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Numero do processo: 10680.722696/2012-12
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. PROVIMENTO INTEGRAL. EXECUÇÃO DO ACÓRDÃO. IRRESIGNAÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. CARÊNCIA DE OBJETO.
A decisão de procedência da manifestação de inconformidade esgota a lide, configurando carência de objeto a irresignação contra conflito que surja na execução do acórdão, a ser solucionado segundo regra do Processo Administrativo Tributário, veiculado pela Lei nº 9.784/99.
Numero da decisão: 3803-004.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, por carência de objeto. Vencido o conselheiro Hélcio Lafetá Reis, que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. PROVIMENTO INTEGRAL. EXECUÇÃO DO ACÓRDÃO. IRRESIGNAÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. CARÊNCIA DE OBJETO. A decisão de procedência da manifestação de inconformidade esgota a lide, configurando carência de objeto a irresignação contra conflito que surja na execução do acórdão, a ser solucionado segundo regra do Processo Administrativo Tributário, veiculado pela Lei nº 9.784/99.
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RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. PROVIMENTO INTEGRAL. EXECUÇÃO DO ACÓRDÃO. IRRESIGNAÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. CARÊNCIA DE OBJETO. A decisão de procedência da manifestação de inconformidade esgota a lide, configurando carência de objeto a irresignação contra conflito que surja na execução do acórdão, a ser solucionado segundo regra do Processo Administrativo Tributário, veiculado pela Lei nº 9.784/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, por carência de objeto. Vencido o conselheiro Hélcio Lafetá Reis, que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 26 96 /2 01 2- 12 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 19/11/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10680.722696/201212 Acórdão n.º 3803004.615 S3TE03 Fl. 66 2 Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Os presentes autos foram formalizados para fins de julgamento do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, em contraposição à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG proferida no âmbito do processo administrativo nº 10680.906806/200811, processo esse encerrado no sistema da Receita Federal em razão do reconhecimento integral do direito creditório ali analisado. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DComp), nº 29285.35836.250906.1.7.047644, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, no valor atualizado de R$ 32.791,02, destinado a quitar débitos de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o DARF informado no PER/DComp não havia sido localizado. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a homologação da compensação declarada, alegando que o valor do pagamento informado no PER/DCOMP decorreria de duas parcelas: uma no valor de R$ 42.765,05 e outra de R$ 3.420,44, esta depositada judicialmente. Informouse, ainda, que o pagamento de R$ 42.765,05, decorrente do DARF no valor total de R$ 80.839,56, havia sido informado na DCTF com o código 6912, código esse que, caso fosse considerado errado, não seria suficiente para o não reconhecimento do indébito. A DRJ Belo Horizonte/MG julgou procedente a Manifestação de Inconformidade, com o reconhecimento do direito creditório no valor original de R$ 37.141,56, tendo sido superado o erro ocorrido no preenchimento do valor recolhido informado no PER/DCOMP. Ressaltou o julgador de piso que, naquele momento, não se procedera à análise de outros PER/DComps em que, eventualmente, se estivesse pleiteando a utilização do mesmo crédito, remetendose à repartição de origem a operacionalização da homologação da compensação até o limite do direito creditório disponível. De acordo com o Termo de Ciência e Notificação (fl. 44) enviado ao contribuinte, o crédito total reconhecido neste processo não havia sido suficiente para compensar o débito informado, constando da planilha inserida no referido termo que outro PER/DCOMP, de nº 03146.73178.151204.1.3.042301, havia sido apresentado, tendo o mesmo pagamento como origem do crédito, o que acarretou a diminuição do saldo disponível para a compensação declarada. O agente fiscal destacou que o contribuinte, se fosse o caso, poderia recorrer ao CARF no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do referido termo. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 19/11/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10680.722696/201212 Acórdão n.º 3803004.615 S3TE03 Fl. 67 3 Cientificado do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG em 7 de março de 2012, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 9 de abril do mesmo ano e alegou que o procedimento adotado pela repartição de origem não se encontrava claro, pois, de acordo com as planilhas intituladas “Listagens de Créditos/Saldos Remanescentes” e “Demonstrativo Analítico de Compensação”, não teria havido saldo de débito remanescente a pagar. Tal fato, ainda segundo o Recorrente, indicaria a ocorrência de equívoco ou contradição, “pois o que se buscou, com a PER/DCOMP, foi apenas a compensação de um débito no valor de R$ 37.141,84 com um crédito de idêntico valor” (fl. 51), crédito esse reconhecido integralmente pela Delegacia de Julgamento. Alternativamente, o Recorrente solicita a realização de diligência para que a Fiscalização justifique o débito remanescente, considerando que o crédito havia sido integralmente reconhecido. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, a Delegacia de Julgamento reconhecera, integralmente, o direito creditório declarado em PER/DComp, no valor de R$ R$ 37.141,56, tendo sido alertado, no voto condutor do acórdão, que, no momento do julgamento, não se procedera à análise de outros PER/DComps em que, eventualmente, se estivesse pleiteando a utilização do mesmo crédito. Verificase que a decisão da Delegacia de Julgamento configurouse ilíquida, pois que, expressamente, condicionou a execução do acórdão à verificação de existência de outras declarações de compensação envolvendo o mesmo direito creditório, tarefa essa necessária ao aperfeiçoamento da decisão da Delegacia de Julgamento. Conforme consta do termo de fl. 44, a repartição de origem, no momento da execução do acórdão, detectou a existência de outro PER/DCOMP, de nº 03146.73178.151204.1.3.042301, em que fora informado o mesmo pagamento como origem do crédito, o que acarretou a diminuição do saldo creditório disponível para a compensação declarada neste processo. Portanto, foi contra a execução do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG que o Recorrente se insurgiu. Notese que o Recorrente não fez qualquer menção à existência de outro PER/DCOMP relativo ao mesmo crédito, informação essa que se constitui o cerne da homologação apenas parcial da compensação declarada. Não pode prosperar a alegação do Recorrente de que teria ocorrido obscuridade no procedimento adotado pela repartição de origem, em razão do fato de que, de Fl. 67DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 19/11/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10680.722696/201212 Acórdão n.º 3803004.615 S3TE03 Fl. 68 4 acordo com as planilhas intituladas “Listagens de Créditos/Saldos Remanescentes” e “Demonstrativo Analítico de Compensação”, não teria remanescido saldo de débito a pagar. Conforme se verifica das planilhas de fls. 35 e 37, elas se referem apenas à parcela do saldo credor utilizado na compensação formalizada por meio do PER/DCOMP nº 03146.73178.151204.1.3.042301, no montante de R$ 29.196,88, valor esse inferior ao pleiteado no PER/DComp deste processo (R$ 37.141,84), mas coincidente com um dos valores constantes do Termo de Ciência e Notificação (fl. 44). Por outro lado, à fl. 34, consta o saldo remanescente de R$ 14.997,27 utilizado na homologação parcial deste processo, não tendo o Recorrente trazido aos autos qualquer elemento de prova que infirmasse a execução do acórdão por parte da repartição de origem, precipuamente quanto à existência do outro PER/DComp de nº 03146.73178.151204.1.3.042301. A ausência de contestação expressa desse fundamento, qual seja, a existência de outro PER/DComp versando sobre o mesmo crédito, elemento esse ensejador da homologação apenas parcial da compensação, somente pode ser interpretada como aquiescência do interessado quanto ao fato ali informado. Quanto aos argumentos de defesa postos pelo Recorrente, desacompanhados de qualquer documento, não se pode perder de vista que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que homologou apenas parcialmente a compensação, amparada em dados presentes nos sistemas internos da Receita Federal, dados esses não infirmados pelo Recorrente com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, não se vislumbra justificativa à conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, dado que o fato que poderia ensejar tal procedimento não foi objeto de contestação por parte do interessado. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso, na parte não contestada (decisão definitiva) e, na parte conhecida, por lhe NEGAR PROVIMENTO, em razão da ausência de demonstração e de prova do alegado equívoco ocorrido no momento da execução do acórdão na repartição de origem. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Voto Vencedor Conselheiro Belchior Melo de Sousa – Redator designado Está correta a descrição que fez o ilustre Relator, no voto, dos fatos que se relacionam com a utilização do crédito decorrente do pagamento de PIS referente ao mês de janeiro de 2004, código 6912, no valor de R$ 37.141,56, tanto na DComp sob exame como noutra. Ainda correta a sua observação de ausência de enfrentamento, pela Recorrente, do Fl. 68DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 19/11/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10680.722696/201212 Acórdão n.º 3803004.615 S3TE03 Fl. 69 5 mérito imbricado a tais fatos e das provas que deveria ter carreado aos autos para justificar a subsistência do seu crédito para a presente compensação. No entanto, discordase, preliminarmente, do apontamento de decisão ilíquida do Colegiado a quo. Esta posição reside no fato de se visualizar como fim da atribuição do órgão judicante na apreciação da manifestação de inconformidade, em processo de compensação, o de provêla ou desprovêla, ato este fundado, por óbvio, na análise das razões de fato e de direito que sustentem a existência do crédito. Não compete aos órgãos julgadores administrativos homologar/não homologar compensação, ato que não refoge da atribuição do órgão de origem em face do surgimento de lide. Assim, uma vez registrado que “a Delegacia de Julgamento reconhecera, integralmente, o direito creditório declarado em PER/DComp, no valor de R$ 37.141,56,[...]”, crédito anteriormente não reconhecido pela Autoridade administrativa por falta de localização do DARF indicado na DComp , a decisão é formal e plenamente satisfativa à Contribuinte, não estando condicionada à medida da extinção do débito pela compensação. Com efeito, o provimento foi integral, conforme registra a decisão, de julgamento procedente da manifestação de inconformidade É constatável o embaraço da Contribuinte na utilização do crédito que desde o princípio considera possuir, R$ 37.141,56. Foi insuficiente a justificação que conformou a manifestação de inconformidade. Estes percalços patrocinados pela Contribuinte deram, em parte, azo à obscuridade do Termo de Ciência e Notificação da DRF/Belo Horizonte, à fl. 47, quer na tabela que mostra as alocações e usos do pagamento de R$ 80.839,56 sobretudo por não refletir valores da DCTF anexada aos autos , quer com respeito ao meio que indica para que a contribuinte apresentasse a sua irresignação contra a não homologação integral da DComp: o recurso voluntário ao CARF. Entretanto, a insatisfação da Contribuinte tendo como base o conteúdo do citado Termo de Ciência e Notificação, extrapola o conteúdo da lide instaurada no presente processo, que se esgotou com o provimento da manifestação de inconformidade pelo reconhecimento integral do crédito. Aqui a discordância fundamental. No recurso voluntário apresentado, a Recorrente se indispõe contra a execução do julgado que lhe deu provimento integral. Por isso, ele contém uma inconformação que não desafia a decisão de primeira instância, por carência de objeto, dado o seu molde acima destacado, não se prestando as razões da Recorrente a ser apreciadas por este Conselho. Noutros termos, é uma irresignação que não se submete ao rito do Processo Administrativo Fiscal, previsto no Decreto nº 70.235/72, devendo ser apresentada diretamente à Autoridade executora e seguir o íter ali indicado, nos termos do art. 56, § 1º, da Lei nº 9.784/99,. Ante o exposto voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 22 de outubro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 69DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 19/11/2013 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 16832.000132/2010-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
CONTRATO PARTICULAR. PREVISÃO DE PAGAMENTO DE HONORÁRIOS COM O EFETIVO RECEBIMENTO DO RESULTADO DECORRENTE DOS SERVIÇOS. VALORES RECEBIDOS E HONORÁRIOS PAGOS EM DATA POSTERIOR. JUROS DE MORA QUE SE MOSTRAM DEVIDOS. DESPESAS DEDUTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO SEM CAUSA.
Da previsão contratual de que os "honorários são devidos com a venda e o efetivo recebimento" decorre a conclusão de que a obrigação, quanto ao pagamento dos honorários, tem como termo para ser adimplida a data do recebimento dos valores por quem contratou. Imaginar outro momento, quanto à obrigação do pagamento dos honorários, seria afrontar a boa-fé objetiva que deve ser entendida como um modelo de conduta social ou um padrão ético de comportamento, que impõe, concretamente, a todo cidadão que, nas suas relações, atue com honestidade, lealdade e probidade.
Havendo previsão para pagamento dos honorários desnecessário a interpelação ou cobrança judicial para constituir o devedor em mora ou justificar a exigência de juros que, caso não adimplidos de forma espontânea, podem ser objeto de cobrança.
Em não havendo previsão contratual quanto à taxa de juros aplica-se a taxa Selic, conforme previsto no artigo 406 do Código Civil.
PAGAMENTO SEM CAUSA.
O fato da devedora, quando do pagamento, além dos juros de mora, ter inserido outros encargos ou acréscimos não previstos no contrato existente entre as partes, é fator que enseja a glosa do excedente, mas não caracteriza pagamento sem causa.
Recurso Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 1402-001.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à dedução dos juros até o limite da taxa SELIC, no período, e cancelar o IRRF, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 CONTRATO PARTICULAR. PREVISÃO DE PAGAMENTO DE HONORÁRIOS COM O EFETIVO RECEBIMENTO DO RESULTADO DECORRENTE DOS SERVIÇOS. VALORES RECEBIDOS E HONORÁRIOS PAGOS EM DATA POSTERIOR. JUROS DE MORA QUE SE MOSTRAM DEVIDOS. DESPESAS DEDUTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO SEM CAUSA. Da previsão contratual de que os "honorários são devidos com a venda e o efetivo recebimento" decorre a conclusão de que a obrigação, quanto ao pagamento dos honorários, tem como termo para ser adimplida a data do recebimento dos valores por quem contratou. Imaginar outro momento, quanto à obrigação do pagamento dos honorários, seria afrontar a boa-fé objetiva que deve ser entendida como um modelo de conduta social ou um padrão ético de comportamento, que impõe, concretamente, a todo cidadão que, nas suas relações, atue com honestidade, lealdade e probidade. Havendo previsão para pagamento dos honorários desnecessário a interpelação ou cobrança judicial para constituir o devedor em mora ou justificar a exigência de juros que, caso não adimplidos de forma espontânea, podem ser objeto de cobrança. Em não havendo previsão contratual quanto à taxa de juros aplica-se a taxa Selic, conforme previsto no artigo 406 do Código Civil. PAGAMENTO SEM CAUSA. O fato da devedora, quando do pagamento, além dos juros de mora, ter inserido outros encargos ou acréscimos não previstos no contrato existente entre as partes, é fator que enseja a glosa do excedente, mas não caracteriza pagamento sem causa. Recurso Parcialmente Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à dedução dos juros até o limite da taxa SELIC, no período, e cancelar o IRRF, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
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PREVISÃO DE PAGAMENTO DE HONORÁRIOS COM O EFETIVO RECEBIMENTO DO RESULTADO DECORRENTE DOS SERVIÇOS. VALORES RECEBIDOS E HONORÁRIOS PAGOS EM DATA POSTERIOR. JUROS DE MORA QUE SE MOSTRAM DEVIDOS. DESPESAS DEDUTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO SEM CAUSA. Da previsão contratual de que os "honorários são devidos com a venda e o efetivo recebimento" decorre a conclusão de que a obrigação, quanto ao pagamento dos honorários, tem como termo para ser adimplida a data do recebimento dos valores por quem contratou. Imaginar outro momento, quanto à obrigação do pagamento dos honorários, seria afrontar a boafé objetiva que deve ser entendida como um modelo de conduta social ou um padrão ético de comportamento, que impõe, concretamente, a todo cidadão que, nas suas relações, atue com honestidade, lealdade e probidade. Havendo previsão para pagamento dos honorários desnecessário a interpelação ou cobrança judicial para constituir o devedor em mora ou justificar a exigência de juros que, caso não adimplidos de forma espontânea, podem ser objeto de cobrança. Em não havendo previsão contratual quanto à taxa de juros aplicase a taxa Selic, conforme previsto no artigo 406 do Código Civil. PAGAMENTO SEM CAUSA. O fato da devedora, quando do pagamento, além dos juros de mora, ter inserido outros encargos ou acréscimos não previstos no contrato existente entre as partes, é fator que enseja a glosa do excedente, mas não caracteriza pagamento sem causa. Recurso Parcialmente Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 01 32 /2 01 0- 69 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/02/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000132/201069 Acórdão n.º 1402001.534 S1C4T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à dedução dos juros até o limite da taxa SELIC, no período, e cancelar o IRRF, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/02/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000132/201069 Acórdão n.º 1402001.534 S1C4T2 Fl. 4 3 Relatório A presente autuação diz respeito aos anoscalendário de 2005 e 2006, lavrada em face da empresa antes indicada que é tributada com base no Lucro Real anual. O auto de infração de fls. 104 e seguintes, lavrado em 12/02/2010, encontra se acompanhado do termo de verificação fiscal de fls. 95 e seguintes, foi notificado à recorrente em 18/02/2010 (fl. 105), exigindo IRPJ em relação ao anocalendário de 2006 e IRRF no mês de novembro de 2005 e setembro de 2006, em face das infrações abaixo indicadas: 001 IRPJ CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NO NECESSÁRIOS Fato gerador Valor Tributável ou imposto Multa 31/12/2006 R$ 748.303,65 75% 001 IRRF OUTROS RENDIMENTOS PAGAMENTOS SEM CAUSA / OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA OU DE OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA Fato gerador Valor Tributável ou imposto Multa 10/11/2005 R$ 553.446,99 75% 15/09/2006 R$ 598.942,12 75% Segundo se extrai do termo de verificação fiscal e da planilha de fl. 94, a autuada contratou a empresa ARBEIT GESTÃO DE NEGÓCIOS LTDA, pelo valor de 5% (cinco por cento) correspondente ao total dos benefícios que obteria em face dos trabalhos a serem desenvolvidos por esta. Desta forma, como o total dos benefícios importou em R$ 52.812.376,88, o valor a ser pago deveria ser de R$ 2.640.618,84 e não R$ 3.388.923,50, como foi pago. Em assim sendo, em relação ao excesso pago glosouse a despesa R$ 748.304,66, no anocalendário de 2006 e exigiuse IRRF, levandose em consideração as datas dos pagamentos, conforme quadro que segue: Datas dos Pagamentos Valores pagos pela contratante Cálculo do excesso Base de cálculo reajustada 05/09/05 R$ 1.000.000,00 0,00 0,00 04/10/05 R$ 500.000,00 0,00 0,00 31/10/05 R$ 500.000,00 0,00 0,00 10/11105 R$ 1.000.000,00 359.381,16 R$ 553.446,99 15/09/06 R$ 388.923,50 388.923,50 R$ 598.942,19 Total Pago R$ 3.388.923,50 Remuneração Pactuada 5% (52.812.376,88) R$ 2.640.618,84 Excesso pago 748.304,66 Não há controvérsia quanto à efetiva prestação dos serviços e valores pagos, bem como do recolhimento do IRRF sobre o que foi pago. Intimada para justificar a razão de Fl. 227DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/02/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000132/201069 Acórdão n.º 1402001.534 S1C4T2 Fl. 5 4 ter realizado pagamentos no montante de R$ 3.388.923,50, quando a simples aplicação do percentual pactuado de 5% sobre os R$ 52.812.376,88 recebidos pela venda dos créditos, totaliza R$ 2.640.618,85 a autuada informou que a diferença corresponde à atualização pela taxa de juros desde as datas nas quais os valores foram recebidos de Kaiser até os pagamentos realizados à contratada. A autoridade fiscal entendeu que não havia previsão contratual para pagar a correção (diferença) acima indicada, razão pela qual glosou os custos destas e exigiu IRRF por considerar pagamento sem causa. Notificada, a parte interessada apresentou a impugnação de fls. 123 e seguintes, sustentando a insubsistência do lançamento com base no seguinte esclarecimento já prestado quando do procedimento fiscal: "(...) Cabe esclarecer que além dos R$ 52.812.376,88 pagos a Inter — Continental de Café S/A, a Kaiser pagou diretamente ao advogado do processo judicial que gerou o crédito, um valor de R$ 2.087.764,13 correspondente ao percentual de êxito da parte negociada e recebida. Totalizando, portanto, um paramento total de RS 54.900.141,00. Sobre este valor calculase o percentual de 5%, ou seja um valor devido pela prestação de serviço de R$ 2.745.007, 05. A razão da diferença entre este valor e o valor da N.F da Arbeit é que os valores eram devidos nas respectivas datas de recebimento da Kaiser, ou seja 28/o ut/2004, 29/Nov12004, 29/dez/2004, 26/jan/2005 e 25/fev/2005. E foram efetivamente pagos em 05/set/2005, 04/out/2005, 31/out/2005, 10/nov/2005 e 15/set/2006, portanto foram atualizados pela taxa de juros que renderam neste período." (grifo no original). A DRJ julgou improcedente a impugnação com base no entendimento de que "Sujeitamse a incidência de que trata o art 674 do RIR/1999 os pagamentos cujas causas sejam desconhecidas." Intimada do acórdão em 22/11/2012 (fl. 179), a contribuinte, de forma tempestiva, ingressou com o recurso de fls. 182 e seguintes, repisando os fundamentos destacados quando da impugnação e reiterando a tese de insubsistência do lançamento. Em síntese, diz a recorrente que tendo pago os valores com atraso, eram devidos os juros de mora. Em defesa de sua tese cita jurisprudência do STJ quanto ao marco inicial dos juros de mora (RESP 1.151.873). É o relatório. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/02/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000132/201069 Acórdão n.º 1402001.534 S1C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Relator Quanto ao recurso voluntário o mesmo está previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, é tempestivo, encontrase devidamente fundamentado e foi interposto por parte legítima que pretende ver a decisão da DRJ reformada . Assim, por preencher os requisitos de admissibilidade, conheçoo e passo ao exame do mérito. Conforme contrato de honorários correspondente à prestação de serviços de fls. 61/62, datado de 23/10/2003, firmado Inter Continental assumiu a obrigação de pagar à empresa contratada 5% (cinco por cento) sobre o valor total dos créditos negociados e efetivamente recebidos, atualizados até a data da venda efetiva pela CONTRATANTE. Pelo que se extrai do item 2.2 do referido contrato, o preço dos créditos tributários a serem negociados tinha como piso mínimo de venda 60% (sessenta por cento) de seu valor integral. Ao tratar dos honorários e forma de pagamento, a cláusula segunda do referido contrato assim dispõe: CLÁUSULA SEGUNDA HONORÁRIOS E FORMA DE PAGAMENTO 2.1. A remuneração da CONTRATADA pelos serviços prestados somente será devida caso a CONTRATANTE negocie efetivamente os créditos tributários mencionados na cláusula 1.2 deste Instrumento. 2.2. Atendendo ao disposto na cláusula 2.1 deste Instrumento, a CONTRATADA fará jus remuneração equivalente a 5 % (cinco por cento) sobre o valor total dos créditos negociados e efetivamente recebidos, atualizados ate a data da venda efetiva pela CONTRATANTE, desde que o custo de aquisição dos créditos, entendido como prego devido à CONTRATANTE, tenha como piso mínimo 60% (sessenta por cento) do seu valor integral. No momento em que o contrato estabelece que os honorários seriam devidos "sobre o valor total dos créditos negociados e efetivamente recebidos" tenho que existem duas condições aqui previstas, quais sejam, a venda e o efetivo recebimento. Se os honorários passavam a ser devidos com a venda e o recebimento, tem se que uma vez recebido, sobre a parcela recebida, a contratante já fazia jus aos honorários. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/02/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000132/201069 Acórdão n.º 1402001.534 S1C4T2 Fl. 7 6 Ainda que não havendo disposição expressa no contrato, no momento em que o referido instrumento menciona que "os honorários são devidos com a venda e o recebimento", não se pode imaginar outra data à obrigação da contratante de efetuar o pagamento dos honorários senão a data em que recebeu o crédito. Imaginar outro momento seria afrontar a boafé objetiva1 cuja função é estabelecer um padrão ético de conduta para as partes nas relações obrigacionais que deve decorrer dos contratos. O argumento do acórdão recorrido de que não havia prazo ou termo para pagamento da dívida, razão pela qual não podia se contar juros, a não ser por cobrança ou interpelação judicial, não subsiste. À fl. 72 a recorrente juntou aos autos a planilha abaixo indicando ter recebido os seguintes valores da Cervejaria Kaiser decorrentes dos serviços prestados pela contratante: RECEBIMENTO DE CERVEJARIA KAISER BRASIL S/A DATA DO RECEBIMENTO BANCO/AGENCIA/CORRENTE VALOR 28OUT04 BRADESCO S/A AG.26 C/C 422072 515.309,05 28OUT04 BRADESCO S/A AG.26 C/C 422072 9.790.871,89 29NOV04 BRADESCO S/A AG.26 C/C 422072 696.938,75 29NOV04 BRADESCO S/A AG.26 C/C 422072 9.729.683,36 29NOV04 BRADESCO S/A AG.26 C/C 422072 616.920,00 29NOV04 BRADESCO S/A AG.26 C/C 422072 9.934.124,81 26JAN05 BRADESCO S/A AG.26 C/C 422072 625.533,60 26JAN05 BRADESCO S/A AG.26 C/C 422072 10.072.827,69 25FEV05 BRADESCO S/A AG.26 C/C 422072 633.240,33 25FEV05 BRADESCO S/A AG.26 C/C 422072 10.196.927,40 Os extratos bancários de fls. fls. 64 e seguintes, da conta bancária da recorrente junto ao Banco Sudameris e Banco Bradesco e os registros contábeis juntado aos autos e já analisados pela autoridade fiscal, não deixam dúvida quanto ao efetivo recebimento dos valores acima indicados e, tampouco quanto ao pagamento dos honorários à Arbeit Gestão de Negócios nas seguintes datas e valores: Pagamentos à Arbeit Gestão de Negócios Data Valor 05/09/05 R$ 1.000.000,00 04/10/05 R$ 500.000,00 31/10/05 R$ 500.000,00 10/11105 R$ 1.000.000,00 15/09/06 R$ 388.923,50 Total Pago R$ 3.388.923,50 Quando se confronta a data do recebimento dos créditos acima elencados com as datas dos pagamentos dos honorários verificase, claramente, que houve atraso no adimplemento, não podendo a devedora pretender negar os encargos decorrentes da mora, sob pena de afrontar o disposto no artigo 422 do Código Civil que assim dispõe: "Art. 422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boafé." 1 A boafé objetiva constitui um modelo de conduta social ou um padrão ético de comportamento, que impõe, concretamente, a todo cidadão que, nas suas relações, atue com honestidade, lealdade e probidade. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/02/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000132/201069 Acórdão n.º 1402001.534 S1C4T2 Fl. 8 7 Tanto os juros de mora calculados sobre débitos fiscais recolhidos com atraso, quanto as multas e juros efetivamente suportadas pela empresa, em virtude de cumprimento de obrigação contratual, desde que vinculadas a legítimas transações comerciais, são despesas necessárias que decorrem da lei e dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda, sendo que o respectivo pagamento de tais encargos não se constitui em mera liberalidade da empresa e, tampouco, caracteriza a existência de pagamento sem causa. No caso concreto, ao atrasar o recolhimento dos tributos retidos quando dos pagamentos realizados à empresa Arbeit Gestão de Negócios, a recorrente estava obrigada a quitálos com os encargos previstos no artigo 406 do Código Civil2. No caso dos autos, para efeito de apuração do valor cuja glosa permanece, na execução deve ser pego o valor de cada parcela quando do vencimento, aplicar a taxa Selic até a dada do efetivo pagamento, apurando o valor devido. O que exceder entre o valor apurado e o valor pago constitui despesa cuja glosa se mantém. Todavia, o valor objeto da glosa não se constitui em pagamento sem causa. No caso dos autos existia contrato que justificava o pagamento. O fato da devedora, quando do pagamento, além dos juros de mora, ter inserido outros encargos ou acréscimos é fator que enseja a glosa do excedente, mas não caracteriza pagamento sem causa. Neste sentido aponta se o acórdão abaixo da CSRF: R FONTE PAGAMENTO SEM CAUSA ART. 61 DA LEI Nº. 8.981, de 1995 LUCRO REAL REDUÇÃO DE LUCRO LÍQUIDO MESMA BASE DE CÁLCULO INCOMPATIBILIDADE A aplicação do art. 61 está reservada para aquelas situações em que o fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que a mesma hipótese não enseje tributação por redução do lucro líquido, tipicamente caracterizada por omissão de receita ou glosa de custos/despesas, situações próprias da tributação do IRPJ pelo lucro real (Precedente da CSRF. Ac. 0401.094. Sessão de 03/11/2008. Rel. Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro). Em 2009 a matéria aqui referida voltou a ser objeto pela CSRF, nos autos do processo nº 10730.004442/200212, de minha relatoria, tendo o Colegiado, em nova composição, mantido o entendimento sintetizado na ementa acima. 2 Art. 406. Quando os juros moratórios não forem convencionados, ou o forem sem taxa estipulada, ou quando provierem de determinação da lei, serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional Fl. 231DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/02/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000132/201069 Acórdão n.º 1402001.534 S1C4T2 Fl. 9 8 ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à dedução dos juros até o limite da taxa SELIC, no período, e cancelar o IRRF. (assinado digitalmente) MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Fl. 232DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 04/02/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13839.903615/2009-25
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes, Presidente
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl, Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, , Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu Sidney Eduardo Stahl, Relator
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes, Presidente (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, , Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu Sidney Eduardo Stahl, Relator
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1345; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 142 1 141 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.903615/200925 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3801000.604 – 1ª Turma Especial Data 26 de novembro de 2013 Assunto Compensação Recorrente BIC BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes, Presidente (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, , Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu Sidney Eduardo Stahl, Relator RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 03 61 5/ 20 09 -2 5 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.903615/200925 Resolução nº 3801000.604 S3TE01 Fl. 143 2 Relatório Trata o presente caso de Declaração de Compensação transmitida pela Recorrente em 12/12/2005 através da qual se objetivou a compensação de débitos da COFINS referentes ao período de apuração de novembro/2005 . Segundo a Recorrente, os créditos que embasariam referida compensação teriam sua origem em pagamentos realizados à maior decorrentes do estreitamento da base de cálculo da PIS e do COFINS em vista da possibilidade de exclusão das receitas oriundas da venda de mercadorias para a Zona Franca de Manaus, uma vez reconhecida a inscontitucionalidade do artigo artigo 14, § 2°, inciso 1, da Medida Provisória n°. 2.03724, atual Medida Provisória n°. 2.15835, de 2001 em sede de liminar concedida nos autos da ADIN n°. 2.3489, acostando aos autos planilha demonstrativa dos valores pagos. Anotese que referidos créditos foram objeto do Pedido de Ressarcimento n.º 31218.42584.170604.1.2.045898, em discussão no processo n.º 13839.912088/201164, transmitido em 17/06/2004, referentes ao período de apuração de julho de 1999. O pleito foi indeferido conforme Despacho Decisório de fls., sob alegação de que “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte , não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, que restou julgada improcedente pela DRJ de origem, conforme acórdão que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1999 a 31/07/1999 COFINS. VENDAS EFETUADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. A isenção do PIS e da COFINS prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, para vendas realizadas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Tal isenção não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1º de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999 e suas reedições até a Medida Provisória nº 2.03724, de 2000. Não existindo norma de desoneração aplicável, não se reconhece direito de crédito nela baseado e não se homologa a compensação que dele se aproveita. PIS. CRÉDITO VEDADO. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.903615/200925 Resolução nº 3801000.604 S3TE01 Fl. 144 3 Não poderá ser objeto de compensação o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, apresenta a Recorrente o presente Recurso Voluntário de fls, perpetrando os mesmos argumentos suscitados em sua defesa inicial. É o que importa relatar. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.903615/200925 Resolução nº 3801000.604 S3TE01 Fl. 145 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O Recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual conheço do mesmo. Já é de conhecimento dessa turma o meu posicionamento acerca da impossibilidade de se tributar as vendas para a Zona Franca de Manaus pelas contribuições para o PIS e a COFINS, enquanto não alterado o artigo 4º do Decretolei 288/1967 que as equiparou às exportações. Contudo, o principal fundamento apontado pelo acórdão da DRJ de origem para o indeferimento do pleito consiste no fato do Pedido de Ressarcimento em que são efetivamente discutidos os créditos utilizados na Compensação ora pleiteada, estarem sendo tratados nos autos de outro processo administrativo, impossibilitando assim sua análise nos presentes autos. Nesse sentido, havendo vinculação desse processo ao ressarcimento supra apontado e dependendo o resultado da compensação do crédito ainda em discussão no processo administrativo n.º 13839.912088/201164, voto por converter o presente julgamento em diligência para os fins de remetêlo à DRF de origem para que aguarde o julgamento final do mesmo e após junte cópia integral a esse processo, retornandoo para julgamento nesse Conselho. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Fl. 145DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.902787/2012-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011
Por caracterizar cerceamento de direito de defesa, é nula a decisão primeira instância que não aprecia as provas adequadas à comprovação do direito creditório apresentadas prévia e concomitantemente com a manifestação inconformidade.
Decisão de Primeira Instância Anulada.
Numero da decisão: 3102-002.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Vencidos os conselheiros Álvaro Almeida Filho e Andréa Medrado Darzé, que reformavam o despacho decisório.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Vencidos os conselheiros Álvaro Almeida Filho e Andréa Medrado Darzé, que reformavam o despacho decisório. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 Por caracterizar cerceamento de direito de defesa, é nula a decisão primeira instância que não aprecia as provas adequadas à comprovação do direito creditório apresentadas prévia e concomitantemente com a manifestação inconformidade. Decisão de Primeira Instância Anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Vencidos os conselheiros Álvaro Almeida Filho e Andréa Medrado Darzé, que reformavam o despacho decisório. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 27 87 /2 01 2- 68 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER (fls. 2/5) de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativo exportação do primeiro trimestre de 2011, no valor R$ 5.520.804,78, utilizado na compensação dos débitos discriminados nas Declarações de Compensação (DComp) de fls. 6/27. Por meio do Despacho Decisório de fls. 28/30, o crédito pleiteado foi integralmente indeferido e as compensações não homologadas, sob o argumento de que a interessada não apresentara, previamente a entrega do referido PER, os arquivos digitais dos estabelecimentos não obrigados à Escrituração Fiscal Digital (EFD), contendo os documentos fiscais de entrada e saída, relativos ao período de apuração do crédito, conforme previsto na Instrução Normativa SRF n° 86, de 2001, e especificado nos itens 4.3 (Documentos Fiscais) e 4.10 (Arquivos complementares PIS/COFINS) do Anexo Único do Ato Declaratório Cofis n° 15, de 23 de outubro de 2001. De acordo com o Termo de Encerramento de Diligência de fls. 39/44, o fundamento jurídico da decisão denegatória foi enquadrado no § 4º do art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, art. 1º a 3º da Instrução Normativa SRF nº 86, de 2001 e artigo 11 da Lei nº 8.218, de 1991. Cientificada do Despacho Decisório, em sede de manifestação de inconformidade, em preliminar, a recorrente requereu, com respaldo no princípio da economia e celeridade processual, a reunião e análise conjunta de todos os processos relativos aos pedidos de ressarcimento dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins do período janeiro a dezembro de 2011, discriminados no MPF 05101002012003080. No mérito, alegou que: a) a fiscalização havia indeferido o pedido de ressarcimento e não homologada as compensações com base no frágil e equivocado argumento de que a interessada não havia entregue os arquivos digitais de todos estabelecimentos previamente à transmissão do pedido de ressarcimento; b) era equivocada a interpretação dada pela autoridade ao § 4º do art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, porque os §§ 1º e 3º do citado artigo tratavam de dois momentos distintos, relativo ao exercício do direito de ressarcimento e compensação da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, ou seja, o primeiro dizia respeito a condição para recepção dos PER/DCOMP e o segundo dirigiase à apreciação dos PER/DCOMP já entregue, momento posterior à transmissão dos correspondentes pedidos ressarcimento e declarações de compensação; c) a apresentação prévia dos arquivos digitais era condição apenas da recepção dos pedidos pela RFB, nada tendo a ver com a validade do crédito pleiteado, haja vista que o § 3o em comento, ao dispor que a autoridade “poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação do arquivo digital” continuava dispondo sobre uma faculdade conferida à autoridade fiscal de só reconhecer o direito creditório se os arquivos digitais tivessem sido apresentados; d) a interpretação correta assegurava que era possível a recepção pela RFB e a posterior apreciação de pedidos de ressarcimento e compensação que tenham sido transmitidos sem o prévio envio dos arquivos digitais, até porque autoridade fiscal sempre teria Fl. 165DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10580.902787/201268 Acórdão n.º 3102002.022 S3C1T2 Fl. 11 3 garantida a possibilidade de exigir a apresentação de tais arquivos para análise do direito creditório, em sintonia com o disposto no art. 2o da Instrução Normativa SRF nº 86, de 2001; e) a equivocada interpretação dada ao § 4o do art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, era fruto de uma leitura simplista e apegada tão somente à literalidade do texto e não possuía amparo em qualquer artigo de lei, resvalando para a ilegalidade, acaso fosse acatada, pois violaria o princípio da motivação previsto nos arts. 2º e 50 da Lei nº 9.784, de 1999; f) a totalidade da documentação solicitada fora entregue à fiscalização, com a ressalva de que, dos 15 itens do Termo de Início de Diligência Fiscal, 14 foram entregues dentro do prazo estabelecido e apenas parte dos comprovantes de transmissão dos arquivos digitais do item 1, relativos às 61 filiais não obrigadas à EFD, fora apresentada a destempo, mas antes de esgotado o prazo suplementar requerido e da ciência do indeferimento do pedido de ressarcimento em apreço; e g) a decretação de nulidade do despacho decisório imporseia, uma vez que a negativa do legítimo direito de crédito da requerente sem o exame de toda farta documentação trazida ao conhecimento da fiscalização, e, pior, sem lei que o autorizasse a tanto, a decisão denegatória da fiscalização implicava evidente cerceamento de defesa e flagrante afronta ao princípio da verdade material, corolário do princípio da legalidade. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 99/109), em que, por unanimidade de votos, foi rejeitada a preliminar de nulidade, indeferido o pedido de ressarcimento do crédito informado e não homologada as compensações declaradas, com base nos seguintes argumentos: a) a recorrente não tinha transmitido, dentro do prazo fixado, os arquivos digitais de todos os estabelecimentos não obrigados à EFD, embora fiscalização tivesse concedido prazo suficiente para a transmissão dos citados arquivos; b) a recorrente somente teria iniciado a transmissão dos referidos arquivos digitais a partir de setembro/2011, de modo que, à época da transmissão do PER e das DComp em apreço, não cumprira o disposto no § 4º do art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008; e c) o julgador administrativo de primeira instância, por força do disposto no art. 7º da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, devia estrita observância aos atos administrativos expedidos pela Receita Federal, logo não podia se pronunciar sobre a legalidade dos atos administrativos expedidos pelo referido Órgão. Em 1/3/2013, a interessada foi cientificada da decisão de primeira instância. Inconformada, em 28/3/2013, protocolou o recurso voluntário de fls. 116/156, em que reafirmou a razões de defesa aduzidas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, protestou pela análise detalhada da farta documentação levada ao conhecimento da fiscalização, fosse pela própria autoridade julgadora, fosse mediante a determinação de diligência fiscal, sob o argumento de que: a) a análise da referida documentação era necessária porque, na fase do contraditório, previsto no art. 174, §§ 7º e 9º, da Lei nº 9.430, de 1996, o contribuinte tinha o direito de, mediante manifestação de inconformidade, comprovar a legitimidade do crédito pleiteado, uma vez que, no momento da transmissão do PER/DCOMP, não foi apresentado qualquer documento adicional; e b) se o contribuinte tinha o direito de comprovar até erros de fato cometidos no preenchimento de suas declarações, com muito mais razão devia ser admitido o direito de comprovar, com documentação adequada e idônea, que os valores informados no seu pedido de ressarcimento estavam corretos. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 No final, a recorrente protestou que, , fosse pela superação dos formalismos exacerbados aos quais à fiscalização se valera, fosse pela equivocada capitulação dos fatos, era necessária a anulação do despacho decisório em questão, para fosse efetivada uma correta análise do direito creditório em questão. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da questão preliminar: pedido de reunião dos processos. Em preliminar, recorrente requereu que, em observância ao princípio da economia processual, fosse determinada a reunião deste processo com os demais processos objeto da diligência amparada no MPF nº 05101002012003080, por terem o mesmo objeto, qual seja, o ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas, apurados no anocalendário de 2011. O pedido em tela não é passível de atendimento, porque não atende os requisitos estabelecidos no inciso IV do art. 1º da Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008, a seguir transcrito: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: [...] IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; [...] De acordo com o referido preceito normativo, somente os pedidos de ressarcimento e as DComp referentes ao mesmo crédito podem ser reunidos em um único processo. No caso em tela, os processos relacionados pela recorrente tratam de tributos distintos (Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins) e de trimestres diferentes, logo, não atendem as condições estabelecidas no referido preceito normativo. Entretanto, para fim de evitar decisões conflitantes no âmbito deste Conselho, em conformidade com o disposto no art. 6º do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, os processos ainda pendentes de julgamento, relacionados pela recorrente, poderão ser distribuídos para esta Turma Ordinária. Do mérito. No mérito o cerne da presente questão gira em torno da comprovação do direito creditório pleiteado. De acordo com o Termo de Encerramento de Diligência colacionado aos autos (fls. 39/44), o fato que motivou o despacho denegatório em apreço foi a não Fl. 167DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10580.902787/201268 Acórdão n.º 3102002.022 S3C1T2 Fl. 12 5 apresentação, previamente a transmissão dos PER/DCOMP, dos arquivos digitais de todos os estabelecimentos não obrigados à Escrituração Fiscal Digital (EFD), contendo os documentos fiscais de entrada e de saída, relativos ao período de apuração do crédito em apreço, e o consequente enquadramento normativo nos §§ 1º e 4º do art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, a seguir transcrito: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. § 1º Na hipótese de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam os arts. 27 a 29 e 42, o pedido de ressarcimento e a declaração de compensação somente serão recepcionados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) após prévia apresentação de arquivo digital de todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, com os documentos fiscais de entradas e saídas relativos ao período de apuração do crédito, conforme previsto na Instrução Normativa SRF Nº 86, de 22 de outubro de 2001, e especificado nos itens "4.3 Documentos Fiscais" e "4.10 Arquivos complementares PIS/COFINS", do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS Nº 15, de 23 de outubro de 2001. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) § 2º O arquivo digital de que trata o § 1º deverá ser transmitido por estabelecimento, mediante o Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais (SVA), disponível para download no sítio da RFB na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>, e com utilização de certificado digital válido. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) § 3º Na apreciação de pedidos de ressarcimento e de declarações de compensação de créditos de PIS/Pasep e da Cofins apresentados até 31 de janeiro de 2010, a autoridade da RFB de que trata o caput poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação do arquivo digital de que trata o § 1º, transmitido na forma do § 2º. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) § 4º Será indeferido o pedido de ressarcimento ou não homologada a compensação, quando o sujeito passivo não observar o disposto nos §§ 1º e 3º. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) Fl. 168DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 6 § 5º Fica dispensado da apresentação do arquivo digital de que trata o § 1º, o estabelecimento da pessoa jurídica que, no período de apuração do crédito, esteja obrigado à Escrituração Fiscal Digital (EFD). (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) (grifos não originais) Previamente, é oportuno ressaltar que, em conformidade com entendimento da explicitado pela recorrente, a hipótese de indeferimento ou não homologação de compensação, prevista no § 4º do art. 65 da em destaque, aplicase somente nos casos em que autoridade fiscal condiciona o reconhecimento do direito creditório à apresentação do arquivo digital e este não é apresentado. Esse entendimento está em consonância com o disposto no art. 2º1 da Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de outubro de 2001, que dispõe sobre informações, formas e prazos para apresentação dos arquivos digitais e sistemas utilizados por pessoas jurídicas, e com estatuído no Ato Declaratório Executivo Corat nº 3, de 13 de agosto de 2012, que em seu art. 1º2 concedeu prazo adicional de 110 dias às intimações com solicitação de transmissão dos arquivos digitais exigidos para apreciação dos créditos das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins não cumulativas. Ora, se a própria administração tributária, por meio do seu órgão central, intimou os contribuintes a apresentar os mencionados arquivos digitais, inclusive prorrogando o prazo inicial, consequentemente, nada obstaria que a recorrente fosse intimada a apresentar tais arquivos e que lhe tivesse sido concedido o prazo adicional que foi oportunamente solicitado. Assim, o disposto nos referidos atos normativos é a prova cabal de que o a exigência da prévia apresentação dos arquivos digitais, estabelecida no § 1º do art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, tratase apenas de uma condição para transmissão dos PER/DCOMP atinentes aos pedidos de ressarcimento e as declarações de compensação dos citados créditos. Além disso, considerar um simples descumprimento de obrigação acessória como fato suficiente para o indeferimento de crédito tributário contraria frontalmente o princípio do contraditório e da ampla defesa, insculpido no art. 5º, LV, da Constituição Federal de 1988, o disposto no caput do art. 24 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que tem o seguinte teor: “São hábeis para comprovar a verdade dos fatos todos os meios de prova admitidos em direito (Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, art. 332).” Entretanto, no caso, embora a fiscalização tenha motivado o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação das compensações, por inobservância do disposto no § 1º do art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, o fato é que, até a data do encerramento da diligência, a recorrente não tinha apresentado os arquivos digitais das filiais não obrigadas à EFD. Em consequência, se não foram apresentados dentro do prazo estabelecido pela fiscalização, tais arquivos foram considerados não apresentados pela fiscalização, situação que se enquadra na hipótese de indeferimento contemplada no § 4º do art. 1 "Art. 2 º As pessoas jurídicas especificadas no art. 1 º , quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras." 2 "Art. 1º As intimações emitidas para pedidos de ressarcimento (PER/DCOMP) de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep ou da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) pelas quais é solicitada a transmissão de arquivos digitais, previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de outubro de 2001 , têm seu prazo de atendimento prorrogado para 110 dias, contados da data da ciência da intimação." Fl. 169DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10580.902787/201268 Acórdão n.º 3102002.022 S3C1T2 Fl. 13 7 65 em destaque. Aliás, tal fato é incontroverso nos autos, conforme asseverado pela recorrente no recurso em apreço. Por essa razão, não merece acolhida pedido de nulidade do despacho decisório proferido com base no motivo relatado pela fiscalização no citado Termo de Encerramento de Diligência Fiscal. Porém, na fase de manifestação de inconformidade, a recorrente informou que havia atendido a totalidade das exigências da fiscalização, com a ressalva de que, dos 15 itens do Termo de Início de Diligência Fiscal, 14 foram entregues dentro do prazo estabelecido e apenas parte dos comprovantes de transmissão dos arquivos digitais do item 1, relativos às 61 filiais não obrigadas à EFD, fora apresentada a destempo, mas antes de esgotado o prazo suplementar requerido e da ciência do indeferimento do pedido de ressarcimento em apreço. Consequentemente, em 14/8/2012, data da apresentação da manifestação de inconformidade, a recorrente já tinha entregue todos os arquivos digitais, inclusive os relativos as 61 filiais não obrigadas a EFD. Logo, embora na data do encerramento da diligência, a recorrente ainda não tivesse apresentado todos os arquivos digitais solicitados pela fiscalização, fica demonstrado que, previamente, ao início da fase litigiosa do processo, inaugurada com a referenciada manifestação de inconformidade, a recorrente já tinha entregue toda a documentação solicitada pela fiscalização. Dessa forma, como todas as provas solicitadas pela fiscalização foram coligidas aos autos na fase inaugural do contraditório, obviamente, a recorrente procedeu em conformidade com o disposto nos arts. 15 e 16 do Decreto nº 7.235, de 6 de março de 1972 (PAF), logo a autoridade julgadora de primeira instância tinha o dever de analisar tais provas, principalmente, diante do fato de que a fiscalização não as analisara quando da prolação do despacho decisória guerreado. Compulsando a manifestação de inconformidade colacionada aos autos (fls. 55/79), verificase que, em várias passagens, a manifestante reitera, insistentemente, para que a documentação por ela já entregue a fiscalização fosse analisada. No entanto, o órgão julgador de primeiro grau não analisou as referidas provas nem determinou que elas fossem analisadas pela fiscalização da Unidade da Receita Federal de origem, o que se fazia necessário ante o disposto no art. 29 do PAF. Além disso, ao invés de analisar o pedido de apreciação das provas, expressamente, formulado pela recorrente, estranhamente, o relator do voto condutor do julgado recorrido, negou a realização de perícia e diligência, que havia sido suscitada pela recorrente, ao final da manifestação inconformidade, apenas a título de protesto geral. Na verdade, o que a recorrente pediu, imediata e expressamente, ressaltase mais uma vez, foi a análise das provas entregues à fiscalização em meio eletrônico (CD) e não a produção de novas provas por meio de perícia ou diligência, como entendeu a nobre relatora do julgado recorrido. Além disso, a Turma de Julgamento a quo apresentou motivo distinto daquele consignado no despacho decisório, ou seja, falta de apresentação, previamente a transmissão dos PER/DCOMP, dos arquivos digitais dos 61 estabelecimentos não obrigados à EFD. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 8 Com efeito, para manter o indeferimento dos pedidos de ressarcimento em apreço e a não homologação das compensações declaradas, estranhamente a recorrente alegou falta de apresentação dos arquivos digitais dos 20 estabelecimentos não obrigados à EFD, conforme exposto no trecho extraído do voto condutor do julgado que segue transcrito: A interessada somente a partir de setembro de 2011 iniciou a transmissão dos arquivos digitais relativos aos vários estabelecimentos dos períodos de crédito compreendidos entre o exercício de 2007 até 2011, donde se conclui que à época de transmissão dos PER/DCOMP não havia cumprido as disposições da legislação tributária quanto a apresentação dos arquivos mencionados, estes necessários para averiguação do direito creditório. A exigência para apresentação dos arquivos magnéticos se encontra prevista na legislação e o conseqüente indeferimento do pedido de ressarcimento e não homologação da compensação quando do descumprimento pela interessada dos comprovantes mencionados no art. 65 da IN RFB nº900, de 2008, e de que trata o despacho decisório não pode ser desconsiderada. Ou seja, percebese da análise feita nos documentos e mídias apresentados na manifestação, em confronto com a legislação que rege a matéria, que a empresa, diferentemente do afirmado, não atendeu à intimação para apresentação dos dados necessários à apreciação do seu pleito. Da simples leitura do texto transcrito, verificase que a nobre Relatora da decisão recorrida reproduziu, nestes autos, a mesma decisão prolatada no processo nº 10580.909730/201117, atinente a apuração do crédito do 3º trimestre de 2009, decorrente do procedimento diligência relativo ao MPF nº 05101002011005608, cujo despacho decisório foi baseado em fatos e motivos diferentes dos lançados no despacho decisório em tela. Além disso, se a falta de apresentação de parte dos referidos arquivos digitais foi o motivo para a decisão denegatório consignada no despacho decisório em tela, obviamente, ele não mais existia na fase do contraditório, instaurado com a apresentação da manifestação de inconformidade, nos termos do art. 74, §§ 7º e 9º, da Lei nº 9.430, de 1996, uma vez que tais arquivos já tinham sido anteriormente transmitidos, conforme provas colacionadas aos autos. Assim, se na data do encerramento da diligência e da emissão do contestado despacho decisório, a falta de apresentação dos arquivos digitais dos 61 estabelecimentos não obrigados à EFD encontrava guarida no § 4º do art. 65 da Instrução Normativa nº 900, de 2008, com a transmissão dos citados arquivos, obviamente, tal motivo deixou de existir. É oportuno ainda ressaltar que, nos termos do art. 29 do PAF, a autoridade julgadora é livre para formar convicção sobre a prova, mas, desde que regularmente apresentada, não tem a faculdade de apreciar ou não a prova, principalmente, quando esta é o principal meio de defesa do contribuinte, como no caso em tela. No caso, como o órgão julgador de primeiro grau não analisou as provas apresentadas tempestivamente, a meu ver, a preterição do direito de defesa da recorrente restou configurada, vício insanável que, por força do disposto no art. 54, II, do PAF, impõe a declaração de nulidade da decisão recorrida, para que outra seja proferida na boa e devida forma. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10580.902787/201268 Acórdão n.º 3102002.022 S3C1T2 Fl. 14 9 Por todo o exposto, votase por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, para declarar a nulidade da decisão de primeira instância e determinar a remessa dos autos ao Órgão de Julgamento de origem para que nova decisão seja prolatada na boa e devida forma. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 172DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10945.902123/2012-12
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
Numero da decisão: 3803-004.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani - Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 21 23 /2 01 2- 12 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte com o propósito de reformar a decisão prolatada pela DRJ de Foz do Iguaçu que indeferiu o pedido de restituição, sob o argumento de que não haveria direito crédito suficiente para extinção do débito informado. Em seu recurso o contribuinte repisa os argumentos contidos em sua Manifestação de Inconformidade e insiste novamente na tese de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. O ponto central de sua defesa encontrase no argumento de que o conceito de faturamento não pode ser ampliado a ponto de considerar tributáveis meros ingressos em sua contabilidade, como ocorre com o ICMS. Neste passo, no intuito de melhor fundamentar sua pretensão, cita doutrina de Geraldo Ataliba, Cléber Giardino, Marçal Justen Filho e Marco Aurélio. Reclama pela observação do princípio da capacidade contributiva e do princípio do não confisco para demonstrar que a incidência das contribuições sobre o valor do ICMS representa efetivar tributação sobre fatos que não são signopresuntivos de riqueza, razão pela qual tal prática fazendária não encontra respaldo na Constituição Federal. Por fim, o contribuinte requer a reforma da decisão de primeiro grau e o deferimento do pedido de restituição com acréscimos de juros remuneratórios com Taxa Selic, desde a data do pagamento indevido até a data da compensação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Assiste razão ao contribuinte. Em 20.03.2013 o STF já reconheceu o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições em relação as operações de importação, por meio do RE n.º 559.937, Ministra Ellen Gracie, conforme abaixo descrito: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902123/201212 Acórdão n.º 3803004.976 S3TE03 Fl. 77 3 IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINSImportação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o VALOR ADUANEIRO, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Todavia, é verdade que o caso em exame não se trata de PIS/COFINS – IMPORTAÇÃO, mas sim de operações no mercado interno, razão pela qual não se aplica ao presente julgamento o RE n.º 559.937. Entretanto, ainda assim, este importante precedente da Suprema Corte aponta como tem sido interpretação dos ministros quanto ao desejo da Fazenda Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Nacional em ampliar o conceito da expressão ”valor aduaneiro”. Assim, é provável que igual interpretação seja realizada futuramente pelo STF também em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para o mercado interno. De qualquer forma, cabe agora ingressar ao mérito da discussão trazida para apreciar a pretensão do contribuinte, tendo em vista que não há necessidade de sobrestar o julgamento do presente processo. Assim, refletindo a respeito do tema, manifesto posicionamento de que o ICMS não integra o faturamento da Recorrente, basicamente porque os valores correspondentes a este imposto pertencem constitucionalmente ao Estado. Nessa medida, não podem ser incluídos na base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Neste passo, data vênia, parto da premissa de que “faturamento” é receita própria. Logo representa erro qualquer afirmação no sentido de que os contribuintes da Cofins faturam o ICMS, pois é impossível admitir que se fature receita pertencente a terceiro. Outro forte argumento a favor do contribuinte, diz respeito à constatação de que o imposto estadual configura uma “despesa” e jamais receita, pois faturamento deve implicar, necessariamente, ingresso financeiro, o que não ocorre no caso em exame. Neste sentido, vale mencionar decisão proferida pelo TRF 1º: TRIBUTÁRIO. PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. NÃO CABIMENTO. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC E JUROS DE MORA.I. O PIS e a COFINS têm como base de cálculo o faturamento ou as receitas auferidas pela pessoa jurídica (art. 195, I, "b", CF).II. A base de cálculo do PIS e da COFINS não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. O conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou a prestação dos serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. Descabe assentar que os contribuintes da COFINS faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso à entidade de direito público que tem a competência para cobrálo (RE 240.785/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, em julgamento ainda pendente por força de pedido de vista do Min. Gilmar Mendes).III. Se o ICMS é despesa do sujeito passivo das contribuições sociais previstas no art. 195, I, CF e receita do Erário Estadual, é injurídico tentar englobálo na hipótese de incidência destas exações, posto que configuraria a tributação de riqueza que não pertence ao contribuinte.4. Apelação a que se dá parcial provimento. IV. São compensáveis créditos decorrentes do indevido recolhimento, a título do PIS e da COFINS, devidamente corrigidos, com qualquer outro tributo arrecadado e administrado pela Secretaria da Receita Federal, sendo irrelevante se o destino das arrecadações seja outro. Juros de mora de 1% até 31/12/95, seguindose exclusivamente a SELIC.V. Apelação provida." (grifo) AMS nº 2007.38.03.0028733/MG, 8ª Turma TRF1ª Região, em 14/08/2007 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902123/201212 Acórdão n.º 3803004.976 S3TE03 Fl. 78 5 Por outro lado, é verdade em que o STJ tem se manifestado no sentido contrário, ou seja, de que o ICMS integra a base de cálculo da COFINS e cito o AgRg no AREsp 400823/SP, julgado em 07/11/2013. Contudo, diante do caso concreto, em que pese os julgados do STJ, compreendo que não há a obrigatoriedade de submissão dos julgadores do CARF a estes julgados. Aproveito o ensejo ainda para citar importante julgado exarado pela Câmara Superior no sentido de que as receitas de “roaming” não integra a base de cálculo das contribuições. EMENTA COFINS. RECEITAS DE TERCEIROS. TELEFONIA CELULAR. "ROAMING" As receitas de "roaming" mesmo recebidas pela operadora de serviço móvel pessoal ou celular com quem o usuário tem contrato não se incluem na base de cálculo da COFINS por ela devida. A base de cálculo da contribuição é a receita própria, não se prestando o simples ingresso de valores globais, nele incluídos os recebidos por responsabilidade e destinados desde sempre à terceiros, como pretendido "faturamento bruto" para, sobre ele, exigir o tributo.(GRIFO) Câmara Superior de Recursos Fiscais: Processo Administrativo n.º 10166.000888/200131, Conselheiro ROGÉRIO GUSTAVO DREYER, Data do Julgamento: 2.4.01.2006 Por fim, trago a baila ainda a discussão referente à base de cálculo do ISS, mais especificamente no tocante a incidência deste imposto sobre os serviços de locação de mão de obra. Contudo, aqui cabe a ponderação de que apesar de se tratarem de tributos diversos e com sistemática de incidência também distinta, por outro lado observase que os Municípios também tiveram a intenção de ampliar indevidamente a base de cálculo do ISS, pois interpretavam que esta era composta por todos os valores que ingressavam na contabilidade das prestadoras de serviços. Todavia, o STJ firmou jurisprudência no sentido de que nem todo o ingresso constitui receita, ou seja, o tribunal partir da premissa de que o ISS deve incidir somente sobre as receitas que efetivamente representem acréscimo de riqueza para o contribuinte. Vale aqui mencionar, a título de exemplo, o Agravo Regimental no Recurso Especial n.º 1107097 / SP, julgado em 18/05/2010: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA – ISSQN. AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. ATIVIDADEFIM DA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. BASE DE CÁLCULO. PREÇO DO SERVIÇO. VALOR REFERENTE AOS SALÁRIOS E AOS ENCARGOS SOCIAIS. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1.138.205/PR, DJ DE 01/02/2010. JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A base de cálculo do ISS é o preço do serviço, consoante disposto no artigo 9°, caput, do DecretoLei 406/68. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 2. As empresas de mãodeobra temporária podem encartarse em duas situações, em razão da natureza dos serviços prestados: (i) como intermediária entre o contratante da mãodeobra e o terceiro que é colocado no mercado de trabalho; (ii) como prestadora do próprio serviço, utilizando de empregados a ela vinculados mediante contrato de trabalho. 3. A intermediação implica o preço do serviço que é a comissão, base de cálculo do fato gerador consistente nessas "intermediações". 4. O ISS incide, nessa hipótese, apenas sobre a taxa de agenciamento, que é o preço do serviço pago ao agenciador, sua comissão e sua receita, excluídas as importâncias voltadas para o pagamento dos salários e encargos sociais dos trabalhadores. Distinção de valores pertencentes a terceiros (os empregados) e despesas com a prestação. Distinção necessária entre receita e entrada para fins financeirotributários (...). (GRIFO) Com efeito, extraise do julgado acima que em regra geral devese admitir a incidência de impostos e contribuições apenas sobre valores que representam necessariamente riqueza nova do sujeito passivo, sob pena da exação violar o princípio da capacidade contributiva e se tornar confiscatória, razão pela qual correta é a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Voto Vencedor A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do PIS e da Cofins. Antes de tudo, consigno que são respeitáveis os fundamentos que sustentam a tese abraçada pelo voto vencido, de impossibilidade da dita inclusão, cujo pano de fundo encerra o que se atribui ser um desvalor que se entende não dever existir no nosso sistema tributário, vale dizer, a cobrança de tributo sobre tributo, na espécie a cobrança das aludidas contribuições sobre o ICMS enquanto receita de terceiro. Considero, no entanto que não se pode perder de vista – como referência para o presente julgamento , que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no estreito espaço do controle de legalidade das decisões administrativas. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902123/201212 Acórdão n.º 3803004.976 S3TE03 Fl. 79 7 O nobre Relator inicia o seu voto erigindo um paradigma com o fim de alavancar a tese abraçada , consubstanciado no julgamento do RE n.º 559.937, que tratou da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. Embora tendo ele reconhecido que aquele julgado não se aplica ao presente julgamento qualificao como precedente importante da Suprema Corte, quando equipara a ampliação, ali, do conceito de valor aduaneiro ao que entende ocorrer aqui: a ampliação do conceito de faturamento. Oponhome ao paradigma. Nada obstante tratarem, semelhantemente, da inclusão do ICMS na base de cálculo das citadas contribuições (PIS/Cofins Cumulativos; PIS/CofinsImportação), a decisão no RE n.º 559.937 não vejo que seja indicativa do prognóstico proferido pelo Relator: de resultado do julgamento desta matéria na mesma direção que tomou aquela. Isso, porque a decisão no RE n.º 559.937 não tratou de alargamento do conceito de valor aduaneiro articulado pela Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PasepImportação e a CofinsImportação determinando a continência nelas do ICMS. Segundo a decisão do STF “o que fez [a dita lei] foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal”. A expressão valor aduaneiro, conforme acentuado por aquela Corte, é utilizada na Constituição em sentido técnico e “remete àquele já praticado no discurso jurídico positivo preexistente à sua edição”, e circunscreve integralmente a base de cálculo a ser observada pelo legislador ordinário na instituição das ditas contribuições, no que foi extrapolada com a adição ao valor aduaneiro do ICMS. Servirse a Constituição de grandeza específica então já definida legalmente no apontamento dessa expressão (valor aduaneiro) como uma das bases de cálculo do PIS/CofinsImportação[1], não é o que se dá no presente debate, em que a base de cálculo eleita pelo art. 195, I, b, da CF/88, o faturamento, não tinha definição por lei tributária préexistente. Naquele caso, a definição legal fora recepcionada pela Carta Magna, passando a se ter uma definição constitucional de valor aduaneiro. No presente caso, pela razão acima, à míngua de detalhamento constitucional do que viesse a ser faturamento esse mister haveria de estar a cargo de norma infraconstitucional, o que se deu por meio da LC 70/91, da Lei nº 9.715/98 e da Lei nº 9.718/98. O Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[2]. A sua propositura é do Presidente da República e o seu objeto é legitimar a inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de 1 § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: [...] a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; 2 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[3]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF. A instituição da Cofins pela LC 70/91[4] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando quanto a tributos que nele não se integra o IPI, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[5], também o fez estabelecendo quanto a tributos que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[6] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços. Ao definirem faturamento a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que excluemse da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão do faturamento, não há como não se considerar que ficou definido a contrario sensu e de forma implícita – que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/687 reiterado pela LC Nº 87/96[8][9].endossam esta conclusão. 3 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 4 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 5 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 6 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 7 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 8 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902123/201212 Acórdão n.º 3803004.976 S3TE03 Fl. 80 9 Exemplificando: · ICMS por dentro · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento=830,00/83 % (100% 83%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS = 170,00 · ICMS por fora · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; · O preço de venda será o valor da mercadoria em estoque, cujo montante resultará no faturamento. Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 9 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade sem redução de texto do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG, abraçada pelo i. Relator. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado10, ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento11. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou serviço e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: 10 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 11 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902123/201212 Acórdão n.º 3803004.976 S3TE03 Fl. 81 11 a): a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Se este é o entendimento que se tem sob égide da Lei nº 9.718/98, não há distinção quando se considera a ampliação da base de cálculo implementada pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, porquanto não se está a tratar de receita outra que se agregue à de venda de mercadorias e serviços. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de novembro de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 15563.000171/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2003
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO.
Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar eventuais contradições verificadas no acórdão.
FALTA DE PAGAMENTO DE IMPOSTO DE RENDA TRIBUTADO EXCLUSIVAMENTE NA FONTE. MULTA ISOLADA PELA FALTA DE RETENÇÃO. INEXIGIBILIDADE.
Descabe a aplicação da multa exigida isoladamente quando os rendimentos que lhe deram origem são tributados exclusivamente na fonte. Nesse caso, cabe exigir da fonte pagadora o pagamento do imposto com os devidos acréscimos legais.
Numero da decisão: 2201-002.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para sanar a contradição apontada no Acórdão nº 2201-002.102, de 17/04/2013, mantendo-se a decisão original.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcão Lima (suplente convocado), Ricardo Anderle (suplente convocado).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ACOLHIMENTO. Acolhemse os embargos declaratórios para sanar eventuais contradições verificadas no acórdão. FALTA DE PAGAMENTO DE IMPOSTO DE RENDA TRIBUTADO EXCLUSIVAMENTE NA FONTE. MULTA ISOLADA PELA FALTA DE RETENÇÃO. INEXIGIBILIDADE. Descabe a aplicação da multa exigida isoladamente quando os rendimentos que lhe deram origem são tributados exclusivamente na fonte. Nesse caso, cabe exigir da fonte pagadora o pagamento do imposto com os devidos acréscimos legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para sanar a contradição apontada no Acórdão nº 2201002.102, de 17/04/2013, mantendose a decisão original. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Nathalia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 01 71 /2 00 7- 15 Fl. 479DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcão Lima (suplente convocado), Ricardo Anderle (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), exercício 2003, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 77/84, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 33.914,26, calculados até 30/04/2007. A fiscalização apurou falta de recolhimento de IRRF incidente sobre remuneração indireta (benefícios e vantagens) paga a beneficiários. A autoridade fiscal aplicou a multa de ofício isolada pela falta de retenção ou recolhimento de IRRF. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: Preliminarmente . que a fiscalização não indicou os benefícios indiretos que teriam sido pagos, já que não especificou, claramente, qual o inciso e alínea que se enquadraria tal pretenso benefício, limitandose a mencionar como fundamento legal o art. 622 do RIR/1999. (...) Mérito . que a empresa disponibilizava, à época, para certas pessoas, cartão de crédito corporativo, para que fosse utilizado apenas com despesas necessárias ao desempenho das funções de trabalho, e não para pagar despesas pessoais. . que as despesas são oriundas do normal desempenho das funções pelos empregados, normalmente com estadias, alimentação, táxi, aluguel de carro, etc., tudo fora do local de trabalho dessas pessoas, em viagens de negócios, visitação de feiras, congressos etc. (...) . que está demonstrado que tais despesas são da própria empresa, dentro de seu custo operacional, e que, apenas por facilidade operacional, era usado cartão de crédito, não se vislumbrando as hipóteses do art. 622 do RIR/1999. . que tais despesas se referem ao curso normal de atividades da empresa, incorridas em razão de viagens de funcionários para realização de atividades empresariais, não podendo ser considerada como remuneração indireta nos termos do art. 622 do RIR/1999. A 7ª Turma da DRJ – Rio de Janeiro/RJI julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: Fl. 480DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15563.000171/200715 Acórdão n.º 2201002.255 S2C2T1 Fl. 3 3 PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCRIÇÃO DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL ADEQUADAS. INOCORRÊNCIA. Descabe a alegação de nulidade, não tendo havido, portanto, qualquer cerceamento do direito de defesa, uma vez que o auto de infração foi formalizado com fundamentação e enquadramento legal adequados, em estrita observância aos requisitos legais previstos no art. 142 do Código Tributário Nacional e no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, não tendo havido ofensa ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. REMUNERAÇÃO INDIRETA. Está sujeito à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), todo pagamento de benefícios indiretos (remuneração indireta) efetuados pela fonte pagadora, os quais não tenham sido incorporados ao salário dos beneficiários, nos termos do disposto nos artigos 622 e 675 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/1999). MULTA DE OFÍCIO ISOLADA MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IRRF. Uma vez que a fonte pagadora não efetuou a retenção e o recolhimento do IRRF a que estava obrigada, cabível a aplicação da multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, conforme determina o art. 9º da Lei nº 10.426/2002. Intimada da decisão de primeira instância em 26/10/2009 (fl. 415), Taho Acesso a Internet Rápido Ltda. apresenta Recurso Voluntário em 23/11/2009 (fls. 418/419), sustentando, verbis: A planilha anexada pela recorrida, referese ao período de apuração que compreende o mês de 09/2002 e o mês de 10/2002. Entretanto, tal período foi devidamente recolhido conforme comprovante ora anexado, não assistindo assim, razão para que se proceda a lavratura do auto, nem tão pouco o lançamento da multa de isolada de oficio. (...) Claro está que o lançamento da multa isolada foi feito de forma errônea visto que diante das provas ora anexadas pela recorrente, não houve nenhuma das tipificações do artigo supra, devendo assim o lançamento se tornar nulo. Em 17 de abril de 2013 o processo foi julgado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e os membros da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção, por meio do Acórdão nº 2201002.102, decidiram, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada. Transcrevemse as ementas do Julgado: IRPF. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO PAGAMENTO. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 O pagamento do valor total da exigência extingue o crédito tributário, nos termos do art. 156, I, do Código Tributário Nacional CTN, implicando a extinção do litígio administrativo, por falta de objeto. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. LEI POSTERIOR. A multa de ofício prevista no art. 44, da Lei 9.430/1996, teve suas hipóteses puníveis modificadas pelo advento da Lei nº 11.488/2007. Dentre as mudanças, incluise a extinção da multa de ofício na hipótese de recolhimento ou pagamento do tributo com atraso e sem multa moratória. Aplicável, portanto, a lei posterior mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106, I do CTN. Cientificada da decisão a Fazenda Nacional interpôs tempestivamente Embargos de Declaração, com base no art. 65 da Portaria MF nº 256/2009, alegando, essencialmente, que a multa isolada exonerada não foi aplicada em razão do atraso no pagamento desacompanhado da multa moratória, mas sim pela falta de retenção do imposto de renda na fonte. Por meio de Despacho a Presidência da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF acolheu os Embargos e solicitou a reinclusão dos autos em pauta para reanálise. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator Os Embargos atendem os requisitos de admissibilidade. Como visto do relatório, a Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração alegando que a multa isolada exonerada pelo julgado não foi aplicada em razão do atraso no pagamento desacompanhado da multa moratória, mas sim pela falta de retenção do imposto de renda na fonte. Pois bem, analisando detidamente o fundamento do acórdão 2201002.102, bem como a ementa consignada, verifico, pois, que de fato existe uma contradição que necessita ser sanada. O v. acórdão afastou a multa isolada sob o argumento da retroatividade benigna da Lei nº 11.488/2007. Contudo, a matéria tratada nos autos referese à falta de recolhimento de Imposto de Renda à alíquota de 35%, exclusivamente na fonte, incidente sobre remuneração indireta (benefícios e vantagens) paga pela pessoa jurídica. Com efeito, como tais valores estavam sujeitos à tributação exclusivamente na fonte, não poderiam ser incluídos na base de cálculo do ajuste anual da pessoa física (beneficiário dos recursos) e, portanto, não cabe a exigência da multa isolada. Assim, devese exigir da fonte pagadora apenas o pagamento do imposto com os devidos acréscimos legais. É nesse sentido a jurisprudência do CARF. Vejase: Fl. 482DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15563.000171/200715 Acórdão n.º 2201002.255 S2C2T1 Fl. 4 5 Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Ano calendário: 2005, 2006, 2007 FALTA DE PAGAMENTO DE IMPOSTO DE RENDA TRIBUTADO EXCLUSIVAMENTE NA FONTE. MULTA ISOLADA E JUROS DE MORA ISOLADOS PELA FALTA DE RETENÇÃO. INEXIGIBILIDADE. Descabe a aplicação da multa e dos juros de mora exigidos isoladamente quanto os rendimentos que lhe deram origem são tributados exclusivamente na fonte. Nesse caso, cabe exigir da fonte pagadora o pagamento do imposto com os devidos acréscimos legais. (Processo 10980.723628/201024 Relator(a) MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Nº Acórdão 2202002.298) Ainda que fosse aplicável a multa isolada, o que se admite apenas a título de argumentação, haveria concomitância, pois se estaria cobrando a multa de lançamento de ofício isolada, sobre a mesma omissão que gerou o lançamento do tributo, acrescido da multa de ofício. Nessa conformidade, voto por acolher os Embargos de Declaração para sanar a contradição apontada no Acórdão nº 2201002.102, de 17/04/2013, mantendose a decisão original. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 483DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 15563.000171/200715 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.255. Brasília/DF, 19 de setembro de 2013 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 484DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15563.000171/200715 Acórdão n.º 2201002.255 S2C2T1 Fl. 5 7 Fl. 485DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 19515.721906/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Constitui infração, sujeita à aplicação de multa, deixar a empresa de exibir à Fiscalização quaisquer documentos e/ou livros contábeis relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, ou apresentá-los desprovidos das formalidades legais exigidas, com informações diversas da realidade ou com omissão de informações verdadeira, nos termos do artigo 33, §§ 2º e 3°, da Lei nº 8.212/91.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração, sujeita à aplicação de multa, deixar a empresa de exibir à Fiscalização quaisquer documentos e/ou livros contábeis relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, ou apresentá-los desprovidos das formalidades legais exigidas, com informações diversas da realidade ou com omissão de informações verdadeira, nos termos do artigo 33, §§ 2º e 3°, da Lei nº 8.212/91. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elias Sampaio Freire - Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração, sujeita à aplicação de multa, deixar a empresa de exibir à Fiscalização quaisquer documentos e/ou livros contábeis relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, ou apresentálos desprovidos das formalidades legais exigidas, com informações diversas da realidade ou com omissão de informações verdadeira, nos termos do artigo 33, §§ 2º e 3°, da Lei nº 8.212/91. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 19 06 /2 01 1- 51 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.721906/201151 Acórdão n.º 2401003.270 S2C4T1 Fl. 238 3 Relatório LEDERVIN INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 11a Turma da DRJ em São Paulo/SP I, Acórdão nº 1641.286/2012, às fls. 184/196, que julgou procedente a autuação fiscal lavrada contra a empresa, com fulcro no artigo 33, §§ 2º e 3º, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 233, parágrafo único, do RPS, por ter deixado de apresentar os documentos solicitados pela fiscalização mediante TIAD, mais precisamente as folhas de pagamento dos segurados contribuintes individuais, relativas ao período de 01/2006 a 12/2007, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05/06, e demais documentos constantes dos autos. Tratase de Auto de Infração (obrigações acessórias), lavrado em 13/12/2011, nos moldes do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 15.244,14 (Quinze mil, duzentos e quarenta e quatro reais e quatorze centavos), com base nos artigos 283, inciso II, alínea “j”, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 202/216, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, por entender que a multa aplicada malfere os princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e do não confisco. Em defesa de sua pretensão, assevera que a administração pública pode rever ou cancelar/anular seus atos, com esteio nos artigos 53 e 55 da Lei n° 9.784/99, sobretudo quando ilegais e/ou inconstitucionais, o que se aplica na hipótese vertente onde a multa aplicada fora desproporcional aos atos da contribuinte. Sustenta a atipicidade do ato objeto da presente autuação, sob o argumento de inexistir na legislação de regência e na base de dados da Receita Federal do Brasil a folha de pagamento solicitada pela fiscalização, mas, exclusivamente, a GFIP, sendo, portanto, abusiva e desproporcional a exigência de elaboração de folhas de pagamento de pessoas que trabalham há mais de 04 anos. Contrapõese à penalidade imposta, alegando que o equívoco eventualmente incorrido pela contribuinte não acarretou qualquer prejuízo à fiscalização, mormente quando promoveu o recolhimento dos tributos devidos. Dessa forma, com base na boafé na conduta da contribuinte, requer seja relevada a multa imposta, notadamente em face da ausência de prejuízo ao erário, tendo ocorrido erro operacional por parte da empresa. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.721906/201151 Acórdão n.º 2401003.270 S2C4T1 Fl. 239 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, o presente crédito tributário fora lavrado em razão de a contribuinte deixar de apresentar à fiscalização as folhas de pagamento dos segurados contribuintes individuais, relativamente ao período de 01/2006 a 12/207, muito embora devidamente intimada para tanto. Nesse contexto, a contribuinte foi autuada com fundamento no disposto no artigo 33, §§ 2º e 3°, da Lei nº 8.212/91, constituindose crédito previdenciário decorrente de multa aplicada nos termos do artigo 283, inciso II, alínea “j”, do RPS, nos seguintes termos: “ Lei nº 8.212/91 Art. 33. [...] § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). “Regulamento da Previdência Social – Aprovado pelo Decreto 3.048/99. Art. 283. Por infração a quaisquer dispositivos das Leis 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 08 de mais de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável [...], conforme gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: [...] II – a partir de R$ 6.361,73 nas seguintes infrações: Fl. 242DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 j) deixar a empresa, o servidor [...], de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentalos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira.” Verificase, que a recorrente não apresentou a documentação exigida pela Fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supratranscritos, o que ensejou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social. Em suas razões de recurso, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, por entender que a multa aplicada malfere os princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e do não confisco. A fazer prevalecer seu entendimento, assevera que a administração pública pode rever ou cancelar/anular seus atos, com esteio nos artigos 53 e 55 da Lei n° 9.784/99, sobretudo quando ilegais e/ou inconstitucionais, o que se aplica na hipótese vertente onde a multa aplicada fora desproporcional aos atos da contribuinte. Sustenta a atipicidade do ato objeto da presente autuação, sob o argumento de inexistir na legislação de regência e na base de dados da Receita Federal do Brasil a folha de pagamento solicitada pela fiscalização, mas, exclusivamente, a GFIP, sendo, portanto, abusiva e desproporcional a exigência de elaboração de folhas de pagamento de pessoas que trabalham há mais de 04 anos. Contrapõese à penalidade imposta, alegando que o equívoco eventualmente incorrido pela contribuinte não acarretou qualquer prejuízo à fiscalização, mormente quando promoveu o recolhimento dos tributos devidos. Dessa forma, com base na boafé na conduta da contribuinte, requer seja relevada a multa imposta, especialmente em face da ausência de prejuízo ao erário, tendo ocorrido erro operacional por parte da empresa, posteriormente corrigido. Antes de adentrar ao mérito propriamente dito, impende frisar que, não obstante tratarse de autuação face à inobservância de obrigações acessórias, os argumentos da recorrente dizem respeito basicamente aos lançamentos de obrigações principais promovidos contra a empresa, bem como a propósito de matérias alheias ao presente lançamento, o que por si só seria capaz de ensejar o não conhecimento do recurso voluntário, por trazer em seu bojo questões estranhas ao auto de infração sob análise. Com efeito, a contribuinte faz uma verdadeira confusão ao tratar da questão, trazendo à colação argumentos relativos à constituição de créditos previdenciários decorrentes do descumprimento de obrigações principais, e outras obrigações acessórias. Consoante se positiva do artigo 113 do Código Tributário Nacional, as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, principal e obrigação acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Por outro lado, a obrigação acessória, relacionase às prestações positivas ou negativas, constantes da legislação de regência de interesse da arrecadação ou fiscalização Fl. 243DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.721906/201151 Acórdão n.º 2401003.270 S2C4T1 Fl. 240 7 tributária, sendo exemplo de seu descumprimento deixar a contribuinte de apresentar documentos solicitados pela fiscalização, situação que se amolda ao caso sub examine. Assim, por serem independentes, os fatos ensejadores dos demais Autos de Infração lavrados contra a contribuinte não guardam relação de causa e efeito com a presente autuação, sobretudo quando a infração incorrida diz respeito a não apresentação de documentos solicitados pela autoridade lançadora. Nesse sentido, inobstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte ao longo do seu arrazoado, sua pretensão não merece ser acolhida, mormente em razão de se vincular, em parte, com descumprimento de obrigações tributárias principais, estranhas ao presente caso. Observese, que a contribuinte em momento algum defende não ter incorrido nas infrações apontadas, argumentando tão somente que não teve dolo em proceder de maneira equivocada, tendo, inclusive, promovido o recolhimento dos tributos devidos, o que daria margem a relevação da muita diante de sua boafé. Entrementes, como restou devidamente demonstrado na decisão de primeira instância e acima reforçado, as obrigações acessórias e principal, via de regra, não se confundem, de maneira que, o fato de ter havido o pagamento do tributo devido, não exime a contribuinte de observar o cumprimento das obrigações tributárias acessórias, o que rechaça, igualmente, a pretensa conexão arguida em relação aos lançamentos de obrigação principal. Por outro lado, quanto à suposta ausência de prejuízo para o Fisco, em razão de ter promovido o recolhimento dos tributos devidos, ou mesmo a pretensa boafé da contribuinte, mais uma vez, não merece guarida a pretensão da recorrente, uma vez que, repita se, um fato não exime a observância de outro. Com mais especificidade, a legislação de regência estabelece que a responsabilidade por infrações independe dos efeitos do ato praticado pelo contribuinte. É o que se extrai do artigo 136 do Códex Tributário, nos seguintes termos: “Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” Na esteira desse entendimento, a conduta da contribuinte em deixar de apresentar os documentos solicitados pela fiscalização, mais precisamente as folhas de pagamento, representa infração às normas que regulamentam a matéria, impondo seja mantida a penalidade ora aplicada. Não procede, igualmente, o argumento de que a contribuinte não teria a obrigação de elaborar folhas de pagamento. Destarte, de acordo com o artigo 32, inciso I, da Lei n° 8.212/91, a empresa é obrigada a preparar as folhas de pagamento de todos os segurados a seu serviço. No entanto, não fora essa a infração apurada nestes autos, mas, sim, o fato de deixar de entregar os documentos solicitados pela fiscalização, in casu, as folhas de pagamento. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 Neste ponto, importante frisar que a alegação da contribuinte, de que o prazo concedido pela fiscalização para apresentação das folhas de pagamento fora por demais exíguo, impossibilitando o seu cumprimento, também não merece acolhimento. Isto porque, nos termos do dispositivo legal retro, é obrigação do contribuinte manter sua escrita contábil nos moldes das formalidades legais extrínsecas e intrínsecas, incluindo as folhas de pagamento, razão pela qual o prazo concedido pela autoridade lançadora fora tão somente para apresentação e não para elaboração de tais documentos. DA APRECIAÇÃO DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Relativamente às questões de inconstitucionalidades arguidas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como a multa ora exigida encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Fl. 245DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.721906/201151 Acórdão n.º 2401003.270 S2C4T1 Fl. 241 9 Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” E, segundo o artigo 72, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expresso sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento na forma ali decidida, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE E NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13702.001067/2006-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2002
PRELIMINAR DE NULIDADE AFASTADA, PELA AUSÊNCIA DE JUNTADA DE PROCEDIMENTOS QUE PRECEDERAM O LANÇAMENTO DE OFÍCIO, QUANDO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE O DEVIDO PROCESSO LEGAL
Não compromete o trabalho fiscal, a ausência de procedimentos que
precederam o lançamento de ofício, quando recusados ou considerados insatisfatórios pelo autuante, nos termos do inciso II do art. 845 do RIR, e quando se constata que foram assegurados ao contribuinte todas as oportunidades de defesa, para apresentação das alegações e juntadas de documentos que entendeu necessárias.
COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. DEPÓSITO JUDICIAL.
O depósito judicial somente pode ser compensado com o devido na
Declaração de Ajuste Anual depois de convertido em renda para a União.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-002.172
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
REJEITAR a preliminar e, no mérito, por maioria, em DAR parcial provimento para cancelar a multa de ofício e determinar que o crédito lançado seja mantido com exigibilidade suspensa
enquanto transcorrer a discussão judicial. Vencidos os Conselheiros Atilio Pitarelli (relator) e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2002 PRELIMINAR DE NULIDADE AFASTADA, PELA AUSÊNCIA DE JUNTADA DE PROCEDIMENTOS QUE PRECEDERAM O LANÇAMENTO DE OFÍCIO, QUANDO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE O DEVIDO PROCESSO LEGAL Não compromete o trabalho fiscal, a ausência de procedimentos que precederam o lançamento de ofício, quando recusados ou considerados insatisfatórios pelo autuante, nos termos do inciso II do art. 845 do RIR, e quando se constata que foram assegurados ao contribuinte todas as oportunidades de defesa, para apresentação das alegações e juntadas de documentos que entendeu necessárias. COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. DEPÓSITO JUDICIAL. O depósito judicial somente pode ser compensado com o devido na Declaração de Ajuste Anual depois de convertido em renda para a União. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2279; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 80 Error! Unknown document property name. 1 79 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13702.001067/200608 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.172 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física IRPF Recorrente TERESA PIMENTA DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 PRELIMINAR DE NULIDADE AFASTADA, PELA AUSÊNCIA DE JUNTADA DE PROCEDIMENTOS QUE PRECEDERAM O LANÇAMENTO DE OFÍCIO, QUANDO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE O DEVIDO PROCESSO LEGAL Não compromete o trabalho fiscal, a ausência de procedimentos que precederam o lançamento de ofício, quando recusados ou considerados insatisfatórios pelo autuante, nos termos do inciso II do art. 845 do RIR, e quando se constata que foram assegurados ao contribuinte todas as oportunidades de defesa, para apresentação das alegações e juntadas de documentos que entendeu necessárias. COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. DEPÓSITO JUDICIAL. O depósito judicial somente pode ser compensado com o devido na Declaração de Ajuste Anual depois de convertido em renda para a União. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar e, no mérito, por maioria, em DAR parcial provimento para cancelar a multa de ofício e determinar que o crédito lançado seja mantido com exigibilidade suspensa enquanto transcorrer a discussão judicial. Vencidos os Conselheiros Atilio Pitarelli (relator) e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. Assinado digitalmente. José Raimundo Tosta Santos – Presidente a época da formalização Fl. 81DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13702.001067/200608 Acórdão n.º 2102002.172 S2C1T2 Fl. 81 Error! Unknown document property name. 2 Assinado digitalmente. Atilio Pitarelli Relator Assinado digitalmente. Núbia Matos Moura – Redatora designada. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atílio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 1ª Turma da DRJ/RJ2, de 27 de agosto de 2009 (fls. 25/26), que por unanimidade de votos manteve exigência fiscal objeto de lançamento lavrado em 14/08/2006, no valor total de R$ 2.365,11, sendo R$ 1.023,33 a título de imposto de renda suplementar, R$ 767,49 de multa de ofício e R$ 574,29 de juros de mora (fl. 03). Conforme consta à fl. 04, o trabalho fiscal decorre da alteração do valor dos rendimentos do INSS, corrigido para R$ 25.004,40 (R$ 17.949,36 a título de Proventos e R$ 7.055,04, como valor de rendimentos acumulados), e da dedução tida como indevida do IRRF, no valor de R$ 2.042,94, que teria incidido sobre o valor de R$ 9.097,98, que consta na Carta de Concessão/Memória de Cálculo como valor bruto dos rendimentos acumulados, redundando com isto, imposto devido no valor acima referido de R$ 1.023,33 e não a restituir, de R$ 706,25, como declarado pela Recorrente. Intimada da lavratura do lançamento, a autuada apresentou impugnação constante à fl. 1, onde objetivamente alegou que conforme Carta de Concessão/Memória de Cálculo da aposentadoria emitida pelo INSS, houve recebimento de créditos atrasados no valor de R$ 9.097,98, com IRRF de R$ 2.042,94; Proventos de Aposentadoria de R$ 17.949,36, com retenção de R$ 71,58 e Previdência privada de R$ 2.033,37, sem retenção de valor a título de IRRF. A decisão proferida pela DRJ/RJ2 manteve a exigência fiscal, após exame da DIRF entregue pelo INSS, constante à fl. 23, e comprovantes de rendimentos de fl. 11, que no entender do Relator evidenciam os pagamentos efetuados sem retenção na fonte de imposto de renda, em função de Ação Cível Pública proposta pelo Ministério Público Federal, que tramitava na 19a Vara Federal de São Paulo, onde questionava a incidência do imposto sobre o pagamento acumulado de benefícios. Em grau de Recurso Voluntário a este colegiado, preliminarmente, alega cerceamento ao direito de defesa, pela não juntada aos autos de esclarecimentos e documentos apresentados em atendimento a notificação que precedeu a lavratura do lançamento, ferindo com isto preceito legal e constitucional, que asseguram o devido processo legal, e quanto ao mérito, que a decisão recorrida contraria os documentos acostados, que evidenciam tributação sobre o valor bruto de R$ 9.097,98, retendo na fonte R$ 2.042,94, que redundou no recebimento líquido de R$ 7.055,04. A fiscalização considerou este valor como receita bruta, Fl. 82DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13702.001067/200608 Acórdão n.º 2102002.172 S2C1T2 Fl. 82 Error! Unknown document property name. 3 desconsiderando o valor retido na fonte. Protesta seu patrono, intimação para proferir sustentação oral de suas razões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, em conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Não obstante as referências a rendimentos acumulados, entendo necessário iniciar o voto destacando que a questão não se refere à incidência sobre eles, e sim, retificação do valor efetivamente recebido, assim como sobre valor deduzido a título de imposto de renda retido na fonte, razão pela qual, não vejo razão para sobrestamento ou qualquer óbice para julgamento. Assim, merece apreciação a exigência fiscal, com as preliminares e questões de mérito levantadas pela Recorrente. Sobre a preliminar de nulidade, a mesma não deve prevalecer, pois não vislumbro no trabalho fiscal os vícios alegados. Com efeito, a alegada omissão de intimação para apresentação de documentos ou então, de alegações apresentadas que precederam o lançamento, em nada o comprometem, pois até mesmo com fundamento no inciso II do art. 845 do RIR, citado na peça recursal, estabelece que o lançamento de ofício será cabível “quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios” Destarte, se foram prestados esclarecimentos, não aceitos pela autoridade fiscal, que os recusou ou os considerou insatisfatórios, foi lavrado o auto de infração, inaugurando este processo, onde foram assegurados à Recorrente todas as oportunidades para defesa, com apresentação de alegações e juntada de documentos, não havendo preterição do direito de defesa, constante no inciso II do art. 59 do decreto n.o 70.235/72, razões pelas quais, afasto a preliminar de nulidade. Quanto ao mérito, entendo que assiste razão à Recorrente. Como destacado inicialmente, a exigência fiscal está baseada em dois fatos: a) o valor oferecido à tributação pela Recorrente, de benefício pago acumuladamente pelo INSS, que o declarou como sendo R$ 9.097,98, que na Carta de Concessão/Memória de Cálculo de fl. 9 também representa o valor bruto, sofrendo um desconto de R$ 2.042,94, a título de imposto de renda retido na fonte, restando o valor líquido de R$ 7.055,04, valor este, constante no Informe de Rendimento e DIRF como bruto, e b) direito ao abatimento do valor apurado na declaração de ajuste, do valor de R$ 2.042,94, constante como deduzido a título de imposto de renda na Carta de Concessão/Memória de Cálculo. Oferecendo o valor bruto à tributação na DIRPF, e considerando a retenção na fonte de R$ 2.042,94, a Recorrente apurou restituição de R$ 706,25 (fl. 15). Ocorre que o Informe de Rendimentos de fl. 11 e DIRF de fl. 22 apresentados pelo INSS dão conta do recebimento a título de rendimentos acumulados, do valor bruto de R$ Fl. 83DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13702.001067/200608 Acórdão n.º 2102002.172 S2C1T2 Fl. 83 Error! Unknown document property name. 4 7.055,04, IRRF com exigibilidade suspensa de R$ 1.400,45, portanto, o valor que na Carta de Concessão/Memória de Cálculo consta como líquido, no informe de rendimentos e DIRF, consta como bruto. Não vislumbro razões para desconsiderar a memória de cálculo apresentada pela Recorrente, com indicação do valor bruto divergente dos outros documentos, inclusive, com valor deduzido a título de imposto de renda retido na fonte, razão pela qual, dou provimento ao recurso por ela apresentado. Se efetivamente recebeu do INSS, por rendimentos acumulados de determinado benefício, e sobre ele foi retido imposto de renda, esta retenção lhe assegura o direito ao abatimento na DIRPF, tal como procedeu, e o direito à restituição é contingência dos valores declarados. O Informe de Rendimentos e DIRF possuem presunção relativa de veracidade dos valores nelas constantes, que no caso, contrariam a Memória de Cálculo também fornecida pelo INSS, exatamente no valor do imposto retido na fonte. Ora, se a autarquia efetua um pagamento ao beneficiário, apresentando, discriminadamente, os valores bruto, desconto do imposto de renda e valor líquido pago, não pode depois, através de outras obrigações instrumentais, informar o valor líquido como bruto, e com isto, desconsiderar o valor que havia informado ter retido a título de imposto de renda na fonte, valor este, que a legislação assegura como dedutível do valor do imposto apurado na declaração de ajuste anual, tal como procedeu a Recorrente. Por essas razões, afasto a preliminar de nulidade, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito, doulhe provimento. ATILIO PITARELLI Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13702.001067/200608 Acórdão n.º 2102002.172 S2C1T2 Fl. 84 Error! Unknown document property name. 5 Voto Vencedor Conselheira Núbia Matos Moura, Redatoradesignada Divirjo do ilustre relator quanto ao seu entendimento no que se refere ao mérito do recurso. Dos documentos que constam do processo resta claro que a contribuinte recebeu do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em abril de 2002, rendimentos acumulados, e que do valor recebido foi retido o imposto de renda. Contudo, o valor do imposto retido não foi recolhido aos cofres da União e sim depositados judicialmente, em razão da existência da Ação Civil Pública nº 1999.61.00.0037100, em trâmite na 19ª Vara Federal de São Paulo. É fato também que existem divergências entre os valores do rendimento e do imposto de renda retido na fonte apontados na Dirf e no documento fornecido ao contribuinte pelo INSS, fls. 09. Contudo, tal divergência não traz prejuízos à recorrente visto que o valor levado à tributação no Auto de Infração é menor do que aquele declarado pela contribuinte. Já no que concerne ao valor do imposto de renda retido na fonte não foi utilizado no lançamento, posto que não foi recolhido ao cofres da União, conforme já anteriormente afirmado. Logo nenhuma influência terá no lançamento, conforme será visto adiante. Pois muito bem. Como já falado o imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos recebidos acumuladamente do INSS não foi recolhido aos cofres da União. O INSS procedeu à retenção e fez o depósito judicial do respectivo valor, que está à disposição da Justiça até a decisão final da Ação Civil Pública nº 1999.61.00.0037100, em trâmite na 19ª Vara Federal de São Paulo. Caso a Justiça decida que os rendimentos recebidos acumuladamente sejam isentos a contribuinte receberá o valor depositado com a respectiva correção. Por outro lado, se a decisão for no sentido de que os rendimentos recebidos acumuladamente são tributáveis, o valor depositado será convertido em renda para a União a fim de que seja quitado o crédito apurado neste Auto de Infração. Destaquese que o depósito judicial somente pode ser compensado com o devido na Declaração de Ajuste Anual depois de convertido em renda para a União. Portanto, procede a glosa do imposto de renda, que foi retido, porém depositado judicialmente, nos termos em que efetivado pela autoridade fiscal. Contudo, dada a existência do depósito judicial, que inclusive excede o crédito tributário apurado na lançamento, temse que o Auto de Infração deveria ter sido lavrado nos termos do disposto no art. 63 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ou seja, devese cancelar a multa de ofício e o crédito tributário remanescente deverá ser mantido com a exigibilidade suspensa até a decisão final da Ação Civil Pública nº 1999.61.00.0037100. Nestes termos, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso, para cancelar a multa de ofício e determinar que o crédito lançado seja mantido com exigibilidade suspensa enquanto transcorrer a discussão judicial. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Fl. 85DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13702.001067/200608 Acórdão n.º 2102002.172 S2C1T2 Fl. 85 Error! Unknown document property name. 6 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 19515.720188/2012-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
CONTRATO POR PREÇO PREDETERMINADO. INCIDÊNCIA.
O reajuste do preço, homologado por órgão estatal, com vistas à manutenção do equilíbrio econômico-financeiro, não altera o preço predeterminado e, consequentemente, não impede a manutenção da tributação da COFINS no regime cumulativo.
A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-002.002
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
[assinado digitalmente]
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CONTRATO POR PREÇO PREDETERMINADO. INCIDÊNCIA. O reajuste do preço, homologado por órgão estatal, com vistas à manutenção do equilíbrio econômico-financeiro, não altera o preço predeterminado e, consequentemente, não impede a manutenção da tributação da COFINS no regime cumulativo. A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido.
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AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente CTEEP COMPANHIA DE TRANSMISÃO DE ENERGIA ELETRICA PAULISTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CONTRATO POR PREÇO PREDETERMINADO. INCIDÊNCIA. O reajuste do preço, homologado por órgão estatal, com vistas à manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, não altera o preço predeterminado e, consequentemente, não impede a manutenção da tributação da COFINS no regime cumulativo. A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 01 88 /2 01 2- 86 Fl. 3264DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em São Paulo que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, apenas para excluir da autuação os débitos declarados em DCOMP e não aproveitados de ofício pela fiscalização. Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto o relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: 5. Trata o presente processo de Autos de Infração de fls. 2743 a 2751 e de fls. 2752 a 2760, lavrado contra o sujeito passivo em epígrafe, ciência em 27.02.2012 (fls. 2743 e 2752), constituindo crédito tributário de: i) COFINS (fl. 27432746) no valor total de R$ 195.646.035,30, incluindose tributo, multa proporcional e juros de mora, estes calculados até 02.2012, referente aos períodos de 01.2009 a 12.2010, com enquadramento legal exposto às fls. 2745, 2746, 2750 e 2751; ii) PIS (fls. 27522754) no valor total de R$ 41.883.770,80, incluindose tributo, multa proporcional e juros de mora, estes calculados até 02.2011, referente aos períodos de 01.2009 a 12.2010, com enquadramento legal exposto às fls. 2754, 2759 e 2760. 6. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 2725 a 2730 a autoridade fiscal autuante informa que: i) Intimado, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 003 lavrado em 04/08/2011, o contribuinte apresentou, em 29/08/2011, arquivos contábeis digitais, e demonstrativos de cálculos do PIS/PASEP e da COFINS, cópias do Contrato de Concessão de Serviço Público de Transmissão/Prorrogação de Energia Elétrica nº 59/2001 ANEEL, firmado em 20/06/2001, acompanhado de termos aditivos, e Contrato de Concessão de Serviço Público de Transmissão de Energia Elétrica nº 143/2001 ANEEL, firmado em 21/12/2001, também acompanhado de termos aditivos. O contribuinte alegou, ainda, manter em vigor Contratos Bilaterais de Transmissão de Energia Elétrica, os quais não foram apresentados a Fiscalização; ii) Foram verificados os valores constantes da escrituração contábil, em confronto com os livros fiscais de entradas e de saídas, identificandose, além dos valores relativos à receita bruta de vendas de bens e serviços, eventuais vendas canceladas e descontos incondicionais concedidos. Foram, ainda, verificados os registros das operações de compras de bens e serviços utilizados como insumos, bem como os das operações de entrada que geraram créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, de que tratam respectivamente a Lei n. 10.637/2002 e a Lei n. 10.833/2003. Os valores contabilizados foram confrontados com as informações declaradas pelo contribuinte em DIPJ, DCTF e DACON. iii) Análises sobre os valores contabilizados, em face dos contratos apresentados, evidenciaram que a composição das receitas registradas pelo contribuinte nos períodos de 2009 e 2010 decorreram essencialmente da prestação do serviço de transmissão de energia elétrica (CPST), contratados anteriormente a 31/10/2003. Fl. 3265DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.720188/201286 Acórdão n.º 3102002.002 S3C1T2 Fl. 12 3 iv) A Lei nº 10.833/2003 fixou, em seu art. 10, inciso XI, alínea "b", que permanecem sujeitas às normas do regime cumulativo da COFINS as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços v) A Nota Técnica COSIT nº 1, de 16 de fevereiro de 2007, concluiu que os Contratos Iniciais, os Contratos Bilaterais, os Contratos de Uso do Sistema de Transmissão (CUST) não são contratos a preços predeterminados, dado que, na sistemática de reajuste de preços normalizada pela ANEEL, incidem diversos fatores, os quais não expressam variação de custos de produção ou de insumos. Também concluiu a mesma Nota Técnica, que, pela mesma razão, os Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão e os Contratos de Prestação de Serviço de Transmissão (CPST) não se subsumem ao inciso XI do art. 10° da Lei n. 10.833, de 2003. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, através do Parecer PGFN/CAT n. 1610/2007, de 1º de agosto de 2007, ratificou a interpretação da Nota Técnica COSIT n. 1/2007; vi) Nesse sentido, procedeuse a apuração do PIS/PASEP e da COFINS em consonância com a Nota Técnica COSIT n. 1/2007, tributandose as receitas oriundas da prestação do serviço de transmissão de energia elétrica, auferidas nos anos calendário de 2009 e 2010, segundo o regime não cumulativo das contribuições; vii) Por meio do Termo de Intimação Fiscal n. 004, lavrado em 05/10/2011, o contribuinte foi intimado a apresentar demonstrativo indicando as bases de cálculo dos créditos da não cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS, bem como a disponibilizar a documentação suporte correspondente a tais operações. viii) Da análise sobre os elementos objeto dos registros de entradas e saídas apresentados pelo contribuinte, em confronto com os valores contabilizados, declarados em DIPJ e informados em DACON, reconstituímos a composição da base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS sobre o faturamento; ix) Foram aproveitados de ofício os valores relativos aos créditos da não cumulatividade, apurados no curso da presente fiscalização e comprovados pelo contribuinte. Foram, ainda, aproveitados de ofício os valores recolhidos de PIS/PASEP e de COFINS anteriormente ao início do presente procedimento fiscal; x) Das análises citadas foram identificadas divergências injustificadas entre os valores dos tributos apurados na contabilidade e os declarados em DCTF e pagos, ensejando, desta forma, lançamentos por insuficiência de declaração/recolhimentos de PIS/PASEP e de COFINS. Fl. 3266DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 7. Inconformada com os lançamentos, a interessada interpôs em 27.03.2012 a impugnação de fls. 2765 a 2818, onde alega, em síntese, o que se segue: 7.1 A Impugnante é empresa concessionária de serviços públicos e tem como atividade principal a transmissão de energia elétrica, regulada e fiscalizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL; 7.2 Conforme os artigos 10º, XI e 15, V da lei nº 10.833/03, o legislador excluiu do regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, dentre outras hipóteses, as receitas relativas a contratos que, cumulativamente: (i) tenham sido firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003; (ii) com prazo superior a 1 (um) ano; (iii) envolvam fornecimento de bens ou serviços; e, (iv) a preço predeterminado. O motivo dessa regra de exclusão é preservar a situação idealizada pelas partes quando da assinatura do contrato a longo prazo, sem, dessa forma, acarretar prejuízos a uma das partes ou desequilíbrio duradouro na relação originalmente acordada, nem ferir o negócio jurídico perfeito; 7.3 A Impugnante firmou contratos de serviços de transmissão de energia elétrica e prestação de serviços correlatos a sua atividade principal, imprescindíveis, portanto, à consecução de seu objeto social, todos anteriormente a 31 de outubro de 2003 e com prazo superior a 1 ano, em que ela se obrigou a transmitir energia elétrica mediante a concessão de serviço público; 7.4 Os contratos de transmissão de energia elétrica firmados entre a Impugnante e os contratantes e que foram objeto de análise no presente Auto de Infração foram os seguintes: (i) Contrato de concessão do serviço público de transmissão/prorrogação de energia elétrica nº 59/2001; e (ii) Contrato de concessão de serviço público de transmissão de energia elétrica n° 143/01; 7.5 A pretexto de interpretar as IN's n°s 468/2004 e 658/2006 e com "fundamento" em (i) Soluções de Consulta da Secretaria da Receita Federal do Brasil, na (ii) Nota Técnica COSIT n° 01/07 e no (iii) Parecer PGFN/CAT n° 1.610/07, inovou no ordenamento jurídico e lavrou, indevidamente, o presente Auto de Infração. A D. Fiscalização sustenta que a aplicação de cláusulas de reajuste pelo IGPM descaracterizaria a predeterminação do preço, o que excluiria a Impugnante da sistemática cumulativa, nos termos do art. 10, XI da Lei n° 10.833/03. A autuação objetiva a cobrança dos valores supostamente devidos das contribuições sociais apuradas no regime nãocumulativo, como entende o I. Auditor Fiscal, em razão da pretensa "alteração" dos preços predeterminados pelo IGPM (cláusula de reajuste); 7.6 A presente autuação parte do equivocado pressuposto de que o conceito de preço predeterminado é desnaturado pelo simples fato dos contratos celebrados pela Impugnante estarem sujeitos à atualização monetária pelo índice IGPM; 7.7 Não é competência da Secretaria da Receita Federal a definição do que é preço predeterminado para fins da Lei n° Fl. 3267DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.720188/201286 Acórdão n.º 3102002.002 S3C1T2 Fl. 13 5 10.833/03. Assim, por óbvio, os "fundamentos" invocados para embasar a presente autuação, quer dizer, as Soluções de Consulta da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a Nota Técnica COSIT n°01/07, o Parecer PGFN/CAT n° 1.610/07, e, ainda, a Instrução Normativa n° 658/06, extrapolaram o que autoriza a Lei n° 10.833/03, ao preverem que o implemento de cláusulas de reajuste do preço inicialmente contratado teria o condão de alterar a predeterminação do preço; 7.8 A preocupação do Poder Constituinte em atribuir somente à lei, em sentido estrito, a competência para instituição de tributo ou o aumento deste em razão da alteração da base de cálculo ou da alíquota. Ou seja, somente a lei em sentido estrito, emanada do Poder Legislativo, poderá criar, alterar, aumentar ou diminuir tributo preexistente. Dessa forma, jamais atos infralegais como é o caso das Soluções de Consulta, Nota técnica COSIT n° 01/07, Parecer da PGFN/CAT n° 1610/07 e a Instrução Normativa n° 658/06 – poderiam ultrapassar ou modificar os limites estabelecidos na lei o que de fato aconteceu em concreto; 7.9 Com isso, acabou o Poder Executivo por criar mandamentos não previstos em lei, haja vista que a Lei n. 10.833/03 não criou nenhum critério para definição de preço predeterminado prevalecendo o conceito civil e econômico vigente, pelo contrário, apenas o citou como um dos requisitos para a manutenção do contribuinte no regime da cumulatividade, razão pela qual os "fundamentos" invocados pela fiscalização para fundamentar a presente autuação padecem de gritante injuridicidade; 7.10 O presente lançamento apenas gira em torno do cumprimento do quarto requisito estabelecido pelo art. 10, XI da Lei n° 10.833/03, qual seja, a predeterminação dos preços estipulados nos contratos em análise. Acontece que, conforme se verá a seguir, esse quarto requisito estipulado pela Lei n° 10.833/03 também foi cumprido, sendo necessário o cancelamento integral do presente Auto de Infração; 7.11 A remuneração de empresa transmissora de energia, como é o caso da Impugnante, se dá mediante a fixação de Receita Anual Permitida (RAP), a qual é estabelecida pela ANEEL por intermédio da sua Resolução n° 167/2000 e serve para remunerar as concessionárias de serviços públicos de transmissão de energia elétrica. Essa receita também cobre os custos de operação e manutenção que as empresas têm com esses empreendimentos. A Receita Anual Permitida (RAP), por seu turno, é fixada pela Agência Reguladora do setor elétrico (ANEEL) mediante fórmula própria e preestabelecida contratualmente e que respeita os limites fixados em lei e que redundou nos contratos celebrados objeto de autuação; 7.12 Convém destacar que essa fórmula é imutável, ou seja, não é passível de revisão, uma vez que tem por escopo remunerar a concessionária, ora Impugnante, pela sua atuação em relação às Fl. 3268DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 rede de transmissão de energia elétrica já existentes antes da concessão. Tendo em vista a dificuldade em precificar as instalações absorvidas pelas empresas concessionárias, e partindo do pressuposto de que a remuneração de tais empresas estaria no ganho de produtividade a ser auferido ao longo do contrato de concessão, quer dizer, em tempo futuro, o preço do serviço então prestado foi estabelecido previamente, não sendo passível de revisão; 7.13 O preço estabelecido nos contratos objeto da presente autuação é imutável, sendo alcançado pela aplicação de uma fórmula própria e previamente estabelecida. O que existe, apenas, é o reajuste do valor nominal desse preço (até para que ele se mantenha imutável e não defasado) por intermédio da aplicação do IGPM, o que implicará, tãosomente, a sua recomposição no tempo; 7.14 É por isso, pois, que as receitas que foram objeto de autuação no caso em concreto são imutáveis, decorrentes da incidência de uma fórmula préfixada contratualmente e delimitada pela ANEEL. Percebese, portanto, que a referida forma de remuneração, estabelecida previamente e referendada pela ANEEL, enquadrase, perfeitamente, ao conceito de preço determinado; 7.15 É predeterminado aquele preço em que as partes contratantes têm conhecimento objetivo e real do preço acordado no exato instante em que celebrado o negócio jurídico, ainda que este preço esteja sujeito a eventuais ajustes futuros. O preço determinado, pois, diferese do preço variável, em que as partes não têm, no momento da celebração do contrato, qualquer conhecimento objetivo do quantum a ser pago, o qual será fixado apenas em instante futuro. Ora, no caso em análise as partes contratantes tinham a exata dimensão da fórmula (inalterável) que delimitaria a composição do preço pelo serviço prestado pela Impugnante. A existência de elementos para a recomposição nominal desse preço não desnatura, em absoluto, o caráter préfixo do preço objeto dos contratos fiscalizados, o que já seria suficiente para extinguir a presente autuação; 7.16 Em razão das dúvidas de interpretação que surgiram em relação à Lei n° 10.833, art. 10, XI, no que se refere às situações de definição do preço predeterminado, o legislador ordinário editou a Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, que em seu art. 109 reconhece expressamente que a aplicação de cláusulas de reajuste de preços decorrentes do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados não teria o condão de alterar o preço predeterminado dos contratos celebrados pelas partes. Essa também foi a posição da Agência Reguladora do mercado de energia (ANEEL), conforme teor da Nota Técnica n° 041/2008SRT/ANEEL; 7.17 O IGPM reflete o reajuste de preços em função do custo da produção da Impugnante, considerando fatores diversos e sendo elaborado pela Fundação Getúlio Vargas para a utilização por Fl. 3269DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.720188/201286 Acórdão n.º 3102002.002 S3C1T2 Fl. 14 7 todos os setores, conforme reconhecido pela própria ANEEL. Tal índice é resultante da média ponderada de três índices de preços: índice de Preços por Atacado – Disponibilidade Interna (IPADIM), índice de Preços ao Consumidor (IPCM) e índice Nacional de Custo da Construção (INCCM); 7.18 As operações de energia elétrica geralmente apresentam como custo majoritário para composição do seu preço contratual despesas com a depreciação/amortização de seu ativo imobilizado, custos com reposição de peças e em menor escala, temse as despesas com prestação de serviços de terceiros. Nesse contexto e considerando o peso financeiro que cada uma delas impõe na demonstração de resultado, o IGPM configura índice confiável para aferir a variação ponderada dos custos de transmissão de energia elétrica incorridos pela Impugnante, o que demonstra a absoluta impropriedade dos "fundamentos" invocados na presente autuação. A ANEEL, agência competente para atuar, na forma da lei e do contrato, nos processos de definição e controle de preços e tarifas de energia elétrica, atestou que o IGPM objetiva refletir o custo de produção ou dos insumos utilizados no setor elétrico; 7.19 A Nota Técnica n° 224/2006SFF/ANEEL, de 19 de junho de 2006, que, dentro da competência exclusiva do Órgão Estatal, analisou especificamente a incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas decorrentes de contratos assinados nos termos do art. 10, inciso XI, da Lei n° 10.833/2003, c/c art. 109 da Lei n° 11.196/2005, e entendeu que o índice aplicável para o ajuste dos preços seria o IGPM. Nesse mesmo sentido foi a resposta à consulta sobre ajustes de preços previstos em cláusulas contratuais por meio do Oficio n° 1431/2006SFF/ ANEEL, de 23 de agosto de 2006; 7.20 Desse modo, o IGPM é o índice que reflete o custo da produção dos serviços prestados pela Impugnante, o que foi expressamente reconhecido pela ANEEL (único órgão competente para tanto) e pelo art. 109 da Lei n° 11.196/05, e, portanto, em nada altera condição de predeterminação do preço acordado nos contratos iniciais celebrados pela companhia. Assim, por mais esse motivo, em obediência ao disposto no art. 109 da Lei n° 11.196/05, na Lei n° 9.427/96, na Nota Técnica n° 224/2006SFF/ ANEEL e no Oficio n° 1431/2006SFF/ ANEEL, demonstrado está que a presente autuação merece integral cancelamento; 7.21 O I. Auditor Fiscal limitouse a desabonar o IGPM como índice de correção para o setor econômico da Impugnante sem, todavia, (i) demonstrar qualquer fundamento que justificasse tal medida e, ainda, sem (ii) provar qual seria o índice a ser aplicável em concreto para, nessa hipótese, (iii) verificar se os reajustes promovidos pela Impugnante teriam ou não superado o hipotético índice; 7.22 Dessa feita, demonstrada está que a existência, nos contratos de preço predeterminado, de cláusulas de correção Fl. 3270DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 monetária não descaracteriza o quarto e último elemento previsto na Lei 10.833/03, devendo a Impugnante continuar a se submeter aos ditames do regime cumulativo do PIS e da COFINS, sendo mister o cancelamento da presente autuação; 7.23 Em respeito ao princípio da eventualidade, mister se faz destacar que o crédito em debate foi constituído em excesso, o que, por sua vez resulta em precariedade. Para se chegar a tal conclusão, convém destacar que, ao confrontar o montante supostamente devido pela Impugnante, o I. Auditor Fiscal ignorou os valores por ela regularmente recolhidos a titulo de PIS e de COFINS para o período fiscalizado; 7.24 No mês de janeiro de 2010 a Impugnante pagou R$ 7.329.902,61 a titulo de débitos de PIS e COFINS, o que fez mediante compensação com créditos de COFINS e PIS decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior realizados em fevereiro, março, agosto e setembro de 2006. Tais pagamentos foram formalizados em 8 Declarações de Compensação (DCOMPs) entregues em 21 de dezembro de 2009 e 23 de fevereiro de 2010, declarações essas pendentes de homologação. Acontece que, de forma absolutamente indevida, o montante acima referido não foi excluído pela fiscalização do importe cobrado no presente Auto de Infração; 7.25 Logo o I. Auditor Fiscal não efetuou o lançamento tributário aqui combatido nos exatos termos em que prescritos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional. Isso porque, ao realizar seu mister, a fiscalização não foi capaz de apurar a exata determinação da matéria tributável, de modo a apresentar cálculos efetivos e concretos acerca do montante exigido pela autuação. Ao mensurar economicamente os fatos passiveis de tributação, i.e., ao definir o quantum devido pelo contribuinte a titulo de tributo, a fiscalização foi incapaz de perceber todos os fatos relevantes para essa delimitação, em especial os pagamentos realizados pela Impugnante mediante compensação, o que deve ser aqui reconhecido. 7.26 Subsidiariamente, alega que os juros de mora e a multa aplicada são indevidas, haja vista o disposto no parágrafo único do art. 100 do CTN. O citado artigo do Código Tributário Nacional é enfático ao prescrever que, se um dado contribuinte pautou o seu comportamento em qualquer uma das espécies de normas complementares da legislação tributária nele elencadas, expedidas por autoridade administrativa, não se pode cogitar a cobrança do suposto tributo inadimplido acompanhado de penalidades, juros de mora e multa de ofício; 7.27 No caso concreto, o art. 109 da Lei n° 11.196/05, a Nota Técnica n° 224/2006SFF/ANEEL e a Instrução Normativa n° 658/2006, em seu art. 3º, determinam que a aplicação de cláusulas de reajuste pelo IGPM aos contratos firmados nos termos do art. 10, XI da Lei n° 10.333/03 não descaracteriza o preço predeterminado. Assim, ao seguir a orientação das Autoridades Administrativas no sentido de tributar seus contratos de longo prazo pelo regime nãocumulativo do PIS e da COFINS, nenhuma penalidade poderia ter sido imputada à Fl. 3271DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.720188/201286 Acórdão n.º 3102002.002 S3C1T2 Fl. 15 9 Impugnante, que apenas seguiu a lei e as orientações administrativas vigentes à época da autuação; 7.28 Por fim, contesta a incidência de juros de mora sobre a multa alegando afronta ao disposto no art. 61 da lei nº 9.430/96; 7.29 Em vista de todo o exposto, demonstrada a total ilegitimidade da autuação aqui combatida, a Impugnante requer seja a presente Impugnação julgada procedente, com o consequente cancelamento do Auto de Infração, determinandose o arquivamento do respectivo processo administrativo. Sucessivamente, caso o presente Auto de Infração não seja integralmente cancelado, o que se admite apenas hipoteticamente, a Impugnante requer o cancelamento da incidência de multa e juros na presente cobrança, haja vista o disposto no art. 100 do CTN ou, no pior dos cenários, ao menos a exclusão da incidência da taxa SELIC sobre a multa aplicada ao caso em concreto. A DRJ em São Paulo julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, nos seguintes termos: LANÇAMENTO. NULIDADE. Somente será considerado nulo o lançamento, se presente qualquer uma das situações previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. CONTRATOS DE LONGO PRAZO. PREÇO DETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO NÃOCUMULATIVA. O reajuste dos contratos de fornecimento de bens ou serviços a preço predeterminado, firmado antes de 31 de outubro de 2003, por índice geral de preços, implica a descaracterização do preço contratado como sendo preço predeterminado, pelo que, a partir da primeira alteração, as respectivas receitas estão sujeitas ao regime de tributação nãocumulativa das contribuições sociais. AUTO DE INFRAÇÃO. DÉBITOS DECLARADOS EM DCOMP. DUPLICIDADE. Os débitos declarados em DCOMP e não aproveitados de ofício pela fiscalização devem ser deduzidos dos valores lançados. NORMAS TRIBUTÁRIAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. RECEITA FEDERAL DO BRASIL. RESOLUÇÕES ANELL. NORMAS NÃO TRIBUTÁRIAS. A expedição de atos normativos com efeitos tributários é atividade situada fora do escopo legal da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que tem a finalidade de regular (e fiscalizar) o mercado de energia elétrica, sendolhe vedado adentrar por via oblíqua no domínio da tributação. Resoluções da ANEEL não são normas de natureza tributária disciplinadoras da Contribuição para o PIS e da Cofins e Fl. 3272DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 tampouco regem a relação fisco/contribuinte. A autoridade administrativa a que se refere o art. 100 do CTN é a Secretaria da Receita Federal do Brasil. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. Tendo em vista o valor da exoneração, a DRJ em São Paulo recorreu de ofício, nos termos do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, repetindo as razões apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. Recurso de Ofício Como é possível perceber do relato dos fatos, a DRJ em São Paulo acolheu o argumento da ora Recorrente no sentido de que existiriam valores no Auto de Infração exigidos em duplicidade com débitos incluídos em Parcelamento ou declarados em DCOMP. Com efeito, como bem sintetizado pela autoridade recorrida, “alega a impugnante que pagou R$ 7.329.902,61 a titulo de débitos de PIS e COFINS, o que fez mediante compensação com créditos de COFINS e PIS decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior realizados em fevereiro, março, agosto e setembro de 2006. Que tais pagamentos foram formalizados em 8 Declarações de Compensação (DCOMPs) entregues em 21 de dezembro de 2009 e 23 de fevereiro de 2010, declarações essas pendentes de homologação. Que de forma absolutamente indevida, o montante acima referido não foi excluído pela fiscalização do importe cobrado no presente Auto de Infração.” No Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal autuante informa que: “Foram aproveitados de ofício os valores relativos aos créditos da não cumulatividade, apurados no curso da presente fiscalização e comprovados pelo contribuinte. Foram, ainda, aproveitados de ofício os valores recolhidos de PIS/PASEP e de COFINS anteriormente ao início do presente procedimento fiscal, conforme o demonstrado em anexo ao presente termo de verificação.” Analisando os Demonstrativos anexos ao Termo de Verificação Fiscal, é possível verificar que foram aproveitados de ofício pela fiscalização os valores de PIS e COFINS não cumulativos declarados em DCTF e os recolhimentos efetuados de PIS e COFINS cumulativos e não cumulativos (fls. 2490, 2491, 2495 e 2496; vide linhas das deduções efetuadas do PIS/COFINS NÃO CUMULATIVA A PAGAR para se obter o PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO A LANÇAR) Fl. 3273DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.720188/201286 Acórdão n.º 3102002.002 S3C1T2 Fl. 16 11 Cotejando os valores pagos com aqueles aproveitados de ofício pela fiscalização (fls. 2739/2740; linhas das deduções efetuadas do PIS/COFINS NÃO CUMULATIVA A PAGAR para se obter o PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO A LANÇAR), constatase que: (i) os valores de PIS e COFINS Cumulativos (8109 e 2172), de janeiro de 2010, declarados em DCOMP não foram considerados pela fiscalização; (ii) os valores de PIS Não Cumulativo (6912) e os de COFINS Não Cumulativo (5856) de janeiro de 2010, declarados em DCOMP, forma aproveitados de ofício pela fiscalização. Neste contexto, andou bem a decisão recorrida ao reconhecer que, como os valores de PIS e COFINS anteriormente pagos não foram aproveitados de ofício pela fiscalização, devem ser deduzidos dos valores lançados. Entendimento esse que acompanho integralmente pelos seus próprios fundamentos. Recurso Voluntário O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato, a presente controvérsia se resume à definição de “contrato de fornecimento a preço predeterminado” e à verificação de se o contrato de concessão celebrado pela Recorrente para a transmissão de energia elétrica e serviços correlatos se subsome ao seu conceito. Afinal, restando incontroverso nos autos que se está diante de contrato de fornecimento, com vigência superior a um ano, firmado anteriormente a 31 de outubro de 2003, este é o único ponto que merece equacionamento para definir se a Recorrente se mantém no regime cumulativo de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em face do prescrevem os arts. 10 , XI, “b”, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Defende o Fisco que o fato de o contrato celebrado pela Recorrente determinar a correção monetária do valor do serviço com base em percentual equivalente à variação do Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) afastaria possibilidade de qualificalo como de “fornecimento a preço predeterminado” o que, como consequência, afastaria a possibilidade de a Recorrente permanecer sujeita ao regime não cumulativo de recolhimento da Contribuição ao PIS e da COFINS. Fl. 3274DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 12 Para chegar a tal conclusão, parte da premissa de que a interpretação conjunta da Nota Técnica COSIT nº 1, de 16 de fevereiro de 2007, com as disposições da IN SRF nº 658/06 e do art. 27, II, § 1º, da Lei nº 9.069/95 conduziriam à interpretação de que a utilização do IGPM como índice de correção monetária do preço do serviço, além de desvirtuar o conceito de preço predeterminado, não cumpriria as condições necessárias para afastar a referida descaraterização, fixadas no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, que assim dispõe: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. Com efeito, o dispositivo legal acima transcrito estabelece duas hipóteses em que o reajuste do preço do contrato não descaracteriza a sua natureza de predeterminado, quais sejam: (i) quando é feito em função dos custos de produção ou (ii) mediante a aplicação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Ocorre que, de acordo com o entendimento do Fisco, como (i) não foi realizada qualquer análise acerca da variação dos custos de produção de energia elétrica e (ii) tendo em vista o IGPM é formado pela conjugação do Índice de Preços por Atacado IPA; do Índice de Preços ao Consumidor IPC e do Índice Nacional de Custo de Construção INCC, não seria possível qualificalo um índice setorial de custos, tampouco como índice que reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados na produção. Dai a razão de concluir que a sua utilização configuraria revisão contratual que altera o preço predeterminado do contrato. Por ouro lado, a Recorrente defende justamente o contrário: (i) que o reajuste, nos termos em que foi determinado, visaria apenas à manutenção do equilíbrio econômico financeiro que prevelecia à época da contratação; e (ii) que a própria Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, no exercício de sua função regulamentar, emitiu Nota Técnica nº 224/2006–SFF/ANEEL reconhecendo expressamente que o IGPM reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Por conta disso, concluiu que a utilização do IGPM para o reajuste do seu contrato de fornecimento de energia se enquadraria dentre as hipóteses legais que excepcionam a descaracterização do preço predeterminado, suficiente para mantêla no regime cumulativo de incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS. Delimitado os contornos da lide, passemos a enfrentar o ponto central da controvérsia: o uso do IGPM no caso concreto efetivamente descaracteriza o preço predeterminado? Pois bem, os elementos constantes nos autos levam à conclusão de que a correção monetária, nos termos em que foi feita, não implicou aumento de preço, mas somente manutenção do poder da moeda, o que, no meu sentir, foi garantido pela legislação (Lei nº 10.833/03). Para tanto me apoio na Nota Técnica nº 224/2006–SFF/ANEEL, a qual esclarece que o índice IPCr foi extinto e substituído por outros índices, inclusive o IGPM. Neste sentido, o citado artigo 27 da Lei nº 9.069/95 (lei instituidora do Plano Real) foi substituído pelo o artigo 8º, da Lei nº 10.192/01 (lei complementar do Plano Real): Fl. 3275DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.720188/201286 Acórdão n.º 3102002.002 S3C1T2 Fl. 17 13 Art. 8º A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1º Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo. O artigo 2º deste mesmo diploma legal, por sua vez, permite ainda correção monetária por índices de preços gerais ou que reflitam a variação de custos de produção: Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. Sendo este o contexto normativo que regula os índices de correção monetária, constatase que o art. 109 da Lei n° 11.196/2005 não possui o caráter restritivo pretendido pela fiscalização e que afastaria, por si só, a possibilidade de qualificar a aplicação do IGPM como índice de correção monetária que não descaracteriza a predeterminação do preço do contrato. Pelo contrário, não se identifica no texto legal qualquer indício que possa sugerir que o legislador tenha elevado aquelas duas hipóteses como únicas possibilidades em que o reajuste não descaracterizaria a predeterminação do preço. Assim, o que se vê é que o reajuste de preços efetuado nas condições descritas no art. 27 da Lei n° 9.069/95, independentemente do índice utilizado, não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Afinal, não consta na legislação impedimento à utilização do IGPM. Neste ponto vale esclarecer que a presente matéria já foi submetida à apreciação desta Turma. Naquela oportunidade, chegouse a conclusão de que, a despeito de o IGPM não se ajustar exatamente às hipóteses enumeradas no art. 109 da Lei nº 11.196/05, não se trata de impeditivo para qualificálo como hipótese de reajuste suficiente para descaracterizar o preço predeterminado do contrato, face ao caráter meramente exemplificativo do referido dispositivo legal. Nas palavras do Relator Luis Marcelo Guerra de Castro: Ocorre, entretanto, que há uma premissa que orienta a conclusão do Fisco, que, a meu ver, com o devido respeito, está equivocada. Diferentemente do defendido, imagino, o art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005 não possui o caráter restritivo suscitado por aquela autoridade lançadora. A meu ver, o dispositivo não restringiu as hipóteses em que o reajuste contratual não desvirtua a predeterminação do preço, elencou duas dessas circunstâncias. Fl. 3276DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 14 Com efeito, se analisarmos a redação do artigo, ponto de partida para a compreensão do comando legal nele veiculado, podese averiguar que o legislador, em nenhuma passagem, afirmara que aquelas seriam as únicas hipóteses em que o reajuste não descaracterizaria a predeterminação do preço. Afirmou que aquelas hipóteses não desvirtuariam a predeterminação. Reforça essa convicção o fato de que, nos termos do seu parágrafo único, já transcrito acima, o dispositivo novel teria vigência retroativa à vigência da medida provisória nº 135, de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003. Se o objetivo do comando inserido na “MP do Bem” fosse restringir e, consequentemente, aumentar o universo de contribuintes sujeitos à incidência mais gravosa, não haveria espaço para tal claúsula de vigência. Evidentemente, registrese, não se está defendendo que se possa interpretar ampliativamente a norma de caráter excepcional. Como é cediço, a lei que dispõe sobre exceção deve ser interpretadas restritivamente. A meu ver, tal e qual as demais hipóteses previstas na Lei nº 11.196, de 2005, a utilização do índice referendado pela ANEEL, órgão legalmente competente para tanto, visa à manutenção do preço determinado pelas partes. Explico. Embora a lei, civil ou tributária, não forneça o conceito de preço pre determinado, até o presente momento só previsto em instruções normativas que veiculam a interpretação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, penso que a busca do seu significado não pode deixar de considerar o conceito de preço determinado, previsto na legislação civil. De se relembrar, em primeiro lugar, o que diz o art. 481 Código Civil de 2002 (Lei nº 10.406, de 2002). Art. 481. Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagarlhe certo preço em dinheiro. Do dispositivo extraise a definição de preço, entendido como a quantia que o comprador se obriga a pagar ao vendedor. A dicotomia entre determinado e determinável está presente nos artigos 485 a 487 do mesmo diploma. Art. 485. A fixação do preço pode ser deixada ao arbítrio de terceiro, que os contratantes logo designarem ou prometerem designar. Se o terceiro não aceitar a incumbência, ficará sem efeito o contrato, salvo quando acordarem os contratantes designar outra pessoa. Art. 486. Também se poderá deixar a fixação do preço à taxa de mercado ou de bolsa, em certo e determinado dia e lugar. Art. 487. É lícito às partes fixar o preço em função de índices ou parâmetros, desde que suscetíveis de objetiva determinação. Podese concluir, a partir da leitura dos dispositivos, que determinado é o preço estabelecido pelas partes no momento da celebração do contrato e determinável, o que as partes, no momento da celebração do contrato, estabelecem os parâmetros segundo os quais, futuramente, se dará fixação do preço. Se não houver previsão contratual acerca do preço, não se está diante de um contrato de compra e venda. Fl. 3277DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.720188/201286 Acórdão n.º 3102002.002 S3C1T2 Fl. 18 15 Nesse contexto, não consigo imaginar uma definição de contrato a preço predeterminado, citado na Lei nº 10.833/2003, diversa da de contrato a preço determinado, fixada na Lei Civil. Predeterminado, é aquilo que se determinou de antemão. A transcrição foi longa, mas oportuna na medida em que bem sintetiza o que acabamos de expor: (i) o art. 109 da Lei nº 11.196/05 não traz rol taxativo e (ii) preço predeterminado é aquele em que as partes, no momento da celebração do contrato estabelecem os parâmetros segundo os quais, futuramente, se dará o seu reajuste, como ocorre no presente caso. Por outro lado vale esclarecer que a correção monetária não representa grandeza econômica nova, mas apenas a manutenção do poder de moeda. Posto isso, verifica se que, sequer haveria a necessidade de expressa previsão legal, posto que sua incidência, claramente, não tem o poder de descaracterizar os preços predeterminados dos contratos, servindo apenas garantir o equilíbrio financeiro da relação jurídica estabelecida. Neste raciocínio, ainda que o IPCr não estivesse extinto, pareceme claro que o artigo 109 mencionado não define o conceito de “predeterminado” – por isso precisaria de uma Instrução Normativa, apenas determina um comando legislativo, esclarecendo que em determinadas hipóteses não poderia haver interpretação do conceito por parte da fiscalização. Este entendimento foi adotado pelo E. Superior Tribunal de Justiça no julgamento REsp nº 1.089.998. Com efeito, naquela oportunidade o Colendo Tribunal concluiu que a cláusula de correção monetária não altera o caráter predeterminado do contrato e que a Instrução Normativa 468/2004 extrapolou seu poder normativo ao dispor de forma diversa: TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços "e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na Fl. 3278DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 16 preservação do equilíbrio econômico financeiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação. Também é este o posicionamento praticamente pacífico deste Tribunal Administrativo, o que se comprova pelas ementas baixo transcritas: Acórdão 34020018871: CLÁUSULA DE REAJUSTE. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços firmados até 31/10/2003 submetemse à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06, não desnaturando o requisito do preço predeterminado a previsão de cláusula de reajuste com base no IGPM. Acórdão 33020016592 CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. OBRIGAÇÕES DE TRATO SUCESSIVO. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE. Somente a adoção de índice que represente reajuste acima ao dos custos de produção Lei nº. 11.196, de 2005, art. 109 implica a sujeição das receitas decorrentes de contrato de fornecimento de bens e serviços de trato sucessivo, ao regime nãocumulativo da contribuição. A não comprovação, pela fiscalização, de que o índice adotado pelas partes superou o valor referente aos custos de produção, torna aceitável o índice escolhido pelas partes. IGPM. CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. Tecidos estes esclarecimentos, reta claro que, seja por uma razão, seja por outra, não há como sustentar a interpretação pretendida pela fiscalização, consubstanciada na Instrução Normativa nº 658/067, no sentido de que a existência e aplicação da cláusula de reajuste contratual pelo IGPM descaracteriza o caráter predeterminado do preço do contrato. A referida Instrução Normativa, vale ressaltar, inovou, estabelecendo restrição que a Lei não previu e, por via indireta, definiu alíquota mais gravosa aos que não atenderem tais restrições, razão pela qual deve ser afastada, dada a sua flagrante ilegalidade. Por fim devese esclarecer que as conclusões acima expostas aplicamse ao caso concreto haja vista que, de acordo com os instrumentos contratuais sob análise, o reajuste do contrato é feito a partir de aplicação de uma fórmula imutável, citada na Nota Técnica Cosit nº 1, de 2007, a qual reflete, em síntese, a variação do IGPM e o aumento da carga tributária. Isto fica bem evidente no seguinte trecho da decisão recorrida 35. No caso concreto, analisando as Cláusulas Sexta dos Contratos de Concessão de Transmissão nº 59/2001 (fls. 2898/2900) e nº 143/2001 (fls. 2975/2977), verificase que a 1 Julgado em 25/09/2012, unânime, Gilson Macedo Rosemburg Filho. 2 Julgado em 26/06/2012, maioria, Redadora Designada Cons. Fabíola Cassiano Keramidas Fl. 3279DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.720188/201286 Acórdão n.º 3102002.002 S3C1T2 Fl. 19 17 receita decorrente do serviço de transmissão (Contrato de Prestação de Serviços de Transmissão CPST) consiste de uma Receita Anual Permitida (RAP), a ser reajustada anualmente conforme as fórmulas lá postas, da qual é integrante o Índice Geral de Preços Mercado – IGPM da Fundação Getúlio Vargas. 36. A Quinta Subcláusula da Cláusula Sexta do Contrato de Concessão de Transmissão nº 59/2001 prevê que: “No atendimento ao disposto no § 3º, art. 9º, da Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, após a assinatura deste CONTRATO, quando comprovado seu impacto, implicará revisão da RECEITA ANUAL PERMITIDA, para mais ou para menos, conforme o caso.”. Igual previsão consta da Oitava Subcláusula da Cláusula Sexta do Contrato de Concessão de Transmissão nº 143/2001. 37. Portanto, estes contratos não só são corrigidos pelo IGPM, mas como também pela variação tributária. O fato de tais reajustes estarem expressamente previstos em cláusula contratual de reajuste, periódico ou não em princípio já afastaria o caráter predeterminado das tarifas acordadas, a partir da implementação da primeira alteração de preços, após 31 de outubro de 2003. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 3280DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10945.902137/2012-36
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
Numero da decisão: 3803-004.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani - Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 21 37 /2 01 2- 36 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte com o propósito de reformar a decisão prolatada pela DRJ de Foz do Iguaçu que indeferiu o pedido de restituição, sob o argumento de que não haveria direito crédito suficiente para extinção do débito informado. Em seu recurso o contribuinte repisa os argumentos contidos em sua Manifestação de Inconformidade e insiste novamente na tese de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. O ponto central de sua defesa encontrase no argumento de que o conceito de faturamento não pode ser ampliado a ponto de considerar tributáveis meros ingressos em sua contabilidade, como ocorre com o ICMS. Neste passo, no intuito de melhor fundamentar sua pretensão, cita doutrina de Geraldo Ataliba, Cléber Giardino, Marçal Justen Filho e Marco Aurélio. Reclama pela observação do princípio da capacidade contributiva e do princípio do não confisco para demonstrar que a incidência das contribuições sobre o valor do ICMS representa efetivar tributação sobre fatos que não são signopresuntivos de riqueza, razão pela qual tal prática fazendária não encontra respaldo na Constituição Federal. Por fim, o contribuinte requer a reforma da decisão de primeiro grau e o deferimento do pedido de restituição com acréscimos de juros remuneratórios com Taxa Selic, desde a data do pagamento indevido até a data da compensação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Assiste razão ao contribuinte. Em 20.03.2013 o STF já reconheceu o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições em relação as operações de importação, por meio do RE n.º 559.937, Ministra Ellen Gracie, conforme abaixo descrito: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902137/201236 Acórdão n.º 3803004.982 S3TE03 Fl. 79 3 IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINSImportação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o VALOR ADUANEIRO, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Todavia, é verdade que o caso em exame não se trata de PIS/COFINS – IMPORTAÇÃO, mas sim de operações no mercado interno, razão pela qual não se aplica ao presente julgamento o RE n.º 559.937. Entretanto, ainda assim, este importante precedente da Suprema Corte aponta como tem sido interpretação dos ministros quanto ao desejo da Fazenda Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Nacional em ampliar o conceito da expressão ”valor aduaneiro”. Assim, é provável que igual interpretação seja realizada futuramente pelo STF também em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para o mercado interno. De qualquer forma, cabe agora ingressar ao mérito da discussão trazida para apreciar a pretensão do contribuinte, tendo em vista que não há necessidade de sobrestar o julgamento do presente processo. Assim, refletindo a respeito do tema, manifesto posicionamento de que o ICMS não integra o faturamento da Recorrente, basicamente porque os valores correspondentes a este imposto pertencem constitucionalmente ao Estado. Nessa medida, não podem ser incluídos na base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Neste passo, data vênia, parto da premissa de que “faturamento” é receita própria. Logo representa erro qualquer afirmação no sentido de que os contribuintes da Cofins faturam o ICMS, pois é impossível admitir que se fature receita pertencente a terceiro. Outro forte argumento a favor do contribuinte, diz respeito à constatação de que o imposto estadual configura uma “despesa” e jamais receita, pois faturamento deve implicar, necessariamente, ingresso financeiro, o que não ocorre no caso em exame. Neste sentido, vale mencionar decisão proferida pelo TRF 1º: TRIBUTÁRIO. PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. NÃO CABIMENTO. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC E JUROS DE MORA.I. O PIS e a COFINS têm como base de cálculo o faturamento ou as receitas auferidas pela pessoa jurídica (art. 195, I, "b", CF).II. A base de cálculo do PIS e da COFINS não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. O conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou a prestação dos serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. Descabe assentar que os contribuintes da COFINS faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso à entidade de direito público que tem a competência para cobrálo (RE 240.785/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, em julgamento ainda pendente por força de pedido de vista do Min. Gilmar Mendes).III. Se o ICMS é despesa do sujeito passivo das contribuições sociais previstas no art. 195, I, CF e receita do Erário Estadual, é injurídico tentar englobálo na hipótese de incidência destas exações, posto que configuraria a tributação de riqueza que não pertence ao contribuinte.4. Apelação a que se dá parcial provimento. IV. São compensáveis créditos decorrentes do indevido recolhimento, a título do PIS e da COFINS, devidamente corrigidos, com qualquer outro tributo arrecadado e administrado pela Secretaria da Receita Federal, sendo irrelevante se o destino das arrecadações seja outro. Juros de mora de 1% até 31/12/95, seguindose exclusivamente a SELIC.V. Apelação provida." (grifo) AMS nº 2007.38.03.0028733/MG, 8ª Turma TRF1ª Região, em 14/08/2007 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902137/201236 Acórdão n.º 3803004.982 S3TE03 Fl. 80 5 Por outro lado, é verdade em que o STJ tem se manifestado no sentido contrário, ou seja, de que o ICMS integra a base de cálculo da COFINS e cito o AgRg no AREsp 400823/SP, julgado em 07/11/2013. Contudo, diante do caso concreto, em que pese os julgados do STJ, compreendo que não há a obrigatoriedade de submissão dos julgadores do CARF a estes julgados. Aproveito o ensejo ainda para citar importante julgado exarado pela Câmara Superior no sentido de que as receitas de “roaming” não integra a base de cálculo das contribuições. EMENTA COFINS. RECEITAS DE TERCEIROS. TELEFONIA CELULAR. "ROAMING" As receitas de "roaming" mesmo recebidas pela operadora de serviço móvel pessoal ou celular com quem o usuário tem contrato não se incluem na base de cálculo da COFINS por ela devida. A base de cálculo da contribuição é a receita própria, não se prestando o simples ingresso de valores globais, nele incluídos os recebidos por responsabilidade e destinados desde sempre à terceiros, como pretendido "faturamento bruto" para, sobre ele, exigir o tributo.(GRIFO) Câmara Superior de Recursos Fiscais: Processo Administrativo n.º 10166.000888/200131, Conselheiro ROGÉRIO GUSTAVO DREYER, Data do Julgamento: 2.4.01.2006 Por fim, trago a baila ainda a discussão referente à base de cálculo do ISS, mais especificamente no tocante a incidência deste imposto sobre os serviços de locação de mão de obra. Contudo, aqui cabe a ponderação de que apesar de se tratarem de tributos diversos e com sistemática de incidência também distinta, por outro lado observase que os Municípios também tiveram a intenção de ampliar indevidamente a base de cálculo do ISS, pois interpretavam que esta era composta por todos os valores que ingressavam na contabilidade das prestadoras de serviços. Todavia, o STJ firmou jurisprudência no sentido de que nem todo o ingresso constitui receita, ou seja, o tribunal partir da premissa de que o ISS deve incidir somente sobre as receitas que efetivamente representem acréscimo de riqueza para o contribuinte. Vale aqui mencionar, a título de exemplo, o Agravo Regimental no Recurso Especial n.º 1107097 / SP, julgado em 18/05/2010: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA – ISSQN. AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. ATIVIDADEFIM DA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. BASE DE CÁLCULO. PREÇO DO SERVIÇO. VALOR REFERENTE AOS SALÁRIOS E AOS ENCARGOS SOCIAIS. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1.138.205/PR, DJ DE 01/02/2010. JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A base de cálculo do ISS é o preço do serviço, consoante disposto no artigo 9°, caput, do DecretoLei 406/68. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 2. As empresas de mãodeobra temporária podem encartarse em duas situações, em razão da natureza dos serviços prestados: (i) como intermediária entre o contratante da mãodeobra e o terceiro que é colocado no mercado de trabalho; (ii) como prestadora do próprio serviço, utilizando de empregados a ela vinculados mediante contrato de trabalho. 3. A intermediação implica o preço do serviço que é a comissão, base de cálculo do fato gerador consistente nessas "intermediações". 4. O ISS incide, nessa hipótese, apenas sobre a taxa de agenciamento, que é o preço do serviço pago ao agenciador, sua comissão e sua receita, excluídas as importâncias voltadas para o pagamento dos salários e encargos sociais dos trabalhadores. Distinção de valores pertencentes a terceiros (os empregados) e despesas com a prestação. Distinção necessária entre receita e entrada para fins financeirotributários (...). (GRIFO) Com efeito, extraise do julgado acima que em regra geral devese admitir a incidência de impostos e contribuições apenas sobre valores que representam necessariamente riqueza nova do sujeito passivo, sob pena da exação violar o princípio da capacidade contributiva e se tornar confiscatória, razão pela qual correta é a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Voto Vencedor A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do PIS e da Cofins. Antes de tudo, consigno que são respeitáveis os fundamentos que sustentam a tese abraçada pelo voto vencido, de impossibilidade da dita inclusão, cujo pano de fundo encerra o que se atribui ser um desvalor que se entende não dever existir no nosso sistema tributário, vale dizer, a cobrança de tributo sobre tributo, na espécie a cobrança das aludidas contribuições sobre o ICMS enquanto receita de terceiro. Considero, no entanto que não se pode perder de vista – como referência para o presente julgamento , que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no estreito espaço do controle de legalidade das decisões administrativas. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902137/201236 Acórdão n.º 3803004.982 S3TE03 Fl. 81 7 O nobre Relator inicia o seu voto erigindo um paradigma com o fim de alavancar a tese abraçada , consubstanciado no julgamento do RE n.º 559.937, que tratou da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. Embora tendo ele reconhecido que aquele julgado não se aplica ao presente julgamento qualificao como precedente importante da Suprema Corte, quando equipara a ampliação, ali, do conceito de valor aduaneiro ao que entende ocorrer aqui: a ampliação do conceito de faturamento. Oponhome ao paradigma. Nada obstante tratarem, semelhantemente, da inclusão do ICMS na base de cálculo das citadas contribuições (PIS/Cofins Cumulativos; PIS/CofinsImportação), a decisão no RE n.º 559.937 não vejo que seja indicativa do prognóstico proferido pelo Relator: de resultado do julgamento desta matéria na mesma direção que tomou aquela. Isso, porque a decisão no RE n.º 559.937 não tratou de alargamento do conceito de valor aduaneiro articulado pela Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PasepImportação e a CofinsImportação determinando a continência nelas do ICMS. Segundo a decisão do STF “o que fez [a dita lei] foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal”. A expressão valor aduaneiro, conforme acentuado por aquela Corte, é utilizada na Constituição em sentido técnico e “remete àquele já praticado no discurso jurídico positivo preexistente à sua edição”, e circunscreve integralmente a base de cálculo a ser observada pelo legislador ordinário na instituição das ditas contribuições, no que foi extrapolada com a adição ao valor aduaneiro do ICMS. Servirse a Constituição de grandeza específica então já definida legalmente no apontamento dessa expressão (valor aduaneiro) como uma das bases de cálculo do PIS/CofinsImportação[1], não é o que se dá no presente debate, em que a base de cálculo eleita pelo art. 195, I, b, da CF/88, o faturamento, não tinha definição por lei tributária préexistente. Naquele caso, a definição legal fora recepcionada pela Carta Magna, passando a se ter uma definição constitucional de valor aduaneiro. No presente caso, pela razão acima, à míngua de detalhamento constitucional do que viesse a ser faturamento esse mister haveria de estar a cargo de norma infraconstitucional, o que se deu por meio da LC 70/91, da Lei nº 9.715/98 e da Lei nº 9.718/98. O Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[2]. A sua propositura é do Presidente da República e o seu objeto é legitimar a inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de 1 § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: [...] a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; 2 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[3]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF. A instituição da Cofins pela LC 70/91[4] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando quanto a tributos que nele não se integra o IPI, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[5], também o fez estabelecendo quanto a tributos que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[6] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços. Ao definirem faturamento a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que excluemse da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão do faturamento, não há como não se considerar que ficou definido a contrario sensu e de forma implícita – que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/687 reiterado pela LC Nº 87/96[8][9].endossam esta conclusão. 3 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 4 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 5 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 6 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 7 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 8 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902137/201236 Acórdão n.º 3803004.982 S3TE03 Fl. 82 9 Exemplificando: · ICMS por dentro · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento=830,00/83 % (100% 83%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS = 170,00 · ICMS por fora · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; · O preço de venda será o valor da mercadoria em estoque, cujo montante resultará no faturamento. Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 9 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade sem redução de texto do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG, abraçada pelo i. Relator. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado10, ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento11. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido: verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou serviço e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: 10 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 11 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902137/201236 Acórdão n.º 3803004.982 S3TE03 Fl. 83 11 a): a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Se este é o entendimento que se tem sob égide da Lei nº 9.718/98, não há distinção quando se considera a ampliação da base de cálculo implementada pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, porquanto não se está a tratar de receita outra que se agregue à de venda de mercadorias e serviços. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de novembro de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 88DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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