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5020294 #
Numero do processo: 10580.727051/2009-07
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ALEGAÇÃO OMISSÃO NA DECISÃO RECORRIDA, POR INADEQUAÇÃO DO PRECEDENTE JUDICIAL INVOCADO, O REsp REPETITIVO n° 1.227.133, E A DESCONSIDERAÇÃO DE OUTROS PRECEDENTES JUDICIAIS QUE TRAZ À COLAÇÃO. Conhecimento do recurso em parte, apenas no que diz respeito a alegação de inadequação do precedente judicial invocado a título de fundamentação da decisão recorrida e da desconsideração de precedentes judiciais já existentes por ocasião do julgamento do recurso voluntário, não se conhecendo do recurso em relação a precedentes judiciais surgidos após o julgamento. EXTENSÃO DO REsp REPETITIVO n° 1.227.133, ESPECIALMENTE APÓS OS JULGAMENTO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO REFERIDO RECURSO, PARA RECONHECER A NÃO INCIDÊNCIA DO IR SOBRE JUROS DE MORA APLICADOS SOBRE VALORES RECEBIDOS EM RAZÃO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. INADEQUAÇÃO DO PRECEDENTE À HIPÓTESE DOS AUTOS. EFEITOS INFRINGENTES DOS EMBARGOS. Assiste razão ao embargante quando aponta que o REsp Repetitivo n. 1.227.133, especialmente após as retificações nele introduzidas no julgamento dos embargos de declaração julgados pelo STJ, somente reconhece a não incidência do IR sobre juros moratórios decorrentes de pagamento de verbas relativas a rescisão de contrato de trabalho, não sendo esta a hipótese dos autos, razão pela qual se atribuem efeitos infringentes aos presentes embargos. Embargos acolhidos com efeitos infringentes.
Numero da decisão: 2802-002.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de voto ACOLHER OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, atribuindo-lhes efeitos infringentes, para modificar a decisão recorrida no sentido de dar provimento ao recurso voluntário tão somente para o fim de excluir a multa de ofício, mantendo-se a tributação das parcelas recebidas a título de juros moratórios, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello - Relator. EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello (relator).
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ALEGAÇÃO OMISSÃO NA DECISÃO RECORRIDA, POR INADEQUAÇÃO DO PRECEDENTE JUDICIAL INVOCADO, O REsp REPETITIVO n° 1.227.133, E A DESCONSIDERAÇÃO DE OUTROS PRECEDENTES JUDICIAIS QUE TRAZ À COLAÇÃO. Conhecimento do recurso em parte, apenas no que diz respeito a alegação de inadequação do precedente judicial invocado a título de fundamentação da decisão recorrida e da desconsideração de precedentes judiciais já existentes por ocasião do julgamento do recurso voluntário, não se conhecendo do recurso em relação a precedentes judiciais surgidos após o julgamento. EXTENSÃO DO REsp REPETITIVO n° 1.227.133, ESPECIALMENTE APÓS OS JULGAMENTO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO REFERIDO RECURSO, PARA RECONHECER A NÃO INCIDÊNCIA DO IR SOBRE JUROS DE MORA APLICADOS SOBRE VALORES RECEBIDOS EM RAZÃO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. INADEQUAÇÃO DO PRECEDENTE À HIPÓTESE DOS AUTOS. EFEITOS INFRINGENTES DOS EMBARGOS. Assiste razão ao embargante quando aponta que o REsp Repetitivo n. 1.227.133, especialmente após as retificações nele introduzidas no julgamento dos embargos de declaração julgados pelo STJ, somente reconhece a não incidência do IR sobre juros moratórios decorrentes de pagamento de verbas relativas a rescisão de contrato de trabalho, não sendo esta a hipótese dos autos, razão pela qual se atribuem efeitos infringentes aos presentes embargos. Embargos acolhidos com efeitos infringentes.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 08/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO     2  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,  Por  unanimidade  de  voto  ACOLHER  OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, atribuindo­lhes efeitos  infringentes, para modificar a  decisão recorrida no sentido de dar provimento ao recurso voluntário tão somente para o fim de  excluir  a  multa  de  ofício,  mantendo­se  a  tributação  das  parcelas  recebidas  a  título  de  juros  moratórios, nos termos do voto do relator.   (assinado digitalmente)  Jorge Cláudio Duarte Cardoso ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Carlos André Ribas de Mello ­ Relator.  EDITADO EM: 14/08/2013  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte  Cardoso  (Presidente),  Jaci  de Assis  Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse  Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello (relator).    Relatório  Trata  a  presente  hipótese  de  embargos  de  declaração  opostos  pela  Fazenda  Nacional, nos quais alega a Embargante a existência de omissão e obscuridade, nos termos em  que se segue (fls. 143):  “Com  a  devida  vênia,  o  v.  acórdão  embargado  incide  em  omissão  e  obscuridade  ao  afastar  a  incidência  do  imposto  de  renda sobre os juros de mora com amparo em precedente do STJ  que não se aplica à espécie.  Primeiramente,  é preciso esclarecer,  que a  verba em discussão  nestes  autos  –  URV  –  não  foi  paga  em  razão  de  sentença  judicial, mas  sim  em  decorrência  da  Lei  Estadual  da Bahia  nº  8.730, de 08 de setembro de 2003. A autuada recebeu os valores  ao  longo de 36  (trinta  e  seis) meses,  durante os anos de 2004,  2005 e 2006, por força da referida norma.  Portanto,  a  validade  da  incidência  do  IRPF  deve  levar  em  consideração que os valores foram espontaneamente pelo Estado  da Bahia,  não  se  tratando  de  verba  decorrente  de  condenação  judicial.  É  relevante  também  mencionar  que  a  verba  recebida  pela  autuada  não  decorre  de  despedida  ou  rescisão  de  contrato  de  trabalho.  Por  isso,  não  se  aplica  à  hipótese  o  Recurso  Repetitivo/STJ  nº  1.227.133,  no  qual  a  Primeira  Seção  do  Superior Tribunal de Justiça decidiu que não incide imposto de  renda  sobre  os  juros  moratórios  legais  vinculados  a  verbas  trabalhistas  reconhecidas  em  decisão  judicial  no  contexto  de  despedida ou rescisão do contrato de trabalho.  Fl. 153DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 08/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.727051/2009­07  Acórdão n.º 2802­002.372  S2­TE02  Fl. 149          3   Aliás,  é  preciso  levar  em  consideração  que  o  próprio  o  STJ  esclareceu  recentemente  que  o  precedente  em  questão  somente  se aplica à hipótese em que a verba principal (trabalhista), sobre  a  qual  incidiram  os  juros  moratórios,  tiver  natureza  indenizatória. Ou seja, só não incidirá imposto de renda sobre os  juros  moratórios  quando  a  verba  principal  (trabalhista)  tiver  natureza indenizatória.  Com efeito, a Primeira Seção do STJ, em  julgamento proferido  no dia 14.03.2012, nos autos do RESP 1.163.490/SC, esclareceu,  a bom termo, o teor do precedente firmado em sede de recurso  repetitivo acerca da incidência do IRPF sobre os juros de mora  (RESP 1.227.133/RS).  (...)  No mesmo sentido, ao julgar o REsp n.º 1089720, a 1ª Seção do  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ)  definiu  entendimento  sobre  tema  repetidamente  submetido  aos  tribunais:  o  Imposto  de  Renda,  em  regra,  incide  sobre  os  juros  de  mora,  inclusive  aqueles  pagos  em  reclamação  trabalhista.  Os  juros  só  são  isentos da tributação nas situações em que o trabalhador perde  o emprego ou quando a verba principal é isenta ou está fora do  campo  de  incidência  do  IR  (regra  do  acessório  segue  o  principal).  Em  seu  voto,  o  relator,  ministro  Mauro  Campbell  Marques,  destacou  que  a  regra  geral  –  prevista  no  artigo  16,  caput e parágrafo único, da Lei 4.506/64 – é a incidência do IR  sobre  os  juros  de  mora,  inclusive  quando  reconhecidos  em  reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória.  Entretanto, segundo o ministro, há duas exceções: são isentos de  IR os juros de mora pagos no contexto de despedida ou rescisão  do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não; e  quando incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo  de  incidência  do  IR, mesmo quando pagos  fora  do  contexto  de  despedida  ou  rescisão  do  contrato  de  trabalho  (regra  do  acessório  segue  o  principal).  No  caso  de  perda  do  emprego,  segundo  o  ministro,  o  objetivo  da  isenção  é  “proteger  o  trabalhador  em  uma  situação  socioeconômica  desfavorável”,  razão  pela  qual  incide  a  previsão  do  artigo  6º,  V,  da  Lei  7.713/88. Nessas situações, os juros de mora incidentes sobre as  verbas  pagas  ao  trabalhador  em  decorrência  da  perda  do  emprego  são  isentos  de  IR,  independentemente  da  natureza  jurídica  da  verba  principal  (remuneratória  ou  indenizatória)  e  mesmo que essa verba principal não seja isenta. O ministro disse  que,  para  garantir  a  isenção  em  reclamatória  trabalhista,  é  preciso  que  esta  se  refira  às  verbas  decorrentes  da  perda  do  emprego,  conforme  já  decidiu  o  STJ  no  julgamento  do  Resp  1.227.133. Eis a ementa:  (...)  Desse  modo,  ao  contrário  do  que  consta  do  v.  acórdão  embargado,  a  tese  verdadeiramente  firmada  no  Recurso  Repetitivo 1.227.133/RS foi no sentido de que o imposto de renda  Fl. 154DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 08/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO     4  somente  não  incide  sobre  os  juros  quando  a  verba  trabalhista  tiver  natureza  indenizatória;  a  contrario  senso,  em  sendo  remuneratória, torna­se obrigatória a incidência desse tributo.  Na hipótese em análise, a verba principal recebida pela autuada  não tem natureza trabalhista e/ou indenizatória nem foi recebida  em  virtude  de  sentença  judicial  no  contexto  de  despedida  ou  rescisão do contrato de trabalho, o que leva à conclusão de que  não  se  aplicam  a  ela  os  fundamentos  adotados  pelo  STJ  para  afastar  a  incidência  do  IRPF  sobre  os  juros  moratórios  no  julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS.”   É o Relatório.    Voto             Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator.  Preliminarmente, apesar de tempestivos os embargos, é necessário examinar  sua  admissibilidade  em  face  de  cada  um  dos  fundamentos  apresentados  pelo  recorrente  e  indicados no relatório supra.  De logo deve se pontuar que o Acórdão proferido no REsp n° 1.089.720 não  existia na época do julgamento do recurso voluntário destes autos, eis que publicado no DJe de  28 de novembro de 2012, pelo que entendo não  incorrer em omissão a decisão que deixa de  apreciar documento que  inexistia quando da respectiva sessão de julgamento, razão pela qual  não conheço dos presentes embargos a este fundamento.  Todavia, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental  em Embargos de Divergência no Resp n° 1.163.490 foi sim veiculado pelo DJe de 21 de março  de 2012, e realmente trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão  proferido no citado REsp n° 1.227.133.  Desta forma, como o Acórdão embargado foi proferido na sessão de julho de  2012, entendo que cabe o exame do alcance no decidido pelo REsp nº 1.163.490 quanto aos  juros de mora exonerados da base de cálculo do lançamento de ofício, razão pela qual conheço  dos embargos a este fundamento, como também quanto ao não cabimento à espécie dos autos  do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133.  Tenho  que  assiste  razão  ao  embargante.  De  fato,  ao  apreciar  o  Resp  n°  1.227.133  deixei­me  impressionar  pelo  voto  vencedor  do Ministro  Cesar  Asfor  Rocha,  que  reconhecia a não­incidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla.  De  fato,  o  julgamento  dos  embargos  de  declaração  no  referido  recurso  especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministro que acompanharam o voto  do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a não­ incidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato  de  trabalho,  o  que  levou  à  modificação  da  ementa  do  acórdão  por  ocasião  dos  referidos  embargos de declaração.  Fl. 155DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 08/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.727051/2009­07  Acórdão n.º 2802­002.372  S2­TE02  Fl. 150          5 Isto  posto,  sendo  tal  fundamento  suficiente  para  o  acolhimento  do  recurso  interposto  pela  Fazenda,  tenho  por  despiciendo  o  exame  do  REsp  nº  1.163.490,  sobretudo,  quando não tramitou no regime de recursos repetitivos.  Sendo  assim,  reconhecendo  a  correta  extensão  do  julgado  no  Resp  n°  1.227.133,  acolho  os  embargos,  atribuindo­lhe  efeitos  infringentes,  para modificar  a  decisão  recorrida no sentido de dar provimento ao recurso voluntário tão somente para o fim de excluir  a multa de ofício, mantendo­se a tributação das parcelas recebidas a título de juros moratórios.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Carlos André Ribas De Mello.                                Fl. 156DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 08/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO

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Numero do processo: 10680.933018/2009-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/07/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES

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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/07/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES     2 Relatório  Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  relatório  da  decisão  recorrida,  o  qual  passo a transcrever:  “O  interessado  transmitiu  o  Pedido  Eletrônico  de  Restituição  ou  Ressarcimento e da Declaração de Compensação (Per/Dcomp) visando a compensar  o(s)  débito(s)  nele  declarado(s),  com  crédito  oriundo  de  pagamento  a  maior  de  Cofins, relativo ao fato gerador de 31/07/2003.  A Delegacia da Receita Federal  (DRF) em Belo Horizonte emitiu Despacho  Decisório  eletrônico  no  qual  não  homologa  a  compensação  pleiteada,  sob  o  argumento  de  que  o  pagamento  foi  utilizado  na  quitação  integral  de  débitos  do  contribuinte, não restando saldo creditório disponível.  Irresignado com o indeferimento do seu pedido, o contribuinte apresentou, em  19/11/2009, manifestação de inconformidade de fls. 1 a 4, a seguir resumida.  Alega  que  a  compensação  realizada  não  contempla  as  situações  impeditivas  previstas  no  art.74  parágrafo  3o  da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  e  que  tem  o  direito  de  retificar as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e demais  obrigações acessórias.  Requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade.”  A  DRJ­Belo  Horizonte/MG  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade (e­fls. 24/26), nos termos da ementa adiante transcrita:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 31/07/2003  DCTF  RETIFICADORA  APRESENTADA  FORA  DO  PRAZO  LEGAL. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA.  O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir  o  crédito  tributário  deve  ser  o mesmo  para  que  o  contribuinte  proceda à retificação da respectiva declaração.  Não  tendo  sido  apresentada  pelo  contribuinte  qualquer  prova  que  demonstre  a  existência  do  direito  creditório,  não  se  pode  considerar,  por  si  só,  a  DCTF  retificadora  como  sendo  instrumento hábil, capaz de conferir certeza ao crédito indicado  na declaração de compensação.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Irresignada,  a  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário  perante  este  Colegiado (e­fls. 30/51), alegando, em síntese:  ­ que promoveu a  compensação de  tributos  federais com crédito decorrente  de pagamento a maior referente a COFINS e PIS;  Fl. 69DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10680.933018/2009­88  Acórdão n.º 3202­000.865  S3­C2T2  Fl. 69          3 ­ que possui direito ao crédito pleiteado, pois  incluiu erroneamente, na base  de cálculo do PIS e da COFINS, o valor de medicamentos sujeitos à alíquota zero, recolhendo,  indevidamente, as referidas contribuições às alíquotas de 3% e 0,65%, respectivamente;  ­ que a DCTF retificadora não foi conhecida sumariamente pela DRJ, para os  fins da comprovação pretendida, ao fundamento principal de que teria sido apresentada após o  prazo de 05 anos;  ­ afirma que o procedimento de compensação de que trata o art. 74 da Lei nº.  9.430/96 não exige a retificação da DCTF, mas que, mesmo assim, anos depois de efetuada a  copensação, procedeu a devida retificação da DCTF para evitar o desencontro de informações;  ­  que  seguiu  as  regras  legais,  não  sendo  possível  o  indeferimento  da  compensação pretendida simplesmente pelo fato de que a DCTF foi entregue após o prazo de 5  anos,  vez  que  o  art.  11  da  IN  900/2008,  ato  normativo  vigente  à  época  da  formalização  e  transmissão da DCTF retificadora, não prevê que a mencionada declaração, enviada após p  prazo de cinco não, não terá qualquer validade. Ao contrário, a referida norma complementar  dispoõe expressamente, sem impor qualquer limite temporal, que a DCTF retificadora terá os  mesmo efeitos da DCTF retificada;  ­ que a única conseqüência que se poderia aceitar pelo envio extemporâneo  da  DCTF  retificadora  seria  eventual  imposição  de  multa  por  descumprimento  de  obrigação  acessória;  ­  que  se,  da DCTF  retificadora,  adviesse  aumento  do  valor  dos  débitos  do  contribuinte e não houvesse o correspondente pagamento da diferença, acrescido de  juros e  multa, certamente tal declaração teria validade e, como forma de confissão de dívida, serviria  para a Receita Federal exigir, diretamente e sem qualquer processo administrativo prévio, o  valor  do  crédito  extemporaneamente  declarado.  Assim,  se  tal  declaração  é  válida  para  amparar  o  procedimento  de  cobrança  pelo  Fisco,  também  é  legítima  para  fundamentar  o  pedido de compensação;  ­  que aos  julgadores  administrativos  é  conferido  o  livre  convencimento  na  apreciação da prova e que, uma vez que o fim da instrução do processo é a busca da verdade  material,  quando  os  elementos  do  PAF  mostram  dúvida  irredutível  quanto  à  existência  de  determinado  fato, é cabível a  realização de diligência com o  intuito de esclarecer  esse  fato.  Deste  modo,  deveria  ter  sido,  no  mínimo,  realizado  diligência  para  apurar  a  existência  do  pagamento a maior realizado, pois, além de não ter sido homologada a compensação efetuada,  houve o lançamento de ofício de crédito tributário.  ­ que mesmo que a DCTF retificadora não sirva para comprovar o crédito  alegado pelo contribuinte, ela promove uma alteração na declaração anterior que não pode  ser  sumariamente  rejeitada  e  tratada  como  se  não  existisse.  Dessa  forma,  não  é  válida  a  cobrança  do  crédito  tributário  lançado,  pois  o  seu  valor  está  em  confronto  com  a  nova  declaração – que faz prova a favor e contra o contribuinte;  ­ que  a  origem dos  créditos  utilizados  na  compensação  refere­se  à  revisão  contábil feita pelo contribuinte de recomposição das bases de cálculos dos períodos de 2002 e  2003, em razão da necessária exclusão dos medicamentos submetidos à alíquota zero; e   Fl. 70DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES     4 ­ que a Lei nº. 10.147/2000 criou o regime de tributação monofásico do PIS e  da  COFINS,  no  qual  a  incidência  das  contribuições  sobre  a  circulação  de  uma  grande  quantidade de medicamentos ocorre uma única vez, justamente na fase de industrialização ou  na  importação  (início  da  cadeia  de  circulação  do  produto).  Faz  longo  arrazoado  para  demonstrar que tem direito à alíquota zero e que efetuou pagamento a maior.   Informa que existem outros 24 processos administrativos em que se discute  idêntica matéria, razão pela qual requer que os 25 processos sejam vinculados e distribuídos a  um único relator, para que sejam julgados conjuntamente.  Requer,  ao  final,  o  provimento  do  recurso  voluntário,  para  que  seja  reconhecida a DCTF retificadora para fins de validar o procedimento de compensação e, com  isso,  seja­lhe  reconhecido  o  direito  creditório  e  homologada  a  compensação  realizada.  Sucessivamente,  requer  a  nulidade  da  decisão  de  primeira  instância,  para  que  a  DRF­Belo  Horizonte/MG efetue diligência para verificação da existência do crédito alegado.  É o Relatório.    Voto             Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  preenche  as  demais  condições  de  admissibilidade, razões pelas quais dele conheço.  Trata­se de PER/DCOMP apresentada pela contribuinte, a qual alega possuir  crédito  relativo  à  Cofins,  referente  a  fato  gerador  ocorrido  em  31/07/2003,  decorrente  de  pagamento a maior que teria efetuado em razão incluir, na base de cálculo da Cofins, o valor de  medicamentos que seriam sujeitos à alíquota zero. Tal recolhimento a maior geraria crédito de  Cofins para utilização na compensação pleiteada.  Nos  termos  do  art.  170  do CTN,  para  fins  de  compensação,  é  certo  que  o  ônus da prova da existência do crédito alegado cabe exclusivamente à contribuinte, que deve  demonstrar ser possuidora de crédito tributário líquido e certo contra a Fazenda Nacional, a fim  de que tal crédito possa ser utilizado em compensação.  No caso em questão, pretende a recorrente seja aceita como prova do crédito  que alega possuir, referente a fato gerador da Cofins ocorrido em 31/07/2003, as informações  constantes de DCTF retificadora enviada em 11/11/2009, há mais de cinco anos, portanto, da  ocorrência do fato gerador.  As  informações  constantes  da  DCTF,  que  é  instrumento  que  formaliza  o  cumprimento  de  obrigação  acessória,  têm  efeito  de  confissão  de  dívida,  constituindo­se  tal  Declaração  em  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência  do  crédito  tributário  nele  declarado, conforme dispõe o art. 5º do Decreto­lei nº. 2.124/84:   Art.  5º  O  Ministro  da  Fazenda  poderá  eliminar  ou  instituir  obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados  pela Secretaria da Receita Federal.  Fl. 71DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10680.933018/2009­88  Acórdão n.º 3202­000.865  S3­C2T2  Fl. 70          5 § 1. O documento que formalizar o cumprimento de obrigação  acessória,  comunicando  a  existência  de  crédito  tributário,  constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente  para a exigência do referido crédito.  § 2°. Não pago no prazo estabelecido pela legislação, o crédito,  corrigido monetariamente e acrescido multa de vinte por cento e  dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em  dívida  ativa,  para  efeito  de  cobrança  executiva,  observado  o  disposto no § 2° do artigo 70 do Decreto­lei n°2.065, de 26 de  outubro 1983.  § 3°. Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância  da  obrigação  principal,  o  não  cumprimento  da  obrigação  acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de  que tratam os §§ 2°, 3° e 4° do artigo 11 do Decreto­lei n°1.968,  de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo  Decreto­lei n°2.065 de 26 de outubro de 1983.   (grifo não constante do original)  Engana­se  a  recorrente  ao  afirmar  que,  no  caso,  o  único  efeito  da  entrega  extemporânea  da  DCTF  seria  a  imposição  de  multa  por  descumprimento  de  obrigação  acessória. Tal multa,  de  fato,  existe, mas não  se  adequa  ao  caso, vez que  a  contribuinte não  deixou  de  apresentar  a  DCTF  no  prazo  legal,  antes  pelo  contrário,  apresentou­a,  e,  a  partir  daquele  momento,  as  informações  ali  constantes  passaram  a  constituir­se  em  confissão  de  dívida.   É claro que as  informações prestadas na DCTF podem ser alteradas e,  com  isso,  alterar­se  a  dívida  confessada  naquele  instrumento.  Acontece,  porém,  que,  da  mesma  forma  como  existe  prazo  limite  de  cinco  anos  para  a  Fazenda  Pública  constituir  crédito  tributário contra o contribuinte, nos casos de tributos sujeitos a  lançamento por homologação  (§4º  art.  150  do  CTN),  também  há  de  se  obedecer  o  mesmo  prazo  qüinqüenal  para  que  o  contribuinte  possa  exigir  da  Fazenda  qualquer  crédito  tributário  que  porventura  detenha.  A  segurança jurídica é via de mão dupla, tanto para o contribuinte quanto para a Fazenda Pública.  Quanto a esta matéria, adoto, ainda, como razões de decidir, o voto condutor  do  Acórdão  nº.  1402­00.170,  proferido  nos  autos  do  processo  nº  10825.900563/200815,  de  lavra  do  i.  Conselheiro  Moisés  Giacomelli  Nunes  da  Silva,  cujo  teor  transcrevo  abaixo  excertos:   “...........................................................................................................................  Nos  termos  do  artigo  147  e  seguintes  do,  Código  Tributário  Nacional,  o  lançamento pode dar­se por a) declaração; b) homologação e c) de ofício.  No  caso,  interessa­nos  o  lançamento  por  homologação  que  à  luz  do  artigo  150, do CTN, ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o  dever  de  identificar  a  matéria  tributável,  apurar  o  quanto  devido  e  realizar  o  pagamento,  cabendo  à  autoridade  administrativa  homologar  a  atividade  praticada  pelo sujeito passivo ou, em discordando, efetuar o lançamento de ofício.  Quando  o  sujeito  passivo,  no  lançamento  por  homologação,  identifica  a  matéria  tributável,  apura  a  base  de  cálculo  e  calcula  o  valor  do  tributo  devido,  informando­o à Administração Tributária por meio de DCTF, tem­se a constituição  Fl. 72DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES     6 de um crédito em favor do Fisco. Neste caso é o sujeito passivo que apura o valor  que reconhece devido ao sujeito ativo.  Por outro  lado, quando o Fisco, em lançamento por declaração ou de ofício,  apura o valor do imposto devido e notifica ao sujeito passivo, tem o credor o prazo  de cinco anos para exigir o respectivo tributo, sob pena de prescrição.  Pelo  que  se  depreende  do  artigo  149,  parágrafo  único,  do  CTN,  este  lapso  temporal de 5 (cinco) anos também se verifica nos casos em que o sujeito passivo,  nos  lançamentos  por  homologação,  comete  erros  na  constituição  do  crédito.  Por  hipótese,  se  constituiu  crédito  tributário  considerando  base  de  cálculo  além  da  devida, lhe é assegurado o prazo de cinco anos para retificar o ato de constituição do  débito, no caso a DCTF.  O  prazo  quinquenal  de  que  trata  o  artigo  150,  [§4º]  do  CTN,  é  prazo  aplicável  tanto  em  favor  do  Fisco  quanto  do  contribuinte  para  retificarem  o  lançamento, nas hipóteses admitidas em lei. Decorrido tal prazo não é  lícito o  fisco  fazer  exigência  em  face  do  contribuinte  e,  tampouco,  este  pode  retificar  DCTF para diminuir o valor anteriormente constituído.  O  que  o  contribuinte  precisa  entender  é  que  ao  entregar  a  DCTF  constitui  crédito  em favor do Fisco, podendo retificá­la no prazo de 5  (cinco)  anos. Decorrido tal prazo extingue­se o direito da parte em retificar a DCTF.”  (negrito não constante do original)  Desta  forma,  a  despeito  do  extremo  inconformismo  demonstrado  pela  contribuinte  em  relação  à  não  aceitação  da DCTF  retificadora  para  fins  de  comprovação  do  crédito que alega possuir, nada há nos autos que possa socorrer a pretensão da autora.  Por  se  tratar  de  crédito  tributário  definitivamente  constituído  contra  a  contribuinte,  também  se  mostra  inócua  a  diligência  requerida  pela  querelante,  vez  que,  qualquer que seja a conclusão a que se chegue por conta da diligência, os valores informados  na DCTF originária não mais podem ser alterados.  De  outro  giro,  entendo  também  inexistente  qualquer  nulidade  na  decisão  recorrida,  vez  que  não  se  trata  de  nenhum  dos  casos  previstos  no  art.  59  do  Decreto  nº.  70.235/72. Demais  disso,  como  afirmado  pela  própria  recorrente  em  seu  recurso  voluntário,  tem­se que a autoridade julgadora é livre na formação de sua convicção e na análise das provas  constantes  dos  autos,  não  lhe  sendo  obrigado  requerer  diligência  em  razão  de  a  recorrente  entendê­la necessária.  Por  fim,  não  há  no  Regimento  Interno  do  CARF  qualquer  dispositivo  que  impeça  julgamentos  diversos,  proferidos  por  diferentes Câmaras  e/ou Turmas,  em  processos  administrativos  distintos  que  versem  sobre  idêntica  matéria  e  refiram­se  ao  mesmo  contribuinte,  de  forma  que  não  há  suporte  à  pretensão  da  recorrente  quanto  ao  pedido  de  julgamento único dos 25 processos que alega tramitarem no CARF .  Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário.  É como voto.  Irene Souza da Trindade Torres]              Fl. 73DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10680.933018/2009­88  Acórdão n.º 3202­000.865  S3­C2T2  Fl. 71          7                   Fl. 74DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES

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Numero do processo: 10680.013276/2006-01
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2801-000.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos, para retificar o Acórdão n. 2801-002.998, da sessão de 17/04/2013, e converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1852; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE01  Fl. 82          1 81  S2­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10680.013276/2006­01  Recurso nº            Embargos  Resolução nº  2801­000.255  –  Turma Especial / 1ª Turma Especial  Data  15 de agosto de 2013  Assunto  IRPF  Embargante  CONSELHEIRO MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA  Interessado  JOSÉ PEREIRA DE ANDRADE    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  acolher  os  Embargos, para  retificar o Acórdão n. 2801­002.998, da sessão de 17/04/2013, e converter o  julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.     Assinado digitalmente   Tânia Mara Paschoalin ­ Presidente em exercício e Relatora.  Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Tânia Mara  Paschoalin,  Marcelo  Vasconcelos  de  Almeida,  José  Valdemir  da  Silva,  Carlos  César  Quadros  Pierre,  Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.    Relatório   Trata  o  presente  processo  de  notificação  de  lançamento  que  diz  respeito  a  Imposto de Renda Pessoa Física  (IRPF), referente ao exercício de 2003, por meio da qual se  exigiu do contribuinte o credito tributário de R$ 19.171,35.  Em  sua  impugnação,  o  contribuinte  apresentou  as  razões  de  defesa  abaixo,  extraídas do acórdão recorrido:  “•  Foram  enviadas  as  cópias  dos  recibos  de  despesas  deduzidas  na  declaração de 2003/2002;  •  A  Receita  Federal  deveria  fazer  primeiro,  averiguações  nas  declarações de rendimentos dos emitentes dos respectivos recibos, para     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .0 13 27 6/ 20 06 -0 1 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.013276/2006­01  Resolução nº  2801­000.255  S2­TE01  Fl. 83          2 que se verificasse se os mesmo foram declarados; fato que tem certeza  de ter ocorrido;  • Não é obrigado por legislação nenhuma do pais a efetuar pagamento  com cheques; havendo muito ou quase todos órgãos, principalmente do  Governo  Federal  que  não  se  pode  pagar  absolutamente  nenhum  compromisso com cheques, somente recebem dinheiro;  •  Está  apresentando  cópia  de  extratos  bancários  que  provam  saques  com  recolhimento  da  CPMF  que  foram  destinados  a  pagamentos  diversos,  inclusive  As  despesas  médicas,  com  valores  sacados  que  atingiram mais de duas vezes os recibos;  • 0 rendimento auferido oferecido A tributação foi de R$122.000,00.”  A  5ª  Turma  da  DRJ/BHE/MG  julgou  improcedente  a  impugnação,  conforme  Acórdão de fls. 44/48, que restou assim ementado:  DESPESAS MÉDICAS.  Somente  são  dedutíveis  quando  comprovada  a  efetiva  prestação  dos  serviços médicos e a vinculação do pagamento ao serviço prestado.  Regularmente  cientificado  daquele  acórdão  em  23/03/2011  (fl.  55),  o  interessado, representado por seu advogado (fl. 52),  interpôs recurso voluntário de fls. 57/58,  em  20/04/2011.  Em  sua  defesa,  suscitou  a  ocorrência  da  prescrição,  pretendendo  fosse  reformada  a  decisão  recorrida  para  convalidar  as  despesas médicas,  conforme documentos  e  justificativas apresentados desde o início do procedimento fiscal.  Em  17/04/2013,  esta  Turma  proferiu  o  Acórdão  de  nº  2801002.998,  que,  por  maioria de votos, deu provimento ao recurso.  Ocorre que, ao formalizar o voto vencedor, o Conselheiro Marcelo Vasconcelos  de Almeida constatou que, além dos documentos faltantes apontados no voto vencido, também  não constavam dos autos os recibos médicos supostamente apresentados pelo contribuinte.  Por restar evidenciada uma contradição entre a motivação do voto vencedor e a  parte dispositiva do acórdão, considerando que a fundamentação utilizada para dar provimento  ao  recurso  teve  duas  premissas:  a  ausência  do  termo  de  intimação  para  a  comprovação  do  efetivo  pagamento  e  a  presença  dos  recibos  das  despesas  realizadas,  o Conselheiro Marcelo  Vasconcelos de Almeida  interpôs, às  fls. 78/79, Embargos de Declaração, atribuindo­se­lhes,  excepcionalmente,  caráter  infringente  para  sanar  a  contradição  acima  apontada,  mediante  a  conversão do julgamento em diligência, a fim de que a Unidade de origem junte ao processo  todas  as  folhas  do  Auto  de  Infração,  o  termo  de  intimação  para  comprovação  do  efetivo  pagamento, o comprovante de ciência do contribuinte e os recibos médicos apresentados pelo  Interessado.  Os embargos foram admitidos por meio do Despacho de fls. 82/83.  É o relatório.  Voto  Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora.  Fl. 85DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.013276/2006­01  Resolução nº  2801­000.255  S2­TE01  Fl. 84          3 Os  embargos  são  tempestivos  e  atendem  às  demais  condições  de  admissibilidade, portanto merecem ser conhecido.  Segundo  a  decisão  recorrida,  que  se  pautou  nas  telas  de  fls.  45/47,  o  litígio  cinge­se à glosa da dedução de despesas médicas, que foi motivada pela falta de comprovação  do efetivo pagamento.   Compulsando os autos, não se encontra o auto de infração completo (fl. 21), os  recibos médicos apresentados pelo Interessado, nem a intimação que solicitou ao contribuinte a  comprovação  do  efetivo  pagamento  e/ou  da  efetiva  prestação  dos  serviços  referentes  às  despesas médicas declaradas.  Portanto,  face o  acima exposto, com vistas a  formar convicção acerca da  lide,  voto  pela  conversão  do  julgamento  em  diligência  à  unidade  de  origem  para  que  se  junte  ao  processo  todas  as  folhas  do  Auto  de  Infração,  o  termo  de  intimação  para  comprovação  do  efetivo  pagamento,  o  comprovante  de  ciência  do  contribuinte  e  os  recibos  médicos  apresentados pelo Interessado.  Após tais providências e ciência ao contribuinte, devem os autos retornar a este  colegiado para que se prossiga no julgamento do recurso voluntário.    Assinado digitalmente   Tânia Mara Paschoalin    Fl. 86DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN

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Numero do processo: 15197.000207/2008-67
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2003 RISCOS AMBIENTAIS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração a empresa emitir documento de comprovação de exposição em desacordo com o laudo.
Numero da decisão: 2403-002.147
Decisão: Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1226; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T3  Fl. 2          1 1  S2­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15197.000207/2008­67  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2403­002.147  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de julho de 2013  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  TEKSID ALUMÍNIO DO BRASIL LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2003  RISCOS AMBIENTAIS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.  Constitui infração a empresa emitir documento de comprovação de exposição  em desacordo com o laudo.      Recurso Voluntário Negado    Crédito Tributário Mantido    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso.      Carlos Alberto Mees Stringari   Presidente e Relator         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 19 7. 00 02 07 /2 00 8- 67 Fl. 303DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   2   Participaram do  presente  julgamento,  os Conselheiros Carlos Alberto Mees  Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma  Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.    Fl. 304DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15197.000207/2008­67  Acórdão n.º 2403­002.147  S2­C4T3  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  apresentado  contra Decisão  da Delegacia  da  Secretaria  da Receita Previdenciária  em Belo Horizonte, Decisão Notificação  – DN 11.401­ 4/0141/2005, que julgou a autuação procedente.   A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório da decisão  acórdão recorrida:    DA AUTUAÇÃO:  Trata­se  de  autuação por  infringência  ao  disposto  no  §  3  °  do  art. 58 da Lei n 08.213/91, acrescentado pela Lei n ° 9.528/97,  c/c o art. 68, § 4 ° do RPS, ter a empresa emitido o formulário  DSS  —  8030,  documento  próprio  para  prestar  informações  sobre atividades exercidas em condições especiais, com fins de  concessão  de  aposentadoria  especial,  em  desacordo  com  os  LTCAT  —  Laudo  Técnico  de  Condições  Ambientais  do  Trabalho, em relação a diversos segurados.  2. De acordo com os relatórios  fiscais de  fls 03/04, a empresa  regularmente intimada, através dos Termos de Intimação para  Apresentação de Documentos ­ TIAD de fls 08/13, apresentou à  Fiscalização  o  formulário  DSS  —  8030,  com  índices  de  exposição  a  agentes  nocivos  acima  dos  limites  de  tolerância  normativos,  gerando  direito  â  aposentadoria  especial  aos  segurados.  Porém,  as  informações  contidas  no  LTCAT  —  Laudo  Técnico  das  Condições  Ambientais  de  Trabalho,  documento  que  serve  de  base  para  a  elaboração  dos  DSS —  8030,  não  caracterizam  a  exposição  dos  trabalhadores  acima  do  limite  de  tolerância. Em  conseqüência  das  informações  do  LTCAT,  a  empresa  não  estaria  obrigada  â  contribuição  do  adicional  de  alíquota  para  fins  de  aposentadoria  especial  exigida a partir de 04/1999.  3. Pela infração imputada à autuada, foi cominada a penalidade  no valor de R$ 10.359,14 (dez mil  trezentos e cinqüenta e nove  reais e quatorze centavos), nos termos do art. 133 e 134 da Lei n  °  8.213/91,  c/c  a  alínea  "n"  do  inciso  II  do  art.  283  do  RPS,  atualizada pela Portaria do MPS n ° 479 de 07/05/2004,  tendo  em  vista  a  não  constatação  de  circunstâncias  agravantes  previstas no art. 290 e nem da circunstância atenuante prevista  no art. 291, ambos do RPS.    DA IMPUGNAÇÃO:  Fl. 305DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   4 4.  A  empresa  foi  cientificada  do  presente  auto,  via  postal,  em  30/06/2004,  conforme  Aviso  de  Recebimento  —  AR,  fls.  18,  apresentado defesa tempestiva em 14/07/2004, protocolizada sob  o  n  °  36918.001346/2004­71,  conforme  instrumento  e  anexos  acostados às fls. 20/130.  5.  Inconformada  com  a  autuação  a  defendente  alega  sucintamente, em sua defesa, o que se segue:  5.1. Pede o sobrestamento do processo, pois a matéria discutida  na  NFLD  n  °  35.525.120­5  e  nos  Al  n  °  35.525.122­1,  35.525.124­8, 35.525.126­4 e 35.525.128­0 estão relacionados e  foram  integralmente  questionados  em  outras  impugnações.  0  cabimento da presente autuação depende da procedência dos Al  mencionados.  5.2.  0  cumprimento  de  obrigação  acessória  está  ligado  a  confirmação  da  procedência  da  NFLD  e  dos  Al,  não  podendo  prosseguir  em  separado,  conforme  previsão  infralegal,  para  evitar  julgamentos  incompatíveis.  Impõe­se  que  sejam  todos  reunidos  para  decisão  conjunta  das  impugnações.  Salienta  que  as atividades da Fiscalização  recaem sobre o aspecto  formal e  meritório da autuação.  5.3. Entendeu a Fiscalização que o DSS 8030 foi apresentado  em  desacordo  com  as  informações  constantes  do  LTCAT. No  entanto,  observe­se  que  as  informações  do LTCAT podem  ser  complementadas  por  outros  documentos,  quais  sejam:  laudos  técnico  periciais  emitidos  por  determinação  da  Justiça  do  Trabalho;  laudos  emitidos  pela  FUNDACENTRO;  laudos  emitidos  pelo  Ministério  do  Trabalho  ou,  ainda,  pelas  DRT;  laudos  individuais;  laudos  emitidos  por  peritos  particulares,  desde  que  solicitados  pela  empresa,  não  se  admitindo  laudos  particulares solicitados pelo próprio segurado.  5.4. Reproduz os art. 155 e 177 da Instrução Normativa ­ IN n °  95  de  07/10/2003,  com  redação  alterada  pela  IN  n  °  99  de  10/12/2003. A defendente apresenta os laudos técnico­ periciais  emitidos  por  determinação  da  Justiça  do  Trabalho,  em  ações  trabalhistas,  nos  quais  constam  as  discriminações  e  análises  pormenorizadas  das  condições  ambientais  de  trabalho,  inclusive  sobre a utilização e  fornecimento dos Equipamentos  de Proteção Individual — EPI.  5.5.  Argumenta  que  os  Formulários  DSS  8030  devem  ser  analisados,  conjuntamente,  com  todos  os  documentos  apresentados na Fiscalização e com os laudos anexados defesa,  emitidos  por  determinação  da  Justiça  do  Trabalho,  os  quais  atestam as condições ambientais de trabalho dos empregados.  5.6. Apesar de a legislação anterior à IN n ° 99/2003 não dispor  expressamente sobre complementar informações do LTCAT com  os  PPRA  e  laudos  técnico­periciais,  deve  ser  aplicada  a  legislação  superveniente  (IN  n  °  99/2003),  deixando  de  definir  como infração o ato praticado pela notificada.  5.7.  A  lavratura  do  Al  é  arbitraria,  uma  vez  que  o  PPRA  e  demais  documentos  apresentados  suprem  a  eventual  Fl. 306DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15197.000207/2008­67  Acórdão n.º 2403­002.147  S2­C4T3  Fl. 4          5 divergência entre os DSS 8030 e o LTCAT, por serem hábeis a  demonstrar as condições ambientais do trabalho.  5.8.  Quanto  a  atualização  anual  do  LTCAT,  o  art.  236  da  IN  70/2002 determina que o LTCAT pode ser atualizado uma vez ao  ano ou  sempre que ocorrer qualquer alteração no ambiente de  trabalho, considerando atualizado o LTCAT que corresponde as  condições atuais do ambiente, no momento da auditoria fiscal.  5.9.  Afirma  que  o  Al  não  está  amparado  pela  legislação  previdenciária, não justificando a aplicação da multa.  5.10. Que a Fiscalização da Previdência Social não possui, em  tese,  conhecimentos  específicos  relativos  à  Segurança  e  Medicina  do  Trabalho  capazes  de  invalidar  o  LTCAT  e  o DSS  8030,  bem  como  contestar  as  informações  contidas  nesses  documentos.  5.11. Não há que admitir que a notificada tenha dado causa à  concessão  indevida  de  aposentadoria  especial  (pág.  25  do  Relatório  Fiscal  da  NFLD  n  °  35,525.120­5),  pois  nenhum  termo incorreto ou impreciso foi empregado em documento de  sua  responsabilidade.  Caso  tenha  ocorrido  aposentadoria  indevida,  essa  medida  deve  ser  imputada  a  equivoco  de  interpretação dos agentes do INSS, não da notificada.  6.  Por  todo  o  exposto,  entende  a  defendente  que  restou  comprovado  que  o  Al  não  pode  subsistir,  por  observar  as  Normas Regulamentadoras e legislação previdenciária.  6.1.  Protesta  provar  o  alegado  por  todos  os  meios  de  prova  admitidos. Requer o sobrestamento da autuação para julgamento  conjunto com a NFLD n ° 35.525.120­5, em face de sustentar a  inexistência da obrigação principal.  6.2.  Que  seja  totalmente  acolhida  a  defesa,  para  que  seja  decretada  a  insubsistência  do  Auto  de  Infração,  com  o  cancelamento da multa.  6.3.  Por  fim,  requer  que  todas  as  comunicações/notificações  sejam  feitas  em  nome  do  advogado  José  Roberto  Pisani,  com  endereço  na  Rua  Boa  Vista,  n  °  254  —  9  °  andar—  São  Paulo/SP, Telefone (11)3247­8400.    Inconformada  com  a  decisão,  a  recorrente  apresentou  recurso  voluntário  \o  CRPS, onde alega, em síntese, que:    · Sobrestamento  do  processo  ­  matéria  discutida  na  NFLD  n°  35.525.120­5  (deixou  de  efetuar  o  pagamento  de  adicional  das  contribuições  previdenciárias  supostamente  devidas  em  complementação  Aquelas  pagas  a  titulo  de  SAT)  e  nos  AI  n°s  Fl. 307DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   6 35.525.122­1 (divergência entre Formulários DSS 8030 e o LTCAT),  35.525.124­8  (deixou  de  incluir  todas  as  contribuições  e  valores  exigidos  na  referida  NFLD  em  GFIP),  35.525.126­4  (apresentou  documentos relacionados ao tema em descumprimento com as normas  vigentes);  e  35.525.128­0  (emitiu  documentação  imprópria,  relativamente à concessão de aposentadoria especial).  · A  comprovação  efetiva  do  tempo  de  trabalho  do  empregado  sujeito  aos  agentes  nocivos,  é  feita  através  de  documento  próprio,  denominado  "Formulário  Informações  sobre  Atividades  com  Exposição  a  Agentes  Agressivos  ­  DSS  8030"  ("Formulário  DSS  8030"),  elaborado,  primordinalmente,  com  base  nas  informações  do  laudo  técnico  de  condições  ambientais  do  trabalho  expedido  por  médico  do  trabalho  ou  engenheiro  de  segurança,  contratado  nos  termos  da  legislação  trabalhista  (Normas  Regulamentadoras  aprovadas pela Portaria n.° 3.214, de 8.6.1978).  · Ainda  que  fosse  identificada  qualquer  divergência  entre  os  formulários DSS 8030 e o LTCAT, estas poderiam ser dirimidas com  as  informações  constantes  em  outros  documentos  apresentados  pela  Recorrente,  quais  sejam:  (i)  laudos  técnico­periciais  emitidos  por  determinação da  Justiça do Trabalho,  em ações  trabalhistas,  acordos  ou  dissídios  coletivos;  (ii)  laudos  emitidos  pela  FUNDACENTRO;  (iii)  laudos  emitidos  pelo  Ministério  do  Trabalho  ou,  ainda,  pelas  DRT;  (iv)  laudos  individuais;  (v)  laudos  emitidos  por  peritos  particulares,  desde  que  solicitados  pela  empresa,  não  se  admitindo  laudos particulares solicitados pelo próprio segurado.  · Na hipótese de identificação de divergência entre os Formulários DSS  8030  e  o  LTCAT,  o  que  se  admite  como  argumentação,  todos  os  demais  documentos  apresentados  pela  Recorrente  no  momento  da  Fiscalização  e  em  suas  alegações  dc  defesa  devem  ser  analisados  conjuntamente.  · A Recorrente apresentou no momento da Fiscalização e juntamente às  suas razões de Impugnação, diversos documentos que substituem e/ou  complementam o LTCAT  · Verifica­se, portanto, a arbitrariedade da lavratura do AI em tela, urna  vez que os demais documentos aqui apresentados suprem a eventual  divergência  entre  os  DSS  8030  e  o  LTCAT,  por  de  serem  hábeis  a  demonstrar  as  condições  ambientais  de  trabalho,  as  avaliações  quantitativas e qualitativas dos riscos ocupacionais, e a existência de  proteção  que  neutraliza  a  exposição  dos  empregados  aos  agentes  nocivos.  · Fiscais da Previdência Social, no exercício legal de suas profissões de  fiscalização dos contribuintes quando ao cumprimento das obrigações  relacionadas  ao  recolhimento  das  contribuições  e  demais  deveres  instrumentais,  não  possuem,  em  tese,  conhecimentos  específicos  relativos à Segurança e Medicina do Trabalho capazes de invalidar o  LTCAT e o DSS 8030.  Fl. 308DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15197.000207/2008­67  Acórdão n.º 2403­002.147  S2­C4T3  Fl. 5          7 · Não  há  porque  se  admitir  que  a  Recorrente  tenha  dado  causa  â.  concessão  indevida  de  aposentadoria  especial  (pg.  25  do  Relatório  Fiscal da NFLD no 35.525.120­5), já que nenhum termo incorreto ou  impreciso  foi  empregado  em  documento  de  sua  responsabilidade.  Caso tenha ocorrido concessão indevida de aposentadoria pelo INSS,  essa medida  deve  ser  imputada  a  equivoco  de  interpretação  de  seus  agentes, jamais da Recorrente.    O  CRPS  baixou  o  processo  em  diligência,  determinando  a  realização  de  perícia.    Antes  de  adentrar  no mérito  do  recurso,  entendo  necessário  o  esclarecimento  de  pontos  fundamentais  para  o  deslinde  da  controvérsia em apreço.  Ante  a  alegação  da  recorrente  de  que  seus  empregados  não  estão  sujeitos  aos  riscos  ocupacionais  apontados  pela  fiscalização,  bem  como,  em  face  da  documentação  anexa  a  estes  autos,  entendo  que  esta  em  dúvida  o  lançamento  realizado.  Assim,  entendo  cabível  a  conversão  do  julgamento  em diligência para a realização de perícia.  ...  De  antemão,  apresento  os  quesitos  desta  Câmara  a  serem  respondidos,  nos  termos  do  art.  426,  inciso  II  do CPC,  tanto  pelo perito da recorrente, como pelo do Governo:  1º.  Ha  documento  de  comprovação  de  exposição  emitidos  em  desacordo  com  o  corespondente  Laudo  Técnico  de  condições  ambientais do trabalho, a partir dos documentos juntados pela  SRP aos autos (formulário DSS 8030 e LTCAT)?  2°.  Se  sim,  em  que  consiste  a  desconformidade  entre  o  DSS  8030 emitido e o LTCAT, objetivamente?  3°. As desconformidade, acaso existentes, correspondem à que  foi informada no Relatório Fiscal de fl. 3.?    Observo  que  na  mesma  sessão  de  julgamento,  foi  determinada  diligência/perícia  para  os  processos  relativos  aos  Debcads  35.25.120­5,  35.525.122­1,  35.525.126­4 e 35.525.124­8.     É o relatório  Fl. 309DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   8     Voto             Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator  O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à  análise das questões pertinentes.    Segundo  a  fiscalização,  a  autuação  se  deu  em  razão  de  a  empresa  ter  apresentado  formulários  DSS­8030  emitidos  para  prestar  informações  sobre  atividades  exercidas  em  condições  especiais,  para  fins  de  instrução  de  processos  de  solicitação  de  aposentadoria  especial,  em  desacordo  com  os  LTCAT  —  Laudo  Técnico  de  Condições  Ambientais  do  Trabalho  apresentados  e  elaborados  por  grupo  de  exposição  homogêneo  "cargo/função”, em relação a diversos segurados.  A  emissão  de  documento  de  comprovação  de  exposição  (DSS­8030)  em  desacordo com LTCAT caracteriza infração ao disposto no § 3º do art. 58 da Lei 8.213/91, com  redação dada pela Lei 9.528/97, que estabelece o seguinte:    Art.  58.  A  relação  dos  agentes  nocivos  químicos,  físicos  e  biológicos  ou  associação de  agentes  prejudiciais  à  saúde  ou  à  integridade  física  considerados  para  fins  de  concessão  da  aposentadoria  especial  de  que  trata  o  artigo  anterior  será  definida pelo Poder Executivo.(Redação dada pela Lei nº 9.528,  de 1997)  §  1º  A  comprovação  da  efetiva  exposição  do  segurado  aos  agentes  nocivos  será  feita  mediante  formulário,  na  forma  estabelecida  pelo  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social­INSS,  emitido  pela  empresa  ou  seu  preposto,  com  base  em  laudo  técnico  de  condições  ambientais  do  trabalho  expedido  por  médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos  termos  da  legislação  trabalhista.(Redação  dada  pela  Lei  nº  9.732, de 11.12.98)   § 2º Do  laudo  técnico referido no parágrafo anterior deverão  constar  informação  sobre  a  existência  de  tecnologia  de  proteção  coletiva  ou  individual  que  diminua  a  intensidade  do  agente agressivo a limites de tolerância e recomendação sobre  a  sua  adoção  pelo  estabelecimento  respectivo.(Redação  dada  pela Lei nº 9.732, de 11.12.98)  § 3º A empresa que não mantiver laudo técnico atualizado com  referência  aos  agentes  nocivos  existentes  no  ambiente  de  trabalho  de  seus  trabalhadores  ou  que  emitir  documento  de  comprovação  de  efetiva  exposição  em  desacordo  com  o  respectivo laudo estará sujeita à penalidade prevista no art. 133  desta Lei.(Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997)  Fl. 310DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15197.000207/2008­67  Acórdão n.º 2403­002.147  S2­C4T3  Fl. 6          9 §  4º  A  empresa  deverá  elaborar  e  manter  atualizado  perfil  profissiográfico  abrangendo  as  atividades  desenvolvidas  pelo  trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de  trabalho, cópia autêntica desse documento.(Incluído pela Lei nº  9.528, de 1997)    O  parágrafo  2º,  acima  apresentado  é  textual  ao  estabelecer  que  o  laudo  técnico  deverá  conter  informação  sobre  a  existência  de  tecnologia  de  proteção  coletiva  ou  individual  que  diminua  a  intensidade  do  agente  agressivo  a  limites  de  tolerância  e  recomendação sobre a sua adoção pelo estabelecimento respectivo.   Às folhas 177 a 188,  são apresentados  laudos periciais  e declarações da  empresa  (DSS 8030)  informando que os níveis de  ruído  são considerados prejudiciais à  saúde ou  integridade  física do  trabalhador e nada mencionam acerca de Equipamentos  de Proteção Individual – EPI.    DSS 8030  CONCLUSÃO DO LAUDO :  Os  níveis  de  ruído  nos  valores  citados  são  considerados  prejudiciais  a  saúde  ou  integridade  física  do  trabalhador,  segundo a Portaria 3214 do Ministério do Trabalho. Este laudo  não considera aspectos da sensibilidade individual do segurado,  nem  a  concomitância  ou  concorrência  de  agentes  de  sua  comunidade. Tem o objetivo exclusivo de propiciar informações  à  Previdência  Social  para  avaliação  e  eventual  concessão  de  aposentadoria especial ao segurando, na forma das exigências  administrativas do INSS.    Às  folhas  196,  216,  219  e  230  são  apresentados  Laudos  Técnicos  que  apresentam na conclusão que “O ruído excedente no (s) posto (s) de trabalho avaliado (s)  foi devidamente neutralizado com o uso efetivo de protetores auriculares aprovados pelo  Ministério do Trabalho”.    4) PARECER TÉCNICO / LEGAL   4.1) . 0 nível equivalente de ruído (LEQ) foi superior ao limite  de  tolerância  estabelecido  pelo  Anexo  01  ­  NR.  15,  Portaria  3214/78,  caracterizando  desse  modo  a  insalubridade  em  grau  médio.  4.2) A NR. 15 ­ item 15.4 ­ subitem 15.4.1 ­ alínea "b" / Portaria  3214/78  MTb  estabelece  que  a  neutralização  da  insalubridade  através do uso efetivo e obrigatório do protetor auricular, cessa­ se o pagamento do adicional correspondente.  Fl. 311DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   10 5) CONCLUSÃO   O ruído excedente no (s) posto (s) de trabalho avaliado (s) foi  devidamente  neutralizado  com  o  uso  efetivo  de  protetores  auriculares aprovados pelo Ministério do Trabalho.    A Perícia Médica  do  INSS  informou  que  há  histórico  de  concessão  de  aposentadorias  especiais  aos  segurados  da  notificada  e  que  tais  aposentadorias  são  decorrentes de “altos valores de exposição ao ruído ( até 105dB(A)) e à temperatura elevada  ( IBUTG: >29,5° ) e considerando a inexistência de informação sobre a existência de EPC (  a  partir  de  14/10/1996)  e  EPI  (a  partir  de  14/12/1998)  nos  laudos  técnicos  emitidos  pela  Notificada”.  Também o Relatório Fiscal da obrigação principal informa que houve a  conversão  do  tempo  especial  em  tempo  comum  e  que  não  foi  considerado  qualquer  atenuante pelo uso de EPI.    De  posse  dos  referidos  Laudos  e  dos  DSS/DIRBEN­8030  a  fiscalização  pesquisou  junto  ao  Setor  de  Beneficio  do  INSS  e  pode  comprovar  que  com  esses  documentos,  em  relação  aos  empregados  que  requereram  aposentadoria  por  tempo  de  contribuição,  tiveram  eles  seu  tempo  de  serviço  considerado  como  especial  convertido  em  normal  pelo  agente  nocivo  ruído  acima de 80 dB(A) até 05/03/97 e 90 dB(A),a partir de 06/03/97,  não sendo considerada atenuante pelo uso do EPI, uma vez que  a  conclusão  da  empresa  no  DSS/D1RBEN­8030,  não  deixa  dúvida sobre as condições prejudiciais á saúde e a integridade.  Física  que  o  empregado  esteve  exposto  durante  o  período  de  trabalho considerado no documento.    Entendo  comprovado  que  a  empresa  emitiu  o  formulário  DSS  —  8030,  documento  próprio  para  prestar  informações  sobre  atividades  exercidas  em  condições  especiais, com fins de concessão de aposentadoria especial, em desacordo com os LTCAT —  Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho.    CONCLUSÃO    Voto por negar provimento ao recurso.      Carlos Alberto Mees Stringari   Fl. 312DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15197.000207/2008­67  Acórdão n.º 2403­002.147  S2­C4T3  Fl. 7          11                             Fl. 313DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

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Numero do processo: 11030.000917/2009-10
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício:2005,2006,2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO A omissão e a contradição entre a decisão e os seus fundamentos restando comprovadas em parte, os embargos de declaração interpostos devem acolhidos em parte para fins de supri-las.
Numero da decisão: 1801-001.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos declaratórios e, no mérito, acolher em parte para re-ratificar o Acórdão nº 1801-001.008, proferido na sessão realizada em 09 de maio de 2012, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1761; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE01  Fl. 352          1 351  S1­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11030.000917/2009­10  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  1801­001.562  –  1ª Turma Especial   Sessão de  07 de agosto de 2013  Matéria  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO  Embargante  SETA INCORPORAÇÕES LTDA  Interessado  SETA INCORPORAÇÕES LTDA    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Exercício:2005,2006,2007   EMBARGOS DE DECLARAÇÃO  A omissão  e  a  contradição  entre  a decisão  e  os  seus  fundamentos  restando  comprovadas  em  parte,  os  embargos  de  declaração  interpostos  devem  acolhidos em parte para fins de supri­las.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos  embargos  declaratórios  e,  no  mérito,  acolher  em  parte  para  re­ratificar  o  Acórdão  nº  1801­ 001.008, proferido na sessão realizada em 09 de maio de 2012, nos termos do voto da Relatora.  (assinado digitalmente)  Ana de Barros Fernandes – Presidente  (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva ­ Relatora  Composição  do  colegiado.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira  Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros  Fernandes.    Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 09 17 /2 00 9- 10 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.000917/2009­10  Acórdão n.º 1801­001.562  S1­TE01  Fl. 353          2 Trata­se  de  embargos  de  declaração  interpostos  pela  Recorrente,  Seta  Incorporações  Ltda,  em  face  do Acórdão  da  1ª  TURMA ESPECIAL/3ª  CÂMARA/1ª  SJ  nº  1801­01.008,  de  09.05.2012,  com  fundamento  no  que  dispõe  o  artigo  65  do  Anexo  II  do  Regimento Interno do CSRF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009.  Contra a Recorrente acima identificada, Seta Incorporações Ltda, foi lavrado  o  Auto  de  Infração  às  fls.  02­11,  com  a  exigência  do  crédito  tributário  no  valor  de  R$737.862,99, a  título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ),  juros de mora e  multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido  nos anos­calendário de 2004, 2005 e 2006.  O  lançamento  se  fundamenta  na  aplicação  incorreta  do  coeficiente  de  determinação do  lucro presumido de 8% (oito por cento) ao  invés de 32% (trinta  e dois por  cento),  tendo  em  vista  que  no  período  exerceu  exclusivamente  a  atividade  de  prestação  de  serviços  de  administração  e  operação  de  plano  de  saúde.  Para  tanto,  foi  indicado  o  seguinte  enquadramento  legal:  art. 518 e art. 519 do Regulamento do  Imposto de Renda constante no  Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999).  Em decorrência de  serem os mesmos elementos de provas  indispensáveis  à  comprovação  dos  fatos  ilícitos  tributários  foi  constituído  ainda  nesse  processo  o  Auto  de  Infração às fls. 12­20 com a exigência do crédito tributário no valor de R$221.358,89 a título  de  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (CSLL),  juros  de  mora  e  multa  de  ofício  proporcional. Para tanto, foi  indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº  7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, bem  como art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de  dezembro de 2002.  Cientificada  em  27.05.2009,  fls.  03  e  13,  a  Recorrente  apresentou  a  impugnação em 25.06.2009, fls. 158­170, com as alegações abaixo sintetizadas.  Aduz  que  se  dedica  a  atividade  de  administração  e  operação  de  plano  de  saúde devidamente autorizada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).   Suscita  que  no  período  objeto  do  lançamento  o  Hospital  SP  Ltda,  CNPJ  03.444.492/0001­05,  sofreu  intervenção  da  Prefeitura  do  Município  de  Lagoa  Vermelha,  ocasião em que ficaram resguardados os direitos dos participantes do plano de saúde. Como é  pessoa  ligada  ao  mencionado  hospital,  passou  a  proceder  aos  registros  deste  dentro  da  sua  escrituração contábil.   Defende  que  há  incorreções  no  lançamento,  explicando  que  a  apuração  da  receita bruta representa o somatório de todos os ingressos financeiros utilizados para remunerar  os  prestadores  de  serviços  e  pagar  as  demais  despesas  incorridas.  Procura  demonstrar  que  calculou os coeficientes erroneamente para apuração do lucro presumido referentes ao IRPJ e  CSLL, quais  sejam, 8% (oito por  cento)  e 12% (doze por cento),  respectivamente.  Indica os  valores que entende corretos.  Alega que não foram excluídos da base de cálculo os valores dos  ingressos  compulsoriamente determinados pela ANS para formação de reservas técnicas.  Destaca argumentos em relação ao PIS e a Cofins.  Fl. 353DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.000917/2009­10  Acórdão n.º 1801­001.562  S1­TE01  Fl. 354          3 Com  o  objetivo  de  fundamentar  as  razões  apresentadas  na  peça  de  defesa,  interpreta  a  legislação  pertinente,  indica  princípios  constitucionais  que  supostamente  foram  violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor.  Conclui que os Autos de Infração devem ser cancelados.  Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº  10­30.917, de 21.06.2011, fls. 294­300: “Impugnação Improcedente”.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ   Ano­calendário: 2004, 2005, 2006   SUJEITO  PASSIVO.  IDENTIFICAÇÃO.  O  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária é a pessoa que praticou os atos e auferiu a receita deles decorrente.  LUCRO  PRESUMIDO.  PLANOS  DE  SAÚDE.  RECEITA  BRUTA.  Na  apuração  do  lucro  presumido,  as  empresas  que  atuam  como  plano  de  assistência  médica  não  podem  abater  da  receita  bruta  as  quantias  gastas  para  pagar  os  prestadores de serviços (médicos, clinicas, laboratórios etc).  LUCRO PRESUMIDO. PLANOS DE SAÚDE. RECEITA BRUTA. O valor  das  provisões  técnicas  obrigatórias  não  pode  ser  deduzido  da  receita  bruta  para  determinação do lucro presumido das empresas que atuam como plano de assistência  médica   CSLL.  DECORRÊNCIA.  Estendem­se  ao  lançamento  decorrente  as  conclusões da decisão prolatada no lançamento principal.  Notificada  em  17.08.2011,  fl.  308,  a  Recorrente  apresentou  o  recurso  voluntário  em  09.09.2011,  fls.  309­326,  esclarecendo  a  peça  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade.  Discorre  sobre  o  procedimento  fiscal  contra  o  qual  se  insurge  e  reitera  os  argumentos apresentados na peça impugnatória.   Está  registrado  como  resultado  do  Acórdão  da  1ª  TURMA  ESPECIAL/3ª  CÂMARA/1ª  SJ  nº  1801­01.008,  de  09.05.2012,  fls.  329­334:  “Acordam  os  membros  do  Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos  do voto da Relatora.”.  Restou ementado  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Exercício:2005,2006,2007   SUJEITO PASSIVO  O contribuinte do IRPJ é o titular da disponibilidade econômica ou jurídica de  renda.  FALTA DE RECOLHIMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.   Para  fins  de  apuração  do  lucro  presumido,  a  pessoa  jurídica  prestadora  de  serviços deve aplicar o coeficiente de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita  bruta na determinação da base de cálculo do IRPJ. Somente podem ser excluídos da  Fl. 354DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.000917/2009­10  Acórdão n.º 1801­001.562  S1­TE01  Fl. 355          4 receita  bruta  as  vendas  canceladas,  os  descontos  incondicionais  concedidos  e  os  impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante.  DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.  Somente  devem  ser  observados  os  entendimentos  doutrinários  e  jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.   INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a  inconstitucionalidade  de lei tributária.   LANÇAMENTO DECORRENTE.  O  lançamento  de  CSLL  sendo  decorrente  da  mesma  infração  tributária,  a  relação  de  causalidade  que  o  informa  leva  a  que  o  resultado  do  julgamento  deste  feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ.   Notificada  em  27.06.2012,  fl.  338,  a  Recorrente  interpôs  embargos  de  declaração em 02.07.2012, fls. 339­343 com as alegações a seguir resumidas.  Suscita que há omissão e contradição na decisão embargada.   Defende as teses de que   (a)  os  valores  repassados  à  pessoa  jurídica  que  administra  plano  de  assistência médica  para  pagamento  aos  prestadores  de  serviços médicos  não  podem  integrar  sua receita bruta;  (b) na apuração do lucro real a pessoa jurídica administra plano de assistência  médica tem direito de deduzir o valor das garantias financeiras;  (c)  os  lançamentos  de  ofício  relativos  ao  IRPJ  e  à  CSLL  não  guardam  coerência com os critérios de quantificação das bases de cálculo do PIS e da Cofins;  (d) mostra­se  ilegítima  a  incidência  do  ISS  sobre  o  total  das mensalidades  pagas  pelo  titular  do  plano  de  saúde  à  pessoa  jurídica  que  administra  plano  de  assistência  médica.  Em relação à omissão que por conseqüência gera contradição, argui que na  decisão embargada não foram analisados os argumentos referentes:  (a)  à  aplicação das deduções previstas para ba base de cálculo do PIS e da  Cofins;  (b) à possibilidade de  exclusão da base de cálculo do  IRPJ  e da CSLL dos  valores relativos às remunerações aos prestadores de serviços, às demais despesas incorridas e  aos ingressos compulsoriamente determinados pela ANS para formação de reservas técnicas;  (c)  do  efeito  vinculante  dos  entendimentos  doutrinários  e  jurisprudenciais  indicados;  (d) à adoção do regime de tributação com base no lucro real; e  Fl. 355DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.000917/2009­10  Acórdão n.º 1801­001.562  S1­TE01  Fl. 356          5 (e)  da  ilegitimidade  da  incidência  do  ISS  sobre  o  total  das  mensalidades  pagas pelo titular do plano de saúde.  Conclui  Diante  do  exposto,  requer  a  esse  Colegiado  que  profira  nova  decisão,  eliminado as omissões e contradições, e examinado efetivamente os argumentos da  Recorrente.  Como  consequência,  requer  a  atribuição  de  efeitos  infringentes  para  estes  embargos de declaração, com o reconhecimento da improcedência dos lançamentos.  Toda  numeração  de  folhas  indicada  nessa  decisão  se  refere  à  paginação  eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada.  É o Relatório.    Voto             Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora  Os  embargos  de  declaração  apresentados  pela  Recorrente  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade  previstos  nas  normas  de  regência.  Assim,  dele  tomo  conhecimento.  A Recorrente defende a  tese de que os valores  repassados à pessoa  jurídica  que  administra  plano  de  assistência  médica  para  pagamento  aos  prestadores  de  serviços  médicos não podem integrar sua receita bruta.  O  regime  de  tributação  pelo  lucro  presumido  trimestral  é  uma  escolha  da  pessoa jurídica para todo ano­calendário, desde que observados os  requisitos  legais, devendo  ser manifestada com o pagamento do  imposto devido correspondente ao primeiro período de  apuração de cada ano­calendário. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita  financeira  e  das  demais  receitas  auferidas,  bem  como  do  valor  resultante  da  aplicação  do  coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida  no período de apuração. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas,  os  descontos  incondicionais  concedidos  e  os  impostos  não  cumulativos  cobrados  destacadamente  do  comprador  ou  contratante,  uma  vez  que  se  presume  que  uma  parcela  da  receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica.  (art. 13 da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de  dezembro de 1996 e art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995).  Assim,  não  há  permissivo  legal  para  que  os  valores  repassados  à  pessoa  jurídica que administra plano de assistência médica para pagamento aos prestadores de serviços  médicos não podem integrar sua receita bruta.  A Recorrente procura demonstrar que a pessoa jurídica administra plano de  assistência médica deve excluir o valor das garantias financeiras na apuração do lucro real.  Fl. 356DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.000917/2009­10  Acórdão n.º 1801­001.562  S1­TE01  Fl. 357          6 No presente  caso  houve  opção  expressa  pela  apuração  do  IRPJ  e da CSLL  pelo  lucro  presumido,  que  deve  ser  adotado  para  todos  os  anos­calendário  de  2004,  2005  e  2006. Esse regime jurídico de tributação é definitivo em relação a todo o ano­calendário (art.  13  da  Lei  nº  9.718,  de  27  de  novembro  de  1998).  Tendo  em  vista  a  incompatibilidade,  no  período  em  que  vigorar  a  opção,  a  pessoa  jurídica  fica  impedida  de  utilizar  o  regime  de  tributação do lucro real, que traduz­se pelo lucro líquido do período de apuração ajustado pelas  adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por lei. O lucro real tem regras  normativas próprias, especificas e diferenciadas do lucro presumido e por essa razão são regras  tributação excludentes para um mesmo período. A conclusão oferecida pela defendente, porém,  não pode subsistir.  A  Recorrente  destaca  que  os  lançamentos  de  ofício  relativos  ao  IRPJ  e  à  CSLL não guardam coerência com os critérios de quantificação das bases de cálculo do PIS e  da Cofins.   Os  presentes  autos  se  referem  tão­somente  ao  IRPJ  e  à  CSLL  que  foram  determinados de ofício com base no lucro presumido, que é a forma de tributação adotada pela  Recorrente, como se verifica pela análise das Declarações de Informações Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  (DIPJ)  dos  anos­calendário  de  2004,  2005  e  2006  espontaneamente  apresentadas à RFB, fls. 28­85.  Vale ressaltar que as normas tributárias próprias do regime de tributação com  base no  lucro  real,  não  se  aplicam  concomitantemente  ao  regime de  tributação  com base no  lucro  presumido  de  modo  que  não  podem  ser  excluídas  parcelas  senão  aquelas  indicadas  expressamente  na  legislação  de  regência.  Assim,  por  falta  de  permissivo  legal  expresso,  a  apuração da base de cálculo de IRPJ e de CSLL pelo lucro presumido não guardam coerência  com os critérios de quantificação das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Por estas razões, não  podem  ser  deduzidos  os  valores  relativos  às  remunerações  aos  prestadores  de  serviços,  as  demais  despesas  incorridas  e  aos  ingressos  compulsoriamente  determinados  pela  ANS  para  formação  de  reservas  técnicas,  da  base  de  cálculos  dos  tributos  constituídos  nos  presentes  autos. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada.  A Recorrente destaca a  ilegitimidade da incidência do  ISS sobre o  total das  mensalidades pagas pelo titular do plano de saúde como justificativa para anulação dos Autos  de Infração de IRPJ e de CSLL.   Não compete à União instituir o ISS, que é imposto próprio dos municípios,  em  conformidade  com  as  limitações  do  poder  de  tributar  previstas  no  Sistema  Tributário  Nacional,  nos  termos  dos  arts.  145  a  162  da  Constituição  Federal.  Nesse  sentido  os  vários  aspectos  da  hipótese  de  incidência  tributária  do  ISS  não  podem  ser  opostos  à  Fazenda  Nacional, uma vez que os critérios de partilha de competência tributária são matérias tratadas  por normas materialmente constitucionais, as quais os agentes públicos estão vinculados, pelo  princípio  da  legalidade  (art.  37  da  Constituição  Federal).  Nesse  sentido,  cabe  a  cada  ente  federativo instituir os tributos dentro de sua competência constitucional estabelecendo todos os  aspectos  da  hipótese  de  incidência.  Infere­se,  portanto,  que  não  tem  cabimento  a  adoção  de  argumentos de defesa eqüitativos com a finalidade de justificar a nulidade de lançamentos de  oficio  relativamente  a  tributos  de  competência  distintamente  entre  União  e  Municípios.  A  contestação proposta pela defendente, dessa maneira, não se confirma.  Fl. 357DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.000917/2009­10  Acórdão n.º 1801­001.562  S1­TE01  Fl. 358          7 A  Recorrente  procura  demonstrar  que  os  entendimentos  doutrinários  e  jurisprudenciais por  ela  invocados  em sua defesa devem ser  considerados  como vinculativos  para fins de afastar a exigência de IRPJ e de CSLL.  No  que  concerne  à  interpretação  da  legislação  e  aos  entendimentos  doutrinários  e  jurisprudenciais  indicados  na  pela  de  defesa,  cabe  esclarecer  que  podem  ser  acatados pela Administração Pública desde  logo, pois  são  carecedores de  lei  atribua  eficácia  normativa. No âmbito do processo administrativo fiscal o servidor deve atuar conforme a lei e  o  Direito  e  fica  proibido  de  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade,  bem  como  está  obrigado a aplicar: (a) tratado, acordo internacional, lei ou decreto; (b) súmula da Advocacia­ Geral  da União,  na  forma do  art.  43  da Lei Complementar nº  73,  de  1993;  (c)  pareceres  do  Advogado­Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei  Complementar no  73,  de  10  de  fevereiro  de 1993;  (d)  normas  declaradas  inconstitucionais  e  constitucionais  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  (STF);  e  (e)  súmulas  vinculantes  do  STF  a  partir de sua publicação na imprensa oficial (art. 37 e art. 103­A da CF, art. 26­A do Decreto nº  60.235,  de  1972,  art.  28  da  Lei  nº  9.868,  de  1999  e  art.  2º  da  Lei  nº  9.784,  de  1999)1.  A  asseveração citada pela defendente, assim, não é devida.  Sobre  todas  essas  questões  tem  cabimento  esclarecer  que  a  Administração  Pública  deve  obedecer  ao  princípio  da  legalidade,  que  estabelece  os  limites  da  atuação  administrativa  e  tem  por  objeto  o  exercício  de  direitos  individuais  em  benefício  da  coletividade, hipótese em que a vontade decorre tão­somente da lei, de modo que apenas pode  fazer o que a lei permite.  Vale  lembrar que por esse motivo, o servidor não pode por um simples ato  administrativo  conceder  direitos,  criar  obrigações  ou  impor  proibições  aos  sujeitos  passivos  sem  previsão  legal,  de  modo  que  no  que  concerne  à  interpretação  da  legislação  e  aos  entendimentos  doutrinários  e  jurisprudenciais  indicados pela Recorrente,  cabe  esclarecer que  somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não  se aplica ao presente caso.  Registre­se,  ademais,  que  os  embargos  de  declaração  são  recursos  de  saneamento. Pela análise dos autos se infere que na apreciação da prova, a autoridade judicante  formou  livremente  sua  convicção  fundamentada  aplicando  o  princípio  da  persuasão  racional  em relação aos elementos comprobatórios ali produzidos (art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de  março de 1972). Logo,  foram observadas  as  formalidades  essenciais processuais próprias do  devido  processo  legal,  do  contraditório,  da  ampla  defesa  e  da  motivação  das  decisões  e  a  garantia dos direitos  dos  administrados  foram  regularmente cumpridos de  acordo com o que  está prescrito na legislação de regência (incisos LIV e LV do art. 5º e art. 93 da Constituição  Federal e art. 2 º e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999).  Portanto,  a  omissão  e  a  contradição  entre  a decisão  e  os  seus  fundamentos  estão supridas com os exaustivos fundamentos jurídicos explicitados.  Em  assim  sucedendo,  voto  por  conhecer  os  embargos  de  declaração  interpostos pelo sujeito passivo e, no mérito acolhê­los em parte para re­ratificar o inteiro teor  do Acórdão da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 1801­01.008, de 09.05.2012.                                                              1 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.    Fl. 358DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11030.000917/2009­10  Acórdão n.º 1801­001.562  S1­TE01  Fl. 359          8 (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva                                Fl. 359DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES

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Numero do processo: 19515.002039/2010-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa deixar de prestar à auditoria fiscal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. CORRESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei 11.941/09, o “Relatório de Representantes Legais - REPLEG” tem a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1697; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 2          1 1  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.002039/2010­70  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­003.775  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de setembro de 2013  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO: DEIXAR DE PRESTAR INFORMAÇÕES  Recorrente  COOPERATIVA DOS PROFISSIONAIS NA ÁREA DA SAÚDE  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005  OBRIGAÇÃO  TRIBUTÁRIA  ACESSÓRIA.  DESCUMPRIMENTO.  INFRAÇÃO.  Consiste  em  descumprimento  de  obrigação  acessória  a  empresa  deixar  de  prestar  à  auditoria  fiscal  todas  as  informações  cadastrais,  financeiras  e  contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os  esclarecimentos necessários à fiscalização.  CORRESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS.  Com a revogação do artigo 13 da Lei 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da  Lei  11.941/09,  o  “Relatório  de  Representantes  Legais  ­  REPLEG”  tem  a  finalidade  de  apenas  identificar  os  representantes  legais  da  empresa  e  respectivo  período  de  gestão  sem,  por  si  só,  atribuir­lhes  responsabilidade  solidária ou subsidiária pelo crédito constituído.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 20 39 /2 01 0- 70 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     2    Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.      Julio Cesar Vieira Gomes ­ Presidente      Ronaldo de Lima Macedo ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Julio  Cesar  Vieira  Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo,  Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.  Fl. 123DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.002039/2010­70  Acórdão n.º 2402­003.775  S2­C4T2  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se  de  auto  de  infração  lavrado  pelo  descumprimento  da  obrigação  tributária acessória prevista no art. 32, inciso III, da Lei 8.212/1991, c/c os art. 225, inciso III,  do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, em razão da  empresa não ter prestado ao Fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de  interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à  fiscalização, conforme exposto no Relatório Fiscal da Infração de fl. 17, para as competências  01/2005 a 12/2005.  Segundo  o Relatório  Fiscal  da  Infração  (fls.  05/07),  a  autuada  –  apesar  de  devidamente  intimada,  conforme  Termo  de  Intimação  para  Apresentação  de  Documentos  (TIAD)  –  deixou  de  apresentar  ao  Fisco  esclarecimentos  e  informações  no  tocante  aos  documentos/recibos, lançados em seus Livros Diários referentes a pagamentos a contribuintes  individuais  (cooperados),  solicitados  através  do  Termos  de  Intimação  e  Reintimação  para  Apresentação  de Documentos  de  12/03/10,  24/03/10,  16/04/10,  12/05/2010  e  14/06/10,  bem  como a relação individualizada dos segurados (Nome, CPF, PIS, Valor pago, Valor retido do  INSS),conforme pedido feito em 27/05/10 e 14/06/10.  O  Relatório  Fiscal  da  Aplicação  da  Multa  (fl.  07)  informa  que  a  multa  aplicada teve como fundamento os artigos 92 e 102, ambos da Lei 8.212/1991, bem como os  artigos  283,  incisos  II,  alínea  “b”,  e  373,  do  Regulamento  da  Previdência  Social  (RPS),  aprovado pelo Decreto 3.048/1999.  A  ciência  do  lançamento  fiscal  ao  sujeito  passivo  deu­se  em  12/07/2010  (fl.01).  A  autuada  apresentou  impugnação  tempestiva  (fls.  37/98),  alegando,  em  síntese, que:  1.  Dos  Fatos.  A  Fazenda  Pública  exigiu  uma  série  de  documentos  da  Cooperativa/Impugnante,  conforme  os  termos  de  intimação  relacionados  no  relatório.  Salienta  em  seu  favor  que  entregou  os  documentos solicitados, com exceção dos que decorrem da relação de  emprego  (CLT),  tendo  em  vista  a  natureza  jurídica  distinta  da  Cooperativa,  bem  como  imóveis  e  veículos,  por  não  existirem  no  ativo  imobilizado  da  Impugnante,  conforme  pode  ser  verificado  no  documento  anexo  recebido  pelo  Sr.  Antonio  Betto,  em  06/04/2010.  Assim, a multa aplicada é totalmente infundada, já que a Impugnante  atendeu a solicitação da fiscalização;  2.  Da ausência de responsabilidade das pessoas citadas no Relatório  de  Vínculo.  A  responsabilidade  seja  ela  solidária  ou  subsidiária,  imputada aos  sócios  só ocorrem  em alguns  casos  restritos,  previstos  nos arts. 134 e 135, ambos do Código Tributário Nacional. Salienta,  que  no  presente  caso,  quando  se  analisa  a  possibilidade  de  se  enquadrar os  sócios  como  responsáveis  tributários deve­se observar,  Fl. 124DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     4  atentamente,  a  hipótese  remetida  no  inciso VII  do  art.134  do CTN.  Portanto,  os  sócios da  sociedade de pessoas,  se  responsabilizam nos  atos  que  intervierem  ou  se  omitirem,  o  que  não  ficou  demonstrado,  gerando uma insubsistência na infração. Quando se analisa o caput do  artigo 135 do Código Tributário Nacional, percebe­se que o referido  dispositivo  legal  remete­se em casos em que há atos praticados com  excesso de poderes ou infrações de lei, contrato social ou estatutos;  3.  DO PEDIDO.  Diante  do  exposto,  requer  seja  recebida  e  provida  a  presente  impugnação,  com  reconhecimento  da  nulidade  do  auto.  Requer, ainda, a exclusão de quaisquer responsabilidade dos sócios e  contadores  elencados  no  relatório  de  vínculos.  Por  fim,  solicita  que  todas as publicações sejam realizadas em nome de Alvaro Trevisioli,  inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, Secção São Paulo, sob o  n° 108.491, com escritório na Avenida Paulista n° 352, conjunto 55,  Bairro Bela Vista, na Capital do Estado de São Paulo, Cep: 01310905.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  em  São  Paulo/SP1  –  por  meio  do  Acórdão  16­36.161  da  14a  Turma  da  DRJ/SP1  (fls.  88/95)  –  considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno  embasamento  legal  e  observância  às  normas  vigentes,  não  tendo  a  Defendente  apresentado  elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura.  A  Notificada  apresentou  recurso,  manifestando  seu  inconformismo  pela  obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as  alegações da peça de impugnação.  A Delegacia da Receita Federal  do Brasil  (DRF) em São Paulo/SP  informa  que  o  recurso  interposto  é  tempestivo  e  encaminha  os  autos  ao Conselho Administrativo  de  Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento.  É o relatório.  Fl. 125DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.002039/2010­70  Acórdão n.º 2402­003.775  S2­C4T2  Fl. 4          5   Voto             Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator  Recurso  tempestivo.  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade,  conheço  do recurso interposto.  A  Recorrente  manifesta  inconformismo  a  respeito  do  relatório  dos  corresponsáveis, pois entende que estaria sendo imputada responsabilidade aos sócios da  empresa.  Quanto à essa alegação da indevida responsabilização dos sócios (diretores),  cabe  esclarecer  que  os  corresponsáveis  mencionados  pela  fiscalização  não  figuram  no  polo  passivo do presente lançamento fiscal.  A relação de corresponsáveis anexada pela fiscalização tem como finalidades  identificar  as  pessoas  que  poderiam  ser  responsabilizadas  na  esfera  judicial,  caso  fosse  constatada  a  prática  de  atos  com  infração  de  leis  ou  estatuto,  conforme  determina  o Código  Tributário Nacional e permitir que se cumpra o estabelecido no art. 2º,  inciso  I, § 5º, da Lei  6.830/1980, que dispõe:  Art.  2º.  Constitui  Dívida  Ativa  da  Fazenda  Pública  aquela  definida como tributária ou não­tributária na Lei nº 4.320, de 17  de  março  de  1964,  com  as  alterações  posteriores,  que  estatui  normas gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle  dos  orçamentos  e  balanços  da  União,  dos  Estados,  dos  Municípios e do Distrito Federal.  (...)  § 5º O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter:  I  ­  o  nome  do  devedor,  dos  co­responsáveis  e  sempre  que  conhecido, o domicílio ou residência de um e de outros (g.n.);  Além  disso,  verifica­se  que  o  artigo  79,  inciso  VII,  da  Lei  11.941/2009  revogou  o  artigo  13  da  Lei  8.620/1993.  Com  isso,  após  essa  revogação  do  artigo  13,  o  denominado  “Relatório  de Representantes  Legais  ­  REPLEG”  (fls.  87/88),  acompanhado  do  Relatório  de Vínculos,  não  pode mais  ostentar  em  seu  título  qualquer  expressão  que  venha  mesma  a  apenas  insinuar  uma  corresponsabilidade  das  pessoas  nela  relacionadas.  Segue  transcrição:  Lei 8.620/1993:  Art.  13. O  titular da  firma  individual e os  sócios das  empresas  por  cotas  de  responsabilidade  limitada  respondem  solidariamente,  com  seus  bens  pessoais,  pelos  débitos  junto  à  seguridade social.  Fl. 126DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     6  Parágrafo  único.  Os  acionistas  controladores,  os  administradores,  os  gerentes  e  os  diretores  respondem  solidariamente  e  subsidiariamente,  com  seus  bens  pessoais,  quanto  ao  inadimplemento  das  obrigações  para  com  a  seguridade social, por dolo ou culpa.  A relação de “Representantes Legais ­ REPLEG” apenas identifica os sócios  e  diretores  da  empresa  e  respectivo  período  de  gestão  sem,  por  si  só,  atribuir­lhes  responsabilidade  solidária  ou  subsidiária  pelo  crédito  constituído.  Não  é  conseqüência  do  aludido documento que os referidos representantes legais passem a constar no polo passivo da  obrigação tributária.  O  Relatório  “REPLEG”  serve  apenas  como  subsídio  à  Procuradoria  da  Fazenda Nacional (PFN), caso haja necessidade de execução judicial do crédito previdenciário,  e sendo verificada a ocorrência das hipóteses legais para a responsabilização tributária prevista  no Código Tributário Nacional (CTN). Assim, tem­se que a indicação dos representantes legais  é  mero  subsídio  para,  se  necessário  e  cabível,  o  crédito  previdenciário  ser  exigido  dos  administradores exclusiva, solidária ou subsidiariamente com o contribuinte.  No  entanto,  nem  por  isso  os  representantes  legais  não  devam  constar  em  relação preparada pelo Fisco. É da analise dos contratos sociais e estatuto que são identificados  os sócios e diretores da empresa, dessa relação a PFN poderá indicar eventuais corresponsáveis  pelo crédito, conforme dispõe em especial o artigo 135 da Lei 5.172/1966 (Código Tributário  Nacional ­ CTN):  Art.  135.  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados com excesso de poderes ou  infração de  lei,  contrato  social ou estatutos:  I ­ as pessoas referidas no artigo anterior;  II ­ os mandatários, prepostos e empregados;  III ­ os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas  de direito privado.  Portanto,  não  acato  essa  preliminar,  eis  que  a  finalidade  do  “Relatório  de  Representantes Legais ­ REPLEG” é apenas identificar os sócios e diretores da empresa, com  seu respectivo período de gestão.  Com  relação  ao  procedimento  utilizado  pela  auditoria  fiscal,  a  Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente.  Tal alegação é infundada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência,  ensejando  o  lançamento  de  ofício  em  decorrência  da  Recorrente  ter  incorrido  no  descumprimento de obrigação tributária acessória.  Verifica­se  que  a  Recorrente,  para  as  competências  01/2005  a  12/2005,  deixou  de  apresentar  à  auditoria  fiscal  os  esclarecimentos  e  informações  no  tocante  aos  seguintes documentos:  1.  documentos/recibos,  lançados  em  seus  Livros  Diários  referentes  a  pagamentos  a  contribuintes  individuais  (cooperados),  solicitados  através do Termos de Intimação e Reintimação para Apresentação de  Fl. 127DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.002039/2010­70  Acórdão n.º 2402­003.775  S2­C4T2  Fl. 5          7 Documentos de 12/03/10, 24/03/10, 16/04/10, 12/05/2010 e 14/06/10;  e  2.  a  relação  individualizada  dos  segurados  (Nome,  CPF,  PIS,  Valor  pago,  Valor  retido  do  INSS),conforme  pedido  feito  em  27/05/10  e  14/06/10.  Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso III, da  Lei 8.212/1991, que dispõe:  Art. 32 A empresa é também obrigada a:  (...)  III ­ prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as  informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse,  na  forma  por  ela  estabelecida,  bem  como  os  esclarecimentos  necessários à fiscalização; (Redação dada pela Lei n°11.941, de  2009) (g.n.)  Por  sua  vez,  o  Regulamento  da  Previdência  Social  (RPS),  aprovado  pelo  Decreto 3.048/1999 – diploma que regulamentou a lei orgânica da Seguridade Social –, dispôs:  Das Obrigações Acessórias  Art. 225. A empresa é também obrigada a:  (...)  III  ­  prestar  ao  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  e  à  Secretaria da Receita Federal  todas as  informações cadastrais,  financeiras  e  contábeis  de  interesse  dos mesmos,  na  forma por  eles  estabelecida,  bem  como  os  esclarecimentos  necessários  à.fiscalização;  (...)  § 22 A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico  de dados para o  registro de negócios  e atividades  econômicas,  escrituração de  livros  ou produção de  documentos de  natureza  contábil,  fiscal,  trabalhista  e  previdenciária  é  obrigada  a  arquivar  e  conservar,  devidamente  certificados,  os  respectivos  sistemas  e  arquivos,  em  meio  digital  ou  assemelhado,  durante  dez anos, à disposição da fiscalização. (Incluído pelo Decreto n°  4.729, de 2003)  Nos  termos do  arcabouço  jurídico­previdenciário  acima delineado, percebe­ se,  então,  que  a  Recorrente  estava  obrigada  a  apresentar  os  esclarecimentos  e  informações  necessários ao procedimento de auditoria fiscal – solicitados por força do art. 32, inciso III, da  Lei 8.212/1991 –,  visando comprovar  a  fidedignidade da  escrituração contábil  e de  todos os  outros documentos fornecidos pela Recorrente ao Fisco.  Da  mesma  forma,  engana­se  a  Recorrente  ao  alegar  a  não  observação  ao  princípio da tipicidade, uma vez que a Lei 8.212/1991 delimita o valor, prevê sua atualização e  remete ao regulamento a fixação do mesmo:  Fl. 128DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     8  Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual  não  haja  penalidade  expressamente  cominada  sujeita  o  responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável  de CrS 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a CrS 10.000.000,00 (dez  milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento.  (...)  Art.  102.  Os  valores  expressos  em  moeda  corrente  nesta  Lei  serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices  utilizados  para  o  reajustamento  dos  benefícios  de  prestação  continuada da Previdência Social.  Nesse sentido, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto  3.048/1999, determina:  Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e  8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a  qual  não  haja  penalidade  expressamente  cominada  neste  Regulamento,  fica o  responsável  sujeito a multa variável de RS  636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$  63.617,35  (sessenta  e  três  mil,  seiscentos  e  dezessete  reais  e  trinta  e  cinco  centavos),  conforme  a  gravidade  da  infração,  aplicando­se­lhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com  os  seguintes valores:  (Redação dada pelo Decreto n° 4.862, de  2003)  I  ­  a  partir  de  R$  636,17  (seiscentos  e  trinta  e  seis  reais  e  dezessete centavos) nas seguintes infrações:  a)  deixar  a  empresa  de  preparar  folha  de  pagamento  das  remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados  a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais  padrões  e  normas  estabelecidos  pelo  Instituto  Nacional  do  Seguro Social;  (...)  Art.  373.  Os  valores  expressos  em  moeda  corrente,  referidos  neste  Regulamento,  exceto  aqueles  referidos  no  art.  288,  são  reajustados  nas  mesmas  épocas  e  com  os  mesmos  índices  utilizados  para  o  reajustamento  dos  benefícios  de  prestação  continuada da previdência.  Posteriormente  –  conforme  dispôs  a  Lei  8.212/1991,  artigos  92  e  102,  e  o  Regulamento  da  Previdência  Social  (RPS),  artigos  283  e  373,  todos  susomencionados  –  a  Portaria  MPS/MF  n°  333,  publicada  em  29/06/2010,  reajustou  o  valor  da  multa  para  R$14.317,78, (quatorze mil, trezentos e dezessete reais e setenta e oito centavos).  Portanto,  o  procedimento  utilizado  pela  auditoria  fiscal  para  a  aplicação  da  multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de  infração.  Ademais,  não  verificamos  a  existência  de  qualquer  fato  novo  que  possa  ensejar  a  revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente.  Por  fim,  pela  apreciação  do  processo  e  das  alegações  da  Recorrente,  não  encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão  de  primeira  instância,  eis  que  o  lançamento  fiscal  e  a  decisão  encontram­se  revestidos  das  Fl. 129DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.002039/2010­70  Acórdão n.º 2402­003.775  S2­C4T2  Fl. 6          9 formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídico­tributário vigente  à época da sua lavratura.  CONCLUSÃO:  Voto no  sentido de CONHECER  do  recurso,  rejeitar  as preliminares  e,  no  mérito, NEGAR­LHE PROVIMENTO, nos termos do voto.    Ronaldo de Lima Macedo.                              Fl. 130DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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Numero do processo: 15586.720591/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. RECURSO REPETITIVO DO STJ. Nos termos do art. 170A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido, nos termos do REsp 1.167.039DF, cuja decisão foi proferida na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil. DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543B E 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.744
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. RECURSO REPETITIVO DO STJ. Nos termos do art. 170A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido, nos termos do REsp 1.167.039DF, cuja decisão foi proferida na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil. DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543B E 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais Recurso Voluntário Negado

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2324; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T2  Fl. 2          1 1  S2­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15586.720591/2012­11  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2302­002.744  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de setembro de 2013  Matéria  Glosa Compensação  Recorrente  MUNICÍPIO DA SERRA ­ PREFEITURA MUNICIPAL  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008  CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.  GLOSA.  É  vedada  a  compensação  de  contribuições  previdenciárias  se  ausentes  os  atributos  de  liquidez  e  certeza  do  crédito  compensado.  A  compensação  de  contribuições  previdenciárias  com créditos  não materialmente  comprovados  será  objeto  de  glosa  e  consequente  lançamento  tributário,  revertendo  ao  sujeito passivo o ônus da prova em contrário  COMPENSAÇÃO.  AÇÃO  JUDICIAL.  AUSÊNCIA  DE  TRÂNSITO  EM  JULGADO.  INCONSTITUCIONALIDADE DO  TRIBUTO RECOLHIDO.  RECURSO REPETITIVO DO STJ.  Nos  termos  do  art.  170A  do  CTN,  "é  vedada  a  compensação  mediante  o  aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo,  antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se  aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo  indevidamente recolhido, nos termos do REsp 1.167.039DF, cuja decisão foi  proferida na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil.  DECISÕES  DEFINITIVAS  DO  STF  E  STJ.  SISTEMÁTICA  PREVISTA  PELOS ARTIGOS 543B E 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.  Nos  termos  do  art.  62A  do  Regimento  Interno  do  CARF,  as  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos  543B  e  543C  do  Código  de  Processo  Civil  (Lei  nº  5.869/73),  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF.  REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 05 91 /2 01 2- 11 Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI     2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes  a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais  Recurso Voluntário Negado      Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da  Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em  negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.    Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente     Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Liege  Lacroix  Thomasi  (Presidente),  Arlindo  da  Costa  e  Silva,  André  Luís  Mársico  Lombardi,  Juliana  Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.  Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.720591/2012­11  Acórdão n.º 2302­002.744  S2­C3T2  Fl. 3          3   Relatório  O presente Auto de Infração de Obrigação Principal lavrado e cientificado ao  sujeito passivo em 05/07/2012, refere­se à glosa de compensação efetuada nas competências de  01/2008 a 12/2008   O relatório fiscal de fls. 11/33, diz que a autuada promoveu compensações de  contribuições previdenciárias  relativas a valores  recolhidos  indevidamente sobre os  subsídios  dos  agentes  políticos  durante  o  período  compreendido  entre  01/1998  a  08/2004.Aduz  que  o  Município  ajuizou  ação  2007.50.01.011.845­9,  em  21/09/2007,  para  compensar  os  recolhimentos indevidos dos agentes políticos entre 1998 e 2004, que está em sede de Recurso  Especial  no  STF.  Que  também  ajuizou  outra  ação  2010.50.01.005979­0,  para  se  eximir  do  recolhimento das contribuições previdenciárias  incidentes sobre 1/3 férias, auxílio  transporte,  função  comissionada,  diárias  menores  que  50%,  licença  prêmio  em  pecúnia  e  os  primeiros  quinze dias de salário­doença.Esta ação também está em andamento e não faz parte do presente  auto de infração.  O  relatório  diz,  ainda,  que  a  glosa  foi  efetuada  porque  a  autuada  não  comprovou documentalmente o seu direito à compensação, não foram cumpridos os requisitos  da  Instrução  Normativa  n.º  15/2006  para  se  implementar  a  compensação  e  não  há  decisão  definitiva para que se possa proceder a compensação.  Sobre os valores indevidamente compensados foi aplicada a multa de 0,33%  ao dia, limitado ao percentual de 20%.  Após a impugnação, Acórdão de fls. 1300/1320, pugnou pela procedência da  autuação.  Inconformado,  o  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário,  onde  alega  em  apertada síntese:  a)  que juntou documentos para provar a compensação, mas  há  diferenças  entre  os  valores  que  apresenta  e  aqueles  apurados pelo Fisco, o que deve ser decidido através de  perícia;  b)  que  os  débitos  mesmo  já  liquidados  devem  ser  subtraídos do presente levantamento;  c)  que  as  matérias  discutidas,  cujos  recolhimentos  são  indevidos  já  foram  exaustivamente  tratadas  pelos  tribunais,  não  havendo  dúvida  quanto  a  não  incidência  da contribuição previdenciária;  d)  que ação judicial autorizou a compensação de 01/2008 a  11/2009, não havendo que se falar em glosa;  Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI     4 e)  que  o  Fisco  está  agindo  com  abuso  de  poder,  pois  deveria conferir os dados constantes de seus sistemas, a  exigir documentos da recorrente;  f)  que  não  cabe,  neste  caso,  a  Representação  Fiscal  para  Fins Penais;  g)  que  é  necessária  perícia  porque  pagou  dois  autos  de  infração e isto não foi considerado, sendo mister que os  valores sejam apurados por meio de prova pericial, para  o que nomeia seu perito e propõe quesitos.  Por fim, diz que possui direito a compensar reconhecido em ação judicial e a  autuação  não  logrou  demonstrar  a  ausência  de  recolhimentos  e  a  compensação  indevida,  requerendo assim, o efeito suspensivo do recurso e a revisão do julgamento para deferir a prova  pericial e que seja julgada improcedente a autuação e cancelado o auto de infração.  É o relatório.  Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.720591/2012­11  Acórdão n.º 2302­002.744  S2­C3T2  Fl. 4          5   Voto             Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora  O  recurso  cumpriu  com  o  requisito  de  admissibilidade,  frente  à  tempestividade, motivo pelo qual o conheço e passo ao seu exame.  Da Preliminar  A  recorrente  requer  o  efeito  suspensivo  do  recurso,  e  com  efeito,  em  obediência  ao  artigo  151,  inciso  III,  do  Código  Tributário  Nacional  as  reclamações  e  os  recursos,  nos  termos das  leis  reguladoras do processo  tributário  administrativo,  suspendem a  exigibilidade do crédito tributário.  É oportuno esclarecer, entretanto, que não há que se confundir “suspensão da  exigibilidade  do  crédito  tributário”  com  a  impossibilidade  de  lançamento.  A  “suspensão”  refere­se tão somente a exigibilidade do crédito previdenciário por via de execução, ou seja, do  adimplemento forçado em juízo, impedindo que sejam praticados, contra o sujeito passivo, atos  de natureza constritiva, expropriatórios ou assemelhados.  Quanto  à  solicitação  de  perícia,  entendo  que  ser  prescindível  para  a  necessária  convicção  no  julgamento  do  presente  recurso,  devendo­se  aplicar  o  disposto  nas  normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis:  DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972.  Art.  18.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis,  observando  o  disposto  no  art.  28,  in  fine.  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993)  PORTARIA RFB N.º10.875/20074  Art.  11.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis, observado o disposto no art. 15.  §  1º  Considerar­se­á  não  formulado  o  pedido  de  diligência  ou  perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no  inciso  IV do art. 7º.  O  pedido  de  perícia  não  se  constitui  em  direito  subjetivo  do  autuado  e  a  recorrente  não  apresentou  a  documentação  capaz  de  provar  a  pertinência  das  compensações  efetuadas, de forma que a prova independe de conhecimento técnico e poderia ter sido trazida,  aos autos pela recorrente, que não fez durante todo o procedimento administrativo.  Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI     6 As assertivas expostas na peça recursal quanto ao dever do Fisco de examinar  os  dados  informados  em  GFIP  através  dos  seus  sistemas  informatizados  para  comprovar  a  lisura das  compensações  efetuadas  ,  são  totalmente  inócuas  e  improcedentes,  uma vez que é  dever  do  contribuinte  apresentar  e  comprovar  a  existência  de  recolhimentos  indevidos  ou  a  maior que suscitem a compensação de tais valores.  Do Mérito  Compulsando os  autos é de  se ver que  foi  efetuada glosa de compensações  efetuadas  pela  Município  frente  à  falta  de  comprovação  dos  valores  compensados  e  a  inexistência de decisão judicial definitiva que lhe assegurasse o direito à compensação.  De acordo com o relatório fiscal de fls.11/33, o contribuinte foi formalmente  intimado, durante o período da auditoria fiscal, a apresentar os documentos que comprovassem  o  seu  direito  à  compensação  de  valores  supostamente  recolhidos  a  título  de  contribuição  previdenciária  sobre  a  remuneração  de  agentes  políticos,  mas  não  fez.  Em  reiteradas  solicitações, a recorrente respondeu que não podia apresentar os documentos comprobatórios,  porque faziam parte dos processos judiciais e estavam nos tribunais.  Os Atos Administrativos  tem  a  presunção  da  veracidade  e quanto  ao  dever  legal  de  provar  a  existência  do  fato  gerador,  o  lançamento  fiscal  goza  de  presunção  de  legitimidade, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Todavia, o Fisco não atua  discricionariamente,  haja  visto  que  o  lançamento  é  precedido  de  regular  procedimento  de  fiscalização,  com  a  análise  de  documentação,  que  tem  por  finalidade  a  busca  da  verdade  material, que é um dos pilares e uma decorrência do princípio da  legalidade. Assim, o Fisco  solicitou os documentos que comprovassem o que estava sendo compensado pela autuada , mas  não  foi  atendido,  sendo  glosados  os  valores  compensados  sem  comprovação  e  sem  decisão  judicial definitiva.  Quanto  à  existência  de  ação  judicial,  me  reporto  ao  trazido  pela  decisão  recorrida que a seguir transcrevo:  Em  21/09/2007,  o  Município  da  Serra/ES,  através  do  representante da empresa URBIS, o advogado Sr. Antônio Luiz  Castelo  Fonseca,  ajuizou  ação  ordinária  na  2ª  Vara  Federal  Civil de Vitória – ES (2007.50.01.0118459) em face do Instituto  Nacional  de  Seguridade  Social  –  INSS,  objetivando  que  fosse  declarado o direito de compensar os recolhimentos  indevidos a  título  de  contribuição  previdenciária  incidente  sobre  os  subsídios  dos  detentores  de  mandatos  eletivos  municipais  no  período  compreendido  entre  1998  e  2004,  com  parcelas  vincendas da mesma exação,  sem os  limites preconizados pelas  Leis nº 9.032/95 e 9.129/95, ainda afastados os ditames da Lei  Complementar nº 118/05.  2.3. O sujeito passivo foi intimado através do Termo de Início do  Procedimento Fiscal – TIPF e do Termo de Intimação Fiscal –  TIF03  a  apresentar  cópia  da  Petição  Inicial  e  da  sentença  do  processo  judicial  referente  à  compensação  de  contribuições  previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos exercentes  de cargos eletivos. Entretanto, atendendo ao solicitado, informa  por escrito, através do ofício SEFI nº 056/2012, de 31/05/2012,  que não foi possível extrair as informações do processo judicial,  tendo em vista que o mesmo se encontra no Superior Tribunal de  Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.720591/2012­11  Acórdão n.º 2302­002.744  S2­C3T2  Fl. 5          7 Justiça,  ou  seja,  no  momento  da  ação  fiscal  a  prefeitura  não  apresentou nem a petição inicial e nem a sentença.  2.4. A síntese da  sentença publicada em 16/04/2008,  verificada  através  da  apelação/reexame  necessário,  no  Tribunal  Regional  Federal  da  2ª  Região  foi  que  o  juízo  julgou  procedentes  os  pedidos  contidos  na  inicial,  reconhecendo  o  direito  do  autor  à  compensação das quantias recolhidas indevidamente, a título de  contribuição previdenciária incidente sobre subsídios percebidos  por  detentores  de  mandato  eletivo,  tão  somente  no  período  de  01/98  a  08/04,  devidamente  atualizadas,  nos  moldes  demonstrados no corpo da sentença.  2.5.  Na  referida  sentença,  o  juízo  afastou  expressamente  a  exigência do artigo 170A da Lei 5.172/66, CTN, sendo viável a  compensação antes do trânsito em julgado, mas apenas a partir  do momento em que não subsistirem recursos dotados de efeito  suspensivo.  Afastou  as  limitações  percentuais  das  Leis  nº  9.032/95  e  9.129/95.  Salientou,  por  fim,  que  esta  sentença  não  representa  qualquer  homologação  de  cálculos,  sendo  certo  que  a  autoridade  fiscal  competente  conserva  o  poder/dever  de  fiscalizar  a  regularidade  da  compensação,  inclusive  o  seu  quantum.  2.6.  Inconformada,  a  União  Federal  apelou,  alegando  que  a  referida sentença deveria ser reformada in totum reconhecendo­ se a ausência do  interesse processual do autor; para acolher a  aplicabilidade  do  prazo  prescricional  de  5  anos;  que  seja  determinada  a  limitação  da  compensação  aos  moldes  preconizados pelas Leis nº 9.032/95 e 9.129/95, somente após o  trânsito em julgado, conforme o art. 107A do CTN, tendo sido a  referida apelação recebida nos efeitos devolutivo e suspensivo.  2.7.  No  entanto,  através  do  acórdão  emanado  da  Colenda  Terceira Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da  2ª  Região,  foi  dado  parcial  provimento  à  apelação  da  União  Federal/Fazenda Nacional, reformando a sentença no que tange  a  aplicação do  prazo  prescricional,  já  que  o  juízo  na  sentença  considerou como sendo decenal o prazo da prescrição, quando o  certo  seria o prazo qüinqüenal,  reconhecendo a prescrição das  parcelas  anteriores  a  21  de  setembro  de  2002,  uma  vez  que  a  ação foi ajuizada em 21/09/07, na vigência da Lei Complementar  nº 118/05, razão pela qual é aplicável a prescrição qüinqüenal,  mantidos os demais termos.  2.8. O Município interpôs Recurso Especial sob o nº 1.201.835 –  ES (2010/01192742) contra o Acórdão do TRF2.  O  relator,  Ministro  César  Asfor  Rocha,  em  24/05/2011,  deu  provimento ao REsp para restabelecer a sentença, com relação  ao prazo para repetição do indébito, que é de 10 anos a contar  do fato gerador.  Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI     8 2.9. O Processo encontra­se sem decisão definitiva no Supremo  Tribunal Federal.  Pelo exposto, restou demonstrado que o contribuinte ingressou com uma ação  ordinária nº 2007.50.01.0118459, que tramitou perante a 2ª Vara Federal Cível de Vitória/ES  pleiteando a  restituição dos valores  indevidamente recolhidos com esteio no art. 12,  inciso  I,  alínea 'h', da Lei nº 8.212/91.  Julgado procedente o pedido em 1º grau, a sentença foi submetida através da  apelação/reexame  necessário,  ao  Tribunal  Regional  Federal  da  2ª  Região  e  confirmada.  A  União  Federal  recorreu  e  acórdão  emanado  da  Colenda  Terceira  Turma  Especializada  do  Tribunal  Regional  Federal  da  2ª  Região,  deu  parcial  provimento  à  apelação  da  União  Federal/Fazenda  Nacional,  reformando  a  sentença  no  que  tange  a  aplicação  do  prazo  prescricional, já que o juízo na sentença considerou como sendo decenal o prazo da prescrição,  quando o certo seria o prazo qüinqüenal, reconhecendo a prescrição das parcelas anteriores a  21  de  setembro  de  2002,  uma  vez  que  a  ação  foi  ajuizada  em  21/09/07,  na  vigência  da  Lei  Complementar  nº  118/05,  razão  pela  qual  é  aplicável  a  prescrição  qüinqüenal,  mantidos  os  demais  termos.  O  Município  interpôs  Recurso  Especial  sob  o  nº  1.201.835  –  ES  (2010/01192742)  contra  o  Acórdão  do  TRF2.  O  relator,  Ministro  César  Asfor  Rocha,  em  24/05/2011, deu provimento ao REsp para restabelecer a sentença, com relação ao prazo para  repetição  do  indébito,  que  é  de  10  anos  a  contar  do  fato  gerador.  E  atualmente  o  processo  encontra­se sem decisão definitiva no Supremo Tribunal Federal. Ou seja, a decisão ainda não  transitou em julgado.  Portanto, ainda que a recorrente tivesse efetivamente comprovado através da  apresentação de documentos hábeis os valores compensáveis, a glosa efetuada seria  legítima,  tendo  em  vista  o  comando  contido  no  artigo  170A  do  CTN,  que  veda  "a  compensação  mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes  do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial".  A  vedação  também  aplica­se  às  hipóteses  de  reconhecida  inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido, nos termos do REsp 1.167.039/DF,  cuja decisão foi proferida na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil:  TRIBUTÁRIO.  COMPENSAÇÃO.  ART.  170A  DO  CTN.  REQUISITO  DO  TRÂNSITO  EM  JULGADO.  APLICABILIDADE  A  HIPÓTESES  DE  INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO.  1. Nos  termos do art. 170A do CTN, "é vedada a compensação  mediante  o  aproveitamento  de  tributo,  objeto  de  contestação  judicial  pelo  sujeito  passivo,  antes  do  trânsito  em  julgado  da  respectiva decisão  judicial", vedação que se aplica  inclusive às  hipóteses  de  reconhecida  inconstitucionalidade  do  tributo  indevidamente recolhido.  2. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art.  543C do CPC e da Resolução STJ 08/08.  (REsp 1.167.039/DF, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI,  PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010)  Conforme o art. 62A do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009),  as  decisões  definitivas  de mérito,  proferidas  pelo Supremo Tribunal  Federal  e  pelo Superior  Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e  Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.720591/2012­11  Acórdão n.º 2302­002.744  S2­C3T2  Fl. 6          9 543C  do  Código  de  Processo  Civil  (Lei  nº  5.869/73),  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF:  Art. 62A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria  infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e  543C  da  Lei  nº  5.869,  de  11  de  janeiro  de  1973,  Código  de  Processo Civil, deverão ser  reproduzidas pelos conselheiros no  julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  Por derradeiro, quanto à representação fiscal para fins penais, o auditor fiscal,  em  virtude  de  exercer  atividade  vinculada,  sem  poder  discricionário,  deve  formalizar  tal  documento, na mesma data da  lavratura do  auto de  infração, quando no curso da ação  fiscal  apurar fatos que, em tese, constituem crime de sonegação previdenciária, conforme artigo 337  A, incisos I,II e III do Código Penal aprovado pelo Decreto­lei n.º 2.848, de 07/12/1940, com  as alterações introduzidas pela Lei n.º 9.983, de 14/07/2000.  A disposição para o encaminhamento ao Ministério Público da representação  fiscal para fins penais está disciplinada pelo artigo 83, da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de  1996:  Art.  83.  A  representação  fiscal  para  fins  penais  relativa  aos  crimes  contra  a ordem  tributária  previstos  nos  arts.  1º  e  2º  da  Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e aos crimes contra a  Previdência  Social,  previstos  nos  arts.  168­A  e  337­A  do  Decreto­Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal),  será  encaminhada ao Ministério Público  depois  de  proferida  a  decisão  final, na esfera administrativa,  sobre a exigência  fiscal  do crédito tributário correspondente. (Redação dada pela Lei nº  12.350, de 20 de dezembro de 2010)  Ademais, não cabe a este Colegiado apreciar a matéria em função da Súmula  n.º 28, do CARF:  “O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  controvérsias  referentes  a  Processo  Administrativo  de  Representação Fiscal para Fins Penais’.  Por todo o exposto,  Voto por negar provimento ao recurso.    Liege Lacroix Thomasi ­ Relatora               Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI     10                 Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI

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Numero do processo: 10680.723026/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado.
Numero da decisão: 2301-003.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira - Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator Presentes à sessão de julgamento os conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.723026/2010­51  Acórdão n.º 2301­003.443  S2­C3T1  Fl. 3          2 Relatório    Trata­  se de Auto  de  Infração  de Descumprimento  de Obrigação Acessória  lavrado em face de MIP ENGENHARIA S/A, por ter a empresa infringido o art. 30, I, “a”, da  Lei nº 8.212/1911, combinado com o art. 216. I, “a” do Regulamento da Previdência Social –  RPS,  aprovado  pelo  Decreto  3.048/1999,  ao  deixar  de  arrecadar,  mediante  desconto  nas  devidas  remunerações,  as  contribuições  dos  segurados  referentes  a  fatos  geradores  de  contribuição previdenciária, conforme se infere do Relatório Fiscal.     Segundo informa o Relatório Fiscal, foram apurados como fatos geradores da  contribuição previdenciária:     (a) abono de gratificação de férias, relativo à cláusula de convenção coletiva  que  prevê  prêmio  por  assiduidade  que  não  se  enquadra  em  nenhuma  das  hipóteses  de  não  incidência previstas o §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991;  (b)  abono  indenizado,  relativo  a  valores  fixos  pagos  aos  segurados  empregados, cuja natureza não foi comprovada à  fiscalização,  tampouco a sua desvinculação  expressa do salário, nos termos da alínea j do inciso V do §9º do art. 240 do Regulamento da  Previdência Social (Decreto 3.048/99);  (c) despesas com assistência médica, hospitalar e odontológica, posto que não  estendidas a todos os segurados;   (d) previdência privada não oferecida a todos empregados e dirigentes e;  (e)  aluguel  residencial  em  localidade  diversa  do  local  da  obra  que  não  se  enquadra na hipótese de não incidência da alínea m do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991.    Em decorrência da autuação em epígrafe, foi aplicada à Recorrente multa no  montante  de  R$  2.863,58  (dois  mil  oitocentos  e  sessenta  e  três  reais  e  cinquenta  e  oito  centavos),  com  fulcro  no  art.  92  e  102  da Lei  nº  8.212/1991  e  art.  283,  I,  “g”  e  art.373  do  Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999.    Ademais, foi lavrado auto de infração em procedimento fiscal anterior, o AI  nº  35.410.436­5,  pelas  mesmas  razões  da  autuação  em  epígrafe.  Destarte,  configura­se  a  ocorrência da circunstancia agravante do art. 290, V do RPS, qual seja, reincidência genérica  com  relação  à  infração  específica,  tendo  sido  o  valor  mínimo  da  multa  multiplicado  por  2  (dois), nos termos do art. 292, IV do RPS.     Cientificado da autuação, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva.  Ato  contínuo,  foi  mantido  o  lançamento  pelo  acórdão  proferido  pela  Delegacia  da  Receita  Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), cuja ementa assim dispôs:    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006    DEIXAR  A  EMPRESA  DE  ARRECADAR,  MEDIANTE  DESCONTO  DAS  REMUNERAÇÕES,  AS  CONTRIBUIÇÕES  DOS  SEGURADOS  A  SEU  SERVIÇO.  Fl. 150DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.723026/2010­51  Acórdão n.º 2301­003.443  S2­C3T1  Fl. 4          3 Constitui  infração  à  legislação  previdenciária  a  empresa  não  arrecadar,  mediante  desconto  nas  remunerações,  as  contribuições  devidas  pelos  segurados que lhe prestaram serviços.     Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido    Insatisfeita, interpôs Recurso Voluntário, sob exame, cujas razões podem ser  resumidas às seguintes:    1)  A autuação é nula por carecer de indicação precisa de seus fundamentos,  limitando­se  a  adotar  entendimento  genérico,  o  que  restringiu  o  exercício  amplo e eficaz da defesa e do contraditório.     2)  No que diz  respeito ao abono de férias,  incide a excludente prevista na  alínea e §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, uma vez que é pago nos moldes  do art. 144 da CLT, não fazendo parte da composição da remuneração pelo  trabalho,  pelo  que  não  configura  base  de  cálculo  de  contribuição  previdenciária.      3)  Em  relação  ao  abono  indenizado,  este  não  era pago  de  forma habitual,  tratando­se  de  indenização  eventual  a  título  de  ajuda  de  custo  para  o  deslocamento para outros municípios quando dos descansos remunerados, o  que  exclui  a  exigência  da  contribuição  previdenciária,  pois  não  decorre  da  retribuição pelo trabalho. No intuito de comprovar tal afirmação, requereu a  produção de prova testemunhal, nos termos do art. 2º da Lei nº 9.784/1999,  pedido este que restou indeferido pela fiscalização.    4)  Sobre  as  despesas  com  assistência  médica,  hospitalar  e  odontológica,  alegou  a  Recorrente  que,  visto  que  a  empresa  pratica  suas  atividades  em  lugares remotos, em que não há cobertura de plano de saúde (que é oferecido  a todos os empregados), realizou convênio com clínicas médicas localizadas  nas proximidades de suas obras. Desse modo, era suprida a ausência de plano  de  saúde,  tornando  abrangente  a  todos  os  colaboradores  o  auxílio  para  despesas com a saúde. Por essa  razão, é  incabível a autuação  também neste  ponto.    5)  No  que  tange  ao  plano  de  previdência  privada,  a  Recorrente  o  disponibiliza  sim,  a  todos  os  empregados  e  dirigentes.  A  legislação  não  estabelece  restrições  à  condição  de  adesão,  determina  apenas  que  o  plano  deve estar disponível a todos os funcionários, o que de fato ocorre.     6)  Por  fim, quanto  ao  aluguel,  afirmou  incidir  o disposto no  art.  28,  § 9º,  “m” da Lei nº 8.212/1991, combinado com o art. 214, § 9º, XII do Decreto  3.048/1999,  por  tratar­se  de  ajuda  de  custo  para  habitação,  uma  vez  que  o  trabalho  se  dá  em  local  distante  da  residência  dos  empregados,  que  permanecem em alojamentos próximos aos locais das obras.    Fl. 151DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.723026/2010­51  Acórdão n.º 2301­003.443  S2­C3T1  Fl. 5          4 7)  Uma  vez  procedente  o  recurso  relativo  às  obrigações  principais,  não  persistirá a autuação quanto à infração à obrigação acessória.    8)  A aplicação da multa em questão configura bis in idem, uma vez que já  foi aplicada multa pelo não recolhimento dos tributos.    9)  A  reincidência  deve  ser  afastada,  uma vez  que o  primeiro  fato  ocorreu  em  2002,  portanto,  mais  de  cinco  anos  antes  da  autuação,  que  se  deu  em  2010.    Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por  meio de Recurso Voluntário.    Sem contrarrazões.    É o relatório.    Voto             Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator    Preclusão sobre matérias não impugnadas    A  penalidade  decorrente  do  Auto  de  Infração  recorrido  foi  aplicada  em  conseqüência  da  Recorrente  ter  deixado  de  arrecadar,  mediante  desconto  nas  devidas  remunerações,  as  contribuições  dos  segurados  referentes  a  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária    Da leitura das razões recursais em apreço, verifica­se que a Recorrente sequer  se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposta, já que em nenhum momento nega que  deixou  de  lançar  em  sua  contabilidade  as  informações  especificadas  no Relatório  Fiscal,  ou  seja, apresentou uma defesa genérica, baseada no fato de que os valores não configuram fato  gerador de contribuição previdenciária, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário  do afirmado pela fiscalização.    Pois  bem.  A  despeito  de  tal  discussão,  imperioso  trazer  a  baila  o  que  preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis:    Art. 9º A impugnação mencionará:   (...)  § 6º Considerar­se­á não  impugnada a matéria que não  tenha sido expressamente  contestada.     Desta  feita,  conclui­se,  do  acima  exposto,  que  se  reputa  não  impugnada  a  matéria  relacionada  ao  lançamento  que  não  tenha  sido  expressamente  contestada  pelo  impugnante,  o  que  impede  o  pronunciamento  do  julgador  administrativo  em  relação  ao  Fl. 152DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.723026/2010­51  Acórdão n.º 2301­003.443  S2­C3T1  Fl. 6          5 conteúdo  do  feito  fiscal  com  esta  matéria  relacionado,  restando,  pois,  definitivamente  constituído o lançamento na parte em que não foi contestado.    Nota­se, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve  insurgência da Recorrente quanto à pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de  tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis:     “Entende­se que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como  se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora  de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e  de  forma  correta:  se  não  o  fizer,  possivelmente  este  comportamento  poderá  acarretar  conseqüências  danosas  para  ela.  (...)  a  preclusão  decorre  do  não­ atendimento  de  um  ônus,  com  a  prática  de  ato­fato  caducificante  ou  ato  jurídico  impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito.    Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa,  que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver  ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a  questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente.    Ainda, não há que se falar na ocorrência de bis in idem, uma vez que a multa  ora  aplicada  a  titulo  de  penalidade  por  descumprimento  de  obrigação  acessória  em  nada  se  confunde  com  a  multa  decorrente  do  não  recolhimento  dos  tributos.  Ambas  decorrem  de  condutas  diversas,  às  quais  devem  ser  especificamente  cominadas  as  penalidades  cabíveis.  Irretocável, pois, o Acórdão recorrido.    Por  fim,  não merece  prosperar  o  argumento  de  que  a  reincidência deve  ser  afastada em decorrência de  ter decorrido  lapso  temporal  superior  a  cinco anos  entre  as duas  infrações, posto que a autuação em vergaste diz respeito a fatos geradores ocorridos em 2006, e  não em 2010 como quer fazer parecer a Recorrente.    O parágrafo único do art. 290 do RPS, invocado pela Recorrente, dispõe que  caracteriza reincidência a prática de nova infração, e não a constatação de sua ocorrência pelo  Fisco, pelo que deve ser mantida a circunstância agravante.    Da Conclusão    Ante ao exposto, conheço e NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário  do contribuinte.    É como voto.  Sala das Sessões, em 16 de abril de 2013  Leonardo Henrique Pires Lopes                Fl. 153DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.723026/2010­51  Acórdão n.º 2301­003.443  S2­C3T1  Fl. 7          6                 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 3/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por MAURO JOSE SILV A, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA

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Numero do processo: 11080.732621/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO - COOPERATIVA DE TRABALHO - RAT - TERCEIROS - 1/3 CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS - CONVERSÃO DE REPOUSO EM TRABALHO - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. COOPERATIVA DE TRABALHO A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, é de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Foi identificado pelo auditor fiscal o registro contábil de pagamento de faturas a cooperativas de trabalho, no caso a UNIMED, surgindo, neste caso, o fato gerador da contribuição sobre a contratação de cooperativas. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - RAT - TERCEIROS - 1/3 CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS - CONVERSÃO DE REPOUSO EM TRABALHO Para o empregado o salário de contribuição é: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.
Numero da decisão: 2401-003.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim, que votou por acolher a compensação referente ao adicional de férias (1/3 constitucional). Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim, que votou por acolher a compensação referente ao adicional de férias (1/3 constitucional). Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2327; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 2          1 1  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11080.732621/2011­91  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2401­003.129  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de julho de 2013  Matéria  DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES, COOPERATIVAS  Recorrente  IAB ­ ASSESSORIA TRIBUTÁRIA S/S LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008  PREVIDENCIÁRIO ­ CUSTEIO ­ AUTO DE INFRAÇÃO ­ OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL  ­  CONTRIBUIÇÃO  SOBRE  FOLHA  DE  PAGAMENTO  ­  COMPENSAÇÃO  ­  GLOSA  DOS  VALORES  COMPENSADOS  INDEVIDAMENTE. ­ LIMITE DA SENTENÇA  Correta  a  glosa dos  valores  compensados  indevidamente,  quando  realizar o  contribuinte compensação de valores sem comprovar direito líquido e certo.  PREVIDENCIÁRIO  ­  CUSTEIO  ­  NOTIFICAÇÃO  FISCAL  DE  LANÇAMENTO  DE  DÉBITO  ­  APLICAÇÃO  DE  JUROS  SELIC  ­  MULTA ­ PREVISÃO LEGAL.  Dispõe a Súmula nº 03, do 2º CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora  sobre  os  débitos  para  com  a  União  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa  referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ Selic para títulos  federais.”  O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja,  os juros e a multa legalmente previstos.  COOPERATIVA DE TRABALHO   A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade  Social,  é  de  quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de  serviços,  relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por  intermédio de cooperativas de trabalho.  Foi  identificado  pelo  auditor  fiscal  o  registro  contábil  de  pagamento  de  faturas a cooperativas de trabalho, no caso a UNIMED, surgindo, neste caso,  o fato gerador da contribuição sobre a contratação de cooperativas.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 26 21 /2 01 1- 91 Fl. 441DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA     2  INCIDÊNCIA  DE  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS  ­  RAT  ­  TERCEIROS ­ 1/3 CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS ­ CONVERSÃO DE  REPOUSO EM TRABALHO   Para  o  empregado  o  salário  de  contribuição  é:  a  remuneração  auferida  em  uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos,  devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir  o  trabalho,  qualquer  que  seja  a  sua  forma,  inclusive  as  gorjetas,  os  ganhos  habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo  à  disposição  do  empregador  ou  tomador  de  serviços  nos  termos  da  lei  ou  do  contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença  normativa.   ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008  INCONSTITUCIONALIDADE  ­  ILEGALIDADE  DE  LEI  E  CONTRIBUIÇÃO  ­  COOPERATIVA  DE  TRABALHO  ­  RAT  ­  TERCEIROS ­ 1/3 CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS ­ CONVERSÃO DE  REPOUSO  EM  TRABALHO  ­  IMPOSSIBILIDADE  DE  APRECIAÇÃO  NA ESFERA ADMINISTRATIVA  A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder  Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso.  Vencida  a  conselheira  Carolina  Wanderley  Landim,  que  votou  por  acolher a compensação referente ao adicional de férias (1/3 constitucional).    Elias Sampaio Freire ­ Presidente    Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora    Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire,  Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira,  Kleber  Ferreira  de  Araújo,  Igor  Araújo  Soares,  Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.  Fl. 442DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.732621/2011­91  Acórdão n.º 2401­003.129  S2­C4T1  Fl. 3          3   Relatório  O presente Auto de  Infração de Obrigação Principal  ­ AI,  lavrado  sob o n.  37.348.990­0, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao  custeio  da  Seguridade  Social,  parcela  a  cargo  da  empresa,  sobre  os  serviços  prestados  por  cooperativa  de  trabalho,  bem  como  a  correspondente  a  glosa  de  compensação  indevida,  no  período compreendido entre as competências 01/2007 a 12/2008.  Conforme  descrito  no  relatório  fiscal,  fl.  28  a  33,  o  AI  refere­se  ao  lançamento de valores indevidamente compensados e incorretamente informados nas Guias de  Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social  –  GFIP,  de  contribuições  incidentes  sobre  pagamentos  efetuados  em  dobro  a  segurados  empregados  em  razão  de  serviços  prestados  em  domingos  e  feriados,  sem  a  respectiva  compensação  (Súmula  146  do  Tribunal  Superior  do  Trabalho  –  TST),  contribuições  para  o  SESC, SENAC e SEBRAE, contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  –  RAT  e  incidentes  sobre  os  pagamentos  de  terço  constitucional  de  férias;  e  contribuição  previdenciária  de quinze por  cento  (15%)  sobre o  valor  bruto  de nota  fiscal  ou  fatura  de  prestação  de  serviço,  prestado  por  cooperado  por  intermédio  de  cooperativa  de  trabalho, no caso, Sociedade Cooperativa de Trabalho Médico Ltda. – Unimed Porto Alegre,  nas competências 01/2007 a 12/2008, de acordo com o Relatório Fiscal do Auto de Infração –  RF. Procedeu a aplicação da multa,  realizando a comparação de acordo com as novas regras  disciplinadas na MP 449, convertida na lei 11.941/09  Importante,  destacar  que  a  lavratura  do AI  deu­se  em  16/12/2011,  tendo  a  cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia.   Não  conformada  com a  autuação  a  recorrente  apresentou  defesa,  fls.  247  a  326.  Foi  exarada  a  Decisão  de  1  instância  que  confirmou  a  procedência  do  lançamento, fls. 345 a 352.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008  CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE.  A  constitucionalidade  e  a  legalidade  das  leis  são  vinculadas  para a Administração Pública.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS  Período  de  apuração:  01/01/2007  a  31/12/2008  SALÁRIO  DE  CONTRIBUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA.  As  hipóteses  de  não  incidência  de  contribuição  previdenciária  estão previstas em lei.  Fl. 443DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA     4  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DOS  BENEFÍCIOS  CONCEDIDOS  EM  RAZÃO  DO  GRAU  DE  INCIDÊNCIA  DE  INCAPACIDADE  LABORATIVA  DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO –  RAT.  Fixada pelo legislador a hipótese de incidência da contribuição  destinada ao RAT, da base de cálculo e da alíquota, não há que  se falar em violação ao princípio da legalidade tributária.  COOPERATIVA DE TRABALHO.  Incide contribuição previdenciária, parte patronal, sobre o valor  do  serviço  efetivamente  prestado  por  cooperados  através  de  cooperativas de trabalho.  ASSUNTO:  OUTROS  TRIBUTOS  OU  CONTRIBUIÇÕES  Período  de  apuração:  01/01/2007  a  31/12/2008  CONTRIBUIÇÃO  PARA  OUTRAS  ENTIDADES  E  FUNDOS  (TERCEIROS).  As  empresas  em  geral  estão  obrigadas  ao  recolhimento  das  contribuições para outras entidades e fundos, arrecadadas pela  Secretaria da Receita Federal do Brasil.  ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008  MULTA.  A  inclusão  de  contribuições  em  lançamento  fiscal  dá  ensejo  à  incidência  de multa moratória  e  de  ofício,  conforme  legislação  aplicável à matéria, observado o disposto no artigo 106,  inciso  II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Não  concordando  com  a  decisão  do  órgão  previdenciário,  foi  interposto  recurso pela notificada, conforme fls. 356 a 436 , contendo em síntese os mesmo argumentos  da impugnação, os quais podemos descrever:  1.  Alega a inconstitucionalidade e ilegalidade das contribuições para o seguro acidente do  trabalho (SAT) e sua conseqüente inexigibilidade, por violação ao princípio da legalidade  tributária.  2.  Alega indevida a cobrança das contribuições para o SESC e SENAC, independentemente  da  decisão  judicial  em  seu  desfavor,  já  que,  em  consideração  ao  curso  da  demanda  judicial,  deveria  ficar  em  suspenso  a  exigência  fiscal  até  o  trânsito  em  julgado  da  sentença; entende inconstitucional e  ilegal a cobrança destas contribuições de empresas  que não realizam atividades ligadas ao comércio.  3.  Expõe  da  flagrante  ilegalidade  da  inclusão,  na  base  de  cálculo  da  contribuição  previdenciária  incidente  sobre  a  folha  de  salários,  de  valores  que,  como  o  Vale  Transporte, não constituem remuneração ao trabalho.  Fl. 444DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.732621/2011­91  Acórdão n.º 2401­003.129  S2­C4T1  Fl. 4          5 4.  Argumenta  que  “Soa  incompreensível  a  glosa  relativa  aos  pagamentos  efetuados  pela  recorrente à UNIMED, já que se trata de plano de saúde pago aos seus colaboradores”.  “Não se trata de serviços médicos tomados da UNIMED, mas de plano de saúde com ela  contratado, razão de não incidência da contribuição previdenciária.”  5.  Alega  a  inconstitucionalidade  da  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  pagamentos  efetuados  a  cooperativas  de  trabalho,  por  contrariedade  explícita  ao  artigo  195, inciso I, alínea “a”, da Constituição Federal de 1988 – CF/88.  6.  Afirma  que  a  suposta  ausência  de  recolhimentos  sobre  pagamentos  efetuados  a  autônomos,  de  retenção  das  contribuições  pretensamente  devidas  por  terceiros  e  em  virtude  de  pagamento  da  folha  de  salários  decorre  de  compensações  efetuadas  com  créditos seus, oriundos de pagamentos indevidos, desconsideradas pela Fiscalização.  7.  Alega restar claro que a motivação que originou o ato administrativo de lançamento está  equivocada, não  tendo havido  falta de pagamento de contribuição,  “pois utilizou­se do  instituto da compensação para quitá­las”.  8.  Questiona  que  “No  entanto,  por  que  as  compensações  não  foram  aceitas,  uma  vez  registradas nas GFIP’s? Terá sido o índice de atualização utilizado? Terá sido o crédito  compensado? O Prazo?”  9.  Alega que, ao ter de supor as razões que levaram à desconsideração das compensações,  tem cerceado seu direito à ampla defesa.  10.  Informa  que  as  compensações  foram  efetuadas  com  os  valores  pagos,  indevidamente,  referentes  a  contribuições  destinadas  ao  SESC,  SENAC,  Vale  Transporte,  SEBRAE,  INCRA,  terço  constitucional  de  férias,  SAT, multa moratória  e  diferenças  de  correção  monetária  pelo  pagamento  das  contribuições  previdenciárias  antes  do  respectivo  fato  gerador.  11.  Ataca a multa moratória por entender que o pagamento espontâneo do tributo, acrescido  da correção monetária e dos juros de mora é causa excludente da responsabilidade pela  infração e “em que pese a espontaneidade dos pagamentos, foi penalizada com a inclusão  de  multas  sobre  o  valor  total  dos  débitos  dos  valores  que  foram  quitados  durante  o  período compreendido entre 01/2007 e 12/2008”.  12.  Sua  conduta,  de  confessar  e  pagar  em  atraso  as  contribuições  devidas  ao  INSS,  demonstra boa fé, pelo que a imposição de multa moratória acarreta pesado fardo, “pois o  pagamento tardio já é fruto da falta de condições financeiras para honrar o débito fiscal  de forma integral na época em que exigido. É essa boa fé em sustar a irregularidade fiscal  o  fator  fundamental  a  configurar  a  denúncia  espontânea,  sendo  prescindível  a  comunicação expressa aos órgãos de arrecadação”.  13.  Alega  a  não  incidência  de  contribuição  sobre  valores  pagos  a  título  de  terço  constitucional de férias, por não representar contraprestação de trabalhos prestados, pelo  contrário, já que “o segurado a recebe pela ausência ao trabalho!”.  14.  Afirma que as compensações efetuadas estão de acordo com o disposto no artigo 66 da  Lei nº 8.383/1991, que disciplina a compensação entre tributos da mesma espécie, sendo  ilegais as restrições,  trazidas pela Lei nº 9.129/1995 que, alterando o disposto no artigo  Fl. 445DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA     6  89  da  Lei  nº  8.212/1991,  limitou  a  compensação  à  razão  de  30%  sobre  os  valores  recolhidos  em  cada  competência,  o  que  configura  enriquecimento  ilícito  da  autarquia  previdenciária, contrariando fortemente o disposto no inciso IV do artigo 150 da CF/88.  15.  Expõe que “não é possível de ser  imposta qualquer restrição à  recorrente no sentido de  que  a  compensação  entre  as  indevidas  quantias  pagas  a  título  de  multa  de  mora  em  denúncia  espontânea de  si  cobradas,  seja efetuada com as demais contribuições  sociais  incidentes sobre salários e outras remunerações”.  16.  Ataca,  ainda,  a  multa  imposta,  por  constituir  penalidade  confiscatória,  tratando­se  de  punição por descumprimento de obrigação acessória.  “A multa  imputada à  Impugnante  estampada  no  corpo  da  peça  fiscal,  ora  impugnada,  é  absolutamente  indevida  como  penalidade ante a completa ausência de disposição constitucional que à autorize”.  17.  Requer  seja  decretada  a  total  improcedência  do  Auto  de  Infração  DEBCAD  nº  37.348.9900 e declarada a inexistência do crédito tributário.  A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF.  É o relatório.  Fl. 446DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.732621/2011­91  Acórdão n.º 2401­003.129  S2­C4T1  Fl. 5          7   Voto             Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora  PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE:  O  recurso  foi  interposto  tempestivamente,  conforme  informação  à  fl.  207.  Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito.  DO MÉRITO  CONTRIBUIÇÃO FACE A CONTRATAÇÃO DE COOPERATIVAS  Quanto  a  alegação  de  incompreensível  glosa  relativa  aos  pagamentos  efetuados  pela  impugnante  à  UNIMED,  já  que  se  trata  de  plano  de  saúde  pago  aos  colaboradores, não confiro razão ao recorrente.  Em primeiro  lugar, cumpre­nos esclarecer que não se  trata de levantamento  de  glosa  (cabível  apenas  nos  casos  de  compensação  indevida),  mas  lançamento  de  contribuições sobre a contratação de cooperativas (conforme DAD), no período de 01/2007 a  12/2008.  A  lei  8212/91,  que  descreve  as  regras  de  custeio  de  contribuições  previdenciárias,  é  expressa  ao  determinar  a  incidência  da  contribuição  prevista no  artigo  22,  inciso IV, da Lei n° 8.212, de 1991, sobre faturas/notas fiscais que, como no caso vertente, se  refiram  a  prestação  de  serviços  de  cooperados  por  intermédio  de  cooperativa  de  trabalho  na  área de saúde, como é caso da UNIMED, senão vejamos:  Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  a  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  (.)  IV ­ quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura  de  prestação  de  serviços,  relativamente  a  serviços  que  lhe  são  prestados  por  cooperados  por  intermédio  de  cooperativas  de  trabalho. (Incluido pela Lei n° 9.876, de 1999).  Foi  identificado  pelo  auditor  fiscal  o  registro  contábil  de  pagamento  de  faturas a cooperativas de trabalho, no caso a UNIMED, surgindo, neste caso, o fato gerador da  contribuição  sobre  a  contratação  de  cooperativas. O  argumento  de  que  a  contratação  visava  fornecer plano de saúde aos  seus colaboradores não  tem o condão de afastar a  incidência de  contribuições sobre as NF das cooperativas de trabalho contratada.  Da mesma forma, não existe respaldo para o argumento que a UNIMED não  forneceria  os  serviços  de  seus  cooperados  diretamente,  caracterizando  apenas  contratação  de  plano de saúde. O objetivo da constituição de uma cooperativa nada mais é por definição legal,  do que a prestação de serviços em nome dos seus cooperados sem finalidade lucrativa. Assim,  a UNIMED – Cooperativa Médica,  trabalha em nome de seus cooperados prestando serviços  na  área  médica,  porém  os  serviços  inclui  a  prestação  de  mão  de  obra  (sobre  o  qual  há  Fl. 447DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA     8  incidência)  e  fornecimento  de  outros  procedimentos. Contudo,  o  legislador,  já  vislumbrando  dita  possibilidade,  determinou  uma  base  de  calculo  diferenciada,  conforme  descrito  n  lançamento em tela.   Valho­me  ainda,  de  informação  descrita  no  sitio  http://www.unimed.com.br/pct/  index.jsp?cd_canal=58672&cd_secao=58671,  que  descreve  que atualmente o Sistema Unimed tem 32% de participação no mercado nacional de planos de  saúde, atendendo 15,1 milhões de clientes. São 377 cooperativas médicas com abrangência em  74,9%  do  território  nacional,  nas  quais  106  mil  médicos  cooperados  desenvolvem  suas  atividades.  Observa­se  que  a  decisão  de  primeira  instância  rebateu  ditos  argumentos  pontualmente,  não  tendo  o  recorrente  apresentado  qualquer  fato  novo,  ou  prova  de  que  os  serviços ali destacados não e referiam aos serviços médicos ou que inexistiu a contratação.   Observa­se que a cooperativa é conceituada como uma sociedade de pessoas  sem fins lucrativos, constituída com a finalidade de prestar serviços a seus associados na forma  estabelecida  pela  Lei  n°  5.764/71.  A  cooperativa  de  trabalho  é  uma  das  espécies  de  cooperativas  previstas  na  legislação  e  tem  como  objetivo  intermediar  as  relações  entre  seus  associados e terceiros contratantes.  Trata­se, portanto, de mera agenciadora das atividades dos  cooperados,  não  produzindo  bens  ou  serviços  próprios.  Por  não  se  tratar  de  trabalho  subordinado,  não  se  estabelece  vínculo  empregatício  entre  a  cooperativa  e  seus  cooperados,  mantendo,  esses  últimos, a qualidade de contribuintes  individuais  (parágrafo único do artigo 284 da  Instrução  Normativa SRP n° 003/05).  Portanto,  a  contribuição  em  tela  incide  sobre  a  contratação  de  serviços  prestados por pessoas físicas, sendo este apenas intermediado pela cooperativa de trabalho. E a  remuneração do segurado contribuinte individual filiado à cooperativa de trabalho decorre da  prestação de serviços por intermédio da cooperativa às pessoas físicas ou jurídicas (artigo 285  da  IN SRP n° 003/05). Ou  seja,  a nota  fiscal  ou  fatura  emitida pela  cooperativa  encontra­se  diretamente  relacionada  à  remuneração  do  cooperado  e  por  esse motivo,  foi  utilizada  como  base para cálculo da contribuição em tela.  Assim,  ao  contratar  e  registrar  contabilmente  os  pagamentos  a  cooperativa,  passou o recorrente a ser sujeito passivo da obrigação que ora se lança.  DAS COMPENSAÇÕES INDEVIDAS  Primeiro não há que se falar em lançamento equivocado, posto que entende o  recorrente que não houve falta de pagamento, mas apenas compensação de valores indevidos.  Conforme o relatório fiscal, constatou­se pela análise dos relatórios, planilhas  e  documentos  apresentados,  que  o  contribuinte  realizou  compensações  independente  do  transito em julgado de ações judiciais, já que não foi possível identificar a verdadeira alegação  de  origem  dos  créditos,  posto  que  mesmo  intimado  o  contribuinte  não  apresentou  os  esclarecimentos necessários acerca das origens dos crédits.  As contribuições, que segundo o recorrente teria direito de compensar são as  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  pagamentos  efetuados  em  dobro  a  segurados  empregados  em  razão  de  serviços  prestados  em  domingos  e  feriados,  sem  a  respectiva  compensação  (Súmula  146  do  Tribunal  Superior  do  Trabalho  –  TST),  contribuições  para  o  SESC, SENAC e SEBRAE, contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em  Fl. 448DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.732621/2011­91  Acórdão n.º 2401­003.129  S2­C4T1  Fl. 6          9 razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  –  RAT  e  incidentes  sobre  os  pagamentos  de  terço  constitucional  de  férias).  Ao  observarmos o andamento dos processos em questão, identifica­se que não houve transito em  julgado,  impossibilitando,  legalmente  a  compensação  dos  créditos,  como  efetuado  pela  empresa.  Aliás  esse  foi  o  entendimento  descrito  pelo  julgador,  no  sentido  que  como  não havia decisão  transitada em  julgado,  considerou­se que não havia crédito  líquido e certo  em favor do contribuinte, portanto, as compensações foram consideradas indevidas, restando à  auditoria  fiscal  o  levantamento  do  crédito  tributário  pelo  total  indevidamente  compensado  (Glosa de Compensações Indevidas) com base nos artigos 170­A e 170 do CTN e artigo 89 da  Lei  8.212/1991,  combinada  com  o  artigo  70  da  Instrução  Normativa  RFB  nº  900,  de  30/12/2008, publicada no Diário Oficial da União – DOU em 31/12/2008.  Com relação ao argumento de o ato administrativo do lançamento não restou  motivado  não  confiro  razão  ao  recorrente,  posto  que  a  autoridade  fiscal,  identificou  devidamente os fatos geradores, mensalmente tanto no relatório fiscal, como nos relatórios que  compõem  o  auto  de  infração.  Ademais  entendo  que  acordo  com  os  princípios  basilares  do  direito  processual,  cabe  ao  autor  provar  fato  constitutivo  de  seu  direito,  por  sua  vez,  cabe  à  parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.   A autoridade fiscal em seu relatório descreveu que o recorrente descumpriu a  sentença  proferida,  posto  que  realizou  compensações  sem  que  o  processo  judicial  em  que  pleiteia o direito a restituição tivesse caráter definitivo.   Como  é  cediço,  a  compensação  é  uma  das  modalidades  de  extinção  do  crédito  tributário,  desse modo,  caberia  à  recorrente  demonstrar  as  bases  em  que  teriam  sido  realizadas tais compensações, juntando a prova contábil da origem dos valores, bem como da  sua realização durante o período objeto do presente lançamento.  As  hipóteses  de  compensação  estão  elencadas  na  Lei  n.º  8.212/91,  em  seu  artigo 89, dispondo que a possibilidade restringe­se aos casos de pagamento ou recolhimento  indevidos.  Não  ocorreu  recolhimento  ou  pagamento  indevidos  de  contribuições  previdenciárias, no presente caso.  Art.  89.  Somente  poderá  ser  restituída  ou  compensada  contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto  Nacional do Seguro Social ­ INSS na hipótese de pagamento ou  recolhimento  indevido.  (Redação alterada pela Lei nº 9.032, de  28/04/95,  mantida  pela  Lei  nº  9.129,  de  20/11/95  que  colocou  virgula  após  a  expressão  INSS   Parágrafo  único.  Na  hipótese  de  recolhimento  indevido  as  contribuições  serão  restituídas,  atualizadas  monetariamente.  §  1º  Admitir­se­á  apenas  a  restituição  ou  compensação  de  contribuição  a  cargo  da  empresa,  recolhida  ao  INSS,  que,  por  sua  natureza,  não  tenha  sido  transferida  ao  custo  de  bem  ou  serviço oferecido à sociedade. (Acrescentado pela Lei nº 9.032,  de  28/04/95,  e  mantido  pela  Lei  nº  9.129,  de  20/11/95,  que  passou a identificar o INSS somente pela sigla)  §  2º  Somente  poderá  ser  restituído  ou  compensado,  nas  contribuições  arrecadadas  pelo  INSS,  o  valor  decorrente  das  parcelas  referidas  nas  alíneas  “a”,  “b”  e  “c”,  do  parágrafo  Fl. 449DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA     10  único  do  art.  11  desta  lei.  (Acrescentado pela  Lei  nº  9.032,  de  28/04/95  e  mantido  pela  Lei  nº  9.129,  de  20/11/95  com  as  seguintes alterações: 1) identifica o INSS somente pela sigla, 2)  acrescenta o artigo “o” antes da expressão “valor”; 3) coloca  virgula antes da expressão “do parágrafo”)  § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior  a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência.  (Redação alterada pela Lei nº 9.129, de 20/11/95)  §  4º  Na  hipótese  de  recolhimento  indevido,  as  contribuições  serão restituídas ou  compensadas,  atualizadas monetariamente.  (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido pela Lei  nº 9.129, de 20/11/95, que inseriu uma vírgula entre as palavras  “compensadas” e “atualizadas”)  §  5º  Observado  o  disposto  no  §  3º,  o  saldo  remanescente  em  favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só  vez, será atualizado monetariamente.  (Acrescentado pela Lei nº  9.032, de 28/04/95 e mantido, com a mesma redação, pela Lei nº  9.129, de 20/11/95)  § 6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste  artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da  própria  contribuição.  (Acrescentado  pela  Lei  nº  9.032,  de  28/04/95 e mantido, com a mesma redação, pela Lei nº 9.129, de  20/11/95)  A  Lei  n  °  8.212/1991  está  em  perfeita  consonância  com  o  ordenamento  jurídico, haja vista o próprio CTN dispor em seu artigo 97, VI, que as hipóteses de extinção do  crédito  tributário, entre essas a compensação e a dação em pagamento, são de estrita  reserva  legal.  Assim,  para  verificar  a  possibilidade  de  compensação  há  que  ser  remetido  para  os  permissivos legais.   Art.97 ­ somente a lei pode estabelecer:  VI  ­ as hipóteses de exclusão,  suspensão e extinção de créditos  tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.  Conforme  prevê  o  art.  89,  §  2º  da  Lei  n  °  8.212/1991,  somente  pode  ser  compensado nas contribuições arrecadadas pelo INSS os valores recolhidos de forma indevida.  Dessa forma, só após a conclusão de serem indevidos tais valores poderia o recorrente valer­se  do instituto da compensação. Conforme descrito pelo auditor e reforçado pelo órgão julgador,  não há sentença transitado em julgado que autorize o recorrente a realizar a compensação, nem  tampouco  foi  declarada  a  inconstitucionalidade  das  verbas  objeto  de  lançamento  de  contribuições.  Conforme previsto no art. 170­A do CTN, corroborando o entendimento do  STJ (Súmula 212), é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de  contestação  judicial  pelo  sujeito  passivo,  antes  do  trânsito  em  julgado  da  respectiva  decisão  judicial.  Assim  sendo,  ações  judiciais  pendentes,  não  são  meios  hábeis  para  autorizarem  o  procedimento de compensação pelo contribuinte.   Art.170/­A  ­  É  vedada  a  compensação  mediante  o  aproveitamento  de  tributo,  objeto  de  contestação  judicial  pelo  sujeito  passivo,  antes  do  trânsito  em  julgado  da  respectiva  decisão judicial. *(Acrescido pela Lei Complementar 104/01).  Fl. 450DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.732621/2011­91  Acórdão n.º 2401­003.129  S2­C4T1  Fl. 7          11 Face  o  exposto  não  vislumbro  qualquer  nulidade  na  decisão  recorrida,  tampouco os argumentos do recorrente demonstram estar incorreto o lançamento realizado.   FATOS GERADORES OBJETO DE GLOSA DE COMPENSAÇÕES  Quanto a possibilidade de órgãos administrativos manifestarem­se acerca da  constitucionalidade de lei discordo do posicionamento adotado pelo recorrente.  No mérito o argumento do recorrente é no sentido de que a contribuição obre  as notas ficais, pelo serviço prestado por cooperativa de trabalho é inconstitucional.  Nesse sentido, no que tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação  previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições pautada na lei n° 9.876/1999  institui contribuição (nova) não prevista no texto constitucional., determinando a exigência de  contribuições  sobre  a  faturas  de  cooperativas  de  trabalho,  frise­se  que,  assim  ,como  já  defendido  pela  autoridade  julgadora,  entendo  que  incabível  seria  sua  análise  na  esfera  administrativa.  Não  pode  a  autoridade  administrativa  recusar­se  a  cumprir  norma  cuja  constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as regras previstas  na Lei n ° 8.212/1991.   Como dito,  não  é  de  competência  da  autoridade  administrativa  a  recusa  ao  cumprimento  de  norma  supostamente  inconstitucional,  razão  pela  qual  são  exigíveis  contribuições sobre as faturas emitidas pela contratação de Cooperativas de Trabalho médico.  Entendo assim, que externado pelo próprio recorrente, que a Constituição da República é clara  ao definir as competências para apreciar questionamentos de constitucionalidade, seja por via  de controle abstrato (concentrado), seja em via de controle concreto (difuso). E clara também a  Carta Magna em reservar apenas aos órgãos do Poder Judiciário a competência para declarar a  constitucionalidade ou não de atos normativos. Assim sendo, a esfera administrativa não é o  foro  adequado  para  discussões  acerca  da  constitucionalidade  das  leis  e  dos  atos  normativos,  estando  tal  vedação  atualmente  prevista  no  Decreto  n°  70.235/1972,  que  trata  do  processo  administrativo  fiscal,  em  seu  art.  26­A,  incluído  pela  Medida  Provisória  n°  449/2008,  e  posterior lei 11.941/2009, in verbis:  "Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade. "  § 6o 0 disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  ato  normativo:  (Incluído  pela Lei n°11.941, de 2009)  I — que  _Id  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela  Lei n°11.941, de 2009)  II— que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela  Lei n°11.941, de 2009)  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e  19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei  n°11.941, de 2009)  Fl. 451DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA     12  b) súmula da Advocacia­Geral da Unido, na forma do art. 43 da  Lei  Complementar  no  73,  de  10  de  fevereiro  de  1993;  ou  (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009)  c)  pareceres  do  Advogado­Geral  da  União  aprovados  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela  Lei n°11.941, de 2009)  Toda  lei  presume­se  constitucional  e,  até  que  seja  declarada  sua  inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame  da matéria,  deve o  agente público,  como executor da  lei,  respeitá­la. Nesse  sentido,  entendo  pertinente  transcrever  trecho  do  Parecer/CJ  n  °  771,  aprovado  pelo Ministro  da  Previdência  Social em 28/1/1997, que enfoca a questão:  Cumpre  ressaltar  que  o  guardião  da Constituição  Federal  é  o  Supremo  Tribunal  Federal,  cabendo  a  ele  declarar  a  inconstitucionalidade  de  lei  ordinária.  Ora,  essa  assertiva  não  quer  dizer  que  a  administração  não  tem  o  dever  de  propor  ou  aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de  uma lei sentir que ela é  inconstitucional o Pretório Excelso é o  órgão  competente  para  tal  declaração.  Já  o  administrador  ou  servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o  seu  destinatário  entende  ser  inconstitucional,  quando  não  há  manifestação definitiva do STF a respeito.  A alegação de  inconstitucionalidade formal de  lei não pode ser  objeto  de  conhecimento  por  parte  do  administrador  público.  Enquanto  não  for  declarada  inconstitucional  pelo  STF,  ou  examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes)  ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor  e cabe à Administração Pública acatar suas disposições.   No mesmo  sentido  posiciona­se  este  Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais ­ CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão  que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes.  SÚMULA N. 2  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.  Contudo,  observa­se  que  no  lançamento  em  questão,  a  autoridade  fiscal,  cumpriu todos os dispositivos da legislação previdenciária que abarcam a matéria.   QUANTO AO SAT  Não procede  o  argumento  do  recorrente  de que  a  cobrança  da  contribuição  devida  em  relação  ao  RAT  –  Riscos  Ambientais  do  Trabalho  (antigo  SAT)  é  ilegal/inconstitucional,  pois  o  dispositivo  legal  não  estabeleceu  os  conceitos  de  atividade  preponderante;  estando  tais  conceitos  descritos  em Decreto  (que  não  possui  atribuição  para  tanto).  A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos  em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do  trabalho ­ RAT é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998,  nestas palavras:  Fl. 452DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.732621/2011­91  Acórdão n.º 2401­003.129  S2­C4T1  Fl. 8          13 Art.22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  (...)  II ­ para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58  da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o  total das  remunerações  pagas  ou  creditadas,  no  decorrer  do  mês,  aos  segurados empregados e  trabalhadores avulsos: (Redação dada  pela Lei nº 9.732, de 11/12/98)  a)  1%  (um  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado  leve;  b)  2%  (dois  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante esse risco seja considerado médio;  c)  3%  (três  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante esse risco seja considerado grave.  Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do RPS, aprovado pelo  Decreto n ° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras:  Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento  da aposentadoria  especial,  nos  termos dos arts.  64 a 70,  e dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  corresponde  à  aplicação  dos  seguintes  percentuais,  incidentes  sobre  o  total  da  remuneração  paga,  devida  ou  creditada  a  qualquer  título,  no  decorrer  do  mês,  ao  segurado  empregado e trabalhador avulso:  I  ­  um  por  cento  para  a  empresa  em  cuja  atividade  preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado  leve;  II  ­  dois  por  cento  para  a  empresa  em  cuja  atividade  preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado  médio; ou  III  ­  três  por  cento  para  a  empresa  em  cuja  atividade  preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado  grave.  § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze,  nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade  exercida  pelo  segurado  a  serviço  da  empresa  ensejar  a  concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte  e cinco anos de contribuição.  §  2º  O  acréscimo  de  que  trata  o  parágrafo  anterior  incide  exclusivamente  sobre  a  remuneração  do  segurado  sujeito  às  condições  especiais  que  prejudiquem  a  saúde  ou  a  integridade  física.  Fl. 453DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA     14  §  3º  Considera­se  preponderante  a  atividade  que  ocupa,  na  empresa,  o  maior  número  de  segurados  empregados  e  trabalhadores avulsos.  §  4º  A  atividade  econômica  preponderante  da  empresa  e  os  respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação  de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco,  prevista no Anexo V.  §  5º  O  enquadramento  no  correspondente  grau  de  risco  é  de  responsabilidade  da  empresa,  observada  a  sua  atividade  econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao  Instituto Nacional do Seguro Social rever o auto­enquadramento  em qualquer tempo.  §  6º  Verificado  erro  no  auto­enquadramento,  o  Instituto  Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias à sua  correção,  orientando  o  responsável  pela  empresa  em  caso  de  recolhimento  indevido  e  procedendo  à  notificação  dos  valores  devidos.  § 7º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que  trata a alínea “a” do inciso V do caput do art. 9º.  § 8º Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se  dedique à produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do  caput  do  art.  201,  a  contribuição  referida  neste  artigo  corresponde  a  zero  vírgula  um  por  cento  incidente  sobre  a  receita bruta proveniente da comercialização de sua produção.  § 9º (Revogado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99)   § 10. Será devida contribuição adicional de doze,  nove ou  seis  pontos  percentuais,  a  cargo  da  cooperativa  de  produção,  incidente  sobre  a  remuneração  paga,  devida  ou  creditada  ao  cooperado  filiado,  na  hipótese  de  exercício  de  atividade  que  autorize  a  concessão  de  aposentadoria  especial  após  quinze,  vinte  ou  vinte  e  cinco  anos  de  contribuição,  respectivamente.  (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003)  § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco  pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de  cooperado  filiado  a  cooperativa  de  trabalho,  incidente  sobre  o  valor  bruto  da  nota  fiscal  ou  fatura  de  prestação  de  serviços,  conforme  a  atividade  exercida  pelo  cooperado  permita  a  concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte  e  cinco  anos  de  contribuição,  respectivamente.  (Redação  dada  pelo Decreto nº 4.729/2003)  § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de  prestação de  serviços específica para a atividade exercida pelo  cooperado que permita a concessão de aposentadoria  especial.  (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003)  Quanto  ao  Decreto  612/92  e  posteriores  alterações  (Decretos  2.173/97  e  3.048/99),  que,  regulamentando  a  contribuição  em  causa,  estabeleceu  os  conceitos  de  “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, deve­se afastar a argüição de  contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou os parâmetros, deixando para  o regulamento (Decreto) apenas a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta  da norma. Reforçando tal entendimento já decidiu o STF, no RE n ° 343.446­SC, cujo relator  foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementa segue abaixo:  Fl. 454DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.732621/2011­91  Acórdão n.º 2401­003.129  S2­C4T1  Fl. 9          15  “CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO:  SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO ­ SAT. LEI 7.787/89,  ARTS.  3º  E  4º;  LEI  8.212/91,  ART.  22,  II,  REDAÇÃO DA LEI  9.732/98.  DECRETOS  612/92,  2.173/97  E  3.048/99.  C.F.,  ARTIGO 195, § 4º; ART. 154, II; ART. 5º, II; ART. 150, I.  I.  ­  Contribuição  para  o  custeio  do  Seguro  de  Acidente  do  Trabalho  ­ SAT: Lei 7.787/89, art. 3º,  II; Lei 8.212/91, art. 22,  II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c  art.  154,  I,  da  Constituição  Federal:  improcedência.  Desnecessidade  de  observância  da  técnica  da  competência  residual  da  União,  C.F.,  art.  154,  I.  Desnecessidade  de  lei  complementar para a instituição da contribuição para o SAT.  II. ­ O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da  igualdade,  por  isso  que  o  art.  4º  da  mencionada  Lei  7.787/89  cuidou de tratar desigualmente aos desiguais.  III. ­ As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem,  satisfatoriamente,  todos os elementos capazes de  fazer nascer a  obrigação  tributária  válida.  O  fato  de  a  lei  deixar  para  o  regulamento  a  complementação  dos  conceitos  de  "atividade  preponderante"  e  "grau  de  risco  leve,  médio  e  grave",  não  implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º,  II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I.  IV.  ­  Se  o  regulamento  vai  além do conteúdo da  lei,  a  questão  não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que  não integra o contencioso constitucional.  V. ­ Recurso extraordinário não conhecido.”  Assim, os conceitos de atividade preponderante, bem como, a graduação dos  riscos  de  acidente  de  trabalho,  não  precisariam  estar  definidos  em  lei.  O  Decreto  é  ato  normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não  essenciais na definição da exação.  Não  se  deve  considerar  que  a  cobrança  do RAT  (antigo  SAT)  ofenderia  o  princípio da isonomia, uma vez que o art. 22, § 3º da Lei n ° 8.212/1991 previa que, com base  em estatísticas de acidente de trabalho, poderia haver alteração no enquadramento da empresas  para  fins de contribuição em relação aos acidentes de  trabalho, não havendo que se  falar em  tratamento igual entre contribuintes em situação desigual. Nesse sentido, dispõe o § 3º do art.  22 da Lei n ° 8.212/1991:  Art. 22 (...)  §  3º  ao  dispor  que  o Ministério  do  Trabalho  e  da Previdência  Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do  trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas  para  efeito  da  contribuição  a  que  se  refere  o  inciso  II  deste  artigo,  a  fim  de  estimular  investimentos  em  prevenção  de  acidentes.  Não há que se falar em violação do art. 3º do CTN, pois toda a atividade de  cobrança da referida contribuição é vinculada ao que dispõe as normas regulamentares acima  expostas, não permanecendo ao alvedrio da autoridade fiscal. Também não há violação ao art.  153, § 1º da Constituição Federal pelo já exposto.  Fl. 455DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA     16  Quanto  ao  lançamento  referente ao pagamento de  feriados  e domingos  trabalhados e não convertidos em repouso e sobre 1/3 de férias.  Quanto  ao  argumento  do  recorrente  que  não  constituiriam  salário  de  contribuição razão não lhe confiro. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991,  para  o  segurado  empregado  entende­se  por  salário­de­contribuição  a  totalidade  dos  rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob  a forma de utilidades, nestas palavras:  Art.28. Entende­se por salário­de­contribuição:  I  ­  para  o  empregado  e  trabalhador  avulso:  a  remuneração  auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade  dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título,  durante  o mês,  destinados  a  retribuir o  trabalho,  qualquer  que  seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a  forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo à disposição do empregador ou  tomador de serviços nos  termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo  coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela  Lei nº 9.528, de 10/12/97)  Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias,  seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da  Lei n  ° 8.212/1991, contudo a verba paga em razão da conversão de  repousos e  feriados em  trabalho,  nada mais  é  do  que  verba  salarial,  paga  em dobro,  fazendo  consistir  em  salário  de  contribuição. Não se trata de verba indenizatória, post que realizado o trabalho, sendo o mesmo  remunuerado.  Da mesma  forma,  entendo  não  existir  qualquer  respaldo  para  exclusão  do  valor de 1/3 de férias da base de cálculo de contribuição. Aliás, não existe reparo a ser feito na  decisão proferida, no que se refere ao terço constitucional de férias, tendo em vista que o artigo  28,  parágrafo  9º,  alínea  “d”  da  Lei  nº  8.212/1991,  determina  que  não  incide  contribuição  previdenciária  apenas  sobre  as  importâncias  recebidas  a  título  de  férias  indenizadas  e  seu  respectivo terço constitucional.   O  contribuinte  não  comprova  que  os  valores  referentes  ao  terço  constitucional de férias, por ele compensados, tenham natureza indenizatória.  A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse  modo,  interpreta­se  literalmente  a  legislação  que  disponha  sobre  isenção,  conforme  prevê  o  CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras:  Art.  111.  Interpreta­se  literalmente  a  legislação  tributária  que  disponha sobre:  I ­ suspensão ou exclusão do crédito tributário;  Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador  da  lei  estender  a  interpretação,  sob  pena  de  violar­se  os  princípios  da  reserva  legal  e  da  isonomia.  Desse modo, não procede o argumento da recorrente de que a referida parcela  não integra a base de cálculo das contribuições. Só não haverá integração se houver a devida  previsão legal.  Fl. 456DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.732621/2011­91  Acórdão n.º 2401­003.129  S2­C4T1  Fl. 10          17 Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não  havendo  dispensa  legal  para  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  tais  verbas,  conforme já analisado, deve persistir o lançamento.   Quanto a contribuição destinadas a terceiros  A  cobrança  das  contribuições  destinadas  ao  INCRA,  SESC,  SENAC  e  SEBRAE também estão previstas em lei, conforme fundamentação legal descrita no relatório,  estando perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente.   A  cobrança  das  contribuições  destinadas  ao  INCRA  está  prevista  em  lei,  conforme fundamentação legal, estando perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico  vigente.   Quanto  às  empresas  urbanas  terem  que  recolher  contribuição  destinada  ao  INCRA,  não  há  óbice  normativo  para  tal  exação.  Nesse  sentido  é  o  entendimento  do  STF,  conforme ementa no Agravo Regimental do Recuso Extraordinário de n ° 211.190, publicado  no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002:   EMENTA:  AGRAVO  REGIMENTAL  EM  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A  FINANCIAR  O  FUNRURAL.  VIOLAÇÃO  DO  PRECEITO  INSCRITO NO  ARTIGO  195  DA CONSTITUIÇÃO  FEDERAL.  ALEGAÇÃO  INSUBSISTENTE.  A  norma  do  artigo  195,  caput,  da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será  financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos  termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da  União, dos Estados,  do Distrito Federal  e dos Municípios,  sem  expender  qualquer  consideração  acerca  da  exigibilidade  de  empresa urbana da contribuição  social destinada a  financiar o  FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido.  Em  relação  às  contribuições  destinadas  ao  Sebrae  as  mesmas  são  devidas  estando perfeitamente compatíveis com o ordenamento jurídico vigente, não sendo necessária  lei  complementar  para  sua  instituição.  Apenas  para  ilustrar,  segue  ementa  do  entendimento  firmado pelo TRF da 4ª Região:  Tributário  –  Contribuição  ao  Sebrae  –  Exigibilidade.  1.  O  adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada  pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas  previstas no Decreto­Lei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc),  prescindível,  portanto,  sua  instituição  por  lei  complementar.  2.  Prevê  a  Magna  Carta  tratamento  mais  favorável  às  micro  e  pequenas  empresas  para  que  seja  promovido  o  progresso  nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não  tenham  relação  direta  com  o  incentivo.  3.  Precedente  da  1ª  Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.106990­9).  ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima  indicadas,  decide  a  Segunda  Turma  do  Tribunal  Regional  Federal  da  4ª  Região,  por  unanimidade,  negar  provimento  ao  recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que  ficam  fazendo  parte  integrante  do  presente  julgado.  Porto  Alegre,  17  de  junho  de  2003.  (TRF  4ª  R  –  2ª  T  –  Ac.  nº  Fl. 457DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA     18  2001.70.07.002018­3  –  Rel.  Dirceu  de  Almeida  Soares  –  DJ  9.7.2003 – p. 274)  Na mesma linha é o pensamento do STJ com relação a contribuição destinada  ao  SESC  e  SENAC,  independente  da  atividade  exercida,  conforme  ementa  do  Agravo  Regimental no Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado  no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007:  TRIBUTÁRIO  –  CONTRIBUIÇÕES  AO  SESC,  AO  SEBRAE  E  AO  SENAC  RECOLHIDAS  PELAS  PRESTADORAS  DE  SERVIÇO – PRECEDENTES.  1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e  da  Primeira  e  da  Segunda  Turma  desta  Corte  se  pacificou  no  sentido  de  reconhecer  a  legitimidade  da  cobrança  das  contribuições  sociais  do  SESC  e  SENAC  para  as  empresas  prestadoras de serviços.   2. Esta Corte  tem entendido  também que,  sendo a  contribuição  ao  SEBRAE  mero  adicional  sobre  as  destinadas  ao  SESC/SENAC,  devem  recolher  aquela  contribuição  todas  as  empresas que são contribuintes destas.   3. Agravo regimental improvido.  Quanto a cobrança da TAXA SELIC  Com  relação  à  cobrança  de  juros  está  prevista  em  lei  específica  da  previdência social,  art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo  transcrito, desse modo foi correta a  aplicação do índice pela autarquia previdenciária:  Art.34.  As  contribuições  sociais  e  outras  importâncias  arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de  lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento,  ficam  sujeitas  aos  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema Especial de Liquidação e de Custódia­SELIC, a que se  refere  o  art.  13  da  Lei  nº  9.065,  de  20  de  junho  de  1995,  incidentes  sobre  o  valor  atualizado,  e multa  de mora,  todos  de  caráter  irrelevável.  (Artigo  restabelecido,  com  nova  redação  dada  e  parágrafo  único  acrescentado  pela  Lei  nº  9.528,  de  10/12/97)  Parágrafo  único.  O  percentual  dos  juros  moratórios  relativos  aos  meses  de  vencimentos  ou  pagamentos  das  contribuições  corresponderá a um por cento.  Nesse  sentido  já  se  posicionou  o  STJ  no  Recurso  Especial  n  °  475904,  publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  EXECUÇÃO  FISCAL.  CDA.  VALIDADE.  MATÉRIA  FÁTICA.  SÚMULA  07/STJ.  COBRANÇA  DE  JUROS.  TAXA  SELIC.  INCIDÊNCIA.  A  averiguação  do  cumprimento  dos  requisitos  essenciais  de  validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória,  situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da  Súmula  07/STJ. No  caso  de  execução de dívida  fiscal,  os  juros  possuem  a  função  de  compensar  o  Estado  pelo  tributo  não  recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC  estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não  há confronto  com o art.  161, § 1º,  do CTN. A aplicação de  tal  Fl. 458DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.732621/2011­91  Acórdão n.º 2401­003.129  S2­C4T1  Fl. 11          19 Taxa  já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da  sua  instituição,  isto é, 1º/01/1996.  (REsp 439256/MG). Recurso  especial  parcialmente  conhecido,  e  na  parte  conhecida,  desprovido.  Não  tendo  o  contribuinte  recolhido  à  contribuição  previdenciária  em  época  própria,  tem por obrigação arcar com o ônus de  seu  inadimplemento. Caso não se  fizesse  tal  exigência,  poder­se­ia  questionar  a  violação  ao  principio  da  isonomia,  por  haver  tratamento  similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que  não recolheram no prazo fixado pela legislação.   Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os  valores descritos na NFLD, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária.  Nesse  sentido,  dispõe  a  Súmula  nº  03,  do  2º  Conselho  de  Contribuintes,  aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicadas no DOU de 26/09/2007,  Seção 1, pág. 28:  É  cabível  a  cobrança  de  juros  de  mora  sobre  os  débitos  para  com  a  União  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com  base  na  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liqüidação  e  Custódia – Selic para títulos federais  QUANTO A MULTA MORATÓRIA  Quanto  a  multa  entendo  que  não  merece  qualquer  reparo  a  decisão,  considerando que no próprio relatório procedeu a autoridade fiscal ao comparativo da multa, de  acordo com o disciplinado na lei 11.941.  CONCLUSÃO  Pelo  exposto,  voto  pelo  CONHECIMENTO  do  recurso  para  no  mérito  NEGAR­LHE PROVIMENTO.  É como voto.  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira                              Fl. 459DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA

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Numero do processo: 10880.914904/2009-56
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-004.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     2    (Assinado digitalmente)  JORGE VICTOR RODRIGUES  ­ Relator     Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Belchior  Melo  de  Sousa,  Juliano  Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues.,  João Alfredo Eduão Ferreira, e  Corintho Oliveira Machado (Presidente).        Relatório  A  contribuinte  alegou  que  no  período  situado  entre  agosto/2004  até  dezembro/2007  efetuou  recolhimento  indevido  de  PIS/PASEP  e  Cofins  sobre  encargos  financeiros,  cobrados  em  relação  as  vendas  a  prazo  de  seus  produtos  e  mercadorias,  por  conseguinte resultando crédito por pagamento a maior ou indevido.  Partindo dessa premissa transmitiu o Per/Dcomp em 15/07/2008 e, decorrente  dessa  operação,  a  fiscalização  emitiu  o Despacho Decisório  de  23/10/2009,  concluindo  pela  insuficiência de saldo credor o bastante para realização da compensação declarada, eis que da  análise do  limite do crédito  informado na data da  transmissão, verificou­se que o mesmo foi  utilizado integralmente para a quitação de outros débitos próprios.  Irresignada  com  o  teor  do  despacho  retromencionado  o  sujeito  passivo  manifestou a sua inconformidade, deduzindo sucintamente:  (i) – A cobrança é descabida nas vendas a prazo, que não configura hipótese  de incidência de tributos tais como o IPI, ICMS, PIS/PASEP e Cofins, que possuem a mesma  base de cálculo qual seja, a venda de produtos ou mercadorias vendidas.  (ii) – os encargos financeiros revelam típicas operações de cunho financeiro  submetidas, em última análise, ao IOF.  (iii)  –  tratando­se  de  indébito  tributário  elaborou  planilha  analítica  dos  créditos tributários em seu favor (CTN, art. 165, I) e providenciou a compensação dos mesmos  com  outros  tributos  administrados  pela  RFB,  nos  moldes  da  Lei  nº  9.430/96,  art.  74  (com  redação dada pela Lei 10.637/02), consubstanciado ainda no art. 368 do Código Civil.  (iv) – A compensação declarada encontra­se de acordo com a regra matriz de  incidência tributária constitucional, com fundamento nos arts. 149, 195 e 239, da CF/88, cuja  base de cálculo é o faturamento, ou seja, o valor cobrado pela mercadoria. Assim, não se pode  incluir na base de cálculo de tais contribuições os encargos financeiros cobrados nas vendas a  prazo, haja vista que tais encargos revelam a hipótese de incidência de outro tributo, qual seja:  o  IOF.Que  reiteradas  decisões  do  STF  e  STJ  demonstram  a  plausibilidade  da  tese  que  visa  excluir da base de cálculo do PIS/PASEP e da Cofins os valores cobrados a título de encargos  financeiros relativos ao financiamento do preço da mercadoria. Colorário disso, a manifestante  tem o direito líquido e certo de realizar a compensação dos valores pagos indevidamente.  Fl. 84DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.914904/2009­56  Acórdão n.º 3803­004.289  S3­TE03  Fl. 8          3 (v) – o direito à  repetição e compensação do  indébito  tributário encontra­se  consubstanciado nos arts. 165, I e 170, do CTN; no art. 74, §§ 1o e 2o, da Lei nº 9.430/96; nos  arts. 1o, 2o, 3o e 4o, da Lei nº 9.784/99, que regula os atos do processo administrativo federal.  Finalmente  a  Manifestante  concluiu  em  suas  deduções  pela  existência  de  direito líquido e certo à compensação de valores pagos indevidamente a título de PIS/PASEP e  Cofins, para postular pela homologação da compensação declarada.  Conclusos foram os autos submetidos à apreciação da 9ª Turma da DRJ/SP1,  quando  em  sessão  realizada  em  12/05/11,  proferiram  decisão  por  meio  do  Acórdão  nº  16­ 31.492, cuja ementa encontra­se adiante transcrita:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL – COFINS  Ano­calendário: 2006  CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.  Não  fica  configurado  cerceamento  de  defesa  quando  o  contribuinte  é  regularmente  cientificado  do  despacho  decisório,  sendo­lhe  possibilitada  a  apresentação  de  manifestação  de  inconformidade  no  prazo  legal  contra  motivada decisão que – por conta da vinculação total de pagamento a débito  do  próprio  interessado  –  expressa  a  inexistência  de  saldo  pra  fins  de  compensação.  DESPACHO ELETRÔNICO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL.   A  ausência  de  valor  disponível  para  eventual  restituição ou  compensação  é  circunstância apta a embasar a não­homologação de compensação.  COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO.  É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação  dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que  lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida.  DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.  A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de  prova,  não  é  suficiente  para  reformar  a  decisão  não  homologatória  de  compensação.  VENDAS A PRAZO.  Nas vendas a prazo, o custo do financiamento, contido no valor dos bens ou  serviços ou destacado na nota fiscal, integra a receita bruta da venda de bens  e serviços, não constituindo, portanto, receita financeira.  Manifestação de Inconformidade Improcedente.  Direito Creditório não Reconhecido.    O voto condutor do acórdão supramencionado, em apertada síntese, constatou  que  o  recolhimento  indicado  pela  manifestante  foi  integralmente  utilizado  para  quitação  de  débitos, ou dito de outra forma, para o tributo e período de apuração informado, não consta do  Fl. 85DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     4 “conta corrente” da Receita Federal do Brasil – RFB saldo disponível para compensação; que o  DARF  foi  consumido  integralmente  na  extinção  de  débitos  regularmente  registrados  nos  arquivos fazendários.  Assinalou,  ainda,  que os débitos dos  contribuintes decorrem de  lançamento  e/ou  de  confissão  de  dívida,  sendo necessária  a  regular  desconstituição do  título  no  qual  foi  assentado  o  crédito  tributário  para  que  o  DARF  a  este  vinculado  resulte  disponível  para  eventual  restituição ou compensação. E uma vez confessada a dívida ou havido e mantido o  lançamento, têm­se para a Administração um débito legítimo a ser extinto pelo pagamento.  Aludiu  o  voto  condutor  que  sendo  a  dívida  confessada  de  inteira  responsabilidade do contribuinte, cumpre ao próprio sujeito passivo – ressalvados os casos em  que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato – desconstituir a dívida pela regular  correção do documento de confissão, o que não foi efetuado.  Mencionou o referido voto o ADN COSIT nº 73/93, que remete ao art. 2o da  LC nº 07/90, que estipulava que  a base de cálculo da Cofins é o  faturamento mensal,  assim  considerada  a  receita  bruta  das  vendas  de mercadorias  e  serviços  e  de  serviços  de  qualquer  natureza, daí que a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins pela Lei  9718/98, em nada afetou a inclinação desse ato normativo.  Concluiu, enfim, que a contribuinte não trouxe aos autos documentos, provas  e  elementos  concretos  que  pudessem  estabelecer  limites,  os  contornos  e  real  natureza  dos  chamados encargos financeiros; que o ônus da prova é do contribuinte que não traz qualquer  documento que comprove o alegado, e que aqueles colacionados aos autos não são o bastante  para operar a liquidez e certeza do crédito declarado.     Ciente  do  teor  do  decidido  no  acórdão  de  piso  em  10/06/2011  (vide  AR),  irresignada  a  contribuinte  interpôs  seu  recurso  voluntário  em  06/07/2011,  de  acordo  com  o  carimbo de protocolo estampado no próprio apelo.  Em  caráter  de  preliminar  indica  que  a  ação  fiscalizadora  resultou  em  cerceamento de defesa, eis que não houve qualquer comunicação por parte da Administração  em  face  da  não  homologação,  em  razão  da  possibilidade  de  a  recorrente  apresentar  a  sua  justificação  em  relação  dos  créditos  aproveitados,  tendo  em  vista  a  formulação  do  juízo  de  convencimento do julgador.  No mais  reiterou, minudentemente,  os  argumentos  expendidos  na  exordial,  colacionando  aos  autos  a  título  de  comprovação  do  alegado  planilha  que  identifica  créditos  relacionados às contribuições para o PIS e Cofins.  A recorrente requereu a reforma do despacho decisório e da decisão de piso,  para fins de homologação do crédito compensado e, não sendo este o entendimento majoritário,  reiterou o pedido para a conversão do julgamento em diligência, nos termos do  inciso  IV do  art.  16  do Dec.  nº  70.235/72,  para  fins  de  constatação  da  veracidade  dos  fatos  narrados  na  exordial e apelo, possibilitando, assim, a ampla defesa e o contraditório.  Finalmente  requereu  pelo  deferimento  do  pedido  para  sustentação  oral  quando do julgamento do recurso voluntário, ocasião em que deverá ser intimada a recorrente e  o seu procurador constituído nos autos, Walter Carvalho de Brito, com escritório na Alameda  Santos,  455,  16o  andar,  Conjunto  1609,  CEP  01.519­000,  Jardins,  São  Paulo,  quando  da  designação da data de julgamento.  Fl. 86DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.914904/2009­56  Acórdão n.º 3803­004.289  S3­TE03  Fl. 9          5 É o relatório.      Voto              Conselheiro Relator  Conselheiro Jorge Victor Rodrigues       O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos  necessários à sua admissibilidade, dele tomo conhecimento.  Como dito, o contribuinte pretendeu compensar crédito indevido ou a maior,  com débitos próprios nos períodos situados entre agosto/2004 e dezembro/2007, não logrando  êxito nesse desiderato perante o juízo a quo, que concluiu a partir de análise efetuada nos autos  pela  insuficiência  de  crédito,  considerando,  inclusive  que  o  sujeito  passivo  não  acostou  aos  autos  documentos  que  demonstrassem  inequivocamente  a  comprovação  de  sua  existência  e  regularidade.  A  decisão  de  primeira  instância  encontra  respaldo  no  Despacho  Decisório  Eletrônico,  que  atesta  a  inexistência  de  saldo  credor  remanescente  para  a  realização  da  compensação declarada.  A  referida  decisão  pronunciou­se  quanto  ao  limite  do  valor  do  crédito  original  utilizado  integralmente  na  extinção  de  outros  débitos  próprios  regularmente  informados  pela  contribuinte,  não  restando  saldo  credor  suficiente  para  à  satisfação  da  compensação informada em Per/DComp já descrita nos autos.   O deslinde da querela circunscreve­se, então, à matéria probatória acerca do  reconhecimento da  existência de direito creditório  alegado pelo contribuinte, matéria que  foi  devolvida para esta Corte, em razão de não restar pacificada em sede de primeira instância.  Assiste  razão  ao  juízo  de  primeira  instância  quando  formulou assertivas  de  que a DCOMP tem a finalidade de informar acerca do encontro de contas entre o contribuinte e  a  Fazenda  Pública,  bem  assim  que  a  responsabilidade  da  emissão  desse  documento  é  de  exclusividade  da  contribuinte,  de  igual  modo  o  sendo  em  relação  à  liquidez  e  certeza  dos  créditos e créditos informados por meio de Per/DComp.  De  igual modo manteve­se  escorreita  a decisão  recorrida,  quando assinalou  que a não homologação confirmando a extinção da obrigação tributária, não ocorreu  in casu,  por  falta da apresentação de documentação hábil  e  idônea que demonstrasse a  existência e a  regularidade  do  crédito  alegado  na DComp,  uma  vez  que  a  planilha  tão  somente  não  tem  o  condão  de  imprimir  certeza  e  liquidez  ao  direito  creditório  informado  no  Per/DComp,  nos  moldes preconizados no  art.  170  do CTN,  para o  fim do disposto  no  art.  156,  II, do mesmo  diploma legal.  Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     6 A  questão  da  prova  na  atividade  administrativo­tributária  resolve­se  ante  o  discernimento acerca da responsabilidade de quem deve provar o alegado. Para esclarecer esta  questão  busca­se  a  orientação  no  Código  de  Processo  Civil,  subsidiariamente  utilizado  nos  julgamentos dos processos administrativos fiscais pelo CARF, em seu art. 333, assim alude:  Art. 333. O ônus da prova incumbe:  I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;  II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo, ou extintivo  do direito do autor.  Finalmente  é  certo  ser  de  iniciativa  exclusiva  da  contribuinte  demandar  a  compensação  pela  via  de  Per/Dcomp  e,  por  tal  razão,  também  é  sua  a  responsabilidade  de  demonstração cabal da existência e regularidade do direito creditório nela informado, o que se  dá por meio da apresentação de documentação hábil e idônea, por ocasião da protocolização da  manifestação  de  inconformidade,  de  acordo  com  o  previsto  no  artigo  16  do  Decreto  nº  70.235/72, para verificação pelo julgador tributário.  A recorrente não laborou em demonstrar de forma inconteste a existência do  crédito  alegado,  nem  tampouco  infirmar  as  razões  de  decidir  do  despacho  decisório  e  da  decisão  de  primeira  instância,  mesmo  tendo  a  oportunidade  de  juntar  os  documentos  que  julgasse relevantes e não o fez, oportunamente.  Ante o exposto nego provimento ao recurso voluntário.  É como voto.  Sala de Sessões de 26 de junho de 2013  (Assinado digitalmente)  Jorge Victor Rodrigues    Relator  ­  Relator                               Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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