprovimento do recurso da União, o ministro Edson Fachin, relator, observou que a simples não homologação de compensação tributária não é ato ilícito capaz de gerar sanção tributária, razão pela qual a aplicação automática da sanção, sem considerações sobre a intenção do contribuinte, tacharia de ilícito o próprio exercício do direito de petição constitucionalmente assegurado. A tese de repercussão geral fixada foi a seguinte: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. Portanto, tendo o STF decidido pela inconstitucionalidade da multa isolada, ora em discussão, torna-se inafastável o entendimento da Suprema Corte, devendo- se afastar integralmente a penalidade aplicada. Restam assim prejudicados os demais argumentos apresentados pelo Recorrente. Pelo exposto, conheço o Recurso Voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento integral. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Fl. 269DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.729869/2017-60 5 Fl. 270DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Preliminar de nulidade Mérito
score : 1.0
Numero do processo: 11080.729754/2016-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 13 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 21/07/2011
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL.
É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
Numero da decisão: 1201-006.402
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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conteudo_txt : Metadados => date: 2024-07-18T12:43:53Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-07-18T12:43:53Z; Last-Modified: 2024-07-18T12:43:53Z; dcterms:modified: 2024-07-18T12:43:53Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-07-18T12:43:53Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-07-18T12:43:53Z; meta:save-date: 2024-07-18T12:43:53Z; pdf:encrypted: false; modified: 2024-07-18T12:43:53Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-07-18T12:43:53Z; created: 2024-07-18T12:43:53Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2024-07-18T12:43:53Z; pdf:charsPerPage: 1422; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-07-18T12:43:53Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 11080.729754/2016-94 ACÓRDÃO 1201-006.402 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 13 de maio de 2024 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE BLUE II SPE - PLANEJAMENTO, PROMOCAO, INCORPORACAO E VENDA LTDA. RECORRIDA FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 21/07/2011 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Fl. 304DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.402 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.729754/2016-94 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Na origem, trata-se de Auto de Infração que veiculou a cobrança de Multa Isolada decorrente da não homologação de declarações de compensação transmitidas pelo contribuinte. O Acórdão Recorrido manteve o auto de infração alegando que o lançamento seria mera decorrência da não homologação das compensações, razão pela qual deveria seguir a mesma sorte. Em Recurso Voluntário, o Contribuinte defende: 1. Nulidade do lançamento pois somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva do processo de crédito; 2. Insubsistência do lançamento por inconstitucionalidade decorrente da violação ao direito de petição; 3. Retroação benigna da Lei nº 13.137/15, a qual revogou o § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que previa a aplicação da multa de 50% em caso de indeferimento do pedido de restituição; 4. Impossibilidade de concomitância da multa de mora com a multa isolada; 5. Necessidade de sobrestamento do feito até o julgamento em definitivo do RE nº 796.939/RS (Tema STF nº 736). É a síntese do necessário. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Inicialmente, reconheço a competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do Regimento Interno do CARF, e verifico que o recurso é tempestivo. No mais, o recurso preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 305DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.402 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.729754/2016-94 3 Preliminar de nulidade O Recorrente suscita como preliminar a nulidade do lançamento, alegando que somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva no processo de crédito nº 10880-911.566/2018-91. Alega que o lançamento em questão é regido pelo art. 116, II do CTN, pois o fato gerador da multa isolada seria situação jurídica que, como tal, só poderia ser reputada ocorrida após a constituição definitiva do crédito tributário. Penso, entretanto, que o fato gerador da multa isolada decorrente da não homologação de compensação é situação de fato, regida pelo inciso I do art. 116 do CTN. Desde a transmissão da declaração de compensação reputada indevida, produzem-se os efeitos a ela inerentes, notadamente a extinção do crédito tributário, embora sob condição resolutória de ulterior homologação, justificando-se a imposição da multa isolada desde então, muito embora sua exigibilidade seja suspensa caso interposta Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório proferido no Processo de Crédito (§18, art. 74, Lei nº 9.430/96). Não vislumbro portanto qualquer nulidade. Mérito No mérito, a alegação de inconstitucionalidade passa a ter novos efeitos perante o CARF diante do julgamento definitivo da contenda pelo STF no tema de repercussão geral nº 736 e da e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, que produz efeitos vinculantes aos membros deste colegiado, nos termos do inciso I, do §1º, do art. 62, RICARF anterior, correspondente ao art. 98, II, “b” do atual RICARF, que agora exige o já verificado trânsito em julgado da matéria. Vejamos a redação anterior: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016)” E a redação atual: “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou Fl. 306DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.402 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.729754/2016-94 4 II - fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103- A da Constituição Federal; b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária;” (grifo nosso) O Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 796939, com repercussão geral (Tema 736) e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo 17 do artigo 74 da Lei 9.430/1996 que prevê a incidência de multa isolada no caso de não homologação de pedido de compensação tributária pela Receita Federal. No voto pelo desprovimento do recurso da União, o ministro Edson Fachin, relator, observou que a simples não homologação de compensação tributária não é ato ilícito capaz de gerar sanção tributária, razão pela qual a aplicação automática da sanção, sem considerações sobre a intenção do contribuinte, tacharia de ilícito o próprio exercício do direito de petição constitucionalmente assegurado. A tese de repercussão geral fixada foi a seguinte: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. Portanto, tendo o STF decidido pela inconstitucionalidade da multa isolada, ora em discussão, torna-se inafastável o entendimento da Suprema Corte, devendo- se afastar integralmente a penalidade aplicada. Restam assim prejudicados os demais argumentos apresentados pelo Recorrente. Pelo exposto, conheço o Recurso Voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento integral. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Fl. 307DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.402 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.729754/2016-94 5 Fl. 308DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Preliminar de nulidade Mérito
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Numero do processo: 10930.001388/2002-99
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2006
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. DEPÓSITO JUDICIAL. MULTA E JUROS DE MORA. Quando comprovado o depósito judicial, até a data do vencimento da obrigação tributária, do montante integral do crédito tributário, não cabe a aplicação de multa de ofício nem de juros de mora.
Recurso provido.
Numero da decisão: 204-01.070
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: ADRIENE MARIA DE MIRANDA
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Ministério da Fazenda .utur. ft• de tonttbiaas "Y"P+--- <H( Segundo Conselho de Contribuintes Caratcojciat Fl. :91...... ';f-Cisi":2; te 0pubiosestons°,0 peio i 1 _123;1--- tu Processo n2 : 10930.00138812002-99 tit—st—n--- Ront• 41111"" Recurso n2 : 126.474 Acórdão n2 : 204-01.070 Recorrente : GE — SUL EMPREEDIMENTOS LTDA. Recorrida : DRJ em Curitiba - PR NORMAS PROCESSUAIS. DEPÓSITO JUDICIAL. MULTA i MIN. DA FAZENDA - 22 CC E JUROS DE MORA. Quando comprovado o depósito judicial, CONFERE COM O ORIGIN4J.. até a data do vencimento da obrigação tributária, do montante BRASÍLIA h? 12 integral do crédito tributário, não cabe a aplicação de multa de ofício nem de juros de mora. 7 Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por GE — SUL EMPREEDIMENTOS LTDA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 21 de fevereiro de 2006. enrique Pinheiro To es Presidente ara k f til I sfen luffafia de ir.andP4D R t 1 a • - Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Flávio de Sá Munhoz, Nayra Bastos Manatta, Rodrigo Bemardes de Carvalho, Júlio César Alves Ramos e Sandra Barbon Lewis 1 e. MIN. DA FAZENDA - 29 CC 22 CC-MFMinistério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL t:•..'1" Segundo Conselho de Contribuintes BRASILIA IA I o4 ICIL — Processo ni : 10930.001388/2002-99 a:TC Recurso ui : 126.474 Acórdão n2 : 204-01.070 Recorrente : GE – SUL EMPREEDIMENTOS LTDA. RELATÓRIO Trata-se de auto de infração originado de auditoria interna na DCTF referente ao segundo trimestre de 1997, para exigência da Cotins. Na DCTF, segundo a fiscalização, constam valores informados a título de "VALOR DO DÉBITO APURADO DECLARADO", cujos créditos vinculados, informados como "Exigibilidade Suspensa", em face do Processo n° 95.2013379-8, não foram confirmados, sob a ocorrência: "Proc jud de outro CNPJ". A contribuinte apresentou, em 11/04/2002, a impugnação de fls. 01/02, acompanhada dos documentos de fls. 03/96, no qual sustenta que ingressou em juízo, por meio de mandado de segurança preventivo e com pedido de liminar, processado sob o n° 95.2013379-8, na 2' Vara da Justiça Federal em Londrina - PR, questionando a incidência da Cofins sobre a venda e locação de imóveis, tendo efetuado depósitos judiciais relativos às contribuições informadas nas DCTFs em questão. Nesse passo, uma vez que os valores estão com sua exigibilidade suspensa, não é cabível o lançamento de multa e juros de mora, conforme jurisprudência desse Col. Conselho de Contribuintes. A DRJ em Curitiba - PR houve por bem julgar o lançamento procedente em acórdão assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. São aplicáveis no lançamento fiscal, por falta de recolhimento, a multa de ofício e os juros de mora previstos em lei, ainda que em face da existência de depósitos judiciais. SUSPENSÃO DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Descabe a suspensão do lançamento, para se aguardar a decisão judicial definitiva, por falta de previsão legal. (fls. 98) Inconformada, a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 108/113, no qual reitera a improcedência da multa e dos juros de mora, haja vista os valores terem sido objeto de depósito judicial, arrolando precedentes desse Col. Conselho no sentido das suas razões. É o relatório. ir 2 4. vir- Ministério da Fazenda MIN. DA FAZENDA - 2 9 CC CC-MF d. Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O ORIGINAL BRASILIA 01 Processo n't : 10930.001388/2002-99 Recurso n2 : 126.474 6fo Acórdão nt : 204-01.070 VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA ADRIENE MARIA DE MIRANDA O recurso preenche os requisitos mínimos de admissibilidade, em virtude do que dele tomo conhecimento. Consoante se verifica do relatório, a ora recorrente ajuizou, em setembro de 1995, mandado de segurança questionando a incidência da Cofins sobre a venda e a locação de bens imóveis. Visando suspender a exigibilidade do crédito durante o trâmite do processo, procedeu ao depósito judicial dos valores que eventualmente seriam devidos, conforme inclusive comprova extrato de fls. 114/116 emitido pela própria Receita Federal. A fiscalização, em auditoria interna na DCTF, lavrou auto de infração exigindo a Cofins referente ao 2° trimestre de 1997, bem como multa de ofício e juros de mora. Questiona a contribuinte a cobrança da multa de ofício e dos juros de mora com fulcro na jurisprudência desse Eg. Conselho de Contribuintes no sentido de que a realização do depósito judicial elide ambos os consectários. Lembra, ainda, que, o art. 63 da Lei n° 9.430/96 expressamente determina não ser cabível o lançamento de multa de ofício a constituição de débito tributo cuja exigibilidade houver sido suspensa. O recurso voluntário ofertado merece ser provido. De fato, já decidiu esse Eg. Conselho de Contribuinte, por diversas vezes, que o depósito judicial dos valores elide a incidência da multa de ofício, porquanto suspende a exigibilidade do crédito, bem como afasta o cômputo dos juros moratórios, verbis: DEPÓSITO JUDICIAL — MULTA E JUROS DE MORA — Quando comprovado o depósito judicial, até a data do vencimento da obrigação tributária, do montante integral do crédito tributário, não cabe a aplicação da multa de oficio de juros de mora. (CSRF/02-01.095, Rel. Cons. Sérgio Gomes Velloso, 4 22/01/2002, negritamos) COFINS - CONSTITUCIONALIDADE. A constitucionalidade da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS, criada pela Lei Complementar n° 70/91, está definitivamente reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, o que legitima seu recolhimento incidente sobre o faturamento da empresa DEPÓSITO JUDICIAL O depósito judicial de débitos, que se encontram em discussão judicial, afasta a exigência de qualquer importância a titulo de juros de mora e multa de ofício. Recurso provido em parte. (AC 201-74078, Rd Cons. Valdemar Ludvig dj 19/10/2000, negritamos) COFINS. CONVERSÃO DO DEPÓSITO EM RENDA. A conversão do depósito em renda quando este se deu no montante integral do débito extingue o crédito tributário. LANÇAMENTO DE OFICIO - EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO JUDICIAL MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. DESCABIME1VTO. Não cabe a cobrança de multa de oficio quando o auto de infração foi lavrado com exigibilidade suspensa, nem juros de mora, se houver depósito no montante integral do débito. Recurso de oficio negado. (AC 203-09968, Rel. Cons. Leonardo de Andrade Couto, d.j. 28/01/2005, negritamos) eft 3 L '45 DA FAZENDA - 2CC 22 CC-MF "r "fie: Ministério da Fazenda. n. 'r Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O ORIGINAL mastim 1?..1..2 1-£1— Processo n2 : 10930.001388/200249 Recurso n2 : 126.474 Acórdão n2 : 204-01.070 • A exigência do principal, registre-se, também não prospera. Isso porque, tendo transitado em julgado decisão desfavorável à contribuinte, os depósitos judiciais serão convertidos em renda da União, dando-lhe quitação. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 21 de fevereiro de 2006. N . '154 - s It • I 9.• r D. Mr. Ir PA ir 4 Page 1 _0062500.PDF Page 1 _0062600.PDF Page 1 _0062700.PDF Page 1
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