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Numero do processo: 13502.000717/2006-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 20/10/2001, 20/01/2002, 31/03/2002
DEPÓSITOS JUDICIAIS - CRÉDITO TRIBUTÁRIO - SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE - LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA - POSSIBILIDADE - Quando o contribuinte, antes de procedimento fiscal, busca a tutela jurisdicional e realiza depósitos judiciais, nada impede o Fisco, com vistas a prevenir a decadência, proceder o respectivo lançamento, cuja cobrança só poderá ser implementada após o trânsito em julgado da decisão judicial. JUROS DE MORA – São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3201-000.780
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudino e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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JUROS DE MORA – São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudino e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Mércia Helena Trajano D'Amorim Presidente substituta e relatora. EDITADO EM: 12/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Robson José Bayerl, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Mariz Gudino. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Tratase de Auto de Infração (fls. 05/08) e demonstrativos (fls.13/15), lavrado para exigir o Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI no valor de R$ 600.880,85 (seiscentos mil, oitocentos e oitenta reais e oitenta e cinco centavos), acrescido dos juros de mora e da multa de ofício, pertinente aos fatos geradores discriminados, em razão de a contribuinte ter se aproveitado de créditos originados de ação judicial sem trânsito em julgado, publicada em 29/05/2000, referentes às entradas de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributadas à alíquota zero, isentas ou não tributadas, para aproveitamento futuro com débitos do mesmo imposto, bastando para tal, o registro da compensação, em sua escrita fiscal, no âmbito do lançamento por homologação. Nesta sentença, objeto de embargo de Declaração, ficou determinada pelo Juiz a continuidade dos depósitos judiciais com vista a manutenção da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, decisão sujeita a duplo grau de jurisdição, ex officio, objeto também de recurso pela União, estando pendente de julgamento pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Consta na descrição dos fatos que a interessada teria registrado em sua escrita fiscal os créditos relativos às aquisições das matériasprimas objeto da ação judicial, “outros créditos”, os quais influenciaram na apuração do IPI do período, declarando em DCTF o resultado dos débitos menos os créditos normais, acrescidos do saldo anterior, e por conseguinte, efetuando o depósito judicial inferior ao devido. O enquadramento legal prevê infração aos artigos: 32, inciso II, 109, 111, 112, inciso III, 114, parágrafo único, 117, 146, 147, inciso I, 171, 178, §2º, 182, parágrafo único, 183, incisos, III e IV, e 185, incisos III e V, do Decreto nº2.637, de 1998; art.475 da Lei nº5.869, de 1973; art.151, II, da Lei nº5.172, de 1966. Cientificada da autuação em 07/10/2006 (fl.87), a interessada apresentou impugnação em 07/11/2006 (fls.89/93), alegando que não pode prevalecer a autuação porque na ação judicial nº1999.33.00.0006729, buscou o reconhecimento do direito ao aproveitamento de créditos do IPI decorrentes da entrada em seu estabelecimento de insumos não tributados ou tributados à alíquota zero, os quais, aproveitados, reduziriam o montante do imposto a pagar. Buscando viabilizar o benefício econômico, suspender a exigibilidade do crédito tributário, passou a realizar, decendialmente, depósito judicial dos valores controvertidos naquela ação judicial, conforme demonstrado na tabela, e, em havendo depósito judicial do montante, está suspenso o crédito tributário, sendo impossível a exigência de juros de mora e multa punitiva Fl. 157DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.000717/200646 Acórdão n.º 3201000.780 S3C2T1 Fl. 149 3 em lançamento de ofício, razão pela qual requer a improcedência do auto de infração. Intimado a apresentar documentos relativos a contrato social ou documento equivalente (fl.100), a interessada apresentou a documentação às fls.106/124.” O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SDR no 1519.236, de 13/05/2009, proferida pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 20/10/2001, 20/01/2002, 31/03/2002 AUTO DE INFRAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. É correta a lavratura de auto de infração de crédito tributário em discussão judicial e com exigibilidade suspensa, posto que tal procedimento não traz qualquer prejuízo ao contribuinte e é a forma adequada de a Fazenda Nacional se resguardar do instituto da decadência. COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. A compensação como forma de extinção do crédito tributário exige que os créditos apurados pelo sujeito passivo gozem de certeza e liquidez. Em se tratando de créditos decorrentes de ação judicial, há necessidade do trânsito em julgado e da liquidação da decisão que os reconheceu. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. MULTA DE OFÍCIO. Cancelase, por inaplicável, penalidade incidente sobre crédito tributário com exigibilidade suspensa em face de depósito do montante integral do tributo ou contribuição. JUROS DE MORA. O depósito judicial, quando determinada sua conversão em renda da União Federal, é considerado um pagamento, na data em que efetivado. Assim, a indicação dos juros moratórios no Auto de Infração é cabível, ressalvando se que a eventual conversão em renda da União Federal de depósito judicial deve extinguir o crédito tributário lançado, tomandose como data limite para a apuração dos acréscimos moratórios a data da efetivação do depósito. Lançamento Procedente em Parte. O julgamento foi no sentido de considerar procedente em parte a impugnação apresentada pela empresa autuada, para manter parte do crédito tributário.Excluiuse a multa de ofício em face de ser inaplicável a penalidade sobre o crédito tributário com exigibilidade suspensa e manutenção dos juros de mora. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Ressaltando, que o depósito constitui o crédito tributário e que, por isso, não haveria necessidade de se efetuar o lançamento, nem mesmo para prevenir a decadência, bem como contesta a cobrança dos juros, que somente seriam devidos em caso de inadimplemento. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Conselheiro Mércia Helena Trajano D'Amorim O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 05/08) e demonstrativos (fls.13/15), lavrado para exigir o Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI no valor de R$ 600.880,85 (seiscentos mil, oitocentos e oitenta reais e oitenta e cinco centavos), acrescido dos juros de mora e da multa de ofício, pertinente aos fatos geradores discriminados, em razão de a recorrente ter se aproveitado de créditos originados de ação judicial sem trânsito em julgado, publicada em 29/05/2000, referentes às entradas de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributadas à alíquota zero, isentas ou não tributadas, para aproveitamento futuro com débitos do mesmo imposto, bastando para tal, o registro da compensação, em sua escrita fiscal, no âmbito do lançamento por homologação. A decisão a quo registra: “.....assiste razão à interessada quando afirma que efetuou os depósitos judiciais das diferenças de IPI apuradas, sem considerar os créditos decorrentes da decisão judicial, utilizados no aproveitamento e registrados no LRAIPI como “Outros créditos”, confirmados tais recolhimentos, fls.94/96, no Sistema de Recolhimento da RFB – SINAL 05.” Logo, é de se ressaltar que a DRJ já excluiu a multa de ofício lançada no Auto de Infração para prevenir a decadência. O Regimento Interno desta Corte determina que os Conselheiros votem em conformidade com as decisões proferidas pelo STJ quando objeto do rito dos recursos repetitivos, forte no art. 62A. Há uma discussão no colegiado de decidido no STJ, em sede de recurso repetitivo, entendo que não deva ser aplicada, a contrario sensu, a decisão proferida no REsp n.º 114.0956/SP, conforme transcrito abaixo, pois entendo que a questão debatida não se assemelha ao caso que se discute. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. AÇÃO ANTIEXACIONAL ANTERIOR À EXECUÇÃO FISCAL. DEPÓSITO INTEGRAL DO DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (ART. 151, II, DO CTN). ÓBICE À PROPOSITURA DA EXECUÇÃO FISCAL, QUE, ACASO AJUIZADA, DEVERÁ SER EXTINTA. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.000717/200646 Acórdão n.º 3201000.780 S3C2T1 Fl. 150 5 1. O depósito do montante integral do débito, nos termos do artigo 151, inciso II, do CTN, suspende a exigibilidade do crédito tributário, impedindo o ajuizamento da execução fiscal por parte da Fazenda Pública. (Precedentes: REsp 885.246/ES, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/06/2010, DJe 06/08/2010; REsp 1074506/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/09/2009; AgRg nos EDcl no REsp 1108852/RJ, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/08/2009, DJe 10/09/2009; AgRg no REsp 774.180/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/06/2009, DJe 29/06/2009; REsp 807.685/RJ, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/04/2006, DJ 08/05/2006; REsp 789.920/MA, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/02/2006, DJ 06/03/2006; REsp 601.432/CE, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/09/2005, DJ 28/11/2005; REsp 255.701/SP, Rel. Ministro FRANCIULLI NETTO, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/04/2004, DJ 09/08/2004; REsp 174.000/RJ, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 08/05/2001, DJ 25/06/2001; REsp 62.767/PE, Rel. Ministro ANTÔNIO DE PÁDUA RIBEIRO, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/04/1997, DJ 28/04/1997; REsp 4.089/SP, Rel. Ministro GERALDO SOBRAL, Rel. p/ Acórdão MIN. JOSÉ DE JESUS FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 27/02/1991, DJ 29/04/1991; AgRg no Ag 4.664/CE, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/08/1990, DJ 24/09/1990) 2. É que as causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN) impedem a realização, pelo Fisco, de atos de cobrança, os quais têm início em momento posterior ao lançamento, com a lavratura do auto de infração. 3. O processo de cobrança do crédito tributário encarta as seguintes etapas, visando ao efetivo recebimento do referido crédito: a) a cobrança administrativa, que ocorrerá mediante a lavratura do auto de infração e aplicação de multa: exigibilidade autuação; b) a inscrição em dívida ativa: exigibilidadeinscrição; c) a cobrança judicial, via execução fiscal: exigibilidade execução. 4. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, Fl. 160DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 assim como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá ser extinta. 5. A improcedência da ação antiexacional (precedida do depósito do montante integral) acarreta a conversão do depósito em renda em favor da Fazenda Pública, extinguindo o crédito tributário, consoante o comando do art. 156, VI, do CTN, na esteira dos ensinamentos de abalizada doutrina, verbis: "Depois da constituição definitiva do crédito, o depósito, quer tenha sido prévio ou posterior, tem o mérito de impedir a propositura da ação de cobrança, vale dizer, da execução fiscal, porquanto fica suspensa a exigibilidade do crédito. (...) Ao promover a ação anulatória de lançamento, ou a declaratória de inexistência de relação tributária, ou mesmo o mandado de segurança, o autor fará a prova do depósito e pedirá ao Juiz que mande cientificar a Fazenda Pública, para os fins do art. 151, II, do Código Tributário Nacional. Se pretender a suspensão da exigibilidade antes da propositura da ação, poderá fazer o depósito e, em seguida, juntando o respectivo comprovante, pedir ao Juiz que mande notificar a Fazenda Pública. Terá então o prazo de 30 dias para promover a ação. Julgada a ação procedente, o depósito deve ser devolvido ao contribuinte, e se improcedente, convertido em renda da Fazenda Pública, desde que a sentença de mérito tenha transitado em julgado" (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 27ª ed., p. 205/206). 6. In casu, o Tribunal a quo, ao conceder a liminar pleiteada no bojo do presente agravo de instrumento, consignou a integralidade do depósito efetuado, às fls. 77/78: "A verossimilhança do pedido é manifesta, pois houve o depósito dos valores reclamados em execução, o que acarreta a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, de forma que concedo a liminar pleiteada para o fim de suspender a execução até o julgamento do mandado de segurança ou julgamento deste pela Turma Julgadora." 7. A ocorrência do depósito integral do montante devido restou ratificada no aresto recorrido, consoante dessumese do seguinte excerto do voto condutor, in verbis: "O depósito do valor do débito impede o ajuizamento de ação executiva até o trânsito em julgado da ação. Consta que foi efetuado o depósito nos autos do Mandado de Segurança impetrado pela agravante, o qual encontrase em andamento, de forma que a exigibilidade do tributo permanece suspensa até solução definitiva. Assim sendo, a Municipalidade não está autorizada a proceder à cobrança de tributo cuja legalidade está sendo discutida judicialmente." Fl. 161DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.000717/200646 Acórdão n.º 3201000.780 S3C2T1 Fl. 151 7 8. In casu, o Município recorrente alegou violação do art. 151, II, do CTN, ao argumento de que o depósito efetuado não seria integral, posto não coincidir com o valor constante da CDA, por isso que inapto a garantir a execução, determinar sua suspensão ou extinção, tese insindicável pelo STJ, mercê de a questão remanescer quanto aos efeitos do depósito servirem à fixação da tese repetitiva. 9. Destarte, ante a ocorrência do depósito do montante integral do débito exequendo, no bojo de ação antiexacional proposta em momento anterior ao ajuizamento da execução, a extinção do executivo fiscal é medida que se impõe, porquanto suspensa a exigibilidade do referido crédito tributário. 10. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, REsp 1140956/SP, relator Ministro Luiz Fux, 1ª Seção, DJe 03/12/2010) (grifos acrescidos) O tema referese ao óbice existente para a propositura de ação de execução fiscal quando o contribuinte tenha, anteriormente, ajuizado ação anulatória garantida por depósito integral do débito, ou seja, ponto totalmente diferente à discussão, que se limita à possibilidade de se efetivar o lançamento ainda que tenha havido o depósito. Pelo exposto, não se aplica no presente julgamento o disposto no artigo 62A do RICARF, não estando, nós, julgadores vinculados à decisão proferida pelo STJ, já que aquela, repitase, referese a tema diverso do que é objeto do presente processo e o referido dispositivo regimental, assim como a própria sistemática do recurso repetitivo, demandam que as questões de direito versadas nos processos sejam idênticas, não bastando mera semelhança entre elas. O fato de a matéria objeto da autuação encontrarse sub judice não afasta a obrigatoriedade de a autoridade fiscal efetuar o lançamento para constituição do crédito tributário e evitar os efeitos da decadência, já que a fluência do prazo decadencial ocorre independentemente de estar ou não suspensa a exigibilidade do crédito tributário ou de estar ou não o sujeito passivo litigando judicialmente. A inexigibilidade do crédito tributário, até que haja sentença judicial transitada em julgado, não impede de ser o mesmo devidamente constituído, salvo se houver ordem judicial expressa impedindo a lavratura do auto de infração. Sobre o assunto, destacase o Parecer PGFN/CRJN/Nº 743, de 1988, em seu item 14: 14. Não constituído o crédito tributário, haverá a autoridade fiscal que preservar a obrigação tributária do efeito decadencial. Incumbelhe, como dever de diligência no trato da coisa pública, constituir o crédito tributário pelo lançamento. (grifei) O lançamento feito para prevenir a decadência representa apenas a constituição do título hábil a lastrear a cobrança futura caso o Fisco emerja vencedor na ação Fl. 162DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 judicial, ou caso o contribuinte perca, no transcurso do processo, a proteção judicial de suspensão da cobrança. O art. 142, parágrafo único, do CTN, é expresso ao determinar que a constituição o crédito tributário é obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, in verbis: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, (...). Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.”. Cito ainda, o Recurso Especial do STJ de nº 332693, em que segundo o voto da Ministra Eliana Calmon “o Fisco não está inibido de constituir o seu crédito, dispondo então de cinco anos para fazêlo, com ou sem depósito, porque, como já visto, a única inibição provocada pelo depósito referese à exigibilidade, existente em um segundo momento, quando já constituído o crédito, nos termos do art. 142 do CTN”. E, finalmente, a súmula CARF nº 48, prevê que a suspensão da exigibilidade não impede a lavratura do auto de infração, súmula esta ainda vigente e genérica em suas disposições o que, a meu sentir, alcançaria, também, o caso do depósito judicial. Nesse contexto, o art. 63, da Lei 9.430/96, prevê, também, que sejam feitos lançamentos de créditos com exigibilidade suspensa para prevenir a decadência, estabelecendo, nesse caso, que a autoridade competente o faça, sem aplicar a multa de ofício, o que já foi motivo de conserto pela DRJ. Em relação aos juros de mora, aplico a Súmula nº 5 deste CARF, que tem o seguinte teor: Súmula CARF nº 5 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Logo, não pode ser a conclusão desta Turma, senão a de que o depósito, ainda que integral, não impede que a Fazenda proceda ao lançamento formal do crédito tributário, portanto cabimento do lançamento, sem aplicação dos juros moratórios, tendo em vista depósito integral. Isso posto, dou provimento parcial ao recurso voluntário. Mércia Helena Trajano D’Amorim Fl. 163DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10880.675107/2009-48
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Manques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Manques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 75 10 7/ 20 09 -4 8 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675107/200948 Resolução nº 1802000.220 S1TE02 Fl. 55 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de fls. 32/47 contra decisão da 5ª Turma da DRJ/São Paulo I (fls. 26/30) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. Quanto aos fatos, consta que em 29/12/2006 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 18067.98677.291206.1.3.046069 (fls.02/04), onde consta: a) débito informado (confessado): IRPJ estimativa mensal, código de receita 5993, do PA setembro2005, data de vencimento 31/10/2005, assim especificado: principal: R$ 387,00; multa moratória: R$ 77,40; juros de mora: R$ 65,75; Total: R$ 530,15. b) débito informado (confessado): IRPJ estimativa mensal, código de receita 5993, do PA outubro/2005, data de vencimento 30/11/2005, assim especificado: principal: R$ 4.456,00; multa moratória: R$ 891,20; juros de mora: R$ 695,58; Total: R$ 6.042,78. c) crédito utilizado: aproveitamento de suposto direito creditório de R$ 4.046,87 (valor original), referente pagamento indevido ou a maior de CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA 28/02/2003, valor de R$ 4.047,44 (valor original), data do recolhimento 27/03/2003. Entretanto, na DIPJ 2004, anocalendário 2003 (Ficha 16), consta, quanto ao PA 28/02/2003, débito informado da CSLL estimativa mensal o valor de R$ 4.047,44. Da mesma forma, na DCTF desse PA consta débito confessado da CSLL = R$ 4.047,44 (fl. 25). Por isso, o despacho decisório da DERAT/São Paulo, de 23/10/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada, pois o recolhimento citado está vinculado ao débito do respectivo PA informado na respectiva DIPJ e DCTF. A propósito, transcrevo o disposto no Despacho Decisório eletrônico (fl. 06), in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Fl. 55DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675107/200948 Resolução nº 1802000.220 S1TE02 Fl. 56 3 Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 4.047,44. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NAO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência (fl.07), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 07/12/2009 (fls. 08/14), cujas razões, em síntese, são as seguintes: a) direito creditório utilizado, pleiteado na DCOMP: que o recolhimento da CSLL estimativa mensal do PA fevereiro/2003 foi indevido ou maior, em face do resultado apurado no encerramento do anocalendário 2003; que, consoante previsto no art. 165 do Código Tributário Nacional, tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, no caso de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior em face da legislação tributária aplicável; b) do débito informado na DCOMP: que houve equívoco na apresentação da DCOMP, pois no anocalendário 2005 teria apurado prejuízo fiscal e que, então, não haveria débitos a compensar relativo ao IRPJ estimativa mensal dos PA setembro/2005 e outubro/2005; que a DCOMP não expressa confissão de dívida; que, ainda, esses débitos dos PA setembro/2005 e outubro/2005 não teriam sido confessados em DCTF; que a Administração Pública não deve utilizarse de um equívoco da contribuinte (a qual solicitou uma compensação quando o correto seria um pedido de restituição do crédito) para constituir débitos e exigilos; Por fim, com base nessas razões, a contribuinte pediu o cancelamento dos débitos informados na DCOMP e que seja restituído o crédito pleiteado com aplicação dos juros SELIC. A DRJ/São Paulo I, apreciando a lide, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme Acórdão de 27/10/2010 (fls. 26/30), cuja ementa transcrevo a seguir, in verbis: Fl. 56DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675107/200948 Resolução nº 1802000.220 S1TE02 Fl. 57 4 (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE o LUCRO LÍQUIDO – CSLL Data do fato gerador: 27/03/2003 ESTIMATIVA MENSAL. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP como origem do crédito corresponde exatamente à estimativa devida no período, não há que se falar em pagamento indevido. ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. UTILIZAÇÃO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 15/12/2010 (fl. 31verso), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 14/01/2011 (fls. 32/47), reiterando as razões já aduzidas na instância a quo, acrescentando ainda: que não pode acatar o argumento, fundamento da decisão recorrida, de que valor pago a maior de CSLL (PA fevereiro/2003) só pode ser utilizado na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento a maior, ou para compor o saldo negativo de CSLL do período. Por fim, sob alegação de que a DCOMP foi transmitida indevidamente (débitos do IRPJ informados seriam indevidos ou inexistentes, quanto aos PA setembro/2005 e outubro/2005), pediu a restituição do direito creditório (valor da CSLL pago indevidamente ou a maior do PA fevereiro/2003). É o relatório. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675107/200948 Resolução nº 1802000.220 S1TE02 Fl. 58 5 VOTO Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. Vale dizer, em 29/12/2006 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 18067.98677.291206.1.3.046069 (fls.02/04), informando que compensara débitos do IRPJ estimativa mensal, código de receita 5993, dos PA setembro/2005 e outubro/2005, data de vencimento 31/10/2005 e 30/11/2005 respectivamente, utilizando direito creditório – pagamento indevido ou a maior de CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, do PA fevereiro/2003, data do recolhimento 27/03/2003. A decisão a quo, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório pleiteado, pois o valor integral do referido recolhimento de 27/03/2003 já fora, integralmente, consumido ou utilizado para quitação do débito da CSLL estimativa mensal do PA fevereiro/2003, declarado na respectiva DIPJ/DCTF. Nas razões do recurso, a recorrente rebelase contra a decisão recorrida, alegando: a) que tem direito à restituição do que pagara indevidamente a título de CSLL estimativa mensal do PA fevereiro/2003, pois teria recolhido CSLL estimativa mensal indevidamente ou superior ao valor da CSLL apurado na declaração de ajuste anual, nesse ano calendário; b) ou que teria apurada os resultados com base em balancetes de suspensão/redução; c) que, além disso, os débitos do IRPJ estimativa mensal dos PA setembro/2005 e outubro/2005, informados na DCOMP, seriam incabíveis, indevidos ou não exigíveis, pois nesse anocalendário teria apurado prejuízo fiscal na declaração de ajuste anual; d) que, em suma, teria laborado em equívoco quando da apresentação da DCOMP, pois seria caso de pedido de restituição de direito creditório e não de compensação tributária. Compulsando os autos, observase que nos anoscalendário 2003 e 2005 a contribuinte estava submetida ao regime de apuração do IRPJ e da CSLL, com base no Lucro Real anual, com obrigação de antecipação de pagamento dessas exações por estimativa mensal. À luz da legislação tributária federal, sempre que há, comprovadamente, pagamento indevido ou maior, é cabível a repetição do indébito tributário. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675107/200948 Resolução nº 1802000.220 S1TE02 Fl. 59 6 No caso de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal da CSLL, cabe observar o seguinte: a) os contribuintes que fizeram opção, para determinado anocalendário, pelo lucro real anual têm obrigação de antecipar pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal com base na receita bruta mensal ou com base em balancete mensal de suspensão/redução, independentemente de eventual apuração de prejuízo no final de ano, na declaração de ajuste. Sendo assim, não há que se falar ou objetar recolhimentos mensais, pagamentos por antecipação, indevidos ou a maior dessas exações fiscais, quando efetuados em estrita observância da legislação de regência e em estrita observância da base de cálculo (receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão/redução). O simples fato de apuração no final do ano de eventual prejuízo não torna os recolhimentos, pagamentos por antecipação, indevidos, pois foram antecipados na forma da legislação de regência. Ainda, na hipótese de apuração de prejuízo fiscal no encerramento do anocalendário, os pagamentos assim antecipados de estimativa mensal serão devolvidos como saldo negativo; b) entretanto, considerase pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal quando, de plano, observase que ele não tem relação com a receita bruta ou com o balanço de suspensão/redução. Nessa situação, é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento apenas do excesso do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (não relacionado com a receita bruta ou com balancete de suspensão ou redução), sem necessidade de leválo para o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Nesse sentido, também é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Mas, no caso há falhas na instrução do processo; salta aos olhos a falta de elementos de prova para formação de convicção do julgador quanto ao mérito da lide, pois: 1) Quanto ao pretenso direito creditório da CSLL do PA fevereiro/2003: a) não há sequer cópia completa da DIPJ 2004, anocalendário 2003, para apurar, verificar, cotejar, se o valor pleiteado constou ou não de eventual saldo negativo na declaração de ajuste desse anocalendário; b) não se sabe se o valor do crédito pleiteado já foi aproveitado, ou não, em balancete de suspensão ou redução, nos termos do art. 35 da Lei nº 8.981/95; c) não há cópia da escrituração contábil (livros razão, Diário e Lalur). 2) Quanto aos débitos confessados na DCOMP, PA setembro/2005 e PA outubro/2005: a) não há nos autos sequer cópia completa da DIPJ 2006, anocalendário 2005, para apurar, verificar, cotejar, se o valor dos débitos foram declarados na DIPJ e se foram confessados da DCTF respectiva; b) não há nos autos cópia de balancete de suspensão ou redução, nos termos do art. 35 da Lei nº 8.981/95; Fl. 59DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.675107/200948 Resolução nº 1802000.220 S1TE02 Fl. 60 7 c) não há cópia da escrituração contábil e fiscal (livros razão, Diário e Lalur). Diante do exposto, e em observância ao princípio da verdade material, propugno, por conseguinte, pela conversão do julgamento em diligência, para retorno dos autos à DERAT/São Paulo para: a) à luz da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, apurar se existe, ou não, o direito creditório pleiteado. Na hipótese de existir o direito creditório pleiteado, apurar se ele decorreu de excesso de pagamento por antecipação no referido mês (recolhimento sem relação com a receita bruta mensal ou sem relação com o balancete mensal de suspensão/redução) ou se, simplesmente, é hipótese de restituição de saldo negativo, em face do pagamento, por antecipação, ter sido realizado exatamente nos termos da legislação de regência, mas, no encerramento do anocalendário respectivo, houve apuração de prejuízo; b) apurar, à luz da escrituração contábil e fiscal, se houve realmente equívoco na apuração e confissão do débito na DCOMP (apurar se o débito foi regularmente apurado pela própria contribuinte em sua escrituração contábil e fiscal, com base na receita bruta ou com base em balancete de suspensão ou redução, ou se o débito, em parte, não tem relação com a respectiva base de cálculo do período de apuração mensal. Considerase indevido apenas a parte do débito que extrapolou, ou seja, que não tem relação com a respectiva base de cálculo mensal (receita bruta ou com o balancete de redução/suspensão do referido período de apuração mensal); c) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo, embasado na escrituração contábil e fiscal, apresentando as conclusões e resultados da diligência fiscal quanto ao direito creditório pleiteado e quanto à existência/regularidade, ou não, dos débitos informados na DCOMP; d) intimar a contribuinte do relatório da diligência, contendo as conclusões/resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para, se quiser, apresentar contrarrazões. Transcorrido o prazo com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos a este CARF, para prosseguimento do julgamento. Por todas essas razões, voto para converter o julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 60DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 10735.904392/2009-93
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA RECOLHIDA A MAIOR.
1- Em regra, o que se restitui ou compensa é o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, e não as estimativas destes tributos, mas isto diz respeito ao valor da estimativa efetivamente devida enquanto tal, ou seja, ao valor que corretamente resulta ou do cálculo com base na receita bruta mensal ou da apuração fundada em balancete cumulativo de redução.
2- A estimativa que fica vinculada à apuração de ajuste é aquela apurada e recolhida de acordo com a norma tributária, não se incluindo aí pagamento que desde o início mostra-se indevido ou a maior, que não guarda relação com a base de cálculo do próprio mês a que deveria corresponder.
Numero da decisão: 1802-001.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA RECOLHIDA A MAIOR. 1- Em regra, o que se restitui ou compensa é o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, e não as estimativas destes tributos, mas isto diz respeito ao valor da estimativa efetivamente devida enquanto tal, ou seja, ao valor que corretamente resulta ou do cálculo com base na receita bruta mensal ou da apuração fundada em balancete cumulativo de redução. 2- A estimativa que fica vinculada à apuração de ajuste é aquela apurada e recolhida de acordo com a norma tributária, não se incluindo aí pagamento que desde o início mostra-se indevido ou a maior, que não guarda relação com a base de cálculo do próprio mês a que deveria corresponder.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 43 92 /2 00 9- 93 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.904392/200993 Acórdão n.º 1802001.648 S1TE02 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.904392/200993 Acórdão n.º 1802001.648 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – DRJ/RJ I, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Em 24/02/2006, a Contribuinte transmitiu o PER/DCOMP nº 32881.28682.240206.1.3.040420 (fls. 1 a 5), em que utiliza um alegado crédito proveniente de pagamento a maior de estimativa de CSLL referente a março/2005, conforme DARF recolhido em 31/08/2005, no valor total de R$ 5.652,00 (rubrica principal: 4.500,00; multa: 900,00 e juros: 252,00). O débito objeto de compensação corresponde à estimativa de CSLL do mês de janeiro/2006, no valor de R$ 6.114,90. A Delegacia de origem (DRF Nova Iguaçu/RJ), por meio do Despacho Decisório nº 831661252, de 20/04/2009 (fls. 6), não homologou a compensação porque o alegado crédito corresponde a pagamento de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e porque, como tal, somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Com a manifestação de fls. 9 a 23, a Contribuinte inaugurou a fase litigiosa, e conforme descrito na decisão de primeira instância, Acórdão nº 1238.011 (fls. 139 a 149), apresentou os seguintes argumentos: a) recolheu R$ 5.652,00, a título de estimativa mensal, que não era devida, “em razão de os montantes apurados terem sido absorvidos com crédito de meses anteriores, apurado mediante elaboração de Balanço de Suspensão ou Redução (...)”; b) existem duas normas que disciplinam o reconhecimento da antecipação mensal: a sobre receita bruta apurada no período (art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996); e a mediante levantamento de balanço de suspensão e redução (art. 35 da Lei nº 8.981, de 1995); c) ao levantar balanço para fins de recolhimento da estimativa, “acabou por apurar o Lucro Real do período”; d) “dessa forma, todo e qualquer valor recolhido nesse período, a título de estimativa mensal é, inegavelmente, crédito de titularidade da Requerente, já passível de utilização no momento de sua constatação, por representar montante recolhido a maior que o devido”; e) “quem pode o mais (deixar de recolher valores em cenário de base negativa quando levantado balanço de suspensão ou redução), deve poder também o menos (aproveitar o montante Fl. 223DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.904392/200993 Acórdão n.º 1802001.648 S1TE02 Fl. 5 4 recolhido a maior do que o apurado como devido a título de estimativa mensal com o levantamento do mesmo balanço)”; f) “fica claramente demonstrado o completo preenchimento da hipótese prevista no art. 165, I, do CTN, que disciplina o direito do contribuinte de reaver (seja via restituição, seja mediante compensação, como visto) “pagamento espontâneo de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação tributária”, o que lhe autoriza, em contrário ao decidido no despacho ora atacado, a compensação em questão, ainda mais em um cenário de levantamento de balanço de suspensão ou de redução, quando foi devidamente apurado o lucro real do período”; g) “era, já na época do recolhimento realizado (por óbvio confirmado ao encerramento do exercício), detentora de créditos contra a Administração Federal, em razão de recolhimento realizado em valor maior do que o apurado como devido a título de estimativa mensal de CSLL”; h) não existe previsão legal vedando o aproveitamento de créditos apurados em razão de recolhimento maior do que o devido, mesmo que a título de estimativas”; i) “(...) norma veiculada pela Instrução Normativa 600/05, em seu art. 10, a qual, inclusive, não encontra qualquer respaldo em LEI capaz de lhe atribuir a necessária validade perante o Ordenamento Jurídico Positivo, ainda mais porque assim se apresenta contrária às regras legais que disciplinam o aproveitamento do crédito em questão”; j) “evidenciase a certeza e a liquidez do crédito da Requerente, perfeitamente oponível ao fisco, com a atualização já no próprio período de recolhimento e devidamente retratado na Declaração de Ajuste anual quando do encerramento do exercício”; k) “é direito do contribuinte compensar o valor recolhido a maior, mesmo sobre bases mensais estimadas, logo a partir do mês seguinte, sem ter que aguardar o encerramento do exercício”. 4 O interessado reproduz ementa e parte de decisão do então Conselho de Contribuintes (recurso voluntário n° 152.057, acórdão 10515.943), dizendo que “esse direcionamento é perfeitamente aplicável ao caso concreto”, e pleiteando que “seja a decisão acima transcrita aplicada ao caso concreto, mediante reforma do r. despacho decisório ora atacado”. 5. Pede a reforma do Despacho Decisório, “para então, ser reconhecido o direito creditório referente ao valor recolhido a título de estimativa mensal de CSLL no mês de 03/2005, no montante originário de R$ 5.652,00”, com a homologação da compensação efetuada, ou, caso a compensação não seja homologada, “que esse crédito seja computado no saldo negativo do ano de 2005, passível de restituição/compensação até o ano de 2010”. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.904392/200993 Acórdão n.º 1802001.648 S1TE02 Fl. 6 5 6 Com a Manifestação de InconformidadeMI vieram os documentos de fls.24/101. Nesta Turma, foram acostadas as consultas de fls.103/138. [...] Como já mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – DRJ/RJ I manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVAS MENSAIS. CSLL. O pagamento a título de estimativa mensal de CSLL somente pode ser utilizado na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de CSLL do período. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 26/08/2011 (sextafeira), AR às fls. 156, a Contribuinte apresentou em 26/09/2011 o recurso voluntário de fls. 157 a 173, onde basicamente reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Este é o Relatório. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.904392/200993 Acórdão n.º 1802001.648 S1TE02 Fl. 7 6 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela enviada em 24/02/2006, na qual utiliza crédito decorrente de um alegado pagamento a maior referente à CSLL/estimativa do mês de março/2005. De acordo com os autos, tanto a DIPJ (original e retificadora), quanto a DCTF retificadora/ativa, informam débito de estimativa para o mês de março/2005 no valor de R$ 10.400,04. Para quitar esta estimativa, a Contribuinte realizou dois recolhimentos: R$ 13.550,04, em 29/04/2005, e R$ 5.652,00, em 31/08/2005. O crédito utilizado na compensação a ser aqui examinada corresponde exatamente ao segundo pagamento mencionado acima. A declaração de compensação visa a quitação da estimativa de CSLL do mês de janeiro/2006, no valor de R$ 6.114,90. Este colegiado tem admitido compensação com pagamento indevido ou a maior de estimativa desde que reste comprovado que o pagamento efetivamente superou o valor mensal que seria devido (seja com base na receita bruta, seja a partir de balancete de suspensão/redução), e que ele não tenha sido incluído no saldo negativo do período. De fato, em regra, o que se restitui ou compensa é o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, e não as estimativas destes tributos. Mas isto diz respeito ao valor da estimativa efetivamente devida enquanto tal, ou seja, ao valor que corretamente resulta ou do cálculo com base na receita bruta mensal ou da apuração fundada em balancete cumulativo de redução. As estimativas que são corretamente apuradas e, portanto, devidas a esse título, realmente não são restituíveis e nem compensáveis de imediato, independentemente dos resultados que venham a ser apurados nos meses subseqüentes, ou mesmo no ajuste anual. Estas só se apresentam como indébito a ser restituído ou compensado na forma de “saldo negativo”, incorporadas a essa nova rubrica, que surge apenas com o ajuste no final do ano, dependendo do resultado do exercício. A decisão recorrida faz menção ao art. 20, § 1º, “b”, da Lei 8.981/1995, segundo o qual os balancetes de suspensão só produzem efeitos para fins de quantificação da parcela mensal do IRPJ/CSLL devida no curso do anocalendário. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.904392/200993 Acórdão n.º 1802001.648 S1TE02 Fl. 8 7 Cita também o art. 2°, § 4°, da Lei 9.430/1996, que estabelece que as estimativas pagas na forma daquele mesmo artigo serão computadas na determinação do saldo final a pagar ou a ser compensado. E frisa que o balancete mensal demonstra apenas se o valor acumulado de antecipações excede a parcela mensal a ser paga no curso do próprio anocalendário, mas que não produz o efeito de antecipar a data de apuração do IRPJ/CSLL, que só ocorre em 31 de dezembro. Tais argumentos correspondem exatamente ao que já foi dito anteriormente sobre as estimativas efetivamente devidas, ou seja, aquelas que resultam ou do cálculo com base na receita bruta mensal ou da apuração fundada em balancete cumulativo de redução. O objetivo é evitar que um pagamento ainda provisório, tido como mera antecipação, seja objeto de restituição ou compensação antes de encerrado o período de apuração anual. E o balancete de suspensão realmente não tem o escopo de antecipar a formação de saldo negativo a ser restituído ou compensado. Mas não é esse o caso. A Contribuinte não está buscando a restituição/compensação de estimativa que foi corretamente apurada em relação a um determinado mês, e que passou a configurar excedente em relação a balancete de mês subseqüente. O problema aqui envolve um pagamento de estimativa que desde o início mostrouse indevido, que não guardava correspondência com a base de cálculo de seu próprio mês. As normas legais citadas acima nada dizem a esse respeito. O art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, também mencionado na decisão recorrida, procurou tratar da matéria, mas acabou extrapolando os contornos da lei quando limitou a utilização de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal. A citada regra não foi repetida nas instruções normativas posteriores que tratam do mesmo tema (IN RFB nº 900/2008 e IN RFB nº 1300/2012). Nestes outros atos normativos, a Receita Federal manteve a referida restrição apenas para o aproveitamento de retenções na fonte indevidas ou a maior, e não mais para os pagamentos indevidos ou a maior a título de estimativa. A IN SRF nº 600/2005 foi, inclusive, expressamente revogada pela IN RFB nº 900/2008. No caso, a Contribuinte apurou na DIPJ retificadora um saldo negativo de CSLL no valor de R$ 38.962,03 para o ano de 2005. Nesta apuração, ela computou estimativas anuais no montante de R$ 103.549,62, não incluindo aí o pagamento extemporâneo de R$ 5.652,00 realizado em Fl. 227DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.904392/200993 Acórdão n.º 1802001.648 S1TE02 Fl. 9 8 31/08/2005 (referente a março/2005), conforme indica não apenas a DIPJ, mas o próprio demonstrativo constante da decisão recorrida, às fls. 149. Em relação a março/2005, a Contribuinte considerou estimativa no valor de R$ 10.400,04, ao passo que realizou dois pagamentos para quitar esta estimativa (R$ 13.550,04, em 29/04/2005, e R$ 5.652,00, em 31/08/2005). O próprio relatório SIEF, às fls. 137, e o já mencionado demonstrativo constante da decisão recorrida evidenciam que o referido pagamento de R$ 5.652,00 não foi alocado a nenhum débito (ao contrário dos demais recolhimentos a título de estimativa), e que, portanto, está disponível desde o seu surgimento. Deste modo, não há como negar o reconhecimento do crédito. Em seu PER/DCOMP, a Contribuinte computou juros de 8,19%, que correspondem exatamente ao somatório dos juros selic do período entre o pagamento a maior e a sua utilização: Mês Taxa Selic set/05 1,50% out/05 1,41% nov/05 1,38% dez/05 1,47% jan/06 1,43% fev/06 1,00% Somatório 8,19% A incidência dos juros sobre o crédito resulta em R$ 6.114,90, que é o valor do débito objeto da compensação. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para homologar a declaração de compensação constante deste autos. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 228DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.904392/200993 Acórdão n.º 1802001.648 S1TE02 Fl. 10 9 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13710.004171/2002-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE- SIMPLES Ano-calendário: 2004
LEI COMPLEMENTAR N° 123/06. IRRETROATIVIDADE. NECESSIDADE DE RETORNO DOS AUTOS AO ÓRGÃO A QUO PARA A ANÁLISE DO CASO À LUZ DA LEI N° 9317/96, SOB PENA DE SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
Fixada a irretroatividade da Lei Complementar n° 123/06, e constituindo-se, a sua aplicação retroativa como único fundamento do acórdão recorrido, impõe-se o retorno dos autos a fim de que o órgão a quo analise a questão à luz da Lei n° 9317/96, sob pena de indevida supressão de instância.
LEI N° 9.317/96. SÚMULA N° 57 DO CARF.
Nos termos da súmula n° 57 do CARF, a atividade desempenhada pelo contribuinte, consistente em “comércio, conserto, manutenção e instalação de ar condicionado, refrigeração, ventilação elétrica e hidráulica” não era vedada pela Lei n° 9.317/96.
Numero da decisão: 9101-001.295
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 LEI COMPLEMENTAR N° 123/06. IRRETROATIVIDADE. NECESSIDADE DE RETORNO DOS AUTOS AO ÓRGÃO A QUO PARA A ANÁLISE DO CASO À LUZ DA LEI N° 9317/96, SOB PENA DE SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Fixada a irretroatividade da Lei Complementar n° 123/06, e constituindose, a sua aplicação retroativa como único fundamento do acórdão recorrido, impõese o retorno dos autos a fim de que o órgão a quo analise a questão à luz da Lei n° 9317/96, sob pena de indevida supressão de instância. LEI N° 9.317/96. SÚMULA N° 57 DO CARF. Nos termos da súmula n° 57 do CARF, a atividade desempenhada pelo contribuinte, consistente em “comércio, conserto, manutenção e instalação de ar condicionado, refrigeração, ventilação elétrica e hidráulica” não era vedada pela Lei n° 9.317/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Fl. 0DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13710.004171/200213 Acórdão n.º 9101001295 CSRFT1 Fl. 2 2 Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, José Ricardo da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Alberto Pinto Souza Júnior, Valmar Fonsêca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri e Claudemir Rodrigues Malaquias. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com fundamento em divergência jurisprudencial. O processo originouse com o indeferimento da solicitação de inclusão retroativa no Simples, sob o fundamento do exercício da seguinte atividade vedada: comércio, conserto, manutenção e instalação de ar condicionado, refrigeração, ventilação elétrica e hidráulica, com base no artigo 9°, inciso XIII da Lei n° 9.317/96. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento indeferiu a solicitação do contribuinte (fls.88/95). O contribuinte interpôs recurso (fls. 100/101). A 1° Câmara da 1° Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do CARF (fls. 112/116) deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPES. Anocalendário: 2004 Simples A atividade da Recorrente está enquadrada na Lei Complementar n° 128/2008 em seu art. 3° que deu nova redação ao artigo 18 §5° B inciso X ou XI da Lei Complementar n° 123. Aplicase ao caso a retroatividade benigna. Recurso voluntário provido. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13710.004171/200213 Acórdão n.º 9101001295 CSRFT1 Fl. 3 3 A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial, com fundamento em dissídio jurisprudencial (fls. 119/134). Sustentou a impossibilidade de aplicação retroativa da Lei Complementar n° 123/2006, suscitando divergência jurisprudencial sobre o tema. Argumentou que, de acordo com a lei n° 9.317/96, vigente à época, o contribuinte de fato era impossibilitado de integrar o Simples, nos termos do disposto no artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96. O contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls. 147/148 dos autos. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou comprovar a divergência jurisprudencial suscitada. Insurgese, a recorrente, contra a aplicação retroativa da Lei Complementar n° 123/2006, com a redação dada pela Lei Complementar n° 128/2008, perpetrada no acórdão recorrido, a fim de determinar a inclusão retroativa do contribuinte no Simples, desde janeiro de 1999. A questão que se deve decidir consiste em se saber se a Lei Complementar n° 123/06, que inaugurou o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, retroage, no que se refere às hipóteses de vedação de opção pelo Simples, para beneficiar o contribuinte que, excluído com base na Lei n° 9.317/96, não mais o seria com base naquela Lei Complementar. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de recurso repetitivo (recurso especial n° 1.021.263), analisou tema semelhante, referente à irretroatividade da Lei n° 10.034/2000, exteriorizando o entendimento da Corte no seguinte sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. OPÇÃO PELO SIMPLES. INSTITUIÇÕES DE ENSINO MÉDIO QUE SE DEDIQUEM EXCLUSIVAMENTE ÀS ATIVIDADES DE CRECHE, PRÉ ESCOLAS E ENSINO FUNDAMENTAL. ARTIGO 9º, XIII, DA LEI 9.317/96. ARTIGO 1º, DA LEI 10.034/2000. LEI 10.684/2003. 1. A Lei 9.317, de 5 de dezembro de 1996 (revogada pela Lei Complementar 123, de 14 de dezembro de 2006), dispunha sobre o regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte, instituindo o Sistema Integrado de Pagamento de Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13710.004171/200213 Acórdão n.º 9101001295 CSRFT1 Fl. 4 4 Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. 2. O inciso XIII, do artigo 9º, do aludido diploma legal, ostentava o seguinte teor: "Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor , jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (...)" 3. A constitucionalidade do inciso XIII, do artigo 9º, da Lei 9.317/96, uma vez não vislumbrada ofensa ao princípio da isonomia tributária, restou assentada pelo Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, quando do julgamento da Medida Cautelar em Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.643DF, oportunidade em que asseverou: "... a lei tributária esse é o caráter da Lei nº 9.317/96 pode discriminar por motivo extrafiscal entre ramos de atividade econômica, desde que a distinção seja razoável, como na hipótese vertente, derivada de uma finalidade objetiva e se aplique a todas as pessoas da mesma classe ou categoria. A razoabilidade da Lei nº 9.317/96 consiste em beneficiar as pessoas que não possuem habilitação profissional exigida por lei, seguramente as de menor capacidade contributiva e sem estrutura bastante para atender a complexidade burocrática comum aos empresários de maior porte e os profissionais liberais. Essa desigualdade factual justifica tratamento desigual no âmbito tributário, em favor do mais fraco, de modo a atender também à norma contida no § 1º, do art. 145, da Constituição Federal, tendose em vista que esse favor fiscal decorre do implemento da política fiscal e econômica, visando o interesse social. Portanto, é ato discricionário que foge ao controle do Poder Judiciário, envolvendo juízo de mera conveniência e oportunidade do Poder Executivo." (ADIMC 1643/UF, Rel. Ministro Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, julgado em 30.10.1997, DJ 19.12.1997) 4. A Lei 10.034, de 24 de outubro de 2000, alterou a norma inserta na Lei 9.317/96, determinando que: "Art. 1o Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: creches, pré escolas e estabelecimentos de ensino fundamental ." 5. A Lei 10.684, de 30 de maio de 2003, em seu artigo 24, assim dispôs: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13710.004171/200213 Acórdão n.º 9101001295 CSRFT1 Fl. 5 5 "Art. 24. Os arts. 1o e 2o da Lei no 10.034, de 24 de outubro de 2000, passam a vigorar com a seguinte redação: 'Art. 1o Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às seguintes atividades: I – creches e préescolas; II – estabelecimentos de ensino fundamental; III – centros de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga; IV – agências lotéricas; V – agências terceirizadas de correios; VI – (VETADO) VII – (VETADO)' (NR) (...)" 6. A irretroatividade da Lei 10.034/2000, que excluiu as pessoas jurídicas dedicadas às atividades de creche, préescola e ensino fundamental das restrições à opção pelo SIMPLES, impostas pelo artigo 9º, da Lei n.º 9.317/96, restou sedimentada pelas Turmas de Direito Público desta Corte consolidaram o entendimento da irretroatividade da Lei uma vez inexistente a subsunção a quaisquer das hipóteses previstas no artigo 106, do CTN, verbis: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." 7. Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 1056956/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 26/05/2009, DJe 01/07/2009; AgRg no REsp 1043154/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/12/2008, DJe 16/02/2009; AgRg no REsp 611.294/PB, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/08/2008, DJe 19/12/2008; REsp 1.042.793/RJ, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, julgado em 22.04.2008, DJe 21.05.2008; REsp 829.059/RJ, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 18.12.2007, DJ Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13710.004171/200213 Acórdão n.º 9101001295 CSRFT1 Fl. 6 6 07.02.2008; e REsp 721.675/ES, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 23.08.2005, DJ 19.09.2005). 8. In casu, à data da impetração do mandado de segurança (07/07/1999), bem assim da prolatação da sentença (11/10/1999), não estava em vigor a Lei 10.034/2000, cuja irretroatividade reveste de legalidade o procedimento administrativo que inadmitiu a opção do SIMPLES pela escola recorrida. 9. Recurso Especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Aliás, neste sentido, tem decidido, recentemente, a 1° Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da seguinte ementa: CARF 1a. Seção / 1a. Turma da 4a. Câmara / ACÓRDÃO 1401 00.338 em 02/09/2010 SIMPLES EXCLUSÃO ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES EMENTA Anocalendário: 1997 SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA Conforme dispõe o item XIII do artigo 9° da Lei IV 9.317/96, não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que preste serviços profissionais de professor ou assemelhados.LEI COMPLEMENTAR N° 123/2006. RETROATIVIDADE. BENIGNA IMPOSSIBILIDADE. O direito à opção pelo SIMPLES com fundamento na Lei Complementar n° 123/2006 somente pode ser exercido a partir de sua vigência, vez que seus dispositivos não tem o condão de afastar restrição contemplada no regime jurídico da Lei n° 9.317/96. Tal situação não se enquadra em qualquer das hipóteses do art. 106 do Código Tributário Nacional ASSUNTO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO OCORRÊNCIA. Quando comprovado que o contribuinte conhecia perfeitamente as razões de fato e de direito que levaram à sua exclusão do SIMPLES, não há se falar em nulidade a viciar o procedimento fiscal em decorrência de imperfeições no Ato Declaratório que a formalizou. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Publicado no DOU em: 14.03.2011 Recorrente: W BLUMENAU SERVIÇOS E COMÉRCIO LTDA ME Recorrida: FAZENDA NACIONAL Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13710.004171/200213 Acórdão n.º 9101001295 CSRFT1 Fl. 7 7 Com efeito, no caso não se vislumbra hipótese cabível de retroatividade da Lei Complementar n° 123. Isto porque, também aqui, tanto quanto na hipótese discutida no recurso repetitivo julgado pelo Superior Tribunal de Justiça, não se caracteriza quaisquer dos casos previstos de retroatividade, conforme estabelecido no artigo 106 do Código tributário Nacional, que dispõe nos seguintes termos: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática De fato, em primeiro lugar, temse que a Lei Complementar não é expressamente interpretativa. Pelo contrário, os seus artigos 88 e 89 estabelecem que: Art. 88. Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação, ressalvado o regime de tributação das microempresas e empresas de pequeno porte, que entra em vigor em 1o de julho de 2007. Art. 89. Ficam revogadas, a partir de 1o de julho de 2007, a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e a Lei nº 9.841, de 5 de outubro de 1999. Não faz, destarte, a lei, qualquer menção à sua aplicabilidade retroativa, sobre os dispositivos constantes da Lei n° 9.317/96. Pelo contrário, prevê, de forma expressa, a revogação desta lei. Ora, como poderia uma norma ser interpretativa da norma que revoga? Ademais, lei expressamente interpretativa, por sua própria natureza, não inova no ordenamento jurídico, senão que se refere apenas e tãosomente ao ordenamento já existente quando do seu surgimento. Não é, sem dúvida, o que se dá com a Lei Complementar n° 123. Por outro lado, não incidem, outrossim, as demais hipóteses de retroatividade da lei, conforme previsto no artigo 106, inciso II, do CTN. Este dispositivo referese, exclusivamente, à superveniência de lei mais branda, mais benigna, em se tratando de matéria concernente, tãosomente, às infrações tributárias. Neste sentido, Eduardo Sabbag, ao cuidar do artigo 106, inciso II, do CTN, esclarece que: “O supracitado dispositivo, aproximandose do campo afeto às sanções tributárias, permite que se aplique retroativamente a lei nova, quando mais favorável ao sujeito passivo, comparativamente à lei vigente à época da ocorrência do fato. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13710.004171/200213 Acórdão n.º 9101001295 CSRFT1 Fl. 8 8 (...) Nessa medida, o dispositivo protetor dá azo à retrooperância da lei mais branda, intitulada Lex mitior, na esteira da retroatividade benéfica ou benigna em Direito Tributário, exclusivamente para as infrações”. 1 Inequivocamente, não pertence, a matéria ora em julgamento, à seara infracional do direito tributário. As normas que a integram, assim como no Direito Penal, atendem a uma estrutura característica, composta pelo preceito primário, na qual se prevê a conduta proibida, o fato típico; e pelo preceito secundário, consistente na sanção conseqüente à prática do fato descrito no tipo. No presente caso, cuidase apenas de rol de atividades, antes previstas na Lei n° 9.317/96, e hoje na Lei Complementar n° 123/06, proibidas de serem exercidas pelo contribuinte que pretende optar pelo Simples. Tratase, pois, tãosomente de condições à participação do contribuinte no Simples. Neste sentido: “Quanto à segunda exceção legal, também se entremostra impossível a sua configuração. Isso porque as leis em cotejo não versam, absolutamente, sobre infrações ou penalidades. Em termos mais claros: a opção do contribuinte pelo Simples em desacordo com a Lei n° 9.317/96 não é tipicamente uma infração, nem tampouco a sua exclusão da sistemática simplificada pode ser admitida como uma penalidade. A retroatividade benigna contemplada pela regra em comento deita raízes no Direito Penal, fonte na qual se deve buscar inspiração para interpretação em análise. Nesse cenário, a infração tributária deve ser entendida como o descumprimento de uma ordem emanada da norma, o cometimento de um ato ilícito, uma afronta a um fazer ou não fazer expressamente ditado pelo legislador. A penalidade, por sua vez, é uma decorrência dessa inobservância, e tem caráter nitidamente punitivo, sancionador a exemplo de aplicação de multa. A par disso, o que se tem na hipótese ora debatida não é infração, nem penalidade, mas, isto sim, um programa governamental de incentivo previsto em lei, no qual se delimitam condições aos pretensos participantes para que nele possam ingressar. Aqueles que preenchem os requisitos podem ser inseridos no Simples; caso contrário não será autorizado o ingresso ou a permanência no regime simplificado. Se os dispositivos das normas em apreço versam particularmente sobre requisitos de acesso a um regime tributário especial voltado a determinadas empresas, é inconcebível rotulálos como veículos legislativos que estabelecem infrações”. 2 1 SABBAG, Eduardo. Manual de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2009.p. 158/159. 2 JÚNIOR, Bernardo Alves da Silva. A Injuricidade da Aplicação Retroativa da Lei Complementarn° 123/06 para a Reinclusão de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte no Regime do Simples. Revista Dialética de Direito Tributário n° 169. Outubro de 2009. p. 21. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13710.004171/200213 Acórdão n.º 9101001295 CSRFT1 Fl. 9 9 Diante disso, tendo em vista não se enquadrar, a Lei Complementar n° 123, em nenhuma das hipóteses excepcionais de retroatividade prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional, não há como se aquiescer com o desfecho dado ao caso pelo órgão a quo. Pois bem, não obstante o órgão a quo tenha dado provimento ao recurso do contribuinte, com fundamento apenas na aplicação da Lei Complementar n° 123/2006, é de se ter que o tema já se encontra consolidado em súmula deste tribunal administrativo, de sorte que se revelaria contrário mesmo ao princípio da celeridade processual remeter os autos à inferior instância, para aferição do caso à luz da Lei n° 9.317/96. Na hipótese, o contribuinte teve indeferida a sua Solicitação de Inclusão Retroativa no Simples, por se ter considerado que a atividade desenvolvida, consistente em “comércio, conserto, manutenção e instalação de ar condicionado, refrigeração, ventilação elétrica e hidráulica”, com fundamento no artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96. Contudo, de acordo com a súmula n° 57 do CARF, temse que: Súmula CARF n° 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Neste sentido, é de se ter que, mesmo à luz da Lei n° 9.317/96, a atividade desenvolvida pelo contribuinte possibilitava a opção pelo Simples. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 25 de janeiro de 2012. 25 de janeiro de 2012 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 8DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13710.004171/200213 Acórdão n.º 9101001295 CSRFT1 Fl. 10 10 Fl. 9DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 19647.003716/2004-23
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
PRELIMINAR. ILEGALIDADE. INs SRF Nºs 210/2002 E 460/2004.
São legítimas as restrições relativas ao crédito-prêmio à exportação contidas nas INs SRF nºs 210/2002 e 460/2004, pois, além de terem fulcro em Parecer vinculante da AGU, não impedem o acesso do contribuinte ao devido processo legal.
CRÉDITO-PRÊMIO À EXPORTAÇÃO. EXTINÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO No 71/2005, DO SENADO DA REPÚBLICA.
O crédito-prêmio à exportação não foi reinstituído pelo Decreto-Lei nº 1.894, de 16/12/1981, encontrando-se revogado desde 30/06/1983, quando expirou a vigência do art. 1º do Decreto-Lei nº 491, de 05/03/1969, por força do disposto no art. 1º, § 2º, do Decreto-Lei nº 1.658, de 24/01/1979. O crédito-prêmio à exportação não foi reavaliado e nem reinstituído por norma jurídica posterior à vigência do art. 41 do ADCT da CF/1988. A declaração de inconstitucionalidade do art. 1o do Decreto-Lei no 1.724, de 07/12/1979, e do inciso I do art. 3o do Decreto-Lei no 1.894, de 16/12/1981, não impediu que o Decreto-Lei no 1.658, de 24/01/1979, revogasse o art. 1o do Decreto-Lei no 491, de 05/03/1969, em 30/06/1983. A Resolução no 71, de 27/12/2005, do Senado Federal, ao preservar a vigência do que remanesceu do art. 1o do Decreto-Lei no 491, de 05/03/1969, alcança os fatos ocorridos até 30/06/1983, pois o STF não emitiu nenhum juízo acerca da subsistência do crédito-prêmio à exportação a partir desta data.
Recurso negado.
Numero da decisão: 202-19515
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Antonio Zomer
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',0n;" ti • . . MINISTÉRIO DA FAZENDA . .'lit.,,Tn'\"5' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • -,..--.."•p•N-;,•>.'''''•-• SEGUNDA CÂMARA • ! . Processo n° 19647.003716/2004-23 • Recurso n° 152.370 Voluntário Matéria IPI - Ressarcimento • Acórdão n° 202-19.515 . Sessão de 03 de dezembro de 2008 Recorrente NETUNO ALIMENTOS S/A I • i , Recorrida DRJ em Belém - PA• . . • _. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI • Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 , PRELIMINAR. ILEGALIDADE. INs SRF N2s 210/2002 E • . . ' 460/2004. ., ..w São • legítimas as restrições relativas ao crédito-prêmio à• • E cr &a .....,, exportação contidas nas :INs SRF n2s 210/2002 e 460/2004, pois, 22 e Er g/ 3N além de terem fulcro , em Parecer vinculante da AGU, não g 1 c3 .11 impedem o acesso do contribuinte ao devido processo legal. 2 : Q < E. CRÉDITO-PRÊMIO • À EXPORTAÇÃO. EXTINÇÃO. Cd 'C DECLARAÇÃO DE- ' INCONSTITUCIONALIDADE. ...) ti —1 ,u .4 RESOLUÇÃO 1\12 71/2005, DO SENADO DA REPÚBLICA. • 2 z - E g . 38 2 al O crédito-prêmio à exportação não foi reinstituído pelo Decreto-u -- Eia g -4 Lei n2 1.894, de 16/12/1981, encontrando-se revogado desdeto ei _o i tt .30/06/1983, quando expirou a vigência do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, por força do disposto no art. , 1 2, § r, do Decreto-Lei n2 1.658; de 24/01/1979. O crédito-prêmio à. .. exportação não . foi reavaliado e nem reinstituído por norma • jurídica posterior à vigência do art. 41 do ADCT da CF/1988. A . ‘ declaração de inconstitucionalidade do art. 1' do Decreto-Lei 1f - 1.724, de 07/12/1979, e do inciso I do art. 3' do Decreto-Lei tf 1.894, de 16/12/1981, não impediu que o Decreto-Lei tf 1.658, I • , de 24/01/1979, revogasSe o art. l' do Decreto-Lei tf 491, de 05/03/1969, em 30/06/1983. A Resolução tf 71, de 27/12/2005, •• do Senado Federal, ao preservar a vigência do que remanekeu do art. 1' do Decreto-Lei tf 491, de 05/03/1969, alcança os fatos • ocorridos até 30/06/1983, pois o STF não emitiu nenhum juízo, acerca da subsistência do crédito-prêmio à exportação a partir . desta data. Recurso negado. • J , ,: . i•. . ,. . , •, • • , Processo n° 19647.003716/2004-d3 'ANTES • CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-19.515 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O O IMONAi- Fls. 902 Brasília, Calma Maria da Aibuq uer• ue • Mat. Sia • • • 2 Á' , Vistos, relatados, e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CON Bi.lii\-IT—E1S-";10 unanimidade de . votos, em negar provimento ao recurso. • • ANT . NIO CARLOS AT b LIM Presidente • • • 01 lia A A Wir ER Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nadja Rodrigues Romero, Gustavo Kelly Alencar, Antônio Lisboa Cardoso, Carlos Alberto Donassolo (Suplente), Domingos deSá Filho e Maria Teresa Martínez López. Relatório . . • Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito-prêmio de IPI, devidamente atualizado, relativo ao período de 01/01/2003 a 31/03/2003, apresentado em 28/04/2004, com fundamento no art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491/69, c/c o art. 1 2, inciso II, do Decreto-Lei n2 1.894/81. A autoridade fiscal indeferiu o pleito, tendo em vista que o crédito-prêmio instituído pelo art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491/69 foi completamente extinto em 30/06/1983. Irresignada, a requerente apresentou manifestação de inconformidade, defendendo o direito ao beneficio, que não considera revogado, citando em seu auxílio decisões do Superior Tribunal de Justiça. A DRJ em Belém - PA também julgou ,extinto o crédito-prêmio em 30/06/1983, • mantendo o indeferimento do pleito. No recurso voluntário, a empresa reedita o seu arrazoado, acrescentando que a Resolução .n2 71/2005, do Senado Federal, veio a confirmar a sua tese de que o crédito-prêmio continua em vigor até hoje. • É o Relatório. • j(1 2 • • • É• Processo n° 19647.003716/2004-23 CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-19.515 MF - SEGUNDO CONIELNO DE CONTRIBUINTES , Fls. 903 CONFERE COM O ORIG INA. C\ • Brasília, • Celma Mada de Albeduer Mat. s3aD 42 Voto • Conselheiro ANTONIO ZOMER, Relator O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais paia ser admitido, pelo que dele conheço. A questão posta em julgamento não é nova perante esta Câmara, já tendo sido apreciada por inúmeras vezes. Sendo assim, adoto como forma de decidir, e abaixo transcrevo, , excerto do voto proferido pelo Conselheiro Antonio Carlos Atulim no julgamento do Recurso n2 126.367 (Acórdão n2 201-16.203): "Inicialmente enfrento as alegações opostas quanto ao o indeferimento liminar do pedido. Os Atos Normativos baixados pela Secretaria da Receita Federal gozam da presunção de legitimidade e têm eficácia erga omnes, por se tratarem de normas complementares à legislação tributária, conforme previsto no art. 100 do CTN. As determinações de indeferimento liminar e . de inaplicabilidade do procedimento administrativo de ressarcimento ao crédito-prêmio à exportação, contidas nas IN SRF n 2 226 e 210, de 2002, • respectivamente, ,não violaram nenhuma garantia da recorrente, uma - vez que não impedem e nem nunca impediram o acesso do contribuinte ao devido processo legal e o processamento dos recursos • : administrativos garantidos em lei. Tanto é assim, que a recorrente trouxe a discussão até a -última instância administrativa ordinária. O art. 42 da IN SRF n2 210, de 30/09/2002 estabelece que: • • 'Art. 42. Não se enquadram nas hipóteses de restituição, de compensação ou de ressarcimento de que trata esta Instrução Normativa os créditos relativos ao extinto 'crédito-prêmio' instituído pelo art. lo do Decreto-lei no 491, de 5 de março de 1969.' (grifei) Ao fazer referência expressa `... ao extinto crédito-prêmio' ...' o • Secretário da Receita Federal já disse o motivo pelo qual é inaplicável • o procedimento estabelecido por aquele ato administrativo, carecendo . de suporte a alegação de violação do principio da motivação. • A decisão da DRF Ponta Grossa não pode ser considerada nula e nem ser anulada, uma vez que foi proferida em total conformidade com as normas legais e infralegais. A autoridade fundamentou o indeferimento • do pleito não só nas 1N SRF n2 210 e 226, de 2002, mas também no Parecer JCF 08, de 09/11/1992, não havendo que se falar em falta de motivação e cerceamento de defesa. Do mesmo modo, reparo algum merece o acórdão da DRJ em Porto Alegre, que além de ter invocado aqueles atos administrativos, fundamentou o indeferimento com mais dois argumentos, quais sejam: • a revogação do crédito-presumido pelo art. 12, § 22 do Dec eto-lei n2 3 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES , Processo n° 19647.003716/2004-23 . CCO2/CO2 CONFERE COM O ORIGINAI. • Acórdão n.° 202-19.515 Fls. 904 Brasília, 1:-.2"JW.:Y2i, Celma Maria de Albuquerque MM. Siape 94442 1.658, de 24/01/1979 e a falta de competência da SRF ara análise do pedido. As interpretações antagônicas sobre a questão da vigência do crédito- prêmio à exPortação . A questão que se coloca não é nova nas instâncias de julgamento. Não serão aqui utilizadas como razões de decidir nenhuma das • portarias baixadas pelo Ministro da Fazenda, o que dispensa a análise de eventuais argüições de ilegalidade e inconstitucionalidade formuladas no recurso, mesmo porque a extinção do crédito-prêmio • não se deu por efeito de nenhum . ato administrativo. Sob a égide da Constituição de 1969 foram editados diversos diplomas legais que trataram de incentivos fiscais, entre eles o instituído pelo • • art. 12 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, regulamentado por meio . do Decreto n2 64.833, de 1969, que em seu art. 19-, §§ 12 e 22, concedia às empresas fabricantes e exportadoras de produtos manufaturados, a título de estímulo fiscal, créditos sobre Suas vendas para o exterior para serem deduzidos do valor do IPI incidente sobre as operações realizadas no mercado interno, resultando, assim, que os estabelecimentos exportadores de produtos nacionais manufaturados, , lançavam em sua escrita fiscal uma determinada quantia a título de crédito do IPI, calculado como se devido fosse, sobre a venda de produtos ao exterior. • Decorridos cerca de 10 anos da instituição do crédito-prêmio à exportação, o Poder Executivo baixou à Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, que previa a redução gradUaí do referido beneficio, a partir de janeiro daquele ano, até a Sua extinção total, em 30 de junho 1983, verbis: 'Art. 1° - O estímulo fiscal de que trata o artigo 1° do Decreto-Lei n° 491, de 5 de março de 1969, será reduzido gradualmente, até sua • definitiva extinção. § 1° - Durante o exercício financeiro de 1979, o estímulo será reduzido: • a) a 24 de janeiro, em 10% (dez por cento); b) a 31 de março, em 5% (cinco por cento); c) a 30 de junho, em 5% (cinco por cento); d) a 30 de setembro, em 5% (cinco por cento); e) a 31 de dezembro, em 5% (cinco por cento). § 2° - A partir de 1980, o estímulo será 'reduzido em 5% (cinco por cento) a 31 de março, a 30 de junho, a : 30 de setembro e a 31 de dezembro, de cada exercício financeiro, até sua total extinção a 30 de junho de 1983.' • Ainda naquele mesmo ano, o governo baixou o Decreto-Lei n 2 1.722, de 03/12/1979, que deu nova redação ao art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979 verbis: 4 • • • MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° 19647.003716/2004-23 CONFERE COM O ORIGINAL CC07/CO2 Acórdão n.° 202-19.515 4 Brasília, J.,..1„/ 03"/ 05° Fls. 905 Celma Maria de Albuquer, ' Mat Siape 94442 'Artigo 3° - O § 2° do artigo 1°, do Decreto-Lei n° 1.658, de 24 de janeiro de 1979, passa a vigorar com a seguinte redação: • § 2° - O estimulo será reduzido de 20% (vinte por cento) em 1980, 20% (vinte por cento) em 1981, 20% (vinte por cento) em 1982 e de 10% (dez por cento) até 30 de junho de 1983, de acordo com ato do Ministro de Estado da Fazenda.' (grifei) • Antes da expiração do prazo fixado no § 2 2, do art. 12 do Decreto-Lei n2 • 1.658, de 24/01/1979, com a nova redação:que lhe foi dada pelo art. 32 do Decreto-Lei n2 1.722, de 03/12/1979, o Governo Federal baixou o . Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, que, estendeu o beneficio fiscal . instituído pelo art. 12 do Decreto-Lei 112 191, de 05/03/1969, às empresas que exportavam produtos nacionais, adquiridos no mercado interno, contra pagamento em moeda estrangeira, ficando assegurado o crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados que havia incidido, na sua aquisição. O art. 5 2 do Decreto-Lei n2 1.722, de • 03/12/1979, revogou os §§ 12 e 22 do art. 12 do Decreto-Lei n2 491, de • • 05/03/1969. A conseqüência prática desta revogação foi a desvinculação do crédito-prêmio da escrita fiscal do IPI, uma vez que • tendo sido suprimida a autorização legal para escriturar o beneficio no livro de apuração do IPI, o valor do crédito-prêmio passou a ser . creditado em estabelecimento bancário indicado pelo beneficiário. . . • A tese da revogação Com o advento do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, foram introduzidas normas que estabeleceram a redução gradual do • benefício, até sua extinção por completo em 30/06/1983. • O Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, não pretendeu restabelecer o estímulo fiscal criado no Decreto-Lei 2 491, de 05/03/1969, e, • tampouco, interferir na escala gradual de extinção já existente. Seu objetivo teria sido apenas o de estender o beneficio às empresas exportadoras de Produtos nacionais, independentemente de serem as •, fabricantes", enquanto vigorasse o art. . 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de , 05/03/1969. Segundo esta tese, a 'revogação tácita do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, teria ocorrido somente se o Decreto-Lei n 2 1.894, de 16/12/1981, tivesse regulado inteiramente a matéria ou fosse • incompatível com a norma anterior (art. 22, § 12, da LICC). Entretanto, nenhuma destas duas hipóteses teria se verificado, pois o Decreto-Lei • n2 1.894, de 16/12/1981, não regulou inteiramente a matéria e nem era • . incompatível com os DL n2s 491/69, 1.658/79 e 1.722/79, mas •apenas e • tão-somente estendera o beneficio fiscal às empresas exportadoras, • enquanto não expirasse a vigência do art. 12 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969. Portanto, como a Lei nova (DL n2 1.894/81) limitou-se a • estabelecer disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não houve revogação tácita do DL n 2 1.658/79, a teor do disposto no art. 22, § 22, da LICC. A interpretação sistemática, portanto, não levaria a outra conclusão que não a da extinção do beneficio fiscal a partir de 30 de junho de 1983. A tese da vigência pôr prazo indeterminado 5 e • MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • CONFERE COMO ORIGINAi. Processo n° 19647.003716/2004-23 Britalliá":222f Oz›- ; O CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-19.515 Fls. 906 Celma Maria de Albuquerque Mat. Sia 9e_44.442 I Na esteira da declaração de inconstitucionalidade do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 1.724, de 07/12/1979, surgiu tese antagônica à anterior, onde se sustenta que se o legislador, por meio do Decreto-Lei n 2 1.894, • de 16/12/1981, criou unia nova situação de gozo do benefício previsto no art. 12 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, é porque este dispositivo não foi revogado. O art. 12, II, do Decreto-Lei n2 1.894, de • 16/12/1981, teria, portanto, restabelecido o crédito-prêmio à exportação, sem prazo de vigência. Por esta razão, a situação disciplinada de forma diferente pelo Decreto-Lei n2 1.894, de• • 16/12/1981, antes de implementado o termo final para a extinção do incentivo, conforme o disposto no Decreto-Lei 722 1.658, de 24/01/1979, teria reinstituído o crédito-prêmio por prazo indeterminado. A tese adotada pela Administração e a análise da argumentação da recorrente • No DJ de 10/05/2003, pág. 53, encontra-se a ementa do acórdão • prolatado pelo STF no julgamento do RE n2 186.359-5/RS, cuja transcrição é a seguinte: • 'TRIBUTO - BENEFICIO - PRINCIPIO DA LEGALIDADE ESTRITA. • Surgem inconstitucionais o artigo 1° do Decreto-lei n° 1.724, de • 7 de • dezembro de 1979, e o inciso Ido artigo 3° do Decreto-lei n° 1.894, de 16 de dezembro de 1981, no que implicaram a autorização ao Ministro de Estado da Fazenda para suspender, aumentar, reduzir, temporária ou definitivamente, • ou extinguir os incentivos fiscais previstos nos artigos 1° e 50 do Decreto-lei n° 491, de 5 de marco de 1969.' (grifei) Neste julgamento o STF limitou-se a declarar a inconstitucionalidade das delegações de competência ao Ministro da Fazenda veiculadas no art. 12 do Decreto-Lei n2 1.724, de 07/12/1979, e o no art. 32, I, do - Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981. • A declaração de inconstitucionalidade destes dois dispositivos interferiu na vigência do art. 12, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, quer na sua redação original, quer na redação introduzida pelo art. 32 do Decreto-Lei n2 1.722, de 03/12/1979, uma vez que este último dispositivo legal nunca foi formalmente declarado . inconstitucional. Porém, como a nova redação introduzida pelo art. 32 do Decreto-Lei n2 1.722, de 03/12/1979, também encerrava uma •delegação de competência ao Ministro da Fazenda, pode-se considerar que também era inconstitucional a expressão (...) de acordo com ato do Ministro de Estado da Fazenda. (...), 'contida na sua parte final, o que, de qualquer forma, não impediu qué o dispositivo produzissè o efeito de revogar o art. 12 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, - em 30/06/1983. • • Entretanto, caso se considere que o art. 32 do Decreto-Lei n2 1.722, de 03/12/1979, seja todo inconstitucional, inco nstitucionalidade esta que repito — não foi formalmente declarada até hoje, passaria a prevalecer a redação original do art. 12, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, que também estabelecia como "data fatal o dia 30/06/1983. Desse modo, por qualquer ângulo que; se examine a questão, a declaração de inconstifficionalidade proferida no RE n2 186.359-5/RS at, 6 • MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRUINTES I- . Processo n° 19647.003716/2004-23 CONFERE COM O ORIGINA CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-19.515 Brasília, 1 Oc.1- Fls. 907 Celma Maria de Albuquer...-.. Mat. Siam 94442 Oço • não teve nenhuma influência sobre a revogação do art. 1 2 do Decreto- , Lei n2 491, de 05/03/1969,em 30/06/1983. I Por outro lado, é cediço que o Superior Tribunal de Justiça ein inúmeros julgados, adotou a segunda tese. supramencionada, tendo se • manifestado sobre a aplicabilidade do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, em razão de o Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981; ter • . restaurado o beneficio do crédito-prêmib à exportação sem definição de prazo. Eis a transcrição da ementa do julgamento proferido pelo STJ no RESP n2 329.2 71/RS, 1" Turma, ReL Min. José Delgado, publicado no DJ de . 08/10/2001, pág. 00182, que resume o entendimento do tribunal sobre a questão: 'TRIBUTÁRIO CRÉDITO-PRÊMIO. IN. DECRETOS-LEIS N°5 491/69, 1.724/79, 1.722/79, 1.658/79 ,E '1.804/81. PRECEDENTES DESTA CORTE SUPERIOR. 1. Recurso Especial interposto contra v. ,Acórdão segundo o qual o crédito-prêmio previsto no Decreto-Lei n° 491/69 se extinguiu em junho de 1983, por força do Decreto-Lei n°11.658/79. 2. Tendo sido declarada a inconstitucionalidade do Decreto-Lei n° • 1.724/79, conseqüentemente ficaram sem' efeito . os Decretos-Leis n° 1.722/79 e 1.658/79, aos quais o primeiro diploma se referia. • • ,3. E aplicável o Decreto-Lei n° 491/69, expressamente mencionado no •Decreto-Lei n° 1.894/81, que restaurou o beneficio do crédito-prêmio • do IPI, sem definição de prazo. 4. Precedentes desta Corte Superior. 5. Recurso provido.' (grifei) • Esta ementa foi colhida àleatoriamente entre muitas outras existentes na página de pesquisa do STJ na intemét e a mesma interpretação repete-se em centenas de acórdãos proferidos pelo tribunal. Entretanto, após a leitura do inteiro teor de vários votos condutores dos acórdãos do STJ é difícil para o leitor mais exigente ficar convencido das conclusões a que chegou o tribunal. A primeira delas é quanto à "perda dos efeitos" dos Decretos-Leis n2s 1.658, de 24/01/1979, e 1.722, de 03/12/1979, em face da • inconstitucionalidade do Decreto-Lei n 2 1.724, de 07/12/1979. É que o Decreto-Lei n2 1.724, de 07/12/1979, só tratou de delegação de competência ao Ministro da Fazenda 'e em momento algum fez qualquer referência aos Decretos-Leis n 2s 1.658, de 24/01/1979, e 1.722, de 03/12/1979, conforme se pode conferir na transcrição de seu inteiro teor feita a seguir: 'DECRETO-LEI N° 1.724, DE 3 DE DEZEMBRO DE 1979 • O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, • 7 • • • Processo n° 19647.003716/2004-23 ,w0BUINTES CCO2/CO2 lif -GEGIM1 — •Acórdão n.° 202-19.515 ~FM MO e - kg0 Fls. 908 Brasille, Calina Maria de An000kirqu ir, DECRETA: Art 1° O Ministro de Estado da Fazenda fica autorizado a aumentar ou reduzir, temporária ou definitivamente, ou extinguir os estímulos fiscais de que tratam os artigos 1° e 5° do Decreto-lei n° 491, de 5 de março de 1969. • Art 2° Este Decreto-lei entrará em vigor na data de sua publicação, •• revogadas as disposições em contrário. Brasília, 07 de dezembro de 1979; 158° , da Independência e 91° da República. • JOÃO FIGUEIREDO Karlos Rischbieter' • Outra conclusão que causa estranheza foi a do restabelecimento do crédito-prêmio por prazo indeterminado pelo Decreto-Lei n 2 1.894, de 16/12/1981. • O primeiro obstáculo a esta tese é de que o art. 1 2, § 2-2, do Decreto-Lei • n2 1.658, de 24/01/1979, nunca foi declarado inconstitucional e nem revogado por nenhuma norma jurídica, o que conduz à conclusão de que produziu o efeito de revogar o art. I P,- do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, em 30/06/1983. O Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, mencionou o crédito-prêmio • (art. 12 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969) nos arts, 12, II, 22 e 42•• • Vejamos cada uma destas referências. . O art. 12, II, do, Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, ao estabelecer que `(...) Às empresas que exportarem, contra pagamento em moeda estrangeira conversível, produtos de fabricação nacional, adquiridos no - mercado interno, fica assegurado: I - o, crédito do imposto sobre • produtos industrializados que haja incidido na aquisição dos mesmos; II - o crédito de que trata o artigo 1° do; Decreto -lei n° 491, de 5 de março de 1969 (...)', limitou-se apenas a ,estender o crédito-prêmio a qualquer empresa nacional que efetuasse exportações. Tendo em vista que os demais artigos do Decreto-Lei n2 1.894, de ' 16/12/1981, não fizeram nenhuma referência ao art. 1 2, § 2:2, do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, ficou claro que a extensão do crédito-prêmio às demais empresas nacionais só ocorreria enquanto não expirasse a vigência do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969. Já o art. 22 do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, foi vazado nos seguintes termos: • 'At/ 2° - O artigo 3° do Decreto -lei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972, passa a vigorar com a seguinte redação: 'Art. 3° - São assegurados ao produtor-vendedor, nas operações de que trata o • artigo 10 deste Decreto-lei, os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação, à exceção do previsto no artigo 10 do Decreto-lei n° 8 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL Processo n° 19647.003716/2004-23 CCO2/CO2Brasília, -.ha qp_._ ecyy Acórdão n.° 202-19.515 Celma Maria de Albuquer• e Fls. 909 Mat. Sia • 94442 491, de 05 de março de 1969, ao qual fará jus apenas a empresa comercial exportadora'. O referido dispositivo legal regulou o caso das chamadas exportações indiretas, ou seja, quando a exportação fosse feita por empresa comercial exportadora. Nestes casos, caberia à empresa comercial •exportadora o direito ao crédito-prêmio à exportação. Como este artigo também não fez referência ao ,Decreto-Lei n 2 1.658, de , 24/01/1979, obviamente que este direito' da comercial exportadora • estava condicionado à vigência do art. P2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, que expirou em 30/06/1983, por força . do art. 12, § 22, do • Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979. • Por seu turno, o art. 42 do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, tratou • de exportações efetuadas por comercial; exportadora antes de sua • vigência e revogou o art. 4 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969. Portanto, este artigo também não teve nenhuma influência no art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658,. de 24/01/1979, e nem fez qualquer menção à reinstituição do crédito-prêmio à exportação. À luz destas considerações, e tendo em conta que não há lógica em • afirmar que uma lei tenha sido editada para reinstituir ou restaurar uma outra que ainda está vigorando, conclui-se que não há fundamento • pára a tese ,da reinstituição do crédito-prêmio pelo Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981. • No Parecer n2 AGU/SF-01/98, de 15 de julho de 1998, da lavra do •• Consultor da União, Dr. Oswaldo Othon de Pontes Saraiva Filho; foi adotada a tese de que o crédito-prêmio à 'exportação foi revogado em 30/06/1983 pelo art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1 :6 5 8 , de 24/01/1979, e que a fruição deste incentivo após aquela data só seria possível no âmbito de Programas Befiex, que tivessem a cláusula de garantia referida no art. 16 do Decreto-Lei n 2 1.219/72, conforme se pode conferir na ementa do referido parecer que vai a seguir transcrita: 'EMENTA : Crédito-prêmio do IPI — subvenção às exportações. No • contexto dos arts. 1° e 2° do Decreto-lei n° 491, de 5.3.69, que dispõe sobre estímulos de natureza financeira (não tributária) à exportação de manufaturados, a expressão 'vendas para o exterior' não significa venda contratada, ato formal do contrato de compra-e-venda, mas a • venda efetivada, algo realizado, a exportação das mercadorias e a • aceitação delas por parte do comprador. O simples contrato de compra- e-venda de produtos industrializados para o exterior, "que, aliás, pode ser desfeito, com ou sem o pagamento de multa, embora elemento necessário, representa uma simples expectativa de direito, não sendo . suficiente para gerar, em favor das empresas exportadoras, o direito • adquirido ao regime do crédito-prêmio, tampouco o direito adquirido de • creditar-se do valor correspondente ao beneficio, nem para obrigar o Erário Federal a acatar o respectivo crédito fiscal. Considera-se que o fato gerador do referido crédito-prêmio consuma-se quando da exportação efetiva da mercadoria, ou seja, a saída (embarque) dos manufaturados para o exterior. Em regra, as empresas sabiam que o ajuste do contrato de compra-e-venda lhe re presentava, apenas, uma expectativa de direito e que, para que pudessem adquirir o direito ao regime favorecido do art. 1° do Dec.-lei 491/69 e ao 9 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRININT . CONFERE COMO ORIGINAL ' • Processo n° 19647.003716/2004-23 Brasília, '09- /05' CCO2/CO2• Acórdão n.° 20219.515 S. 910 • Celma Maria de Albuquer. ue • Mat. Sia. e 94442 40e- • respectivo creditamento, teriam que realizar a exportação dos manufaturados, enquanto vigente a norma legal de cunho eeral que previa o subsídio-prêmio, ou, na hipótese do contrato ter sido celebrado após a previsão legal de extinção do incentivo de natureza financeira (Acordo no GATT; Dec.-lei 1.658/79, art. 1°, § 2'; e Dec.-lei 1.722/79, art. 31, antes da extinção total dos mesmos. • - Há, entretanto, uma situação especial: as empresas beneficiárias da denominada cláusula de garantia de manutenção de estímulos fiscais à exportação de manufaturados vigentes na data de aprovação dos seus respectivos Programas Especiais de Exportação, no âmbito da BEFIEX (art. 16 do Dec.-lei 1.219/72) teriam direito . adquirido a exportar com os benefícios do regime do crédito-prêmio do IPI, sob a condição suspensiva de que o direito à fruição do valor correspondente aos benefícios só poderia ser exercido com a efetiva exportação antes do termo final dos respectivos PEEX's.' íntegra deste parecer encontra-se anexà ao Parecer GQ-172/98 do Advogado Geral da União que tem o seguinte teor: •• 'Despacho do Presidente da República sobre o Parecer n° GQ-172: • 'Aprovo'. Em 13-X-98. Publicado no Diário Oficial de 21.10.98. • Parecer n° GQ - 172 Adoto, para os fins do art. 41 da Lei Complementar n° 73, de 10 de fevereiro de 1993, o anexo PARECER N° AGU/SF-01/98, de 15 de julho de 1998, da lavra do Consultor da União, Dr. OSWALDO OTHON DE PONTES SARAIVA FILHO, e. submeto-o ao EXCELENTÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA, para os efeitos do art. 40 da referida Lei Complementar. Brasília, 13 de outubro de 1998.. . • GERALDO MAGELA DA CRUZ QUINITÃO' Isto significa que, nos termos dos arts. 40 e 41 da LC n2 73/93, o Parecer AGU/SF-01/98, emitido pelo Dr. Oswaldo Othon, tornou-se vinculante para toda a Administração Pública Federal, uma vez que , • adotado pelo Advogado Geral da União e aprovado pelo Presidente da República, foi publicado no Diário Oficial de 21/10/1998, pág. 23. " Justificada, portanto, a razão pela qual a IN SRF n2 210, de , 30/09/2002, considerou, extinto o Crédito-prêmio à exportação. No mesmo sentido desta interpretação já se manifeStou o Tribunal Regional Federal da 42 Região/ conforme se verifica nas ementas a seguir transcritas: 'Crédito-prêmio do IPI. Decreto-lei n° 491/69 e Alterações Posteriores. Extinção do Beneficio. A partir de 10 de julho de 1983, o beneficio instituído pelo Decreto-lei 491/69 restou extinto. (Apelação em Mandado de Segurança n° 2000.71.00.040996-4/RS, Relatora a Desembargadora Federal Maria Lúcia Luz Leiria, DJU de 24/2/2003) . j() 10 • • MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES s. Processo n° 19647.003716/2004-23 CONFERE COMO ORIGINAL. , . CCO2/CO2 Acórdão n.°.202-19.515 Brasília, .1 / O4._Q Fls. 91,1 • Calma Maria de Albuquer. Mat. Sia. = 94442 4" Tributário. IPI.Crédito-prêmio.Termo final. Vigência.Benefício .Lei. Inexistência. 1. A inconstitucionalidade das Portarias, editadas com base na delegação ptevista nos Decretos-leis n° 1.724/79 e 1.894/81, não levou a alteração da data limite do crédito-prêmio instituído pelo Decreto-lei n°469/69. 2. Na hipótese, os fatos geradores, consoarite documentos trazidos com a petição inicial, ocorreram 'em 1984. Inexiste qualquer verba a ser . restituída, eis que ausente norma legal autorizativa da fruição do • beneficio. • 3. Nenhum dos textos legais, editados após o Decreto-lei n° 1.658/79, • disciplinou acerca da extinção do crédito-prêmio previsto no Decreto- lei n° 491/69, pelo que, se manteve, para todos os efeitos, a data de 30 de junho de 1983 como termo final de vigência do beneficio em tela.' (TRF da 4! Região, 2! Turma, AC r19- 96.04.22981-8/RS, Relator Juiz Hermes da Conceição Júnior, unânime, DJ 27/10/99, p. 641). Também o Tribunal Regional Federal da 3 2 Região já chancelou o entendimento de que o crédito-prêmio foi extinto em 30/06/1983 no julgamento do AG n2 2002.03.00.027537-8, publicado no DJ II de 18/09/2002, p. 292 e no AG. n2 2003.03.00.004595-0, DJ II de 24/02/2003, p. 469. Estando o crédito-prêmio à exportação revogado desde 1983, perdeu sentido definir se o incentivo tinha ou não natureza setorial, para os fins do art. 41 do ADCT da CF/1988, uma vez que o citado artigo só autorizava a reavaliação de incentivos fiscais que estivessem vigentes na data da promulgação da CF/1988. Entretanto, vale frisar que o crédito-prêmio também não foi mencionado pela Lei n2 8.402, de 08/01/1992, uma vez que não era , incentivo fiscal de natureza setorial e já estava revogado quando do advento da CF/88. • Com efeito, o art. 41. do ADCT estabelece que 'Os Poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão os incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor (...)'. Pelo 'ora em vigor', verifica-se que à Constituição apenas tratou • de incentivos setoriais que estivessem em vigor na data da sua promulgação. Logo, a contrario sensu, não poderiam ser reavaliados incentivos que não fossem de caráter setorial e os que estivessem revogados ao tempo da promulgação da Carta Magna. Ora, o crédito-prêmio já estava revogado desde 1983, conforme o entendimento vertido no Parecer AGU 172/98, que deve ser observado por toda a Administração Pública a teor 'do disposto na LC n2 73/93, art. - 40, § 1-2. Ademais, o crédito-prêmio à exportação não era incentivo de natureza setorial,. uma vez que podia sé r usufruído por empresas de , quaisquer setores da economia, 'desde que efetuassem vendas para o exterior. • di\ÇJ • 11 • MF SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .. • Processo n°19647.003716/2004-23 CONFERE COM O ORIGINAI- .• CCO2/CO2 • Acórdão n.° 202-19.515 • Brasilia, 16 O ad 05 Fls. 912 Celma Maria de Albuquerque • Mat. SiaRe 94442 A Lei n2 8.402, de 08/01/1992, realmente restabeleceu alguns incentivos à exportação no seu art. 1 2, I , II, III e § 12, mas nenhum deles tratava do crédito-prêmio à exportação. Vejamos. • O art. 12, I, nada tem a ver com o crédito-prêmio, pois se refere a regimes aduaneiros especiais. • O art. 12, II, restabeleceu o direito de manter e utilizar créditos de IPI referido no art. 52 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, que nada tem a ver com o crédito-prêmio, instituído pelo'art. 1 2 deste Decreto-Lei. O art. 12, III, restabeleceu o incentivo previsto no art. 1 2, I, do Decreto- Lei n2 1.894, de 16/12/1981, que se referia ao crédito de IPI nas _ • aquisições de produtos no mercado interno destinados a futura exportação. Por seu turno, o art. 1 2, § 12, apenas restabeleceu ao produtor- vendedor, que viesse a efetuar vendas para comercial exportadora, a garantia dos incentivos fiscais à exportação de que trata o art. 3 2 do • DL n2 1.248/72. O referido art. 32 regulou a hipótese de exportações • indiretas, mas vedou ao produtor-vendedor a utilização do Crédito- prêmio, 'ao qual fará jus apenas a empresa comercial exportadora' Acrescente-se que o art. 12, § 12, da Lei n2 8.402, de 08/01/1992, só pode ter restabelecido os incentivos fiscais previstos no DL n21.248/72 que estavam vigentes ao tempo da promulgação da Constituição, o que não é o caso do DL n2 491/69, art. 1 2, revogado desde 30/06/83. Por tal razão é que também as empresas comerciais exportadoras não fazem jus ao crédito-prêmio à exportação. Portanto, é inequívoco que a Lei n 2 8.402, de 08/01/1992, não restabeleceu e não reinstituiu o crédito-prêmio à exportação. Estando o art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, revogado • desde 1983, é óbvio que o Decreto n2 64.833/69, que o regulamentou, • não pode mais ser aplicado, uma vez que perdeu seu fundamento de • • validade. Foi por esta razão que o Presidente da República o revogou ou, como prefere a recorrente, o "declarou revogado" por meio do Decreto s/n2 de 25/04/1990. Somente para esgotar a argumentação 'em relação ao Decreto n2 64.833/69, acrescento que o Parecer n2 AGU/SF-01/98, de 15 de julho de 1998, em momento algum reconheceu a vigência deste decreto. Pelo . contrário, o Dr. Oswaldo Othon referiu-se ao Decreto n 2 64.833/69 . porque estava analisando questões relativas à cláusula de garantia prevista no art. 16 do Decreto-Lei n2 1.219/72. Em outras'palavras, as empresas beneficiárias de Programas Befiex com a cláusula de - garantia do art. 16, tinham direito adquirido de usufruir do crédito- prêmio até o final do prazo dos respectivos PPEX, razão pela qual o • Decreto n2 64.833/69 teria que continuar sendo aplicado somente para aquelas empresas até o fim dos respetivos programas. Isto não significa reconhecer que o Decreto n2 64.833/69 estivesse vigorando em caráter geral. 12 k MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° 19647.003716/2004-23 , CONFERE COMO ORIGINAL s . ` CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-19.515 Brami lia, ' ;51.4/ C621 • f' 09 Fls. 913 Celma Maria de Albuquer ue Mat. Siape 94442 ,„- Considerando a inexistência do direito material ao cr 'dito-prêmio à exportação, torna-se desnecessária a análise dos demais argumentos . apresentados no recurso." • Relativamente ao fato superveniente alegado pela recorrente, é certo que a Resolução n 71, de 27/12/2005, do Senado Federal, produz efeitos erga omnes e que • suspendeu a eficácia dos dispositivos que permitiam ao Ministro da Fazenda regular o crédito- prêmio à exportação por meio de atos administrativos. Sob este aspecto, seu cumprimento é obrigatório, pois estendeu o efeito da declaração do STF aos demais interessados que não participaram das ações que culminaram nos recursos extraordinários em questão. • ; Entretanto, ao contrário do alegado, em momento algum a Resolução afirmou taxativamente que o art. 1' do DL n 491/69 está vigorando, pois, se isto fosse verdade, o Senado não teria utilizado a expressão "(...) preservada a vigência do que remanesce do art. 12 , do Decreto-Lei tê 491, de 5 de março de 1969." • Ao preservar apenas a vigência da parte remanescente do art. 1' do Decreto-Lei ri2 491/69 o Senado apenas garantiu a aplicação do crédito-prêmio até o término de sua vigência, em 30/06/1983, pois os dispositivos inconstitucionais eram anteriores a esta data. Com efeito, o STF não emitiu nenhum juízo acerca da subsistência ou não do crédito-prêmio à. exportação a partir de 30/06/83, apenas declarou a inconstitucionalidade do art. 1' do Decreto- . Lei ri' 1.724/79 e do inciso Ido art. 3' do Decreto-Lei n 2 1.894/81. ' • Assim, a vigência da parte remanescente do art. 1' do Decreto-Lei ri' 491/69 expirou exatamente em 30/06/1983. Esta conclusão é reforçada pela interpretação dada pelo • STJ aos efeitos da Resolução n' 71/2005 no julgamento do' REspfl Q 643.536/PE, cujo Acórdão recebeu a seguinte ementa: - • "TRIBUTÁRIO. IPL CRÉDITO-PRÊMIO: DECRETO-LEI N° 491/69 (ART. 1"). EXTINÇÃO. JUNHO DE 11983. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL N" 71/05. NÃO-AFETAÇÃO Á SUBSISTÊNCIA DO ALUDIDO BENEFÍCIO. I - O crédito-prêmio nasceu com o Decreto-lei n" 491/69 para incentivar as exportações, enfitando dotar o exportador de instrumento privilegiado pára competir no mercado internacional. O Decreto-Lei n" 1.658/79 determinou a extinção do beneficio para 30 de junho de 1983 e o Decreto-Lei n" 1.722/79 alterou os percentuais do estímulo, no • entanto, ratificou a extinção na data acima prevista. II - O Decreto-Lei n" .1.894/81 dilatou o âmbito de incidência do incentivo às empresas ali mencionadas, permanecendo intacta a data de extinção para junho de 1983. • III - Sobre as declarações de inconstitucionalidade proferidas pelo STF, delimita-se sua incidência a dirigir-se para erronia consistente na extrapolação da delegação implementada pelos Decretos-Leis n" 1.722/79, 1.724/79 e 1.894/81, não emitindo, aquela Suprema Corte, qualquer pronunciamento afeito à subsistência ou não do crédito- prêmio. Precedentes: REsp n° 591.708/RS, Rel. Min. TEOR! ALBINO ZAVASCICT, DJ de 09/08/04, REsp n." 541.239/DF, Rel. Min. LUIZ FUX, julgado pela Primeira Seção em 09/11/05 e REsp n° 762.989/PR, de minha relatoria, julgado pela Primeira Turma em 06/12/05. 13 • MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIGUI TF5 CONFERE COMO ORIGINAL 0 - Processo n° 19647.003716/2004-23 Brasilia, f 0 02d ( 0.5i CCO2/CO2 Acórdão n." 202-19.515 Celma Maria de Albuquer • - Rs. 914 Mat. Sia • - 94442 dg, IV - Recurso especial improvido." (REsP n2 643.536/PE; RECURSO ESPECIAL n2 2004/0031117-5. Relator(a) Ministro JOSÉ DELGADO (1105) Relator(a) p/Acórdão: Ministro FRANCISCO FALCÃO (1116) Órgão Julgador Ti - PRIMEIRA TURMA. Data do Julgamento: 17/11/2005. Data da Publicação/Fonte DJ de 17/04/2006, p. 169) • De todo o exposto, podem ser extraídas as seguintes conclusões: 1 — o crédito-prêmio à exportação, instituído pelo art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491/69, foi, a partir de 1979, reduzido gradualmente até ser extinto em junho de 1983, conforme determinado pelo Decreto-Lei n2 1.658/79 :com a redação dada pelo Decreto-Lei n2 1.722/79; 2 — o direito material ao crédito-prêmio somente existiu em caráter geral até 30/06/1983, quando expirou a validade do art. l s-' do Decreto-Lei n2 491/69, por força do art. 12, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658/79;• 3 os Decretos-Leis n2s 1.724/79 e 1.894/81 não modificaram o prazo extrativo anteriormente fixado, pois não dispuseram sobre o termo final do incentivo debatido, nem • contiveram referência expressa aos Decretos-Leis n2s 1.658/79 e 1.722/79; 4 — o Decreto-Lei n2 1.894/81 limitou-se a estender o crédito-prêmio para as demais empresas nacionais e, no caso de exportações indiretas, a restringir sua fruição às • comerciais exportadoras, enquanto não expirasse a vigência do art. 12 do Decreto-Lei n2 491/69;e 5 — o crédito-prêmio à exportação não foi reavaliado e nem reinstituído por norma jurídica posterior à vigência do art. 41 do ADCT da CF/1988 porque não era incentivo . de natureza setorial e não estava vigente em 05/10/1988. Ante todo o exposto, nego provimento ho recurso. Sa . • as Se Iões, em 03 de dezembro de 2008.\71k A gr" • A TO .1;0111.01PER . -• • • 14 • Page 1 _0010200.PDF Page 1 _0010300.PDF Page 1 _0010400.PDF Page 1 _0010500.PDF Page 1 _0010600.PDF Page 1 _0010700.PDF Page 1 _0010800.PDF Page 1 _0010900.PDF Page 1 _0011000.PDF Page 1 _0011100.PDF Page 1 _0011200.PDF Page 1 _0011300.PDF Page 1 _0011400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10840.902785/2008-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, admite-se a inclusão dos valores referentes às aquisições de insumos de fornecedores pessoas físicas. A questão já foi julgada em Recurso Repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça (RESP nº 993164). VENDA A EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. DIREITO. Atendido aos demais requisitos legais, tem direito ao crédito presumido do IPI, a que se refere a Lei nº 9.363/96, a venda realizada para empresa comercial exportadora, não regulada pelo Decreto-Lei nº 1.248/72, com o fim específico de exportação. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. MATERIAIS DESTINADO A FUNCIONAMENTO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os conceitos de produção, matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo os produtos empregados no funcionamento de máquinas e equipamentos (combustíveis, lubrificantes e graxa). Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-001.591
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, admitese a inclusão dos valores referentes às aquisições de insumos de fornecedores pessoas físicas. A questão já foi julgada em Recurso Repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça (RESP nº 993164). VENDA A EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. DIREITO. Atendido aos demais requisitos legais, tem direito ao crédito presumido do IPI, a que se refere a Lei nº 9.363/96, a venda realizada para empresa comercial exportadora, não regulada pelo DecretoLei nº 1.248/72, com o fim específico de exportação. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. MATERIAIS DESTINADO A FUNCIONAMENTO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo os produtos empregados no funcionamento de máquinas e equipamentos (combustíveis, lubrificantes e graxa). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, José Evande Carvalho Araújo, Helio Eduardo de Paiva Araújo e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI (Portaria MF nº 38/97), relativo ao quarto trimestre de 2002. Após a realização das verificações fiscais no estabelecimento da recorrente, a DRF em Ribeirão Preto SP reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, nos termos do Despacho Decisório de fls. 281/282 (eletrônica). A autoridade competente glosou as seguintes parcelas incluídas pela recorrente no cálculo do benefício pleiteado: a) valor correspondente ao IPI lançado nas notas fiscais de compras de insumos; b) valor relativo a encargos financeiros, incluídos como insumo; c) valor relativo a aquisições que não se enquadram no conceito de matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem. Foram eles: graxa, lenha, óleos diversos e outros; d) valor referente ao custo de canadeaçúcar adquirida de produtores rurais, pessoas físicas, não contribuintes do PIS e da Cofins; e) inclusão do valor do estoque em 31/12/2001 das MP. PI e ME aplicados na produção de produtos não acabados e não vendidos; f) valor referente a remessa com o fim específico de exportação para as empresas Cristalsev Comércio e Representação Ltda e Companhia Açucareira Vale do Rosário. Intimadas, apresentaram documentos informando que não são firmas comercial exportadora (DecretoLei nº 1.248/72); g) valor relativo à exportação de mercadorias adquiridas para revenda; Não se conformando com a decisão acima, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade contestando as glosas das aquisições de pessoas físicas, das aquisições de outros insumos (graxa, lenha e óleos diversos) e as vendas para exportação Fl. 588DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10840.902785/200884 Acórdão n.º 330201.591 S3C3T2 Fl. 588 3 feitas para as empresas Cristalsev Comércio e Representações Ltda e Companhia Açucareira Vale do Rosário. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1433.778, de 19/05/2011, cuja ementa abaixo transcrevo: VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Diante do conceito dado à expressão "empresa comercial exportadora" em diferentes oportunidades pela SRF e pelo MF, concluise que são admitidas no cálculo do crédito presumido as vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação, nos termos da Lei n° 9.532, de 1997, art. 39, § 2 , e não apenas as vendas a empresas enquadradas no Decretolei n° 1.248, de 1972. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo os gastos gerais de produção. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E DA COFINS. As aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da Cofins, não se incluem na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Desta decisão a empresa interessada tomou ciência no dia 09/06/2011 e, no dia 11/07/2011, ingressou com recurso voluntário, no qual alega, em apertada síntese que: 1 a legislação do incentivo prevê que o incentivo incide sobre o valor total das aquisições, no mercado interno, de MP, PI e ME, sem excluir as aquisições de pessoas não contribuintes do PIS e da Cofins; 2 a glosa relativa a venda para empresa comercial exportadora foi mantida pela decisão recorrida com argumento diferente da decisão da DRF. Um novo argumento representa uma nova glosa (“novo lançamento tributário”), quando que ultrapassou os cinco anos da transmissão das DCOMP. A DRF glosou a receita porque a empresa adquirente não estava constituída na forma do DL 1.248/72 e a decisão recorrida manteve a glosa sob o argumentando a falta de comprovação de que a adquirente efetivamente exportou os produtos adquiridos com o fim específico de exportação; 3 a responsabilidade pela falta de exportação é da empresa comercial exportadora e não da empresa vendedora, sendo abusiva e ilegal a decisão recorrida que Fl. 589DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 introduziu requisito diferente da exigência do destinatário da mercadoria seja empresa comercial exportadora; 4 devese afastar o argumento de que a empresa produtora vendedora é a mesma que recebeu a mercadoria para exportar (no dia 02/01/2008 a JARDEST foi incorporada pela Companhia Açucareira Vale do Rosário). 5 a Lei nº 9.363/96 não menciona que o produto intermediário é aquele que entra em contato direto com o produto industrializado e sua interpretação deve ser literal. Os produtos glosados foram consumidos ao longo do processo de industrialização. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e, por isto mesmo, dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente está pleiteando ressarcimento de crédito presumido de IPI e a RFB, ao efetuar a verificação do valor do crédito, constatou a inclusão de valores que entende indevidos, quais sejam: canadeaçúcar adquiridas de pessoas físicas; insumos (graxa, lenha e óleos diversos) que não se enquadram no conceito de matériaprima, produtos intermediários ou material de embalagem, a que se refere a legislação do IPI; e o valor das vendas para exportação efetuada para empresa que não é comercial exportadora na forma do DL nº 1.248/72. Também efetuou outras glosas que não fazem parte do litígio. A questão relativa à inclusão, no cálculo do benefício, das aquisições do insumo canadeaçúcar, feitas junto à pessoas físicas, já foi pacificada pelo STJ ao julgar o RESP nº 993164, pela sistemática do recurso repetitivo (art. 543C do CPC), decidindo que o crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Concluiu o STJ pela "ilegalidade" da instrução normativa por ter extrapolado os limites impostos pela Lei nº 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. Considerando que as decisões proferidas pelo STJ em recursos repetitivos são de aplicação obrigatória por este Colegiado (art. 62A do RICARF), deve ser reconhecido o direito de a recorrente incluir o valor das aquisições de pessoas físicas no cálculo do crédito presumido do IPI. A contribuinte se insurge também contra o fato de a fiscalização ter desconsiderado as exportações efetuadas por intermédio de empresas comerciais exportadoras que não aquelas constituídas ao amparo do DecretoLei nº 1.248/72. Contudo, entendo equivocada a glosa pela desnecessidade de exportação tão somente pelas empresas comerciais exportadoras constituídas ao amparo do DecretoLei nº Fl. 590DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10840.902785/200884 Acórdão n.º 330201.591 S3C3T2 Fl. 589 5 1.248/72, conhecidas como “trading companies”, uma vez que estas são espécie do gênero “empresa comercial exportadora”. A venda de produtos à empresa comercial exportadora constituída com base no indigitado DecretoLei, com o fim específico de exportação, acarreta, de imediato, benefícios fiscais para o produtorvendedor, tornando a operação interna equiparada a uma exportação para todos os efeitos, sendo transferido o ônus tributário para a empresa comercial exportadora, em caso de inocorrência da exportação. De outra banda, a venda à empresa comercial exportadora não regulada pelo precitado DecretoLei, com o fim específico de exportação, se traduz numa operação interna beneficiada pela suspensão do IPI, sendo sua atuação de mera intermediária e os estímulos fiscais gerados pela exportação, desde que cumpridos os requisitos necessários, destinamse ao estabelecimento industrial que é, de direito, o exportador. Esta, em síntese, é a conclusão do acórdão recorrido quanto, em tese, ao direito ao crédito presumido nas operações de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação. No entanto, não há como prosperar a conclusão do acórdão recorrido de que o pedido de ressarcimento deveria ser instruído com todos os elementos hábeis a demonstrar o crédito pleiteado, posto que ao PER/DCOMP não se anexa nada por determinação da própria RFB. Neste caso, é a própria RFB que faz a solicitação ao pleiteante dos elementos que ela RFB julga necessário à apuração do crédito pleiteado. No caso dos autos, a glosa foi efetuada porque a venda com o fim específico de exportação foi realizada para uma empresa que não atendia ao disposto no art. 2º do DecretoLei nº 1.248/72. Só isto. Não houve alegação de que as exportações não foram realizadas ou de que a empresa adquirente ou a remessa da mercadoria não atendiam ao disposto no art. 39 da Lei n° 9.532/97, ou que a mercadoria remetida não se destinava especificamente à exportação por descumprir o disposto no Parágrafo Único do art. 1º do Decreto nº 1.248/72, etc., etc. Os requisitos necessários à determinação da liquidez e certeza do crédito pleiteado serão apurados pela RFB quando da execução deste julgado. Discordando a recorrente das conclusões da RFB, cabe apresentação de manifestação de inconformidade sobre este ponto específico. Para não se alegar omissão no julgado, ao contrário do afirmado pela recorrente, a conclusão da decisão recorrida de que não ficou provado a exportação não representa uma nova glosa e muito menos um “novo lançamento tributário” e nem tem como conseqüência a homologação das DCOMP, por absoluta falta de amparo legal. Ademais, esta conclusão está sendo reformada no presente julgado. Isto posto, devese afastar o óbice criado pela RFB que excluiu as receita de exportação indireta do cálculo do crédito presumido em razão da empresa comercial exportadora não atender aos requisitos do DecretoLei nº 1.248/72, ressalvado o direito de a Fazenda Nacional conferir liquidez e certeza ao crédito pleiteado. Relativamente aos dispêndios com combustível (lenha e óleo combustível), este Colegiado tem reiteradamente decidido no sentido de que os combustíveis não podem compor o cálculo do crédito presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.363/96, porque, legalmente, tais dispêndios não se classificam como matériasprimas ou produtos intermediários. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Por esta razão, este CARF firmou jurisprudência no sentido de que a energia elétrica e os combustíveis não se enquadram no conceito de matériaprima ou produtos intermediários, nos termos da Súmula CARF nº 19, abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei no 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Devo, ainda, consignar que as súmulas deste Colegiado são de aplicação obrigatória e não cabe recurso especial para a CSRF de decisão que as aplique, nos termos do § 2º do art. 67 e do art. 72, todos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, abaixo reproduzido. Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. [...] § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. (grifei). [...] Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Pelas mesmas razões pretéritas, entendo que o óleo lubrificante e os demais produtos citados na informação fiscal também não se enquadram no conceito de MP. PI ou ME, a que se refere a legislação do IPI. Consequentemente, sobre estas aquisições não há direito ao crédito presumido do IPI. As compensações declaradas, vinculadas a este processo, devem ser homologadas até o limite do crédito reconhecido. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito nas aquisições de canadeaçúcar de pessoas físicas e para declarar que deve ser incluído no cálculo do crédito a receita da venda realizada para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 592DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10840.902785/200884 Acórdão n.º 330201.591 S3C3T2 Fl. 590 7 Fl. 593DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13971.910879/2009-19
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
Numero da decisão: 3803-004.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
ALEXANDRE KERN - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
EDITADO EM: 03/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALEXANDRE KERN (Presidente), BELCHIOR MELO DE SOUSA, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, e JORGE VICTOR RODRIGUES.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 08 79 /2 00 9- 19 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. EDITADO EM: 03/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALEXANDRE KERN (Presidente), BELCHIOR MELO DE SOUSA, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, e JORGE VICTOR RODRIGUES. Relatório A contribuinte formalizou perante a DRF/BlumenauSC Per/DComp para o encontro de contas com créditos decorrentes de pagamento realizado a maior, sendo o pedido indeferido por meio de despacho decisório que informou não haver crédito disponível para efetuar a compensação declarada. Irresignada a contribuinte manifestou a sua inconformidade, argumentando pela necessidade da busca da verdade material, deduzindo pela declaração de nulidade do ato administrativo que não homologou a compensação declarada, sob a égide da ausência de motivação e de fundamentação, o que ensejaria o desvio de finalidade, laborando em prejuízo ao exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. Pugnou, ainda, pela não exigência dos juros (taxa Selic) e da multa de mora, por se contrapor aos princípios da vedação ao confisco, razoabilidade e da proporcionalidade, devendo os juros exigidos se limitar ao disposto no CTN. Conclusos vieram os autos para a apreciação da 4a Turma de Julgadores da DRJ/FNS, quando em 25/05/12, proferiram decisão por meio do acórdão nº 0729.075, nos termos seguintes: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Para que os recolhimentos relativos a débitos declarados em DCTF sejam tidos como indevidos e passíveis de repetição, é preciso que o sujeito passivo retifique a declaração originalmente apresentada, alterando os valores daqueles débitos para, com isso, consubstanciar juridicamente a existência do indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O condutor do acórdão em questão entendeu que os valores declarados em DCTF, por se constituírem em confissão de dívida, só podem ter natureza infirmada diante da sua retificação, o que não ocorreu,in casu. Esclareceu que enquanto não retificados, tais valores Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.910879/200919 Acórdão n.º 3803004.070 S3TE03 Fl. 7 3 informados são considerados como devidos, não ficando disponíveis para qualquer tipo de repetição: compensação, restituição, ressarcimento ou reembolso. Aduziu, ainda, que não há vício no despacho decisório, eis que a motivação e fundamentação deixaram claro a razão da não homologação, pois compulsando os autos constatou que o despacho decisório faz referência objetiva e sumária à inexistência do crédito alegado pelo sujeito passivo, não havendo desdobramentos fáticos ou jurídicos que justificassem mais do que foi dito, eis que consta de campo próprio do Per/DComp que o recolhimento afirmado pela contribuinte como indevido foi integralmente utilizado pela própria contribuinte para o pagamento do débito relativo ao próprio tributo e ao próprio período de apuração indicados no próprio documento de arrecadação – DARF. Admitiu, entretanto, o relator, que se o contribuinte tivesse retificado previamente a sua DCTF, reduzindo o valor do débito original, não teria tido o seu crédito declarado pela DRF/BlumenauSC como indisponível, o que poderia levar a uma eventual homologação da compensação intentada. Quanto à contestação da exigência da multa de mora e dos juros de mora, tais questões não restaram apreciada em razão da ausência de competência, pois em relação aos julgamentos de reconhecimento de direito creditório, a competência das DRJ se limita à aferição da efetiva existência ou não desse direito alegado pelo contribuinte. A ciência da decisão de primeira instância pela contribuinte se deu por meio de Termo de Ciência por Decurso de Prazo de quinze dias, a contar da disponibilização dos documentos nele acostados na Caixa Postal, Módulo eCAC, do site da Receita Federal. A data de disponibilização dos documentos na Caixa Postal foi 31/05/12 e a data da ciência do acórdão da manifestação de inconformidade por decurso de prazo deuse em 15/06/12. Entretanto, a protocolização do recurso voluntário na CAC da DRF/Caxias do Sul somente ocorreu em 18/06/2012, conforme se depreende do recebimento pelo servidor em seu carimbo. O recurso voluntário aviado reiterou os argumentos expendidos na peça inaugural de forma minudente. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como dito, o contribuinte pretendeu compensar crédito indevido ou a maior, com débitos próprios, não logrando êxito nesse desiderato perante o juízo a quo, que concluiu a partir de análise efetuada nos autos pela insuficiência de crédito, considerando, inclusive que o sujeito passivo não acostou aos autos documentos que demonstrassem inequivocamente a Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 comprovação de sua existência, bem assim não procedeu à retificação da DCTF para, mediante a alteração dos valores originalmente informados, consubstanciar juridicamente a existência do indébito. O deslinde da querela circunscrevese, então, à matéria probatória acerca do reconhecimento da existência de direito creditório alegado pelo contribuinte, matéria que foi devolvida para esta Corte, em razão de não restar pacificada em sede de primeira instância. Noticiam os autos que a recorrente argüiu pela ausência de fundamentação no feito e que deveria haver sido intimada para prestar esclarecimentos ou mesmo para proceder a retificação da DCTF, e que a não ocorrência de tais situações resultou em prejuízo ao contraditório, a ampla defesa e ao devido processo legal, restando caracterizada assim a nulidade do feito. Neste sentido formulou assertivas que a fundamentação ou motivação dos atos administrativos é obrigatória para o exame de sua legalidade, finalidade e da moralidade administrativa, ex vi do art. 37 da CF/88, assinalando que a autoridade administrativa antes de não homologar a compensação declarada deveria se certificar da origem do crédito. Não subsiste a pretensão de nulidade do feito. É o que se demonstrará a seguir. A DCOMP tem a finalidade de informar acerca do encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, bem assim que a responsabilidade da emissão desse documento é de exclusividade da contribuinte, de igual modo o sendo em relação à comprovação da liquidez e certeza dos débitos e créditos informados por meio de Per/DComp. De igual modo cabe à autoridade tributária a necessária verificação da documentação e da origem desses débitos/créditos e correspondente validação e, se for o caso, sobrevém à homologação confirmando a extinção da obrigação tributária, que efetivamente não ocorreu por falta da apresentação de documentação hábil e idônea que demonstrasse a existência do crédito alegado na DComp. Assim utilizandose das informações constantes dos sistemas RFB a fiscalização constatou que o pagamento informado por meio de DARF foi integralmente utilizado para o pagamento de débito regularmente declarado pela própria contribuinte, não restando saldo credor para à satisfação da compensação. Por sua vez a decisão recorrida observou que a contribuinte não efetuou a retificação dos valores informados na DComp por meio da retificação da correspondente DCTF. Compulsando os autos verificouse que a fiscalização amparouse em informações do sistema RFB alimentado pela própria contribuinte, que em momento algum laborou em demonstrar a efetividade da existência do crédito alegado, ou seja, não logrou em demonstrar a certeza e a liquidez necessária a consubstanciar a sua pretensão. Quanto a este aspecto os fatos falam por si só. A decisão consubstanciouse em seus próprios fundamentos, com base no princípio da verdade material, utilizandose de informações fornecidas pela recorrente, tornandose despicienda a sua intimação, pois discricionária é a demanda neste sentido. Partindose do pressuposto de que as informações prestadas regularmente ao Fisco são as mesmas que alimentam os registros contábeis e fiscais da recorrente, e que tais Fl. 108DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.910879/200919 Acórdão n.º 3803004.070 S3TE03 Fl. 8 5 informações foram utilizadas pela autoridade administrativa para a comprovação da inexistência de saldo credor para à satisfação da compensação declarada, não há se alegar cerceamento de defesa e muito menos ao contraditório, pois a peça recursal analisada em toda a sua amplitude reflete o direito de audiência e o devido processo legal. No item atinente ao crédito passível de compensação, a recorrente discorre acerca da verdade material para, justificar a possibilidade de comprovação do crédito em qualquer fase processual, entretanto não laborou em demonstrar a efetivamente existência do crédito alegado. E mais. A título de dar cumprimento aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa, tais assertivas não se opõem ao disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, que prevê que o momento de apresentação da prova dáse simultaneamente com a interposição da impugnação/manifestação de inconformidade, não podendo sêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, outrossim esclarecendo que a recorrente não se insere neste contexto. Determina, ainda, o disposto no artigo 16 do Dec. nº 70.235/72, que da impugnação deverá constar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta o pleito formalizado, como também as razões da discordância e as provas que comprovem o direito a que faz jus o interessado. Como dito a recorrente não laborou em demonstrar a razão superveniente que a impediu de apresentar, oportunamente, os documentos trazidos em outro momento processual. Por tal razão não há como acolher o seu pleito neste aspecto. Igualmente não logrou infirmar o conteúdo do decidido no despacho decisório eletrônico, ou mesmo demonstrar a existência de liquidez, certeza e disponibilidade do crédito informado no Per/DComp, para a satisfação da compensação, mediante a homologação e extinção do crédito, nos termos do art. 156, II, do CTN. A questão da prova na atividade administrativotributária resolvese ante o discernimento acerca da responsabilidade de quem deve provar o alegado. Para esclarecer esta questão buscase a orientação no Código de Processo Civil, subsidiariamente utilizado nos julgamentos dos processos administrativos fiscais pelo CARF, em seu art. 333, assim alude: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo, ou extintivo do direito do autor. A função do julgador administrativo no âmbito o CARF é a verificação do controle da legalidade e a aplicação da lei ao caso concreto. A aplicação da Taxa Selic a título de juros de mora encontra amparo legal, não havendo a declaração de inconstitucionalidade neste sentido pelo Pleno dos Tribunais Superiores. Este é o entendimento remansoso adotado majoritariamente nos julgamentos realizados no âmbito do CARF. Finalmente, a não apresentação de documentos necessários à comprovação de direito creditório juntamente com a impugnação, por quem de direito, no prazo e na forma da Fl. 109DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN 6 legislação tributária, impede a revisão de ofício e enseja o lançamento para o cumprimento de exigência fiscal. Ante o exposto nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 110DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 13973.000427/2001-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/12/1998
RESSARCIMENTO. CRÉDITO IPI. PERÍODO ANTERIOR A VIGÊNCIA DA LEI Nº 9.779/99. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 16.
O direito ao aproveitamento/utilização, nas condições estabelecidas no art. 11, da Lei nº 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI, decorre somente de aquisições, pelo contribuinte do imposto, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, ingressados no estabelecimento à partir de 01/01/1999, onerados pelo imposto e aplicados na industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento do recurso. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente.
THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1990 a 31/12/1998 RESSARCIMENTO. CRÉDITO IPI. PERÍODO ANTERIOR A VIGÊNCIA DA LEI Nº 9.779/99. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 16. O direito ao aproveitamento/utilização, nas condições estabelecidas no art. 11, da Lei nº 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI, decorre somente de aquisições, pelo contribuinte do imposto, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, ingressados no estabelecimento à partir de 01/01/1999, onerados pelo imposto e aplicados na industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Recurso voluntário negado.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1990 a 31/12/1998 RESSARCIMENTO. CRÉDITO IPI. PERÍODO ANTERIOR A VIGÊNCIA DA LEI Nº 9.779/99. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 16. O direito ao aproveitamento/utilização, nas condições estabelecidas no art. 11, da Lei nº 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI, decorre somente de aquisições, pelo contribuinte do imposto, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, ingressados no estabelecimento à partir de 01/01/1999, onerados pelo imposto e aplicados na industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento do recurso. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Irene Souza da Trindade Torres Presidente. THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 3. 00 04 27 /2 00 1- 41 Fl. 4111DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Relatório A ora Recorrente protocolou pedido de ressarcimento e compensação, na Delegacia da Receita Federal DRF de sua jurisdição, postulando o reconhecimento de crédito de IPI, previsto no art. 11 da Lei nº 9.779/1999, gerado de 1990 a 1998, no valor de R$ 3.483.377,74, a ser compensado com débitos incluídos no REFIS, conta 370.000.101.547, código 9100, e vencimento em 30/09/2001. Analisando o pleito da contribuinte, a DRF indeferiu o crédito requerido em razão do direito à postulação ao crédito ter sido extinto pela prescrição, como também, pelo fato de o pedido de ressarcimento se referir a período anterior a 01/01/99, antes da vigência da Lei nº 9.779/99, e, por conseguinte, não homologou as compensações realizadas, através do Despacho Decisório de fls. 4028/4031. Inconformada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ competente. (fls. 4077/4083). Especificamente, a DRJ julgou que a DRF havia indeferido corretamente os pedidos de ressarcimento e a compensação realizada, porquanto o direito crédito foi extinto pela prescrição. Eis suas palavras: De plano, constato que parte do pedido é de um período que foi protocolado após o decurso do prazo qüinqüenal relativamente ao exercício do direito creditório em questão, aliás direito creditório ainda não exercido, na medida que os supostos créditos não foram escriturados no Livro de Registro e Apuração do IPI. Tais créditos, ainda que financeiros, têm natureza de “dívida passiva da União” e com isso, a norma aplicável é o Decreto nº 20.910, de 06/01/1932, que dispõe em seu artigo 1º que todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Pública, seja qual for a natureza, prescreve em cinco anos contados da data do ato ou fato. [...] Por outro lado, a jurisprudência trazida pela requerente relativa ao prazo prescricional não serve como parâmetro para o caso em exame, haja vista versarem sobre prazo para se pleitear restituição de tributo pago a maior ou indevidamente, que, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, somente começaria a fluir a partir da homologação. O caso em exame trata de ressarcimento de créditos referentes a aquisições de insumos, daí, ser totalmente inaplicável à questão aqui tratada a jurisprudência trazida pela reclamante. [...] Fl. 4112DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13973.000427/200141 Acórdão n.º 3202000.642 S3C2T2 Fl. 4.112 3 Enfim, o direito de escriturar créditos do IPI não guarda relação com o prazo de decadência para o pedido de restituição ou para homologação de lançamento, regendose pela regra geral do Decreto nº 20.910, de 06 de janeiro de 1932, que fixa em 5 anos o prazo de prescrição de direitos patrimoniais pessoais contra a Fazenda Pública. No que tange ao direito crédito em período anterior a vigência da Lei nº 9.779/99, a DRJ negou a pretensão da Recorrente de ver reconhecido o direito de se creditar do IPI referente a esse período, nos seguintes termos: Quanto ao mérito, a Lei nº 9.779, de 1999, não tem natureza declaratória, com eficácia ex tunc, ou seja, não é puramente interpretativa. Com sua edição, houve uma inovação legislativa de jaez material, de natureza constitutiva (com eficácia ex nunc), uma alteração substancial do paradigma legal da espécie tributária em debate, portanto, ainda que não tivesse ocorrido a prescrição, o contribuinte não teria direito ao ressarcimento de créditos básicos decorrentes das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, entrados no estabelecimento antes de 01/01/1999. A Instrução Normativa SRF nº 33, de 1999, esta sim, de conformação puramente procedimental, regulou a matéria nova inserida no ordenamento jurídico pátrio, sob o influxo de todas as prerrogativas da Administração Tributária. [...] Por condicionar a fruição da faculdade nele prevista à observância de normas expedidas pela SRF, que não existiam à época da publicação da Lei nº 9.779, de 1999, o art. 11 não é autoaplicável. Seu disciplinamento foi feito pela IN SRF nº 33, de 4 de março de 1999, que produziu efeitos a partir de 01/01/1999. [...] A IN, acima referida, é a norma que regulamenta e possibilita a utilização e aproveitamento dos créditos, nos casos em que há excedente de créditos em relação aos débitos apurados em conta gráfica, num mesmo período de apuração do imposto. A IN, apenas estabeleceu a forma e as condições em que tais créditos poderão ser aproveitados, tudo de conformidade com o art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, instituidora de uma nova sistemática jurídicotributária, que possibilitou, a partir de sua edição, o ressarcimento do crédito básico do IPI, desde que resulte de um saldo credor. Destarte, é indiscutível que o direito aos créditos básicos tem origem constitucional diante do princípio da não cumulatividade, entretanto, esse direito não é irrestrito como quer fazer crer a manifestante, sendo perfeitamente possível sua limitação e regulamentação por leis infraconstitucionais para a sua utilização, tal como ocorre com vários outros direitos e garantias previstos na Constituição. Fl. 4113DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 A DRJ, igualmente, negou a possibilidade de incidência da taxa SELIC no ressarcimento de créditos de IPI, conforme se observa do seguinte trecho do acórdão: Por fim, com relação à taxa SELIC, no caso dos autos, o crédito do estabelecimento não se originou de nenhum indébito tributário e sim da possibilidade de ressarcimento de créditos básicos do IPI. A compensação e a repetição de indébito visam à devolução de tributos pagos indevidamente pelo contribuinte em razão de erro de fato ou de direito. Isso nada tem a ver com o caso em tela. A diferença é clara. Os dois primeiros institutos cuidam de imposto indevidamente pago. No ressarcimento do IPI não há nenhum pagamento indevido. Neste contexto, cabe esclarecer que em conformidade com o estabelecido no art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, a correção monetária, quando vigente, somente era admissível nos casos de restituição por pagamento indevido ou maior do que o devido. A previsão legal, assim, não alcançava os créditos escriturais do IPI. A partir de 1º de janeiro de 1996, a Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabeleceu a incidência de juros equivalentes à taxa Selic sobre o valor a ser restituído em espécie ou compensado, em face da ocorrência de pagamento indevido ou a maior, também não alcançando, portanto, a hipótese de ressarcimento de créditos escriturais do IPI. Nessa esteira, há a orientação da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal – COSIT, através da solução de consulta nº 19, de 21 de novembro de 2002, item 6. [...] Há que ressaltar, ainda, que a incidência de juros, no caso de ressarcimento, além da falta de permissivo legal, foi expressamente afastada por meio da Instrução Normativa – IN/ SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002. Intimada do acórdão, a contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, pedindo o reconhecimento integral do crédito e expressamente que (fls. 4088/4100): Seja o presente recurso recebido e provido, dandolhe integral provimento, a fim de que seja reformada a r. Decisão proferida pela 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), e, por conseguinte, deferidos os pedidos de compensação e ressarcimento requeridos pela recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves: O recurso voluntário é tempestivo e, por isso, merece ser conhecido seu mérito. Fl. 4114DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13973.000427/200141 Acórdão n.º 3202000.642 S3C2T2 Fl. 4.113 5 De início, é preciso esclarecer que se esta discutindo, in casu, a possibilidade genérica de ressarcimento de crédito de IPI em período anterior a Lei nº 9.779/99. A questão que deve ser analisada referese à possibilidade, ou não, de aproveitamento de crédito base quando os insumos tributados entraram no estabelecimento antes da vigência da Lei nº 9.779/99, 1º de janeiro de 1999. No tocante a este crédito, entendo pela impossibilidade de seu aproveitamento, em razão da irretroatividade da Lei nº 9.779/99. Tal entendimento está, inclusive, sumulado neste Egrégio CARF, verbis: Súmula CARF nº 16: O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999. Desse modo, considerando o teor da Súmula CARF nº 16, não merece provimento o recurso voluntário, devendo ser mantido o acórdão na parte em que não reconheceu o direito ao crédito em período anterior a vigência da Lei nº 9.779/99. Assim sendo, em razão do direito creditório se referir a período anterior a vigência da Lei nº 9.779/99, matéria objeto de entendimento sumulado neste Douto CARF, deixo de examinar os demais argumentos do recurso. Pelas razões, conheço do recurso voluntário para lhe negar provimento, de modo a manter o acórdão recorrido. Sala de sessões 26 de fevereiro de 2013. Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator Fl. 4115DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10875.002194/2005-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005
NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO.
Os insumos utilizados na fabricação de produtos e prestação de serviços que são direito de crédito da contribuição não cumulativa são somente aqueles que representem bens e serviços.
CRÉDITOS. VESTUÁRIO, LAVANDERIA, REMOÇÃO E INCINERAÇÃO DE LIXO E SERVIÇOS DE CONSERVAÇÃO E LIMPEZA.
Os gastos com vestuário, lavanderia, remoção e incineração de lixo e com serviços de conservação e limpeza não se enquadram como de insumos utilizados na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços, não gerando direito a crédito da contribuição não-cumulativa.
CRÉDITOS. EMPRESA DE CATTERING. ANÁLISE LABORATORIAL DE REFEIÇÕES.
A análise laboratorial de refeições é efetuada em relação aos produtos que são empregados na prestação de serviço e o seu resultado inclui-se, também, no serviço prestado, de forma que se enquadra como insumo utilizado na prestação de serviço e gera crédito da contribuição não-cumulativa.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-002.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento integral, e a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negava provimento ao recurso voluntário.
Fez sustentação oral pela Recorrente Rodrigo Giacomeli Nunes Massud OAB/SP 257.135.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente
(Assinado digitalmente)
José Antonio Francisco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO. Os insumos utilizados na fabricação de produtos e prestação de serviços que são direito de crédito da contribuição não cumulativa são somente aqueles que representem bens e serviços. CRÉDITOS. VESTUÁRIO, LAVANDERIA, REMOÇÃO E INCINERAÇÃO DE LIXO E SERVIÇOS DE CONSERVAÇÃO E LIMPEZA. Os gastos com vestuário, lavanderia, remoção e incineração de lixo e com serviços de conservação e limpeza não se enquadram como de insumos utilizados na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços, não gerando direito a crédito da contribuição não-cumulativa. CRÉDITOS. EMPRESA DE CATTERING. ANÁLISE LABORATORIAL DE REFEIÇÕES. A análise laboratorial de refeições é efetuada em relação aos produtos que são empregados na prestação de serviço e o seu resultado inclui-se, também, no serviço prestado, de forma que se enquadra como insumo utilizado na prestação de serviço e gera crédito da contribuição não-cumulativa. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO. Os insumos utilizados na fabricação de produtos e prestação de serviços que são direito de crédito da contribuição não cumulativa são somente aqueles que representem bens e serviços. CRÉDITOS. VESTUÁRIO, LAVANDERIA, REMOÇÃO E INCINERAÇÃO DE LIXO E SERVIÇOS DE CONSERVAÇÃO E LIMPEZA. Os gastos com vestuário, lavanderia, remoção e incineração de lixo e com serviços de conservação e limpeza não se enquadram como de insumos utilizados na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços, não gerando direito a crédito da contribuição nãocumulativa. CRÉDITOS. EMPRESA DE “CATTERING”. ANÁLISE LABORATORIAL DE REFEIÇÕES. A análise laboratorial de refeições é efetuada em relação aos produtos que são empregados na prestação de serviço e o seu resultado incluise, também, no serviço prestado, de forma que se enquadra como insumo utilizado na prestação de serviço e gera crédito da contribuição nãocumulativa. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 21 94 /2 00 5- 65 Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Conselheiros Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento integral, e a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negava provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral pela Recorrente Rodrigo Giacomeli Nunes Massud – OAB/SP 257.135. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 1269 a 1301) apresentado em 06 de dezembro de 2011 contra o Acórdão no 0535.045, de 19 de setembro de 2011, da 3ª Turma da DRJ/CPS (fls. 1247 a 1264), cientificado em 14 de novembro de 2011, que, relativamente a declaração de compensação de Cofins dos períodos de junho de 2005, considerou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. GERAÇÃO DE CRÉDITOS. GASTOS NÃO CARACTERIZADOS COMO INSUMOS. IMPOSSIBILIDADE. Não geram créditos no regime da não cumulatividade os dispêndios com bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo definido na legislação. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CATERING. MATERIAIS DE LIMPEZA E HIGIENE. ÁGUA E ESGOTO. GERAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Materiais de Higienização e Limpeza, serviços de água e esgoto são insumos à atividade de fornecimentos de refeições coletivas e portanto, os dispêndios correspondentes são geradores de crédito no regime não cumulativo. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CREDITÓRIO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10875.002194/200565 Acórdão n.º 3302002.064 S3C3T2 Fl. 1.304 3 Verificada a inexistência de saldo de créditos do regime não cumulativo, inteiramente consumido no desconto da contribuição devida no período, não se homologa a compensação que se utilizou de alegada sobra de créditos vinculados a receitas de exportação. Manifestação de Inconformidade Improcedente A declaração de compensação foi transmitida em 27 de julho de 2005 e inicialmente apreciada pelo despacho decisório de fls. 449 a 453. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de Declaração de Compensação apresentada em 27/07/2005, com aproveitamento de crédito de Cofins vinculado às receitas de exportação, apurado na forma do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 e não utilizados na forma do artigo 6º, §1º, da mesma lei. O Serviço de Orientação e Análise Tributária intimou a contribuinte a apresentar a documentação que desse suporte ao procedimento. Após análise, a unidade local emitiu o Despacho Decisório de fls. 99/108 (v III) (as folhas se referem sempre à numeração do arquivo digitalizado), não reconhecendo o direito de crédito aproveitado e, por consequência, não homologando a compensação declarada. O motivo para o não reconhecimento do direito de crédito foi assim explicitado: Em análise mediante conferência dos valores dos Demonstrativos de Apuração dos créditos do DACON (fl. 431 a 448), em confronto com os registros contábeis do Balancete e demonstrativo apresentados, constatamos que algumas despesas lançadas como insumos não geram direito a créditos. Os custos ou despesas relativos a uniformes, material de higiene e limpeza, remoção de lixo, lavanderia e análise laboratorial de comidas, conservação e limpeza feitos pela empresa, em razão da natureza de seu serviço, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados da COFINS por não se enquadrarem no conceito de insumos aplicados, consumidos ou daqueles que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida no processo de fabricação ou na produção de bens destinados à venda. Nos quadros de fl. 106, vIII, a autoridade administrativa ajusta o valor do crédito decorrente dos insumos utilizados, tendo em vista as referidas glosas. Com a redução do valor, o crédito calculado restou inteiramente consumido no desconto da contribuição devida no próprio período de apuração, não havendo sobra de saldo passível de compensação. Notificada da decisão em 08/06/2010, em 08/07/2010 a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 131/205 (vIII), onde alega, em síntese, o que segue. Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Inicialmente, destaca que a questão tratada no presente relacionase àquela objeto do processo 10875.002195/200518 motivando o seu julgamento em conjunto. Entende ser nula a decisão de primeira instância por dela não constar a fundamentação para a glosa de créditos calculados sobre as despesas com água e esgoto e análise laboratorial de comidas. O Despacho Decisório atacado só menciona textualmente as glosas de créditos calculados sobre custos ou despesas relativos a uniformes, material de higiene e limpeza, remoção de lixo, lavanderia, conservação e limpeza. Tais rubricas, somadas, alcançam o montante de R$ 361.280,88, ao passo que as despesas efetivamente glosadas pela Administração foram de R$ 451.182,71. A diferença de R$ 89.901,83, continua a empresa, corresponde aos valores despendidos com água e esgoto e análise laboratorial, cuja glosa não foi mencionada no texto da decisão em foco. A ausência de motivação quanto aos valores glosados, portanto, alega, enseja a nulidade do ato. Na sequência, a interessada detalha suas atividades sociais, a fim de demonstrar que os gastos e despesas glosados pela administração atendem ao conceito de insumo previsto na Instrução Normativa nº 404, de 2004, art. 8º, §4º: Nesse sentido, importa observar que, conforme se verifica do contrato social da Manifestante, suas atividades consistem em: (i) desenvolver e operar cozinhas para fornecimento de refeições para empresas ("catering"), produção, compra e venda de refeições, bebidas e embalagens para o fornecimento de refeições coletivas; (ii) prestar serviços aeroportuários ("handling") conforme os requisitos da atividade de "catering" de aviação, bem como serviços relacionados; (iii) comercializar, importar e exportar produtos relacionados à atividade de "catering", assim como outros negócios a ele relacionados; e (iv) armazenar mercadorias próprias e participar em outras sociedades como acionista ou quotista. Assim sendo, a Manifestante desenvolve, basicamente, duas atividades distintas, uma relacionada à produção de bens destinados à venda e outra relacionada à prestação de serviços aeroportuários "catering" e "handling". O "catering" aéreo é a soma de dois processos distintos de trabalho, e que podem, ou não, se encontrar no final. Um deles, conforme será demonstrado adiante, envolve o material de bordo, geralmente oriundo da própria companhia aérea, e o outro envolve as matériasprimas, normalmente compradas "in natura" para, após passar por um processo de industrialização, transformaremse em serviços de bordo. O objetivo de empresas como da Manifestante é desenvolver e operar cozinhas para fornecimento de refeições para empresas ("catering"); produção, compra e venda de alimentos e bebidas para o fornecimento de refeições coletivas e quaisquer tipos de mercadoria a bordo de aeronaves. Já a segunda atividade, denominada serviços aeroportuários, é identificada no jargão internacional da aviação pelo termo genérico de "handling", designando toda a atividade de apoio às Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10875.002194/200565 Acórdão n.º 3302002.064 S3C3T2 Fl. 1.305 5 aeronaves em trânsito nos aeroportos, particularmente o carregamento e descarregamento dessas aeronaves com alimentos, bebidas e outros materiais de comissaria de bordo, utilizando equipamentos da própria companhia aérea, precipuamente concebidos para esse fim; o deslocamento da cozinha industrial para a aeronave e o seu posterior retorno à empresa, incluindo a limpeza de bens utilizados nessas atividades; isto, sem prejuízo da utilização do termo "handling" para designar outros serviços como a arrumação e estocagem de bens e a incineração dos resíduos alimentares, atividades contratualmente cometidas à Manifestante. No caso particular da Manifestante, o fornecimento de refeições prontas e provisões e a prestação de serviços de "handling" correspondem a atividades autônomas e independentes, desenvolvidas por setores distintos da empresa, que confluem para a consecução do objetivo comum, que é habilitar o avião a decolar. De fato, não há como assimilar, por exemplo, o fornecimento de alimentação (venda) às atividades de prestação de serviços de manuseio e controle de estoques das mercadorias para uso e consumo de bordo, de propriedade das empresas aéreas, por estas entregues à guarda da Manifestante; de refrigeração e armazenagem de bebidas adquiridas por essas empresas; de recebimento, expedição e baixa por avaria ou quebra de materiais. Daí exsurge, de forma bastante clara, a imperiosa necessidade de separar o desenvolvimento dessas duas atividades, requerendo essa separação cuidados que vão desde a utilização de espaços e mão de obra distinta até o seu custeio isolado, de tal forma a evidenciar contabilmente os resultados auferidos numa e noutra atividade. A rigor, o fornecimento (venda) de alimentação abrangeria as atividades de preparo de produtos alimentares, sua higienização adequada conforme normas vigentes da Agência de Vigilância Sanitária Federal, seu acondicionamento em embalagens de apresentação e montagem desses alimentos nos trolleys ou fornos, vale dizer, o preparo e a colocação desses alimentos à disposição da empresa aérea. Por outro lado, a prestação de serviços ("handling") envolve todo um conjunto de normas e práticas relacionadas com bens, equipamentos e materiais da própria empresa aérea, de modo a capacitar a aeronave a levantar voo, incluindo as atividades de higienização de todo material de suporte de um voo até seu destino final, carregamento e descarregamento; realização de estocagem, inventário e controle de tais bens, equipamentos e materiais, inclusive kits farmácias, videos, televisões e fones, destinados ao entretenimento dos passageiros. Desta feita, temse o seguinte: (i) as atividades de compra e administração de insumos, seleção e higienização de alimentos, produção e montagem das refeições ("catering") constituem Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 produção de bens destinados venda — fornecimento de refeições a bordo (inciso I do §4º do artigo 8° da IN SRF nº 404/04), enquanto (ii) as atividades de serviços aeroportuários consistem no transporte, lavagem, montagem, embarque e desembarque de todos os equipamentos de propriedade das companhias aéreas nas aeronaves ("handling") constituem prestação de serviços aeroportuários (inciso II do § 4° do artigo 8º da IN SRF nº 404/04). Segue, nesse sentido, de forma a ilustrar as operações realizadas pela Manifestante e tornar mais fácil a compreensão e visualização das suas atividades, os anexos fluxogramas da linha de produção dos produtos e serviços (doc. 08), acompanhados de detalhamento (book fotográfico) das etapas do processo (doc. 09). Pois bem, os valores glosados pela fiscalização correspondem aos seguintes itens de bens e serviços adquiridos pela Manifestante: (i) material de limpeza e higiene; (ii) uniformes; (iii) lavanderia; (iv) remoção e incineração de lixo; (v) análise laboratorial de comidas; (vi) serviços de conservação e limpeza e (vii) água e esgoto. Trazendo tais bens e serviços adquiridos pela Manifestante para dentro de suas operações e atividades, verificase que estes são efetivamente aplicados e consumidos no processo de produção de bens destinados venda e de prestação de serviços, enquadrandose, pois, ao conceito de insumos para fins de creditamento da COFINS adotado pela D. Autoridade Fiscalizadora. Vejase item a item: Material de limpeza e higiene: Tais bens adquiridos pela Manifestante em jun./2005 e vinculados às receitas de exportação correspondem ao valor total de R$ 76.422,50 (base de cálculo do crédito apurado). O material de higiene e limpeza é utilizado para a sanitização (a) dos alimentos empregados na produção e montagem das refeições fornecidas às companhias aéreas e (b) dos "trolleys" (carrinhos) e respectivos equipamentos, tais como: talheres, pratos, "bowls", xícaras, pires, copos, racks, fornos, bandejas, guardanapos, toalhas, garrafas de bebidas e tudo mais oriundo do retorno dos vôos, de propriedade das companhias aéreas. O material de higiene e limpeza, portanto, é vinculado tanto às atividades de produção dos bens destinados à venda de refeições ("catering"), como às atividades de prestação de serviços aeroportuários ("handling"). Isso se verifica claramente pelo Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10875.002194/200565 Acórdão n.º 3302002.064 S3C3T2 Fl. 1.306 7 book fotográfico acostado à presente Manifestação, onde se constata o processo de higienização tanto dos alimentos destinados à venda como do material das companhias aéreas. Analisando o conceito de insumo trazido pelos incisos I, "a", e II, "a"., ambos do §4º do artigo 8° da IN SRF n.° 404/04, constata se que tais bens, inequivocamente, sofrem alterações, tais como a perda de propriedades físicas ou químicas em função de ação diretamente exercida sobre o produto em aplicação, bem como são aplicados e consumidos na prestação de serviços aeroportuários de "handling", não estando incluídos no ativo imobilizado. Uniformes: Tais bens adquiridos pela Manifestante em jun./2005 e vinculados às receitas de exportação correspondem ao valor total de R$ 25.146,71 (base de cálculo do crédito apurado). Os uniformes são utilizados tanto nas atividades de produção dos bens destinados à venda ("catering") como nas atividades de prestação de serviços aeroportuários ("handling"), mostrandose essenciais para a manipulação de alimentos de modo a evitar a sua contaminação dos alimentos e, no caso da prestação de serviços, fundamentais para permitir o acesso a áreas restritas dos aeroportos, executando a segregação de resíduos e descontaminação dos equipamentos das empresas aéreas. Isso se verifica claramente pelo book fotográfico acostado à presente Manifestação, onde é possível constatar a separação das atividades por tipo e cor de uniforme, os quais são exigidos pela legislação sanitária e aeroportuária sob pena de pesadas multas administrativas. Analisando o conceito de insumo trazido pelos incisos I, "a", e II "a" ambos do § 4º do artigo 8° da IN SRF n.° 404/04, constata se que tais bens, inequivocamente, sofrem alterações, tais como o desgaste e o dano em função de ação diretamente exercida sobre o produto em aplicação, bem como são aplicados e consumidos na prestação de serviços aeroportuários de "handling", não estando incluídos no ativo imobilizado. Aliás, nesse item, cumpre observar que com a edição da Lei n.° 11.898/09, artigos 24 e 25, reconheceuse o direito ao creditamento em relação às despesas com fardamento ou uniformes fornecidos aos empregados, motivo pelo qual não há como limitar ou glosar tal parcela que compõe o crédito aqui discutido, especialmente porque os serviços aeroportuários de "handling" prestados pela Manifestante também abrangem a limpeza, conservação e manutenção dos equipamentos das companhias aéreas, exigindose, para tanto, a devida uniformização dos funcionários e utilização dos EPI's. Lavanderia: Tal serviço adquirido pela Manifestante em jun./2005 e vinculado às receitas de exportação corresponde ao valor total de R$ 28.514,50 (base de cálculo do crédito apurado). O serviço de lavanderia consiste na lavagem, desinfecção, e descontaminação dos equipamentos das empresas aéreas, que são travesseiros, guardanapos, cobertores, mantas, Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 fones de ouvidos expostos a secreções, excreções e outros fluidos orgânicos e higienização dos uniformes dos funcionários da Manifestante, conforme contrato e nota fiscal anexos (doc. 10), sendo relacionado, portanto, tanto às atividades de produção dos bens destinados à venda de refeições ("catering") como às atividades de prestação de serviços aeroportuários ("handling"). Por meio do book fotográfico acostado à presente Manifestação, verificase claramente, por exemplo, a triagem e separação dos diferentes tipos de uniformes para lavagem. Analisando o conceito de insumo trazido pelos incisos I, "b", e II, "b", ambos do § 40 do artigo 8° da IN SRF n.° 404/04, constata se que tal serviço, inequivocamente, é aplicado ou consumido na produção do produto destinado à venda de refeições e na prestação de serviços aeroportuários. Remoção e incineração de lixo: Tal serviço adquirido pela Manifestante em jun/2005 e vinculado as receitas de exportação corresponde ao valor total de R$ 91.870,24 (base de cálculo do crédito apurado). O serviço de remoção e incineração de lixo deve respeitar o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos determinado pela Vigilância Sanitária Federal e consiste na segregação de resíduos, compactação, transporte dos resíduos sólidos coletados dos vôos no interior da aeronave, com destino ao aterro sanitário e posterior incineração, conforme contrato que segue anexo (doc. 11), sendo vinculado, portanto, às atividades de prestação de serviços ("handling"). Cumpre observar que esse lixo não pode ser descartado à coleta regular, seja porque assim não permitem os órgãos sanitários, seja em virtude da vultosa quantidade. Analisando o conceito de insumo trazido pelo inciso II, alínea "b", do § 40 do artigo 8° da IN SRF n.° 404/04, constatase que tal serviço, inequivocamente, é aplicado ou consumido na prestação de serviços. Análise laboratorial de comidas: Tal serviço adquirido pela Manifestante em jun./2005 e vinculado às receitas de exportação corresponde ao valor total de R$ 5.496,50 (base de cálculo do crédito apurado). O serviço de análise laboratorial de comidas é utilizado para a realização de criteriosos testes de qualidade diário das refeições, conforme contrato anexo (doc. 12), exigido tanto pela legislação sanitária de modo a preservar a integridade da saúde pública e do consumidor final, como também por disposições contratuais, sendo vinculado às atividades de produção dos bens destinados à venda ("catering"). Analisando o conceito de insumo trazido pelo inciso I, alínea "b", do § 4° do artigo 8° da IN SRF n.° 404/04, constatase que tal serviço, inequivocamente, é aplicado ou consumido na produção do produto destinado à venda. Serviços de conservação e limpeza: Tais serviços adquiridos pela Manifestante em jun./2005 e vinculados às receitas de exportação correspondem ao montante total de R$ 139.326,93 (base de cálculo do crédito apurado). Os serviços de conservação e limpeza são utilizados para a manutenção da Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10875.002194/200565 Acórdão n.º 3302002.064 S3C3T2 Fl. 1.307 9 higiene e dedetização das áreas internas e externas da Manifestante, conforme contratos anexos (doc. 13 e 14), áreas essas que também sofrem rígidos controles das autoridades sanitárias, inclusive sob pena de interdição do estabelecimento, sendo vinculados tanto às atividades de produção dos bens destinados à venda como às atividades de prestação de serviços. Analisando o conceito de insumo trazido pelos incisos I, "h" e II, "b"., ambos do §4º 4º do artigo 8° da IN SRF n.° 404/04, constatase que tais serviços, inequivocamente, são aplicados ou consumidos na produção do produto destinado à venda e na prestação de serviços aeroportuários. Água e esgoto: Tais serviços adquiridos pela Manifestante em jun./2005 e vinculados às receitas de exportação correspondem ao montante total de R$ 84.405,33 (base de cálculo do crédito apurado). Os serviços de água e esgoto são utilizados para (a) a sanitização dos alimentos empregados na produção e montagem das refeições fornecidas às companhias aéreas, (b) a lavagem dos "trolleys" (carrinhos) e respectivos equipamentos, tais como: talheres, pratos, "bowls", xícaras, pires, copos, racks, fornos, bandejas, guardanapos, toalhas, garrafas de bebidas e tudo mais oriundo do retorno dos vôos, de propriedade das companhias aéreas, (c) lavagem das áreas internas e externas da Manifestante, áreas essas que, como já salientado anteriormente, sofrem rígidos controles das autoridades sanitárias, inclusive sob pena de interdição do estabelecimento, (d) escoamento dos resíduos para a conservação da higienização das atividades realizadas pela Manifestante, sendo tais serviços vinculados tanto às atividades de produção dos bens destinados à venda como às atividades de prestação de serviços. Analisando o conceito de insumo trazido pelos incisos I, "b" e II, "b", ambos do § 4° do artigo 8° da IN SRF n.° 404/04, constata se que tais serviços, inequivocamente, são aplicados ou consumidos na produção do produto destinado à venda e na prestação de serviços aeroportuários. Desse modo, conclui: Desta feita, todos os bens e serviços objeto do presente feito, glosados pela fiscalização tributária da apuração do crédito da COFINS, enquadramse no conceito restritivo de insumo adotado pela D. Autoridade Fazendária com base na literalidade do que dispõe o §4º do artigo 8º da IN SRF nº 404/04, motivo pelo qual não há como sustentar e manter o r. despacho decisório ora combatido, em atenção ao princípio da verdade material. Prosseguindo, a contribuinte discute o conteúdo, a extensão e o alcance do conceito de insumos passíveis de creditamento na sistemática não cumulativa de apuração da Cofins. Desse modo, diz, caso se entenda que os itens utilizados pela Manifestante não se enquadram no conceito de insumos aplicados, consumidos ou daqueles que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 10 em função da ação diretamente exercida no processo de fabricação ou na produção de bens destinados a venda, ainda assim não há que se falar em impossibilidade de creditamento pela COFINS. No contexto, argumenta, em resumo, que a definição de insumo trazida pelo art. 8º, da Instrução Normativa nº 404, de 2004, é restritiva e contrária ao objetivo da sistemática da não cumulatividade, que é justamente o de melhor distribuir a carga tributária ao longo da cadeia produtiva e comercial. A seu ver, o conceito de insumo aplicável ao regime não cumulativo não pode ser o mesmo adotado em relação ao Imposto sobre Produtos Industrializados, fonte de inspiração da IN nº 404, de 2004. No IPI, continua, o método de descontos leva em conta a exação recolhida na etapa anterior; na sistemática da não cumulatividade, o que deve ser considerado no conceito de insumo é sua inerência com a geração da receita que comporá a base de cálculo da contribuição, já que o método empregado pela legislação é o do confronto de base contra base. E conclui: Desta feita, o conceito de insumos na legislação da COFINS compreende a soma de todas as despesas incorridas, necessárias para o desenvolvimento das atividades comerciais do contribuinte, ou seja, essenciais para a geração da receita a ser tributada, não podendo sofrer limitações. Diz a empresa que a própria administração tem oscilado na extensão e alcance do conceito de insumo. Destaca que a Lei nº 11.898/09 reconheceu às empresas do ramo de limpeza, conservação e manutenção, o direito de creditamento em relação às despesas com valetransporte, valerefeição ou vale alimentação e fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados, ou seja, a tendência, cada vez mais, é distanciarse dos conceitos restritivos adotados pela legislação do IPI. Deste modo, os gastos efetuados a título de remoção de lixo, uniformes, lavanderia, análise laboratorial de comidas, material de higiene e limpeza e serviços de conservação e limpeza, água e esgoto, cujos créditos da não cumulatividade não foram admitidos, constituem despesas as quais a empresa, para cumprir suas atividades fins, necessariamente deve suportar e por essa razão enquadramse no conceito de insumo habilitando a geração dos créditos correspondentes. O erro conceitual cometido pelo despacho decisório quanto à extensão do conceito de insumo, uma vez superado, requer a verificação da verdade material quanto aos créditos da não cumulatividade gerados pelas citadas despesas, sendo medida necessária a conversão do julgamento em diligência com esse fim; o profissional indicado pela contribuinte para acompanhar o procedimento está qualificado ao fim da manifestação de inconformidade, assim como os quesitos a serem respondidos. O acórdão, embora tenha considerado improcedente a manifestação de inconformidade, reconheceu o direito ao crédito em relação a “gastos com Água e Esgoto e Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10875.002194/200565 Acórdão n.º 3302002.064 S3C3T2 Fl. 1.308 11 Materiais de Limpeza e Higiene”, que foi absorvido pelo débito apurado, conforme demonstrativo constante das fls. 17 e 18 do acórdão (fls. 1263 e 1264 do eprocesso). No recurso, a Interessada repetiu argumentos da manifestação e, especificamente, defendeu o direito a crédito em relação aos uniformes, aos gastos com lavanderia, à remoção e incineração do lixo, à análise laboratorial de comidas e aos serviços de conservação de limpeza. Sugeriu, em seguida, a conversão do julgamento do recurso em diligência, pelas seguintes razões: Assim sendo, na eventualidade de não se entender suficientemente comprovado o enquadramento dos custos e despesas glosados pela fiscalização ao conceito de insumo passível de creditamento, mesmo após a exaustiva demonstração das operações e atividades desenvolvidas pela Recorrente, com a análise, item a item, da aplicação/consumo dos serviços e alterações dos bens no processo de produção e prestação de serviços, é de rigor a conversão do julgamento em diligência por esse E. Tribunal. A seguir, tratou também de uma eventual perícia técnica, que versaria sobre a vinculação dos gastos com os serviços prestados, indicando o perito e os quesitos. Por fim, tratou do alcance do conceito de insumo, segundo entendimento doutrinário e jurisprudencial. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Conforme esclarecido no relatório, restaram no litígio as glosas dos seguintes gastos: uniformes, lavanderia, remoção e incineração de lixo, análise laboratorial de comidas e serviços de conservação e limpeza. A Interessada requereu realização de diligência ou perícia, argumentando que seriam necessárias caso não se considerassem devidamente demonstradas suas alegações. Entretanto, as alegações e os fundamentos que orientam a análise do recurso são de natureza legal e fatual e não dependem necessariamente de provas para serem analisados. No presente caso, está suficientemente demonstrada a situação fática, que diz respeito aos serviços prestados pela Interessada e os custos e despesas neles incorridos. Entretanto, a questão de como a lei trata custos e despesas como insumos é de outra natureza e a convicção de cada Conselheiro não pode ser afastada por opiniões de peritos sobre fatos conhecidos. Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 12 Diante do exposto, não há razão idônea para realização de diligência ou de perícia, devendo o recurso ser julgado. Antes de iniciar o exame do mérito, destaquese, quanto às questões constitucionais, a aplicação ao presente caso dos seguintes dispositivos do Regimento Interno do Carf (Ricarf, anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, com as alterações da Portaria MF n. 446, de 2009): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ademais, aplicase também a Súmula Carf n. 2 (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009): Súmula Carf no 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, deve ser aplicada ao caso dos autos a lei em sua integralidade. As leis que tratam de PIS e Cofins não cumulativos trazem diversas exclusões específicas e, genericamente, no art. 3º, II, tratam dos insumos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10875.002194/200565 Acórdão n.º 3302002.064 S3C3T2 Fl. 1.309 13 [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Referido dispositivo referese a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produtos destinados a vendas. Dentro desse conceito é que se tentam enquadrar os mais variados custos e despesas incorridos pela empresa produtora para o fim de creditamento das contribuições não cumulativas. Entretanto, é preciso ter em conta que, de um lado, tal conceito não se confunde com o de insumo de IPI, restrito a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. De outro, não é qualquer bem ou serviço adquirido que gera direito de crédito. No caso do IPI, o aproveitamento de créditos ficou restrito aos insumos classificados como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. Matériaprima é o insumo que dá origem ao produto; produto intermediário, um produto obtido ou consumido no curso do processo de fabricação; material de embalagem, aquele utilizado no acondicionamento do produto. Enquanto que, relativamente ao material de embalagem, a única controvérsia resumese à diferenciação do Ripi entre embalagens para transporte e de apresentação, em relação aos produtos intermediários é que se formou uma grande discussão. Como o Regulamento dispõe que, para ser considerado produto intermediário, não precisa haver incorporação do bem ao produto acabado, desde que o bem também não se destine ao ativo permanente, abriuse margem à interpretação de que seriam essas as únicas condições para caracterização do conceito. Entretanto, a Receita Federal emitiu o entendimento, pelo Parecer CST n. 65, de 1979, de que seria necessário o consumo imediato e direto do insumo em contato com o produto fabricado. Nesse contexto, importa ressaltar que o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (Resp nº 1.075.508) decidiu que os materiais que são consumidos no processo industrial, ainda que não integrem o produto final, geram direito ao crédito presumido de IPI, nos seguintes termos: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 14 IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’.. 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (destaquei) Em seu voto, o Ministro relator destacou o seguinte: [...] Dessumese da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram ao produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. [...] In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10875.002194/200565 Acórdão n.º 3302002.064 S3C3T2 Fl. 1.310 15 componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. [...] Conforme esclarecido acima, somente geram direito a crédito de IPI os insumos que além de não se destinarem ao ativo permanente ou se incorporem ao produto fabricado ou cujo desgaste ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização. Portanto, para o IPI o critério para definição de insumo (mais restrito) é do consumo do bem no processo de produção. Tratandose de PIS e Cofins, no entanto, a condição expressamente prevista na lei é de que o bem ou serviço seja “utilizado” na prestação de serviços ou na produção e fabricação de produtos. Portanto, embora insumo seja genericamente qualquer elemento necessário para produzir mercadorias ou serviços, a lei exige que, para gerar crédito, ele seja utilizado na produção ou fabricação. Não é necessário seu consumo direto e imediato, como no caso do IPI. Entretanto, tal disposição, singela e bastante clara, restringe drasticamente as pretensões de interpretar a disposição legal citada como referente a todo e qualquer insumo de produção. A primeira conclusão é elementar: custos e despesas posteriores à produção ou à prestação de serviços não geram direito de crédito com base no dispositivo. Assim, somente os casos previstos em outros incisos específicos do citado artigo geram crédito, quando não enquadrados no conceito de insumo utilizado na produção. Além disso, o critério adotado pela lei para que uma despesa gere crédito não é a circunstância de se tratar de despesa necessária, imprescindível ou obrigatória para a obtenção do produto, que, para o caso, é irrelevante. Por fim, a legislação permite, ao contrário do IPI, o creditamento relativo aos encargos de depreciação e amortização, que representam, indiretamente, o creditamento diferido do ativo imobilizado (entretanto, tal creditamento também sofre restrições, a começar pela de que somente os bens adquiridos a partir de 1º de maio de 2004 podem gerar os créditos). Em linhas gerais, essas são as regras que devem orientar a análise do direito de crédito de PIS e Cofins não cumulativos. Nesse contexto é que devem ser examinados os gastos que a Interessada defendeu gerarem créditos. No caso de uniformes, o inciso X do artigo citado estabeleceu que além do valetransporte, valerefeição ou alimentação e fardamento , as empresas de “de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção” têm o direito de descontar créditos relativos aos respectivos gastos, a partir da Lei nº 11.198, de 8 de janeiro de 2009. Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 16 Por conseguinte, em relação aos serviços, somente haveria o direito a partir de 2009 e se trata de uma exceção específica à regra geral, o que já faz supor que uniformes não geram, em regra, direito a crédito. E, de fato, não poderiam gerar, uma vez que não são bens utilizados como insumos na prestação de serviço ou na fabricação de produtos, pois dos uniformes não resultam os serviços prestados nem os produtos vendidos. Eles são indispensáveis, é claro, mas, como já argumentado anteriormente, não foi o critério da obrigatoriedade que norteou a definição em questão. Da mesma forma, gastos com lavanderia, remoção e incineração de lixo e serviços de conservação e limpeza não se enquadram na definição contida no dispositivo. Ademais, as duas últimas despesas são realizadas posteriormente à prestação do serviço. Tratase de despesas periféricas à prestação de serviço e que, assim, não geram crédito, uma vez que os produtos e serviços não são utilizados na prestação de serviço em si. Quanto à análise laboratorial de comidas, primeiramente aplicase a mesma conclusão quanto a se tratar de uma despesa obrigatório ou necessária. Entretanto, a análise é efetuada em relação aos produtos que serão empregados na prestação de serviço ou produtos destinados a venda e o seu resultado incluise, também, no serviço prestado, pois é por meio dele que ocorre o controle da qualidade do serviço. Nesse contexto, é um serviço que representa insumo intangível (controle de qualidade), que se incorpora ao produto fornecido. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer que os gastos com análise laboratorial de comidas geram direito de crédito. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 12259.000160/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância.
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. ART. 173, I, DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias.
Recursos de Ofício Negado e Voluntário não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-003.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade e negar provimento ao recurso de ofício.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. ART. 173, I, DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. Recursos de Ofício Negado e Voluntário não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade e negar provimento ao recurso de ofício. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 01 60 /2 00 8- 71 Fl. 844DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 845DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12259.000160/200871 Acórdão n.º 2402003.384 S2C4T2 Fl. 845 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário e de ofício interpostos, respectivamente, por ESSENCE CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA e FAZENDA NACIONAL, em face do acórdão que manteve em parte o NLFD n. 37.126.6157, lavrado para a cobrança de contribuições sociais previdenciárias parte da empresa, destinadas a terceiros, ao financiamento do GILRAT e ao financiamento da aposentadoria especial, incidentes sobre os valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. Consta do relatório fiscal que o lançamento baseouse em informações constantes em folha de pagamentos, GFIP e escrituração contábil e foram considerados como fatos geradores das contribuições, as parcelas pagas aos segurados e contribuintes individuais a título de valetransporte e valerefeição em pecúnia, pagamentos efetuados a contribuintes individuais, prestadores de serviços e sócios (prólabore) que não constavam em folha de pagamento. O lançamento compreende o período de 11/1998 a 12/2002, tendo sido o contribuinte cientificado em 27/11/2007 (fls. 632). O v. acórdão de primeira instância declarou extinto pela decadência, com base no art. 150, 4o do CTN, as competência lançadas até 11/2002, motivo pelo qual fora interposto recurso de ofício. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 786), a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que não devem incidir as contribuições sociais sobre a rubrica valetransporte em dinheiro Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Ao que se depreende dos autos, o recorrente foi intimado do v. acórdão recorrido em 27/05/2010, quintafeira, conforme AR de fls. 823, tendo apresentado o seu recurso voluntário somente em 29/06/2010 (carimbo de protocolo às fls. 824). Restou, portanto, extrapolado o prazo legal de 30 (trinta) dias para sua interposição. Ante todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. Todavia, no que se refere ao Recurso de Ofício, este merece conhecimento, tendo em vista que o valor do crédito tributário exonerado em favor do contribuinte pelo v. acórdão recorrido supera o limite de R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais) Sendo assim, a única matéria objeto de apreciação no presente julgamento é a aplicação da decadência pelo v. acórdão de primeira instância. Ao que se depreende, se duas conclusões, verificase que de acordo com a Súmula n. 08/STF, foi aplicado ao caso o art. 150, 4o do CTN, tendo em vista que no presente caso foram apropriados recolhimentos parciais efetuados pelo contribuinte conforme se percebe da própria narrativa do relatório fiscal da notificação, que possui tópico específico a demonstrar a existência de recolhimentos parciais (fls.618 e 624). Tal entendimento está em consonância com os julgados desta Eg. Turma. Ante todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO E NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 847DF CARF MF Impresso em 22/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
