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Numero do processo: 10980.927100/2009-99
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98.
A base de cálculo da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal.
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998.
Recurso a que se dá parcial provimento para que a instância a quo, considerando a inconstitucionalidade da norma, se manifeste sobre a materialidade do crédito tributário reclamado.
Numero da decisão: 3802-003.929
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98. A base de cálculo da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. Recurso a que se dá parcial provimento para que a instância a quo, considerando a inconstitucionalidade da norma, se manifeste sobre a materialidade do crédito tributário reclamado.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98. A base de cálculo da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. Recurso a que se dá parcial provimento para que a instância a quo, considerando a inconstitucionalidade da norma, se manifeste sobre a materialidade do crédito tributário reclamado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 71 00 /2 00 9- 99 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ Curitiba (fls. 28/31 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face da não homologação de compensação declarada em PER/DCOMP, onde o direito creditório aduzido diz respeito a parte de pagamento de COFINS efetuado em 14/12/2001, que a interessada buscava compensar com débito da própria COFINS vencido em 13/10/2006. Aduziu a reclamante que o crédito decorre da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo STF, e que o mesmo foi aproveitado nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Ressalta estar amparada pelos artigos 165 e 170 do CTN. A primeira instância não reconheceu o direito creditório sob o argumento de que a autoridade administrativa não poderia afastar a norma declarada inconstitucional uma vez que a contribuinte não figurara como postulante nas ações julgadas pelo STF, e ainda, que a realidade não se enquadrava dentre as possibilidades de afastamento de norma inconstitucional elencadas pelo Decreto no 2.346, de 10 de outubro de 1997. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 11/08/2011 (fls. 34). Inconformada, a mesma apresentou, em 02/09/2011, o recurso voluntário de fls. 35/38, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito sob o argumento de que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e que tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho. Requer, ao final, seja homologada a compensação intentada. É o relatório. Voto Fl. 42DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10980.927100/200999 Acórdão n.º 3802003.929 S3TE02 Fl. 42 3 O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. A discussão envolve crédito decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98. Como se sabe, o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98 ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. O aumento da carga tributária daí decorrente foi contestado na justiça, tendo o Poder Judiciário, por diversas vezes, entendido que a amplitude de faturamento referida no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, na redação anterior à Emenda Constitucional – EC nº 20, de 1998, não legitimava a incidência de tais contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas contribuintes, advertindo, ainda, que a superveniente promulgação da EC no 20, de 1998, publicada no dia 16 de dezembro de 1998, “não teve o condão de validar a legislação ordinária anterior, que se mostrava originariamente inconstitucional” (Ag.Reg. RE 546.3273/SP, Rel. Min. Celso Mello). Assim, entendeu o Poder Judiciário que o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718, de 1998, ao alargar o conceito de faturamento, criara exação nova, assunto o qual deveria ter sido objeto de lei complementar, por força do disposto no artigo 195, § 4o, c/c artigo 154, inciso I, da Constituição Federal. Portanto, o alargamento da base de cálculo objeto da Lei no 9.718, de 27/11/1998 (decorrente da conversão da MP no 1.724, de 29/10/1998 – antes, ressaltese, da EC no 20, de 15/12/1998), estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu no seguinte sentido (relator Ministro Marco Aurélio): CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. A decisão teve a seguinte votação: Fl. 43DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie Plenário, 09.11.2005. Posteriormente, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.235 1/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema, conforme ementa do acórdão em tela, que teve a relatoria do Ministro Cezar Peluso: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do mesmo Regimento veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais a de que trata a hipótese objeto de seu inciso I, qual seja, afastar preceito “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”, como na hipótese presente. Aliás, segundo o artigo 62A do RICARF (inserido pela Portaria MF no 586/2010), As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Além disso, o parágrafo único do artigo 4o do Decreto no 2.346, de 10/10/1997, dispõe que, Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. Sobre tal dispositivo, vale ressaltar, a título de informação, que o mesmo foi posteriormente revogado pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10980.927100/200999 Acórdão n.º 3802003.929 S3TE02 Fl. 43 5 Consequentemente, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 19981. Digno de nota o entendimento exarado no Parecer PGFN/CDA/CRJ nº 396, de 11/03/2013, aprovado por despacho do Ministro da Fazenda de 02/07/2013, segundo o qual nova interpretação assumida pela Fazenda Nacional também deverá ser seguida pelas autoridades julgadoras no âmbito das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento/DRJ quanto aos processos que estejam aguardando julgamento na primeira instância administrativa, em cumprimento ao disposto no art. 7º da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011. Vale lembrar, no entanto, que quando proferido o julgado de primeira instância referido Parecer ainda não tinha sido editado. Assim, não obstante a legitimidade do direito aduzido pela reclamante em vista da inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, e: a) considerando que não foi acostada aos autos nenhuma documentação comprobatória do direito reclamado; b) considerando, ainda, que não consta do processo comprovação de que o sujeito passivo não pleiteia o mesmo crédito mediante ação judicial; voto para dar parcial provimento ao recurso para que a primeira instância de julgamento, considerando a inconstitucionalidade da norma em evidência, se manifeste sobre a materialidade do direito reclamado pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 12 de novembro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator 1 Com efeito, referida Emenda Constitucional, como já citado, unificou os conceitos de receita bruta e de faturamento, o que se deu somente após a edição da Lei nº 9.718/98, cujo § 1º do artigo 3º, ampliador do conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, ainda não estava respaldado pelo alicerce constitucional decorrente da reportada EC no 20/98. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 13896.906193/2012-61
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. DECADÊNCIA.
A decadência do direito de repetir o indébito de tributo sujeito a lançamento por homologação possui duas regras de contagem: para os pedidos realizados antes de 9 de junho de 2005, o prazo é de 10 anos contados da data do pagamento antecipado, e para os pedidos realizados a partir de 9 de junho de 2005, o prazo é de cinco anos contados também da data do pagamento antecipado.
Numero da decisão: 1801-002.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. DECADÊNCIA. A decadência do direito de repetir o indébito de tributo sujeito a lançamento por homologação possui duas regras de contagem: para os pedidos realizados antes de 9 de junho de 2005, o prazo é de 10 anos contados da data do pagamento antecipado, e para os pedidos realizados a partir de 9 de junho de 2005, o prazo é de cinco anos contados também da data do pagamento antecipado.
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PAGAMENTO INDEVIDO. DECADÊNCIA. A decadência do direito de repetir o indébito de tributo sujeito a lançamento por homologação possui duas regras de contagem: para os pedidos realizados antes de 9 de junho de 2005, o prazo é de 10 anos contados da data do pagamento antecipado, e para os pedidos realizados a partir de 9 de junho de 2005, o prazo é de cinco anos contados também da data do pagamento antecipado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 61 93 /2 01 2- 61 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13896.906193/201261 Acórdão n.º 1801002.211 S1TE01 Fl. 67 2 Relatório AMIGO PRODUÇÕES FONOGRÁFICAS S/S LTDA., pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 0247.664 (fl. 25), pela DRJ Belo Horizonte, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O processo trata da DCOMP nº 27566.62685.240510.1.3.045165 (fl. 17), que pretende extinguir débitos de PIS e Cofins por meio da utilização de crédito de R$ 3.756,51 originalmente demonstrado e reconhecido na DCOMP nº 28264.76245.201006.1.3.042999. O crédito apontado nesta, por sua vez, seria devido a pagamento a maior/indevido realizado em 31/10/2002, no valor de R$ 92.395,37, conforme descrito no despacho decisório (fl. 14). A compensação em análise foi não homologada, dada a seguinte motivação: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 10.036,56. PER/DCOMP referenciado, com demonstrativo do crédito: 28264.76245.201006.1.3.042999 Data de Arrecadação: 31/10/2002 Data de Transmissão do PER/DCOMP em análise: 24/05/2010 Analisadas as informações prestadas nos documentos acima identificados, constatouse que na data de transmissão do documento em análise já estava extinto o direito de utilização do crédito por terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do DARF e a data de transmissão do PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte alega, em síntese, que o crédito já foi reconhecido em outro processo e a utilização do saldo remanescente não pode ser obstada. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade (fl. 25). O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO APÓS A EXTINÇÃO DO DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO. Não se admite a compensação com crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 anos da data da Fl. 67DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13896.906193/201261 Acórdão n.º 1801002.211 S1TE01 Fl. 68 3 entrega do PER/DCOMP e que não tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo. Cientificado dessa decisão em 24/09/2013, por via postal (fl. 32), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 36), em 23/10/2013, em que alega, em síntese, que o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo pago a maior ou indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, que se dá na data da homologação tácita do pagamento realizado no lançamento por homologação. É o relatório. Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. Em resumo, o contribuinte efetuou pagamento a maior/indevido de tributo em 31/10/2002. Esse indébito foi reconhecido e parcialmente utilizado por meio de DCOMP transmitida em 20/10/2006. O valor remanescente desse crédito está sendo indicado na presente DCOMP, transmitida em 24/05/2010. O lapso temporal entre a realização do pagamento a maior/indevido e a apresentação da presente DCOMP é superior a cinco anos e esse é o fundamento fático para a não homologação aqui guerreada. O dispositivo legal que determina o prazo de decadência para a restituição dos tributos sujeitos a lançamento por homologação é o artigo 168, inciso I, do CTN, que tem a seguinte redação: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; A Receita Federal há muito firmou o entendimento de que a data de extinção do crédito tributário a que se refere o dispositivo supracitado é a data do pagamento antecipado do tributo, conforme se verifica no disposto no §10 do artigo 26 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, in verbis: Art. 26. Omissis ... § 10. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de cinco anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou Fl. 68DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13896.906193/201261 Acórdão n.º 1801002.211 S1TE01 Fl. 69 4 de ressarcimento apresentado à SRF antes do transcurso do referido prazo e, ainda, que sejam satisfeitas as condições previstas no § 5º. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que a referida extinção do crédito tributário se dá com a homologação do pagamento que, em regra, ocorre tacitamente após cinco anos contados da data do fato gerador, conforme o artigo 150, §4º, do CTN. De efeito, o prazo decadencial seria de dez anos a contar da data do fato gerador, sendo cinco para a homologação tácita e cinco para a contagem do prazo previsto no artigo 168, I, ao que ficou alcunhado o título de “tese dos cinco mais cinco”. O artigo 3º da Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, veio para determinar a correta interpretação do indigitado artigo 168, I, do CTN: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Assim, conforme o novo dispositivo, a tese dos cinco mais cinco deveria ser superada e o prazo de decadência deveria ser de cinco anos a contar do pagamento antecipado, o que corresponde ao posicionamento adotado pela Administração Tributária. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça prolatou decisões em que foi descaracterizado o caráter interpretativo do referido dispositivo, impedindo a sua aplicação retroativa, conforme a argüição de inconstitucionalidade nos embargos de divergência em recurso especial 2005/00551121 (AI nos EREsp 644736 / PE): CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO, NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LC 118/2005: NATUREZA MODIFICATIVA (E NÃO SIMPLESMENTE INTERPRETATIVA) DO SEU ARTIGO 3º. INCONSTITUCIONALIDADE DO SEU ART. 4º, NA PARTE QUE DETERMINA A APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre o tema relacionado com a prescrição da ação de repetição de indébito tributário, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Segundo entende o Tribunal, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento: é indispensável a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo art. 156, VII, do CTN. Assim, somente a partir dessa homologação é que teria início o prazo previsto no art. 168, I. E, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador. 2. Esse entendimento, embora não tenha a adesão uniforme da doutrina e nem de todos os juízes, é o que legitimamente define o Fl. 69DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13896.906193/201261 Acórdão n.º 1801002.211 S1TE01 Fl. 70 5 conteúdo e o sentido das normas que disciplinam a matéria, já que se trata do entendimento emanado do órgão do Poder Judiciário que tem a atribuição constitucional de interpretálas. 3. O art. 3º da LC 118/2005, a pretexto de interpretar esses mesmos enunciados, conferiulhes, na verdade, um sentido e um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Ainda que defensável a 'interpretação' dada, não há como negar que a Lei inovou no plano normativo, pois retirou das disposições interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federal. 4. Assim, tratandose de preceito normativo modificativo, e não simplesmente interpretativo, o art. 3º da LC 118/2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. 5. O artigo 4º, segunda parte, da LC 118/2005, que determina a aplicação retroativa do seu art. 3º, para alcançar inclusive fatos passados, ofende o princípio constitucional da autonomia e independência dos poderes (CF, art. 2º) e o da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (CF, art. 5º, XXXVI). 6. Argüição de inconstitucionalidade acolhida. A inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da Lei Complementar nº 118, de 2005, declarada incidentalmente pelo STJ, foi levada à apreciação do Supremo Tribunal Federal, que deu solução final às divergências quando, em sessão plenária, julgou o Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, de reconhecida repercussão geral. Naquela assentada, o STF verificou o caráter modificativo do artigo 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005, ante a consolidada jurisprudência do STJ, e a conseqüente inconstitucionalidade da parte final do artigo 4º do mesmo diploma legal, conforme transcrito abaixo: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13896.906193/201261 Acórdão n.º 1801002.211 S1TE01 Fl. 71 6 Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Conforme visto, a decisão do STF não apenas declarou a inconstitucionalidade da parte final do artigo 4º da Lei Complementar nº 118, de 2005, afastando a aplicação retroativa do artigo 3º, mas também reconheceu como parte do ordenamento jurídico a tese dos cinco mais cinco, introduzida pela jurisprudência consolidada do STJ. Com isso, a decadência do direito de repetir o indébito perante o Fisco possui duas regras de contagem: para os pedidos realizados antes de 9 de junho de 2005, o prazo é de 10 anos contados da data do pagamento antecipado, e para os pedidos realizados a partir de 9 de junho de 2005, o prazo é de cinco anos contados também da data do pagamento antecipado. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13896.906193/201261 Acórdão n.º 1801002.211 S1TE01 Fl. 72 7 O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deve acolheu a referida decisão judicial, trazendoa para o âmbito do processo administrativo tributário, por força do artigo 62A do seu Regimento Interno, que determina a reprodução, pelos conselheiros do CARF, das decisões do STF e do STJ que possuam repercussão geral ou sejam objeto de recursos repetitivos. Nesse sentido, esta corte administrativa emitiu a Súmula nº 91, que tem o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Na espécie, o contribuinte formalizou a compensação em 2010, razão pela qual deve ser adotado o prazo de decadência de cinco. Considerando que o crédito apontado é de 2002, verificase que a compensação é intempestiva. Embora o crédito tenha sido submetido à análise da Administração Tributária em 2006, menos de cinco anos após o pagamento, esse fato não tem o condão de interromper o prazo de decadência, conforme muito bem assinalou a decisão recorrida. Por tais razões, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 72DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10850.907496/2011-58
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1772; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 189 1 188 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.907496/201158 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.721 – 3ª Turma Especial Sessão de 12 de novembro de 2014 Matéria COFINS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente GREEN STAR PEÇAS E VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição às decisões da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente as Manifestações de Inconformidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 74 96 /2 01 1- 58 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907496/201158 Acórdão n.º 3803006.721 S3TE03 Fl. 190 2 apresentadas em decorrência do indeferimento do pedido de restituição e da não homologação da compensação declarada pelo contribuinte supra identificado. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição, no valor de R$ 35,04. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu o pedido de restituição, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito decorrera da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Argüiu o interessado que não fora previamente intimado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, tendo sido o despacho decisório prolatado sem que a fiscalização tivesse examinado a situação concreta do pedido de restituição. Requereu, também, o então Manifestante, em respeito ao princípio da economia processual, a reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando terem todos eles o mesmo objeto. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, de planilha por ele elaborada contendo a identificação dos valores das receitas financeiras auferidas no período e de parte do balancete. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 31/05/2000 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 190DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907496/201158 Acórdão n.º 3803006.721 S3TE03 Fl. 191 3 Data do Fato Gerador: 31/05/2000 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Arguiu o relator a quo que, “ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se [desincumbira] de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior”, uma vez que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. Em 02/09/2013, a repartição de origem juntou a este processo, por apensação, o processo administrativo nº 10850.722564/201372, contendo a Declaração de Compensação (DCOMP) do crédito controvertido nestes autos. Submetida a DCOMP à apreciação da autoridade administrativa de origem, emitiuse despacho decisório de não homologação da compensação declarada, considerando que o direito creditório já havia sido indeferido no presente processo. Cientificado, o contribuinte apresentou nova Manifestação de Inconformidade, requereu o reconhecimento do direito creditório e a homologação da declaração de compensação, repisando os argumentos de defesa. Adicionalmente, o contribuinte trouxe aos autos cópia de parte do livro Razão. A DRJ Ribeirão Preto/SP mais uma vez não reconheceu o direito creditório, tendo sido o novo acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 31/05/2000 DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO JÁ ANALISADO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907496/201158 Acórdão n.º 3803006.721 S3TE03 Fl. 192 4 Não é cabível a rediscussão de direito creditório vinculado a pedido de restituição, cuja matéria já foi analisada em outro processo administrativo fiscal, no qual foi indeferido. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, a restituição/compensação resta impossibilitada por falta de saldo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 31/05/2000 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado das decisões de primeira instância em 21/08/2014, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 04/09/2014 e reiterou seus pedidos, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo contestado o argumento da autoridade julgadora de piso relativamente à necessidade de prévia retificação da DCTF para se atestar a liquidez e certeza do crédito, argüindose que tal documento, além de não ser exigido em lei, não é o único apto a comprovar a existência de crédito passível de restituição. Afirmou ainda o Recorrente que apresentara, junto à Manifestação de Inconformidade, cópias de planilha de cálculo, do livro Razão e do balancete, contendo a identificação das receitas financeiras indevidamente incluídas no cômputo da contribuição, tratandose de documentos suficientes à comprovação do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à alegação de que os despachos decisórios foram prolatados em desconformidade com a legislação de regência, dada a inocorrência de prévia intimação do interessado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, há que se ressaltar que o ato administrativo, muitas vezes, “prescinde da existência de um procedimento específico”, pois, quando “o agente administrativo [detém] todas as informações necessárias à Fl. 192DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907496/201158 Acórdão n.º 3803006.721 S3TE03 Fl. 193 5 configuração do fato imponível e à extração de todas as conseqüências tributárias” 1, ele não necessita colher novas informações ou provas, podendo decidir com base nos elementos presentes nos sistemas internos do órgão, quando suficientes à prolação do despacho decisório. Quanto ao pedido de reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando que todos eles têm o mesmo objeto, há que se salientar que todos os processos presentes no lote em que figurou como interessada a pessoa jurídica Green Star – Peças e Veículos Ltda. foram incluídos na pauta para julgamento na mesma sessão deste 3ª Turma Especial. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do pedido de restituição e declaração de compensação relativos a alegado valor recolhido a maior da contribuição apurada sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição, para além do faturamento, operado pela Lei nº 9.718, de 1998, foi objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) 2, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. De acordo com o entendimento do STF3, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, não abrangendo, por conseguinte, outras receitas, como as receitas financeiras alheias ao objeto social da pessoa jurídica. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise, em tese, pelo direito do contribuinte de obter a restituição de recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito 1 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 266267. 2 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. 3 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907496/201158 Acórdão n.º 3803006.721 S3TE03 Fl. 194 6 de faturamento, restando verificar, nos autos, a existência inequívoca de prova do indébito reclamado. Conforme se verifica do relatório supra, a DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório por ausência de provas hábeis a demonstrar e comprovar o suposto recolhimento a maior, considerando que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. O Recorrente alega que, junto às Manifestações de Inconformidade, havia trazido aos autos planilhas de cálculo, cópias do balancete e do livro Razão, documentos esses que, segundo ele, seriam bastantes para a comprovação do direito pleiteado. A par das decisões da DRJ Ribeirão Preto/SP, em que a questão da prova do indébito foi posta como condicionante ao reconhecimento do direito creditório, tendo sido ressaltada pelo julgador de piso a necessidade de se comprovar o faturamento do período para fins de apuração da contribuição efetivamente devida no período, o contribuinte nada acrescenta aos autos em grau de recurso para fins de demonstrar inequivocamente a base de cálculo da contribuição. Não se pode olvidar que, de acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 194DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907496/201158 Acórdão n.º 3803006.721 S3TE03 Fl. 195 7 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Conforme já dito, os elementos trazidos aos autos por cópias pelo contribuinte na primeira instância não eram aptos, por si sós, a comprovar o direito reclamado, dado que restritos às informações relativas às receitas financeiras e a outras receitas, situação em que não se tem por comprovada a base de cálculo da contribuição devida (faturamento), o que impede o confronto entre os valores recolhidos aos cofres públicos e aqueles efetivamente devidos. Não se pode ignorar, ainda, que as partes da escrituração não se encontram acompanhadas da identificação e da assinatura do profissional responsável por sua elaboração, não se encontrando as planilhas identificadas como Livro Razão acompanhadas dos termos de abertura e de encerramento, situação essa que fragiliza ainda mais o conjunto probatório. A mesma falha ocorreu em sede de recurso, pois nenhum elemento de prova adicional foi trazido aos autos, inviabilizandose a comprovação pretendida. A meu ver, essas constatações, por si sós, já impedem que se acatem os pedidos do Recorrente, pois mesmo afastando, em tese, a preclusão acima abordada, não se tem por configuradas as características de liquidez e certeza requeridas em casos da espécie. Abrir a possibilidade de produção de novas provas, a meu ver, ainda que em consonância com o princípio da verdade material, configura afronta à obrigatoriedade de atuação da Administração em conformidade com a lei e o Direito e à adequação entre meios e fins (art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999), assim como ao dever do administrado de apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado antes das decisões administrativas e de prestar todas as informações necessárias ao esclarecimento dos fatos (art. 3º, III, e 4º, IV, da Lei nº 9.784, de 1999). Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Destaquese que, em razão da incompletude da prova apresentada, um eventual retorno dos autos à repartição de origem para a reabertura da apreciação do presente feito não encontra respaldo na legislação processual tributária, pois, conforme nos leciona James Marins, “[a] flexibilização generalizada do regime de fases e de preclusões processuais fragiliza a segurança do processo e não pode ser admitida mesmo sob invocação do princípio da formalidade moderada, por atingir axioma ínsito ao conceito ontológico do procedimento e do processo entendido cedere pro” 4 (ir para a frente). 4 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 293. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907496/201158 Acórdão n.º 3803006.721 S3TE03 Fl. 196 8 Ora, “o poder instrutório das autoridades de julgamento não pode levar a invasão da esfera de responsabilidade dos interessados em provar os fatos necessários à sua defesa. Segundo Bonilha5, “o caráter oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer as suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo” 6. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios da base de cálculo da contribuição (faturamento), com vistas a se apurar o alegado crédito pleiteado, o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância de forma efetiva, dado que nenhum documento contábilfiscal foi acrescentado aos autos. Nesse contexto, por ausência de prova da efetiva existência do direito creditório pleiteado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator 5 BONILHA, Paulo Celso B. Da prova no processo administrativo tributário. 2. ed. São Paulo: Dialética, 1997, p. 78. 6 NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Tersa Martinez. Processo administrativo fiscal comentado: de acordo com a lei nº 11.941, de 2009, e o Regimento Interno do CARF. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 449. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10218.900038/2010-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator.
EDITADO EM: 26/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO - Relator. EDITADO EM: 26/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. EDITADO EM: 26/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 18 .9 00 03 8/ 20 10 -7 2 Fl. 571DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10218.900038/201072 Resolução nº 3302000.220 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida. Tratase de pedido de ressarcimento transmitido em 14/01/2009 e declaração de compensação transmitida em 31/07/2009 (fls. 26/109), em que foi indicado crédito total de R$ 87.620,36, resultante de ressarcimento de IPI relativo ao 1º Trimestre de 2004. A Delegacia de origem, em análise datada de 19.05.2010, expediu o despacho decisório de fl. 12, do qual consta que: "Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 87.620,36 Valor do crédito reconhecido: R$ 0,00 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Diante do Exposto: NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP:(...); INDEFIRO o pedido de restituição/ressarcimento apresentado no(s) PER/DCOMP (...)."Cientificada em 16.08.2010, a interessada apresentou, em 15/09/2010, a manifestação de inconformidade de fls. 01/05, na qual alega: "Considerando que as informações apresentadas são exíguas para a perfeita identificação dos motivos que levaram à consideração de insuficiência de crédito, coube à Manifestante analisar as informações complementares que constam no sítio da Receita Federal do Brasil, mais especificamente o item 'PER/DCOMP Despacho Decisório — Análise do Crédito'. Ao efetuar a análise das informações contidas em referido tópico auxiliar, a Manifestante conseguiu identificar, de forma precisa, o motivo que levou a fiscalização a considerar como insuficientes os créditos utilizados: ela se equivocou na identificação do 'Saldo Credor do Período Anterior' para a 1ª quinzena de abril de 2004, constante do 'Demonstrativo da Apuração Após o Período do Ressarcimento" (...), o que fez, por conseqüência, com que todos os saldos posteriores fossem contaminados. Vejase, com efeito, que o valor identificado no citado demonstrativo é de R$ 352.952,28, quando, na realidade, o valor informado pela Manifestante (...) é absolutamente diverso, na importância de R$ 744.303,18!! (...) Considerandose corretamente o saldo informado pela Manifestante em seus PER/DCOMPs, o crédito será absolutamente suficiente para amparar as compensações realizadas, sendo, por isso, improcedentes as glosas realizadas. Para tornar mais claro o que se alega, a Manifestante anexa, ainda, uma planilha comparativa dos saldos disponíveis para compensação, sendo uma a cópia fiel do demonstrativo (equivocado'.'.!) da Fiscalização, e outra, nos mesmos moldes, com o crédito correto identificado nos PER/DCOMPs transmitidos. Vêse, por referida planilha, a indiscutível validade e suficiência dos créditos informados e utilizados. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10218.900038/201072 Resolução nº 3302000.220 S3C3T2 Fl. 4 3 Registrese, por fim, que se o saldo informado pela Manifestante fosse mesmo aquele informado no 'Demonstrativo da Apuração Após o Período do Ressarcimento' apresentado pela fiscalização, o próprio programa do PER/DCOMP teria informado quanto seria passível de ressarcimento, limitando, portanto, as futuras compensações. (...) desde já requer, caso se mostre necessário, a realização de diligência para atestar regularidade da compensação realizada e das informações prestadas nos respectivos PER/DCOMPs. Para tanto, indica como Perito (...). Os Membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em BelémPA, por unanimidade de votos, decidiram julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada em 24/08/2011, irresignada a Recorrente, interpôs Recurso Voluntário em 21/09/2011. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator Tratase de pedido de ressarcimento, resultante de créditos presumidos de IPI relativo ao 1º o Trimestre de 2004. O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Normas da Administração Tributária Do processo administrativo contencioso tributário. Da Verdade Material. Há muito se sabe que no processo fiscal predomina o princípio da verdade material, onde o Fisco busca descobrir se ocorreu, ou não o fato gerador do tributo. Por esse motivo, no processo administrativo fiscal, as provas da ocorrência, ou não do fato gerador do tributo podem ser juntadas aos autos a qualquer momento. O princípio da verdade material exprime que a Administração deve tomar as decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. No presente caso, a questão acerca do reconhecimento de Crédito Presumido de IPI merece uma análise mais detalhada, em respeito ao princípio da verdade material. Na condução do processo há que se ter em conta o processo de fixação formal da prova, no qual o julgador se atém à análise dos meios de prova definidos em lei, à valoração e admissibilidade das provas apresentadas, para formar o seu livre convencimento para decidir. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10218.900038/201072 Resolução nº 3302000.220 S3C3T2 Fl. 5 4 Verifico no entanto que apesar de não homologar a compensação do recorrente e inverter o ônus da prova, a fiscalização não intimou a contribuinte para demonstrar o porquê d divergência entre seu banco de dados e a própria obrigação acessória do contribuinte, particularmente às fls.190, em que consta declarado o valor. A divergência verificada entre a Autoridade Fazendária, qual seja o "Saldo Credor do Período Anterior" para a 1ª quinzena de abril de 2004 no valor de R$ 352.952,28 (Fls. 13/15), e o Contribuinte, no importe de R$ 744.303,18, conforme página 03 da PER/DCOMP n ° 31088.36759.140110.1.5.012237 persiste. Nesse particular voto no sentido de encaminhar a presente lide à diligência, para que seja intimada a contribuinte a demonstrar o seu direito ao credito presumido de IPI, referente ao 1º Trimestre de 2004, no importe de R$ 744.303,18, declarado à RFB, e para que a fiscalização confirme à este E. Conselho se o direito pleiteado à restituição/compensação pela Recorrente é legítimo, devendo prevalecer. Sala das Sessões, em 24 de maio de 2012 (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 10945.000948/2008-14
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica na renúncia à instância administrativa.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3801-004.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges , Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges , Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 09 48 /2 00 8- 14 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000948/200814 Acórdão n.º 3801004.634 S3TE01 Fl. 12 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, uma vez que narra bem os fatos: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI apurado no período em epígrafe e, conseqüentemente, não homologou a compensação declarada. Isso se deu porque a fiscalização ao intimar o contribuinte para apresentar os elementos probantes de seu direito creditório, este, apesar de reintimado deixou de apresentar o arquivo magnético contendo as notas fiscais de entrada e saída. Além disso, deixou de apresentar os Livros Registro de Apuração do IPI de 2001 a 2004 da Matriz e de 1999 a 2004 da Filial, assim impossibilitando verificar se o crédito pleiteado foi devidamente estornado, quando da transmissão da PERDCOMP. Tempestivamente, o interessado se manifestou alegando, em síntese, que tendo se passado nove anos do período relativo ao crédito até o presente, não conseguiu recuperar os arquivos solicitados pela fiscalização, porém, afirma possuir todos os livros impressos, os quais não foram requeridos. Aduz que o procedimento fiscal não seguiu o princípio da eficiência, portanto, novo prazo deveria ser concedido para apresentação da documentação impressa que possui e realização da devida auditoria. Além disso, não poderia apresentar os livros pedidos, na medida em que nos anos de 2001 a 2003 foi optante do SIMPLES. Por fim, tece uma série de considerações sobre a suspensão da exigibilidade dos débitos declarados, em função do contencioso fiscal. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito, sendo que a aceitação destas, quando intempestivamente apresentadas, submetese às hipóteses legais. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. A obrigação acessória decorre da legislação tributária (leis, tratados e convenções internacionais, decretos e normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. ) e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000948/200814 Acórdão n.º 3801004.634 S3TE01 Fl. 13 3 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado apresenta um relato dos fatos destacando que possui todos os livros impressos, porém os mesmos não foram aceitos pela Receita Federal. Esclarece que as notas fiscais de entrada e saída também estão a disposição da fiscalização federal. Em preliminar, sustenta que ajuizou ação anulatória de débitos sob. o nº 2009.70.02.0027454/PR, em trâmite na Primeira Vara Federal de Foz do Iguaçu, requerendo em síntese que fossem declaradas regulares as compensações objeto deste processo administrativo fiscal. Esclarece que em sede de tutela antecipada a recorrente requereu o depósito judicial do valor integral, a fim de possibilitar a emissão de Certidão Positiva de Débitos com efeito de Negativa, a qual foi deferida e suspensão dos processos administrativos pendentes, tal como o presente. No mérito, sustenta a inobservância do princípio da eficiência. Argumenta que tentou entregar todos os documentos comprobatórios de seu direito de modo impresso, contudo em virtude do volume, a própria Receita Federal, não autorizou seu protocolo, aduzindo que os documentos deveriam ser digitais. Com relação ao princípio da eficiência, faz referência ao artigo 37 da Constituição Federal. Destaca que o formalismo não poderia ter impedido a recorrente de juntar os documentos impressos e ainda ter julgado improcedente seu pedido com a alegação de que restavam ausentes os documentos comprobatórios. Ressalta que a recorrente estava enquadrada no SIMPLES no período de 2001 a 2003, desta forma não possui livros de apuração de IPI referente a este período. Postula a juntada de documentos de forma impressa no prazo de 180 dias. Reitera a tese de que os débitos estão com a exigibilidade suspensa em razão de depósito judicial, nos termos do artigo 151 do Código Tributário Nacional. Colaciona doutrina e jurisprudência acerca desta matéria. Por fim, requer preliminarmente a suspensão deste processo administrativo, vez que o objeto do presente encontrase sub judice na Vara Federal de Foz do Iguaçu. No mérito, requer a juntada de documentos impresso em poder da recorrente com o intuito de comprovar a legalidade dos créditos. Sucessivamente postula prazo para reconstituir a escrituração para que seja apresenta de forma eletrônica. Tendo em vista que em preliminar, a recorrente informou que ajuizou uma ação anulatória de débitos, processo nº 2009.70.02.0027454/PR, junto a Primeira Vara Federal de Foz do Iguaçu, requerendo em síntese que fossem declaradas regulares as compensações objeto deste processo administrativo fiscal, o processo foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem informasse o andamento processual do processo nº 2009.70.02.0027454, com a juntada da petição inicial e das principais decisões judiciais e eventual suspensão da exigibilidade do crédito tributário em discussão em razão de depósitos judiciais. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000948/200814 Acórdão n.º 3801004.634 S3TE01 Fl. 14 4 Em atendimento à diligência, a Delegacia de origem após juntar cópia da petição inicial argumentou que os créditos tributários em discussão na Ação Ordinária nº 2009.70.02.0027454/PR referemse àqueles oriundos tãosomente das Declarações de Compensação nº 31712.38227.220405.1.3.013639 e nº 40181.76436.120505.1.3.016656, vinculadas ao Pedido de Ressarcimento nº 03659.70301.140105.1.1.010288, cujo crédito não foi reconhecido no montante apurado pelo interessado. Em razão disso, foi emitido o Despacho Decisório nº 808243504, o qual é o objeto da Ação Ordinária nº 2009.70.02.0027454/PR. Alegou, ainda, que os créditos tributários em cobrança administrativa pelos Processos Administrativos Fiscais (PAF) nº 10945.000941/200801, nº 10945.000944/200836, nº 10945.000946/200825, nº 10945.000948/200814, nº 10945.000949/200869, nº 10945.000950/200893, nº 10945.000951/200838, nº 10945.000952/200882 e nº 10945.000953/200827, os quais se encontram no CARF para julgamento, não se vinculam à Ação Ordinária nº 2009.70.02.0027454/PR, a qual está vinculada tãosomente ao PAF nº 10945.901516/200822. A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência, tendo se manifestado após o prazo que lhe foi concedido. A recorrente apresentou cópia da petição inicial, dos depósitos judiciais e do andamento processual. Em relação à referida ação judicial, esclareceu que não há decisões relevantes a serem apresentadas. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000948/200814 Acórdão n.º 3801004.634 S3TE01 Fl. 15 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes Embora o recurso seja tempestivo e atenda aos demais pressupostos recursais, dele não se toma conhecimento pelas razões a seguir expostas. De início em preliminar, a recorrente noticia que ajuizou uma ação anulatória de débitos, processo nº 2009.70.02.0027454/PR, junto a Primeira Vara Federal de Foz do Iguaçu, requerendo em síntese que fossem declaradas regulares as compensações objeto deste processo administrativo fiscal. Esta matéria foi objeto de diligência fiscal. Em que pese o entendimento divergente da Delegacia de origem, concordase com a tese da interessada de que esta matéria está sub judice, uma vez que este processo administrativo tem o mesmo objeto da ação judicial em referência, homologação de compensação em face de pedido de ressarcimento de IPI. Do exame da petição inicial, constatase que a interessada em seu pedido requer que sejam declaradas regulares as compensações objeto deste processo administrativo, inclusive, discriminou os PER/DCOMP e respectivos períodos de apuração. Assim sendo, as compensações objeto deste litígio administrativo foram contestadas judicialmente. Pertinente é a colocação de Luiz Rodrigues Wambier, Flávio Renato Correia de Almeida e Eduardo Talamini sobre o pedido na petição inicial in Curso Avançado de Processo Civil V. I. 8 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 271: É o pedido que demonstra o objeto litigioso. É o elemento central da petição inicial, pois expressa o provimento jurisdicional que o autor espera ter. Vale dizer, o pedido é a solução que o autor pretende seja dada à situação reclamada. É para alcançar o que consta do pedido que o autor vem a juízo. Já se disse que o pedido é o modelo de sentença que se aguarda, pois representa o desejo de ver atuar a lei sobre a situação jurídica reclamada.(grifouse) Deste modo, é indubitável que o direito creditório objeto dessa ação judicial é o mesmo deste processo administrativo, ressarcimento e posterior compensação dos valores relativos aos créditos de IPI. Destarte, incide no caso vertente o parágrafo único do art. 38, da Lei nº. 6.830/80, que dispõe: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do Fl. 401DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000948/200814 Acórdão n.º 3801004.634 S3TE01 Fl. 16 6 indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.(grifouse) O excelso Supremo Tribunal Federal já manifestou acerca da constitucionalidade desse dispositivo, conforme decidido no recurso extraordinário nº 233.582: EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO DESTINADO À DISCUSSÃO DA VALIDADE DE DÍVIDA ATIVA DA FAZENDA PÚBLICA. PREJUDICIALIDADE EM RAZÃO DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO QUE TAMBÉM TENHA POR OBJETIVO DISCUTIR A VALIDADE DO MESMO CRÉDITO. ART. 38, PAR. ÚN., DA LEI 6.830/1980.(...). É constitucional o art. 38, par. ún., da Lei 6.830/1980 (Lei da Execução Fiscal LEF), que dispõe que "a propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo [ações destinadas à discussão judicial da validade de crédito inscrito em dívida ativa] importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento.(STF, RE 233582, DJe088 de 1605 2008).(grifouse) Em relação ao conteúdo desse dispositivo legal, Leandro Paulsen, René Bergmann e Ingrid Schroder explicam: O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. Considerando que o contribuinte tem direito a se defender na esfera administrativa mas que a esfera judicial prevalece sobre a administrativa, não faz sentido a sobreposição dos processos administrativo e judicial. A opção pela discussão judicial, antes do exaurimento da esfera administrativa, demonstra que o contribuinte desta abdicou, levando o seu caso diretamente ao Poder ao qual cabe dar a última palavra quanto à interpretação e à aplicação do Direito, o Judiciário. Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010, p. 447 e 448). De fato, se o sujeito passivo recorre ao Poder Judiciário, por uma questão de lógica, ele está desistindo tacitamente da esfera administrativa, visto que a decisão do Poder Judiciário é soberana. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000948/200814 Acórdão n.º 3801004.634 S3TE01 Fl. 17 7 Eventuais decisões antagônicas, nas esferas administrativa e judicial, teriam uma única solução, qual seja, prevaleceria a da esfera judicial, em razão do princípio constitucional da jurisdição única, art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. Destarte, não faz sentido a continuação da discussão no âmbito administrativo, pois o mérito da questão será decidido pelo Poder Judiciário com efeito de coisa julgada. Corroborando esta teoria, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do recurso especial nº 840.556, assim se pronunciou: TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA.AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2.(...) 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência.4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus – tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior(pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato).5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. (...) (STJ, REsp 840556/AM, DJ 20/11/2006) (grifouse) Assim sendo, a existência de uma ação judicial, por parte da requerente, com o mesmo objeto desse processo administrativo fiscal importa na renúncia à esfera administrativa. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(grifouse) Além disso, os Conselheiros têm o dever de observar as súmulas, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009: Fl. 403DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000948/200814 Acórdão n.º 3801004.634 S3TE01 Fl. 18 8 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, visto que a recorrente submeteu à apreciação do Poder Judiciário a matéria objeto desse processo. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 404DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10380.000416/2002-24
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO.
O crédito presumido de IPI destina-se a ressarcir a contribuição para o PIS e a Cofins incidentes nas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo de bens destinados à exportação, ainda que as últimas aquisições da cadeia produtiva não tenham sido tributadas.
Numero da decisão: 3803-006.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito ao Crédito Presumido de IPI, na parte relativa às aquisições de matérias-primas junto a empresários individuais.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Carolina Gladyer Rabelo, Paulo Renato Mothes de Moraes e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. O crédito presumido de IPI destinase a ressarcir a contribuição para o PIS e a Cofins incidentes nas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo de bens destinados à exportação, ainda que as últimas aquisições da cadeia produtiva não tenham sido tributadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito ao Crédito Presumido de IPI, na parte relativa às aquisições de matériasprimas junto a empresários individuais. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Carolina Gladyer Rabelo, Paulo Renato Mothes de Moraes e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 04 16 /2 00 2- 24 Fl. 514DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10380.000416/200224 Acórdão n.º 3803006.838 S3TE03 Fl. 515 2 Tratase de retorno dos autos de diligência à repartição de origem. O presente processo originouse de Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI (fl. 01) cumulado com Declaração de Compensação transmitida em 07/12/2005 (fls. 301 a 304). A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza/CE, após a realização de auditoria fiscal, decidiu por indeferir o pedido de ressarcimento e por considerar não declarada a compensação pleiteada pelo contribuinte por se fundar em crédito pendente de decisão judicial. O Termo de Verificação Fiscal presente às fls. 199 a 202 informa que foram detectadas divergências entre os valores dos insumos (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem) declarados pelo contribuinte em relação aos constantes de sua escrituração fiscal, tendo sido efetuadas glosas de aquisições de matériasprimas junto a pessoas físicas, bem como relativas a devoluções de compras e a insumos aplicados em produtos não acabados e em produtos acabados mas não vendidos. Posteriormente, emitiuse despacho decisório (fls. 306 a 312) em que se consignou que decisão em Agravo de Instrumento do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, não transitada em julgado, havia assegurado ao interessado, liminarmente, o direito à escrituração e a utilização, mediante compensação, do crédito presumido do IPI como ressarcimento das Contribuições para o PIS e da Cofins, conforme dispõe a Lei n° 9.363/1996, sem as restrições impostas pelas Instruções Normativas SRF nº 23 e nº103/1997, e edições posteriores — ou seja, considerandose as aquisições, no mercado interno, de insumos comercializados por pessoas físicas. Registrouse, ainda, que inexistia reconhecimento judicial quanto ao direito à utilização dos créditos presumidos de IPI mediante ressarcimento e compensação, mas apenas o direito à escrituração desses créditos para fins de dedução na apuração do IPI, e somente após o trânsito em julgado. Por fim, decidiu a autoridade administrativa de origem por indeferir o pedido de ressarcimento e por considerar não declarada a compensação pleiteada, sendo determinado o lançamento de ofício da multa isolada de que trata o art. 18, § 4º, da Lei nº 10.833/2003. Inconformado, o contribuinte protocolizou Manifestação de Inconformidade (fls. 322 a 324) e requereu o deferimento do montante dos créditos, ignorandose a Ação Judicial em andamento, uma vez que o resultado final dessa ação não diminuiria o crédito utilizado, bem como a revisão do procedimento de verificação da utilização de créditos oriundos de aquisições de pessoas físicas, nos termos apontados pela fiscalização, dado que não correspondia à verdade material. Informou o então Manifestante que a ação Judicial em curso, efetivamente, visava à garantia dos créditos nas aquisições de matériasprimas junto a pessoas físicas, mas que, nos anos de 2000 e 2001, essas aquisições não foram utilizadas para compor o montante dos créditos a serem compensados, em razão do quê eventual decisão final favorável a ele lhe asseguraria um montante maior de crédito, a ser ou não utilizado, a depender de sua discricionariedade. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10380.000416/200224 Acórdão n.º 3803006.838 S3TE03 Fl. 516 3 Afirmou, ainda, que utilizara no cálculo do montante dos créditos presumidos de IPI dos anos de 2000 e 2001 apenas as aquisições de insumos de pessoas jurídicas, conforme planilha anexada, e que a Fiscalização incorrera em erro pelo fato de o fornecedor da matéria prima ter nome de pessoa física, mas se tratar, em verdade, de uma firma individual, com CNPJ e sujeita aos tributos conforme o regime de tributação adotado, como, exemplificativamente, o fornecedor de nome José Ribeiro Carnaúba, cujo CNPJ seria 02.579.249/000129. A DRJ Belém/PA decidiu por reconhecer em parte o direito creditório (fls. 332 a 335), cujo acórdão restou ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 RESSARCIMENTO. DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. Quando o valor constante de pedido de ressarcimento não sofre a influência do resultado, qualquer que seja ele, de processo judicial em que seja parte a pessoa jurídica, inexistem razões para que incidam as disposições constantes dos arts. 25 e 70 da IN RFB no 900/2008. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Demonstrada, em sede de diligência fiscal, a existência de parcela do direito creditório invocado pelo sujeito passivo, impõese o ressarcimento do valor assim apurado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PAF. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. PAF. ÔNUS DA PROVA. Os argumentos erigidos pelo impugnante devemse acompanhar de meios de prova hábeis e idôneos, sendo que a ausência de tais elementos, nos autos, impõe negativa à pretensão, que se vê embargada em sua certeza e liquidez necessárias. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Registrou a autoridade julgadora de primeira instância que apenas subira à apreciação da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA a matéria relativa ao indeferimento integral do pedido de ressarcimento, tendo em vista que, nos termos da Lei n° 11.051, de 29/12/2004, que promovera a inclusão dos §§ 12 e 13 no art. 74 da Lei n° Fl. 516DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10380.000416/200224 Acórdão n.º 3803006.838 S3TE03 Fl. 517 4 9.430/1996, os débitos objeto de compensação considerados não declarados não poderiam ser objeto de manifestação de inconformidade contra a decisão da autoridade administrativa que os indeferisse. Consignouse, ainda, que o sujeito passivo apresentara junto ao pedido de ressarcimento, dentre outros, o demonstrativo em que se informava que as compras de pessoas físicas não estariam sendo computadas no cálculo do crédito presumido do IPI, em razão do quê se concluiu pela inexistência de concomitância de discussão da matéria nas esferas administrativa e judicial. Não obstante ter concluído nesses termos, a autoridade julgadora de piso não acatou as alegações do contribuinte de que todas as aquisições teriam se originado de transações comerciais com pessoas jurídicas pelo fato de não terem sido apresentadas provas nesse sentido, mas meras indicações de que se tratava de firmas individuais Além disso, registrouse que as glosas efetuadas pela Fiscalização abarcaram outros fatos, como devolução de mercadorias e estorno de insumos aplicados na produção em estoque, sendo que o contribuinte se insurgira apenas em relação às aquisições de pessoas físicas, tendo, ocorrido, por conseguinte, o trânsito em julgado na esfera administrativa dessas outras glosas por ausência de contestação. Por fim, no que diz respeito à compensação pleiteada pelo contribuinte, salientou o relator a quo que incumbiria à unidade de origem, como decorrência do julgado de primeira instância, e em assim indicando o seu livre convencimento motivado, adotar as providências necessárias à revisão de oficio do despacho decisório na parcela que não fora objeto de conhecimento e de decisão. Irresignado, o contribuinte recorreu a este Conselho (fls. 348 a 351) e reiterou seu pedido de deferimento do montante dos créditos legalmente aproveitados, revendose a questão relativa à utilização de créditos oriundos de aquisições junto a pessoas físicas, nos termos apontados pela fiscalização, dado não corresponder à verdade material. Junto ao recurso voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de notas fiscais e de sua escrituração contábilfiscal, sendo salientado que as notas fiscais faltantes haviam sido extraviadas durante fiscalização do Fisco Estadual (anexou carta protocolizada na SEFAZ solicitando a devolução das referidas notas fiscais e ressaltou que por meio do Livro Registro de Entradas e de outras notas do mesmo fornecedor seria possível comprovar sua personalidade jurídica.) Por meio da Resolução nº 3803000.100, de 5 de maio de 2011, esta 3ª Turma Especial, a par dos dados constantes da documentação apresentada em sede de recurso, decidiu por converter o julgamento em diligência à repartição de origem para que se procedesse ao batimento dos demonstrativos apresentados pelo Recorrente, bem como das notas fiscais a que se reportavam, com os dados levantados pela Fiscalização e a escrituração da pessoa jurídica, confirmandose ou não o erro de identificação da origem das aquisições de determinados insumos no 3º trimestre de 2001. Por meio de Relatório de Diligência Fiscal, a autoridade de origem informa que, a partir da auditoria realizada, constatouse que o crédito presumido efetivamente apurado no período é de R$ 55.327,58, e não de R$ 20.772,13, conforme havia sido originariamente Fl. 517DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10380.000416/200224 Acórdão n.º 3803006.838 S3TE03 Fl. 518 5 calculado pela Fiscalização, dada a comprovação das aquisições de matériasprimas junto a empresários individuais e não junto a pessoas físicas. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Diante dos dados apurados pela Fiscalização na realização da diligência determinada por este Colegiado, constatase que, diante da confirmação de que as matérias primas glosadas haviam sido adquiridas junto a empresários individuais e não junto a pessoas físicas, o crédito presumido apurado passou a ser de R$ 55.327,58, valor esse inferior ao montante originalmente pleiteado de R$ 57.937,11, dada a manutenção das demais glosas realizadas pela Fiscalização que restaram não controvertidas nestes autos em razão da ausência de impugnação. Salientese que inexistem dúvidas quanto à qualidade de matériaprima dos produtos adquiridos pelo Recorrente, este produtor de couros, peles e seus manufaturados, controvertendose nos autos somente quanto à sua origem, se adquiridos junto a pessoas físicas ou jurídicas. Destaquese que, ainda que as referidas matériasprimas tivessem sido adquiridas de pessoas físicas, o crédito presumido correspondente deveria ser reconhecido, dada a decisão definitiva proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática dos recursos repetitivos, no julgamento do Recurso Especial nº 993.164, em que se reconheceu o direito ao crédito nas aquisições de insumos não tributadas pelo PIS e pela Cofins, decisão essa de reprodução obrigatória por parte deste Colegiado por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF1. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso, para reconhecer o direito ao Crédito Presumido de IPI na parte relativa às aquisições de matérias primas junto a empresários individuais. É como voto. (assinado digitalmente) 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10380.000416/200224 Acórdão n.º 3803006.838 S3TE03 Fl. 519 6 Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 519DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/02/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10865.900856/2008-26
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO JÁ EXAMINADO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO QUE FOI OBJETO DE OUTRO PROCESSO. RESTITUIÇÃO JÁ PROCESSADA.
Se em outros autos havia pedido de restituição que tratava integralmente do crédito cuja fração amparava a declaração de compensação objeto deste processo, e se esse pedido já produziu seus normais efeitos no contexto daqueles outros autos, inclusive com restituição de crédito em conta bancária da Contribuinte, resta prejudicada a compensação objeto deste processo, por ausência de crédito que possa ser nele aproveitado.
Numero da decisão: 1802-002.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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DIREITO CREDITÓRIO JÁ EXAMINADO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO QUE FOI OBJETO DE OUTRO PROCESSO. RESTITUIÇÃO JÁ PROCESSADA. Se em outros autos havia pedido de restituição que tratava integralmente do crédito cuja fração amparava a declaração de compensação objeto deste processo, e se esse pedido já produziu seus normais efeitos no contexto daqueles outros autos, inclusive com restituição de crédito em conta bancária da Contribuinte, resta prejudicada a compensação objeto deste processo, por ausência de crédito que possa ser nele aproveitado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 08 56 /2 00 8- 26 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900856/200826 Acórdão n.º 1802002.432 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1429.152, às fls. 113 a 121: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLLestimativa, código de arrecadação 2484), concernente ao período de apuração 06/2003. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que no anocalendário de 2003 teria apurado saldo negativo de IRPJ e CSLL, no valor de R$ 556.671,88 e R$ 218.360,83, respectivamente, bem como retenções de IRRF sobre aplicações financeiras no valor de R$ 2.452,11, que teriam sido informadas em DIPJ/2004. Os saldos negativos assim apurados teriam sido utilizados para compensação de débitos próprios, mediante transmissão de diversos PER/DCOMP; que teria incorrido em equívoco “quanto ao preenchimento relativo ao campo 'Tipo do Crédito', selecionou 'Pagamento Indevido ou a Maior' ao invés de 'Saldo Negativo de IRPJ', bem como relacionou os DARF's relativos ao pagamento por estimativa mensal, como o presente”. Em que pese o erro, a requerente teria direito ao crédito declarado, como estaria a comprovar a documentação anexa à manifestação de inconformidade; que “desconsiderar os valores recolhidos a maior pela Requerente (apuração de saldo negativo de IRPJ e CSLL ano calendário/2003), seria o mesmo que tributar parcela não Fl. 404DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900856/200826 Acórdão n.º 1802002.432 S1TE02 Fl. 4 3 correspondente ao conceito de renda e de lucro líquido, hipótese, por óbvio, manifestamente inconstitucional”; que os alegados créditos não teriam sido utilizados em qualquer outra compensação ou restituição, além daquelas informadas; Ao final, requer reconhecimento do direito creditório pleiteado e homologação integral das compensações efetuadas, bem como sejam as intimações dirigidas a seus procuradores (advogados). Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 05/08/2010, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 03/09/2010, onde reitera os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Além disso, no intuito de afastar qualquer dúvida acerca do crédito pleiteado saldos negativos de IRPJ e CSLL, informa que está apresentando cópia de toda a documentação contábil mencionada pela decisão de primeira instância administrativa, que os originais destes documentos se encontram à inteira disposição para exame, e que se coloca à inteira disposição acerca de quaisquer outros documentos que venham a ser considerados como necessários. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900856/200826 Acórdão n.º 1802002.432 S1TE02 Fl. 5 4 Na sessão realizada em 06/08/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.293 (fls. 348 a 356), solicitando realização de diligência à DRF Limeira/SP, para onde os autos foram encaminhados. O Processo foi devolvido ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 365 a 366. Na sessão realizada em 05/11/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.379 (fls. 368 a 379), solicitando novamente a realização de diligência à DRF Limeira/SP. O Processo retornou ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 387 a 388, e também com nova manifestação da Contribuinte, às fls. 391 a 401. Este é o Relatório. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900856/200826 Acórdão n.º 1802002.432 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme mencionado, o julgamento do presente recurso voluntário foi iniciado na sessão de 06/08/2013, ocasião em que esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.293 (fls. 348 a 356), solicitando realização de diligência à DRF Limeira/SP. No presente processo, a Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 26/07/2004, na qual utilizou um alegado crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior referente à estimativa de CSLL do mês de junho/2003, no valor de R$ 16.469,48. A Delegacia de origem não homologou a compensação, porque o referido pagamento havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (quitação da própria estimativa declarada), não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que o tipo de crédito da compensação deveria ser “Saldo Negativo” em vez de “pagamento indevido ou a maior” de estimativa. Informou ter apurado no anocalendário de 2003 saldos negativos de IRPJ e CSLL, nos valores de R$ 556.671,88 e R$ 218.360,83, respectivamente, bem como retenções de IRRF sobre aplicações financeiras no valor de R$ 2.452,11, conforme a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ apresentada à Receita Federal. Registrou também que havia vários outros processos e outros PER/DCOMP pendentes de análise, os quais relacionou, consignando que todos eles possuiriam origem no mesmo direito creditório (saldos negativos de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2003), e que seria oportuno que todos fossem analisados conjuntamente como saldo negativo. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação. Em sua decisão, a DRJ fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, concluindo que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório. Na presente fase de recurso voluntário, a Contribuinte reiterou os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade, e juntou documentos contábeis e fiscais, no intuito de ver homologada a pretendida compensação. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900856/200826 Acórdão n.º 1802002.432 S1TE02 Fl. 7 6 Ao proferir a referida Resolução nº 1802000.293, em 06/08/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF esclareceu as razões pelas quais normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP (como crédito) os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas. Além disso, registrou que esse passo já tinha sido dado pela DRJ; que a decisão de primeira instância já havia admitido o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo; e que o indeferimento da compensação fora mantido por falta de elementos comprobatórios do saldo negativo (e não mais porque o pagamento da estimativa estava alocado ao próprio débito de estimativa declarado em DCTF). Nesse contexto, e após tecer comentários sobre a dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, esta Turma julgadora elaborou a referida resolução, com o conteúdo final transcrito abaixo: [...] Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário cópias dos seguintes documentos: DARF´s recolhidos ao longo de 2003; Demonstrativo de Rendimentos Financeiros e de Retenções de IR em 2003; Livro Razão contendo lançamentos nas contas “IRPJ pago por Estimativa”, “Contr. Soc. s/ Lucro pg. Estimat.” e “IRRF s/ Aplicação Financeira”; Livro Diário contendo lançamentos referentes aos pagamentos das estimativas de IRPJ e CSLL; Balanço de Suspensão de Novembro/2003; Balancetes de Verificação para cada um dos meses de 2003 (janeiro a dezembro); Balanço Anual de 2003; Demonstração de Resultado do Exercício; e Livro LALUR com registros em novembro e dezembro/2003. Pela DIPJ do anocalendário de 2003 (Ficha 17), às fls. 83, a Contribuinte apurou CSLL anual no valor de R$ 36.839,63 e realizou deduções a título de CSLL mensal paga por estimativa no montante de R$ 255.200,46, o que resultou em saldo negativo de CSLL no valor de R$ 218.360,83. Nos meses de janeiro a outubro de 2003, a Contribuinte realizou recolhimentos de estimativa com base na Receita Bruta e acréscimos. Já nos meses de novembro e dezembro, ela suspendeu o pagamento das estimativas mediante balancetes de suspensão. O quadro abaixo indica os valores das estimativas mensais constantes da DIPJ (Ficha 16) e os valores dos DARF´s apresentados: PA Estimativas de CSLL em 2003 DIPJ DARF jan/03 36.032,06 36.012,82 Fl. 408DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900856/200826 Acórdão n.º 1802002.432 S1TE02 Fl. 8 7 fev/03 28.466,83 25.613,77 mar/03 25.369,49 25.208,27 abr/03 21.814,26 21.662,03 mai/03 26.174,28 26.141,76 jun/03 16.482,89 16.469,48 jul/03 27.325,85 27.327,01 ago/03 23.516,59 23.517,42 set/03 25.499,72 23.977,77 out/03 26.825,37 28.945,73 Total 257.507,34 254.876,06 Como mencionado, para a apuração do saldo negativo, foram deduzidos R$ 255.200,46 a título de estimativas mensais na Ficha 17 da DIPJ. A solução deste processo demanda uma instrução processual complementar. Embora a indicação seja de existência de saldo negativo, ainda não é possível apurar o seu exato valor, porque há divergências entre as estimativas constantes da Ficha 16 da DIPJ, os DARF´s correspondentes e o montante deduzido a esse título na Ficha 17 da DIPJ. Estas questões não foram dirimidas porque o despacho decisório não tratou do reivindicado crédito sob a ótica de saldo negativo, o que deverá ser feito agora. A condução do exame do PER/DCOMP fez com que a documentação contábil e fiscal só fosse apresentada nessa fase processual. É necessário, portanto, que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela Recorrente, e de outros que se entenda necessários: 1) verifique e informe: a base de cálculo e a respectiva CSLL no anocalendário de 2003; o valor a ser considerado como dedução a título de estimativas mensais; 2) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de CSLL a ser restituído/compensado, e qual o seu valor; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900856/200826 Acórdão n.º 1802002.432 S1TE02 Fl. 9 8 Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. Em resposta à diligência que lhe foi demandada pelo CARF, a DRF/Limeira/SP prestou a Informação Fiscal de fls. 365/366, nos seguintes termos: Trata este processo da declaração de compensação n.º 39866.43075.260704.1.3.04 5007 em que o contribuinte utilizou o pagamento da estimativa de CSLL do mês de junho de 2003, no valor de R$ 16.469,48 para compensação de débito próprio. A compensação não foi homologada, porque o pagamento encontrase totalmente vinculada ao débito correspondente e esta decisão foi mantida pela Delegacia de Julgamento. O contribuinte entrou com recurso alegando que havia se equivocada e que seu crédito era saldo negativo de CSLL e não pagamento indevido. O argumento foi acatado pela 2ª Turma Especial do CARF que baixou o processo para diligência. Em consulta aos sistemas da RFB, foi verificado que o contribuinte entregou em 23.06.2009, pedido de restituição do saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003/exercício 2004, cuja via completa está sendo anexada a este processo. [...] O contribuinte induziu o nobre julgador a erro e provavelmente utilizou de máfé ao manter a alegação de que se tratava de saldo negativo quando já havia solicitado este mesmo crédito em outro procedimento. Não há dúvida de que a conversão do pedido feita pelo CARF implica a concomitância de pedidos do mesmo crédito, o que é extremamente temerário, principalmente porque entendimento semelhante foi proferido em outros processos do mesmo contribuinte ou seja, há o risco iminente de se multiplicar indevidamente o crédito reconhecido para o contribuinte, ressaltando que há mais processos com esta mesma matéria a ser apreciado pelo CARF. Assim, proponho o retorno deste processo àquela instância de julgamento para que se manifeste sobre a manutenção deste entendimento e a necessidade de realização da diligência, sugerindose que a declaração de compensação n.º 31344.03323.230609.1.3.036500 seja examinada para que se confirme que o próprio contribuinte incluiu o pagamento da estimativa de CSLL do mês de junho de 2003, no valor de R$ 16.469,48 no rol dos pagamentos que geraram o saldo negativo de CSLL desse mesmo período, o que só vem confirmar que o pagamento não era não é e nunca foi indevido e este processo não pode ser convertido em saldo negativo. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900856/200826 Acórdão n.º 1802002.432 S1TE02 Fl. 10 9 Em síntese, a DRF/Limeira/SP registrou: que a Contribuinte apresentou em 23/06/2009 um pedido de restituição do saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003 (PER/DCOMP nº 31344.03323.230609.1.6.036500, juntado aos autos); que a decisão do CARF implicava na concomitância de pedidos do mesmo crédito; que a decisão do CARF em converter a compensação de estimativa em compensação de saldo negativo era temerária; e que o pagamento de estimativa não poderia ser convertido em saldo negativo. Com estas considerações, a DRF/Limeira devolveu o processo ao CARF, para que este órgão se manifestasse sobre a manutenção de seu entendimento e sobre a necessidade da realização da diligência. Na sessão realizada em 05/11/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF se manifestou sobre a necessidade da diligência que havia demandado, proferindo outra Resolução, de nº 1802000.379 (fls. 368 a 379), nos seguintes termos: A resolução proferida por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF apresenta motivação adequada e suficiente. Quanto à solicitação de diligência, é oportuno relembrar que “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”, e que quando “determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusarse de cumpri las”, conforme artigos 29 e 37 do Decreto 70.235/1972 (PAF), e artigo 36, § 3º, do Decreto 7.574/2011. Ao proferir a referida Resolução nº 1802000.293, em 06/08/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF esclareceu as razões pelas quais normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP (como crédito) os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas. Não bastasse isso, esta Turma Julgadora também registrou que esse passo já tinha sido dado pela DRJ; que a decisão de primeira instância já havia admitido o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo; e que o indeferimento da compensação fora mantido por falta de elementos comprobatórios do saldo negativo (e não mais porque o pagamento da estimativa estava alocado ao próprio débito de estimativa declarado em DCTF). Não que esse entendimento seja imutável, mas há meios formais para revertêlo, a exemplo dos embargos de declaração da Fl. 411DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900856/200826 Acórdão n.º 1802002.432 S1TE02 Fl. 11 10 Procuradoria da Fazenda Nacional, ou dos Recursos Especiais apresentados por aquele mesmo órgão. O fato é que ao servidor designado para o cumprimento de diligência não é dada a livre vontade para cumprir ou não as decisões do CARF. De qualquer modo, a resposta dada pela Delegacia de origem, embora não atendendo ao que lhe foi solicitado, trouxe aos autos uma informação adicional relevante, que merece ser analisada no contexto dos fatos que envolvem o presente processo. A Contribuinte ingressou em 2004 com vários PER/DCOMP referentes a pagamentos indevidos ou a maior de IRPJ e CSLL em 2003, entre eles o que configura objeto destes autos. Ela indicou que o crédito utilizado nestes PER/DCOMP decorreria de pagamentos individuais a título de estimativas mensais, em vez de indicar o saldo negativo do período anual (que é formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas). Em meados de 2008 foram proferidos os despachos decisórios negando a compensação, porque cada um destes pagamentos já havia sido utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (quitação da própria estimativa declarada em DCTF). A Contribuinte apresentou manifestações de inconformidade, pleiteando que seu crédito fosse apreciado como saldo negativo, e não como pagamento indevido ou a maior de estimativa, e os processos vieram caminhando até a presente instância recursal. Nesse interregno, em 22/12/2008, a Contribuinte apresentou o pedido de restituição PER/DCOMP nº 07372.76811.221208.1.2.030666, retificado pelo PER/DCOMP nº 31344.03323.230609.1.6.036500, que foi mencionado na informação fiscal da Delegacia de origem. O fato de a Contribuinte ter apresentado o pedido de restituição acima referido, e continuar alegando que o crédito debatido nestes autos era mesmo referente a saldo negativo (o que implicava na concomitância de pedidos do mesmo crédito), foi entendido como uma provável máfé de sua parte. Mas é preciso considerar que caso não houvesse, nas instâncias de julgamento, a reversão da posição manifestada pela Delegacia de origem, uma nova solicitação do indébito (saldo negativo) somente após a conclusão dos processos de compensação certamente estaria prejudicada pelo prazo prescricional do art. 168, I, do Código Tributário Nacional, ainda que houvesse saldo negativo a ser restituído/compensado. Cabe registrar também que o PER/DCOMP mencionado na informação fiscal é referente a pedido de restituição. A Contribuinte não buscou a compensação de novos débitos com o mesmo crédito. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900856/200826 Acórdão n.º 1802002.432 S1TE02 Fl. 12 11 Vêse que no contexto da decisão da Delegacia de origem, não havia outra maneira de a Contribuinte se resguardar da prescrição de seu alegado direito creditório (a não ser mediante a apresentação de um novo PER/DCOMP), principalmente porque depois de proferidos os despachos decisórios, os PER/DCOMP originais não podiam mais ser retificados (IN SRF 600/2005, art. 57). No recurso voluntário, a Contribuinte ainda destacou que havia vários outros processos envolvendo o mesmo crédito (saldo negativo em 2003), e que todos eles deveriam ser analisados em conjunto, sob a ótica de saldo negativo. Não vislumbro a alegada máfé da Contribuinte, e nem óbice de natureza procedimental ao seu pleito. Nesse sentido, cabe ainda mencionar que sempre existe a possibilidade de os contribuintes apresentarem vários PER/DCOMP a partir do mesmo direito creditório, ainda que se trate de saldo negativo. E nos casos em que os contribuintes vão utilizando em partes um único crédito, há sempre o risco de este crédito não ser suficiente para a quitação de todos os débitos, seja em razão de um simples erro matemático na evolução do crédito, ou por um inadequado cômputo dos acréscimos moratórios no encontro de contas, etc. Esta é uma das razões pelas quais a declaração de compensação “extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação”, conforme o § 2º do art. 74 da Lei 9.430/1996. Realmente, o ideal é que os PER/DCOMP que utilizam o mesmo crédito sejam examinados em conjunto. De todo modo, na medida em que o crédito vai sendo consumido em várias compensações, o resultado final dos PER/DCOMP posteriores (seja para fins de compensação ou de restituição) está sempre condicionado ao montante do crédito que remanesce dos PER/DCOMP anteriores, após a dedução das parcelas já restituídas ou compensadas. Isso é uma situação comum para o caso de vários PERDCOMP fundados no mesmo crédito. No caso, a DRF Limeira/SP informou que a Contribuinte ingressou com pedido de restituição do saldo negativo de 2003 (apresentado em 22/12/2008, e retificado em 23/06/2009), mas não esclareceu se houve algum exame sobre esse saldo negativo, se ele já foi restituído à Contribuinte, se a DRF está aguardando o desenrolar dos processos referentes às compensações, etc. Havendo algum saldo negativo a ser restituído/compensado, não entendo que a melhor decisão seja a de reconhecer o direito à restituição desse indébito e, por outro lado, insistir na exigência Fl. 413DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900856/200826 Acórdão n.º 1802002.432 S1TE02 Fl. 13 12 dos débitos que a Contribuinte pretende quitar por compensação com este mesmo direito creditório. Também não seria adequado condicionar a restituição do direito creditório (caso ele seja confirmado) ao pagamento dos débitos que poderiam ser com ele quitados por compensações declaradas pela própria Contribuinte. Por tudo o que já se disse sobre a relação entre as estimativas mensais e o saldo negativo que delas decorre, havendo confirmação de algum saldo negativo em 2003, a melhor solução é promover os encontros de contas pretendidos pela Contribuinte em seus PER/DCOMP, no limite do crédito reconhecido. Diante de todo esse contexto, é necessário que os autos novamente retornem à DRF Limeira/SP, para que aquela unidade: atenda ao já demandado na Resolução nº 1802000.293, proferida por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF em 06/08/2013; informe se houve algum exame sobre o valor e a disponibilidade do saldo negativo de CSLL em 2003, no contexto do PER/DCOMP nº 31344.03323.230609.1.6.036500; informe se houve restituição do crédito indicado no PER/DCOMP acima referido, relativo ao saldo negativo de CSLL em 2003. No caso de a DRF estar aguardando o resultado final do PER/COMP objeto destes autos (bem como dos demais relacionados à mesma apuração do anocalendário de 2003), para dar encaminhamento ao PER/DCOMP nº 31344.03323.230609.1.6.036500 (que é posterior aos demais), é importante que fique consignada esta informação. Deste modo, voto no sentido de novamente converter o julgamento em diligência para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. Dando encaminhamento a essa segunda resolução, a DRF/Limeira/SP levantou novas informações, às fls. 387/388, que subsidiaram o despacho de devolução do processo ao CARF: [...] Verificado que a Resolução n.° 1802000.293 requeria a apuração da base de cálculo da CSLL do anocalendário de 2003 bem como o valor a ser considerado como dedução a título de estimativas mensais, o processo foi encaminhado ao Serviço de Fiscalização para cumprimento da diligência. Porém, tivemos conhecimento de que o SCC processou o pedido de restituição do saldo negativo de CSLL do contribuinte e Fl. 414DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900856/200826 Acórdão n.º 1802002.432 S1TE02 Fl. 14 13 depositou em sua conta corrente o valor de R$474.901,37, no dia 20/05/2014. Diante deste fato e verificado que a diligência ainda não havia sido iniciada por motivo de férias do auditor fiscal designado, foi solicitado o retorno deste processo ao Seort. Respondendo à parte dos quesitos, o crédito foi examinado e a restituição foi paga. O pedido de restituição n.° 31344.03323.230609.1.6.036500 bem como a declaração de compensação n.° 39866.43075.260704.1.3.045007 em que o contribuinte utilizou como crédito para compensação o pagamento da estimativa da CSLL do mês de junho de 2003, no valor de R$ 16.469,48, objeto deste processo, tiveram sua análise automática pelos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, de forma que não houve sobrestamento do pedido de restituição, pois a regra geral é que todos os documentos sejam processados automaticamente e não há funcionalidade no sistema que permita à DRF/Limeira interromper o ciclo automático para depois retomálo. Quanto aos itens requeridos pela Resolução n.° 1802000.293, o sistema que analisa automaticamente o saldo negativo de CSLL não gera um relatório das verificações feitas por ele para que se possa atendêla, sendo necessária a repetição manual do quanto já realizado por ele, para atender completamente as resoluções do CARF. Considerando a relevância do fato de o contribuinte já ter recebido a restituição e o entendimento do CARF de que “ao servidor designado para o cumprimento de diligência não é dada a livre vontade para cumprir ou não as decisões do CARF”, proponho o encaminhamento deste processo ao Gabinete da DRF/Limeira para que autorize o envio deste processo àquele órgão de julgamento para ciência dos fatos, retornando o processo, caso entendam imprescindível o cumprimento da Resolução n.° 1802000.293. Na seqüência, a Contribuinte ingressou com a petição de fls. 391 a 401, informando: que enquanto aguardava a realização da diligência requerida, em 20/05/2014 teve creditado em sua conta corrente o valor de R$ 474.901,37; que dado o fato de que o aludido saldo negativo já fora utilizado em diversas compensações anteriormente ao pedido de restituição, conforme já constante em suas razões de defesa, a Recorrente no dia seguinte ao crédito realizado em sua conta corrente, diligenciou à Receita Federal para verificar o ocorrido, bem como o procedimento para devolução do valor, tendo sido orientada a requerer a expedição de guia para tal; que tal providência foi adotada já no dia seguinte (22/05/2014), conforme se comprova com a petição anexa; Fl. 415DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900856/200826 Acórdão n.º 1802002.432 S1TE02 Fl. 15 14 que desde o início pode ser constatada a boafé da empresa em adotar todas as providências que se encontravam ao seu alcance para devolver o dinheiro indevidamente creditado em sua conta; que em 17/06/2014, recebeu Despacho Decisório (doc. anexo) no sentido de que a guia para devolução do dinheiro não seria expedida, sendo o processo suspenso até a decisão final dos processos administrativos de compensação; que a presente petição serve para cientificar e esclarecer os fatos ocorridos neste e em todos os outros processos em que se discute o legítimo direito do contribuinte em ter seu crédito processado como “Saldo Negativo”, afastando qualquer dúvida acerca de sua boafé, consignando expressamente que em nenhum momento pretendeu se aproveitar do crédito em duplicidade, tendo os pedidos de restituição sido efetuados posteriormente às compensações e apenas para resguardar seu direito; que ratifica seu pedido de homologação das compensações efetuadas, e que o valor indevidamente creditado em sua conta corrente será devolvido imediatamente quando da expedição da guia competente por parte da DRF/Limeira. Ao proferir a segunda resolução que reiterou a diligência demandada à Delegacia de origem, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF não compartilhou do entendimento de que a apresentação do pedido de restituição do saldo negativo, posteriormente às declarações de compensação, poderia configurar máfé da Contribuinte, com tentativa de aproveitamento em duplicidade do mesmo crédito, ou algo semelhante. Mas também é importante registrar que o referido pedido de restituição, embora servindo para evitar uma eventual prescrição do crédito, não tinha seus efeitos limitados a essa finalidade. Desde a sua apresentação, o pedido de restituição poderia produzir seus normais efeitos, especialmente porque indicava corretamente a espécie do crédito reivindicado (saldo negativo), sem incorrer no mesmo erro de preenchimento das declarações de compensação. Nesse passo, cabe destacar que as informações prestadas tanto pela Delegacia de origem, quanto pela própria Contribuinte, noticiam que o pedido de restituição foi processado e que o crédito relativo ao saldo negativo de CSLL de 2003 já foi restituído/ depositado na conta corrente bancária da interessada. Se em outros autos havia pedido de restituição que tratava integralmente do crédito cuja fração amparava a declaração de compensação objeto deste processo, e se esse pedido já produziu seus normais efeitos no contexto daqueles outros autos, inclusive com restituição de crédito em conta bancária da Contribuinte, resta prejudicada a compensação objeto deste processo, por ausência de crédito que possa ser nele aproveitado. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 416DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.900856/200826 Acórdão n.º 1802002.432 S1TE02 Fl. 16 15 Fl. 417DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.914804/2012-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 48 04 /2 01 2- 11 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. É legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos contábeis e fiscais que fundamentam a retificação. DACON. CARÁTER INFORMATIVO. O DACON configura declaração de caráter informativo e não instrumento de confissão de dívidas tributárias nem veículo de inscrição desses débitos em Dívida Ativa da União. A informação prestada no DACON, desacompanhada de documentos que a justifiquem, não é suficiente para provar a existência de direito creditório pleiteado em declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), retificando exclusivamente a Dacon, sem, portanto, retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), Fl. 117DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.914804/201211 Acórdão n.º 3802003.804 S3TE02 Fl. 117 3 o que só veio a ocorrer após o despacho decisório. Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A DRJ manteve a não homologação, porque, apesar da retificação da Dctf após o despacho decisório, não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. A Recorrente, nas razões de fls. 61 e ss., alega a falta de retificação da Dctf seria um mero equívoco, que poderia ser constatado pela análise da Dacon, já retificada quando da apresentação do pedido de PER/Dcomp. Afirma que, pelo princípio da verdade material, deveria o órgão julgador verificar quais dos dois documentos (Dctf ou Dacon) continha os valores corretos, bem como que a Dacon e a Darf são os únicos meios de provas capazes de demonstrar o valor efetivamente devido à título de Cofins, bem como a existência de pagamento a maior. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 08/01/2014 (fls. 59), interpondo recurso tempestivo em 04/02/2014 (fls. 61). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.914804/201211 Acórdão n.º 3802003.804 S3TE02 Fl. 118 5 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, entretanto, entendese que a documentação apresentada é insuficiente para a demonstração da certeza e da liquidez do direito de crédito. A Dipj e o Dacon, diversamente do que sustenta o Recorrente, somente têm valor probatório quando acompanhados da escrituração fiscal, ainda que parcial, notadamente em face das divergências encontradas no curso do processo. Além disso, também deveria ter sido apresentada a documentação que lastreia a escrituração, porquanto esta, de acordo com o art. 9.º, § 1.º, do DecretoLei n.º 1.598/1977, apenas “faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais”. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 121DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 11020.720887/2012-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/05/2008, 01/01/2009 a 31/12/2010
PRELIMINAR. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando lavrado por autoridade competente, sendo que estão claramente discriminadas as infrações que motivaram a autuação, bem como os seus montantes.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se não impugnada a matéria não expressamente contestada pela Recorrente.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PARA-BRISAS.
Vidros de segurança formados de folhas contracoladas, utilizados como para-brisas em automóveis, lanchas ou outros veículos classificam-se no código 7021.21.00 da TIPI. Não se enquadram no Ex 01 do referido código os para-brisas para ônibus e caminhões cujas dimensões variem para mais ou para menos de 5% daquelas nele estabelecidas.
VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Não prevalece a suspensão de IPI para as mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação quando não comprovado documentalmente que estas foram efetivamente exportadas.
Preliminar suscitada não acolhida. No mérito, recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.405
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não acolher a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente Substituto
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: Rodrigo Cardozo Miranda
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente VIDROFORTE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE VIDROS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2007 a 31/05/2008, 01/01/2009 a 31/12/2010 PRELIMINAR. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando lavrado por autoridade competente, sendo que estão claramente discriminadas as infrações que motivaram a autuação, bem como os seus montantes. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria não expressamente contestada pela Recorrente. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PARABRISAS. Vidros de segurança formados de folhas contracoladas, utilizados como para brisas em automóveis, lanchas ou outros veículos classificamse no código 7021.21.00 da TIPI. Não se enquadram no Ex 01 do referido código os para brisas para ônibus e caminhões cujas dimensões variem para mais ou para menos de 5% daquelas nele estabelecidas. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Não prevalece a suspensão de IPI para as mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação quando não comprovado documentalmente que estas foram efetivamente exportadas. Preliminar suscitada não acolhida. No mérito, recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não acolher a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Luis Eduardo Garrossino Barbieri – Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 08 87 /2 01 2- 86 Fl. 2592DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.578 2 Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto pela Recorrente contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre que, por unanimidade de votos, manteve a exigência consubstanciada no Auto de Infração das fls. 815/822. Para melhor elucidação dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão proferido pela DRJ/Porto Alegre: Contra o contribuinte antes qualificado foi lavrado o Auto de Infração, das fls. 815/822, para formalizar a exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, acrescido de juros de mora e multa de ofício, totalizando em R$ 8.118.984,51 o crédito tributário exigido à época da autuação. Conforme o Relatório de Auditoria Fiscal das fls. 2312/2327 o contribuinte cometeu as seguintes infrações das quais decorre a exigência: a) vendas com erro de classificação fiscal e alíquota a.1) o contribuinte industrializou e deu saída a um kit de alumínio e elemento bloqueador da passagem de água, de vidro temperado, marca IDROFORTE, com denominação vulgar, comercial, científica e técnica de “Box para Banheiro”. O kit para instalação e o elemento para bloquear a passagem da água, de vidro temperado, são partes integrantes do mesmo produto mas eram comercializados separadamente. A partir do mês de agosto de 2010 o contribuinte deixou de industrializar e comercializar o kit para instalação do box para banheiro, passando a comercializar somente o elemento bloqueador de passagem da água, o vidro temperado. Analisando as notas fiscais de saída (arquivos magnéticos) foi constatado que o contribuinte adotou as seguintes classificações fiscais: a) 7616.99.00, para o elemento bloqueador de passagem de água (vidro temperado) com 8mm de espessura, com alíquota de IPI de 5,0%; b) 7610.10.00, para o Kit de instalação do box para banheiro com alíquota de IPI de 0,0% e c) 7007.19.00, para o elemento bloqueador (vidro temperado) com 10mm de espessura e alíquota de IPI de Fl. 2593DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.579 3 15% até 14/05/2008 e reduzida para 10% a partir de 15/05/2008, código este utilizado para todos os vidros temperados destinados a box para banheiro a partir de agosto de 2010. Entende a fiscalização que o box para banheiro não pode ser classificado nas posições 7610 e 7616 as quais são próprias para os produtos de alumínio e suas obras em razão de que a característica essencial do produto completo e acabado do “Box para banheiro” é o vidro temperado que representa 90,0% do produto acabado, sendo o kit um elemento secundário utilizado apenas como forma de fixação dos vidros temperados. Por isso entende que, em conformidade com as Regras Gerais para Interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares (NC), todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), integrantes do seu texto e segundo as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado à Posição 7020, a correta classificação fiscal do produto é no código 7020.00.90, com alíquota de 15,0%. Diz o fiscal autuante que a RFB manifestouse nesta mesma linha no parecer Coana nº 003, de 27/12/2004 e na Solução de Consulta /SRRF/7ªRF/DIANA nº 457, de 07/11/2005 (fls. 801/808). a.2) O estabelecimento fiscalizado industrializa e comercializa vidros de segurança formados de folhas contracoladas para serem utilizados como parabrisas em automóveis, lanchas ou outros veículos, classificandoos nos códigos 8708.2999 e 8433.90.90 da TIPI. Entende a fiscalização que os mesmos devem classificarse no código 7007.21.00, fundamentandose nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) que em seus comentários à posição 7007, fazem uma descrição minuciosa do produto em análise e também pela aplicação da alínea "a" da 3ª Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado que estabelece: “Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais especifica prevalece sobre as mais genéricas.(...)". Nesse sentido afirma o agente fiscal que: Assim, para resolução da nomenclatura de parabrisa, necessário estabelecer o grau de especificidade dos textos da posição 8708.29.99 e da posição 7007.21.00. A posição 8708.29.99, utilizada pela empresa, é altamente residual. Uma grande quantidade de produtos é passível de ser classificada nessa posição. Ao contrário, a posição 7007.21.00 limita o enquadramento a vidros formados de folhas contracoladas e de dimensões e formatos que permitam a sua aplicação em automóveis, veículos aéreos, barcos ou outros veículos. Acrescenta o autuante que: Ainda, a Nota Explicativa do Sistema Harmonizado N° 8, página 1715, da Seção XVII Material de Transporte, que compreende o capitulo 87, exclui a possibilidade de enquadramento na posição 8708.29.99: "C) Critério da posição mais especifica. As partes e acessórios, mesmo reconhecíveis como destinados ao material de transporte, são excluídos da presente Seção, quando se classificam mais especificamente em outras posições da Nomenclatura, por exemplo o caso de: (...) Fl. 2594DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.580 4 8) Vidros de segurança, não emoldurados, incluídos os que tenham forma própria para serem utilizados como parabrisas e outros vidros, para veículos (posição 70.07)." Analisando a referida Nota Explicativa, afirma a fiscalização que percebese que o vidro de segurança exerce a função de parabrisa, bastando que lhe seja dado formato apropriado para encaixe na moldura do veiculo. Assim, parabrisa, é uma destinação do vidro de segurança. Nenhuma transformação ou aperfeiçoamento, além da formatação já contemplada no texto da posição 7007.21.00, é necessária ao vidro de segurança para exercer a função essencial do parabrisa, ou seja, tratase da mesma mercadoria. Portanto, conclui o fisco que o produto deve ser classificado no código 7007.21.00 da TIPI, com base nas RGIs 1ª e 6ª (textos da posição 7007 e da subposição 7007.21) e na alínea "a" da 3ª RGI, todas da TIPI, com os esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da referida posição (Decreto n° 435/92). Diz que corrobora a conclusão a Decisão SRRF/8ª RF/DIANA n.° 155, de 24/04/1998, cuja ementa transcreve. Ademais, foi verificado que o sujeito passivo classificou vidros de segurança formados de folhas contracoladas, para serem utilizados como parabrisas em ônibus ou caminhões, no Ex. 01 do código 7007.21.00 da TIPI, cuja aliquota do IPI é 3% . No entanto, para utilizar o Ex. 01 do código 7007.2100 da TIPI, os vidros de segurança industrializados pelo contribuinte teriam que se enquadrar nas seguintes dimensões nele previstas: 2.075 x 787 x 6,76 mm; 1950 x 800 x 6mm; 1800 x 800 x 6mm; 1693 x 575 x 6.75mm; e 1.300 x 1.235x 6mm (admitida a tolerância de até 5%, para mais ou para menos). O contribuinte foi intimado a apresentar demonstrativo com as dimensões dos parabrisas formados de folhas contracoladas aplicados em ônibus ou caminhões, classificados no Ex.01 do código 7007.21.00 (alíquota de 3%), tendo sido constatado que em grande parte não atendem às medidas nele especificadas, mesmo sendo admitida a tolerância de até 5% (para mais ou para menos), devendo serem tributados a alíquota de 15%. b) vendas para empresas comerciais exportadoras com descumprimento das condições da suspensão pelo remetente do produto. Continuando a análise dos documentos e informações apresentados pelo contribuinte durante o procedimento fiscal, foi verificado que o estabelecimento industrial fiscalizado promoveu saídas de produtos de sua industrialização, sem o destaque do imposto sobre produtos industrializados, utilizandose do instituto da suspensão, capitulado no art. 42, inciso V, alínea “a” , do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI 2002) , atualizado pelo Decreto nº. 7.212, de 15/06/2010, art. 43, inciso V, alíneas “a” a ‘c”. No entanto, para fazer uso de tal benefício, o contribuinte teria que comprovar a comercialização de tais produtos com o fim específico de exportação às empresas comerciais exportadoras, nos termos do § 1º do artigo 42 do RIPI, .... Com o intuito de verificar se o estabelecimento sob investigação teria atendido ao requisito a que estaria condicionada a suspensão do imposto, Fl. 2595DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.581 5 nos termos do § 1º do art. 42 do Decreto nº 4.544/2002, o contribuinte foi intimado, mediante o "Termo de Intimação Fiscal nº 1 (fls. 158/162), a informar se os produtos que saíram do seu estabelecimento industrial foram remetidos diretamente para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Em resposta à intimação fiscal (doc. fl. 91), o contribuinte declarou que as mercadorias foram remetidas para o estabelecimento de cada cliente (empresa comercial exportadora), tornando evidente, assim, o descumprimento do requisito para a utilização da suspensão do IPI nas operações com CFOP 5.501 e 6.501. Em decorrência das infrações praticadas pelo sujeito passivo, foi formalizada a exigência do IPI, conforme valores apurados nos seguintes anexos: a) Anexo I “Saídas do Produto Box Para Banheiro do Estabelecimento com Classificação Fiscal Incorreta e com Erro na Aplicação da Alíquota do IPI” (fls. 844/1596); b) Anexo II “ Demonstrativo de Produtos com Erro de Classificação Fiscal e Alíquota” – Parabrisa para automóveis e outros veículos (fls. 1597/2278) e; c) Anexo III “ Relação de Produtos Remetidos a Empresas Comerciais Exportadoras Sem Comprovação da Remessa Com Fim Específico De Exportação”2279/2291). A fundamentação legal das infrações encontrase nas folhas de continuação do Auto de Infração às fls. 816/822. Considerando as infrações apuradas, foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal do contribuinte (fls. 827/831 e 835/843), para incluir, na apuração dos saldos de cada período, os lançamentos referentes ao imposto apurado pela fiscalização. As bases legais da multa de ofício, no percentual de 75%, sobre o valor do IPI que deixou de ser lançado, e dos juros de mora estão no respectivo demonstrativo a fl. 834. Inconformado, o autuado, pelo arrazoado de folhas 2337/2358, instruído com os documentos das fls. 2359/2376, vem impugnar o lançamento, alegando, em síntese o que segue. Postula a nulidade do Auto de Infração em razão do mesmo não ser claro e preciso quanto ao crédito tributário lançado em decorrência de cada uma das supostas infrações apontadas e que não há qualquer justificativa técnica para amparar a nova classificação fiscal que o Fisco pretende impor. Em relação ao primeiro fundamento, aduz que assiste ao contribuinte autuado o direito de saber o montante a que se refere o crédito tributário em cada uma das parcelas lançadas, trazendo, por exemplo, o fato de o Auto de Infração sequer identificar as notas fiscais que deram origem ao crédito nas operações com empresas comercial exportadoras dificultando o direito de defesa do impugnante. Aduz, ainda, estarse diante de nulidade no que se refere aos fundamentos para determinar a nova classificação de mercadorias vez que essa se deu sem qualquer justificativa técnica. Afirma que “Sendo assim, o direito de defesa da lmpugnante resta prejudicado, por cerceamento do direito de defesa, vez que existem argumentos objetivos no Auto de Infração para serem combatidos.” Acrescenta que para corroborar com o alegado, e que será objeto de análise pormenorizada em tópico Fl. 2596DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.582 6 próprio, todas as empresas concorrentes da impugnante classificam as mesmas mercadorias na subposição 8708.29.99, concluindo que o combatido Auto de Infração está dissociado da realidade fática e legal. No mérito, após discorrer sobre o Sistema Harmonizado e suas regras de interpretação, diz que a regra adotada pela TIPI estabelece que a posição mais específica prevalece sobre a mais genérica e os produtos que possam ser enquadrados em mais de uma posição específica devam ser classificados pela sua característica essencial e finalidade. Alega que a fiscalização laborou em equívoco ao classificar os parabrisas no código 7007.21.00, pois partiu da equivocada premissa de que parabrisa se trata de vidro de segurança nos termos da Decisão SRRF/8ªRF/DIANA n° 155, de 24 de abril de 1998, sendo, ao seu ver, fundamento absurdo, por ser baseado em legislação já revogada, mas também, pelo fato de que a decisão citada não é fonte do direito tributário. Invoca o principio da legalidade tributária, insculpido na Constituição Federal, que estabelece, em resumo, que somente a lei pode determinar as bases da tributação nacional, trazendo excertos doutrinários nesse sentido. Afirma que “Além disso, sendo vidro de segurança ou não, o certo é que o parabrisa não perde a sua característica essencial de partes e acessórios dos veículos automóveis das posições 81.01 a 87.08 (sic), como determinado pela TIPI.”. Aduz, ainda que um párabrisa não é feito somente de vidro, pois, obrigatoriamente, deve ser utilizado o PVB Polivinil Butiral , classificado no código 39.20.9100, que no custo total dos materiais que compõem um parabrisa pode ser superior ao vidro. Além do custo, dependendo da característica do parabrisas, o PVB compõem mais de 50% da estrutura física do produto final. Afirma, outrossim, que um parabrisa pode conter tinta, antena para rádio e pastilha para espelho retrovisor, dizendo que isso revela, que o real critério para determinar a nova classificação é puramente arrecadatório, vez que os fundamentos para determinar a nova classificação não seguem os critérios estabelecidos pela legislação vigente. Aduz que não são esses os critérios estabelecidos para classificar mercadorias pois o parabrisa indiscutivelmente é uma parte indispensável ao veiculo sem a qual, inclusive, é proibido trafegar. Sendo assim a sua classificação está afeta ao capitulo que trata dos veículos e suas partes e acessórios e não no capitulo do vidro e suas obras como erroneamente restou classificado no combatido Auto de Infração. Segue alegando que grande parte das atividades desenvolvidas pela impugnante são voltadas para o fornecimento de peças para fabricantes de veículos, atividade essa praticada por centenas de empresas do mesmo ramo e todas classificam o parabrisa como partes e peças de veículos e não como vidros de segurança. Relata que em consulta ao site da Tecwin que, muito embora o seu caráter não oficial, presta subsídios para a classificação de produtos, verificase que o mesmo orienta a classificação do parabrisas na subposição 8708.29.99 "Ex" — Parabrisas. Diz que “A própria Secretaria da Receita Federal admite que a classificação dos párabrisas é na posição 8708. Conforme constatase da análise do site da Receita Federal (http://www.receita.fazenda.gov.br/Aduana/ImportProdSensiveis.htm), inúmeras importações de parabrisas foram feitas no ano de 2007 na Fl. 2597DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.583 7 posição 8708.”, colacionando a título de amostra, relação de algumas operações de importação de parabrisas realizadas no mês de janeiro de 2007. Na seqüência, transcreve trecho das NESH da posição 7007, aprovadas pela Instrução Normativa SRF nº 157, de 10 de maio de 2002, onde destaca que “(...) por outro lado, os vidros de segurança onde são incorporados outros elementos e transformados assim em órgãos de máquinas, aparelhos ou veículos, seguem o regime destes últimos; (...)”, reforçando que a própria a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil determina que os vidros de segurança quando aplicados a veículos seguem a classificação dos mesmos. Conclui que o parabrisas pode ser um vidro de segurança, ou melhor, é formado por vidros de segurança, mas antes ser um vidro de segurança é uma parte e peça de veículos e essa é a sua característica essencial. A seguir transcreve jurisprudência administrativa e judicial no sentido de que a posição mais específica prevalece sobre a mais genérica. Diz que o Auto de Infração se mostra ilegal por determinar a nova classificação com base numa decisão administrativa enquanto as regras de interpretação foram estabelecidas por Decreto, norma de maior hierarquia. Na seqüência discorre sobre os fundamentos constitucionais da livre concorrência e que “considerando que OUTRAS EMPRESAS comercializam o parabrisa na mesma subposição da adotada pela Impugnante, ao que se sabe, não foram autuadas pela Receita Federal do Brasil, estáse diante de uma concorrência desleal patrocinada pelo Fisco.”, razão pela qual o Auto de Infração é totalmente improcedente. Quanto às vendas para empresas comerciais exportadoras diz que melhor sorte não assiste à peça fiscal, “Isso porque, conforme comprovantes em anexo, as mercadorias em questão foram efetivamente exportadas. Pouco importa o fato de as mercadorias em questão não terem sido remetidas para exportação ou recinto alfandegados.” E acrescenta que “O fato é que, mesmo se não considerada a suspensão do IPI nas operações em questão, as exportações são imunes em relação ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, conforme determina o artigo 153 da Constituição Federal: (...)”, concluindo que nada é devido a titulo de IPI naquelas operações. Contesta a aplicação da multa de ofício, alegando que “Considerando que não houve a alegada infringência aos artigos suscitados pela Auditoria Fiscal não há como subsistir a multa aplicada pela fiscalização federal.” Pede a produção de prova pericial, formulando os quesitos que quer ver respondidos. Encerra requerendo que seja recebida a impugnação e julgada totalmente procedente, determinando o integral cancelamento do lançamento. É o relatório. A ementa do acórdão da DRJ/Porto Alegre é a seguinte: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Somente são nulos os atos lavrados por pessoa incompetente e as decisões e despachos proferidos por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 2598DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.584 8 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria não expressamente contestada pelo impugnante. PEDIDO DE PERÍCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia que não atenda os requisitos previstos na legislação que regula o processo administrativo fiscal. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Vidros de segurança formados de folhas contracoladas, utilizados como Parabrisas em automóveis, lanchas ou outros veículos classificamse No código 7021.21.00 da TIPI, com alíquota de 15%. Não se enquadram no Ex 01 do referido código os parabrisas para ônibus e caminhões cujas dimensões variem para mais ou para menos de 5% daquelas nele estabelecidas. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DO IPI. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Produtos que tenham sido remetidos do estabelecimento industrial para o estabelecimento do próprio adquirente não podem ser considerados adquiridos com o fim específico de exportação, para fins de suspensão do IPI, benefício que exige a remessa direta do estabelecimento fabricante para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. Impugnação Improcedente Inconformada com tal decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos anteriormente apresentados. Através da Resolução 3202000.178, esta Turma converteu o julgamento em diligência para que “a Recorrente apresente provas da ocorrência efetiva das exportações, através da apresentação de memorandos de exportação, cópias do conhecimento de embarque e de comprovantes de exportação, dos extratos completos dos Registros de Exportação – RE e de Declarações de Exportação, que deverão ser posteriormente verificados e ratificados pela DRF competente para a efetiva comprovação das exportações em comento”. O processo retornou com o devido relatório de diligência fiscal (fls. 2542 a 2545) para reanálise deste Colegiado. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator Fl. 2599DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.585 9 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Preliminar de nulidade do auto de infração Entendo inexistir qualquer nulidade do auto de infração porque a auto de infração foi lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, sendo que estão claramente discriminadas as infrações que motivaram a autuação, bem como os montantes relativos a cada uma delas, motivo pelo qual rejeito esta preliminar. Considerase não impugnada a matéria não expressamente contestada pela Recorrente. Em relação á classificação fiscal de “Box para Banheiro”, a Recorrente em sua defesa não refutou expressamente a classificação fiscal adotada pela fiscalização para os produtos em epígrafe, razão pela qual a parcela da exigência a eles relativa deve ser considerada como não impugnada. Classificação fiscal de mercadorias Quanto à classificação fiscal dos parabrisas, a Decisão SRRF/8ª RF/DIANA Nº 155/1998 citada na decisão recorrida muito bem endereça a questão para a correta classificação na posição 7007.21.00 adotada pela fiscalização, senão vejamos: A análise dos elementos apresentados evidencia tratarse de vidro de segurança formado por folhas contracoladas, nas dimensões 1890 mm X 763 mm X 6,76 mm, conforme descrição minuciosa das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado nos seus comentários à posição 7007: B) Vidros de segurança formados de folhas contracoladas. Os vidros de segurança deste tipo, normalmente chamados "vidros folheados", "vidrossanduíche" ou "vidros compósitos", resultam essencialmente da intercalação de uma ou várias folhas de plástico entre duas ou mais lâminas de vidro. A alma de plástico é formada geralmente por folhas de acetato de celulose ou de produtos vinílicos ou acrílicos, que se faz aderir às chapas de vidro, a maior parte das vezes, por ação de calor e de pressão consideráveis depois de se ter pulverizado com cola especial a superfície interna das folhas. Também se pode aplicar diretamente a película de plástico sobre o próprio vidro. As chapas de vidro assim preparadas colamse em seguida umas às outras por ação de calor e de pressão. Uma das características do vidro temperado é a de se quebrar em pequenos Fl. 2600DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.586 10 fragmentos não cortantes, ou até se desintegrar pela ação do choque, o que reduz o perigo resultante da projeção de estilhaços. O vidro de segurança formado por duas ou mais folhas rachase sem estilhaçar e, se o choque é tão violento que o faz partir (e não se limita a rachálo), os estilhaços não têm tamanho suficiente para provocar ferimentos graves. Em alguns vidros desta natureza, destinados a usos especiais, podem incorporarse redes metálicas ou folhas de plástico colorido. Estas qualidades permitem utilizar estes vidros para fabricação de para brisas ou janelas de automóveis, portas de estabelecimentos comerciais, vigias de navios, óculos de proteção para operários, vidros para máscaras antigás e vidros para capacetes de escafandristas. É fabricado um tipo especial de vidro, constituído por duas ou mais folhas, que é conhecido como sendo "à prova de balas". Tendo por base a destinação do produto (parabrisa para automóveis), depreendese ser o mesmo parte de veículo, dos constantes do capítulo 87. No entanto, as Notas Gerais da Seção XVII, que compreende o capítulo 87, esclarecem: III.PARTES E ACESSÓRIOS Deve notarse que o Capítulo 89 não prevê disposições relativas às partes (exceto cascos) e acessórios de embarcações ou estruturas flutuantes. Estas partes e acessórios, mesmo que sejam reconhecíveis como tais, classificam se, conseqüentemente, em outros Capítulos, conforme seu próprio regime. Todos os outros Capítulos da presente Seção permitem a classificação das partes e acessórios dos veículos ou artefatos que compreendam. Convém notarse a este respeito que só se classificam nas posições referentes às partes e acessórios, os que satisfaçam as três condições seguintes: a) Não serem excluídos por aplicação da Nota 2 da presente Seção (ver parágrafo A, abaixo). b) Serem reconhecíveis como exclusiva ou principalmente concebidos para os artefatos dos Capítulos 86 a 88 (ver parágrafo B, abaixo). c) Não serem incluídos mais especificamente em outros Capítulos da Nomenclatura (ver parágrafo C, abaixo). E quanto ao citado parágrafo C: C) Critério da posição mais específica. As partes e acessórios, mesmo reconhecíveis como destinados ao material de transporte, excluemse da presente Seção, quando se classificam mais especificamente em outras posições da Nomenclatura. É por exemplo o caso dos: ... 8) Vidros de segurança não emoldurados, incluídos os que tenham forma própria para serem utilizados como parabrisas e outros vidros, para veículos (posição 70.07). Isto posto, depreendese estar o produto incluído na posição 7007, devendo ser classificado no código 7007.21.00, onde está textualmente descrito. Quanto ao Ex. 01 do código 7007.21.00, verificase não estar o produto em questão nele incluído, uma vez que a lista ali descrita é exaustiva e as dimensões do produto não atendem às suas especificações, mesmo sendo admitida a tolerância de + 5%, prevista, senão vejamos: Fl. 2601DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.587 11 O produto, admitida a tolerância, poderseia enquadrar nas seguintes dimensões do Ex. 01: 1800 mm X 800 mm X 6,00 mm ou 1970 mm X 800 mm X 6,00 mm, onde não se enquadra pois a tolerância máxima na espessura é 6,30 mm. Ou mesmo nas dimensões 2075 mm X 787 mm X 6,76 mm, onde, também, não se enquadra, pois a tolerância máxima no comprimento é 1890 mm. Ainda, em comparação com as demais dimensões, vemos que o presente nelas não se enquadra, pois suas dimensões não respeitam as medidas, com ou sem tolerância, no comprimento, nem na altura. 3. Portanto, o produto deve ser classificado, com base nas RGIs 1.ª e 6.ª (textos da posição 7007 e da subposição 7007.21), todas da TIPI, com os esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da referida posição (Decreto n° 435/92), no código 7007.21.00 da mesma TIPI (Decreto n° 2.092/96). Vendas com fim específico de exportação Analisando o relatório de diligência fiscal é possível verificar que a Recorrente não apresentou cópias dos conhecimentos de embarque e dos comprovantes de exportação, bem como dos extratos, Registro de Exportação e declarações de Exportação. Além disso, a diligência confirmou que determinados Memorandos de Exportação não se referem a exportações de mercadorias industrializadas da empresa diligenciada. Intimada a se manifestar sobre a diligência, a Recorrente não trouxe documentos e argumentos que contrariassem as conclusões do relatório de diligência fiscal. Em razão disso, entendo serem corretas as conclusões apontadas pela instância de piso. Por fim, a multa de 75% é devida por força do artigo 80, caput, da Lei n° 4.502, de 1964, com a redação dada pelo art. 13 da Medida Provisória n° 351/2007, e pelo artigo 13 da Lei n° 11.488/2007, no caso da falta de lançamento e de recolhimento do IPI, inclusive quando não há exigência do imposto em razão da existência de saldos credores na escrita fiscal. Diante do exposto, não acolho a preliminar suscitada e, no mérito, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 2602DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11020.720887/201286 Acórdão n.º 3202001.405 S3C2T2 Fl. 2.588 12 Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 2603DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/01/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI
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Numero do processo: 10140.720433/2013-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA EMPRESTADA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não gera nulidade do Processo Administrativo Fiscal a utilização de prova emprestada, devidamente autorizada pelo Juiz Competente, obtida em razão de medida de busca e apreensão e não resultante de procedimento de quebra de sigilo fiscal no processo de origem.
DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO.
A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR. NULIDADE MATERIAL.
No presente caso a nulidade foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude de o lançamento realizado não permitir ao contribuinte identificar a qual competência se referem os acréscimos legais, o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN e, especificamente, ao art. 37 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999. É o lançamento, por vício material, quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, em especial quando o crédito é constituído com base na caracterização de segurado empregado e deixam de ser demonstrados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício.
Quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio princípio pas de nullité sans grief ou princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. Cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN.
A declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincubido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material.
LEVANTAMENTO SEGURADO EMPREGADO. NECESSIDADE DE CARACTERIZAÇÃO.
Para que se caracterize a formação de um vínculo de emprego, faz-se necessária a constatação dos requisitos do contrato de trabalho descritos no art. 3º da CLT: continuidade (não eventualidade), subordinação, onerosidade e pessoalidade. No relatório de Lançamentos - RL nominou-se as pessoas físicas, porém o relatório fiscal não descreveu de forma minuciosa como a atividade se desenvolveu ao longo do tempo em que permaneceram prestando serviços na empresa notificada.
NORMAS PROCEDIMENTAIS. DESCONSIDERAÇÃO DA RELAÇÃO JURÍDICA E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO REQUISITOS. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.
De acordo com o artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, restando devidamente constatada e comprovada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto tomador de serviços e os prestadores de serviços, poderá o Auditor Fiscal caracterizar o contribuinte individual como segurado empregado, ou mesmo promover a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, considerando seus sócios e/ou funcionários como empregados da tomadora.
No caso dos autos, da análise das razões da fiscalização, conjugada com a documentação trazida à colação, não restou comprovada/demonstrada a existência dos requisitos da relação laboral entre a autuada e os sócios e/ou funcionários das empresas prestadoras de serviços, que tiveram a personalidade jurídica desconsiderada, ou seja, não ocorrendo a perfeita subsunção do fato à norma, de maneira a amparar o lançamento.
Deve ser declarado improcedente o lançamento decorrente de caracterização de segurado empregado, quando o fisco não consegue se desincumbir do ônus de comprovar a ocorrência cumulativa da pessoalidade, onerosidade, subordinação e não eventualidade.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DO ELEMENTO SUBJETIVO.
Sobre o imposto apurado em procedimento fiscal, incide multa de ofício qualificada (150%) somente se restar demonstrado que o contribuinte, mediante uma das condutas dolosas previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, busque defraudar o fisco. Art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430/1996.
Numero da decisão: 2301-004.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da aferição, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que sejam excluídos os valores oriundos de caracterização do vínculo como segurado empregado, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Bezerra, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, a fim de que seja excluída a multa isolada, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Andréa Brose Adolfo, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão. Sustentação oral: João Henrique Gonçalves Domingos. OAB: 189.262/SP.
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR -Relator.
EDITADO EM: 18/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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NULIDADE MATERIAL. No presente caso a nulidade foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude de o lançamento realizado não permitir ao contribuinte identificar a qual competência se referem os acréscimos legais, o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN e, especificamente, ao art. 37 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999. É o lançamento, por vício material, quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, em especial quando o crédito é constituído com base na caracterização de segurado empregado e deixam de ser demonstrados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício. Quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio princípio pas de nullité sans grief ou princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. Cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN. A declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincubido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material. LEVANTAMENTO SEGURADO EMPREGADO. NECESSIDADE DE CARACTERIZAÇÃO. Para que se caracterize a formação de um vínculo de emprego, faz-se necessária a constatação dos requisitos do contrato de trabalho descritos no art. 3º da CLT: continuidade (não eventualidade), subordinação, onerosidade e pessoalidade. No relatório de Lançamentos - RL nominou-se as pessoas físicas, porém o relatório fiscal não descreveu de forma minuciosa como a atividade se desenvolveu ao longo do tempo em que permaneceram prestando serviços na empresa notificada. NORMAS PROCEDIMENTAIS. DESCONSIDERAÇÃO DA RELAÇÃO JURÍDICA E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO REQUISITOS. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. De acordo com o artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, restando devidamente constatada e comprovada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto tomador de serviços e os prestadores de serviços, poderá o Auditor Fiscal caracterizar o contribuinte individual como segurado empregado, ou mesmo promover a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, considerando seus sócios e/ou funcionários como empregados da tomadora. No caso dos autos, da análise das razões da fiscalização, conjugada com a documentação trazida à colação, não restou comprovada/demonstrada a existência dos requisitos da relação laboral entre a autuada e os sócios e/ou funcionários das empresas prestadoras de serviços, que tiveram a personalidade jurídica desconsiderada, ou seja, não ocorrendo a perfeita subsunção do fato à norma, de maneira a amparar o lançamento. Deve ser declarado improcedente o lançamento decorrente de caracterização de segurado empregado, quando o fisco não consegue se desincumbir do ônus de comprovar a ocorrência cumulativa da pessoalidade, onerosidade, subordinação e não eventualidade. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DO ELEMENTO SUBJETIVO. Sobre o imposto apurado em procedimento fiscal, incide multa de ofício qualificada (150%) somente se restar demonstrado que o contribuinte, mediante uma das condutas dolosas previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, busque defraudar o fisco. Art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430/1996.
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PROVA EMPRESTADA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não gera nulidade do Processo Administrativo Fiscal a utilização de prova emprestada, devidamente autorizada pelo Juiz Competente, obtida em razão de medida de busca e apreensão e não resultante de procedimento de quebra de sigilo fiscal no processo de origem. DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR. NULIDADE MATERIAL. No presente caso a nulidade foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude de o lançamento realizado não permitir ao contribuinte identificar a qual competência se referem os acréscimos legais, o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN e, especificamente, ao art. 37 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999. É o lançamento, por vício material, quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, em especial quando o crédito é constituído com base na caracterização de segurado empregado e deixam de ser demonstrados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 04 33 /2 01 3- 67 Fl. 10513DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 Quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio princípio pas de nullité sans grief ou princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. Cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN. A declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincubido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material. LEVANTAMENTO SEGURADO EMPREGADO. NECESSIDADE DE CARACTERIZAÇÃO. Para que se caracterize a formação de um vínculo de emprego, fazse necessária a constatação dos requisitos do contrato de trabalho descritos no art. 3º da CLT: continuidade (não eventualidade), subordinação, onerosidade e pessoalidade. No relatório de Lançamentos RL nominouse as pessoas físicas, porém o relatório fiscal não descreveu de forma minuciosa como a atividade se desenvolveu ao longo do tempo em que permaneceram prestando serviços na empresa notificada. NORMAS PROCEDIMENTAIS. DESCONSIDERAÇÃO DA RELAÇÃO JURÍDICA E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO REQUISITOS. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. De acordo com o artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, restando devidamente constatada e comprovada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e os “prestadores de serviços”, poderá o Auditor Fiscal caracterizar o contribuinte individual como segurado empregado, ou mesmo promover a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, considerando seus sócios e/ou funcionários como empregados da tomadora. No caso dos autos, da análise das razões da fiscalização, conjugada com a documentação trazida à colação, não restou comprovada/demonstrada a existência dos requisitos da relação laboral entre a autuada e os sócios e/ou funcionários das empresas prestadoras de serviços, que tiveram a personalidade jurídica desconsiderada, ou seja, não ocorrendo a perfeita subsunção do fato à norma, de maneira a amparar o lançamento. Deve ser declarado improcedente o lançamento decorrente de caracterização de segurado empregado, quando o fisco não consegue se desincumbir do ônus de comprovar a ocorrência cumulativa da pessoalidade, onerosidade, subordinação e não eventualidade. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa Fl. 10514DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.514 3 referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DO ELEMENTO SUBJETIVO. Sobre o imposto apurado em procedimento fiscal, incide multa de ofício qualificada (150%) somente se restar demonstrado que o contribuinte, mediante uma das condutas dolosas previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, busque defraudar o fisco. Art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da aferição, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que sejam excluídos os valores oriundos de caracterização do vínculo como segurado empregado, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Bezerra, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, a fim de que seja excluída a multa isolada, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Andréa Brose Adolfo, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão. Sustentação oral: João Henrique Gonçalves Domingos. OAB: 189.262/SP. MARCELO OLIVEIRA Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 18/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA. Relatório Tratamse dos Autos de Infração abaixo relacionados, em face do sujeito passivo acima identificado: Fl. 10515DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD N° 51.008.9526 referente às contribuições devidas à Seguridade Social não recolhidas correspondentes à rubrica "Empresa" e "SAT/RAT" (Financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho), incidentes sobre os valores pagos aos médicos anestesiologistas a título de distribuição antecipada de lucros, conforme as planilhas de distribuição de lucros, anexo 03, e os recibos de pagamento de lucros, anexo 04, apresentados pelo contribuinte. Valores estes apuradas por arbitramento; não declarados em GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD N° 51.038.5613 referente às contribuições devidas à Seguridade Social não recolhidas correspondentes à rubrica "Segurados" e "Contrib Indiv", incidentes sobre os valores pagos aos médicos anestesiologistas a título de distribuição antecipada de lucros, conforme as planilhas de distribuição de lucros, anexo 03, e os recibos de pagamento de lucros, anexo 04, apresentados pelo contribuinte. Valores estes apuradas por arbitramento; não declarados em GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD N° 51.038.5605 referente às contribuições devidas a outras entidades e fundos, correspondentes à rubrica "Terceiros", contribuições estas destinadas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC, ao Serviço Social do Comércio SESC e ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE, incidentes sobre os valores pagos aos médicos anestesiologistas a título de distribuição antecipada de lucros, conforme as planilhas de distribuição de lucros, anexo 03, e os recibos de pagamento de lucros, anexo 04, apresentados pelo contribuinte. Valores estes apuradas por arbitramento; não declarados em GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD N° 51.038.5575 referente às contribuições devidas à Seguridade Social não recolhidas correspondentes à rubrica "Empresa" e "SAT/RAT" (Financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho), incidentes sobre os valores pagos aos médicos anestesiologistas Luiz Cesar Anzoategui, Gleber Eduardo Machareth, Sirlei Paulo Queiroz, Edson Tognini, José Tadachi Sugai, Ana Laura Janaina Borges, Beatriz Maciel Maegawa, Cynthia Duailibi, Larissa Falcão Gomes e Luis Felipe Ximenes Nogueira. Valores estes apuradas por arbitramento com base na média mensal da remuneração paga aos demais médicos anestesiologistas a título de distribuição antecipada de lucros, conforme as planilhas de distribuição de lucros, anexo 03, e os recibos de pagamento de lucros, anexo 04, apresentados pelo contribuinte; não declarados em GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD N° 51.038.5591 referente às contribuições devidas à Seguridade Social não recolhidas correspondentes à rubrica "Segurados", incidentes sobre os valores pagos aos médicos anestesiologistas Luiz Cesar Anzoategui, Gleber Eduardo Machareth, Sirlei Paulo Queiroz, Edson Tognini, José Tadachi Sugai, Ana Laura Janaina Borges, Beatriz Maciel Maegawa, Cynthia Duailibi, Larissa Falcão Gomes e Luis Felipe Ximenes Nogueira. Valores estes apuradas por arbitramento com base na média mensal da remuneração paga aos demais médicos anestesiologistas a título de distribuição antecipada de lucros, conforme as planilhas de distribuição de lucros, anexo 03, e os recibos de pagamento de lucros, anexo 04, apresentados pelo contribuinte; não declarados em GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD N° 51.038.5583 referente às contribuições devidas a outras entidades e fundos, correspondentes à rubrica "Terceiros", contribuições estas destinadas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, Fl. 10516DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.515 5 ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC, ao Serviço Social do Comércio SESC e ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE, incidentes sobre os valores pagos aos médicos anestesiologistas Luiz Cesar Anzoategui, Gleber Eduardo Machareth, Sirlei Paulo Queiroz, Edson Tognini, José Tadachi Sugai, Ana Laura Janaina Borges, Beatriz Maciel Maegawa, Cynthia Duailibi, Larissa Falcão Gomes e Luis Felipe Ximenes Nogueira. Valores estes apuradas por arbitramento com base na média mensal da remuneração paga aos demais médicos anestesiologistas a título de distribuição antecipada de lucros, conforme as planilhas de distribuição de lucros, anexo 03, e os recibos de pagamento de lucros, anexo 04, apresentados pelo contribuinte; não declarados em GFIP. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD N° 51.038.5621 – referese a multa aplicada por ter o contribuinte incorrido na infração prevista no § 2° do artigo 33 da Lei 8.212/91, deixando de apresentar à fiscalização os recibos de pagamento de distribuição antecipada de lucros dos médicos anestesiologistas Fábio Vinicius Benvenuto Feltrim, João Roberto de Menezes, Priscila B. S. Suleiman, Washington C. J. Pedroso referentes aos anos de 2010 e 2011, conforme solicitado no Termo de Intimação Fiscal n° 07, de 08/01/2013. Deixou, ainda, de apresentar os extratos bancários dos meses de 12/2010 e 12/2011 referentes aos registros contábeis das contas "112010 1102010000 BANCO CONTA MOVIMENTO Ter.: 010133 UNICRED" e "112010 1102010000 BANCO CONTA MOVIMENTO Ter.: 010601 UNIBANCO AG 0392", conforme solicitado no TIF n° 06, de 21/12/2012. Segundo consta, a empresa é constituída como sociedade simples e presta serviços profissionais relativos ao exercício de profissão regulamentada, mais especificamente, serviços médicos hospitalares na área de anestesiologia. Esse serviço é prestado pessoalmente pelos profissionais médicos. Devidamente intimado em 21/03/2013, o Sujeito Passivo apresentou impugnação que alega, em síntese: 1 As provas documentais e testemunhais tomadas pela Fiscalização junto aos autos do Inquérito Policial n° 0720/2009 para fundamentar os presentes lançamentos devem ser consideradas ilícitas porque não observaram o princípio do contraditório e da ampla defesa, tendo ferido o princípio do devido processo legal, foram obtidas por meio ilícito, sem qualquer autorização judicial e se tratam de documentos apreendidos e analisados com objetivo único e exclusivo de se apurar eventual crime de formação de cartel, sem qualquer relação com questões tributárias; 2 A Impugnante é sociedade simples, constituída nos termos dos artigos 997 e 1.038 do Código Civil, cujo objetivo social é a prestação, na pessoa de seus sócios, de serviços médico hospitalares na área de anestesiologia; 3 o faturamento da Impugnante decorre do recebimento da prestação dos serviços, através do esforço pessoal de seus 72 sócios, complementado pelos atendimentos direto a pessoas físicas, tudo devidamente registrado em Notas Fiscais de Serviço; Fl. 10517DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 4 após a apuração do custo operacional, incluídos os tributos, o qual é subtraído do resultado, o lucro é distribuído aos sócios, nos exatos moldes perpetrados pelo contrato social da Impugnante, respeitadas as peculiaridades e conceitos intrínsecos à sociedade simples; 5 os percentuais de lucro da sociedade variam em torno dos 70%, o que é plenamente justificável numa sociedade simples, com baixo custo operacional; 6 – conforme comprovado pela própria Fiscalização, os lucros correspondem à remuneração da mãodeobra dos sócios médicos anestesiologistas, o que não poderia ser diferente, ante a natureza jurídica sociedade simples da Impugnante; 7 a fiscalização confundiu a natureza e peculiaridades da sociedade simples com as das sociedades mercantis, tentando justificar a presunção de distribuição indevida de lucros no fato de esta não guardar relação razoável com o capital social investido por cada um dos sócios na Impugnante; 8 em se tratando de sociedade simples, a distribuição de lucro não guarda relação com o capital social, mas sim com a produção de cada um dos sócios, conforme se abstrai dos artigos 997 e seguintes do Código Civil, os quais definem tal tipo societário como sendo de natureza personificada, ou seja, sem cunho mercantil, onde os sócios exercem, por seu próprio esforço, profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística; 9 a restrição que se impõe à Sociedade Simples resumese ao dever de sempre se limitar à atividade específica para a qual foi criada, qual seja, a prestação de serviços vinculados à habilidade técnica e/ou intelectual de seus sócios, sendo defeso conter outros serviços estranhos, sob pena de se configurar tipo societário empresarial; 10 tratase de um tipo totalmente excepcional de sociedade, o qual buscase, através da reunião de profissionais que exerçam a mesma atividade, facilitar e tornar economicamente mais viável a prestação dos serviços executados pelos próprios sócios como se autônomos fossem; 11 a sociedade simples nada mais é do que os próprios sócios atuando em nome próprio, de forma conjunta, por meio de uma pessoa jurídica, a fim de tornar a prestação dos serviços técnica, econômica e logisticamente mais viável, logo, fomentando a economia nacional e o acesso da população a tais serviços; 12 a constituição da sociedade simples, nos termos do artigo 997 do Código Civil, se dá mediante contrato escrito (contrato social), o qual deverá ser registrado, dentro de trinta dias contados de sua assinatura, no Registro Civil das Pessoas Jurídicas do local de sua sede; 13 a base de cálculo da contribuição da Sociedade Simples, destinada à Seguridade Social, está prevista no artigo 201, §5°, II, do Decreto 3.048/99, do que se depreende que na hipótese de a Sociedade Simples distribuir lucros ou dividendos a sócios por Fl. 10518DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.516 7 conta de lucros futuros, a sociedade deve manter escrituração contábil e levantar balancetes mensais em que consta o resultado apurado, caso em que referida distribuição não será base de cálculo da contribuição previdenciária, por não se confundir com remuneração, hipótese do inciso I, do §5°, do artigo 201; 14 – o Carf reconheceu a legalidade da distribuição de lucros, quando do provimento de recurso voluntário em Auto de Infração lavrado em face da Impugnante sob o mesmo fundamento do presente, exigindo contribuições previdenciárias de períodos anteriores; 15 ainda que com lançamentos realizados de forma diferente daquela pretendida pela Fiscalização, a escrita fiscal do Impugnante não pode ser considerada imprestável, pois apresenta elementos bastantes para o controle do lançamento pela Fiscalização; 16 em momento algum, a Fiscalização apurou omissão de rendimentos pela Impugnante, tendo reconhecido a integralidade das entradas, as quais estão lastreadas por notas fiscais; 17 a Recorrente é empresa sujeita à sistemática do Lucro Presumido, o qual não exige contabilidade apurada, como no caso do Lucro Real, podendo esta respaldarse em controle paralelo; 18 como a distribuição de lucros era feita por meio de depósitos bancários, a Impugnante enviava ordem de pagamento para o banco, o qual, então, providenciava os depósitos nas contas de cada um dos sócios, segundo os valores apurados pela Impugnante através de seus controles paralelos; 19 o lançamento de toda a movimentação financeira dos exercícios de 2008 a 2011 na conta Caixa não representou a entrada e distribuição de lucros em espécie. Prova disso é a própria informação prestada pela Impugnante, comprovada com diversos extratos bancários acostados ao Relatório Fiscal, de que praticamente a totalidade de sua movimentação financeira se dava através do sistema bancário; 20 a Fiscalização aponta com precisão todos os valores recebidos pela Impugnante de seus clientes (planos de saúde, hospitais e pessoas físicas), bem como os lucros distribuídos a seus sócios a título de lucro, de forma que, ainda que incorretamente alocados na conta Caixa, poderiam, já que conhecidos, ter sido devidamente corrigidos pela Fiscalização; 21 a existência de eventuais erros e deficiências na escrita fiscal não podem, de forma absoluta, levar a conclusão de sua completa inutilidade, logo, sua desclassificação total; 22 no entendimento da Fiscalização, os valores cobrados pelos serviços prestados pelos sócios da Impugnada são tabelados, ou seja, o valor dos serviços são medidos pela sua natureza, e não Fl. 10519DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 8 pela qualidade técnica de quem os prestas. No entanto, tratase de uma sociedade simples, caracterizada pela prestação de serviços na pessoa de seus sócios, sendo natural o preço dos serviços prestados pela Impugnante variar de acordo com o sócio que os prestas. Médicos mais experientes e estudados, titulados como mestres, doutores e/ou pós doutores cobrarem honorários superiores àqueles decorrentes da prestação de serviço por médicos recém formados; 23 não há como se aceitar lícito a presunção ou, ainda, fixação de preço dos serviços praticados pelos sócios da Impugnante pela Fiscalização, na medida em que o único órgão capaz de parametrizar tais valores ser o Conselho Federal de Medicina, o que, de fato, nada mais é do que um simples parâmetro; 24 o fato de os médicos mais antigos perceberem participação superior aos mais novos é questão de pura lógica e razão, na medida em que sua produção é proporcionalmente mais valiosa do que a dos médicos mais novos; 25 a jurisprudência do STJ, o qual reconhece explicitamente a possibilidade de distribuição de lucros segundo critérios outros que não a participação no capital social, tais quais a capacidade intelectual, experiência profissional, entre outros; 26 ao não aceitar a contabilidade da empresa, a Fiscalização deveria ter tributado os valores distribuídos a título de lucro como se prólabore fossem e não desconstituir ilegal e inconstitucionalmente a personalidade jurídica da Impugnante, a fim de tributar tais valores como pagamento de empregados; 27 não existe no presente caso qualquer dos requisitos legais para caracterização de vínculo empregatício; 28 a própria Fiscalização questiona nos presentes autos a distribuição de lucros com base em supostos adiantamentos e recebimentos de honorários médicos diretamente prestados pela Impugnante nas contas dos sócios que efetivamente prestaram tais serviços, os quais não poderiam nunca ser considerados salários; 29 não houve, juntamente com o auto de infração e no termo de verificação fiscal, a descrição exata e detalhada, mediante provas, das condutas praticadas por cada um dos sócios e respectivos empregados de referidas pessoas jurídicas a ponto de justificar e demonstrar cabalmente o equivocado vinculo empregatício. 30 o que simplesmente existe nos autos é uma descrição totalmente genérica sem demonstrar a relação de vinculo empregatício e todos os seus requisitos de cada um dos sócios; 31 sem a explicitação de todos os elementos relacionados ao vinculo empregatício de cada um dos supostos empregados (sócios), bem como as provas existentes, há impedimento à plena defesa da Impugnante, principalmente, quando se inverte o ônus da prova em seu desfavor. Fl. 10520DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.517 9 Requereu, ao final, seja convertido o presente julgamento em diligência, a fim de ser colhida prova pericial; e após, seja acolhida a impugnação e julgado improcedente o lançamento tributário. Em 25 de julho 2013, a 4ª Turma da DRJ/CGE julgou procedente a autuação: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 PROVA. UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS APREENDIDOS PARA INSTRUÇÃO DE PROCESSO PENAL O artigo 195 do CTN autoriza a fiscalização da Receita Federal do Brasil a examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes, industriais ou produtores, não tendo aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do seu direito. Documentos, sendo objeto da medida de busca e apreensão realizada na empresa, para instrução de inquérito policial, não sendo sigilosos, podem ser utilizados pela fiscalização. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA Não ocorre cerceamento de defesa quando o impugnante demonstra pleno conhecimento das razões do lançamento, podendo exercer o seu direito de defesa. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. CARACTERIZAÇÃO Têm caracteríscas de empregado, assim devendo ser considerados, os sócios sem autonomia, sujeitos a cumprimento de horário de trabalho, pontualidade, produtividade, assiduidade e penalidades por faltas, ainda, submetidos a critérios que fixam suas férias de acordo com as necessidades da empresa e ao respeito a hierarquia. CONTABILIDADE. DESCONSIDERAÇÃO Livros contábeis sem os registros de todos fatos e atos administrativos praticados, realizados com base em documentos comprobatórios do movimento real, não representam a realidade, não sendo, assim, merecedores de fé. Comprovado o descumprimento das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC), deve ser a escrituração contábil desconsiderada. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE É aplicada a multa duplicada quando há fraude evidente. INCONSTITUCIONALIDADE Impossibilidade de análise, por parte de órgãos administrativos de julgamento, acerca da inconstitucionalidade e da ilegalidade de dispositivos legais em vigor no ordenamento jurídico pátrio, por ser esta competência exclusiva do Poder Judiciário. PEDIDO DE PERÍCIA Havendo nos autos elementos suficientes para formação de convencimento, o resultado de uma perícia contábil não altera a convicção firmada. Por conseguinte, o pedido de perícia é indeferido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 10521DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 10 O Sujeito Passivo foi cientificado do decisum em 06/09/2013, tendo interposto o Recurso Voluntário em 03/10/2013. Em resumo, reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo e acode as demais exigências processuais, razão pela qual dele conheço. Passo análise das suas razões. QUANTO A UTILIZAÇÃO DE PROVAS EMPRESTADAS ‘Ab initio’ a Recorrente alega nulidade do lançamento em razão de a fiscalização ter se utilizado de diversas provas relevantes que foram obtidas por meio ilícito. Neste sentido, caso as provas fossem angariadas de forma ilícita elas não poderiam embasar o presente lançamento, eis que há remansosa jurisprudência no ordenamento jurídico pátrio inadmitindo tal prática, o que levaria a vedação à fiscalização da Receita Federal do Brasil para se utilizar de provas emprestadas por outro órgão, no caso a Polícia Federal, se o mandado de busca e apreensão somente permitisse o acesso ao sujeito passivo daqueles autos judiciais. Assim, neste diapasão, desaguaria em reconhecimento da ilicitude do ato e ou mesmo ilegitimidade das provas utilizadas, que serviram para o lançamento. Todavia, no presente caso, como se pode observar na decisão de piso, houve autorização para que a Receita Federal extraísse cópias dos documentos relativos ao processo de busca e apreensão. A título de informação urge trazer à baila que a ação da Polícia Federal junto a Recorrente foi para verificar a formação de cartel em Mato Grosso do Sul na área de anestesiologia, já que nela (Recorrente) trabalhavam 72 médicos ‘expert’ em anestesia, cujos quais são os sócios. Sem razão a Recorrente. CERCEAMENTO DE DEFESA Outra alegação da Recorrente é que houve o cerceamento do seu direito de produzir defesa nos autos da ação fiscal, cuja qual não vejo como prosperar, já que, em primeiro lugar há de ser reconhecida a fase cognitiva desta ação e, em segundo lugar, houve o momento pórpiro de sua manifestação e defesa. Sem razão. Fl. 10522DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.518 11 DA DISTRIBUIÇÃO DOS LUCROS. ARBITRAMENTO. De início, mister se diga que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em regra tem reconhecido a licitude na distribuição de lucros e resultados, mesmo que de forma desproporcional ao capital social, não se tributando como remuneração ou salário, confirmando a ausência de tributação a título de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conforme se vê da jurisprudência abaixo transcrita: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO. SOCIEDADE SIMPLES Quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social, a base de cálculo das contribuições relativas aos sócios da sociedade simples corresponde aos valores totais pagos ou creditados. O rateio dos lucros auferidos é de livre disposição pelos sócios da pessoa jurídica. Uma vez previsto no estatuto ou contrato social e comprovado na escrituração contábil, somente se procede a desconsideração dos métodos eleitos em caso de comprovada simulação ou fraude. Recurso Voluntário Provido” (CARF, 2ª Seção, AC. 2402003821) Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS E DIVIDENDOS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuição social a título de distribuição de lucros e dividendos aos sócios da sociedade. Não existe norma que obrigue a percepção pelos sócios de verba mínima representativa de prólabore, podendo a remuneração decorrer apenas de distribuição nos lucros, não podendo esse fato ser tido como ausência de discriminação das verbas na contabilidade. Recurso Voluntário Provido” (CARF, 2ª Seção, Ac. 2403 001.958). Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO DOS SÓCIOS. PRÓLABORE E DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. NECESSIDADE DISCRIMINAÇÃO. As remunerações por prólabore e participação nos resultados devem restar cabalmente discriminadas, de maneira a evitar a evitar a incidência da contribuição previdenciária sobre o total dos valores pagos aos sócios à luz do disposto no inciso II do §5º do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social. No caso, a discriminação ocorreu, não havendo que se falara em incidência de contribuição previdenciária sobre a parcela referente a lucros. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO DE MULTA. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. EXACERBAÇÃO DE COMPETÊNCIA. SÚMULA 02 DO CARF. A tentativa do contribuinte de afastar a aplicação da multa no caso em comento encontra seu fundamento no caráter confiscatório da multa, o que seria vedado pela Constituição Federal. Reconhecer a existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência. A apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua Fl. 10523DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 12 competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Incidência da Súmula 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível à comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Recurso Voluntário Provido.” (CARF, 2ª Seção, AC. 2301 002.905). Desta forma, neste sentido, há de ser observado que uma das condições para se reconhecer a impossibilidade de tributação, em atenção à jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é a existência de uma contabilidade regular e que possua controles adequados e razoáveis no sentido de segregar e comprovar a existência da distribuição de lucros. Assim, inexistindo contabilidade ou sendo ela defectível por possuírem demonstrações irregulares, haverá a fiscalização de forma excepcional realizar o arbitramento (art. 33, RPS). No caso em tela, embora não se possa afirmar que a Recorrente não possuía contabilidade e controles, esta não atendeu adequadamente as regras contábeis e fiscais de modo suficiente para se permitir a conclusão no sentido de que os pagamentos efetivados em favor dos sócios da pessoa jurídica, ora Recorrente, eram distribuição de lucros ou resultados. Do Relatório Fiscal se extrai e dos documentos acostados aos autos que corroboraram o lançamento, existem diversas irregularidades que, apesar de possuir uma contabilidade, não nos permite concluir pela configuração de distribuição de lucros, e, por conseguinte, a ausência de tributação. No caso em exame, o item “5. Análise da Escrituração Contábil” do Relatório Fiscal, a fls. 47/85, elenca uma variedade de irregularidades na escrituração contábil da empresa que evidenciam a não fidedignidade dos registros contábeis nela assentados. Fl. 10524DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.519 13 ∙ A conta contábil Caixa é específica para o registro dos ativos financeiros dotados de liquidez imediata, ou seja, numerário ou dinheiro em espécie. É a conta contábil que registra o dinheiro existente em tesouraria, sendo seu saldo correspondente ao valor em moeda mantido na tesouraria da empresa. Os fatos contábeis registrados nesta conta apresentam um movimentação volumosa e anormal de dinheiro, que nos anos de 2008, 2009, 2010 e 2011 ultrapassou a casa de 75,5 milhões de reais em espécie– cash. O contribuinte foi intimado a apresentar os documentos que comprovassem os registros contábeis das massivas transferências de dinheiro das contas bancárias para a conta Caixa ocorridas em 2008. Entretanto, os documentos apresentados não comprovaram efetivamente estas transações. Diversamente, restou evidenciado que os lançamentos ocorridos na conta Caixa são fictícios. Conforme as declarações prestadas pelo contribuinte, tais transações ocorreram de fato apenas nas contas bancárias. ∙ Os lançamentos que registram o recebimento de receitas em dinheiro também são inverossímeis. No ano de 2008 está registrado na conta Caixa o recebimento em cash de R$ 6.195.479,07, em 2009 de R$ 5.642.097,64, em 2010 de R$ 4.852.348,36 e 2011 de R$ 11.068.239,41. O contribuinte presta serviços para hospitais, em sua maioria públicos, e para grandes planos de saúde. Por óbvio que estas instituições não realizam tão vultosos pagamentos em espécie como está a demonstrar os registros contábeis do contribuinte. ∙ De acordo com a escrituração contábil, as saídas dos recursos financeiros da conta Caixa são preponderantemente para o pagamento de distribuição de lucros aos sócios. Os registros contábeis da conta Caixa testemunham o pagamento de distribuição de lucros no montante de R$ 10.396.727,12 em 2008, de R$ 6.445.253,06 em 2009, de R$ 13.088.638,63 em 2010 e de R$ 19.184.882,54 em 2011, os quais foram pagos em "cash", conforme lançamentos nas contas "110101000011101 – CAIXA", “110101010011102 – CAIXA GERAL” e "240604010024671 –DISTRIBUIÇÃO ANTECIPADA DE LUCROS". Não se nos afigura verossímil que uma empresa, nos dias atuais, mantenha em suas dependências e/ou transacione tão volumosa quantia em dinheiro, como assim evidencia a contabilidade apresentada pelo contribuinte. Por óbvio que estes lançamentos na conta Caixa não são minimamente críveis e são manifestos indicativos de graves anormalidades que comprometem a credibilidade e a fidedignidade da escrituração contábil. ∙ A Fiscalização apurou nos exercícios de 2008 e 2010 uma persistente anomalia na escrituração da conta Caixa, consistente na existência de significativo saldo credor, que em 27/03/2008, a título ilustrativo, somava R$ 595.470,65 e em 30/12/2010, de R$ 920.934,45, demonstrando que saia mais dinheiro do caixa do que o dinheiro que no caixa existia. Esta grave irregularidade Fl. 10525DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 14 atesta que o contribuinte efetuava pagamentos com recursos não contabilizados, pois o saldo credor na conta Caixa demonstra que não havia dinheiro suficiente para fazer frente aos pagamentos escriturados nesta conta contábil. A planilha "Lançamentos Consolidados por Dia", anexo 15, demonstra os saldos credores observados na conta Caixa no decorrer de 2008 e 2010. Tal deslize contábil torna ainda mais insustentável a veracidade dos vultosos pagamentos efetuados sob o rótulo de distribuição de lucros e escriturados na conta Caixa. ∙ Toda receita operacional da empresa transita pela conta contábil “110401000011401 CLIENTES DIVERSOS”, tendo como contrapartida a conta “Contas a Receber”, que apresenta uma movimentação atípica, na medida em que, no ano de 2008, do montante de recebimentos de R$ 19.692.437,93 nela escriturados, R$ 12.655.761,72 foram registrados como ingressos na conta "110201000011201 BANCO CTA MOVIMENTO" e o expressivo valor de R$ 6.201.767,19 (31,5%) foi registrado como ingressos na conta "110101000011101 CAIXA", ou seja, valores recebidos em espécie. Em 2009, o registro de ingressos na conta CAIXA foi de R$ 5.642.097,64 (24,7%); R$ 4.852.348,36 (18,4%) em 2010, e R$ 11.068.239,41 (35,7%) em 2011. ∙ A verossimilhança de tais registros é remota em virtude de os clientes da empresa serem grandes hospitais públicos e planos de saúde, sendo improvável que estes não tenham se utilizado do sistema bancário para quitar suas faturas de prestação de serviços. ∙ O contribuinte registra na Conta "240604010024671 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS" a distribuição mensal antecipada de lucros aos médicos anestesiologistas que compõem seu quadro societário. Esta conta registra a distribuição de R$ 13.997.389,81 em 2008, de R$ 16.406.108,52 em 2009, de R$ 18.258.234,89 em 2010 e de R$ 22.525.960,59 em 2011. Os registros mostram ainda que dos lucros distribuídos R$ 10.396.727,12 (2008), R$ 6.445.253,06 (2009), R$ 13.088.638,63 (2010) e R$ 19.184.882,54 (2011) tiveram como contrapartida a conta Caixa, ou seja, foram pagos em "cash", corroborando a anormalidade na via eleita para tais pagamentos, tendo em vista o volume expressivo de numerário. Porque não utilizar o sistema bancário, muito mais seguro ? Intimado mediante termo próprio, o Sujeito Passivo apresentou os recibos mensais referentes aos pagamentos antecipados de lucros, os quais, quando confrontados com os lançamentos contábeis na conta "240604010024671 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS", descortinou uma série de inconsistências. No registro contábil de 04/03/2008, há o pagamento de R$ 175.000,00 a titulo de distribuição de lucros ao sócio Orlando Toshihiro Yamauchi. Fl. 10526DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.520 15 No mês de março/2008, os pagamentos efetuados a título de distribuição de lucros totalizaram R$ 1.039.782,86, incluindo o valor de R$ 175.000,00 pagos a Orlando Toshihiro, contudo, o "Recibo de Pagamento de Distribuição de Lucro" registra, apenas, o pagamento de R$ 16.844,00. Intimado a apresentar o recibo referente ao pagamento registrado na contabilidade, o Contribuinte justificouse alegando que o pagamento em questão referiase a um contrato de mútuo entre a empresa e o sócio Orlando Toshihiro Yamauchi, tendo por objeto o empréstimo de R$ 175.000,00, que deveriam ser pagos em 36 parcelas, sem aplicação de juros e sem qualquer atualização monetária. O artigo 3º deste contrato estabelece que as parcelas "serão descontadas do adiantamento mensal na distribuição de lucros a que tem direito junto a Mutuante, de acordo com sua produção mensal". Se de fato tal valor referirse a empréstimo ao sócio Orlando e não a distribuição de lucros, o registro contábil está completamente equivocado. Segundo o inciso II do art. 179 da Lei nº 6.404/76, classificamse no Ativo Realizável a Longo Prazo os empréstimos a diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da empresa. Por conseguinte, o lançamento escorreito e consagrado pela boa prática contábil deveria ser em contas próprias do ativo não circulante, mais especificamente no Ativo Realizável a Longo Prazo. No caso do plano de contas da empresa ora Autuada, o lançamento contábil do mútuo e dos subsequentes pagamentos das parcelas deveriam ser registrados na conta "12010100001210 EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS". Entretanto, não há quaisquer lançamentos na contabilidade de 2008, 2009, 2010 e 2011 que registrem o referido empréstimo, a sua amortização ou o seu saldo. Ademais, ao se analisar o comportamento da série de pagamentos de lucros ao sócio Orlando frente aos demais sócios, é forçoso concluir que não houve qualquer desconto de parcelas decorrentes do suposto contrato de mútuo. Observase nas planilhas das figuras 30 e 31, a fl. 63, que Orlando Toshihiro recebeu pagamentos de lucros idênticos a diversos outros sócios no decorrer de 2008 e 2009. De outro giro, a se admitir que o valor de R$ 175.000,00 diz respeito a um eventual contrato de mútuo, a totalização dos recibos de pagamentos de distribuição de lucros será superior àquele registrado na contabilidade, na medida em que, ao se deduzir o valor de R$ 175.000,00 do montante registrado na conta "240604010024671 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS", restaria R$ 864.782,86 como o valor efetivamente distribuído a título de lucros em março de 2008 registrado na contabilidade. Fl. 10527DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 16 Entrementes, os recibos apresentados pelo contribuinte neste mês totalizam R$ 1.039.782,86. Destarte, concluise por óbvio que houve a distribuição de lucros no valor de R$ 175.000,00 não registrados na contabilidade. ∙ Em diversos meses dos anos de 2009 e 2010, os valores pagos ao Diretor Werner Alfred Gemperli a título de lucros distribuídos registrados na contabilidade apresentam montantes superiores àqueles exibidos nos recibos de pagamento de distribuição de lucros, conforme ilustrado nas figuras 32, 33, 34, 35, 36, 37, 38, 39 e 40 a fls. 64/66. Enquanto os lançamentos contábeis registram pagamentos que atingem a cifra de R$ 399.004,00, os recibos de pagamento de distribuição de lucro somam, tão somente, R$ 202.178,38 , ou seja, praticamente a metade. ∙ A escrituração contábil da distribuição de lucros ocorridos em 31/12/2010 registra valores muito superiores àqueles mostrados nos recibos para os anestesiologistas Fábio Benevenuto, Marcelo Pedra Tognini, Sandra Maria Velasco e Adriana Marques. A figura 42 mostra os lançamentos registrados na conta "240604010024671DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS" no período de 20/12/2010 a 31/12/2010. O valor mostrado em “Soma” refere Os lançamentos contábeis registrados em 31/12/2010 apontam que se pagou em espécie (a contrapartida é a conta Caixa) a título de distribuição de lucros R$ 118.279,67 a Sandra Maria Velasco, R$ 216.101,76 a Adriana Marques, R$ 224.576,29 a Fábio Benevenuto, R$ 228.423,52 a Marcelo Pedra Tognini e R$ 253.932,41 a Maruan Omais, totalizando R$ 1.041.313,65. Entrementes, os recibos apresentados pelo contribuinte mostram valores bem menores, quais sejam, R$ 26.809,00 a Sandra Maria Velasco, R$ 25.557,00 a Adriana M. da Costa, R$ 21.983,00 a Fábio Vinicius Benevenuto Feltrim, R$ 29.847,00 a Marcelo Pedra Tognini e R$ 28.953,00 a Maruam Omais, totalizando R$ 133.149,00. Intimado a justificar as discrepâncias relativas ao pagamentos efetuados aos sócios Fábio Benevenuto, Marcelo Pedra Tognini, Sandra Maria Velasco e Adriana Marques, o Sujeito Passivo alegou que “... nos lançamentos apresentados existe um erro formal no momento de descrever o histórico do lançamento, pois o valor referese ao pagamento de lucros distribuídos a mais de um sócio ...”. Acontece que, mesmo considerando as retificações propostas pelo contribuinte, ao se apurar os valores escriturados em 12/2010 nesta conta contábil referentes aos pagamentos de distribuição de lucros efetuado a estas pessoas, deparase com uma grande divergência entre os valores lançados na contabilidade e os recibos apresentados. As planilhas 45 a 48, a fls. 68/70, revelam que os lucros pagos conforme escrituração contábil somam R$ 1.266.921,65 enquanto que os lucros pagos conforme recibos de pagamentos não ultrapassam o montante de Fl. 10528DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.521 17 R$ 1.041.169,28, havendo uma diferença não esclarecida de R$ 225.752,37. ∙ A conta contábil "240604010024671 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS" registra ainda o pagamentos de lucros aos anestesiologistas Luis Cesar Anzoategui, José Tadachi Sugai e Sirlei Paulo Queiroz. Contudo, estes médicos não fazem parte formalmente do quadro societário da empresa. Luis Cesar Anzoategui passou a constar do quadro societário somente a partir de 11/07/2011, com a alteração contratual nº. 05. Os demais nunca constaram do quadro societário da empresa. Intimado a apresentar os recibos referentes a todos os pagamentos realizados para os médicos Luis Cesar Anzoategui, José Tadachi Sugai e Sirlei Paulo Queiroz nos anos de 2010 e 2011, o contribuinte declarou que “Ainda esclarecemos que as pessoas ..., Sirlei Paulo Queiroz, José Tadasi DF CARF MF Fl. 7683 Sugai, ..., durante o período verificado, não participam do quadro societário da Empresa Servan, que esta empresa não efetuou pagamentos de qualquer natureza ou repasses de valores a estas pessoas, razão pela qual não existem recibos a serem apresentados, bem como não há registros contábeis devido a ausência do fato a ser registrado.” Para o médico Luis Cesar Anzoategui, a empresa apresentou recibos de pagamento de lucros somente a partir de 09/2011. Que confiabilidade pode ter uma contabilidade cujo próprio Contribuinte desconhece e nega seus registros contábeis, circunstância que revela a falta de exatidão e de integridade dos registros contábeis escriturados na conta "240604010024671 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS". Resta evidente que tais registros não são a representação fiel da verdade material, como assim exige o Princípio Contábil da Oportunidade. ∙ A Fiscalização constatou que em 2011 houve diversos registros contábeis de pagamentos lançados na conta "240604010024671 DISTR. ANTECIP. DE LUCROS" de valores elevados e que tinham como contrapartida do lançamento a conta "110101010011102 CAIXA GERAL". Ou seja, contabilmente, tais valores foram pagos em espécie. Intimado a apresentar os comprovantes do efetivo pagamento destes montantes, o contribuinte afirmou que "... a Servan para os pagamentos em questão, bem como para todos os demais pagamentos dos lucros distribuídos aos sócios, não utiliza cheque, porém o faz através de débito em sua conta corrente sendo que o banco se encarrega de distribuir os valores aos sócios, ...". Avulta de tal pronunciamento que os lançamentos contábeis em questão não representam adequadamente estes fatos, pois estes registram pagamentos realizados pela conta contábil "Caixa" e não pela conta contábil "Banco Conta Movimento". Fl. 10529DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 18 Tal informação, todavia, contradiz os inúmeros lançamentos contábeis de pagamento de lucros através da conta "Caixa", no montante de R$ 10.396.727,12 em 2008, de R$ 6.445.253,06 em 2009, de R$ 13.088.638,63 em 2010 e de R$ 19.184.882,52 em 2011. Como visto, o próprio contribuinte demonstra, uma vez mais, que a sua escrituração contábil não representa a realidade dos fatos. ∙ A Fiscalização apurou a ocorrência de uma multiplicidade de lançamentos que evidenciam transferências de receitas operacionais diretamente para os sócios sob a denominação de distribuição de lucros. Os lançamentos demonstram que a receita operacional recebida é imediatamente repassada, em sua integralidade, para os sócios na forma de lucros, conforme exposto nas planilhas do anexo 21, bem como, exemplificativamente, nas planilhas nº 54, 55, 56 e 57, a fls. 73/75. A título ilustrativo, o primeiro lançamento da figura 54, a fl. 73, efetuado em 03/06/2008, registra o recebimento na conta Caixa de uma receita operacional de R$ 45.000,00 referente a serviços prestados para a Santa Casa. O segundo lançamento registra o repasse deste montante aos sócios sob a forma de lucros distribuídos. Ou seja, estas transações ocorrem simultaneamente. Os recursos são recebidos pela empresa e imediatamente repassados em sua integralidade aos sócios. Fica manifesto que não se trata de lucros, pois se está remunerando os sócios com 100% do valor dos serviços prestados. [...] Então, para este Julgador, tenho que acertada a Fiscalização ao desconsiderar a escrituração contábil da Recorrente neste período e, assim, não reconhecer os valores como distribuição de lucros, promovendo o arbitramento. Neste diapasão vejo necessidade de manter o lançamento e nego provimento ao presente Recurso Voluntário quanto à exigência de contribuições previdenciárias descritas nos DEBCADs n. 51.008.9526 (empresa e RAT), 51.038.5613 (segurados e contribuintes individuais) e 51.038.5605 (Terceiros), quanto aos valores desconsiderados como distribuição de lucros e qualificados como remuneração, exclusivamente com relação aos diretores Wemer Alfred Gamperli, Paulo Kiyotaka Oshiro, Walter Dualibi e Francisco Otaviano Wilgenfritz. Vejo a escorreita ação da Fiscalização que procedeu dentro da legalidade ao desconsiderar a contabilidade para fins de distribuição de lucros, reconhecendo tais valores como remuneração a título de prólabore para os sócios da Recorrente. INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA DE SEGURADO EMPREGADO Entretanto, vejo que a Fiscalização não poderia assim proceder somente com relação aos diretores Wemer Alfred Gamperli, Paulo Kiyotaka Oshiro, Walter Dualibi e Francisco Otaviano Wilgenfritz, isto porque estarseá utilizando dois peso e uma medida, Fl. 10530DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.522 19 considerando que os demais sócios foram considerados como segurados empregados, desconsiderando as peças dos autos, sobretudo o contrato social e as regras estatutárias da empresa Recorrente. Neste diapasão, vejo que a Fiscalização houve por bem desconsiderar a relação jurídica, parcialmente, ou seja, considerou os sócios gerentes e desconsiderou os demais sócios para se entender que estes últimos sócios (os que não estavam na administração) que constavam do contrato social da pessoa jurídica, ora Recorrente, seriam segurados empregados. E, neste sentido, ouso a não concordar com a Fiscalização e tão pouco com o decisum recorrido, merecendo reforma, dando provimento ao recurso para que os demais sócios também sejam considerados como tais e não como segurados empregados, como os considerou a Fiscalização e o decisum recorrido. Isto porque, os fatos geradores são de 2009 a 2011, quando já vigorava o art. 129 da Lei n. 11.196/2005, que enuncia expressamente, ‘in verbis’: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil Vislumbro que o dispositivo legal acima coaduna plenamente ao presente caso, uma vez que a fiscalização desconsiderou a personalidade jurídica da Recorrente (parcialmente), de modo a separar os entes (pessoa jurídica e sócios – pessoas físicas), e, por conseguinte, sustentar que não seriam sócios daquele, mas, em verdade, empregados, existindo uma relação empregatícia. A partir da Lei n. 11.196/2005, conforme art. 129, este tipo de procedimento somente é possível, inclusive, para fins fiscais e previdenciários, em consonância com o art. 50 do Código Civil, o qual impõe a necessidade de autorização judicial, o que não ocorreu no presente caso. Aliás, para se evitar equívocos, não estamos diante de casos de “terceirização”, onde uma pessoa jurídica, de maneira simulada, contrata outra pessoa jurídica, que, na verdade, é meramente formal, constituindose de empregados daquela. Ora, aqui temos um caso onde se pretende desconsiderar a natureza de sócio cotista da própria Recorrente para se sustentar o vinculo empregatício. Tratase de situação onde se aplica claramente o art. 129 da Lei n. 11.196/2005, inexistindo possibilidade de afastá la. O art. 5°, LV, estabelece que “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. Tratamse, portanto, de princípios que não se aplicam exclusivamente ao processo judicial, mas também ao administrativo e, em particular, ao Processo Administrativo Tributário. Fl. 10531DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 20 O Processo Administrativo Tributário é um instrumento de que se vale o Estado para aperfeiçoar as exigências fiscais. As exações devem ser perfeitas, ou seja, devese exigir do sujeito passivo exatamente o que é devido, nada mais nem menos, em observância aos princípios da legalidade tributária e da responsabilidade fiscal. Partese da premissa de que os atos administrativos podem conter defeitos e que, portanto, deve haver um mecanismo de correção. Neste contexto, se entende que o interessado deve ser chamado a contribuir, assegurandoselhe o direito da manifestar sua inconformidade, caso disponha de informações capazes de compor uma antítese à tese da Administração. Daí porque, nos despachos decisórios que nãohomologam compensações e nos lançamentos de ofício – apenas para citar dois exemplos – o sujeito passivo não é simplesmente intimado a pagar, mas a pagar ou impugnar a exigência. Assegurar o contraditório consiste, portanto, em conduzir o processo de forma dialética, de tal sorte que o interessado tenha o direito de se manifestar sobre todas as teses e provas que a Administração trouxer aos autos. Dizer que o interessado tem direito à ampla defesa significa que ele pode defenderse livremente, sem qualquer limitação, salvo as que o próprio Direito impõe. A fixação de restrições ao direito de defesa justificase porque todo princípio está associado a um valor, e, como não existe valor absoluto, os princípios podem sofrer limitações em face de outros princípios e valores. Como é cediço, o processo não é um fim em si mesmo, mas um método, ou instrumento, para se alcançar determinado fim. Em abstrato, os requisitos formais estabelecidos para a prática dos atos existem como garantia de que o fim será atingido, embora, em concreto, tais exigências possam ter efeito justamente contrário, quando se perde de vista a instrumentalidade do processo, e as formas se degeneram em formalismo excessivo, deixando de ser garantia, para transformaremse em obstáculo à realização do direito material. Para evitar que se perca a visão do processo como instrumento e das formas como garantia, a LPA, no art. 2°, parágrafo único, incisos VIII e IX, prescreve que, no processo administrativo, serão observadas formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; e adotadas formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados. Quando o interessado opta por discutir a mesma questão pela via judicial, o interesse de agir na esfera administrativa desaparece, posto que a decisão administrativa perderá toda a utilidade que poderia ter para o interessado. A decisão administrativa, na parte em que for coincidente com a decisão judicial, será inútil, posto que desnecessária; e, na parte na que for conflitante, também não terá utilidade, uma vez que a decisão judicial, que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas1. Segundo o art. 301, § 3°, do CPC, com redação dada pela Lei n° 5.925/1973, há coisa julgada, quando se repete ação que já foi decidida por sentença, de que não caiba recurso. 1 CPC, art. 468. Fl. 10532DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.523 21 Para Fredie Didier Jr., o entendimento majoritário da doutrina tradicional brasileira é o de que a coisa julgada representa a imutabilidade dos efeitos da decisão judicial. Integram esta corrente, entre outros, Liebman, Dinamarco e Ada Pellegrini 2. A obrigação tributária nasce com o fato gerador, 3logo, desde o momento em que um fato amoldase à hipótese de incidência, já existe também um credor (sujeito ativo), um devedor (sujeito passivo) e uma prestação (de pagar). Ocorre que esta obrigação, por ser prevista em lei de forma geral e abstrata, depende de uma apuração para que se determinem os seus elementos, possibilitandose, assim, o pagamento ou, em caso de inadimplência, o ajuizamento de uma execução fiscal. O lançamento, apesar do que sugere a interpretação literal do texto normativo, não constitui o crédito tributário porque este surge com o próprio fato gerador, visto que não há obrigação de pagar sem crédito. Assim, o lançamento tem como finalidade imediata fixar os elementos da obrigação, identificando o sujeito passivo e apurando, ou liquidando, o crédito tributário. A legislação que rege o Processo Administrativo Tributário prevê a sanção de nulidade apenas para atos inquinados por vício de competência (falta de requisito subjetivo) ou lavrados com preterição do direito de defesa. O vício subjetivo (incompetência) e o cerceamento do direito de defesa ensejam a decretação de nulidades, conforme art. 59 do PAT, in verbis: CAPÍTULO III Das Nulidades Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. As nulidades estabelecidas pelo art. 59 são absolutas, ou seja, os atos maculados por vício subjetivo ou proferidos com preterição do direito de defesa devem necessariamente ser invalidados, uma vez que seus defeitos são considerados insanáveis. O rigor da sanção se justifica, pois a competência do agente e a influência do autuado são as principais garantias para que o lançamento chegue à sua finalidade. Além disso, os direitos ao contraditório e à ampla defesa no processo administrativo são constitucionalmente garantidos. Em conformidade com o disposto no art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN) o auto de infração lavrado de acordo com o artigo anterior conterá, obrigatoriamente: I – a identificação do sujeito passivo; II – a matéria tributável, assim entendida a descrição dos fatos e a base de cálculo; 2 DIDIER JR, Fredie; BRAGA, Paula Sarno; OLIVEIRA, Rafael. Curso de Direito Processual Civil: Teoria da prova, direito probatório, teoria do precedente, decisão judicial, coisa julgada e antecipação dos efeitos da tutela. 4. ed. rev., ampl. e atual. Salvador: JusPODIVM, 2009, vol. 2, p. 413415. 3 CTN, art. 113, § 1o: “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 10533DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 22 III – a norma legal infringida; IV – o montante do tributo ou contribuição; V – a penalidade aplicável; VI – o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTN autuante; VII – o local, a data e a hora da lavratura; VIII – a intimação para o sujeito passivo pagar ou impugnar a exigência no prazo de trinta dias contado a partir da data da ciência do lançamento. Assim, quando o lançamento for lavrado em desconformidade com o estabelecido no art. 142 do CTN ou art. 10 do PAT, que dispõem sobre o conteúdo e a forma do ato, a decretação da nulidade é dever do julgador administrativo. Feita estas considerações, neste aspecto, vejo que há de ser reformar o lançamento e dando provimento ao Recurso Voluntário para reformar a decisão ora hostilizada e considerar insubsistente o lançamento quanto à exigência de contribuições previdenciárias descritas nos DEBCADs n. 51.008.9526 (empresa e RAT), 51.038.5613 (segurados e contribuintes individuais) e 51.038.5605 (Terceiros) com relação ao arbitramento dos lucros realizados a todos os sócios que constavam do contrato social à época dos fatos geradores. Juntamente à impossibilidade de desconsiderar a pessoa jurídica de maneira a tributar os sócios como se empregados fossem, diante do art. 129 da Lei n. 11.196/2005, também não constatamos a caracterização de vinculo empregatício entre a Recorrente e todos os seus sócios. Além disso, entendo que a Fiscalização não demonstrou a existência da relação jurídica de empresa e segurados empregados. Para melhor fundamentar o presente voto, peço licença para utilizar como razões de decidir os fundamentos apresentados pelo i. Presidente constante do Acórdão 2301004.222. Realmente, conforme informa e fundamenta o lançamento, no Relatório Fiscal (RF), a legislação permite e determina que o Fisco descaracterize vínculos previdenciários e os caracterize como segurado empregado, desde que as premissas que o configurem como tal estejam presentes e sejam demonstradas e provadas pela acusação da fiscalização. Decreto 3.048/1999: Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: ... § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. Fl. 10534DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.524 23 ... Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Portanto e para tanto, o Fisco deve verificar, demonstrar e provar que o serviço era: 1. Prestado de forma pessoal; 2. Prestado por pessoa física; 3. Prestado na área urbana ou rural; 4. Prestado para empresa (conforme definição que consta na legislação previdenciária); 5. De natureza não eventual, em relação à atividade da empresa; 6. Prestado em regime de subordinação, ressaltese que a subordinação citada é a jurídica, pois até um contribuinte individual deve subordinação de data, local, horário, etc; 7. Oneroso, mediante remuneração; e 8. Prestado inclusive como diretor empregado. Assim, como demonstrado de forma sintética, acima, o trabalho de desconsiderar a relação jurídica pactuada é extremamente complexa, difícil, pois a acusação é obrigada a comprovar de forma individual, por segurado, ou por grupo de segurados que prestam serviço em idênticas condições – extensa lista de características. Em nosso entender, o Fisco não necessita comprovar os requisitos de segurado empregado, listados acima, a fim de desconsiderar o vínculo, quando o trabalhador presta serviço em período integral, oito horas, como empregado, com registro de emprego devidamente formalizado, em períodos idênticos. Esses requisitos já estão presentes no vínculo formalizado. Entendo o fundamento dos demais integrantes do colegiado, que divergiram do meu voto, de que as relações de serviço, principalmente na área de sistemas de informação, são distintas e que podem ocorrer, sim, tais situações, mas, por ora, não verifico como um segurado empregado, com registro devidamente formalizado, trabalhando em período idêntico e integral, oito horas, ocupando cargo de gerência e/ou direção, possa, ao mesmo tempo, prestar serviços por empresas em que é o único sócio e não ser considerado como segurado empregado. Fl. 10535DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 24 MÉDICOS QUE NÃO ESTÃO NA SOCIEDADE DA RECORRENTE Verificase nos autos que além de todos dos sócios/médicos há algumas pessoas físicas/médicos anestesiologistas que foram considerados como se empregados fossem da Recorrente por não se encontrarem inseridos no contrato social desta. Com fulcro no caput do art. 142 do Código Tributário Nacional, não olvidemos, compete ao Fisco o ônus da prova da relação jurídicatributária. ‘In verbis’: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.(GN) Deste modo, é dever a comprovação e descrição de todos os elementos essenciais à confirmação de que houve a ocorrência do fato gerador. Para este Julgador, vejo que a Fiscalização reconhece que os sócios da Recorrente, mais do que não receber distribuição de lucros, eram empregados desta. E, nesta linha de raciocínio e dentro desta perspectiva, dado o fato de que estamos diante de uma pessoa jurídica devidamente constituída e regular, demonstrar como isto de fato e de direito seria possível não é tarefa simples. Para analisar a questão dos médicos fora do estatuo, vejo, de inicio, que há uma grande dificuldade que a ação fiscal, da forma que foi realizada nos trouxe, pois, não existe qualquer demonstração nos autos, muito menos prova, de que a pessoa jurídica constituída é meramente formal. Ao contrário, pelo próprio relatório fiscal e documentação, é possível notar que esta foi regularmente constituída, exercendo de fato e de direito suas atividades, ou seja, não e trata de pessoa jurídica de papel. Então, diante da celeuma acima vem a primeira conclusão: se a pessoa jurídica resta devidamente constituída e sem qualquer indício que sua existência é simulada, não se pode ignorar o fato de que as pessoas físicas que constam do contrato social são sócios e não empregados. Embora já entenda que não seria possível, diante da evidente existência da pessoa jurídica, sem qualquer prova que a desabone, tributar sócios como empregados sem antes demonstrar a fragilidade da existência da própria pessoa jurídica (Recorrente), também não se identifica a comprovação dos requisitos para a configuração de vinculo empregatício dos sócios. E isto se faz necessário na dinâmica legislativa existente, eis que caberia ao Fisco descrever e comprovar a prestação de serviço de natureza urbana à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado (art.12, I, Lei n. 8.212/91), ‘in verbis’: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: Fl. 10536DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.525 25 a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; b) aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em legislação específica, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras empresas; c) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em sucursal ou agência de empresa nacional no exterior; d) aquele que presta serviço no Brasil a missão diplomática ou a repartição consular de carreira estrangeira e a órgãos a ela subordinados, ou a membros dessas missões e repartições, excluídos o não brasileiro sem residência permanente no Brasil e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária do país da respectiva missão diplomática ou repartição consular; e) o brasileiro civil que trabalha para a União, no exterior, em organismos oficiais brasileiros ou internacionais dos quais o Brasil seja membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo se segurado na forma da legislação vigente do país do domicílio; f) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional; g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; (Incluída pela Lei nº 8.647, de 13 de Abril de 1993) h) (Execução suspensa pela Resolução SF nº 26, de 21 de Junho de 2005) i) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social; (Incluída pela Lei nº 9.846, de 26 de Novembro de 1999) j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 10.887, de 18 de Junho de 2004) A improcedência do lançamento quanto ao vinculo empregatício se dá pelo fato de que, como consta do próprio Relatório Fiscal, temse 72 sócios na Recorrente, não se constatando uma descrição exata e mediante provas a existência de vínculo empregatício da Recorrente com referidas pessoas físicas, devidamente constituídas como sócias. Fl. 10537DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 26 De mais a mais, lendo e relendo o Relatório Fiscal e os autos, não se identifica qualquer descrição pormenorizada de condutas e provas no sentido de quais seriam os sócios que, em verdade, teriam uma relação de vinculo empregatício com a Recorrente. Não existe qualquer descrição no sentido de comprovar a relação empregatícia de tais pessoas físicas, fato de fundamental importância e cujo ônus é totalmente do Fisco, conforme alhures dito. Ou seja, da forma que se encontra o Relatório Fiscal, por sua superficialidade, não se pode têlo como arrimo para configurar a relação de emprego. Mas, não é só, eis que o Estatuto que é mencionado no Relatório Fiscal, onde alega que a Recorrente estipula regras para os sócios quanto aos plantões, prêmios, licenças, férias, entre outros assuntos, ao contrário do que aduz a Fiscalização, ele não comprova nenhum vínculo empregatício, mas sim a gerência administrativa dos sócios, regulando a regras e normas da empresa. (Destaque que há assinatura dos sócios) Vejo que não é possível dizer que este estatuto leva à configuração de subordinação, pois ele foi aprovado para disciplinar a conduta de todos os sócios da Recorrente. Equivale dizer: todos estão sujeitos às regras estatutárias, não constando qualquer exceção deste ou daquele médico sócio. Tal regulamentação de regras, para adequar o ambiente de trabalho com relação aos plantões, consultas, disciplinares, administração e recebimento de uma forma geral se faz necessário, pois, não olvidemos, estamos tratando de uma sociedade com mais de 70 médicos e, para que seja possível a racional e adequada gestão da pessoa jurídica, é de fundamental importância que estabeleçam regras entre si. Uma sociedade, quando constituída, necessita que seus sócios visem um objetivo comum e isto somente será possível se existirem regras de convivência entre eles, permitindo atingir a finalidade da associação realizada. E foi desta forma que este julgador visualizou, ao contrário da Fiscalização, não vendo nenhuma subordinação. Destarte, entendemos que o estatuto descrito, mais do que essencial à sociedade, revela que todos estavam sujeitos a tais regras. Não há como se sustentar que o respeito ao estatuto elaborado e acordado pelos próprios sócios, aos quais se sujeitam por vontade própria e por serem cotistas da sociedade caracterizaria subordinação fática e jurídica a permitir o vinculo empregatício. Vale lembrar que todos os sócios possuem a mesma quantidade de cotas, tendo voto com peso igual na sociedade (v. contrato social), de tal modo que não se torna possível dizer que existiria até mesmo uma imposição unilateral do empregador para cumprimento de tais regras. Ao contrário, como já dito, são regras aprovadas pelos próprios sócios, cabendo a todos respeitálas. Se não houver concordância, basta a maioria alterar pelo voto tais regras, ou ainda se retirar da sociedade. E não é só isto. Na ação fiscal, ainda com relação à subordinação, é preciso ressaltar que não consta dos autos qualquer prova concreta de subordinação, sobretudo, a fim de se identificar quem, de fato, exercia a função de empregador e de empregado. Muito menos existe uma descrição pormenorizada quanto a cada um dos sócios a fim de se comprovar esta relação de subordinação. Fl. 10538DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.526 27 Em conjunto à ausência de subordinação, notamos que neste peculiar caso concreto todos os sócios prestam serviços em nome da recorrente para terceiros, inexistindo nos autos comprovação e descrição da conduta destes no sentido de que eram empregados e, por conseguinte, tinham uma prestação pessoal, vinculada e subordinada à Recorrente (pessoa jurídica empregadora). Não se identificam tais provas, muito menos se nota uma descrição a fim de se permitir a compreensão como era esta relação de vinculo empregatício entre os sócios (e quais deles) e a pessoa jurídica. Por outro lado, quanto ao caráter remuneratório, também não se revela claramente nos autos a descrição e comprovação de dependência remuneratória, eis que a prova exclusiva que a fiscalização se utiliza para sustentar o caráter remuneratório são as planilhas da própria Recorrente quanto à distribuição de lucros (já afastado e configurado como prólabore). E mais, no Relatório Fiscal aduz a Fiscalização que a contabilidade e os controles da Recorrente não são confiáveis, o que torna impossível utilizar tais planilhas como prova suficiente para se demonstrar o caráter oneroso e ou remuneratório. Com a ‘permissa venia’ necessária e imperiosa, vejo que na Recorrente houve um tamanho descontrole contábil e esvaecido conhecimento jurídico para administrála, eis que as planilhas demonstram claramente que os sócios queriam realizar distribuição de lucros, tendo em vista que os valores mensais eram totalmente variáveis, inexistindo nos autos qualquer elemento que nos leve a reconhecer a existência de salário. Portanto, não se nota no presente caso concreto uma descrição adequada e prova suficiente a fim de se comprovar uma relação de vinculo empregatício em relação aos sócios da Recorrente, não só aqueles que estavam no Estatuto, mas todos os médicos que receberam de uma só maneira. Trilhando pelo mesmo raciocínio, não identificamos uma descrição exata e provas no sentido de que as pessoas físicas dos Srs. Luiz Cesar Anzoategui Gleber Eduardo Machareth, Sirlei Paulo Queiroz, Edoson Tognini, José Tadachi Sugai, Ana Laura Janaina Borges, Beatriz Maciel Maegawa, Cunthia Dualibi, Larissa Falcão Gomes e Luis Felipe Ximenes Nogueira seriam empregados. Também improcede o lançamento em relação a tais pessoas físicas, pois, não sendo sócios devidamente registrados no contrato social, caberia a exigência de contribuições previdenciárias como autônomos e não empregados, dada a inexistência de vinculo. Em tais condições, face a peculiaridade do caso concreto e ausência de descrição, demonstração e provas suficientes do vinculo empregatício, improcede o lançamento por violação ao art. 142 do Código Tributário Nacional. Aliás, neste sentido decisão da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1991 a 30/04/1998 NORMAS PROCEDIMENTAIS. DESCONSIDERAÇÃO PERSONALIDADE JURÍDICA E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. PRESSUPOSTOS BÁSICOS. Somente nas hipóteses em que restar constatada a efetiva existência dos elementos constituintes Fl. 10539DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 28 da relação empregatícia entre o suposto "tomador de serviços" e os "prestadores de serviços", poderá o Auditor Fiscal caracterizar o contribuinte individual (autônomo) como segurado empregado, ou mesmo promover a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com fulcro no artigo 229, § 2°, do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES E/OU INCORREÇÕES NA DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR DO TRIBUTO. VÍCIO DE NATUREZA MATERIAL. NÃO APLICABILIDADE TESE DA AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar de forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, indicando precisamente o fato gerador do tributo, o sujeito passivo, a base de cálculo e a matéria tributável, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade material da autuação/notificação, mormente tratandose de desconsideração de personalidade jurídica e caracterização de segurados empregados, onde os requisitos do vínculo empregatício devem restar circunstanciadamente comprovados. O vício de natureza material constatado no lançamento enseja de pronto a nulidade do feito, não atraindo para si a tese da inexistência de prejuízo, tendo em vista que a ausência da descrição do fato gerador ou qualquer elemento necessário à validade do ato administrativo prescrito no artigo 142 do CTN, representa, por si só, evidente cerceamento à ampla defesa e contraditório do contribuinte, por impossibilitar a compreensão do lhe está sendo imputado. Recurso especial negado.” (CARF, CSRF, Ac. 9202002.966). Desta forma, assiste razão a Recorrente, devendo ser excluídos do lançamentos existentes com relação aos médicos que na apareceram no estatuto, eis que os tenho como sócios, pois ao que indica, tinham o mesmo tratamento dos demais, sobretudo quanto a forma de receber, ou seja, variável. TERCEIROS Com relação aos terceiros, ou seja, aqueles que não se enquadram no perfil de sócios, ou seja, com relação aos terceiros como reflexo da exigência de contribuições previdenciárias pelo arbitramento como remuneração dos diretores, já que não configurariam distribuição de lucros e ou prólabore, fica mantido o lançamento, já que as alegações do recorrente são exclusivamente de natureza constitucional. JUROS Do mesmo modo, nego provimento ao recurso em relação aos juros, diante da alegação ligada à inconstitucionalidade, eis que nesta Corte não há competência para tratar de constitucionalidade e ou ilegalidade, conforme Súmula CARF n° 2: Fl. 10540DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.527 29 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA No que tange à majoração da multa de ofício para 150%, depreendese do Relatório Fiscal que houve majoração pelo simples fato de ter havido o indeferimento da liminar pleiteada no Mandado de Segurança impetrado pela recorrente. Vejamos o dispositivo legal que trata da multa aplicada: Artigo 44 da Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) Este artigo trata, portanto, da imputação de penalidades pelo lançamento de ofício, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo, ou contribuições. Destacouse a denominada multa de ofício (75% ou 150%). Essas multas são aplicáveis em procedimento de fiscalização, quando se apure a insuficiência, ou o não recolhimento, de tributos e contribuições por parte do sujeito passivo da obrigação tributária. Portanto, correta a postura adotada pela autoridade fiscal no sentido de que o lançamento estava sujeito à multa de ofício (75% ou 150%). Especificamente quanto à qualificação da multa em 150%, cumpre ressaltar que há necessidade da demonstração da presença do elemento subjetivo. Fl. 10541DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 30 Observase que a aplicação da multa isolada é condicionada a comprovação de falsidade na declaração prestada pelo contribuinte. Na situação sob análise, a fiscalização fundamenta a aplicação da seguinte forma: 24.2 APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA 24.2.1 Como restou caracterizado e demonstrado pelo farto conjunto de documentos probatórios exposto ao longo deste relatório, houve evidente intuito do contribuinte em sonegar as contribuições ora lançadas e em fraudar a Administração Tributária Federal com o fito específico de reduzir os custos tributários. 24.2.2 Assim, restou configurada a hipótese prevista no §1º do artigo 44 da Lei 9.430/96, acarretando aplicação de multa qualificada de 150%, incidente sobre as contribuições ora lançadas. Para que restasse caracterizada a falsidade/sonegação mencionada no § 10 do art. 89, entendo que deveria ser comprovada o dolo, conceituada no art. 72 da Lei n.º 4.502/1964, verbis: Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Há muito tempo o CARF já possui entendimento de que a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Diante do exposto, entendo que deva ser afastada a multa isolada, por falta de caracterização de conduta fraudulenta. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, CONHEÇO DO RECURSO VOLUNTÁRIO interposto, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para: (i) manter os DEBCADs n. 51.008.9526 (empresa e RAT), 51.038.5613 (segurados e contribuintes individuais) e 51.038.5605 (Terceiros), quanto aos valores desconsiderados como distribuição de lucros e qualificados como remuneração, exclusivamente com Fl. 10542DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10140.720433/201367 Acórdão n.º 2301004.269 S2C3T1 Fl. 10.528 31 relação aos diretores Wemer Alfred Gamperli, Paulo Kiyotaka Oshiro, Walter Dualibi e Francisco Otaviano Wilgenfritz; devendo ser excluídos dos demais sócios, tidos por segurados empregados; (ii) afastar o DEBCAD n. 51.038.5591, haja vista a ausência de elementos para desconsiderar a relação jurídica da Recorrente e tributar os sócios, inclusive aqueles fora do contrato social, como segurado empregado; (iii) afastar o DEBCAD n. 51.038.5575; e (iv) excluir a multa isolada, por não ter sido demonstrado o elemento subjetivo do tipo. É como Voto. (assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Relator Fl. 10543DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA
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