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Numero do processo: 10166.911268/2009-86
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2003
Para que seja possível a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo, necessário se faz que fique comprovada a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional.
Nesse sentido, tendo em vista a ausência de prova e a não existência dos requisitos específicos da liquidez e certeza do crédito, não há como se proceder à compensação pleiteada.
Numero da decisão: 3802-001.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 2ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO, por unanimidade de votos, CONHECER do presente recurso e NEGAR-LHE PROVIMENTO.
RÉGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
RELATOR CLÁUDIO AUGUSTO GONÇALVES PEREIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Régis Xavier Holanda, José Fernandes do Nascimento, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/07/2003 Para que seja possível a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo, necessário se faz que fique comprovada a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Nesse sentido, tendo em vista a ausência de prova e a não existência dos requisitos específicos da liquidez e certeza do crédito, não há como se proceder à compensação pleiteada.
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Nesse sentido, tendo em vista a ausência de prova e a não existência dos requisitos específicos da liquidez e certeza do crédito, não há como se proceder à compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 2ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO, por unanimidade de votos, CONHECER do presente recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. RÉGIS XAVIER HOLANDA Presidente. RELATOR CLÁUDIO AUGUSTO GONÇALVES PEREIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Régis Xavier Holanda, José Fernandes do Nascimento, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 12 68 /2 00 9- 86 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ªa Turma da DRJ/BSB, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo recorrente, a qual objetivava o reconhecimento da validade/legitimidade do PERD/COMP, juntado aos autos, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2003 Diante da não homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, cabe à Fazenda Nacional efetuar a cobrança do débito informado na declaração de compensação, que constitui confissão de dívida, sem necessidade de formalizar notificação lançamento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A decisão seguiuse nos seguintes termos: “A manifestação de inconformidade é tempestiva a atende aos requisitos de admissibilidade, cabendo dela tomar conhecimento A respeito da alegação da interessada, inicialmente oportunizase esclarecer que o despacho denegatório da homologação de compensação não se trata de notificação de lançamento prevista no art. . 9º do Dec. nº. 70.235, de 1972. Isto porque não é necessário, na espécie, emitir instrumento de constituição do crédito tributário da Fazenda Nacional, eis que o débito declarado pelo sujeito passivo no PER/DCOMP constitui confissão de dívida, por força do disposto no art. 74, § 6º., da Lei nº. 9.430, de 1996, verbis: Art. 74 (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Em suma, não homologada a compensação, a Fazenda Nacional deve comunicar o fato ao interessado, identificando os motivos da recusa, e, na mesma oportunidade, proceder a cobrança do débito indevidamente compensado. Discordando o sujeito passivo dos motivos que levaram à recusa da compensação, pode expressar sua irresignação em manifestação de inconformidade, no prazo de trinta dias, como lhe é assegurado pelo mesmo art. 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, com os parágrafos incluídos pela Leinº. 10.833, de 2003, a seguir reproduzidos: Art. 74 (...). § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A Fl. 291DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA Processo nº 10166.911268/200986 Acórdão n.º 3802001.525 S3TE02 Fl. 290 3 manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. Não há portanto, que se falar em tolhimento do direito de defesa, muito menos em nulidade. Apenas para ressaltar, no caso concreto a compensação não foi homologada por inexistência do crédito utilizado PER/DCOMP transmitido pela interessada, a qual poderia, em sua petição, se assim entendesse, diante do fato esclarecido pelo Fisco, trazer aos autos argumentos e provas que pudessem deixar patente a certeza e a liquidez do crédito pleiteado. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos: (i) que retificou a DCTF originária nos termos do que dispõe o artigo 11 da Instrução Normativa da RFB nº 903/2008, (ii) que a Constituição Federal assegura o princípio do devido processo legal e, por via de conseqüência, as decisões administrativas devem se revestir dos valores nele inerentes para ter validade e eficácia e (iii) que, no presente caso, não foram observados os princípios da ampla defesa e do contraditório. É o relatório. Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Relator Voto Conselheiro Relator Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Admissibilidade do Recurso Tendo em vista a presença dos requisitos regulares do desenvolvimento positivo do Recurso ora interposto pela recorrente, voto pelo seu Conhecimento e conseqüente análise do mérito recursal. Mérito Dá análise dos autos podemos extrair que, conforme Despacho Decisório reproduzido à fl. 22, emitido eletronicamente em 07/10/2009, a autoridade competente não homologou a compensação efetuada pela contribuinte acima identificada por meio do PER/DCOMP nº09832.93242.190608.1.7.040010, transmitido em 19/06/2008, tendo em vista que não foi confirmado o crédito utilizado, no valor original de R$ 17.525,95, atribuído a pagamento a maior relativo ao período de apuração de 31/07/2003, efetuado através de DARF no importe de R$ 77.400,02, recolhido em 15/08/2003, sob o código de receita 8109 (PIS), cujo valor foi utilizado para extinguir débito equivalente confessado em DCTF. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA 4 De início, ressaltamos que os valores declarados em DCTF, a teor do que dispõe o Decretolei 2.124 de 1984, em seu artigo 5º, § 1º, constituem confissão de dívida e instrumento hábil para a exigência do crédito tributário, bem como o artigo 74, § 6º da Lei n. 9.430 de 1996, dispõe que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Portanto, salvo melhor juízo, não dúvida que a dívida foi confessada. Em ato contínuo, temos que o processo administrativo é formalizado, dentre outros fins, com o objetivo de espelhar com clareza o conteúdo nele contido para garantir a segurança jurídica nos conflitos existentes entre o administrado e administração, já que é instrumento que decorre do dever do Estado de cumprir a lei. Nesse sentido, o processo administrativo é cercado de regras que compõem o procedimento. Portanto, conforme acima exposto, de pronto, podemos chegar a algumas conclusões: (i) sem definição das etapas por lei própria, o processo perde sua nitidez e transparência, de modo a tornar difícil ao contribuinte identificar suas possibilidades de participação na marcha processual administrativa, deixando de exercer seus direitos assegurados, (ii) sem comunicação dos atos processuais, o contribuinte não poderá conhecer ou exercer seu direito de defesa. Aqui estamos diante tanto do direito de saber qual é a exigência tributária quanto aos fundamentos aos quais motivaram tal exigência e (iii) não existindo medidas que permitam ao contribuinte contestar o feito, inviabilizado estará o exercício da confrontação dos elementos de prova dos argumentos apresentados pelas partes na relação jurídica instaurada. Estabelecidas as premissas acima, passemos para análise da lide administrativa que se resume em duas partes: (i) aplicação dos princípios da ampla defesa, contraditório e devido processo legal e (ii) possibilidade de provas em fase recursal. No que concerne à alegação da não aplicação dos princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, esta deve ser rechaçada de plano porquanto a recorrente foi intimada de todas as etapas processuais, inclusive tomando ciência do teor e fundamentos dos atos da Administração. Tudo nos moldes da norma de regência: Decreto 70.235/72. Outrossim, da leitura das peças processuais, denotamos a participação efetiva da contribuinte na estrada processual administrativa na busca do reconhecimento do alegado direito ao crédito. No que diz respeito à apresentação de prova em grau de recurso, art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, que assim dispõe: Art. 16. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). Entendemos que o caso em exame não se ajusta a nenhuma das hipóteses de exceção acima descritas. A prova, com efeito, poderia e deveria ter sido feita de imediato, já Fl. 293DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA Processo nº 10166.911268/200986 Acórdão n.º 3802001.525 S3TE02 Fl. 291 5 que, consoante amplamente destacado no curso do processo, a não homologação estava assentada na não comprovação do crédito. Ou seja: matéria exclusivamente de prova. Sobre o tema, sempre é bom lembrar, que o artigo 170 do Código Tributário Nacional determina expressamente que, para que seja possível a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo, necessário se faz a comprovação da existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Frisamos: o comando legal, portanto, fixou pressupostos nucleares para a efetivação da compensação de créditos tributários O direito de compensar crédito tributário indevidamente pago, conforme permitido em lei, exigese que se apure previamente, por via administrativa ou judicial, a sua liquidez e certeza, em homenagem ao devido processo legal. Precedentes do STJ – REsp n. 111.034/AL – REsp 76.230/PE – REsp 78.493 – REsp 98.197/RS. Por outro lado, apenas em sentido de alerta, admitida a juntada da prova em segunda instância, esta deveria ser apreciada e, caso demonstrada de plano a existência do direito creditório, seria determinada sua compensação, uma vez que, por força do princípio da verdade material, a Fazenda Pública tem o dever de tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade. De modo que, dada a ausência de provas no sentido de comprovação da liquidez e certeza do direito ao crédito, somada a ocorrência da preclusão temporal, não há como reconhecer o pleito da recorrente. Posto Isto, voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO e NEGOLHE PROVIMENTO, mantendo a decisão de primeira instância. Sala de Sessões, 30 de janeiro de 2013. (assinado digitalmente) Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Relator Relator Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 294DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 13971.904713/2009-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO E. STF (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário(RE 585235 QO-RG). REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NOS JULGAMENTOS DO CARF. ART. 62-A DO RICARF.
Reconhecido os créditos pleiteados pela Recorrente, devem ser homologadas as compensações declaradas até o montante do indébito apurado através da diligência realizada.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3301-001.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Rodrigo da Costa Pôssas
Presidente
Antônio Lisboa Cardoso
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO E. STF (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário(RE 585235 QORG). REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NOS JULGAMENTOS DO CARF. ART. 62A DO RICARF. Reconhecido os créditos pleiteados pela Recorrente, devem ser homologadas as compensações declaradas até o montante do indébito apurado através da diligência realizada. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 47 13 /2 00 9- 55 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). . Relatório Cuidase de recurso em face do acórdão de fls. 43/44, referente à Declaração de Compensação — PER/DCOMP, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de valores que teriam sido indevidamente recolhidos a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, no período de apuração de agosto de 2003, decorrente da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998 (alargamento da base de cálculo), conforme sintetiza a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PRELIMINAR. NULIDADE. AUSÊNCIA DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A autoridade competente para decidir sobre restituição/compensação poderá, ou seja, tem a faculdade de condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos, bem como tem a faculdade de determinar a realização de diligência. Se pela DCOMP apresentada já é possível concluir que o crédito pleiteado carece de liquidez e certeza, desnecessária a realização de diligência. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Conforme consta do voto condutor do acórdão recorrido, não compete à Administração Tributária a apreciação de argumentos sobre inconstitucionalidade de lei, cita a Súmula n° 2 do Segundo Conselho de Contribuintes Parecer Normativo CST/SRF de n° 329, de 1970, que assim dispõe: “Iterativamente tem esta Coordenação se manifestado no sentido de que a argüição de inconstitucionalidade não pode ser Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13971.904713/200955 Acórdão n.º 3301001.832 S3C3T1 Fl. 95 3 oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional.” Ademais disto, o artigo 3°, §1 0 da Lei n.° 9.718/1998 vigia no período de apuração em análise, não pode este juízo afastála, sob pena de, com isto, estar ultrapassando seus limites legais de competência, não tendo a contribuinte demonstrado ser parte de nenhuma ação judicial que a beneficie, e até a presente data, o Supremo Tribunal Federal só tomou decisões acerca da constitucionalidade da Lei n° 9.718, de 1998, na via incidental, ou seja, as ações julgadas têm efeitos apenas para as partes, não se estendendo a terceiros com efeitos erga omnes. O art. 1.°, caput, do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, apenas as decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional, deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta. Cientificada em 08/06/2010 (AR fl. 46), a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 47/57, em 07/06/2010, sustentando que por ocasião do julgamento dos Recursos Extraordinários n° 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840, na sessão de 9 de novembro de 2005, o plenário do Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1 0 da lei n° 9.718/98 e, por conseguinte, da exigência de COFINS sobre as receitas não operacionais, ou seja, diversas do produto da venda de bens ou serviços. Por essa razão, apresentou pedidos de compensações, via PER/DCOMP, a fim de aproveitar os pagamentos indevidos de COFINS calculados sobre as receitas não operacionais, com outros débitos vincendos administrados pela Receita Federal do Brasil, na data de 14/12/2005, através da PER/DCOMP n° 03421.80954.141205.1.3.040893, por meio da qual declarou a compensação de um crédito de COFINS (2172) relativo à competência de agosto de 2003, já que na data de 15/09/2003 recolheu indevidamente, "a maior", o valor originário de R$ 5.351,82 (calculado sobre receita não operacional da empresa, conforme bem demonstram os documentos anexos, em especial a DCTF e ficha do livro razão). Na sessão de 7 de outubro de 2011, este colegiado converteu o julgamento em diligência para que a unidade de origem apreciasse o mérito do pedido de restituição/compensação formulado pela /Recorrente. Realizada a diligência, restou confirmado com base nos dados constantes da DIPJ2004, ante a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98 , que, dos R$ 176.956,52 recolhidos sob o cód. 2172, relativamente ao período de apuração 08/2003, a empresa faria jus à repetição da importância de R$ 5.351,82 a título de pagamento indevido ou a maior. É o relatório Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 O recurso merece ser conhecido, porquanto tempestivo e revestido das demais condições legais pertinentes. Conforme relatado, trata o presente recurso de pedido de restituição/compensação indeferido, tendo em vista que a recorrente pretende utilizar o indébito decorrente do alargamento da base de cálculo das contribuições PIS/Pasep e COFINS, promovido pela art. 3º, § 1º da Lei 9.718/98, reputado inconstitucional pelo Pleno do E. STF, conforme depreendese do seguinte julgado: “EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, DJe227 DIVULG 27112008 PUBLIC 2811 2008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP 00871 ) Em 10/09/2008, foi reconhecida a repercussão geral do caso, sendo, inclusive sendo aprovada a edição de Súmula vinculante, consoante a seguinte decisão, in verbis: “Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008.” Desta forma, considerado que com a realização da diligência restou confirmado, com base nos dados constantes da DIPJ2004, ante a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98 , que, dos R$ 176.956,52 recolhidos sob o cód. 2172, relativamente ao período de apuração 08/2003, a empresa faria jus à repetição da importância de R$ 5.351,82 a título de pagamento indevido ou a maio, exatamente o valor solicitado pela Recorrente, enseja o provimento do recurso. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, a fim de reconhecer o indébito decorrente dos pagamentos maiores que os devidos, em virtude do alargamento da base de cálculo das contribuições PIS/Cofins, nos termos do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, com a respectiva homologação das compensações declaradas. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13971.904713/200955 Acórdão n.º 3301001.832 S3C3T1 Fl. 96 5 Sala das Sessões, em 21 de maio de 2013 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 10510.902572/2009-75
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
ERRO MATERIAL NA IDENTIFICAÇAO DO RECURSO. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. RECURSO CONHECIDO.
Embora a peça recursal nomine a recorrente como sendo empresa G. Barbosa & Cia. Ltda, inscrita no CNPJ sob o nº 13.004.742/0001-37, estranha à lide do processo, considero que houve apenas erro material na identificação do recurso não configurando vício ou óbice de legitimidade recursal, pois foram juntados todos os documentos (contrato social, procuração e recolhimento-DARF) referindo-se à SERIGY PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA, bem assim foram indicados corretamente o número do processo e respectivo acordão no cabeçalho das razões de recurso e foram atacados os fundamentos da decisão recorrida.
O citado erro material foi constatado pela própria interessada (recorrente) que, uma semana depois da apresentação tempestiva do recurso e respectivas razões, corrigiu o citado lapso manifesto na identificação do recurso, e no mais repetiu na íntegra as mesmas razões que já haviam sido apresentadas inicialmente. Fato que denota boa-fé da recorrente.
O equívoco gráfico ou erro material decorreu do fato das empresas serem do mesmo grupo econômico. Portanto, por invocação do princípio da instrumentalidade das formas, o recurso deve ser conhecido.
CRÉDITO UTILIZADO INTEGRALMENTE PARA QUITAR OUTRO DÉBITO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO.
Se o crédito foi reconhecido e aproveitado em outro processo, não há que se falar em direito creditório remanescente.
Numero da decisão: 1802-001.813
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONHECER do recurso voluntário por considerá-lo tempestivo, nos termos do voto vencedor. Designado o Conselheiro Nelso Kichel para redigir o voto vencedor. E no mérito, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. RECURSO CONHECIDO. Embora a peça recursal nomine a recorrente como sendo empresa G. Barbosa & Cia. Ltda, inscrita no CNPJ sob o nº 13.004.742/000137, estranha à lide do processo, considero que houve apenas erro material na identificação do recurso não configurando vício ou óbice de legitimidade recursal, pois foram juntados todos os documentos (contrato social, procuração e recolhimento DARF) referindose à SERIGY PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA, bem assim foram indicados corretamente o número do processo e respectivo acordão no cabeçalho das razões de recurso e foram atacados os fundamentos da decisão recorrida. O citado erro material foi constatado pela própria interessada (recorrente) que, uma semana depois da apresentação tempestiva do recurso e respectivas razões, corrigiu o citado lapso manifesto na identificação do recurso, e no mais repetiu na íntegra as mesmas razões que já haviam sido apresentadas inicialmente. Fato que denota boafé da recorrente. O equívoco gráfico ou erro material decorreu do fato das empresas serem do mesmo grupo econômico. Portanto, por invocação do princípio da instrumentalidade das formas, o recurso deve ser conhecido. CRÉDITO UTILIZADO INTEGRALMENTE PARA QUITAR OUTRO DÉBITO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Se o crédito foi reconhecido e aproveitado em outro processo, não há que se falar em direito creditório remanescente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 25 72 /2 00 9- 75 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUS TAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10510.902572/200975 Acórdão n.º 1802001.813 S1TE02 Fl. 235 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONHECER do recurso voluntário por considerálo tempestivo, nos termos do voto vencedor. Designado o Conselheiro Nelso Kichel para redigir o voto vencedor. E no mérito, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUS TAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10510.902572/200975 Acórdão n.º 1802001.813 S1TE02 Fl. 236 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA), que por unanimidade de votos indeferiu a juntada posterior de provas e no mérito julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte mantendo integralmente a decisão da DRF que não homologou a compensação da contribuinte. Inicialmente a interessada transmitiu em 22/06/2004 o PER/DCOMP eletrônico n° 24691.33120.220604.1.3.042120, visando utilizar direito creditório fundado em pagamento indevido ou a maior de IRPJ, código 5993, onde consta: a) débito compensado IRPJ – PJ que apuram imposto pelo lucro presumido (código de receita 2089) Período de apuração: 2º Trim. / 2001; vencimento: 31/07/2001 principal: R$ 174,37; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 174,37. b) crédito utilizado: Valor Original do Crédito Inicial: R$ 201,36; Crédito Original na Data da Transmissão: R$ 174,37 Crédito Atualizado: R$ 196,27 Total dos débitos desta DCOMP: R$ 174,37 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 154,91 Saldo do Crédito Original: R$ 19,46 A DRF Recife emitiu Despacho Decisório (fl. 7), onde não homologou a compensação, com a seguinte fundamentação: “Limite do crédito analisado, orrespondente ao valor do crédito original na data de transmissão Informado no PER/DCOMP: 174,37. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUS TAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10510.902572/200975 Acórdão n.º 1802001.813 S1TE02 Fl. 237 4 A partir das características do DARF discriminados no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito dispionível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. .(...) Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Inconformada com essa decisão, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, cujas razões, em síntese, são as seguintes: a) A Secretaria da Receita Federal do Brasil subsidia sua decisão fundamentando que o DARF utilizado pela Requerente como origem do crédito foi integralmente utilizado para a própria compensação do imposto apurado, tendo em vista a coincidência do código de reolhimento, competência, prazo para recolhimento e valor; b) Inferese que entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil, levou em consideração tão somente as informações prestadas pela Requerente na DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, desprezando as informações constantes na DIPJ, bem como nos Livros Contábeis da Recorrente; c) Junta planilha demonstrando crédito de IRPJ decorente de pagamentos a maior em agosto e setembro de 2000; d) Em face do exposto, o que se verifica é que existe meramente um erro material cometido pela Requerente mo preenchimento da DCTF do anocalendário de 2000 que, ao invés de informar o valor do débito de IRPJ – ESTIMATIVA informou como tal o valor do pagamento efetuado transfigurandose em um débito irreal em total desconformidade com a DIPJ apresentada e com os Livros Contábeis existentes, cuja cópia vai anexada a presente Manifestação de Inconformidade; e) Tendo em vista que se tratou de um erro material cometido pela Requerente no preenchimento da DCTF do anocalendário de 2000, o débito de IRPJ deve ser lançado com base nos valores informados na DIPJ e consubstanciados na escrita contábil desta”; f) De tudo que foi exposto na presente Manifestação de Inconformidade, da análise da legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e da superficialidade com que foram tratados os fatos aqui consignados, vem requerer a essa Delegacia da Receita Federal do Brasil: a) O conhecimento do presente reccurso, em todos os seus efeitos legais; b) A Reforma da decisão da DRF; c) Protesta pela juntada de novas provas. A DRJ de Salvador (BA) julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2000 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUS TAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10510.902572/200975 Acórdão n.º 1802001.813 S1TE02 Fl. 238 5 PROVAS. APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO A prova documental deve ser apresentada na impugnação precluindo o direito da contribuinte de fazêlo em outro momento processual, ao menos que demonstre a ocorrência de força maior que a impossibilitasse de apresentála; se refira a fato ou direito superveniente, e se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. COMPENSAÇÃO. EXCESSO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO A manifestação de inconformidade protoolizada tempestivamente configura litígio e suspende a exigibilidade do crédito tributário objeto da declaração de compensação, nos termos do art 151, inciso III, do Código Tributário Nacional. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. LIQUIDEZ E CERTEZA. Incabível a compensação do alegado pagamento indevido ou a maior, se ausentes a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão a qual tomou ciência em 08/11/2011 (fls. 100), a empresa G. Barbosa & Cia. Ltda, inscrita no CNPJ sob o nº 13.004.742/000137, apresentou recurso voluntário em 09/12/2011, embora mencionasse o processo e acórdão corretos. Sete dias após, em 16/12/2011, a ora Recorrente protocola petição informando que se atrapalhou na elaboração da peça recursal, pois informou o nome de outra empresa do mesmo grupo econômico. Para se esquivar do erro cometido cita a doutrina da Maria Sylvia de Pietro e Hely Lopes Meirelles para avocar os princípios da boa fé, economia processual e da verdade material. No cerne da defesa complementar afirma que a DRJ não considerou em seu julgamento parte de pagamento efetuado a maior no mês de julho/2000, eis que considerou o saldo negativo de IRPJ ao final do anocalendário, ao invés de considerar o valor pago a título de IRPJ e valores pagos a maior. Mencionou ainda que não foi considerado o DARF no valor de R$ 840,00, cuja cópia foi anexada aos autos. É o relatório. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUS TAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10510.902572/200975 Acórdão n.º 1802001.813 S1TE02 Fl. 239 6 Voto Vencido Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é intempestivo, portanto dele não tomo conhecimento. Conforme podemos observar no AR acostado às fls. 100, a contribuinte tomou ciência do acórdão nº 1527.663, da 1ª Turma da DRJ/SDR, no dia 08 de novembro de 2011. A apresentação do Recurso Voluntário pelo contribuinte que chega a nossa apreciação foi protocolado no dia 16 de dezembro de 2011. Sendo de 30 (trinta) dias o prazo para a interposição do recurso voluntário, de acordo com o Decreto nº 70.235/72, art. 33, contados na forma do art. 5º do mesmo diploma legal, a contagem do prazo iniciouse no dia 09 de novembro de 2011, tendo seu término ocorrido em 09 de dezembro de 2011, por considerar que dia 08 de dezembro foi feriado am Aracajú. A entrega após essa data é considerada intempestiva, havendo portanto a preclusão do direito da contribuinte de se defender na esfera administrativa. “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” Primeiramente a ora Recorrente alega erro na representação se deu por equívoco entre duas empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico e estabelecidas no mesmo endereço. Os grupos de sociedades têm como características a independência jurídica de seus integrantes e a unidade de direção. Não é por outro motivo que as relações jurídicas travadas por uma sociedade não interferem na esfera jurídica das outras sociedades do mesmo grupo, salvo quando essas outras também sejam parte na relação jurídica ou quando haja simulação, dada distinção entre as personalidades. No direito comercial/empresarial brasileiro, as sociedades se vinculam em um grupo por relações societárias (sociedades coligadas – Lei nº 10.406/2002, (Código Civil) art. 1.097 e segs.) ou por constituição formal do grupo em convenção entre as sociedades (Lei nº 6.404/76 (LSA) arts. 266 e 271). Fl. 239DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUS TAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10510.902572/200975 Acórdão n.º 1802001.813 S1TE02 Fl. 240 7 No primeiro caso, a unidade de direção se concentra na sociedade controladora, enquanto que na segunda hipótese o centro de decisões será previsto na convenção do grupo, elaborado pelas sociedades que o componham. Já a legislação fiscal brasileira não adota o conceito de grupo econômico, não havendo personificação, devendo cada empresa ser dotada de inscrição distinta, com contabilizações e apurações apartadas. O fato de serem residentes no mesmo endereço e possuirem os mesmos sócios não justifica o fato de que uma assinou em nome próprio a representatividade cabível a outra empresa. Frisese que não se trata de erro de grafia; sucessora / sucedida; incorporadora / incorporada; ou troca de nome ou CNPJ, mas de duas empresas que de fato existem e que são totalmente independentes para fins comerciais e tributários. Para corroborar com esse entendimento vale lembrar que sob a ótica tributária, mais especificamente o campo da responsabilização tributária, ressalvadas as hipóteses em que ocorra a simulação, o simples fato de pertencer a um grupo de sociedades não atribuir a responsabilidade tributária solidária a uma sociedade desse grupo por fatos geradores que não realizou, ou cuja realização e respectivo cumprimento de obrigações tributárias não determinou concretamente. Validando o entendimento com base nessas mesmas premissas a 1ª Turma do STJ, no julgamento do REsp 859.616/RS de relatoria Ministro Luiz Fux, julgado em 18.09.2007, já se manifestou contra a responsabilização de sociedades pertencentes ao mesmo grupo econômico com base no suposto interesse comum previsto no art. 124, I do CTN, senão vejamos trecho do voto: “(...) a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível”. Assim, por óbvio não cabe a avocação do princípio da verdade material, como bem disciplina a nossa doutrina, por absoluta falta de representatividade que configurase vício insanável. Tendo sido vencido nessa preliminar por este colegiado, vamos ao cerne do processo. No mérito não assiste razão a Recorrente. Afirma a contribuinte que no mês de julho/2000 recolheu um DARF no valor principal de R$ 830,26, que não foi considerado pela DRJ na apuração do valor a ser compensado, gerando o provimento parcial da Manifestação de Inconformidade. Tal fato é verídico, contudo o crédito em questão foi integralmente reconhecido no processo nº 10510.900302/200849, portanto compensado através do PER/DCOMP eletrônico n° 16876.98194.180604.1.7.046732. Assim se deu a ementa e conclusão do citado processo em questão: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 240DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUS TAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10510.902572/200975 Acórdão n.º 1802001.813 S1TE02 Fl. 241 8 Anocalendário: 2000 IRPJ. ESTIMATIVA. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO Comprovada a existência de pagamento de estimativa não computado pela DRJ, cabe o reconhecimento do direito creditório complementar. (...) Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso para reconhecer o crédito adicional no valor de R$ 830,26, homologando a compensação no limite desse valor.” Quanto ao DARF de código 3373, no valor de R$ 840,00, não assiste qualquer razão a Recorrente, eis que se trata de pagamento referente a outro período de apuração, portanto não compõe o saldo negativo do exercício em questão. Vale mencionar que não se trata nem mesmo de pagamento a título de estimativa de IRPJ. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 241DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUS TAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10510.902572/200975 Acórdão n.º 1802001.813 S1TE02 Fl. 242 9 Voto Vencedor Conselheiro Nelso Kichel, Redator designado. Discordo do entendimento do nobre Relator que não conheceu do recurso. É óbvio, patente, que houve mero erro material na identificação do recurso. Vale dizer, embora a peça recursal nomine a recorrente como sendo empresa G. Barbosa & Cia. Ltda, inscrita no CNPJ sob o nº 13.004.742/000137, estranha à lide do processo, considero que houve apenas erro material na identificação do recurso não configurando vício ou óbice de legitimidade recursal, pois foram juntados todos os documentos (contrato social, procuração e recolhimentoDARF) referindose à SERIGY PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA, bem assim foram indicados corretamente o número do processo e respectivo acordão no cabeçalho das razões de recurso e foram atacados os fundamentos da decisão recorrida. O citado erro material foi constatado pela própria interessada (recorrente) que, uma semana depois da apresentação tempestiva do recurso e respectivas razões, corrigiu o citado lapso manifesto na identificação do recurso, e no mais repetiu na íntegra as mesmas razões que já haviam sido apresentadas inicialmente. Fato que denota boafé da recorrente. Ainda, o equívoco gráfico ou erro material decorreu do fato das empresas serem do mesmo grupo econômico. Portanto, sem delongas e por invocação do princípio da instrumentalidade das formas, o recurso deve ser conhecido. Em situação análoga erro na identificação do recurso, o Tribunal Regional do Trabalho – TRT –13 também já decidiu pela legitimidade de recurso, conforme o seguinte precedente jurisprudencial que transcrevo, in verbis: TRT13 Agravo de Instrumento em Recurso Ordinário Processo:AIRO 131503 PB 00656.2011.004.13.010 Relator(a):EDVALDO DE ANDRADE Julgamento:12/03/2012 Órgão Julgador:Tribunal Pleno Publicação:14/03/2012 Ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. ERRO MATERIAL NA IDENTIFICAÇAO DO RECURSO. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. PROVIMENTO. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUS TAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10510.902572/200975 Acórdão n.º 1802001.813 S1TE02 Fl. 243 10 Embora a peça recursal nomine a recorrente como Ambiental Soluções Ltda., empresa estranha a este processo, considero que houve apenas erro material, porquanto os recolhimentos de custas processuais e depósito recursal foram efetuados em nome da Construtora Mart Ltda., esta, sim, figurando como reclamada nos presentes autos, com legitimidade para recorrer. Além disso, o número do processo foi corretamente indicado no cabeçalho das razões de recurso, assim como o nome do reclamante. Portanto, por invocação do princípio da instrumentalidade das formas, o recurso deve ser recebido. Agravo de instrumento a que se dá provimento. Por tudo que foi exposto, voto para conhecer do recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 243DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUS TAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10580.728625/2009-56
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Aug 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IMPOSTO COMPLEMENTAR. GLOSA.
O recolhimento de imposto complementar deve ser feito no curso do ano-calendário, até o último dia útil do mês de dezembro. É descabida a dedução de imposto recolhido em 2008, a título de imposto complementar, na declaração de ajuste anual referente ao ano-calendário de 2007.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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GLOSA. O recolhimento de imposto complementar deve ser feito no curso do ano calendário, até o último dia útil do mês de dezembro. É descabida a dedução de imposto recolhido em 2008, a título de imposto complementar, na declaração de ajuste anual referente ao anocalendário de 2007. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 86 25 /2 00 9- 56 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.728625/200956 Acórdão n.º 2801003.083 S2TE01 Fl. 55 2 Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 124,62, incluídos multa de mora no percentual de 20% (vinte por cento) e juros de mora. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 29 deste processo digital, que houve a glosa do valor de R$ 1.800,00, pleiteado indevidamente a título de Imposto Complementar (mensalão), correspondente a diferença entre o valor declarado e os valores efetivamente recolhidos com o código de receita 0246. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2/3, que foi julgada procedente em parte pela 3ª Turma da DRJ/SDR, por intermédio de acórdão de fls. 37/38. Cientificado da decisão de primeira instância em 22/03/2011 (Termo de Intimação à fl. 42), o Interessado interpôs, em 04/04/2011, o recurso de fl. 43/44. Na peça recursal alega, em síntese, que: Deixou de incluir, na sua primeira declaração, o valor recolhido de R$ 1.800,00, a título de carnêleão, o que resultou em imposto a pagar de R$ 1.891,55, recolhido em 22.04.2008 com o código de receita 0211 (cópia em anexo). No dia 29.03.2009 apresentou a primeira declaração retificadora, o que resultou em imposto a pagar no valor de R$ 91,12. Em 14.04.2009 apresentou a segunda declaração retificadora, incluindo o valor de R$ 1.800,00 (cópias dos DARF em anexo), que resultou em imposto a restituir da ordem de R$ 1.708,88. Reanalisando a segunda declaração retificadora, percebeu, mais uma vez, que o valor da restituição estava a menor, pois o correto seria R$ 1.800,43 (R$ 1.891,55 – R$ 91,12). Contudo, não enviou a terceira retificadora em razão do recebimento da presente Notificação de Lançamento. Ao final, pugna pela juntada do conta corrente de seu CPF onde constarão os valores pagos, bem como seja convidado a prestar explicações verbais para eliminar o impasse. Pleiteia, outrossim, que seja cancelado o débito fiscal reclamado. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. O motivo do lançamento foi a compensação indevida de imposto complementar (código de receita 0246), no valor de R$ 1.800,00. No recurso, o Interessado colaciona aos autos cópias de DARF que totalizam o mesmo valor (fls. 48/51), recolhidos a título de carnêleão durante o anocalendário de 2007 (código de receita 0190). Anexa, também, comprovante de pagamento do DARF de fl. 52, no valor de R$ 1.891,55, recolhido em 22.04.2008, com código de receita 0211 (cota única do imposto apurado na declaração de ajuste anual). Fl. 55DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.728625/200956 Acórdão n.º 2801003.083 S2TE01 Fl. 56 3 A declaração retificadora apresentada em 14.04.2009, que originou a presente Notificação de Lançamento, evidencia que o Recorrente lançou, na ficha “Rendimentos recebidos de Pessoas Físicas” (fl. 20), o valor de R$ 1.800,00, recolhidos no anocalendário de 2007 a título de carnêleão (DARF às fls. 48/51, código de recolhimento 0190), além do valor de R$ 1.800,00 na ficha “Demais Rendimentos” (fl. 21), a título de imposto complementar. O que se percebe, pela linha argumentativa do Recorrente, é que ele, por não ter lançado os valores recolhidos a título de carnêleão na declaração primeva e ter recolhido o valor de R$ 1.891,55 no código de receita 0211 (cota única do imposto apurado na declaração de ajuste anual, recolhido em 22.04.2008), tentou recuperar R$ 1.800,00 (R$ 1.800,43 = R$ 1.891,55 R$ 91,12) por via transversa, lançandoo, na segunda retificadora, como se fosse “imposto complementar”, o que não é permitido pela legislação do imposto de renda, haja vista que os recolhimentos a esse título devem ser feitos no curso do anocalendário, até o último dia útil do mês de dezembro. Noutro giro verbal: o recolhimento de imposto complementar deve ser feito no curso do anocalendário, até o último dia útil do mês de dezembro. É descabida a dedução de imposto recolhido em 2008, a título de imposto complementar, na declaração de ajuste anual referente ao anocalendário de 2007. Assim, correta a glosa do valor de R$ 1.800,00 pleiteado indevidamente a título de “imposto complementar”, porquanto não houve recolhimento a esse título no ano calendário de 2007. Observo, por oportuno, que é totalmente desnecessária a juntada do conta corrente do Interessado, que, se tivesse recolhido algum valor a título de imposto complementar, tal como lançado na segunda retificadora, teria colacionado aos autos os comprovantes de recolhimento, assim como fez com os valores pagos a título de carnêleão. Registro, por derradeiro, que se o Recorrente tem interesse em prestar explicações verbais para eliminar o impasse, poderia têlo feito neste Plenário, mediante sustentação oral, mas não por convite da Administração Tributária. Face ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos Almeida Fl. 56DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10935.001757/2004-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMO DE PESSOAS FÍSICAS. DOCUMENTAÇÃO NÃO APRESENTADA. DESCRIÇÃO IMPRECISA DOS ITENS ADQUIRIDOS NO DOCUMENTÁRIO FISCAL APRESENTADO. AUSÊNCIA DE REGISTRO NA CONTABILIDADE. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE.
1. É ônus do contribuinte provar o direito ao crédito presumido do IPI calculado sobre matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem adquiridos de pessoas físicas, por meio de documentação adequada que demonstre a regularidade das aquisições e identificação dos insumos, bem como os registros das respectivas operações nos livros contábeis e fiscais.
2. A falta ou a apresentação de documento sem a perfeita identificação dos produtos adquiridos de pessoas físicas impossibilita o conhecimento da natureza e do tipo de produto adquirido e, por falta de identificação, a sua inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMO DE PESSOAS FÍSICAS. DOCUMENTAÇÃO NÃO APRESENTADA. DESCRIÇÃO IMPRECISA DOS ITENS ADQUIRIDOS NO DOCUMENTÁRIO FISCAL APRESENTADO. AUSÊNCIA DE REGISTRO NA CONTABILIDADE. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. 1. É ônus do contribuinte provar o direito ao crédito presumido do IPI calculado sobre matériaprima, produto intermediário e material de embalagem adquiridos de pessoas físicas, por meio de documentação adequada que demonstre a regularidade das aquisições e identificação dos insumos, bem como os registros das respectivas operações nos livros contábeis e fiscais. 2. A falta ou a apresentação de documento sem a perfeita identificação dos produtos adquiridos de pessoas físicas impossibilita o conhecimento da natureza e do tipo de produto adquirido e, por falta de identificação, a sua inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 17 57 /2 00 4- 65 Fl. 2804DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento (fls. 2.454/2.455) complementar, no valor de R$ 815.963,47, ao crédito presumido do IPI do 4º trimestre de 2003, no valor de R$ 4.493.909,26, anteriormente reconhecido por meio do Despacho Decisório de fls. 2.386/2.399, que se tornou definitivo na esfera administrativa, em face da ausência de contestação. Em cumprimento à determinação judicial, exarada na Sentença de fls. 2.542/2.521, o titular da Unidade da Receita Federal de origem proferiu o Despacho Decisório de fls. 2.722/2.730, em que reconheceu, parcialmente, o crédito complementar pleiteado, no valor de R$ 19.639,21, acrescido da taxa Selic a partir de 25/6/2009, com base nas razões apresentadas nos itens 19 a 31 (fls. 2.725/2.728). A glosa parcial do crédito, no valor de R$ 796.324,26, foi motivada pelos fatos explicitados nos itens 19 a 30, a seguir transcritos: CFOP 2.151 (Matriz) 19. De acordo com os esclarecimentos prestados pela interessada nas fls. 2592/2594, é com a dedução dos valores relativos ao Código Fiscal de Operação e Prestação (CFOP) 2.151 (transferências para industrialização da filial para a matriz) da soma dos demais CFOP's listados no quadro acima que se explica as diferenças entre os valores apontados na linha 12 do DCP original (ajustado pela RFB) e do DCP retificador. 20. Assim, a interessada reconhece que tais valores (2.151), que integraram o cálculo original do crédito presumido, não deveriam ter integrado esse cálculo. 21. De fato, essas operações de transferências da filial para a matriz não se referem a aquisições (ainda que delas decorrentes), portanto, não deveriam ter integrado o cálculo original, ainda mais agora, que se pretende incluir as aquisições feitas pela filial no novo cálculo. Por isso, a análise dos documentos relativos aos demais CFOP's listados no quadro acima implica a exclusão dos valores relativos ao CFOP 2.151 do cálculo original. CFOP 2.116 (Matriz) 22. Na análise dos documentos do CFOP 2.116, as ocorrências a seguir foram verificadas para justificar a não inclusão dos valores no recálculo do crédito. 23. Nas operações de compra de mercadorias de pessoas físicas, conforme demonstrado no Anexo I (fls. 2659/2661), verificou se que: Fl. 2805DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10935.001757/200465 Acórdão n.º 3102001.943 S3C1T2 Fl. 11 3 a) Os documentos foram localizados nos arquivos digitais (fiscais), mas não constam da contabilidade, fato que não caracteriza uma aquisição regular de mercadorias, pois neste caso não existe um registro contábil do efetivo pagamento, nem mesmo de uma expectativa de pagamento (registro de um passivo), o que torna inviável o ressarcimento de valor não pago. Ademais, constam nos arquivos digitais que seriam "DIVERSOS" as mercadorias adquiridas, portanto, não passíveis de enquadramento como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem; e b) Tratamse de operações com pessoas físicas, que não são contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, portanto, não passíveis de inclusão no cálculo do crédito presumido, conforme previsto no art. 5°, §2°, da IN SRF n° 315/2003, disposição normativa já citada na primeira decisão. 24. Nas operações de compra de mercadorias de pessoas jurídicas, conforme demonstrado no Anexo II (fls. 2662/2670), verificouse que: a) Alguns documentos foram localizados nos arquivos digitais (fiscais), mas não constam da contabilidade, fato que impossibilita caracterizar a operação como regular, pois neste caso não existe um registro contábil do efetivo pagamento, nem mesmo de uma expectativa de pagamento (registro de um passivo), o que torna inviável o ressarcimento de valor não pago. Ademais, constam nos arquivos digitais que seriam "DIVERSOS" as mercadorias adquiridas, portanto, não passíveis de enquadramento como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem; e b) Os demais documentos, emitidos por DAL PAI S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO CNPJ 76.490.887/000458 e INDÚSTRIAS PEDRO N. PIZZATO LTDA CNPJ 76.501.394/000476, não foram localizados nos arquivos digitais, fato que impossibilita a identificação e o enquadramento das mercadorias adquiridas. Somado a isso, também não foram localizados na contabilidade, fato que impossibilita caracterizar a operação como regular, pois neste caso não existe um registro contábil do efetivo pagamento, nem mesmo de uma expectativa de pagamento (registro de um passivo), o que torna inviável o ressarcimento de valor não pago. PESSOAS FÍSICAS (Matriz) 25. Verificouse inicialmente que o total das operações de compra de mercadorias de pessoas físicas no trimestre coincide com o valor total que não foi considerado no cálculo inicial do crédito presumido (nem pela interessada no DCP, nem pelo Fisco). Por isso, o valor total do período, para o efeito de cálculo do crédito presumido, foi computado uma única vez, pois, com certeza, não se referem (ou não deveriam se referir) a operações diversas. De qualquer modo, as ocorrências a seguir foram verificadas para justificar a não inclusão dos valores no recálculo do crédito. Fl. 2806DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 26. Procedida à análise do demonstrativo apresentado pela interessada, conforme demonstrado no Anexo III (fls. 2671/2676), verificouse que: a) A quase totalidade dos documentos (aqueles que constaram dos arquivos digitais) aponta a descrição das mercadorias adquiridas como "DIVERSOS", portanto, não passíveis de enquadramento como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem; b) Alguns dos documentos relacionados são, na verdade, da Filial 0002, portanto, lançados indevidamente na matriz (em duplicidade); c) Outros documentos se referem a aquisições de produtos para recebimento futuro (simples faturamento CFOP 2.922), cuja inclusão no cálculo do crédito presumido somente é permitida a partir do momento da sua efetiva entrada no estabelecimento adquirente (art. 17 da IN SRF no 315/2003 já citada na la decisão); d) Outros documentos foram omitidos nos arquivos digitais, fato que impede identificar e enquadrar as mercadorias adquiridas como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem; e e) Por fim, tratamse de operações com pessoas físicas, que não são contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, portanto, não passíveis de inclusão no cálculo do crédito presumido, conforme previsto no art. 5 0 , §2°, da IN SRF n° 315/2003, disposição normativa já citada na primeira decisão. CFOP 1.101 (Filial 0002) 27. De acordo com as informações contidas nos arquivos digitais apresentados, parte dos documentos do Código Fiscal de Operação e Prestação (CFOP) 1.101 encontrase devidamente lançado na escrita fiscal (livros fiscais) e também na contabilidade, fato que denota, em face do registro contábil do pagamento (ou do passivo), a regular aquisição de mercadorias de contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS. Além disso, consta nesses arquivos digitais (campo "descrição da mercadoria" / "descrição complementar da mercadoria" do arquivo 4.3.4 do ADE COFIS n° 55/2009) tratarse de aquisição de mercadorias enquadradas como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem. Mostrase, assim, procedente a inclusão de parte desses valores no recálculo do crédito. Já em relação ao restante dos documentos, as ocorrências a seguir foram verificadas para justificar a não inclusão dos valores no recálculo do crédito. 28. Nas operações de compra de mercadorias de pessoas físicas, conforme demonstrado no Anexo IV (fls. 2677/2679), verificou se que: a) A totalidade dos documentos aponta a descrição das mercadorias adquiridas como "DIVERSOS", portanto, não passíveis de enquadramento como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem; e Fl. 2807DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10935.001757/200465 Acórdão n.º 3102001.943 S3C1T2 Fl. 12 5 b) Além disso, tratamse de operações com pessoas físicas, que não são contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, portanto, não passíveis de inclusão no cálculo do crédito presumido, conforme previsto no art. 5°, §2°, da IN SRF n° 315/2003, disposição normativa já citada na primeira decisão. 29. Nas operações de compra de mercadorias de pessoas jurídicas, conforme demonstrado no Anexo V (fls. 2680/2681), verificouse que a totalidade dos documentos aponta a descrição das mercadorias adquiridas como "DIVERSOS", portanto, não passíveis de enquadramento como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem. CFOP 2.101 (Filial 0002) 30. De acordo com as informações contidas nos arquivos digitais apresentados, parte dos documentos do Código Fiscal de Operação e Prestação (CFOP) 2.101 encontrase devidamente lançado na escrita fiscal (livros fiscais) e também na contabilidade, fato que denota, em face do registro contábil do pagamento (ou do passivo), a regular aquisição de mercadorias de contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS. Além disso, consta nesses arquivos digitais (campo "descrição da mercadoria" / "descrição complementar da mercadoria" do arquivo 4.3.4 do ADE COFIS n° 55/2009) tratarse de aquisição de mercadorias enquadradas como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem. Mostrase, assim, procedente a inclusão de parte desses valores no recalculo do crédito. Já em relação ao restante (anexo VI fl. 2682), verificouse que o documento aponta a descrição das mercadorias adquiridas como "DIVERSOS", portanto, não passíveis de enquadramento como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem. (grifos não originais) Em sede de manifestação de inconformidade (fls. 2.754/2.758), a recorrente contestou apenas a glosa da parcela dos créditos relativos às aquisições de pessoas físicas, no valor de R$ 3.787.963,30, com base na alegação de que todas as aquisições de insumos, independentemente de ser o fornecedor contribuinte ou não da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, deviam ser computadas na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 2.773/2.779), em que, por unanimidade de votos, a 8ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SC julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que as compras de insumos de pessoas físicas não podiam ser utilizadas para efeito de determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI. Em 30/4/2012, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância. Inconformada, em 30/5/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 2.785/2.794, em que reafirmou as razões de defesa aduzidas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou que o Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob o regime do recurso repetitivo, no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 993.164/MG, reconhecera a ilegalidade das normas que excluíra da base de cálculo do crédito presumido do IPI os valores das matériasprimas e dos insumos adquiridos de pessoas físicas. Fl. 2808DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 6 É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia limitase apenas a glosa dos créditos relativos às compras de pessoas físicas, no valor de R$ 3.787.963,30, descritas nos Anexos I (fls. 2.684/2.686), III (fls. 2.696/2.701) e IV (fls. 2.702/2.704) do Demonstrativo do Crédito Presumido do IPI do 4º Trimestre de 2003. Conforme delineado no relatório precedente, as razões da glosa dos créditos provenientes das aquisições de pessoas jurídicas quanto dos créditos decorrentes das compras das pessoas físicas foram fundamentadas praticamente nos mesmos fatos. Porém, a recorrente não contestou à glosa dos créditos relativos às aquisições das pessoas jurídicas. Com efeito, a inconformidade da recorrente limitouse apenas as glosas dos créditos decorrentes das compras das pessoas físicas, porém, limitada à questão jurídica, ou seja, a existência de restrição normativa ao direito de apropriação do crédito presumido do IPI relativo às aquisições de pessoas físicas. Entretanto, conforme explicitado nos itens 23, 26 e 28 do contestado Despacho Decisório, além do óbice de natureza jurídica, foram relatadas questões de natureza fática que motivaram a glosa dos referidos créditos. Tais fatos, em suma, foram os seguintes: a) uma parte dos documentos não foi localizada nos arquivos digitais; b) outra parte dos documentos foi lançada em duplicidade; e c) a parte restante dos documentos, embora localizada nos arquivos digitais, apresentava as seguintes irregularidades: c.1) uma parte dos documentos não foi registrada na contabilidade; c.2) outra parte dos documentos se referem a aquisições de produtos para recebimento futuro, cuja inclusão no cálculo do crédito presumido do IPI somente é permitida a partir do momento da sua efetiva entrada no estabelecimento adquirente; e c.3) os produtos foram descritos como “DIVERSOS”, o que impossibilitava o enquadramento das respectivas aquisições como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem. Conforme mencionado, no recurso em apreço, assim como na manifestação de inconformidade, a recorrente alegou apenas que as aquisições de pessoas físicas integravam a base de cálculo do crédito presumido do IPI, com suporte no entendimento esposado na jurisprudência administrativa e judicial transcrita na peça defensiva, porém não apresentou qualquer contestação em relação às relevantes irregularidades apontadas pela fiscalização, tampouco apresentou qualquer elemento probatório que infirmasse os motivos fáticos da glosa dos créditos decorrentes das compras de pessoas físicas. No âmbito deste Conselho, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações posteriores, a questão jurídica, atinente à falta de amparo legal para apropriação dos Fl. 2809DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10935.001757/200465 Acórdão n.º 3102001.943 S3C1T2 Fl. 13 7 créditos provenientes das aquisições de insumos de pessoas físicas, ficou superada a partir da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), prolatado no julgamento do REsp nº 993.164/MG, processado sob regime do art. 543C do CPC, que reconheceu o direito de o contribuinte apropriarse do crédito presumido do IPI relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens adquiridos de pessoas físicas. O enunciado da ementa do referido acórdão tem o seguinte teor, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". Fl. 2810DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 8 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, Fl. 2811DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10935.001757/200465 Acórdão n.º 3102001.943 S3C1T2 Fl. 14 9 julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido Fl. 2812DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 10 pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Entretanto, conforme já mencionado, além da questão jurídica, a fiscalização apontou diversas irregularidades nos elementos probatórios apresentados pela recorrente que impossibilitam o reconhecimento do alegado direito creditório. Ademais, a recorrente não contestou nem apresentou qualquer explicação sobre tais irregularidades, o que torna a matéria fáticoprobatória incontroversa. Dessa forma, na ausência de comprovação da regularidade da aquisição dos insumos de pessoas físicas, bem como de parte dos registros contábeis e fiscais das respectivas operações, fica impossibilitado o reconhecimento do respectivo direito creditório. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 2813DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
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Numero do processo: 11060.003122/2009-14
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 29 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2801-000.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro José Valdemir da Silva.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Relatório
Por bem descrever os fatos, adota-se o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 107/112) deste processo digital, reproduzido a seguir:
Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração (fls. 43 a 52) referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física do ano-calendário 2004, no qual foi apurado o crédito tributário de R$ 87.058,08, nele compreendido imposto, multa de ofício e juros de mora, em decorrência da apuração de glosa de despesas da atividade rural, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal.
Tempestivamente, o interessado apresenta a impugnação da exigência às fls. 59 a 67. Suas alegações estão, em síntese, a seguir descritas.
Nulidade do Lançamento
A insuficiente (deficiente) descrição dos fatos e o consequente cerceamento do direito de defesa.
Os autuantes promoveram a descrição do fato imponível de forma insuficiente, superficial, tornando o lançamento nulo por dois motivos principais.
Um, porque descumpriram o disposto no artigo 10, inciso III, do Decreto n° 70.235/72. Guiado pelo princípio da tipicidade, o citado dispositivo preconiza que a descrição do fato tributável deve apresentar uma evidente subsunção (vinculação) à previsão legal. Guiado pelo princípio da certeza e da segurança jurídica, o referido dispositivo impõe que o lançamento não pode assentar-se na incerteza, num estado de dúvida. Este caso não autoriza o uso de presunção.
Dois, porque a motivação genérica, aliada à sumaria indicação do montante glosado, ou seja, a não individualização dos valores glosados, implica no cerceamento do exercício do direito de defesa.
Tais vícios conjugados determinam a nulidade do lançamento.
A glosa de valores estranhos à obra
Dentro do montante lançado/glosado (R$ 673.488,14), existem desembolsos com materiais/serviços que não foram aplicados na edificação do pavilhão e anexos, mas em outras situações.
Observação: este item deve ser analisado em conjunto com o posterior.
A inobservância do período de tempo consumido e da distribuição dos gastos havidos na construção
Diferentemente do que entendeu a fiscalização, a maior parte dos gastos havidos com a construção não ocorreu em 2004, quando teria havido o alegado desembolso de R$ 673.488,14.
De fato, a implantação da obra (e anexos), e a correspondente distribuição dos gastos, ocorreu no período de tempo compreendido de abril/2003 a abril/2005.
Isto, aliás, está detalhado nas planilhas de fls. 14/16, elaboradas em resposta ao Termo de Intimação de 16.07.2009.
Visualizando-as, verifica-se que o total investido perfez o montante de R$ 875.091,51, sendo que:
- no ano-calendário 2003, foram despendidos R$ 238.534,72;
- no ano-calendário 2004, foram despendidos R$ 320.534,72;
- no ano-calendário 2005, foram despendidos R$ 300.011,94.
Observação: Referidos dados não foram contestados pela fiscalização. Logo, se foram, ainda que tacitamente, acolhidos pela autoridade lançadora, não podem ser desacolhidos pela autoridade julgadora na fase contenciosa, visto que a função de julgar não se confunde com a de lançar.
A inatingibilidade, neste feito, dos gastos correspondentes aos anos-calendário de 2003 e 2005
O caput do artigo 144 do Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador.
Assim sendo, no presente feito, se cabível fosse a glosa só poderia incidir sobre os dispêndios pertinentes ao ano-calendário 2004.
Logo, por dizerem respeito a fatos geradores enquadráveis em outros períodos de apuração (anuais), impõe-se o desfazimento da glosa dos valores correspondentes aos anos-calendário de 2003 e 2005.
Argui a decadência do direito do Fisco promover a glosa dos gastos relativos ao ano-calendário 2003.
De qualquer forma, mesmo que, por hipótese, os motivos apontados não fossem suficientes para desfazer o lançamento, ainda assim, como adiante é demonstrado, outros existem para determinar seu cancelamento.
A verdadeira característica (natureza jurídica) da exploração conjunta das áreas rurais
Examinando a cláusula sexta do 'contrato de parcerias agropecuárias' e do 'aditivo' anexados por cópia às fls. 32/37, verifica-se que todos os 'parceiros' colocam todas as glebas de suas propriedades, assim como as benfeitorias, maquinário agrícola e semoventes à disposição da parceria, para serem explorados pela mesma, recebendo cada um, em troca, a participação no resultado financeiro mencionado na cláusula terceira.
Examinando a 'cláusula décima', verifica-se que a administração é feita pelo Sr. Pedro Herter, o líder da família, e, no seu impedimento, pelo filho-varão (Fábio).
Examinando as Declarações de Bens (dos 'parceiros'), juntadas nos respectivos processos administrativos, verifica-se que a exploração conjunta ocorreu sobre glebas rurais com títulos de propriedade individual ou conjunta da Sra. Odila, do casal Pedro/Margareth, e dos filhos destes, Fábio e Ingrid.
Os elementos expostos autorizam concluir que, no presente caso, apesar de ser denominado como sendo de PARCERIA, o contrato revela, de fato, a pactuação de uma exploração conjunta típica de um CONDOMÍNIO FAMILIAR.
Significa dizer: não há obrigações específicas assumidas com terceiros proprietários, isto é, entre parceiro-outorgante e parceiros-arrendatários, mas a junção (exploração coletiva) do patrimônio familiar, objetivando racionalizar a administração, diminuir custos, enfim, otimizar o desempenho técnico-financeiro advindo da exploração agropecuária condominial.
Sustenta que o incontestável fato de haver uma exploração agropecuária conjunta de proprietários (condomínio familiar), impõe o afastamento das regras aplicáveis à parceria, que, em parte, embasaram o lançamento.
A irrelevância da área e da edificação estarem em nome (individual) do Sr. Pedro
A existência de título exclusivo da área de 4 ha em nome de Pedro Luiz Herter, bem como das benfeitorias (e anexos) sobre ela edificadas, não constitui motivo legal (causa) hábil para a realização da glosa em lide.
Em suma, está equivocada a premissa dos Autuantes de que pelo fato de o título de propriedade da terra-nua (4 ha) estar em nome de Pedro Herter implica na automática/consequente propriedade individual, pela mesma pessoa, das benfeitorias e anexos sobre ela (terra-nua) edificadas.
De um lado, porque nenhuma determinação legal existe impedindo que sobre a terra- nua de alguém (no caso, do Sr. Pedro), sejam construídas benfeitorias por outrem (no caso, o 'conjunto familiar').
De outro, porque visualizando tanto este, como os processos administrativos instaurados contra os demais familiares, torna-se evidente a propriedade condominial benfeitorias (e anexos).
A inobservância das fases da edificação e da alienação das benfeitorias
Conjuntamente com as ponderações feitas no item precedente, o Impugnante aduz que, na formalização da glosa, os autuantes deixaram de levar em consideração, ou, melhor dizendo, de distinguir as fases, isto é, os momentos cronológicos da edificação e da alienação da obra (benfeitorias e anexos).
A diferenciação é demonstrada nos subitens que seguem.
A fase (período cronológico) da edificação da obra
O momento cronológico da edificação envolveu todos os parceiros (melhor dizendo, condôminos).
Todos eles, inquestionavelmente, manifestaram conhecimento e concordância na participação conjunta dos custos.
Para ter certeza, basta ver:
- as respectivas declarações de rendimentos, onde todos, na proporção de cada um, informaram os resultados tributáveis apurados no 'caixa comum', observado que a área de 4 ha em nome de Pedro Herter não gerou rendimentos, havendo apenas custos;
- nos anexos da atividade rural, o quadro 'Dívidas vinculadas à atividade rural', onde todos condôminos declararam como sendo proporcionalmente suas, as dívidas de financiamento assumidas para fins de edificação.
Diante do exposto, forçoso se torna concluir que a apropriação conjunta dos custos da edificação é regular em face da concordância com a assunção dos mesmos, expressa por todos os parceiros.
| Obvio é que tais atos de vontade, enquanto lícitos, usuais e legalmente permitidos, como são, não podem ser desfeitos pelo agente fiscalizador.
A fase (momento cronológico) da alienação da obra
O momento cronológico da alienação da obra ocorreu quando da sua destinação, como aporte (integralização) de capital, havido em função do ingresso do Sr. Pedro Herter como sócio na empresa "Herter Cereais Ltda".
A primeira vista, poder-se-ia afirmar que um bem de propriedade coletiva (armazém e anexos) teria sido alienado em benefício de apenas um dos 'parceiros' (condôminos).
Este, aliás, foi o entendimento adotado pelos autuantes, apoiado na premissa de que, necessariamente, o fruto da alienação deveria favorecer a todos.
Entretanto, cumpre ver se o referido fenômeno teria sido feito à revelia e em prejuízo tanto dos demais 'parceiros', quanto do Fisco.
A inexistência de prejuízo aos demais parceiros
Examinando o "Contrato de Parceria", verifica-se que na sua cláusula quarta consta que "Nenhum dos parceiros poderá transferir, ceder, emprestar os direitos existentes na presente parceira, sem a anuência por escrito de todos os parceiros".
No caso, dita anuência escrita se consumou, tanto em relação ao casal Pedro/Margareth, quanto em relação aos filhos Fábio/Ingrid, com a aposição das assinaturas na alteração contratual firmada com tal finalidade. Eventual contestação pela Sra. Maria Odila (sogra de Pedro, mãe de Margareth), deveria ser invocada pelos meios e no tempo próprio, o que não aconteceu(rá), notadamente porque tudo permaneceu no âmbito do patrimônio familiar.
O certo é que tal decisão aconteceu mediante deliberação familiar, objetivando atender conveniências negociais. De fato, a incorporação da obra ao capital da empresa 'Herter Cereais Ltda', foi feita por necessidade cadastral em nome de Pedro Herter, objetivando ampliar os limites de crédito bancário, o que, de fato, aconteceu.
A inexistência de prejuízo ao Fisco
Examinando a alienação sob o prisma fiscal, verifica-se que mesmo imputando o valor da alienação da obra (benfeitoria e anexos) à pessoa individual do Sr. Pedro Herter, não haveria prejuízos ao Fisco.
Essencialmente porque os quantitativos pertencentes aos demais 'parceiros' (condôminos), ao serem utilizados pelo Sr. Pedro na integralização do capital sem oposição dos demais parceiros consumou um fenômeno caracterizável como recebimento em doação, que representa um ganho isento (do Sr. Pedro).
Para os doadores (demais condôminos) sua tributabilidade ou não deveria ser objeto de procedimentos e de questionamentos paralelos à matéria em causa.
Outro erro de raciocínio da fiscalização
Visualizando o "Relatório de Fiscalização", verifica-se que os autuantes cometeram outro erro de raciocínio ao glosar a totalidade das despesas, sob a alegação de que não pertencem à 'parceria'.
Ora, se a ela (parceria) não pertencem, devem, então, serem atribuídas ao Sr. Pedro Herter (por extensão, à cônjuge-meeira Margareth) que, segundo a (errônea) ótica fiscal, seria(m) o(s) único(s) empreendedor(es).
Significa dizer: se o Fisco entende que as despesas não são apropriáveis pelo grupo familiar, devem, então, serem atribuídas a alguém. Só não podem ser de ninguém.
Em sendo atribuídas ao Sr. Pedro e sua cônjuge, o motivo da glosa (contra os dois) deixaria de existir. Dentro da mesma linha de raciocínio, o resultado tributável (de ambos) deveria ser reconstituído, alterando as bases de cálculo de positivas para negativas.
A improcedência da glosa das "demais despesas".
A contestação da glosa das "Demais despesas", no importe de R$ 34.316,70, apoia-se no argumento de que, por representarem dispêndios necessários e efetivos, são dedutíveis.
Independentemente disto, alerta que o crédito tributário correspondente aos valores glosados, proporcional a cada um dos parceiros, depende da decisão final a ser dada à contestação à parcela maior do lançamento.
Os pedidos
Preliminarmente, que seja declarada a nulidade do lançamento.
No mérito, o cancelamento do auto de infração, determinando, após, o arquivamento do processo fiscal.
A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada procedente em parte pelo acórdão de fls. 106/118, assim ementado:
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2004
NULIDADE.
Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
ATIVIDADE RURAL. DESPESAS DE CUSTEIO. INVESTIMENTOS. DEDUÇÃO.
Consideram-se despesas de custeio e investimentos aqueles necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionadas com a natureza da atividade exercida e comprovados com documentação hábil e idônea.
Cientificado da decisão em 23/05/2011 (fl. 123), o Interessado apresentou recurso em 22/06/2011 (fls. 124/133), acompanhado dos documentos de fls. 134/145, por intermédio do qual pede o reexame de todos os argumentos expendidos na peça impugnatória, listados abaixo:
ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO
- A insuficiente (deficiente) descrição dos fatos e o consequente cerceamento do direito de defesa.
- A glosa de valores estranhos à obra.
- A inobservância do período de tempo consumido e da distribuição dos gastos havidos na construção.
Neste ponto, o Recorrente observa que:
- A arguição de nulidade do lançamento não está vinculada ao descumprimento das hipóteses do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72.
- A glosa da totalidade dos gastos escriturados na conta "Construções e Reformas", subconta "Materiais, manutenção e conservação de imóveis", baseada apenas na inferência de que todos "os valores que constam das demais subcontas também estão relacionadas com a construção'", não atende um dos requisitos nucleares do lançamento, consistente na clara individualização dos fatos, bem como na certeza de que são passíveis de tributação.
- Diversamente do aduzido no acórdão, o cerceamento de defesa não resulta apenas de despachos e decisões. Também ocorre na lavratura de autos de infração com as deficiências apontadas no parágrafo precedente.
A IMPROCEDÊNCIA, NO MÉRITO, DA GLOSA DAS DESPESAS PROMOVIDA PELA TURMA JULGADORA.
- A verdadeira característica (natureza jurídica) da exploração conjunta das áreas rurais.
- A irrelevância da área e da edificação estarem em nome (individual) do Sr. Pedro.
- A inobservância das fases da edificação e da alienação das benfeitorias.
- A inexistência de prejuízo aos demais parceiros.
- A inexistência de prejuízo ao Fisco.
- Erro de raciocínio da fiscalização.
Em complemento ao pedido de reexame dos pontos acima elencados, aduz o Recorrente, em síntese, que:
ARGUIÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA
O desconhecimento dos fatos de outro processo
- A Turma Julgadora afastou o total da glosa promovida pela Fiscalização e, alternativamente, manteve o valor incidente sobre a quantia de R$ 55.573,57, correspondente a R$ 277.867,83, valor este que foi objeto de outro lançamento lavrado em face de outro contribuinte.
- A mera referência a dados existentes em outro processo, protegidos pelo sigilo fiscal, impede o exercício do direito constitucional à ampla defesa. Entretanto, tomou conhecimento de que o correspondente lançamento foi totalmente cancelado.
- Considerando que a decisão recorrida está embasada em prova emprestada inexistente, impõe-se concluir pela sua total insubsistência jurídica.
A incompetência de ato praticado pela autoridade julgadora
- O ato da Turma Julgadora é juridicamente nulo. Diz o artigo 59, inciso I, do Decreto n° 70.235/72 que são NULOS "os atos e termos lavrados por pessoa incompetente".
- No presente caso, a autoridade julgadora operou como autoridade lançadora, desviando da sua esfera de atuação (competência funcional) e invadindo poderes exclusivos da Fiscalização ao "inovar o lançamento".
A supressão de instância e o cerceamento do direito de defesa
- Se a Turma Julgadora tivesse determinado o retorno ao Órgão Fiscalizador para examinar o documentário existente noutro processo, solicitar os esclarecimentos necessários, alterar o lançamento, lavrar auto de infração complementar (se cabível), abrir o prazo legal para o contribuinte manifestar-se, o processo administrativo-fiscal teria tido sua tramitação de forma regular, inclusive no que se refere à observância do direito de defesa.
- Não tendo assim acontecido, criou-se a anômala situação de o Recorrente, no exercício do direito em pauta, postular perante a segunda instância julgadora, sem que tenham sido examinados pela autoridade fiscal.
O TRATAMENTO TRIBUTÁRIO ATRIBUÍVEL AOS BENS ALIENADOS (INTEGRALIZADOS)
- No ganho de capital apurado e tributado de ofício na integralização de capital promovida pelo Sr. Pedro Herter (PAF 11060.001682/2010-60), o "custo das benfeitorias" não perfaz o montante de R$ 277.867,83.
- Isto porque a fiscalização agiu ilegalmente ao apurar e tributar o ganho de capital em questão mediante a soma conjunta dos valores correspondentes às alienações da terra-nua e das benfeitoras/equipamentos.
- Visualizando as cópias da 'Escritura Pública de Integralização e Incorporação de Bem ao Capital Social de Empresa', verifica-se que a integralização de capital ocorreu através de um bem imóvel, de um silo graneleiro e das (demais) benfeitorias (que os acompanharam).
- O bem imóvel corresponde a uma fração de terras de campo de 4,00 hectares. O silo graneleiro consiste num pavilhão (armazém) de alvenaria/zinco. Os equipamentos nele instalados consistem no maquinário de movimentação de grãos, classificação, limpeza e secagem de cereais, sistema de carga e descarga, de pesagem, ferramentas, móveis e utensílios. As benfeitorias consistem nas cercas colocadas, no sistema de captação e distribuição de água, de esgoto, nas vias de acesso.
- Segundo o artigo 4º , § 3º, da Lei n° 8.023/1990, a 'terra-nua' está submetida a um regime especial de tributação, denominado pela legislação fiscal como 'Tributação Definitiva', ou seja, sob um critério diferenciado dos demais rendimentos das pessoas físicas. Apenas o ganho obtido na alienação da mesma (terra-nua), submete-se à tributação na modalidade 'ganho de capital'.
- Por sua vez, os ingressos correspondentes à alienação de tudo quanto é catalogável no amplo conceito de 'benfeitorias' inclusas as edificações submetem-se ao mesmo regime dos demais rendimentos oriundos da exploração da atividade rural das pessoas físicas, ou seja, sujeitos à tabela progressiva e à consolidação da base tributável, realizada através da Declaração de Ajuste Anual.
- Deduzindo-se que a Fiscalização apurou e tributou o ganho de capital em questão mediante a soma conjunta dos valores correspondentes às alienações da terra-nua e das benfeitoras/equipamentos, impõe-se concluir que promoveu um lançamento legalmente equivocado, improcedente.
A improcedência da glosa das "outras despesas".
- Baseado no princípio da eventualidade, o Recorrente sustenta improcedente a glosa das demais despesas. Isto porque a determinação do 'quantum' eventualmente arrecadável depende da decisão a ser proferida no tocante aos tópicos anteriormente questionados.
Pedidos
Ao fim, requer o Recorrente:
- preliminarmente, declare a nulidade do lançamento e/ou da decisão de 1ª instância;
- no mérito, o cancelamento, por improcedente, da parcela do crédito tributário mantida na decisão de 1º instância; e, - por fim, o arquivamento do processo fiscal.
Voto
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro José Valdemir da Silva. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório Por bem descrever os fatos, adota-se o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 107/112) deste processo digital, reproduzido a seguir: Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração (fls. 43 a 52) referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física do ano-calendário 2004, no qual foi apurado o crédito tributário de R$ 87.058,08, nele compreendido imposto, multa de ofício e juros de mora, em decorrência da apuração de glosa de despesas da atividade rural, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. Tempestivamente, o interessado apresenta a impugnação da exigência às fls. 59 a 67. Suas alegações estão, em síntese, a seguir descritas. Nulidade do Lançamento A insuficiente (deficiente) descrição dos fatos e o consequente cerceamento do direito de defesa. Os autuantes promoveram a descrição do fato imponível de forma insuficiente, superficial, tornando o lançamento nulo por dois motivos principais. Um, porque descumpriram o disposto no artigo 10, inciso III, do Decreto n° 70.235/72. Guiado pelo princípio da tipicidade, o citado dispositivo preconiza que a descrição do fato tributável deve apresentar uma evidente subsunção (vinculação) à previsão legal. Guiado pelo princípio da certeza e da segurança jurídica, o referido dispositivo impõe que o lançamento não pode assentar-se na incerteza, num estado de dúvida. Este caso não autoriza o uso de presunção. Dois, porque a motivação genérica, aliada à sumaria indicação do montante glosado, ou seja, a não individualização dos valores glosados, implica no cerceamento do exercício do direito de defesa. Tais vícios conjugados determinam a nulidade do lançamento. A glosa de valores estranhos à obra Dentro do montante lançado/glosado (R$ 673.488,14), existem desembolsos com materiais/serviços que não foram aplicados na edificação do pavilhão e anexos, mas em outras situações. Observação: este item deve ser analisado em conjunto com o posterior. A inobservância do período de tempo consumido e da distribuição dos gastos havidos na construção Diferentemente do que entendeu a fiscalização, a maior parte dos gastos havidos com a construção não ocorreu em 2004, quando teria havido o alegado desembolso de R$ 673.488,14. De fato, a implantação da obra (e anexos), e a correspondente distribuição dos gastos, ocorreu no período de tempo compreendido de abril/2003 a abril/2005. Isto, aliás, está detalhado nas planilhas de fls. 14/16, elaboradas em resposta ao Termo de Intimação de 16.07.2009. Visualizando-as, verifica-se que o total investido perfez o montante de R$ 875.091,51, sendo que: - no ano-calendário 2003, foram despendidos R$ 238.534,72; - no ano-calendário 2004, foram despendidos R$ 320.534,72; - no ano-calendário 2005, foram despendidos R$ 300.011,94. Observação: Referidos dados não foram contestados pela fiscalização. Logo, se foram, ainda que tacitamente, acolhidos pela autoridade lançadora, não podem ser desacolhidos pela autoridade julgadora na fase contenciosa, visto que a função de julgar não se confunde com a de lançar. A inatingibilidade, neste feito, dos gastos correspondentes aos anos-calendário de 2003 e 2005 O caput do artigo 144 do Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador. Assim sendo, no presente feito, se cabível fosse a glosa só poderia incidir sobre os dispêndios pertinentes ao ano-calendário 2004. Logo, por dizerem respeito a fatos geradores enquadráveis em outros períodos de apuração (anuais), impõe-se o desfazimento da glosa dos valores correspondentes aos anos-calendário de 2003 e 2005. Argui a decadência do direito do Fisco promover a glosa dos gastos relativos ao ano-calendário 2003. De qualquer forma, mesmo que, por hipótese, os motivos apontados não fossem suficientes para desfazer o lançamento, ainda assim, como adiante é demonstrado, outros existem para determinar seu cancelamento. A verdadeira característica (natureza jurídica) da exploração conjunta das áreas rurais Examinando a cláusula sexta do 'contrato de parcerias agropecuárias' e do 'aditivo' anexados por cópia às fls. 32/37, verifica-se que todos os 'parceiros' colocam todas as glebas de suas propriedades, assim como as benfeitorias, maquinário agrícola e semoventes à disposição da parceria, para serem explorados pela mesma, recebendo cada um, em troca, a participação no resultado financeiro mencionado na cláusula terceira. Examinando a 'cláusula décima', verifica-se que a administração é feita pelo Sr. Pedro Herter, o líder da família, e, no seu impedimento, pelo filho-varão (Fábio). Examinando as Declarações de Bens (dos 'parceiros'), juntadas nos respectivos processos administrativos, verifica-se que a exploração conjunta ocorreu sobre glebas rurais com títulos de propriedade individual ou conjunta da Sra. Odila, do casal Pedro/Margareth, e dos filhos destes, Fábio e Ingrid. Os elementos expostos autorizam concluir que, no presente caso, apesar de ser denominado como sendo de PARCERIA, o contrato revela, de fato, a pactuação de uma exploração conjunta típica de um CONDOMÍNIO FAMILIAR. Significa dizer: não há obrigações específicas assumidas com terceiros proprietários, isto é, entre parceiro-outorgante e parceiros-arrendatários, mas a junção (exploração coletiva) do patrimônio familiar, objetivando racionalizar a administração, diminuir custos, enfim, otimizar o desempenho técnico-financeiro advindo da exploração agropecuária condominial. Sustenta que o incontestável fato de haver uma exploração agropecuária conjunta de proprietários (condomínio familiar), impõe o afastamento das regras aplicáveis à parceria, que, em parte, embasaram o lançamento. A irrelevância da área e da edificação estarem em nome (individual) do Sr. Pedro A existência de título exclusivo da área de 4 ha em nome de Pedro Luiz Herter, bem como das benfeitorias (e anexos) sobre ela edificadas, não constitui motivo legal (causa) hábil para a realização da glosa em lide. Em suma, está equivocada a premissa dos Autuantes de que pelo fato de o título de propriedade da terra-nua (4 ha) estar em nome de Pedro Herter implica na automática/consequente propriedade individual, pela mesma pessoa, das benfeitorias e anexos sobre ela (terra-nua) edificadas. De um lado, porque nenhuma determinação legal existe impedindo que sobre a terra- nua de alguém (no caso, do Sr. Pedro), sejam construídas benfeitorias por outrem (no caso, o 'conjunto familiar'). De outro, porque visualizando tanto este, como os processos administrativos instaurados contra os demais familiares, torna-se evidente a propriedade condominial benfeitorias (e anexos). A inobservância das fases da edificação e da alienação das benfeitorias Conjuntamente com as ponderações feitas no item precedente, o Impugnante aduz que, na formalização da glosa, os autuantes deixaram de levar em consideração, ou, melhor dizendo, de distinguir as fases, isto é, os momentos cronológicos da edificação e da alienação da obra (benfeitorias e anexos). A diferenciação é demonstrada nos subitens que seguem. A fase (período cronológico) da edificação da obra O momento cronológico da edificação envolveu todos os parceiros (melhor dizendo, condôminos). Todos eles, inquestionavelmente, manifestaram conhecimento e concordância na participação conjunta dos custos. Para ter certeza, basta ver: - as respectivas declarações de rendimentos, onde todos, na proporção de cada um, informaram os resultados tributáveis apurados no 'caixa comum', observado que a área de 4 ha em nome de Pedro Herter não gerou rendimentos, havendo apenas custos; - nos anexos da atividade rural, o quadro 'Dívidas vinculadas à atividade rural', onde todos condôminos declararam como sendo proporcionalmente suas, as dívidas de financiamento assumidas para fins de edificação. Diante do exposto, forçoso se torna concluir que a apropriação conjunta dos custos da edificação é regular em face da concordância com a assunção dos mesmos, expressa por todos os parceiros. | Obvio é que tais atos de vontade, enquanto lícitos, usuais e legalmente permitidos, como são, não podem ser desfeitos pelo agente fiscalizador. A fase (momento cronológico) da alienação da obra O momento cronológico da alienação da obra ocorreu quando da sua destinação, como aporte (integralização) de capital, havido em função do ingresso do Sr. Pedro Herter como sócio na empresa "Herter Cereais Ltda". A primeira vista, poder-se-ia afirmar que um bem de propriedade coletiva (armazém e anexos) teria sido alienado em benefício de apenas um dos 'parceiros' (condôminos). Este, aliás, foi o entendimento adotado pelos autuantes, apoiado na premissa de que, necessariamente, o fruto da alienação deveria favorecer a todos. Entretanto, cumpre ver se o referido fenômeno teria sido feito à revelia e em prejuízo tanto dos demais 'parceiros', quanto do Fisco. A inexistência de prejuízo aos demais parceiros Examinando o "Contrato de Parceria", verifica-se que na sua cláusula quarta consta que "Nenhum dos parceiros poderá transferir, ceder, emprestar os direitos existentes na presente parceira, sem a anuência por escrito de todos os parceiros". No caso, dita anuência escrita se consumou, tanto em relação ao casal Pedro/Margareth, quanto em relação aos filhos Fábio/Ingrid, com a aposição das assinaturas na alteração contratual firmada com tal finalidade. Eventual contestação pela Sra. Maria Odila (sogra de Pedro, mãe de Margareth), deveria ser invocada pelos meios e no tempo próprio, o que não aconteceu(rá), notadamente porque tudo permaneceu no âmbito do patrimônio familiar. O certo é que tal decisão aconteceu mediante deliberação familiar, objetivando atender conveniências negociais. De fato, a incorporação da obra ao capital da empresa 'Herter Cereais Ltda', foi feita por necessidade cadastral em nome de Pedro Herter, objetivando ampliar os limites de crédito bancário, o que, de fato, aconteceu. A inexistência de prejuízo ao Fisco Examinando a alienação sob o prisma fiscal, verifica-se que mesmo imputando o valor da alienação da obra (benfeitoria e anexos) à pessoa individual do Sr. Pedro Herter, não haveria prejuízos ao Fisco. Essencialmente porque os quantitativos pertencentes aos demais 'parceiros' (condôminos), ao serem utilizados pelo Sr. Pedro na integralização do capital sem oposição dos demais parceiros consumou um fenômeno caracterizável como recebimento em doação, que representa um ganho isento (do Sr. Pedro). Para os doadores (demais condôminos) sua tributabilidade ou não deveria ser objeto de procedimentos e de questionamentos paralelos à matéria em causa. Outro erro de raciocínio da fiscalização Visualizando o "Relatório de Fiscalização", verifica-se que os autuantes cometeram outro erro de raciocínio ao glosar a totalidade das despesas, sob a alegação de que não pertencem à 'parceria'. Ora, se a ela (parceria) não pertencem, devem, então, serem atribuídas ao Sr. Pedro Herter (por extensão, à cônjuge-meeira Margareth) que, segundo a (errônea) ótica fiscal, seria(m) o(s) único(s) empreendedor(es). Significa dizer: se o Fisco entende que as despesas não são apropriáveis pelo grupo familiar, devem, então, serem atribuídas a alguém. Só não podem ser de ninguém. Em sendo atribuídas ao Sr. Pedro e sua cônjuge, o motivo da glosa (contra os dois) deixaria de existir. Dentro da mesma linha de raciocínio, o resultado tributável (de ambos) deveria ser reconstituído, alterando as bases de cálculo de positivas para negativas. A improcedência da glosa das "demais despesas". A contestação da glosa das "Demais despesas", no importe de R$ 34.316,70, apoia-se no argumento de que, por representarem dispêndios necessários e efetivos, são dedutíveis. Independentemente disto, alerta que o crédito tributário correspondente aos valores glosados, proporcional a cada um dos parceiros, depende da decisão final a ser dada à contestação à parcela maior do lançamento. Os pedidos Preliminarmente, que seja declarada a nulidade do lançamento. No mérito, o cancelamento do auto de infração, determinando, após, o arquivamento do processo fiscal. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada procedente em parte pelo acórdão de fls. 106/118, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2004 NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. ATIVIDADE RURAL. DESPESAS DE CUSTEIO. INVESTIMENTOS. DEDUÇÃO. Consideram-se despesas de custeio e investimentos aqueles necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionadas com a natureza da atividade exercida e comprovados com documentação hábil e idônea. Cientificado da decisão em 23/05/2011 (fl. 123), o Interessado apresentou recurso em 22/06/2011 (fls. 124/133), acompanhado dos documentos de fls. 134/145, por intermédio do qual pede o reexame de todos os argumentos expendidos na peça impugnatória, listados abaixo: ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO - A insuficiente (deficiente) descrição dos fatos e o consequente cerceamento do direito de defesa. - A glosa de valores estranhos à obra. - A inobservância do período de tempo consumido e da distribuição dos gastos havidos na construção. Neste ponto, o Recorrente observa que: - A arguição de nulidade do lançamento não está vinculada ao descumprimento das hipóteses do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. - A glosa da totalidade dos gastos escriturados na conta "Construções e Reformas", subconta "Materiais, manutenção e conservação de imóveis", baseada apenas na inferência de que todos "os valores que constam das demais subcontas também estão relacionadas com a construção'", não atende um dos requisitos nucleares do lançamento, consistente na clara individualização dos fatos, bem como na certeza de que são passíveis de tributação. - Diversamente do aduzido no acórdão, o cerceamento de defesa não resulta apenas de despachos e decisões. Também ocorre na lavratura de autos de infração com as deficiências apontadas no parágrafo precedente. A IMPROCEDÊNCIA, NO MÉRITO, DA GLOSA DAS DESPESAS PROMOVIDA PELA TURMA JULGADORA. - A verdadeira característica (natureza jurídica) da exploração conjunta das áreas rurais. - A irrelevância da área e da edificação estarem em nome (individual) do Sr. Pedro. - A inobservância das fases da edificação e da alienação das benfeitorias. - A inexistência de prejuízo aos demais parceiros. - A inexistência de prejuízo ao Fisco. - Erro de raciocínio da fiscalização. Em complemento ao pedido de reexame dos pontos acima elencados, aduz o Recorrente, em síntese, que: ARGUIÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA O desconhecimento dos fatos de outro processo - A Turma Julgadora afastou o total da glosa promovida pela Fiscalização e, alternativamente, manteve o valor incidente sobre a quantia de R$ 55.573,57, correspondente a R$ 277.867,83, valor este que foi objeto de outro lançamento lavrado em face de outro contribuinte. - A mera referência a dados existentes em outro processo, protegidos pelo sigilo fiscal, impede o exercício do direito constitucional à ampla defesa. Entretanto, tomou conhecimento de que o correspondente lançamento foi totalmente cancelado. - Considerando que a decisão recorrida está embasada em prova emprestada inexistente, impõe-se concluir pela sua total insubsistência jurídica. A incompetência de ato praticado pela autoridade julgadora - O ato da Turma Julgadora é juridicamente nulo. Diz o artigo 59, inciso I, do Decreto n° 70.235/72 que são NULOS "os atos e termos lavrados por pessoa incompetente". - No presente caso, a autoridade julgadora operou como autoridade lançadora, desviando da sua esfera de atuação (competência funcional) e invadindo poderes exclusivos da Fiscalização ao "inovar o lançamento". A supressão de instância e o cerceamento do direito de defesa - Se a Turma Julgadora tivesse determinado o retorno ao Órgão Fiscalizador para examinar o documentário existente noutro processo, solicitar os esclarecimentos necessários, alterar o lançamento, lavrar auto de infração complementar (se cabível), abrir o prazo legal para o contribuinte manifestar-se, o processo administrativo-fiscal teria tido sua tramitação de forma regular, inclusive no que se refere à observância do direito de defesa. - Não tendo assim acontecido, criou-se a anômala situação de o Recorrente, no exercício do direito em pauta, postular perante a segunda instância julgadora, sem que tenham sido examinados pela autoridade fiscal. O TRATAMENTO TRIBUTÁRIO ATRIBUÍVEL AOS BENS ALIENADOS (INTEGRALIZADOS) - No ganho de capital apurado e tributado de ofício na integralização de capital promovida pelo Sr. Pedro Herter (PAF 11060.001682/2010-60), o "custo das benfeitorias" não perfaz o montante de R$ 277.867,83. - Isto porque a fiscalização agiu ilegalmente ao apurar e tributar o ganho de capital em questão mediante a soma conjunta dos valores correspondentes às alienações da terra-nua e das benfeitoras/equipamentos. - Visualizando as cópias da 'Escritura Pública de Integralização e Incorporação de Bem ao Capital Social de Empresa', verifica-se que a integralização de capital ocorreu através de um bem imóvel, de um silo graneleiro e das (demais) benfeitorias (que os acompanharam). - O bem imóvel corresponde a uma fração de terras de campo de 4,00 hectares. O silo graneleiro consiste num pavilhão (armazém) de alvenaria/zinco. Os equipamentos nele instalados consistem no maquinário de movimentação de grãos, classificação, limpeza e secagem de cereais, sistema de carga e descarga, de pesagem, ferramentas, móveis e utensílios. As benfeitorias consistem nas cercas colocadas, no sistema de captação e distribuição de água, de esgoto, nas vias de acesso. - Segundo o artigo 4º , § 3º, da Lei n° 8.023/1990, a 'terra-nua' está submetida a um regime especial de tributação, denominado pela legislação fiscal como 'Tributação Definitiva', ou seja, sob um critério diferenciado dos demais rendimentos das pessoas físicas. Apenas o ganho obtido na alienação da mesma (terra-nua), submete-se à tributação na modalidade 'ganho de capital'. - Por sua vez, os ingressos correspondentes à alienação de tudo quanto é catalogável no amplo conceito de 'benfeitorias' inclusas as edificações submetem-se ao mesmo regime dos demais rendimentos oriundos da exploração da atividade rural das pessoas físicas, ou seja, sujeitos à tabela progressiva e à consolidação da base tributável, realizada através da Declaração de Ajuste Anual. - Deduzindo-se que a Fiscalização apurou e tributou o ganho de capital em questão mediante a soma conjunta dos valores correspondentes às alienações da terra-nua e das benfeitoras/equipamentos, impõe-se concluir que promoveu um lançamento legalmente equivocado, improcedente. A improcedência da glosa das "outras despesas". - Baseado no princípio da eventualidade, o Recorrente sustenta improcedente a glosa das demais despesas. Isto porque a determinação do 'quantum' eventualmente arrecadável depende da decisão a ser proferida no tocante aos tópicos anteriormente questionados. Pedidos Ao fim, requer o Recorrente: - preliminarmente, declare a nulidade do lançamento e/ou da decisão de 1ª instância; - no mérito, o cancelamento, por improcedente, da parcela do crédito tributário mantida na decisão de 1º instância; e, - por fim, o arquivamento do processo fiscal. Voto
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1888; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 152 1 151 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11060.003122/200914 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2801000.225 – 1ª Turma Especial Data 18 de junho de 2013 Assunto IRPF Recorrente FÁBIO PINTO HERTER Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro José Valdemir da Silva. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 107/112) deste processo digital, reproduzido a seguir: Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração (fls. 43 a 52) referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física do anocalendário 2004, no qual foi apurado o crédito tributário de R$ 87.058,08, nele compreendido imposto, multa de ofício e juros de mora, em decorrência da apuração de glosa de despesas da atividade rural, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 60 .0 03 12 2/ 20 09 -1 4 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.003122/200914 Resolução nº 2801000.225 S2TE01 Fl. 153 2 Tempestivamente, o interessado apresenta a impugnação da exigência às fls. 59 a 67. Suas alegações estão, em síntese, a seguir descritas. Nulidade do Lançamento A insuficiente (deficiente) descrição dos fatos e o consequente cerceamento do direito de defesa. Os autuantes promoveram a descrição do fato imponível de forma insuficiente, superficial, tornando o lançamento nulo por dois motivos principais. Um, porque descumpriram o disposto no artigo 10, inciso III, do Decreto n° 70.235/72. Guiado pelo princípio da tipicidade, o citado dispositivo preconiza que a descrição do fato tributável deve apresentar uma evidente subsunção (vinculação) à previsão legal. Guiado pelo princípio da certeza e da segurança jurídica, o referido dispositivo impõe que o lançamento não pode assentarse na incerteza, num estado de dúvida. Este caso não autoriza o uso de presunção. Dois, porque a motivação genérica, aliada à sumaria indicação do montante glosado, ou seja, a não individualização dos valores glosados, implica no cerceamento do exercício do direito de defesa. Tais vícios conjugados determinam a nulidade do lançamento. A glosa de valores estranhos à obra Dentro do montante lançado/glosado (R$ 673.488,14), existem desembolsos com materiais/serviços que não foram aplicados na edificação do pavilhão e anexos, mas em outras situações. Observação: este item deve ser analisado em conjunto com o posterior. A inobservância do período de tempo consumido e da distribuição dos gastos havidos na construção Diferentemente do que entendeu a fiscalização, a maior parte dos gastos havidos com a construção não ocorreu em 2004, quando teria havido o alegado desembolso de R$ 673.488,14. De fato, a implantação da obra (e anexos), e a correspondente distribuição dos gastos, ocorreu no período de tempo compreendido de abril/2003 a abril/2005. Isto, aliás, está detalhado nas planilhas de fls. 14/16, elaboradas em resposta ao Termo de Intimação de 16.07.2009. Visualizandoas, verificase que o total investido perfez o montante de R$ 875.091,51, sendo que: no anocalendário 2003, foram despendidos R$ 238.534,72; no anocalendário 2004, foram despendidos R$ 320.534,72; no anocalendário 2005, foram despendidos R$ 300.011,94. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.003122/200914 Resolução nº 2801000.225 S2TE01 Fl. 154 3 Observação: Referidos dados não foram contestados pela fiscalização. Logo, se foram, ainda que tacitamente, acolhidos pela autoridade lançadora, não podem ser desacolhidos pela autoridade julgadora na fase contenciosa, visto que a função de julgar não se confunde com a de lançar. A inatingibilidade, neste feito, dos gastos correspondentes aos anos calendário de 2003 e 2005 O caput do artigo 144 do Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador. Assim sendo, no presente feito, se cabível fosse a glosa só poderia incidir sobre os dispêndios pertinentes ao anocalendário 2004. Logo, por dizerem respeito a fatos geradores enquadráveis em outros períodos de apuração (anuais), impõese o desfazimento da glosa dos valores correspondentes aos anoscalendário de 2003 e 2005. Argui a decadência do direito do Fisco promover a glosa dos gastos relativos ao anocalendário 2003. De qualquer forma, mesmo que, por hipótese, os motivos apontados não fossem suficientes para desfazer o lançamento, ainda assim, como adiante é demonstrado, outros existem para determinar seu cancelamento. A verdadeira característica (natureza jurídica) da exploração conjunta das áreas rurais Examinando a cláusula sexta do 'contrato de parcerias agropecuárias' e do 'aditivo' anexados por cópia às fls. 32/37, verificase que todos os 'parceiros' colocam todas as glebas de suas propriedades, assim como as benfeitorias, maquinário agrícola e semoventes à disposição da parceria, para serem explorados pela mesma, recebendo cada um, em troca, a participação no resultado financeiro mencionado na cláusula terceira. Examinando a 'cláusula décima', verificase que a administração é feita pelo Sr. Pedro Herter, o líder da família, e, no seu impedimento, pelo filhovarão (Fábio). Examinando as Declarações de Bens (dos 'parceiros'), juntadas nos respectivos processos administrativos, verificase que a exploração conjunta ocorreu sobre glebas rurais com títulos de propriedade individual ou conjunta da Sra. Odila, do casal Pedro/Margareth, e dos filhos destes, Fábio e Ingrid. Os elementos expostos autorizam concluir que, no presente caso, apesar de ser denominado como sendo de PARCERIA, o contrato revela, de fato, a pactuação de uma exploração conjunta típica de um CONDOMÍNIO FAMILIAR. Significa dizer: não há obrigações específicas assumidas com terceiros proprietários, isto é, entre parceirooutorgante e parceiros arrendatários, mas a junção (exploração coletiva) do patrimônio Fl. 154DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.003122/200914 Resolução nº 2801000.225 S2TE01 Fl. 155 4 familiar, objetivando racionalizar a administração, diminuir custos, enfim, otimizar o desempenho técnicofinanceiro advindo da exploração agropecuária condominial. Sustenta que o incontestável fato de haver uma exploração agropecuária conjunta de proprietários (condomínio familiar), impõe o afastamento das regras aplicáveis à parceria, que, em parte, embasaram o lançamento. A irrelevância da área e da edificação estarem em nome (individual) do Sr. Pedro A existência de título exclusivo da área de 4 ha em nome de Pedro Luiz Herter, bem como das benfeitorias (e anexos) sobre ela edificadas, não constitui motivo legal (causa) hábil para a realização da glosa em lide. Em suma, está equivocada a premissa dos Autuantes de que pelo fato de o título de propriedade da terranua (4 ha) estar em nome de Pedro Herter implica na automática/consequente propriedade individual, pela mesma pessoa, das benfeitorias e anexos sobre ela (terranua) edificadas. De um lado, porque nenhuma determinação legal existe impedindo que sobre a terra nua de alguém (no caso, do Sr. Pedro), sejam construídas benfeitorias por outrem (no caso, o 'conjunto familiar'). De outro, porque visualizando tanto este, como os processos administrativos instaurados contra os demais familiares, tornase evidente a propriedade condominial benfeitorias (e anexos). A inobservância das fases da edificação e da alienação das benfeitorias Conjuntamente com as ponderações feitas no item precedente, o Impugnante aduz que, na formalização da glosa, os autuantes deixaram de levar em consideração, ou, melhor dizendo, de distinguir as fases, isto é, os momentos cronológicos da edificação e da alienação da obra (benfeitorias e anexos). A diferenciação é demonstrada nos subitens que seguem. A fase (período cronológico) da edificação da obra O momento cronológico da edificação envolveu todos os parceiros (melhor dizendo, condôminos). Todos eles, inquestionavelmente, manifestaram conhecimento e concordância na participação conjunta dos custos. Para ter certeza, basta ver: as respectivas declarações de rendimentos, onde todos, na proporção de cada um, informaram os resultados tributáveis apurados no 'caixa comum', observado que a área de 4 ha em nome de Pedro Herter não gerou rendimentos, havendo apenas custos; Fl. 155DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.003122/200914 Resolução nº 2801000.225 S2TE01 Fl. 156 5 nos anexos da atividade rural, o quadro 'Dívidas vinculadas à atividade rural', onde todos condôminos declararam como sendo proporcionalmente suas, as dívidas de financiamento assumidas para fins de edificação. Diante do exposto, forçoso se torna concluir que a apropriação conjunta dos custos da edificação é regular em face da concordância com a assunção dos mesmos, expressa por todos os parceiros. | Obvio é que tais atos de vontade, enquanto lícitos, usuais e legalmente permitidos, como são, não podem ser desfeitos pelo agente fiscalizador. A fase (momento cronológico) da alienação da obra O momento cronológico da alienação da obra ocorreu quando da sua destinação, como aporte (integralização) de capital, havido em função do ingresso do Sr. Pedro Herter como sócio na empresa "Herter Cereais Ltda". A primeira vista, poderseia afirmar que um bem de propriedade coletiva (armazém e anexos) teria sido alienado em benefício de apenas um dos 'parceiros' (condôminos). Este, aliás, foi o entendimento adotado pelos autuantes, apoiado na premissa de que, necessariamente, o fruto da alienação deveria favorecer a todos. Entretanto, cumpre ver se o referido fenômeno teria sido feito à revelia e em prejuízo tanto dos demais 'parceiros', quanto do Fisco. A inexistência de prejuízo aos demais parceiros Examinando o "Contrato de Parceria", verificase que na sua cláusula quarta consta que "Nenhum dos parceiros poderá transferir, ceder, emprestar os direitos existentes na presente parceira, sem a anuência por escrito de todos os parceiros". No caso, dita anuência escrita se consumou, tanto em relação ao casal Pedro/Margareth, quanto em relação aos filhos Fábio/Ingrid, com a aposição das assinaturas na alteração contratual firmada com tal finalidade. Eventual contestação pela Sra. Maria Odila (sogra de Pedro, mãe de Margareth), deveria ser invocada pelos meios e no tempo próprio, o que não aconteceu(rá), notadamente porque tudo permaneceu no âmbito do patrimônio familiar. O certo é que tal decisão aconteceu mediante deliberação familiar, objetivando atender conveniências negociais. De fato, a incorporação da obra ao capital da empresa 'Herter Cereais Ltda', foi feita por necessidade cadastral em nome de Pedro Herter, objetivando ampliar os limites de crédito bancário, o que, de fato, aconteceu. A inexistência de prejuízo ao Fisco Examinando a alienação sob o prisma fiscal, verificase que mesmo imputando o valor da alienação da obra (benfeitoria e anexos) à pessoa individual do Sr. Pedro Herter, não haveria prejuízos ao Fisco. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.003122/200914 Resolução nº 2801000.225 S2TE01 Fl. 157 6 Essencialmente porque os quantitativos pertencentes aos demais 'parceiros' (condôminos), ao serem utilizados pelo Sr. Pedro na integralização do capital sem oposição dos demais parceiros consumou um fenômeno caracterizável como recebimento em doação, que representa um ganho isento (do Sr. Pedro). Para os doadores (demais condôminos) sua tributabilidade ou não deveria ser objeto de procedimentos e de questionamentos paralelos à matéria em causa. Outro erro de raciocínio da fiscalização Visualizando o "Relatório de Fiscalização", verificase que os autuantes cometeram outro erro de raciocínio ao glosar a totalidade das despesas, sob a alegação de que não pertencem à 'parceria'. Ora, se a ela (parceria) não pertencem, devem, então, serem atribuídas ao Sr. Pedro Herter (por extensão, à cônjugemeeira Margareth) que, segundo a (errônea) ótica fiscal, seria(m) o(s) único(s) empreendedor(es). Significa dizer: se o Fisco entende que as despesas não são apropriáveis pelo grupo familiar, devem, então, serem atribuídas a alguém. Só não podem ser de ninguém. Em sendo atribuídas ao Sr. Pedro e sua cônjuge, o motivo da glosa (contra os dois) deixaria de existir. Dentro da mesma linha de raciocínio, o resultado tributável (de ambos) deveria ser reconstituído, alterando as bases de cálculo de positivas para negativas. A improcedência da glosa das "demais despesas". A contestação da glosa das "Demais despesas", no importe de R$ 34.316,70, apoiase no argumento de que, por representarem dispêndios necessários e efetivos, são dedutíveis. Independentemente disto, alerta que o crédito tributário correspondente aos valores glosados, proporcional a cada um dos parceiros, depende da decisão final a ser dada à contestação à parcela maior do lançamento. Os pedidos Preliminarmente, que seja declarada a nulidade do lançamento. No mérito, o cancelamento do auto de infração, determinando, após, o arquivamento do processo fiscal. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada procedente em parte pelo acórdão de fls. 106/118, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2004 NULIDADE. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.003122/200914 Resolução nº 2801000.225 S2TE01 Fl. 158 7 Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. ATIVIDADE RURAL. DESPESAS DE CUSTEIO. INVESTIMENTOS. DEDUÇÃO. Consideramse despesas de custeio e investimentos aqueles necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionadas com a natureza da atividade exercida e comprovados com documentação hábil e idônea. Cientificado da decisão em 23/05/2011 (fl. 123), o Interessado apresentou recurso em 22/06/2011 (fls. 124/133), acompanhado dos documentos de fls. 134/145, por intermédio do qual pede o reexame de todos os argumentos expendidos na peça impugnatória, listados abaixo: ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO A insuficiente (deficiente) descrição dos fatos e o consequente cerceamento do direito de defesa. A glosa de valores estranhos à obra. A inobservância do período de tempo consumido e da distribuição dos gastos havidos na construção. Neste ponto, o Recorrente observa que: A arguição de nulidade do lançamento não está vinculada ao descumprimento das hipóteses do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. A glosa da totalidade dos gastos escriturados na conta "Construções e Reformas", subconta "Materiais, manutenção e conservação de imóveis", baseada apenas na inferência de que todos "os valores que constam das demais subcontas também estão relacionadas com a construção'", não atende um dos requisitos nucleares do lançamento, consistente na clara individualização dos fatos, bem como na certeza de que são passíveis de tributação. Diversamente do aduzido no acórdão, o cerceamento de defesa não resulta apenas de despachos e decisões. Também ocorre na lavratura de autos de infração com as deficiências apontadas no parágrafo precedente. A IMPROCEDÊNCIA, NO MÉRITO, DA GLOSA DAS DESPESAS PROMOVIDA PELA TURMA JULGADORA. A verdadeira característica (natureza jurídica) da exploração conjunta das áreas rurais. A irrelevância da área e da edificação estarem em nome (individual) do Sr. Pedro. A inobservância das fases da edificação e da alienação das benfeitorias. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.003122/200914 Resolução nº 2801000.225 S2TE01 Fl. 159 8 A inexistência de prejuízo aos demais parceiros. A inexistência de prejuízo ao Fisco. Erro de raciocínio da fiscalização. Em complemento ao pedido de reexame dos pontos acima elencados, aduz o Recorrente, em síntese, que: ARGUIÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA O desconhecimento dos fatos de outro processo A Turma Julgadora afastou o total da glosa promovida pela Fiscalização e, alternativamente, manteve o valor incidente sobre a quantia de R$ 55.573,57, correspondente a R$ 277.867,83, valor este que foi objeto de outro lançamento lavrado em face de outro contribuinte. A mera referência a dados existentes em outro processo, protegidos pelo sigilo fiscal, impede o exercício do direito constitucional à ampla defesa. Entretanto, tomou conhecimento de que o correspondente lançamento foi totalmente cancelado. Considerando que a decisão recorrida está embasada em “prova emprestada inexistente”, impõese concluir pela sua total insubsistência jurídica. A incompetência de ato praticado pela autoridade julgadora O ato da Turma Julgadora é juridicamente nulo. Diz o artigo 59, inciso I, do Decreto n° 70.235/72 que são NULOS "os atos e termos lavrados por pessoa incompetente". No presente caso, a autoridade julgadora operou como autoridade lançadora, desviando da sua esfera de atuação (competência funcional) e invadindo poderes exclusivos da Fiscalização ao "inovar o lançamento". A supressão de instância e o cerceamento do direito de defesa Se a Turma Julgadora tivesse determinado o retorno ao Órgão Fiscalizador para examinar o documentário existente noutro processo, solicitar os esclarecimentos necessários, alterar o lançamento, lavrar auto de infração complementar (se cabível), abrir o prazo legal para o contribuinte manifestarse, o processo administrativofiscal teria tido sua tramitação de forma regular, inclusive no que se refere à observância do direito de defesa. Não tendo assim acontecido, criouse a anômala situação de o Recorrente, no exercício do direito em pauta, postular perante a segunda instância julgadora, sem que tenham sido examinados pela autoridade fiscal. O TRATAMENTO TRIBUTÁRIO ATRIBUÍVEL AOS BENS ALIENADOS (INTEGRALIZADOS) No ganho de capital apurado e tributado de ofício na integralização de capital promovida pelo Sr. Pedro Herter (PAF 11060.001682/201060), o "custo das benfeitorias" não perfaz o montante de R$ 277.867,83. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.003122/200914 Resolução nº 2801000.225 S2TE01 Fl. 160 9 Isto porque a fiscalização agiu ilegalmente ao apurar e tributar o ganho de capital em questão mediante a soma conjunta dos valores correspondentes às alienações da terranua e das benfeitoras/equipamentos. Visualizando as cópias da 'Escritura Pública de Integralização e Incorporação de Bem ao Capital Social de Empresa', verificase que a integralização de capital ocorreu através de um bem imóvel, de um silo graneleiro e das (demais) benfeitorias (que os acompanharam). O bem imóvel corresponde a uma fração de terras de campo de 4,00 hectares. O silo graneleiro consiste num pavilhão (armazém) de alvenaria/zinco. Os equipamentos nele instalados consistem no maquinário de movimentação de grãos, classificação, limpeza e secagem de cereais, sistema de carga e descarga, de pesagem, ferramentas, móveis e utensílios. As benfeitorias consistem nas cercas colocadas, no sistema de captação e distribuição de água, de esgoto, nas vias de acesso. Segundo o artigo 4º , § 3º, da Lei n° 8.023/1990, a 'terranua' está submetida a um regime especial de tributação, denominado pela legislação fiscal como 'Tributação Definitiva', ou seja, sob um critério diferenciado dos demais rendimentos das pessoas físicas. Apenas o ganho obtido na alienação da mesma (terranua), submetese à tributação na modalidade 'ganho de capital'. Por sua vez, os ingressos correspondentes à alienação de tudo quanto é catalogável no amplo conceito de 'benfeitorias' — inclusas as edificações – submetemse ao mesmo regime dos demais rendimentos oriundos da exploração da atividade rural das pessoas físicas, ou seja, sujeitos à tabela progressiva e à consolidação da base tributável, realizada através da Declaração de Ajuste Anual. Deduzindose que a Fiscalização apurou e tributou o ganho de capital em questão mediante a soma conjunta dos valores correspondentes às alienações da terranua e das benfeitoras/equipamentos, impõese concluir que promoveu um lançamento legalmente equivocado, improcedente. A improcedência da glosa das "outras despesas". Baseado no princípio da eventualidade, o Recorrente sustenta improcedente a glosa das demais despesas. Isto porque a determinação do 'quantum' eventualmente arrecadável depende da decisão a ser proferida no tocante aos tópicos anteriormente questionados. Pedidos Ao fim, requer o Recorrente: preliminarmente, declare a nulidade do lançamento e/ou da decisão de 1ª instância; no mérito, o cancelamento, por improcedente, da parcela do crédito tributário mantida na decisão de 1º instância; e, por fim, o arquivamento do processo fiscal. Voto Fl. 160DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 161 ___________ Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Da simples leitura do “Relatório de Fiscalização”, acostado aos autos em fls. 80/84 deste processo digital, verificase que o mesmo está incompleto, impossibilitando a exata compreensão da materialidade da infração imputada ao contribuinte. Descrevo, para comprovar o afirmado, duas situações em que se pode constatar, de pronto, que o referido “Relatório” está mutilado: a) o início da fl. 81 deste processo digital (fl. 47 do processo físico) está em letra minúscula e desconectado da parte final da fl. 80 (fl. 46 do processo físico), que termina com um parágrafo integral, finalizado por ponto final; e b) o impugnante descreve, em sua peça de defesa, excertos do “Relatório de Fiscalização”, às fls. 93/95 do processo digital (fls. 59/61 do processo físico), que não constam da peça fiscal adunada aos autos pela Autoridade preparadora. Observo, por oportuno, que a segunda situação mencionada evidencia que o contribuinte recebeu o “Relatório de Fiscalização” em sua inteireza, o que, apenas em juízo de delibação, não me induz, neste momento, à decretação de nulidade do lançamento. A instrução deficitária do Auto de Infração, principalmente da peça que descreve os fatos que deram margem à tipificação legal e à autuação, impede, a meu ver, que este Colegiado afira a (i) regularidade do lançamento. A importância da descrição dos fatos devese à circunstância de que é por meio dela que a Autoridade lançadora demonstra a consonância da matéria de fato constatada na ação fiscal e a hipótese de incidência abstratamente descrita, sendo temerário, em meu entendimento, concluir o julgamento com os autos instruídos de forma precária. A descrição dos fatos é elemento fundamental à formação da livre convicção do julgador, posto que uma minudente descrição pode, a meu ver, até mesmo suprir eventuais incorreções no enquadramento legal adotado no Auto de Infração. Nesse contexto, a fim de se evitar prejuízos a quaisquer das partes e prestigiar a segurança jurídica, sou pela conversão do julgamento em diligência, a fim de que a DRF de origem: a) junte aos autos o “Relatório de Fiscalização” em sua integralidade; b) intime o Recorrente para, caso queira, se manifestar sobre os pontos abordados nesta Resolução. Após, os autos deverão retornar a este Conselho para a conclusão do julgamento. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 161DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10715.000820/2010-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 04/05/2006 a 31/05/2006
EXPORTAÇÃO. EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO, OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOBSERVÂNCIA DE PRAZOS.
O descumprimento da obrigação de registro de dados de embarque no SISCOMEX no prazo previsto na legislação constitui embaraço a fiscalização.
APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE.
Aplica-se a retroatividade benigna prevista na alínea b do inciso II do art. 106 do CTN, pelo não registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria no prazo previsto no art. 37 da IN SRF nº 28, alterado pela IN SRF n° 510/05, em face da nova redação dada a este dispositivo pela IN RFB nº 1.096/10, que estabeleceu o prazo de 7 dias, contados da realização do embarque, para o registro dos dados no Siscomex, para todas as modalidades de transporte.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-000.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Charles Mayer de Castro Souza.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 04/05/2006 a 31/05/2006 EXPORTAÇÃO. EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO, OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOBSERVÂNCIA DE PRAZOS. O descumprimento da obrigação de registro de dados de embarque no SISCOMEX no prazo previsto na legislação constitui embaraço a fiscalização. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE. Aplicase a retroatividade benigna prevista na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN, pelo não registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria no prazo previsto no art. 37 da IN SRF nº 28, alterado pela IN SRF n° 510/05, em face da nova redação dada a este dispositivo pela IN RFB nº 1.096/10, que estabeleceu o prazo de 7 dias, contados da realização do embarque, para o registro dos dados no Siscomex, para todas as modalidades de transporte. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Charles Mayer de Castro Souza. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 08 20 /2 01 0- 89 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício veiculado através de auto de infração (fls. 01/ss) para a cobrança da multa isolada, no valor de R$ 140.000,00, por registro intempestivo dos dados de embarque de exportação no Siscomex, prevista no art. 107, inc. IV, alínea "e", do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório O presente processo trata da exigência do valor de R$ 140.000,00 consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 11, referente à multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas em 1994 e 2005, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, as autoridades lançadoras, ao verificar o cumprimento da obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1° da IN/SRF 510/2005, constataram que a contribuinte acima identificada deixou de registrar no prazo regulamentar os dados de embarque referentes ao transporte internacional realizados no mês de maio de 2006, iniciado no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE's listadas no demonstrativo "Auto de Infração n° 0717700/00047/10", parte integrante do respectivo auto de infração, uma vez que de acordo registro dos dados de embarque nos despachos de exportação efetuados pelo transportador em prazo superior a dois dias. A contribuinte apresentou, às fls. 16 a 20, impugnação administrativa, por discordar da exigência à qual foi intimada. Na referida peça de defesa, a autuada alega em preliminar que o auto de infração em apreço foi lavrado "com total carência de informações que possam relacionar as Declarações de Exportações (DEs) nele referidas, com os respectivos conhecimentos aéreos (AWBs)", o que impõe sua nulidade, "uma vez que dificulta, ou impede completamente, a defesa da Impugnante". No mérito, aduz que (i) autuação discrepa da norma reguladora da espécie, posto que a locução "deve prestar", contida no artigo Fl. 124DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.000820/201089 Acórdão n.º 3202000.643 S3C2T2 Fl. 116 3 37 do Decretolei 37/1966, modificado pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, constitui mera recomendação ao transportador, não subsumindo suposto desatendimento à multa aplicada; (ii) a autuação não esclarece quais são os conhecimentos aéreos a que se referem às diversas declarações de exportação objeto da apuração realizada; (iii) jamais deixou de prestar as informações pertinentes aos embarques às autoridades aduaneiras, pois de outra forma não teria ocorrido o desembaraço, muito menos o embarque das referidas mercadorias; (iv) em atendimento à recomendação legal, imediatamente disponibilizou às autoridades aduaneiras dossiê contendo os conhecimentos aéreos, manifestos do vôo e demais documentos pertinentes à carga, o que causa estranheza à firmação contida na peça acusatória; (v) a rigor não há fato gerador para as multas aplicadas no presente auto de infração, pois o fato gerador de qualquer penalidade é o descumprimento de obrigação legal, e não de mera recomendação, como é o caso dos autos; e (vi) traz à colação excerto jurisprudencial que trata da nulidade do lançamento por vício formal. (fls. 46 a 49). Nesse sentido, requer seja declarado nulo o auto de infração, a fim de ver cancelada a multa exigida. É o relatório. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis proferiu o Acórdão n.º 0722.666 de 17 de dezembro de 2010 (folhas 51/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 04/05/2006 a 31/05/2006 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO DE FATO E DE DIREITO. INOCORRÊNCIA É descabida a alegação de cerceamento do direito de defesa por falta de fundamentação de fato e de direito, quando se constata que todos os fatos e bases legais indispensáveis à compreensão do feito fiscal e à sua validação estão presentes no auto de infração e no demonstrativo que o acompanha. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 04/05/2006 a 31/05/2006 DADOS DE EMBARQUE. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O descumprimento da obrigação de prestar à Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas é punível por embarque no veículo transportador, cuja data a ser Fl. 125DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 4 considerada, segundo a legislação de regência, é a do vôo, no caso de transporte aéreo internacional. NÚMERO DA DECLARAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. INFORMAÇÃO OBRIGATÓRIA. CONHECIMENTO DE CARGA. TRANSPORTADOR. É defeso ao transportador aéreo alegar desconhecer o número atribuído à declaração para despacho de exportação uma vez que referida informação deve obrigatoriamente constar em todos os documentos que instruem o despacho, em especial no conhecimento e no manifesto de carga. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. NATUREZA OBJETIVA DA INFRAÇÃO. As penalidades aplicadas em razão do descumprimento de obrigações acessórias autônomas, como é o caso da informação dos dados de embarque de mercadoria destinada à exportação, prestada fora do prazo estabelecido normativamente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, possui natureza objetiva, cuja sanção objetiva disciplinar seu cumprimento tempestivo, por parte dos transportadores e seus representantes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A interessada regularmente cientificada do Acórdão da DRJ – Florianópolis em 24/01/2011 (folhas 59/61) interpôs Recurso Voluntário em 11/02/2011 (fls. 62/ss), onde repisa os argumentos trazidos em sua impugnação, além de argumentar sobre “fato novo” a justificar a exclusão das multas aplicadas, trazidas pela IN SRF nº 1.096/2010, que ampliou para sete dias o prazo constante da IN SRF nº 28/1994 para o registro dos dados pertinentes aos embarques das empresas aéreas no Siscomex. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A controvérsia em discussão nestes autos referese à aplicação da multa ao transportador por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal do Brasil. A multa aplicada está prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.000820/201089 Acórdão n.º 3202000.643 S3C2T2 Fl. 117 5 de dezembro de 2003. Para facilitar a análise da matéria, convém inicialmente transcrever o referido dispositivo legal: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga (grifei). O dispositivo legal acima transcrito que tem por finalidade penalizar o comportamento daqueles que impedirem ou retardarem o fluxo normal de registros de dados no SISCOMEX, ocasionando acúmulo desnecessário de pendências no Sistema, o que levou o legislador a estabelecer expressamente que o descumprimento de obrigações acessórias, na forma e prazo previstos pela Receita Federal, acarretaria a aplicação de multa. A obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. Quanto à forma e ao prazo para informação de dados no SISCOMEX pelo transportador, a redação original do artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94 dispunha: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no S1SCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 6 A IN SRF n° 510/05, deu nova redação ao artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94, prescrevendo o prazo de 2 dias, contados da realização do embarque, para o registro dos dados no Siscomex, nos casos de transporte efetuado por via aérea. Posteriormente, o artigo 1º da IN SRF n° 1.096 de 13 de dezembro de 2010, deu nova redação ao artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94, estabelecendo o prazo de 7 dias, para todas as modalidades de transporte, verbis: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contado da data da realização do embarque. §1° Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, ferroviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de despacho. §2° Na hipótese de o registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação ser efetuado depois do embarque da mercadoria ou de sua saída do território nacional, nos termos do art. 52, o prazo a que se refere o caput será contado da data do registro da declaração. §3° Os dados de embarque da mercadoria poderão ser informados pela fiscalização aduaneira nas hipóteses estabelecidas em ato da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana).” (grifei) Muito bem. Neste passo, importante registrar que após muito refletir sobre a aplicação da retroatividade benigna a situações como a que se apresenta nesse litígio, estou alterando entendimento anterior já adotado nessa Turma (quando acompanhei a i. relatora no Acórdão nº 3202000.544, que votou no sentido de não aplicar a retroatividade), por entender que a situação fática posta nesses autos amoldase perfeitamente à hipótese de retroatividade benigna. Senão vejamos. A matéria em tela comporta a seguinte interpretação. A Constituição Federal estabelece a regra da irretroatividade da lei como corolário do princípio da segurança jurídica, exceto para beneficiar o réu (art. 5º, XL). Nesse diapasão, o CTN consagrou no artigo 106, inciso II, alíneas “a”, “b”, e “c”, três hipóteses em que a lei nova elide os efeitos da incidência da norma anterior: a) a lei nova já não mais define determinado ato, como infração; b) a lei nova deixa de tratar o ato como contrário a qualquer exigência legal de ação ou omissão (desde que não tenha ocorrido fraude, nem falta de pagamento de tributo exigido); c) a pena menos severa substitui a mais grave da legislação anterior. O professor Paulo de Barros Carvalho (Curso de Direito Tributário, 17ª edição, p. 95) afirma que “as duas primeiras alíneas dizem quase a mesma coisa. Toda a exigência de ação ou de omissão consubstancia um dever, e todo o descumprimento de dever é uma infração, de modo que foi redundante o legislador ao separar as duas hipóteses”. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.000820/201089 Acórdão n.º 3202000.643 S3C2T2 Fl. 118 7 Muito embora concorde que a ponderação do jurista é extremamente pertinente, no caso em tela, a meu sentir, a hipótese prevista na alínea “b” amoldase melhor à situação fática. Isto porque a legislação nova (IN SRF n° 1.096/2010) deixou de tratar o ato praticado não registrar os dados de embarque da mercadoria no Siscomex no prazo de 2 dias (previstos na IN SRF n° 28/94 alterada IN SRF n° 510/05) – como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão (alínea “b”), uma vez que a nova norma prescreve, agora, o prazo de 7 dias. Em outras palavras, o ato de não registrar os dados de embarque da mercadoria no SISCOMEX, quando efetivado em até 7 dias, deixou de ser apenado pela nova norma. Assim, tratandose a espécie dos autos de ato não definitivamente julgado, em face do princípio da retroatividade benigna, com fundamento no art. 106, inciso II, alíneas “a” e “b”, do CTN, há que se proceder à exoneração da multa aplicada especificamente para aqueles casos em que o registro dos dados de embarque da mercadoria no Siscomex tenham ocorrido em até 7 dias nos termos do que dispõe a IN SRF n° 1.096, norma que atualmente regula a matéria. Em situação muito semelhante à tratada nestes autos, a RFB já se manifestou na Solução de Consulta Interna nº 8 da COSIT, de 14/02/2008, com relação à retroatividade benigna em relação aos prazos para prestação de informação no Siscomex: “SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA Nº 8 COSIT DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS APÓS O PRAZO. Aplicase a retroatividade benigna prevista na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN, pelo não registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria no prazo previsto no art. 37 da IN SRF nº 28, de 1994, em face da nova redação dada a este dispositivo pela IN SRF nº 510, de 2005. Para as infrações cometidas a partir de 31 de dezembro de 2003, a multa a ser aplicada na hipótese de o transportador não informar, no Siscomex, os dados relativos aos embarques de exportação na forma e nos prazos estabelecidos no art. 37 da IN SRF n" 28, de 1994, é a que se refere à alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n" 37, de 1966, com a redação dada pela Lei no. 10.833, de 2003. Deve ser aplicada ao transportador uma única multa de R$ 5.000,00, por se tratar de uma única infração. (Grifei) Portanto, aplicandose a retroatividade benigna devem ser excluídas da autuação fiscal os embarques cujos registros de dados foram efetuados no Siscomex no prazo de até 7 dias. Restam, então, apenas três embarque cujos dados foram informados após o prazo de 7 dias, para os quais deverão ser mantidas as multas aplicadas, conforme tabela abaixo elaborada a partir dos dados informados pela fiscalização às folhas 9/10: Fl. 129DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 8 DDE: Data de embarque: Data da informação no sistema: Voo: Dias de atraso: Total de voos no dia: 20605265674 07/05/06 17/05/06 AA904 10 20605274738 07/05/06 17/05/06 AA904 10 1 2060551988 15/05/06 12/07/06 AA905 27 1 20605489491 15/05/06 03/08/06 AA904 49 1 Na contagem dos prazos foi considerada a forma prescrita pelo caput do artigo 210 da Lei 5.172/66 CTN que determina os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Quanto ao critério utilizado para aplicação da multa entendemos estar correta a forma adotada pela fiscalização, ao considerar que a multa de R$ 5.000,00 deve ser aplicada em relação a cada veículo transportador, ou seja, por embarque/voo e não em relação a cada despacho de exportação constante desse embarque. Este, inclusive, é a orientação trazida pela Solução de Consulta Interna n° 8 da COSIT, de 14/02/2008, acima transcrita. Destarte, comprovado que a Recorrente descumpriu o prazo para prestar informação dos dados de embarque de mercadorias no sistema restou perfeitamente tipificada a infração prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 (com a redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/03), sujeitando o infrator à multa no valor de R$ 5.000,00 por embarque. Passemos a análise dos demais pontos arguidos pela Recorrente. Não procede a alegação de que a autuação não esclareceu quais foram os conhecimentos aéreos (AWBs) a que se referem as diversas DEs objetos da apuração realizada, o que teria como consequência a nulidade da autuação fiscal. Como muito bem destacado pela decisão de primeira instância, a autuação fiscal informa claramente que a empresa foi penalizada em decorrência do descumprimento da obrigação acessória referida no artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF 510/2005, na medida em que deixou de registrar no prazo regulamentar os dados de embarque referentes aos transportes realizados no decorrer do mês de maio de 2006, iniciados no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, relativamente às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE's discriminadas no auto de Infração, tendo em vista que segundo o comando do inciso II do artigo 39 da mencionada IN/SRF 28/1994 considerase extemporâneo o registro dos dados de embarque relativos aos despachos de exportação efetuados pelo transportador em prazo superior a dois dias (à época, prazo este alterado posteriormente para 7 dias). As autoridades fiscais juntaram às fls. 9 a 11 demonstrativo onde estão explicitados os embarques/voos que deram fundamento à autuação, Não há, portanto, como acatar a alegação de cerceamento ao direito da Recorrente de se defender em razão da não possibilidade de conhecimento dos fundamentos de fato e de direito da autuação. Abaixo transcrevese trechos do voto condutor do Acórdão da DRJ Florianópolis com os quais concordo plenamente e adoto também como fundamento deste voto, verbis: Não assiste razão à impugnante, pois o artigo 37 da IN/SRF 28/1994, estatui que "o transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos". Portanto, se evidencia da norma que o transportador, independentemente do modal que opere, tem Fl. 130DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.000820/201089 Acórdão n.º 3202000.643 S3C2T2 Fl. 119 9 participação ativa no processo de exportação, na medida em que tem a obrigação de informar no Siscomex os dados de embarque de determinada carga, que, por sua vez, é identificada no referido sistema pelo número da declaração de exportação (ME). Logo, é desarrazoado que a autuada, na qualidade de transportadora aérea, afirme desconhecer o fundamento da autuação pelo fato de o auto de infração não mencionar a correlação existente entre os conhecimentos aéreos e as declarações de exportação listadas às fls. 06/07, uma vez que referida informação é pré requisito para que tenha condições para efetuar o embarque das cargas sob sua responsabilidade. Corroborando a assertiva acima, o parágrafo 3º do artigo 16 da referida IN/SRF 28/1994, prevê textualmente que o número do despacho de exportação (DDE) deve obrigatoriamente constar do próprio conhecimento de embarque. Quanto à afirmação da Recorrente no sentido de que “não há fato gerador válido para a imposição daquela indevida multa, eis que a própria norma legal invocada — qual seja, o Artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 2811994 — não envolve jus cogens, mas mera recomendação para fornecer tais informações, ...”, a meu sentir, é totalmente improcedente. No caso em tela a conduta praticada pela interessada, ao deixar de prestar informações sobre veículo ou carga transportada no Siscomex, no forma e prazo previstos pela RFB, subsomese perfeitamente a hipótese normativa prescrita pelo artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. A referida multa é aplicada em razão do simples descumprimento da obrigação acessória. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, mantendo a multa no valor de R$ 15.000,00 em relação apenas aos três embarques para os quais os dados foram informados após o prazo de 7 dias no Siscomex. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 131DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13826.000022/99-30
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/1992 a 30/08/1995
Restituição de Tributos Indiretos -Requisitos.
No caso de restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro, a lei exige do requerente a demonstração de ter ele assumido o referido encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a repetir o indébito.
Recurso Especial do Procurador conhecido e provido em parte.
IPI - Restituição. Compensação. Prazo decadencial/ prescricional. Irretroatividade da Lei Complementar nº 118/2005. Pedido formulado antes de 09/06/2005. Vigência da tese dos 10 anos. Re 566.621.
Numero da decisão: 9303-002.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López (Relatora), Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que conheciam em parte; e II) no mérito: a) por unanimidade de votos, afastou-se a decadência do direito à repetição de indébito; e b) pelo voto de qualidade, deu-se provimento parcial ao recurso especial para reconhecer o direito creditório apenas quanto às saídas com autorização prevista no art. 166 do CTN. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López (Relatora), Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Valmar Fonseca de Menezes Presidente substituto
Maria Teresa Martínez López - Relatora.
Henrique Pinheiro Torres Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Mércia Helena Trajano DAmorim (Substituta convocada) e Susy Gomes Hoffmann. Ausentes justificadamente Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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Análise de prova pela CSRF. Possibilidade. Em sede de preliminar de admissibilidade de recurso, só é dado verificar, em tese, e, apenas em tese, se o apelo de natureza especial logrou demonstrar que a decisão fustigada foi proferida contrariamente à evidência das provas, cabendo, na análise de mérito, aí sim, decidir se o acórdão recorrido pautou se dentro dos ditames legais. No Regimento Interno do CARF ou em qualquer parte da legislação processual, não há qualquer vedação a que a Câmara Superior de Recursos Fiscais enfrente a análise de provas, sobretudo, no julgamento de recursos cujo fundamento para sua admissibilidade era a alegação de ter o acórdão recorrido contrariado a evidência das provas dos autos. Uniformização de Jurisprudência. Tribunais Superiores. (Art. 543B e 543C do CPC). Necessidade de Reprodução das Decisões pelo CARF (Art. 62A do RICARF). IPI Restituição. Compensação. Prazo decadencial/ prescricional. Irretroatividade da Lei Complementar nº 118/2005. Pedido formulado antes de 09/06/2005. Vigência da tese dos 10 anos. Re 566.621. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1992 a 30/08/1995 Restituição de Tributos Indiretos Requisitos. No caso de restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro, a lei exige do requerente a demonstração de ter ele assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 6. 00 00 22 /9 9- 30 Fl. 1683DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a repetir o indébito. Recurso Especial do Procurador conhecido e provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López (Relatora), Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que conheciam em parte; e II) no mérito: a) por unanimidade de votos, afastouse a decadência do direito à repetição de indébito; e b) pelo voto de qualidade, deuse provimento parcial ao recurso especial para reconhecer o direito creditório apenas quanto às saídas com autorização prevista no art. 166 do CTN. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López (Relatora), Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Valmar Fonseca de Menezes – Presidente substituto Maria Teresa Martínez López Relatora. Henrique Pinheiro Torres – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Mércia Helena Trajano D’Amorim (Substituta convocada) e Susy Gomes Hoffmann. Ausentes justificadamente Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Na sessão plenária de 23 de fevereiro de 2005, a Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes julgou o Recurso Voluntário n° 124.672 e decidiu, por maioria de votos, darlhe provimento. A decisão foi formalizada no Acórdão n° 20310.010, que recebeu a seguinte ementa: Fl. 1684DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13826.000022/9930 Acórdão n.º 9303002.141 CSRFT3 Fl. 1.645 3 "IPI. COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL. O prazo para se pleitear a compensação/restituição dos valores recolhidos indevidamente a titulo de IPI começa a contar a partir da publicação da Instrução Normativa 67/98. COMPROVAÇÃO. Resta expressamente autorizada a compensação dos valores pelos clientes da Recorrente, nos termos do artigo 166 do Código Tributário Nacional. Recurso provido." Ciente do referido acórdão, a Fazenda Nacional, com fulcro no art. 32, inciso I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n. 55, de 16/03/98, interpôs o Recurso Especial de fls. 1.547/1.550, onde: afirmou que a interessada não podia ser restituída do aludido indébito do IPI, pois não foi provado que a mesma assumiu o ônus do pagamento do tributo ou de que seja autorizada a repetilo por quem o assumiu, nos termos do art. 166 do CTN; e protestou pela aplicação do prazo decadencial de cinco anos a contar do pagamento indevido para a restituição do indébito de IPI. Alegouse no recurso especial, em síntese, afronta à prova dos autos e violação ao princípio do ônus da prova, previsto no artigo 333 do Código de Processo Civil. A interessada, produtora de açúcar cristal, nas modalidades "superior", "especial" e "especial extra", entrou com pedido de restituição/compensação em 01/02/199, referente ao imposto de IPI recolhido indevidamente referente ao período compreendido entre os meses de fevereiro de 1992 e agosto de 1995. O pleito fundouse na Instrução Normativa SRF nº 67, de 14/07/98, cujo teor é o seguinte: Art. 1º Os estabelecimentos industriais que deram saídas a açúcares de cana do tipo demerara, cristal superior, cristal especial, cristal especial extra e refinado granulado, no período de 6 de julho de 1995 a 16 de novembro de 1997, e a açúcar refinado do tipo amorfo, no período de 14 de janeiro de 1992 a 16 de novembro de 1997, com lançamento, em Nota Fiscal, do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), ou com indicação do imposto tendo em vista decisão judicial, e que não tenham promovido seu recolhimento, deverão oferecer à tributação e recolher ao Tesouro Nacional, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da publicação desta Instrução Normativa, o Imposto de Renda Pessoa Jurídica e a Contribuição Social sobre o Lucro, quando cabíveis, e as Contribuições para o PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), respeitados os períodos de apuração do imposto e de cada contribuição. Art. 2º Os estabelecimentos industriais que deram saídas a açúcares de cana do tipo demerara, cristal superior, cristal especial, cristal especial extra e refinado granulado, no período de 6 de julho de 1995 a 16 de novembro de 1997, e a açúcar refinado do tipo amorfo, no período de 14 de janeiro de 1992 a 16 de novembro de 1997, com lançamento, em Nota Fiscal, do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), e que tenham Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 promovido seu recolhimento, poderão solicitar a restituição dos valores pagos na forma da legislação vigente. Parágrafo único. O valor a restituir será utilizado para quitar, mediante compensação, qualquer débito existente, inclusive o decorrente do oferecimento à tributação do valor da restituição, nos termos do art. 1º, ficando a restituição restrita ao saldo resultante dessas compensações, observado o disposto nas Instruções Normativas SRF nºs 21, de 10 de março de 1997, e 73, de 15 de setembro de 1997. Art. 3º Fica convalidado o procedimento adotado pelos estabelecimentos industriais que deram saídas a açúcares de cana do tipo demerara, cristal superior, cristal especial, cristal especial extra e refinado granulado, no período de 6 de julho de 1995 a 16 de novembro de 1997, e a açúcar refinado do tipo amorfo, no período de 14 de janeiro de 1992 a 16 de novembro de 1997, sem lançamento, em Nota Fiscal, do IPI. Art. 4º Para fins de identificação do tipo de açúcar saído dos estabelecimentos industriais deverão ser adotadas as especificações técnicas contidas na Resolução IAA nº 2.190, de 30 de janeiro de 1986, que estabeleceu a classificação dos vários tipos de açúcares de produção direta das usinas e refinarias autônomas do País. Art. 5º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. (grifos e destaques nossos) Em suma, a contribuinte asseverou que recolheu o IPI incidente sobre a saída de açúcares de cana à alíquota de 18%, enquanto que a IN SRF nº 67/98 reconheceu o indébito e autorizou a sua restituição e compensação. Por meio do Despacho n. 203019, de fls.1555, sob o entendimento de estarem presentes as condições legais, o recurso foi admitido. A interessada apresentou contrarrazões onde em apertada síntese pede a manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Teresa Martínez López Duas questões foram colocadas a discussão. A Primeira diz respeito ao prazo decadencial/prescricional para solicitar a restituição/compensação do imposto pago indevidamente, e a segunda diz respeito à prova, no entendimento de que a interessada não podia ser restituída do aludido indébito do IPI, pois não foi provado que a mesma assumiu o Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13826.000022/9930 Acórdão n.º 9303002.141 CSRFT3 Fl. 1.646 5 ônus do pagamento do tributo ou de que seja autorizada a repetilo por quem o assumiu, nos termos do art. 166 do CTN. Conheço parcialmente do recurso, apenas quanto ao primeiro tema: decadencial/prescricional para solicitar a restituição/compensação i) Decadência/prescrição: A interessada, produtora de açúcar cristal, nas modalidades "superior", "especial" e "especial extra", entrou com pedido de restituição/compensação em 01/02/199, referente ao imposto recolhido indevidamente referente ao período compreendido entre os meses de fevereiro de 1992 e agosto de 1995. Em primeiro lugar, registrando a controvérsia que o tema envolve, sempre ressalvei a minha opinião particular de reconhecer, na linha de interpretação do STJ, que os pedidos efetuados antes da vigência do disposto no art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005 1 devam obedecer ao prazo de 10 anos retroativos a contar do pleito 2. Posteriormente a jurisprudência se consolidou nesse sentido. De acordo com o art. 62A do RICARF, os Conselheiros deverão reproduzir as decisões do STF e STJ, que tenham sido objeto de uniformização de jurisprudência, de acordo com a sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC, in verbis: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Nesse sentido, peço vênia para transcrever a ementa do RE nº 566.621/RS, de relatoria da Min. Ellen Gracie: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACATIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. 1 "Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei 2 O prazo para ao pedido de restituição/compensação de indébito é de dez anos a contar do fato gerador do tributo. (Precedentes do STJ Embargos de Divergência no Recurso Especial n. 435.835SC). Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 A decisão do STF, confirmou o entendimento do STJ, no sentido de que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já para as ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo dos 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir). Para melhor clareza do aqui exposto, transcrevese a ementa do acórdão pretoriano que decidiu a questão. 04/08/2011 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio Grande do Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, 1, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer Outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13826.000022/9930 Acórdão n.º 9303002.141 CSRFT3 Fl. 1.647 7 O prazo de vatatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543, § 3, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. AC0RDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a RE 66.621/RS Presidência do Senhor Ministro Cezar Peluso, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário, nos termos do voto da relatora. Portanto, a matéria não comporta mais dúvidas. A norma inserta no artigo 3º, da lei complementar n° 118/2005, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada. Pois bem, tendo em vista que o pedido de restituição foi efetuado em 01/02/1999, e se refere aos recolhimentos de valores a título de IPI sobre açucares no período de fev/92 a ag/95, nenhum período encontrase decaído. ii) Da suposta contrariedade à lei ou evidência de provas Defende a Fazenda Nacional que: No presente caso, o requerente não provou nem que assumiu os encargos do tributo, nem que não os transferiu a terceiros. Bastava provar que os adquirentes dos produtos eram comerciantes finais, ou revendedores que não os utilizam em processos de industrialização. Mas tal prova não foi produzida. Logo, para a segurança do Erário, que poderá ser desfalcado por conta da duplicidade do aproveitamento desse IPI, é preciso reformar o acórdão. Por entender caber ao relator do processo, antes de efetuar qualquer apreciação de mérito, efetuar o controle dos requisitos formais de admissibilidade do recurso, Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 entre eles, a verificação de se os pressupostos processuais foram devidamente cumpridos, passo à sua apreciação: Este exame preliminar sobre o cabimento do recurso denominase juízo de admissibilidade, transposto o qual, em sentido favorável à recorrente, passará o órgão recursal ao juízo de mérito do recurso interposto pela Procuradoria. O litígio diz respeito basicamente ao reexame da prova acostada nos autos. Da mesma forma manifestada nos precedentes, de interesse da ora interessada, anteriormente citados não cabe a CSRF reanalisar a prova, apreciada pela então AC. 20310.010. O Acórdão recorrido entendeu, pelas provas juntadas, assistir direito à contribuinte. O conceito de reexame de prova deve ser atrelado ao de convicção, pois o que não se deseja permitir, quando se fala em impossibilidade de reexame de prova, é a formação de nova convicção sobre os fatos já analisados pela Câmara recorrida. Não me parece razoável, em outras palavras, que a CSRF venha a viabilizar um juízo que resulte da análise dos fatos a partir das provas. Em outras palavras, não me parece razoável a análise de ter ocorrido pela Câmara apreciação inadequada das provas e consequentemente formar uma nova convicção sobre os fatos. O julgador, antes de valorar as provas, deve estar certo de que a prova é idônea para formar o seu convencimento. Nesse sentido cito outro precedentes da CSRF. Acórdão nº: CSRF/0105.292 RECURSO ESPECIAL PRESSUPOSTO DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL INEXISTÊNCIA Não se conhece do apelo que não demonstra a existência de decisão paradigmática em face da vergastada, especialmente quando esta repousa no exame da prova. A Câmara Superior de Recursos Fiscais tem por intuito dirimir conflitos de teses e não é instância apropriada para reexame da prova. Recurso especial não conhecido. Por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso. Manoel Antonio Gadelha Dias Presidente No mais, entendo inexistir contrariedade à lei. Em primeiro porque não demonstrada. Em segundo, porque se trata de interpretação do artigo 166 do CTN. Caso esta Conselheira seja vencida, na preliminar de conhecimento do recurso especial interposto pela D. Procuradoria, passo ao exame do mérito. DO MÉRITO Retornando aos fatos, temse que, a interessada, é produtora de açúcar cristal, nas modalidades "superior", "especial" e "especial extra" (assim classificado de acordo com o grau de polarização sacarose mínima de 99,5%, 99,7% e 99,8%, respectivamente, segundo o critério determinado pela Resolução n° 2.190/86 do Instituto de Açúcar e Álcool) e de álcool carburante, tendo recolhido, por conta disso, no período compreendido entre os meses de fevereiro de 1992 e agosto de 1995, o IPI sob a aliquota de 18% (dezoito por cento), conforme Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13826.000022/9930 Acórdão n.º 9303002.141 CSRFT3 Fl. 1.648 9 lhe era exigido através da legislação de vigência (artigo 2° da Lei n° 8.383/91 c/c Decreto n° 420/92). Todavia, reconhecida a ilegalidade e a inconstitucionalidade da exigência do IPI incidente à alíquota de 18%, o próprio Secretário da Receita Federal editou a Instrução Normativa n° 67/98 com eficácia restabelecida através do Ato Declaratório Executivo SRF n° 28/2001, autorizando os contribuintes que recolheram o IPI sob a aliquota de 18% a pleitearem a sua restituição. Inicialmente, por meio de despacho decisório SAORT n° 2002/76, proferido pelo Delegado da Receita Federal em Marília, foi indeferido o pedido da Recorrente à compensação dos valores de IPI indevidamente recolhidos a maior, sob o fundamento de que, primeiramente, teria ocorrido decadência do direito de pleitear a restituição/compensação de parte dos valores controversos (5 anos da extinção do pagamento), bem como por não ter aquela feito prova do estorno dos créditos de IPI promovidos pelos adquirentes de seus produtos, ensejando a apresentação de Manifestação de Inconformidade por parte da mesma, que restou indeferida pela Colenda Segunda Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto com a prolação de v. acórdão. Já o então Conselho de Contribuintes (Acórdão recorrido) deu provimento ao recurso. Afastou a decadência ao considerar que o prazo dos 5 anos, tem início com a data da publicação da IN 67/98. No mérito entendeu que: (...) 0 artigo 166 do Código Tributário Nacional estabelece as exigências para a obtenção de restituição de tributos cujo ônus tenha sido transferido a terceiros. Exige o dispositivo prova da assunção do encargo ou a expressa autorização dos adquirentes dos produtos para quem foi transferido dito encargo, ficando expressamente autorizado a recebêlo, sendo vejamos: Verbis Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê la. Nesse passo, da análise dos documentos trazidos á. colação, elejo o de fl. 103, como exemplo, e vislumbro que os clientes da ora recorrente autorizam expressamente a restituição/compensação dos valores do IPI, destacados e recolhidos, efetuados a partir de 1992, tanto para açúcar amorfo, quanto para açúcares superior, especial e especial extra. Ainda mais, declaram os adquirentes que não foram tomados quaisquer créditos de IPI em relação aos açúcares acima identificados, adquiridos para comercialização. Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 Portanto, entendo serem cabíveis as compensações/restituições nos moldes das autorizações dadas pelas adquirentes dos açúcares da Recorrente. Depreendese, do texto legal retro citado pelo relator do acórdão recorrido, que a única exigência contida no artigo 166 do Código Tributário Nacional relativamente a. restituição de tributos cujo ônus foi transferido a terceiros é o fato de estar expressamente autorizado por estes a pleiteála. No mais analisou a documentação juntada para ao final entender serem cabíveis as compensações/restituições solicitadas. Por amor ao debate, compulsando os autos do presente processo administrativo, verificase que a interessada cumpriu integralmente tal exigência legal, tendo colacionado ao processo autorizações relativas as empresas adquirentes do seu (dela) açúcar, mesmo naquelas hipóteses em que aquela farseia desnecessária, como por exemplo nos casos dos adquirentes impossibilitados, por sua própria natureza, de se creditarem do valor relativo IPI. Com efeito, o artigo 166 do CTN é claro ao dispor que a restituição somente será deferida a. vista da expressa autorização dos terceiros que suportaram o "ônus do recolhimento do tributo, em nenhum momento ficando implícito o requisito do estorno do crédito, ou de outra qualquer condição. Muito embora, não seja da competência desta Eg. Câmara o reexame de prova, a sentir desta conselheira, restou provado pela contribuinte, nos termos em que estabelecido pelo artigo 166 do Código Tributário Nacional, que estava autorizada pelos adquirentes de seu (dela) açúcar a pleitear administrativamente a restituição do montante indevidamente recolhido, sendo que nenhuma outra comprovação pode ser exigida daquela, sob pena de restar, tal exigência, totalmente ilegal por não estar prevista em lei, quer expressamente, quer de forma "implícita". 3 Portanto, entendo assistir o direito da Recorrente à restituição/compensação pleiteada, face aos elementos documentais apresentados, suficientes para o deferimento do pleito ora questionado, conforme acórdão ora recorrido, não sujeito à reexame por este Colegiado. O assunto de fundo de interesse do mesmo contribuinte, já foi objeto de discussão por duas vezes, segundo a memória registrada, nesta Eg. CSRF. A primeira, de minha autoria: Processo n° 13826.000067/9978 Recurso n°: 202119.630 Especial do Procurador Acórdão n° 930300.146 — 3' Turma Sessão de 11 de agosto de 2009 3 Os documentos colacionados pela interessada não se restringiram a autorizar o pleito de restituição por parte desta, tendo restado ali consignado ainda, de forma clara e inequívoca, que os referidos adquirentes não tomaram credito do tributo, não havendo porque se exigir outras comprovações de seus clientes (fato este que sequer pode ser considerado normal numa relação negocial, uma vez não possuir a ora interessada o poder fiscalizatório que compõe os atributos indelegáveis das autoridades fiscais. Vejase que alguns dos adquirentes do açúcar produzido pela Recorrente são estabelecimentos comerciais (não só supermercados, mas também cooperativas de consumo, por exemplo), que sequer são contribuintes do IPI, tendo em vista a própria natureza da atividade comercial por eles realizadas. Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13826.000022/9930 Acórdão n.º 9303002.141 CSRFT3 Fl. 1.649 11 Matéria IPI Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado USINA NOVA AMÉRICA S/A Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 1994, 1995, 1996 IPI. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. IN SRF N° 67/98. AÇÚCAR AMORFO E CRISTAL. IPI. ANÁLISE DA PROVA. INADMISSIBILIDADE. A admissibilidade de recurso especial em que se fundamenta no reexame da prova, para que possa ser decidido o mérito direito à restituição, deve se ater às instâncias inferiores. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. O segundo julgamento, do ilustre relator Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, nos autos do processo n.13826.000076/9969 – Acórdão n. 930301.181, de 20/10/2010, seguiu o mesmo resultado, cuja ementa está assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/11/1994 a 31/07/1996 IPI. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. IN SRF N° 67/98. AÇÚCAR AMORFO E CRISTAL. REEXAME DO CONTEÚDO FÁTICOPROBATÓRIO. INSTÂNCIA ESPECIAL. INADMISSIBILIDADE. Não se conhece de recurso especial em que se busca o reexame do conteúdo fáticoprobatório, que não se afigura cabível em instância especial, através da interposição de recurso especial. A análise ampla dos fatos e das provas é limitada às instâncias ordinárias. RECURSO ESPECIAL. CONTRARIEDADE À EVIDÊNCIA DA PROVA. Não se apontando contrariedade à evidência de qualquer prova, o recurso especial não merece ser provido. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Sendo apresentados com o pedido de compensação diversos documentos, o contribuinte se desincumbe do seu ônus probatório, sendo que, na presente hipótese, em razão de diligência determinada pela Colenda Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, foram ainda colacionados aos autos outros documentos, que acabaram por corroborar o pleito formulado pelo contribuinte. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido CONCLUSÃO. Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso interposto pela Fazenda Nacional e na parte conhecida NEGAR provimento ao recurso, pelo afastamento da decadência/prescrição. Maria Teresa Martínez López Relatora Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado No que pese os bens concatenados argumentos trazidos no voto do ilustre relator, deste ouso divergir no tocante ao conhecimento e ao mérito do recurso, pelas razões seguintes: O recurso é tempestivo e, a meu sentir, preenche os demais critérios de admissibilidade, senão vejamos: Em sede de preliminar de admissibilidade de recurso, só é dado verificar, em tese, e, apenas em tese, se o apelo de natureza especial logrou demonstrar que a decisão fustigada foi proferida contrariamente à lei ou à prova dos autos hipóteses que se afiguram ao caso dos autos, cabendo, na análise de mérito, aí sim, decidir se o acórdão recorrido pautouse dentro dos ditames legais. Esclareçase, por oportuno, que o requisito de admissibilidade pertinente à contrariedade do acórdão recorrido à lei ou à prova dos autos é, meramente, formal, pois, a demonstração inequívoca dessa contrariedade é a matéria do mérito recursal, que só poderá ser examinada pelo Colegiado após o conhecimento do recurso. Observese que não há necessidade de o representante da Fazenda Nacional detalhar, minudentemente, a contrariedade, basta que seja alegada e corroborada nas razões apresentada no Especial. O que é o caso em questão. De outro lado, ao contrário do entendimento da Insigne Relatora, deve ser esclarecido que não há qualquer vedação a que a Câmara Superior de Recursos Fiscais enfrente a análise de provas, sobretudo, no julgamento de recursos cujo fundamento para sua admissibilidade era a alegação de ter o acórdão recorrido contrariado prova dos autos. Ora, não faz qualquer sentido a legislação processual prever a admissibilidade de um recurso por contrariedade à prova dos autos e o órgão responsável pelo julgamento desse recurso não poder analisar a alegada contrariedade. De que adiantaria tal recurso se as provas alegadamente contrariadas não forem examinadas pelo Colegiado ad quem? A prevalecer esse entendimento de que a instância especial, em casos como o dos autos, não pode examinar provas, chegarse ia à conclusão de que a previsão regimental para esse tipo de recurso seria totalmente inócua ou, pior ainda, de que o Colegiado deveria decidir a questão sem conhecimento do que estava decidindo, o que, em qualquer dos casos, seria conclusão, totalmente, desarrazoada. No caso sob exame, como consta do relatório e, também, do voto vencido, a recorrente apontou em seu recurso qual prova teria sido contrariada pelo acórdão recorrido. Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13826.000022/9930 Acórdão n.º 9303002.141 CSRFT3 Fl. 1.650 13 Assim, a meu sentir, dúvida não há que o apelo Fazendário atendeu a todos os requisitos de admissibilidade, devendo, por isso ser conhecido. No mérito, divirjo apenas parcialmente do posicionamento adotado pela Relatora, e o faço pelas razões a seguir expostas. O Código Tributário Nacional, exige que, no caso de 4restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro, o requerente demonstre ter assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a repetir o indébito. No caso sob exame, é incontroverso que houve a transferência do encargo, visto que o imposto fora destacado nas notas de vendas. Assim, resta a segunda opção qual seja, a demonstração de que a requerente estava expressamente autorizada pelos adquirentes dos produtos (terceiros a quem foi transferido o encargo do imposto) a repetir o indébito. Dos autos constam que parte dos adquirentes do açúcar deram a autorização expressa, mas em relação à outra parte, não há prova de que isso ocorreu. Por conseguinte, somente em relação a uma parcela da restituição pretendida é que a contribuinte demonstrou atender às condições estabelecidas no art. 166 do CTN para fazer jus à repetição do indébito. Assim, a solução é por demais simples, na parte em que houve o atendimento das condições retromencionada, devese restituir o imposto pago a maior ou indevidamente, e, na parte em que tais condições não foram atendidas, não há como deferir a repetição pretendida pelo sujeito passivo. Registrese, por oportuno, que a Lei exige que o postulante à restituição demonstre estar autorizado pelo terceiro que suportou o encargo tributário, mas não impõe que este ( o terceiro) comprove que não se utilizou do crédito do imposto destacado nas notas. Ora se a lei não exigiu, não cabe ao intérprete fazêlo. Com essas considerações, conheço do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento parcial para deferir apenas a restituição que o sujeito passiva tenha feito prova, nos autos, do atendimento das condições estabelecidas no art. 166 do CTN. Henrique Pinheiro Torres 4 Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 14 Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10680.013032/2007-00
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Sat Feb 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.130
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o processo em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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decisao_txt : RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o processo em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
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Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .0 13 03 2/ 20 07 -0 0 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Resolução nº 2403000.130 S2C4T3 Fl. 616 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 0224.640 – 7ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, que julgou procedente em parte o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal acessória, fl. 01, Auto de Infração – AI nº 37.044.4965, no montante original de R$ 3.167,28, retificado para R$ 1.015,92. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.044.4965, Código de Fundamentação Legal – CFL 69, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP:com aliquota de 1% de RAT, quando seu enquadramento conforme o CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) é de 2%, no período de 07/1997 a 05/2003. O Relatório Fiscal da Infração: A empresa informou na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP aliquota de 1% de RAT, quando seu enquadramento conforme o CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) é de 2%, no período de 07/1997 a 05/2003, tendo infringido o disposto no art. 32, inciso IV, parágrafo 6o da Lei 8.212/91. A empresa esta enquadrada na faixa de 500 a 1000 segurados no período para o estabelecimento do limite previsto na tabela do art.32, parágrafo 4o da Lei 8.212/91.Em nenhuma competência o limite foi atingido. Não ficaram configuradas circunstâncias agravantes previstas no art. 290 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3048/99 e nem atenuantes previstas no art. 291 do mesmo Regulamento. Desta forma, o dispositivo legal infringido foi a Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 6º, acrescido pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com o art. 225, IV e § 4° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 06/05/1999. A capitulação da multa aplicada é Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §6°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. III, e art. 373. O Relatório Fiscal de Aplicação da Multa informa que: A empresa informou 53 campos com dados incorretos ou omissos. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Resolução nº 2403000.130 S2C4T3 Fl. 617 3 A multa cabível por cada campo informado incorretamente corresponde a 5% do valor mínimo previsto no art. 283 do Regulamento da Previdência Social RPS, equivalente a R$1.195,13 (PT_MPS 142 de 11/04/07), conforme dispõe o art. 284, inciso III do RPS e art. 32, parágrafo 6o da Lei 8212/91. 0 valor da multa para cada campo informado incorretamente é de R$59,76. A empresa informo 53 campos com dados incorretos ou omissos, portanto, o valor da multa é de R$3.167,28. O Relatório Fiscal do correlato processo principal nº 10680.013031/200757, NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº. 37.044.4957, às fls. 376 a 378, com Anexo às fls. 379 a 400, observa que a constituição do crédito previdenciário ocorreu com o fato da Empresa utilizar alíquota de 2% (dois por cento) para a parte da gráfica (FPAS 507) e para os demais setores (FPAS 566) a aliquota de 1% (um por cento). Ademais, a fiscalização acrescenta, ainda, que a atividade fim da empresa é a edição de jornais e que os outros setores são atividades meio para o alcance da atividadefim, sendo assim, só se pode ter um único enquadramento. O Anexo do Relatório Fiscal, do correlato processo principal nº 10680.013031/200757 às fls. 379 a 400, apresenta uma planilha demonstrativa das bases de cálculo por CNPJ, com os seguintes campos: ANO/MÊS; BASE CALCULO; RAT DEVIDO; RAT RECOLHIDO; DIFERENÇA; CNPJ O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09332538F00, além do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do MPF, foi de 01/1996 a 08/2006. O período objeto do AI, conforme o Relatório Fiscal da Multa, é de 07/1997 a 05/2003. A Recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 28.06.2007, conforme fls. 01. Contra a autuação, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva. Foram os autos baixados em Diligência Fiscal, às fls. 72 a 75, a fim de que a AuditoriaFiscal se manifestasse a respeito das alegações da Recorrente, além de apresentar: Em face do exposto, os autos deverão ser encaminhados a Auditoria Fiscal para que a mesma manifeste, exclusivamente, quanto ao enquadramento da notificada no correspondente grau de risco, apresentado planilha discriminativa, por competência e por estabelecimento, constando a indicação da atividade exercida em cada estabelecimento, a quantidade de segurados e a definição da atividade preponderante naquele mês. Ressaltese que tal diligência visa demonstrar o cumprimento dos dispositivos previstos no art. 86 da Instrução Normativa SRP n° 03, de 14 de julho de 2005, cm especial, os seguintes comandos: alínea c do inciso I do §º , bem como o inciso II, e estando cm consonância da determinação prevista no caput do art. 37 da Lei n°8.212, de 1991. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Resolução nº 2403000.130 S2C4T3 Fl. 618 4 A Informação Fiscal prestada pela Auditoria, após a análise das alegações da Recorrente, manteve integralmente o lançamento fiscal efetuado, à exceção da decadência que entendeu ocorrer até a competência 04/2002 em função da Súmula Vinculante 8, STF. Ademais, a Informação Fiscal, assim se apresenta: 1 Não houve correção das faltas. 2 0 período de 01/1999 a 04/2002 foi abrangido pela decadência em virtude da Súmula Vinculante 08 do STF, publicada em 20/06/2008. 3 Quanto ao 2º parágrafo do despacho de fls 74 referente ao enquadramento da notificada no correspondente grau de risco, já foi objeto de apreciação no processo DEBCAD n° 37.044.4957, o qual pela estrita relação da matéria, deverá, preferencialmente, ser julgado em conjunto com o Auto de Infração em referência. O Contribuinte cientificado da Informação Fiscal, se manifestou, em síntese: (i) Quo não pode alterar a alíquota de 1% para 2% pois estaria confessando e aceitando a aliquota que entende incorreta. (ii) Apesar do período de 07/1997 a 04/2002, ter sido excluído do débito , em face da decadência, ainda há períodos a serem decotados da exigência fiscal. Como a apuração fiscal é datada de junho de 2007, só poderia ela alcançar créditos posteriores à competência de junho de 2002. Assim, requer a exclusão das competências anteriores a julho de 2002, ou seja, 05/2002 a 06/2002; (iii) A atividade da autuada é de risco mínimo, ou seja, 1%, excetuando o parque gráfico que é risco 2 — que foi recolhido corretamente conforme constatou a própria fiscalização; (iv) Transcreve doutrina e decisões judiciais, sobre o principio da material, e conclui que cabe a Administração Pública pesquisar, diligenciar, averiguar para buscar a verdade material dos fatos; Após análise dos autos, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG, emitiu o Acórdão nº 0224.040, julgando procedente em parte a autuação, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2003 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GFIP. Constitui infração a legislação previdenciária, a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA A decadência devese operar em cinco anos, nos termos do Código Tributário Nacional CTN, ern decorrência da Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Resolução nº 2403000.130 S2C4T3 Fl. 619 5 Não é necessário a realização de perícia para comprovar as atividades exercidas em cada um dos estabelecimentos da empresa, para efeito do enquadramento no grau de risco, visto que nos termos da legislação previdenciária, devese levar em consideração a atividade econômica preponderante da empresa, assim considerada a que ocupa, na empresa, o maior número de segurados e trabalhadores avulsos e não de cada estabelecimento. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI VIGENTE. Não compete à esfera administrativa apreciar argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei vigente. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO CÁLCULO. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica deverá ser feita por ocasião da extinção do crédito tributário, nas modalidades previstas no artigo 156 do CTN ou na fase de execução fiscal da divida. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 7a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, mantendo em parte o valor o crédito tributário exigido no AI n° 37.044.4965, passando o valor de R$3.167,28 para R$1.015,92 (um mil e quinze reais e noventa e dois centavos),, nos termos do relatório e voto do relator que integram o presente julgado. Não cabe recurso de oficio ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pois o valor exonerado encontrase abaixo do limite estabelecido na Portaria n° 03, de 03 de janeiro de 2008 publicada no DOU de 07 de janeiro de 2008. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo artigo 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1° da Lei n.° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo artigo 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. ik Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, para cientificar o contribuinte do inteiro teor deste Acórdão e demais providências, observando o requerido na defesa, fls.47148, para que sejam cientificados os procuradores da impugnante, domiciliados nesta capital, na Rua São Paulo, 1.781, 9° andar, Bairro Lourdes, CEP 30.170.132 Ademais, o Acórdão da decisão de primeira instância, decidiu: pela aplicação da decadência até a competência 05/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN; Contra o contribuinte foram lançados os seguintes créditos previdenciários, na mesma ação fiscal, conforme Termo de Encerramento da Ação Fiscal — TEAF: Fl. 194DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Resolução nº 2403000.130 S2C4T3 Fl. 620 6 NFLD n° 37.044.4957, de obrigação principal, relativa diferença de RAT. Auto de Infração n° 37.044.4922 (processo n° 10680.13033/2007 46), relativo à infringência do artigo 32, IV, § 5 0, Lei n° 8.212 de 1991, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 1997,. descumprimento de obrigação acessória — omissão de fato gerador em GFIP. Auto de Infração n° 37.044.4965 (processo n° 10680.013032/2007 00),relativo à infringência do artigo 32, inciso IV, §6. 3, da Lei n.° 8.212, de 1991, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10 de dezembro de 1997, descumprimento de obrigação acessória — informações inexatas, incompletas ou omissas nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias em GFIP; LDC Lançamento de Débito Confessado n° 37.044.4949; Auto de Infração n° 37.044.4930 confeccionar folhasde pagamento em desacordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária. Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, na qual alega em síntese que: (i) decadência dos débitos e multas aplicadas entre 05/2002 e 06/2002; (ii) não ser possível fazer um único enquadramento das atividades desenvolvidas pela empresa pois possui diversos estabelecimentos com endereços distintos e atividades diferentes. (ii) O CNAE referente à Edição de jornais é o 58123/00 com grau de risco 1%, conforme o Decreto 6.042/12.02.2007; (iv) o código FPAS 507 é para as Atividades de oficina gráfica de empresa jornalística e o código FPAS 566 é para as atividades de escritórios, comunicações e empresa jornalística. (v) Que a aliquota de contribuição do SAT deve corresponder ao grau de risco aferido em cada estabelecimento identificado por seu CNPJ, e não em relação à. empresa como um todo. Colaciona jurisprudência dominante do STJ para respaldar seu entendimento. (vi) A decisão manteve o entendimento de enquadrar as atividades do estabelecimento principal MATRIZ (REDAÇÃO DO JORNAL HOJE EM DIA) no grau de risco 2. Insta esclarecer que a impressão de jornais é efetuada no parque gráfico estabelecido na Av. Nossa Senhora de Fátima, 1945 BH/MG com CNPJ n. 19.207.588/000349 todos os demais estabelecimentos dedicamse a atividade de REDAÇÃO DO JORNAL HOJE EM DIA, escritórios de contatos e serviços administrativos. Ora, sabese que a edição de jornais enquadrase na Classificação Nacional de Atividades Econômicas, na (Decreto 6.042/07): CNAE 58123/00 Edição de jornais = 1% CNAE 58221/00 Edição integrada à impressão de jornais = 1% Repetindo as atividades Fl. 195DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Resolução nº 2403000.130 S2C4T3 Fl. 621 7 exercidas no principal estabelecimento da autuada MATRIZ é a REDAÇÃO DO JORNAL HOJE EM DIA. O único estabelecimento que tinha o risco 2 é o parque gráfico gráfico estabelecido na Av. Nossa Senhora de Fátima, 1945 BH/MG com CNPJ n. 19.207.588/000349 todos os demais estabelecimentos do grau de risco é 1. (Com a edição do Decreto 6.042/07 o parque gráfico ficou com grau de risco 1). (vii) A par disso, o STJ editou a SÚMULA 351, com o seguinte teor: A aliquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. (viii) Nulidade porque foi indeferida a perícia na decisão de primeira instância. (ix) A necessidade de realização de perícia para comprovar as atividades exercidas em cada estabelecimento, indicando assistente técnico e apresentando quesitos; (x) Que inexiste possibilidade da cobrança da multa de mora por seu efeito confiscatório, caracterizando desvio de finalidade, o que é vedado pelo inciso IV do art. 150 da CF/88, conforme jurisprudências colacionadas e doutrinas relativas à matéria. (xi) Que deve ser aplicada uma única sanção, por se tratar de infração de natureza continuada, sendo esse o entendimento da SRFB, inclusive havendo tal previsão no Regulamento do IPI e em consonância com a jurisprudência administrativa; Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Resolução nº 2403000.130 S2C4T3 Fl. 622 8 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 169. Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº. 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares. DAS PRELIMINARES Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 0224.640 – 7ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, que julgou procedente em parte o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal acessória, fl. 01, Auto de Infração – AI nº 37.044.4965, no montante original de R$ 3.167,28, retificado para R$ 1.015,92. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.044.4965, Código de Fundamentação Legal – CFL 69, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP:com aliquota de 1% de RAT, quando seu enquadramento conforme o CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) é de 2%, no período de 07/1997 a 05/2003. Foram os autos baixados em Diligência Fiscal, às fls. 72 a 75, a fim de que a AuditoriaFiscal se manifestasse a respeito das alegações da Recorrente, além de apresentar: Em face do exposto, os autos deverão ser encaminhados a Auditoria Fiscal para que a mesma manifeste, exclusivamente, quanto ao enquadramento da notificada no correspondente grau de risco, apresentado planilha discriminativa, por competência e por estabelecimento, constando a indicação da atividade exercida em cada estabelecimento, a quantidade de segurados e a definição da atividade preponderante naquele mês. Ressaltese que tal diligência visa demonstrar o cumprimento dos dispositivos previstos no art. 86 da Instrução Normativa SRP n° 03, de 14 de julho de 2005, cm especial, Fl. 197DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Resolução nº 2403000.130 S2C4T3 Fl. 623 9 os seguintes comandos: alínea c do inciso I do §º , bem como o inciso II, e estando cm consonância da determinação prevista no caput do art. 37 da Lei n°8.212, de 1991. A Informação Fiscal prestada pela Auditoria, após a análise das alegações da Recorrente, manteve integralmente o lançamento fiscal efetuado, à exceção da decadência que entendeu ocorrer até a competência 04/2002 em função da Súmula Vinculante 8, STF. Ademais, a Informação Fiscal, assim se apresenta: 1 Não houve correção das faltas. 2 0 período de 01/1999 a 04/2002 foi abrangido pela decadência em virtude da Súmula Vinculante 08 do STF, publicada em 20/06/2008. 3 Quanto ao 2º parágrafo do despacho de fls 74 referente ao enquadramento da notificada no correspondente grau de risco, já foi objeto de apreciação no processo DEBCAD n° 37.044.4957, o qual pela estrita relação da matéria, deverá, preferencialmente, ser julgado em conjunto com o Auto de Infração em referência. Ademais, a Informação Fiscal no correlato processo principal nº 10680.013031/200757, às fls. 470 a 472, assim se apresenta: 1 Atendendo despacho de lis 456, estamos anexando planilha demonstrativa com a quantidade de empregados de cada estabelecimento e em cada competência, às folhas 459 a 469. Anexamos, também, a planilha 2, folhas 470 a 472 referente a última competência auditada, 08/2006, com demonstrativo de todas as funções exercidas e quantitativo de empregados em todos os estabelecimentos da empresa, para uma visão detalhada das atividades exercidas. Esclarecemos que em todas as outras competências as funções são praticamente as mesmas com poucas alterações. 2 0 período de 07/1997 a 04/2002 foi abrangido pela decadência em virtude da Súmula Vinculante 08 do STF, publicada em 20/06/2008. 3 Na análise da planilha 2, podemos constatar que quase todas as atividades exercidas são em função de edição e impressão de jornais com os serviços administrativos necessários ao desenvolvimento e alcance do objetivo social da empresa. Esclarecemos que o setor da gráfica não consta das planilhas, devido estar utilizando a aliquota correta. 4 Ressaltamos que o objeto social da empresa, conforme o artigo 2° do Estatuto Social, às pág. 428, é a exploração de atividades gráfico industriais, edição de livros, revistas e jornais. 5 As atividades acima enquadram a empresa no CNAE — Classificação Nacional de Atividade Econômica no grau de risco 2. Tanto na edição, quanto na impressão o grau de risco é o mesmo, conforme Anexo I do ROCCS aprovado pelo Decreto 2.173/97 e Anexo V do RPS aprovado pelo Decreto 3048/99, cujos códigos discriminamos abaixo : Fl. 198DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Resolução nº 2403000.130 S2C4T3 Fl. 624 10 CNAE ATIVIDADES GRAUS DE RISCO 22.110 — Edição; edição e impressão de jornais 2 22.128 — Edição; edição e impressão de revistas 2 22.136— Edição; edição e impressão de livros 2 22.195 — Edição;edição e impressão de outros Produtos gráficos 2 22.217 — Impressão de jornais, revistas e livros 6 A vista do exposto, conclui se, portanto, que não há previsão de grau de risco 1 para nenhuma das atividades incluídas no Estatuto Social, assim como as exercidas pela empresa no período do levantamento. O Anexo da Informação Fiscal prestada pela Auditoria no correlato processo principal nº 10680.013031/200757, às fls. 459 a 462, a 469, apresenta: uma planilha demonstrativa das bases de cálculo por CNPJ, com os seguintes campos: ANO/MÊS; BASE CALCULO; RAT DEVIDO; RAT RECOLHIDO; DIFERENÇA;SEGURADOS; CNPJ uma planilha, em relação à competência 08/2006, contendo os campos: SEÇÃO; CNPJ; FUNÇÃO; QTDE FUNCIONÁRIOS. Outrossim, em que pese a Informação Fiscal no correlato processo principal nº 10680.013031/200757 emitida ter mantido integralmente o lançamento fiscal, à exceção da decadência então observada, bem como a decisão de primeira instância ter mantido também o lançamento fiscal, à exceção da decadência até a competência 05/2002 inclusive, ainda restam alguns pontos a serem esclarecidos em relação à atividade preponderante da Recorrente a fim de que se possa efetivar o julgamento deste processo. Estes pontos assim se apresentam, entre as competências 06/2002 até 08/2006: (a) Em cada competência, a definição de qual é a atividade preponderante da Empresa e quais as funções exercidas se adequam à atividade preponderante, considerandose todos os estabelecimentos da Empresa, inclusive o estabelecimento relacionado ao parque gráfico que a AuditoriaFiscal considerou estar recolhendo a alíquota de SAT/RAT correta de 2%, com FPAS 507. (b) A necessidade de planilha única discriminativa contendo todos os estabelecimentos da Recorrente, inclusive o estabelecimento relacionado ao parque gráfico que a AuditoriaFiscal considerou estar recolhendo a alíquota de SAT/RAT correta de 2%, com FPAS 507. Esta planilha única discriminativa deve apresentar: (1) em cada competência, (2) o estabelecimento, (3) a atividade exercida, (4) a quantidade de segurados naquela atividade exercida; no total de cada competência: (5) a definição da atividade preponderante, considerandose todos os estabelecimentos, naquela competência. (c) Se a AuditoriaFiscal considerou que o estabelecimento dedicado ao parque gráfico, FPAS 507, é o estabelecimento de CNPJ 19.207.588/000349, conforme o alegado pela Recorrente, em sede de Recurso Voluntário, às fls. 583. (d) A quantidade total de empregados em cada estabelecimento, entre as competências 06/2002 até 08/2006. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/200700 Resolução nº 2403000.130 S2C4T3 Fl. 625 11 Portanto, diante do exposto, para que se possa efetuar o julgamento da presente Auto de Infração – AI nº 37.044.4965 se faz necessário o seu saneamento pela autoridade fiscal competente pelo lançamento deste AI, trazendose aos autos a discriminação da atividade preponderante da Empresa em cada competência. CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, para fins de saneamento, de modo que a autoridade fiscal competente pelo lançamento deste AI disponibilize, em um Relatório Fiscal Complementar, o qual após deverá ser dada ciência à Recorrente do resultado da diligência como exigência jurídicoprocedimental, com vistas ao direito do contraditório e da ampla defesa.: (a) Em cada competência, a definição de qual é a atividade preponderante da Empresa e quais as funções exercidas se adequam à atividade preponderante, considerandose todos os estabelecimentos da Empresa, inclusive o estabelecimento relacionado ao parque gráfico que a AuditoriaFiscal considerou estar recolhendo a alíquota de SAT/RAT correta de 2%, com FPAS 507. (b) A necessidade de planilha única discriminativa contendo todos os estabelecimentos da Recorrente, inclusive o estabelecimento relacionado ao parque gráfico que a AuditoriaFiscal considerou estar recolhendo a alíquota de SAT/RAT correta de 2%, com FPAS 507. Esta planilha única discriminativa deve apresentar: (1) em cada competência, (2) o estabelecimento, (3) a atividade exercida, (4) a quantidade de segurados naquela atividade exercida; no total de cada competência: (5) a definição da atividade preponderante, considerandose todos os estabelecimentos, naquela competência. (c) Se a AuditoriaFiscal considerou que o estabelecimento dedicado ao parque gráfico, FPAS 507, é o estabelecimento de CNPJ 19.207.588/000349, conforme o alegado pela Recorrente, em sede de Recurso Voluntário, às fls. 583. (d) A quantidade total de empregados em cada estabelecimento, entre as competências 06/2002 até 08/2006. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 200DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10380.725211/2010-65
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INALTERABILIDADE DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AO MESMO SUJEITO PASSIVO.
Na fase contenciosa, não é admissível a mudança do critério jurídico adotado no lançamento contra o mesmo sujeito passivo em relação aos fatos geradores já concretizados.
ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE PARA FUNDAMENTAR A DECISÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Ainda que haja impropriedade na fundamentação adotada no acórdão recorrido, a existência de motivação suficiente para fundamentar a decisão afasta a tese de nulidade. No caso concreto, apesar de erroneamente alterar o critério jurídico do lançamento, a conclusão apontada em relação à análise das provas representou motivo suficiente para fundamentar a decisão.
IRPF. FATURAS DE CARTÃO DE CRÉDITO PESSOAL PAGAS POR PESSOAS JURÍDICAS. REMUNERAÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE EXCEPCIONAL DE PROVAR O CONTRÁRIO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Até que se prove o contrario, gastos efetuados com cartões de crédito são despesas pessoais do respectivo titular. Se as faturas são pagas por pessoas jurídicas nas quais o titular dos cartões mantém vínculo, tal como titular de cotas, sócio, gerente ou administrador, essa vantagem auferida pelo titular dos cartões tem natureza de remuneração indireta e, portanto, é tributada pelo imposto de renda pessoa física. Excepcionalmente, é possível a comprovação de que os pagamentos em questão representam gastos empresarias e não remuneração indireta, porém é ônus do contribuinte trazer aos autos prova irrefutável de que tais despesas não são remuneração indireta e indicá-las precisamente.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTUITO DOLOSO.
A exigência da multa qualificada tem como requisito a comprovação nos autos do evidente intuito de dolo, fraude ou sonegação.O fato de a fiscalização ter sido iniciada a partir de investigação policial movida contra as pessoas jurídicas em que o recorrente é sócio ou administrador, isoladamente, não dispensa o Fisco de provar o dolo do contribuinte.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para (1) que seja excluído da base de cálculo adotada no lançamento os valores de R$17.939,17 (dezessete mil, novecentos e trinta e nove reais e dezessete centavos), R$59.525,23 (cinqüenta e nove mil, quinhentos e vinte e cinco reais e vinte e três centavos) e R$80.918,01 (oitenta mil, novecentos de dezoito reais e um centavo), nos ano-calendário 2005, 2006 e 2007, respectivamente; e (2) afastar a qualificação da multa de ofício, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 19/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INALTERABILIDADE DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AO MESMO SUJEITO PASSIVO. Na fase contenciosa, não é admissível a mudança do critério jurídico adotado no lançamento contra o mesmo sujeito passivo em relação aos fatos geradores já concretizados. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE PARA FUNDAMENTAR A DECISÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Ainda que haja impropriedade na fundamentação adotada no acórdão recorrido, a existência de motivação suficiente para fundamentar a decisão afasta a tese de nulidade. No caso concreto, apesar de erroneamente alterar o critério jurídico do lançamento, a conclusão apontada em relação à análise das provas representou motivo suficiente para fundamentar a decisão. IRPF. FATURAS DE CARTÃO DE CRÉDITO PESSOAL PAGAS POR PESSOAS JURÍDICAS. REMUNERAÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE EXCEPCIONAL DE PROVAR O CONTRÁRIO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Até que se prove o contrario, gastos efetuados com cartões de crédito são despesas pessoais do respectivo titular. Se as faturas são pagas por pessoas jurídicas nas quais o titular dos cartões mantém vínculo, tal como titular de cotas, sócio, gerente ou administrador, essa vantagem auferida pelo titular dos cartões tem natureza de remuneração indireta e, portanto, é tributada pelo imposto de renda pessoa física. Excepcionalmente, é possível a comprovação de que os pagamentos em questão representam gastos empresarias e não remuneração indireta, porém é ônus do contribuinte trazer aos autos prova AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 52 11 /2 01 0- 65 Fl. 4700DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 irrefutável de que tais despesas não são remuneração indireta e indicálas precisamente. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTUITO DOLOSO. A exigência da multa qualificada tem como requisito a comprovação nos autos do evidente intuito de dolo, fraude ou sonegação.O fato de a fiscalização ter sido iniciada a partir de investigação policial movida contra as pessoas jurídicas em que o recorrente é sócio ou administrador, isoladamente, não dispensa o Fisco de provar o dolo do contribuinte. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para (1) que seja excluído da base de cálculo adotada no lançamento os valores de R$17.939,17 (dezessete mil, novecentos e trinta e nove reais e dezessete centavos), R$59.525,23 (cinqüenta e nove mil, quinhentos e vinte e cinco reais e vinte e três centavos) e R$80.918,01 (oitenta mil, novecentos de dezoito reais e um centavo), nos anocalendário 2005, 2006 e 2007, respectivamente; e (2) afastar a qualificação da multa de ofício, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2006 a 2008, anocalendário 2005 a 2007, decorrente de apuração de omissão de rendimentos percebidos de pessoas jurídicas a título de remuneração indireta, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 11/99. O procedimento de fiscalização foi desencadeado a partir de investigação da Polícia Federal e requisição da Justiça Federal no que foi denominado “Operação Luxo” que teve como objetivo combater sonegação, descaminho e evasão de divisas por pessoas jurídicas, nas quais o contribuinte participava do capital ou atuava como administrador. Os documentos que embasaram a auditoria fiscal foram apreendidos pela Polícia Federal e compartilhado com a Receita Federal com autorização do Juízo da 1ª Vara da Justiça Federal Seção Judiciária do Ceará. Fl. 4701DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.701 3 Em resumo, no procedimento de fiscalização: a) a autoridade fiscal constatou que o contribuinte possuía 11 cartões de créditos cujas faturas eram pagas pelas pessoas Jurídicas Indústria Naval do Ceará S/A Inace, Marina de Iracema Park S/A, Inace Iates Ltda, Inventus Organizadora de Eventos Ltda e Inace Serviços de Manutenção em Embarcações Ltda; b) baseada nos extratos dos cartões e documentos relativos às compras (notas fiscais, cupons fiscais e recibos), a autoridade fiscal segregou as comprar destinadas às necessidades da pessoa jurídica, identificou o pagamento da fatura e a pessoa jurídica pagante e indicou o seguinte: b.1 ) parte das despesas foram de caráter pessoal, tais como compras feitas em lojas de brinquedos (Planeta Brinquedo, Ri Happy, Star Baby, JB Brinquedos), compras feitas em perfumarias cabelereiro e farmácias (Gypsophila , Boticário, American News, Studio Capelli , Farmácia Dose Certa, Avenida, Tele Juca, Pague Menos, Polifarma...), compras realizadas em diversos restaurantes, supermercados e padarias (Restaurante Iate Club, Marieta lanches, Pizza Vignole, Geppos, Santa Grelha, Kingio Restaurante, Coco Bambu, Spettus Família Giuliano, Pizza Hut Fortaleza, Sputnik, Sushi Bar, Plaza Pães e doces, Pão de Açúcar, Super Família, Hiper Planalto, Extra, Padaria Ideal...), compras em lojas de material de construção (Normatel, Acal, Paroma...), compras em lojas de departamento, eletrônicos, informática, sapatos, roupas e artigos diversos (San Michel Magazine, Lojas Americanas, Casas Feitas, Aba Film, Blockbuster, Nagem, HP Fortaleza, CD Max Store, Lela Calçdos, Sapathus, Dili Bili, Gérbera, Lápis de Cor, Kids & teens, Cantão, Zarkha, Stalker...) compras de combustíveis, passagens aéreas (TAM, GOL, TAP AIR Portugal, Posto Auto Silcar, Posto Marina...) despesas no exterior (Apple Store, Circuit City, West Marine, Duty Free) e outros. b.2)outra parte foram aquisições para as empresas Marina de Iracema Park S/A, Indústria Naval do Ceará S/A, Inace Iates Ltda, Inventos Org. Eventos e Inace Serviço de Manutenção, conforme cópias das notas fiscais e recibos das referidas compras, apresentados pelo contribuinte fiscalizado. c) do total das compras subtraiu o valor das compras reconhecidas como das pessoas jurídicas (item “b.2” acima) e, considerando o vínculo do contribuinte com as pessoas jurídicas – participação no capital social, dirigente e/ou gerente de compras – atribuiu à diferença apurada a natureza de remuneração indireta; e d) imputou a multa qualificada “tendo em vista o contribuinte ter subtraído e omitido do conhecimento da autoridade tributária a existência de recursos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, ocultando o fato gerador da obrigação e ocasionando a ausência de recolhimento do imposto de renda, causando danos à Fazenda, prevista no § 1° do art. 44 da Lei n° 9.430/96” (fls. 20). Ao impugnar o lançamento, em síntese, o contribuinte alegou que na fase de fiscalização não houve tempo suficiente para reunir toda a documentação necessária a comprovar que as despesas não eram de caráter pessoal e sim das pessoas jurídicas, ressaltou que foram diversas intimações para diversas empresas e se tratava de vasta documentação, argumentou que a qualificação da multa decorreu de subjetivismo, descreveu razões pelas quais as despesas seriam empresariais, sustentou que a documentação apresentada com a impugnação e a discriminação efetuadas permitm comprovar que não foram despesas pessoais, argumentou, ainda, que os rendimentos declarados não foram considerados. Fl. 4702DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 A impugnação foi indeferida sob fundamento de que a autoridade julgadora, amparada no princípio do livre convencimento, não adotava o mesmo método da autoridade lançadora para classificar as despesas entre pessoais e das pessoas jurídicas, considerou que as despesas das empresas devem ser pagas com cartões da empresa, de forma que as despesas referentes a produtos ou serviços de natureza pessoal com cartões de crédito de uso pessoal (e intransferíveis) do contribuinte são despesas pessoais, ainda que haja notas fiscais, cupons, recibos e outros documentos referente às pessoas jurídicas, pois esses documentos servem tão só às pessoas jurídicas para justificar a saída de recursos. O voto condutor consignou que: a) “todas as compras discriminadas nas faturas dos diversos cartões de crédito demonstram, claramente, características de utilidade para a pessoa ou utilidade de uso doméstico; b) o contribuinte, no procedimento de fiscalização e na impugnação, não ofereceu prova suficiente que pudesse obrigar um procedimento de análise individual de cada compra, com a finalidade de identificar compras de caráter exclusivamente de pessoa jurídica”; c) os valores representam remuneração indireta e, portanto, são tributáveis; d) o lançamento computou os valores declarados pelo contribuinte, porém os valores omitidos não se confundem com o pró labore declarado; e) relativamente à pessoa jurídica, mesmo acobertada por nota fiscal e recibo uma despesa pode ser desconsiderada, se for incompatível com a atividade da pessoa jurídica, citou, como exemplo, compra de bilhetes aéreos em nome do sócioadministrador sem comprovação de que a viagem foi feita por necessidade do serviço e compras de uso pessoal do sócioadministrador. Quanto à multa qualificada, o voto condutor assinalou que receber remuneração indireta e não informar na Declaração de Ajuste Anual caracteriza evidente intuito de fraude, ressaltou que foi a conduta reiterada nos 3 anocalendário da autuação, pois permitir que a fatura de seus cartões fossem pagas pelo caixa da pessoa jurídica, significa que o contribuinte tinha consciência de estar percebendo remuneração indireta, que poderia estar fora do alcance da autoridade fazendária para fins de tributação, sendo cabível a qualificação da multa, mormente se a ação fiscal decorreu de exame de material obtido em investigação policial realizada pelo Departamento de Polícia Federal, em operação de combate ao crime de sonegação contra pessoa jurídica da qual o contribuinte é sócio. A ciência do acórdão ocorreu em 17/08/2011 e a interposição de recurso voluntário, em 14/09/2011. A Unidade preparadora emitiu Termo de Perempção e Aviso de Cobrança, porém, em seguida, reconheceu que havia sido interposto recurso voluntário, tornou sem efeito a cobrança e movimentou o processo para julgamento do recurso. A peça recursal, em resumo, reitera integralmente a impugnação, bem como contém as seguintes alegações: 1. preliminarmente, o processo deve retornar à 1ª instância para assegurar o duplo grau de jurisdição, pois o acórdão recorrido baseouse em informações e documentação que sequer foram mencionados no auto de infração, e portanto, não são do conhecimento do recorrente e não foram objeto da defesa, o que representa violação aos princípios Fl. 4703DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.702 5 constitucionais do contraditório e da ampla defesa; elenca os seguintes elementos para comprovar a referida alegação: 1.1. na ementa – “omissão de rendimentos apurada com base em documentos colhidos em investigação da Polícia Federal”; 1.2. na pág. 2 do acórdão – material colhido pela Polícia Federal ... operação com objetivo, entre outros de combater sonegação fiscal, descaminho e evasão de divisas, supostamente, praticados por pessoas jurídicas; 1.3. página 3 do acórdão – documentos e mídias apreendidos; 1.4. página 16 do voto – “... o voto não seguirá o raciocínio do autor do procedimento de fiscalização adotado no exame de cartão de crédito, com a finalidade de apurar remuneração indireta; e 1.5. é feito novo enquadramento legal do que seria “sonegação e evidente intuito de fraude” 2. a glosa da maioria das despesas ocorreu porque os documentos não foram encontrados naquela ocasião; 3. conforme relação encaminhada pela empresa Casa Blanca Turismo Ltda, as passagens aéreas foram pagas por meio dos cartões de créditos do recorrente, no valor de R$119.191,67 (durante os três anocalendário), referente a deslocamentos de ida e volta FortalezaRio de Janeiro a marítimos, engenheiros e dirigentes da empresa INACE Serviços de Apoio Marítimo Ltda, em virtude da existência de contrato de arrendamento de embarcações com a firma El Paso Óleo e Gas do Brasil Ltda, especializada em prospecção e perfuração de poços de petróleo, cuja totalidade das embarcações envolvidas tinha base naval na cidade do Rio de Janeiro; anexa contratos, fichas de registro de empregados e documentos alusivos às embarcações produzidas por Inace e Inace Iates Ltda; e 4. a qualificação da multa viola a Súmula CARF nº 25 (A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.) com efeito vinculante estabelecido pela Portaria MF nº38/2010. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Fl. 4704DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Das preliminares É alegado que o acórdão recorrido baseouse em elementos estranhos ao auto de infração e que não eram de conhecimento do contribuinte, razão pela qual não foi objeto da defesa. Essas informações e documentos, supostamente trazidos somente com a decisão ora guerreada, dizem respeito à utilização de informações colhidas em investigação da Polícia Federal com objetivo, entre outros, de combater sonegação fiscal, descaminho e evasão de divisas, supostamente, praticados por pessoas jurídicas. Essa preliminar deve ser rejeitada por duas razões: (a) tais fatos foram mencionados no acórdão recorrido com base nos elementos descritos no Termo de Verificação Fiscal (fls. 11/99), que integra o auto de infração, como expressamente mencionado às fls. 5/6; (b) no recurso voluntário o recorrente não faz qualquer contraponto às referidas informações, não aponta objetivamente sequer um documento, o que evidencia não ter havido qualquer prejuízo à defesa. A alegação de modificação do enquadramento legal da multa qualificada não será apreciada como preliminar, pois se confunde com o mérito, além de, a depender da solução do litígio, poder vir a ser prejudicada. Ainda como preliminar, é alegado que o entendimento consignado na página 16 do voto – “... o voto não seguirá o raciocínio do autor do procedimento de fiscalização adotado no exame de cartão de crédito, com a finalidade de apurar remuneração indireta...” viola o contraditório e a ampla defesa, o que justificaria o retorno à primeira instância. Embora o entendimento do acórdão recorrido não seja adequado ao caso concreto, não se trata de nulidade pelas razões adiante explanadas. O lançamento teve por fundamento o recebimento de remuneração indireta não declarada pelo contribuinte. Mediante análise da documentação apresentada pelo contribuinte, a autoridade fiscal considerou que parte das despesas pagas com cartão de crédito do contribuinte são despesas das pessoas jurídicas na qual o autuado é sóciodirigente ou mantém outra espécie de vínculo. Ao agir desta forma, decidiu que essas despesas não são remuneração indireta. Este critério jurídico adotado no lançamento não pode ser modificado em relação ao mesmo contribuinte para fatos geradores já consumados, do contrário terseá por violado o comando estatuído no art. 146 do Código Tributário Nacional CTN. Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Fl. 4705DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.703 7 O acórdão recorrido deu interpretação demasiadamente elástica ao princípio do livre convencimento do julgador na análise da prova, pois o fez com a modificação do supramencionado critério jurídico adotado no lançamento. Embora livre para convencerse ou não dos fatos alegados pelo recorrente, o julgador deve aferir a legalidade do lançamento com o mesmo critério jurídico da autoridade lançadora, o que exige que se analise as provas tomando como premissa que não deve ser computado como remuneração indireta os valores que o recorrente lograr comprovar terem sido despesas das pessoas jurídicas. Aqui reside uma impropriedade do acórdão recorrido. Não obstante, o aresto combatido também teve como fundamento que “todas as compras discriminadas nas faturas dos diversos cartões de crédito demonstram, claramente, características de utilidade para a pessoa ou utilidade de uso doméstico”, esta conclusão do órgão julgador de primeira instância decorreu da livre apreciação das provas e constituiu motivo suficiente para manter hígido o acórdão e a autuação, ainda que mantido o mesmo critério jurídico da autoridade lançadora. Desta forma, não há uma nulidade do acórdão que justifique sua anulação, há uma impropriedade que no máximo justifica sua reforma em segunda instância. Preliminares rejeitadas. A solução de mérito exige que sejam analisadas as provas apresentadas pelo recorrente no intuito de identificar se foi comprovado ou não que as despesas sejam das empresas e não gastos pessoais do recorrente. Registrase que a exigüidade de prazo para atendimento às intimações não é suficiente para que se impute vício à autuação, pois (a) a fase contenciosa é instaurada somente com a impugnação; e (b) durante o procedimento de fiscalização a autoridade fiscal concedeu prorrogação total ou parcial de prazo, quando solicitado pelo contribuinte, sendo que a partir da intimação em que foram solicitados os documentos alusivos aos cartões de crédito não há nos autos solicitação de prorrogação de prazo não atendida, ao menos parcialmente, ou manifestação do fiscalizado no sentido de que o prazo estipulado era insuficiente. Não se pode ignorar que o cartão de crédito dos sócios e administradores não se presta a pagamento de despesas das empresas, tais despesas são por natureza pessoais dos titulares dos cartões, outrossim, a prática de pagar despesas de pessoas jurídicas com o cartão de crédito pessoal do sócio/diretor/administrador é inusual e exige esforço probatório por parte do recorrente que deve objetivamente indicar cada despesa e respectivas documentação e justificativa, sobretudo quando se verifica uma série de despesas de caráter eminentemente pessoal, tal como resumido pela autoridade lançadora. Em parte de caráter pessoal, tais como compras feitas em lojas de brinquedos (Planeta Brinquedo, Ri Happy, Star Baby, JB Brinquedos), compras feitas em perfumarias cabelereiro e farmácias (Gypsophila , Boticário, American News, Studio Capelli , Farmácia Dose Certa, Avenida, Tele Juca, Pague Menos, Polifarma...), compras realizadas em diversos restaurantes, supermercados e padarias (Restaurante Iate Club, Marieta lanches, Pizza Vignole, Geppos, Santa Grelha, Kingio Restaurante, Coco Bambu, Spettus Família Giuliano, Pizza Hut Fortaleza, Sputnik, Sushi Bar, Plaza Pães e doces, Pão de Fl. 4706DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Açúcar, Super Família, Hiper Planalto, Extra, Padaria Ideal...), compras em lojas de material de construção (Normatel, Acal, Paroma...), compras em lojas de departamento, eletrônicos, informática, sapatos, roupas e artigos diversos (San Michel Magazine, Lojas Americanas, Casas Feitas, Aba Film, Blockbuster, Nagem, HP Fortaleza, CD Max Store, Lela Calçdos, Sapathus, Dili Bili, Gérbera, Lápis de Cor, Kids & teens, Cantão, Zarkha, Stalker...) compras de combustíveis, passagens aéreas (TAM, GOL, TAP AIR Portugal, Posto Auto Silcar, Posto Marina...) despesas no exterior (Apple Store, Circuit City, West Marine, Duty Free) e outros. (fls. 16) É incontroverso que os gastos foram pagos por pessoas jurídicas com as quais o recorrente mantinha vínculo como sócio/administrador/representante/gerente, de forma que a falta de contestação específica implica em reconhecer tais gastos pagos pelas pessoas jurídicas como remuneração indireta, portanto tributáveis tal como considerou a autoridade lançadora. A autoridade fiscal demonstrou a totalidade das compras e discriminou aquelas que entendeu comprovadas como despesas empresarias, além de consolidar por ano calendário os respectivos valores (2005, fls. 44/45; 2006, fl. 68/69 e 200, fls. 98/99), cabe ao recorrente listar as demais e apontar a comprovação do que alega. O recorrente alega que somente na fase de impugnação consegui reunir a documentação, anexada como “Doc II (Volume 2 – anos 2005 e 2006) e (Volume 3 Ano 2007), em ordem cronológica. Entretanto, o que se verifica é a juntada de planilhas e documentos, com a seguinte características: Ano 2006 – fls. 2806/3175, 3176/3561; Ano 2007 3562/4002; e Dez2006 e 2007 – 4003/4499. não há documentos de 2005 no denominado ‘Doc II”. Antes de demonstrar o resultado da análise documental, algumas anotações gerais. Na fase recursal são apresentados documentos em língua estrangeira sem tradução juramentada, o que os torna ineficazes (art. 157 da Lei 5.869, de1973). Às fls. 4605/4616, consta documento emitido por Casablanca Turismo dando conta de pagamentos de passagens de empregados, diretores ou prestadores de serviço em cartões do recorrente em benefício de empresas clientes (Inace Naval, Sindfrio, Inace Serviços), sendo R$78.856,06 de tarifas e 5.957,54 de taxas em 2007, R$10.091,13 de tarifas e 1.429,90 de taxas em 2006 e R$17.813,93 de tarifas e R$683,29 de taxas em 2005. Como os pagamentos em 2004 (fls. 2339/2440 e 4616) constituem matéria estranha à autuação, é ônus do recorrente vincular compras em 2004 com pagamentos nos ano calendário da autuação, não se desincumbindo desse ônus, referidos documentos são ineficazes à defesa. A autoridade fiscal indicou às fls. 22, 47 e 71 não só o total das compras em cada anocalendário como também a numeração dos cartões. Não basta apresentar extrato do cartão e alegar vinculação a empresas, é ônus do recorrente indicar objetivamente a prova nos autos. Em razão do grande número de documentos, de cartões de crédito, da apuração em três exercícios, pagamentos parcelados e menção ao nome de fantasia ao invés da denominação social grafada no documento fiscal, caso algum documento tenha sido apresentado pela defesa fora da ordem cronológica referente à Fl. 4707DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.704 9 comprovação da despesas, o recorrente não terá se desincumbido do ônus de provar adequadamente nos autos as suas alegações. Quanto às muitas despesas parceladas, ainda que não mencionado expressamente neste voto, as razões que levam a decidir pela comprovação ou rejeição da 1ª parcela da despesa é a fundamentação em relação às parcelas subseqüentes. Também não se desincumbe do ônus da prova apenas alegando consignando “doc fiscalização” ou qualquer outra denominação. Neste voto, o uso da expressão comprovado significa o quanto foi comprovado nesta fase recursal em adição ao que a autoridade fiscal já acatou. E ainda que não haja menção expressa ao motivo de não ter sido acatada alguma despesa, a razão foi a falta de documentação que comprove que a despesa tenha sido exclusivamente da pessoa jurídica pagante. A análise das provas baseiase em um conjunto de dados que permitiram o convencimento ou não da natureza empresarial. Assim, por amostragem, exemplificase a) Não se admite comprovação de gastos na conservação e reparo de veículos sem a identificação do veículo, vinculação ao patrimônio da pessoa jurídica e atividade empresarial. A prova do recorrente nesse ponto é fraca: o recorrente adquire Veículo Fusion em 06/2006 (fls. 106), em novembro do mesmo ano é pago, mediante cartão pessoal do recorrente, o desempeno de roda de um veículo Fusion, cujo recibo é emitido em nome da empresa Inace (fls. 3442). b) Outro exemplo de que a existência de nota fiscal em nome da pessoa jurídica não é suficiente para descaracterizar a remuneração indireta é a nota fiscal de compra de porcelanato (fls. 3473) em que o fornecedor indica o lugar de entrega da mercadoria coincidente não com o endereço da empresa e sim da residência do contribuinte. c) por outro lado, não se pode considerar como despesas pessoais a título de remuneração indireta uma série de compras em Supermercados, cuja quantidade e natureza dos itens não tem característica de uso doméstico e sim atividade de hotel e/ou restaurante, e outros documentos reforçam esse entendimento. Devese verificar se a comprovação intentada pelo recorrente referese aos mesmos cartões de crédito e se os valores foram ou não os mesmos que a autoridade lançadora já considerou comprovados. A fim de justificar as despesas com passagens aéreas e terrestres, hotéis, restaurantes, combustíveis, aluguéis, remédios, compras em lojas de material de construção e despesas no exterior, o recorrente alega que há necessidade de deslocamento de engenheiros e técnicos especializados para os locais em diversos Estado do Brasil e no exterior, principalmente Miami onde se encontram atracadas as embarcações que precisam ser atendidas pela empresas Indústria Naval do Ceará S.A., Inace Iates Ltda e Inace Serviços de manutenção de Embarcações Ltda, como também é necessário que os dirigentes façam viagens para o exterior com vistas a tentar fechar acordos negociais. Fl. 4708DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Embora possa ser razoável que administradores e colaboradores das pessoas jurídicas realizem viagens, o ônus do recorrente é comprovar a cada viagem o interesse empresarial. No denominado “Doc IV (Volume 1)”, o recorrente apresenta as supostas provas das despesas com passagens aéreas, cujas fichas de Registro de Empregados prestamse a demonstrar que tais despesas referemse às pessoas jurídicas ali mencionadas. O recorrente alega que as demais despesas, de menor vulto, estão compatíveis com a renda declarada, mas este argumento é irrelevante para o caso concreto, uma vez que o lançamento não se fundamenta em gastos incompatíveis com a renda declarada, e sim recebimento de remuneração indireta caracterizada por pagamentos de despesas pessoais pelas pessoas jurídicas sem a respectiva declaração desse rendimento na Declaração de Ajuste Anual. Em síntese, embora admissível considerar como despesas empresariais parte das despesas nos cartões de crédito pessoais do contribuinte, não é a mera existência de recibos ou notas fiscais ou documentos internos de almoxarifado das pessoas jurídicas o que assegura essa natureza, o recorrente precisa demonstrar a pertinência da despesa com as atividades das pessoas jurídicas, além de apontar objetivamente o documento e onde localizálo no processo. Da análise documental 1 Análise do anocalendário 2005 A argumentação do recorrente aliada aos documentos apresentados, com destaque para a relação da empresa de turismo Casablanca, são hábeis a demonstrar a existência de um novo grupo de despesas que não são remuneração indireta, posto que despesas necessárias à atividade das pessoas jurídicas. Entretanto, a planilha de fls. 2441 contém despesas com o cartão Amex final 017 (R$768,00 mais 11,55), porém esse cartão não consta entre os que foram base para a autuação (relação de fls. 22), não sendo prova que favoreça o recorrente. Outrossim, essa planilha contém valores que já foram tidos pela autoridade fiscal como comprovados, referentes ao cartão Visa Unicard, referente a compras realizadas em 10/02/2005 na TAM, de forma que esses valores já foram aproveitados em favor do recorrente: R$702,00, R$11,55, R$702,00, R$11,55, R$548,00 e R$ 11,55 (total de R$1.986,55) A guisa de esclarecimento, o valor indicado pela autoridade fiscal referese aos pagamentos de cada parcela (incluindo taxas e tarifas), enquanto o do contribuinte indica os valores integrais; o valor que deve ser excluído da autuação é R$17.939,17 (resultante da soma dos registro de fls. 2441, diminuído dos valores indicados nos dois parágrafos anteriores), como demonstrado abaixo. Tarifa Taxa 747,75 9,15 367 8,25 548 9,15 1096 21,96 Fl. 4709DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.705 11 543 23,1 543 23,1 215 11,55 215 11,55 1944,58 342,58 548 9,15 54,8 0 837 9,15 837 9,15 436 9,15 891 11,55 399 11,55 846 11,55 547,75 8,25 547,75 9,15 367 11,55 367 11,55 378 11,55 378 11,55 378 11,55 378 11,55 471 11,55 399 11,55 730 11,55 1265 11,55 subtotal 17274,63 664,54 total 17.939,17 O valor que deve ser excluído da base de cálculo no anocalendário 2006 é de R$17.939,17. 2. Análise do anocalendário 2006 fls. 2806/3175, 3176/3561 e ss. A análise será realizada por confronto entre as planilhas (fls. 3094 em diante) que reúnem as despesas por cartão de crédito e os documentos que comprovem o que o recorrente alega e a planilha da fiscalização contida no Termo de Verificação Fiscal. a) Planilha fls. 2806 e ss. – cartão 4047 Os meses de janeiro, fevereiro e abril contêm as mesmas informações já computadas pela fiscalização. No mês de março foram acrescentados dois lançamentos (Jangadeiro e Posto Baratão) sem indicar onde a documentação está nos autos, indicou somente “doc. FISClização”, carecendo de comprovação para que sejam excluídos da relação de remuneração indireta. Em maio foram acrescentados 4 lançamentos TAM, 1 Cia do Terno, 1 Superfamília e 1 nova expressão (compras a partir de 08/04/06), as despesas comprovadas referemse a Turqueza Tecidos (ao invés de Cia do Terno) e Bastos Distribuidora (ao invés de Nova Expressão). Fl. 4710DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 Em ordem cronológica, não foram encontrados documentos alusivos as despesas com a TAM nem com “Super Família”. Em relação à despesa TAM, a relação fornecida pela empresa Casablanca Turismo consta a discriminação de uma despesa nesse cartão (tarifa mais taxa = 421,24) paga em seis parcelas, o que autoriza seu aproveitamento neste cartão/mês de R$70,24. As demais despesas TAM teriam sido feitas no Cartão final 4040, conforme informado pela empresa de Turismo (fls. 4614). Aceitas despesas de R$310,34 (70,24 mais 88,90 mais 151,20). Em junho o recorrente acrescentou a parcela subseqüente das despesas TAM e Cia do Terno. Pelas razões supraindicadas têmse como comprovado, exclusivamente, R$70,24 da TAM e R$88,90 da Cia do Terno, o que soma R$159,14. Em julho, são acrescidos diversos lançamentos (os cinco primeiros indicados pelo recorrente já foram admitidos pela fiscalização). Aceitos: TAM 70,20 Superfamília 1.364,12 Superfamília 497,87 Superfamília 26,90 Superfamília 196,08 Superfamília 18,90 Rolimão 203,00 BomPreço 149,51 Sv Comercial 270,00 Casa Freitas 120,03 Cia do Terno 88,90 Total 3.005,51 Não aceitas: TAM 3/6 Pelas razões expostas em relação a maio Van Diesel Não identifica o veículo Eletrônica Apolo Não identifica o veículo O Fausto Não identifica o veículo Fl. 4711DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.706 13 Van Diesel Não identifica o veículo Em agosto são acrescidos diversos lançamentos (os três primeiros indicados pelo recorrente já foram admitidos pela fiscalização). Aceitos: TAM 70,20 Rolimão 203,00 Casa Freitas 120,03 Total 393,23 Não aceitas: TAM 4/6 Pelas razões expostas em relação a maio TAM 1/6 Passagens área para Reveillon sem demonstrar a pertinência desta viagem com atividades da empresa. De setembro a dezembro todos os gastos foram tidos pela fiscalização como remuneração indireta. Aceitos: Setembro 70,20; e 26,00 96,20 Outubro TAM 70,20 Novembro 530,98; 100,08; 438,50 e 1.243,75 2.313,31 Dezembro 530,98; e 438,50 969,48 Total 3.449,19 Não aceitas: Setembro TAM 5/6 Pelas razões expostas em relação a maio Fl. 4712DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 TAM 2/6 Passagens área para Reveillon sem demonstrar a pertinência desta viagem com atividades da empresa. Outubro TAM 6/6 Pelas razões expostas em relação a maio TAM 3/6 Passagens área para Reveillon sem demonstrar a pertinência desta viagem com atividades da empresa. Novembro TAM 4/6 Passagens área para Reveillon sem demonstrar a pertinência desta viagem com atividades da empresa. Rolimão 1/3 Em ordem cronológica, não localizada a nota fiscal mencionada. Dezembro TAM 5/6 Passagens área para Reveillon sem demonstrar a pertinência desta viagem com atividades da empresa. TAM 1/6 e 2/6 Em ordem cronológica, não localizada a relação mencionada. Também não localizada na relação da empresa Casablanca. Rolimão 2/3 Em ordem cronológica, não localizada a nota fiscal mencionada. O total comprovado neste cartão é de R$7.317,41. b) Análise do Cartão Varig Unicard Visa finais 4056/4031 –fls. 2881 e ss. Janeiro Já acatados Os oito primeiros registros. Rejeitados Demais: não foram juntados comprovantes referentes às empresas aéreas TAM e Varig, nem a relação da empresa Casablanca faz qualquer menção a estes números de cartões. Comprovados Supercarnes, Extra, Bom Preço, Freitas e Kauany. 4.529,09 Fevereiro Já acatados Do quarto ao 14ª registro. Rejeitados Os três primeiros referemse a passagens aéreas e carecem de comprovação. Fl. 4713DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.707 15 Comprovados Os demais (De Rabelo a Freitas). 6.175,08. Março Já acatados Do terceiro ao nono. Rejeitados Os dois primeiros registros referemse a passagens aéreas e carecem de comprovação. Comprovados Os demais (de Superfamília a Freitas 3/3). 3.443,86 Abril Já acatados O primeiro e do quarto ao 14º registro. Rejeitados O 2º e o 3º referemse a passagens aéreas e carecem de comprovação. O 17º (Barateiro) carece de identificação do veículo. Comprovados demais 3.578,69 Maio Já acatados Do 3º ao 18º. Rejeitados O 1º e o 2º referemse a passagens aéreas e carecem de comprovação.Não se admite como comprovada as despesas relativa a Posto Marina uma vez que o campo do recibo (fls. 2990/2993) destinado a indicar o pagante está em branco e não há identificação do veículo abastecido. Comprovados As despesas com Freitas 2/3 (NF 1478), Superfamília 1/1 e Freitas 2/3 (NF 1482). 3.133,94. Junho Já acatados Demais Fl. 4714DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 16 Rejeitados Varig 11/12, não comprovada por falta de documentação. Comprovados Freitas 3/3 (NF 1478), Freitas 3/3 (NF 1482) 2.634,02 Julho Já acatados Todos Agosto Já acatados Os sete primeiros registros. Rejeitados TAM 1/6 e Eldorado 1/2 , o primeiro porque não há comprovação da pertinência da viagem do recorrente no Reveillon foi a serviço da empresa, a segunda porque a nota fiscal indicada não foi juntada. Comprovados Demais 5.083,63 Setembro Já acatados demais Rejeitados TAM 2/6 e Eldorado 2/2, ora rejeitados pelas razões acima Outubro, Novembro e dezembro Rejeitados Os únicos valores não admitidos pela autoridade fiscal foram TAM 3/6, TAM 4/6 e TAM 5/6 ora rejeitados pelas razões já expostas. Total do cartão 25.134,45 c) Análise do Cartão Petrobrás final 4110 –fls. 30281 e ss. Junho A fiscalização aceitou o primeiro registro, os outros dois não podem ser aceitos porque o recorrente não apresentou documentação. Julho Todos já aceitos pela fiscalização. Agosto O primeiro registro não pode ser aceito porque tratase de recibo pessoal em nome do recorrente referente a abastecimento de veículo não identificado. Os outros dois a fiscalização já acatou. Fl. 4715DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.708 17 Outubro e Novembro Nenhum valor admitido pela fiscalização. A falta de apresentação de documentação impede a comprovação pretendida pelo recorrente. d) Análise do Cartão Mastercard 2014 –fls. 3056 e ss. Junho e Agosto – todos os valores já admitidos pela fiscalização. Setembro Os dois primeiros já admitidos pela autoridade lançadora, a eles se referiu a documentação juntada. A falta de documentos em relação aos demais impede a comprovação. A planilha do contribuinte não relaciona valores nos demais meses. e) Análise do Cartão Credicard 2296 –fls. 3094 e ss. Maio Sem documentação. Junho A falta de documentação impede a comprovação do registro referente a Posto Marina, valor das demais despesas comprovadas: R$1.444,80. Julho Comprovado R$61,47. A documentação apresentada é insuficiente para comprovar que a passagem TAM SalvadorFortalezaSalvador (Reveillon) referese a viagem a serviço da empresa. Agosto Apenas o registro de R$460,00 havia sido acatado pela autoridade fiscal. TAM 2/6 rejeitado pela razão supraindicada. Demais ora comprovados: R$317,16. Setembro TAM 3/6 rejeitado pela razão supraindicada. Outubro Apenas o registro de R$333,35 já não fora acatado pela autoridade fiscal, porém referese a TAM 4/6 que deve ser rejeitado pela razão supraindicada. Novembro Os registros não acatados pela autoridade fiscal foram o de R$333,35 e R$129,85, o primeiro é relativo a TAM 5/6 que deve ser rejeitado pela razão supra indicada, o segundo é TAM SÃO 1/6 rejeitado por razão idêntica. Dezembro TAM Fortaleza 6/6 e TAM São 2/6 rejeitados pela razão supra indicada. Total comprovado deste cartão no ano: R$1.823,43. f) Análise do Cartão Mastercard 2217 –fls. 3151 e ss. Janeiro A fiscalização já admitiu o registro referente a Supercarnes. O registro de TAM SAM 12/12 é rejeitado por falta de documentação comprobatória de que a passagem referese a viagem a serviço da empresa. Março Falta documentação. Abril Comprovado: R$501,39 Junho Comprovado: R$1.398,14 Fl. 4716DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 18 Agosto, setembro e outubro – todos os registros já acatados na fase de fiscalização. Dezembro O registro referente a Giusepe Pneus não é admitido por faltar comprovação de ser despesas com veículo da empresa. Os demais a fiscalização já acatou. Total comprovado deste cartão no ano: R$1.899,53. g) Análise do Cartão Visa Platinum 3018 –fls. 3212 e ss. Setembro Os cinco primeiros registros a fiscalização já acatou. A documentação não comprova que o registro “O Borrachão” referese a despesas empresariais, pois não é adequado o emprego da mercadoria “Santatonio” como de uso exclusivamente empresarial. Valor comprovado: R$32,60 Outubro “O Borrachão” 2/4 rejeitado pela razão acima; Comprovados os dois registros “Superfamília” que totalizam R$833,50. Os cinco primeiros registros já considerados pela fiscalização. Demais, carente de documentação comprobatória. Novembro Os sete primeiros registros já foram acatados na fase de fiscalização. “O Borrachão” 3/4 rejeitado pela razão acima. e “Química Livraria 2/3 tal como a parcela 1/3 por falta de documentação. Farmácia 1/2 e seguinte estão carentes de documentação comprobatória. Valor comprovado (187,01 + 649,49 + 49,13): R$882,63 Dezembro Os seis primeiros registros já acatados pela fiscalização. Parcelas de O Borração e Química Livraria rejeitadas pelas razões anteriormente expostas. Com a ressalva de que o registro de R$2.889,54 referese a Fort Line Turismo alusivo a passagem de Fernando Medeiros que conforme fls. 4634 é empregado da INACE, foram comprovados R$ 2.938,64 (49,10 + 2.889,54). Total comprovado deste cartão no ano: R$4.687,37. h) Análise do cartão Hipercard 8202 76 – fls. 3277 e ss. Janeiro O primeiro registro já foi acatado pela Fiscalização. O registro de R$600,00 não foi comprovado, pois a diferença de valores não permite vincular a nota fiscal apresentada à despesa no cartão de crédito. Demais registros sem documentação. Fevereiro, Março e abril 1º Registro já acatado pela autoridade lançadora, segundo rejeitado por ser parcela subseqüente de compra rejeitada pela razão acima. Maio O primeiro registro já foi acatado pela Fiscalização. Os demais foram comprovados agora: R$188,98. Junho Valor comprovado: R$35,00 Julho, outubro, novembro e dezembro – todos os registros já foram computados na fase de fiscalização. Agosto: O primeiro registro já foi acatado pela Fiscalização. Demais comprovados: R$682,90. Setembro O primeiro registro já foi acatado pela Fiscalização. Demais comprovados: R$56,55 Fl. 4717DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.709 19 Total comprovado deste cartão no ano: R$963,43. i) Análise do cartão Amex 2459762002 – fls. 3312 e ss. De janeiro a julho, a fiscalização já acatou os dois primeiros registros (116,33 e 85,45), vejamos os demais. Janeiro – não há outros registros. Fevereiro, Março e abril – carentes de documentação Maio Comprovado: R$276,67 (136,67 + 140 ). Quanto ao registro Tam, o bilhete é insuficiente para a comprovação pretendida, pois é necessário vinculação objetiva entre registro no cartão e documento que comprove a despesa inerente à atividade empresarial. A documentação de Metal Comércio não é eficaz porque não consta esse registro na relação do mês de maio ou de junho (fls. 3313). Demais registros desacompanhados de documentação. Junho Comprovado: R$928,37 (791,70 + 136,67). Julho Comprovado: R$136,67 Agosto Os três primeiros registros já admitidos pela fiscalização. Comprovado: R$136,67 Setembro Os quatro primeiros registros já admitidos pela fiscalização. Comprovado: R$2.266,19 Outubro Os três primeiros registros já admitidos pela fiscalização. Comprovado: R$136,67 Novembro Os seis primeiros registros já admitidos pela fiscalização. Os demais comprovados: R$927,14 Dezembro A documentação não comprova que o registro “Gerardo Bastos” é um gasto com veículo da frota da empresa. Falta documentação referente ao registro de Posto Marina “115,26) e os dois últimos de Super Família (171,85 e 853,82). Comprovado: R$3.728,36. Total comprovado deste cartão no ano: R$8.536,74. j) Análise do cartão GM Card – Visa 6017 – fls. 3433 e ss. Janeiro Os registros no valor de 123,90, 60,83 e 71,46 já foram acatados pela Fiscalização. Os demais não podem ser admitidos porque não estão acompanhados de documentação. Ressaltese que na relação da agência de turismo Casablanca (fls. 4605 e ss) não conta registro relativo a este cartão. Fl. 4718DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 20 Fevereiro Valor comprovado: R$ 132,32 (60,83 mais 71,49), referente a parcelas de compra já comprovada. Demais sem documentação. Março e maio – já acatado pela Fiscalização. Abril A Fiscalização já acatou os registros de 75,00, 60,83 e 71,46. Registro comprovado: R$710,31. Demais sem comprovação. Junho Registros já acatados: 75,00; 87,62; 68,50; 22,98; 557,68. Sem documentação: 392,63; 40,49. Valor comprovado: R$2.097,52 Julho Registros já acatados:87,62; 75,00; 22,98; 557,68. Sem documentação: 392,63; 40,49; 650,00. A despesa TAM carece de comprovação de que a passagem (Reveillon) fora efetuada a serviço da empresa. Valor comprovado:R$2.309,12 Agosto Registros já acatados:87,61; 22,96; 557,66. Rejeitados: TAM 2/6 (motivo acima); 42,75 e 316,63 (lançados em duplicidade); 121,00 (combustíveis sem identificação de veículo da empresa). Comprovado: R$2.691,81. Setembro Registros comprovados: R$718,81 (190,06, 396,00 e 132,75). Rejeitado: TAM 3/6 (motivo acima). Os demais a Fiscalização já acatou. Outubro Rejeitado: TAM 4/6 (motivo acima). Registros comprovados: R$322,81 (190,06 e 132,75). Os demais a Fiscalização já acatou. Novembro Rejeitados: TAM 5/6 (motivo acima); 51,18 e 156,09 (duplicidade) 545,51 (sem documentação). Os demais a Fiscalização já acatou. Dezembro Rejeitados: TAM 6/6 e 545,51(motivo acima); 203,95 sem comprovação. Demais já acatados pela fiscalização. Total comprovado deste cartão no ano: R$8.982,87. Destarte, o valor comprovado que deve ser excluído da base de cálculo adotada no lançamento, para o anocalendário 2006, é de R$59.525,23. 3. Análise do anocalendário 2007 Anocalendário 2007 Cartão Mastercard Gold final 4047 Janeiro Já acatados 248,00 Rejeitados 516,70; 500,00 e 1.038,66 Sem documentação Comprovados 227,33 227,33 Fevereiro Já acatados 218,62 Fl. 4719DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.710 21 Rejeitados 1.038,66 (sem comprovação); 260,70 (documentação insuficiente); 336,00 (sem especificar adequadamente material/uso); 47,00 e 135,00 (não vincula a despesas da empresa); 132,00 (sem especificar adequadamente material/uso); 105,00 e 70,00 (não comprova ser bem veículo da empresa); Comprovados 81,00; 53,80; 1.342,96; 167,20; 321,46; 72,13; 400,49; 63,00; 327,17; 178,20 e 160,00 Total: R$3.168,41 Março Já acatados 98,00; 35,00; 25,00; 444,06 Rejeitados 1.038,66; 260,70; 336,00, 135 ,00; 105,00 (parcelas subseqüentes, 1ª parcela já rejeitada); 849,17 (não comprovado que se refere a veículo da empresa); 142,89 (sem documentação) e 94,93 (não apresentou a nota fiscal mencionada) Comprovados 1.342,95; 167,30; 321,45; 400,49; 63,00; 328,16; 178,20; 585,17; 486,02; 352,85; 738,24 R$4.963,83 Abril Já acatados 444,06 Rejeitados 1.038,66; 849,14; 142,87; 94,93; 260,70; 135,00; 105,00 – parcelas subseqüentes, 1ª parcela já rejeitada) Comprovados 486,02; 352,84; 738,24; R$2.162,26 Fl. 4720DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 22 585,16 Maio Já acatados Nenhum Rejeitados 849,14; 142,87; 260,70 (parcelas subseqüentes, 1ª parcela já rejeitada); 25,79 e 8,95 (não demonstrou vinculação com a empresa) Comprovados 30,10; 58,25; 64,14 R$152,49 Junho Já acatados 30,10; 58,25; 110,55; 22,00 Rejeitados 849,14; 142,87; 260,70 (parcelas subseqüentes, 1ª parcela já rejeitada); Comprovados 397,85; 64,14 R$461,99 Julho Já acatados 58,25; 110,54; 22,00 Rejeitados 142,87 (parcelas subseqüentes, 1ª parcela já rejeitada); 69,60 (sem documentação) Comprovados 397,85 R$397,85 Agosto Já acatados 58,25; 110,54; 22,00 Rejeitados 142,87 (parcelas subseqüentes, 1ª parcela já rejeitada); Comprovados Nenhum Setembro Já acatados 58,25; 110,54; 22,00 Rejeitados 305,78 (sem documentação) Comprovados Nenhum Outubro Fl. 4721DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.711 23 Já acatados 58,25; 110,54; 22,00 Rejeitados 621,88 (divergência de valores , a nota fiscal 28202 já comprova o registro anterior duas parcelas de 1.751,30); 305,74 (parcelas subseqüentes, 1ª parcela já rejeitada) Comprovados 1.751,30 R$1.751,30 Novembro Já acatados 58,25; 22,00 Rejeitados 621,88; 305,74 (idem ao mês anterior) Comprovados 1.751,30 R$1.751,30 Dezembro Já acatados 58,25; 22,00 Rejeitados 305,74 (idem ao mês anterior); os demais (por falta de comprovação) Comprovados nenhum Total comprovado deste cartão: R$15.036,76. Anocalendário 2007 Cartão Unicard Visa final 4056/4031 – fls.3696 e ss. Janeiro Já acatados 192,25 Rejeitados 583,35 (sem documentação) Comprovados Nenhum Anocalendário 2007 Fl. 4722DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 24 Cartão Mastercard Gold final 2014 – fls. 3698 e ss. Janeiro Rejeitados 34,00 (não comprovado que se trata de veículo da empresa) Comprovados 1.117,9 e 178,82 1.296,72 Fevereiro Comprovados 178,82 178,82 Março Comprovados nenhum Abril Comprovados Todos 1.362,11 Maio Comprovados 615,76 615,76 Junho Comprovados Nenhum Julho Comprovados Nenhum Agosto Já acatados 386,05 e 71,47 Comprovados Nenhum Setembro Já acatados 386,03 e 71,43 Rejeitados 117,52; 189,50 – recibo 96589899; 117,72 – recibo 96589899; 76,47 e 81,22 (falta de documentação ou por não haver vinculação entre a documentação e valor ou número de recibo/reserva) Comprovados 174,42; 178,62; 178,62; 189,50; 1.208,00 Fl. 4723DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.712 25 179,62; 189,50; 117,72 Outubro Já acatados 386,03 e 71,43 Rejeitados 76,43; 189,50 recibo 96589901; 61,58; 97,17 e 54,94 – idem acima Comprovados 178,62; 178,62; 189,50; 174,42; 189,50, 179,62; 123,17; 39,24 1.252,69 Novembro Já acatados 386,03; 71,43 e 189,50 Rejeitados 76,43; 64,58; 54,92; 123,16 – idem acima Comprovados 178,62; 178,62; 189,50; 174,42; 189,50; 179,62; 97,17; 123,17 e 39,28 1.349,90 Dezembro Já acatados 386,03; 71,43 e 189,50 Rejeitados 76,43; 61,58; 54,92; 123,16; 311,83 Comprovados 178,62; 178,62; 189,50; 174,42; 189,50;179,62; 97,17; 123,17 1.310,62 Total comprovado deste cartão: R$8.574,62. Anocalendário 2007 Cartão Credicard final 2296 fls. 3797 e ss. Janeiro Fl. 4724DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 26 Rejeitados 129,53; 100,00 – falta de documentação Comprovados 500,00; 58,85 558,85 Fevereiro Já acatados 216,44 Rejeitados 129,63; 100,00; 151,70; 25,89; 24,58; 133,33 – falta de documentação Comprovados 500,00; 58,85 558,85 Março Já acatados 216,44 Rejeitados Todos os demais – falta de documentação Abril Já acatados 216,44; 20,60; 99,99; 23,16 Rejeitados Demais rejeitados por falta de comprovação ou porque comprovado em favor de pessoas físicas Comprovados 95,00 95,44 Maio Já acatados 216,44; 19,47 Rejeitados Demais rejeitados por falta de comprovação ou porque comprovado em favor de pessoas físicas Junho Já acatados 216,44; 37,42; 445,95; 63,32 Rejeitados 133,33; 159,93; 58,12; 36,12 falta de documentação ou divergência de valor Comprovados 53,12 e 77,63 130,75 Julho Fl. 4725DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.713 27 Já acatados 216,44; 37,42; 63,33 Rejeitados 58,10; 133,53 falta de comprovação Comprovados 77,64; 76,50; 53,10 207,24 Agosto Já acatados Os demais registros nas mencionados abaixo. Rejeitados 58,10; 133,33 falta de comprovação Comprovados 76,50; 53,10; 88,34 e 189,50 407,44 Setembro Já acatados 216,44: 37,44; 149,50; 109,66; 86,60 e 178,62 Rejeitados 58,10; 189,50 (bilhete 96589908); 117,72 falta de comprovação Comprovados 53,10; 88,33; 189,50 ; 75,43; 105,38; 61,60; 19,62; 79,77 e 24,10 696,83 Outubro Já acatados 216,48; 149,50; 109,66; 86,60 e 178,62 Rejeitados 189,50 (bilhete 96589908); 58,10 Comprovados demais 601,76 Novembro Já acatados 149,5; 86,60; 178,62 Rejeitados 189,5 (bilhete 96589908);; 58,10; 194,31; 259,08; 66,72 Comprovados Demais 513,43 Dezembro Fl. 4726DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 28 Já acatados 149,50; 86,60 e 178,62 Rejeitados 189,50 (bilhete 96589908); 194,31; 259,08; 116,70; 148,62 e 39,24 Comprovados 61,58; 79,77; 24,13; 189,50 354,98 Total comprovado deste cartão: R$4.125,57. Anocalendário 2007 Cartão Caixa Mastercard final 2217 – fls. 3900 e ss. Janeiro Já acatados 66,50 Rejeitados 139,00 – falta documentação Fevereiro Já acatados 66,50; 81,01 Rejeitados 139,01 – falta documentação Comprovados Demais 707,35 Março Já acatados 66,50; 81,01 Comprovados 343,35 343,35 Abril Já acatados todos Maio Já acatados 66,50 Rejeitados 11,40 (cupom indica pagamento em dinheiro, fls. 3426); 125,96 (não comprovado uso em bem da empresa); 7,18 e 124,54 – falta documentação Comprovados 86,85; 184,47 271,32 Junho Fl. 4727DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.714 29 Já acatados 66,50; 49,76; 18,90 Rejeitados 124,54; 86,85; 184,47; 18,90 Comprovados 118,62; 49,76 168,38 Julho Já acatados 66,50; 35; 134,42 Rejeitados 124,54 – falta comprovação Comprovados 118,62 118,62 Agosto Já acatados 66,50; 134,42 Rejeitados 948,91; 124,64 – falta comprovação Comprovados 118,62 118,62 Setembro Já acatados 134,42; 121,60; 73,08; 66,50 Rejeitados 124,64 – falta comprovação Comprovados 118,62 118,62 Outubro Já acatados 134,42; 121,62; 73,08 Rejeitados 124,64 – falta comprovação Comprovados 118,62 118,62 Novembro Já acatados todos Dezembro Já acatados todos Total comprovado deste cartão: R$1.964,88 Fl. 4728DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 30 Anocalendário 2007 Cartão Visa Platinum final 3018 fls. 3972 e ss. Janeiro Já acatados 181,93 e 321,18 Rejeitados 1.500,10 – falta comprovação Comprovados demais 2.167,25 Fevereiro Já acatados Os cinco primeiros registros. Rejeitados 1.500,10 e 1.694,20 (não comprovada relação do passageiro com a empresa) Comprovados demais 3.446,19 Março Já acatados 259,08; 181093; 21,18; 237,00 e 665,80 Rejeitados 1.500,10 – falta comprovação; 11.350,00 e 217,22 (notas fiscais emitidas para pessoa física). Comprovados demais 1.740,34 Abril Já acatados 181,93; 21,18 Rejeitados 217,21 e 1.500,10 (idem acima) Comprovados Demais 627,37 Maio Já acatados demais Rejeitados 217,21 (idem acima); 37,11 (sem comprovação); 1.517,56 (não comprovado o vínculo da viagem da família Juan com atividade da empresa; e divergência de valores) Fl. 4729DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.715 31 Comprovados 163,20 e 126,24 289,44 Junho Já acatados demais Rejeitados 37,10 (valor divergente); 1.517,55 (idem acima) Comprovados 163,20; 126,20 e 99,54 388,94 Julho Já acatados Os 14 primeiros registros. Rejeitados 1.517,55 (idem acima) Comprovados 99,54; 126,20 e 163,2 388,94 Agosto Já acatados Os quatro primeiros registros. Rejeitados 1.517,55 (idem acima); 84,88; 229,31; 254,56; 64,77 (documentação insuficiente); 116,38 (sem comprovação) Comprovados Demais 1.446,62 Setembro Já acatados 349,90 Rejeitados 84,87; 229,31; 254,56 e 64,77 (idem acima); 116,37 e 229,56 (sem documentação) Comprovados Demais 1.288,54 Outubro Já acatados 349,90; 97,85 Rejeitados 64,77; 84,87; 116,37; 229,31; 254,56; 229,56 (idem acima e falta de documentação) Comprovados Demais 1.288,54 Novembro Fl. 4730DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 32 Já acatados 349,90; 97,85 Rejeitados 229,31; 254,56 e 64,77; 116,37 e 229,56 (idem acima) Comprovados Demais 865,68 Dezembro Já acatados 349,90; 97,85 Rejeitados 254,56; 64,77; 116,37; 229,56; 739,24 Comprovados Demais 766,14 Total comprovado deste cartão: R$14.703,99. Anocalendário 2007 Cartão Amex – final 62002 – fls. 4167 e ss. As fls. 4171 a 4173 contêm dados duplicados. Para corrigir esse erro os dados da fatura com vencimento 25/12/2007 contidos na fl. 4171 e 4173 e os da fatura com vencimento em 25/11/2007 contido às fl. 4172 foram ignorados. Janeiro Rejeitados 74,28 – sem documentação Comprovados 402,75 e 480,00 882,72 Fevereiro Já acatados Os seis primeiros registros. Rejeitados 1.211,25; 247,11; 58,00; 171,85; 853,83; 95,80 e 255,33 – falta documentação. Comprovados Demais 2.437,39 Março Já acatados Os seis primeiros registros. Rejeitados 255,33; 229,20 e 98,89 – falta documentação Comprovados Demais 2.042,31 Abril Fl. 4731DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.716 33 Já acatados Os cinco primeiros registros. Rejeitados 229,20 e 255,33 falta documentação Comprovados 64,31 e 62,21 126,52 Maio Já acatados Os cinco primeiros registros. Rejeitados 255,35 falta documentação Comprovados 64,31 e 62,21 126,52 Junho Já acatados Os três primeiros registros. Rejeitados 255,33 falta documentação Julho Já acatados Todos Agosto Já acatados 108,25 e 255,43 Rejeitados 527,85 – não foi comprovada a natureza da despesas e há discrepância de valores na documentação apresentada. Comprovados 178,62; 418,24; 174,42 e 418,24 1.189,52 Setembro Já acatados 108,25 e 255,43; 226,54 e 174,42 Rejeitados 174,66 – falta documentação. Comprovados demais 3.702,98 Outubro Já acatados 108,25 e 255,43; 226,54 e 174,42 Fl. 4732DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 34 Rejeitados 174,65 – falta documentação. Comprovados demais 3.702,98 Novembro Já acatados 108,25; 226,54 e 174,42 Rejeitados 174,65; 474,62; 239,31; 492,82; 246,41; 79,10 falta de documentação e/ou a relação Casablanca contém discrepância de valor ou número de cartão. Comprovados Demais 3.198,58 Dezembro Já acatados 226,54 e 174,42 Rejeitados 174,67; 79,10; 474,62; 239,31; 492,82; e 246,41 Comprovados Demais 1.498,44 Total comprovado deste cartão: R$18.907,96. Anocalendário 2007 Cartão Hipercard final 8202 76 fls. 4268 e ss. Janeiro Já acatados todos Fevereiro Já acatados Demais Comprovados 48,00 48,00 Março Já acatados Demais Comprovados 48,00 48,00 Abril Já acatados Demais Fl. 4733DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.717 35 Comprovados 48,00 48,00 Maio Já acatados 254,80 Comprovados Demais 408,36 Junho Já acatados Demais Comprovados 48,00; 340,36 388,36 Julho Já acatados Demais Comprovados 48,00; 340,36 388,36 Agosto Já acatados Demais Comprovados 48,00 48,00 Setembro Já acatados demais Comprovados 48,00; 93,33 141,33 Outubro Já acatados demais Comprovados 48,00; 93,33 141,33 Novembro Já acatados 88,33 Comprovados 48,00; 93,33 141,33 Dezembro Rejeitado 269,74 – falta documentação Comprovados 93,33 93,33 Total comprovado deste cartão: R$1.894,40. Fl. 4734DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 36 Anocalendário 2007 Cartão GM Card Itaú Card Visa final 6017 – fls. 4302 e ss. Janeiro Já acatados 730,55 Rejeitados 545,51 e 203,95 – sem documentação. Comprovados Demais 1.940,53 Fevereiro Já acatados 730,55 e 59,34 Rejeitados 545,49 (sem documentação); 67,50 e 250,00 (venda a pessoa física) Comprovados demais 1.940,53 Março Rejeitados Todos – idem motivo acima Abril Já acatados 145,19; 150,09 Rejeitados Demais – falta de comprovação ou venda a pessoa física. Comprovados 900,00 e 80,20 980,20 Maio Já acatados Os dois primeiros e do 5º ao 16º registro. Rejeitados Demais – falta de comprovação ou venda a pessoa física. Comprovados 86,28 86,28 Junho Já acatados Os sete primeiros registros. Fl. 4735DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.718 37 Rejeitados Demais – falta de comprovação ou venda a pessoa física. Comprovados 86,25 e 60,10 146,35 Julho Já acatados Os oito primeiros registros. Rejeitados demais Comprovados 86,25; 60,05 e 53,71 200,01 Agosto Já acatados Os seis primeiros registros. Rejeitados 290,85 Comprovados demais 1.484,30 Setembro Já acatados Os nove primeiros registros. Rejeitados 290,69 Comprovados demais 497,30 Outubro Já acatados Os seis primeiros registros. Comprovados Demais 2.247,30 Novembro Já acatados Os quatro primeiros registros. Rejeitados 616,05 (não comprovado vínculo dos passageiros com a empresa0); 518,07 (sem documentação) Comprovados Demais 2.193,59 Dezembro Já acatados 279,12 e 324,42 Fl. 4736DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 38 Rejeitados 616,03 e 518,97 – sem comprovação Comprovados demais 2.834,16 Total comprovado deste cartão: R$14.550,55. Na análise do Cartão Mastercard Platinum final 5533 verificouse que todos os registros (fls. 4450 e ss.) já foram acatados pela fiscalização (fls. 97 e ss.). No cartão Visa Platinum final 7795 nada foi acatado pela Fiscalização, as despesas (fls. 4468 e ss.) foram comprovadas, salvo a denominada “Gol Tran” em três parcelas (1ª de 94,88, demais de 94,87) por faltar documentação. Desta forma, nesse cartão o valor comprovado é de R$979,28. No cartão Amex final 1832007 (fls. 4489 e ss.), as despesas de setembro já foram acatadas pela Fiscalização e a despesa de dezembro não pode ser comprovada porque a documentação é insuficiente para comprovar ser uma despesa da empresa, notadamente pela falta de comprovação do vínculo dos passageiros com a pessoa jurídica. Neste cartão não há valor a ser admitido. Conseqüentemente, o valor a ser excluído da base de cálculo adotada no lançamento, no anocalendário 2007, é de R$80.918,01. Da multa de ofício qualificada. O recorrente, subsidiariamente, alega que o auto de infração sequer indicou em qual dos dispositivos da Lei 4.502/64 enquadrouse a conduta do contribuinte (71, 72 ou 73?). Partindo do pressuposto de que a boafé se presume e que dolo se comprova, verificase que a autoridade fiscal não comprovou que o recorrente tenha agido com evidente intuito de fraudar a fiscalização fazendária. De outro giro, a fundamentação adotada no acórdão recorrido para a qualificação constitui inovação na acusação, além de não ser possível presumir o dolo com base exclusivamente no fato de a fiscalização ter sido iniciada em razão de investigação policial movida contra as pessoas jurídicas, quando este não foi o fundamento adotado pela autoridade lançadora. A existência de indícios de crimes é ponto de início do trabalho de fiscalização mas não uma conclusão acabada, por maiores que sejam os indícios, para fins de qualificar a multa, a fiscalização não esta dispensada de comprovar o dolo. Dessa forma, devese afastar a qualificação da multa. Portanto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para (1) que seja excluído da base de cálculo adotada no lançamento os valores de R$17.939,17 (dezessete mil, novecentos e trinta e nove reais e dezessete centavos), R$59.525,23 (cinqüenta e nove mil, quinhentos e vinte e cinco reais e vinte e três centavos) e R$80.918,01 (oitenta mil, Fl. 4737DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/201065 Acórdão n.º 2802002.489 S2TE02 Fl. 4.719 39 novecentos de dezoito reais e um centavo), nos anocalendário 2005, 2006 e 2007, respectivamente; e (2) afastar a qualificação da multa de ofício. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 4738DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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