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Numero do processo: 10880.923793/2009-79
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2000
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Charles Pereira Nunes, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2000 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Charles Pereira Nunes, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 37 93 /2 00 9- 79 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.923793/200979 Acórdão n.º 3801001.975 S3TE01 Fl. 108 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: O processo em exame deve sua origem à declaração de compensação anexa às fls. 1/2, transmitida eletronicamente pela empresa Santos Brasil S/A com o propósito de compensar débito próprio com suposto crédito de Cofins oriundo de pagamento indevido ou a maior que teria realizado em 15/12/2000. A unidade jurisdicionante do sujeito passivo, em despacho decisório eletrônico proferido na fl. 3, negou homologação à compensação declarada por não haver crédito disponível, esclarecendo que o pagamento indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos da empresa. Inconformada, a contribuinte apresentou de forma tempestiva a manifestação de inconformidade anexa às fls. 7/19, na qual alega em síntese que: a.a interposição do recurso em apreço suspende a exigibilidade do crédito tributário a que alude o despacho decisório atacado, consoante dispõe o art. 151, III, do CTN; b.a RFB entendeu não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP porque não reconheceu o crédito declarado pela empresa em DCTF retificadora (vejase cópia em anexo); c.não protocolou o PER/DCOMP na data de vencimento do tributo porque ainda não haviam sido disponibilizados o programa e as respectivas instruções de preenchimento, o que só viria a ocorrer mais tarde, com a edição da IN SRF n° 320, de 11/04/2003; d.além disso, não havia à época determinação legal para enviar o PER/DCOMP na referida data de vencimento, o que — em face dos princípios da proporcionalidade e da moralidade, aos quais se subordina a Administração Pública — afasta a possibilidade de exigir da empresa multa e juros; e.em suma, não tendo havido nenhuma lesão aos cofres federais, a eventual exigência de multa e juros de mora por mero erro formal acarretaria o enriquecimento ilícito da Fazenda Pública; f.a revelarse insuficiente a argumentação acima, resta assinalar que houve extinção do crédito tributário via compensação sem nenhum conhecimento ou ação do Fisco Federal, o que configura denúncia espontânea — situação que, nos termos do art. 138 do CTN, exime a requerente da multa moratória, Fl. 108DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.923793/200979 Acórdão n.º 3801001.975 S3TE01 Fl. 109 3 consoante atestam a jurisprudência e a doutrina que ora traz à colação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), às fls. 73/77, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS' Anocalendário: 2000 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA Incumbe ao sujeito passivo, na forma da legislação em vigor, demonstrar por meio de documentação contábil idônea a existência do direito creditório informado em declaração de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 80 a 100, no qual, reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação. É o Relatório. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.923793/200979 Acórdão n.º 3801001.975 S3TE01 Fl. 110 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da Contribuição para a COFINS, referente ao mês de novembro/2000, que teria sido paga a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da DCTF do 4° trimestre/2000, conforme cópia às fls. 68/69. O direito creditório não existiria, segundo o acórdão de primeira instância e o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, devendo ser considerada como elemento de prova a DCTF retificadora mesmo apresentada a destempo, aliada aos demais documentos comprobatórios. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito, ressalvada a uma planilha demonstrativa à fl 70. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões Conforme já salientado, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.923793/200979 Acórdão n.º 3801001.975 S3TE01 Fl. 111 5 Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Em relação à alegação de que não é devida a multa de mora na cobrança dos débitos indevidamente compensados, igualmente não assiste razão à recorrente. A IN SRF 460/2005, vigente à época, que disciplina o procedimento de compensação, previa no seu art. 30 que o tributo ou contribuição objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. O art. 61 da Lei 9.430/1996, por sua vez, dispõe que os débitos não recolhidos no vencimento estão sujeitos à incidência da multa moratória. Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Consoante entendimento da Administração Tributária, a multa moratória destinase a compensar o sujeito ativo pelo atraso no pagamento do que lhe era devido e não tem sua aplicação excluída pela denúncia espontânea, sendo exigida sempre que o pagamento do tributo for efetuado espontaneamente, mas fora do prazo previsto na legislação específica. Não obstante a discussão travada nos Tribunais judiciais e órgãos julgadores administrativos sobre o alcance do art. 138 do CTN e o entendimento de alguns doutrinadores de que a denuncia espontânea exclui a aplicação de qualquer multa, inclusive a moratória, que teria natureza punitiva e não indenizatória ou compensatória, no caso em tela tratamse de débitos já declarados pelo contribuinte, e não recolhidos, ou seja, o Fisco já tinha conhecimento do fato gerador, por intermédio da declaração efetuada pelo sujeito passivo, estando o contribuinte, portanto, sujeito ao pagamento da multa moratória prevista no art. 61 da Lei 9.430/1996. Esse entendimento que é adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, inclusive, deu ensejo à publicação da Súmula STJ 360: Súmula 360 do STJ O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 111DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.923793/200979 Acórdão n.º 3801001.975 S3TE01 Fl. 112 6 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
score : 1.0
Numero do processo: 13896.001969/2010-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado.
DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
O Recurso Voluntário da qual o interessado desiste expressamente não será conhecido.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2301-003.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos; b) acolhidos os embargos, em não conhecer do recurso, devido à desistência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva (relator) e Marcelo Oliveira (presidente).
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. O Recurso Voluntário da qual o interessado desiste expressamente não será conhecido. Embargos Acolhidos.
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Numero do processo: 13502.001327/2007-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1401-000.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias
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Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva– Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .0 01 32 7/ 20 07 -7 4 Fl. 674DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13502.001327/200774 Resolução nº 1401000.221 S1C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 1517.469, proferido pela Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA, que, por unanimidade de votos, houve por bem decidir o caso da seguinte forma: PROCEDENTES as parcelas impugnadas dos lançamentos relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, mantendo o valor de R$33.968.076,02 (trinta e três milhões, novecentos e sessenta e oito mil, setenta e seis reais e dois centavos); e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL (reflexa), mantendo o valor de R$12.140.823,96 (doze milhões, cento e quarenta mil, oitocentos e vinte e três reais e noventa e seis centavos); bem como os lançamentos relativos à Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, mantendo o valor de R$2.209.673,01 (dois milhões, duzentos e nove mil, seiscentos e setenta e três reais e um centavo); à Multa Isolada pela Falta de Recolhimento do IRPJ por Estimativa, mantendo o valor de R$18.360.239,32 (dezoito milhões, trezentos e sessenta mil, duzentos e trinta e nove reais e trinta e dois centavos); e à Multa Isolada pela Falta de Recolhimento da CSLL por Estimativa, mantendo o valor de R$6.766.615,99 (seis milhões, setecentos e sessenta e seis mil, seiscentos e quinze reais e noventa e nove centavos); e PARCIALMENTE PROCEDENTES o lançamento relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, mantendo o valor de R$9.173.843,21 (nove milhões, cento e setenta e três mil, oitocentos e quarenta e três reais e vinte e um centavos); e a parcela impugnada do lançamento relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL (não reflexa), mantendo o valor de R$428.427,92 (quatrocentos e vinte e oito mil, quatrocentos e vinte e sete reais e noventa e dois centavos), todos, com exceção das Multas Isoladas, acrescidos da multa de oficio e dos juros de mora, prosseguindose, também, na cobrança das parcelas não impugnadas do crédito tributário, ressalvados os recolhimentos consoante DARF de fls. 03 a 08 do anexo VIII (Auto do IRPJ) e de fls. 379, 380, 382, 383, 384, 385, 387 e 388 (Auto da CSLL não reflexa), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Por descrever os fatos com a riqueza de detalhes necessária para a compreensão da controvérsia, adoto e transcrevo o relatório elaborado pela DRJ: Trata o processo em questão de Autos de Infração, de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, às fls. 06 a 14 e 48 a 56, relativo aos anoscalendário de 2003 a 2006, no valor de R$34.861.480,82 (trinta e quatro milhões, oitocentos e sessenta e um mil, quatrocentos e oitenta reais e oitenta e dois centavos), além da Multa Isolada pela falta de recolhimento das estimativas do IRPJ, relativa aos meses de janeiro a março, maio a julho e setembro a novembro de 2003, janeiro a junho, agosto, setembro e novembro de 2004, janeiro, fevereiro, abril a julho e setembro a dezembro de 2005, janeiro a abril e junho a dezembro de 2006, no valor de R$18.360.239,32 (dezoito milhões, trezentos e sessenta mil, duzentos e trinta e nove reais e trinta e dois centavos); dos lançamentos reflexos: de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, às fls. 57 a 67, relativa aos anoscalendário de 2003 a 2006, no valor de R$13.410.967,93 (treze milhões, quatrocentos e dez mil, novecentos e sessenta e sete reais e noventa e três centavos); de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às fls. 68 a 81, relativa aos meses de abril a agosto de 2003 (incidência cumulativa), Fl. 675DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13502.001327/200774 Resolução nº 1401000.221 S1C4T1 Fl. 4 3 março a dezembro de 2004 e janeiro a dezembro de 2005 e 2006 (incidência não cumulativa), no valor de R$9.570.176,86 (nove milhões, quinhentos e setenta mil, cento e setenta e seis reais e oitenta e seis centavos); e de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (incidência nãocumulativa), às fls. 82 a 92, relativa aos meses de abril a agosto de 2003, março a dezembro de 2004 e janeiro a dezembro de 2005 e 2006, no valor de R$2.209.673,01 (dois milhões, duzentos e nove mil, seiscentos e setenta e três reais e um centavo); e outro, independente, de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, às fls. 245 a 250 e 277 a 283, relativa aos anoscalendário de 2002 e 2003, no valor de R$1.128.860,33 (um milhão, cento e vinte e oito mil, oitocentos e sessenta reais e noventa e três centavos), além da Multa Isolada pela falta de recolhimento das estimativas da CSLL, relativa aos meses de janeiro a março, junho a novembro de 2003, janeiro a dezembro de 2004, janeiro, abril a julho e setembro a dezembro de 2005, janeiro, março, abril e junho a dezembro de 2006, no valor de R$6.766.615,99 (seis milhões, setecentos e sessenta e seis mil, seiscentos e quinze reais e noventa e nove centavos), todos, com exceção das multas isoladas, acrescidos da multa de oficio e dos juros de mora. O Auto de Infração de IRPJ foi proveniente de: 1) encargos financeiros tidos como desnecessários e, portanto, indedutíveis, nos anoscalendário de 2003 e 2004, conforme Termo de Verificação Fiscal — IRPJ e Reflexos, em anexo. O enquadramento legal aponta: arts. 249, 277, inciso I, 251 e parágrafo único, 299, 300, 374 e 377 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). 2) contabilização indevida, como subvenções para investimento, de valores relativos a subvenções correntes para custeio ou operação recebidas nos anoscalendário de 2003 e 2006, gerando redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme Termo de Verificação Fiscal IRPJ e Reflexos, em anexo. O enquadramento legal aponta: arts. 247, 248, 251 e parágrafo único, 277 e 392, inciso I, do RIR11999. 3) multa isolada decorrente de insuficiência de pagamento do imposto de renda por estimativa, relativa aos meses de janeiro a março, maio a julho e setembro a novembro de 2003, janeiro a junho, agosto, setembro e novembro de 2004, janeiro, fevereiro, abril a julho e setembro a dezembro de 2005, janeiro a abril e junho a dezembro de 2006, conforme Termo de Verificação Fiscal IRPJ e Reflexos, em anexo. O enquadramento legal aponta: arts. 222 e 843 do RIR11999, combinados com o art. 44, § 1°, inciso IV, da Lei n° 9.430, de 1996, alterado pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351, de 2007, combinados com o art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei n° 5.172, de 1966. O Auto de Infração de CSLL (não decorrente do IRPJ) foi proveniente de: 1) falta de adição ao lucro líquido, para determinação da base de cálculo da CSLL, da provisão com tributos com exigibilidade suspensa, nos anoscalendário de 2002 e 2003, conforme Termo de Verificação Fiscal CSLL, em anexo. O enquadramento legal aponta: art. 2° e §§ da Lei n° 7.689, de 1988; arts. 13, I, e 19 da Lei n° 9.249, de 1995; art. 28 da Lei n° 9.430, de 1996; art. 6° da Medida Provisória n° 1.858, de 1999; e art. 37 da Lei n° 10.637, de 2002. 2) multa isolada decorrente de insuficiência de pagamento da contribuição social por estimativa, relativa aos meses de janeiro a março, junho a novembro de 2003, janeiro a dezembro de 2004, janeiro, abril a julho e setembro a dezembro de 2005, janeiro, março, abril e junho a dezembro de 2006, conforme Termo de Verificação Fiscal CSLL, em anexo. O Fl. 676DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13502.001327/200774 Resolução nº 1401000.221 S1C4T1 Fl. 5 4 enquadramento legal aponta: arts. 222 e 843 do RIR11999, combinados com o art. 44, § 1°, inciso IV, da Lei n° 9.430, de 1996, alterado pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351, de 2007, combinados com o art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei n° 5.172, de 1966. Os demais Autos de Infração, relativos à CSLL, à COFINS e ao PIS, decorreram do Auto de Infração do IRPJ. No caso da CSLL, decorrente dos itens 1 e 2, o enquadramento legal aponta: art. 2° e §§ da Lei n° 7.689, de 1988; art. 13 da Lei n° 9.249, de 1995; art. 1° da Lei n° 9.316, de 1996; art. 28 da Lei n° 9.430, de 1996; e art. 37 da Lei n° 10.637, de 2002. A COFINS, decorrente do item 2 do Auto de IRPJ, tem como enquadramento legal: arts. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524, de 2002; e arts. 1°, 3° e 5° da Lei n° 10.833, de 2003. Quanto ao PIS, também decorrente do item 2 do Auto de IRPJ, o enquadramento legal aponta: arts. 1°, 3° e 4° da Lei n° 10.637, de 2002. No Termo de Verificação Fiscal IRPJ e Reflexos, às fls. 15 a 47, o Autuante declara, em síntese, que: DESPESAS COM ENCARGOS FINANCEIROS (INDEDUTÍVEIS) o contribuinte é parte de um grupo empresarial controlado pela Monsanto Company, com sede nos Estados Unidos. No Brasil, o grupo possui duas empresas: a Monsanto Nordeste S/A e a Monsanto do Brasil Ltda., localizada em São Paulo, que controla a Monsanto Nordeste, detendo 100% das ações preferenciais e 60% das ações ordinárias. A unidade de Camaçari produz matériaprima para a fabricação de herbicidas, vendendo toda a produção para as unidades do grupo localizadas em São Paulo e no exterior (Bélgica e Argentina). No Brasil, o grupo Monsanto optou por administrar suas unidades de forma centralizada, concentrando as atividades administrativas, financeiras e contábeis em São Paulo; de 2003 a 2005, a Monsanto Nordeste escriturou despesas com juros e correção monetária, reconhecendo como devidas à Monsanto do Brasil e lançandoas na conta "51020000 despesas de juros sobre mútuo". Intimada a justificar tais lançamentos, a fiscalizada respondeu que esses valores não seriam decorrentes de contratos de mútuo, e sim de duas espécies de operações: (1) remuneração de debêntures por ela emitidas em vista do benefício que recebe do FINOR; e (2) juros e correção monetária sobre adiantamentos para compra futura de produtos feita pela Monsanto do Brasil. Esclareceu que não existe contrato entre as partes e apresentou planilha demonstrativa da apuração dos juros e correção monetária. O índice para calcular a correção monetária foi o IGPM, além de juros de 1% ao mês. A base de cálculo para apuração dos valores é o saldo final em cada mês escriturado na conta "22102123 — MOBRAS conta corrente mercantil". O saldo final de janeiro, por exemplo, é a base para o lançamento dos encargos no último dia de fevereiro; como dito anteriormente, a Monsanto Nordeste (doravante chamada MONESA) vende seus produtos somente para as coligadas, no Brasil, a Monsanto do Brasil (doravante chamada MOBRAS), e no exterior. Da análise da contabilidade, observase a forma de registro contábil das seguintes operações (explica cada lançamento): a MONESA vende para a MOBRAS; a MONESA vende para o exterior; a MOBRAS fornece recursos à MONESA para pagamento das despesas mensais; o pagamento dessas despesas; o encontro de contas entre os valores a receber e os devidos à MOBRAS; o recebimento das vendas para o exterior; o lançamento das despesas com juros e correção monetária. Parte dessas despesas com encargos financeiros carece dos requisitos previstos na legislação do imposto de renda para ser considerada como dedutível, conforme exposto abaixo; Fl. 677DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13502.001327/200774 Resolução nº 1401000.221 S1C4T1 Fl. 6 5 no modelo de administração escolhido, a MOBRAS detém o controle dos recursos financeiros da MONESA, repassandoos a esta na medida de suas necessidades. Tais repasses ocorrem várias vezes ao mês. Assim, a MONESA efetua a sua industrialização, vende seus produtos, mas não recebe por essas vendas de imediato, ficando com crédito perante sua controladora e suas coligadas no exterior. A MOBRAS, por sua vez, empresta recursos à controlada, recebendo desta juros e correção monetária, e efetua um encontro de contas dos valores ao final de cada mês. Ao analisarmos os saldos das contas 11600001 e 22102123, vemos que esse encontro de contas não é feito pelo total dos créditos da MONESA perante a MOBRAS, pois sempre resta saldo na conta 11600001. Isso faz com que a base de cálculo dos encargos seja aumentada e, conseqüentemente, os encargos financeiros devidos a cada mês; consoante a legislação do imposto de renda, não há que se contemplar como dedutível qualquer despesa contabilizada, mas somente aquelas que, sendo operacional, estejam revestidas dos predicados de necessidade, usualidade e normalidade, que guardem relação com a atividade da empresa e com a manutenção da respectiva fonte produtora, nos termos dos artigos 377, 277, 374 e 299 do RIR/1999 (transcreve). As despesas com financiamento de capital de giro se caracterizam como necessárias e, assim, dedutíveis. Porém, para isso, é preciso que esteja demonstrado se tratarem de gastos essenciais à exploração das atividades vinculadas às fontes produtoras dos rendimentos. Não é isso que revelam os fatos examinados; com efeito, a MONESA mantinha créditos junto à sua controladora (a MOBRAS), ao passo que possuía débitos junto a esta mesma empresa, sobre cujos valores incidiram juros e correção monetária. Assim, os recursos da fiscalizada foram postos à disposição de uma empresa, sem estarem sendo aplicados na atividade produtiva. Por outro lado, à falta de seu capital próprio, tomou recursos com essa mesma empresa, sujeitandose a encargos que lhe oneraram o resultado da atividade. Esse procedimento prejudica a admissibilidade da necessidade desses dispêndios para a manutenção da atividade produtora. Tal liberalidade produziu encargos desnecessários, na proporção do capital mantido em poder da controladora, de forma favorecida e graciosa, ou seja, gerou despesas não essenciais à obtenção de seus rendimentos operacionais. essa situação revela liberalidade, pois, se não houvesse ligação entre as empresas, esse tratamento não seria verificado. Quem se sujeitaria a tomar recursos de terceiro (com custo financeiro) para suprir a falta de capital de giro, caso esse terceiro fosse seu devedor? Ora, se uma empresa mantém créditos junto a outras empresas, supõese que ela não necessite de recursos externos para desenvolver suas atividades, ainda mais considerando que esses recursos fossem corrigidos por índice tão expressivo como o IGPM, somado a uma taxa fixa de 1% ao mês. Tal situação se mostra ainda mais esdrúxula se considerarmos que a MONESA tem como clientes a sua controladora e coligadas, e estas têm na MONESA sua única fornecedora de matériaprima. A MONESA tem um mercado cativo, não precisando se preocupar com concorrentes nem oferecer condições de venda mais favoráveis. Dessa forma, a assunção de encargos financeiros além do necessário demonstra liberalidade da empresa, tipificando melhorar o resultado de uma empresa em detrimento do resultado da outra; a análise do demonstrativo de contas a pagar e a receber deixa claro este favorecimento por parte da MONESA. A empresa apropriou despesas com juros e correção monetária no período de novembro de 2001 a agosto de 2005. A partir de março de 2004, com exceção do mês de novembro, o saldo credor junto à MOBRAS é superior ao saldo devedor, o que não impediu que a MONESA continuasse a lançar despesas com juros e correção Fl. 678DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13502.001327/200774 Resolução nº 1401000.221 S1C4T1 Fl. 7 6 monetária sobre o saldo devedor. Isso demonstra a extrema liberalidade com que a MONESA tratou o seu conta corrente com a MOBRAS, além do prejuízo causado ao seu resultado tributável. Em vista do exposto, as despesas decorrentes dos saldos a receber não aproveitados no cálculo dos encargos são consideradas não dedutíveis, por não atenderem os critérios de necessidade e usualidade. Para fins de quantificação, foi elaborado o demonstrativo de apuração dos valores a pagar e a receber da MONESA, além da apuração dos encargos financeiros devidos e glosados, anexos a este Termo, os quais detalham os saldos a pagar e a receber, bem como os juros e correção monetária devidos sobre o saldo devedor, após o encontro de contas entre os saldos integrais das contas ativas e passivas; OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS — SUBVENÇÕES o contribuinte é beneficiário de subvenção fiscal concedida pelo Governo da Bahia, materializada na forma de redução do ICMS devido e tem o nome de Programa de Desenvolvimento Industrial e Integração Econômica do Estado da Bahia DESENVOLVE. Foi criado pela Lei Estadual n° 7.980/2001 e é regulado pelo Decreto n° 8.205/2002, posteriormente alterado pelo Decreto n° 8.435/2003. Em seguida, destaca os incentivos oferecidos pelo programa e os benefícios que foram autorizados quando da habilitação da fiscalizada, através da Resolução n° 03/2002. Conforme demonstrativos apresentados em resposta à intimação n° 002, o contribuinte usufruiu o benefício da seguinte forma: 1) a empresa apura o ICMS devido no período e recolhe 10% desse valor. O restante (90%) é lançado à conta de ICMS diferido (22101010); 2) após um ano, o contribuinte paga 10% do ICMS diferido. Os 90% restantes correspondem ao desconto oferecido pelo Governo da Bahia através do DESENVOLVE. Esse valor é transferido para conta de reserva (patrimônio líquido). O contribuinte informou também que os valores foram contabilizados como subvenção para investimento, em conta de reserva, no patrimônio líquido, seguindo orientação dos Pareceres Normativos emitidos pela Secretaria da Receita Federal; o entendimento do contribuinte contraria a definição de subvenção para investimento contida no Parecer Normativo CST if 112/78 (transcreve os itens 2.11, 2.12, 3.6 e 3.7 do citado parecer). Os dispositivos referidos exigem, para que as subvenções se caracterizem como de investimento, que haja a clara manifestação do subvencionador de que os recursos sejam aplicados em investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado e que eles efetivamente o sejam. O beneficio concedido pelo Estado da Bahia não obriga a vinculação dos valores subvencionados com sua efetiva e específica aplicação na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Com efeito, o auxílio obtido com o desconto evidencia um não desembolso financeiro, o qual passa a integrar o giro do negocio, podendo ser utilizado pela empresa como bem lhe convier. Analisando a Lei que criou o incentivo, observase que existem algumas exigências (destaca os arts. 3° e 8° da Lei n° 7.980/2001), mas nenhuma delas cria vinculação entre o valor subvencionado e sua aplicação específica, o mesmo acontecendo quanto ao decreto regulador. Tais dispositivos também não obrigam que os recursos sejam escriturados em conta de Patrimônio Líquido nem disciplinam a forma de sua utilização; pelo exposto, fica claro que tal beneficio se enquadra no conceito de subvenção para custeio ou operação, não de subvenção para investimento. O art. 392 do RIR/1999 dispõe que serão computadas na determinação do lucro operacional as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. A SRRF na 5ª Região, através da Solução de Consulta SRRF/5aRF/DISIT n° 02/2004, concluiu que o referido beneficio não se enquadra como Fl. 679DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13502.001327/200774 Resolução nº 1401000.221 S1C4T1 Fl. 8 7 subvenção para investimento, devendo ser computado na determinação do lucro real, conforme esclarece o PN CST n° 112/78; o contribuinte foi intimado e apresentou os demonstrativos de apuração do beneficio fiscal, dos quais foi extraído o demonstrativo de apuração das receitas do DESENVOLVE. O contribuinte apresentou também as contas do Razão em que tais valores foram escriturados. Foi necessário então definir o momento da ocorrência do fato gerador. Este se dá no momento em que o contribuinte, ao seu critério, antecipa o pagamento e obtém o desconto correspondente. No caso em análise, o contribuinte optou por antecipar o pagamento em cinco anos, obtendo um desconto de 90% sobre o valor devido. Logo, o fato gerador se deu no momento da opção, a partir do pagamento dos 10% sobre o valor financiado, com a apropriação dos 90% restantes como reserva de subvenção; registrese que nas DIPJ dos anos de 2003 a 2006 o contribuinte apurou saldo negativo de imposto de renda. O valor referente ao ano de 2003 foi objeto de pedido de compensação, conforme informação prestada pelo próprio contribuinte em resposta ao Termo de Intimação n° 004, e declarado em Dcomp. Esse saldo não foi deduzido do imposto lançado de oficio. Os valores concernentes aos anos de 2004 a 2006 não foram objeto de pedido de compensação e foram, dessa forma, compensados no Auto de Infração do IRPJ. Em vista disso, fica o contribuinte cientificado da impossibilidade de aproveitar tais valores através de pedido de ressarcimento/compensação. Como os valores correspondentes aos incentivos constituem receita para a qual não há previsão expressa de exclusão ou isenção, haverá Influência na apuração do PIS, da COFINS e da CSLL; FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE ESTIMADA como descrito anteriormente, os valores referentes às subvenções devem ser computados na determinação do lucro operacional. As despesas com encargos considerados indedutíveis também devem ser adicionadas na apuração do lucro real. Assim, a apuração do imposto de renda sobre a base estimada também é influenciada pela inclusão dessas receitas. Como o contribuinte optou pelo regime de apuração anual do IRPJ, com recolhimento de estimativas mensais, os valores apurados pela Fiscalização devem ser adicionados à base de cálculo do imposto mensal; dessa forma, refizemos o lucro real acumulado mensalmente, apuramos o imposto mensal a pagar e comparamos com o que a empresa pagou/declarou. Sobre a diferença apurada foi lançada a multa isolada por insuficiência de pagamento do imposto de renda devido por estimativa. Foram elaborados o demonstrativo de valores das subvenções fiscais, de apuração dos valores a pagar e receber, de apuração dos encargos financeiros devidos e glosados, além das planilhas de apuração do lucro real mensal, de cálculo do imposto de renda mensal por estimativa e de cálculo das multas isoladas, partes integrantes e indissociáveis deste Termo de Verificação Fiscal. No Termo de Verificação Fiscal CSLL, às fls. 251 a 276, o Autuante declara, em síntese, que: PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS o contribuinte escriturou, nos anos calendário de 2002 e 2003, valores referentes a tributos com exigibilidade suspensa, mas não os adicionou à base de cálculo da CSLL. Intimada, justificou, dizendo que tal procedimento se deu por não haver orientação nesse sentido em lei, mas apenas na Instrução Normativa SRF n° 390/2004, que não teria poder para instituir ou aumentar tributo. A empresa possui ação judicial questionando aspectos da legislação do PIS e da COFINS, em especial a ampliação da Fl. 680DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13502.001327/200774 Resolução nº 1401000.221 S1C4T1 Fl. 9 8 base de cálculo e a majoração de alíquota. O contribuinte apura os valores integralmente, debitaos à conta de despesas, conforme dispõe a legislação, porém, a parte que está sendo questionada é depositada em juízo e o contribuinte reduz o passivo exigível por meio de lançamentos em contas específicas de ativo e passivo. Assim, o resultado da empresa é afetado pela apuração dos tributos na integra idade ; ocorre que os valores discutidos judicialmente não têm um caráter de liquidez e certeza, requisitos necessários para configurálos como obrigações e despesas. Ao contrário, estão condicionados a um evento futuro e incerto. Nem a empresa desembolsou os valores nem existe a obrigação do pagamento dessas despesas. Logo, tais valores, depositados ou não, constituem mera provisão, caracterizando medida preventiva, no sentido de evitar uma surpresa indesejável, caso o julgamento final da ação seja adverso ao contribuinte. Enquanto não for proferida decisão final na ação judicial, não se pode afirmar que os valores são devidos; a base de cálculo da contribuição social é o resultado do exercício, antes da provisão para o IR, ajustado pela adição das provisões não dedutíveis na determinação do lucro real. O art. 13, I, da Lei n° 9.249/95 prevê expressamente as provisões permitidas, logo, as não elencadas nesse artigo são indedutíveis, devendo ser adicionadas na apuração da base de cálculo da CSLL. As provisões efetuadas pelo contribuinte, representadas pelos valores discutidos judicialmente, são indedutíveis e foram adicionadas ao lucro real, mas não à base de cálculo da CSLL. Assim, a exigência tributária deverá ser formalizada por meio de lançamento de ofício. Registrese que, nos períodos em análise, o contribuinte apurou saldos negativos de CSLL, que foram objeto de pedidos de compensação/ressarcimento. Portanto, esses saldos, por já terem sido aproveitados, não serão considerados no Auto de Infração; FALTA DO RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE A BASE ESTIMADA como descrito anteriormente, as provisões de tributos com exigibilidade suspensa devem ser adicionadas na apuração da base de cálculo da CSLL. O mesmo acontece quanto às receitas decorrentes das subvenções para custeio, assim como em relação às despesas não necessárias, objeto do Auto de Infração do IRPJ constante deste processo. Como o contribuinte optou pelo regime de apuração anual, com recolhimento de estimativas mensais, os valores apurados pela Fiscalização devem ser adicionados à base de cálculo da contribuição social mensal; dessa forma, refizemos a apuração das bases de cálculo mensais, apuramos a CSLL devida mensalmente e comparamos com o que a empresa pagou/declarou. Sobre a diferença apurada foi lançada a multa isolada por insuficiência de recolhimento da CSLL devida por estimativa. Foram elaborados o demonstrativo de valores das subvenções fiscais, de apuração dos valores a pagar e receber, de apuração dos encargos financeiros devidos e glosados, além das planilhas de apuração da base de cálculo da CSLL mensal, de cálculo da CSLL mensal por estimativa e de cálculo das multas isoladas, partes integrantes e indissociáveis deste Termo de Verificação Fiscal. Às fls. 289 a 325 e 326 a 341, a pessoa jurídica apresentou duas impugnações ao feito fiscal (uma tratando do IRPJ e reflexos e outra relativa à CSLL não decorrente do IRPJ), alegando, em resumo, que: • antes de tudo, são necessários alguns esclarecimentos de natureza fática com relação às premissas adotadas pelas autoridades fiscais para formação de seu entendimento com relação ao assunto. Alegam essas autoridades que a administração da Impugnante é realizada pela MOBRAS. A Impugnante e a MOBRAS são empresas do grupo Monsanto, sendo a MOBRAS detentora de 100% de suas ações preferenciais e 60% de suas ações Fl. 681DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13502.001327/200774 Resolução nº 1401000.221 S1C4T1 Fl. 10 9 ordinárias. Não obstante, ao contrário do que afirmam, essas empresas têm estruturas administrativas autônomas, desenvolvendo suas próprias atividades financeiras e contábeis. Nesse sentido, apresenta seu organograma interno, bem como relação dos cargos e funções desempenhadas pelos profissionais da área administrativa da empresa (doc. 02), comprovando que o papel da MOBRAS é meramente de sócia da Impugnante e não de administradora; • as autoridades fiscais alegam que os adiantamentos para compras futuras foram realizados como constantes suprimentos de caixa. Essa equivocada afirmação leva a crer que a Impugnante não tem autonomia financeira, o que não é verdade. Tais antecipações ocorreram, sobretudo, no início de suas atividades, para a finalização de sua planta industrial, que seria financiada por recursos da SUDENE, no valor aproximado de R$200 milhões. Entretanto, a SUDENE se restringiu a liberar investimentos da ordem de R$30 milhões. Assim, para a conclusão do projeto, a Impugnante viuse obrigada a obter outras fontes de recursos, acordando com a MOBRAS que esta lhe enviaria recursos, a título de "adiantamento para compras futuras", sendo que esses recursos seriam utilizados para pagar as aquisições a serem realizadas pela MOBRAS dos insumos produzidos pela MONESA. Em observância da prática geral do mercado, foram acordados juros à razão de 1% ao mês acrescido do IGPM. Assim, resta claro que os adiantamentos tinham finalidade específica e eram absolutamente necessários para a MONESA, não constituindo suprimentos de caixa; • as autoridades fiscais alegam que os encargos financeiros assumidos pela Impugnante seriam mera liberalidade. Essa conclusão é clara decorrência das falsas premissas mencionadas acima. Na tentativa de lastrear a afirmação de que tais encargos financeiros seriam excessivos, as autoridades fiscais alegam que a suposta liberalidade da Impugnante estaria caracterizada pela existência de "mercado cativo" para seus produtos. A despeito de essa descrição ser válida para o presente momento, à época em que a maioria dos adiantamentos foi feita pela MOBRAS, a Impugnante sequer operava plenamente, quanto mais um mercado cativo para seus produtos. Cumpre mencionar que os adiantamentos concedidos pela MOBRAS para o início das operações da MONESA já foram inteiramente quitados, em 2006, mediante a extinção dos débitos da MOBRAS com a MONESA, relativos à aquisição de mercadorias; • com a situação fática relacionada aos adiantamentos já esclarecida, passase a analisar a dedutibilidade das despesas decorrentes dos juros incidentes sobre esses adiantamentos. Tal como mencionado no Termo de Verificação Fiscal, tal análise deve ser fundamentada no fato de que somente são dedutíveis na apuração do lucro real as despesas usuais, normais e necessárias às atividades das empresas. Caso a Impugnante não houvesse obtido esses adiantamentos da MOBRAS, teria que arrecadar os fundos necessários a seu projeto de implantação por meio de empréstimos de instituições financeiras. Assim, seria mais fácil e eficiente o recebimento de adiantamentos, pois após o início de suas atividades poderia pagar sua dívida mediante o fornecimento de produtos, já que era sabido que a Impugnante seria fornecedora da MOBRAS, ao passo que no caso de um empréstimo teria que vender seus produtos e, só então, pagar sua dívida. Logo, não procede a imputação de que a Impugnante teria sido favorecida pela MOBRAS; • nesse sentido, os adiantamentos foram remunerados com juros equivalentes ao IGPM acrescido de 12% ao ano, taxa comum no mercado, o que sequer foi questionado pelas autoridades fiscais. Assim, fica claro que, quer seja por sua necessidade para o financiamento da planta industrial de Camaçari, quer seja por sua usualidade e normalidade, já que os juros foram pactuados em uma taxa média de mercado, fica evidente que as despesas relativas aos Fl. 682DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13502.001327/200774 Resolução nº 1401000.221 S1C4T1 Fl. 11 10 juros dos adiantamentos para compras futuras preenchem os requisitos para sua dedutibilidade para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL; • passase a analisar a situação específica que deu origem à glosa parcial das despesas de juros relativos aos mencionados adiantamentos. Os valores recebidos pela Impugnante, assim como os juros sobre eles incidentes, foram registrados no passivo da empresa como "contas a pagar". Quando a planta de Camaçari foi concluída e a produção foi iniciada, a Impugnante passou a fornecer a mercadoria à MOBRAS de acordo com seus pedidos, com a emissão das respectivas notas fiscais de venda e o registro de "contas a receber". Tendo em vista os adiantamentos, a MOBRAS não realizava o pagamento em espécie e a Impugnante realizava a compensação mensal do saldo de contas a receber (saldo devedor) contra o saldo de contas a pagar (saldo credor). Assim, mensalmente, o passivo da Impugnante face à MOBRAS era reduzido no exato montante das mercadorias fornecidas no período. As autoridades fiscais encontraram supostas irregularidades nos meses em que, a despeito de haver saldo devedor de contas a receber da MOBRAS no ativo da MONESA suficiente para compensar integralmente o saldo passivo credor, a Impugnante manteve em aberto parcela desse saldo credor, que permaneceu gerando despesas de juros, e então glosaram os juros calculados sobre as parcelas mensais de saldo passivo que alegadamente poderiam ser compensadas com o saldo ativo no mesmo mês; • ao rever seus procedimentos, a Impugnante reconhece sua falha em relação à compensação de obrigações, verificando, nesse ponto, que a razão assiste parcialmente às autoridades fiscais, como passa a explicar. A compensação do saldo credor com o saldo devedor era realizada no encerramento de cada mês, quando a Impugnante levantava o valor total das faturas vencidas emitidas no mês e compensava com o seu saldo de contas a pagar à MOBRAS, ou seja, a Impugnante somente realizava a compensação das faturas já vencidas no fim do mês, sendo que o valor das faturas ainda não vencidas era mantido como saldo devedor, no ativo, para compensação no próximo mês. Esse procedimento não decorreu de liberalidade, mas de determinação literal da legislação nacional, mais especificamente do art. 369 do Código Civil (transcreve), que dispõe que a compensação só é possível entre dívidas vencidas, de forma que, a Impugnante estava impedida de realizar compensação antes do vencimento indicado nas respectivas notas fiscais. Notese que as vendas à MOBRAS não eram feitas à vista, mas, na maioria dos casos, com um prazo de 15 dias para pagamento; • no entanto, em alguns meses, o saldo de contas a receber em aberto era constituído tanto por obrigações não vencidas como por obrigações vencidas, que deixaram de ser compensadas, por equívoco, na apuração mensal da Impugnante. Visando a demonstrar esses saldos devedores no ativo, apresenta quadro resumo, mês a mês, dos valores vencidos e vincendos, bem como relação completa das notas fiscais emitidas em cada mês com o respectivo vencimento (doc. 03). Assim, com relação à parcela do saldo do ativo composta por notas fiscais já vencidas, a Impugnante reconhece seu equívoco e recolheu as respectivas exigências fiscais, acrescidas de juros de mora e multa de ofício de 75%, com redução de 50% concedida na legislação fiscal (doc. 04). Por outro lado, com relação à parcela do saldo do ativo composta por notas fiscais ainda não vencidas, a Impugnante requer o reconhecimento da regularidade de seu procedimento contábil e fiscal; • quanto à impossibilidade de tributação das subvenções para investimento, há que se fazer, primeiramente, um breve histórico. O grupo Monsanto é o produtor do herbicida "Roundup", o mais vendido no mundo para o controle de plantas daninhas em préplantio de lavouras. Em 1984, esse herbicida passou a ser produzido também no Brasil pela MOBRAS. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13502.001327/200774 Resolução nº 1401000.221 S1C4T1 Fl. 12 11 Considerando que o principal insumo para sua produção não era produzido no Brasil, a MOBRAS o importava dos Estados Unidos, sujeitandose às alterações no preço assim como à constantes variações na paridade entre o dólar e a moeda nacional. O grupo Monsanto, representado no Brasil pela MOBRAS, decidiu investir na manufatura do referido ácido no território nacional. Após extensa pesquisa sobre os impactos da instalação de planta industrial em diferentes localidades do Brasil, o grupo Monsanto optou pelo Pólo Petroquímico de Camaçari, no Estado da Bahia; • visando à colaboração desse Estado com o projeto de instalação, a MOBRAS e o Governo do Estado da Bahia assinaram Protocolo de Intenções em 14/09/1998 (doc. 05), que estabeleceu, de um lado, as intenções da MOBRAS em investir na instalação de unidade industrial destinada a fabricação de insumos para o herbicida "Roundup", com a geração de empregos, treinamento e capacitação de mãodeobra, etc; de outro lado, os compromissos do Estado em conceder incentivos fiscais para parte dos investimentos, sendo que nessa época os incentivos aplicáveis eram do Programa de Promoção do Desenvolvimento da Bahia (PROBAHIA). O projeto apresentado pela MOBRAS para cumprimento do Protocolo de Intenções, bem como para a aprovação de outros benefícios fiscais concedidos pela SUDENE e pelo FINOR (doc. 06), descreveu detalhadamente a forma de implantação do empreendimento em Camaçari. Então, quando da constituição da MONESA, esta, a MOBRAS e Governo da Bahia assinaram Termo de RetiRatificação (doc. 07), através do qual a MOBRAS cedeu e transferiu à MONESA todos os seus direitos e obrigações previstos no Protocolo de Intenções, já que a implantação da unidade de Camaçari não seria realizada diretamente pela MOBRAS, mas pela MONESA; • em 2001, tendo em vista a extinção do PROBAHIA, com a sua substituição pelo DESENVOLVE, foi celebrado novo Termo de RetiRatificação do Protocolo de Intenções (doc. 08). Nesse sentido, a MONESA foi habilitada no DESENVOLVE mediante a emissão da Resolução n° 3/2002 (doc. 09), tendo como principais benefícios: a) a dilação do prazo de pagamento de até 90% do saldo devedor mensal do ICMS normal em até 72 meses; e b) o desconto de até 90% em caso de liquidação antecipada de cada uma das parcelas do ICMS com prazo de pagamento prorrogado. Assim, a MONESA apurava mensalmente o valor do ICMS devido e: 1) efetuava o recolhimento de 10% do ICMS devido no prazo normal de pagamento e postergava os 90% restantes para até 72 meses; 2) realizava, posteriormente, o recolhimento dos 90% restantes, antecipadamente, o que lhe dava direito a desconto de até 90% no valor residual. O valor do desconto concedido pelo estado da Bahia era considerado uma subvenção para investimento e registrado como reserva de capital da MONESA, sem representar receita ou lucro tributável dessa sociedade. Assim, cabe à Impugnante demonstrar que os benefícios fiscais concedidos no DESENVOLVE são autênticas subvenções para investimento e, portanto, devem ser excluídos do campo de incidência do IRPJ e da CSLL; • nesse contexto, transcreve o art. 38, § 2°, do Decretolei n° 1.598/77 e o art. 443 do RIR/99. A leitura desses dispositivos legais permite identificar três elementos essenciais para garantir a não tributação de subvenções: (i) a transferência de recursos do Poder Público para o beneficiário, inclusive mediante isenção ou redução de impostos; (ii) o intuito de estímulo à implantação ou expansão de empreendimento econômico; e (iii) a constituição da respectiva reserva de capital. Diante disso, a Impugnante passa a expor as razões pelas quais os referidos incentivos concedidos no âmbito do DESENVOLVE preenchem as condições para a caracterização de subvenção para investimento; Fl. 684DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13502.001327/200774 Resolução nº 1401000.221 S1C4T1 Fl. 13 12 • o DESENVOLVE foi instituído pela Lei Estadual n° 7.980/2001 (doc. 10) e regulamentado pelo Decreto Estadual n° 8.205/2002 (doc. 11), abaixo transcritos. Da leitura da Lei, identificase que o DESENVOLVE visa a fomentar o desenvolvimento industrial no estado da Bahia. O termo "subvenção" é definido como "auxílio ou ajuda pecuniária que se dá a alguém ou a alguma instituição, no sentido de os proteger, ou para que se realizem ou cumpram os seus objetivos", ou "auxílio pecuniário, por via de regra concedido pelos poderes públicos". Recorrendo às lições de José Luiz Bulhões Pedreira, a primeira condição para caracterização de subvenção para investimento consiste na verificação da existência de efetiva transferência de capital do ente público incentivador para o particular incentivado. A intenção de transferir capital à Impugnante pode ser claramente inferida do Protocolo de Intenções celebrado entre o Governo da Bahia e a Impugnante, como determinado em alguns trechos (transcreve); • essas disposições do Protocolo de Intenções analisadas em conjunto com a legislação do DESENVOLVE permitem concluir que o Governo da Bahia tinha a intenção de transferir capital à Impugnante como forma de incentivar a instalação e desenvolvimento da unidade industrial de Camaçari. Cumpre mencionar que o art. 38, § 2°, do Decretolei n° 1.598/77 previu expressamente a inclusão das transferências mediante isenção ou redução de impostos, ou seja, além das transferências pecuniárias, devem ser consideradas aquelas realizadas indiretamente, através da exoneração ou redução dos impostos devidos. Em vista disso, concluise pela caracterização de transferência de capital; • o segundo elemento necessário para caracterizar a subvenção para investimento consiste no "objetivo" de estímulo ao desenvolvimento econômico. A despeito de ser inquestionável tal relação, é certo que a interpretação e extensão dada a esse elemento das subvenções pelas autoridades fiscais extrapola o disposto no Decretolei n° 1.598/77. Não há qualquer indício na legislação prevendo que esse objetivo de estímulo ao desenvolvimento econômico deva ser obtido mediante a direta "vinculação dos valores subvencionados com a efetiva e específica aplicação desses valores na implantação ou expansão de empreendimento econômico", como pretendem as autoridades fiscais, com fundamento no Parecer Normativo n° 112/78. Tal conclusão é, portanto, ilegal. Transcreve o art. 111, II, do CTN, que não admite interpretação extensiva ou analógica em relação às regras de isenção. O legislador estabeleceu a isenção relativa ao IRPJ sobre as subvenções para investimento, desde que registradas em conta de reserva de capital. Dessa forma, não cabe ao intérprete da norma de isenção criar novos requisitos para a caracterização da subvenção para investimento e, conseqüentemente, para a isenção tributária sobre esses valores; • adicionalmente, como o incentivo fiscal previsto no DESENVOLVE, concedido sob a forma de redução do ICMS devido, somente seria gerado depois do início das operações da empresa, é evidente que o Governo da Bahia não pretendia que o valor da redução fosse diretamente aplicado na implantação do projeto, mas meramente que a expectativa desse benefício estimulasse a Impugnante a se estabelecer naquele Estado. Aliás, a exigência de vinculação direta dos fundos recebidos a título de subvenção para investimento a um projeto implicaria a negativa da própria existência de subvenção para investimento sob a forma de redução ou isenção de tributos. Afinal, é necessário que a empresa esteja construída e em pleno funcionamento para que as operações se iniciem e vendas sejam aperfeiçoadas, gerando assim ICMS e outros tributos a pagar. Nesse sentido, transcreve trecho de voto dado no âmbito do Conselho de Contribuintes; Fl. 685DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13502.001327/200774 Resolução nº 1401000.221 S1C4T1 Fl. 14 13 • em vista do exposto, para comprovar, no presente caso, o cumprimento desse segundo requisito para a caracterização de subvenção para investimento, basta demonstrar a intenção do Estado da Bahia, na concessão dos benefícios fiscais do DESENVOLVE, em estimular o desenvolvimento econômico da região. Essa demonstração é bastante simples, pois está expressa na lei instituidora do DESENVOLVE (transcreve trecho). Na mesma linha está o Protocolo de Intenções celebrado entre a Impugnante e o Estado da Bahia. Em outras palavras, não resta dúvida que o DESENVOLVE foi criado e concedido com o objetivo máximo de fomentar a indústria baiana, de forma que as reduções e isenções de ICMS sejam entendidas como subvenção para investimento; • a título de argumentação, cumpre ainda afastar a alegação de que os valores recebidos pela Impugnante poderia ser caracterizados como subvenção para custeio. Tratase de mais uma interpretação equivocada das autoridades fiscais, que entenderam que o fato de a legislação do DESENVOLVE mencionar a "redução de custos de produtos ou processos já existentes" como uma de suas finalidades seria indicador de sua característica de subvenção para custeio. O fato de a unidade industrial já estar em operação no momento em que a Impugnante passou a usufruir do benefício fiscal já foi largamente exposto acima, não sendo hábil a descaracterizar as subvenções para investimento mediante redução de impostos. Já com relação à alegação de que a utilização das subvenções em projetos que resultariam na redução de custos caracterizaria uma subvenção para custeio, valem alguns esclarecimentos; • em primeiro lugar, a equivocada conclusão das autoridades fiscais decorreu da interpretação da expressão "redução de custos" fora do contexto dado pela legislação do DESENVOLVE. De fato, a redução dos custos não é em si uma finalidade do programa e dos respectivos benefícios fiscais, mas um possível resultado dos projetos incentivados. A leitura do art. 3° da Lei instituidora do DESENVOLVE permite concluir que a "geração de novos produtos ou processos, aperfeiçoamento das características tecnológicas e redução de custos de produtos ou processos já existentes" não são finalidades em si, mas o provável resultado da instalação de novas indústrias ou da expansão daquelas já existentes. Assim, no âmbito do programa DESENVOLVE, não se pode encarar a redução de custos como uma finalidade em si, como pretendem as autoridades fiscais; • a última condição para caracterização da subvenção para investimento consiste na correta contabilização dos recursos recebidos em conta de reserva de capital. A observância dessa condição pela Impugnante foi reconhecida pelas próprias autoridades fiscais. Logo, isso reflete sua natureza jurídica de acréscimo ou recomposição patrimonial, alheios ao conceito de receita bruta. Assim, não há que se falar de incidência do PIS e da COFINS, além do IRPJ e da CSLL, cuja isenção está expressamente prevista no art. 38 do Decretolei n° 1.598/77. Transcrevemse abaixo algumas ementas de decisões do Conselho de Contribuintes especialmente em relação ao DESENVOLVE. Em vista do exposto, verificase que os descontos de ICMS obtidos pela Impugnante nos termos do DESENVOLVE cumprem todos os requisitos para que sejam considerados subvenções para investimento; • tal como mencionado acima, a glosa das despesas financeiras e a tributação de subvenção para investimento pretendidas pelas autoridades fiscais implicaram não só o lançamento fiscal de IRPJ, acrescidos de juros de mora e de multa de ofício de 75% sobre o montante do IRPJ supostamente não recolhido na apuração anual relativa aos períodos de 2003, 2004 e 2005, como também o lançamento de multa isolada de 50% sobre o montante das estimativas de IRPJ supostamente não recolhido pela Impugnante nas apurações mensais relativas aos mesmos períodos, sendo que as duas penalidades são decorrentes do recálculo do Fl. 686DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13502.001327/200774 Resolução nº 1401000.221 S1C4T1 Fl. 15 14 lucro desses períodos. Não obstante as cabais comprovações feitas acima, cumpre esclarecer a impossibilidade da exigência cumulativa da multa de oficio e da multa isolada em razão das mesmas supostas infrações. Assim, há a imposição de multas que somadas representam o gravoso montante de 125% em virtude da mesma situação fática, o que claramente fere os princípios da razoabilidade, do não confisco e da proporcionalidade esculpidos na Constituição Federal; • diante da clara impossibilidade de aplicação concomitante das multas de oficio e isolada, cabe analisar qual delas seria, em tese, aplicável no presente caso, na remota hipótese de manutenção das infrações acima. É sabido que, para os contribuintes optantes pela apuração com base no lucro real anual, a obrigação tributária somente surge se verificada a ocorrência do fato gerador dento do anocalendário, sendo que os pagamentos com base em estimativas mensais representam apenas mera forma de arrecadação estipulada pela legislação para antecipação do devido. Dessa forma, na possível existência de infração tanto à obrigação de pagamento de estimativas mensais quanto de pagamento anual do IRPJ em virtude dos mesmos fatos, é evidente que a segunda infração se sobrepões à primeira, sendo ela a única punível mediante a aplicação da multa de oficio, ou seja, devese aplicar somente a multa de ofício sobre o valor calculado com base na apuração anual. Nesse sentido, transcreve ementas da Câmara Superior de Recursos Fiscais; • cumpre mencionar equívoco cometido pelas autoridades fiscais com relação à quantificação das exigências do IRPJ, pois utilizaram a alíquota de 15% com um adicional de 10%, mas deixaram de considerar nesse cálculo a redução de 75% que a Impugnante tem direito por ter projeto aprovado no âmbito da SUDENE. No que se refere às despesas com juros glosadas, se estas reduziram o imposto de renda a pagar à alíquota beneficiada no âmbito da SUDENE, a mesma alíquota deve ser aplicada caso tais despesas sejam desconsideradas; • também quanto ao DESENVOLVE, a alíquota do imposto aplicável deverá considerar a redução obtida no âmbito da SUDENE. Este cálculo é feito com base no lucro da exploração, que considera apenas os resultados operacionais. Assim, tratase de determinar se o cômputo do beneficio fiscal em lucros e perdas, ao invés de reserva de capital, em virtude se seu enquadramento como subvenção para custeio, como pretendem as autoridades fiscais, seria uma receita operacional ou nãooperacional. Sobre esse assunto não vislumbramos qualquer controvérsia, já que o próprio PN CST n° 112/78, itens 2.14 e 7.1, prevê que, no caso de subvenções para custeio, os ganhos auferidos pela empresa devem ser computados como resultado operacional. Dessa forma, mesmo na hipótese remota de prevalecer a glosa de despesas com juros e/ou o enquadramento da subvenção como sendo de custeio, seria imperativa a redução do valor do imposto de renda e adicional alegadamente devidos, em virtude do beneficio fiscal da SUDENE a que a Impugnante tem direito; • independentemente das alegações com relação ao mérito das subvenções para investimento, a Impugnante não concorda com as exigências de COFINS relativas aos períodos de abril, maio, junho, julho e agosto de 2003, contidas no item 001 do auto de infração. Isso porque, a despeito de as autoridades fiscais terem indicado como enquadramento legal somente artigos do Decreto n° 4.524/2002, essas exigências de COFINS têm fundamento no § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, declarada inconstitucional pelo STF no RE 357.950 e, no caso específico da Impugnante, nos autos do processo n° 2001.34.00.0311832/DF (doc. 12). Com efeito, a decisão proferida nessa ação pelo TRF da 1ª Região, transitada em julgado em 22/06/2007, após a negativa de Recurso Extraordinário da União, determina que a ampliação da base de cálculo do PIS e da COF1NS pretendida pelo art. 3°, § 1 0, da Lei n° 8.718/98 é Fl. 687DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13502.001327/200774 Resolução nº 1401000.221 S1C4T1 Fl. 16 15 inconstitucional, de forma que deveria ser considerado faturamento para fins de incidência dessas contribuições "somente a receita bruta das vendas de mercadorias e de serviços de qualquer natureza". Como esse não é o caso das subvenções para investimento, a exigência da COFINS no período referido acima é inconstitucional, pelo que se requer seu imediato cancelamento; • no segundo arrazoado, a Impugnante discorda da maior parte das exigências fiscais consubstanciadas no lançamento fiscal relativo à CSLL (não decorrente do IRPJ), como passa a demonstrar. A primeira infração referese à dedução na apuração da base de cálculo da CSLL, nos anoscalendário de 2002 e 2003, de tributos com exigibilidade suspensa em razão de depósito vinculado a ações judiciais. As autoridades fiscais alegam que o registro contábil desses tributos teria caráter de provisão e, portanto, as respectivas despesas deveriam ser adicionadas para fins de apuração da CSLL, nos termos do art. 13, I, da Lei n° 9.249/95. Os tributos com exigibilidade suspensa referemse às seguintes matérias: (i) discussão sobre a exigibilidade de parcelas do FGTS; (ii) discussão sobre a constitucionalidade da majoração da alíquota da COFINS de 2% para 3% pela Lei n° 9.718/98; e (iii) discussão sobre a constitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pela Lei n° 9.718/98. A seguir, mostra a composição das despesas glosadas, no valor total deR$9.174.746,06, em 2002, e de R$3.368.146,65, em 2003; • a despeito de ser altamente questionável a alegação de que tais despesas não seriam dedutíveis para a apuração da base de cálculo da CSLL, já que a Lei n° 8.981/91 trata somente do IRPJ e o registro desses tributos não consiste em provisão, as autoridades fiscais deixaram de observar o tratamento fiscal e contábil dado a esses valores nos exercícios subseqüentes, o que resultou em uma análise incompleta e equivocada dos fatos, pois não foram verificados dois elementos essenciais à solução do presente caso. O primeiro: em virtude de desistência da ação pela Impugnante, devidamente homologada pelo juízo competente (doc. 2), parte da ação judicial n° 2001.34.00.0311832, que versava sobre a constitucionalidade da majoração da alíquota da COFINS pela Lei n° 9.718/98, foi encerrada em agosto de 2004. Nesse momento, a COFINS calculada sobre o diferencial de alíquota passou a ser definitivamente exigível, com a respectiva conversão do depósito judicial em renda da União. Como o tributo já havia sido deduzido em 2002 e 2003, a Impugnante baixou a conta de passivo contra a conta de ativo do depósito judicial, sem que os valores transitassem por conta de resultados e, portanto, sem deduzilo na apuração da CSLL. Assim, mesmo considerando que as despesas fossem indevidas em 2002 e 2003, tais despesas poderiam ter sido apropriadas em agosto de 2004, o que reduziria o valor da CSLL a recolher naquele exercício. Dessa forma, considerando que a despesa tornouse plenamente dedutível em agosto de 2004, estáse diante de mera postergação de pagamento da CSLL; • o segundo: a parcela da mesma ação judicial, que versava sobre a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pela Lei n° 9.718/98, foi encerrada em junho de 2007, com o trânsito em julgado de decisão proferida pelo TRF da i a Região (doc. 2) em sentido favorável ao pleito da Impugnante. A decisão declarou indevidos os valores de PIS e COFINS calculados sobre receitas alheias ao conceito de faturamento e depositados pela Impugnante. Ao tomar conhecimento, a Impugnante reverteu o valor da conta de tributos com exigibilidade suspensa contra conta de resultados, de forma a oferecer à tributação pela CSLL os valores declarados indevidos. Apresenta memória de cálculo dos recolhimentos mensais de CSLL no anocalendário de 2007, com ênfase na reversão de despesas correspondentes ao valor total de PIS e COFINS e os respectivos acréscimos moratórios (doc. 3). Assim, mais uma vez estáse diante de mera postergação no pagamento do tributo, sendo que no momento da lavratura do Fl. 688DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13502.001327/200774 Resolução nº 1401000.221 S1C4T1 Fl. 17 16 auto de infração, não mais havia insuficiência de recolhimento da CSLL, nos anoscalendário de 2002 e 2003, e as autoridades fiscais não poderiam exigir o recolhimento do valor total da CSLL supostamente devida em 2002 e 2003, sendo necessários os ajustes específicos previstos na legislação. A respeito, transcreve o art. 273 do RIR11999 e trecho do Parecer Normativo n° 2/96. Assim, nos casos de pagamento de tributo indevidamente postergado em razão de inobservância do regime de competência, o lançamento fiscal não pode englobar o valor total do tributo postergado, mas tãosomente a diferença entre esse valor e o valor efetivamente pago; • no presente caso, sendo clara a postergação do pagamento do imposto, fazse necessário o reconhecimento da improcedência do lançamento fiscal tal como elaborado. Nesse sentido, transcreve algumas ementas de decisões do Conselho de Contribuintes. Demonstrando sua absoluta boafé, a Impugnante está recolhendo parcialmente as exigências constantes do presente lançamento, quais sejam: 1) o valor do principal, dos juros de mora até a presente data e da multa de oficio com redução de 50%, relativos à ação judicial que versa sobre o FGTS e ainda está pendente de julgamento (doc. 3); 2) o valor dos juros de mora da data da postergação até julho de 2004 (mês anterior ao do pagamento da contribuição postergada) e da multa de oficio com redução de 50%, relativos à parcela da ação judicial que versava sobre a majoração da alíquota da COFINS (doc. 4); 3) o valor dos juros de mora da data da postergação até maio de 2007 (mês anterior ao do pagamento da contribuição postergada) e da multa de ofício com redução de 50%, relativos à parcela da ação judicial que versava sobre a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS (doc. 5). Em vista do exposto, requer seja reconhecida a mera postergação da CSLL, cancelandose a exigência do principal e dos juros calculados da data do pagamento da contribuição postergada até o presente momento e ainda a extinção das parcelas recolhidas no presente prazo para impugnação; • tal como já mencionado, a glosa das despesas financeiras e a tributação de subvenção para investimento (apuradas no auto de IRPJ) e a glosa de tributos com exigibilidade suspensa, pretendidas pelo Fisco, implicaram não só o lançamento fiscal de CSLL, acrescidos de juros de mora e de multa de oficio de 75%, como também o lançamento de multa isolada de 50% sobre a suposta insuficiência dos recolhimentos mensais por estimativa nos mesmos períodos, sendo que as duas penalidades são decorrentes do recálculo do lucro desses períodos. Assim, há a imposição de multas que somadas representam o gravoso montante de 125% em virtude da mesma situação fática, o que claramente fere os princípios da razoabilidade, do não confisco e da proporcionalidade esculpidos na Constituição Federal, razão pela qual, apresenta os mesmos argumentos de defesa trazidos quanto à multa isolada pela insuficiência de recolhimento das estimativas de IRPJ; • em vista do exposto, a Impugnante requer seja: (i) reconhecida a improcedência do lançamento fiscal com relação às parcelas da CSLL cujo pagamento foi meramente postergado pela sociedade; e (ii) extinta a parcela da CSLL, juros de mora e multa de oficio recolhidas pela Impugnante. Requer ainda o cancelamento da multa isolada, tendo em vista a impossibilidade de aplicação cumulativa dessa penalidade e da multa de oficio. Juntamente com a impugnação, a Interessada trouxe aos autos os documentos de fls. 342 a 388. Ressaltese que o presente processo é composto de 2 (dois) volumes e 9 (nove) anexos. O volume I encontrase numerado da folha 01 à 235 e o volume II da folha 236 à 415 (até o momento). O anexo I possui 161 folhas; o anexo II, 155 folhas; o anexo III, 179 folhas; o Fl. 689DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13502.001327/200774 Resolução nº 1401000.221 S1C4T1 Fl. 18 17 anexo IV, 254 folhas; o anexo V, 200 folhas; o anexo VI, 158 folhas; o anexo VII, 265 folhas; o anexo VIII, 174 folhas; e o anexo IX, 182 folhas. Submetida a Impugnação à apreciação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA, esta proferiu o acórdão nº 1517.469 (fls. 440/483), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 ENCARGOS FINANCEIROS DESNECESSÁRIOS. ADIANTAMENTOS PARA COMPRAS FUTURAS. Consideramse desnecessárias as despesas com juros e variação monetária pagas ou incorridas em face de remuneração por recursos financeiros obtidos de pessoa ligada, na mesma proporção dos créditos que a tomadora dos recursos possuía junto à supridora e que deixaram de ser deduzidos quando da apuração dos referidos encargos financeiros. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. FALTA DE RECONHECIMENTO DA RECEITA. Os recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não atrelados ao investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, é estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e deve ser computado no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. ISENÇÃO/REDUÇÃO DO IMPOSTO. ÁREA DE ATUAÇÃO DA SUDENE. RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO DA EXPLORAÇÃO. Incabível a recomposição do lucro da exploração em função de valores que deixaram de transitar pelo resultado contábil da empresa ou ainda daqueles que foram indevidamente contabilizados. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA DE OFICIO ISOLADA. A insuficiência de recolhimento das estimativas mensais do imposto de renda autoriza o lançamento de ofício da multa isolada, ainda que coexistindo com a multa de oficio decorrente de outras infrações apontadas, exigida juntamente com o imposto que deixou de ser pago. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Contribuição para o Programa de Integração Social – Pis Confirmada a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que se dar a estes igual entendimento, com exceção de parcela da exigência relativa à COFINS, fundamentada em dispositivo legal considerado inconstitucional pelo STF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 PROVISÕES INDEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13502.001327/200774 Resolução nº 1401000.221 S1C4T1 Fl. 19 18 As despesas relativas a tributos com exigibilidade suspensa em função de questionamento judicial constituemse em meras provisões e, por estarem sujeitas a evento futuro e incerto, somente poderão ser consideradas dedutíveis, para efeito de apuração da base de cálculo dessa contribuição, por ocasião do trânsito em julgado de decisão definitiva no julgamento da lide ou, no caso de desistência da ação, a partir da homologação do pedido de renúncia. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. A configuração da hipótese de postergação do pagamento não requer apenas que a despesa indevidamente antecipada seja oferecida à tributação em períodobase posterior, mas que resulte em efetivo pagamento, não se caracterizando se for apurada base de cálculo negativa, como também no caso de lançamento de oficio efetuado antes do encerramento do período de apuração para o qual o pagamento teria sido postergado. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. A insuficiência de recolhimento das estimativas mensais da contribuição social autoriza o lançamento de ofício da multa isolada, ainda que coexistindo com a multa de oficio decorrente de outras infrações apontadas, exigida juntamente com a contribuição que deixou de ser paga. Lançamento Procedente em Parte Inconformada com o acórdão proferido pela DRJ, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário, no qual reiterou os fundamentos da sua impugnação e que, neste momento, passa a ser analisado por esta Turma Julgadora. É o relatório. VOTO O recurso é tempestivo e, atendidos os demais requisitos de lei, dele conheço. Dentre as inúmeras questões suscitadas pela Recorrente, temse a alegação de postergação dos tributos que, a nosso sentir, não foi detidamente verificada pela Autoridade Fiscal quando da lavratura do auto de infração, assim como não foi objeto de confirmação por parte da DRJ diante dos documentos juntados com a impugnação. Assim, pro se tratar de questão prejudicial que pode, em tese, definir o resultado do julgamento do presente feito, e ante a ausência de previsão de julgamento parcial ou condicional no âmbito do processo administrativo tributário federal, entendo deva o presente feito, antes de ter suas demais razões de mérito apreciadas por este Conselho, ser baixado em diligência para verificação da procedência da alegação de postergação dos tributos, da forma Fl. 691DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13502.001327/200774 Resolução nº 1401000.221 S1C4T1 Fl. 20 19 como argüido pela Contribuinte, apresentando, a douta Autoridade Fiscal, parecer conclusivo acerca da matéria. O resultado da diligência deverá ser notificado ao contribuinte para que, no prazo de 30 dias, sobre ele se pronuncie, voltando os autos para este Conselho para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 692DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 10875.908211/2009-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir.
Numero da decisão: 3403-002.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti, que converteriam o julgamento do recurso em diligência para apuração do crédito do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti, que converteriam o julgamento do recurso em diligência para apuração do crédito do contribuinte. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas dos créditos alegados, de acordo com o sistema de distribuição da carga probatória adotado. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 82 11 /2 00 9- 01 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti, que converteriam o julgamento do recurso em diligência para apuração do crédito do contribuinte. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti. Relatório LABORATÓRIOS PFIZER LTDA. transmitiu, em 15/08/2008, a Declaração de Compensação DComp nº 39796.09218.150808.1.3.047012, visando à extinção de débito de Cofins pela via de sua compensação com crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, por pagamento indevido ou maior do que o devido, referente ao período de apuração de 01/09/2003 a 30/09/2003, no valor de R$ 62.025,89. O Despacho Decisório Eletrônico nº 848680777 não homologou a compensação porque o pagamento indigitado como fonte do direito creditório foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em reclamação, instruída com cópias do recibo de entrega e das páginas 01 a 05 do PER/DCOMP; da DCTF do período de interesse; da DIPJ 2002 Ficha 19B e do DARF representativo do recolhimento indevido, o interessado reafirma seu direito ao crédito e à compensação e pugna pela realização de diligência tendente a comprovar o direito creditório alegado. Todavia, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela 8ª Turma da DRJ/CPS. O Acórdão nº 05035.965, de 23 de novembro de 2011, fls. 123 a 128 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 159DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.908211/200901 Acórdão n.º 3403002.168 S3C4T3 Fl. 159 3 Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 8ª Turma da DRJ/CPS. O arrazoado de fls. 133 a 140, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma o pedido de diligência para comprovação de seu direito creditório, em respeito aos princípios processuais que cita. Instrui sua peça recursal com planilhas demonstrativas da apuração do tributo no respectivo período de apuração e diferença apurada, objeto da compensação. Reafirma seu direito à compensação, nos termos dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Conclui, requerendo o conhecimento de seu recurso e o acolhimento de suas razões preliminares para, na hipótese deste Conselho entender que as informações fornecidas nos demonstrativos apensados ao recurso não sejam suficientes para o reconhecimento do pleito da Recorrente, determinar o retorno dos autos a Delegacia da Receita Federal do Brasil, da jurisdição da Recorrente, a fim de se realizar diligência em sua escrita fiscal e contábil, determinando, ao final, o efetivo valor do tributo devido no período de apuração aqui em deslinde, assim como o montante efetivo recolhido a maior, cancelandose as cobranças vinculadas. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 133 a 140 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/CPS8ª Turma nº 05035.965, de 23 de novembro de 2011. Provas apresentadas somente na fase recursal No recurso voluntário, o interessado inova as explicações sobre a origem do direito creditório e aporta aos autos planilhas que, aparentemente, deduzem das bases declaradas os valores das receitas financeiras. Percebese que se trata, não de erro material, como fezse supor na Manifestação de Inconformidade, mas de verdadeira nova apuração da contribuição. A possibilidade de conhecimento e apreciação dessas novas alegações e desses novos documentos não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao Fl. 160DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).’ De acordo com as normas processuais, com aplicação analógica determinada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008, é no momento processual da reclamação que a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, com a instauração do litígio, não se permitindo, a partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação de novas provas, a não ser nas situações legalmente excepcionadas. A este respeito, Marcos Vinícius Neder de Lima e Maria Tereza Martínez López1 asseveram que “a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa as afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha”. Antônio da Silva Cabral, no seu livro “Processo Administrativo Fiscal” (Ed. Saraiva: São Paulo, 1993, p. 172), assim se manifestou sobre o assunto: ‘O termo latino é muito feliz para indicar que a preclusão significa impossibilidade de se realizar um direito, quer porque a porta do tempo está fechada, quer porque o recinto onde esse direito poderia exercerse também está fechado. O titular do direito achase impedido de exercer o seu direito, assim como alguém está impedido de entrar num recinto porque a porta está fechada.’ 1 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Dialética, 2002, p. 67. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.908211/200901 Acórdão n.º 3403002.168 S3C4T3 Fl. 160 5 Na página seguinte, o mesmo autor, reportandose aos órgãos julgadores de segunda instância, completa: ‘Se o tribunal acolher tal espécie de recurso estará, na realidade, omitindo uma instância, já que o julgador singular não apreciou a parte que só é contestada na fase recursal.’ Cintra, Grinover e Dinamarco, no livro Teoria Geral do Processo, assim se posicionam sobre a preclusão: ‘o instituto da preclusão ligase ao princípio do impulso processual. Objetivamente entendida, a preclusão consiste em um fato impeditivo destinado a garantir o avanço progressivo da relação processual e a obstar o seu recuo para as fases anteriores do procedimento. Subjetivamente, a preclusão representa a perda de uma faculdade ou de um poder ou direito processual; as causas dessa perda correspondem às diversas espécies de preclusão[..]’ Ensinam, também, estes doutrinadores que: ‘A preclusão não é sanção. Não provém de ilícito, mas de incompatibilidade do poder, faculdade ou direito com o desenvolvimento do processo, ou da consumação de um interesse. Seus efeitos confinamse à relação processual e exauremse no processo.’ As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. De acordo com o § 4º do art. 16 do PAF, supratranscrito, só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: 1) relativas a direito superveniente; 2) competir ao julgador delas conhecer de ofício, a exemplo da decadência; ou 3) por expressa autorização legal. O § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. O recorrente todavia não comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justifique a apresentação tardia de documentos. A propósito dos documentos que instruem a peça recursal, devese sublinhar que os mesmos ainda não seriam suficientes para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na(s) compensação(ões) declaradas, principalmente porque encontramse desamparados da escrituração contábilfiscal, e demandariam a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 6 Ônus da prova nos processos de repetição de indébito cumulado com compensação Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, como no caso que ora se apresenta, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que regia, à época da transmissão do PER/DComp, os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.908211/200901 Acórdão n.º 3403002.168 S3C4T3 Fl. 161 7 [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Dentro deste quadro, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, acima parcialmente transcrita, prevê a "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é isso que ocorreria, por exemplo, Fl. 164DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 8 se fossem promovidas diligências no caso, por exemplo, em que o contribuinte, junto com seu pleito, traz apenas uma listagem genérica de créditos e uma massa de documentos fiscais sem vinculação recíproca; neste caso, a promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio – de natureza estritamente processual, e não material destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Por fim, da mesma forma que não se pode usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes, também não se pode exigir que o julgador da questão controversa promova, ele próprio, a contextualização dos elementos de prova juntados ao processo. Por exemplo, usandose o caso já acima referido, se o contribuinte, para consubstanciar seu pleito repetitório, limitase a fornecer um demonstrativo de créditos em que não aparecem individualmente associados registros e documentos, não cabe ao julgador deter se sobre a massa de documentos e buscar, ele próprio, fazer aquilo que o contribuinte deveria ter feito. Ao julgador não cabe fazer a associação dos, não raramente, inúmeros registros e documentos; a ele deve ser oferecido o registro vinculado ao documento que o respalda, para que verifique se aquela operação especifica dá ou não direito ao crédito pleiteado (esta é a sua função: apresentados os documentos que instrumentam um registro, analisar a natureza da operação para fins de deferimento ou não do pleito). A razão pela qual estas considerações são feitas reside no fato de que, além da improcedente alegação do recorrente de que a autoridade fiscal deve exaurir todos os meios de prova, o interessado não apresenta qualquer comprovação do direito creditório, limitandose a apresentar planilhas demonstrativas, desamparadas de qualquer formalidade e desacompanhadas da escrituração contábilfiscal, e, ainda assim, somente nesta fase recursal, quando já se encerrou a instrução processual. O que se quer aqui firmar, portanto, é que não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte (em termos de cumprimento de seus onus probandi) por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já que, como acima já foi exposto, tais institutos não se destinam a tanto. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De Fl. 165DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.908211/200901 Acórdão n.º 3403002.168 S3C4T3 Fl. 162 9 acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte Fl. 166DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 10 do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 21 de maio de 2013 Alexandre Kern Fl. 167DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10480.721993/2009-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
PAF. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
Não há cerceamento ao direito de defesa do contribuinte quando a ele foram conferidas todas as oportunidades de manifestação, tanto na fase de fiscalização, quanto na impugnatória e recursal, sempre com observância aos ditames normativos do Decreto nº 70.235, de 1972.
REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA (RMF). INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE.
A Administração Tributária pode requisitar informações bancárias do contribuinte às instituições financeiras quando este, após regular intimação, deixa de apresentá-las espontaneamente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. PRESUNÇÃO LEGAL.
Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada e justificada, presume-se a ocorrência de omissão de rendimentos tributáveis.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
No lançamento de ofício, é cabível a aplicação de multa no percentual de 75%, por determinação expressa do art. 44, § 1º, I, da Lei nº 9430 de 1996 e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150, da Constituição Federal.
Numero da decisão: 2201-002.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, arguida pelo Conselheiro Guilherme Barranco de Souza. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares argüidas pelo recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 15/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Não há cerceamento ao direito de defesa do contribuinte quando a ele foram conferidas todas as oportunidades de manifestação, tanto na fase de fiscalização, quanto na impugnatória e recursal, sempre com observância aos ditames normativos do Decreto nº 70.235, de 1972. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA (RMF). INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. A Administração Tributária pode requisitar informações bancárias do contribuinte às instituições financeiras quando este, após regular intimação, deixa de apresentálas espontaneamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. PRESUNÇÃO LEGAL. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada e justificada, presumese a ocorrência de omissão de rendimentos tributáveis. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. No lançamento de ofício, é cabível a aplicação de multa no percentual de 75%, por determinação expressa do art. 44, § 1º, I, da Lei nº 9430 de 1996 e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150, da Constituição Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 19 93 /2 00 9- 00 Fl. 670DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, arguida pelo Conselheiro Guilherme Barranco de Souza. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares argüidas pelo recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 15/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2004 a 2007, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 123/138, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 4.853.182,01. A fiscalização apurou omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, omissão de rendimentos de aluguéis e royalties recebidos de pessoas jurídicas e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: 1. cerceamento do seu direito de defesa, por ter sido inobservado o princípio do contraditório e o da ampla defesa, acarretaria nulidade processual. Alega ter solicitado cópia do Processo. Posteriormente, após alguns dias lhe foi entregue um CD, contendo cópia do referido processo. Contudo, ao analisá lo pôde verificar que não constavam alguns itens, além de outros, de suma importância para a defesa: cópia dos extratos bancários usados como base na minha autuação, justificativas para as movimentações financeiras consideradas elevadas pelo Auditor Fiscal autuante e planilhas com valores consolidados que demonstrem claramente os fluxos mensais ou diários dos valores depositados nas contas. Informa a devolução do citado CD, para que se proceda, se for o caso, à perícia. Aduz não ter como contestar os lançamentos, por não ter tido acesso à parte do processo relacionada com os depósitos realizados em sua conta. Questiona se a fiscal se deu ao trabalho de excluir dos lançamentos, por exemplo, as transferências entre suas contas, as transferências para aplicações e os estornos de Fl. 671DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10480.721993/200900 Acórdão n.º 2201002.077 S2C2T1 Fl. 3 3 lançamentos. Questiona se a Fiscalização o intimou a prestar esclarecimentos sobre todos os depósitos bancários utilizados na autuação. Colaciona entendimentos jurisprudenciais e transcreve dispositivos constitucionais a respeito do tema; 2. falhas na RMF que resultou na presente autuação, quais sejam: na solicitação de emissão da RMF, não constava assinatura do supervisor imediato do Auditor Autuante, sendo que este supervisor estava destacado no MPF. Pergunta o motivo pelo qual foi aposta a assinatura do próprio Fiscal que solicitou a emissão da RMF ao Delegado. Também questiona o fato de ter sido aposto o carimbo do próprio Delegado na solicitação, além do fato de o chefe do SAPAC estar envolvido com a fiscalização, chegando até a solicitar RMF; em 09/2008, foi lhe encaminhado Termo de Reintimação com os mesmos elementos da intimação de 07/2009. Afirma que a RMF foi solicitada antes de expirar o prazo de intimação recebida, ou seja, 20 (vinte) dias, assim como aduz que o relatório da RMF não menciona o fato de que recebera nova intimação, com o prazo de 20 dias; desacatando os mandamentos do Decreto 3.724 de 2001, o auditor, talvez na ânsia de impressionar o delegado e induzilo a emitir a Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira RMF, de uma forma bárbara, em vez de enquadrar em uma das situações do art. 3o do Decreto 3.724/2001, de uma forma compatível com o referido relatório da solicitação da RMF, passa a assinalar as todas as situações previstas nos incisos VI a XI, do referido Decreto; No tocante ao relatório da solicitação da RMF, observase a total incompatibilidade com as hipóteses do enquadramento assinaladas pelo fiscal, pois uma vez assinaladas dos itens VI ao XI, do art. 3o, do Decreto 3.724/2001, esperavase que o relatório fosse explicitálos um a um, dando uma justificativa condizente para cada um deles; menciona irregularidades no relatório da RMF. Se tivesse informado que o contribuinte ainda estava no prazo para entregar os documentos solicitados, o delegado não emitiria a solicitada RMF; passa a transcrever dispositivos contidos no decreto 3.724/2001, que trata de requisição, acesso e uso, pela Secretaria da Receita Federal e seus agentes, de informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras e das entidades a elas equiparadas. Transcreve dispositivos da Portaria SRF nº 180 (MPF), para concluir que ocorreu a contrariedade ao princípio da motivação das decisões. Salienta ser o princípio da motivação como essencial ao processo administrativo. No regime processual da Lei n.° 9.784/1999, determinouse que "a administração tem o dever de expressamente emitir decisão nos processos administrativos e Fl. 672DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 sobre solicitações e reclamações, em matéria de sua competência". Da mesma forma, os atos administrativos deverão ser motivados de modo explícito, claro e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos anteriores e com a indicação dos fatos e fundamentos jurídicos que o embasaram; o defeito relativo à competência do agente ocorre nos casos em que o ato é praticado: a) por usurpador de função pública, ou seja, ato realizado por pessoa que não esteja regularmente investida de função pública (ato inexistente); b) com abuso de poder, caso em que se verifica uma exorbitância do agente no exercício de suas funções. Este fato leva a anulação do ato, o que nos remete a situação em que se encontrava antes da lavratura do ato viciado; 3. da leitura dos fatos apresentados, verificase a total ilegalidade dos atos praticados, o que sem dúvida alguma leva a nulidade de todos os procedimentos. Transcreve a legislação e doutrina pertinentes, afirmando que o vício de um ato anterior contamina o posterior. Afirma que prova ilícita anterior contamina a posterior, citando a teoria dos frutos da árvore venenosa ou envenenada; 4. existe o ferimento mortal de um dos Princípios aplicáveis ao Processo Administrativo Fiscal Federal, ou seja, o Princípio da Proibição de Prova Ilícita e ilegítima. Colaciona textos doutrinários sobre o tema, assim como cita decisão judicial. Também apresenta excertos da jurisprudência administrativa e transcreve dispositivos constitucionais; 5. aduz, ainda, que, do conjunto de questões apresentado, extraise que o ordenamento jurídico, ao vedar a produção de provas ilícitas, preocupouse verdadeiramente com os direitos fundamentais da pessoa humana, declarados como tais no texto constitucional vigente. Qualquer desrespeito à questão, será uma afronta à dignidade da pessoa humana, fundamento primordial da República Federativa do Brasil e alicerce de nossa ordem políticojurídica; 6. conforme todo o exposto, verificase a quebra ilegal do seu sigilo fiscal, por meio da RMF ilegal. Tal fato não merece prosperar, devendo ser anulado respeitando assim as disposições legais. Traz doutrina, a respeito; 7. insurgese contra a tributação sobre os depósitos bancários efetuados em sua conta. Inicialmente, afirma não ter como se defender, com firmeza, sobre tal lançamento, por não ter acesso às informações bancárias sobre as transações das contas. Repete não ter tido acesso prévio a todas as informações, pela insuficiência da cópia do procedimento fiscal recebida, em CD. Mesmo sem estes extratos e sem outras informações, afirma que não pode o fiscal autuante arbitrar a base de cálculo do imposto de renda com base em todo e qualquer depósito feito em conta corrente. 8. afirma que não ocorreu a disponibilidade econômica sobre os depósitos. Sobre o tema, argumentou: Fl. 673DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10480.721993/200900 Acórdão n.º 2201002.077 S2C2T1 Fl. 4 5 “Será que o fiscal considerou as exclusões previstas na lei que regulamenta a autuação sobre depósitos bancários? Será que a não entrega de cópia dos meus extratos bancários não foi exatamente pelo fato da Receita Federal ter observado excesso na tributação de meus depósitos? Do contrário, porque a omissão na entrega de informações tão importantes? Será que o fiscal foi justo ao decretar que todos os movimentos de créditos em minhas contas era motivo para autuação? Infelizmente, não tenho como conferir esta autuação.”; 9. a jurisprudência administrativa, mais precisamente, o Conselho de Contribuintes já decidiu sobre o equívoco e a impossibilidade de tomar todos os depósitos em conta corrente para o arbitramento de base de cálculo de imposto de renda. Não cabe cogitarse da aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica, de renda ou de proventos de qualquer natureza, pela simples constatação da realização de depósito em conta bancária. Ausente de substrato legal, de há muito vêm sendo anulado pelo Poder Judiciário, procedimentos que se baseiam única e exclusivamente em extratos bancários. Transcreve dispositivos legais e excertos da jurisprudência (administrativa e judicial), além de material doutrinário; 10. para que o depósito bancário se transforme em renda tributável, é necessário que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, não bastando a simples presunção. Assim, o depósito bancário, mesmo após o advento da Lei n° 9.430/96, não se constitui, por si só, fato gerador da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, pois é necessária a prova cabal e robusta de que ele foi utilizado como renda consumida. Isto porque, a posse de numerário alheio, como, por exemplo, descaracteriza a respectiva presunção de disponibilidade econômica; 11. no que diz respeito aos depósitos bancários que transitaram por suas contas, acredita que poderiam denotar operações repetidas, ainda podendo falar que os mesmos não permaneceram em sua conta corrente. No entanto, não pode argumentar sobre isso, pois devido ao escasso tempo, não teve como conseguir estes extratos junto aos bancos, e contestálos nesta impugnação; 12. no mesmo dia em que entrava o depósito em dinheiro, poderia ser feita uma baixa automática na minha conta, não ficando demonstrado pelo fiscal autuante que o mesmo ficou no seu patrimônio e nem qual foi a destinação. Uma vez que o Fiscal estava de posse de todos os extratos bancários, de todas as contas e de todos os bancos, se estes recursos tivessem ficado em seu patrimônio, com certeza ele encontraria e identificaria o destino dos mesmos e deveria demonstrar em seu auto de infração e na sua informação fiscal; 13. citando a doutrina e colacionando entendimentos jurisprudenciais, insurgese contra a aplicação da multa de Fl. 674DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 75%, por ser inconstitucional, tendo efeito confiscatório, afrontando o disposto no art. 150, da CF/88; Por fim, requer que seja declarada a nulidade do Auto de Infração ora questionado, pelos vícios processuais e meritórios trazidos nesta impugnação. A 6ª Turma da DRJ em Recife/PE julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: IRPF. RENDIMENTOS. Na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda de pessoa física, devem ser incluídas todas as fontes pagadoras do Contribuinte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO. A constatação de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, caracteriza omissão de rendimentos. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. AMPLA DEFESA. CONTRADITÓRIO. Quando a Administração, antes de decidir sobre o mérito de uma questão administrativa, dá à parte contrária a oportunidade de impugnar da forma mais ampla que entender, não está infringindo, de forma alguma, os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. A análise dos princípios constitucionais apontados, em especial, de vedação ao confisco, demandaria o exame da constitucionalidade de dispositivos legais em vigor, procedimento vedado a este órgão. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10480.721993/200900 Acórdão n.º 2201002.077 S2C2T1 Fl. 5 7 Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. NÃO CONFISCO. Respeitado está o princípio constitucional do não confisco, em matéria tributária, quando a multa lavrada está lastreada em Lei, que se encontra vigente e eficaz até que seja revogada ou tenha sua inconstitucionalidade declarada pelo órgão que detém o poder para tal. PROVAS. As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Intimado da decisão de primeira instância, Jerônimo Gadelha de Albuquerque Neto apresenta Recurso Voluntário, sustentando, exatamente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A controvérsia dos autos cingese, nesta segunda instância, exclusivamente, na omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos de 2004 a 2007. Em sua peça recursal levanta o contribuinte duas preliminares. A primeira diz respeito cerceamento do direito de defesa, ante a ausência de cópia integral dos autos, e a segunda referese à falhas na emissão da Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeira (RMF) que resultou na presente autuação. No mérito afirma o suplicante que é ilegítimo o lançamento arbitrado com base em extratos e depósitos bancários. Por fim, pugna pela inconstitucionalidade e/ou confisco da multa aplicada. Em relação a preliminar de cerceamento do direito de defesa, alega o recorrente, em linhas gerais, que solicitou cópia integral do processo, entretanto, o CD entregue pela Administração Fazendária não estava completo. Constatou o recorrente a falta dos Fl. 676DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 8 seguintes itens: cópia dos extratos bancários utilizados como base da autuação; justificativas da origem dos depósitos informada ao auditor fiscal, planilhas contendo os valores diários depositados em suas contas bancárias, entre outros. Pois bem, em que pese argumentos despendidos, a preliminar de nulidade suscitada não merece acolhimento. Compulsandose os autos, verificase que o recorrente, quando do procedimento fiscal, obteve acesso as intimações e demais documentos constantes dos autos, conforme se observa dos AR’s e/ou assinaturas apostas às fls. 05, 08, 11, 25, 26, 53, 56, 59, 60, 87, 128, 142, 165. Com efeito, verificase às fls. 195/239 (processo digital) que o recorrente, de posse da relação contendo todos os créditos a examinar/comprovar, analisa detidamente os valores e formula sua resposta à intimação recebida. Além do mais, conforme bem pontuado pela autoridade recorrida, “... os dados mencionados pelo contribuinte, relacionados com seus depósitos bancários e justificativas apresentadas ao Fisco, são de amplo conhecimento do próprio Contribuinte e da instituição financeira, da qual ele é cliente. Caso o Interessado não estivesse de posse da dita documentação, caberia diligenciar junto aos bancos, e não alegar cerceamento de seu direito de defesa, que, como visto, restou não violado”. Tendo a ação fiscal se desenvolvido de forma regular, as argüições em preliminar, mesmo que constituíssem irregularidades, deixam de ter importância após a lavratura dos Auto de Infração. As causas de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, restringemse, no tocante ao auto de infração, à lavratura por servidor incompetente e, quanto às decisões, às proferidas com preterição do direito de defesa. Estas são as hipóteses em que o legislador presume, de forma absoluta, ter havido prejuízo à ampla defesa e ao contraditório. Ressaltase também o art. 60 do referido Decreto. Art. 59 São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60 – As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Ao contribuinte foi concedido amplo direito à defesa e ao contraditório, pela oportunidade de apresentar, tanto na fase de instrução do processo e em resposta às intimações que recebeu, quanto na fase de Impugnação e Recurso Voluntário, argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar ilidir as infrações apuradas pela fiscalização. Merece registro, ainda, que passados cerca de cinco anos, entre o início do procedimento fiscal e o julgamento do Recurso voluntário, salta aos olhos o fato de o recorrente ainda não possuir todos os documentos comprobatórios a fim de elaborar sua defesa. Destarte, não há que se cogitar nulidade do Auto de Infração pelo motivo alegado. Fl. 677DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10480.721993/200900 Acórdão n.º 2201002.077 S2C2T1 Fl. 6 9 Quanto as supostas falhas na emissão da RMF, cumpre esclarecer que o Decreto nº 3.724/2001, veio regulamentar o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, delimitando a requisição, acesso e uso pela Secretaria da Receita Federal das informações fornecidas pelas instituições financeiras, bem como estabelecendo os procedimentos para preservar o sigilo das informações obtidas. No caso dos autos, a autoridade fiscal solicitou ao recorrente, em 28/07/2008, seus extratos bancários, conforme se observa do Termo de Início de Fiscalização de fl. 05, tendo o contribuinte permanecido silente. Posteriormente, no dia 01/09/2008, efetuou a reitimação fiscal e, novamente, não houve qualquer manifestação do suplicante (fl. 08). Contudo, diante do silêncio do contribuinte, procedeu a fiscalização expedição da RMF no dia 05/09/2008 (fls. 144/146), ou seja, 38 dias após a primeira intimação, visto que havia procedimento de fiscalização em curso, e o acesso à movimentação financeira do recorrente seria imprescindível para ao desempenho do procedimento fiscal. Ressaltese que em 05/11/2008 houve nova reitimação ao contribuinte e, mais uma vez, o recorrente não se manifestou (fl. 11). Portanto, não identifico no lançamento qualquer infringência aos comandos do Decreto nº 3.724/2001, mormente porque a fiscalização intimou previamente o recorrente e este optou, naquele momento, em não se manifestar. Sobre a ausência de assinatura do supervisor da fiscalização, constatase da análise da RMF, fls. 144/146, que o referido documento foi assinado pelo responsável da unidade, ou seja, pelo Delegado Adjunto da Delegacia da Receita Federal em Recife/PE, e isso basta. O fato de a autoridade fiscal responsável pelos trabalhos ocupar, a época, o cargo de chefe do SAPAC, não inviabiliza a RMF, pois todos os requisitos foram atendidos, conforme dispõe o § 7º do art. 4º do Decreto nº 3.724/2001: § 7º Na RMF deverão constar, no mínimo, o seguinte: I nome ou razão social do sujeito passivo, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ; II número de identificação do MPF a que se vincular; III as informações requisitadas e o período a que se refere a requisição; IV nome, matrícula e assinatura da autoridade que a expediu; V nome, matrícula e endereço funcional dos AuditoresFiscais da Receita Federal responsáveis pela execução do MPF; VI forma de apresentação das informações (em papel ou em meio magnético); VII prazo para entrega das informações, na forma da legislação aplicável; VIII endereço para entrega das informações; IX código de acesso à Internet que permitirá à instituição requisitada identificar a RMF. Portanto, observados os requisitos do Decreto expedido pelo Poder Executivo, notadamente a indispensabilidade do procedimento de fiscalização (art. 3º), não há que se falar em falhas na emissão do RMF. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 10 Sobre a preliminar de sobrestamento arguida pelo Conselheiro Guilherme Barranco de Souza, penso que o caso em discussão não admite sobrestamento (§ 1º do art. 62A da Portaria MF n° 256/2009), pois de acordo com a Portaria CARF nº 01/2012, o procedimento de sobrestamento somente será aplicado nas hipóteses em que houver sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o sobrestamento de Recursos Extraordinários que versem sobre matéria idêntica àquela debatida na Suprema Corte. Ademais, a tese de sobrestamento não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. No mérito, a presente omissão de rendimentos está sendo exigida do contribuinte em vista a existência de depósitos bancários de origem não comprovada com base na presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a seguir transcrito: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Pelo que se depreende da leitura do dispositivo legal acima, o legislador estabeleceu, a partir de 01/01/1997, uma presunção legal de omissão de rendimentos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, desde que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprovasse, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Assim, o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável, invertendo, portanto, o ônus da prova, característica das presunções relativas, que admite prova em contrário. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 constitui um instrumento direcionado à facilitação do trabalho de investigação fiscal, justamente em razão das dificuldades impostas à identificação dos fatos econômicos dos quais participou a recorrente. Existe normalmente uma grande quantidade de ações e negócios não formais efetuados pelos contribuintes, na maioria das vezes marcada pela inexistência de prova documental, razão pela qual a lei desincumbiu a autoridade fiscal de provar sua ocorrência. Não tem sentido a autoridade fiscal constituir prova de um fato presumido. Além do mais, diferentemente do que pensa o recorrente, na presunção legal a lei se encarrega de presumir a ocorrência do fato gerador. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, na forma do artigo 43 do Código Tributário Nacional1. Além do mais, como se trata de uma presunção legal, a autoridade fiscal não tem que comprovar sinais exteriores de riqueza e, tampouco, renda consumida, conforme se observa da Súmula CARF nº 26: 1 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 679DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10480.721993/200900 Acórdão n.º 2201002.077 S2C2T1 Fl. 7 11 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Passando às questões pontuais de mérito, alega o recorrente que não se sabe precisar se de fato a fiscalização procedeu todas as exclusões previstas em lei. Assevera, ainda, que se tivesse de posse de todos os extratos das contas e de todo movimento financeiro identificaria e demonstraria todas as origens consideradas pela fiscalização como não comprovadas. Pois bem, conforme dito anteriormente neste voto, bastava ao suplicante diligenciar junto aos bancos e solicitar uma segunda via de seus extratos bancários e confrontar os valores constantes do auto de infração, por ele assinado, às fls. 123/138. Alegar simplesmente que não exerceu seu direito de defesa, em função da falta de seus extratos, não é por si só motivo suficiente para a inércia probatória. A bem da verdade, o autuado não pode se desincumbir do ônus probatório. Com efeito, são essas as palavras de Antônio da Silva Cabral na obra Processo Administrativo Fiscal, Ed. Saraiva, 1993, p.302: ... A prova não é um dever porque o dever supõe sempre a relação entre dois pólos (...). Já no caso do ônus, a relação jurídica é do sujeito para si mesmo (...). Quando se fala em ônus é porque o próprio interessado escolhe entre suportar o peso da prova ou não ter a tutela do seu interesse. Por outro lado, se a parte não provar não se segue que os fatos por ela mencionados não sejam verdadeiros. Seguese, apenas, que esses fatos não gozam de liquidez (...). Se não há dever, pode o interessado apresentar prova ou não da existência de determinado fato. (...). Se o interessado em que determinado fato seja levado em consideração não se preocupa em provar a existência deste fato, correrá o risco de não têlo apreciado, ou de não aproveitar uma prova que viria em seu favor. Resta claro, portanto, que o contribuinte está sujeito a comprovar, mediante documentos e esclarecimentos, as origens de recursos aportados em seu movimento financeiro, sempre que intimado a fazêlo. Com dito anteriormente, não socorre o recorrente a alegação de que se tivesse de posse de todos os extratos identificaria e demonstraria todas as origens consideradas não comprovadas, visto que, os valores apontados pela fiscalização estão claramente identificados nos autos, não necessitando, desta feita, de um esforço maior para sua compreensão. Vejamos alguns exemplos: O valor de R$ 500.000,00, relacionado no Auto de Infração no dia 31/10/2004 (fl. 129 – processo digital), referese crédito bancário, de mesmo valor, registrado no extrato do dia 22/10/2004 (fl. 366 – processo digital). O valor de R$ 600.000,00, relacionado no Auto de Infração no dia 30/11/2004 (fl. 130 – processo digital), referese crédito bancário, de mesmo valor, registrado no extrato do dia 22/11/2004 (fl. 367 – processo digital). O valor de R$ 500.000,00, relacionado no Auto de Infração no dia 31/12/2004 (fl. 130 – processo digital), referese crédito bancário, de mesmo valor, registrado no extrato do dia 12/12/2004 (fl. 368 – processo digital). Fl. 680DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 12 Diante dos relevantes créditos efetuados na conta bancária do recorrente, penso que é estéril do argumento suscitado pelo contribuinte para não exercer o contraditório probatório. Sobreleva anotar que o suplicante consignou em sua Declaração de Ajuste, ano calendário 2004, fl. 520 – processo digital, a ocupação principal de “Membro do Poder Executivo Presidente da República, VicePresidente da República, Ministro de Estado, Governador, ViceGovernador, Prefeito, Viceprefeito” e o único rendimento declarado foi no valor de R$ 100.800,00, recebido da Prefeitura Municipal de Abreu e Lima. Nestes termos, como não há nos autos qualquer documentação comprobatória, não há outra solução senão a manutenção da exigência. No que concerne à aplicação da multa de ofício de 75% entendo que a mesma está prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, só podendo ser dispensada ou reduzida nas hipóteses previstas em lei, conforme preceito do art. 97, VI, do CTN. Além do mais, a argüição de confisco e ofensa ao princípio constitucional da capacidade contributiva esbarra na Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito tributário e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. No que tange a aplicação da Súmula 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos, citada pelo recorrente, entendo, pois, que a mesma foi inteiramente superada pela entrada em vigor da Lei nº 9.430/1996, que tornou lícita a utilização de depósitos bancários de origem não comprovada como meio de presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos. Ante ao exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 681DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 19311.720364/2011-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO.
Constatada contradição entre o resultado errôneo do julgado e o dispositivo do voto, este de acordo com os fundamentos, cabe retificação do primeiro em embargos de declaração.
Numero da decisão: 3401-002.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração no Acórdão nº 3401-002.084, nos termos do Relator.
Júlio Cesar Alves Ramos Presidente
Emanuel Carlos Dantas De Assis Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Robson José Bayerl (Suplente) e Júlio César Alves Ramos. Ausentes temporariamente, justificadamente, os Conselheiro Ângela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO. Constatada contradição entre o resultado errôneo do julgado e o dispositivo do voto, este de acordo com os fundamentos, cabe retificação do primeiro em embargos de declaração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração no Acórdão nº 3401-002.084, nos termos do Relator. Júlio Cesar Alves Ramos Presidente Emanuel Carlos Dantas De Assis Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Robson José Bayerl (Suplente) e Júlio César Alves Ramos. Ausentes temporariamente, justificadamente, os Conselheiro Ângela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
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Embargante PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL Interessado K & G INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO. Constatada contradição entre o resultado errôneo do julgado e o dispositivo do voto, este de acordo com os fundamentos, cabe retificação do primeiro em embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração no Acórdão nº 3401002.084, nos termos do Relator. Júlio Cesar Alves Ramos – Presidente Emanuel Carlos Dantas De Assis – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Robson José Bayerl (Suplente) e Júlio César Alves Ramos. Ausentes temporariamente, justificadamente, os Conselheiro Ângela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 64 /2 01 1- 95 Fl. 3430DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 2 Tratase dos Embargos de Declaração de fls. 3422/3424, interpostos tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional no Acórdão nº 3401002.084 (fls. 3396/3419, na numeração do escaneamento). A Embargante aponta contradição entre o resultado do julgado e o dispositivo do voto, já que o primeiro indica ter sido negado provimento ao recurso voluntário e dado provimento parcial ao de ofício, enquanto o voto conclui o seguinte: “... nego provimento ao Recurso de Ofício e dou provimento parcial ao Voluntário...”. Considera, então, que “o aresto embargado merece ser sanado, para que a contradição, ou por não dizer, o pequeno erro material do julgado seja contornado” (fl. 3424), requerendo ao final, sejam recebidos e acolhidos os Declaratórios para corrigir o erro apontado. É o Relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Verifico a contradição apontada, que de tão patente mais parece um erro material, como bem observa a douta Procuradora da Fazenda Nacional. É que no resultado houve uma troca entre o resultado do Recurso de Ofício ao qual foi negado provimento – e o Voluntário – provido parcialmente. O dispositivo do voto, que guarda consonância com seus fundamentos e a ementa, é claro ao assentar, corretamente, o seguinte (fl. 3419): Pelo exposto, nego provimento ao Recurso de Ofício e dou provimento parcial ao Voluntário tãosomente para retirar das multas de ofício o agravamento em 50% (cinqüenta por cento), de modo que os percentuais, desagravados, mas com a qualificação na parte dolosa, ficam reduzidos a 150% na infração apurada com bases nas diferenças dos valores informados no DACON a título de bens empregados como insumos e os constantes dos Livros de Registro de Entradas a escrita fiscal, que antes a DRJ manteve em 225% – e a 75% no restante, que antes a DRJ manteve em 112,5%. Para que reflita a parte conclusiva do voto, acima transcrita, o resultado do Acórdão deve ser modificado, sanandose a contradição. Pelo exposto, acolho os presentes Embargos de Declaração para que o resultado do Acórdão seja corrigido, nos seguintes termos: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e dar provimento parcial ao Voluntário para afastar o agravamento da multa de ofício, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte. EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Fl. 3431DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 19311.720364/201195 Acórdão n.º 3401002.290 S3C4T1 Fl. 3.431 3 Fl. 3432DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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Numero do processo: 11020.002073/2008-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3101-000.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado em, por unanimidade, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto do Relator.
Henrique Pinheiro Torres Presidente
Luiz Roberto Domingo Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes, Leonardo Mussi da Silva (Suplente),, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado em, por unanimidade, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto do Relator. Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes, Leonardo Mussi da Silva (Suplente),, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
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ACORDAM os membros do Colegiado em, por unanimidade, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto do Relator. Henrique Pinheiro Torres – Presidente Luiz Roberto Domingo – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes, Leonardo Mussi da Silva (Suplente),, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ que manteve a glosa de créditos de COFINS utilizados na apuração de saldo credor objeto de Pedido de Ressarcimento do 2o trimestre de 2005, indeferido pela DRF. A Ementa da decisão recorrida foi assim redigida: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .0 02 07 3/ 20 08 -8 0 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.002073/200880 Resolução nº 3101000.275 S3C1T1 Fl. 176 2 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Anocaledário: 2005 COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. Na incidência nãocumulativa da Cofins, admitese a apuração de créditos na aquisição de insumos, assim considerados os bens e serviços consumidos na produção de bens e na prestação de serviços tributados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, no qual aduz que: (i) os combustíveis e lubrificantes eram empregados no processo produtivo para movimentar máquinas, ferramentas e veículos; (ii) as partes e peças de máquinas são utilizadas para manutenção dos equipamentos utilizados na produção devendo ser consideradas como insumos, uma vez que no âmbito das contribuições a noção de insumo é mais ampla que a adotada para o IPI; (iii) os serviços glosados foram efetivamente utilizados no processo produtivo, não podendo a Recorrente sofrer a glosa por erro de terceiros; (iv) as despesas de frete devem ser consideradas pois compõem o processo produtivo; e (v) os produtos sujeitos à alíquota zero quando aplicados no tratamento de madeira geram crédito para o PIS e a COFINS; (vi) indevida a glosa das receitas de exportações efetivadas. É o relatório. Voto O substrato probatório dos autos não possibilita o julgamento da lide, isso porque a glosa efetivada pelo Fisco baseiase, no mais das vezes, na interpretação comparativa entre um determinado item e um processo produtivo que não se apresente claro e definido. Nem o Fisco nem o contribuinte trouxeram aos autos elementos que pudessem dar segurança jurídica à eventual decisão que pretendesse por fim a lide. Vislumbro, com clareza, que diversas aquisições glosadas compõe sim o processo produtivo do contribuinte, mas, diante das provas colacionadas aos autos, não tenho condições de fazer tal afirmação de forma categórica, da mesma forma que não tenho condições de dizer peremptoriamente que não fazem parte do processo produtivo. Dentre os produtos que pude verificar a impossibilidade de avaliação estão: bens e serviços utilizados na benfeitorias em edificações próprias e de terceiros; máquinas e equipamentos incorporados ao ativo imobilizado; partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos (rolamento, polia, mancal, radiador, parafuso, brocas, serras, correias, etc.), produtos indicados como insumos da produção (combustíveis, lubrificantes, equipamento de proteção individual – EPI, serviços de manutenção de lavoura/floresta), serviços de frete e armazenagem; produtos agropecuários (adubos, pesticidas, formicidas,farelo de trigo, milho, sal, coelhos, defensivos, glifosato, etc.), dentre outros. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.002073/200880 Resolução nº 3101000.275 S3C1T1 Fl. 177 3 Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora: a) relacione as aquisições que entende não aparadas por documento válido, indicando: fornecedor, descrição do serviço ou bem, data do recibo/nota; valor e página do documento no processo, indicando se foram contabilizadas como ativo permanente ou custo de produção; b) relacione as aquisições registradas na contabilidade como ativo permanente e as contabilizadas no custo de produção, com as informações de: fornecedor, descrição do serviço ou bem, data do recibo/nota; valor e página do documento no processo, excluindo as indicado na alínea “a” acima; c) concluídas as planilhas previstas nos itens “a” e “b” acima, intimar o contribuinte para que, querendo, apresente, no prazo de 60 dias, laudo técnico de descrição e avaliação do processo produtivo da empresa, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica no CREA, no qual deverá descrever o processo produtivo e indicar em que fase da produção os insumos adquiridos são utilizados, a função de cada produto ou serviços dentro do processo. Concluída a diligência, retornem os autos para julgamento. Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 177DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 13839.901800/2008-02
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE.
Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos.
NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório.
DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE.
Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Por maioria, em face da preclusão, não conhecer da documentação juntada aos autos, consoante alegação da recorrente em sustentação oral, após a publicação da pauta da reunião de julgamento - e, portanto, após a análise dos autos pelo Relator. Vencido, nesse ponto, o Conselheiro Solon Senh que, devido às particularidades do caso, entendia por converter o julgamento em diligência para juntado dessa documentação aos autos. No mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. O Dr. Fábio de Almeida Garcia, OAB/SP n. 237.078, fez sustentação oral.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
EDITADO EM: 09/10/2012
Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 18 00 /2 00 8- 02 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Por maioria, em face da preclusão, não conhecer da documentação juntada aos autos, consoante alegação da recorrente em sustentação oral, após a publicação da pauta da reunião de julgamento e, portanto, após a análise dos autos pelo Relator. Vencido, nesse ponto, o Conselheiro Solon Senh que, devido às particularidades do caso, entendia por converter o julgamento em diligência para juntado dessa documentação aos autos. No mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. O Dr. Fábio de Almeida Garcia, OAB/SP n. 237.078, fez sustentação oral. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 09/10/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão proferido pelos membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP, em que, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 Fl. 220DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901800/200802 Acórdão n.º 3802001.290 S3TE02 Fl. 11 3 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos registrados até a prolação do Acórdão de primeiro grau, transcrevo a seguir o relatório nele encartado: Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de Cofins oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP: 4.968,86 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada desse despacho em 29/07/2008, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade em 19/08/2008, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: Seu crédito decorre de ter considerado equivocadamente na base de cálculo da contribuição do período em questão algumas vendas de produtos que se encontravam relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002; Transmitiu a DCOMP utilizando aquele crédito, mas, por um lapso, deixou de retificar a DCTF relativa ao período, para que nela passasse a constar o valor correto da contribuição devida; Somente com a ciência do Despacho em tela é que percebeu seu equívoco. Assim, procedeu imediatamente à retificação da DCTF; Tratase de mero erro de preenchimento de obrigação acessória, que não afasta a existência inequívoca de seu crédito, Fl. 221DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 e não pode lhe tolher o direito à compensação. Jurisprudência administrativa e judicial corroboram seu entendimento; Não há prejuízo ao Fisco. Ao contrário, não lhe permitir utilizar tal crédito configuraria enriquecimento ilícito do Erário. Em 10/03/2011, a Interessada foi cientificada do referido Acórdão. Inconformada, em 08/04/2011, protocolou o presente Recurso Voluntário, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, a Recorrente alegou, em preliminar, a nulidade do Acórdão recorrido, com base no argumento de que houve inovação dos motivos e fundamentos expostos no vergastado Despacho Decisório, que apontou a insuficiência de crédito como causa da não homologação da compensação declarada, ao invés da suposta não comprovação da origem do crédito compensado, apresentada no referido Acórdão. No mérito, em síntese, alegou a Recorrente que (i) a origem do crédito utilizado era proveniente da indevida tributação das receitas das vendas dos produtos sujeitas ao regime monofásico; (ii) por um lapso, somente retificou a DCTF, para informar o valor correto débito, após a ciência do Despacho Decisório; (iii) a guia Darf, a DComp e a DCTF retificadora, apresentados com a manifestação de inconformidade, eram documentos hábeis e idôneos para comprovar a liquidez e certeza do crédito compensado; e (iv) o princípio da verdade material , deveria se sobrepor a qualquer equívoco cometido no cumprimento das obrigações acessórias, em consequência, meros erros de preenchimento de declaração não poderia tolher o seu direito à compensação da quantia paga a maior. Caso não fosse acolhida a preliminar de nulidade nem acatada as provas já carreadas aos autos, requereu a Recorrente a realização de diligência, com o objetivo de obter a documentação complementar destinada a comprovar o que alegara. Em 10/08/2011, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de março de 2012, mediante sorteio, foram distribuídos para este Conselheiro, em conformidade com o disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, incluindo o limite de alçada, portanto, dele tomo conhecimento. Do não conhecimento da suposta prova documental não colacionada aos autos. Na sustentação oral realizado durante a Sessão de julgamento, alegou o patrono da Recorrente que havia entregue na Secretaria da 2ª Câmara desta 3ª Seção petição com pedido de juntada aos autos de notas fiscais de venda, emitidas durante o período de Fl. 222DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901800/200802 Acórdão n.º 3802001.290 S3TE02 Fl. 12 5 apuração do crédito informado na DComp em apreço. No memorial, naquele momento entregue, consta a informação de que tais notas foram exemplificativamente apresentadas. Na oportunidade, consultei o e.processo e verifiquei que tais documentos ainda não constavam dos autos. Além dessa circunstância, entendo que, no estágio em que se encontram os autos, tal documentação não pode ser admitida nem conhecida, uma vez que consumada a preclusão do direito de apresentála, estabelecida no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, ainda que destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, situação que vislumbro no caso em tela, conforme a seguir explicitado. Da preliminar de nulidade do Acórdão recorrido. Em preliminar, alegou a Recorrente a nulidade do Acórdão recorrido, sob o argumento de que ele havia alterado a motivação e a fundamentação do presente Despacho Decisório, pois, enquanto este apontara a insuficiência de crédito como sendo a causa da não homologação da compensação declarada, aquele indicara a não comprovação da origem do crédito compensado. Não procede argumento suscitado pela Recorrente, com a devida vênia. A uma, porque insuficiência e inexistência tem o mesmo efeito em relação à utilização do direito creditório na compensação, o que equivale, para fim de compensação, a ausência dos requisitos da certeza e liquidez do crédito informado. A duas, porque ambas as decisões apontaram a falta do suposto crédito como motivo para não homologação da compensação. Na verdade, em decorrência das novas razões de defesa alegadas na manifestação de inconformidade colacionada aos autos, verificase que a diferença entre uma e outra decisão está apenas nos argumentos utilizados para respaldar a conclusão de que o crédito compensado não existia. Com efeito, segundo o teor do vergastado Despacho Decisório, a compensação em tela não foi homologada porque a existência do valor do crédito informado não foi comprovada, pois, embora o pagamento referente à origem do crédito, informado na DComp, tivesse sido localizado na base de dados da Administração Tributária, o seu valor fora integralmente utilizado na quitação do débito da Cofins do respectivo período de apuração, confessado pela própria Recorrente na DCTF original. Logo, o real o motivo da não homologação da compensação foi a inexistência do crédito compensado. Por sua vez, na manifestação de inconformidade, que deu origem ao presente contencioso, alegou a Recorrente que o débito da Cofins informado na DCTF original estava errado e que o valor correto seria aquele declarado na DCTF retificadora, o que significa que a não comprovação do alegado pagamento a maior fora motivada por erro no preenchimento da DCTF original, retificada somente após a emissão e ciência do citado Despacho Decisório. Em face dessa alegação, o Acórdão recorrido manteve a não homologação da compensação em tela, desta feita, com base no argumento de que a Recorrente não havia comprovado, com documentação contábil e fiscal adequada, as razões de fato e de direito que ensejaram a retificação do valor do débito anteriormente declarado na DCTF original. Aliás, asseverou a Turma de Julgamento de primeiro grau que a simples apresentação da DCTF retificadora, sem suporte em documento comprobatório do alegado erro de apuração do valor débito original, por si só, não tinha o condão de comprovar a existência do alegado indébito, mantendo inalterado o valor do débito anteriormente declarado na DCTF original. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 Em suma, o motivo da não homologação da compensação também foi a falta de comprovação da existência do crédito compensado. Ratifica o asseverado, o teor do enunciado da ementa do referido julgado, a seguir transcrito: COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. No caso em tela, comparando o teor dos dois julgados, fica evidenciado que a diferença entre ambos está no argumento utilizado para não reconhecimento do direito creditório alegado, pois, enquanto o Despacho Decisório limitouse a comparar o valor do pagamento informado com o valor do débito declarado na DCTF original, o Acórdão recorrido foi além da análise meramente formal, uma vez que também analisou o alegado equívoco na apuração do valor débito retificado, porém, não acatou a retificação, porque não foi comprovada, por meio de documentação contábil e fiscal adequada, a origem do alegado erro de apuração do valor do debito retificado, consistente no montante das supostas receitas de vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, submetidas a alíquota 0% (zero por cento) da Cofins, por força do regime de tributação monofásica, estabelecido nos arts. 1º e 3º1 do citado diploma legal. Assim, se a Turma de Julgamento a quo não admitiu a retificação do valor do débito original, obviamente, ficou mantido o valor do débito declarado na primeira DCTF e, portanto, mantido o mesmo motivo, para a não homologação da compensação, exposto no referido Despacho Decisório, a saber: o fato de o valor do pagamento, informado como origem do crédito, ter sido “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados” na presente DComp. No caso em tela, teria havido alteração de motivação da decisão originária, caso a Turma de Julgamento de primeiro grau tivesse acatado a retificação do valor original do débito, porém, por motivo diverso da inexistência do crédito, tivesse mantido a decisão de não homologação da compensação em apreço, como por exemplo, em decorrência do indébito não ser passível de restituição, por falta de previsão legal, o que, evidentemente, não ocorreu no caso em tela. 1 "Art. 1º As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras dos produtos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento das contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) às alíquotas de 1,47% (um inteiro e quarenta e sete centésimos por cento) e 6,79% (seis inteiros e setenta e nove centésimos por cento), respectivamente. [...] Art. 3º Fica reduzida a 0% (zero por cento) a alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins relativamente à receita bruta da venda: I dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei; II dos produtos referidos no art. 1º, auferida por comerciantes atacadistas e varejistas, exceto as pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5º, da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. Parágrafo único. Fica o Poder Executivo autorizado, mediante decreto, a alterar a relação de produtos discriminados nesta Lei, em decorrência de modificações na codificação da TIPI. [...]" Fl. 224DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901800/200802 Acórdão n.º 3802001.290 S3TE02 Fl. 13 7 Por fim, cabe ainda ressaltar que, no caso em tela, não tem qualquer relevância a alegação da Recorrente de que houve violação ao art. 146 do CTN, pois, como de sabença, o referido preceito legal aplicase aos casos de revisão do lançamento de ofício, situação que não ocorreu nos presentes autos. Por todas essas razões, rejeito a presente preliminar de nulidade, para manter incólume o Acórdão recorrido. Da análise do mérito. No mérito, o cerne da presente controvérsia gira em torno da comprovação da existência do valor do crédito utilizado pela Recorrente na quitação dos débitos confessados na DComp colacionada aos autos. Para Recorrente, contrariando o princípio da verdade material, a simples retificação do valor do débito, por meio da DCTF retificadora, acompanhada apenas da guia de recolhimento (Darf), era suficiente para comprovar a certeza e a liquidez do crédito alegado. Por outro lado, ao meu ver, em consonância com o princípio da verdade real, entenderam os integrantes da Turma de Julgamento de primeiro grau que a simples retificação da DCTF desacompanha da comprovação, por documentação contábil e fiscal adequada, do motivo do erro de apuração do débito retificado, não era suficiente para comprovar a certeza e liquidez do crédito informado na DComp em apreço. No meu entendimento, a razão está com a Turma de Julgamento, pois, se foi a própria Recorrente quem informou os dois valores distintos para um mesmo débito, não há como saber qual deles é o correto (se o valor do débito informado na DCTF original ou o declarado na DCTF retificadora), sem que haja a confirmação por uma outra fonte de informação idônea. Daí a necessidade da apresentação da adequada documentação, com vista a confirmação do alegado equívoco. A Recorrente ainda alegou que o débito informado na DCTF original estava errado e que o valor correto seria o informado na DCTF retificadora, porém, não trouxe aos autos os elementos probatórios necessários a comprovação do mencionado erro, limitandose a apresentar apenas as cópias da Guia de Recolhimento (Darf) e da DCTF retificadora. Tal alegação trata de questão defesa que este Colegiado já apreciou e, por unanimidade, tem manifestado o entendimento de que, a simples retificação da DCTF, desacompanhada de prova robusta do alegado equívoco, não tem o condão de comprovar a existência da certeza e liquidez do crédito compensado. Com efeito, não se pode olvidar que, em conformidade com o disposto no art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao processo de compensação em apreço, a ciência do primeiro ato de oficio tem o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores. No caso em tela, após ciência do Despacho Decisório, a redução do valor débito, objeto da compensação não homologada, somente seria admitida se demonstrada e comprovada, por meio de documentação adequada, a origem do erro na apuração do valor do débito retificado. Especificamente em relação à redução dos débitos tributários, em consonância com o referido preceito legal, é oportuno ressaltar que somente nas hipóteses em Fl. 225DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 8 que caracterizada a espontaneidade a DCTF retificadora tem a mesma natureza da DCTF original, substituindoa integralmente. Por outro lado, afastada a espontaneidade, evidentemente, tal retificação não pode mais ser admitida com a simples retificação da dita Declaração. Corrobora o asseverado, o disposto nos §§ 1° e 2º do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.1102, de 24 de dezembro de 2010, que, com pequenas alterações, manteve a redação das Instruções Normativas anteriores, conforme o teor dos referidos dispositivos, a seguir transcritos: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame 2 Na data da apresentação da presente DCTF retificadora estava em vigência a Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, cujo art. 11 assim dispunha sobre o assunto: “Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. [...]”. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901800/200802 Acórdão n.º 3802001.290 S3TE02 Fl. 14 9 em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011) [...]. (grifos não originais) Inequivocamente, o presente Despacho Decisório representa o ato administrativo final, resultante do procedimento de controle da legalidade da compensação declarada pela Recorrente, previsto nos §§ 2º e 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Nesta hipótese, a redução do valor do débito somente será admitida se existir prova inequívoca da ocorrência de erro de fato cometido no preenchimento da DCTF retificada. Além disso, por ter efeito direto sobre desfecho do julgamento da presente controvérsia, inaugurada com a citada manifestação de inconformidade, obviamente, a comprovação da origem da redução do valor do débito retificado deve ser tratado como um questão de defesa. Dessa forma, para que seja aceita tal retificação, ela deve atender, necessariamente, todos os requisitos previsto na legislação que rege contraditório na esfera do processo administrativo fiscal, dentre os quais merece destaque a comprovação, com documentação adequada, do equívoco cometido, especialmente, quando o erro informado não se encontra apenas no preenchimento da DCTF, mas na própria apuração do valor débito em questão. Neste último caso, admitir a simples retificação da DCTF como suficiente para comprovar a existência do crédito glosado, resultaria sem efeito a atividade de controle da regularidade da compensação declarada prevista no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores, uma vez que o Despacho Decisório, regularmente prolatado, tornarseia juridicamente inexistente, sem que fosse pronunciada a sua inexistência ou nulidade, afrontando regras basilares que regem o processo administrativo fiscal. Nos presentes autos, para justificar a origem da redução do valor original do débito, a Recorrente alegou que a quantia paga a maior era proveniente da indevida tributação das receitas das vendas dos produtos sujeitas ao regime monofásico, contudo, nas duas oportunidades que compareceu aos autos, não apresentou qualquer documento que confirmasse tal alegação. Assim, em sintonia com o entendimento aqui esposado, como o erro apontado pela Recorrente referese a erro de apuração do valor do débito, logo, por força do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), era ônus da Interessada trazer aos autos os documentos hábeis e idôneos que comprovassem o montante da receita submetida ao referido regime de tributação monofásico. Para esse fim, a simples apresentação das cópias autenticadas dos livros contábeis (Diário e Razão) e fiscais (Apuração do IPI e ICMS), corroborados pelas respectivas notas fiscais de venda, ao meu ver, eram suficientes para tal comprovação. No entanto, nem sequer o demonstrativo de apuração da referida Contribuição, instituído pela legislação tributária, foi apresentado pela Recorrente. Da mesma forma, também evidencia a insuficiência da instrução probatória da incumbência da Recorrente, o fato de ela não ter relacionado sequer os produtos que se encontravam submetidos a mencionada incidência monofásica. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 10 Não é demais lembrar que, em relação ao fato constitutivo do direito pleiteado, o ônus da prova incumbe sempre a quem o alega, segundo, expressamente, dispõe inciso I do art. 3333 do CPC, que se aplica subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Nesse sentindo, é oportuno ressaltar que, por força do disposto no art. 170 do CTN, combinado o disposto no caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores, a homologação da compensação depende da comprovação, na data da realização da compensação, da certeza e liquidez do crédito passível de restituição ou ressarcimento. Entretanto, no caso em tela, nenhum dos referidos requisitos foi comprovado, o que confirma a falta de comprovação da existência do crédito utilizado no presente procedimento compensatório. Por fim, alegou a Recorrente que o princípio da verdade material deve se sobrepor a qualquer equívoco presente nas obrigações acessórias, não podendo meros erros de preenchimento de declaração tolher o seu direito a restituição ou compensação da quantia indevidamente paga. Discordo. No âmbito do processo administrativo fiscal, em conformidade com o princípio da estrila legalidade, o princípio da verdade material atribui primazia a busca pela verdade substancial em detrimento da verdade formal, porém, isto não significa dizer que a autoridade julgadora tenha de assumir ônus probatório das partes interessadas, seja da Fiscalização ou do sujeito passivo. Na verdade, a orientação determinada pelo referido princípio é no sentido de que a autoridade julgadora não deve contentarse apenas com os aspectos formais da controvérsia. Entretanto, no que tange ao dever de provar as suas alegações, tal princípio não ampara a omissão deliberada ou injustificada da parte interessada, incluindo, obviamente, o sujeito passivo, conforme expressamente determinado no § 4º4 do art. 16 do PAF, aplicável ao processo de compensação, por força do disposto no art. 74, § 115, da Lei nº 9.430, de 1996, que, em face da preclusão, veda o conhecimento da prova documental apresentada após a fase impugnatório ou de manifestação de inconformidade, caso não atendidas as ressalvas previstas nas alíneas do referido parágrafo. No presente caso, ao pretender atribuir a simples retificação da DCTF a condição de prova suficiente do indébito informado, contraditoriamente, a Recorrente está agindo em dissonância com a orientação expressa no princípio em comento. 3 "Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor". 4 "Art. 16. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos".(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). 5 "Art. 74. Omissis. (...) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. " Fl. 228DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901800/200802 Acórdão n.º 3802001.290 S3TE02 Fl. 15 11 Além disso, em consonância com o disposto nos arts. 15 e 18 do PAF, o encargo da instrução probatória é sempre da incumbência da parte que alega o fato probando, não podendo tal atividade ser transferida para a autoridade julgadora, sob pena de desvirtuamento das regras que rege o processo administrativo fiscal. Em consequência desse regramento legal, somente quando a instrução probatório se revelar imprescindível e necessária à formação do convencimento da autoridade julgadora é que ela poderá determinar a sua produção ou complementação, de ofício ou a requerimento da parte interessada. Não se pode também olvidar que, na condição de titular do crédito compensado, o ônus de provar a certeza e liquidez do alegado crédito, na data da compensação, era da Recorrente, conforme expressamente exige o art. 170 do CTN, combinado com o disposto no § 1º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. No caso em tela, não foi comprovado o alegado erro de preenchimento da DCTF original, portanto, não há que se falar na alegada afronta ao princípio da verdade real. Por fim, é oportuno ressaltar que o entendimento aqui esposado não significa privilegiar o aspecto formal em detrimento da verdade material, mas em deixar expresso que a aceitação da redução do valor do débito confessado na DCTF original, especialmente, após a ciência do despacho decisório, somente pode ser acatada se respaldada em provas documentais robustas do alegado equívoco. Por essas razões, rejeito as alegações da Recorrente, para manter a não homologação da compensação em tela, por falta do crédito informado na presente DComp. Do pedido de realização de diligência. No presente Recurso, a Recorrente ainda pleiteou a realização de diligência, para fim de obtenção da documentação complementar, com a finalidade de comprovar, em relação aos anos calendários de 2002 a 2004, que: a) a Recorrente recolheu valores a título de Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins em montante superior ao devido, em virtude da desconsideração do regime monofásico e redução das alíquotas das aludidas Contribuições a 0% (zero por cento); e b) as declarações e retificações apresentadas pela Recorrente eram suficientes para comprovar a existência do saldo credor, bem como para efetuar as compensações realizadas. Em consonância com o princípio verdade material, determina o art. 18 do PAF que a autoridade julgadora somente determinará a realização de diligência, de ofício ou a requerimento do interessado, quando entendêla necessária. No presente caso, a realização da diligência requerida, para fim de juntada de provas complementares, revelase totalmente desnecessária, pois, como visto, no presente caso, tratase de documentos da escrituração contábil e fiscal da própria Recorrente que, se existentes, poderiam ter sido facilmente por ela carreadas aos autos nas duas oportunidades em que nele se manifestou, especialmente, na presente fase recursal, quando ela já tinha pleno conhecimento de que tais documentos eram imprescindíveis para comprovação do alegado equívoco. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 12 Com base nessas considerações, reputo desnecessária a realização da diligência pleiteada. Em consequência, com respaldo no art. 18 do PAF, sou pelo seu indeferimento. Da conclusão. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, para manter na íntegra o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 230DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 25 /01/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA
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Numero do processo: 18336.001685/2005-06
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 10/10/2000
Em operações internacionais de triangulação comercial, cuja
origem do produto importado está certificada para os fins de
atendimento de Acordo de preferência tarifária, é imprescindível
a demonstração documental da vinculação das operações, ainda
que a mercadoria seja remetida diretamente, e que a intervenção
de terceiro país não desfigure a origem. Demonstrado o requisito
formal no curso do processo administrativo resta comprovada a
origem, conforme norma internacional.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3201-00245
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ricardo Paulo Rosa
(Relator). Designado para redigir o voto o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO N''`e47'g;:j0,'*5 ép " Processo n° 18336.001685/2005-06 Recurso n° 139.412 Voluntário Acórdão n° 3201-00.245 — 2 Câmara / i a Turma Ordinária Sessão de 09 de julho de 2009 Matéria II/CLASSIFICAÇÁO FISCAL Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/ A PETROBRÁS Recorrida DRJ-FORTALEZA/CE ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/10/2000 Em operações internacionais de triangulação comercial, cuja origem do produto importado está certificada para os fins de atendimento de Acordo de preferência tarifária, é imprescindível a demonstração documental da vinculação das operações, ainda que a mercadoria seja remetida diretamente, e que a intervenção de terceiro país não desfigure a origem. Demonstrado o requisito formal no curso do processo administrativo resta comprovada a origem, conforme norma internacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2' Câmara / 1' Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ricardo Paulo Rosa (Relator). Designado para redigir o voto o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes. 1 Processo n° 18336.001685/2005-06 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.245 Fl. 284 1 . , 0 JUDITH t• • ' ARAL MARCONDES ARMAN 10o Presidente -..... --, LUCIA O O' S DE ALMEIDA MORAES Redator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rosa Maria de Jesus da Silva C. de Castro e Marcelo Ribeiro Nogueira. Fez sustentação oral o Advogado Igor Vasconcelos Saldanha OAB 20191 — DF. , , 2 Processo n° 18336.001685/2005-06 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.245 Fl. 285 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância que passo a transcrever. Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação e respectivos acréscimos legais, bem como da multa prevista no art. 106, inciso V, do Decreto-lei n o 37/1966, vigente à época dos fatos, perfazendo, na data da autuação, um crédito Tributário no valor total de R$ 2.051.270,41 objeto do Auto de Infração fls. 01/12. Segundo descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa em epígrafe através das Declarações de Importação de n' 00/0969770-0, 00/0969800-5, 00/0969814-5, registradas em 10/10/2000 e 00/1083673-4, registrada em 10/11/2000, pleiteou redução tarifária da alíquota "ad valorem" para a importação de propano em bruto, querosene de aviação e óleo diesel, para o imposto de importação, prevista no Acordo de Complementação Econômica n° 39 (ACE 39), conforme Decreto de execução n° 3.138, de 16/08/1999, firmado entre Brasil e os seguintes países: Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, (Países-Membros da Comunidade Andina). Esclarece a Fiscalização, quanto à operação, o seguinte: a) os certificados de origem emitidos em Caracas, na Venezuela, indicam como país de origem das mercadorias, a Venezuela e declaram como empresa exportadora a PDVSA PETROLEO Y GÁS, S.A; b) uma terceira empresa, a Petrobras International Finance Company (Pifco) empresa com sede nas Ilhas Cayman, país não membro da ALADI, consta nas Dls como exportadora; c)as mercadorias foram embarcadas diretamente da Venezuela para o Brasil e recepcionadas no Brasil pela Petróleo Brasileiro S.A — PETROBRAS, na qualidade de importador, por conta do endosso que lhe foi conferido pela Pifco,; e) os certificados de origem apresentados registram em seus corpos como país exportador a Venezuela, fazendo referência expressa a faturas comerciais, provavelmente emitidas naquele pais, no entanto as faturas que instruíram as Dls foram emitidas pela Pfico; Oferece ainda a Fiscalização os seguintes esclarecimentos, fls. 06/08: os certificados de origem emitidos na Venezuela não trazem nenhum dado no campo 10 — OBSERVAÇÕES — sobre a participação de operador de um terceiro país membro ou não-membro da Associação, conforme determina o artigo 20 do citado acordo; os números das faturas comerciais indicados no campo reservado à declaração de origem, diferem das faturas que instruíram as DIs. "Para atender as exigências do artigo 2°, esse campo do certificado de 3 Processo n° 18336.001685/2005-06 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.245 Fl. 286 origem deveria indicar o número da fatura emitida pela Pfico, ou então, ter sido deixado em branco, caso o número dessa fatura não fosse conhecido quando da emissão do certificado. Nessa situação, o importador deveria ter apresentado a declaração juramentada prevista no citado artigo, o que se tivesse sido o caso concreto, também deixou de ser observado"; (sic); "...na verdade as operações realizadas na importação das mercadorias diferem da operação prevista no artigo transcrito acima, pois na realidade a operação original constituiu na venda das mercadorias pela PD VÁ à Pfico, situada nas Ilhas Cayman, como se observa pela indicação da fatura da PDVSA nos Certificados de Origem...". Diante dos fatos, a Fiscalização decidiu pela desclassificaçã o do regime aduaneiro de tributação na modalidade redução, retificando-o para regime de tributação integral. Em função do constatado, foi lavrado Auto de Infração para cobrança da diferença do Imposto de Importação e acréscimos legais. Cientificado do lançamento em 07/11/2005, conforme fls. 01, o contribuinte insurgiu-se contra a exigência, apresentando em 29/11/2005 a impugnação de fls. 47/80, nos seguintes termos: 7.1 - invoca Acórdãos do Egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes, cujo resultado em matéria semelhante lhe foi favorável, destacando que os Conselhos de Contribuintes foram concebidos para um escopo especial: orientar a aplicação das leis tributárias no âmbito da SRF e unificar-lhes a interpretação para todo o Brasil, assim é "data máxima vênia", necessário que suas decisões/jurisprudências sejam observadas, para que se mantenham firmes e coerentes em todas as unidades da Secretaria da Receita Federal; 7.2 - traz à colação o instituto da decadência, alegando que quase todas as importações objeto do referido lançamento, ocorreram antes de 30/10/2000, à exceção da DI 00/1083673-4, assim o Auto de Infração não encontra respaldo pois lavrado em 20/12/2004. Mesmo que se considerasse a data do lançamento do crédito Tributário em 01/11/2005; 7.3 - argúi que a crise mundial, restrições administrativas impostas na área cambial, a exigência dos prazos para entrega da documentação de importação, as dificuldades na captação de recursos por que passa o país, além de significativas especificidades geo-políticas dessas mercadorias, acarretam limitações aos negócios, inviabilizando alternativas comerciais que superam esses óbices. 7.4 - Esses fatores e adicionalmente o curto prazo de pagamento praticado no mercado internacional de petróleo, variando entre 05 a 30 dias do carregamento, levam a PETROBRAS a se valer de linhas de crédito tomadas no exterior, diretamente por suas subsidiárias lá sediadas. Nesse sentido é a proposta de compra direta por uma dessas subsidiárias, que então revenderiam para a PETR OBRAS com o prazo de pagamento necessário, o que os fornecedores (tais como a ECOPETROL, a CORPOVEN S.A e a PETROLEOS DE VENEZUELA 4 Processo n° 18336.001685/2005-06 53-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.245 Fl. 287 S.A- PDVSA) até recentemente recusavam, opondo impedimentos nesse sentido; 7.5 - alega que por interesses vitais da economia do Pais e para equacionar o significativo rol de contingenciamentos, e como uma das alternativas comerciais, passou a PETROBRAS a comprar o produto, com o prazo necessário, mas uma das subsidiárias paga diretamente ao produtor-exportador o preço dessa compra, por ordem da controladora. Concomitantemente a PETROBRAS revende a mercadoria à subsidiária, com tal prazo; e a recompra para pagamento até 180 dias; 7.6 - destaca que a Resolução n° 78 e o Acordo n° 91, não vedaram a compra direta com interveniência posterior de terceiros com finalidade de mera alavancagem financeira, e sem trânsito por outro país; 7.7 - descabe a perda da redução em face da não informação da quantidade, bem como pela emissão de fatura comercial depois do certificado de origem; 7.8 - ressalta que a fatura final, compreende o preço puro e idêntico, constante em ambas as faturas anteriores, acrescido apenas do repasse dos encargos financeiros das linhas de crédito tomadas; 7.9 - a mercadoria, em face da aquisição original, é enviada diretamente do pais produtor para o Brasil e, só muito raramente, haverá trânsito por outro pais; 7. 10 - ressalta a necessidade de realização dessas operações intermediárias pela empresa como forma de alavancagem financeira; 7. 11 - reitera que essas operaçães de intermediação de um terceiro país não colidem com a intenção que presidiu a celebração dos Acordos de redução tarifária, tampouco prejudicam seu enquadramento no regime de origem; 7.12 - o art. 10 da Resolução 78 determina que os países signatários procederão a consultas entre os Governos, sempre e previamente à adoção de medidas que impliquem rejeição do Certificado de Origem, observando-se ainda o devido processo legal; 7 .1 3 - alega que é improsperável a pretensa divergência entre os números constantes do Certificado de origem e da fatura correspondente; 7.14 - basta observar que o número da fatura comercial que consta no campo referente à declaração de origem, do respectivo certificado, efetivamente NÃO DIVERGE da fatura que instruiu o processo Pfico; 7.15 - em nenhum momento o enquadramento legal citado no auto, faz disposição quanto à perda do direito de redução nestes casos, logo o enquadramento legal não se coaduna com a penalidade imputada à impugnante; 7.16- afirma que o Auto de infração está eivado de nulidade, por contrariar e negar vigência ao art. 10, inciso IV do Decreto n° 5 Processo n° 18336.001685/2005-06 S3-C2T1 Acórdão o.° 3201-00.245 Fl. 288 70.235/72, ao não especificar de modo claro o que está sendo cobrado; 7.17 - indaga em atendimento ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, (art. 50 LV da CF/88), qual a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, vez que há na mesma autuação Fiscal, enquadramentos legais distintos e divergentes; 7.18 - traz a lume o art. 112 do CTN e conclui que o cerne do auto de Infração reside na impossibilidade material de correlacionar a fatura comercial da Pfico com a da PDVSA, o que não pode prosperar; 7.19 - em observância ao princípio da verdade material, requer a realização de perícia para comprovar se os documentos objeto da presente lide têm a devida adequação ou correlação às importações em questão, apresentando a quesitação às fls.49/50: Seria correto afirmar que os números das faturas comerciais que constam nos campos referentes às declarações de origem dos respectivos certificados, divergem das faturas que instruíram os processos Pfico ? Seria correto afirmar que ao observarmos o campo "INVOICE" se vê com clareza que através dos números ali consignados identifica-se as Faturas Comerciais (venezuelanas) a que dispõem o d. Fiscal? (sic); Seria correto afirmar que as informações que constam no campo "INVO10E", são suficientes para se esclarecer o país de origem e demais dados da origem dos produtos? seria correto afirmar que dos certificados de origem se extraem referências suficientes/claras — OBSERVAÇÕES — sobre a participação de um operador de um terceiro país nas transações? Com algumas diligências e análise de todos os documentos que compuseram a importação, seria possível afirmar que os produtos importados têm origem efetivamente na Venezuela, e se as mercadorias relacionadas nos documentos mencionados no AI são as mesmas? 7.20 - Ressalta que quanto ao art.16, inciso IV do Decreto n° 70.235/72, pode-se afirmar que o perito oficial da SRF seria suficiente, e por isso não havia necessidade de nomeação de perito da parte, assim sendo não há como se refutar a apreciação da prova material ora apresentada pela impugnante, em respeito ao princípio do formalismo moderado. 7.21- Ressalta que, tratando-se de importaç es no interesse do País e sob rigoroso controle do Governo Federal, verifica-se desarrazoada a autuação, em que pese a erudiçao de seu signaário; 7.22 - traz à colação respeitável doutrina e jurisprudência administrativa; 7.23 - reitera que há copiosa jurisprudência no Terceiro Conselho de Contribuintes acatando a tese da defesa e elenca resumidamente os fundamentos utilizados pelo Conselho de Contribuintes em matéria semelhante; 6 Processo n° 18336.001685/2005-06 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.245 Fl. 289 7.24 - requer ainda que seja declarado nulo por ilegalidade, e se caso não seja esse o entendimento, seja cancelado o Auto de Infração por sua manifesta improcedência/insubsistência. Urge destacar que a impugnante traz como suporte legal e argumentação jurídica em sua defesa para a argüição de decadência a fundamentação expendida pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ/FOR, em acórdãos, quanto à preliminar de decadência a exemplo do Acórdão DRJ/FOR N° 2.823, de 30/04/2003, sem contudo mencionar tal circunstância. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou sua decisão na ementa correspondente. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 10/10/2000 DECADÊNCIA Em se tratando de lançamento por homologação, expirado o prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o pagamento e definitivamente extinto o crédito Tributário, salvo nos casos de dolo, fraude ou simulação, que não foram comprovados no caso concreto. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 10/10/2000, 10/11/2000 PEDIDO DE PERÍCIA NÃO FORMULADO. Considera-se não formulado o pedido de perícia que deixe de atender aos requisitos previstos na legislação de regência. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Improcedente a argüição de nulidade do lançamento apontada pela defesa, tendo em vista que a exigência foi formalizada com observância das normas processuais e materiais aplicáveis ao fato em exame. Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 10/10/2000, 10/11/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM É incabível a aplicação de preferência tarifária percentual em caso de divergência entre Certificado de Origem e fatura comercial bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro país, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 10/10/2000, 10/11/2000 7 Processo n° 18336.001685/2005-06 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.245 Fl. 290 FATURA COMERCIAL Comprovado nos autos que a Fatura Comercial não contém os requisitos exigidos na legislação de regência, torna-se cabível a exigência da penalidade pecuniária. 8 Processo n° 18336.001685/2005-06 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.245 Fl. 291 Voto Vencido Conselheiro RICARDO PAULO ROSA, Relator O recurso é tempestivo. Trata-se de matéria de competência deste Terceiro Conselho. Dele tomo conhecimento. Preliminarmente, hão de ser analisadas as preliminares de nulidade suscitas pela recorrente. Segundo entende, A decisão [de primeira instância] está eivada de nulidades, comprometidas suas premissas e conclusões por falta de fundamentação válida e eficaz em face de seus próprios termos — a par do exame do mérito da questão —pois que, exempli gratia: - acolhe ato que claramente contraria orientação sistêmica do órgão central da S.R.F,; - contraria normas expressas do ato internacional que claramente impõe um procedimento prévio à rejeição dos certificados de origem. Não vejo, a priori, a presença de nenhuma das duas circunstâncias definidas em Lei para decretação de nulidade do ato, quais sejam, a preterição ao direito de defesa ou a prática do ato ou tomada de decisão por pessoa ou servidor incompetente. É assim que determina o Decreto 70.235/72 e alterações posteriores. Art. 59. São nulos: 1- os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1° A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Além do mais, logo a seguir, o mesmo diploma legal trata de afastar a possibilidade de que as demais irregularidades, incorreções e omissões tragam esse tipo de conseqüência aos atos praticados no curso do procedimento. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. 9 Processo n° 18336.001685/2005-06 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.245 Fl. 292 Também não vejo como atender ao pedido de perícia, na medida em que ausentes os requisitos definidos em Lei para sua eficácia, como bem decidido em primeira instância. Não havendo razão por que falar-se em nulidade da decisão, passo ao exame do mérito, onde as duas questões apresentadas pela recorrente para efeito de decretação da nulidade da decisão a quo serão adequadamente analisadas. As razões de recurso são, em linhas gerais, as mesmas apresentadas em sede de impugnação. A questão que se apresenta diz respeito à admissibilidade ou não do certificado de origem apresentado pelo contribuinte com vistas à aplicação da aliquota preferencial prevista no Acordo de Complementação Econômica n° 39 (ACE-39) do qual o Brasil, pais importador, e a Colômbia, país exportador, são signatários. Conforme já esclarecido nos autos, o problema com o Certificado Origem apresentadp está na informação nele contida de que a mercadoria importada seria procedente da Venezuela, enquanto a fatura apresentada no despacho aduaneiro foi emitida pela Petrobras International Finance Company — PIFCO, empresa situada nas Ilhas Cayman, país que não é membro da ALADI. Na peça recursal a empresa esclarece as razões para que isso tenha ocorrido. "Crescentes têm sido as dificuldades na captação de recursos por que passa o País. Adicionalmente, o prazo de pagamento praticado no mercado internacional de petróleo é curto, variando entre 05 a 30 dias do carregamento. Visando captar os recursos necessários, e alongar tal prazo, vem a PETROBRAS se valendo, inclusive, de linhas de crédito tomadas, no exterior, diretamente por suas subsidiárias lá sediadas". "Buscando equacionar esse significativo rol de contingenciamentos, e como uma das alternativas comerciais, passou a PETR OBRAS a comprar do produtor, com aquele prazo; mas uma dessas subsidiárias paga diretamente ao produtor-exportador o preço dessa compra, por ordem da controladora. Concomitantemente, a PETR OBRAS revende a mercadoria à subsidiária, com tal prazo; e a recompra para pagamento em até 180 dias". Não é dificil compreender que o litígio diz respeito a uma questão adstrita à observância das formalidades exigidas pela legislação para que se reconheça a redução da alíquota do Imposto na importação da mercadoria. Uma vez compreendidas as razões pelas quais a empresa pratica a operação nesses moldes e, corolário, o porquê dos problemas identificados na instrução da declaração de importação, não se discute, do ponto de vista comercial ou econômica, a razoabilidade desta prática, tão pouco a efetiva origem das mercadorias, mas exclusivamente a possibilidade de que esta operação seja considerada como regular do ponto de vista tributário. 10 Processo n° 18336.001685/2005-06 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.245 Fl. 293 Em primeira instância, o voto vencedor decidiu pela procedência da autuação, tendo por base o regramento estabelecido para as operações processadas no âmbito da ALADI e a interpretação que se extrai os dispositivos legais que fixam tais regras. Reproduzo excertos do voto. Independente de qualquer apreciação quanto à legalidade da operação realizada pela impugnante, para efeito de fruição da redução tarifária prevista no Acordo da ALADI, constata-se que há uma divergência documental relevante, uma vez que o certificado de origem traz informações discrepantes com relação à fatura comercial apresentada e, por conseguinte, quanto ao pais exportador da mercadoria, declarado nas DIs, o que por si só já inviabiliza a citada redução, uma vez que não se trata apenas de erro formal. Com efeito, a certificação da origem é feita em função da fatura comercial que acoberta determinada partida de mercadoria, objeto de tratamento Tributário diferenciado por força de acordo internacional. Tanto assim, que o formulário-padrão adotado para formalizar a mencionada certificação possui um campo próprio destinado a informação expressa do número da fatura a que se relaciona. Assim, o Certificado de Origem apresentado ampara exclusivamente a quantidade de mercadoria coberta pela fatura comercial nele indicada. Cabe destacar que a finalidade única do Certificado de Origem é a de assegurar, por meio de uma declaração padrão, que as mercadorias objeto de intercâmbio, beneficiadas com os tratamentos preferenciais negociados, são efetivamente originárias e procedentes do país declarante, e que cumprem, obrigatoriamente, com os requisitos fixados entre as partes. Assim, para fruição do tratamento tarifário previsto é necessário que tal declaração acompanhe a documentação de exportação, quando de sua apreciação para fins de desembaraço aduaneiro. Destaque-se que o artigo 1° do Acordo 91 do Comitê de Representantes da ALADI, que trata da regulamentação das Disposições Referentes à Certificação da Origem, promulgado pelo Decreto n° 98.836, de 17 de janeiro de 1990, ao estabelecer que a descrição de produto incluído na declaração que acredita o cumprimento dos requisitos de origem, deve coincidir com o correspondente produto negociado, constante na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para seu despacho aduaneiro, vincula expressamente a mercadoria ao emissor da fatura, e no caso em comento, conforme se constata dos autos, o emissor da fatura comercial que instruiu o despacho de exportação não é país signatário do AGE 39. Nesse mister, é importante ressaltar que uma vez que o produtor é identificado como a pessoa jurídica que fabrica ou produz a mercadoria, podendo ser ao mesmo tempo o exportador, que é a pessoa jurídica que promove a venda da respectiva mercadoria e emite a fatura comercial correspondente, que acompanhará os documentos de exportação, fica claramente demonstrado a obrigatoriedade de constar o nome do exportador no Certificado de Origem para fins de cumprimento das disposições estabelecidas para certificação. 11 Processo n° 18336.001685/2005-06 53-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.245 Fl. 294 Dispõe o artigo 4° do Acordo 91 do Comitê de Representantes da ALADI: "QUARTO — os certificados de origem deverão ser emitidos de conformidade com as normas estabelecidas no Regime Geral de Origens e na presente regulamentação." Prevê ainda o Acordo de Complementação Econômica n°39 (ACE 39), conforme Decreto de execução n° 3.138, de 16/08/1999, em seu artigo 8°: "Para a qualificação da origem das mercadorias que se beneficiem do presente Acordo as Partes Signatárias aplicarão o Regime Geral de origem previsto na Resolução 78 e nas disposições complementares e modificativas do Comitê de Representantes da Aladi, salvo se as partes Signatárias convierem diferentemente." Verifica-se que as normas que disciplinam a certificação de origem estabelecem a forma solene para o documento que atesta a origem da mercadoria pactuada, desse modo é imperioso concluir que o documento contém elementos que estão adstritos à mercadoria pactuada como a indicação da fatura comercial que acoberta exatamente a mercadoria certificada, e deverão ser observadas pelos países signatários, dada a imprescindibilidade destes para ratificar a origem da mercadoria objeto do beneficio tarifário. De relevo destacar que a indicação do número da fatura comercial no certificado de origem não constitui mera formalidade. O vínculo necessário entre a fatura comercial que ampara a partida de mercadoria pactuada e o certificado de origem, centra-se na segurança jurídica visada pelo acordo junto às Partes signatárias, ao estabelecer uma redução tarifária em função da origem da mercadoria. A Fatura Comercial, documento imprescindível ao despacho de importação no caso em tela, espelha o próprio objeto do acordo, de modo que a divergência documental apontada, longe de ser mera formalidade, constitui-se em instrumento de relevância inegável para a perda da redução tarifária. De modo que, dada a importância do documento em análise, como instrumento de certificação de origem de mercadoria objeto de acordo de redução tarifária entre países signatários, infere-se que a ausência de quaisquer dos requisitos exigidos descaracteriza o certificado e invalida o tratamento preferencial pleiteado, devendo ser aplicada à mercadoria o tratamento normal, previsto para as importações de terceiros países. Entretanto, a matéria aí não se esgota, devendo-se, portanto, continuar a apreciação, perquirindo-se quanto ao aspecto legal no tocante à interveniência de um terceiro País na operação, questão que, se deslindada, dispensa qualquer consideração a respeito da citada fatura. Preferência tarifária em função da origem da mercadoria Prescreve o art. 434 do Regulamento Aduaneiro - RA: 12 Processo n° 18336.001685/2005-06 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.245 Fl. 295 "Art. 434- No caso de mercadoria que goze de tratamento Tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idôneo. Parágrafo único — Tratando-se de mercadoria importada de pais- membro da Associação Latino-Americana de Integração (ALADO, quando solicitada a aplicação de reduções tanfárias negociadas pelo Brasil, a comprovação constará de certificado de origem emitido por entidade competente, de acordo com modelo aprovado pela citada Associação." Entende-se que as normas pactuadas pelos países, uma vez incorporadas ao direito interno constituem fonte de direito, já que são normas jurídicas como as demais leis. Considerando que o Tratado de Montevidéu, de 12 de agosto de 1980, criou a Associação Latino-Americana de Integração (ALADI), e sendo o Brasil pais-membro da citada associação, assinou o Regime Geral de Origem, através da Resolução 78 do Comitê de Representantes — ALADI/CR/Resolução 78 (Decreto n° 98.874, de 24 de novembro de 1990), cuja Regulamentação das Disposições Referentes à Certificação de Origem operou-se através do Acordo 91, apenso ao Decreto n° 98.836, de 1990, que trata de sua execução em nível nacional. Cumpre lembrar que a relação jurídica decorrente da operação de importação se estabelece entre a União e o importador, sendo deste a responsabilidade pelo cumprimento da obrigação tributária. Assim, a fruição do beneficio de redução tarifária importa a observância das condições e requisitos estabelecidos no acordo internacional. É claro o entendimento de que o reconhecimento pelo Fisco de um beneficio Tributário pactuado entre países implica a constatação de que a importaç "do ocorreu pelos exatos termos acordados, cuja prova documental de cumprimento de tais requisitos deve necessariamente ser inquestionável. Infere-se das normas de regência que, se o beneficio acordado entre os países signatários do acordo está calcado na origem da mercadoria, a apresentação do Certificado de Origem é pressuposto de validade para que o beneficio pactuado seja reconhecido pelo país importador, pela imprescindibilidade deste documento, conforme está cristalinamente disciplinado no Regime de Origem - ALADI/CR/Resoluçã o 78, art. sétimo: "os países-membros deverão acompanhar os documentos de exportação, no formulário-padrão adotado pela Associação, de uma declaração que acredite o cumprimento dos requisitos de origem...". Ademais, além de ser apresentado o certificado de origem, deve a operação de importação estar de conformidade com as regras estabelecidas no Regime de Origem. Com efeito, os acordos no âmbito da ALADI, visam estabelecer, a longo prazo e de maneira gradual e progressiva, um mercado comum, que culmine com a eliminação das tarifas e outras barreiras ao comércio entre os países que dele participam. Neste mister, evidencia-se de suma importância o estabelecimento das normas acerca do Regime Geral de Origem, pela Resolução n.° 78, de 1987, no ámbito da ',ILIDI, visto que, para a efetividade desses 13 Processo n° 18336.001685/2005-06 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.245 Fl. 296 acordos, a caracterização da origem deve ser inequívoca, sob pena de invalidar os beneficios da redução tarifária acordada entre os países signatários. Prescreve o art. 1 0 do Acordo 91 do Comitê de Representantes da ALADI, que trata da Regulamentação das Disposições Referentes à Certificação da Origem, promulgado pelo Decreto n°. 98.836, de 17 de janeiro de 1990, com a redação dada pela Resolução n° 252 da ALADI: "PRIMEIRO — A descrição dos produtos incluídos no formulário que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições vigentes deverá coincidir com a que corresponde ao produto negociado, classificado de conformidade com a NALADI/SH, e com a que se registra na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para o despacho aduaneiro". (grifei) Da interpretação das normas de regência, acima mencionadas, constata-se, em face do caráter bilateral dos acordos que objetivam tratamentos preferenciais entre os países integrantes da ALADI e do escopo de assegurar a sua eficácia, que a concessão de redução tarifária reservada a esses países com base nos requisitos de origem, foi formulada justamente para prevenir operações comerciais que, pela sua natureza poderiam, de modo ilegítimo, estender a terceiros países não signatários, o tratamento preferencial acordado exclusivamente entre os países membros. Uma leitura acurada dos dispositivos legais que disciplinam o Regime de Origem, permite a inferência de que essa vedação torna-se evidente e imperativa, na medida em que o supracitado dispositivo dispõe de forma inequívoca que deverá haver uma correspondência entre o Certificado de Origem e a fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para o despacho aduaneiro, assegurando-se, dessa forma, que a mercadoria submetida ao despacho é a mesma objeto da certificação e que a operação comercial que deu origem à importação se amolda aos princípios pactuados nos acordos, atendendo, assim, a seus objetivos. Vale ressalvar que para fins aduaneiros, a fatura comercial comprova a cessão por venda, por parte do vendedor/exportador em favor do adquirente/importador. Constata-se, portanto, que, exceto na hipótese de operações comerciais em que intervenha operador de outro país, conforme previsto na legislação de regência abordada adiante, o legislador não deixou margem para a interveniência de um terceiro país nos moldes da operação comercial de fato ocorrida, de que resultou a importação efetuada pelo sujeito passivo, visto que deve estar cristalinamente demonstrado que o produto acreditado pelo certificado de origem é o efetivamente negociado com o emissor da fatura comercial do país produtor, sendo considerado exportador, em conformidade com as normas citadas, o País-membro da ALADI, signatário dos acordos pactuados, segundo a Regulamentação das Disposições Referentes à Certificação da Origem do Acordo 91, acima citada. 14 Processo n° 18336.001685/2005-06 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.245 Fl. 297 À luz das normas mencionadas, resulta claro que as preferências e contrapartidas econômicas, assentadas no regime de origem, contemplam exclusivamente o comércio praticado entre dois países signatários, destinando-se tal regime a coibir uma interveniência nociva aos objetivos dos acordos pactuados entre os países-membros, ressalvada a hipótese de interveniência legalmente prevista. No esteio desse raciocínio é importante destacar as regras contidas no art. 4°, e 7° da Resolução ALAD1/CR n.° 78, de 1987, verbis : "QUARTO — Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do pais exportador para o país importador. Para esses efeitos, considera-se como expedição direta: "(grifei). a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. b) As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte; não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e não sofram, durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantê-las em boas condições ou assegurar sua conservação." "SÉTIMO - Para que as mercadorias objeto de intercâmbio possam beneficiar-se dos tratamentos preferenciais pactuados pelos participantes de um acordo celebrado de conformidade com o tratado de Montevidéu 1980, os países-membros deverão acompanhar os documentos de exportação, no formulário-padrão adotado pela Associação, de uma declaração que acredite o cumprimento dos requisitos de origem que correspondam, de conformidade com o disposto no Capitulo anterior. (grifei). Essa declaração poderá expedida pelo produtor final ou pelo exportador da mercadoria de que se tratar, certificada em todos os casos por uma repartição oficial ou entidade de classe com personalidade jurídica, credenciada pelo Governo do país exportador." Fazendo-se uma interpretação lógico-sistemática, das normas que regem o Regime de Origem, precisamente no tocante aos dispositivos acima transcritos, pactuadas que foram como diretrizes a serem observadas pelos países integrantes da ALADI, pode-se inferir que a vedação à interveniência de um terceiro país é ínsita à concepção normativa acima, que pressupõe a emissão do certificado pelo exportador e de forma inequívoca dispõe que as mercadorias devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. 15 Processo n° 18336.001685/2005-06 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.245 Fl. 298 Observe-se ainda que a vedação quanto ao trânsito de mercadorias objeto de tratamentos preferenciais junto a países não signatários não se circunscreve apenas ao trânsito físico de mercadorias, mas também à qualquer interveniência de um terceiro país, uma vez que a natureza intrínseca do acordo é o tratamento bilateral entre os países signatários e as normas que estabelecem o regime de origem, conforme já salientado, deixam evidente que o documento de certificação que acompanha a mercadoria diretamente do país exportador para o país importador, deve traduzir essa realidade de forma inquestionável. Entretanto, a Resolução n°252 que engloba as Resoluções n's 227, 232 e os Acordos les 25, 91 e 215 do Comitê de Representantes da ALADI, em seu art. 9° veio permitir a participação de um operador de um terceiro pais, membro ou não da ALADI, nos seguintes termos: "Nono. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro pais, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino." Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, o campo correspondente do certificado não deverá ser preenchido. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o . fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação." É oportuno esclarecer que em matéria tributária, qualquer situação excepcional só pode ser acatada se expressamente prevista na legislação. Observa-se que a Resolução n° 252, ressalva a interveniência de um operador de um terceiro país, signatário ou não do acordo em questão. Entretanto, à espécie dos autos não se aplicam as disposições da norma em apreço, visto que da análise das peças processuais, constata-se que não há a interveniência de um operador, nos moldes previstos na Resolução retromencionada, mas a participação de um terceiro pais na qualidade de exportador, na medida em que uma empresa situada nas Ilhas Cayman, fatura e exporta para o Brasil uma mercadoria objeto de preferências tarifárias no âmbito da ALADI De relevo salientar que a interveniência de um operador tal como prevê o art. segundo do Acordo 91, está condicionada ao atendimento dos requisitos exigidos no diploma legal acima transcrito com a redação dada pela Resolução n° 252 da ALADI, hipótese não confirmada na espécie em análise. 16 Processo n° 18336.001685/2005-06 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.245 Fl. 299 Reitere-se que as normas que dispõem sobre a certificação de origem, no âmbito na ALADI, trazem, como pressuposto mandamental, a origem da mercadoria acobertada pela fatura comercial emitida pelo pais exportador, fato que deve estar inequivocamente demonstrado em todas as peças que instruem o despacho de importação, tendo em vista que essa documentação materializa, enquanto elemento probatório perante o pais importador, a regularidade da utilização do beneficio pleiteado. À luz da legislação de regência, nos precisos termos das normas de certificação de origem, no âmbito da ALADI, verifica-se que, ainda que a empresa exportadora, situada nas Ilhas Cayman, se enquadrasse de fato como operadora, seria necessário, nos termos da Resolução 252, acima citada, que o produtor ou exportador do país de origem indicasse no Certificado de Origem, na área relativa a "observações", • que a mercadoria objeto de sua declaração seria faturada por um terceiro pais, identificando o nome, denominação ou razão social e domicilio do operador ou, se no momento de expedir o certificado de origem, não se conhecesse o número da fatura comercial emitida pelo operador de um terceiro pais, o importador deveria apresentar à Administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justificasse o fato. Cumpre ainda destacar que a.indicação da "INVOICE" les 122438-0, em um campo da "INVOICE" Pfico PIFSB, de fls. 41, não supre as exigências acima destacadas trazidas à colação pela Resolução 252. De relevo assinalar que a disposição normativa sobre a certificação de origem deixa evidente que o Regime Geral de Origem, tem o escopo de assegurar perante as partes que a mercadoria negociada é efetivamente originária e procedente do pais declarante. Nesse mister, • a necessária correspondência entre a o Certificado de Origem e a Fatura Comercial nele indicada, longe de ser mera formalidade, tal como dispõe a defesa, traduz-se na essência material objetivada pelo acordo, na medida em que constitui o elemento probatório da origem perante o país importador, conforme já salientado na presente peça. Com efeito, no caso em tela, o Certificado de Origem apresentado não atende às exigências previstas no artigo 90 da mencionada Resolução. Também não consta dos autos que o importador tenha apresentado a declaração juramentada referida na legislação. Atente-se que, sendo a norma tributária de natureza cogente e estabelecendo o Regime Geral de Origem as exigências para a certificação, complementadas aqui pela Resolução n° 252 do Comitê de Representantes da ALADI, não cabe ao intérprete decidir pela prescindibilidade desta ou daquela informação, ao argumento de que se trata de mera formalidade, sob pena de atentar contra a própria literalidade da norma, haja vista que as regras que disciplinam o Regime de Origem são claras quanto à vincula ção do certificado de origem à fatura comercial que ampare a mercadoria efetivamente pactuada. Reitere-se que para fazer jus à aliquota preferencial acordada na esfera da ALADI, a mercadoria a ser negociada deverá atender a requisitos de natureza objetiva, tais como aqueles indicados nos artigos PRIMEIRO e QUARTO da citada Resolução 78, quais sejam, o 17 Processo n° 18336.001685/2005-06 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.245 Fl. 300 de constituir-se de produto efetivamente fabricado dentro do território de um dos países signatários, e de serem despachados diretamente do país exportador para o importador e ainda que a origem dessa mercadoria seja formalmente atestada por um Certificado de Origem emitido pela entidade competente, de conformidade com o disposto no Capítulo II da mesma Resolução 78 e no Acordo 91, com a descrição do produto negociado e a indicação de sua classificação tarifária e da fatura emitida pelo exportador. Logo, constata-se que é inequívoca a impropriedade da operação realizada pela impugnante, não repercutindo na solução do litígio a argumentação trazida à colação na peça impugnató ria de que tal operação teve o cunho eminentemente financeiro. Assinale-se que sendo essa argumentação de cunho extra legal não tem o condão de convalidar o descumprimento das normas que tratam do regime de origem, envolvendo mercadoria objeto de acordo de redução tarifária. Qualquer que seja o motivo alegado, seja para mera alavancagem financeira ou não, vale dizer, tratando-se de uma operação comercial entre uma empresa brasileira e outra das Ilhas Cayman, sem respaldo em certificado de origem, não há, como invocar a redução tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica n° 39 (ACE 39), conforme Decreto de execução n° 3.138, de 16/08/1999, firmado entre Brasil e os seguintes países: Colômbia, Equador, Peru, Venezuela (Países-Membros da Comunidade Andina), porque reside na essência das normas que disciplinam o regime de origem, cuja observância entre os países-membros da ALADI se faz mister para o implemento das preferências tarifárias, a vedação da citada operação, dado o caráter cogente da norma que vincula expressamente, por meio do Certificado de Origem, a mercadoria ao emissor da fatura. Em Recurso, a empresa sustenta que a decisão estaria contrariando "frontalmente a apreciação que sobre a matéria fez o órgão sistêmico central da SRF, mediante a NOTA COANA/COLAD/DITEG N° 60/97", "claríssima no sentido de que a apresentação das faturas anteriores é despicienda e que não há exigência expressa de apresentação de duas faturas comerciais". Segundo entendimento do contribuinte, a Nota confirma a desnecessidade de que os números constantes dos Certificados de Origem e das faturas sejam coincidentes, como exigido na decisão de primeira instância. Transcrevo parte da Nota COANA/COLAD/DITEG N° 60/97. "O número da fatura comercial aposto na Declaração de Origem é condição coadjuvante com essa finalidade. Importante notar ainda que, em ambos os casos (ALADI e MERCOSUL) não há exigência expressa de apresentação de duas faturas comerciais. No caso do MERCOSUL se obriga apenas que na falta da fatura emitida pelo interveniente, se indique, na fatura apresentada para despacho (aquela emitida pelo exportador e/ou fabricante), a modo de declaração jurada, que "esta se corresponde com o certificado, com o número correlativo e a data da emissão, e devidamente firmado pelo operador". Ora, não vejo como pode prosperar a interpretação sugerida pelo contribuinte. 18 Processo n° 18336.001685/2005-06 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.245 Fl. 301 A Nota é clara no sentido de que (z) não há exigência expressa de apresentação de duas faturas comerciais, o que não está em discussão, e (ii), no caso do MERCOSUL, é obrigatória a indicação, na fatura apresentada para despacho de declaração jurada, de que "esta se corresponde com o certificado, com o número correlativo e a data da emissão, e devidamente firmado pelo operador". A manifestação contida no voto condutor da decisão recorrida é análoga ao considerar que, fosse o caso passível de ser enquadrado na hipótese definida na legislação, seria necessário, para que a operação pudesse ser considerada como regular, que o produtor ou exportador do país de origem indicasse no formulário respectivo que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país. E, se no momento da expedição do certificado de origem não se conhecesse o número da fatura comercial emitida pelo operador, que o importador apresentasse à administração aduaneira declaração juramentada que justificasse o fato. Tratam-se de situações distintas, e a que está descrita na NOTA COANA/COLAD/DITEG N° 60/97 apenas explicita a cautela e o rigor com que são estipuladas as exigências formais para a confirmação da origem da mercadoria com vistas à aplicação da alíquota preferencial, cuja inobservância importa na perda do beneficio pleiteado. O contribuinte também considera que não foi observado o artigo 10 da Resolução ALADI n° 78 com o seguinte teor: "10 — Sempre que um pais signatário considere que os certificados expedidos por uma repartição oficial ou entidade de classe credenciada do pais exportador não se ajustam às disposições contidas no presente regime, comunicará o fato às autoridades governamentais do pais exportador para que este adote as medidas que considere necessárias para solucionar os problemas apresentados". Não creio que essa determinação se aplique ao caso presente. Não se pode aceitar a hipótese de que, a cada problema identificado pela autoridade aduaneira de um dos países-membro em um determinado certificado de origem, o país tenha que comunicar o fato ao país exportador para, só depois da manifestação deste, resolver qual medida adotar em relação ao problema identificado. É certo que o artigo está dirigido às situações em que o país (e não o agente fiscal) considere que há problemas com os certificados (e não com o certificado) expedidos por uma determinada repartição oficial ou entidade de classe credenciada. Isso constatado, cumprirá a um dos países signatários comunicar o fato ao pais exportador para que esse adote as medidas necessárias para solucionar o problema e não para que este se manifeste em relação a um determinado erro identificado pela autoridade fiscal no certificado emitido, como condição para adoção as providências que julgar adequadas. No que diz respeito às restrições impostas no artigo 4° da Resolução 78 e da afirmação de que "em momento algum tem-se na legislação que a inobservância destes aspectos formais traga PERDA DO DIREITO À REDUÇÃO", considero equivocado entendimento manifesto pelo contribuinte e, ainda mais, as conclusões a que o mesmo deu ensejo. 19 Processo n° 18336.001685/2005-06 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.245 Fl. 302 Tais restrições dizem respeito às "mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países", o que não ocorreu no presente caso e, ainda menos, motivou a autuação fiscal. Por outro lado, a inobservância das condições especificadas nos itens i, ii,e iii da alínea "b", importam, sim, na perda do direito à redução do imposto. É por demais claro o comando contido no caput do artigo 40 • QUARTO - Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do pais exportador para o pais importador. (grifei) Ou seja, contrário senso, não satisfeita a condição sine qua non, as mercadorias originárias não se beneficiarão do tratamento preferencial. No que diz respeito à jurisprudência administrativa trazida à colação, cumpre rememorar que nem as decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais nem as tomadas pelas Câmaras do Terceiro Conselho de Contribuintes tem efeito vinculante. De todo o exposto, o que se conclui é que a operação empreendida pela recorrente está em desacordo com a legislação de regência do Imposto que, inclusive, em situações análogas, exige que sejam adotadas certas cautelas para o reconhecimento da aplicação da aliquota preferencial. Nem mesmo estas foram observadas no caso vertente. Por esse motivo, VOTO AFASTAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado pelo contribuinte. Sala das Sessões, em 09 de julho de 2009. RICARDO PAULO ROSA — Relator 20 Processo n° 18336.001685/2005-06 53-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.245 Fl. 303 Voto Vencedor Conselheiro LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Redator O Certificado de Origem, como o próprio nome diz, é o documento que atesta a origem da mercadoria, sua nacionalidade ou procedência original. O privilégio dado pelo Acordo Internacional não é pessoal, mas objetivo, ou seja, dá-se preferência a atos comerciais que tenha por objeto mercadorias originárias dos países signatários, o que permite a intermediação, desde que seja preservada a integridade da mercadoria. Esse foi o objetivo das exceções criadas pelo art. 4°, da Resolução ALADI/CR n°. 78 — Regime Geral de Origem (RGO)-, aprovada pelo Decreto n°. 98.836, de 1990, de tratar das circunstâncias em que se mantém a preferência tarifária, quando preservada a origem da mercadoria importada, ou, pelo menos, quando se é possível comprovar tal preservação de origem. Nesse sentido adoto o excelente voto condutor do Acórdão n°. 303-29.776, de 06 de junho de 2001 de lavra do Ilustre Conselheiro Irineu Bianchi: "Entende a fiscalização que a recorrente perdeu o direito de redução pleiteado, pelos seguintes motivos: a) divergência constatada entre o número da fatura comercial informada no Certificado de Origem e o da fatura apresentada pelo importador como documento de instrução das respectivas declarações de importação e; b) a operação intentada pelo importador (triangulação comercial) não está acobertada pelas normas que regem os acordos internacionais no âmbito da ALAI». Observa-se que a ação fiscal não impugna a validade dos Certificados de Origem e nem das Faturas Comerciais, pelo que, afasta-se de imediato a alegação da recorrente no sentido de ter ocorrido prejuízo quanto a ver suprimida a diligência prevista no art. 10 da Resolução n° 78 da ALADI, que prevê a consulta entre os Governos, sempre e antes da adoção de medidas no sentido da rejeição do certificado apresentado. Assim, válidos os documentos apresentados no desembaraço aduaneiro, ao menos no seu aspecto formal, entendo que o deslinde do conflito passa necessariamente pela análise dos atos praticados pela recorrente, vale dizer, se foram realizados atos contrários aos requisitos preceituados na legislação de regência, capazes de gerar a perda do benefício tarifário. 21 Processo n° 18336.001685/2005-06 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.245 Fl. 304 A fruição dos tratamentos preferenciais acha-se normatizada no art. 4°, da Resolução ALADI/CR n° 78[11 — Regime Geral de Origem (RGO)-, aprovada pelo Decreto n°98.836, de 1990, 4°, in verbis: CUARTO.- Para que ias mercancias originarias se beneficien de los tratamientos preferenciales, las mismas deben haber sido expedidas directamente dei país exportador ai país importador. Para tales efectos, se considera como expedición directa: a) Las mercancias transportadas sin pasar por el território de algún país no participante dei acuerdo. b)Las mercancias transportadas en tránsito por uno o más países no participantes, com o sin transbordo o almacenamiento temporal, bafo la vigilancia de la autoridade aduanera competente em tales países, siempre que: i) el tránsito esté justificado por razones geográficas o por consideraciones relativas a requerimientos dei transporte; ii) no estén destinadas ai comercio, uso o empleo en el país de tránsito; y iii)no sufran, durante su transporte y depósito, ninguna operación distinta a ia carga y descarga o manipuleo para mantenerlas en buenas condiciones o assegurar su conservación. O caput do dispositivo em comento, combinado com sua letra "a", estabelece, de forma expressa e clara, que é requisito para a fruição dos tratamentos preferenciais, que as mercadorias tenham sido expedidas diretamente do país exportador ao país importador, considerando-se expedição direta, as mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo." Note-se neste ponto que as prova carreada aos autos demonstram que as mercadorias foram expedidas diretamente da Venezuela para o Brasil não tendo aportado em outro Pais o que comprova que interveniência do terceiro não participante foi meramente negocial. Continua a voto condutor: "As hipóteses perfiladas na letra "b", segundo entendo, destinam-se àqueles casos em que, fisicamente, a mercadoria passe por terceiro país não participante do acordo, e por isto mesmo não se aplicam ao presente caso. É que a análise dos documentos apresentados demonstra que embora a ocorrência de triangulação comercial, as mercadorias foram 22 Processo n° 18336.001685/2005-06 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.245 Fl. 305 transportadas diretamente da Venezuela para o Brasil, e apenas virtualmente passaram pelas Ilhas Cayman. Logo, sob o ponto de vista da origem das mercadorias, não há nenhuma dúvida de que as mesmas são procedentes da Venezuela, país signatário do Tratado de Montevidéu, ficando atendido o requisito para que a importadora se beneficiasse do tratamento preferencial. Entendo, outrossim, que o conteúdo do Certificado de Origem e as divergências que podem causar no confronto com as Faturas Comercias, não podem embasar a negativa ao beneficio pretendido. Com efeito, analisando a dicção do art. 434, caput, do Regulamento Aduaneiro, verifica-se que o mesmo determina que no caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta mesma origem será feita por qualquer meio julgado idôneo. Já o parágrafo único faz ressalva em relação às mercadorias importadas de país-membro da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI), quando solicitada a aplicação de reduções tarifárias negociadas pelo Brasil, caso em que a comprovação da origem se fará através de certificado emitido por entidade competente, de acordo com modelo aprovado pela citada Associação. A previsão legal acima acha-se perfilada com o que estabelece o art. 7°, da Resolução ALADI/CR n° 7812] — Regime Geral de Origem (RGO) -, aprovada pelo Decreto n°98.836, de 1990. A finalidade precípua do Certificado de Origem, na forma do dispositivo legal citado e nos termos da NOTA COANA/COLAD/DITEG N° 60/97, de 19 de agosto de 1997, acostada pela recorrente às fls. 179/181, é tratar-se de : lt ... um documento exclusivamente destinado a acreditar o cumprimento dos requisitos de origem pactuados pelos países membros de um determinado Acordo ou Tratado, com a finalidade específica de tornar efetivo o beneficio derivado das preferências tarifárias negociadas ". Já o art. 8° determina que as mercadorias incluídas na declaração que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições vigentes, deverá coincidir com a que corresponde a mercadoria negociada classificada de conformidade com a NALADI/SH e com a que foi registrada na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para o despacho aduaneiro. 23 Processo n° 18336.001685/2005-06 53-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.245 Fl. 306 Analisando e confrontando cada uma das Dls e respectivos documentos complementares (Certificado de Origem, Bill of Lading, Faturas Comerciais), apresentados para despacho, verifica-se que a descrição das mercadorias é a mesma, não se constatando qualquer divergência, o que reforça o entendimento de que as operações atenderam ao disposto no art. 4 0, letra "a", da Resolução n° 78. Resta uma análise no que se refere à triangulação comercial, apontada pelo fisco como causa para a negativa do beneficio pleiteado. A mesma NOTA COANA/COLAD/DITEG N° 60/97, de 19 de agosto de 1997, antes referenciada, traz importante constatação, sendo pertinente a respectiva transcrição: "Na triangulação comercial que reiteramos, é prática frequente no comércio moderno, essa acreditação não corre riscos, pois se trata de uma operação na qual o vendedor declara o cumprimento do requisito de origem correspondente ao Acordo em que foi negociado o produto, habilitando o comprador, ou seja, o importador a beneficiar-se do tratamento preferencial no país de destino da mercadoria. O fato de que um terceiro país fature essa mercadoria é irrelevante no que concerne à origem. O número da fatura comercial aposto na Declaração de Origem é uma condição coadjuvante com essa finalidade. Importante notar ainda que, em ambos os casos (ALADI e MERCOSUL), não há exigência expressa de apresentação de duas faturas comerciais. No caso MERCOSUL, se obriga apenas que na falta da fatura emitida pelo interveniente, se indique, na fatura apresentada para despacho (aquela emitida pelo exportador e/ou fabricante), a modo de declaração jurada, que "esta se corresponde com o certificado, com o número correlativo e a data de emissão, e devidamente firmado pelo operador". A lacuna apontada na referida NOTA restou preenchida através da Resolução n° 232 do Comitê de Representantes da ALADI, incorporada ao ordenamento jurídico pátrio pelo Decreto n°2.865, de 7 de dezembro de 1988, que alterou o Acordo 91 e deu nova redação ao art. 9° da Resolução 78, prevendo: • "Quando a mercadoria objeto de intercâmbio, for faturada por um operador de um terceiro pais, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro pais, identificando o nome, denominação ou razão social e domicilio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o 24 Processo n° 18336.001685/2005-06 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.245 Fl. 307 número da fatura comercial emitida por um operador de um país, a área correspondente do certificado não deverá ser preenchida. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação." Por outra via, se a PIFCO for qualificada como operadora, nos termos da Resolução 78, fica evidente que a norma em apreço não foi observada, visto que os Certificados de Origem contêm, em sua totalidade, o número da Fatura Comercial emitida pela empresa venezuelana. Na primeira hipótese, como entendido pela decisão singular, retorna- se à situação, justamente aquela analisada pela NOTA COANA antes mencionada, no sentido de que as triangulações comerciais são práticas freqüentes e que não prejudicam a acreditaçã o estampada no Certificado de Origem, caso em que, os requisitos para a fruição do beneficio estão atendidos. Na segunda hipótese, configura-se a inobservância ao disposto na Resoluçao 78, porquanto com o desembaraço aduaneiro, a recorrente, na qualidade de importadora, deveria apresentar uma declaração juramentada justificando a razão pela qual no campo relativo a "observações" do Certificado de Origem não foi preenchido, informando ainda os números e datas das faturas comerciais e dos certificados de origem que ampararam as operações de importação. Mas nestas alturas cabe averiguar se a não entrega da declara çao juramentada tem o condão de desqualificar as operações como hábeis à fruiçào do tratamento diferenciado ou mesmo, se o conjunto de documentos apresentados no desembaraço suprem as informaç3'es que deveriam constar do aludido documento. Á única justificativa plausível e racional para a exigência de uma declaração juramentada é a consideração de que, no ato do desembaraço, seria apresentada apenas a fatura emitida pelo operador. Não é o caso presente, uma vez que todos os documentos utilizados nas ditas triangulações, foram apresentados à autoridade aduaneira, de sorte que as informações que deveriam constar da mencionada declaração já se acham presentes nos mesmos, suprindo, ao meu ver, toda e qualquer exigência legal, 25 Processo n° 18336.001685/2005-06 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.245 Fl. 308 • _ Não vislumbro, assim, qualquer motivo para descaracterizar as operações realizadas sob o pálio do tratamento tributário favorecido, segundo o espírito que norteou a elaboraç'à o da Resolução n° 78." Os documentos acostados aos autos, emitidos e devidamente apresentados, encontram correspondência e mantêm a rastreabilidade, permitindo identificar, sem qualquer dúvida, a origem da mercadoria, mesmo que ocorrida a operação de triangulação comercial. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, prejudicados os demais argumentos. , Sala das sessões, em 09de julho de 2009. LUCIANO LOP -__ .7 B A i ) IDA MORAES - Redatne . , 26 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO Processo n°: 18336.001685/2005-06 Recurso n.°: 139.412 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n°. 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Primeira Turma da Segunda Câmara da Terceira Sessão, a tomar ciência do Acórdão n.° 3201-00.245. Brasília, 22 de outubro 109. LUIZ HUMBE " 91„.re 1. a ANDES Chefe da 2a â • "' Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 19679.006294/2003-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. COMPENSAÇÃO.
Comprovada a extinção do crédito tributário pela compensação, há que se afastar o lançamento de ofício sob pena de cobrança em duplicidade.
Numero da decisão: 1201-000.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício, e em DAR provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Marcelo Cuba Netto, Gilberto Baptista (Suplente Convocado), André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior.
Matéria: DCTF_IRPJ - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRPJ)
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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EXTINÇÃO. COMPENSAÇÃO. Comprovada a extinção do crédito tributário pela compensação, há que se afastar o lançamento de ofício sob pena de cobrança em duplicidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício, e em DAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Marcelo Cuba Netto, Gilberto Baptista (Suplente Convocado), André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de recursos voluntário e de ofício interpostos nos termos dos arts. 33 e 34, I, do Decreto nº 70.235/72, em face do acórdão nº 1617.145, exarado pela 4ª Turma da DRJI em São Paulo – SP. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 62 94 /2 00 3- 90 Fl. 384DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19679.006294/200390 Acórdão n.º 1201000.786 S1C2T1 Fl. 3 2 Conforme relatado no auto de infração de fls. 7/22, decorrente de auditoria interna nas DCTFs relativas aos fatos geradores ocorridos no ano de 1998, não foram confirmadas as compensações informadas pela contribuinte referentes à extinção das estimativas de IRPJ dos meses de abril, maio, junho, julho e dezembro. No caso, o sujeito passivo informou em suas DCTFs que os mencionados débitos haviam sido compensados “sem processo” e “com DARF”. Ocorre que o Fisco não localizou os pagamentos indevidos ou a maior supostamente efetuados através de DARF, razão pela qual lavrou o auto de infração. Impugnada a exigência, a DRJ de origem decidiu pela procedência parcial do lançamento para afastar a multa de ofício, em razão do disposto no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, combinado com o art. 106 do CTN (fls. 137/145). Tendo em vista a exoneração de encargos de multa em montante superior a R$ 1.000.000,00, o órgão de primeiro grau submeteu sua decisão ao duplo grau de jurisdição. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, sob as seguintes alegações, em síntese (fls. 158/166): a) prescrição intercorrente, conforme estabelecido no art. 1º, § 1º, da Lei nº 9.873/99; b) houve mero erro no preenchimento das DCTF pois, em lugar de compensação “com DARF”, deveria ter sido informado compensação “sem DARF”, já que se trata de compensação com saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ/1998, período em que, apesar de haver de incorrido em prejuízo, realizou pagamentos de estimativas de IRPJ no montante de R$ 5.265.799,14. Apreciados os recursos, esta Turma resolveu converter o julgamento em diligência a fim de que (fl. 238 e ss.): a) fossem confirmados os pagamentos realizados a título de estimativas de IRPJ do ano calendário de 1997; b) fosse verificado se o saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ/98, no valor total de R$ 5.265.799,14, já foi objeto de restituição e/ou compensação com outros débitos. Realizada a diligência, os autos retornaram a este Conselho com as seguintes informações, em síntese (fl. 375 e ss.): (...) Por todo o exposto, restou concluído que: a. Os pagamentos realizados a título de estimativas de IRPJ do anocalendário de 1997 foram confirmados; b. O saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ/98, no valor de R$ 5.265.799,14, de acordo com as informações constantes nos sistemas da Receita Federal do Brasil e nas informações prestadas pelo contribuinte, não foi objeto de restituição e/ou compensação com outros débitos, que não os referentes aos meses de março a julho do anocalendário de 1998. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19679.006294/200390 Acórdão n.º 1201000.786 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade dos Recursos Os recursos atendem aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, deles devese tomar conhecimento. 2) Do Recurso de Ofício O lançamento da multa foi realizado com fundamento no art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Ocorre que o art. 18 da Lei nº 10.833/2003 restringiu a aplicação daquela norma legal nos seguintes termos: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (...) Como no caso dos autos a aplicação da multa de ofício não satisfaz às condições previstas na nova lei, a penalidade há que ser afastada, haja vista o disposto no art. 106, II, “a”, do CTN, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; (...) Isso posto, correta a DRJ de origem ao afastar a exigência da multa de ofício. 3) Da Alegação de Prescrição Intercorrente Alega a contribuinte ter havido prescrição intercorrente, a teor do disposto no art. 1º, § 1º, da Lei nº 9.873/99, que assim estabelece: Art. 1º Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em Fl. 386DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19679.006294/200390 Acórdão n.º 1201000.786 S1C2T1 Fl. 5 4 vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. § 1º Incide a prescrição no procedimento administrativo paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, cujos autos serão arquivados de ofício ou mediante requerimento da parte interessada, sem prejuízo da apuração da responsabilidade funcional decorrente da paralisação, se for o caso. (...) Ocorre que o art. 5º da mesma Lei nº 9.873/99 estabelece o seguinte: Art. 5º O disposto nesta Lei não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária. (Grifamos) (...) Ademais, é de se ter em conta a a seguir transcrita súmula nº 11 deste Colegiado (DOU de 09/12/2010): Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. 4) Do Lançamento de Estimativas de IRPJ Apesar de não haver sido questionada pela recorrente, devese examinar a legalidade do lançamento sob exame, uma vez que, via de regra, quando apurada falta de pagamento de estimavas de IRPJ, cabível é a imposição da multa isolada prevista no art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Fl. 387DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19679.006294/200390 Acórdão n.º 1201000.786 S1C2T1 Fl. 6 5 Ocorre que o lançamento ora contestado foi efetuado com fulcro no disposto no art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, que assim estabelece: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. (...) No caso, não houve falta de declaração dos débitos de estimativa de IRPJ dos meses de abril, maio, junho, julho e dezembro do ano de 1998. Ao contrário, tais estimativas foram regularmente informadas nas respectivas DCTFs, daí porque não há que se falar em imposição da multa isolada em comento. Por outro lado, a teor do disposto no art. 90 Medida Provisória nº 2.158 35/2001, o lançamento das estimativas de IRPJ se fez necessário pois à época dos fatos os débitos informados em DCTF não eram considerados confissão de dívida. De fato, apenas as diferenças entre os débitos e os respectivos pagamentos ou compensações, também informados em DCTF, eram tidas como confissão de dívida. 5) Da Alegada Compensação A recorrente alega ter efetivamente realizado compensação entre tributos da mesma espécie, em conformidade com o art. 66 da Lei nº 8.383/91. Afirma que houve mero erro no preenchimento das DCTFs, pois deveria ter informado compensação “sem DARF” ao invés de compensação “com DARF”. Os elementos trazidos aos autos pela interessada, especialmente os de fls. 216/221, vão ao encontro daquilo o que por ela foi alegado. Ademais, conforme afirmado pela autoridade que realizou a diligência, o direito creditório existe e não foi objeto de compensação com outros débitos, nem de pedido de restituição. Isso posto, entendo que restou provada a extinção, por compensação, dos débitos ora exigidos. 6) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício, e por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 388DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19679.006294/200390 Acórdão n.º 1201000.786 S1C2T1 Fl. 7 6 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO
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