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Numero do processo: 13855.724091/2012-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.555
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que se aguarde o desfecho dos processos 13855.724031/2012-92 e 13855.724030/2012-48. Vencidos os Conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti, que votaram no sentido de julgar o mérito do recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. João Henrique Domingos, OAB/SP nº 189.262.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1891; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 3 1 2 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13855.724091/201213 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3403000.555 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 28 de maio de 2013 Assunto Solicitação de diligência Recorrente DEMOCRATA CALÇADOS E ARTEFATOS DE COURO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que se aguarde o desfecho dos processos 13855.724031/201292 e 13855.724030/201248. Vencidos os Conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti, que votaram no sentido de julgar o mérito do recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. João Henrique Domingos, OAB/SP nº 189.262. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de autos de infração do PIS e da COFINS com ciência pessoal do contribuinte em 17/12/2012, lavrados para exigir diferenças das contribuições em relação aos períodos de apuração de janeiro a abril de 2009 (COFINS) e março e abril de 2009 (PIS). Segundo o relatório fiscal de fls. 3277 a 3286, a fiscalização constatou que no período de agosto de 2007 a outubro de 2008 existem divergências entre os valores das bases de cálculo das duas contribuições informadas nos DACON e aqueles informados à fiscalização RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 55 .7 24 09 1/ 20 12 -1 3 Fl. 3473DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13855.724091/201213 Resolução nº 3403000.555 S3C4T3 Fl. 4 2 no curso da auditoria. O contribuinte foi intimado a esclarecer a natureza dessas diferenças, mas se limitou a dizer que se tratavam de diferenças que não constituíam receita tributável pelas contribuições. Foram glosados créditos tomados com base em notas fiscais de prestação de serviços adquiridos da empresa MN Mendes ME, pois essa empresa teria sido criada somente para reduzir fraudulentamente o recolhimento de tributos. Segundo apurou a fiscalização no relatório fiscal que integrou os processos 13855.724030/201248 e 13855.724031/201292, cuja cópia foi anexada às fls. 3187 a 3210 deste processo, a M N MENDES ME constitui interposta pessoa da contribuinte e foi criada com o objetivo e reduzir a carga tributária da Democrata, notadamente as contribuições previdenciárias, sendo seus empregados, na verdade, empregados da ora recorrente. A fiscalização constatou que se trata de apenas uma empresa. Assim, os créditos oriundos da prestação de serviço foram glosados, pois não há previsão legal para a tomada de créditos decorrente da mãodeobra dos próprios empregados. Levandose em conta as receitas não oferecidas à tributação e as glosas dos créditos sobre as notas fiscais da MN MENDES, a fiscalização recalculou as contribuições no período de 2007 a 2010, apurando diferenças a recolher nos períodos e valores objeto dos autos de infração albergados neste processo. Foi feita a representação fiscal para fins penais e lançada a multa de ofício qualificada. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: a) nulidade do lançamento porque a fiscalização não trouxe aos autos quaisquer provas que pudessem caracterizar a existência de uma única empresa de fato. Contrapõe argumentos no sentido de que se tratam de duas empresas distintas e apresenta fotos do local para corroborar suas alegações; b) disse que o ordenamento jurídico não veda a terceirização, que a M N MENDES não foi criada com o fim de fraudar o fisco, mas sim de desenvolver uma atividade especializada, o corte e o pesponto, para liberar a recorrente para se dedicar às demais fases do processo produtivo; c) o fisco não tem competência legal para desconsiderar a personalidade jurídica, a teor do que dispõe o art. 50 do Código Civil. Somente o Poder Judiciário teria competência para tanto e mesmo assim apenas em casos muito especificos. d) relativamente às receitas incluídas pela fiscalização, alegou que se trata do valor do ICMS. Entende que o ICMS não constitui receita da pessoa jurídica, pois se trata de um tributo que é repassado ao Estado. Invoca entendimentos do STF e do STJ quanto ao conceito de receita e informa que está pendente de decisão no STF a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS; e) contestou a cobrança dos juros de mora com base na variação da taxa Selic; f) contestou a multa de ofício no patamar de 150%, pois não houve descrição pormenorizada dos fatos que levaram a tal enquadramento e nem a fiscalização indicou em qual dispositivo da Lei nº 4.502/64 se enquadra a conduta da impugnante; g) contestou a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício, sob o argumento de que não há previsão legal. Por meio do Acórdão 42.114, de 23 de maio de 2013, a 4ª Turma da DRJ Ribeirão Preto, julgou a impugnação improcedente. Foi rejeitada a preliminar de decadência Fl. 3474DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13855.724091/201213 Resolução nº 3403000.555 S3C4T3 Fl. 5 3 porque não foram objeto de lançamento os fatos geradores ocorridos em 2007. Foi rejeitada a preliminar de nulidade, pois o autuante trouxe aos autos as peças dos processos 13855.724030/201248 e 13855.724031/201292, onde está devidamente fundamentada a consideração a M N MENDES como interposta pessoa. No que concerne às alegações referentes ao mérito da alegações relativas à M N MENDES a DRJ considerou que essas questões foram decididas nos dois processos que albergam os autos de infração de contribuições previdenciárias, nos quais a impugnante exerceu o direito de defesa. Considerando que a DRJ já havia considerado improcedentes as impugnações apresentadas naqueles processos, não há mais o que decidir sobre essa matéria na primeira instância de julgamento. Relativamente à inclusão do ICMS na base de cálculo, ficou decidido que não há amparo legal para sua exclusão. Ficou decidido também que essa questão envolve o cotejo da legislação ordinária com a constituição, juízo que é vedado ao julgador administrativo. Foram mantidos os juros de mora com base na taxa Selic. Foi mantida a multa de ofício qualificada, pois o contribuinte por mais de três anos tomou créditos das contribuições sobre o valor de serviços prestados por seus próprios empregados, o que se enquadra na conduta do art. 72 da Lei nº 4.502/64. Ficou decidido que a conduta pormenorizada exigida pelo contribuinte encontrase descrita nos processos 13855.724030/201248 e 13855.724031/201292, cujas cópias das principais peças estão anexadas a estes autos. Ficou decidido que não procede a alegação de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, pois de acordo com os demonstrativos de fls. 528 e 533, os juros somente incidiram sobre as contribuições lançadas. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 17/06/2013, o contribuinte postou seu recurso voluntário nos Correios em 15/07/2013, no qual, basicamente, reprisou as alegações de impugnação. Atacou especificamente a decisão de primeira instância, na parte em que rejeitou a alegação de decadência, pois no seu entender o fato extintivo do direito do fisco ocorreu porque a fiscalização recalculou as contribuições devidas durante o ano de 2007 e a partir daí apurou as diferenças de 2009, lançadas no auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. A teor do relatado, é inequívoco que a presente exigência de PIS e de COFINS depende de questão prejudicial a ser decidida no processos nº 13855.724030/201248 e 13855.724031/201292, nos quais a fiscalização acusou o contribuinte de simular a contratação de uma empresa prestadora de serviços para reduzir sua carga tributária, conforme se encontra pormenorizadamente descrito no relatório fiscal daqueles processos, cuja cópia se encontra nas fls. 3187 a 3210. A parcela relativa ao PIS e COFINS, decorrente da glosa dos créditos tomados em relação aos serviços prestados pela MN MENDESME, foi exigida com base nos mesmos fatos que culminaram na exigência das contribuições previdenciárias tratadas naqueles dois processos. Em consulta à página de jurisprudência do CARF verificase que o processo 13855.724031/201292 foi julgado pelo Acórdão 2302002.792 e que o processo 13855.724030/201248 foi julgado pelo Acórdão 2302002.800. Fl. 3475DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13855.724091/201213 Resolução nº 3403000.555 S3C4T3 Fl. 6 4 Os dois acórdãos acima citados foram desfavoráveis ao contribuinte. Contudo, aquelas decisões ainda não são definitivas, pois estão sujeitas ao recurso especial para a Câmara Superior de Recursos Fiscais. Tendo em vista a existência de decisão administrativa de segunda instância quanto à mesma questão versada nestes autos e considerando que o princípio da preclusão impede que a administração pública, em relação a um mesmo contribuinte, decida mais de uma de uma vez sobre a mesma questão, considero que não há como se prosseguir no julgamento deste processo enquanto não sobrevier o desfecho dos processos nº 13855.724031/201292 e 13855.724030/201248. Aguardar o desfecho administrativo daqueles dois processos, além de prestigiar o princípio da preclusão, é medida de prudência a fim de evitar que o CARF venha a proferir decisões contraditórias. Com esses fundamentos, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem, a fim de que se aguarde o desfecho dos processos administrativos 13855.724031/201292 e 13855.724030/201248, devendo a autoridade administrativa, quando da devolução destes autos ao CARF, anexar a este processo as decisões definitivas que vierem a ser proferidas naqueles dois feitos. Antonio Carlos Atulim Fl. 3476DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10660.905881/2011-06
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1706; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 161 1 160 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.905881/201106 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.043 – 3ª Turma Especial Sessão de 23 de abril de 2014 Matéria PIS RESTITUIÇÃO Recorrente MAHLE METAL LEVE S/A (Sucessora de MAHLE COMPONENTES DE MOTORES DO BRASIL LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 81 /2 01 1- 06 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905881/201106 Acórdão n.º 3803006.043 S3TE03 Fl. 162 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, no valor de R$ 47.585,59. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, bem como o deferimento da restituição pleiteada, alegando que o indébito reclamado decorria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Reportandose aos princípios da verdade material e da moralidade administrativa, requereu a realização de diligências e perícias, para fins de se confirmar o crédito pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação, assim como cópias do despacho decisório, do DARF e de planilha por ele elaborada. A DRJ Juiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na inaplicabilidade, no presente caso, da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em sede de recurso extraordinário, (ii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre ofensa a princípios constitucionais, (iii) na ausência de eficácia normativa da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial colacionadas na peça recursal, (iv) na ausência de nulidade no despacho decisório e (v) na desnecessidade de realização de diligências e perícias. Constou, ainda, do voto condutor da decisão recorrida que, “no presente caso, não foram trazidos ao processo, quaisquer elementos que viessem a comprovar o direito alegado e mais, a legislação tributária, determina que juntamente com a manifestação de inconformidade devem ser apresentadas as provas que fundamentem de modo concreto e veemente a discordância da contribuinte do entendimento adotado pela administração, precluindo seu direito de fazêlo em outro momento processual”. Cientificado do acórdão da DRJ Juiz de Fora/MG em 7 de novembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 5 de dezembro do mesmo ano, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório e de deferimento integral da restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. Aduziu, ainda, o ora Recorrente, que a Delegacia de Julgamento deveria ter avançado na matéria fática e convertido o julgamento em diligência para que fossem prestados esclarecimentos e apresentada a documentação comprobatória do crédito pleiteado, sem o que tevese por configurado cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905881/201106 Acórdão n.º 3803006.043 S3TE03 Fl. 163 3 Ressaltou, também, que a inobservância da inconstitucionalidade declarada pelo STF acerca do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, “representa inegável afronta à Constituição Federal e negativa de prestação administrativa”. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Juiz de Fora/MG. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do DARF e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Destaquese que, na planilha trazida aos autos pelo contribuinte na primeira instância administrativa, não são identificadas as outras receitas, além do faturamento, que teriam ensejado a tributação indevida decorrente da inconstitucionalidade do preceptivo legal. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905881/201106 Acórdão n.º 3803006.043 S3TE03 Fl. 164 4 Em processos da espécie ao ora analisado, a falta da devida instrução dos autos por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por diligência à repartição de origem, dada a inexistência de um início de prova que convença o julgador quanto à probabilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância. Bastaria que o interessado tivesse trazido aos autos cópias da escrituração contábilfiscal abrangendo o período sob análise, observandose as formalidades exigidas pela legislação tributária, para que se tivesse por configurado o início de prova requerido para justificar a realização de diligência ou perícia destinada à confirmação do crédito pleiteado. Uma simples planilha elaborada pelo próprio interessado não supre a necessidade de apresentação da documentação fiscal apta a comprovar os fatos alegados. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905881/201106 Acórdão n.º 3803006.043 S3TE03 Fl. 165 5 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 165DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 13502.720322/2011-21
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO. A AFERIÇÃO INDIRETA NÃO PODE CONSTITUIR UMA CARTA EM BRANCO PARA A FISCALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE SUA UTILIZAÇÃO IN CASU. FATO GERADOR. BUSCA DA VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO FISCO. MERA ALEGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE O CONTRIBUINTE PRUDUZIR PROVA NEGATIVA.
O lançamento foi realizado em bases frágeis, utilizando-se o instituto da aferição indireta, sustentado pelas regras contidas no art. 33 da Lei nº 8.212/91, sob a alegação de que o contribuinte não fez a identificação individualizada dos segurados envolvidos no trabalho, com a respectiva remuneração, considerando que tais segurados não constavam das folhas de pagamento apresentadas, tidas pela fiscalização como insuficientes.
Caberá à autoridade fiscal aprofundar sua investigação para verificar o local e momento exato da ocorrência do fato gerador, tendo em vista que assim, ela estaria dando plena efetividade ao lançamento, e respeitando o princípio basilar do processo administrativo fiscal que é a verdade material.
Se a autoridade fiscalizadora admitiu tratar-se de relação envolvendo atividades operacionais no âmbito de um grupo econômico, onde a empresa controladora contratava equipe de venda e as controladas participavam do rateio proporcional relativamente aos custos de tal contratação, sem o devido aprofundamento na investigação dos fatos, a presunção de legitimidade do lançamento (aferição indireta) não pode constituir uma carta em branco na mão do Fisco.
Cabe ao Fisco, portanto, o ônus de provar a existência de fatos impeditivos ou extintivos da pretensão do particular lastreada em suas declarações, documentos fiscais e contábeis, situação não vislumbrada nestes autos.
A presunção de legitimidade do lançamento não é uma carta em branco para a fiscalização atuar imotivadamente, sob pena de o tributo passar a ser exigido, não em face da efetiva ocorrência do fato gerador, mas com base em mera alegação do Fisco de sua ocorrência, diante da impossibilidade material de o contribuinte produzir prova negativa.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-003.309
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Os Conselheiros, Eduardo de Oliveira e Helton Carlos Praia de Lima votaram pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Carlos Cornet Scharfstein.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO. A AFERIÇÃO INDIRETA NÃO PODE CONSTITUIR UMA CARTA EM BRANCO PARA A FISCALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE SUA UTILIZAÇÃO IN CASU. FATO GERADOR. BUSCA DA VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO FISCO. MERA ALEGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE O CONTRIBUINTE PRUDUZIR PROVA NEGATIVA. 1. O lançamento foi realizado em bases frágeis, utilizandose o instituto da aferição indireta, sustentado pelas regras contidas no art. 33 da Lei nº 8.212/91, sob a alegação de que o contribuinte não fez a identificação individualizada dos segurados envolvidos no trabalho, com a respectiva remuneração, considerando que tais segurados não constavam das folhas de pagamento apresentadas, tidas pela fiscalização como insuficientes. 2. Caberá à autoridade fiscal aprofundar sua investigação para verificar o local e momento exato da ocorrência do fato gerador, tendo em vista que assim, ela estaria dando plena efetividade ao lançamento, e respeitando o princípio basilar do processo administrativo fiscal que é a verdade material. 3. Se a autoridade fiscalizadora admitiu tratarse de relação envolvendo atividades operacionais no âmbito de um grupo econômico, onde a empresa controladora contratava equipe de venda e as controladas participavam do rateio proporcional relativamente aos custos de tal contratação, sem o devido aprofundamento na investigação dos fatos, a presunção de legitimidade do lançamento (aferição indireta) não pode constituir uma carta em branco na mão do Fisco. 4. Cabe ao Fisco, portanto, o ônus de provar a existência de fatos impeditivos ou extintivos da pretensão do particular lastreada em suas declarações, documentos fiscais e contábeis, situação não vislumbrada nestes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 03 22 /2 01 1- 21 Fl. 609DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13502.720322/201121 Acórdão n.º 2803003.309 S2TE03 Fl. 3 2 5. A presunção de legitimidade do lançamento não é uma carta em branco para a fiscalização atuar imotivadamente, sob pena de o tributo passar a ser exigido, não em face da efetiva ocorrência do fato gerador, mas com base em mera alegação do Fisco de sua ocorrência, diante da impossibilidade material de o contribuinte produzir prova negativa. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Os Conselheiros, Eduardo de Oliveira e Helton Carlos Praia de Lima votaram pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Carlos Cornet Scharfstein. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13502.720322/201121 Acórdão n.º 2803003.309 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições previdenciárias sociais devidas aos terceiros. A fim de identificar a ocorrência dos fatos geradores, a fiscalização analisou as informações constantes nas GFIP apresentadas pela empresa, suas folhas de pagamento, meio papel e digital, e a sua contabilidade, meio papel e digital, livros razão e diário. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 07 de maio de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO SOCIAIS DESTINADAS À OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS (TERCEIROS). INCIDÊNCIA. Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil a arrecadação e fiscalização das contribuições devidas a Terceiros (Entidades e Fundos), conforme preconiza o art. 3º, da lei nº 11.457, de 2007. AFERIÇÃO INDIRETA. Relato fiscal caracteriza a hipótese prevista no parágrafo terceiro do artigo 33 da Lei nº 8.212/1991. Viabilidade da utilização do instrumento legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: O respeitável acórdão recorrido merece ser reformado, porquanto não apreendeu corretamente a matéria em discussão, objeto do AI elidido pela impugnação apresentada, na qual se deixa claro que a recorrente não possui equipe de vendas e, portanto, não paga salários, comissões, repouso semanal remunerado etc., que estariam registradas na contabilidade. É importante repetir parte das razões postas na impugnação, no sentido de que na folha de pagamento apresentada à fiscalização, esta não identificou qualquer empregado da equipe de vendas que trabalhasse na recorrente, quando era dever do fisco identificar nominalmente quem efetivamente trabalhava ou trabalhou na CERAMUS BAHIA S.A., e percebeu salário ou outra verba remuneratória, formando a equivocada equipe de vendas, tomada como certa pela autoridade autuante e mantida pelo acórdão impugnado. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13502.720322/201121 Acórdão n.º 2803003.309 S2TE03 Fl. 5 4 Conforme exposto na defesa/impugnação, a recorrente deixa claro que não possui equipe de vendas, ou seja, não possui vendedor algum. O acórdão impugnado além de agasalhar os equívocos cometidos pela fiscalização, também comete outros que merecem ser desfeitos. A verificação procedida não tem sustentação, eis que, na hipótese vertente, deveria ter sido verificado a empresa ELIANE S.A., como um todo e não parcialmente, para, daí, concluir erroneamente que a fiscalização estava correta por gozar de presunção de veracidade. No caso, tratase de tributo e, como tal, não cabe a presunção onde há elementos suficientes para se aprofundar a fiscalização e se chegar à verdade material, que deve sempre prevalecer sobre qualquer presunção. Os documentos anexos vêm corroborar aqueles já juntados aos autos, demonstrando o equívoco cometido pela fiscalização e mantido pelo acórdão recorrido. No caso concreto, a recorrente está sendo tributada com base em elementos incertos e inseguros, com verdadeira desconsideração da personalidade jurídica, vez que não houve interesse do fisco em entender o procedimento, nem em aprofundar a fiscalização, limitandose a solicitar explicações, sem a verificação ou compreensão efetiva da realidade material. Com isso está ser impondo tributação onde nada há a ser tributado. Destacase que não há no auto de infração, nem mesmo no Relatório Fiscal, a demonstração concreta, material, de elementos que comprove a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, pois a fiscalização não identifica nenhum empregado que tenha recebido valores a título de remuneração pelo trabalho – com ou sem vínculo empregatício – condição sine qua non para dar ensejo à exigência de tributo ou para materializar a ocorrência do fato gerador. Consta também incluso uma demonstração, por amostragem, demonstrando que os valores integrais percebidos por vendedores estão lançados na GFIP da ELIANE S.A. As contas contábeis referidas no item 1.9.1., são contas de PROVISÃO, ou seja, não são contas em que são lançadas despesas verdadeiramente ocorridas, como foi devidamente explicado ao agente fiscal. Os valores são provisionados mensalmente para serem pagos no final do ano. Também aqui a fiscalização não se preocupou em buscar a verdade material. Diante do exposto, requer o recebimento do presente recurso, para, na forma das razões acima sustentadas, seja lhe dado provimento, a fim de ser declarado nulo o auto de infração, pelas razões acima sustentadas; ou, então, julgado totalmente improcedente o AI, por ser de direito e de justiça. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13502.720322/201121 Acórdão n.º 2803003.309 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Na constituição do crédito tributário pelo lançamento, competirá à autoridade administrativa verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicável da penalidade cabível. Esta é, pois, a regra basilar que deve ser observada pela autoridade administrativa, tendo em vista que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN). Das premissas contidas no art. 142 do CTN para o caso em discussão, a identificação do sujeito passivo é fator primordial, tendo em conta tratarse de situação muito bem definida de formação de grupo econômico, inclusive com pleno reconhecimento pela autoridade lançadora, bem como pelas autoridades julgadoras de primeira instância administrativa. Em situações como a em discussão, não basta uma análise superficial para concluir que a empresa é devedora das contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social. Em razão de se tratar de operações envolvendo o entrelaçamento de atividades no âmbito de um grupo econômico bem determinado, a constituição do crédito tributário deveria ter sido realizada com extremo rigor, notadamente no que concerne à busca da verdade material. Esta premissa fundamental, pelo que pude denotar da análise dos autos, não ocorreu. O lançamento foi realizado em bases frágeis, utilizandose o instituto da aferição indireta, sustentado pelas regras contidas no art. 33 da Lei nº 8.212/91, sob a alegação de que o contribuinte não fez a identificação individualizada dos segurados envolvidos no trabalho, com a respectiva remuneração, considerando que tais segurados não constavam das folhas de pagamento apresentadas, tidas pela fiscalização como insuficientes. Acontece, porém, que as equipes de vendas, efetivamente, não estavam sob a tutela da empresa controlada (a recorrente), mas sim, sob o comando da empresa controladora. In casu, portanto, tendo em vista a obviedade da matéria, a empresa controlada, não poderia, em princípio, apresentar relação individualizada de membros de uma equipe de vendas contratada por outra empresa, a controladora. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13502.720322/201121 Acórdão n.º 2803003.309 S2TE03 Fl. 7 6 Em situações como a ora em discussão, caberá à autoridade fiscal aprofundar sua investigação para verificar o local e momento exato da ocorrência do fato gerador, tendo em vista que assim, ela estaria dando plena efetividade ao lançamento e, obviamente, respeitando o princípio basilar do processo administrativo fiscal que é a verdade material. A fundamentação que sustenta o lançamento, como já referido anteriormente, é frágil, não podendo o fisco se desincumbir do ônus de identificar o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária. Nesta direção, há que se considerar os abalizados ensinamentos de Sacha Calmon Navarro Coelho e Eduardo Junqueira Coelho (in CARF: questões controvertidas no processo administrativo fiscal / [coordenação Ives Gandra da Silva Martins, conferencista inaugural José Carlos Moreira Alves]. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2012. p. 84/85), verbis: A prova de eventuais inconsistências e irregularidades compete ao Fisco, como consequência de seu dever de homologar. Da mesma forma que não se exige do contribuinte a transcrição de seus lançamentos contábeis no momento da entrega das atuais declarações (DIPJ, DCTF, DACON etc.), não pode o Fisco ignorálas e nem tampouco desprezar os registros contábeis que lhes servem de fundamento ou rejeitálos, sem demonstrar os fundamentos fáticos e jurídicos, de forma individualizada, ao simplório e genérico argumento de ausência de comprovação dos fatos que suscitaram a contabilização, uma vez que cabe ao Fisco o ônus de provar a existência de fatos impeditivos ou extintivos da pretensão do particular lastreada em suas declarações, documentos fiscais e contábeis. As acusações fiscais presentes no lançamento devem necessariamente ser precedidas de clara e segura demonstração dos fatos e do direito que as sustentam. Portanto, deve previamente o contribuinte ser intimado a se manifestar para comprovar e esclarecer os fatos que poderiam obstar as acusações fiscais, sob pena de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do lançamento pro vício material (substancial) insanável. Ou seja, se a prova favorável ao contribuinte era plenamente possível e não tiver sido realizada pela fiscalização, sem que para tanto tenha concorrido o contribuinte, não pode ser posteriormente invocada a ausência de apresentação de prova pelo contribuinte, como um dos fundamentos fáticos do lançamento. Rui Barbosa Nogueira, com apoio na lição de Spitaler, afirma que o dever de investigar as situações de fato e os fatos geradores impostos pela lei às autoridades fiscais exige que não capitulem, nunca, diante da obscuridade da Fl. 614DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13502.720322/201121 Acórdão n.º 2803003.309 S2TE03 Fl. 8 7 relação de fato, devendo ser capazes até de verificalos por avaliação. Assim, a presunção de legitimidade do lançamento não é uma carta em branco para a fiscalização atuar imotivadamente, sob pena de o tributo passar a ser exigido, não em face da efetiva ocorrência do fato gerador, mas com base em mera alegação do Fisco de sua ocorrência, diante da impossibilidade material de o contribuinte produzir prova negativa. (grifouse e destacouse) Com efeito, se a autoridade fiscalizadora admitiu tratarse de relação envolvendo atividades operacionais no âmbito de um grupo econômico, onde a empresa controladora contratava equipe de venda e as controladas participavam do rateio proporcional relativamente aos custos de tal contratação, sem o devido aprofundamento na investigação dos fatos, a presunção de legitimidade do lançamento (aferição indireta) não pode constituir uma carta em branco na mão do Fisco. Cabe ao Fisco, portanto, o ônus de provar a existência de fatos impeditivos ou extintivos da pretensão do particular lastreada em suas declarações, documentos fiscais e contábeis, situação não vislumbrada nestes autos. A presunção de legitimidade do lançamento não é uma carta em branco para a fiscalização atuar imotivadamente, sob pena de o tributo passar a ser exigido, não em face da efetiva ocorrência do fato gerador, mas com base em mera alegação do Fisco de sua ocorrência, diante da impossibilidade material de o contribuinte produzir prova negativa. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 615DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 15868.720080/2012-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Carolina Hamaguchi, OAB/SP nº. 195.705.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente.
Thiago Moura de Albuquerque Alves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Tatiana Midori Migiyama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: Não se aplica
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INSUMOS. DILIGÊNCIA. Recorrente JBS S.A. Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Carolina Hamaguchi, OAB/SP nº. 195.705. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente. Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Tatiana Midori Migiyama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A empresa qualificada em epígrafe foi autuada, em virtude da apuração de falta de recolhimento da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e para a COFINS, no período de 30/04/2008 a 30/06/2008, exigindoselhe contribuição para o PIS de R$ 2.952.951,86, multa de ofício de R$ 2.214.713,88 e juros de mora de R$ 1.168.898,33, perfazendo o total de R$ 6.336.713,88, e para a COFINS, exigência de R$ 13.667.404,75, multa de ofício de R$ 10.250.553,55 e juros de mora de R$ 5.410.090,00, perfazendo o total de R$29.328.048,30. Inconformada, a empresa apresentou impugnação, pugnando pelo reconhecimento da nulidade ou improcedência da autuação. Apreciando a impugnação, a DRJ RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 58 68 .7 20 08 0/ 20 12 -3 2 Fl. 8135DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15868.720080/201232 Resolução nº 3202000.202 S3C2T2 Fl. 8.136 2 a julgou improcedente, conforme se verifica, resumidamente, na emenda do acórdão ora recorrido: CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Cofins nãocumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. INCORPORAÇÃO. A multa de ofício e os juros de mora integram a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário. NULIDADE. Tratandose de auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não cabe o acatamento da preliminar de nulidade. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando os Auto de Infração (AI) e seus anexos integrantes são regularmente cientificados ao sujeito passivo, sendolhe concedido prazo para sua manifestação, e quando estejam discriminados, neste, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação, tendo sido observados todos os princípios que regem o processo administrativo fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do Impugnante, a realização de diligências, quando entendelas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. SUSTENTAÇÃO ORAL. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de sustentação oral em sessão de julgamento na primeira instância administrativa pela falta de previsão na legislação que trata do processo administrativo fiscal, em especial o Decreto 70.235/72. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele. Fl. 8136DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15868.720080/201232 Resolução nº 3202000.202 S3C2T2 Fl. 8.137 3 Cientificado da decisão acima destacada, a recorrente apresentou recurso voluntário, sustentando que o auto de infração seria nulo, porque foi lavrado por autoridade vinculada à DRF de Araçatuba, embora se trata de operações praticadas pela empresa BERTIN S.A., incorporada pela JBS S/A, ambas sediadas em São Paulo/SP, o que teria cerceado, inclusive, o seu direito de defenderse propriamente. Para a empresa, a Superintendência autorizou à DRF de Araçatuba a fazer, apenas, o reexame do período já fiscalizado, sem fazer menção à delegação de competência, exigida pelo art. 6º, III, § 3º, I, da Portaria nº 3.014/2011. A recorrente defende, ainda, a nulidade do acórdão recorrido, porque indeferiu seu pedido de diligência e, também, porque a DRJ não teria apreciado sua asserção, de que a responsabilidade tributária deveria recair, nos termos do art. 135, III, do CTN, sobre os administradores da BERTIN (incorporada), e não sobre a JBS (incorporadora). Alternativamente, a empresa pede ao CARF seja apreciada tal questão. No mérito, pedese a reforma do acórdão recorrido, uma vez que a empresa teria descontado valores, respeitando o crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2002 e os créditos do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, o que não poderia ser glosado sem fundamentação, mas com meras planilhas, pela fiscalização. Caso mantida a autuação, pedese que sejam afastados os juros e a multa, por se tratar de responsabilidade tributária por sucessão. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Thiago Moura de Albuquerque Alves. O recurso voluntário é tempestivo, sendo adequada sua apreciação por esta Turma. No presente recurso, a contribuinte defende, principalmente, que merece reforma o acórdão recorrido, porquanto teria sido ilegal a compreensão do processo produtivo da empresa, a partir do qual a autoridade fiscal glosou os créditos de PIS/COFINS não cumulativos. Da análise dos autos, percebese que não se trata de bens e serviços abstratamente creditáveis. É a atividade da empresa quem justificará, nos termos do art. 3º, das Leis.nº 10.637/2002 e 10.833/2003, o creditamento ou não das despesas ou custos de bens e serviços de PIS/COFINS nãocumulativos. No meu entender, portanto, é essencial compreender o processo produtivo da Recorrente para, então, julgar a correção ou não do procedimento da autoridade fiscal. Todavia, não há nos autos elementos suficientes para contextualizar os bens e serviços, cujos créditos foram glosados, dentro da atividade produtiva da empresa. Fl. 8137DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15868.720080/201232 Resolução nº 3202000.202 S3C2T2 Fl. 8.138 4 É necessário, igualmente, saber se foram ou por que foram desconsiderados créditos da BERTIN LTDA., desde a data da ocorrência do drop down (10/2007), conforme narrado nos itens “1.6 e 1.7” do recurso voluntário (fl. 8.108). Diante disso, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que unidade preparadora jurisdicionante do domicílio fiscal da Recorrente providencie o que segue: a) Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição que descreva detalhadamente o seu processo produtivo, apontando e contextualizando a utilização dos insumos ora glosados na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; e b) Após a juntada do laudo pela contribuinte, promovase diligência fiscal in loco, para verificar as conclusões do laudo pericial, elaborando Relatório conclusivo e sucinto acerca da utilização ou não dos insumos ora glosados no processo produtivo da Recorrente; c) Verifique a existência de créditos de PIS/COFINS não cumulativos da BERTIN LTDA., desde a data da ocorrência do drop down (10/2007). Explicar, se for caso, o motivo da desconsideração de tais créditos. Após a realização da diligência, é mister que seja dado o prazo de trinta dias para que a Recorrente e a fiscalização se manifestem acerca do tema. Encerrada a instrução processual, devem os autos retornarem ao CARF para julgamento. É como voto. Relator Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 8138DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10735.002609/2005-03
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS BASE DE CÁLCULO RECEITA DECLARADA.
No caso de autuação com fundamento em depósitos bancários de origem não comprovada, não existe base legal para que se efetue a subtração de valores que eventualmente constem da respectiva Declaração de Ajuste Anual, sem a necessária correlação com as quantias depositadas.
Recurso Especial da Fazenda Nacional provido.
Numero da decisão: 9101-001.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente-Substituto.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
EDITADO EM: 02/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente-Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Antônio Lisboa Cardoso, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior e Paulo Roberto Cortez .
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS BASE DE CÁLCULO RECEITA DECLARADA. No caso de autuação com fundamento em depósitos bancários de origem não comprovada, não existe base legal para que se efetue a subtração de valores que eventualmente constem da respectiva Declaração de Ajuste Anual, sem a necessária correlação com as quantias depositadas. Recurso Especial da Fazenda Nacional provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente-Substituto. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator. EDITADO EM: 02/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente-Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Antônio Lisboa Cardoso, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior e Paulo Roberto Cortez .
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(ant. REI DO BACALHAU RIO PETRÓPOLIS LTDA.) ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS BASE DE CÁLCULO RECEITA DECLARADA. No caso de autuação com fundamento em depósitos bancários de origem não comprovada, não existe base legal para que se efetue a subtração de valores que eventualmente constem da respectiva Declaração de Ajuste Anual, sem a necessária correlação com as quantias depositadas. Recurso Especial da Fazenda Nacional provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – PresidenteSubstituto. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. EDITADO EM: 02/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (PresidenteSubstituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 26 09 /2 00 5- 03Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Antônio Lisboa Cardoso, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior e Paulo Roberto Cortez . Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório do acórdão recorrido: Iniciada a fiscalização na empresa em epígrafe, programada para o ano calendário de 2003, devidamente intimada, fls. 29 e 30, a mesma apresentou extratos bancários de diversas contas correntes e aplicações, bem como extrato da REDECARD (cartão de crédito) — Termo de resposta às fls. 31. A empresa é optante do regime de apuração de IRPJ e contribuições federais pelo Simples, regime favorecido de tributação e entregou a respectiva DIPJS/04, cuja cópia encontrase às fls. 06 a 22. De posse das informações sobre a movimentação financeira, a fiscalização relacionou individualmente cada crédito bancário e intimou, e reintimou, a empresa a justificar a origem dos valores fls. 226 e 227. Acompanhou os Termos de Intimação Fiscal o demonstrativo de créditos de fls. 228 a 275. Em resposta, às fls. 276, a empresa justificou a origem de alguns créditos efetuados a título de mútuos e em decorrência de liberações de valores de cheques especiais. A fiscalização aceitou as justificativas e excluiu os valores devidamente justificados. No Termo de Constatação Fiscal de fls. 280 e 281 a fiscalização resumiu o procedimento fiscal que sintetizouse nesta checagem de valores creditados nas contas bancárias da empresa, e recebidos em virtude de cartões de créditos, discriminando os créditos que restaram nos demonstrativos analíticos de fls. 282 a 328. A somatória mensal dos valores dos créditos foi utilizada como base de cálculo para a autuação, pelo mesmo regime de tributação — Simples, consoante Autos de Infração de fls. 329 a 386, para exigência de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e CPSS. Constou ainda como infração tributária pequenas divergências mensais declaradas, mas não recolhidas pela empresa. Impugnado o lançamento tributário, fls. 400 a 404, a empresa insurgiuse porque a fiscalização não computou nos cálculos os montantes já informados na DIPJS/04, alegando denotar caráter confiscatório na autuação. A Sétima Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ exarou o Acórdão n° 1218.132, fls. 450 a 456, mantendo o lançamento tributário integralmente. Assim restou ementado o aresto: OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS – SIMPLES. Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10735.002609/200503 Acórdão n.º 9101001.911 CSRFT1 Fl. 1.019 3 Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoa física ou jurídica, depois de intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS BASE DE CÁLCULO RECEITA DECLARADA. No caso de autuação com fundamento em depósitos bancários de origem não comprovada, não existe base legal para que se efetue a subtração de valores que eventualmente constem da respectiva Declaração de Ajuste Anual, sem a necessária correlação com as quantias depositadas. INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO. SIMPLES. Cobrase por intermédio de lançamento de oficio as diferenças apuradas durante a fiscalização e relativas a recolhimentos ou valores declarados a menor em face de utilização de alíquota inferior a efetivamente aplicável. Irresignada, a empresa apresentou, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fls. 466 a 472, argumentando que é absurda a inversão do ônus da prova defendida pela turma julgadora de primeira instância e que a autuação, conforme realizada, se traduz em verdadeiro bis in idem. A contribuinte apresentou recurso voluntário, que foi provido em parte, tendo o Colegiado a quo proferido acórdão cuja ementa transcrevo a seguir: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS LANÇAMENTO, Após intimar o contribuinte a apresentar a contabilidade, não o fazendo, e verificando a autoridade fiscal relevante disparidade entre os valores declarados e a movimentação financeira, é regular o procedimento de efetuar o lançamento tributário pelos créditos espelhados nos extratos bancários, não justificados, por consistir em presunção de receita omitida, com fulcro no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. EXCLUSÃO DA RECEITA DECLARADA NO SIMPLES. VALORES EFETIVAMENTE PAGOS. Demonstrado nos autos que a presunção da omissão da receita omitida pelo contribuinte abrangeu toda a movimentação financeira da empresa, razoável excluirse da base de cálculo tributada os valores correspondentes aos tributos Simples efetivamente pagos pelo contribuinte, antes de iniciado o procedimento fiscal. Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Recurso Provido em Parte. A Fazenda Nacional, às fls. 486/487, apresentou recurso especial por meio do qual se insurge contra o acórdão em que foi dado parcial provimento ao recurso voluntário para que os valores pagos a título de Simples, relativos ao anocalendário de 2003, fossem descontados do crédito constituído pelo lançamento. O recurso foi admitido pelo presidente da 3ª Câmara da 1ª SEJUL, que entendeu haver divergência no que tange à possibilidade de excluir o valor das receitas declaradas da base de cálculo de omissão de receitas apurada com base em créditos bancários de origem não comprovada. O sujeito passivo apresentou contrarrazões às fls. 497/500. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, Relator Entendo presentes os requisitos de admissibilidade, portanto, admito o recurso. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, referese à exclusão da base de cálculo tributada, de valores correspondentes aos tributos relativos a contribuinte do Simples efetivamente pagos pelo contribuinte antes de iniciado o procedimento fiscal, quando do lançamento decorrente de presunção da omissão da receita omitida pelo contribuinte, não havendo demonstração da correspondência entre os respectivos valores pelo contribuinte. O tema remete à questão do ônus da prova. Vejase que a lógica é de que, dados valores totais de receita, devese excluir as receitas que já estejam incluídas no total, sob pena de dupla cobrança. Assim, o tema remete à questão da prova. Porque se o contribuinte que não tem a contabilidade organizada é instado a demonstrar ao Fisco quais valores correspondem à movimentação bancária, não cabe ao Fisco excluílas sponte própria, sob risco de estar excluindo valores que não foram oferecidos à tributação. Caso contrário dáse a dupla cobrança. Vejase novamente o resumo dos fatos pelo relatório do acórdão recorrido: De posse das informações sobre a movimentação financeira, a fiscalização relacionou individualmente cada crédito bancário e intimou, e reintimou, a empresa a justificar a origem dos valores fls. 226 e 227. Acompanhou os Termos de Intimação Fiscal o demonstrativo de créditos de fls. 228 a 275. Em resposta, às fls. 276, a empresa justificou a origem de alguns créditos efetuados a título de mútuos e em decorrência de liberações de valores de cheques especiais. A fiscalização aceitou as justificativas e exclui os valores devidamente justificados. Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10735.002609/200503 Acórdão n.º 9101001.911 CSRFT1 Fl. 1.020 5 No Termo de Constatação Fiscal de fls. 280 e 281 a fiscalização resumiu o procedimento fiscal que sintetizouse nesta checagem de valores creditados nas contas bancárias da empresa, e recebidos em virtude de cartões de créditos, discriminando os créditos que restaram nos demonstrativos analíticos de fls. 282 a 328. A somatória mensal dos valores dos créditos foi utilizada como base de cálculo para a autuação, pelo mesmo regime de tributação — Simples, consoante Autos de Infração de fls. 329 a 386, para exigência de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e CPSS. Constou ainda como infração tributária pequenas divergências mensais declaradas, mas não recolhidas pela empresa. Pareceme que a Administração Tributária agiu corretamente. Vejase que há dois lançamentos, um pelas diferenças de recolhimento e outro pela diferença da base de cálculo que é composta de duas parcelas: receitas declaradas, constantes das declarações e com recolhimentos (os recolhimentos foram objeto de lançamento) receitas omitidas (decorrentes da verificação das transações bancárias, já aceitas as comprovações do contribuinte que geraram exclusões da base), que foi objeto de lançamento. O total das receitas é a soma das duas, a faixa de alíquotas do Simples, dada pela soma das duas, do que resultou em cobrança de diferenças. No TVF, fls. 381, lêse: A Receita Bruta declarada acrescentase a Receita Omitida, ultrapassando, desta forma, a faixa de alíquota utilizada pela autuada, fato que acarretou insuficiência de recolhimento conforme Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis Sobre a Receita Bruta e Demonstrativo de Apuração dos Valores não Recolhidos. Não faz sentido do lançamento das receitas omitidas se deduzir as receitas declaradas (pois se são declaradas não foram omitidas), que é o que foi decidido no acórdão recorrido. Vejase que recebimentos em dinheiro e pagamentos em dinheiro são comuns neste ramo de atividade, essas podem ser as receitas declaradas, mas com relação às receitas que foram via banco, elas só podem ser excluídas se houver uma comprovação de que foram declaradas. São situações distintas cuja exclusão demanda comprovação. A pressuposição constante do acórdão recorrido de que toda a receita do estabelecimento transitou necessariamente pelas contas correntes analisadas e que parte dela foi declarada não me parece acertada. O ônus da prova aqui não é do Fisco. Assim, entendo que o acórdão recorrido concluiu de forma a reduzir indevidamente a base de cálculo ao entender que a subtração das receitas declaradas das receitas omitidas leva à base não declarada a ser tributada. Ou seja, o Acórdão recorrido assume haver nos autos demonstração de que “a presunção da omissão da receita omitida pelo contribuinte abrangeu toda a movimentação financeira da empresa...” Não há dúvida de que, em correndo isto, há que se fazer a dedução. Porém, não me parece que isso tenha ocorrido, isso demanda prova. Prova que não foi carreada aos autos pelo contribuinte, ainda que instado a fazêlo. Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Portanto, correta a não exclusão da base declarada, posto que não inclusa na parte objeto do lançamento por omissão. Neste sentido dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 15374.720133/2010-13
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2000,2001,2002,2003,2004,2005
DECISÃO DEFINITIVA
É definitiva a decisão de primeira instância quando esgotado o prazo para o recurso voluntário sem que este tenha sido interposto.
Numero da decisão: 1803-002.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2000,2001,2002,2003,2004,2005 DECISÃO DEFINITIVA É definitiva a decisão de primeira instância quando esgotado o prazo para o recurso voluntário sem que este tenha sido interposto.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nºs 05810.43504.141005.1.3.044400 em 14.10.2005, 32924.88298.111105.1.3.045810 em 11.11.2005, 36702.53521.121205.1.3.04 1680 em 12.12.2005, 31967.64975.100106.1.3.043830 em 10.01.2006, 13962.79819.140206.1.3.041114 em 14.02.2006, 06022.86817.130306.1.3.043845 em 13.03.2006, 13066.20971.130406.1.3.042369 em 13.04.2006, 23798.13761.110506.1.3.040499 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 01 33 /2 01 0- 13 Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.720133/201013 Acórdão n.º 1803002.185 S1TE03 Fl. 1.231 2 em 11.05.2006, 25760.78726.120606.1.7.045899 em 12.06.2006, 40132.50841.110706.1.3.04 4542 em 11.07.2006, 05746.21842.080806.1.3.044921 em 08.08.2006, 40910.27050.130906.1.3.049941 em 13.09.2006, 06963.51328.111006.1.3.047783 em 11.10.2006, 11019.75603.101106.1.3.040660 em 10.11.2006, 22744.11977.151206.1.3.041764 em 15.12.2006, 01916.99895.040107.1.3.043842 em 04.01.2007, fls. 0473, utilizandose do pagamento a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), código 2089, no valor atualizado de R$200.476,47 discriminado nas planilhas de fls. 131140, arrecadado no período de 30.04.1999 a 27.02.2004, fls. 141197 e apurado pelo regime do lucro real presumido, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 122125, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido: RELATÓRIO Trata o presente processo das Declarações de Compensação —DCOMP de fls. 03/72 (listadas no quadro abaixo), através das quais a interessada alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, no valor original de R$200.476,47 (duzentos mil, quatrocentos e setenta e seis reais e quarenta e sete centavos), decorrente de supostos pagamentos indevidos ou a maior detalhados em processo administrativo anterior constante do no 15374.002621/200316. Com o crédito alegado procura extinguir por compensação débitos relativos a COFINS, à Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL e ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, discriminados no campo "Débitos Compensados" das mencionadas DCOMP. [...] FUNDAMENTAÇÃO Da compensação O artigo 170, do Código Tributário Nacional, assim se expressa sobre a compensação, instituto do direito civil por ele acolhido e que constitui modalidade extintiva do crédito tributário [...]. É o que deflui da leitura do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 após as alterações promovidas pela Lei n° 10.637/02 em seu artigo 49, [...]. Até então disciplinados pela Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, os procedimentos respectivos passaram a ser regidos pela Instrução Normativa SRF no 460, de 18 de outubro de 2004, a qual foi revogada pela IN/SRF n° 600, de 28 de dezembro de 20005, que está revogada pela IN/SRF n° 900, de 30 de dezembro de 2008, em vigor. Da análise do credito alegado: Conforme citado no relatório, a interessada alega possuir créditos no PAF nº 15374.002621/200316 oriundos de suposta existência de pagamento indevido ou a maior, no valor original de R$200.476,47. Em consulta ao PAF nº 15374.002621/200316 (fls. 78/81), verificouse que a interessada formulou consulta acerca do percentual a ser aplicado sobre a receita bruta na atividade de clinica de ortopedia e fisioterapia, com complementação diagnóstica por meio de serviços de radiologia, na determinação da base de cálculo do imposto de renda de pessoa jurídica apurado com base no lucro presumido. Além Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.720133/201013 Acórdão n.º 1803002.185 S1TE03 Fl. 1.232 3 disso, consulta também sobre a possibilidade de compensar seus créditos tributários com o suposto credito aqui pleiteado. Verificouse, de acordo com a Solução de Consulta SRRF/7a.RF/DISIT no 426/2003 (fls. 82/85), que: "Confirmase aqui o entendimento expresso pelo Interessado. De acordo com: o Regulamento do Imposto de Renda, arts. 518, "caput", 519 § 2°; a Lei n° 9.249/1995, art. 15, § 1º; o ADI SRF n.° 18/2003; PN/CST n° 36/77; a Portaria GM do Ministério da Saúde n° 1.884/1994; a Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS n° 020/2002 e a IN SRF n° 306/2003, art. 23, inciso V, a prestação de serviços de clínicas de ortopedia, traumatologia e radiologia enquadramse como serviços hospitalares e, portanto, o percentual da receita bruta para determinação do lucro presumido é de 8%. Outrossim, é relevante salientar que se os serviços médicos prestados pelo Interessado o forem nos moldes do disposto no art. 2° do Ato Declaratório Interpretativo SRF n.° 18/2003, o percentual aplicável para fins de determinação do lucro presumido será de 32%, conforme estabelecido no art. 15, §1º, inciso III, alínea "a" da Lei n.° 9.249/1995. Os valores recolhidos com base no percentual de 32% podem ser compensados, nos termos do Regulamento do Imposto de Renda, art.526 e da Instrução Normativa SRF n° 210/2002, com as alterações introduzidas pela IN SRF n.° 323/2003..." No entanto, ao contrario das informações contidas nas DCOMP, não há crédito reconhecido no PAF n° 15374.002621/200316. CONCLUSÃO Concluise não haver crédito para as compensações declaradas, uma vez que o PAF n° 15374.002621/200316 trata de mera consulta sobre a interpretação da legislação tributária. Proponho, então, o não reconhecimento do direito creditório alegado pela interessada e a não homologação das compensações declaradas nas DCOMP mencionadas na fl. 87, e de qualquer outra compensação vinculada ao alegado crédito aqui analisado, nos termos do disposto no § 2° do art. 34 da IN SRF nº 900/08. À consideração superior.[...] DESPACHO DECISÓRIO Com base no presente parecer conclusivo de fls.86189, que aprovo e adoto, o qual fica fazendo parte deste Despacho Decisório como se nele estivesse transcrito, DECIDO: I. NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO pleiteado pela interessada nos presentes autos; II. NÃO HOMOLOGAR as compensações declaradas nas DCOMP mencionadas nas fls. 87, nem qualquer outra compensação vinculada ao alegado crédito aqui analisado, nos termos do disposto no § 2° do art. 34 da IN SRF no 900/08. Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.720133/201013 Acórdão n.º 1803002.185 S1TE03 Fl. 1.233 4 Ao Apoio desta COR para: III. Para cientificar a contribuinte do inteiro teor do Parecer Conclusivo supracitado e do presente Despacho Decisório; IV. Intimar a interessada a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, o pagamento dos débitos indevidamente compensados nas Declarações de Compensação citadas acima, com os acréscimos legais cabíveis, obedecidas as determinações contidas na Instrução Normativa RFB n° 900/2008 e demais normas de regência; V. Esclarecer a interessada sobre a possibilidade de manifestação de inconformidade contra o ato administrativo perante a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I — DRJI, no prazo de 30 dias contados da data de ciência, conforme previsto no §9° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996; VI. Se for o caso, cadastrar os créditos/débitos relacionados nas DCOMP mencionadas nos sistemas PROFISC e SIEF; VII. Adotar as demais providencias de estilo. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 170 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 96101, com os argumentos a seguir discriminados. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que: DOS FATOS De fato, a Contribuinte realizou uma consulta à Receita Federal indagando sobre a correta alíquota que deveria utilizar para a tributação de sua receita, pelo lucro presumido, haja visto que sua atividade seria equiparada aos serviços hospitalares. Através da solução de consulta SRRF/7ª RF/DISIT no 426/2003, Processo n° 15.374.002621/200316, ficou decidido que a Contribuinte deveria ser tributado à alíquota de 8% sobre a receita bruta, e não a 32% como até então vinha fazendo, sem, contudo apurar os valores envolvidos. Diante do estabelecido, a Contribuinte procedeu a um levantamento (planilha n° 1 anexa) demonstrando exatamente o valor recolhido a maior no período imprescrito, e passou a fazer as compensações com os tributos vincendos. Para tanto a Contribuinte iniciou o processo de compensação utilizando cada crédito relativo a pagamento a maior em cada guia e compensava com débitos vincendos. Mas, a legislação de regência não era clara quanto h forma a ser utilizada para a compensação, não existindo referência da obrigatoriedade de utilização de guia a guia para a compensação, pois, um fato sempre intrigou a Contribuinte constava na Per/Dcomp a possibilidade de se informar o n° de processo administrativo. Assim, resolveu a Contribuinte que poderia, verificar a totalidade de seus créditos e informálos em uma per/dcomp tendo como base o processo administrativo n° 15374.002621/200316 que foi a origem do crédito, ou seja, a Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.720133/201013 Acórdão n.º 1803002.185 S1TE03 Fl. 1.234 5 Solução de Consulta que permitia ao Contribuinte a recolher o IRPJ e CSLL a 8% e 12% respectivamente, e não a 32% como vinha fazendo. Com este entendimento a Contribuinte consolidou todo o crédito apurado, em decorrência dessa Consulta formulada e passou a proceder à compensação a partir desse todo (planilha no 2 e 3 anexas). Nos Fundamentos Legais da supra mencionada Solução de Consulta, é determinado que a Compensação do imposto deverá ser efetuada nos termos do Regulamento do Imposto de Renda, art. 526 e da Instrução Normativa SRF n° 210/2002, com as alterações introduzidas pela IN SRF n° 323/2003. Em atendimento aos dispositivos legais e a determinação na solução consulta, a Contribuinte procedeu a retificação de suas DCTF's, e das DIPJ's (anexos), adequando os valores da base de cálculo do IRPJ e CSLL ao percentual de 8% e 12% respectivamente, restando, portanto, recolhido a maior a diferença entre os 32% anteriormente aplicado e a base de calculo de 8%. Foi criado todo um sistema de controle e conferência (planilhas anexas) demonstrando os créditos com suas compensações, porque com a retificação das DCTF's e das DIPJ’s tendo com base a alíquota de 8%, restou no conta corrente da Contribuinte um crédito no valor total utilizado na consolidação. Desta maneira, os Per/DComp’s indeferidos, demonstram um crédito consolidado de todos os recolhimentos de IRPJ e CSLL efetuados a maior (planilhas anexas), com os impostos e contribuições devidas após a solução de consulta constante do PAF 15374.002621/200316. DO DIREITO Não se têm dúvidas quanto à obrigação do contribuinte em atender aos procedimentos e formalidades legais na apuração, recolhimento e compensações dos impostos, mas também se tem como necessário entender que existe o principio da primazia da verdade incidente na apuração dos tributos. Não resta dúvida, no caso, qual a origem dos créditos tributários, posteriormente compensados. E empresa apurava e recolhia o IRPJ e CSLL pelo lucro presumido utilizando a base de cálculo de 32%, no entanto ao proceder a Consulta Tributária através do processo n° 15374.002621/200316 ficou estabelecido que a base de cálculos para a atividade questionada seria de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL. As Instruções Normativas 210/2002, 323/2003 que tratavam das restituições e compensações de impostos através do Per/DComp’s, não traziam as orientações necessárias aos Contribuintes de como deveriam proceder para o preenchimento dos referidos documentos a fim de demonstrar os seus créditos bem com os débitos. 0 sistema de preenchimento das Per/DComp’s na vigência das IN 210/2002 e 323/2003 não trazia critica como existe atualmente, por exemplo, seria impossível, atualmente, utilizar o número de um processo de consulta para lançamento de crédito pois, o próprio sistema critica, o que impediria a utilização do procedimento forçandoo a proceder corretamente, não permitindo incorrer em erro. Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.720133/201013 Acórdão n.º 1803002.185 S1TE03 Fl. 1.235 6 Existia tanta dúvida no preenchimento das Per/Dcomp à época, que o próprio Contribuinte esteve na Receita Federal para se instruir a respeito, e foi aconselhado a consolidar o valor. Atualmente o sistema de preenchimento das Per/Dcomp critica o lançamento mal executado, de maneira que se tornou impossível a utilização do número de um processo de consulta como fonte de crédito tributário. O que aconteceu no caso em exame é que o Contribuinte vislumbrou a possibilidade de consolidar a totalidade de seu crédito para a posterior compensação, e o fez informando o n° do processo de consulta, com a intenção de informar que todo aquele crédito foi originado da diferença de recolhimento dos impostos entre às alíquotas de 32% para 8%, e o sistema Per/Dcomp não criticou. DAS PLANILHAS ANEXAS Através das planilhas anexas, demonstrase a origem dos créditos, consignando os valores apurados a 32% comparandoos com os valores apurados a 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL, restando a diferença no valor original de R$ 122.081,48. Planilha n° 1 — Demonstração Analítica das Diferenças dos Impostos/Contribuições com as apurações das bases de cálculo de 32% para 8% no IRPJ e 12% para a CSLL, de acordo com o processo de consulta 15374.002621/2003 16 Nesta planilha está demonstrado a apuração original dos impostos a partir do 1 0 Trimestre de 1999, até o 40 Trimestre de 2003, com a alíquota de 32%, em seguida demonstrase os valores recalculados com as alíquotas de 8% para o IRPJ e 12% para CSLL, apurandose por fim diferença dos impostos devidos e recolhidos a maior gerando o crédito total original no valor de R$ 122.081,48. Planilha n° 2 DARF'S recolhidos a maior e utilizados na compensação. Nesta planilha está demonstrado cada DARF (anexos) referente ao recolhimento dos impostos (campo 7), que pode ser confrontado com a coluna DIPJ NORMAL (IRPJ Liquido e CSLL Liquido) da planilha no 1. Em seguida apresentase uma coluna "créditos não aproveitados", que são valores que não foram considerados para a formação do crédito tributário. Após apresentase coluna o titulo "Compensação na DCTF", que se refere aos impostos reapurados com as novas alíquotas de base de cálculo, e que foram compensadas das guias relativas aos meses de competência, conferindo com as DCTF RETIFICADAS. Na próxima coluna, "P/Dcomp", são compensações efetuadas DA DARF, cujos Per/DComp’s utilizados para as compensações estão relacionados na última folha dessa planilha, fazendo referência cruzada com os lançamentos da compensação (1 a 6). Após esses demonstrativos chegouse no "Saldo a Compensar", que são os valores que deram origem ao crédito tributário principal, base de cálculo utilizada para a aplicação da taxa Selic da data do recolhimento da guia a maior, até o mês de outubro de 2005, data base da constituição do crédito utilizado de R$139.529,57, conforme se verifica da primeira Per/Dcomp n° 05810.43504.141005.1.3.044400. Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.720133/201013 Acórdão n.º 1803002.185 S1TE03 Fl. 1.236 7 Planilha n° 3 — Demonstrativo das Compensações Realizadas com o aproveitamento do Crédito Tributário Consolidado no Per/DComp. 05810.43504.141005.1.3.044400. Através dessa planilha verificase toda a compensação realizada do crédito tributário constituído no valor de R$139.529,57, na mesma ordem constante do "Despacho Decisório", onde consta todas as Per/DComp’s utilizadas na compensação desse crédito consolidado. Inicia a planilha com o saldo de R$139.529,57 vindo sendo atualizada e compensada com os valores devidos posteriormente, informando no final da linha o n° da Per/Dcomp utilizada para tal fim. Finalmente se conclui que em Janeiro de 2007 deixou de ser utilizado o crédito existente, restando ainda um saldo a favor do contribuinte no valor de R$94.279,59, que não foi utilizado. Das Planilhas Diante desta demonstração podese verificar que muitos valores deixaram de ser utilizado pelo Contribuinte, observandose a partir da planilha n° 2 a coluna especifica de Créditos não aproveitados, e finalmente o saldo na Planilha n° 3 onde se constata que o Contribuinte deixou de compensar o valor de R$94.279,59. DA PERÍCIA CONTÁBIL Entende o Contribuinte que, caso suas demonstrações não sejam suficientes para a convicção do Julgador da presente impugnação em acatar as compensações realizadas, o que se admite para argumentar, será necessário a realização de uma perícia contábil, nos termos do art. 16, IV do Decreto 70.235/1972, providência fundamental para a apuração dos fatos e para que não haja uma injustiça tributando o Contribuinte duplamente, deixando o Erário de reconhecer a verdade dos fatos, praticando excesso de exação. Conclui: Do exposto se conclui que a Contribuinte preencheu todos os requisitos legais para proceder a compensação de impostos recolhidos a maior. Realizou uma consulta onde a decisão foi no sentido de que deveria recolher o imposto de renda e CSLL à base de cálculo de 8%, quando estava tributando a 32%. Para proceder a compensação, e em atendimento a IN/SRF n° 255/2002, art. 9º retificou todas as DCTF's, apresentou a DIPJ com a tributação a 8%, e preencheu as Per/DComp’s, solicitando que seu crédito fosse compensado com seus impostos vincendos. A Receita indeferiu o pedido de compensação efetuadas através dos Per/DComp’s relacionados no despacho decisório sob o singelo argumento de que não localizou o crédito informado. Na verdade o crédito informado foi decorrente de um levantamento, realizado sobre todas as guias recolhidas de períodos imprescritos e consolidados em um único número, e a partir dai foram realizadas as compensações. A legislação de regência não é clara na forma do preenchimento das Per/DComp’s, e em consulta "verbal" realizada na Receita Federal o agente informou que o crédito poderia ser consolidado. Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.720133/201013 Acórdão n.º 1803002.185 S1TE03 Fl. 1.237 8 Como existe na Per/Dcomp a possibilidade de se informar o n ° de um processo administrativo, entendeu a Contribuinte que a fonte de seu crédito que foi a Consulta realizada seria o processo requerido para a constituição de seu crédito. Por esses motivos, requer sejam acatadas as razões da Contribuinte para acatar as compensações realizadas, mas, caso assim não entenda que o julgamento da presente seja transformado em diligência para determinar uma auditoria contábil e apurar a veracidade dos fatos, para não permitir a injustiça de ver o Contribuinte ser tributado duplamente. Pelo exposto requer a procedências da presente Impugnação para determinar o pronto cancelamento do auto de infração. P. deferimento Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1239.612, de 18.08.2011, fls. 11961198: “Manifestação de Inconformidade Improcedente. Restou ementado: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não apresentados elementos de prova ou de direito que o modifiquem. Notificada em 13.12.2012, fl. 1211, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 15.01.2013, fls. 12141223, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que: DA DECISÃO QUE INDEFERIU A MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Inicia o seu voto a Ilustre Relatora, indeferindo o pedido de diligência/perícia, por entender ter elementos suficientes para o julgamento da manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada. Entende a Contribuinte, que a Relatora não estava tão convicta a ponto de poder abrir mão da prova requerida pelo Contribuinte em verdadeiro cerceio de defesa, mormente quando foi designado que o tratamento da compensação destes impostos constantes destes autos fosse feito "MANUALMENTE" com consta das fls. 77, não existindo qualquer trabalho realizado que pudesse macular a demonstração do crédito da Contribuinte constante das planilhas juntadas às fls. 127/134. Fundamenta a D. Relatora que a teor do art. 170 do CTN, na compensação tributária, o direito creditório alegado deve preencher dois requisitos: o da liquidez, concernente ao aspecto do montante do crédito; e, o da certeza, que diz respeito à prova incontestável do direito alegado. Vislumbrase aqui um verdadeiro paradoxo, onde a Relatora alega ter elementos suficientes para o julgamento da manifestação de inconformidade e fundamenta o seu indeferimento na falta da certeza, por não ter havido a prova Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.720133/201013 Acórdão n.º 1803002.185 S1TE03 Fl. 1.238 9 incontestável do direito alegado Ora, não resta a menor dúvida que a Contribuinte tem o crédito, eis que retificou sua declaração de imposto de renda, retificou sua DCTF e juntou todas as guias de recolhimentos do IRPJ e CSLL que haviam sido recolhidas, apontando evidente recolhimento ano montante demonstrado na planilha n° 2, a este fato fica caracterizado a liquidez e a certeza, se alguma dúvida ainda persistisse a D. Relatora, deveria esta determinar a diligência/perícia requerida, eis que este instituto é previsto no art. 16, IV do Decreto 70.235/1972. Fundamenta ainda através da Medida Provisória n° 66/2002, que alterou o art. 74 da Lei n° 9430, de 1996 que a compensação é efetuada mediante a entrega de declaração de compensação, na qual cabe ao declarante prestar as informações do crédito o que, comprovadamente, declara ser titular, e, também, as informações do débito que, lastreado em documentos e registros contábeis idôneos, apurou. Continua a Ilustre Relatora dizendo que as informações prestadas em Dcomp devem corresponder àquelas que o declarante/fonte já havia prestado a esta Secretaria em outros documentos (processo, DARF, DCTF, DIPJ, DIRF, etc). Ora, foi exatamente isto que a Contribuinte fez, após o processo de consulta onde ficou caracterizada o seu correto enquadramento tributário, a Contribuinte apresentou a RETIFICAÇÃO DA DIPJ e das DCTF's, apresentando estes valores em suas Dcomps. Após mencionar que o Contribuinte não elide o fato de que o processo 15374.002621/200316 tratase de mera consulta sobre a interpretação da legislação tributária, e que as instruções para o preenchimento dos Per/DComp’s não eram claras, solicitou compensação informando a totalidade do crédito que, em face da consulta, entendeu possuir, conforme planilhas anexa. Sim, não há dúvida de que o processo mencionado seja apenas uma consulta de interpretação tributária, bem como não se tem dúvida de que a origem do crédito foi exatamente o resultado desta consulta que mostrou que a Contribuinte estava recolhendo seus impostos a maior do que o previsto na legislação. Assim, procedeu o levantamento através das planilhas, iniciou o processo fazendo compensação DARF a DARF, que foram homologados, mas, em determinado momento consolidou todo o valor recolhido a maior, e passou a compensar. A D. Relatora, de forma simplista, informa que "é do interessado o ônus da correta indicação do crédito que alega possuir, independente de crítica do sistema", ou seja, a Receita impõe as regras, não demonstra como fazer, e se o Contribuinte preencher um formulário que posteriormente a Receita venha entender que não era bem assim, o Contribuinte é glosado, multado, e perde os seus direitos? O interessado tem sim o ônus da correta indicação do crédito, mas também tem o direito de não ser obrigado a pagar impostos que não são devidos, para isso, deve demonstrar, e é o caso em exame. O crédito está sobejamente demonstrado, o motivo, o valor, e foram cumpridas as regras da legislação em vigor à época, foram retificadas as DIPJ's e as DCTF's, e feito o preenchimento das Per/Dcomp’s. Se houve falha no preenchimento, no entendimento da Relatora, que se abra a oportunidade para o Contribuinte retificar, ou apurese o fato através de perícia, e não simplesmente, determinar a perda dos valores pagos indevidamente e determinar o pagamento em duplicidade dos impostos. Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.720133/201013 Acórdão n.º 1803002.185 S1TE03 Fl. 1.239 10 Por fim, alega a Relatora, que o prazo decadencial para reconhecimento do direito creditório, relativo a tributo pago indevidamente ou a maior, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Assim continua, na data da transmissão das DComp relacionadas à fl. 87 (a primeira foi transmitida em 14/10/2005 e a última em 04/01/2007), em face da decadência, não seria possível solicitar a compensação com eventual crédito oriundo de alguns DARF relacionados na planilha de fls. 129/131 (foram relacionados DARF com data de arrecadação entre 30/04/1999 e 29/09/2003). Em que pese o zelo da D. Relatora, faltou a mesma observar que dos Darf’s relacionados que totalizavam como ela diz, R$122.082,19 foi utilizado para compensação apenas o valor de R$45.584,77. Se a primeira Dcomp transmitida foi em 14/10/2005, temse que seria aproveitáveis todos os Darf’s pagos de 15/10/2000. Verificandose a mencionada planilha de fls. 129/131 temse que os créditos neste período importa em R$91.413,94 em valores originais, muito superiores ao valor compensado de R$45.584,77 total das compensações pleiteadas através dos Per/DComp’s não homologados. DO DIREITO Não se têm dúvidas quanto à obrigação do contribuinte em atender aos procedimentos e formalidades legais na apuração, recolhimento e compensações dos impostos, mas também se tem como necessário entender que existe o princípio da primazia da verdade incidente na apuração dos tributos. Atualmente, o Processo Administrativo Fiscal, agora submetido ao princípio do devido processo legal (CF, art. 5º, LIV e LV), outorga ao contribuinte todas as suas garantias inclusive o contraditório. Não é mais admissível que o Julgador administrativo ignore a mudança que o Constituinte conferiu ao processo que se desenvolve em sua esfera de atuação, cerceando os direitos do Contribuinte sob qualquer forma ou pretexto: FALTA DE MOTIVAÇÃO, DENEGAÇÃO INJUSTIFICADA DE PROVA, RECUSA DE DILIGÊNCIAS, legitimamente requeridas, ou de documentos apresentados pelo Contribuinte, como se fazia num passado não muito longínquo. Ao contrário, cumpre ao Julgador Administrativo, a apuração da real verdade dos fatos, evitando todas as maneiras o excesso ou mesmo a falta de exação, por mero argumento processual. Não resta dúvida, no caso, qual a origem dos créditos tributários, posteriormente compensados. E empresa apurava e recolhia o IRPJ e CSLL pelo lucro presumido utilizando a base de cálculo de 32%, no entanto ao proceder a Consulta Tributária através do processo n° 15374.002621/200316 ficou estabelecido que a base de cálculos para a atividade questionada seria de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL. As Instruções Normativas 210/2002, 323/2003 que tratavam das restituições e compensações de impostos através do Per/DComp’s, não traziam as orientações necessárias aos Contribuintes de como deveriam proceder para o preenchimento dos referidos documentos a fim de demonstrar os seus créditos bem com os débitos. O sistema de preenchimento das Per/DComp’s na vigência das IN 210/2002 e 323/2003 não trazia crítica como existe atualmente, por exemplo, atualmente, seria Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.720133/201013 Acórdão n.º 1803002.185 S1TE03 Fl. 1.240 11 impossível, utilizar o número de um processo de consulta para lançamento de crédito pois, o próprio sistema critica, o que impediria a utilização do procedimento forçandoo a proceder dentro das normas que a Receita Federal entende como correto. Existia tanta dúvida no preenchimento das Per/DComp à época, que o próprio Contribuinte esteve na Receita Federal para se instruir a respeito, e foi aconselhado a consolidar o valor. Atualmente o sistema de preenchimento das Per/DComp critica este tipo de lançamento, de maneira que se tornou impossível a utilização do número de um processo de consulta como fonte de crédito tributário. O que aconteceu no caso em exame é que o Contribuinte vislumbrou a possibilidade de consolidar a totalidade de seu crédito para a posterior compensação, e o fez informando o n° do processo de consulta, com a intenção de informar que todo aquele crédito foi originado da diferença de recolhimento dos impostos entre às alíquotas de 32% para 8%, e o sistema Per/Dcomp não criticou. Importante ainda lembrar, repitase, os DARF's relativos ao recolhimento dos impostos constam dos sistemas da Receita, bem como as DIPJ's e as DCTF's retificadas demonstram que os valores recolhidos são muito superiores aos informados como devidos. DAS PLANILHAS CONSTANTE DOS AUTOS (FLS. 127/134) Através das planilhas constante dos autos, demonstrase a origem dos créditos, consignando os valores apurados a 32% comparandoos com os valores apurados a 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL, restando a diferença no valor original de R$ 139.529,57. PL milha n° 1 Demonstração Analítica das Diferenças dos Impostos/Contribuições com as apurações das bases de cálculo de 32% para 8% no IRPJ e 12% para a CSLL, de acordo com o processo de consulta 15374.002621/200316. Nesta planilha está demonstrado a apuração original dos impostos a partir do Io Trimestre de 1999, até o 4º Trimestre de 2003, com a alíquota de 32%, em seguida demonstrase os valores recalculados com as alíquotas de 8% para o IRPJ e 12% para CSLL, apurandose por fim diferença dos impostos devidos e recolhidos a maior gerando o crédito total original no valor de R$122.082,19 cujo crédito atualizado importava em R$139.529,57. Planilha n° 2 DARF'S recolhidos a maior e utilizados na compensação. Nesta planilha está demonstrado cada DARF (anexos) referente ao recolhimento dos impostos (campo 7), que pode ser confrontado com a coluna DIPJ NORMAL (IRPJ Líquido) da planilha n° 1. Em seguida apresentase uma coluna "créditos não aproveitados", que são valores que não foram considerados para a formação do crédito tributário. Após apresentase coluna o título "Valor devido na DCTF", que se refere aos impostos reapurados com as novas alíquotas de base de cálculo, e que foram compensadas das guias relativas aos meses de competência, conferindo com as DCTF RETIFICADAS. Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.720133/201013 Acórdão n.º 1803002.185 S1TE03 Fl. 1.241 12 Na próxima coluna, "Per/Dcomp", são compensações efetuadas DARF a DARF, cujos Per/DComp’s utilizados para as compensações estão relacionados na planilha 3 (P/DCOMP GUIA A GUIA), fazendo referência cruzada com os lançamentos da compensação ( 1 a 6). Após esses demonstrativos chegouse no "Saldo a Compensar", que são os valores que deram origem ao crédito tributário principal, base de cálculo utilizada para a aplicação da taxa Selic da data do recolhimento da guia a maior, até o mês de outubro de 2005, data base da constituição do crédito utilizado de R$139.529,57. Finalmente se conclui que em Janeiro de 2007 deixou de ser utilizado o crédito existente, restando ainda um saldo a favor do contribuinte no valor de R$94.279,59,que não foi utilizado. Das Planilhas Diante desta demonstração podese verificar que muitos valores deixaram de ser utilizado pelo Contribuinte, observandose a partir da planilha n° 2 a coluna específica de Créditos não aproveitados, e finalmente o saldo na Planilha n° 3 onde se constata que o Contribuinte deixou de compensar o valor de R$94.279,59. DA PERÍCIA CONTÁBIL Entende a D. Julgadora a desnecessidade da elaboração de perícia, o que seria até louvável, caso houvesse o acatamento das Per/DComp’s, eis que o crédito consolidado já estava aprovado em outras Per/DComp’s e o raciocínio lógico da existência crédito, no entanto, age em verdadeiro cerceamento de defesa, ao indeferir todo o alegado e demonstrado através dos valores e fatos constantes das tabelas e planilhas elaboradas. Por estes motivos, entende o Contribuinte que, caso suas demonstrações e provas constante dos autos, não sejam suficientes para a convicção do Julgador da presente impugnação em acatar as compensações realizadas, o que se admite para argumentar, será necessário a realização da perícia contábil, nos termos do art. 16, IV do Decreto 70.235/1972, providência fundamental para a apuração dos fatos e para que não haja uma injustiça tributando o Contribuinte duplamente, deixando o Erário de reconhecer a verdade dos fatos, praticando excesso de exação. Conclui: Do exposto se conclui que a Contribuinte preencheu todos os requisitos legais para proceder à compensação de impostos recolhidos a maior. Realizou uma consulta onde a decisão foi no sentido de que deveria recolher o imposto de renda e CSLL à base de cálculo de 8%, quando estava tributando a 32%. Para proceder a compensação, e em atendimento a IN/SRF n° 255/2002, art. 9o retificou todas as DCTF's, apresentou a DIPJ com a tributação a 8%, e preencheu as Per/Dcomp’s, solicitando que seu crédito fosse compensado com seus impostos vincendos. A Receita indeferiu as Per/Dcomp’s, sob o singelo argumento de que não localizou o crédito informado, mesmo estando com todos os Darf’s recolhidos constantes de seus sistemas. A legislação de regência não era clara na forma do preenchimento das Per/Dcomp’s, e em consulta "verbal" realizada na Receita Federal o agente informou que o crédito poderia ser consolidado Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.720133/201013 Acórdão n.º 1803002.185 S1TE03 Fl. 1.242 13 Como existia na Per/Dcomp a possibilidade de se informar o n° de um processo administrativo, entendeu a Contribuinte que a fonte de seu crédito que foi a Consulta realizada seria o processo requerido para a constituição de seu crédito. Por esses motivos, requer sejam acatadas as razões da Contribuinte para homologar as compensações realizadas, mas, caso assim não entenda que o julgamento da presente seja transformado em diligência para determinar uma auditoria contábil e apurar a veracidade dos fatos, para não permitir a injustiça de ver o Contribuinte ser tributado duplamente. Pelo exposto requer a procedências do presente Recurso para deferir as Per/Dcomp’s apresentadas, determinando o pronto cancelamento dos valores injustamente cobrados. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Em preliminar tem cabimento o exame da tempestividade do recurso voluntário interposto. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes são asseguradas aos litigantes em processo administrativo. Por esta razão há previsão de que a pessoa jurídica seja intimada para apresentar sua defesa, inclusive, por via postal no domicílio fiscal constante nos registros internos da RFB, procedimento este que deve estar comprovado nos autos. Quando resultar improfícuo este meio, a intimação poderá ser feita por edital publicado na dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação, caso em que se considera efetivada 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. No caso da emissão Notificação de Lançamento, a autoridade administrativa deve cientificar o sujeito passivo para apresentação de impugnação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da sua notificação. No mesmo prazo de 30 (trinta) dias, contra a decisão de primeira instância, cabe recurso voluntário para reexame da sucumbência. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Estes prazos legais são contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento e só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Outra característica é que também são peremptórios, já que não podem ser reduzidos ou prorrogados pela vontade das partes. Considerase definitivo o ato decisório de primeira instância, no caso de esgotado o prazo legal sem que a peça de defesa em instância recursal tenha sido interposta1. 1 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 5º, art. 15, art. 16, art. 23, art. 33, art. 35 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 182 do Código de Processo Civil. Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.720133/201013 Acórdão n.º 1803002.185 S1TE03 Fl. 1.243 14 Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática. Verificase no presente caso que a Recorrente foi notificada em 12.12.2012, fl. 1211, e apresentou o recurso voluntário em 15.01.2013, fls. 12141223. Logo, restando evidenciada a apresentação intempestiva da petição, a decisão de primeira instância tornouse definitiva, caso em que o procedimento considerase findo na esfera administrativa. Em assim sucedendo, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 19647.004651/2005-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2000
Ementa:
ANTECIPAÇÃO OBRIGATÓRIA (ESTIMATIVA). EXTINÇÃO APÓS O VENCIMENTO LEGAL. ENCARGOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA.
Independentemente da natureza jurídica que se queira emprestar às antecipações obrigatórias (estimativas) previstas na legislação tributária, não se pode negar que ela tem caráter tributário e que, uma vez não recolhidas no prazo legal, submetem-se aos acréscimos moratórios previstos no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. O fato de o recolhimento representar antecipação do eventualmente devido ao final do período de apuração, a exemplo de tantas outras formas previstas na legislação tributária, não lhe retira o caráter obrigacional, de modo que, sendo extemporânea a sua extinção, resta configurado o débito tributário, sendo, em razão disso, devidos os encargos moratórios.
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
À compensação, que extingue o crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação por parte da autoridade administrativa competente, não se aplica o instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN.
COMPENSAÇÃO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL.
O fundamento de validade da denominada imputação proporcional de pagamento é o artigo 167 do Código Tributário Nacional, que estabelece que a restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, na mesma proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias. Isto porque é nele que se encontra descrito o método pelo qual se imputa o pagamento ao crédito tributário devido pelo sujeito passivo, não se podendo olvidar que, tratando-se de COMPENSAÇÃO, a operação extintiva do crédito a favor da Fazenda Pública se efetiva por meio de concomitante repetição de indébito.
REVISÃO DE LANÇAMENTO. EFEITOS. INOCORRÊNCIA.
Comprovado nos autos que a revisão de lançamento referenciada na peça de defesa não produziu efeitos nos atos e fatos apreciados na lide objeto de julgamento, descabe enfrentar os argumentos a ela associados;
Numero da decisão: 1301-001.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Eduardo Lourenço Gregório Junior.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2000 Ementa: ANTECIPAÇÃO OBRIGATÓRIA (ESTIMATIVA). EXTINÇÃO APÓS O VENCIMENTO LEGAL. ENCARGOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. Independentemente da natureza jurídica que se queira emprestar às antecipações obrigatórias (estimativas) previstas na legislação tributária, não se pode negar que ela tem caráter tributário e que, uma vez não recolhidas no prazo legal, submetem-se aos acréscimos moratórios previstos no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. O fato de o recolhimento representar antecipação do eventualmente devido ao final do período de apuração, a exemplo de tantas outras formas previstas na legislação tributária, não lhe retira o caráter obrigacional, de modo que, sendo extemporânea a sua extinção, resta configurado o débito tributário, sendo, em razão disso, devidos os encargos moratórios. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. À compensação, que extingue o crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação por parte da autoridade administrativa competente, não se aplica o instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. COMPENSAÇÃO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. O fundamento de validade da denominada imputação proporcional de pagamento é o artigo 167 do Código Tributário Nacional, que estabelece que a restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, na mesma proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias. Isto porque é nele que se encontra descrito o método pelo qual se imputa o pagamento ao crédito tributário devido pelo sujeito passivo, não se podendo olvidar que, tratando-se de COMPENSAÇÃO, a operação extintiva do crédito a favor da Fazenda Pública se efetiva por meio de concomitante repetição de indébito. REVISÃO DE LANÇAMENTO. EFEITOS. INOCORRÊNCIA. Comprovado nos autos que a revisão de lançamento referenciada na peça de defesa não produziu efeitos nos atos e fatos apreciados na lide objeto de julgamento, descabe enfrentar os argumentos a ela associados;
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Eduardo Lourenço Gregório Junior. documento assinado digitalmente Valmar Fonseca de Menezes Presidente documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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EXTINÇÃO APÓS O VENCIMENTO LEGAL. ENCARGOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. Independentemente da natureza jurídica que se queira emprestar às antecipações obrigatórias (estimativas) previstas na legislação tributária, não se pode negar que ela tem caráter tributário e que, uma vez não recolhidas no prazo legal, submetemse aos acréscimos moratórios previstos no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. O fato de o recolhimento representar antecipação do eventualmente devido ao final do período de apuração, a exemplo de tantas outras formas previstas na legislação tributária, não lhe retira o caráter obrigacional, de modo que, sendo extemporânea a sua extinção, resta configurado o débito tributário, sendo, em razão disso, devidos os encargos moratórios. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. À compensação, que extingue o crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação por parte da autoridade administrativa competente, não se aplica o instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. COMPENSAÇÃO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. O fundamento de validade da denominada imputação proporcional de pagamento é o artigo 167 do Código Tributário Nacional, que estabelece que a restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, na mesma proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias. Isto porque é nele que se encontra descrito o método pelo qual se imputa o pagamento ao crédito tributário devido pelo sujeito passivo, não se podendo olvidar que, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 46 51 /2 00 5- 14 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19647.004651/200514 Acórdão n.º 1301001.511 S1C3T1 Fl. 217 2 tratandose de COMPENSAÇÃO, a operação extintiva do crédito a favor da Fazenda Pública se efetiva por meio de concomitante repetição de indébito. REVISÃO DE LANÇAMENTO. EFEITOS. INOCORRÊNCIA. Comprovado nos autos que a revisão de lançamento referenciada na peça de defesa não produziu efeitos nos atos e fatos apreciados na lide objeto de julgamento, descabe enfrentar os argumentos a ela associados; Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Eduardo Lourenço Gregório Junior. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19647.004651/200514 Acórdão n.º 1301001.511 S1C3T1 Fl. 218 3 Relatório Trata o presente processo de Declarações de Compensação, por meio das quais a contribuinte indica direito creditório relativo a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 1999, visando extinguir débitos de sua titularidade. Por meio de Despacho Decisório (fls. 66), a Delegacia da Receita Federal em Recife, acatando o relatório de diligência fiscal de fls. 60/61, embora tenha reconhecido integralmente o direito creditório pleiteado (R$ 1.492,056,02), homologou parcialmente as compensações requeridas, eis que, acolhendo proposição trazida pelo citado relatório de diligência fiscal, detectou insuficiência do crédito apontado para o encontro de contas em virtude da imputação de encargos legais aos débitos indicados para extinção. Inconformada, TIM NORDESTE S/A, sucessora da requerente, interpôs Manifestação de Inconformidade (fls. 73/85), alegando: que o caput do art. 138 da Lei n° 5.172/1966 (CTN), afasta a imposição de qualquer tipo de multa, no caso de denúncia espontânea acompanhada do pagamento do tributo devido; que, ao constatar, em dezembro de 2003, janeiro e fevereiro de 2004, que possuía débitos fiscais relacionados ao IRPJ, à CSLL e à COFINS, com relação aos meses de abril, setembro e dezembro de 2000, janeiro e fevereiro de 2001, março de 2002, junho de 2003 e janeiro de 2004, realizou, antes de iniciado qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, a compensação com crédito fiscal relacionado ao IRPJ do anocalendário 1999; que, dessa forma, entende restar configurada a denúncia espontânea, citando, nesse sentido, acórdãos do Superior Tribunal de Justiça e da Câmara Superior de Recursos Fiscais; que a autoridade administrativa, ao converter parte dos créditos da empresa em pagamento de parte da multa de mora, adotou procedimento desprovido de base legal, pois, ao realizar a imputação proporcional, tratou como pendente de recolhimento parte do principal com juros computados desde seu vencimento; que, tendo sido pago todo o principal, deveria ter sido constituída e exigida apenas a multa de mora (nos termos da legislação de regência), admitindose a premissa, com a qual não concorda, de que não seria aplicável o artigo 138 do CTN; que questiona os termos em que foi efetuada a revisão do lançamento consubstanciado no auto de infração lavrado contra a TIM Nordeste S/A (sucessora da TELECEARÁ Celular S/A), constante do processo n° 19647.009690/200699, visto que o novo valor total exigido por intermédio dos mais de vinte despachos decisórios por ela recebidos é superior ao valor diminuído pela revisão de ofício havida no citado processo; Fl. 218DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19647.004651/200514 Acórdão n.º 1301001.511 S1C3T1 Fl. 219 4 que, no caso, houve uma indevida alteração no lançamento regularmente notificado, que não se coaduna com o que estabelecem os artigos 145 a 149 do CTN; que, assim agindo, a autoridade administrativa, ao rever seus atos pretéritos, impõe uma exigência ainda maior, sem que uma das hipóteses de alteração do lançamento estivesse preenchida; que, ao adotar entendimento contido na Solução de Consulta Interna n° 18, de 13/10/2006, posterior aos autos de infração lavrados em 09/10/2006, a autoridade administrativa introduz modificação nos critérios jurídicos por ocasião do lançamento, atentando contra o disposto no artigo 146 do CTN, segundo o qual é vedada a aplicação retroativa de critérios jurídicos que levem a um aumento da exigência fiscal. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, Pernambuco, apreciando as razões trazidas pela defesa, decidiu, por meio do acórdão nº 11 22.131, de 30 de abril de 2008, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: MULTA DE MORA. EXIGIBILIDADE. A multa de mora incide sobre tributo ou contribuição pago após a data de vencimento da obrigação e antes de iniciado procedimento de ofício. A exigência da multa independe do fato de ter o contribuinte efetuado o pagamento do tributo ou contribuição anteriormente a procedimento de cobrança por parte da autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES ADMINISTRADOS PELA RFB PROCEDIMENTO DE IMPUTAÇÃO. Na hipótese de existirem dois ou mais débitos do contribuinte para com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, relativos ao mesmo ou a diferentes tributos e/ou contribuições, a imputação do montante de crédito do contribuinte, observados os demais mandamentos legais, há de considerar a ordem crescente dos prazos de prescrição. A compensação de tributo ou contribuição será acompanhada, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. COSIT ORIENTAÇÃO NORMATIVA OBSERVÂNCIA. Os agentes da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem seguir orientação dada pela Coordenação Geral de Tributação quanto à aplicação da legislação vigente. A orientação de caráter interpretativo não comporta questão de anterioridade, devendo ser observada relativamente a fatos ocorridos na vigência da legislação interpretada. Irresignada, a sucessora da requerente interpôs o recurso voluntário de fls.177/193, em que, em apertada síntese, sustenta: que o caráter provisório do recolhimento por estimativa impede a exigência da multa de mora sobre eventuais parcelas compensadas em atraso a esse título, uma vez que a Fl. 219DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19647.004651/200514 Acórdão n.º 1301001.511 S1C3T1 Fl. 220 5 mora somente é imputável ao pagamento líquido e certo que não tenha sido feito dentro do prazo estipulado pelas partes; que resta claro que a exigência da multa de mora no presente caso não tem amparo na legislação vigente, motivo pelo qual deve ser reformado o despacho decisório ora recorrido, com a homologação integral das compensações; que a compensação foi realizada antes de iniciado qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, o que configura a espontaneidade, requisito para que a denúncia afaste a responsabilidade do contribuinte e as penalidades a ela inerentes; que, se o contribuinte deve (no entender da Administração) recolher o tributo não pago com acréscimo da multa de mora e não o faz, deve a Administração exigila, sendo que, em tais situações, a exigência a ser feita limitase a multa de mora; que a Administração não pode, diversamente, pretender transmudar o pagamento feito pelo contribuinte e tratar o recolhimento de tributo, feito pelo contribuinte, como pagamento de parte da multa de mora; que a Administração não pode qualificar como pagamento de multa o recolhimento de tributo (“a Administração Fiscal não tem o poder/competência para alterar a natureza de um pagamento. Poderia fazêlo apenas se houvesse previsão normativa expressa que lhe desse tal competência. Na ausência de lei nesse sentido, a natureza e destino do pagamento feito pelo contribuinte têm que ser respeitado”); que, ao realizar a imputação proporcional, a DRF/Recife tratou como pendente de recolhimento até hoje parte do principal, com juros computados desde seu vencimento, porém, todo o principal já foi pago pela contribuinte e deveria ter sido constituída e exigida apenas a multa moratória, computada sobre o valor original do débito (“novamente admitindose a premissa, com a qual não se concorda, de que o art. 138 do CTN não seria aplicável”); que o novo valor total exigido por intermédio do despacho decisório é superior ao valor diminuído pela revisão de oficio havida nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699; que, considerada a totalidade dos despachos decisórios emitidos, o valor apartado do processo administrativo n° 19647.009690/200699 é de R$ 12.844.744,59, em relação à Teleceará, conforme quadro resumo constante do Relatório de Informação Fiscal (item 4 doc. j), enquanto que o valor total exigido pelos referidos despachos decisórios recebidos pela contribuinte é de R$ 31.000.324,29 (conforme planilha preparada pela contribuinte/quadro 11 doc. j); que se está diante de uma revisão de ofício que propiciou um aumento do crédito tributário original, sendo irrelevante que a nova exigência esteja dividida em vários processos específicos diferentes; que tratase, portanto, de uma indevida alteração no lançamento regularmente notificado e que não se coaduna com a legislação de regência (artigos 145 a 149 do CTN); Fl. 220DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19647.004651/200514 Acórdão n.º 1301001.511 S1C3T1 Fl. 221 6 que a DRF/Recife atentou contra o artigo 146 do CTN por pretender aplicar o novo critério jurídico que representa um aumento na carga tributária global para um contribuinte em relação a fatos geradores passados; que o artigo 146 do CTN não permite a aplicação retroativa de critérios jurídicos que levem a um aumento de exigência fiscal. É o Relatório. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19647.004651/200514 Acórdão n.º 1301001.511 S1C3T1 Fl. 222 7 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida o presente processo de declarações de compensação, por meio das quais a contribuinte pretende extinguir débitos de sua titularidade com crédito representado por saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica do anocalendário de 1999. Amparada em INFORMAÇÃO FISCAL anteriormente produzida (fls. 60/61), a Delegacia da Receita Federal em Recife reconheceu o direito creditório no montante de R$ 1.492.056,27 (Despacho Decisório – fls. 66). O total do crédito reconhecido correspondeu ao que foi pleiteado pela contribuinte, porém, ao promover a homologação das compensações, a Delegacia da Receita Federal identificou débitos vencidos, razão pela qual promoveu a imputação proporcional dos pagamentos, apurando, assim, dívida remanescente. Aprecio, pois, os argumentos trazidos em sede de recurso voluntário. IMPOSSIBILIDADE DA COMINAÇÃO DE MULTA DE MORA PELO RECOLHIMENTO EM ATRASO DE ESTIMATIVAS Sustenta a Recorrente que o caráter provisório do recolhimento por estimativa impede a exigência da multa de mora sobre eventuais parcelas compensadas em atraso a esse título, visto que a mora somente é imputável ao pagamento líquido e certo que não tenha sido feito dentro do prazo. Registro, primeiramente, que a argumentação acima sintetizada é caracterizadora de inovação por parte da Recorrente, eis que não trazida por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade. Não obstante, ainda que se desconsidere o disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, a alegação não merece acolhimento. Com efeito, independentemente da natureza jurídica que se queira emprestar às antecipações obrigatórias (estimativas) previstas na legislação tributária, não se pode negar que ela tem caráter tributário e que, uma vez não recolhidas no prazo legal, submetemse aos acréscimos moratórios previstos no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. O fato de o recolhimento representar antecipação do eventualmente devido ao final do período de apuração, a exemplo de tantas outras formas previstas na legislação tributária, não lhe retira o caráter obrigacional, de modo que, sendo extemporânea a sua extinção, resta configurado o débito tributário, sendo, em razão disso, devidos os encargos moratórios. DENÚNCIA ESPONTÂNEA Fl. 222DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19647.004651/200514 Acórdão n.º 1301001.511 S1C3T1 Fl. 223 8 Alega a Recorrente que, no presente caso, a compensação foi realizada antes de iniciado qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, o que, para ela, configura espontaneidade, requisito para que seja afastada a sua responsabilidade pela infração. Destaco, de início, que não estamos diante de denúncia espontânea acompanhada de PAGAMENTO, circunstância em que, nos exatos termos do disposto no caput do art. 138 do Código Tributário Nacional, poderseia apreciar se a responsabilidade pela infração poderia ser excluída. O presente processo trata de COMPENSAÇÃO, instituto que, em que pese o fato de se revelar também como forma extintiva de crédito tributário (CTN, art. 156, II,), com PAGAMENTO não se confunde (CTN, art. 156, I). Neste particular, inclusive, os pronunciamentos jurisprudenciais trazidos por meio da peça recursal tratam exatamente de situações em que foram efetuados PAGAMENTOS, não sendo aplicáveis, portanto, à circunstância que ora se analisa, em que a extinção se deu por meio de COMPENSAÇÃO. Não obstante, ainda que se empreste interpretação extensiva ao dispositivo autorizador da exclusão da penalidade, penso, em consonância com manifestações advindas do Superior Tribunal de Justiça, que o instituto da denúncia espontânea não alcança tributos submetidos ao denominado lançamento por homologação, eis que, neste caso, o dever de apurar o montante devido e efetuar o seu recolhimento é transferido para o sujeito passivo, independentemente de prévio exame por parte da autoridade administrativa. Nessa linha, o contribuinte, ao apurar o tributo devido, prestar ao Fisco a informação devida e providenciar a extinção do crédito tributário correspondente, nada mais fez que cumprir com o determinado pela legislação de regência, não havendo que se falar que tais providências possam revelar DENÚNCIA ESPONTÂNEA de infração. Aditese que, no caso vertente, não existe nos autos qualquer indicação de que os débitos apontados pela Recorrente para compensação eram desconhecidos da Administração Tributária, o que, também por essa razão, afasta a tese de que estamos diante de infração denunciada espontaneamente. A jurisprudência desta Corte Administrativa é predominantemente direcionada no sentido de que não se aplica o instituto da denúncia espontânea aos casos de compensação, senão vejamos: Acórdão nº 1101000.945, de 12 de setembro de 2013, Relator o Ilustre Conselheiro Benedicto Celso Benício Junior: IMPUTAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO AOS DÉBITOS COMPENSADOS EM ATRASO. ALEGAÇÃO DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se cogita da aplicação do art. 138 do CTN quando não há pagamento, mormente se as compensações promovidas em atraso não foram acompanhadas dos juros de mora devidos Fl. 223DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19647.004651/200514 Acórdão n.º 1301001.511 S1C3T1 Fl. 224 9 Acórdão nº 3301002.004, de 21 de agosto de 2013, Relator o Ilustre Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. Para caracterizar a denúncia espontânea o art. 138 do CTN exige a extinção do crédito tributário por meio de seu pagamento integral. Pagamento e compensação são formas distintas de extinção do crédito tributário. Não se afasta a exigência da multa de mora quando a extinção do crédito tributário confessado é efetuada por meio de declaração de compensação. Acórdão nº 1102000.092, de 05 de novembro de 2009, Relatora a Ilustre Conselheira Sandra Maria Faroni: COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Os débitos a serem compensados, incluídos em DCOMP entregue após a data dos seus respectivos vencimentos, serão acrescidos de juros de mora e de multa de mora, na forma da legislação de regência, incidentes desde a data prevista para pagamentos até a data da entrega da Declaração de Compensação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENCARGOS MORATÓRIOS. CABIMENTO. A denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN não exclui a multa de mora. Entender que o recolhimento em atraso, feito de forma espontânea, exclui a multa de mora, é negar aplicação às leis que determinam sua imposição, pois a espontaneidade no pagamento em atraso é pressuposto da incidência da multa de mora. Acórdão nº 20181545, de 06/11/2008 COMPENSAÇÃO EFETUADA APÓS VENCIMENTO LEGAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE MORA E JUROS DE MORA. A compensação condicionada a ulterior homologação da autoridade fiscal não caracteriza o pagamento do montante devido na forma prevista no art. 138 do CTN, não caracterizando denúncia espontânea Acórdão nº 29100014, de 29/10/2008 COMPENSAÇÃO. Incidem acréscimos moratórios sobre os débitos, objeto de Declaração de Compensação, quando estiverem vencidos na data de apresentação/transmissão da declaração. Acórdão nº 19700037, de 20/10/2008 COMPENSAÇÃO. DESCABIMENTO. O procedimento do sujeito passivo por meio do qual confessa a existência de débito e requer compensação não corresponde à denuncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN, uma vez que compensação não é pagamento. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19647.004651/200514 Acórdão n.º 1301001.511 S1C3T1 Fl. 225 10 IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL Sustenta a Recorrente que a imputação proporcional efetuada pela Delegacia da Receita Federal, além de irregular, já que destituída de base legal, levou ao aumento do valor da exigência. Discorrendo sobre disposições da Lei nº 9.430, de 1996, e alterações, diz que a exigência, no caso, deve ser limitada à multa de mora. Insurgese a Recorrente contra a utilização da imputação proporcional na determinação dos valores extintos por compensação por entender que não existe fundamento legal para aplicação de tal metodologia. Penso diferente. Com efeito, o fundamento de validade da denominada imputação proporcional de pagamento é o artigo 167 do Código Tributário Nacional, que estabelece que a restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, na mesma proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias. Isto porque é nele que se encontra descrito o método pelo qual se imputa o pagamento ao crédito tributário devido pelo sujeito passivo, não se podendo olvidar que, tratandose de COMPENSAÇÃO, a operação extintiva do crédito da Fazenda se efetiva por meio de concomitante repetição de indébito. Não é por outra razão que, muito antes da edição da IN SRF nº 460, a Receita Federal já havia instituído o método de imputação proporcional na extinção de créditos tributários não adimplidos no prazo legal (vide IN SRF nº 19, de 09 de março de 1984, que aprova o Manual de Aplicação de Acréscimos Legais de Tributos Federais). Não se pode negar, contudo, que, especificamente no que diz respeito à compensação, a Instrução Normativa SRF nº 460, de 2004, deixou clara a aplicação metodologia. Neste particular, o referido ato revelou caráter meramente interpretativo, vez que a imputação proporcional, em consonância com o disposto no art. 167 do Código Tributário Nacional, já era prevista em atos anteriores editados pela Administração Tributária. Na linha do entendimento aqui esposado, cumpre transcrever as seguintes manifestações do Superior Tribunal de Justiça e deste Colegiado administrativo. Resp 10225992 SC 2008/00194787 Relator o Ministro Mauro Campbell Marques Ementa: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO. AMORTIZAÇÃO DOS JUROS ANTES DO PRINCIPAL. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ART. 354 DO CC/2002. REGRA DO CTN ART. 167 . 1. O art. 167 do CTN veicula regra para determinar a imputação proporcional de pagamento entre as rubricas de principal e correção monetária, multa, juros e encargos que compõem o crédito tributário, nos casos de repetição de indébito. 2. Sendo assim, não se pode aplicar por analogia o art. 354 do CC/2002. (GRIFEI) Resp 960239 SC 2007/01349940 Relator o Ministro Luiz Fux Fl. 225DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19647.004651/200514 Acórdão n.º 1301001.511 S1C3T1 Fl. 226 11 A previsão contida no art. 170 do CTN, possibilitando a atribuição legal de competência, às autoridades administrativas fiscais, para regulamentar a matéria relativa à compensação tributária, atua como fundamento de validade para as normas que estipulam a imputação proporcional do crédito em compensação tributária, ao contrário, portanto, das normas civis sobre a matéria. Nesse sentido, os arts. 66 da Lei 8.383/91, e 74, da Lei 9.430/96, in verbis: ... Evidenciada, por conseguinte, a ausência de lacuna na legislação tributária, cuja acepção é mais ampla do que a adoção de lei, e considerando que a compensação tributária surgiu originariamente com a previsão legal de regulamentação pela autoridade administrativa, que expediu as IN's n.º 21/97, 210/2002, 323/2003, 600/2005 e 900/2008, as quais não exorbitaram do poder regulamentar ao estipular a imputação proporcional do crédito em compensação tributária, reputase legítima a metodologia engendrada pela autoridade fiscal, tanto no âmbito formal quanto no material. (GRIFEI) Acórdão nº 1101000.945, de 12 de setembro de 2013, Relator o Ilustre Conselheiro Benedicto Celso Benício Junior: IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. REGULARIDADE. O direito creditório reconhecido deve ser imputado proporcionalmente aos débitos compensados acrescidos de multa e juros de mora devidos até a data da compensação. A imputação linear não tem amparo no Código Tributário Nacional. Acórdão nº 1102000.092, de 05 de novembro de 2009, Relatora a Ilustre Conselheira Sandra Maria Faroni: IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. CABIMENTO. A imputação proporcional, quando os débitos incluídos na DCOMP se encontram vencidos, não necessita de previsão legal, tratandose simplesmente de critério aritmético para determinação de quanto do valor foi possível extinguir com o crédito oferecido. Destaco que o pronunciamento último, acima transcrito, foi editado em data posterior ao trazido na peça recursal, sendo que, em ambos os casos, a relatora foi a ilustre conselheira Sandra Maria Faroni. REVISÃO DE LANÇAMENTO Alega a Recorrente, in verbis: Como relatado, o Despacho Decisório proferido neste processo decorre de uma revisão de lançamento perpetrada pela autoridade fiscal nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699, lavrado contra a TIM Nordeste S/A (sucessora da Teleceará Celular S/A). Segundo consta do Relatório de Informação Fiscal, referida revisão de oficio decorreu da verificação de que a metodologia de cálculo utilizada para realizar as autuações fiscais estaria em desacordo com a interpretação adotada pela solução de Fl. 226DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19647.004651/200514 Acórdão n.º 1301001.511 S1C3T1 Fl. 227 12 consulta interna n° 18. Essa solução de consulta, datada de 13.10.06, é posterior aos Autos de Infração lavrados, datados de 09.10.06. Por tal razão, continua o Relatório, a revisão de oficio seria indispensável (item 2). Assim, foi apartado do processo administrativo n° 19647.009690/200699 parte do crédito tributário apurado nos Autos (alguns valores de IRPJ, CSLL e de multa isolada de ambos os tributos, relacionados aos itens 6 e 7 do Termo de Encerramento de Ação Fiscal). Essa parte do crédito passaria a ser tratada em processos específicos e objetos de cobrança espontânea, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Como decorrência desse desmembramento, a contribuinte foi intimada de vários despachos decisórios, a maioria fruto de supostas compensações indevidas, com a cobrança de valores a titulo de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Entretanto, o novo valor total exigido por intermédio de tais despachos decisórios é superior ao valor diminuído pela revisão de oficio havida nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699. De fato, o valor apartado do processo administrativo n° 19647.009690/2006 99 é de R$ 12.844.744,59, em relação à Teleceará, conforme quadro resumo constante do Relatório de Informação Fiscal (item 4 — doc. j). Já o valor total exigido pelos despachos decisórios recebidos pela contribuinte é de R$ 31.000.324,29 (conforme planilha preparada pela contribuinte/quadro 11 — doc. j). Portanto, concluise que se está diante de uma revisão de oficio que propiciou um aumento do crédito tributário original, sendo irrelevante que a nova exigência esteja dividida em vários processos específicos diferentes. Tratase, portanto, de uma indevida alteração no lançamento regularmente notificado e que não se coaduna com a legislação de regência (artigos 145 a 149 do CTN). [...] O lançamento é o procedimento que tem por finalidade constituir o crédito tributário e se encerra com a notificação feita ao sujeito passivo. A partir desse momento, o lançamento tornase definitivo e o crédito tributário constituído. A alteração só pode ocorrer em razão dos motivos previstos na lei. No caso concreto houve afronta a esse dispositivo. Na constituição do crédito tributário original foram exigidos da contribuinte valores a titulo de principal (IRPJ e CSLL) e de multa isolada. Entretanto, face uma revisão de oficio fruto de uma alteração de entendimento da própria Administração, a contribuinte é intimada da redução do crédito tributário em um processo administrativo já instaurado contra si, mas, em contrapartida, e surpreendida com o recebimento mais de 160 novos processos específicos diferentes com a cobrança de um valor total maior do que aquele que fora exonerado. O que ocorreu foi a migração de certos valores constantes em um processo para 160 outros processos, com um aumento de exigência total. Ou seja, a Administração Fiscal, ao rever os seus atos pretéritos, impõe uma exigência ainda maior, sem que nenhuma das hipóteses de alteração do lançamento estivesse preenchida. Por esse prisma, é ilegal o procedimento da fiscalização. A alteração não se deu em razão da impugnação do sujeito passivo (que leva à diminuição do valor total da exigência), de recurso de oficio, ou mesmo por uma das hipóteses do artigo 149 do CTN, que justificassem a alteração no lançamento. Como o próprio Relatório Fl. 227DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19647.004651/200514 Acórdão n.º 1301001.511 S1C3T1 Fl. 228 13 deixa claro, a revisão se deu devido a uma alteração de procedimento com base em uma solução de consulta interna. Além da contrariedade aos artigos 145 e 149 do CTN, também restou violado o artigo 146. Com efeito, devido ã solução de consulta interna n° 18, de 13.10.06, posterior aos Autos de Infração, de 09.10.06, foi introduzida de oficio uma modificação nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento. Em tal caso, tal modificação somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente ã sua introdução. A DRF/Recife atentou contra o artigo 146 do CTN por pretender aplicar o novo critério jurídico — que representa um aumento na carga tributária global — para um contribuinte em relação a fatos geradores passados. Isso não pode ser aceito. Resta provado, por conseqüência, que não houve motivo, dentre aqueles previstos pelo CTN, para uma revisão do lançamento que aumente o valor total dos supostos débitos da contribuinte. Além disso, o artigo 146 não permite a aplicação retroativa de critérios jurídicos que levem a um aumento de exigência fiscal. Ao assim proceder, a DRF/Recife violou a legislação de regência. Tal situação, leva à necessidade da anulação de todos os Despachos Decisórios recebidos pela contribuinte, para que em todos ocorra a homologação das compensações realizadas. Ao menos no que diz respeito ao presente processo, equivocase a Recorrente. Com efeito, o presente processo cuida de declarações de compensação cujo crédito indicado diz respeito a SALDO NEGATIVO DO ANOCALENDÁRIO de 1999. A Informação Fiscal referenciada no recurso, anexada aos autos às fls. 104/107, que trata de proposição de revisão de ofício dos lançamentos tributários levados a efeito por meio do processo nº 19647.009690/200690, não produz qualquer efeito em relação ao objeto do presente feito, eis que, como restou ali consignado, “a revisão, ora sugerida, referese exclusivamente as infrações dos itens 6 e 7 do Termo de Encerramento de Ação Fiscal lavrado em 09 de outubro de 2006, parte integrante dos Autos de Infração constantes do processo nº 19647.009690/200699, que tem os títulos abaixo especificados: ...”. Em conformidade com as reproduções apresentadas na Informação Fiscal em questão, os referidos itens 6 e 7 do Termo de Encerramento de Ação Fiscal não tratam, relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, do anocalendário de 1999. Nesse diapasão, descabe apreciar, no presente processo, os argumentos associados à revisão de lançamento proposta pela Informação Fiscal de fls. 104/107. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 228DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 19647.004651/200514 Acórdão n.º 1301001.511 S1C3T1 Fl. 229 14 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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Numero do processo: 10680.941098/2009-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO - PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO - PRINCÍPIO DA BUSCA DA VERDADE MATERIAL.
O princípio da verdade material não pode trazer benefício apenas ao contribuinte, uma vez que baliza todo o Processo Administrativo. Portanto, deve ser válido e estendido, também, às discussões trazidas pela Autoridade Fiscal.
Numero da decisão: 1202-001.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Maria Elisa Bruzzi Boechat (suplente), Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA BUSCA DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material não pode trazer benefício apenas ao contribuinte, uma vez que baliza todo o Processo Administrativo. Portanto, deve ser válido e estendido, também, às discussões trazidas pela Autoridade Fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Maria Elisa Bruzzi Boechat (suplente), Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 94 10 98 /2 00 9- 45 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.941098/200945 Acórdão n.º 1202001.135 S1C2T2 Fl. 136 2 Relatório Tratase, no caso, de discussão administrativa relativa à não homologação pelas autoridades competentes da integralidade do crédito pleiteado pela ora Recorrente proveniente da PER/DCOMP nº 27220.60777.110706.1.3.040239. Em sede de Despacho Decisório (fl. 05), a autoridade competente entendeu pela insuficiência de crédito original na data da transmissão da PERD/COMP. Assim, não homologou a totalidade do pedido do Recorrente. Assim, a Recorrente apresentou sua competente Manifestação de Inconformidade (fls. 02/04), pela qual alegou que efetua o recolhimento do IRPJ com base no Lucro Real e por meio de estimativas. Diante disto, quando do momento da entrega da DIPJ/2004 (anocalendário 2003), constatou um imposto devido de R$ 3.026.874,76 (fls. 56). Ocorre que, segundo alega a Recorrente, no transcorrer do anocalendário recolheu, por meio de DARF’s, a título de Imposto de Renda, valor superior ao posteriormente constatado como devido, conforme se verifica do quadro abaixo: DARF Valor Principal Juros Multa Valor Total Fls. DARF Pago em 31.03.04 1.107.756,14 23.041,32 1.130.797,46 14 e 161 DARF Pago em 29.10.04 1.956.386.15 213.833,00 2.170.219,15 13 e 162 Total 3.064.142,29 Somatória Residual a compensar 37.265,53 Total pago menos o Total devido Diante disto, segundo alega a Recorrente, haveria um valor residual a compensar, relativo ao ano de 2004, de R$ 37.267,53. Ocorre, entretanto, que teria a Recorrente recolhido ainda outros dois pagamentos a maior no ano seguinte, conforme abaixo: Fl. 176DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.941098/200945 Acórdão n.º 1202001.135 S1C2T2 Fl. 137 3 DARF Valor Principal Juros Multa Valor Total Fls. DARF Pago em 31.01.05 3.801.306,28 760.261,25 565.254,24 5.126.821,77 15 e 163 DARF Pago em 16.02.05 7.872,32 1.574,46 1.279,25 10.726,03 10 e 164 O problema, segundo aponta a Recorrente, decorre de erro formal no preenchimento da DCTF. Alega que embora existentes os pagamentos a maior, quando do momento oportuno do preenchimento da DCTF equivocouse e, no campo “Valor a pagar do débito”, informou o valor recolhido em sua última DARF, qual seja, os mesmos R$ 5.126.821,77, em que pese tenha apresentado a DCOMP corretamente. Em sede de julgamento de primeira instância pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil (fls. 73/78), entenderam os ilustres julgadores, por unanimidade, pela manutenção do despacho não homologatório, conforme ementa colacionada: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/08/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Conforme se extrai da referida decisão, os julgadores entenderam que embora configurados os pagamentos informados e comprovados por meio de DARF’s, a Recorrente teria um débito declarado em DCTF no montante de R$ 4.082.345,98, razão pela qual o crédito pretendido não seria suficiente para extinguir o débito informado e, ainda, o constante na DCOMP. Ademais, a decisão ora recorrida chama atenção ao fato de a Recorrente ter apresentado 4 declarações (DIPJs, conforme tabela apresentada à fl. 57) à Receita Federal do Brasil referentes ao mesmo período (sendo 1 original e outras 3 retificadoras), além de outras 4 DCTF’s (conforme outra tabela apresentada também à fl. 59). Em resumo, o ilustres julgadores de primeira instância reconheceram o pagamento identificado pelo contribuinte na DCOMP, mas concordaram com a fiscalização Fl. 177DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.941098/200945 Acórdão n.º 1202001.135 S1C2T2 Fl. 138 4 que tal recolhimento foi parcialmente utilizado na extinção de débitos declarados pela própria Recorrente em DCTF. Assim, a Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário (fls. 95/102) por meio do qual alega, em resumo, que a discussão ora em análise se deve a mero erro de preenchimento de DCTF e que não poderia ser prejudicada por tal equívoco formal em respeito ao princípio da Verdade Material, que baliza o Processo Administrativo, uma vez que a existência do direito creditório encontrarseia respaldada na documentação trazida aos autos, quais sejam, a DIPJ/2004 e os comprovantes de pagamento (DARFs). Oportunamente os autos foram encaminhados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Como o recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Passo à análise dos argumentos trazidos pela Recorrente. Inicialmente merece menção a alegação da Recorrente quanto ao princípio da Verdade Material. Entendo ser indiscutível que este baliza o Processo Administrativo em âmbito federal. Inclusive, segue, neste sentido, o posicionamento pacifico deste Colegiado, tendo, até mesmo, sido reconhecido pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais. Vejamos: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL. A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Recurso negado. (Câmara Superior de Recursos Fiscais. 3ª Turma, Acórdão nº 40304194 do Processo 103200017059835, Data: 09/11/2004.) Fl. 178DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.941098/200945 Acórdão n.º 1202001.135 S1C2T2 Fl. 139 5 Entretanto o que se observa pelas informações prestadas pela Recorrente na DIPJ 2004, anocalendário 2003 é: DIPJ Nº Declaração Lucro Real (R$) IRPJ (R$) Soma das Deduções (R$) IRPJ a pagar (R$) Original em 28/06/2004 797929 77.687.363,43 19.397.841,85 18.292.440,74 1.105.401,11 Retificadora em 16/02/2005 1245296 100.749.622,42 25.163.405,60 18.292.440,74 6.870.964,86 Retificadora em 12/04/2006 1283643 90.697.782,60 22.650.445,65 18.292.440,74 4.358.004,91 Retificadora em 10/07/2006 1288567 85.373.261,98 21.319.315,50 18.292.440,74 3.026.874,76 O demonstrativo acima indica que a Recorrente apresentou 04 declarações diferentes para um mesmo período (anocalendário 2003). O lucro real apurado nestas declarações é diferente em todas elas e as deduções efetuadas foram as mesmas em cada uma. Assim, restou apurado um IRPJ a pagar diferente em cada uma das declarações. O valor recolhido pela Recorrente destinado à extinção do IRPJ ano calendário 2003 corresponde a: Valor principal 31/03/2004 1.107.756,14 29/10/2004 1.956.386,15 31/01/2005* 3.801.306,28 16/02/2005 7.872,32 6.873.320,89 * DARF utilizado como indébito na DCOMP em análise. Notese que o valor efetivamente recolhido pela Recorrente é bastante semelhante ao IRPJ apurado na DIPJ retificadora apresentada em 16/02/2005. A Recorrente também apresentou 04 DCTF’s destinadas ao 4º trimestre de 2004. A informação acerca do IRPJ – anocalendário 2003, constante na última DCTF retificadora reportase a: Fl. 179DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.941098/200945 Acórdão n.º 1202001.135 S1C2T2 Fl. 140 6 Débito apurado 3.026.874,76 Crédito vinculado Principal 3.801.306,28 Multa 760.261,25 Juros 565.254,24 Valor total DARF* 5.126.821,77 Valor pago do débito 3.026.874,76 * DARF utilizado como indébito na DCOMP em análise Diante do exposto Concluiu a autoridade julgadora de primeira instância, de forma inquestionável, que a Recorrente alterou por três vezes a apuração do IRPJ em sua DIPJ no intuito de validar o indébito utilizado na DCOPM em análise. Ora, não foi apresentado qualquer documento válido a amparar às retificações efetuadas que reduziram substancialmente o IRPJ apurado e pago no anocalendário 2003. Na hipótese da comprovação do IRPJ apurado na última DIPJ apresentada – e esta comprovação não restou demonstrada – temse ainda que o DARF utilizado pelo contribuinte como indébito na DCOMP em análise (R$ 5.126.821,77 – principal e acréscimos) foi também utilizado pelo Recorrente em duas outras declarações apresentadas: Original Multa Juros Total Valor do DARF recolhido 3.801.306,28 565.254,24 760.261,25 5.126.821,77 5.126.821,77 Extinção do IRPJ AC 2003 ‐ DCTF 3.026.874,76 605.374,95 450.096,27 4.082.345,98 DCOMP 20107.07470.310305.1.3.04‐ 5200 2.937.762,52 DCOMP 27220.60777.110706.1.3.04‐ 0239* 2.189.059,25 Soma do valor utilizado 9.209.167,75 * DCOMP em litígio neste processo O demonstrativo acima deixa claro que a Recorrente utilizou o mesmo pagamento e R$ 5.126.821,77, na extinção do IRPJ apurado e declarado em DCTF (AC 2003) e ainda em 02 DCOMP’s distintas. Sendo que o valor recolhido sequer é suficiente para Fl. 180DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.941098/200945 Acórdão n.º 1202001.135 S1C2T2 Fl. 141 7 homologar integralmente a primeira DCOMP apresentada em 31/05/2005, daí a homologação parcial promovida pelos julgadores de primeira instância. Ou seja, para um pagamento efetuado de R$ 5.126.821,77 a Recorrente utilizou a importância de R$ 9.209.167,75 na extinção de seus débitos (DCOMP e DCTF). Em resumo, a Recorrente não comprovou o efetivo valor do IRPJ apurado no AC de 2003, e ainda que comprovado, o DARF utilizado na DCOMP em litígio não é suficiente para extinguir o débito declarado em DCOMP (31/03/2005) e DCTF. Ora, inexistindo liquidez e certeza do pretenso indébito utilizado pela Recorrente, a princípio, não há como homologar a compensação. Neste sentido, já posicionouse este E. Tribunal Administrativo: “Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Não comprovada a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo, condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170, do CTN, é de se não homologar a compensação declarada. Recurso Voluntário Negado” (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, 2ª Câmara, 2ª Turma Ordinária; Acórdão nº 3202000.952, nos autos do Processo Administrativo nº 11065.901062/200949; Sessão de 22 de setembro de 2013) “Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN) (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; 2ª Turma Especial, Acórdão nº 1802002.105, nos autos do Processo Administrativo nº 10925.900907/200868; Sessão de 09 de abril de 2014) Fl. 181DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.941098/200945 Acórdão n.º 1202001.135 S1C2T2 Fl. 142 8 Portanto, não tendo sido comprovada a diferença pleiteada, conforme bem apontado pela D. Autoridade Julgadora de primeira instância, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário de forma a não homologar o direito creditório pretendido em face da inexistência de liquidez e certeza do suposto credito em discussão, mantendo a decisão proferida pela DRJ. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Conselheiro 2ª Turma/2ª Câmara/1ª Seção Fl. 182DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 13896.000359/2001-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
Ementa:
PROCESSOS ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO CONSUMATIVA.
A manifestação de inconformidade mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. É defeso ao sujeito passivo a apresentação de novas matérias em momento posterior a apresentação da impugnação, salvo se a matéria for de ordem pública.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADMITIDOS NO CÁLCULO. AQUISIÇÕES A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS
O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinando-se aos limites do texto legal.
Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matéria-prima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. RESP 993164, Min. Luiz Fux.
Numero da decisão: 3402-002.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, pelo voto de qualidade, em não conhecer da matéria referente a aplicação da Taxa Selic. Vencidos Fernando Luiz da Gama D Eça, Adriana Oliveira e Ribeiro e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para admitir a inclusão dos valores dos insumos adquiridos por não contribuintes do PIS e da Cofins no cálculo do crédito presumido do IPI.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Luiz Carlos Shimoyama, Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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PRECLUSÃO CONSUMATIVA. A manifestação de inconformidade mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. É defeso ao sujeito passivo a apresentação de novas matérias em momento posterior a apresentação da impugnação, salvo se a matéria for de ordem pública. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADMITIDOS NO CÁLCULO. AQUISIÇÕES A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. RESP 993164, Min. Luiz Fux. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, pelo voto de qualidade, em não conhecer da matéria referente a aplicação da Taxa Selic. Vencidos Fernando Luiz da Gama D Eça, Adriana Oliveira e Ribeiro e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Na parte conhecida, por unanimidade de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 03 59 /2 00 1- 81 Fl. 2062DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 votos, em dar provimento parcial ao recurso para admitir a inclusão dos valores dos insumos adquiridos por não contribuintes do PIS e da Cofins no cálculo do crédito presumido do IPI. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Luiz Carlos Shimoyama, Fenelon Moscoso de Almeida. Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido: O estabelecimento acima identificado requereu ressarcimento do crédito de IPI, com base na Lei n° 9363/96 e na Portaria MF n° 38/97, relativo ao crédito presumido do ano de 2000, no montante de R$ 782.849,36 a ser aproveitado nas compensações pleiteadas as fls. 1069 e 1070 nas datas de 02/07/2002 e 13/09/2002 respectivamente. A delegacia de origem, mediante despacho decisório exarado em 10/03/2006, com base no termo de informação e verificação fiscal, deferiu parcialmente o pedido, no valor de R$ 236.318,9, tendo sido indeferida a parcela de R$ 546.530,46 por serem decorrentes de entradas de produtos adquiridos de pessoas físicas (produtores rurais) não contribuintes do PIS e da Cofins, nos termos da legislação e por erro de cálculo da receita bruta acumulada. O contribuinte teve ciência de referida decisão em 19/09/2007, conforme documento de fl. 1352. Discordando do indeferimento parcial de seu pleito, o requerente apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, o que segue: • Ainda que parte do crédito não tenha logrado êxito, as compensações efetuadas a mais de 5 anos da data de sua declaração devem ser tidas como homologadas tacitamente, de forma que o crédito tributário tornouse impossível de ser revisado; • As restrições impostas pela IN 23/97 já se encontram plenamente superadas pelo ordenamento jurídico, de forma que o STJ vem, sucessivamente, provendo a pretensão dos contribuintes. Este entendimento é compartilhado pela esfera administrativa, conforme arestos da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda. Fl. 2063DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13896.000359/200181 Acórdão n.º 3402002.379 S3C4T2 Fl. 126 3 A 2ª Turma de Julgamento da DRJ Ribeirão Preto (SP) julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 1422.151, de 04 de fevereiro de 2009, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. PESSOA FÍSICA Os valores referentes as aquisições de insumos de pessoas físicas, não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido do IPI. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DCOMP. Os pedidos de compensação não apreciados pela autoridade administrativa até 30 de setembro de 2002 serão convertidos em declaração de compensação e como tal devem ser apreciados. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação a que se refere. Transcorridos cinco anos do protocolo da DCOMP, a compensação está tacitamente homologada. Solicitação deferida em parte. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta, em síntese, que seja reconhecido o direito aos créditos sobre aquisições de produtos rurais, bem como a aplicação da taxa Selic mo valor do crédito ressarcido. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto. Taxa Selic Preliminarmente, entendo necessário um passeio pelos fatos jurídicos constantes no processo. Compulsando os autos, constato que: A DERAT/SP reconheceu o ressarcimento de IPI no montante de R$ 236.318, fls. 1338/1341, sem a aplicação da taxa Selic. O sujeito passivo tomou ciência do despacho da DERAT/SP em 17/09/2007. Protocolou manifestação de inconformidade insurgindose contra a falta de declaração da Fl. 2064DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 homologação tácita das declarações de compensação analisadas após o interregno de 5 anos dos respectivos protocolos e da glosa dos custos com insumos adquiridos de produtores rurais, pessoas físicas e cooperativas. A Delegacia de julgamento reconheceu a homologação tácita das declarações de compensação de fls. 1069 e 1070 e não acatou os fundamentos jurídicos e legais que baseavam o direito ao creditamento dos valores com aquisições de não contribuintes do PIS e da Cofins. No recurso voluntário, o recorrente reafirma seu direito de calcular o crédito presumido do IPI utilizando os valores referentes as aquisições de insumos de pessoas físicas, além de requerer a correção dos valores a serem ressarcidos pela Taxa Selic. Pelo relato dos fundamentos jurídicos constantes nos autos, resta evidente que o recorrente requereu não teceu uma única linha sobre a taxa Selic em seu pedido inicial, nem na manifestação de inconformidade. Essa matéria só brotou nestes autos a partir da apresentação do recurso voluntário. Sabemos que é na manifestação de inconformidade que surge a lide. Também não é surpresa que, pelo principio da congruência, é neste momento que se delimita a matéria a ser discutida, a controvérsia sobre os fatos. Controvérsia é choque de razões, alegações ou fundamentos divergentes, que se excluem – de modo que a aceitação de uma delas é negação da oposta ou viceversa (Carnelutti). Se a afirmação de determinado fato não é contestada por uma afirmação oposta, colidente com ela, não há controvérsia. Segundo Dinamarco, A controvérsia gera a questão, definida como dúvida sobre um ponto, ou como ponto controvertido. Se não há controvérsia, o ponto (fundamento da demanda ou da defesa) permanece sempre como ponto, sem erigir em questão. E mero ponto, na técnica do processo civil, em princípio independe de prova. Como já dito, no processo administrativo fiscal, na manifestação de inconformidade o sujeito passivo tem o ônus de criar a controvérsia, sob pena de deixar incontroversa a sua versão quanto aos fatos. Retornando aos autos, como a matéria referente à taxa Selic não foi suscitada em momento apropriado e também não está rol das matérias de ordem pública, pois diz respeito a interesses entre as partes. Não conheço desta matéria em face da preclusão consumativa. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA OU COOPERATIVA. Quanto a essa matéria identifico os demais requisitos de admissibilidade, sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. O cerne da questão está adstrito na possibilidade de creditamento dos valores referentes a insumos adquiridos de pessoa física e cooperativa. O Colegiado já conhece minha opinião sobre o assunto, sempre neguei a possibilidade da inclusão dos insumos adquiridos de pessoa física e de cooperativa. Fl. 2065DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13896.000359/200181 Acórdão n.º 3402002.379 S3C4T2 Fl. 127 5 Não obstante, por força regimental, sou obrigado a mudar meu voto, uma vez que essa matéria foi objeto de decisão em sede de recurso representativo de controvérsia no Superior Tribunal de Justiça. A decisão do STJ assim definiu a matéria: O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. RESP 993164, Min. Luiz Fux Desta forma, não vejo alternativa, tenho que aceitar a inclusão dos valores dos insumos adquiridos por não contribuintes do PIS e da Cofins no cálculo do crédito presumido do IPI. Pelas assertivas feita, não conheço da matéria referente a aplicação da Taxa Selic ao valor a ser ressarcido e, na parte conhecida, dou provimento parcial ao recurso para admitir a inclusão dos valores dos insumos adquiridos por não contribuintes do PIS e da Cofins no cálculo do crédito presumido do IPI, desde que haja industrialização e não mera revenda e que os produtos sejam exportados. Sala das Sessões, em 27/05/2014 Gilson Macedo Rosenburg Filho. Fl. 2066DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10850.909639/2011-66
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e José Luiz Feistauer de Oliveira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani – Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e José Luiz Feistauer de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 09 63 9/ 20 11 -6 6 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.909639/201166 Resolução nº 3801000.671 S3TE01 Fl. 189 2 Relatório Trata o presente de Pedido de Restituição apresentado pelo contribuinte, com a finalidade de ter restituído valores supostamente recolhidos indevidamente, no valor total de R$ 1.778,93. Devidamente processado o pedido de restituição do contribuinte foi proferido despacho decisório que indeferiu o pedido formulado sob a justificativa de que existe um débito confessado pelo contribuinte por meio de DCTF, no valor igual do recolhimento objeto do pedido de restituição, inexistindo, portanto, crédito a ser restituído. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde requereu a reunião do presente processo a outros por ele relacionados, justificando que tratam da mesma matéria e possuem os mesmos fundamentos e em sede de preliminar alegou, em síntese, que não foi intimado para prestar quaisquer esclarecimentos quanto o direito ao seu crédito, bem como que a fiscalização não teria tomando conhecimento das razões que justificassem o pedido de restituição. No mérito aduziu que o crédito a que pretende a restituição fora indevidamente recolhido conforme ficou evidenciado na declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei n.º 9.718/1998 pelo STF. Em sede se julgamento da Manifestação de Inconformidade, a DRJ houve por bem julgála improcedente nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2002 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2002 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que se verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Fl. 192DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.909639/201166 Resolução nº 3801000.671 S3TE01 Fl. 190 3 Intimado do acórdão proferido pela DRJ, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, juntando nova documentação e alegando, além dos argumentos de sua Impugnação, que a DCTF não é o único meio de prova da existência do crédito passível de restituição, bem como que os artigos 165 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96 não condicionam o reconhecimento do crédito a quaisquer retificações de declarações. Ademais, alega que os documentos apresentados em sua Impugnação (planilha de cálculo e livro diário e os respectivos termos de abertura e encerramento) são suficientes para comprovar o seu crédito e que a DRF teria inovado no processo trazendo tais argumentos novos à lide, o que permitiria, inclusive, a apresentação de provas adicionais ao presente processo ao contrário do que esposado no acórdão recorrido, sob pena de afronta ao princípio da verdade material. É o que importa relatar, Fl. 193DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.909639/201166 Resolução nº 3801000.671 S3TE01 Fl. 191 4 Voto O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Examino preliminarmente o pedido de reunião dos processos, e tenho que assiste razão ao acórdão recorrido que entendeu pela impossibilidade de reunião dos processos. Tomo a decisão com base no artigo 1º da Portaria n.º 666/2008 da RFB, cuja redação abaixo se transcreve: “Art. 1 º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: (...) II a suspensão de imunidade ou de isenção ou a nãohomologação de compensação e o lançamento de ofício de crédito tributário delas decorrentes; III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; V as multas isoladas aplicadas em decorrência de compensação considerada não declarada.” Para a reunião dos processos, de acordo com o dispositivo normativo, o pedido de restituição ou de ressarcimento deve ter por base o mesmo crédito, o que não ocorre nos casos dos processos administrativos relacionados pela Recorrente, pois se tratam de crédito cujos período de apuração são distintos, muito embora a argumento para afastar o não reconhecimento do crédito seja o mesmo, ou seja, a inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei n.º 9.718/1998. Portanto, rejeito o pedido de reunião dos processos formulado pela Recorrente. Quanto ao mérito, entretanto, apesar da tese esposada no acórdão da DRJ tenho que o presente processo deve seguir caminho diverso. O Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O Fl. 194DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.909639/201166 Resolução nº 3801000.671 S3TE01 Fl. 192 5 sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). Fl. 195DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.909639/201166 Resolução nº 3801000.671 S3TE01 Fl. 193 6 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Não considerar tais documentos e negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.909639/201166 Resolução nº 3801000.671 S3TE01 Fl. 194 7 constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Examine os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação às compensações requeridas apurando se estão corretos os valores inicialmente pleiteados correspondentes á indevida ampliação da base de cálculo do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98; b) Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; c) Retornar o processo a este CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Fl. 197DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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