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Numero do processo: 10865.900366/2008-20
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 14/11/2000
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Numero da decisão: 9303-007.050
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 14/11/2000 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INDÚSTRIA CERÂMICA FRAGNANI LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 14/11/2000 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 66 /2 00 8- 20 Fl. 527DF CARF MF Processo nº 10865.900366/200820 Acórdão n.º 9303007.050 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 3301001.625, que, na parte de interesse ao presente julgamento, decidiu que as bonificações em mercadorias não integram a base de cálculo das contribuições. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente recurso. Aduz divergência de interpretação da legislação tributária referente à conceituação de desconto incondicional. Para comprovar a divergência apresentou o acórdão nº 20312.371. Mediante despacho de exame de admissibilidade o Presidente da Câmara competente do CARF deu seguimento ao recurso. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não conhecimento do especial interposto. Alternativamente, caso o Colegiado entenda pelo conhecimento do recurso, requer lhe seja negado provimento. No essencial é o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.049, de 10/07/2018, proferido no julgamento do processo 10865.900370/200898, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.049): "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Fl. 528DF CARF MF Processo nº 10865.900366/200820 Acórdão n.º 9303007.050 CSRFT3 Fl. 4 3 Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. In caso, a DRJ Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação do débito tributário de IRPJ, vencido em 30/06/2004, declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 02/06, transmitida em 30/06/2004, com crédito financeiro de Cofins, decorrente pagamento a maior efetuado em 13/10/2000, referente à competência de setembro desse mesmo ano. A DRF não homologou a compensação do débito fiscal declarado sob o argumento de que o crédito financeiro declarado já havia sido utilizado integralmente para quitar o débito da Cofins declarado na respectiva DCTF, para aquele mês, conforme despacho decisório às fls. 07. Com efeito, a 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária da 3º Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, deu provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito de a recorrente excluir da base de cálculo da Cofins, apurada para a competência de setembro de 2000, os valores das mercadorias dadas em bonificações, conforme as cópias de notas fiscais às fls. 40/207. Por sua vez, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, contestando o acórdão e apontando divergência jurisprudencial no sentido de que as bonificações constituem ingressos definitivos no patrimônio da pessoa jurídica e se estes decorreram do exercício de sua atividade típica (requisito este necessário apenas em relação aos fatos geradores regidos pela Lei nº9.718), tais requisitos foram preenchidos, razão pela qual ficam caracterizados como receita operacional. Visando comprovar o dissenso aponta como paradigma, o Acórdão 20312.371, que possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: "PIS/FATURAMENTO. OUTRAS RECEITAS. BONIFICAÇÕES RECEBIDAS EM MERCADORIA. LEI N° 9.718/98. TRIBUTAÇÃO. Nos termos da Lei n° 9.718/98, a receita bruta, base de cálculo da COFINS, inclui as bonificações recebidas em mercadorias. Recurso negado. Voto Reportome ao relatório e voto do ilustre relator, para dele discordar por interpretar que as bonificações recebidas em mercadorias integram, sim, a base de Fl. 529DF CARF MF Processo nº 10865.900366/200820 Acórdão n.º 9303007.050 CSRFT3 Fl. 5 4 cálculo do PIS/Faturamento, quando levado em conta a definição de receita bruta estabelecida pelo art. 3° da Lei n°9.718/98. Sublinho não poder considerar, nesta oportunidade, a inconstitucionalidade do § 10 do art. 3° da Lei n° 9.718/98, declarada pelo STF por ocasião dos julgamentos dos Recursos Extraordinários nos 357.950, 358.273 e 390.840 (relator, para estes três publicados no DJ de 15/08/2006, p. 25, o Min. Marco Aurélio) e 346.084 (relator para este último, publicado em 01 /09/2 006, o Min. limar Gaivão). As bonificações, na forma como recebidas pela recorrente, são doações "ofertadas" pelos fornecedores. Por isto a inclusão na base de cálculo da Cofins, após a Lei n° 9.718/98. Claramente, se constituem em doações recebidas pela recorrente. Para proceder à exclusão pretendida necessário seria que as bonificações em mercadorias implicassem em redução do preço das mercadorias compradas, e tal redução fosse espelhada nos documentos fiscais da operação. Tomese o exemplo segundo o qual o fornecedor da recorrente cobra por 12 unidades de um produto o preço de 10. Para descaracterizar a doação e evitar a incidência do PIS Faturamento, o valor consignado na nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor, por unidade, deveria seria múltiplo de 12 (cada unidade vendida corresponderia a doze avos do preço total cobrado, de modo a reduzir o valor da operação para fins da tributação do ICMS e, se o produto for vendido por contribuinte do IPI, também para fins desse imposto). Do contrário — isto é, com a emissão de duas notas fiscais: uma pelo preço total cobrado, equivalente a dez unidades; outra pelo valor correspondente a duas unidades e referente à bonificação as bonificações em mercadorias não reduzem os preços das mercadorias, devendo inclusive ser tributadas pelo ICMS e, se for o caso, pelo IPI". Em que pese o exame de admissibilidade ter reconhecido a divergência jurisprudencial, pelo confronto entre as razões de decidir do acórdão recorrido e o excerto do voto condutor do paradigma, não se comprova divergência. A decisão recorrida deu provimento ao Recurso Voluntário, no esteio de que os valores das mercadorias dadas em bonificações, ainda tenham sido mediante a emissão de notas fiscais e não descontos incondicionais nas respectivas notas fiscais, não compõem a receita operacional bruta e, portanto, não integram o faturamento, não implicam em ingressos de recursos nem aumento do patrimônio líquido da pessoa jurídica. Já o acórdão paradigma apresentado pela Fazenda Nacional, discute se as mercadorias recebidas em bonificação devem ser consideradas receitas para o fim de recolher PIS/COFINS. No presente caso, as mercadorias foram objeto de bonificação concedida pela Contribuinte ( desconto incondicional), ou seja, não houve qualquer recebimento de valor que pudesse vir a integrar a base de cálculo das contribuições. Ademais, a tese encampada pela Fazenda Nacional, demonstra divergência favorável a Contribuinte, pois prestam à demonstrar dissenso favorável, considerando a tributação do PIS/COFINS sobre bonificações concedidas, independente de seu enquadramento em "desconto incondicional". Como se vê, não houve comprovação de divergência jurisprudencial, o paradigma apresentado pela Fazenda Nacional não se aplica ao presente caso, uma vez que trata de bonificações em mercadorias que foram recebidas de fornecedores, já no presente caso, as bonificações são objeto da venda de mercadorias. Fl. 530DF CARF MF Processo nº 10865.900366/200820 Acórdão n.º 9303007.050 CSRFT3 Fl. 6 5 Deste modo, as dessemelhanças fáticas e normativas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. Em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Dispositivo Ex positis, em razão das dessemelhanças fáticas e normativas que impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução de divergência jurisprudencial, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional não foi conhecido. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 531DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.720036/2016-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
Incorporação de Ações. Permuta de Participações Societárias. Valor Recebido Superior ao Valor Entregue. Ganho de Capital Tributável.
A permuta de participações societárias decorrente de incorporação de ações dá ensejo à apuração de ganho de capital tributável se o valor das ações recebidas for superior ao valor das ações entregues.
Solidariedade Tributária. Pessoas Expressamente Designadas na Lei. Indicação do Fundamento Legal. Condição de Validade.
No caso de solidariedade tributária fundada no art. 124, inciso II, do CTN, é condição de validade do lançamento a indicação do dispositivo legal que abriga a hipótese de solidariedade, de modo a permitir o exercício do direito de defesa.
Juros Moratórios. Incidência Sobre Multa. Cabimento.
Os juros moratórios incidem sobre a totalidade da obrigação tributária principal, nela compreendida, além do próprio tributo, a multa.
CSLL e IRPJ. Identidade de Matéria Fática. Mesma Decisão.
Quando o lançamento de IRPJ e o de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
Numero da decisão: 1301-003.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em: (i) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; (ii) por maioria de votos, em primeira votação, negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte quanto à existência de matéria tributável na operação, vencida a Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votou por lhe dar provimento, tendo o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, neste ponto, acompanhado o voto do relator por suas conclusões; (iii) por unanimidade de votos, em segunda votação, negar provimento ao recurso do contribuinte no que diz respeito à base de cálculo do lançamento; e (iv) por unanimidade de votos, dar provimento aos recursos voluntários dos coobrigados para excluí-los do polo passivo da obrigação tributária. Apresentaram declaração de voto os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Carlos Augusto Daniel Neto.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Roberto Silva Junior
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 Incorporação de Ações. Permuta de Participações Societárias. Valor Recebido Superior ao Valor Entregue. Ganho de Capital Tributável. A permuta de participações societárias decorrente de incorporação de ações dá ensejo à apuração de ganho de capital tributável se o valor das ações recebidas for superior ao valor das ações entregues. Solidariedade Tributária. Pessoas Expressamente Designadas na Lei. Indicação do Fundamento Legal. Condição de Validade. No caso de solidariedade tributária fundada no art. 124, inciso II, do CTN, é condição de validade do lançamento a indicação do dispositivo legal que abriga a hipótese de solidariedade, de modo a permitir o exercício do direito de defesa. Juros Moratórios. Incidência Sobre Multa. Cabimento. Os juros moratórios incidem sobre a totalidade da obrigação tributária principal, nela compreendida, além do próprio tributo, a multa. CSLL e IRPJ. Identidade de Matéria Fática. Mesma Decisão. Quando o lançamento de IRPJ e o de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em: (i) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; (ii) por maioria de votos, em primeira votação, negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte quanto à existência de matéria tributável na operação, vencida a Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votou por lhe dar provimento, tendo o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, neste ponto, acompanhado o voto do relator por suas conclusões; (iii) por unanimidade de votos, em segunda votação, negar provimento ao recurso do contribuinte no que diz respeito à base de cálculo do lançamento; e (iv) por unanimidade de votos, dar provimento aos recursos voluntários dos coobrigados para excluí-los do polo passivo da obrigação tributária. Apresentaram declaração de voto os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Carlos Augusto Daniel Neto. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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PERMUTA DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. VALOR RECEBIDO SUPERIOR AO VALOR ENTREGUE. GANHO DE CAPITAL TRIBUTÁVEL. A permuta de participações societárias decorrente de incorporação de ações dá ensejo à apuração de ganho de capital tributável se o valor das ações recebidas for superior ao valor das ações entregues. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. PESSOAS EXPRESSAMENTE DESIGNADAS NA LEI. INDICAÇÃO DO FUNDAMENTO LEGAL. CONDIÇÃO DE VALIDADE. No caso de solidariedade tributária fundada no art. 124, inciso II, do CTN, é condição de validade do lançamento a indicação do dispositivo legal que abriga a hipótese de solidariedade, de modo a permitir o exercício do direito de defesa. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA SOBRE MULTA. CABIMENTO. Os juros moratórios incidem sobre a totalidade da obrigação tributária principal, nela compreendida, além do próprio tributo, a multa. CSLL E IRPJ. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO. Quando o lançamento de IRPJ e o de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em: (i) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; (ii) por maioria de votos, em primeira votação, negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte quanto à existência de matéria tributável na AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 36 /2 01 6- 12 Fl. 1367DF CARF MF Processo nº 15586.720036/201612 Acórdão n.º 1301003.344 S1C3T1 Fl. 1.368 2 operação, vencida a Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votou por lhe dar provimento, tendo o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, neste ponto, acompanhado o voto do relator por suas conclusões; (iii) por unanimidade de votos, em segunda votação, negar provimento ao recurso do contribuinte no que diz respeito à base de cálculo do lançamento; e (iv) por unanimidade de votos, dar provimento aos recursos voluntários dos coobrigados para excluílos do polo passivo da obrigação tributária. Apresentaram declaração de voto os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Carlos Augusto Daniel Neto. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 1368DF CARF MF Processo nº 15586.720036/201612 Acórdão n.º 1301003.344 S1C3T1 Fl. 1.369 3 Relatório Tratase de recursos interpostos por TRIP PARTICIPAÇÕES S/A, TRIP INVESTIMENTOS LTDA. e RIO NOVO LOCAÇÕES LTDA., pessoas jurídicas já qualificadas nos autos, contra o Acórdão nº 0271.076, da 10ª Turma da DRJ Belo Horizonte, que negou provimento ao recurso da primeira autuada e deu provimento aos recursos das outras duas, tão somente para excluir a responsabilidade quanto ao IRPJ, mantendo, no mais, a exigência do crédito tributário. A infração foi descrita no Termo de Verificação Fiscal TVF de fls. 1.014 a 1.035. Consta do TVF: Trip Linhas Aéreas Brasileiras S/A, era, até 2012, uma empresa de aviação com sede em BarueriSP, controlada por três empresas (Trip Participações S/A, Trip Investimentos Ltda e Rio Novo Locações Ltda), estas por sua vez eram controladas pelo Grupo Águia Branca (Águia Branca Participações S/A) e pela Caprioli Participações Ltda. Notase que se trata de empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico, as quais possuem controladores comuns, localizamse em endereços associados ao Grupo Águia Branca, inclusive é esta fiscalização atendida pelo mesmo representante que atende as demais empresas acima citadas. As empresas controladoras da Trip Linhas Aéreas estão localizadas em Cariacica ES. As participações societárias estavam assim distribuídas (fl. 1.015): Controladoras da TRIP Linhas Aéreas Participação Quantidade de ações Trip Participações S/A 72% 55.550.000 Tríp Investimentos Ltda. 20% 15.570.833 Rio Novo Locações Ltda. 8% 6.312.500 Disse a autoridade fiscal que, em 25 de maio de 2012, os acionistas do grupo Águia Branca firmaram acordo de combinação de negócios com os acionistas de Azul S/A, para que esta incorporasse a totalidade das ações de Trip Linhas Aéreas, passando a Azul S/A a controlar a Azul Linhas Aéreas e a Trip Linhas Aéreas. Em 30 de novembro de 2012, deuse a incorporação das ações. Todas as ações da Trip Linhas Aéreas foram transferidas para a Azul S/A e, em contrapartida, os antigos controladores da Trip Linhas Aéreas receberam 30,7% das ações da Azul S/A, avaliadas em R$ 474,526 milhões a valor justo. Também como contraprestação, a Azul S/A emitiu bônus de subscrição de ações para os antigos controladores da Trip Linhas Aéreas, assegurandolhes o direito de adquirir ações da Azul S/A em condições previamente definidas. Os antigos controladores da Trip Linhas Aéreas receberam, pelas ações dessa companhia, ações da Azul S/A e bônus de subscrição. Entendeu a autoridade fiscal que referida operação não poderia ser considerada como mera troca de ações, sem efeitos tributários, pois produziram variação patrimonial, evidenciada pela diferença de valores das ações de uma companhia em face do valor das ações da outra, acrescido do valor do bônus de subscrição. Desta forma, verificase a existência de ganho de capital, materializado no acréscimo patrimonial obtido pela Trip Participações S/A, que detinha 72% do capital social da Trip Linhas Aéreas. Fl. 1369DF CARF MF Processo nº 15586.720036/201612 Acórdão n.º 1301003.344 S1C3T1 Fl. 1.370 4 Trip Participações S/A contabilizou o investimento e o ágio relativo à aquisição das ações da Azul S/A. A contrapartida foi registrada na conta 313203 Ganho de Participação Societária, porém, os valores, embora contabilizados como receita, foram excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A contribuinte apurou e diferiu o IRPJ e a CSLL, nos valores de R$ 82.227.386,06 e R$ 29.493.859,28 respectivamente. Os débitos foram excluídos tanto do lucro real (DIPJ e Lalur), quanto na contabilidade. Disse a autoridade lançadora que "embora tenha sido intimado a explicar o dispositivo legal no qual está amparada sua apuração de tributos diferidos, o contribuinte não apresentou qualquer embasamento legal, limitandose a informar que não há fato gerador, ou seja, o contribuinte reconhece o ganho como tributável, porém, difere sua tributação. Depreendese da argumentação do contribuinte que esta tributação só ocorreria se este transacionasse a participação na Azul S/A futuramente." (fls. 1.032 e 1.033) A autoridade fiscal, ao contrário, entendeu que fora obtido, da incorporação de ações, um acréscimo patrimonial, ou seja, disponibilidade econômica, elemento necessário à caracterização do fato gerador do IRPJ e da CSLL. Ademais, a legislação não prevê diferimento da tributação nesses casos. O cálculo do ganho de capital é a diferença entre o valor contábil do investimento e o valor da contraprestação recebida quando da ocorrência da transação. Em resumo, a operação consistiu na alienação do investimento na Trip Linhas Aéreas, que apresentava um valor contábil nulo, e no recebimento como contrapartida de ações da Azul S/A acrescido de bônus de subscrição, como demonstrado no quadro abaixo: DEMONSTRATIVO DO GANHO DE CAPITAL Contraprestação recebida (valor justo Ações Azul S/A) 313.156.246,25 Contraprestação recebida ( bônus de subscrição) 76.723.680,00 Investimento Trip Linhas Aéreas (valor contábil) 0,00 Ganho de capital na transação 389.879.926,25 Constatado o ganho de capital, a Fiscalização procedeu ao lançamento do crédito tributário de IRPJ e de CSLL, no qual foram compensados prejuízo fiscal acumulado e base de cálculo negativa de CSLL acumulada de períodos anteriores. Por fim, entendeu a Fiscalização que estava caracterizada a existência de grupo econômico, integrado por Trip Participações S/A, Trip Investimentos Ltda. e Rio Novo Locações Ltda. Na esteira desse entendimento, lançou o crédito tributário contra as três empresas. As três autuadas apresentaram impugnação, cujos fundamentos foram resumidos pela DRJ nos seguintes termos: 1. Os processos das sociedades empresárias Trip Participações S/A, Trip Investimentos Ltda. e Rio Novo Locações Ltda. devem ser reunidos e julgados em conjunto, por conectados pelo mesmo fato e fundamento e para não gerar risco de prolação de decisões conflitantes ou contraditórias; Fl. 1370DF CARF MF Processo nº 15586.720036/201612 Acórdão n.º 1301003.344 S1C3T1 Fl. 1.371 5 2. Deve ser afastada a solidariedade entre as empresas, por capitulação incorreta da responsabilidade solidária, por ausência de motivação do ato administrativo e por não comprovação da existência do grupo econômico; 3. Na operação de Incorporação de Ações não existiu a realização de apuração de ganho de capital, por não configurar qualquer espécie de acréscimo patrimonial que a obrigasse ao recolhimento do tributo lançado. A incorporação de ações não configuraria alienação, mas espécie de troca/permuta de ações entre as sociedades; 4. Na operação de Incorporação de Ações a avaliação não representa preço de alienação das ações, sendo, tão somente, exigência procedimental contida na legislação societária, sem realização para as sociedades empresárias acionistas; 5. Na vigência do regime tributário de transição RTT, a sociedade expurgou os efeitos da avaliação a valor justo no FCONT, anulando qualquer efeito tributário da operação; 6. Eventual ganho de capital na operação somente poderia ser calculado considerando o valor patrimonial das ações em sua composição, e não o valor de mercado; 7. Inexiste renda decorrente do recebimento dos bônus de subscrição a ensejar o ganho de capital tributado, na medida em que aqueles retratam uma expectativa de subscrição futura do capital social. 8. Inexiste previsão legal de serem aplicados Juros SELIC sobre a multa lançada de ofício. (fl. 1.175) A DRJ BHE deu às impugnações provimento parcial apenas para excluir a responsabilidade tributária de Trip Investimentos Ltda. e Rio Novo Locações Ltda., quanto ao crédito relativo ao IRPJ. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos. A alienação é gênero, do qual a transferência das ações, nos termos do art. 252 da Lei n° 6.404, de 1976, é espécie. INCORPORAÇÃO DE AÇÃO. Na incorporação de ações, há alienação pelos acionistas da incorporada de seus ativos, sendo a transmissão da propriedade dos ativos onerosa e avaliada em moeda corrente. Assim, havendo diferença positiva entre o valor da transmissão e o respectivo custo de aquisição, esta deve ser tributada como ganho de capital, independentemente da existência de fluxo financeiro. GANHO DE CAPITAL NA INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. O acréscimo patrimonial na incorporação de ações configurase pelo confronto entre o valor recebido das ações da incorporadora a valor justo e o valor de patrimônio líquido somado a eventual ágio na aquisição do investimento das ações incorporadas, por expressão do princípio da capacidade contributiva e do direito positivo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Fl. 1371DF CARF MF Processo nº 15586.720036/201612 Acórdão n.º 1301003.344 S1C3T1 Fl. 1.372 6 O ganho de capital auferido em decorrência de operação incorporação de ações também sofre tributação da contribuição social. Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estendese à CSLL. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela SRF, configurandose regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. GRUPO ECONÔMICO. PREVISÃO LEGAL. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. INEXISTÊNCIA PARA IRPJ. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações devidas à Seguridade Social, não havendo previsão legal expressa desta responsabilidade quanto ao IRPJ para o Grupo Econômico. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Contra o acórdão da DRJ as recorrentes se insurgiram. Trip Participações S/A solicitou preliminarmente a reunião dos processos 15586.720036/201612; 15586 720037/201667 e 15586720086/201608, lavrados contra as recorrentes, tendo em vista a conexão existente entre eles, caracterizada pela identidade da matéria fática e pelos mesmos fundamentos jurídicos. Quanto à responsabilidade tributária, alegou capitulação incorreta, ausência de motivação do ato administrativo, e não comprovação da existência de grupo econômico. Teria havido equívoco da autoridade fiscal ao citar o art. 141 do Código Tributário Nacional CTN como fundamento legal da responsabilidade solidária. A fundamentação legal foi dada pela DRJ, no acórdão recorrido, que tentou complementar o auto de infração. A referência ao art. 30 da Lei nº 8.212/1991 e ao art. 494 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009 figura apenas no acórdão recorrido, não tendo sido mencionada no auto de infração, nem no TVF, os quais omitem o enquadramento legal para amparar a responsabilização solidária decorrente da existência de grupo econômico. Por outro lado, o princípio da motivação do ato administrativo decorre não apenas da doutrina e da jurisprudência, mas também da Lei n° 9.784/1999, que regula o processo administrativo, preceituando, nos artigos 2º e 50, que o agente público, ao motivar o ato, deve fazêlo com a devida indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos necessários de forma explícita, clara e congruente, o que não ocorreu no presente caso. Por isso, existiria nulidade decorrente de vício formal. Sustenta a recorrente a não ocorrência de ganho de capital. A operação de incorporação de ações não enseja ganho de capital, nem configura hipótese de incidência de IRPJ e de CSLL. Tratase de negócio que consiste na permuta de ações entre as sociedades envolvidas, não dando causa à incidência daqueles tributos. Não ocorreu acréscimo patrimonial, pois as ações da Azul S.A. foram recebidas em contrapartida à entrega das ações da Trip Linhas Aéreas. Diferentemente do quanto exposto no acórdão recorrido, que entende a incorporação de ações como alienação em Fl. 1372DF CARF MF Processo nº 15586.720036/201612 Acórdão n.º 1301003.344 S1C3T1 Fl. 1.373 7 sentido amplo, a operação se subsume ao instituto da permuta. Ao contrário do que afirmado pela DRJ, as ações da Azul S/A não foram emitidas para pagamento ou liquidação de contrato, mas sim em troca das ações incorporadas da Trip Linhas Aéreas, por imposição da própria legislação societária. Não obstante se apliquem de forma subsidiária determinadas regras inerentes ao contrato de compra e venda, é certo que a permuta tem suas características específicas, principalmente por representar uma troca de ativos, em que as partes recebem ativos em troca de outros ativos, no caso, ações em troca de ações. Foi o que aconteceu com a recorrente na operação de incorporação de ações da Trip Linhas Aéreas pela Azul S/A: a troca de ações detidas por uma sociedade por ações emitidas em contrapartida pela sociedade incorporadora. Por se tratar de operação equivalente a permuta, que não envolve transferência de recursos, não se cogita de ganho de capital ou de renda. Porém, mesmo que a operação não possa ser qualificada tipicamente como permuta de ações, é inequívoco que não foi auferida renda pela recorrente. Para fins de IRPJ, o fato gerador é o acréscimo patrimonial, que não ocorreu. Não se pode falar em ganho no ato da incorporação das ações. Ganho de capital efetivo somente seria apurado quando e se a recorrente dispusesse da renda oriunda da alienação das ações. A troca das ações não resultou em acréscimo patrimonial para a recorrente, na medida em que, para fins fiscais, a troca se deu a valor contábil. Além disso, as novas ações não resultaram em disponibilidade de renda, razão pela qual não há que se falar em ganho de capital tributável. Para fins tributários, o valor atribuído, no âmbito da contabilidade, à incorporação de ações é irrelevante. Tal fato é importante para a compreensão do problema, na medida em que a avaliação das ações decorre de exigência da legislação societária, e somente nesse plano tem implicações, notadamente para fins de substância econômica. Na permuta, o essencial, é a deliberação de aceitar a troca pura e simples das coisas. Assim, na incorporação de ações, a avaliação não representa preço de alienação das ações, sendo apenas exigência da legislação societária, sem realização para as sociedades empresárias acionistas. A recorrente aduziu que o registro contábil da incorporação de ações deveria observar a neutralidade fiscal. Dessa forma, por estar sujeita ao regime tributário de transição RTT, se obrigava ao Controle Fiscal Contábil de Transição FCONT, de forma a expurgar, para fins fiscais, os efeitos da aplicação de métodos e critérios contábeis introduzidos pela Lei n° 11.638/2007. Em obediência a essa regra, a recorrente, por meio do FCONT, expurgou, no plano fiscal, os efeitos do recebimento das ações da Azul S/A em contrapartida à entrega das ações da Trip Linhas Aéreas. O ganho de capital apontado pela Fiscalização é resultado da avaliação das ações da Azul S/A e do bônus de subscrição a valor justo, em obediência à legislação societária. Tal avaliação, entretanto, estando restrita ao plano contábil, não criou para a recorrente qualquer obrigação de reconhecer ganho de capital tributável. Fl. 1373DF CARF MF Processo nº 15586.720036/201612 Acórdão n.º 1301003.344 S1C3T1 Fl. 1.374 8 Quanto ao recebimento do bônus de subscrição, insistiu, pelas razões expostas, em que a avaliação, no âmbito tributário, não pode ser feita a valor justo. Ademais, a determinação do valor desse título mobiliário depende de diversos fatores presentes na data da efetiva subscrição. A aferição de valor desses títulos depende da volatilidade das ações da pessoa jurídica cujo capital é subscrito. Por outro lado, o lucro depende das condições de mercado. É notório, em face desses aspectos, que inexiste renda decorrente da titularidade de bônus de subscrição em determinada data. Em resumo, não há ganho de capital decorrente de renda não realizada, vez que se trata de expectativa de, em futuro incerto, subscrever o capital social da companhia. Por último, alegou o não cabimento da incidência de juros sobre a multa. Trip Investimentos Ltda. e Rio Novo Locações Ltda. questionaram sua inclusão no polo passivo, alegando vício na capitulação legal da responsabilidade tributária, ausência de motivação do ato administrativo, e falta de comprovação da efetiva existência de grupo econômico. A Procuradoria da Fazenda Nacional PFN apresentou contrarrazões (fls. 1.293 a 1.352), pugnando ao final pelo não provimento do recurso voluntário. Por ter sido excluída a responsabilidade tributária, quanto ao crédito de IRPJ, de Trip Investimentos Ltda. e Rio Novo Locações Ltda., impõese o reexame de ofício da decisão na parte que excluiu a responsabilidade daqueles coobrigados. Vindo o processo a julgamento, esta Turma determinou, pela Resolução nº 1301000.590, o sobrestamento do feito, a fim de reunir no mesmo julgamento os processos 15586.720036/201612, 15586.720037/201667 e 15586.720086/201608, à semelhança do que fizera a DRJ. Reunidos os três processos, vieram a julgamento. É o relatório. Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 15586.720036/201612 Acórdão n.º 1301003.344 S1C3T1 Fl. 1.375 9 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator Admissibilidade Os recursos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade. Ganho de capital A controvérsia gira em torno do ganho na incorporação de ações. A recorrente sustenta que o referido negócio jurídico não configura hipótese de incidência do IRPJ e da CSLL, pois a operação se assemelha a uma troca de ações entre as sociedades envolvidas, não atraindo incidência tributária. Refutou a afirmação contida no acórdão recorrido de que a operação possa ser considerada alienação em sentido amplo, visto que ela se subsume ao instituto da permuta ou troca. Assim, conclui que as ações da AZUL não teriam sido emitidas como forma de pagamento ou de liquidação do contrato, mas sim em troca das ações incorporadas da TRIP, o que foi feito por imposição da legislação societária. Em resumo, teria ocorrido mera substituição de ações detidas originariamente pelos investidores, as quais são trocadas por novos papéis a eles atribuídos pela sociedade incorporadora. Por se tratar de operação equivalente a permuta, sem envolver transferência de recursos, não se poderia falar em apuração de ganho de capital ou renda. De plano, é preciso afastar a ideia de que na permuta não existe alienação. Alienar, segundo a definição encontrada no Vocabulário Jurídico De Plácido e Silva, significa a ação de passar para outrem o domínio de coisa ou o gozo de direito que é nosso. Está assim o vocábulo, na tecnologia jurídica, em acordo com o radical de que se formou, alius, palavra latina que significa outrem. Alienare é, assim, tornar de outrem a coisa que era nossa e que se lhe transferiu por título inter vivos, seja gratuito ou oneroso. Segundo o mesmo autor, alienação, também chamada de alheação e alheamento, é o termo jurídico, de caráter genérico, pelo qual se designa todo e qualquer ato que tem o efeito de transferir o domínio de uma coisa para outra pessoa, seja por venda, por troca ou por doação. Também indica o ato por que se cede ou transfere um direito pertencente ao cedente ou transferente. (g.n.) É pressuposto da permuta, e ao mesmo tempo um de seus efeitos, a alienação dos bens permutados. Acerca desse contrato, a professora Maria Helena Diniz, baseandose no civilista Clóvis Beviláqua, teceu o seguinte comentário: A troca ou permuta é, segundo Clóvis Beviláqua, o contrato pelo qual as partes e se obrigam a dar uma coisa por outra que não seja dinheiro. Apresenta os seguintes caracteres jurídicos: é contrato bilateral, oneroso, comutativo, translativo de propriedade no sentido de servir como titulus adquirendi, gerando, para cada contratante, a obrigação de transferir para o outro o domínio da coisa objeto de sua prestação, e, em regra, consensual, embora excepcionalmente possa ser solene. (Curso de Direito Civil Brasileiro, volume 3: teoria das obrigações contratuais e extracontratuais. 21 edição. São Paulo: Saraiva. p 225) (g.n.) Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 15586.720036/201612 Acórdão n.º 1301003.344 S1C3T1 Fl. 1.376 10 É certo que a permuta implica alienação. Ademais, pelas características acima apontadas, ela se aproxima do contrato de compra e venda. Não é por acaso que o Código Civil determina que à permuta se apliquem as disposições referentes à compra e venda. (caput do art. 533). Admitese, ademais, permuta envolvendo coisas de valores díspares, como se vê do inciso II do art. 533 do Código Civil: Art. 533. Aplicamse à troca as disposições referentes à compra e venda, com as seguintes modificações: (...) II é anulável a troca de valores desiguais entre ascendentes e descendentes, sem consentimento dos outros descendentes e do cônjuge do alienante. O inciso II do art. 533 do Código Civil, ao afirmar ser anulável a permuta de valores desiguais entre ascendentes e descendentes, está a admitir, implicitamente, a validade da permuta que tenha por objeto coisas de valores discrepantes. A materialização dessa hipótese caracteriza um ganho para aquele que receber o bem mais valioso. O ganho, em tese, é tributável pelo Imposto de Renda. Notese que a lei, quando quis afastar a incidência tributária, nos casos de permuta, o fez de forma expressa, como na permuta de imóvel sem torna. A questão envolvendo ganho de capital nas operações de incorporação de ações já foi trazida diversas vezes ao CARF. Existe jurisprudência formada sobre a matéria, inclusive com decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, de que é exemplo o Acórdão nº 9101002.172, que trata de quase todos os pontos suscitados pela recorrente. Do voto condutor da decisão, extraise o seguinte trecho: Assim, não se trata, apenas, de ser cabível, ou não, a apuração de ganho de capital tributável na hipótese de permuta de participações societárias, mas de ser cabível, ou não, essa apuração, quando ocorre recebimento de valor superior ao entregue o que evidentemente enseja a tributação pelo ganho de capital. Porém, mesmo se assim não fosse, há que se apurar ganho de capital quando há alienação na permuta pura e simples, se as condições próprias ocorrerem, pois a permuta é uma forma de alienação do bem permutado e quando o bem recebido em troca tem um valor a ser contabilizado maior que o valor registrado do bem permutado, há que ser reconhecido o ganho de capital e devidamente tributado, conforme se demonstra a seguir. O tratamento legal da matéria corresponde à incidência da legislação que impõe apuração de ganho de capital tributável na alienação de ativos, e a base do ganho é a diferença entre o valor da alienação (o quanto de fato representa o bem alienado que corresponde ao valor do bem recebido) e o seu custo de aquisição (há diversos dispositivos que tratam da forma como se apura a base de cálculo, não citados). Ou seja, a variação patrimonial na forma prevista no art. 43 do CTN deve ser quantificada e deve ser pago o correspondente imposto de renda. Não há dúvida que na permuta há alienação do bem que está na propriedade do permutante o que traz a incidência das normas de regência. Vejase que nesses casos a base da tributação é, grosso modo, a diferença entre o valor registrado do bem objeto de alienação e o custo de aquisição do investimento recebido. Para demonstrar que essa é a mens legis genérica da legislação do Imposto de Renda, transcrevese abaixo os dispositivos do RIR/1999 (que tem por fundamento diversos dispositivos legais) que Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 15586.720036/201612 Acórdão n.º 1301003.344 S1C3T1 Fl. 1.377 11 tratam do tema, aplicáveis às alienações e ganho de capital de pessoas físicas ou jurídicas (...): Art. 117. Está sujeita ao pagamento do imposto de que trata este Título a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza (Lei n° 7.713, de 1988, arts. 2°e 3°,§ 2°, Lei n° 8.981, de 1995, art. 21). (...) § 4º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins (Lei n° 7.713, de 1988, art 3º, § 3º). (...) Assim, da mera leitura e análise dos dispositivos legais acima reproduzidos transparece de forma cristalina que havendo alienação de ativo, e no caso presente houve, pois a empresa se desfez do ativo (via permuta), há que se apurar o ganho de capital correspondente à diferença entre o valor contábil do ativo que foi transferido e o valor do novo ativo que foi adquirido por permuta. (...) Temse que a operação de compra e venda corresponde à de permuta, dela se diferenciando apenas pelo fato de que se troca um bem por moeda (que não deixa de ser também um bem), e não por outro bem. Da mesma forma, a operação de permuta equivale a duas operações de compra e venda, nas quais a quantia em moeda, obtida na primeira operação, é convertida em bens na segunda, ambas com o mesmo contratante. (...) Não por outro motivo, a Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Novo Código Civil), em seu art. 533, ao tratar da "troca ou permuta", assim dispõe: Da Troca ou Permuta Art. 533. Aplicamse à troca as disposições referentes à compra e venda, com as seguintes modificações: I salvo disposição em contrário, cada um dos contratantes pagará por metade as despesas com o instrumento da troca; II é anulável a troca de valores desiguais entre ascendentes e descendentes, sem consentimento dos outros descendentes e do cônjuge do alienante. Por esse dispositivo legal fica clara a possibilidade de a "troca ou permuta'' ter por objeto bens de valores desiguais, o que, por si só, não a descaracteriza como tal. Vejase que, no caso de permuta de um bem por pessoa jurídica que recebe, em troca, outro bem do mesmo valor, não há diferença de valores a registrar: o novo bem ingressa no patrimônio da empresa com valor igual ao do bem substituído (o valor contábil do bem que transferido é exatamente igual ao valor do bem Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 15586.720036/201612 Acórdão n.º 1301003.344 S1C3T1 Fl. 1.378 12 adquirido). Portanto, nessa situação, não ocorre, na permuta, nenhum ganho patrimonial a ser tributado. Mas este não é o caso dos autos. Assim, não é correto dizer como a recorrente que "não há qualquer alteração na situação patrimonial do contribuinte que troca um bem por outro" (efls. 3.115). Tal assertiva somente é verdadeira como bem afirmado pelo Acórdão nº 10808.358, de 2005, por ela mesma transcrito e destacado (efls. 3.114 e 3.115) quando houver "a mera troca de bens de valor equivalente" (o valor contábil do bem que transferido é exatamente igual ao valor do bem adquirido), o que não é o presente caso. (Relator Conselheiro Marco Aurélio Pereira Valadão) A par dessas razões, cumpre frisar que não procede a alegação de que a incidência do IRPJ só ocorre no momento da venda do bem recebido em permuta. O fato gerador do imposto não é o recebimento de dinheiro, mas o acréscimo patrimonial, aferido num determinado lapso de tempo. Portanto, havendo acréscimo, é irrelevante identificar a que elementos do patrimônio ele se deve, ou em quais elementos ele se exterioriza. Não é condição para a incidência do imposto que o acréscimo corresponda a uma disponibilidade de caixa. Nesse sentido, é cabível considerar na apuração do ganho de capital o valor do bônus de subscrição, não obstante a volatilidade apontada pela recorrente. Esse título mobiliário é passível de ser avaliado, tanto que a própria recorrente atribuiu a ele o valor de R$ 76.723.680,00, sendo irrelevante o fato de que tal avaliação se fez por imposição da lei societária. Ademais, se esses títulos podem ser negociados é porque são passíveis de avaliação em dinheiro. Por fim, importa dizer que a exigência de IRPJ e CSLL, no caso em tela, não pode ser atribuída à aplicação dos métodos e critérios contábeis introduzidos na legislação societária a partir do advento da Lei nº 11.638/2007. Em outras palavras, o lançamento não violou a regra da neutralidade tributária. O que efetivamente aconteceu é que a avaliação das ações da Azul S/A e do bônus de subscrição a valor justo evidenciou o ganho de capital. O acréscimo patrimonial tributável tem origem na diferença entre o valor da coisa entregue e o valor da coisa recebida. A avaliação a valor justo apenas mensurou essa diferença; não criou a realidade, apenas possibilitou sua constatação. Se a recorrente não estivesse obrigada pela legislação societária a fazer tal avaliação, ainda assim o ganho de capital teria ocorrido. A diferença é que ao Fisco caberia o ônus dessa avaliação e a prova do acréscimo patrimonial. Ressaltese que existe, no plano doutrinário, uma divergência quanto à natureza jurídica da incorporação de ações. Há quem veja nela um negócio cuja causa é o aumento de capital social mediante conferência de ações. Outros consideramna uma forma de reorganização societária, pela qual se cria uma subsidiária integral mediante a substituição de ações da companhia que se tornou controlada pelas ações da controladora. Essa controvérsia, a meu juízo, não interfere na tributação do IRPJ e da CSLL, que depende de que seja demonstrada a existência de dois fatos. Primeiro, a alienação das ações; depois, o acréscimo patrimonial, caracterizado pela diferença entre o valor das ações recebidas e o custo das ações entregues. O fato gerador do IRPJ e da CSLL, nesse caso, se considera ocorrido desde o momento em que se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a produzir os efeitos que normalmente lhe são próprios. Em outras palavras, quando houver disponibilidade econômica ou jurídica de renda. Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 15586.720036/201612 Acórdão n.º 1301003.344 S1C3T1 Fl. 1.379 13 Por essas razões, o lançamento, nesse ponto, deve ser mantido. Responsabilidade solidária recurso de ofício O lançamento, embora tenha colhido infração praticada por Trip Participações S/A, incluiu no polo passivo Trip Investimentos Ltda. e Rio Novo Locações Ltda., entendendo existir grupo econômico, do qual faziam parte as três empresas. As recorrentes alegam que a autoridade lançadora omitiu o fundamento legal da solidariedade tributária, que só veio a ser apresentado no acórdão da DRJ, que, extrapolando sua competência, tentou complementar o auto de infração, invocando como suporte legal da solidariedade o art. 30 da Lei nº 8.212/1991 e o art. 494 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009. O TVF, de fato, cita erroneamente o art. 141, inciso I, do CTN, que, além de não ter incisos, não cuida de responsabilidade tributária, de solidariedade e tampouco de grupo econômico. No corpo do auto de infração de IRPJ e de CSLL há referência apenas ao art. 124, inciso II, do CTN, acompanhado da seguinte descrição: Conforme relatório fiscal anexo ao auto de infração, tratamse de empresas que pertencem ao mesmo grupo econômico, tendo como sócios os Grupos Águia Branca e Caprioli Participações Ltda. É pacífico nesta 1ª Turma Ordinária o entendimento de que omissões e irregularidades no enquadramento legal da infração, por si sós, não acarretam nulidade do lançamento, se os fatos estiverem descritos com clareza e correção, de sorte a permitir o exercício do direito de defesa. Esse critério, entretanto, exige um cuidado maior na sua aplicação quando o tema envolve solidariedade tributária. É que o art. 124 do CTN prevê a existência de solidariedade em duas situações, a saber, i) quando houver interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação principal; e ii) nos casos em que houver disposição expressa de lei prevendo a solidariedade. Eis o dispositivo legal: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. No primeiro caso, que cuida de interesse comum, ainda que o auto de infração seja omisso ou impreciso no enquadramento legal, não haverá nulidade se o quadro fático estiver descrito com clareza e precisão, pois é esse fato que traz à luz o interesse comum, que por sua vez deflagra a solidariedade tributária. O lançamento precisa descrever a ação conjugada ou coordenada de duas ou mais pessoas, visando a prática de ilícito tributário, do qual todos tinham conhecimento e ao qual aderiram de forma voluntária e consciente. Se a descrição fática lograr esse nível precisão e clareza, o lançamento subsistirá, a despeito de eventuais irregularidades de enquadramento legal. O mesmo, entretanto, não acontece no segundo caso. É que, de acordo com o inciso II, a solidariedade recai sobre pessoas expressamente designadas na lei, em situações Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 15586.720036/201612 Acórdão n.º 1301003.344 S1C3T1 Fl. 1.380 14 também previstas de forma expressa na lei. Portanto, se a lei prevê situações específicas de solidariedade, a higidez do lançamento depende de que se indique o dispositivo legal que serve de base à solidariedade tributária. Não basta descrever a situação. Aqui é necessário citar o dispositivo legal, sob pena de inviabilizar o exercício do direito de defesa. No caso em exame, a autoridade lançadora fundamentou a solidariedade tributária na existência de grupo econômico. Porém não informou a base legal para tanto, nem esclareceu qual o conceito e o alcance da expressão grupo econômico. O CTN, quando trata da sujeição passiva, em especial dos casos de solidariedade, não cogita dessa figura. A DRJ supôs que o fundamento fosse o art. 30 da Lei nº 8.212/1991. Mas é uma conjectura. Esse dispositivo limita sua aplicação aos valores devidos à Seguridade Social. O IRPJ não se enquadra nesse perfil. Entretanto, a solidariedade foi estendida para alcançar o aludido imposto, abrindo caminho para a ilação de que a autoridade fiscal talvez tivesse em mente outro fundamento legal. Esse elemento necessário à validade do auto de infração não foi devidamente informado. Além disso, o próprio conceito de grupo econômico é impreciso, sobretudo na esfera tributária. Não há clareza quanto ao critério de reconhecimento da existência do grupo econômico. Perguntase: A relação entre as empresas do grupo deve ser vertical ou pode ser horizontal? Integram o grupo econômico empresas coligadas? Duas empresas não coligadas, mas submetidas a controle da mesma companhia, respondem solidariamente pelas dívidas tributárias uma da outra? As respostas a essas perguntas seriam dadas pelo enquadramento legal que, no caso, não foi feito. Enfim, o enquadramento legal da solidariedade tributária e o conceito de grupo econômico, que deram ensejo à inclusão de Trip Investimentos Ltda. e Rio Novo Locações Ltda. no polo passivo da autuação, tinham de ser expostos com clareza, mas não o foram. Portanto, não pode subsistir a responsabilidade tributária de nenhuma das duas recorrentes, nem da Trip Investimentos Ltda., nem da Rio Novo Locações Ltda. Pelo exposto, afastase a responsabilidade solidária de Trip Investimentos Ltda. e de Rio Novo Locações Ltda. em relação à totalidade do crédito tributário lançado. Com isso, negase provimento ao recurso de ofício e, ao mesmo tempo, se dá provimento, nessa parte, aos recursos voluntários. Juros de mora sobre a multa No que concerne à aplicação de juros de mora sobre a multa imposta em lançamento de ofício, a matéria já foi diversas vezes trazida à apreciação desta Turma, que sistematicamente vem decidindo pela possibilidade dessa incidência. Para tanto, o fundamento legal estaria no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, e nos artigos 161 e 139 ambos do CTN. Nessa linha de interpretação, emprestase um sentido amplo à expressão "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições", constante do art. 61 da Lei nº 9.430, de forma a abarcar nessa categoria tanto o tributo propriamente dito, quanto a multa. Fl. 1380DF CARF MF Processo nº 15586.720036/201612 Acórdão n.º 1301003.344 S1C3T1 Fl. 1.381 15 Também esse é o entendimento que tem prevalecido na Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, do qual é exemplo o Acórdão nº 9101003.369, cuja ementa, na parte relativa aos juros de mora, foi assim redigida: JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC. Do voto condutor da decisão, destacamse os seguintes fundamentos: Assim, a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”, constante do caput do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, deve ser interpretada no sentido de compreender, para fins de incidência dos precitados juros moratórios, a diferença do tributo não recolhida até a data de seu vencimento, em razão de sua equivocada determinação, e a consequente multa aplicada mediante lançamento de ofício. Para tal empreitada exegética, é preciso considerar os artigos 113, § 1º; 139 e 161, caput e § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN), verbis: (...) A teor dos artigos suprarreferidos: a) o crédito tributário é uma decorrência da obrigação tributária principal (CTN, artigo 139); b) essa obrigação tem por objeto o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária imposta como consequência do descumprimento do dever legal de entregar ao Estado credor, no prazo legal, o valor integral do tributo, apurado em consonância com as normas legais (CTN, § 1º do artigo 113); c) o crédito não integralmente pago no vencimento, de que trata o caput do artigo 161 do CTN, não se resume ao valor do tributo suprimido ao Erário, porquanto a infração consistente na supressão do tributo é fato gerador da multa proporcional a ser aplicada mediante lançamento de ofício. Portanto, o § 3º do artigo 161 do CTN abarca o valor do tributo suprimido e a multa a ser aplicada de ofício, em decorrência da supressão do tributo. (...) Do preceito acima invocado (art. 61 da Lei nº 9.430), destacase a incidência de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Facilmente se infere que as multas ora comentadas só nascem porque há tributo devido a ser exigido de ofício. Não houvesse tributo sonegado, não haveria multa proporcional a ser lançada de ofício. Essa deve ser a linha de raciocínio para o desvendamento do que se pode entender no âmbito da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições.” (grifo do original) Pelas razões acima referidas, as multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei Fl. 1381DF CARF MF Processo nº 15586.720036/201612 Acórdão n.º 1301003.344 S1C3T1 Fl. 1.382 16 nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa Selic. Nessa linha de entendimento, o CARF editou a Súmula 108. Súmula CARF nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Em resumo e firmado nessas razões, indeferese a pretensão da recorrente de impedir a exigência de juros de mora calculados sobre a multa de ofício. CSLL Quando o lançamento da CSLL recair sobre a mesma base fática que motivou o lançamento do IRPJ, como ocorre no caso em exame, há de ser dada a mesma solução a ambos. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer dos recursos voluntários e de ofício para, no mérito: a) dar provimento aos recursos de Trip Investimentos Ltda. e de Rio Novo Locações Ltda., excluindoas do polo passivo da autuação; e b) negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso interposto por Trip Participações S/A. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Declaração de Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza Durante do julgamento do presente processo, manifestei minha intenção de apresentar declaração de voto, acompanhando o relator, para registrar, a partir desse julgamento, alteração de meu posicionamento acerca da matéria discutida no presente processo. A controvérsia gira em torno da possibilidade ou não de apurar ganho de capital na incorporações de ações. Antes, afastava a imposição fiscal, sob o entendimento de Fl. 1382DF CARF MF Processo nº 15586.720036/201612 Acórdão n.º 1301003.344 S1C3T1 Fl. 1.383 17 que a incorporação de ações seria uma operação com características próprias, distinta da alienação, e por conseqüência, não seria suscetível de gerar ganho de capital tributável. Porém, como já afirmado, refleti melhor sobre o assunto, cujas razões são adiante consignadas. Modesto Carvalhosa, ao tratar do assunto em questão, sustenta que, na incorporação de ações, ocorre uma alienação ficta de ações pelo acionista da incorporada e uma aquisição ficta pela incorporadora. Feito isso, continua o autor, ocorre em verdade um aumento de capital da incorporadora mediante a dação de bens pelos antigos acionistas da incorporada: as próprias ações. Tratase, assim, de uma aquisição na qual o pagamento se dá em bens, pelo que não se pode falar em mera substituição ou permuta. Nesse sentido: Tratase o negócio de incorporação de ações, ao mesmo tempo de uma incorporação e de uma alienação fictas. No primeiro caso, porque não se incorpora uma sociedade em outra, na medida em que a incorporada subsiste como pessoa jurídica, ou seja, como sociedade mercantil de direito privado, revestindo o tipo companhia. No segundo caso, porque o controlador da sociedade incorporada aliena não apenas suas ações à incorporadora, mas também as dos minoritários, num negócio sui generis, que lembra a expropriação do direito administrativo. [...] No mais, tratase de aumento de capital da incorporadora, mediante a conferência de todas as ações de emissão da incorporada.1 (grifos acrescidos) Assim , para esse autor, a justificativa para explorar o elemento "amento de capital" é que a incorporação de ações pressupõe que haverá aumento de capital na incorporadora, conforme previsão no art. 252 da Lei nº 6.404, de 1976. Nesse ponto, importante verificar que a presença do aumento de capital da incorporadora, nos permite perceber que haverá alienação de bens para que a incorporação de ações se concretize. Assim, não se trata de mera permuta de ativos, como outrora sustentei, que as ações incorporadas e as ações emitidas pela sociedade "incorporadora" são simplesmente trocadas, atribuindose às referidas ações o mesmo valor, e por conseguinte, sem ganho de capital a ser tributado. Tratase, em verdade, de inegável possibilidade de haver apuração de ganho de capital, no caso das ações a serem incorporadas serem transferidas por valor superior ao custo de aquisição. Com efeito, se verificada diferença positiva entre o custo de aquisição do bem permutado e o valor atribuído ao mesmo para concretizar a permuta – isto é, o valor da alienação –, a legislação tributária impõe a exigência de imposto sobre a renda. O CARF já apreciou operação de permuta de ações. Tratase do Acórdão nº 1202001.075, da relatoria do Conselheiro Valentim Neto, proferido pela 1ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, onde se decidiu, por unanimidade de votos, que na operação de permuta deveria incidir a tributação sobre o ganho de capital auferido pela diferença de valor dos bens permutados no negócio. Confirase trecho do mencionado julgado: III. A permuta de ações como fato gerador do IRPJ e da CSLL quando verificado o ganho do capital. Alega a Recorrente que “ainda que ficasse configurada a permuta nada haveria para se exigir do contribuinte, pois não há preço estipulado em que um bem constituise o pagamento do Fl. 1383DF CARF MF Processo nº 15586.720036/201612 Acórdão n.º 1301003.344 S1C3T1 Fl. 1.384 18 outro”, bem como “a mera diferença entre o custo dos bens não configura acréscimo patrimonial, pois, conceitualmente, os bens são permutados porque as partes os entendem como sendo da mesma valia. Todavia, deve ser mantida a decisão recorrida, por força do artigo 117, § 4º, do RIR/99, segundo o qual a operação de permuta de ações é tida como uma alienação e, na hipótese de ser auferido ganho de capital, é devido o imposto: Art. 117. Está sujeita ao pagamento do imposto de que trata este Título a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza (Lei nº 7.713, de 1988, arts. 2º e 3º, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 21). [...] § 4º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 3º). Colacionase, ainda, o Parecer Normativo CST nº 504, de 03/08/1971, também citado na decisão recorrida: “3 – Também a pessoa jurídica que permutar ações por outras ações de valor equivalente ao de aquisição das cedidas, por consequência, não alterando quantitativamente o patrimônio social, não estará sujeita à imposição de tributo. 4 – Todavia, se resultar lucro para a pessoa jurídica na alienação de ações, quer esta se faça sob a forma de venda, troca por bens de outra natureza ou permuta por outras ações, será ele necessariamente computado no resultado do exercício para fins de tributação. 5 Ressaltese, ainda, quanto à incidência na pessoa jurídica, não ser o valor nominal das ações negociadas a base de apuração do resultado na transação, e sim o valor da aquisição das por ela cedidas, em confronto com o atribuído às que receba na permuta, observandose em qualquer caso, as disposições das alíneas a e b do art. 251 e, na hipótese de prejuízo, as normas dos arts. 192 e 193 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 58.400, de 10/05/66).” (destaque não constam do original). Deste modo, para fins de apuração de ganho de capital, devem ser consideradas todas as operações que impliquem alienação a qualquer título, inclusive a permuta. Se a pessoa jurídica auferiu ganho ou lucro na alienação de ações, quer esta se opere mediante compra e venda, incorporação ou permuta por outras ações, será o ganho ou lucro submetido à tributação, sendo a base tributável, na hipótese dos autos, o resultado entre a diferença do valor de aquisição das ações da Selenium entregues e o valor das ações da Elba recebidas pela Recorrente. (grifos acrescidos) Igualmente, merece destaque decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, proferida no Acórdão 9101002.172 (Caso Fibria), que envolvia a tributação de ganho de capital proveniente de operação de permuta. Eis a ementa do referido precedente: Fl. 1384DF CARF MF Processo nº 15586.720036/201612 Acórdão n.º 1301003.344 S1C3T1 Fl. 1.385 19 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PERMUTA DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. RECEBIMENTO DE VALOR SUPERIOR AO ENTREGUE. APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL TRIBUTÁVEL. CABIMENTO. Na hipótese de permuta de participações societárias, entre pessoas jurídicas, em que ocorre recebimento de valor superior ao entregue, é cabível a apuração de ganho de capital tributável, salvo nas hipóteses expressamente previstas em lei. Neste ponto, vale a pena transcrever trecho do voto do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão (relator): O tratamento legal da matéria corresponde à incidência da legislação que impõe apuração de ganho de capital tributável na alienação de ativos, e a base do ganho é a diferença entre o valor da alienação (o quanto de fato representa o bem alienado que corresponde ao valor do bem recebido) e o seu custo de aquisição (há diversos dispositivos que tratam da forma como se apura a base de cálculo, não citados). Ou seja, a variação patrimonial na forma prevista no art. 43 do CTN deve ser quantificada e deve ser pago o correspondente imposto de renda. Não há dúvida que na permuta há alienação do bem que está na propriedade do permutante – o que traz a incidência das normas de regência. Vejase que nesses casos a base da tributação é, grosso modo, a diferença entre o valor registrado do bem objeto de alienação e o custo de aquisição do investimento recebido. Para demonstrar que essa é a mens legis genérica da legislação do Imposto de Renda, transcrevese abaixo os dispositivos do RIR/1999 (que tem por fundamento diversos dispositivos legais) que tratam do tema, aplicáveis às alienações e ganho de capital de pessoas físicas ou jurídicas (negritouse o dispositivo aplicável ao caso concreto em exame): (...) Assim, a regra geral é a tributação nos casos de permuta, espécie do gênero alienação. Porém há casos que não se tributa. E por que não tributa? Por que a legislação entendeu que se trata de não incidência, ou criou uma ficção jurídica que implica este efeito (além dos casos de isenção, onde há incidência mas não há tributação). Vejase que, conforme consolidado nos § 1º do art. 137 e os §§ 1º, 2º e 4º do art. 431 do RIR (aplicáveis às pessoas físicas e às jurídicas respectivamente, no âmbito do PND) – não se tributa porque há uma ficção jurídica no sentido de que os bens permutados (os dados e os recebidos), nos casos ali previstos, têm idêntico custo ou valor (ainda que contabilmente não os tenha) – o que, por óbvio, não gera ganho de capital. A Lei aqui criou uma exceção e não pode ser de forma alguma ser entendida como norma interpretativa, como alega a recorrente. Como reforço do argumento, as normas referentes às exceções à tributação na permuta sem torna, tidas como não incidência (não incluídas as isenções), seguem transcritas abaixo (incluem os Fl. 1385DF CARF MF Processo nº 15586.720036/201612 Acórdão n.º 1301003.344 S1C3T1 Fl. 1.386 20 casos de permuta em sede do PND e os casos de permuta de bens imóveis): [destaques não constam do original] Sendo assim, com esses fundamentos, acompanho o voto do relator que entendeu pela possibilidade de tributação do ganho de capital obtido na operação em exame. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Com as habituais homenagens pela clareza e precisão do voto do Ilustre Relator, peço vênia para divergir apenas quanto a um ponto de seu raciocínio, frisando desde já que esta discordância não afetará a conclusão alcançada em seu voto. A questão fulcral diz respeito à natureza jurídica da operação de incorporação de ações, se alienação ou subrogação real, para fins de subsunção ou não à regra do art. 3º, § 3º da Lei nº 7.713/88. A incorporação de ações é prevista no art. 252 da Lei nº 6.404/76, e se trata da operação através da qual a sociedade incorporadora incorpora ações de outra empresa, que continua a existir, porém passando a ser subsidiária integral daquela. É o que determinam seus dispositivos de regência: Art. 252. A incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia brasileira, para convertêla em subsidiária integral, será submetida à deliberação da assembléiageral das duas companhias mediante protocolo e justificação, nos termos dos artigos 224 e 225. § 1º A assembléiageral da companhia incorporadora, se aprovar a operação, deverá autorizar o aumento do capital, a ser realizado com as ações a serem incorporadas e nomear os peritos que as avaliarão; os acionistas não terão direito de preferência para subscrever o aumento de capital, mas os dissidentes poderão retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) § 2º A assembléiageral da companhia cujas ações houverem de ser incorporadas somente poderá aprovar a operação pelo voto de metade, no mínimo, das ações com direito a voto, e se a aprovar, autorizará a diretoria a subscrever o aumento do capital da incorporadora, por conta dos seus acionistas; os dissidentes da deliberação terão direito de retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) Fl. 1386DF CARF MF Processo nº 15586.720036/201612 Acórdão n.º 1301003.344 S1C3T1 Fl. 1.387 21 § 3º Aprovado o laudo de avaliação pela assembléiageral da incorporadora, efetivarseá a incorporação e os titulares das ações incorporadas receberão diretamente da incorporadora as ações que lhes couberem. § 4º A Comissão de Valores Mobiliários estabelecerá normas especiais de avaliação e contabilização aplicáveis às operações de incorporação de ações que envolvam companhia aberta. É uma peculiaridade dessa operação que a incorporadora aumente seu próprio capital social e o integralize com as ações adquiridas da incorporada. Os acionistas desta (incorporada), então, caso aprovem a operação, receberão em troca ações da incorporadora decorrentes do aumento do capital social em questão. Os antigos acionistas ou titulares de cotas da incorporada, portanto, passam a ser acionistas da incorporadora. É famoso o debate doutrinário em torno da tributação da incorporação de ações. Por um lado, parte da doutrina entende a incorporação como mera substituição de ações em virtude de subrogação real, em que não ocorre uma alienação e, portanto, não há ganho de capital tributável (Cf. OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Incorporação de ações no direito tributário conferência de bens, permuta, dação em pagamento e outros negócios jurídicos. São Paulo: Editora Quartier Latin, 2014), e, por outro lado, parte da doutrina reconhece a operação como aumento de capital mediante conferência de bens, o que implica alienação das ações incorporadas (Cf. SCHOUERI, Luís Eduardo e ANDRADE JR., Luís Carlos de. Incorporação de ações: natureza societária e efeitos tributários. São Paulo: Editora Dialética, Revista Dialética de Direito Tributário nº 200, maio de 2012). Com a devida vênia às abalizadas posições em sentido contrário, entendo que a operação de incorporação de ações se qualifica juridicamente como um aumento de capital mediante conferência de bens. Parecenos que o art. 252 da Lei 6404/76 é de grande clareza ao evidenciar que a incorporação de ações envolve um aumento de capital na sociedade incorporadora, e a integralização desse capital mediante a transferência das ações incorporadas. Do lado da sociedade incorporada, há uma aquisição de ações da incorporadora através da transferência de ações próprias, que serão utilizadas para a composição do capital social aumentado da incorporadora. É dizer, o pagamento pelas ações da incorporadora, decorrentes do aumento de capital, se dá através das ações dos acionistas da sociedade incorporada, caracterizando este negócio como inconteste alienação das ações detidas pelos sócios da incorporada. A tese da ocorrência de subrogação real nos parece equivocada, pois este negócio jurídico exige a substituição do objeto da relação jurídica, com a manutenção dos demais aspectos da relação originária (EIZIRIK, Nelson. "Incorporação de ações. Natureza Jurídica e principais características", p. 96). No caso da incorporação de ações, o sócio da sociedade incorporada é titular de participação nela, ao passo que após a operação ele deixa de ser sócio daquela empresa, para ser sócio da incorporadora mudam não apenas as ações, mas também a sociedade com a qual ele se relaciona, afetando a relação pretérita para além, simplesmente, do seu objeto. Além disso, o fato da operação ser realizada por meio de decisão da assembleia geral da incorporada decorre de autorização legal, que franqueia à diretoria da Fl. 1387DF CARF MF Processo nº 15586.720036/201612 Acórdão n.º 1301003.344 S1C3T1 Fl. 1.388 22 companhia poderes para negociar, em nome próprio e por conta dos acionistas, resguardando o direito de retirada dos minoritários, nos termos do art. 252, § 3º da Lei 6.404/76, não se afasta da lógica do princípio majoritário, que orienta as deliberações sociais1. Nesta esteira, há que se questionar se, a despeito da alienação, há realização da renda para fins de incidência do IRPJ e CSLL. Nesse ponto, também entendo ocorrida a realização, pois as ações da incorporadora passam a fazer parte do patrimônio do acionista da incorporada, que as recebe, incluindo aí o ganho de capital decorrente da diferença em relação ao custo de aquisição das ações da incorporada, estando cumpridos todos os requisitos da troca, inclusive a avaliação das ações a valor de mercado, sendo essas valores dotados de mensurabilidade e liquidez (Cf. BULHÕES PEDREIRA, José Luiz. Imposto sobre a renda: pessoas jurídicas. Rio de Janeiro: Justec, 1979, p.279) Em síntese, entendo que a incorporação de ações consiste em uma operação de alienação, no qual ações da incorporadora são adquiridas pelos sócios mediante cessão das ações da incorporada (aumento de capital mediante conferência de bens), que tem o condão de gerar ganho de capital, a depender do valor das ações adquiridas da incorporadora. Desse modo, voto por reconhecer a incidência do IRPJ e CSLL sobre o ganho de capital na incorporação de ações. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto 1 Para uma apresentação extensiva e, a meu ver, conclusiva sobre as críticas à primeira corrente, remeto a "SCHOUERI, Luís Eduardo e ANDRADE JR., Luís Carlos de. Incorporação de ações: natureza societária e efeitos tributários. São Paulo: Editora Dialética, Revista Dialética de Direito Tributário nº 200, maio de 2012. Fl. 1388DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.722580/2012-48
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO CONSUMATIVA.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão consumativa.
Numero da decisão: 9202-007.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe deu provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes.
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão consumativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe deu provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes. Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 25 80 /2 01 2- 48 Fl. 678DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Especial interposto pelo Contribuinte contra o Acórdão n.º 2202003.418 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 12 de maio de 2016, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 543: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. PROVA DOCUMENTAL. SÚMULA CARF Nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63). Na perda de um dos requisitos, como a suspensão da aposentadoria por invalidez do contribuinte, em função da falta de comprovação de que se encontrava acometido da enfermidade que determinou sua incapacidade para o trabalho, a isenção não pode ser reconhecida. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DESCONTO SIMPLIFICADO. Prevalece o lançamento de ofício de rendimentos não oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual, admitindose o desconto simplificado no cálculo do imposto devido. Em seguida, foi interposto Recurso Especial, fls. 573 a 594, admitido, por meio do Despacho de fls. 627 a 633, para rediscutir a questão atinente à preclusão acerca da tributação do 13º salário. Aduz o Contribuinte, em síntese, que: a) deve ser reformada a decisão para que sejam excluídos da base de cálculo os valores atinentes à parcela de décimo terceiro salário, relativo aos anos calendário de 2007 a 2010, eis que, além da responsabilidade pela retenção ser da fonte pagadora, o Fl. 679DF CARF MF Processo nº 11516.722580/201248 Acórdão n.º 9202007.123 CSRFT2 Fl. 3 3 fato do ora recorrente ser beneficiado de isenção tributária e não ser feita a retenção mensal de praxe pela ALESC, estes valores não foram individualizados nos informativos anuais de rendimentos encaminhados à Receita Federal. Intimada, a Procuradoria da Fazenda apresentou contrarrazões, na qual sustenta: a) há expressa vedação legal (artigo 17 do PAF: “considerarse não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”), impossibilitando a análise de questão somente trazida aos autos em sede de recurso voluntário , não é dado ao julgador fazer “tabula rasa” da lei, a pretexto de se invocar um determinado princípio processual; b) destarte, uma vez que no caso em tela, não estamos diante de nenhuma das hipóteses autorizadoras da lei, não há razões a justificar a INOVAÇÃO DA LIDE por parte do contribuinte no recurso voluntário. Foi anexada aos autos a informação de fls. 67 tratando da existência de ação anulatória sobre o PAF 11516.722580/201248, processo no qual foi indeferida a antecipação de tutela (processo n.º 50240425120164047200). É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os demais requisitos de admissibilidade. O objeto da divergência na qual houve seguimento foi unicamente a questão da preclusão acerca da tributação do 13º salário. Alega a Recorrente que deve ser reformada a decisão para que sejam excluídos da base de cálculo os valores atinentes à parcela de décimo terceiro salário, relativo aos anos calendário de 2007 a 2010, eis que, além da responsabilidade pela retenção ser da fonte pagadora, o fato do ora recorrente ser beneficiado de isenção tributária e não ser feita a retenção mensal de praxe pela ALESC, estes valores não foram individualizados nos informativos anuais de rendimentos encaminhados à Receita Federal. Por sua vez, a Procuradoria da Fazenda, em sede de contrarrazões, assevera que há expressa vedação legal (artigo 17 do PAF: considerarse não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante), impossibilitando a análise de questão somente trazida aos autos em sede de recurso voluntário, não é dado ao julgador fazer “tabula rasa” da lei, a pretexto de se invocar um determinado princípio processual. Sobre o tema, o Acórdão recorrido assim dispôs: Fl. 680DF CARF MF 4 Em relação à tributação sobre o 13º salário, a matéria não foi enfrentada na decisão de primeira instância, posto que não foi contestada por ocasião da impugnação, razão pela qual entendo que está fora do litígio. A matéria, portanto, encontrase preclusa, nos termos do artigo 17 do PAF. verbis: “Considerar seá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Diferentemente do que alega o Recorrente, não se trata de matéria de ordem pública e a sua análise implicaria em supressão de instância, uma vez que essa questão não foi submetida ao julgamento a quo. Entendo que não merece reparo o Acórdão recorrido quanto à existência de preclusão, razão pela qual mantenho a decisão por seus próprios fundamentos. No que se refere à Informação de fls 67 sobre a existência de concomitância, esclareço que consta como data de autuação do processo judicial 11/10/2016, fls. 669, tendo o Acórdão de Recurso Voluntário sido proferido em 11/05/2016 e interposto o Recurso Especial em 04/07/2016. Assim, houve decisão sobre a isenção pleiteada antes da interposição da ação, sendo que o capítulo da decisão sobre a isenção, objeto da ação judicial, já havia transitado em julgado no âmbito do processo administrativo fiscal, inclusive considerando que o recurso da Contribuinte foi admitido exclusivamente sobre a questão da preclusão relativa ao 13º salário. Portanto, não há que se falar em concomitância no presente caso, no que se refere à isenção por moléstia grave, matéria essa definitivamente julgada, em decorrência da ausência de recurso sobre o tema, bem como quanto ao tema objeto da divergência jurisprudencial admitida, pois trata de peculiaridade não coincidente com o objeto dos autos judiciais. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 681DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.720661/2010-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 28/02/2006, 31/08/2006, 30/11/2006, 31/01/2007, 31/03/2007
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Conhece-se do recurso voluntário apenas quanto a matérias impugnadas. Recurso não conhecido quanto a matéria não trazida na impugnação, porquanto não compõem a lide e quedou-se preclusa.
MULTA POR ERRO EM GFIP.
Comprovada a omissão ou incorreção de informações na Gfip, aplica-se o disposto no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991.
Numero da decisão: 2301-005.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) não conhecer das questões atinentes (a.1) à impossibilidade de aplicação da aferição indireta em face de divergências entre DIPJ e Gfip, e (a.2) à concomitância entre a multa isolada, por descumprimento de obrigação acessória, e a multa vinculada ao crédito tributário lançado; (b) no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 28/02/2006, 31/08/2006, 30/11/2006, 31/01/2007, 31/03/2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Conhece-se do recurso voluntário apenas quanto a matérias impugnadas. Recurso não conhecido quanto a matéria não trazida na impugnação, porquanto não compõem a lide e quedou-se preclusa. MULTA POR ERRO EM GFIP. Comprovada a omissão ou incorreção de informações na Gfip, aplica-se o disposto no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) não conhecer das questões atinentes (a.1) à impossibilidade de aplicação da aferição indireta em face de divergências entre DIPJ e Gfip, e (a.2) à concomitância entre a multa isolada, por descumprimento de obrigação acessória, e a multa vinculada ao crédito tributário lançado; (b) no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha.
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PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Conhecese do recurso voluntário apenas quanto a matérias impugnadas. Recurso não conhecido quanto a matéria não trazida na impugnação, porquanto não compõem a lide e quedouse preclusa. MULTA POR ERRO EM GFIP. Comprovada a omissão ou incorreção de informações na Gfip, aplicase o disposto no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) não conhecer das questões atinentes (a.1) à impossibilidade de aplicação da aferição indireta em face de divergências entre DIPJ e Gfip, e (a.2) à concomitância entre a multa isolada, por descumprimento de obrigação acessória, e a multa vinculada ao crédito tributário lançado; (b) no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 06 61 /2 01 0- 33 Fl. 298DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha. Relatório Tratase de auto infração, lavrado em 23/04/2010 (efl. 43), Debcad nº 37.242.0486, para exigência de multa por incluir informações inexatas em Gfip. Consta do Relatório Fiscal (efls. 17 a 22) que a empresa informou incorretamente as retenções sobre notas fiscais de serviços nos meses de 02/2006, 08/2006, 11/2006, 01/2007 e 03/2007, sujeitandose à multa prevista no inciso II do § 3º do art. 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, no valor de R$ 20,00 para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Constatado, pela Autoridade Lançadora, que as incorreções ou omissões se deram em um único campo da Gfip em cada um dos meses, foi observado o valor mínimo de R$ 500,00 por irregularidade, totalizando o lançamento de R$ 2.500,00. No acórdão recorrido (efls. 128 a 131), consta que a Recorrente alegou, na impugnação, em síntese: 5.1. Embora não tenha havido qualquer omissão da Datamétrica em relação aos fatos aqui levantados, uma vez que jamais deixou de apresentar as informações exigidas pelo art. 32 da Lei, inciso IV, e já devidamente penalizada por meio do Auto de Infração 37.242.0478 (anexo IV), cuja cópia é anexada com o mesmo devidamente pago, no valor de R$ 1.410,79, pelas obrigações acessórias não cumpridas, fica claramente demonstrado, de acordo com o quadro de fls. 49/50 e com as cópias das notas fiscais e seus respectivos créditos por ocasião do recebimento, que não houve prejuízo para os cofres da seguridade social, pois mesmo não havendo mencionado o destaque, quando da efetivação do pagamento, os respectivos tomadores efetuaram a retenção devida. 5.2. Na competência 01/2007 a Auditora grafou como total o valor de R$ 106.109,40, quando o correto é R$ 110.870,83. 5.3. Para melhor esclarecer a demonstração, foi informado na coluna “valor líquido creditado ou recebido” os respectivos valores, data e instituição financeira onde foram depositados os créditos recebidos em relação às notas fiscais objeto da discussão e na coluna “Retenção para a Seguridade Social”, os valores que, não obstante não terem sido destacados nas nostas (sic) fiscais, foram devidamente deduzidos. O colegiado a quo deu parcial provimento à impugnação nos termos do voto do relator que assim interpretou os fatos: 9. A autoridade fiscal verificou que a Impugnante declarou em GFIP valores incorretos a título de retenção, quando comparados com as notas fiscais com o destaque, o que configura infração. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10480.720661/201033 Acórdão n.º 2301005.507 S2C3T1 Fl. 299 3 10. A Impugnante, por seu turno, não apresentou provas de que os valores declarados em GFIP estavam corretos, mas argumentou que na competência 01/2007 a Auditora equivocou se, porque o total das notas fiscais coincide com o declarado. 11. Assiste razão à Impugnante, no que diz respeito à competência 01/2007, vide fls. 18, de maneira que a penalidade deve ser retificada para o valor de R$ 2.000,00, excluindose do lançamento a multa de R$ 500,00, referente a esta competência. 12. Isso posto, resolvo dar provimento parcial à impugnação e retificar a penalidade aplicada para o valor de R$ 2.000,00, acrescido de juros. A Recorrente, então, apresentou recurso voluntário (efls. 140 a 294) em que alegou, em síntese, que a aferição indireta não poderia subsistir porquanto não teria havido negativa de atendimento às intimações fiscais. Alegou, também, que a) o arbitramento não poderia se dar com base nas informações da DIPJ, pois ali há valores que não comporiam a base de cálculo da contribuição previdenciária; b) que o lançamento teria sido motivado por divergência entre os valores informados em Gfip e os constantes da DIPJ c) que é permitida a apresentação de documentos mesmo na fase recursal, e d) que não incidiria multa por descumprimento de obrigação acessória quando já se exige a penalidade pela ausência de recolhimento da obrigação principal (bis in idem). É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital Relator. O recurso é tempestivo. Sobre a utilização da aferição indireta, a matéria não restou questionada na impugnação. A então Impugnante limitouse a informar que dos valores usados pela autoridade fiscal para o arbitramento, provenientes da DIPJ, deveriam ser excluídas as parcelas que não integrariam a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Porém, aquele colegiado entendeu que não foram apresentadas provas de que os valores utilizados estariam incorretos. Portanto, a utilização do critério de arbitramento não foi objeto de contestação. O mesmo ocorre em relação à questão relativa à concomitância da multa isolada, por descumprimento de obrigação acessória, e a multa vinculada ao crédito tributário lançado. Tratase de matéria que não foi objeto de impugnação e, portanto, não compõe a lide. Fl. 300DF CARF MF 4 Como já se manifestou esta turma, unanimemente, no Acórdão nº 2301 005.165, não se conhece de matéria não impugnada: Não é possível conhecer da matéria porque não foi questionada pela recorrente na impugnação e, consoante o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. É a impugnação, ao instaurar a fase litigiosa, que delimita a lide. Não suscitada a matéria na fase própria, precluso estará o direito de fazêlo em outro momento processual. Nesse sentido, há vários precedentes no Carf (por exemplo, os acórdãos nºs 3302004.356, 3402004.318, 2402 005.903, 2402005.808 e 9101002.719). Portanto, não conheço do recurso em relação à impossibilidade de aplicação da aferição indireta em face de divergências entre DIPJ e GFIP e, também, em relação à concomitância das multas. Registrese que não houve questionamento, na impugnação ou no recurso voluntário, do método de cálculo da multa aplicada, tampouco quanto à retroação benigna da legislação, nos termos do lançamento. Cingese, a controvérsia, pois, à ocorrência dos fatos geradores da multa em questão, única matéria que se admite neste recurso. Ao contrário do que afirmou a Recorrente, o lançamento da multa destes autos não guarda relação com o arbitramento da base de cálculo das contribuições sociais. A acusação fiscal afirma que a Recorrente declarou, em Gfip, valores incorretos de retenções, constatados mediante exame das notas fiscais. Nem na impugnação, nem no recurso voluntário, a Recorrente se desincumbiu de provar que os valores de retenção informados nas Gfip estariam corretos, limitandose a alegar matéria de direito. Porém, neste caso, o direito não assiste a Recorrente. O lançamento é atividade vinculada (parágrafo único do art. 142 do CTN). Constatado o fato que se subsume à norma, não há como afastar a exação. O art. 32A estabelece a multa por incorreções em Gfip e, no caso, foi aplicado o valor mínimo previsto no inc. I do § 3º daquele artigo. Verificada a hipótese de incidência, que consistiu na incorreção dos valores de retenção informados pela Recorrente em Gfip, sem que provas em contrário fossem apresentadas, não há reparo a fazer no lançamento. Conclusões Voto no sentido de não conhecer, por ausência de prequestionamento, da matéria acerca da impossibilidade de aplicação da aferição indireta em face de divergências entre DIPJ e GFIP e da questão relativa à concomitância da multa isolada, por descumprimento de obrigação acessória, e a multa vinculada ao crédito tributário lançado. No mérito, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10480.720661/201033 Acórdão n.º 2301005.507 S2C3T1 Fl. 300 5 Fl. 302DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.926612/2016-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2014
CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.945
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
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COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 66 12 /2 01 6- 41 Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10680.926612/201641 Acórdão n.º 3301004.945 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido efetuado pela empresa Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda., CNPJ nº 05.805.826/000141, mas não teria sido confirmado evento de sucessão entre o declarante e o detentor do crédito. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que a empresa Asyst teria sido incorporada pela Algar Tecnologia, a qual teria sofrido cisão, passando a ser controlada pela Algar TI, de modo que o acervo incorporado da Asyst, teria sido incorporado pela Algar TI. O contribuinte argumentou que na sucessão, a empresa sucessora se torna responsável pelas obrigações tributárias e dos direitos inerentes à sucessão. Citou jurisprudência. Alegou que a finalidade da reorganização societária teria sido segregar as atividades de tecnologia da informação, juntando todo acervo em uma única empresa, a Algar TI. Defendeu que a cessão de crédito está demonstrada no Balanço Patrimonial, pela linha “Impostos a Recuperar”. Concluiu, para requerer que a manifestação de inconformidade fosse conhecida e julgada como procedente, a legitimação da sucessão dos direitos e obrigações da Asyst pela Algar TI, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a nulidade do despacho decisório, que fosse deferida a realização de perícia contábil e a produção de todos meios de prova admitidos em Direito. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 14065.527. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repetiu os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e adicionou preliminar de nulidade da decisão de piso, por cerceamento do direito de defesa. Apesar de postulado, a DRJ não teria apreciado o pedido de produção de prova pericial, optando por decidir pela improcedência da defesa, por ausência de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10680.926612/201641 Acórdão n.º 3301004.945 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.919, de 27 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.919): "A DRF em Belo Horizonte (MG) não homologou a compensação de créditos da COFINS do período de apuração de novembro de 2014. O Despacho Decisório (fl. 07) informa que o crédito deriva de pagamentos indevidos, porém não o teria homologado, em razão de o detentor do crédito ser a ASYST INTERNACIONAL SERVICOS DE INFORMATICA LTDA.. Não havia registro de que a recorrente seria sucessora da ASYST, no que tange aos créditos da COFINS em questão. Na manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou descrição detalhada da reorganização societária implementada no Grupo Algar, que resultou na transferência dos créditos da ASYST para o seu patrimônio. Carreou aos autos os atos societários correspondentes. Informou que os créditos (R$ 148.639,56) integraram o acervo líquido incorporado. E, por fim, pleiteou que fosse realizada perícia contábil, caso os documentos anexados não fossem considerados como suficientes pela DRJ. Em suma, a DRJ, apesar de reconhecer a legitimidade da sucessão, julgou improcedente o pleito, por falta de elementos que comprovassem a efetiva transferência dos créditos para a recorrente. Apontou que o fato de ter sido incorporado o grupo de contas contábeis "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06) não significava, necessariamente, que os créditos em questão (R$ 148.639,56) naquele saldo havia sido computado. Passemos ao recurso voluntário. Inicia, contestando a conclusão da DRJ, acusandoa de cerceamento do direito de defesa, em razão de não ter convertido o julgamento em diligência, para oportunizar a juntada de documentação suplementar, sem que uma justificativa houvesse sido apresentada, conforme determina o art. 28 do Decreto n° 70.235/72. Afasto estes argumentos. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10680.926612/201641 Acórdão n.º 3301004.945 S3C3T1 Fl. 5 4 Primeiro, porque diligências ou perícias não se destinam à produção de provas em favor das partes. E, segundo, porque tampouco foi instruído, os termos do inciso IV do art. 16 do decreto n° 70.235/72 "IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito." No mérito, novamente apresentou detalhada descrição das operações que resultaram na transferência para o seu patrimônio dos créditos da Asyst. Em síntese, a Algar Tecnologia incorporou a Asyst International (proprietária original dos créditos) e a Rhealeza VR. Simultaneamente, a Algar Tecnologia sofreu cisão parcial, com incorporação do acervo líquido cindido na Algar TI (recorrente). Enfatizou que a parcela do patrimônio cindido correspondeu aos acervos líquidos da Asyst e Rhealeza. Com efeito, os respectivos atos societários anexados às defesas, foram assim sintetizados na decisão de piso (fl. 70): "a) Ata da Assembléia Geral Extraordinária da empresa Algar Tecnologia e Consultoria, CNPJ nº 21.246.699/000144, realizada em 2 de julho de 2015, protocolizada em 31/07/2015 na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, através da qual foram deliberados os termos e as condições da incorporação da Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda. e Rhealeza Volta Redonda Informática Ltda. pela Algar Tecnologia e Consultoria S/A.; b) Protocolo de Incorporação das sociedades, no qual são firmadas as condições para a incorporação das empresas, datado de 15 de junho de 2015 e Laudo de Avaliação, datado de 02 de julho de 2015, ambos protocolizados na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 31/07/2015. No Laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015. c) Ata da reunião dos sócios quotistas realizada em 02 de julho de 2015, registrada na Junta Comercial em 14/09/2015, pela empresa “Acional Serviços de Informática Ltda.” (sic), CNPJ nº 05.805.826/000141, no qual os sócios quotistas aprovaram a incorporação da empresa pela Algar, dando como extinta a sociedade. d) Protocolo de cisão parcial da sociedade Algar Tecnologia e Consultoria S/A com incorporação da parcela cindida na Algar TI Consultoria S/A, datado de 15 de junho de 2015 e protocolizado na Junta Comercial em 31/07/2015. e) Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada pela Algar Tecnologia e Consultoria, em 3 de julho de 2015 (protocolizada na Junta Comercial em 13/08/2015), através da qual foram aprovados o Protocolo de cisão parcial, o laudo de avaliação e a cisão parcial da sociedade. No laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015." Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10680.926612/201641 Acórdão n.º 3301004.945 S3C3T1 Fl. 6 5 Destacou que o saldo do grupo contábil "Impostos a Recuperar", transferido da Algar Tecnologia, de R$ 2.160.819,06, era composto por R$ 282.419,93, originários da Rhealeza, e R$ 1.878.399,13, da Asyst. E concilia os montantes com os atos societários. Trouxe dispositivos legais, doutrina e julgados, fundamentando o direito de a Algar TI aproveitar créditos tributários resultantes de operações de cisão, seguida de incorporação. E, por fim, mais uma vez, pleiteia a realização de diligência, para a juntada do documentos complementares, caso esta turma não se satisfaça com os já apresentados. Restou incontroversa a possibilidade de os contribuintes utilizarem créditos tributários, resultantes das operações societárias em questão, cujo fundamento se encontra nos artigos 227 e 229 da Lei n° 6.404/76. Contudo, concordo com a DRJ. Não é suficiente para comprovar a liquidez e certeza dos créditos, informar que o montante dos créditos (R$ 148.639,56) se encontrava na rubrica "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06), indicada nos atos societários. Relevo, naturalmente, a ausência de detalhes acerca da incorporação da Ayst pela Algar Tecnologia, pois, da leitura dos atos societários, concluise que houve realmente houve uma incorporação, operação por meio da qual extinguese uma pessoa jurídica (incorporada) por meio da transferência de seu acervo líquido (ativos e passivos) para a incorporadora. Contudo, a operação subsequente foi uma cisão parcial, seguida de incorporação, em cujos atos societários não há destaque dos créditos foram transferidos para a recorrente. A recorrente deveria ter trazido aos autos, ao menos, as seguintes informações complementares, para comprovar que era a titular dos créditos: razão contábil da rubrica em que o crédito foi originalmente registrado na escrita da Asyst, devidamente conciliada com demonstrativo da base de cálculo, DCTF e guia de recolhimento, em que ficaria evidenciada a apuração do crédito e sua contabilização; lançamentos contábeis, com os respectivos razões, evidenciando a transferência, por incorporação, dos créditos da Asyst para Algar Tecnologia; e lançamentos contábeis da cisão parcial da Algar Tecnologia e da incorporação do respectivo acervo líquido na Algar TI, evidenciando que os créditos compuseram o patrimônio cindido e em seguida incorporado. E, pelas razões anteriormente apresentadas, também nego o pedido de diligência ou perícia. Concluo, negando provimento ao recurso voluntário. É como voto." Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10680.926612/201641 Acórdão n.º 3301004.945 S3C3T1 Fl. 7 6 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 323DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13864.720049/2016-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA PRELIMINAR DE NULIDADE.
Não há de se falar em nulidade da ação fiscal se restaram cumpridos todos os requisitos essenciais previstos pelo artigo 10 do Decreto n.º 70.235/72 e 142 do CTN.
Sendo concedida, na fase preparatória e impugnatória, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos é improcedente a argumentação de cerceamento do direito de defesa e de não observância do contraditório.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Com a edição da Lei n.º 9.430/96, a partir de 01/01/1997 passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida.
Nesse sentido, dispõe a Súmula CARF nº 34 que nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
A multa de 75%, prescrita no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, é aplicável sempre nos lançamentos de ofício realizados pela Fiscalização da Receita Federal do Brasil.
Configurada a existência de dolo, impõe-se ao infrator a aplicação da multa qualificada de 150% prevista na legislação de regência. Art. 44 da Lei nº 9.430/1996 c.c. artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502 de 30/11/1964.
As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindo-se antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais.
Numero da decisão: 2301-005.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei, rejeitar a preliminar e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada) e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA PRELIMINAR DE NULIDADE. Não há de se falar em nulidade da ação fiscal se restaram cumpridos todos os requisitos essenciais previstos pelo artigo 10 do Decreto n.º 70.235/72 e 142 do CTN. Sendo concedida, na fase preparatória e impugnatória, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos é improcedente a argumentação de cerceamento do direito de defesa e de não observância do contraditório. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Com a edição da Lei n.º 9.430/96, a partir de 01/01/1997 passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Nesse sentido, dispõe a Súmula CARF nº 34 que nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 00 49 /2 01 6- 30 Fl. 371DF CARF MF 2 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de 75%, prescrita no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, é aplicável sempre nos lançamentos de ofício realizados pela Fiscalização da Receita Federal do Brasil. Configurada a existência de dolo, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada de 150% prevista na legislação de regência. Art. 44 da Lei nº 9.430/1996 c.c. artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502 de 30/11/1964. As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei, rejeitar a preliminar e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada) e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face do Acórdão 1676.354, de 24 de fevereiro de 2017 (fls. 301 a 314). No lançamento, relativo ao exercício de 2013, houve exigência de crédito tributários no valor de R$10.606.995,03, sendo R$4.285.654,56 referentes a imposto, R$4.821.361,38 referentes à multa e R$1.499.979,09 são cobrados a título de juros de mora, calculados até 06/2016. A infração apurada, OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITO BANCÁRIO COM ORIGEM NÃO COMPROVADA, que resultou na constituição do crédito tributário referido, encontrase relatada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal (fls.81/89). Fl. 372DF CARF MF Processo nº 13864.720049/201630 Acórdão n.º 2301005.371 S2C3T1 Fl. 3 3 Cientificado do Auto de Infração em 28/07/2016, fls. 101, o ora Recorrente apresentou a impugnação de fls.107/130, alegando, em síntese, que: · Preliminar. Nulidade do Auto de Infração em razão do cerceamento do direito de defesa do Impugnante, configurado pela dificuldade, mesmo tendo sido disponibilizado digitalmente, em manusear os documentos, uma vez que se viu obrigado a abrir cada um dos cerca de 62 arquivos para conhecer o teor de tais documentos, por não terem sido organizados em ordem cronológica dos fatos e por se encontrarem sem numeração de folhas, dificultando a elaboração da impugnação, restando configurado a violação ao Princípio Constitucional do Contraditório e da Ampla Defesa e inobservância do Princípio da Eficiência da Administração Pública. · No Mérito. Improcedência do Auto de Infração em razão da impossibilidade de constituição de crédito tributário consubstanciado somente em extratos de depósitos bancários das contas correntes, sem ter comprovado o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente referida omissão, não servindo de material probatório que justifique o Auto de Infração; · Da comprovação da origem dos depósitos bancários. O Impugnante iniciou o ano de 2011 como credor da empresa RIGIS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO S/A, no montante de R$20.000.000,00 (vinte milhões de reais), conforme cópia do Livro Diário e Razão e Termo de Confissão de dívida anexos; · Que o Impugnante recebeu da Rigis Administração e Participação S/A o montante de R$15.500.000,00 ao longo do ano calendário de 2011, portanto, tinha disponibilidade financeira suficiente para a movimentação bancária ora questionada, informação de pleno conhecimento do Sr. Auditor Fiscal; · Que a movimentação bancária ocorrida no ano calendário de 2012 é decorrente dos valores recebidos em 2011; · Que em 01 de agosto de 2011 o ora impugnante celebrou contrato de mútuo (cópia anexa) com Luis Felipe Bento Nascimento, comprometendose a emprestar a quantia de R$ 7.000.000,00 (sete milhões de reais), sendo que este efetuou pagamentos ao longo do ano calendário de 2012, conforme planilha (fls.118 da impugnação), os quais somam R$6.839.975,88, restando assim comprovado a origem deste montante; · Que em 01 de agosto de 2011, também celebrou contrato de mútuo (cópia anexa), comprometendose a emprestar a quantia de R$1.000.000,00 (um milhão de reais) a Ricardo Empreendimentos Imobiliários Ltda, tendo este devolvido durante o ano de 2012, o montante de R$828.929,25, conforme planilha (fls.119), restando assim comprovado a origem deste montante; Fl. 373DF CARF MF 4 · Também emprestou R$9.000,00 (nove mil reais) para Centro Integrado de Assistência Gerador de Movimento Para a Cidadania – CIAGYM, que foi pago 09/05/2012; R$9.000,00 para Hamilton Cicino de Lara que foi pago em junho/2012 e o montante de R$11.284,00 para Moreira e Fátima Administração de Hotelaria Ltda, que foi pago em agosto/2012, documentos anexos; · Que o Auditor Fiscal tributou R$700.000,00 no mês de dezembro/2012, valores que são resgate de aplicação, conforme f.44 do processo, documento juntado pelo próprio auditor. · A multa de 75% foi indevidamente duplicada para 150%, em desrespeito ao princípio da legalidade, eis que somente haveria duplicação do percentual de multa nos casos previstos nos artigos mencionados da Lei 4.502/64, sonegação (art.71), fraude (art.72) e o conluio (art.73), nenhum destes comprovado pela fiscalização. Há que se ressaltar a necessidade de se manter a presunção de boafé e de inocência dos contribuintes no julgamento de casos em que a fiscalização impõe sanções qualificadas; · A multa não pode ser tão elevada que atinja o próprio patrimônio do contribuinte, gerando total desproporcionalidade entre o objetivo de reprimir/desestimular a inadimplência e o de apenar o contribuinte com seu efeito confiscatório; · Desta forma, observando o preceito constitucional da Vedação ao Confisco e da Proporcionalidade, bem como os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais supracitados, deve ser reconhecido o efeito confiscatório da multa aplicada, determinadose, se for o caso da manutenção do indevido crédito tributário lançado, a redução da multa para o patamar máximo de 20%, nos termos do artigo 61, § 2º, da Lei nº 9.430/96; · Requer ao final a produção de todos os meios de prova admitidos no processo administrativo, notadamente a juntada de novos documentos e outros que se fizerem necessários. O Acórdão da DRJ (fls. 301 a 314) julgou a impugnação improcedente, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA PRELIMINAR DE NULIDADE. Não há de se falar em nulidade da ação fiscal se restaram cumpridos todos os requisitos essenciais previstos pelo artigo 10 do Decreto n.º 70.235/72 e 142 do CTN. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 13864.720049/201630 Acórdão n.º 2301005.371 S2C3T1 Fl. 4 5 Sendo concedida, na fase preparatória e impugnatória, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos é improcedente a argumentação de cerceamento do direito de defesa e de não observância do contraditório. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Com a edição da Lei n.º 9.430/96, a partir de 01/01/1997 passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de 75%, prescrita no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, é aplicável sempre nos lançamentos de ofício realizados pela Fiscalização da Receita Federal do Brasil. Configurada a existência de dolo, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada de 150% prevista na legislação de regência. Art. 44 da Lei nº 9.430/1996 c.c. artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502 de 30/11/1964. As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. A doutrina transcrita não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Inteligência do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988. MEIOS DE PROVA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Regra geral, toda prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito do interessado fazêlo em momento processual diverso. Inteligência dos artigos 15 e 16 do Decreto n.º 70.235/72 Fl. 375DF CARF MF 6 Irresignado, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 321 a 351) reiterando os argumentos trazidos na impugnação, isto é, o cerceamento de defesa em razão da falta de numeração da folhas de alguns documentos trazidos pelo contribuinte até o momento da impugnação; da comprovação da origem dos créditos e da impossibilidade de constituição de crédito tributário consubstanciado apenas em depósitos bancários; da inaplicabilidade da multa qualificada diante da inocorrência de fraude; e do caráter confiscatório da multa. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator O recurso é tempestivo, no entanto, no Recurso Voluntário é mencionada a potencial inconstitucionalidade da multa aplicada (fls. 280 e ss). Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, conheço em parte do recurso voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade. Preliminar de Nulidade em Razão de Cerceamento de Defesa Em seu Recurso Voluntário, o Recorrente suscita a nulidade do Auto de Infração, diante da ausência de diversos documentos mencionados no Termo de Verificação Fiscal e da inserção de numeração de páginas somente após o protocolo da impugnação. O regime jurídico da nulidade do processo administrativo está previsto nos artigos 59 e 60 do DecretoLei n. 70.235/71, nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 376DF CARF MF Processo nº 13864.720049/201630 Acórdão n.º 2301005.371 S2C3T1 Fl. 5 7 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Como se vê, as hipóteses de nulidade se restringem aos atos e termos lavrados por pessoa incompetente e aos despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso em tela, não há que se falar em preterição do direito de defesa em função de não haver numeração das páginas dos documentos trazidos pelo ora Recorrente, uma vez que os documentos foram digitalizados de acordo com as normas sobre o assunto, não havendo que se discutir a eventual inobservância ao princípio da eficiência pública. Ante o exposto, enfatizando que o caso em exame não se enquadra nas hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, é incabível a pretendida nulidade, por não se vislumbrar qualquer vício capaz de invalidar o procedimento administrativo adotado. Da Questão da Impossibilidade de Constituição de Crédito Tributário consubstanciado somente em depósitos bancários O Recorrente entende que o Lançamento não deve subsistir, uma vez que seria uma impropriedade de lastrear o Lançamento apenas em extrato bancário, assim como foram apresentados documentos atestando a origem dos recursos. Vale citar a disposição normativa que fundamenta a tributação da omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários, isto é, o art. 42, da Lei nº 9.430/1996, em vigor (destaques acrescidos): Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Fl. 377DF CARF MF 8 II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil Reais). (vide art. 4º da Lei nº 9.481/1997). A partir da leitura do referido dispositivo, notase que há estabelecimento de uma presunção legal de omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Não se trata de presunção legal absoluta, juris et de jure, que é a consideração que a própria lei faz de conseqüências deduzidas de atos ou fatos, considerandoas verdadeiras, ainda que haja prova em contrário, mas sim juris tantum, ou seja, presunção relativa e infirmável por prova em contrário do contribuinte. Este é quem tem a incumbência de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos, já que a própria lei define os depósitos bancários de origem não comprovada como omissão de receita ou de rendimentos. Assim, não há que se falar em qualquer inversão no ônus da prova ou elementos probatórios insuficientes para a lavratura do Auto de Infração, sendo que é explícita a determinação de que a comprovação da origem dos recursos, independentemente de não estar obrigada à escrituração, compete à pessoa física titular da conta. O lançamento não se fundamenta na simples movimentação de recursos pela via bancária, mas sobre a aquisição de disponibilidade presumida de renda representada pelos recursos que ingressam no patrimônio por meio de depósitos ou créditos bancários, cuja origem não foi esclarecida, os quais são utilizados meramente como instrumento de arbitramento de valores não levados à tributação. Inexiste qualquer dispositivo legal no sentido de que, na apuração da infração em tela, deva ser demonstrado acréscimo patrimonial, ou deva ser demonstrada a efetiva existência de renda consumida, ou devam existir sinais exteriores de riqueza, ou nexo de causalidade, ou outros elementos vinculados à atividade do Recorrente. Essa discussão, atualmente, sequer existe na esfera administrativa diante da emissão da Súmula n. 26 do CARF: Súmula Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Ante a existência de dispositivo legal específica sobre o tema atualmente, isto é, o art. 42 da Lei nº 9.430/96, de modo que não merecem prosperar os entendimentos jurisprudenciais fundados em legislação pretérita não compatível, tal qual o caso da Súmula nº 182 do Tribunal Federal de Recursos. No tocante aos documentos apresentados pelo Recorrente, cumpre lembrar que ele cita que iniciou o ano de 2011 como credor da empresa RIGIS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO, no montante de R$20.000.000,00 (vinte milhões de reais), conforme cópia do Livro Diário e Razão e Termo de Confissão de dívida anexos. Embora conste no Termo de Confissão de Dívida que "o crédito que o credor possui contra a devedora é originário dos bens imóveis que eram do credor e foram transferidos para constituir o patrimônio da devedora", não fica claro a que título se deu tal transferência de Fl. 378DF CARF MF Processo nº 13864.720049/201630 Acórdão n.º 2301005.371 S2C3T1 Fl. 6 9 imóveis, isto é, se foi uma contribuição de capital ou um empréstimo com imóveis. Caso a transferência tivesse ocorrido a título de contribuição de capital, o Recorrente deveria ter trazido cópia dos documentos societários registrados na Junta Comercial e tal capital contribuído não seria exigível, o que importaria que não haveria dívida. Por sua vez, se a transferência dos imóveis se deu a título de empréstimo, o Recorrente deveria ter trazido cópia do recolhimento do ITBI sobre tais transferências. De qualquer forma, o Recorrente poderia ter trazido uma documentação mais robusta a esclarecer os fatos e usando as duas possibilidades citadas no parágrafo anterior, seriam hipóteses de documentação com a chancela de órgãos públicos, seja a Junta Comercial ou a guia de recolhimento do ITBI. Com relação ao Livro Diário da Rigis Administração e Participação Ltda., não há nenhuma comprovação de que tal livro foi devidamente registrado na Junta Comercial, o que acaba por enfraquecer a documentação trazida. Outro fato que enfraquece a higidez dos argumentos trazidos pelo Recorrente é o fato do crédito consubstanciado no Termo de Confisssão de Dívdia não constar das Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física, dos anoscalendário anteriores, se o contribuinte tinha R$20.000.000,00(vinte milhões) a receber, estes valores deveriam estar registrados na ficha Bens e Direitos, com o nome e CPF/CNPJ dos seus devedores, no entanto, nada foi declarado. O mesmo valeria para a informação de tais valores como Dívidas nas Declarações de Imposto de Renda dos devedores do Recorrente. Ademais, não se mostra usual a concessão de vultosos empréstimos (R$ 20 milhões em anos anteriores a 2011 e mais R$ 8 milhões em 2011) diante de rendimentos baixos do contribuintes nos referidos anos. Dessa forma, considerando que o Recorrente não logrou êxito em comprovar a origem dos recursos, não há como afastar a autuação acerca da omissão de rendimentos. Da Questão da Multa Qualificada Por fim, no que tange à aplicação da multa de ofício, afirma o Recorrente que não restou demonstrado, de forma cabal e irrefutável, que o contribuinte tenha agido com intuito de fraudar o Fisco. Não é isso que se observa. O Auditor Fiscal deixou bastante clara a motivação para a qualificação da multa de ofício: a auditoria fiscal constatou que o sujeito passivo adotou, de forma dolosa, práticas fraudulentas, na tentativa de afastar a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, o que caracterizam, em tese, crimes de sonegação fiscal. Diante dos fatos narrados, tendo inclusive o autuado aberto uma conta em nome de terceira pessoa, para efetuar o referido depósito, para logo em seguida fichar a conta bancária, sem nada declarar em sua Declaração de Ajuste, não há como considerar involuntária a conduta do contribuinte, o que torna perfeitamente aplicável a multa qualificada prevista no artigo 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996. Ademais, cumpre ressaltar que a qualificação da multa no caso de omissão de receitas é matéria sumulada no âmbito do CARF, de modo que a Súmula CARF n. 34 assim dispõe: Fl. 379DF CARF MF 10 Súmula CARF nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Em resumo, está perfeitamente delineado pelo Auditor Fiscal o dolo e, conseqüentemente, fundamentada a aplicação do dispositivo legal que determina a qualificação da multa em 150% ( § 1º do art. 44 da Lei 9.430/1996). Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo da alegação do caráter confiscatório da multa e, na parte conhecida, rejeitar a preliminar e negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 380DF CARF MF
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Numero do processo: 10315.000951/2009-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
PROVA PERICIAL.
A perícia destina-se a subsidiar o julgador para formar sua convicção, limitando-se a elucidar questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação pertinente.
Considera-se não formulado o pedido de realização de perícia, quando não apresentados os quesitos referentes aos exames desejados pela contribuinte, nem indicados o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.
DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS.
A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
AFERIÇÃO INDIRETA.
Ocorrendo recusa, sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, por parte da empresa, pode a fiscalização, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, resultando no lançamento por aferição indireta, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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A perícia destinase a subsidiar o julgador para formar sua convicção, limitandose a elucidar questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação pertinente. Considerase não formulado o pedido de realização de perícia, quando não apresentados os quesitos referentes aos exames desejados pela contribuinte, nem indicados o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa, sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, por parte da empresa, pode a fiscalização, sem AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 00 09 51 /2 00 9- 35 Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10315.000951/200935 Acórdão n.º 2202004.683 S2C2T2 Fl. 244 2 prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, resultando no lançamento por aferição indireta, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10315.000951/200935, em face do acórdão nº 1050.603, julgado pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), em sessão realizada em 19 de novembro de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Do Auto de Infração AI Tratase do Auto de Infração AI Debcad nº 37.215.2040, no valor de R$ 158.763,54 (cento e cinqüenta e oito mil, setecentos e sessenta e três reais e cinqüenta e sete centavos), consolidado em 08/09/2009, relativo ao lançamento de contribuições destinadas a outras entidades e fundos (no caso, ao FNDE – Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), nas competências 01/2004, 09/2004, 12/2005, 04/2006 e 12/2006. Esclarece a autoridade lançadora que, em razão da falta de apresentação dos documentos solicitados, infração objeto do AI Debcad nº 37.215.2023 (processo nº 10315.000948/200911), foi utilizado o procedimento de aferição indireta das bases de cálculo, correspondente ao percentual de 40% (quarenta por cento) sobre o valor da mão de obra contratual na construção predial e o percentual de 20% (vinte por cento) sobre o valor da mão de obra contratual no serviço de drenagem, conforme artigos 600, inciso I e 605, inciso IV da Instrução Normativa MPS/SRP nº 03 de 14/07/2005. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10315.000951/200935 Acórdão n.º 2202004.683 S2C2T2 Fl. 245 3 Da Impugnação A empresa foi cientificada do AI, por via postal, em 28/09/2009, fl. 72.Tempestivamente, em 20/10/2009, apresentou impugnação, por meio do instrumento de fls. 79/88, cujas alegações estão a seguir sintetizadas. Inicialmente apresenta argumentos no sentido de que o AI decorre única e exclusivamente de “defeituações” decorrentes da metodologia adotada pela fiscalização para a apuração do crédito tributário, uma vez que inexistem valores a serem recolhidos. Quando da apuração do crédito fiscal, a autoridade lançadora não analisou os documentos fiscais em sua totalidade, presumindo que não houve o recolhimento previdenciário. O auto de infração carece de inteira e total subsistência fática e jurídica. Afirma que a lei tributária em momento algum pode valerse de presunções ou ficções para compor um auto de infração, isto porque, admitir tal procedimento e sobrepor o interesse ou conveniência da arrecadação, que, por razões de comodidade ou para reprimir a sonegação, faz que a lei procure, com as questionadas técnicas da presunção e da ficção, mecanismos que simplifiquem o modelo de incidência, dispensem provas pelo Fisco ou, virtualmente, não acolham provas do contribuinte, aos valores da certeza do direito aplicável e da segurança jurídica. O trabalho realizado pela auditoria fiscal apresenta “defeituações” que devem ser reparadas pelo diligente grupo de perícias e diligências fiscais, pois o auto de infração não levou em consideração a totalidade dos documentos fiscais da impugnante. A peça impugnatória apresenta, em outro aspecto, diversos argumentos acerca do caráter confiscatório da multa aplicada, tendo em vista a aplicabilidade do preceito constitucional inserto no artigo 150, inciso IV da Constituição Federal. Dos Pedidos Preliminarmente, pugna pela realização de perícia contábil, a fim de que seja analisada a totalidade dos documentos fiscais, restando devidamente provado que não existe contribuição previdenciária a ser recolhida e, desde já disponibiliza à Receita Federal do Brasil toda a sua documentação financeira e contábil. Requer que o AI seja julgado improcedente, uma vez que jamais deixou de recolher a contribuição previdenciária em comento; e, quanto à multa atribuída, a mesma carece de suporte jurídico válido, pois revestese de caráter eminentemente confiscatório. É o relatório.” A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo, assim o crédito tributário lançado na integralidade. A contribuinte, inconformada com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 131/151, reiterando as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10315.000951/200935 Acórdão n.º 2202004.683 S2C2T2 Fl. 246 4 Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Preliminares 1.1 Pedido de perícia e de diligências. A perícia e as diligências requeridas são indeferidas, com fundamento no art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações da Lei n° 8.748/1993, por se tratarem de medidas absolutamente prescindíveis já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. A perícia destinase a subsidiar o julgador para formar sua convicção, limitandose a elucidar questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação pertinente. Além disso, não foram cumpridas as determinações do art. 16, inciso IV, o que resulta na desconsideração do pedido eventualmente feito, conforme art. 16, § 1º do Decreto 70.235/72. Portanto, improcedente tal pedido. Por sua vez, a solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir, de modo que o onus probandi seja suportado por aquele que alega. Portanto, improcedente tal pedido. Descabe, portanto, a inversão do ônus da prova suscitada pelo contribuinte. Deste modo, rejeito as referidas preliminares suscitadas pelo contribuinte. 2. Mérito 2.1 Da Aferição Indireta das Bases de Cálculo Quanto à “metodologia adotada pela fiscalização para a apuração do crédito tributário”, deve ser esclarecido, inicialmente, que, segundo o Relatório Fiscal do Auto de Infração, a empresa não forneceu a totalidade dos documentos solicitados pela fiscalização, necessários ao exame dos valores efetivamente devidos. Tal circunstância ensejou a lavratura do AI Debcad nº 37.215.2023, integrante do processo 10315.000948/200911. Segundo o Relatório Fiscal do AI Debcad nº 37.215.2023, decorrente do descumprimento da obrigação acessória de exibir todos os livros e documentos relacionados com as contribuições devidas à Seguridade Social, temse que a autuada foi intimada a apresentar as Folhas de Pagamento de todas as obras matriculadas, Alvarás de Licença e Habitese para construção, Plantas de Construções Prediais, Anotações de Responsabilidade Técnica ART, Contratos de Empreitada e Subempreitadas, Comprovantes de matrículas de obras de construção civil e Livros Diário e Razão (Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de 09/10/2008, e Termos de Intimação Fiscal nº 01 de 04/12/2008, nº 02 de 16/03/2009 e nº 03 de 02/06/2009). Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10315.000951/200935 Acórdão n.º 2202004.683 S2C2T2 Fl. 247 5 A empresa não apresentou o Livro Diário e o Razão, como também deixou de apresentar todos os demais documentos acima enumerados referentes às matrículas nº 05.056.01610/77, 05.056.01611/79, 05.056.01628/72, 32.130.00018/75, 32.130.00242/78, 32.130.00297/73, 32.130.00322/78, 32.130.00323/71, 32.130.00357/70, 32.130.00358/72, 38.680.07389/71, 41.880.00018/70, 41.880.00149/76, 50.005.08847/75 e 50.006.46535/71. Sendo assim, configurada a não apresentação de documentos, a fiscalização lançou mão da aferição indireta da base de cálculo das contribuições lançadas, procedimento que, dadas as circunstâncias, se afigura claramente viável com fulcro no parágrafo 3o do artigo 33, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, in verbis: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Salientese, assim, quanto à alegação de que a autoridade lançadora não analisou os documentos fiscais em sua totalidade, presumindo que não houve o recolhimento previdenciário, que em não sendo apresentados todos os documentos solicitados, não há como a autoridade lançadora examinálos. Ademais disso, o lançamento fiscal encontrase substanciado nos contratos de empreitada apresentados, nos termos informados pela autoridade lançadora nos itens 3 e 4 do Relatório Fiscal do Auto de Infração, fls. 22/24: 3.DO OBJETO DO LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 3.1 O objeto do presente lançamento são as contribuições previdenciárias devidas e destinadas à Seguridade Social incidentes sobre um percentual aplicado sobre os contratos de empreitada apresentados nas seguintes alíquotas: a) parte patronal: 20%, b) seguro de acidentes do trabalho SAT: 3%. 4. DOS FATOS GERADORES DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 4.1 Constituem fatos geradores do crédito tributário ora lançado, os valores contratuais, tendo sido aplicado 40% sobre a mãodeobra contratual na construção predial e 20% sobre a mãodeobra contratual no serviço de drenagem conforme artigo 600, I e 605, IV da IN MPS/SRP nº 03 de 14/07/2005. A aferição foi feita por motivo da falta de apresentação dos elementos necessários aos lançamentos normais o que foi objeto do Auto de Infração Debcad n237.215.2023. Registrese, também, que a impugnante, a seu turno, não se desincumbiu do ônus, que lhe cabia, de fazer prova acerca daquilo que alega. Mais especificamente, não indicou nem demonstrou, de forma precisa, os documentos que, apresentados, deixaram de ser examinados pela autoridade lançadora. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10315.000951/200935 Acórdão n.º 2202004.683 S2C2T2 Fl. 248 6 Da mesma forma que a lei prevê a aferição das contribuições devidas em face da ausência dos documentos solicitados pela fiscalização, também concede à autuada o ônus da prova em contrário. No caso em apreço, a empresa não apresenta na peça impugnatória qualquer início de prova no sentido de que as contribuições lançadas não seriam devidas, nem tampouco de que os valores aferidos pela fiscalização estão incorretos. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Portanto, deve ser negado o recurso quanto a este ponto. 2.2 Multa. Alegação de caráter confiscatório. Nos termos da Súmula CARF nº 02, o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho. Por tais razões, a alegação de caráter confiscatório da multa de ofício não pode ser apreciada por este Conselho. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 248DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.725464/2015-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2011 a 31/12/2011
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Rejeita-se a preliminar de nulidade do lançamento invocada com base em cerceamento do direito de defesa, porquanto ao contribuinte foi lhe dado tomar conhecimento do inteiro teor das infrações que lhe são imputadas, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa.
Concedida ao contribuinte ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, tanto no decurso do procedimento fiscal como na fase impugnatória, não há que se falar em cerceamento do direito defesa.
PRELIMINARES DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. VALIDADE DO LANÇAMENTO.
Não merece acolhida a alegação de nulidade do lançamento, haja vista que todos os relatórios foram entregues ao contribuinte e aos solidários, onde consta a indicação de onde os valores foram extraídos e os dispositivos legais que amparam o lançamento.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
CORRETOR DE IMÓVEIS. IMOBILIÁRIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Quando o conjunto probatório que instrui os autos revela que o corretor de imóveis não mantém uma relação de parceria ou associação com a imobiliária, executando serviços que são essenciais à própria atividade fim da pessoa jurídica, a remuneração percebida pelo corretor autônomo pela comercialização de imóvel refere-se à prestação de serviços para a empresa imobiliária, na condição de contribuinte individual, hipótese de incidência da contribuição previdenciária.
MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. IMPOSSIBILIDADE QUALIFICAÇÃO.
De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude da contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da penalidade, sobretudo quando a autoridade lançadora baseou-se em meras suposições sobre o tema no Relatório Fiscal.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO DE LEI. DIRETORES. ADMINISTRADORES. AFASTAMENTO.
Ainda que administradores, se os atos que motivaram a responsabilidade solidária atribuída decorria de uma prática usual da autuada em seus negócios, não há que se atribuir tal responsabilidade a quem não deu causa, mormente quando a conduta da autuada segue o padrão de sua Controladora.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. CONTROLADORA.
Mantém-se a empresa citada como responsável solidária no polo passivo da obrigação tributária quando resta comprovada a existência de interesse comum de que trata o art. 124 do CTN, decorrente do liame inequívoco presente nas atividades desempenhadas pelas empresas envolvidas (Controlada e Controladora).
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA.
Em relação à multa de ofício não recolhida no prazo legal incidem juros de mora à taxa Selic.
Numero da decisão: 2401-005.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial aos recursos voluntários para afastar a qualificadora da multa e excluir do pólo passivo os responsáveis solidários pessoas físicas. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Virgílio Cansino Gil e Matheus Soares Leite, que davam provimento parcial em maior extensão para afastar também os juros sobre a multa. Vencidos em primeira votação os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator) e Virgílio Cansino Gil que davam provimento aos recursos voluntários. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. Quanto ao mérito sobre a corretagem, votaram por negar provimento aos recursos voluntários os conselheiros Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Quanto à qualificadora da multa e à exclusão dos responsáveis solidários pessoas físicas, todos os conselheiros votaram por excluir a multa e a responsabilidade solidária.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado) e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2011 a 31/12/2011 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Rejeita-se a preliminar de nulidade do lançamento invocada com base em cerceamento do direito de defesa, porquanto ao contribuinte foi lhe dado tomar conhecimento do inteiro teor das infrações que lhe são imputadas, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Concedida ao contribuinte ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, tanto no decurso do procedimento fiscal como na fase impugnatória, não há que se falar em cerceamento do direito defesa. PRELIMINARES DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. VALIDADE DO LANÇAMENTO. Não merece acolhida a alegação de nulidade do lançamento, haja vista que todos os relatórios foram entregues ao contribuinte e aos solidários, onde consta a indicação de onde os valores foram extraídos e os dispositivos legais que amparam o lançamento. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. CORRETOR DE IMÓVEIS. IMOBILIÁRIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Quando o conjunto probatório que instrui os autos revela que o corretor de imóveis não mantém uma relação de parceria ou associação com a imobiliária, executando serviços que são essenciais à própria atividade fim da pessoa jurídica, a remuneração percebida pelo corretor autônomo pela comercialização de imóvel refere-se à prestação de serviços para a empresa imobiliária, na condição de contribuinte individual, hipótese de incidência da contribuição previdenciária. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. IMPOSSIBILIDADE QUALIFICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude da contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da penalidade, sobretudo quando a autoridade lançadora baseou-se em meras suposições sobre o tema no Relatório Fiscal. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO DE LEI. DIRETORES. ADMINISTRADORES. AFASTAMENTO. Ainda que administradores, se os atos que motivaram a responsabilidade solidária atribuída decorria de uma prática usual da autuada em seus negócios, não há que se atribuir tal responsabilidade a quem não deu causa, mormente quando a conduta da autuada segue o padrão de sua Controladora. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. CONTROLADORA. Mantém-se a empresa citada como responsável solidária no polo passivo da obrigação tributária quando resta comprovada a existência de interesse comum de que trata o art. 124 do CTN, decorrente do liame inequívoco presente nas atividades desempenhadas pelas empresas envolvidas (Controlada e Controladora). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA. Em relação à multa de ofício não recolhida no prazo legal incidem juros de mora à taxa Selic.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento invocada com base em cerceamento do direito de defesa, porquanto ao contribuinte foi lhe dado tomar conhecimento do inteiro teor das infrações que lhe são imputadas, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Concedida ao contribuinte ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, tanto no decurso do procedimento fiscal como na fase impugnatória, não há que se falar em cerceamento do direito defesa. PRELIMINARES DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. VALIDADE DO LANÇAMENTO. Não merece acolhida a alegação de nulidade do lançamento, haja vista que todos os relatórios foram entregues ao contribuinte e aos solidários, onde consta a indicação de onde os valores foram extraídos e os dispositivos legais que amparam o lançamento. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. CORRETOR DE IMÓVEIS. IMOBILIÁRIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Quando o conjunto probatório que instrui os autos revela que o corretor de imóveis não mantém uma relação de parceria ou associação com a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 54 64 /2 01 5- 91 Fl. 19506DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 3 2 imobiliária, executando serviços que são essenciais à própria atividade fim da pessoa jurídica, a remuneração percebida pelo corretor autônomo pela comercialização de imóvel referese à prestação de serviços para a empresa imobiliária, na condição de contribuinte individual, hipótese de incidência da contribuição previdenciária. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. IMPOSSIBILIDADE QUALIFICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude da contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da penalidade, sobretudo quando a autoridade lançadora baseou se em meras suposições sobre o tema no Relatório Fiscal. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO DE LEI. DIRETORES. ADMINISTRADORES. AFASTAMENTO. Ainda que administradores, se os atos que motivaram a responsabilidade solidária atribuída decorria de uma prática usual da autuada em seus negócios, não há que se atribuir tal responsabilidade a quem não deu causa, mormente quando a conduta da autuada segue o padrão de sua Controladora. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. CONTROLADORA. Mantémse a empresa citada como responsável solidária no polo passivo da obrigação tributária quando resta comprovada a existência de interesse comum de que trata o art. 124 do CTN, decorrente do liame inequívoco presente nas atividades desempenhadas pelas empresas envolvidas (Controlada e Controladora). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA. Em relação à multa de ofício não recolhida no prazo legal incidem juros de mora à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial aos recursos voluntários para afastar a qualificadora da multa e excluir do pólo passivo os responsáveis solidários pessoas físicas. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Virgílio Cansino Gil e Matheus Soares Leite, que davam provimento parcial em maior extensão para afastar também os juros sobre a multa. Vencidos em primeira votação os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator) e Virgílio Cansino Gil que davam provimento aos recursos voluntários. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. Quanto ao mérito sobre a corretagem, votaram por negar provimento aos recursos voluntários os conselheiros Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Fl. 19507DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 4 3 Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Quanto à qualificadora da multa e à exclusão dos responsáveis solidários pessoas físicas, todos os conselheiros votaram por excluir a multa e a responsabilidade solidária. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado) e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório LPS SUL CONSULTORIA DE IMOVEIS LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 10a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, Acórdão nº 1286.882/2017, às efls. 17.779/17.823, que julgou procedente o lançamento fiscal, concernente às contribuições sociais previdenciárias destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa incidentes sobre as remunerações pagas a contribuintes individuais, no período de 09/2011 a 12/2011, conforme Relatório Fiscal, às fls. 11/22 e demais documentos que instruem o processo, consubstanciado no seguinte fato gerador: Informa a Auditoria Fiscal que o lançamento teve por fato gerador a remuneração percebida pelos corretores de imóveis associados, não constantes em folha de Fl. 19508DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 5 4 pagamento e/ou GFIP, sob a forma de comissões devidas em função das transações de compra e venda, (Levantamento CO), consoante planilhas “ANEXO FINAL CORRETORES ASSOCIADOS” (fls. 216/454) e “COMISSÕES LPS EMPRESA” (fls. 572/615).Em relação à situação verificada na remuneração dos corretores associados, relata ainda a ocorrência de simulação, expondo como segue: No plano prático, as negociações assim funcionam: O Construtor/Incorporador autoriza a LPS SUL Ltda a efetuar intermediação na venda de seus imóveis (prontos ou a construir). Por sua vez, a fiscalizada, cuja atividade fim é exatamente a intermediação ("prestação de serviços de intermediação na compra e venda e na locação de imóveis") coloca em ação os corretores autônomos (ditos corretores associados) a ela previamente vinculados e já inscritos em um Banco de Dados, a fim de captar clientes e efetivar a venda dos imóveis. O produto desta venda, é repassado ao Incorporador/Construtor, deduzida a comissão já estipulada. Assim, parte da comissão vai para LPS Sul Ltda (INTERMEDIADORA) e a outra parte é distribuída entre os corretores associados que trabalharam naquele Processo de venda. A Planilha OPERAÇÕES LPS SUL LTDA, aqui anexada, demonstra claramente cada transação efetivada. Ali estão identificados Vendedor, Comprador, Nome do corretor, endereço do imóvel, n° do Processo, bem como o valor total da transação e as Comissões que se originaram naquele negócio. Fica possível identificar quanto recebeu a LPS Sul Ltda (sua parcela da comissão consta em Nota Fiscal) pela Intermediação no negócio e quanto, inclusive em percentuais, recebeu cada corretor autônomo envolvido (Planilha TABELA COMISSÃO INDIVIDUAL, anexa). É possível perceber a ligação existente entre todos os envolvidos para efetivação da transação comercial. De forma que, sem os corretores autônomos, que captaram os clientes para a Intermediadora e efetivaram o negócio, o mesmo não seria concretizado. A LPS Sul Ltda contratou os serviços dos segurados contribuintes individuais na condição de corretor associado para não efetuar quaisquer recolhimentos à previdência social sobre as remunerações a eles pagas, demonstrando, desta forma, sua intenção em burlar a lei pelo pagamento reduzido de encargos, já que as contribuições previdenciárias tem como uma de suas fontes a base de cálculo sobre remunerações pagas a trabalhadores autônomos por ela contratados.Intermediadora e efetivaram o negócio, o mesmo não seria concretizado. A LPS Sul Ltda contratou os serviços dos segurados contribuintes individuais na condição de corretor associado para não efetuar quaisquer recolhimentos à previdência social Fl. 19509DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 6 5 sobre as remunerações a eles pagas, demonstrando, desta forma, sua intenção em burlar a lei pelo pagamento reduzido de encargos, já que as contribuições previdenciárias tem como uma de suas fontes a base de cálculo sobre remunerações pagas a trabalhadores autônomos por ela contratados. A despeito da LPS Sul Ltda dar tratamento aos corretores, de associados, não descaracteriza a presença de elementos típicos de prestação de serviços efetuada por contribuinte individual, procedimento este que visou a SIMULAÇÃO, a fim de elidir incidência tributária. O resultado da venda, que gera receita para o construtor/incorporador, gera receita para a LPS através de comissão e gera, também, rendimento de TRABALHO AUTÔNOMO (do corretor vinculado à LPS) Ocorre que, se o corretor trabalha como autônomo para a LPS, em sua atividade fim (gera receita para ela), o mesmo, como seu prestador de serviços, deve constar em Folha de Pagamento e em GFIP da LPS Sul Ltda, como categoria l3, da mesma maneira como constou para os trabalhadores elencados na PLANILHA ANEXO DO DÉBITO DIFERENÇAS ENTRE FOLHA X GFIP. Como consequência, a LPS deve contribuir com 20%, incidentes sobre toda remuneração paga aos trabalhadores autônomos que lhes prestaram serviço na intermediação de vendas, em sua atividade fim. Todos corretores de imóveis foram identificados nas informações prestadas à RFB, atendendo intimação referente ao Mandado de Procedimento Fiscal de n° 10.1.01.002013002208, Planilhas OPERAÇÕES LPS SUL e TABELA DE COMISSÃO INDIVIDUAL, ambas anexas. A Planilha Operações LPS SUL identifica as operações comerciais e a Tabela de Comissão Individual identifica os valores percebidos pelos corretores associados. Assim que temos na transação um imóvel, com valor "X' de venda, e cuja venda gerou percentual de comissão e cujo percentual foi distribuído entre LPS SUL (Pessoa Jurídica) e seus corretores associados envolvidos na operação. Aliás, analisando o TERMO DE CONSULTORIA DE IMOBILIÁRIA, AUTORIZAÇÃO DE CORRETAGEM E OUTRAS AVENÇAS, aqui anexado, e oferecido à fiscalização pela LPS Sul Ltda, fica fácil identificar o trabalhado autônomo imprescindível na venda. Cabe salientar, ainda, que o valor do imóvel ofertado no mercado pelos corretores associados é o valor total, porém, para fins de tributação, ao final do negócio, somente é contabilizado pelo incorporador o valor líquido (s/comissão). A fiscalizada não contabiliza toda a receita de corretagem, excluindo o valor pago aos corretores associados. Esta situação, Fl. 19510DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 7 6 foi amplamente referendada no Termo de Verificação Fiscal ao encerrar o MPF 10.1.01.002013002208 e que resultou no lançamento dos créditos tributários conforme Processos Administrativos 11080.728.037/201483 e 11080.728.038/2014 28, e cujo Termo de Verificação Fiscal anexamos ao presente Relatório. Presentes os elementos configuradores da SIMULAÇÃO e a intenção de economizar tributo, ao não considerar o trabalho autônomo dos contribuintes individuais a seu serviço, para deixar de recolher contribuição previdenciária, a multa foi qualificada.” Sobre os valores apurados no levantamento CO, foi aplicada a multa qualificada de 150%, com base no art. 72, da Lei 4.502/1964, em virtude da ocultação da ocorrência do fato gerador (dissimulação do fato gerador), mediante a prática de atos ou negócios de conteúdo enganoso, com a finalidade de reduzir o montante do tributo devido, consoante demonstrado no item anterior. Em razão das condutas acima discriminadas, restaram configurados a fraude fiscal e o crime contra a ordem tributária, ensejando a responsabilização solidária pelas contribuições previdenciárias ora lançadas, nos termos do art. 135, III, do CTN, aos membros da Diretoria. Ressalta que a execução da fraude envolveu todos os aspectos da atividadefim da imobiliária, passando pela celebração dos acordos com os construtores e incorporadores, contratação e gerenciamento dos corretores, processamento das operações de intermediação, recebimento, controle e distribuição das comissões de corretagem. Também atribuiu, com fulcro no art. 124, I, do CTN, responsabilidade solidária à empresa controladora LPS BRASIL S/A, detentora de 99,99% das quotas sociais da LPS SUL, a qual constituía na prática uma subsidiária integral da LPS BRASIL S/A. Era mero braço operacional da controladora, exercendo a mesma atividade econômica, e, sob rígida tutela, efetivava o sistema de negócios preestabelecido pela empresamãe. Constatouse não só o interesse econômico comum, mas também o jurídico, na medida em que, apesar de a LPS SUL possuir personalidade jurídica própria, ela não passava de uma ferramenta útil para execução das estratégias e negócios da LPS BRASIL S/A. Registra ainda o reconhecimento pela LPS BRASIL S/A, em documentos públicos, de que as cidades onde há empresas controladas são tratadas como área de atuação da própria LPS BRASIL S/A (Anuário do Mercado Imobiliário 2013). A contribuinte e os responsáveis solidários foram regularmente cientificados, e apresentaram impugnações, requerendo a decretação da improcedência do feito. Em face das alegações nas impugnações de falta de cientificação da documentação produzida em outra auditoriafiscal que subsidiou o presente lançamento, os presentes autos foram baixados em diligência para o necessário saneamento. Além de terem recebido a documentação por correio, consoante comprovantes às fls. 17.466 a 17.468, 17.475, 17.476, 17.483, 17.484, 17.497/17.498, 17.505/17.506, 17.513, o procurador comum à autuada e demais solidários, com exceção de Marcelo Horn Pegoraro, solicitou e obteve cópia dos autos (fls. 17.066), o que acarretou a entrega de novas impugnações em duplicidade para cada interessado, às fls. 17.072/17.108, Fl. 19511DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 8 7 17.173/17.235, 17.290/17323, 17.332/17.365, 17.374/17.407, 17.416/17.449, 17.515/17.583, 17.634/17.665, 17.731/17.762, 17.680/17.711, 17.721, 17.783/17.815, 17.885/17.916. Por sua vez, a 10a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, entendeu por bem julgar procedente, mantendo incólume o crédito tributário, por entender que deve ser afastado o levantamento CI, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão já mencionado. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada e os responsáveis solidários, apresentaram Recursos Voluntário, às efls. 17.866 e ss, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, preliminarmente aduz que o lançamento padece de vício insanável de fundamentação, por lhe faltar o indispensável embassamento, razão pelo qual deve ser declarado a sua nulidade. Afirma não ter sido identificado o sujeito passivo corretamente (ilegitimidade passiva), o que também enseja a sua nulidade. Explicita sobre a base de cálculo ser ilíquida e incerta, na medida em que se consideraram as comissões pagas aos corretores independentes referentes às vendas de imóveis usados, as quais não eram objeto do procedimento fiscal, sendo mais um motivo para a decretação da nulidade. Alega que o critério jurídico utilizado é incerto, na medida em que a LPS SUL e outras empresas do seu Grupo sofreram fiscalizações sobre o mesmo tema e não foram autuadas ou foram autuadas por outros motivos. Além disso, houve flagrante desrespeito ao disposto no art. 146 do CTN, outro motivo pelo qual o lançamento é nulo. Em relação ao mérito, explica que o modelo de negócio da LPS SUL está em estrita consonância com o que dispões o ordenamento jurídico. Pois o contrato de prestação de serviço é diferente do contrato de corretagem, uma vez que o primeiro é marcado pela obrigação de fazer inserta na correspondente atividade desenvolvida pelo prestador, enquanto o segundo gera uma obrigação de resultado útil. Argumenta que no caso concreto, (a) os corretores independentes exerceram apenas a atividade de corretagem, a qual, por previsão legal expressa, não se configura em prestação de serviços; "b) não houve nenhum pagamento pela LPS SUL aos corretores independentes e não existe nos autos qualquer prova que contradiga tal afirmação, razão pela qual não restou configurado o fato gerador das contribuições previdenciárias. Afirma exercer corretagem de atacado, atividade distinta e complementar à do corretor independente que exerce a corretagem de varejo na intermediação imobiliária. Insurgese, ad argumentandum, se o corretor independente exercesse a atividade fim da recorrente, este deveria ser classificado como empregado e não como contribuinte individual como fez a Autoridade Fiscal. Alega que os corretores não são vendedores, não realizam vendas, não trabalham para LPS SUL e jamais receberam qualquer valor fixo pago por ela. A relação Fl. 19512DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 9 8 mantida entre a LPS SUL e os corretores independentes é de uma coparticipação, uma parceria equilibrada (relação horizontal, não vertical). Aduz não ter havido, no presente caso, dolo, intuito fraudulento, concluio ou simulação, razão pela qual, não poderia ser mantido o auto de infração, a multa agravada e os responsáveis solidários. Insurgese quanto a incidência de juros sobre a multa de ofício. Por fim, requer o conhecimento e provimento dos seus recursos, para desconsiderar os Autos de Infração, tornandoos sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. As pessoas físicas Marcello Rodrigues Leone, Robson Pereira Paim, João Paulo Silva Galvão e André Gustavo Pessoa de Oliveira apresentaram impugnações nos mesmos termos (fls. 2.658/2.692, 2.788/2.822, 3.042/3.076, 3.167/3.201), reiterando as razões da Autuada LPS SUL e aduzindo ainda, em síntese, que: Falta amparo legal para atribuir a responsabilidade solidária nos presentes autos, citando recente decisão proferida pela DRJ/Florianópolis, que afastou a responsabilidade solidária dos diretores da LPS SUL; São incompatíveis as fundamentações legais utilizadas para atribuir a responsabilidade solidária, quais sejam os arts. 124, I (licitude) e 135, III (ilicitude) do CTN; Em razão do contrasenso evidenciado na fundamentação adotada pela Fiscalização, a fim de sustentar a responsabilidade solidária atribuída ao Impugnante, deve ser considerado nulo o Termo de Sujeição Passiva Solidária, por vício na fundamentação e na motivação do ato administrativo; Não constou no Termo de Sujeição Passiva Solidária a descrição detalhada e comprovada das circunstâncias que ensejariam a atribuição de responsabilidade solidária à Impugnante; Ainda que sejam considerados como suficientes os argumentos contidos no Refisc, inexiste, no aludido relatório, qualquer fundamentação com base no disposto pela legislação previdenciária que fundamente a atribuição de responsabilidade solidária à Impugnante; A fundamentação contida no Refisc se limita a transcrever exatamente os mesmos termos adotados para o Processos Administrativos referentes a autuações lavradas para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos; A conduta adotada pela Fiscalização revela a imputação direta de responsabilidade solidária à Impugnante, desconsiderando completamente a personalidade jurídica da LPS SUL, nos termos do art. 13, da Lei 8.620/93, declarado inconstitucional e revogado; Não se demonstrou a prática de atos dolosos pelo Impugnante, elemento indispensável para a aplicação da responsabilidade solidária prevista no art. 135, III, do CTN; Fl. 19513DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 10 9 A caracterização do intuito de fraude depende sempre de provas diretas e não presuntivas de que as operações realizadas tiveram o intuito doloso de retardar ou impedir o surgimento da obrigação tributária; A Fiscalização esquivouse de identificar e comprovar quais teriam sido os atos praticados pelo Impugnante com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, limitandose a alegar de forma genérica que não haveria dúvida em sua participação em supostos atos fraudulentos da LPS SUL, em razão de seu cargo; É aplicável o art. 112, do CTN, já que por ter deixado a Fiscalização de especificar, apontar e comprovar a suposta existência de relevantes poderes administrativos, fez emergir a dúvida quanto “à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou a natureza ou extensão dos seus efeitos” e “à autoria, imputabilidade, ou punibilidade”; Se há dúvida, não há infração, e portanto inaplicável o artigo 135, do CTN; O mero inadimplemento de obrigação tributária não gera, por si só, a responsabilidade do sóciogerente; Se torna imprescindível o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária, excluindose a responsabilização tributária solidária do Impugnante relativamente aos supostos débitos tributário da LPS Sul. A LPS BRASIL – CONSULTORIA DE IMÓVEIS S/A, também reitera as alegações feitas pela LPS SUL e aduz também que: A inclusão da Impugnante decorre da sua condição de acionista e da indevida desconsideração da personalidade jurídica da LPS Sul, alegandose como suposto fundamento o art. 124, I, do CTN; O Termo de Sujeição Passiva não traz fundamentação específica no que tange especialmente à legislação atinente às contribuições previdenciárias, padecendo de vício de fundamentação; A fundamentação contida no Refisc se limita a transcrever exatamente os mesmos termos adotados para o Processos Administrativos referentes a autuações lavradas para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos; Não consta do Refisc qualquer demonstração das circunstâncias fáticas e sequer a fundamentação legal que ensejasse a configuração de grupo econômico passível de atribuição da responsabilidade solidária por interesse comum na ocorrência do fato gerador; Ainda que se admitisse a formação de grupo econômico, tal circunstância, por si só, não autoriza a atribuição de responsabilidade solidária; A impossibilidade de atribuição da responsabilidade direta pela condição de acionista da Impugnante; É inaceitável a pretensão fiscal de desconsideração da personalidade jurídica da LPS SUL, já que a Impugnante não praticou quaisquer das condutas de abuso de Fl. 19514DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 11 10 personalidade jurídica, que caracterizasse o desvio de finalidade ou confusão patrimonial, inexistindo qualquer decisão judicial a respeito; Não se demonstrou o interesse comum, previsto no art. 124, I, do CTN, este entendido como interesse jurídico e não mero interesse econômico; No caso concreto, está evidente a ausência de interesse comum, uma vez que não há a participação da Impugnante nas relações jurídicas escolhidas pela D. Fiscalização como sendo a origem dos fatos geradores; Requer, ao final, o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária. O Sr. Marcelo Horn Pegoraro também apresentou Recurso Voluntário, reiterando às alegações das demais sujeitas passivas, e mais: O Recorrente não possuía poderes de gestão, especialmente financeira e administrativa, conforme art. 10, do contrato social, circunstância que, por si só, afasta a sua suposta sujeição passiva; Há necessidade de cancelamento do crédito tributário apurado, transcrevendo decisão do CARF em situação análoga; Não há qualquer prova concreta de que o Impugnante tenha agido de forma dolosa, com abuso de poder, ou qualquer das hipóteses fáticas previstas no art. 135, do CTN; O Recorrente era sócio insignificante da LPS Sul Ltda. (0,00000295%), sendo Diretor Técnico, e jamais teve participação direta ou indireta, na estruturação política de seus negócios estratégicos; Embora atuasse como Diretor Técnico, como representante da sociedade junto ao CRECI, o Impugnante nunca passou de um mero executivo, subordinado. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (efls 19.471/19.503) aos Recursos Voluntários, aduzindo o que segue: I. Preliminares a) Não há qualquer vício no presente procedimento, que foi realizado por autoridade competente, assegurandose aos ora recorrentes o pleno exercício do seu direito de defesa, devendo ser afastada a pretensão de declaração de nulidade. b) O lançamento tem por escopo todas as operações realizadas pela recorrente com a intermediação de um corretor de imóveis, não havendo motivos, quer de fato, quer de direito, que justifiquem a exclusão da base de cálculo das comissões pagas na intermediação de venda de imóveis usados. O modelo de negócio da recorrente, no que diz respeito ao recebimento de prestação de serviços por parte dos corretores de imóveis, não se altera em razão do tipo de imóvel negociado, pugnando pela rejeição desta preliminar. c) Não há nenhum indício de mudança de entendimento jurídico da Fiscalização ou sequer o intuito de fiscalizar período já fiscalizado. Não se trata disso e, por essas razões, inadmissível por absoluta falta de amparo a preliminar arguida. Fl. 19515DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 12 11 II. Mérito a) Aduz que a remuneração percebida pelo corretor pela venda do imóvel na planta referese à prestação de serviço para a empresa imobiliária, que deveria, na condição de contratante do serviço, ter recolhido as contribuições previdenciárias incidente sobre tal remuneração. b) O art. 124 do CTN estabelece duas espécies de devedores solidários de tributo. A primeira é designada pela doutrina como solidariedade de fato. Significa que basta as pessoas possuírem interesse comum na situação que constitui fato gerador do tributo, sendo desnecessário previsão específica na lei que regular determinado tributo para apontar os devedores solidários, sendo uma norma de caráter geral, aplicandose aos tributos existentes no sistema tributário nacional. A outra espécie é aquela que a doutrina chama de solidariedade de direito, que decorre de expressa previsão legal, ou seja, previsão na lei instituidora do tributo, não exigindo a configuração de qualquer interesse comum na constituição do fato gerador. c) Deve ser mantida a qualificação da multa, porquanto amparada nos comandos legais aplicáveis e justificada pelo contexto probante que instrui os presentes autos. d) Deve ser mantida a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Por fim, requer a Fazenda Nacional seja negado provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço dos recursos e passo ao exame das alegações recursais. Informa a Auditoria Fiscal que o lançamento teve por fato gerador a remuneração percebida pelos corretores de imóveis associados, não constantes em folha de pagamento e/ou GFIP, sob a forma de comissões devidas em função das transações de compra e venda, (Levantamento CO), consoante planilhas “ANEXO FINAL CORRETORES ASSOCIADOS” (fls. 216/454) e “COMISSÕES LPS EMPRESA” (fls. 572/615).Em relação à situação verificada na remuneração dos corretores associados, relata ainda a ocorrência de simulação. PRELIMINARES NULIDADE AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO A contribuinte aduz que o lançamento padece de vício insanável de fundamentação, por lhe faltar o indispensável embassamento, razão pelo qual deve ser declarado a sua nulidade. Em que pesem as razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, Fl. 19516DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 13 12 concluise que os lançamentos, corroborados pela decisão recorrida, apresentamse formalmente incensuráveis, devendo ser mantidos em sua plenitude. Ocorre que a verificação fiscal referente ao IRPJ e reflexos se encerrou antes da verificação fiscal referente às contribuições previdenciárias, pelo que, por razões operacionais internas da Receita Federal do Brasil, a continuidade da fiscalização das contribuições previdenciárias realizouse mediante abertura de um outro procedimento fiscal, com novo número de Mandado de Procedimento Fiscal MPF, qual seja o de número 10.1.01.002014.00704. É por esse motivo que os elementos colhidos no procedimento fiscal anterior foram aproveitados no presente, pois serviram para a formação da convicção da autoridade lançadora quanto a seus efeitos tributários, em matéria previdenciária. Tal aproveitamento decorre da aplicação dos princípios da economia processual e da eficiência da Administração Pública. Não é à toa que a fase de solicitação de documentos no presente procedimento fiscal foi reduzida, pois apenas o pedido de alguns documentos residuais foi necessário (Termo de Início de Procedimento Fiscal e Termos de Intimação Fiscal de fls. 464, 467 e 570). Resta evidenciada a legitimidade da ação fiscal que deu ensejo ao presente lançamento, cabendo ressaltar que tratase de procedimento de natureza indeclinável para o Agente Fiscalizador, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação de penalidade cabível. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com os presentes lançamentos. A simples leitura dos anexos das autuações, especialmente o “Fundamentos Legais do Débito – FLD”, o "Discriminativo do Débito DD", o Relatório Fiscal e demais informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do lançamento. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover os lançamentos demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhes suportaram, ou melhor, os fatos geradores do crédito tributário, não se cogitando na nulidade dos procedimentos. NULIDADE ILEGITIMIDADE PASSIVA Afirma não ter sido identificado o sujeito passivo corretamente (ilegitimidade passiva), o que também enseja a sua nulidade. Fl. 19517DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 14 13 Melhor sorte não assiste aos recorrentes. O fato de não constar dos Termos de Sujeição Passiva Solidária a exposição de motivos da responsabilidade solidária não trouxe qualquer prejuízo aos recorrentes, eis que o Relatório Fiscal anexo ao presente Auto de Infração, devidamente cientificado aos solidários, descreve toda a fundamentação fática e legal para a atribuição da responsabilidade solidária (itens 13.1 e 13.2 – fls. 17/21). Ademais, todos os solidários lograram contestar não apenas a sujeição passiva solidária, como os mais diversos aspectos do lançamento, formais e materiais, o que afasta a caracterização de cerceamento de defesa. Pelo exposto, afasto a nulidade clamada. NULIDADE DA FALTA DE LIQUIDEZ E INCERTEZA DA BASE DE CÁLCULO Explicita sobre a base de cálculo ser ilíquida e incerta, na medida em que se consideraram as comissões pagas aos corretores independentes referentes às vendas de imóveis usados, as quais não eram objeto do procedimento fiscal, sendo mais um motivo para a decretação da nulidade. Sem razão as recorrentes! Ocorre que do exame das planilhas, elaboradas com base nos elementos fornecidos pela própria empresa, não se verifica qualquer discriminação se o imóvel é usado ou novo, pelo que caberia aos recorrentes demonstrar, e não apenas alegar, o suposto erro suscitado. Ademais, ao meu entender, verifico que o auto de infração se deu na totalidade das operações intermediadas pela corretora autuada em parceria com os corretores independentes, não havendo razão para excluir da base de cálculo as comissões referente a imóveis usados, pois o modelo de negócio utilizado segue sendo o mesmo. Logo, não vislumbro diferença, para fins tributários, se o imóvel comercializado é novo ou usado, haja vista que o modelo de negócio segue inalterado. Ainda, não verifico que exista nulidade no auto de infração por assim compreender. Coaduno com o entendimento da DRJ de origem que considerou irrelevante se o imóvel intermediado é novo ou usado. Ante o exposto, deve ser rejeitada a referida preliminar. NULIDADE MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO Alega que o critério jurídico utilizado é incerto, na medida em que a LPS SUL e outras empresas do seu Grupo sofreram fiscalizações sobre o mesmo tema e não foram autuadas ou foram autuadas por outros motivos. Além disso, houve flagrante desrespeito ao disposto no art. 146 do CTN, outro motivo pelo qual o lançamento é nulo. Por muito bem analisar as alegações suscitadas pelas recorrentes e documentos acostados aos autos acerca da nulidade ora debatida, peço vênia para transcrever excertos da decisão recorrida e adotálos como razões de decidir, in verbis: 22. Com relação à alegação de que houve alteração no critério jurídico, em face de, em fiscalização anterior, a mesma Fl. 19518DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 15 14 AuditoraFiscal não ter verificado qualquer irregularidade em relação aos mesmos fatos e período, há de se esclarecer que: 22.1. O Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal –TEPF datado de 14/03/2013, constante às fls. 3.139 da Impugnação nada prova, eis que não contempla o período fiscalizado. 22.2. Consoante Termo de Início da Ação Fiscal –Fiscalização (TIAF) de fls. 3.707/3.708, cientificado ao autuado em 28/03/2013 (fls. 3.709), constatase que mediante Mandado de Procedimento Fiscal nº 10.1.01.002013002208, foi determinada a realização de verificação fiscal na empresa autuada, nos seguintes termos: “1. TRIBUTOS, PERÍODOS E MATÉRIA OBJETO DA AÇÃO FISCAL: A ação fiscalizatória diz respeito ao imposto de renda da pessoa jurídica, imposto de renda retido na fonte e contribuições previdenciárias –outras entidades e fundos, períodos de apuração abrangidos pelos anoscalendário de 2010 e 2011, em relação aos quais será analisada a matéria a seguir discriminada: Reconhecimento, contabilização e tributação das receitas auferidas em razão da corretagem de imóveis; Incidência de contribuição previdenciária e retenção de imposto de renda na fonte sobre pagamento de serviços prestados por corretores de imóveis. 2. ELEMENTOS REQUERIDOS: 2.1. Apresentar cópias de todos os contratos de autorização celebrados com construtores ou incorporadores de imóveis cuja intermediação foi efetuada pela LPS Sul Consultoria de Imóveis Ltda nos anoscalendário de 2010 e 2011; 2.2. Apresentar cópias dos documentos comprobatórios dos processos de intermediação ocorridos em janeiro/2010 e que estão especificados no arquivo magnético de operação apresentado à SRFB (arquivo denominado “item2,6.xlsx” – relacionado na folha 02 do recibo de entrega de arquivos digitais em anexo).” (TIAF fls. 3.707/3.708) 22.3. Ainda de acordo com o referido Termo, a verificação fiscal estaria a cargo de dois AuditoresFiscais, dentre eles a AuditoraFiscal que lavrou o presente Auto de Infração. 22.4. Verificase também que a mesma participou durante toda a fase investigatória do procedimento, com a colheita de documentos e informações prestadas pelo contribuinte sob ação fiscal, elementos, como se depreende da leitura do Termo de Início da Ação Fiscal acima mencionado e dos Termos de Continuidade de Ação Fiscal (fls. 4.354/4.370). Fl. 19519DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 16 15 22.5. Ocorre que a verificação fiscal referente ao IRPJ e reflexos se encerrou antes da verificação fiscal referente às contribuições previdenciárias, pelo que, por razões operacionais internas da Receita Federal do Brasil, a continuidade da fiscalização das contribuições previdenciárias realizouse mediante abertura de um outro procedimento fiscal, com novo número de Mandado de Procedimento Fiscal MPF, qual seja o de número 10.1.01.00 2014.00704. 23. É por esse motivo que os elementos colhidos no procedimento fiscal anterior foram aproveitados no presente, pois serviram para a formação da convicção da autoridade lançadora quanto a seus efeitos tributários, em matéria previdenciária. 24. Tal aproveitamento decorre da aplicação dos princípios da economia processual e da eficiência da Administração Pública. 25. Não é à toa que a fase de solicitação de documentos no presente procedimento fiscal foi reduzida, pois apenas o pedido de alguns documentos residuais foi necessário (Termo de Início de Procedimento Fiscal e Termos de Intimação Fiscal de fls. 464/465, 467 e 570). 26. Ademais, ao contrário do que alegam os impugnantes, em nenhum momento houve o reconhecimento de regularidade das obrigações fiscais referentes às contribuições previdenciárias, quando do encerramento do procedimento fiscal realizado através do MPF 10.1.01.002013002208. 27. O Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento do Procedimento Fiscal MPF nº 10.1.01.002013002208 (fls. 17.779/17.781) não foi firmado pela Auditora Fiscal que lavrou o presente Auto de Infração, e, nem sequer trata das contribuições previdenciárias, senão vejamos: “Encerramos, nesta data, o procedimento fiscal relativo ao imposto de renda pessoa jurídica e decorrências, considerados os períodos e infrações constantes nos autos de infração abaixo discriminados”. 28. Portanto, o que se conclui é que o presente procedimento fiscal, em que pese ter formalmente se iniciado mediante MPF nº 10.1.01.00201400704, é, de fato, mera continuação do procedimento fiscal anterior, no que tange às contribuições previdenciárias. Além do mais, o TEPF anexado pela própria contribuinte refere que o procedimento de fiscalização se deu em períodos anteriores. Logo, nada impede que para períodos distintos, uma nova fiscalização venha a entender pela autuação fiscal, mesmo que nas fiscalizações anteriores o entendimento tenha sido diverso. Não há ato ilegal tampouco procedimento contrário a segurança jurídica. Dessa forma, não há que se falar em mudança de critério jurídico alegado pela defesa. Fl. 19520DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 17 16 MÉRITO CONTRATO DE CORRETAGEM A fiscalização afirma existir, no vínculo entre a autuada e os corretores autônomos, as características de uma prestação de serviços, motivo pelo qual deve incidir às contribuições sociais ora debatidas. Por sua vez, a contribuinte explica que o modelo de negócio da LPS SUL está em estrita consonância com o que dispões o ordenamento jurídico. Pois o contrato de prestação de serviço é diferente do contrato de corretagem, uma vez que o primeiro é marcado pela obrigação de fazer inserta na correspondente atividade desenvolvida pelo prestador, enquanto o segundo gera uma obrigação de resultado útil. Argumenta que no caso concreto, (a) os corretores independentes exerceram apenas a atividade de corretagem, a qual, por previsão legal expressa, não se configura em prestação de serviços; "b) não houve nenhum pagamento pela LPS SUL aos corretores independentes e não existe nos autos qualquer prova que contradiga tal afirmação, razão pela qual não restou configurado o fato gerador das contribuições previdenciárias. Afirma exercer corretagem de atacado, atividade distinta e complementar à do corretor independente que exerce a corretagem de varejo na intermediação imobiliária. Insurgese, ad argumentandum, se o corretor independente exercesse a atividade fim da recorrente, este deveria ser classificado como empregado e não como contribuinte individual como fez a Autoridade Fiscal. Alega que os corretores não são vendedores, não realizam vendas, não trabalham para LPS SUL e jamais receberam qualquer valor fixo pago por ela. A relação mantida entre a LPS SUL e os corretores independentes é de uma coparticipação, uma parceria equilibrada (relação horizontal, não vertical). Em suma, a recorrente alega que desenvolve contrato de parceria ou associação com corretores autônomos para fins de viabilizar a comercialização de imóveis cuja venda lhe teria sido autorizada pelas incorporadoras, enquanto a fiscalização defende existir, no vínculo entre a autuada e os corretores, as características de uma prestação de serviços dos corretores parceiros com a imobiliária recorrente. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria. O contrato de corretagem, regrado pelos artigos. 722 a 729 do Código Civil, tratase de espécie de prestação de serviços em virtude do qual uma pessoa obrigase a obter para a segunda um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas. Distinguese da simples prestação de serviços em virtude de que a remuneração auferida depende da concretização do negócio, o que lhe confere o caráter de contrato aleatório. A atividade de corretor de imóveis tem sua regulamentação específica na Lei nº 6.530/78, que prescreve em seus artigos 3º e 6º, consoante redação vigente à época dos fatos (houve alterações posteriores pela Lei nº 13.097, de 2015): Fl. 19521DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 18 17 Art 3º Compete ao Corretor de Imóveis exercer a intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, podendo, ainda, opinar quanto à comercialização imobiliária. Parágrafo único. As atribuições constantes deste artigo poderão ser exercidas, também, por pessoa jurídica inscrita nos termos desta lei. (...) Art 6º As pessoas jurídicas inscritas no Conselho Regional de Corretores de Imóveis sujeitamse aos mesmos deveres e têm os mesmos direitos das pessoas físicas nele inscritas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas a que se refere este artigo deverão ter como sócio, gerente ou diretor um Corretor de Imóveis individualmente inscrito. Por sua vez, assim regra o art. 3º do Decreto nº 81.871/78: Art 3º As atribuições constantes do artigo anterior poderão, também, ser exercidas por pessoa jurídica, devidamente inscrita no Conselho Regional de Corretores de Imóveis da Jurisdição. Parágrafo único. O atendimento ao público interessado na compra, venda, permuta ou locação de imóvel, cuja transação esteja sendo patrocinada por pessoa jurídica, somente poderá ser feito por Corretor de Imóveis inscrito no Conselho Regional da jurisdição. Do mesmo diploma legal, cabe trazer à colação o art. 5°, in verbis: Art 5º Somente poderá anunciar publicamente o Corretor de Imóveis, pessoa física ou jurídica, que tiver contrato escrito de mediação ou autorização escrita para alienação do imóvel anunciado. De sua parte, o "Termo de Consultoria Imobiliária, Autorização de Corretagem e outras avenças" às fls. 3.713/3.714, ilustrativo dos contratos firmados entre a contribuinte e as incorporadoras, explicita em seus itens. 5.1 a 5.2, que dita autorização dá azo a que aquela "cobre dos clientes compradores uma comissão básica a título de corretagem", a qual, poderá ser rateada entre os coparticipantes da intermediação. Assim, resta claro que a LPS Consultoria, ainda que dentro de um "pacote" mais amplo, pactuava a prestação de serviços de corretagem com as incorporadoras, lhe sendo devida a comissão pertinente, o que aliás é perfeitamente inteligível dada a atividade preponderante prevista no seu contrato social, a intermediação na compra e venda de imóveis. Tal prestação de serviços, pelo que se evidencia dos elementos dos autos, era realizada em regra com a participação de corretores autônomos, o que se coaduna com o preceito contido no parágrafo único do art. 3º do Decreto nº 81.871/78, linhas acima transcrito. A lide enfrentada, como mencionado, diz respeito ao caráter da relação estabelecida entre a contribuinte e esses corretores. Neste diapasão, destaco o voto do ilustre Conselheiro Ronnie Soares Anderson, ao relatar o processo nº 10830.726365/201371, da LPS Fl. 19522DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 19 18 CAMPINAS CONSULTORIA DE IMOVEIS LTDA (acórdão nº 2402005.271, de 11.05.2016), onde ele concluiu pela inexistência de relação de emprego, tendo o recurso voluntário da contribuinte sendo provido por unanimidade dos votos, entendendo por "Não restando configurados satisfatoriamente na relação estabelecida entre imobiliária e corretores autônomos, os requisitos do vínculo empregatício, em especial a onerosidade e a subordinação jurídica, descabida a incidência de contribuições previdenciárias amparadas no entendimento do corretor como sendo segurado empregado, bem como as obrigações acessórias correlatas", de onde peça vênia para transcrever excerto e adotar como razões de decidir, in verbis: A lide enfrentada, como mencionado, diz respeito ao caráter da relação estabelecida entre a contribuinte e esses corretores. O contrato firmado entre essas partes é exemplificado pelo documento de fls. 57/59, "Contrato de Atividade de Corretor Autônomo". Nele constam diversos dispositivos afastando a subordinação hierárquica, exclusividade, relação empregatícia, e frisando que as despesas da atividade são por conta dos corretores, sendo que a remuneração a eles devida será contratada separadamente e quitada mediante cheques de emissão dos clientes compradores, referentes à comissões sobre as vendas realizadas. A recorrente aduz que esses contratos firmam relação associativa ou de parceria, de comunhão de esforços com vistas a obtenção do resultado final, ou seja, a concretização da venda do imóvel e consequente divisão da comissão obtida, apresentando, inclusive, parecer nesse sentido. (...) deve ser explicado que a prestação de serviços consistia, da parte da autora relativamente às incorporadoras, em envidar os esforços de venda das unidades imobiliárias, o que poderia ou não resultar em efetivo negócio. Face à obrigatoriedade, por força do parágrafo único do art. 3º do Decreto nº 81.871/78, de que o atendimento ao público comprador fosse realizado por corretores pessoas físicas, a empresa efetuava suas vendas por intermédio desses corretores contratados, que lhe prestavam os serviços objeto do contrato com a imobiliária. A álea contratual típica do contrato de corretagem se verificava pela consecução ou não da meta visada, a venda do imóvel. Os elementos colhidos em sede judicial, e juntados pela recorrente no recurso voluntário, bem como os coligidos pela fiscalização, apontam para o procedimento usual de vendas, a saber, o cliente em potencial adentrava nos "stands" ou plantões de vendas e era atendido pelo corretor autônomo "da vez", consoante escala de revezamento préestabelecida. Pactuado o negócio, para sua perfectibilização, o cliente era orientado a emitir diversos cheques no curso da quitação ou da entrada na compra: para a incorporadora, para a imobiliária e outros envolvidos na transação, sendo que um deles era destinado ao corretor que o havia atendido. À evidência, encontrado afinal o imóvel que lhe agradava, o adquirente não se opunha a tal condição de pagamento. Fl. 19523DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 20 19 Os cheques atinentes à negociação eram recolhidos à imobiliária, e, passado certo prazo, relativo ao prazo legal de desistência do negócio, o cheque referente ao corretor lhe era entregue. Sem embargo, há elementos indiciários no sentido de que existiam situações nas quais o corretor desempenhava efetivamente atuação ativa em prol do comprador, e não do vendedor, realizando buscas de potenciais interessados em sua carteira de clientes cadastrados, prospectando clientes, trazendo indicações, etc. Nesse sentido, vide as "Regras de Plantão" constantes às fls. 80/85, e depoimentos diversos levantados no procedimento fiscal. Com efeito, ainda que em geral se verificasse que a prestação de serviços se dava em benefício da imobiliária, que contava com os corretores autônomos para a consecução de sua atividade fim, não é irrelevante a presença de indícios concretos de que, em certas ocasiões, poderia haver a realização de atividade de corretagem visando atender os interesses do comprador. Não obstante, mister destacar que os lançamentos ora examinados tiveram por supedâneo a constatação, pela fiscalização, da existência de vínculo empregatício nas relações em tela. Aferição essa, digase de passagem, com esteio na legislação de regência, com destaque para os arts. 142 do CTN, 12 e 33 da Lei nº 8.212/91, 2º da Lei nº 11.457/07, e o § 2º do art. 229 do Decreto nº 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social RPS), Tratandose de trabalho prestado por pessoa física, vejamos se estão presentes os requisitos que configuram relação de emprego. O exame da pessoalidade não contribui para o esclarecimento dos fatos, pois os contratos firmados não tratam da possibilidade de fazerse o corretor substituir por outro profissional para fins de prestação de serviço, do que se conclui haver, a priori, a pessoalidade ainda que de forma tênue. Também a habitualidade ou não eventualidade resta configurada, pois os contratos eram pactuados por prazo indeterminado, não estando o labor correlacionado com evento certo e determinado. No que tange à onerosidade, contudo, a situação se configura distinta. Observese não haver maior peso no argumento segundo o qual por ser o corretor pago com cheques emitidos diretamente pelo adquirente não estaria presente tal característica. Pelo contrário, não é raro que prestadores de serviço utilizemse de cheques emitidos por terceiros para pagar suas obrigações, seja para com fornecedores, seja para com prestadores terceirizados, até mesmo com o fim de eximirse de obrigações Fl. 19524DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 21 20 tributárias, tal como costumava acontecer quando vigente a extinta CPMF. Por outra via, a ausência de contraprestação por parte da imobiliária, ainda que o corretor realizasse esforços visando a obtenção de negócios, afasta o caráter sinalagmático típico da relação de emprego. Não obtendo resultado útil, ou seja, o fechamento da venda objetivada pela empresa, não fazia o corretor jus a qualquer recebimento. Tanto mais quando o contrato estabelecia que as despesas com a atividade corriam por conta do corretor autônomo. Desse modo, ele corria o risco de ficar sem qualquer remuneração, caso não se empenhasse devidamente na busca de negócios. Sequer um pagamento mínimo mensal, usual nos casos de vendedor empregado, se verifica na espécie. Tampouco verbas similares a décimo terceiro salário, vale refeição, etc., foram percebidas pelos corretores, nem mesmo por via transversa. E, no tocante à subordinação, cabe referir que as provas dos autos são insuficientes para a sua constatação, seja sob o prisma clássico, seja sob a ótica estrutural ou integrativa. Mister alertar que não há confundir o regramento das condições que viabilizem a própria realização da atividade buscada, no caso a corretagem imobiliária, com disposições que, necessariamente, subordinem juridicamente os profissionais em tela à autuada. Assim, natural a necessidade de diretrizes tais como as presentes no documento "Regras de Plantão", a serem seguidas pelos corretores no atendimento ao público interessado nos imóveis anunciados, tais como escalas a serem seguidas, revezamento, preferências, uso de crachá, etc. Também a existência de treinamentos, uniformidade de procedimentos, confecção de relatórios pelos referidos não traduzemse, no contexto analisado, em indicativos mais contundentes de vínculo empregatício, mas sim em elementos que reforçam a padronização dos serviços prestados e a credibilidade transmitida aos potenciais clientes. As próprias sanções apontadas pela fiscalização, em decorrência de faltas ou atrasos no comparecimento aos plantões de venda são bastante compreensíveis, pois caso o esforço de vendas não se concretize em dimensão satisfatória, a própria imobiliária ficará comprometida perante a incorporadora, que poderá não mais requerer seus serviços. Nessa esteira, não surpreende que caso haja falta aos plantões, seja o corretor substituído por outro ou mesmo perca a vaga, em caso de reiteração nessa conduta. Vale pontuar que os depoimentos de corretores à autoridade tributária, que trazem alguns indícios da existência de relação de emprego, devem ser sopesados face a decisões judiciais Fl. 19525DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 22 21 apresentadas pela recorrente, de maior relevo frente à submissão ao princípio do contraditório, e que vão ao encontro da versão dos fatos tal como por ela defendida. Por conseguinte, tendo em vista a ausência dos requisitos necessários para a configuração de relação de emprego no caso vertente, em especial a onerosidade e a subordinação, quedam improcedentes os autos de infração de obrigação principal e acessória contestados. Desse modo, compreendo que não há existência de prova de relação de emprego ou de prestação de serviços pelos corretores de imóveis à LPS Consultoria, não devendo subsistir o referido lançamento. Ainda, importa destacar que nos termos da Declaração de voto da ilustre Conselheira Patrícia Silva, quando do julgamento do acórdão 9202003.834, julgado em 09.03.2016, pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), cujo teor segue abaixo transcrito: Inicial e principalmente, gostaria de centrar minha divergência quanto à caracterização da atividade da Recorrente em prestação de serviços. Entendo, que há ao longo de todo o processo, o reconhecimento da garantia ao exercício da autonomia privada e da liberdade de contratar como meio possibilitar que a Recorrente exercesse e exerça sua atividade, adotando um modelo de negócio sui generis, por meio de uma relação de associação com os corretores independentes. Melhor explicando: há situações em que imobiliárias e corretores celebram um contrato de associação pelo qual somam esforços visando colaborar para a obtenção da compra e venda da unidade imobiliária. Qualificarseia uma parceria e não uma prestação de serviços. Para contribuir com o esclarecimento do tema, permitome trazer à colação, alguns excertos constantes do Parecer jurídico trazido ao processo, verbis: ... Levada ao seu último grau, a tendência (natural do pensamento humano) é de imaginar que seria possível enquadrar todas as condutas, negócios, relações jurídicas etc., em tipos previstos em lei conduz a um engessamento das formas jurídicas que acabam se distanciando cada vez mais da realidade concreta e pode implicar até na perda de sua utilidade... ... Esquecese, nesta postura, o principal, qual seja que a base do ordenamento jurídico é a liberdade e que pessoas, físicas e jurídicas, podem exercêla para criar figuras que não estão expressamente contempladas em nenhum texto legal.. Fl. 19526DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 23 22 ... Despirse também de preconceitos, dentre os quais o de aprioristicamente, assumir que sempre há algo de errado ou de escuso no que o contribuinte faz, a ponto de confundir o "não existir algo (p. ex., um pagamento) como um "escondêlo" ou disfarçálo". Nestes casos, a falta de uma regra expressa dispondo sobre determinado modelo não deve ser interpretada como vedando certo tipo de relação jurídica, assim como a superveniência de regra dispondo sobre determinado modelo deve ser vista como apenas formalizando relações jurídicas que já podiam e eram efetivamente adotadas pelos agentes do respectivo setor econômico. No argumento de número 5 do Parecer Jurídico, que já faz parte do presente processo, motivo pelo qual não o replicarei na íntegra, exaurese a análise fática do contrato de associação constante do presente processo, mas destaco a principal conclusão: " ...Esta é a figura de reunião de esforços adotada pela consulente há anos. Somamse esforços de divulgação, exibição, informação tendo por objetivo comum intermediar negócios imobiliários, sem que exista qualquer garantia de que o negócio final venha a ocorrer." (...) Entendo que a ideia de aplicação de a cada corretagem corresponder um único credor, não corresponde à realidade fática e ao constante no artigo 728 do Código Civil (a saber, é fato incontroverso nos autos), o que, de pronto, afasta a aplicação estrita da regra constante do art. 123 do Código Tributário Nacional. Afinal, não está a falarse de convenções particulares sem a existência de lei. Aqui já havia a disposição do Código Civil, corroborada pela legislação específica Lei 13.097/2015 que reconhece a relação associativa há tempos existentes no setor imobiliário. Outrossim, não há fundamentos para exigir da Recorrente o valor da contribuição previdenciária patronal ou por retenção, pois o entendimento esposado aqui é de não se trata de pagamentos a profissionais autônomos que tenham recebido por serviços prestados. A Recorrente não é contribuinte ou responsável tributária relativamente Às obrigações principais tais como contribuições previdenciárias, sejam cotas patronais, seja cota de segurados) ou mesmo IRRF. Veja que o voto vencedor pautouse pela "falta de razoabilidade" do negócio conforme realizado: "Afasto, por falta de razoabilidade, o argumento de que atuariam de forma independente a empresa recorrente, o Fl. 19527DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 24 23 corretor, o coordenador, o coordenador de produto e o diretor. Com efeito, visualizase, no caso, um efetivo negócio estabelecido pela recorrente, com utilização de recursos para alcançar o objetivo específico de intermediação da venda de imóveis." Assim temos que a decisão paradigma, deste mesmo órgão, a decidir sobre a mesma situação fática, teria sido não razoável, mesmo aclarando e justificando sua decisão, verbis: "Outrossim, esclareçase que o contrato avençado entre as partes, qual seja, o ônus do pagamento da comissão, não desnatura a posição do sujeito passivo da exação, haja vista que tratase de acordo prévio à prática do fato gerador, bem como por não desvirtuar a sua regra matriz de incidência, ao contrário, pautaramse pela autonomia privada e sua liberdade de contratar." (acórdãos 2403002.508 e 2403002.509) Assim, entendo que seria cabível o provimento do Recurso neste aspecto, em especial pois: "O imposto de renda não incidente é questão prejudicial em relação à responsabilização da fonte pagadora na forma do art. 121 do CTN, por isso inexiste o tributo, inocorrente a responsabilidade." (STJ, 1ª T., REsp 952.038/PE, Min Luiz Fux)" Não sendo o bastante, como esclarecido no Recurso Voluntário, não existe na associação de que se trata, qualquer delegação, pela imobiliária, de uma atividade fim ou atividade meio cuja titularidade necessariamente lhe incumbisse, pois as atividades entre corretor associado e imobiliária são distintas e complementares, conforme quadro que abaixo reproduzo: Fl. 19528DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 25 24 Portanto, resta clara a inexistência de relação de prestação de serviços entre corretores associados e a recorrente, até porque, corroborando tal informação existe no autos declaração prestada pelo Presidente do CRECI/RS, documento anexo à impugnação, no sentido desconhecer a existência de corretores de imóveis contratados pela imobiliária sob regime CLT. Para sedimentar ainda mais o entendimento deste Conselheiro, vale explicitar que o processo relativo ao IRPJ e seus reflexos quanto aos fatos geradores ora debatidos, por meio do Acórdão n° 1401002.191, foi julgado improcedente por este Tribunal. Ademais, também não vislumbro comprovação do desembolso financeiro da vendedora para o adimplemento da comissão, consoante restou muito bem explicitado no voto vencedor do Acórdão n° 2403002.508 da lavra do Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, exarado pela 3a Turma Ordinária da 4º Câmara da 2º Seção nos autos do processo n° 10166.727550/201100, de onde peça vênia para transcrever excerto e adotar como razões de decidir, in verbis: Quanto ao mérito da operação sob análise, cumpre destacar que entendo não haver incidência de contribuição previdenciária. Isso porque, compete à Autoridade Administrativa apenas desconsiderar atos ou negócios que, exclusivamente, pretendam dissimular a ocorrência do fato gerador ou a natureza constitutiva da obrigação tributária, nos termos do art. 116, parágrafo único do Código Tributário Nacional. Aduz o fiscal que a Recorrente realizou pagamentos de forma indireta aos Corretores Autônomos, simulando o verdadeiro pagador da comissão. Ocorre que não há que se falar em simulação uma vez que toda a operação, mesmo as retificações da DIMOB, (conclusão que a fiscalização tem por definir o valor da comissão) foram realizadas de forma transparente, não havendo meios escusos que pusessem os atos acerca da operação à sombra da realidade. Ademais, essa é de uma das próprias conclusões da fiscalização (Conclusão 06, fl. 176) que se confirma que o pagamento é realizado pelo adquirente: O valor da comissão do corretor é a comissão cobrada do adquirente menos o valor da nota fiscal emitida para o adquirente. Da mesma forma, há nos autos provas de que os valores foram efetivamente pagos pelos compradores, a exemplo do "Recibo de Corretagem Autônoma" do comprador Alexandre Rodrigues Monteiro, para a corretora Daniela de Paula, fl. 1760. Restou demonstrado que os compradores dos imóveis pagaram as comissões, ou seja, a recorrente não deu saída de recursos do seu caixa, pois como está demonstrada nas folhas 1760, a saída para pagamento da comissão foi do CAIXA do comprador para o corretor. Contudo, não podemos afirmar que tal modelo de negocio, seria um planejamento tributário fraudulento, com apenas o intuito de economizar tributo. Pois, esses valores pagos a titulo de Fl. 19529DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 26 25 comissão tem uma tributação efetiva de 11%, e caso a recorrente tivesse pago a referida comissão, esses gastos teriam passado pela contabilidade dessa, como despesa dedutível na base de calculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social Sobre o Lucro. Por exemplo: Acaso a recorrente seja tributada com base no lucro real e o valor da referida comissão paga ao corretor fosse de R$ 100.000,00 (cem mil reais) esse valor seria dedutível da base de cálculo do IRPJ/CSLL, reduzindo a carga da referida em 34% (trinta e quatro por cento), vale dizer, economia de R$ 34.000,00 (trinta e quatro mil reais). Logo, o adquirente, ao assumir o ônus pelo pagamento das comissões aos corretores, passaram a integrar o pólo passivo da obrigação de descontar a contribuição sobre os corretores e recolhêlas aos cofres públicos e, não tendo havido pagamento por parte da recorrente, não deveria dela estar sendo exigida a contribuição. Outrossim, esclareçase que o contrato avençado entre as partes, qual seja, o ônus do pagamento da comissão, não desnatura a posição do sujeito passivo da exação, haja vista que tratase de acordo prévio à prática do fato gerador, bem como por não desvirtuar a sua regramatriz de incidência, ao contrário, pautaramse pela autonomia privada e sua liberdade de contratar. Portanto, entendo que merece provimento o recurso voluntário, uma vez que os pagamentos das comissões foram realizados pelos adquirentes dos imóveis, verdadeiros sujeitos passivos da contribuição previdenciária por obrigação de retenção. Por tais razões, restou demonstrado que as comissões decorrentes da intermediação de venda, realizadas por corretores imobiliários, pelo sistema de co corretagem, cuja atuação se dá em conjunto entre imobiliária e corretores associados, não caracteriza rendimento de trabalho decorrente de prestação de serviços dos corretores associados à imobiliária, descabendo a incidência das contribuições sociais previdenciárias. Verificase que os corretores independentes trabalham com a recorrente pela forma de contrato de parceria, assumindo eles, de certo modo, os riscos do negócio, pois não serão remunerados, ou terão reembolsadas as suas despesas, caso não obtenham sucesso numa intermediação imobiliária. Ao contrário do que entendeu a fiscalização, entendo, que sendo o ônus do pagamento das comissões dos compradores, afastase, em definitivo, qualquer imputação da imobiliária como tomadora dos serviços dos corretores. Ademais, o Superior Tribunal de Justiça recentemente se pronunciou sobre a possibilidade de transferência ao consumidor (STJ. RESP 1.599.511, julgado em 24.08.2016), o que vem a reforçar a tese de conduta lícita da recorrente. Por fim, para eliminar quaisquer dúvidas, o legislador amiudou recentemente a questão do vínculo entre o corretor pessoa física e a imobiliária (corretora Fl. 19530DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 27 26 pessoa jurídica) quando alterou a Lei nº 6.530/1978, que regulamenta especificamente a profissão do corretor de imóveis. Nesta, observamse inúmeras previsões legais relevantes ao deslinde do litígio, principalmente: Art 6º As pessoas jurídicas inscritas no Conselho Regional de Corretores de Imóveis sujeitamse aos mesmos deveres e têm os mesmos direitos das pessoas físicas nele inscritas. (...) § 2o O corretor de imóveis pode associarse a uma ou mais imobiliárias, mantendo sua autonomia profissional, sem qualquer outro vínculo, inclusive empregatício e previdenciário, mediante contrato de associação específico, registrado no Sindicato dos Corretores de Imóveis ou, onde não houver sindicato instalado, registrado nas delegacias da Federação Nacional de Corretores de Imóveis. (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) (...) § 4o O contrato de associação não implica troca de serviços, pagamentos ou remunerações entre a imobiliária e o corretor de imóveis associado, desde que não configurados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício previstos no art. 3o da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1o de maio de 1943. (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) Ora, a Lei especifica do corretor de imóveis ratifica o comando do Código Civil, explicitando ainda mais a norma. Não deixa dúvidas nem qualquer margem de interpretação quanto à natureza da relação entre o corretor de imóveis pessoa física e a imobiliária: ou há vínculo empregatício ou há associação. Melhor dizendo, o corretor pessoa física pode se associar a uma imobiliária para fins de determinado empreendimento ou negociação, configurandose o contrato de associação. Não há, nessa hipótese, prestação de serviços de um a outro, nem pagamento ou remuneração. Configurase, verdadeiramente, a hipótese do art. 728 do CC/2002, na qual dois ou mais corretores atuam em conjunto para a conclusão do negócio. Tal vínculo só será distorcido se for configurado um vínculo empregatício de um em relação ao outro, que depende dos requisitos do art. 3º da CLT. In casu, a autoridade lançadora não apontou vínculo empregatício. Seu lançamento se baseou na tese de que os corretores pessoas físicas prestavam serviços à imobiliária como autônomos, e eram por ela remunerados. Portanto, contrário à melhor interpretação do ordenamento. Em face dos substanciosos fundamentos acima transcritos, impõese afastar a incidência das contribuições previdenciárias na forma aplicada nos presentes autos. Restando insubsistentes os créditos tributários veiculados no presente processo administrativo, não permanece liame de responsabilidade ou questão de mérito levantada pelos demais responsáveis a ser dirimida, pois a existência daqueles créditos guarda relação de prejudicialidade relativamente às possíveis razões vertidas pelos sujeitos passivos solidários. Fl. 19531DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 28 27 Feitas essas considerações, reconhecida a improcedência total da exigência fiscal, uma vez vencido em nosso entendimento, passamos a contemplar as demais questões de mérito. MULTA QUALIFICADA Preambularmente, cumpre transcrever a legislação que fundamentou a exigência da multa no presente lançamento de ofício: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Como se vê, a multa de 75%, prevista no inciso I, acima transcrito, é objetiva e independe da culpa ou dolo do agente. O artigo 136 do Código Tributário Nacional assim diz: Art. 136 Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Contudo, a multa qualificada de 150%, em atendimento ao que disciplina o §1º, art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, poderá ser aplicada somente nos casos previstos nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, 1964, que têm a seguinte redação: Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão, dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou deferir o seu pagamento. Fl. 19532DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 29 28 Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no art. 71 e 72. A sonegação pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública, um propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Na sonegação sempre existe o dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública. Para ser enquadrado neste conceito, basta o contribuinte agir com dolo na desobediência da lei fiscal. A sonegação impede a apuração da obrigação tributária principal diante da ocultação de bens ou de fatos jurídicos à incidência fiscal (fato gerador já realizado) enquanto na figura da fraude a ação ou omissão visa escamotear o pagamento do imposto devido reduzilo, evitálo ou retardálo. Depreendese dos dispositivos acima transcritos que para aplicação da multa qualificada deve existir o elemento fundamental de caracterização que é o evidente intuito de fraudar ou de sonegar. Ainda de acordo com os dispositivos legais acima transcritos, impõese à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência em casos de imputação da multa qualificada, que somente poderá ser levada a efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do crime (dolo, fraude ou sonegação), devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída e, bem assim, ao procurador de que o delito efetivamente praticado. Em outras palavras, não basta a indicação da conduta dolosa, fraudulenta, a partir de meras presunções e/ou subjetividades, impondo a devida comprovação por parte da autoridade fiscal da intenção prédeterminada do contribuinte, demonstrada de modo concreto, sem deixar margem a qualquer dúvida, visando impedir/retardar o recolhimento do tributo devido. Este entendimento, aliás, encontrase sedimentado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: MULTA AGRAVADA – Fraude – Não pode ser presumida ou alicerçada em indícios. A penalidade qualificada somente é admissível quando factualmente constatada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação. (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.561, Sessão de 16/10/2003) (grifamos) MULTA QUALIFICADA – NÃO CARACTERIZAÇÃO – Não tendo sido comprovada de forma objetiva o resultado do dolo, da fraude ou da simulação, descabe a qualificação da penalidade de ofício agravada. (2ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10245.625, Sessão de 21/08/2002) MULTA DE OFÍCIO – AGRAVAMENTO – APLICABILIDADE – REDUÇÃO DO PERCENTUAL – Somente deve ser aplicada a Fl. 19533DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 30 29 multa agravada quando presentes os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, fazendose a sua redução ao percentual normal de 75%, para os demais casos, especialmente quando se referem à infrações apuradas por presunção. (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.356, Sessão de 16/04/2003) (grifamos) Na esteira desse raciocínio, ratificando posicionamento pacífico do então 1º Conselho de Contribuintes, o CARF consagrou de uma vez por todas o entendimento acima alinhavado, editando a Súmula nº 14, determinando que: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a QUALIFICAÇÃO da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo Pois bem. Ao meu ver, para aplicar a multa qualificada é necessária a prova da evidente intenção de sonegar ou fraudar, condição imposta pela lei. A prova deve ser material, pois o evidente intuito de sonegação não pode ser presumido. Não basta a prova da falta de recolhimento da contribuição devida, tampouco meros indícios; é necessária que estejam perfeitamente identificadas e comprovadas a circunstância material do fato, com vistas a configurar o evidente intuito de sonegar, relativamente a cada fato gerador do imposto. Assim, é nesse ponto que não concordo com o posicionamento adotado pela autoridade autuante, pois não consigo identificar a intenção dolosa de ocultar, mesmo que considerássemos que a intenção final fosse a diminuição das contribuições a serem pagas. A qualificação da multa não pode atingir aqueles casos em que o sujeito passivo age de acordo com as suas convicções, deixando às claras o seu procedimento, posto que resta evidente a falta de intenção de iludir, em nada impedindo a Fiscalização de apurar os fatos e de firmar suas convicções. Dessa forma, entendo que deve ser desqualificada a multa de ofício, reduzindoa para o percentual de 75%. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS DIRETORES Os recorrentes pessoas físicas (Diretores) foram considerados responsáveis solidários de acordo com o artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional – CTN. A DRJ de origem entendeu por manter a responsabilidade tributária aos sócios por entender que: Deste modo, um vez apurada a prática de fraude tributária com uso de simulação para subtrair da tributação valores expressivos de comissões, caracterizando a “infração de lei”, entendo que esses administradores devem ser responsabilizados solidariamente, ainda que por culpa, pois é dever do administrador atuar com diligência na consecução dos negócios da empresa. Se a orientação para agir dessa maneira ilícita é da empresa controladora, tal fato não autoriza esses diretores a serem Fl. 19534DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 31 30 condescendentes com os ilícitos praticados, ou a participarem impunemente dessa fraude. Por isso entendo que esses diretores não podem ser excluídos do polo passivo O artigo 135 do Código Tributário Nacional dispõe o seguinte: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (grifo nosso) Desta forma, cabe verificar se restou comprovado nos autos, se os atos foram praticados com excesso de poderes ou infração a lei ou ao contrato para que se possa configurar a responsabilidade pessoal (solidária). Pois bem. Entendo que os Diretores não incorreram nas infrações aos dispositivos legais do Regulamento do Imposto de Renda, não havendo como lhes atribuir a responsabilização solidária tributária nos termos do disposto no inciso III do art.135 do CTN. E isto por uma razão muito simples. O fato de a pessoa física ocupar cargo de direção na empresa ou possuir eventual procuração que lhe conferia poderes para celebrar contratos em nome desta não configura, por si só, a existência de responsabilidade. A responsabilidade dos administradores e mandatários da empresa por tributos devidos pela pessoa jurídica mostrase condicionada à comprovação de ilicitude da conduta desses agentes e sua participação na ocorrência do fato gerador tributário, requisitos necessários à constrição patrimonial de terceiros. As infrações apontadas nos autos não permitem concluir, sem sombra de dúvidas, que elas nasceram de operações arquitetadas e ordenadas por estas pessoas, ou seja, que a conduta teria sido originariamente orquestrada por estas pessoas. A meu ver, inexiste no presente caso conduta ilícita, ou ainda, conduta dolosa, consoante já constou neste voto em outros tópicos. Da mesma forma que inexiste a comprovação por parte do auditor fiscal quanto ao interesse comum com o fato gerador, motivo pelo qual encaminho meu voto no sentido de afastar a responsabilidade tributária dos sócios. RESPONSABILIDADE DA CONTROLADORA Neste tópico, melhor sorte não cabe as recorrentes, como passaremos a demonstrar. Fl. 19535DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 32 31 Diante a analise dos autos, foi possível constatar que LPS Sul Ltda, na prática, constituia uma subsidiária integral da LPS Brasil S/A. Mais que isso, ela existia como mero braço operacional da controladora, exercendo a mesma atividade econômica e, sob rígida tutela, efetivando o sistema de negócios préestabelecido pela empresamãe. Tratase, portanto, de grupo econômico de fato, onde as empresas tem personalidade e patrimônio próprios, mas estão economicamente unidas em razão do poder de controle e direção impostos pela empresa líder. Neste caso, entretanto, o poder diretivo da empresa líder era tão extenso e absoluto que, sem prejuízo da verdade material, é possível afirmar que ela praticou os fatos geradores e infrações apuradas no curso da ação fiscal juntamente com a fiscalizada, que não passava de um elemento coadjuvante, mero instrumento para implementação de interessses superiores. O artigo 124 do Código Tributário Nacional ostenta a seguinte redação: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Assim, temos como situação caracterizadora da solidariedade entre devedores a existência de interesse comum de duas ou mais pessoas na realização do fato gerador da obrigação tributária principal. Mas, tanto entre doutrinadores como na jurisprudência, parece haver controvérsia sobre o tipo de interesse que conduziria à atração de responsabilidade solidária. De um lado, há os que consideram que a simples existência de interesse econômico já seria suficiente para atrair a responsabilidade solidária. De outro, militam os defensores da tese de que somente a efetiva existência de interesse jurídico é que poderia redundar em solidariedade entre devedores. No caso concreto, contudo, a controvérsia resta superada, pois tanto o interesse econômico quanto o jurídico estão presentes e são irrefutáveis. De modo bem simples, podese dizer que o interesse econômico decorre do fato do bem ou direito ser, ele próprio, um gerador de recursos, ou então de poder ser convertido em valor pecuniário mediante sua realização no mercado. Assim, quanto à existência de interesse econômico da LPS Brasil S/A em relação aos negócios e consequências tributárias envolvendo a LPS Sul Ltda, parece não haver qualquer dúvida. A empresa controladora era titular de 99,99% das quotas Quanto ao interesse jurídico, que deriva da existência de uma relação jurídica de natureza tributária na qual os devedores solidários integram o mesmo pólo, também não há qualquer dúvida. Conforme referido, a LPS Sul Ltda, apesar de ter personalidade própria, não passa de uma ferramenta útil para execução das estratégias e negócios da LPS Brasil S/A. Na prática, tratase de uma subsidiária integral, que existe exclusivamente para servir e atender os objetivos da empresa controladora. Todos os atos e negócios praticados pela LPS Sul Ltda estão impregnados pela presença da empresamãe, que além de estabelecer o quadro de dirigentes da controlada, fixa as estratégias de atuação e determina as técnicas e métodos de operação. Desse modo, mantémse a empresa citada como responsável solidária no polo passivo da obrigação tributária quando resta comprovada a existência de interesse comum de que trata o art.124 do CTN, decorrente do liame inequívoco presente nas atividades desempenhadas pelas empresas envolvidas (Controlada e Controladora). Fl. 19536DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 33 32 JUROS SOBRE A MULTA Insurgese, ainda, contra a incidência de juros sobre as multas de ofício a serem aplicadas a partir do vencimento do prazo para recolhimento dos valores apurados no auto de infração. Relativamente à matéria, entendo assistir razão à Recorrente. Isso porque o artigo 61 da Lei nº 9.430 não prevê a incidência de juros sobre a multa de oficio, mas apenas a da multa de mora sobre o débito decorrente de tributos e contribuições. Dessa forma, merece guarida a pretensão da contribuinte, consoante restou muito bem explicitado no voto vencido do Acórdão n° 920201.806, o qual me filio, da lavra do Conselheiro Gustavo Lian Haddad, exarado pela 2a Turma CSRF nos autos do processo n° 10768.010559/200119, de onde peça vênia para transcrever excerto e adotar como razões de decidir, in verbis: “[...] Assim, no mérito, a discussão no presente recurso está limitada à incidência dos juros moratórios equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC sobre a multa de oficio. Tal discussão já foi examinada pelo antigo Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em diversas oportunidades, sendo que três posições/entendimentos restaram assentados sobre o tema, quais sejam: de que é possível a incidência de juros sobre a multa de ofício a partir do vencimento do prazo da impugnação, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC; de que é possível a incidência de juros sobre a multa de ofício a partir do vencimento do prazo da impugnação, sendo que tais juros devem ser calculados à razão de 1% ao mês; e de que não é possível a incidência de juros sobre a multa de ofício. Tanto a primeira quanto a segunda tese admitem a incidência dos juros sobre a multa de ofício por entenderem que o artigo 161 do Código Tributário Nacional assim autoriza, divergindo, no entanto, sobre a possibilidade desses juros serem calculados pela SELIC (Lei nº 9.430/1996) ou à razão de 1% ao mês nos termos do enunciado do §1º do Código Tributário Nacional – CTN (1% ao mês). Data máxima vênia, entendo que nenhuma das duas posições é a que mais se coaduna com o ordenamento vigente (não em suas disposições isolados, mas em seu conjunto). Sobre a incidência de juros de mora o citado artigo 161 do CTN determina: Fl. 19537DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 34 33 “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” (original sem grifo) O dispositivo acima referido autoriza a incidência de juros sobre o “crédito não integralmente pago no vencimento”. “Crédito”, por sua vez, é definido no artigo 139 do CTN, que assim dispõe: “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” Obrigação tributária, por fim, vem definida no art. 113,verbis: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária.” A questão a ser enfrentada é a possibilidade dos juros de mora incidirem sobre a multa de ofício, aplicada pela autoridade fiscal proporcionalmente ao tributo lançado, considerando a expressão “penalidade pecuniária” incluída no parágrafo 1º art. 113. A meu ver a expressão “penalidade pecuniária” ali referida é a penalidade decorrente da inobservância de determinada obrigação acessória (de fazer ou não fazer), que se converte em obrigação principal nos termos do parágrafo 3º do mesmo artigo 113. Tal expressão jamais poderia ser interpretada como a penalidade pecuniária exigida em conjunto com o tributo não pago, até porque ficaria desprovida de sentido no contexto do dispositivo. Fl. 19538DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 35 34 Se a penalidade (no caso a multa do ofício) já estivesse incluída na expressão “crédito” sobre o qual incidem os juros de mora nos termos do artigo 161 do mesmo CTN, não haveria razão alguma para a ressalva final constante no referido dispositivo no sentido de que o crédito deve ser exigido “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. Outrossim, com base nessa mesma interpretação, poderia se, inclusive, cogitar da possibilidade de incidência de penalidade (multa) sobre crédito tributário que já englobasse tributo e multa, o que obviamente caracterizaria um non senso jurídico. Ademais, cumpre observar que o conceito de juros advém do direito privado e, conforme preceitua o artigo 110 do CTN, quando as categorias de direito privado estão apenas referidas na lei tributária deve o aplicador se socorrer do direito privado para compreendêlas. No âmbito do direito privado os juros existem para indenizar o credor pela inexecução da obrigação no prazo estipulado. Já a multa não serve para repor ou indenizar o capital alheio, mas para sancionar a inexecução da obrigação. Assim, se os juros remuneram o credor (no caso o Fisco) pela privação do uso de seu capital devem eles incidir somente sobre o que tributo não recolhido no vencimento, e não sobre a multa de ofício, que tem caráter punitivo. A vocação da multa, já suficiente severa, é punir o descumprimento, enquanto a dos juros é remunerar o capital não recebido pelo Estado. Dizer que a multa deve ser “corrigida” é ignorar que a legislação tributária brasileira extinguiu a correção monetária desde 1995, sendo preocupação freqüente das administrações tributárias que se seguiram evitar a indexação automática própria dos regimes inflacionários que foram extremamente prejudiciais à economia brasileira. Com base no raciocínio acima exposto, entendo que o CTN não autoriza a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada proporcionalmente ao tributo, ficando prejudicada a discussão acerca do índice aplicável. Por outro lado e à guisa de argumentação, ainda que se entendesse que o CTN autoriza a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, mister se faz analisar a legislação ordinária em vigor no período em que a multa exigida foi aplicada. Nesse sentido, argumentase que a exigência de juros sobre a multa aplicada proporcionalmente estaria amparada no art. 61, §3º da Lei n. 9.430/1996, que assim estabelece: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir Fl. 19539DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 36 35 de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo, incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Do exame do dispositivo resulta que os débitos a que se refere o § 3º são aqueles decorrentes de tributos e contribuições mencionados no caput. Decorrente é aquilo que se segue, que é conseqüente. De fato o não pagamento de tributos e contribuições nos prazos previstos na legislação faz nascer o débito. Em outras palavras, o débito decorre do não pagamento de tributos e contribuições nos prazos. A multa de oficio não é débito decorrente de tributos e contribuições. Ela decorre, nos exatos termos do art. 44 da Lei n°9.430/96, da punição aplicada pela fiscalização às seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; e b) falta de declaração e nos de declaração inexata. Os débitos de tributos e contribuições e de multas (penalidades) têm causas diversas, não se confundindo nos termos do art. 3º do CTN. Enquanto os débitos de tributos e contribuições decorrem da prática dos respectivos fatos geradores, as multas decorrem de violações à norma legal, no caso, da violação do dever de pagar o tributo no prazo legal. Ao utilizar a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” a Lei nº 9.430/96 somente pode estar aludindo a débitos não lançados, visto que está normatizando a incidência sobre estes da multa de mora, sendo ilógico entender que ali se contém a multa de ofício lançada proporcionalmente. Ademais, caso a expressão “débitos” constante do art. 61 contemplasse o principal e a multa de ofício, seria imperioso admitir que a multa de ofício, caso não paga no vencimento, sofreria também o acréscimo de multa de mora, tendo em vista que o caput do dispositivo expressamente dispõe que “ os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1 de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculados a taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” Fl. 19540DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 37 36 Realmente, este seria o resultado da interpretação do parágrafo 3º do art. 61 de forma isolada, sem se atentar ao que determina o “caput”. Seguindo este raciocínio terseia que admitir que também sobre os juros de mora, que se incluiriam nos “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições”, novamente pudessem ser exigidos juros e multa de mora, o que indica data venia a improcedência da interpretação. Assim, qualquer que seja a ótica sob a qual se interpretam os dispositivos literal, teleológica ou sistemática – entendo que a melhor exegese é aquela que autoriza a incidência de juros somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o valor da multa de ofício lançada, até porque referido artigo disciplina os acréscimos moratórios incidentes sobre os débitos em atraso que ainda não foram objeto de lançamento. O parágrafo único do art. 43 do mesmo diploma legal Lei 9.430/1996 é absolutamente coerente com a interpretação do art. 61 desenvolvida acima e corrobora a conclusão. Prevê o referido dispositivo a incidência de juros de mora sobre as multas e os juros cobrados isoladamente, verbis: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora isolada ou conjuntamente. Parágrafo único – Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. Ora, se a expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” constante no “caput” do artigo 61 contemplasse também a multa de ofício, não haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do artigo 43 supra transcrito, posto que a incidência dos juros sobre a multa de ofício lançada isoladamente nos termos do “caput” do artigo já decorreria diretamente do artigo 61. Em face das considerações acima, concluo que não há, seja em lei complementar (CTN) seja na legislação ordinária, interpretação possível a amparar conclusão diversa, merecendo ser excluída da exigência a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada proporcionalmente. Os fundamentos acima também foram adotados pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos, no Acórdão n. 910100.722, de 08 de novembro de 2010, Relatora a Conselheira Karem Jurendini Dias, que concluiu pela não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE – Fl. 19541DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 38 37 Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa oficio aplicada. No presente caso, os paradigmas apresentados pela Recorrente concluíram que é possível a incidência de juros sobre a multa de ofício, limitandoos entretanto ao patamar mensal de 1% ao mês. Embora o entendimento manifestado no presente voto resultaria em provimento do recurso voluntário em maior extensão (exclusão completa da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício), deve o resultado aterse ao limite da pretensão recursal ora examinada, devendo o recurso ser conhecido e provido nesta extensão.” Em face dos substanciosos fundamentos acima transcritos, impõese afastar a incidência dos juros sobre a multa de ofício na forma aplicada nos presentes autos, por absoluta falta de previsão legal. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração, sub examine, em consonância parcial com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS para rejeitar às preliminares e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para: I. Excluir a qualificadora da multa de ofício; II. Afastar a incidência dos juros sobre a multa de ofício; III. Retirar do pólo passivo da obrigação tributária as pessoas físicas arroladas, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia ao I. Relator para discordar de seu voto, especificamente quanto à natureza da relação estabelecida entre a imobiliária autuada e os corretores de imóveis pessoas físicas, assim como sobre a incidência dos juros sobre a multa de ofício. a) Relação entre corretor de imóveis e imobiliária Fl. 19542DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 39 38 Inicialmente, saliento que a análise da matéria controvertida demanda a avaliação da realidade dos fatos, tal como enunciada pela fiscalização tributária, e não apenas um exame conceitual a respeito da relação entre imobiliária e corretores de imóveis com respaldo em disposições do Código Civil e/ou da lei ordinária que regulamenta a profissão de corretor de imóveis. Pois bem. O auto de infração lavrado não passa de um desdobramento de ações fiscais anteriormente realizadas no mesmo contribuinte, relativamente aos anos de 2010 e 2011. Com efeito, consoante registrado no Relatório Fiscal deste processo administrativo, a prestação de serviços pelos corretores já havia sido identificada em procedimento fiscal, autorizado pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 10.1.01.002013 002208, que resultou no lançamento de créditos tributários relativos a outros tributos federais, os quais compõem os processos nº 11080.728037/201483 e 11080.728038/201428 (fls. 11/22). Por tal razão, a descrição dos fatos e os fundamentos que caracterizam os fatos geradores de contribuição previdenciária não se limitam ao texto do Relatório Fiscal, mas também possuem lastro descritivo e probatório nos demais documentos juntados aos autos, que são partes indissociáveis do presente auto de infração, a exemplo do Termo de Verificação Fiscal que instruiu a autuação fiscal anterior (fls. 503/568). Numa perspectiva teórica, não discordo da possibilidade que uma relação mantida entre imobiliária e corretores pessoas físicas possa representar um contrato de parceria ou associação, evidenciado pela existência de cooperação e independência entre as partes, em que não há controle ou ingerência da pessoa jurídica sobre as atividades de corretagem, descolandose da prestação de serviços. No entanto, não é o que se verifica do caso concreto, que deu ensejo à lavratura do auto de infração. Cabe à fiscalização lançar de ofício o crédito tributário correspondente à relação efetivamente existente entre as partes, segundo sua natureza jurídica, em respeito a primazia da realidade sobre a forma. A LPS Sul Consultoria de Imóveis Ltda, ora autuada, é uma empresa imobiliária de porte razoável que exerce a atividade de intermediação na comercialização de imóveis no sul do país, cuja venda lhe é autorizada, com exclusividade, no interesse de incorporadoras e/ou construtoras atuantes no mercado da construção civil. Em outros dizeres, a imobiliária LPS Sul é quem efetivamente é responsável pela execução da atividade de intermediação. Para viabilizar tal propósito negocial assumido com as incorporadores e/ou construtoras, mediante a captação de clientes, a LPS Sul estabelece relação com um grande número de corretores autônomos, atribuindolhes a denominação de "corretores associados" ou "corretores parceiros". Na verdade, tais pessoas físicas são peças imprescindíveis para o desenvolvimento da atividade fim da recorrente, porque não há como prescindir do trabalho do corretor de imóveis no "stand de venda", observadas as normas, diretrizes e orientações da empresa imobiliária. Ao examinar o conjunto probatório coletado no procedimento fiscal, verifico o acerto da fiscalização quando concluiu que, na prática, os corretores autônomos não atuam Fl. 19543DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 40 39 em regime de parceria ou associação, mas sim como prestadores de serviços, na condição de contribuintes individuais, para a viabilização das atividades econômicas da empresa imobiliária, concorrendo e efetivando esforços para a aproximação de comprador e vendedor do imóvel, recebendo pela prestação de serviço uma retribuição variável de acordo com a sua produção (fls. 549/554). Como dito alhures, a LPS Sul presta efetivamente atividade de corretagem para as incorporadoras e/ou construtoras. No material publicitário destinado à divulgação da comercialização dos imóveis, por meio de jornais, revistas, rádio, televisão e Internet, os anúncios mostram a imobiliária como responsável pela intermediação das vendas, em que aparece a sua marca comercial e o nome fantasia (fls. 10.323/10.515). Além do esforço de propaganda para divulgação dos empreendimentos, são montados os chamados "plantões de venda", estruturas físicas de comercialização para recebimento de potenciais interessados na aquisição das unidades imobiliárias a venda. Nesses locais, que são indispensáveis para a adequada estratégia de negócios com imóveis, estão presentes os corretores, tendo a sua disposição um farto material que aborda as características das unidades a venda e as condições de pagamento, seguindo o regramento estabelecido pela imobiliária. Nos anúncios para vagas de corretores, é nítida a intenção de contratação de força de trabalho voltada à execução de atividades operacionais da imobiliária. De fato, a despeito da ausência de elementos nos autos para caracterização de subordinação, o trabalhador autônomo é convidado a fazer parte da estrutura organizacional da empresa, integrandose à sua dinâmica, em que o contratante gerencia e organiza a execução das atividades, proporcionando ao corretor de imóvel a realização de treinamentos para a qualificação profissional (fls. 11.979/12.006). Com base em documentação obtida a partir de reclamatórias trabalhistas, constatouse sinais claros que a relação entre corretor de imóvel e imobiliária não constituía uma parceria ou associação na atividade de intermediação, na medida em que estavam submetidos à exigências de vestuário, horários de permanência em determinado local de venda, escalas de atendimento em plantões de venda, treinamentos e penalidades pelo descumprimento de regras. A fiscalização descreve como situações, entre outras, que (fls. 11.188/11.255): (i) os corretores de imóveis estavam atrelados a um sistema de pontuação, criado e controlado pela imobiliária, que tinha consequência no valor da remuneração e na permanência do vínculo com a LPS Sul; (ii) havia cobrança pela imobiliária para que os adquirentes dos imóveis fossem convencidos das vantagens de financiamento através de instituições bancárias ligadas a ela; (iii) os corretores deviam participar de reuniões semanais e mensais, além de treinamentos organizados no interesse da imobiliária; e Fl. 19544DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 41 40 (iv) os corretores estavam sujeitos ao uso de vestuário considerado adequado pela imobiliária para utilização nos plantões de venda e na sede da empresa, cujo desrespeito poderia acarretar a aplicação de ações disciplinares, tais como advertência e suspensão. Na mesma linha de demonstrar que não havia uma relação horizontal entre as partes, em que a atividade de cada parceiro é estabelecida mediante acordo, a fiscalização também salienta que ficava a cargo da imobiliária estabelecer os empreendimentos, horários e as faixas de valores dos imóveis que cada corretor autônomo poderia atuar na sua função de intermediação em nome da pessoa jurídica. A autoridade fiscal relata ainda que identificou a existência de uma espécie de estrutura hierárquica entre corretores "mais experientes" e os "mais novos", num regime aparentemente contraditório levandose em consideração a ideia de atuação independente no âmbito de uma parceria estabelecida com a imobiliária para a atividade de corretagem. Eis o que diz o agente fazendário (fls. 554): (...) Os corretores mais experientes somente orientam os mais novos em razão de que, no caso de intermediação efetuada pelos últimos, os primeiros percebem uma parcela da comissão de intermediação, conforme regime de operação previamente estabelecido pela imobiliária. De modo que fica clara a atuação da imobiliária no sentido de comandar, organizar e estruturar a atuação de seus prestadores de serviços. (...) De igual modo, acerca da natureza da relação entre a imobiliária e os corretores autônomos, é ilustrativo o texto de uma comunicação (telegrama) destinada a um dos corretores de imóveis, informandolhe do seu desligamento do quadro de colaboradores, em que fica explícito a figura da prestação de serviços de intermediação em nome da pessoa jurídica (fls. 550/551 e 11.253): <<TENDO EM VISTA SUA RESCISÃO DO CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO AUTÔNOMO, SOLICITAMOS A DEVOLUÇÃO DO CRACHÁ DE IDENTIFICAÇÃO DE PRESTADOR DE SERVIÇO AUTÔNOMO (DOCUMENTO DE SEGURANÇA). DESSA FORMA FICA ESTRITAMENTE PROIBIDO DE REALIZAR QUALQUER INTERMEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA EM NOME DE LOPES, SEJA EM NOSSO ESCRITÓRIO OU EM QUALQUER PLANTÃO DE VENDAS, SOB PENA DE RESPONDER PELAS MEDIDAS ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS CABÍVEIS. ATT. RECURSOS HUMANOS>> É de verse que a ampla realidade acima resumida, a partir dos vários elementos que a fiscalização logrou êxito em reunir no processo administrativo, implica um contexto fático que ultrapassa a ideia de coordenação entre imobiliária e corretor de imóveis para o desempenho da intermediação. A imobiliária utiliza a prestação de serviços dos Fl. 19545DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 42 41 corretores de imóveis, dela se beneficiando diretamente, para alcançar os seus objetivos sociais. Por certo, a organização e gerenciamento das atividades e padronização de serviços, que acabam trazendo credibilidade perante os potenciais compradores, constitui, na verdade, algo imprescindível para o desenvolvimento das funções de intermediação da imobiliária, pois caso o esforço de venda não se concretize de maneira satisfatória, haverá reclamações, seguramente, das incorporadoras e/ou construtoras, ou outras medidas mais contundentes. De acordo com o modelo de negócios da LPS Sul, os pagamentos das comissões aos corretores de imóveis são efetuados pelos próprios compradores, geralmente através de cheque, não havendo saída de recursos do caixa da imobiliária. Tal circunstância, todavia, não tem a relevância jurídica que pretende dar a empresa autuada para justificar a inexistência de prestação de serviços. A sujeição passiva da contribuição previdenciária patronal diz respeito ao tomador de serviço, para o qual o segurado contribuinte individual presta efetivamente serviços remunerados no decorrer do mês (art. 22, inciso III, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991). Pela regra matriz de incidência, o tomador de serviço mantém relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, isto é, a prestação de serviço pelo trabalhador. Nesse escopo, a pessoa que efetua o pagamento da remuneração ao corretor de imóveis, por si só, é irrelevante para alterar o polo passivo da relação tributária e a obrigação pelo recolhimento do tributo. O ônus financeiro suportado pelo comprador é resultado da assunção do custo da comissão de corretagem devida pela imobiliária, por convenção entre as partes. Caso o adquirente não pague diretamente a corretagem, o custo estará embutido no preço total da compra e venda, de maneira análoga como se procede em tantas situações do cotidiano do consumidor. A Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial (REsp) nº 1.599.511/SP, julgado em 24/08/2016, proferiu decisão pela validade da transferência para o adquirente do encargo relativo à comissão de corretagem nos contratos de promessa de compra e venda de unidade imobiliária, desde que prevista de forma clara e transparente no contrato. No entanto, o Tribunal não assentou que o corretor de imóveis executa serviços para o adquirente ou que entre corretores e imobiliárias não poderá haver relação de prestação de serviços. Na minha ótica, não há dúvidas que os corretores autônomos prestam serviços à empresa imobiliária, essencial à sua própria atividade fim, mediante a utilização da corretagem em benefício da conquista de clientes para as incorporadoras e/ou construtoras que são as alienantes dos imóveis. Por outro lado, a experiência de vida mostra que o comprador, via de regra, não se desloca a um "plantão de vendas" com o objetivo de contratação de serviços de intermediação do corretor de imóveis, sendo inadequado afirmar que ocorre uma prestação de serviço ao adquirente. De qualquer modo, mesmo que o corretor de imóveis possa eventualmente prestar algum serviço ao comprador, não leva à conclusão, pela própria finalidade da atividade, de que não tenha prestado serviços à imobiliária. Fl. 19546DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 43 42 É certo que a Lei nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015, promoveu alteração substancial no art. 6º da Lei nº 6.530, de 12 de maio de 1978, explicitando a possibilidade de assinatura de contrato de associação entre imobiliária e corretor de imóveis, sem implicar troca de serviços para configurar vínculo de natureza previdenciária. No entanto, além dos efeitos prospectivos de aplicação da legislação, a disciplina legal estipula a elaboração de contrato de associação específico na atividade de corretagem, mediante assistência de entidade sindical e registro no órgão competente, o que não se tem notícia na hipótese dos autos. De mais a mais, o conjunto probatório do processo em exame não põe em evidência a independência e coordenação nas funções de intermediação que deve permear a relação entre imobiliária e corretor de imóveis associado. Pelo contrário, conforme alhures descrito, a narrativa fiscal e os documentos acentuam a ligação dos corretores à imobiliária em virtude de prestação de serviço autônomo. Em conclusão, portanto, a remuneração percebida pelo corretor autônomo pela venda dos imóveis, denominada de comissão, referese à prestação de serviços para a empresa imobiliária, LPS Sul Consultoria de Imóveis Ltda, na condição de segurado contribuinte individual, hipótese de incidência prevista no inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991. b) Aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício A incidência de juros de mora sobre multa encontra suporte no art. 161 Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN), a seguir reproduzido: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. (GRIFEI) O art. 161 está inserido no Capítulo IV do Título III do Livro Segundo do CTN, que versa sobre extinção do crédito tributário, especificamente na Seção II, a qual trata do pagamento, uma das formas de extinção do crédito tributário. A análise sistêmica não pode levar a outra conclusão senão que a expressão "crédito não integralmente pago no vencimento" referese ao crédito tributário em atraso, composto por tributo e multa, ou tão somente pela penalidade pecuniária. Multa não é tributo, não há dúvidas. Porém, a obrigação de pagar a multa tem natureza tributária, tendo recebido do legislador o mesmo regime jurídico, isto é, aplicandose Fl. 19547DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 44 43 os mesmo procedimentos e critérios da cobrança do tributo, a teor do previsto no § 1º do art. 113 do CTN: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...) § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Completo a avaliação destacando que o crédito tributário possui a mesma natureza da obrigação tributária principal, na dicção do art. 139 do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. O § 1º do art. 161 do CTN estabelece que os juros de mora serão calculados à taxa de um por cento ao mês, salvo se a lei dispuser de modo diverso. Em nível de lei ordinária, o art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, está assim redigido: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...). § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (GRIFEI) Já o § 3º do art. 5º da Lei nº 9.430, de 1996, citado no § 3º do seu art. 61, acima reproduzido, contém a seguinte redação: Art. 5º (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período Fl. 19548DF CARF MF Processo nº 11080.725464/201591 Acórdão n.º 2401005.661 S2C4T1 Fl. 45 44 de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A expressão "débitos (...) decorrentes de tributos e contribuições", contida no "caput" do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, tem sido alvo de interpretações distintas. Acredito inapropriada, com a devida vênia, uma simples exegese literal e isolada desse dispositivo, devendose compreender o conteúdo e o alcance da norma jurídica nele contido como parte de um conjunto normativo mais amplo. Como visto, o débito, ou o crédito tributário, não é composto apenas pelo tributo. Constatado o inadimplemento do tributo pelo sujeito passivo, no prazo concedido pela legislação, há a aplicação da multa punitiva, a qual passa a integrar o crédito fiscal. O atraso na quitação da dívida atinge não só o tributo como a multa de ofício. Por isso, tendo em conta que a finalidade dos juros de mora é compensar o credor pela demora no pagamento, tais acréscimos devem incidir sobre a totalidade do crédito tributário. Além do que o raciocínio exposto não implica a incidência da multa de mora sobre a multa de ofício, como parece dizer o art. 61. Ambas com viés punitivo, multa de mora e de ofício se excluem mutuamente, de maneira tal que a aplicação de uma afasta, necessariamente, a incidência da outra. Logo, devida e permitida por lei a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, calculados com base na Taxa Referencial do Sistema de Liquidação e Custódia (Selic), quando não recolhida dentro do prazo. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO aos recursos voluntários para acompanhar o I. Relator tão somente para afastar a qualificadora da multa de ofício, reduzindo ao patamar básico de 75%, e excluir do pólo passivo os responsáveis solidários pessoas físicas. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 19549DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720238/2013-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PAGO NO EXTERIOR. LIMITE.
A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital, quando comprovadas, além de outras exigências legais, que o valor do lucro disponibilizado no exterior adicionado para a apuração do lucro real aqui no Brasil tenha relação com o imposto de renda lá devido e recolhido.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS SOBRE MULTA ISOLADA.
A multa de ofício, porquanto parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento.
SÚMULA CARF Nº 108
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 1401-002.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o crédito passível de aproveitamento no valor de R$ 21.742.123,16 de IRPJ, mantendo a multa isolada e os juros incidentes sobre a diferença entre o valor solicitado e o deferido por essa decisão.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto De Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente), Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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LIMITE. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital, quando comprovadas, além de outras exigências legais, que o valor do lucro disponibilizado no exterior adicionado para a apuração do lucro real aqui no Brasil tenha relação com o imposto de renda lá devido e recolhido. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS SOBRE MULTA ISOLADA. A multa de ofício, porquanto parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. SÚMULA CARF Nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o crédito passível de aproveitamento no valor de R$ 21.742.123,16 de IRPJ, mantendo a multa isolada e os juros incidentes sobre a diferença entre o valor solicitado e o deferido por essa decisão. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 02 38 /2 01 3- 35 Fl. 1712DF CARF MF 2 Luiz Augusto De Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente), Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Fl. 1713DF CARF MF Processo nº 16327.720238/201335 Acórdão n.º 1401002.904 S1C4T1 Fl. 1.713 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão n. 1669.031 8ª Turma da DRJ/SPO, que, por unanimidade de votos, manteve o despacho decisório no qual foi reconhecido PARCIALMENTE o direito creditório da Recorrente contra a Fazenda Nacional relativo ao Saldo Negativo de IRPJ apurado na DIPJ 2011, anocalendário de 2010, às fls. 47 por Itaú Unibanco Holding S/A, CNPJ n° 60.872.504/000123, no valor original de R$ 447.021.335,94, sobre o qual deverão incidir juros equivalentes à taxa SELIC, conforme legislação em vigor; e homologou PARCIALMENTE as compensações informadas nos PER/DCOMP relacionados no item 3 deste Despacho Decisório, vinculadas ao crédito aqui analisado, nos termos do disposto no art. 74 da Lei n° 9.430/96, conforme relatórios de fls. 616/618, restando não homologado o crédito demonstrado no quadro abaixo: Apreciada a manifestação de inconformidade, mantevese a não homologação do valor de R$ 44.568.583,93 pois entendeuse que a Recorrente não logrou demonstrar o valor do lucro disponibilizado no exterior (nem da disponibilização do lucro lá auferido) no ano calendário de 2010 e, tampouco que o limite de imposto pago no exterior compensável no Brasil (na hipótese de comprovação de pagamento do imposto e do auferimento do correspondente lucro no exterior) apurado pela autoridade fiscal estivesse incorreto. Manteve também a multa isolada aplicada e os juros sobre a multa de ofício. Inconformada, interpôs recurso voluntário no qual afirma estar suficientemente comprovado seu direito a utilização do imposto pago no exterior, pois segundo ela restaria devidamente comprovado seu recolhimento pelos formulários do Chile n. 29 (mensal) e 22(anual) e os formulários do Uruguai n. 2176 (mensal) e 2149 (anual), documentos devidamente consularizados e com tradução juramentada anexada em 2a. Instância, com o objetivo de facilitarlhes a compreensão, por outro lado, aduz também que os lucros auferidos pelas filiais no exterior que originaram o imposto utilizado também foram devidamente oferecidos a tributação e traz uma série de quadros e tabelas explicativas. Apreciados os argumentos da Recorrente, este colegiado resolveu por maioria de votos converter o julgamento em diligência os autos em diligência, pois de acordo com o raciocínio exposto no recurso, como consequência da retificação por ela procedida após despacho decisório, os valores calculados pela RFB deveriam ser reajustados para que a ela restasse reconhecido o direito creditório de R$ 22.066.232,84, ao passo que em 2010, após a realização de ajustes contábeis promovidos por auditoria das demonstrações financeiras das quais foram promovidas as correções quanto aos valores declarados equivocadamente a título de lucros auferidos nas unidades externas o valor passível de compensação a ser escriturado no LALUR era de R$ 43.332.254,36. Fl. 1714DF CARF MF 4 Sobreveio o Relatório de Diligência Fiscal de fls. 1693/1695, sobre o qual a Recorrente foi intimada a se manifestar e quedouse inerte (fls. 1700). Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O Recurso apresenta os requisitos essenciais para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do Imposto de Renda pago no Exterior e do limite compensável no Brasil. Conforme relatado, o argumento para manutenção do despacho decisório que deixou de homologar em parte a compensação pleiteada pela recorrente, foi no sentido de que ela não teria logrado êxito em demonstrar que o valor do lucro disponibilizado no exterior (nem da disponibilização do lucro lá auferido) no anocalendário de 2010 e, tampouco que o limite de imposto pago no exterior compensável no Brasil (na hipótese de comprovação de pagamento do imposto e do auferimento do correspondente lucro no exterior) apurado pela autoridade fiscal (R$ 24.986.866,72) estivesse incorreto. Para tanto, baseouse na necessidade de que para as provas documentais relativas ao pagamento do imposto no exterior redigidas em idioma estrangeiro, terem validade no Brasil e em repartições da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios ou em qualquer instância, juízo ou tribunal, era necessário que elas restassem vertidas em vernáculo e registrada a tradução, o que não havia sido verificado até aquele momento. Afim de elidir tal fundamentação e obter a homologação da totalidade do crédito pleiteado, a recorrente em sede de voluntário efetuou a juntada dos documentos devidamente consularizados, acompanhados de tradução juramentada, para fins de atendimento ao art. 26, parágrafo 2o. da Lei 9.249/1995, trazendo para cada um dos documentos os seguintes esclarecimentos: Fl. 1715DF CARF MF Processo nº 16327.720238/201335 Acórdão n.º 1401002.904 S1C4T1 Fl. 1.714 5 Considerando o conteúdo dos citados formulários a Recorrente elaborou o quadro abaixo, onde descreve o montante do imposto pago no exterior. Contudo, cumpre lembrar que não foi somente a falta de atendimento ao disposto no art. 26, parágrafo 2o. da Lei 9.249/1995 que resultou na manutenção da não homologação da totalidade do crédito pleiteado, ao passo que além da comprovação do pagamento realizado no exterior, era necessária também a demonstração de que o limite de imposto pago no exterior compensável no Brasil na forma apurada pela autoridade fiscal estivesse incorreto. Nesse viés, a Recorrente esclarece em sede de voluntário que a composição dos valores dos lucros disponibilizados foi declarada de forma incorreta na DIPJ original analisada pela autoridade fiscal por ocasião da emissão do despacho decisório e que referido equivoco teria se dado pela não observância de que algumas unidades externas da Recorrente haviam apurado prejuízo fiscal ao final do exercício, que, por sua vez, deveriam ter sido compensados antes da inclusão no resultado da DIPJ. e que, diante da constatação de tal equívoco, procedeu a correção das informações na DIPJ retificadora. Fl. 1716DF CARF MF 6 Desta forma, de acordo com o raciocínio da recorrente, como consequência da retificação por ela procedida após despacho decisório, os valores calculados pela RFB deveriam ser reajustados para que a ela restasse reconhecido o direito creditório de R$ 22.066.232,84, ao passo que em 2010, após a realização de ajustes contábeis promovidos por auditoria das demonstrações financeiras das quais foram promovidas as correções quanto aos valores declarados equivocadamente a título de lucros auferidos nas unidades externas o valor passível de compensação a ser escriturado no LALUR era de R$ 43.332.254,36. Portanto, diante da informação da recorrente que promoveu a retificação da DIPJ 2010, bem como da juntada de novos documentos que representa fortes indícios do direito pleiteado, os autos foram convertidos em diligência para verificar se após a juntada dos documentos traduzidos era possível fazer a vinculação em relação a prova dos pagamentos, e se com a retificação da DIPJ era possível aferir se os limites ao aproveitamento foi cumprido. Em resposta a essas indagações, o Relatório de Diligência apontou as seguintes conclusões: 5 – Com base na análise acima transcrita, passamos a responder as questões apresentadas pelo CARF: 1) É possível aferir se os limites ao aproveitamento do crédito proveniente de pagamento de IR incidente sobre lucros foi cumprido? Resposta: Conforme demonstrado no item 11.3.3.19, o contribuinte teria como limite de aproveitamento como antecipação do Imposto de Renda devido no Brasil o valor de R$ 21.742.123,16 e não R$ 22.066.232,83 (DIPJ retificadora) como declarou, portanto o limite ao aproveitamento do crédito relativo a IRPJ não foi cumprido. Devese registrar que o limite calculado pela autoridade fiscal levou em consideração o valor do imposto de renda efetivamente pago no exterior, de acordo com a auditoria. O valor calculado e declarado pelo contribuinte estaria correto se restasse comprovado o pagamento do imposto de renda da forma como informado nos documentos encaminhados ao fisco. Notese que das conclusões do fisco registradas no Processo Administrativo n° 16327.902588/201741, insurgiuse o contribuinte, apresentando suas razões por meio de apresentação de Manifestação de Inconformidade que ora se junta ao processo. 2) Informar se é possível vincular a comprovação da receita oferecida e o imposto pago. Resposta: O valor da receita oferecida à tributação é coincidente com o lucro apurado no exterior e registrado nas Demonstrações Financeiras das subsidiárias estabelecidas no Exterior. O imposto de renda pago no exterior é o incidente sobre os lucros registrados nas demonstrações financeiras. Na auditoria restaram confirmados os pagamentos de Imposto de Renda pelas subsidiárias estabelecidas no Chile no montante de R$ 32.985.768,17 e pela estabelecida no Uruguai no valor de R$ 9.050.047,52. Esses valores são inferiores ao declarado pelo contribuinte que foram respectivamente de R$ 34.104.169,82 e R$ 9.228.084,52. 3) Determinar o cálculo do imposto a partir dos documentos traduzidos que foram oferecidos no recurso voluntário. Resposta: O contribuinte poderia no anocalendário de 2010 utilizar o valor de R$ 21.742.123,16 relativo ao pagamento do Imposto de Renda incidente sobre Fl. 1717DF CARF MF Processo nº 16327.720238/201335 Acórdão n.º 1401002.904 S1C4T1 Fl. 1.715 7 lucros auferidos no exterior, como antecipação do devido na apuração do Imposto de Renda no Brasil, conforme cálculo abaixo: Neste seguir, em tendo sido verificado através da diligência fiscal que o contribuinte teria como limite de aproveitamento como antecipação do Imposto de Renda devido no Brasil o valor de R$ 21.742.123,16 e não R$ 22.066.232,83, como inicialmente pretendido, entendo ser possível reconhecer o crédito passível de aproveitamento no valor de R$ 21.742.123,16 para o IRPJ, deixo de apreciar os reflexos na CSLL apontados pelo resultado da diligência por não terem sido objeto do Recurso Voluntário. Em razão da diferença entre o valor declarado como aproveitado (R$ 22.066.232,83) e o reconhecimento como passível de aproveitamento (R$ 21.742.123,16) mantenho a multa isolada aplicada conforme previsto na Lei 9.430/96, art. 74, parágrafo 17, contudo, para que ela seja reduzida em razão proporcional ao limite do valor solicitado em compensação, que não foi homologado. DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Rebelase a recorrente contra a possibilidade da imposição de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada no lançamento. Embora ressalve, de plano, que a incidência de juros de mora à taxa Selic sobre a Multa de Ofício, é questão superveniente ao presente lançamento, é se apreciar a matéria, já que, inexoravelmente, tal acréscimo virá integrar o crédito tributário objeto de discussão. Consoante dizeres do art. 113 do Código Tributário Nacional – CTN, a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, entendida esta como decorrente de obrigação tributária principal. E se referido crédito tributário (penalidade) não for pago integralmente no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, aplicandose a taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1º, do CTN): “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e Fl. 1718DF CARF MF 8 da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(negrejouse e grifouse) Assim, a cobrança de juros de mora sobre a penalidade pecuniária cabível encontra fundamento de validade no próprio CTN. Por outro lado, só é plausível se falar na incidência de juros de mora pelo atraso no recolhimento quando o crédito tributário inadimplido sujeitase a um prazo de vencimento, o que ocorre com relação ao tributo, à contribuição e à multa de ofício, e não com a multa de mora, a menos que esta última seja exigida isoladamente, mediante lançamento de ofício. Valendose da exceção legal contida no art. 161, § 1º, do CTN, a Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, dispôs que, a partir de 1º de abril de 1995, sobre os tributos e contribuições sociais não recolhidos no prazo de vencimento incidem juros de mora calculados à taxa Selic (art. 13): Lei nº 9.065, de 1995: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a 2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995: “Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (...).” Seguindoa, a Lei nº 9.430, de 1996, foi mais genérica, dispondo que os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições, com fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos no vencimento, serão acrescidos de juros de mora à taxa Selic (art. 61): “Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de Fl. 1719DF CARF MF Processo nº 16327.720238/201335 Acórdão n.º 1401002.904 S1C4T1 Fl. 1.716 9 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Consistindo a multa de lançamento de ofício em débito para com a União, de natureza de obrigação tributária principal, correta a interpretação de que, sobre referida penalidade incidem juros à taxa Selic, a partir do seu vencimento. Neste sentido: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Ante o exposto, voto por dar PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário possível reconhecer o crédito passível de aproveitamento no valor de R$ 21.742.123,16 para o IRPJ, manter a multa isolada sobre o valor da diferença entre o valor declarado e o efetivamente reconhecido como compensável. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 1720DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.000088/2007-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
Preço de Transferência. Método PRL60. Ajuste com Base na IN SRF nº 243/2002. Legalidade.
A Instrução Normativa SRF nº 243/2002 não viola o princípio da legalidade, mas define critério de interpretação e aplicação da lei, compatível com o disposto no art. 18 da Lei nº 9.430/1996.
Efeitos da IN 243/2002 ao Próprio Ano de sua Edição. Princípios da Anterioridade, Irretroatividade e Proteção da Confiança Legítima.
A IN 243, editada em 13 de novembro de 2002, apenas passou a surtir efeitos a partir de 2003, em face do necessário respeito aos princípios da anterioridade, irretroatividade e proteção da confiança legítima.
Ilegitimidade Passiva para Responder por Eventuais Multas Devidas pela Sucedida.
Aplica-se o entendimento do STJ, que decidiu, no Resp 923.012/MG, submetido à sistemática dos Recursos Repetitivos do art. 543-C do Código de Processo Civil (CPC), que A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão.
Dessa forma, considerando o disposto no art. 62-A, do Regimento Interno do CARF, a sucessora deve suportar as multas impostas no presente lançamento.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002, 2003
CSLL. Decorrência.
O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
Numero da decisão: 1301-003.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: (i) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração relativa ao ano-calendário 2002, vencidos o conselheiro relator e a Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votaram por lhe dar provimento integral. Os demais conselheiros, em relação a parte provida, acompanharam o voto do relator pelo seu segundo fundamento; (ii) em segunda votação, relativa ao ano-calendário de 2003, por unanimidade de votos, os conselheiros mantiveram a exigência da multa de ofício. Designado o Conselheiro Roberto Silva Junior para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Júnior - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE COM BASE NA IN SRF Nº 243/2002. LEGALIDADE. A Instrução Normativa SRF nº 243/2002 não viola o princípio da legalidade, mas define critério de interpretação e aplicação da lei, compatível com o disposto no art. 18 da Lei nº 9.430/1996. EFEITOS DA IN 243/2002 AO PRÓPRIO ANO DE SUA EDIÇÃO. PRINCÍPIOS DA ANTERIORIDADE, IRRETROATIVIDADE E PROTEÇÃO DA CONFIANÇA LEGÍTIMA. A IN 243, editada em 13 de novembro de 2002, apenas passou a surtir efeitos a partir de 2003, em face do necessário respeito aos princípios da anterioridade, irretroatividade e proteção da confiança legítima. ILEGITIMIDADE PASSIVA PARA RESPONDER POR EVENTUAIS MULTAS DEVIDAS PELA SUCEDIDA. Aplicase o entendimento do STJ, que decidiu, no Resp 923.012/MG, submetido à sistemática dos Recursos Repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), que “A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão”. Dessa forma, considerando o disposto no art. 62A, do Regimento Interno do CARF, a sucessora deve suportar as multas impostas no presente lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002, 2003 CSLL. DECORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 88 /2 00 7- 29 Fl. 1462DF CARF MF Processo nº 16561.000088/200729 Acórdão n.º 1301003.211 S1C3T1 Fl. 1.463 2 O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: (i) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração relativa ao anocalendário 2002, vencidos o conselheiro relator e a Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votaram por lhe dar provimento integral. Os demais conselheiros, em relação a parte provida, acompanharam o voto do relator pelo seu segundo fundamento; (ii) em segunda votação, relativa ao anocalendário de 2003, por unanimidade de votos, os conselheiros mantiveram a exigência da multa de ofício. Designado o Conselheiro Roberto Silva Junior para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator (assinado digitalmente) Roberto Silva Júnior Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 1622.998, proferido pela 5ª Turma da DRJ/SP1, na sessão de 28 de setembro de 2009, que, ao apreciar a impugnação apresentada pelo contribuinte, por unanimidade de votos, julgoua procedente em parte, de forma que foi mantido o crédito tributário e restabelecido parcialmente o resultado negativo. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: DA AUTUAÇÃO Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 16561.000088/200729 Acórdão n.º 1301003.211 S1C3T1 Fl. 1.464 3 Conforme Termo de Constatação e Encerramento Parcial de Ação Fiscal de fls. 1134 a 1140, em fiscalização empreendida junto à empresa UNION CARBIDE DO BRASIL S.A. (CNPJ n° 61.146.148/000123, sucedida, por incorporação, pela DOW BRASIL S.A., CNPJ n° 60.435.351/000157), relativa aos preços de transferência (importação e juros), constatouse o seguinte: Não houve resultado quanto ao item “juros". Quanto às importações, a fiscalização, no início do procedimento, entregou à contribuinte tabelas Access em branco para preenchimento. A partir dos dados fornecidos pela empresa por meio dessas tabelas, foi efetuada verificação preliminar, constatandose que a contribuinte utilizou, para o cálculo dos preços de transferência, os métodos PRL (Preço de Revenda menos Lucro) e PIC (Preços independentes Comparados), verificando, para cada insumo, qual o método mais conveniente a ser adotado. Os cálculos efetuados segundo o método PIC foram aceitos pela fiscalização. No tocante aos insumos que utilizaram o método PRL para o cálculo do preçoparâmetro, a fiscalização buscou determinar, quanto ao processo produtivo, os pares insumoproduto, nos quais o insumo teria sido importado de vinculadas e o produto vendido no ano fiscalizado. Localizados esses pares, a fiscalização solicitou à contribuinte que fornecesse os coeficientes quantitativos insumoproduto e as participações percentuais do custo do insumo no produto vendido, utilizados no cálculo do método PRL60 (PRL com margem de lucro de 60%). A partir desses dados e das tabelas Access anteriormente citadas, e considerando os ajustes já efetuados pela contribuinte, a fiscalização elaborou relatórios consolidados (relacionados a seguir), determinando as diferenças entre os ajustes obtidos pela fiscalização e os calculados pela contribuinte, segundo os métodos PRL20 e PRL60 (o método PIC, aceito pela fiscalização, não apresentou ajustes). Os resultados as análises foram consolidados em 4 tipos de relatórios: (1) “Consolidação PT lmportação"; (2) "Consolidação PRL20"; (3) “Consolidação PRL60"; e (4) “Consolidação PRL60 insumo Produto”. Para o anocalendário 2002 há os 4 relatórios supracitados; para anocalendário 2003 não há o relatório “Consolidação PRL20", pois não ouve (sic) resultado segundo esse método. A fiscalização apresenta, às fls. 1135 a 1139, uma breve análise dos campos de cada relatório, com as respectivas descrições de seus conteúdos. A fiscalização obteve, então, como diferenças tributáveis, os montantes de R$ 642.066,34 (anocalendário 2002, fl. 1141) e R$ 230.386,92 (anocalendário 2003, fl. 1146), a seguir sintetizados (os cálculos detalhados encontramse às fls. 1141/1148): Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 16561.000088/200729 Acórdão n.º 1301003.211 S1C3T1 Fl. 1.465 4 Obs. para o produto de código 00180498 foi utilizado o método PRL20; para todos os demais produtos, o método PRL60. A empresa havia apresentado prejuízo no anocalendário de 2002, e lucro no anocalendário de 2003. Em face do exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos aos anoscalendário de 2002 e 2003: Obs: Na apuração do IRPJ e da CSLL houve compensação do resultado negativo do período (anocalendário 2002) e de períodos anteriores (anocalendário 2003, com limite de 30%); FAPLI e FACS elaborados pela fiscalização às fls. 1154 a 1157. IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 29/08/2007 (fls.1121 e 1126), a DOW BRASIL S.A. (CNPJ n° 60.435.351/000157), sucessora Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 16561.000088/200729 Acórdão n.º 1301003.211 S1C3T1 Fl. 1.466 5 por incorporação da contribuinte UNION CARBIDE DO BRASIL S.A. (CNPJ n° 61.146.148/000123), por meio de sua advogada, regularmente constituída (fl. 1178), apresentou, em 28/09/2007, a impugnação de fls. 1162 a 1177, alegando, em síntese, o seguinte: DO MÉTODO PRL2O A contribuinte foi autuada por existir uma diferença, quando da utilização do método PRL20, em relação ao insumo UPE HFDE 4201 SC OB..1300L (código interno 00180498), no valor de R$ 33.475,72, no anocalendário de 2002. Ocorre que está devidamente registrado na Ficha 34 da DIPJ/2003 (fl. 1211) um ajuste no valor de R$ 33.699,45, relacionado com o insumo UPE HFDE4201 SC OB 1300L (código interno 00180498), conforme demonstra a documentação anexa (doc. 02, fl. 1212). Dessa forma, resta claro que, em relação ao método PRL20, não existe nenhuma incorreção em relação aos ajustes efetuados. Inclusive, o ajuste realizado pela empresa é maior que o indicado pela fiscalização. DO MÉTODO PRL60 _ As diferenças de ajuste no cálculo do PRL60 referemse à divergência de critério entre o cálculo utilizado pela contribuinte e o cálculo da fiscalização. Isso porque a contribuinte apurou o preçoparâmetro conforme previsto na Lei n° 9.959/2000 e no artigo 12 da IN SRF n° 32/2001, além de utilizar o percentual necessário de cada material para a produção dos produtos finais, enquanto a fiscalização adotou o critério estabelecido na IN SRF n° 243/2002, bem como a participação real de cada material nos produtos finais. Ressalta a impugnante que não foi utilizado o critério previsto no artigo 12 da IN SRF n° 243/2002, por se entender ser o mesmo ilegal (conforme demonstrado às fls. 1164 a 1173). . DA ILEGALIDADE DA MULTA DE OFÍCIO A impugnante (CNPJ n° 60.435.351/000157) não é a pessoa juridica que praticou as operações contra as quais foi lavrado o Auto de Infração ora debatido. A empresa autora das operações denominavase Union Carbide do Brasil S.A. (CNPJ n° 61.146.148/000123), e foi incorporada pela impugnante. O artigo 132 do CTN reconhece a responsabilidade do incorporador somente em relação a tributos devidos, e não em relação à multa de ofício, tendo em vista que multa não é tributo. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais confirma esse entendimento (fl. 1176). Fl. 1466DF CARF MF Processo nº 16561.000088/200729 Acórdão n.º 1301003.211 S1C3T1 Fl. 1.467 6 A multa não é tributo e, portanto, não pode ser imputada ao sucessor por incorporação, motivo pelo qual deve ser julgada improcedente a sua aplicação ao presente caso. DO PEDIDO Diante do exposto, requer a impugnante que o Auto de Infração seja declarado insubsistente. Na seqüência, foi proferido o Acórdão recorrido, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada, com o seguinte ementário: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL20. AJUSTE JÁ DECLARADO. Constatado que a contribuinte havia declarado em sua DIPJ ajuste superior ao apurado pela fiscalização segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), exonerase a exigência. MÉTODO PRL60. ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE. A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelos tributos devidos pela incorporada até à data da incorporação, inclusive por eventual multa de ofício e demais encargos legais. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Após intimada, e inconformada com a decisão que lhe foi desfavorável, a autuada apresentou, em 12/05/2010 (fls. 1265), tempestivamente, Recurso Voluntário, através de representante legal, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o Relatório. Fl. 1467DF CARF MF Processo nº 16561.000088/200729 Acórdão n.º 1301003.211 S1C3T1 Fl. 1.468 7 Voto Vencido Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. Da Análise do Recurso Voluntário 1ª Votação Conforme relatado, tratase o presente PAF de auto de infração com o escopo de constituir créditos tributários referentes ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, nos anoscalendário de 2002 e 2003. Alega a fiscalização que o contribuinte apurou e recolheu esses tributos em montante inferior ao efetivamente devido, em razão de ter realizado ajuste incorreto do preço de transferência, verificado em operações de importação de empresas vinculadas no exterior. Como conseqüência, exigiuse a suposta diferença, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora. Ao analisar a questão, a decisão recorrida julgou parcialmente procedente a impugnação, para excluir da tributação o ajuste calculado para o produto UPE HFDE4201 SC OB 1300L (código interno 00180498), rejeitando os demais pleitos. A decisão foi assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL20. AJUSTE JÁ DECLARADO. Constatado que a contribuinte havia declarado em sua DIPJ ajuste superior ao apurado pela fiscalização segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), exonerase a exigência. MÉTODO PRL60. ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE. A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelos tributos devidos pela incorporada até à data da incorporação, inclusive por eventual multa de ofício e demais encargos legais. CSLL. DECORRÊNCIA. Fl. 1468DF CARF MF Processo nº 16561.000088/200729 Acórdão n.º 1301003.211 S1C3T1 Fl. 1.469 8 O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Por sua vez, a Recorrente se insurge alegando em síntese que: (i) os órgãos de julgamento da esfera administrativa são plenamente competentes para analisar a falta de fundamentação legal da IN nº 243/02; (ii) as disposições trazidas pela IN 243/02 não estão em qualquer lugar previstas na Lei 9.430 e tem implicações significativas, provocando um aumento substancial no valor dos ajustes tributáveis, extrapolando seus limites; (iii) todo o procedimento realizado na apuração do preço de transferência com a aplicação do método de cálculo para o PRL 60, está em conformidade com a sistemática e metodologia prevista na Lei 9.430, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.959/00; (iv) ilegalidade na transferência da multa imputada ao sucessor por incorporação. (v) Inaplicabilidade da IN 243 no próprio anocalendário de 2002: contrariedade aos princípios da irretroatividade, da anterioridade, da segurança jurídica e proteção da confiança legítima, além do art. 146 do CTN. Pois bem. O cerne da questão devolvida a este colegiado, permeia nos diferentes critérios para se determinar o preço parâmetro, oriundos da discussão sobre a legalidade ou não dos ditames contidos na IN 243, em contraposição aos comandos da Lei 9.430/96. O método PRL60 foi introduzido no ordenamento jurídico brasileiro pela Lei nº 9.959/2000, que deu nova redação ao artigo 18 da Lei nº 9.430/1996. Com redação da Lei nº 9.959/2000, o legislador ordinário definiu o método PRL60, em que a margem de lucro corresponde a 60% do preço líquido de venda subtraído o valor agregado no País. Dessa forma, o legislador estabeleceu uma margem de lucro altíssima de 60%, mas, por outro lado, autorizou a subtração do valor agregado no País para efeito de determinação da margem de lucro. Todavia, o critério jurídico estabelecido pelo Poder Legislativo para apuração do preço parâmetro pelo método PRL60 não foi observado pelo Poder Executivo na Instrução Normativa SRF nº 243/2002, que revogou a Instrução Normativa nº 32/2001. Aliás, a simples comparação entre o texto da Lei nº 9.430/1996, com a redação da Lei nº 9.959/2000, e o texto da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, já comprova a diferença de metodologia de cálculo. Com efeito, o artigo 12 da Instrução Normativa SRF nº 243/2002 criou novo critério para apuração do Preço de Transferência pelo método PRL60, incluindo na fórmula (i) o percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido; (ii) a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido como fatores Fl. 1469DF CARF MF Processo nº 16561.000088/200729 Acórdão n.º 1301003.211 S1C3T1 Fl. 1.470 9 determinantes da margem de lucro e do preço parâmetro, e (iii) excluindo o valor agregado no País e a margem de lucro de 60%, anteriormente calculada sobre o preço líquido de venda subtraído o valor agregado no País. Contudo, nos termos do inciso II do artigo 18 da Lei nº 9.430/1996, com a redação da Lei nº 9.959/2000, (i) não havia previsão legal para excluir o valor agregado no País no cálculo do preço parâmetro (o valor agregado no País deveria ser subtraído do preço líquido de venda apenas para fins de cálculo da margem de lucro correspondente a 60%); e (ii) também não havia qualquer menção ao percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido e participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido como fatores determinantes da margem de lucro e do preço parâmetro. Assim, a exclusão do valor agregado no País e da margem de lucro de 60%, anteriormente calculada sobre o preço líquido de venda subtraído o valor agregado no País; e a inclusão do percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido e da participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido como fatores determinantes da margem de lucro e do preço parâmetro, acabaram por alterar, substancialmente, os critérios jurídicos de cálculo previstos no artigo 18 da Lei nº 9.430/1996, com a redação da Lei nº 9.959/2000. Desta feita, é flagrante a ausência de fundamentação para a sistemática de cálculo do PRL prevista na referida IN, o qual aumenta indevidamente os ajustes de Preço de Transferência, de modo a majorar a base de cálculo tributável de IRPJ e CSLL. Com efeito, é por demais reconhecido que as normas regulamentares devem ficar adstritas ao texto da lei que visam esclarecer, sem inovar, mormente quando essas inovações trazem prejuízos aos contribuintes. Somente a lei pode estabelecer a incidência ou majoração de tributos. A esse respeito, cabe citar o entendimento do respeitado tributarista Hugo de Brito Machado (Curso de Direito Tributário, Ed. Malheiros, 31ª ed., São Paulo, 2010, pgs. 95/96) a respeito da função das normas complementares, entre elas inserese as instruções normativas expedidas pelo Poder Executivo: "Dizse que são complementares porque se destinam a completar o texto das leis, dos tratados e convenções internacionais e decretos. Limitamse a completar. Não podem inovar ou de qualquer forma modificar o texto da norma que regulamentam.. (...) Como regras jurídicas de categoria inferior, as normas complementares evidentemente não podem modificar as leis, nem os decretos e regulamentos.” No presente caso, como visto, a IN SRF nº 243, de 2002, ao trazer inovações na forma do cálculo do preço parâmetro, criando variáveis na composição da fórmula que a lei não previu, concorreu para a apuração de valores de custos que excederam ao valor do preço parâmetro estabelecido pela fórmula da lei, devendo ser afastada a sua aplicação. Fl. 1470DF CARF MF Processo nº 16561.000088/200729 Acórdão n.º 1301003.211 S1C3T1 Fl. 1.471 10 No meu entender, ficou claro que a regra para apuração do preço parâmetro, contida do §11 do art. 12 da IN SRF nº 243, de 2002 foi além do que se permite no âmbito dos atos regulamentares. Por isso, a exigência de diferenças de tributos e contribuições fundamentada nesse dispositivo normativo não pode prevalecer. Ademais, cumpre destacar que somente em momento posterior, com a alteração do art. 18 da Lei nº 9.430/1996 pela Medida Provisória nº 563/2012, convertida na Lei nº 12.715/2012 é que se introduziu no texto da lei o critério de proporcionalização da participação do valor dos bens impostados no custo total do bem vendido e de participação do valor dos bens importados no preço de venda do bem, que até então era previsto somente no texto da IN SRF nº 243/2002. Desse modo, concluise que se foi necessária a alteração da legislação ordinária para passar a dispor sobre os referidos critérios é porque o artigo 18 da Lei nº 9.430/96, com a redação da Lei nº 9.959/2000, não compreendia tais variáveis na metodologia de apuração do preço parâmetro pelo método PRL 60%, o que reforça a ilegalidade do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002. Portanto, e por qualquer ângulo que se avalie a questão, não pode ser admitida a aplicação da fórmula de apuração do preço parâmetro pelo método PRL60 prevista no artigo 12 da IN SRF nº 243/2002. Corroborando o entendimento acima esposado, este colegiado já teve a oportunidade de se manifestar sobre a questão, o qual me alinho ao entendimento relativo a inaplicabilidade da IN SRF nº 243/2002 na apuração de Preços de Transferência, conforme ementas a seguir: "PREÇO DE TRANSFERÊNCIA PRL 60% IN SRF 243/02. ILEGALIDADE. A IN 243/02 buscou interpretar a Lei, porém excedeu seus limites ao presumir, sem autorização legal ou suporte fático, o valor agregado no Brasil por uma regra de proporcionalidade. Para não resultar em ajuste, tal valor teria que ser no mínimo custo incorrido no Brasil agregado à margem de 150% (60% do preço). As margens fixas determinadas pela Lei 9.430/96 aplicamse apenas aos custos importados de determinadas partes ou aos respectivos preços de revenda, não aos custos ou preços de itens nacionais e nem à margem ou ao valor agregado no Brasil. A IN 243/02 não está de acordo nem com o texto ou com o contexto da Lei. (Processo nº 16561.720034/201411, Rel. Helio Eduardo de Paiva Araújo 08/06/2016)" Tal entendimento não se restringe à esfera administrativa. Nesse sentido, a relação entre a mudança da metodologia para o cálculo do PRL e as bases de cálculo de IRPJ e CSLL é bem abordada em voto proferido pelo Desembargador Márcio Moraes1, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região: 1 Tribunal Regional Federal da 3 Região, 3 Turma. Apelação Cível n 003404852.2007.4.03.6100/SP, voto de 25 de agosto de 2010. Fl. 1471DF CARF MF Processo nº 16561.000088/200729 Acórdão n.º 1301003.211 S1C3T1 Fl. 1.472 11 (...) ao abordar o Método de Preço de Revenda Menos Lucro PRL, a Instrução Normativa nº 243/2002 desbordou de sua função precípua, tal seja, regulamentar o comando contido no art. 18 da Lei nº 9.430/1996, de sorte a propiciar o seu fiel cumprimento. (...) Ademais, citada Instrução Normativa consagra, no § 11do art. 12, metodologia para o cálculo do preço parâmetro, a qual não é versada Lei nº 9.430/1996.1 Nesse diapasão atentese que, a teor da Lei, a aplicação do coeficiente de 60% dáse sobre a média dos preços do bem produzido, enquanto, à vista da instrução normativa, aludida alíquota recai sobre a participação do bem importado no preço de revenda da mercadoria fabricada. Bem é de se ver que tal alteração guarda potencialidade à majoração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, em especial naquelas situações em que resta agregado maior valor ao produto no Brasil. É dizer: anteriormente, o PRL era definido após a dedução da margem de lucro, cujo cálculo considerava o valor da venda do produto no mercado interno, ao contrário do que, hodiernamente, sucede, em que se leva em conta o tributo da mercadoria estrangeira ao custo total do bem. No mesmo sentido: HIROMI HIGUCHI2, in verbis: “[...] A seguir, será provada a ilegalidade da metodologia adotada pelo art. 12 da IN nº 243/2002, não merecendo ser cumprida pelos contribuintes. [...] O art. 12 da IN nº 243/2002 não considerou nos cálculos a totalidade do preço líquido de venda e nem a totalidade do valor agregado no país como determina a lei. A Instrução, sem base legal, apurou o percentual de participação dos bens importados na formação do custo total do bem produzido e aplicou esse percentual no preço líquido de venda e no valor agregado no País. O critério adotado pela Instrução de não considerar a totalidade do custo agregado no País é absurdo porque toda indústria aplica o percentual de margem de lucro sobre o custo total do produto, sem indagar o percentual de participação de bens importados na formação do custo de produção. Se a metodologia da lei está incorreta, devese alterar a lei mas não é possível alterar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL através de ato administrativo, contrariando a lei”. LUCIANA ROSANOVA GALHARDO e ANA CAROLINA MONGUILOD3, in verbis: 2 Imposto de Renda das Empresas. São Paulo: IR Publicações. 36ª ed. 2011. pp 158 e 162 Fl. 1472DF CARF MF Processo nº 16561.000088/200729 Acórdão n.º 1301003.211 S1C3T1 Fl. 1.473 12 “As disposições trazidas pela IN 243/02 têm implicações significativas, provocando um aumento substancial no valor dos ajustes tributáveis (...). Uma alteração na sistemática de cálculo do PRL implica mudança na determinação da base de cálculo do tributo e, consequentemente, do próprio montante tributável. A nosso ver, uma alteração de tal natureza só poderia ser implementada por lei, e não por meio de instrução normativa, sob pena de ofensa ao princípio da legalidade. As instruções normativas são normas secundárias cuja única função é esclarecer as disposições contidas em lei, não podendo nunca inoválas ou contrariálas. A IN 243/02 não poderia validamente alterar o critério legal de apuração do PRL ou contrariar as disposições da Lei n. 9.959/00, mas assim o fez” GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JR4, in verbis: “Se compararmos as fórmulas acima, é possível verificar que a Instrução Normativa SRF 243/2002 reduziu consideravelmente o preço parâmetro que configura o limite de dedutibilidade para fins de IRPJ e CSLL, o que aumenta a base de cálculo das exações, sem qualquer fundamentação legal, ocasionando uma total incongruência com as disposições contidas na Lei n. 9.430/1996”. Com estes fundamentos, entendo que não restam dúvidas que a IN 243/02 violou a estrita legalidade ao estabelecer um método de cálculo do PRL60 que se distância daquele previsto na Lei 9.430/96, devendo, portanto, ser cancelada a exigência fiscal. Mas não é só por este fundamento que se afasta o lançamento. Especificamente ao ano de 2002, sustenta também a recorrente que os efeitos da referida IN 243/2002 apenas passaram a surtir efeitos a partir do anocalendário de 2003, em respeito aos princípios da irretroatividade, da anterioridade, da segurança jurídica e proteção da confiança legítima, além do art. 146 do CTN. Assiste razão ao contribuinte. Este mesmo entendimento foi adotado na Solução de Consulta COSIT N. 2/08: Processo de Consulta n° 2/08 Órgão: Coordenação Geral do Sistema de Tributação COSIT Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PREÇO PARÂMETRO DE INSUMOS IMPORTADOS. Na determinação 3 GALHARDO, Luciana Rosanova; MONGUILOD, Ana Carolina. A ilegalidade do mecanismo de aplicação do método PRL sob a IN 243/02, in Manual dos Preços de Transferência – celebração dos 10 anos de vigência da lei. São Paulo : MP, 2007, p. 237 4 MOREIRA JR., Gilberto de Castro. Método do preço de revenda menos lucro no caso de agregação de valor no país. Confronto entre a Lei n. 9.430/1996 e a Instrução Normativa n. 243/2002, in Tributos e Preços de Transferência – 3o Volume. São Paulo : Dialética, 2009, p. 105 Fl. 1473DF CARF MF Processo nº 16561.000088/200729 Acórdão n.º 1301003.211 S1C3T1 Fl. 1.474 13 do preço parâmetro pelo método PRL, com margem de sessenta por cento, na metodologia de cálculo, devese deduzir o valor agregado, ao bem produzido no país, na apuração da margem de lucro de 60%, e, também, do preço líquido de venda na apuração final do preço parâmetro. Esta metodologia deverá ser utilizada a partir do início do ano calendário de 2003 e, opcionalmente, em 2002, pela empresa interessada, em função da publicação de novo procedimento pela Instrução Normativa SRF n° 243, de 2002. A interessada, no entanto, poderseá utilizar, nos anos de 2000, 2001 e, opcionalmente, em 2002 das disposições que constam da Instrução Normativa SRF então vigente (IN SRF n° 32, de 2001), nas quais, não contemplam a retirada do valor agregado na composição final do preço parâmetro pelo método PRL 60%. DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 146 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN); art. 18 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e § 11 do art. 12 da Instrução Normativa SRF n°243, de 11 de novembro de 2002. OTHONIEL LUCAS DE SOUSA JÚNIOR Coordenador Geral — Substituto (Data da Decisão: 23.01.2008 25.01.2008) É incontroverso que a IN/243/2002 estabeleceu fórmula de cálculo do PRL60 mais gravosa ao contribuinte que as fórmulas até então previstas pela IN 38/1997 e 32/2001. A alegação dos que sustentam a legalidade da referida IN parte do pressuposto que a fórmula por ela estabelecida para o cálculo do método PRL60 é suportada pela Lei n. 9.430/96, mesmo que mais gravosa que as fórmulas previstas nas instruções normativas anteriores. Nesse rumo, se a lei em sentido estrito deve observar o princípio da anterioridade sempre que estabelecer ou majorar tributo, da mesma forma os atos infralegais não devem receber tratamento menos rigoroso. Logo, ao estabelecer fórmula de cálculo do PRL60 mais gravosa que aquela até então prevista por outras instruções normativas até então vigente, seus efeitos apenas devem ser aplicados no exercício seguinte à sua instituição, ou seja, a partir de 01.01.2003, sendo vedada sua retroatividade. Neste mesmo sentido, a CSRF, através do Acórdão nº 9101002.839, manifestou de forma unânime: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 EFEITOS DA IN 243/2002 AO PRÓPRIO ANO DE SUA EDIÇÃO. PRINCÍPIOS DA ANTERIORIDADE, IRRETROATIVIDADE E PROTEÇÃO DA CONFIANÇA LEGÍTIMA. A IN 243, editada em 13 de novembro de 2002, apenas passou a surtir efeitos a partir de 2013, em face do necessário respeito aos princípios da anterioridade, irretroatividade e proteção da confiança legítima. Por esta razão, também por este fundamento, devese dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, para cancelar as infrações aqui reclamadas, ressaltando, no Fl. 1474DF CARF MF Processo nº 16561.000088/200729 Acórdão n.º 1301003.211 S1C3T1 Fl. 1.475 14 que tange ao anocalendário 2002, devese afastar o lançamento por duplo fundamento, em conformidade com as razões acima mencionadas. 2ª Votação Vencido no anocalendário de 2003, adentrase na discussão sobre a possibilidade (ou não) da transferência de multa imputada ao sucessor por incorporação. Quanto à matéria, oportuno esclarecer que o STJ decidiu, no Resp 923.012/MG, submetido à sistemática dos Recursos Repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), que “A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão”. Duas questões relevantes: i) o STJ reconhece a responsabilidade tributária do sucessor pelas multas, sem fazer qualquer ressalva quanto à existência de relação societária entre as empresas envolvidas (envolvimento dos mesmos administradores); ii) a responsabilidade independe do momento da autuação fiscal (se antes ou depois do evento societário). Dessa forma, considerando o disposto no art. 62A, do Regimento Interno do CARF, e do conteúdo do Resp 923.012/MG, transitado em julgado em 04/06/2013, entendo que a sucessora deve suportar as multas impostas. Da Conclusão Diante do exposto, conduzo meu voto: i) em primeira votação, no sentido DAR provimento ao recurso voluntário, de forma a cancelar as exigências aqui reclamadas. ii) em segunda votação, relativa ao anocalendário de 2003, no sentido de manter a exigência da multa de ofício. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 1475DF CARF MF Processo nº 16561.000088/200729 Acórdão n.º 1301003.211 S1C3T1 Fl. 1.476 15 Voto Vencedor Conselheiro Roberto Silva Junior, Redator Designado Não obstante a clareza e a precisão do voto do ilustre Conselheiro Relator, peço licença para divergir, a fim de aceitar a aplicação, no ano base 2003, do método PRL60, na forma da IN SRF nº 243/2002. Para tanto, adoto os fundamentos do Acórdão nº 1301 002.417, do processo nº 16561.720108/201419, abaixo reproduzidos: A IN SRF nº 234/2002, no entender da recorrente, seria ilegal, pois, a pretexto de regular a aplicação do método PRL60, previsto no art. 18 da Lei n° 9.430, teria ultrapassado os limites estabelecidos no próprio dispositivo legal, instituindo um critério em desacordo com a lei. O art. 18 da Lei nº 9.430, na parte que trata especificamente do PRL60, contém imprecisões de redação (apontadas nas contrarrazões da PFN e em outros julgados do CARF) que acabam fazendo com que o texto comporte mais de uma interpretação igualmente válida. Tratandose de lei a ser aplicada pela Administração, a esta caberia definir, dentre as várias interpretações possíveis, aquela que haveria de ser observada. Não deve causar estranheza a existência de lei cujo texto se abra a mais de uma possibilidade interpretativa. "A interpretação de uma lei não deve necessariamente conduzir a uma única solução como sendo a única correta, mas possivelmente a várias soluções que na medida em que sejam aferidas pela lei a aplicar têm igual valor, se bem que apenas uma delas se torne Direito positivo no ato do órgão aplicador do Direito." (Hans Kelsen. Teoria Pura do Direito) Não deve igualmente ser causa de perplexidade o fato de a Administração, tendo escolhido uma determinada linha de interpretação ou critério de aplicação da lei, venha depois a adotar uma nova interpretação ou critério jurídico, desde que não o faça com efeito retroativo. A Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo federal, prevê expressamente essa possibilidade. Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. (g.n.) Fl. 1476DF CARF MF Processo nº 16561.000088/200729 Acórdão n.º 1301003.211 S1C3T1 Fl. 1.477 16 Tendo essas duas premissas como farol, passase a examinar o problema posto nos autos. A lei vigente ao tempo do fato gerador determinava, a fim de apurar o preço parâmetro pelo método PRL60, que do preço de revenda fosse diminuído: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País. Diante desse texto, a IN SRF 32/2001 determinava uma forma de cálculo do preçoparâmetro pela qual se excluíam os valores correspondentes aos descontos incondicionais, aos tributos incidentes sobre vendas, às comissões e corretagens, e o valor agregado, remanescendo como base de cálculo para se chegar ao preçoparâmetro o valor correspondente ao custo do bem importado e a margem de lucro de todo o produto. IN SRF 243/2002, modificando o critério de cálculo, fez com que, ao se excluir o valor agregado, fosse com ele excluída a parcela da margem de lucro a ele correspondente. Vale dizer, a base sobre a qual incidiria a percentagem de 60% seria o valor do bem importado acrescido tãosomente da margem de lucro que lhe correspondesse. Pela IN SRF nº 32, o percentual de 60% era aplicado sobre o valor do bem importado acrescido da margem de lucro de todo o produto, independentemente da maior ou menor relevância daquele insumo em face do produto final. Se o bem industrializado fosse, por hipótese, um automóvel e o produto importado fosse a tampa do acendedor de cigarros, a base sobre a qual se aplicaria a margem de 60% seria a soma daquele bem (tampa do acendedor de cigarros) com a margem de lucro de todo o produto (automóvel), caracterizando enorme distorção. A IN SRF nº 243 veio eliminar essa distorção, fazendo com que ao excluir o valor agregado, fosse excluída também a parcela da margem de lucro a ele correspondente, de modo que, ao final, remanescesse a margem de lucro proporcional ao bem importado. Há quem acuse esse critério de ser nocivo à economia do País e de acarretar outros problemas, inibindo a atividade empresarial. Essas considerações, por mais relevantes que sejam, situamse em campo no qual não cabe ao CARF adentrar. O que compete este órgão julgador verificar é se o critério da IN SRF nº 243 é compatível com o texto legal. A resposta a essa pergunta tem sido reiteradamente no mesmo sentido. A Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF já se debruçou sobre essa matéria, decidindo pela legalidade da IN SRF nº 243, como se pode constatar, entre outros, pelo Acórdão nº 9101002.417, de cujo voto condutor se extraem os fundamentos abaixo reproduzidos: Em relação ao recurso da Fazenda, entendo que assistelhe razão porque não vislumbro a ilegalidade na referida IN. É que sejam as interpretações trazidas pela contribuinte, sejam as previstas em atos normativos editados pela Receita Federal, Fl. 1477DF CARF MF Processo nº 16561.000088/200729 Acórdão n.º 1301003.211 S1C3T1 Fl. 1.478 17 dentre eles a IN SRF nº 243, de 2002, representam expressões matemáticas resultantes da interpretação feita pelo aplicador da lei, relativamente às disposições do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, a leitura que a contribuinte faz do que dispõe o art. 18, da Lei nº 9.430, de 1996, nada mais é do que a sua interpretação dada ao comando, que representa uma dentre outras tantas possíveis, restando saber se essa sua interpretação traduz, efetivamente, o que desejou a Lei: que o preço parâmetro, obtido a partir de estabelecimento de métodos matemáticos, seja aquele igual ao custo incorrido sem artificialismo, não majorado por renda indevidamente transferida ao exterior, conforme se pode depreender da própria exposição de motivos da Lei: (...) Mas, analisando a leitura que a Contribuinte faz da lei em suas contrarrazões, temse que ela defende que: i) a margem de lucro de 60% deveria ser aplicada sobre o preço líquido de venda total e não sobre o valor da participação do bem importado sobre o preço líquido de venda; e ii) que o desconto do valor agregado deveria ser da margem de lucro e não do preço líquido de venda. Afirma, ainda, que "as duas etapas" de cálculo da IN SRF n° 243, de 2002, "obrigam que a lucratividade total do processo industrial seja de 60%", ferindo a intenção do legislador. Pois bem, no que diz respeito à proporcionalização trazida pela IN, não vislumbro qualquer ofensa ou extrapolação legal; pelo contrário, ela permite "isolar" o efeito do insumo importado, no custo, em relação a outros insumos que não foram importados de pessoas jurídicas vinculadas. Ora, se o que se quer avaliar é se o insumo importado de pessoa ligada foi ou não majorado, no cômputo do custo, nada mais alinhado à intenção do legislador do que comparar o "efeito" do custo desse insumo sobre o custo total. Passandose às fórmulas matemáticas que traduzem a interpretação da aludida IN, é possível verificar que, ao contrário do que aduzido pela contribuinte, sequer houve majoração de base de cálculo. Isso porque: i) se o limite de dedutibilidade que é o preço parâmetro, ora chamado de PP é igual ao Preço Líquido de Venda (PLV) deduzido da Margem de Lucro de 60%, temse: PP = PLV Margem de Lucro de 60%, que pode ser simplificada (abstraindo se, por enquanto, a discussão do valor agregado), já que a margem de lucro é um percentual sobre o PLV, nos seguintes termos: PP = PLV 0,6PLV = 0,4 PLV ii) se a IN determina que se proporcionalize os custos dos insumos importados (Cl), em relação ao custo total (CT), temse PP = (CI/CT) X 0,4 x PLV Fl. 1478DF CARF MF Processo nº 16561.000088/200729 Acórdão n.º 1301003.211 S1C3T1 Fl. 1.479 18 Se todos os insumos forem importados, CI/CT = 1, o que significa dizer que nada foi alterado e mais: que atingiuse exatamente a mens legis, ou seja, o preço parâmetro foi calculado sobre todas as operações com pessoas vinculadas. Indose para o outro extremo, que seria uma quantidade mínima de insumos terem sido importados de pessoas vinculadas, o CI/CT será um valor bem pequeno, o que refletirá em uma redução no valor final do preço parâmetro. Mas entendimento diferente é que estaria equivocado, pois se não houvesse essa proporcionalização, o PP estaria "contaminado" com o custo dos insumos que foram agregados no Brasil, e não é isso, como já dito, que os ajustes de preço de transferência buscam. Aliás, cumpre verificar que a referida e questionada proporcionalização até prescinde de ato normativo porque se a lei diz o preço parâmetro é determinado pela aplicação de uma margem de lucro sobre o preço de revenda do produto importado e, se não existe preço de revenda específico sobre esse produto importado, mas sim sobre um outro produto que foi produzido utilizandose esse produto importado, a única forma possível para se calcular o "preço de revenda do produto importado", é proporcionalizando o preço de revenda total do produto produzido e, para tanto, é preciso usar o critério da relação de custos. Em relação ao desconto do valor agregado, também não se pode dizer que a interpretação dada pela IN SRF n° 243, de 2002, extrapola ou fere a lei, pois, o entendimento da IN é o de que o valor agregado no Brasil tem que ser excluído do preço parâmetro porque, mais uma vez, o objetivo dos ajustes é neutralizar eventuais majorações de custos e despesas em operações com pessoas vinculadas, no caso, na importação. E reconhecido que o ato legal padeceu da boa técnica legislativa, tanto que, na Exposição de Motivos da MP n° 478/2009, trazida pela recorrente em seu recurso, porém interpretada por ela, equivocadamente, como um reconhecimento da ilegalidade da IN, o então AdvogadoGeral da União, justifica as alterações trazida pela medida provisória como sendo com o intuito de reduzir a litigiosidade que a lei, e não a IN, causava. Assim, a tentativa de colocar em lei o texto da IN, não é um reconhecimento de ilegalidade na IN, mas sim uma forma de deixar a interpretação da lei menos susceptível a discussões judiciais ou mesmo no contencioso administrativo. Mas é preciso deixar claro que a interpretação da lei buscada pela contribuinte, em que pese não evidenciar problemas de técnica legislativa, resulta em considerar que a lei trouxe um erro gramatical, senão vejamos: i) o texto da lei, mais uma vez reproduzido, porém com destaques é: (...) ii) para deduzir, como quer a Contribuinte, o valor agregado da margem de lucro, terseia que admitir que a redação da lei seria: "e o valor agregado no País". Porém a redação é "e do valor agregado no País". Portanto, de qualquer forma, é de se reconhecer que o texto não estava bem escrito. Mas, o fato é que esta interpretação buscada pela Contribuinte representaria mais uma distorção no que se pretende com os ajustes do preço de transferência, conforme se demonstra pela fórmula matemática que representa o que ela entende: PP = PLV 0,6 (PLVVA) = PLV 0,6PLV 0,6VA= 0,4PLV + 0,6VA Fl. 1479DF CARF MF Processo nº 16561.000088/200729 Acórdão n.º 1301003.211 S1C3T1 Fl. 1.480 19 Ou seja, o preço parâmetro seria 40% do preço líquido de venda acrescido de 60% do valor agregado. Assim, se o sujeito passivo agregasse muito valor ao produto no Brasil, o preço parâmetro poderia seria (sic) influenciado por esses valores, o que não tem a menor lógica, se o que se quer avaliar é justamente a influencia dos valores transacionados com o exterior, em operações com pessoas vinculadas. Ora, mais uma vez, é óbvio que a intenção do legislação só pode ser buscada se se excluir o que foi agregado no país do preço parâmetro para que não haja a influência desses valores no limite de dedutibilidade; e isso só ocorre se a fórmula for, tal como preceitua a IN: PP = PLV 0,6PL 0,6VA Neste sentido, esta CSRF já decidiu conforme diversos acórdãos que, a título de exemplo, cito o de nº 9101002.321, de 3 de maio de 2016, da lavra do Cons. André Mendes de Moura, o acórdão 9101002.175, de 27 de fevereiro de 2016, da lavra do Cons. Marcos Aurélio Pereira Valadão. No âmbito das turmas ordinárias, faço destaques ao acórdão nº 1302001.164, de 10 de setembro de 2013, da lavra do exconselheiro Eduardo de Andrade, que, de uma forma bastante exaustiva, fazendo uso inclusive de gráficos, demonstra a legalidade da IN ora guerreada. No âmbito dos tribunais, a Fazenda Nacional colaciona em seu recurso posicionamentos recentes de Tribunais Regionais decidindo, de forma unânime, pela legalidade da mencionada IN, que considero oportuno transcrever: (...) TRF 3 Processo n° 2003.61.00.0061258/SP: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCROPRL60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS N°S 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF N°S 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF n° 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF n° 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF n° 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei n° 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei n° 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF n° 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas Fl. 1480DF CARF MF Processo nº 16561.000088/200729 Acórdão n.º 1301003.211 S1C3T1 Fl. 1.481 20 sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF n° 243/2002, sem romper os contornos da regra matriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF n° 32/2001 considerava o preço líquido de venda do bem produzido, a IN/SRF n° 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. A parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF n° 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regramatriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandoseo com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's lenght), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegidado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF n° 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário n° 153.600 processo n° 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5ª Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clóvis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível n° 0017381 30.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 5. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF n° 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao Fl. 1481DF CARF MF Processo nº 16561.000088/200729 Acórdão n.º 1301003.211 S1C3T1 Fl. 1.482 21 editar a Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 1/9/2011. Grifos nossos) Portanto, tanto a proporcionalização quanto a exclusão do valor agregado para cálculo do preço parâmetro nos termos preceituados pela IN foram necessários para se atingir a finalidade da norma que é "evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de recursos para o Exterior, mediante a manipulação de preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas", descabendo se falar, inclusive, que a IN obrigou que a lucratividade total do processo fosse de 60%, pois, o que ela fez foi excluir os efeitos dos valores agregados no Brasil, vez que o que estava sob análise eram os preços dos produtos praticados com as pessoas vinculadas no Exterior. E preciso também deixar claro que não é a IN que fixou a margem de lucro de 60%, mas sim, a lei. Assim, descabido também o argumento de que a IN não funciona como instrumento de controle de preços se o contribuinte, de boafé, praticar uma margem de lucro de 60%. Com esses fundamentos, afastase a arguição de ilegalidade da IN SRF nº 243/2002. Conclusão Esse entendimento permanece dominante na CSRF, não havendo motivos para dele divergir. Portanto, voto por negar provimento ao recurso, confirmando a aplicação, no ano base 2003, da sistemática de cálculo definida na IN SRF nº 243/2002. No mais, acompanho o eminente Relator. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 1482DF CARF MF
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