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Numero do processo: 14751.000423/2008-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2001 a 30/08/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECEITA DECORRENTE DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOR RURAL. VENDA COMERCIAL EXPORTADORA. IMUNIDADE.
A receita auferida com a venda de mercadorias à comercial exportadora é receita decorrente de exportação e, portanto, imune à incidência das contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico, nos termos do inciso I, §2º do art. 149 da Constituição Federal.
CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE O VALOR DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL COMPRADA DE PESSOAS FÍSICAS. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF.
A jurisprudência consolidada no Supremo Tribunal Federal manifesta-se quanto à inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, atualizada pela Lei n° 9.528/97, os quais contemplam as contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização de produtos rurais adquiridos de pessoas físicas, exigidas por sub-rogação da empresa adquirente, de modo que se impõe reconhecer a improcedência do lançamento quanto a essa contribuição.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário e dar provimento na parte conhecida. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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RECEITA DECORRENTE DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOR RURAL. VENDA COMERCIAL EXPORTADORA. IMUNIDADE. A receita auferida com a venda de mercadorias à comercial exportadora é receita decorrente de exportação e, portanto, imune à incidência das contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico, nos termos do inciso I, §2º do art. 149 da Constituição Federal. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE O VALOR DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL COMPRADA DE PESSOAS FÍSICAS. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL STF. A jurisprudência consolidada no Supremo Tribunal Federal manifestase quanto à inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, atualizada pela Lei n° 9.528/97, os quais contemplam as contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização de produtos rurais adquiridos de pessoas físicas, exigidas por subrogação da empresa adquirente, de modo que se impõe reconhecer a improcedência do lançamento quanto a essa contribuição. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 04 23 /2 00 8- 15 Fl. 382DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/11 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário e dar provimento na parte conhecida. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de oliveira. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/11 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14751.000423/200815 Acórdão n.º 2401003.342 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração nº 37.049.1483 que objetiva a cobrança do valor de R$ 2.478.377,89, compreendidas no período de 02/2001 a 08/2007, em decorrência da não comprovação do recolhimento das seguintes contribuições destinadas à Seguridade Social: · Contribuições incidentes sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas a empregados, previstas no art. 22, incisos I e II da Lei 8.212 de 24/07/91 (parte patronal e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT/SAT); · Contribuições incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a contribuintes individuais, previstas no art. 22, inciso III da Lei 8.212 de 24/07/1991; · Contribuições incidentes sobre o valor da comercialização da produção rural própria, previstas no art. 22A, incisos I e II da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 10.256/01; · Contribuições incidentes sobre o valor da comercialização da produção rural comprada de pessoas físicas, previstas no art. 25, incisos II da Lei 8.212/91, cuja obrigação de recolher é da empresa adquirente conforme art. 30, incisos IV da Lei 8.212/91. Segundo o relatório fiscal (fls. 95/103), a empresa se dedica à industrialização da produção própria e adquirida de canadeaçúcar, enquadrandose no conceito de agroindústria previsto no art. 22A da Lei 8.212/91. A fiscalização estabeleceu ainda que constituem os fatos geradores das contribuições lançadas: · As remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, valores extraídos das folhas de pagamento e GFIP; · As remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, autônomos e transportadores autônomos; · Os valores relativos à aquisição de canadeaçúcar de produtores rurais pessoas físicas; · Os valores referentes à comercialização da produção rural própria. Complementou ainda que no caso de venda da produção rural própria, a empresa considerou como venda ao mercado externo as operações realizadas através de empresa intermediária, a S/A FLUXO COM E ASSESSORIA INTERNACIONAL, CNPJ 11.137.338/000297, com sede em São Paulo. Neste caso, os valores foram considerados como venda ao mercado interno e, por consequência, integram a base de cálculo. Em13/06/2008, o Recorrente tomou ciência da Ação Fiscal (fl. 264) e, em seguida, apresentou impugnação (fls. 267/297) alegando, em síntese: Fl. 384DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/11 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 · A decadência dos valores apurados pela fiscalização relativos ao período de 01/2001 a 05/2003 no valor de R$ 531.623,57, por ultrapassar o quinquênio decadencial previsto no art. 150, §4º do CTN. · A inconstitucionalidade da contribuição de 0,1% incidente sobre a produção rural adquirida de terceiros. · A indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição incidente sobre a receita de comercialização. · A ineficácia do art. 22, III e IV da Lei 8.212/91, que não menciona o fato gerador das exações; · A necessidade de excluir as verbas indenizatórias da base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento. · Por fim, requereu a realização de perícia nos termos do art. 16, §4º do Decreto 70.235/72, para determinar o quantum da base de cálculo referese às verbas que não se destinam a retribuir o trabalho. Instada a se manifestar acerca da matéria, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife, julgou procedente em parte a autuação, com a exclusão das competências de 01/2001 a 05/2003, que foram fulminadas pela decadência, nos termos do acórdão abaixo ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 A 30/08/2007 DECADÊNCIA. NOVO ENTENDIMENTO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal decidiu pela inconstitucionalidade do prazo decadencial de 10 (dez) anos estabelecido na legislação previdenciária. Aplicarseá, assim, o prazo geral de 5 (cinco) anos determinado pelo CTN. JULGAMENTO CONJUNTO DE PROCESSOS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O processo administrativo fiscal, no âmbito da União, não prevê o julgamento conjunto de processos distintos. DILIGÊNCIA E PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Devem ser indeferidas as diligências e perícias prescindíveis ao deslinde da questão. No processo em tela, não restou comprovada a necessidade de conhecimento técnico específico para identificação das rubricas consideradas como fato gerador. Lançamento procedente em parte. Devidamente intimada em 12/11/2009 (conforme AR de fl. 319), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 14/12/2009 (fls. 320/347), rebatendo a decisão proferida pela DRJ com base nos argumentos já trazidos na impugnação ao lançamento. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/11 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14751.000423/200815 Acórdão n.º 2401003.342 S2C4T1 Fl. 4 5 Em 01/03/2010, a Recorrente peticionou à fl. 357, requerendo a desistência parcial do recurso administrativo, renunciando apenas à discussão relativa à cobrança dos Acréscimos Legais de contribuições declaradas em GFIP, da contribuição de 2,5% para a previdência e 0,1% para o SAT incidente sobre a produção rural própria e da Contribuição incidente sobre a remuneração paga a contribuintes individuais urbanos e rurais (autônomos), porquanto aderiu ao parcelamento da Lei 11.941/2009. Requereu, ainda, a continuidade do processamento do recurso quanto à discussão da ilegalidade da cobrança da contribuição para o SAT incidente sobre a produção rural própria e adquirida de terceiros. Às fls. 364 a Seção de Acompanhamento e Controle Tributário – SACAT/JPA deferiu o pedido de desistência formalizado. É o relatório. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/11 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora Recurso voluntário tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Inicialmente, cumpre esclarecer que em virtude do requerimento de desistência parcial protocolado às fls. 357 e já deferido, abstenhome de apreciar a cobrança dos Acréscimos Legais de contribuições declaradas em GFIP, da contribuição de 2,5% para a previdência e 0,1% para o SAT incidente sobre a produção rural própria e da Contribuição incidente sobre a remuneração paga a contribuintes individuais urbanos e rurais (autônomos), visto que tais verbas foram incluídas no parcelamento previsto na Lei 11.941/2009. Em seguida, requereu a continuidade do julgamento do recurso quanto à discussão da ilegalidade da cobrança do SAT incidente sobre a produção rural adquirida de terceiros. Sendo assim, passase à análise das contribuições incidentes sobre o valor da comercialização da produção rural comprada de pessoas físicas, previstas no art. 25, incisos II da Lei 8.212/91, cuja obrigação de recolher é da empresa adquirente conforme art. 30, inciso IV da Lei 8.212/91. Aduziu o Recorrente, em suas razões recursais, que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 363.852/MG, já se posicionou sobre a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei 8.212/91, com a redação alterada pela Lei 9.528/97. Vejamos o referido acórdão: Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade e nos termos do voto do relator, em conhecer e dar provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do recolhimento por sub rogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do art. 1 da Lei 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII , 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei 9.528/97, até que a legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Ministra Ellen Gracie, em sessão presidida pelo Ministro Gilmar Mendes, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas.1 1 RE 363852 / MG MINAS GERAIS, RECURSO EXTRAORDINÁRIO, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Julgamento: 03/02/2010, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/11 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14751.000423/200815 Acórdão n.º 2401003.342 S2C4T1 Fl. 5 7 Na verdade, o STF entendeu que as contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização de produtos rurais se apresentam como nova fonte de custeio da Seguridade Social, sendo necessária, portanto, a edição de Lei Complementar para possibilitar a sua cobrança, em observância ao exposto no art. 195, § 4°, da Constituição Federal. Assim, considerando que na hipótese ora analisada tais contribuições foram instituídas por meio de Lei Ordinária, entendeu por bem o STF declarar a inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII; 25, incisos I e II; e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada pela Lei n° 9.528/97. Ora, verificase, portanto, que, da análise do presente processo, a autuação fundamentouse em dispositivos declarados inconstitucionais, quanto à forma de cobrança por substituição tributária (subrogação), de modo que é imperioso reconhecer a improcedência do feito na linha do decisório definitivo exarado pelo STF, conforme possibilita o artigo 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou [...]. Neste caso, a análise de constitucionalidade, por estar nos mesmos termos da decisão proferida pelo STF, não terá causado decisões conflitantes ou possivelmente adentrado em competência privativa do poder judiciário, razão pela qual afasto também a cobrança das contribuições incidentes sobre o valor da comercialização da produção rural comprada de pessoas físicas cuja obrigação de recolher é da empresa adquirente. Nesse sentido, manifestase a jurisprudência administrativa, conforme demonstra o Acórdão n° 240101.969, proferido pelo Ilustre Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, exarado nos autos do processo administrativo n° 14098.000199/200812, cujos trechos seguem transcritos em linhas a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 30/11/2006 SUBROGAÇÃO NA PESSOA DO ADQUIRENTE DAS CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL POR PESSOAS FÍSICAS E SEGURADOS ESPECIAIS. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF. IMPROCEDÊNCIA Declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária (RE n. 363.852/MG), a inconstitucionalidade do art. 1.º da Lei n. 8.540/1992 e as atualizações posteriores até a Lei n. 9.528/1997, as quais, dentre outras, deram redação ao art. 30, IV, da Lei n. 8.212/1991, são improcedentes as contribuições previdenciárias Fl. 388DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/11 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 exigidas dos adquirentes da produção rural da pessoa física e do segurado especial na condição de subrogado. [...] VOTO [...] Aplicação do Recurso Extraordinário RE n. 863.352/MG No RE em questão discutiuse a constitucionalidade da exigência de contribuição social prevista no art. 25, I, da Lei n. 8.212/1991, com redação dada pela Lei n. 8.540/1992. Ali a empresa recorrente, adquirente de produtos rurais de produtores pessoas físicas, não concordando com a exação suscitou ofensa do dispositivo atacado aos art. 195, e §§ 4. e 8. , 154, I e 146, III, todos da Constituição Federal. O Pretório Excelso deu provimento ao RE, conforme abaixo: [...] Contra essa decisão a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou embargos de declaração, os quais foram rejeitados pela Corte, nos seguintes termos: A C Ó R D Ã O Vistos, relatados e discutidos estes autos, acórdão os Ministros do Supremo Tribunal Federal em rejeitar os embargos de declaração o recurso extraordinário, nos termos do voto do relator e por unanimidade, em sessão presidida pelo Ministro Cezar Peluzo, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Brasília, 17 de março de 2011. Uma vez não caber mais recurso contra o RE em tela e tendo o mesmo contado com a manifestação do Plenário da Corte, deve o referido julgado ser observado nos julgamentos do CARF, nos termos do que dispõe o inciso I do art. 62 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n. 256/2009, assim redigido: [...] Verifico então que tendo o crédito em questão sido edificado sobre a legislação declarada inconstitucional, em decisão plenária, pelo STF, entendo que o mesmo não deve prosperar, devendo ser decretado o seu cancelamento. E não me convenço de que os pressupostos para a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo atualmente já estejam superados pelo fato da questão ter sido contemplada pela Lei n.º 10.256/2001, esta editada já sob a égide da Emenda Constitucional n. 20/1998. É que a subrogação do adquirente nas obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial pelo recolhimento das contribuições sobre a receita bruta da comercialização foi objeto da declaração de inconstitucionalidade uma vez que introduzida pelo art. 1. da Lei Fl. 389DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/11 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14751.000423/200815 Acórdão n.º 2401003.342 S2C4T1 Fl. 6 9 n. 8.540/1992, ao dar redação ao inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social. Eis os textos desde a redação original até a que vige atualmente: [...] Percebase que quando a decisão faz menção ao dispositivo declarado inconstitucional ela reportase também às atualizações legais trazidas ao ordenamento pela Lei n. 9.528/1997, posto que essas são anteriores a edição da EC n. 20/1998. Assim, considerando que o inciso IV do art. 30, da Lei n. 8.212/1991, não foi alterado pela Lei n. 10.256/2001, a declaração de inconstitucionalidade o atingiu, não podendo subsistir o crédito tributário arrimado nesse dispositivo. [...]. Por fim, rememorando que a Recorrente requereu a desistência do recurso em relação às demais rubricas que compunham o objeto da presente demanda, requerendo a continuidade do julgamento do recurso apenas quanto à discussão da ilegalidade da cobrança do SAT incidente sobre a produção rural adquirida de terceiros, voto, diante dos argumentos acima expostos em CONHECER EM PARTE e DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO na parte conhecida, para julgar improcedente o Auto de Infração cadastrado sob os DEBCAD nº 37.049.1475 no que tange à cobrança da SAT incidente sobre a produção rural adquirida de terceiros. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/11 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11831.002422/2007-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2005
ERRO DE CAPITULAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
O fundamento legal do débito encontra-se capitulado corretamente, razão pela qual não há qualquer nulidade no lançamento.
COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. SENTENÇA FAVORÁVEL. ALTERAÇÃO POSTERIOR EM RAZÃO DO ACÓRDÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO.
Não obstante a decisão de 1º grau tenha reconhecido o crédito do contribuinte referente às contribuições pagas sobre os pagamentos efetuados aos empregados a título de adicional noturno, hora extra, insalubridade e periculosidade, as decisões proferidas pelos Tribunais, em sede de recurso, alteraram o conteúdo, negando o direito.
DESCANSO SEMANAL REMUNERADO. SALÁRIO DE
CONTRIBUIÇÃO.INCIDÊNCIA.
Os pagamentos oriundos de serviços prestado sem descanso semanal remunerado devem integrar o Salário de Contribuição por se tratar de uma parcela salarial, pois há previsão legal, não é caso de ressarcimento ou indenização e não há previsão legal sobre isenção.
APLICAÇÃO DA SELIC. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECER A INCONSTITUCIONALIDADE DA NORMA.
As contribuições destinadas à Seguridade Social possuem legislação específica para disciplinar a matéria. De acordo com o art. 34 da Lei nº 8.212/91, até o advento da Lei nº 11.941/09 - MP 449/08, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado e multa de mora, todos de caráter irrelevável.
NFLD. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Recurso de Ofício Provido.
Numero da decisão: 2302-003.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso de Ofício e por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que a multa seja aplicada considerando às disposições contidas no artigo 35, II, da Lei nº 8.212/91, para o período até 11/2008. Vencidos na votação a Conselheira Relatora e o Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor.
Liege Lacroix Thomasi Presidente
Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora
Arlindo da Costa e Silva - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2005 ERRO DE CAPITULAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O fundamento legal do débito encontrase capitulado corretamente, razão pela qual não há qualquer nulidade no lançamento. COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. SENTENÇA FAVORÁVEL. ALTERAÇÃO POSTERIOR EM RAZÃO DO ACÓRDÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. Não obstante a decisão de 1º grau tenha reconhecido o crédito do contribuinte referente às contribuições pagas sobre os pagamentos efetuados aos empregados a título de adicional noturno, hora extra, insalubridade e periculosidade, as decisões proferidas pelos Tribunais, em sede de recurso, alteraram o conteúdo, negando o direito. DESCANSO SEMANAL REMUNERADO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.INCIDÊNCIA. Os pagamentos oriundos de serviços prestado sem descanso semanal remunerado devem integrar o Salário de Contribuição por se tratar de uma parcela salarial, pois há previsão legal, não é caso de ressarcimento ou indenização e não há previsão legal sobre isenção. APLICAÇÃO DA SELIC. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECER A INCONSTITUCIONALIDADE DA NORMA. As contribuições destinadas à Seguridade Social possuem legislação específica para disciplinar a matéria. De acordo com o art. 34 da Lei nº 8.212/91, até o advento da Lei nº 11.941/09 MP 449/08, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 24 22 /2 00 7- 38 Fl. 683DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado e multa de mora, todos de caráter irrelevável. NFLD. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Recurso Voluntário Provido em Parte Recurso de Ofício Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso de Ofício e por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que a multa seja aplicada considerando às disposições contidas no artigo 35, II, da Lei nº 8.212/91, para o período até 11/2008. Vencidos na votação a Conselheira Relatora e o Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor. Liege Lacroix Thomasi –Presidente Juliana Campos de Carvalho Cruz – Relatora Arlindo da Costa e Silva Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11831.002422/200738 Acórdão n.º 2302003.334 S2C3T2 Fl. 684 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em face da empresa GEOTEMI Construções e Projetos Ltda. (atualmente denominada GORESBRIDGE Construções do Brasil Ltda.), para a cobrança de contribuições previdenciárias em decorrência da glosa de valores compensados indevidamente no período de 03/2003 a 07/2004 e 09/2004 a 03/2005. Destaca o relatório fiscal que a Recorrente ingressou com Mandado de Segurança nº 2002.61.000142072 pleiteando a restituição, sob forma de compensação, dos valores recolhidos indevidamente, no período de 02/1996 a 01/2002, a título de contribuições previdenciárias incidentes sobre adicional noturno, hora extra, abono de periculosidade e insalubridade (fls. 24/25). Conforme certidão de objeto e pé anexada às fls. 26/27, datada de 13.06.2005, o julgador de 1º grau reconheceu o direito do contribuinte a compensar aqueles valores acima descritos sem condicionar a efetivação do encontro de contas ao trânsito em julgado da sua decisão. De acordo com esta certidão, a decisão ainda não havia transitado em julgado. Intimado do lançamento, o contribuinte apresentou Impugnação (fls. 34/49). Em vista das alegações, a Seção do Contencioso Fiscal Administrativo (fls. 138/139) baixou o processo em diligência para que a Fiscalização: a) Demonstrasse o valor originário do crédito, bem como, a qual rubrica se refere: abono de periculosidade, de insalubridade, de trabalho noturno e de horas extras (quanto ao “Adicional de Periculosidade” o mesmo foi objeto de lançamento específico – NFLD nº 35.435.1940); b) Fizesse a atualização do valor/competência originária até a competência a ser compensado (competências objeto da presente Notificação Fiscal), pelos mesmos critérios que o Fisco adota para corrigir os seus créditos, conforme decisão judicial; c) Esclarecesse se os créditos decorrentes do período de 02/1996 a 01/2002 não foram utilizados no LDC nº 35.672.6428 (período de 07/1999 a 01/2003) objeto da mesma Ação Fiscal (nº 09233106); d) Indicasse se as bases de cálculo das contribuições previdenciárias, bem como as compensações e retenções efetuadas foram devidamente declaradas, pela empresa, em GFIP; Fl. 685DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 e) Indicasse se os valores objeto das compensações foram efetivamente compensados pelo contribuinte, não lançando compensação em competência passada sem que a mesma tenha sido informada pelo contribuinte; f) Em relação à NFLD nº 35.435.1931, indicasse se foi observado o limite de 30% para a compensação das contribuições devidas à Previdência Social em cada competência, conforme previsto no §3º do art. 89 da Lei nº 8.212/91 e art. 203 da Instrução Normativa INSS/DC 100/2003, vigente na data da lavratura da NFLD, já que a decisão judicial não afastou a aplicabilidade do dispositivo legal mencionado. Neste contexto, se preciso fosse, que o auditor formalizasse lançamento fiscal (NFLD) complementar à NFLD nº 35.435.1931 e, conseqüentemente, uma vez reduzindo os créditos da NFLD nº 35.435.1958, indicasse, em planilha os respectivos valores. Em resposta (fls. 140/168), foi dito pelo auditor: a) Que os valores que originaram os créditos referemse às seguintes rubricas: descanso semanal remunerado, adicional noturno, hora extra 50%, hora extra 70%, hora extra 100%, adicional de insalubridade e adicional de periculosidade (fls. 143/147); b) Que o contribuinte respeitou o limite de 30% das contribuições devidas à Previdência Social; c) Que as competências originárias do crédito estão dentro do período de 02/1996 a 01/2002. Já as compensações, abrangeram o período de 03/2003 a 07/2004 e 09/2004 a 03/2005; d) Que a demonstração do valor originário do crédito, bem como, a atualização de valores, encontramse explicitados em planilhas de fls. 148/155 e 156/165, respectivamente; e) Que os créditos decorrentes do período de 02/1996 a 01/2002 não foram utilizados na lavratura da LDCDEBCAD nº 35.672.6428, anteriormente emitida para a homologação do processo relativo ao “PAES” do qual a empresa é optante; f) Que as bases de cálculo das contribuições, bem como, as compensações e as retenções foram declaradas pela empresa em GFIP; g) Os valores objeto das compensações foram efetivamente compensados pelo contribuinte; h) Que após análise da planilha de fls. 156/165, verificouse a impossibilidade da empresa compensar os valores discriminados às fls. 165, relativos à competências 04/2004 a 07/2004 e 09/2004 a 03/2005, anteriormente creditados a seu favor na NFLDDEBCAD nº 35.435.1931. Os valores de tais competências, após revisão fiscal, foram modificados na NFLDDEBCAD nº 35.435.1931 e lançados novamente em NFLF complementarDEBCAD nº Fl. 686DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11831.002422/200738 Acórdão n.º 2302003.334 S2C3T2 Fl. 685 5 35.842.7568 não se considerando neste caso, as compensações indevidas. Conseqüentemente, os valores de glosa passam a ser nulos nos meses de 05/2004 a 07/2004 e 09/2004 a 03/2005, com permanência de resíduo apenas para a competência 04/2004 na Notificação Fiscal de Lançamento de DébitoNFLDDEBCAD nº 35.435.1958 ora analisada (vide planilha de recomposição de débito fls. 343) Encaminhados os autos para Julgamento (fls. 169/172), foi determinada a intimação do contribuinte para que se manifestasse sobre o relatório aditivo de fls. 148/155, as planilhas relacionadas ao crédito da empresa (fls. 143/147); a planilha de saldo a compensar (fls. 1556/164) e a planilha que relacionou os valores de glosa (fls. 165). Assim feito (fls. 186), a empresa discordou dos seguintes pontos: a) Que os valores do crédito abrangem o período de competência de fevereiro/1996 a janeiro/2002; b) Que a demonstração originária do crédito está de acordo com a planilha de fls. 148/155; c) Que as compensações abrangem o período de 03/2003 a 07/2004 e 09/2004 a 03/2005; d) Que a atualização dos valores encontrase explicitada nas planilhas de fls. 156/164; e) Que as competências relativas aos valores da glosa são as informadas no item 7, do relatório fiscal e na tabela “Valores da glosa” (fls. 165) Ao final, concluiu (fls. 186): a) Que os abonos mencionados no item I do relatório aditivo têm natureza indenizatória; b) Que a Impugnante observou o limite de 30% tal como previsto no art. 89, §3º, da Lei 8.212/91, por ocasião da compensação; c) Que o direito ao crédito corresponde tão somente ao período compreendido entre janeiro/1997 a dezembro/2000; d) Que a fiscalização apresentou períodos de apuração e valores desconexos quanto ao direito de crédito; e) Que as competências relativas aos valores da glosa, informadas no item 7 do relatório fiscal, não coincidem, na totalidade, com a tabela “Valores da glosa” apresentada pela fiscalização às fls. 165 Na apreciação da DRJ/São Paulo (fls. 257/262), foi o crédito mantido parcialmente, no montante de R$ 873.243,56 (oitocentos e setenta e três mil, Fl. 687DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 duzentos e quarenta e três reais e cinqüenta e seis centavos). Afirmou o relator que o sujeito passivo havia corrigido o seu crédito indevidamente (juros de 1% sobre a taxa SELIC), além de ter utilizado na compensação os valores relativos a DSR (descanso semanal remunerado) cuja verba não havia sido questionada no Mandado de Segurança nº 2002.61.000142072. Notificada, a empresa apresentou Recurso Voluntário (fls. 295/307), alegando: a) Que o lançamento fiscal foi capitulado errado. De acordo com o contribuinte o lançamento tem como fundamento o art. 141 do Decreto nº 89.312/84, entretanto, esta norma só possui três artigos. Da mesma forma, consta como fundamento o art. 48 do Decreto nº 2.173/97, mas este só possui três artigos. Além disso, ressalta o contribuinte que este último Decreto foi revogado pelo Decreto nº 3.048/99; b) Que em conformidade com a decisão judicial, a Recorrente apurou um crédito de R$ 1.222.701,53, cujo valor foi atualizado até março/2003, e compensado com as contribuições previdenciárias no período de março/2003 a julho/2004 e setembro/2004 a março/2005; c) Que em relação ao DSR (descanso semanal remunerado), é legítima a sua inclusão no valor dos créditos porque seu caráter é indenizatório, da mesma forma que as demais verbas incluídas, como o adicional de insalubridade, horas extras, adicional noturno e adicional de periculosidade; d) Que no adendo à impugnação restou demonstrado que a decisão judicial fundamentase na impossibilidade de incluir no conceito de “salário” e “demais rendimentos do trabalho”, os rendimentos cuja origem traduz uma natureza nitidamente indenizatória, que não podem ser tidas como rendimentos do trabalho. Por esta razão, é legítima a compensação dos valores pagos indevidamente a título de DSR (descanso semanal remunerado). e) Que não deve incidir multa sobre os débitos que foram compensados, já que estão sub judice. Desse modo, não é admissível a manutenção da multa sobre os débitos compensados, sob a égide de decisão liminar. f) Inconstitucionalidade da taxa SELIC. É o relatório. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11831.002422/200738 Acórdão n.º 2302003.334 S2C3T2 Fl. 686 7 Voto Vencido Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora Os recursos cumpriram com o requisito de admissibilidade, por isso, seguiram para julgamento. 1 DO RECURSO VOLUNTÁRIO: 1.1 – Do Fundamento Legal: Afirmou a Recorrente que o lançamento fiscal foi capitulado errado. Isto porque, a autoridade fazendária ao identificar o fundamento legal do débito, fez constar o art. 141 do Decreto nº 89.312/84 e o art. 48 do Decreto nº 2.173/97. Entretanto, tais Decretos só possuem três artigos, inexistindo, portanto, os artigos. 141 e 48. Além disso, aduziu, ainda, o contribuinte que o Decreto nº 2.173/97 estaria revogado pelo Decreto nº 3.048/99. O art. 11 do Decreto nº 70.235/72 estabelece como requisito indispensável do processo administrativo fiscal a identificação da disposição legal infringida. Não havendo, tornase passível de nulidade. Em uma leitura apressada do item “Atribuição de competência para fiscalizar, arrecadar e cobrar” (fls. 15) dá a entender que o art. 141 se reporta ao Decreto nº 89.312/84 cujo conteúdo, de fato, só abrange três dispositivos. No entanto, o art. 1º deste Decreto determina a edição da nova Consolidação das Leis da Previdência Social (CLPS) na qual foi inserido o texto normativo do mencionado art. 141. Percebo que as normas identificadas na fl. 15 são separadas por ‘ponto e vírgula’ de modo que, após cada ‘ponto e vírgula’, é citada uma nova legislação, a exemplo: “Lei n. 6.439, de 01.09.77, art. 13, I (primeira norma); Lei n. 8.029, de 12.04.90, art. 17 (segunda norma);...Consolidação das Leis da Previdência Social – CLPS, Decreto n. 89.123, de 23.01.84, art. 141 (quinta norma);...” Neste contexto, ainda que, inicialmente, o contribuinte tenha identificado o art. 141 como pertencente ao Decreto, tal como exposto, a leitura atenta do texto não o induziria a erro, porquanto esta norma está relacionada à Consolidação das Leis Trabalhistas (citada na fundamentação). Em relação ao Decreto nº 2.173/97, também emerge a mesma situação. O art. 48 não faz referência ao Decreto, mas sim ao Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social – ROCSS. (“....;Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social – ROCSS, aprovado pelo Decreto n. 2.173/97, art. 48;....”) Por tais motivos, não vejo razão para prosperar as assertivas do contribuinte. 1.2 – Do crédito utilizado na compensação dos débitos: Fl. 689DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 A presente autuação decorre de glosa de compensação cujos créditos foram apurados pelo contribuinte por força da decisão judicial proferida no Mandado de Segurança nº 2002.61.000142072. Em julgamento anterior, perante o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, os autos foram convertidos em diligência para o fim de intimar o contribuinte para anexar aos autos uma certidão atualizada do processo de modo a possibilitar esta Relatora saber quais os termos da decisão judicial proferida pela Corte Superior. Intimado o contribuinte, não se manifestou. Na busca pela verdade material, foi cautelosamente examinado todo o trâmite do mandamus de modo a aferir a legalidade das compensações. Pois bem! O contribuinte impetrou o Mandado de Segurança (nº 2002.61.000142072) em 10.07.2002, conforme informações obtidas no site da Justiça Federal de São Paulo (Ihttp://www.jfsp.jus.br/forunsfederais/), com a finalidade de deixar de recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre o adicional noturno, hora extra, adicional de insalubridade e periculosidade, bem como, de ser restituído, via compensação, pelos pagamentos efetuados, nestas rubricas, desde fevereiro/1996. Em 1º grau, a segurança foi concedida para fim de eximir a empresa do recolhimento da contribuição social, a cargo do empregador, incidente sobre os abonos de periculosidade, adicional noturno, hora extra e adicional de insalubridade, reconhecendo, ainda, o direito de efetivar a compensação dos valores recolhidos a esse título com valores vincendos relativos à mesma contribuição social incidente sobre a folha de salários, observado o prazo de dez anos a contar da data do fato gerador até o ajuizamento da ação (fls. 82). Inconformado, o Instituto Nacional de Seguridade Social apelou ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região. No julgamento, a 2ª Turma, por maioria de voto, deu provimento à Apelação e à Remessa Oficial, julgando improcedente a impetração. Tais foram as razões: a) Que em decorrência das guias de recolhimento acostadas demonstrarem que as contribuições foram pagas no período compreendido entre 04/03/96 e 04/02/2002, apenas parte delas encontrarseiam com lapso temporal superior aos cinco anos, anteriores ao ajuizamento da ação (10/07/2002). Nesta ótica, só poderiam ser compensadas, desde que indevidas, as contribuições realizadas depois de 11/07/1997 e comprovadas nesta ação. Por isso, em relação às parcelas anteriores a 11/07/1997 restaria configurada a caducidade do direito à devolução dos valores pagos. b) Que em relação ao pagamento efetuado ao empregado a título de adicional noturno, hora extra, insalubridade e periculosidade, incide contribuição previdenciária, nos termos da Súmula n° 60 TST, em razão de seu caráter salarial. Ainda em consulta ao site do Tribunal Regional Federal, verifiquei que a empresa apresentou Recurso Especial (em 03/06/2009), sendo inadmitido. Inconformada, interpôs Agravo de Instrumento para subida dos autos à Corte Superior. No julgamento, o Ministro Herman Benjamin, monocraticamente, negou provimento ao recurso, mantendo a decisão do Tribunal a quo (https://ww2.stj.jus.br/processo/revista/documento/mediado/?componente=MON&sequencial= Fl. 690DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11831.002422/200738 Acórdão n.º 2302003.334 S2C3T2 Fl. 687 9 11619751&num_registro=201001326521&data=20100910&tipo=0&formato=PDF). Em 28/09/2010 houve o trânsito em julgado. Como se infere, não obstante a decisão de 1º grau tenha reconhecido o crédito do contribuinte referente às contribuições pagas sobre os pagamentos efetuados aos empregados a título de adicional noturno, hora extra, insalubridade e periculosidade, as decisões proferidas pelos Tribunais, em sede de recurso, alteraram o conteúdo, negando o direito. Diante de todo o exposto, reputo devido o lançamento, porquanto tendo a compensação fundamento no Mandado de Segurança nº 2002.61.000142072, sendo esta ação julgada improcedente, torna legítima a glosa por inexistir crédito do contribuinte. 1.3 – Da compensação das verbas pagas a título de descanso semanal remunerado: Em relação ao crédito relacionado ao descanso semanal remunerado, é de notar que não tem qualquer respaldo em comando judicial. Nos termos do art. 1º da Lei nº 605/49, todo empregado tem direito ao repouso semanal remunerado de vinte e quatro horas consecutivas, preferencialmente aos domingos e, nos limites das exigências técnicas das empresas, nos feriados civis e religiosos, de acordo com a tradição local. No mesmo sentido, dispõe o art. 67, da CLT, in verbis: "Art. 67 Será assegurado a todo empregado um descanso semanal de vinte e quatro horas consecutivas, o qual, salvo motivo de conveniência pública ou necessidade imperiosa do serviço, deverá coincidir com o domingo, no todo ou em parte. Parágrafo único Nos serviços que exijam trabalho aos domingos, com exceção quanto aos elencos teatrais, será estabelecida escala de revezamento, mensalmente organizada e constando de quadro sujeito à fiscalização." Tal como exposto na legislação, o descanso semanal remunerado é tido como parcela salarial, por isso, sobre ela incide contribuição previdenciária. 1.4 Aplicação da taxa SELIC Inconstitucionalidade Alega a Recorrente que a cobrança da taxa SELIC estaria vedada, pois inconstitucional. Determina o art. 161, §1º do CTN que o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora calculados à taxa de um por cento ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. Com efeito, as contribuições destinadas à Seguridade Social possuem legislação específica para disciplinar a matéria. De acordo com o art. 34 da Lei nº 8.212/91, até Fl. 691DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 o advento da Lei nº 11.941/09 – MP 449/08, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Vide transcrição da norma: “Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97)” grifo nosso A matéria já foi amplamente discutida no Segundo Conselho de Contribuintes. Na ocasião foi sedimentado o entendimento segundo o qual é possível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, vide a Súmula nº 3 CARF: “SÚMULA CARF nº 3: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.” Isto posto, não vislumbro qualquer ilegalidade na cobrança da taxa SELIC. O que faz a Receita Federal, como órgão administrativo sujeito ao princípio da legalidade tal qual exposto no art. 37 da Constituição Federal, é aplicar a norma inserida no art. 161, §1º do CTN c/c art. 34 da Lei nº 8.212/91. A legislação em exame não foi objeto de declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle difuso ou concentrado, logo, não é o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF competente para assim reconhecer. Eis a Súmula nº 2 do CARF: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” 1.5 – Da Multa de Ofício: No período em comento estava em vigor o art. 35 da Lei nº 8.212/91 cuja norma, na sua redação original, regulamentava a incidência da multa de mora sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, era agrupada em percentuais distintos a depender da data do pagamento da exação. Quanto mais distante do dia do vencimento, maior o Fl. 692DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11831.002422/200738 Acórdão n.º 2302003.334 S2C3T2 Fl. 688 11 percentual. A penalidade era aplicada pelo atraso no pagamento, existindo ou não ação fiscal. Assim prescrevia: "Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houve parcelamento; c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; Fl. 693DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. " (grifo nosso) Posteriormente, com a criação da MP 448/09 convertida na Lei nº 11.941/09, a legislação ordinária de 1991 sofreu alterações significativas. A partir de então, o atraso no pagamento das contribuições sociais passou a ser conduta punida pela multa de mora ou multa de ofício. A aplicação de uma ou de outra estaria vinculada a existência de ação fiscal. Com efeito, a cobrança do tributo seguida de lançamento era condição para incidência da multa de ofício tipificada no art. 35A da Lei nº 8.212/91 (com redação da pela Lei nº 11.941/09) a qual remetia aos percentuais fixados no art. 44 da Lei no 9.430/96: "Art. 35A: Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996". "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal..." Em relação a multa de mora, o percentual passou a ser fixado em 20% nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Vide transcrição: "Art. 35 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996." "Art. 61 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11831.002422/200738 Acórdão n.º 2302003.334 S2C3T2 Fl. 689 13 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Do cotejo entre a antiga norma e aquela estabelecida após o avento da MP 449/08, inferese que a multa de mora passou a incidir de forma mais benéfica para o contribuinte a partir de dezembro/2008, porquanto limitada a 20% (vinte por cento). Sob a ótica da incidência do art. 106, inciso II, alínea 'c' do CTN, a lei mais benéfica deve ser aplicada ao fato pretérito quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Grifo nosso Neste contexto, em relação a ausência de recolhimento das contribuições previdenciárias até novembro/2008, por inexistir previsão para a multa de ofício, deve incidir a penalidade prevista na antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/91 (multa de mora), entretanto, limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/08 (art. 35 da Lei 8.212/91 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). Este entendimento vem sendo adotado pela 2ª Seção, 3ª Câmara, 1ª TO cujo julgado, de relatoria do Conselheiro Mauro José Silva (PAF 10805.003371/200716), a seguir transcrito: "LANÇAMENTOS RFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA 'C', DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança do regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea 'c', do inciso II, do art. 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%" Fl. 695DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Se antes da MP 449 a multa aplicada quando do lançamento deveria ser aquela disposta no art. 35 da Lei 8.212/91 (multa de mora), limitando o escalonamento ao percentual de 75% conforme aplicação retroativa da nova redação dada pelo art. 35A da Lei nº 8.212/91 (multa de ofício) nos termos do art. 106, inciso II, 'c', do CTN; no presente, considero que a comparação das normas deve ocorrer entre institutos da mesma natureza. Logo, multa de mora (art. 35 da Lei 8212/91 antes da MP 449/08) com multa de mora (art. 35 da Lei 8.212/91 após a MP 449/08), não com multa de ofício (art. 35A da Lei nº 8.212/91). Logo, somente a partir de dezembro/2008 há incidência do novo regramento constante no art. 35A da Lei nº 8.212/91 (multa de ofício). Antes, porém, até novembro/2008, deve ser aplicado o percentual de 20%. 2 – DO RECURSO DE OFÍCIO: Na ocasião do julgamento em 1ª instância administrativa, afirmaram os Doutos Julgadores que a empresa utilizou o anatocismo na atualização do crédito (decorrente do Mandado de Segurança nº 2002.61.000142072), acabando por compensar a mais do que o devido (fls. 260/verso). Mais adiante, aduziram que a Fiscalização elaborou uma planilha de fls. 156/164 relacionando as compensações com os respectivos recolhimentos indevidos. Como conseqüência, foi reconhecida a existência de crédito a favor do contribuinte suficiente para validar as compensações relacionadas aos débitos compreendidos no período de 03/2003 a 05/2004. Ocorre que, por força do disposto no art. 34 do Decreto nº 70.235/72 e alterações introduzidas pela lei nº 8.748/93 e pela Lei nº 9.532/97 c/c art. 1º da Portaria MPS nº 158/07, a exoneração do crédito foi submetida à reapreciação do Conselho de Contribuintes de modo a tornar definitivo o acórdão. Conforme dito em tópico anterior, não obstante a sentença judicial tenha eximido a empresa do recolhimento da contribuição social, a cargo do empregador, incidente sobre os abonos de periculosidade, adicional noturno, hora extra e adicional de insalubridade, reconhecendo, ainda, o direito de efetivar a compensação dos valores recolhidos a esse título com valores vincendos relativos à mesma contribuição social incidente sobre a folha de salários, observado o prazo de dez anos a contar da data do fato gerador até o ajuizamento da ação (fls. 82), posteriormente, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região deu provimento à Apelação e à Remessa Oficial, alterando a decisão e negando a segurança pleiteada. Esta decisão foi mantida pela Corte Superior. Em 28/09/2010 houve o trânsito em julgado. Isto posto, os créditos inicialmente reconhecidos como devidos ao contribuinte, deixaram de existir, por conseguinte, a compensação efetuada no período de 03/2003 a 05/2004 passou também a não ser albergada pela decisão judicial, possibilitando o Fisco exigir o valor integral do débito lançado nos presentes autos (03/2003 a 03/2005). Por tais razões, acolho o recurso de ofício dandolhe provimento. Por todo o exposto: CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO e do RECURSO DE OFÍCIO, por tempestivo, para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Fl. 696DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11831.002422/200738 Acórdão n.º 2302003.334 S2C3T2 Fl. 690 15 Voluntário, tão somente para reduzir a multa de ofício ao percentual de 20%, e DAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, nos termos expostos no voto,. É como voto. Sala das Sessões, em 13 de Agosto de 2014. Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Voto Vencedor DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Ouso discordar, data maxima venia, do entendimento esposado pela Ilustre Relatora relativo ao regime jurídico aplicável à determinação da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributaria principal formalizada mediante lançamento de ofício. E para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio juris que ora se escultura, atinese que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Nor arm, nor face, nor any other part Belonging to a man. O, be some other name! What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. O caso ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de oficio. Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os Fl. 698DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11831.002422/200738 Acórdão n.º 2302003.334 S2C3T2 Fl. 691 17 poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O regramento legislativo relativo à aplicação de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data inicial do período de apuração em realce, encontravase sujeito ao regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 699DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de oficio consubstanciado NFLD nº 35.435.1958, referente a fatos geradores ocorridos nas competências de 01/03/2003 a 31/03/2005. Nessa perspectiva, tratandose de lançamento de oficio formalizado mediante a NFLD acima indicada, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada, no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11831.002422/200738 Acórdão n.º 2302003.334 S2C3T2 Fl. 692 19 Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não incluídas em notificações Fiscais, ou seja, quando o recolhimento não for resultante de lançamento de oficio, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em relevo, em conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo legal acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por cento, se paga dentro do mês de vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da exação. Tal discrimen encontrase tão claramente consignado na legislação previdenciária que mesmo um computador, com uma simples instrução IF – THEN – ELSE unchained, consegue determinar, sem erro, qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência: IF lançamento de oficio THEN art. 35, II da Lei nº 8.212/91 ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91. Traduzindose do “computês” para o “juridiquês”, tratandose de lançamento de oficio, incide o regime jurídico consignado no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições previdenciárias em atraso, aplicase o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então denominada “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis: Fl. 701DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 702DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11831.002422/200738 Acórdão n.º 2302003.334 S2C3T2 Fl. 693 21 II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, nessa ordem, agora encontramse dispostos em separado, digase, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. No novo regime legislativo, a instrução de seletividade invocada anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando: IF lançamento de oficio THEN art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 Diante de tal cenário, a contar da vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de oficio há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não resultante de lançamento de oficio, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de oficio, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de oficio. No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de oficio, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de oficio (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 704DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11831.002422/200738 Acórdão n.º 2302003.334 S2C3T2 Fl. 694 23 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Daí a divergência inaugurada por este Conselheiro. Em seu voto de relatoria, a Ilustre Conselheira Relatora defendeu a aplicação retroativa, para as competências anteriores a dezembro/2008, do limite de 20% para a multa de mora previsto no §2º do art. 61 da Lei nº 9.430/96, por entender tratarse de hipótese de retroatividade benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. No caso, considerou a insigne Relatora que a comparação das normas deve ocorrer em institutos da mesma natureza. Logo, multa de mora com multa de mora (art. 35 da Lei 8.212/91), não com multa de ofício (art. 35A da Lei nº 8.212/91). Sendo assim, a multa de mora aplicada em face dos autos de infração relacionados às obrigações principais (AIOP) deveria ficar restrita ao percentual de 20% até novembro/2008, permanecendo o percentual de 75% a partir de dezembro/2008. Ocorre que ao efetuar o cotejo de “multa de mora” (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora” (art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), promoveuse data venia a comparação de nomem iuris com nomem iuris (multa de mora) e não de institutos de mesma natureza jurídica (penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de oficio). De tal equívoco, no entendimento deste Subscritor, resultou no voto de relatoria a aplicação retroativa de penalidade prevista para uma infração mais branda (descumprimento de obrigação principal não inclusa em lançamento de oficio) para uma infração tributária mais severa (descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de oficio). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de oficio. Lé com lé, cré com cré (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Reiterese que não se presta o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’ do CTN para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só pelo fato de possuir a mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas. Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96 só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de oficio, tanto a legislação revogada (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) prevêem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de oficio, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de oficio. Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de oficio de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de oficio deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11831.002422/200738 Acórdão n.º 2302003.334 S2C3T2 Fl. 695 25 Na mesma hipótese, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, incide a regra estampada nos artigos 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa pelo atraso no recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator, desde que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c" do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora do recolhimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício trazido pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar,in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. Nestas hipóteses, somente irá se operar o teto de 75% nos casos em que não houver ocorrido sonegação, fraude ou conluio. Da conjugação das normas tributárias acima revisitadas concluise que, nos casos de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, a penalidade pecuniária pelo descumprimento da obrigação principal deve ser calculada de acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores inadimplidos, conforme se vos segue: a) Para os fatos geradores ocorridos até novembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, observado o limite máximo de 75%, desde que não estejam presentes situações de sonegação, fraude ou conluio, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. b) Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada de acordo com o critério fixado no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. No caso dos autos, considerando que o horizonte temporal do lançamento compreende o período de apuração de 01/03/2003 a 31/03/2005 e considerando não haver sido verificada a presença dos elementos objetivos e subjetivos de conduta que, em tese, qualifica Fl. 707DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 se como fraude ou sonegação, tipificadas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, respectivamente, resulta que a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante o presente lançamento de ofício deve ser aplicada de acordo com o art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, para todo o período de apuração do débito, em atenção ao princípio tempus regit actum, observado neste caso o limite máximo de 75%, em honra à retroatividade da lei tributária mais benigna insculpida no art. 106, II, ‘c’, do CTN. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto no sentido de o regramento a ser dispensado à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante o presente lançamento de ofício obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, observado, unicamente, o limite máximo de 75%, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’, do CTN. É como voto Arlindo da Costa e Silva, Redator Designado. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10314.723513/2011-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009
Ementa:
RECOF. ADIMPLEMENTO DO REGIME. CONDIÇÕES.
As vendas de bens submetidos ao RECOF realizadas a empresa comercial exportadora, mesmo que não instituída nos termos do Decreto-lei n.º 1.248/1972, que tenham efetivamente sido exportados, podem ser computadas para efeito de comprovação do cumprimento das obrigações do RECOF.
DECADÊNCIA. RECOF.
O pagamento da apuração mensal dos tributos decorrentes das operações dos bens recofiados não é antecipação de pagamento dos lançamentos representados pelas declarações de admissão no regime. Eles correspondem ao atendimento de clausulas ínsitas nas obrigações do regime aplicado. Por isso, no caso de inadimplemento do regime, a regra decadencial deve ser a prevista no artigo 173, I, do CTN, que dita que o termo inicial deve ser do exercício seguinte em que ele poderia ser lançado. A a determinação do termo inicial do prazo decadencial para obrigação tributária referente a bem recofiado que foi destinado a mercado interno deve ter como indicador a data em que passam a ser exigíveis os tributos suspensos e as obrigações acessórias, e não o prazo de encerramento do regime RECOF desse bem. Tendo se dado o fato que define a obrigação do contribuinte, e tendo ocorrido o descumprimento dessa clausula ou a inadimplência da regra, o exercício a partir de quando se poderia lançar não pode depender da finalização do prazo do regime desse bem recofiado.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3401-002.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, quanto à preliminar de conhecimento dos documentos apresentados após a impugnação, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Efigênia Duarte. Quanto ao mérito, por maioria de votos, acordam os membros do colegiado dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Vencidos a Conselheira Efigênia Duarte e o Conselheiro Robson José Bayerl. O Conselheiro Robson José Bayerl fará declaração de voto. Sustentou pela recorrente Dr. Eduardo de Carvalho Borges, OAB/SP n.º 153.881.
Robson José Bayerl- Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Raquel Motta Brandão Minatel, Efigênia Maria Nolasco Duarte, Eloy Eros da Silva Nogueira, Adriana Oliveira e Ribeiro e Angela Sartori.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 Ementa: RECOF. ADIMPLEMENTO DO REGIME. CONDIÇÕES. As vendas de bens submetidos ao RECOF realizadas a empresa comercial exportadora, mesmo que não instituída nos termos do Decreto-lei n.º 1.248/1972, que tenham efetivamente sido exportados, podem ser computadas para efeito de comprovação do cumprimento das obrigações do RECOF. DECADÊNCIA. RECOF. O pagamento da apuração mensal dos tributos decorrentes das operações dos bens recofiados não é antecipação de pagamento dos lançamentos representados pelas declarações de admissão no regime. Eles correspondem ao atendimento de clausulas ínsitas nas obrigações do regime aplicado. Por isso, no caso de inadimplemento do regime, a regra decadencial deve ser a prevista no artigo 173, I, do CTN, que dita que o termo inicial deve ser do exercício seguinte em que ele poderia ser lançado. A a determinação do termo inicial do prazo decadencial para obrigação tributária referente a bem recofiado que foi destinado a mercado interno deve ter como indicador a data em que passam a ser exigíveis os tributos suspensos e as obrigações acessórias, e não o prazo de encerramento do regime RECOF desse bem. Tendo se dado o fato que define a obrigação do contribuinte, e tendo ocorrido o descumprimento dessa clausula ou a inadimplência da regra, o exercício a partir de quando se poderia lançar não pode depender da finalização do prazo do regime desse bem recofiado. Recurso voluntário provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2367; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.723513/201173 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.720 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de setembro de 2014 Matéria REGIMES ADUANEIROS Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDUSTRIA AUTOMOTIVA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 Ementa: RECOF. ADIMPLEMENTO DO REGIME. CONDIÇÕES. As vendas de bens submetidos ao RECOF realizadas a empresa comercial exportadora, mesmo que não instituída nos termos do Decretolei n.º 1.248/1972, que tenham efetivamente sido exportados, podem ser computadas para efeito de comprovação do cumprimento das obrigações do RECOF. DECADÊNCIA. RECOF. O pagamento da apuração mensal dos tributos decorrentes das operações dos bens recofiados não é antecipação de pagamento dos lançamentos representados pelas declarações de admissão no regime. Eles correspondem ao atendimento de clausulas ínsitas nas obrigações do regime aplicado. Por isso, no caso de inadimplemento do regime, a regra decadencial deve ser a prevista no artigo 173, I, do CTN, que dita que o termo inicial deve ser do exercício seguinte em que ele poderia ser lançado. A a determinação do termo inicial do prazo decadencial para obrigação tributária referente a bem recofiado que foi destinado a mercado interno deve ter como indicador a data em que passam a ser exigíveis os tributos suspensos e as obrigações acessórias, e não o prazo de encerramento do regime RECOF desse bem. Tendo se dado o fato que define a obrigação do contribuinte, e tendo ocorrido o descumprimento dessa clausula ou a inadimplência da regra, o exercício a partir de quando se poderia lançar não pode depender da finalização do prazo do regime desse bem recofiado. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 35 13 /2 01 1- 73 Fl. 25279DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, quanto à preliminar de conhecimento dos documentos apresentados após a impugnação, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Efigênia Duarte. Quanto ao mérito, por maioria de votos, acordam os membros do colegiado dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Vencidos a Conselheira Efigênia Duarte e o Conselheiro Robson José Bayerl. O Conselheiro Robson José Bayerl fará declaração de voto. Sustentou pela recorrente Dr. Eduardo de Carvalho Borges, OAB/SP n.º 153.881. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Raquel Motta Brandão Minatel, Efigênia Maria Nolasco Duarte, Eloy Eros da Silva Nogueira, Adriana Oliveira e Ribeiro e Angela Sartori. Relatório O presente processo cuida da exigência de tributos e acréscimos legais decorrentes do inadimplemento do regime RECOF de bens procedentes do exterior e admitidos nesse regime no período de 2005 a 2009 tendo o contribuinte como beneficiário. Essa exigência é resultante de auditoria fiscal que constatou que esses bens foram usados para a produção, pela própria contribuinte, de outros bens vendidos à empresa General Motors do Brasil Ltda (CNPJ n. 59.275.792/000150) e tratados pelo contribuinte como se fossem exportações. No entendimento da fiscalização, para se aferir o cumprimento do RECOF, essa destinação dos bens venda a uma empresa que não se enquadra como comercial exportadora definida pelo Decretolei n. 1.248/1972, mesmo tendo sido por ela exportados em seguida, não foi exportação realizada pelo beneficiário, mas, sim, destinação para o mercado interno. Como bem resumiu o Acórdão de 1ª Instância: Entendeu a fiscalização, com base no inciso II, do §4º do Art. 6º da IN RFB 757/2007, que sucedeu a IN SRF 417/2004, que referidas vendas não poderiam ser a GM não se trata de empresa comercial exportadora, na forma estabelecida em lei. Isso porque não atende aos requisitos do Decretolei nº 1.248/1972, já que: (i) sequer foi constituída como sociedade por ações, constando como sociedade empresária limitada na base de dados da RFB; (ii) não está relacionada no rol de empresas comerciais exportadoras habilitadas, constante do sítio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Em conseqüência, o fisco considerou que essas vendas foram realizadas para o mercado interno e, portanto, as mercadorias deveriam ter sido nacionalizadas mediante o recolhimento integral dos valores suspensos, conforme previsto no art. 37 da IN 417/2004. Como essa providência não foi adotada, procedeu ao lançamento do crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Cofins e PIS Importação , acrescido de multa de ofício e juros de mora. Observou, ademais, com relação às mercadorias importadas no ano de 2005, que o prazo para o beneficiário promover a extinção do regime era 2006. Nesse caso, como a Fazenda Pública somente poderia efetuar o lançamento dos valores devidos em Fl. 25280DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10314.723513/201173 Acórdão n.º 3401002.720 S3C4T1 Fl. 3 3 2007, o período decadencial iniciase em 2012, a teor do disposto no art. 173, I, do CTN. A contribuinte impugnou a exigência e, em breve resumo, alegou: nulidade do auto de infração por erro na determinação do tributo; decadência para os tributos exigíveis por decorrência da entrega dos bens à GM até 22/12/2006; não houve inadimplemento pois as exportações dos bens em tela foram realizadas, no caso pela GM, consoante o propósito da beneficiária firmado com a GM; a GM é empresa que tem entre seus objetivos a exportação, e atende a finalidade do RECOF; o principio da verdade material deve prevalecer sobre o atendimento à formalidade; não há previsão na Lei para incidir juros de mora sobre multa. Após a impugnação, mas antes da sua apreciação pelo julgador, o contribuinte apresentou documentos que comprovariam as exportações dos bens fabricados pelo contribuinte. explicou que se referem a grande quantidade de operações de exportações e a reunião desses documentos dependiam da GM, razão porque não conseguiu trazêlos ao processo no prazo dado para a impugnação. pede sua juntada e apreciação, e considera que o atraso se deu por força maior. A Respeitável 24ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza apreciou a autuação e a impugnação e teceu as considerações e conclusões seguintes: · decidiu não conhecer os documentos e informações entregues pela contribuinte após o prazo de impugnação por entender que a situação não se enquadra nas hipóteses previstas nos §§ 4 e 5 do art. 16 do Decreto n. 70.235, de 1972, ou na definição de força maior dada pelo § 5º do artigo 57 do Decreto n. 7.574, de 2011. Sua argumentação: “A impugnante, todavia, não demonstrou a ocorrência de quaisquer delas. Anotese que a expressiva quantidade de documentos e o fato de os mesmos pertencerem a terceiro não caracterizam motivo de força maior, nos termos do § 5º do art. 57 do Decreto nº. 7.574/2011, (....): (...) Ademais, esclarece o Parecer Normativo CST nº 39, de 1978, que para uma situação se caracterizar como caso de força maior, é preciso ficar demonstrada a ausência de imputabilidade, sua inevitabilidade e irresistibilidade. Pela ausência de imputabilidade, entendese que o evento não pode decorrer da ação humana. Pela inevitabilidade ou irresistibilidade, temos que o sujeito passivo não pode concorrer, sob qualquer forma – negligência, imperícia, imprudência, culpa in vigilando ou in eligendo, inércia, omissão etc. – para o episódio lamentado. No presente caso, considerando que a demora na apresentação dos documentos decorreu da ação humana, temos presentes as características de imputável, evitável e resistível; o que torna descabida a caracterização do motivo de força maior.” · também não acatou o pedido de nulidade feito pelo impugnante na crença de que teria havido erro na determinação dos tributos por equivoco na definição do aspecto temporal do fato gerador. entenderam os Julgadores que o auto de infração não mereceria reparos nesse sentido: “Considerando que a fiscalização entendeu que referidas vendas não se enquadram nas hipóteses de extinção do regime (questão cujo mérito Fl. 25281DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 será analisado em tópico específico), é lógico supor que a impugnante deixou de atender as providências indicadas nos artigos 29 ou 40. Em outras palavras, se não houve exportação nem o recolhimento dos tributos suspensos, então também não houve destinação regular para o mercado interno. Por corolário, as mercadorias ficam sujeitas ao lançamento de ofício do correspondente crédito tributário com acréscimos moratórios e aplicação das penalidades pecuniárias, calculados a partir da data do registro da admissão das mercadorias no regime.” · também não acatou a alegação de decadência por entender que ao caso se aplica a regra do inciso I do artigo 173 do CTN, pois não houve antecipação de pagamento dos tributos e o dies a quo a partir de quando se poderia efetuar o lançamento fiscal somente se dá após o termo final máximo do RECOF, ou seja, um ano após o ingresso dos bens importados no regime. Suas considerações foram: “Considerando que a fiscalização entendeu que referidas vendas não se enquadram nas hipóteses de extinção do regime (questão cujo mérito será analisado em tópico específico), é lógico supor que a impugnante deixou de atender as providências indicadas nos artigos 29 ou 40. Em outras palavras, se não houve exportação nem o recolhimento dos tributos suspensos, então também não houve destinação regular para o mercado interno. Por corolário, as mercadorias ficam sujeitas ao lançamento de ofício do correspondente crédito tributário com acréscimos moratórios e aplicação das penalidades pecuniárias, calculados a partir da data do registro da admissão das mercadorias no regime. A impugnante requer a nulidade do auto de infração por erro na determinação do aspecto temporal do fato gerador, ou então que seja declarada a decadência dos valores relativos aos fatos geradores ocorridos até 22/12/2006. Seu argumento fundase no fato de que, se a fiscalização entende que houve destinação das mercadorias para o mercado interno, então os tributos lançados devem se reportar à data em que houve a entrega dos produtos pela impugnante à GM, e não após um ano contado da data da respectiva importação do insumo. De qualquer forma, entende que a decadência deve ser declarada em relação aos fatos geradores ocorridos até 22/12/2006, em observância ao disposto no art. 150, §4°, do CTN, aplicável ao caso, já que é de conhecimento pleno da Receita Federal do Brasil que houve recolhimento de tributos de mesma espécie (II, IPI, PIS/COFINS) nas competências objeto do AI, e a própria Fiscalização atesta no AI que a exigência tem por base alegadas "diferenças" de tributos não recolhidas. Tal conhecimento dispensa, de per si, a juntada de guias de recolhimento respectivas, porquanto se trata de fato incontroverso e de conhecimento público no caso. Considerando que a fiscalização entendeu que referidas vendas não se enquadram nas hipóteses de extinção do regime (questão cujo mérito será analisado em tópico específico), é lógico supor que a impugnante deixou de atender as providências indicadas nos artigos 29 ou 40. Em outras palavras, se não houve exportação nem o recolhimento dos tributos suspensos, então também não houve destinação regular para o Fl. 25282DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10314.723513/201173 Acórdão n.º 3401002.720 S3C4T1 Fl. 4 5 mercado interno. Por corolário, as mercadorias ficam sujeitas ao lançamento de ofício do correspondente crédito tributário com acréscimos moratórios e aplicação das penalidades pecuniárias, calculados a partir da data do registro da admissão das mercadorias no regime. Outro entendimento não seria possível em face dos preceitos normativos acima citados, uma vez que, mesmo na hipótese de recolhimento dos tributos suspensos após o término do prazo estabelecido para vigência do regime, a legislação já prevê que este deve ser feito com os acréscimos moratórios calculados a partir da data do registro da admissão das mercadorias no regime. Evidente, portanto, que no caso de não serem adotadas as providências indicadas nos artigos 29 ou 40, hipótese que fundamenta a autuação em tela, o fato gerador das mercadorias considerase igualmente como a data do registro de sua admissão no regime. .... entendemos que o pagamento antecipado dos tributos incidentes na importação (ainda que parcial) suscita a aplicação da regra prevista no § 4º do art. 150 do CTN; enquanto que a inexistência de pagamento justifica a utilização da regra do art. 173, I, do CTN, para efeitos de fixação do dies a quo dos prazos de caducidade estando demonstrado nos autos que os valores dos tributos lançados correspondem àqueles suspensos por ocasião do registro de admissão das mercadorias no regime e que, por conseguinte, inexistiu recolhimento parcial de tributos nas operações autuadas, a regra a ser aplicada é aquela do art. 173, I, do CTN, pela qual se define o dies a quo como o primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Senão vejamos: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Considerando que, no caso das mercadorias importadas ao amparo do RECOF, o crédito tributário encontrase suspenso, então não há que se falar em fluência do prazo decadencial durante a vigência do regime, já que nesse período o lançamento não poderia ser efetuado. Logo, com razão o fisco quando afirma, relativamente às mercadorias importadas no ano de 2005, que como o prazo para o beneficiário promover a extinção do regime era 2006, a Fazenda Pública somente poderia efetuar o lançamento dos valores devidos em 2007 (ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Definido o dies a quo como 01/01/2007, temos que o prazo quinquenal expirou em 31/12/2011. Diante do fato que, no momento em que o sujeito passivo foi cientificado do auto de infração, 22/12/2011, o termo final do prazo Fl. 25283DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 decadencial ainda não havia expirado, devem ser afastadas as alegações no sentido de que houve a decadência de parte dos valores lançados.” · os Julgadores de 1ª Instância não acolheram os argumentos de que: (i) não houve inadimplência do RECOF no caso pelo fato dos bens fabricados pelo impugnante com os bens submetidos no RECOF foram efetivamente exportados pela GM; (ii) a GM é uma comercial exportadora, embora não nos termos do Decretolei n. 1.472/1972, e (iii) houve o atendimento ao propósito do RECOF. Os E. Julgadores ponderaram, in verbis: “O cerne do litígio trazido à apreciação, portanto, diz respeito à possibilidade de as vendas realizadas à empresa GM serem consideradas como forma de extinção do RECOF.” .... “O inciso II, do § 4º, do art. 6º da IN RFB nº 757/2007, prevê que os valores das vendas realizadas a empresa comercial exportadora, instituída nos termos do DecretoLei nº 1.248/1972, podem ser computados para efeito de comprovação do cumprimento das obrigações de exportação.” .... “Por conseguinte, estando especificado na legislação que regula o RECOF que as vendas passíveis de serem computadas para comprovar o adimplemento do regime são aquelas realizadas a Empresa Comercial Exportadora, instituída nos termos do DL 1.248/72, temos como irrelevante o fato de a legislação que trata de outros regimes aduaneiros dispor de forma diversa.” “Da mesma forma, entendemos que, mesmo na hipótese de restar comprovado que houve a exportação de todos os produtos industrializados com os insumos objeto das DI autuadas, ainda assim referidas vendas não podem ser computadas para fins de comprovar o adimplemento do regime, uma vez que não atendem aos requisitos exigidos pela legislação de regência e, portanto, ofendem a própria lógica em que o RECOF foi concebido.” “Concluímos, assim, que somente as vendas realizadas às empresas comerciais exportadoras instituídas nos termos do DL nº 1.248/72 podem ser computadas para o fim de comprovar o adimplemento da obrigação de exportar objeto do RECOF, sendo legítimo o procedimento fiscal que culminou com a desconsideração das vendas realizadas as outras empresas que não se revestem das condições especiais previstas no DL.” · e não acolheram a tese do impugnante de que não há previsão legal para os juros de mora sobre multa, pois, em seu entendimento: “Da exegese do dispositivo acima, depreendese que os juros de mora são devidos, independentemente de qual seja o motivo determinante da falta do pagamento do crédito. Ressaltese que a lei não faz distinção se o crédito é originário de obrigação principal ou acessória, se corresponde a tributo ou penalidade. Apenas pontifica que o crédito não pago no vencimento deve ser acrescido por juros de mora.” Fl. 25284DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10314.723513/201173 Acórdão n.º 3401002.720 S3C4T1 Fl. 5 7 “Ora, vencido o crédito tributário relativo às multas, tal como apurado no auto de infração, e inexistindo qualquer hipótese suspensiva de sua exigibilidade, temos que a fluência dos juros moratórios decorre de expressa previsão legal, sendo dever da autoridade fiscal sua exigência.” “Anotese que o entendimento acima não é contrariado pela jurisprudência colacionada pela impugnante, já que esta se limita a dispor que “a SELIC incide tão somente sobre débitos de tributos e contribuições, não sobre penalidade, que deve seguir a regra de juros contida no artigo 161 do CTN (Lei 9.430/96, art. 61 c/c art. 3º do CTN)”, regramento plenamente observado no auto de infração sob análise.” O Acórdão n. 1641.993, proferido pela 24ª Turma da DRJ/SP1 em 22 de novembro de 2012 ficou assim ementado: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 RECOF. VENDA PARA EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. ADIMPLEMENTO DO REGIME. CONDIÇÕES. Somente as vendas realizadas a empresa comercial exportadora, instituída nos termos do DecretoLei nº 1.248/1972, podem ser computadas para efeito de comprovação do cumprimento das obrigações de exportação, consoante o disposto no inciso II, do § 4º, do art. 6º da IN RFB nº 757/2007. Expirado o prazo de permanência das mercadorias no regime, e não tendo sido adotada nenhuma das providências indicadas nos artigos 29 ou 40 da referida IN, é cabível a cobrança dos tributos suspensos, com acréscimos moratórios e multa de ofício, calculados a partir da data do registro da admissão das mercadorias no regime. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 DECADÊNCIA. IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. RECOF. No caso das mercadorias importadas ao amparo do RECOF, como o crédito tributário encontrase suspenso, não há que se falar em fluência do prazo decadencial durante a vigência do regime, já que nesse período o lançamento não poderia ser efetuado. Inexistindo recolhimento parcial dos tributos, o prazo para lançamento de ofício é de cinco anos contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido lançado, nos termos do art. 173, I, do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 ADITAMENTO À IMPUGNAÇÃO. A impugnação é o momento previsto na legislação para a apresentação das razões de defesa da contribuinte, com os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as provas que possuir. A juntada de documentos após a impugnação somente é possível se o contribuinte demonstrar, de forma fundamentada, que ocorreu uma das situações previstas no § 4º, do artigo 16, do Decreto n.º 70.235, de 1972. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 25285DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 A contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou suas razões e argumentos, em resumo: 1. Preliminarmente, pede que os documentos apresentados por sua petição em 02/04/2012 sejam analisados para a apreciação desse contencioso. entende que essa situação corresponde às hipóteses do § 5º do art. 57 do Decreto n. 7.574/2011 e de força maior prevista na alínea 'a' do § 4º do art. 16 do Decreto n. 70.235, de 1972. Os documentos comprovam as exportações dos bens recofiados; e a demora para sua entrega se deve ao fato deles dependerem de terceiro no caso a GM e a autuada não tinha como evitar ou impedir o atraso na apresentação das provas. e não procede a argumentação dos julgadores de 1ª instância de que a demora não deve decorrer da ação humana para caracterizar a situação de força maior e demonstrar a ausência de imputabilidade e sua inevitabilidade e irresistibilidade. Não há na lei qualquer dispositivo que força maior exclua a ação humana. sua admissão para instruir o processo concorre para o principio da verdade material. cita jurisprudência do CARF. 2. ainda preliminarmente, requer a nulidade do auto de infração, por erro na determinação do aspecto temporal do fato gerador. Nos termos do art. 37 da IN SRF 757/2007, os tributos em referência são passíveis de cobrança no encerramento do mês em que realizada a tida (e, no caso inexistente) “destinação para o mercado interno”, sendo devido o recolhimento até o 10º dia do mês subsequente à destinação. Assim, afirmando a Fiscalização ter sido essa a destinação dada às mercadorias, qual seja, o mercado interno, os tributos lançados deveriam se reportar à data em que houve a entrega dos produtos pela contribuinte à GM, e "diferentemente do quanto alegado pela Fiscalização, os valores em referência não são devidos (e não tem fato gerador) a partir do encerramento do período em que tais mercadorias deveriam ter sido destinadas à exportação ... a exigência deveria ter como prazo inicial (fato gerador) no encerramento do mês de destinação do produto respectivo para o mercador interno." ; improcedente a tese da fiscalização de que, não obstante a destinação das mercadorias importadas em desacordo com o regime, o lançamento fiscal poderia ser realizado somente após o encerramento do prazo de vigência do RECOF; tal entendimento não se sustenta pela constatação de que os artigos 40 da IN SRF 417 de 2004 e 42 da IN RFB 757 de 2007, aos quais a Fiscalização faz referência, não tem aplicação no caso concreto, uma vez que tratam (i) da extinção regular do regime (art. 31 da IN SRF 417/2004 e art. 29 da IN RFB 757/07), o que é contestado pela própria fiscalização; e (ii) da manutenção das mercadorias importadas com suspensão de tributos no estoque do contribuinte após o encerramento do prazo de vigência do regime (art. 38 e 39 da IN SRF 417/2004 e art. 40 da IN RFB n. 757/2007); o que comprovadamente não ocorreu, uma vez que incontroversa a destinação das mercadorias importadas à GM." 3. o entendimento sustentado pela fiscalização viola frontalmente os arts 37 das IN SRF 417/2004 e da IN RFB n 757/2007, os quais estabelecem de modo claro e insofismável a obrigação do recolhimento dos tributos suspensos no âmbito do RECOF no mês subseqüente ao da destinação das mercadorias importadas para o mercado interno. (...) diante disso, temse que a fiscalização jamais poderia ter considerado o ano de 2006 Fl. 25286DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10314.723513/201173 Acórdão n.º 3401002.720 S3C4T1 Fl. 6 9 (um ano após as importações realizadas em 2005) como marco temporal para identificação do momento em que "o lançamento poderia ter sido efetuado" (CTN, art. 173, I) e conseqüentemente considerado o dia 1º.01.2012 como prazo final de decadência." 4. impõese reconhecer a preponderância da regra de decadência prevista no art. 150, § 4º do CTN ao caso, ao invés da aplicação exclusiva da regra de decadência do art. 173, I do CTN, pois houve recolhimento parcial dos tributos. Esse recolhimento parcial: 5. "ocorreu mediante a apuração em bases mensais aos quais os tributos em questão estavam submetidos, conjugados com outras operações realizadas pela recorrente naquele mesmo período." (...) " pois o pagamento antecipado apto a atrair a aplicação do art. 150, § 4º do CTN vinculase ao período de apuração do tributo como um todo, sendo este composto de varias operações realizadas no período e não especificamente a cada uma das operações isoladamente. Assim, se do conjunto das operações apuradas no período, houve o recolhimento dos tributos devidos, ainda que parcial ou insuficiente aos olhos da fiscalização, tais recolhimentos obrigam à contagem do prazo de decadência de5 (cinco) anos a contar do fato gerador da respectiva obrigação tributária." cita jurisprudência administrativa. 6. não houve o alegado descumprimento de condição estabelecida na legislação aplicável ao RECOF, e muito menos falta de destinação à exportação dos produtos industrializados cujos insumos foram importados com suspensão; e) os produtos industrializados pela Impugnante foram efetivamente exportados por meio da GM, conforme comprovam os documentos anexos (doc. 04), relativos a uma parcela das operações realizadas no período em fiscalização; f) quanto à premissa de que a GM não poderia ser considerada como uma empresa comercial exportadora, para os fins do disposto no art.6°, §4°, inciso II, da Instrução Normativa n° 757/2007, não é relevante para descaracterizar a opção da empresa pelo RECOF. Conforme precedentes da própria Receita Federal do Brasil, para que a empresa seja considerada como "comercial exportadora" para fins tributários, é relevante apenas que ela possua a exportação entre seus objetivos sociais (doc. 05) e tenha realizado de fato a exportação dos produtos recebidos com destino ao comércio exterior, tal como ocorreu no caso presente. Cita soluções de consulta e jurisprudência do CARF sobre o tema; g) acrescenta que a legislação aduaneira não faz qualquer distinção em relação a empresa comercial exportadora, constituída na forma do DecretoLei n. 1.248/1972, e empresa de fins comerciais habilitada a operar em comércio exterior, para fins de comprovação de exportação no contexto de regime especial conhecido como "drawback", conforme disposto no art. 126 da Portaria SECEX n. 25/2008; h) conclui, assim, que não há fundamento que possa justificar o AI, vez que os produtos importados com suspensão tributária pela Impugnante foram efetivamente exportados por intermédio da GM, a qual, conforme exposto, pode ser caracterizada como empresa comercial exportadora para os fins do art.6°, Fl. 25287DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 10 §4°, inciso II da Instrução Normativa n° 757/2007; i) subsidiariamente e ad argumentandum tantum, ainda que não se reconheça que a GM possa, formalmente, ser considerada como empresa comercial exportadora, impõese reconhecer que a Impugnante fez prova da efetiva exportação das mercadorias importadas com suspensão dos impostos no âmbito do RECOF, o que implica, em última instância, atendimento das condições estabelecidas pelo referido regime aduaneiro; j) não há dúvida de que a verdade material deve prevalecer sobre os aspectos formais, conforme princípio inserto no parágrafo único do art. 116 do CTN e já reconhecido à exaustão pelo CARF, nos julgados que cita; "O lançamento fiscal prestigiou pretensa verdade formal (ainda que realizada sem qualquer resquício de simulação/dissimulação) em detrimento da verdade material, ao desconsiderar o atendimento pela recorrente das condições exigidas na legislação aduaneira para fruição do beneficio do RECOF." 7. GM os produtos industrializados fabricados com os insumos adquiridos pela Impugnante no âmbito do RECOF com suspensão dos impostos, deve ser reconhecida a regularidade das operações realizadas no âmbito do RECOF, de modo a afastar a exigência fiscal em questão; impõese o reconhecimento da ilegalidade da incidência de juros moratórios sobre o valor das multas aplicadas nestes autos, em homenagem ao disposto nos artigos 3o e 161 do CTN c/c art. 61 da Lei n. 9.430/96, conforme jurisprudência administrativa colacionada; É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Recurso tempestivo e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Preliminar a respeito do pedido de consideração de documentos até então não apreciados: Entendo que os princípios da verdade material, da moralidade, da oficialidade, da legalidade, e da eficiência devem prevalecer no processo administrativo fiscal, e que estes três últimos podem concorrer para valorizar aqueles. Nesse âmbito, o formalismo deve ser mitigado e se constituir em instrumento a serviço dos princípios que regem o processo administrativo e os atos da administração pública. Complexa a missão dos membros da mais Alta Corte Administrativa do país. Defendo a liberdade das autoridades para determinar as providências para conhecer a verdade material. Fl. 25288DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10314.723513/201173 Acórdão n.º 3401002.720 S3C4T1 Fl. 7 11 Não é do maior interesse público que o Estado exija importância fundamentada em verdade processual contraditada pela realidade, pelos fatos, ou exija importância aproveitandose de limitação ou vulnerabilidade da pessoa contra a qual se faz essa exigência na condução do processo administrativo. Concorre para esse entendimento compreendermos que a instituição processual a que nos referimos não procura disciplinar o contencioso entre duas partes equiparáveis pelas regras que o regem, mas a um contencioso que tem de um lado a própria Fazenda Pública. Como prelecionou o I. Conselheiro Dr.Luiz Sérgio Fonseca Soares em seu Acórdão n. 0130.777 de 14/10/2003, explicando sua posição a favor da prova documental apresentada fora do prazo: A autoridade administrativa tributária e as autoridades julgadoras, em obediência a esses princípios, não se opõem ao contribuinte, pois seu único objetivo é a aplicação da legislação tributária, não interessando ao Erário Público qualquer importância indevida cuja exigência poderia ser mantida em função de falhas na defesa dos autuados ou com base numa verdade processual contrária à realidade. A ausência de prejuízo para a boa ordem procedimental, quando a prova documental apresentada fora do prazo é aceita pela autoridade julgadora. Não vejo, nessa hipótese, qualquer prejuízo para a boa e correta decisão da lide, o que ocorrerá certamente em sua recusa. Teremos um procedimento bem ordenado, de acordo com a disposição literal da lei, do qual sairão arranhados o interesse público e o privado. Conformandose o contribuinte, a Fazenda Pública receberá um tributo indevido. Não se conformando, recorrerá às instâncias superiores e ao Judiciário. Qualquer uma dessas situações é manifestamente danosa à economia nacional, às Finanças Públicas, à moralidade administrativa e à busca de um relacionamento respeitoso entre Administração Pública e os administrados. Haverá um desgaste moral ou o desperdício de recursos, expondose o Poder Público ao desnecessário, porque evitável, risco da sucumbência. ....... Marcus V. Neder e Maria Teresa M López, in "Processo Administrativo Fiscal Federal", ed. Dialética, 2002, registram: "As limitações à atividade probatória do contribuinte trazidas pelo parágrafo 4º do art. 16, no entanto, têm provocado debates profundos entre os julgadores de primeira e segunda instância administrativa, eis que, ao se levar, às últimas conseqüências, as regras atualmente vigentes para o Decreto n° 70.235/1972, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. Embora se reconheça que a criação de regras de preclusão probatória decorre da necessidade de se garantir o andamento lógico do processo administrativo e que a adoção de uma informalidade absoluta, com direito à prova ilimitado, poderia levar à manipulações indesejáveis e à protelação injustificada de seu término. A tendência atual dos tribunais administrativos é a de atenuar, via construções jurisprudenciais, os rigores desta norma, pois não se deve esquecer que o processo fiscal tem por finalidade primeira garantir a legalidade da apuração do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado." (fl. 205) Fl. 25289DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 12 Concluo, portanto, propondo a apreciação, por esta Alta Corte, dos documentos trazidos ao processo pelo contribuinte em 02/04/2012. Preliminar de decadência Consoante resumo constante do Acórdão, a contribuinte, em sua impugnação alegou que seria "imperioso ser declarada a decadência dos valores relativos a todos os fatos geradores (leiase: entrega de produtos à GM) ocorridos até 22/12/2006, em observância ao disposto no art. 150, §4°, do CTN, aplicável ao caso, já que é de conhecimento pleno da Receita Federal do Brasil que houve recolhimento de tributos de mesma espécie (II, IPI, PIS/COFINS) nas competências objeto do AI, e a própria Fiscalização atesta no AI que a exigência tem por base alegadas "diferenças" de tributos não recolhidas." Os Julgadores a quo afirmaram seu entendimento que “o pagamento antecipado dos tributos incidentes na importação (ainda que parcial) suscita a aplicação da regra prevista no § 4º do art. 150 do CTN; enquanto que a inexistência de pagamento justifica a utilização da regra do art. 173, I, do CTN, para efeitos de fixação do dies a quo dos prazos de caducidade.” Prosseguindo em sua apreciação, eles não acolheram a argumentação da recorrente, pois bastaria: “examinar o demonstrativo de apuração dos tributos, para constatar que não houve qualquer recolhimento dos mesmos relativamente às Declarações de Importação listadas na peça impositiva. A “diferença” apurada é sempre equivalente ao valor do imposto devido na operação. Ora, por óbvio que a mera utilização da palavra “diferença” no auto de infração em nada muda o fato de que não houve recolhimento parcial dos tributos relativamente às operações de importação autuadas. Óbvio, igualmente, que a existência de recolhimentos de tributos da mesma espécie nas competências objeto do AI em nada altera esse fato, já que não guarda relação com as operações discutidas." E acrescentaram em sua análise: “Portanto, estando demonstrado nos autos que os valores dos tributos lançados correspondem àqueles suspensos por ocasião do registro de admissão das mercadorias no regime e que, por conseguinte, inexistiu recolhimento parcial de tributos nas operações autuadas, a regra a ser aplicada é aquela do art. 173, I, do CTN, pela qual se define o dies a quo como o primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Considerando que, no caso das mercadorias importadas ao amparo do RECOF, o crédito tributário encontra se suspenso, então não há que se falar em fluência do prazo decadencial durante a vigência do regime, já que nesse período o lançamento não poderia ser efetuado. Logo, com razão o fisco quando afirma, relativamente às mercadorias importadas no ano de 2005, que como o prazo para o beneficiário promover a extinção do regime era 2006, a Fazenda Pública somente poderia efetuar o lançamento dos valores devidos em 2007 (ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Definido o dies a quo como 01/01/2007, temos que o prazo quinquenal expirou em 31/12/2011. Diante do Fl. 25290DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10314.723513/201173 Acórdão n.º 3401002.720 S3C4T1 Fl. 8 13 fato que, no momento em que o sujeito passivo foi cientificado do auto de infração, 22/12/2011, o termo final do prazo decadencial ainda não havia expirado, devem ser afastadas as alegações no sentido de que houve a decadência de parte dos valores lançados.” A recorrente retornou ao tema. Ela sublinha que a fiscalização, não obstante a sua tese da ocorrência de destinação dos bens recofiados ao mercado interno, entendeu que os tributos correspondentes a estas operações somente seriam exigíveis após o encerramento do prazo de vigência do regime, uma vez que a não emissão da DI de nacionalização redundaria na aplicação dos artigos 40 da IN SRF 417/2004 e art. 42 da IN RFB 757/2007. No entanto, expõe a recorrente, esse entendimento é improcedente, por que esse artigos não se aplicam a esse caso, uma vez que tratam da extinção regular do regime (o que é contestado pela fiscalização) e da manutenção de bens recofiados no estoque após o encerramento do prazo de vigência do regime (o que comprovadamente não ocorreu, uma vez que incontroversa a destinação das mercadorias importadas á GM). E acrescentam: O artigo 37 das citadas INs estabelecem de modo claro a obrigação do recolhimento dos tributos suspensos no mês subseqüente ao da destinação das mercadorias importadas para o mercado interno. Sendo assim,a fiscalização jamais poderia ter considerado o ano de 2006 (um ano após as importações realizadas em 2005) como marco temporal para identificação do momento em que o “lançamento poderia ter sido efetuado” (artigo 173, I, do CTN) e conseqüentemente considerado o dia 01/01/2012 como prazo final de decadência. Houve um erro na identificação do termo inicial para aplicação do art. 173, I, do CTN ao tomar como momento em que o lançamento poderia ser realizado o fim da vigência do regime ao invés da destinação dada pela recorrente aos bens importados no Regime. Acrescenta ainda o argumento de que ao caso deve ser aplicada preponderantemente a regra de decadência do artigo 150, § 4º do CTN por se referir a situações em que houve pagamento antecipado do imposto. E explica: Com a devida vênia, ao contrário do que afirma o v. acórdão, houve recolhimento parcial dos tributos questionados no presente caso. Impõemse considera, contudo, que tal recolhimento ocorreu mediante a apuração em bases mensais aos quais os tributos em questão estavam submetidos, conjugados com outras operações realizadas pela Recorrente naquele período. Não posso concordar com a recorrente quando propõe a existência de antecipação de pagamento, para fins de determinação da regra decadencial, quando se dá a apuração mensal dos tributos decorrentes das operações dos bens recofiados. Esses pagamentos mensais não são antecipações dos lançamentos representados pelas declarações de admissão no regime. Eles correspondem ao atendimento de clausulas ínsitas nas obrigações do regime aplicado. Por isso, a regra decadencial deve ser a prevista no artigo 173, I, do CTN, que dita que o termo inicial deve ser do exercício seguinte em que ele poderia ser lançado. Entretanto, concordo com a recorrente que a determinação do termo inicial do prazo decadencial para obrigação tributária referente a bem recofiado destinado a mercado interno deve ter como indicador a data em que passam a ser exigíveis os tributos suspensos e as obrigações acessórias, e não o prazo de encerramento do regime RECOF desse bem. Tendo se Fl. 25291DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 14 dado o fato que define a obrigação do contribuinte, e tendo ocorrido o descumprimento dessa clausula ou a inadimplência da regra, o exercício a partir de quando se poderia lançar não pode depender da finalização do prazo do regime desse bem recofiado. Proponho, assim, para esta preliminar, dar parcial provimento ao recurso. Mérito A matriz legal para o Regime RECOF está nos artigos 89 e 90 do Decretolei n. 37, de 1966. Ele é um regime que permite a internação no país de bem procedente do exterior com suspensão dos tributos para ser transformado, sob controle aduaneiro, e ser destinado a exportação ou ao mercado interno. Nesses artigos podemos ver que a aplicação do Regime será autorizada pelo Ministro da Fazenda, mas que há de se observar o que dispõe o regulamento a respeito das seguintes condições: (a) prazo da concessão; (b) quantidade máxima de mercadoria importada a ser depositada e prazo de utilização; e ( c) percentagem mínima de produção total a ser exportada obrigatoriamente. Eles também remetem ao Regulamento o disciplinamento das medidas de controle fiscal de competência da Receita Federal (sucessora do Departamento de Rendas Aduaneiras). DecretoLei n. 37, de 1966: Entreposto Industrial Art.89 O regime de entreposto industrial permite, a empresa que importe mercadoria na conformidade dos regimes previstos no art.78, transformála, sob controle aduaneiro, em produtos destinados a exportação e, se for o caso, também ao mercado interno. Art.90 A aplicação do regime de entreposto industrial será autorizada pelo Ministro da Fazenda, observadas as seguintes condições básicas, conforme dispuser o regulamento: I prazo da concessão; II quantidade máxima de mercadoria importada a ser depositada no entreposto e prazo de sua utilização; III percentagem mínima da produção total a ser obrigatoriamente exportada. § 1º O regime de entreposto industrial será aplicado a título precário, podendo ser cancelado a qualquer tempo, no caso de descumprimento das normas legais e regulamentares. § 2º Findo o prazo do regime de entreposto industrial, serão cobrados os tributos devidos por mercadoria ainda depositada. § 3º O regulamento disporá sobre as medidas de controle fiscal a serem adotadas pelo Departamento de Rendas Aduaneiras. § 4º Aplicamse a este capítulo, no que couber, as disposições dos Capítulos III e IV. Art.91 No caso de despacho para consumo dos produtos resultantes de transformação ou elaboração, o imposto será cobrado segundo a espécie e quantidade das matériasprimas e componentes utilizados naqueles produtos. Fl. 25292DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10314.723513/201173 Acórdão n.º 3401002.720 S3C4T1 Fl. 9 15 O Regulamento [Aduaneiro] cria o regime RECOF, espécie do gênero cuja matriz está nos artigos 89 e 90 do DecretoLei n. 37, de 1996. O Regulamento dedilha as normas necessárias a aplicação desse Regime: CAPÍTULO VII DO REGIME DE ENTREPOSTO INDUSTRIAL SOB CONTROLE ADUANEIRO INFORMATIZADO RECOF Seção I Do Conceito Art. 420. O regime de entreposto industrial sob controle aduaneiro informatizado RECOF é o que permite a empresa importar, com ou sem cobertura cambial, e com suspensão do pagamento de tributos, sob controle aduaneiro informatizado, mercadorias que, depois de submetidas a operação de industrialização, sejam destinadas a exportação (DecretoLei n o 37, de 1966, art. 89). § 1 o Parte da mercadoria admitida no regime, no estado em que foi importada ou depois de submetida a processo de industrialização, poderá ser despachada para consumo (DecretoLei n o 37, de 1966, art. 89). § 2 o A mercadoria, no estado em que foi importada, poderá ter ainda uma das seguintes destinações: I exportação; II reexportação; ou III destruição. Seção II Da Autorização para Operar no Regime Art. 421. A autorização para operar no regime é de competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil (DecretoLei n o 37, de 1966, art. 90, § 1 o ). Art. 422. Poderão habilitarse a operar no regime as empresas que atendam aos termos, limites e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, em ato normativo, do qual constarão (Decreto Lei n o 37, de 1966, art. 90, caput ): I as mercadorias que poderão ser admitidas no regime; II as operações de industrialização autorizadas; III o percentual de tolerância, para efeito de exclusão da responsabilidade tributária do beneficiário, no caso de perda inevitável no processo produtivo; IV o percentual mínimo da produção destinada ao mercado externo; V o percentual máximo de mercadorias importadas destinadas ao mercado interno no estado em que foram importadas; e VI o valor mínimo de exportações anuais. Parágrafo único. A aplicação do regime poderá ser estendida a mercadorias a serem empregadas em desenvolvimento de produtos, em testes de funcionamento e resistência e em operações de renovação, recondicionamento, manutenção e reparo. Seção III Do Prazo e da Aplicação do Regime Fl. 25293DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 16 Art. 423. O prazo de suspensão do pagamento dos tributos incidentes na importação será de até um ano, prorrogável por período não superior a um ano. § 1 o Em casos justificados, o prazo de que trata o caput poderá ser prorrogado por período não superior, no total, a cinco anos, observada a regulamentação editada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 2 o A partir do desembaraço aduaneiro para admissão no regime, a empresa beneficiária responderá pela custódia e guarda das mercadorias na condição de fiel depositária. Art. 424. A normatização da aplicação do regime é de competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que disporá quanto aos controles a serem exercidos (DecretoLei n o 37, de 1966, art. 90, § 3 o ). Seção IV Da Exigência de Tributos Art. 425. Findo o prazo fixado para a permanência da mercadoria no regime, serão exigidos, em relação ao estoque, os tributos suspensos, com os acréscimos legais cabíveis (DecretoLei n o 37, de 1966, art. 90, § 2 o ). Parágrafo único. O disposto no caput não dispensa o cumprimento das exigências legais e regulamentares para a permanência definitiva da mercadoria no País. Art. 426. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estabelecerá a forma e o momento para o cálculo e para o pagamento dos tributos. grifos nossos Como se vê, o RECOF é o regime que permite a internação de bem procedente do exterior com suspensão dos tributos para, sob controle aduaneiro sofrer transformação do tipo industrialização e, em seguida, ser exportado. Mas ele admite que o bem possa ser destinado ao exterior na forma em que se encontra, ou mesmo ser destruído, sem descaracterizar o regime. O regulamento dispõe ainda que a Receita Federal do Brasil definirá o conjunto de normas necessárias para a aplicação do regime e dos controles a serem exercidos, e as formas e momentos para cálculo e pagamento dos tributos, e a hipótese de prorrogação. A Receita Federal, em suas Instruções Normativas cuidou dessas regras básicas, e também contribuiu para o substantivo aperfeiçoamento do regime, de uma forma que, na apertada exposição e condução desse voto, não conseguiria esclarecer. Ocorre que ela previu que a manutenção da habilitação ao regime dependeria da comprovação da realização de determinados índices de resultados, e que eles poderiam computar as vendas feitas a comerciais exportadoras entes instituídos pelo Decreto Lei n. 1.248, de 1972. Vejamos o que escreve o artigo 6º da IN RFB n. 757, de 2007, versão atual dessas importantes normas: Art. 6º A manutenção da habilitação da empresa ao regime ficará condicionada às obrigações de: I exportar produtos industrializados, com a utilização de mercadorias estrangeiras admitidas no regime, no valor mínimo anual equivalente a cinqüenta por cento do valor total das Fl. 25294DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10314.723513/201173 Acórdão n.º 3401002.720 S3C4T1 Fl. 10 17 mercadorias importadas ao amparo do regime, no mesmo período, e não inferior a: a) US$ 10.000.000,00 (dez milhões de dólares dos Estados Unidos da América), para as empresas habilitadas às modalidade Recof Informática e Recof Semicondutores; e b) US$ 20.000.000,00 (vinte milhões de dólares dos Estados Unidos da América), para as empresas habilitadas às demais modalidades; e II aplicar, anualmente, pelo menos oitenta por cento das mercadorias estrangeiras admitidas no regime na produção dos bens que industrializar. § 1º Para o cumprimento das obrigações de que trata o caput, a empresa interessada deverá: I computar as operações realizadas a partir do desembaraço aduaneiro da primeira Declaração de Importação (DI) de mercadorias para admissão no regime; e II considerar a data de desembaraço da declaração de exportação, desde que averbado o embarque ou a transposição de fronteira da mercadoria. § 2º As obrigações de exportar referidas nas alíneas "a" e "b" do inciso I do caput ficam reduzidas em cinqüenta por cento no primeiro ano da habilitação da empresa industrial. § 3º Na apuração dos montantes previsto nas alíneas "a" e "b" do inciso I do caput: I será considerada a exportação ao preço constante da respectiva declaração de exportação; II serão subtraídos os valores correspondentes às importações de mercadorias admitidas em outros regimes aduaneiros vinculados à obrigação de exportar e utilizadas nos produtos exportados; III serão desconsiderados os valores correspondentes à exportação ou reexportação: a) dos produtos usados referidos nos incisos II e IV do § 4º do art. 2º; b) de partes e peças no mesmo estado em que foram importadas ou submetidas somente a operações de acondicionamento ou reacondicionamento, à exceção da exportação de veículos completos na condição de Completely Knocked Down (CKD); e c) de mercadorias importadas, no mesmo estado em que foram recebidas de outro beneficiário; e IV serão computados os valores relativos às exportações efetuadas: a) ao amparo de todas as modalidades às quais está habilitada a empresa, na hipótese de empresa industrial habilitada a mais de uma modalidade; e b) por todos os estabelecimentos da empresa habilitada autorizados a operar o regime, em conformidade com o inciso I do § 1º do art. 14. § 4º Para efeito de comprovação do cumprimento das obrigações de exportação, poderão ser computados os valores das vendas: Fl. 25295DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 18 I de partes e peças fabricadas com mercadorias admitidas, realizadas a outro beneficiário habilitado ao regime; e II realizadas a Empresa Comercial Exportadora, instituída nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972. § 4 º Para efeito de comprovação do cumprimento das obrigações de exportação, poderão ser computados os valores: ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB n º 1.250, de 24 de fevereiro de 2012 ) I das transferências a qualquer título de partes e peças fabricadas com mercadorias admitidas, realizadas a outro beneficiário habilitado ao regime; e ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB n º 1.250, de 24 de fevereiro de 2012 ) II das vendas realizadas a Empresa Comercial Exportadora, instituída nos termos do DecretoLei n º 1.248, de 29 de novembro de 1972. ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB n º 1.250, de 24 de fevereiro de 2012 ) Ora, a previsão das vendas a comerciais exportadoras instituídas nos termos do Decreto lei n. 1.248, de 1972, é uma possibilidade, e não uma restrição. Leio nessas regras uma condição que não pode restringir o alcance dados pela matriz legal do Regime. Nem a IN define restrição, nem a Lei matriz traz essa restrição. Certamente não é propósito da Receita Federal extrapolar a competência a ela a atribuída pelo Regulamento e definir restrição não prevista na Lei, nem prevista no conjunto de definições remetido ao regulamento. As Normativas editadas pela Receita Federal não criam, a meu ver, restrições não previstas na Lei. Sendo assim, ela não está restringindo a extinção do RECOF a exportações feitas diretamente pelo beneficiário do Regime, ou a exportações indiretas feitas somente através da vendas a comerciais exportadoras instituídas pelo Decreto lei n. 1.248, de 1972. Na verdade, o regime tem seu propósito cumprido com a comprovação da efetiva exportação do bem nele admitido, transformado ou não, por via direta ou indireta, através ou não de qualquer outra empresa exportadora, desde que atendidos os demais ditames das normativas que disciplinam o regime. Sendo assim, concluo que o RECOF, no caso em discussão, pode ser submetido a verificação da correção e regularidade de sua aplicação, finalização e extinção considerando as vendas feitas a empresa intermediária que exportou os bens inicialmente admitidos no regime. Proponho a esta Alta Corte considerar procedente o Recurso Voluntário para que o não enquadramento da GM no que define o Decreto Lei n. 1.248, de 1972, não seja motivo para desqualificar as vendas da recorrente na comprovação da extinção regular do RECOF. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Declaração de Voto Fl. 25296DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10314.723513/201173 Acórdão n.º 3401002.720 S3C4T1 Fl. 11 19 Conselheiro Robson José Bayerl, Visando expor a motivação da minha divergência em relação ao voto do i. Relator, esclareço que se restringe à qualificação das vendas questionadas neste processo, à General Motors do Brasil Ltda., no âmbito do RECOF, como realizada para fins específicos de exportação. Nada obstante concordar que a interpretação restritiva engendrada pelas autoridades administrativas recorridas, quanto à necessidade de venda a empresas comerciais exportadoras constituídas nos moldes do DecretoLei nº 1.248/72, é inaplicável aos autos, tenho que não seja possível reconhecer tais operações como vendas com fim específico de exportação, porquanto não atendem às condições estatuídas no art. 39, § 2º da Lei nº 9.532/95. Consoante aludido dispositivo, consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. No caso vertente, não há elementos nos autos que demonstrem que as mercadorias foram encaminhadas diretamente para embarque de exportação ou mesmo para recintos alfandegados, mostrandose despiciente e insuficiente o fato de a empresa adquirente, posteriormente (com o perdão do eco), haver exportado os produtos no mesmo estado em que adquiridos da autuada. A meu ver, trataramse, indigitadas operações, de simples aquisições comuns no mercado interno com posterior exportação, sem que possam ser consideradas vendas com fim específico de exportação, ou mesmo que o adquirente possa ser qualificado como empresa comercial exportadora. Robson José Bayerl Fl. 25297DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 10410.002253/2009-96
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
MULTA. RECÁLCULO. GFIP. OMISSÃO. FATOS GERADORES
Constitui infração apresentar, a empresa, a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
Com o advento da Lei 11.941.09, para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 284, II e art. 373 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes transcritos acima.
Numero da decisão: 2403-002.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado no art. 32-A, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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RECÁLCULO. GFIP. OMISSÃO. FATOS GERADORES Constitui infração apresentar, a empresa, a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Com o advento da Lei 11.941.09, para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 284, II e art. 373 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes transcritos acima. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado no art. 32A, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 22 53 /2 00 9- 96 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10410.002253/200996 Acórdão n.º 2403002.782 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil com julgamento no Recife, nº 1129.740, fls. 179/185, que julgou improcedente a impugnação apresentada para manter incólume o crédito tributário consubstanciado no DEBCAD 37.117.8851, referente ao período de 01/2004 a 12/2004, no valor de R$ 365.716,10 (trezentos e sessenta e cinco mil, setecentos e dezesseis reais e dez centavos). A presente autuação almeja o recolhimento de multa por ter apresentado Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, com omissão de declaração em relação aos seguintes fatos geradores de contribuições previdenciárias: 1 – Remuneração de segurados contribuintes individuais, nos anexos I, II e III 2 – Remuneração de segurados empregados, verificadas na contabilidade e nas folhas de pagamento, conforme anexos IV a XIV. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 141/145. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos do então impugnante, a 7ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento no Recife, DRJ/REC, prolatou o acórdão 1129.740 de fls. 179/185, a qual julgou improcedente a impugnação, mantendo a totalidade do crédito tributário, conforme ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período: 01/01/2004 a 31/12/2004 MPF. PRORROGAÇÃO DO PRAZO. VALIDADE. As intimações do término do procedimento fiscal e do lançamento efetuado por meio deste AI foram efetivadas dentro do prazo de validade prorrogado do MPF. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106 DO CTN. A multa a ser aplicada no caso concreto é a mais benéfica quando do cotejo da penalidade aplicada nos termos do art. 32, § 5º, da Lei 8.212/1991, na redação da Lei 9.528,/1997, c/c a do art. 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.528/1997, com a aplicada na sistemática vigente a partir da MP 449/2008, a ser definida por ocasião do pagamento do crédito lançado. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 SUBSTITUIÇÃO DE ACÓRDÃO. LAPSO MANIFESTO. Devem ser corrigidas de ofício, as inexatidões materiais existentes na decisão do processo administrativo fiscal devidas a lapso manifesto. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformado, a recorrente, Companhia Açucareira Central Sumaúma, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, contestando a autuação fiscal em epígrafe por meio de instrumento de fls. 191/196., requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1 – O auto de infração foi baseado em norma revogada. 2 – A impossibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. É o relatório. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10410.002253/200996 Acórdão n.º 2403002.782 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl.222, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO DA MULTA Afirma a recorre que o fundamento trazido pelo auto de infração se baseia no art. 35, § 5º da Lei 8.212/91, que foi revogada pelo art. 65 da MP nº 449/2008, entretanto, tal revogação não é motivo de nulidade do auto de infração. Se faz necessário tecer algumas considerações, face à edição da MP nº 449/08, convertida na Lei n° 11.941/09. Ela inseriu o art. 32A na Lei n° 8.212/91 e alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas ao inciso IV do art. 32 da Lei n° 8.212/91, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 230DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Logo, quando houver descumprimento da Obrigação Acessória prevista no art. 32, IV da Lei nº 8.212/91, aplicase a multa prevista acima. Ocorre que ela deverá ser aplicada da seguinte forma: 1. Somase o total das informações incorretas ou omitidas; 2. Dividese o total em grupos de 10. Para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas será aplicada a multa de R$ 20,00 (art. 32A, I); 3. Além dessa multa, aplicase a multa de 2% ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (art. 32A, II); 4. A multa mínima a ser aplicada será de R$ 500,00, para o caso da multa prevista no inciso I e R$ 500,00 para a multa prevista no inciso II, ambos do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (art. 32A, § 3º, II). Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, da Lei nº 8.212/91 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes transcritos acima. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto pelo provimento parcial do presente Recurso Voluntário, para determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado no art. 32A, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte, na forma descrita no corpo do voto. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10410.002253/200996 Acórdão n.º 2403002.782 S2C4T3 Fl. 5 7 Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 232DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 13786.720052/2011-19
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE.
A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave somente abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão e deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Não preenchidos cumulativamente os requisitos exigidos pela lei, os rendimentos devem ser oferecidos à tributação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave somente abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão e deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Não preenchidos cumulativamente os requisitos exigidos pela lei, os rendimentos devem ser oferecidos à tributação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 6. 72 00 52 /2 01 1- 19 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13786.720052/201119 Acórdão n.º 2801003.898 S2TE01 Fl. 52 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 2a Turma da DRJ/RJ2 (Fls. 22), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Versa o presente processo sobre a Notificação de Lançamento de fls.10/14, relativo ao anocalendário 2007, para cobrança do crédito tributário de R$ 19.999,40. * omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$46.974,84 da fonte pagadora Miracema Câmara Municipal. O enquadramento legal encontrase às fls.12 e 14. Inconformado o interessado ingressou com a impugnação de fls.02/03, alegando que: 1. foi acometido de cardiopatia grave (CID X I20.0), conforme declaração de avaliação médicopericial, realizada na Unidade Executiva de Perícia Médica de Miracema – RJ, em 14/09/2006, cuja cópia segue em anexo; 2. para corroborar seu argumento, está juntando à presente peça defensória, o Relatório Cirúrgico expedido pelo Hospital de Clínicas de Niterói, onde estão relatados os procedimentos realizados; 3. a partir de setembro de 2006, passou a ser beneficiado pelo art. 6º, inciso XIV, da Lei nº7.713, de 22 de dezembro de 1988, referendada pela Lei nº9.250, de 26 de dezembro de 1995, artigo 30, parágrafo 2º, por ser portador de moléstia grave e porque seus rendimentos de aposentadoria, recebidos do INSS e da Câmara Municipal de Miracema, passaram a ser isentos e não tributáveis; 4. acredita que a Câmara Municipal de Miracema tenha apresentado a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) de forma incorreta; 5. para comprovar que não houve informação indevida em sua declaração de ajuste/2008, apresentada em 16/04/2008, está acostando ao presente os comprovantes de rendimentos recebidos pelo INSS (R$ 14.350,56) e pela Câmara Municipal de Miracema ( R$ 49.974,84); 6. diante do exposto, não concorda com a Notificação de Lançamento. Passo adiante, a 2ª Turma da DRJ/RJ2 entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: Fl. 52DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13786.720052/201119 Acórdão n.º 2801003.898 S2TE01 Fl. 53 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que o interessado é portador de uma das moléstias apontadas na legislação de regência. Cientificado em 27/02/2012 (Fls. 29), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 28/03/2012 (fls. 30 a 34), argumentando em síntese: (...) Seguindo o atestado de seu colega, o perito médico do INSS, incorreu no mesmo erro técnico, pois, enquadrou o paciente que examinava na Lei n°. 7.713, de 22/09/1988, em seu artigo 6o, Inciso XIV referendado pela Lei n°. 9.250, de 26/12/1995, Artigo 30, parágrafo 2, mas ele, o Perito, copiando do medico assistente, também codificou a doença com o CID 1.20.0, Código inadequado, face à doença sofrida pelo paciente contribuinte (CARDIOPATIA GRAVE); Contudo, a enfermidade sofrida pelo paciente/contribuinte era mesmo aquela afirmada pelo médico JOSE DE ALENCAR BARROS HIGINO CRMRJ 52277/69 CARDIOPADIA GRAVE, tanto que a cirurgia recomendada foi realizada e o médico cirurgião especializado, Dr. Mário Ricardo Amar, CRM 52457114, em seu relatório cirúrgico, afirmou, em duas oportunidades, a existência de LESÃO GRAVE OSTIAL; Alem do mais, nos exames a que fora submetido, (comprovantes em anexo), inclusive o Laudo da Cirurgia, foi constatado no paciente a situação de CARDIOPATIA GRAVE, e, nesta situação, ele vive ainda hoje sob efeitos de medicamentos especiais, realização de exercidos físicos e dieta alimentar. Não pode subir escadas, rampas ou morros, porque se atrapalha com dificuldades na respiração, passa por disritmia cardíaca e descontrole da pressão arterial; Não pode, pois, o paciente/contribuinte ser penalizado, agora, porque dois médicos o que o assiste e o Perito da Previdência Social, concluíram e escreveram certo seus respectivos trabalhos, mas, INADVERTIDAMENTE anotaram, de forma inadequada, a codificação completamente diferente do que constataram, quando anotaram o CID 1.20.0, onde deveriam ter apontado o CID 1.25.5; Escreveram Cardiopatia Grave e anotaram o Código de Angina Instável; (...) O médico assistente reconheceu o engano e apresentou em manuscrito a sua posição no caso, face ao ocorrido; Fl. 53DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13786.720052/201119 Acórdão n.º 2801003.898 S2TE01 Fl. 54 4 Quanto ao médico perito, este não se pronunciou ainda, embora o segurado/contribuinte, fazendo valer o seu direito de justiça, após vários contatos diretos, pediu uma solução, apresentando, agora, ao Setor de Pericia Médica do INSS, um requerimento formal apelando por um esclarecimento (cópia anexa) ; (...) Sabese que o Imposto sobre a renda é um imposto justo, mas não é justo, Ilustríssimos Senhores Julgadores, deixarem de corrigir um erro técnico do médico assistente e do Perito, justificando para tanto, as recomendações constantes do Código Tributário Nacional que segundo a Ilustre relatora proíbe interpretações de modo diferente do que está escrito; (...) É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De início verifico que a matéria em litígio restringese aos rendimentos pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS e pela Câmara Municipal de Miracema ao longo do anocalendário de 2007, exercício 2008. Sustenta o contribuinte que faria jus a concessão de isenção por ser aposentado e portador de cardiopatia grave. Como bem descrito no Acórdão recorrido, a isenção por moléstia grave encontrase regulamentada pela Lei n° 7.713/1988, em seu artigo 6°, incisos XIV e XXI, com a redação dada pela Lei n° 11.052, de 29 de dezembro de 2004, nos termos abaixo: "Art. 6° XIV — os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma” Acerca do tema, o Decreto nº 3.000/99 (RIR), em seu artigo 39, inciso XXXIII, bem como o §4º do mesmo artigo, assim dispõe: Fl. 54DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13786.720052/201119 Acórdão n.º 2801003.898 S2TE01 Fl. 55 5 “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); A partir do anocalendário de 1996, devese aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições, sobre o assunto, trazidas pela Lei n° 9.250, de 26/12/1995, in verbis: Art. 30 — A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6" da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios."(g.n) De acordo com o texto legal, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria, ou reforma, ou pensão, e o outro relacionase com a existência da moléstia tipificada no texto legal, atestada por laudo de serviço médico oficial. Após a análise dos documentos apresentados não restam dúvidas de que os proventos recebidos eram de aposentadoria(fls. 8 e 9). Resta então analisar se, à época dos fatos, o contribuinte era portador de moléstia grave tipificada no texto legal, atestada por laudo médico oficial. Neste ponto o voto do relator do acórdão recorrido estabeleceu que; in verbis: “Ab initio”, cabe esclarecer que o interessado acostou aos autos o laudo pericial de fl. 05, exarado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (Gerenciamento de Benefício por Incapacidade – Campos dos Goytacazes/RJ), que assevera que o autuado apresenta a moléstia discriminada na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde ( CID X I20.0), que corresponde à moléstia “ angina instável”. Frisese, no entanto, que a supracitada moléstia não se encontra discriminada entre aquelas discriminadas no artigo 6º, incisos XIV e XXI , da Lei nº 7.713/1988, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13786.720052/201119 Acórdão n.º 2801003.898 S2TE01 Fl. 56 6 Cabe ressaltar que, de acordo com o estabelecido na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), a interpretação da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser literal. Não há como interpretar de modo diferente o assunto. É que a isenção deve ser tida como regra de direito excepcional, sendo vedado ao intérprete a utilização de interpretação extensiva ou de integração analógica, em se tratando de favorecimento tributário. Verificase que por ocasião de seu recurso o contribuinte, na tentativa de fazer prova da moléstia grave tipificada em texto legal, anexa às fls. 40 declaração assinada por José de Alencar Barros Higino – CRM. 32.27769, onde referido médico ratifica o código da CID utilizado em laudo anterior; modificandoa de CID I.20.0 para CID I.25.5, sendo este relativo a cardiopatia grave, a qual seria hábil para gerar a isenção pretendida. Ocorre que, o referido documento foi emitido por particular e não pertencente ao mesmo médico que lavrou o laudo oficial proveniente do INSS e como tal não se mostra hábil a comprovar o suposto equívoco na capitulação da CID. Desta feita é forçoso reconhecer que a declaração apresentada não pode ser entendida como um laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Desta feita o recorrente não anexou laudo médico oficial, no qual se vislumbre que o mesmo à época do fato gerador já era portador de moléstia cardiopatia grave, presente entre aquelas discriminadas no artigo 6º, incisos XIV e XXI , da Lei nº 7.713/1988, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004. Deste modo, entendo que o recorrente não logrou êxito em provar que, no ano base 2007, era portador de cardiopatia grave que desse direito a isenção. Não tendo, portanto, direito à mesma. Ante tudo acima exposto, e o que consta nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 56DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13786.720052/201119 Acórdão n.º 2801003.898 S2TE01 Fl. 57 7 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN
score : 1.0
Numero do processo: 10166.014306/2007-99
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. UNESCO. SÚMULA CARF N° 39.
Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (05/12/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (05/12/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. UNESCO. SÚMULA CARF N° 39. Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (05/12/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (05/12/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1795; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 69 1 68 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.014306/200799 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801002.183 – 1ª Turma Especial Sessão de 19 de janeiro de 2012 Matéria IRPF Recorrente JOSE LUIS VILLAR MELLA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. UNESCO. SÚMULA CARF N° 39. Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (05/12/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (05/12/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 01 43 06 /2 00 7- 99 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10166.014306/200799 Acórdão n.º 2801002.183 S2TE01 Fl. 70 2 Relatório Adoto como relatório o explicitado pela DRJ que assim dispõe: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF, referente ao exercício 2005, anocalendário de 2004, por AFRF da DRF/Brasilia/DF. A ciência do lançamento ocorreu em 13/11/2007, conforme Aviso de Recebimento de fl. 31. 0 valor do crédito tributário apurado está assim constituído: (cm Reais) Imposto 15.213,11 Juros de Mora (cálculo até 31/08/2007) 5.172,45 Multa Proporcional (passível de redução) 11.409,83 Total do Crédito Tributário 31.795,39 0 referido lançamento teve origem na constatação da seguinte infração: Omissão de Rendimentos de Fontes no Exterior: omissão de rendimentos do trabalho recebidos de Organismos Internacionais (PNUD), no valor de R$ 68.400,00. A base legal do lançamento encontrase nos autos. Em 23/11/2007, o lançamento foi impugnado, em petição de fls. 01/15, na qual se alega, resumidamente, o quanto segue: Inicialmente, tece comentários a respeito da Organização das Nações Unidas —ONU e dos trabalhos desenvolvidos com a finalidade de promover o desenvolvimento econômico e social dos povos. Explica que, para a realização dos trabalhos, a ONU contrata profissionais dos Países Membros. Tais profissionais são contratados como servidores das equipes permanentes, tem seus rendimentos pagos com recursos da ONU e estão sujeitos As normas e aos procedimentos estabelecidos pela ONU. 0 contribuinte é servidor do quadro do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento — PNUD, conforme comprovantes de pagamentos em anexo, que demonstram o exercício de função especifica de Consultor Técnico. A Constituição Federal (art. 5', § 2 0) e o Código Tributário Nacional — CTN (art. 98) asseguram a vigência dos tratados e convenções internacionais dos quais o Brasil é signatário, bem como a supremacia dos mesmos em relação à legislação brasileira. Em relação aos servidores do PNUD, aplicamse os benefícios previstos na Convenção Sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto n" 27.784, de 1950). Tais benefícios incluem a isenção de impostos sobe salários e vencimentos pagos pelas agências especializadas (art. V da Seção 18). Fl. 70DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10166.014306/200799 Acórdão n.º 2801002.183 S2TE01 Fl. 71 3 Já as relações entre o Brasil e o Organismo Internacional são regi3iadas pelo Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, s s 1ências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, aprovada pelo Decreto IV 59.308, de 1966. 0 Acordo não estabelece distinções entre os diversos servidores do Organismo Internacional, estendendo os benefícios nele previstos para peritos, agentes e funcionários. No tocante A legislação interna, assevera que o direito A isenção é garantido pelo art. 22, 11 (10 RIR/1999, que tem como base legal o art. 5' da Lei n°4.506, de 196 e o art. 30 da Lei n°7.713, de 1988. A seguir, aborda o disciplinamento da matéria por atos internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB. As orientações emanadas pela RFB, por meio de Pareceres CST e no Manual "Perguntas e Respostas" são no sentido que somente os rendimentos decorrentes de prestação de serviços remunerados por hora são tributados pelo Imposto de Renda. Cita especificamente os Pareceres CST nos. 717, de 1979 e 03, de 1996. Entende não ser necessária, para gozar da isenção, que os funcionários sejam do quadro efetivo do Organismo, mas, de qualquer jeito, possui vinculo laboral com o PNUD. A relação jurídica celebrada implica na existência de vinculo jurídico laboral, porquanto presentes os requisitos que caracterizam a existência de contrato de trabalho, tais como subordinação hierárquica, dependência econômica e a habitualidade da prestação dos serviços. Ressalta, ainda, algumas características especificas do contrato celebrado com o PNUD. Como servidor do Organismo, no cargo de Consultor Técnico, aufere salário e está sujeito As normas contratuais especificas, diversas da lei trabalhista brasileira e previdencidria. A respeito do tema contrato de trabalho e subordinação hierárquica, transcreve doutrina pátria. Conclui que, A vista das leis vigentes e das orientações emanadas da RFB, qualquer contribuinte nas condições do impugnante incluise na categoria de funcionários do Organismo e, por conseguinte, faz jus à isenção tributária sobre os rendimentos auferidos. Segundo ele, há diversos precedentes jurisprudenciais do Conselho de Contribuintes favoráveis em casos análogos ao seu. Face ao exposto, requer a declaração de insubsistência da Notificação de Lançamento, com a finalidade de tomar inexigível o crédito tributário lançado. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10166.014306/200799 Acórdão n.º 2801002.183 S2TE01 Fl. 72 4 A DRJ/BSA julgou o lançamento procedente (fls. 35/43), em decisão que restou assim emntada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS (PNUD). Sujeitamse à tributação sob a forma de recolhimento mensal obrigatório (carneleão), sem prejuízo do ajuste anual, os rendimentos recebidos por residentes ou domiciliados no Pais decorrentes da prestação de serviços a Organismos Internacionais de que o Brasil faça parte. Lançamento Procedente Cientificado da decisão de primeira instância em 28/03/2008, fl. 45, o Interessado, representado por seus advogados, apresentou, em 25/04/2008, o Recurso de fls. 46/62, no qual repete os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator: Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. O recorrente defende que os valores recebidos por serviços prestados em território brasileiro a organismo internacional (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura – UNESCO/ONU) não estão sujeitos à incidência do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Importa esclarecer, entretanto, que tal matéria já está sumulada de forma contrária ao entendimento do recorrente, pela Súmula CARF nº 39, transcrita a seguir: Súmula CARF N° 39 Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. De acordo com o art. 72 do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10166.014306/200799 Acórdão n.º 2801002.183 S2TE01 Fl. 73 5 Dessa forma, tal questão não comporta mais discussão neste Conselho, devendo, por conseguinte, ser mantido o lançamento quanto à tributação dos rendimentos recebidos de organismo s internacionais. Por tais razões, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/12/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 12971.007042/2009-10
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1993 a 31/05/1994
OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. NÃO HAVENDO COMPROVAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO A RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSA A NÃO COMPORTAR O BENEFÍCIO DE ORDEM.
O tomador de serviço é solidário com o prestador quando não comprova o cumprimento da legislação. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade.
Não há benefício de ordem na aplicação do instituto da responsabilidade solidária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1993 a 31/05/1994 OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. NÃO HAVENDO COMPROVAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO A RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSA A NÃO COMPORTAR O BENEFÍCIO DE ORDEM. O tomador de serviço é solidário com o prestador quando não comprova o cumprimento da legislação. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade. Não há benefício de ordem na aplicação do instituto da responsabilidade solidária. Recurso Voluntário Negado.
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EMPRESAS EM GERAL Recorrente CONSTRUTORA LIX DA CUNHA S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1993 a 31/05/1994 OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. NÃO HAVENDO COMPROVAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO A RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSA A NÃO COMPORTAR O BENEFÍCIO DE ORDEM. O tomador de serviço é solidário com o prestador quando não comprova o cumprimento da legislação. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade. Não há benefício de ordem na aplicação do instituto da responsabilidade solidária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 97 1. 00 70 42 /2 00 9- 10 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 2 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD 32.468.139 9/1998 referente a contribuições devidas pela empresa supracitada para a Seguridade Social e Terceiros, competências 05/93 a 05/94, em decorrência da aplicação do instituto da solidariedade, previsto no art. 30, inciso VI, art. 31 e parágrafos e art. 33 § 3o da Lei 8.212/91. Constitui fato gerador a remuneração paga, inclusa nas notas fiscais/faturas correspondente aos serviços prestados relacionados no Relatório dos Fatos Geradores. Considerando a não comprovação dos recolhimentos das contribuições sociais e de Terceiros correspondentes às notas fiscais/faturas de serviços, o lançamento se operou por aferição indireta, com critérios e procedimentos contidos nas Ordem de Serviço – OS nº 51/92. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, apresentando impugnação. A decisão de primeira instância administrativa fiscal julgou procedente lançamento fiscal. O contribuinte foi cientificado da decisão, apresentando recurso voluntário, alegando em síntese: sem a verificação dos recolhimentos prévio nas prestadoras de serviços pode estar ocorrendo enriquecimento ilícito, pois haveria duplicidade das contribuições. Deve ser determinado um levantamento prévio para verificação do pagamento ou não dos subempreiteiros; a adoção de percentual sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura está tributando duas vezes a mesma base de cálculo ou, no mínimo, estabelecendo solidariedade na contribuição sobre o faturamento, o que é vedado pelo art. 31 da Lei 8.212/91. É inconstitucional determinação sobre Ordem de Serviço OS, pois o art. 195, I da CF/88 prevê contribuição sobre folha de salário; por fim, requer o cancelamento da notificação fiscal. É o relatório. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12971.007042/200910 Acórdão n.º 2803003.971 S2TE03 Fl. 62 3 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, assim será apreciado. Consta do relatório fiscal, fls. 13/20 dos autos digitalizados, e da decisão recorrida, fls. 31/36, que o levantamento fiscal pela responsabilidade solidária foi baseada nas notas fiscais/faturas da empresa, fundamentado no art. 30, I, “a” e “b”, VI; art. 31 e parágrafos, art. 33, parágrafos 3o e 5º da Lei 8.212/91, com critérios e procedimentos contidos na OS/INSS/DAF nº 51 de 06/10/92, que determina índice de 40% (por cento) sobre o total das notas fiscais/faturas e 20% (por cento) para faturas mistas (material e mão de obra), discriminados no relatório de fato geradores por levantamento (fl. 15), contendo o número da nota fiscal, empresa, valor e descrição do fato, para obra de construção civil matrícula CEI: 21.368.00705/75, endereço: rua das Palmas s/n, orada do sol, Pederneira/SP. Lei 8.212/91 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas:(Redação dada pela Lei nº 8.620, de 1993). (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou o condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações; ORDEM DE SERVIÇO INSS/DARF Nº 51, DE 06 DE OUTUBRO DE 1992 ASSUNTO: Estabelece critérios e rotinas para a fiscalização da construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica. FUNDAMENTO LEGAL: Lei 4.591, de 16/12/64 Lei 8.212, de 24/07/91 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 4 Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social ROCSS aprovado pelo Decreto nº 356, de 07/12/91, com a nova redação dada pelo Decreto nº 612, de 21/07/92. (...) III DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA 15. São solidariamente responsáveis pelo recolhimento das contribuições sociais: a) o PROPRIETÁRIO, o INCORPORADOR definido na Lei nº 4.591, de 16/12/64, o DONO DE OBRA ou o CONDÔMINO DE UNIDADE IMOBILIÁRIA com o CONSTRUTOR, de acordo com o que estabelece o inciso VI do artigo 30 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, qualquer que seja a forma pela qual tenha contratado a execução da obra de construção, reforma, acréscimo ou demolição; (...) IV DAS FORMAS DE RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS 17. Os recolhimentos das contribuições serão individualizados por obra, através de matrículas distintas, observado, quanto ao preenchimento da Guia de Recolhimento da Previdência Social GRPS, o seguinte: PROPRIETÁRIO, DONO DE OBRA E CONSTRUTORA a)campo 01 Carimbo padronizado do CGC; b)campo 02 Nome do contribuinte; c)campos 03 a 07 Endereço da obra; d)campo 09 Registrar o nº 2; e)campo 10 Registrar o nº da matrícula CEI da respectiva obra. (...) VI DO VALOR DOS SALÁRIOS CONTIDOS EM NOTA FISCAL DE SERVIÇO 20. E fixado em 40% (quarenta por cento) o percentual mínimo de salários contidos em Nota Fiscal de Serviço, correspondendo o restante a encargos sociais, impostos, despesas administrativas e lucro. 20.1Em se tratando de Notas Fiscais de Serviços que englobem mãodeobra e material, os salários corresponderão ao mínimo de 40% (quarenta por cento) do valor da mãodeobra que constar da discriminação da fatura, devendo a subempreiteira , quando da fiscalização, comprovar a exatidão dos valores discriminados. 20.2 Na hipótese de não ser efetuada a discriminação dos valores, 50% (cinqüenta por cento) serão considerados como material e 50% (cinqüenta por cento) como mãodeobra, Fl. 64DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12971.007042/200910 Acórdão n.º 2803003.971 S2TE03 Fl. 63 5 totalizando os salários, por conseguinte, 20% (vinte por cento) do valor da Nota Fiscal de Serviço. (...) VII DA ISENÇÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA 21. A empresa construtora, o proprietário, o dono de obra, o condômino de unidade imobiliária e o incorporador, que contratar subempreitada de construção civil, estará isento da responsabilidade solidária, a que se refere o inciso VI do art. 30 da Lei nº 8.212/91, desde que comprove ter a subempreiteira efetuado o recolhimento prévio das contribuições sociais, inclusive as de acidentes do trabalho, correspondendo os salários aos percentuais previstos no TÍTULO VI 21.1 Para comprovação do recolhimento prévio, indispensável a isenção de empresa construtora, proprietário, dono de obra, condômino ou incorporador, quanto a responsabilidade solidária, a subempreiteira anexará a Nota Fiscal de Serviço cópia da guia de recolhimento quitada, preenchida segundo o disposto no Título IV. (...) Como se pode notar dos autos que a empresa não apresentou guia de recolhimento específica para obra de construção civil com matrícula específica, como exige a legislação e normas de fiscalização citadas. É determinação legal e normativa a empresa construtora apresentar todas as guias de recolhimentos referente a obra de construção civil de sua responsabilidade na forma da lei e normas estabelecidas pela fiscalização. Destarte, não prospera a tese do contribuinte de que há necessidade de verificação de recolhimento prévio sob pena de enriquecimento ilícito ou duplicidade das contribuições. A empresa não apresentou as guias de recolhimentos específicos dos serviços prestados referente a obra de construção civil. Assim, responde solidariamente pelos recolhimentos não efetuado ou comprovado. Não há que se falar em levantamento prévio para verificação do pagamento ou não dos subempreiteiros pela fiscalização. A obrigação legal é do contribuinte. O Superior Tribunal de Justiça – STF e os TRF 1a e 2a Região, também concluíram pela responsabilidade solidária no caso de obra de construção civil e cessão de mão de obra, constantes do artigo 30, inciso VI e artigo 31, § 1o da Lei 8.212/91(anterior à Lei 9.711/98). São os termos das decisões: Processo RESP 200500128790RESP RECURSO ESPECIAL – 719350, Relator(a) LUIZ FUX, Sigla do órgão STJ, Órgão julgador PRIMEIRA TURMA, Fonte DJE DATA:21/02/2011 ..DTPB: Ementa: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE Fl. 65DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 6 PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (RESP 973.733/SC). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FORNECEDOR/CEDENTE DE MÃODEOBRA X TOMADOR/CESSIONÁRIO DE MÃODEOBRA. ARTIGO 31, DA LEI 8.212/91. PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI 9.711/98 (RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA). PERÍODO POSTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI 9.711/98 (RESPONSABILIDADE PESSOAL DO TOMADOR DO SERVIÇO). RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (RESP 1.131.047/MA). AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. ARTIGO 148, DO CTN, C/C ARTIGO 33, § 6º, DA LEI 8.212/91. PROCEDIMENTO REGULADO POR ORDEM DE SERVIÇO. LEGALIDADE. TAXA SELIC. APLICAÇÃO AOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PAGOS A DESTEMPO. LEI 9.065/95. 1. (...). 26. Conseqüentemente, os créditos tributários ora exigíveis (cujos fatos imponíveis ocorreram entre janeiro de 1996 e janeiro de 1999) subsumemse ao regime legal anterior à vigência das alterações introduzidas pela Lei 9.711/98, razão pela qual sobressai a responsabilidade tributária solidária do cessionário da mãodeobra no período, o que facultava ao ente previdenciário eleger o sujeito passivo da obrigação tributária entre os respectivos coobrigados, observada, entre outras, a possibilidade de o cessionário elidir sua responsabilidade acaso demonstrasse que o cedente comprovara o recolhimento prévio das contribuições sociais pertinentes (mediante cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento), quando da quitação da nota fiscal ou da fatura correspondente aos serviços executados. 27. Os artigos 136 e 137, do CTN (que versam sobre a responsabilidade tributária por infrações à legislação tributária), não conflitam com a responsabilidade tributária solidária instituída pela Lei 8.212/91 (com base no artigo 128, do mesmo código), máxime tendo em vista a conexão entre o nascimento da obrigação tributária solidária do cessionário e o descumprimento de seu dever de fiscalização da prestação pecuniária que deveria ter sido adimplida pelo cedente. 28. In casu, restou assente na origem que: "O que se observa no caso em tela é que a empresa impetrante, não tendo realizado as obrigações acessórias (§§ 3º e 4º, do art. 31, da Lei 8.212/91) relativas à fiscalização do pagamento das exações devidas pelas empresas que lhe prestavam serviços, não tomou ciência de que as mesmas não estavam cumprindo com suas obrigações perante o fisco. Deveria a apelante, para eximirse da instituída responsabilidade solidária, terse acautelado com a comprovação do pagamento das contribuições previdenciárias pelas empresas contratadas. Tornouse, assim, conforme disposição legal, responsável solidária pelo débito, vindo a ser executada pelo INSS. (...) Apuradas diferenças a menor no recolhimento da contribuição previdenciária, então, a autarquia poderia executar qualquer dos devedores, posto que cada um Fl. 66DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12971.007042/200910 Acórdão n.º 2803003.971 S2TE03 Fl. 64 7 deles responde in totum pela obrigação. Movendose contra a impetrante ao lavrar as NFLD's, resta apenas o direito regressivo da apelante contra as empresas por ela contratadas, a fim de reaver, em ação própria, o montante que não era de sua responsabilidade. Destarte, ante o entendimento acima exposto, descabida qualquer alegação de impossibilidade de penalização por irregularidades cometidas pela empresa cedente de serviço, vez que cabia à empresa cessionária a fiscalização, sua obrigação acessória Não há qualquer mácula aos arts. 136 e 137, porque há disposição legal sobre a responsabilidade da empresa apelante." 29. Outrossim, a Administração Tributária pode proceder à aferição indireta ou arbitramento da base imponível do tributo, nas hipóteses enumeradas no artigo 148, do CTN, verbis: "Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial." 30. O artigo 33, § 6º, da Lei 8.212/91, determina que, "se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário". 31. Destarte, a ausência de documentação que reflita, de maneira idônea, a realidade dos fatos, autoriza a autoridade fiscal a proceder à aferição indireta das contribuições sociais devidas, desde que observados os princípios da finalidade da lei, da razoabilidade, da proporcionalidade e da capacidade contribuinte, sendo certo, ainda, que a expedição de Ordens de Serviço a fim de regular o procedimento de arbitramento da base de cálculo, autorizada pela lei ordinária, não caracteriza ofensa ao princípio da legalidade tributária estrita. 32. (...). 33. Recurso especial desprovido. Data da Decisão16/12/2010, Data da Publicação 21/02/2011 Processo RESP 200000899550RESP RECURSO ESPECIAL – 276017, Relator(a) JOSÉ DELGADO, Sigla do órgão STJ, Órgão julgador PRIMEIRA TURMA, Fonte DJ DATA:05/03/2001 PG:00129 JBCC VOL.:00189 PG:00119 RSTJ VOL.:00147 PG:00105 ..DTPB: Ementa: PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EMPREITADA. 1. As empresas que firmam contratos de subempreitadas são solidariamente responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias decorrentes dos serviços prestados pela contratada. 2. As empresas poderão isentarse da Fl. 67DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 8 responsabilidade solidária, especialmente as construtoras, em relação às faturas, notas de serviços, recibos ou documentos equivalentes que pagarem por tarefas subempreitadas, de obras a seu cargo, desde que façam o subempreiteiro recolher, previamente, quando do recebimento da fatura, o valor fixado pela Previdência Social, relativamente ao percentual devido como contribuições previdenciárias e de seguro de acidentes do trabalho, incidente sobre a mão de obra inclusa no citado documento. Interpretação do sistema legal fixado sobre a matéria. 3. Inexistência de provas de que as contribuições discutidas foram recolhidas. 4. Recurso provido. Data da Decisão 16/11/2000, Data da Publicação 05/03/2001 Processo AC 195560320034013400AC APELAÇÃO CIVEL – 195560320034013400, Relator(a) DESEMBARGADOR FEDERAL LUCIANO TOLENTINO AMARAL, Sigla do órgão TRF1, Órgão julgador SÉTIMA TURMA, Fonte eDJF1 DATA:10/05/2013 PAGINA:851 Ementa: PREVIDENCIÁRIO AÇÃO ORDINÁRIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE CONSTRUÇÃO CIVIL RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO PROPRIETÁRIO DA OBRA ART. 30, VI, DA LEI N.º 8.212/1991 PRECEDENTES DO STJ ACORDO PARTICULAR TRANSFERINDO A RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE DE DIREITO: IMPOSSIBILIDADE (ART. 123 DO CTN). 1.Art. 30, VI, da Lei n.º 8.212/1991: "o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção,reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem". 2.Precedentes do STJ. 3.Art. 123 do CTN: "as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes". 4.Apelação não provida. 5.Peças liberadas pelo Relator, em Brasília, 30 de abril de 2013., para publicação do acórdão. Data da Decisão 30/04/2013, Data da Publicação. 10/05/2013 Processo AG 200402010077810AG AGRAVO DE INSTRUMENTO – 128645, Relator(a) Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES, Sigla do órgão TRF2, Órgão julgador QUARTA TURMA ESPECIALIZADA, Fonte DJU Data::10/07/2009 Página::190 Ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.CONSTRUÇÃO CIVIL . Fl. 68DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12971.007042/200910 Acórdão n.º 2803003.971 S2TE03 Fl. 65 9 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO TOMADOR. Art. 124 do CTN. AGRAVO IMPROVIDO. AGRAVO INTERNO PREJUDICADO. 1 Compulsando os autos verificase que o fato gerador da obrigação tributária ocorreu em 1996 a 1997. Neste caso, tendo em vista o reconhecimento da natureza tributária das contribuições sociais devidas à Seguridade Social pela Constituição Federal, o preceito normativo inserto no artigo 124 do CTN é o aplicável à espécie, o que legitima a interpretação de que era solidária a responsabilidade prevista na Lei nº 3.807/60 e no Decreto nº 89.312/84. 2 O artigo 124 do CTN, ao tratar de solidariedade na esfera tributária, fixa que a mesma não comporta benefício de ordem entre pessoas expressamente designadas por lei (inciso II). Portanto, resulta inequívoca a interpretação de que a responsabilidade pelo recolhimento dos débitos previdenciário sem questão é solidária, não comportando benefício de ordem. 3 Destacase que somente no período anterior à promulgação da Constituição Federal prevalecia o entendimento de que era subsidiária a responsabilidade do proprietário, dona da obra, no que tange às contribuições incidentes sobre a remuneração da mãodeobra contratada pelo executor/empreiteiro (Súmula 126/TFR, de 23.11.1982). 4 – Agravo improvido e agravo interno prejudicado. Data da Decisão 26/05/2009, Data da Publicação 10/07/2009 Desse modo, a adoção de percentual sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura é legal e não está tributando duas vezes a mesma base de cálculo, nem estabelecendo solidariedade na contribuição sobre o faturamento. Tratase de antecipação de recolhimento que será deduzido do valor devido a recolher relativo a folha de pagamento da obra de construção civil, que não se confunde com o faturamento total da empresa. Como demonstrado das decisões judiciais citadas é legal a determinação de percentuais por aferição indireta em Ordem de Serviço OS, cujos recolhimentos serão deduzidos dos valores totais das contribuições sociais sobre a folha de salário (art. 195, I da CF/88). No caso de recusa de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o fisco pode inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, nos termos do art. 33 § 3o da Lei 8.212/91. Desse modo, como mencionado, não há que se falar em verificação prévia do pagamento das contribuições por parte do prestador do serviço e prova da existência do débito, nem de fiscalização na empresa prestadora do serviço. O recorrente não demonstrou o reconhecimento prévio das contribuições sobre as notas fiscais/faturas dos serviços prestados, nem ter efetuado a retenção prévia das contribuições para se eximir da responsabilidade solidária estabelecida na Lei 8.212/91. Não há que se falar em ilegalidade e inconstitucionalidade. Os cálculos estão demonstrados conforme dispositivos legais e normativos constantes dos autos. A lei em vigor, cuja invalidade ou inconstitucionalidade não foi declarada, deve ser cumprida pela administração pública por força do ato vinculado. Não é possível, no Fl. 69DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 10 âmbito administrativo, afastar aplicação de legislação nos termos do art. 26A do Decreto 70.325/72, bem como, art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria GMF 256, de 22 de junho de 2009. No mesmo sentido é o que discorre a Súmula n ° 2 do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não há que falar em locupletamento ilícito do órgão fiscalizador quando o procedimento fiscal está demonstrado na forma da lei e normas da fiscalização. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e §único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores, discriminativo de débito; instrução para o contribuinte, os fundamentos legais do débito, Relatório Fiscal, e demais informações constantes dos autos, consoante artigo 33 da Lei 8.212/91. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 70DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10166.908070/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 01/02/2006
Ementa:
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O recurso tem prazo inadiável de 30 dias para ser protocolizado, o desrespeito a este prazo gera intempestividade, e por conseqüência o não conhecimento deste.
Numero da decisão: 3301-001.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, por intempestividade, nos termos do voto da relatora.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fábia Regina Freitas - Relator a
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2004 a 01/02/2006 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O recurso tem prazo inadiável de 30 dias para ser protocolizado, o desrespeito a este prazo gera intempestividade, e por conseqüência o não conhecimento deste.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, por intempestividade, nos termos do voto da relatora. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) Fábia Regina Freitas - Relator a (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora).
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 01/02/2006 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O recurso tem prazo inadiável de 30 dias para ser protocolizado, o desrespeito a este prazo gera intempestividade, e por conseqüência o não conhecimento deste. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, por intempestividade, nos termos do voto da relatora. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Fábia Regina Freitas Relator a (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 80 70 /2 00 9- 15 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ Brasília (fl. 27/48) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte (fls. 01 a 16) que contrapôs ao despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada, relativa a pagamento a maior de PIS e COFINS. O contribuinte transmitiu eletronicamente em 15/09/2006, Declaração de Compensação – DCOMP n°. 33898.05968.150906.1.3.040061, com base em suposto crédito oriundo do período de 01/2004 a 02/2006, quando foi pago “PIS e COFINS, sobre toda a receita de venda de mercadorias, sem a devida exclusão da base de calculo dos produtos monofásicos. Sendo a atividade da empresa, bar e restaurante, com grande volume de venda de chopp, cervejas e refrigerantes”. O pagamento realizado a maior ocorreu por não observância do tratamento tributário adequado descrito nos art. 49 e 50 da lei 10.833/2003. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico pela não homologação da compensação, fundamentado na inexistência de crédito. De acordo com os cálculos efetuados pelo contribuinte, o valor total recolhido a maior/indevidamente, e que ora requer compensação, totaliza a importância de R$ 506,60 (quinhentos e seis reais e sessenta centavos). Cientificada desse Despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade. Informada do erro na apuração dos impostos, apresentou Declaração de Informações Econômico fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ retificadora do período, corrigindo as informações referentes ao PIS e COFINS, passando a compensar os valores pagos a maior na quitação do PIS e COFINS dos meses seguintes a partir de 03/2006, por meio de PER/DCOMP. Entretanto, quando tomou conhecimento do referido Despacho Decisório, procurou o plantão fiscal da Receita Federal, com todos os documentos a respeito do assunto, sendo informada da necessidade de apresentar DCTF retificadoras. Apresentando DCTF retificadoras, solicitou a baixa dos débitos referentes aos Despachos Decisórios, colocandose à disposição para a apresentação de outros documentos. Nesse sentido, consta às fls. 19/22 que na sessão de 16/04/2012, a 4º Turma da DRJ/BSB proferiu o acórdão nº 0347.846 cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2004 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito Fl. 51DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10166.908070/200915 Acórdão n.º 3301001.900 S3C3T1 Fl. 3 3 devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo à demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte, devidamente cientificado, interpôs Recurso Voluntário as fls. 27/48 por meio do qual contesta o referido Acórdão, que segundo o seu entendimento, merece ser integralmente reformado, posto que colide com a legislação pátria e a jurisprudência aplicável ao caso. É o relatório. Voto Conselheira Fábia Regina Freitas Preliminarmente, é dever do julgador apreciar os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário. O artigo 56 da Lei nº 9.784/99 confirma o direito constitucional de o contribuinte interpor recurso contra as decisões administrativas, determinando que “cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito”. Vislumbrase que tal fato busca, na verdade, o reexame da decisão por outra autoridade, a fim de obterse um aprimoramento dos julgados na fundamentação de suas decisões, propiciando, desta forma, maior segurança ao sistema. Pois bem, vencido em primeira instância, o contribuinte não está obrigado a recorrer, mas, se assim proceder, estará sujeito ao prazo de 30 dias, sob pena de preclusão, para Fl. 52DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 apresentar Recurso Voluntário, conforme preceitua o caput do art. 33, do Decreto nº 70.235/72 c.c. art. 68 do Decreto nº 7.574/2011. Verificase, que se ultrapassado esse período, qual seja, 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da decisão, sem a apresentação pelo contribuinte do Recurso Voluntário, estará ele impedido de apresentar referido recurso em outro momento. No caso em tela, a Recorrente foi intimada de modo regular em 28/05/2012 (segundafeira), conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 25), e só protocolizou seu Recurso Voluntário na data de 28/06/2012 (quintafeira), ou seja, 1 (um) dia após o transcurso do prazo recursal, já que o prazo encerrouse no dia 27/06/2012 (quartafeira). Diante do exposto, não conheço do presente Recurso Voluntário, por ser intempestivo. Conclusão Com essas considerações, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 26 de junho de 2013. Fábia Regina Freitas. Relator Fl. 53DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10880.677971/2009-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto. RELATÓRIO Trata o presente de declaração de compensação, relativa a crédito de abril/2004 indeferida pela autoridade administrativa sob o fundamento de que o DARF informado como origem do crédito fora utilizado para quitação de outros débitos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 77 97 1/ 20 09 -8 4 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677971/200984 Resolução nº 3302000.469 S3C3T2 Fl. 289 2 A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que: 1. A maior parte das receitas decorrem da prestação do serviço de transmissão de energia elétrica de acordo com contrato firmado em 13/09/1999 (CONTRATO CPST Nº 006/1999), firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico ONS; 2. Estas receitas estariam sujeitas à incidência cumulativa da Lei nº 9.718/98, por decorrerem de contratos de longo prazo, a preço predeterminado e firmado anteriormente a 31/10/2003, por disposição prevista no inciso XI, alíneas "b" e "c", do art. 10 da Lei nº 10.833/2003; 3. A Nota Técnica nº 224/2006, expedida pela SFF/ANEEL, apresentou entendimento sobre o tema, concluindo que as receitas decorrentes dos Contratos de Prestação de Serviço de Trasmissão CPST, firmados anteriormente a 31/10/2003, e reajustados anualmente pelo IGPM, se sujeitam à incidência cumulativa das contribuições prevista na Lei nº 9718/98; 4. Recolheu, equivocadamente, as contribuições para o PIS e Cofins no regime nãocumulativo, não separando as sujeitas ao regime cumulativo, e, posteriormente, transmitiu várias DCOMPs para aproveitar o crédito originado do pagamento indevido; 5. Estava providenciando a retificação das DCTF e Dacons, quando foi surpreendida com a ciência dos despachos decisórios, não homologando as compensações; 6. Foi necessária a retificação dos Dacons e das DCTF, após a ciência dos despachos decisórios, para corrigir o erro de fato cometido e que as DCOMPs não foram retificadas em razão da intimação para ciência dos despachos decisórios, de acordo com a vedação constante nos artigos 77 e 95 da IN RFB nº 900/2008; 7. Os erros cometidos no preenchimento dos DARFs, DCTFs, Dacons e DCOMP não causaram prejuízo ao erário e devem ser reconhecidos pela Administração Tributária, nos termos do art. 147 do CTN e em atendimento ao princípio da verdade material; 8. Poderá disponibilizar os documentos como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, Contratos, normas da ANEEL para realização de diligência, caso seja necessária; A Terceira Turma da DRJ/BEL em Belém proferiu decisão nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2004 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. DCTF E DACON RETIFICADORES. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677971/200984 Resolução nº 3302000.469 S3C3T2 Fl. 290 3 A DCTF e o DACON Retificadores, na condição de documentos confeccionados pelo próprio interessado, não exprimem nem materializam, por si só, o indébito fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, alegando resumidamente que: 1. O IGPM deve ser considerado índice que reflete a variação ponderada dos custos e, portanto, enquadrado no art. 109 da Lei nº 11.196/2005; 2. Ainda que se negue a inclusão do IGPM no art. 109 da Lei n 11.196/2005, tal índice é mero reajuste do preço contratado, e não modificação deste preço, e que se o art. 109 da Lei nº 11.196/2005 estipulou que a variação dos custos não descaracteriza o preço predeterminado, com maior razão, um índice geral de correção não deveria descaracterizálo; 3. As IN SRF 468/2004 e 658/2006 consistem em flagrante ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 150, inciso I da Constituição Federal; 4. O indébito decorre de erro na aplicação da alíquota; 5. Não disponibilizou toda a documentação, como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, normas da ANEEL em razão do grande volume, vez que foram apresentadas 51 defesas administrativas; 6. Em momento algum, afirmou que a retificação do DACON e da DCTF constituem o direito creditório líquido e oponível à RFB, mas que pretendeu apenas cumprir os deveres instrumentais quanto ao erro alegado e que tais informações estão consubstanciadas em sua escrituração contábil; Cita, ainda, jurisprudência deste Conselho e do STJ e apresenta cópia do balancete, demonstrativos das receitas, indicação da conta contábil, de modo a corroborar suas alegações. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A autoridade administrativa indeferiu a homologação pelo fato de o DARF apontado como origem do crédito pleiteado estava alocado a débitos em DCTF. Após a ciência do despacho, a recorrente providenciou a retificação do Dacon e da DCTF, demonstrando os valores alegados como corretos. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677971/200984 Resolução nº 3302000.469 S3C3T2 Fl. 291 4 A DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente, sob os argumentos de que o contrato CPST 006/1999, apresentado pela recorrente, não era apto a demonstrar que não houve após 31/10/2003 a implementação de quaisquer das ocorrências que descaracterizassem o preço predeterminado; que a Cláusula 53 assegurava às partes a prerrogativa de solicitar a revisão das cláusulas e condições avençadas; que a competência da ANEEL não alcança a interpretação da legislação tributária; que o IGPM não constitui índice que reflete a variação dos custos de produção nem reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que a desconstituição dos créditos confessados não se efetiva com a apresentação da DCTF e Dacon retificadores, mas com a apresentação da escrita fiscal e contábil e respectiva documentação de suporte. Por sua vez, a recorrente, em recurso voluntário, alega que o reajuste pelo IGP M não descaracteriza o preço determinado, e apresenta cópias dos balancetes e demonstrativos de forma a comprovar seu direito. Vêse que a lide se refere ao alcance da expressão "preço predeterminado", e, consequentemente, da sujeição das receitas auferidas à incidência nãocumulativa ou cumulativa das contribuições. Passase, assim, à análise dos requisitos para exclusão das receitas em questão da incidência nãocumulativa das contribuições e da definição de preço predeterminado. As receitas decorrentes de determinados contratos firmados antes de 31/10/2003 foram excluídas da incidência nãocumulativa das contribuições, a partir da vigência do inciso XI do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicado ao PIS/Pasep pelo art. 15 da referida lei: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) [...]XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; [...]Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]V no art. 10, incisos VI, IX e XI a XXI desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 291DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677971/200984 Resolução nº 3302000.469 S3C3T2 Fl. 292 5 V nos incisos VI, IX a XXV do caput e no § 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Regulamentando o dispositivo, a RFB editou a IN SRF 468/2004, que, em seu art.2º, estipulou que a implementação do primeiro reajuste ou a revisão para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos, após 31/10/2003, descaracterizariam o preço predeterminado, nos seguintes termos: Art. 2o Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1 o Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2 o Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1 o . § 3 º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art. 1 º . Posteriormente, a Lei nº 11.196/2005, em seu art. 109, dispôs que o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos não será considerado para fins de descaracterização do preço determinado: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Novamente, regulamentando a matéria, a RFB editou a IN SRF nº 658/2006, revogando a IN SRF nº 468/2004 e incorporando as disposições do art. 109 acima mencionado, nos seguintes termos: Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677971/200984 Resolução nº 3302000.469 S3C3T2 Fl. 293 6 § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º1, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.(grifo não original) Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições. Verificase que a Receita Federal considerou que as hipóteses de reajuste e de revisão dos contratos administrativos, destinados à manutenção do equilíbrio econômico financeiro, expressos no art. 55, inciso III, 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93, descaracterizariam o preço predeterminado, excetuando o reajuste não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. A revisão contratual decorre de fatos imprevisíveis, ou previsíveis, porém de conseqüências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e extracontratual2. Já o reajuste é cláusula necessária nos contratos administrativos3 e "objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômicos". A legislação distingue as duas figuras, como se observa na Lei nº 8.987/95, que, dispondo sobre o regime de concessão de serviços públicos, especifica em seu art. 9º, §3º4, a 1 A data é 31/10/2003. 2 Art. 65, inciso II, alínea "d" da Lei nº 8.666/93 3 Art. 55, inciso III da Lei nº 8.666/93 4 Lei 8.987/95: Art. 9o A tarifa do serviço público concedido será fixada pelo preço da proposta vencedora da licitação e preservada pelas regras de revisão previstas nesta Lei, no edital e no contrato. [..~] § 2o Os contratos poderão prever mecanismos de revisão das tarifas, a fim de manterse o equilíbrio econômicofinanceiro. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677971/200984 Resolução nº 3302000.469 S3C3T2 Fl. 294 7 possibilidade de revisão da tarifa decorrente da criação ou alteração de tributos. Já o artigo 18 da referida lei dispõe que o edital de licitação deverá prever os critérios de reajuste e revisão da tarifa, também ocorrendo a referida distinção nos artigos 23 e 29. A situação aqui tratada referese a reajuste e não a revisão contratual e se o procedimento altera o preço predeterminado. A definição desta expressão adotada pela RFB era a disposta na IN SRF nº 21/79: 3 Produção em Longo Prazo O contrato de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços a serem produzidos, com prazo de execução física superior a 12 (doze) meses, terá seu resultado apurado, em cada períodobase, segundo o progresso dessa execução: 3.1 Preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento, para execução global; no caso de construções, bens ou serviços divisíveis, o preço predeterminado é o fixado contratualmente para cada unidade. A instrução normativa acima foi utilizada como fundamento em diversas soluções de consulta da RFB, após a edição do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. O entendimento era pacífico neste sentido até a edição da IN SRF 468/2004. Porém a RFB editou a referida instrução, modificando o entendimento sobre a definição de preço predeterminado, sem que qualquer lei tenha sido publicada alterando tal definição. Foi meramente nova interpretação normativa que suscitou rebates por parte dos contribuintes, tendo o STJ se pronunciado sobre a ilegalidade da IN SRF 468/2004: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.310.284 PR (2012/00355487) EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. § 3o Ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, após a apresentação da proposta, quando comprovado seu impacto, implicará a revisão da tarifa, para mais ou para menos, conforme o caso. [...] Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: [...] IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; Art. 29. Incumbe ao poder concedente: [...] V homologar reajustes e proceder à revisão das tarifas na forma desta Lei, das normas pertinentes e do contrato; Fl. 294DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677971/200984 Resolução nº 3302000.469 S3C3T2 Fl. 295 8 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034 PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, Dje 13/5/2009. RECURSO ESPECIAL Nº 1.169.088 MT (2009/02357184) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. [...]4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. RECURSO ESPECIAL Nº 1.089.998 RJ (2008/02056082) EMENTA TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a Fl. 295DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677971/200984 Resolução nº 3302000.469 S3C3T2 Fl. 296 9 implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômico financeiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. De fato, a IN SRF nº 468/2004 extrapolou a legislação vigente ao estipular que o reajuste implicaria em descaracterização do preço predeterminado. Entretanto, o advento do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 alterou a configuração legislativa sobre a matéria. O art. 109 mencionou expressamente que "o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069/95, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado". Se a intenção da modificação era permitir que o reajuste não descaracterizasse o preço predeterminado, não foi o que restou publicado. O art. 109 faz referência à Lei 9.069/95, conversão das MPs que criaram o Plano Real, na qual estipulava que a correção monetária, em virtude de estipulação legal ou em negócio jurídico, deveria darse pelo Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr, de acordo com o art. 27 da Lei nº 9.069/95, mas ressalvadas as hipóteses de seu parágrafo primeiro: § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; III às hipóteses tratadas em lei especial. Foi justamente sobre o inciso II do §1º que o art. 109 fez a ressalva quanto ao reajuste não descaracterizar o preço predeterminado e não sobre o IPCr. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677971/200984 Resolução nº 3302000.469 S3C3T2 Fl. 297 10 Salientase que a Lei nº 10.192/2001, conversão de MPs que se originaram da MP nº 1.503/95, extinguiu o IPCr em seu art. 8º: Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1o Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo. A mesma lei, em seu artigo 2º, dispôs que: Art. 1o As estipulações de pagamento de obrigações pecuniárias exeqüíveis no território nacional deverão ser feitas em Real, pelo seu valor nominal. Parágrafo único. São vedadas, sob pena de nulidade, quaisquer estipulações de: I pagamento expressas em, ou vinculadas a ouro ou moeda estrangeira, ressalvado o disposto nos arts. 2o e 3o do DecretoLei no 857, de 11 de setembro de 1969, e na parte final do art. 6o da Lei no 8.880, de 27 de maio de 1994; II reajuste ou correção monetária expressas em, ou vinculadas a unidade monetária de conta de qualquer natureza; III correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados, ressalvado o disposto no artigo seguinte. Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. § 1o É nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária de periodicidade inferior a um ano. § 2o Em caso de revisão contratual, o termo inicial do período de correção monetária ou reajuste, ou de nova revisão, será a data em que a anterior revisão tiver ocorrido. § 3o Ressalvado o disposto no § 7o do art. 28 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, e no parágrafo seguinte, são nulos de pleno direito quaisquer expedientes que, na apuração do índice de reajuste, produzam efeitos financeiros equivalentes aos de reajuste de periodicidade inferior à anual. O Decreto nº 1.544/95 estipulou que, na hipótese de não existir previsão de índice para substituir o IPCr e na falta de acordo entre as partes, deveria ser utilizada a média Fl. 297DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677971/200984 Resolução nº 3302000.469 S3C3T2 Fl. 298 11 aritmética entre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC do IBGE e o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna IGPDI da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Art. 1º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, a média de índices de preços de abrangência nacional a ser utilizada nas obrigações e contratos anteriormente estipulados com reajustamentos pelo IPCr, a partir de 1º de julho de 1995, será a média aritmética simples dos seguintes índices: I Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); II Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Observase que a própria legislação, já em 1995, cuidou de diferenciar o reajuste em função de índices gerais ou setoriais do reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, inicialmente no art. 27 da Lei 9.069/95 e posteriormente nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.192/2001 (na realidade, a diferença temporal entre as disposições é de apenas 10 dias). O art. 109, ao se referir apenas ao reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, acabou inovando a definição de preço predeterminado, estabelecendo uma distinção até então inexistente. Quisesse apenas referirse a reajuste em geral, bastaria têlo feito nos termos do art. 2º da Lei nº 10.192/2001. Reforçam este entendimento, as emendas feitas à MP 252/2005, citadas na Nota Técnica 224/2006 SFFANEEL: Emendas n° 224 (Dep. Eduardo Gomes), 225 (Dep. Eduardo Sciarra), e 353 (Dep. Max Rosenmann): EMENDA ART. 44A. O art. 10, inciso XI,da Lei nº 10.833, de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 10........................................................................... ........................................................................................ XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais." JUSTIFICATIVA: a redação proposta , com adição da locução "independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais" fazse necessária, visto que o Poder Executivo através da Instrução Normativa nº 468/2004, da SRF, mudou a interpretação do conceito de "preço predeterminado" passando a impedir que os contratos abrigados pela Lei nº 10.833/2003, deixem de usufruir o direito de permanecer sob o regime da cumulatividade. A IN em questão entende que o simples reajuste de preço por índices oficiais já caracteriza uma mudança da base do preço e desta forma afasta a eficácia do dispositivo legal. No fundo o que a IN faz é, na prática, Fl. 298DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677971/200984 Resolução nº 3302000.469 S3C3T2 Fl. 299 12 equiparar o conceito de preço predeterminado " ao conceito de preço fixo, uma vez que praticamente não existe contrato com prazo superior a um ano sem previsão de reajustamento. Tivesse sido assim publicado o artigo 109, a interpretação forçosamente retornaria ao texto da IN SRF nº 21/79, mas não foi o ocorrido. Todavia, a redação da IN SRF 658/2006 modificou, sutilmente, a redação do art. 109, ao dispor no §3º do art. 3º: § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. A redação da lei que era "reajuste de preços em função do" foi regulamentada como "reajuste de preços em percentual não superior". Esta redação não exclui, a priori, a utilização de qualquer índice, desde que ele não ultrapasse o acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Assim, se a fórmula de reajuste utilizada não ultrapassar aqueles limites, deve tal fórmula de reajuste não descaracterizar o preço predeterminado. Ressaltase que o art. 109 está em consonância com o fundamento econômico para o reajuste que é a variação dos custos, como dispõe o inciso XI do art. 40 da Lei nº 8.666/93 e o inciso XVIII do art. 3º da Lei nº 9.427/96, que instituiu a Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL: Lei nº 8.666/93: Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, dia e hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: [...]XI critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) Lei nº 9.427/96: Art. 3o Além das atribuições previstas nos incisos II, III, V, VI, VII, X, XI e XII do art. 29 e no art. 30 da Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, de outras incumbências expressamente previstas em lei e observado o disposto no § 1o, compete à ANEEL: (Redação dada pela Lei nº 10.848, de 2004) (Vide Decreto nº 6.802, de 2009). [...]XVIII definir as tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição, sendo que as de transmissão devem ser baseadas nas seguintes diretrizes: (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Fl. 299DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677971/200984 Resolução nº 3302000.469 S3C3T2 Fl. 300 13 a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para cobertura dos custos dos sistemas de transmissão; e (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para a cobertura dos custos dos sistemas de transmissão, inclusive das interligações internacionais conectadas à rede básica; (Redação dada pela Lei nº 12.111, de 2009) b) utilizar sinal locacional visando a assegurar maiores encargos para os agentes que mais onerem o sistema de transmissão; (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Estabelecidas as condições para a definição de preço predeterminado, passase à análise do contrato apresentado. A recorrente auferiu receitas decorrentes da prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL instituída pela Lei nº 9.427/1996, e pelo contrato firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS em 13/09/1999, intitulado Contrato de Prestação de Serviço de Transmissão de Energia Elétrica (CONTRATO CPST Nº 006/1999). O ONS é entidade de direito privado sem fins lucrativos, cabendolhe, dentre outras atribuições, a de contratar e administrar os serviços de transmissão de energia elétrica e respectivas condições de acesso, bem como dos serviços ancilares, nos termos do art. 13, parágrafo único, alínea “d” da Lei nº 9.648/98, sob fiscalização e regulação da ANEEL (Resolução nº 351/98 e Decreto nº 2.655/98). O contrato celebrado denominase CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSMISSÃO e tem por objeto regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão pela Transmissora (recorrente). Seu prazo de vigência é a partir de 13/09/1999 e permanece até a extinção da concessão da transmissora. A claúsula 36º dispõe que a recorrente teria direito a receber dos usuários, mediante os Contratos de Uso do Sistema de Transmissão, um duodécimo da receita anual permitida, e seu parágrafo 1º dispôs que os serviços de operação de rede básica, serviços de telecomunicações e serviços ancilares seriam remunerados pela RAP até a assinatura de contratos específicos, a serem assinados até 30/06/2000 e 31/12/2002. A cláusula 37º menciona ainda a existência de Contrato de Concessão de Serviço Público de Transmissão de Energia Elétrica. A cláusula 40º estipula que o pagamento mensal à transmissora será realizado de acordo com as datas e condições definidas nos Contratos de Uso do Sistema de Transmissão. Cláusula 40º O pagamento mensal, definido na Cláusula 36*, devido pelos USUÁRIOS à TRANSMISSORA pela Prestação dos Serviços de Transmissão, será realizado em 3 (três) vencimentos, cada um equivalente a 1/3 (um terço) do valor global devido, nas datas e condições definidas nos CONTRATOS DE USO DO SISTEMA DE TRANSMISSÃO. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677971/200984 Resolução nº 3302000.469 S3C3T2 Fl. 301 14 Verificase que o contrato apresentado é entre o ONS e a recorrente e destinase a regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão, mas não corresponde aos contratos dos quais decorrem as receitas auferidas. Assim, nestes contratos é que estão previstos as condições que permitem aferir sua caracterização como de longo prazo e do preço predeterminado, como: data de assinatura, prazo de vigência, data em que ocorreu o primeiro reajuste, fórmula estabelecida para cálculo do reajuste, e outros. Por outro lado, a Nota Técnica nº 224/2006, elaborada pela Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira – SFF/ANEEL, apresenta os modelos de contratos utilizados na concessão do serviço público de transmissão, contratos de prestação de serviços de transmissão CPST e contratos de uso do sistema de transmissão CUST. Da análise das cláusulas dos modelos apresentados, são necessários alguns esclarecimentos por parte da recorrente para melhor compreendêlos, bem como detalhar a receita auferida, vinculando cada parcela ao contrato que lhe deu origem. Diante do exposto, voto para converter o presente julgamento em resolução para que a autoridade administrativa intime a recorrente a: 1. Relacionar as receitas auferidas ao contrato do qual decorrem; 2. Apresentar o Contrato de Concessão do Serviço Público de Transmissão, especificando a data de assinatura, o prazo de vigência, as condições contratadas para o reajustamento fórmula e datas de reajuste; 3. Identificar o primeiro reajustamento ocorrido após 31/10/2003, relativamente às receitas auferidas; 4. Esclarecer se houve alguma revisão do contrato visando a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro; 5. Apresentar as resoluções da ANEEL relativas a novos acréscimos ao preço originalmente contrato Receita Anual Permitida identificando a origem destes acréscimos; 6. Esclarecer se na receita auferida constam revisões de que trata a cláusula abaixo reproduzida: Oitava Subcláusula A ANEEL procederá, anualmente, à revisão da RECEITA ANUAL PERMITIDA do SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSMISSÃO, pela execução de modificações, reforços e ampliações nas INSTALAÇÕES DE TRANSMISSÃO, inclusive as decorrentes de novos padrões de desempenho técnico determinados peia ANEEL, conforme procedimentos definidos na Oitava Subcláusula da Cláusula Quarta deste CONTRA TO DE CONCESSÃO 7. Esclarecer se na receita auferida há parcela recebida devida à ultrapassagem do sistema de transmissão e da sobrecarga; 8. Informar a existência de Contratos de Conexão à Transmissão firmados após 31/10/2003, de acordo com a Resolução nº 489/2002; Fl. 301DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677971/200984 Resolução nº 3302000.469 S3C3T2 Fl. 302 15 9. Se houve parcela de ajuste na Receita Anual Permitida, relacionada com a majoração das alíquotas de PIS e Cofins, nos termos do disposto no item 69 da Nota Técnica 224/2006: PA (PIS/COFINS) = parcela a ser adicionada a PA de cada concessionária de serviço público de transmissão de energia elétrica, resultante do impacto financeiro decorrente da majoração das alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS 10. Esclarecer se consta receita auferida de novas instalações de transmissão, de acordo com o item 70 da Nota Técnica 224/2006 e a data em que foram autorizadas pela ANEEL: Dessa forma, é possível, e freqüentemente ocorre, a necessidade da realização de obras visando a implantação de novas instalações de transmissão de energia elétrica integrantes da Rede Básica do Sistema Interligado Nacional SIN. Tais obras são então autorizadas por esta ANEEL, mediante a publicação de Resoluções Autorizativas, nas quais é fixada respectiva receita.. 11. Esclarecer se existe algum índice setorial que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; 12. Elaborar comparativo entre a evolução dos custos da prestação do serviço e da variação do índice mencionado no item anterior e o reajuste adotado, relativo ao período correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a competência do crédito objeto da DCOMP. Após concluída a resposta à intimação, elaborar relatório fiscal, separando as receitas que entender sujeitas à incidência nãocumulativa das sujeitas à incidência cumulativa, a partir das premissas contidas nesta resolução, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre as conclusões obtidas, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 302DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 13836.000400/2007-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/11/2002
PIS NÃO-CUMULATIVA OU CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS.
Nas sistemáticas da cumulatividade e da não cumulatividade, o valor do ICMS, integrante do preço e devido pela própria contribuinte, integra a base de cálculo do PIS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Os Conselheiros Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas acompanharam a relatora pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice Presidente); Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Mara Cristina Sifuentes e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 30/11/2002 PIS NÃOCUMULATIVA OU CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS. Nas sistemáticas da cumulatividade e da não cumulatividade, o valor do ICMS, integrante do preço e devido pela própria contribuinte, integra a base de cálculo do PIS. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Os Conselheiros Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas acompanharam a relatora pelas conclusões. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 6. 00 04 00 /2 00 7- 19 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice Presidente); Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Mara Cristina Sifuentes e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão nº 0521.100 – 1ª Turma da DRJ/CPS, de 15 de fevereiro de 2008, que, por unanimidade de votos, decidiu por não reconhecer o direito creditório, consoante se demonstra pela ementa e dispositivo a seguir transcritos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 30/11/2002 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. ICMS. BASE DE CÁLCULO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo do PIS. Solicitação Indeferida 351ª Sessão da 1ª Turma de Julgamento. Em 15 de fevereiro de 2008. Vistos, relatados e discutidos os autos deste processo, acordam os julgadores da 1ª Turma da DRJ em Campinas, por unanimidade de votos, não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto do relator.” Na origem a contribuinte solicitou a devolução de valores supostamente recolhidos maior a título da Contribuição para o PIS em virtude de entender como indevida a inclusão do Imposto sobre Circulação de Mercadorias — ICMS na apuração da base de cálculo da referida Contribuição Social. Por bem descrever os fatos, transcrevese o relatório do acórdão ora recorrido até a fase da impugnação: “Tratase de Pedido de Restituição de fl. 1, protocolado em 19/06/2007, no valor de R$ 20.133,04, correspondente ao Programa de Integração Social — PIS relativo aos períodos de apuração de janeiro/2002 a novembro/2002, conforme planilha de cálculo às fls.2. A DRF em Jundiaí emitiu o Despacho Decisório de fls. 34/36, indeferindo o pedido de restituição e não reconhecendo o direito creditório da contribuinte, sob a fundamentação de que o ICMS Fl. 83DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13836.000400/200719 Acórdão n.º 3302002.477 S3C3T2 Fl. 83 3 devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo do PIS. Cientificada do indeferimento de seu pleito em 02/08/2007 (fl. 38), a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 29/08/2007 (fls. 39/45), na qual alega: O Supremo Tribunal Federal, quando instado a manifestarse sobre a constitucionalidade da Lei Complementar n° 70/91 (Ação Declaratória de Constitucionalidade n° 1), entendeu que o faturamento sempre fora considerado como a receita proveniente das vendas de mercadorias e serviços. Vêse, portanto, que o termo faturamento tem significado técnico, o que impede que o legislador amplie o seu conteúdo, por óbice expresso do artigo 110 do Código Tributário Nacional. E se o faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, esse valor deve ser representado pelo preço pactuado na operação, no qual não devem ser incluídos os impostos. O exame do artigo 3° da Lei n° 9.718/98 não evidencia que nesse dispositivo a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para a seguridade social está autorizada. E não se obtém essa certeza porque o termo faturamento, como assim entendeu a Suprema Corte, representa tãosomente a receita derivada da venda de mercadorias e da prestação de serviço, no qual não se inclui o ICMS, visto que nenhum tributo pode ser considerado como receita. Faturamento, portanto, tem conteúdo técnico e assim foi utilizado pela legislação. Importante ressaltar, mais uma vez, que a Impugnante requereu, apenas, que a Administração Tributária se manifestasse sobre a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS, visto que o termo faturamento — base de cálculo da referida contribuição — tem conteúdo passível de controle administrativo, a teor do artigo 110 do Código Tributário Nacional. Todavia, ainda que não seja esse o entendimento dessa E. Turma Julgadora, o que se admite apenas para efeitos de argumentação, vale lembrar que a questão em foco está sob exame do Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário n° 240.785/MG (.). O julgamento foi suspenso por pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes. Até o presente momento, seis ministros já votaram em favor da exclusão do ICMS da base de cálculo da Cotins, o que aponta para um resultado com a declaração de inconstitucionalidade na interpretação dada à norma questionada. Como tal decisão será proferida pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, sua observância tornarseá obrigatória pela Administração Tributária e deverá alcançar os casos em andamento, por efeito declaratório”. Tendo a Delegacia de Julgamento da DRJ/CPS mantido o entendimento proferido no Despacho Decisório DRF/JUN/SAORT, de 19, de julho de 2007, no sentido de Fl. 84DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 4 que o valor do ICMS compõe a base de cálculo do PIS, de cuja decisão foi cientificada à contribuinte, em 20 de março de 2008, por meio da Comunicação n° 13836/088/2008, esta, irresignada, apresenta em 18 de abril de 2008, recurso voluntário no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, citando doutrina e trechos do voto do Min. Marco Aurélio do STF, no Recurso Extraordinário n° 240.785/MG, para defender as particularidades da abrangência de “faturamento”, no sentido de que receita para fins de tributação das contribuições sociais se caracteriza pela entrada definitiva, configurada pela efetiva disponibilidade de recursos que, ao mesmo tempo em que remuneram, decorrem do efetivo exercício da atividade empresarial.o que, nas suas palavras, exclui o ICMS, que é despesa para a pessoa jurídica, segundo os seguintes itens: 1 DOS FATOS E FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO; 2 DO CONCEITO DE FATURAMENTO; 3 – DA RECEITA PASSÍVEL DE TRIBUTAÇÃO PELAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS; 4 DAS MANIFESTAÇÕES JURISPRUDENCIAIS; 5 DO PEDIDO O processo encontravase sobrestado, conforme consta do Despacho de –e fls. 81, nos seguintes termos: “A matéria do presente recurso é “inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS”, a qual subsumese, em tese, à hipótese de sobrestamento de seu julgamento pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, nos termos do art. 1º, e seu parágrafo único, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2010. Face ao exposto, proponho, na forma do art. 2º, § 1º, I, da Portaria CARF nº 001/2010, o sobrestamento do julgamento do recurso do processo, até que o Supremo Tribunal Federal – STF profira decisão definitiva acerca dessa matéria. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Conselheiro Acolho o parecer do Conselheiro Alan Fialho Gandra para, com base na competência de que trata o art. 17, caput e inc. VII, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, e nos termos da Portaria CARF nº 1, de 03/01/2012, determinar o sobrestamento do julgamento do recurso objeto do presente processo até que seja proferida, pelo STF, a decisão definitiva nos autos do RE nº 574706, haja vista a existência de liminar na Ação Direta de Constitucionalidade nº 18 determinando o sobrestamento dos julgamentos que versem sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Encaminhese à SECAM/3C/3SJ para aguardar a decisão definitiva do STF. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13836.000400/200719 Acórdão n.º 3302002.477 S3C3T2 Fl. 84 5 (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente” Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de validade,devendo, pois, ser conhecido. Versa a lide sobre a possibilidade, ou não, de a contribuição para o PIS incidir sobre o ICMS. Verificase que a matéria discutida nos presentes autos encontrase submetida ao rito da Repercussão Geral na Suprema Corte (RE 574.706 RG, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, regime reconhecido no julgado em 24/04/2008, DJe 088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008 EMENT VOL0231910 PP 02174, Tema 69) e que há recursos extraordinários sobrestados, aguardando a decisão do acórdão em repercussão geral. Não obstante, de antemão, registrese a recente alteração do Regimento Interno do CARF, ocorrida por meio da Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013 que em seu art 1º revoga os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, afastando, assim, a figura do sobrestamento neste colegiado. Desta forma, nos termos da alteração do regimento do CARF acima mencionada, a pendência de julgamento de igual matéria pelo Supremo Tribunal Federal, em regime de repercussão geral, não mais implica direito ao sobrestamento de recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais –CARF. E, ainda, tendo em vista a menção efetuada pelo o Presidente de turma ao sobrestar o julgamento deste processo, conforme o Despacho transcrito logo acima no relatório, cabe destacar que em relação à ADC nº 18, o Plenário do STF decidiu (7 votos a 3) que seu julgamento deve preceder ao julgamento do RE nº 240.785, por tratarse a ADC de controle concentrado de constitucionalidade (com eficácia erga omnes, ou contra todos). Que tal ação foi conhecida (admitida) por unanimidade e, na sessão plenária de 13/8/2008, foi deferido pedido de medida cautelar (9 votos a 2) para suspender todos os processos judiciais que versem sobre a matéria até o julgamento de mérito da ADC. O STF prorrogou a liminar lá concedida por 180 dias, ao julgar a terceira Questão de Ordem na Medida Cautelar. Na oportunidade, consignou expressamente que aquela seria a última prorrogação e que seu prazo deveria ser contado a partir da publicação da ata de julgamento, ocorrida em 15.4.2010. Essa última prorrogação esgotouse em meados de outubro de 2010, razão pela qual não há mais suspensão de julgamento no âmbito do STJ, consoante depreendese de trecho pertinente da ementa de recente julgado a seguir transcrita: Fl. 86DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 6 “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. SÚMULAS 68 E 94/STJ. SOBRESTAMENTO. INVIABILIDADE. CONCEITO DE FATURAMENTO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. (...) 4. No que se refere à ADC 18/DF, o STF prorrogou a liminar lá concedida por 180 dias, ao julgar a terceira Questão de Ordem na Medida Cautelar. Na oportunidade, consignou expressamente que aquela seria a última prorrogação e que seu prazo deve ser contado a partir da publicação da ata de julgamento, ocorrida em 15.4.2010. 5. Essa última prorrogação esgotouse em meados de outubro de 2010, razão pela qual não há como suspender o julgamento no âmbito do STJ. (...)” (AgRg no AREsp 314.177/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/06/2013, DJe 01/08/2013.) Assim sendo, o presente processo, que já se encontrava com o julgamento do recurso voluntário sobrestado, foi redistribuído. Ultrapassada a questão antecedente, passase à análise de mérito da discussão:a possibilidade, ou não, de a contribuição para o PIS incidir sobre o ICMS. A DRF/Jundiaí, em seu Despacho Decisório, assim conclui a sua decisão: “(...) No § 2° do art. 2° da Lei n° 9.718/98, acima transcrito, estão relacionadas as exclusões da base de cálculo da contribuição para o PIS. A única hipótese de exclusão de ICMS é quando este imposto é cobrado pelo vendedor de bens ou pelo prestador de serviços na condição de substituto tributário, diferente da situação ora em análise, na qual o ICMS recolhido pelo interessado foi na condição de contribuinte deste tributo. (...). Porquanto os recolhimentos para a contribuição para o PIS nos períodos aqui considerados tenham sido ao amparo de legislação vigente, está provado que não existe nenhum crédito a favor do interessado.” Diante de tal conclusão, a contribuinte afirma, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, que, diferentemente do entendimento dado pela DRF/Jundiaí, não estaria questionando a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS, consoante consta da hipótese de exclusão prevista ou não no § 2°, do artigo 2°, da Lei n° 9.718/1998, mas sim estaria questionando o vício na aplicação da norma, já que a interpretação da Administração Tributária dada ao artigo 3° da Lei n° 9.718/1998 contraria o artigo 110 do CTN. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13836.000400/200719 Acórdão n.º 3302002.477 S3C3T2 Fl. 85 7 Diante de seus argumentos, oportuno será efetuar um breve histórico da legislação da Contribuição sob questão até aquela vigente no período sob litígio, qual seja o ano de 2002. Pois bem, a contribuição para o PIS foi instituída pela Lei Complementar nº 7/70, que definiu a base de cálculo do tributo como o faturamento bruto de seis meses anteriores ao mês de ocorrência do fato gerador (PIS semestral). Posteriormente, a MP n° 1.212, de 28111995, estabeleceu a base de cálculo do PIS como sendo o faturamento mensal, assim considerado como a receita bruta, tal como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Após, o art. 31, parágrafo único, da Lei nº 8.981, de 20/01/1995, determinou que, na receita bruta de venda de mercadorias e/ou serviços não se incluem os valores correspondentes aos impostos não cumulativos, cobrados destacadamente do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador de serviços seja mero depositário (como é o caso do IPI), senão vejamos: “Art. 31. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta, não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos nãocumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário.” (destacouse) Prosseguindo, temse que, a partir do ano de 1999, as contribuições para o PIS e COFINS passaram a ser regidas pela Lei nº 9.718, de 27/11/1998, que, em seus arts. 2º e 3º, definiu a base de cálculo desta contribuição como o faturamento, compreendido como a receita bruta da pessoa jurídica e não apenas a receita bruta da venda de mercadorias e/ou de serviços de qualquer natureza (como antes determinava a Lei Complementar nº 70/91): “Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias Fl. 88DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 8 e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; (...)” Observase que a Lei nº 9.718/98, ao definir em seu art. 3º, caput e §1º, a base de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS como a receita bruta da pessoa jurídica, concebea como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Portanto, nenhuma referência expressa fez a Lei nº 9.718/98 à receita bruta de vendas de mercadorias/serviços (na qual, repisese, não se incluem, nos termos da Lei nº 8.981/95, os impostos nãocumulativos, cobrados destacadamente do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador de serviços seja mero depositário). Daí porque o §2º, I, de referido art. 3º cuidou de aclarar que deveria ser excluído da base de cálculo de referidas contribuições o montante relativo ao IPI. Sabese que o Supremo Tribunal Federal, nos RE 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084 (e em todos os demais julgados pela Suprema Corte) declarou inconstitucional a definição de faturamento enquanto receita bruta total da pessoa jurídica constante do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. É que o STF, nos mencionados julgamentos, reputou que a Constituição Federal, em sua redação vigente quando da edição da Lei nº 9.718/98, somente autorizava a cobrança de contribuição social destinada à seguridade social incidente sobre o faturamento, compreendido como receita bruta da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços de qualquer natureza e que somente em seguida, com a promulgação da Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/1998 – que não poderia retroagir para legitimar a Lei nº 9.718/98, a Constituição autorizou a exigência de contribuição social sobre a receita bruta. Por isto, o STF tomou a locução “receita bruta”, constante do caput do art. 3º da Lei nº 9.718/98, como sinônimo de “faturamento”, no significado de ‘receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, cujos ministros se manifestaram que tal se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Assim, o STF declarou inconstitucional a base de cálculo definida no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98 naquilo que extrapolou a receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços, assim entendida como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades típicas da empresa (alargamento da base de cálculo). Contudo, a supradita declaração de inconstitucionalidade não traz prejuízo à exigência desta contribuição sobre o ICMS devido na operação de venda, porquanto o ICMS integra a receita bruta de venda de mercadorias e/ou serviços, sobre a qual a incidência do PIS e da COFINS é definida pela Lei nº 9.718/98, vigente à época dos fatos. O ICMS antigo ICM (Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias) foi inicialmente regulamentado pelo DecretoLei nº 406, de 31/12/1968, que revogou e substituiu os art. 52 a 58 do CTN. O art. 2º, § 7º, de reportado Decretolei determinava que o montante do ICM integrava a sua base de cálculo, constituindo o respectivo destaque do imposto mera indicação para fins de controle. Depois, a Constituição Federal de 1988 passou a denominar o ICM como ICMS (Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação) e lhe introduziu novas incidências, o qual foi, então, regulamentado pelo Convênio nº 66, de 14/12/1988, bem Fl. 89DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13836.000400/200719 Acórdão n.º 3302002.477 S3C3T2 Fl. 86 9 como pela Lei Complementar nº 87, de 13/09/1996, que em seu art. 13, §1º, I, abaixo vazado, manteve as mesmas disposições do art. 2º, §7º, do DecretoLei nº 406. “Art. 13. A base de cálculo do imposto é: (...) § 1º Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela LCP 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; (...)” Então, assim como o extinto ICM, o atual ICMS é embutido no preço da operação (“por dentro”), não sendo destacado na operação de venda. Conseqüentemente, o ICMS, cobrado “por dentro”, compõe a receita da venda de mercadorias, conforme há muito esclareceu o Parecer Normativo CST nº 70, de 10/02/1972 (DOU de 22/03/1972), ao preceituar que “Nos termos da Lei, o ICM tem por base de cálculo ‘o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria’, integrando este valor o montante do próprio tributo; conseqüentemente, este integra o preço da mercadoria ou o seu custo e dele não pode ser destacado na avaliação dos estoques, quando da apuração dos resultados.” Por corroborar com os fundamentos, é oportuno reproduzir excertos do Parecer Normativo CST nº 77, de 23/10/1986 (DOU de 28/10/1986), que elucida que o ICM deveria integrar a base de cálculo da contribuição para o PIS e do FINSOCIAL (tributos à época incidentes sobre a receita da venda de mercadorias e/ou serviços): “O ICM referente às operações próprias da empresa compõe o preço da mercadoria, e, conseqüentemente, o faturamento. Sendo um imposto incidente sobre vendas, deve compor a receita bruta para efeito de base de cálculo das Contribuições ao PIS/PASEP e FINSOCIAL. Entretanto, o ICM referente à substituição tributária não integra a base de cálculo do contribuinte substituto no tocante às suas Contribuições para o PIS/PASEP e FINSOCIAL, por constituir uma mera antecipação do devido pelo contribuinte substituído. (...) 4. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias ICM, sendo um imposto incidente sobre vendas (Instrução Normativa nº 51, de 03 de novembro de 1978) e cujo valor integra o preço da operação (Ato Complementar nº 27, de 08 de dezembro de 1966), deve compor a receita bruta de vendas e, conseqüentemente, a base de cálculo do PIS Faturamento e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP, quando os contribuintes realizarem venda de mercadorias sobre as quais ocorra a incidência do ICM, eis que inexiste na legislação de regência dos referidos Programas, qualquer dispositivo que autorize a sua exclusão. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 10 (...) 5.1 A legislação enuncia taxativamente que a base de cálculo da Contribuição para o FINSOCIAL é a receita bruta de vendas, nela incluídas todas as parcelas que compõem o preço, salvo aquelas cujas exclusões sejam expressamente autorizadas. O artigo 32 do RECOFIS trata das exclusões da base de cálculo, dentre as quais não se encontra o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias. 5.2 Através do Ato Complementar nº 27, de 4 08 de dezembro de 1966, foi acrescentado o parágrafo 4º ao artigo 53 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), que dispõe sobre o valor tributável do ICM, para declarar que o montante desse imposto integra o valor ou o preço da operação, constituindo o respectivo destaque nos documentos fiscais mera indicação para possibilitar o crédito do adquirente. O artigo 2º do Decretolei nº 406, de 31 de dezembro de 1968, ao definir a base de cálculo do ICM, ressaltou, no § 7º, a disposição supra. 5.3 Portanto, por disposição expressa de lei, o montante do ICM integra o valor ou o preço da operação. Considerando que a base de cálculo da Contribuição para o FINSOCIAL é a receita bruta (faturamento deduzido do IPI e IUM), excluídas desse valor somente as parcelas expressamente enunciadas na legislação, não constando entre elas o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias, é evidente que também sobre a parcela concernente ao ICM, que compõe o valor total referente às operações próprias da empresa, há de incidir a Contribuição para o FINSOCIAL. (...)” (g.n) Sendo a lei o meio legítimo para dispor sobre a base de cálculo de tributos (art. 96, IV, do CTN), poderia a mesma ter determinado que o PIS e a COFINS não incidissem sobre todos os impostos nãocumulativos, cobrados destacadamente ou não, na operação de venda. Como assim não dispõe a lei, e tendo em vista que o ICMS está incluso no preço da mercadoria, que, por sua vez, compõe a receita bruta, não é permitido à Administração Tributária afastar a incidência do PIS e da COFINS sobre o ICMS não destacado. É farta a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Julgamento no mesmo sentido: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/12/2002 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98, assim o ICMS incluise na base de cálculo da contribuição. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13836.000400/200719 Acórdão n.º 3302002.477 S3C3T2 Fl. 87 11 Recurso Voluntário Negado.” (Acórdão nº 3801002.616 – 1ª Turma Especial, de 28 de novembro de 2013, no processo nº 10940.903187/200985) “BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. A base de cálculo da COFINS e do PIS Faturamento é o faturamento ou receita bruta, sem exclusão do valor do ICMS devido, destacado nas notas fiscais de saída e que compõe o preço total do produto. Recurso negado” (Acórdão nº 340101.031 — 4ªCâmara /1ª Turma Ordinária, de 30 de setembro de 2010, processo nº11080,905084/200817). Junto ao Superior Tribunal de Justiça, há muito se consolidou o entendimento de que na base de cálculo da contribuição para o PIS e do FINSOCIAL (que também incidia sobre a receita de vendas) se incluem o ICM e o ICMS o que, inclusive, foi objeto das Súmulas nº 68 e 94, editadas pelo STJ nos anos de 1992 e 1994 e assim redigidas: Súmula STJ nº 68: “A parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS.” Súmula STJ nº 94: “A parcela relativa ao ICMS incluise na base de calculo do FINSOCIAL.” E, relativamente ao voto proferido pelo o Ministro Marco Aurélio do STF, no Recurso Extraordinário n° 240.785/MG, temse a registrar que tal voto ainda não foi publicado e o julgamento do mesmo encontrase suspenso desde agosto de 2006, inicialmente em face de pedido de vista do Sr. Ministro Gilmar Mendes e, posteriormente, em face da Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC 18), em 10/10/2007, proposta pela Presidência da República, objetivando ver declarada a validade formal e material da norma contida no art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. Esse dispositivo exclui do conceito de faturamento, para fins de base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS, o ICMS cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, o que implicaria na legitimação da cobrança do PIS e COFINS inclusive sobre o ICMS próprio da contribuinte, cujo provimento pode alterar o entendimento que foi proferido pelo o então Ministro Marco Aurélio acerca desta matéria. Em não tendo sido ainda concluído e publicado o julgamento do Recurso Extraordinário n° 240.785/MG, ainda não se tem decisão, nos termos do art. 135, §2°, do Regimento Interno daquele órgão, somente quando encerrada a votação é que o Presidente do STF proclama a decisão. E, mesmo que houvesse sido proferido a decisão nos termos do já conhecido voto do Sr. Ministro Marco Aurélio, ainda assim, tal não aproveitaria para a contribuinte, uma vez que a contribuinte não faz parte no citado RE. Repitase que a regra contida no art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98, a qual prevê a exclusão da base de cálculo das contribuições do PIS/PASEP e COFINS do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Fl. 92DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 12 Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, conduz ao entendimento acerca da legitimação da cobrança do PIS e COFINS sobre o ICMS próprio da contribuinte. E mais, a despeito da discussão, ainda inconclusa, da questão perante o Supremo Tribunal Federal, o entendimento acima se mantém no STJ. É o que demonstram as seguintes ementas de recentes julgados proferidos pelo Superior Tribunal de Justiça: “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. SÚMULAS N. 68 E 94 DO STJ. 1. Não subsiste o óbice ao julgamento da presente demanda, estipulado pelo STF na MC na ADC n. 18, pois já findou o prazo de suspensão das demandas que versem sobre o objeto deste recurso, conforme Ata de Julgamento publicada em 15.4.2010. 2. A jurisprudência do STJ reconhece a possibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ. 3. Agravo regimental não provido.” (AGRESP Nº 946.042/ES, DJE de 15/12/2010) “PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. LEGALIDADE. REPETIÇÃO DE INDÉBITO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. CINCO ANOS DO FATO GERADOR MAIS CINCO ANOS DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. ART. 4º DA LEI COMPLEMENTAR N. 118/2005. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NOS ERESP 644.736/PE. INCIDÊNCIA DO DISPOSTO NO ART. 481, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MATÉRIA DECIDIDA SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC, E DA RESOLUÇÃO STJ 08/2008. 1. Primeiramente, impõese o conhecimento do recurso no tocante à incidência do ICMS na base de cálculo da PIS e da COFINS, uma vez que findou o prazo determinado na decisão do Supremo na ADC n. 18, de prorrogar por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. 2. A parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ.” (AGRESP nº 1.121.982/RS, DJE de 04/02/2011) “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. A jurisprudência firmada no STJ é no sentido de a parcela relativa ao ICMS incluirse na base de cálculo do PIS e da Cofins’ (AgRg no Ag 1.106.213/RS, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma, DJ 8/6/09). 2. Agravo regimental não provido.” (AGRESP 1.119.592/PR, DJE de 18/02/2011) Fl. 93DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13836.000400/200719 Acórdão n.º 3302002.477 S3C3T2 Fl. 88 13 “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO.INCLUSÃO DO ICMS. SÚMULAS 68 E 94/STJ. SOBRESTAMENTO. INVIABILIDADE. CONCEITO DE FATURAMENTO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 2. O ICMS incluise na base de cálculo do PIS e da Cofins, conforme as Súmulas 68 e 94/STJ. 3. O reconhecimento de repercussão geral pelo egrégio STF não impede o julgamento dos recursos no STJ. Precedentes do STJ. 4. No que se refere à ADC 18/DF, o STF prorrogou a liminar lá concedida por 180 dias, ao julgar a terceira Questão de Ordem na Medida Cautelar. Na oportunidade, consignou expressamente que aquela seria a última prorrogação e que seu prazo deve ser contado a partir da publicação da ata de julgamento, ocorrida em 15.4.2010. 5. Essa última prorrogação esgotouse em meados de outubro de 2010, razão pela qual não há como suspender o julgamento no âmbito do STJ. 6. O STJ tem entendido que a interpretação do conceito de faturamento para fins de incidência de contribuição ao PIS e à Cofins é matéria eminentemente constitucional, que foge da sua competência no âmbito do Recurso Especial. Precedentes: REsp 1.017.645/CE, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, DJe 10.9.2010; AgRg no REsp 1.224.734/RN, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, DJe 13.6.2012. 7. Agravo Regimental não provido." (AgRg no AREsp 314.177/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/06/2013, DJe 01/08/2013.) "TRIBUTÁRIO PIS E COFINS BASE DE CÁLCULO FATURAMENTO REPERCUSSÃO GERAL SOBRESTAMENTO DO FEITO IMPOSSIBILIDADE INCLUSÃO DOS VALORES DEVIDOS A TÍTULO DE ICMS POSSIBILIDADE SÚMULAS 68 E 94 DO STJ PRESCRIÇÃO DOS CRÉDITOS QUESTÃO PREJUDICADA. 1. O reconhecimento de repercussão geral em recurso extraordinário não determina automaticamente o sobrestamento do recurso especial, apenas impede a ascensão de eventual recurso de idêntica matéria ao Supremo Tribunal Federal. Precedentes. 2. A jurisprudência desta Corte sedimentouse no sentido da possibilidade de os valores devidos a título de ICMS integrarem a base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 14 3. Entendimento firmado nas Súmulas 68 e 94 do STJ. Divergência jurisprudencial rejeitada, nos termos da Súmula 83/STJ. 4. Prejudicada análise da prescrição dos eventuais créditos. 5. Agravo regimental não provido."(AgRg no Ag 1051105/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/05/2013, DJe 24/05/2013.) "TRIBUTÁRIO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. LEGALIDADE. ANÁLISE DE DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. 1. É firme na jurisprudência do STJ que a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme as Súmulas 68 e 94/STJ. No caso dos autos, apenas sobre a COFINS, atendendo à correção do erro material apontado pela agravante. 2. Não há óbice ao julgamento da presente demanda, em razão do estipulado pelo STF na MC na ADC 18, pois já se findou o prazo de suspensão das ações que versem sobre o objeto deste recurso, conforme Ata de Julgamento publicada em 15.4.2010 (AgRg no REsp 946.042/ES, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 2.12.2010, DJe 15.12.2010). 3. A apreciação de suposta violação de preceitos constitucionais não é possível na via especial, nem à guisa de prequestionamento, porquanto matéria reservada, pela Carta Magna, ao Supremo Tribunal Federal. Agravo regimental improvido." (AgRg no REsp 1138894/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 14/05/2013, DJe 28/05/2013.) E, é essencial registrar o julgamento do RECURSO ESPECIAL nº 1.127.877 SP (2009/0045592), RELATOR MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI, o qual foi recebido na origem pelo regime do artigo 543C do CPC. De início, em face de a matéria nele versada inclusão dos valores pagos a título de ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP – ser objeto da ADC nº 18, em que havia sido proferida decisão liminar impondo a paralisação das demandas em curso que tratam do tema, o seu julgamento ficou suspenso. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, o STJ proferiu decisão monocrática e definitiva no aludido REsp nº 1.127.877SP (transitada em julgado em 20/06/2012), conforme ementa e voto abaixo transcritos: “EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. DECISÃO Fl. 95DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13836.000400/200719 Acórdão n.º 3302002.477 S3C3T2 Fl. 89 15 1. Tratase de recurso especial interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que, em mandado de segurança objetivando afastar a incidência do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, bem como o direito à compensação dos valores recolhidos, negou provimento à apelação, sob o fundamento de que o faturamento representa a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Os embargos de declaração foram rejeitados. No recurso especial (fls. 719/726), a recorrente aponta ofensa aos seguintes dispositivos: (a) art.535, II, do CPC, pois, mesmo com a oposição dos embargos de declaração, não foram sanadas as omissões apontadas; e (b) arts. 2° e 3°, da Lei 9.718/98, alegando, em síntese, que, uma vez que o ICMS não é componente do faturamento previsto no art. 195 da CF, é indevida a sua inclusão na base de cálculo da COFINS. Contrarazões às fls. 750/752. 2. Não há nulidade por omissão no acórdão que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos trazidos pelo vencido, decide de modo integral e com fundamentação suficiente a controvérsia posta. No caso dos autos, o Tribunal de origem julgou, com fundamentação suficiente, a matéria devolvida à sua apreciação. 3. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min.Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. 4. Pelo exposto, com fundamento no art. 557, caput, do CPC, nego seguimento ao recurso especial. Intimese. Brasília (DF), 31 de maio de 2012. MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI Relator” Pois bem, vêse que a Unidade da RFB e a Delegacia de Julgamento de Campinas, deram a devida interpretação à legislação tributária, em conformidade com as orientações internas da RFB, com a Jurisprudência administrativa e com a Jurisprudência Pacífica do tema no STJ, em conformidade com as Súmulas 68 e 94 do STJ, não havendo, pois, razões para alterar a decisão proferida pela 1ª Instância de julgamento Administrativo. Quanto às argumentações referentes ao conceito de faturamento com base nas regras estabelecidas nos artigos 195 e 239 da Constituição Federal, é importante consignar que não se trata de vício de interpretação da norma. A alegação, em síntese, de que o ICMS não é componente do faturamento previsto no art. 195 da CF, sendo indevida a sua inclusão na base de cálculo da COFINS, constitui sim análise de matéria constitucional. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 16 Na verdade, a autoridade julgadora tem que observar o princípio da legalidade, não podendo negar aplicação à norma, de sorte que a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e COFINS postulada carece de previsão legal. Além disso, a esfera administrativa não pode apreciar eventual inconstitucionalidade de Lei, tendo em vista que o controle de constitucionalidade de normas é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle concentrado ou difuso. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” CONCLUSÃO Diante de tudo o que foi acima exposto, conduzo o meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão da DRJ/CPS, no sentido de incluir o ICMS na base de cálculo do PIS e não reconhecendo o direito creditório pleiteado. É como voto. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 97DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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