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Numero do processo: 13749.720115/2013-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
IRPF. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE.
Sendo juntado aos autos autos documentos que comprovam o valor anual pago a planos de saúde, de forma discriminada para cada beneficiário, há que ser excluída a glosa dessa despesa
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-004.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para fins de restabelecer a dedução vinculada aos pagamentos realizados à Golden Cross, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora) e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Waltir de Carvalho
.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
(Assinado digitalmente)
Waltir de Carvalho - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a Conselheira Rosy Adriane Silva Dias.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 IRPF. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. Sendo juntado aos autos autos documentos que comprovam o valor anual pago a planos de saúde, de forma discriminada para cada beneficiário, há que ser excluída a glosa dessa despesa Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para fins de restabelecer a dedução vinculada aos pagamentos realizados à Golden Cross, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora) e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Waltir de Carvalho . (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora (Assinado digitalmente) Waltir de Carvalho - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a Conselheira Rosy Adriane Silva Dias.
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DESPESAS MÉDICAS Recorrente WALTER SARMENTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 IRPF. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. Sendo juntado aos autos autos documentos que comprovam o valor anual pago a planos de saúde, de forma discriminada para cada beneficiário, há que ser excluída a glosa dessa despesa Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para fins de restabelecer a dedução vinculada aos pagamentos realizados à Golden Cross, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora) e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Waltir de Carvalho . (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 72 01 15 /2 01 3- 45 Fl. 97DF CARF MF 2 Waltir de Carvalho Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a Conselheira Rosy Adriane Silva Dias. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS): Trata o presente processo de Notificação de Lançamento (fls.03 a 09) lavrada pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil Carlos Alberto do Amaral Azeredo no valor de R$ 6.411,52 consolidado em 15/04/2012, referente a Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, exercício 2012, em razão de trabalho de malha em que se apurou: · Dedução indevida de Previdência Privada e Fapi de R$ 2.474,40; · Dedução indevida de despesas médicas de R$ 29.836,44. O sujeito passivo foi intimado por via postal (fl.37) do lançamento em 11/03/2013. A impugnação de fls. 02 foi protocolada em 19/03/2013, na qual o sujeito passivo alega, em síntese, que apresenta os documentos comprobatórios das despesas glosadas. Ao final, solicita a extinção do crédito tributário lançado. Requereuse prioridade no julgamento conforme permite o Estatuto do Idoso. . A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) negou provimento à Impugnação (fls.45) , em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13749.720115/201345 Acórdão n.º 2202004.488 S2C2T2 Fl. 90 3 ESTATUTO DO IDOSO. PRIORIDADE DE JULGAMENTO. Comprovandose a situação de idoso, deve ser deferido o pedido de prioridade no julgamento. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. Não sendo carreados aos autos documentos que comprovem o valor anual pago a planos de saúde, de forma discriminada para cada beneficiário, há que ser mantida a glosa dessa despesa. CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI. EXTRATOS DE AGENDAMENTO DE PAGAMENTO. Extratos de agendamento de pagamentos não comprovam a efetividade destes, motivo pelo qual deve se mantida a glosa das deduções relativas à previdência privada. Cientificado (AR fls. 55), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls. 56), no qual requereu a juntada, em fase recursal, dos seguintes documentos: a) Faturas dos contratos coletivos com a Golden Cross (fls. 59/87) b) Declaração de que o Recorrente era o único beneficiário do plano (fl. 57) c) Comprovante de pagamento dos planos de previdência privada (fls. 58) É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A dedução tributária dos gastos incorridos com despesas médicas é tratado pelo art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, in verbis: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos àtributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas,psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames Fl. 99DF CARF MF 4 laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (grifamos) Nesse mesmo sentido, o previsto no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: "Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; II limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifamos) Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13749.720115/201345 Acórdão n.º 2202004.488 S2C2T2 Fl. 91 5 A decisão recorrida manteve parcialmente a glosa das despesas médicas efetuadas com base nos seguintes fundamentos: A GBOEX – Grêmio Beneficente, CNPJ 92.872.100/000126 é uma empresa que vende planos de previdência complementar, o que se comprova por meio de consulta pública ao CNAE constante sítio da internet da RFB: (...) Contudo, os extratos de agendamento de pagamentos não comprovam a efetividade destes, motivo pelo qual deve ser mantida a referida glosa. (...) No presente caso, foi glosada despesa médica referente a plano de saúde, em razão de o sujeito passivo não ter apresentado comprovante discriminando os valores por beneficiários, conforme havia sido requisitado via termo de intimação fiscal. Junto à impugnação o sujeito passivo apresentou a declaração de fl.23 prestada pela Associação Nacional dos Fiscais de Abastecimento e Preços. Contudo, esse documento não pode ser aceito para fins de comprovação das despesas pagas ao plano de saúde Golden Cross, pois caberia à operadora do plano emitir o documento que comprovasse o valor pago pelo sujeito passivo, discriminando os valores por beneficiário, conforme requisitado no termo de intimação fiscal. Intimada da referida decisão, a contribuinte, juntou, em fase recursal, os documentos de fls. 77/86 por meio dos quais procura sanar as objeções apontadas na decisão recorrida. O artigo 16 § 4º do Decreto 70.235/72 determina que "a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Todavia, esse Conselho, em razão do princípio do formalismo moderado, aplicável aos processos administrativos, tem admitido a juntada de provas em fase recursal como se verifica pelas ementas abaixo transcritas: "IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. Comprovada idoneamente, por demonstrativos de pagamentos de rendimentos, a retenção de imposto na fonte, ainda que em fase recursal, são de se admitir os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo Fl. 101DF CARF MF 6 moderado, não subsistindo o lançamento quanto aeste aspecto. Recurso provido" (Ac 2802001.637, 2ª Turma Especial, 2ª Seção, Sessão 18/04/2012) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72 deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, especialmente instrumentalidade das formas e formalismo moderado. O controle da legalidade do ato de lançamento e busca da “verdade material” alçada como princípio pela jurisprudência dessa Corte impõem flexibilidade na interpretação de regras relativas à instrução da causa, tanto no tocante à iniciativa quanto ao momento da produção da prova. Recurso voluntário provido para anular decisão de primeira instância." (Ac 1102 000.859, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 09/04/2013) "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72, que determina que a prova documental deva ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de se fazêlo em outro momento processual, deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, tais como o formalismo moderado e a busca da “verdade material”. A apresentação de provas após a decisão de primeira instância, no caso, é resultado da marcha natural do processo, pois, não tendo a decisão de piso considerado suficientes os documentos apresentados pelo contribuinte para a comprovação do seu direito creditório, trouxe ele novas provas, em sede de recurso, para reforçar o seu direito". (Ac 1102001.148, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 29/04/2014) A documentação juntada ao recurso voluntário (fls. 77/86) comprova a efetividade dos pagamentos realizados à GBOEX – Grêmio Beneficente, bem como a discriminação dos valores pagos à título de despesas médicas, sanando, portanto, as objeções apontadas pela decisão recorrida. Em face do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13749.720115/201345 Acórdão n.º 2202004.488 S2C2T2 Fl. 92 7 Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.003492/2004-24
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2000
MULTA ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
Numero da decisão: 1002-000.378
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2000 MULTA ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1194; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 52 1 51 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13811.003492/200424 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.378 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 11 de setembro de 2018 Matéria MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF Recorrente ROTISERIE E LATICÍNIOS PRATO PRONTO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2000 MULTA ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 34 92 /2 00 4- 24 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13811.003492/200424 Acórdão n.º 1002000.378 S1C0T2 Fl. 53 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I SP (DRJ/SPOI) mediante o Acórdão n.º 1611.484, de 07/11/06 (efls. 25 a 27). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] Por meio do Auto de Infração de fl. 04, o contribuinte acima identificado foi autuado e notificado a recolher o crédito tributário no valor de R$ 2.000,00, a título de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao 1°, 2°, 3° e 4° trimestre do ano calendário de 2000. O enquadramento legal consta da descrição dos fatos como artigo 113, § 3° e 160 da Lei n° 5.172/1966 (CTN); artigo 4° combinado com o artigo 2° da Instrução Normativa SRF n° 73/98; artigo 2° e 5° da Instrução Normativa SRF n° 126/98 combinado com item I da Portaria MF n° 118/84; artigo 5° do DL 2124/84 e artigo 7° da MP n° 18/01 convertida na Lei n° 10.426/2002. Não se conformando com o lançamento acima descrito, a interessada apresentou a impugnação de fl(s). 01 e 02, na qual alega, em síntese, o seguinte: que se trata de uma empresa de pequeno porte, lutando com grande dificuldade para se manter em atividade e cumprir com todas as obrigações tributárias e em especial as obrigações acessórias; que o Auto de Infração corresponde quase a um faturamento mensal da empresa; que em virtude da alteração na legislação, a partir de 1999, não ficou claro no texto legal, para que as empresas com débitos tributários inferior a R$ 10.000,00 fossem obrigadas a entrega das DCTF(s); que as DCTF(s) foram apresentadas espontaneamente, sem causar prejuízo de qualquer espécie tanto legal como tributário; que diante dos fatos acima descritos. Requer, seja o Auto de Infração “RELEVADO EM TODOS OS SEUS TERMOS”, por cumprida todas as exigências legais, por terem todos os tributos sidos integralmente recolhidos em seus respectivos vencimentos. A DRJ/SPOI negou provimento à impugnação, motivo pelo qual o contribuinte apresentou recurso voluntário (efls. 33 a 35) em 20/11/2007, basicamente repetindo a argumentação contida na impugnação, resumida abaixo: Que o impedimento legal para adesão ao SIMPLES, em razão de sua atividade, já lhe dispensaria da apresentação de DCTF; Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13811.003492/200424 Acórdão n.º 1002000.378 S1C0T2 Fl. 54 3 Que até 1999 a legislação dispensava as empresas da apresentação de DCTF quando os débitos tributários somados não atingissem R$ 10.000,00; Que a legislação pertinente à matéria a partir de 1999 não deixou claro que todos os contribuintes que apuravam IRPJ pelo Lucro Real ou Presumido estariam obrigados à entrega de DCTF; Que, quando o recorrente entendeu corretamente o texto legal, providenciou voluntariamente a entrega das DCTFs em atraso, não havendo reincidência depois; Que o recorrente nunca agiu com má fé ou dolo e que jamais recebeu um auto de infração, configurando o caráter primário que justificaria o perdão pelo julgador; Que não houve prejuízo para o Tesouro em razão da interpretação duvidosa ocorrida; Que o valor do tributo é vultoso, impossível de ser quitado, e que cumpriu "com a notificação da Receita Federal de forma voluntária", não tendo sido intimado para tal. Tendolhe sido desfavorável a decisão da DRJ, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário, apontando, em essência, as mesmas alegações da impugnação. Cabe registrar que o recorrente elenca todas suas alegações sob o título "PRELIMINARES", no entanto, todas correspondem a aspectos de mérito. É o relatório. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Passamos à análise dos fundamentos indicados para a reforma da decisão recorrida. O recorrente não se insurge quanto ao fato de ter havido efetivamente o atraso nas entregas das DCTFs, e a de que não há contestação, no recurso, quanto à legislação que prevê a multa por atraso ou falta de entrega de DCTF — o recorrente somente questiona aspectos legais ligados à obrigatoriedade da entrega, diante da singularidade da qual afirma revestirse. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13811.003492/200424 Acórdão n.º 1002000.378 S1C0T2 Fl. 55 4 A legislação em vigor à época dos fatos nos faz concluir contrariamente ao que aponta o recorrente, com relação à existência de imprecisão nos dispositivos aplicáveis. Vejamos abaixo os textos normativos que envolvem as circunstâncias relevantes do caso concreto: IN SRF n.º 126/98: (...) Art. 3º Estão dispensadas da apresentação da DCTF, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo: I as microempresas e empresas de pequeno porte enquadradas no regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; II as pessoas jurídicas imunes e isentas, cujo valor mensal de impostos e contribuições a declarar na DCTF seja inferior a dez mil reais; III as pessoas jurídicas inativas, assim consideradas as que não realizaram qualquer atividade operacional, nãooperacional, financeira ou patrimonial, conforme disposto no art. 4º da Instrução Normativa SRF Nº 28, de 05 de março de 1998; IV os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas. (...) IN SRF n.º 255/2002. (...) Art. 3º Estão dispensadas da apresentação da DCTF: I as microempresas e empresas de pequeno porte enquadradas no regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), relativamente aos trimestres abrangidos por esse sistema; II as pessoas jurídicas imunes e isentas, cujo valor mensal de impostos e contribuições a declarar na DCTF seja inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais); III as pessoas jurídicas que se mantiveram inativas desde o início do anocalendário a que se referirem as DCTF, relativamente às declarações correspondentes aos trimestres em que se mantiverem inativas; IV os órgãos públicos, as autarquias e as fundações públicas; V os consórcios constituídos na forma dos arts. 278 e 279 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976; Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13811.003492/200424 Acórdão n.º 1002000.378 S1C0T2 Fl. 56 5 VI os fundos em condomínio e os clubes de investimento que não se enquadrem no disposto no art. 2º da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. (...) A leitura dos trechos acima não denota quaisquer dúvidas a respeito de quem estava dispensado da apresentação de DCTF, o que põe por terra a pretensão do recorrente de submeter o atraso na entrega das DCTFs, em que incorreu, a um contexto de ambiguidade imposto por regras inconsistentes ou duvidosas. E não deixa dúvidas acerca de que o limite de dez mil reais se aplicava a pessoas jurídicas imunes e isentas, tão somente, o que não era o caso do recorrente. Assim, de fato, como já mencionado no acórdão recorrido, o efeito direto da transparência e ausência de contrastes ou inexatidões no texto normativo é a regência dos fatos pelo que determina o art. 3.º do DL n.º 4.657/42: "Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece". Noutra linha, o recorrente assinala que o fato de que não lhe ser permitido aderir ao SIMPLES, porque sua atividade não é admitida pela Lei, seria motivo suficiente para se concluir que estava dispensado de apresentar DCTFs. Nada mais equivocado. A lei (Lei n.º 9.317/96) limita a adesão ao SIMPLES visando aos interesses públicos que justificaram a criação desta metodologia simplificada de apuração e pagamento de tributos, não havendo qualquer referência na citada lei que remeta o raciocínio para que se interprete que todos aqueles que não possam se enquadrar em tal modalidade simplificada não precisem entregar DCTFs. Inclusive porque isso dispensaria a totalidade dos contribuintes de tal obrigação acessória, o que, em concreto, significaria revogar o dispositivo legal que instituiu a obrigatoriedade de apresentação de DCTF. Os aspectos ligados aos fatos de o recorrente ter providenciado voluntariamente a entrega das declarações em atraso, sem ter sido intimado para isso, e não ter incorrido em reincidência posteriormente, não correspondem a qualquer hipótese legal de dispensa do cumprimento da obrigação acessória em questão. E, se há alguma intenção afeta à sugestão da caracterização da entrega voluntária como a denúncia espontânea a que se refere o art. 138 do CTN, ainda que não haja essa fundamentação no recurso, se houvesse, caberia observar o que determina a Súmula CARF n.º 49: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Quanto às alegações de que não agiu com má fé ou dolo, e que por jamais ter recebido um auto de infração configurarse o caráter primário que justificaria perdão pelo julgador, importa lembrar que o fato que acarreta a aplicação da multa não se submete à análise de existência ou não de dolo ou má fé, e o artigo 180 do CTN, que trata de anistia, exige que esta seja implementada por lei, não podendo a autoridade administrativa afastarse dessa reserva legal. Por fim, a conjuntura econômica do sujeito passivo ao tempo da infração não se encontra amparada por lei como parâmetro a ser considerado no momento do lançamento tributário ou do julgamento administrativo, tampouco a alegada impossibilidade de quitação do Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13811.003492/200424 Acórdão n.º 1002000.378 S1C0T2 Fl. 57 6 montante, por ser vultoso, pode influir na atividade administrativa vinculada e obrigatória do lançamento, ou na atividade julgadora, que também se baliza pelo princípio da legalidade. Se há previsão legal para a sanção cominada, dispensável é também a verificação se teria havido ou não prejuízo para a Fazenda Pública. Pelo exposto, não existindo razões para afastar a incidência da multa por atraso na entrega das DCTFs, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Fl. 57DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.726444/2011-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/10/2009
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.
A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49.
A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal. sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10980.726362/2011-52, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente)
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrente COTRANS LOCACAO DE VEICULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/10/2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal. sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10980.726362/201152, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 64 44 /2 01 1- 05 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10980.726444/201105 Acórdão n.º 3302005.896 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de exigência decorrente de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, tendo como fundamento legal o art. 7° da Lei n° 10.246, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação, ressaltando, inicialmente, cerceamento ao seu direito de defesa, uma vez que o lançamento não contém de forma clara a descrição do fato e a indicação legal infringida, dificultando o oferecimento de impugnação consistente. Ressalta que trinta dias não é prazo suficiente para tudo analisar e verificar todas as perícias necessárias, para impugnar especificamente cada ponto. Disserta sobre o princípio do contraditório, citando doutrinadores. Realça que houve erro quanto ao enquadramento legal dos fatos, pois foi omitida a determinação da base de cálculo adotada pelo sistema fiscal, em ofensa ao art. 37, caput, da CF e art. 142, parágrafo único, do CTN. Alega transcurso do prazo decadencial entre parte dos fatos geradores do imposto e à formalização da exigência, já que os créditos considerados como rendimentos foram totalmente quitados, sendo que o lançamento somente foi efetivado após as exigências de cobrança, que, segundo esclarece, depois de transcorrido o prazo de lançados a documentação cobrada. Diz que nem sequer a regra decadencial seria a do 173 do CTN, em razão da multa agravada, eis que inexistem elementos caracterizadores do evidente intuito de fraude. Complementa que o simples fato de se tratar de tributação baseada em presunção da falta de cumprimento de uma obrigação acessória é suficiente, de per se, para afastar a acusada existência de dolo. Observa, ainda sobre o tema, da impossibilidade do agravamento da multa de ofício em matéria de omissão na entrega de documentação acessória pautada em presunção legal, discussão já superada no E. 1° Conselho de Contribuintes. Em um último ponto, pondera que se sobre o lançamento deve incidir acréscimos moratórios, calculados à razão da Taxa Selic, não pode prosperar, pois afrontam o art. 161, § 1°, do CTN, e art. 192, § 3°, da Constituição Federal. A Delegacia Regional de Julgamento considerou PROCEDENTE o presente lançamento, mantendo a exigência, nos termos do Acórdão nº 06040.034. O contribuinte cientificado do Acórdão de Impugnação ingressou com Recurso Voluntário alegando, em síntese: ü Da Denúncia Espontânea; ü Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10980.726444/201105 Acórdão n.º 3302005.896 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.880, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.726362/201152, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.880): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 26 de abril de 2013, por via eletrônica, às folhas 6.982 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 21 de maio de 2013, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. O Recurso Voluntário apresenta as seguintes questões: Da Denúncia Espontânea; Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. Passase à análise. Da Denúncia Espontânea. Sobre o assunto assim se manifestou o Recurso Voluntário (folhas 2 e 3): O Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172/66, ao instituir normas gerais a serem observadas pelo legislador ordinário na elaboração de leis de tributação, estabelece a exclusão da responsabilidade pela prática de infração, na seguinte situação: "Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo Único Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10980.726444/201105 Acórdão n.º 3302005.896 S3C3T2 Fl. 5 4 Assim, o contribuinte que se antecipa à ação do Fisco e denuncia espontaneamente a infração, não pode ser responsabilizado pela prática do ato contrário à legislação, devendo ainda, ser excluída toda e qualquer penalidade a ser imposta a quem desta forma agir. A infração ou ilícito tributário retrata, conforme referido acima, o comportamento humano contrário às prescrições das normas tributárias e, de acordo com o ensinamento do Prof. Sacha Calmon Navarro Coelho, resulta basicamente de: "a) não pagar o tributo previsto em lei ou de fazêlo a destempo ou a menos; b) praticar atos vedados pela lei tributária ou deixar de praticar atos obrigatórios, segundo esta mesma lei"\ O inadimplemento, total ou parcial, da prestação tributária ou o seu adimplemento a destempo ou, ainda, o descumprimento de deveres instrumentais, acarretam, pois, a imposição de sanções de natureza fiscal, que possuem duplo efeito: o intimidativo (psicológico) que visa evitar a violação do direito e; o repressivo, que se verifica após perpetrado o desrespeito à norma tributária. As sanções fiscais multa por falta ou insuficiência no pagamento de tributo ou por pagamento a destempo têm, portanto, natureza punitiva, sancionatória. O Supremo Tribunal Federal, em sua composição Plenária, decidiu que "não se distingue mais entre multa indenizatória ou punitiva, porquanto a indenização da mora se faz através dos juros e da correção monetária"2. Demonstrado que as multas fiscais têm sempre caráter punitivo, decorram elas da prática de infração material (não pagamento de tributo devido ou efetuado intempestivamente) ou de infração formal (descumprimento de obrigação acessória), é de se afirmar que, qualquer que seja sua espécie, estará abrangida pelo disposto no art. 138 do CTN. Quanto à aplicação da denúncia espontânea ao caso, observo que decisões reiteradas e uniformes proferidas neste Conselho foram consubstanciadas na Súmula CARF n° 49, de observância obrigatória pelos seus membros, por força do art. 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. O enunciado da súmula é o seguinte: Súmula CARF no 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente de atraso na entrega de declaração. Serviram de acórdãos paradigmas para ela, entre outros, os seguintes: · n° CSRF/0400.574, de 19/06/2007; Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10980.726444/201105 Acórdão n.º 3302005.896 S3C3T2 Fl. 6 5 · n° 19200.096, de'o6/10/2008; · n° 0709.410, de 30/05/2008; · n° 10196.625, de 07/03/2008; · n° 10516.674, de 14/09/2007; · n° 10809.252, de 02/03/2007. Cito as ementas: Acórdão CSRF/0400.574: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO PENALIDADE As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem vínculo direto com fato gerador de tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138 do CTN. Recurso especial provido. Acórdão 19200.096: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF EXERCÍCIO: 2005 DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN (precedentes CSRF). DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. CONFISCO. A penalidade pela entrega da declaração extemporaneamente não se caracteriza como tributo. Inaplicável, assim, o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988. Recurso negado. Acórdão 10709.410: Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2001, 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A entrega da declaração de IRPJ fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita à multa estabelecida na legislação de regência do tributo, posto que não ocorre a denúncia espontânea Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10980.726444/201105 Acórdão n.º 3302005.896 S3C3T2 Fl. 7 6 prevista no art. 138 do CTN, por tratarse de descumprimento de obrigação acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes. Acórdão 10196.625: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇAO DIPJ. A cobrança de multa por atraso na entrega de declaração tem previsão legal e deve ser efetuada pelo Fisco, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea se refere à obrigação principal, não se aplicando às obrigações acessórias, por não estar vinculado diretamente com a existência do fato gerador do tributo. Recurso Voluntário Negado Acórdão 10809.252: IRPJ MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Recurso negado. Verificase que o fundamento para não se aplicar a denúncia espontânea às declarações, nos acórdãos que serviram de paradigma para a edição da Súmula CARF n° 49, também justifica sua não aplicação ao caso presente, pois a apresentação do Dacon é obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. Tendo em vista que a vedação ao confisco tem seio em norma constitucional, na alegação da defesa de que a exação é confiscatória, implícita está a arguição de inconstitucionalidade da própria norma legal que prevê a penalidade, para afastar sua a aplicação no caso concreto. Entretanto, em face do modelo adotado em nosso sistema jurídico, a autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre inconstitucionalidade de normas legais, cabendo apenas executálas, não podendo negar aplicação à lei, sob argumento de que há conflito com a Constituição Federal. Com efeito, o órgão administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza, uma vez que exercício do controle da constitucionalidade, regulado pela própria Constituição Federal, é reservado ao Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa, conforme prevê a Lei Maior no Capítulo III do Título IV. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10980.726444/201105 Acórdão n.º 3302005.896 S3C3T2 Fl. 8 7 A presunção é que o Legislativo, antes de aprovar a lei tenha examinado eventual conflito com a Constituição Federal e chegado à conclusão de não haver tal contrariedade. Essa presunção somente sucumbe ante o pronunciamento judicial. Inadmissível é pretender que a autoridade administrativa descumpra a lei. Até aí não vai o seu poder, tendo em vista o alcance limitado do julgamento nessa esfera, que não pode se desviar dos estritos ditames legais, sendo vedado imiscuirse na competência do Poder Judiciário para examinar a constitucionalidade de normas. No mais, agasalhase o entendimento de que vem a ser essa uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se pode dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15521.000120/2008-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) verifique a procedência ou não da alegação de duplicidade na cobrança dos créditos tributários acima referidos, bem como seu estado atual nos respectivos processos administrativos de que foram objeto; (ii) confeccione Relatório Conclusivo da diligência, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; e (iii) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o Relatório Conclusivo e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) verifique a procedência ou não da alegação de duplicidade na cobrança dos créditos tributários acima referidos, bem como seu estado atual nos respectivos processos administrativos de que foram objeto; (ii) confeccione “Relatório Conclusivo” da diligência, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; e (iii) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo” e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente). Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 21 .0 00 12 0/ 20 08 -6 1 Fl. 1520DF CARF MF Processo nº 15521.000120/200861 Resolução nº 3401001.403 S3C4T1 Fl. 1.521 2 Tratase de autos de infração, situados às fls. 233 a 242 (PIS) e fls. 243 a 252 (Cofins), lavrados com a finalidade de formalizar a cobrança de PIS e Cofins não recolhidos, referentes a fatos geradores ocorridos de 06/2003 a 09/2003, 12/2005, 04/2006 e 11/2006, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros, totalizando, assim, os valores históricos de R$ 560.338,94 (PIS nãocumulativo), R$ 213.450,40 (Cofins cumulativo), e R$ 2.146.196,83 (Cofins nãocumulativo). Segundo se depreende do termo de verificação fiscal, situado às fls. 253 a 255, narra a autoridade fiscal que o procedimento apurou divergência entre os arquivos digitais apresentados e a DCTF, não tendo a contribuinte esclarecido a diferença apontada, o que motivou o lançamento de ofício, que levou em consideração os créditos na aquisição de bens e serviços, e as retenções na fonte, na data de sua contabilização. A contribuinte, intimada em 20/08/2008, apresentou, em 19/09/2008, a impugnação, situada às fls. 263 a 284, na qual argumentou, em síntese: (i) decadência dos períodos de 05/2003 até 07/2003; (ii) nulidade por ofensa ao princípio da verdade material, uma vez que a fiscalização não apreciou o razão analítico onde constam os estornos de débitos de PIS/COFINS realizados pela contribuinte para fins de registro contábil dos lançamentos de faturamento erroneamente efetuados, ou seja, indevidos; (iii) quanto aos lançamentos de 2003, houve recolhimento integral dos débitos de COFINS; (iv) a fiscalização não considerou os estornos de lançamento contábil do PIS; (v) pleiteia a realização de perícia para comprovar o faturamento do período de 2003; (vi) requer a compensação dos débitos de 2005 e 2006, com crédito de pagamento indevido, no total de R$ 1.219.496,00, em virtude de erro de classificação das receitas provenientes do contrato nº 186.2.030.031 celebrado com Petrobrás; (vii) requer que, caso não acolhidas as razões acima, seja realizada a compensação de ofício dos débitos em cobrança com os créditos de contribuição ao PIS, COFINS, IRPJ e CSL, que discrimina em suas razões recursais; e (viii) a realização de perícia. Em 26/07/2012, a 17ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) proferiu o Acórdão DRJ nº 1248.501, situado às fls. 1396 a 1403, de relatoria da AuditoraFiscal Valéria Cristina Lima da Silva, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, cancelando o crédito tributário relativo ao PIS do período de maio e de julho de 2003 e a COFINS dos períodos de junho e julho de 2003, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2003 a 30/09/2003, 01/12/2005 a 31/12/2005, 01/04/2006 a 30/11/2006 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inexiste ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório quando a contribuinte demonstra ter pleno conhecimento dos fatos imputados pela fiscalização, bem como da legislação tributária aplicável, exercendo seu direito de defesa de forma ampla na impugnação. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Fl. 1521DF CARF MF Processo nº 15521.000120/200861 Resolução nº 3401001.403 S3C4T1 Fl. 1.522 3 Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO A compensação de crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela RFB, passível de restituição ou ressarcimento, será efetuada mediante entrega de declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2003 a 30/09/2003, 01/12/2005 a 31/12/2005, 01/04/2006 a 30/11/2006 PERÍCIA. INDEFERIMENTO Compete à autoridade julgadora decidir sobre a realização de perícia, devendo indeferir sempre que considerar as pretendidas provas como prescindíveis ou impraticáveis, na forma do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A contribuinte, intimada da decisão em 11/11/2013, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção "Consulta Comunicados/Intimações", em conformidade com o termo de ciência situado à fl. 1418, interpôs, em 10/12/2013, em conformidade com o protocolo mecânico situado à fl. 1420, recurso voluntário, situado às fls. 1420 a 1430, no qual argumentou, em síntese, que: (i) os créditos tributários exigidos no presente processo também são objeto de cobrança em outros processos administrativos e, inclusive, já inscritos em dívida ativa, havendo, portanto, duplicidade na cobrança; (ii) os débitos de PIS de 09/2003 (R$ 301,81) e 11/2006 (R$ 11.316,78) e de Cofins de 09/2003 (R$ 548,75) e 11/2006 (R$ 52.200,01) não compõem o recurso voluntário e "(...) serão quitados pela ora recorrente". É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 1522DF CARF MF Processo nº 15521.000120/200861 Resolução nº 3401001.403 S3C4T1 Fl. 1.523 4 A contribuinte reconhece textualmente a procedência dos débitos de PIS de 09/2003 (R$ 301,81) e 11/2006 (R$ 11.316,78) e de Cofins de 09/2003 (R$ 548,75) e 11/2006 (R$ 52.200,01), tornandoos matéria incontroversa. Assim, a matéria que resta controversa, efetivamente devolvida à cognição deste colegiado, resumese à alegada duplicidade na cobrança de débitos tratados, segundo a recorrente, nos Processos Administrativos abaixo relacionados: Assim, necessário se verificar, preliminarmente, se a alegação é ou não procedente, o que demanda a análise de cada um dos débitos abaixo relacionados, em conformidade com as alegações situadas às fls. 1423 a 1425 das razões recursais dimanadas: Fl. 1523DF CARF MF Processo nº 15521.000120/200861 Resolução nº 3401001.403 S3C4T1 Fl. 1.524 5 Fl. 1524DF CARF MF Processo nº 15521.000120/200861 Resolução nº 3401001.403 S3C4T1 Fl. 1.525 6 Como se pode perceber, a decisão acerca do auto de infração lavrado, e sobre a procedência ou não do recurso voluntário interposto, depende da análise em referência, razão pela qual voto, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, por converter o presente feito em diligência, para que a unidade local adote as seguintes providências: (i) Verificar a procedência ou não da alegação de duplicidade na cobrança dos créditos tributários acima referidos, bem como seu estado atual nos respectivos processos administrativos de que foram objeto; (ii) Confeccionar “Relatório Conclusivo” da diligência, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; (iii) Intimar a contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo” e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 1525DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.924265/2009-17
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/07/2003
PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Os julgadores não estão obrigados a examinar todos os argumentos levantados pela defesa, bastando que as decisões proferidas estejam devida e coerentemente fundamentadas.
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. ART. 62, § 2º, DO RICARF.
O alargamento da base de cálculo das contribuições foi afastado em razão da declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei 9.718/98 proferida pelo STF na sistemática de repercussão geral.
O art. 62, § 2º, do RICARF determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do art. 543-B da Lei 5.869/73, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos.
LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. MATÉRIA NÃO ENFRENTADA PELA DRJ. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
O voto condutor do Acórdão recorrido demonstra que a análise do caso ateve-se à questão constitucional, não adentrando na aferição da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Assim, não pode este Conselho se manifestar acerca dessa matéria, pois significaria uma indesejável supressão de instância.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3002-000.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer que a inclusão de receitas financeiras na base de cálculo da COFINS tornou-se indevida pela declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei 9.718/98 e para determinar o retorno dos autos à DRJ a fim de realizar novo julgamento analisando a liquidez e a certeza do crédito pleiteado..
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/07/2003 PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Os julgadores não estão obrigados a examinar todos os argumentos levantados pela defesa, bastando que as decisões proferidas estejam devida e coerentemente fundamentadas. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. ART. 62, § 2º, DO RICARF. O alargamento da base de cálculo das contribuições foi afastado em razão da declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei 9.718/98 proferida pelo STF na sistemática de repercussão geral. O art. 62, § 2º, do RICARF determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do art. 543-B da Lei 5.869/73, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. MATÉRIA NÃO ENFRENTADA PELA DRJ. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O voto condutor do Acórdão recorrido demonstra que a análise do caso ateve-se à questão constitucional, não adentrando na aferição da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Assim, não pode este Conselho se manifestar acerca dessa matéria, pois significaria uma indesejável supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer que a inclusão de receitas financeiras na base de cálculo da COFINS tornou-se indevida pela declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei 9.718/98 e para determinar o retorno dos autos à DRJ a fim de realizar novo julgamento analisando a liquidez e a certeza do crédito pleiteado.. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1826; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 68 1 67 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.924265/200917 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.377 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 14 de agosto de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR COFINS Recorrente NACIOPETRO DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/07/2003 PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Os julgadores não estão obrigados a examinar todos os argumentos levantados pela defesa, bastando que as decisões proferidas estejam devida e coerentemente fundamentadas. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. ART. 62, § 2º, DO RICARF. O alargamento da base de cálculo das contribuições foi afastado em razão da declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei 9.718/98 proferida pelo STF na sistemática de repercussão geral. O art. 62, § 2º, do RICARF determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do art. 543B da Lei 5.869/73, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. MATÉRIA NÃO ENFRENTADA PELA DRJ. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O voto condutor do Acórdão recorrido demonstra que a análise do caso atevese à questão constitucional, não adentrando na aferição da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Assim, não pode este Conselho se manifestar acerca dessa matéria, pois significaria uma indesejável supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 42 65 /2 00 9- 17 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10980.924265/200917 Acórdão n.º 3002000.377 S3C0T2 Fl. 69 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer que a inclusão de receitas financeiras na base de cálculo da COFINS tornouse indevida pela declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei 9.718/98 e para determinar o retorno dos autos à DRJ a fim de realizar novo julgamento analisando a liquidez e a certeza do crédito pleiteado.. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório Reproduzse relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Trata o presente processo da Declaração de Compensação – DCOMP nº 25956.68168.280406.1.3.049339, por meio da qual a contribuinte em epígrafe, valendose de crédito de R$ 409,86, relativo ao DARF de Cofins cumulativa (código 2172), recolhido em 15/07/2003, no valor de R$ 481,73, extinguiu um débito IRPJ (código 3373), do 1º trimestre de 2006, com vencimento em 28/04/2006, no valor de R$ 596,35. Em 22/06/2009 foi emitido despacho decisório (rastreamento nº 842575339) de não homologação da compensação, pelo fato de que o DARF discriminado na DCOMP acima identificada estava totalmente utilizado para quitação do débito de Cofins do período de apuração de junho de 2003, não restando saldo de crédito disponível para a compensação do débito informado na DCOMP acima citada. Cientificada do despacho decisório em 01/07/2009 a contribuinte apresentou, em 15/07/2009, a manifestação de Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10980.924265/200917 Acórdão n.º 3002000.377 S3C0T2 Fl. 70 3 inconformidade na qual diz que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 no RE 357950, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Demonstra numericamente a origem do crédito e diz estar amparada pelo art. 170 do CTN. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e judicial, que entende pertinente ao caso, e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação." Analisando as argumentações da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba DRJ/CTA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se considerar nãohomologada a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 36/42), no qual requereu, preliminarmente, a nulidade do Acórdão recorrido e, subsidiariamente, a sua reforma, repisando fatos e argumentos já apresentados e acrescentando em sua defesa que é imprescindível que a Administração Pública observe o decidido pelo STF, na sistemática de repercussão geral, no RE nº 585.235, tendo em conta o disposto no art. 1º do Decreto nº 2.346/97 e no art. 62A do Regimento Interno do CARF. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10980.924265/200917 Acórdão n.º 3002000.377 S3C0T2 Fl. 71 4 A recorrente juntou cópias parciais do Livro Razão e da DIPJ 2004, assim como planilha de cálculo da COFINS. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, a contribuinte alegou que o Acórdão recorrido seria nulo, tendo em vista não terem sido apreciados todos os argumentos expostos na Manifestação de Inconformidade e, por isso, teria contrariado o disposto no art. 31 do Decreto nº 70.235/72. Nesse ponto não assiste razão à contribuinte. A princípio, se esclareça que, além da alegação de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3ª, da Lei 9.718/98, a qual ensejaria, em tese, o seu crédito, na Manifestação de Inconformidade, somente constam digressões sobre o direito genérico do contribuinte realizar compensações. Sendo certo que tal direito não foi negado pelo Despacho Decisório, o liame fundamental entre a razão de decidir e o inconformismo pela decisão se restringe à existência do crédito. Além disso, os julgadores não estão obrigados a examinar todos os argumentos levantados pela defesa, bastando que as decisões proferidas estejam devida e coerentemente fundamentadas. Não há que se falar em nulidade da decisão de primeira instância, quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972, como no caso dos presentes autos. Nesse mesmo sentido é a jurisprudência consolidada no âmbito no Superior Tribunal de Justiça – STJ. Como exemplo, cito decisão proferida, em 08/03/2012, no AgRg no AREsp 57508/RN: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. ART. 535 DO CPC. VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. 1. De acordo com os precedentes desta Corte, "(...) é de se destacar que os órgãos julgadores não estão obrigados a examinar todas as teses levantadas pelo jurisdicionado durante Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10980.924265/200917 Acórdão n.º 3002000.377 S3C0T2 Fl. 72 5 um processo judicial, bastando que as decisões proferidas estejam devida e coerentemente fundamentadas, em obediência ao que determina o art. 93, inc. IX, da Constituição da República vigente. Isto não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC." (REsp 1.283.425/MG, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 6/12/2011, DJe 13/12/2011). 2. O fato de a Corte Regional haver decidido a lide de forma contrária à defendida pelo recorrente, elegendo fundamentos diversos daqueles por ele propostos, não configura omissão ou qualquer outra causa de embargabilidade, pelo que se tem por afastada a tese de violação do disposto no art. 535 do CPC. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. (grifo nosso) Dessa maneira, afasta a preliminar de nulidade. Quanto ao alargamento da base de cálculo da COFINS, como foi alegado pela recorrente, com efeito, foi afastado em razão da declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei 9.718/98 proferida pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal na sistemática de repercussão geral no julgamento do RE 585.235, decisão abaixo reproduzida: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Por outro lado, o art. 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do art. 543B da Lei 5.869/73, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10980.924265/200917 Acórdão n.º 3002000.377 S3C0T2 Fl. 73 6 internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ......................................................................................................... § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Dessa forma, há que se reconhecer que a inclusão de receitas financeiras na base de cálculo da COFINS tornouse indevida, restando, portanto, superada a tese que embasou o Acórdão recorrido. Ademais, da simples leitura do voto condutor do Acórdão recorrido, constata se que, no julgamento da instância a quo, a análise do caso atevese à questão constitucional, não adentrando na aferição da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Assim, este Conselho não pode se manifestar acerca dessa matéria, pois significaria uma indesejável supressão de instância, a qual afrontaria o Direito ao Duplo Grau de Jurisdição. Dessarte, por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer que a inclusão de receitas financeiras na base de cálculo da COFINS tornouse indevida pela declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei 9.718/98 e para determinar o retorno dos autos à DRJ a fim de realizar novo julgamento analisando a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 73DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.721116/2015-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
PROVA INDICIÁRIA. VALIDADE.
A prova indiciária, cuja formação esteja apoiada em um encadeamento lógico de fatos e indícios convergentes, que examinado em conjunto levem ao convencimento do julgador, é um meio idôneo para justificar uma autuação.
COMPROVAÇÃO DE CUSTOS OU DESPESAS - NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESA INEXISTENTE.
Os documentos emitidos por pessoa jurídica inexistente de fato, apesar de constituída formalmente, consideram-se inidôneos, não se prestam para comprovar a efetiva realização dos serviços neles discriminado nem produzem quaisquer efeitos tributários em favor de terceiros.
DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. ART. 173, I DO CTN.
Constatada a existência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial submete-se à regra geral prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, ou seja, flui a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado.
MULTA QUALIFICADA DE 150%.
Nos lançamentos de ofício, aplica-se multa qualificada de 150% sobre a totalidade ou diferença do imposto não pago, quando caracterizados os casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964.
MULTA ISOLADA.
Do ano-calendário 2007 em diante, se não efetuado o pagamento da estimativa mensal, cabe a imputação de multa isolada sobre a totalidade ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do ano-calendário, mesmo que lançada a multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual.
IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA.
Uma vez não comprovada a causa ou motivação dos pagamentos realizados junto ao prestador do serviço, merece aplicação o art. 61 da Lei nº 8981/95, ficando estes sujeitos à incidência do IRRF à alíquota de 35%.
Numero da decisão: 1201-002.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão do limite de alçada, e, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Fabiano (relator), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa que afastavam a multa isolada. Designado o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar para redigir o voto vencedor em relação à multa isolada. Vencido o conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli que votava pela diligência em relação ao IRRF. Vencida a conselheira Gisele Barra Bossa que afastava a qualificação da multa em relação ao IRRF.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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VALIDADE. A prova indiciária, cuja formação esteja apoiada em um encadeamento lógico de fatos e indícios convergentes, que examinado em conjunto levem ao convencimento do julgador, é um meio idôneo para justificar uma autuação. COMPROVAÇÃO DE CUSTOS OU DESPESAS NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESA INEXISTENTE. Os documentos emitidos por pessoa jurídica inexistente de fato, apesar de constituída formalmente, consideramse inidôneos, não se prestam para comprovar a efetiva realização dos serviços neles discriminado nem produzem quaisquer efeitos tributários em favor de terceiros. DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. ART. 173, I DO CTN. Constatada a existência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial submetese à regra geral prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, ou seja, flui a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. MULTA QUALIFICADA DE 150%. Nos lançamentos de ofício, aplicase multa qualificada de 150% sobre a totalidade ou diferença do imposto não pago, quando caracterizados os casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. MULTA ISOLADA. Do anocalendário 2007 em diante, se não efetuado o pagamento da estimativa mensal, cabe a imputação de multa isolada sobre a totalidade ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 11 16 /2 01 5- 85 Fl. 2427DF CARF MF 2 apurado a cada mês do anocalendário, mesmo que lançada a multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. Uma vez não comprovada a causa ou motivação dos pagamentos realizados junto ao prestador do serviço, merece aplicação o art. 61 da Lei nº 8981/95, ficando estes sujeitos à incidência do IRRF à alíquota de 35%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão do limite de alçada, e, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Fabiano (relator), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa que afastavam a multa isolada. Designado o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar para redigir o voto vencedor em relação à multa isolada. Vencido o conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli que votava pela diligência em relação ao IRRF. Vencida a conselheira Gisele Barra Bossa que afastava a qualificação da multa em relação ao IRRF. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório Tratase da lavratura de autos de infração, referentes ao IRPJ, à CSLL e ao IRRF (fls. 984 a 1044), por meio dos quais foram formalizadas exigências de créditos tributários que somam R$67.168.387,60. Fora constatada a contabilização de despesas e custos com base em documentos inidôneos, os quais não se prestavam à comprovar a realização dos serviços nele discriminados, emitidos por pessoa jurídica inexistente de fato, apesar de constituída formalmente. Tais valores foram glosados. Além disso fora identificada a insuficiência de recolhimento de IRPJ de SCP. Por fim, detectaramse pagamentos sem causa ou a beneficiários Fl. 2428DF CARF MF Processo nº 13896.721116/201585 Acórdão n.º 1201002.462 S1C2T1 Fl. 3 3 não identificados, sob os quais incidiram o IRRF. Aos custos glosados e ao IRRF devido fora aplicada a multa qualificada, às demais infrações apenas a multa de ofício. Ainda há que se falar na aplicação da multa isolada incidente sobre a falta de pagamento de IRPJ e CSLL, incidentes sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução. Termo de Verificação Fiscal Talvez o principal ponto trazido no TVF (fls. 1047 a 1127) referese a fundamentação das glosas de custos e despesas com a locação de máquinas e equipamentos da autuada. Evidenciouse que a suposta locadora, a empresa LEGEND ENGENHEIROS ASSOCIADOS LTDA EPP, CNPJ n.º 07.794.669/000141, é pessoa jurídica que nunca existiu de fato, apesar de formalmente constituída. Com isso, concluiuse que as notas fiscais e recibos de locação de emissão desta entidade, apresentados pela fiscalizada, são inidôneos para a comprovação dos custos e despesas. Não havendo outros elementos que confirmem a locação, consideraramse os serviços não efetivamente realizados. Alguns das constatações e conclusões atingidas pela fiscalização no TVF foram reproduzidas pela autoridade julgadora de primeira instância, de modo que peço vênia para trazer nesta oportunidade alguns dos pontos cruciais ali delineados, no afã de transparecer todo o contexto em que se deu o procedimento fiscal, culminando na formalização do crédito tributário: “(...) Conforme respostas da fiscalizada, ela manteve relacionamento comercial sem a celebração formal de contrato com a empresa LEGEND ENGENHEIROS ASSOCIADOS LTDA EPP, CNPJ 07.794.669/000141, cujo objeto foi exclusivamente a locação desacompanhada de mão de obra dos seguintes equipamentos de titularidade da Legend (...) Foram apresentadas notas fiscais de prestação de serviços, recibos de locação e comprovantes de pagamentos entre o contribuinte e a empresa Legend referentes aos anoscalendários de 2010 a 2012 (fls. 600 a 751). Os documentos apresentados foram considerados inidôneos, porque emitidos por pessoa jurídica que não existe de fato, apesar de constituída formalmente, e cuja inscrição no CNPJ foi baixada no órgão competente, não produzindo, esses documentos, quaisquer efeitos tributários em favor de terceiros, por se caracterizarem como uma hipótese de inidoneidade, emitidos com o evidente intuito de fraude, conduta inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, como descrito nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964. A Legend faz parte de um grupo de empresas constituídas por Adir Assad e Marcello José Abbud, em nome próprio ou de interpostas pessoas com as quais têm fortes vínculos pessoais e profissionais, com o intuito de fraudar, sonegar e desviar recursos públicos, conforme entendimento compartilhado pela Fl. 2429DF CARF MF 4 Receita Federal, CPMI do Congresso Nacional, Polícia Federal (“Operação Monte Carlo”, “Operação Vegas” e “Operação Saqueador”), Justiça Federal (7a Vara Federal Criminal da Capital/RJ) (...) Tratase de empresa de fachada, que emite as Notas Fiscais como se tivesse prestado os serviços nelas discriminados, tentando dar um aspecto de legalidade ao negócio, mas que não têm capacidade operacional para prestar tais serviços ou para atender o objeto social. (...) A Legend não dispõe de local adequado para operar, não tem propriedade ou posse de máquinas, equipamentos e veículos para atender as locações contratadas, não tem funcionários e apresenta dados dispares dos que caracterizam as grandes empresas do mesmo ramo. (...) Ressaltase que nas DIPJ da Legend relativas aos anos calendários fiscalizados as linhas referentes a Estoques, Contas a Pagar, Compras de Mercadoria no Anocalendário e Compras Ativo Ano Calendário encontramse zeradas. (...) Na análise de extratos bancários da Legend Engenheiros Associados, em auditoria nela realizada, não foram encontrados pagamentos de despesas usuais em empresas de engenharia, terraplanagem ou locação de máquinas e equipamentos, tais como: pagamentos a funcionários ou prestadores de serviços pessoa física, aluguel de máquinas e equipamentos, aluguel de espaços físicos, pagamentos de luz, água, telefone, escritório de contabilidade, compra de combustível, peças e acessórios para manutenção das máquinas e equipamentos, pagamentos de mecânicos de manutenção ou empresas especializadas neste tipo de prestação de serviços, pagamentos de transporte de equipamentos, pagamentos de IPVA ou licenciamento de veículos, etc. Não é crível que a Legend realmente tenha prestado serviços de locação, com receita bruta anual superior a cem milhões, sem nunca ter tido em seus ativos as máquinas, equipamentos, veículos e caminhões para tal fim. (...) Intimada a apresentar documentos que indicasse a obtenção das máquinas e equipamentos necessários a execução dos serviços, tais como, notas fiscais de compra de máquinas e equipamentos, notas fiscais e contratos de locação ou arrendamento, contratos de prestação de serviços, medições dos serviços prestados, notas fiscais de movimentação dos equipamentos aos locais das obras, Fl. 2430DF CARF MF Processo nº 13896.721116/201585 Acórdão n.º 1201002.462 S1C2T1 Fl. 4 5 placas dos veículos e CRLV Certificado de Registro e Licenciamento de Veículos, nada foi apresentado. Houve diligências nas empresas que supostamente contrataram com a Legend, para as quais foi solicitado que apresentassem a documentação que identificasse esses veículos tais como, placas e CRLV – Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo, bem como identificação das máquinas e equipamentos, notas fiscais de transporte destes equipamentos, ou qualquer documento ou esclarecimento que pudesse comprovar que essas máquinas, equipamentos e caminhões estiveram em sua posse e que são provenientes da sociedade Legend Engenheiros Associados Ltda, mas nenhum conseguiu apresentar um único documento. O Detran informou, em resposta a consulta da fiscalização, que, em seus registros, foram encontrados 5 veículos em nome da Legend Engenheiros Associados Ltda, todos automóveis de luxo, de uso particular, que não se prestam para serviços de engenharia e terraplenagem (...) (...) No Relatório Final da CPMI, cujos trabalhos se encerraram em 19/12/2012, apurouse a constituição de uma série de “empresas inexistentes de fato”, entre as quais a Legend, apontadas como destino de recursos financeiros de diversas grandes empresas, que, muito provavelmente, servem para lavagem de dinheiro. Tais empresas foram constituídas e mantidas por interpostas pessoas, “laranjas”, e colaboradores com vínculos profissionais ou pessoais com os senhores MARCELLO JOSÉ ABBUD e ADIR ASSAD, verdadeiros responsáveis por estas sociedades. No mesmo Relatório da CPMI, consta que a ausência de funcionários inviabilizaria a prestação de serviço. Em decisão proferida no processo nº 0802315 42.2013.4.02.5101, o Juiz da 7a Vara Federal Criminal da Capital/RJ chega a mesma conclusão do Relatório da CPMI do Cachoeira, de que a Legend é uma das empresas vinculadas direta ou indiretamente aos empresários Marcello José Abbud e Adir Assad, que “apresentam como uma das características o fato de não possuir empregados registrados (RAIS zero), característica esta incompatível com empresas que movimentam considerável volume monetário e que atuam no ramo de construção civil e entretenimento” Naquele processo, foi autorizada a busca e apreensão nas empresas de fachada controladas por Marcello José Abbud e Adir Assad, e o compartilhamento dos dados obtidos na investigação com a RFB. (...) Fl. 2431DF CARF MF 6 Foram reproduzidas reportagens da mídia em geral que demonstram como empresas fantasmas foram utilizadas para simularem prestações de serviços para grandes construtoras do país, geralmente em grandes obras contratadas do setor público, com o intuito de desviarem recursos destas obras. (...) Não é viável ou factível que uma empresa que gerou uma Receita Bruta de 10 milhões em 2009, de 157 milhões em 2010, de 121 milhões em 2011 e de 8 milhões em 2012, com locação de máquinas, equipamentos e veículos, não possua ativos imobilizados em seu nome, não disponha de um único funcionário em toda a existência desta sociedade e nem de um local adequado para o funcionamento de uma empresa deste porte, para guarda e manutenção dos equipamentos supostamente locados, não tenha custos com manutenção, peças e etc., havendo, por fim, provas de seu envolvimento em esquemas de desvio de recursos de obras públicas. (...) As Notas Fiscais declaradas inidôneas pelo Fisco só produzirão efeitos tributários em relação a terceiros, se o tomador dos serviços comprovar a efetiva prestação destes. É necessário que haja elementos convincentes da efetividade da operação, mormente no caso de prestação de serviços. Para tanto, foi solicitado ao contribuinte que apresentasse vários documentos e esclarecimentos que pudessem comprovar a efetiva prestação de serviços, por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal de 22/01/2014, do Termo de Intimação Fiscal nº 1 – TIF 1, de 14/05/2014, e do Termo de Intimação Fiscal nº 2 – TIF 2, de 04/09/2014. (...) É sintomático que, nas respostas apresentadas pela TIISA, sempre usa argumentos evasivos e defensivos para a não apresentação de documentos, declarando que “inexiste exigência legal para a guarda dessa documentação”. (...) A verdade é que a empresa LOCATÁRIA (TIISA) não consegue comprovar a posse destes bens simplesmente porque tais Máquinas, Equipamentos e Veículos nunca foram locados, pois a empresa LEGEND nunca existiu de fato e nunca teve em sua posse tais equipamentos para que pudessem ser locados. (...) O artigo 304 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR (Decreto 3.000, de 26 de março de 1999) determina que as importâncias pagas ou creditadas sejam consideradas indedutíveis para fins de IRPJ e CSLL e que seja glosada a despesa ou o custo correspondente, quando não for comprovada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando Fl. 2432DF CARF MF Processo nº 13896.721116/201585 Acórdão n.º 1201002.462 S1C2T1 Fl. 5 7 não for identificado o beneficiário ou mesmo não individualizado o pagamento. (...) Os pagamentos efetuados à Legend foram deduzidos indevidamente como custos na apuração por estimativa, com base em balanços o balancetes de verificação ou suspensão, do IRPJ mensal e da CSLL mensal, nos anoscalendários de 2010, 2011 e 2012. Com a glosa dos custos indevidos, as bases de cálculo mensais foram recompostas, procedendose ao lançamento da multa prevista na alínea "b" do inciso II do art. 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, incidente sobre as parcelas de IRPJ mensal e CSLL mensal que deixaram de ser pagas. (...) No mês 12/2012 (DIPJ 2013 AC 2012) a empresa apurou CSLL a Pagar, com base em balancetes mensais de suspensão ou redução, Ficha 16/Linha 11, no valor de R$13.448,58. Acontece que, consultando a DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais de Dezembro/2012, retificadora, entregue em 14/03/2012, ND 100.2012.2015.1871324688, verificase que esse valor não foi declarado e nem recolhido no código de receita 236201. Por isto, ele não foi utilizado no quadro acima, para o cálculo da Multa de 50% exigida isoladamente, incidente sobre a diferença entre o valor calculado, com as glosas de custos e despesas, e o valor do pagamento mensal efetivamente recolhido (R$ 0,00). (...) Conforme § 1º do art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, todo pagamento efetuado ou recursos entregues por pessoa jurídica a terceiros ou a sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não se comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitarseá à incidência do imposto exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%. (...) A autuada utilizou um esquema de emissão de notas fiscais e recibos inidôneos, em tinha conhecimento, desde a contratação até o momento do lançamento em sua contabilidade, da falta de capacidade operacional da empresa contratada prestar os serviços declarados nos documentos fiscais. Houve um conluio, que é “o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando produzir os efeitos referidos nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964”, ou seja, sonegação e a fraude. Fl. 2433DF CARF MF 8 Em face de todos os fatos revelados nos autos, e tendo em vista o § 1º do art. 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, foi aplicada a multa qualificada, no percentual de 150%. (...) Na DIPJ 2013, AC 2012, ND 1137957, o contribuinte apurou, em junho de 2012, IRPJ a pagar de SCP de R$284.670,12 e, em setembro de 2012, de R$279.203,01. Nas DCTF de 2012, o contribuinte declarou e recolheu valores menores do que os apurados em DIPJ (...) Os valores de R$ 595,45 (Junho de 2012) e R$ 162.740,31 (Setembro de 2012) foram lançados no levantamento “Falta ou Insuficiência de Recolhimento do IRPJ a Pagar de SCP". Na DIPJ 2013, AC 2012, ND 1137957, Ficha 17 – Cálculo da Contribuição Social sobre Lucro Líquido, Linha 86, o contribuinte apurou uma CSLL a Pagar de R$ 585,13. Consultando a sua DCTF –Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais de Dezembro de 2012, retificadora, entregue em14/03/2012, ND 100.2012.2015.1871324688, constatamos que este valor não foi declarado e nem recolhido. Desta forma, procedeuse ao lançamento do valor de R$ 585,13, no levantamento “Falta de Recolhimento da CSLL a Pagar”. (...)” Impugnação Tempestividade Alega a Impugnante que apenas foi intimada (tomou ciência do conteúdo) do presente AI em 15.06.2015, quando da consulta efetuada no endereço eletrônico a ela indicado pela administração tributária. Diante desse quadro, sendo o prazo para a apresentação de Impugnação de 30 dias, contados a partir do primeiro dia útil seguinte à intimação (i.e., 16.06.2015, terçafeira), o prazo para o protocolo da peça de defesa exaurese no dia 15.07.2015 (quartafeira), razão pela qual afirmou afigurarse tempestiva, na forma da legislação em vigor. Erros materiais na apuração dos débitos exigidos e impossibilidade de glosa de despesas de SCP optante pelo lucro presumido. Glosa errônea de despesas relativas a pagamento inexistente, no valor de R$ 121 mil Constatase que em 12.01.2012, a Legend emitiu o Recibo n.º 288 contra a Impugnante, no valor de R$961.656,00, quitado mediante Transferência Eletrônica Disponível (“TED”) efetuada diretamente em conta bancária da Legend. Ato contínuo, em 12.01.2012, foram efetuados dois lançamentos contábeis, nas contas n.ºs 420200400010 (“Custos”) e 510200400010 (“Despesas Operacionais”), nos valores de R$121.000,00 e R$840.656,00, respectivamente, que totalizam R$961.656,00 (cf. Anexo 04). Fl. 2434DF CARF MF Processo nº 13896.721116/201585 Acórdão n.º 1201002.462 S1C2T1 Fl. 6 9 Concluiuse, então, que, conforme se depreende das fls. 986 e 988 dos autos, o Sr. Auditor Fiscal glosou “Despesas Operacionais” de R$961.656,00 em 12.01.2012, além de “Custos” de R$121.000,00, na mesma data. Impossibilidade de glosas de despesas de SCP optante pela sistemática do lucro Presumido Argumentase que o Recibo nº 52, de 27.01.2011, integrou os cálculos do IRPJ e da CSLL exigidos, o que seria um equívoco, por duas razões: (a.) em primeiro lugar, o AI teria auferido os tributos devidos pela Impugnante, e não pela SCP12, que têm apuração de lucros distinta; e (b.) o regime tributário aplicável seria o lucro presumido, que não comporta glosas de “despesas” consideradas indedutíveis. Cobrança de débitos quitados Alegase ainda que os valores exigidos de IRPJSPC dos meses de junho e setembro de 2012, nos valores de R$595,45 e R$162.740,31, respectivamente, foram quitados. Esses valores correspondem à diferença entre dados da DCTF e os da DIPJ. Decadência dos créditos de IRRF Na espécie, seria clara a aplicação do prazo decadencial prescrito no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Isso pois b) teria sido efetuada a antecipação de IRRF pela impugnante durante o anocalendário de 2010, tendo sido efetivados recolhimentos em diversos códigos de receita, como se depreende da DIRF relativa ao anocalendário de 2010 (Anexo 7); c) não haveria qualquer indício de dolo, fraude ou simulação que tivesse sido praticados por parte da impugnante, mas mera alegação infundada e desarrazoada O decurso do prazo quinquenal deveria, então, ser contado entre o momento do pagamento (termo inicial) e o momento da notificação do contribuinte a respeito do AI (termo final), segundo o impugnante. Tendo em vista que a ciência do auto de infração se deu em 15.06.2015, estaria caduca parcela dos créditos de IRRF, especificamente entre 04.01.2010 e 08.06.2010. Impossibilidade de se declarar a inaptidão com efeitos retroativos Alegase que a inidoneidade não teria efeitos retroativos, porque o ADE N.º 190, de 2014, não possui expressamente essa previsão, e a prática é vedada pelo artigo 43, §1º, I, ‘b’, da Instrução Normativa n.º 1.183/2011 e pela jurisprudência do STJ e do CARF. Na época em que teria realizado operações com a Legend, entre jan/2010 e dez/2012, quando as Notas Fiscais foram emitidas e os equipamentos locados, esta mantinha inscrição ativa e estava regularmente inscrita perante o CNPJ. Conclui a impugnante que os documentos fiscais emitidos contra a Impugnante eram idôneos, razão pela qual os débitos ora discutidos deveriam ser prontamente cancelados. Por não ter acesso às mesmas informações que a fiscalização, a Impugnante ressalva que não tem condições de se manifestar a respeito das acusações contra a Legend mencionadas no item 5 do TVF e que não tem conhecimento sobre seu faturamento, capital Fl. 2435DF CARF MF 10 social ou recolhimentos previdenciários. A requisição desse tipo de informação não seria usual na locação de bens. Comprovação das operações com Legend Para se demonstrar a regularidade de suas operações com a Legend, a Impugnante apresentou, no curso do processo fiscalizatório, os seguintes documentos: i. cópias das Notas Fiscais e Recibos emitidos pela Legend; ii. cópias dos respectivos comprovantes de pagamento, por TED; iii. “Planilhas de Medição de Locação de Equipamentos” elaboradas pela impugnante, indicando o local da obra, a natureza dos equipamentos mensalmente locados, o preço/hora etc.; iv. relatório analítico das contas contábeis, que registram as despesas relacionadas aos pagamentos efetivados pela Impugnante em favor da Legend, diretamente ou na qualidade de sócia ostensiva das SCP10 e SCP12. Assim, afirma que houve, sim, causa para os pagamentos realizados pela impugnante à Legend, comprovada pela farta documentação acostada à impugnação, sendo inaplicável a glosa de custos e despesas e a penalidade do art. 61, §1º, da Lei n.º 8.981, de 1995. A exigência, pela fiscalização, de documento tais como CRLV dos bens locados e registros internos com indicação da procedência, placas e identificação das máquinas e equipamentos seria absurda, porque não tem amparo legal, regulamentar ou na prática empresarial, nem são previstos na legislação específica nem na jurisprudência administrativa e do STJ. Alegase que os equipamentos, no momento de sua entrega pela Legend à Impugnante, eram acompanhados de um controle interno, contendo seus dados característicos (n.º de série, placa, principais características etc.), um recibo e, se fosse o caso, do CRLV (esse documento, ao contrário do que se alega no AI, aplicariase exclusivamente aos caminhões, e para fins de sua condução em vias públicas). Relevância da escrituração contábil como meio de prova Argumenta que, nos termos dos artigos 923 e 924 do RIR99, a escrituração contábil, mantida com observância das disposições legais, faz prova em favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Deste modo ressalta que o registro contábil deve, assim, ser observado por todos, e somente pode ser desconsiderado se comprovada sua irregularidade ou inexatidão, o que não se apontou na espécie. Impossibilidade de glosa dos custos e despesas correspondentes a pagamentos a Legend Atestase que o fundamento de que a Impugnante deveria ter arquivado documentos comprobatórios da posse do bem (v.g., recibos), é totalmente dissonante da jurisprudência pacificada do CARF, a qual, nos casos envolvendo a interpretação do artigo 217, parágrafo único, ou do 674, ambos do RIR99, sempre se manifestou no sentido de que a dedução dos custos e despesas seria autorizada desde que comprovada por QUALQUER meio hábil, sendo vedada a descaracterização de operações com fundamento em imaginários efeitos retroativos de ADE que, no seu artigo 3º, expressamente determina sua aplicação "ex tunc". Fl. 2436DF CARF MF Processo nº 13896.721116/201585 Acórdão n.º 1201002.462 S1C2T1 Fl. 7 11 Seria imperioso o reconhecimento da impossibilidade de glosa dos “Custos” e “Despesas Operacionais” incorridos pela Impugnante na contratação da Legend, porque (i.) todas as operações realizadas teriam sido devidamente comprovadas; e (ii.) a declaração de inidoneidade da Legend não possuiria efeitos retroativos perante a Impugnante, que sempre teria atuado de boafé, com a adoção de todas as providências exigidas por lei para o aproveitamento das despesas dedutíveis (exigência de documentos fiscais, demonstração de pagamento, realização dos correspondentes lançamentos contábeis etc.). Impossibilidade de exigência do IRRF Teria a impugnante comprovado cabalmente que o maquinário locado foi efetivamente disponibilizado pela Legend com a adequada emissão de documentação fiscal e apresentação de comprovante de pagamento. As notas fiscais e recibos, os comprovantes de pagamentos e as medições, à luz do Recurso Especial Repetitivo n.º 1.148.444/MG, seriam mais que suficientes para comprovar a efetividade das operações realizadas entre impugnante e Legend. Discorrese que a imposição de IRRF sobre os pagamentos “sem causa” representa, uma verdadeira “penalidade” imposta aos contribuintes. Adiciona que o art. 61 da Lei n.º 8.981 não impõe tributação a nenhum signo presuntivo de riqueza, porque mero pagamento sem causa não se enquadra nas hipóteses de aquisição de renda previstas no art. 43 do CTN. Conclui que se não há renda, o dispositivo instituiu penalidade, que visa a punir os pagamentos sem causa, em desrespeito ao art. 3º do CTN, que veda a utilização de tributo como sanção de ato ilícito. Impossibilidade de cobrança de multa isolada Alega o impugnante que deve ser afastada a multa isolada exigida com fundamento no artigo 44, II, ‘b’, da Lei n.º 9.430, de 1996, seja porque a jurisprudência do CARF consolidouse no sentido de que (i.) descabe a aplicação da multa isolada após o encerramento do anocalendário; seja porque (ii.) a multa isolada por ausência de recolhimento de estimativa não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual (cf. Súmula CARF n.º 105). Impossibilidade de majoração da multa de ofício para 150% Seria suficiente para o afastamento da multa de 150% as alegações de que os documentos da Legend são idôneos, porque o ADE 190 não teria efeitos retroativos, e de que não houve pagamento a um destinatário inapto, mas a sociedade inscrita no CNPJ. Traz ainda que não haveria diferença jurídica ou fática, em termos de caracterização de “sonegação” ou “fraude”, que justifique a imposição de multa majorada para “Custos” e multa padrão para dispêndios registrados a débito de “Despesas Operacionais”. Neste passo, seria imprescindível adotarse um procedimento coerente e padronizado, reduzindose para 75% todas as penalidades vinculados ao IRPJ e à CSLL. Para a aplicação da multa majorada seria exigida a comprovação de sonegação, fraude ou conluio, noções que envolveriam, necessariamente, a adoção de estratagemas para a redução da carga tributária de um determinado contribuinte. No caso, não Fl. 2437DF CARF MF 12 teria sido realizado esse “teste de culpabilidade”, exigido pelos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964. Alega a impugnante que limitouse a fiscalização federal a fazer alusões indiretas e não específicas, e a tecer alegações genéricas, amparadas na inidoneidade (não retroativa) da Legend, em notícias de jornais e nas investigações criminais vinculadas à “CPMI do Cachoeira”, com as quais a Impugnante não teria nenhuma relação e, inclusive, não foi nem sequer citada. Como já exposto, a impugnante entende que a cobrança do IRRF é ilegal e caracteriza penalidade dissimulada de imposto, porque o pagamento sem causa não constitui acréscimo patrimonial. Por esse motivo a multa qualificada deveria ser inadmitida. Conclui a impugnante argumentando que o fato de inexistir uma causa não pode, isoladamente, representar fundamento para a aplicação da multa majorada: deve, em qualquer caso, ser comprovada ocorrência de uma das hipóteses dos artigos 71 a 73 da Lei n.º 4.502/1964. Por fim, invoca a inconstitucionalidade da cobrança em patamar exorbitante, pugnando pela sua confiscatoriedade. Liminar em Mandado de Segurança – Processo nº 001450315.2015.403.6100 Em decisão liminar proferida nos autos do processo nº 0014503 15.2015.403.6100, que trata de Mandado de Segurança impetrado contra ato do Delegado Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo, foi determinado que a impugnação fosse recebida e processada como tempestiva. Acórdão nº 0269.301 2ª Turma da DRJ/BHE Em decisão de 05 de julho de 2016, a 2°Turma da DRJ/BHJE cancelou parte do lançamento fiscal, conforme dispositivo abaixo: Em face do exposto, voto por julgar parcialmente procedente a impugnação para: ∙ analisar a petição extemporânea como se fosse tempestiva, em cumprimento de determinação judicial; ∙ rejeitar a preliminar de nulidade; ∙ reduzir para R$4.992.730,02 o valor exigido a título de IRPJ, sobre o qual incidem multa de ofício, no valor de R$5.404.223,98, e juros de mora, na forma da legislação de regência; ∙ reduzir para R$2.476.979,23 o valor exigido a título de multa isolada por falta de pagamento de IRPJ mensal; ∙ reduzir para R$1.809.025,26 o valor exigido a título de CSLL, sobre o qual incidem multa de ofício, no valor de R$1.962.944,81, e juros de mora, na forma da legislação de regência; Fl. 2438DF CARF MF Processo nº 13896.721116/201585 Acórdão n.º 1201002.462 S1C2T1 Fl. 8 13 ∙ reduzir para R$711.467,42 o total exigido a título de multa isolada por falta de pagamento de CSLL mensal, no AI de fl 1.008; ∙ reduzir para R$206.429,57 o total exigido a título de multa isolada por falta de pagamento de CSLL mensal no AI de fl. 1.028; ∙ manter integralmente o valor exigido a título de IRRF, sobre o qual incidem multa de ofício de 150% e juros de mora, na forma da legislação de regência. Recurso Voluntário A presente peça recursal reproduz os exatos termos delineados na impugnação, aqui já exposta de forma minuciosa. A recorrente apenas deixa de se manifestar especificamente quanto aos erros materiais reconhecidos pelo v. acórdão recorrido, tendo sido excluídas as seguintes exigências: (i.) glosa de despesas relativas a pagamento inexistente, no valor de R$121.000,00; (ii.) glosa indevida de despesas de SCP optante pela sistemática do lucro presumido, no valor de R$831.377,78 (vinculada ao Recibo n.º 52, emitido em 27.01.2011, em favor da SCP12); (iii.) débito de R$595,45, relativo à IRPJ de jun./2012, supostamente devido na qualidade de sócia ostensiva da SCP19; e (iv.) débito de R$162.740,31, relativo à IRPJ de set./2012, supostamente devido na qualidade de sócia ostensiva da SCP16 Reitera, então, a aplicação do princípio da Verdade Material para que as exigências referidas em (i.) a (iv.) sejam definitivamente afastadas, em sede de Recurso de Oficio, pelos próprios fundamentos expostos no v. acórdão n.º 0269.301. Recurso de Ofício Foi apresentado Recurso de Ofício em razão de cancelamento de parte do lançamento fiscal. Desistência Parcial A Recorrente apresentou desistência parcial do Recurso Voluntário apresentado em razão de adesão ao PERT em relação aos débitos de IRPJ e CSLL que foram transferidos para outro processo administrativo. Permanecem em discussão os débitos de IRRF e multa isolada. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Recurso de Ofício Fl. 2439DF CARF MF 14 Em razão do atual limite de alçada previsto na Portaria MF n. 63/17 para fins de Recurso de Ofício e considerando que o valor da parte do crédito tributário que fora cancelada, não conheço do Recurso de Ofício. Recurso Voluntário Tempestividade A recorrente teve ciência do Acórdão de Impugnação nº 0269.301 2ª Turma da DRJ/BHE e da respectiva Intimação de Resultado do Julgamento na data de 17/10/2016. Dito isto, devem ser traçados os seguintes pressupostos: i) o prazo para interposição de Recurso Voluntário contra a decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) é de 30 dias, contados da sua ciência, nos ditames do art. 56 do Decreto nº 70.235/72; ii) a Regra Geral acerca da contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal é estabelecida pelo art. 5º, do Decreto nº 70.235/72, o qual determina que os prazos serão contínuos, excluindose, na contagem, o dia do início e incluindose o dia do vencimento. Deste modo, o início do prazo para interposição do presente recurso se deu em 18/10/2016 e o seu término concretizouse em 16/11/2016. A recorrente, então, intentou o protocolo na data de 16/11/2016 (as 17:30) via Portal ECAC, mas não obteve sucesso por impedimentos sistêmicos. Diante disso, encaminhouse a Unidade da RFB em 17/11/2016, munido de comprovante recebido por meio da Caixa Postal do eCAC (fls. 2379/2380), o qual indicava a inconsistência na recepção do documento enviado, uma vez que o processamento da solicitação de sua juntada teria excedido o limite de tempo de 1 hora. Conforme carimbo do CACPaulista (efetivado por “Decio Amorim Alves”), constante no “Recibo de Entrega de Arquivos Digitais” (READ) a fls. 2237, os documentos foram efetivamente entregues em 17/11/2016. A respectiva solicitação de juntada procedida pelo Ministério da Fazenda às fls. 2236 comprova a data da emissão dos documentos em 17/11/2016 (as 16:21), exatamente por “Decio Amorim Alves”. Nos ditames do Ato Declaratório Executivo Coaef nº 7, de 17 de maio de 2016, havendo indisponibilidade do PGS ou do Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (eCAC), o contribuinte obrigado ao uso do PGS, excepcionalmente, poderá se utilizar do atendimento presencial da RFB, para a entrega dos documentos digitais acompanhados do “Recibo de Entrega de Arquivos Digitais” (Read), gerado pelo “Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais” (SVA), e de cópia da tela do sistema do eCAC que comprove a indisponibilidade, devendo ser observado, no que couber, o disposto na Instrução Normativa RFB nº 1.412, de 2013. Uma maneira de demonstrar tal indisponibilidade, que comprove a impossibilidade de transmissão dos referidos documentos, pode ser a cópia da tela que indica mensagem de erro na caixa de mensagens do contribuinte, portanto. Exatamente nos moldes acima delineados dispõe o art. 2º, §2º e §3º (incisos I e II), da supracitada IN nº 1412/2013 (com a redação incluída pela Instrução Normativa RFB nº 1608/16): Fl. 2440DF CARF MF Processo nº 13896.721116/201585 Acórdão n.º 1201002.462 S1C2T1 Fl. 9 15 “Art. 2° A entrega de documentos digitais na forma prevista no art. 1º será efetivada por solicitação de juntada a processo digital ou a dossiê digital de atendimento, por intermédio da utilização do Programa Gerador de Solicitação de Juntada de Documentos (PGS) ou mediante atendimento presencial nas unidades de atendimento da RFB. § 1º Para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a entrega de documentos será realizada obrigatoriamente no formato digital de que trata o art. 1º, mediante a utilização do PGS. § 2º Havendo indisponibilidade do PGS, as pessoas jurídicas constantes do § 1º, excepcionalmente, poderão se utilizar do atendimento presencial da RFB para a entrega dos documentos digitais. § 3° A indisponibilidade de que trata o § 2º: I será caracterizada pela existência de falha no programa que impeça a respectiva transmissão; e II deverá ser demonstrada pelo contribuinte. (...)” A conduta da recorrente, neste caso, se mostra em total consonância com a legislação que disciplina a matéria, bem como com todas as assertivas aqui expostas. Demonstrouse cabalmente o erro sistêmico que impediu o protocolo da peça recursal dentro do prazo regulamentar (16/11/2016). O contribuinte, então, dirigiuse à Unidade da RFB (CAC Paulista) e juntou o “READ” e a respectiva tela comprovando o impedimento, formalizando, neste ato, o protocolo do recurso no prazo legal. Portanto a peça recursal interposta é tempestiva e encontrase revestida das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciada. Tendo em vista a desistência apresentada em relação aos débitos de IRPJ e CSLL, passo a analisar somente a matéria ainda em litígio, qual seja, a parcela referente ao IRRF e às multas isoladas. Glosa de Custos e Despesas Premissas deste Voto A controvérsia identificada nos autos cingese à análise contrapositiva entre os documentos comprobatórios trazidos pela recorrente e os indícios veementes/provas indiretas apontadas pela fiscalização. De um lado, a recorrente traz documentação robusta, supostamente atestando a legalidade da operação da locação de máquinas e equipamentos firmada junto à empresa LEGEND. Para tanto, colaciona: i) as notas fiscais e recibos emitidos pela prestadora do serviço (fls. 1802 a 1933); ii) os comprovantes de pagamento do serviço contratado (1802 a 1933); iii) os registros contábeis de toda a operação (fls. 1934 a 1941); iv) as Medições de Locação dos Equipamentos, mensalmente elaboradas (fls. 1954 a 2018). Fl. 2441DF CARF MF 16 De outro lado, a fiscalização elenca uma série de indícios veementes, robustos e fáticos que apontam numa mesma direção: a inexistência de fato da empresa LEGEND, desde sua constituição. Portanto, ainda que os documentos trazidos pela entidade ora recorrente indiquem a efetiva prestação do serviço, as evidências fáticas trazidas pela fiscalização invalidam tais registros, uma vez que atingem as bases concretas sob as quais estes se apoiam. A seguir serão delineados os principais indícios levantados pela fiscalização. A primeira questão controvertida dirigese ao inócuo endereço cadastral da entidade LEGEND. Identificou a fiscalização, em diligência, que em nenhum dos logradouros informados havia qualquer sinal de operação ou atividade. Após as intimações recorrentes aos sócios desta sociedade, e decorrido os prazos concedidos para que estes comprovassem onde a empresa se encontraria domiciliada, como prova da sua real existência, não foram apresentados quaisquer documentos ou esclarecimentos. Desta forma, em 28/04/2014, foi formalizada uma Representação Fiscal – Baixa de Ofício do sujeito passivo, com base no inciso I, § 1º do artigo 80 da Lei nº 9.430, de 27 de Dezembro de 1996. Mesmo cientificada da lavratura da Representação Fiscal – Baixa de Ofício, processo nº 13896.721020/201436 (LEGEND), a entidade não apresentou qualquer esclarecimento e nem adotou qualquer providência no sentido de regularizar sua situação cadastral, que se encontra na status de BAIXADA DE OFÍCIO, nos cadastros da Receita Federal do Brasil, com a publicação do Ato Declaratório Executivo nº 190/2014. Desta forma assim concluiu a fiscalização: “Em que pese todos os esforços e tentativas no sentido de localizar esta empresa ou seus responsáveis não foi possível identificar onde realmente está localizada. (...) São simples imóveis utilizados apenas com a finalidade de dar uma aparência de legalidade e normalidade às operações destas sociedades, embora uma análise superficial já permita concluir que tais locais não reúnem as condições minimamente necessárias ao funcionamento de empresas dedicadas ao aluguel de máquinas e equipamentos para a construção civil. (...)” Tal fato, por si, não seria capaz de patentear a inexistência de fato da empresa à época dos períodos autuados, mas os elementos a seguir expostos convergem para a concretização de tal assertiva. Elucidou a fiscalização que apesar da LEGEND ter uma elevada movimentação financeira, nos anos calendários de 2010 a 2012, não constam na base de dados da RFB quaisquer recolhimentos de contribuição previdenciária ou “informação, desde a constituição das empresas, de movimentação de segurados através da entrega das GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, ou mesmo retenções de imposto de renda na fonte declarada através de DIRF – Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte, relativo à prestação de serviços por empregados ou prestadores de serviços pessoa física (autônomos)”. Além disso, todas as RAIS – Relação Anual de Informações Sociais, estão negativas. Fl. 2442DF CARF MF Processo nº 13896.721116/201585 Acórdão n.º 1201002.462 S1C2T1 Fl. 10 17 Também mencionouse que em todas as DIPJ (Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica) destes anos calendários, a empresa declarou não possuir nenhum funcionário ou custos referentes às despesas com pessoal. No mesmo sentido, não perceberamse quaisquer indicativos ou registros de que esta empresa tivesse contratado uma outra Pessoa Jurídica que pudesse ter fornecido mão de obra temporária ou terceirizada. A soma destes fatos leva a constatação irretorquível de que inexistiram vínculos empregatícios ou prestadores de serviços (pessoa física ou jurídica) à disposição desta entidade, em qualquer momento. Desde a constituição da sociedade LEGEND, vale ressaltar, não existe nenhuma informação que evidencie a contratação de funcionários ou prestadores de serviços, participantes ativos da atividade operacional da entidade. Uma vez que sua atividade está atrelada ao nicho de construção civil, cuja a operação normal depende da posse ou propriedade de máquinas, equipamentos e caminhões, não há como se supor a inexistência de funcionários dandolhes efetividade e utilidade. Aqui, os indícios voltados para a inexistência de fato da empresa LEGEND tomam corpo. Em total alinho às constatações da fiscalização, o pressuposto de ausência de empregados gera certa dúvida quanto ao efetivo e ativo funcionamento da empresa. Ainda ressalta a fiscalização, no entanto, alguns outros fatores percebidos na entidade que fogem completamente à ordinária e corriqueira lógica sob a qual as empresas deste ramo costumam atuar. Para tanto, fora elaborado um quadro que compara os dados obtidos na DIPJ da LEGEND com as mesmas informações identificadas em outras empresas, cuja atuação remete ao segmento de aluguel de máquinas e equipamentos, da cidade de São Paulo, e que possuem os CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) 71.120/00 – Serviços de Engenharia e 43.134/00 – Obras de Terraplenagem semelhantes. As disparidades são latentes, tanto no que se refere aos investimentos/imobilizados, quanto aos custos incorridos e ainda, obviamente, ao número de funcionário, vejamos: A análise promovida pela fiscalização deve então ser reproduzida, por se mostrar muito contundente: “(...) 5.17. Podemos verificar analisando o Quadro acima que duas grandes empresas similares a LEGEND ENGENHEIROS ASSOCIADOS LTDA EPP. – CNPJ: 07.794.669/000141, que Fl. 2443DF CARF MF 18 atua no segmento de locação de máquinas e equipamentos, necessitaram de 124 e 319 funcionários no ano calendário de 2009, 142 e 321 funcionários no ano calendário de 2010, 227 e 400 funcionários no ano calendário de 2011 e 158 e 345 funcionários no ano calendário de 2012 para obterem uma Receita Bruta inferior a desta sociedade. Enquanto uma grande empresa do setor teve como Custos e Despesas de Pessoal montantes da ordem de R$ 5.000.000,00 a R$ 10.000.000,00 a LEGEND ENGENHEIROS ASSOCIADOS LTDA EPP. – CNPJ: 07.794.669/000141 nestes mesmos períodos declarou não ter estes custos ou despesas, pelo simples fato de não serem necessários, já que estas empresas não existem de fato, emitiram Notas Fiscais Inidôneas, e principalmente não prestaram os serviços ali discriminados. Outro fato interessante analisando o Quadro acima é que empresas do setor de locação de máquinas e equipamentos para gerar a Receita Bruta acima discriminada possuem em seu Ativo Permanente, na linha de Equipamentos/Máquinas/Veículos valores lançados da mesma ordem de grandeza da sua própria Receita Bruta, e a LEGEND ENGENHEIROS ASSOCIADOS LTDA EPP. – CNPJ: 07.794.669/000141 não possuiu Equipamentos/Máquinas/Veículos em sua posse ou em seu nome. Voltamos a frisar, não é viável ou factível que uma empresa que gerou uma Receita Bruta de 10 milhões em 2009, de 157 milhões em 2010, de 121 milhões em 2011 e de 8 milhões em 2012 não possui ativos imobilizados em seu nome, não disponha de um único funcionário em toda a existência desta sociedade, e nem de um local adequado para o funcionamento de uma empresa deste porte, (...) (...)” Além dessas anormalidades e atipicidades citadas, ressaltouse que nas DIPJ’s desta empresa, relativas aos anos calendários fiscalizados, as linhas referentes a “ESTOQUES, CONTAS A PAGAR, COMPRAS DE MERCADORIA e COMPRAS ATIVO ” encontravamse zeradas. A fiscalização ainda constata que a LEGEND nunca teve em seus ativos máquinas, equipamentos, veículos e caminhões. Atinge tal afirmação mediante resposta do DETRAN informando que foram encontrados apenas 5 (cinco) veículos nos seus registros em nome da entidade pública. Quanto a este ponto, conquanto, deparase com indício dotado de pouca veemência, uma vez que, à época dos períodos aqui autuados, não havia disposição expressa no CTB ou em qualquer legislação específica do Estado de São Paulo, definindo a obrigatoriedade de registro de aparelhos automotores destinados a puxar ou a arrastar maquinaria de qualquer natureza ou a executar trabalhos de construção ou de pavimentação, perante os órgãos de trânsito competentes. A única possível contestação seria quanto a inexistência de caminhões, cujo o registro é obrigatório, afirmação sob a qual se mantém o indício que converge para inexistência fática da própria empresa, a qual certamente necessita de veículos deste porte para os transportes inerentes à atividade de construção civil. Fl. 2444DF CARF MF Processo nº 13896.721116/201585 Acórdão n.º 1201002.462 S1C2T1 Fl. 11 19 Mantémse, quanto aos outros maquinários, a conclusão de que a ausência de registro perante o DETRAN não justifica de modo inequívoco a inexistência dos ativos imobilizados no patrimônio da empresa LEGEND. No entanto, em contrapartida a fiscalização logo em seguida traz à tona outro quadro, donde elenca as principais empresas que tomaram serviço da LEGEND, evidenciando a quantidade de máquinas/equipamentos/veículos que teria que dispor a entidade para suprir a demanda dos instrumentos locados: Aproveitandose os outros indícios levantados, reforçouse a definição, nesta oportunidade compartilhada, de que é improvável que esta empresa possa operar com estes supostos números de maquinários em sua posse e: i) não dispor de um quadro de funcionários compatíveis; ii) não possuir um local apropriado e seguro para guardar e fazer a manutenção destes equipamentos; iii) não ter custos como de manutenção, de combustíveis, de peças e acessórios, etc, Compulsando a análise dos extratos bancários da LEGEND as conclusões não oscilam. Ficou comprovado que nos débitos efetuados por esta empresa não se encontram pagamentos para a manutenção operacional de qualquer empresa de engenharia ou terraplenagem, tais como, pagamentos a funcionários ou prestadores de serviços pessoa física, aluguel de máquinas e equipamentos, aluguel de espaços físicos, pagamentos de luz, água, telefone, pagamentos a escritórios de contabilidade. Também não foram localizados alguns outros pagamentos necessários, basilares e, além, essenciais para que uma empresa que atua neste nicho sustente sua atividade operacional normalmente, tais como, compra de combustíveis, peças e acessórios para manutenção das máquinas e equipamentos, pagamento de mecânicos de manutenção ou empresas especializadas neste tipo de prestação de serviços, pagamentos de transporte de equipamentos, pagamentos de IPVA ou licenciamento de veículos, etc. Do conjunto de todos os indícios atingidos até então, atesta a fiscalização que a LEGEND “é uma empresa de fachada, sem capacidade operacional de prestar os serviços discriminados no seu objetivo social, ou seja, pessoa jurídica que não existe de fato, e que apesar de constituída formalmente, não possuiu existência real, e que cuja inscrição no CNPJ foi considerada e declarada BAIXADA de ofício no órgão competente”. A entidade fora alvo de investigação por outros três órgãos do Poder Público, sob outras circunstâncias e ocasiões, que culminaram nas mesmas definições aqui atingidas: Fl. 2445DF CARF MF 20 Uma CPMI apurou a existência de uma série de “empresas controladas por interpostas pessoas, inexistentes de fato”, apontadas pela Polícia Federal, pela imprensa, pelos relatórios do COAF – Conselho de Controle de Atividades Financeiras, e confirmadas por diversos documentos e provas ali relatados, como destino de recursos financeiros de diversas grandes empresas, dentre elas a LEGEND. Da leitura das conclusões do Relatório Final da CPMI do Cachoeira, não restaram dúvidas de que não existiria viabilidade econômica e patrimonial para o funcionamento desta sociedade, bem como que a total ausência de funcionários da empresa LEGEND “inviabilizaria a prestação de serviço, concluise que, muito provavelmente, a empresa serve como empresa interposta de fachada para a lavagem de dinheiro, pois, até que se prove o contrário, não pode justificar o lucro auferido”; Conforme relatos retirados da decisão judicial proferida pelo MM. Juiz Federal Substituto no exercício da Titularidade da 7a Vara Federal Criminal da Capital / RJ, Dr. Eduardo de Assis Ribeiro Filho, no processo nº 080231542.2013.4.02.5101, este magistrado também chegou às mesmas conclusões apresentadas por esta auditoria e pelo trabalho no Congresso Nacional com a apresentação do Relatório Final da CPMI, de que a LEGEND, assim como outras empresas investigadas, “apresentam como uma das características o fato de não possuir empregados registrados (RAIS zero), característica esta incompatível com empresas que movimentam considerável volume monetário e que atuam no ramo de construção civil e entretenimento”. Em relação às investigações conduzidas pela Polícia Federal dentro da “Operação Monte Carlo”, “Operação Vegas” e “Operação Saqueador”, algumas empresas, dentre elas a LEGEND, apesar de reiteradamente intimadas não apresentaram nenhum documento ou informação que pudessem identificar seus veículos, máquinas e equipamentos. São indícios veementes, advindos de três órgão independentes entre si, os quais, em diligência, atingiram as mesmas conclusões alcançadas por sta fiscalização, no sentido da patente inexistência fática da empresa LEGEND. Apenas à título ilustrativo, estas investigações elencadas acabaram se aprofundando e identificaram, na realidade, uma organização criminosa, da qual faziam parte inúmeras empresas da construção civil, dentre elas a LEGEND, todas lideradas por ADIR ASSAD E MARCELLO JOSÉ ABBUD, os reais responsáveis pelas sociedades, visando o desvio de recursos de obras públicas. A fiscalização, então, colaciona, inúmeras reportagens noticiando e evidenciando este esquema fraudulento, especialmente a figura destes dois empresários e sua conduta dolosa. Até aqui, então, são transparecidos inúmeros indícios apontando para um mesmo sentido. Todos os fatos compartilhados indicam que a empresa LEGEND era inexistente de fato e que operava, ocultamente, de modo simulatório e fraudulento. Especificamente quanto a cada um destes indícios não se manifesta a recorrente, limitandose a argumentar que, por não ter acesso às mesmas informações que a fiscalização, estaria incapacitada de se posicionar a respeito das acusações contra a LEGEND mencionadas no item 5 do TVF e que não teria conhecimento sobre seu faturamento, capital social ou recolhimentos previdenciários. No entanto, acaba levantando a questão da irretroatividade da declaração de inaptidão formalizada por intermédio do ADE n.º 190/2014. Fl. 2446DF CARF MF Processo nº 13896.721116/201585 Acórdão n.º 1201002.462 S1C2T1 Fl. 12 21 Ocorre que, conforme se demonstrou cabalmente, os indícios apontam para a inexistência de fato da empresa LEGEND desde sua constituição, o que engloba, portanto, o período aqui autuado. Neste ponto, deve prevalecer a aplicação do princípio da verdade material: as provas colacionadas aos autos devem superar as formalidades que se concretizaram, de modo que os indicativos patenteando a inexistência da entidade desde sua constituição prevaleçam sobre a eventual impossibilidade de propagação de efeitos pretéritos da ADE nº 190/2014. Tal questão de ordem formal não deve prosperar, sob pena de contaminar o atingimento da verdade, do que realmente ocorreu faticamente, em última instância, comprometendo a formalização da justiça nesta demanda. Aliado aos pontos cumulados, há que se destacar que a própria recorrente (TIISA) coleciona denúncias de improbidade administrativa. Destaquese, o presente julgador não compactua com tais suspeitas e, de modo nenhum atesta a veracidade de tais fatos, cumprindo aqui apenas a intenção de juntar o maior número de elementos para otimizar a formação da ratio decidendi. Pois bem. A relação comercial da recorrente com a LEGEND envolvia maquinário a ser utilizado em diversas obras públicas, dentre elas, a prestação de serviços à VALEC Engenharia, Construções e Ferrovias S.A., referente à execução de obras civis de infraestrutura e superestrutura ferroviárias e obras de arte especiais na Ferrovia NorteSul. Recentemente, no entanto, a TIISA teve bloqueado R$ 56 milhões por conta de irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas da União e pelo Ministério Público Federal na construção do Lote 5S, justamente, da Ferrovia Norte Sul, com 141 quilômetros de extensão, no trecho entre a ponte sobre o rio Arantes, em Minas Gerais, e a cidade de Estrela D'Oeste, na região de Jales, em SP. Após a ação civil proposta pelo Ministério Público Federal em Jales (SP) ser deferida pela Justiça Federal (processo nº 000122450.2016.403.6124), o desembargador Fábio Prieto, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, negou recurso da TIISA e manteve indisponível o valor bloqueado da companhia. Para este, a medida seria necessária para recompor dano aos cofres públicos. A Tiisa, também estaria supostamente envolvida no escândalo do “Trensalão”. O Ministério Público do Estado de São Paulo ofereceu denúncia (acusação formal) encaminhada à 12ª Vara Criminal, contra 14 representantes de empresas que compõem o consórcio vencedor da licitação para a construção da Linha 5 – Lilás, do Metrô. A denúncia, formulada pelo promotor de Justiça Marcelo Batlouni Mendroni, do Grupo de Atuação Especial de Repressão à Formação de Cartel e à Lavagem de Dinheiro e de Recuperação de Ativos (GEDEC) atribui ao grupo a prática de cartel, que caracteriza crime contra a ordem econômica. Entre as empresas denunciadas está a ora recorrente, como vencedora do Lote 5. A denúncia aponta que a atuação do cartel causou, em apenas 4 dos lotes licitados, prejuízos de cerca de R$ 232 milhões aos cofres públicos. Ainda apurouse que foram propostas no Tocantins ações civis de improbidade administrativa contra empresários e empreiteiras responsáveis pela execução das obras da ferrovia no estado. Uma das ações propostas é contra a Construtora Tiisa – Triunfo Fl. 2447DF CARF MF 22 Iesa InfraEstrutura SA e seu presidente, Mário Pereira, referente à execução do lote 15, trecho entre o Córrego Chicote, (Km 1.029,89) e o Rio Canabrava, (Km 1.095,71). Veja, devese ter claro que estes elementos são apenas mais indícios apontando para uma operação simulada entre a recorrente e a LEGEND. De certa forma, é possível presumirse o perfil das empresas e o modo como estas atuam neste mercado. No entanto, os prenúncios que evidenciam a inexistência fática da LEGEND, exclusivamente, devem prevalecer e serem perpetuados para a análise que segue. Basicamente o racional até então perpetrado cingese a prevalência de apenas um viés probante: os indícios aqui apontados são fortes e veementes pois norteiam fatos verídicos, palpáveis e verificáveis materialmente. Os registros contábeis e os comprovantes comerciais juntados pela recorrente, por outro lado, cingemse a uma representação, a qual, ainda que necessariamente deva ser verossímil e fidedigna, segundo as melhores práticas, pode, sob a vontade daquele que a representa (o representante), ser alvo de distorções. Vale aqui a velha máxima, “contra fatos não há argumentos”, mas contra representações dos fatos abrese margem para interesses pessoais, interpretações convenientes e finalidades desviantes. Em filosofia, uma representação é uma entidade que está por outra entidade, ou, uma coisa que está por outra coisa. O representacionismo é uma corrente filosófica que afirma que a representação deixa de habitar a proposição que figura fatos da realidade. Logicamente que os padrões contábeis e jurídicos, de um modo geral, positivam uma uniformização desta representação, a fim de que fatos contábeis idênticos sejam registrados e formalizados de formas idênticas. Proporcionase aos usuários da informação, como um todo (aqui incluído o Fisco), o vislumbre concreto da verificabilidade e da comparabilidade, princípios norteadores da ciência contábil. Ocorre que, a par de todo o exposto, o fato evidenciado pelos indícios da fiscalização (i) é diferente daquele representado e refletido nas documentações apresentadas pela recorrente (ii). A distinção se dá no passo em que, enquanto o primeiro (i) se apoia em fatos comprovados, o segundo (ii) se restringe a veracidade pela representação, pura e simplesmente, não colacionando aos autos a comprovação efetiva dos fatos representados. Deveras, os registros contábeis e os documentos comerciais aqui acostados, procuram representar um fato não ocorrido e não vislumbrado concretamente. Do mesmo modo também são as planilhas referentes as Medições de locação, as quais, em consonância com a intenção formalizada por meio dos outros documentos, pode facilmente ser demonstrada de acordo com os interesses e a adequação da recorrente. No ponto em que as provas se chocam, ou seja, na veracidade e validade da operação, os indícios devem prevalecer pois apontam para apurações reais, identificadas através de seguidas diligências, enquanto a documentação da recorrente perfaz apenas uma representação e pode, facilmente, mascarar o que deveria efetivamente demonstrar. Devemos ressaltar que não deixam de ser indícios também a contabilidade e a escrituração comercial apresentadas pela recorrente. Porém, são elementos documentais que apesar de convergentes ideologicamente, divergem dos fatos reais apurados pela fiscalização. Fl. 2448DF CARF MF Processo nº 13896.721116/201585 Acórdão n.º 1201002.462 S1C2T1 Fl. 13 23 No confronto entre dois blocos de indícios convergentes apontando para lados opostos, deve prevalecer aquele que tem lastro em fatos concretos. A recorrente não evidenciou os fatos. Conforme já salientado, quedouse inerte ou limitouse a alegar questões de ordem formal, incapazes de demonstrar a plena atividade da LEGEND e, consequentemente, a idoneidade e efetividade da prestação de serviços com esta firmada. De outro modo, a fiscalização trouxe aos autos indícios veementes, baseados em concretudes e percepções reais, inclusive, algumas delas, fornecidas e produzidos pela própria recorrente, através das informações veiculadas pelas declarações fiscais e previdenciárias, confrontadas com constatações apuradas após a realização de diversas diligências in loco. A prevalência da prova indiciária ou indireta (por inferência lógica), aliás, é tema amplamente discutido pelo CARF, que já tem precedentes validando o racional aqui seguido: PROVA EMPRESTADA. PROVAS INDICIÁRIAS. VALIDADE. É válido o emprego no processo administrativo tributário de prova emprestada, bem como de provas indiciárias, cujo valor probante dependerá da quantidade e da consistência dos indícios. (Acórdão nº 1301002.205 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária – Sessão de 14/02/2017) PROVA INDICIÁRIA. As provas trazidas pela fiscalização são norteadoras para a resolução da controvérsia. A prova indiciária, cuja formação esteja apoiada em um encadeamento lógico de fatos e indícios convergentes, que examinado em conjunto levem ao convencimento do julgador é um meio idôneo para justificar uma autuação. (Acórdão nº 1201001.294 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Sessão de 21/01/2016) PROVA INDICIÁRIA. JUÍZO DE INFERÊNCIA. Para que o juízo de inferência resulte em verdade convincente é necessário que a base indiciária, plenamente reconhecida mediante prova direta, seja constituída por uma pluralidade de indícios, interrelacionados, de modo a que se reforcem mutuamente, que não percam força creditória pela presença de outros possíveis contra indícios que neutralizem a sua eficácia probatória, e que a argumentação sobre que assente a conclusão probatória resulte inteiramente razoável em face de critérios lógicos do discernimento humano. (Acórdão nº 3301003.630 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária – Sessão de 23/05/2017) Fl. 2449DF CARF MF 24 Portanto, das provas juntadas aos autos e de todo o quanto exposto, há que se reconhecer a inidoneidade das notas fiscais emitidas por empresa inexistente de fato (LEGEND) e, assim, a procedência das respectivas glosas de despesas e custos advindos da operação de locação. Triunfa aqui a aplicabilidade do caput do art. 217 do RIR/99, restando patente a inefetividade do quanto disposto em seu parágrafo único. Vejamos: “Art. 217. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários, em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido considerada ou declarada inapta (Lei n º 9.430, de 1996, art. 82). Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços (Lei n º 9.430, de 1996, art. 82, parágrafo único).” A legislação é clara no sentido de afirmar que o lançamento destes supostos custos ou despesas depende de provas robustas quanto a efetiva prestação dos serviços. A documentação apresentada pela recorrente, no entanto, não cumpriu com tal função. Ademais, devese ressaltar que a conduta da recorrente voltada a satisfação de seu próprio interesse acaba ocultando a real destinação das verbas supostamente transferidas e assim ludibria o fisco, embaçando sua real percepção quanto a formação da base de cálculo do IRPJ, da CSLL e do IRRF. Tal ponto, no entanto, será melhor delineado nos tópicos a seguir, restando demonstradas aqui as premissas deste voto. IRRF – Pagamento sem causa Ato contínuo, agiu perfeitamente a fiscalização ao aplicar o art. 61 da Lei nº 8981/95 e art. 674 do RIR/99, uma vez que não foi comprovada a causa ou motivação dos pagamentos realizados junto a LEGEND, ficando estes sujeitos à incidência do IRRF à alíquota de 35%. A impossibilidade fática de ocorrência da operação de prestação de serviços, diante da patente inexistência efetiva da prestadora, traz a total incerteza quanto ao destino das verbas pagas e para que fim estas se destinavam, caracterizandoas como pagamentos sem causa e ativando a incidência do IRRF nos termos ora delineados. Invocar, contudo, que referidos preceitos legais não seriam aplicáveis, uma vez que perfazem, em verdade, uma penalidade, é argumento que não merece prosperar. De fato, o tomador do serviço (a fonte pagadora), não emite qualquer signo representativo de capacidade contributiva. No entanto, a legislação ordinariamente elenca este pólo da relação como o responsável pela retenção do tributo, em clara sistemática de substituição tributária. Fl. 2450DF CARF MF Processo nº 13896.721116/201585 Acórdão n.º 1201002.462 S1C2T1 Fl. 14 25 Tal mecanismo fora criado no afã de atender a princípios de racionalização e efetividade da tributação, de modo a simplificar os procedimentos de satisfação da obrigação tributária, otimizando os meios de arrecadação e financiamento da atividade estatal ao passo em que reduz as possibilidades de inadimplemento. Portanto, deveras, a recorrente, como tomador do serviço, não aufere qualquer vestígio de riqueza (renda, acréscimo patrimonial ou rendimento), mas, presumidamente, por ser o elo financeiramente mais robusto da relação, em alinho com o acima exposto, é responsável pelo recolhimento do tributo, nos ditames de expressa determinação legal. Firmados esses pressupostos, enviesados equivocadamente pela recorrente, concluir que a incidência de IRRF prevista no art. 61 art. Lei nº 8981/95 perfaz patente penalidade, afrontando o quanto disposto no art. 3º do CTN, soa incabível e, além, foge da alçada deste Conselho. Ora o art. 3º do CTN veda a utilização de tributo como sanção de ato ilícito. Referida alegação da recorrente colocaria em choque frontal a disposição deste dispositivo com o art. 61 Lei nº 8981/95, escancarando a inconstitucionalidade de um ou de outro, por se patetear verdadeiro antagonismo dentro de um mesmo sistema jurídico. É cediço, no entanto, que não cabe ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei, conforme entendimento sumulado: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Assim é que deve se manter a exigência do IRRF nos termos do art. 61 da Lei nº 8981/95, dispositivo em plena vigência e eficácia no pátrio ordenamento jurídico. Decadência Firmada a procedência dos lançamentos de IRRF, cuja a elucidação se deu em tópico imediatamente anterior, cabenos analisar a decadência suscitada pela recorrente em relação a cobrança deste tributo. De pronto, no entanto, devemos afirmar que merece aplicação o art. 173, inciso I do CTN. Independentemente de ter ocorrido a antecipação ou não do pagamento do tributo, o fato é que, validando todo o raciocínio meritório deste voto, a conduta da recorrente fora eivada de dolo, simulação e fraude. Tal assertiva será melhor delineada em tópico posterior (relativo à aplicação da multa qualificada), mas aqui nos cabe a constatação de que a recorrente distorceu seus registros contábeis no afã de mascarar e ocultar a real destinação dos montantes transferidos à empresa LEGEND, com isso reduzindo indevidamente a base de cálculo do IRPJ, da CSLL e do IRRF. Eis a dicção legal do supracitado dispositivo: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 2451DF CARF MF 26 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; A recorrente argui a consumação da decadência quanto aos períodos de 04.01.2010 e 08.06.2010. Nos ditames do referido dispositivo legal, para os fatos geradores ocorridos em 2010, o prazo se iniciaria em 01.01.2011 e esvairseia em 31.12.2015. A ciência da lavratura do presente AIIM foi efetuada no dia 15.06.2015 (fls. 1237), portanto, dentro do prazo decadencial. Não há que se falar na decretação da decadência, de modo que não acato as alegações suscitadas pela recorrente neste ponto. Multa Qualificada Também não merece qualquer reparo a penalidade qualificada aplicada. A multa no patamar de 150% vem amparada no art. 44, §1º da Lei nº 9.430/96: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...)” Na concretude deste caso, o enquadramento da qualificação da penalidade se deu nos termos do art. 71 da Lei nº 4502/64, evidenciando a conduta da recorrente como sonegatória: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária”: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” As premissas adotadas neste voto são suficientes para ratificar a sonegação como um fim ou uma consequência dos atos praticados pela recorrente. Fl. 2452DF CARF MF Processo nº 13896.721116/201585 Acórdão n.º 1201002.462 S1C2T1 Fl. 15 27 Os indícios levantados pela fiscalização apontam para uma conduta dolosa do contribuinte, ou seja, concluiuse que este teria atuado no claro intuito de simular uma operação que tinha outros contornos reais. Houve, assim, uma distorção das condições pessoais do contribuinte e especialmente da entidade com a qual formalizou a prestação de serviços (LEGEND). Tal situação impactou, naturalmente, na obrigação tributária principal. A recorrente, em consonância com suas alegações convergindo para a validade da operação, deduziu os custos e despesas operacionais da base de cálculo do IRPJ e da CSLL e ainda deixou de recolher o IRRF devidamente (conforme o art. 61 da Lei nº 8981/95). Ocorre que tal validade fora maquiada através das documentações apresentadas, de modo que retardouse a atuação da autoridade fazendária na identificação dos montantes reais devidos pela contribuinte. Veja, ao estabelecer um contrato com empresa inexistente de fato e registrar as respectivas despesas e custos dali advindos, como se existente fosse, a recorrente incorreu em prática essencialmente sonegatória, no evidente intuito de ludibriar a atuação do Fisco, tanto no que concerne a efetiva destinação e finalidade dos recursos, quanto ao efetivo lucro real auferido nos anoscalendário de 2010, 2011 e 2012. Quaisquer alegações que coloquem em xeque a validade do art. 44, §1º da Lei nº 9.430/96, não merecem ser aqui apreciadas, uma vez que desafiam constitucionalidade de dispositivo em plena vigência e eficácia. Aqui devese reiterar a incompetência do CARF para dirimir tais questões, de acordo com entendimento sumulado (Súmula nº 2). A multa qualificada é de fato devida, uma vez evidenciado que a conduta da recorrente visou, direta ou indiretamente, a sonegação fiscal. O certo é que houve dolo quanto a real operação de prestação de serviços, de modo que a distorção formalizada impactou diretamente no cerceamento do conhecimento das bases tributáveis por parte da fiscalização. De fato, merece razão o v. acórdão recorrido quanto a distinção indevida da multa sobre glosa de despesas, indicando que o percentual de 150% se aplica a todos os valores exigidos de IRRF, CSLL e IRPJ relacionados aos pagamentos à LEGEND. No entanto, no mesmo sentido da conclusão atingida pela autoridade julgadora quanto a este ponto, não tem este Conselho competência para agravar o lançamento, mantendose a exigência intacta. Diante de todo o exposto, rejeito as alegações da recorrente e mantenho a aplicação da multa qualificada. Multa isolada Neste ponto a recorrente alega que a aplicação concomitante de (i.) multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre bases estimadas; e (ii.) multa de ofício lançada conjuntamente com o tributo, quando ambas tiverem por base o mesmo fato apurado em procedimento fiscal, é totalmente ilegítima, por se tratar de “bis in idem”. De fato, deve prosperar tal assertiva. Fl. 2453DF CARF MF 28 O v. acórdão recorrido dispõe, em sentido contrário, que a hipótese de incidência de cada uma das multas é distinta. A da multa isolada seria a falta ou insuficiência de recolhimento do tributo devido por estimativa, enquanto a da multa proporcional seria o lançamento de ofício do tributo efetivamente devido em face do resultado anual. Ocorre que, lançando um olhar voltado à lógica sistemática de apuração do lucro real anual, temos que os recolhimentos insuficientes das antecipações das estimativas mensais impactarão, de certo, no total a pagar apurado no ajuste anual. As pessoas jurídicas que optaram pelo lucro real anual, com recolhimentos mensais por estimativa, pura ou monitoradas (balanços mensais), deverão apurar o IRPJ e a CSLL em 31 de dezembro, com a finalidade de determinar o imposto e a contribuição social efetivamente devidos em todo o ano calendário. Tornase cristalino que a falta de pagamento das estimativas mensais será abarcada pelo ajuste anual, que refletirá esta insuficiência. Deste modo, como a multa de ofício incide sobre a falta de recolhimento apurado nos anoscalendário de 2010,2011 e 2012, acaba abarcando também as evidentes insuficiências percebidas mensalmente. Uma vez encerrados os períodos e promovido o ajuste anual, no saldo do tributo a recolher estão intrínsecos aqueles valores não pagos durante os meses antecedentes. Deve ser colacionada a conclusão atingida pela recorrente, neste sentido: “a multa isolada decorrente da falta ou insuficiência de recolhimento de antecipações mensais de IRPJ e CSLL apenas se justificaria quando exigida dentro do próprio período de apuração [exercício] das estimativas que deixaram de ser recolhidas, pois, encerrado o anocalendário, a exigência de recolhimento mensal deixa de ter eficácia, prevalecendo a exigência apurada com base no balanço patrimonial [e fiscal] encerrado em 31.12.” Há, sem sombra de dúvida, a penalização dupla sobre um mesmo objeto. Ademais, o posicionamento dominante adotado pelo CARF culmina exatamente nesta assertiva: IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO CONCOMITANTE DA MULTA DE OFÍCIO E DA MULTA ISOLADA. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (Acórdão nº 1301002.532 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Sessão de 26/07/2017) MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da Fl. 2454DF CARF MF Processo nº 13896.721116/201585 Acórdão n.º 1201002.462 S1C2T1 Fl. 16 29 segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal. Lançamento procedente em parte. (Acórdão nº 1401001.990 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária – Sessão de 25/07/2017) MULTA ISOLADA APLICADA CUMULATIVAMENTE COM A MULTA DE OFÍCIO. Não cabe a aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, quando calculados sobre os mesmos valores, apurado em procedimento fiscal (AC. 140200.377 no DOU de 16.05.11, 110300.304 no DOU de 19.04.11, 180300.822 no DOU de 19.05.11, 1201 00.358 no DOU de 27.04.11, 130100.143 no DOU de 02.09.11) (Acórdão nº 1401001.347 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Sessão de 26/11/2014) A concomitância das multas de ofício e isolada sobre um mesmo fato não deve prosperar, sendo prevalecente a primeira, nos moldes ora delineados. Deste modo, voto por validar as alegações da recorrente e proceder a exclusão da incidência da multa isolada. Aproveitase o ensejo apenas para manter o quanto decidido no v. acórdão recorrido, no que concerne ao erro material procedido pela fiscalização em relação aos débitos de CSLL anual do exercício de 2013. Identificouse que o valor não pago da CSLL anual apurada na DIPJ é igual a R$ 13.448,58, a fiscalização pretendeu exigir R$585,13, mas, por um lapso, lançou a R$52,66. No entanto àquela autoridade julgadora e também à essa não remanesce competência para agravar o lançamento, razão pela qual está mantida a exigência neste ponto específico. Recurso de Ofício Uma série de erros materiais foram apontados pela recorrente, todos identificados e atestados pela autoridade julgadora, a qual procedeu as devidas exclusões. Faço minhas as considerações expostas no v. acórdão recorrido, nesta oportunidade reproduzindo as conclusões ali atingidas: “(...) Contudo, confirmamse erros a corrigir. Anocalendário 2011 Erro na Glosa de Custos Valor Pago por SCP No TVF, consta que foram segregados os pagamentos efetuados pela TIISA à Legend na condição sócio ostensivo de SCP, pois apenas os que foram lançados na sua contabilidade foram glosados. Um dos pagamentos por SCP, no valor de Fl. 2455DF CARF MF 30 R$831.377,78, com data de 27/01/2011, foi inadvertidamente incluído entre os glosados. Tal pagamento aparece no Anexo 1, fl. 956: No quadro 15 do TVF, fl. 1103, o autuante já tinha identificado a conta acima como sendo da SCP012: Também no documento de fls. 798, o mesmo pagamento é relacionado entre os efetuados pelas SCP em 2011: Esse pagamento encontrase entre os listados nos AI de IRPJ e de CSLL (fls. 987 e 1010). Deve, pois, ser deles excluído, conforme requerido na impugnação. Anocalendário 2012 Erro na Glosa de Despesas Nos autos de infração de IRPJ e de CSLL, foi glosada despesa operacional no valor de R$961.656,00, com data de 12/01/2012, quando o correto é R$840.656,00. De fato, o valor do Recibo de Locação e do TED é R$ 961.656,00 (fl. 722, 723). Ocorre que parte desse total, no valor de R$121.000,00, foi contabilizado em conta de custo; os R$840.656,00 restantes, em conta de despesa. Nos Autos de Infração, foram equivocadamente glosados custos de R$121.000,00 mais despesas de R$961.656.00 (fls. 988 e 1011). Fl. 2456DF CARF MF Processo nº 13896.721116/201585 Acórdão n.º 1201002.462 S1C2T1 Fl. 17 31 Conforme fl. 789, os valores pagos a Legend que foram deduzidos na apuração do lucro líquido na DIPJ somam R$ 6.296.836,24. Eles estão contidos nos valores deduzidos nas linhas 36 da fica 04A e 04 da ficha 05A da DIPJ, conforme se segue: Esse é o total a ser glosado. Do Anexo 01, fls. 957 a 958, concluise que ele é composto dos seguintes pagamentos: (...)” Em decorrência destas exclusões, foram também corrigidas também os valores respectivos das multas aplicadas: “(...) Não obstante, há de se corrigir o valor das multas exigidas, em razão dos erros de glosa comentados no item anterior desse voto: glosa de custo do anocalendário 2011, atribuído à SCP, no valor de R$831.377,78; glosa a maior de despesas do ano calendário 2012, no valor R$121.000,00. Também há de se corrigir a multa por falta de pagamento de CSLL de dezembro de 2012, lançada em auto de infração específico (fl. 1028). Conforme TVF, a estimativa de dezembro de 2012 informado na ficha 16 da DIPJ, no valor de R$13.448,58, não foi confessada em DCTF nem paga. Essa acusação não foi contestada na impugnação. Assim sendo, referido valor não foi excluído da CSLL mensal apurada pela Fl. 2457DF CARF MF 32 fiscalização, no cálculo da multa de 50%. Ocorre que houve recolhimento de código 2484 referente a dezembro de 2012, no valor de R$585,13, por meio do DARF juntado pelo impugnante no Anexo 06, fl. 1282. Este ultimo valor deve ser excluído da base de cálculo da multa em questão. (...)” Neste ponto evidenciamos apenas que a exclusão da multa isolada incidente sobre a totalidade das estimativas de IRPJ e CSLL, aqui evidenciada, não atinge, portanto, os débitos de dezembro de 2012 relativos exclusivamente à CSLL estimativa, por já terem sido excluídas na ocasião da decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância. Segue delineando outros erros a autoridade julgadora: “(...) IRPJ SCP Junho de 2012 Foi exigida diferença de IRPJ no valor de R$595,45, assim demonstrada: Para os débitos acima, confirmamse as seguintes compensações: O total dos débitos compensados é R$ 284.670,12 (170.620,84 +114.049,28), tal como informado em DIPJ. Apesar de não informada em DCTF, a diferença exigida foi compensada. Portanto, a exigência não se mantém, quanto a este quesito. IRPJ SCP Setembro de 2012 Fl. 2458DF CARF MF Processo nº 13896.721116/201585 Acórdão n.º 1201002.462 S1C2T1 Fl. 18 33 Foi exigida diferença de IRPJ no valor de R$162.740,31, assim demonstrada: O impugnante alega erro no preenchimento da DIPJ e que os valores corretos foram informados em DCTF, conforme resumo abaixo: No Anexo 5, fl. 1278, apresentase quadro em que se pretende demonstrar o valor correto do débito. Abaixo agrupamse os dados do referido quadro com os da DCTF e da DIPJ; Verificase que há identidade entre os valores da DIPJ e da DCTF referentes aos débitos de CSLL, embora nessas declarações não se tenha computado débito de CSLL referente à SCP012. Partindose das mesmas receitas que serviram de base para o cálculo da CSLL, apuramse os débitos de IRPJ. Fl. 2459DF CARF MF 34 Confirmase, assim, que, para a apuração do valor informado em DIPJ: a) não foi computado débito da SCP012, no valor de R$47.257,10, confessado em DCTF, e; b) foi considerado valor maior para o débito da SCP016 (R$273.996,55, em vez de R$63.999,14). O valor do débito da SCP016 informado na DCTF decorre de dedução de IRRF no valor de R$ 209.997,41 (vide quadro acima). Sendo compatível com retenções informadas em DIRF por fontes pagadoras (fls. 2051 a 2058), admitese a dedução incluída no Anexo 5 da impugnação. Acolhemse, pois, as alegações do impugnante quanto a este quesito, para exonerálo da exigência. (...)” Não há qualquer reparo a ser feito nas correções feitas pela autoridade julgadora de primeira instância, todas procedidas em alinho às informações constantes das declarações fiscais da recorrente e às glosas formalizadas pela fiscalização. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para, no MÉRITO, CONCEDERLHE PARCIAL PROVIMENTO, excluindo a aplicação da multa isolada sobre os débitos de IRPJ e CSLL e NÃO CONHEÇO DO RECURSO DE OFÍCIO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 2460DF CARF MF Processo nº 13896.721116/201585 Acórdão n.º 1201002.462 S1C2T1 Fl. 19 35 Voto Vencedor Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Redator designado. Peço vênia ao i. relator para divergir quanto à aplicação da multa isolada em razão da falta de recolhimento da CSLL e do IRPJ, por estimativa. Inicialmente, é majoritário o entendimento de que, para períodos anteriores a 2006, inclusive, aplicase indubitavelmente a Súmula nº 105 do CARF: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas , lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Contudo, em relação ao lançamento de multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa mensal do anocalendário de 2007 em diante, inclusive, aplicase o artigo 44, inciso II, alínea "b" da Lei nº 9.430/96 (redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007), verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (grifei). A legislação que instituiu a sanção é clara: não efetivado ou efetuado em parte o pagamento da estimativa mensal, cabe a imputação de multa isolada, sobre a totalidade (caso em que não se pagou nenhum valor a título de estimativa mensal) ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do anocalendário. A imputação é cabível ainda que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL. E a nova redação, aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir do ano calendário 2007 (os autos de infração em tela são posteriores a esse período), afastou qualquer dúvida sobre a possibilidade de aplicação concomitante das multas de ofício pelo não Fl. 2461DF CARF MF 36 pagamento do tributo apurado anualmente e das multas isoladas por insuficiência de estimativa mensal. As hipóteses de incidência que ensejam a imposição das penalidades (multa de ofício e multa isolada) estão insertas em incisos próprios no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Observase que os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 tratam de suportes fáticos distintos e autônomos, com diferenças claras na temporalidade da apuração que têm por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoase ao final do anocalendário. Por sua vez, a multa isolada é apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou, ainda, mediante receita bruta acumulada mensalmente. Ou seja, são materialidades independentes, não havendo que se falar em concomitância. Em face do exposto, voto por manter incólume o lançamento das multas isoladas relativas às estimativas de IRPJ e CSLL. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 2462DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13931.000951/2008-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/2010-57, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/2010-57, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de PIS/Pasep mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.637/2002. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 31 .0 00 95 1/ 20 08 -8 5 Fl. 191DF CARF MF Processo nº 13931.000951/200885 Resolução nº 3301000.732 S3C3T1 Fl. 192 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.520 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000024/2010 53, 12571.000025/201006, 12571.000026/201042, 12571.000027/201097, 12571.000028/201031, 12571.000029/201086, 12571.000030/201019, 12571.000031/201055, 12571.000032/201008, 12571.000033/201044, 12571.000034/201099, 12571.000035/201033, 12571.000036/201088, 12571.000037/201022, 12571.000038/201077, 12571.000039/201011, 12571.000040/201046, 12571.000041/201091, 13931.000368/200874, 13931.000948/200861, 13931.000949/200814, 13931.000950/200831, 13931.000951/200885, 13931.000952/200820, 13931.000953/200874, 13931.000954/200819, 13931.000955/200863, 13931.000956/200816 e 13931.000957/200852, que tratam da análise de créditos de PIS (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.520, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que Fl. 192DF CARF MF Processo nº 13931.000951/200885 Resolução nº 3301000.732 S3C3T1 Fl. 193 3 tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins mercado interno e exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim, entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.901020/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Numero da decisão: 3402-005.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE.
(assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 10 20 /2 00 8- 31 Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10882.901020/200831 Acórdão n.º 3402005.421 S3C4T2 Fl. 3 2 (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10882.901020/200831 Acórdão n.º 3402005.421 S3C4T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação face a inexistência de crédito disponível para compensação. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação arguindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas a Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às vendas realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito credit6rio referente aos recolhimentos indevidos ou a maior a titulo de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação.” Por meio do acórdão nº 0529.854, a DRJ não acolheu as razões de defesa da manifestante, mantendo a não homologação da compensação. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10882.901020/200831 Acórdão n.º 3402005.421 S3C4T2 Fl. 5 4 Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.398, de 24 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.900443/200833, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.398): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre direito creditório não reconhecido pela constatação de utilização integral do pagamento na quitação de débitos do contribuinte. Também se discute, a partir das alegações trazidas na Manifestação de Inconformidade, o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus, que poderia lastrear o pleito inicial da interessada. Ainda que o Despacho Decisório nada tenha se manifestado acerca de qualquer documento probatório, o sujeito passivo, além de contestar a vinculação do pagamento, também argumentou quanto às razões pela qual entendia que parte do recolhimento seria indevido, por se referir a vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Segundo seu entendimento, tais vendas estariam imunes à incidência das contribuições, resultando em saldo recolhido à maior. A 3ª Turma da DRJ em Campinas não acolheu as razões de defesa do sujeito passivo, entendendo que o pretendido pagamento indevido teria origem no período de apuração 01/09/2002 a 30/09/2002, em relação ao qual a isenção em comento alcançaria apenas as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do artigo 14 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10882.901020/200831 Acórdão n.º 3402005.421 S3C4T2 Fl. 6 5 da MP n°2.15835, de 2001. Segundo a turma julgadora, os autos não trazem comprovação suportada por documentação contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das mencionadas operações isentas na base que serviu para o cálculo do pagamento formador do apontado indébito, não se podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado na compensação. Preliminarmente, a recorrente alega nulidade do processo administrativo em razão da ausência de diligências na documentação que comprovaria o indébito tributário. Não assiste razão à recorrente. Conforme disposto no artigo 29 do PAF, as diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na apreciação da prova, caso entenda necessárias, o que não é o caso. A recorrente não apresentou qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, nem na fase de impugnação, nem nesta fase recursal, em descumprimento do artigo 15 do PAF que determina a instrução dos documentos comprobatórios juntamente com a impugnação. Apenas uma planilha intitulada “VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS E AREAS DE LIVRE COMÉRCIO UNIDADE SUMARÉ SETEMBRO DE 2002” (fls.43) foi apresentada, sem nenhum documento comprobatório. A prova deve ser feita nos autos, não fora dele, e no momento oportuno. Destacase que o indeferimento do direito creditório foi motivado pela utilização do(s) pagamento(s) na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Nenhuma prova contrária à tal constatação fiscal foi apresentada. Portanto, não resta configurada qualquer nulidade quanto à ausência de diligência. Em consequência, rejeitase o pedido de diligência. A recorrente alega cerceamento de seu direito de defesa, por entender que a decisão de primeira instância teria inovado o lançamento inicial. Segundo seu entendimento, o Despacho Decisório eletrônico não mencionou qualquer documento (físico ou eletrônico) que embasasse a glosa da compensação, limitandose apenas a mencionar que o crédito não existiria, imputando penalidade a Recorrente, sem qualquer análise da materialidade do crédito compensado. Também neste ponto não assiste razão à recorrente. Nenhuma inovação foi trazida aos autos pelo julgador de primeiro grau na apreciação da matéria, que apenas trouxe os fundamentos necessários para rechaçar as alegações do sujeito passivo trazidas na Manifestação de Inconformidade. Tratase Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10882.901020/200831 Acórdão n.º 3402005.421 S3C4T2 Fl. 7 6 do pleno exercício do contraditório, que exige a plena fundamentação das decisões na apreciação de todos os pontos levantados pela defesa do contribuinte. A motivação do indeferimento do direito creditório continua sendo a inexistência de crédito. Dessa forma, também não está configurado qualquer cerceamento do direito de defesa da recorrente, visto que a questão foi por ela trazida e por ela novamente repisada em sua peça recursal. No mérito, a recorrente alega o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus. O tema foi objeto de julgamento repetitivo na 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em processos cujo interessado foi a própria recorrente. Dessa forma, adoto no presente voto os fundamentos do Acórdão nº 9303003.934, de 07 de junho de 2016, da lavra do i. Conselheiro Júlio César Alves Ramos, a seguir reproduzido: “Fui incumbido de apontar as razões que levaram o colegiado, por voto de qualidade, a negar provimento ao recurso do contribuinte, sob o entendimento de que, até a redução a zero da alíquota da contribuição efetuada em julho de 2004, não havia qualquer dispositivo legal que concedesse isenção de COFINS às vendas para aquela área. O argumento inicial em sentido contrário buscaa na própria norma que criou a Zona Franca de Manaus. Segundo tal entendimento, o art. 4º do Decretolei 288, ao afirmar que as remessas para aquela região equiparavamse a exportação para o exterior, deveria ser estendido à COFINS, embora, cediço, ela somente tenha sido posteriormente criada. E isso porque tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10882.901020/200831 Acórdão n.º 3402005.421 S3C4T2 Fl. 8 7 interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Pretendem alguns que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10882.901020/200831 Acórdão n.º 3402005.421 S3C4T2 Fl. 9 8 e renda para a região Norte. Para tanto, definiu se um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser tachada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10882.901020/200831 Acórdão n.º 3402005.421 S3C4T2 Fl. 10 9 tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em julho de 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. É que, nos termos constitucionais, a concessão de isenção requer lei específica1 , de modo que, ou se aceita que seja ela o decretolei ou ela não existe. Não se pode inferir que haja uma lei simplesmente porque um parágrafo em artigo de lei posterior a "exclua". Em outras palavras, há apenas dois caminhos interpretativos. O primeiro: se considera que o decretolei 288 fez uma equiparação genérica das Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10882.901020/200831 Acórdão n.º 3402005.421 S3C4T2 Fl. 11 10 vendas àquela região a exportação e, portanto, qualquer ato posterior que concedesse benefício (isenção ou outro) a operações de exportação se aplicava imediatamente e automaticamente às vendas para lá. Nesse caso, a isenção concedida pela Lei Complementar 85 a elas se estende, mesmo não tendo ela sido expressamente referida no dispositivo. Essa interpretação contraria, a meu ver, o art. 150, § 6º da Constituição. Ou, como entendo eu, considerase que não havia dispositivo que concedesse isenção ou qualquer outra forma de desoneração àquelas vendas até a redução a zero de sua alíquota, promovida em 2004. Não contemplo um terceiro caminho. Com tais considerações, negouse provimento ao recurso do contribuinte.” Também não prospera qualquer argumento que aponte a obrigatoriedade do acatamento do entendimento do STF, exceto nos casos de repercussão geral reconhecida, conforme determina o RICARF, o que não é o caso. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 159DF CARF MF
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Numero do processo: 15771.724569/2012-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 09/05/2012
CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 1. NULIDADES
Não se conhece da lide administrativa quando houver a propositura de ação judicial pelo sujeito passivo com o mesmo objeto do processo administrativo. Aplicação da Súmula CARF nº 1.
A concomitância entre processos administrativo e judicial não constitui motivo para decretação administrativa da nulidade do auto de infração ou do processo administrativo fiscal.
In casu, a imunidade de impostos e a incidência de contribuições para o PIS e Cofins, vinculados à importação, e a classificação fiscal versaram nos processos administrativo e judicial.
LANÇAMENTO. PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. ART. 63 E § 1º DA LEI Nº 9.430/1996
A concessão de provimento judicial que assegura a suspensão da exigibilidade do crédito tributário antes do início de procedimento fiscal relativo à sua apuração impede a aplicação de multa de ofício.
Numero da decisão: 3201-004.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso em razão da concomitância, para, na parte conhecida, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, excluir a multa de ofício aplicada sobre o II e IPI.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 1. NULIDADES Não se conhece da lide administrativa quando houver a propositura de ação judicial pelo sujeito passivo com o mesmo objeto do processo administrativo. Aplicação da Súmula CARF nº 1. A concomitância entre processos administrativo e judicial não constitui motivo para decretação administrativa da nulidade do auto de infração ou do processo administrativo fiscal. In casu, a imunidade de impostos e a incidência de contribuições para o PIS e Cofins, vinculados à importação, e a classificação fiscal versaram nos processos administrativo e judicial. LANÇAMENTO. PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. ART. 63 E § 1º DA LEI Nº 9.430/1996 A concessão de provimento judicial que assegura a suspensão da exigibilidade do crédito tributário antes do início de procedimento fiscal relativo à sua apuração impede a aplicação de multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso em razão da concomitância, para, na parte conhecida, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, excluir a multa de ofício aplicada sobre o II e IPI. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 45 69 /2 01 2- 52 Fl. 243DF CARF MF Processo nº 15771.724569/201252 Acórdão n.º 3201004.204 S3C2T1 Fl. 243 2 (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo, com as correções pertinentes: Trata o presente processo de autos de infração lavrados para exigência de créditos tributários no valor de R$29.889,68, referente a Imposto de Importação, IPI, CofinsImportação e Pis/PasepImportação, acompanhados de multa de ofício e juros de mora. Depreendese da descrição dos fatos dos autos de infração que a interessada registrou a Declaração de Importação n.º 12/08421265, em 09/05/2012, para amparar a importação de mercadorias classificadas na NCM 4901.99.00, relativa a "Outros Livros, Brochuras e Impressos Semelhantes", quando o correto, segundo a fiscalização, seria na NCM 9504.40.00 por tratarse de cartas de jogar para crianças. A interessada impetrou a Ação Ordinária n.º 001151446.2009.403.6100 [em 15/05/2009] para ver declarado o seu direito a imunidade das mercadorias importadas. Foi proferida sentença favorável à interessada a fim de reconhecer o direito à imunidade constitucional. A Apelação interposta pela União foi julgada improcedente, mantendo a decisão de 1.ª instância. A fiscalização, após análise da importação, concluindo que as mercadorias classificavamse na NCM 9504.40.00, lavrou o auto de infração em apreço para a constituição do crédito tributário relativo aos tributos devidos na importação realizada pela interessada. Intimada da autuação, a interessada alega que o auto é nulo, haja vista a decisão judicial que declara a imunidade dos “cards magic”. Além da sentença de 1.ª Instância e do acórdão do Tribunal favoráveis ao seu pleito, ainda declara que a decisão já transitou em julgado em 27/11/2012 confirmando a imunidade das mercadorias em questão. Junta às fls. 125 o extrato do acompanhamento processual da ação citada. Encaminhado o processo a esta Delegacia de Julgamento foi proferido o Acórdão n.º 0733.125 dando procedência à impugnação, cancelando o crédito tributário constituído. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 15771.724569/201252 Acórdão n.º 3201004.204 S3C2T1 Fl. 244 3 De volta à unidade preparadora, a autoridade fiscal constatou que o provimento jurisdicional obtido pela contribuinte nos autos da Ação Ordinária supramencionada apenas confere imunidade referente aos impostos. Esta interpretação, inclusive, foi dada nos embargos de declaração opostos naquela ação nos seguintes termos: Isto porque a sentença julgou procedente o pedido, para reconhecer o direito à imunidade constitucional, prevista no artigo 150, inciso VI, alínea 'd' da Constituição Federal, ou seja, a imunidade concedida se aplica somente aos impostos. E o PIS/COFINS exigidos pela Receita Federal são contribuições. Por esta razão a autoridade a quo devolveu o processo a esta Delegacia de Julgamento para que revisasse o acórdão já proferido. É o relatório. O relatório da decisão a quo deve ser complementado. O registro da DI nº 12/08421265, de 09/05/2012, e a lavratura do auto de infração (09/11/2012) para a exigência dos tributos (impostos e contribuições sociais) na importação de cards pela DEVIR são posteriores ao Acórdão no RE nº 656.203 (15/09/2011), interposto na União, em face da sentença na AO nº 2009.61.00.0115142, de 22/03/2010, confirmada em sede de Apelação no TRF/3ª Região (27/01/2011), na qual a contribuinte teve seu pedido deferido (imunidade dos livros (e cards) aos impostos art. 150, VI, "d"). Na impugnação, a DEVIR afirma que o Agravo Regimental interposto pela União no RE 656.203 (07/11/2011) não possui efeito suspensivo e por ser a sentença obtida em 1º Grau declaratória, prescinde de execução e deve ser cumprida de imediato, pois a decisão judicial "já definiu a matéria ora tratada". A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC por intermédio da 1ª Turma, no Acórdão nº 0734.055, sessão de 12/02/2014, julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário lançado. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 09/05/2012 EXTINÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE É improcedente o lançamento de crédito tributário extinto por decisão judicial passada em julgado. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário (fls. 162/169 e complementado às fls. 232/241) no qual aduz: Fl. 245DF CARF MF Processo nº 15771.724569/201252 Acórdão n.º 3201004.204 S3C2T1 Fl. 245 4 Propôs a Ação Declaratória, n° 002004060.2013.4.03.6100 (31/12/2013), para obter o reconhecimento da correção da classificação das mercadorias na NCM 4901.99.00, para ser aplicada a incidência de ALÍQUOTA ZERO sobre o recolhimento das contribuições sobre produtos equiparados ou complemento de Livros; Na data de interposição do recurso voluntário, a referida ação declaratória encontravase em fase de Apelação no TRF/ 3ª Região desde 07/01/2014. A Lei nº 10.865/2004 nos arts. 8º, inciso XII e 28, inciso VI assegura a alíquota zero de PIS e Cofins, na importação e revenda no mercado interno, para livros e produtos equiparados ou seus complementos; A classificação dos cards no código tarifário 4901.99.00 da TEC/TIPI está confirmada nas decisões judiciais e a expressão "NT" não tributada (na TIPI) garante sua imunidade tributária (além da alíquota zero na Lei nº 10.865/04); Por fim, requer que a insubsistência da decisão recorrida e a declaração de nulidade do presente processo É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende ao requisito de tempestividade. Nulidade Preliminarmente, a recorrente aduz a nulidade do auto de infração e do presente processo administrativo sob o fundamento de que a matéria foi decidida pelo Poder Judiciário. A vedação à lavratura de auto de infração ou a decretação de sua nulidade no âmbito das decisões judiciais devem ser cumpridas pela autoridade administrativa independente de julgamento ou manifestação dos julgadores administrativos. Assim, não é o caso deste CARF decretar nulidade de auto de infração sob o fundamento de decisão judicial com provimento do mérito favorável ao contribuinte. As hipóteses de nulidade são aquelas determinadas no Decreto nº 70.235/72 que rege o processo administrativo fiscal (art.59). Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 15771.724569/201252 Acórdão n.º 3201004.204 S3C2T1 Fl. 246 5 Nos autos não se tem presente situações que demonstram lançamento realizado em desatendimento a formalidades legais ou que incorreu em cerceamento de direito de defesa ao contribuinte. Mérito O cerne do litígio é a exigência de tributos (impostos e contribuições) vinculados à importação de bens, que no caso da recorrente tratase de cards ou "figurinhas" que entende estar albergada na definição de livros, e estes imunes a impostos e com alíquota zero, nas contribuições para o PIS e Cofins. Tais tributos tem regramentos distintos e foram objetos de diferentes ações judiciais. Ação Ordinária (declaratória) n° 2009.61.00.0115142 Imunidade do art. 150, VI, "d" da CF/88 (impostos) Esta ação foi proposta pela contribuinte em 15/09/2009 enquanto permaneciam retidas mercadorias em unidades de despacho aduaneiro. Teve como pedido a declaração e reconhecimento da imunidade prevista no art. 150, incisos VI, alínea "d", da CF/88, ou seja, requereu a imunidade para o imposto de importação II e para o Imposto sobre Produtos Industrializados IPIimportação. O pedido foi julgado procedente pela 26ª Vara da JF/SP (22/03/2010), confirmada no TRF da 3ª Região (27/01/2011) que negou provimento à apelação da União, que interpôs Recurso Extraordinário. Foi proferido despacho pelo titular da 26ª Vara da JF/SP para manifestação da União acerca do cumprimento da sentença na referida Ação, pois seu seguimento aos tribunais superiores deramse sem efeitos suspensivos, ou seja, implicava o cumprimento imediato por se tratar de ação declaratória de direito à contribuinte. A seguir excerto da sentença, com o pedido da DEVIR: A decisão, prolatada em 22/03/2011, foi assim redigida: Fl. 247DF CARF MF Processo nº 15771.724569/201252 Acórdão n.º 3201004.204 S3C2T1 Fl. 247 6 A DI nº 12/08421265 foi registrada (09/05/2012) e o auto de infração foi lavrado (09/11/2012) para a exigência de tributos (II, IPI, PIS e Cofins) enquanto pendia o trânsito em julgado da Ação, pronunciado em 27/11/2012. Antes mesmo da autuação fiscal fora intentada a Ação Ordinária nº 2009.61.00.0115142 com fins à imunidade de impostos na importação II e IPI_importação de cards/figurinhas. Depreendese dos autos que a exigência desses impostos deuse com a incidência de multa de ofício. A decisão recorrida assinalou que o crédito tributário foi constituído com a finalidade de prevenir a decadência, conquanto este fato não foi explicitado no auto de infração, mas decorreu da Ação Ordinária, conforme descrito pela autoridade autuante. Contudo, entendo que há de se excluir a multa de ofício, em razão da aplicação do disposto no art. 63 e § 1º da Lei nº 9.430/96: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo Dessa forma quanto ao II e IPIimportação, com fundamento na existência simultânea da Ação Ordinária nº 2009.61.00.0115142 e do referido processo o recurso deve ser conhecido parcialmente, apenas para excluir as multas impostas. Ação Ordinária (declaratória) n° 002004060.2013.4.03.6100 contribuições para PIS e Cofins e classificação fiscal Impende ressaltar que a tributação das contribuições para o PIS e para a Cofins não foi objeto da Ação Ordinária nº 2009.61.00.0115142. A consulta da movimentação processual da JF/SP, realizada pela unidade preparadora nos autos do processo nº 10880.720103/201065, indicou a rejeição dos embargos de declaração interpostos pela União e a decisão/despacho daquele Juízo delimitou a sentença à imunidade concedida apenas aos impostos, conforme imagem: Fl. 248DF CARF MF Processo nº 15771.724569/201252 Acórdão n.º 3201004.204 S3C2T1 Fl. 248 7 Dessa forma, a contribuinte sentiuse impelida a buscar provimento judicial para ter afastada a exigência de Pis e Cofins vinculados às importações de cards, uma vez que a imunidade dos livros alcança apenas os impostos. A Ação Ordinária n° 002004060.2013.4.03.6100 buscou o Judiciário para ver declarada a inexistência de relação jurídica quanto à incidência tributária no tocante à importação de cards, além do direito à classificação no código tarifário 4901.99.00 e à aplicação da alíquota zero do PIS e Cofins, na importação e revenda no mercado interno, prevista nos arts. 8º, inciso XII e 28, inciso VI, ambos da Lei nº 10.865/2004. Da petição inicial (fls. 247/280 do PAF nº 15771.721467/201285 ) consta: Fl. 249DF CARF MF Processo nº 15771.724569/201252 Acórdão n.º 3201004.204 S3C2T1 Fl. 249 8 E o "Pedido" ao seu final: Quanto à correta classificação fiscal, manifesteime no voto do processo nº 10880.720103/201065 o entendimento que o enfrentamento da matéria restou igualmente prejudicado em decorrência da concomitância. Isto porque, a classificação pretendida para os cards o faz igualar aos livros e este é o tema central do litígio cuja decisão final é prerrogativa única do Poder Judiciário e, portanto, prejudicada sua análise naqueles autos. Como se vê, na ação ordinária tratada neste tópico é expressamente requerido o provimento quanto á classificação fiscal equivalente aos livros. Não restam dúvidas que na Ação Ordinária n° 002004060.2013.4.03.6100 os objetos, partes e pedidos são idênticos ao litigados nestes autos, do que decorre a concomitância entre referidos processos, atraindo a aplicação da Súmula CARF nº 1: Fl. 250DF CARF MF Processo nº 15771.724569/201252 Acórdão n.º 3201004.204 S3C2T1 Fl. 250 9 Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Relativamente à multa de ofício incidentes sobre o PISimportação e Cofins importação exigidos, a situação dos autos não permite aplicação da excludente prevista no art. 63 c/c § 1º da Lei nº 9.430/96, ou seja, na lavratura do auto de infração, em 01/03/2012, sequer havia a interposição de Ação Judicial com a discussão da incidência de PIS e Cofins vinculados à importação de cards, que fora protocolada em 31/10/2013 e, portanto, nenhuma medida que impusesse a suspensão da exigibilidade do crédito tributário na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN. Conclusão Pelo exposto, rejeito a preliminar de nulidade do auto de infração e do presente processo administrativo e, no mérito, voto para conhecer parcialmente o recurso voluntário para excluir a multa de ofício aplicada sobre o II e IPI, e não conhecêlo, em razão da concomitância, relativamente (i) à exigência de II, IPIimportação, PISimportação e Cofinsimportação e (ii) à classificação fiscal dos cards importados na NCM 4901.99.00, por aplicação da Súmula CARF nº 1. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 251DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.902329/2009-18
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso nas matérias inovadas.
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Na falta de comprovação do direito creditório, ônus da prova que compete ao contribuinte, não há que se falar em compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.402
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer no que se refere a alegação de afastamento da prescrição do crédito postulado e, no mérito, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificandose a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso nas matérias inovadas. PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Na falta de comprovação do direito creditório, ônus da prova que compete ao contribuinte, não há que se falar em compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 23 29 /2 00 9- 18 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10469.902329/200918 Acórdão n.º 1002000.402 S1C0T2 Fl. 92 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer no que se refere a alegação de afastamento da prescrição do crédito postulado e, no mérito, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 70/76) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 55/63), proferida em sessão de 28 de julho de 2011, consubstanciada no Acórdão n.º 1134.500, da 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE (DRJ/REC), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efl. 07/11) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 25/03/2009 (efl. 03), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 01254.56692.301106.1.3.040750, transmitido em 30/11/2006, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. A competência originária para apreciar declaração de compensação é do Delegado da Receita Federal do domicilio fiscal do contribuinte, sendo do dever deste último identificar perfeitamente na declaração qual o direito creditório que julga possuir. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10469.902329/200918 Acórdão n.º 1002000.402 S1C0T2 Fl. 93 3 Do PER/DCOMP O contribuinte transmitiu o PER/DCOMP em referência objetivando a restituição de crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL (2484), relativo ao período de apuração outubro de 2005, pretendendo, outrossim, efetivar a compensação de débito próprio de estimativa de CSLL (2484) relativo ao período de apuração de março de 2006 e julho de 2006. Do Despacho Decisório Analisando o PER/DCOMP em comento o titular da unidade de jurisdição do sujeito passivo lavrou despacho decisório (efl. 03) no qual informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 874,89, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação de débito próprio do contribuinte, no entanto, verificadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado, não ocorrendo a homologação da compensação. Isto porque, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito/saldo disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 31/10/2005 2484 R$ 2.574,42 30/11/2005 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 2161316151 R$ 2.574,42 DB: cód 2484 PA 31/10/2005 R$ 2.574,42 Valor Total R$ 2.574,42 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/03/2009 Principal: R$ 601,29 Multa: R$ 120,25 Juros: R$ 208,24 Por conseguinte, a DRF/Natal/RN não homologou a compensação declarada, tendo em vista a inexistência do crédito. Da Manifestação de Inconformidade O contencioso administrativo fiscal tem início com a impugnação efetivada pelo contribuinte, através de manifestação de inconformidade (efl. 07/11), contra o conteúdo do citado despacho decisório (efl. 03). Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10469.902329/200918 Acórdão n.º 1002000.402 S1C0T2 Fl. 94 4 Delimitando a lide do contencioso tributário, aduziuse, em síntese, que houve um erro no preenchimento do PER/DCOMP, pois o valor do crédito decorreria de saldo negativo, conforme DIPJ retificada, não sendo proveniente de pagamento indevido ou a maior como anotado no dito PER/DCOMP. Com isso, postulouse a desconstituição do despacho decisório com o reconhecimento do crédito e a efetivação da compensação. Do Acórdão da Manifestação de Inconformidade A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, primeira instância do contencioso administrativo fiscal, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo a quo, as razões de decidir do meritum causae: Conforme observado, relativamente à compensação da DCOMP não homologada, o despacho decisório assim decidiu em virtude da inexistência do crédito. E de outra forma não poderia decidir, tendo em vista às informações veiculadas pela contribuinte em sua DCOMP, em consonância com os demais sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB. Ressaltese que, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados a uma sequência continua de operações, cuja participação da postulante é primordial, materializandose através da correção dos valores informados no PER/DCOMP e em perfeita sintonia com os diversos sistemas informatizados da RFB, haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP) e nos sistemas da RFB, concluise que não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a interessada, haja vista a ausência de atributos essenciais pertinentes ao mesmo (art. 170 do CTN) aliada, inclusive, à verdadeira intenção da peticionante, demonstrada na manifestação que ora se analisa, de retificar o crédito pleiteado (origem e valor) na DCOMP, o qual a autoridade a quo não tinha como adivinhar, por constituirse em crédito diverso ao informado no pedido. Sobre o pedido de retificação da DCOMP presente na manifestação de inconformidade, resultaria na apreciação do pleito em novas bases (novos fundamentos materiais do crédito), equivalendose a um novo pedido, o que, como restará comprovado pelo exame da legislação a seguir transcrita, não é competência dessa delegacia, devendo a análise do direito Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10469.902329/200918 Acórdão n.º 1002000.402 S1C0T2 Fl. 95 5 material do contribuinte ser enfrentada na primeira instância decisória competente (DRF do domicílio da contribuinte): (...). Por outro lado, a competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, conforme expresso no art. 229, IV, da mesma Portaria, se instaura quando da manifestação de inconformidade oposta pelo contribuinte à apreciação das autoridades locais: (...). Ademais, os pedidos de retificação devem observar as condições previstas nos arts. 56 a 61 da Instrução Normativa SRF n.º 600, de 28 de dezembro de 2005, condições também veiculadas nos arts. 76 a 81 da vigente Instrução Normativa RFB n.º 900, de 30 de dezembro de 2008, pleito que a legislação não abraça após a emissão do despacho decisório. Logo, temse que, de acordo com o Regimento Interno da Receita Federal, a competência original para conhecer do pedido de compensação é da Delegacia da Receita Federal em Natal/RN, unidade que jurisdiciona o domicílio da interessada. Assim, do exame dos autos, resta patente que, tal como apresentada a Declaração de Compensação à época do despacho, mostrase correta a decisão exarada pela DRF/Natal/RN, não merecendo reparo a decisão prolatada, que não poderia nortear o exame do crédito suplicado sendo a partir dos elementos consignados pelo sujeito passivo em suas declarações. Por outro lado, não pode este colegiado acatar o pleito, nos moldes em que se apresenta (novos fundamentos para o crédito), sob pena de incorrerse em supressão de instância e em invasão de competência administrativa. Logo, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para manter o despacho. Do Recurso Voluntário No recurso voluntário o sujeito passivo postula o provimento recursal para garantir nova análise do crédito pela DRF/Natal/RN, assim como para confirmar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e por conseguinte afastar eventual arguição de prescrição do crédito. Para tanto, em síntese, o contribuinte alega que: a) o recurso é tempestivo e existe sucumbência apta a autorizar o manejo recursal, considerando que a DRJ declinou da competência de analisar o pedido de compensação formulado na manifestação de inconformidade, quando se deparou com o pedido de apreciação do direito creditório baseado em saldo negativo, haja vista que a Delegacia da Receita Federal em Natal/RN (DRF/Natal/RN) analisou o PER/DCOMP com fundamento em pagamento indevido ou a maior, na forma como transmitido; b) a DRJ não apreciou o direito creditório da recorrente, considerando que a competência administrativa originária para conhecer e apreciar PER/DCOMP é da DRF/Natal/RN, unidade que jurisdiciona o domicílio fiscal do contribuinte, no entanto o sujeito passivo não intenta promover supressão de instância, mas sim busca garantias processuais para que se retorne os autos para a DRF/Natal/RN julgar a matéria e, se necessário, posteriormente poder ser ofertado recurso ao contribuinte, se for o caso; Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10469.902329/200918 Acórdão n.º 1002000.402 S1C0T2 Fl. 96 6 c) deve operar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão da necessidade de nova decisão da DRF/Natal/RN, bem como deve ser afastada qualquer prescrição do crédito postulado. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 26/09/2011, efls. 67/69, e protocolo em 26/10/2011, efl. 70), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. No entanto, o recurso não atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos. O recurso é cabível, há interesse recursal observandose efetiva sucumbência do contribuinte, a recorrente detém legitimidade, inexiste fato impeditivo ou modificativo do poder de recorrer, mas, em contra fluxo, existe fato extintivo relativo a preclusão consumativa que se operou quanto a matéria não apresentada na primeira oportunidade, isto é, na manifestação de inconformidade e que foi trazida pela primeira vez para discussão por ocasião do recurso voluntário, qual seja, a alegação de afastamento da prescrição do crédito postulado. Vejase, referida matéria não foi relatada na manifestação de inconformidade, logo após a intimação do teor do despacho decisório, sendo uma inovação alegada no recurso voluntário. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10469.902329/200918 Acórdão n.º 1002000.402 S1C0T2 Fl. 97 7 (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4.º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Desta forma, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto n.º 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou a impugnação, contendo as matérias que delimitam expressamente os limites da lide, sendo elas submetidas à primeira instância (DRJ) para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de recurso voluntário para o CARF (segunda instância) em caso de inconformismo, não se admitindo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial", de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Se não foi impugnada ocorreu a preclusão consumativa, tornando inviável aventála em sede de recurso voluntário como uma inovação. O CARF não pode apreciar matéria não deliberada pela DRJ, caso contrário, estarseia, inclusive, diante de uma evidente supressão de instância. Nesse sentido, o Egrégio CARF tem decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, a teor dos Acórdãos ns.º 9303004.566 (3.ª Turma/CSRF), bem como precedentes desta Colenda 2.ª Turma Extraordinária da Primeira Seção de Julgamentos a exemplo dos Acórdãos ns.º 1002000.101, 1002000.102, 1002000.103 e 1002000.084. De toda sorte, ad argumentandum tantum, o alegado afastamento da prescrição do crédito, se referente ao suposto crédito de pagamento indevido ou a maior, na forma como transmitido no PER/DCOMP, não é objeto de controvérsia, esta é relativa a não comprovação do próprio crédito de pagamento indevido ou a maior. Caso eventualmente estivesse comprovado o pagamento indevido ou a maior, não se falaria em prescrição do crédito, sendo desnecessária essa análise. Ainda argumentando, com relação a eventual não prescrição do direito creditório pretendido a partir da via recursal, baseado em saldo negativo, que não foi veiculado no PER/DCOMP originalmente transmitido, mas que o recorrente pretende que Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10469.902329/200918 Acórdão n.º 1002000.402 S1C0T2 Fl. 98 8 seja apreciado nestes autos como tal (pretensão de mudança da natureza do crédito postulado a ser analisado), entendo que não é da competência desta Turma Extraordinária apreciála, pois, em verdade, a pretensão de modificação da natureza do crédito pretendido na restituição, não é permitida, logo o crédito de saldo negativo não é objeto da lide, a despeito do pedido formulado em recurso, pelo que o pronunciamento sobre a dita prescrição não nos compete. Pontuo, desde logo, que, no mérito, discorrerei melhor da temática "análise do crédito a ser restituído como saldo negativo ao invés de pagamento indevido ou a maior na forma constante no PER/DCOMP originalmente transmitido", sendo suficiente, neste momento, consignar que não cabe a este Colegiado falar sobre prescrição ou não de direito creditório relativo a saldo negativo, que pode ser objeto de postulação em outro eventual PER/DCOMP/processo. Sem mais, conheço apenas parcialmente o Recurso Voluntário, deixando de conhecer do argumento de afastamento da prescrição do crédito. Apreciação de requerimento antecedente a análise do mérito Quanto ao pedido de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, consigno que é decorrência automática da interposição tempestiva do recurso competente, conforme disciplina o art. 151, inciso III, do CTN, tendo ocorrido a suspensão até decisão administrativa final terminativa ou irreformável. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), posteriormente informando que se cuidaria em verdade de saldo negativo, alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10469.902329/200918 Acórdão n.º 1002000.402 S1C0T2 Fl. 99 9 Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária (DRF/Natal/RN), de mãos do PER/DCOMP transmitido, não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, vale dizer, por não reconhecer o crédito. Para a análise que foi efetivada não se comprovou crédito líquido e certo, incontroverso, inclusive sendo apontada a alocação do DARF para extinção de débito próprio do sujeito passivo. Logo, se havia alocação do DARF, assistiu razão ao conteúdo do despacho decisório, pelo que, quando a DRJ atestou correção naquele ato administrativo, agiu corretamente a primeira instância ao efetivar o controle de legalidade do ato da Administração tributária, não havendo razões para reformar o decisum vergastado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito vindicado com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da sua efetiva alocação, de modo a não restar saldo residual como pretendido para restituição. Por isso, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. Noutro prisma, vejase que na manifestação de inconformidade o contribuinte alega que cometeu erro de preenchimento no PER/DCOMP, sendo o direito creditório baseado em saldo negativo e não em pagamento indevido ou a maior e a DIPJ retificada comprovaria o crédito, enquanto isso, no recurso voluntário, o sujeito passivo esclarece que pretende ver o processo retornar para a DRF/Natal/RN, a fim de que aprecie o crédito conforme as novas bases "saldo negativo". Pois bem, não havendo nulidade procedimental, inexiste possibilidade de se determinar o retorno dos autos para a unidade de origem "reiniciar o procedimento". O pedido do sujeito passivo para devolução dos autos para a DRF/Natal/RN, em verdade, trata de uma espécie de "reprocessamento" do PER/DCOMP, sem previsão legal ou infralegal e protocolado ou pretendido iniciar a partir de instâncias recursais e não diretamente junto a unidade de jurisdição do contribuinte. Assemelhase a retificação do PER/DCOM ou a transmissão de um novo PER/DCOMP, que implicaria em um novo procedimento, o qual não guardaria contato com estes autos, ainda que baseado no saldo negativo mencionado como existente. A retificação do PER/DCOM ou a transmissão de um novo PER/DCOMP implicaria seguir o fluxo normal disciplinado em Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10469.902329/200918 Acórdão n.º 1002000.402 S1C0T2 Fl. 100 10 normas próprias que regem a mencionada declaração, sendo certo que a pretensão de modificar a natureza do crédito, impõe novas bases, novos fundamentos materiais para o crédito, equivalendo, efetivamente, a um novo pedido, não sendo permitido nestes autos. Mesmo assim, pontuo que, a despeito das alegações do contribuinte quanto a existência de direito creditório proveniente de saldo negativo, com base em DIPJ retificada, ao meu ver, nestes autos, não se desincumbiu o sujeito passivo de demonstrar a contento o referido crédito, isto porque, com os elementos que constam dos autos, inexiste qualquer materialidade probatória para que se possa dar certeza e liquidez ao apontado direito crédito. Não houve a demonstração cabal de elementos documentais, de prova da escrita contábil e outras da escrita fiscal, que possibilitem efetivar de forma inconteste e transparente a respectiva comprovação, inclusive para justificar e validar a retificação invocada. Ressaltese, neste aspecto, que a demonstração analítica dos valores e lançamentos, dentro da escrituração contábil e fiscal, da base de cálculo da CSLL, das estimativas fiscais apuradas mensalmente e, consequentemente, do saldo negativo, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte, notadamente quando se discute crédito objeto de pedido de compensação. Observese que nos autos não foram juntados outros elementos probatórios, tais como, a escrita contábil e outras escritas fiscais. Não constam dos autos, por exemplo, o Livro Diário, o Livro de Apuração do Lucro Real, os balancetes transcritos na escrita contábil, deixandose, igualmente, de apresentar, face a inexistência de elementos de prova, uma demonstração criteriosa do suposto direito a crédito, não havendo como confirmar o alegado crédito, não tendo sido realizado um trabalho analítico de esclarecimento do suposto crédito com apresentação de memória do cálculo da apuração, informação quanto ao método de apuração da estimativa mensal (receita bruta x balanço de suspensão/redução), demonstração detalhada da formação do saldo negativo. Em suma, não há uma precisa indicação consubstanciada em elementos documentais para confrontarse DIPJ, DCTF, LALUR, códigos de recolhimento, informativo quanto ao método, balancetes de apuração de resultados, a fim de comprovar o crédito, inclusive para também se compreender eventuais cálculos de valores originalmente declarados e dos valores retificados. Nesse sentido entendo por bem trazer aos autos o resumo da conclusão do seguinte precedente que entendo reforçar o presente fundamento: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10469.902329/200918 Acórdão n.º 1002000.402 S1C0T2 Fl. 101 11 informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Ressaltese, não caberia ao julgador, em instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventual documentação contábil não pode ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e de devida fundamentação com análise circunstanciada das conclusões que se extrairiam da escrita contábil ou da escrita fiscal, a fim de demonstrar o fato jurídico constitutivo da situação de direito a crédito que se pretende invocar sob a ótica da restituição, que seria o elo para efetivar a compensação. A demonstração analítica do direito creditório, a partir da apresentação da escrituração contábil e fiscal, com a evidenciação da composição das estimativas a recolher, quer calculadas sobre base de cálculo estimada, quer a partir de balancetes de suspensão ou de redução, com a comprovação e confrontação dos valores recolhidos ou retidos, evidenciando as antecipações ou retenções excedentes ao exigido para o período de apuração, resultando no crédito que se convencionou denominar de saldo negativo, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte, notadamente quando se discute direito de crédito objeto de pedido de compensação, por conseguinte, na falta de comprovação do saldo negativo, não há que se falar de crédito passível de compensação. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida pela DRJ, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade, e não o saneamento de erros imputados aos próprios contribuintes. Por outro lado, também não compete a segunda instância administrativa o procedimento de revisão do PER/DCOMP constituído em linguagem competente pelo próprio contribuinte, haja vista que está limitada aos termos da norma individual e concreta produzida pelo próprio contribuinte, que, no mínimo, deveria ter procedido com a retificação, a fim de emitir nova norma jurídica constitutiva. Logo, verificandose correção no julgamento a quo (DRJ), bem como observando que a Administração Tributária (DRF/Natal/RN) não agiu em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer no que se refere a alegação de afastamento da prescrição do crédito postulado, e, no mérito, em lhe negar provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. Fl. 101DF CARF MF
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