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Numero do processo: 10120.007116/2010-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006, 2007, 2008
Ementa:
DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A partir da edição da Lei nº. 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. À evidência, comprovado pelo contribuinte que parcela dos créditos tidos como de origem não comprovada decorreram de operações efetuadas com recursos e em benefício de terceiros, os montantes correspondentes devem ser excluídos de tributação.
PRECLUSÃO.
À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para delas tomar conhecimento em sede de recurso voluntário.
Numero da decisão: 1301-001.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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A partir da edição da Lei nº. 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. À evidência, comprovado pelo contribuinte que parcela dos créditos tidos como de origem não comprovada decorreram de operações efetuadas com recursos e em benefício de terceiros, os montantes correspondentes devem ser excluídos de tributação. PRECLUSÃO. À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para delas tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 71 16 /2 01 0- 47 Fl. 4344DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10120.007116/201047 Acórdão n.º 1301001.291 S1C3T1 Fl. 4.345 2 Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 4345DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10120.007116/201047 Acórdão n.º 1301001.291 S1C3T1 Fl. 4.346 3 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas aos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, formalizadas em razão da imputação das seguintes infrações: i) omissão de receitas, caracterizada pela escrituração a menor de valores constantes de notas fiscais (anoscalendário de 2006 e de 2007); ii) omissão de receitas, caracterizada pela não comprovação da origem de créditos bancários (anoscalendário de 2005, 2006 e de 2007). No período submetido a exame, a contribuinte apresentou declarações de informação (DIPJ) assinalando a opção pela tributação com base no lucro presumido. Por entender que no caso da infração descrita no item “i” acima restou caracterizada a prática de crime contra a ordem tributária, a Fiscalização aplicou multa qualificada de 150% na constituição do crédito tributário dela decorrente. Transcrevo, a seguir, fragmento do relatório constante na decisão de primeira instância que descreve os argumentos trazidos pela autuada em sede de impugnação. A empresa autuada foi cientificada da exigência em 06/09/2010 (AR colado à fl. 1549), tendo apresentado em 07/10/2010 as petições impugnativas acostadas às fls. 1550 a 1560 (CSLL), 1561 a 1571 (PIS), 1572 a 1582 (IRPJ) e 1583 a 1593 (Cofins). Apoiada nos documentos às fls. seguintes (relatório de créditos, extratos bancários e declarações de importação), a interessada contrapõese ao feito, em todas as peças de defesa apresentadas, com os argumentos a seguir sumariados: Das Preliminares. Alega a impugnante a nulidade do auto de infração, e da respectiva multa imposta à autuada, por não possuir qualquer motivação válida, apenas se limitando a dar o enquadramento da conduta, de maneira genérica e superficial. Nesse sentido, defende que, pela motivação, o administrador justifica sua ação administrativa, indicando os fatos que ensejam o ato e os preceitos jurídicos que autorizam sua prática e que, na autuação em tela, os pressupostos de fato e de direito não foram devidamente analisados. Destacase que a requerente confunde os valores de multa impostos com as importâncias relativas ao tributo devido, verbis: Foralhe imputada as multas previstas nos artigos 25 e 42 da Lei n. 9.430/96; art. 528 do RIR/99. Tal citação referese ao auto de infração com exigência de IRPJ, porém o mesmo ocorre em relação aos demais tributos. Fl. 4346DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10120.007116/201047 Acórdão n.º 1301001.291 S1C3T1 Fl. 4.347 4 Alega a empresa autuada, também, que a ausência de numeração do auto de infração obsta sobremaneira o exercício de seu direito de defesa. Ainda no tocante à alegação de cerceamento do direito de defesa, consigna a impugnante (que) foi prejudicada pelo descumprimento, pela Polícia Federal, da ordem judicial para fornecer cópias dos discos rígidos apreendidos na operação denominada “Vulcano”, em que constava toda a movimentação financeira e profissional da empresa. Sustenta, por fim, com base no princípio do devido processo legal, que, para que seja aplicada uma multa, é necessário que haja um prévio processo administrativo em que seja garantida a ampla defesa e o contraditório. Defende a interessada que, somente depois de exercitado tal direito constitucional, pode a multa ser fixada e aplicada, e que o auto de infração deve ser declarado nulo por afronta aos princípios da legalidade, motivação, contraditório e ampla defesa. Do Mérito. Assevera a requerente que, sendo responsável pelo despacho aduaneiro das mercadorias importadas por seus clientes, recebia via depósito bancário os valores correspondentes aos tributos gerados pelas operações de importação e, por meio de débito automático devidamente registrado no SISCOMEX, efetuava os recolhimentos de IPI, PIS e Cofins, conforme segue: Ora, se resta plenamente comprovado que a movimentação financeira registrada na conta corrente está compatível com as operações de importação declaradas à Receita Federal do Brasil através do SISCOMEX, conforme pode ser verificado nos extrados das “DIs” relacionadas no anexo III da presente impugnação, o que desde já requer a juntada a ser promovida pelo órgão autuador, já que faz parte de seu banco de dados, sendo certo que os débitos automáticos dos valores correspondentes aos tributos gerados pelas operações de importação, devidamente registrados no SISCOMEX, eram realizados diretamente na conta corrente da empresa autuada. Passo seguinte, argumenta que a autuação representa bitributação, pois os valores dos depósitos realizados na conta corrente, objeto dos autos de infração, corresponderiam a valores de tributos já recolhidos. Nesse sentido, repisa que os depósitos de maior vulto eram destinados ao pagamento de tributos devidos por empresas importadoras, que contrataram os serviços da empresa autuada para o desembaraço aduaneiro das mercadorias. Cita, então, decisões judiciais sobre a matéria. No que tange à comprovação, protesta pela juntada posterior de documentos, em vista da greve geral dos bancários, in verbis: Por fim, considerando que se tratam de documentos de mais de três anos atrás, e que não é emitido comprovante dos débitos automáticos realizados na conta corrente da autuada e tão somente registrados no SISCOMEX, a autuada solicitou ao Banco do Brasil os extratos e cópias de cheques e transações do período, protocolizado por correspondência com AR (doc. anexo) em razão da greve geral dos bancários, de forma que protestase pela juntada posterior de tais documentos. Por fim, requer que: a) seja declarada a nulidade dos autos de infração; Fl. 4347DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10120.007116/201047 Acórdão n.º 1301001.291 S1C3T1 Fl. 4.348 5 b) acaso se entenda pela legalidade da cobrança, seja declarada a inexistência de quaisquer créditos a serem exigidos da empresa suplicante, ao argumento de que as declarações e os recolhimentos realizados pela mesma se fizeram em consonância ao determinado pela legislação fiscal vigente; c) sejam apresentados nos autos todos os extratos de declarações de importação relacionadas no Anexo III, com informações relativas a: débito automático referente ao valor do PIS, Cofins, IPI e taxa de registro das DI no SISCOMEX; d) seja o Banco do Brasil S/A oficiado para que apresente nos autos do presente processo todos os extratos, cópias de cheques e demais transações ocorridas na contacorrente da autuada. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, Distrito Federal, apreciando as razões trazidas contribuinte, decidiu, por meio do acórdão nº 0344.046, de 15 de julho de 2011, pela procedência dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. LEGALIDADE. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Reputase válido o auto de infração que contém todos os requisitos formais exigidos pela legislação processual, os quais incluem a completa descrição dos fatos, de modo a permitir que o sujeito passivo, na impugnação, exerça o direito ao contraditório e à ampla defesa. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Tributase como receita omitida os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não faça prova de sua origem, mediante apresentação de documentação hábil e idônea. OMISSÃO DE RECEITAS. BIS IN IDEM. Descabe a arguição de bis in idem, na autuação por omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, quando não resta comprovado que os depósitos objeto da autuação decorreram do repasse de valores para pagamento de tributos. NOTAS FISCAIS NÃO ESCRITURADAS. MATÉRIA PRECLUSA. Matérias não questionadas pela defesa na peça impugnatória resultam em crédito tributário definitivamente constituído, restando preclusos novos questionamentos a respeito. MULTA QUALIFICADA. MATÉRIA PRECLUSA. Matérias não questionadas pela defesa na peça impugnatória resultam em crédito tributário definitivamente constituído, restando preclusos novos questionamentos a respeito. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Fl. 4348DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10120.007116/201047 Acórdão n.º 1301001.291 S1C3T1 Fl. 4.349 6 Indeferese pedido de produção de provas adicionais quando a solicitação é apresentada em desacordo com o disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre a preclusão do direito de apresentar novas provas após a impugnação. LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, por resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável. Irresignada, a contribuinte apresenta o recurso voluntário de fls. 2.889/2.909, por meio do qual sustenta: que, diante do decidido em primeira instância, junta documentos apresentados anteriormente, de maneira individualizada por depósito bancário, de modo a facilitar a demonstração da origem dos créditos bancários; que não há de se falar em documentos novos, já que se tratam dos mesmos documentos juntados anteriormente, apenas reorganizados de modo individualizado por depósito; que não há no auto de infração “qualquer arrazoado” capaz de justificar a consideração dos depósitos como receita; que a autoridade fiscal não se pronunciou acerca dos motivos que a levaram a não acolher a documentação apresentada para comprovar a origem dos depósitos bancários; que a decisão de primeira instância também é nula, pois, embora haja nos autos documentos que comprovem os supostos depósitos não identificados, a autoridade julgadora simplesmente afirma que não lhe cabe fazer a vinculação dos documentos juntados; que o fato de existir autorização para a utilização de presunções não dispensa o Fisco de diligenciar, investigar, procurar e descobrir as reais proporções dos fatos que pretende submeter à tributação; que os depósitos bancários não podem se constituir em fatos geradores de imposto sob o artifício da utilização de presunções; que todos os depósitos têm saídas para pagamento de terceiros, cabendo notar que os valores correspondentes (depósitos e saídas) apresentam proximidade, inclusive em relação às datas em que referidas operações ocorreram; que, relativamente às notas fiscais emitidas de forma divergente com a escrituração, embora a autoridade julgadora de primeira instância tem alegado que não houve manifestação, é certo que na peça impugnatória reclamou pela nulidade da autuação em todos os seus termos; que, durante determinado período, por orientação equivocada, procedia a emissão de nota fiscal com o valor da comissão que recebia e, muitas vezes, acrescida de outros pagamentos relativos a gastos com as operações de exportação e importação, enquanto na escrituração registrava somente o montante referente aos valores cobrados pelos serviços Fl. 4349DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10120.007116/201047 Acórdão n.º 1301001.291 S1C3T1 Fl. 4.350 7 prestados (informa que juntou ao recurso duas notas fiscais em que, além da comissão, consta a “taxa Siscomex”); que, também em razão de orientação equivocada, não guardou os recibos relativos aos pagamentos que efetuou; que não houve máfé na sua atuação, não havendo, assim, que se falar em existência de dolo capaz de justificar a aplicação da multa de 150%; que a autoridade autuante não provou a existência do dolo, considerando a suposta omissão de receita fato suficiente para sustentar a ocorrência de fraude. É o Relatório. Fl. 4350DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10120.007116/201047 Acórdão n.º 1301001.291 S1C3T1 Fl. 4.351 8 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata o presente de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas aos anoscalendário de 2005 a 2007, formalizadas com base na imputação de omissão de receitas. Em conformidade com o Auto de Infração de fls. 1.441/1.461, a omissão de receitas apurada derivou das seguintes constatações: i) escrituração a menor nos Livros de Apuração do ISS e Razão de notas fiscais emitidas – por entender que a conduta revelouse reiterada, vez que foram identificadas duzentos e trinta e sete notas fiscais cujos valores foram registrados a menor na contabilidade, a Fiscalização aplicou multa qualificada de 150%; ii) depósitos bancários de origem não comprovada. A Turma Julgadora de primeira instância, apreciando as impugnações apresentadas, decidiu pela manutenção integral das exigências. Cumpre destacar que a autoridade julgadora de primeiro grau julgou preclusa, em virtude da ausência de contestação, as seguintes matérias: omissão de receitas derivada do registro contábil a menor de notas fiscais emitidas e qualificação da penalidade. Aprecio, pois, as razões trazidas em sede de recurso voluntário. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS Alegando não se tratar de documentos novos, eis que, segundo afirma, já foram juntados ao processo, a Recorrente informa que juntou ao recurso documentação que, individualizada por depósito, comprova a origem dos créditos bancários. Destaco, de início, que, intimada, a contribuinte apresentou à Fiscalização os extratos bancários requisitados, conforme documento de fls. 44. Analisando os extratos bancários apresentados, a Fiscalização expediu intimação solicitando que a contribuinte comprovasse a origem dos recursos creditados na conta nº 1.2866, agência 00140 do Banco do Brasil (fls. 244/245). Na ocasião, apresentou relação dos créditos para os quais solicitava a comprovação da origem dos recursos empregados na operação (fls. 246/259). Em atendimento, a contribuinte encaminhou documentos, por ela denominados: RELATÓRIO DE DEPÓSITO NA C/C DA EFICAZ E SUAS ORIGENS; Fl. 4351DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10120.007116/201047 Acórdão n.º 1301001.291 S1C3T1 Fl. 4.352 9 RELATÓRIO DE DECLARAÇÕES DE IMPORTAÇÕES – 2005/2006/2007; CÓPIA DAS NFs QUE ORIGINARAM OS DEPÓSITOS REFERENTES A HONORÁRIOS; CÓPIAS DAS DI (DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO); 02 VIAS DO PEDIDO DE PRORROGAÇÃO DE PRAZO; e 02 VIAS DE APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS (fls. 261). Esclareceu ainda a contribuinte, que os valores depositados na conta corrente da empresa destinavamse, regra geral, para pagamento de tributos federais, ICMS, despesas de transportes, honorários e outros gastos relacionados ao processo de despacho aduaneiro. Aduziu que a legislação permite que empresas importadoras façam depósitos na sua conta bancária para pagamento de tributos federais. Às fls. 265/304, foram juntadas planilhas, por meio das quais a contribuinte, obedecendo a ordem da relação apresentada pela Fiscalização, descreve a origem dos créditos bancários. Às fls. 305/307, foram juntadas planilhas, denominadas RELATÓRIO DE DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO 2005/2006 e 2007, em que no campo OBSERVAÇÃO consta a indicação do valor supostamente depositado. Às fls. 308/1.089, foram juntados documentos diversos, todos relacionados à importação. Analisando a referida documentação, a autoridade fiscal considerou comprovada a origem de determinados créditos, motivo pelo qual elaborou novo demonstrativo contendo os valores que entendeu não comprovados (fls. 1.436/1.440). A documentação aportada pela contribuinte, com a devida vênia, em nada concorreu para comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária. Ainda que se pudesse admitir plausibilidade no que parecia ser1 a tese esposada pela contribuinte, qual seja, a de que os valores depositados em sua conta bancária, em certa parte2, eram provenientes de importadores e se destinavam a pagamentos de despesas de responsabilidade deles, a documentação trazida pela fiscalizada no curso da ação fiscal não permitia vinculação entre os responsáveis pelos depósitos e suas destinações, de modo a deixar fora de dúvida que, de fato, os depositantes eram seus clientes e os respectivos valores eram aplicados em benefício deles. Em sede de recurso voluntário, entretanto, a contribuinte reuniu documentos promovendo a vinculação em referência, de modo que, a meu ver, restou comprovada parte dos créditos bancários apontados pela Fiscalização nos demonstrativos de fls. 1.436/1.440, demonstrativos esses que serviram de suporte para a autuação. 1 "Parecia ser", pois, em nenhum momento a contribuinte afirmou que os valores foram efetuados pelos seus clientes, apenas esclareceu que os valores depositados destinavamse a pagamentos de despesas vinculadas a importações realizadas por eles. 2 Em certa parte porque, na descrição da origem dos créditos bancários, inúmeros montantes são identificados como oriundos dos serviços prestados pela fiscalizada. Fl. 4352DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10120.007116/201047 Acórdão n.º 1301001.291 S1C3T1 Fl. 4.353 10 Analisada a documentação de fls. 2.932 e seguintes, apresento o quadro3 abaixo, representativo dos créditos para os quais não identifiquei comprovação da respectiva origem e daqueles que, diante da documentação trazida pela Recorrente, entendo que tal exigência foi cumprida. FATO GERADOR MATÉRIA TRIBUTÁVEL APURADA (R$) COMPROVADO (R$) NÃO COMPROVADO (R$) 30/09/2005 11.704,18 11.704,18 30/09/2005 52.635,55 31.192,50 21.443,05 30/09/2005 20.446,21 9.746,21 10.700,00 31/12/2005 39.228,65 26.982,04 12.246,61 31/12/2005 19.316,66 13.392,10 5.924,56 31/12/2005 15.306,00 15.306,00 31/03/2006 7.838,46 7.838,46 31/03/2006 5.522,87 5.522,87 31/03/2006 40.349,56 17.569,90 22.779,66 30/06/2006 19.533,47 9.533,47 10.000,00 30/06/2006 361.638,88 325.258,49 36.380,39 30/06/2006 46.737,60 38.264,19 8.473,41 30/09/2006 69.848,20 66.982,45 2.865,75 30/09/2006 111.065,13 77.751,83 33.313,33 30/09/2006 71.533,53 31.774,41 39.759,12 31/12/2006 95.743,73 74.523,96 21.219,77 31/12/2006 58.848,12 57.370,75 1.477,37 31/12/2006 58.645,48 49.723,58 8.921,90 31/03/2007 315.595,69 21.187,51 294.408,18 31/03/2007 475.845,81 475.845,81 31/03/2007 327.996,86 56.340,18 271.656,68 30/06/2007 265.096,36 265.096,36 3 Visando uma melhor identificação da matéria tributável remanescente, o referido quadro guarda relação com os valores apontados pela autoridade fiscal na peça de autuação, às fls. 1.449/1.451. Fl. 4353DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10120.007116/201047 Acórdão n.º 1301001.291 S1C3T1 Fl. 4.354 11 30/06/2007 315.452,47 38.658,07 276.794,40 30/06/2007 292.015,19 24.897,16 267.118,03 30/09/2007 57.964,41 32.525,43 25.438,98 30/09/2007 348.831,09 33.848,01 314.983,08 30/09/2007 33.213,29 11.610,54 21.602,75 31/12/2007 89.993,44 74.613,44 15.380,00 31/12/2007 272.885,81 263.463,38 9.422,43 31/12/2007 183.747,40 133.877,37 49.870,03 TOTAL 1.546.152,48 Esclareço que os créditos cuja origem foi tida como não comprovada foram assim considerados em razão de: i) falta de apresentação de documentos; ii) apresentação de documentos comprovando o depositário, mas sem a comprovação de que os recursos foram destinados em benefício dele (do depositante); e iii) divergências entre os dados constantes do documento apresentado e do depósito bancário, impedindo a efetiva vinculação entre eles. Ou seja, foram considerados comprovados créditos para os quais foram identificados, no mínimo, os seguintes documentos: comprovante de transferência bancária efetuada pelo importador; documentos comprobatórios da operação de importação; comprovante da despesa incorrida pela importadora e paga pela fiscalizada; e extrato bancário comprovando a entrada (transferência bancária) e a saída (pagamento da despesa) dos recursos financeiros. FUNDAMENTOS DA AUTUAÇÃO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS Argumenta a Recorrente que não há no Auto de Infração “qualquer arrazoado” capaz de justificar a consideração dos depósitos como receita. Diz que a autoridade fiscal não fez qualquer referência aos documentos apresentados, levandoa a subordinarse ao arbítrio do Fisco. Afirma que a decisão de primeira instância também é nula, pois, embora haja nos autos documentos que comprovam a origem dos depósitos, ela simplesmente assevera que não cabe à autoridade julgadora fazer vinculação de documentos. Adiante, sustenta que a tributação não pode incidir sobre depósitos bancários, mas, sim, sobre riquezas novas. Diz que, embora seja possível a utilização da presunção legal, ela deve ser adequada ao caso, o que não ocorreu nos presentes autos, já que neles foram juntados documentos comprobatórios da origem dos depósitos. Alega que a afirmação da autoridade julgadora recorrida de que há no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, uma presunção que dispensa a autoridade fiscal do dever de prova não se sustenta, seja porque não houve reprodução da norma prevista no art. 6º, parágrafo 5º, da Lei nº 8.021/90, seja porque tal exegese conflita diretamente com os arts. 43 e 142 do Código Tributário Nacional. Primeiramente, cabe notar que, já por ocasião em que a contribuinte foi intimada a comprovar a origem dos créditos bancários (Termo de Intimação de fls. 244/245), a Fiscalização a alertou, no próprio corpo da intimação, que “a não comprovação da origem dos Fl. 4354DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10120.007116/201047 Acórdão n.º 1301001.291 S1C3T1 Fl. 4.355 12 recursos utilizados nas operações de créditos relacionados neste termo, na forma e prazo estabelecidos, ensejará lançamento de ofício, a título de omissão de receita, nos termos do art. 287, do RIR/99, sem prejuízo de outras sanções legais que couberem.” O artigo 287 do RIR/99, que reproduz disposições do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, assim dispõe: Art. 287. Caracterizamse também como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42). § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, § 1º). § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo do imposto a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, § 2º). § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados os decorrentes de transferência de outras contas da própria pessoa jurídica (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, § 3º, inciso I). Nessa mesma linha, não encontra respaldo nos autos a argumentação da Recorrente de que não consta do auto de infração “qualquer arrazoado” capaz de justificar a consideração dos depósitos como receita e de que a autoridade fiscal não fez qualquer referência aos documentos apresentados. Com efeito, a autoridade autuante, ao descrever a infração no próprio corpo da peça acusatória, fls. 1.449, assinalou: Em 29/07/2010, através do documento (fls. 261 e 262), o contribuinte apresentou os seguinte documentos: Relatório de depósitos na C/C da Eficaz e suas origens (fls. 265 a 304); Relatório de Declarações de Importações 2005 a 2007 (fls. 305 a 307); Cópias das NFs que originaram os depósitos referentes a honorários (fls. 1090 a 1263); Cópias das DIs (Declaração de Importação) fls. 308 a 1089; Pedido de prorrogação de prazo por mais 20 dias (fls. 263). Em relação a solicitação de prazo, o mesmo foi concedido através do Termo de Esclarecimento n° 4 (fls. 1264 a 1266), tendo esse prazo expirado em 18/08/2010. De posse dos documentos apresentados, os mesmos foram analisados tendo como resultado a elaboração de novo demonstrativo contendo os depósitos que não foram comprovados (fls. 1436 a 1440), sendo o mesmo objeto de lançamento. Fl. 4355DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10120.007116/201047 Acórdão n.º 1301001.291 S1C3T1 Fl. 4.356 13 Em relação a essa planilha, cabe informar que analisando os relatórios (fls. 265 a 307), e cópias das DI (Declaração de Importação) fls. 308 a 1089, constatase que as informações ali prestadas não corresponde com os valores depositados. Nesse relatório são citadas despesas de armazenagem, taxa de registro, taxa de classificacão vegetal sem a devida comprovação. LANÇAMENTOS DE OFÍCIO OMISSÃO DE RECEITAS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de receitas constantes da planilha (fls. 1436 a 1440), contendo os depósitos bancários não comprovados, haja vista que a apresentação dos documentos pelo contribuinte (f is. 265 a 1089) ser insuficiente para comprovar os mesmos. Com o devido respeito, a transcrição acima fala por si, tornando absolutamente improcedentes as alegações da Recorrente. O fato de a documentação juntada pela contribuinte, na forma adotada por ela, impossibilitar a comprovação das alegações trazidas em sede de contestação, à evidência, não pode dar causa à nulidade da decisão exarada pela autoridade julgadora. Não merecem acolhida, também, as alegações da contribuinte no sentido de que a tributação não pode incidir sobre depósitos bancários, pois, como visto, os lançamentos tributários tiveram por suporte presunção expressamente prevista em lei. Como é cediço, o lançamento efetuado com base em depósitos bancários em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos, tem amparo em norma legal (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996). Tratase, assim, de presunção prevista em lei, em que cabe ao contribuinte trazer aos autos elementos capazes de impedir a sua aplicação, providência que, é bom que se ressalte, só foi adequadamente adotada pela Recorrente, ao menos em parte, por ocasião da interposição do recurso voluntário. Cabe registrar, ainda, que o parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021, de 1990, citado pela Recorrente, foi expressamente revogado pelo art. 88 da Lei nº 9.430, de 1996. No mais, tratandose de norma que goza de vigência de plena, este Colegiado, por força do disposto no art. 62 do seu Regimento Interno (Anexo II), não pode afastar a sua aplicação, motivo pelo qual deixo de apreciar o suposto conflito com as disposições dos arts. 43 e 142 de Código Tributário Nacional, aventado pela autuada. NOTAS FISCAIS EMITIDAS, INEXISTÊNCIA DE MÁFÉ E MULTA DESPROPORCIONAL Sustenta a Recorrente que, não obstante o fato de a decisão recorrida mencionar que não houve contestação, é certo que a impugnação suscitou a nulidade da autuação em todos os seus termos, inclusive com relação às notas fiscais emitidas e escrituradas de forma distinta, bem como em relação à multa qualificada. Diz que, por orientação equivocada, durante determinado período procedia a emissão de nota fiscal com o valor da comissão que recebia acrescida, muitas vezes, de outros pagamentos, enquanto, na Fl. 4356DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10120.007116/201047 Acórdão n.º 1301001.291 S1C3T1 Fl. 4.357 14 escrituração, registrava apenas o montante correspondente aos serviços prestados. Com relação aos citados pagamentos, informa que não guardou os recibos correspondentes. Argumenta que, em virtude das razões antes expostas, fica caracterizado que não houve máfé na sua atuação, não havendo que se falar, assim, em dolo. Analisando as peças impugnatórias anteriormente apresentadas, constato que, de fato, a contribuinte não ofereceu argumentos no sentido de contestar a apuração da omissão de receitas que teve por suporte a escrituração a menor de notas fiscais, bem como a penalidade qualificada aplicada pela autoridade fiscal em decorrência da constatação de tal conduta. Com efeito, nas peças impugnatórias reunidas ao processo às fls. 1550/1593, as alegações trazidas pela autuada foram dirigidas para as seguintes questões: nulidade do auto de infração e “respectivo Termo de Apreensão”; impossibilidade de aplicação de multa antes de “todo o processo administrativo”, sob pena de violação ao devido processo legal; compatibilidade dos depósitos bancários com as Declarações de Importação constantes do SISCOMEX, onde também constam dados relativos a valores recolhidos a título de PIS, COFINS, IPI e taxa de registro; prejuízo ao exercício do direito de defesa em virtude de apreensão feita pela Polícia Federal; compatibilidade dos depósitos de maior vulto com o pagamento de tributos exigidos pela Receita Federal nas operações de importação; e ocorrência de bitributação na autuação. Cabe observar que na única ocasião em que as impugnações tangenciam a acusação feita pela Fiscalização de que foram efetuados registros contábeis a menor de notas fiscais emitidas, a contribuinte simplesmente assinala: As notas fiscais emitidas pela autuada correspondem tão somente aos valores dos honorários pelos serviços de despacho da operação de importação, sendo portanto absolutamente verdadeiras, e seus valores correspondem à realidade dos fatos. A alegação, como se vê, não guarda relação com a infração imputada pela Fiscalização, eis que a acusação é dirigida no sentido de que na escrituração foram consignados valores a menor que os constantes das notas fiscais. Assim, se, como alega a contribuinte, referidas notas são verdadeiras e seus valores correspondem à realidade dos fatos, resta confirmada a procedência da autuação empreendida pela autoridade fiscal. Correto, portanto, o pronunciamento da autoridade julgadora a quo no sentido de decretar a ausência da instauração do litígio em relação às matérias em questão, quais sejam, escrituração a menor de notas fiscais e qualificação da multa de ofício aplicada. Com efeito, a teor do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, abaixo transcrito, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. Fl. 4357DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10120.007116/201047 Acórdão n.º 1301001.291 S1C3T1 Fl. 4.358 15 Diante de todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir de tributação o montante de R$ 1.546.152,48, na forma abaixo indicada. FATO GERADOR MATÉRIA TRIBUTÁVEL APURADA (R$) MATÉRIA TRIBUTÁVEL EXONERADA (R$) 30/09/2005 11.704,18 11.704,18 30/09/2005 52.635,55 31.192,50 30/09/2005 20.446,21 9.746,21 31/12/2005 39.228,65 26.982,04 31/12/2005 19.316,66 13.392,10 31/12/2005 15.306,00 31/03/2006 7.838,46 7.838,46 31/03/2006 5.522,87 5.522,87 31/03/2006 40.349,56 17.569,90 30/06/2006 19.533,47 9.533,47 30/06/2006 361.638,88 325.258,49 30/06/2006 46.737,60 38.264,19 30/09/2006 69.848,20 66.982,45 30/09/2006 111.065,13 77.751,83 30/09/2006 71.533,53 31.774,41 31/12/2006 95.743,73 74.523,96 31/12/2006 58.848,12 57.370,75 31/12/2006 58.645,48 49.723,58 31/03/2007 315.595,69 21.187,51 31/03/2007 475.845,81 31/03/2007 327.996,86 56.340,18 30/06/2007 265.096,36 30/06/2007 315.452,47 38.658,07 30/06/2007 292.015,19 24.897,16 Fl. 4358DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10120.007116/201047 Acórdão n.º 1301001.291 S1C3T1 Fl. 4.359 16 30/09/2007 57.964,41 32.525,43 30/09/2007 348.831,09 33.848,01 30/09/2007 33.213,29 11.610,54 31/12/2007 89.993,44 74.613,44 31/12/2007 272.885,81 263.463,38 31/12/2007 183.747,40 133.877,37 TOTAL 1.546.152,48 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães – Relator Fl. 4359DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.003771/2008-98
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
Ementa:
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
A entrega da Declaração de Informações Sobre Atividades Imobiliárias -DIMOB, fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de R$ 500,00 (quinhentos reais) por mês-calendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; e, R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mês-calendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento. (Inteligência do artigo 57 da MP nº 2.158-35, de 2001 com a redação alterada pela Lei nº 12.766, de 2012)
Verificado no auto de infração que a Dimob /2006, tinha como prazo final para a entrega o dia 28/02/2007 e somente fora entregue à Receita Federal em 28/02/2008, resta cabível a multa por atraso na entrega, considerando 12 (doze) meses de atraso.
RETROATIVIDADE BENIGNA - Tratando-se de ato não definitivamente julgado, conforme o artigo 106, inciso II, alínea c, do CTN, a lei nova mais benéfica deve retroagir, de sorte que a multa aplicada será reduzida nos moldes do inciso I e § 3º do novo artigo 57 da MP nº 2.158-35, de 2001.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. MATÉRIA SUMULADA.
Súmula CARF No- 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1802-002.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A entrega da Declaração de Informações Sobre Atividades Imobiliárias -DIMOB, fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de R$ 500,00 (quinhentos reais) por mês-calendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; e, R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mês-calendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento. (Inteligência do artigo 57 da MP nº 2.158-35, de 2001 com a redação alterada pela Lei nº 12.766, de 2012) Verificado no auto de infração que a Dimob /2006, tinha como prazo final para a entrega o dia 28/02/2007 e somente fora entregue à Receita Federal em 28/02/2008, resta cabível a multa por atraso na entrega, considerando 12 (doze) meses de atraso. RETROATIVIDADE BENIGNA - Tratando-se de ato não definitivamente julgado, conforme o artigo 106, inciso II, alínea c, do CTN, a lei nova mais benéfica deve retroagir, de sorte que a multa aplicada será reduzida nos moldes do inciso I e § 3º do novo artigo 57 da MP nº 2.158-35, de 2001. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF No- 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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A entrega da Declaração de Informações Sobre Atividades Imobiliárias DIMOB, fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; e, R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento. (Inteligência do artigo 57 da MP nº 2.15835, de 2001 com a redação alterada pela Lei nº 12.766, de 2012) Verificado no auto de infração que a Dimob /2006, tinha como prazo final para a entrega o dia 28/02/2007 e somente fora entregue à Receita Federal em 28/02/2008, resta cabível a multa por atraso na entrega, considerando 12 (doze) meses de atraso. RETROATIVIDADE BENIGNA Tratandose de ato não definitivamente julgado, conforme o artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, a lei nova mais benéfica deve retroagir, de sorte que a multa aplicada será reduzida nos moldes do inciso I e § 3º do novo artigo 57 da MP nº 2.15835, de 2001. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF No 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 37 71 /2 00 8- 98 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho Relatório Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida que a seguir transcrevo: Trata o presente processo de impugnação à exigência da multa por atraso na entrega da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias DIMOB, do ano calendário de 2006 ( fls.09 ), no valor de R$ 60.000,00 ( sessenta mil reais ). Não se conformando com o lançamento acima descrito, o interessado apresentou a impugnação de fls. 02/08, na qual alega, em síntese, que: 1 o motivo para o lançamento está fundamentado, na notificação, no artigo 16 da Lei nº 9.799/1999 ( destinado ao imposto de renda e outras providências ) e no artigo 57 da Medida Provisória nº 215835/2001 ( também dedicada ao imposto de renda ), que não especificam as obrigações acessórias suscetíveis de acarretar a incidência da multa aplicada; 2 A Instrução Normativa SRF nº 694/2006, que trata da DIMOB, não está referida na notificação; 3 A notificação deve declinar as disposições legais infringidas pelo contribuinte, conforme determina o Decreto nº 70.235/1972. Não referindose à IN SRF nº 694/2006, evidenciase a falta de elementos essenciais para a ciência; 4 Sem a explicação obrigacional com o reconhecimento normativo correlacionado, a notificação paira sem conteúdo para o contraditório e a ampla defesa, garantias asseguradas no art. 5º, LV, da Constituição Federal; e 5 O lançamento é antijurídico, em face da norma que o inspira, radicada no art. 57 da Medida Provisória 125835 de 2001. O art. 57 citado cria obrigação tributária sem lei pertinente para a geração do crédito correlato. Questiona a edição do art. 57 da Medida Provisória 125835 de 2001, inalterada ante a Emenda Constitucional 32/2001, e conclui ser o mesmo inconstitucional, imprestável para justificar o lançamento notificado. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11080.003771/200898 Acórdão n.º 1802002.015 S1TE02 Fl. 43 3 Ante todo o exposto, requer (1) seja reconhecida a falta de elementos na notificação e determinada a renovação do ato de ciência com a integralidade de elementos necessários ao exercício do contraditório e da ampla defesa, ou (2) seja reconhecida a falta de causa jurídica para o lançamento e o cancelamento do mesmo. A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (Porto Alegre/RS) julgou improcedente a impugnação, conforme decisão proferida no Acórdão nº 10 39.704, de 18 de julho de 2012. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 DIMOB. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS O cumprimento da obrigação acessória apresentação de declarações (DIMOB) fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Não cabe ao órgão administrativo apreciar argüição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A autuada foi cientificada da mencionada decisão em 06/08/2012, e, interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 31/08/2012. A Recorrente, no essencial, argúi que, a decisão recorrida não pode prosperar, na medida em que (i) inadmissível a exigência de multa pecuniária através instrução normativa, por ofensa ao princípio da legalidade; (ii) configurado o caráter confiscatório da multa aplicada, portanto, inconcebível a cumulação e multiplicação de penalidades pelo número de meses em que não prestadas as informações. Assim, a partir de uma adequada avaliação dos fatos e de uma imparcial aplicação do direito, a Recorrente espera que se dê integral provimento ao presente recurso, reconhecendo quão imprópria a resolução daqueles por manter a multa, nos moldes em que lançada. Finalmente, entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência da multa aplicada, requer seja acolhida o Recurso Voluntário e cancelado o débito fiscal reclamado, ou, não seja a multa aplicada de forma cumulativa (por mêscalendário), mas anualmente, vez que se está diante de uma obrigação anual. É o relatório. Voto Fl. 168DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O litígio cingese ao lançamento referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Informações Sobre Atividades Imobiliárias DIMOB, anocalendário de 2006, de que trata a Notificação de Lançamento, fl.07, na qual está sendo exigido o crédito tributário no valor de R$ 60.000,00 (12 x R$ 5.000,00). Consta da mencionada Notificação de Lançamento que a DIMOB/2006, tinha como prazo final para a entrega o dia 28/02/2007 e somente fora entregue à Receita Federal em 28/02/2008. A exigência tem como fundamento o artigo 16 da Lei 9.799/99 e o art. 57 da Medida Provisória 2.15835 de 2001 (DOU 27/08/2001), a seguir: Lei nº 9.779/99 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. ... Medida Provisória nº2.15835/2001 Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: IR$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; Assim, com espeque no artigo 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999 e no artigo 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, a Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias – DIMOB que trata do prazo de entrega da declaração e das penalidades aplicáveis pela falta de entrega no prazo estabelecido, ou entrega com incorreções ou omissões, foi instituída pela Instrução Normativa SRF nº 304/2003, alterada pela IN nº 576/2005, revogada pela IN nº 694/2006, vigente à época dos fatos da Notificação de Lançamento, e, por último revogada pela IN nº 1.115, de 28/12/2010. Com efeito, a multa lançada de ofício pelo descumprimento da obrigação tributária decorre de expressa disposição legal, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo deixar de aplicála. Portanto, infundada é a alegação da Recorrente de ofensa ao princípio da legalidade para o caso em comento. Sobre os argumentos relativos ao caráter confiscatório da multa aplicada, e sua quantificação por mêscalendário (cumulação e multiplicação de penalidades pelo número de meses em que não prestadas as informações), não cabe nesta esfera administrativa qualquer pronunciamento, encontrando óbice, inclusive, na Súmula CARF Nº 2, verbis: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11080.003771/200898 Acórdão n.º 1802002.015 S1TE02 Fl. 44 5 Por outro lado, com a edição da Lei nº 12.766, de 2012, o mencionado artigo 57 da Medida Provisória nº2.15835/2001 passou a ter a seguinte redação: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) I por apresentação extemporânea:(Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido;(Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ l.000,00 (mil reais) por mêscalendário;(Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços.(Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 1o Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento).(Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 2o Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput.(Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 3o A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for Fl. 170DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) O Parecer Normativo nº 3, de 10 de junho de 2013, publicado no DOU de 12 de julho de 2013 ao tratar da nova redação do artigo 57 da MP nº 2.15835, de 2001, pela Lei nº 12.766, assim pronunciouse: O presente Parecer Normativo cuida em analisar as consequências da nova redação do art. 57 da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012, em relação a atos inerentes da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), principalmente concernentes à fiscalização e ao controle do crédito tributário. 2. Antes da publicação da Lei nº 12.766, de 2012, assim dispunha o art. 57 da MP nº 215835, de 2001: Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. 2.1. A multa tinha um escopo genérico: quando não houvesse nenhuma específica, ela seria aplicada a quaisquer situações que decorressem do descumprimento de uma obrigação acessória. Várias situações contidas em atos normativos infralegais da RFB são sancionadas com essa multa. 2.2. A Lei nº 12.766, de 2012, alterou a redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, que passou a ser: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: I por apresentação extemporânea: a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; Fl. 171DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11080.003771/200898 Acórdão n.º 1802002.015 S1TE02 Fl. 45 7 b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ l.000,00 (mil reais) por mêscalendário; III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. § 1º Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). § 2º Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea “b” do inciso I do caput. § 3º A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício.” (NR) 2.3. A multa genérica para descumprimento de obrigação acessória passou para uma que serve para os casos de não apresentação de declaração, demonstrativo ou escrituração digital1 por qualquer sujeito passivo, ou que os apresentar com incorreções ou omissões. Como novidade, o inciso II determina que os prazos para a apresentação dos documentos descritos no caput não podem ser inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias da intimação. 3. Com esse quadro, sete questionamentos são feitos: (i) ocorreu revogação tácita dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, tendo em vista a falta de disposição específica; (ii) como interpretar o prazo de quarenta e cinco dias a que se refere o inciso II da atual redação do art. 57; (iii) como ficam as multas cuja base legal é a antiga redação do art. 57 da MP nº 2.158 35, de 2001; (iv) continuam vigentes as multas do art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, e do art. 30 da Lei nº 10.637, de 2002, do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, e do art. 7º da Lei nº 9.393, de 1996, do art. 9º da Lei nº 11.371, de 2006, do art. 9º da Lei nº 11.371, de 2006, e do § 2º do art. 5º da Lei nº 11.033, de 2004; (v) como ficam as multas envolvendo o Simples Nacional (vi) Fl. 172DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 como interpretar o aspecto quantitativo da nova multa; e (vii) há consequência no trabalho de compensação, restituição e ressarcimento? ... 6. Há que se verificar diversas multas atualmente cobradas pela fiscalização ou pelo controle do crédito tributário e se elas foram ou não afetadas pela nova Lei. 6.1. Em relação à Escrituração Contábil Digital (ECD), à Escrituração Fiscal Digital (EFD), ao Livro Eletrônico de Escrituração e Apuração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (eLalur), à declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob), à Declaração de Benefícios Fiscais (DBF) e à Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), as multas constantes, respectivamente, do art. 10 da Instrução Normativa (IN) RFB nº 787, de 2007, do art. 7º da IN RFB nº 1.052, de 2010, do art. 7º da IN RFB nº 989, de 2009, do art. 4º da IN RFB nº 1.115, de 2010, do art. 5º da IN RFB nº 1.307, de 2012, do art. 5º da IN RFB nº 1.114, de 2010, e do art. 6º da IN RFB nº 985, de 2009, deixaram de ter base legal, motivo pelo qual não podem mais ser cobradas. A sanção pelo descumprimento dessas condutas, entretanto, se amolda ao contido na nova redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. 6.1.1. A IN RFB nº 787, de 2007 (ECD), a IN RFB nº 989, de 2009 (eLalur), a IN RFB nº 1.052, de 2010 (EFD), a IN RFB nº 1.115, de 2010 (Dimob) e a IN RFB nº 985, de 2009 (Dmed), direcionamse apenas às pessoas jurídicas de direito privado ou equiparadas, motivo pelo qual todos os aspectos da regramatriz da multa do novo art. 57 da MP são passíveis de aplicação. 6.1.2. Quanto à IN RFB nº 1.307, de 2012 (DBF) e à IN RFB nº 1.114, de 2010 (Derc), a análise deve ser mais detalhada. A multa do art. 57 da MP possui como aspecto pessoal as pessoas físicas e jurídicas, tanto de direito público como privado. (...) ... 6.1.3. Os dispositivos das IN devem ser alterados para conterem a sua nova base legal. 6.1.4. Nas multas anteriormente lançadas que, no caso concreto, sejam mais gravosas que a nova multa, a lei nova mais benéfica deve retroagir, tratandose de ato não definitivamente julgado, conforme art. 106, inciso II, alíneas “a” e “c”, do CTN. ... (v) Como interpretar o aspecto quantitativo da nova multa? 8. Quanto aos aspectos material e quantitativo da nova multa, esta possui hipóteses e bases de cálculo específicos nos seus três incisos. O inciso I é para apresentação extemporânea, no valor de R$ 500,00 ou R$ 1.500,00 por mês calendário, a depender da forma de apuração do lucro. O inciso II é pelo não atendimento Fl. 173DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11080.003771/200898 Acórdão n.º 1802002.015 S1TE02 Fl. 46 9 à intimação para apresentar os arquivos digitais ou para prestar esclarecimentos, no valor de R$ 1.000,00 por mês calendário. O inciso III é por apresentálos com informações inexatas, incompletas ou omitidas, no valor correspondente a 0,2% (dois décimos por cento) do faturamento do mês anterior ao da entrega, não podendo ser inferior a R$ 100,00 (cem reais). 8.1. O inciso I é pelo atraso na entrega, conhecido como Maed atualmente. No caso, seria por atraso na entrega de declaração, escrituração ou demonstrativo digital. Quando tais arquivos são entregues com atraso, a multa automaticamente é lançada. O valor de R$ 500,00 (alínea “a”) é para aqueles que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido. O de R$ 1.500,00 (alínea “b”) é para os que tenham apurado lucro real. 8.1.1. A declaração para verificar a forma de “apuração” do imposto de renda é a última Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) entregue pelo autuado na época da ocorrência do fato jurídico que ensejou a multa, qual seja, o primeiro dia após o prazo final de entrega do arquivo. Utilizase a última declaração existente no sistema, mesmo que de período pretérito. A despeito de não haver propriamente uma apuração do lucro, é a declaração que mais se aproxima do conceito buscado pelo legislador. É também a mais estável, pois a DCTF não correspondendo necessariamente à opção anual da forma de apuração pelo contribuinte. 8.1.2. Caso não tenha havido ainda a apresentação de DIPJ (principalmente nos casos de pessoas jurídicas recentemente constituídas), então devese utilizar a última DCTF entregue pelo sujeito passivo da multa. 8.1.3. Em suma, a apuração do valor da multa darseá de acordo com a forma de apuração do lucro existente na última DIPJ entregue ou, na sua falta, na última DCTF entregue. Caso tenha havido mais de uma utilização de apuração do lucro, aplicase a multa da alínea “b”, conforme determina o § 2º do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. 10. Em conclusão: a) O aspecto material do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, na redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, é deixar de apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital; ... h) As multas constantes do art. 10 da Instrução Normativa (IN) RFB nº 787, de 2007, do art. 7º da IN RFB nº 1.052, de 2010, do art. 7º da IN RFB nº 989, de 2009, do art. 4º da IN RFB nº 1.115, de 2010, do art. 5º da IN RFB nº 1.307, de 2012, do art. 5º da IN RFB nº 1.114, de 2010, e do art. 6º da IN RFB nº 985, de 2009, deixaram de ter base legal em decorrência da alteração da redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. As IN devem Fl. 174DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 ser alteradas para se adequarem ao novo art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001; ... n) A multa nova mais benéfica retroage para alcançar atos não definitivamente julgados, nos termos do art. 106, inciso II, alíneas “a” e “c”, do CTN. o) A multa de que trata o inciso I do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, é por atraso na entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração digital. p) Verificase a forma de apuração do lucro para quantificar a multa prevista no inciso I descrita na conclusão “o” pela última DIPJ entregue; se não tiver sido entregue DIPJ, verificase pela última DCTF entregue. ... GRIFEI O Parecer Normativo acima é bastante elucidativo para a questão dos autos que é de multa por atraso na entrega da Dimob/2006, lançada antes da alteração da redação do artigo 57 da MP nº 2.15835, de 2001 pela Lei nº 12.766, de 2012 que torna menos gravosa a penalidade aplicada. Com acerto esclarece o Parecer Normativo que, tratandose de ato não definitivamente julgado, conforme o artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, a lei nova mais benéfica deve retroagir, de sorte que a multa aplicada será reduzida nos moldes do inciso I e § 3º do novo artigo 57 da MP nº 2.15835, de 2001. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.008521/2004-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
Ementa: RECEITAS PRÉ-OPERACIONAIS — DIFERIMENTO.
A legislação tributária apesar de distinguir receitas financeiras de variações monetárias, incluiu ambas na classificação de outros resultados operacionais, pelo quê, as receitas financeiras e as variações monetárias ativas, sendo parte da atividade operacional da pessoa jurídica, podem ser diferidas quando esta estiver em fase pré-operacional.
MULTA ISOLADA — FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS.
Quando a imputação de falta de recolhimento de estimativas decorre de outra infração à legislação tributária, não persistindo esta, não há como persistir aquela.
LANÇAMENTO REFLEXO.
0 decidido em relação ao tributo principal se aplica ao lançamento reflexo, em virtude da estreita relação de causa e efeitos entre eles existentes.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 101-96.940
Decisão: ACORDAM os membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: CAIO MARCOS CANDIDO
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 10380.008521/2004-73 Recurso n° 156.656 Voluntário Matéria 1RPJ E CSLL Acórdão n° 101-96.940 Sessão de 19 de setembro de 2008 Recorrente M DIAS BRANCO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. Recorrida 4" TURMA DE JULGAMENTO DA DRJ EM FORTALEZA - CE Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 Ementa: RECEITAS PRÉ-OPERACIONAIS — DIFERIMENTO. A legislação tributária apesar de distinguir receitas financeiras de variações monetárias, incluiu ambas na classificação de outros resultados operacionais, pelo quê, as receitas financeiras e as variações monetárias ativas, sendo parte da atividade operacional da pessoa jurídica, podem ser diferidas quando esta estiver em fase pré-operacional. MULTA ISOLADA — FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Quando a imputação de falta de recolhimento de estimativas decorre de outra infração à legislação tributária, não persistindo esta, não há como persistir aquela. LANÇAMENTO REFLEXO. 0 decidido em rein -do ao tributo principal se aplica ao lançamento reflexo, em virtude da estreita relação de causa e efeitos entre eles existentes. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Primeira Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. AI4TÔNIO RAGA PRESIDENTE Processo n° 10380.00S521/2004-73 Acórdão n.° 101-96.940 Fls. 2 CAIR MARCOS CÂNDIDO RELATOR 1- , 7 FORMALIZADO EM: 1 , NOV 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Sandra Maria Faroni, José Ricardo da Silva, Valmir Sandri, João Carlos de Lima Júnior, Aloysio José Percinio da Silva, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Vice-Presidente da Camara) e Antonio Praga (Presidente da Camara). Relatório M DIAS BRANCO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA.., pessoa jurídica já qualificada nos autos, recorre a este Conselho em razão do acórdão de lavra da DRJ I em Fortaleza - CE n°6.540, de 21 de setembro de 2005, que julgou procedentes os lançamentos consubstanciados nos autos de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ (iris. 03/09) e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL (fis. 10/15), relativos ao ano-calendário de 1999. A autuação dá conta do cometimento do cometimento de infração à legislação tributária consistente na falta de adição ao lucro liquido para apuração do lucro real de receitas financeiras auferidas na fase pré-operacional, registradas no Ativo Diferido como redutor das despesas pré-operacionais incon -idas, corn conseqüente falta de tributação daqueles valores. Em conseqüência foi lançada multa de oficio isolada pela falta do correspondente recolhimento das estimativas do IRPJ e da CSLL. Tendo tomado ciência dos lançamentos em 17 de setembro de 2004, a autuada insurgiu-se contra tais exigências, tendo apresentado impugnação (fis. 53/60) em 14 de outubro de 2004, em que apresentou as seguintes razões de defesa, em síntese de lavra da autoridade julgadora de primeira instância: Aduz, o contribuinte, que, no ano-calendário de 1999 a empresa sucedida encontrava-se em fase pré-operacional. Na época, a sucedida tinha recursos financeiros ainda não empregados no empreendimento industrial que se encontrava em andamento, e os mantinha aplicado no mercado financeiro, cujo objetivo, no caso, não era outro senão o de recuperar parte de custos incorridos nessa fase. Como não poderia ser diferente, a sobra de recursos aplicada no mercado gerou receitas financeiras que, de acordo com as 2 Processo n° 10380.008521/2004-73 Acórdio ri.° 101 -96.940 CC01/C0 1 Fls. 3 práticas contábeis aplicáveis, foram registradas na contabilidade, diretamente no grupamento do Ativo Diferido, sendo que esses valores — positivos — serviram para reduzir o montante dos gastos incorridos na mesma fase, ou seja, pré-operacional. Vale dizer, mesmo depois de computadas as ditas receitas financeiras (recuperações de gastos incorridos na fase pre-operacional), o resultado pré-operacional no encerramento do exercício social (ano-calendário de 1999) manteve-se devedor. Acrescenta, o impugnante, que, tendo apresentado, no ano-calendário de 1999, resultado devedor na fase pré-operacional, a empresa não tinha bases de cálculo positivas que lhe impusesse recolher o imposto de renda e a contribuição social. Ademais, o procedimento fiscal adotado pela empresa encontrava-se inteiramente respaldo pela Instrução Normativa SRF 54/88, em pleno vigor no citado ano- calendário. Também, o entendimento da Secretaria da Receita Federal expresso na resposta a pergunta n° 202, do livro "Perguntas e Respostas — DIPJ 2000", ratifica o procedimento efetuado pela empresa. Ressalta, outrossim, o fato de a IN SRF 54/88 somente vir a ser revogada, expressamente, no dia 01.08.2000, pela IN SRF n°79/2000. Portanto, no ano-calendário de 1999, a IN SRF n° 54/88, que sustentava o procedimento fiscal adotado pela empresa, estava em pleno vigor. Dada a revogação expressa da IN SRF n° 54/88, o Fisco, efetivamente, manifestou entendimento novo, respeitante ao tratamento tributário aplicável ao resultado gerado na fase pré-operacional, como se verifica na resposta A pergunta no 208, do livro "Perguntas e Respostas — DIPJ 2001", procedimento aplicável somente aos fatos geradores ocorridos a partir de 2000. 0 procedimento contábil e fiscal adotado pela empresa sucedida, que trata da contabilização das receitas financeiras (recuperação de gastos) geradas no período pré- operacional, encontrava-se respaldado na legislação fiscal em vigor naquele ano- calendário de 1999. 0 procedimento, por sua vez, observava práticas contábeis emanadas na lei societária (art. 177, caput, da Lei n" 6.404/76), a cujo cumprimento se obrigavam e se obrigam as empresas, porque, neste sentido, determina a própria legislação tributária do imposto de renda (Decreto-lei n° 1.598/77, art. 7'; RIR199, art. 251, caput, e parágrafo único). A autoridade julgadora de primeira instancia decidiu a questão por meio do acórdão IV 6.540/2005 julgando procedentes os lançamentos, tendo sido lavrada a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ano-calendário: 1999 Ementa: IRPJ. RECEITAS FINANCEIRAS AUFERIDAS NA FASE PRÉ-OPERACIONAL. 0 disposto na IN n" 54/88, que cuidava da apuração, tratamento e respectivo diferimento aplicáveis ao lucro inflacionário das empresas ell, fase pré-operacional, perdeu a eficácia com a extinção da correção monetária do balanço. As receitas e despesas financeiras de tais pessoas jurídicas devenz compor o resultado tributável do período on que incorridas, sem a possibilidade de confrontação com as despesas pré-operacionais do mesmo período, que se integram ao ativo diferido para posterior amortização. 3 Processo n° 10380.008521/2004-73 Acórd5o n.° 101-96.940 CCOI/C01 Fls. 4 MULTA ISOLADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consideram-se não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pela interessada. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Ano-calendário: 1999 Ementa: LANÇAMENTO REFLEXO. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estende-se ao lançamento reflexo os efeitos da decisão prolatada 110 lançamento Lanomentos Procedentes. 0 referido acórdão, por maioria de votos concluiu por manter os lançamentos pelas seguintes razões de decidir (voto vencedor): I. que a matéria (possibilidade de diferimento de receitas financeiras auferidas na fase pré-operacional) foi objeto de análise na Solução de Consulta SRRF/4 5 RF IV 83, de 27 de setembro de 2004, que entendeu que as receitas e despesas financeiras, da fase pré- operacional, devem compor o resultado tributável do período em que foram respectivamente auferidas e incorridas, sem a possibilidade de confrontação com as despesas pré-operacionais do mesmo período, as quais se integram ao ativo diferido, para posterior amortização. 2. que a IN 54/1988, que estabelecia normas de correção monetária para os empreendimentos em fase pré-operacional, teve revogação expressa pela IN 79/2000, devido à extinção da correção monetária das demonstrações financeiras, não existindo mais a apuração do lucro inflacionário e, conseqüentemente, o sistema de diferimento regido pela primeira IN. 3. que, portanto, as receitas financeiras auferidas na fase pré-operacional devem ser imediatamente reconhecidas à medida que auferidas, nos termos do artigo 218, do RIR11999, sem possibilidade de diferimento ou confronto do resultado credor das receitas e despesas financeiras com as despesas pré-operacionais. As receitas e despesas financeiras compõern o resultado do período, enquanto as despesas pré-operacionais não são levadas diretamente a resultado, visto comporem o ativo diferido sujeito amortização posterior. 4. que a multa de oficio aplicada isoladamente não foi contestada, tendo portanto, se constituído em matéria não impugnada. Consta ainda dos autos o voto vencido de lavra da Relatora original da decisão da DRJ, que tem os seguintes argumentos base para sua decisão: 1. afirma que a IN 54/1988 perdeu sua eficácia, tacitamente, desde a extinção da correção monetária das demonstrações financeiras, tendo sido expressamente revogada pela IN 79/2000, pelo quê não há de se falar mais em diferimento de lucro inflacionário. que entretanto, a exegese da norma permanece, ou seja, que as receitas financeiras e as receitas de variações monetárias ativas deverão ser deduzidas das respectivas rubricas de despesas. Caso supere-as, o valor deverá ser deduzido das outras despesas pré- 4 Processo n° 10380.008521/2004-73 Acórao 11. 0 101 -96.940 CCOI/C0 I Fls. 5 operacionais. Se ainda sobrar algum valor de receitas, o montante deverá ser levado tributação. 3. que tanto as normas contábeis (artigo 187 da Lei n° 6.404/1976) e as normas tributárias têm em comum o diferimento das receitas e despesas financeiras auferidas e incorridas na fase pre-operacional. 4. com relação à multa de oficio aplicada isoladamente, corno decorreu da imputação de omissão de receitas que restou exonerada, também não deve prosperar. Cientificado da decisão de primeira instância em 06 de julho de 2006, in-esignado pela manutenção do lançamento, o sujeito passivo apresentou em 07 de agosto de 2006 o recurso voluntário de tls. 110/134, em que re-apresenta suas seguintes razões de defesa, reforçadas por aquelas constantes do voto vencido, inovando no que se segue em relação à multa de oficio aplicada isoladamente pela falta de recolhimento das estimativas: 1. que a legislação tributária e a jurisprudência administrativa não permitem a cumulação de multas de oficio, aquela aplicada em conjunto corn o tributo e a aplicada isoladamente. 2. impossibilidade de aplicação de multa de oficio com base na falta de pagamento das estimativas, depois encerrado o período, devendo ser cobrada corn base no imposto devido no ajuste anual. 3. que a multa de oficio deveria ser reduzida ao percentual de 50% pela aplicação da retroatividade benigna do artigo 18 da MP ri° 303/2006. o relatório. Passo a seguir ao voto. Vo to Conselheiro CAIO MARCOS CANDIDO, Relator 0 recurso voluntário é tempestivo. Dele tomo conhecimento. 0 Ato Declaratório Interpretativo RFB n° 09, de 05 de junho de 2007, dispensou a exigência de arrolamento de bens e direitos corno condição para o seguimento do recurso voluntário. 5 Processo n° 10380.008521/2004-73 Acórelüo n.° 101-96.940 CCO 1/C01 Fls. 6 Tratam os presentes autos de lançamentos do IRPJ e da CSLL em função de ter o sujeito passivo, ainda por pessoa jurídica sucedida sua, no ano-calendário de 1999, no curso de sua fase pré-operacional, transferido receitas financeiras auferidas para o Ativo Diferido, sem que estas compusessem o resultado do exercício. Em decorrência da mesma infração foi lançada de oficio multa de oficio isolada pela falta de recolhimento das estimativas do IRPJ e da CSLL. Afirma a recorrente que no ano-calendário de 1999, no curso de sua fase pré- operacional, detinha recursos financeiros ainda não empregados no empreendimento industrial que estava em andamento, aplicando-os no mercado financeiro auferindo em conseqüência receitas, que visavam recuperar parte dos custos incorridos nesta fase. Que tais receitas foram escrituradas no Ativo Diferido, reduzindo assim o montante das despesas e custos da fase pré- operacional. Que apresentou resultado devedor na fase pré-operacional, não existindo bases positivas que lhe impusessem recolhimento de IRPJ e de CSLL naquele período. Que seu procedimento teve por base o contido na Instrução Normativa SRF n° 55/1988, tendo sido observadas práticas contábeis emanadas pela Lei das Sociedades por ações, artigo 177 e pela legislação tributária, em especial no artigo 251 e seu parágrafo único do RIR/1999. No julgamento de primeira instância o resultado se deu pelo voto de maioria. Entendeu aquela Turma de Julgamento que a Instrução Normativa SRF n" 55/1988 perdeu sua eficácia corn a extinção da correção monetária do balanço, pelo quê as receitas financeiras apuradas na fase pré-operacional deveriam ser tributadas no período em que forem incorridas. Não penso assim. Apesar da revogação da IN n° 55/1988 as normas que lhe deram suporte continuam vigentes e, portanto, o tratamento dado por ela As receitas financeiras auferidas no curso da fase pré-operacional ainda continuava válido no ano-calendário de 1999. Peço venia A Julgadora Maria Génova Freitas da Silva, para reproduzir o conteúdo de seu voto, que restou vencido no julgamento da DRJ, por bem estabelecer a exegese que deve ser confirmada no presente caso. 0 cerne da questão está em determinar qual o tratamento a ser dado As receitas financeiras obtidas durante a fase pre-operacional. 0 art. 274 do RIR/99 dispõe que ao final de cada período -base, deverá ser apurado o lucro liquido mediante a elaboração do balanço patrimonial, da demonstração dos resultados e da demonstração dos resultados acumulados, com observância das disposições da lei comercial. Segundo a melhor doutrina contábil, classificam-se no ativo diferido os resultados obtidos com o uso de ativos, sejam financeiros ou não, durante o período pre- operacional, conforme Sérgio de Iudicibus e outros (Manual de Contabilidade, Ed. Atlas, S. Paulo, 2003, 63 ed., p.225), verbis: Faz parte do Ativo Diferido qualquer resultado eventual obtido com USO de ativos, sendo utilizados ou mantidos para emprego no empreendimento em andamento. Por exemplo, se a empresa aplica seus recursos financeiros ainda nab utilizados e obtém receitas .financeiras (ou de variações monetárias), deve considerar essas receitas como dedução das despesas linanceiras 6 Processo n° 10380.008521/2004-73 AcOrdilo n.° 101 -96.940 CC01/C01 Fls. 7 lançadas no próprio Diferido; se suplantá-las, deve deduzi-las das outras despesas pré-operacionais. De qualquer forma, tais receitas devem estar em conta especifica ci parte, classificada como redução das despesas pré-operacionais. Só não são tratados como redução (ou acréscimo) do Ativo permanente os resultados derivados de fatores não relacionados com a implantação das condições de funcionamento da empresa. Por exemplo, se ela vende um terreno que já possuía, sem relação coin as obras em construção, não tratará o lucro ou prejuízo dessa alienação como in da fase pré-operacional. Portanto, Ulna empresa em fase pré-operacional não deveria ter uma Demonstração de Resultado nesse período,- no máximo teria ulna Demonstração de Transações Eventuais ou Demonstração de Resultados Pré-operacionais, que serviria mais como evidencia ção de valores acrescidos ao (ou deduzidos do) Ativo Diferido e da razão dessas alterações". Sobre o assunto, a Instrução Normativa SRF n° 54/1988 assim regulamentou a matéria, verbis: 2. EMPRESA EM FASE PRÉ-OPERACIONAL. 2.1 - Durante o período que antecede,- o inicio das operações sociais ou õ implantação do empreendimento inicial a pessoa jurídica deverá apurar o saldo conjunto das despesas e receitas financeiras, das variações monetárias ativas e passivas e do resultado liquido da correção monetária do balanço, o qual terá o seguinte tratamento: a) se devedor, será acrescido ao saldo da conta de gastos a amortizar, cio ativo diferido; b) se credor, sera diminuído do total das despesas pré-operacionais incorridas no próprio período-base. 2.2 - Caso o saldo conjunto credor, referido no subitem anterior, exceda o total das despesas pré-operacionais incorridas no próprio período-base, o excesso deverá compor o lucro liquido do exercício e poderá ser totalmente diferido como lucro inflacionário A IN SRF n° 54, de 1988, que estabelecia normas de correção monetária para os empreendimentos em fase pre-operacional perdeu tacitamente a eficácia desde a extinção daquela sistemática pelo art. 4° da Lei n° 9.249/95, tendo sido expressamente revogada pela IN SRF no 79/2000. Assim, não se fala mais em diferimento de lucro inflacionário. Entretanto, a exegese da norma permanece, ou seja, as receitas financeiras e as receitas de variações monetárias ativas deverão ser deduzidas das respectivas rubricas de despesas. Caso supere-as, o valor deverá ser deduzido das outras despesas pré- operacionais. Se ainda sobrar algum valor de receitas, ai sim o montante será levado tributação. 7 Processo n° 10380.008521/2004-73 Acórdão n.° 101-96.940 CCO 1/c0 1 Fls. 8 Concluo que tanto as nonnas contábeis, quanto as normas tributáveis têm em comum o diferimento das receitas e despesas financeiras, enquanto a empresa estiver em fase pre- operacional. No caso sob exame, é certo que a empresa sucedida, no ano-calendário de 1999, estava em fase pré-operacional. Talvez, o autuante tenha entendido que as receitas financeiras não caracterizam atividade-fim do interessado. No entanto, a Lei 6.404/1976 (Lei das Sociedades por Ações), em seu art. 187, assim dispôs: Art. 187 - A demonstração do resultado do exercício discriminará: 111 - as despesas com as vendas, as despesas .financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV - o lucro ou prejuízo operacional, as receitas e despesas não operacionais (..) - (sublinhei Observa-se que a legislação societária considerou as receitas financeiras como parte integrante das atividades operacionais da empresa, corno também não fez distinção entre receitas financeiras e variações monetárias. A legislação tributária, apesar de distinguir receitas financeiras (art. 373 do R1R/1999) de variações monetárias (art. 375 do RIR1 1999), incluiu ambas na seção de "Outros resultados operacionais". Assim, é de se concluir que as receitas financeiras e as variações monetárias ativas são partes da atividade operacional da empresa, podendo ser diferidas se a situação é de pre-operação. Entendimento similar foi adotado pela E. 8a Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no julgamento do recurso 120.639, em voto de lavra da Conselheira Tânia Koetz Moreira, que resultou no Acórdão 108-06.007, vide ementa: IRPJ — EMPRESA EM FASE PRÉ-OPERACIONAL — DESPESA DE VARIAÇÃO MONETAIA PASSIVA — Na fase pré-operacional, deve ser apurado o saldo conjunto das despesas e receitas financeiras, das variações monetárias ativas e passivas e do resultado liquido da corre cão monetária do balanço que, se devedor, será registrado no ativo diferido. Incabível a tributação, isolada e em sua totalidade, do valor registrado a titulo de variação monetária passiva sobre operação de mútuo. Razões de decidir estas que adoto corno se minhas fossem, para DAR provimento ao recurso voluntário. Não persistindo o lançamento da infração principal não deve persistir o lançamento da multa isolada sobre estimativas que derivariam da infração principal. 8 das Sessôes, em 19 de setembAgro 008 MARCOS CANDI Processo n° 10380.008521/2004-73 Acór(150 n.° 101-96.940 CC01/C01 Fls. 9 0 decidido no processo principal se aplica ao lançamento decorrente em virtude da estreita relação entre eles existentes. 9
score : 1.0
Numero do processo: 10882.910071/2011-59
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000
PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 00 71 /2 01 1- 59 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 24): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de Apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 Ementa: RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Sendo diferentes os regimes pelos quais a restituição e a compensação podem ou não ser viabilizadas, e por falta de previsão legal, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Por sua vez, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade alegando ter ocorrido a homologação tácita do pedido, devido ao decurso de cinco anos entre a apresentação do PER/Dcomp e a prolação do despacho decisório. A DRJ entendeu que o prazo estipulado no §5º, do art. 74, não seria aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição, em decorrência da diversidade do regime jurídico da restituição e da compensação, bem como por ausência de previsão legal. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 34, reitera a alegação de homologação tácita, requerendo o provimento do recurso voluntário e a consequente reforma da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10882.910071/201159 Acórdão n.º 3802002.205 S3TE02 Fl. 45 3 Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 10/05/2013 (fls. 32), interpondo recurso tempestivo em 03/06/2013 (fls. 34). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. A Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime de autocompensação, que ressaltadas as contribuições previdenciárias compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário é considerada tacitamente homologada após o decurso do prazo de cinco anos, nos termos do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). Notase, portanto, que o prazo do §5º do art. 74 não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. O fato destes serem transmitidos pelo mesmo instrumento da declaração de compensação (o PER/Dcomp) não autoriza nem mesmo por analogia, como sustentou a Recorrente a aplicação do prazo de cinco anos para a homologação tácita, até porque, ao contrário do que ocorre na compensação, não haveria uma extinção do crédito tributário prévia a ser homologada. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 47DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 15504.018412/2008-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 30/06/2004
DA DECADÊNCIA
Prazo decadencial para que a Administração Pública constituir crédito tributário está sujeita ao prazo decadencial de 5 (cinco) anos, face a Súmula Vinculante n° 08/2009 do STF.
No presente caso a Recorrente equivocou-se quanto ao período fiscalizado, eis que é de 02/2004 a 06/2004 e ela requer exclusão de agosto de 2003.
ARRENDAMENTO DE MARCA/ TRANSFERÊNCIA DE IMUNIDADE.
O arrendamento de marca não implica em transferência de CEBAS para arrendante, em que pese ter assumido compromissos e obrigações e por permanecer atuando no mesmo seguimento.
No caso em tela a Recorrente quer que a arrendante tenha as benesses de como se CEBAS tivesse, porque permaneceu no mesmo seguimento com os mesmo compromissos. Inadmissível. Necessidade de submissão á lei.
EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS
Relatório de Representantes Legais - REPLEG não tem somente a finalidade de identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão. Atribui responsabilidade solidária ou subsidiária.
JUROS E MULTAS - EFEITO CONFISCATÓRIO
Multa e Juros aplicados na autuação que têm como base a lei não podem ser confiscatórios.
Servidor público atrelado à lei que regem seus atos, agindo em estrito cumprimento da norma não infringe regras.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-003.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Presidente
(assinado digitalmente)
Wilson Antônio de Souza Côrrea - Relator
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antonio de Souza Corrêa
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Voluntário Acórdão nº 2301003.293 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de janeiro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente MANGABEIRAS ENSINO FUNDAMENTAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 30/06/2004 DA DECADÊNCIA Prazo decadencial para que a Administração Pública constituir crédito tributário está sujeita ao prazo decadencial de 5 (cinco) anos, face a Súmula Vinculante n° 08/2009 do STF. No presente caso a Recorrente equivocouse quanto ao período fiscalizado, eis que é de 02/2004 a 06/2004 e ela requer exclusão de agosto de 2003. ARRENDAMENTO DE MARCA/ TRANSFERÊNCIA DE IMUNIDADE. O arrendamento de marca não implica em transferência de CEBAS para arrendante, em que pese ter assumido compromissos e obrigações e por permanecer atuando no mesmo seguimento. No caso em tela a Recorrente quer que a arrendante tenha as benesses de como se CEBAS tivesse, porque permaneceu no mesmo seguimento com os mesmo compromissos. Inadmissível. Necessidade de submissão á lei. EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE CO RESPONSÁVEIS “Relatório de Representantes Legais REPLEG não tem somente a finalidade de identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão. Atribui responsabilidade solidária ou subsidiária. JUROS E MULTAS EFEITO CONFISCATÓRIO Multa e Juros aplicados na autuação que têm como base a lei não podem ser confiscatórios. Servidor público atrelado à lei que regem seus atos, agindo em estrito cumprimento da norma não infringe regras. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 84 12 /2 00 8- 68 Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente (assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Côrrea Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antonio de Souza Corrêa Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15504.018412/200868 Acórdão n.º 2301003.293 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de infringência ao artigo 32, inciso IV, §§ 1° e 3 0, da Lei 8.212, de 24/07/1991, acrescentado pela Lei 9.528, de 1997, c/c o artigo 225, inciso IV, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999, por ter a empresa apresentado a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, em desconformidade com o respectivo Manual de Orientação. Várias empresas fazem parte do grupo econômico, e por isto foi emitido Termo de Sujeição passiva para cada um. A Associação Educativa do Brasil — SOEBRAS, CNPJ. 22.669.915/0001 27, foi eleita responsável subsidiária, de acordo com o termo de fls. 165 a 171 do processo 15504.018415/200800, uma vez que adquiriu do grupo econômico PROMOVE, inclusive da autuada, o direito de uso da marca PROMOVE, em 01/11/2006, por meio de contrato particular de "Licença de Uso da Marca". Para o exercício das atividades pactuadas, a adquirente inscreveu novos estabelecimentos no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, manteve o mesmo endereço e CNAE da cedente, levando a fiscalização a concluir que a subsidiária continuou explorando a antiga atividade da autuada. Em segundo ato, a SOEBRAS através do Contrato Particular de Alienação de Estabelecimento Empresarial — TRESPASSE, adquiriu das empresas do grupo, todo o complexo de bens organizados para exercício da atividade, composto da titularidade do estabelecimento empresarial, portanto, todos os direitos, incluindo ativo e passivo, bem como, a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis, e semoventes e afins. A SOEBRAS fez também constar em seu Balanço Patrimonial, em 31/12/2007, a aquisição supramencionada, lançando em seu ativo diferido o valor referente a incorporação dos estabelecimentos de ensino PROMOVE COLÉGIOS E PROMOVE FACULDADES. Já a Autuada não procedeu as devidas anotações nos Órgãos Oficiais de Registro, não arquivando na JUCEMG qualquer alteração contratual de dissolução ou liquidação, sendo seu último ato constitutivo a 4' alteração contratual datada de 30/05/2005, registrada na JUCEMG em 07/07/2005 sob o n° 3.378.965. Em 17.FEV.2011 alguns dos Recorrentes foram intimados da decisão e em 30.MAR.2011 interpuseram um só recurso, sendo que nos autos consta que muitos dos que figuram no pólo passivo não foram intimados e ou não tem a data certo no AR, estando em branco. Alegam nos Recurso Voluntário aviado: i) decadência; ii) que a SOEBRAS arrendou a marca PROMOVE; iii) exclusão dos representantes legais da relação de co responsáveis; iv) juros e multa – efeitos confiscatório; v) do trespasse e da imunidade econômica da SOEBRAS. É a síntese do necessário. Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA 4 Voto Conselheiro Wilson Antônio de Souza Côrrea Relator Nos autos do processo administrativo não foi localizado data da ciência, pelos últimos Recorrentes, da Decisão Notificação, razão pela qual tenho como o presente Recurso Voluntário foi protocolizado tempestivamente e por isto acode os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, desde já, dele conheço. Passo para análise das razões apresentadas. DA DECADÊNCIA Diz a Recorrente que deverá ser considerado o período que compreende agosto de 2003, como período decaído, haja vista que o prazo decadencial para que a Administração Pública possa constituir o crédito tributário está sujeita ao prazo decadencial de 5 (cinco) anos, face a Súmula Vinculante n° 08/2009 do STF. Assiste razão quanto a Súmula mencionada e equivoca quanto ao período fiscalizado, eis que é de 02/2004 a 06/2004 Sem razão. QUE A SOEBRAS ARRENDOU A MARCA PROMOVE Alega que dos documentos juntados aos autos, em 01/11/2006 a SOEBRAS arrendou o uso da marca "Promove", tendo como contraprestação o pagamento de determinada quantia em dinheiro. E, como arrendou a marca, tem direito às benesses de entidade sem finalidade lucrativa. Todavia, sem razão a Recorrente, porque não existe a transferência de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social de uma instituição para outra. Em 2008 e 2009 houve intensa discussão acerca da Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS. Em verdade, isto era necessário porque a legislação já era ultrapassada e as entidades vinham aprimorandose, merecendo maiores segurança jurídica, bem como necessitava o Governo de melhor Fiscalizar o setor. Foi por isto que a edição da Medida Provisória 446/2009 fez com que o Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) deixasse de ser responsável pela concessão e renovação do CEBAS (certificado de entidade beneficente de assistência social). Em 27 de novembro de 2009 foi sancionada a Lei n. 12.101, que de acordo com ela, a análise e decisão dos requerimentos de concessão e renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serãofeitas no âmbito dos Ministérios da Saúde, quanto às entidades da área de saúde, da Educação, quanto às entidades educacionais, e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. A entidade que atuar em mais de uma área deverá requerer a certificação e sua renovação no Ministério responsável pela área de atuação preponderante , definida esta Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15504.018412/200868 Acórdão n.º 2301003.293 S2C3T1 Fl. 4 5 como a atividade principal no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica do Ministério da Fazenda (CNPJ). A Lei 12.101/2009 define os seguintes requisitos estatutários para as entidades que intentam obter a certificação: • É necessário que a entidade seja uma pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecida como entidade beneficente de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde e educação. Portanto, sua qualificação jurídica e área de atuação devem constar do estatuto. • O estatuto deve informar que, em caso de dissolução ou extinção, a ONG destine o patrimônio remanescente a entidades sem fins lucrativos congêneres ou a entidades públicas; • É importante que o estatuto disponha queseus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores não recebem remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; • Da mesma forma, o estatuto deve trazer informações sobre a não distribuição de resultados, dividentos, bonificações, participações ou parcelas de seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto. • Ademais, deverá haver previsão estatutária informando que a aplicação das rendas da ONG, seus recursos e eventual superávit seráaplicadointegralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento dos objetivos institucionais da ONG; Portanto, não se faz transferência de certificado como quer a SOEBRAS, e por isto não lhe assiste razão este quesito. EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE CO RESPONSÁVEIS A pouco tempo atrás pensava este Julgador que, com a revogação do artigo 13 da Lei 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei 11.941/09, o “Relatório de Representantes Legais REPLEG” teria tão somente a finalidade de tão somente identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. Sendo, somente, os representantes da autuada. Todavia, a pratica mostrouse diferente, pois estes representantes legais podem, querendo, comporem o pólo passivo dos autos, devendo ser intimados e aperto prazo para contestação e outros quejandos. Tenho que várias anomalias processuais podem causar a permanência do representante legal no rol de autuados, ainda como representantes. Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA 6 E, de mais a mais, como dito no Recurso ‘...mera inadimplência não implica redirecionar a cobrança para as pessoas físicas dos sócios, uma vez que aquela situação decorre de vários fatores inerentes à atividade econômica, independente da vontade dos sócios das empresas.’ Desta feita, assiste razão as Recorrentes, devendo ser excluídos do pólo passivo da presente processo administrativo todos os sócios delas. JUROS E MULTAS – EFEITO CONFISCATÓRIO Diz que Os juros e a multa aplicados têm efeitos confiscatórios, contrariando o artigo 150, IV da Carta Maior. Urge dizer que a multa aplicada na autuação não foi inventada pela Fiscalização que, como servidor público que é, uma de suas obrigações é ter seus atos respaldado em lei, ou seja, o princípio da legalidade, e, neste sentido a multa e os juros aplicados foram determinados pelos artigos 92 e 102 da Lei 8.212, de 1991, e 283 — inciso II — alínea "b" e 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048, de 1999. Sem razão a Recorrente, neste quesito. DO TRESPASSE As Recorrentes, mas uma vez torna a afirma que a SOEBRAS possui imunidade tributária na conformidade que assumiu todos os compromissos, obrigações e direitos da PROMOVE. Todavia, este quesito já foi espancado juridicamente anteriormente, não merecendo outra análise. Sem razão a Recorrente. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que seja excluído da lide administrativa todos os sócios de todas as Recorrentes, conforme requerido, julgando improcedentes as demais questões trazidas ao presente Recurso Voluntário aviado. É o voto. (assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Côrrea Relator Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15504.018412/200868 Acórdão n.º 2301003.293 S2C3T1 Fl. 5 7 Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA
score : 1.0
Numero do processo: 10480.900032/2008-71
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/1998
Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. CSLL. COMPETÊNCIA.
Compete à 1ª Seção processar e julgar recursos voluntários de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3803-002.300
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/1998 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. CSLL. COMPETÊNCIA. Compete à 1ª Seção processar e julgar recursos voluntários de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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Recorrente RODOBENS CAMINHÕES RECIFE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/1998 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. CSLL. COMPETÊNCIA. Compete à 1ª Seção processar e julgar recursos voluntários de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Recurso Voluntário Não Conhecido. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Alam Fialho Gandra, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/ 02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação fls. 01/05 onde busca a contribuinte a compensação de débitos de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF e de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL, com créditos de CSLL derivado de conjecturado pagamento indevido ou a maior, código de receita: 2484, no montante original inicial de R$ 16.288,03, período de apuração de dezembro/1998, vencimento: 29/01/1999, realizado aos 29/01/1999. Em Despacho Decisório a DRF em Recife, não homologou a compensação declarada porquanto o pagamento discriminado havia sido integralmente utilizado para a extinção do débito da CSLL devida por estimativa no período de apuração de dezembro/1998. Ciência em 13/02/2008 (fl. 35). Apresentou Manifestação de Inconformidade na qual pleiteia o cancelamento do Despacho Decisório retro. Sobreveio decisão da DRJ/REC não reconhecendo o direito creditório da contribuinte nem homologando a compensação declarada tendo em vista que os eminentes julgadores a quo não vislumbraram qualquer comprovação da existência do crédito por parte da RODOBENS. Restou consignado que o ônus da prova da existência do pretenso crédito é do próprio sujeito passivo. Cientificada em 14/06/2011, apresentou Recurso Voluntário em 13/07/2011 no qual requer o conhecimento e provimento do recurso para o fim de reformar a r. decisão recorrida, com o conseqüente reconhecimento do direito discutido nos autos e extinção do débito em questão. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo, entretanto, dele não tomarei conhecimento pelo que explano a seguir: Conforme relato acima, trata o presente de declaração de compensação formalizada pela RODOBENS no ano de 2003, buscando compensar suposto crédito da Contribuição Social sobre o Lucro recolhido a maior ou indevidamente no valor original de R$ 16.288,03. A compensação foi obstaculizada pela RFB tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado em Dcomp transmitida pela ora Recorrente, foi localizado um ou mais pagamentos, porém, utilizados integralmente para quitar débitos desta, não restando crédito disponível para a compensação do débito por ela informado. Nesta toada, preceitua o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que compete à 1ª Seção processar e julgar recursos voluntários de decisão de Fl. 174DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/ 02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10480.900032/200871 Acórdão n.º 380302.300 S3TE03 Fl. 2 3 primeira instância que versem sobre aplicação da legislação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, senão vejamos: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); Desta feita, em razão da incompetência desta Turma Especial para conhecer e julgar a causa, voto por NÃO CONHECER do presente Recurso Voluntário e declinar da competência para a Primeira Seção, com a remessa dos autos, para que seja dado prosseguimento ao feito. Sala das sessões, em 24 de janeiro de 2012. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 175DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/ 02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº 10480.900032/200871 Recorrente: RODOBENS CAMINHÕES RECIFE LTDA. Ao SESEJ da 1ª Seção, para inclusão em lote de sorteio para as suas turmas, haja vista que o direito creditório controvertido no presente processo diz respeito a imposto/contribuição da esfera de competência dessa Seção, nos termos do art. 2º, combinado com o § 1º do art. 7º Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF. Brasília DF, em 29 de fevereiro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 176DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/ 02/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 11080.930870/2011-40
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-002.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes- Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 08 70 /2 01 1- 40 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. 2 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1043.356, julgado na sessão de 11 de abril de 2013, pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre(DRJ/POÁ), referente ao processo administrativo n° 11080.930870/201140, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresenta pela contribuinte, e, portanto, não sendo reconhecido o direito creditório pleiteado pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não reconheceu direito creditório pleiteado e não homologou as compensações declaradas. De acordo com a Informação Fiscal, a interessada vende parte de sua produção de carvão mineral as empresas CGTEE e Tractebel Energia, sendo que ambas atuam na como geradoras de energia através de usinas termoelétricas. Assim, entende o contribuinte que estaria amparado pelo art. 2º da Lei nº 10.312/2001 que estabelece a redução a zero da alíquota do PIS e da Cofins na venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica e por isso teria direito ao ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas. Entretanto, observa a Fiscalização que a eficácia de tal redução está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, nos termos do art. 58, IX do Decreto nº 4.524/2002. A interessada interpôs Processo de Consulta junto à Superintendência da Receita Federal na 10ª Região Fiscal (processo nº 11080.002200/200836) a respeito deste assunto, a qual esclareceu por meio da Solução de Consulta SRRF/10ª RF/ DISIT nº 84 que a eficácia do art. 2º da Lei nº 10.312/2001 está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. Sendo assim, conclui a Fiscalização que as vendas efetuadas pela CRM são tributadas pelo PIS (alíquota de 1,65%) e pela Cofins (alíquota de 7,6%), sendo que os créditos vinculados a estas operações não são passíveis de ressarcimento e/ou compensação, servindo apenas para abater a própria contribuição. Observa ainda que os créditos apurados foram insuficientes para abater a própria contribuição, restando saldo 3 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 devedor que está sendo exigido por meio de auto de infração constante do processo administrativo nº11080.721627/201051. Na manifestação, tempestivamente apresentada, a empresa argumenta que o Decreto nº 4.524/2002 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor e aplicação da Lei nº 10.312/2001, sob pena de grave ofensa a princípios constitucionais. Disserta a respeito do objetivo governamental de baratear o combustível alternativo parageração de energia. Cita o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 que cria em seu art. 13 a Conta de Desenvolvimento Energético, alegando que valores recebidos a título de reembolso,representando um subsídio ou uma subvenção não podendo ser classificados como receita, estando fora do campo de incidência das contribuições para a Cofins e para o PIS. Discute o conceito de receita, entendendo como receita apenas o ingresso de recursos que passe a fazer parte do patrimônio da empresa.” A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente, por entender que o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 apenas cria a Conta de Desenvolvimento Energético, não havendo definição específica que indique serem os valores recebidos pela interessada das empresas geradoras de energia termoelétrica oriundos dessa Conta. Deste modo, concluiu a DRJ de origem que “tanto a Lei nº 10.637/2002, relativamente ao PIS, como a Lei nº 10.833/2003 referentemente à Cofins, ao conceituarem os valores que deveriam integrar a base de cálculo dessas contribuições foram bastante abrangentes em seus conceitos determinando que deveriam compor o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Toda e qualquer exclusão da base de cálculo destas contribuições deve necessariamente estar prevista na legislação, conforme ocorre com as situações dispostas no § 3º, art. 1º da Lei nº 10.637/2002 e também da Lei nº 10.833/2003, o que não é o caso dos valores em questão.” Quanto à alegação de que o Decreto nº 4.524/2002 careceria de força legal hierárquica para afastar ou condicionar a aplicação da Lei nº 10.312/2001, entendeu a DRJ/POA que o art. 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJs), estabelece que o julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, dispositivo que lhe vincula às normais legais e regulamentares, bem assim ao entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos, motivo pelo qual, na solução do presente litígio, deverá ser obrigatoriamente aplicado o disposto no Decreto nº 4.524/2002. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs, em 13.05.2013, Recurso Voluntário a este Conselho, onde apresentou as 4 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 suas razões, trazendo consigo precedente da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento (Acórdão nº 3401001.801). Em síntese, alega a recorrente que o Decreto 4.524/02 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor da aplicação da Lei nº 10.312/01 aos fatos geradores ocorridos na forma do seu art. 4º, sob pena de grave ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade, da anterioridade da lei tributária, do ato jurídico perfeito, da capacidade contributiva do sujeito passivo, da irretroatividade da lei tributária, da hierarquia das leis (a supremacia da lei ordinária frente ao ato normativo administrativo. Diante disto, requer o acolhimento das razões recursais, para o fim de reformar o acórdão recorrido. É o relatório. 5 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, pretende a contribuinte que lhe seja garantido o direito de restituição dos valores pagos a título de PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica. Ocorre que a Lei nº 10.312/01, em seu art. 1º, estabeleceu que: “Art. 1º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP, e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidos em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda” E no art. 2º da referida legislação estabeleceuse a alíquota zero para PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, sem restrições: “Art. 2º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das contribuições referidas no art. 1º incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica” Por sua vez, o Decreto nº 4.524/02, em seu art. 58, inciso IX, ao condicionar a alíquota zero à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, cria exigência não prevista na Lei nº 10.312/01. Vejamos: “Art. 58.As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins estão reduzidas a zero quando aplicáveis sobre a receita bruta decorrente (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 42, Lei nº 9.718, de 1998, art. 6º , parágrafo único, com a redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000, Lei nº 10.147, de 2000, art. 2º , Lei nº 10.312, 6 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 de 27 de novembro de 2001, Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, art. 14, Lei nº 10.485, de 2002, arts. 2º , 3º e 5º , Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001): (...) IX – da venda de gás natural canalizado e de carvão mineral, destinados à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidas em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda;” Embora a súmula nº 2 do CARF estabeleça claramente que este Conselho não seja competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No presente caso, no entanto, como a contribuinte se posiciona contra uma exigência criada por decreto, entendo não ser aplicável a referida Súmula nº 2, consoante igualmente restou decidido no Acórdão nº 3401001.801 da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. Deste modo, entendo que deve ser provido o recurso voluntário interposto pela contribuinte, pelas razões acima referidas, pois o pedido está em consonância com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, inclusive pelo acórdão relacionado pela própria contribuinte em suas razões recursais (Acórdão nº 3401001.801), bem como pelos acórdãos nº 3401001.798, 3401001.799, 3401001.800, 3401001.802, 3401001.803, 3401001.804 e 3401001.805. Por oportuno, transcrevese a ementa de um destes acórdãos, haja vista que, por sua vez, são todas em igual sentido. Aliás, cumpre ressaltar que são todos de processos da contribuinte ora recorrente, julgados em sessão ocorrida em 22.05.2012 pela 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. 3401001.804 Acórdão Número do Processo: 11686.000170/200812 Data de Publicação: 19/11/2012 Contribuinte: COMPANHIA RIOGRANDENSE DE MINERACAO CRM Relator(a): FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Período de Apuração: 4º trimestre de 2006 Ementa: DECRETO Nº 4524/02. Não pode Decreto criar exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte. 7 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendose o direito creditório pleiteado. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 8 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 37216.000780/2007-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
DECADÊNCIA - INOCORRÊNCIA
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Para os lançamentos de oficio, como é o caso do Auto de Infração, aplica-se, a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional..
Numero da decisão: 2301-003.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, [I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto da Relatora; b) acolhidos os embargos, em rerratificar o acórdão embargado, a fim de deixar claro a negativa de provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora]
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2001 a 30/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. DECADÊNCIA - INOCORRÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Para os lançamentos de oficio, como é o caso do Auto de Infração, aplica-se, a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional..
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FATOS GERADORES Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado INFOGLOBO COMUNICAÇÕES S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2001 a 30/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Para os lançamentos de oficio, como é o caso do Auto de Infração, aplicase, a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, [I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto da Relatora; b) acolhidos os embargos, em rerratificar o acórdão embargado, a fim de deixar claro a negativa de provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora] MARCELO OLIVEIRA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 21 6. 00 07 80 /2 00 7- 57 Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 37216.000780/200757 Acórdão n.º 2301003.853 S2C3T1 Fl. 57 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN, contra o Acórdão 230101.762, de 02 de dezembro de 2010 (fls. 246). A embargante alega, em apertada síntese, que houve omissão/contradição no acórdão proferido por esta Primeira Turma Ordinária, desta Câmara de julgamento. É o relatório Fl. 6DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN opôs Embargos de Declaração (fls. 296 a 299), contra o Acórdão 230101.762, por entender que houve contradição entre o dispositivo da decisão, e a respectiva fundamentação. Alega a embargante que no dispositivo do acórdão embargado consta o reconhecimento da decadência e que na fundamentação do r. acórdão, tanto o voto vencedor, quanto o voto vencido, encontramse no sentido de afastar a decadência. De fato, verificase a contradição alegada pela embargante, uma vez que no fundamento e na conclusão do voto, esta Conselheira rejeitou a preliminar de decadência, com a aplicação do art. 173, I, do CTN. Ou seja, o voto proferido por esta Conselheira foi no sentido de “CONHECER DO RECURSO, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se aplique, caso seja mais benéfico para o contribuinte, o artigo 35 A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09”. Contudo, o dispositivo do acórdão proferido pela i. Câmara está consignado nos seguintes termos: “(...) por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência com base no artigo 173, I do CTN; (...).” Portanto, o dispositivo do acórdão está equivocado, uma vez que, conforme consta o voto condutor do aresto, não foi reconhecida a decadência. Assim, por serem procedentes as alegações da embargante, entendo que devam ser acolhidos embargos opostos pela Fazenda Pública, para suprir a omissão/contradição apontada, e fazer constar, no dispositivo do Acórdão, que foi rejeitada a preliminar de decadência CONCLUSÃO Nesse sentido, voto em acolher os embargos opostos, para fazer constar, no dispositivo do acórdão, que foi rejeitada a preliminar de decadência, com a aplicação da regra contida no art. 173, I, do CTN É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Fl. 7DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 37216.000780/200757 Acórdão n.º 2301003.853 S2C3T1 Fl. 58 5 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.000341/98-30
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/1992 a 31/07/1994
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO.
Consideram-se precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal.
PROVA PERICIAL. PRESCINDIBILIDADE.
As perícias destinam-se à elucidação de questões técnicas intrincadas, e não à produção de provas que, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotada no processo administrativo fiscal.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/04/1992 a 31/07/1994
Ementa:TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante nº 08 do STF.
TERMO INICIAL.
Ocorrendo antecipação do pagamento, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário passa a fluir da data de ocorrência do fato gerador.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-002.491
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Alexandre Kern
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1992 a 31/07/1994 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideram-se precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. PROVA PERICIAL. PRESCINDIBILIDADE. As perícias destinam-se à elucidação de questões técnicas intrincadas, e não à produção de provas que, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotada no processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1992 a 31/07/1994 Ementa:TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante nº 08 do STF. TERMO INICIAL. Ocorrendo antecipação do pagamento, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário passa a fluir da data de ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. PROVA PERICIAL. PRESCINDIBILIDADE. As perícias destinamse à elucidação de questões técnicas intrincadas, e não à produção de provas que, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotada no processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1992 a 31/07/1994 Ementa:TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante nº 08 do STF. TERMO INICIAL. Ocorrendo antecipação do pagamento, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário passa a fluir da data de ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 03 41 /9 8- 30 Fl. 417DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti. Ausentes os conselheiros Rosaldo Trevisan e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Em ação fiscal levada a efeito em face da contribuinte acima identificada foi apurada falta de recolhimento da COFINS, relativamente aos meses de abril de 1992 a julho de 1994. Conforme descrito no Termo de Constatação e Verificação de fl. 72, a empresa efetuou depósitos judiciais relativos a Cofins, durante o período de apuração 04/92 a 07/94, amparado no processo judicial de Medida Cautelar nº 92.00595120 da 9ª Vara Federal da Capital e que tais depósitos deverão ser convertidos em Renda da União. Durante esse mesmo período, conforme declaração IRPJ/93 — ano base 92, 94 — ano base 93 e 95 — ano base 94 e demais documentos apresentados, o contribuinte usou bases de cálculo menores para apuração da Cofins, pelo fato de excluir da receita valores do ICMS sobre vendas de mercadorias. A exação montou a R$ 423.860,85. Em impugnação, fls. 96 a 102, o autuado aventou a decadência di direito de constituição do crédito tributário, relativamente ao Período de apuração de abril a dezembro de 1992, com aplicação da regra do § 4º do art. 150 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN. Requereu perícia no tocante à definição da base de calculo da Cofins. O julgamento da impugnação foi convertido em diligência (fls. 110 e 111), tendo em vista que a tabela preparada pela Fiscalização não esclarece se os valores da coluna "Glosa de Exclusão (ICMS)" já estão diminuídos do ICMS sobre as devoluções de Vendas (fl. 71). Tendo sido realizada a diligência, apurouse que os valores correspondentes ao ICMS sobre devoluções de vendas estavam indevidamente incluídos na coluna "Glosa de Exclusão (ICMS)". Conforme consignado no Termo de Informação Fiscal de fl. 118, foi proposta retificação conforme quadro ali apresentado. Intimada a manifestarse sobre as conclusões da diligência (fl. 117), o interessado não foi apresentada contestação (f1.118verso). Finalmente, a DRJ/SPO19ª Turma julgou o lançamento procedente em parte, para excluir do lançamento as parcelas correspondentes ao ICMS sobre devoluções de vendas, conforme demonstrativo "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DA DIFERENÇA DA COFINS" e o "DEMONSTRATIVO DE COFINS A RECOLHER", fls. 145 e 146. O Acórdão nº 03.268, de 6 de maio de 2003, fls. 141 a 147, teve ementa vazada nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/04/1992 a 31/07/1994 Ementa: COFINS. DECADÊNCIA. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.000341/9830 Acórdão n.º 3403002.491 S3C4T3 Fl. 204 3 0 prazo decadencial da Cofins é de dez anos, conforme definido em legislação especifica. BASE DE CALCULO. ICMS SOBRE DEVOLUÇÃO DE VENDAS. O ICMS incidente sobre devolução de vendas não integra a base de cálculo da COFINS. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o requerimento de perícia pois a sua finalidade foi satisfeita pela diligência efetuada. Lançamento Procedente em Parte Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 9ª Turma da DRJ/SPO1. O arrazoado de fls. 176 a 186, após síntese dos fatos relacionados com a lide, inquina a decisão recorrida de nulidade, por não conhecer da manifestação apresentada em face das conclusões da diligência (Anexo B, fls. 197 a 200). Retoma o pedido de decretação da decadência do direito de constituição de crédito tributário relativamente a fatos geradores ocorridos antes do PA dezembro/1992. Combate a multa de lançamento de ofício, argumentando que a penalidade não se aplica no caso de pagamento em atraso. Repete o pedido de perícia para a correta apuração da base de cálculo, nomeando e qualificando o perito e formulando quesitos. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 176 a 186 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJSPO19ª Turma nº 03.268, de 6 de maio de 2003. Preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa. Conforme relatado, a decisão recorrida assentou que o autuado nada opôs contra as conclusões da diligência. Este, no entanto, redargüiu, dizendose cerceado no exercício do direito de defesa, na medida da não apreciação do documento de fls. 197 a 201. O referido documento, intitulado “Manifestação de Inconformidade”, datado de 12 de junho de 2000, não está assinado, nem se fez acompanhado de prova de seu protocolo. Nesse contexto de falta de prova da sua apresentação, entendo que a arguição de nulidade não merece prosperar. Preliminar de decadência O AI de fls. 87 a 89 foi lavrado em 22/12/1997. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN 4 O Supremo Tribunal Federal publicou no Diário Oficial da União, do dia 20/06/2008, o enunciado da Súmula vinculante nº 08, in verbis: “Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4º do art. 2º da Lei nº 11.417/2006: Súmula vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, rel. Min.Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, rel. Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: DecretoLei nº 1.569/1997, art. 5º, parágrafo único Lei nº 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III Brasília, 18 de junho de 2008. Ministro Gilmar Mendes Presidente” (DOU nº 117, de 20/06/2008, Seção I, pág. 1) Portanto, dada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, há de se definir o termo inicial do prazo decadencial nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Para a solução da presente lide, merecem ser colacionados os Acórdãos do STJ vazados nos seguintes termos: No REsp 879.058/PR, DJ 22.02.2007, a 1ª Turma do STJ assim se pronunciou: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO SOBRE FUNDAMENTAÇÃO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º).PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. omissis 2. omissis Fl. 420DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.000341/9830 Acórdão n.º 3403002.491 S3C4T3 Fl. 205 5 3. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art.173, I, do CTN, segundo o qual 'direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado '. 4. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes da 1ª Seção: ERESP 101.407/SP, Min. Ari Pargendler, DJ de 08.05.2000; ERESP 278.727/DF, Min.Franciulli Netto, DJ de 28.10.2003; ERESP 279.473/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 11.10.2004; AgRg nos ERESP 216.758/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 10.04.2006. 5. No caso concreto, todavia, não houve pagamento. Aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 6. Recurso especial a que se nega provimento." Mais uma vez a 1ª Turma do STJ pronunciouse sobre o tema: “EMENTA CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARTIGO 45 DA LEI 8.212/91. OFENSA AO ART. 146, III, B, DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º). PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. "As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplicase também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais Fl. 421DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN 6 devidas à Previdência Social" (Corte Especial, Argüição de Inconstitucionalidade no REsp nº 616348/MG) 2. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual "o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. 3. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, "ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa” e "operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa” —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 4. No caso, tratase de contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 173, I, do CTN. 5. Recurso especial a que se nega provimento. É a orientação também defendida em doutrina: “Há uma discussão importante acerca do prazo decadencial para que o Fisco constitua o crédito tributário relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Nos parece claro e lógico que o prazo deste § 4º tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias da espécie. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte e que supre a necessidade de um lançamento por parte do Fisco, satisfeito que estará o respectivo crédito. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, entendendo que é insuficiente, fazendo o lançamento de ofício através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelálo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, pois, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4º deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, I, deste mesmo Código. E, em havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos.” (Leandro Paulsen, Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, Ed. Livraria do Advogado, 6ª ed., p. 1011) “Ora, no caso da homologação tácita, pela qual se aperfeiçoa o lançamento, o CTN estabelece expressamente prazo dentro do Fl. 422DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.000341/9830 Acórdão n.º 3403002.491 S3C4T3 Fl. 206 7 qual se deve considerar homologado o pagamento, prazo que corre contra os interesses fazendários, conforme § 4o do art. 150 em análise. A conseqüência – homologação tácita, extintiva do crédito – ao transcurso in albis do prazo previsto para a homologação expressa do pagamento está igualmente nele consignada” (Misabel A. Machado Derzi, Comentários ao CTN, Ed. Forense, 3a ed., p. 404). Assim, em havendo antecipação, total ou parcial, dos recolhimentos, conforme exige o art. 150, § 1º do CTN, o prazo decadencial fluirá a partir da ocorrência do fato gerador. Caso não haja recolhimento, aplicarseá a regra do inc. I do art. 173. De salientar, por oportuno, que tal entendimento vai ao encontro do disposto no Parecer PGFN/CAT/Nº 1.617/2008, de 1º de agosto de 2008, aprovado pelo Ministro da Fazenda em 18 de agosto de 2008, vinculando inarredavelmente esta instância de julgamento administrativo. No caso concreto, o Termo de Constatação e Verificação de fl. 72 dá conta de que o autuado efetuou pagamentos, em m04/06/1992, 16/06/1992, 17/07/1992, 17/08/1992, 17/09/1992, 15/10/1992, 10/11/1992 e 09/12/2002, referentes, respectivamente, aos fatos geradores ocorridos em 30/04/1992, 31/05/1992, 30/06/1992, 31/07/1992, 31/08/1992, 30/09/1992, 31/10/1992 e 30/11/1992, tomando portanto a providência requerida no art. 150, § 4º do CTN, pelo que, em 22/12/1997, data da lavratura do Auto de Infração de fls. 87 a 89, estava decaído o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos antes de 22/12/1992. Cancelese portanto o lançamento das seguintes parcelas: PA VALOR TRIBUTÁVEL (R$) abr/92 R$ 4.649,38 mai/92 R$ 6.174,34 jun/92 R$5.553,50 jul/92 R$ 7.987,52 ago/92 R$ 6.058,0 set/92 R$ 4.730,19 out/92 R$ 6.386,61 nov/92 R$ 10.186,94 Aplicação da multa de lançamento de ofício O recorrente rechaça a aplicação da multa de lançamento de ofício sob o argumento de que a mesma é inaplicável no caso de mora no pagamento de débitos. Tratase de inovação recursal, pois a arguição não foi oferecida na impugnação. Por preclusa, deixo de conhecêla. Vejase, a propósito, o teor do artigo 473 do CPC, verbis: "é defeso à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito se operou a preclusão." Fl. 423DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN 8 Na lição de Chiovenda, repetida por Luiz Guilherme Marioni e Sérgio Cruz Arenhart, temse que:1 ... a preclusão consiste na perda, ou na extinção ou na consumação de uma faculdade processual. Isso pode ocorrer pelo fato: i) de não ter a parte observado a ordem assinalada pela lei ao exercício da faculdade, como os termos peremptórios ou a sucessão legal das atividades e das exceções; ii) de ter a parte realizado atividade incompatível com o exercício da faculdade, como a proposição de uma exceção incompatível com outra, ou a prática de ato incompatível com a intenção de impugnar uma decisão; iii) de ter a parte já exercitado validamente a faculdade.” A cada uma das situações acima corresponde, respectivamente, os três tipos de preclusão: a temporal, a lógica e a consumativa. No caso em tela ocorreu a preclusão temporal, consistente na perda da oportunidade que a recorrente teve para questionar a aplicação da multa de ofício. Ultrapassada etapa processual da impugnação, extinguese o direito de levantála agora, nesta fase recursal. Pedido de perícia Muito embora o recorrente tenha adequado o seu requerimento à forma prescrita no inc. IV do art. 16 do Decreto no 70.235, de 26 de março de 1972 – PAF, a providência mostrase totalmente prescindível para o deslinde do presente litígio, considerando que a diligência realizada debruçouse expressamente sobre a matéria. Nesse sentido, os quesitos formulados pelo recorrente, abaixo transcritos, são impertinentes: 1 — Do valor tributável constante do Demonstrativo de Apuração da COFINS, foram subtraídas do valor do faturamento o valor das devoluções de vendas? 2 — Se os valores relativos parcela do ICMS estão incorporados ao Valor Tributável? 3 — No caso afirmativo do quesito 2, quais os valores considerados nos meses de apuração do Fisco? 4 — Descontandose os valores indevidamente incluídos no valor tributável e as conseqüentes parcelas de juros e multa de oficio, qual seria o valor final devido? 5 — Se estão somados aos valores tributáveis as parcelas de ICMS das Devoluções de Vendas? 6 — No caso afirmativo do quesito 5, quais os valores mensais agregados indevidamente ao valor tributável? 1 MARIONI, Luiz Guilherme e ARENHART, Sérgio Cruz Arenhart. Manual do Processo do Conhecimento. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004, p. 665, apud CHIOVENDA, Giuseppe. "Cosa giudicata e preclusione", in Saggi di diritto processuale civile. Milano: Giuffrè, 1993, vol. 3, p. 233. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.000341/9830 Acórdão n.º 3403002.491 S3C4T3 Fl. 207 9 Saiba o recorrente que as perícias destinamse à elucidação de questões técnicas intrincadas, e não à produção de provas que, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotada no processo administrativo fiscal. Ademais, a busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que, regularmente intimado, tenha deixado de manifestarse sobre os ajustes efetuados pela Fiscalização, em diligência empreendida a pedido da autoridade julgadora de primeira instância. Conclusões Com essas considerações, voto por dar provimento parcial ao recurso. Sala de sessões, em 25 de setembro de 2013 Alexandre Kern Fl. 425DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10783.902211/2008-38
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2003
DESCONTO PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO.
O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
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AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 22 11 /2 00 8- 38 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902211/200838 Acórdão n.º 9303002.591 CSRFT3 Fl. 0 2 Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de Declaração de Compensação transmitida pela Contribuinte com amparo em suposto pagamento a maior da COFINS. O alegado direito creditório é decorrente de haverem sido incluídos, na base de cálculo da contribuição recolhida, valores recebidos pelo veículo de comunicação, mas repassados às agências de publicidade. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, sintetizado pelos fragmentos a seguir transcritos: “A DRFB Vitória, por meio do despacho decisório, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Em 21/08/2008 a interessada foi cientificada do despacho e da cobrança dos débitos indevidamente compensados. Irresignada, apresentou, (...), a manifestação de inconformidade de fls. (...), na qual alega em síntese: Que é contribuinte de uma grande variedade de tributos, dentre os quais se destacam, o PIS e a Cofins, tendo em conta a incidência das mesmas por ocasião do faturamento mensal, assim entendido “o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil", conforme dispõe o artigo 1° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Que essa redação destacada é similar a da norma que a precedeu, que, embora não revogada, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, qual seja, o art. 30, §1°, da Lei n° 9.718/98. Tais contribuições, portanto, não podem nem devem incidir sobre receitas não auferidas pela pessoa jurídica, a exemplo do que ocorre com os valores recebidos pela cessão de seu espaço para agências de publicidade, tendo em vista que tais valores não permanecem em seu faturamento, pois são repassados às mencionadas agências. (...) Ao perceber a existência dos créditos existentes em função do pagamento a maior da COFINS, foi apresentado, por meio de PER/DCOMP, a Declaração de Compensação, a fim de aproveitar tais créditos para quitar débitos ainda existentes de COFINS. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902211/200838 Acórdão n.º 9303002.591 CSRFT3 Fl. 0 3 (...) Por fim, protesta pela realização de diligência destinada à produção de prova pericial, e nomeia assistente técnico no intuito de ver respondidos os seguintes quesitos (...)” A DRJ indeferiu o pedido de perícia formulado e julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Ao recurso voluntário interposto foi negado provimento, nos termos do Acórdão 310201.294, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2003 PEDIDO DE PERÍCIA. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado por meio de documentos carreados aos autos. DESCONTO PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Voluntário Negado Inconformada, a Contribuinte apresentou recurso especial, onde postula a reforma do acórdão em foco, para que lhe seja reconhecido o direito a excluir da base de cálculo da Cofins as receitas repassadas às agências de publicidade, e, com isso, seja homologada a compensação declarada. O especial do sujeito passivo foi, por mim, admitido. Em suas contrarrazões, a PGFN defende a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a questão que se apresenta a debate diz respeito à base de cálculo da Cofins devida pelo veículo de divulgação. De um lado, a Fazenda entende que a Fl. 266DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902211/200838 Acórdão n.º 9303002.591 CSRFT3 Fl. 0 4 contribuição incide sobre o total da receita proveniente do faturamento constante das Notas Fiscais emitidas pela reclamante, enquanto esta defende a exclusão do desconto padrão pago por ela às agências de propaganda. A meu sentir, não merece reparo o acórdão recorrido, pois a Cofins, diferentemente do que acontece com o IRPJ e a CSLL, à época da ocorrência dos fatos geradores objeto destes autos, incidia sobre o total do faturamento, assim entendido, as receitas provenientes da venda de mercadorias, de serviços ou de ambos, e não sobre o lucro ou a diferença entre as receitas e as despesas, como acontece com esses dois tributos. No caso sob análise, dúvida não há que a Fiscalização tributou, tãosomente, as receitas oriundas do faturamento realizado pela recorrente, com base nas Notas Fiscais de serviços por ela emitidas, como determinava a legislação dessa contribuição, vigente à época dos fatos geradores objeto do lançamento em análise. É incontroverso nos autos que os valores lançados correspondem aos das faturas emitidas pela Fiscalizada. A discórdia entre ela e o Fisco reside na pretensão de se excluir da base de cálculo os valores correspondentes aos pagamentos de desconto padrão às agências de propaganda. A defesa socorrese do art.19 da Lei 12.232/2010 que dispõe sobre a interpretação da legislação de regência sobre os valores correspondentes ao desconto padrão de agência. Acontece, porém, que essa lei, conforme explicitado linhas abaixo, aplicase, exclusivamente, às relações dos serviços de publicidade com a Administração Pública. Não dispõe sobre o tratamento tributário das pessoas que menciona, como não poderia ser. A incidência das contribuições devidas pelas agências publicitárias e pelos veículos de divulgação, à época dos fatos em análise, obedecia à regra geral das demais pessoas jurídicas, sem qualquer regalia ou diferenciação. No caso em exame, o veículo de divulgação recebeu o total do valor negociado, emitindo uma fatura comercial em nome do anunciante e, após, a agência de publicidade emitiu uma fatura comercial em nome do veículo de divulgação. São duas relações negociais que se formam. Uma entre o veiculo de divulgação e o anunciante e outra entre a agência de propaganda e o veículo de divulgação. E cada uma dessas relações negociais haverá repercussão financeira, e, por conseguinte, tributária. No caso específico dos autos, a relação entre anunciante e veiculo de divulgação gera receita para este, no valor total da fatura por ele emitida contra àquele. Já na relação estabelecida entre a agência de propagada e o veículo de divulgação, a receita gerada será da agência, também, no valor da fatura comercial emitida contra o veículo anunciante. Quanto à tributação dessas receitas em relação ao PIS e à Cofins, não há novidade: comporão o faturamento tanto da agência quanto do veículo de divulgação, e, por conseguinte, integrarão a base de cálculo dessas contribuições, devidas por essas duas pessoas jurídicas. Assim, a receita referente à fatura emitida pelo veículo de divulgação deverá ser, por ele, oferecida à tributação dessas duas contribuições. O mesmo procedimento é esperado da agência de publicidade, em relação à receita recebida do veículo de divulgação. Notese que as faturas emitidas, tanto pelo veículo de divulgação contra a anunciante, quanto a da agência contra o veiculo de divulgação, referemse a serviços prestados por duas pessoas jurídicas distintas, e cada uma delas foi remunerada pelo serviço prestado. Essa remuneração, qualquer que seja a classificação adotada, contábil, fiscal, econômica, não importa, representa faturamento da prestadora do serviço, e como tal está sujeita à incidência do PIS e da Cofins. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902211/200838 Acórdão n.º 9303002.591 CSRFT3 Fl. 0 5 Poderseia argumentar, como de fato o fez a recorrente, que os valores correspondentes ao descontopadrão não seriam receitas do veículo de divulgação, a teor do disposto no 1art. 19 da Lei nº 12.232/2010. Acontece, porém, que, conforme pode ser visto nas razões de veto do parágrafo único desse dispositivo legal, a norma nele incerta somente disciplina as relações de publicidade com a Administração Pública, não se aplicando às relações entre particulares. MENSAGEM Nº 203, DE 29 DE ABRIL DE 2010. Senhor Presidente do Senado Federal, Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1o do art. 66 da Constituição, decidi vetar parcialmente, por contrariedade ao interesse público, o Projeto de Lei no 197, de 2009 (no 3.305/08 na Câmara dos Deputados), que “Dispõe sobre as normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda e dá outras providências”. Ouvido, o Ministério da Justiça manifestouse pelo veto ao dispositivo abaixo: Parágrafo único do art. 19 “Art. 19. ....................................................................... Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica inclusive à contratação de serviços entre particulares, observadas normas de orientação expedidas pelo Conselho Executivo das Normas adrão CENP.” Razão do veto “O projeto de lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública, não adentrando nas relações entre os particulares que exercem atividades publicitárias com fundamento na Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965.” Essa, Senhor Presidente, a razão que me levou a vetar o dispositivo acima mencionado do projeto em causa, a qual ora submeto à elevada apreciação dos Senhores Membros do Congresso Nacional. Diante disso, dúvida não há de que a norma trazida no art. 19 da Lei nº 12.232/2010, é inaplicável ao caso sob exame, por ser específica para as contratações com a Administração Pública, conforme explicado nas razões de veto do parágrafo único que previa a extensão para as relações entre os particulares. As atividades publicitárias entre particulares permanecem regidas com fundamento na Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965, que não dispõe sobre exclusão, da base de cálculo do PIS e Cofins, do descontopadrão pago às agências de publicidade pelos veículos de divulgação. 1 Art. 19. Para fins de interpretação da legislação de regência, valores correspondentes ao descontopadrão de agência pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, constituem receita da agência de publicidade e, em consequência, o veículo de divulgação não pode, para quaisquer fins, faturar e contabilizar tais valores como receita própria, inclusive quando o repasse do desconto padrão à agência de publicidade for efetivado por meio de veículo de divulgação. (grifos meus) Fl. 268DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902211/200838 Acórdão n.º 9303002.591 CSRFT3 Fl. 0 6 Em outro giro, o que a recorrente pretende, na realidade, é tributar apenas a receita líquida, deduzindo as despesas incorridas com a prestação dos serviços. Essa pretensão poderia encontrar abrigo se estivéssemos tratando de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou ainda da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, onde a incidência está associado ao conceito de lucro, grosso modo, receitas menos despesas, mas não sobre as contribuições incidentes sobre o faturamento, como é o caso da Cofins, que tem como base de cálculo as receitas oriundas da venda de bens, de serviços ou de ambos. As exclusões permitidas são somente aquelas listadas, numerus clausus, na lei instituidora da contribuição, in casu, a Lei Complementar 70/1991, e nas demais que alteraram o texto original, sobretudo a Lei 9.715/1998 e 9.718/1998. Dentre as exclusões legais não se encontra a pretendida pelo sujeito passivo. Assim, à mingua de previsão legal autorizativa para se proceder à exclusão da base de cálculo do PIS e Cofins do descontopadrão pago às agências de publicidade pelo veículo de comunicação, preditos valores devem, necessariamente, compor a base de cálculo das contribuições citadas. Além das razões enumeradas nas linhas precedentes, peço emprestado os argumentos da nobre relatora do acórdão recorrido, que deixo de transcrever porque já consta dos autos e a transcrição alongaria ainda mais este voto, mas fica o registro das merecidas homenagens à ilustre Conselheira. Com essas considerações, nego provimento ao recurso especial apresentado pelo sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 269DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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