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Numero do processo: 10920.721077/2012-31
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE APRESENTAR INFORMAÇÕES À FISCALIZAÇÃO. DESCUMPRIMENTO. MULTA. CABIMENTO.
Constitui descumprimento de obrigação acessória tributaria deixar a empresa de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do Fisco, na forma estabelecida legalmente, bem como deixar de prestar os esclarecimentos necessários à fiscalização (art. 32, III e §11 da Lei 8.212/91, com a redação da Medida Provisória 449, de 03.12.2008 c/c com o art. 224, III do Regulamento da Previdência social aprovado pelo Decreto 3.038/99).
MULTA CONFISCATÓRIA. INOCORRÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
O reconhecimento da existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE APRESENTAR INFORMAÇÕES À FISCALIZAÇÃO. DESCUMPRIMENTO. MULTA. CABIMENTO. Constitui descumprimento de obrigação acessória tributaria deixar a empresa de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do Fisco, na forma estabelecida legalmente, bem como deixar de prestar os esclarecimentos necessários à fiscalização (art. 32, III e §11 da Lei 8.212/91, com a redação da Medida Provisória 449, de 03.12.2008 c/c com o art. 224, III do Regulamento da Previdência social aprovado pelo Decreto 3.038/99). MULTA CONFISCATÓRIA. INOCORRÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O reconhecimento da existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 10 77 /2 01 2- 31 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721077/201231 Acórdão n.º 2803003.397 S2TE03 Fl. 104 2 (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721077/201231 Acórdão n.º 2803003.397 S2TE03 Fl. 105 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa MARÉ INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA., em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/POR) que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o lançamento do crédito tributário. 2. De acordo com a descrição dos fatos, a empresa em epígrafe mesmo não sendo optante do regime tributário do Simples Nacional, declarava valores em GFIP como se assim fosse. Segue descrição dos fatos apresentada pela fiscalização: “IV. Contribuições Sociais 3. Este relatório é integrante do Auto de Infração, referente a valores apurados de contribuições normais devidas à Seguridade Social, correspondentes à: Parte patronal e GILRAT (*), que está identificada no DEBCAD n°37.324.6617 4. Os detalhes do crédito previdenciário encontramse elencados no corpo deste relatório ou em seus anexos com suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas e fundamentação legal. 5. A razão pela qual foi efetuado o presente lançamento, prende se ao fato, de que em análise do batimento da Folha de Pagamento, GFIP e GPS, resultaram valores discrepantes, já que a empresa elaborava a GFIP como sendo do Regime Tributário do Simples Nacional – mesmo não sendo optante por este Regime e desta forma recolhia apenas os valores correspondentes ao desconto dos segurados. V. Fato Gerador 6. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas: As remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, com relação às diferenças de contribuições delas resultantes, referentes ao período do lançamento, verificadas pela fiscalização através das folhas de pagamento e cujos valores estão descritos no Discriminativo de Débito DD, em anexo, e identificados no levantamento, a saber: FL1 – valores não lançados em GFIP – é referente à contribuições apuradas sobre remunerações registradas na folha de pagamento normal de trabalhadores empregados e contribuintes individuais, abrangendo o período de 06/2008 a 11/2008. FL2 – valores não lançados em GFIP – da mesma forma que o anterior, abrangendo o período de 12/2008 a 12/2008. (fls. 12/13) Fl. 105DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721077/201231 Acórdão n.º 2803003.397 S2TE03 Fl. 106 4 (...) 25. Tendo em vista que as empresas MARÉ INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA, SOCELPLAST INDÚSTRIA DE PLÁSTICO LTDA, CS COBRANÇA LTDA e BIANCHI ALBUNS LTDA, apresentam os pressupostos caracterizadores do instituto de grupo econômico, foi emitido Termo de Sujeição Passiva Solidária.” (fl. 17). 3. Após devidamente intimado do lançamento em 10/04/2012 a contribuinte apresentou impugnação tempestiva às fls. 50/55. Cientificadas do Termo de Sujeição Passiva, as empresas Socelplast Indústria de Plástico Ltda, Bianchi Álbuns Ltda. e CS Cobrança Ltda., apresentaram impugnação às fls. 75/77, 84/86 e 92/94. 4. No entanto, a Delegacia da Receita manteve o lançamento, a ementa do acórdão de primeira instância restou lavrada nos termos que transcrevo abaixo: “GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CONFIGURAÇÃO. SOLIDARIEDADE. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, respondem entre si, solidariamente, pelas contribuições sociais previdenciárias decorrentes da Lei nº 8.212, de 1991. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” (f. 105). 5. Em sede recursal, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 125/142) alegando, em síntese, a inexistência de grupo econômico entre as empresas, sob os seguintes argumentos: (i) argumenta que até 2010 a recorrente era optante pelo regime de tributação do lucro presumido, sendo assim estaria desobrigada a manter escrituração contábil, conforme se depreende do texto da Lei nº 8.981/95; (ii) sustenta que a recorrente agiu na mais perfeita boa fé e em conformidade com a legislação aplicável ao regime de tributação que optou; (iii) a não apresentação de determinados livros à fiscalização não pode ensejar em multa quando todos os documentos apresentados são suficientes e idôneos para demonstrar a remuneração paga ou creditada aos empregados; (iv) os documentos apresentados à fiscalização são suficientes e bastam ao aferimento proposto pela fiscalização; (v) os documentos solicitados pela autoridade não eram obrigatórios para a empresa, por ser ela optante pelo lucro presumido ou simples no período fiscalizado; (vi) no tocante a multa sustenta que não possui condições financeiras de arcar com a penalidade pecuniária a ela imposta sem deixar de honrar com os Fl. 106DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721077/201231 Acórdão n.º 2803003.397 S2TE03 Fl. 107 5 salários de seus funcionários além de afirmar que a penalidade possui caráter confiscatório; (vii) por fim, alternativamente, pede que caso o lançamento seja mantido que, ao menos, a multa seja relevada, visto que a recorrente sempre honrou tempestivamente e regularmente com suas obrigações, e primária e não incorreu em nenhuma circunstância agravante. 6. Sem contrarrazões fiscais os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721077/201231 Acórdão n.º 2803003.397 S2TE03 Fl. 108 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DO LANÇAMENTO 2. Conforme consta no relatório fiscal o lançamento referese a descumprimento de obrigação acessória, qual seja ter a contribuinte deixado de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, informações cadastrais financeiras e contábeis de interesse do Fisco, referentes ao período de 01/2009 a 12/2009. 3. Em síntese, a recorrente insurgese quanto a exigibilidade da multa por entender que, pelo fato de optar pelo regime de tributação do lucro presumido, não estaria obrigada a manter escrituração contábil, tampouco acha necessário a apresentação dos documentos solicitados pela fiscalização, tendo em vista que os que foram apresentados, são suficientes e bastam ao aferimento proposto pela fiscalização. 4. Ocorre que na sistemática tributária cabe mencionar que independentemente do regime tributário ao qual se filie a pessoa jurídica, no momento de sua constituição, a empresa – sem distinção por parte do legislador – ficará obrigada a cumprir obrigações tributárias principais e acessórias. 5. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente, conforme texto esculpida no art. 113 do CTN. O legislador chama de obrigação principal ao vínculo abstrato que une o sujeito ativo ao sujeito passivo, tendo como objeto uma prestação pecuniária. 6. Noutra vertente, a contribuinte obrigase também ao cumprimento das obrigações acessórias, tidas como os deveres meramente formais. A obrigação acessória é a obrigação de fazer no sentido amplo (fazer, não fazer, tolerar) no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. 7. Importante destacar que, a legislação previdenciária, cuidou e delimitar as obrigações acessórios inerentes ao exercício da atividade empresarial a exemplo do artigo 32, inciso III, §11 da Lei nº 8.212/91, que determinar que a empresa, sem prejuízo de outras obrigações a ela imposta, está obrigada “a prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização”. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721077/201231 Acórdão n.º 2803003.397 S2TE03 Fl. 109 7 8. No mesmo sentido, assim preleciona o Decreto nº 3.048, art. 225, inciso III, in verbis: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) III – prestar ao Instituo Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal todas as informações cadastrais, financeira e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; 9. In casu, os argumentos guerreados pela contribuinte não prosperam tendo em vista que da análise detalhada dos autos, constatase que a conduta elegida pela empresa resultou em evidente descumprimento da obrigação acessória estampada. 10. Tendo em vista que, a recorrente, mesmo devidamente intimada, conforme consta no Termo de Início de Procedimento Fiscal fl. 02, deixou de apresentar todos elementos solicitados pela fiscalização, fato incontroverso, uma vez que a recorrente em suas razões recursais em momento algum contesta a falta, pelo contrário, a reconhece e se apressa a justificála sob o argumento de que no período fiscalizado era optante pelo lucro presumido. 11. De fato, o inciso II do §16 do art. 225 do Decreto 3.048/99, dispõe que as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido estão desobrigadas de apresentação de escrituração contábil. No entanto a legislação ressalva que para isso, a empresa deve manter a escrituração do livro caixa e livro de registro de inventário. Sendo assim, sem razão a recorrente, uma vez que não apresentou qualquer documentação contábil, tampouco o livro caixa e de registro de inventário. 12. Assim, diante do descumprimento de obrigação acessória, mantenho o lançamento fiscal, tendo em vista que esse foi lavrado sob a observância de todos os pressupostos legais, revestido de legitimidade para cobrança. Ademais, a recorrente não trouxe aos autos qualquer argumento ou prova documental hábeis a afastar o lançamento. DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA 13. Alega a recorrente que os valores lançados no auto de infração são demasiadamente exagerados, caracterizandose a penalidade como confiscatória, desrespeitando, assim, a capacidade econômica do contribuinte, bem como afetaria os pagamentos dos salários de seus funcionários e dificultaria o adimplemento de suas obrigações empresariais. Porém, esta alegação não deve prosperar, pois o caráter confiscatório da multa somente resta configurado quando o valor agredir violentamente o patrimônio do contribuinte, o que não ocorre na hipótese analisada. 14. Ademais, a irresignação não pode ser analisada por este Conselho, em respeito à competência privativa do Poder Judiciário, já que o afastamento da aplicação da Legislação referente, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, “a” e III, “b” da Constituição Federal, o que é vedado a este Conselho. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721077/201231 Acórdão n.º 2803003.397 S2TE03 Fl. 110 8 15. Sobre a questão, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” 16. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal que atribui ao poder judiciário tal competência, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. 17. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” 18. Portanto, não há que se falar em caráter confiscatório da multa prevista no art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, posto que a atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para sua aplicação. CONCLUSÃO 19. Dado o exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento nos termos acima delineados. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000375/2010-93
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO RECORRIDA.
É de trinta dias o prazo para a interposição de recurso, contado da data da ciência da decisão. No presente caso, o contribuinte apresentou sua peça recursal fora do prazo previsto na legislação previdenciária. Não se toma conhecimento do recurso intempestivo, tornando a decisão de primeira instância definitiva, notadamente porque não consta dos autos documentos que justifiquem a desídia do contribuinte ao apresentar sua peça recursal.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2803-003.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. É de trinta dias o prazo para a interposição de recurso, contado da data da ciência da decisão. No presente caso, o contribuinte apresentou sua peça recursal fora do prazo previsto na legislação previdenciária. Não se toma conhecimento do recurso intempestivo, tornando a decisão de primeira instância definitiva, notadamente porque não consta dos autos documentos que justifiquem a desídia do contribuinte ao apresentar sua peça recursal. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. É de trinta dias o prazo para a interposição de recurso, contado da data da ciência da decisão. No presente caso, o contribuinte apresentou sua peça recursal fora do prazo previsto na legislação previdenciária. Não se toma conhecimento do recurso intempestivo, tornando a decisão de primeira instância definitiva, notadamente porque não consta dos autos documentos que justifiquem a desídia do contribuinte ao apresentar sua peça recursal. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos e Eduardo de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 03 75 /2 01 0- 93 Fl. 418DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.000375/201093 Acórdão n.º 2803003.274 S2TE03 Fl. 832 2 Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário, interposto pelo MUNICÍPIO DE PEDRO CANÁRIO – PREFEITURA MUNICIPAL, em face do acórdão nº 1254.071, proferido pela 11º turma da DRJ do Rio de JaneiroI que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. 2. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 22/23 do processo digital, o crédito abrange o período de 01/2006 a 12/2006 e se refere à contribuições previdenciárias arrecadadas descontadas em folha de pagamentos de segurados empregados não declaradas ou declaradas a menor na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP. 3. No referido Relatório Fiscal consta o que parcialmente transcrevo a seguir: “(...). 3. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas: O débito referese a contribuições previdenciárias descontadas em folhas de pagamentos de segurados empregados não declaradas ou declaradas a menor na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP, no período de 01 a 07/2006; 09/2006; ll e 12/2006, conforme planilha em anexo, cujos valores estão discriminados no Relatório de Lançamentos RL, levantamento: FP PAGAMENTO. FOLHA DE 4. Os documentos examinados foram os seguintes: Folhas de Pagamento, Recibos de Pagamento, Guias de Recolhimento, GFIP Guia de Informação ao FGTS e Recolhimentos a Previdência Social; Ordens de Pagamento e Notas de Empenho.” (fl. 21). 4. A decisão proferida pelo colegiado de primeira instância restou ementada nos seguintes termos: “PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO ADEQUADO. Salvo as exceções previstas na legislação que rege o processo administrativo tributário, o momento adequado à produção de provas documentais é a impugnação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” (fl. 69) 5. Inconformada com a decisão supra mencionada, a contribuinte interpôs recurso voluntário para apresentar documentação que julga necessária para comprovar que os valores em questão foram efetivamente pagos a Receita Federal. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.000375/201093 Acórdão n.º 2803003.274 S2TE03 Fl. 833 3 6. Argumenta a recorrente que o auditor fiscal em sua diligência não se ateve à documentação em questão pois esta se encontrava no arquivo e por isso restou prejudicada a sua análise e em favor da primazia da realidade, requer o conhecimento do presente recurso e exoneração do crédito tributário lançado. 7. Sem contrarrazões fiscais os autos foram encaminhados a este conselho para análise. É o relatório. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.000375/201093 Acórdão n.º 2803003.274 S2TE03 Fl. 834 4 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Preliminarmente, enfrento a questão trazida pelo fisco no sentido de que o recurso voluntário seria intempestivo, eis que protocolizado posteriormente ao prazo de trinta dias. 2. Para tanto, importante ressaltar que o sistema da oficialidade, que preside o processo administrativo, caracterizase como uma sequência lógica e ordenada de atos rumo a solução final da demanda, iniciandose com a intimação do sujeito passivo e caminhando até alcançar uma decisão final. 3. Nesse sentido permitome tecer algumas considerações. Todo o prazo processual é delimitado por dois termos: o inicial (dies a quo), pelo qual surge a faculdade da parte em realizar algum ato, e o final (dies ad quem), em que se extingue efetivamente a faculdade assegurada inicialmente, tenha o interessado praticado ou não ato processual a ele assegurado. 4. E a norma adjetiva, disciplinando a matéria, estabeleceu um limite de prazo para que as partes possam produzir, de maneira válida, suas manifestações no processo. 5. Com efeito, o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 dispõe que “da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” 6. No mesmo sentido dos citados dispositivos, o artigo 5º, do Decreto n.º 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, assevera que os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, sendo que somente se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que ocorra o processo ou deva ser praticado o ato. 7. E sobre a questão, o Decreto n.º 7.574, de 29 de setembro de 2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos que especifica, repete a redação citada acima em seu artigo 9º, verbis: “Art. 9º Os prazos serão contínuos, com início e vencimento em dia de expediente normal da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil em que corra o processo ou deva ser praticado o ato (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 5º).” Fl. 421DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.000375/201093 Acórdão n.º 2803003.274 S2TE03 Fl. 835 5 8. De igual sorte, esta também é a determinação dos artigos 184 e 240, parágrafo único, do Código de Processo Civil, in verbis: “Art. 184. Salvo disposição em contrário, computarseão os prazos, excluindo o dia do começo e incluindo o do vencimento. § 1º Considerase prorrogado o prazo até o primeiro dia útil se o vencimento cair em feriado ou em dia em que: I for determinado o fechamento do fórum; II o expediente forense for encerrado antes da hora normal. § 2º Os prazos somente começam a correr do primeiro dia útil após a intimação (art. 240 e parágrafo único). [...] Art. 240. Salvo disposição em contrário, os prazos para as partes, para a Fazenda Pública e para o Ministério Público contarseão da intimação. Parágrafo único. As intimações consideramse realizadas no primeiro dia útil seguinte, se tiverem ocorrido em dia em que não tenha havido expediente forense.” 9. Importante também frisar que o próprio Código Tributário Nacional – CTN tratou da matéria, como segue: “Art. 210. Os prazos fixados nesta Lei ou legislação tributária serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” 10. In casu, verificase que a contribuinte foi cientificada do acórdão nº 12 32.190 e 1232.189 – prolatado pela 14ª Turma da DRJ/RJ1 no dia 09/08/2010, conforme cópia do AR juntado à fl. 75, e seu recurso foi protocolado em 14/09/2010, nos termos do documento de fls. 76/407, portanto, fora do prazo recursal (último dia para recorrer seria 08/09/2010. 11. Dessa forma, não conheço do recurso por não preencher o requisito formal – tempestividade – para admissibilidade recursal. Ressaltese que a contribuinte não colacionou juntamente com o recurso nenhuma prova que possa determinar a retificação do débito. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.000375/201093 Acórdão n.º 2803003.274 S2TE03 Fl. 836 6 CONCLUSÃO 12. Ante ao exposto, não conheço do recurso voluntário, por tratase de peça intempestiva. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904426/2012-39
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 44 26 /2 01 2- 39 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904426/201239 Acórdão n.º 3803004.776 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904426/201239 Acórdão n.º 3803004.776 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 81DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904426/201239 Acórdão n.º 3803004.776 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 82DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003253/2008-62
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 25/10/2005 a 25/10/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. ADMISSÃO.
Constatada a ocorrência de omissão no acórdão recorrido há que se admitir os Embargos de Declaração.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E RESSARCIMENTO APRESENTADO ANTES DE CINCO ANOS. RECONHECIMENTO DO CRÉDITO.
Reconhece-se o crédito de Declaração de Compensação apresentado após o prazo de cinco anos do trânsito em julgado de decisão judicial que reconhece o crédito tributário, desde que o crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à Receita Federal antes do prazo de cinco anos do trânsito em julgado.
Numero da decisão: 3803-005.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, com efeitos infringentes, para sanar a omissão no acórdão, declarada a inexistência de prescrição.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 25/10/2005 a 25/10/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. ADMISSÃO. Constatada a ocorrência de omissão no acórdão recorrido há que se admitir os Embargos de Declaração. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E RESSARCIMENTO APRESENTADO ANTES DE CINCO ANOS. RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. Reconhece-se o crédito de Declaração de Compensação apresentado após o prazo de cinco anos do trânsito em julgado de decisão judicial que reconhece o crédito tributário, desde que o crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à Receita Federal antes do prazo de cinco anos do trânsito em julgado.
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OMISSÃO. OCORRÊNCIA. ADMISSÃO. Constatada a ocorrência de omissão no acórdão recorrido há que se admitir os Embargos de Declaração. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E RESSARCIMENTO APRESENTADO ANTES DE CINCO ANOS. RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. Reconhecese o crédito de Declaração de Compensação apresentado após o prazo de cinco anos do trânsito em julgado de decisão judicial que reconhece o crédito tributário, desde que o crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à Receita Federal antes do prazo de cinco anos do trânsito em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, com efeitos infringentes, para sanar a omissão no acórdão, declarada a inexistência de prescrição. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 32 53 /2 00 8- 62 Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Em análise de admissibilidade dos Embargos de Declaração assim se manifestou o i. Conselheiro Hélcio Lafetá Reis (fls 1.075 a 1.077): “Cuidase de Embargos de Declaração tempestivamente interpostos por Macofer Materiais de Construção e Ferragens Ltda., em 5 de novembro de 2012, contra o Acórdão nº 380303.101, de 26 de junho de 2012, da 3ª Turma Especial da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), com fulcro no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 – RI/CARF, nos termos da petição anexa. O Embargante sustenta a ocorrência de omissão no acórdão embargado, tendo em vista que, na decisão do Colegiado, não se analisaram as determinações da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, vigente à época dos fatos, precipuamente o § 10 do seu art. 26, que, explicitamente, permite que os contribuintes se utilizem dos créditos após o transcurso do prazo quinquenal, desde que tenham sido objeto de pedido de ressarcimento/restituição anterior. Compulsando os autos, verificase que, em ação judicial própria, o contribuinte obtivera, em 10/5/2005, decisão definitiva a ele favorável, em que se lhe garantiu o direito creditório de R$ 123.745,14, relativo à contribuição para o PIS, decorrente do reconhecimento da inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Conforme relatado no acórdão embargado, em 13/10/2005, o contribuinte protocolizara Pedido de Habilitação de Crédito decorrente da decisão judicial, que veio a ser totalmente deferido em 24/11/2005 (fl. 132), a partir de quando passou ele a transmitir à Receita Federal Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento/Restituição e Declarações de Compensação (PER/DCOMPs) informando o referido processo de habilitação do crédito. Em 18/3/2010, a repartição de origem decidiu, por meio do Parecer e do Despacho Decisório de fls. 376 a 379, homologar as declarações compensação transmitidas até 10/5/2010, tendo sido não homologadas as compensações relativas ao crédito no montante de R$ 7.035,16, em razão do decurso do prazo prescricional de cinco anos contados da data do trânsito em julgado da ação judicial, decisão essa mantida pela Delegacia de Julgamento (fls. 1029 a 1035). Em seu Recurso Voluntário (fls. 1046 a 1054), o contribuinte repisou seus argumentos de defesa, pleiteando, com base no art. Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11065.003253/200862 Acórdão n.º 3803005.293 S3TE03 Fl. 11 3 26, § 10, da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, o afastamento da prescrição e a consequente homologação das declarações de compensação, o que foi denegado por esta 3ª Turma Especial, com base nos mesmos fundamentos da instância anterior. Da análise do acórdão embargado, é possível constatar que a Turma não se pronunciou sobre os dispositivos da referida Instrução Normativa destacados pelo então Recorrente, fato esse que denota a efetiva ocorrência da omissão apontada, pois, conforme se verá na sequência, tal ato normativo prevê hipótese de apresentação de declaração de compensação após o prazo de cinco anos. Eis o teor dos dispositivos em questão: Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1 º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV , ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (...) § 5 º O sujeito passivo poderá compensar créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à SRF, desde que, à data da apresentação da Declaração de Compensação: I – o pedido não tenha sido indeferido, mesmo que por decisão administrativa não definitiva, pela autoridade competente da SRF; e II – se deferido o pedido, ainda não tenha sido emitida a ordem de pagamento do crédito. (...) § 10. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de cinco anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à SRF antes do transcurso do referido prazo e, ainda, que sejam satisfeitas as condições previstas no § 5 º . Dos excertos supra, é possível constatar o seguinte: a) a compensação de crédito, inclusive do reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, deve ser efetuada pelo Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 sujeito passivo mediante apresentação à Receita Federal da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação do formulário Declaração de Compensação; b) na data da apresentação da declaração de compensação, o crédito objeto de pedido de ressarcimento ou de restituição não pode ter sido indeferido, ainda que não definitivamente, ou, se deferido, ainda não tenha sido emitida a ordem de pagamento do crédito; c) o sujeito passivo pode apresentar declaração de compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de cinco anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à Receita Federal antes do transcurso do referido prazo. No presente caso, o contribuinte teve seu direito creditório reconhecido em sua totalidade na data de 24/11/2005, anteriormente, portanto, ao prazo de cinco anos contados do trânsito em julgado da ação judicial, este ocorrido em 10/5/2005. No primeiro PER/DCOMP, transmitido à Receita Federal em 16/10/2006 (fls. 175 a 178), o contribuinte já havia pleiteado o direito de compensação do crédito assegurado judicialmente, em sua totalidade, ainda que naquela DCOMP tenha extinto débito de menor valor, restandolhe, por conseguinte, saldo de crédito a compensar. O fato de a declaração de compensação ter sido transmitida após o prazo de 5 anos anteriormente referenciado em nada compromete o direito do contribuinte, pois tal prazo, repisese, é para o pedido de repetição de indébito, não alcançando as declarações de compensação dele decorrentes. Nessa mesma linha, temse a decisão no processo nº 2007.70.00.0229190, de 8 de novembro de 2012, da Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em que se consignou que “[esse] prazo de cinco anos é para que seja iniciado o procedimento compensatório, não havendo determinação legal que fixe o tempo máximo para finalização dessa compensação. Enquanto houver crédito poderá ser realizada a compensação”. Nesse contexto, considerando que o direito creditório já havia sido solicitado e reconhecido pela Administração tributária, em sua totalidade, antes do decurso do prazo de cinco anos, tanto por meio do Pedido de Habilitação de Crédito, quanto por intermédio de PER/DCOMP, temse que, em consonância com o teor do § 10 do art. 26 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, há forte evidência de que a compensação pleiteada em recurso voluntário encontra respaldo no referido dispositivo normativo. Uma vez que a referida regra não fora objeto de apreciação por parte da 3ª Turma Especial no acórdão embargado, evidenciase a omissão alegada pelo Embargante, a reclamar pela admissibilidade dos Embargos de Declaração por ele interpostos. Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11065.003253/200862 Acórdão n.º 3803005.293 S3TE03 Fl. 12 5 Proponho, portanto, a admissibilidade como Embargos de Declaração da petição apresentada por Macofer Materiais de Construção e Ferragens Ltda. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis” Em razão da sua precisão, adoto o relatório apresentado pelo i. Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, transcrito acima. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator Considerando a omissão já identificada em análise de admissibilidade acima exposta e reconhecida por este relator, consubstanciada na falta de análise das normas transcritas no artigo 26, § 10, da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, tanto pelo acórdão da DRJ como por este colegiado ao proferir o acórdão nº 380303.101, de 26 de junho de 2012, que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 25/10/2005 a 25/10/2010 EMENTA: CRÉDITO DE PIS PROVENIENTE DE DECISÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE PIS. PRESCRIÇÃO. 5 ANOS DO TRÂNSITO EM JULGADO. NÃO PROVIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. A prescrição de créditos tributários, proveniente de decisão judicial, é contada pelo prazo de 5 anos, conforme art. 168 do CTN, não sendo passível de homologações pedido de compensação com créditos já alcançados pela prescrição, necessário se mostra o não provimento deste Recurso Voluntário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Ainda que o Conselheiro Hélcio Lafetá Reias tenha se referido ao artigo 26, § 10, da Instrução Normativa SRF nº 600 de 28 de dezembro de 2005, como sendo a vigente à época dos fatos, a que vigia era a Instrução Normativa SRF nº 460 de 18 de outubro de 2004, contudo, o texto de ambas é exatamente igual e, pela sua cristalinidade não requer nenhum esforço interpretativo para sua aplicação ao presente caso, vejamos: Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. [...] § 10. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de cinco anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à SRF antes do transcurso do referido prazo e, ainda, que sejam satisfeitas as condições previstas no § 5 º . § 5º O sujeito passivo poderá compensar créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à SRF, desde que, à data da apresentação da Declaração de Compensação: I – o pedido não tenha sido indeferido, mesmo que pó decisão administrativa não definitiva, pela autoridade competente da SRF; e II – se deferido o pedido, ainda não tenha sido emitida a ordem de pagamento do crédito. (destacamos) O direito creditório do contribuinte foi reconhecido através da Habilitação de Crédito em 24/11/2005, bem como no PER/DCOMP, transmitido em 16/10/2006 (fls. 175 a 178), através do qual havia pleiteado o direito de compensação do crédito total assegurado judicialmente, portanto, antes do quinquênio legal que fulminaria referido crédito pelo instituto da prescrição, temse que tal prescrição não se operou, nos exatos termos do que dispõe o § 10 do art. 26 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 2004, bem como no § 10 do art. 34 da Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008 que reproduziu o mesmo texto das Instruções Normativas anteriores. Vale ressaltar que o crédito pretendido pela recorrente foi reconhecido através do Parecer SECAT/DRF/NHO Nº 326/2008 (fls. 328 a 342), no seu valor integral de R$ 123.745,14, atualizado até 09/2005, no exata valor do seu “Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado” (fls. 259). Pelo que, admitimos os Embargos de Declaração apresentados contra o acórdão nº 380303.101, de 26 de junho de 2012, da 3ª Turma Especial da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e no mérito DOU PROVIMENTO ao recurso com efeitos infringentes para reconhecer o direito creditório pretendido. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11065.003253/200862 Acórdão n.º 3803005.293 S3TE03 Fl. 13 7 Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 13502.720321/2011-86
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO. A AFERIÇÃO INDIRETA NÃO PODE CONSTITUIR UMA CARTA EM BRANCO PARA A FISCALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE SUA UTILIZAÇÃO IN CASU. FATO GERADOR. BUSCA DA VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO FISCO. MERA ALEGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE O CONTRIBUINTE PRUDUZIR PROVA NEGATIVA.
O lançamento foi realizado em bases frágeis, utilizando-se o instituto da aferição indireta, sustentado pelas regras contidas no art. 33 da Lei nº 8.212/91, sob a alegação de que o contribuinte não fez a identificação individualizada dos segurados envolvidos no trabalho, com a respectiva remuneração, considerando que tais segurados não constavam das folhas de pagamento apresentadas, tidas pela fiscalização como insuficientes.
Caberá à autoridade fiscal aprofundar sua investigação para verificar o local e momento exato da ocorrência do fato gerador, tendo em vista que assim, ela estaria dando plena efetividade ao lançamento, e respeitando o princípio basilar do processo administrativo fiscal que é a verdade material.
Se a autoridade fiscalizadora admitiu tratar-se de relação envolvendo atividades operacionais no âmbito de um grupo econômico, onde a empresa controladora contratava equipe de venda e as controladas participavam do rateio proporcional relativamente aos custos de tal contratação, sem o devido aprofundamento na investigação dos fatos, a presunção de legitimidade do lançamento (aferição indireta) não pode constituir uma carta em branco na mão do Fisco.
Cabe ao Fisco, portanto, o ônus de provar a existência de fatos impeditivos ou extintivos da pretensão do particular lastreada em suas declarações, documentos fiscais e contábeis, situação não vislumbrada nestes autos.
A presunção de legitimidade do lançamento não é uma carta em branco para a fiscalização atuar imotivadamente, sob pena de o tributo passar a ser exigido, não em face da efetiva ocorrência do fato gerador, mas com base em mera alegação do Fisco de sua ocorrência, diante da impossibilidade material de o contribuinte produzir prova negativa.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-003.308
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Os Conselheiros, Eduardo de Oliveira e Helton Carlos Praia de Lima votaram pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Carlos Cornet Scharfstein.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO. A AFERIÇÃO INDIRETA NÃO PODE CONSTITUIR UMA CARTA EM BRANCO PARA A FISCALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE SUA UTILIZAÇÃO IN CASU. FATO GERADOR. BUSCA DA VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO FISCO. MERA ALEGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE O CONTRIBUINTE PRUDUZIR PROVA NEGATIVA. 1. O lançamento foi realizado em bases frágeis, utilizandose o instituto da aferição indireta, sustentado pelas regras contidas no art. 33 da Lei nº 8.212/91, sob a alegação de que o contribuinte não fez a identificação individualizada dos segurados envolvidos no trabalho, com a respectiva remuneração, considerando que tais segurados não constavam das folhas de pagamento apresentadas, tidas pela fiscalização como insuficientes. 2. Caberá à autoridade fiscal aprofundar sua investigação para verificar o local e momento exato da ocorrência do fato gerador, tendo em vista que assim, ela estaria dando plena efetividade ao lançamento, e respeitando o princípio basilar do processo administrativo fiscal que é a verdade material. 3. Se a autoridade fiscalizadora admitiu tratarse de relação envolvendo atividades operacionais no âmbito de um grupo econômico, onde a empresa controladora contratava equipe de venda e as controladas participavam do rateio proporcional relativamente aos custos de tal contratação, sem o devido aprofundamento na investigação dos fatos, a presunção de legitimidade do lançamento (aferição indireta) não pode constituir uma carta em branco na mão do Fisco. 4. Cabe ao Fisco, portanto, o ônus de provar a existência de fatos impeditivos ou extintivos da pretensão do particular lastreada em suas declarações, documentos fiscais e contábeis, situação não vislumbrada nestes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 03 21 /2 01 1- 86 Fl. 627DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13502.720321/201186 Acórdão n.º 2803003.308 S2TE03 Fl. 3 2 5. A presunção de legitimidade do lançamento não é uma carta em branco para a fiscalização atuar imotivadamente, sob pena de o tributo passar a ser exigido, não em face da efetiva ocorrência do fato gerador, mas com base em mera alegação do Fisco de sua ocorrência, diante da impossibilidade material de o contribuinte produzir prova negativa. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Os Conselheiros, Eduardo de Oliveira e Helton Carlos Praia de Lima votaram pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Carlos Cornet Scharfstein. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13502.720321/201186 Acórdão n.º 2803003.308 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições previdenciárias sociais devidas, parte dos segurados empregados. A fim de identificar a ocorrência dos fatos geradores, a fiscalização analisou as informações constantes nas GFIP apresentadas pela empresa, suas folhas de pagamento, meio papel e digital, e a sua contabilidade, meio papel e digital, livros razão e diário. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 07 de maio de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. São devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados que prestam serviços à empresa, conforme prevê o art. 20, da Lei nº 8.212/91. AFERIÇÃO INDIRETA. Relato fiscal caracteriza a hipótese prevista no parágrafo terceiro do artigo 33 da Lei nº 8.212/1991. Viabilidade da utilização do instrumento legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: O respeitável acórdão recorrido merece ser reformado, porquanto não apreendeu corretamente a matéria em discussão, objeto do AI elidido pela impugnação apresentada, na qual se deixa claro que a recorrente não possui equipe de vendas e, portanto, não paga salários, comissões, repouso semanal remunerado etc., que estariam registradas na contabilidade. É importante repetir parte das razões postas na impugnação, no sentido de que na folha de pagamento apresentada à fiscalização, esta não identificou qualquer empregado da equipe de vendas que trabalhasse na recorrente, quando era dever do fisco identificar nominalmente quem efetivamente trabalhava ou trabalhou na CERAMUS BAHIA S.A., e percebeu salário ou outra verba remuneratória, formando a equivocada equipe de vendas, tomada como certa pela autoridade autuante e mantida pelo acórdão impugnado. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13502.720321/201186 Acórdão n.º 2803003.308 S2TE03 Fl. 5 4 Conforme exposto na defesa/impugnação, a recorrente deixa claro que não possui equipe de vendas, ou seja, não possui vendedor algum. O acórdão impugnado além de agasalhar os equívocos cometidos pela fiscalização, também comete outros que merecem ser desfeitos. A verificação procedida não tem sustentação, eis que, na hipótese vertente, deveria ter sido verificado a empresa ELIANE S.A., como um todo e não parcialmente, para, daí, concluir erroneamente que a fiscalização estava correta por gozar de presunção de veracidade. No caso, tratase de tributo e, como tal, não cabe a presunção onde há elementos suficientes para se aprofundar a fiscalização e se chegar à verdade material, que deve sempre prevalecer sobre qualquer presunção. Os documentos anexos vêm corroborar aqueles já juntados aos autos, demonstrando o equívoco cometido pela fiscalização e mantido pelo acórdão recorrido. No caso concreto, a recorrente está sendo tributada com base em elementos incertos e inseguros, com verdadeira desconsideração da personalidade jurídica, vez que não houve interesse do fisco em entender o procedimento, nem em aprofundar a fiscalização, limitandose a solicitar explicações, sem a verificação ou compreensão efetiva da realidade material. Com isso está ser impondo tributação onde nada há a ser tributado. Destacase que não há no auto de infração, nem mesmo no Relatório Fiscal, a demonstração concreta, material, de elementos que comprove a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, pois a fiscalização não identifica nenhum empregado que tenha recebido valores a título de remuneração pelo trabalho – com ou sem vínculo empregatício – condição sine qua non para dar ensejo à exigência de tributo ou para materializar a ocorrência do fato gerador. Consta também incluso uma demonstração, por amostragem, demonstrando que os valores integrais percebidos por vendedores estão lançados na GFIP da ELIANE S.A. As contas contábeis referidas no item 1.9.1., são contas de PROVISÃO, ou seja, não são contas em que são lançadas despesas verdadeiramente ocorridas, como foi devidamente explicado ao agente fiscal. Os valores são provisionados mensalmente para serem pagos no final do ano. Também aqui a fiscalização não se preocupou em buscar a verdade material. Diante do exposto, requer o recebimento do presente recurso, para, na forma das razões acima sustentadas, seja lhe dado provimento, a fim de ser declarado nulo o auto de infração, pelas razões acima sustentadas; ou, então, julgado totalmente improcedente o AI, por ser de direito e de justiça. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13502.720321/201186 Acórdão n.º 2803003.308 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Na constituição do crédito tributário pelo lançamento, competirá à autoridade administrativa verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicável da penalidade cabível. Esta é, pois, a regra basilar que deve ser observada pela autoridade administrativa, tendo em vista que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN). Das premissas contidas no art. 142 do CTN para o caso em discussão, a identificação do sujeito passivo é fator primordial, tendo em conta tratarse de situação muito bem definida de formação de grupo econômico, inclusive com pleno reconhecimento pela autoridade lançadora, bem como pelas autoridades julgadoras de primeira instância administrativa. Em situações como a em discussão, não basta uma análise superficial para concluir que a empresa é devedora das contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social. Em razão de se tratar de operações envolvendo o entrelaçamento de atividades no âmbito de um grupo econômico bem determinado, a constituição do crédito tributário deveria ter sido realizada com extremo rigor, notadamente no que concerne à busca da verdade material. Esta premissa fundamental, pelo que pude denotar da análise dos autos, não ocorreu. O lançamento foi realizado em bases frágeis, utilizandose o instituto da aferição indireta, sustentado pelas regras contidas no art. 33 da Lei nº 8.212/91, sob a alegação de que o contribuinte não fez a identificação individualizada dos segurados envolvidos no trabalho, com a respectiva remuneração, considerando que tais segurados não constavam das folhas de pagamento apresentadas, tidas pela fiscalização como insuficientes. Acontece, porém, que as equipes de vendas, efetivamente, não estavam sob a tutela da empresa controlada (a recorrente), mas sim, sob o comando da empresa controladora. In casu, portanto, tendo em vista a obviedade da matéria, a empresa controlada, não poderia, em princípio, apresentar relação individualizada de membros de uma equipe de vendas contratada por outra empresa, a controladora. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13502.720321/201186 Acórdão n.º 2803003.308 S2TE03 Fl. 7 6 Em situações como a ora em discussão, caberá à autoridade fiscal aprofundar sua investigação para verificar o local e momento exato da ocorrência do fato gerador, tendo em vista que assim, ela estaria dando plena efetividade ao lançamento e, obviamente, respeitando o princípio basilar do processo administrativo fiscal que é a verdade material. A fundamentação que sustenta o lançamento, como já referido anteriormente, é frágil, não podendo o fisco se desincumbir do ônus de identificar o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária. Nesta direção, há que se considerar os abalizados ensinamentos de Sacha Calmon Navarro Coelho e Eduardo Junqueira Coelho (in CARF: questões controvertidas no processo administrativo fiscal / [coordenação Ives Gandra da Silva Martins, conferencista inaugural José Carlos Moreira Alves]. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2012. p. 84/85), verbis: A prova de eventuais inconsistências e irregularidades compete ao Fisco, como consequência de seu dever de homologar. Da mesma forma que não se exige do contribuinte a transcrição de seus lançamentos contábeis no momento da entrega das atuais declarações (DIPJ, DCTF, DACON etc.), não pode o Fisco ignorálas e nem tampouco desprezar os registros contábeis que lhes servem de fundamento ou rejeitálos, sem demonstrar os fundamentos fáticos e jurídicos, de forma individualizada, ao simplório e genérico argumento de ausência de comprovação dos fatos que suscitaram a contabilização, uma vez que cabe ao Fisco o ônus de provar a existência de fatos impeditivos ou extintivos da pretensão do particular lastreada em suas declarações, documentos fiscais e contábeis. As acusações fiscais presentes no lançamento devem necessariamente ser precedidas de clara e segura demonstração dos fatos e do direito que as sustentam. Portanto, deve previamente o contribuinte ser intimado a se manifestar para comprovar e esclarecer os fatos que poderiam obstar as acusações fiscais, sob pena de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do lançamento pro vício material (substancial) insanável. Ou seja, se a prova favorável ao contribuinte era plenamente possível e não tiver sido realizada pela fiscalização, sem que para tanto tenha concorrido o contribuinte, não pode ser posteriormente invocada a ausência de apresentação de prova pelo contribuinte, como um dos fundamentos fáticos do lançamento. Rui Barbosa Nogueira, com apoio na lição de Spitaler, afirma que o dever de investigar as situações de fato e os fatos geradores impostos pela lei às autoridades fiscais exige que não capitulem, nunca, diante da obscuridade da Fl. 632DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13502.720321/201186 Acórdão n.º 2803003.308 S2TE03 Fl. 8 7 relação de fato, devendo ser capazes até de verificalos por avaliação. Assim, a presunção de legitimidade do lançamento não é uma carta em branco para a fiscalização atuar imotivadamente, sob pena de o tributo passar a ser exigido, não em face da efetiva ocorrência do fato gerador, mas com base em mera alegação do Fisco de sua ocorrência, diante da impossibilidade material de o contribuinte produzir prova negativa. (grifouse e destacouse) Com efeito, se a autoridade fiscalizadora admitiu tratarse de relação envolvendo atividades operacionais no âmbito de um grupo econômico, onde a empresa controladora contratava equipe de venda e as controladas participavam do rateio proporcional relativamente aos custos de tal contratação, sem o devido aprofundamento na investigação dos fatos, a presunção de legitimidade do lançamento (aferição indireta) não pode constituir uma carta em branco na mão do Fisco. Cabe ao Fisco, portanto, o ônus de provar a existência de fatos impeditivos ou extintivos da pretensão do particular lastreada em suas declarações, documentos fiscais e contábeis, situação não vislumbrada nestes autos. A presunção de legitimidade do lançamento não é uma carta em branco para a fiscalização atuar imotivadamente, sob pena de o tributo passar a ser exigido, não em face da efetiva ocorrência do fato gerador, mas com base em mera alegação do Fisco de sua ocorrência, diante da impossibilidade material de o contribuinte produzir prova negativa. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 19515.721693/2011-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUSÊNCIA APRESENTAÇÃO DOCUMENTOS FISCAIS. PENALIDADE INSCRITA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NORMA ESPECÍFICA.
A penalidade a ser aplicada em razão da ausência de apresentação de documentos pertinentes às contribuições previdenciárias ou sua exibição de maneira diversa da realidade ou omissa, na forma e nos prazos estabelecidos pelo Fisco, encontra supedâneo na legislação previdenciária, mais precisamente no artigo 33, §§ 2o e 3o, da Lei n° 8.212/91, c/c artigo 283, inciso II, alínea j, do Decreto n° 3.048/99 - Regulamento da Previdência Social, o que afasta a aplicabilidade dos preceitos inscritos nos artigos 11, §§ 3º e 4º, e 12, inciso II, parágrafo único, da Lei nº 8.218/91, em face do princípio da especialidade das normas, impondo seja decretada a improcedência do lançamento escorado nestes últimos dispositivos legais.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiro Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam provimento.
Elias Sampaio Freire Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUSÊNCIA APRESENTAÇÃO DOCUMENTOS FISCAIS. PENALIDADE INSCRITA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NORMA ESPECÍFICA. A penalidade a ser aplicada em razão da ausência de apresentação de documentos pertinentes às contribuições previdenciárias ou sua exibição de maneira diversa da realidade ou omissa, na forma e nos prazos estabelecidos pelo Fisco, encontra supedâneo na legislação previdenciária, mais precisamente no artigo 33, §§ 2o e 3o, da Lei n° 8.212/91, c/c artigo 283, inciso II, alínea “j”, do Decreto n° 3.048/99 Regulamento da Previdência Social, o que afasta a aplicabilidade dos preceitos inscritos nos artigos 11, §§ 3º e 4º, e 12, inciso II, parágrafo único, da Lei nº 8.218/91, em face do princípio da especialidade das normas, impondo seja decretada a improcedência do lançamento escorado nestes últimos dispositivos legais. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 16 93 /2 01 1- 67 Fl. 300DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQU E MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiro Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam provimento. Elias Sampaio Freire – Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQU E MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.721693/201167 Acórdão n.º 2401003.534 S2C4T1 Fl. 300 3 Relatório LEDERVIN INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 11a Turma da DRJ em São Paulo/SP I, Acórdão nº 1641.285/2012, às fls. 237/251, que julgou procedente a autuação fiscal lavrada contra a empresa, com fulcro no artigo 11, §§ 3º e 4º, da Lei nº 8.218/91 (com redação dada pela MP n° 2.158/2001), por ter apresentado arquivos e sistemas das informações em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal com omissão ou incorreção, em relação ao período de 01/2006 a 12/2007, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 11/14, e demais documentos constantes dos autos. Tratase de Auto de Infração (Descumprimento de Obrigação Acessória), lavrado em 05/12/2011, nos termos do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 903.720,62 (Novecentos e três mil, setecentos e vinte reais e sessenta e dois centavos), com base no artigo 12, inciso II, parágrafo único, da Lei n° 8.218/1991. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 257/276, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, por entender que a multa aplicada malfere os princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e do não confisco. Em defesa de sua pretensão, assevera que a administração pública pode rever ou cancelar/anular seus atos, com esteio nos artigos 53 e 55 da Lei n° 9.784/99, sobretudo quando ilegais e/ou inconstitucionais, o que se aplica na hipótese vertente onde a multa aplicada fora desproporcional aos atos da contribuinte. Aduz não fazer sentido a aplicação de penalidade em valor tão exorbitante em razão de simples entrega de documentos digitais com pretensas incorreções/equívocos, representando um verdadeiro confisco, notadamente quando a contribuinte, de fato, entregou a documentação exigida. Contrapõese à penalidade imposta, alegando o equívoco eventualmente incorrido pela contribuinte, ou seja, a entrega com pequenas incorreções, não acarretou qualquer prejuízo à fiscalização, mormente quando promoveu o recolhimento dos tributos devidos. Ressalta que a contribuinte já fora autuada em razão da entrega dos mesmos documentos, em face da intempestividade de aludida apresentação, o que caracteriza bis in idem. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQU E MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Dessa forma, com base na boafé na conduta da contribuinte, requer seja relevada a multa imposta, sobretudo em face da ausência de prejuízo ao erário, tendo ocorrido erro operacional por parte da empresa, posteriormente corrigido. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQU E MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.721693/201167 Acórdão n.º 2401003.534 S2C4T1 Fl. 301 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, o presente crédito tributário fora lavrado em razão de a contribuinte ter apresentado arquivos e sistemas das informações em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal com omissão ou incorreção, em relação ao período de 01/2006 a 12/2007. Nesse contexto, a contribuinte foi autuada com fundamento no disposto no artigo 11, §§ 3º e 4º, da Lei nº 8.218/91, constituindose crédito previdenciário decorrente de multa aplicada nos termos do artigo 12, inciso II, parágrafo único, do mesmo Diploma Legal, nos seguintes termos: “Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (Vide Mpv nº 303, de 2006) [...] § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. .(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. .(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: [...] II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)” Fl. 304DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQU E MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Em suas razões de recurso, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, por entender que a multa aplicada malfere os princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e do não confisco. A fazer prevalecer seu entendimento, assevera que a administração pública pode rever ou cancelar/anular seus atos, com esteio nos artigos 53 e 55 da Lei n° 9.784/99, sobretudo quando ilegais e/ou inconstitucionais, o que se aplica na hipótese vertente onde a multa aplicada fora desproporcional aos atos da contribuinte. Contrapõese à penalidade imposta, alegando o equívoco eventualmente incorrido pela contribuinte não acarretou qualquer prejuízo à fiscalização, mormente quando promoveu o recolhimento dos tributos devidos. Dessa forma, com base na boafé na conduta da contribuinte, requer seja relevada a multa imposta, sobretudo em face da ausência de prejuízo ao erário, tendo ocorrido erro operacional por parte da empresa, posteriormente corrigido. Aduz não fazer sentido a aplicação de penalidade em valor tão exorbitante em razão de simples entrega de documentos digitais com pretensas incorreções/equívocos, representando um verdadeiro confisco, notadamente quando a contribuinte, de fato, entregou a documentação exigida. Ressalta que a contribuinte já fora autuada em razão da entrega dos mesmos documentos, em face da intempestividade de aludida apresentação, o que caracteriza bis in idem. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito suscitadas pela contribuinte, as quais, inclusive, sensibilizaram este julgador, sobretudo em razão do elevado valor da multa, mister ressaltar entendimento deste Colegiado a propósito da matéria, tendente a determinar a improcedência do feito, senão vejamos: Com efeito, ao se debruçar sobre o tema, o ilustre Conselheiro Igor Araújo Soares dissertou com muita propriedade afastando a penalidade inscrita na Lei n° 8.218/1991, em face da especificidade da Lei n° 8.212/91, a qual já contempla multa para casos dessa natureza, conforme se depreende do Acórdão n° 2401002.941, de onde peço vênia para transcrever ementa e excerto do voto e adotar como razões de decidir, in verbis: “Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS EM MEIO DIGITAL. INFORMAÇÕES RELATIVAS AO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LEGISLAÇÃO A SER APLICÁVEL. LEI 8.212/91. ART. 112 DO CTN. INFRAÇÃO AO ART. 33, 2o DA LEI 8.212/91. A não apresentação da documentação contábil em formato digital enseja infração ao disposto no art. 33, 2o da Lei 8.212/91, único dispositivo legal que deve ser aplicado no caso da exigência de informações acerca do cumprimento das obrigações relativas às contribuições previdenciárias. O dispositivo em comento se traduz em lei especial a ser aplicada no caso da inobservância da legislação previdenciária, que expressamente determina a obrigação do contribuinte em apresentar as informações em Fl. 305DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQU E MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.721693/201167 Acórdão n.º 2401003.534 S2C4T1 Fl. 302 7 meio digital de acordo com os manuais e determinações impostas pela legislação ou mesmo a presentação de documentos.. Impossibilidade da aplicação da multa do artigo 12, inciso I e parágrafo único da Lei 8.218/91. Inteligência do art. 112 do CTN e do princípio da lex specialis derrogat lex generalis. Recurso Voluntário Provido. [...] Voto [...] Em virtude desse procedimento de fiscalização, foi lavrado o presente auto de infração, exigindo da Recorrente multa por não ter apresentado documentação requerida por meio de TIAD em meio digital infringindo, assim, as disposições da Lei da Lei 8.218/91, a seguir transcritas: Art.11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (Vide Mpv nº 303, de 2006) §1ºA Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] §3ºA Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. .(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) E para tanto, sofreu a aplicação da seguinte multa: Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: [...] III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa Fl. 306DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQU E MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Analisando a Lei nº 8.212/91, não há dúvidas de que o fundamento legal da referida Multa e da própria Portaria indicada pela Lei 8.218/91, pode ser encontrado no art. 33, § 2o, da aludida Lei, que assim especifica: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Como é cediço, nos termos do art. 92 da Lei nº 8.212/91, a infração a qualquer dispositivo da Lei nº 8.212/91, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, será verificada na forma que dispuser o Regulamento da Previdência Social. Nesse sentido, assim prevê o art. 283, inc. II, alínea “j”, do Decreto nº 3.048/99: “Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a292, e de acordo com os seguintes valores: (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...) j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas Fl. 307DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQU E MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.721693/201167 Acórdão n.º 2401003.534 S2C4T1 Fl. 303 9 ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira;” Constatase, portanto, que no âmbito das contribuições previdenciárias, há penalidade específica para a apresentação de documentos que não atendem as formalidades exigidas. Entretanto, a multa imposta tomou como base o art. 11, §§ 3º e 4º da Lei nº 8.218/91, com a redação dada pela MP nº 2.15835/01, tendo sido calculada com base no art. 12, inc. I e parágrafo único da Lei nº 8.218/91, que assim prescrevem: Ocorre que, tal fundamento legal advém da edição da Medida Provisória nº 2.15835/01, que dispõe, essencialmente, sobre a “legislação das Contribuições para a Seguridade Social COFINS, para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e do Imposto sobre a Renda”. No meu entender, tal dispositivo é nitidamente voltado para fins de regulamentação do PIS e da COFINS (e seus deveres instrumentais), haja vista que leva em consideração, para fins de apuração da penalidade, a receita bruta da empresa, bem como “o anocalendário em que as operações foram realizadas”. Assim, não há qualquer razão em se aplicar a referida legislação quando se está tratando sobre contribuição previdenciária (e respectivos deveres instrumentais), tendo em vista que esta possui regra de incidência totalmente dissociada do PIS e da COFINS, além do fato de que, como dito acima, possui legislação específica a penalizar a conduta descrita no Auto de Infração. Logo, também há de se considerar no presente caso, o disposto no art. 112 do CTN, a seguir: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Em razão do exposto, voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO para DARLHE TOTAL PROVIMENTO, a fim de anular o lançamento por vício material.” A hipótese contemplada acima encontra consonância com o caso vertente, onde a contribuinte fora penalizada em virtude de ter apresentado os documentos em meio digital solicitados com erros e/ou omissões de informações. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQU E MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 Partindo dessas premissas, impõese adotar o mesmo entendimento acima esposado, sobretudo em face do princípio da especialidade das normas, devendo prevalecer a legislação previdenciária específica, a qual dispõe expressamente e estabelece multa para a conduta da contribuinte objeto do presente lançamento. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em dissonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO E DARLHE PROVIMENTO, decretando a improcedência total do lançamento. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQU E MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 13656.900223/2010-96
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM DCOMP. DESCABIMENTO.
Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ.
Numero da decisão: 1803-002.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva e Walter Adolfo Maresch, que negavam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 90 02 23 /2 01 0- 96 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13656.900223/201096 Acórdão n.º 1803002.192 S1TE03 Fl. 245 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva e Walter Adolfo Maresch, que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13656.900223/201096 Acórdão n.º 1803002.192 S1TE03 Fl. 246 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 220 numeração digital ND): O interessado transmitiu as Dcomps nº 29092.48093.130608.1.7.026287 e 09420.36688.200110.1.2.029997, visando compensar os débitos nelas declarados, com o crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2006. A DRF Poços de Caldas/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual reconhece parcialmente o direito creditório pleiteado e homologa em parte as compensações pleiteadas, sob o argumento de que não foram confirmadas todas as compensações de estimativas declaradas. A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: a) “a suposta diferença de estimativa de imposto compensada pela REQUERENTE, no anobase de 2006, apontada na decisão impugnada, decorre, originalmente, de compensação de estimativa de IR do anobase de 2005, efetuada nos autos do Processo n° 13652.000154/200591, com créditos oriundos da não cumulatividade da COFINS”. O mesmo ocorre para o processo nº 13656.900016/201031; b) “tendo em vista a conexão entre os processos, seja por economia processual, seja para evitar decisões conflitantes, o presente processo deve ficar sobrestado até o julgamento definitivo do Processo n° 13652.000154/200591 e do Processo n° 13656.900016/201031”; c) “DA IMPOSSIBILIDADE DE PROSSEGUIMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO E DA COBRANÇA EM FACE DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO”; d) “DA CORRETA APURAÇÃO DO SALDO NEGATIVO DO ANOBASE 2005 E DAS ESTIMATIVAS COMPENSADAS NO ANOBASE DE 2006”. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 219 ND): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). COMPENSAÇÃO Não existindo o crédito declarado, a compensação não pode ser homologada. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13656.900223/201096 Acórdão n.º 1803002.192 S1TE03 Fl. 247 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. Cientificada da referida decisão em 02/05/2013 (fls. 222 ND), a tempo, em 29/05/2013 (fls. 224 – ND), apresenta a interessada Recurso de fls. 225 a 237 ND, instruído com os documentos de fls. 238 a 241 ND, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13656.900223/201096 Acórdão n.º 1803002.192 S1TE03 Fl. 248 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Constou do acórdão recorrido (fls. 220 ND): O crédito usado nas Dcomps ora em análise referese a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2006 e foi parcialmente reconhecido, tendo em vista que a empresa compensou parte das estimativas com crédito constante dos processos nº 13652.000154/200591 e 13656.900016/201031, que não foi integralmente reconhecido a ela. 5. Contudo, não é esse o entendimento oficial da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), pelo menos à época dos fatos. 6. Constam das instruções para preenchimento da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, relativa ao anocalendário de 2006, exercício de 2007 (DIPJ 2007), devidamente aprovadas pela Instrução Normativa RFB nº 738, de 2 de maio de 2007, a seguinte orientação (destaque da transcrição): Linha 12A/16 () Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa Esta linha deve ser preenchida somente pelas pessoas jurídicas que apuraram o lucro real anual. Somente podem ser deduzidos na apuração do ajuste anual os valores de estimativa efetivamente pagos relativos ao ano calendário objeto da declaração. Considerase efetivamente pago por estimativa o crédito tributário extinto por meio de: dedução do imposto de renda retido ou pago sobre as receitas que integram a base de cálculo, compensação solicitada por meio da Declaração de Compensação (PER/DComp) ou de processo administrativo, compensação autorizada por medida judicial e valores pagos mediante Darf. 7. Referida orientação normativa foi reiterada por meio de Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit nº 18, de 13 de outubro de 2006, assim ementada: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13656.900223/201096 Acórdão n.º 1803002.192 S1TE03 Fl. 249 6 8. Por fim, com relação ao Parecer PGFN/CAT nº 1.658/2011, mencionado em sessão pelo ilustre Conselheiro Walter Adolfo Maresch, registro que o entendimento ali externado – caso venha a prevalecer no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) , não pode ser aplicado retroativamente ao anocalendário de 2006, exercício de 2007, com o fito de prejudicar o sujeito passivo. Conclusão 9. Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO, para reconhecer o direito creditório adicional de R$ 345.062,90, homologando as compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 249DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13656.900223/201096 Acórdão n.º 1803002.192 S1TE03 Fl. 250 7 Declaração de Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch Não obstante o tradicional brilhantismo e senso de justiça do Sr. Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, que redigiu o voto condutor peço vênia para discordar de suas conclusões. Ponto de divergência doutrinária e jurisprudencial, entendo não ser possível considerar como pagas as estimativas declaradas e extintas via DCOMP – Declaração de Compensação, conforme entendimento que reputo superado desde a edição do Parecer PGFN/CAT nº 1.658/2011. Com efeito, através da Nota Técnica Cosit nº 15, de 29 de abril de 2011, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, solicitou manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sobre a possibilidade de cobrança e inscrição em Dívida Ativa da União de valores apurados por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, em virtude da opção do contribuinte por tributação pelo lucro real anual, que tenham sido objeto de Declaração de Compensação não homologada pelo Fisco. Da mencionada Nota Técnica Cosit nº 15, extraio os seguintes excertos: Esta nota técnica visa obter parecer jurídico da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) quanto à possibilidade de cobrança e inscrição na Dívida Ativa da União de valores apurados por estimativa de Imposto sobre ja Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) em virtude de opção do contribuinte por tributação pelo Lucro Real anual, que tenham sido confessados em Declaração de Compensação (Dcomp), mas cuja compensação não tenha sido homologada, 2. Em pronunciamento anterior desta CoordenaçãoGeral de Tributação(Cosit), por intermédio da Solução de Consulta Interna (SCI) n° 18, de 13 de outubro de 2006,concluiuse que os débitos informados em Dcomp referentes a estimativas podem ser cobrados em caso de não homologação da compensação, não cabendo, por conseguinte, a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar (ou CSLL a pagar) ou do saldo negativo apuradona Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Transcrevese o trecho pertinente da referida SCI: 16. Por todo o exposto, no que diz respeito ao tratamento da estimativa não paga ou não compensada, cabe concluir que... 16.3:na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Acontece que, conforme informado em reunião realizada entre representantes desta coordenação, da CoordenaçãoGeral de Fl. 250DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13656.900223/201096 Acórdão n.º 1803002.192 S1TE03 Fl. 251 8 Fiscalização (Cofis), da Coordenação Especial de Ressarcimento, Compensação e Restituição (Corec), da CoordenaçãoGeral de Arrecadação e Cobrança (Codac), da Delegacia 'da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE) e da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Piracicaba/SP (DRF/PCA), tal orientação tem gerado discordâncias por parte de diversas unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB:), que entendem não ser possível a cobrança de valores estimados de imposto (CSLL). 4.Ante o mencionado conflito de entendimentos, é imprescindível proceder uma nova análise da questão. A seguir serão apresentados o raciocínio jurídico que justifica a cobrança e inscrição em dívida ativa de valores estimados informados em Dcomp não homologada, defendido pela SCI n° 18, e o que conclui pela impossibilidade desta cobrança e inscrição. Apresenta em seguida a Nota Cosit as duas teses antagônicas uma pela possibilidade de posterior cobrança de estimativas constantes de DCOMP e a outra pela impossibilidade de cobrança. Concluiu a Nota Técnica Cosit em seu encaminhamento: 25.Propõese o encaminhamento desta nota técnica para a apreciação da PGFN, a fim de esclarecer qual interpretação é consonante com a legislação tributária: a que sustenta ser possível a inscrição em dívida e a cobrança de valores estimados de IRPJ e de CSLL informados como débitos em Dcomp não homologada, ou a que conclui pela impossibilidade, tanto da inscrição quanto da cobrança. (...). Confrontada com as teses antagônicas, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, através do mencionado Parecer PGFN/CAT nº 1.658/2011, exarou o seguinte entendimento: (...) 12. Voltando à hipótese em apreciação, temos que os valores de IRPJ e CSLL apurados mensalmente por estimativa não foram pagos antecipadamente e foram declarados como débitos em Declaração de Compensação que restou não homologada pelo Fisco. 13. A questão a deslindar é se tal declaração basta à cobrança e inscrição em Dívida Ativa da União dos débitos em comento. 14. Reportandose à análise feita, vemos que os valores apurados mensalmente por estimativa constituem mera antecipação do tributo devido, cujo fato gerador irá completar se, de fato, em 31 de dezembro (ou na data dos eventos previstos no art. 1o da Lei no 9.430, de 1996) 15. Ora, somente com a completude do fato gerador surge a obrigação tributária principal, que tem por objeto o pagamento Fl. 251DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13656.900223/201096 Acórdão n.º 1803002.192 S1TE03 Fl. 252 9 do tributo (CTN, art. 113, § 1o) e da qual decorre o crédito tributário (CTN, art. 139). 16. Refirase ao que ponderou o E. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, nos autos do Recurso Especial no 962.379RS, in litteris: “De fato, conforme decorre das normas gerais estabelecidas no CTN, a ocorrência do fato gerador dá origem à obrigação tributária (CTN, art. 133, § 1º), que representa o tributo ainda em estado ilíquido, incerto e inexigível (em estado ‘bruto’). O crédito tributário propriamente dito nasce (‘constituise’) com a formalização da obrigação tributária”. (STJ, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe 28/10/2008) 17. Assim, é conclusão inafastável que, somente com o aperfeiçoamento do fato gerador do IRPJ e da CSLL, na hipótese, é que surgem a obrigação e o crédito tributários respectivos. 18. Daí que o valor apurado mensalmente por estimativa, a título de antecipação do tributo devido, não assume a natureza de obrigação e crédito tributários. Grifos do original 19. Notese que o fato de ser plenamente legítima a antecipação do pagamento do tributo já que, a teor de pacífica jurisprudência, “é no transcorrer do ano de referência que se verificam as disponibilidades econômicas e jurídicas que justificam a tributação da renda” , não equivale a atribuir a esta antecipação a natureza de obrigação e de crédito tributários, como visto. 20. Ora, a teor do art. 201 do Código Tributário Nacional, “constitui dívida ativa tributária a proveniente de crédito dessa natureza, regularmente inscrita na repartição administrativa competente, depois de esgotado o prazo fixado, para pagamento, pela lei ou por decisão final proferida em processo regular”. 21. Acrescenta o art. 204 do CTN que “a dívida regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez e tem o efeito de prova préconstituída”. 22. É patente, assim, que, não constituindo crédito tributário, o valor apurado por estimativa a título de antecipação do tributo não pode ser inscrito em Dívida Ativa da União, que pressupõe a existência de crédito tributário regularmente constituído e cingido dos atributos da certeza e liqüidez. 23. De outro lado, sequer se pode argüir que o “crédito” foi constituído pela declaração de compensação. 24. Neste particular, impende apreciar a sistemática da compensação no âmbito tributário federal, que está regulada pela Lei no 9.430, de 1996. 25. Da legislação de regência se extrai que, em geral, o débito (crédito tributário) a compensar com o crédito titularizado pelo Fl. 252DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13656.900223/201096 Acórdão n.º 1803002.192 S1TE03 Fl. 253 10 contribuinte, se afastada a compensação declarada, está íntegro para imediata cobrança, inclusive com base no documento referido pelo art. 74, § 1o, da Lei no 9.430, de 1996 (DCOMP), já que este passou a implicar confissão de dívida a partir do advento da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (e Medida Provisória originária no 135, de 30.10.2003), o que não vigora, porém, para as hipóteses de compensação tida como não declarada. 26. Atentese para a ressalva: se o pleito de compensação foi anterior à Medida Provisória no 135 (30.10.2003), a DCOMP não se prestou à constituição do crédito tributário, o que decorre da declaração de débitos e créditos tributários federais – DCTF. 27. Portanto, relativamente à compensação declarada mas não homologada, o crédito tributário poderá ser cobrado com base na DCOMP, salvo se o pleito foi feito no período no qual este documento não apresentava a natureza de confissão de dívida, hipótese em que sua constituição se dá pela DCTF (ou, se inexistente, pelo Fisco). 28. Ocorre que, como visto e reiterado, os valores do IRPJ e da CSLL apurados por estimativa não se qualificam como crédito tributário, mas como mera antecipação do pagamento deste. 29. Assim, ainda que a DCOMP se preste à confissão de dívida, tal confissão não tem o poder de transformar a antecipação do tributo (estimativa) em crédito tributário. 30. Disto decorre que, mesmo declarada esta antecipação do tributo como débito (e até confessada), em não sendo homologada a compensação ela é tida por inexistente, tendo como efeitos o não pagamento e a não extinção desta parte do crédito tributário, a teor do art. 156, inciso II, do Código Tributário Nacional. 31. Conclusivamente, o débito relativo à antecipação do IRPJ e da CSLL apurada por estimativa não constitui crédito tributário e assim não se converteu pelo fato de ter sido objeto de DCOMP, não se sustentando como líquido e certo, inclusive porque é necessário o ajuste, ao final, para apuração do saldo do imposto. 32. De fato, conforme preceitos do art. 2o c.c. art. 6o da Lei no 9.430, de 1996, caso não recolhido ou pago a menor o valor da antecipação mensal dos tributos, é necessária a apuração destes ao final (31 de dezembro ou na data do encerramento das atividades ou dos demais eventos indicados na lei), com previsão de penalidade pecuniária, ainda que a pessoa jurídica venha a apurar prejuízo no balanço. 33. A propósito, não é desarrazoado prever a ocorrência de situação em que os valores antecipados sejam superiores ao valor do tributo devido, hipótese que reforça a conclusão de inexistência de certeza e liquidez das referidas antecipações. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13656.900223/201096 Acórdão n.º 1803002.192 S1TE03 Fl. 254 11 III – CONCLUSÃO. 34.Conclusivamente, os valores mensalmente apurados por estimativa, a título de antecipação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, e não pagos, ainda que objetos de Declaração de Compensação não homologada, não podem ser inscritos em Dívida Ativa da União e, conseqüentemente, cobrados de per si. 35. São estas as considerações que submeto à apreciação de Vossa Senhoria, propondo seja remetido este parecer à Secretaria da Receita Federal do Brasil Conforme exposto, a tese que acabou por prevalecer e que deve ser observada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil é a de que as estimativas de IRPJ e CSLL extintas por compensação não homologada, NÃO devem ser consideradas pagas para quaisquer efeitos, considerando que não serão inscritas em Dívida Ativa da União e tampouco cobradas mediante execução fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Fl. 254DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 21/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 13804.002608/2002-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/1995 a 29/02/1996
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-B DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE).
Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados.
Recurso especial negado
Numero da decisão: 9303-002.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente da Segunda Seção no exercício da Presidência
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
NOME DO REDATOR - Redator designado.
EDITADO EM: 05/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Ivan Allegretti (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente da Segunda Seção no exercício da Presidência JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. NOME DO REDATOR - Redator designado. EDITADO EM: 05/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Ivan Allegretti (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
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PRESCRIÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PRELUDE MODAS S.A. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/1995 a 29/02/1996 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543B DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). “Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados. Recurso especial negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 26 08 /2 00 2- 35 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/05/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 2 LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente da Segunda Seção no exercício da Presidência JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 05/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Ivan Allegretti (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Insurgese a Fazenda Nacional contra acórdão que deu provimento a recurso voluntário por considerar não atingido pela prescrição indébito tributário decorrente de recolhimentos ocorridos há mais de cinco anos da data do pedido. Para tanto, entendeu que o prazo, embora de cinco anos como postulado pela Fazenda, somente se iniciaria com a publicação do acórdão na ADIn que "reconheceu a inconstitucionalidade da Medida Provisória 1.212/95". A representação da Fazenda Nacional aponta que a decisão divergiu do acórdão 10515.157 no qual se agasalhou a tese de que o prazo sempre deve ser contado a partir de cada recolhimento indevido realizado e é de cinco anos. O pedido administrativo foi formalizado no dia 23 de abril de 2002 e engloba recolhimentos de PIS relativos aos períodos de apuração ocorridos entre novembro de 1995 e fevereiro de 1996. O primeiro dos recolhimentos foi realizado no dia 14 de novembro de 1995. A decisão recorrida, além de afastar a prescrição, reconheceu como indevidos, na sua totalidade, os recolhimentos efetuados, ainda que eles o tenham sido à alíquota de 0,65% sobre a receita bruta de vendas. Acerca do mérito, no entanto, o recurso não versou, limitandose a representação fazendária a pugnar (e demonstrar divergência) apenas quanto à preliminar de prescrição. É o Relatório, sucinto porquanto desnecessário alongarse. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos Relator Fl. 119DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/05/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 13804.002608/200235 Acórdão n.º 9303002.918 CSRFT3 Fl. 5 3 Como indicado no relatório, o recurso da Fazenda foi bem admitido porque trazido paradigma conforme a sua pretensão e em franco desacordo com a decisão recorrida. Dele conheço, pois. A tese nele versada, no entanto, não se pode mais abraçar. Isso porque já definido pelo e. Supremo Tribunal Federal que a regra oriunda da Lei Complementar nº 118/2005 não é meramente interpretativa e, pois, não se aplica a pedidos de restituição que lhe sejam anteriores. Por ocasião do julgamento pelo Pleno do CARF, entre outros, do recurso extraordinário interposto no processo 13832.000210/9914, assim me pronunciei quanto à matéria: A matéria ora discutida, contagem do prazo para postularse restituição de quantias indevidamente recolhidas a título de tributo submetido à sistemática do lançamento por homologação, que tantos e tão acalorados debates já suscitou, encontrase inteiramente pacificada com o advento da decisão do colendo Supremo Tribunal Federal no julgamento do recurso extraordinário nº 566.621/RS. Nele discutiuse a constitucionalidade dos arts. 3º e 4º do referido diploma legal, que o pretendiam expressamente interpretativo de modo a poder ser aplicado mesmo às restituições requeridas judicialmente antes de sua publicação. Não se trata disso aqui, é certo, visto que a pretensão fazendária é apenas desconstituir a tese que prevaleceu no julgado administrativo segundo a qual o marco inicial é o dia de publicação de ato legal que “reconheceu” a inconstitucionalidade do dispositivo em que se baseou o recolhimento. Em outras palavras, não pugna a Fazenda pela aplicação retroativa da referida Lei, embora a forma de contagem do prazo prescricional por ela defendida isso implique. Isso não obstante, a ilustre Relatora no STF não deixa de enfrentar a discussão aqui posta. Com efeito, são suas palavras: “...Logo, aquela Corte firmou posição no sentido de que, também em tais situações de retenção e de reconhecimento do indébito em razão de inconstitucionalidade da lei instituidora, deverseia aplicar, sem ressalvas, a tese dos dez anos, conforme se vê dos ERESp 329.160/DF e ERESp 435.835/SC julgados pela Primeira Seção daquela Corte...” Assim, entendo eu, merece de fato reforma a decisão proferida, na medida em que aplicou entendimento não mais de acordo com a jurisprudência predominante no “tribunal ao qual cabe dar a interpretação definitiva da legislação federal”, nos dizeres da douta Ministra. Em suma, deve ser afastada a tese que demarca o início do prazo no “reconhecimento de inconstitucionalidade”. Ele é, sem mais discussão, a data de extinção do crédito Fl. 120DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/05/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 4 tributário, consoante norma do art. 168, I do CTN como pretendido pela Procuradoria. O que isso implica, porém, não é, na inteireza, o que deseja a representação da Fazenda Nacional. Deveras, a mesma decisão reitera, como já se disse, que a interpretação que prevalecia no STJ era a dos cinco mais cinco mesmo para esses casos de declaração de inconstitucionalidade do ato legal instituidor ou majorador da exação. E que esse entendimento deve ser respeitado, em louvor ao princípio da segurança jurídica, quando a postulação seja anterior à edição da Lei Complementar. Sendo essa a expressa conclusão do acórdão, prolatado pelo STF já na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, é obrigatória sua adoção pelos Conselheiros Membros do CARF, por força do art. 62A do Regimento Interno. No presente caso, indubitável que a petição do contribuinte deu entrada administrativamente em data bem anterior à edição daquela Lei Complementar. É de rigor, pois, reconhecer, que o termo inicial para contagem do prazo de cinco anos previsto no art. 168, I do CTN somente tem início após findo aquele que vem estipulado no art. 150, § 4º do mesmo Código. A aplicação ao caso concreto leva à conclusão de que não estava prescrito o direito do contribuinte à restituição de quantias atinentes a fatos geradores ocorridos anteriormente a 15 de dezembro de 1989, dado que o seu pedido ingressou administrativamente apenas em 15 de dezembro de 1999. Voto, assim, pelo não provimento do apelo fazendário de modo a manter o afastamento da prescrição com respeito aos recolhimentos efetuados pelo contribuinte, embora por fundamento diverso daquele adotado nos julgados já ocorridos. A situação deste recurso especial é exatamente a mesma: a Câmara recorrida rejeitou a prescrição por aplicar a tese de que o prazo é delimitado pela decisão na ADIn. Essa interpretação tem de ser superada pela tese dos cinco mais cinco visto que o pedido é anterior à entrada em vigor da Lei Complementar 118. Mas com essa forma de contagem o resultado é o mesmo, ou seja, todos os recolhimentos discutidos no pedido ocorreram há menos de dez anos do seu protocolo, estando, portanto, afastada a prescrição pretendida pela Fazenda Nacional segundo o entendimento do STF que somos obrigados a adotar por força da disposição regimental. Com essas considerações, voto por negar provimento ao apelo da Fazenda Nacional. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Fl. 121DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/05/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 13804.002608/200235 Acórdão n.º 9303002.918 CSRFT3 Fl. 6 5 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/05/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS
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Numero do processo: 12448.723763/2013-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2008
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. PRESSUPOSTOS.
Não se pode falar em nulidade do auto de infração, lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao PAF.
PERÍCIA. DESNECESSIDADE.
Desnecessária a perícia quando a sua realização seja prescindível para a formação da convicção da autoridade julgadora.
DECADÊNCIA.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
COFINS. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ORGANIZAÇÃO SOCIAL CONSTITUÍDA SOB A FORMA DE ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. LEI n° 9.637/1998.
Os artigos 13 e 14, inciso X, da Medida Provisória 2.158/2001 c/c o art. 15 da Lei 9.532/97 outorgaram isenção da COFINS relativamente às receitas de organização social constituída sob a forma de associação sem fins lucrativos oriundas das atividades próprias das entidades. Serviços e atividades atinentes ao cumprimento das finalidades estatutárias se inserem dentre as atividades próprias da entidade.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-001.239
Decisão: Recurso voluntário provido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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RECETIAS PRÓPRIAS Recorrente REDE NACIONAL DE ENSINO E PESQUISA RNP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. PRESSUPOSTOS. Não se pode falar em nulidade do auto de infração, lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao PAF. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Desnecessária a perícia quando a sua realização seja prescindível para a formação da convicção da autoridade julgadora. DECADÊNCIA. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 37 63 /2 01 3- 85 Fl. 2166DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.167 2 da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. COFINS. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ORGANIZAÇÃO SOCIAL CONSTITUÍDA SOB A FORMA DE ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. LEI n° 9.637/1998. Os artigos 13 e 14, inciso X, da Medida Provisória 2.158/2001 c/c o art. 15 da Lei 9.532/97 outorgaram isenção da COFINS relativamente às receitas de organização social constituída sob a forma de associação sem fins lucrativos oriundas das atividades próprias das entidades. Serviços e atividades atinentes ao cumprimento das finalidades estatutárias se inserem dentre as atividades próprias da entidade. Recurso voluntário provido. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, que não julgou improcedente a impugnação da Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: Trata se de exigência fiscal relativa à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins. O feito referesea fatos geradores ocorridos entre 01/01/2008 e 31/12/2008 (com descontinuidades) e constituiu crédito tributário no montante de R$ 11.319.626,69, incluídos principal, juros de mora incidentes até abril de 2013 e multa de ofício no percentual de 75%. Fl. 2167DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.168 3 Do Termo de Verificação Fiscal, de fls 1812 a 1822, cabe transcrever os seguintes trechos: “[...] Inicialmente cabe ressaltar que o contribuinte objeto do presente procedimento fiscal, REDE NACIONAL DE ENSINO E PESQUISA RNP, cadastrado sob o CNPJ n° 03.508.097/000136, de acordo seu Estatuto Social, datado de 17/10/2000, possui natureza jurídica de associação civil, pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos. [...] Do exame da escrituração contábil, dos contratos, convênios, cópias de notas fiscais e demais elementos apresentados pelo fiscalizado no curso do procedimento fiscal, chegase a conclusão de que as receitas auferidas pelo fiscalizado não são derivadas das atividades próprias da entidade, visto que não foram decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais, consoante o disposto nos arts. 13, IV e 14, X da Medida Provisória n° 2.15835/ 2001, bem como arts. 9º, IV e 47, II e § 2º da IN SRF n° 247/2002. Além disso, foi apurada a ocorrência de caráter contraprestacional direto pelos serviços prestados (programas de trabalhos a serem executados, cumprimento de metas, prestação de contas, etc), havendo cláusulas em alguns contratos prevendo inclusive sanções (multas, declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a Administração Pública, reparação/ressarcimento por eventuais danos causado à contratante, etc.) pela inexecução ou atraso injustificado na execução de contratos (vide contrato de gestão firmado com a União, por intermédio do Ministério da Ciência e Tecnologia MCT; contrato n° 36/2008 celebrado com a União, por intermédio do Ministério da Cultura; contrato firmado com a RADIOBRÁS RDB/ DJUR/N° 0027/2008; Contrato n° 20/2008 celebrado com a Universidade Estadual do Rio de Janeiro UERJ, etc), [...] O interessado contesta ainda o entendimento de que as receitas escrituradas na conta n° 6.1.01.02 (Receitas de Contratos) seriam tributáveis para fins da COFINS, alegando, em síntese, que nesta conta estão registradas todas as informações de receita relacionadas ao atendimento dos objetivos do Contrato de Gestão e que há insubsistência do recolhimento da Cofins sobre os repasses efetuados por órgãos públicos através do Contrato de Gestão ou diretamente através de Convênios, Acordos e Termos de Cooperação. Inicialmente, cabe ressaltar quanto ao alegado repasse de recursos que, relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/02/1999, de acordo com o disposto no inciso I do art. 14 da Medida Provisória n° 2.15835/ 2001, são isentas da COFINS as receitas dos recursos recebidos, a Fl. 2168DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.169 4 título de repasse, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Não há previsão dessa isenção para empresas que possuem a natureza jurídica de associação civil, como é o caso da fiscalizada. Cumpre observar ainda, conforme já relatado anteriormente, que a rubrica contábil sintética n° 6.1.01.02 (Receitas de Contratos) é composta de várias rubricas analíticas (Receita de Gestão, Receita de Convênios, Receita Gica, Receita Redecomep, Receita Rute e Receita Ticampi, ns° 6.1.01.02.01, 6.1.01.02.02, 6.1.01.02.05, 6.1.01.02.06, 6.1.01.02.07 e 6.1.01.02.08, respectivamente). A seguir, transcrevemos alguns trechos da resposta do fiscalizado, datada de 23/03/2013, mormente sobre o citado Contrato de Gestão: (...) Em contrapartida, com vistas à formação de parceria entre a RNP e a União, sob a supervisão do MCTI, para os efeitos da Lei 9.637/98, é firmado entre o Poder Público e a entidade qualificada como Organização Social um Contrato de Gestão, instrumento de implementação, supervisão e avaliação de políticas públicas, de forma descentralizada, racionalizada e com autonomia, na medida em que vincula recursos ao atingimento de finalidades públicas, para fomento e execução de atividades relativas às áreas já relacionadas em parágrafo anterior. (...) Assim, as Organizações Sociais são, conforme definição encontrada na doutrina, "pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, instituídas por iniciativa de particulares, qualificadas para desempenhar serviços de interesse público, não exclusivos do Estado, com incentivo (recursos financeiros) e fiscalização pelo Poder Público, mediante instrumento jurídico, qual seja, contrato de gestão". O referido contrato é "ajuste celebrado com as Organizações Sociais para lhes ampliar a autonomia gerencial, orçamentária e financeira, para lhes prestar vários auxílios e lhes fixar metas de desempenho na consecução de seus objetivos" (...) Assim, cumpre à RNP, no cumprimento de sua missão institucional, privilegiar as metas e indicadores estabelecidos no Contrato de Gestão, de forma eficiente e com eficácia. Outrossim, fazse necessária a compreensão sobre o Instrumento Jurídico "Contrato de Gestão", em razão de sua natureza não ser a de um contrato comum, de se tratar de instrumento hábil para o REPASSE dos recursos financeiros da União para a RNP realizar os serviços para o qual foi qualificada e de conter as metas estabelecidas pelo Governo Federal as quais deverão ser atingidas. (...) Fl. 2169DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.170 5 O Termo Aditivo ao Contrato de Gestão é um instrumento utilizado para alterar o contrato de gestão. Pode dispor, por exemplo, sobre a inclusão ou exclusão de cláusulas, a revisão de metas, indicadores e prazos, assim como sobre alterações nos valores originalmente pactuados e autorizações do repasse desses recursos. (...) Para o alcance do objeto fixado existe um Programa de Trabalho e metas a serem alcançadas, obrigações, responsabilidades, condições para execução, critérios de avaliação e indicadores de desempenho, sob o acompanhamento e avaliação do Órgão Supervisor do Contrato, o MCTI. (...) Cabe ressaltar que, cada ação, projeto, atividade, etc, realizados pela RNP há um objetivo estratégico correspondente, um indicador vinculado e uma meta a ser alcançada, (...)(...) A associação sem fins lucrativos RNP não tem atividades próprias, ela se presta ao desenvolvimento das atividades necessárias ao cumprimento do objeto da Organização Social fixado no Contrato de Gestão firmado com a União, por intermédio do MCTI. Do exame da resposta do fiscalizado, constatase que seus argumentos somente corroboram o entendimento do Fisco de que tanto as receitas provenientes do contrato de gestão, dos demais contratos, convênios, etc, quanto às demais escrituradas não se enquadram no conceito de decorrentes de atividades próprias da entidade, visto que não são decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembleia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais, sendo exigida inclusive, nos referidos instrumentos, contraprestação de serviços por parte do fiscalizado, atingimento de metas, prazos, etc, o que configura a incidência da COFINS sobre as referidas receitas. Outro elemento que reforça a existência do caráter contraprestacional das receitas auferidas, tanto do contrato de gestão como dos convênios firmados com a FINEP, é que o fiscalizado escritura os recursos recebidos inicialmente como obrigação em conta de passivo, conforme sua resposta datada de 03/09/2012 (item 8). Ademais, na subcláusula segunda da cláusula décima primeira do referido Contrato de Gestão consta que, no caso de rescisão deste, a RNP deverá, de imediato, prestar contas da gestão dos recursos recebidos à conta do Contrato de Gestão, procedendo à apuração e à devolução do saldo existente. Além disso, não obstante nos contratos, convênios, propostas, entre outros instrumentos, firmados pelo fiscalizado constarem nomenclaturas diversas (Convênio, Convênio de cooperação, Contrato de prestação de serviços, Contrato/Termo de patrocínio, Termo de Fl. 2170DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.171 6 cooperação técnica, etc), da leitura destes, verificase os recursos auferidos estão vinculados à exigência de contraprestação de serviços, divulgações, etc, a ser cumprida pelo contribuinte acima identificado. Quanto à base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência não cumulativa, o art. 1° da lei nº 10.833/2003, dispõe que tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Elencamos abaixo as rubricas contábeis analíticas das receitas de contratos e de prestação de serviços escrituradas no livro razão que não se enquadram como decorrentes de atividades próprias da entidade: RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 6.1.01.01 • CGEE 6.1.01.01.03 • ESRRJ 6.1.01.01.05 • ESRJP 6.1.01.01.06 • ESRDF 6.1.01.01.07 • ESRPA 6.1.01.01.08 • ESRMT 6.1.01.01.09 RECEITAS DE CONTRATOS 6.1.01.02 • RECEITA DE GESTÃO 6.1.01.02.01 • RECEITA DE CONVÊNIO 6.1.01.02.02 • RECEITA GICA 6.1.01.02.05 • RECEITA REDHCOMEP 6.1.01.02.06 • RECEITA RUTE 6.1.01.02.07 • RECEITA TICAMPI 6.1.01.02.08 Ressaltese que os arts. 13, IV, e 14, X, da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, estabelecem o seguinte: "Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; (...) Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COF1NS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13." Fl. 2171DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.172 7 A IN SRF n° 247, de 21 de novembro de 2002 estabelece em seus arts. 9º e 47: "Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades: (...) IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532. de 1997: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: (...) II são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. (...) § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorremtes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades lixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais." (grifos nossos) Verificase, portanto, que a Medida Provisória n° 2.15835/ 2001, em seu artigo 14, de maneira clara e objetiva, concede isenção da COFINS a partir de fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, em relação às receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o seu artigo 13. No entanto, os dispositivos da Medida Provisória n° 2.15835/ 2001 ao se referirem expressamente às pessoas jurídicas de que trata o art. 15 da Lei n° 9.532/97, estão, como se observa, condicionando o exercício das prerrogativas que conferem ao atendimento das exigências constantes dessa lei. Dessa forma, somente as "instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações que cumpram as condições e requisitos legais previstos no art 15 da Lei n° 9.532/97, poderão calcular o PIS/Pasep com base na folha de salários e terão as receitas de atividades próprias isentas da COFINS, a partir de 1º de fevereiro de 1999. Para corroborar este entendimento, foi publicado o Decreto n° 4.524, em 17 de dezembro de 2002, que ao regulamentar as contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, praticamente repetiu os dispositivos da citada Medida Provisória, no que se refere à isenção da COFINS em seus artigos 9º e 46, nos seguintes termos: Decreto nº 4.524, de 17/12/2002 (...) Art. 9º. São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art. 13): (...) Fl. 2172DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.173 8 IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei n° 9.532, de 1997; Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9° deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7o, e Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II são isentas da Cofins com relação às receitas derivadas de suas atividades próprias." (grifos nossos) Depreendese, portanto, que o benefício de isenção da COFINS aplicase somente às receitas advindas das atividades próprias das entidades. Assim, as receitas auferidas pelo fiscalizado, que não atendem ao critério para enquadramento como "receitas de atividades próprias", estão sujeitas à tributação da COFINS de acordo com o regime não cumulativo, em conformidade com a Lei n° 10.833/2003 e mediante aplicação da alíquota de 7,6%, sendo, neste caso, possível a dedução de créditos, observados os limites e requisitos previstos na legislação. Ressaltese que o primeiro fato gerador constante do auto de infração ocorreu em janeiro de 2008, quando já se encontrava em vigor a Lei 10.833/2003, que instituiu o regime não cumulativo da COFINS. Tal regime passou a ser, a partir de fevereiro de 2004, a regra geral aplicável às pessoas jurídicas sujeitas ao recolhimento da contribuição. As exceções ao regime geral encontramse relacionadas no artigo 10 da Lei 10.833/2003. Os incisos I a VI do dispositivo acima (art. 10) relacionam as pessoas jurídicas que permanecem sujeitas à COFINS no regime de apuração cumulativo. Não se verifica, contudo, a possibilidade de enquadrar a autuada em uma das hipóteses neles previstas. Ao examinarmos os Dacon apresentados pelo contribuinte supracitado, relativos ao anocalendário de 2008, constatouse que não foi oferecida à tributação da COFINS a totalidade das receitas não decorrentes de suas atividades próprias, escrituradas nas rubricas contábeis ns° 6.1.01.01 e 6.1.01.02 (receitas de prestação de serviços e receitas de contratos, respectivamente), o que enseja lavratura de Auto de Infração da COFINS. Dessa forma, elaboramos "Demonstrativo de Apuração da COFINS Nãocumulativa", relativo aos meses de JAN/2008 e de ABR/2008 a DEZ/2008, parte integrante e inseparável do presente Termo Fiscal, no qual foi apurada Insuficiência de Recolhimento/Declaração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. Importante ressaltar que o referido demonstrativo da COFINS foi elaborado de acordo com os dados constantes no livro razão da fiscalizada, sendo que, para fins de apuração da base de cálculo do tributo, os valores transferidos das contas de "Receita de Contratos 6.1.01.02", relativos aos meses de Fl. 2173DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.174 9 junho, setembro, outubro, novembro e dezembro do anocalendário de 2008, para as contas de "Receitas de Prestação de Serviços 6.1.01.01", somente foram considerados nas contas de "Receitas de Contratos" (vide resposta, datada de 03/09/2012, aos itens 2 e 3 do Termo de Intimação de 17/08/2012 (planilhas "Serviços 2008" e "Quadro Demonstrativo Geral 2008"), assim como lançamentos de receitas transferidas e Dacon do fiscalizado, em anexo). Observese que os valores mensais de receitas constantes na conta "Receitas de Prestação de Serviços 6.1.01.01" (sem os referidos valores de receitas transferidos da 6.1.01.02), são iguais aos da planilha "SERVIÇOS 2008" apresentada em sua resposta datada de 03/09/2012 (itens 2 e 3), com exceção do mês de maio de 2008. Além disso, conforme citado anteriormente, os valores mensais de receitas constantes na planilha "QUADRO DEMONSTRATIVO GERAL 2008" são idênticos aos das informadas nos Dacon do fiscalizado como sujeitas à COFINS , sendo que inúmeras notas fiscais de serviços se encontram escrituradas na conta n° 6.1.01.02.02 (Receita de Convênios) e não somente na conta 6.1.01.01, conforme alega o fiscalizado em sua resposta datada 28/03/2013. Depreendese, portanto, que o fiscalizado não oferece à tributação da COFINS, a totalidade das receitas que não se enquadram no conceito de decorrentes de atividades próprias, conforme já relatado, mormente às escrituradas nas contas de "Receitas de Contratos 6.1.01.02", fato que enseja lavratura de Auto de Infração. Não foram incluídos na base de cálculo da COFINS não cumulativa os rendimentos de aplicações financeiras, visto que a alíquota desta contribuição incidente sobre as receitas financeiras ficou reduzida a zero, consoante o disposto no decreto n° 5.442/2005. Ademais, da COFINS apurada mensalmente somente foram descontados valores de créditos decorrentes de aquisições no mercado interno, que estavam informados nos Dacon de JANEIRO/2008 a DEZEMBRO/2008, visto que intimado a apresentar demonstrativos e documentos de apuração dos créditos da COFINS dos referidos meses, vinculados à totalidade das receitas que não se enquadram no conceito de atividades próprias (rubricas ns° 6.1.01.01 e 6.1.01.02), o contribuinte supracitado não atendeu à citada Intimação Fiscal efetuada em 18/03/2013. Cabe ressaltar ainda que o lançamento relativo ao mês de JANEIRO/2008 foi efetuado com base no art. 173, inciso I da Lei n° 5.172/66, tendo em vista que o sujeito passivo não antecipou o correspondente pagamento da COFINS, inobservando o disposto no art. 150 desta mesma Lei (lançamento por homologação) [...]” Fl. 2174DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.175 10 Notificada da exigência, a fiscalizada apresentou a impugnação de fls. 1923 a 1965, na qual contesta o lançamento argumentando em síntese o que segue. A presente autuação tem por finalidade cobrar débitos de COFINS relativos aos meses de janeiro e abril a dezembro do anocalendário de 2008 em razão de suposto recolhimento a menor que teria sido efetuado pela Impugnante como consequência de um alegado erro na identificação da base de cálculo da contribuição. O erro na identificação da base de cálculo teria ocorrido porque, segundo o Fiscal Autuante, a Impugnante teria deixado de incluir na base de cálculo da contribuição determinadas receitas escrituradas em sua contabilidade, que não se enquadrariam no conceito de "receitas decorrentes de atividades próprias da entidade" e, portanto, não gozariam da isenção prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.15835/ 2001, no art. 46 do Decreto n° 4.524/2002 , e reproduzida no art. 47, inciso II da Instrução Normativa n° 247/2002. Ocorre que, de forma contrária ao que foi alegado pelo Fiscal Autuante, a Impugnante não incorreu em nenhum erro ao identificar sua receita bruta, passível de compor a base de incidência da COFINS. Na verdade, o que ocorreu foi um flagrante equívoco por parte do Fiscal Autuante ao tentar classificar os ingressos de recursos recebidos pela Impugnante, que é uma Organização Social qualificada nos termos da Lei n° 9.637/98, e que não apura receita propriamente dita, mas sim recebe repasses do Governo Federal, através do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação ("MCTI") para consecução de sua missão. Tal equívoco gerou a cobrança ora pretendida, que não merece prosperar, como se passa a expor. Conforme se observa do relatório elaborado pela fiscalização ("Termo de Verificação Fiscal Anexo ao Auto de Infração"), especialmente na parte da descrição dos fatos que ensejaram a cobrança, entendeu o Fiscal Autuante que "as receitas auferidas pelo fiscalizado não são derivadas de atividades próprias da entidade" e, prosseguindo em sua análise, diz ter sido "apurada a ocorrência de caráter contraprestacional direto pelos serviços prestados" por uma associação civil ao Governo Federal com base no contrato de gestão firmado com o MCTI. A partir da simples leitura da descrição dos fatos elaborada pelo Fiscal Autuante, a Impugnante destaca o equívoco da autuação, uma vez que não realiza a "prestação de serviços" que lhe foi imputada pelo fisco, mas sim executa atividades de cunho púbico, através de instrumento jurídico firmado com a União, com a finalidade de auxiliar a promover a implementação e desenvolvimento da Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Tal fato seria perfeitamente identificável pelo Fiscal Autuante ao analisar corretamente o contrato de gestão (Doc. n° 3) celebrado pela Impugnante e Fl. 2175DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.176 11 a União Federal, por intermédio do MCTI, ao qual não deve ser conferida a classificação de prestação de serviços, conforme pretende o Fiscal Autuante. Não há qualquer similaridade jurídica entre o instrumento jurídico firmado pela Impugnante, nomeado por lei como "contrato de gestão", através do qual recebe repasses orçamentários, com um contrato de prestação de serviços comumente firmado entre particulares visando benefícios mútuos, ou mesmo contratos firmados com o Poder Público para mera prestação de serviços. É de se notar que o contrato de gestão tem previsão específica e natureza jurídica peculiar. Não se trata de um instrumento que pode ser firmado com qualquer ente privado, como é o caso do contrato de prestação de serviços; pelo contrário, seu âmbito de eficácia está restrito à celebração entre Poder Público e entidades qualificadas (por ato do Executivo) como Organização Social. Talvez por não ter se aprofundado na análise da regulamentação específica conferida pelo legislador aos instrumentos desta espécie, o Fiscal Autuante pretendeu conferir a este vínculo entre Poder Público e Organização Social, características de bilateralidade, contraprestação, lucratividade e benefícios mútuos que não se coadunam com os verdadeiros objetivos deste instrumento, tampouco com a realidade dos fatos. Com efeito, no âmbito de um contrato de gestão, a organização social atua como verdadeiro prolongamento do Estado, um braço operacional, que executa as atividades que, por sua natureza e peculiaridades, o próprio Estado poderia exercer diretamente, mas preferiu delegara uma entidade privada. Desta forma, as atividades desenvolvidas e executadas pela organização social, em função do contrato de gestão, revestemse de caráter puramente público, configurando uma forma de o Estado promover o interesse público indiretamente, utilizandose de entidades de cunho social. Não se trata, portanto, de serviços prestados pela Impugnante em prol do Estado. Tratase, isso sim, de execução de atividades de cunho público pelo Estado, por meio da Impugnante, em prol da sociedade como um todo, haja vista que são atividades de interesse supraindividual, cujo desenvolvimento tem como objetivo beneficiar não as partes que firmaram o contrato de gestão, mas sim toda a coletividade. A Impugnante necessita, para que possa manter a execução de suas atividades, de repasses orçamentários da União, destinados especificamente pela Lei Orçamentária para aplicação em seus objetivos. Em verdade, conforme claramente previsto nas cláusulas do contrato de gestão supostamente analisado pelo Fiscal Autuante, a Impugnante é mantida pelo Poder Público, através de repasses orçamentários, que deverão ser aplicados no fomento das atividades indicadas no contrato de gestão. Portanto, existe claro equívoco na leitura, interpretação e conhecimento dos termos do instrumento analisado, uma vez que o contrato de gestão firmado Fl. 2176DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.177 12 entre a Impugnante e o MCTI é um tipo peculiar de contrato administrativo, previsto pela Lei n° 9.637/98; ao passo que o Fiscal Autuante o enquadrou como contrato de prestação de serviços, a despeito de todas as suas cláusulas especiais. Não fossem suficientes para desqualificar o Auto de Infração os fatos acima narrados, que demonstram, no mínimo, uma análise superficial do instrumento celebrado pela Impugnante, temse também o fato de que o Fiscal Autuante, ignorando toda a documentação e esclarecimentos fornecidos pela Impugnante no curso da fiscalização, pretendeu qualificala como "empresa" (sociedade empresarial, portanto), o que é totalmente equivocado! Na tentativa de justificar a sua ação fiscal, a autoridade administrativa em questão incorreu em erro grave na identificação e qualificação jurídica da Impugnante, matéria central e de suma relevância para o deslinde da presente demanda. O próprio Código Civil ("CC/02"), ao tratar das pessoas jurídicas de direito privado, deixa bastante claro que sociedades ("empresas") são diferentes de associações, inclusive indicando estes tipos em incisos diferentes, conforme abaixo: "Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações: II as sociedades: III as fundações. IV as organizações religiosas; V os partidos políticos. VI as empresas individuais de responsabilidade limitada". A doutrina especializada faz coro nessa afirmação. Bem, pelo só fato de qualificar uma associação civil, que por definição é totalmente apartada de finalidade lucrativa, como "empresa" (sociedade empresária), cujo fim principal é a obtenção de lucro para distribuição entre seus sócios, podemos afirmar que o fiscal partiu de premissas jurídicas e fáticas totalmente dissociadas da realidade ao lavrar o Auto de Infração em referência. Como visto, os fatos considerados pelos agentes fiscais para fins de apuração de débitos de COFINS supostamente devidos pela Impugnante não correspondem à realidade, maculando com o vício de nulidade o Auto de Infração ora impugnado. O DecretoLei n° 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, prevê os requisitos que o auto de infração deverá conter para ser válido, conforme se destaca: "10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; Fl. 2177DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.178 13 III a descrição do fato: IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála No prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." No presente caso, verificase clara violação ao inciso III, já que os fatos descritos pela fiscalização não correspondem à realidade, não guardando relação com a atividade efetivamente desenvolvida pela Impugnante. Conforme sabido, o lançamento traduz uma atividade vinculada do fisco, sendo dever da fiscalização apurar a verdade dos fatos antes de proceder à lavratura de autos de infração, No presente caso, após a devida análise dos documentos e informações fornecidos pela Impugnante, restando dúvidas por parte da fiscalização, deveriam os agentes fiscais, com fulcro no Princípio da Busca da Verdade Material, ter solicitado esclarecimentos adicionais ainda na fase de fiscalização, e não simplesmente proceder à lavratura de Auto de Infração que, por não traduzir a realidade, é nulo de pleno direito. Posto isto, seja pelos equívocos que a presente autuação traduz, seja pela falta de diligência dos agentes fiscais quando da análise dos documentos e da apuração das atividades efetivamente executadas, a Impugnante requer seja o Auto de Infração e atos posteriores declarados nulos de pleno direito, com o consequente arquivamento do presente processo administrativo. Antes de qualquer análise quanto ao mérito da presente autuação, é necessário esclarecer que parte do débito apurado pelo Fiscal Autuante se encontra alcançado pela decadência. No presente caso, o Auto de Infração abrangeu períodos do anocalendário de 2008, tendo sua lavratura ocorrido apenas em 22.04.2013. Verificase, então, que em relação às operações ocorridas no mês de janeiro de 2008, quando da lavratura do Auto de Infração já havia transcorrido o quinquênio legal para homologação expressa ou rejeição dos lançamentos pelo agente fiscal, tendo, portanto, ocorrido a homologação tácita desses lançamentos. Como sabido, no que se refere aos tributos lançados por homologação, como é o caso da COFINS, a contagem do prazo decadencial tem como dies a quo aquele previsto no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional ("CTN"), ou seja, 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador. Em relação ao lançamento por homologação, entendem a doutrina e a jurisprudência que a regra do art. 150, § 4º do CTN se aplica a uma atividade prévia do contribuinte que será homologada (de forma expressa ou tácita) ou não pelos agentes fiscais. Na maioria dos casos, essa atividade prévia culmina com o pagamento do tributo de forma antecipada pelo contribuinte, cabendo ao fisco a homologação ou não desse pagamento. Fl. 2178DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.179 14 Entretanto, nem sempre o ato a ser homologado será o pagamento, até porque nem sempre o pagamento será devido, tais como nas hipóteses de imunidade, isenção, alíquota zero e nas hipóteses de utilização de créditos, que se verifiquem em montante superior aos débitos, atendida a não cumulatividade. Nessas hipóteses, o que é homologado pelo fisco é a atividade do sujeito passivo de informar à ocorrência do fato gerador do imposto abrangido por alguma das hipóteses de dispensa de pagamento. Assim sendo, nesses casos, por óbvio, a ausência de pagamento não tem o condão de converter o lançamento por homologação (art. 150, § 4º CTN) em lançamento de ofício (art. 173, I CTN), pois o não recolhimento não representa infração, mas sim respeito às normas tributárias vigentes. Sendo a COFINS um tributo lançado por homologação, e se enquadrando a Impugnante na hipótese de nãoincidência ou, no mínimo, de isenção da COFINS, a contagem do prazo para que os agentes fiscais apurassem o evento informado pelo contribuinte e o homologassem é de 5 (cinco) anos, contados da realização do fato gerador, na forma prevista no art. 150, § 4º do CTN. No presente caso, a Impugnante procedeu da forma como deveria, cumprindo com as diversas obrigações acessórias à que está vinculada (o que nunca foi questionado pelo Fiscal Autuante) e somente não procedeu ao pagamento justamente porque não havia pagamento a ser feito em razão da isenção da COFINS. Ante o lapso temporal transcorrido entre a ocorrência do fato gerador e a lavratura do auto de infração, temse operada a preclusão do direito da Fazenda Nacional em relação à COFINS do período de janeiro de 2008, sendo já por este motivo claramente equivocada a pretensão fiscal de incluir na presente autuação tributo relativo a recursos recebidos há mais de 5 (cinco) anos, tratandose, portanto, de lançamentos já tacitamente homologados. Por todo o exposto, fazse mister reconhecer a decadência de parte do débito objeto do auto de infração, o que por si só já seria suficiente para macular de nulidade parte do lançamento pretendido pelo Fiscal Autuante. Continuando com a análise dos vícios que maculam o auto de infração, destaca a Impugnante que o Fiscal Autuante, a despeito de considerar que a infração cometida foi "Falta/Insuficiência de recolhimento/declaração da COFINS Incidência Nãocumulativa", quando da apuração da COFINS Fl. 2179DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.180 15 supostamente devida, apesar de entender como faturamento mensal montante que não se enquadra nesta definição, desconsiderou os valores dos créditos correspondentes aos bens e serviços utilizados como insumo na suposta prestação de serviços levada a cabo pela Impugnante. Com efeito, ignorando o tratamento tributário específico que rege a Impugnante e suas atividades, utilizouse o Fiscal Autuante dos valores de "receitas" escriturados pela Impugnante para calcular o montante sobre o qual incidiria a COFINS e as multas pretendidas, sem, entretanto, considerar em seus cálculos os créditos relativos aos insumos a que teria direito a Impugnante, caso suas receitas fossem tributadas! Portanto, segundo o Fiscal Autuante, a receita dos supostos serviços prestados pela Impugnante seria tributada pela COFINS sob o regime de incidência não cumulativo, haja vista que não considera esta receita isenta da contribuição, porém deixou de apurar em seus cálculos os créditos a que teria direito a Impugnante relativos aos insumos. Agindo desta forma, resta clara a violação ao regime não cumulativo de apuração da COFINS, aplicável a esta contribuição por força do art. 3º da Lei 10.833/03. Segundo este princípio, na apuração da COFINS devem ser descontados os créditos relativos aos bens e serviços utilizados como insumos pelo contribuinte em sua atividade, tais como créditos decorrentes de aluguéis de prédios e benfeitorias em imóveis, apenas para citar alguns exemplos. Como visto, o princípio da não cumulatividade traduzse mesmo em garantia constitucional do contribuinte, devendo sempre ser observado, apurandose os créditos da contribuição embutidos nos insumos utilizados pelo contribuinte para desenvolver sua atividade. O próprio Fiscal Autuante deixa claro em suas razões que entende que a Impugnante estaria sujeita à incidência não cumulativa da COFINS, à alíquota de 7,6%, observados os créditos existentes. Bem, se o próprio Fiscal Autuante entende que há receita tributável pela COFINS, e conclui que deveria haver o aproveitamento dos créditos relativos aos bens e serviços utilizados como insumos na suposta prestação de serviço que está atribuindo à Impugnante, a ausência de abatimento destes créditos nos cálculos indicados no Auto de Infração representa contradição insuperável. Afinal, nos termos do art. 142 do CTN, é obrigação do Fiscal Autuante, ao realizar o lançamento, não apenas indicar a infração cometida pelo contribuinte, como também apurar o montante efetivamente devido, inclusive abatendo desse montante os créditos eventualmente detidos pelo contribuinte. A presente autuação decorreu basicamente da interpretação equivocada conferida pelo Fiscal Autuante ao ingresso de recursos na contabilidade da Impugnante, uma vez que não se tratam de receitas oriundas da prestação de Fl. 2180DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.181 16 serviços como pretende a fiscalização, mas repasses orçamentários realizados pelo Governo Federal para investimentos na persecução de sua missão, conforme expressamente previsto no contrato de gestão (vide Doc. n° 3) firmado pela Impugnante. As Organizações Sociais, por sua própria natureza, recebem recursos através de repasses feitos pelo Poder Público, com o fito exclusivo de aplicar estes recursos em seus objetivos sociais que, não por acaso, são idênticos às missões a elas atribuídas pelo contrato de gestão firmado com o MCTI. Os recursos repassados pelo Poder Público estão vinculados ao desenvolvimento do objetivo social da Organização Social, que é a atividade para a qual foi constituída e qualificada pelo próprio Poder Público e, portanto, nada mais são do que repasses necessários ao desenvolvimento e financiamento de suas atividades, não podendo sequer ser qualificados tecnicamente como "receita", haja vista que nem mesmo integram definitivamente o patrimônio da Impugnante. Além disso, por não serem recursos oriundos da prestação de serviços com caráter contraprestacional, mas sim de atividades desempenhadas no âmbito das funções para as quais a Impugnante foi instituída, a despeito da interpretação fiscal, estes ingressos estão incluídos, no mínimo, no âmbito da isenção prevista no art. 14 da MP 2.15835/ 2001, e reproduzida no art. 47, inciso II da IN 247/2002, razão pela qual a presente autuação não merece prosperar. A Impugnante foi constituída sob a forma de associação civil sem fins lucrativos, qualificada como organização social pelo Governo Federal, com o objetivo (missão) de promover o uso inovador de redes avançadas no Brasil, provendo conectividade, melhorando a infraestrutura de redes em nível nacional, metropolitano e local (redes campi); atendendo as demandas de comunidades específicas (telemedicina, biodiversidade, astronomia, etc); e promovendo a capacitação de recursos humanos em tecnologia da informação e comunicação, tudo conforme o art. 4º, parágrafo único, de seu Estatuto Social (vide Doc. n° 1). De fato, a Impugnante foi constituída como associação civil sem fins lucrativos em 11.11.1999 e, em 09.01.2002, obteve do Governo Federal a qualificação de Organização Social, através do Decreto n° 4.077/2002 (Doc. n° 4) conforme abaixo transcrito: "Art. 1º É qualificada como Organização Social a Associação Rede Nacional de Ensino e Pesguisa RNP, com sede na cidade do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, portadora do CNPJ n? 03.508.097/000136, cujo objetivo é a execução de atividades de pesquisas tecnológicas em redes, de desenvolvimento e operação de meios e serviços de redes avançadas e do desenvolvimento tecnológico na área de redes, mediante celebração de contrato de gestão a ser firmado com o Ministério da Ciência e Tecnologia." A partir de então passou a ser declarada como entidade de interesse social e utilidade pública, para todos os efeitos legais, nos termos do art. 11 da Lei Fl. 2181DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.182 17 9.637/98. Tal qualificação a tornou apta, ainda, a desenvolver políticas públicas sob o acompanhamento e avaliação de metas de gestão estabelecidas pelo Poder Público. Tendo estas considerações em mente, fazse necessário avaliar as características deste tipo de entidade, a razão de sua instituição e o tratamento específico a elas atribuído em razão da função que desempenham perante a sociedade. O título "Organização Social" foi instituído pela Lei n° 9.637/98 no contexto do Programa Nacional de Publicização PNP, cujo objetivo era estabelecer diretrizes e critérios para a qualificação de organizações sociais, visando assegurar que elas absorveriam atividades desenvolvidas por órgãos públicos da União, especialmente nas áreas de ensino, pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, proteção e preservação do meio ambiente, cultura e saúde. Através deste título conferido a determinadas entidades de direito privado sem fins lucrativos, a atividade que antes era ou deveria ser executada diretamente pelo Poder Público passa a ser executada por entidade privada. A própria doutrina especializada destaca esta característica da qualificação, tratando desta forma de delegação de função pública em favor das organizações sociais. Também de acordo com a doutrina especializada, estas organizações sociais ocupariam o denominado "terceiro setor", um espaço privado, integrado por entidades destinadas ao cumprimento de tarefas com índole e finalidades públicas, mediante fomento estatal. Pretendeuse com estas entidades a implementação na Administração Pública de pessoas privadas cuja existência visasse atender e cumprir interesses públicos. A atribuição desta qualificação a estas entidades, portanto, decorre da necessidade de se superar o engessamento que trava as ações do Estado, em razão da excessiva burocracia que as tangencia, afastandose das atividades de mercado por não ostentarem qualquer finalidade lucrativa. Com isso, o Poder Público transferiu para as organizações sociais atividades antes desempenhadas por órgãos públicos, atribuindo a estas entidades a execução da mesma atividade, não mais como serviço, e sim como atividade privada de interesse público, que será fomentada pelo Estado mediante a celebração de contratos de gestão. As entidades de direito privado que receberam o título de organização social, portanto, atuam verdadeiramente como longa manus do Estado; sua atividade principal é a execução de tarefas de interesse público à população em geral, que foi para elas transferida como forma de otimizar a execução da atividade, em obediência aos princípios da moralidade e eficiência previstos no art. 37 da Constituição Federal de 1988, conforme prevê o art. 20 da Lei n 9637/98. Fl. 2182DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.183 18 "Art. 20. Será criado, mediante decreto do Poder Executivo, o Programa Nacional de Publicização PNP, com o objetivo de estabelecer diretrizes e critérios para a qualificação de organizações sociais, a fim de assegurar a absorção de atividades desenvolvidas por entidades ou órgãos públicos da União, que atuem nas atividades referidas no art. 1o, por organizações sociais, qualificadas na forma desta Lei, observadas as seguintes diretrizes: I ênfase no atendimento do cidadãocliente; II ênfase nos resultados, qualitativos e quantitativos nos prazos pactuados; III controle social das ações de forma transparente." É como se o próprio Estado estivesse abrindo mão de determinadas tarefas de interesse social, transferindo sua execução mediante a conferência deste título a pessoas privadas. Nesse contexto, cabe à Administração Pública apenas fomentar e controlar os particulares que exercem esta categoria de atividades públicas, desvinculandose da responsabilidade por sua execução. Os dispositivos da Lei n° 9.637/98, acima citada, vem corroborar este entendimento, determinando que a qualificação seja concedida apenas às pessoas jurídicas sem fins lucrativos cujas atividades sejam nitidamente de interesse público, conforme art. 1º da referida Lei: "Art. 1 O Poder Executivo poderá qualificar como organizações sociais pessoas) jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, cujas atividades sejam dirigidas ao ensino, à pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnológico, à proteção e preservação do meio ambiente, à cultura e à saúde, atendidos aos requisitos previstos nesta Lei." De acordo com o modelo acima narrado, partindo da premissa que estas organizações sociais são entes privados que executam atividades de interesse público, podemos elencar as seguintes características deste tipo de entidade: (a) não exercem atividades "exclusivas" (serviços que somente o Estado pode realizar); (b) suas atividades são desenvolvidas apenas nos campos da educação, meio ambiente, cultura e saúde (áreas de interesse público); (c) desempenham funções de interesse supraindividual (em favor de toda a coletividade, sem interesse egoístico); e (d) sua atividade é desenvolvida por entes privados através do recebimento de recursos do Poder Público, que financia as organizações sociais através do repasse de recursos, denominado "fomento". Em razão das características acima enumeradas, e justamente por se tratar de longa manus do Estado, a estas entidades podem ser afetados os bens e servidores públicos necessários ao cumprimento das diretrizes do contrato de gestão firmado com o Poder Público, conforme previsão dos arts. 12 e seguintes da Lei n° 9.637/98. Esta previsão deixa ainda mais Fl. 2183DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.184 19 clara a principal característica destas entidades: o fato de serem entidades de direito privado, desenvolvendo atividades de interesse público, em nome, com patrimônio e pessoas oriundas da Administração Pública. Ultrapassados os principais contornos da qualificação de organizações sociais, passaremos agora a analisar especificamente a natureza do contrato que vincula a organização social ao Poder Público, respaldando os repasses recebidos por aquelas entidades a título de fomento. A formação do vínculo entre a organização social e o Poder Público se dá através da celebração do denominado "contrato de gestão". Este é o instrumento de implementação, supervisão e avaliação de políticas públicas, de forma descentralizada, racionalizada e dotada de autonomia, na medida em que vincula recursos ao atingimento de finalidades públicas, para fomento e execução da missão da organização social. Eis a definição trazida pela Lei n° 9.637/98: “Art. 5º Para os efeitos desta Lei, entendese por contrato de gestão o instrumento firmado entre o Poder Público e a entidade qualificada como organização social, com vistas à formação de parceria entre as partes para fomento e execução de atividades relativas às áreas relacionadas no art. 1º.” Não há qualquer menção na definição de contrato de gestão, seja na do texto legal, seja na do instrumento firmado pela Impugnante, que reflita a contratação de serviços em caráter contraprestacional. Como instrumento de acompanhamento e supervisão de cumprimento das metas atribuídas às organizações sociais, o contrato de gestão permite a definição e a adoção de estratégias de ação que se mostrem necessárias para oferecer à organização social melhores condições para o atingimento de seus objetivos e metas. Através deste instrumento se fixam metas a serem cumpridas pela entidade em busca de eficiência; para incentiválas, o Poder Público concede auxílios de diversos tipos, sujeitando a entidade a um controle de resultados. Isto é, por se tratar de uma entidade privada realizando atividades típicas do Poder Público, em seu nome e por ele financiadas, o cumprimento das metas definidas no contrato de gestão é fiscalizado e controlado. Desta fiscalização e respectivo cumprimento da meta determinada pelo Poder Público, depende o "repasse" de recursos destinados ao cumprimento da próxima etapa prevista no contrato. Este controle maior sobre tais atividades ocorre justamente pelo fato de serem atividades desenvolvidas por entes privados, mas mantidas com recursos públicos, daí a existência de "cláusulas prevendo sanções (multas, declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a Administração Pública, reparação/ressarcimento por eventuais danos causados à contratante, etc.) pela inexecução ou atraso injustificado na execução de contratos", como denominou o Fiscal Autuante. Fl. 2184DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.185 20 A razão de existir destas cláusulas é justamente o controle e fiscalização pelos quais deve estar sujeito o repasse de recursos públicos para entes particulares, principalmente em razão de estes entes privados estarem exercendo, em nome do Poder Público, atividades que poderiam ser por ele diretamente executadas. Ainda nesse contexto, o Poder Público define no contrato de gestão o montante que será repassado no período de vigência do contrato, determinando individualmente a parcela desse montante que será destinada a cada projeto desenvolvido pela organização social. Para deixar este ponto ainda mais claro, basta uma leitura rápida no contrato de gestão celebrado entre a União, através do MCTI, e a Impugnante, bem como seu 10° aditivo (em vigor na época), que prevêem o exato montante de recursos públicos que deverá ser aplicado em cada projeto (vide Doc. n° 3). Somese a isto, a previsão da Cláusula Segunda do referido aditivo, onde há o ajuste da Cláusula Sexta do Contrato de Gestão originalmente firmado, e onde identificamos a descrição pormenorizada do cronograma estimado de desembolsos para fomento de atividades sob responsabilidade da Impugnante. Não há dúvidas, portanto, de que os repasses realizados pelo Poder Público devem ser aplicados especificamente nos projetos indicados no contrato de gestão, sendo esta aplicação de recursos fiscalizada pelo Governo Federal, a fim de evitar desvios de finalidade. Pela exposição acima, podemos afirmar que, a despeito da denominação de contrato, este instrumento não apresenta os indicativos caracterizadores de um contrato propriamente dito, uma vez que ausentes as características de bilateralidade, contraposição de interesses e mesmo a obtenção de benefícios egoísticos. De fato, como podemos observar do contrato de gestão firmado entre MCTI e a Impugnante, as atividades por esta desenvolvidas não são remuneradas como se houvesse um contrato de prestação de serviços pura e simplesmente, como entende o Fiscal Autuante. Ao contrário, são atividades desenvolvidas por determinação do Poder Público, por ele financiadas e executadas conforme os padrões e metas por ele estipulados. Só O fato de não haver qualquer ingerência da Impugnante nos termos e ajustes do contrato de gestão já descaracteriza a autonomia presente nas convenções privadas, aproximando este vínculo contratual da figura de um convênio com o Poder Público. Desta feita, podemos afirmar sem que pairem quaisquer dúvidas, que a celebração do contrato de gestão entre a Impugnante e a União, através do MCTI, não tem qualquer condão de bilateralidade ou mesmo de prestação de serviços com intuito lucrativo. Fl. 2185DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.186 21 Pelo contrário, a celebração deste contrato visou apenas o estabelecimento de normas e diretrizes que deveriam ser obedecidas e atingidas pela Impugnante no contexto de sua missão. Tanto é assim que o próprio Fiscal Autuante faz referência (conforme Termo de Verificação Fiscal anexo ao Auto de Infração) à previsão contida na subcláusula segunda da cláusula décima primeira do contrato de gestão ora comentado, na qual fica determinado que no caso de rescisão do contrato a Impugnante deverá, de imediato, prestar contas da gestão dos recursos recebidos à conta do contrato de gestão, procedendo à apuração e à devolução do saldo existente. Ora, como tratar como contrato de prestação de serviços puro e simples um contrato que possui a cláusula acima referida? Como vislumbrar qualquer bilateralidade ou mesmo caráter contraprestacional em instrumento que prevê a devolução do saldo existente (ainda não aplicado) quando de sua rescisão? Pelas próprias conclusões fiscais, é impossível conferir qualquer intuito lucrativo ao contrato de gestão firmado entre a Impugnante e a União. Frisese: Não há qualquer influência da Impugnante na redação do contrato, este é redigido unilateralmente pela União; não há estipulação de remuneração, mas sim de transferência de recursos públicos para aplicação naquele fim específico; não há prestação de serviços à União, pois os serviços são prestados pela própria União através da Impugnante, e tem como beneficiária a sociedade como um todo. Por todo o exposto, há que se concordar que o instrumento em análise não representa qualquer vínculo de prestação de serviços para a União, configurando apenas uma manifestação plurilateral de compromisso entre as partes, estabelecendo metas que devem ser observadas quando de sua consecução. A Impugnante, como organização social vinculada ao MCTI, tem como principais atividades prover conectividade, melhorar a infraestrutura de redes nacional e promover a capacitação de recursos humanos em tecnologias da informação e comunicação. Esta atribuição, contudo, foi originariamente conferida ao MCTI, a quem compete a política nacional de pesquisa científica, tecnológica e inovação; planejamento, coordenação, supervisão e controle das atividades da ciência e tecnologia; política de desenvolvimento de informática e automação; política nacional de biossegurança; política espacial; política nuclear e controle da exportação de bens e serviços sensíveis. As atribuições relacionadas à política nacional de pesquisa científica, tecnológica e inovação, bem como aquelas diretamente ligadas à política de desenvolvimento de informática e automação foram destacadas para a Secretaria de Política de Informática (SEPIN), a quem cabe propor e implementar ações de políticas públicas e projetos nacionais e Fl. 2186DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.187 22 internacionais para o setor de Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), coordenando e acompanhando as medidas necessárias à execução da Política Nacional de Informática e Automação e o desenvolvimento do setor de Software. Para a implementação e manutenção destas políticas, o MCTI incorporou as duas mais importantes agências de fomento do País a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) passando a coordenar o trabalho de execução dos programas e ações que consolidam a Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. O objetivo dessa política é transformar o setor em componente estratégico do desenvolvimento econômico e social do Brasil, contribuindo para que seus benefícios sejam distribuídos de forma justa a toda a sociedade. Com vistas à execução destes programas de consolidação da Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, algumas entidades foram qualificadas como organizações sociais, de modo a executar e promover estas ações de forma rápida e eficiente, como é o caso da Impugnante. Neste contexto, foi firmado entre a Impugnante e o MCTI o contrato de gestão que ora se discute, no qual fica bastante clara a delegação de algumas das atribuições do MCTI à Impugnante, principalmente no que se refere ao fomento de atividades de pesquisas tecnológicas em redes e de desenvolvimento e operação de meios e serviços de redes avançados. As metas e respectivos indicadores do presente Contrato, são detalhados no Anexo I deste instrumento e buscam alcançar os seguintes objetivos estratégicos: 1. promover o desenvolvimento tecnológico de novos protocolos, sen/iços e aplicações de redes; 2. prover serviços de infraestrutura de redes IP (Protocolo Internet) avançadas para atividades de pesquisa e desenvolvimento científico e tecnológico, educação e cultura; 3. promover a disseminação de tecnologias de informação e comunicação, através da implantação, em nível de produção de novos protocolos, serviços e aplicações, da capacitação de recursos humanos e da difusão de informações; 4. planejar e empreender projetos de tecnologia de informação e comunicação para o desenvolvimento e uso de aplicações e serviços inovadores." De fato, a RNP Rede Nacional de Pesquisa foi criada, com a participação do MCTI, com o objetivo de construir uma infraestrutura de rede internet nacional para a comunidade acadêmica. A rede começou a ser montada em 1991. Em 94, já atingia todas as regiões do país. Entre 2000 e 2001, a rede foi totalmente atualizada para oferecer suporte a aplicações avançadas. Desde então, o backbone RNP, como é chamado, possui pontos de presença em todos os estados brasileiros. Fl. 2187DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.188 23 A denominada "receita" da Impugnante decorre basicamente de duas fontes: a primeira são os repasses de recursos públicos em razão do contrato de gestão firmado com o Poder Público, em decorrência de sua qualificação como Organização Social; a segunda são os demais contratos firmados com órgãos públicos, exclusivamente em decorrência das atividades que desenvolve no âmbito do contrato de gestão. Quanto aos ingressos oriundos de repasses de recursos públicos baseados em contrato de gestão firmado com o MCTI, é necessário destacar que sob nenhum ângulo estes repasses podem ser considerados receita da Impugnante, muito menos receita tributável pela COFINS. As ações da Impugnante representam ação do próprio Poder Público, haja vista que ela é um instrumento posto a serviço do Estado. É por meio da Impugnante, sem nenhuma finalidade lucrativa, que o Estado atua, não havendo sentido na equiparação dos repasses orçamentários, que são pressuposto para execução de suas atividades, com receitas de prestação de serviços. Destacase aqui que a Impugnante, por suas próprias características de associação civil sem fins lucrativos qualificada como organização social, não acumula capital ou distribui dividendos sob nenhuma forma para seus membros; todos os recursos repassados em função do contrato de gestão são investidos em projetos, ações e programas estipulados pelo Governo Federal e compatíveis com o objeto definido em seu Estatuto Social. Nesse ponto, vale dizer que a aplicação destes recursos é supervisionada diretamente pelo MCTI e sua gestão é aprovada pelo Conselho de Administração, dirigente máximo da Organização Social, e que para da Impugnante, nos termos de seu estatuto social e da Lei n° 9.637/98, é composto também por membros do Poder Público. Além disso, a correta utilização destes recursos nos objetivos determinados pelo Governo Federal é controlada pelo Tribunal de Contas da União e pela Controladoria Geral da União, não restando quaisquer dúvidas quanto ao seu investimento em atividades de interesse público. Isto é, os recursos públicos repassados à Impugnante tem um destino definido, que certamente não é a distribuição de lucros a seus membros, o incremento de seu patrimônio ou a acumulação de capital, não havendo forma de caracterizálos como "receita" tributável. Por todo o exposto acerca da natureza do vínculo contratual existente, que embasa o recebimento de recursos diretamente do Governo Federal, é forçoso concluir que a Impugnante não obtém qualquer benefício econômico que resulte no aumento de seu patrimônio. Não há como caracterizar a Impugnante como uma entidade com fins comerciais, cujo resultado é apropriável pelos titulares de seu capital, buscando satisfazer interesses privados. Pelo contrário, de acordo com a Cláusula Sexta do contrato de gestão em comento (Aditivada pela Cláusula Segunda do Décimo Termo Aditivo ao Fl. 2188DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.189 24 Contrato de Gestão), a Impugnante recebe recursos diretamente vinculados a cada um dos projetos desenvolvidos, que devem ser utilizados para aquele fim e em período de tempo previamente fixado, havendo inclusive a obrigatoriedade de reinvestimento dos recursos caso o período se esgote sem sua utilização integral. Bem, não há como se concluir de outra forma senão que os recursos oriundos do contrato de gestão não podem ser caracterizados como receita, conforme pretendeu o Fiscal Autuante, haja vista que sequer ingressam efetivamente no patrimônio da Impugnante, apenas transitam provisoriamente em sua contabilidade. Nesse sentido, transcrevemos abaixo o entendimento da própria Secretaria da Receita Federal ("SRF") no que concerne à isenção de COFINS sobre as receitas decorrentes de repasses públicos, como é o caso em comento: "ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS EMENTA: BASE DE CÁLCULO. CONVÊNIOS. REPASSES DE RECURSOS PÚBLICOS. Os recursos públicos repassados à entidade privada para execução de convênio firmado entre as partes não caracteriza receita da convenente, portanto, não compõem a base de cálculo da Cofins. Período de apuração: 01/11/1997 a 31/12/1999" (Acórdão n° 181292 de 10 de Janeiro de 2003) Por último, vale destacar que os recursos públicos recebidos do Governo Federal são identificados como "receita" no balanço da Impugnante única e exclusivamente em razão da ausência de um plano de contas especifico para este tipo de entidade. Com efeito, ante a inexistência de uma classificação contábil adequada à natureza destes repasses, a Impugnante optou por declarar tais ingressos como "receita", ainda que tecnicamente incorreto, ao invés de simplesmente omitir das autoridades fiscais o recebimento de tais recursos. Sendo assim, seja pela natureza da Impugnante, que nada mais é do que um ente privado atuando em prol do interesse público, seia pelas características dos repasses de recursos por ela recebidos, não há como pretender caracterizar estes ingressos como "receita" e, portanto, não há como se entender pela incidência de COFINS. Ainda que os recebimentos decorrentes do contrato de gestão pudessem ser considerados "receita", o que se admite apenas para fins de argumentação, tais receitas não seriam tributáveis pela COFINS posto que estariam abrangidas por norma de isenção prevista no art. 14 da MP n° 2.15835/ 01 e no art. 46 do Decreto n° 4.524/02, bem como reproduzida no art. 47, inciso II da IN n° 247/02. Pois bem, começaremos com a análise dos dispositivos legais em comento, senão vejamos: "MP 2.15835/ 01, Art. 14: Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1 de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13." Fl. 2189DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.190 25 Assim, o art. 14 da MP n° 2.15835/ 01 prevê que estão isentas da COFINS as receitas relativas às atividades próprias das entidades referidas no art. 13, dentre elas as associações sem fins lucrativos, que prestem os serviços para os quais foram instituídas. Da mesma forma, o art. 46 do Decreto n° 4.524/02 trouxe a previsão de isenção de COFINS para as receitas das associações sem fins lucrativos que prestem os serviços para os quais instituídas. "Art. 46: As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto: I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II são isentas da Cofins com relação às receitas derivadas de suas atividades próprias." O mesmo texto foi reproduzido quando da edição da IN n° 247/0229 pela SRF, o que não nos deixa qualquer dúvida quanto à isenção atribuída às receitas de atividades próprias das associações civis sem fins lucrativos que prestem os serviços para os quais foram instituídas. Ora, conforme esclarecido, a Impugnante é associação civil sem fins lucrativos, qualificada como organização social, cujo objetivo é a execução de atividades de pesquisas tecnológicas em redes, de desenvolvimento e operação de meios e serviços de redes avançadas e do desenvolvimento tecnológico na área de redes. Como já amplamente demonstrado, todos os recursos recebidos pela Impugnante, seja através do contrato de gestão, seja através de convênios ou mesmo contratos firmados com órgãos públicos, inseremse no contexto do objetivo fixado quando de sua qualificação, acima transcrito. Não há que se falar, portanto, em cobrança de COFINS sobre as eventuais receitas auferidas pela Impugnante, uma vez que estão abrangidas pela regra de isenção, posto que, na pior das hipóteses, seriam receitas oriundas de prestação de serviços oriundos do escopo fixado no contrato de gestão! Nesse contexto, cabe destacar que a celebração de contratos com órgãos públicos não deve ser entendida como uma atividade alheia às suas atividades próprias, uma vez que estes contratos se inserem no âmbito de projetos e ações desenvolvidos pela Impugnante por força do contrato de gestão à que está integralmente vinculada. Ou seja, todos os recursos que ingressam na contabilidade da Impugnante são oriundos do desenvolvimento de suas atividades próprias, pois a realização do objetivo a ela atribuído é sua única atividade, é o único fim para o qual foi constituída, não havendo outra atividade por ela desenvolvida ou mesmo serviço prestado que não estejam contidos no objetivo fixado em contrato de gestão. Contudo, o Fiscal Autuante se prende a dois critérios pouco objetivos para pretender a exclusão da aplicação da isenção legalmente prevista, são eles: a definição de "receita de atividades próprias" e o suposto caráter contraprestacional dos serviços, ambos veiculados na IN n° 247/02. Fl. 2190DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.191 26 No que diz respeito à definição contida na IN n° 247/02, duas considerações devem ser feitas inicialmente. A primeira relativa à ausência de qualquer definição legal para o conceito de "receitas de atividades próprias", não sendo a Instrução Normativa o veículo apto a limitar o alcance de isenção legalmente prevista. A segunda atinente ao perfeito enquadramento das "receitas" da Impugnante no conceito de "receitas de atividades próprias" previsto na IN n° 247/02. A legislação que trata da isenção de COFINS para as associações civis sem fins lucrativos (caso que seria aplicável à Impugnante) e outras entidades afins, foi bastante contida em seu texto, limitandose a prever que a isenção abrangerá as receitas decorrentes das atividades próprias destas entidades. Ora, entendese como atividade própria toda e qualquer atividade desenvolvida pela entidade que seja diretamente vinculada ao fim para o qual foi constituída, e desde que seja desenvolvida sem fins lucrativos. Esta a única interpretação possível dos art. 13 e 14 da MP n° 2.158/01, que fazem menção apenas aos requisitos previstos no art. 15 da Lei n° 9.532/97. Este dispositivo, por sua vez, não traz nenhum outro requisito para o gozo da isenção, limitandose a condicionála à prestação dos serviços para os quais houverem sido instituídas, sem fins lucrativos, conforme abaixo transcrito: "Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos". Quanto aos requisitos legalmente previstos, não há qualquer dúvida quanto ao seu preenchimento pela Impugnante, uma vez que goza do benefício de isenção de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido exatamente em virtude desta previsão legal, sem qualquer questionamento por parte da Administração Tributária Federal. Pois bem, a IN n° 247/02, ao conceituar "receitas de atividades próprias" limitou a isenção onde o próprio legislador não pretendeu limitar, conforme o conceito veiculado pelo parágrafo 2o do art. 47 da referida IN: "§ 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais". Ora, o que pretendeu a administração tributária foi conceituar como "receita de atividade própria" apenas as contribuições, doações, anuidades ou mensalidades recebidas de associados ou mantenedores, excluindo deste conceito qualquer outra forma de ingresso recebida pela entidade, independentemente de sua aplicação na prestação dos serviços para os quais estas entidades houverem sido instituídas, a despeito e em clara contraposição à previsão do art. 15 da Lei n° 9.532/97. Fl. 2191DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.192 27 Não há como se concluir de outra forma, senão que a IN n° 247/02 desborda de sua competência regulamentar, pois a ela não cabe definir o conceito de "receitas de atividades próprias", se a lei assim não determinou. Não bastasse tal impropério, a IN n° 247/02 trouxe, ainda, o termo "caráter contraprestacional", sem prever qualquer delimitação precisa de seu significado, bem como das hipóteses de sua aplicação pelo fisco. Como visto, a IN n° 247/02 não pretendeu apenas regulamentar o conceito de "receitas decorrentes de atividades próprias", mas sim teve o intuito de limitar os ingressos passíveis de isenção, violando não apenas a lei ordinária como também o princípio da legalidade insculpido no art. 150, inciso I da CF/88, restando, portanto, totalmente inválida dos pontos de vista formal e material. Façase aqui a ressalva de que, ainda que a definição contida na IN n° 247/02 pudesse ser aplicada, o que se admite apenas por amor ao debate, os recursos púbicos recebidos pela Impugnante estariam plenamente enquadrados nesse conceito. De fato, o contrato de gestão firmado pela Impugnante, com a União, através do MCTI, teve o condão de tornar a União mantenedora da Impugnante, posto que esta última desenvolve suas atividades e persegue seu objetivo social unicamente em decorrência dos recursos repassados pela União por força do contrato de gestão, sua fonte primeira de custeio. Sendo assim, os recursos recebidos através dos contratos de gestão firmados pela Impugnante, no âmbito do conceito previsto pela IN n° 247/02, deveriam ser entendidos como receitas decorrentes de contribuições feitas por seu mantenedor, isto é, a União Federal. Por tais razões, ainda que o conceito limitador de "receitas decorrentes de atividades próprias" previsto na IN n° 247/02 pudesse ser aplicado ao caso em comento, o que se admite apenas a título de argumentação posto que este conceito viola não apenas a lei como também a constituição federal, as receitas da Impugnante decorrentes dos repasses feitos pelo MCTI estariam abrangidas pela isenção de COFINS prevista no art. 14 da MP 2.15835/ 01. De qualquer ângulo que se observe a questão, é forçoso concluir pela improcedência da cobrança de COFINS em relação aos recursos recebidos pela Impugnante e, consequentemente, pela total improcedência do Auto de Infração em referência. Também no que concerne ao suposto caráter contraprestacional contido nos contratos firmados pela Impugnante, não logrou melhor sorte o Fiscal Autuante. No âmbito destes contratos, não há que se falar em "remuneração" recebida pela Impugnante, posto que não existe qualquer contraprestação. Isso porque, como já exposto, todos os contratos por ela firmados com órgãos públicos prevêem a aplicação dos recursos no desenvolvimento da missão prevista no contrato de gestão. Fl. 2192DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.193 28 Os repasses efetuados pela União não são sequer aptos a configurar receita de prestação de serviços, já que a Impugnante não presta serviços para o Estado, pois suas ações representam nada mais do que a atuação do próprio Estado, da qual ela é um instrumento. Também conforme já amplamente demonstrado nos capítulos destinados à caracterização de organizações sociais e de seu vínculo com o Poder Público, o "atingimento de metas, prazos, etc", para usar as palavras do Fiscal Autuante, são decorrência lógica da fiscalização pelo órgão supervisor (MCTI) da aplicação dos recursos públicos repassados. A exigência do cumprimento de "obrigações contratuais" não tem o condão de conferir caráter contraprestacional aos serviços desenvolvidos pela Impugnante, pelo contrário, visam apenas conferir a transparência necessária à utilização de recursos públicos por entes de direito privado, o que também torna a Impugnante sujeita ao controle do Tribunal de Contas da União e da Controladoria Geral da União. Pelo exposto, não há como se concluir de outra forma senão pela total improcedência do Auto de Infração em referência por mais este motivo. Diante do flagrante equívoco cometido pelo Fiscal Autuante na identificação e caracterização dos ingressos de repasses públicos na contabilidade da Impugnante, considerando que tais ingressos configurariam "receitas" tributáveis pela COFINS, vem a Impugnante requerer a produção de prova pericial contábil, nos termos autorizados pelo art. 16 do Decreto n° 70.235/72. A finalidade da prova pericial requerida é demonstrar que, ainda que fosse devida a COFINS sobre os repasses recebidos pela Impugnante, a autuação é totalmente nula tendo em vista que o Fiscal Autuante se furtou de aplicar o princípio da não cumulatividade, posto que não considerou nos cálculos referentes à cobrança os créditos de COFINS detidos pela Impugnante. Nesta oportunidade, a Impugnante nomeia seu perito o Sr. Antonio Eduardo Bertolo, CRCRJ 0605684, CPF 531.756.46700 com endereço profissional na Av. Presidente Vargas, n° 435, 13° andar, Rio de Janeiro RJ, telefone: (21) 22243794. A Impugnante apresenta os seguintes quesitos, reservandose o direito de formular quesitos suplementares: 1º Quesito Queira o Sr. Perito informar se no lançamento realizado pelo Fiscal Autuante foram atribuídos créditos de COFINS relativos aos bens e serviços utilizados como insumos durante o período abrangido pela fiscalização ou se o Agente Fiscal se limitou a apurar os débitos de COFINS. 2º Quesito Queira o Sr. Perito informar se, nos livros e registros contábeis e fiscais da Impugnante, existem elementos numéricos suficientes para que fosse possível ao Fiscal Autuante proceder ao cálculo dos créditos de COFINS referentes aos insumos utilizados pela Impugnante no período fiscalizado. Fl. 2193DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.194 29 3º Quesito Queira o Sr. Perito informar se, caso fossem atribuídos créditos de COFINS às despesas relativas a bens e serviços utilizados pela Impugnante, e tais créditos fossem considerados pelo Fiscal Autuante na apuração do suposto saldo devedor de COFINS, o valor apurado seria igual ao valor indicado no Auto de Infração ou se haveria divergência. Por todo o exposto, requer a Impugnante: a) que esta Impugnação seja devidamente recebida e encaminhada à autoridade administrativa competente para sua análise e julgamento; b) sejam acolhidas a preliminares de nulidade, com a declaração de nulidade do Auto de Infração tendo em vista que: (i) foram desrespeitados os requisitos mínimos de validade previstos no art. 10 do Decreto n° 70.235/72 para sua lavratura, já que os fatos descritos pela fiscalização não correspondem com a realidade, resultando em violação aos princípios da busca da verdade material, da ampla defesa e do contraditório; (ii) o Auto de Infração abrange período já fulminado pela decadência pois, quando de sua lavratura, já havia transcorrido o quinquênio legal para homologação expressa ou rejeição dos lançamentos pelo agente fiscal nos termos do art. 150, § 4o do CTN; e (iii) foi frontalmente desrespeitado o princípio da não cumulatividade, haja vista que o Fiscal Autuante não considerou no cálculo da autuação os créditos de COFINS detidos pela Impugnante, nos termos do art. 3º da Lei 10.833/03. c) sucessivamente, caso entendam V. Sas. por adentrar ao mérito da questão, que seja julgado improcedente o lançamento pretendido, com o cancelamento integral do Auto de Infração, haja vista a total impropriedade da cobrança, posto que pretende a cobrança de COFINS calculada sobre base de cálculo que não corresponde à receita da Impugnante, conforme suficientemente exposto, ou, ainda, se receita fosse, estaria alcançada por norma de isenção de COFINS. Em sua decisão, a DRJ do Rio de Janeiro I houve por bem manter a autuação, conforme ementa transcrita abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Nulidade. Pressupostos. Não padece de nulidade o auto de infração, lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Perícia. Desnecessária. Indeferimento Indeferese o pedido de perícia quando a sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. Fl. 2194DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.195 30 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Decadência. O prazo decadencial para o lançamento da Cofins, quando não há pagamento, é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Receitas das Atividades Próprias. Das receitas que afluem ao caixa das entidades referidas na MP nº 2.15835, de 2001, art. 13, estarão ao amparo da isenção da Cofins apenas as contribuições, doações, anuidades ou mensalidades de seus associados e mantenedores, destinadas ao custeio e manutenção da própria instituição. As receitas que têm cunho contraprestacional não são isentas da Cofins. Cofins não cumulativa. Créditos. Mera alegação. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para afastar o lançamento. Inconformadas com tal decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário reiterando suas alegações. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Nulidade do auto de infração e perícia Entendo que a decisão recorrida não merece reforma em relação à nulidade do auto de infração e ao indeferimento da perícia. Não se pode falar em nulidade do auto de infração por descumprimento de seus pressupostos, lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao PAF. Entendo também desnecessária a realização de perícia quando seja prescindível para a formação da convicção da autoridade julgadora, especialmente porque a Fl. 2195DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.196 31 matéria central dos autos está fundada no conceito de “receitas próprias” e “não próprias” para fins de incidência de COFINS. Decadência No tocante ao prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, é de se destacar, inicialmente, que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “Recursos Repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Fl. 2196DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.197 32 Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não há pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 2197DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.198 33 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Como no caso em questão não ocorreu o pagamento, o entendimento a ser adotado é o do inciso I do artigo 173 do CTN, devendo o prazo decadencial ser contado a partir do primeiro dia do exercício subseqüente àquele no qual poderia ter havido o lançamento. Concluise, portanto, que não houve a decadência alegada pela Recorrente. Receitas das associações sem fins lucrativos A questão central de mérito envolve a incidência de COFINS sobre as receitas consideradas “próprias” e “não próprias” de organização social constituída sob a forma de associação sem fins lucrativos. A Recorrente, conforme disposto no artigo 1° Decreto n° 4.077/2002, “É qualificada como Organização Social a Associação Rede Nacional de Ensino e Pesquisa RNP, com sede na cidade do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, portadora do CNPJ n? 03.508.097/000136, cujo objetivo é a execução de atividades de pesquisas tecnológicas em redes, de desenvolvimento e operação de meios e serviços de redes avançadas e do desenvolvimento tecnológico na área de redes, mediante celebração de contrato de gestão a ser firmado com o Ministério da Ciência e Tecnologia." Vêse, portanto, que a Recorrente, por ser uma Organização Social, é regida pelas disposições contidas na Lei n° 9.637/1998. Passo a transcrever alguns artigos da referida norma que entendo importantes para o deslinde da questão: Art. 1o O Poder Executivo poderá qualificar como organizações sociais pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, cujas atividades sejam dirigidas ao ensino, à pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnológico, à proteção e preservação do meio ambiente, à cultura e à saúde, atendidos aos requisitos previstos nesta Lei. Art. 2o São requisitos específicos para que as entidades privadas referidas no artigo anterior habilitemse à qualificação como organização social: Fl. 2198DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.199 34 I comprovar o registro de seu ato constitutivo, dispondo sobre: a) natureza social de seus objetivos relativos à respectiva área de atuação; b) finalidade nãolucrativa, com a obrigatoriedade de investimento de seus excedentes financeiros no desenvolvimento das próprias atividades; c) previsão expressa de a entidade ter, como órgãos de deliberação superior e de direção, um conselho de administração e uma diretoria definidos nos termos do estatuto, asseguradas àquele composição e atribuições normativas e de controle básicas previstas nesta Lei; d) previsão de participação, no órgão colegiado de deliberação superior, de representantes do Poder Público e de membros da comunidade, de notória capacidade profissional e idoneidade moral; e) composição e atribuições da diretoria; f) obrigatoriedade de publicação anual, no Diário Oficial da União, dos relatórios financeiros e do relatório de execução do contrato de gestão; g) no caso de associação civil, a aceitação de novos associados, na forma do estatuto; h) proibição de distribuição de bens ou de parcela do patrimônio líquido em qualquer hipótese, inclusive em razão de desligamento, retirada ou falecimento de associado ou membro da entidade; i) previsão de incorporação integral do patrimônio, dos legados ou das doações que lhe foram destinados, bem como dos excedentes financeiros decorrentes de suas atividades, em caso de extinção ou desqualificação, ao patrimônio de outra organização social qualificada no âmbito da União, da mesma área de atuação, ou ao patrimônio da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, na proporção dos recursos e bens por estes alocados; II haver aprovação, quanto à conveniência e oportunidade de sua qualificação como organização social, do Ministro ou titular de órgão supervisor ou regulador da área de atividade correspondente ao seu objeto social e do Ministro de Estado da Administração Federal e Reforma do Estado. (...) Fl. 2199DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.200 35 Art. 5o Para os efeitos desta Lei, entendese por contrato de gestão o instrumento firmado entre o Poder Público e a entidade qualificada como organização social, com vistas à formação de parceria entre as partes para fomento e execução de atividades relativas às áreas relacionadas no art. 1o. Art. 6o O contrato de gestão, elaborado de comum acordo entre o órgão ou entidade supervisora e a organização social, discriminará as atribuições, responsabilidades e obrigações do Poder Público e da organização social. Parágrafo único. O contrato de gestão deve ser submetido, após aprovação pelo Conselho de Administração da entidade, ao Ministro de Estado ou autoridade supervisora da área correspondente à atividade fomentada. Art. 7o Na elaboração do contrato de gestão, devem ser observados os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, economicidade e, também, os seguintes preceitos: I especificação do programa de trabalho proposto pela organização social, a estipulação das metas a serem atingidas e os respectivos prazos de execução, bem como previsão expressa dos critérios objetivos de avaliação de desempenho a serem utilizados, mediante indicadores de qualidade e produtividade; II a estipulação dos limites e critérios para despesa com remuneração e vantagens de qualquer natureza a serem percebidas pelos dirigentes e empregados das organizações sociais, no exercício de suas funções. Parágrafo único. Os Ministros de Estado ou autoridades supervisoras da área de atuação da entidade devem definir as demais cláusulas dos contratos de gestão de que sejam signatários. Art. 8o A execução do contrato de gestão celebrado por organização social será fiscalizada pelo órgão ou entidade supervisora da área de atuação correspondente à atividade fomentada. § 1o A entidade qualificada apresentará ao órgão ou entidade do Poder Público supervisora signatária do contrato, ao término de cada exercício ou a qualquer momento, conforme recomende o interesse público, relatório pertinente à execução do contrato de gestão, contendo comparativo específico das metas propostas com os resultados alcançados, acompanhado da prestação de contas correspondente ao exercício financeiro. § 2o Os resultados atingidos com a execução do contrato de gestão devem ser analisados, periodicamente, por comissão de avaliação, indicada pela Fl. 2200DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.201 36 autoridade supervisora da área correspondente, composta por especialistas de notória capacidade e adequada qualificação. § 3o A comissão deve encaminhar à autoridade supervisora relatório conclusivo sobre a avaliação procedida. Art. 9o Os responsáveis pela fiscalização da execução do contrato de gestão, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade na utilização de recursos ou bens de origem pública por organização social, dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob pena de responsabilidade solidária. Art. 10. Sem prejuízo da medida a que se refere o artigo anterior, quando assim exigir a gravidade dos fatos ou o interesse público, havendo indícios fundados de malversação de bens ou recursos de origem pública, os responsáveis pela fiscalização representarão ao Ministério Público, à AdvocaciaGeral da União ou à Procuradoria da entidade para que requeira ao juízo competente a decretação da indisponibilidade dos bens da entidade e o seqüestro dos bens dos seus dirigentes, bem como de agente público ou terceiro, que possam ter enriquecido ilicitamente ou causado dano ao patrimônio público. § 1o O pedido de seqüestro será processado de acordo com o disposto nos arts. 822 e 825 do Código de Processo Civil. § 2o Quando for o caso, o pedido incluirá a investigação, o exame e o bloqueio de bens, contas bancárias e aplicações mantidas pelo demandado no País e no exterior, nos termos da lei e dos tratados internacionais. § 3o Até o término da ação, o Poder Público permanecerá como depositário e gestor dos bens e valores seqüestrados ou indisponíveis e velará pela continuidade das atividades sociais da entidade. Art. 8o A execução do contrato de gestão celebrado por organização social será fiscalizada pelo órgão ou entidade supervisora da área de atuação correspondente à atividade fomentada. § 1o A entidade qualificada apresentará ao órgão ou entidade do Poder Público supervisora signatária do contrato, ao término de cada exercício ou a qualquer momento, conforme recomende o interesse público, relatório pertinente à execução do contrato de gestão, contendo comparativo específico das metas propostas com os resultados alcançados, acompanhado da prestação de contas correspondente ao exercício financeiro. Fl. 2201DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.202 37 § 2o Os resultados atingidos com a execução do contrato de gestão devem ser analisados, periodicamente, por comissão de avaliação, indicada pela autoridade supervisora da área correspondente, composta por especialistas de notória capacidade e adequada qualificação. § 3o A comissão deve encaminhar à autoridade supervisora relatório conclusivo sobre a avaliação procedida. Art. 9o Os responsáveis pela fiscalização da execução do contrato de gestão, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade na utilização de recursos ou bens de origem pública por organização social, dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob pena de responsabilidade solidária. Art. 10. Sem prejuízo da medida a que se refere o artigo anterior, quando assim exigir a gravidade dos fatos ou o interesse público, havendo indícios fundados de malversação de bens ou recursos de origem pública, os responsáveis pela fiscalização representarão ao Ministério Público, à AdvocaciaGeral da União ou à Procuradoria da entidade para que requeira ao juízo competente a decretação da indisponibilidade dos bens da entidade e o seqüestro dos bens dos seus dirigentes, bem como de agente público ou terceiro, que possam ter enriquecido ilicitamente ou causado dano ao patrimônio público. § 1o O pedido de seqüestro será processado de acordo com o disposto nos arts. 822 e 825 do Código de Processo Civil. § 2o Quando for o caso, o pedido incluirá a investigação, o exame e o bloqueio de bens, contas bancárias e aplicações mantidas pelo demandado no País e no exterior, nos termos da lei e dos tratados internacionais. § 3o Até o término da ação, o Poder Público permanecerá como depositário e gestor dos bens e valores seqüestrados ou indisponíveis e velará pela continuidade das atividades sociais da entidade. (...) Art. 16. O Poder Executivo poderá proceder à desqualificação da entidade como organização social, quando constatado o descumprimento das disposições contidas no contrato de gestão. § 1o A desqualificação será precedida de processo administrativo, assegurado o direito de ampla defesa, respondendo os dirigentes da Fl. 2202DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.203 38 organização social, individual e solidariamente, pelos danos ou prejuízos decorrentes de sua ação ou omissão. § 2o A desqualificação importará reversão dos bens permitidos e dos valores entregues à utilização da organização social, sem prejuízo de outras sanções cabíveis. Diante das disposições supra, as Organizações Sociais estão sujeitos a uma série de regras e controles realizados pelo Poder Executivo, o que inclui o Tribunal de Contas da União, bem como o Ministério Público, a AdvocaciaGeral da União ou a Procuradoria da entidade para que requeira ao juízo competente a decretação da indisponibilidade dos bens das entidades e o sequestro dos bens dos seus dirigentes. Os contratos de gestão, previstos no artigo 5° da Lei n° 9.637/1998, são firmados entre o Poder Público e as Organizações Sociais objetivando justamente a formação de parceria entre as partes para fomento e execução de atividades destas últimas. O artigo 14 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, por sua vez, estabeleceu uma isenção de COFINS para diversas entidades, dentre as quais as associações civis sem fins lucrativos que cumpram os requisitos exigidos pela legislação em vigor (artigo 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° da Lei n° 9.532/1997), verbis: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. A Instrução Normativa SRF n° 247/2002 assim regulou a matéria: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades: [...] IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; [...] Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: I – não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II – são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. [...] Fl. 2203DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.204 39 § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. È de se notar, por primeiro, que jamais foi aventada a questão da impossibilidade de qualificação da Recorrente para fins da isenção prevista no artigo 14 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 e regulamentada pela Instrução Normativa SRF n° 247/2002. A própria DIPJ presente nos autos aponta a Recorrente com isenta de IRPJ e desobrigada à apuração de CSLL O que a fiscalização se fiou para lavrar o auto de infração, bem como a DRJ para mantêlo, foi o fato de os recursos advindos dos contratos de gestão firmados entre a Recorrente e entes do Poder Público não se enquadrarem na conceituação de receitas próprias contida no artigo 47 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002, especialmente no que tange ao seu caráter contraprestacional (“execução de atividades de pesquisas tecnológicas em redes, de desenvolvimento e operação de meios e serviços de redes avançadas e do desenvolvimento tecnológico na área de redes”). Ouso divergir deste entendimento, pois entendo que a da Instrução Normativa SRF n° 247/2002 extrapolou as disposições contidas no artigo 14 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, quando conceituou as chamadas receitas das atividades próprias. Para tanto, valhome das palavras do desembargador federal Leandro Pausen, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no AMS n.º 2004.71.01.0010553/RS (D.J.U. de 09/11/2005), senão vejamos: É incontroverso nos autos que os arts. 13 e 14, inciso X, da MP 2.158/2001 c/c o art. 15 da Lei 9.532/97 outorgaram isenção da COFINS relativamente às receitas de associações sem fins lucrativos oriundas das atividades próprias das entidades. O entendimento do Fisco, amparado em Instrução Normativa, não encontra sustentação na lei, porquanto restringe o benefício às receitas provenientes das contribuições de seus instituidores, mantenedores e associados, subvenções e doações por elas recebidas e os recursos gerados pelo seu patrimônio constitutivo original. Ocorre que se, de um lado, as isenções dependem de lei específica (art. 150, § 6º, da CF) e devem ser interpretados de modo literal (art. 111 do CTN), não admitindo, assim, extensão a situações não previstas, de outro não é Fl. 2204DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.205 40 dado ao Executivo senão cumprir a lei, sendo que os próprios Decretos só podem se restringir à regulamentação voltada à sua fiel execução (art. 84, IV), não sendo dado às normas complementares previstas no art. 100 do CTN restringir o alcance de benefício tributário concedido aos contribuintes, como é o caso da isenção, que exclui o crédito tributário (art. 175, I, do CTN). No caso dos autos, referindose a lei às receitas oriundas das atividades próprias das associações sem fins lucrativos, temse apenas de verificar quais são as atividades que correspondem ao cumprimento das suas finalidades típicas. (grifamos) E mais, como muito bem lançado pela desembargadora federal Vânia Hack de Almeida, do mesmo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, na Apelação Cível 2006.71.00.0213610/RS, o Supremo Tribunal Federal, ao enfrentar a extensão do campo de abrangência da imunidade conferida pelo art. 150, IV, "c", da CF/88 (restrita ao patrimônio, à renda e aos serviços relacionados com as finalidades essenciais das entidades imunes, de acordo com o § 4º do próprio art. 150), já se manifestou no sentido de que a renda, mesmo não sendo diretamente ligada à atividade essencial da entidade, considerarseá imune, se for aplicada no seu desenvolvimento: LIMITAÇÕES CONSTITUCIONAIS AO PODER DE TRIBUTAR. IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE. IPTU. O Tribunal a quo seguiu corretamente a orientação desta Suprema Corte, ao assentar que o fato de uma entidade beneficente manter uma livraria em imóvel de sua propriedade não afasta a imunidade tributária prevista no art. 150, VI, "c" da Constituição, desde que as rendas auferidas sejam destinadas a suas atividades institucionais, o que impede a cobrança do IPTU pelo município. Recurso extraordinário não conhecido. (RE 345830 / MG, Primeira Turma, Rel. Min. ELLEN GRACIE, julgado em 08.10.2002, DJ data de 08.11.2002) Imunidade tributária do patrimônio das instituições assistenciais (CF, art. 150, VI, c): sua aplicabilidade de modo a afastar a incidência do IPTU sobre imóvel de propriedade da entidade imune, ainda quando alugado a terceiro, sempre que a renda dos aluguéis seja aplicada em suas finalidades institucionais: precedentes (RE 390451 AgR / MG, Primeira Turma, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, julgado em 23.11.2004, DJ data de 10.12.2004) Recurso extraordinário. Entidade de educação. IPTU. Imunidade. O Plenário desta Corte, ao julgar o RE 237.718, firmou o entendimento de que a imunidade tributária do patrimônio das instituições de assistência social (artigo 150, VI, "c", da Constituição) se aplica para afastar a incidência do IPTU sobre imóveis de propriedade dessas instituições, ainda quando alugados a terceiros, desde que a renda dos aluguéis seja aplicada em suas finalidades institucionais. Por outro lado, com base nesse precedente do Fl. 2205DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.206 41 Plenário, esta Primeira Turma, ao julgar o RE 217.233, entendeu que a referida imunidade também alcança as instituições de educação nas mesmas circunstâncias. Dessa orientação não divergiu o acórdão recorrido. Recurso extraordinário não conhecido. (RE 210742 / MG, Primeira Turma, Rel. Min. MOREIRA ALVES, julgado em 23.10.2001, DJ data de 14.12.2001) Frisese que o acórdão exarado na Apelação Cível 2006.71.00.0213610/RS antes mencionada foi objeto de Recurso Especial (REsp 1049876/RS) por parte da Fazenda Nacional, sendo que o Ministro Luiz Fux negoulhe seguimento por despacho monocrático. Em outro caso julgado pelo Superior Tribunal de Justiça, a Ministra Eliana Calmon, no REsp 830.591/RS, adota como razão de decidir para não conhecer do recurso o entendimento exarado pelo desembargador federal Leandro Pausen no AMS n.º 2004.71.01.0010553/RS também já citado anteriormente. Recordome também julgados deste Conselho que destacam a questão da aplicação dos recursos recebidos na prestação de serviços nas atividades institucionais para fins de imunidade e isenção do IRPJ, destacandose o seguinte trecho do acórdão 10194.689, de 15/09/2004, cujo relator foi o Conselheiro Mário Junqueira Franco Junior: A princípio, como bem observou o douto julgador de primeira instância, o fato de receber remuneração por serviços não pode, por si só, descaracterizar a imunidade ou isenção de determinada entidade, desde que a destinação desses recursos seja exclusiva para fins institucionais. (....) Se os valores recebidos, sejam como doações ou prestação de serviços, foram aplicados em suas atividades fins, além do necessário investimento de manutenção da fonte de recursos, não se pode determinar, com absoluta precisão, ter havido desvirtuamento das finalidades do instituto. Comungando com o entendimento aqui adotado, vejamse as seguintes ementas de decisões do CARF: ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91. ABRANGÊNCIA. POSSIBILIDADE DE SERVIÇOS CONTRAPRESTACIONAIS. Obedecidos os requisitos estabelecidos pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, a entidade beneficente de assistência social faz jus à isenção da Cofins, que abrange inclusive a receita oriunda de serviços contraprestacionais relacionados com o seu objeto social. (Acórdão nº 3201001457, Rel. designado Cons. Daniel Mariz Gudiño, Sessão de 22/10/2013) Fl. 2206DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.207 42 ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91. ABRANGÊNCIA. POSSIBILIDADE DE SERVIÇOS CONTRAPRESTACIONAIS. Obedecidos os requisitos estabelecidos pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, a entidade beneficente de assistência social faz jus à isenção da Cofins, que abrange inclusive a receita oriunda de serviços contraprestacionais relacionados com o seu objeto social. (Acórdão nº 3401002.233, Rel. Cons. Emanuel Carlos Dantas de Assis, Sessão de 25/04/2013). IMUNIDADE. INSTITUIÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. Em conformidade com a constituição federal, e, tratando de Instituição de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da imunidade, na linha da melhor doutrina e de acordo com a jurisprudência do STF e STJ, a imunidade da entidade deve ser reconhecida como um todo, capaz de abranger toda e qualquer receita proveniente de sua atividade. (Acórdão nº 3403001.918, Rel. Cons. Domingos de Sá Filho, Sessão de 27/02/2013). ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL IMUNIDADE. ABRANGÊNCIA. SERVIÇOS CONTRAPRESTACIONAIS. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI N°8.212/91. Obedecidos os requisitos estabelecidos pelo art. 55 da Lei n° 8.212/91, a entidade beneficente de assistência social faz jus à isenção da Cofins, que abrange inclusive a receita oriunda de serviços contraprestacionais relacionados com o seu objeto social. (Acórdão nº 930301521, Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda, Sessão de 04/07/2011). ENTIDADES DE EDUCAÇÃO. CNAS E ISENÇÃO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ABRANGÊNCIA. À vista da decisão do Supremo Tribunal Federal na medida cautelar na ADI 2.028, os requisitos de exclusividade e gratuidade na prestação de serviços não podem ser exigidos das entidades de assistência social para a caracterização da imunidade constitucional às contribuições sociais. Assim, o conceito de “receitas de atividades próprias”, para efeito da isenção de PIS e Cofins das entidades que tenham certificado de entidade beneficente de assistência social, abrange também as receitas retributivas destas entidades. (Acórdão nº 330201.563, Rel. Cons. José Antônio Francisco, Sessão de 25/04/2012). DECRETO Nº 4.524/2002. ART. 99 DO CTN. ATIVIDADE PRÓPRIA. A prestação de serviços e exploração dos bens patrimoniais para auferir receita a ser destinada a suas finalidades assistenciais constitui uma das atividades próprias da entidade beneficente, prevista em seu estatuto social, sendo ilegal restringir o conceito de atividade própria para excluir aquelas que envolvem contraprestação direta, porquanto o art. 14, X, da MP 2.15835/ 2001, e o art. 46 do Decreto nº 4.524/2002 assim não o fizeram. (Acórdão nº 3202001.904, Rel. Cons. Thiago Moura de Albuquerque Alves, Sessão de 25/04/2012) Fl. 2207DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12448.723763/201385 Acórdão n.º 3202001.239 S3C2T2 Fl. 2.208 43 Ora, o fato de a Recorrente executar atividades de pesquisas tecnológicas em redes, de desenvolvimento e operação de meios e serviços de redes avançadas e do desenvolvimento tecnológico na área de redes, recebendo remuneração por isso com base em contrato de gestão, tudo devidamente dentro das disposições contidas na Lei n° 9.637/1998 e fiscalizada pelos órgãos anteriormente apontados, aplicando os montantes recebidos nas suas finalidades típicas e estatutárias, faz com que esteja cumprida a determinação contida no artigo 14 Medida Provisória n° 2.15835/2001. Diante de todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 2208DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 13896.002249/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. MOLÉSTIA GRAVE. RESGATES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA.
Inaplicável a isenção do imposto de renda por moléstia grave aos valores resgatados de entidade de previdência privada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 26/05/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, e Rubens Maurício Carvalho. Ausente, justificadamente, a Conselheira a Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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MOLÉSTIA GRAVE. RESGATES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. Inaplicável a isenção do imposto de renda por moléstia grave aos valores resgatados de entidade de previdência privada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 26/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, e Rubens Maurício Carvalho. Ausente, justificadamente, a Conselheira a Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 22 49 /2 00 9- 19 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13896.002249/200919 Acórdão n.º 2102002.627 S2C1T2 Fl. 3 2 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 38 a 42: O contribuinte em epígrafe insurgese contra o lançamento de fl. 05, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2005, que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 31.480,87 correspondente a imposto suplementar, multa de ofício e juros de mora. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), o lançamento teve origem na glosa da dedução a título de despesas médicas na quantia de R$ 41.913,95 e das contribuições à previdência privada e Fapi na quantia de R$ 15.708,43. Em sua impugnação o contribuinte requer a retificação do lançamento alegando, em síntese, que é portador de moléstia grave, conforme laudo pericial que anexa à fl. 04 e que, portanto, seriam isentos de tributação os benefícios pagos pelo INSS e pela previdência privada. Requer a restituição do imposto retido na fonte no valor de R$ 20.728,67. Não contesta a glosa das deduções pleiteadas. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente em parte o lançamento, excluindo dentre os rendimentos tributáveis apenas os proventos de aposentadoria pagos pelo INSS, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI. A matéria não expressamente contestada na impugnação é considerada incontroversa, consolidandose administrativamente o crédito tributário a ela correspondente. ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Estão isentos de tributação os proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave elencada em lei, devidamente reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial. A isenção restringese aos proventos de aposentadoria, reforma ou pensão não alcançando rendimentos de qualquer outra natureza. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 47 a 50, alegando que os rendimentos recebidos pelo recorrente do Bradesco Vida e Previdência, bem Fl. 86DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13896.002249/200919 Acórdão n.º 2102002.627 S2C1T2 Fl. 4 3 como, da Metlife Vida e Previdência Privada S/A, também gozam de isenção do imposto de renda uma vez que é portador de moléstia grave. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. OBJETO DO RECURSO Da sucumbência decorrente da decisão anterior, nesse Recurso aprecio se os rendimentos tributáveis da Bradesco Vida e Previdência e da Metlife Vida e Previdência Privada S/A declarados pelo contribuinte à fl. 20, são alcançados pela isenção do imposto de Renda pelo fato do recorrente ser portador de moléstia grave. De acordo com o RIR/99, temos o seguinte: Capítulo II RENDIMENTOS ISENTOS OU NÃO TRIBUTÁVEIS Art.39 .Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Proventos de Aposentadoria por Doença Grave XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei n º 7.713, de 1988, art. 6 º , inciso XIV, Lei n º 8.541, de 1992, art. 47, e Lei n º 9.250, de 1995, art. 30, § 2 º ); (...) XXXVIII o valor de resgate de contribuições de previdência privada, cujo ônus tenha sido da pessoa física, recebido por Fl. 87DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13896.002249/200919 Acórdão n.º 2102002.627 S2C1T2 Fl. 5 4 ocasião de seu desligamento do plano de benefício da entidade, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1 º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995 (Medida Provisória n º1.74937, de 11 de março de 1999, art. 6 º ); (...) § 6 º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. Feito esse estudo da legislação aplicável e observando que os extratos de fls. 35 e 36 mostram que os rendimentos da Bradesco Vida e Previdência e da Metlife Vida e Previdência Privada S/A declarados pelo recorrente são decorrentes de RESGATES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA, concluímos que o contribuinte não pode gozar da isenção do IR por moléstia grave, pois, a legislação somente prevê essa possibilidade quando os valores são percebidos a título de complementação de aposentadoria, § 6 º transcrito acima. De outro lado, a título de esclarecimento, independente do fato da moléstia grave, seriam isentos os valores resgatados no caso do inciso XXXVIII, contudo, não se identifica aplicação do fato à norma no caso em debate. CONCLUSÃO Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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