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Numero do processo: 10183.906828/2011-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.911
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .9 06 82 8/ 20 11 -9 7 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10183.906828/201197 Resolução nº 3201000.911 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Florianópolis/SC, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de retificação tempestiva da DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo a integral homologação da compensação declarada, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10183.906828/201197 Resolução nº 3201000.911 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10183.906828/201197 Resolução nº 3201000.911 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10183.906828/201197 Resolução nº 3201000.911 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.001965/2008-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/10/2003
PRESCRIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. REGÊNCIA.
O direito da Administração Tributária examinar a compensação declarada sob condição resolutória, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, extingue-se em 05 (cinco) anos a contar da entrega da declaração correspondente, não se aplicando as regras de contagem do arts. 150, § 4º ou 173 do Código Tributário Nacional.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 28/10/2003
COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. RECONHECIMENTO.
A homologação da compensação de débitos de titularidade do sujeito passivo, pela Administração Tributária, impõe o necessário reconhecimento da procedência dos direitos creditórios respectivos.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-003.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Ausente ocasionalmente o Conselheiro André Henrique Lemos
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/10/2003 PRESCRIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. REGÊNCIA. O direito da Administração Tributária examinar a compensação declarada sob condição resolutória, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, extingue-se em 05 (cinco) anos a contar da entrega da declaração correspondente, não se aplicando as regras de contagem do arts. 150, § 4º ou 173 do Código Tributário Nacional. Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 28/10/2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. RECONHECIMENTO. A homologação da compensação de débitos de titularidade do sujeito passivo, pela Administração Tributária, impõe o necessário reconhecimento da procedência dos direitos creditórios respectivos. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Ausente ocasionalmente o Conselheiro André Henrique Lemos Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1531; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 10 1 9 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.001965/200804 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.887 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente XINGULEDER COUROS LTDA. (NOVA DENOMINAÇÃO DE BRASPELCO IND. COM. LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/10/2003 PRESCRIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. REGÊNCIA. O direito da Administração Tributária examinar a compensação declarada sob condição resolutória, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, extinguese em 05 (cinco) anos a contar da entrega da declaração correspondente, não se aplicando as regras de contagem do arts. 150, § 4º ou 173 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 28/10/2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. RECONHECIMENTO. A homologação da compensação de débitos de titularidade do sujeito passivo, pela Administração Tributária, impõe o necessário reconhecimento da procedência dos direitos creditórios respectivos. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Ausente ocasionalmente o Conselheiro André Henrique Lemos Rosaldo Trevisan – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 19 65 /2 00 8- 04Fl. 120DF CARF MF 2 Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Por bem refletir a situação dos autos, tomo por empréstimo o relato da decisão de primeiro grau administrativo: “Trata o presente processo do pedido eletrônico de ressarcimento n° 10355.77621.270903.1.1.016886 (cópia resumida às lis. 01/02). no valor de (...) relativo a saldo credor do IPI apurado no 1° trimestre de 2003 pelo estabelecimento 22.312.045/000134 (fl. 02). O crédito informado no mencionado PER foi utilizado na compensação declarada por intermédio da DCOMP n° 26072.43398.281003.1.3.015074 (fls. 03/05). O pleito da contribuinte foi analisado pela unidade de origem, que o indeferiu na sua totalidade. A autoridade competente fundamentou que o saldo credor relativo ao 1º trimestre de 2003 havia sido tratado no processo n° 10675.001350/200365 e que todo o direito creditório reconhecido em tal processo já havia sido aproveitado, tendo sido uma parte utilizada para compensações e outra parte ressarcida à interessada. É o que consta do despacho decisório de fls. 13/14. A contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 20/31 por intermédio da qual discorda do indeferimento de seu pleito. Em preliminar, a manifestante alegou a prescrição quanto ao direito de a Fazenda Pública indeferir o saldo credor pleiteado em ressarcimento, que no seu entender, esgotase cinco anos após o encerramento do trimestre calendário de apuração daquele saldo credor. No mérito, arguiu que, em razão de o processo n° 10675.001350/200365, que cuida do direito creditório relativo ao trimestrecalendário em apreço, encontrarse em fase de recurso a ser examinado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), ‘não poderia ter sido encerrada a fase administrativa deste recurso’ (do presente processo n° 10675.001965/200804). Aduziu, também, que teria ocorrido erro em decisão proferida naquele processo n° 10675.001350/200365, que lhe teria sido prejudicial.” A DRJ Juiz de Fora/MG reputou improcedente a manifestação de inconformidade: “COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO RECONHECIDO. Permanece não homologada a compensação vinculada a pedido de ressarcimento cujo direito creditório reconhecido não foi suficiente para a compensação dos débitos. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10675.001965/200804 Acórdão n.º 3401003.887 S3C4T1 Fl. 11 3 RESSSARCTMENTO. DECADÊNCIA. A verificação que a Administração deve promover, visando deferir ou indeferir pedidos de ressarcimento de créditos, não se subsume aos prazos decadenciais previstos nos artigos 150 e 173 do CTN por não se tratar de hipótese de constituição de crédito tributário.” Em recurso voluntário o contribuinte sustentou a prescrição do direito à homologação da compensação e reclamou a suspensão do presente processo até que julgado definitivamente o PA 10675.001350/200365. A 2ª TO/1ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF, reconhecendo a prejudicialidade entre os processos, converteu o julgamento em diligência para se aguardar o julgamento definitivo no PA 10675.001350/200365, através da Resoluções nºs 3102000.214 e 3102 000.277, de 24/05/2012 e 25/07/2013, respectivamente. Cumprida a diligência, retornaram os autos para prosseguimento. Com a reorganização promovida pela Portaria MF 343/2015, especificamente a extinção da turma julgadora originária, houve redistribuição do feito mediante novo sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O juízo de admissibilidade do recurso voluntário sub examine já foi, a seu tempo, realizado. Concernente à alegada prescrição do direito da Fazenda Nacional à revisão dos créditos pleiteados, considerando que este processo alberga apenas declaração de compensação, com o direito creditório analisado no PA 10675.001350/200365, temse configurada matéria estranha a este processo, não sendo possível a renovação de questões discutidas naqueles autos. Quaisquer alegações e defesas relativas a crédito indicado para compensação foram, ou, pelo menos, deveriam ter sido, deduzidas e decididas no processo específico (10675.001350/200365), razão porque não serão conhecidas nesta oportunidade. Quanto à suposta prescrição do direito de homologação da compensação declarada, a teor do art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, o prazo para o exercício da prerrogativa será de 05 (cinco) anos contados da data da entrega da declaração correspondente. No caso vertente, a DCOMP foi entregue em 28/10/2003 e o despacho decisório de não homologação cientificado ao recorrente em 26/09/2008, logo, dentro do prazo assinalado, razão porque improcedente o argumento de homologação tácita. Fl. 122DF CARF MF 4 Respeitante ao mérito, a decisão administrativa irreformável prolatada no PA 10675.001350/200365 manteve o reconhecimento parcial do crédito pela unidade preparadora, negando provimento ao recurso voluntário lá interposto, em decisão assim ementada (Acórdão 3401002.001, de 23/10/2012): “REVISÃO DE OFÍCIO. ERRO MATERIAL. POSSIBILIDADE. Constatado o erro material, a autoridade pode fazer a revisão de ofício, desde que esteja dentro do prazo do lançamento do tributo. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. MULTA DE MORA CABÍVEL. Ainda que as declarações tenham sido entregues antes do início da fiscalização, se o tributo não for recolhido com juros, não estarão cumpridos todos os requisitos da denúncia espontânea e caberá a aplicação de multa de mora.” Assim, não havendo reforma da decisão referente ao crédito, não há como reverter a compensação a ele atrelada. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl Fl. 123DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.910546/2008-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO.
Cabe ao contribuinte o ônus de provar a existência e a qualidade do seu direito creditório.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-004.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Cabe ao contribuinte o ônus de provar a existência e a qualidade do seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, relativo ao 4º trimestre de 2003, cumulado com declaração de compensação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 91 05 46 /2 00 8- 62 Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10380.910546/200862 Acórdão n.º 3302004.635 S3C3T2 Fl. 427 2 Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese relatório da resolução de nº 3302000.249: "No dia 02/06/2004 a empresa CINA CIA NORDESTE DE AQUICULTURA E ALIMENTAÇÃO, já qualificada nos autos, apresentou PERDCOMP pleiteando o ressarcimento de crédito presumido de IPI (Portaria MF nº 38/97), relativo ao 4º trimestre de 2003, e declarando a compensação de débitos com o referido crédito. Após a realização das verificações fiscais, a DRF em Fortaleza/ CE não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou as compensações declaradas, nos termos do Despacho Decisório de fls.. 249/250. Para indeferir o pleito da Recorrente, a autoridade da RFB acolheu os fundamentos do Termo de Verificação Fiscal, resumidos pela decisão recorrida nos seguintes termos (fls.331/333): a) Analisando as notas fiscais de saída disponibilizadas pela empresa (ano 2003), aqui destacadas as NF de venda para o exterior (CFOP 7.11 e 7.101), verificamos inconsistências que comprometem a razão da empresa quando se apresenta no Pedido de Ressarcimento (através de PER/DCOMP) como produtora e exportadora. Foram relacionadas várias NF; b) Como pode ser constatado, o CFOP destas notas repetemse em 7.11 e 7.101, mas, segundo as informações escritas manualmente ou datilografadas no corpo da nota, quantidades improváveis de mercadorias exportadas não foram produzidas pela Interessada, Cina Cia Nordeste de Aqiiicultura e Alimentação, mas pelos seguintes estabelecimentos industriais, o que pode ser verificado na tabela e nas cópias das NF anexadas: Aqua Aquicultura Ltda CNPJ 04.634.110/000166 Maricultura do Maranhão Ltda CNPJ 00.017.358/000208 Camarões do Brasil Ltda CNPJ 03.681.729/000240 Fco. Ferreira Souto Filho CNPJ 08.248.957/000197 Aquarium Aquicultura do Brasil Ltda CNPJ 04.153.254/000109 c) Além do visto, a impossibilidade de quantificar o que foi efetivamente produzido e exportado pela Interessada, a documentação apresentada pela empresa não permite saber qual a relação comercial e/ou industrial que a mesma manteve no período com os cinco citados estabelecimentos produtores, o que impede tentativa de se chegar a alguma conclusão sobre que insumos foram efetivamente adquiridos e utilizados pela Cina da fabricação de produtos exportados, haja vista que, em relações que, (...), parecem tão próximas, ao ponto de a interessada responder intimamente, no corpo de suas notas fiscais, pela Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10380.910546/200862 Acórdão n.º 3302004.635 S3C3T2 Fl. 428 3 exportação de outras empresas, não é difícil ocorrerem trocas ou mesmo cessões informais de matériaprima, produto intermediário e/ou material de embalagem, especialmente considerando que todas as empresas envolvidas tiveram produtos industrializados pelo mesmo estabelecimento industrial, M.M.C Industrial Ltda, em Luis Correia, PI; d) Esse estabelecimento, acompanhado do Cominalli Com. Ind. de Alimentos Ltda, foram indicados pela empresa interessada como industrializadores por encomenda, o que justificaria a citação dos mesmos no corpo das notas fiscais quando isoladamente, sem referência a qualquer dos cinco estabelecimentos que tiveram produtos seus exportados pela Cina, no entanto, verificando as NF de saída oferecidas, somente a partir de 04.08.2003, surge a primeira nota de Remessa p/ Industrialização (NF 2102), no caso para a Cominalli Com Ind de Alimentos Ltda, que teria recebido camarões do Mar com Cabeça, sem classificação fiscal, 2.460kg, para processar, embalar e congelar, e, imaginando que tudo teria sido feito muito rápido, explicaria a emissão da NF 2085 Camarão sem Cabeça Congelado (Aqüicultura), classificação fiscal resumida aos dígitos 0306 (ver tabela), em 06.08.2003, CFOP 7.101, não fosse pela quantidade exportada, 2.704kg, superior ao que teria sido remetido para industrialização, e pela divergência quanto à origem do camarão (do mar x aquicultura); e) Aliás, sobre origem do camarão, a inconsistência é ainda maior, a empresa afirma que o camarão que adquire tem origem na aqüicultura, como pode ser verificado na Relação das MP, PI e ME Adquiridos, onde relaciona apenas Camarão de Fazenda, classificação fiscal 0306.23.00, origem que também pode ser verificada nas NF de Saída CFOP 7.11 ou 7.101, mas todo o camarão descrito nas poucas notas de Remessa para Industrialização tem origem no mar (Camarão do Mar c/ Cabeça e Camarão do Mar s/Cabeça); f) Adendo às inconsistências verificadas, salta aos olhos, nas NF 2103 e 2109 Remessa para Industrialização (para Cominalli Com e Ind de Alimentos Ltda), a descrição do que parecem ser materiais de embalagem (o que não é possível assegurar, haja vista que, como em todas as NF de saída da interessada, a classificação fiscal não está aposta ou assim não o foi corretamente), "Tampas Pirangi Cominalli" e "Cartões Pirangi Cominalli", haja vista ser estranho que um simples industrializador por encomenda dê nome ao produto do encomendante. g) No que se refere ao estabelecimento M.M.C Industrial Ltda, em Luis Correia, PI, a inconsistência ainda é maior, haja vista que em 15.05.2003 o mesmo já teria processado, embalado e congelado para a Interessada, quando, no entanto, somente em 28.08.2003, NF 2120, teria recebido a primeira remessa para industrialização, Camarão do mar c/ Cabeça e Camarão do Mar s/ Cabeça, seguida de outras (NF 2121, 08.09.2003, e 2125, 09.09.2003), que descrevem os mesmos insumos, e somente os Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10380.910546/200862 Acórdão n.º 3302004.635 S3C3T2 Fl. 429 4 mesmos, o que faz restar a pergunta: e o produto químico metabissulfito de sódio...? e os materiais de embalagem...? o industrializador adquiriu?; h) A indagação final não encontra resposta, como todas as outras referentes ao alegado processo de industrialização por encomenda, haja vista que a documentação oferecida Fiscalização não comprova absolutamente a efetividade de tal operação, o que demandaria a comprovação da saída dos insumos para o industrializador por encomenda (passando ou não pelo estabelecimento encomendante), o retorno do produto industrializado (acompanhado da devolução dos insumos) e a venda final, no caso, com fins de exportação. i) No caso exposto, uma última observação, tanto a MMC como a Cominalli teriam recebido da Interessada, como Remessa para Industrialização por Encomenda, Camarão c/ Cabeça e Camarão s/ Cabeça, mas quem teria realizado o processo industrial anterior, no caso do Camarão s/ Cabeça? Haja vista que, segundo o Memorial Descritivo da Produção (Industrialização por Encomenda), oferecido pela Cina, o descabeçamento do camarão faz parte do processo produtivo. j) Na relação das MP, PI e ME Adquiridos apresentados pela empresa, no que diz respeito a camarão, consta como já visto, apenas, Camarão de Fazenda, classificação fiscal 0306.23.00, Camarão s/ Cabeça (e do Mar), não está listado como matéria prima. Não se conformando com a decisão acima, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade, cujas alegações estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido às fls. 331/335, nos seguintes termos: Decadência • Que, a compensação realizada em 02.06.2004 completou cinco anos exatos, sem nenhuma notificação, em 02.06.2009, e que é evidente que a notificaçãonãocientificada, em sua plenitude, equivale, em sua plenitude, à notificaçãonenhuma, de sorte que o período de cinco anos, suficiente para decair a compensação realizada, cumpriuse em 02.06.2009. Cerceamento • Que, a fiscalização objeto do MPF n° 03.1.01.002008016310, iniciouse em 26.11.2008 (Doc. n° 1). Terseia encerrado em 28.05.2009, mas a rigor permanece, até hoje em aberto, uma vez que a manifestante jamais teve ciência do Termo de Verificação Fiscal que supostamente fundamenta as glosas, e que, é certo que o despacho da autoridade referencia o TVF, mas faltou o cuidado de conferir se o contribuinte fora notificado da peça fundamental, o TVF. Tratase da impossibilidade material de defenderse. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10380.910546/200862 Acórdão n.º 3302004.635 S3C3T2 Fl. 430 5 * Que, sabese que a AUDITORIA, ciência exata, fundase em números. Inexiste isto de "em cerca", "em torno" e que tais Números. Mesmo porque, o disparate, se lido detrás para adiante, levará a um absurdo maior, uma vez que "algo em torno 15% jamais produzirá "cerca de 50%". Admitase, apenas em homenagem ao argumento que os cálculos estejam certos. E os outros 85%?! E os outros 50%?!; • Que, ante acusação tão imprecisa, impossível defenderse; • Que, é principio universal do Direito que compete, a quem acusa, a comprovação da acusação; • Que, o único elemento de prova, nos autos, é a nãonotificação do contribuinte do Termo de Verificação Fiscal. Mérito • Que, cumpre, em primeiro, esclarecer que o camarão inteiro congelado é produto tributado pelo IPI, com alíquota zero. De fato todos os crustáceos, sem distinção, têm essa classificação de alíquota zero; • Que, não há, como se demonstra, com a transcrição da TIPI vigente à época dos fatos (2003), qualquer linha "NT" para crustáceos. Uma definição legal, e pronto. Contudo, o auditor fiscal estranhou a tipologia "camarão do mar" para os produtos da aqüicultura; • Que, pior bateu o pé (no dia que compareceu para "encerrar"), garantido que os crustáceos exportados não seriam industrializados, porque produtos "in natura" • Que, a paralisação de suas atividades não desautorizou o incentivo fiscal. Este há de decorrer de condições objetivas: adquiriu industrializou exportou, e só. • Que, a manifestante é empresa de produção industrial, exportou produtos tributados de sua produção. A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão nº 0115.148, de 15/09/2009, cuja ementa abaixo se transcreve. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃO OCORRÊNCIA. Consoante a legislação tributária vigente, o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da Declaração de Compensação. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCABIMENTO. Descabe alegação de cerceamento do direito de defesa quando ao contribuinte garantiuse o acesso aos atos praticados no Fl. 430DF CARF MF Processo nº 10380.910546/200862 Acórdão n.º 3302004.635 S3C3T2 Fl. 431 6 processo, tendo o mesmo inclusive reproduzido e juntado aos autos o Termo de Verificação Fiscal que alega não ter tido ciência. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não constituem normas gerais, razão pela qual seus julgados não aproveitam a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O ressarcimento autorizado pelo art. 1º da Lei n° 9.363, de 1996, vinculase ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a matéria. Na ausência de provas nos autos que indiquem a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, impõese o indeferimento do pleito. Desta decisão a empresa interessada tomou ciência no dia 29/10/2009, conforme recibo aposto à fl. 340, e, no dia 30/11/2009, ingressou com o recurso voluntário de fls. 341/354, no qual alega: "Tratase de matéria idêntica à do processo n° 10380.901189/200680, recorrido nesta mesma data. Por isto mesmo, pedese seja aplicado a este processo, mais recente e repetitivo, idêntico resultado do nº 10380.901189/200680." Na sessão de 27/09/2012, o julgamento foi convertido em diligência mediante o Acórdão nº 3302000.250, para que fossem tomadas as seguintes providências: "1 Intimar a Recorrente a segregar, do camarão exportado, aquele que ela realizou todas as etapas de produção/beneficiamento, indicando, no mínimo, descrição do produto, quantidade, valor e nota fiscal de saída; 2 Intimar a Recorrente a segregar os insumos empregados na produção do camarão a que se refere o item 1, acima, indicando, no mínimo, produto, quantidade, valor e nota fiscal de entrada; 3 Intimar a Recorrente a segregar, do camarão exportado, aquele que ela mandou industrializar (industrialização por encomenda), indicando, no mínimo, produto, quantidade, valor, nota fiscal de entrada e industrializador; 4 Intimar a Recorrente a identificar os insumos (material de embalagem, camarão não beneficiado, metabissulfito e cloro) remetidos para o estabelecimento que efetuou a industrialização por encomenda a que se refere o item 3, indicando, no mínimo, insumo/material de embalagem, quantidade, valor e nota fiscal de saída; 5 Intimar a Recorrente a segregar, do camarão exportado, aquele adquirido no mercado interno para exportação (mesmo que a Recorrente tenha entregue as embalagens ao fornecedor), Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10380.910546/200862 Acórdão n.º 3302004.635 S3C3T2 Fl. 432 7 indicando, no mínimo, produto, quantidade, valor, nota fiscal de entrada e fornecedor; 6 Intimar a Recorrente a colocar à disposição do Fisco a documentação referida nos itens anteriores, bem como os competentes livros contábeis e fiscais; 7 Intimar a Recorrente a demonstrar o crédito presumido a que julga ter direito sobre a exportação de camarão de produção própria e de produção por encomenda devidamente comprovada. 8 Com base nos elementos acima, e em outros que julgar necessário, deve a Fiscalização demonstrar o crédito presumido que a Recorrente tem direito, se houver. 9 dar ciência à recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11." Dando cumprimento à resolução, a autoridade fiscal lavrou Termo de Início de Ação Fiscal, cientificado mediante AR em 08/08/2014, sobre o qual a recorrente não se manifestou. Reintimada, o AR foi devolvido com a informação de "mudouse". Na forma regimentar, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A recorrente tratou de um único item em seu recurso voluntário, a aplicação neste processo do resultado do julgamento do processo nº 10380.901189/200680, ou seja, a conversão do julgamento em diligência, o que foi atendido mediante a Resolução nº 3302 000.250, acima resumida e idêntica à julgada no processo acima mencionado. Assim, a turma converteu o julgamento, para que, enfim, a recorrente pudesse comprovar seu direito creditório, esclarecendo que o não atendimento à diligência solicitada e deferida, poderia justificar o indeferimento total do pedido de ressarcimento, em razão das inconsistências confirmadas pelo próprio relator da resolução, como a não apresentação das notas fiscais de entrada e saída, como indicado no recurso voluntário, não demonstração da segregação entre os produtos exportados recebidos de terceiros para revenda, os recebidos por industrialização por encomenda e os exportados de sua própria produção, não apresentação das notas fiscais de remessa de insumos e de recebimento de produtos acabados e do pagamento de serviços de industrialização por encomenda. A diligência, em resumo, foi deferida para que a recorrente fosse intimada "a efetuar a segregação, em termos físico e monetário, da produção própria exportada; dos produtos industrializados por encomenda exportados; e dos produtos adquiridos de terceiros Fl. 432DF CARF MF Processo nº 10380.910546/200862 Acórdão n.º 3302004.635 S3C3T2 Fl. 433 8 exportados, tudo devidamente comprovado por documentação hábil e idônea, devidamente escriturada" e "intimada a segregar os insumos adquiridos e consumidos no processo de produção/beneficiamento do camarão exportado, bem como dos insumos adquiridos e remetidos para terceiros, devidamente comprovado com documentação hábil e idônea, devidamente registrado da escrita contábil e fiscal." Contudo, intimada e reintimada a cumprir a diligência requerida por ela própria, simplesmente nada manifestou, demonstrando completo desinteresse no deslinde da questão, o que indica, em princípio que o recurso voluntário fora meramente protelatório Assim, restou caracterizado que a recorrente não se desincumbiu do ônus que lhe cabia de provar o direito creditório pedido em ressarcimento, nos termos do artigo 333 do anterior Código de Processo Civil e do artigo 161 do Decreto nº 70.235/1972. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Fl. 433DF CARF MF Processo nº 10380.910546/200862 Acórdão n.º 3302004.635 S3C3T2 Fl. 434 9 Fl. 434DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.905767/2012-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL.
Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-003.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 57 67 /2 01 2- 21 Fl. 288DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP utilizando créditos de COFINS, no valor total de R$ 35.160,06. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação não foi homologada, visto que o pagamento foi localizado, mas integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificada da decisão de piso, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, basicamente, que: (a) o crédito se refere a COFINSimportação de serviços recolhida indevidamente, e que a informação de que o valor foi utilizado integralmente para quitar débito da empresa se deve a ter sido originalmente informado em DCTF valor igual ao total do recolhimento; (b) que foi retificada a DCTF, após o despacho decisório, sendo que o valor não era devido por tratarse de remessa ao exterior em pagamento de licença de uso de marca, a título de royalties, não caracterizando contrapartida de serviços provenientes do exterior, conforme Solução de Consulta RFB no 263/2011; e (c) a DCTF retificadora não foi recepcionada pela RFB tendo em vista ter se esgotado o prazo de cinco anos para a apresentação. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento de carência probatória a cargo do postulante, que não apresenta contrato que discrimine os royalties dos serviços técnicos e de assistência técnica, de forma individualizada, e de que a prazo para retificação de DCTF já havia se esgotado quando da apresentação de declaração retificadora pela empresa. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). No CARF, o julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução no 3803000.479, para que a autoridade local da RFB informasse “...acerca dos valores devidos pela recorrente na data de transmissão da DComp, bem assim se o valor reconhecido a título de direito creditório (original ou atualizado) é o bastante para solver os débitos existentes nessa data, mediante o confrontamento de valores ou, informar acerca da diferença encontrada” (sic). Em resposta a fiscalização informa que o pagamento objeto do direito creditório não se encontra disponível, uma vez que utilizado para quitação de débito declarado em DCTF, e que, relativamente ao confronto de valores, restou demonstrado “... ser bastante o valor do pagamento pleiteado nestes autos para extinção do débito declarado pela Fl. 289DF CARF MF Processo nº 13603.905767/201221 Acórdão n.º 3401003.928 S3C4T1 Fl. 277 3 contribuinte por meio de compensação”, não havendo necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação. O processo foi a mim distribuído, mediante sorteio, em maio de 2017. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O cumprimento dos requisitos formais de admissibilidade já foi verificado na conversão em diligência, passandose, então, aqui, à análise de mérito. De fato, não se tem dúvidas de que, ao tempo da análise massiva, por sistema informatizado, das DCOMP apresentadas, os débitos declarados em DCTF correspondiam aos pagamentos efetuados, ainda que estes fossem eventualmente indevidos. Daí os despachos decisórios eletrônicos, limitados a cotejamento entre dados declarados em DCOMP e DCTF, e pagamentos efetuados com DARF, terem sido pelo indeferimento. No entanto, também não se tem dúvidas de que a empresa já entendia, na data de protocolo dos PER/DCOMP, serem indevidos os pagamentos efetuados, independente de ter ou não retificado as respectivas DCTF. Não há que se falar, assim, em decurso de prazo para repetir o indébito, visto que os PER/DCOMP foram transmitidos dentro do prazo regular para repetição. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Fl. 290DF CARF MF 4 Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tãosomente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito Fl. 291DF CARF MF Processo nº 13603.905767/201221 Acórdão n.º 3401003.928 S3C4T1 Fl. 278 5 de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Atribuir à retificação formal de DCTF importância superior à comprovação do efetivo direito de crédito é típico das máquinas, na análise massiva, mas não do julgador, humano, que deve ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Como atesta a Solução de Divergência COSIT no 11/2011: “Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição.” (grifo nosso) E a cópia do contrato de licença apresentada e analisada, e de seus adendos, atesta que o contrato se refere “exclusivamente a licenciamento de uso de marcas”, não tratando de serviços. Assim, é indevida a COFINS, não havendo qualquer manifestação em sentido contrário pela própria unidade diligenciante. Aliás, efetivamente apreciou turma especial do CARF assunto idêntico, no Acórdão no 3801001.813, de 23/04/2013, acordando unanimemente pela não incidência de COFINSserviços em caso de contrato de “knowhow” que não engloba prestação de serviços: “CONTRATO DE “KNOW HOW”. REMESSAS AO EXTERIOR RELATIVAS A ROYALTIES E DIREITOS PELO USO DE MARCAS E TRANSFERÊNCIA DE CONHECIMENTO E TECNOLOGIA. NÃO INCIDÊNCIA DA COFINS IMPORTAÇÃO. Uma vez discriminados os valores dos Royalties dos demais serviços, de forma individualizada, não incidirá a COFINSImportação.” Há ainda outros precedentes recentes e unânimes deste tribunal, no mesmo sentido, e com características adicionais em comum com o presente processo: “NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o despacho decisório que se fundamenta no cotejo entre documentos apontados como origem do crédito (DARF) e nas declarações apresentadas que demonstram o direito creditório (DCTF). APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE INDÍCIO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL. Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os argumentos do contribuinte Fl. 292DF CARF MF 6 quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração. ROYALTIES. REMUNERAÇÃO EXCLUSIVA PELO USO DE LICENÇA E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. INEXISTÊNCIA DE SERVIÇOS CONEXOS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/COFINSIMPORTAÇÃO. A disponibilização de "informações técnicas" e "assistência técnica", por intermédio de entrega de dados e outros documentos pela licenciadora estrangeira, para utilização na fabricação de produtos licenciados no País, não configura prestação de serviços conexos ao licenciamento para efeitos de incidência de Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação. À luz do contrato de licenciamento e dos efetivos pagamentos realizados ao exterior, não incidem as Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofins importação, pois tais pagamentos, cujos cálculos baseiamse nas vendas líquidas de produtos licenciados, referemse, exclusivamente, à remuneração contratual pela transferência de tecnologia, com natureza jurídica de royalties. (grifo nosso) (Acórdãos no 3201002.404 a 420, Rel. Cons. Windereley Morais pereira, sessão de 28 set. 2016) Deve, então, ser acolhido o pleito da empresa, removido o derradeiro obstáculo indevido ao reconhecimento do direito creditício e à compensação. Resta, por fim, tecer comentários sobre o pleito da recorrente para análise conjunta dos 52 processos referentes a suas DCOMP, visto que este relator recebeu, em sorteio, apenas 44 dos referidos processos. Em nome da verdade material, efetuei consulta ao sistema eprocessos, sobre a situação dos oito processos restantes, verificando o que se resume na tabela abaixo: N. do processo Situação atual Observações 13603.905762/201207 CARF – “Distribuir/Sortear” (indevidamente) Julgamento convertido em diligência, nas mesmas circunstâncias do presente, mas ainda não enviado à unidade local, para diligência, tendo em vista necessidade de saneamento (erro na anexação do arquivo contendo a Resolução de conversão em diligência). 13603.905764/201298 Idem Idem 13603.905772/201234 Idem Idem 13603.905785/201211 Idem Idem 13603.905790/201216 Idem Idem Fl. 293DF CARF MF Processo nº 13603.905767/201221 Acórdão n.º 3401003.928 S3C4T1 Fl. 279 7 13603.905775/201278 CARF – SEDIS/GECAP – Verificar Processo Processo sequer apreciado pelo CARF ainda, nem para converter o julgamento em diligência. 13603.905793/201250 Idem Idem 13603.905794/201202 Idem Idem Assim, há efetivamente apenas 44 processos maduros para julgamento, visto que os 8 restantes, por falhas processuais (5 deles com juntada incorreta de arquivos e 3 com pendência de verificação de procedimentos pelo setor competente do CARF) acabaram não chegando à unidade local, para realização da diligência. E os 44 processos, prontos para julgamento, serão efetivamente julgados conjuntamente, nesta sessão. Pelo exposto, e acolhendo a informação prestada em sede de diligência, voto por dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 294DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.905870/2011-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.506
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
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PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente VS SUPRIMENTOS PARA COMUNICAÇÃO VISUAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de COFINS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 58 70 /2 01 1- 03 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10980.905870/201103 Acórdão n.º 3302004.506 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 06043.097. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10980.905870/201103 Acórdão n.º 3302004.506 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10980.905870/201103 Acórdão n.º 3302004.506 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10980.905870/201103 Acórdão n.º 3302004.506 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10980.905870/201103 Acórdão n.º 3302004.506 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10980.905870/201103 Acórdão n.º 3302004.506 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 73DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.979248/2009-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
PEDIDO DE PERÍCIA.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
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secao_s : Primeira Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1623; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.979248/200937 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1201001.697 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2017 Matéria Compensação Recorrente TRANSPORTADORA GATÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 92 48 /2 00 9- 37 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.979248/200937 Acórdão n.º 1201001.697 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de pedido de compensação de crédito tributário com determinado débito de responsabilidade do próprio contribuinte. A DCOMP, após análise eletrônica, gerou a emissão de Despacho Decisório que não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de inexistência de crédito. Segundo o despacho, o pagamento indicado pelo contribuinte não possuiria saldo disponível para compensação, uma vez que já foi integralmente utilizado para quitação de outro débito tributário apurado pelo contribuinte. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito é sim legítimo, pois decorrente de pagamento de tributo indevido. Tramitado o feito, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o entendimento de que a contribuinte não teria comprovado o seu direito creditório. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário. Reitera os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e pede perícia para verificar o crédito. É o relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.692, de 17.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.691176/200907, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.692): De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar outros débitos de sua responsabilidade. Também por esse mesmo motivo, e adotada a premissa de que a Recorrente não comprovou o direito líquido e certo do direito creditório, a decisão de primeiro grau não homologou a compensação. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.979248/200937 Acórdão n.º 1201001.697 S1C2T1 Fl. 4 3 Por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhum esclarecimento ou prova complementar ou adicional, requerendo que seja feita perícia a fim de comprovar a origem do crédito alegado. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada pela autoridade julgadora quando imprescindível à solução da lide. Tratase de medida que busca esclarecer eventuais dúvidas dos julgadores, que possuem a faculdade, e não a obrigatoriedade, de se valerem ou não de tal expediente. Nessa situação particular, a solução da presente demanda não requer uma perícia em sentido técnico, limitando se a análise ou não do direito creditório na forma pela qual o processo está instruído. Isso porque as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. Nesse sentido, entendo que o pedido de perícia requerido pela interessada não merece ser acolhido. A interessada, na verdade, ao requerer uma perícia, busca, de forma indevida, livrarse de seu ônus de prova o direito creditório alegado. Com efeito, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme prescreve o artigo 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Resta patente, portanto, que a Recorrente já deveria ter trazido aos autos os documentos comprobatórios do pretenso crédito Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10880.979248/200937 Acórdão n.º 1201001.697 S1C2T1 Fl. 5 4 tributário, não podendo valerse de um pedido de perícia para afastar este ônus. Ademais, convém assinalar que alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, cópia de pedido de restituição, relatório de auditoria independente ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Pelo contrário, as alegações e documentos trazidos aos autos não são capazes de provar o direito creditório que o contribuinte busca ser reconhecido. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o que se verifica dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). Nesse sentido, e em face do que foi exposto, CONHEÇO do Recurso para NEGARLHE provimento. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10880.979248/200937 Acórdão n.º 1201001.697 S1C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000012/2008-84
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 06/11/2003
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DESCRIÇÃO DOS FATOS.
O auto de infração deve trazer a descrição clara e precisa dos fatos e infrações atribuídas ao contribuinte, de acordo com a legislação que rege o tributo, sob pena de sua nulidade.
Numero da decisão: 3201-001.158
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
A Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim acompanhou o relator pelas conclusões.
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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I Processo nO Recurso n° Acórdão n° Sessão de Matéria Recorrente Recorrida MINISTÉRIO DA FAZENDA ". CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 16561.000012/2008-84 0000000 Voluntário 3201-001.158 - r Câmara / eTurma Ordinária 29 de novembro de 2012 RESSARCIMENTO PHILIPS MEDICAL SYSTEMS LTDA Fazenda Nacional Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 06/11/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DESCRIÇÃO DOS FATOS. O auto de infração deve trazer a descrição clara e precisa dos fatos e infrações atribuídas ao contribuinte, de acordo com a legislação que rege o tributo, sob pena de sua nulidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 23 Câmara / 13 Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim acompanhou o relator pelas conclusões. MARCO R~~eSidente. '~-1. Q~~~Q~~q v~vcu; > rJARCELO RIBEIRO NOGUEIRA - Retaubr. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani (Suplente), Daniel Mariz Gudifío e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 07/04/2008, emface do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa regulamentar do Imposto de Importação, no valor de R$ 641.900,42, emface dos fatos a seguir descritos. • A empresa em epígrafe submeteu a despacho aduaneiro produtos acabados. Ocorre que no campo próprio das Declarações de Importação, aplicação da mercadoria, foi declarado que seriam para CONSUMO; • Em algumas dessas Declarações de Importação não foi informado o fabricante dos produtos; • Em análise àS.DIRPJ da empresa, afiscalização constatou que nenhum valor foi declarado, seja a título de custo de produção da fabricação própria, seja a título de receita de venda de produção própria ou, ainda, a título de insumo de industrialização adquirido no mercado externo; • A Instrução Normativa No. 206/2002, em seu anexo 1, itens 32 e 36, são estabelecidos os detalhamentos que devem constar nos campos da Declaração de Importação. Esses dados são de natureza administrativo-tributaria, necessários aos procedimentos de controle aduaneiro; • Pela prestação de informação inexata e, em alguns casos, não tendo informado o fabricante dos produtos, o importador acabou por incorrer na penalidade prevista pelo artigo 53 da Medida Provisória No. 135/2003 e artigo 69 da Lei No. 10.833/2003; Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 29/0112008 (fls. 1OI-verso), o contribuinte protocolizou impugnação, tempestivamente, na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 28/02/2002, de fls. 167 a 191, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: • Na lavratura do auto de infração não foi apontado qual dispositivo normativo violado, qual a conduta que o impugnante teria infringido, o que acarreta vícioformal; • A fiscalização caracterizou a infração pela penalidade prevista e não pela norma que teria sido violada, o que invalida o auto de infração; • Não houve qualquer dano ao Erário; • Condutas que não geram dano ao Erário, porque não possuem reflexo financeiro, devem ser punidas com multas fixas sobre cada descumprimento, sob pena de serem "irrazoáveis "; j;)/ 2 , . Processo n° 16561.000012/2008-84 Acórdão n.o 3201-001.158 • A ausência do dispositivo legal violado importa em nulidade do crédito tributário, como dispõe o artigo 11, inciso 111do Decreto 70.235/72; • A indicação do dispositivo legal é requisito formal do lançamento que não pode ser dispensado por qualquer ato infra- legal; • A compreensão da infração a partir da penalidade não é suficiente para sanar a nulidade do lançamento porque a impugnante poderia elaborar teses de defesa com base em premissas erradas; • Afixação da multa empercentual do valor dos bens importados atenta quanto ao princípio da razoabilidade, devendo dar lugar a multa de valor fixo. Para tanto, apresenta textos da doutrina e jurisprudências judicial e administrativa; Pugna o cancelamento do auto de infração. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - 11 Data dofato gerador: 06/11/2003 Pela prestação de informação inexata na DI (consumo ou revenda) e, em alguns casos, não tendo informado o fabricante dos produtos, o importador acabou por incorrer na penalidade prevista pelo artigo 53 da Medida Provisória No. 135/2003 e artigo 69 da Lei No. 10.833/2003. A Instrução Normativa No. 206/2002, em seu anexo L itens 32 e 36, são estabelecidos os detalhamentos que devem constar nos campos da Declaração de Importação. Esses dados são de natureza administrativo-tributária, necessários aos procedimentos de controle aduaneiro. A letra da lei prevê o valor da multa em umpor cento (1%) sobre o valor aduaneiro da mercadoria, não fornecendo qualquer margem para essa discussão na seara das Delegacias da Receita Federal de Julgamento - DRJ. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido S3-C2T1 FI. 2 o contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. ~ É o Relatório. 3 ,. < Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira Entendo que o recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. o lançamento, além de descrever com clareza as infrações nele apontadas, deve ser formulado de acordo com a legislação que rege o tributo, sob pena de sua nulidade. o principio do devido processo legal traz, em si, não só o principio da legalidade, mas também o do contraditório, da ampla defesa. Em matéria tributária, o princípio do devido processo legal adquire contornos específicos, de relevante importância na relação Fisco e contribuinte, considerando-se que o poder administrativo no exercício da atividade cria limitações patrimoniais, impondo-se a observância das suas fronteiras, a fim de ensejar ao administrado o respeito aos direitos constitucionais que lhe foram assegurados. Diante das razões expostas, é de se concluir que o auto de infração encontra- se eivado de vício de nulidade material, por descumprir o requisito - previsto no art. lOdo Decreto n° 70.235/72. A ausência de formalidades e da aplicação indevida de penalidades implica a nulidade,do lançamento No presente caso, a recorrente declarou que os produtos importados foram para consumo, sem, contudo, em alguns casos, informar os fabricantes daqueles, contudo, a fiscalização desconsiderou a informação fornecida, alegando que os produtos importados seriam destinados a revenda e não para consumo. A justificativa dada pela Autoridade Fiscal foi que "analisando as declarações de IRPJ da empresa, pesquisa do sistema anexada, observamos que nenhum valor foi declarado, seja a título de custo de produção da fabricação própria, seja a título de receita de venda de produção própria ou, ainda, a título de insumo para industrialização adquirido no mercado externo. " Ocorre que as importações para consumo são contabilizados como despesas no estoque das empresas e nada tem a ver com as declarações de IRPJ da ora recorrente. Assim, VOTO por conhecer do recurso voluntário para dar-lhe provimento. ~jOJvCl,rJv'ít~vVüflvvg /VWVVOJ r 7 .'ARCELO RIBEIRO NOGUEIRA ~Iator 4 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 10680.016377/2001-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1997 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA Em face de formalização de pedido de desistência não se toma conhecimento do recurso voluntário interposto.
Numero da decisão: 1801-000.676
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por desistência da recorrente, nos termos do voto da relatora.
Matéria: DCTF_IRPJ - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRPJ)
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA Em face de formalização de pedido de desistência não se toma conhecimento do recurso voluntário interposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por desistência da recorrente, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Fl. 235DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração emitido eletronicamente, decorrente de auditoria interna de DCTF que exige da contribuinte acima qualificada o crédito tributário no montante total de R$ 315.739,90, constituído por débitos de IRPJ acrescidos de multa e juros de mora, conseqüência da constatação de irregularidades nos créditos vinculados a débitos informados na DCTF do 1o. trimestre de 1997, cientificado à interessada em 13/12/2001 (fls. 03 a 12). Na impugnação tempestiva a empresa alega que os valores exigidos foram informados em DCTF no código 23621, no 1o. trimestre do anocalendário 1997 e recolhidos conforme o seguinte demonstrativo (fls. 01/02): Data Vencimento Cód. Receita Valor R$ 28/02/1997 2089 34.000,00 28/02/1997 2430 6.000,00 31/03/1997 2430 12.000,00 31/03/1997 2089 25.000,00 30/04/1997 2089 35.000,00 30/04/1997 2430 5.000,00 TOTAL 117.000,00 Informou, ainda, que solicitou junto à DRF em Belo Horizonte/MG, REDARF dos DARF dos tributos recolhidos acima para o código 23621. Na revisão de oficio de f1.31, e com base em verificação preliminar, o Delegado da DRF/Contagem/MG determinou o cancelamento dos créditos tributários constantes do Demonstrativo de fl. 55, reconhecendo a improcedência da exigência dos valores de R$ 40.000,00 e R$ 37.000,00, bem como das multas de oficio correspondentes, tendo em vista os pagamentos efetuados pela impugnante por meio dos DARF de fls.13, restando saldo remanescente, no primeiro trimestre de 1997 (mês de março), a titulo de IRPJ, no valor principal de R$ 40.000,00, além de multa de oficio de R$ 30.000,00, conforme fl. 56. A pedido da DRJ em Belo Horizonte/MG o processo foi encaminhado para diligência (fls. 64/67) para que a DRF em Contagem/MG se pronunciasse a respeito da origem do débito no valor de R$ 65.333,53, do anocalendário de 1996, não identificada em pesquisas realizadas nos sistemas internos da RFB, bem como a respeito das alocações feitas com os recolhimentos efetuados em 1997, por meio dos DARF de fls. 36, para quitar esse débito. Em resposta, a DRF em Contagem informou o seguinte (fls. 125/126): "Respondendo à primeira questão levantada pela DRJ/BHE: O débito no valor de R$ 65.333,53, n° 881781900007, vencimento 30/04/1997, tem origem na Fl. 236DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.016377/200111 Acórdão n.º 180100.676 S1TE01 Fl. 192 3 DIRPJ/1997 entregue à Receita Federal pela contribuinte em 02/05/1997 e diz respeito a imposto de renda adicional. Quanto ao questionamento acerca das alocações feitas com os recolhimentos efetuados em 1997 por meio dos DARF de fls.36 para quitar o débito de R$ 65.333,53, tenho a dizer: Apenas o valor de R$ 35.000,00, recolhido em 30/04/1997, se encontrava alocado ao débito de R$ 65.333,53, uma vez que, conforme consignado no corpo do DARF, esse valor referese ao recolhimento do adicional 1996. Como bem disse, o pagamento de R$ 35.00,00 se encontrava alocado ao débito, já que, no momento, apenas parte desse pagamento esta sendo aproveitada para amortizálo, pois, ao procedermos a um batimento dos débitos e créditos de IRPJ relativos ao anocalendário 1996, exercício 1997, verificamos que para determinadas competências a contribuinte efetuou o recolhimento de valores superiores aqueles declarados e, como parte dos pagamentos encontravase disponível (fls. 101/117), achamos por bem aproveitálos para liquidar o débito de R$ 63.33,53 (fls. 118/120). E conforme indicado as fls. 122/124, a situação atual do recolhimento efetuado por meio do DARF de fl. 36, R$ 35.000,00 é a seguinte: Valor alocado: R$ 15.843,32, sendo que R$ 3.502,97 se encontram alocados ao débito de IRPJ do período de apuração 0112/1996 e R$ 12.340,35 alocados ao débito do imposto de renda adicional 1996. Valor disponível: R$ 19.156,68." Apreciando o litígio a 2a. Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, pelo Acórdão 0219.840 (fls. 128/132), julgou a exigência parcialmente procedente. Observou, inicialmente, que não há prova do recebimento dos REDARF de R$ 15.000,00 e R$ 35.000,00 em qualquer repartição da RFB e que os sistemas internos ainda acusavam a existência dos DARF originais Consignou que o contribuinte informou na DCTF de fls. 17, referente ao 1o. Trimestre de 1997, período de apuração 31/03/1997, vencimento, 30/04/1997, o valor de R$ 40.000,00, objeto da exigência, como vinculado aos DARF de fls. 36, de R$ 5.000,00 e R$ 35.000,00. Entretanto, teria havido equivoco por parte do contribuinte uma vez que o DARF no valor de R$ 5.000,00 tem outro período de apuração, ou seja, 30/04/1997 e vencimento, 30/05/1997 e foi utilizado para quitar débito do 2° Trimestre de 1997. Assim, caberia razão em parte à impugnante e poderia compensado, tão somente, o valor disponível ainda não utilizado para compensação ou pedido de restituição, de R$ 19.156,68, para quitar parte do débito ora exigido no valor de R$ 40.000,00, referente ao 1o. trimestre de 1997 (mês de março), restando IRPJ a pagar no valor de R$ 20.843,32 e multa de oficio de R$ 15.632,49. Intimada da decisão, em 11/12/2008, como demonstra o AR à fl. 135, a interessada apresentou, em 30/12/2008 o Recurso Voluntário de fls. 138 a 143, argüindo a decadência do direito do Fisco em proceder à alocação da parcela de R$ 15.843,32 do valor do DARF de R$ 35.000,00, ao débito de IRPJ do anocalendário 1996 e de adicional no valor de R$ 65.333,53, também do mesmo período de apuração, sem que sequer soubesse da existência Fl. 237DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 desses débitos, o que veio a tomar conhecimento apenas quando intimada da decisão de 1a. instância. A decadência fulminaria, assim, os débitos de IRPJ do anocalendário 1996. Consignou que a DCTF e a DIPJ não se prestariam a constituir crédito tributário mediante “autolançamento” e, ainda que o fossem, os débitos do ano de 1996 estariam prescritos. Enfatizou a necessidade do correspondente lançamento de ofício dos débitos e o direito à sua contestação e que, diante da decadência, não haveria necessidade de se discutir o mérito da exigência remanescente. Após a inclusão destes autos em pauta de julgamento sobreveio pedido de desistência de recurso, protocolizado em 28/07/2011, assinado pelo sócio José Francisco Gomes da Silva em conjunto com a procuradora Rita da Conceição Gomes da Silva, digitalizado e que deverá ser anexado ao sistema Eprocesso, e ao processo físico pelo agente público competente. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. Tendo em vista a formalização de pedido de desistência protocolizado pela empresa interessada e assinado pelo sócio José Francisco Gomes da Silva em conjunto com a procuradora Rita da Conceição Gomes da Silva, oriento meu voto no sentido de não tomar conhecimento do recurso voluntário interposto e manter, integralmente, as exigências. Por todo o exposto, voto no sentido de não tomar conhecimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 238DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.016377/200111 Acórdão n.º 180100.676 S1TE01 Fl. 193 5 Fl. 239DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10580.011432/2002-96
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 201-00.797
Decisão: RESOLVEM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, converter o julgamento do
recurso em diligência.
Nome do relator: Mauricio Taveira e Silva
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Numero do processo: 15504.724365/2012-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
Tratando-se de processo de iniciativa da Administração Tributária, cabe ao fisco o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária.
REGIME NÃO CUMULATIVO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. INSUMO. CONCEITO.
No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do imposto sobre produtos industrializalizados (IPI) e mais restrito do que aquele da legislação do imposto sobre a renda (IRPJ), abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção.
BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CUSTO DE PRODUÇÃO. MINERAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. PIS. COFINS.
Estão aptos a gerar crédito das Contribuições os bens e serviços aplicados na atividade de mineração e industrialização de produtos siderúrgicos e metalúrgicos, passíveis de enquadramento como custos de produção.
Recursos de ofício negado. Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3402-004.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário em relação aos seguintes itens: materiais utilizados na manutenção de instalações industriais; serviços de manutenção e conservação e construção de instalações industriais; serviços de pinturas industriais em equipamentos, estruturas e edificações industriais e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados a venda; serviços de peação, escoreamento e estiva de produtos destinados a venda; serviços de transporte de produtos destinados a venda; serviços de infraestrutura para a movimentação de produtos siderúrgicos destinados a venda e aluguéis de caminhões;
Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reverter as glosas referente aos gastos com fretes de vendas de produtos acabados, erroneamente glosados pela fiscalização como sucata (conforme planilha de fl. 1196), conforme demonstrado no voto-vista;
Por voto de qualidade, em negar provimento à reversão dos fretes nacionais de insumos importados e entre empresas, em relação aos fretes relativos a produtos não identificados, assim como em relação a treinamentos sobre o funcionamento de equipamento da área industrial, tais como alto forno e laminação. Vencidos os Conselheiros Diego Ribeiro, Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel Neto. A Conselheira Thais De Laurentiis apresentou declaração de voto.
Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para reverter a glosa dos materiais de embalagem e materiais de embalagem para transporte; materiais utilizados na identificação, acondicionamento e movimentação interna, e outros bens e serviços constantes no item 2.6 do voto-vista. Vencido o relator, Jorge Freire. Designada redatora a Conselheira Thais de Laurentiis para o voto vencedor;
Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para reverter à glosa dos serviços de sondagem de minério de ferro para a fabricação ou produção de bens destinados a vendas. Vencidos Jorge Freire, Maria Aparecida e Pedro Bispo. Designada redatora a Conselheira Thais de Laurentiis para o voto vencedor;
Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para reverter a glosa em relação aos serviços de tratamento de resíduos industriais e serviços de transporte de resíduos industriais. Vencido o Conselheiro Jorge Freire. Designada redatora a Conselheira Thais de Laurentiis para o voto vencedor.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e relator.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro de Sousa Bispo.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ÔNUS DA PROVA. Tratandose de processo de iniciativa da Administração Tributária, cabe ao fisco o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. INSUMO. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do imposto sobre produtos industrializalizados (IPI) e mais restrito do que aquele da legislação do imposto sobre a renda (IRPJ), abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CUSTO DE PRODUÇÃO. MINERAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. PIS. COFINS. Estão aptos a gerar crédito das Contribuições os bens e serviços aplicados na atividade de mineração e industrialização de produtos siderúrgicos e metalúrgicos, passíveis de enquadramento como custos de produção. Recursos de ofício negado. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário em relação aos seguintes itens: materiais utilizados na manutenção de instalações industriais; AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 43 65 /2 01 2- 71 Fl. 1270DF CARF MF 2 serviços de manutenção e conservação e construção de instalações industriais; serviços de pinturas industriais em equipamentos, estruturas e edificações industriais e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados a venda; serviços de peação, escoreamento e estiva de produtos destinados a venda; serviços de transporte de produtos destinados a venda; serviços de infraestrutura para a movimentação de produtos siderúrgicos destinados a venda e aluguéis de caminhões; Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reverter as glosas referente aos gastos com fretes de vendas de produtos acabados, erroneamente glosados pela fiscalização como sucata (conforme planilha de fl. 1196), conforme demonstrado no voto vista; Por voto de qualidade, em negar provimento à reversão dos fretes nacionais de insumos importados e entre empresas, em relação aos fretes relativos a produtos não identificados, assim como em relação a treinamentos sobre o funcionamento de equipamento da área industrial, tais como alto forno e laminação. Vencidos os Conselheiros Diego Ribeiro, Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel Neto. A Conselheira Thais De Laurentiis apresentou declaração de voto. Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para reverter a glosa dos materiais de embalagem e materiais de embalagem para transporte; materiais utilizados na identificação, acondicionamento e movimentação interna, e outros bens e serviços constantes no item 2.6 do votovista. Vencido o relator, Jorge Freire. Designada redatora a Conselheira Thais de Laurentiis para o voto vencedor; Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para reverter à glosa dos serviços de sondagem de minério de ferro para a fabricação ou produção de bens destinados a vendas. Vencidos Jorge Freire, Maria Aparecida e Pedro Bispo. Designada redatora a Conselheira Thais de Laurentiis para o voto vencedor; Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para reverter a glosa em relação aos serviços de tratamento de resíduos industriais e serviços de transporte de resíduos industriais. Vencido o Conselheiro Jorge Freire. Designada redatora a Conselheira Thais de Laurentiis para o voto vencedor. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e relator. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro de Sousa Bispo. Relatório Versam os autos lançamento de ofício de COFINS e de PIS tendo em vista que em procedimento fiscalizatório foram glosados créditos, e, refeita a escrita, identificados Fl. 1271DF CARF MF Processo nº 15504.724365/201271 Acórdão n.º 3402004.344 S3C4T2 Fl. 112 3 saldos devedores nos períodos sob cobrança (Quadro 1 Demonstrativo de Apuração do Valor Devido fl. 62). O contribuinte tem por atividade principal a industrialização e comércio de produtos siderúrgicos e metalúrgicos, tendo ainda como atividade secundária a mineração. O Termo de Verificação Fiscal (TVF fls. 20/61) relata que o contribuinte foi intimado no curso da ação fiscal a informar como cada insumo e serviço abaixo listados são utilizados em seu processo produtivo. Após discorrer acerca da legislação do PIS e da COFINS nãocumulativa no que tange ao aproveitamento de créditos para abater do valor calculado das referidas contribuições, entendeu a fiscalização glosar os seguintes créditos: 1 Demanda (ou potência garantida) de energia elétrica entendeu o Fisco que a energia contratada não pode ser utilizado como crédito, mas sim a energia efetivamente consumida; 2 Fretes nacionais (CFOP 1.352, 1.932, 2.352 e 2.932) de insumos importados, vez que estes foram adquiridos de pessoa jurídica não domiciliadas no Brasil, uma vez entender que nos termos das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 o direito ao crédito aplicase exclusivamente aos bens e serviços adquiridos de PJ domiciliada no país; 3 Sucatas, pois o art. 47 da Lei 11.196, de 21/11/2005, veda a utilização de créditos de aquisição sucatas metálicas enquadradas na posição 7204, dentre outras, da TIPI; Fl. 1272DF CARF MF 4 4 Materiais de embalagem e materiais de embalagem para transporte, listados às fls. 36/37. Alega que mesmo que as IN SRF 247/2002 e 404/2004 incluam os materiais de embalagem entre os insumos, deve ser aferido se os mesmos são utilizados durante o processo de fabricação do produto, concluindo que "a adição de embalagem depois de o produto estar fabricado não é considerado mais na fabricação", e que "o material de embalagem somente dará direito a crédito se a embalagem estiver incorporada ao produto". Traça distinção entre embalagem para transporte e de apresentação, aduzindo que esta se incorpora ao produto; 5 Materiais utilizados na manutenção de instalações industriais, serviços de manutenção e conservação e construção de instalações industriais e serviços de pinturas industriais em equipamentos, estruturas e edificações industriais. Para a fiscalização o termo insumo "não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa", mas somente para os bens e serviços que "efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço", valendo tal conceituação "para os serviços de manutenção e conservação, que devem ser aplicados em bens que façam parte do processo produtivo e que exerçam ação diretamente sobre o produto em fabricação"; 6 Materiais utilizados na identificação/acondicionamento e movimentação interna, bem como em relação aos fretes de tais mercadorias. Igualmente, o fundamento é que tais despesas não geram créditos por não haver previsão legal para tanto e nem se enquadrarem como insumos, "vez que pela natureza dos mesmos, sucedem a fabricação de produtos, não sendo aplicados nem consumidos na produção propriamente dita"; 7 Transporte de matéria prima entre estabelecimentos da empresa. Afirma o Fisco que o serviço de transporte de matéria prima entre estabelecimentos da própria empresa não gera crédito por não haver previsão legal nesse sentido. Referese à Solução de Consulta de Divergência RFB COSIT nº 2, de 24/01/2011, que assevera que por não serem bens destinados à venda, "as despesas efetuadas com frete contratados para o transporte de produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos industriais e destes para os estabelecimentos comerciais da mesma PJ não geram direito à apuração de créditos"; 8 Fretes relativos à aquisição produtos não identificados Informa o TVF que uma vez que o contribuinte não informou as descrições desses produtos, apesar de intimado e reintimado, não teve como aferir se os mesmos se tratariam de insumos; 9 Combustíveis e lubrificantes utilizados na geração de energia elétrica Entende que os combustíveis utilizados pela própria pessoa jurídica para produzir energia não dão direito a crédito, mas somente aqueles valores que se refere à energia elétrica adquirida de terceiros, desde que pessoa jurídica domiciliada no país; 10 Serviços de estiva de matériaprima, de transporte e/ou pesagem de matériasprimas, de movimentação, estocagem, carregamento e transbordo de minério de ferro e serviços de remoção de matériaprima estéril vinculados ao processo de mineração. Tais serviços, nos termos do TVF, não tem previsão legal para gerarem crédito vez que precedem ou sucedem a fabricação dos produtos, ou seja, "não são aplicados ou consumidos na produção propriamente dita". Respalda, ainda, tal conclusão nas Soluções de Consulta RFB 8ª RF nº 26, de 03/02/2009 e 115, de 29/04/2011. 11 Serviços de peação, escoramento e estiva de produtos destinado a venda, serviços de transporte de produtos destinados a venda e serviços de infraestrutura Fl. 1273DF CARF MF Processo nº 15504.724365/201271 Acórdão n.º 3402004.344 S3C4T2 Fl. 113 5 para movimentação de produtos siderúrgicos destinados a venda. Mesma fundamentação da glosa do item anterior; 12 Serviços de limpeza industrial de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados a venda. Arrima a glosa no sentido de que não há previsão específica para creditamento de tais insumos por não serem aplicados ou consumidos na "produção propriamente dita", bem como em de Solução de Consulta que transcreve 13 Serviços de tratamento e transporte de resíduos industriais. Alega que não há previsão legal para creditamento desses serviços; 14 Alugueis de caminhões. Aduz que a legislação permite o creditamento de despesas com aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos pagos a pessoa jurídica, desde que utilizados nas atividades da empresa, mas não para qualquer veículo automotor. Procura demonstrar que a legislação (Leis 10.637, 10.833, RIR e RIPI) utiliza os termos específicos "máquina e veículo" para concluir que veículo automotor não pode ser enquadrado como máquina. Referese à Solução de Consulta RFB 3ª RF nº 14, de 15/09/2010, que dispõe expressamente que "despesas com aluguéis de caminhões ou outros tipos de veículos automotores" não geram direito a crédito; 15 Serviços de sondagem de minério de ferro para a fabricação ou produção de bens destinados a vendas. Entende a fiscalização que não há previsão legal para creditamento desses serviços, vez que precedem ao processo de mineração, não sendo aplicados ou consumidos na produção propriamente dita; 16 Treinamento sobre o funcionamento de equipamentos da área industrial, tais como alto forno e laminação. Igualmente, fundase na falta de previsão legal para tais créditos, pois não são utilizados na fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Referese à Solução de Consulta RFB 8ª RF nº 266, de 30/7/2010, que é explícita ao entender que não cabe creditamento sobre "os dispêndios efetuados com treinamentos de empregados"; 17 Por fim, foram glosados os créditos declarados nas linhas 3 das fichas 6A e 16A dos DACON relativos ao período de fevereiro/dezembro de 2008 e junho de 2009, porque não respondeu as intimações no sentido de demonstrar o tipo de receita às quais esses créditos estão vinculados, bem como os documentos fiscais que os embasam. Impugnado o lançamento (fls. 471/566), a DRJ/BHE (fls. 589/594), em 22/04/2013, decidiu por converter o julgamento em diligência para que a unidade local: alega que cometeu um “erro material na confecção da planilha”, ao responder aos Termos de Intimação de nºs 6 e 10 (item 8) e que, embora tenha apresentado os arquivos contendo todas as notas fiscais necessárias para a verificação dos créditos, teriam ficado faltando os demonstrativos relativos aos serviços informados no período de fevereiro a dezembro de 2008 e junho de 2009, os quais anexa aos autos 1. Se pronuncie sobre as alegações da interessada quanto aos equívocos apontados no Relatório, parte integrante da presente Resolução (alega que cometeu um “erro material na confecção da Fl. 1274DF CARF MF 6 planilha”, ao responder aos Termos de Intimação de nºs 6 e 10 item 8 e que, embora tenha apresentado os arquivos contendo todas as notas fiscais necessárias para a verificação dos créditos, teriam ficado faltando os demonstrativos relativos aos serviços informados no período de fevereiro a dezembro de 2008 e junho de 2009, os quais anexa aos autos) ; 2. Em caso de confirmação de tais equívocos, verifique se, considerandose os dados corretos, os respectivos lançamentos são devidos e, em caso afirmativo, recalcule o crédito tributário do respectivo período; 3. Verifique se há, entre os itens apontados no item “3.4.e” da impugnação (item 33 do TVF), materiais ou serviços empregados em máquinas ou equipamentos utilizados na atividade produtiva da empresa e, em caso afirmativo, recalcule o crédito tributário do respectivo período, considerando os respectivos créditos; 4. Verifique se há, entre os itens apontados no item “3.4.e” da impugnação (item 33 do TVF), materiais ou serviços empregados em edificações ou benfeitorias em imóveis utilizados na atividade produtiva da empresa e, em caso afirmativo, intime o contribuinte a apresentar os cálculos relativos à depreciação e recalcule o crédito tributário do respectivo período, considerando os respectivos créditos; 5. Sejam prestadas quaisquer outras informações que julgar necessárias para a solução da lide; O Relatório Fiscal (fls. 597/606), de 20/04/2015, aborda o solicitado na diligência, ratificando, em linhas gerais, as glosas, apenas retificando aquelas relatadas no item 17, acima, "expurgando da glosa apuradas os serviços passíveis de creditamento do PIS/COFINS", desta forma retificando para menos o valor da exação conforme Quadro nº ratificado (fl. 607). Em 28/06/2016, a DRJ/BHE julgou (fls. 645/695) a impugnação parcialmente procedente, revertendo as glosas de demanda de energia elétrica e serviços de limpeza industrial, o que deu ensejo ao recurso de ofício por exonerar valor acima da alçada. De sua feita, o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário (fls. 715/804), em prolixa petição, na qual, em suma, discorre sobre o conceito de insumo em leitura extensiva do que dispõe a legislação e as IN que as regularam. Na sequência, demonstra suas atividades e seu fluxo de produção, alegando que seu processo produtivo não pode ser seccionado, colacionando arestos administrativos e judiciais que trilham esse caminho (principalmente em relação à agroindústria). Segue abordando cada um dos créditos glosados, afirmando que os mesmos referemse a todas etapas de seu processo produtivo, desde a mineração até serviços havidos no âmbito do terminal portuário próprio, o qual serve para embarcar a produção aos destinatários finais. Enfim, entende que todos custos incorridos ao longo de seu processo produtivo podem ser tomados como créditos para fins de cálculo do valor devido das contribuições vergastadas. Embora na peça de impugnação a empresa tenha alegado a natureza confiscatória da multa aplicada no patamar de 75 % e alegar a impossibilidade de incidência de juros sobre a mesma, caso mantida, tais alegações não foram repisadas no presente recurso. É o relatório. Fl. 1275DF CARF MF Processo nº 15504.724365/201271 Acórdão n.º 3402004.344 S3C4T2 Fl. 114 7 Voto Vencido Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire I DO CONCEITO DE INSUMOS NA LEGISLAÇÃO DE PIS/COFINS NÃOCUMULATIVA As contribuições do PIS e da COFINS não cumulativas foram instituídas por diplomas legais ordinários, quais sejam, a Lei n.º 10.637/2002 (conversão da MP 66/2002 que instituiu o PIS não cumulativo vigência a partir de 01/12/2002) e a Lei n.º 10.833/2003 (conversão da MP 135/2003 que instituiu a COFINS não cumulativa vigência a partir de 01/02/2004). Como contribuições incidentes sobre a receita, na forma do art. 1º destes diplomas legais, a sistemática não cumulativa foi prevista para determinadas pessoas jurídicas sendo mantida, para as demais, a sistemática cumulativa do PIS e da COFINS incidentes sobre o faturamento, alem de algumas incidências "monofásicas" aplicadas a setores econômicos específicos, normalmente por substituição tributária pra frente. Quando fui designado Conselheiro, em fevereiro de 2014, este Colegiado, de forma majoritária, já vinha adotando a interpretação do conceito de insumo considerando a sua essencialidade/necessidade para o processo produtivo da empresa ou para a prestação de serviço, em uma aproximação que "não é tão ampla como da legislação do imposto de renda, nem tão restritiva como a do IPI", conforme frase que virou brocado. As ementas abaixo transcritas dão o tom dessa interpretação: Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013, Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan: INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final." Acórdão nº 3402003.169, julgado em 20/07/2016, Relator Conselheiro Antonio Carlos Atulim: REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo apenas os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. Com a devida vênia, não sei de onde vem a gênese desse "consagrado" entendimento, pois a meu sentir ele vai de encontro à legislação, a qual não dá azo a tal interpretação absolutamente extensiva, e, portanto, contra legem. Fl. 1276DF CARF MF 8 Justamente pela falta de delimitação objetiva dessa exegese é que se chega ao absurdo que vemos neste processo em que uma empresa produtora de açúcar e combustível derivado do álcool se credita, em uma regressão ad infinitum, chegando às raias de se creditar do valor da energia elétrica das salas de aula da escola que fica nas cercanias da plantação da canadeaçúcar porque os filhos de seus empregados rurais precisam estudar, e isso passa a ser "custo da produção". Tal entendimento dá margem a uma "indústria de créditos" e incentiva sobremaneira o litígio, justamente pela indefinição de conceitos, em afronta à segurança jurídica, pela qual tanto se pugna em nosso meio políticojurídico. Não é esse meu entendimento, conforme os votos que venho proferindo nesta E. Turma. Passo a fixar algumas premissas hermenêuticas para motivar minha convicção. Vejamos os termos postos pela legislação de regência acerca da possibilidade de creditamento. Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês;” Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) §1o Observado o disposto no §15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 15504.724365/201271 Acórdão n.º 3402004.344 S3C4T2 Fl. 115 9 I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês;” Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004: “Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (...) II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes;” Relativamente à Contribuição para o PIS/Pasep, a Instrução Normativa SRF no 247, de 21 de novembro de 2002, em seu artigo 66, § 5º, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358, de 9 de setembro de 2003, esclarece o conceito de insumo para fins de apuração de créditos: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: (...) b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (redação dada pela IN SRF nº 358, de 2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (redação dada pela IN SRF nº 358, de 2003) b.2) na prestação de serviços; (redação dada pela IN SRF nº 358, de 2003) (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (redação dada pela IN SRF nº 358, de 2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (redação dada pela IN SRF nº 358, de 2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o Fl. 1278DF CARF MF 10 produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (redação dada pela IN SRF nº 358, de 2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (redação dada pela IN SRF nº 358, de 2003) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Quanto à Cofins, o referido conceito foi elucidado pela Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, em seu artigo 8º: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: (...) b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II – utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 15504.724365/201271 Acórdão n.º 3402004.344 S3C4T2 Fl. 116 11 § 7º O aproveitamento de crédito na forma dos §§ 2º e 5º deve ser efetuado sem atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. (...) § 9º Aplicase ao PIS/Pasep não cumulativo de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, o disposto: I na alínea "b" do inciso I do caput, e nos §§ 4º, 5º e 6º, a partir de 1º de janeiro de 2003; e II na alínea "e" do inciso II e no inciso III do caput, a partir de 1º de fevereiro de 2004.” Extraise da norma legal, e nesse sentido as normativas em nada alteraram o que foi definido em lei, que apenas se considera insumo, para fins de apuração de crédito da não cumulatividade da Contribuição para PIS/Cofins, os bens e serviços diretamente utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços a terceiros. A legislação exige relação direta e imediata entre o bem ou serviço considerado insumo e o bem ou serviço vendido ou prestado pela pessoa jurídica ao público externo, o que se demonstra, na maioria das vezes, pela existência de contato físico entre o beminsumo ou serviçoinsumo e o bem produzido para venda ou o bem ou pessoa beneficiado pelo serviço. Como não extrair do léxico legal "utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços" o pressuposto da imediatidade e da relação direta do bem que dá azo ao crédito (insumo) com o produto que vier a ser produzido e destinado à venda, ou com o objeto da prestação de serviço. Em consequência, somente gera direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos ou bens utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros. Portanto, não podem ser considerados como insumo, para fins de creditamento no regime da não cumulatividade das contribuições, bens e serviços que mantenham relação indireta ou mediata com a produção de bem destinado à venda ou com a prestação de serviço ao público externo, tais como bens e serviços utilizados na produção da matériaprima a ser consumida na industrialização de bem destinado à venda (insumo do insumo), utilizados em atividades intermediárias da pessoa jurídica, como administração, limpeza, vigilância, etc. Gizese que o legislador estabeleceu um rol específico e detalhado de hipóteses de creditamento no âmbito do regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004). Esse fato é evidente e denota a gritante diferença entre o rol específico e detalhado de hipóteses de creditamento estabelecido pela legislação das contribuições e a definição genérica de despesas dedutíveis estabelecida pela legislação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ (art. 47 da Lei nº 4.506/64). Com base nessa inconteste diferença de técnicas legislativas adotadas nas legislação desses tributos, resta clara a correspondente diferença de objetivos/pretensões do legislador. Enquanto na legislação do IRPJ se pretendeu permitir a dedutibilidade de todas as Fl. 1280DF CARF MF 12 despesas necessárias à atividade da empresa, na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins se pretendeu permitir o creditamento apenas em relação a específicos e determinados dispêndios da pessoa jurídica vinculados diretamente ao bem produzido ou ao serviço prestado. Sem embargo, resta claro que as hipóteses de creditamento das contribuições devem ser entendidas como taxativas (numerus clausus) e não devem e nem podem ser interpretadas de forma a permitir creditamento amplo e irrestrito, pois essa interpretação tornaria absolutamente sem efeito o rol de hipóteses de creditamento estabelecido pela legislação. Sem olvidarmos que o creditamento diminui a base imponível do tributo, só pelo que já deveria ter sua interpretação conforme à lei, e não subvertendoa com conceitos imprecisos e casuísticos, que leva ao absurdo que se constata no caso vertente e, por tal, gerando intermináveis litígios, como se vivencia neste CARF. Demais disso, a permissão ampla e irrestrita de creditamento em relação a todos os gastos necessários às atividades da pessoa jurídica, como se insumos fossem, acabaria por subverter a base de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida constitucionalmente, desvirtuandoa da receita (Constituição Federal, art. 195, caput, inciso I, alínea “b”) para o lucro, o que se mostra absolutamente incompatível com a base de incidência prevista em nossa Carta. Se o termo insumo tivesse sido utilizado em acepção ampliativa, de modo a abarcar todos os gastos necessários ao funcionamento da pessoa jurídica, todas as hipóteses de creditamento estabelecidas no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, constituiriam redundância, letra morta, já que poderiam ser aglomeradas no conceito ampliativo de insumo. Devese reconhecer que o termo insumo consignado no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de 2003, foi utilizado em sua acepção restritiva, para alcançar apenas bens e serviços direta e imediatamente relacionados com a produção de bens destinados à venda ou com a prestação de serviços a terceiros. Bem nos ensina Carlos Maximiliano1 sobre a devida exegese de leis tributárias: Pressupõese ter havido o maior cuidado ao redigir as disposições em que se estabelecem impostos ou taxas, designadas, em linguagem clara e precisa, as pessoas e coisas alvejadas pelo tributo, bem determinados o modo, lugar e tempo do lançamento...assim como quaisquer outras circunstâncias referentes à incidência e à cobrança. Tratamse as normas de tal espécie como se foram rigorosamente taxativas; deve por isso, absterse o aplicador de lhes restringir ou dilatar o sentido. ...Não suportam o recurso à analogia, nem à interpretação extensiva; as suas disposições aplicamse no sentido rigoroso, estrito. Se a norma tributária deve ser interpretada restritivamente quanto à sua incidência, igualmente há de sêlo para valores (créditos) que reduzam o crédito tributário, como aqueles que estamos a tratar. 1 MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e Aplicação do Direito, Ed. Forense, 1992, p. 333. Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 15504.724365/201271 Acórdão n.º 3402004.344 S3C4T2 Fl. 117 13 Outra questão que me chama a atenção é a recorrente afirmar, a meu sentir equivocadamente, que a adoção da interpretação restritiva acerca do conceito de insumo na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins corresponderia à utilização da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Ora, a adoção do conceito restritivo de insumo na legislação das aludidas contribuições decorre das regras constantes dessa legislação e não da adaptação da legislação de qualquer outro tributo. Essa afirmação refoge ao núcleo das leis que emolduram o que dá direito ao crédito para fins de cálculo das contribuições objurgadas. Em verdade, quanto mais misturamse conceitos mais imprecisa se torna sua definição, e menos técnica a aplicação da lei. Na linha do que articulo, temse o voto vencido do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres no Recurso Especial 9303003.477, em julgamento de 25/02/2016, ao discorrer sobre o conceito de insumo para fins de creditamento de PIS/COFINS: Nessa linha, não vejo como, em nome da alegada diretriz constitucional, empreender interpretação que alargue o conceito de insumo para além do inciso II do art. 3º, tanto da Lei nº 10.637, de2002 quanto da Lei nº 10.833, de 2003 ... Como é possível perceber, apesar da grande discussão acerca do tema, é extreme de dúvidas que só serão admitidos como insumo, para efeito da lei, os bens que possuam ligação intrínseca com o processo produtivo, que, evidentemente, não se confunde com a atividade empresarial. Consabido, igualmente, que a matéria no STJ não resta ainda pacificada, o que deverá se dar com o julgamento no Recurso Repetitivo 1.221.170/PR, ainda inconcluso, embora com alguns votos lidos e com pedido de vista. Até então, os julgados que "pipocavam" na 1ª e 2ª Turma eram em um e outro sentido, embora a tese da interpretação extensiva viesse perdendo espaço. Mas trago à colação um julgado do TRF4 (AC, 500571934.2012.404.7201, Primeira Turma, Relator para o Acordão Joel Ilan Paciornik, hoje Ministro do STJ, de 13/06/2013) que vai ao encontro do que aqui esposamos. Vejase: TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003, ART. 3º, INCISO II. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DE INSUMOS. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF Nº 247/2002, 358/2003 E 404/2004. LEGALIDADE. 1. O regime constitucional da não cumulatividade de PIS e COFINS, à míngua de regramento infraconstitucional, serve, no máximo, como objetivo a ser atingido pela legislação então existente. Não é apropriado como parâmetro interpretativo, visto que a EC nº 42/2003 descurou de estabelecer qualquer perfil ao regime não cumulativo dessas contribuições. Por conseguinte, a expressão "não cumulativas" constitui uma diretriz destituída de conteúdo normativo, ou seja, não é um princípio nem uma regra. 2. Em conformidade com as Instruções Normativas SRF nº 247/2002, 358/2003 e 404/2004, a Fazenda Nacional defende que apenas os serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto são insumos, para fins de aproveitamento Fl. 1282DF CARF MF 14 de créditos de PIS e COFINS (art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003). 3. São razoáveis os critérios adotados pela Receita Federal nas Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e 404/2004, não somente por levar em conta os parâmetros concretos da legislação do IPI, que oferece a definição exata de insumo, mas também por manter a coerência com os demais incisos do art. 3º. A leitura sistemática do dispositivo legal permite inferir que o legislador pretendeu considerar, para efeito de creditamento, apenas os elementos aplicados diretamente na fabricação do bem ou na prestação do serviço, ou seja, somente os elementos específicos e vinculados à atividade fim do contribuinte, e não a todos os aspectos de sua atividade. Se a intenção fosse permitir o creditamento de qualquer despesa ou custo de produção, não haveria a preocupação em detalhar as situações que possibilitam os descontos ou aproveitamentos dos créditos nos vários incisos do art. 3º, pois bastaria prever genericamente o abatimento dos custos ou despesas operacionais. (negritei) Pois bem, diante das premissas postas, que vão de encontro ao esposado pela recorrente, retorno ao caso concreto. II RECURSO DE OFÍCIO De início registrese que o valor exonerado e que deu azo ao necessário ultrapassa o valor de alçada hoje vigente, pelo que dele conheço. Sem reparos à decisão recorrida nesse ponto. De fato, como bem colocado no decisum a quo, a demanda de potência de energia elétrica é disponibilizada pela concessionária durante o período contratado, seja utilizada ou não. Ou seja, diante da necessidade da disponibilidade de uma determinada quantidade de energia, para que a empresa possa operar sem interrupções, ela é obrigada a pagar por essa energia, independentemente de utilizála ou não. Portanto, entendo escorreito que os gastos efetuados na contratação de energia de demanda são passíveis de creditamento, podendo ser descontados os respectivos créditos da contribuição para o PIS ou da Cofins nãocumulativa apurada. Desta forma, correta a decisão ao reverter tal glosa. Igualmente sem reparos o cancelamento das glosas referente à limpeza industrial, por se caracterizar tal serviço como insumo na atividade da empresa, e a reversão das glosas dos materiais considerados como produtos intermediários (parte final do item "f" da r. decisão). Também sem reparos a reversão da glosa em relação aos combustíveis e lubrificantes utilizados na geração de energia elétrica, nos termos do que a própria RFB entende, de acordo com o vazado na Solução de Divergência COSIT 37/2008. Dessarte, é de ser negado provimento ao recurso voluntário. III RECURSO VOLUNTÁRIO A recorrente entende, em suma, que o creditamento é feito de forma verticalizada, sendo passível gerar crédito todas as atividades envolvidas no ciclo do processo produtivo da siderurgia, mesmo que indiretamente, chegando à sua atividade mineradora. Assevera que "insumo não requer consumo, mas sim emprego na produção", em uma leitura Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 15504.724365/201271 Acórdão n.º 3402004.344 S3C4T2 Fl. 118 15 aberta da legislação que dá azo a creditamentos absurdos como temos visto, e, até mesmo, a criação de empresas com esse fito, como já tive oportunidade de verificar em julgamentos deste Colegiado. Não pactuo desse entendimento, como já tive oportunidade de me manifestar quando do julgamento do Acórdão 3402004.074, de 26/04/2017, nos termos do que alhures já me manifestei neste voto. O processo produtivo da recorrente é a siderurgia. É ela que é sujeito passivo das contribuições, portanto somente os insumos, nos termos conceituados pela legislação, envolvidos em seu processo produtivo é que podem dar margem a creditamento para fins de cálculo de seus valores a pagar. A empresa autuada produz minério por opção empresarial, mas poderia comprálo como muitas o fazem. Basicamente, como se extrai dos autos, a recorrente dedicase a atividade de produção de laminados longos de aço, exceto tubos. Seu objeto, portanto, como ela mesma reconhece, é a industrialização e comércio de produtos siderúrgicos. É a partir daí que se inicia a possibilidade de creditamento. A lavra, o beneficiamento e o transporte do minério de ferro ao parque siderúrgico, portanto, estão fora do objeto empresarial da empresa que tem, eventualmente, direito ao creditamento. Assim, desde já, entendo correta todas glosas referentes a insumos ou serviços fora do escopo empresarial da recorrente. Portanto, devem ser mantidas todas glosas por falta de amparo legal. São elas: Frete de insumos importados e entre empresas, pois a legislação permite o crédito dos insumos importados por seu valor aduaneiro, nos termos do § 3º do art. 15 da Lei 10.865/2004, no qual não estão incluídos os fretes. A legislação permite o creditamento de frete unicamente na operação de venda, e assim mesmo quando for suportando pelo vendedor, o que refoge ao caso. Por isso não passível de creditamento o frete de aquisição matériaprima, nem tampouco dos fretes de matériasprimas entre os estabelecimentos da empresa. A tese da recorrente de que "o crédito pleiteado não é da matériaprima em si, mas do serviço de frete dessa matériaprima" não passa de um sofisma, com a devida vênia; Fretes relativos a produtos não identificados: Conforme afirma a empresa no recurso, esses fretes relacionamse a 3 fornecedores distintos, quais sejam, Vale do Rio Doce, Tora Transportes Industriais e Usifast Logística Industrial, sendo que os produtos transportados para o estabelecimento industrial tratamse de ferro silício e ferro molibdênio, utilizados como liga na produção de aço (produto industrializado). Ou seja, tais fretes referemse a compras de matériasprima, que da mesma forma como esposado no item anterior, não há previsão legal para sua utilização como crédito; Sucatas: a legislação (§ 2º, II, do art. 3º das Leis 10.637 e 10.833) não dá direito à crédito sobre a aquisição de bens ou serviços que não estejam sujeito ao pagamento das contribuições ou que sejam utilizados em produtos ou serviços com alíquota zero ou isentos. A glosa deuse em relação a diversos itens que a fiscalização identificou como classificados na posição 7204 da TIPI, ou seja, desperdício, resíduos ou aparas de ferro ou aço. Assim, corretas tais glosas. De sua feita, a fiscalização, como resultado da diligência, cancelou as glosas dos serviços empregados na industrialização dos resíduos industriais, por se caracterizarem como insumos na atividade fim da recorrente; Materiais de embalagem e materiais de embalagem para transporte: o termo “embalagem”, apontado no art. 66, § 5º, inciso I, alínea “a”, da Instrução Normativa SRF nº 247/2002 e no art. 8º, § 4º, inciso I, alínea “a”, da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, Fl. 1284DF CARF MF 16 deve ser considerado como insumo quando represente fase do processo produtivo. A embalagem de apresentação, desse modo, é insumo, uma vez que sua colocação determina a fase final da produção. Contudo, a meu sentir a embalagem para transporte não pode ser considerada insumo, visto que é incorporada ao produto apenas depois de concluído o processo produtivo e o transporte do produto não constitui etapa do processo de produção. Ademais, tais materiais são utilizados para identificação dos produtos, o que já denota a função específica desses bens, dissociada da produção da empresa. Em razão disso, a aquisição de etiquetas, embalagens filme strech, fitas e outros, que a contribuinte utiliza para identificar seus produtos até o seu destino final, sem que haja a incorporação desses bens durante o processo de industrialização, mas apenas com a sua utilização depois de concluído o processo produtivo, de fato não poderia gerar direito ao crédito da contribuição. Dessa forma, seja pela inequívoca utilização desses bens apenas para identificação dos produtos, sem que haja a sua incorporação durante o processo de industrialização, seja pela classificação dada pela própria contribuinte aos bens em questão, tenho como correta a glosa promovida pela DRF/Belo Horizonte. Materiais utilizados na manutenção de instalações industriais; serviços de manutenção e conservação e construção de instalações industriais; serviços de pinturas industriais em equipamentos, estruturas e edificações industriais e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados a venda: Tais créditos glosados foram calculados sobre gastos relacionados à manutenção e conservação de equipamentos, máquinas e mesmo das instalações da empresa. Como admite a própria autoridade fiscal, em seu Relato elaborado em resposta à diligência realizada, os materiais ou serviços empregados na manutenção/conservação de máquinas e equipamentos utilizados na atividade produtiva da empresa são enquadrados como insumos, podendo ter seus créditos deduzidos na apuração do PIS e da Cofins, nos termos do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Dessa forma, a autoridade fiscal reclassificou os bens e serviços de acordo com as informações prestadas pela própria contribuinte, a qual foi intimada a separar os que foram empregados em máquinas ou equipamentos utilizados na atividade produtiva da empresa daqueles empregados em edificações ou benfeitorias em imóveis utilizados naquela atividade. Em seguida, a fiscalização expurgou das glosas os valores dos créditos relativos aos bens e serviços empregados em máquinas ou equipamentos utilizados na atividade produtiva da empresa. Consequentemente, em relação aos bens e serviços assim classificados pela própria impugnante, foi acatada a alegação pela própria fiscalização como insumos aplicados em sua atividade produtiva. Por outro lado, no que tange aos bens e serviços empregados em edificações ou benfeitorias em imóveis utilizados na atividade produtiva da empresa, a fiscalização ratificou a glosas anteriormente efetuadas, por falta de previsão legal. Com efeito, os bens e serviços empregados em edificações ou benfeitorias em imóveis utilizados na atividade produtiva da empresa somente podem gerar créditos calculados sobre a sua depreciação. Para isso, no entanto, é necessário que os dispêndios com manutenção e conservação das chamadas edificações resultem no aumento de sua vida útil em mais de um ano. No presente caso, a própria contribuinte já havia informado que nenhum dos itens glosados implicou em aumento da vida útil de bens do ativo imobilizado em mais de 12 meses. Procedente a glosa. Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 15504.724365/201271 Acórdão n.º 3402004.344 S3C4T2 Fl. 119 17 Em resumo, a fiscalização manteve as glosas relativas a bens e serviços que não se enquadram como insumos, por não terem sido empregados em máquinas e equipamentos utilizados diretamente na atividade produtiva da empresa, e, ao mesmo tempo, não geram créditos sobre depreciação, mesmo constituindo bens e serviços empregados em edificações ou benfeitorias em imóveis utilizados na atividade da empresa, por não adicionarem a esses imóveis vida útil superior a um ano. Assim, tais glosas devem ser mantidas; Materiais utilizados na identificação, acondicionamento e movimentação interna: No que diz respeito aos itens utilizados com a finalidade essencial de acondicionamento ou movimentação dos produtos destinados à venda, como é o caso da madeira serrada pranchão, o dormente de madeira, o estropo cabo de aço e a liga corrente, estão corretas as glosas efetuadas pela fiscalização. Conforme já abordado anteriormente quando da análise glosa de créditos "Dos materiais de embalagem e materiais de embalagem para transporte", a embalagem para transporte não pode ser considerada insumo, visto que é incorporada ao produto apenas depois de concluído o processo produtivo e o transporte do produto não constitui etapa do processo de produção. Ora, é inequívoca a finalidade de acondicionamento e transporte desses produtos, até porque a própria impugnante assim o confirma, ao admitir a finalidade de assegurar a qualidade e apresentação adequadas dos seus produtos comercializados. Bens e serviços relacionados às atividades minerais: Transporte de matérias primas entre estabelecimentos; Serviços de estiva de matériasprimas; Serviços de transporte e/ou pesagem de matériasprimas; Serviços de movimentação, estocagem, carregamento e transbordo de minério de ferro; Serviços de remoção de matériaprima estéril vinculada ao processo de mineração; Serviços de sondagem de minério de ferro para a fabricação ou produção de bens destinados a vendas Como analisado no item I, a legislação que regulamenta a não cumulatividade da Contribuição para o PIS e da Cofins possibilita que sejam passíveis de creditamento os valores das contribuições calculadas em relação a bens e serviços utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, mas esse direito se aplica exclusivamente em relação a bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País (§ 3º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003). No caso em análise essa matériaprima não foi adquirida de pessoa jurídica domiciliada no País, mas produzida pela própria contribuinte. Para essa situação, não existe previsão legal para o aproveitamento dos créditos, ainda que se considere que todos os gastos foram despendidos pela contribuinte na produção dessa matériaprima. Ademais, registrese que, no caso dos serviços listados, não poderiam gerar direito a crédito, ainda que a atividade principal da empresa fosse a mineração, pois também não estão diretamente vinculados à produção de minério, propriamente dita. Serviços como o de remoção de matériaprima estéril ou de sondagem, por exemplo, embora imprescindíveis na atividade de mineração, não se caracterizam como insumos dessa atividade, fazendo parte de etapas distintas da etapa que envolve a extração e beneficiamento do minério. Já no caso dos serviços como o transporte, pesagem, movimentação, estocagem, carregamento e transbordo de matériasprimas, por se darem dentro dos Fl. 1286DF CARF MF 18 estabelecimentos da empresa, também não gerariam direito a crédito, mesmo que se considerasse como atividade principal a própria mineração, por falta de previsão legal para tal. Portanto, devem ser mantidas as glosas relativas a este item. Serviços de peação, escoreamento e estiva de produtos destinados a venda; serviços de transporte de produtos destinados a venda; e Serviços de infraestrutura para a movimentação de produtos siderúrgicos destinados a venda: Consoante abordado no início deste voto, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, tão somente, como aqueles que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam, diretamente, aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços pela pessoa jurídica, e é essa conceituação que deve ser levada em consideração ao analisar os gastos relacionados pela contribuinte que geram direito à contabilização de créditos do PIS e da Cofins. A partir da própria argumentação apresentada pela recorrnte, se depreende que os serviços ora analisados estão relacionados à disponibilização dos produtos à venda e não à fabricação desses produtos, propriamente dita. Sobre os gastos relacionados à disponibilização do produto ao consumidor, notese que a lei restringiu a possibilidade de utilização de créditos à armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, desde que suportados pelo vendedor (inciso IX do art. 3º e inciso II do art. 15 da Lei nº 10.833/2003), silenciando sobre outras despesas. Ao se aplicar esse conceito de insumo aos serviços de que trata este item, concluise que por não serem diretamente empregados na fabricação dos produtos que a empresa destina a venda e constituírem apenas atividades complementares, conforme alega, não geram direito a créditos do PIS e da Cofins. Como dito preambularmente, o que faz a lei é admitir a dedução de certos créditos previamente estabelecidos em rol numerus clausus, que não comportam adições pelo intérprete da norma. Como bem lembra a reclamante, há previsão expressa na lei para que se possa creditar o frete nas operações de venda, o que não ocorre em relação aos diversos serviços aqui discutidos. Assim, correta a glosa desses serviços. Serviços de tratamento de resíduos industriais e serviços de transporte de resíduos industriais: Já se afirmou que a condição imposta para aproveitamento dos créditos é a aplicação ou consumo, pela pessoa jurídica, diretamente em sua produção final. É dizer, assim como na aquisição de bens, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer serviço que gera despesa necessária para atividade da empresa, mas tãosomente o que efetivamente se aplicou ou consumiu diretamente na produção do bem, não sendo o caso, obviamente, de tais dispêndios (serviços de tratamento e transporte de resíduos industriais). A teor da explicação da recorrente, os serviços empregados no tratamento e transporte de resíduos (segregação de resíduos, coleta seletiva, beneficiamento de resíduos e tratamento e destinação de resíduos), apesar de serem necessários no processo fabril como um todo, não podem ser considerados como diretamente associados ao processo produtivo da contribuinte, ou seja, como estritamente vinculados à produção dos produtos que a empresa posteriormente destina a venda, nos termos do exigido pelo inciso II do artigo 3.o, tanto da Lei n.o 10.637/2002 quanto da Lei n.o 10.833/2003 ("bens e serviços, utilizados como Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 15504.724365/201271 Acórdão n.º 3402004.344 S3C4T2 Fl. 120 19 insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda"). A função de um sistema de tratamento de resíduos, como esclarece a contribuinte, é dar aos resíduos gerados em seu processo produtivo a correta destinação. Salientese que o não acatamento dos créditos a título de PIS e Cofins não representa a afirmação de que o bem listado pela contribuinte não represente item importante ou mesmo indispensável para a produção dos bens destinados a venda. O que se quer dizer, tãosomente, é que tais bens não podem gerar créditos a título das citadas contribuições nos termos da legislação vigente, pois, como analisado alhures, o regime da nãocumulatividade previsto para o PIS e a Cofins não é irrestrito, sendo composto por várias limitações legais à apropriação de créditos vinculados a operações que, embora essenciais à atividadefim empresarial, não podem ser objeto de creditamento. Aluguéis de caminhões: Em relação aos créditos provenientes do pagamento de aluguéis de caminhões, não se vislumbra a intenção do legislador em permitir a apuração do crédito em relação aos mesmos, considerando que se limita a dispor sobre despesas de aluguéis de “prédios, máquinas e equipamentos” no inciso IV do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Sem reparos, a glosa, portanto. Assim, pouco importa se a alegação foi feita em sede de impugnação, na manifestação acerca do relatório de diligência ou na peça recursal, pois o fato é que tais alugueres não podem ser tomados como créditos. Treinamento sobre o funcionamento de equipamento da área industrial, tais como alto forno e laminação: Mediante o conceito de insumo suso esposado, reesta evidente que os gastos com treinamento sobre o funcionamento de equipamento da área industrial não podem gerar créditos de PIS e de Cofins, conforme defende a impugnante. Primeiro, porque tais despesas não constam no rol daquelas capazes de gerar créditos do PIS e da Cofins, contido no art. 3º das leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. E segundo porque conquanto tais despesas possam se mostrar necessárias, dada a complexidade das máquinas e equipamentos utilizados na atividade siderúrgica e metalúrgica exercida pela interessada, não fazem parte do âmago da sua produção e, por essa razão, não podem ser consideradas intrínsecas à atividade da empresa, não cabendo, dessa forma, sua qualificação como insumo à fabricação. Sendo assim, mantémse as glosas efetuadas pelo fisco em relação a este item. IV CONCLUSÃO Frente ao exposto, nego provimento aos recursos de ofício e voluntário. É como voto. Jorge Olmiro Lock Freire Relator Voto Vencedor Conselheira Thais de Laurentiis Galkowiz Fl. 1288DF CARF MF 20 Com a devida vênia, ouso divergir do Ilustre Relator no que tange ao conceito de insumo para fins do direito ao creditamento da Contribuição ao PIS e da COFINS, e, por conseguinte, na manutenção de diversas glosas discutidas no presente processo, conforme procurarei explicitar nos itens abaixo. 1. Do conceito de insumo para a Contribuição ao PIS e a COFINS A questão de mérito discutida nestes autos é amplamente conhecida pelos julgadores do CARF. Tratase do conceito de insumo para fins de apropriação de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS na sistemática da não cumulatividade (artigo 3º, inciso II das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002) De qualquer sorte, vale repisar e evolução jurisprudencial administrativa sobre a matéria, que culminou no conceito aqui adotado para a solução da lide. Quando primeiramente instado a se manifestar sobre o tema, este Conselho convalidou o restritivo entendimento esposado pela Receita Federal, materializado nas Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04. Ou seja, transportouse o conceito de insumo do IPI para sistemática de PIS e COFINS não cumulativos. Assim, o CARF entendia que ao contribuinte somente seria legítimo descontar créditos referentes às aquisições de matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários, os quais deveriam ser incorporados ou desgastados pelo contato físico com o produto final, para serem considerados insumos ensejadores de crédito de PIS e COFINS (e.g. Acórdão n. 20312.469).2 Num segundo momento, já assumindo a impropriedade de se aplicar como critério para aferir o crédito PIS e COFINS não cumulativos aquele do IPI uma vez que materialidades destas espécies de tributos são completamente distintas, sendo a do IPI, circunscrita ao âmbito da industrialização, enquanto a das Contribuições, é mais abrangente, por ser a receita como um todo) , o CARF passou a utilizar as regras de dedutibilidade de despesa constante na legislação do pelo imposto sobre a renda (“IR”) para a definição de insumos (e.g. Acórdão n. 320200.226).3 Nesse sentido, a jurisprudência do CARF acabou conferindo uma amplitude maior ao conceito de insumo para o direito de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, entendido como qualquer despesa, desde que necessária à consecução do objeto social da pessoa jurídica. Finalmente, a jurisprudência deste Conselho chegou então a um terceiro momento, no qual se consolidou que o direito a tomada de crédito da Constituição ao PIS e da COFINS “denota uma maior abrangência do que o conceito aplicável ao IPI, embora não seja tão extensivo quanto aquele aplicável ao IRPJ”.4 Essa é a atual, e, a meu ver, correta orientação do CARF a respeito do tema. Com isso, constatase que este Tribunal passou a defender uma abrangência específica para o conceito de insumo com relação à Contribuição ao PIS e à COFINS, levando em conta a materialidade das contribuições (receita), pelo que se impõe conceder o crédito relativo a custos indispensáveis à produção e, portanto, à geração de receita (e.g. Acórdão n. 3302002.674). 5 2 AC nº 20312.469, Processo n.º 137.818, rel. Odassi Guerzoni Filho, sessão de 17 de outubro de 2007. 3 AC nº 320200.22, Processo nº 11020.001952/200622, rel. Gilberto de Castro Moreira Junior, sessão de 08 de dezembro de 2010. 4 AC nº 9303002.801, Processo nº 13052.000441/200307, rel. Rodrigo da Costa Pôssas , sessão de 23 de janeiro de 2014. 5 AC nº 3302002.674, Processo nº 13971.720063/200814, rel. Fabíola Cassiano Keramidas, sessão de 19 de agosto de 2014. Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 15504.724365/201271 Acórdão n.º 3402004.344 S3C4T2 Fl. 121 21 Exatamente neste sentido, este Colegiado tem adotado como parâmetro o conceito de “custo de produção”, nos termos dos artigos 289 a 291 do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/996 (Acórdão 3402002.881),7 para a solução dos casos controversos entre contribuintes e Fisco. Pois bem. Adotando o citado conceito para a aferição da legitimidade ou não da tomada de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, fazse necessário analisar in casu a essencialidade dos insumos no processo formativo da receita. Para essa análise, contudo, cumpre salientar que o presente processo é originário de auto de infração, e não de pedido de reconhecimento de crédito para compensação pelo contribuinte. Tal fato é importantíssimo para o deslinde da controvérsia, à medida que é justamente a iniciativa do processo administrativo que determina o ônus da prova (artigo 373 da Lei n. 13.105/2015, o “Novo Código de Processo Civil”).7 Com efeito, este Colegiado, no próprio Acórdão 3402002.881 citado linhas atrás, adotou este parâmetro para a solução de caso onde também se julgava auto de infração 6 Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Custo de Produção Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; II o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; III os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; V os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. Parágrafo único. A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a cinco por cento do custo total dos produtos vendidos no período de apuração anterior, poderá ser registrada diretamente como custo Quebras e Perdas Art. 291. Integrará também o custo o valor: I das quebras e perdas razoáveis, de acordo com a natureza do bem e da atividade, ocorridas na fabricação, no transporte e manuseio; II das quebras ou perdas de estoque por deterioração, obsolescência ou pela ocorrência de riscos não cobertos por seguros, desde que comprovadas: a) por laudo ou certificado de autoridade sanitária ou de segurança, que especifique e identifique as quantidades destruídas ou inutilizadas e as razões da providência; b) por certificado de autoridade competente, nos casos de incêndios, inundações ou outros eventos semelhantes; c) mediante laudo de autoridade fiscal chamada a certificar a destruição de bens obsoletos, invendáveis ou danificados, quando não houver valor residual apurável. 7 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2007 NULIDADES. A existência de motivação clara e explícita do ato administrativo, que rende ensejo à interposição de defesa robusta, não rende ensejo à decretação de nulidade. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de processo de iniciativa da Administração Tributária, cabe ao fisco o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS. INSUMO. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção. (...). Fl. 1290DF CARF MF 22 em que a Fiscalização glosou créditos tomados pelo contribuinte, por utilizar como fundamento as Instruções Normativas n. n. 247/2002 e 404/2004, vale dizer, o conceito de insumo de IPI. Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. (...) É com isso que lidaremos no julgamento deste processo: afastado o significado de "insumo" adotado pelo fisco, o trabalho deste colegiado ao analisar as planilhas de glosa em espécie se resumirá em confrontar o item glosado com os dados técnicos trazidos pela defesa para determinarmos se o item está apto ou não a gerar o crédito. A autuação só será mantida em relação aos itens que comprovadamente não atendam aos requisitos legais para gerarem o crédito. 2. Do caso concreto Traçadas essas premissas, destaco o objeto social da Recorrente, retirado dos atos constitutivos vigentes à época da autuação fiscal, constantes dos autos: “A Companhia ....tem por objeto principal a indústria e o comercio de produtos siderúrgicos e ou metalúrgicos. A Companhia poderá exercer quaisquer outras atividades comerciais ou industriais relacionadas com o objeto principal, inclusive a pesquisa, a lavra e a industrialização e a comercialização de minérios, elaboração, execução e administração de projetos de florestamento e reflorestamento, bem como a exportação e a importação de bens de ou para sua indústria e a transformação de florestas em carvão vegetal, o transporte via rodoviária, ferroviária, marítima e ou pluvial de bens de sua indústria, as atividades portuárias fora de área de porto organizado e as de operador portuário, de que trata a Lei nº 8.630, de 25.02.93 Assim é que no seu cartão de CNPJ constam atividade principal e secundária a industrialização e comércio de produtos siderúrgicos e metalúrgicos, além da própria a mineração Cumpre então passar à aferição dos itens glosados pela Fiscalização, cotejandoos com o objeto social da Recorrente, e, portanto, às atividades que pratica e lhe Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 15504.724365/201271 Acórdão n.º 3402004.344 S3C4T2 Fl. 122 23 geram receita, para aferir quais se amoldam ao conceito de insumo (custo de produção) para fins de tomada de crédito na sistemática não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS. Pois bem. Pela análise do criterioso relatório e voto formulado pelo Relator do caso, pude observar que os seguintes itens são capazes de gerar o direito ao crédito das Contribuições Sociais, devendo ser canceladas as glosa pretendidas pela Fiscalização, de acordo com as razões a seguir delineadas: 2.1. "Sucatas" A própria Recorrente admite que a legislação (§ 2º, II, do art. 3º das Leis 10.637 e 10.833) não dá direito à crédito sobre a aquisição de bens ou serviços que não estejam sujeitos ao pagamento das contribuições ou que sejam utilizados em produtos ou serviços com alíquota zero ou isentos, dentre os quais está a sucata, classificada na posição 7204 da TIPI, ou seja, desperdício, resíduos ou aparas de ferro ou aço. Assim, concordo com o relator sobre a manutenção de tais glosas. De sua feita, a fiscalização, como resultado da diligência, cancelou as glosas dos serviços empregados na industrialização dos resíduos industriais, por se caracterizarem como insumos na atividade fim da recorrente. Entretanto a Recorrente esclarece e faz prova que nessa glosa encontramse também fretes de materiais que não são sucatas. Efetivamente, no próprio TVF consta que foram glosados tais fretes (fls 34 e 35). Em fls 1196 vemos planilha fiscal com a razão social dos fornecedores, demonstrando tratarse de empresas de transporte e em fls 1197 a 1203 cópias das notas de Conhecimentos de Transporte referindo, no campo “natureza da carga”, “bobinas”, “perfil”, “fiomáquina”, ou seja, produtos finais fabricados pela Recorrente. Portanto, tais gastos (constantes na planilha de fls 1196) referemse a frete de vendas de produtos acabados, erroneamente classificados como sucata, suportado pela Vendedora/Recorrente, cujo crédito está previsto no art. 3º, IX, da Lei 10.833/2003, devendo portanto a glosa ser cancelada. 2.2. Materiais de embalagem e materiais de embalagem para transporte No caso, as glosas referemse a diversas aquisições utilizadas como embalagem incluindo arame fio máquina, cilindro, embalagem filme strech, etiquetas, fitas de aço, fitas adesivas, madeira serrada pranchão/roletes, pallet, papelão chapa onda, ripa/sarrafo/viga eucalipto, sarrafo farinha seca, saco plástico utilizada para apresentação/acondicionamento dos produtos, bem como para viabilizar sua estocagem e transporte. De acordo com o entendimento esposado no item 1 do presente voto, hei de divergir do Relator. Se a embalagem é condição para o transporte, reduz o risco do mesmo ou garante a integridade do produto é ela essencial ao processo produtivo, e deve dar direito ao crédito. Essa turma de julgamento já se debruçou sobre o tema, concedendo tal sorte de créditos: Número do Processo: 10925.000820/200716 Fl. 1292DF CARF MF 24 Contribuinte: COOPERATIVA CENTRAL AURORA ALIMENTOS Relator(a): MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Nº Acórdão: 3402003.097 Ementa(s) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. AGROINDÚSTRIA. HIGIENE. PROTEÇÃO AO TRABALHADOR. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo, nos termos delimitados pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, assim considerados aqueles que integram o custo de produção e que não são passíveis de ativação obrigatória (art. 301 do RIR/99). Tratandose de agroindústria que produz alimentos, há o direito ao creditamento em relação aos bens adquiridos para proteção ao trabalhador e para higiene. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenhase com características desejadas quando chegar ao comprador. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. INTERPRETAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. [...] Recurso Voluntário provido em parte Assim, entendo que devem ser revertidas as glosas dos créditos sobre materiais de embalagem e materiais de embalagem para transporte. 2.3. Materiais utilizados na identificação, acondicionamento e movimentação interna Assim como disposto no item 2.2., os gastos da Recorrente com a aquisição de materiais imprescindíveis para seu processo produtivo, nas fases de identificação, acondicionamento e movimentação interno, devem dar direito ao crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS. A Recorrente demonstra que foram glosados os créditos decorrente diversas aquisições utilizadas na identificação, acondicionamento e movimentação interna de produtos, incluindo aparelho de manobra manual, balancim, carro, cinta de poliéster, contratrilho, corda de sisal, dormente de madeira, esticador, estropo cabo de aço, etiqueta, gancho, grampo, jacaré, ladre, linga corrente, madeira, manilha, olhal, pallet, pega chapa, sapatilha, sarrafo, selo, trilho, Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 15504.724365/201271 Acórdão n.º 3402004.344 S3C4T2 Fl. 123 25 necessários à movimentação de produtos que pesam toneladas1, em usina siderúrgica de dimensões enormes. Sobre a imprescindibilidade dos gastos para seu processo produtos, em fls. 778 a 782 do recurso voluntário constam fotos e aplicação de diversos materiais. Ademais, em fls. 1139 a 1141 a Recorrente apresenta planilha explicando a função, o local de aplicação e a vida útil de cada material. Destaco alguns itens abaixo, a título exemplificativo: Pois bem. Este Conselho, como já visto, concede esse tipo de crédito, conforme constatamos dos Acórdãos 3301002.411 (Cons. Relator Andrada Marcio Canuto Natal) e 3402002.826 (Cons. Relator Waldir Navarro Bezerra), cujos trechos da ementa que interessam aqui são sublinhados abaixo: Número do Processo: 13981.000079/200537 Data da Sessão: 14/10/2014 Relator(a): ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Nº Acórdão: 3301002.411 CRÉDITO. EMBALAGEM. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos com aquisições de etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço integram o custo dos produtos fabricados e exportados pela recorrente, gerando créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. Número do Processo 13878.000213/200587 Data da Sessão 25/01/2016 Relator(a) WALDIR NAVARRO BEZERRA Nº Acórdão 3402002.826 CRÉDITO. EMBALAGENS DE TRANSPORTE. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os gastos com embalagens de transporte pallet, papelão e os filmes strech integram o custo dos produtos fabricados e exportados pela Fl. 1294DF CARF MF 26 recorrente, gerando créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. (...) Neste último julgado, o ilustre Conselheiro Waldir Bezerra foi preciso ao colocar que "o acondicionamento dos produtos a serem exportados constituise em etapa da industrialização e, como tal em face do princípio da não cumulatividade das contribuições, deve ter todos os valores relativos às suas aquisições de fornecedores considerados para fins de dedução de créditos." Portanto, imperioso o cancelamento das glosas relativas aos materiais utilizados na identificação, acondicionamento e movimentação interna. 2.4. Bens e serviços relacionados às atividades minerais: Transporte de matérias primas entre estabelecimentos; Serviços de estiva de matériasprimas; Serviços de transporte e/ou pesagem de matériasprimas; Serviços de movimentação, estocagem, carregamento e transbordo de minério de ferro; Serviços de remoção de matériaprima estéril vinculada ao processo de mineração; Serviços de sondagem de minério de ferro para a fabricação ou produção de bens destinados a vendas Salta aos olhos que todos os serviços glosados nesse grupo são gastos intrínsecos e necessários à atividade de mineração. Com efeito, sobre o transporte de matérias primas entre estabelecimentos da Recorrente, a Recorrente comprova (vide fls 753 a 757) que este grupo compreende serviços de frete de transporte de minério entre as minas de propriedade da recorrente e a siderúrgica. Frete de matériaprima, portanto, cujos prestadores são empresas nacionais, dando direito ao crédito de PIS/COFINS. As manifestações deste Conselho sobre o tema são inúmeras, dentre as quais destaco as seguintes: Número do Processo 10830.721065/200910 Data da Sessão 26/01/2016 Relator(a) DOMINGOS DE SA FILHO Nº Acórdão 3302002.970 PIS. INSUMO. FRETE. TRANSPORTE ENTRE MINA E COMPLEXO INDUSTRIAL. DESCONTO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Inserese no conceito de insumo a aquisição de matériaprima, materiais e embalagens, e, prestação de serviço quando esses se revela necessário e essencial atividade fabril, por ser específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece, no caso concreto, o frete pago pelo transporte de minérios, insumo básico a fabricação do produto, extraídos de minas de propriedade do mesmo proprietário do complexo industrial, por viabilizar a produção e guardar pertinência ao processo produtivo, insere no conceito de insumo, e, sendo assim, autoriza a tomada do crédito. Recurso Voluntário Provido. Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 15504.724365/201271 Acórdão n.º 3402004.344 S3C4T2 Fl. 124 27 Acórdão nº 3403002.763 Relator(a): ANTONIO CARLOS ATULIM Ementa(s) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FRETES. Os fretes incorridos no transporte de matériaprima entre os armazéns e a fábrica são gastos aptos a gerarem crédito das contribuições no regime nãocumulativo por se enquadrarem como custo de produção. Com relação aos demais serviços, o Acórdão a quo colocou que "ademais, registrese que, no caso dos serviços listados, não poderiam gerar direito a crédito, ainda que a atividade principal da empresa fosse a mineração, pois também não estão diretamente vinculados à produção de minério, propriamente dita. Serviços como o de remoção de matériaprima estéril ou de sondagem, por exemplo, embora imprescindíveis na atividade de mineração, não se caracterizam como insumos dessa atividade, fazendo parte de etapas distintas da etapa que envolve a extração e beneficiamento do minério." Claramente, portanto, não foram concedidos tais créditos pois o pressuposto adotado pela DRJ é o ultrapassado entendimento, segundo a jurisprudência deste Tribunal, de que o conceito de insumo para a tomada de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS é o mesmo do IPI. Não sendo esse o paradigma aqui adotado, como pude expor alhures, devem ser concedidos os créditos dos seguintes serviços: i) Serviços de estiva de matériasprimas: movimentação (descarga, manuseio, embarque) de carvão mineral (matériaprima) em terminal portuário próprio, etapa do transporte das matérias primas, prestado principalmente pela VALE (cf. Contrato de fls. 891 a 911) ii) Serviços de transporte e/ou pesagem de matériasprimas: transporte e pesagem de sucata, matéria prima utilizada pela recorrente, cuja compra em si (incluindose o preço) é estabelecida por peso (cf. fls 761 do Recurso Voluntário planilha de fls. 616, preparada pela própria autoridade fiscalizadora, referindo tratarse de serviços de pesagem e transporte de matériasprimas). iii) Serviços de movimentação, estocagem, carregamento e transbordo de minério de ferro, cf. 1196. iii) Serviços de remoção de matériaprima estéril vinculada ao processo de mineração; iv) Serviços de sondagem de minério de ferro para a fabricação ou produção de bens destinados a vendas. Fl. 1296DF CARF MF 28 Sobre esse último, destaco a ementa abaixo, relativa a caso em que o CARF reconheceu tal direito creditório em caso análogo: Contribuinte VALE S.A. Acórdão nº 3402002.663 Relator(a): ALEXANDRE KERN Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Os gastos com a contratação de serviços de prospecção, sondagens e de geologia guardam relação de pertinência e essencialidade com o processo de lavra de minérios e ensejam o creditamento com base nos gastos efetivamente comprovados. Pelas razões aqui expostas, então que todas as glosas referentes aos bens e serviços relacionados às atividades minerais (Transporte de matérias primas entre estabelecimentos; Serviços de estiva de matériasprimas; Serviços de transporte e/ou pesagem de matériasprimas; Serviços de movimentação, estocagem, carregamento e transbordo de minério de ferro; Serviços de remoção de matériaprima estéril vinculada ao processo de mineração; Serviços de sondagem de minério de ferro para a fabricação ou produção de bens destinados a vendas) devem ser canceladas. 2.5. Serviços de tratamento de resíduos industriais e serviços de transporte de resíduos industriais A Recorrente informa que os serviços de coleta, segregação, tratamento e destinação de resíduos são de fundamental importância porque providenciam o correto descarte das sobras da produção. Na realidade representam um custo obrigatório da Recorrente, que está legalmente obrigada a gerenciar seus resíduos sólidos, conforme determina a Lei nº 12.305/2010 (Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos) e a Norma Regulamentadora nº 25 do Ministério do Trabalho e Emprego, sob pena de responsabilização legal. Não por outra razão, a jurisprudência deste Conselho é vastíssima no sentido de cancelar as glosas de créditos referentes a tais itens. Vejamos: Número do Processo: 11065.100043/200650 Contribuinte: H. KUNTZLER & CIA. LTDA. Data da Sessão: 11/12/2014 Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 15504.724365/201271 Acórdão n.º 3402004.344 S3C4T2 Fl. 125 29 Relator(a): FABIA REGINA FREITAS Nº Acórdão: 3301002.523 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 o conceito de insumos para efeito de PIS e COFINS deve se relacionar aos gastos, em bens e/ou serviços, utilizados no processo produtivo, sem os quais a produção da empresa seria inviabilizada, e com isso não haveria geração de receitas. No caso concreto, a única despesa/custo passível de aproveitamento é relacionada ao crédito do Tratamento de Resíduos Industriais, decorrente de exigência legal. Recurso Voluntário provido parcialmente. Número do Processo: 10280.722549/201174 Contribuinte: ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A Relator(a): IVAN ALLEGRETTI Nº Acórdão: 3403002.765 Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 PIS NÃOCUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. ART. 3º, II, DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMO. APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. DEMONSTRAÇÃO. O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte. A falta desta demonstração impede o reconhecimento do direito de crédito. INDÚSTRIA DE ALUMINA. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO NA PRODUÇÃO. Em relação à atividade industrial de produção de alumina, deve ser reconhecido o direito de crédito pela aquisição de óleo combustível BPF, ácido sulfúrico e inibidor de corrosão, bem como de transporte de remoção de rejeitos e resíduos, por se tratarem de bens e serviços aplicados na produção. (...) Número do Processo 11065.001083/200962 Contribuinte INDUSTRIA DE PELES MINUANO LTDA Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Relator(a) ROSALDO TREVISAN Fl. 1298DF CARF MF 30 Nº Acórdão 3403002.783 Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RS RG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62A de seu Regimento Interno. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matériasprimas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais. Por outro lado, não constituem insumos os combustíveis utilizados em veículos da empresa que transportam funcionários. Portanto, devem ser cancelas as glosas relativas ao serviços de tratamento de resíduos industriais e serviços de transporte de resíduos industriais. 3. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente recurso voluntário, para cancelar a glosa de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS, referentes a: i) Gastos referentes a frete de vendas de produtos acabados, erroneamente glosados como sucata (constantes na planilha de fls 1196); ii) Materiais de embalagem e materiais de embalagem para transporte; iii) Materiais utilizados na identificação, acondicionamento e movimentação interna iv) Bens e serviços relacionados às atividades minerais: Transporte de matérias primas entre estabelecimentos; Serviços de estiva de matériasprimas; Serviços de transporte e/ou pesagem de matériasprimas; Serviços de movimentação, estocagem, carregamento e transbordo de minério de ferro; Serviços de remoção de matériaprima estéril vinculada ao processo de mineração; Serviços de sondagem de minério de ferro para a fabricação ou produção de bens destinados a vendas v) Serviços de tratamento de resíduos industriais e serviços de transporte de resíduos industriais Thais de Laurentiis Galkowiz redatora designada Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 15504.724365/201271 Acórdão n.º 3402004.344 S3C4T2 Fl. 126 31 Declaração de Voto Conselheira Thais de Laurentiis Galkowiz Além dos itens citados acima, sobre os quais fui acompanhada pela maioria do colegiado, também peço vênia para divergir do Ilustre Relator sobre os seguintes itens. 1. Frete de insumos importados e entre empresas. A reversão das glosa dos créditos das Contribuições é imperiosa no presente caso, pois o motivo elencado pela Fiscalização e corroborado pela DRJ não se coaduna com a natureza do frete sob análise e, por conseguinte, com a legislação que garante seu aproveitamento. Com efeito, o frete em apreço corresponde ao transporte de matéria prima (carvão mineral e minério de ferro) entre terminal portuário e unidade industrial da Recorrente. Ou seja, tratase de frete nacional (prestado por empresas brasileiras, quais sejam, Vale, MRS e outras 17 transportadoras e empresas de logística nacionais, conforme notas fiscais e contratos de fls 851 a 1058), e não internacional (custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado, conforme o artigo 77 do Regulamento Aduaneiro Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009). É por esta razão que os argumentos de que "inexiste norma garantidora do direito a tal crédito", e de que "a legislação disciplinadora da Contribuição ao PIS e da COFINS incidentes sobre as importações referese ao valor aduaneiro, dentro do qual não estaria incluído o frete", não se aplicam ao presente caso. Explico. Inicialmente, é preciso recordar a diferenciação da incidência/direito ao crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre importações ("PISimportação e COFINS importação", ou PIS/COFINSimportação), com a incidência/direito ao crédito das Contribuições ao PIS e da COFINS ("PIS e COFINS") incidentes sobre operações no ocorridas no mercado interno. O PISimportação e a COFINSimportação são exações tributárias disciplinadas pela Lei n. 10.685/04, que em seu artigo 1º, traz a materialidade que é atingida pelas Contribuições: a importação de bens e serviços. Assim, o PIS/COFINSimportação incide uma única vez, no momento da importação de bens e serviços. Tratandose de incidência tributária sobre as importações (paralelamente à desoneração na exportação pelos países estrangeiros), o PISimportação e a COFINS importação dão efetividade ao princípio do destino, que rege a tributação do comércio internacional, como decorrência da necessidade de harmonização das legislações entre Estados, como ensina Ricardo Lobo Torres.8 Desse modo, as mercadorias e serviços trazidos do exterior serão sujeitos à incidência dos tributos nacionais sobre o consumo (como o IPI, o ICMS e o ISS), tendo então o mesmo tratamento tributário das mercadorias e serviços produzidos no mercado nacional, com isso respeitando o princípio da não discriminação. 8 Assim, a tributação é outorgada para o país onde os bens são consumidos. (O princípio da não cumulatividade e o IVA no direito comparado. In O princípio da nãocumulatividade, coord. Ives Gandra da Silva Martins, p. 161). Fl. 1300DF CARF MF 32 Dessarte, o PIS–importação e a COFINS–importação incidem tão somente nas operações nas quais os fornecedores estão domiciliados fora do país, e é a essa situação que a Lei n. 10.685/04 abarcou. Consequentemente, a Lei n. 10.865/04 não trata das operações praticadas em território brasileiro, as quais, como é consabido, são regradas pelas Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003. Todavia, para as pessoas jurídicas que apuram as Contribuições pela sistemática da nãocumulatividade, a importação pode ser a primeira das etapas comerciais, industriais ou de prestação de serviços que ocorrerão em território nacional, a qual eventualmente poderá se juntar a outros bens ou serviços adquiridos no mercado interno para a consecução das atividades empresarias. Justamente nesse sentido, a Lei n. 10.865/2004, em seu artigo 15, estabeleceu que um dos créditos que podem ser apurados na não cumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS (cf. as Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003) corresponde aos valores pagos anteriormente a título de PIS/COFINSimportação. Vejamos Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 1oA. O valor da CofinsImportação pago em decorrência do adicional de alíquota de que trata o § 21 do art. 8o não gera direito ao desconto do crédito de que trata o caput.(Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) § 2o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Fl. 1301DF CARF MF Processo nº 15504.724365/201271 Acórdão n.º 3402004.344 S3C4T2 Fl. 127 33 § 3o O crédito de que trata o caput será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no art. 8o sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7o, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição A dicção do caput do artigo 15 da Lei n. 10.865/2004 é clara: concedeserá o direito ao crédito, relativamente às IMPORTAÇÕES, sobre as contribuições efetivamente pagas (§1º), apurado de acordo com as demais normas que regem o PISimportação e a COFINSimportação, dentre elas a utilização do valor aduaneiro sobre da importação de bens (artigo 7º, inciso I). Como é possível perceber desde já, aqui se discute unicamente a incidência e o crédito nas importações. Esse é o marco final da disciplina da Lei n. 10.865/2004, que em nada pode ou deve prejudicar a incidência das Contribuições que ocorrem em momento subsequente (mercado nacional) e o respectivo direito ao crédito. Afinal, não há e nem poderia haver na Lei n. 10.865/2004 vedação à tomada de outros créditos decorrentes de dispêndios posteriores à importação, pois tais momentos não são objeto de sua normatização. Assim é que a discussão sobre o valor aduaneiro e falta de amparo legal, como já adiantado, em nada tangencia o presente caso, no qual o frete é nacional, uma vez que prestado depois do desembaraço aduaneiro por empresas brasileiras. Tratase de serviço contratado pela Recorrente para que possa efetivar suas atividades empresariais de mineração. Com relação a tais fretes, é necessário observar o quanto disposto pelas Lei n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, pois estas sim cuidam da incidência e, por conseguinte, do direito ao crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS em casos como o presente. São inúmeras as manifestações da Receita Federal sobre o assunto, sempre tendo como pressuposto justamente a diferenciação acima exposta, como se depreende, a título exemplificativo, dos trechos das seguintes Soluções de Consulta: Solução de Consulta nº 113 SRRF09/Disit, datada de 11 de junho de 2012: É que os créditos a que a Leis nº 10.637, de 2002, e a Lei nº 10.833, de 2003, aludem tão somente os relativos a aquisições no mercado interno, diferentemente dos créditos relativos à importação de bens e de serviços, que estão no art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Solução de Consulta nº 75 SRRF08/Disit Data 27 de março de 2013: 12 Devese ressaltar a notável diferença existente entre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre as operações no mercado interno e a Contribuição para o PIS/Pasep–Importação e a Cofins–Importação incidentes sobre as importações de bens e serviços. Tratamse de tributos distintos, que possuem hipótese de incidência, base de cálculo e contribuintes diferentes. 13 De um lado, temse a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a receita (mercado interno), cuja autorização para sua criação fundase no art. 195, I, “b”, da Constituição Federal (CF). O regime de apuração não cumulativa das mencionadas contribuições foi instituído pela Lei nº 10.637, de 2002, relativamente à Contribuição para o Fl. 1302DF CARF MF 34 PIS/Pasep, e pela Lei nº 10.833, de 2003, no que se refere à Cofins. Com efeito, a Receita Federal parte do mesmo pressuposto do adotado no presente voto: há primeiro uma operação de importação de bens, sujeito à incidência do PIS importação e da COFINSimportação, dando direito ao crédito nos moldes do artigo 15 da Lei n. 10.865/2004; posteriormente outras operações passam a existir em âmbito nacional, sobre as quais vai incidir a Contribuição ao PIS e a COFINS nãocumulativas, e os créditos estão disciplinados pelos artigos 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003. Ocorre que, em razão do restrito juízo administrativo sobre o conceito de insumo no âmbito da Contribuição ao PIS e da COFINS no sentido daquele adotado na legislação do IPI (somente dariam direito ao crédito MP, PI e ME incorporados ao produto), o entendimento que hoje prevalece nas Soluções de Consulta é pela não autorização do direito ao crédito. Por todas, destaco a recente Solução de Consulta nº 121 Cosit, de 8 de fevereiro de 2017, na qual a questão do frete é análoga a que ora se discute: 13. No caso em tela, questionase a possibilidade de desconto de créditos em relação a gastos compreendidos entre o despacho aduaneiro e a revenda do produto, mais especificamente os serviços aduaneiros, o frete relativo ao transporte do produto importado do ponto de entrada no país até o estabelecimento da pessoa jurídica e as despesas com depósito (armazenagem), contratados com pessoa jurídica domiciliada no Brasil. 14. Em relação à despesa com serviços aduaneiros, verificase que não estão incluídas no rol de hipóteses de creditamento constantes do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Em que pese os serviços aduaneiros referiremse à aquisição de mercadorias importadas, também não encontramos no art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que enumera os créditos decorrentes da importação, hipótese passível de abarcar os referidos serviços. 15. Com relação ao frete concernente ao transporte do produto importado do ponto de entrada no país até o estabelecimento da pessoa jurídica, verificase que, dentre as hipóteses de crédito enumeradas pelo art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, apenas é possível perquirirse acerca da previsão de crédito em relação a frete na operação de venda (inciso IX). No que toca aos gastos com frete na aquisição dos produtos, têmse sedimentado o entendimento de que tal dispêndio pode ser incorporado ao valor do item adquirido e, caso este se destine à revenda (art. 3º, I, da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003) e seja adquirido de pessoa jurídica domiciliada no Brasil (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, § 3º, I, e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 3º, I), o crédito pode ser apurado pelo valor total (custo de aquisição do item + frete). Como não é o caso, já que a mercadoria importada não é adquirida de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, essa aquisição não dá direito a crédito com base no inciso I do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no inciso I do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Dessa forma, a possibilidade de apuração de crédito, nesse caso, deve ser analisada com base no art. 15 da Fl. 1303DF CARF MF Processo nº 15504.724365/201271 Acórdão n.º 3402004.344 S3C4T2 Fl. 128 35 Lei nº 10.865, de 2004, que trata, como mencionado, de produtos importados. A conclusão inarredável é que a Fiscalização somente analisa o direito ao crédito do frete nacional de produto importado à luz do artigo 3º, incisos I e IX das Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003, e não com relação ao artigo 3º, inciso II das mesmas leis, o qual, como se sabe, traz a possibilidade de tomada de crédito das Contribuições sobre bens ou serviços contratados no âmbito de seus processos produtivos. O assunto dos gastos com fretes e seu consequente direito ao creditamento da Contribuição ao PIS e da COFINS encontrase inserido na questão maior do conceito de insumo para fins do direito ao crédito dessas Contribuições Sociais, o qual teve grande atenção desse Conselho, culminando em jurisprudência já consolidada sobre o tema acima citada. Adotandose a linha de entendimento exposta no item 1 do voto vencedor acima, como vem ocorrendo nas decisões proferidas por este Colegiado, a consequência lógica incontornável é pela necessidade de reversão das glosas aqui tratadas. Ademais, é preciso salientar, entendimento diverso significaria tratar a não cumulatividade da Contribuição ao PIS e a COFINS como se fosse técnica de tributos vinculados ao produto. Todavia, não é demais repetir, a Contribuição ao PIS e a COFINS incidem sobre a receita, e daí advém o entendimento do CARF que os custos de produção, por serem indispensáveis para as atividades empresariais, devem dar direito ao crédito. É essa a tranquila jurisprudência deste Conselho, conforme se verifica das ementas abaixo colacionadas: Número do processo: 10950.003052/200656 Acórdão nº 3403001.938 Data de Publicação: 03/05/2013 Contribuinte: PLANT BEM FERTILIZANTES S.A. Relator(a): ROSALDO TREVISAN Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Ementa: ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitarse a existência de um produto final na ausência do insumo. Impressos, materiais de escritório, uniformes e equipamentos de proteção individual não constituem insumos Fl. 1304DF CARF MF 36 para uma empresa fabricante e revendedora de adubos e fertilizantes. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição. “[...] CRÉDITOS. FRETE DE BENS QUE CONFIGURAM INSUMOS. SERVIÇO DE TRANSPORTE QUE CONFIGURA INSUMO, INDEPENDENTE DO BEM TRANSPORTADO ESTAR SUJEITO À CONTRIBUIÇÃO. O frete de um produto que configure insumo é, em si mesmo, um serviço aplicado como insumo na produção. O direito de crédito pelo serviço de transporte não é condicionado a que o produto transportado esteja sujeito à incidência das contribuições. [...] (Processo 13971.005202/200959, Acórdão 3403003.163, j. 20/08/2014, Relator Alexandre Kern) Outrossim, não permitir direito ao crédito do frete nacional (ou qualquer outro custo posterior à nacionalização) do insumo importado significaria o absurdo de que, com relação aquele insumo, nenhum outro gastos incorrerá a empresa em seu processo produtivo, ao fim do qual há a geração de receita, que sofrerá a tributação das Contribuições sociais em questão. Com efeito, o CARF vem sedimentando seu entendimento no sentido de que determinadas operações com frete são sim capazes de garantir o direito ao crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, com base no artigo 3º, inciso II das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, haja vista que dentre os dispêndios ontologicamente necessários para a produção, encontrase o frete de produtos inacabados. Este Colegiado em diversas oportunidades acatou tal posição, dentre as quais destaco os Processos 11080.008925/200595 e 11080.008923/2005 04, nos quais deuse provimento ao recurso para reverter as glosas em relação a fretes para o transporte de insumos e produtos inacabados entre filiais e entre parceiros e filiais. Bem sintetiza o assunto a manifestação do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, quando do julgamento do Acórdão n. 3403001.556 (Processo n. 11686.000346/200828, de 25 de fevereiro de 2012), nos seguintes termos: "(...) Porque na sistemática da não cumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3º, inciso IX; (b) se associado à compra de matérias primas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3º, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, Fl. 1305DF CARF MF Processo nº 15504.724365/201271 Acórdão n.º 3402004.344 S3C4T2 Fl. 129 37 portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3º. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido. (...)" Concluise assim que, efetivamente, quando tratamos do trânsito de matérias primas da zona portuária até o estabelecimento do contribuinte (frete nacional), o dispêndio com frete é custo do produto, e deve ser entendido como insumo, nos termos do artigo 3º, inciso II das Lei n. 10.673 e 10.833, sendo capaz, portanto, de dar direito ao crédito, seja da Contribuição ao PIS, seja da COFINS. Nesse sentido, lembro que no tange à contratação do frete, como destacado alhures, está cumprido o requisito do artigo 3º, §3º inciso I das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, já que o crédito tomado pela Recorrente advém de serviços contratados de pessoas jurídicas domiciliadas no País. Assim, entendo que deve ser revertida a glosa relativa ao frete em relação a fretes para o transporte de insumos da zona portuária até o estabelecimento do contribuinte. 2. Fretes relativos a produtos não identificados Conforme colocado pelo Ilustre Relator, esses fretes relacionamse a 3 fornecedores distintos (Vale do Rio Doce, Tora Transportes Industriais e Usifast Logística Industrial), sendo que os produtos transportados para o estabelecimento industrial são ferro silício e ferro molibdênio, utilizados como liga na produção de aço (produto industrializado). Portanto, os fretes dizem respeito à aquisição matériaprima, caracterizando custo de produção da empresa e dando direito a utilização como crédito, com fulcro no artigo 3º, inciso II das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, devendo ser cancelada a glosa. 3. Treinamento sobre o funcionamento de equipamento da área industrial, tais como alto forno e laminação Haja vista o conceito de insumo adotado neste voto, fora de dúvidas que os gastos com treinamento sobre o funcionamento de equipamento da área industrial devem dar direito aos créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS. Afinal, são serviços essenciais ao processo produtivo da empresa, encaixandose no quanto estipulado pelo art. 3º das leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Importante destacar que se trata de treinamentos dos funcionários especialmente sobre o funcionamento de equipamentos da área industrial, diretamente relacionados com a produção do aço e a atividade da empresa. Corroborando essa inteligência, transcrevo a ementa do seguinte caso: Número do Processo 10660.722805/201311 Contribuinte EXPRESSO NEPOMUCENO S/A Fl. 1306DF CARF MF 38 Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 27/01/2015 Relator(a) BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA Nº Acórdão 3401002.857 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2009, 2010, 2011 CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITO DE PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. O conceito de insumo deve estar em consonância com a materialidade do PIS e da COFINS. Portanto, é de se afastar a definição restritiva das IN SRF nºs 247/02 e 404/04, que adotam o conceito da legislação do IPI. Outrossim, não é aplicável as definições amplas da legislação do IRPJ. Insumo, para fins de crédito do PIS e da COFINS, deve ser definido como sendo o bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente na produção de bens ou prestação de serviços, sendo indispensável a estas atividades e desde que esteja relacionado ao objeto social do contribuinte. (...) DESPESAS COM CURSOS E TREINAMENTOS. VINCULAÇÃO À ATIVIDADE. EXIGÊNCIA PREVISTA EM ATO ADMINISTRATIVO. INSUMOS. ENQUADRAMENTO. Cursos e treinamentos específicos, exigidos dos condutores que aturam no transporte de cargas, são apenas alguns daqueles necessários para a realização desta atividade. Sem condutores que tenham tal treinamento, bem como que sejam constantemente submetidos a cursos de reciclagem, o contribuinte não pode realizar sua atividade preponderante. A Resolução CONTRAN nº 227/97 "estabelece requisitos referentes aos sistemas de iluminação e sinalização de veículos". Para a adequação dos veículos a tais normas, os funcionários responsáveis pela manutenção dos veículos da empresa devem estar cientes destas e possuir o conhecimento técnico que somente pode ser adquirido com cursos específicos, sendo necessária a capacitação destes profissionais. Destarte, devem ser reconhecidos os créditos sobre despesas de cursos e treinamento, desde que estes sejam vinculados à atividade de prestação de serviço de transporte de carga, como é o caso de motoristas e mecânicos. (...) Mais essa glosa, portanto, deve ser revertida. Conclusão Diante do exposto, além do quanto consta no voto vencedor supra, voto igualmente por dar provimento ao presente recurso voluntário, para cancelar a glosa de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS, referentes a: i) Frete nacional de insumos importados e entre empresas; Fl. 1307DF CARF MF Processo nº 15504.724365/201271 Acórdão n.º 3402004.344 S3C4T2 Fl. 130 39 ii) Fretes relativos a produtos não identificados; iii) Treinamento sobre o funcionamento de equipamento da área industrial, tais como alto forno e laminação. Conselheira Thais de Laurentiis Galkowiz Fl. 1308DF CARF MF
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