Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
5056866 #
Numero do processo: 10166.911268/2009-86
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/07/2003 Para que seja possível a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo, necessário se faz que fique comprovada a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Nesse sentido, tendo em vista a ausência de prova e a não existência dos requisitos específicos da liquidez e certeza do crédito, não há como se proceder à compensação pleiteada.
Numero da decisão: 3802-001.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 2ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO, por unanimidade de votos, CONHECER do presente recurso e NEGAR-LHE PROVIMENTO. RÉGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. RELATOR CLÁUDIO AUGUSTO GONÇALVES PEREIRA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Régis Xavier Holanda, José Fernandes do Nascimento, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201301

ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/07/2003 Para que seja possível a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo, necessário se faz que fique comprovada a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Nesse sentido, tendo em vista a ausência de prova e a não existência dos requisitos específicos da liquidez e certeza do crédito, não há como se proceder à compensação pleiteada.

turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013

numero_processo_s : 10166.911268/2009-86

anomes_publicacao_s : 201309

conteudo_id_s : 5290681

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 3802-001.525

nome_arquivo_s : Decisao_10166911268200986.PDF

ano_publicacao_s : 2013

nome_relator_s : CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA

nome_arquivo_pdf_s : 10166911268200986_5290681.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 2ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO, por unanimidade de votos, CONHECER do presente recurso e NEGAR-LHE PROVIMENTO. RÉGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. RELATOR CLÁUDIO AUGUSTO GONÇALVES PEREIRA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Régis Xavier Holanda, José Fernandes do Nascimento, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira

dt_sessao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013

id : 5056866

ano_sessao_s : 2013

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:34 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046173574496256

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1815; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE02  Fl. 289          1 288  S3­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10166.911268/2009­86  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3802­001.525  –  2ª Turma Especial   Sessão de  30 de janeiro de 2013  Matéria  Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ­ Cofins  Recorrente  HOSPITAL SANTA LUZIA S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 31/07/2003  Para que seja possível a compensação de créditos tributários com créditos do  sujeito  passivo,  necessário  se  faz  que  fique  comprovada  a  existência  de  créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional.  Nesse  sentido,  tendo  em  vista  a  ausência  de  prova  e  a  não  existência  dos  requisitos  específicos  da  liquidez  e  certeza  do  crédito,  não  há  como  se  proceder à compensação pleiteada.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros da 2ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO, por  unanimidade de votos, CONHECER do presente recurso e NEGAR­LHE PROVIMENTO.     RÉGIS XAVIER HOLANDA ­ Presidente.     RELATOR CLÁUDIO AUGUSTO GONÇALVES PEREIRA ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Régis Xavier Holanda,  José  Fernandes  do  Nascimento,  Francisco  José  Barroso  Rios,  Solon  Sehn,  Bruno  Maurício  Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 12 68 /2 00 9- 86 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA     2 Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  decisão  da  2ªa  Turma  da  DRJ/BSB,  a  qual,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pelo  recorrente,  a  qual  objetivava  o  reconhecimento  da  validade/legitimidade  do  PERD/COMP,  juntado  aos  autos,  nos  termos  do  Acórdão  assim  ementado:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do fato gerador: 31/07/2003  Diante da não homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo,  cabe  à  Fazenda  Nacional  efetuar  a  cobrança  do  débito  informado  na  declaração  de  compensação,  que  constitui  confissão  de  dívida,  sem  necessidade de formalizar notificação lançamento.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  A decisão seguiu­se nos seguintes termos:  “A manifestação de  inconformidade é tempestiva a atende  aos  requisitos  de  admissibilidade,  cabendo  dela  tomar  conhecimento  A  respeito  da  alegação  da  interessada,  inicialmente  oportuniza­se  esclarecer  que  o  despacho  denegatório da homologação de compensação não se trata  de notificação de lançamento prevista no art.  . 9º do Dec.  nº.  70.235,  de  1972.  Isto  porque  não  é  necessário,  na  espécie,  emitir  instrumento  de  constituição  do  crédito  tributário da Fazenda Nacional, eis que o débito declarado  pelo sujeito passivo no PER/DCOMP constitui confissão de  dívida,  por  força  do  disposto  no  art.  74,  §  6º.,  da  Lei  nº.  9.430,  de  1996,  verbis:  Art.  74  (...)  §  6º  A  declaração  de  compensação  constitui  confissão  de  dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência  dos  débitos  indevidamente compensados.  (Incluído pela Lei nº 10.833,  de  2003)  Em  suma,  não  homologada  a  compensação,  a  Fazenda  Nacional  deve  comunicar  o  fato  ao  interessado,  identificando  os  motivos  da  recusa,  e,  na  mesma  oportunidade,  proceder  a  cobrança  do  débito  indevidamente compensado. Discordando o sujeito passivo  dos motivos  que  levaram à  recusa  da  compensação,  pode  expressar  sua  irresignação  em  manifestação  de  inconformidade,  no  prazo  de  trinta  dias,  como  lhe  é  assegurado pelo mesmo art. 74 da Lei nº. 9.430, de 1996,  com os parágrafos incluídos pela Leinº. 10.833, de 2003, a  seguir  reproduzidos:  Art.  74  (...).  §  9º  É  facultado  ao  sujeito  passivo,  no  prazo  referido  no  §  7º,  apresentar  manifestação  de  inconformidade  contra  a  não  homologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  caberá  recurso  ao  Conselho  de  Contribuintes.  §  11.  A  Fl. 291DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA Processo nº 10166.911268/2009­86  Acórdão n.º 3802­001.525  S3­TE02  Fl. 290          3 manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam  os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº  70.235,  de  6  de  março  de  1972,  e  enquadram­se  no  disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de  outubro  de  1966  Código  Tributário  Nacional,  relativamente  ao  débito  objeto  da  compensação.  Não  há  portanto,  que se  falar  em  tolhimento do direito de defesa,  muito menos em nulidade. Apenas para ressaltar, no caso  concreto  a  compensação  não  foi  homologada  por  inexistência do crédito utilizado PER/DCOMP transmitido  pela interessada, a qual poderia, em sua petição, se assim  entendesse,  diante  do  fato  esclarecido  pelo  Fisco,  trazer  aos  autos  argumentos  e  provas  que  pudessem  deixar  patente a certeza e a liquidez do crédito pleiteado.  Em  sede  de  impugnação  e  de  recurso,  o  contribuinte  apresenta  os mesmos  argumentos:  (i)  que  retificou  a  DCTF  originária  nos  termos  do  que  dispõe  o  artigo  11  da  Instrução Normativa da RFB nº 903/2008, (ii) que a Constituição Federal assegura o princípio  do  devido  processo  legal  e,  por  via  de  conseqüência,  as  decisões  administrativas  devem  se  revestir dos valores nele inerentes para ter validade e eficácia e (iii) que, no presente caso, não  foram observados os princípios da ampla defesa e do contraditório.  É o relatório.  Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Relator    Voto             Conselheiro Relator Cláudio Augusto Gonçalves Pereira  Admissibilidade do Recurso  Tendo  em  vista  a  presença  dos  requisitos  regulares  do  desenvolvimento  positivo do Recurso ora interposto pela recorrente, voto pelo seu Conhecimento e conseqüente  análise do mérito recursal.  Mérito  Dá  análise  dos  autos  podemos  extrair  que,  conforme  Despacho  Decisório  reproduzido  à  fl.  22,  emitido  eletronicamente  em  07/10/2009,  a  autoridade  competente  não  homologou  a  compensação  efetuada  pela  contribuinte  acima  identificada  por  meio  do  PER/DCOMP nº09832.93242.190608.1.7.04­0010, transmitido em 19/06/2008, tendo em vista  que  não  foi  confirmado  o  crédito  utilizado,  no  valor  original  de  R$  17.525,95,  atribuído  a  pagamento a maior relativo ao período de apuração de 31/07/2003, efetuado através de DARF  no  importe  de R$  77.400,02,  recolhido  em  15/08/2003,  sob  o  código  de  receita  8109  (PIS),  cujo valor foi utilizado para extinguir débito equivalente confessado em DCTF.  Fl. 292DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA     4 De  início,  ressaltamos  que  os  valores  declarados  em DCTF,  a  teor  do  que  dispõe o Decreto­lei 2.124 de 1984, em seu artigo 5º, § 1º, constituem confissão de dívida e  instrumento hábil para a exigência do crédito tributário, bem como o artigo 74, § 6º da Lei n.  9.430  de  1996,  dispõe  que  a  declaração  de  compensação  constitui  confissão  de  dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência  dos  débitos  indevidamente  compensados.  Portanto, salvo melhor juízo, não dúvida que a dívida foi confessada.  Em ato contínuo, temos que o processo administrativo é formalizado, dentre  outros  fins,  com o objetivo de espelhar  com clareza o  conteúdo nele  contido para  garantir  a  segurança  jurídica  nos  conflitos  existentes  entre  o  administrado  e  administração,  já  que  é  instrumento  que  decorre  do  dever  do  Estado  de  cumprir  a  lei.  Nesse  sentido,  o  processo  administrativo  é  cercado de  regras que compõem o procedimento. Portanto,  conforme  acima  exposto, de pronto, podemos chegar a algumas conclusões: (i) sem definição das etapas por lei  própria, o processo perde sua nitidez e transparência, de modo a tornar difícil ao contribuinte  identificar  suas possibilidades de participação na marcha processual administrativa, deixando  de exercer seus direitos assegurados, (ii) sem comunicação dos atos processuais, o contribuinte  não poderá conhecer ou exercer seu direito de defesa. Aqui estamos diante tanto do direito de  saber qual é a exigência tributária quanto aos fundamentos aos quais motivaram tal exigência e  (iii) não existindo medidas que permitam ao contribuinte contestar o feito, inviabilizado estará  o exercício da confrontação dos elementos de prova dos argumentos apresentados pelas partes  na relação jurídica instaurada.  Estabelecidas  as  premissas  acima,  passemos  para  análise  da  lide  administrativa  que  se  resume  em  duas  partes:  (i)  aplicação  dos  princípios  da  ampla  defesa,  contraditório e devido processo legal e (ii) possibilidade de provas em fase recursal.  No que concerne à alegação da não aplicação dos princípios constitucionais  da  ampla  defesa,  contraditório  e  devido  processo  legal,  esta  deve  ser  rechaçada  de  plano  porquanto a recorrente foi intimada de todas as etapas processuais, inclusive tomando ciência  do  teor  e  fundamentos  dos  atos  da Administração.  Tudo  nos moldes  da  norma  de  regência:  Decreto  70.235/72.  Outrossim,  da  leitura  das  peças  processuais,  denotamos  a  participação  efetiva  da  contribuinte  na  estrada  processual  administrativa  na  busca  do  reconhecimento  do  alegado direito ao crédito.  No que diz respeito à apresentação de prova em grau de recurso, art. 16, § 4º,  do Decreto nº 70.235/1972, que assim dispõe:  Art. 16. [...]  §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)  a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532,  de 1997)  b) refira­se a  fato ou a direito  superveniente;(Incluído pela Lei  nº 9.532, de 1997)  c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997).  Entendemos que o caso em exame não se ajusta a nenhuma das hipóteses de  exceção acima descritas. A prova, com efeito, poderia e deveria  ter sido feita de imediato,  já  Fl. 293DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA Processo nº 10166.911268/2009­86  Acórdão n.º 3802­001.525  S3­TE02  Fl. 291          5 que,  consoante  amplamente  destacado  no  curso  do  processo,  a  não  homologação  estava  assentada na não comprovação do crédito. Ou seja: matéria exclusivamente de prova.  Sobre o tema, sempre é bom lembrar, que o artigo 170 do Código Tributário  Nacional  determina  expressamente  que,  para  que  seja  possível  a  compensação  de  créditos  tributários com créditos do sujeito passivo, necessário se faz a comprovação da existência de  créditos  líquidos  e  certos  contra  a  Fazenda Nacional.  Frisamos:  o  comando  legal,  portanto,  fixou pressupostos nucleares para a efetivação da compensação de créditos tributários  O  direito  de  compensar  crédito  tributário  indevidamente  pago,  conforme  permitido em lei, exige­se que se apure previamente, por via administrativa ou judicial, a sua  liquidez  e  certeza,  em homenagem ao  devido  processo  legal.  Precedentes  do STJ  – REsp n.  111.034/AL – REsp 76.230/PE – REsp 78.493 – REsp 98.197/RS.  Por outro lado, apenas em sentido de alerta, admitida a juntada da prova em  segunda  instância,  esta  deveria  ser  apreciada  e,  caso  demonstrada de  plano  a  existência do  direito creditório, seria determinada sua compensação, uma vez que, por força do princípio da  verdade material,  a  Fazenda Pública  tem o  dever  de  tomar  decisões  com base  nos  fatos  tais  como se apresentam na realidade.  De  modo  que,  dada  a  ausência  de  provas  no  sentido  de  comprovação  da  liquidez  e  certeza  do  direito  ao  crédito,  somada  a  ocorrência  da  preclusão  temporal,  não  há  como reconhecer o pleito da recorrente.  Posto  Isto,  voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO e NEGO­LHE  PROVIMENTO, mantendo a decisão de primeira instância.    Sala de Sessões, 30 de janeiro de 2013.  (assinado digitalmente)  Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Relator    Relator  Cláudio  Augusto  Gonçalves  Pereira  ­  Relator                             Fl. 294DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA

score : 1.0
5056922 #
Numero do processo: 13971.904713/2009-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO E. STF (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário(RE 585235 QO-RG). REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NOS JULGAMENTOS DO CARF. ART. 62-A DO RICARF. Reconhecido os créditos pleiteados pela Recorrente, devem ser homologadas as compensações declaradas até o montante do indébito apurado através da diligência realizada. Recurso Provido.
Numero da decisão: 3301-001.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). .
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201305

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO E. STF (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário(RE 585235 QO-RG). REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NOS JULGAMENTOS DO CARF. ART. 62-A DO RICARF. Reconhecido os créditos pleiteados pela Recorrente, devem ser homologadas as compensações declaradas até o montante do indébito apurado através da diligência realizada. Recurso Provido.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013

numero_processo_s : 13971.904713/2009-55

anomes_publicacao_s : 201309

conteudo_id_s : 5290737

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 3301-001.832

nome_arquivo_s : Decisao_13971904713200955.PDF

ano_publicacao_s : 2013

nome_relator_s : ANTONIO LISBOA CARDOSO

nome_arquivo_pdf_s : 13971904713200955_5290737.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). .

dt_sessao_tdt : Tue May 21 00:00:00 UTC 2013

id : 5056922

ano_sessao_s : 2013

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:37 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046173588127744

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1747; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 94          1 93  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13971.904713/2009­55  Recurso nº  01   Voluntário  Acórdão nº  3301­001.832  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de maio de 2013  Matéria  Processo Administrativo Fiscal  Recorrente  Metalúrgica Fey S.A.  Recorrida  Fazenda Nacional    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2003  ALARGAMENTO  DA  BASE  DE  CÁLCULO  DO  PIS  E  DA  COFINS.  ART.  3º,  §  1º,  DA  LEI  Nº  9.718/98.  INCONSTITUCIONALIDADE  DECLARADA PELO E.  STF  (RE  nº  346.084/PR, Rel.  orig. Min.  ILMAR  GALVÃO,  DJ  de  1º.9.2006;  REs  nos  357.950/RS,  358.273/RS  e  390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão  Geral  do  tema.  Reconhecimento  pelo  Plenário(RE  585235  QO­RG).  REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NOS JULGAMENTOS DO CARF. ART.  62­A DO RICARF.   Reconhecido os créditos pleiteados pela Recorrente, devem ser homologadas  as  compensações declaradas  até o montante do  indébito  apurado através  da  diligência realizada.  Recurso Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  da  3ª  Câmara  /  1ª  Turma  Ordinária  da  Terceira  Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do  voto do relator.  Rodrigo da Costa Pôssas  Presidente  Antônio Lisboa Cardoso  Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 47 13 /2 00 9- 55 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO     2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de  Moraes,  Antônio  Lisboa  Cardoso  (relator),  Andrada Marcio  Canuto  Natal,  Bernardo  Motta  Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).  .    Relatório  Cuida­se de recurso em face do acórdão de fls. 43/44, referente à Declaração  de Compensação — PER/DCOMP, por meio da qual a contribuinte  solicita compensação de  valores  que  teriam  sido  indevidamente  recolhidos  a  título  de  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social — Cofins,  no  período  de  apuração  de  agosto  de  2003,  decorrente da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de  1998 (alargamento da base de cálculo), conforme sintetiza a seguinte ementa:  “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2003  PRELIMINAR.  NULIDADE.  AUSÊNCIA  DE  REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA.  A  autoridade  competente  para  decidir  sobre  restituição/compensação poderá,  ou  seja,  tem a  faculdade  de  condicionar  o  reconhecimento  do  direito  creditório  à  apresentação de documentos, bem como tem a faculdade de  determinar  a  realização  de  diligência.  Se  pela  DCOMP  apresentada  já é possível concluir que o crédito pleiteado  carece de liquidez e certeza, desnecessária a realização de  diligência.  ARGÜIÇÃO  DE  ILEGALIDADE  E  INCONSTITUCIONALIDADE.  INCOMPETÊNCIA  DAS  INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO.  As  autoridades  administrativas  estão  obrigadas  à  observância da legislação tributária vigente no País, sendo  incompetentes  para  a  apreciação  de  argüições  de  inconstitucionalidade  e  ilegalidade  de  atos  legais  regularmente editados.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido.”  Conforme  consta  do  voto  condutor  do  acórdão  recorrido,  não  compete  à  Administração Tributária a apreciação de argumentos sobre inconstitucionalidade de lei, cita a  Súmula n° 2 do Segundo Conselho de Contribuintes Parecer Normativo CST/SRF de n° 329,  de 1970, que assim dispõe:  “Iterativamente tem esta Coordenação se manifestado no sentido  de  que  a  argüição  de  inconstitucionalidade  não  pode  ser  Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13971.904713/2009­55  Acórdão n.º 3301­001.832  S3­C3T1  Fl. 95          3 oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de  sua  competência  o  julgamento  da  matéria,  do  ponto  de  vista  constitucional.”  Ademais disto, o artigo 3°, §1 0 da Lei n.° 9.718/1998 vigia no período de  apuração em análise, não pode este juízo afastá­la, sob pena de, com isto, estar ultrapassando  seus limites legais de competência, não tendo a contribuinte demonstrado ser parte de nenhuma  ação  judicial  que  a  beneficie,  e  até  a  presente  data,  o  Supremo  Tribunal  Federal  só  tomou  decisões acerca da constitucionalidade da Lei n° 9.718, de 1998, na via incidental, ou seja, as  ações julgadas têm efeitos apenas para as partes, não se estendendo a terceiros com efeitos erga  omnes. O art. 1.°, caput, do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, apenas as decisões do  Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto  constitucional,  deverão  ser  uniformemente  observadas  pela  Administração  Pública  Federal  direta e indireta.  Cientificada  em  08/06/2010  (AR  fl.  46),  a  Recorrente  interpôs  o  recurso  voluntário  de  fls.  47/57,  em  07/06/2010,  sustentando  que  por  ocasião  do  julgamento  dos  Recursos Extraordinários n° 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840, na sessão de 9 de novembro  de 2005, o plenário do Supremo Tribunal Federal  reconheceu a  inconstitucionalidade do  art.  3°, § 1 0 da lei n° 9.718/98 e, por conseguinte, da exigência de COFINS sobre as receitas não  operacionais, ou seja, diversas do produto da venda de bens ou serviços.  Por  essa  razão,  apresentou  pedidos  de  compensações,  via  PER/DCOMP,  a  fim  de  aproveitar  os  pagamentos  indevidos  de  COFINS  calculados  sobre  as  receitas  não  operacionais,  com outros débitos vincendos administrados pela Receita Federal do Brasil, na  data de 14/12/2005,  através da PER/DCOMP n° 03421.80954.141205.1.3.04­0893, por meio  da qual declarou a compensação de um crédito de COFINS (2172) relativo à competência de  agosto  de  2003,  já  que  na  data  de  15/09/2003  recolheu  indevidamente,  "a  maior",  o  valor  originário de R$ 5.351,82  (calculado sobre receita não operacional da empresa, conforme bem  demonstram os documentos anexos, em especial a DCTF e ficha do livro razão).  Na sessão de 7 de outubro de 2011,  este  colegiado converteu o  julgamento  em  diligência  para  que  a  unidade  de  origem  apreciasse  o  mérito  do  pedido  de  restituição/compensação formulado pela /Recorrente.  Realizada a diligência,  restou confirmado com base nos dados constantes da  DIPJ­2004, ante a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei nº  9.718/98  , que, dos R$ 176.956,52  recolhidos  sob o cód. 2172,  relativamente ao período de  apuração 08/2003, a empresa faria jus à repetição da importância de R$ 5.351,82 a título de  pagamento indevido ou a maior.  É o relatório    Voto             Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator  Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO     4 O  recurso  merece  ser  conhecido,  porquanto  tempestivo  e  revestido  das  demais condições legais pertinentes.  Conforme  relatado,  trata  o  presente  recurso  de  pedido  de  restituição/compensação indeferido, tendo em vista que a recorrente pretende utilizar o indébito  decorrente  do  alargamento  da  base  de  cálculo  das  contribuições  PIS/Pasep  e  COFINS,  promovido pela art. 3º, § 1º da Lei 9.718/98, reputado inconstitucional pelo Pleno do E. STF,  conforme depreende­se do seguinte julgado:  “EMENTA:  RECURSO.  Extraordinário.  Tributo.  Contribuição  social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §  1º,  da  Lei  nº  9.718/98.  Inconstitucionalidade.  Precedentes  do  Plenário  (RE nº  346.084/PR, Rel.  orig. Min.  ILMAR GALVÃO,  DJ  de  1º.9.2006;  REs  nos  357.950/RS,  358.273/RS  e  390.840/MG,  Rel.  Min.  MARCO  AURÉLIO,  DJ  de  15.8.2006)  Repercussão  Geral  do  tema.  Reconhecimento  pelo  Plenário.  Recurso  improvido.  É  inconstitucional  a  ampliação  da  base  de  cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº  9.718/98.    (RE 585235 QO­RG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado  em  10/09/2008, DJe­227 DIVULG 27­11­2008 PUBLIC  28­11­ 2008 EMENT VOL­02343­10 PP­02009 RTJ VOL­00208­02 PP­ 00871 )   Em 10/09/2008, foi reconhecida a repercussão geral do caso, sendo, inclusive  sendo aprovada a edição de Súmula vinculante, consoante a seguinte decisão, in verbis:   “Decisão:  O  Tribunal,  por  unanimidade,  resolveu  questão  de  ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão  constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da  inconstitucionalidade  do  §  1º  do  artigo  3º  da  Lei  9.718/98  e  negar  provimento  ao  recurso  da  Fazenda  Nacional,  tudo  nos  termos  do  voto  do  Relator.  Vencido,  parcialmente,  o  Senhor  Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão  do  processo  em  pauta.  Em  seguida,  o  Tribunal,  por  maioria,  aprovou proposta do Relator para edição de  súmula vinculante  sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões,  vencido  o  Senhor  Ministro  Marco  Aurélio,  que  reconhecia  a  necessidade  de  encaminhamento  da  proposta  à  Comissão  de  Jurisprudência.  Votou  o  Presidente,  Ministro  Gilmar  Mendes.  Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a  Senhora  Ministra  Ellen  Gracie  e,  neste  julgamento,  o  Senhor  Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008.”  Desta  forma,  considerado  que  com  a  realização  da  diligência  restou  confirmado,  com  base  nos  dados  constantes  da  DIPJ­2004,  ante  a  declaração  de  inconstitucionalidade  do  §  1º,  do  artigo  3º,  da  Lei  nº  9.718/98  ,  que,  dos  R$  176.956,52  recolhidos sob o cód. 2172, relativamente ao período de apuração 08/2003, a empresa faria jus  à  repetição  da  importância  de  R$  5.351,82  a  título  de  pagamento  indevido  ou  a  maio,  exatamente o valor solicitado pela Recorrente, enseja o provimento do recurso.  Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, a fim de  reconhecer  o  indébito  decorrente  dos  pagamentos  maiores  que  os  devidos,  em  virtude  do  alargamento da base de cálculo das contribuições PIS/Cofins, nos termos do art. 3º, § 1º, da Lei  nº 9.718, de 1998, com a respectiva homologação das compensações declaradas.  Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13971.904713/2009­55  Acórdão n.º 3301­001.832  S3­C3T1  Fl. 96          5 Sala das Sessões, em 21 de maio de 2013  Antônio Lisboa Cardoso                              Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO

score : 1.0
5063070 #
Numero do processo: 10510.902572/2009-75
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 ERRO MATERIAL NA IDENTIFICAÇAO DO RECURSO. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. RECURSO CONHECIDO. Embora a peça recursal nomine a recorrente como sendo empresa G. Barbosa & Cia. Ltda, inscrita no CNPJ sob o nº 13.004.742/0001-37, estranha à lide do processo, considero que houve apenas erro material na identificação do recurso não configurando vício ou óbice de legitimidade recursal, pois foram juntados todos os documentos (contrato social, procuração e recolhimento-DARF) referindo-se à SERIGY PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA, bem assim foram indicados corretamente o número do processo e respectivo acordão no cabeçalho das razões de recurso e foram atacados os fundamentos da decisão recorrida. O citado erro material foi constatado pela própria interessada (recorrente) que, uma semana depois da apresentação tempestiva do recurso e respectivas razões, corrigiu o citado lapso manifesto na identificação do recurso, e no mais repetiu na íntegra as mesmas razões que já haviam sido apresentadas inicialmente. Fato que denota boa-fé da recorrente. O equívoco gráfico ou erro material decorreu do fato das empresas serem do mesmo grupo econômico. Portanto, por invocação do princípio da instrumentalidade das formas, o recurso deve ser conhecido. CRÉDITO UTILIZADO INTEGRALMENTE PARA QUITAR OUTRO DÉBITO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Se o crédito foi reconhecido e aproveitado em outro processo, não há que se falar em direito creditório remanescente.
Numero da decisão: 1802-001.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONHECER do recurso voluntário por considerá-lo tempestivo, nos termos do voto vencedor. Designado o Conselheiro Nelso Kichel para redigir o voto vencedor. E no mérito, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201308

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 ERRO MATERIAL NA IDENTIFICAÇAO DO RECURSO. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. RECURSO CONHECIDO. Embora a peça recursal nomine a recorrente como sendo empresa G. Barbosa & Cia. Ltda, inscrita no CNPJ sob o nº 13.004.742/0001-37, estranha à lide do processo, considero que houve apenas erro material na identificação do recurso não configurando vício ou óbice de legitimidade recursal, pois foram juntados todos os documentos (contrato social, procuração e recolhimento-DARF) referindo-se à SERIGY PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA, bem assim foram indicados corretamente o número do processo e respectivo acordão no cabeçalho das razões de recurso e foram atacados os fundamentos da decisão recorrida. O citado erro material foi constatado pela própria interessada (recorrente) que, uma semana depois da apresentação tempestiva do recurso e respectivas razões, corrigiu o citado lapso manifesto na identificação do recurso, e no mais repetiu na íntegra as mesmas razões que já haviam sido apresentadas inicialmente. Fato que denota boa-fé da recorrente. O equívoco gráfico ou erro material decorreu do fato das empresas serem do mesmo grupo econômico. Portanto, por invocação do princípio da instrumentalidade das formas, o recurso deve ser conhecido. CRÉDITO UTILIZADO INTEGRALMENTE PARA QUITAR OUTRO DÉBITO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Se o crédito foi reconhecido e aproveitado em outro processo, não há que se falar em direito creditório remanescente.

turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013

numero_processo_s : 10510.902572/2009-75

anomes_publicacao_s : 201309

conteudo_id_s : 5292151

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 1802-001.813

nome_arquivo_s : Decisao_10510902572200975.PDF

ano_publicacao_s : 2013

nome_relator_s : GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO

nome_arquivo_pdf_s : 10510902572200975_5292151.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONHECER do recurso voluntário por considerá-lo tempestivo, nos termos do voto vencedor. Designado o Conselheiro Nelso Kichel para redigir o voto vencedor. E no mérito, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.

dt_sessao_tdt : Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013

id : 5063070

ano_sessao_s : 2013

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:49 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046173594419200

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2392; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE02  Fl. 234          1 233  S1­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10510.902572/2009­75  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1802­001.813  –  2ª Turma Especial   Sessão de  08 de agosto de 2013  Matéria  PER/DCOMP  Recorrente  SERIGY PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2000  ERRO  MATERIAL  NA  IDENTIFICAÇAO  DO  RECURSO.  PRINCÍPIO  DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. RECURSO CONHECIDO.  Embora a peça recursal nomine a recorrente como sendo empresa G. Barbosa  & Cia. Ltda,  inscrita no CNPJ sob o nº 13.004.742/0001­37, estranha à lide  do  processo,  considero  que  houve  apenas  erro material  na  identificação  do  recurso não configurando vício ou óbice de legitimidade recursal, pois foram  juntados  todos  os  documentos  (contrato  social,  procuração  e  recolhimento­ DARF)  referindo­se  à  SERIGY  PARTICIPAÇÕES  E  EMPREENDIMENTOS LTDA, bem assim foram  indicados corretamente o  número do processo e respectivo acordão no cabeçalho das razões de recurso  e foram atacados os fundamentos da decisão recorrida.   O  citado  erro  material  foi  constatado  pela  própria  interessada  (recorrente)  que, uma semana depois da apresentação tempestiva do recurso e respectivas  razões,  corrigiu  o  citado  lapso manifesto  na  identificação  do  recurso,  e  no  mais  repetiu  na  íntegra  as mesmas  razões  que  já  haviam  sido  apresentadas  inicialmente. Fato que denota boa­fé da recorrente.  O equívoco gráfico ou erro material decorreu do fato das empresas serem do  mesmo  grupo  econômico.  Portanto,  por  invocação  do  princípio  da  instrumentalidade das formas, o recurso deve ser conhecido.  CRÉDITO  UTILIZADO  INTEGRALMENTE  PARA  QUITAR  OUTRO  DÉBITO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO.  Se o crédito foi reconhecido e aproveitado em outro processo, não há que se  falar em direito creditório remanescente.           AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 25 72 /2 00 9- 75 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUS TAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10510.902572/2009­75  Acórdão n.º 1802­001.813  S1­TE02  Fl. 235          2   Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONHECER  do recurso voluntário por considerá­lo tempestivo, nos termos do voto vencedor. Designado o  Conselheiro Nelso Kichel para redigir o voto vencedor. E no mérito, por unanimidade de votos,  em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.     (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Gustavo Junqueira Carneiro Leão  ­ Relator.      (documento assinado digitalmente)  Nelso Kichel – Redator designado.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de  Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa,  José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.   Fl. 235DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUS TAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10510.902572/2009­75  Acórdão n.º 1802­001.813  S1­TE02  Fl. 236          3   Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  contra  decisão  da  Delegacia  da  Receita  Federal de Julgamento em Salvador  (BA), que por unanimidade de votos  indeferiu a  juntada  posterior  de  provas  e  no  mérito  julgou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade  apresentada pela contribuinte mantendo integralmente a decisão da DRF que não homologou a  compensação da contribuinte.  Inicialmente  a  interessada  transmitiu  em  22/06/2004  o  PER/DCOMP  eletrônico n° 24691.33120.220604.1.3.04­2120, visando utilizar direito creditório fundado em  pagamento indevido ou a maior de IRPJ, código 5993, onde consta:  a) débito compensado  ­  IRPJ  –  PJ  que  apuram  imposto  pelo  lucro  presumido  (código  de  receita  2089)  ­ Período de apuração: 2º Trim. / 2001;  ­ vencimento: 31/07/2001  ­ principal: R$ 174,37;  ­multa moratória: R$ 0,00;  ­ juros de mora: R$ 0,00;  Total: R$ 174,37.   b) crédito utilizado:  ­ Valor Original do Crédito Inicial: R$ 201,36;  ­ Crédito Original na Data da Transmissão: R$ 174,37  ­ Crédito Atualizado: R$ 196,27  ­ Total dos débitos desta DCOMP: R$ 174,37  ­ Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 154,91  ­ Saldo do Crédito Original: R$ 19,46  A  DRF  Recife  emitiu  Despacho  Decisório  (fl.  7),  onde  não  homologou  a  compensação, com a seguinte fundamentação:  “Limite do crédito analisado, orrespondente ao valor do crédito  original  na  data  de  transmissão  Informado  no  PER/DCOMP:  174,37.  Fl. 236DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUS TAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10510.902572/2009­75  Acórdão n.º 1802­001.813  S1­TE02  Fl. 237          4 A  partir  das  características  do  DARF  discriminados  no  PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais  pagamentos,  abaixo  relacionados, mas  integralmente  utilizados  para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito  dispionível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP.  .(...)  Diante  do  exposto,  NÃO  HOMOLOGO  a  compensação  declarada.  Inconformada com essa  decisão,  a  contribuinte  apresentou Manifestação  de  Inconformidade, cujas razões, em síntese, são as seguintes:  a)  A  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  subsidia  sua  decisão  fundamentando  que  o  DARF  utilizado  pela  Requerente  como  origem  do  crédito  foi  integralmente  utilizado  para  a  própria  compensação  do  imposto  apurado,  tendo  em  vista  a  coincidência do código de reolhimento, competência, prazo para recolhimento e valor;   b)  Infere­se  que  entendimento  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  levou  em  consideração  tão  somente  as  informações  prestadas  pela  Requerente  na  DCTF  –  Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, desprezando as informações constantes  na DIPJ, bem como nos Livros Contábeis da Recorrente;  c)  Junta planilha demonstrando crédito de  IRPJ decorente de pagamentos  a  maior em agosto e setembro de 2000;  d)  Em  face  do  exposto,  o  que  se  verifica  é  que  existe meramente  um  erro  material  cometido  pela  Requerente mo  preenchimento  da  DCTF  do  ano­calendário  de  2000  que,  ao  invés  de  informar o  valor  do  débito  de  IRPJ  – ESTIMATIVA  informou  como  tal  o  valor do pagamento efetuado transfigurando­se em um débito irreal em total desconformidade  com  a  DIPJ  apresentada  e  com  os  Livros  Contábeis  existentes,  cuja  cópia  vai  anexada  a  presente Manifestação de Inconformidade;   e)  Tendo  em  vista  que  se  tratou  de  um  erro  material  cometido  pela  Requerente no preenchimento da DCTF do ano­calendário de 2000, o débito de IRPJ deve ser  lançado  com  base  nos  valores  informados  na  DIPJ  e  consubstanciados  na  escrita  contábil  desta”;  f) De tudo que foi exposto na presente Manifestação de Inconformidade, da  análise da  legislação vigente à época da ocorrência dos  fatos geradores  e da superficialidade  com que foram tratados os fatos aqui consignados, vem requerer a essa Delegacia da Receita  Federal do Brasil: a) O conhecimento do presente reccurso, em todos os seus efeitos legais; b)  A Reforma da decisão da DRF; c) Protesta pela juntada de novas provas.  A DRJ de Salvador (BA) julgou parcialmente procedente a manifestação de  inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa:  “ASSUNTO: Processo Administrativo Fiscal  Ano­calendário: 2000  Fl. 237DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUS TAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10510.902572/2009­75  Acórdão n.º 1802­001.813  S1­TE02  Fl. 238          5 PROVAS. APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO  A  prova  documental  deve  ser  apresentada  na  impugnação  precluindo  o  direito  da  contribuinte  de  fazê­lo  em  outro  momento  processual,  ao menos  que  demonstre  a  ocorrência  de  força maior  que  a  impossibilitasse  de  apresentá­la;  se  refira  a  fato ou direito  superveniente,  e  se destine a contrapor  fatos ou  razões posteriormente trazidos aos autos.  MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. COMPENSAÇÃO.  EXCESSO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO  A manifestação de inconformidade protoolizada tempestivamente  configura litígio e suspende a exigibilidade do crédito tributário  objeto  da  declaração  de  compensação,  nos  termos  do  art  151,  inciso III, do Código Tributário Nacional.  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Ano­calendário: 2000  COMPENSAÇÃO.  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  LIQUIDEZ E CERTEZA.  Incabível a  compensação do  alegado pagamento  indevido  ou  a  maior,  se  ausentes  a  liquidez  e  certeza  do  direito  creditório  pleiteado.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido”  Inconformada  com  essa  decisão  a  qual  tomou  ciência  em  08/11/2011  (fls.  100),  a  empresa  G.  Barbosa  &  Cia.  Ltda,  inscrita  no  CNPJ  sob  o  nº  13.004.742/0001­37,  apresentou  recurso  voluntário  em  09/12/2011,  embora  mencionasse  o  processo  e  acórdão  corretos. Sete dias após, em 16/12/2011, a ora Recorrente protocola petição informando que se  atrapalhou na elaboração da peça recursal, pois informou o nome de outra empresa do mesmo  grupo econômico.  Para se esquivar do erro cometido cita a doutrina da Maria Sylvia de Pietro e  Hely Lopes Meirelles para avocar os princípios da boa fé, economia processual e da verdade  material.  No cerne da defesa complementar afirma que a DRJ não considerou em seu  julgamento parte de pagamento efetuado a maior no mês de julho/2000, eis que considerou o  saldo negativo de IRPJ ao final do ano­calendário, ao invés de considerar o valor pago a título  de IRPJ e valores pagos a maior.  Mencionou ainda que não  foi considerado o DARF no valor de R$ 840,00,  cuja cópia foi anexada aos autos.  É o relatório.  Fl. 238DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUS TAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10510.902572/2009­75  Acórdão n.º 1802­001.813  S1­TE02  Fl. 239          6   Voto Vencido  Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator.  O presente recurso é intempestivo, portanto dele não tomo conhecimento.  Conforme  podemos  observar  no  AR  acostado  às  fls.  100,  a  contribuinte  tomou ciência do acórdão nº 15­27.663, da 1ª Turma da DRJ/SDR, no dia 08 de novembro de  2011. A apresentação do Recurso Voluntário pelo contribuinte que chega a nossa apreciação  foi protocolado no dia 16 de dezembro de 2011.  Sendo de 30 (trinta) dias o prazo para a interposição do recurso voluntário, de  acordo com o Decreto nº 70.235/72, art. 33, contados na forma do art. 5º do mesmo diploma  legal,  a  contagem  do  prazo  iniciou­se  no  dia  09  de  novembro  de  2011,  tendo  seu  término  ocorrido em 09 de dezembro de 2011, por considerar que dia 08 de dezembro foi feriado am  Aracajú. A entrega após essa data é considerada intempestiva, havendo portanto a preclusão do  direito da contribuinte de se defender na esfera administrativa.  “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,  com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência  da decisão.”  xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx  “Art.  5º  Os  prazos  serão  contínuos,  excluindo­se  na  sua  contagem o dia do início e incluindo­se o do vencimento.  Parágrafo único. Os prazos  só se iniciam ou vencem no dia de  expediente  normal  no  órgão  em que  corra  o  processo  ou  deva  ser praticado o ato.”    Primeiramente  a  ora  Recorrente  alega  erro  na  representação  se  deu  por  equívoco  entre  duas  empresas  pertencentes  ao  mesmo  grupo  econômico  e  estabelecidas  no  mesmo endereço.  Os  grupos  de  sociedades  têm  como  características  a  independência  jurídica  de seus  integrantes e a unidade de direção. Não é por outro motivo que as  relações  jurídicas  travadas por uma sociedade não interferem na esfera jurídica das outras sociedades do mesmo  grupo,  salvo  quando  essas  outras  também  sejam  parte  na  relação  jurídica  ou  quando  haja  simulação, dada distinção entre as personalidades.  No  direito  comercial/empresarial  brasileiro,  as  sociedades  se  vinculam  em  um grupo por relações societárias (sociedades coligadas – Lei nº 10.406/2002, (Código Civil)  art. 1.097 e segs.) ou por constituição formal do grupo em convenção entre as sociedades (Lei  nº 6.404/76 (LSA) arts. 266 e 271).  Fl. 239DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUS TAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10510.902572/2009­75  Acórdão n.º 1802­001.813  S1­TE02  Fl. 240          7 No  primeiro  caso,  a  unidade  de  direção  se  concentra  na  sociedade  controladora,  enquanto  que  na  segunda  hipótese  o  centro  de  decisões  será  previsto  na  convenção do grupo, elaborado pelas sociedades que o componham.  Já a legislação fiscal brasileira não adota o conceito de grupo econômico, não  havendo  personificação,  devendo  cada  empresa  ser  dotada  de  inscrição  distinta,  com  contabilizações  e  apurações  apartadas.  O  fato  de  serem  residentes  no  mesmo  endereço  e  possuirem  os  mesmos  sócios  não  justifica  o  fato  de  que  uma  assinou  em  nome  próprio  a  representatividade cabível a outra empresa.  Frise­se  que  não  se  trata  de  erro  de  grafia;  sucessora  /  sucedida;  incorporadora  /  incorporada; ou  troca de nome ou CNPJ, mas de duas  empresas que de  fato  existem e que são totalmente independentes para fins comerciais e tributários.  Para  corroborar  com  esse  entendimento  vale  lembrar  que  sob  a  ótica  tributária,  mais  especificamente  o  campo  da  responsabilização  tributária,  ressalvadas  as  hipóteses em que ocorra a simulação, o simples fato de pertencer a um grupo de sociedades não  atribuir a responsabilidade tributária solidária a uma sociedade desse grupo por fatos geradores  que  não  realizou,  ou  cuja  realização  e  respectivo  cumprimento  de obrigações  tributárias  não  determinou concretamente.  Validando o entendimento com base nessas mesmas premissas a 1ª Turma do  STJ,  no  julgamento  do  REsp  859.616/RS  de  relatoria  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  18.09.2007, já se manifestou contra a responsabilização de sociedades pertencentes ao mesmo  grupo econômico com base no suposto interesse comum previsto no art. 124, I do CTN, senão  vejamos trecho do voto:  “(...) a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas  ou  mais  pessoas  na  condição  de  prestadoras  de  apenas  um  único  serviço  para  o  mesmo  tomador,  integrando,  desse  modo,  o  pólo  passivo  da  relação.  Forçoso  concluir,  portanto,  que  o  interesse  qualificado  pela  lei  não  há  de  ser  o  interesse  econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da  obrigação  principal,  mas  o  interesse  jurídico,  vinculado  à  atuação  comum  ou  conjunta da situação que constitui o fato imponível”.  Assim,  por  óbvio  não  cabe  a  avocação  do  princípio  da  verdade  material,  como bem disciplina a nossa doutrina, por absoluta falta de representatividade que configura­se  vício insanável.  Tendo sido vencido nessa preliminar por este colegiado, vamos ao cerne do  processo.  No mérito não assiste razão a Recorrente. Afirma a contribuinte que no mês  de  julho/2000  recolheu um DARF no valor principal de R$ 830,26, que não  foi considerado  pela  DRJ  na  apuração  do  valor  a  ser  compensado,  gerando  o  provimento  parcial  da  Manifestação  de  Inconformidade.  Tal  fato  é  verídico,  contudo  o  crédito  em  questão  foi  integralmente  reconhecido  no  processo  nº  10510.900302/2008­49,  portanto  compensado  através do PER/DCOMP eletrônico n° 16876.98194.180604.1.7.04­6732.  Assim se deu a ementa e conclusão do citado processo em questão:  “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Fl. 240DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUS TAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10510.902572/2009­75  Acórdão n.º 1802­001.813  S1­TE02  Fl. 241          8 Ano­calendário: 2000  IRPJ. ESTIMATIVA. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO  Comprovada  a  existência  de  pagamento  de  estimativa  não  computado  pela  DRJ,  cabe  o  reconhecimento  do  direito  creditório complementar.  (...)  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  DAR  PARCIAL  provimento  ao  recurso  para  reconhecer  o  crédito  adicional  no  valor  de  R$  830,26,  homologando  a  compensação  no  limite  desse valor.”    Quanto  ao  DARF  de  código  3373,  no  valor  de  R$  840,00,  não  assiste  qualquer  razão  a  Recorrente,  eis  que  se  trata  de  pagamento  referente  a  outro  período  de  apuração, portanto não compõe o saldo negativo do exercício em questão. Vale mencionar que  não se trata nem mesmo de pagamento a título de estimativa de IRPJ.  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  NEGAR  provimento  ao  recurso  voluntário.    (assinado digitalmente)  Gustavo Junqueira Carneiro Leão                           Fl. 241DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUS TAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10510.902572/2009­75  Acórdão n.º 1802­001.813  S1­TE02  Fl. 242          9   Voto Vencedor  Conselheiro Nelso Kichel, Redator designado.    Discordo do entendimento do nobre Relator que não conheceu do recurso.  É óbvio, patente, que houve mero erro material na identificação do recurso.  Vale dizer, embora a peça recursal nomine a recorrente como sendo empresa  G. Barbosa & Cia.  Ltda,  inscrita  no CNPJ  sob  o  nº  13.004.742/0001­37,  estranha  à  lide  do  processo,  considero  que  houve  apenas  erro  material  na  identificação  do  recurso  não  configurando vício ou óbice de legitimidade recursal, pois foram juntados todos os documentos  (contrato  social,  procuração  e  recolhimento­DARF)  referindo­se  à  SERIGY  PARTICIPAÇÕES  E  EMPREENDIMENTOS  LTDA,  bem  assim  foram  indicados  corretamente o número do processo e respectivo acordão no cabeçalho das razões de recurso e  foram atacados os fundamentos da decisão recorrida.   O  citado  erro  material  foi  constatado  pela  própria  interessada  (recorrente)  que, uma semana depois da apresentação tempestiva do recurso e respectivas razões, corrigiu o  citado  lapso manifesto  na  identificação  do  recurso,  e  no mais  repetiu  na  íntegra  as mesmas  razões que já haviam sido apresentadas inicialmente. Fato que denota boa­fé da recorrente.  Ainda,  o  equívoco  gráfico  ou  erro material  decorreu  do  fato  das  empresas  serem do mesmo grupo econômico.   Portanto, sem delongas e por invocação do princípio da instrumentalidade das  formas, o recurso deve ser conhecido.  Em situação análoga ­ erro na identificação do recurso, o Tribunal Regional  do Trabalho – TRT –13 também já decidiu pela legitimidade de recurso, conforme o seguinte  precedente jurisprudencial que transcrevo, in verbis:  TRT­13 ­ Agravo de Instrumento em Recurso Ordinário  Processo:­AIRO 131503 PB 00656.2011.004.13.01­0  Relator(a):­EDVALDO DE ANDRADE  Julgamento:­12/03/2012  Órgão Julgador:­Tribunal Pleno  Publicação:­14/03/2012  Ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. ERRO MATERIAL NA  IDENTIFICAÇAO  DO  RECURSO.  PRINCÍPIO  DA  INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. PROVIMENTO.  Fl. 242DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUS TAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10510.902572/2009­75  Acórdão n.º 1802­001.813  S1­TE02  Fl. 243          10 Embora  a  peça  recursal  nomine  a  recorrente  como  Ambiental  Soluções Ltda., empresa estranha a este processo, considero que  houve  apenas  erro  material,  porquanto  os  recolhimentos  de  custas processuais e depósito recursal foram efetuados em nome  da Construtora Mart Ltda., esta, sim, figurando como reclamada  nos presentes autos, com legitimidade para recorrer. Além disso,  o  número  do  processo  foi  corretamente  indicado  no  cabeçalho  das  razões  de  recurso,  assim  como  o  nome  do  reclamante.  Portanto,  por  invocação do  princípio  da  instrumentalidade  das  formas,  o  recurso  deve  ser  recebido.  Agravo  de  instrumento  a  que se dá provimento.  Por tudo que foi exposto, voto para conhecer do recurso.    (documento assinado digitalmente)  Nelso Kichel                  Fl. 243DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUS TAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL

score : 1.0
5017485 #
Numero do processo: 10580.728625/2009-56
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Aug 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 IMPOSTO COMPLEMENTAR. GLOSA. O recolhimento de imposto complementar deve ser feito no curso do ano-calendário, até o último dia útil do mês de dezembro. É descabida a dedução de imposto recolhido em 2008, a título de imposto complementar, na declaração de ajuste anual referente ao ano-calendário de 2007. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201306

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 IMPOSTO COMPLEMENTAR. GLOSA. O recolhimento de imposto complementar deve ser feito no curso do ano-calendário, até o último dia útil do mês de dezembro. É descabida a dedução de imposto recolhido em 2008, a título de imposto complementar, na declaração de ajuste anual referente ao ano-calendário de 2007. Recurso Voluntário Negado

turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Sat Aug 17 00:00:00 UTC 2013

numero_processo_s : 10580.728625/2009-56

anomes_publicacao_s : 201308

conteudo_id_s : 5284819

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 2801-003.083

nome_arquivo_s : Decisao_10580728625200956.PDF

ano_publicacao_s : 2013

nome_relator_s : MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA

nome_arquivo_pdf_s : 10580728625200956_5284819.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.

dt_sessao_tdt : Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013

id : 5017485

ano_sessao_s : 2013

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:42 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046173625876480

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1688; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE01  Fl. 54          1 53  S2­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10580.728625/2009­56  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2801­003.083  –  1ª Turma Especial   Sessão de  20 de junho de 2013  Matéria  IRPF  Recorrente  WALTER BONIN DINIZ  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2008  IMPOSTO COMPLEMENTAR. GLOSA.  O  recolhimento  de  imposto  complementar  deve  ser  feito  no  curso  do  ano­ calendário, até o último dia útil do mês de dezembro. É descabida a dedução  de  imposto  recolhido  em  2008,  a  título  de  imposto  complementar,  na  declaração de ajuste anual referente ao ano­calendário de 2007.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.  Assinado digitalmente  Tânia Mara Paschoalin ­ Presidente em exercício.   Assinado digitalmente  Marcelo Vasconcelos de Almeida ­ Relator.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Tânia  Mara  Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros  Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 86 25 /2 00 9- 56 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.728625/2009­56  Acórdão n.º 2801­003.083  S2­TE01  Fl. 55          2 Trata­se de Auto de  Infração  relativo ao  Imposto de Renda Pessoa Física –  IRPF por meio do qual se exige crédito  tributário no valor de R$ 124,62,  incluídos multa de  mora no percentual de 20% (vinte por cento) e juros de mora.  Consta  da  “Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento  Legal”,  à  fl.  29  deste  processo digital, que houve a glosa do valor de R$ 1.800,00, pleiteado indevidamente a título  de Imposto Complementar (mensalão), correspondente a diferença entre o valor declarado e os  valores efetivamente recolhidos com o código de receita 0246.  O  contribuinte  apresentou  a  impugnação  de  fls.  2/3,  que  foi  julgada  procedente em parte pela 3ª Turma da DRJ/SDR, por intermédio de acórdão de fls. 37/38.  Cientificado  da  decisão  de  primeira  instância  em  22/03/2011  (Termo  de  Intimação  à  fl.  42),  o  Interessado  interpôs,  em  04/04/2011,  o  recurso  de  fl.  43/44. Na  peça  recursal alega, em síntese, que:   ­  Deixou  de  incluir,  na  sua  primeira  declaração,  o  valor  recolhido  de  R$  1.800,00, a título de carnê­leão, o que resultou em imposto a pagar de R$ 1.891,55, recolhido  em 22.04.2008 com o código de receita 0211 (cópia em anexo).   ­  No  dia  29.03.2009  apresentou  a  primeira  declaração  retificadora,  o  que  resultou em imposto a pagar no valor de R$ 91,12.   ­  Em  14.04.2009  apresentou  a  segunda  declaração  retificadora,  incluindo  o  valor  de R$  1.800,00  (cópias  dos DARF  em  anexo),  que  resultou  em  imposto  a  restituir  da  ordem de R$ 1.708,88.  ­ Reanalisando  a  segunda  declaração  retificadora,  percebeu, mais  uma  vez,  que o valor da restituição estava a menor, pois o correto seria R$ 1.800,43 (R$ 1.891,55 – R$  91,12).  Contudo,  não  enviou  a  terceira  retificadora  em  razão  do  recebimento  da  presente  Notificação de Lançamento.  Ao final, pugna pela juntada do conta corrente de seu CPF onde constarão os  valores pagos, bem como seja convidado a prestar explicações verbais para eliminar o impasse.  Pleiteia, outrossim, que seja cancelado o débito fiscal reclamado.  Voto             Conselheiro Marcelo Vasconcelos Almeida, Relator  Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade.  O  motivo  do  lançamento  foi  a  compensação  indevida  de  imposto  complementar  (código  de  receita  0246),  no  valor  de R$ 1.800,00. No  recurso,  o  Interessado  colaciona aos  autos  cópias de DARF que  totalizam o mesmo valor  (fls.  48/51),  recolhidos  a  título  de  carnê­leão  durante  o  ano­calendário  de  2007  (código  de  receita  0190).  Anexa,  também, comprovante de pagamento do DARF de fl. 52, no valor de R$ 1.891,55,  recolhido  em 22.04.2008, com código de receita 0211 (cota única do imposto apurado na declaração de  ajuste anual).  Fl. 55DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.728625/2009­56  Acórdão n.º 2801­003.083  S2­TE01  Fl. 56          3 A declaração retificadora apresentada em 14.04.2009, que originou a presente  Notificação  de  Lançamento,  evidencia  que  o  Recorrente  lançou,  na  ficha  “Rendimentos  recebidos de Pessoas Físicas” (fl. 20), o valor de R$ 1.800,00, recolhidos no ano­calendário de  2007 a título de carnê­leão (DARF às fls. 48/51, código de recolhimento 0190), além do valor  de R$ 1.800,00 na ficha “Demais Rendimentos” (fl. 21), a título de imposto complementar.  O que se percebe, pela linha argumentativa do Recorrente, é que ele, por não  ter lançado os valores recolhidos a título de carnê­leão na declaração primeva e ter recolhido o  valor de R$ 1.891,55 no código de receita 0211 (cota única do imposto apurado na declaração  de  ajuste  anual,  recolhido  em 22.04.2008),  tentou  recuperar R$ 1.800,00  (R$ 1.800,43 = R$  1.891,55  ­ R$ 91,12)  por via  transversa,  lançando­o,  na  segunda  retificadora,  como  se  fosse  “imposto complementar”, o que não é permitido pela legislação do imposto de renda, haja vista  que os recolhimentos a esse título devem ser feitos no curso do ano­calendário, até o último dia  útil do mês de dezembro.  Noutro giro verbal: o recolhimento de imposto complementar deve ser feito  no curso do ano­calendário, até o último dia útil do mês de dezembro. É descabida a dedução  de imposto recolhido em 2008, a título de imposto complementar, na declaração de ajuste anual  referente ao ano­calendário de 2007.  Assim,  correta  a  glosa  do  valor  de R$  1.800,00  pleiteado  indevidamente  a  título  de  “imposto  complementar”,  porquanto  não  houve  recolhimento  a  esse  título  no  ano­ calendário de 2007.   Observo,  por  oportuno,  que  é  totalmente  desnecessária  a  juntada  do  conta  corrente  do  Interessado,  que,  se  tivesse  recolhido  algum  valor  a  título  de  imposto  complementar,  tal  como  lançado  na  segunda  retificadora,  teria  colacionado  aos  autos  os  comprovantes de recolhimento, assim como fez com os valores pagos a título de carnê­leão.  Registro,  por  derradeiro,  que  se  o  Recorrente  tem  interesse  em  prestar  explicações  verbais  para  eliminar  o  impasse,  poderia  tê­lo  feito  neste  Plenário,  mediante  sustentação oral, mas não por convite da Administração Tributária.  Face ao exposto, voto por negar provimento ao recurso.  Assinado digitalmente  Marcelo Vasconcelos Almeida                                Fl. 56DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN

score : 1.0
5044793 #
Numero do processo: 10935.001757/2004-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMO DE PESSOAS FÍSICAS. DOCUMENTAÇÃO NÃO APRESENTADA. DESCRIÇÃO IMPRECISA DOS ITENS ADQUIRIDOS NO DOCUMENTÁRIO FISCAL APRESENTADO. AUSÊNCIA DE REGISTRO NA CONTABILIDADE. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. 1. É ônus do contribuinte provar o direito ao crédito presumido do IPI calculado sobre matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem adquiridos de pessoas físicas, por meio de documentação adequada que demonstre a regularidade das aquisições e identificação dos insumos, bem como os registros das respectivas operações nos livros contábeis e fiscais. 2. A falta ou a apresentação de documento sem a perfeita identificação dos produtos adquiridos de pessoas físicas impossibilita o conhecimento da natureza e do tipo de produto adquirido e, por falta de identificação, a sua inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201307

camara_s : Primeira Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMO DE PESSOAS FÍSICAS. DOCUMENTAÇÃO NÃO APRESENTADA. DESCRIÇÃO IMPRECISA DOS ITENS ADQUIRIDOS NO DOCUMENTÁRIO FISCAL APRESENTADO. AUSÊNCIA DE REGISTRO NA CONTABILIDADE. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. 1. É ônus do contribuinte provar o direito ao crédito presumido do IPI calculado sobre matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem adquiridos de pessoas físicas, por meio de documentação adequada que demonstre a regularidade das aquisições e identificação dos insumos, bem como os registros das respectivas operações nos livros contábeis e fiscais. 2. A falta ou a apresentação de documento sem a perfeita identificação dos produtos adquiridos de pessoas físicas impossibilita o conhecimento da natureza e do tipo de produto adquirido e, por falta de identificação, a sua inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Recurso Voluntário Negado.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Sep 03 00:00:00 UTC 2013

numero_processo_s : 10935.001757/2004-65

anomes_publicacao_s : 201309

conteudo_id_s : 5287525

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 03 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 3102-001.943

nome_arquivo_s : Decisao_10935001757200465.PDF

ano_publicacao_s : 2013

nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO

nome_arquivo_pdf_s : 10935001757200465_5287525.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru.

dt_sessao_tdt : Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013

id : 5044793

ano_sessao_s : 2013

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:10 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046173648945152

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2132; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C1T2  Fl. 10          1 9  S3­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10935.001757/2004­65  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3102­001.943  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de julho de 2013  Matéria  IPI ­ RESSARCIMENTO  Recorrente  SERRARIAS CAMPOS DE PALMAS S/A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003  CRÉDITO  PRESUMIDO  DE  IPI.  AQUISIÇÃO  DE  INSUMO  DE  PESSOAS  FÍSICAS.  DOCUMENTAÇÃO  NÃO  APRESENTADA.  DESCRIÇÃO  IMPRECISA  DOS  ITENS  ADQUIRIDOS  NO  DOCUMENTÁRIO  FISCAL  APRESENTADO.  AUSÊNCIA  DE  REGISTRO  NA  CONTABILIDADE.  INCLUSÃO  NA  BASE  DE  CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE.  1.  É  ônus  do  contribuinte  provar  o  direito  ao  crédito  presumido  do  IPI  calculado  sobre  matéria­prima,  produto  intermediário  e  material  de  embalagem  adquiridos  de  pessoas  físicas,  por  meio  de  documentação  adequada  que  demonstre  a  regularidade  das  aquisições  e  identificação  dos  insumos,  bem  como  os  registros  das  respectivas  operações  nos  livros  contábeis e fiscais.  2. A  falta ou a apresentação de documento sem a perfeita  identificação dos  produtos  adquiridos  de  pessoas  físicas  impossibilita  o  conhecimento  da  natureza  e  do  tipo  de produto  adquirido  e,  por  falta  de  identificação,  a  sua  inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara  da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos  do voto do Relator.  (assinado digitalmente)  Luis Marcelo Guerra de Castro ­ Presidente.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 17 57 /2 00 4- 65 Fl. 2804DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO   2 (assinado digitalmente)  José Fernandes do Nascimento ­ Relator.  Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro,  Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento,  Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru.  Relatório  Trata­se  de  Pedido  de  Ressarcimento  (fls.  2.454/2.455)  complementar,  no  valor de R$ 815.963,47, ao crédito presumido do IPI do 4º trimestre de 2003, no valor de R$  4.493.909,26, anteriormente reconhecido por meio do Despacho Decisório de fls. 2.386/2.399,  que se tornou definitivo na esfera administrativa, em face da ausência de contestação.  Em  cumprimento  à  determinação  judicial,  exarada  na  Sentença  de  fls.  2.542/2.521, o titular da Unidade da Receita Federal de origem proferiu o Despacho Decisório  de  fls.  2.722/2.730,  em que  reconheceu,  parcialmente,  o  crédito  complementar  pleiteado,  no  valor  de  R$  19.639,21,  acrescido  da  taxa  Selic  a  partir  de  25/6/2009,  com  base  nas  razões  apresentadas nos  itens 19 a 31  (fls. 2.725/2.728). A glosa parcial do crédito, no valor de R$  796.324,26, foi motivada pelos fatos explicitados nos itens 19 a 30, a seguir transcritos:  CFOP 2.151 (Matriz)  19. De acordo com os esclarecimentos prestados pela  interessada nas fls.  2592/2594,  é  com  a  dedução  dos  valores  relativos  ao  Código  Fiscal  de Operação  e Prestação  (CFOP)  2.151  (transferências  para  industrialização  da  filial  para  a  matriz)  da  soma  dos  demais  CFOP's  listados  no  quadro  acima  que  se  explica  as  diferenças  entre  os  valores  apontados  na  linha  12  do  DCP  original (ajustado pela RFB) e do DCP retificador.  20. Assim, a interessada reconhece que tais valores (2.151), que  integraram  o  cálculo  original  do  crédito  presumido,  não  deveriam ter integrado esse cálculo.  21. De  fato,  essas  operações  de  transferências  da  filial  para  a  matriz  não  se  referem  a  aquisições  (ainda  que  delas  decorrentes),  portanto,  não  deveriam  ter  integrado  o  cálculo  original, ainda mais agora, que se pretende incluir as aquisições  feitas  pela  filial  no  novo  cálculo.  Por  isso,  a  análise  dos  documentos  relativos  aos  demais  CFOP's  listados  no  quadro  acima implica a exclusão dos valores relativos ao CFOP 2.151  do cálculo original.  CFOP 2.116 (Matriz)  22. Na análise dos documentos do CFOP 2.116, as ocorrências a  seguir  foram  verificadas  para  justificar  a  não  inclusão  dos  valores no recálculo do crédito.  23. Nas operações de compra de mercadorias de pessoas físicas,  conforme demonstrado no Anexo I  (fls. 2659/2661), verificou­ se que:  Fl. 2805DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10935.001757/2004­65  Acórdão n.º 3102­001.943  S3­C1T2  Fl. 11          3 a)  Os  documentos  foram  localizados  nos  arquivos  digitais  (fiscais),  mas  não  constam  da  contabilidade,  fato  que  não  caracteriza  uma  aquisição  regular  de mercadorias,  pois  neste  caso não existe um registro contábil do efetivo pagamento, nem  mesmo  de  uma  expectativa  de  pagamento  (registro  de  um  passivo),  o  que  torna  inviável  o  ressarcimento  de  valor  não  pago.  Ademais,  constam  nos  arquivos  digitais  que  seriam  "DIVERSOS"  as  mercadorias  adquiridas,  portanto,  não  passíveis  de  enquadramento  como  matérias­primas,  produtos  intermediários ou materiais de embalagem; e  b)  Tratam­se  de  operações  com  pessoas  físicas,  que  não  são  contribuintes  do  PIS/PASEP  e  da  COFINS,  portanto,  não  passíveis de inclusão no cálculo do crédito presumido, conforme  previsto  no  art.  5°,  §2°,  da  IN  SRF  n°  315/2003,  disposição  normativa já citada na primeira decisão.  24.  Nas  operações  de  compra  de  mercadorias  de  pessoas  jurídicas,  conforme  demonstrado  no  Anexo  II  (fls.  2662/2670),  verificou­se que:  a)  Alguns  documentos  foram  localizados  nos  arquivos  digitais  (fiscais),  mas  não  constam  da  contabilidade,  fato  que  impossibilita  caracterizar  a  operação  como  regular,  pois  neste  caso não existe um registro contábil do efetivo pagamento, nem  mesmo  de  uma  expectativa  de  pagamento  (registro  de  um  passivo), o que torna inviável o ressarcimento de valor não pago.  Ademais, constam nos arquivos digitais que seriam "DIVERSOS"  as  mercadorias  adquiridas,  portanto,  não  passíveis  de  enquadramento  como  matérias­primas,  produtos  intermediários  ou materiais de embalagem; e  b)  Os  demais  documentos,  emitidos  por  DAL  PAI  S/A  INDÚSTRIA  E  COMÉRCIO  ­  CNPJ  76.490.887/0004­58  e  INDÚSTRIAS  PEDRO  N.  PIZZATO  LTDA  ­  CNPJ  76.501.394/0004­76, não foram localizados nos arquivos digitais,  fato  que  impossibilita  a  identificação  e  o  enquadramento  das  mercadorias  adquiridas.  Somado  a  isso,  também  não  foram  localizados na contabilidade, fato que impossibilita caracterizar  a operação como regular, pois neste caso não existe um registro  contábil do  efetivo  pagamento,  nem mesmo  de  uma  expectativa  de  pagamento  (registro  de  um  passivo),  o  que  torna  inviável  o  ressarcimento de valor não pago.  PESSOAS FÍSICAS (Matriz)  25.  Verificou­se  inicialmente  que  o  total  das  operações  de  compra de mercadorias de pessoas físicas no trimestre coincide  com o valor  total  que não  foi  considerado no cálculo  inicial do  crédito  presumido  (nem  pela  interessada  no  DCP,  nem  pelo  Fisco). Por isso, o valor total do período, para o efeito de cálculo  do  crédito  presumido,  foi  computado  uma  única  vez,  pois,  com  certeza, não se referem (ou não deveriam se referir) a operações  diversas.  De  qualquer  modo,  as  ocorrências  a  seguir  foram  verificadas para justificar a não inclusão dos valores no recálculo  do crédito.  Fl. 2806DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO   4 26.  Procedida  à  análise  do  demonstrativo  apresentado  pela  interessada,  conforme  demonstrado  no  Anexo  III  (fls.  2671/2676), verificou­se que:  a) A quase totalidade dos documentos (aqueles que constaram  dos  arquivos  digitais)  aponta  a  descrição  das  mercadorias  adquiridas  como  "DIVERSOS",  portanto,  não  passíveis  de  enquadramento como matérias­primas, produtos intermediários  ou materiais de embalagem;  b)  Alguns  dos  documentos  relacionados  são,  na  verdade,  da  Filial  0002,  portanto,  lançados  indevidamente  na  matriz  (em  duplicidade);  c) Outros documentos se referem a aquisições de produtos para  recebimento  futuro (simples  faturamento ­ CFOP 2.922),  cuja  inclusão no cálculo do crédito presumido somente é permitida a  partir  do momento  da  sua  efetiva  entrada  no  estabelecimento  adquirente  (art.  17  da  IN  SRF  no  315/2003  já  citada  na  la  decisão);  d)  Outros  documentos  foram  omitidos  nos  arquivos  digitais,  fato  que  impede  identificar  e  enquadrar  as  mercadorias  adquiridas  como matérias­primas,  produtos  intermediários  ou  materiais de embalagem; e  e) Por fim, tratam­se de operações com pessoas físicas, que não  são contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, portanto, não  passíveis  de  inclusão  no  cálculo  do  crédito  presumido,  conforme  previsto  no  art.  5  0  ,  §2°,  da  IN SRF n°  315/2003,  disposição normativa já citada na primeira decisão.  CFOP 1.101 (Filial 0002)  27. De acordo com as informações contidas nos arquivos digitais  apresentados,  parte  dos  documentos  do  Código  Fiscal  de  Operação  e Prestação  (CFOP)  1.101  encontra­se  devidamente  lançado  na  escrita  fiscal  (livros  fiscais)  e  também  na  contabilidade,  fato que denota,  em face do  registro contábil  do  pagamento (ou do passivo), a regular aquisição de mercadorias  de contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS. Além disso, consta  nesses  arquivos  digitais  (campo  "descrição  da  mercadoria"  /  "descrição  complementar  da  mercadoria"  do  arquivo  4.3.4  do  ADE COFIS n° 55/2009) tratar­se de aquisição de mercadorias  enquadradas como matérias­primas, produtos intermediários ou  materiais  de  embalagem.  Mostra­se,  assim,  procedente  a  inclusão de parte desses valores no recálculo do crédito. Já em  relação  ao  restante  dos  documentos,  as  ocorrências  a  seguir  foram verificadas para  justificar a não  inclusão dos valores no  recálculo do crédito.  28. Nas operações de compra de mercadorias de pessoas físicas,  conforme demonstrado no Anexo IV (fls. 2677/2679), verificou­ se que:  a)  A  totalidade  dos  documentos  aponta  a  descrição  das  mercadorias  adquiridas  como  "DIVERSOS",  portanto,  não  passíveis  de  enquadramento  como  matérias­primas,  produtos  intermediários ou materiais de embalagem; e  Fl. 2807DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10935.001757/2004­65  Acórdão n.º 3102­001.943  S3­C1T2  Fl. 12          5 b) Além disso, tratam­se de operações com pessoas físicas, que  não são contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, portanto,  não  passíveis  de  inclusão  no  cálculo  do  crédito  presumido,  conforme  previsto  no  art.  5°,  §2°,  da  IN  SRF  n°  315/2003,  disposição normativa já citada na primeira decisão.  29.  Nas  operações  de  compra  de  mercadorias  de  pessoas  jurídicas,  conforme  demonstrado  no  Anexo  V  (fls.  2680/2681),  verificou­se que a totalidade dos documentos aponta a descrição  das mercadorias  adquiridas  como  "DIVERSOS",  portanto,  não  passíveis  de  enquadramento  como  matérias­primas,  produtos  intermediários ou materiais de embalagem.  CFOP 2.101 (Filial 0002)  30. De acordo com as informações contidas nos arquivos digitais  apresentados,  parte  dos  documentos  do  Código  Fiscal  de  Operação  e  Prestação  (CFOP)  2.101  encontra­se  devidamente  lançado  na  escrita  fiscal  (livros  fiscais)  e  também  na  contabilidade,  fato que denota,  em face do  registro contábil  do  pagamento (ou do passivo), a regular aquisição de mercadorias  de contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS. Além disso, consta  nesses  arquivos  digitais  (campo  "descrição  da  mercadoria"  /  "descrição  complementar  da  mercadoria"  do  arquivo  4.3.4  do  ADE COFIS n° 55/2009) tratar­se de aquisição de mercadorias  enquadradas como matérias­primas, produtos intermediários ou  materiais  de  embalagem.  Mostra­se,  assim,  procedente  a  inclusão de parte desses valores no recalculo do crédito. Já em  relação  ao  restante  (anexo  VI  ­  fl.  2682),  verificou­se  que  o  documento aponta a descrição das mercadorias adquiridas como  "DIVERSOS",  portanto,  não  passíveis  de  enquadramento  como  matérias­primas,  produtos  intermediários  ou  materiais  de  embalagem. (grifos não originais)  Em  sede  de manifestação  de  inconformidade  (fls.  2.754/2.758),  a  recorrente  contestou apenas a glosa da parcela dos créditos relativos às aquisições de pessoas físicas, no valor  de  R$  3.787.963,30,  com  base  na  alegação  de  que  todas  as  aquisições  de  insumos,  independentemente de ser o fornecedor contribuinte ou não da Contribuição para o PIS/Pasep e  da Cofins, deviam ser computadas na base de cálculo do crédito presumido do IPI.  Sobreveio  a  decisão  de  primeira  instância  (fls.  2.773/2.779),  em  que,  por  unanimidade  de  votos,  a  8ª  Turma  de  Julgamento  da  DRJ  em  Ribeirão  Preto/SC  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  sob  o  fundamento  de  que  as  compras  de  insumos de pessoas físicas não podiam ser utilizadas para efeito de determinação da base de  cálculo do crédito presumido do IPI.  Em  30/4/2012,  a  recorrente  foi  cientificada  da  decisão  de  primeira  instância.  Inconformada,  em  30/5/2012,  protocolou  o  Recurso Voluntário  de  fls.  2.785/2.794,  em  que  reafirmou  as  razões  de  defesa  aduzidas na manifestação de  inconformidade. Em aditamento,  alegou  que  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ),  sob  o  regime  do  recurso  repetitivo,  no  julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 993.164/MG, reconhecera a ilegalidade das normas  que excluíra da base de cálculo do crédito presumido do IPI os valores das matérias­primas e  dos insumos adquiridos de pessoas físicas.  Fl. 2808DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO   6 É o relatório.  Voto             Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator.  O  recurso é  tempestivo e preenche os demais  requisitos de admissibilidade,  portanto, deve ser conhecido.  A controvérsia limita­se apenas a glosa dos créditos relativos às compras de  pessoas físicas, no valor de R$ 3.787.963,30, descritas nos Anexos I  (fls. 2.684/2.686), III (fls.  2.696/2.701)  e  IV  (fls.  2.702/2.704)  do  Demonstrativo  do  Crédito  Presumido  do  IPI  do  4º  Trimestre de 2003.  Conforme delineado no relatório precedente, as razões da glosa dos créditos  provenientes das aquisições de pessoas jurídicas quanto dos créditos decorrentes das compras  das pessoas físicas foram fundamentadas praticamente nos mesmos fatos. Porém, a recorrente  não contestou à glosa dos créditos relativos às aquisições das pessoas jurídicas.  Com efeito, a  inconformidade da recorrente limitou­se apenas as glosas dos  créditos  decorrentes  das  compras  das  pessoas  físicas,  porém,  limitada  à  questão  jurídica,  ou  seja, a existência de restrição normativa ao direito de apropriação do crédito presumido do IPI  relativo às aquisições de pessoas físicas.  Entretanto,  conforme  explicitado  nos  itens  23,  26  e  28  do  contestado  Despacho Decisório, além do óbice de natureza jurídica, foram relatadas questões de natureza  fática que motivaram a glosa dos referidos créditos. Tais fatos, em suma, foram os seguintes:  a) uma parte dos documentos não foi localizada nos arquivos digitais;  b) outra parte dos documentos foi lançada em duplicidade; e  c) a parte restante dos documentos, embora localizada nos arquivos digitais,  apresentava as seguintes irregularidades: c.1) uma parte dos documentos não  foi registrada na contabilidade; c.2) outra parte dos documentos se referem a  aquisições de produtos para recebimento futuro, cuja inclusão no cálculo do  crédito  presumido  do  IPI  somente  é  permitida  a  partir  do momento  da  sua  efetiva  entrada  no  estabelecimento  adquirente;  e  c.3)  os  produtos  foram  descritos  como  “DIVERSOS”,  o  que  impossibilitava  o  enquadramento  das  respectivas  aquisições  como  matérias­primas,  produtos  intermediários  ou  materiais de embalagem.  Conforme mencionado, no  recurso em apreço, assim como na manifestação  de inconformidade, a recorrente alegou apenas que as aquisições de pessoas físicas integravam  a  base  de  cálculo  do  crédito  presumido  do  IPI,  com  suporte  no  entendimento  esposado  na  jurisprudência  administrativa  e  judicial  transcrita  na  peça  defensiva,  porém  não  apresentou  qualquer  contestação  em  relação  às  relevantes  irregularidades  apontadas  pela  fiscalização,  tampouco apresentou qualquer elemento probatório que infirmasse os motivos fáticos da glosa  dos créditos decorrentes das compras de pessoas físicas.  No âmbito deste Conselho, por força do disposto no art. 62­A do Regimento  Interno deste Conselho,  aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de  junho de 2009, com as  alterações posteriores, a questão jurídica, atinente à falta de amparo legal para apropriação dos  Fl. 2809DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10935.001757/2004­65  Acórdão n.º 3102­001.943  S3­C1T2  Fl. 13          7 créditos provenientes das aquisições de insumos de pessoas físicas, ficou superada a partir da  decisão  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ),  prolatado  no  julgamento  do  REsp  nº  993.164/MG,  processado  sob  regime  do  art.  543­C  do  CPC,  que  reconheceu  o  direito  de  o  contribuinte  apropriar­se  do  crédito  presumido  do  IPI  relativo  a  matérias­primas,  produtos  intermediários e material de embalagens adquiridos de pessoas físicas. O enunciado da ementa  do referido acórdão tem o seguinte teor, in verbis:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  IPI.  CRÉDITO  PRESUMIDO  PARA  RESSARCIMENTO  DO  VALOR  DO  PIS/PASEP  E  DA  COFINS.  EMPRESAS  PRODUTORAS  E  EXPORTADORAS  DE  MERCADORIAS  NACIONAIS.  LEI  9.363/96.  INSTRUÇÃO  NORMATIVA  SRF  23/97.  CONDICIONAMENTO  DO  INCENTIVO  FISCAL  AOS  INSUMOS  ADQUIRIDOS DE  FORNECEDORES  SUJEITOS À  TRIBUTAÇÃO  PELO  PIS  E  PELA  COFINS.  EXORBITÂNCIA  DOS  LIMITES  IMPOSTOS  PELA  LEI  ORDINÁRIA.  SÚMULA  VINCULANTE  10/STF.  OBSERVÂNCIA.  INSTRUÇÃO  NORMATIVA  (ATO  NORMATIVO  SECUNDÁRIO).  CORREÇÃO  MONETÁRIA.  INCIDÊNCIA.  EXERCÍCIO  DO  DIREITO  DE  CRÉDITO  POSTERGADO  PELO  FISCO.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO  DE  CRÉDITO  ESCRITURAL.  TAXA  SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC.  INOCORRÊNCIA.  1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não  poderia  ter  sua  aplicação  restringida  por  força  da  Instrução  Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode  inovar no ordenamento jurídico, subordinando­se aos limites do  texto legal.  2.  A  Lei  9.363/96  instituiu  crédito  presumido  de  IPI  para  ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que:  "Art.  1º  A  empresa  produtora  e  exportadora  de  mercadorias  nacionais  fará  jus  a  crédito  presumido  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados,  como  ressarcimento  das  contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7  de  setembro  de  1970,  8,  de  3  de  dezembro  de  1970,  e  de  dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no  mercado interno, de matérias­primas, produtos intermediários e  material de embalagem, para utilização no processo produtivo.  Parágrafo  único.  O  disposto  neste  artigo  aplica­se,  inclusive,  nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim  específico de exportação para o exterior."  3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que  "o  Ministro  de  Estado  da  Fazenda  expedirá  as  instruções  necessárias  ao  cumprimento  do  disposto  nesta  Lei,  inclusive  quanto  aos  requisitos  e  periodicidade  para  apuração  e  para  fruição  do  crédito  presumido  e  respectivo  ressarcimento,  à  definição  de  receita  de  exportação  e  aos  documentos  fiscais  comprobatórios  dos  lançamentos,  a  esse  título,  efetuados  pelo  produtor exportador".  Fl. 2810DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO   8 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições,  expediu  a  Portaria  38/97,  dispondo  sobre  o  cálculo  e  a  utilização  do  crédito  presumido  instituído  pela  Lei  9.363/96  e  autorizando  o  Secretário  da Receita Federal  a  expedir  normas  complementares  necessárias  à  implementação  da  aludida  portaria (artigo 12).  5.  Nesse  segmento,  o  Secretário  da  Receita  Federal  expediu  a  Instrução  Normativa  23/97  (revogada,  sem  interrupção  de  sua  força  normativa,  pela  Instrução  Normativa  313/2003,  também  revogada,  nos  mesmos  termos,  pela  Instrução  Normativa  419/2004),  assim  preceituando:  "Art.  2º  Fará  jus  ao  crédito  presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora  e exportadora de mercadorias nacionais.  §  1º  O  direito  ao  crédito  presumido  aplica­se  inclusive:  I  ­  Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero;  II  ­  nas  vendas  a  empresa  comercial  exportadora,  com  o  fim  específico de exportação.  §  2º  O  crédito  presumido  relativo  a  produtos  oriundos  da  atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de  12  de  abril  de  1990,  utilizados  como  matéria­prima,  produto  intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será  calculado,  exclusivamente,  em  relação às  aquisições,  efetuadas  de  pessoas  jurídicas,  sujeitas  às  contribuições  PIS/PASEP  e  COFINS."  6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF  23/97,  restringiu  a  dedução  do  crédito  presumido  do  IPI  (instituído  pela  Lei  9.363/96),  no  que  concerne  às  empresas  produtoras  e  exportadoras  de  produtos  oriundos  de  atividade  rural,  às  aquisições,  no mercado  interno,  efetuadas  de  pessoas  jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à  COFINS.  7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos  normativos  secundários)  pressupõe  a  estrita  observância  dos  limites  impostos  pelos  atos  normativos  primários  a  que  se  subordinam  (leis,  tratados,  convenções  internacionais,  etc.),  sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese  que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar­ se­ão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes  do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso  de  Mello,  Tribunal  Pleno,  julgado  em  11.12.1991,  DJ  03.04.1992;  e  ADI  365  AgR,  Rel.  Ministro  Celso  de  Mello,  Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991).  8.  Conseqüentemente,  sobressai  a  "ilegalidade"  da  instrução  normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96,  ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido  do  IPI,  as  aquisições  (relativamente  aos  produtos  oriundos  de  atividade rural) de matéria­prima e de insumos de fornecedores  não  sujeito  à  tributação  pelo  PIS/PASEP  e  pela  COFINS  (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS,  Rel.  Ministro  Mauro  Campbell  Marques,  Segunda  Turma,  julgado  em  19.08.2010,  DJe  28.09.2010;  AgRg  no  REsp  913433/ES,  Rel.  Ministro  Humberto  Martins,  Segunda  Turma,  Fl. 2811DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10935.001757/2004­65  Acórdão n.º 3102­001.943  S3­C1T2  Fl. 14          9 julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel.  Ministro  Benedito  Gonçalves,  Primeira  Turma,  julgado  em  16.04.2009,  DJe  06.05.2009;  REsp  1008021/CE,  Rel.  Ministra  Eliana  Calmon,  Segunda  Turma,  julgado  em  01.04.2008,  DJe  11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira  Turma,  julgado  em  12.12.2006,  DJ  15.02.2007;  REsp  617733/CE,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  Primeira  Turma,  julgado  em  03.08.2006,  DJ  24.08.2006;  e  REsp  586392/RN,  Rel.  Ministra  Eliana  Calmon,  Segunda  Turma,  julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004).  9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto  rural  e,  por  isso,  estão  embutidos  no  valor  do  produto  final  adquirido  pelo  produtor­exportador,  mesmo  não  havendo  incidência na  sua última aquisição";  (ii)  "o Decreto 2.367/98  ­  Regulamento do IPI ­, posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição  às aquisições de produtos rurais"; e  (iii) "a base de cálculo do  ressarcimento  é  o  valor  total  das  aquisições  dos  insumos  utilizados  no  processo  produtivo  (art.  2º),  sem  condicionantes"  (REsp 586392/RN).  10.  A  Súmula Vinculante  10/STF  cristalizou  o  entendimento  de  que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a  decisão  de  órgão  fracionário  de  tribunal  que,  embora  não  declare  expressamente  a  inconstitucionalidade  de  lei  ou  ato  normativo  do  poder  público,  afasta  sua  incidência,  no  todo  ou  em parte."  11.  Entrementes,  é  certo  que  a  exigência  de  observância  à  cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos  secundários  do  Poder  Público,  uma  vez  não  estabelecido  confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável  a Súmula Vinculante 10/STF à espécie.  12.  A  oposição  constante  de  ato  estatal,  administrativo  ou  normativo,  impedindo  a  utilização  do  direito  de  crédito  de  IPI  (decorrente  da  aplicação  do  princípio  constitucional  da  não­ cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural  (assim  considerado  aquele  oportunamente  lançado  pelo  contribuinte  em  sua  escrita  contábil),  exsurgindo  legítima  a  incidência  de  correção monetária,  sob  pena  de  enriquecimento  sem  causa  do  Fisco  (Aplicação  analógica  do  precedente  da  Primeira  Seção  submetido  ao  rito  do  artigo  543­C,  do  CPC:  REsp  1035847/RS,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  24.06.2009, DJe 03.08.2009).  13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o  Manual  de  Cálculos  da  Justiça  Federal  e  a  jurisprudência  do  STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de  1996)  na  correção  monetária  dos  créditos  extemporaneamente  aproveitados  por  óbice  do  Fisco  (REsp  1150188/SP,  Rel.  Ministra  Eliana  Calmon,  Segunda  Turma,  julgado  em  20.04.2010, DJe 03.05.2010).  14. Outrossim,  a  apontada ofensa  ao  artigo  535,  do CPC,  não  restou  configurada,  uma  vez  que  o  acórdão  recorrido  Fl. 2812DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO   10 pronunciou­se de forma clara e suficiente sobre a questão posta  nos  autos.  Saliente­se,  ademais,  que  o  magistrado  não  está  obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte,  desde  que  os  fundamentos  utilizados  tenham  sido  suficientes  para embasar a decisão, como de  fato ocorreu na hipótese dos  autos.  15.  Recurso  especial  da  empresa  provido  para  reconhecer  a  incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic.  16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido.  17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543­C, do CPC, e da  Resolução STJ 08/2008. (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ  FUX,  PRIMEIRA  SEÇÃO,  julgado  em  13/12/2010,  DJe  17/12/2010)  Entretanto, conforme já mencionado, além da questão jurídica, a fiscalização  apontou  diversas  irregularidades  nos  elementos  probatórios  apresentados  pela  recorrente  que  impossibilitam  o  reconhecimento  do  alegado  direito  creditório.  Ademais,  a  recorrente  não  contestou nem apresentou qualquer explicação sobre tais irregularidades, o que torna a matéria  fático­probatória incontroversa.  Dessa forma, na ausência de comprovação da regularidade da aquisição dos  insumos de pessoas físicas, bem como de parte dos registros contábeis e fiscais das respectivas  operações, fica impossibilitado o reconhecimento do respectivo direito creditório.  Por  todo  o  exposto,  voto  por  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso,  para  manter na íntegra o acórdão recorrido.  (assinado digitalmente)  José Fernandes do Nascimento                              Fl. 2813DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO

score : 1.0
5038910 #
Numero do processo: 11060.003122/2009-14
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 29 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2801-000.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro José Valdemir da Silva. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório Por bem descrever os fatos, adota-se o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 107/112) deste processo digital, reproduzido a seguir: Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração (fls. 43 a 52) referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física do ano-calendário 2004, no qual foi apurado o crédito tributário de R$ 87.058,08, nele compreendido imposto, multa de ofício e juros de mora, em decorrência da apuração de glosa de despesas da atividade rural, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. Tempestivamente, o interessado apresenta a impugnação da exigência às fls. 59 a 67. Suas alegações estão, em síntese, a seguir descritas. Nulidade do Lançamento A insuficiente (deficiente) descrição dos fatos e o consequente cerceamento do direito de defesa. Os autuantes promoveram a descrição do fato imponível de forma insuficiente, superficial, tornando o lançamento nulo por dois motivos principais. Um, porque descumpriram o disposto no artigo 10, inciso III, do Decreto n° 70.235/72. Guiado pelo princípio da tipicidade, o citado dispositivo preconiza que a descrição do fato tributável deve apresentar uma evidente subsunção (vinculação) à previsão legal. Guiado pelo princípio da certeza e da segurança jurídica, o referido dispositivo impõe que o lançamento não pode assentar-se na incerteza, num estado de dúvida. Este caso não autoriza o uso de presunção. Dois, porque a motivação genérica, aliada à sumaria indicação do montante glosado, ou seja, a não individualização dos valores glosados, implica no cerceamento do exercício do direito de defesa. Tais vícios conjugados determinam a nulidade do lançamento. A glosa de valores estranhos à obra Dentro do montante lançado/glosado (R$ 673.488,14), existem desembolsos com materiais/serviços que não foram aplicados na edificação do pavilhão e anexos, mas em outras situações. Observação: este item deve ser analisado em conjunto com o posterior. A inobservância do período de tempo consumido e da distribuição dos gastos havidos na construção Diferentemente do que entendeu a fiscalização, a maior parte dos gastos havidos com a construção não ocorreu em 2004, quando teria havido o alegado desembolso de R$ 673.488,14. De fato, a implantação da obra (e anexos), e a correspondente distribuição dos gastos, ocorreu no período de tempo compreendido de abril/2003 a abril/2005. Isto, aliás, está detalhado nas planilhas de fls. 14/16, elaboradas em resposta ao Termo de Intimação de 16.07.2009. Visualizando-as, verifica-se que o total investido perfez o montante de R$ 875.091,51, sendo que: - no ano-calendário 2003, foram despendidos R$ 238.534,72; - no ano-calendário 2004, foram despendidos R$ 320.534,72; - no ano-calendário 2005, foram despendidos R$ 300.011,94. Observação: Referidos dados não foram contestados pela fiscalização. Logo, se foram, ainda que tacitamente, acolhidos pela autoridade lançadora, não podem ser desacolhidos pela autoridade julgadora na fase contenciosa, visto que a função de julgar não se confunde com a de lançar. A inatingibilidade, neste feito, dos gastos correspondentes aos anos-calendário de 2003 e 2005 O caput do artigo 144 do Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador. Assim sendo, no presente feito, se cabível fosse a glosa só poderia incidir sobre os dispêndios pertinentes ao ano-calendário 2004. Logo, por dizerem respeito a fatos geradores enquadráveis em outros períodos de apuração (anuais), impõe-se o desfazimento da glosa dos valores correspondentes aos anos-calendário de 2003 e 2005. Argui a decadência do direito do Fisco promover a glosa dos gastos relativos ao ano-calendário 2003. De qualquer forma, mesmo que, por hipótese, os motivos apontados não fossem suficientes para desfazer o lançamento, ainda assim, como adiante é demonstrado, outros existem para determinar seu cancelamento. A verdadeira característica (natureza jurídica) da exploração conjunta das áreas rurais Examinando a cláusula sexta do 'contrato de parcerias agropecuárias' e do 'aditivo' anexados por cópia às fls. 32/37, verifica-se que todos os 'parceiros' colocam todas as glebas de suas propriedades, assim como as benfeitorias, maquinário agrícola e semoventes à disposição da parceria, para serem explorados pela mesma, recebendo cada um, em troca, a participação no resultado financeiro mencionado na cláusula terceira. Examinando a 'cláusula décima', verifica-se que a administração é feita pelo Sr. Pedro Herter, o líder da família, e, no seu impedimento, pelo filho-varão (Fábio). Examinando as Declarações de Bens (dos 'parceiros'), juntadas nos respectivos processos administrativos, verifica-se que a exploração conjunta ocorreu sobre glebas rurais com títulos de propriedade individual ou conjunta da Sra. Odila, do casal Pedro/Margareth, e dos filhos destes, Fábio e Ingrid. Os elementos expostos autorizam concluir que, no presente caso, apesar de ser denominado como sendo de PARCERIA, o contrato revela, de fato, a pactuação de uma exploração conjunta típica de um CONDOMÍNIO FAMILIAR. Significa dizer: não há obrigações específicas assumidas com terceiros proprietários, isto é, entre parceiro-outorgante e parceiros-arrendatários, mas a junção (exploração coletiva) do patrimônio familiar, objetivando racionalizar a administração, diminuir custos, enfim, otimizar o desempenho técnico-financeiro advindo da exploração agropecuária condominial. Sustenta que o incontestável fato de haver uma exploração agropecuária conjunta de proprietários (condomínio familiar), impõe o afastamento das regras aplicáveis à parceria, que, em parte, embasaram o lançamento. A irrelevância da área e da edificação estarem em nome (individual) do Sr. Pedro A existência de título exclusivo da área de 4 ha em nome de Pedro Luiz Herter, bem como das benfeitorias (e anexos) sobre ela edificadas, não constitui motivo legal (causa) hábil para a realização da glosa em lide. Em suma, está equivocada a premissa dos Autuantes de que pelo fato de o título de propriedade da terra-nua (4 ha) estar em nome de Pedro Herter implica na automática/consequente propriedade individual, pela mesma pessoa, das benfeitorias e anexos sobre ela (terra-nua) edificadas. De um lado, porque nenhuma determinação legal existe impedindo que sobre a terra- nua de alguém (no caso, do Sr. Pedro), sejam construídas benfeitorias por outrem (no caso, o 'conjunto familiar'). De outro, porque visualizando tanto este, como os processos administrativos instaurados contra os demais familiares, torna-se evidente a propriedade condominial benfeitorias (e anexos). A inobservância das fases da edificação e da alienação das benfeitorias Conjuntamente com as ponderações feitas no item precedente, o Impugnante aduz que, na formalização da glosa, os autuantes deixaram de levar em consideração, ou, melhor dizendo, de distinguir as fases, isto é, os momentos cronológicos da edificação e da alienação da obra (benfeitorias e anexos). A diferenciação é demonstrada nos subitens que seguem. A fase (período cronológico) da edificação da obra O momento cronológico da edificação envolveu todos os parceiros (melhor dizendo, condôminos). Todos eles, inquestionavelmente, manifestaram conhecimento e concordância na participação conjunta dos custos. Para ter certeza, basta ver: - as respectivas declarações de rendimentos, onde todos, na proporção de cada um, informaram os resultados tributáveis apurados no 'caixa comum', observado que a área de 4 ha em nome de Pedro Herter não gerou rendimentos, havendo apenas custos; - nos anexos da atividade rural, o quadro 'Dívidas vinculadas à atividade rural', onde todos condôminos declararam como sendo proporcionalmente suas, as dívidas de financiamento assumidas para fins de edificação. Diante do exposto, forçoso se torna concluir que a apropriação conjunta dos custos da edificação é regular em face da concordância com a assunção dos mesmos, expressa por todos os parceiros. | Obvio é que tais atos de vontade, enquanto lícitos, usuais e legalmente permitidos, como são, não podem ser desfeitos pelo agente fiscalizador. A fase (momento cronológico) da alienação da obra O momento cronológico da alienação da obra ocorreu quando da sua destinação, como aporte (integralização) de capital, havido em função do ingresso do Sr. Pedro Herter como sócio na empresa "Herter Cereais Ltda". A primeira vista, poder-se-ia afirmar que um bem de propriedade coletiva (armazém e anexos) teria sido alienado em benefício de apenas um dos 'parceiros' (condôminos). Este, aliás, foi o entendimento adotado pelos autuantes, apoiado na premissa de que, necessariamente, o fruto da alienação deveria favorecer a todos. Entretanto, cumpre ver se o referido fenômeno teria sido feito à revelia e em prejuízo tanto dos demais 'parceiros', quanto do Fisco. A inexistência de prejuízo aos demais parceiros Examinando o "Contrato de Parceria", verifica-se que na sua cláusula quarta consta que "Nenhum dos parceiros poderá transferir, ceder, emprestar os direitos existentes na presente parceira, sem a anuência por escrito de todos os parceiros". No caso, dita anuência escrita se consumou, tanto em relação ao casal Pedro/Margareth, quanto em relação aos filhos Fábio/Ingrid, com a aposição das assinaturas na alteração contratual firmada com tal finalidade. Eventual contestação pela Sra. Maria Odila (sogra de Pedro, mãe de Margareth), deveria ser invocada pelos meios e no tempo próprio, o que não aconteceu(rá), notadamente porque tudo permaneceu no âmbito do patrimônio familiar. O certo é que tal decisão aconteceu mediante deliberação familiar, objetivando atender conveniências negociais. De fato, a incorporação da obra ao capital da empresa 'Herter Cereais Ltda', foi feita por necessidade cadastral em nome de Pedro Herter, objetivando ampliar os limites de crédito bancário, o que, de fato, aconteceu. A inexistência de prejuízo ao Fisco Examinando a alienação sob o prisma fiscal, verifica-se que mesmo imputando o valor da alienação da obra (benfeitoria e anexos) à pessoa individual do Sr. Pedro Herter, não haveria prejuízos ao Fisco. Essencialmente porque os quantitativos pertencentes aos demais 'parceiros' (condôminos), ao serem utilizados pelo Sr. Pedro na integralização do capital sem oposição dos demais parceiros consumou um fenômeno caracterizável como recebimento em doação, que representa um ganho isento (do Sr. Pedro). Para os doadores (demais condôminos) sua tributabilidade ou não deveria ser objeto de procedimentos e de questionamentos paralelos à matéria em causa. Outro erro de raciocínio da fiscalização Visualizando o "Relatório de Fiscalização", verifica-se que os autuantes cometeram outro erro de raciocínio ao glosar a totalidade das despesas, sob a alegação de que não pertencem à 'parceria'. Ora, se a ela (parceria) não pertencem, devem, então, serem atribuídas ao Sr. Pedro Herter (por extensão, à cônjuge-meeira Margareth) que, segundo a (errônea) ótica fiscal, seria(m) o(s) único(s) empreendedor(es). Significa dizer: se o Fisco entende que as despesas não são apropriáveis pelo grupo familiar, devem, então, serem atribuídas a alguém. Só não podem ser de ninguém. Em sendo atribuídas ao Sr. Pedro e sua cônjuge, o motivo da glosa (contra os dois) deixaria de existir. Dentro da mesma linha de raciocínio, o resultado tributável (de ambos) deveria ser reconstituído, alterando as bases de cálculo de positivas para negativas. A improcedência da glosa das "demais despesas". A contestação da glosa das "Demais despesas", no importe de R$ 34.316,70, apoia-se no argumento de que, por representarem dispêndios necessários e efetivos, são dedutíveis. Independentemente disto, alerta que o crédito tributário correspondente aos valores glosados, proporcional a cada um dos parceiros, depende da decisão final a ser dada à contestação à parcela maior do lançamento. Os pedidos Preliminarmente, que seja declarada a nulidade do lançamento. No mérito, o cancelamento do auto de infração, determinando, após, o arquivamento do processo fiscal. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada procedente em parte pelo acórdão de fls. 106/118, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA – IRPF Ano-calendário: 2004 NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. ATIVIDADE RURAL. DESPESAS DE CUSTEIO. INVESTIMENTOS. DEDUÇÃO. Consideram-se despesas de custeio e investimentos aqueles necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionadas com a natureza da atividade exercida e comprovados com documentação hábil e idônea. Cientificado da decisão em 23/05/2011 (fl. 123), o Interessado apresentou recurso em 22/06/2011 (fls. 124/133), acompanhado dos documentos de fls. 134/145, por intermédio do qual pede o reexame de todos os argumentos expendidos na peça impugnatória, listados abaixo: ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO - A insuficiente (deficiente) descrição dos fatos e o consequente cerceamento do direito de defesa. - A glosa de valores estranhos à obra. - A inobservância do período de tempo consumido e da distribuição dos gastos havidos na construção. Neste ponto, o Recorrente observa que: - A arguição de nulidade do lançamento não está vinculada ao descumprimento das hipóteses do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. - A glosa da totalidade dos gastos escriturados na conta "Construções e Reformas", subconta "Materiais, manutenção e conservação de imóveis", baseada apenas na inferência de que todos "os valores que constam das demais subcontas também estão relacionadas com a construção'", não atende um dos requisitos nucleares do lançamento, consistente na clara individualização dos fatos, bem como na certeza de que são passíveis de tributação. - Diversamente do aduzido no acórdão, o cerceamento de defesa não resulta apenas de despachos e decisões. Também ocorre na lavratura de autos de infração com as deficiências apontadas no parágrafo precedente. A IMPROCEDÊNCIA, NO MÉRITO, DA GLOSA DAS DESPESAS PROMOVIDA PELA TURMA JULGADORA. - A verdadeira característica (natureza jurídica) da exploração conjunta das áreas rurais. - A irrelevância da área e da edificação estarem em nome (individual) do Sr. Pedro. - A inobservância das fases da edificação e da alienação das benfeitorias. - A inexistência de prejuízo aos demais parceiros. - A inexistência de prejuízo ao Fisco. - Erro de raciocínio da fiscalização. Em complemento ao pedido de reexame dos pontos acima elencados, aduz o Recorrente, em síntese, que: ARGUIÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA O desconhecimento dos fatos de outro processo - A Turma Julgadora afastou o total da glosa promovida pela Fiscalização e, alternativamente, manteve o valor incidente sobre a quantia de R$ 55.573,57, correspondente a R$ 277.867,83, valor este que foi objeto de outro lançamento lavrado em face de outro contribuinte. - A mera referência a dados existentes em outro processo, protegidos pelo sigilo fiscal, impede o exercício do direito constitucional à ampla defesa. Entretanto, tomou conhecimento de que o correspondente lançamento foi totalmente cancelado. - Considerando que a decisão recorrida está embasada em “prova emprestada inexistente”, impõe-se concluir pela sua total insubsistência jurídica. A incompetência de ato praticado pela autoridade julgadora - O ato da Turma Julgadora é juridicamente nulo. Diz o artigo 59, inciso I, do Decreto n° 70.235/72 que são NULOS "os atos e termos lavrados por pessoa incompetente". - No presente caso, a autoridade julgadora operou como autoridade lançadora, desviando da sua esfera de atuação (competência funcional) e invadindo poderes exclusivos da Fiscalização ao "inovar o lançamento". A supressão de instância e o cerceamento do direito de defesa - Se a Turma Julgadora tivesse determinado o retorno ao Órgão Fiscalizador para examinar o documentário existente noutro processo, solicitar os esclarecimentos necessários, alterar o lançamento, lavrar auto de infração complementar (se cabível), abrir o prazo legal para o contribuinte manifestar-se, o processo administrativo-fiscal teria tido sua tramitação de forma regular, inclusive no que se refere à observância do direito de defesa. - Não tendo assim acontecido, criou-se a anômala situação de o Recorrente, no exercício do direito em pauta, postular perante a segunda instância julgadora, sem que tenham sido examinados pela autoridade fiscal. O TRATAMENTO TRIBUTÁRIO ATRIBUÍVEL AOS BENS ALIENADOS (INTEGRALIZADOS) - No ganho de capital apurado e tributado de ofício na integralização de capital promovida pelo Sr. Pedro Herter (PAF 11060.001682/2010-60), o "custo das benfeitorias" não perfaz o montante de R$ 277.867,83. - Isto porque a fiscalização agiu ilegalmente ao apurar e tributar o ganho de capital em questão mediante a soma conjunta dos valores correspondentes às alienações da terra-nua e das benfeitoras/equipamentos. - Visualizando as cópias da 'Escritura Pública de Integralização e Incorporação de Bem ao Capital Social de Empresa', verifica-se que a integralização de capital ocorreu através de um bem imóvel, de um silo graneleiro e das (demais) benfeitorias (que os acompanharam). - O bem imóvel corresponde a uma fração de terras de campo de 4,00 hectares. O silo graneleiro consiste num pavilhão (armazém) de alvenaria/zinco. Os equipamentos nele instalados consistem no maquinário de movimentação de grãos, classificação, limpeza e secagem de cereais, sistema de carga e descarga, de pesagem, ferramentas, móveis e utensílios. As benfeitorias consistem nas cercas colocadas, no sistema de captação e distribuição de água, de esgoto, nas vias de acesso. - Segundo o artigo 4º , § 3º, da Lei n° 8.023/1990, a 'terra-nua' está submetida a um regime especial de tributação, denominado pela legislação fiscal como 'Tributação Definitiva', ou seja, sob um critério diferenciado dos demais rendimentos das pessoas físicas. Apenas o ganho obtido na alienação da mesma (terra-nua), submete-se à tributação na modalidade 'ganho de capital'. - Por sua vez, os ingressos correspondentes à alienação de tudo quanto é catalogável no amplo conceito de 'benfeitorias' — inclusas as edificações – submetem-se ao mesmo regime dos demais rendimentos oriundos da exploração da atividade rural das pessoas físicas, ou seja, sujeitos à tabela progressiva e à consolidação da base tributável, realizada através da Declaração de Ajuste Anual. - Deduzindo-se que a Fiscalização apurou e tributou o ganho de capital em questão mediante a soma conjunta dos valores correspondentes às alienações da terra-nua e das benfeitoras/equipamentos, impõe-se concluir que promoveu um lançamento legalmente equivocado, improcedente. A improcedência da glosa das "outras despesas". - Baseado no princípio da eventualidade, o Recorrente sustenta improcedente a glosa das demais despesas. Isto porque a determinação do 'quantum' eventualmente arrecadável depende da decisão a ser proferida no tocante aos tópicos anteriormente questionados. Pedidos Ao fim, requer o Recorrente: - preliminarmente, declare a nulidade do lançamento e/ou da decisão de 1ª instância; - no mérito, o cancelamento, por improcedente, da parcela do crédito tributário mantida na decisão de 1º instância; e, - por fim, o arquivamento do processo fiscal. Voto
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201306

turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Aug 29 00:00:00 UTC 2013

numero_processo_s : 11060.003122/2009-14

anomes_publicacao_s : 201308

conteudo_id_s : 5287057

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 29 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 2801-000.225

nome_arquivo_s : Decisao_11060003122200914.PDF

ano_publicacao_s : 2013

nome_relator_s : MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA

nome_arquivo_pdf_s : 11060003122200914_5287057.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

dt_sessao_tdt : Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013

id : 5038910

ano_sessao_s : 2013

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro José Valdemir da Silva. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório Por bem descrever os fatos, adota-se o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 107/112) deste processo digital, reproduzido a seguir: Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração (fls. 43 a 52) referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física do ano-calendário 2004, no qual foi apurado o crédito tributário de R$ 87.058,08, nele compreendido imposto, multa de ofício e juros de mora, em decorrência da apuração de glosa de despesas da atividade rural, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. Tempestivamente, o interessado apresenta a impugnação da exigência às fls. 59 a 67. Suas alegações estão, em síntese, a seguir descritas. Nulidade do Lançamento A insuficiente (deficiente) descrição dos fatos e o consequente cerceamento do direito de defesa. Os autuantes promoveram a descrição do fato imponível de forma insuficiente, superficial, tornando o lançamento nulo por dois motivos principais. Um, porque descumpriram o disposto no artigo 10, inciso III, do Decreto n° 70.235/72. Guiado pelo princípio da tipicidade, o citado dispositivo preconiza que a descrição do fato tributável deve apresentar uma evidente subsunção (vinculação) à previsão legal. Guiado pelo princípio da certeza e da segurança jurídica, o referido dispositivo impõe que o lançamento não pode assentar-se na incerteza, num estado de dúvida. Este caso não autoriza o uso de presunção. Dois, porque a motivação genérica, aliada à sumaria indicação do montante glosado, ou seja, a não individualização dos valores glosados, implica no cerceamento do exercício do direito de defesa. Tais vícios conjugados determinam a nulidade do lançamento. A glosa de valores estranhos à obra Dentro do montante lançado/glosado (R$ 673.488,14), existem desembolsos com materiais/serviços que não foram aplicados na edificação do pavilhão e anexos, mas em outras situações. Observação: este item deve ser analisado em conjunto com o posterior. A inobservância do período de tempo consumido e da distribuição dos gastos havidos na construção Diferentemente do que entendeu a fiscalização, a maior parte dos gastos havidos com a construção não ocorreu em 2004, quando teria havido o alegado desembolso de R$ 673.488,14. De fato, a implantação da obra (e anexos), e a correspondente distribuição dos gastos, ocorreu no período de tempo compreendido de abril/2003 a abril/2005. Isto, aliás, está detalhado nas planilhas de fls. 14/16, elaboradas em resposta ao Termo de Intimação de 16.07.2009. Visualizando-as, verifica-se que o total investido perfez o montante de R$ 875.091,51, sendo que: - no ano-calendário 2003, foram despendidos R$ 238.534,72; - no ano-calendário 2004, foram despendidos R$ 320.534,72; - no ano-calendário 2005, foram despendidos R$ 300.011,94. Observação: Referidos dados não foram contestados pela fiscalização. Logo, se foram, ainda que tacitamente, acolhidos pela autoridade lançadora, não podem ser desacolhidos pela autoridade julgadora na fase contenciosa, visto que a função de julgar não se confunde com a de lançar. A inatingibilidade, neste feito, dos gastos correspondentes aos anos-calendário de 2003 e 2005 O caput do artigo 144 do Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador. Assim sendo, no presente feito, se cabível fosse a glosa só poderia incidir sobre os dispêndios pertinentes ao ano-calendário 2004. Logo, por dizerem respeito a fatos geradores enquadráveis em outros períodos de apuração (anuais), impõe-se o desfazimento da glosa dos valores correspondentes aos anos-calendário de 2003 e 2005. Argui a decadência do direito do Fisco promover a glosa dos gastos relativos ao ano-calendário 2003. De qualquer forma, mesmo que, por hipótese, os motivos apontados não fossem suficientes para desfazer o lançamento, ainda assim, como adiante é demonstrado, outros existem para determinar seu cancelamento. A verdadeira característica (natureza jurídica) da exploração conjunta das áreas rurais Examinando a cláusula sexta do 'contrato de parcerias agropecuárias' e do 'aditivo' anexados por cópia às fls. 32/37, verifica-se que todos os 'parceiros' colocam todas as glebas de suas propriedades, assim como as benfeitorias, maquinário agrícola e semoventes à disposição da parceria, para serem explorados pela mesma, recebendo cada um, em troca, a participação no resultado financeiro mencionado na cláusula terceira. Examinando a 'cláusula décima', verifica-se que a administração é feita pelo Sr. Pedro Herter, o líder da família, e, no seu impedimento, pelo filho-varão (Fábio). Examinando as Declarações de Bens (dos 'parceiros'), juntadas nos respectivos processos administrativos, verifica-se que a exploração conjunta ocorreu sobre glebas rurais com títulos de propriedade individual ou conjunta da Sra. Odila, do casal Pedro/Margareth, e dos filhos destes, Fábio e Ingrid. Os elementos expostos autorizam concluir que, no presente caso, apesar de ser denominado como sendo de PARCERIA, o contrato revela, de fato, a pactuação de uma exploração conjunta típica de um CONDOMÍNIO FAMILIAR. Significa dizer: não há obrigações específicas assumidas com terceiros proprietários, isto é, entre parceiro-outorgante e parceiros-arrendatários, mas a junção (exploração coletiva) do patrimônio familiar, objetivando racionalizar a administração, diminuir custos, enfim, otimizar o desempenho técnico-financeiro advindo da exploração agropecuária condominial. Sustenta que o incontestável fato de haver uma exploração agropecuária conjunta de proprietários (condomínio familiar), impõe o afastamento das regras aplicáveis à parceria, que, em parte, embasaram o lançamento. A irrelevância da área e da edificação estarem em nome (individual) do Sr. Pedro A existência de título exclusivo da área de 4 ha em nome de Pedro Luiz Herter, bem como das benfeitorias (e anexos) sobre ela edificadas, não constitui motivo legal (causa) hábil para a realização da glosa em lide. Em suma, está equivocada a premissa dos Autuantes de que pelo fato de o título de propriedade da terra-nua (4 ha) estar em nome de Pedro Herter implica na automática/consequente propriedade individual, pela mesma pessoa, das benfeitorias e anexos sobre ela (terra-nua) edificadas. De um lado, porque nenhuma determinação legal existe impedindo que sobre a terra- nua de alguém (no caso, do Sr. Pedro), sejam construídas benfeitorias por outrem (no caso, o 'conjunto familiar'). De outro, porque visualizando tanto este, como os processos administrativos instaurados contra os demais familiares, torna-se evidente a propriedade condominial benfeitorias (e anexos). A inobservância das fases da edificação e da alienação das benfeitorias Conjuntamente com as ponderações feitas no item precedente, o Impugnante aduz que, na formalização da glosa, os autuantes deixaram de levar em consideração, ou, melhor dizendo, de distinguir as fases, isto é, os momentos cronológicos da edificação e da alienação da obra (benfeitorias e anexos). A diferenciação é demonstrada nos subitens que seguem. A fase (período cronológico) da edificação da obra O momento cronológico da edificação envolveu todos os parceiros (melhor dizendo, condôminos). Todos eles, inquestionavelmente, manifestaram conhecimento e concordância na participação conjunta dos custos. Para ter certeza, basta ver: - as respectivas declarações de rendimentos, onde todos, na proporção de cada um, informaram os resultados tributáveis apurados no 'caixa comum', observado que a área de 4 ha em nome de Pedro Herter não gerou rendimentos, havendo apenas custos; - nos anexos da atividade rural, o quadro 'Dívidas vinculadas à atividade rural', onde todos condôminos declararam como sendo proporcionalmente suas, as dívidas de financiamento assumidas para fins de edificação. Diante do exposto, forçoso se torna concluir que a apropriação conjunta dos custos da edificação é regular em face da concordância com a assunção dos mesmos, expressa por todos os parceiros. | Obvio é que tais atos de vontade, enquanto lícitos, usuais e legalmente permitidos, como são, não podem ser desfeitos pelo agente fiscalizador. A fase (momento cronológico) da alienação da obra O momento cronológico da alienação da obra ocorreu quando da sua destinação, como aporte (integralização) de capital, havido em função do ingresso do Sr. Pedro Herter como sócio na empresa "Herter Cereais Ltda". A primeira vista, poder-se-ia afirmar que um bem de propriedade coletiva (armazém e anexos) teria sido alienado em benefício de apenas um dos 'parceiros' (condôminos). Este, aliás, foi o entendimento adotado pelos autuantes, apoiado na premissa de que, necessariamente, o fruto da alienação deveria favorecer a todos. Entretanto, cumpre ver se o referido fenômeno teria sido feito à revelia e em prejuízo tanto dos demais 'parceiros', quanto do Fisco. A inexistência de prejuízo aos demais parceiros Examinando o "Contrato de Parceria", verifica-se que na sua cláusula quarta consta que "Nenhum dos parceiros poderá transferir, ceder, emprestar os direitos existentes na presente parceira, sem a anuência por escrito de todos os parceiros". No caso, dita anuência escrita se consumou, tanto em relação ao casal Pedro/Margareth, quanto em relação aos filhos Fábio/Ingrid, com a aposição das assinaturas na alteração contratual firmada com tal finalidade. Eventual contestação pela Sra. Maria Odila (sogra de Pedro, mãe de Margareth), deveria ser invocada pelos meios e no tempo próprio, o que não aconteceu(rá), notadamente porque tudo permaneceu no âmbito do patrimônio familiar. O certo é que tal decisão aconteceu mediante deliberação familiar, objetivando atender conveniências negociais. De fato, a incorporação da obra ao capital da empresa 'Herter Cereais Ltda', foi feita por necessidade cadastral em nome de Pedro Herter, objetivando ampliar os limites de crédito bancário, o que, de fato, aconteceu. A inexistência de prejuízo ao Fisco Examinando a alienação sob o prisma fiscal, verifica-se que mesmo imputando o valor da alienação da obra (benfeitoria e anexos) à pessoa individual do Sr. Pedro Herter, não haveria prejuízos ao Fisco. Essencialmente porque os quantitativos pertencentes aos demais 'parceiros' (condôminos), ao serem utilizados pelo Sr. Pedro na integralização do capital sem oposição dos demais parceiros consumou um fenômeno caracterizável como recebimento em doação, que representa um ganho isento (do Sr. Pedro). Para os doadores (demais condôminos) sua tributabilidade ou não deveria ser objeto de procedimentos e de questionamentos paralelos à matéria em causa. Outro erro de raciocínio da fiscalização Visualizando o "Relatório de Fiscalização", verifica-se que os autuantes cometeram outro erro de raciocínio ao glosar a totalidade das despesas, sob a alegação de que não pertencem à 'parceria'. Ora, se a ela (parceria) não pertencem, devem, então, serem atribuídas ao Sr. Pedro Herter (por extensão, à cônjuge-meeira Margareth) que, segundo a (errônea) ótica fiscal, seria(m) o(s) único(s) empreendedor(es). Significa dizer: se o Fisco entende que as despesas não são apropriáveis pelo grupo familiar, devem, então, serem atribuídas a alguém. Só não podem ser de ninguém. Em sendo atribuídas ao Sr. Pedro e sua cônjuge, o motivo da glosa (contra os dois) deixaria de existir. Dentro da mesma linha de raciocínio, o resultado tributável (de ambos) deveria ser reconstituído, alterando as bases de cálculo de positivas para negativas. A improcedência da glosa das "demais despesas". A contestação da glosa das "Demais despesas", no importe de R$ 34.316,70, apoia-se no argumento de que, por representarem dispêndios necessários e efetivos, são dedutíveis. Independentemente disto, alerta que o crédito tributário correspondente aos valores glosados, proporcional a cada um dos parceiros, depende da decisão final a ser dada à contestação à parcela maior do lançamento. Os pedidos Preliminarmente, que seja declarada a nulidade do lançamento. No mérito, o cancelamento do auto de infração, determinando, após, o arquivamento do processo fiscal. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada procedente em parte pelo acórdão de fls. 106/118, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA – IRPF Ano-calendário: 2004 NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. ATIVIDADE RURAL. DESPESAS DE CUSTEIO. INVESTIMENTOS. DEDUÇÃO. Consideram-se despesas de custeio e investimentos aqueles necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionadas com a natureza da atividade exercida e comprovados com documentação hábil e idônea. Cientificado da decisão em 23/05/2011 (fl. 123), o Interessado apresentou recurso em 22/06/2011 (fls. 124/133), acompanhado dos documentos de fls. 134/145, por intermédio do qual pede o reexame de todos os argumentos expendidos na peça impugnatória, listados abaixo: ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO - A insuficiente (deficiente) descrição dos fatos e o consequente cerceamento do direito de defesa. - A glosa de valores estranhos à obra. - A inobservância do período de tempo consumido e da distribuição dos gastos havidos na construção. Neste ponto, o Recorrente observa que: - A arguição de nulidade do lançamento não está vinculada ao descumprimento das hipóteses do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. - A glosa da totalidade dos gastos escriturados na conta "Construções e Reformas", subconta "Materiais, manutenção e conservação de imóveis", baseada apenas na inferência de que todos "os valores que constam das demais subcontas também estão relacionadas com a construção'", não atende um dos requisitos nucleares do lançamento, consistente na clara individualização dos fatos, bem como na certeza de que são passíveis de tributação. - Diversamente do aduzido no acórdão, o cerceamento de defesa não resulta apenas de despachos e decisões. Também ocorre na lavratura de autos de infração com as deficiências apontadas no parágrafo precedente. A IMPROCEDÊNCIA, NO MÉRITO, DA GLOSA DAS DESPESAS PROMOVIDA PELA TURMA JULGADORA. - A verdadeira característica (natureza jurídica) da exploração conjunta das áreas rurais. - A irrelevância da área e da edificação estarem em nome (individual) do Sr. Pedro. - A inobservância das fases da edificação e da alienação das benfeitorias. - A inexistência de prejuízo aos demais parceiros. - A inexistência de prejuízo ao Fisco. - Erro de raciocínio da fiscalização. Em complemento ao pedido de reexame dos pontos acima elencados, aduz o Recorrente, em síntese, que: ARGUIÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA O desconhecimento dos fatos de outro processo - A Turma Julgadora afastou o total da glosa promovida pela Fiscalização e, alternativamente, manteve o valor incidente sobre a quantia de R$ 55.573,57, correspondente a R$ 277.867,83, valor este que foi objeto de outro lançamento lavrado em face de outro contribuinte. - A mera referência a dados existentes em outro processo, protegidos pelo sigilo fiscal, impede o exercício do direito constitucional à ampla defesa. Entretanto, tomou conhecimento de que o correspondente lançamento foi totalmente cancelado. - Considerando que a decisão recorrida está embasada em “prova emprestada inexistente”, impõe-se concluir pela sua total insubsistência jurídica. A incompetência de ato praticado pela autoridade julgadora - O ato da Turma Julgadora é juridicamente nulo. Diz o artigo 59, inciso I, do Decreto n° 70.235/72 que são NULOS "os atos e termos lavrados por pessoa incompetente". - No presente caso, a autoridade julgadora operou como autoridade lançadora, desviando da sua esfera de atuação (competência funcional) e invadindo poderes exclusivos da Fiscalização ao "inovar o lançamento". A supressão de instância e o cerceamento do direito de defesa - Se a Turma Julgadora tivesse determinado o retorno ao Órgão Fiscalizador para examinar o documentário existente noutro processo, solicitar os esclarecimentos necessários, alterar o lançamento, lavrar auto de infração complementar (se cabível), abrir o prazo legal para o contribuinte manifestar-se, o processo administrativo-fiscal teria tido sua tramitação de forma regular, inclusive no que se refere à observância do direito de defesa. - Não tendo assim acontecido, criou-se a anômala situação de o Recorrente, no exercício do direito em pauta, postular perante a segunda instância julgadora, sem que tenham sido examinados pela autoridade fiscal. O TRATAMENTO TRIBUTÁRIO ATRIBUÍVEL AOS BENS ALIENADOS (INTEGRALIZADOS) - No ganho de capital apurado e tributado de ofício na integralização de capital promovida pelo Sr. Pedro Herter (PAF 11060.001682/2010-60), o "custo das benfeitorias" não perfaz o montante de R$ 277.867,83. - Isto porque a fiscalização agiu ilegalmente ao apurar e tributar o ganho de capital em questão mediante a soma conjunta dos valores correspondentes às alienações da terra-nua e das benfeitoras/equipamentos. - Visualizando as cópias da 'Escritura Pública de Integralização e Incorporação de Bem ao Capital Social de Empresa', verifica-se que a integralização de capital ocorreu através de um bem imóvel, de um silo graneleiro e das (demais) benfeitorias (que os acompanharam). - O bem imóvel corresponde a uma fração de terras de campo de 4,00 hectares. O silo graneleiro consiste num pavilhão (armazém) de alvenaria/zinco. Os equipamentos nele instalados consistem no maquinário de movimentação de grãos, classificação, limpeza e secagem de cereais, sistema de carga e descarga, de pesagem, ferramentas, móveis e utensílios. As benfeitorias consistem nas cercas colocadas, no sistema de captação e distribuição de água, de esgoto, nas vias de acesso. - Segundo o artigo 4º , § 3º, da Lei n° 8.023/1990, a 'terra-nua' está submetida a um regime especial de tributação, denominado pela legislação fiscal como 'Tributação Definitiva', ou seja, sob um critério diferenciado dos demais rendimentos das pessoas físicas. Apenas o ganho obtido na alienação da mesma (terra-nua), submete-se à tributação na modalidade 'ganho de capital'. - Por sua vez, os ingressos correspondentes à alienação de tudo quanto é catalogável no amplo conceito de 'benfeitorias' — inclusas as edificações – submetem-se ao mesmo regime dos demais rendimentos oriundos da exploração da atividade rural das pessoas físicas, ou seja, sujeitos à tabela progressiva e à consolidação da base tributável, realizada através da Declaração de Ajuste Anual. - Deduzindo-se que a Fiscalização apurou e tributou o ganho de capital em questão mediante a soma conjunta dos valores correspondentes às alienações da terra-nua e das benfeitoras/equipamentos, impõe-se concluir que promoveu um lançamento legalmente equivocado, improcedente. A improcedência da glosa das "outras despesas". - Baseado no princípio da eventualidade, o Recorrente sustenta improcedente a glosa das demais despesas. Isto porque a determinação do 'quantum' eventualmente arrecadável depende da decisão a ser proferida no tocante aos tópicos anteriormente questionados. Pedidos Ao fim, requer o Recorrente: - preliminarmente, declare a nulidade do lançamento e/ou da decisão de 1ª instância; - no mérito, o cancelamento, por improcedente, da parcela do crédito tributário mantida na decisão de 1º instância; e, - por fim, o arquivamento do processo fiscal. Voto

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:04 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046173660479488

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1888; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE01  Fl. 152          1 151  S2­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11060.003122/2009­14  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  2801­000.225  –  1ª Turma Especial  Data  18 de junho de 2013  Assunto  IRPF  Recorrente  FÁBIO PINTO HERTER  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento  em  diligência,  nos  termos  do  voto  do  Relator.  Ausente,  momentaneamente,  o  Conselheiro José Valdemir da Silva.  Assinado digitalmente   Tânia Mara Paschoalin ­ Presidente em exercício.   Assinado digitalmente   Marcelo Vasconcelos de Almeida ­ Relator.   Participaram do  presente  julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin,  Marcelo  Vasconcelos  de  Almeida,  José  Valdemir  da  Silva,  Carlos  César  Quadros  Pierre,  Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.  Relatório  Por bem descrever os fatos, adota­se o relatório do acórdão de primeira instância  (fls. 107/112) deste processo digital, reproduzido a seguir:  Contra  o  contribuinte  foi  lavrado  auto  de  infração  (fls.  43  a  52)  referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física do ano­calendário  2004,  no  qual  foi  apurado o  crédito  tributário  de R$ 87.058,08,  nele  compreendido  imposto,  multa  de  ofício  e  juros  de  mora,  em  decorrência da apuração de glosa de despesas da atividade rural, na  forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 60 .0 03 12 2/ 20 09 -1 4 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.003122/2009­14  Resolução nº  2801­000.225  S2­TE01  Fl. 153          2 Tempestivamente, o interessado apresenta a impugnação da exigência  às fls. 59 a 67. Suas alegações estão, em síntese, a seguir descritas.  Nulidade do Lançamento   A  insuficiente  (deficiente)  descrição  dos  fatos  e  o  consequente  cerceamento do direito de defesa.  Os  autuantes  promoveram  a  descrição  do  fato  imponível  de  forma  insuficiente, superficial,  tornando o lançamento nulo por dois motivos  principais.  Um,  porque  descumpriram  o  disposto  no  artigo  10,  inciso  III,  do  Decreto  n°  70.235/72.  Guiado  pelo  princípio  da  tipicidade,  o  citado  dispositivo  preconiza  que  a  descrição  do  fato  tributável  deve  apresentar  uma  evidente  subsunção  (vinculação)  à  previsão  legal.  Guiado pelo  princípio  da  certeza  e  da  segurança  jurídica,  o  referido  dispositivo impõe que o lançamento não pode assentar­se na incerteza,  num estado de dúvida. Este caso não autoriza o uso de presunção.  Dois,  porque  a  motivação  genérica,  aliada  à  sumaria  indicação  do  montante  glosado,  ou  seja,  a  não  individualização  dos  valores  glosados, implica no cerceamento do exercício do direito de defesa.  Tais vícios conjugados determinam a nulidade do lançamento.  A glosa de valores estranhos à obra   Dentro  do  montante  lançado/glosado  (R$  673.488,14),  existem  desembolsos  com  materiais/serviços  que  não  foram  aplicados  na  edificação do pavilhão e anexos, mas em outras situações.  Observação: este item deve ser analisado em conjunto com o posterior.  A inobservância do período de tempo consumido e da distribuição dos  gastos havidos na construção   Diferentemente  do  que  entendeu  a  fiscalização,  a  maior  parte  dos  gastos havidos com a construção não ocorreu em 2004, quando  teria  havido o alegado desembolso de R$ 673.488,14.  De  fato,  a  implantação  da  obra  (e  anexos),  e  a  correspondente  distribuição dos gastos, ocorreu no período de tempo compreendido de  abril/2003 a abril/2005.  Isto,  aliás,  está  detalhado nas  planilhas  de  fls.  14/16,  elaboradas  em  resposta ao Termo de Intimação de 16.07.2009.  Visualizando­as, verifica­se que o total investido perfez o montante de  R$ 875.091,51, sendo que:  ­ no ano­calendário 2003, foram despendidos R$ 238.534,72;  ­ no ano­calendário 2004, foram despendidos R$ 320.534,72;  ­ no ano­calendário 2005, foram despendidos R$ 300.011,94.  Fl. 153DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.003122/2009­14  Resolução nº  2801­000.225  S2­TE01  Fl. 154          3  Observação: Referidos dados não foram contestados pela fiscalização.  Logo,  se  foram,  ainda  que  tacitamente,  acolhidos  pela  autoridade  lançadora, não podem ser desacolhidos pela autoridade julgadora na  fase contenciosa, visto que a função de julgar não se confunde com a  de lançar.  A  inatingibilidade,  neste  feito,  dos  gastos  correspondentes  aos  anos­ calendário de 2003 e 2005   O  caput  do  artigo  144  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN)  estabelece que o  lançamento  reporta­se à data da ocorrência do  fato  gerador.  Assim  sendo,  no  presente  feito,  se  cabível  fosse  a  glosa  só  poderia  incidir sobre os dispêndios pertinentes ao ano­calendário 2004.  Logo, por dizerem respeito a  fatos geradores enquadráveis em outros  períodos de apuração (anuais),  impõe­se o desfazimento da glosa dos  valores correspondentes aos anos­calendário de 2003 e 2005.  Argui  a  decadência  do  direito  do Fisco  promover  a glosa  dos  gastos  relativos ao ano­calendário 2003.  De  qualquer  forma,  mesmo  que,  por  hipótese,  os  motivos  apontados  não fossem suficientes para desfazer o lançamento, ainda assim, como  adiante  é  demonstrado,  outros  existem  para  determinar  seu  cancelamento.  A  verdadeira  característica  (natureza  jurídica)  da  exploração  conjunta das áreas rurais   Examinando a cláusula sexta do 'contrato de parcerias agropecuárias'  e do 'aditivo' anexados por cópia às fls. 32/37, verifica­se que todos os  'parceiros' colocam todas as glebas de suas propriedades, assim como  as  benfeitorias,  maquinário  agrícola  e  semoventes  à  disposição  da  parceria, para serem explorados pela mesma, recebendo cada um, em  troca, a participação no resultado financeiro mencionado na cláusula  terceira.  Examinando  a  'cláusula  décima',  verifica­se  que  a  administração  é  feita pelo Sr. Pedro Herter, o líder da família, e, no seu impedimento,  pelo filho­varão (Fábio).  Examinando  as  Declarações  de  Bens  (dos  'parceiros'),  juntadas  nos  respectivos  processos  administrativos,  verifica­se  que  a  exploração  conjunta  ocorreu  sobre  glebas  rurais  com  títulos  de  propriedade  individual ou conjunta da Sra. Odila, do casal Pedro/Margareth, e dos  filhos destes, Fábio e Ingrid.  Os  elementos  expostos  autorizam  concluir  que,  no  presente  caso,  apesar  de  ser  denominado  como  sendo  de  PARCERIA,  o  contrato  revela, de fato, a pactuação de uma exploração conjunta típica de um  CONDOMÍNIO FAMILIAR.  Significa dizer: não há obrigações específicas assumidas com terceiros  proprietários,  isto  é,  entre  parceiro­outorgante  e  parceiros­ arrendatários,  mas  a  junção  (exploração  coletiva)  do  patrimônio  Fl. 154DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.003122/2009­14  Resolução nº  2801­000.225  S2­TE01  Fl. 155          4 familiar,  objetivando  racionalizar  a  administração,  diminuir  custos,  enfim,  otimizar  o  desempenho  técnico­financeiro  advindo  da  exploração agropecuária condominial.  Sustenta  que  o  incontestável  fato  de  haver  uma  exploração  agropecuária conjunta de proprietários (condomínio familiar), impõe o  afastamento  das  regras  aplicáveis  à  parceria,  que,  em  parte,  embasaram o lançamento.  A  irrelevância da área e da  edificação estarem em nome  (individual)  do Sr. Pedro   A existência de título exclusivo da área de 4 ha em nome de Pedro Luiz  Herter, bem como das benfeitorias (e anexos) sobre ela edificadas, não  constitui motivo legal (causa) hábil para a realização da glosa em lide.  Em suma, está equivocada a premissa dos Autuantes de que pelo fato  de o título de propriedade da terra­nua (4 ha) estar em nome de Pedro  Herter implica na automática/consequente propriedade individual, pela  mesma  pessoa,  das  benfeitorias  e  anexos  sobre  ela  (terra­nua)  edificadas.  De um lado, porque nenhuma determinação legal existe impedindo que  sobre  a  terra­  nua  de  alguém  (no  caso,  do  Sr.  Pedro),  sejam  construídas benfeitorias por outrem (no caso, o 'conjunto familiar').  De  outro,  porque  visualizando  tanto  este,  como  os  processos  administrativos  instaurados  contra  os  demais  familiares,  torna­se  evidente a propriedade condominial benfeitorias (e anexos).  A  inobservância  das  fases  da  edificação  e  da  alienação  das  benfeitorias   Conjuntamente  com  as  ponderações  feitas  no  item  precedente,  o  Impugnante aduz que, na formalização da glosa, os autuantes deixaram  de  levar em consideração, ou, melhor dizendo, de distinguir as  fases,  isto é, os momentos cronológicos da edificação e da alienação da obra  (benfeitorias e anexos).  A diferenciação é demonstrada nos subitens que seguem.  A fase (período cronológico) da edificação da obra   O  momento  cronológico  da  edificação  envolveu  todos  os  parceiros  (melhor dizendo, condôminos).  Todos  eles,  inquestionavelmente,  manifestaram  conhecimento  e  concordância na participação conjunta dos custos.  Para ter certeza, basta ver:  ­ as respectivas declarações de rendimentos, onde todos, na proporção  de cada um,  informaram os  resultados  tributáveis apurados no  'caixa  comum', observado que a área de 4 ha em nome de Pedro Herter não  gerou rendimentos, havendo apenas custos;   Fl. 155DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.003122/2009­14  Resolução nº  2801­000.225  S2­TE01  Fl. 156          5 ­  nos  anexos  da  atividade  rural,  o  quadro  'Dívidas  vinculadas  à  atividade  rural',  onde  todos  condôminos  declararam  como  sendo  proporcionalmente  suas,  as  dívidas  de  financiamento  assumidas  para  fins de edificação.  Diante  do  exposto,  forçoso  se  torna  concluir  que  a  apropriação  conjunta dos custos da edificação é regular em face da concordância  com a assunção dos mesmos, expressa por todos os parceiros.   |  Obvio  é  que  tais  atos  de  vontade,  enquanto  lícitos,  usuais  e  legalmente permitidos, como são, não podem ser desfeitos pelo agente  fiscalizador.  A fase (momento cronológico) da alienação da obra   O momento cronológico da alienação da obra ocorreu quando da sua  destinação, como aporte (integralização) de capital, havido em função  do  ingresso  do  Sr.  Pedro  Herter  como  sócio  na  empresa  "Herter  Cereais Ltda".  A  primeira  vista,  poder­se­ia  afirmar  que  um  bem  de  propriedade  coletiva  (armazém  e  anexos)  teria  sido  alienado  em  benefício  de  apenas um dos 'parceiros' (condôminos).  Este,  aliás,  foi  o  entendimento  adotado  pelos  autuantes,  apoiado  na  premissa  de  que,  necessariamente,  o  fruto  da  alienação  deveria  favorecer a todos.  Entretanto, cumpre ver se o referido fenômeno teria sido feito à revelia  e em prejuízo tanto dos demais 'parceiros', quanto do Fisco.  A inexistência de prejuízo aos demais parceiros   Examinando o "Contrato de Parceria", verifica­se que na sua cláusula  quarta  consta  que  "Nenhum  dos  parceiros  poderá  transferir,  ceder,  emprestar os direitos existentes na presente parceira, sem a anuência  por escrito de todos os parceiros".  No caso, dita anuência escrita se consumou, tanto em relação ao casal  Pedro/Margareth,  quanto  em  relação  aos  filhos  Fábio/Ingrid,  com  a  aposição  das  assinaturas  na  alteração  contratual  firmada  com  tal  finalidade.  Eventual  contestação  pela  Sra.  Maria  Odila  (sogra  de  Pedro,  mãe  de  Margareth),  deveria  ser  invocada  pelos  meios  e  no  tempo  próprio,  o  que  não  aconteceu(rá),  notadamente  porque  tudo  permaneceu no âmbito do patrimônio familiar.  O  certo  é  que  tal  decisão  aconteceu  mediante  deliberação  familiar,  objetivando atender conveniências negociais. De fato, a  incorporação  da  obra  ao  capital  da  empresa  'Herter  Cereais  Ltda',  foi  feita  por  necessidade cadastral em nome de Pedro Herter, objetivando ampliar  os limites de crédito bancário, o que, de fato, aconteceu.  A inexistência de prejuízo ao Fisco   Examinando  a  alienação  sob  o  prisma  fiscal,  verifica­se  que  mesmo  imputando  o  valor  da  alienação  da  obra  (benfeitoria  e  anexos)  à  pessoa individual do Sr. Pedro Herter, não haveria prejuízos ao Fisco.  Fl. 156DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.003122/2009­14  Resolução nº  2801­000.225  S2­TE01  Fl. 157          6 Essencialmente  porque  os  quantitativos  pertencentes  aos  demais  'parceiros'  (condôminos),  ao  serem  utilizados  pelo  Sr.  Pedro  na  integralização do capital sem oposição dos demais parceiros consumou  um  fenômeno  caracterizável  como  recebimento  em  doação,  que  representa um ganho isento (do Sr. Pedro).  Para  os  doadores  (demais  condôminos)  sua  tributabilidade  ou  não  deveria ser objeto de procedimentos e de questionamentos paralelos à  matéria em causa.  Outro erro de raciocínio da fiscalização   Visualizando  o  "Relatório  de  Fiscalização",  verifica­se  que  os  autuantes  cometeram outro  erro  de  raciocínio  ao  glosar  a  totalidade  das despesas, sob a alegação de que não pertencem à 'parceria'.  Ora, se a ela (parceria) não pertencem, devem, então, serem atribuídas  ao Sr. Pedro Herter (por extensão, à cônjuge­meeira Margareth) que,  segundo  a  (errônea)  ótica  fiscal,  seria(m)  o(s)  único(s)  empreendedor(es).  Significa  dizer:  se  o  Fisco  entende  que  as  despesas  não  são  apropriáveis  pelo  grupo  familiar,  devem,  então,  serem  atribuídas  a  alguém. Só não podem ser de ninguém.  Em  sendo  atribuídas  ao  Sr.  Pedro  e  sua  cônjuge,  o  motivo  da  glosa  (contra  os  dois)  deixaria  de  existir.  Dentro  da  mesma  linha  de  raciocínio, o resultado tributável (de ambos) deveria ser reconstituído,  alterando as bases de cálculo de positivas para negativas.  A improcedência da glosa das "demais despesas".  A  contestação  da  glosa  das  "Demais  despesas",  no  importe  de  R$  34.316,70,  apoia­se  no  argumento  de  que,  por  representarem  dispêndios necessários e efetivos, são dedutíveis.  Independentemente  disto,  alerta  que  o  crédito  tributário  correspondente  aos  valores  glosados,  proporcional  a  cada  um  dos  parceiros, depende da decisão final a ser dada à contestação à parcela  maior do lançamento.  Os pedidos   Preliminarmente, que seja declarada a nulidade do lançamento.  No mérito, o cancelamento do auto de infração, determinando, após, o  arquivamento do processo fiscal.  A  impugnação  apresentada  pelo  contribuinte  foi  julgada  procedente  em  parte  pelo acórdão de fls. 106/118, assim ementado:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA – IRPF   Ano­calendário: 2004   NULIDADE.   Fl. 157DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.003122/2009­14  Resolução nº  2801­000.225  S2­TE01  Fl. 158          7 Comprovado que o procedimento  fiscal  foi  feito  regularmente, não se  apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.°  70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.  ATIVIDADE  RURAL.  DESPESAS  DE  CUSTEIO.  INVESTIMENTOS.  DEDUÇÃO.   Consideram­se despesas de custeio e investimentos aqueles necessários  à  percepção  dos  rendimentos  e  à  manutenção  da  fonte  produtora,  relacionadas com a natureza da atividade exercida e comprovados com  documentação hábil e idônea.  Cientificado  da  decisão  em  23/05/2011  (fl.  123),  o  Interessado  apresentou  recurso  em  22/06/2011  (fls.  124/133),  acompanhado  dos  documentos  de  fls.  134/145,  por  intermédio do qual pede o reexame de todos os argumentos expendidos na peça impugnatória,  listados abaixo:  ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO   ­ A insuficiente (deficiente) descrição dos fatos e o consequente cerceamento do  direito de defesa.  ­ A glosa de valores estranhos à obra.   ­ A inobservância do período de tempo consumido e da distribuição dos gastos  havidos na construção.  Neste ponto, o Recorrente observa que:   ­ A arguição de nulidade do lançamento não está vinculada ao descumprimento  das hipóteses do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72.  ­  A  glosa  da  totalidade  dos  gastos  escriturados  na  conta  "Construções  e  Reformas",  subconta  "Materiais, manutenção  e  conservação  de  imóveis",  baseada  apenas  na  inferência  de  que  todos  "os  valores  que  constam  das  demais  subcontas  também  estão  relacionadas  com  a  construção'",  não  atende  um  dos  requisitos  nucleares  do  lançamento,  consistente na clara individualização dos fatos, bem como na certeza de que são passíveis de  tributação.  ­  Diversamente  do  aduzido  no  acórdão,  o  cerceamento  de  defesa  não  resulta  apenas  de  despachos  e  decisões.  Também  ocorre  na  lavratura  de  autos  de  infração  com  as  deficiências apontadas no parágrafo precedente.  A  IMPROCEDÊNCIA,  NO  MÉRITO,  DA  GLOSA  DAS  DESPESAS  PROMOVIDA PELA TURMA JULGADORA.  ­ A verdadeira característica (natureza jurídica) da exploração conjunta das áreas  rurais.  ­ A  irrelevância  da  área  e  da  edificação  estarem  em  nome  (individual)  do  Sr.  Pedro.  ­ A inobservância das fases da edificação e da alienação das benfeitorias.  Fl. 158DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.003122/2009­14  Resolução nº  2801­000.225  S2­TE01  Fl. 159          8 ­ A inexistência de prejuízo aos demais parceiros.  ­ A inexistência de prejuízo ao Fisco.  ­ Erro de raciocínio da fiscalização.  Em  complemento  ao  pedido  de  reexame  dos  pontos  acima  elencados,  aduz  o  Recorrente, em síntese, que:  ARGUIÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA   O desconhecimento dos fatos de outro processo   ­  A  Turma  Julgadora  afastou  o  total  da  glosa  promovida  pela  Fiscalização  e,  alternativamente, manteve o valor incidente sobre a quantia de R$ 55.573,57, correspondente a  R$  277.867,83,  valor  este  que  foi  objeto  de  outro  lançamento  lavrado  em  face  de  outro  contribuinte.  ­ A mera referência a dados existentes em outro processo, protegidos pelo sigilo  fiscal,  impede  o  exercício  do  direito  constitucional  à  ampla  defesa.  Entretanto,  tomou  conhecimento de que o correspondente lançamento foi totalmente cancelado.  ­  Considerando  que  a  decisão  recorrida  está  embasada  em  “prova  emprestada  inexistente”, impõe­se concluir pela sua total insubsistência jurídica.  A incompetência de ato praticado pela autoridade julgadora   ­ O ato da Turma Julgadora é  juridicamente nulo. Diz o artigo 59,  inciso I, do  Decreto n° 70.235/72 que são NULOS "os atos e termos lavrados por pessoa incompetente".  ­ No presente  caso,  a  autoridade  julgadora operou como autoridade  lançadora,  desviando da sua esfera de atuação (competência funcional) e invadindo poderes exclusivos da  Fiscalização ao "inovar o lançamento".   A supressão de instância e o cerceamento do direito de defesa   ­  Se  a  Turma  Julgadora  tivesse  determinado  o  retorno  ao  Órgão  Fiscalizador  para  examinar  o  documentário  existente  noutro  processo,  solicitar  os  esclarecimentos  necessários,  alterar o  lançamento,  lavrar  auto  de  infração  complementar  (se  cabível),  abrir  o  prazo  legal  para  o  contribuinte manifestar­se,  o  processo  administrativo­fiscal  teria  tido  sua  tramitação de forma regular, inclusive no que se refere à observância do direito de defesa.  ­ Não tendo assim acontecido, criou­se a anômala situação de o Recorrente, no  exercício do direito em pauta, postular perante a segunda instância julgadora, sem que tenham  sido examinados pela autoridade fiscal.   O TRATAMENTO TRIBUTÁRIO ATRIBUÍVEL AOS BENS ALIENADOS  (INTEGRALIZADOS)  ­ No ganho de capital apurado e tributado de ofício na integralização de capital  promovida pelo Sr. Pedro Herter (PAF 11060.001682/2010­60), o "custo das benfeitorias" não  perfaz o montante de R$ 277.867,83.  Fl. 159DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.003122/2009­14  Resolução nº  2801­000.225  S2­TE01  Fl. 160          9 ­  Isto  porque  a  fiscalização  agiu  ilegalmente  ao  apurar  e  tributar  o  ganho  de  capital  em  questão mediante  a  soma  conjunta  dos  valores  correspondentes  às  alienações  da  terra­nua e das benfeitoras/equipamentos.  ­ Visualizando as cópias da  'Escritura Pública de Integralização e Incorporação  de  Bem  ao  Capital  Social  de  Empresa',  verifica­se  que  a  integralização  de  capital  ocorreu  através  de  um  bem  imóvel,  de  um  silo  graneleiro  e  das  (demais)  benfeitorias  (que  os  acompanharam).  ­ O bem imóvel corresponde a uma fração de terras de campo de 4,00 hectares.  O silo graneleiro consiste num pavilhão (armazém) de alvenaria/zinco. Os equipamentos nele  instalados  consistem  no  maquinário  de  movimentação  de  grãos,  classificação,  limpeza  e  secagem de cereais, sistema de carga e descarga, de pesagem, ferramentas, móveis e utensílios.  As benfeitorias consistem nas cercas colocadas, no sistema de captação e distribuição de água,  de esgoto, nas vias de acesso.  ­ Segundo o artigo 4º , § 3º, da Lei n° 8.023/1990, a 'terra­nua' está submetida a  um  regime  especial  de  tributação,  denominado  pela  legislação  fiscal  como  'Tributação  Definitiva', ou seja, sob um critério diferenciado dos demais rendimentos das pessoas físicas.  Apenas  o  ganho  obtido  na  alienação  da  mesma  (terra­nua),  submete­se  à  tributação  na  modalidade 'ganho de capital'.  ­  Por  sua  vez,  os  ingressos  correspondentes  à  alienação  de  tudo  quanto  é  catalogável  no  amplo  conceito  de  'benfeitorias' —  inclusas  as  edificações  –  submetem­se  ao  mesmo regime dos demais rendimentos oriundos da exploração da atividade rural das pessoas  físicas,  ou  seja,  sujeitos  à  tabela  progressiva  e  à  consolidação  da  base  tributável,  realizada  através da Declaração de Ajuste Anual.  ­  Deduzindo­se  que  a  Fiscalização  apurou  e  tributou  o  ganho  de  capital  em  questão mediante a soma conjunta dos valores correspondentes às alienações da terra­nua e das  benfeitoras/equipamentos,  impõe­se  concluir  que  promoveu  um  lançamento  legalmente  equivocado, improcedente.  A improcedência da glosa das "outras despesas".  ­ Baseado no princípio da eventualidade, o Recorrente sustenta improcedente a  glosa das demais despesas. Isto porque a determinação do 'quantum' eventualmente arrecadável  depende da decisão a ser proferida no tocante aos tópicos anteriormente questionados.  Pedidos   Ao fim, requer o Recorrente:  ­  preliminarmente,  declare  a  nulidade  do  lançamento  e/ou  da  decisão  de  1ª  instância;   ­ no mérito, o cancelamento, por improcedente, da parcela do crédito tributário  mantida na decisão de 1º instância; e, ­ por fim, o arquivamento do processo fiscal.  Voto  Fl. 160DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Erro! A origem da  referência não foi  encontrada.  Fls. 161  ___________     Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator  Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade.  Da  simples  leitura  do  “Relatório  de  Fiscalização”,  acostado  aos  autos  em  fls.  80/84 deste processo digital, verifica­se que o mesmo está incompleto, impossibilitando a exata  compreensão da materialidade da infração imputada ao contribuinte.  Descrevo, para comprovar o afirmado, duas situações em que se pode constatar,  de pronto, que o referido “Relatório” está mutilado: a) o início da fl. 81 deste processo digital  (fl. 47 do processo físico) está em letra minúscula e desconectado da parte final da fl. 80 (fl. 46  do processo físico), que termina com um parágrafo integral, finalizado por ponto final; e b) o  impugnante descreve, em sua peça de defesa, excertos do “Relatório de Fiscalização”, às  fls.  93/95  do  processo  digital  (fls.  59/61  do  processo  físico),  que  não  constam  da  peça  fiscal  adunada aos autos pela Autoridade preparadora.  Observo,  por  oportuno,  que  a  segunda  situação  mencionada  evidencia  que  o  contribuinte recebeu o “Relatório de Fiscalização” em sua inteireza, o que, apenas em juízo de  delibação, não me induz, neste momento, à decretação de nulidade do lançamento.  A  instrução  deficitária  do  Auto  de  Infração,  principalmente  da  peça  que  descreve os fatos que deram margem à tipificação legal e à autuação, impede, a meu ver, que  este Colegiado afira a (i) regularidade do lançamento.  A importância da descrição dos fatos deve­se à circunstância de que é por meio  dela  que  a Autoridade  lançadora  demonstra  a  consonância  da matéria  de  fato  constatada  na  ação  fiscal  e  a  hipótese  de  incidência  abstratamente  descrita,  sendo  temerário,  em  meu  entendimento, concluir o julgamento com os autos instruídos de forma precária.  A descrição dos fatos é elemento fundamental à formação da livre convicção do  julgador,  posto  que  uma minudente  descrição  pode,  a meu  ver,  até mesmo  suprir  eventuais  incorreções no enquadramento legal adotado no Auto de Infração.  Nesse contexto, a fim de se evitar prejuízos a quaisquer das partes e prestigiar a  segurança  jurídica,  sou pela conversão do  julgamento em diligência,  a  fim de que a DRF de  origem:  a) junte aos autos o “Relatório de Fiscalização” em sua integralidade;  b)  intime  o  Recorrente  para,  caso  queira,  se  manifestar  sobre  os  pontos  abordados nesta Resolução.  Após,  os  autos  deverão  retornar  a  este  Conselho  para  a  conclusão  do  julgamento.  Assinado digitalmente  Marcelo Vasconcelos de Almeida    Fl. 161DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN

score : 1.0
5108873 #
Numero do processo: 10715.000820/2010-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 04/05/2006 a 31/05/2006 EXPORTAÇÃO. EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO, OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOBSERVÂNCIA DE PRAZOS. O descumprimento da obrigação de registro de dados de embarque no SISCOMEX no prazo previsto na legislação constitui embaraço a fiscalização. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE. Aplica-se a retroatividade benigna prevista na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN, pelo não registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria no prazo previsto no art. 37 da IN SRF nº 28, alterado pela IN SRF n° 510/05, em face da nova redação dada a este dispositivo pela IN RFB nº 1.096/10, que estabeleceu o prazo de 7 dias, contados da realização do embarque, para o registro dos dados no Siscomex, para todas as modalidades de transporte. Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-000.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Charles Mayer de Castro Souza. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201302

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 04/05/2006 a 31/05/2006 EXPORTAÇÃO. EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO, OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOBSERVÂNCIA DE PRAZOS. O descumprimento da obrigação de registro de dados de embarque no SISCOMEX no prazo previsto na legislação constitui embaraço a fiscalização. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE. Aplica-se a retroatividade benigna prevista na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN, pelo não registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria no prazo previsto no art. 37 da IN SRF nº 28, alterado pela IN SRF n° 510/05, em face da nova redação dada a este dispositivo pela IN RFB nº 1.096/10, que estabeleceu o prazo de 7 dias, contados da realização do embarque, para o registro dos dados no Siscomex, para todas as modalidades de transporte. Recurso Voluntário provido em parte.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013

numero_processo_s : 10715.000820/2010-89

anomes_publicacao_s : 201310

conteudo_id_s : 5298275

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 3202-000.643

nome_arquivo_s : Decisao_10715000820201089.PDF

ano_publicacao_s : 2013

nome_relator_s : LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI

nome_arquivo_pdf_s : 10715000820201089_5298275.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Charles Mayer de Castro Souza. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.

dt_sessao_tdt : Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013

id : 5108873

ano_sessao_s : 2013

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:34 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046173666770944

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2024; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T2  Fl. 115          1 114  S3­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10715.000820/2010­89  Recurso nº       Voluntário  Acórdão nº  3202­000.643  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de fevereiro de 2013  Matéria  MULTA ADUANEIRA ­ AVERBAÇÃO DE EMBARQUE   Recorrente  AMERICAN AIRLINES INC.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 04/05/2006 a 31/05/2006  EXPORTAÇÃO.  EMBARAÇO  A  FISCALIZAÇÃO,  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA INOBSERVÂNCIA DE PRAZOS.  O  descumprimento  da  obrigação  de  registro  de  dados  de  embarque  no  SISCOMEX  no  prazo  previsto  na  legislação  constitui  embaraço  a  fiscalização.  APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE.  Aplica­se a retroatividade benigna prevista na alínea “b” do inciso II do art.  106  do  CTN,  pelo  não  registro  no  Siscomex  dos  dados  pertinentes  ao  embarque  da  mercadoria  no  prazo  previsto  no  art.  37  da  IN  SRF  nº  28,  alterado  pela  IN  SRF  n°  510/05,  em  face  da  nova  redação  dada  a  este  dispositivo  pela  IN  RFB  nº  1.096/10,  que  estabeleceu  o  prazo  de  7  dias,  contados da realização do embarque, para o registro dos dados no Siscomex,  para todas as modalidades de transporte.   Recurso Voluntário provido em parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  parcial  ao Recurso Voluntário. Vencidos  os  Conselheiros  Irene  Souza  da  Trindade  Torres  e  Charles Mayer de Castro Souza.    Irene Souza da Trindade Torres – Presidente    Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 08 20 /2 01 0- 89 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES     2   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Irene  Souza  da  Trindade  Torres,  Rodrigo  Cardozo Miranda,  Luís  Eduardo Garrossino  Barbieri,  Gilberto  de  Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.  Relatório  O presente litígio decorre de lançamento de ofício veiculado através de auto  de  infração  (fls.  01/ss)  para  a  cobrança  da  multa  isolada,  no  valor  de  R$  140.000,00,  por  registro intempestivo dos dados de embarque de exportação no Siscomex, prevista no art. 107,  inc. IV, alínea "e", do Decreto­lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo  art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003.  Para elucidar os fatos ocorridos transcreve­se o relatório constante da decisão  de primeira instância administrativa, verbis:   Relatório  O  presente  processo  trata  da  exigência  do  valor  de  R$  140.000,00 consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 11,  referente  à  multa  regulamentar  pela  não  prestação  de  informação  sobre  veículo  ou  carga  transportada,  ou  sobre  operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea  "e", do Decreto­lei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da  Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas  em 1994 e 2005, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil,  respectivamente.  De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, as  autoridades  lançadoras,  ao  verificar  o  cumprimento  da  obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/1994,  alterado pelo artigo 1° da IN/SRF 510/2005, constataram que a  contribuinte  acima  identificada  deixou  de  registrar  no  prazo  regulamentar  os  dados  de  embarque  referentes  ao  transporte  internacional  realizados  no mês  de  maio  de  2006,  iniciado  no  Aeroporto  Internacional  do  Rio  de  Janeiro  ­  ALF/GIG,  concernentes  às  cargas  amparadas  nas  declarações  de  exportação ­ DDE's listadas no demonstrativo "Auto de Infração  n°  0717700/00047/10",  parte  integrante  do  respectivo  auto  de  infração, uma vez que de acordo registro dos dados de embarque  nos  despachos  de  exportação  efetuados  pelo  transportador  em  prazo superior a dois dias.  A  contribuinte  apresentou,  às  fls.  16  a  20,  impugnação  administrativa, por discordar da exigência à qual foi intimada.  Na referida peça de defesa, a autuada alega em preliminar que o  auto de  infração em apreço  foi  lavrado "com  total  carência de  informações  que  possam  relacionar  as  Declarações  de  Exportações  (DEs)  nele  referidas,  com  os  respectivos  conhecimentos aéreos (AWBs)", o que impõe sua nulidade, "uma  vez  que  dificulta,  ou  impede  completamente,  a  defesa  da  Impugnante".  No mérito, aduz que (i) autuação discrepa da norma reguladora  da espécie, posto que a locução "deve prestar", contida no artigo  Fl. 124DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.000820/2010­89  Acórdão n.º 3202­000.643  S3­C2T2  Fl. 116          3 37  do  Decreto­lei  37/1966,  modificado  pelo  artigo  77  da  Lei  10.833/2003,  constitui  mera  recomendação  ao  transportador,  não subsumindo suposto desatendimento à multa aplicada; (ii) a  autuação não esclarece quais são os conhecimentos aéreos a que  se  referem  às  diversas  declarações  de  exportação  objeto  da  apuração  realizada;  (iii)  jamais  deixou  de  prestar  as  informações  pertinentes  aos  embarques  às  autoridades  aduaneiras,  pois  de  outra  forma  não  teria  ocorrido  o  desembaraço,  muito  menos  o  embarque  das  referidas  mercadorias;  (iv)  em  atendimento  à  recomendação  legal,  imediatamente  disponibilizou  às  autoridades  aduaneiras  dossiê  contendo os conhecimentos aéreos, manifestos do vôo e demais  documentos  pertinentes  à  carga,  o  que  causa  estranheza  à  firmação  contida  na  peça  acusatória;  (v)  a  rigor  não  há  fato  gerador para as multas aplicadas no presente auto de infração,  pois o fato gerador de qualquer penalidade é o descumprimento  de obrigação legal, e não de mera recomendação, como é o caso  dos autos; e (vi) traz à colação excerto jurisprudencial que trata  da nulidade do lançamento por vício formal. (fls. 46 a 49).  Nesse sentido, requer seja declarado nulo o auto de infração, a  fim de ver cancelada a multa exigida.  É o relatório.    A  2ª  Turma  da Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Florianópolis proferiu o Acórdão n.º 07­22.666 de 17 de dezembro de 2010 (folhas 51/ss), o  qual recebeu a seguinte ementa:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 04/05/2006 a 31/05/2006  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  FALTA  DE  FUNDAMENTAÇÃO  DE  FATO  E  DE  DIREITO.  INOCORRÊNCIA  É descabida a alegação de cerceamento do direito de defesa por  falta de fundamentação de fato e de direito, quando se constata  que todos os fatos e bases legais  indispensáveis à compreensão  do  feito  fiscal  e  à  sua  validação  estão  presentes  no  auto  de  infração e no demonstrativo que o acompanha.  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 04/05/2006 a 31/05/2006  DADOS  DE  EMBARQUE.  INFORMAÇÃO  INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  O  descumprimento  da  obrigação  de  prestar  à  Receita  Federal,  na  forma  e  no  prazo  por  ela  estabelecidos,  as  informações  sobre  as  cargas  transportadas  é  punível  por  embarque  no  veículo  transportador,  cuja  data  a  ser  Fl. 125DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES     4 considerada, segundo a legislação de regência, é a do vôo,  no caso de transporte aéreo internacional.  NÚMERO  DA  DECLARAÇÃO  DE  EXPORTAÇÃO.  INFORMAÇÃO  OBRIGATÓRIA.  CONHECIMENTO  DE  CARGA. TRANSPORTADOR.  É  defeso  ao  transportador  aéreo  alegar  desconhecer  o  número  atribuído  à  declaração  para  despacho  de  exportação  uma  vez  que  referida  informação  deve  obrigatoriamente  constar  em  todos  os  documentos  que  instruem  o  despacho,  em  especial  no  conhecimento  e  no  manifesto de carga.  PRESTAÇÃO DE  INFORMAÇÃO.  INTEMPESTIVIDADE.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  AUTÔNOMA.  NATUREZA  OBJETIVA DA INFRAÇÃO.  As penalidades aplicadas em razão do descumprimento de  obrigações  acessórias  autônomas,  como  é  o  caso  da  informação  dos  dados  de  embarque  de  mercadoria  destinada  à  exportação,  prestada  fora  do  prazo  estabelecido  normativamente  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  possui  natureza  objetiva,  cuja  sanção  objetiva disciplinar seu cumprimento tempestivo, por parte  dos transportadores e seus representantes.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  A interessada regularmente cientificada do Acórdão da DRJ – Florianópolis  em  24/01/2011  (folhas  59/61)  interpôs Recurso Voluntário  em  11/02/2011  (fls.  62/ss),  onde  repisa os  argumentos  trazidos  em  sua  impugnação,  além de  argumentar  sobre  “fato  novo”  a  justificar  a  exclusão  das multas  aplicadas,  trazidas  pela  IN SRF nº  1.096/2010,  que  ampliou  para sete dias o prazo constante da IN SRF nº 28/1994 para o registro dos dados pertinentes aos  embarques das empresas aéreas no Siscomex.   O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este  Conselheiro Relator na forma regimental.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator.  O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade  devendo, portanto, ser conhecido.   A controvérsia  em discussão nestes  autos  refere­se  à aplicação da multa  ao  transportador  por  deixar  de  prestar  informação  sobre  veículo  ou  carga  nele  transportada,  ou  sobre as operações que execute, na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal do Brasil.   A multa aplicada está prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto­ lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29  Fl. 126DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.000820/2010­89  Acórdão n.º 3202­000.643  S3­C2T2  Fl. 117          5 de dezembro de 2003. Para  facilitar  a  análise da matéria,  convém  inicialmente  transcrever o  referido dispositivo legal:  Art. 107. Aplicam­se ainda as seguintes multas:   (...)  IV ­ de R$ 5.000,00 (cinco mil reais):   (...)  e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga  nele  transportada, ou  sobre as operações  que  execute, na  forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita  Federal,  aplicada  à  empresa  de  transporte  internacional,  inclusive  a  prestadora  de  serviços  de  transporte  internacional  expresso  porta­a­porta,  ou  ao  agente  de  carga   (grifei).  O  dispositivo  legal  acima  transcrito  que  tem  por  finalidade  penalizar  o  comportamento daqueles que impedirem ou retardarem o fluxo normal de registros de dados no  SISCOMEX,  ocasionando  acúmulo  desnecessário  de  pendências  no  Sistema,  o  que  levou  o  legislador  a  estabelecer  expressamente  que  o  descumprimento  de  obrigações  acessórias,  na  forma e prazo previstos pela Receita Federal, acarretaria a aplicação de multa.  A obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontra­se  estabelecida no art. 37 do Decreto­Lei nº 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei  nº 10.833, de 2003, in verbis:  Art.  37.  O  transportador  deve  prestar  à  Secretaria  da  Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos,  as  informações  sobre  as  cargas  transportadas,  bem  como  sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele  destinado.  Quanto  à  forma e  ao prazo para  informação de  dados no SISCOMEX pelo  transportador, a redação original do artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94 dispunha:  Art.  37.  Imediatamente  após  realizado  o  embarque  da  mercadoria,  o  transportador  registrará  os  dados  pertinentes, no S1SCOMEX, com base nos documentos por  ele emitidos.   Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria  em  viagem  internacional,  por  via  rodoviária,  fluvial  ou  lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX,  será  de  responsabilidade  do  exportador  ou  do  transportador,  e  deverá  ser  realizado  antes  da  apresentação  da mercadoria  e  dos  documentos  à  unidade  da SRF de despacho.  Fl. 127DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES     6 A IN SRF n° 510/05, deu nova redação ao artigo 37 da Instrução Normativa  SRF n° 28/94, prescrevendo o prazo de 2 dias, contados da realização do embarque, para o  registro dos dados no Siscomex, nos casos de transporte efetuado por via aérea.   Posteriormente, o artigo 1º da IN SRF n° 1.096 de 13 de dezembro de 2010,  deu nova redação ao artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94, estabelecendo o prazo de  7 dias, para todas as modalidades de transporte, verbis:  Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os  dados  pertinentes  ao  embarque  da mercadoria,  com  base  nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias,  contado da data da realização do embarque.  §1°  Na  hipótese  de  embarque  de  mercadoria  em  viagem  internacional,  por  via  rodoviária,  ferroviária,  fluvial  ou  lacustre,  o  registro  de  dados  do  embarque,  no  Siscomex,  será  de  responsabilidade  do  exportador  ou  do  transportador,  e  deverá  ser  realizado  antes  da  apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB)  de  despacho.  §2° Na hipótese de o registro da declaração para despacho  aduaneiro de exportação ser efetuado depois do embarque  da mercadoria ou de sua saída do território nacional, nos  termos  do  art.  52,  o  prazo  a  que  se  refere  o  caput  será  contado da data do registro da declaração.  §3°  Os  dados  de  embarque  da  mercadoria  poderão  ser  informados  pela  fiscalização  aduaneira  nas  hipóteses  estabelecidas  em  ato  da  Coordenação­Geral  de  Administração Aduaneira (Coana).”  (grifei)  Muito bem. Neste passo, importante registrar que após muito refletir sobre a  aplicação  da  retroatividade  benigna  a  situações  como  a  que  se  apresenta  nesse  litígio,  estou  alterando entendimento anterior  já adotado nessa Turma (quando acompanhei a  i.  relatora no  Acórdão nº 3202­000.544, que votou no sentido de não aplicar a retroatividade), por entender  que a situação  fática posta nesses autos amolda­se perfeitamente à hipótese de  retroatividade  benigna. Senão vejamos.  A matéria em tela comporta a seguinte interpretação. A Constituição Federal  estabelece a regra da irretroatividade da lei como corolário do princípio da segurança jurídica,  exceto  para beneficiar  o  réu  (art.  5º, XL). Nesse  diapasão,  o CTN consagrou  no  artigo  106,  inciso II, alíneas “a”, “b”, e “c”, três hipóteses em que a lei nova elide os efeitos da incidência  da norma anterior:  a) a  lei nova  já não mais define determinado ato, como  infração; b)  a  lei  nova deixa de tratar o ato como contrário a qualquer exigência legal de ação ou omissão (desde  que não  tenha ocorrido fraude, nem falta de pagamento de tributo exigido); c) a pena menos  severa substitui a mais grave da legislação anterior.  O  professor  Paulo  de  Barros  Carvalho  (Curso  de  Direito  Tributário,  17ª  edição,  p.  95)  afirma  que  “as  duas  primeiras  alíneas  dizem  quase  a  mesma  coisa.  Toda  a  exigência de ação ou de omissão consubstancia um dever, e todo o descumprimento de dever é  uma infração, de modo que foi redundante o legislador ao separar as duas hipóteses”.   Fl. 128DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.000820/2010­89  Acórdão n.º 3202­000.643  S3­C2T2  Fl. 118          7 Muito  embora  concorde  que  a  ponderação  do  jurista  é  extremamente  pertinente, no caso em tela, a meu sentir, a hipótese prevista na alínea “b” amolda­se melhor à  situação  fática.  Isto porque a  legislação nova  (IN SRF n° 1.096/2010) deixou de  tratar o  ato  praticado ­ não registrar os dados de embarque da mercadoria no Siscomex no prazo de 2 dias  (previstos  na  IN  SRF  n°  28/94  alterada  IN  SRF  n°  510/05)  –  como  contrário  a  qualquer  exigência  de  ação  ou  omissão  (alínea  “b”),  uma  vez  que  a  nova  norma  prescreve,  agora,  o  prazo  de  7  dias.  Em  outras  palavras,  o  ato  de  não  registrar  os  dados  de  embarque  da  mercadoria no SISCOMEX, quando efetivado em até 7 dias, deixou de ser apenado pela nova  norma.  Assim,  tratando­se  a  espécie  dos  autos  de  ato  não  definitivamente  julgado,  em face do princípio da retroatividade benigna, com fundamento no art. 106, inciso II, alíneas  “a” e “b”, do CTN, há que se proceder à exoneração da multa aplicada especificamente para  aqueles casos em que o  registro dos dados de embarque da mercadoria no Siscomex  tenham  ocorrido em até 7 dias nos  termos do que dispõe a  IN SRF n° 1.096, norma que atualmente  regula a matéria.  Em situação muito semelhante à tratada nestes autos, a RFB já se manifestou  na Solução de Consulta  Interna nº 8 da COSIT, de 14/02/2008, com relação à  retroatividade  benigna em relação aos prazos para prestação de informação no Siscomex:   “SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA Nº 8 COSIT  DESPACHO  DE  EXPORTAÇÃO.  MULTA  POR  EMBARAÇO  À  FISCALIZAÇÃO.  REGISTRO  NO  SISCOMEX DOS DADOS APÓS O PRAZO.  Aplica­se a retroatividade benigna prevista na alínea “b”  do  inciso  II  do  art.  106  do  CTN,  pelo  não  registro  no  Siscomex  dos  dados  pertinentes  ao  embarque  da  mercadoria no prazo previsto no art. 37 da IN SRF nº 28,  de 1994, em face da nova redação dada a este dispositivo  pela IN SRF nº 510, de 2005.  Para as infrações cometidas a partir de 31 de dezembro de  2003,  a  multa  a  ser  aplicada  na  hipótese  de  o  transportador  não  informar,  no  Siscomex,  os  dados  relativos  aos  embarques  de  exportação  na  forma  e  nos  prazos estabelecidos no art. 37 da IN SRF n" 28, de 1994, é  a  que  se  refere  à  alínea  "e"  do  inciso  IV  do  art.  107  do  Decretolei n" 37, de 1966, com a redação dada pela Lei no.  10.833, de 2003.  Deve  ser  aplicada  ao  transportador  uma única multa  de  R$ 5.000,00, por se tratar de uma única infração.  (Grifei)  Portanto,  aplicando­se  a  retroatividade  benigna  devem  ser  excluídas  da  autuação fiscal os embarques cujos registros de dados foram efetuados no Siscomex no prazo  de até 7 dias. Restam, então, apenas três embarque cujos dados foram informados após o prazo  de  7  dias,  para  os  quais  deverão  ser mantidas  as multas  aplicadas,  conforme  tabela  abaixo  elaborada a partir dos dados informados pela fiscalização às folhas 9/10:   Fl. 129DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES     8 DDE:  Data  de  embarque:  Data  da  informação  no  sistema:  Voo:  Dias  de  atraso:  Total  de  voos no dia:  20605265674  07/05/06  17/05/06  AA904  10    20605274738  07/05/06  17/05/06  AA904  10  1              2060551988  15/05/06  12/07/06  AA905  27  1              20605489491  15/05/06  03/08/06  AA904  49  1    Na  contagem  dos  prazos  foi  considerada  a  forma  prescrita  pelo  caput  do  artigo 210 da Lei 5.172/66  ­ CTN que determina os prazos  serão contínuos, excluindo­se na  sua contagem o dia de início e incluindo­se o de vencimento.   Quanto ao critério utilizado para aplicação da multa entendemos estar correta  a forma adotada pela fiscalização, ao considerar que a multa de R$ 5.000,00 deve ser aplicada  em relação a cada veículo  transportador, ou seja, por embarque/voo e não em relação a cada  despacho de exportação constante desse embarque. Este, inclusive, é a orientação trazida pela  Solução de Consulta Interna n° 8 da COSIT, de 14/02/2008, acima transcrita.   Destarte,  comprovado  que  a  Recorrente  descumpriu  o  prazo  para  prestar  informação dos dados de embarque de mercadorias no sistema restou perfeitamente tipificada a  infração prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto­Lei nº 37/66 (com a redação  dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/03), sujeitando o infrator à multa no valor de R$ 5.000,00  por embarque.  Passemos a análise dos demais pontos arguidos pela Recorrente.  Não  procede  a  alegação  de  que  a  autuação  não  esclareceu  quais  foram  os  conhecimentos aéreos (AWBs) a que se referem as diversas DEs objetos da apuração realizada,  o que teria como consequência a nulidade da autuação fiscal.   Como muito  bem  destacado  pela  decisão  de  primeira  instância,  a  autuação  fiscal informa claramente que a empresa foi penalizada em decorrência do descumprimento da  obrigação acessória referida no artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF  510/2005, na medida em que deixou de registrar no prazo regulamentar os dados de embarque  referentes  aos  transportes  realizados  no  decorrer  do  mês  de  maio  de  2006,  iniciados  no  Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ­ ALF/GIG, relativamente às cargas amparadas nas  declarações  de  exportação  ­  DDE's  discriminadas  no  auto  de  Infração,  tendo  em  vista  que  segundo  o  comando  do  inciso  II  do  artigo  39  da mencionada  IN/SRF  28/1994  considera­se  extemporâneo  o  registro  dos  dados  de  embarque  relativos  aos  despachos  de  exportação  efetuados  pelo  transportador  em  prazo  superior  a  dois  dias  (à  época,  prazo  este  alterado  posteriormente para 7 dias). As autoridades fiscais juntaram às fls. 9 a 11 demonstrativo onde  estão  explicitados  os  embarques/voos  que  deram  fundamento  à  autuação,  Não  há,  portanto,  como acatar a alegação de cerceamento ao direito da Recorrente de se defender em razão da  não possibilidade de conhecimento dos fundamentos de fato e de direito da autuação.  Abaixo  transcreve­se  trechos  do  voto  condutor  do  Acórdão  da  DRJ­ Florianópolis  com  os  quais  concordo  plenamente  e  adoto  também  como  fundamento  deste  voto, verbis:   Não  assiste  razão  à  impugnante,  pois  o  artigo  37  da  IN/SRF  28/1994,  estatui  que  "o  transportador  deverá  registrar,  no Siscomex,  os dados pertinentes ao  embarque  da  mercadoria,  com  base  nos  documentos  por  ele  emitidos".  Portanto,  se  evidencia  da  norma  que  o  transportador, independentemente do modal que opere, tem  Fl. 130DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.000820/2010­89  Acórdão n.º 3202­000.643  S3­C2T2  Fl. 119          9 participação  ativa  no  processo  de  exportação,  na medida  em que tem a obrigação de informar no Siscomex os dados  de  embarque  de  determinada  carga,  que,  por  sua  vez,  é  identificada no referido sistema pelo número da declaração  de exportação (ME). Logo, é desarrazoado que a autuada,  na qualidade de transportadora aérea, afirme desconhecer  o fundamento da autuação pelo fato de o auto de infração  não  mencionar  a  correlação  existente  entre  os  conhecimentos  aéreos  e  as  declarações  de  exportação  listadas  às  fls.  06/07,  uma  vez  que  referida  informação  é  pré  requisito  para  que  tenha  condições  para  efetuar  o  embarque das cargas sob sua responsabilidade.  Corroborando a assertiva acima, o parágrafo 3º do artigo  16  da  referida  IN/SRF  28/1994,  prevê  textualmente  que  o  número  do  despacho  de  exportação  (DDE)  deve  obrigatoriamente  constar  do  próprio  conhecimento  de  embarque.     Quanto  à  afirmação da Recorrente no  sentido de que  “não há  fato gerador  válido para a imposição daquela indevida multa, eis que a própria norma legal  invocada —  qual seja, o Artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 2811994 — não envolve jus cogens, mas  mera  recomendação  para  fornecer  tais  informações,  ...”,  a  meu  sentir,  é  totalmente  improcedente.   No  caso  em  tela  a  conduta  praticada  pela  interessada,  ao  deixar  de  prestar  informações sobre veículo ou carga transportada no Siscomex, no forma e prazo previstos pela  RFB,  subsome­se  perfeitamente  a  hipótese  normativa  prescrita  pelo  artigo  107,  inciso  IV,  alínea "e", do Decreto­lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da  Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. A referida multa é aplicada em razão do simples  descumprimento da obrigação acessória.   Ante o  exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário,  mantendo  a multa  no  valor  de R$  15.000,00  em  relação  apenas  aos  três  embarques  para  os  quais os dados foram informados após o prazo de 7 dias no Siscomex.   É como voto.    Luís Eduardo Garrossino Barbieri                              Fl. 131DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES

score : 1.0
5034692 #
Numero do processo: 13826.000022/99-30
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/1992 a 30/08/1995 Restituição de Tributos Indiretos -Requisitos. No caso de restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro, a lei exige do requerente a demonstração de ter ele assumido o referido encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a repetir o indébito. Recurso Especial do Procurador conhecido e provido em parte. IPI - Restituição. Compensação. Prazo decadencial/ prescricional. Irretroatividade da Lei Complementar nº 118/2005. Pedido formulado antes de 09/06/2005. Vigência da tese dos 10 anos. Re 566.621.
Numero da decisão: 9303-002.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López (Relatora), Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que conheciam em parte; e II) no mérito: a) por unanimidade de votos, afastou-se a decadência do direito à repetição de indébito; e b) pelo voto de qualidade, deu-se provimento parcial ao recurso especial para reconhecer o direito creditório apenas quanto às saídas com autorização prevista no art. 166 do CTN. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López (Relatora), Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Valmar Fonseca de Menezes – Presidente substituto Maria Teresa Martínez López - Relatora. Henrique Pinheiro Torres – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Mércia Helena Trajano D’Amorim (Substituta convocada) e Susy Gomes Hoffmann. Ausentes justificadamente Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201210

ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/1992 a 30/08/1995 Restituição de Tributos Indiretos -Requisitos. No caso de restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro, a lei exige do requerente a demonstração de ter ele assumido o referido encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a repetir o indébito. Recurso Especial do Procurador conhecido e provido em parte. IPI - Restituição. Compensação. Prazo decadencial/ prescricional. Irretroatividade da Lei Complementar nº 118/2005. Pedido formulado antes de 09/06/2005. Vigência da tese dos 10 anos. Re 566.621.

turma_s : Terceira Câmara

dt_publicacao_tdt : Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013

numero_processo_s : 13826.000022/99-30

anomes_publicacao_s : 201308

conteudo_id_s : 5286062

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 9303-002.141

nome_arquivo_s : Decisao_138260000229930.PDF

ano_publicacao_s : 2013

nome_relator_s : MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ

nome_arquivo_pdf_s : 138260000229930_5286062.pdf

secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López (Relatora), Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que conheciam em parte; e II) no mérito: a) por unanimidade de votos, afastou-se a decadência do direito à repetição de indébito; e b) pelo voto de qualidade, deu-se provimento parcial ao recurso especial para reconhecer o direito creditório apenas quanto às saídas com autorização prevista no art. 166 do CTN. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López (Relatora), Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Valmar Fonseca de Menezes – Presidente substituto Maria Teresa Martínez López - Relatora. Henrique Pinheiro Torres – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Mércia Helena Trajano D’Amorim (Substituta convocada) e Susy Gomes Hoffmann. Ausentes justificadamente Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).

dt_sessao_tdt : Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012

id : 5034692

ano_sessao_s : 2012

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:56 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046173670965248

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2452; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 1.644          1 1.643  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  13826.000022/99­30  Recurso nº  124.672   Especial do Procurador  Acórdão nº  9303­002.141  –  3ª Turma   Sessão de  17 de outubro de 2012  Matéria  IPI ­ ressarcimento  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  RAIZEN TARUMàS/A (sucessora de USINA MARACAÍ S/A AÇÚCAR E  ÁLCOOL)    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/02/1992 a 30/08/1995  Contrariedade  à  Evidência  das  Provas.  Análise  de  prova  pela  CSRF.  Possibilidade.  Em sede de preliminar de admissibilidade de recurso, só é dado verificar, em  tese, e, apenas em tese, se o apelo de natureza especial logrou demonstrar que  a  decisão  fustigada  foi  proferida  contrariamente  à  evidência  das  provas,  cabendo, na análise de mérito, aí sim, decidir se o acórdão recorrido pautou­ se  dentro  dos  ditames  legais.  No  Regimento  Interno  do  CARF  ou  em  qualquer  parte  da  legislação  processual,  não  há  qualquer  vedação  a  que  a  Câmara Superior de Recursos Fiscais enfrente a análise de provas, sobretudo,  no  julgamento  de  recursos  cujo  fundamento  para  sua  admissibilidade  era  a  alegação  de  ter o  acórdão  recorrido  contrariado  a  evidência  das  provas  dos  autos.   Uniformização  de  Jurisprudência.  Tribunais  Superiores.  (Art.  543­B  e  543­C  do  CPC).  Necessidade  de  Reprodução  das  Decisões  pelo  CARF  (Art. 62­A do RICARF).  IPI  ­  Restituição.  Compensação.  Prazo  decadencial/  prescricional.  Irretroatividade da Lei Complementar nº 118/2005. Pedido  formulado antes  de 09/06/2005. Vigência da tese dos 10 anos. Re 566.621.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/02/1992 a 30/08/1995  Restituição de Tributos Indiretos ­Requisitos.  No  caso  de  restituição  de  tributos  que  comportem,  por  sua  natureza,  transferência  do  respectivo  encargo  financeiro,  a  lei  exige  do  requerente  a  demonstração  de  ter  ele  assumido  o  referido  encargo,  ou,  no  caso  de  tê­lo     AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 6. 00 00 22 /9 9- 30 Fl. 1683DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES     2 transferido  a  terceiro,  estar  por  este  expressamente  autorizado  a  repetir  o  indébito.  Recurso Especial do Procurador conhecido e provido em parte.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  conhecer  do  recurso  especial.  Vencidos  os  Conselheiros Maria  Teresa Martínez  López  (Relatora),  Nanci  Gama,  Rodrigo  Cardozo  Miranda  e  Francisco  Maurício  Rabelo  de  Albuquerque  Silva,  que  conheciam em parte; e II) no mérito: a) por unanimidade de votos, afastou­se a decadência do  direito  à  repetição  de  indébito;  e  b)  pelo  voto  de  qualidade,  deu­se  provimento  parcial  ao  recurso especial para reconhecer o direito creditório apenas quanto às saídas com autorização  prevista  no  art.  166  do  CTN.  Vencidos  os  Conselheiros  Maria  Teresa  Martínez  López  (Relatora),  Nanci  Gama,  Rodrigo  Cardozo  Miranda,  Francisco  Maurício  Rabelo  de  Albuquerque Silva e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Designado para redigir  o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.     Valmar Fonseca de Menezes – Presidente substituto    Maria Teresa Martínez López ­ Relatora.    Henrique Pinheiro Torres – Redator Designado  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa  Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Mércia Helena Trajano D’Amorim  (Substituta  convocada)  e Susy Gomes Hoffmann. Ausentes  justificadamente Marcos Aurélio  Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).     Relatório      Na  sessão  plenária  de  23  de  fevereiro  de  2005,  a  Terceira  Câmara  do  Segundo Conselho  de Contribuintes  julgou  o Recurso Voluntário  n°  124.672  e  decidiu,  por  maioria de votos,  dar­lhe provimento. A decisão  foi  formalizada no Acórdão n° 203­10.010,  que recebeu a seguinte ementa:    Fl. 1684DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13826.000022/99­30  Acórdão n.º 9303­002.141  CSRF­T3  Fl. 1.645          3 "IPI.  COMPENSAÇÃO.  TERMO  INICIAL.  O  prazo  para  se  pleitear  a  compensação/restituição dos valores recolhidos indevidamente a titulo de IPI  começa a contar a partir da publicação da Instrução Normativa 67/98.  COMPROVAÇÃO.  Resta  expressamente  autorizada  a  compensação  dos  valores  pelos  clientes  da  Recorrente,  nos  termos  do  artigo  166  do  Código  Tributário Nacional.  Recurso provido."      Ciente do referido acórdão, a Fazenda Nacional, com fulcro no art. 32, inciso  I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n. 55, de  16/03/98,  interpôs  o Recurso Especial  de  fls.  1.547/1.550, onde:  ­  afirmou que  a  interessada  não podia ser restituída do aludido indébito do IPI, pois não foi provado que a mesma assumiu  o ônus do pagamento do tributo ou de que seja autorizada a repeti­lo por quem o assumiu, nos  termos do art. 166 do CTN; e ­ protestou pela aplicação do prazo decadencial de cinco anos a  contar do pagamento indevido para a restituição do indébito de IPI.  Alegou­se  no  recurso  especial,  em  síntese,  afronta  à  prova  dos  autos  e  violação ao princípio do ônus da prova, previsto no artigo 333 do Código de Processo Civil.  A  interessada,  produtora  de  açúcar  cristal,  nas  modalidades  "superior",  "especial"  e  "especial  extra",  entrou  com  pedido  de  restituição/compensação  em  01/02/199,  referente ao imposto de IPI recolhido indevidamente referente ao período compreendido entre  os meses de fevereiro de 1992 e agosto de 1995.   O pleito fundou­se na Instrução Normativa SRF nº 67, de 14/07/98, cujo teor  é o seguinte:  Art.  1º  Os  estabelecimentos  industriais  que  deram  saídas  a  açúcares  de  cana  do  tipo  demerara,  cristal  superior,  cristal  especial, cristal especial extra e refinado granulado, no período  de  6  de  julho  de  1995  a  16  de  novembro  de  1997,  e  a  açúcar  refinado do tipo amorfo, no período de 14 de janeiro de 1992 a  16 de novembro de 1997, com  lançamento,  em Nota Fiscal,  do  Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), ou com indicação  do  imposto  tendo  em  vista  decisão  judicial,  e  que  não  tenham  promovido  seu  recolhimento,  deverão  oferecer  à  tributação  e  recolher  ao  Tesouro  Nacional,  no  prazo  de  30  (trinta)  dias,  contado da publicação desta Instrução Normativa, o Imposto de  Renda Pessoa  Jurídica  e a Contribuição  Social  sobre  o Lucro,  quando cabíveis, e as Contribuições para o PIS/PASEP e para o  Financiamento da  Seguridade  Social  (COFINS),  respeitados  os  períodos de apuração do imposto e de cada contribuição.  Art.  2º  Os  estabelecimentos  industriais  que  deram  saídas  a  açúcares  de  cana  do  tipo  demerara,  cristal  superior,  cristal  especial, cristal especial extra e refinado granulado, no período  de 6 de  julho de 1995 a 16 de novembro de 1997,  e a açúcar  refinado do tipo amorfo, no período de 14 de janeiro de 1992 a  16 de novembro de 1997, com lançamento, em Nota Fiscal, do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (IPI),  e  que  tenham  Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES     4 promovido seu recolhimento, poderão solicitar a restituição dos  valores pagos na forma da legislação vigente.  Parágrafo único. O valor a restituir será utilizado para quitar,  mediante  compensação,  qualquer  débito  existente,  inclusive  o  decorrente do oferecimento à tributação do valor da restituição,  nos  termos  do  art.  1º,  ficando  a  restituição  restrita  ao  saldo  resultante  dessas  compensações,  observado  o  disposto  nas  Instruções Normativas SRF nºs 21, de 10 de março de 1997, e  73, de 15 de setembro de 1997.  Art.  3º  Fica  convalidado  o  procedimento  adotado  pelos  estabelecimentos  industriais  que  deram  saídas  a  açúcares  de  cana do  tipo demerara, cristal superior, cristal especial, cristal  especial extra e refinado granulado, no período de 6 de julho de  1995  a  16  de  novembro  de  1997,  e  a  açúcar  refinado  do  tipo  amorfo, no período de 14 de janeiro de 1992 a 16 de novembro  de 1997, sem lançamento, em Nota Fiscal, do IPI.  Art.  4º  Para  fins  de  identificação  do  tipo  de  açúcar  saído  dos  estabelecimentos  industriais  deverão  ser  adotadas  as  especificações  técnicas contidas na Resolução IAA nº 2.190, de  30 de janeiro de 1986, que estabeleceu a classificação dos vários  tipos  de  açúcares  de  produção  direta  das  usinas  e  refinarias  autônomas do País.  Art. 5º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua  publicação. (grifos e destaques nossos)  Em suma, a contribuinte asseverou que recolheu o IPI incidente sobre a saída  de açúcares de cana à alíquota de 18%, enquanto que a IN SRF nº 67/98 reconheceu o indébito  e autorizou a sua restituição e compensação.  Por  meio  do  Despacho  n.  203­019,  de  fls.1555,  sob  o  entendimento  de  estarem presentes as condições legais, o recurso foi admitido.  A  interessada  apresentou  contrarrazões  onde  em  apertada  síntese  pede  a  manutenção da decisão recorrida.   É o relatório.      Voto Vencido  Conselheira Maria Teresa Martínez López    Duas questões foram colocadas a discussão. A Primeira diz respeito ao prazo  decadencial/prescricional  para  solicitar  a  restituição/compensação  do  imposto  pago  indevidamente,  e  a  segunda  diz  respeito  à  prova,  no  entendimento  de  que  a  interessada  não  podia ser restituída do aludido indébito do IPI, pois não foi provado que a mesma assumiu o  Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13826.000022/99­30  Acórdão n.º 9303­002.141  CSRF­T3  Fl. 1.646          5 ônus do pagamento do tributo ou de que seja autorizada a repeti­lo por quem o assumiu, nos  termos do art. 166 do CTN.   Conheço  parcialmente  do  recurso,  apenas  quanto  ao  primeiro  tema:  ­  decadencial/prescricional para solicitar a restituição/compensação    i) Decadência/prescrição:  A  interessada,  produtora  de  açúcar  cristal,  nas  modalidades  "superior",  "especial"  e  "especial  extra",  entrou  com  pedido  de  restituição/compensação  em  01/02/199,  referente  ao  imposto  recolhido  indevidamente  referente  ao  período  compreendido  entre  os  meses de fevereiro de 1992 e agosto de 1995.  Em  primeiro  lugar,  registrando  a  controvérsia  que  o  tema  envolve,  sempre  ressalvei  a minha opinião particular de  reconhecer,  na  linha de  interpretação do STJ, que os  pedidos efetuados antes da vigência do disposto no art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005 1  devam obedecer ao prazo de 10 anos retroativos a contar do pleito 2.   Posteriormente a jurisprudência se consolidou nesse sentido.  De acordo com o art. 62­A do RI­CARF, os Conselheiros deverão reproduzir  as  decisões  do  STF  e  STJ,  que  tenham  sido  objeto  de  uniformização  de  jurisprudência,  de  acordo com a sistemática dos arts. 543­B e 543­C do CPC, in verbis:  “Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.”  Nesse sentido, peço vênia para transcrever a ementa do RE nº 566.621/RS, de  relatoria da Min. Ellen Gracie:  DIREITO  TRIBUTÁRIO  –  LEI  INTERPRETATIVA  –  APLICAÇÃO  RETROATIVA  DA  LEI  COMPLEMENTAR  Nº  118/2005  –  DESCABIMENTO  –  VIOLAÇÃO  À  SEGURANÇA  JURÍDICA  –  NECESSIDADE  DE  OBSERVÂNCIA  DA  VACATIO  LEGIS  –  APLICAÇÃO  DO  PRAZO  REDUZIDO  PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS  PROCESSOS  AJUIZADOS  A  PARTIR  DE  9  DE  JUNHO  DE  2005.                                                              1 "Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 ­  Código  Tributário  Nacional,  a  extinção  do  crédito  tributário  ocorre,  no  caso  de  tributo  sujeito  a  lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da  referida Lei  2 O prazo para ao pedido de restituição/compensação de indébito é de dez anos a contar do fato gerador  do tributo. (Precedentes do STJ ­ Embargos de Divergência no Recurso Especial n. 435.835­SC).  Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES     6 A decisão do STF,  confirmou o  entendimento do STJ, no  sentido de que o  termo  inicial  do  prazo  para  repetição  de  indébito,  a  partir  de  09/06/2005,  vigência  da  Lei  Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já para as ações de  restituição  ingressadas  até  a  vigência  dessa  lei,  dever­se­ia  aplicar  o  prazo  dos  10  anos,  consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir). Para  melhor  clareza do  aqui  exposto,  transcreve­se a  ementa do  acórdão pretoriano que decidiu  a  questão.  04/08/2011 ­ PLENÁRIO  RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio Grande do Sul.  RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  ­  LEI  INTERPRETATIVA  ­  APLICAÇÃO  RETROATIVA  DA  LEI  COMPLEMENTAR  Nº  118/2005  ­  DESCABIMENTO  ­  VIOLAÇÃO  À  SEGURANÇA  JURÍDICA ­ NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO  LEGIS  APLICAÇÃO  DO  PRAZO  REDUZIDO  PARA  REPETIÇÃO  OU  COMPENSAÇÃO  DE  INDÉBITOS  AOS  PROCESSOS  AJUIZADOS  A  PARTIR  DE  '9  DE  JUNHO  DE  2005.  Quando  do  advento  da  LC  118/05,  estava  consolidada  a  orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  o  prazo  para  repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados  do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos  arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, 1, do­ CTN.  A LC 118/05,  embora  tenha  se auto­proclamado  interpretativa,  implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos  contados  do  fato  gerador  para  5  anos  contados  do  pagamento  indevido.  Lei  supostamente  interpretativa  que,  em  verdade,  inova  no  mundo jurídico deve ser considerada como lei nova.  Inocorrência  de  violação  à  autonomia  e  independência  dos  Poderes,  porquanto  a  lei  expressamente  interpretativa  também  se submete, como qualquer Outra, ao controle judicial quanto à  sua natureza, validade e aplicação.  A  aplicação  retroativa  de  novo  e  reduzido  prazo  para  a  repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por  lei  nova,  fulminando,  de  imediato,  pretensões  deduzidas  tempestivamente  à  luz  do  prazo  então  aplicável,  bem  como  a  aplicação  imediata  às  pretensões  pendentes  de  ajuizamento  quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra  de  transição,  implicam  ofensa  ao  Principio  da  segurança  jurídica  em  seus  conteúdos  de  proteção  da  confiança  e  de  garantia do acesso à justiça.  Afastando­se as aplicações inconstitucionais e resguardando­se,  no mais,  a  eficácia da norma, permite­se a aplicação do prazo  reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis,  conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado  445 da Súmula do Tribunal.  Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13826.000022/99­30  Acórdão n.º 9303­002.141  CSRF­T3  Fl. 1.647          7 O prazo de vatatio  legis de 120 dias permitiu aos contribuintes  não  apenas  que  tomassem  ciência do  novo  prazo, mas  também  que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos.  lnaplicabilidade  do  art.  2.028  do  Código  Civil,  pois,  não  havendo  lacuna  na  LC  118/05,  que  pretendeu  a  aplicação  do  novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação  por  analogia.  Além  disso,  não  se  trata  de  lei  geral,  tampouco  impede iniciativa legislativa em contrário.  Reconhecida  a  inconstitucionalidade  art.  4º,  segunda  parte,  da  LC 118/05, considerando­se válida a aplicação do novo prazo de  5  anos  tão­somente  às  ações  ajuizadas  após  o  decurso  da  vacacio  legis  de  120  dias,  ou  seja,  a  partir  de  9  de  junho  de  2005.  Aplicação do art. 543, § 3, do CPC aos recursos sobrestados.  Recurso extraordinário desprovido.  AC0RDÃO  Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros  do  Supremo  Tribunal  Federal,  em  Sessão  Plenária,  sob  a  RE  66.621/RS  Presidência  do  Senhor  Ministro  Cezar  Peluso,  na  conformidade  da  ata  de  julgamento  e  das  notas  taquigráficas,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  extraordinário, nos termos do voto da relatora.  Portanto, a matéria não comporta mais dúvidas. A norma inserta no artigo 3º,  da  lei  complementar  n°  118/2005,  indubitavelmente,  cria  direito  novo,  não  configurando  lei  meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada.  Pois  bem,  tendo  em  vista  que  o  pedido  de  restituição  foi  efetuado  em  01/02/1999, e se refere aos recolhimentos de valores a título de IPI sobre açucares no período  de fev/92 a ag/95, nenhum período encontra­se decaído.    ii) Da suposta contrariedade à lei ou evidência de provas   Defende a Fazenda Nacional que:  No presente caso, o requerente não provou nem que assumiu os  encargos  do  tributo,  nem  que  não  os  transferiu  a  terceiros.  Bastava  provar  que  os  adquirentes  dos  produtos  eram  comerciantes  finais,  ou  revendedores  que  não  os  utilizam  em  processos  de  industrialização. Mas  tal prova não  foi  produzida.  Logo, para a segurança do Erário, que poderá ser desfalcado por  conta  da  duplicidade  do  aproveitamento  desse  IPI,  é  preciso  reformar o acórdão.  Por  entender  caber  ao  relator  do  processo,  antes  de  efetuar  qualquer  apreciação de mérito, efetuar o controle dos requisitos formais de admissibilidade do recurso,  Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES     8 entre eles, a verificação de se os pressupostos processuais foram devidamente cumpridos, passo  à sua apreciação:   Este  exame  preliminar  sobre  o  cabimento  do  recurso  denomina­se  juízo  de  admissibilidade, transposto o qual, em sentido favorável à recorrente, passará o órgão recursal  ao juízo de mérito do recurso interposto pela Procuradoria.   O  litígio diz  respeito basicamente  ao  reexame da prova acostada nos autos.  Da mesma forma manifestada nos precedentes, de interesse da ora interessada, anteriormente  citados não cabe a CSRF reanalisar a prova, apreciada pela então AC. 203­10.010.  O  Acórdão  recorrido  entendeu,  pelas  provas  juntadas,  assistir  direito  à  contribuinte.   O  conceito  de  reexame de  prova deve  ser  atrelado  ao  de  convicção,  pois  o  que  não  se  deseja  permitir,  quando  se  fala  em  impossibilidade  de  reexame  de  prova,  é  a  formação de nova convicção sobre os fatos já analisados pela Câmara recorrida. Não me parece  razoável,  em outras palavras, que a CSRF venha a viabilizar um  juízo que resulte da análise  dos  fatos  a  partir  das  provas.  Em  outras  palavras,  não  me  parece  razoável  a  análise  de  ter  ocorrido pela Câmara apreciação inadequada das provas e consequentemente formar uma nova  convicção  sobre  os  fatos.  O  julgador,  antes  de  valorar  as  provas,  deve  estar  certo  de  que  a  prova é idônea para formar o seu convencimento.   Nesse sentido cito outro precedentes da CSRF.  Acórdão nº: CSRF/01­05.292  RECURSO  ESPECIAL  ­  PRESSUPOSTO  DE  DIVERGÊNCIA  JURISPRUDENCIAL  ­  INEXISTÊNCIA  ­  Não  se  conhece  do  apelo que não demonstra a existência de decisão paradigmática  em  face  da  vergastada,  especialmente  quando  esta  repousa  no  exame  da  prova.  A  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  tem  por intuito dirimir conflitos de teses e não é instância apropriada  para reexame da prova.  Recurso especial não conhecido.  Por  unanimidade  de  votos,  NÃO  CONHECER  do  recurso.  Manoel Antonio Gadelha Dias ­ Presidente  No  mais,  entendo  inexistir  contrariedade  à  lei.  Em  primeiro  porque  não  demonstrada. Em segundo, porque se trata de interpretação do artigo 166 do CTN.   Caso  esta  Conselheira  seja  vencida,  na  preliminar  de  conhecimento  do  recurso especial interposto pela D. Procuradoria, passo ao exame do mérito.  DO MÉRITO  Retornando aos fatos, tem­se que, a interessada, é produtora de açúcar cristal,  nas modalidades "superior", "especial" e "especial extra" (assim classificado de acordo com o  grau de polarização ­ sacarose mínima de 99,5%, 99,7% e 99,8%, respectivamente, segundo o  critério determinado pela Resolução n° 2.190/86 do Instituto de Açúcar e Álcool) e de álcool  carburante,  tendo  recolhido,  por  conta  disso,  no  período  compreendido  entre  os  meses  de  fevereiro de 1992 e agosto de 1995, o IPI sob a aliquota de 18% (dezoito por cento), conforme  Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13826.000022/99­30  Acórdão n.º 9303­002.141  CSRF­T3  Fl. 1.648          9 lhe era exigido através da legislação de vigência (artigo 2° da Lei n° 8.383/91 c/c Decreto n°  420/92).  Todavia, reconhecida a ilegalidade e a inconstitucionalidade da exigência do  IPI  incidente  à  alíquota  de  18%,  o  próprio  Secretário  da Receita  Federal  editou  a  Instrução  Normativa n° 67/98 com eficácia restabelecida através do Ato Declaratório Executivo SRF n°  28/2001, autorizando os contribuintes que recolheram o IPI sob a aliquota de 18% a pleitearem  a sua restituição.   Inicialmente, por meio de despacho decisório SAORT n° 2002/76, proferido  pelo  Delegado  da  Receita  Federal  em  Marília,  foi  indeferido  o  pedido  da  Recorrente  à  compensação dos valores de IPI indevidamente recolhidos a maior, sob o fundamento de que,  primeiramente,  teria ocorrido  decadência  do  direito  de  pleitear  a  restituição/compensação  de  parte  dos  valores  controversos  (5  anos  da  extinção  do  pagamento),  bem  como  por  não  ter  aquela  feito  prova  do  estorno  dos  créditos  de  IPI  promovidos  pelos  adquirentes  de  seus  produtos, ensejando a apresentação de Manifestação de Inconformidade por parte da mesma,  que  restou  indeferida  pela  Colenda  Segunda Turma  de  Julgamento  da Delegacia  da Receita  Federal de Ribeirão Preto com a prolação de v. acórdão.  Já o então Conselho de Contribuintes (Acórdão recorrido) deu provimento ao  recurso. Afastou a decadência ao considerar que o prazo dos 5 anos, tem início com a data da  publicação da IN 67/98. No mérito entendeu que:    (...)  0 artigo 166 do Código Tributário Nacional estabelece as  exigências para a obtenção de restituição de tributos cujo  ônus tenha sido transferido a terceiros.  Exige  o  dispositivo  prova  da  assunção  do  encargo  ou  a  expressa  autorização  dos  adquirentes  dos  produtos  para  quem  foi  transferido  dito  encargo,  ficando  expressamente  autorizado a recebê­lo, sendo vejamos:  Verbis ­ Art. 166. A restituição de tributos que comportem,  por  sua  natureza,  transferência  do  respectivo  encargo  financeiro somente será feita a quem prove haver assumido  referido  encargo,  ou,  no  caso  de  tê­lo  transferido  a  terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê­ la.  Nesse  passo,  da  análise  dos  documentos  trazidos  á.  colação, elejo o de fl. 103, como exemplo, e vislumbro que  os  clientes  da  ora  recorrente  autorizam  expressamente  a  restituição/compensação  dos  valores  do  IPI,  destacados  e  recolhidos,  efetuados  a  partir  de 1992,  tanto  para  açúcar  amorfo, quanto para açúcares superior, especial e especial  extra.  Ainda  mais,  declaram  os  adquirentes  que  não  foram  tomados quaisquer créditos de IPI em relação aos açúcares  acima identificados, adquiridos para comercialização.  Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES     10 Portanto,  entendo  serem  cabíveis  as  compensações/restituições  nos  moldes  das  autorizações  dadas pelas adquirentes dos açúcares da Recorrente.   Depreende­se,  do  texto  legal  retro  citado  pelo  relator  do  acórdão  recorrido,  que  a única  exigência  contida no  artigo 166 do Código Tributário Nacional  relativamente  a.  restituição  de  tributos  cujo  ônus  foi  transferido  a  terceiros  é  o  fato  de  estar  expressamente  autorizado  por  estes  a  pleiteá­la.  No  mais  analisou  a  documentação  juntada  para  ao  final  entender serem cabíveis as compensações/restituições solicitadas.  Por  amor  ao  debate,  compulsando  os  autos  do  presente  processo  administrativo, verifica­se que  a  interessada  cumpriu  integralmente  tal  exigência  legal,  tendo  colacionado ao processo autorizações  relativas as empresas adquirentes do seu  (dela) açúcar,  mesmo naquelas hipóteses em que aquela far­se­ia desnecessária, como por exemplo nos casos  dos adquirentes impossibilitados, por sua própria natureza, de se creditarem do valor relativo  IPI.  Com efeito, o artigo 166 do CTN é claro ao dispor que a restituição somente  será  deferida  a.  vista  da  expressa  autorização  dos  terceiros  que  suportaram  o  "ônus  do  recolhimento  do  tributo,  em  nenhum  momento  ficando  implícito  o  requisito  do  estorno  do  crédito, ou de outra qualquer condição.   Muito  embora,  não  seja  da  competência  desta  Eg.  Câmara  o  reexame  de  prova,  a  sentir  desta  conselheira,  restou  provado  pela  contribuinte,  nos  termos  em  que  estabelecido  pelo  artigo  166  do  Código  Tributário  Nacional,  que  estava  autorizada  pelos  adquirentes  de  seu  (dela)  açúcar  a  pleitear  administrativamente  a  restituição  do  montante  indevidamente  recolhido,  sendo  que  nenhuma  outra  comprovação  pode  ser  exigida  daquela,  sob  pena  de  restar,  tal  exigência,  totalmente  ilegal  por  não  estar  prevista  em  lei,  quer  expressamente, quer de forma "implícita". 3  Portanto, entendo assistir o direito da Recorrente à  restituição/compensação  pleiteada,  face  aos  elementos  documentais  apresentados,  suficientes  para  o  deferimento  do  pleito  ora  questionado,  conforme  acórdão  ora  recorrido,  não  sujeito  à  reexame  por  este  Colegiado.   O  assunto  de  fundo  de  interesse  do  mesmo  contribuinte,  já  foi  objeto  de  discussão  por  duas  vezes,  segundo  a  memória  registrada,  nesta  Eg.  CSRF.  A  primeira,  de  minha autoria:  Processo n° 13826.000067/99­78  Recurso n°: 202­119.630 Especial do Procurador  Acórdão n° 9303­00.146 — 3' Turma  Sessão de 11 de agosto de 2009                                                              3 Os  documentos  colacionados pela  interessada  não  se  restringiram a  autorizar o  pleito  de  restituição por parte  desta, tendo restado ali consignado ainda, de forma clara e inequívoca, que os referidos adquirentes não tomaram  credito do tributo, não havendo porque se exigir outras comprovações de seus clientes (fato este que sequer pode  ser considerado normal numa relação negocial, uma vez não possuir a ora interessada o poder fiscalizatório que  compõe os atributos indelegáveis das autoridades fiscais. Veja­se que alguns dos adquirentes do açúcar produzido  pela Recorrente são estabelecimentos comerciais (não só supermercados, mas também cooperativas de consumo,  por exemplo), que sequer são contribuintes do IPI, tendo em vista a própria natureza da atividade comercial por  eles realizadas.  Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13826.000022/99­30  Acórdão n.º 9303­002.141  CSRF­T3  Fl. 1.649          11 Matéria IPI  Recorrente FAZENDA NACIONAL  Interessado USINA NOVA AMÉRICA S/A  Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI  Ano­calendário: 1994, 1995, 1996  IPI. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. IN SRF N°  67/98.  AÇÚCAR  AMORFO  E  CRISTAL.  IPI.  ANÁLISE  DA  PROVA. INADMISSIBILIDADE.  A admissibilidade de recurso especial em que se fundamenta no  reexame da prova, para que possa ser decidido o mérito ­ direito  à restituição, deve se ater às instâncias inferiores.  Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.  O segundo  julgamento,  do  ilustre  relator Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda,  nos autos do processo n.13826.000076/99­69 – Acórdão n. 9303­01.181, de 20/10/2010, seguiu  o mesmo resultado, cuja ementa está assim redigida:   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 10/11/1994 a 31/07/1996  IPI.  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. IN SRF N° 67/98. AÇÚCAR AMORFO  E  CRISTAL.  REEXAME  DO  CONTEÚDO  FÁTICO­PROBATÓRIO.  INSTÂNCIA ESPECIAL. INADMISSIBILIDADE.  Não se conhece de recurso especial em que se busca o reexame do conteúdo  fático­probatório, que não se afigura cabível em instância especial, através da  interposição  de  recurso  especial.  A  análise  ampla  dos  fatos  e  das  provas  é  limitada às instâncias ordinárias.  RECURSO ESPECIAL. CONTRARIEDADE À EVIDÊNCIA DA PROVA.  Não  se  apontando  contrariedade  à  evidência  de  qualquer  prova,  o  recurso  especial não merece ser provido.  COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.  Sendo apresentados  com o pedido de  compensação diversos documentos,  o  contribuinte  se desincumbe do  seu  ônus  probatório,  sendo que,  na  presente  hipótese, em razão de diligência determinada pela Colenda Segunda Câmara  do Segundo Conselho de Contribuintes, foram ainda colacionados aos autos  outros  documentos,  que  acabaram  por  corroborar  o  pleito  formulado  pelo  contribuinte.  Recurso Especial do Procurador Não Conhecido    CONCLUSÃO.  Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES     12 Em  face  do  acima  exposto,  voto  no  sentido  de  conhecer  parcialmente  do  recurso interposto pela Fazenda Nacional e na parte conhecida NEGAR provimento ao recurso,  pelo afastamento da decadência/prescrição.    Maria Teresa Martínez López ­ Relatora    Voto Vencedor  Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado  No  que  pese  os  bens  concatenados  argumentos  trazidos  no  voto  do  ilustre  relator, deste ouso divergir no  tocante  ao conhecimento e ao mérito do  recurso, pelas  razões  seguintes:  O  recurso  é  tempestivo  e,  a  meu  sentir,  preenche  os  demais  critérios  de  admissibilidade, senão vejamos:  Em sede de preliminar de admissibilidade de recurso, só é dado verificar, em  tese,  e,  apenas  em  tese,  se  o  apelo  de  natureza  especial  logrou  demonstrar  que  a  decisão  fustigada foi proferida contrariamente à lei ou à prova dos autos ­ hipóteses que se afiguram ao  caso dos autos, cabendo, na análise de mérito, aí sim, decidir se o acórdão recorrido pautou­se  dentro dos ditames legais.   Esclareça­se,  por  oportuno,  que  o  requisito  de  admissibilidade  pertinente  à  contrariedade do  acórdão  recorrido  à  lei  ou  à prova  dos  autos  é, meramente,  formal,  pois,  a  demonstração inequívoca dessa contrariedade é a matéria do mérito recursal, que só poderá ser  examinada pelo Colegiado após o conhecimento do recurso.   Observe­se que não há necessidade de o representante da Fazenda Nacional  detalhar,  minudentemente,  a  contrariedade,  basta  que  seja  alegada  e  corroborada  nas  razões  apresentada no Especial. O que é o caso em questão.  De  outro  lado,  ao  contrário  do  entendimento  da  Insigne Relatora,  deve  ser  esclarecido que não há qualquer vedação a que a Câmara Superior de Recursos Fiscais enfrente  a  análise  de  provas,  sobretudo,  no  julgamento  de  recursos  cujo  fundamento  para  sua  admissibilidade era a alegação de ter o acórdão recorrido contrariado prova dos autos. Ora, não  faz  qualquer  sentido  a  legislação  processual  prever  a  admissibilidade  de  um  recurso  por  contrariedade à prova dos autos e o órgão responsável pelo julgamento desse recurso não poder  analisar  a  alegada  contrariedade.  De  que  adiantaria  tal  recurso  se  as  provas  alegadamente  contrariadas não forem examinadas pelo Colegiado ad quem? A prevalecer esse entendimento  de que a instância especial, em casos como o dos autos, não pode examinar provas, chegar­se­ ia à conclusão de que a previsão regimental para esse tipo de recurso seria totalmente inócua  ou, pior ainda, de que o Colegiado deveria decidir a questão sem conhecimento do que estava  decidindo, o que, em qualquer dos casos, seria conclusão, totalmente, desarrazoada.  No caso sob exame, como consta do relatório e, também, do voto vencido, a  recorrente  apontou  em  seu  recurso  qual  prova  teria  sido  contrariada  pelo  acórdão  recorrido.  Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13826.000022/99­30  Acórdão n.º 9303­002.141  CSRF­T3  Fl. 1.650          13 Assim, a meu sentir, dúvida não há que o apelo Fazendário atendeu a  todos os  requisitos de  admissibilidade, devendo, por isso ser conhecido.  No  mérito,  divirjo  apenas  parcialmente  do  posicionamento  adotado  pela  Relatora, e o faço pelas razões a seguir expostas.  O Código Tributário Nacional, exige que, no caso de 4restituição de tributos  que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro, o requerente  demonstre ter assumido o referido encargo, ou, no caso de tê­lo transferido a terceiro, estar por  este expressamente autorizado a repetir o indébito.   No caso  sob  exame,  é  incontroverso que houve  a  transferência do  encargo,  visto  que o  imposto  fora  destacado  nas  notas  de  vendas. Assim,  resta  a  segunda opção  qual  seja,  a demonstração  de  que  a  requerente  estava  expressamente  autorizada pelos  adquirentes  dos produtos (terceiros a quem foi transferido o encargo do imposto) a repetir o indébito.   Dos autos constam que parte dos adquirentes do açúcar deram a autorização  expressa, mas  em  relação  à  outra  parte,  não  há  prova  de  que  isso  ocorreu.  Por  conseguinte,  somente em relação a uma parcela da restituição pretendida é que a contribuinte demonstrou  atender às condições estabelecidas no art. 166 do CTN para fazer jus à repetição do indébito.  Assim, a solução é por demais simples, na parte em que houve o atendimento das condições  retromencionada, deve­se  restituir o  imposto pago a maior ou  indevidamente, e, na parte em  que tais condições não foram atendidas, não há como deferir a repetição pretendida pelo sujeito  passivo.  Registre­se,  por  oportuno,  que  a  Lei  exige  que  o  postulante  à  restituição  demonstre estar autorizado pelo terceiro que suportou o encargo tributário, mas não impõe que  este ( o terceiro) comprove que não se utilizou do crédito do imposto destacado nas notas. Ora  se a lei não exigiu, não cabe ao intérprete fazê­lo.  Com  essas  considerações,  conheço  do  recurso  especial  apresentado  pela  Fazenda Nacional,  e,  no mérito,  dou­lhe provimento parcial  para deferir  apenas  a  restituição  que o sujeito passiva tenha feito prova, nos autos, do atendimento das condições estabelecidas  no art. 166 do CTN.     Henrique Pinheiro Torres                                                                4  Art.  166.  A  restituição  de  tributos  que  comportem,  por  sua  natureza,  transferência  do  respectivo  encargo  financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de tê­lo transferido a  terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê­la  Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES     14                 Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LO PEZ, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES

score : 1.0
5108903 #
Numero do processo: 10680.013032/2007-00
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Sat Feb 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.130
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o processo em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201302

camara_s : Quarta Câmara

turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013

numero_processo_s : 10680.013032/2007-00

anomes_publicacao_s : 201310

conteudo_id_s : 5298305

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 2403-000.130

nome_arquivo_s : Decisao_10680013032200700.PDF

ano_publicacao_s : 2013

nome_relator_s : PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO

nome_arquivo_pdf_s : 10680013032200700_5298305.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o processo em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.

dt_sessao_tdt : Sat Feb 23 00:00:00 UTC 2013

id : 5108903

ano_sessao_s : 2013

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:36 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046173733879808

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1264; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T3  Fl. 615          1 614  S2­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10680.013032/2007­00  Recurso nº  999.999Voluntário  Resolução nº  2403­000.130  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária  Data  23 de fevereiro de 2013  Assunto  Solicitação de Diligência  Recorrente  EDIMINAS S/A EDITORA GRAFICA INDUSTRIAL DE MINAS GERAIS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL        RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o  processo em diligência.      Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente     Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Carlos  Alberto  Mees  Stringari,  Ivacir  Júlio  de  Souza,  Paulo  Maurício  Pinheiro  Monteiro,  Marcelo  Magalhães  Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.       RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .0 13 03 2/ 20 07 -0 0 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/2007­00  Resolução nº  2403­000.130  S2­C4T3  Fl. 616          2     RELATÓRIO     Trata­se de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 02­24.640 – 7ª  Turma  da  DRJ/Belo  Horizonte,  que  julgou  procedente  em  parte  o  lançamento,  oriundo  de  descumprimento  de  obrigação  tributária  legal  acessória,  fl.  01,  Auto  de  Infração  –  AI  nº  37.044.496­5, no montante original de R$ 3.167,28, retificado para R$ 1.015,92.  Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.044.496­5,  Código de Fundamentação Legal – CFL 69, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente  por ela  ter apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e  Informações  à  Previdência  Social  –  GFIP:com  aliquota  de  1%  de  RAT,  quando  seu  enquadramento  conforme  o CNAE  (Classificação Nacional  de Atividades Econômicas)  é  de  2%, no período de 07/1997 a 05/2003.   O Relatório Fiscal da Infração:  A empresa  informou na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  ­  GFIP  aliquota de 1% de RAT, quando seu enquadramento conforme o CNAE  (Classificação  Nacional  de  Atividades  Econômicas)  é  de  2%,  no  período de 07/1997 a 05/2003,  tendo infringido o disposto no art. 32,  inciso IV, parágrafo 6o da Lei 8.212/91.  A  empresa  esta  enquadrada  na  faixa  de  500  a  1000  segurados  no  período para o estabelecimento do limite previsto na tabela do art.32,  parágrafo  4o  da  Lei  8.212/91.Em  nenhuma  competência  o  limite  foi  atingido.  Não  ficaram configuradas circunstâncias agravantes previstas no art.  290  do  Regulamento  da  Previdência  Social  aprovado  pelo  Decreto  3048/99  e  nem  atenuantes  previstas  no  art.  291  do  mesmo  Regulamento.  Desta forma, o dispositivo legal infringido foi a Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art.  32, inc. IV e §§ 3º e 6º, acrescido pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com o art. 225,  IV e § 4° do Regulamento da Previdência Social  ­ RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048, de  06/05/1999.  A  capitulação  da  multa  aplicada  é  Lei  n°  8.212,  de  24/07/1991,  art.  32,  §6°,  acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social  ­ RPS,  aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. III, e art. 373.  O Relatório Fiscal de Aplicação da Multa informa que:  A empresa informou 53 campos com dados incorretos ou omissos.  Fl. 191DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/2007­00  Resolução nº  2403­000.130  S2­C4T3  Fl. 617          3 A  multa  cabível  por  cada  campo  informado  incorretamente  corresponde  a  5%  do  valor  mínimo  previsto  no  art.  283  do  Regulamento  da  Previdência  Social  ­  RPS,  equivalente  a  R$1.195,13  (PT_MPS 142 de 11/04/07), conforme dispõe o art. 284,  inciso III do  RPS e art. 32, parágrafo 6o da Lei 8212/91.  0  valor  da  multa  para  cada  campo  informado  incorretamente  é  de  R$59,76.  A  empresa  informo  53  campos  com  dados  incorretos  ou  omissos, portanto, o valor da multa é de R$3.167,28.  O  Relatório  Fiscal  do  correlato  processo  principal  nº  10680.013031/2007­57,  NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº. 37.044.495­7, às fls. 376 a 378, com  Anexo às  fls. 379 a 400, observa que a constituição do crédito previdenciário ocorreu com o  fato da Empresa utilizar alíquota de 2% (dois por cento) para a parte da gráfica (FPAS 507) e  para os demais setores (FPAS 566) a aliquota de 1% (um por cento). Ademais, a fiscalização  acrescenta, ainda, que a atividade fim da empresa é a edição de jornais e que os outros setores  são  atividades meio  para  o  alcance  da  atividade­fim,  sendo  assim,  só  se  pode  ter  um  único  enquadramento.  O  Anexo  do  Relatório  Fiscal,  do  correlato  processo  principal  nº  10680.013031/2007­57 às  fls. 379 a 400, apresenta uma planilha demonstrativa das bases de  cálculo por CNPJ, com os seguintes campos:   ­  ANO/MÊS;  BASE  CALCULO;  RAT  DEVIDO;  RAT  RECOLHIDO;  DIFERENÇA;  CNPJ  O  período  de  apuração,  de  acordo  com  o  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  – MPF  nº  09332538F00,  além  do  Demonstrativo  de Emissão  e Prorrogação do MPF,  foi  de  01/1996 a  08/2006.  O período objeto do AI, conforme o Relatório Fiscal da Multa, é de 07/1997 a  05/2003.  A Recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 28.06.2007, conforme fls.  01.  Contra a autuação, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva.  Foram os autos baixados em Diligência Fiscal,  às  fls. 72 a 75, a  fim de que a  Auditoria­Fiscal se manifestasse a respeito das alegações da Recorrente, além de apresentar:  Em  face  do  exposto,  os  autos  deverão  ser  encaminhados  a Auditoria  Fiscal  para  que  a  mesma  manifeste,  exclusivamente,  quanto  ao  enquadramento  da  notificada  no  correspondente  grau  de  risco,  apresentado  planilha  discriminativa,  por  competência  e  por  estabelecimento,  constando  a  indicação  da  atividade  exercida  em  cada  estabelecimento,  a  quantidade  de  segurados  e  a  definição  da  atividade  preponderante  naquele mês.  Ressalte­se  que  tal  diligência  visa demonstrar o cumprimento dos dispositivos previstos no art. 86 da  Instrução Normativa SRP n° 03, de 14 de julho de 2005, cm especial,  os seguintes comandos: alínea c do inciso I do §º , bem como o inciso  II, e estando cm consonância da determinação prevista no caput do art.  37 da Lei n°8.212, de 1991.  Fl. 192DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/2007­00  Resolução nº  2403­000.130  S2­C4T3  Fl. 618          4 A  Informação  Fiscal  prestada  pela Auditoria,  após  a  análise  das  alegações  da  Recorrente, manteve integralmente o lançamento fiscal efetuado, à exceção da decadência que  entendeu ocorrer até a competência 04/2002 em função da Súmula Vinculante 8, STF.  Ademais, a Informação Fiscal, assim se apresenta:  1­ Não houve correção das faltas.  2­ 0 período de 01/1999 a 04/2002 foi abrangido pela decadência em  virtude da Súmula Vinculante 08 do STF, publicada em 20/06/2008.  3­  Quanto  ao  2º  parágrafo  do  despacho  de  fls  74  referente  ao  enquadramento  da  notificada  no  correspondente  grau  de  risco,  já  foi  objeto  de  apreciação  no  processo DEBCAD  n°  37.044.495­7,  o  qual  pela estrita relação da matéria, deverá, preferencialmente, ser julgado  em conjunto com o Auto de Infração em referência.  O Contribuinte cientificado da Informação Fiscal, se manifestou, em síntese:  (i)  Quo  não  pode  alterar  a  alíquota  de  1%  para  2%  pois  estaria  confessando e aceitando a aliquota que entende incorreta.  (ii)  Apesar  do  período  de  07/1997  a  04/2002,  ter  sido  excluído  do  débito  , em face da decadência, ainda há períodos a serem decotados  da exigência fiscal. Como a apuração fiscal é datada de junho de 2007,  só poderia ela alcançar créditos posteriores à competência de junho de  2002. Assim, requer a exclusão das competências anteriores a julho de  2002, ou seja, 05/2002 a 06/2002;  (iii) A atividade da autuada é de risco mínimo, ou seja, 1%, excetuando  o  parque  gráfico  que  é  risco  2  —  que  foi  recolhido  corretamente  conforme constatou a própria fiscalização;  (iv)  Transcreve  doutrina  e  decisões  judiciais,  sobre  o  principio  da  material,  e  conclui  que  cabe  a  Administração  Pública  pesquisar,  diligenciar, averiguar para buscar a verdade material dos fatos;  Após análise dos autos, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de  Julgamento em Belo Horizonte ­ MG, emitiu o Acórdão nº 02­24.040, julgando procedente em  parte a autuação, conforme a Ementa a seguir:  ASSUNTO:  OBRIGAÇÕES  ACESSÓRIAS  Período  de  apuração:  01/01/1999  a  31/05/2003  INFRAÇÃO  À  LEGISLAÇÃO  PREVIDENCIÁRIA. GFIP.  Constitui infração a legislação previdenciária, a empresa apresentar a  Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  ­ GFIP  com  informações  inexatas,  incompletas  ou  omissas  nos  dados  não  relacionados  aos  fatos  geradores de contribuições previdenciárias.  DECADÊNCIA  A  decadência  deve­se  operar  em  cinco  anos,  nos  termos  do  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN,  ern  decorrência  da  Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal.  PERÍCIA. INDEFERIMENTO.  Fl. 193DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/2007­00  Resolução nº  2403­000.130  S2­C4T3  Fl. 619          5 Não é necessário a realização de perícia para comprovar as atividades  exercidas em cada um dos estabelecimentos da empresa, para efeito do  enquadramento  no  grau  de  risco,  visto  que  nos  termos  da  legislação  previdenciária,  deve­se  levar  em consideração a atividade  econômica  preponderante  da  empresa,  assim  considerada  a  que  ocupa,  na  empresa, o maior número de segurados e trabalhadores avulsos e não  de cada estabelecimento.  INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI VIGENTE.  Não  compete  à  esfera  administrativa  apreciar  argüição  de  inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei vigente.  MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO CÁLCULO.  A  lei  aplica­se  a  fato  pretérito  quando  lhe  comine  penalidade menos  severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.  A  comparação para determinação da multa mais benéfica deverá  ser  feita  por  ocasião  da  extinção  do  crédito  tributário,  nas  modalidades  previstas  no  artigo  156  do  CTN  ou  na  fase  de  execução  fiscal  da  divida.  Impugnação  Procedente  em  Parte  Crédito  Tributário  Mantido  em  Parte Acórdão Acordam os membros da 7a Turma de Julgamento, por  unanimidade  de  votos,  julgar  procedente  em  parte  a  impugnação,  mantendo  em  parte  o  valor  o  crédito  tributário  exigido  no  AI  n°  37.044.496­5,  passando  o  valor  de  R$3.167,28  para  R$1.015,92  (um  mil e quinze reais e noventa e dois centavos),, nos termos do relatório e  voto do relator que integram o presente julgado.  Não  cabe  recurso  de  oficio  ao  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  pois  o  valor  exonerado  encontra­se  abaixo  do  limite  estabelecido na Portaria n° 03, de 03 de janeiro de 2008 publicada no  DOU de 07 de janeiro de 2008.  Intime­se para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da  ciência,  salvo  interposição  de  recurso  voluntário  ao  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  em  igual  prazo,  conforme  facultado pelo artigo 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972,  alterado pelo art. 1° da Lei n.° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo  artigo 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002.  ik Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, para cientificar o  contribuinte  do  inteiro  teor  deste  Acórdão  e  demais  providências,  observando  o  requerido  na  defesa,  fls.47148,  para  que  sejam  cientificados  os  procuradores  da  impugnante,  domiciliados  nesta  capital,  na  Rua  São  Paulo,  1.781,  9°  andar,  Bairro  Lourdes,  CEP  30.170.132  Ademais,  o  Acórdão  da  decisão  de  primeira  instância,  decidiu:  ­ pela aplicação da decadência até a competência 05/2002,  inclusive,  com base no art. 150, § 4º, CTN;  Contra o  contribuinte  foram  lançados os  seguintes  créditos previdenciários,  na  mesma ação fiscal, conforme Termo de Encerramento da Ação Fiscal — TEAF:  Fl. 194DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/2007­00  Resolução nº  2403­000.130  S2­C4T3  Fl. 620          6 ­ NFLD n° 37.044.495­7, de obrigação principal, relativa diferença de  RAT.  ­  Auto  de  Infração  n°  37.044.492­2  (processo  n°  10680.13033/2007­ 46),  relativo  à  infringência  do  artigo  32,  IV,  §  5  0,  Lei  n°  8.212  de  1991,  acrescentado  pela  Lei  n°  9.528,  de  1997,.  descumprimento  de  obrigação acessória — omissão de fato gerador em GFIP.  ­ Auto de Infração n° 37.044.496­5  (processo n° 10680.013032/2007­  00),relativo  à  infringência  do  artigo  32,  inciso  IV,  §6.  3,  da  Lei  n.°  8.212, de 1991, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10 de dezembro de  1997,  descumprimento  de  obrigação  acessória  —  informações  inexatas, incompletas ou omissas nos dados não relacionados aos fatos  geradores de contribuições previdenciárias em GFIP;  ­ LDC ­ Lançamento de Débito Confessado n° 37.044.494­9;  ­  Auto  de  Infração  n°  37.044.493­0  ­  confeccionar  folhas­de­ pagamento em desacordo com os padrões e normas estabelecidos pela  legislação previdenciária.  Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário,  na qual alega em síntese que:  (i) decadência dos débitos e multas aplicadas entre 05/2002 e 06/2002;  (ii)  não  ser  possível  fazer  um  único  enquadramento  das  atividades  desenvolvidas pela empresa pois possui diversos estabelecimentos com  endereços distintos e atividades diferentes.  (ii) O CNAE referente à Edição de jornais é o 5812­3/00 com grau de  risco 1%, conforme o Decreto 6.042/12.02.2007;  (iv)  o  código  FPAS  507  é  para  as  Atividades  de  oficina  gráfica  de  empresa  jornalística  e  o  código  FPAS  566  é  para  as  atividades  de  escritórios, comunicações e empresa jornalística.  (v) Que a aliquota de contribuição do SAT deve corresponder ao grau  de risco aferido em cada estabelecimento identificado por seu CNPJ, e  não  em  relação  à.  empresa  como  um  todo.  Colaciona  jurisprudência  dominante do STJ para respaldar seu entendimento.  (vi) A decisão manteve o entendimento de enquadrar as atividades do  estabelecimento principal ­ MATRIZ ­ (REDAÇÃO DO JORNAL HOJE  EM DIA) no grau de risco 2.  Insta  esclarecer  que  a  impressão  de  jornais  é  efetuada  no  parque  gráfico estabelecido na Av. Nossa Senhora de Fátima, 1945 ­ BH/MG ­  com CNPJ n. 19.207.588/0003­49 ­  todos os demais estabelecimentos  dedicam­se a atividade de REDAÇÃO DO JORNAL HOJE EM DIA,  escritórios de contatos e serviços administrativos.  Ora,  sabe­se  que  a  edição  de  jornais  enquadra­se  na  Classificação  Nacional de Atividades Econômicas, na (Decreto 6.042/07):  CNAE 5812­3/00 ­ Edição de jornais = 1% CNAE 5822­1/00 ­ Edição  integrada  à  impressão  de  jornais  =  1%  Repetindo  as  atividades  Fl. 195DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/2007­00  Resolução nº  2403­000.130  S2­C4T3  Fl. 621          7 exercidas  no  principal  estabelecimento  da  autuada  ­  MATRIZ  ­  é  a  REDAÇÃO DO JORNAL HOJE EM DIA.  O único estabelecimento que tinha o risco 2 é o parque gráfico gráfico  estabelecido  na Av. Nossa  Senhora de Fátima,  1945  ­ BH/MG  ­  com  CNPJ  n.  19.207.588/0003­49  ­  todos  os  demais  estabelecimentos  do  grau de risco é 1. (Com a edição do Decreto 6.042/07 o parque gráfico  ficou com grau de risco 1).  (vii) A par disso, o STJ editou a SÚMULA 351, com o seguinte teor:  A  aliquota  de  contribuição  para  o  Seguro  de  Acidente  do  Trabalho  (SAT)  é  aferida  pelo  grau  de  risco  desenvolvido  em  cada  empresa,  individualizada  pelo  seu  CNPJ,  ou  pelo  grau  de  risco  da  atividade  preponderante quando houver apenas um registro.  (viii) Nulidade porque foi  indeferida a perícia na decisão de primeira  instância.  (ix)  A  necessidade  de  realização  de  perícia  para  comprovar  as  atividades  exercidas  em  cada  estabelecimento,  indicando  assistente  técnico e apresentando quesitos;  (x) Que  inexiste possibilidade da cobrança da multa de mora por seu  efeito  confiscatório,  caracterizando  desvio  de  finalidade,  o  que  é  vedado pelo inciso IV do art. 150 da CF/88, conforme jurisprudências  colacionadas e doutrinas relativas à matéria.  (xi) Que deve ser aplicada uma única sanção, por se tratar de infração  de natureza continuada, sendo esse o entendimento da SRFB, inclusive  havendo tal previsão no Regulamento do IPI e em consonância com a  jurisprudência administrativa;      Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão.    É o Relatório.      Fl. 196DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/2007­00  Resolução nº  2403­000.130  S2­C4T3  Fl. 622          8  VOTO   Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator     PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE   O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 169.     Anota­se  ainda  que  o  Supremo  Tribunal  Federal  –  STF  ao  editar  a  Súmula  Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera  administrativa.  Súmula  Vinculante  21  É  inconstitucional  a  exigência  de  depósito  ou  arrolamento  prévios  de  dinheiro  ou  bens  para  admissibilidade  de  recurso administrativo.   Fonte  de  Publicação:  DJe  nº.  210,  p.  1,  em  10/11/2009.  DOU  de  10/11/2009, p. 1.  Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares.    DAS PRELIMINARES   Trata­se de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 02­24.640 – 7ª  Turma  da  DRJ/Belo  Horizonte,  que  julgou  procedente  em  parte  o  lançamento,  oriundo  de  descumprimento  de  obrigação  tributária  legal  acessória,  fl.  01,  Auto  de  Infração  –  AI  nº  37.044.496­5, no montante original de R$ 3.167,28, retificado para R$ 1.015,92.  Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.044.496­5,  Código de Fundamentação Legal – CFL 69, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente  por ela  ter apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e  Informações  à  Previdência  Social  –  GFIP:com  aliquota  de  1%  de  RAT,  quando  seu  enquadramento  conforme  o CNAE  (Classificação Nacional  de Atividades Econômicas)  é  de  2%, no período de 07/1997 a 05/2003.   Foram os autos baixados em Diligência Fiscal,  às  fls. 72 a 75, a  fim de que a  Auditoria­Fiscal se manifestasse a respeito das alegações da Recorrente, além de apresentar:  Em  face  do  exposto,  os  autos  deverão  ser  encaminhados  a Auditoria  Fiscal  para  que  a  mesma  manifeste,  exclusivamente,  quanto  ao  enquadramento  da  notificada  no  correspondente  grau  de  risco,  apresentado  planilha  discriminativa,  por  competência  e  por  estabelecimento,  constando  a  indicação  da  atividade  exercida  em  cada  estabelecimento,  a  quantidade  de  segurados  e  a  definição  da  atividade  preponderante  naquele mês.  Ressalte­se  que  tal  diligência  visa demonstrar o cumprimento dos dispositivos previstos no art. 86 da  Instrução Normativa SRP n° 03, de 14 de julho de 2005, cm especial,  Fl. 197DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/2007­00  Resolução nº  2403­000.130  S2­C4T3  Fl. 623          9 os seguintes comandos: alínea c do inciso I do §º , bem como o inciso  II, e estando cm consonância da determinação prevista no caput do art.  37 da Lei n°8.212, de 1991.  A  Informação  Fiscal  prestada  pela Auditoria,  após  a  análise  das  alegações  da  Recorrente, manteve integralmente o lançamento fiscal efetuado, à exceção da decadência que  entendeu ocorrer até a competência 04/2002 em função da Súmula Vinculante 8, STF.  Ademais, a Informação Fiscal, assim se apresenta:  1­ Não houve correção das faltas.  2­ 0 período de 01/1999 a 04/2002 foi abrangido pela decadência em  virtude da Súmula Vinculante 08 do STF, publicada em 20/06/2008.  3­  Quanto  ao  2º  parágrafo  do  despacho  de  fls  74  referente  ao  enquadramento  da  notificada  no  correspondente  grau  de  risco,  já  foi  objeto  de  apreciação  no  processo DEBCAD  n°  37.044.495­7,  o  qual  pela estrita relação da matéria, deverá, preferencialmente, ser julgado  em conjunto com o Auto de Infração em referência.  Ademais,  a  Informação  Fiscal  no  correlato  processo  principal  nº  10680.013031/2007­57, às fls. 470 a 472, assim se apresenta:  1­  Atendendo  despacho  de  lis  456,  estamos  anexando  planilha  demonstrativa  com  a  quantidade  de  empregados  de  cada  estabelecimento  e  em  cada  competência,  às  folhas  459  a  469.  Anexamos,  também, a planilha 2,  folhas 470 a 472 referente a última  competência auditada, 08/2006, com demonstrativo de todas as funções  exercidas e quantitativo de empregados em todos os estabelecimentos  da  empresa,  para  uma  visão  detalhada  das  atividades  exercidas.  Esclarecemos  que  em  todas  as  outras  competências  as  funções  são  praticamente as mesmas com poucas alterações.  2­ 0 período de 07/1997 a 04/2002 foi abrangido pela decadência em  virtude da Súmula Vinculante 08 do STF, publicada em 20/06/2008.  3­  Na  análise  da  planilha  2,  podemos  constatar  que  quase  todas  as  atividades exercidas  são em  função de  edição e  impressão de  jornais  com  os  serviços  administrativos  necessários  ao  desenvolvimento  e  alcance  do  objetivo  social  da  empresa.  Esclarecemos  que  o  setor  da  gráfica  não  consta  das  planilhas,  devido  estar  utilizando  a  aliquota  correta.  4­ Ressaltamos que o objeto  social da empresa, conforme o artigo 2°  do Estatuto Social, às pág. 428, é a exploração de atividades gráfico­ industriais, edição de livros, revistas e jornais.  5­  As  atividades  acima  enquadram  a  empresa  no  CNAE  —  Classificação  Nacional  de  Atividade  Econômica  no  grau  de  risco  2.  Tanto  na  edição,  quanto  na  impressão  o  grau  de  risco  é  o  mesmo,  conforme Anexo I do ROCCS aprovado pelo Decreto 2.173/97 e Anexo  V  do  RPS  aprovado  pelo  Decreto  3048/99,  cujos  códigos  discriminamos abaixo :  Fl. 198DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/2007­00  Resolução nº  2403­000.130  S2­C4T3  Fl. 624          10 CNAE ATIVIDADES GRAUS DE RISCO ­ 22.11­0 — Edição; edição e  impressão  de  jornais  2  ­  22.12­8 —  Edição;  edição  e  impressão  de  revistas 2 ­ 22.13­6— Edição; edição e impressão de livros 2 ­ 22.19­5  — Edição;edição e impressão de outros Produtos gráficos 2 ­ 22.21­7  — Impressão de jornais, revistas e livros 6­ A vista do exposto, conclui­ se, portanto, que não há previsão de grau de risco 1 para nenhuma das  atividades incluídas no Estatuto Social, assim como as exercidas pela  empresa no período do levantamento.  O Anexo  da  Informação  Fiscal  prestada  pela  Auditoria  no  correlato  processo  principal nº 10680.013031/2007­57, às fls. 459 a 462, a 469, apresenta:  ­ uma planilha demonstrativa das bases de cálculo por CNPJ, com os  seguintes campos: ANO/MÊS; BASE CALCULO; RAT DEVIDO; RAT  RECOLHIDO; DIFERENÇA;SEGURADOS; CNPJ ­ uma planilha, em  relação à competência 08/2006, contendo os campos: SEÇÃO; CNPJ;  FUNÇÃO; QTDE FUNCIONÁRIOS.  Outrossim, em que pese a Informação Fiscal no correlato processo principal nº  10680.013031/2007­57  emitida  ter mantido  integralmente  o  lançamento  fiscal,  à  exceção  da  decadência então observada, bem como a decisão de primeira instância ter mantido também o  lançamento fiscal, à exceção da decadência até a competência 05/2002 inclusive, ainda restam  alguns pontos a serem esclarecidos em relação à atividade preponderante da Recorrente a  fim de que se possa efetivar o julgamento deste processo.  Estes pontos assim se apresentam, entre as competências 06/2002 até 08/2006:  (a)  Em  cada  competência,  a  definição  de  qual  é  a  atividade  preponderante  da  Empresa e quais as funções exercidas se adequam à atividade preponderante, considerando­se  todos  os  estabelecimentos  da  Empresa,  inclusive  o  estabelecimento  relacionado  ao  parque  gráfico que a Auditoria­Fiscal considerou estar recolhendo a alíquota de SAT/RAT correta de  2%, com FPAS 507.  (b)  A  necessidade  de  planilha  única  discriminativa  contendo  todos  os  estabelecimentos da Recorrente, inclusive o estabelecimento relacionado ao parque gráfico que  a Auditoria­Fiscal  considerou  estar  recolhendo  a  alíquota  de  SAT/RAT  correta  de  2%,  com  FPAS 507. Esta planilha única discriminativa deve apresentar:  ­  (1)  em  cada  competência,  (2)  o  estabelecimento,  (3)  a  atividade  exercida, (4) a quantidade de segurados naquela atividade exercida;  ­  no  total  de  cada  competência:  (5)  a  definição  da  atividade  preponderante,  considerando­se  todos  os  estabelecimentos,  naquela  competência.  (c) Se a Auditoria­Fiscal considerou que o estabelecimento dedicado ao parque  gráfico,  FPAS  507,  é  o  estabelecimento  de  CNPJ  19.207.588/0003­49,  conforme  o  alegado  pela Recorrente, em sede de Recurso Voluntário, às fls. 583.  (d)  A  quantidade  total  de  empregados  em  cada  estabelecimento,  entre  as  competências 06/2002 até 08/2006.  Fl. 199DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013032/2007­00  Resolução nº  2403­000.130  S2­C4T3  Fl. 625          11 Portanto, diante do exposto, para que se possa efetuar o julgamento da presente  Auto  de  Infração  – AI  nº  37.044.496­5  se  faz  necessário  o  seu  saneamento  pela  autoridade  fiscal competente pelo lançamento deste AI, trazendo­se aos autos a discriminação da atividade  preponderante da Empresa em cada competência.      CONCLUSÃO     CONVERTER  o  presente  processo  em  DILIGÊNCIA,  para  fins  de  saneamento,  de  modo  que  a  autoridade  fiscal  competente  pelo  lançamento  deste  AI  disponibilize,  em  um Relatório  Fiscal Complementar,  o  qual  após  deverá  ser  dada  ciência  à  Recorrente  do  resultado  da  diligência  como  exigência  jurídico­procedimental,  com  vistas  ao  direito do contraditório e da ampla defesa.:   (a)  Em  cada  competência,  a  definição  de  qual  é  a  atividade  preponderante  da  Empresa e quais as funções exercidas se adequam à atividade preponderante, considerando­se  todos  os  estabelecimentos  da  Empresa,  inclusive  o  estabelecimento  relacionado  ao  parque  gráfico que a Auditoria­Fiscal considerou estar recolhendo a alíquota de SAT/RAT correta de  2%, com FPAS 507.  (b)  A  necessidade  de  planilha  única  discriminativa  contendo  todos  os  estabelecimentos da Recorrente, inclusive o estabelecimento relacionado ao parque gráfico que  a Auditoria­Fiscal  considerou  estar  recolhendo  a  alíquota  de  SAT/RAT  correta  de  2%,  com  FPAS 507. Esta planilha única discriminativa deve apresentar:  ­  (1)  em  cada  competência,  (2)  o  estabelecimento,  (3)  a  atividade  exercida, (4) a quantidade de segurados naquela atividade exercida;  ­  no  total  de  cada  competência:  (5)  a  definição  da  atividade  preponderante,  considerando­se  todos  os  estabelecimentos,  naquela  competência.  (c) Se a Auditoria­Fiscal considerou que o estabelecimento dedicado ao parque  gráfico,  FPAS  507,  é  o  estabelecimento  de  CNPJ  19.207.588/0003­49,  conforme  o  alegado  pela Recorrente, em sede de Recurso Voluntário, às fls. 583.  (d)  A  quantidade  total  de  empregados  em  cada  estabelecimento,  entre  as  competências 06/2002 até 08/2006.    É como voto.    Paulo Maurício Pinheiro Monteiro     Fl. 200DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

score : 1.0
5077973 #
Numero do processo: 10380.725211/2010-65
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INALTERABILIDADE DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AO MESMO SUJEITO PASSIVO. Na fase contenciosa, não é admissível a mudança do critério jurídico adotado no lançamento contra o mesmo sujeito passivo em relação aos fatos geradores já concretizados. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE PARA FUNDAMENTAR A DECISÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Ainda que haja impropriedade na fundamentação adotada no acórdão recorrido, a existência de motivação suficiente para fundamentar a decisão afasta a tese de nulidade. No caso concreto, apesar de erroneamente alterar o critério jurídico do lançamento, a conclusão apontada em relação à análise das provas representou motivo suficiente para fundamentar a decisão. IRPF. FATURAS DE CARTÃO DE CRÉDITO PESSOAL PAGAS POR PESSOAS JURÍDICAS. REMUNERAÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE EXCEPCIONAL DE PROVAR O CONTRÁRIO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Até que se prove o contrario, gastos efetuados com cartões de crédito são despesas pessoais do respectivo titular. Se as faturas são pagas por pessoas jurídicas nas quais o titular dos cartões mantém vínculo, tal como titular de cotas, sócio, gerente ou administrador, essa vantagem auferida pelo titular dos cartões tem natureza de remuneração indireta e, portanto, é tributada pelo imposto de renda pessoa física. Excepcionalmente, é possível a comprovação de que os pagamentos em questão representam gastos empresarias e não remuneração indireta, porém é ônus do contribuinte trazer aos autos prova irrefutável de que tais despesas não são remuneração indireta e indicá-las precisamente. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTUITO DOLOSO. A exigência da multa qualificada tem como requisito a comprovação nos autos do evidente intuito de dolo, fraude ou sonegação.O fato de a fiscalização ter sido iniciada a partir de investigação policial movida contra as pessoas jurídicas em que o recorrente é sócio ou administrador, isoladamente, não dispensa o Fisco de provar o dolo do contribuinte. Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para (1) que seja excluído da base de cálculo adotada no lançamento os valores de R$17.939,17 (dezessete mil, novecentos e trinta e nove reais e dezessete centavos), R$59.525,23 (cinqüenta e nove mil, quinhentos e vinte e cinco reais e vinte e três centavos) e R$80.918,01 (oitenta mil, novecentos de dezoito reais e um centavo), nos ano-calendário 2005, 2006 e 2007, respectivamente; e (2) afastar a qualificação da multa de ofício, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201309

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INALTERABILIDADE DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AO MESMO SUJEITO PASSIVO. Na fase contenciosa, não é admissível a mudança do critério jurídico adotado no lançamento contra o mesmo sujeito passivo em relação aos fatos geradores já concretizados. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE PARA FUNDAMENTAR A DECISÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Ainda que haja impropriedade na fundamentação adotada no acórdão recorrido, a existência de motivação suficiente para fundamentar a decisão afasta a tese de nulidade. No caso concreto, apesar de erroneamente alterar o critério jurídico do lançamento, a conclusão apontada em relação à análise das provas representou motivo suficiente para fundamentar a decisão. IRPF. FATURAS DE CARTÃO DE CRÉDITO PESSOAL PAGAS POR PESSOAS JURÍDICAS. REMUNERAÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE EXCEPCIONAL DE PROVAR O CONTRÁRIO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Até que se prove o contrario, gastos efetuados com cartões de crédito são despesas pessoais do respectivo titular. Se as faturas são pagas por pessoas jurídicas nas quais o titular dos cartões mantém vínculo, tal como titular de cotas, sócio, gerente ou administrador, essa vantagem auferida pelo titular dos cartões tem natureza de remuneração indireta e, portanto, é tributada pelo imposto de renda pessoa física. Excepcionalmente, é possível a comprovação de que os pagamentos em questão representam gastos empresarias e não remuneração indireta, porém é ônus do contribuinte trazer aos autos prova irrefutável de que tais despesas não são remuneração indireta e indicá-las precisamente. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTUITO DOLOSO. A exigência da multa qualificada tem como requisito a comprovação nos autos do evidente intuito de dolo, fraude ou sonegação.O fato de a fiscalização ter sido iniciada a partir de investigação policial movida contra as pessoas jurídicas em que o recorrente é sócio ou administrador, isoladamente, não dispensa o Fisco de provar o dolo do contribuinte. Recurso provido em parte.

turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013

numero_processo_s : 10380.725211/2010-65

anomes_publicacao_s : 201309

conteudo_id_s : 5293826

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 2802-002.489

nome_arquivo_s : Decisao_10380725211201065.PDF

ano_publicacao_s : 2013

nome_relator_s : JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO

nome_arquivo_pdf_s : 10380725211201065_5293826.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para (1) que seja excluído da base de cálculo adotada no lançamento os valores de R$17.939,17 (dezessete mil, novecentos e trinta e nove reais e dezessete centavos), R$59.525,23 (cinqüenta e nove mil, quinhentos e vinte e cinco reais e vinte e três centavos) e R$80.918,01 (oitenta mil, novecentos de dezoito reais e um centavo), nos ano-calendário 2005, 2006 e 2007, respectivamente; e (2) afastar a qualificação da multa de ofício, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.

dt_sessao_tdt : Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013

id : 5077973

ano_sessao_s : 2013

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:04 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046173738074112

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 39; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2355; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE02  Fl. 4.700          1 4.699  S2­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10380.725211/2010­65  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2802­002.489  –  2ª Turma Especial   Sessão de  17 de setembro de 2013  Matéria  IRPF  Recorrente  ROBERT GIL GRADVOHL BEZERRA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2006, 2007, 2008  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  INALTERABILIDADE  DO  CRITÉRIO  JURÍDICO DO  LANÇAMENTO  EM RELAÇÃO AO MESMO  SUJEITO  PASSIVO.  Na fase contenciosa, não é admissível a mudança do critério jurídico adotado  no lançamento contra o mesmo sujeito passivo em relação aos fatos geradores  já concretizados.  ACÓRDÃO  DE  PRIMEIRA  INSTÂNCIA.  MOTIVAÇÃO  SUFICIENTE  PARA FUNDAMENTAR A DECISÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  Ainda  que  haja  impropriedade  na  fundamentação  adotada  no  acórdão  recorrido,  a  existência  de motivação  suficiente  para  fundamentar  a  decisão  afasta a tese de nulidade. No caso concreto, apesar de erroneamente alterar o  critério  jurídico  do  lançamento,  a  conclusão  apontada  em  relação  à  análise  das provas representou motivo suficiente para fundamentar a decisão.  IRPF.  FATURAS  DE  CARTÃO  DE  CRÉDITO  PESSOAL  PAGAS  POR  PESSOAS JURÍDICAS. REMUNERAÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE  EXCEPCIONAL  DE  PROVAR  O  CONTRÁRIO.  ÔNUS  DO  CONTRIBUINTE.  Até  que  se  prove  o  contrario,  gastos  efetuados  com  cartões  de  crédito  são  despesas pessoais do  respectivo  titular. Se  as  faturas  são pagas por pessoas  jurídicas nas quais o  titular dos cartões mantém vínculo,  tal como titular de  cotas,  sócio,  gerente  ou  administrador,  essa  vantagem  auferida  pelo  titular  dos cartões tem natureza de remuneração indireta e, portanto, é tributada pelo  imposto de renda pessoa física. Excepcionalmente, é possível a comprovação  de  que  os  pagamentos  em  questão  representam  gastos  empresarias  e  não  remuneração  indireta,  porém  é  ônus  do  contribuinte  trazer  aos  autos  prova     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 52 11 /2 01 0- 65 Fl. 4700DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     2  irrefutável  de  que  tais  despesas  não  são  remuneração  indireta  e  indicá­las  precisamente.  MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTUITO DOLOSO.  A  exigência  da  multa  qualificada  tem  como  requisito  a  comprovação  nos  autos  do  evidente  intuito  de  dolo,  fraude  ou  sonegação.O  fato  de  a  fiscalização  ter sido  iniciada a partir de  investigação policial movida contra  as  pessoas  jurídicas  em  que  o  recorrente  é  sócio  ou  administrador,  isoladamente, não dispensa o Fisco de provar o dolo do contribuinte.  Recurso provido em parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos  DAR  PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para (1) que seja excluído da base de cálculo  adotada no  lançamento os valores de R$17.939,17 (dezessete mil, novecentos e  trinta e nove  reais  e  dezessete  centavos),  R$59.525,23  (cinqüenta  e  nove mil,  quinhentos  e  vinte  e  cinco  reais  e  vinte  e  três  centavos)  e R$80.918,01  (oitenta mil,  novecentos  de  dezoito  reais  e  um  centavo), nos ano­calendário 2005, 2006 e 2007, respectivamente; e (2) afastar a qualificação  da multa de ofício, nos termos do voto do relator.  (Assinado digitalmente)  Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator.    EDITADO EM: 19/09/2013  Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte  Cardoso  (Presidente),  Jaci  de Assis  Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse  Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.     Relatório  Trata­se de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios  2006 a 2008, ano­calendário 2005 a 2007, decorrente de apuração de omissão de rendimentos  percebidos de pessoas jurídicas a título de remuneração indireta, conforme descrito no Termo  de Verificação Fiscal de fls. 11/99.  O procedimento de fiscalização foi desencadeado a partir de investigação da  Polícia Federal e requisição da Justiça Federal no que foi denominado “Operação Luxo” que  teve como objetivo combater sonegação, descaminho e evasão de divisas por pessoas jurídicas,  nas quais o contribuinte participava do capital ou atuava como administrador.  Os  documentos  que  embasaram  a  auditoria  fiscal  foram  apreendidos  pela  Polícia Federal e compartilhado com a Receita Federal com autorização do Juízo da 1ª Vara da  Justiça Federal Seção Judiciária do Ceará.  Fl. 4701DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/2010­65  Acórdão n.º 2802­002.489  S2­TE02  Fl. 4.701          3 Em resumo, no procedimento de fiscalização:  a)  a  autoridade  fiscal  constatou  que  o  contribuinte  possuía  11  cartões  de  créditos cujas faturas eram pagas pelas pessoas Jurídicas Indústria Naval do Ceará S/A ­ Inace,  Marina de Iracema Park S/A, Inace Iates Ltda, Inventus Organizadora de Eventos Ltda e Inace  Serviços de Manutenção em Embarcações Ltda;  b) baseada nos extratos dos cartões e documentos relativos às compras (notas  fiscais,  cupons  fiscais  e  recibos),  a  autoridade  fiscal  segregou  as  comprar  destinadas  às  necessidades da pessoa jurídica, identificou o pagamento da fatura e a pessoa jurídica pagante e  indicou o seguinte:  b.1  ) parte das despesas  foram de caráter pessoal,  tais como compras  feitas  em  lojas  de  brinquedos  (Planeta Brinquedo, Ri Happy, Star Baby,  JB Brinquedos),  compras  feitas em perfumarias cabelereiro e farmácias (Gypsophila , Boticário, American News, Studio  Capelli  ,  Farmácia  Dose  Certa,  Avenida,  Tele  Juca,  Pague  Menos,  Polifarma...),  compras  realizadas em diversos restaurantes, supermercados e padarias (Restaurante Iate Club, Marieta  lanches,  Pizza  Vignole,  Geppos,  Santa  Grelha,  Kingio  Restaurante,  Coco  Bambu,  Spettus  Família Giuliano, Pizza Hut Fortaleza, Sputnik, Sushi Bar, Plaza Pães e doces, Pão de Açúcar,  Super  Família,  Hiper  Planalto,  Extra,  Padaria  Ideal...),  compras  em  lojas  de  material  de  construção  (Normatel,  Acal,  Paroma...),  compras  em  lojas  de  departamento,  eletrônicos,  informática,  sapatos,  roupas  e  artigos  diversos  (San  Michel  Magazine,  Lojas  Americanas,  Casas  Feitas,  Aba  Film,  Blockbuster,  Nagem,  HP  Fortaleza,  CD Max  Store,  Lela  Calçdos,  Sapathus, Dili Bili, Gérbera, Lápis de Cor, Kids & teens, Cantão, Zarkha, Stalker...) compras  de combustíveis, passagens aéreas (TAM, GOL, TAP AIR Portugal, Posto Auto Silcar, Posto  Marina...) despesas no exterior (Apple Store, Circuit City, West Marine, Duty Free) e outros.  b.2)outra parte  foram  aquisições  para  as  empresas Marina  de  Iracema Park  S/A, Indústria Naval do Ceará S/A, Inace Iates Ltda, Inventos Org. Eventos e Inace Serviço de  Manutenção, conforme cópias das notas fiscais e recibos das referidas compras, apresentados  pelo contribuinte fiscalizado.  c) do total das compras subtraiu o valor das compras reconhecidas como das  pessoas jurídicas (item “b.2” acima) e, considerando o vínculo do contribuinte com as pessoas  jurídicas  –  participação  no  capital  social,  dirigente  e/ou  gerente  de  compras  –  atribuiu  à  diferença apurada a natureza de remuneração indireta; e  d) imputou a multa qualificada “tendo em vista o contribuinte ter subtraído e  omitido do conhecimento da autoridade tributária a existência de recursos tributáveis recebidos  de  pessoas  jurídicas,  ocultando  o  fato  gerador  da  obrigação  e  ocasionando  a  ausência  de  recolhimento do imposto de renda, causando danos à Fazenda, prevista no § 1° do art. 44 da  Lei n° 9.430/96” (fls. 20).  Ao impugnar o lançamento, em síntese, o contribuinte alegou que na fase de  fiscalização  não  houve  tempo  suficiente  para  reunir  toda  a  documentação  necessária  a  comprovar que as despesas não eram de caráter pessoal e sim das pessoas jurídicas, ressaltou  que  foram  diversas  intimações  para  diversas  empresas  e  se  tratava  de  vasta  documentação,  argumentou  que  a  qualificação  da  multa  decorreu  de  subjetivismo,  descreveu  razões  pelas  quais  as  despesas  seriam  empresariais,  sustentou  que  a  documentação  apresentada  com  a  impugnação e a discriminação efetuadas permitm comprovar que não foram despesas pessoais,  argumentou, ainda, que os rendimentos declarados não foram considerados.  Fl. 4702DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     4  A impugnação foi indeferida sob fundamento de que a autoridade julgadora,  amparada no princípio do  livre  convencimento,  não  adotava o mesmo método da  autoridade  lançadora para classificar as despesas entre pessoais e das pessoas jurídicas, considerou que as  despesas  das  empresas  devem  ser  pagas  com  cartões  da  empresa,  de  forma que  as  despesas  referentes a produtos ou serviços de natureza pessoal com cartões de crédito de uso pessoal (e  intransferíveis)  do  contribuinte  são  despesas  pessoais,  ainda  que  haja  notas  fiscais,  cupons,  recibos e outros documentos referente às pessoas jurídicas, pois esses documentos servem tão  só às pessoas jurídicas para justificar a saída de recursos.  O voto condutor consignou que:  a) “todas as compras discriminadas nas faturas dos diversos cartões de crédito  demonstram,  claramente,  características  de  utilidade  para  a  pessoa  ou  utilidade  de  uso  doméstico;  b)  o  contribuinte,  no  procedimento  de  fiscalização  e  na  impugnação,  não  ofereceu prova suficiente que pudesse obrigar um procedimento de análise individual de cada  compra, com a finalidade de identificar compras de caráter exclusivamente de pessoa jurídica”;   c) os valores representam remuneração indireta e, portanto, são tributáveis;  d) o lançamento computou os valores declarados pelo contribuinte, porém os  valores omitidos não se confundem com o pró labore declarado;   e) relativamente à pessoa jurídica, mesmo acobertada por nota fiscal e recibo  uma despesa pode ser desconsiderada, se for incompatível com a atividade da pessoa jurídica,  citou,  como  exemplo,  compra  de  bilhetes  aéreos  em  nome  do  sócio­administrador  sem  comprovação de que a viagem foi feita por necessidade do serviço e compras de uso pessoal do  sócio­administrador.  Quanto  à  multa  qualificada,  o  voto  condutor  assinalou  que  receber  remuneração  indireta  e  não  informar  na  Declaração  de  Ajuste  Anual  caracteriza  evidente  intuito de fraude, ressaltou que foi a conduta reiterada nos 3 ano­calendário da autuação, pois  permitir que a fatura de seus cartões fossem pagas pelo caixa da pessoa jurídica, significa que o  contribuinte tinha consciência de estar percebendo remuneração indireta, que poderia estar fora  do  alcance  da  autoridade  fazendária  para  fins  de  tributação,  sendo  cabível  a  qualificação  da  multa,  mormente  se  a  ação  fiscal  decorreu  de  exame  de  material  obtido  em  investigação  policial realizada pelo Departamento de Polícia Federal, em operação de combate ao crime de  sonegação contra pessoa jurídica da qual o contribuinte é sócio.   A  ciência  do  acórdão  ocorreu  em  17/08/2011  e  a  interposição  de  recurso  voluntário, em 14/09/2011.  A Unidade  preparadora  emitiu Termo de Perempção  e Aviso  de Cobrança,  porém, em seguida, reconheceu que havia sido interposto recurso voluntário, tornou sem efeito  a cobrança e movimentou o processo para julgamento do recurso.  A peça recursal, em resumo, reitera integralmente a impugnação, bem como  contém as seguintes alegações:  1. preliminarmente, o processo deve retornar à 1ª  instância para assegurar o  duplo grau de jurisdição, pois o acórdão recorrido baseou­se em informações e documentação  que sequer  foram mencionados no auto de  infração, e portanto, não são do conhecimento do  recorrente  e  não  foram  objeto  da  defesa,  o  que  representa  violação  aos  princípios  Fl. 4703DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/2010­65  Acórdão n.º 2802­002.489  S2­TE02  Fl. 4.702          5 constitucionais  do  contraditório  e  da  ampla  defesa;  elenca  os  seguintes  elementos  para  comprovar a referida alegação:   1.1.  na  ementa  –  “omissão  de  rendimentos  apurada  com  base  em  documentos  colhidos  em  investigação  da  Polícia Federal”;   1.2.  na  pág.  2  do  acórdão  –  material  colhido  pela  Polícia  Federal  ...  operação  com  objetivo,  entre  outros  de  combater  sonegação  fiscal,  descaminho  e  evasão  de  divisas, supostamente, praticados por pessoas jurídicas;  1.3.  página  3  do  acórdão  –  documentos  e  mídias  apreendidos;   1.4.  página 16 do voto – “... o voto não seguirá o raciocínio  do  autor  do  procedimento  de  fiscalização  adotado  no  exame de cartão de crédito, com a finalidade de apurar  remuneração indireta; e  1.5.  é  feito  novo  enquadramento  legal  do  que  seria  “sonegação e evidente intuito de fraude”  2. a glosa da maioria das despesas ocorreu porque os documentos não foram  encontrados naquela ocasião;  3.  conforme  relação encaminhada pela empresa Casa Blanca Turismo Ltda,  as passagens aéreas  foram pagas por meio dos cartões de créditos do recorrente, no valor de  R$119.191,67  (durante  os  três  ano­calendário),  referente  a  deslocamentos  de  ida  e  volta  Fortaleza­Rio de Janeiro a marítimos, engenheiros e dirigentes da empresa INACE Serviços de  Apoio Marítimo Ltda, em virtude da existência de contrato de arrendamento de embarcações  com a firma El Paso Óleo e Gas do Brasil Ltda, especializada em prospecção e perfuração de  poços de petróleo, cuja  totalidade das embarcações envolvidas  tinha base naval na cidade do  Rio  de  Janeiro;  anexa  contratos,  fichas  de  registro  de  empregados  e  documentos  alusivos  às  embarcações produzidas por Inace e Inace Iates Ltda; e  4. a qualificação da multa viola a Súmula CARF nº 25 (A presunção legal de  omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício,  sendo  necessária  a  comprovação  de  uma  das  hipóteses  dos  arts.  71,  72  e  73  da  Lei  n°  4.502/64.) com efeito vinculante estabelecido pela Portaria MF nº38/2010.  É o relatório.      Voto             Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator  Fl. 4704DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     6  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade,  dele deve­se tomar conhecimento.  Das preliminares  É alegado que o acórdão recorrido baseou­se em elementos estranhos ao auto  de infração e que não eram de conhecimento do contribuinte, razão pela qual não foi objeto da  defesa.  Essas  informações  e  documentos,  supostamente  trazidos  somente  com  a  decisão ora guerreada, dizem respeito à utilização de informações colhidas em investigação da  Polícia Federal com objetivo, entre outros, de combater sonegação fiscal, descaminho e evasão  de divisas, supostamente, praticados por pessoas jurídicas.  Essa preliminar deve ser rejeitada por duas razões:   (a)  tais  fatos  foram  mencionados  no  acórdão  recorrido  com  base  nos  elementos descritos no Termo de Verificação Fiscal (fls. 11/99), que integra o auto de infração,  como expressamente mencionado às fls. 5/6;   (b)  no  recurso  voluntário  o  recorrente  não  faz  qualquer  contraponto  às  referidas  informações, não aponta objetivamente  sequer um documento,  o que evidencia não  ter havido qualquer prejuízo à defesa.  A alegação de modificação do enquadramento legal da multa qualificada não  será  apreciada  como  preliminar,  pois  se  confunde  com  o  mérito,  além  de,  a  depender  da  solução do litígio, poder vir a ser prejudicada.  Ainda como preliminar, é alegado que o entendimento consignado na página  16  do  voto  –  “...  o  voto  não  seguirá  o  raciocínio  do  autor  do  procedimento  de  fiscalização  adotado  no  exame  de  cartão  de  crédito,  com  a  finalidade  de  apurar  remuneração  indireta...”  viola o contraditório e a ampla defesa, o que justificaria o retorno à primeira instância.  Embora  o  entendimento  do  acórdão  recorrido  não  seja  adequado  ao  caso  concreto, não se trata de nulidade pelas razões adiante explanadas.  O  lançamento  teve  por  fundamento  o  recebimento  de  remuneração  indireta  não declarada pelo contribuinte.  Mediante  análise  da  documentação  apresentada  pelo  contribuinte,  a  autoridade  fiscal  considerou  que  parte  das  despesas  pagas  com  cartão  de  crédito  do  contribuinte são despesas das pessoas jurídicas na qual o autuado é sócio­dirigente ou mantém  outra espécie de vínculo. Ao agir desta forma, decidiu que essas despesas não são remuneração  indireta.   Este  critério  jurídico  adotado  no  lançamento  não  pode  ser  modificado  em  relação ao mesmo contribuinte para  fatos geradores  já consumados, do  contrário  ter­se­á por  violado o comando estatuído no art. 146 do Código Tributário Nacional ­ CTN.  Art.  146.  A  modificação  introduzida,  de  ofício  ou  em  conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios  jurídicos  adotados  pela  autoridade  administrativa  no  exercício  do  lançamento  somente  pode  ser  efetivada,  em  relação  a  um  mesmo  sujeito  passivo,  quanto  a  fato  gerador  ocorrido  posteriormente à sua introdução.  Fl. 4705DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/2010­65  Acórdão n.º 2802­002.489  S2­TE02  Fl. 4.703          7 O acórdão recorrido deu interpretação demasiadamente elástica ao princípio  do  livre  convencimento  do  julgador  na  análise  da  prova,  pois  o  fez  com  a modificação  do  supramencionado critério jurídico adotado no lançamento.  Embora livre para convencer­se ou não dos fatos alegados pelo recorrente, o  julgador deve aferir a  legalidade do lançamento com o mesmo critério jurídico da autoridade  lançadora,  o  que  exige  que  se  analise  as  provas  tomando  como  premissa  que  não  deve  ser  computado  como  remuneração  indireta  os  valores  que  o  recorrente  lograr  comprovar  terem  sido despesas das pessoas jurídicas. Aqui reside uma impropriedade do acórdão recorrido.  Não obstante, o aresto combatido também teve como fundamento que “todas  as compras discriminadas nas faturas dos diversos cartões de crédito demonstram, claramente,  características  de  utilidade  para  a  pessoa  ou  utilidade  de  uso  doméstico”,  esta  conclusão  do  órgão  julgador  de  primeira  instância  decorreu  da  livre  apreciação  das  provas  e  constituiu  motivo  suficiente  para  manter  hígido  o  acórdão  e  a  autuação,  ainda  que mantido  o  mesmo  critério jurídico da autoridade lançadora.  Desta forma, não há uma nulidade do acórdão que justifique sua anulação, há  uma impropriedade que no máximo justifica sua reforma em segunda instância.  Preliminares rejeitadas.  A solução de mérito exige que sejam analisadas as provas apresentadas pelo  recorrente  no  intuito  de  identificar  se  foi  comprovado  ou  não  que  as  despesas  sejam  das  empresas e não gastos pessoais do recorrente.  Registra­se que a exigüidade de prazo para atendimento às intimações não é  suficiente para que se impute vício à autuação, pois (a) a fase contenciosa é instaurada somente  com a impugnação; e (b) durante o procedimento de fiscalização a autoridade fiscal concedeu  prorrogação total ou parcial de prazo, quando solicitado pelo contribuinte, sendo que a partir da  intimação em que foram solicitados os documentos alusivos aos cartões de crédito não há nos  autos  solicitação  de  prorrogação  de  prazo  não  atendida,  ao  menos  parcialmente,  ou  manifestação do fiscalizado no sentido de que o prazo estipulado era insuficiente.  Não se pode ignorar que o cartão de crédito dos sócios e administradores não  se presta a pagamento de despesas das empresas,  tais despesas são por natureza pessoais dos  titulares dos cartões, outrossim, a prática de pagar despesas de pessoas jurídicas com o cartão  de crédito pessoal do sócio/diretor/administrador é inusual e exige esforço probatório por parte  do  recorrente  que  deve  objetivamente  indicar  cada  despesa  e  respectivas  documentação  e  justificativa,  sobretudo  quando  se  verifica  uma  série  de  despesas  de  caráter  eminentemente  pessoal, tal como resumido pela autoridade lançadora.  Em parte de caráter pessoal, tais como compras feitas em lojas  de  brinquedos  (Planeta  Brinquedo,  Ri  Happy,  Star  Baby,  JB  Brinquedos),  compras  feitas  em  perfumarias  cabelereiro  e  farmácias  (Gypsophila  ,  Boticário,  American  News,  Studio  Capelli  ,  Farmácia  Dose  Certa,  Avenida,  Tele  Juca,  Pague  Menos,  Polifarma...),  compras  realizadas  em  diversos  restaurantes, supermercados e padarias (Restaurante Iate Club,  Marieta  lanches,  Pizza  Vignole, Geppos,  Santa Grelha,  Kingio  Restaurante, Coco Bambu, Spettus Família Giuliano, Pizza Hut  Fortaleza,  Sputnik,  Sushi  Bar,  Plaza  Pães  e  doces,  Pão  de  Fl. 4706DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     8  Açúcar, Super Família, Hiper Planalto, Extra, Padaria Ideal...),  compras  em  lojas  de  material  de  construção  (Normatel,  Acal,  Paroma...),  compras  em  lojas  de  departamento,  eletrônicos,  informática,  sapatos,  roupas  e  artigos  diversos  (San  Michel  Magazine,  Lojas  Americanas,  Casas  Feitas,  Aba  Film,  Blockbuster,  Nagem,  HP  Fortaleza,  CD  Max  Store,  Lela  Calçdos,  Sapathus,  Dili  Bili,  Gérbera,  Lápis  de  Cor,  Kids  &  teens,  Cantão,  Zarkha,  Stalker...)  compras  de  combustíveis,  passagens  aéreas  (TAM,  GOL,  TAP  AIR  Portugal,  Posto  Auto  Silcar,  Posto  Marina...)  despesas  no  exterior  (Apple  Store,  Circuit City, West Marine, Duty Free) e outros. (fls. 16)  É incontroverso que os gastos foram pagos por pessoas jurídicas com as quais  o recorrente mantinha vínculo como sócio/administrador/representante/gerente, de forma que a  falta de contestação específica implica em reconhecer tais gastos pagos pelas pessoas jurídicas  como remuneração indireta, portanto tributáveis tal como considerou a autoridade lançadora.  A  autoridade  fiscal  demonstrou  a  totalidade  das  compras  e  discriminou  aquelas que entendeu comprovadas como despesas empresarias,  além de consolidar por  ano­ calendário os respectivos valores (2005, fls. 44/45; 2006, fl. 68/69 e 200, fls. 98/99), cabe ao  recorrente listar as demais e apontar a comprovação do que alega.  O  recorrente  alega  que  somente  na  fase  de  impugnação  consegui  reunir  a  documentação,  anexada  como  “Doc  II  (Volume  2  –  anos  2005  e  2006)  e  (Volume  3­  Ano  2007), em ordem cronológica.  Entretanto,  o que  se verifica é  a  juntada de planilhas  e documentos,  com a  seguinte  características:  Ano  2006  –  fls.  2806/3175,  3176/3561;  Ano  2007  3562/4002;  e  Dez2006 e 2007 – 4003/4499. não há documentos de 2005 no denominado ‘Doc II”.  Antes de demonstrar o  resultado da  análise documental,  algumas  anotações  gerais.  Na  fase  recursal  são  apresentados  documentos  em  língua  estrangeira  sem  tradução juramentada, o que os torna ineficazes (art. 157 da Lei 5.869, de1973).  Às fls. 4605/4616, consta documento emitido por Casablanca Turismo dando  conta  de  pagamentos  de  passagens  de  empregados,  diretores  ou  prestadores  de  serviço  em  cartões  do  recorrente  em  benefício  de  empresas  clientes  (Inace  Naval,  Sindfrio,  Inace  Serviços), sendo R$78.856,06 de tarifas e 5.957,54 de taxas em 2007, R$10.091,13 de tarifas e  1.429,90 de taxas em 2006 e R$17.813,93 de tarifas e R$683,29 de taxas em 2005.  Como os  pagamentos  em 2004  (fls.  2339/2440  e  4616)  constituem matéria  estranha à autuação, é ônus do recorrente vincular compras em 2004 com pagamentos nos ano­ calendário da autuação, não se desincumbindo desse ônus, referidos documentos são ineficazes  à defesa.  A autoridade fiscal indicou às fls. 22, 47 e 71 não só o total das compras em  cada ano­calendário como também a numeração dos cartões.  Não basta apresentar extrato do cartão e alegar vinculação a empresas, é ônus  do  recorrente  indicar  objetivamente  a  prova  nos  autos.  Em  razão  do  grande  número  de  documentos,  de cartões  de  crédito,  da  apuração  em  três  exercícios,  pagamentos parcelados  e  menção ao nome de fantasia ao invés da denominação social grafada no documento fiscal, caso  algum documento  tenha  sido  apresentado  pela  defesa  fora  da  ordem  cronológica  referente  à  Fl. 4707DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/2010­65  Acórdão n.º 2802­002.489  S2­TE02  Fl. 4.704          9 comprovação  da  despesas,  o  recorrente  não  terá  se  desincumbido  do  ônus  de  provar  adequadamente nos autos as suas alegações.  Quanto  às  muitas  despesas  parceladas,  ainda  que  não  mencionado  expressamente neste voto, as  razões que  levam a decidir pela comprovação ou rejeição da 1ª  parcela da despesa é a fundamentação em relação às parcelas subseqüentes.  Também não se desincumbe do ônus da prova apenas alegando consignando  “doc fiscalização” ou qualquer outra denominação.  Neste  voto,  o  uso  da  expressão  comprovado  significa  o  quanto  foi  comprovado nesta fase recursal em adição ao que a autoridade fiscal já acatou. E ainda que não  haja menção expressa ao motivo de não ter sido acatada alguma despesa, a razão foi a falta de  documentação  que  comprove  que  a  despesa  tenha  sido  exclusivamente  da  pessoa  jurídica  pagante.  A análise das provas baseia­se  em um conjunto de dados que permitiram o  convencimento ou não da natureza empresarial. Assim, por amostragem, exemplifica­se  a) Não se admite comprovação de gastos na conservação e reparo de veículos  sem  a  identificação  do  veículo,  vinculação  ao  patrimônio  da  pessoa  jurídica  e  atividade  empresarial. A prova do  recorrente nesse ponto  é  fraca: o  recorrente adquire Veículo Fusion  em  06/2006  (fls.  106),  em  novembro  do  mesmo  ano  é  pago,  mediante  cartão  pessoal  do  recorrente,  o  desempeno  de  roda  de  um  veículo  Fusion,  cujo  recibo  é  emitido  em  nome  da  empresa Inace (fls. 3442).  b)  Outro  exemplo  de  que  a  existência  de  nota  fiscal  em  nome  da  pessoa  jurídica não é suficiente para descaracterizar a remuneração indireta é a nota fiscal de compra  de  porcelanato  (fls.  3473)  em  que  o  fornecedor  indica  o  lugar  de  entrega  da  mercadoria  coincidente não com o endereço da empresa e sim da residência do contribuinte.  c) por outro lado, não se pode considerar como despesas pessoais a título de  remuneração indireta uma série de compras em Supermercados, cuja quantidade e natureza dos  itens não tem característica de uso doméstico e sim atividade de hotel e/ou restaurante, e outros  documentos reforçam esse entendimento.  Deve­se  verificar  se  a  comprovação  intentada  pelo  recorrente  refere­se  aos  mesmos cartões de crédito e se os valores foram ou não os mesmos que a autoridade lançadora  já considerou comprovados.  A  fim  de  justificar  as  despesas  com  passagens  aéreas  e  terrestres,  hotéis,  restaurantes, combustíveis, aluguéis, remédios, compras em lojas de material de construção e  despesas no exterior, o recorrente alega que há necessidade de deslocamento de engenheiros e  técnicos  especializados  para  os  locais  ­  em  diversos  Estado  do  Brasil  e  no  exterior,  principalmente  Miami  ­  onde  se  encontram  atracadas  as  embarcações  que  precisam  ser  atendidas pela empresas  Indústria Naval do Ceará S.A.,  Inace  Iates Ltda e  Inace Serviços de  manutenção de Embarcações Ltda, como também é necessário que os dirigentes façam viagens  para o exterior com vistas a tentar fechar acordos negociais.  Fl. 4708DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     10  Embora possa ser razoável que administradores e colaboradores das pessoas  jurídicas  realizem  viagens,  o  ônus  do  recorrente  é  comprovar  a  cada  viagem  o  interesse  empresarial.  No  denominado  “Doc  IV  (Volume  1)”,  o  recorrente  apresenta  as  supostas  provas das despesas com passagens aéreas, cujas fichas de Registro de Empregados prestam­se  a demonstrar que tais despesas referem­se às pessoas jurídicas ali mencionadas.  O recorrente alega que as demais despesas, de menor vulto, estão compatíveis  com a renda declarada, mas este argumento é irrelevante para o caso concreto, uma vez que o  lançamento  não  se  fundamenta  em  gastos  incompatíveis  com  a  renda  declarada,  e  sim  recebimento de remuneração indireta caracterizada por pagamentos de despesas pessoais pelas  pessoas  jurídicas  sem  a  respectiva  declaração  desse  rendimento  na  Declaração  de  Ajuste  Anual.  Em síntese, embora admissível considerar como despesas empresariais parte  das despesas nos cartões de crédito pessoais do contribuinte, não é a mera existência de recibos  ou notas fiscais ou documentos internos de almoxarifado das pessoas jurídicas o que assegura  essa natureza, o recorrente precisa demonstrar a pertinência da despesa com as atividades das  pessoas jurídicas, além de apontar objetivamente o documento e onde localizá­lo no processo.   Da análise documental  1 ­ Análise do ano­calendário 2005  A  argumentação  do  recorrente  aliada  aos  documentos  apresentados,  com  destaque  para  a  relação  da  empresa  de  turismo  Casablanca,  são  hábeis  a  demonstrar  a  existência  de  um  novo  grupo  de  despesas  que  não  são  remuneração  indireta,  posto  que  despesas necessárias à atividade das pessoas jurídicas.  Entretanto, a planilha de fls. 2441 contém despesas com o cartão Amex final  017  (R$768,00  mais  11,55),  porém  esse  cartão  não  consta  entre  os  que  foram  base  para  a  autuação (relação de fls. 22), não sendo prova que favoreça o recorrente.  Outrossim,  essa planilha  contém valores que  já  foram  tidos pela  autoridade  fiscal como comprovados, referentes ao cartão Visa Unicard, referente a compras realizadas em  10/02/2005 na TAM, de forma que esses valores já foram aproveitados em favor do recorrente:  R$702,00, R$11,55, R$702,00, R$11,55, R$548,00 e R$ 11,55 (total de R$1.986,55)  A guisa de esclarecimento, o valor  indicado pela autoridade  fiscal  refere­se  aos pagamentos de cada parcela (incluindo taxas e  tarifas), enquanto o do contribuinte indica  os valores  integrais; o valor que deve ser excluído da autuação é R$17.939,17  (resultante da  soma dos registro de fls. 2441, diminuído dos valores indicados nos dois parágrafos anteriores),  como demonstrado abaixo.        Tarifa  Taxa    747,75  9,15    367  8,25    548  9,15    1096  21,96  Fl. 4709DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/2010­65  Acórdão n.º 2802­002.489  S2­TE02  Fl. 4.705          11   543  23,1    543  23,1    215  11,55    215  11,55    1944,58  342,58    548  9,15    54,8  0    837  9,15    837  9,15    436  9,15    891  11,55    399  11,55    846  11,55    547,75  8,25    547,75  9,15    367  11,55    367  11,55    378  11,55    378  11,55    378  11,55    378  11,55    471  11,55    399  11,55    730  11,55    1265  11,55  subtotal  17274,63  664,54  total  17.939,17  O valor que deve ser excluído da base de cálculo no ano­calendário 2006 é de  R$17.939,17.  2. Análise do ano­calendário 2006 ­ fls. 2806/3175, 3176/3561 e ss.  A análise será realizada por confronto entre as planilhas (fls. 3094 em diante)  que  reúnem  as  despesas  por  cartão  de  crédito  e  os  documentos  que  comprovem  o  que  o  recorrente alega e a planilha da fiscalização contida no Termo de Verificação Fiscal.   a) Planilha fls. 2806 e ss. – cartão 4047  Os  meses  de  janeiro,  fevereiro  e  abril  contêm  as  mesmas  informações  já  computadas pela fiscalização.  No mês de março foram acrescentados dois lançamentos (Jangadeiro e Posto  Baratão)  sem  indicar  onde  a  documentação  está  nos  autos,  indicou  somente  “doc.  FISClização”, carecendo de comprovação para que sejam excluídos da relação de remuneração  indireta.  Em  maio  foram  acrescentados  4  lançamentos  TAM,  1  Cia  do  Terno,  1  Superfamília  e  1  nova  expressão  (compras  a  partir  de  08/04/06),  as  despesas  comprovadas  referem­se a Turqueza Tecidos (ao invés de Cia do Terno) e Bastos Distribuidora (ao invés de  Nova Expressão).   Fl. 4710DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     12  Em  ordem  cronológica,  não  foram  encontrados  documentos  alusivos  as  despesas com a TAM nem com “Super Família”.  Em  relação  à  despesa  TAM,  a  relação  fornecida  pela  empresa  Casablanca  Turismo consta a discriminação de uma despesa nesse cartão (tarifa mais taxa = 421,24) paga  em seis parcelas, o que autoriza seu aproveitamento neste cartão/mês de R$70,24.  As demais despesas TAM teriam sido feitas no Cartão final 4040, conforme  informado pela empresa de Turismo (fls. 4614).  Aceitas despesas de R$310,34 (70,24 mais 88,90 mais 151,20).  Em junho o recorrente acrescentou a parcela subseqüente das despesas TAM  e  Cia  do  Terno.  Pelas  razões  supra­indicadas  têm­se  como  comprovado,  exclusivamente,  R$70,24 da TAM e R$88,90 da Cia do Terno, o que soma R$159,14.  Em julho, são acrescidos diversos lançamentos (os cinco primeiros indicados  pelo recorrente já foram admitidos pela fiscalização).  Aceitos:   TAM  70,20  Superfamília  1.364,12  Superfamília  497,87  Superfamília  26,90  Superfamília  196,08  Superfamília  18,90  Rolimão  203,00  BomPreço  149,51  Sv Comercial  270,00  Casa Freitas  120,03  Cia do Terno  88,90  Total  3.005,51  Não aceitas:  TAM 3/6  Pelas razões expostas em relação a maio  Van Diesel  Não identifica o veículo   Eletrônica Apolo  Não identifica o veículo   O Fausto  Não identifica o veículo  Fl. 4711DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/2010­65  Acórdão n.º 2802­002.489  S2­TE02  Fl. 4.706          13 Van Diesel  Não identifica o veículo  Em agosto são acrescidos diversos  lançamentos (os  três primeiros indicados  pelo recorrente já foram admitidos pela fiscalização).  Aceitos:   TAM  70,20  Rolimão  203,00  Casa Freitas  120,03  Total  393,23  Não aceitas:  TAM 4/6  Pelas razões expostas em relação a maio  TAM 1/6  Passagens área para Reveillon sem demonstrar  a pertinência desta viagem com atividades da  empresa.  De setembro a dezembro todos os gastos foram tidos pela fiscalização como  remuneração indireta.  Aceitos:   Setembro    70,20; e 26,00  96,20  Outubro    TAM  70,20  Novembro    530,98; 100,08; 438,50 e 1.243,75  2.313,31  Dezembro    530,98; e 438,50  969,48  Total  3.449,19  Não aceitas:  Setembro    TAM 5/6  Pelas razões expostas em relação a maio  Fl. 4712DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     14  TAM 2/6  Passagens  área  para  Reveillon  sem  demonstrar  a  pertinência  desta  viagem com atividades da empresa.  Outubro    TAM 6/6  Pelas razões expostas em relação a maio  TAM 3/6  Passagens  área  para  Reveillon  sem  demonstrar  a  pertinência  desta  viagem com atividades da empresa.  Novembro    TAM 4/6  Passagens  área  para  Reveillon  sem  demonstrar  a  pertinência  desta  viagem com atividades da empresa.  Rolimão 1/3  Em ordem cronológica, não localizada a nota fiscal mencionada.  Dezembro    TAM 5/6  Passagens  área  para  Reveillon  sem  demonstrar  a  pertinência  desta  viagem com atividades da empresa.  TAM 1/6 e 2/6  Em ordem  cronológica,  não  localizada  a  relação mencionada.  Também  não localizada na relação da empresa Casablanca.  Rolimão 2/3  Em ordem cronológica, não localizada a nota fiscal mencionada.  O total comprovado neste cartão é de R$7.317,41.  b) Análise do Cartão Varig Unicard Visa finais 4056/4031 –fls. 2881 e ss.  Janeiro  Já acatados  Os oito primeiros registros.    Rejeitados  Demais:  não  foram  juntados  comprovantes  referentes  às  empresas  aéreas  TAM  e  Varig,  nem  a  relação  da  empresa  Casablanca  faz  qualquer  menção  a  estes  números de cartões.    Comprovados  Supercarnes,  Extra,  Bom  Preço, Freitas e Kauany.   4.529,09  Fevereiro  Já acatados  Do quarto ao 14ª registro.    Rejeitados  Os três primeiros referem­se a  passagens aéreas e carecem de  comprovação.    Fl. 4713DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/2010­65  Acórdão n.º 2802­002.489  S2­TE02  Fl. 4.707          15 Comprovados  Os  demais  (De  Rabelo  a  Freitas).  6.175,08.    Março  Já acatados  Do terceiro ao nono.    Rejeitados  Os  dois  primeiros  registros  referem­se  a  passagens  aéreas  e carecem de comprovação.    Comprovados  Os  demais  (de  Superfamília  a  Freitas 3/3).  3.443,86  Abril  Já acatados  O primeiro e do quarto ao 14º  registro.    Rejeitados  O  2º  e  o  3º  referem­se  a  passagens aéreas e carecem de  comprovação.  O  17º  (Barateiro)  carece  de  identificação do veículo.    Comprovados  demais  3.578,69  Maio  Já acatados  Do 3º ao 18º.    Rejeitados  O  1º  e  o  2º  referem­se  a  passagens aéreas e carecem de  comprovação.Não  se  admite  como comprovada as despesas  relativa  a  Posto  Marina  uma  vez  que  o  campo  do  recibo  (fls.  2990/2993)  destinado  a  indicar  o  pagante  está  em  branco  e  não  há  identificação  do veículo abastecido.    Comprovados  As  despesas  com  Freitas  2/3  (NF 1478), Superfamília 1/1 e  Freitas 2/3 (NF 1482).  3.133,94.    Junho  Já acatados  Demais    Fl. 4714DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     16  Rejeitados  Varig  11/12,  não  comprovada  por falta de documentação.    Comprovados  Freitas 3/3  (NF 1478), Freitas  3/3 (NF 1482)  2.634,02  Julho  Já acatados  Todos    Agosto  Já acatados  Os sete primeiros registros.    Rejeitados  TAM  1/6  e  Eldorado  1/2  ,  o  primeiro  porque  não  há  comprovação  da  pertinência  da  viagem  do  recorrente  no  Reveillon  foi  a  serviço  da  empresa,  a  segunda  porque  a  nota  fiscal  indicada  não  foi  juntada.    Comprovados  Demais  5.083,63  Setembro  Já acatados  demais    Rejeitados  TAM 2/6  e Eldorado  2/2,  ora  rejeitados pelas razões acima    Outubro, Novembro e dezembro  Rejeitados  Os  únicos  valores  não  admitidos  pela  autoridade  fiscal  foram  TAM  3/6,  TAM  4/6  e  TAM  5/6  ora  rejeitados  pelas razões já expostas.    Total do cartão  25.134,45    c) Análise do Cartão Petrobrás final 4110 –fls. 30281 e ss.  Junho ­ A fiscalização aceitou o primeiro registro, os outros dois não podem  ser aceitos porque o recorrente não apresentou documentação.  Julho ­ Todos já aceitos pela fiscalização.  Agosto  ­ O  primeiro  registro  não  pode  ser  aceito  porque  trata­se  de  recibo  pessoal  em  nome  do  recorrente  referente  a  abastecimento  de  veículo  não  identificado.  Os  outros dois a fiscalização já acatou.  Fl. 4715DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/2010­65  Acórdão n.º 2802­002.489  S2­TE02  Fl. 4.708          17 Outubro e Novembro ­ Nenhum valor admitido pela fiscalização. A falta de  apresentação de documentação impede a comprovação pretendida pelo recorrente.  d) Análise do Cartão Mastercard 2014 –fls. 3056 e ss.  Junho e Agosto – todos os valores já admitidos pela fiscalização.  Setembro ­ Os dois primeiros já admitidos pela autoridade lançadora, a eles  se  referiu  a  documentação  juntada. A  falta  de  documentos  em  relação  aos  demais  impede  a  comprovação. A planilha do contribuinte não relaciona valores nos demais meses.  e) Análise do Cartão Credicard 2296 –fls. 3094 e ss.  Maio ­ Sem documentação.  Junho ­ A falta de documentação impede a comprovação do registro referente  a Posto Marina, valor das demais despesas comprovadas: R$1.444,80.  Julho ­ Comprovado R$61,47.  A documentação apresentada é insuficiente para comprovar que a passagem  TAM Salvador­Fortaleza­Salvador (Reveillon) refere­se a viagem a serviço da empresa.  Agosto ­ Apenas o registro de R$460,00 havia sido acatado pela autoridade  fiscal. TAM 2/6 rejeitado pela razão supra­indicada. Demais ora comprovados: R$317,16.  Setembro ­ TAM 3/6 rejeitado pela razão supra­indicada.  Outubro ­ Apenas o registro de R$333,35 já não fora acatado pela autoridade  fiscal, porém refere­se a TAM 4/6 que deve ser rejeitado pela razão supra­indicada.  Novembro  ­  Os  registros  não  acatados  pela  autoridade  fiscal  foram  o  de  R$333,35 e R$129,85, o primeiro é relativo a TAM 5/6 que deve ser rejeitado pela razão supra­ indicada, o segundo é TAM SÃO 1/6 rejeitado por razão idêntica.  Dezembro ­ TAM Fortaleza 6/6 e TAM São 2/6 rejeitados pela razão supra­ indicada.  Total comprovado deste cartão no ano: R$1.823,43.  f) Análise do Cartão Mastercard 2217 –fls. 3151 e ss.  Janeiro ­ A fiscalização já admitiu o registro referente a Supercarnes.  O  registro  de  TAM  SAM  12/12  é  rejeitado  por  falta  de  documentação  comprobatória de que a passagem refere­se a viagem a serviço da empresa.  Março ­ Falta documentação.  Abril ­ Comprovado: R$501,39  Junho ­ Comprovado: R$1.398,14  Fl. 4716DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     18  Agosto,  setembro  e  outubro  –  todos  os  registros  já  acatados  na  fase  de  fiscalização.  Dezembro  ­ O registro  referente  a Giusepe Pneus não é admitido por  faltar  comprovação de ser despesas com veículo da empresa. Os demais a fiscalização já acatou.  Total comprovado deste cartão no ano: R$1.899,53.  g) Análise do Cartão Visa Platinum 3018 –fls. 3212 e ss.  Setembro  ­  Os  cinco  primeiros  registros  a  fiscalização  já  acatou.  A  documentação não comprova que o registro “O Borrachão” refere­se a despesas empresariais,  pois  não  é  adequado  o  emprego  da  mercadoria  “Santatonio”  como  de  uso  exclusivamente  empresarial. Valor comprovado: R$32,60  Outubro  ­  “O Borrachão”  2/4  rejeitado  pela  razão  acima;  Comprovados  os  dois  registros  “Superfamília”  que  totalizam  R$833,50.  Os  cinco  primeiros  registros  já  considerados pela fiscalização. Demais, carente de documentação comprobatória.  Novembro  ­  Os  sete  primeiros  registros  já  foram  acatados  na  fase  de  fiscalização. “O Borrachão” 3/4 rejeitado pela razão acima. e “Química Livraria 2/3 tal como a  parcela  1/3  por  falta  de  documentação.  Farmácia  1/2  e  seguinte  estão  carentes  de  documentação comprobatória. Valor comprovado (187,01 + 649,49 + 49,13): R$882,63  Dezembro ­ Os seis primeiros registros já acatados pela fiscalização. Parcelas  de  O  Borração  e  Química  Livraria  rejeitadas  pelas  razões  anteriormente  expostas.  Com  a  ressalva de que o registro de R$2.889,54 refere­se a Fort Line Turismo alusivo a passagem de  Fernando Medeiros que conforme fls. 4634 é empregado da INACE, foram comprovados R$  2.938,64 (49,10 + 2.889,54).  Total comprovado deste cartão no ano: R$4.687,37.  h) Análise do cartão Hipercard 8202 76 – fls. 3277 e ss.  Janeiro  ­ O primeiro  registro  já  foi acatado pela Fiscalização. O  registro de  R$600,00 não foi comprovado, pois a diferença de valores não permite vincular a nota fiscal  apresentada à despesa no cartão de crédito. Demais registros sem documentação.  Fevereiro, Março e abril  ­ 1º Registro  já acatado pela autoridade  lançadora,  segundo rejeitado por ser parcela subseqüente de compra rejeitada pela razão acima.  Maio ­ O primeiro registro já foi acatado pela Fiscalização. Os demais foram  comprovados agora: R$188,98.  Junho ­ Valor comprovado: R$35,00  Julho,  outubro,  novembro  e  dezembro  –  todos  os  registros  já  foram  computados na fase de fiscalização.  Agosto:  ­  O  primeiro  registro  já  foi  acatado  pela  Fiscalização.  Demais  comprovados: R$682,90.  Setembro  ­  O  primeiro  registro  já  foi  acatado  pela  Fiscalização.  Demais  comprovados: R$56,55  Fl. 4717DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/2010­65  Acórdão n.º 2802­002.489  S2­TE02  Fl. 4.709          19 Total comprovado deste cartão no ano: R$963,43.  i) Análise do cartão Amex 2459762002 – fls. 3312 e ss.  De janeiro a julho, a fiscalização já acatou os dois primeiros registros (116,33  e 85,45), vejamos os demais.  Janeiro – não há outros registros.  Fevereiro, Março e abril – carentes de documentação  Maio ­ Comprovado: R$276,67 (136,67 + 140 ).  Quanto  ao  registro  Tam,  o  bilhete  é  insuficiente  para  a  comprovação  pretendida,  pois  é  necessário  vinculação  objetiva  entre  registro  no  cartão  e  documento  que  comprove a despesa inerente à atividade empresarial.  A  documentação  de Metal  Comércio  não  é  eficaz  porque  não  consta  esse  registro na relação do mês de maio ou de junho (fls. 3313).  Demais registros desacompanhados de documentação.  Junho ­ Comprovado: R$928,37 (791,70 + 136,67).  Julho ­ Comprovado: R$136,67  Agosto  ­  Os  três  primeiros  registros  já  admitidos  pela  fiscalização.  Comprovado: R$136,67  Setembro  ­  Os  quatro  primeiros  registros  já  admitidos  pela  fiscalização.  Comprovado: R$2.266,19  Outubro  ­  Os  três  primeiros  registros  já  admitidos  pela  fiscalização.  Comprovado: R$136,67  Novembro  ­  Os  seis  primeiros  registros  já  admitidos  pela  fiscalização.  Os  demais comprovados: R$927,14  Dezembro ­ A documentação não comprova que o registro “Gerardo Bastos”  é um gasto com veículo da frota da empresa. Falta documentação referente ao registro de Posto  Marina  “115,26)  e  os  dois  últimos  de  Super  Família  (171,85  e  853,82).  Comprovado:  R$3.728,36.  Total comprovado deste cartão no ano: R$8.536,74.  j) Análise do cartão GM Card – Visa 6017 – fls. 3433 e ss.  Janeiro  ­ Os  registros  no  valor  de 123,90,  60,83  e  71,46  já  foram  acatados  pela  Fiscalização.  Os  demais  não  podem  ser  admitidos  porque  não  estão  acompanhados  de  documentação. Ressalte­se que na  relação da  agência de  turismo Casablanca  (fls.  4605 e  ss)  não conta registro relativo a este cartão.  Fl. 4718DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     20  Fevereiro  ­  Valor  comprovado:  R$  132,32  (60,83  mais  71,49),  referente  a  parcelas de compra já comprovada. Demais sem documentação.  Março e maio – já acatado pela Fiscalização.  Abril ­ A Fiscalização já acatou os registros de 75,00, 60,83 e 71,46. Registro  comprovado: R$710,31. Demais sem comprovação.  Junho  ­  Registros  já  acatados:  75,00;  87,62;  68,50;  22,98;  557,68.  Sem  documentação: 392,63; 40,49. Valor comprovado: R$2.097,52  Julho  ­  Registros  já  acatados:87,62;  75,00;  22,98;  557,68.  Sem  documentação:  392,63;  40,49;  650,00.  A  despesa  TAM  carece  de  comprovação  de  que  a  passagem (Reveillon) fora efetuada a serviço da empresa. Valor comprovado:R$2.309,12  Agosto  ­  Registros  já  acatados:87,61;  22,96;  557,66.  Rejeitados:  TAM  2/6  (motivo  acima);  42,75  e  316,63  (lançados  em  duplicidade);  121,00  (combustíveis  sem  identificação de veículo da empresa). Comprovado: R$2.691,81.  Setembro  ­  Registros  comprovados:  R$718,81  (190,06,  396,00  e  132,75).  Rejeitado: TAM 3/6 (motivo acima). Os demais a Fiscalização já acatou.  Outubro  ­  Rejeitado:  TAM  4/6  (motivo  acima).  Registros  comprovados:  R$322,81 (190,06 e 132,75). Os demais a Fiscalização já acatou.  Novembro  ­  Rejeitados:  TAM  5/6  (motivo  acima);  51,18  e  156,09  (duplicidade) 545,51 (sem documentação). Os demais a Fiscalização já acatou.  Dezembro  ­  Rejeitados:  TAM  6/6  e  545,51(motivo  acima);  203,95  sem  comprovação. Demais já acatados pela fiscalização.  Total comprovado deste cartão no ano: R$8.982,87.  Destarte,  o  valor  comprovado  que  deve  ser  excluído  da  base  de  cálculo  adotada no lançamento, para o ano­calendário 2006, é de R$59.525,23.  3. Análise do ano­calendário 2007  Ano­calendário 2007  Cartão Mastercard Gold final 4047 ­   Janeiro  Já acatados  248,00    Rejeitados  516,70;  500,00  e  1.038,66  ­  Sem documentação    Comprovados  227,33  227,33  Fevereiro  Já acatados  218,62    Fl. 4719DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/2010­65  Acórdão n.º 2802­002.489  S2­TE02  Fl. 4.710          21 Rejeitados  1.038,66  (sem  comprovação);  260,70  (documentação  insuficiente);   336,00  (sem  especificar  adequadamente  material/uso);  47,00 e 135,00  (não vincula a  despesas da empresa);   132,00  (sem  especificar  adequadamente  material/uso);  105,00 e 70,00 (não comprova  ser bem veículo da empresa);     Comprovados  81,00;  53,80;  1.342,96;  167,20; 321,46; 72,13; 400,49;  63,00;  327,17;  178,20  e  160,00  Total: R$3.168,41  Março  Já acatados  98,00; 35,00; 25,00; 444,06    Rejeitados  1.038,66; 260,70; 336,00, 135  ,00;  105,00  (parcelas  subseqüentes,  1ª  parcela  já  rejeitada);   849,17  (não  comprovado  que  se  refere  a  veículo  da  empresa);  142,89  (sem  documentação)  e  94,93  (não  apresentou  a  nota  fiscal  mencionada)    Comprovados  1.342,95;  167,30;  321,45;  400,49; 63,00; 328,16; 178,20;  585,17;  486,02;  352,85;  738,24  R$4.963,83  Abril  Já acatados  444,06    Rejeitados  1.038,66;  849,14;  142,87;  94,93; 260,70; 135,00; 105,00  –  parcelas  subseqüentes,  1ª  parcela já rejeitada)    Comprovados  486,02;  352,84;  738,24;  R$2.162,26  Fl. 4720DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     22  585,16  Maio  Já acatados  Nenhum    Rejeitados  849,14;  142,87;  260,70  (parcelas  subseqüentes,  1ª  parcela  já  rejeitada);  25,79  e  8,95  (não  demonstrou  vinculação com a empresa)    Comprovados  30,10; 58,25; 64,14  R$152,49  Junho  Já acatados  30,10; 58,25; 110,55; 22,00    Rejeitados  849,14;  142,87;  260,70  (parcelas  subseqüentes,  1ª  parcela já rejeitada);     Comprovados  397,85; 64,14  R$461,99  Julho  Já acatados  58,25; 110,54; 22,00    Rejeitados  142,87  (parcelas  subseqüentes,  1ª  parcela  já  rejeitada);  69,60  (sem  documentação)    Comprovados  397,85  R$397,85  Agosto  Já acatados  58,25; 110,54; 22,00    Rejeitados  142,87  (parcelas  subseqüentes,  1ª  parcela  já  rejeitada);    Comprovados  Nenhum    Setembro  Já acatados  58,25; 110,54; 22,00    Rejeitados  305,78 (sem documentação)    Comprovados  Nenhum    Outubro  Fl. 4721DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/2010­65  Acórdão n.º 2802­002.489  S2­TE02  Fl. 4.711          23 Já acatados  58,25; 110,54; 22,00    Rejeitados  621,88 (divergência de valores  ,  a  nota  fiscal  28202  já  comprova  o  registro  anterior  duas  parcelas  de  1.751,30);  305,74  (parcelas  subseqüentes,  1ª  parcela  já  rejeitada)    Comprovados  1.751,30  R$1.751,30  Novembro  Já acatados  58,25; 22,00    Rejeitados  621,88;  305,74  (idem  ao  mês  anterior)    Comprovados  1.751,30  R$1.751,30  Dezembro  Já acatados  58,25; 22,00    Rejeitados  305,74 (idem ao mês anterior);  os  demais  (por  falta  de  comprovação)    Comprovados  nenhum    Total comprovado deste cartão: R$15.036,76.    Ano­calendário 2007  Cartão Unicard Visa final 4056/4031 – fls.3696 e ss.   Janeiro  Já acatados  192,25    Rejeitados  583,35 (sem documentação)    Comprovados  Nenhum      Ano­calendário 2007  Fl. 4722DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     24  Cartão Mastercard Gold final 2014 – fls. 3698 e ss.   Janeiro  Rejeitados  34,00 (não comprovado que se  trata de veículo da empresa)    Comprovados  1.117,9 e 178,82  1.296,72  Fevereiro  Comprovados  178,82  178,82  Março  Comprovados  nenhum    Abril  Comprovados  Todos  1.362,11  Maio  Comprovados  615,76  615,76  Junho  Comprovados  Nenhum    Julho  Comprovados  Nenhum    Agosto  Já acatados  386,05 e 71,47    Comprovados  Nenhum    Setembro  Já acatados  386,03 e 71,43    Rejeitados   117,52;  189,50  –  recibo  96589899;  117,72  –  recibo  96589899; 76,47 e 81,22 (falta  de  documentação  ou  por  não  haver  vinculação  entre  a  documentação  e  valor  ou  número de recibo/reserva)    Comprovados  174,42;  178,62;  178,62;  189,50;  1.208,00  Fl. 4723DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/2010­65  Acórdão n.º 2802­002.489  S2­TE02  Fl. 4.712          25 179,62; 189,50; 117,72   Outubro  Já acatados  386,03  e  71,43    Rejeitados  76,43;  189,50  recibo  96589901;  61,58;  97,17  e  54,94  –  idem  acima    Comprovados  178,62;  178,62;  189,50;  174,42;  189,50, 179,62; 123,17; 39,24  1.252,69  Novembro  Já acatados  386,03;  71,43 e 189,50    Rejeitados  76,43;  64,58;  54,92;  123,16  –  idem  acima    Comprovados  178,62;  178,62;  189,50;  174,42;  189,50; 179,62; 97,17; 123,17  e 39,28  1.349,90  Dezembro  Já acatados  386,03;  71,43 e 189,50    Rejeitados  76,43;  61,58; 54,92; 123,16; 311,83    Comprovados  178,62;  178,62;  189,50;  174,42;  189,50;179,62; 97,17; 123,17  1.310,62  Total comprovado deste cartão: R$8.574,62.    Ano­calendário 2007  Cartão Credicard final 2296 ­ fls. 3797 e ss.  Janeiro  Fl. 4724DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     26  Rejeitados  129,53;  100,00  –  falta  de  documentação    Comprovados  500,00; 58,85  558,85  Fevereiro  Já acatados  216,44    Rejeitados  129,63; 100,00; 151,70; 25,89;  24,58;  133,33  –  falta  de  documentação    Comprovados  500,00; 58,85  558,85  Março  Já acatados  216,44    Rejeitados  Todos  os  demais  –  falta  de  documentação    Abril  Já acatados  216,44; 20,60; 99,99; 23,16    Rejeitados  Demais rejeitados por falta de  comprovação  ou  porque  comprovado  em  favor  de  pessoas físicas    Comprovados  95,00  95,44  Maio  Já acatados  216,44; 19,47    Rejeitados  Demais rejeitados por falta de  comprovação  ou  porque  comprovado  em  favor  de  pessoas físicas    Junho  Já acatados  216,44; 37,42; 445,95; 63,32    Rejeitados  133,33; 159,93; 58,12; 36,12 ­  falta  de  documentação  ou  divergência de valor    Comprovados  53,12 e 77,63  130,75  Julho  Fl. 4725DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/2010­65  Acórdão n.º 2802­002.489  S2­TE02  Fl. 4.713          27 Já acatados  216,44; 37,42; 63,33    Rejeitados  58,10;  133,53  ­  falta  de  comprovação    Comprovados  77,64; 76,50; 53,10  207,24  Agosto  Já acatados  Os  demais  registros  nas  mencionados abaixo.    Rejeitados  58,10;  133,33 falta de comprovação    Comprovados  76,50; 53,10; 88,34 e 189,50  407,44  Setembro  Já acatados  216,44: 37,44; 149,50; 109,66;  86,60 e 178,62    Rejeitados  58,10;  189,50  (bilhete  96589908);  117,72  ­  falta  de  comprovação    Comprovados  53,10;  88,33; 189,50 ; 75,43; 105,38;  61,60; 19,62; 79,77 e 24,10  696,83  Outubro  Já acatados  216,48; 149,50; 109,66; 86,60  e 178,62    Rejeitados  189,50  (bilhete  96589908);  58,10    Comprovados  demais  601,76  Novembro  Já acatados  149,5; 86,60; 178,62    Rejeitados  189,5  (bilhete  96589908);;  58,10; 194,31; 259,08; 66,72    Comprovados  Demais  513,43  Dezembro  Fl. 4726DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     28  Já acatados  149,50; 86,60 e 178,62    Rejeitados  189,50  (bilhete  96589908);  194,31;  259,08;  116,70;  148,62 e 39,24    Comprovados  61,58; 79,77; 24,13; 189,50  354,98  Total comprovado deste cartão: R$4.125,57.    Ano­calendário 2007  Cartão Caixa Mastercard final 2217 – fls. 3900 e ss.  Janeiro  Já acatados  66,50    Rejeitados  139,00 – falta documentação    Fevereiro  Já acatados  66,50; 81,01    Rejeitados  139,01 ­ – falta documentação    Comprovados  Demais  707,35  Março  Já acatados  66,50; 81,01    Comprovados  343,35  343,35  Abril  Já acatados  todos    Maio  Já acatados  66,50    Rejeitados  11,40  (cupom  indica  pagamento  em  dinheiro,  fls.  3426);  125,96  (não  comprovado  uso  em  bem  da  empresa);  7,18  e  124,54  –  falta documentação    Comprovados  86,85; 184,47  271,32  Junho  Fl. 4727DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/2010­65  Acórdão n.º 2802­002.489  S2­TE02  Fl. 4.714          29 Já acatados  66,50; 49,76; 18,90    Rejeitados  124,54; 86,85; 184,47; 18,90    Comprovados  118,62; 49,76  168,38  Julho  Já acatados  66,50; 35; 134,42    Rejeitados  124,54 – falta comprovação    Comprovados  118,62  118,62  Agosto  Já acatados  66,50; 134,42    Rejeitados  948,91;  124,64  –  falta  comprovação    Comprovados  118,62  118,62  Setembro  Já acatados  134,42; 121,60; 73,08; 66,50    Rejeitados  124,64 – falta comprovação    Comprovados  118,62  118,62  Outubro  Já acatados  134,42; 121,62; 73,08    Rejeitados  124,64 – falta comprovação    Comprovados  118,62  118,62  Novembro  Já acatados  todos    Dezembro  Já acatados  todos    Total comprovado deste cartão: R$1.964,88    Fl. 4728DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     30  Ano­calendário 2007  Cartão Visa Platinum final 3018 ­ fls. 3972 e ss.  Janeiro  Já acatados  181,93 e 321,18    Rejeitados  1.500,10 – falta comprovação    Comprovados  demais  2.167,25  Fevereiro  Já acatados  Os cinco primeiros registros.    Rejeitados  1.500,10  e  1.694,20  (não  comprovada  relação  do  passageiro com a empresa)    Comprovados  demais  3.446,19  Março  Já acatados  259,08; 181093; 21,18; 237,00  e 665,80    Rejeitados  1.500,10 – falta comprovação;  11.350,00  e  217,22  (notas  fiscais  emitidas  para  pessoa  física).    Comprovados  demais  1.740,34  Abril  Já acatados  181,93; 21,18    Rejeitados  217,21  e  1.500,10  ­  (idem  acima)    Comprovados  Demais  627,37  Maio  Já acatados  demais    Rejeitados  217,21  (idem  acima);  37,11  (sem  comprovação);  1.517,56  (não comprovado o vínculo da  viagem  da  família  Juan  com  atividade  da  empresa;  e  divergência de valores)    Fl. 4729DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/2010­65  Acórdão n.º 2802­002.489  S2­TE02  Fl. 4.715          31 Comprovados  163,20 e 126,24  289,44  Junho  Já acatados  demais    Rejeitados  37,10  (valor  divergente);  1.517,55 (idem acima)    Comprovados  163,20; 126,20 e 99,54  388,94  Julho  Já acatados  Os 14 primeiros registros.    Rejeitados  1.517,55 (idem acima)    Comprovados  99,54; 126,20 e 163,2  388,94  Agosto  Já acatados  Os quatro primeiros registros.    Rejeitados  1.517,55 (idem acima); 84,88;  229,31;  254,56;  64,77  (documentação  insuficiente);  116,38 (sem comprovação)    Comprovados  Demais  1.446,62  Setembro  Já acatados  349,90    Rejeitados  84,87; 229,31; 254,56 e 64,77  (idem acima); 116,37 e 229,56  (sem documentação)    Comprovados  Demais  1.288,54  Outubro  Já acatados  349,90; 97,85    Rejeitados  64,77;  84,87;  116,37;  229,31;  254,56; 229,56  (idem acima e  falta de documentação)    Comprovados  Demais  1.288,54  Novembro  Fl. 4730DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     32  Já acatados  349,90; 97,85    Rejeitados  229,31;  254,56  e  64,77;  116,37 e 229,56 (idem acima)    Comprovados  Demais  865,68  Dezembro  Já acatados  349,90; 97,85    Rejeitados  254,56; 64,77; 116,37; 229,56;  739,24    Comprovados  Demais  766,14  Total comprovado deste cartão: R$14.703,99.    Ano­calendário 2007  Cartão Amex – final 62002 – fls. 4167 e ss.  As fls. 4171 a 4173 contêm dados duplicados. Para corrigir esse erro os dados da fatura com  vencimento  25/12/2007  contidos  na  fl.  4171  e  4173  e  os  da  fatura  com  vencimento  em  25/11/2007 contido às fl. 4172 foram ignorados.  Janeiro  Rejeitados  74,28 – sem documentação    Comprovados  402,75 e 480,00  882,72  Fevereiro  Já acatados  Os seis primeiros registros.    Rejeitados  1.211,25;  247,11;  58,00;  171,85;  853,83;  95,80  e  255,33 – falta documentação.    Comprovados  Demais  2.437,39  Março  Já acatados  Os seis primeiros registros.    Rejeitados  255,33; 229,20 e 98,89 – falta  documentação    Comprovados  Demais  2.042,31  Abril  Fl. 4731DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/2010­65  Acórdão n.º 2802­002.489  S2­TE02  Fl. 4.716          33 Já acatados  Os cinco primeiros registros.    Rejeitados  229,20  e  255,33  ­  falta  documentação    Comprovados  64,31 e 62,21  126,52  Maio  Já acatados  Os cinco primeiros registros.    Rejeitados  255,35 ­ falta documentação    Comprovados  64,31 e 62,21  126,52  Junho  Já acatados  Os três primeiros registros.    Rejeitados  255,33 ­ falta documentação    Julho  Já acatados  Todos    Agosto  Já acatados  108,25 e 255,43    Rejeitados  527,85  –  não  foi  comprovada  a  natureza  da  despesas  e  há  discrepância  de  valores  na  documentação apresentada.    Comprovados  178,62;  418,24;  174,42  e  418,24  1.189,52  Setembro  Já acatados  108,25  e  255,43;  226,54  e  174,42    Rejeitados  174,66 – falta documentação.    Comprovados  demais  3.702,98  Outubro  Já acatados  108,25  e  255,43;  226,54  e  174,42    Fl. 4732DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     34  Rejeitados  174,65 – falta documentação.    Comprovados  demais  3.702,98  Novembro  Já acatados  108,25; 226,54 e 174,42    Rejeitados  174,65;  474,62;  239,31;  492,82;  246,41;  79,10  ­  falta  de  documentação  e/ou  a  relação  Casablanca  contém  discrepância  de  valor  ou  número de cartão.    Comprovados  Demais  3.198,58  Dezembro  Já acatados  226,54 e 174,42    Rejeitados  174,67; 79,10; 474,62; 239,31;  492,82; e 246,41    Comprovados  Demais  1.498,44  Total comprovado deste cartão: R$18.907,96.    Ano­calendário 2007  Cartão Hipercard final 8202 76 fls. 4268 e ss.  Janeiro  Já acatados  todos    Fevereiro  Já acatados  Demais    Comprovados  48,00  48,00  Março  Já acatados  Demais    Comprovados  48,00  48,00  Abril  Já acatados  Demais    Fl. 4733DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/2010­65  Acórdão n.º 2802­002.489  S2­TE02  Fl. 4.717          35 Comprovados  48,00  48,00  Maio  Já acatados  254,80    Comprovados  Demais  408,36  Junho  Já acatados  Demais    Comprovados  48,00; 340,36  388,36  Julho  Já acatados  Demais    Comprovados  48,00; 340,36  388,36  Agosto  Já acatados  Demais    Comprovados  48,00  48,00  Setembro  Já acatados  demais    Comprovados  48,00; 93,33  141,33  Outubro  Já acatados  demais    Comprovados  48,00; 93,33  141,33  Novembro  Já acatados  88,33    Comprovados  48,00; 93,33  141,33  Dezembro  Rejeitado  269,74 – falta documentação    Comprovados  93,33  93,33  Total comprovado deste cartão: R$1.894,40.  Fl. 4734DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     36    Ano­calendário 2007  Cartão GM Card Itaú Card Visa final 6017 – fls. 4302 e ss.  Janeiro  Já acatados  730,55    Rejeitados  545,51  e  203,95  –  sem  documentação.    Comprovados  Demais  1.940,53  Fevereiro  Já acatados  730,55 e 59,34    Rejeitados  545,49  (sem  documentação);  67,50  e  250,00  (venda  a  pessoa física)    Comprovados  demais  1.940,53  Março  Rejeitados  Todos – idem motivo acima    Abril  Já acatados  145,19; 150,09    Rejeitados  Demais  –  falta  de  comprovação  ou  venda  a  pessoa física.    Comprovados  900,00 e 80,20  980,20  Maio  Já acatados  Os  dois  primeiros  e  do  5º  ao  16º registro.    Rejeitados  Demais  –  falta  de  comprovação  ou  venda  a  pessoa física.    Comprovados  86,28  86,28  Junho  Já acatados  Os sete primeiros registros.    Fl. 4735DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/2010­65  Acórdão n.º 2802­002.489  S2­TE02  Fl. 4.718          37 Rejeitados  Demais  –  falta  de  comprovação  ou  venda  a  pessoa física.    Comprovados  86,25 e 60,10  146,35  Julho  Já acatados  Os oito primeiros registros.    Rejeitados  demais    Comprovados  86,25; 60,05 e 53,71  200,01  Agosto  Já acatados  Os seis primeiros registros.    Rejeitados  290,85    Comprovados  demais  1.484,30  Setembro  Já acatados  Os nove primeiros registros.    Rejeitados  290,69    Comprovados  demais  497,30  Outubro  Já acatados  Os seis primeiros registros.    Comprovados  Demais  2.247,30  Novembro  Já acatados  Os quatro primeiros registros.    Rejeitados  616,05  (não  comprovado  vínculo dos passageiros com a  empresa0);  518,07  (sem  documentação)    Comprovados  Demais  2.193,59  Dezembro  Já acatados  279,12 e 324,42    Fl. 4736DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     38  Rejeitados  616,03  e  518,97  –  sem  comprovação    Comprovados  demais  2.834,16    Total comprovado deste cartão: R$14.550,55.  Na análise do Cartão Mastercard Platinum final 5533 verificou­se que todos  os registros (fls. 4450 e ss.) já foram acatados pela fiscalização (fls. 97 e ss.).  No  cartão  Visa  Platinum  final  7795  nada  foi  acatado  pela  Fiscalização,  as  despesas (fls. 4468 e ss.) foram comprovadas, salvo a denominada “Gol Tran” em três parcelas  (1ª de 94,88, demais de 94,87) por faltar documentação.   Desta forma, nesse cartão o valor comprovado é de R$979,28.  No cartão Amex final 1832­007 (fls. 4489 e ss.), as despesas de setembro já  foram acatadas pela Fiscalização e a despesa de dezembro não pode ser comprovada porque a  documentação é  insuficiente para  comprovar  ser uma despesa da  empresa,  notadamente pela  falta de comprovação do vínculo dos passageiros com a pessoa  jurídica. Neste cartão não há  valor a ser admitido.  Conseqüentemente,  o  valor  a  ser  excluído  da  base  de  cálculo  adotada  no  lançamento, no ano­calendário 2007, é de R$80.918,01.  Da multa de ofício qualificada.  O recorrente, subsidiariamente, alega que o auto de infração sequer indicou  em qual dos dispositivos da Lei 4.502/64 enquadrou­se a conduta do contribuinte  (71, 72 ou  73?).  Partindo do pressuposto de que a boa­fé se presume e que dolo se comprova,  verifica­se que a autoridade fiscal não comprovou que o recorrente tenha agido com evidente  intuito de fraudar a fiscalização fazendária.  De  outro  giro,  a  fundamentação  adotada  no  acórdão  recorrido  para  a  qualificação  constitui  inovação  na  acusação,  além  de  não  ser  possível  presumir  o  dolo  com  base  exclusivamente  no  fato  de  a  fiscalização  ter  sido  iniciada  em  razão  de  investigação  policial movida  contra  as  pessoas  jurídicas,  quando  este  não  foi  o  fundamento  adotado  pela  autoridade lançadora.  A  existência  de  indícios  de  crimes  é  ponto  de  início  do  trabalho  de  fiscalização mas não uma conclusão acabada, por maiores que sejam os indícios, para fins de  qualificar a multa, a fiscalização não esta dispensada de comprovar o dolo.  Dessa forma, deve­se afastar a qualificação da multa.  Portanto,  voto  por  DAR  PROVIMENTO  PARCIAL  ao  recurso  voluntário  para (1) que seja excluído da base de cálculo adotada no lançamento os valores de R$17.939,17  (dezessete mil, novecentos e trinta e nove reais e dezessete centavos), R$59.525,23 (cinqüenta  e nove mil, quinhentos e vinte e cinco reais e vinte e três centavos) e R$80.918,01 (oitenta mil,  Fl. 4737DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.725211/2010­65  Acórdão n.º 2802­002.489  S2­TE02  Fl. 4.719          39 novecentos  de  dezoito  reais  e  um  centavo),  nos  ano­calendário  2005,  2006  e  2007,  respectivamente; e (2) afastar a qualificação da multa de ofício.  (Assinado digitalmente)  Jorge Claudio Duarte Cardoso                                Fl. 4738DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO

score : 1.0